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Full text of "Chronica geral do Brazil"

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B. L. GARKIER — Livreiro editor, Rua do Ouvidor 71 

DO MESMO AUTOR 

O Brazil social e politico, ou o que fomos e o- que somos, com trechos 
análogos, extrahidos do serraonario do famoso politico Padre António 
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toria circumstanciada dos ministérios, pela ordem chronologica dos ga- 
binetes ministeriaes, seus programmas, revoluções politicas que se 
deram e côics cora que appareceram, desde o dia 10 de Março de 1808 
até 1811 ; a da conquista de Cayenna, da independência do Brazil e das 
constituições politicas, desde 1739 até 1834, acompanhada da lista no- 
minal e por successão dos senadores desde a creação do Senado até o 
presente, e a dos Deputados, 2 vols. in-folio ene. 17)51000, br. 15^000 

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por dous miliiões de libras esterlinas e o Império do Brazil com dous Im- 
peradores no seu r-conhecinir-nto e sessão ; seguida da historia da Con- 
stituição politica, do patriarcliado e da corrupção governamental; pro- 
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CHRONICA GERAL 



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SYSTKMATISADA E COM UMA IKTKOUUCC. 

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MELLO MORAES FILHO 

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1700 - 1800 



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B. Ij. Garnisr — Livreirc-Sclltor 

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CHRONÍGA GERAL 

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1700 — 1800 



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I. Computo ecolesiastico. Áureo numero, 10 ; cyclo 
solar, 1 ; epactn, 9 ; letra dominical, C. 

II. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, sexta-feira ; 
13asclioa, a 11 de Abril ; indicação romana, 8 ; periodo 
Juliano, 0,413. 

III. O terreno onde hoje está assentada a cidade da 
Feira de Santa Anna foi uma fazenda de gados e plan- 
tações, chamada Fazenda da Cerca de Pedras dos 
OUios d' Agua, de data muito antiga, a qual passou a 
Domingos Barboza de Araújo, e á sua mulher Anna 
Brandão, os quaes fundaram na mesma fazenda uma 
capeila com a invocação de Santa Anna e S. Domingos. 
Com a presença da capeila de Santa Anna, e devoção 
do tempo foi chamando para ella os devotos, e se creando 
o núcleo da povoação ; e a pequena reunião que se fazia 
em dias certos no lugar do Registo dos Oados, a três 
léguas de distancia, para o nascente, próximo a uma 
lagoa, que ficou conhecida pela Lagoa, do Registo, foi 
transferida, sem. intervenção da autoridade, para a po- 
voação de Santa Anna. O Kegisto dos Gados para a capital 

CHROinCA GERAL SEC. XVn. — 1 



2 CHROKICA GERAI4 

da Bahia e para o talho das diversas localidades, tainbem 
se passou para a Feira de Santa Anna, porque os gados 
tinham ahi aguada sufficiente, e estrada geral para o 
tran^^^^porte. 

Em 19 de Fevereiro de 1733 Domingos Barboza de 
Araújo e sua mulher D. Anna Brandão, não tendo íilhos, 
por codicillo que íora aberto pelo vigário de S. José das 
Itapororocas, em 2 de Março e mandado cumiDrir jielo 
juiz ordinário da villa, hoje cidade da Cachoeira, no dia 
seguinte 3 de Março do mesmo anno de 1733, deixaram 
vinculados á capella de Santa Anna e S. Domingos as 
fazendas do Monie-môr, e outros bens, que por cahirem 
em commisso, a fazenda nacional requereu sequestro em 
27 de Outubro de 1841, e por sentença do juiz municipal 
do termo, de 7 de Maio de 1847, julgada devoluto e in- 
corporada aos próprios nacionaes a referida capella de 
Santa Anna dos Olhos d' Agua e todos os seus pertences 
instituídos por Domingos Barboza de Araújo e Anna 
Brandão, e passando em julgado a sentença foram as 
terras do seu capellado vendidas, e tudo legalisado em 
13 de Março de 1848, pelo juiz municipal Leovigildo de 
Amorim Filgueiras. 

Já sendo mui crescida a povoação da Feira de Santa 
Anna, os seus habitantes e os da sua circumvizinhança, 
em numero de duzentos e cincoenta e três moradores, no 
dia 25 de Abril de 1828, dirigiram ao Imperador uma repre- 
sentação pedindo ao governo ser elevada a povoação á 
categoria de villa, principiando as assignaturas pela 
do vigário de S. José das Itapororocas o i:)adre José 
Tavares da Silva, e terminadas pelas dos padres Fran- 
cisco da Silva Moraes, Pedro Nolasco da Silva, Caetano 
Alves de Cerqueira e alferes João Bernardino Borges 
Pinto de Meirelles. No 1.° de Julho de 1820 foi remettida 
pela assembléa geral a representação á com missão de 
Estatística que, dando o seu parecer favorável, foi a povoa- 



r>0 BRAEIL 5 

ção da Feira elevada á villa em 1832, eno anuo dy 1880 
foi igualmente elevada á cidade. 

A capella primitiva foi demolidn, e ficava maiy perto 
da estrada geral, e ao lado foi construída a que hojo serve 
de matriz. 

Antigamente a feira era nos dias de torça-feira, e agora 
foi mudada para as segundas-feiras, em virtude de deter- 
minarrio da camará municipal. A primeira cadeira de 
primeiras letras foi creada por Decreto de 16 de Julho 
de 1833. 

•IV. I^a quinta-feira 28 do Janeiro de 1700 6 creado, 
por carta regia desta data, o lugar de juiz de fora da 
capitania de Pernambuco, com o m.esmo ordenado que 
fruia o da cidade da Baliia, devendo esta desj^eza ser 
supprida por uma nova imposição sobre couros e solas ! 
A corte de Portugal só se emx^enliava em arrancar do 
povo do Brazil tudo o que i)odia. 

Y. Em Julho de 1707, Francisco de Abreu Pereira toma 
IDOSse do governo da Parahyba do I^orte, e governa du- 
rante três annos e quatro mezes. 

YI. Os paulistas continuaram a x^euetrar nos extensos 
sertões mineraes, e x^or isso puzeram ao território de 
que hoje se compõe a província de Minas a denomi- 
nação de Minas Geracs. O governador do Kio de Janeiro, 
Arthur de Sá de Menezes, nesse anno de 1700, também 
foi a Minas Geraes para conhecel-os. 

A noticia da descoberta das minas de ouro, e a riqueza 
delias, esx)alhando-se por toda a parte, fez que i3ara ellas 
acudissem milhares de aventureiros ; mas os paulistas 
convencidos de serem elles os descobridores das minas 
auriferas, e por conseguinte os únicos com direito de as 
desfrutarem, oppondo-se aos demais aventureiros, ori- 
ginaram-se os ódios entre elles e os portuguezes europeus 
a quem appellidava^n de Forasteiros e de Eniljoahas, 



4 CHROXICA GEEAL 

YII. Computo ecclesiastico . Áureo" numero, 1 ; cyclo 
solar, 2 ; epacta, 20 ; letra dominical, B. 

VIIL Martyrologio. — Dia 1.° de Janeiro, sabbado ; 
domingo de paschoa, a 27 de Março ; indicação romana, 9 ; 
periodo Juliano, 6,414. 

IX. No dia 18 de Junlio de 1701 Portugal e a Hespanha 
celebram um tratado, e por elle cede a Hespanha á Por- 
tugal o dominio i)leno e j)erfeito da margem septentrional 
do Rio da Prata. Por este mesmo tratado, ratificado no 
1° de Julho do mesmo anuo, promettia ainda a Portugal 
oppôr-se ás reclamações da Hollanda sobie os negócios 
que com elle tinha a respeito do Brazil. 

X. O mestre de camião Fernão Carrilho, em 30 de 
Junho de 1701, toma posse do governo da capitania 
do Maranhão em substituição a xintonio de Albuquerque 
Coelho, que se retirou x)ara Lisboa. 

XI. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 12; cyclo 
solar, 3 ; epacta, 1 ; letra dominical, A. 

XII. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, domingo ; 
j)aschoa, a 16 de Abril ; indicação romana, 10 ; periodo 
Juliano, 6.415. 

XIII. D. João de Lencastro, amigo. Eu El-rei vos 
envio muito saudar. A D. Rodrigo da Costa fui servido 
fazer mercê do governo geral desse Estado, como vos 
constará da carta patente que lhe mandei passar : 
encommendo-vos, que na forma costumada lhe deis a 
posse do dito governo que estais exercitando com as cere- 
monias, que em semelhantes actos se costumam, de que 
se fará assento, em que ambos assignareis, e havendo-llie 
dado a dita posse e as noticias que julgardes i^or con- 
venientes a meu serviço, vos hei por desobrigado da 
homenagem que pelo dito governo me fizestes. — Escrij^ta 
em Lisboa a 17 de Março de 1702. — Hei. — Conde de 



DO BKAZIL 



Alvor. — Para o governador e capitão general do Estado 
do Brazil. 

XIV. Auto. — Aos dez dias do niez de Abril do anuo 
presente de 1702, nesta cidade de Lisboa, nos paços da 
corte real onde ora assiste o muito alto e muito poderoso 
rei D. Pedro II nosso seiílior,: fez x^reito e homenagem 
em suas reaes mãos, segundo ordenança, D. Rodrigo da 
Costa, pelo governo e capitania geral do Estado do Brazil 
de que é provido pela carta íitrás escripta, e de como 
se fez o dito preito e liomenagem se fez termo no livro 
delias a fl. 9, que assignou commigo e com o Conde de 
Yilla Yerde e Álvaro de Souza Mello, porteiro -mdr de 
sua magestade que presentes foram ao dito acto. E para 
constar se lhe jpassou esta em Lisboa a 11 de Abril de 
1702. — Mendo ãe Forjas Pereira. 

XV. No dia 22 de Maio de 1702 tomou posse da dio- 
cese metropolitana da Bailia, o quinto arcebispo D. Fr. 
António Monteiro da Vide. Foi este arcebispo que no dia 
8 de Setembro de 1704 deu regimento á relação eccle- 
siastica, e confeccionou a constituição do arcebispado, 
apresentando um synodo diocesano, celebrado jD^la pri- 
meira vez em 12 de Junho de 1707. 

Mandou edificar na face do norte do terreiro de Jesus, 
a igreja de S. Pedro (Novo) e o palácio para a residência 
dos arcebispos próximo a Sé. 

XVI. D. Fr. Francisco de S. Jeronvmo, terceiro bispo 
do Rio de Janeiro, tomou i)osse do bispado no dia 11 de 
Junho de 1702. 

Foi este bispo quem mandou edificar no morro da 
Conceição o palácio episcox^al do Rio de Janeiro. 

XVIL No dia 8 de Julho de 1702, D. Manoel Rolim 
de Moura toma posse do governo da cai)itania do -:1a- 
ranhão. 



6 CIinONlCA GtrAL 

XyiII. D. Álvaro da Silveira e Albncftierqne no dia 
ISdeJuiliode 1702 tomou posse do governo do Rio de 
Janeiro. 

XIX. Porqnanto sna niagestade que Deus guarde foi 
servido ordenar a meu antecessor por carta de 14 ãe. 
Abril deste anno, escripta pela jnnta das missões que 
vendo a cópia da petição que lhes fez o iirovincial da 
ordem dos Pregadores, da província de Portugal sobre 
terem os seus religiosos um liospicio ou convento ne^ta 
cidade ; e se assentou na junta das missões delia que 
devia ser ouvido este povo. Ordeno" ao senado da ca- 
mará desta mesma cidade chame o dito povo na forma 
que é estylo, ao qual se lerá a carta de sua m.ages- 
tade e a cópia da petição que fez ao dito senhor o 
l^rovincial da ordem dos Pregadores, que uma e outra 
se remette com esta ; e ouvindo o dito povo, o senado 
da camará me informe do seu parecer com a brevidade 
possível, restituindo á secretaria do Estado a dita c arta 
como a cópia da iDetiçfio. Bahia e Julho de 14 de 1702. 
— D. Rodrigo da Costa. 

XX. Xo dia 15 de Julho de 1702, D. Rodrigo da 
Costa toma posse, na Bahia, do governo geral do Es- 
tado do Brazil ; e foi este governador qu.em mandou 
construir a casa da pólvora no largo da igreja do Senhor 
dos Aiíiiçtos, junto a qual, muitos annos depois, foi 
estabelecido o Passeio Publico da Bahia. Mandou re- 
l^arar as fortificações da cidade e construir a forta- 
leza da ilha de Itaparica, e o fortim, na entrada do 
rio Paraguassú. 

XXI. Provisão. — D. Pedro, por graça de Deus, Rei de 
de Portugal, etc. Faço saber a vds juiz de fora, verea- 
dores, e procurador que ora servem na camará desta 
cidade, que eu hei por bem, que este anno que entra de 
1703, sirvam de vereadores delia, Uonçalo Ruvasco Ca- 



V)0 i5ni.ziL "7 

ralcanti e Albuquerque, António Paes de Aragão, e 
Miguel Calmon de Almeida, e de procurador o sar- 
gento-mór Manoel Ramos Parente, aos quaes mandareis 
logo cliamar e lhos dareÍ3 posse e juramento para que 
bem e verdadeiramente sirvam os ditos cargos, con- 
forme seu regimento, de c[ue se fará assento no livro 
da vereação. Dado nesta cidade do Salvador, Bahia 
de Todos os Santos, em os 28 dias do mez de Dezembro 
do anno de 1702. Manoel Rogério, oílicial-maior da secre- 
taria deste Estado a fiz e subscrevi, por mandado do Sr. 
D. Rodrigo da Costa, governador e capitão general do 
mesmo Estado. — D. Rodrigo da Cosia. 

XXII. D. Rodrigo da Costa, com carta patente pas- 
sada em 13 de Maio, r^resta em 10 de Abril, nas mãos 
de El-rei D. Pedro II, preito e homenagem do cargo 
de governador e capitão general do Estado do Brazi), 
chega á Bahia em 30 de Junho e a 3 de Julho toma 
posse do governo do Estado na lórma do estylo. 

XXIII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 13 ; 
cyclo solar, 4 ; epacta, 12 ; letra dominical, G. 

XXIV. Martyrologio. 1.° de Janeiro, segunda -feira ; 
paschoa, a 8 de Abril ; indicação romana, 11 ; periodo 
Juliano, 6,416. 

XXV. Por carta regia de 7 de Dezembro de 1703 
se mandou crear na capitania de Pernambuco o juízo 
da coroa, independente do governador, composto do ou- 
vidor e dous adjunctos pelo menos, sendo o juiz de fora 
e o advogado mais antigo do auditório. 

XXVI. Pela carta regia de 4 de Julho do 1704, 
El-rei D. Pedro II manda dar terras aos Índios do 
Brazil e favorecel-os com outras providencias. 

XXVII. "iXo 1.° de Dezembro de 1703 foi assignado 
com Portugal o celebre tratado do commercio com a 



8 CHRONICA GEEÁL 

Inglaterra que acabou com as fabricas de tecidos 
do Covillian, fundadas em Portugal, em x^roveito das 
de Inglaterra. 

XXyiII. Sem embargo da duvida que me repre- 
sentou o senado da camará desta cidade, sobre x>agar 
o soldo por inteiro aos dous capitães de infantaria, que 
mando com duzentos homens a soccorrer a nova co- 
lónia do Sacramento. Ordeno ao mesmo senado mande 
pagar aos ditos capitães os seus soldos por inteiro, 
desde o dia do embarque, visto o requerimento que me 
fizeram, e o exemplo que ai legaram de haver sua ma- 
gestade que Deus guarde mandado i^ngar pelo mesmo 
senado o soldo i3or inteiro aos capitães Carlos de 
Affonsequa Pinto e Braz da Roclia Cardoso, que desta 
j^íraça foram de guarnição na náo da índia S. Pedro Go?i- 
çalves, e se praticar o mesmo com os capitães das ar- 
madas e frotas de Portugal. Bahia, e Outubro, 4 de 1703. 
— D. Rodrigo da Costa. 

XXIX. Tendo sido nomeado Fernando de Barros de 
Vasconcellos governador da Parahyba do Norte, tomou 
posse da administração em Novembro de 1703, em cujo 
governo se conservou quatro annos e oito mezes. 

XXX. Dom Pedro, i^or graça de Deus , Rei de Por- 
tugal, etc. Faço sabei a vós juiz de fora, vereadores e 
procurador, que ora servem na camará desta cidade, que 
eu hei por bem, que este anuo que entra de 1704, 
sirvam de vereadores delia Sebastião da Rocha Pitta, 
Pedro Barbosa Leal e Salvador Corrêa de Sá e de pro- 
curador António Pereira Soares, aos quaes mandareis 
logo chamar, e lhe dareis posse e juramento, para que 
bem e verdadeiramente sirvam os ditos cargos, conforme 
seu regimento, de que se fará assento no livro da ve- 
reação. Dado nesta cidade do Salvador, Bahia de Todos 
03 Santos, em os 28 dias do mez de Dezembro do anno 



DO BEÀZIL 9 

de 1703. Manoel Rogério, official-maior da secretaria 
deste Estado, a fez e subscreveu por mandado do 
Sr. D. Rodrigo da Costa, governador do Estado. — 
D. Rodrigo da Costa. 

XXXI. Comjputo ecclesiastico. Áureo numero, 14 ; 
cyclo solar, 5 ; epacta, 23 ; letra dominical, F. E. 

XXXII. Mariyrologio. 1.° de Janeiro, terça-feira ; 
pasclioa, 23 de Março ; indicação romana, 12 ; periodo 
Juliano, 6,417. 

XXXIII. Xo dia 29 de Abril de 1704 morre o bispo 
de Pernambuco D. Francisco de Lima, na idade de setenta 
annos tão pobre que apenas se lhe acliaram quarenta réis 
em dinlieiro, tendo gasto todas as suas rendas em serviços 
pios ; mandando fundar trinta missões que reuniu. 

XXXIV. Ao ouvidor da capitania de Sergipe de El- 
Rei escrevo que ordene logo aos juizes da villa de Santa 
Luzia, se abstenham de mandar fazer diligencias pelos 
ofíiciaes de justiça delia, aos moradores dos districtos 
do Rio Real da Praia, x^or não serem da sua juris- 
dicção : e ao capitão dos mesmos districtos João Pinio 
de Mattos ordeno i:)renda aos officiaes de justiça que 
forem áquelles districtos a fazer diligencias aos mora- 
dores deiies e os remettam á cadeia desta cidade ; 
para evitar a queixa de que vossas mercês me dão 
conta, fizeram os ditos moradores. Deus guarde a vossas 
mercês.— Bahia e Julho, 21 de 1704. — D. Rodrigo da 
Costa. — Para os oínciaes da camará desta cidade. 

XXXV. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 15 ; 
cyclo solar, 6 ; epacta, 4 ; letra dominical, D. 

XXXV I. Martyrologio. 1.° de Janeiro, quinta-f eira ; 
X)aschoa, 12 de Abril ; indicação romana, 13 ; periodo 
Juliano, 6,418. 



10 ClíROXICÁ GERAL 

XXXVII. Por carta regia de 15 de Abril de 1705 fo- 
nomcíido João Vasco Molina j)nvcL governar interinai 
mente a capitania do Maranhão pela suspensão de D. Ma- 
noel Rolim de Moura. (Gaijoso ]}ag. 134.) 

XXXVIII. D. Fernando Martins Mascarenhas de Len- 
castro toma posse do governo do Hio de Janeiro, no 
1.° de Agosto de 1705, e indo a Minas Geraes ai)a- 
siguar as desordens que alli existiam, sendo mal rece- 
bido, voltou j)or S. Paulo, onde tendo noticia que lhe 
vinha successor, voltou para o Rio de Janeiro. 

XXXIX. Foi fnndada a villa de Nossa Senhora do 
Bomsuccesso de Pindamonliangaba em 10 de Julho de 
1705 pelo desembargador ouvidor geral João Saraiva de 
Carvalho, sem provisão, pelo que representaram os mo- 
radores de Taubató. Sna magestade então confirmou a 
villa por i-)rovisão desta data. Nada lesava ao termo da 
villa de Taubató e somente á herdeira, condessa de 
Vimieiro que foi assim sendo desx:)ojada das mercês 
concedidas a Martim Aííonso de Souza. 

Fernão Vieira Tavares, medindo as terras das duas 
donatárias havia com suborno e injustiça favorecido aos 
herdeiros de Pedro de Souza. 

XL. Aos 31 dias do mez de Maic do anno presente de 
1705, nos paços da Bemposta, onde ora assiste a muita 
alta e muito poderosa Princeza D. Catharina, Rainha da 
Gram-Bretanha, que pela indisposição de El-rei nosso 
senhor tem o governo destes reinos, fez preito e home- 
nagem nas suas reaes mãos, segundo a ordenança, Luiz 
César de Menezes, pelo governo e capitania geral do Es- 
tado do Brazil em que está provido pela patente atrás 
esciipta, e se fez termo no livro das homenagens, que 
assignou commigo o secretario de Estado. E para constar 
do referido lhe passei a presente. Lisboa no dito dia, meg 
e anno supra.—/). Tkomaz de Almeida, 



r»0 URA2IL 11 

XLI. D. Rodrigo da Costa. Eu a Rainha da Gram-Bre- 
taulia, Infanta de Tortugal, como regente destes reino?, 
no impedimento de meu irmão, o senhor Rei D, Pedro, 
TOS envio muito saudar. A Luiz César de Menezes fni 
servida fazer mercê do governo geral desse Estado, como 
TOS constará da carta patente que delle lhe mandei 
passar. Encommendc-vos, que na forma costumada lhe 
deis a posse do dito governo que estais exercitando, com 
as ceremonias que em semelhantes actos se costumam, de 
que se fará assento, em que ambos assignareis ; e ha- 
Tendo-lhe dado a dita posse, e as noticias que julgardes 
por couTenientes a meu serviço, vos hei por desobrigado 
da homenagem que x;elo dito governo me fizestes. Escripta 
em Lisboa a 29 de Abril de 1705. — Baínlia. — Para o go- 
vernador e capitão general do Estado do Brazil. 

XLII. Luiz César de Menezes toma posse, na Bahia, do 
gOTerno geral do Estado do Brazil, no dia 8 de Setembro 
de 170o. Foi este govenador geral que i^romoTeu a plan- 
tação da canella e do cravo da índia na Bahia, vindo da 
Ásia o franciscano Fr. João da Assumpção para ensinar o 
modo de os cultivar. 

XLIII. Portugal, estando em guerra com a Hespanha, o 
vice-rei do Perií teve ordem de mandar expellir os por- 
tuguezes da colónia do Sacramento ; e este ordenando a 
D. Álvaro Valdez, governador de Buenos-Ayres, que exe- 
cutasse a ordem do governo da Hespanha, a frente de 
dous mil homens a cavallo, e de cinco mil Índios das 
Redacções Jesuíticas, chegando no dia 4 de Novembro 
de 170o á colónia do Sacramento, depois de uma vigorosa 
resistência, por espaço de seis mezes, foi forçado o gover« 
nador portuguez, Sebastião da Veiga Cabral, a abandonar 
a praça e retirar-se por mar, com os moradores delia para 
o Rio de Jeneiro. 



12 CHE02Í1ÇA GERAL 

XLIV. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 16 ; 
cyclo solar, 7 ; epacta, 15 ; letra dominical, C. 

XLV. Martyrologio. 1.° de Janeiro, sexta-feita ; do- 
mingode imsclioa, 4 de Abril ; indicação romana, 14 ; 
periodo Juliano, 6,419. 

XLYI. Luiz César de Menezes, amigo. Ea El-rei vos 
envio muito saudar. Havendo visto o que me representou 
o reverendo arcebispo dessa cidade, acerca da imi^ossibi- 
lidade que se lhe offerecia a pôr no ultimo fim a obra das 
casas em que elle e seus successores hão de viver no tempo 
prefixo de oito annos que lhe dei de espaço para se 
acabarem uo sitio que estava destinado x)ara o seminário ; 
assim por temer que pelas casas em que hoje assiste se 
não dêem os treze mil cruzados, que haviam custado, como 
por ser a sua côngrua tão limitada, que delia não podia 
concorrer para a tal obra, mais que com o que havia 
pagar de aluguel. Fui servido haver i)or bem que se lhe 
dêem mil cruzados i>qv anuo do sobejo do contracto dos 
dizimos, cuja consignação durará por tempo de oito 
annos, que é o temr)o prefixo que lhe impuz x^ara se aper- 
feiçoar e concluir de todo este edincio. De que me 
pareceu avisar-vos, para que assim o façais executar, e ao 
provedor-mór da fazenda ordeno que execute esta minha 
resolução, mandando fazer o tal j^agamento no es^íaço dos 
oito annos, em que o tenho perraittido a mil cruzados" 
cada anno, Escrix)ta em Lisboa a 5 de N'ovembro de 1706. 
-^ Hei. — Conde de Alvor P. — Para o governador geral 
do Estado do Brazil. 

RESPOSTA 

SExnoR. — Fico entendendo o que vossa magestade 
manda por esta carta, para fazer executar. A real pessoa 
de vossa magestade guarde Nosso Senhor como seus vas- 
saUos havemos mister. Bahia, 4 de Novembro de 1707. . 
— Luiz César de Menezes. 



DO E^AZIL 15 

XLYII. El-jei D. Pedro II fallecen no dia 9 de De- 
zembro de 1706, succedendolhe seu filho D. João V, na 
idade de dezenove annos, no dia 1.° de Janeiro de 1707. 
Este fanático rei, além de muitas dissipações que pra- 
ticou, comprou ao i3apa, em 23 de Dezembro de 1748, o 
vaidoso titulo de fiãélissimo, que uniu ao ãe rei, pela 
enorme somma de cento e quinze milhões quinhentos e 
nove mil e cento e trinta e dous cruzados ; em ouro de lei em 
barra das minas do Brazil, seis mil quatrocentos e dezesete 
arrobas ; em prata de lei, trezentas e vinte quatro arrobas ; 
em cobre fino para liga, quinze mil seiscentas e noventa 
e sete arrobas ; em diamantes, dous mil trezentos e oito 
quilates. Todos estes valores na nossa moeda importavam 
em duzentos setenta e sete mil quinhentos e trinta contos. 
(Yide a minha obra sobre a Independência do Brazil.) 

XLTin. Secretários de Estado de El-rei D. João VI. 

D. Thomaz de Almeida, cardeal e patriarcha. 

Mendo Loiíes Pereira. 

Diogo de Mendença Corte Real. 

Pedro da Mata e Silva. 

António Gruedes Pereira. 

Marco António de Azevedo Coutinho. 

jSTuno da Cunha, cardeal e inquisidor geral. 

XLIX. Carta regia de 9 de Outubro de 1706, creando 
a ouvidoria das Alagoas, em virtude de requisição de 
Francisco Caetano de Moraes, governador e capitão ge- 
neral de Pernambuco, em officio de 9 de Janeiro do mesmo 
anno. Foi seu primeiro ouvidor o bacharel José da Canha 
Soares, nomeado por carta regia de 6 de Fevereiro de 1711. 

L. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 17 : cyclo 
solar, 8 ; epacta, 26 ; letra dominical, B. 

LI. Martyrologio. 1.° de Janeiro, sabbado ; paschoa, 24 
de Abril ; indicação romana, 15 ; x>e^'io^*^ Juliano, 6,420. 



14 cnnoNicA geral 

LII. No dia 12 de Janeiro de 1707 Cliristovão da 
Costa toma posse do governo da capitania do Maranhão, 
e o entregou a Pedro Mendes Tliomaz no dia 14 de 
Abril do mesmo anno. 

LIII. No sabbado 4 de Junho de 1707, pela manliS, 
foi na cidade da Bailia acclumado, com grandes festas 
El-rei D. Joilo V, que snecedeu a seu pai El-rei D. 
Pedro II, fallecido em Lisboa no dia 9 de Dezembro 
passado. 

JjlV. No dia 12 de Junlio de 1707, D. Sebastião 
Monteiro da Yide, arcebispo da Bailia, celebra o pri- 
meiro synodo diocesano, onde foi discutida a consti- 
tuição do arcebispado, que ainda rege a igreja brazileira. 

LY. Sebastião de Castro Caldas, nomeado governador 
de Pernambuco, tomou i^osse do governo no dia 9 de 
Junlio de 1707 ; e como era todo parcial em favor dos 
mascates portuguezes europeus, em 7 de Novembro de 
1710, recebendo um tiro que llie feriu a perna, e re- 
ceioso que o matassem em Pernambuco, fugiu para a 
Bailia, onde foi preso e remettido para Lisboa em 1721. 

LVI. A capitania de Pernambuco em 1707, possuia 
uma cidade, e dez villas, contando quarenta freguezias e 
duzentos e cincoenta e quatro engenhos de fabricar assucar. 

LYII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 19 ; cy- 
clo solar, 9 ; eimcta, 7 ; letra dominical, A. G. 

LYIII. Martyrologio. 1.° de Janeiro, domingo ; do- 
mingo de paschoa, a 8 de Abril ; indicação romana, 1 ; 
I)eriodo Juliano, C,421. 

LIX. O paulista António Rodrigues Arzão, tendo em 
1693 descoberto, no districto de Caheté, em Minas Geraes, 
minas de ouro, outros i)aulistas o secundaram e se 
foram estabelecer em Itabirava ; e entre si contractaram, 
que uns não invadiriam as faisquciras dos outros. 



DO liEAZIt IS 

Correndo por toda a parte a noticia das grandea 
riquezas, das minas descobertas, para ellas afiiuiram mul- 
tidão de aventureiros, a quem os paulistas appellidaram 
de forasteiros. Estes, logo que se viram em numero 
superior, ijretenderam guerrear os paulistas, e se ex- 
tremaram em dous bandos ou partidos. Os paulistas 
tomaram por capitão ou chefe ao seu compatriota Do- 
mingos da Silva Monteiro ; os forasteiros ou portu- 
guezes europeus, a quem ciiamavam também áeei7iboabas, 
tomaram i3or chefe a Manoel Nunes Vianna, portuguez 
abastado e destemido. 

Os ódios entre as duas i:)arcialidade3 se fortificavam, 
e mais se aggravaram pela traição de nm frade natural 
de Lisboa de nome Fr. Francisco de Menezes, que tinha 
mandado arrematar no Rio de Janeiro o contracto das 
carnes verdes e se empenhava executal-o em Minas. 

Os paulistas se oppunham a especulação do frade ; 
mas elle para conseguir o seu intento admittiu ijara sócio 
a Manoel Nunes A^ianna, e outros frades, mui desor- 
deiros. Os Emboabas (1) occupavam os povoados do 
Saòaráhussú, Rio das Velhas, e Caheté. Os paulistas 
estavam bem araiados, e os emboabas os temiam ; mas 
o frade Fr. Francisco, de combinação com os emboabas, 
ardilosamente i3ersuadiu os paulistas para armazenarem as 
armas, afim de evitarem-se desordens ; e taes i^ersuasões 
empregou que conseguiu desarmar os paulistas. Conse- 
guindo o seu intento cahiram os emboabas sobre os 
paulistas e mataram a muitos, e os que sobreviveram 
ao morticínio ficaram subjugados. 

LX. Constando essas desordens e morticínio ao gover- 
nador do Rio de Janeiro, D. Fernando Martins Masca- 
renhas i)artiu para Minas Gferaes em Julho de 1708 ; 
e Manoel Nunes Yianna, sabendo da viagem do gover- 

(1) Por andarem calç.itlos de botas c polainas. 



10 CIIUOXICA GEHAT, 

nador, receioso de ser preso e castigado, foi esperal-o 
em Congonhas, e llie inílmou com ameaçiis de voltar 
para o Eio de Janeiro, o que aconteceu, ficando o cau- 
dillio Manoel ISTnnes Yianaa de x)osse de Minas Geraes 
até a cliegada do novo governador António de Albu- 
querque Coelho de Carvalho em 1709. 

LXI. Portaria. — Porquanto os officiaes da camará da 
villa Real de Santa Luzia da comarca de Sergipe d'El-Eei, 
pediram a sua magestade, que Deus guarde, lhes con- 
cedesse maior districto, permittindo-lhes poderem passar 
a outra banda do Rio Real sem embargo de ser termo 
desta cidade, para terem sujeitos, que possam servir na 
republica, x3orqueno districto que se lhes assignalou não 
ba ós que bastem x>ara este effeito : e o dito senhor me 
ordenou o informasse, ouvindo os officiaes da camará 
desta cidade, por lhes tocar o prejuízo de se lhes di- 
minuir o seu districto. Ordeno aos ditos officiaes da 
camará me informem sobre o referido, cuja informação 
me remetterão por duas vias, para com ella dar conta 
ao dito senlior. — Bahia e Janeiro, 23 de 1708. — Ru- 
brica. 

LXII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 19 ; cyclo 
solar, 10 ; epacta, 18 ; letra dominical, D. 

LXIIL Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, terça-f eira ; 
paschoa, 31 de Março; indicação romana, 2 ; periodo 
Juliano, 6,422. 

LXIY. No dia 11 de Junho de 1709 toma posse do 
governo do Rio de Janeiro António de Albuquerque 
Coelho de Carvalho, na qualidade de governador e ca- 
jjitão general da repartição do sul ; e no íim do mez 
de Julho seguiu para Minas Geraes, e se foi hospedar 
em casa de Sebastião Pereira de Aguiar, opulento fazen- 
deiro, natural da Bahia, e inimigo de Manoel Nunes 
Vianna, por causa de suas injustas violências contra os 



DO BEAZIL 17 

brazileiros; epor este motivo estava disposto abatel-o. Sa- 
bendo Manoel ís'nnes que o governador António de 
Albuqnerqne era homem valente, e se achava em Ca- 
lieté, vai á elle com Bento do Amaral Coutinho e outros 
afim de se porem aos pés do governador e llie pedirem 
perdão, o que eiiectivamente aconteceu ; e como o go- 
vernador António de Albuquerque era militar de pro- 
vado valor e politico sagaz, os recebeu bem, e asse- 
gurou-lhes o perdão régio, no caso de emenda para o 
futuro. 

Satisfeitos Manoel Nunes Vianna e seus companheiros 
com a promessa voltaram para suas c:isas ; e António 
de Albuquerque, depois de visitar os demais povoados, 
creou villas, organisou camarás municipaes, nomeou 
autoridades, e dispondo os negócios públicos em bem 
dos povos, retirou-se procurando o caminho de S. Vi- 
cente, com o fim de aplacar os ódios dos paulistas 
contra os emboabas. 

LXY. Partindo António de Albuquerque, de Minas 
para S. Vicente, em caminho encontrou-se com uma 
grande força de paulistas, capitaneados por Amador 
Bueno, que iam para Minas bater os forasteiros que 
traiçoeiramente mataram seus compatriotas no Ca/pão 
ou Capoeira da TroAção. O governador António de Al- 
buquerque, os dissuadindo da empreza, não foi atten- 
dido, e como apenas ia acompanhado de quatro offi- 
ciaes e dez soldados, e receiasse algum desacato, dei- 
xou-os seguir e encaminhou-se á Paraty, e dalli para 
a capital do Rio de Janeiro. 

LXVI. Desvencilhados os paulistas do governador 
António de Albuquerque, apressaram a marcha, e che- 
gando ao Rio das Mortes, atacaram aos emboabas, 
fizeram grande matança nelles, e depois de destruírem 

CHKOIsICA GERAL SEC. X\TI. — 2 



18 CHKONICA GEEAL 

tudo O que encontraram, se retiraram para S. Paulo, 
onde foram recebidos em triumplio. 

LXyiI. O governador António de Albuquerque, de- 
pois que chegou ao Eio de Janeiro, sabendo do mor- 
ticínio feito em Minas Geraes pelos paulistas nos por- 
tuguezes europeus, mandou o mestre de campo Gregório 
de Castro de Moraes, com duas comiDanhias de linha para 
Minas, cora o intuito de manter o socego ; escreveu para 
S. Paulo, e mandou aos iDaulistas o retrato de Ehrei 
D. João V, manifestando-lhes que o soberano por este 
modo os visitava e lhes dava o perdão. 

El-rei D. João Y, approvando tudo o que havia feito 
o seu delegado, exceptuou o perdão de Manoel Nunes 
Vianna e de Bento do i^maral Coutinho (natural do 
Rio de Janeiro) chefes, como os causadores das des- 
o-raças passadas em Minas, os quaes foram presos, indo 
Bento do Amaral Coutinho fallecer na cadeia da Bahia. 

LXVIII. Computo ecclesiastico. EiDacta, 18 ; letra 
dominical, F. 

LXIX. Martyrologio. Paschoa, a 31 de Março. 

LXX. Luiz César de Menezes, amigo. Eu El-rei vos 
envio muito saudar. Por parte de Fernando Pereira de 
Vasconcellos, juiz de fora dessa cidade se me representou 
aqui que servindo de corregedor e provedor da comarca o 
anno passado fizera as i3autas para os vereadores e j)ro- 
curadores que haviam servir na camará dessa cidade, em 
que se houve com zelo e cuidado, e que sendo nella estylo 
darem- se aos provedores do dito trabalho vinte mil réis, se 
haviam negado pelas pautas antecedentes ao ouvidor ge- 
ral Miguel Manso Preto, e se duvidavam também a elle, 
sendo estylo inveterado em todas as comarcas deste reino 
nos annos das pautas duplicarem-se aos corregedores as 
aposentadorias que tem nas villas ou cidades em que as 
fazem, o que era de maior importância nessa cidade, e elle 



DO BRAZIL 19 

não pretendia, e só os vinte mil réis que se costumam dar 
pelo dito traballio : pedindo-melli'os mandasse pagar, ou 
o dobro da aposentadoria, na forma que se observa nas 
camarás do reino. E pareceu-me ordenar-vos me informeis 
com vosso parecer neste requerimento, ouvindo os officiaes 
da camará. Escripta em Lisboa a 8 de Abril de 1709. — 
Rei. — P. Miguel Carlos. — Para o governador geral do 
Estado do Brazil. 

LXXI. ISTo dia õ ou 8 de Agosto de 1709, no pateo da 
casa da Judia em Lisboa, o padre Bartliolomeu Lourenço 
de Gusmão, natural da cidade de Santos, província de 
S. Paulo, e irmão do celebre e mui conhecido Alexandre 
de Gusmão, pela primeira vez, subiu ao ar atmospherico 
em um balão construído por elle. 

LXXII. D. Lourenço de Almeida, amigo. EnEl-rei, vos 
envio muito saudar. Por ter resoluto, que Luiz César de 
Menezes se recolha a este reino, por ter acabado o tempo 
por que foi provido no governo e cax^itania geral do Estado 
do Brazil. Houve por bem, que emquanto não mando ou- 
tro governador governeis o mesmo Estado debaixo do 
mesmo preito e homenagem, qne me destes pelo governo 
de Angola ; de que me pareceu avisar- vos e ordenar-vos 
por esta tomeis posse do governo do dito Estado, o qual 
governareis, no entretanto que não chega outro governador. 
Escrii)ta em Lisboa a 26 de jSTovembro de 1709. — Rei. — 
P. Migael Carlos. — Para D. Lourenço de Almada. 

LXXIIL António de Albuquerque Coelho de Carvalho, 
dando conta a El-rei D. João V, do estado anarchico em 
que viviam os povos de S. Paulo e Minas Geraes, e da 
grande distancia em que ficavam, para serem contidos em 
suas desordens, resolveu D. João Y, pela carta regia de 
9 de Setembro de 1709, crear uma capitania geral com 
dous districtos um de S. Paulo, e o outro de Minas Geraes, 
separados do Rio de Janeiro, nomeando no dia 23 do mesmo 



20 CHEOIÍICA GEKAL 

mez a António de Albuquerque Coelho de Carvalho da 
nova capitania geral, ficando a sen arbitrio a escolha do 
Ingar para sede da administração. Para evitar couflictos 
de autoridades, El-rei mandou coiuprar, em 22 de Outu- 
bro a D. Luiz Alvares de Castro e Souza por quarenta mil 
cruzados as cincoenta legoas de costa, que ioram doadas a 
Pedro Lopes de Souza, cuja escriptura foi lavrada em 11 
de Setembro de 1711. 

LXXIV. A antiga igreja do Eosario, fundada pelo dona- 
tário Vasco Fernandes Coutinho, que arruinada fora re- 
edificada para Casa de Misericórdia, obteve por carta 
regia de 9 de Novembro de 1709 o auxilio de duzentos 
mil réis, da fazenda real. Entrou em 17S0 no numero das 
igrejas colladas, e seu primeiro vigário foi o Rev. Manoel 
LojDes de Abreu ; o segundo parocho foi o Rev. Francisco 
dos Reis, em 19 de Maio de 1760 ; o terceiro o Rev. Antó- 
nio Martins Guerra ; e o quarto o Rev. Manoel Gonçalves 
Yictoria, que se empossou a 8 de Janeiro de 1797, com 
nomeação de 6 de Outubro de 1795. 

LXXV. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 1 ; cyclo 
solar, 11 ; epacta, 30 ; letra dominical, E. 

LXXVI. Martyrologio. Doiinngo de paschoa, 20 de 
Abril; dia 1.^ de Janeiro, quarta-feira; indicação romana, 3; 
periodo Juliano, 6,423. 

LXXVII. Luiz César de Menezes, amigo. Eu El-rei vos 
envio muito saudar. Por ter resoluto vos recolhais a este 
reino por teres acabado o tempo por que fostes provido no 
governo e capitania geral desse Estado ; e haver por bem 
que emqnanto não mando outro governador, governe o 
mesmo Estado D. Lourenço de Almada. Me pareceu or- 
denar- vos lhe deis a posse do dito governo na forma cos- 
tumada, e x)or esta vos hei por desobrigado do juramento 
e homenagem que por elle me fizestes. — Escripta em Lis- 



DO BEAZIL 21 

boa a 26 de Novembro de 1709.— M-rei.^F. Miguel 
Carlos. — Para Luiz César de Menezes. 

LXXVIII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 1 . 
cyclo solar, 11 ; ei^acía, 30 ; letra dominical, E. 

LXXIX. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, quinta-feira ; 
paschoa a 20 de Abril. 

LXXX. Governador e capitiio general do Estado do Bra- 
zil. Eu El-rei vos envio muito saudar. Viu-se a vossa 
carta de 6 de Agosto do anno passado, em que vos quei- 
xais do governador de Pernambuco não dar cumprimento 
a provisão que mandastes passar a Gaspar Fernandes de 
Castro da serventia dos oíficios de tabellião e escrivão da 
camará da vil! a do Penedo do E-io de S. Francisco, que 
servia por provimento do dito governador e recorrera a 
vós no tempo que dispõe o regimento, deixando de llie pôr o 
cumpra-se e recolhendo a si o tal provimento e passaiido-o 
a Clemente de Azevedo, querendo mostrar a independên- 
cia do seu governo, sem advertir-vos, sendo subordinado 
na forma do r.^gimento. E pareceu-me dizer-vos que ao 
dito Sebastião de Castro e Caldas mando estranhar mui 
asperamente o tal lorocediínento de encontrar a jurisdicção 
desse governo geral no dito provimento sendo-ihe subor- 
dinado, pelo niesmo regimento vos estar concedida esta 
preeminência e jurisdicção, que elle não x^odia ignorar, e só 
tendo algum motivo para não cumprir o vosso provimento 
vos devia dar conta e não obrogar a si esta jurisdicção que 
lhe não compete de nenhuma maneira, e que assim o tenha 
entendido, abstendose de dar occasião a semelhantes con- 
tendas, que sempre são prejudiciaes : e lhe ordeno faça 
registrar a tal ordem nos livros da camará e ouvidoria ge- 
ral daquella capitania x>ara que conste a todos o que 
mando observar inviolavelmente nesta matéria e mande 
certidão de que assim o executou ; de que vos aviso i)ara 
terdes entendido o expediente que se tomou neste parti- 



22 CHEOXICA GEEAL 

cular.— Escripta em Lisboa a 28 de Janeiro de 1710.— Jiei 
— P. Miguel Carlos.— Para o governador geral do Estado 
do Brazil. 

LXXXI. Talvez, por causa do arbitrio dos régulos lo- 
caes appareceu no anno de 1710 uma sublevação popular 
em varias villas de Sergipe de El-Kei, que foi suffocada 
pelas providencias que o governo da Bahia tomou, concor- 
rendo muito para este empenho o auxilio que lhe prestou 
a villa do Penedo. 

LXXXII. Xo dia 18 de Junho de 1710 António de Al- 
buquerque Coelho de Carvalho toma posse do governo de 
S. Paulo e Minas, como governador e capitão general, se- 
parada da do Pio de Janeiro, em cuja capitania era gover- 
nador. Serviu três annos, dous mezes e treze dias. 

LXXXIII. O x^oi^to do Recife, de Pernambuco, como 
favorecia o commercio, os mascates ^Dortuguezes, se tor- 
nando opulentos, conceberam o pensamento de disporem 
a sua vontade da municÍT)alidade. O governador Sebastião 
de Castro Caldas, que os protegia francamente, desejando 
metter no senado da camará de Olinda os mascates, a no- 
breza de Pernambuco se oppoz. O governador, então, per- 
suadia a El-rei a necessidade de crear villa a x)ovoação do 
Recife ; e vindo a autorisação o governador Caldas mandou 
levantar pelourinho ; e o povo de Olinda de antemão infor- 
mado do levantamento da columna foi ao Recife e a deitou 
por terra. O governador mandou xrrender a varias pessoas 
nobres, e a insurreição se desenvolve no dia 2 de Novembro 
de 1710. 

No dia 7 de Novembro de 1710, o governador Sebastião 
de Castro Caldas, recebeu dous tiros na rua das Aguas 
Verdes que o feriu na perna, e como temesse ser assassi- 
nado fugiu para a Bahia, íicando no dia 15 de Dezembro, 
no governo de Pernambuco, o Rev. bispo D. Manoel Al- 
vares da Costa, que se declarou em favor da nobreza des* 



DO BEAZIL 23 

contente, que havia derribado o pelourinlio. A rebellião 
continuava : o Recife desde o dia 18 de Julho ficou sitiado 
e a guerra civil continuou até o dia 10 de Outubro do anno 
seguinte de 1711, em que chegou o novo governador Félix 
José Machado, que conseguiu restabelecer a paz, pren- 
dendo os cabeças da revolta, que os remetteu para a cadeia 
do Limoeiro em Lisboa, em cuja irrisão falleceram todos a 
excepção de Leonardo Bezerra, que voltou á Pernambuco. 

LXXXIY. Os jesuítas no empenho de libertarem os 
Índios, se oppunham aos excessos dos paulistas e por in- 
termédio da corte de Madrid, obtiveram do Papa, um breve 
de excommunhão contra os paulistas, que foi j)ublicado 
no Elo de Janeiro. 

Os fluminenses vendo no breve um at tentado contra 
os seus direitos, e interesses se revoltaram fazendo o 
mesmo os bahianos e os paulistas. 

Os i^aulistas botaram para fora os jesuítas de S. Paulo 
e Piratininga ; e depois de formarem um scisma com- 
posto de doutrinas christães e sui^erstições dos Índios 
e de elegerem um i)apa, bispos, e curas com novas dou- 
trinas, chamaram a si os Índios das Reducções Jesuí- 
ticas e foram atacar o Paraaruav, e se constituíram em 
colónia independente. ( Yide o meu Brazil Histórico.) 

LXXXY. Xo dia 28 de Agosto de 1710, appareceu 
nas aguas do Rio de Janeiro uma esquadra de cinco 
navios e uma balandra ( navio de uru mastro ), com 
mil homens de tropa commandados pelo capitão João 
Francisco Duclerc, a qual dando desembarque a nove- 
centos homens na praia da Ti jucá, atravessando os 
matos, depois de penosa viagem de quatro dias, che- 
garam ao Engenho Novo dos jesuítas. 

O governador Francisco de Castro de Moraes, havia 
recebido notícia desse desambarque mandada pelo 
commandaníe do fortim da Guaratiba, e em lugar de 



24 CHKOinCA GERAL 

mandar uma força bater em caminho o inimigo or- 
denou formar um corpo de tropa no cami30 da ci- 
dade, então camião do Rozario e campo de S. Do- 
mingos. Sendo avisado da marcha seguida dos fran- 
cezes pela estrada do Engenho Velho, onde pernoitaram 
em busca do Monte do Desterro, no lugar da lagoa 
da Sentinella, entre as ruas do Conde e do Senado, 
foram batidos, pelo corpo de estudantes e não obstante 
chegando á Lapa, tomaram o caminlio de íí"ossa Se- 
nhora da Ajuda apesar dos tiros jogados do forte de 
S. Sebastião, tomaram pela rua do Porto, foram postar- 
se na Praça do Carmo, Largo do Paço e hoje Praça 
de D. Pedro II, no dia 19 de Setembro das dez para 
as onze horas da manhã. Ahi começou a batalha a qual 
durou três horas de vivo fogo, cahiu morto de uma 
bala inimiga o mestre de campo Gfregorio de Castro 
de Moraes. 

O capitão Duclerc, já tendo perdido muita gente, foi 
encerrar-se no trapiche da cidade e como se não qui- 
•zesse render, o governador mandou lançar fogo ao tra- 
piche, que continha muitos barris de pólvora e vendo os 
francezes o perigo imminente, entregaram-se prisioneiros 
de guerra no mesmo dia 19 de Setembro de 1710. O 
capitão Duclerc, que se achava preso em uma casa^ 
com duas sentineUas á vista, foi assassinado entre sete 
e oito horas da noite do dia 18 de Março de 1711, 
por dous rebuçados, estando o capitão Duclerc deitado 
na cama, foi sepultado na capella de S. Pedro da 
igreja da Candelária. A casa onde estava preso e ma- 
taram o cai^itão Duclerc, era, da cruz para o camiDO 
e foi de João de Azevedo. (Vide o 1.° Tomo das Me- 
morias de Pizarro e o meu Brazil Histórico.) 

LXXXVI. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 2 ; 
cyclo solar, 12; epacta, 11 ; letra dominical, D. 



DO BBAZTL 25 

LXXXVII. Martyrologio. 1.° de Janeiro, qninta-feira ; 
Paschoa a o de Abril ; indicação romana, 4 ; periodo 
JuUano, 6,424. 

LXXXy III. Pelas cartas regias, de 10 de Março de 1711, 
e por ontra de 7 de Abril de 1712, El-rei, com palavras 
benévolas, agradece aos habitantes do Rio de Janeiro 
a lealdade de seu procedimento, valor nas armas, fide- 
lidade e amor que Ibe tributam. 

LXXXIX. Pelo grande incremento qne tinha as Alagoas, 
e as tradições dos seus créditos históricos, e mesmo a dis- 
tancia em que se achava de Pernambuco foi augmentada 
a comarca das Alagoas com mais dous termos em 1711, 
tendo por cabeça a antiga viUa de Santa Maria Magda- 
lena e depois cidade das Alagoas, sendo as villas de 
Porto Calvo e Penedo os termos designados. 

XC. Carta de El-rei. D. Lourenço de Almadn, amigo. 
Eu El-rei, vos envio muito saudar. A Pedro de Yas- 
concellos e Souza fui servido fazer mercê do governo 
geral desse Estado como vos constará da carta patente 
que lhe m.andei passar. Encommendo-vos que na forma 
costumada lhe deis a posse do dito governo que estais 
exercitando com as ceremonias, que em semelhantes 
actos se costumam, de que se fará assento em que 
ambos assignareis ; e havendo-lhe dado a dita posse e 
as noticias que julgardes por convenientes a meu ser- 
viço ; vos hei yoL- desobrigado da homenagem que pelo 
dito governo me fizestes. — Escripta em Lisboa a 18 de 
Março de 1711. — i?ei— Para o governador geral do 
Estado do Brazil. 

XCI. Iso dia 18 de Junho o povo subleva-se contra 
o governo do bispo de Pernambuco, e j)ot isso mais 
violenta se torna a gueixa civil ; e no dia 27 os mascates 
assaltam os presídios da Boa Yista. 



26 CHKONICA GEEAL 

No dia 19 de Jullio, os mascates atacam o presidio 
de Santo Amarinho. 

'No dia 9 de Agosto os mascates do Recife fazem 
uma sortida e atacam o x)residio dos Pernambucanos ; 
e no dia 31 do mesmo mez chega á cidade de Olinda 
G-il Eibeiro, trazendo jjreso Jeronymo Paes, cabeça do 
motim de Geyanna. 

Na segunda-feira 7 de Setembro de 1711 a nobreza 
e povo de Pernambuco, depois de um combate de 
vinte horas, põem em fugida as forças dos mascates 
entrincheiradas no Engenho de D. Maria Magdalena, 
entre Gurupú e S. José. 

XCII. A villa de S. Paulo, no dia 24 de Julho de 
1711, foi ennobrecida com o foro de cidade, cuja pre- 
rogativa princií^iou a gozar em 13 de Abril do anno 
seguinte de 1712. 

XCIII. Aos 13 dias do mez de Julho do anno pre- 
sente de 1711, nesta cidade de Lisboa em os i^aços da 
Ribeira onde ora assiste o muito alto e muito poderoso rei 
D. João o quinto, nosso senhor, fez preito e homenagem 
em suas reaes mãos, segando a ordenança, Pedro de 
Vasconcellos e Souza pelo governo e cax)itania geral 
do Estado do Brazil, em que é promovido pela pa- 
tente atrás escripta de que se fez assento no livro das 
homenagens que se assignou com o Conde Reposteiro- 
mór, e Bernardo de Vasconcellos e Souza, que se achavam 
presentes a este acto : e de como fez o dito preito e 
homenagem, delle i)assou esta certidão. — Lisboa em 
o dia mez e anno ut supra. — Diogo de Mendonça 
Corte He ai 

XCIV. JS^o dia 21 de Julho de 1711, o mestre de 
campo Januário Cardoso funda o arraial dos Morrinhos, 
do rio de S. Francisco, entre a conílueucia do rio 



»0 EEAZIL 2*1 

das Vellias ou Guaycnhy e o Rio Verde, exi^lora as 
margens do mesmo rio até a caclioeira de Paulo Affonso. 

XCV. A noticia do mallogro da tentativa de Duclerc, no 
Eio de Janeiro, e do assassinato desse capitão, e desgraça 
dos francezes que o acompanliaram ni empreza, moveu ao 
celebre Dugiiay-Trouin (Reinaldo), official da marinlia 
iranceza, filho de um armador de S. Maio, e alii nascido 
em 1673 e morto em 1736, affeito á pirataria, munindo-se 
de navios e forças, partir em direcção ao Rio de Janeiro, 
com o fim de se vingar do que fizeram aos francezes ; e no 
dia sabbado 12 de Setembro de 1711, pelas duas lioras da 
tarde, entrou a esquadra franceza comj)osta de dezeseis 
naus e dons burletes de fogo no porto do Rio de Janeiro, 
indo dar fundo por detrás da Ilha das Cobras. Quando se 
tinha o inimigo á vista ai^parece uma explosão na fortaleza 
de Willegaignon, em que voam dous bravos capitães, 
sendo um delles o filho de Gregório de Castro. íío 
domingo 13 os francezes se ax)oderam da Ilha das Cobras 
e da fortaleza. 

jS'a segunda-feira, 14 de Setembro, os francezes dão des- 
embarque no Yallongo, e fortificam -se no alto do morro 
de S. Diogo. O governador marcha com os terços pagos e 
dous de ordenanças para o campo, e guarnece da Prainha 
até a casa da moeda, com a troika ; e dahi até a Carioca, 
com a gente da ordenança ; a artilharia em S. Bento, sob 
o commando de José Corrêa e bem assim o forte de 
S. Sebastião. 

O inimigo trabalhava dia e noite para assentar a artilha- 
ria e morteiros na lha das Cobras, que achou desamx:)a- 
rada. 

Xo sabbado 19, os francezes intimam a entrega da x:)raça 
á mercê de El-rei da França ; e a entrega dos assassinos 
de Duclerc, para os castigar, ao que responderam que 
haviam deíendel-a até o ultima extremo. 

Com esta resposta Duguay-Trouin mandou bombardear 



28 CHEONICA GERAL 

a cidade com honivel fogo cruzado entre a Ilha das Cobras 
e o morro do Vallongo, por elles guarnecido ; S. Bento e 
Castello pelos brazileiros. 

íío dia seguinte durou o bombardeamento sobre a cidade 
até a noite, arruinando -a, bem como ao mosteiro de 
S. Bento. O governador Francisco de Castro de Moraes, 
que parecia indiferente, no dia 21 de Setembro, abandona 
a cai^ital receioso do bombardeamento e se vai installar no 
Engenho Novo dahi para Juassn ; e no dia 23 os francezes 
occupam a cidade do Eio de Janeiro e a saqueiam. Du- 
guay-Trouin escreve ao governador propondo-lbe a capi- 
tulação, e o resgate da cidade, e o governador convocando 
um conselho para decidir a cax)itulação, uns não a queriam 
allegando que o inimigo estava receioso pelas perdas de 
vida, e outros que se deveria capitular, 

XCVL As embarcações que existiam no porto da ci- 
dade do Rio de Janeiro em 1711. eram quatro navios 
pjrtuguezes desarmados e dous iuglezes que por acaso en- 
traram ; e os armados que existiam pertenciam aos com- 
merciantes de Lisboa e Porto vindos em frota nesse 
anno. 

XCVII. ^^"0 dia 19 de Setembro de 1711 é por es- 
criptura pablica de compra feita ao marquez de Cascaes, 
D. Luiz Alvares de Atayde Castro N"oronha e Souza, e 
incorporada á coroa o domínio de cincoenta léguas de 
costa doadas por El-rei D. João III, á Pedro Lopes de 
Souza, a saber dez léguas que compunham a capitania 
de Santo Amaro, e quarenta começando de doze ao sul da 
ilha de Cananéa e terminando nas terras de Santa Anna, 
que estão na altura de 28** e 1/3, comprehendendo todas 
as ilhas que houvessem em dez legoas ao mar. 

Foi nestas quarenta legoas de costa que El-rei D. João 
V, creou a capitania de Santa Catharina. 

XCVIII. O goveruad >r de Pernambuco convida os 



DO HEAZIL 20 

ouvidores das Alagoas e da Parahyba do Xorte Jero- 
nyirio Corrêa do Amaral, ouvidor Bacalháo, e ao ou- 
vidor de Olinda, para que constiruidos em relação, con- 
demnem os presos de guerra dos mascates a morte. O 
ouvidor José Soares da Cunlia retiroii-se logo para o 
seu districto allegando incompetência ; e certificou que 
tinlia aido peitado, com três mil cruzados para annuir 
e dar o sea voto de accôrdo com os interessados. 

XCIX. Computo ecclesiastico. Áureo numero. 3 ; cyclo 
solar, 13 ; epacta, 22 ; letra dominical, C. B. 

C. Martyrologio. Domingo de pasclioa, 27 de Março ; 
1.° de Janeiro, sexta-feiía ; indicação romana, 5 ; ]Deriodo 
Juliano, 6,425. 

CL Por alvará de 22 de Julho de 1712, por ordem 
real, passou o chanceller da relação da Bahia ao Rio de 
Janeiro, a sentenciar os culpados na entrega da cidade 
aos francezes em 1711. A alçada ficou assim composta 
dos seguintes magistrados : 

O chanceller, Luiz de Mello e Silva. 

O desembargador, Manoel de Azevedo Soares. 

O desembargador, André Leitão de Mello. 

O ouvidor, Roberto Car Ribeiro de Bustamante. 

O juiz de f(jra, Luiz Fortes de Bustamante. 

O ouvidor de S. Vicente, Sebastião Galvão Rasquinho. 

O juiz de fora da viUa de Santos, Luiz de Siqueira 
da Gama. 

Esta alçada de sete juizes condemnou : 

O governador Francisco de Castro de Moraes, a de- 
gredo e prisão perpetua em uma fortaleza da índia; 
e sequestro de todos os seus bens. 

O mestre de campo. Francisco Xavier de Castro, so- 
brinho do governador Francisco de Castro e que suc- 
cedêra á seu pai Gregório de Castro de Moraes, no posto 
mas não no valor, em degi'edo x^or toda a vida. 



30 CHEOJTICA GERAL 

O sargento-mór, António Soares, 4ue fria e escanda- 
losamente entregou a fortaleza de S. João, em morte 
natural , que não soff reu em pessoa por fugir satisfa- 
zendo-se a justiça de El-rei, com a execução em estatua. 

CII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 4 ; cyclo 
solar, 14 ; epacta, 3 ; letra dominical, A. 

CHI. Martyrologio. 1.° de Janeiro, domingo ; paschoa, 
16 de Abril ; indicação romana, 6 ; periodo Juliano, 6,426. 

CIY. Pela morte de D. Francisco de Souza, em 1613, 
foi nomeado Salvador Corrêa de Sá, i3or alvará de 4 
de Novembro de 1613, governador das três capitanias, 
Espirito Santo, Rio de Janeiro e S. Vicente com o or- 
denado de seiscentos mil réis em cada anno, que os ven- 
ceria desde o dia que saMu de Lisboa. 

CY. No dia 7 de Maio de 1713 chega a Pernambuco 
uma esquadra, sabida de Lisboa trazendo ordens ao 
governador para mandar instaurar novas devassas acerca 
da famosa guerra dos mascates. 

CAa. No dia 31 de Agosto de 1713, D. Braz Bal- 
tliazar da Silveira, toma i30sse do governo de S. Paulo, 
como governador e capitão general da capitania de 
S. Paulo e Minas de Ouro. Este governador serviu quatro 
annos e dous dias. 

CVII. No dia 11 de Abril de 1713 é assignado o tra- 
tado de limites entre Portugal, sendo o rio Oyapock 
o limite do Brazil pelo norte. 

CVIIL Lançamento x^ara o resgate da cidade : 

A fazenda real 67:6978344 

A casa da moeda 110:0778600 

O cofre da bulia 3:4848660 

O cofre dos orphãos 9:7338220 

190:9928824 



DO BBAZIL 



31 



Transporte 190:9928824 

O cofre dos ausentes 6:3728880 

Os padres da Companhia de Jesus 4:8668000 

O prior de S. Bento 1:5758680 

O ex-governador Francisco de Castro de 

Moraes 10:3878820 

Lourenço Antunes Yianeza 6:7848320 

Francisco de Seixas da Fonseca 10:6168440 

Eodrigo de Freitas 1:1608980 

Braz Fernandes Rola 6:0628080 

Paulo Pinto 8:0318040 

Francisco António da Roclia 1:3568000 

Cliristovão Rodrigues 1:6438200 

António Francisco Lustosa 8598600 

Thomé Teixeira de Carvalho 7858600 

246:5008404 

(Vide carta regia de 31 de Março de 1713 e portaria 
de 30 de Março de 1716.) 

CIX. ZSTo dia 31 de Março de 1713 foi expedida a 
ordem regia ao governador do Rio dispensando quatro 
contos do lançamento imposto á casa da moeda, para 
o resgate da cidade, e marcado aos moradores impostos 
de seis por cento sobre as casas, de quatro ]}ov cento 
sobre o maneio de cada pessoa e três por cento sobre 
os engenhos e fabricas para satisfação de 162:5008000. 

CX. Rendimentos dos quintos de ouro, — Bateyas 
quatro oitavas por escravo que minerava. 

Annos 

1700 

1701 

1702 

1703 

1704 



m. 


onças 


oitavas 


gramm 


as 


marcos 


14 


5 


4 





1714 


1.920 


94 


6 


— 


— 


1715 


1.920 


— 


3 


4 


— 


1716 


1.920 


25 


6 


— 


57 


1717 


1.920 


45 


5 





50 


1718 


l.GOO 



32 CHEONICA GERAL 

Annos m. onças oitavas grammas marcos 

1705 25 4 5 18 1719 1.600 

1706 .76 3 2 - 1720 1.600 

1707 33 4 7 — 1721 1.600 
1708' **'.'. ' 18 1 13 18 1722 2.368 
1709 71 — 2 — 1723 2.368 
171o" ! "... 88 6 2 18 1724 2.368 
1711 153 2 4 54 

1712 56 3 1 36 

1713 69 4 3 — 

CXI. Computo ecclesiasdco. Áureo numero, 5 ; cyclo 
solar, 15 ; epacta, 14 ; letra dominical, Gr. 

CXII. Martyrologio. Domingo de paschoa, 1.° de 
Abril ; dia 1.'' de Janeiro, segunda-feira; indicação ro- 
mana, 7; periodo Juliano, 6,427. 

CXIII. Aos dez dias do mez de Abril do anno presente 
de 1714, nesta cidade de Lisboa em os paços da Ribeira, 
onde ora assiste o muito alto e muito poderoso rei 
D. João Y, nosso senhor, fez preito e homenagem em suas 
reaes mãos, segundo ordenança, D. Pedro António do 
Noronha, marquez de Angeja, pela capitania geral e 
governança do Estado do Brazil, onde ora vai por vice- 
rei e capitão general em que é provido pela patente atrás 
escripta, de que se fez assento no livro das homenagens, 
que assignou com o marquez de Marialva e conde de 
Villa Verde, que se achavam presentes a este acto, e de 
como fez o dito preito e homenagem se lhe passou esta 
certidão. Lisboa, 10 de Abril de 1114..-^ Diogo de 31en- 
donça Corte Real. 

CXIY. Pedro de Vasconcellose Souza, amigo. Eu El-rei 
vos envio muito saudar. Ao marquez de Angeja fui 
servido fazer mercê do cargo de vice -rei e capitão general 
de mar e terra desse Estado, como vos constará da carta 
patente, que delle lhe mandei passar : encommendo-vos 



DO BBAZLL 33 

que na fórma costumada lhe dês posse do governo que 
estais exercitando com as ceremonias que em semelhantes 
actos se costumam, de que se fará assento, em que ambos 
assignareia ; e havendo-lhe dado a dita posse, e as noticias 
que julgardes por convenientes a meu serviço, vos hei por 
desobrigado da homenagem que pelo dito governo me 
fizestes. Escripta em Lisboa a 8 de Abril de 1714.— Rei.— 
Padre Miguel Carlos. Para o governador e capitão general 
do Estado do Bnizil. 

CXy. Pela carta regia de 16 de Fevereiro de 1714, 
El-rei approva o termo celebrado pelo governador Fran- 
cisco Xavier de Távora, o reverendo bispo D. Francisco 
de S. Jeronymo e Camará, em que os moradores da cidade 
do Rio de Janeiro se obrigaram a contribuir com quatro- 
centos mil cruzados, dentro em três annos, para o resgate 
da cidade, e declarando que para o mesmo deviam con- 
tribuir os moradores dos districtos da mesma cidade. 

CXVI. No dia 29 de Maio de 1714, embarcam presos, 
com destino á Lisboa, os pernambucanos complicados 
na guerra dos mascates do Recife. A parcialidade com 
que o governo colonial favoreceu o partido portuguez, a 
perseguição cruel que moveu contra os pernambucanos, 
concentrou ainda mais os ódios destes contra os portu- 
guezes. 

CXVIL Em 1744 foi para Santa Catharina uma 
porção de Índios domésticos, e algumas famílias com o 
capitão-mór Salvador de Souza, e o sargento-mór Manoel 
Manco de Avellar, e mais pessoas vindas e mandadas 
de Portugal, afim de povoarem as quarenta léguas de 
terras compradas ao marquez de Cascaes. 

CXVin. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 6 ; cyclo 
solar, 16 ; epacta, 25 ; letra dominical, F. 

CXIX. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, terça-feira ; 

CHRO^-ICX GERAL gEC. rVII.— 3 



S4 CHEÒNICA GERAL 

pasclioa a 21 cie Abril ; indicação romana, 8 ; periodo 
Juliano, 6,428. 

CXX. Pela x3rovisão de 17 de Janeiro de 1715 é reduzida 
a obrigação do loovo do Rio de Janeiro a trezentos mil 
cruzados, e pagáveis dentro de quatro annos. Esta somma 
em 30 de Março do seguinte anno acliava-se recolhida nos 
cofres públicos. As sobras que resultaram desta contri- 
buição íoram por provisão de 14 de Setembro de 1719 
applicadas a obras pias. 

CXXI. Em 1715, por uma lei, são expulsos os ciganos 
de Portugal. 

CXXII. El-rei, pela ordem regia de 26 de Janeiro de 
1715, mandou que, concluidas as obras das fortalezas de 
Santa Cruz e da Lage, se concluísse a da Ilha das Cobras, 
e para as quaes foram consignados quarenta mil cruzados 
na dizima da alfandega. 

Até então a fortaleza da Ilha das Cobras era de nenhuma 
consideração, mas os francezes, em 1711, mostraram a im- 
portância do local, quando nella estiveram, de posse da 
cidade por elles invadida. O governador Yahia fez obras, 
em 1725, mas somente ficaram acabadas com as obras 
principiadas, em 1735, pelo brigadeiro José da Silva Paes, 
quando o seu plano foi approvado. 

CXXIII. Foi em virtude dos arts. 6.° e 7.° do tratado 
de Utrecht, que, em 6 de Fevereiro de 1715, foi restituída a 
Portugal a colónia do Sacramento, e que o Rio da Prata 
seria o limite meridiojial do Brazil. 

CXXIV. No dia 15 de Março de 1715, morre o illustre 
poeta x)adre Prudencio do Amaral, nascido no Rio de 
Janeiro, em 1675. Como poeta In tino, ensinou a plantação 
da canna, e o modo de labiicar o assucar, no seu famoso 
poema latino Cpl/lcio Sacc7iarío. Este poema foi escripto 
no seminário de Belém a uma légua da então villa, e hoje 
cidade da Cachoeira, na província da Bahia. 



DO BPvAZIL ;^5 

CXXV. Computo ecclesiastico. Epacta, 17 ; letra do- 
minical, C. D. 

CXXVI. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, quarta- 
feira ; pasclioa a 12 de Abril. 

CXXYII. Porquanto sua magestade foi servido or- 
denar, por x>ro visão de 11 de Março deste anno, fizesse 
logo embarcar com eíieito para o reino todos os estran- 
geiros que se acharem nesta cidade e seu recôncavo, 
por ser de grande r)rejuizo a sua existência nas con- 
quistas. Pelo que ordeno ao juiz de fora desta cidade 
examine logo que estrangeiros habitam nella, decla- 
rando com toda a individuação quantos são, de que 
nação, e quantos de cada uma, de que vivem, e quantas 
casas de negocio lia de cada uma das ditas nações, e 
me remetterá logo uma exacta informação do que achar, 
desoccupandO'Se de tudo para sem i)erda dar a execu- 
ção a dita ordem antes de partir a frota. Bahia, 9 de 
Maio de 1716. — Rubrica. 

CXXVIII. Tristão da Cunha Menezes, governador de 
Goyaz, consegue cjue os Índios Chavantes vão em nu- 
mero de três mil e quinhentos i^ovoar a aldeia de Corretão. 

CXXIX. Computo ecclesiastico. Ei^acta, 17 ; letra do- 
minical, C. 

CXXX. Martyrologio. Pasclioa a 23 de Março. 

CXXXL D. João, por graça de Daus, Rei de Por- 
tugal, etc. Faço saber a vós juiz de fora, vereadores e 
procurador que ora servem na camará desta cidade, 
que eu hei por bem, que este anno que entra de 1717, 
sirvam de vereadores delia : 1.^ vereador, o coronel José 
Pires de Carvalho ; 2.° vereador, António de Araújo 
Góes ; 3.° vereador, Bernardo Machado Dória ; e de 
X^rocurador delia, Sebastião de Blá de Araújo, aos quaes 
mandareis logo chamar, e lhe dareis x)osse e juramento, 



36 CHRONICA GERAIi 

para que bem e verdadeiramente sirvam os ditos cargos 
conforme o seu regimento, de qne se fará assento no 
livro da vereação. Luiz da Costa Sepúlveda o fez nesta 
cidade do Salvador, Bahia de Todos os Santos, em os 
30 dias do mez de Dezembro de 1716. — Gonçalo E-avasco 
o fez escrever. — Marquez de Angeja. 

CXXXII. Por provisão do conselho ultramarino, de 
30 de Abril de 1717, foi confirmado Santo António no 
posto de tenente da fortaleza do Buraco, a que foi pro- 
movido vinte annos antes pelo governador de Pernam- 
buco, D. Lourenço de Almeida, com o soldo mensal de 
dous mil e quinhentos réis. 

CXXXIII. No dia 4 de Setembro de 1717, o conde 
de Assumar, D. Pedro de Almeida, toma posse do go- 
verno de S. Paulo, como governador e capitão general 
da capitania de Minas do Ouro, e serviu quatro annos. 

CXXXIV. A capitania do Espirito Santo foi doada a 
Vasco Fernando Coutinho, por carta de El-rei D, João III, 
datada de Évora em 1 de Junho de 1534. De Vasco 
Fernando passou a Francisco de Aguiar Coutinho, em 
cujo tempo foi pela segunda vez occupada em 1624 
X)elos hollandezes, e libertada por Salvador Corrêa de 
Sá e Benevides, quando por ordem de seu jDai, Martim 
Corrêa de Sá, governador do Rio de Janeiro, ia em 
soccorro da Bahia. Dos descendentes de Francisco de 
Aguiar passou a António Luiz Gfonçalves da Camará 
Coutinho, almotacé-mór do reino, governador e capitão 
general do Brazil e vice-rei da ladia, que a vendeu por 
quarenta mil cruzados ao coronel Francisco Gil de 
Araújo. Depois passou a Manoel Garcia Pimentel, a 
quem se passou carta de doação regia de juro e her- 
dade, em 5 de Dezembro de 1687. Por fallecimeuto deste, 
sem successor legitimo, passou a seu primo e cunhado 
Cosme Rolim de Moura, a quem comprou El-rei 



DO ERAJSIL 87 

D. João V também por quarenta mil cruzados, por carta 
de 6 de Abril de 1717 e provisão do conselho ultrama- 
rino de 9 do mesmo, para incorporal-a á coroa, 

CXXXY. As enormes riquezas que saliiram do Brazil 
para o tbesouro real em Lisboa originaram os desper- 
dícios do pi'odigo rei D. João V, e motivaram a fun- 
dação do celebre convento de Mafra, cuja pedra fun- 
damental foi lançada no dia 27 de iS'ovembro de 1717. 
A's 8 horas da manhã uma procissão de sessenta e 
oito frades arrabidos, clérigos das freguezias, benefi- 
ciados, cónegos mitrados da igreja patriarchal, o pa- 
triarcha de Lisboa, D. Thomaz de Almeida, El-rei 
D. João V e a sua corte, chegando ao lugar da fun- 
dação do convento de Mafra, o patriarcha benzeu a 
pedra fundam.ental de dous e meio palmos de quadra- 
tura, sendo conduzida era andor por alguns cónegos ao 
alicerce que tinha trinta palmos de profundidade sobre 
dez de largura, e descendo -se por uma escada, foi ella 
depositada nelle, carregada por cónegos, levando outros 
uma preciosa urna de pedra que foi posta na cabeceira. 
Um pedreiro deitando grande porção de cal, El-rei com 
uma colher de prata espalhou a cal, e se assentou a 
pedra, e o esmoler-mór lançou na urna todas as moedas 
cunhadas em Portugal, trinta e seis de ouro, cento e 
oitenta de i^rata e quarenta e oito de cobre ; e dentro de 
uma urna de i^rata dourada, que continha a escriptura 
em pergaminho com os motivos da fundação do con- 
vento, e outro com a noticia do patriarcha que benzeu 
a pedra. Dous Agnus Dei, em caixa de prata, sendo um 
offerecido por Innocencio XI e outro por Clemente XI, 
papa reinante ; doze medalhas, quatro de ouro, quatro 
de xirata e quatro de cobre, seguindo se a festa ponti- 
fical, sendo concluída ás três horas da tarde, com magni- 
ficência e esplendor. 



88 CIIRONICA GERAL 

CXXXYI. Computo ecclesiastico. Epacta, 28 ; letra do- 
minical, B. 
CXXXYII. Martyrologio. Pasclioa a 27 de Abril. 

CXXXYIIÍ. O padre Santa Maria conta c[ue no dia 14 
de Outubro de 1718 foi tão grande a tempestade nos mares 
dasilliasdos Açores que naufragaram de trinta e oito a 
quarerita navios de varias nações, e no castello de S. Jorge 
da ilha Terceira, se arruinaram muitos edifícios, arranca- 
ram-se arvores, e submergiram-se muitos navios. 

CXXXIX. Pela provisão de 2."5 de Dezembro de 1718, 
manda El-rei ai^plicar íí obra do cliafariz da Carioca os di- 
reitos de passagem dos rios Paraliyba e Paraliybuna. 
ISTeste mesmo anno deu-se um motim no sertão do rio de 

S. Francisco, capitaneado pelo padre Carvello. 

CXL. Por i^ortaria de G de Jullio, o governador geral da 
Bailia ordena ao juiz de fora que notifique a todos os es- 
trangeiros residentes na mesma cidade e seu recôncavo, 
para sem demora alguma sahirem para Lisboa nos navios 
da frota, que neste anno tem de seguir, sob pena de prisão 
e ser remettido para Lisboa no i^rimeiro navio que i^artir 
deiDois da frota. Esta ordem não era para com os que resi- 
diam na capitania com permissão de sua m^agestade. 

CXLI. Em Fevereiro de 1719 apr)areceu o horroroso 
vulcão da ilha do Pico, e, na noite do dia 10 de Junho 
de 1720, arrebentou i)Ov doze boccas o mesmo vulcão, es- 
palhando os seus estragos perto de uma légua em quadro, 
consumindo trinta propriedades de casas, destruindo toda 
a plantação e matando todo o gado. 

CXLII. As desordens entre os naturaes do Brazil e os 
europeus em vários pontos do território de Minas Geraes, 
liela falsa superioridade que estes queriam exercer em re- 
lação aos nascidos no continente brazileiro, e mesmo pelos 
favores e x^rotecção que tinham das auturidades civis e mili- 



DO BEAZIL 39 

tares, unidos a ambição das riquezas e ao despotismo, tor- 
nou commum os odlos entre os opprimidos e oppressores. 
As descobertas das jazidas auríferas e diamantinas des- 
pertou no governo metropolitano mandar estabelecer casas 
de fnndição em Villa Rica, outrora villa do Ribeirão do 
Carmo ; e o povo, recebendo esta noticia como oppressiva 
e tyrannica, reuniu-se e em numero de duzentos homens, 
no dia 28 de Juulio de 1720, entrando armado na dita villa, 
ataca a casa do ouvidor da comarcíi, e o obriga a não 
executar a ordem regia. Em seguida intimaram ao conde 
de Assumar a saliir de Minas Geraes, porque estavam os 
povos dispostos a não quererem mais o governo de El-rei. 
O conde, apesar de sua prudência mandando prender a 
algnns sediciosos, julgou que com essa medida acobar- 
dasse o povo ; não aconteceu assim, porque mais o exal- 
tou, e nova lebellião se manifestou no dia 14 de Jullio 
do mesmo anno. 

iS^o meio da confusão os rebellados não se souberam 
conter, por não haver entre elles homens experimentados 
que dirigissem uma revolução para fins políticos : en- 
tão, em desordem e sem disciplina, aggredindo aos pró- 
prios naturaes, c|ue contra elles recorreram ao governador, 
que lhes manda, como auxilio, a companhia de Dragões. 
Depois de uma lucta formidável foram dispersados. 

A ambição de ouro não tinha medidas e D. Lourenço 
de Almeida, que succedeu ao conde de Assumar, para obe- 
decer as ordens regias em 1721, mandou fiindar as casas 
de fundição para com segurança arrecadar os Quintos ãe 
Ouro, que a coroa de Portugal obrigou o povo de Minas a 
pagar -lhe como de direito lhe pertencia. 

CXLIII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 11 ; cy- 
clo solar, 21 ; epacta, 20; letra dominical, G-. F. 

CXLIY. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, segunda- 
feira ; Paschoa a 31 de Março. 



40 CHEONICA GERAL 

GXLV. No dia 4 de Março de 1720, segunda-íeira em 
consistório o Papa Clemente XI sej)ara, a instancias de 
El-rei D. João V, a diocese do Maranhão, e constitue o 
bispado do Pará, erigindo em Sé catliedral a igreja de 
Nossa Senhora da Graça, creando bispo delia o padre 
Fr. Bartholomeu do Pilar, religioso carmelitano. 

CXLYI. No dia 20 de Janeiro de 1720, o Dr. Kaphael 
Pires Pardinho, ouvidor de Paranaguá, crêa na capitania 
de Santa Catliarina a villa de Santo António dos Anjos. 

CXLYII. Na quinta-feira 28 de Junho de 1720 revol- 
tam se para mais de dous mil homens da capitania de 
S. Paulo e Minas Geraes com o fim de impedir o estabele- 
cimento das casas de fundição do ouro. 

CXLVIII. A ermida de Nossa Senhora da Corrente, na 
cidade do Penedo, foi fundada á expensas dos moradores 
da praia da então villa do Penedo em 1720, sendo os iDrin- 
cipaes agentes da obra os commerciantes José de Oliveira 
Reis, e Luiz Barboza da Motta, que se fez leigo de 
S. Francisco. 

CXLIX. Pela bulia de 18 de Novembro de 1720 foi 
sej)arada a igreja do Grão Pará da do Maranhão. 

CL. Por alvará de 2 de Dezembro de 1720, é desan* 
nexada a capitania de S. Paulo do território de Minas 
Geraes. 

CLI. El-rei D. João Y, no anno de 1720, crêa em Lis- 
boa a Academia Real de Historia Portugueza com o nu- 
mero de cincoenta membros. 

CLII. No dia 8 de Dezembro de 1720, crêa-se no palácio 
da casa de Bragança a Academia Real de Historia Portu- 
gueza, Ecclesiastica e Civil, sendo El-rei protector, e no- 
meados diryctores da mesma academia ao padre D. Manoel 
Caetano de Souza, ao conde de Ericeira, aos marquezes 
de Fronteira, de Alegrete, de Abrantes, e para secretario 



DO BRAZIL 41 

psrpetno ao conde de Yillar Mayor, depois marquez de 
Alegrete. 

Nesta primeira assembléa se ordenaram os estatutos, 
e foram nomeados os académicos em numero de cincoenta. 
Além destes foram lembrados os supranumerários nas 
províncias, para procurarem memorias e noticias antigas 
para os trabalhos históricos da academia. 

CLIII. JSTo dia 23 de Novembro de 1720, Vasco Fer- 
nandes César de Menezes, conde de Sabugosa, vice-rei e 
capitão general de mar e terra do Estado do Brazil toma 
posse da administração na cidade da Bahia. 

CLIV. Computo ecclesiastico. Epacta, 1 ; letra domi- 
nical, E. 

CLY. Martyrologio. Paschoa a 13 de Abril. 

CLVI. A villa de Abrantes, sete léguas ao nordeste da 
cidade do Salvador da Bahia de Todos os Santos, e a 
uma légua afastada da costa do mar, foi uma aldeia de 
Índios domesticados pelos jesuítas. 

CLVII. D. João, por graça de Deus, Rei de Portugal, 
etc. Faço saber a vós Juiz de fora, vereadores, e procu- 
rador que ora servem na camará desta cidade, que hei 
por bem que este anuo que entra de 1721 sirvam de verea- 
dores delia: 1.°, o coronel Sebastião da Rocha Pitta; 
2.°, o coronel José Alves Vianna ; 3.°, o coronel José de 
Araújo Rocha ; e de procurador delia Ignacio Pinheiro de 
Souza ; aos quaes mandareis logo chamar, e lhes dareis 
posse e juramento, para que bem e verdadeiramente 
sirvam os ditos cargos conforme o seu regimento, de que 
se fará o assento que é de estylo no livro da vereação. 
Domingos Luiz Moreira o fez nesta cidade do Salvador, 
Bahia de Todos os Santos, em os 28 de Dezembro de 1720. 
Gonçalo Ravasco o fez escrever. — Vasco Fernandes 
César de Menezes. 



42 CIIEONICA GERAL 

CLVIII. No dia 5 de Setembro del721, Rodrigo César 
de Menezes toma posse do governo de S. Paulo, como 
governador e capitão general da capitania, separada da 
de Minas Geraes, pelo alvará de 2 de Dezembro de 1720, 
incluindo-se a villa de Paraty e S. Sebastião, desan- 
nexadas do Rio de Janeiro. Este governador serviu cinco 
annos, dez mezes e onze dias. 

Os paulistas com Fernando Dias Falcão, navegam até 
Cuyabá, onde descobrem grandes riquezas mineraes, i3or 
diligencias de Pasclioal Moreira Cabral. 

CLIX. Bando, por ordem do governador da Bailia, pro- 
liibindo que os ciganos vendam géneros ou fazendas de 
qualquer qualidade, não somente em casa como pelas ruas, 
sob pena de serem presos, e degradados para as galés, 
por tempo de seis annos os homens, e as mulheres para 
Angola ou S. Thomaz, pelo mesmo tempo, sendo a fazenda 
apj)rehendida e dividida x)elo apprehensor metade do 
valor delia, e a outra metade que se applicará ás obras 
da Ribeira. Idêntico bando foi publicado a 20 de Agosto 
de 1723. 

CLX. A requerimento do senado da camará das Alagoas, 
pelo alvará de 20 de Março de 1722, concedeu El-rei per- 
missão para se fundar na villa das Alagoas o convento do 
Carmo, não só para os soccorros espirituaes dos mora- 
dores da villa como para missões dos Índios. O terreno 
para a fundação do convento foi doado i)elo coronel Fran- 
cisco de Barros Pimentel bem como a capella de Nossa 
Senhora do O', que lhe i)eriencia, e onde se fundou a 
igreja e convento. 

CLXI. Computo ecclesiastico. Epacta, 12 ; letra domi- 
nical, D. 

CLXIl. Martyrologio. Paschoa a 5 de Abril. 

CLXIII, Tendo os moradores da capitania de Sergipe 
d' El- Rei rei)resentado ao governador e capitão general 



DO BRAZIL 43 

sobre os vexames cia finta que lhes foi imposta, o mesmo 
governador, não desejando decidir por si, em data de 21 
de Janeiro de 1722, escreve ao senado da camará dizendo- 
lli3 : — com esta remetto ao senado da camará desta 
cidade a representação inclusa, que me fizeram os mo- 
radores da capitania deSergii)ed'El-Ilei, sobre a cobrança 
da finta, para que o dito senado a veja e me diga o que lia 
nesta matéria. Bahia, 13 de Janeiro de 1722. — Vasco 
Fernandes César de Menezes. 

CLXiy. Tasco Fernandes César de Menezes, etc. Tendo 
consideração aos repetidos e continuados successos, e 
mais desordens, etc, pelo uso de toda a casta de armas 
que a lei tem proliibido ; tudo em jirejuizo da soberania 
do legislado acerca da justiça e devendo obstar todos esses 
excessos, mando que nenhuma pessoa d^e qualquer qua- 
lidade, foro e condição que seja, use dentro da villa 
daquelles districtos, de adaga, faca, punhal, estoque, 
pistola e mais armas de fogo prohibidas pela mesma lei, 
e os que forem transgressores delia ; e deste bando, sendo 
achados com as referidas armas, ou constar que usaram 
delias depois da publicação delle, senão pessoas òroMcas 
com distincção pela sua qualidade, occupação e oíficios, 
serão presa.s a meu arhitrio e 'pu.garõM mil cruzados 
para as obras da Ribeira das Náos, ese forem da segunda 
condição^ irão 2^or tempo d.e ãous annos para o reino de 
Angola pagando cem mil réis pa/ra. as obras da liiheira. 
E sendo mulatos ou negros., serõ.o açoutados pelas ruas 
publicas desta cidade, e terão quatro annos de galés, 
ou sejam forros ou captrcos ; e constando que os senhores 
destes consentem ou dissimulam, andarem os ditos es- 
cravos com as referidas armas, incorrerão nas mesmas 
penas acima referidas. E para que venha a noticia de 
todos, o coronel Pedro Barboza Leal mandará publicar 
este bando a som de caixas, etc. : e os juizes ordinários 



44 CHRONICA GEEAL 

da villa de Santo António da Jacobina farão executar, 
etc. — Vasco Fernandes César cie Menezes. 

CLXV. Vasco Fernandes César de Menezes, do con- 
selho de sua mag-estade que Deus guarde, vice-rei e 
capitão general de mar e terra do Estado do Brazil, etc. 
Porquanto tendo consideração nos irreparáveis damnos 
que os navios estrangeiros causam nesta bahia, e nos 
mais portos dos dominios deste Estado ; e, sendo sÓ o 
castigo o único remédio que pôde evitar damnos e tão 
perniciosas consequências, mando e ordeno, que nenhuma 
pessoa de qualquer qualidade, foro e condição que seja, 
vá a bordo do navio francez que proximamente deu fundo 
neste porto, nem tenha trato, commercio ou communição 
aJguma com a gente da sua guarnição. E toda a pessoa 
que íôr comprehendida nesta prohibição indo a bordo do 
dito navio, tendo conimunicação com a gente delle, ou 
achando-se com fazendas ou outros quaesquer géneros 
vindos no mesino navio, morrerá morte natural irremis- 
sivel. E as pessoas, que por algum privilegio puderem 
estar isentas desta pena, serão degradadas por dez annos 
para Benguella. pagando primeiro dous mil cruzados 
para as obras da E-ibeira ; advertindo também, que serão 
queimadas as embarcações que se acharem no exercido 
prohibido. E para que venha a noticia de todos, se publi- 
cará este bando a som de caixas pelas raas publicas desta 
cidade, para que se não x^ossa allegar ignorância. Domin- 
gos Luiz Moreira o fez nesta cidade do Salvador, Bahia 
de Todos os Santos, em os dez dias do mez de Maio de 1722. 
Gonçalo E-avasco o fez escrever. — Vasco Fernandes César 
de Menezes. 

CLXVI. Vasco Fernandes César de Menezes, etc. Por- 
quanto tenho varias noticias de que na serra das Bayta- 
rans, leste a oeste com a aldôa de ]N"ossa Senhora da 
Escada, e distante delia duas léguas, se achara ou des- 



DO BRAZIL 45 

cobrira algum ouro ; e porque, de se continuar no lavor 
ou descobrimento delle, se seguem mui perniciosas con- 
sequências pela vizinhança em que íiea aqnelle sitio do 
mar e por outras muitas razões que devo ponderar, tanto 
pelo que toca ao serviço de sua magestade, que Deua 
guarde, como ao bem commum de seus vassallos, ordeno 
e mando, que nenhuma pessoa de qualquer qualidade, 
foro e condição que seja se empregue em minerar, nem 
descobrir ouro nos districtos da capitania dos Ilhéos ; e as 
que se acharem comprehendidas nesta prohibição serão 
logo presas, e remettidas seguras a esta cidade, onde mor- 
rerão de morte natural irremissível. E para que venha a 
noticia de todos, o capitão-mór daquella capitania man- 
dará publicar este bando a som de caixas nos lugares 
mais públicos delia e principalmente naquelles em que 
se me diz se descobrira ouro, e depois de publicado 
mandará fixar cdpias delle nos mesmos districtos, pro- 
cedendo logo a prisão contra os transgressores delle, e 
remettendo-me uma certidão da dita publicação. Para 
firmeza do que mandei passar o presente, sob meu signal 
somente, o qual se registará nos livros da secretaria do 
Estado e nos da camará daquella capitania a que tocar. 
Francisco Lopes Gião o fez na mesma cidade do Salvador, 
Bahia de Todos os Santos, em os dezeseis dias do mez 
de Maio de 1722.— Vasco Fernandes César de Menezes. 
CLXVII. Em 22 de Julho de 1722 o governador e 
cajjitão general se dirige em officio á camará que tendo 
resoluto o hospedar o patriarcha de Alexandria na con- 
sideração de sua magestade que Deus guarde o haver 
assim por bem, e não ser do seu real agrado o contrario, 
para cujo fim mandei preparar as casas da Quinta de 
Manoel Gomes Lisboa, na qual se faz preciso pôr camas ne- 
cessárias para a sua accommodação : ordeno ao senado da 
camará desta cidade ponha logo prompta a cama decente 
para o dito patriarcha, e seis mais para os seus gentil- 



46 CHPvOiTICÀ GERAL 

homens, na mesma forma que se pratica nas províncias 
de Portugal em semelhantes occasiões. Bailia, e Julho, 22 
de 1722. — Rubrica. 

CLXVIII. Alvará. — D. João por graça de Deus, Rei de 
Portugal e dos Algarves da aquém e de além mar em 
Africa, senhor de Guiné, e da conquista, navegação, com- 
mercio da Etiópia, Arábia, Pérsia e da índia, etc. 

Faço saber a vós juiz de fora, vereadores, e procurador 
que ora servem na camará desta cidade, qne eu hei por 
bem que no anno que entra de 1722, sirvam de vereadores 
delia ; o coronel José Pires de Carvalho, António Alvares 
da Silva, e o sargento-mór José Soares Ferreira, e de pro- 
curador delia Manoel Gonçalves Vianna, aos quaes 
mandareis logo chamar, e lhes dareis posse e juramento 
para que bem e verdadeiramente sirvam os ditos cargos, 
conforme seu regimento, de que se fará assento no livro 
da vereação. — Domingos Luiz Moreira o fez nesta cidade 
do Salvador, Bahia de Todos Santos, aos trinta dias do mez 
de Dezembro do anno de 1721. — Gonçalo Ravasco o fez 
escrever. — Vasco Ferreira. — Alvará pelo qual se servia 
vossa magestade haver por bem que este anno que entra 
de 1722, sirvam de vereadores da camará desta cidade o 
coronel José Pires de Carvalho, António Alvares Silva, e 
o sargento-mór José Soares Ferreira, e de i^rocurador 
delia Manoel Gonçalves Vianna, e manda ao juiz de fora, 
vereadores e procurador que de presente servem na 
mesma camará lhe dêem x)osse e juramento. — Para vossa 
magestade ver. 

CLXIX. A irmandade de Nossa Senhora da Bar- 
roquinha na cidade da Babia teve começo na igreja do 
mosteiro de S. Bento ; e a primeira pedra para a f audação 
do templo foi lançada no dia 25 de Novembro de 1722. 

CLXX. Computo ecclesiastico. Epacta, 23 ; letra do- 
minical, C. 



DO BEA2IL 417 

CLXXI. Martyrologio. Pasclioa a 28 de Marçc». 

CLXXII. Hospício de ISTossa Senhora da Palma da 
Bailia 1722. 

CLXXIII. Xoaniio de 1723 appareceu em Portugal uma 
mortífera epidemia 110 outono que assolou o reino e prin- 
cipalmente Lisboa, por cuja cessassuo o famoso padre 
D. RaplLCiél Bluteau, com assistência de El-rei D. João Y 
sua corte e muito povo, recitou nos dias 23, 24 e "^ò de Ja- 
neiro de 1724 orações gratulatorias a Deus, em reconheci- 
mento dos benefícios recebidos por todos. 

CLXXIV. Yasco Fernandes César de Menezes, etc. 
Porquanto costuma ausentar-se muita parte da equipagem 
das náos da india que chegam a esta bahia, de que se 
seguem gravíssimos prejuízos ao serviço de suamagestade 
que Deus guarde e á navegação das mesmas náos, e ser 
justo atalhar todas estas consequências. Mando e ordeno 
que nenhuma pessoa de qualquer qualidade que seja, 
obrigada a náo da índia que chegou na presente occasião, 
se ausente do serviço delia : e em caso que depois de sua 
partida seja achada em qualquer parte da jurisdicção deste 
Estado, morrerá morte natural irremissível ; e porque 
poderá haver algum doente que pela sua enfermidade 
se impossibilite ao que fica referido, nestes termos logo 
que a dita náo partir para o reino me apresentará certidão 
com todas aquellas circumstancias que façam f é ; e o 
capitão de mar e guerra da náo da índia, mandará loo-o 
publicar este a seu bordo, lixando no mastro grande para 
que a nenhum tempo se possa allegar ignorância.— Bahia 
e Abril 30 de Yí^X— Yasco Fernandes César de Menezes. 

CLXXV. Bando de 13 de Agosto.— Yasco Fernandes 
César de Menezes, etc. Porquanto a experiência tem mos- 
trado que a maior parte dos marinheiros e mais gente da 
obrigação dos canhões charruas de sua magestade que 
Deus guarde, e dos navios da frota deste porto desertam 



^3 CHEONICA GERAL 

delles em grave prejuízo da sua mareação, e devendo 
obviar este damno pelas consequências que delle resultara 
ao serviço do mesmo senhor. Ordeno e mando que nenhuma 
pessoa pertencente a equipagem da náo de guerra, comboi 
da frota e charruas de sua magestade, e navios da frota 
qae se acham nesta Bahia e pertencer ao serviço delles, 
esteja prompta para seguir viagem nelles todas as vezes 
que fôr conveniente ; toda a pessoa que, depois da dita 
frota partir para o reino, fôr achada nesta capitania mor- 
rerá morte natural irremessivel. E para que venha a 
noticia de todos, e se não possa em nenhum tempo allegar 
ignorância ; o capitão de mar e guerra Simião Porto, cabo 
da frota, mandará publicar este bando a som de caixas a 
bordo da sua fragata, e dos mais navios da sua conserva, 
e depois de publicado nos remetterá com certidão do 
escrivão da dita fragata, e dos navios da frota, porque 
conste ser publicado a bordo de todos elles. Para fir- 
meza do que mandei passar o presente sob meu signal 
somente, João de Souza de Mattos o fez nesta cidade do 
Salvador, Bahia de Todos os Santos, aos treze dias do mez 
de Agosto, anno de 1723.— Gonçalo Ravasco o fez escrever. 
— Vasco Fernandes Oesar de Menezes. 

CLXXVI. Vasco Fernandes de Menezes, etc. Porquanto 
sem embargo das repetidas ordens que tenho passado, 
para que os ciganos e ciganas não vendam géneros alguns, 
e das pessoas que lhes impuz no bando que mandei publicar 
em 14 de Fevereiro de 1721, sou informado que continuam 
como dantes naquella diligencia, da qual resultam mui 
damnosas consequências ao commercio e ao consumo desta 
praça. Ordeno e mando, que nenhum cigano ou ciga- 
na venda daqui em diante, género ou fazenda alguma, 
nem pelas ruas nem em suas casas, sob pena de serem 
presos e degradados para galés por tempo de seis annos 
os homens, e as mulheres paru Angola ou S. Thomé 



DO BRAZIL 49 

pelo mesmo tempo, sendo presas até haver occasião de 
embarcação para qualquer daquellas partes. E outrosim 
ordeno quaesquer officiaes de justiça e milícia, que 
tiverem noticia que os ditos ciganos ou ciganas vendem ou 
tem para este eííeito alguma fazenda em suas casas, íis 
prendam, e lhes façam ax^preliensão nellas : estando enten- 
dido que do seu valor lião de ter metade, e a outra se 
aj)plicará para as obras da Ribeira ; e a mesma diligencia 
poderão fazer os soldados da guarnição desta praça. 
E para ser manifesto a todos e se não allegar ignorância, 
se publicará este bando a som de caixas pelas ruas pu- 
blicas desta cidade. Para firmeza do que mandei passar o 
presente sob meu signal somente. Francisco Lopes Gfião 
o fez nesta cidade do Salvador, Bahia de Todos os Santos, 
em os 20 dias do mez de Agosto, anuo de 1723. — Gronçalo 
Ravasco o fez escrever. — Esta diligencia terá principio 
passadas vinte e quatro horas depois da publicação deste 
bando. — Vasco Fernandes César de Menezes. 

CLXX VII. Vasco Fernandes César de Menezes, do con- 
selho de sua magestade que Deus guarde, etc. Porquanto 
o ultimo prazo, que sua magestade que Deus guarde foi 
servido conceder de demora a frota neste porto, se com- 
pleta em trinta do corrente, em cujo dia inf allivelmente com 
o favor de Deus hão de sahir delle os comboios, não da 
Indía^ náo nova e charruas do mesmo senhor. Ordeno 
e mando, que os capitães e mestres dos navios, que 
quizerem acompanhar os ditos comboios, se ponham 
promptos para o fazer irremissivelmente naquelle dia, 
tendo entendido, que as que receberem carga hão de 
seguir viagem com a que tiverem. E as pessoas que 
quizerem metter ouro ou moedas nos cofres dos mesmos 
comboios, o façam nos dias de terça-feira, quinta e sabbado 
de cada semana de manhã e de tarde nas casas da Ri- 
beira, em que hão de ass''stir os officiaes delles, para 

CHEONICA GERAL SEC. XVH. — 4 



bO ClIRONICA GERAL 

aqnelle eíCeito. E para que venha á noticia de todos, e se 
não possa allegar ignorância, se publicará este bando a 
som de caixas pelas ruas publicas desta cidade. Para 
firmeza do que mandei passíir o presente sob meu signal 
somente. Francisco Lopes Gião o fez nesta cidade do 
Salvador, Baliia de Todos os Santos, em os 2 dias do 
mez de Outubro, anno de 1723. — Gonçalo Ravasco o fez 
escrever. — Vasco Fernandes César de Menezes. 

CLXXyiII. Vasco Fci^iiandes César de Menezes, do con- 
selho de sua magestade que Deus guarde, vice-rei e ca- 
pitão general de mar e terra do Estado do Brazil, etc. 
Amanhã se contam dezoito do corrente, pelas seis horas 
da manhã, se achem nesta praça os terços de infantaria e 
artilheiros delia para se i:)assar mostra, e dar soccorro 
como é estylo. Todo o soMado ou artilheiro que passar um 
por outro incorrerá na pena do três tratos de corda a 
braço solto : e os oíliciaes que o consentirem serão cas- 
tigados na forma do regim.ento das fronteiras. E para ser 
manifesto a todos se publicará este bando, a som de caixns. 
pelas ruas publicas desta cidade. Francisco Lopes Gião o 
fez nesta cidade do Salvador, Bahia de Todos os Santos, 
aos 17 dias do mez de Outuln-o, anno de 1723. — Vasco 
Fernandes César de Menezes. — Deste theor sempre em 
todos os mezes. 

CLXXIX. Vasco Fernandes César de Menezes, etc. 
Porquanto tenho resoluto cjue os comboios da frota, náo 
da índia, n^io nova o charruas de sua magestade, que 
Deus guarde, saiam desta bahia irremissiveimente, dando 
Deus temi}0, a 20 do corrente : ordeno e mando, que os 
capitães e mestres dos navios que íôm recebido carga, se 
ponham pi-omptos para acompanhar os ditos comboios in- 
fallivelmente naquelle dia : e os marinheiros e mais gente 
da obrigação de uns e outros que faltarem ao serviço 
delles, e senão embarcarem deixando-se ficar nesta Bahia 



t)0 ERAZIL 51 

serjío presos e degradados para galés por terupò de dez 
annos. E para que venlia a noticia de todos e se não possa 
allegar ignorância se i^ublicará este bando, a som de caixas, 
pelas ruas i')nblicas desta cidade. Francisco Lopes C-fião o 
fez na mesma cidade do Salvador, da Bahia de Todos os 
Santos em os 7 dias õ.o mez de liovembro. anno de 1733. 
Gonçalo Ravasco o fez escrever. — Vasco Fernand.es Oesar 
de Menezes. 

CLXX?v. iSTo dia 21 de DezemJjro de 1733, morre era 
Cana Brava, exercitando o sen ministério,' o missionário 
padre Angelo dos Reis, nascido na T)rovincia da Bailia, 
em 1664. 

CLXXXI. Em Dezembro de 1733 o mestre de campo 
Manoel Gomes Barboza, com duzentos homens, levanta 
um forte no lugar onde hoje está fundada a cidade de 
Montevideo. 

CLXXXII. Em 1734 alguns leigos franciscanos fun- 
daram o Hospício de Jerusalém na Bahia, em quali- 
dade de esmoleres da Terra Santa, em cuja posse estiveram 
até que por acto Legislativo o Hospício passou ao do- 
mínio dos oipliãos da casa pia da Bahia. 

CLXXXIII. K'a noite do dia 18 de Xovembro de 
1734 foi tão grande a tempestade que desabou sobre a 
Ilha da Madeira que destruiu a villa do Macliico, e 
parte da de Santa Cruz, padecendo também grandes 
damnos a cidade do Funchal. 

CLXXXIY. Xa tarde do dia, domingo, 19 de No- 
vembro de 1734, cahiu sobro Lisboa (e outros lugares do 
reino) tão horrenda tempestade de vento e chuva, que? 
produzindo grandes estragos nos edificios e campos, e 
no Thjo, além de outros muitos, perderam-se dezeseis 
navios carregados de fazendas, prestes a sahirem j^ara 
a Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Angola, Costa 
da Mina e Porto, dando todos elles á costa. 



52 CHEONICA GERAL 

CLXXXV. Computo ecclesiastico. Epacta, 4; letra 
dominical, B. A. 

CLXXXVI. Martyrologio. Paschoa a 16 de Abril. 

CLXXXVII. Na bibliotlieca publica do Rio de Janeiro 
existe uma certidão de óbito, legalisada que confirma 
ter fallecido no hospital da Misericordiíi de Toledo, na 
Hespanlia, em 19 de Novembro de 1724, o celebre pau- 
lista Padre Bartliolomeu Lourenço de Gusmão, inventor 
do balão areostatico. 

CLXXXyiII. Na terça-feira, 29 de Agosto de 1724, 
chega á cidade de Belém, do Grão Pará, o primeiro 
bispo da diocese alli creada D. Fr. Bartliolomeu do 
Pilar. 

CLXXXIX. Computo ecclesiastico. Ei)acta, 15 ; letra 
dominical, B. A. 

CXC. Martyrologio. Pasclioa a 1." de Abril. 

CXCI. — Vasco Fernandes César de Menezes, etc. Por- 
quanto vários mulatos e negros, assim forros como cativos, 
e ainda alguns liomens brancos andam nesta cidade vesti- 
dos na mesma forma, e com as mesmas divisas com que 
andam os soldados dos dous terços da guarnição desta 
praça, cujo abuso devo evitar, assim jDorque sua 
magestade, que Deus guarde, o proliibe, como pelas 
desordens, que da sua tolerância se podem seguir ao 
serviço do mesmo senhor : ordeno e mando que todo 
o mulato ou negro, quer seja forro, quer cativo, que 
fôr achado com os referidos vestidos oito dias depois 
de publicado este bando, lhe seja logo tomado, e elle 
preso e levado á cadeia donde estará por tempo de 
quatro mezes. Esta diligencia farão os officiaes e sol- 
dados dos terços desta praça. E para que venha a no- 
ticia a todos, se publicará este bando, a som de caixas, 
pelas ruas publicas desta cidade. Para firmeza do que 



DO BRA.Z1L 53 

mandei i^assaro presente sob meu signal somente, o qual 
se re^çistrará nos livros da secretaria deste Estado. Fran- 
cisco Lopes Gião o fez nesta cidade do Salvador, Bahia 
de Todos os Santos, em os 10 dias do mez de Setembro, 
anuo de 1725. — Gonçalo Ra vasco Cavalcante e Albu- 
querque o fez escrever. — Vasco Fernandes César de 
Menezes. 

CXCII. No dia 27 de Novembro de 1725 o gover- 
nador e cax^itão general dirigiu ao juiz de fora o se- 
guinte officio : — Terá V. mercê entendido que nesta 
cidade se hão de pôr três dias luminárias que princi- 
piarão no em que desembarcar o arcebispo. Deus guarde 
a Y. mercê. Bahia e Novembro 27 de 1725. — Yasco 
Fernandes César de Menezes. — Sr. Dr. Juiz de fora. 

CXCIII. Amanhã 27 de Novembro de 1725, pelas três 
horas da tarde, ha de desembarcar o arcebisjpo, e na 
Ribeira se ha de fazer a sua funcção, vindo dalli em pro- 
cissão pela ladeira da Conceição a buscar as portas de 
S Beato. V. mercê mande logo e logo concertar a rua 
por aquella parte da maneira que for possível, e limpar 
qualquer monturo que haja, fazendo que o senado arme 
as portas de S. Bento com toda a decência, assegurando- 
Ihe que sua magestade, que Deus guarde, ha de estimar 
muito toda a galhanteria que o senado lhe fizer, por 
cuja causa me x)arece que este o vá visitar a bordo e 
com aviso de V. mercê mandarei ter prompta embar- 
cação na Ribeira a hora que me disser. — Deus guarde 
a Y. mercê. Bahia e Novembro, 27 de 1725. — Yasoo 
Fernandes César de Menezes -— Sr. Dr. juiz de fora. 

CXCIY. Methodo da fundição da casa da moeda. 

Annos m. onç. oit. gr. 

1725 8,502 O 7 70 

1726 5,789 4 7 36 

1727 4,713 3 2 2T 



4 CimOiíiCÀ GfiÊAL 



Annos m. onç. oifc. gr. 

1728 5,047 2 1-4 

1729 2,244 7 4 64 

1730 5,893 7 3 69 

1731 O O O O 

1732 9,527 6 3 24 

1783 5,048 1 7 16 

1734 15,271 6 O 58 

1735 5,717 O 4 57 

CXVC. Computo ecclesiaslico. Epacta, 26 ; letríi domi- 
nica], F. 

CXCYI. MartjTologio. Pasclioa a 21 de Abril. 

CXCYII. Pela carta regia de 4 de Fevereiro de 1726, 
ordena El-rei que dos bens sequestrados ao ex-gover- 
nador Francisco de Castro de Mories, o i^rovedor da 
fazenda real entregue a D. Maria de Távora Leite, sua 
mulher, o que ella mostrasse por carta de i^artillia que 
lhe cabia por meação. 

CXCVIII. No dia 13 de Março de 1726 a povoação 
de Santa Catharina é elevada á categoria de villa de 
Nossa Senhora do Desterro, sendo a sessão da sua pri- 
meira camará, estabelecida no dia 26, presidida pelo 
ouvidor de Paranaguá António Alves Lanha Peixoto. 

Até 1720 a população da povoação, conforme a infor- 
mação do ouvidor de Paranaguá Raphael Pires Padri- 
nho, era de vinte sete casaes, com cento e trinta pessoas 
de communhão, o que também consta da relação do 
conselho ultramarino de 9 de Maio de 1722, pelo des- 
troço que a colónia soílreu com a invasão do pirata 
Roberto Lewes e assassinato de seu fundador Francisco 
Dias Velho Monteiro. 

CXCIX. Vasco Fernandes César de Menezes, do 
conselho de sua magt?stade, que Deus gnardej vice-rei 



e capitão general de mar e terra do Estado do Brazil, 
etc. Pornuanto além de muitos alDusos introduzidos nesta 
cidade, lia o escandaloso e prejudlal de se transformar 
quinta-feira maior em dia de entrado, commettendo-se 
varias mortes, insolências e desassocegos j)OV causa das 
bebidas em f[ue os taverneiros, i^elos seus interesses, 
tem a maior culpa ; e acliando-me obrigado a evitar 
damnos de tantas conseciuencias : mando e ordeno que 
nenhum taverneiro ou outra qualcpier pessoa, venda 
vinbo ou bebidas, desde o dia de amanliã, que se liãc 
de contar dezesete do corrente, até domingo de i^asclioa, 
com comminação de cpie fazendo o contrario, ou constando 
por algum eífeito que assim o não executaram, serem 
X)resos por temido de seis mezes, e i')agarem duzentos 
mil réis para as obras da Ribeira. E para que venlia a 
noticia a todos e se não possa allegar ignorância 
mandei publicar este Ijando. a som de caixas, pelas 
ruas publicas desta cidade, o qual se registrará nos 
livros da secretaria de estado. — João de Souza de Mattos 
o fez nesta cidade do Salvador, Bahia de Todos os 
Santos, em os 16 dias do mez de Abril, anno de 1728. 
— Domingos Luiz Moreira o fez escrever. — Vasco Fer- 
no/iiães César de Ilenezes. 

CC. Em 20 de Julho de 1726, o governador geral da 
Bahia dirige uma portaria ao provedor dos defuntos e 
ausentes da cidade, para que responda logo e logo se 
já tinha feito a remessa que requereu o desembargador 
]3rovedor-mór da fazenda, sobre os bens de Francisco 
João Lambert, i)ara com segurança resx^onder ao cpie 
sua magestade lhe ordena a respeito deste xjarticular, 
e no caso que não esteja satisfeito o dito requerimento 
se faça immediatamente esta diligencia, porque com 
ella se executa a resolução d'El-rei. 

GCI, Portaria de 13 de Novembro de 1726 dirigida, 



56 CHEONICA GEEAL 

ao senado da camará em termos miti terminantes. O se- 
nado da camará mande assistir os almotaceis no açougue, 
e não dispense cora elles nesta parte e nas mais obri- 
gações do seu ministério ; e quando liouver de fazer 
semelhantes provimentos, sejam «m pessoas desempe- 
didas, e com as circumstancias que sua magestade, que 
Deus guarde, manda. Bahia e j^ovembro, 13 de 1726. — 
Rubrica. 

CCII. Computo ecclesiastico. Epacta, 7 ; letra domi- 
nical, E. 

CCIIL Martyrologio. Paschoa a 13 de Abril. 

CCIV. Vasco Fernandes César de Menezes, do con- 
selho de sua magestade, que Deus guarde, vice-rei e 
capitão general de mar e terra do Estado do Brazil, etc. 
Porquanto além de muitos abusos introduzidos nesta 
cidade, ha o escandaloso e prejudicial de se transformar 
quinta-feira maior em dia de entrudo, commettendo-se 
varias mortes, insolências e desassocegos por causa das 
bebidas em que os taverneiros, pelos seus interesses, 
têm a maior culpa, e achando-me obrigado a evitar 
damnos de tantas consequências : mando e ordeno que 
nenhum taverneiro ou outra pessoa qualquer venda 
vinho ou bebidas, desde o dia de amanhã, que hão de 
contar 9 do corrente, até domingo de paschoa, com 
comminação, de que fazendo o contrario ou constando 
por algum effeito que assim o não executaram, serem 
presos por tempo de seis mezes e i)agarem duzentos 
mil réis para as obras da Ribeira, E para que venha a 
noticia a todos e se não possa allegar ignorância, 
mandei publicar este bando, a som de caixas, pelas ruas 
da cidade, o qual se registrará nos livros da secretaria 
do estado. — Fraacisco Lopes Gião o fez nesta cidade 
do Salvador, Bahia de Todos os Santos, em os 8 dias 
domez de Abril, anno de 1727.— Domingos Luiz Mo- 



DO BRAZIL 57 

reira o fez escrever. — Vasco Fernandes César de Me- 
neses. 

CCV. Yasco Fernandes César, etc. Porquanto tendo 
consideração aos irreparáveis damnos qne os navios es- 
trangeiros causam nesta baliia, e nos mais portos dos 
dominios deste Estado, sendo só o castigo o único re- 
médio que pôde evitar damnos de tão perniciosas con- 
sequências : mando e ordeno que nenhuma pessoa, de 
qualquer qualidade, foro e condição que seja, vá a 
bordo do navio de Hostende que se aclia neste porto, 
nem tenha trato, commercio ou communicação alguma 
com a gente de sua equipagem. E toda a joessoa que 
fôr comj^rehendida nesta prohibição, indo a bordo do 
dito navio, tendo communicação com a gente delle ou 
achando-se com fazendas ou outros quaesquer géneros 
vindos nelle, morrerão morte natural irremissível ; e 
as pessoas que por algum privilegio possam estar isentas 
desta pena serão degradadas ^ox dez anuo s para Ben- 
guella, iKigando lyrimeiro ãous mil cruzados para as 
oÒ7'as da Bibeira : e outro sim serão queimadas as 
embarcações que se acharem no exercício proMMdo. 
E iDara que venha a noticia a todos, e se não iDossa 
em tempo algum allegar ignorância, etc. 

CCVI. Vasco Fernandes César, etc. Porquanto a ex- 
periência me tem mostrado que a equipagem e guar- 
nição das fragatas de sua magestade que vêm a este 
porto se costuma ausentar, com grande prejuizo do seu 
real serviço, e devendo obviar este damno, de que 
se seguem prejudicialissimas consequências : ordeno e 
mando que nenhuma pessoa pertencente á equipagem 
e guarnição da fragata Nossa Senhora Madre de Deus 
se ausente, sob pena de ser mandada para galés, na 
forma das ordens de sua magestade, as quaes se execu- 
tarão irremissivelmente, sem admittir requerimentos de 



êâ CimO^riCÀ "G33RAL 

nenliumíi^/jiialidadej^e^serrio obrigados a estarem prom- 
ptosTpara se embarcarem na dita frngata todas as vezes 
cjue for necessário. E para cpie venlia a noticia a 
todos, e se não possa allegar ignorância, mandará o 
capitão de mar e gnerra Luiz de Abren i^ublicar este 
bando, a som de caixas, a bordo da dita fragata, fazendo 
íixar cópia delle no mastro grande, e com certidão da 
publicação feita i^elo escrivão da fragata, remetterá o 
dito bando á secretaria deste Estado. Para firmeza do 
que mandei x^^^ssar o ^iresente, sob meu signal somente. 
— Francisco Lopes Gião o fez, etc, etc. — Vasco Fer- 
nandes César ãe Menezes. 

CCyiI. No dia 15 de Agosto de 1727 António da 
Silveira Caldeira Pimentel toma i^osse do governo de 
S. Paulo como seu governador e cax)itão general, e 
e:overna a capitania durante cinco annos. 

CCYIII. Sublevação dos soldados do Terço Yellio da 
Bailia a 10 de Maio de 1728. Sete foram executados, 
sendo delles dous esquartejados ( o cabo António Pe- 
reira na porta do seu quartel e o soldado Anastácio 
Pereira no Campo da Casa da Pólvora), e dezeseis de- 
gradados para Angola, Benguella e Presidio do Morro. 

CCIX. Computo ecclesiastico. Epacta, 18 ; letra do- 
minical, D. C. 

CCX. Martyrologio. Dia 1.^ de Janeiro, quinta-feira ; 
pasclioa a 28 de Março, 

CCXI. Tendo resoluto por vários motivos que o Sr. 
mestre de campo João de Araújo e Azevedo i^assasse 
para sua fazenda dos Ilheos donde não saliiria sem 
ordem minha, como llie insinuei em carta de 20 de Junho, 
attendendo depois a representar-me necessitava de re- 
médios para algumas queixas que x)adecia lhe concedi 
uma das três villas do Camamú, Cayrú ou Jaguaripe 



para a sua assistência durante aquelle impedimento, 
que considerava iustiíicado. 

E i-)orque sei com certeza qne tem abusado desta 
attenção vindo a esta cidade com menos recato do qne 
devia, procurando desta sorte fazer em tudo publica a 
sua desobediência, llie ordeno que em termo de três 
dias se i^onlia em caminlio para a sua fazenda dcs 
Illieos, remettendo-me tanto que chegar documento de 
o liaver assim executado. — Bahia, Setembro, G de 1728. 

— Vasco Fernandes César de Menezes. 

CCXII. O juiz ordiuario da villade Jaguaripe entregue 
logo e logo a carta inclusa ao mestre de campo João 
de Araújo e Azevedo, remettendo-me certidão de o 
haver assim executado, na qual declarará o dia em 
que fez esta diligencia, e passados três me avisará se 
com effeito sahiu o dito mestre de campo daquella 
villa. — Bahia e Setembro, 6 de 1728. — Yasco Fer- 
nandes César de Menezes. 

CCXIII. Computo ecclesiastico. Epacta, 30; letra do- 
minical, B. 

CCXIV. Martyrologio. Paschoa a 17 de Abril. 

CCXV. Bela resolução regia de 20 de Março de 1730, 
dirigida ao bisx)o do Kio de Janeiro, é creada a pa- 
rochia de Nossa Senhora do Desterro em Santa Catha- 
rina com vigararia collada. 

CCXyi. O sargento-mór da capitania de Sergipe de 
El-Rei dará ao coronel Manoel Nunes Coelho seis soldados 
armados, os que elle escolher, para acompanharem ató 
esta cidade o dinheiro da finta. Bahia e Janeiro, o de 1730. 

— Conde de Haljiigosa. 

CCXVII. O desembargador provedor-mór mande en- 
tregar nove mil e duzentos ao escrivão António Gomes 
para com elles pagar três vestias, três calvões. três cami- 



60 CHRONICA GERAL 

sas e três cliaxiens, que mandei dar a- três presos que fica-" 
ram da náo da índia x^or estarem incai^azes de embarcar, 
aos quaes mandei sentar praça de soldados no Terço Novo. 
E esta despeza se fará i3or via da minlia ordinária. — Ba- 
hia e Janeiro, 10 de 1730. — Conde de Sabitgosa. 

CCXVIII. Portaria de 10 de Janeiro de 1730. O sar- 
gento-mór de Sergipe de El-Rei a cujo cargo está o governo 
delia (capitania), tenlia entendido, que todas as vezes que 
se llie pedirem soldados para qualquer diligencia do ser- 
viço de sua magestade, que Deus guarde, os ha de dar 
promptamente e sem demora alguma, ainda os que cos- 
tuma ter á sua x^orta, para que se não falte a boa admi- 
nistração da justiça, e não concorrerá com o ouvidor da- 
quella capitania em actos x^i^hlicos até nova resolução 
minha. Bahia e Janeiro, 10 de 1730. — Conde de Sabugosa. 

CCXIX. Porquanto fazendo-se-me repetidas queixas 
dos roubos, excessos e violências com que x^rocedia Domin- 
gos Antunes, capitão-m(5r da x^ovoação do Rio de S. Ma- 
theus, vexando os seus moradores com X3risões e tyrannias, 
fazendo algumas mortes, e Xíí'ocedendo em tudo absoluta 
e desx3oticamente, x^oi" cuja causa se retiravam uns e faziam 
a mesma diligencia os mais, e não queriam outras muitas 
pessoas ir viver naquella parte que x)or este motivo se acha 
menos x^ovoada, sendo conveniente o seu augmento, assim 
l^elo que resxDeita ao bem x^ublico, como pelo que toca ao 
serviço de sua magestade, que Deus guarde, e segurança 
da dita x^ovoação, o mandei prender, e fica na cadeia desta 
cidade ; e x^orque na mesma povoação não ha juiz que 
possa conhecer do referido : ordeno ao juiz ordinário da 
villa da cax^itania do Espirito Santo qae ficar mais próxima 
áquella x^ovoação, a quem o capicão-mór da mesma capi- 
tania entregar esta, conheça de todo o deduzido, e tire de- 
vassa do que fôr causa delia, e do mais uraa inquirição de 
testemunhas, para cujo efileito as mandará vir da dita po- 



DO BEAZIL 61 

voação, on irá a ella ; e espero que esta diligencia proceda 
com uma tal exacção que possa o dito capitão-mdr ser 
punido por todos e qnaesquer insultos que tiver commet- 
tido como merecer a gravidade delles ; e do que achar me 
dará conta na primeira occasião que se oíferecer com a 
proi^ria devassa e iuquiriçõeg, deixando ficar o traslado de 
tudo. Bahia e Janeiro, 10 de 1730.— Conde de So.hugosa. 

CCXX. D. João, por graça de Deus, xíei de Portugal e 
dos Algarves, de aquém e de além mar em Africa, senhor 
de Guiné, etc. Faço saber a vós conde de Sabugosa, vicc- 
rei e capitão general de mar e terra do Estado do Brazil, 
que por ser conveniente a meu serviço, me jjareceu orde- 
nar-vos, não consintais, que se estabeleçam correios i3or 
terra nessa capitania, i3orque este estabelecimento, não 
pertence ao correio-mór do Reino, e das costas do mar, 
porquanto eu hei de dispor delle como entender ser mais 
conveniente ao meu serviço, a bem de meus vassallos, o 
que vos hei i3or mui recommendado, e esta minha ordem 
fareis registrar nos livros da secretaria desse governo re- 
mettendo-me certidão de como assim o executastes. El -rei 
nosso senhor o mandou pelos desembai-gadores José Gomes 
de Azevedo e Alexandre Mettello de Souza Menezes, con- 
selheiros do seu conselho ultramarino, e se pasáou por 
duas vias. — João Tavares a fez em Lisboa Occideutal a 26 
de Abril de 1730. — O secretario, Manoel Caetano Lopes 
de Laerne a fez escrever. — José Gomes de Azevedo. — 
Alexandre Mettello de Souza Menezes. 

Resposta. — Senhor. ISTesta caj)itania não ha nem se es- 
tabeleceram nunca correios por terra, nem nella tem exer- 
citado o correio-mór do Reino Jurisdicção alguma, a qual 
eu lhe não consentiria sem resolução de vossa magestade. 
— A real pessoa de vossa magestade guarde Deus Nosso 
Senhor, como seus vassallos havemos mister. Bahia e 
Julho, 12 de 1730.— Conde de Sabugosa. 



C2 ClIItO^ÍICA CERAL 

CCXXI. Em 1730 mandou o brigadeiro António de Al- 
meida vários familiares seus, em duzentas náos de guerra 
procurar cannas de assucar que uns sertanistas liaviam 
encontrado dons annos antes nas beiradas do rio S. Lou- 
renço, os quaes voltaram passados dous mezes com as que 
puderam conduzir ; e com ellas fez uma x)lantação que 
pro3x:)erou á medida dos seus desejos e da necessidade pu- 
blica. Depois foram muitos os x)lantadores deste aben- 
çoado vegetal, etc. 

COXXII. O juiz commissario José de Oliveira Pimentel 
remetta logo e logo á secretaria deste Estado uns paireis 
que i^ertencem a missão de Axará que se acham em seu 
poder, e me diga qual foi a razão que teve para entrar em 
semelliante procedimento qae me parece incivil e desusado 
e llie ordeno se abstenlia de todo e qualquer excesso, pro- 
curando satisfazer as obrigações do seu ministério, de 
sorte que não exceda a jurisdicção que lhe toca. — Bahia e 
Fevereiro, 14 de 1780, — Conde de 8ctbiigosa. 

CC XXIII. O governador Duarte Sodré Pereira, infor- 
mando, diz : " Muito maior comarca ó a das Alagoas, a 
que estão sujeitas as villas do Penedo e Porto Calvo, com 
dez freguezias, governadas |)or cinco capitães-móres de 
ordenança; que nunca foi governada por capitão-mór pago, 
cujo dizimo anda arrendado com pouca differença em três 
coutos oitocentos e setenta e três mil réis e tem quarenta 
e sete engenhos de assucar. I^ella ha ouvidor. 

CCXXIV. A in'imcira pedra para a fundação da igreja 
de S. Domingos foi lançada no dia 18 de Dezembro de 1731 
pelo vice-rei, que era irmão terceiro, e no anno seguinte 
foi a igreja benzida no dia 21 de Dezembro (1732) pelo cura 
da Só padre João Borges de Campos, em cujo dia celebrou 
a primeira missa o Bev. padre director Fr. Lourenço Jus- 
tiniano Ribeiro, tendo no dia 23, véspera, ido em i:)rocis- 
são a imagem de S. Domingos, patriarcha da ordem, da 



DO BPwVZlL 



es 

igreja da Palma, para a cTe sua propnedacTe no Terreiro 
de Jesus. 

CCXXV. El-rei D. Juão Y, por alvará de 10 de Março 
d^e 1732, determinou que neuluima mulher residente no 
Brazil fosse para o reino, sem licença sua, com o fim de 
augmentar-se a população do Brazil. 

CCXXYI. Em 1730 foram para Portiigal mil cento e qua- 
renta e seis duros de diamantes] na frota que neste anno 
saliiu do Rio de Janeiro. 

CCXXVII. Mato Grosso foi povoado pelos moradores 
de Cuyabá. 

CCXXYIII. Antecipando-se o inverno na Bahia, foram 
tão abundantes e continuadas as chuvas desde o 1.° de Ja- 
neiro [de 1732, qu3 duraram até 20 de Abril do mesmo 
anno, causando não só innundações dos rios do interior da 
capitania, como na madrugada deste dia o desmorona- 
mento das terras da montanha sobranceira á Cidade Baixa, 
causando muitos e consideráveis estras-os. 

CCXXIX. Por Alvarcl de o de Março de 1732, manda-se 
crear a fregnezia do xN^ossa Senhora do Desterro, em 
Santa Gatharina, cujo templo foi mandado construir 
pela provisão de 17 de Julho de 1748, expedida ao 
governador José da Silva Paes, e executada pelo seu 
successor coronel Manoel Escudeiro Ferreira de Souza 
em 11 de Fevereiro de 1749. 

CCXXX. Tendo sido nomeado /.ntonio Luiz de Tá- 
vora, conde de Sarzedos, governador e capitão general 
da capitania de S. Paulo, tomou posse do governo no 
dia 15 de Agosto de 1732, e o exerceu por cinco annog 
três mezes e dezeseis dias. 

CCXXXI. Sendo notório c[ue o leito do grande rio 
Maranhão, na província de Goyaz é abundantissimo de 
ouro, trazido para elle dos innumeros affluentes, ten- 



64 CHRONICA GEEAIi 

taram alguns mineiros desviar-llie , o curso, e i^erto do 
arraial de Agua Quente e da Cochoeira do Macliadinlio, 
foi desviado o rio. e nas poucas horas, que o dique 
aguentou as aguas extraliiram tanto ouro, que cobriu 
as despezas. Neste trabalho empregaram doze mil 
pessoas. ( Ext. de uma memoria oíficial que possuo. ) 

COXXXII. Foi no dia 2 de Fevereiro de 1733, que 
o arcebisx)o da Bahia D. José Fialho benzeu o ter- 
reno e lançou a primeira pedra para a construcção do 
templo da Santíssima Trindade, e redempção dos ca- 
tivos. O temx3lo ficando construído á expensas de do- 
nativos, mais tarde José Joaquim de Sá fundou a ordem 
terceira sendo instituída, no dia 1.** de Fevereiro de 1707, 
por breve pontiíicio de Pio V^Il de 26 de Agosto de 1808. 

CCXXXIII. Pela i:)rovisão regia de 27 de Outubro 
de 1735, foi concedida a j^ermissão para se erigir o 
seminário ei^iscojDal de S. José do Rio de Janeiro á 
instancias do bispo D. Fr. António de Guadalupe, que 
o fundou e lhe deu exercício em 1739. 

CCXXXIV. No dia 2 de Maio de 1735 chega á 
Bahia André de Mello e Castro, conde das Gralveas, 
quinto vice-rei do Brazil, e toma posse do governo no 
dia 7. 

CCXXXV. No dia 20 de Outubro de 1735, é creada 
uma junta de justiça criminal em Pernambuco. 

CCXXX7I. Na quarta-feira 20 de Julho de 1735 o 
religioso carmelita Fr. Manoel da Encarnação toma posse 
de cento e triuta e cinco palmos de terreno doados 
pela camará municipal, no sitio da capella de Nossa 
Senhora do O', para a fundarão de um convento de Nossa 
Senhora do Carmo. A capella de Nossa Senhora do O', 
passou a servir provisoriamente de Hospício do Carmo. 

CCXXXVII. Convento das Mercês da Bahia. 1735. 



DO BRAZIL 65 

CCXXXYIII. A igreja de S. Francisco de Paula da 
Bailia foi feira pelo padre António Borges Monteiro, 
entre o lugar de Agua de Meninos e o Noviciado dos 
Padres da Companhia. Conta-se que, no lugar onde foi 
edificada a igreja, morava um velho amigo do padre 
Monteiro, e toei as as tardes ia o padre conversar com 
o velho amigo, e se deitava sobre os capins em frente 
a casa. Em uma tarde, achou junto á si uma verónica 
de metal com a efígie de S. Francisco de Paula, e a 
levando para casa. depois de a limpar, guardou-a em 
uma gaveta ; d: hi a três dias achando-se no mesmo 
lugar, viu a verónica que tinha levado para casa. Então 
concebeu a idéa de construir a igreja consagrada 
a S. Francisco de Paula, e, com seu sobrinho António 
Lourenço Feijó de Mello, compraram a casa do velho 
e depois de rorado o mato deram começo a fundação 
da igreja, com a qual gastaram muito cabedal. 

CCXXXIX. No dia 19 de Fevereiro de 1737, o bri- 
gadeiro José da Silva Paes chega ao Rio Grande, aonde 
vai lançar os fundamentos da primeira fortaleza e po- 
voação do Rio Grande do Sul ; e nelle estabeleceu o pri- 
meiro presidio cue o entrega ao commando do coronel 
André Ribeiro (]loutinho, volta para Santa Catharina 
e depois ao Rio de Janeiro donde regressa em 1739, 
e toma posse do governo da capitania, com patente 
regia de 7 de Março do mesmo anno. 

CCXL. No áhi 6 de Julho de 1737, fallece na Bahia 
o Dr. João Calmou, formado em conones, alli nascido 
a 6 de Setembro de 1668, sendo seu pai um francez, 
que se assignalou na guerra contra os hoUandezes. 

CCXLI. Gomes Freire de Andrade, no dia 1.° de De- 
zembro de 1737, tomou posse do governo da capitania 
de S. Paulo, e governou um anno, dous mezes e onze 
dias. 

CHKOKICA GERAI, 8EC. XVII. — 5 



66 cnp.o^ricA gmal 

CCXLIL Pelas cartas inclusas será prosente a sua 
magestacle a morte do conde de Sarzedas e como até 
agora não tive noticia alguma das pessoas que foram 
nomeadas nas vias de successuo, cpie me dizem estava 
no Rio de Janeiro, não sei a quem tocará o governo 
da capitania de S. Paulo, mas, no caso em que não 
haja as sobreditas vias, me i^arece que sem controvérsia 
deva exercitar aquella occupação ( emquanto sua ma- 
gestade a não lorove), .1 xlo dos Santos Ala, assim por 
ser mestre de campo mais antigo que está na America, 
como por estar governando uma das praças mais x^rin- 
cii^aes daquella cax)itania. 

A morte do conde será de grande prejuízo ao ser« 
viço de sua magestade, porque, além da sua muita ca- 
pacidade, estava também instruido, e com tantas noti- 
cias e experiências das minas de todo aquelle conti- 
nente, que sem duvida se hão de experimentar os eííeitos 
da sua falta. — Deus guarde a Vossa Excellencia. — • 
Bahia 12 de iSTovembro de 1737. — O conde André de 
Mello e Castro. — Sr. iVntonio Guedes Pereira. 

CCXLIII. El-rei de Portugal tendo noticia que a ilha 
de Fernando jSToronha estava occupada por vários estran- 
geiros com o designio de se estabelecerem, mandou no dia 
1.° de Setembro de 1733 o capitão de armas e guerra 
D. Manoel Henrique na náo ír7o?'/« expulsai os dalli, 
o que effectivamente aconteceu, chegando a náo a ilha 
no dia 23 de Outubro, e depois de expulsar os estran- 
geiros demorou-se nella até G de Julho de 1739. 

CCXLIV. O brigadeiro José da Silva Paes tendo ido 
em 1737 para Santa Catharina cominstrucções da corte de 
Lisboa, encarregado do governo militar até além do 
Rio Grande do Sul, sendo nomeado seu primeiro go- 
vernador, toma posse do governo em 7 de Março de 1739, 
em virtude de separação que se operou desmembrando 



T)0 BRAZIL 6? 

Santa Catharina da S. Paulo; e sajeitando por carta 
regia de 11 dy Agosto de 1733 ao governo do Rio da 
Janeiro. 

CCXLY. No dia 31 àe Janeiro de 1739 se publicou 
na cliancellaria-niór, do reino uma lei, assignada por 
El-rei D. João Y, diiterminando os tratamentos de JEJx- 
cellencia, lUustrissinio, 8ànliorla. Ilei^eremlissima e 
Fcdernidade que se deveriam dar de palavras e por 
escripto a todas as i)e33oas conforme as suas respectivas 
qualidades, jerarcliias e ocGur)ações. (^A?^?w Histórico.) 

CCXLYI. O rio de S. Francisco em Março de 1789 
encheu tanto que saliindo do seu leito, se expraiou 
a grandes distancias, causando extraordinários prejuízos. 
O povo appeliidou de grande diluvio o extraordinário 
expraianiento das aguas do rio. 

CCXLYII. D. Luiz de Tuascarenlias, oitavo governador 
de S. Paulo, toma posse, no dia 12 de Fevereiro de 
1739, da administração, e governou a ca];)itania dez annos 
e dezesete dias. Segulu-se o periodo de dezeseis annos 
em que S. Paulo foi provisoriamente unido ao Rio de 
Janeiro. 

CCXLVIII. El-rei D. João IV, mandou reduzir em 
1739 o pessoal dos conventos de Santo António da Baliia 
a duzentos, o Provincial Fr. Manoel da Ressurreição, 
em 20 de Abril, pedindo a revogação da ordem em vir- 
tude do numero de conventos e missões, sendo ouvido 
o conde de Sabugosa, este sondo favorável ao i^ieticio- 
nario, no ixarecer que deu em 23 de Setembro do mesmo 
anno de 1739, foi revogada a ordem e de novo o con, 
vento x>i'incipiou a receber noviços. 

CCXLIX. O padre Fr. Francisco Maria, capuchinho 
italiano, levantou, junto ao rio S. João de Ipuca de 
Cabo Frio, uma aldeia, construindo uma igreja dedi- 
cada a sagrada família de Jesus Christo. Depois da sua 



68 CHEONIOÂ GERAL 

partida para a Europa, foi . iihstitnido neVa pelos padres 
capuchinlios da província l:i Conceição lié o anno de 
1761 ; x3or necessidade dos pcvo;? se fez dn igreja da 
aldeia parochia, sendo o rou primeiro vigai io o x>adre 
Jeronymo Ferreira de Sou '-a em 1800, se o liospicio dos 
capuchos italianos, da côrt; tem terrenos, deve ser j^elo 
rio de S. João, até o rio Macahé ; por.xue para pa- 
trimónio do templo e da aldeia, o governador Gomes 
Freire de Andrade, a reqi erimento do missitmario fun- 
dador, concedeu avultada porção de terra a por sesmaria 
com a ausência dos Índios para os sertões, foram dadas 
as terras a diversos, como devolutas, por não serem re- 
clamadas, em virtude da ordem regia de 28 de Fevereiro 
de 1716, que assim o determina, 

CCL. Tendo sido nomeado D. Fr. João da Cruz bispo 
do Rio de Janeiro, tomou posse do governo da diocese 
no dia 4 de Maio de 1741. 

CCLI. No dia 5 de Janeiro de 1742 a tropa que se 
achava no Rio Grande do Sol sob o cum mando do 
coronel Diogo Ozorio Cardoso, se subleva, mas em pouco 
tempo foi dominada. 

CCLII. Por alvará de 8 de Novembro de 1744, se 
separou de S. Paulo a capi;ania de Goyaz, ficando o go- 
verno e capitania independer Les, com limites mancados pelo 
governador geral das provir cias do sul, Gomes Freire de 
Andrade, sendo o primeiro gjvernador de Goyaz, D. Mar- 
cos de Noronha. 

CCLIII. No dia 16 de Julho de 1744 foi installada, 
na villa das Alagoas, capital depois da província do 
mesmo nome, a irmandad'^ de N. Senhora do Monte d-.o 
Carmo da Reforma Calçad:-. 

CCLiy. A capella de S. Miguel, da cidade da Bahia, 
foi fundada por Francisco Gomes do Rego, em 12 de 
Outubro de 1744 que a doou a ordem terceira de S. Fran- 



DO BRAZIL 69 

cisco para af.lministrala, drudo-llie demais na mesma 
occasião tni\í<\ e uma morsiias de casas térreas e de 
sobrado p: ra rendimento de incapellado, com o encargo 
de manda]' dizer sete missa 3 annuaes, em dias deter- 
minados por elle, e pagar a quinze pobres, para visi- 
tarem a via-8'icra duas veze;:. jDor semana ; na razão de 
quarenta réis cada nm, e ao capataz delles oitenta réis 
de esmola. Todo este legado o fez em sua vida, e consta 
que sobre^ivea doze annos. 

A capelJa pertencia ao engenho do qual elle era o 
proprietário e fundador, tendo casa de vivenda afas- 
tada da rna e algum tanto r.o lado da capella, cuja casa 
ainda em 1870 eu a vi, residindo nella D. Rita de Cássia 
Ramalho. 

CCLY. Igreja do Senhor do Bomfim da Bahia. 

CCLVI. Tendo sido confirmado bispo de S, Paulo, 
D. Bernardo Ribeiro Rodrigues Nogueira, por bulia de 
23 de Setembro de 1745, cliega á sua diocese no dia 
7 de Dezembro de 1746, ter; Io tomado i^osse xior i^ro- 
curaçào, e fallece em 7 de Novembro de 1748. 

CCLVII. O bispado de Marianna, sendo creado em 1745 
por El- Rei B. João V, e bulia de Benedicto XIY, 
foi seu primeuo bispo D. Fr. Manoel da Cruz, da or- 
dem de S. Bernardo, que estava no Maranhão para onde 
tinha sido eleito em 1738. 

CCLVIIL Por carta regia de 22 de Abril de 1745 é 
creado o bispado de S. Paulo, e confirmado por bulia 
de Benedicto XIV de 6 de Dezembro 1746, 

A Sé de S. Paulo fc)i criada por provisão de 6 de 
Maio de 1740, e alvará da nesma data. 

CCLIX. Por carta regia d i 23 de Abril de 1745, foi 
elevada á protiminencia de c dade com denominação de 
Mariamia a vilia do Iii);>eirão do Carmo, em Minas Gferaes, 



YO ftO RiíÀZlL 

CCLX. o papa Benedicto XIY, a pedido da coroa 
de Portugual, crea no dia 5 de Dezembro de 1745 o 
bispado de Minas Geraes, sendo o primeiro bispo no- 
meado x^ara esta diocese D. Fr. Manoel da Cruz. 

CCLXI. ISTo dia 6 do mesmo moz, e anno crea a pre- 
lazia de Mato Grosso. 

CCLXII. Foi na cidade da Baliia onde primeiro se 
estabeleceram armazéns para a pesca das baleias, nos 
mares do Brazil, passando dalli para o Rio de Janeiro 
sendo Braz de Pina o i-)rimeiro commerciante, que deu 
começo a este negocio no Rio de Janeiro, mandando 
fazer armazéns em Cabo Frio e na Ilha Grande, para o 
fabrico de azeite de i^eixe extraliido das baleias. Por 
mnito tempo foi livre a pescaria das baleias e depois 
Tliomé Gomes Moreira foi um dos primeiros arrema- 
tantes do contracto das baleias em 1746, mandou fazer 
armação na Barra do Xorte de Santa Catliarina. 

Ignacio Pedro Quintella, com mais sete commerciantes 
da Praia de Lisboa arremataram o contracto das baleias 
por doze annos em l.'' de Abril de 1705 comi:)reliendendo 
as armações da Baliia, Rio de Janeiro por oitenta mil 
cruzados annuaes pagos do modo seguinte ; vinte mil 
cruzados na Bahia ; c[uarenta mil cruzados no Rio de 
Janeiro ; dez mil cruzados para a de S. Paulo ; e dez 
mil cruzados na da ilha de Santa Catliarina. Quintella 
tornou a arrematar por mais doze annos na razão de 
cem mil cruzados para a fazenda real, e havendo fallecido 
Ignacio Pedro Quintella succedeu-lhe Joaquim Pedro 
Quintella. O alvará de 4 de Abril de ISOl extinguiu esse 
contracto e o do sal, facultando a todos a pesca das 
baleias. (Y. Pizarro, Tomo 10, p. 289 em diante.) 

CCLXIII. Pela resolução de 27 de Junho, e alvará 
de 5 de Agosto de 1740, El-rei, V. João V mandou croar 
a villa de Mato Grosso. 



í)0 r.RAZIIi >ix 

CCLXIV. Por biiUa de G de Dezembro de 174G, o 
papa Benedicto XIV, divide o bispado do Rio de Ja- 
neiro, crea es bispados de S. Paulo e Marianiir,, ])em 
como as prelazias de Goyaz e Cuyabá. 

CCLX^ . D. Fr. António do Desterro nasceu a 13 de 
Junho de 1G94. Foi eleito bi«po a IS de Julho de 1745 ; 
e chegou ao Eio de Janeiro no l.*^ de Dezembro de 
174G.^ Xo dia 1.° de Janeiío de 1749, fez a sua entrada 
publica na Sé Cathedral, sahindo do mosteiro de S. Bento 
para a Sé. 

CCLXVI. A fazenda do Saco da Jurujuba foi com- 
prada pelo bispo 1). Fr. António do Desterro, a seu 
irmão o mestre de campo João Malheiros Reimão, e a 
deixou ao seminário de S. José. 

CCLXVÍI. Em consequência de chuvas continuadas, 
sendo as vezes torrenciaes, que cahiram na Bahia no dia 
3 de Maio de 1747, desabou parte da muralha sobran- 
ceira ao Pilar, resultando a ruina de muitas proprie- 
dades de casas, e morte de muitos habitantes. 

CCLXYIII. Para augmento da povoação de Santa Ca- 
thariua no Rio Grande do Sul, mandou-se vir quatro mil 
casaes de colonos das ilhas dos Açores e da Madeira, todos 
elles catholicos, pela provisão de 9 de Agosto de 1747. 

CCLXIX. Em 23 de Dezembro de 174S o papa Bene- 
dicto XV, concede a D. João V, rei de Portugal, e 
a seus successores o titulo de rei Fidelíssimo, cuja graça 
custou uma somma fabulosa a Portugal. 

CCLXX. Por carta regia de 9 de Maio de 1748, El- 
eri D. João Y eleva á capitanias geraes os territórios de 
Goyaz e Mato Grosso, desmembrando^os de S. Panlo; 
e em 25 de Setembro do mesmo anno foi nomeado 1." 
governador e capitão general de Cuyabá D. António 
RoUm de Moura, conde de Azambuja, que tomou posse 



V2 CHRONICA GERAT. 

do governo em Cuyabá a 17 de Janeiro de 1751, e 
governou até 31 de Dezembro de 1764 ; succedendo-lhe 
seu sobrinho João Pedro da Camará, que tomou posse 
em Mato Grosso. 

CCLXXI. Por ordem do governo portiiguez no dia 14 
de Julho de 1747, salie do Pará pelo Amazonas uma 
expedição com destino a Mato Grosso. Ko dia 25 de 
Setembro cliega á embocadura do rio Madeira, ou Ma- 
moré dos índios, e por elle navega até o dia 17 de 
Dezembro, e vencidas as dezenove cachoeiras, entra no Gua- 
poré ou Aporé, ou Itinos dos hespanhoes ; no dia 14 de 
Abril do anno seguinte de 1750, chega a Mato Grosso, 
tendo gasto na viagem nove mezes. 

CCLXXII. Por carta regia, do dia 1.° de Março de 
1749, foi a capitania de S. Paulo unida á do rio de 
Janeiro, ficando sujeita aos governadores do Rio de Ja- 
neiro até o dia 22 de Junho de 1765. 

CCLXXIII. Com patente regia o coronel Manoel Escu- 
deiro Ferreira de Souza, no dia 2 de Fevereiro de 1749, 
toma posse do governo de Santa Catharina, em cuja admi- 
nistração esteve até 25 de Outubro de 1753. 

CCLXXIV. Pela resolução de 20 de Junho e provisão 
de 20 de Novembro de 1849, é creada a ouvidoria de Santa 
Catharina separada da de Paranaguá, sendo o seu pri- 
meiro ouvidor o bacharal Manoel José de Faria. 

CCLXXy. No dia de terça feira 23 de Janeiro de 1750, 
celebva~se o 1 ratado de limites das concjuistas entre D, 
João V de Portugal e D. Fernando VI do Hespanha. 

CCLXXVI. Neste anno, Domingos de Brito Peixoto 
e seus filhos Sebastião e Francisco, fazem passar gados 
do Rio da Prata para os campos do Rio Grande, sendo 
essa a origem da maior riqueza da província. 

CCLXXVII. Por alvará de 27 de Novembro de 1750, 
6- creada a provedoria da íazeuda de Santa Catharina, 



DO BRAZIL 73 

sendo nomeado Félix Gomes de Figueiredo seu primeiro 
provedor. 

CCLXXVIII. Por alvará do dia 12 de Maio de 1750 
foi mandada crear a villa de S. Pedro do Rio Grande do 
Sul. 

CCLXXIX. D. António Rolim de Moura, governador 
de Mato Grosso, toma a missão de Santa Rosa, no Gua- 
poré, e a converte em um forte sob a invocação de 
Nossa Senliora da Conceição. 

CCLXXX. El-rei D. João V, que de lia muito pa- 
decia em sua saúde, falleceu no dia de sexta-feira 31 de 
Julho de 1750, com sessenta e dous annos de idade e 
quarenta e três de governo, e lhe succede seu filho 
D. José I, que foi coroado no dia 8 de Setembro do 
mesmo anno. Em 27 de Agosto do mesmo anno, o vice- 
rei e capitão g-íneral do Estado do BrazU recebeu o 
seguinte oificio : 

" Illm. e Exm. Sr. — Com a occasião de me nomear 
sua magestade seu secretario de Estado dos negócios da 
marinha e dominios ultramarinos, j)articipo a V. Ex. que 
no dia 31 de Julho próximo passado, foi Deus servido 
levar da vida presente a magfistade do senhor rei 
D. João Y para a sua santa gloria, e com esse motivo 
foi El-rei nosso senhor servido ordenar, que neste reino 
somente houvesse um anno de luto rigoroso, e outro de 
luto alliviado ; e que nos dominios ultramarinos se observe 
o luto que dispoz a pragmática de 21: de Maio de 1749 : 
o que y. Ex. assim o mandará observar nesse Estado. 

" Suas mggestades e altezas se conservam na perfeita 
saúde que devemos desejar-lhes, e as mais pessoas reaes 
logram a mesma. Deus guarde a V. Ex. Lisboa em 27 
de Agosto de 1750. — Diogo de Menionça Corte Real, 
— Sr. vice rei e capitão do Estado do Brazil. 



'^■^ UniiOlNlCA GEEAL 

CCLXXXI Ministros de Estado 'de El -rei D. Josél: 

Pedro da Motta e Silva. 

Diogo de Mendonça Corte Real. 

Sebastião José de Carvalho e Mello. 

D. Luiz da Cunha. 

Thonió Joaquim da Costa Corte Real. 

Francisco Xavier de Mendonça. 

José de Seabra da Silva. 

CCLX.XXII. Ko dia 20 de Novembro de 1750 falleceu 
no Rio de Janeiro, o Dr. em cânones Henrique Mo- 
reira de Carvalho, natural da mesma provincia e autor 
de varias noticias sobre prelados e bispos da igreja flu- 
minense. Foi sepultado na igreja de S. Pedro dos clé- 
rigos da cidade do Rio de Janeiro. 

CCLXX.XIII. Ka sexta-feira 19 de Março de 1751 
íundou-se a capitai de Mato Grosso. 

CCLXXXIY. Mo dia 7 de Maio de 1751 tomou posse 
do governo do Rio JXegro o coronel Joaquim de Mello 
Povoas. 

CCLXXXV. Ko dia 24 de Setembro de 1751, Fran- 
cisco Xavier de i\íendonça Fartado, capitão tenente da 
real marinha (irmão do marquez de Pombal) recebe o 
bastão da mão de seu predecessor, Francisco Pedro de 
Mendonça Gurjão, na sala da camará da cidade do Pará, 
que passara em consequência de novas ordens a ser cabeça 
do Estado. 

CCLXXXVL No domingo, 30 de Janeiro de 1752, a 
academia dos selectos do Rio de Janeiro celebra a sua 
primeira sessão. 

CCLXXXTII. Em Fevereiro de 1752, chegam ao Rio 
de Janeiro, vindos de Lisboa na mio Nossa Senliora da 
Lamjmãosa, os astrónomos, e geographos encarregados 
da demarcação de limites, com os estados da Hespanha 
na i\,merka do Sul, 



bO BlíAZÍÍi ió 

CCLXXXVIII. Neste anuo de 1752 a povoação de Ma- 
capá, no Pará é elevada a villn, com a denominaçílo de 
S. José de Macax^á. 

CCLXXXIX. Rendimentos dos (xnintos de ouro, ían- 
dições : 

Annos marcos onças oitavas grãos 

1752 3.G00 5 4 32 

1753 6.950 6 5 25 

1754 7.637 10 4 50 

1755 7.5Í1 7 11 70 

1755 7.097 8 7 

1756 7.149 5 O 

1757 5.822 8 10 

1758 7.617 5 4 

1759 6.345 6 8 

1760 7.260 12 3 

1761 6.646 1 4 

1762 6.016 12 6 

1763 6.562 13 8 

1764 6.148 3 7 

1765 5.587 13 9 m 

1766 6.791 9 7 

CCXC. Em 1752 o governador do Pará organisa 
quatro terços de auxiliares commandados por mestres 
de campo ; e funda a villa de S. José de Macapá, no 
local onde foi a antiga fortaleza de Santo António, en- 
carregando o desembargador ouvidor João da Cruz Diniz 
Ribeiro, do arruamento e demarcação do terreno para 
os agricultores açorianos que se esx^eravani. 

CCXCT. A antiga igreja de Santa Luzia, construída 
em 1592, acliando-se arruinada, a requerimento de Diogo 
da Silva, por provisão do dia quarta-feira 12 de Ja- 
neiro de 1752, se construiu em cliuo doado por João 



76 CHKONICA GERAL 

Pereira Cabral e sua mulher, na praia do mesmo nome 
onde se vê. 

CCXCII. l^íeste amio {1752) estabeleceram-se na i^ro- 
vincia de Minas Geraes as casas de fandição ; e nos 
dez primeiros annos o quinto arrecadado foi o seguinte : 

Annos arrobas marcos onças oitavas grãos 

1752 55 34 6 1 33 1/5 

1753 107 50 6 7 25 1/5 

1754 118 29 4 7 39 3/5 

1755 117 57 O 5 — 

1756 114 57 5 5 — 

1757 IJO 53 5 O 43 1/5 

1758 89 41 2 7 49 1/5 

1759. . . • . . 117 15 1 4 30 4/5 

1760 98 12 O 2 42 4/5 

1761 111 59 4 4 26 2/5 

1762 102 56 7 6 32 2/5 

1.145 20 6 4 34 2/5 

(Accioli, Mem(n-ia Histórica e Politica da provinda 
da Bahia, tomo V, pag. 138.) 

CCXCIII. A 30 de Janeiro de 1752 é creada a sociedade 
dos delictos, no palácio do conde de Bobadella onde 
celebrava as sessões. 

CCXCIV. Por alvará de 5 de Agosto se mandou crear 
a Villa da Barra do Rio Grande com a denominação 
de villa de S. Francisco das Chagas, tendo por termo 
o arraial do Pilão Arcado, ao dos Salinos, que se rea- 
lisou em fins do anuo de 1753. 

CCvXCV. Em 30 de Abril de 1753 é nomeado o gover- 
nador do Pará chefe da conimissão de demarcação de 
limites, na forma do tratado de 16 de Janeiro de 1750 ; 
e no dia 19 de Julho chegam dous regimentos de infanta- 
ria vindos de Lisboa, uni ^-^ix^l guarnecer a cidade, e 
outro destinado ú. lUaoiipú, e guarnecei' a íronteira. 



I>0 BKAZTL 77 

CCXCYI. Por carta regia de 5 de Maio de 1753, de- 
termina El-rei que o senado da ca-iiara do povo seja 
presidido por um ji'iz de fora, crendo na mesma data 
para o crime, civil e orpliãos. 

CCXCYII. O governador do Pará dá o nome de Bra- 
gança á villa de Souza, no Carte. O nome Souza, era o do 
seu antigo capitão donatário, e j)rocura j^ovoar a villa, e 
lugares circumvizinlios com açorianos. 

Erige a villa de Durem, no rio Guaniá, com sessenta 
índios, em quanto esperava colonos de Angra e S. Miguel. 

CCXCYIII. Xo dia 2 de Julho de 1753, Francisco 
Xavier de Mendonça Furtado, nomeado primeiro gover- 
nador do Pará, então cabeça do Estado, parte de Lisboa, 
com direcção a cidade de Belém, particularmente encar- 
regado de regular os limites entre as pessoas nas duas 
coroas de Portugal e Castella, em virtude do tratado de 
troca do Paraguay pela colónia do Sacramento, que 
ficava pertencendo a Hespanha. 

CCXCIX. D. José de Mello Manoel, sendo nomeado, 
com patente regia, governador da capitania de Santa 
Catharina, toma x^osse do governo no dia 25 de Outubro 
de 1753, e nelle permanece até o dia 7 de Março de 1782. 
O seu governo foi de utilidade, porque obrigou os lavra- 
dores a cultivarem o algodoeiro, que muita vantagem 
deu á capitania. 

CCC. Em Março de 1753 houve mudança no modo de 
governo do C-frão-Pará.com capitães g<:;raes com jurisdicção 
no Maranhão, administrado por governadores subalternos, 
e que durou até Novembro de 1772. 

Três foram os capitães geraes. 

1.° Francisco Xavl»^r de Mendonça Furtado. 

2.° O coronel Bernardo de Mello e Castro, em 1759, que 
foi governador do Estado do Grão- Pará, Maranhão e 
Rio Negro. 



^8 CHÉONICA GERAL 

3.° O coronel João Pereira Caldas. 
CCCI. No anuo do 1754 foi creada a villa de Tapajós. no 
Pará, lioje cidíide de Santarém. 

CCCII. No dia 14 de Maio de 1754, nasce António de 
Araújo e Azevedo^ depois conde da Barca. 

CCCIII. Por alvará de 11 de Janeiro de 1755 l'oi ele* 
vado o curato de Suruliy á parocliia collada. Esta 
fregiiezia começou na pequena capella frindada, no lugar 
denominado Gola, por Nicolau Baldim, em 1628. Com 
o provimento de curada foi transferida, em 1699, para a 
capella de S. Nicolau, onde posteriormente levantou-se 
novo templo, que ficou concluído em 1710. Ha ahi uma 
capella de N. S. da Conceição já em ruinas, a uma légua da 
freguezia, fundada pelo padre António Vaz, nos terrenos 
da sua fazenda, onde vivia, em 1710, com sua mrd e um 
velho tio, também sacerdote, chamado Luiz Gago, que 
fora vigário de Macacú. 

CCCIV. Por alvará de 15 de Janeiro de 1755 foi 
elevada á freguezia, o curato de N. S. de Guapemerini 
do llio de Janeiro, na primitiva capella fundada por 
Pedro Gago e seu irmão Estevão G-ago, senhores de en- 
genho desse local, no anno de 1600 ; e no de 1670 teve o 
titulo de cai3ella curada. A. lei provincial de 29 de 
Dezembro de 1865 mandou transferir a sede desta fre- 
guezia para o arraial do Bananal, passando a servir do 
matriz a capella de Santa Anna. 

CCCY. Por provisão de 18 de Fevereiro de 1855 foi 
creada, na capitania de Santa Catharina, a freguezia de 
S. José, hoje cabeça do município e da comarca do mesmo 
noino. Está situada na terra iirmej um pouco adiante 
cia Praia Comprida. 

CCCVI. Por escriptura de 30 de xVbril de 1755, Cosme 
Pereira Barboza e sua mulher Caetana Ferreira de An- 



DO UEAZIL ^9 

drade, Geraldo Bizena e sua mullier Alaria Cardoso, Fran- 
cisco de Eequeixo Bezerra e sua mullier D. Maria Bar- 
balho de Yasconcellos, António Rodrigues da Silva e sua 
mullier Luiza Xunes Bezerra, José Cardozo e sua mulher 
Maria Gomes da Assumpção, Bazilio Esteves da Costa 
e sua mulher Marianna da Assjimpção, o alferes Mar- 
celino de Araújo e sua mulher Anna Maria da Assump- 
ção, D. Joanna Gonçalves, José Francisco Xavier e 
D. Ignez de Lyra, moradores na povoação de Taperaguá, 
na hoje cidade das Alngoas, concederam o dominio das 
terras, a começarem do riacho Cabreira, a íiiidar na ponte 
do Yilão, no rio Subaúma, com todas as matas e o mais 
nellas contido para o património da capella do Senhor 
do Bomfim. 

CCCVII. Xa sexta-ieira 6 de Junho de 17Í j, baixou a 
lei, mandando restituir a liberdade e os direitos pessoaes 
e de propriedade dos Índios do Pará e do Maranhão, 
usurpados pela força e contra a natureza. 

CCCVIIL Xo sabbado 1.° de Novembro de 1755, pelas 
dez horas da manhã deu-se um espantoso terremoto, que 
se sentiu em toclo o globo, que durou de sete a oito 
minutos. 

A maior força convulsiva foi empregada em Portugal, 
arrazando Lisboa, Cascaes, Peniche, Setúbal e no Al- 
garve. Ao terremoto segui a- se immediato incêndio em 
Lisboa, que devorou toda a cidade baixa, e parte da 
alta. Esta comoção de terra foi repetida com igual vio- 
lência, mas com pouca duração na madrugada do dia 
8 do mesmo niez, no dia 11 de Dezembro, e pelas nove 
horas da manhã do dia 21 do mesmo mez o m.osmo anno. 

O povo se con^rorvou por mais de um anno, no campo 
em barracas de madeira. 

Ainda em Portugal no ultimo de Março de 1761 sen- 
tiu-se em Lisboa, pelo meio dia, um grande terremoto. 



80 CHROKICA OERAL 

que durou cinco minutos, mas sem. causar maior damno 
do que o susto. 

No dia 28 de Outubro de 1746, houve um formidável 
terremoto no reino do Peril 

CCCIX. No dia 10 de Junho de 1756 os índios das 
missões do Paraguay em numero de dous mil e qui- 
nhentos, commanda dos x3or Nicolau Languirú, corregedor 
do povo da Conceição (conhecido por Nicolau I, rei do 
Paraguay e imperador dos mamelucos), dão combate 
contra as tropas i'ortuguezas e hespanholas, comman- 
dadas pelo governador de Montevideo, T>. Josá Joaquim 
Vianna, e sob a direcção superior do caxútão general 
Gomes Freire de Andrade. 

Morreram em combate, mil e duzentos Índios, ficando 
prisioneiros cento e vinte sete, sendo-lhes tomadas duas 
bandeiras, três peças e muitas espingardas e lanças. 

Na acção ficaram feridos o coronel Thomaz Luiz Ozorio, 
um alferes e dezeseis soldados e um morto. Os hespa- 
nhoes tiveram dou» soldados mortos e um ferido. 

CCCX. Por alvará de 11 de Julho de 1757 a comarca 
do Rio Negro é elevada a governo, separada, mas subor- 
dinada ao governo do Pará. 

CCCXI. Por carta regia de 7 de Julho de 1757, dirigida 
a Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governador 
do Estado do Maranhão, manda-se crear no Maranhão 
os corpos auxiliares, e bem que se fizesse o^alistamento 
de todos os moradores capazes de pegar em armas. 

Neste sentido são : 

O alvará de 24 de Novembro de 1645. 

A carta regia de 19 de Abril de 1766. 

O decreto de 22 de Março de 1751. 

O alvará dol.*" de Setembro de 1708. 

A provisão de 22 de Março de 1792. 

O alvará de 12 de Agosto de 1793. 



PO BRAZIL 81 

A provisão de 11 de Agosto de 1795. 

A resoln(;ão ile 17 de Março de 1712. 

CCCXII. Nd anno de 17r^8 é a povoação de Monte 
Alegre, nc P.icá. elevada á cignidade de villa. 

Em fins deste anno de 1758 o governador do Estado do 
Pará, Fraiici&co Xavier de Mendonça Furtado, recebe 
a^iso de ter su ícessor no governo do Estado, e que para a 
Cí.mmissão d;i demarcação iria D. António E-olim de 
Moura, gorei rador e capitão general de Mato Grosso. 
Suspende por isso os trabalhos, e retira-se chegando no 
dia 1.° de Al- il de 1759. 

CCCXITI. O padre Marcos G-cmes Ribeiro fallecido em 
1763, mora:ido em uma ilha perto da do Governador, na 
b^hia do Hio de Janeiro, sendo sorprendido X3or cinco 
ladrões, para c> roubarem, fizeram-no despir e um delles 
Pingando no m ímbro viril do padre, o puzeram em leilão 
entre elles, e tendo chegado a quantia de quatro contos 
de réis, vende» o ]3adre Marcos, que os ladrões eram 
cinco, para ab;'eviar o leilão, oUe próprio lançou sobre o 
seu membro a quantia de cin»;o contos de réis, que sendo 
aceita, foi a gaveta, contou o dinheiro e depois de 
satisfeitos deixam-n'o em paz. O x>adre Marcos receioso 
d? um outío leilão, no dia seguinte retirou-se para a 
cidade até que falleceu era 17('.2. 

O padre Ml: -cos fez niiuto ; legados á Santa Casa da 
Misericord; i, •: eixando um ;; "ande sobrado na rua Di- 
reita esquina da de S. Pe-iro do lado do mar, que 
lhe havia custid ) cincoeuta mil cruzados. O retrato do 
padre Marí-os Gomes Ribeiro, está na Santa Casa na 
gíderia dos bimfeitores daquelle pio estabelecimento. 

CCCXIY. xxa sexta -feita 5 de Janeiro 1759 lançam-se 
os fundamentos da igreja de S. Francisco de Paula do 
Rio de Janeiro. 

CHKOKTOA ôEilAL BEO. XVH.— 6 



82 ClinOKICA GEKAL 

CCCXY. Ka qninta-íeira 11 de Janeiro de 17Õ9, foi 
assignndo o decreto, expulsando os jesnitas de Portugal, 
e do Brazil ; e na segunda-íeira 3 de Setembro do mesmo 
anno é expedido o decreto extinguindo a ordem, e de- 
terminando a coníiscação de seus bens, 

CCCXYI, Apparece nm cometa, que occnpa uma zona 
de 60° nos espaços do céo, parece maior quatro vezes que 
o i")laneta Yenus, e dava a quarta i^arte da claridade da 
Lua, sua cauda immensa tinlia a. forma de nm grande 
sabre. 

CCCXYII. O bispo D. Fr. Miguel de Buliiões, eme go- 
vernava interinamente o Estado do Grão Pará, entrega 
no dia 2 de Março de 1759 a administração ao capitão ge- 
neral, Manoel Bernardo de Mello e Castro, coronel de 
infantaria do regimento de Cascaes. 

CCCXYIII. iSía sexta-feira G de Julho de 1759, instal- 
lou-se a Academia Brazilica dos Renascidos, na Bailia, 
com o fim de se escrever a historia da America Pc>rtu- 
gueza, da qual foram membros Fr. António de Santa Maria 
Jaboatão. 

CCCXIX. Era nso antigo botar nas ruas das cidades de 
distancia em distancia j)oiaes de j)edra, para garantir as 
propriedades e como elles cansavam máo eííeito em 1759 
foram mandados arrancar, em virtude de ordem regia. 

CCCXX. Computo ecclesiastico. Epacta, 12 ; letra do- 
minical, F. E. 

CCCXXI. Martyrologio. Paschoa a G de Abril. 

CCCXXII. Ka sexta-feira 18 de Abril de 1760 são pre- 
SOS os jesnitas na Bahia. 

Termo de condncrão e entrega de trinta e nove padres 
da companhia a bordo da náo uS^ossa SenJiora do Jfoíiíe 
do Carmo. 



DO BRAZrL 83 

Aos dezoito dias do niez de Abril de 1760, nesta cidade 
do Salvador, Bailia de Todos os Santos ; a bordo da náo 
nova, por invocação I\os€a Senliora do Monte do Carmo^ 
qne se aclia surta e ancorada no porto desta cidade, 
aonde foi o desembargador Sebastião Francisco Manoel 
commiíÃO escrivão abaixo nomeado, e sendo alii a bordo 
da dita náo, fez o dito desembargador entrega ao com- 
mandante d.ella o cai^itão tenente de mar e guerra Ber- 
nardo de Oliveira de trinta e nove religiosos da Compa- 
nhia denominada de Jesus, que por uma i3ortaria do 
lilm. e Exm. Sr. Marquez do Lavradio Vice rei deste 
Estado, liavia conduzir da casa d.o Noviciado dos mesmos 
X)ada-es, os quês são os seguintes : 

O padre José d.e Mendonça. 
O padre Simões Marques. 
O padre Luiz dos Reis. 
O padre Luiz Linci. 
O padre Manoel dos Reis. 
O padre Ignacio Rodrigues. 
O x)adre Ignacio Corrêa. 
O i^adre Marcos Jorge. 
O padre Francisco de Faria. 
O padre Francisco Monteiro. 
O padre Francisco Buytrogo. 
O padre Manoel dos Santos. 
O padre João Velioso. 
O padre João da Penlia. 

Professos do terceiro voto : 

O padre José de Viveiros. 
O padre Pedro da Silva. 
O padre Domingos de Araújo. 
O padre João do Yalle. 
O padre António Regis. 



84 CHEONICA GERAL 

Sacerdotes do voto simples : 
O padre Roberto da Costa. 
O padre João Nogueira. 

Ministros e acolytos : 
O i^adre José Alves. 
O padre Manoel Vieira. 

Leigos : 

João de Oliveira, Francisco da Silva, Gonçalo Mon- 
teiro, João Carneiro, Francisco de Almeida, Francisco 
dos Santos, Marcellino da Silva, Manoel Freire, Manoel 
Carvalho, Lourenço de Souza, José Acario, António 
Nunes, Clemente Martins, Manoel da Cunha. Carlos 
Correia, Honorato Martins. 

Os quaes assim por seus próprios nom^s contados, re- 
cebeu o dito capitão de mar e guerra, commandante da 
dita náo, Bernardo de Oliveira e Abreu, a bordo delia, 
com o seu facto pessoal, que com elle se conduziu, e onde 
se examinou pelos officiaes guardas delk.s ; e, de como o 
recebeu e delle ficou entregue, dou eu escrivão fé, de 
tudo mandou o dito desembargador fazer este termo em 
que assignou com o dito commandante ; e eu Pedro Fer- 
reira Lemos Escrivão da Coroa que o escrevi. — Manoel 
Bernardo de Oliveira e Abreu. 

CCCXXIII. Recebi a bordo desta náo, cento e noventa 
e nove padres da Companhia de Jesuí, por ordem do 
Illm. e Exm. Sr. Conde de Bobadella. g:^neral destas 
capitanias, i)ara os transportar ao porto da cidade de 
Lisboa, como sua raagestade manda, a bordo da náo 
Nossa Senhora do lÁw amento e S. José, fundeada no 
porto do Rio de Janeiro, aos 14 de Março de 1760. — 
Gaspar Pinheiro da Camará Maciel^ capitão de mar 
e guerra. 



UO BRAZIL 85 

CCCXXIV. 'No dia 15 de Maio de 1760, D. Frei António 
do Desterro, bispo do Rio de Janeiro, concede a beata 
D. Joanna Gomes de Gnsmão permissão i^ara. erigir na 
villa do Desterro de Santa Catharina nma capella com 
a invocação do Menino Deus. 

CCCXXV. Por carta regia de 9 de Setembro de 1760 é 
nomeado um governador i^ara o Rio Grande do Sul, 
independente do de Santa Catharina, mas sujeito ao do 
Rio de Janeiro. 

CCOXXYL i\ a terça- feira 6 de Janeiro de 1761 nasce 
na cidade da Bahia Balthazar da Silva Lisboa Filho- 

CCCXXVII. O coronel Tliomaz Luiz Ozorio, com o 
engenheiro João Gomes de Mello, no dia 15 de Outubro 
de 1761, começam a levantar trincheiras e o forte de Santa 
Thereza, abaixo cincoenta legoas da villa do Rio Grande 
do Sul. 

CCCXXVIIl. No relatório do vice-rei Luiz de Vascon- 
cellos e Souza está demonstrado que a divida do Estado 
do Brazil de 17G1 até 1780, montou á grande somma de 
mil duzentos e sf atenta e dous contos trezentos e quatorze 
mil e cento e vinte e cinco réis, que nos oito amios 
seguintes foi augmentada de mais cento e onze contos 
duzentos e noventa e cinco mil setecentos e vinte dous 
réis, em cada ura delles. Em 1788 era a divida de dous 
mil trezentos e vinte cinco contos quatrocentos e qua- 
renta e oito mil oitocentos e vinte réis. 

CCCXXIX. O coronel Francisco António Cardoso de 
Menezes por pa^ente regia toma posse do governo da 
capitania de Sai; ta Catharina no dia 7 de Março de 1762, 
e administrou até 12 de Julho de 1765. 

CCCXXX. D. Pedro Cevalhos, governador de Buenos 
Ayres no dia 1." de Outubro de 1762, põe sitio a colónia 



SG CIIEONICA OEKAL 

do Sacrraiieiito, comniandada pelo br-igadeiro Vicente da 
Silva da Fonseca, que se rende cobardemente j)or capi- 
tulaçfio vergonhosa no dia 29 do mesmo mez. Os liespa- 
nhoes no dia 2 de ISTovembro occupam a praça da colónia, 
saliindo as forças X)ortugaezas. Cliegando ao Rio d.e 
Janeiro a noticia deste desastre, mandaram ao govtir- 
nador Gomes Freire de xindrade uma carta anonyma 
com duas balas dentro, e elle tomando -se de x)^ix^"0 
succumbiuno dia 1." de Janeiro de 1703, sendo sepultado 
no convento dos religiosos de Santa Thereza, tendo go- 
vernado trinta annos. 

CCGXXXI. In^o sabbado, 19 de Março de 1763, D. Pedro 
Oevallios invade a capitania do Rio Grande do Sul 
depois de ter tomado o forte de Santa Tliezeza, com- 
mandado i^elo coronel Tiiomaz Luiz Ozorio, crae o entrega 
cobardemente no dia 19 de Abril, contra a vontade de 
sua guarnição, composta do sargento-mór de dragões 
Pedro Pereira Cliaves, caj)itão José Alves Ferreira, e 
outros, entre elles o alferes Bernardo José Guedes Pi- 
mentel, dez subalternos, cinco inferiores, e cem soldados, 
os quaes quasi todos morreram a miséria internados 
pelas províncias liespanliolas. 

Voltando o coronel Tliomaz Luiz Ozorio, e i)o^'icos 
homens do seu commando á Lisboa, dez mezes deT)ois, 
em virtude do armistício, instaurou-se processo sobre este 
fatal acontecimento, i3elo desembargador Agostinho Félix 
da Silva CamiDello, que condemnou ao coronel Thomaz 
Luiz Ozorio, a ser exautorado das honras militares e 
morrer enforcado, o que eífectivamente aconteceu. Este 
coronel Thomaz Luiz Ozorio era avô do general Manoel 
Luiz Ozorio, depois marquez do Herval. 

No dia 24 de Abril os hespanhoes se apoderaram da 
província do Rio Grande. 



DO LKAZIL 87 

CCCXXXII. Na segimda-feira 13 de Junho de 1763, 
nasce na i^rovincia de S. Paulo Jo.sé Bonifácio de An- 
drade e Silva. 

CCCXXXIIL Em virtude de tratado é restituidada a 
Portugal a coloiiia do Sacramento no 1° de Janeiro 
de 1764. Pedro José Soares de Figueiredo, toma posse 
não só da colónia do Sacramento, como da ilha de ^Martin 
Garcia e Dous Irmãos. 

CCCXXXIV. No dia 4 de Fevereiro de 1765, é de novo 
dado o titulo de capitania de que fora privado em 1748, 
o território de S. Paulo, conhecido até 1710 por capitania 
de S. Vicente ; e pelo que D. Luiz António de Souza Bo- 
telho e Mourão, ratificou em S. Paulo em 7 de Abril 
de 1766 a i)osse tomada na villa de Santos, como pri- 
meiro governador e capitão general para o governo e 
creação da nova capitania de S. Paulo, em cujo governo 
esteve nove annos, onze mezes e vinte e dous dias. 

CCCXXXY. No dia 12 de Julho de 1765, Francisco de 
Souza Menezes, tomou posse do governo de Santa Ca- 
tharina, para o anal foi promovido, sendo tenente de 
cavallaria de Lisboa, em 30 de Janeiro do mesmo anno 
de 1765 ; e governou até 5 de Setembro de 1775. 

CCCXXXYI. Por carta regia de 22 de Março de 1766, 
mandou-se alistar os moradores da Bahia nas tropas, e 
formarem os terços de auxiliares e ordenanças, distri- 
buindo-lhes armas i)OV i^reços accommodados. 

ni. onc. oit. grãos 

CCCXXXVII. Anno 1766, cinco me- 
zes para entrar em Janeiro. . 7.155 5 IS QQ 

1767, anno regalar de Janeiro a 

Dezembro 5.762 

1768 5.617 

1769 .5.398 



5 


12 


10 


9 


4 


7 



88 CHKONICA GERAL 

m. onç. oit. 

1770 5.331 10 4 

1771 . 5.174 O 2 

1772 5.171 1 4 

1773 4.940 7 O 

1774 4.762 4 7 

1775 4.74-i 7 6 

1776 4.825 4 1 

1777 4.601 O 6 

CCCXXXVIII. Em 1767 ainda existia o capitão-mór 
Pedro da Silva Chaves, povoador do serrão de Yiamão 
em cima da serra do Tlio Cirande de S. Pedro do Sul, 
onde estabeleceu fazendas de gado. Era natural da fre- 
guezia da Pena, em Lisboa, filho de António Dias e 
de sua mulher Maria da Conceição Leal. O capitão-mór 
Chaves, casara- se com D. Gertrudes de Grodoy Leme, 
que nascera em Itú, e casara em Parnahyba, e era filha 
do capitão Balthasar Vellio de Godoy, e de sua mu- 
lher Francisca Leme da Silva, e esta filha de José Leme 
da Silva, que casara em Pitangui, com D. Gertrudes de 
Siqueira e Moraes, e Baltliasar, filho de ^.lanoel Yelho 
de Godoy e de sua mulher Estefíinia de Qiiaih^os. 

CCCXXXIX. No dia 1 de Agosto de 1769, pelas 9 heras 
da noite sentiu-se na cidade da Bahia um tiomor de terra, 
que sendo rápido não causou dam no algu ii nos edifícios 
e propriedades particulares. 

CCCXL. Pelo alvará de 3 de Março de 1770 foi abo- 
lido o cargo de provedor-mór da fazenda real, e creada 
a junta da fazenda para administrar a fazenda publica. 
Ao mesmo tempo foi creado o lugar de intendente da 
marinha e dos armazéns reaes, com o governo Cisl vedorin. 

CCCXLI. O general Luiz Pinto de Souzf , fez destruir 
um quilombo de negros fugidos em Mato Grosso. Por 



DO BEAZIL 89 

ordem régia era marcado com mu F o escravo que 
fugia a primeira vez, e pela segundai cortava-se-lhe uma 
orelha. 

CCCXLII. O general Botellio fâr.doa em 1770 a villa 
de Apialiy, e neste mesmo anno o governador, D. Luiz 
António de Souza, f jiidou a viiia de Itapitinga, ambas 
em S. Paulo. 

CCCXLIII. No dia 13 de Abril de 1770, morre João 
de Mello primeiro governador da capitania de Goyaz. 
e seu corpo foi sepultado nn rriatriz de Yilla Boa. 

K"o dia 11 de Or.hibro do mesmo anno, José de Al- 
meida, barão de Mossamedes, depois visconde da Lapa 
é nomeado governador para a capitania de Goyaz. 

CCCXLIY. Por cfirta regia do dia 28 de Agosto de 
1770, foram mandadas avaliar as ]:)ropriedades e bens 
dos jesuitas da Balda e Sergipe de El-Eei. e subiram 
a quatro milhões de cruzados ; mas só produziram x>ara 
os cofres reaes, pelos roubos qoe houveram, quinhentos 
e quarenta e sete contos oitocentos (■ noventa e seis 
mil réis. 

CCCXLY. A casa da opera em tempos antigos na 
Bahia foi estabelecida no íim da Ladeira da Guada- 
lupe em modo que o B,io das Tripas passava por baixo 
do assoalho do theatro, e quando tomava agua alagava 
o pavimento. 

Com a construcção do theatro de S. João foi aban- 
donado aquelle, que o temjDO se encari-egou de demolir. 

CCCXLYI. Foi neste anno que t^^rniinaram as obras 
do palácio dos governadores do Pará, e a sua magni- 
fica cathedral : e a comarca dos Ilhéos foi incorporada 
á coroa. 



90 CIÍKOXICA GERAL 

CCCXLVII. Neste anuo o general D. Luiz António 
de Souza f andou a villa de Gfuaratuba, na margem do 
rio Saliy, na capitania de S. Paulo. 

CCCXLVIII. Computo ecclesiastico. Letra dominical, F. 

CCCXLIX. Martyrologio. Pasclioa a 31 de Marco. 

CCCL. Nasce na Baliia o Dr. António Ferreira 
França. 

CCCLI. Na sexta-feira 7 de Junlio de 1771 nasce em 
Lisboa D. Marcos de Noronlia e Brito oitavo conde 
dos Arcos. 

CCCLII. No dia 80 de Junho de 1771 nasce na Baliia 
o poeta Luiz Paulino Pinto da França, morgado da 
Fonte-Nova, mais geralmente conliecido x^elo seu bello 
soneto : 

" A teus pés, fundador da monarcliia, " 

composto em 1808 sobre o tumulo de Aífonso Henri- 
ques, em Santa Cruz de Coimbra, quando nessa cidade 
se procedia por ordem de Junot ao desarmamento da 
cavallaria de Chaves e Almeida. 

CCCLin. Pela resolução regia de 18 de Dezembro 
de 1771, ó desannexada a viila de Santo António dos 
Anjos do governo de S. Paulo, sujeitando-se ao do 
Rio de Janeiro, na íórma requerida pelo governador 
de Santa Catliarina José da Silva Paes. 

Pela resolução da mesma data ô desligada a illia 
de S. Francisco da jurisdicção da ouvidoria de Para- 
naguá e eivei de S. Paulo, e subordinada a Santa Ca- 
tliarina. 

CCCLIV. Computo ecclesiastico. Epacta, 25; letra do- 
minical E, D. 



DO BRAZIL 91 

CGCLY. Martyrologie. Dia 1.° de Janeiro, quarta- 
feira ; pasciíoa a 19 de Abril. 

CCCLYI. Xo dia 1.° de Agosto de ITT.?, nasce Diogo 
de Menezes Ferreira d' Eça, terceiro conde de Loiísan, 
que foi ministro da fazenda em 1821 e presidente do 
real erário, no Kio de Janeiro na regência do senhor 
D. Pedro L 

CCCLYII. Computo ecclesiastico. Epacta, G ; letra do- 
minical, C. 

CCCLYIII. Martyrologio. Pasciioa a 11 de Abril. 

CCCLIX. Fallece no Rio de Janeiro no dia 23 de 
Março de 1773 o Dr. Francisco Fernandes Simões, na- 
tural do Rio de Janeiro, formado em cânones, e muito 
notável escriptor. 

CCCLX. O brigadeiro António Carlos Furtado de 
Mendonça, 1773, é nomeado governador e caiDitão ge- 
neral de Minas Geraes. 

CCCLXI. Comirato ecclesiastico. Epacta, 17 ; letra do- 
minical, B. 
CCCLXII. Martyrologio. Pasclioa a 3 de Abril. 

CCCLXIII. No dia 9 de Fevereiro de 1774 a esquadra 
do almirante Roberto M. Dwall dá combate na l^arra 
do Rio Grande ; no dia 31 de Marco são tomados os 
fortes Trindade e Santa Barbara, havendo explosão no 
dia 2 de Abril da fortaleza do Rio Grande. 

CCCLXIY. lN'a segiinda-feira 9 de Maio de 1774, 
nasce José Feliciano Fernandes Pinheiro, dei^ois vis- 
conde de S. Leopoldo e senador do império. 

CCCLXY. António Carlos Fartado de Mendonça é 
promovido a marechal de camião, com o governo da 
capitania de Santa Catharina, do qnal tomou jDosse 



^2 <;hroiíica gekail 

em 5 de Fevereiro de 1775, sendo no dia 1.° de Se- 
tembro seguinte substituído pelo novo governador Pedro 
António da Gama e Freitas , por ter sido encarregado 
da defeza da mtsiiia cai)irania no dia 13 de Janeiro 
de 1775. 

CCCLXYI. A povoação de Lages em Santa Catlia- 
rina é elevada á dignidade de villa. 

CCCLXVII. Computo ecclesiastico. Epacta, 28 ; letra 
dominical, A. 

CCCLXVIII. Martyrologio. Paschoa a 16 de Abril. 

CCCLXIX. Na qainta-feira 27 de Abril de 1775 nasce 
Luiz Telles da Silva Caminha de Menezes, quinto mar- 
quez de Alegrete que foi governador e capitão general 
de S. Paulo e Rio Grande do Sul. 

CCCLXX. Desde 1753 esteve o Maranhão subordi- 
nado ao governo do Pani, até 1775, em (^ue Joaquim 
de Mello e Povoas, foi nomeado governador e capitão 
general das capitanias do Maranhão e Pianhy, inde- 
pendente do Pará, cujo go ver;io durou até 24 de No- 
vembro de 1710, separandó-se o Piauhy. 

CCCLXXI. Tendo sido Martim Lobo de Saldanha, no- 
meado governador e capitão general da capitania de 
S. Paulo no dia 14 de Junho de 1775, tomou posse da 
administração, em cujo governo se conservou seis an- 
nos, nove mezes e dous dias. 

CCCLXXII. No dia 5 de Setembro de 1775 Pedro An- 
tónio da Gama Freitas, com patente regia, toma posse 
do governo de Santa Catharitia, e nelle se conservou 
até 7 de Março de 1777 ; esquecendo-se de que era go- 
vernador dessa capitania, quando os hespunhoes nesse 
anno se apoderaram da ilha de Santa Catharina, dei- 
xou- se á descripção do marechal António Carlos Fur- 



DO BRAZIL 93 

tado de Mendonçn. que tinha para alli ido encarregado 
da defeza, e com patente superior arrogara a sitiada 
autoridade. 

CCCLXXIII. Na qninta-feira 12 de Outubro de 1775, 
na cidade do Rio de Janeiro, reunidos o Vice-rei conde 
da Cunha, o chauceller da relação João Alberto Castello 
Branco, o provedor da fazenda real Francisco Cordovil 
de Siqueira e Mello, desembargador procurador da coroa 
e fazenda Miguel Ribeiro da Cruz, o desembargador 
Domingos Xiines Vieira, e guarda-mór geral das minas 
Pedro Dias Paes Leme, o capitão-mór regente do Rio 
Yerde Bento Pereira de Sá, o padre Antonin Gonçal. 
ves de Carvalho, o coronel Bartholomeu Bueno da 
Silva, e Francisco de Almeida e Figueredo, secre- 
tario de Estado, convocados em conformidade da reso- 
lução de El- rei, de 4 de Fevereiro desse mesmo anno, 
para proceder a divisão e limites, regulando não só os 
das capitanias, como os dos bispados, assim se procedeu, 
Y)Ov um termo lavrado neste dia 12, e pelos mesmos 
cidadãos presentes assignado. 

CCCLXXIV. Computo ecclesiastico. Epacta. 9 ; letra 
dominical, G. F. 

CCCLXXY. Martyrologio. Dial.'' de Janeiro, segunda 
feira; paschoa a 7 de AbriJ. 

CCCLXXVI. No dia 1.° de Abril de 1776 foi res- 
taurado o território do Rio Grande do Sul do poder 
dos hespanhoes i)or R. Mac Dwall, em favor de Por- 
tugal. 

CCCLXXVII. Na terça^feira 30 de Julho de 1776 
foi assignaia a carta regia prohibinlo o oífioio de ou - 
rives nas capitanias de Minas Gerae?, Rio de Janeiro ^ 
Bahia e Pernambuco, e mandando recolher os uteusilios 
do dito offi.cio á casa da njoeda. 



04 CllllOKlCA GEIÍAL 

CCCLXXVIII. Ko dia 13 de :N^-oTembro de 1776, salie 
a esquadra liespanhola composta de três divisões ; 

1.*^ iMáos, Pedroso e líoRarcha : írns-ata. Santa liar- 
f/ariãa ; corvetas, Jicpile?', Ilarll a Santa Casilãa ; 

2/ Káos, S. José e S. Bamazlo ; fragatas, Lehre, 
Santa Clara e ChaJãque ; corvetas. Sanca Eidalia e 
Ganiso ; 

3.^ Náos, SeptentrlCío e Anuríca : fragatas, Vénus e 
Santa Jíosa ; corvetas, Jopp e Santa A.nna ; & mais no- 
venta e seis transportes, três mil tresentos e oitenta e três 
liomens de desembarque, tendo por ca];)itão general o 
vice-rei da Província do Rio da Prata, D. Pedro Ce- 
vallos Cortez y Calderon, e almirante o niarquez de 
Casa Telles. 

í^o dia 20 de Fevereiro do anno seguinte de 1777, 
a esquadra liespanliola, cliega a illia de Santa Catlia- 
rina, orxde as guarnições abandonara os fortes por 
ordem do general António Carlos Fartado de Men- 
donça ; e nos dias 23 e 24 do mesmo mez D. Pedro 
Cevallos, dando d.esembarque as suas tropas, se apo- 
dera da ilha fugindo o marechal Furtado de Mendonça 
no dia 27 sem dar um tiro de resistência. 

'No dia 21 de Março de 1777 o cobarde marechal 
Furtado de Mendonça ó remettido para o Pio de Ja- 
neiro com outros officiaes, a excepção do brigadeiro 
José da Silva Paes, que preferiu ficar prisioneiro pelo 
general liespanhol. Os soldados portuguezes se inter* 
naram por Tucuman e Mendonça onde morreram quasi 
todos de miséria. 

CCCLXXIX. Computo ecclesiastico. Epacta, 20 ; letra 
dominical, E. 

CCCLXXX. Martyrologio. Paschoa a 30 de Março. 



1)0 V,UX'/AL 9o 

CCCLXXXT. Por ordem, de El-rei D. José, de 10 de 
Fevereiro de 1'777, o governador Joacjnim de i\rel]o e 
Povoas crea a junta de justiça do Maranlião, sendo 
delia como presidente, como regedor de justiça, tendo 
por ministros o ouvidor como relator, e o juiz de fórn, 
com mais dous vogaes, que seriam os ministros mais 
vizinhos, ou advogados de boa nota. 

CCCLXXXII. In o sabbado 31 de Maio de 1777 o go- 
vernador de Buenos Ayres D. Pedro Oevallos põe 
em sitio a colónia do Sacramento, e o coronel Fran- 
cisco José da B,oclia, commandante da colónia vendo a 
desigualdade das forças, não podendo resistir, rende-se a 
descripção no dia 4 de Junho ; e D. Pedro Cevallos 
nesse mesmo dia ataca as fortificações portuguezas. 

No dia 28 de Outubro do mesmo anno tomam os lies- 
panhoes a praça de Iguatemy. 

CCCLXXXIII. Xa quarta-feira 1.° de Outubro de 
1777, celebra-se o tratado em Santo Ildefonso fixando os 
limites do Brazil com as i:)ossessões liespanholas pelo 
lado do sul. 

CCCLXXXIY. Ao marquez do Lavradio succedeu 
Luiz de Yasconcellos e Souza, pela patente de 25 de 
Setembro de 1778, chegando ao Rio de Janeiro a 23 de 
Março tomou posse do vice-reinado, no dia 5 de Abril 
de 1779. 

Estreou o seu governo mandando reparar as fontes 
publicas ; levantar de novo a casa da alfandega com pro- 
porções de receber grande quantidade de fazendas. 

Mandou melhorar o largo do Carmo, mandando re- 
mover o chafariz, que estava no meio delle, para a 
beira do mar, com o fim de facilitar aos navegantes 
a provisão das aguas para os usos dos navios, e ao 
mesmo tempo mandou que ao lado esquerdo das bicas 



96 CHRONICA GKBAL 

se fizesse um tanque para recebei as aguas que ca- 
hissora em proveito dos animaes. Mandou aformosear 
a praça com fios delagedos, e a fc eirado mar mandou 
construir um ca^^-s de desembarque a imitação do de 
Lisboa, e mandando lagear a freate do palácio, ter- 
minando-© com uma rampa para o mar. 

No campo da Lampadoza ( clisicara do capitão-mór 
Pizarro ) onde lioje está o tliesouro mandou levantar 
uma casa para se x>i'epararem os pássaros para o museu 
de Lisboa, que depois foi melhorada para servir de 
erário, e casa da moeda, que começou a funccionar 
desde 1814. 

Fundou o passeio publico no campo do Convento da 
Ajuda sobre um pântano aiii existente abriu a rua das 
Marrecas, chamada naquelle tempo rua dos Bellas Noites, 
que ficou fronteira á i)orta do passeio. 

Mandou construir a fonte, chamada das Marrecas. 

Estabeleceu uma casa publica no calabouço para o 
castigo dos escravos com o fim de evitar as cruel- 
dades praticadas pelos senhores eiii virtude das ordens 
regias de 23 de Março de 168S, de 16 de Setembro 
de 1693 e 21 de Junho de 1702. 

Na aldêa de S. Bernabé, onde o marquez de La- 
vradio creou a villa de S. João de El-rei, mandou le- 
vantar pelourinh), e construir as casas da comarca e 
da cadeia. 

Creou a villa de Magé ou Magépe. 

Mandou reparar o recolhimento de Nossa Senhora 
do Parto, e ajuntar-lhe o x^atrimoaio. 

Promoveu o commercio e agricultura. 

Promoveu a pi'oi)agação da cochonilha, e a cultura 
do linho cânhamo, em Santa Cathirina e Rio Grande 
do Sul. 



DO BBAilL 97 

CCCLXXXV. O major Pizarro informa qne Luiz de 
Yasconcellos e Souza era circumspecto em snas acções e 
merecia do povo o maior acacamento : agradável a quantos 
recorriam á sua autoridade, em assumptos públicos 
ou particulares : nunca se mostrou fastidioso aos preten- 
dentes e nem deixou de ouvil-os com benévola attenção 
além das horas destinadas para as audiências communs 
durante o dia ou de noite. Era muito expedicto nos 
despachos e provindencias a todos os negócios da ca- 
pitania, não se fazia pesado ás partes, obrigando-as 
pela demora a mil dissabDres. Tratava a todos com 
delicadas attenções e jpor isso era respeitado e amado, 
como manifestou o x)ovo nas lagrimas de saudade cau- 
sadas pela sua ausência ; compararem -se os homens de 
hontem com os homens de hoje. Naqaelles tempos colo- 
niaes, mandavam-se homens conhecidos para governar 
as capitanias, e hoje se mandam para governar as pro- 
víncias até rapasolas para namorar as moças, chegando 
o desacato ao ponto de ui a presidente ao sahir do pa- 
lácio ser esbor doado. Chamar-se para ministro de es- 
tado homens incapazes, e confirmar o dito do senador 
Manoel António Galvão, que em geral os ministros de 
Estado no Brazil são hotoeuãos de casaca. 

Um poeta nosso, escrevendo a um amigo, e também 
nosso, retratando os tempos, faz a seguinte confron- 
tação. 

( Epistola de João G-ualberto ). 

( Quando diz eram dez, vinte eram vinte, etc. ) 

CCGLXXXYI. Computo ecclesiastico. Epacta, 1 ; letra 
dominical, D. 

CCCLXXXVn. Martyrolcgio. Paschoa a 19 de AbrU. 

CCCLXXXVIII. Fugindo, no dia 10 de Março de 1778, 
dons forçados das galés, presos em uma corrente, 
quando iam buscar agua na fonte dos Coqueiros, met- 

CHROiaCA GERAL SEC. XVni.— 7 



ÔS CIIKOXICA GEEIL 

teram-se no mato, ameararam o guarda, que era iim 
negro, e, depois de limada a corrente, foram abrigar-se no 
convento de S. Francisco, e na igreja das freiras de 
Santa Clara do Desterro ; mas, feitas as diligencias pelo 
j)rovincial de S. Francisco e arcebispo, houve certeza 
do facto, mas os j^resos, amparados pelos privilégios 
dos asylos, tiveram tempo para desapparecer. 

CCCLXXXIX. Por nomeações do vice-rei do Estado 
do Brazil, o coronel Francisco António da Yeiga Cabral 
da Camará, dei)OÍs visconde de Mirandella, toma posse, no 
dia 1.° de Maio de 1778, interinamente, do governo da 
capitania de Santa Catliarina, na terra firme, por estar 
a ilha em poder dos hespanhoes, da qual tomou conta 
na quinta-feira 30 de Agosto do anuo seguinte, por 
ter a Hespanha a restituído a Portugal, em virtude do tra- 
tado de Santo Ildefonso. O coronel Veiga Cabral con- 
servou-se no governo da capitania de Santa Catharina 
até o dia 5 de Junho de 1779, em que foi substituído 
pelo brigadeiro Teixeira Homem. 

CCCXC. Compnto ecclesiastico. Epacta, 12; letra do- 
minical, C. 

CCCXCI. Martyrologio. Paschoa a 4 de Abril. 

CCCXCII. O desastre e tomada da ilha de Santa 
Catharina, pela cobardia do marechal António Carlos 
Furtado de Mendonça, foram as causas de ser elle, 
l^or ordem regia, expulso do exercito portuguez. Elle, 
que havia ganho os postos de capitão a coronel, na 
índia, joor muitas acções militares, principalmente no 
ataque de Cupála, onde se i)ortou com distincção, em 
Santa Catharina acobardou-se, abandonando o seu posto 
pela fuga. 

Era esse marechal irmão de Luiz António Fartado 
de Mendonça, visconde de Barbaceua, que foi capitão 



Do EPvAZiL 99 

general ue Minas, o o que clennncion ao vice-rei Lniz 
de Yasconcellos e Sonza a conjuração mineira de 1789. 

CCCXCIII. Xo governo do vice-rei Luiz de Yascon- 
cellos e Souza, anno de 1777, appareceu na cidade do 
Rio de Janeiro uma epidemia de caracter pernicioso, 
febre ardente, atacando o cérebro e a medulla espi. 
nlial,^ que, quando não matava o enfermo, o deixava pa- 
ralytico, e mesmo com deformidades. Xão se conheceu 
as causas delia. Os médicos e cirurgiões do tempo em- 
pregaram diversos meios therapeu ticos para combater 
o mal e todos foram improíicuos. Os curiosos servin- 
do-se da lur-Ga de Uclw, em cosiraento tomado em 
f(5rma de cliá, e em clysteres salvavam os enfermos. 
O vice-rei mandou queimar pelas ruas alcatrão como 
meio de purificar o ar. 

D' entre os acommettidos da epidemia foi o famoso 
pintor Leandro Joaquim, que ficando paralvtico se 
pegou com Xossa Senhora da Boa Morte, promettendo- 
lhe fazer um retabolo, se ficasse bom da paralysia ; 
e de feito, se restabelecendo, fez um retabolo da Se- 
nhora da Boa Morte, que se conserva no altar da sa- 
cristia da igreja do Hospício. O povo deu a essa 
epedemia o nome de Zamporinion Zamparina, nome de 
nma cantora venesiana, a qual chegando a Lisboa em 
1770, com o notório da nunciatura apostólica, veiu ao 
Rio de Janeiro por esse tempo, e como usava de um 
tocado particular e cantava admiravelmente bem, e 
estava na moda a enfermidade que appareceu com a 
presença delia, ficou com o mesmo nome da cantora 
Zamporine. 

CCCXCIY. O brigadeiro Francisco de Barros de Mo- 
raes Araújo Teixeira Homem, tendo sido nomeado go- 
vernador e capitão general da capitania de Santa Ca- 
tharina, toma posse da administração no dia 5 de Julho 



100 CHRONICA GERAL 

de 1779, cargo que exerceu até 7 de Junho de 1786, 
com acerto e vantagem para a capitania ax)esar da sua 
avançada idade. 

CCCXCy. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 14; 
cyclo solar, 25 ; epacta, 23 ; letra dominical, B, A. 

CCCXCVI. Martyrologio. 1.° de Janeiro, sabbado ; 
pasclioa a 26 de Março. 

CCCXCVII. Sendo substituído o brigadeiro Sebastião 
Xavier da Veiga Cabral e Camará, no governo de Santa Ca- 
tharina, e nomeado para o do Rio Grande do Sul, tomou 
posse deste governo no dia 31 de Maio de 1780. 

CCCXCVIII. Computo ecclesiastico. Epacta, 4; letra 
dominical, G. 

CCCXCIX. Martyrologio. Faschoa a 15 de Abril. 

CD. Na sexta-feira 16 de Novembro de 1781, nasce em 
Portugal João Vieira de Carvalho, marquez de Lages, 
que foi ministro no Brazil. 

CDI. Computo ecclesiastico. Epacta, 15 ; letra domi- 
nical, F. 

CDU. Martyrologio. Paschoa a 31 de Março. 

CDIII. Francisco da Cunha Menezes, que havia sido 
nomeado governador e capitão general j)ara S. Paulo, 
toma posse da administração da capitania no dia 16 de 
Março de 1782, e governa seis annos, dous mezes e vinte 
dias. 

CDIV. Computo ecclesiastico. Epacta, 26 ; letra domi- 
nical, E. 
CDV. Martyrologio. Paschoa a 20 de Abril. 

CD VI. Decreto de 23 de Maio de 1783. D. Maria por 
graça de Deus, etc. Faço saber a vós ouvidor nomeado 
para a capitania do Piauhy, e era vossa falta ao impedi- 
mento a vós ouvidor geral da capitania do Pará, que eu 



DO BKAZIL 101 

fni servida por meu real decreto de data de 7 do corrente, 
at tendendo a algnns justos motiros que me foram pre- 
sentes, dar por acabado ao bacliarel Julião Francisco da 
Silva Siqueira Monclaro o lugar, que actualmente servia de 
ouvidor da capitania do Maranhão, e que fosse suspenso 
delle, embarcando no primeiro navio, que houver para 
este reino ; pelo que se vos ordena, como por este faço, 
suspendais do referido lugar ao dito bacharel Julião 
Francisco, e llie tireis residência de todo o tempo, que 
serviu no dito lugar, e dos mais cargos que tiver servido, e 
a seus officiaes na forma da ordenação e regimento, per- 
guntando na dita residência se este ministro commerciou 
contra a disxoosição da minha lei de 9 de Agosto de 1720, 
e alvará de 27 de Março de 1721 ; e outrosim se vos 
ordena, que separadamente tireis residência ao dito ba- 
charel de todo o tempo que serviu o cargo de provedor 
das fazendas dos defuntos e ausentes, e a seus officiaes 
pelos capítulos que com esta se vos remettem, vindas da 
mesa da consciência e ordens na conformidade da minha 
resolução de 4 de Dezembro de 1750 ; tomada em consulta 
do meu conselho ultramarino, como declaração, que no 
interrogatório n. 12 quanto aos provedores, se deve en- 
tender nos termos da minha resolução de 10 de Junho 
de 1744, expressada na ordem de 9 de Dezembro do dito 
anuo, escripta ao governador de Pernambuco, de que 
também se vos remette cópia ; e nomeareis para escrivão e 
meirinho, as pessoas que vos parecerem mais aptas para 
estes empregos ; e tanto que as ditas residências forem 
acabadas m'as enviareis separadas uma da outra as infor- 
mações e antes delias, cerradas e lacradas ao meu conselho 
ultramarino, expressando nas vossas cartas o que constar 
em cada uma das taes residências e do como o dito 
bacharel Julião Francisco da Silva Siqueira Monclaro me 
serviu nos ditos lugares, como o mais que achares na 
informação particular, que também haveis de tirar de seu 



102 CnRONICA GEEA.I, 

talento^ irida e costumes, se foi de acolhimento as partes, 
o que tudo será entregue ao secretario do dito conselho. 
A Rainha nossa senhora o mandou pelos conselheiros 
do seu conselho ultramarino abaixo assignados. — Ma- 
theus Rodrigues Vianna o fez em Lisboa a 23 de Maio 
de 1783. — O secretario Joaquim Miguel Lopes de Lavre, 
a fez escrever. — Diogo Rangel de Almeida Castello 
Branco. — José Ca.rvalJio de Andrade. 

CD VII. O hosi^ital de S. Christovão dos Lázaros da 
Bahia foi fundado por D. Rodrigo José de Menezes, tendo 
piincipio no dia 4 de Dezembro de 1784 e concluido a 21 
de Agosto de 1787, e entraram os enfermos no dia 27 do 
mesmo anno. Este hospital está situado na fazenda da 
Quinta dos Jesuítas. Esta fazenda foi arrematada em praça 
jmblica á fazenda real i">or dous contos e oito centos mil réis 
em 28 de Maio de 1762, i^or Domingos Rodrigues Jun- 
queira como x3rocurador de João Rodrigues Pereira, e foi 
comprada por seis contos e duzentos mil réis. Era uma 
grande fazenda com casa de vivenda, riquíssimo oratório, 
igreja de S. Lazaro, brejos, arvoredos e a fazenda mesmo 
dando dous mil cruzados e aos cinco restantes em dous 
annos ou x')agamentos iguaos. 

Foi mandada desappropriar em 4 de Novembro de 1784, 
e avaliada em 5 do mesmo anno, cuja propriedade per- 
tencia a D. Anna Maria do Sacramento, viuva do tenente 
João Rodrigues, avaliada em seis contos e duzentos mil 
réis, desappropriada em 20 de I^ovembro de 1784 e tomada 
posse por auto de 27 de ISTovembro do mesmo anno. 

CDVIII. Computo ecclesiastico. Epacta, 7; letra do- 
minical, D. C. 

CDIX. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, quinta-feira ; 
paschoa a 11 de Abril. 

CDX. No dia 14 de Janeiro de 1784 fallece D. Tho- 
maz da Encarnação Costa Lima, bispo de Olinda, na- 



DO 3SBAZIL lOâ 

tural da cidade da Bailia, confirmado por Clemente XIV 
em 18 de Abril de 1774. 

CDXI. Na segnnda-feira 9 de Agosto de 178-1, nasce 
no Kio de Janeii'o o muito illustrado e eloquente ora- 
dor sagrado padre-niestre Fr. Franci.-sco de Mout' Al- 
verne. 

CDXIL Computo ecclesiastico. Ejoacta, 18 ; letra do- 
minical, B. 

CDXIII. Martyrologio. Paschoa a 27 de Março. 

CDXIV. I>Ta sexta-feira 7 de Janeiro de 1785 os por- 
tuguezes reinvidica:.: as glorias da invenção das macM- 
nas aerostaticas para o celebre brazileiro padre jesuita 
Bartliolomen Lourenço de Gusmão, natural da villa de 
Santos, capitania de S. Paulo, que fez as primeiras ex- 
periências em 17:2G, e irmão do não menos celebre Ale- 
xandre de Gusmão. Ao j)adre Bartliolomen de Gusmão, os 
seus conteporaneos lhe deram o appellido de Yoador. O 
padre Bartholomeu Lourenço de Gusmão deixou um es- 
crij)to impresso em 177-1, com o desenlio da sua machina 
gravado em chapa de cobre. Os francezes invejosos das 
glorias de Portugal deram a descoberta do areostatico 
a Montgolíier, que fez o primeiro ensaio em Aunonay, 
em 5 de Junlio do 1783, e a primeira experiência i3u- 
blica em Paris, em 27 de Agosto do mesmo anno. 

CDXY. Computo ecclesiastico. Epacta, 30 ; letra domi- 
nical, A. 

CBXYL Martj^rologlo. Paselioa a 16 de Al)ril. 

CDXVII. O major de artilharia José Pereira Finto, 
no dia 7 de Junho de 1786, por nomeação do vice- 
rei do Estado, toma i^osse interinamente do governo da 
capitania de Santa Cathariua, em cuja administração 
esteve até 17 de Janeiro de 1791. Foi durante o 2:overno 



104 CHROlSnCA GERAL 

de Pereira Pinto que prosperou a agrirnltura e prin- 
ciiDalmente a do café. 

CDXVIII. Computo ecclesiastico. Epacta, 11; letra 
dominical, G. 

CDXIX. Martyrologio. Ppsclioa a 8 de Abril. 

CD.XX. Computo ecclesiastico. Epacta, 22 ; letra domi- 
nical, F. E. 

CDXXI. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, terça-feira. 

CBXXII. Dom Bernarclo José de Lorena, nomeado 
governador de S. Paulo, toma posse da administração 
no dia fí de Junho de 1788. e governa a capitania nove 
annos e vinte três dias. 

CDXXIII. íí"o dia 31 de Julho de 1788 foi creada a 
villa do Principe da província do Rio Grande do Norte, 
tendo por districto a mesmíi. que era da fregnezia. 

CDXXIY. O coronel Francisco António da Yeiga 
Cabral da Camará, em nome do governo da Rainha de 
Portugal, na segunda-feira 4 de Agosto de 1788, toma 
posse da ilha de Santa Caòharina, evacuada conforme 
as condições estipuladas na capitulação. 

CDXXy. Computo ecclesií. stico. Cyclo solar, 3 ; letra 
dominical, D. 

CDXXVI. Martyrologio. Paschoa a 12 de Abril. 

CDXXyiI. O vice-rei Luiz de Vasconcellos e Souza, 
pela ordem de 9 de Junho de 1789, erige em villa a 
povoação de Magé, do Rio de Janeiro, a qual foi in- 
stallada no dia 12 do mesmo mez ; e elevada á cidade 
pela lei provincial n, 965 de 2 de Outubro de 1857. 

Uma pequena capella edillcada pelos annos de 1569 
sobre o monte da Piedade pelo sargento- m 'Ir João Antas. 
na sesmaria que lhe fora cou cedida em 7 de Setembro, 
que era vista do mar, foi a origem da freguezia de 



DO BEAZIL 105 

Magé, a qual por consentimento do sen fundador pas- 
sou á cai)ella curada, em 12 de Jai.eiro de 1696 elevada 
á freguezia. 

Mais tarde em 1747, edificou -se nova igreja, na dis- 
tancia de uma legoa da primitiva, e j)^^'^ ^sta foi 
transferida a sede da freguezia. 

CDXXVIII. A Luiz de Vasconcellos e Souza suc- 
cedeu o conde de Eezende no dia 9 de Juliio de 1790, 
sendo a primeira calamidade que experimentou a ci- 
dade do Rio de Janeiro o incêndio da propriedade onde 
funccionava o senado e a camará (Arco do Telles) no 
dia 20 de Julho de 1790, onze dias depois da chegada 
do vice-rei conde de Rezende em cujo incêndio foi de- 
vorado o archivo antigo do senado da camará. 

As fortificações da barra mereceram-lhe i^articular 
cuidado, não iDor interesse da segurança publica, mas 
como meio de obter dinheiro. Mandou acrescentar a 
fortaleza de Santa Cruz com vinte e nove peças, e col- 
local-as em lugar conveniente e fazer alguns reparos. Man- 
dando fazer as obras publicas por conta da fazenda 
leal, obrigava os particulares a dar seus escravos para 
serventes, para elle ficar com a importância dos salá- 
rios . Pelas praias da cidade e seu interior fez levantar 
vários fortes construídos de fachina, e as patentes que 
dava aos commandanfes eram-lhes pagas j)ela quantia 
de quatrocentos mil réis cada uma, cuja importância 
militar terminou com o desapparecimento delle da go- 
vernança da capitania. 

Projectou construir um cães na praia de D. Manoel 
e aterrar os campos de SanfAnna e da Lampadosa, 
que não deu resultado apesar da despeza que fez e terem 
para ellas concorrido, com avultadas quantias e serviços 
dos escravos, muitos moradores da cidade. 

Mandou abobadar o encanamento das ruas do Cano 



lOÔ CIIROJÍICA GERAL 

e da Yalla, que nuo excedeu a rua do Ouvidor para a 
do Rosário. 

Mandou construir o cliafariz do Largo de Moura em 
proveito da tropa alli aquartellada. 

Estabeleceu a illuminação das ruas iDrincipaes. 

Augnientou o palácio dos vice-reis, continuando as 
accommodações no segundo andar. 

Em 1707, mandou construir a fragata Princeza do 
Brazil, que estando ]:)rompta de tudo, mandou para 
Lisboa, i)rotegendo os navios mercantes que partiram 
para Portugal. 

Mandou concertar a igreja de S. Sebastião, sacristia 
e casas annexas com o producto das esmolas dadas 
i:)elo povo. 

Empenbou-se pela limpeza das ruas e asseio das casas 
em beneficio da saúde publica, e i^ara isso obrigou o 
senado da camará joara este fim. 

CARACTER DO COííDE DE REZENDE 

Era máo e vingativo ; e contam delle muitos casos 
de judiaria e entre elles o seguinte : Sabendo que um 
individuo sofi^ria muito de liumor o mandou convi- 
dar para o ouvir sobre um assumpto, mandando de 
antemão iiôr um brazeiro por baixo da cadeira ; logo 
depois que o sujeito assentou-se, com o forte calor que 
llie vinlia do assento, começou a j)ular em virtude do 
grande incommodo, e eile para judiar, sorrindo, o obri- 
gava a conservar-se no mesmo lugar até que se las- 
timou. 

Para melhor se conhecer quem foi o conde de Rezende 
podeis ver a carta attribuida ao Dr. Manoel Ignacio 
de Alvarenga, uma das victimas da inconfidência, carta 



DO BRAZIL 101 

publicada no n. ol cio primeiro anno do meu Brazil 
Histórico de 1864. CO 

CDXXIX. A 27 de Novembro de 1790 morre no PJo 
de Janeiro o cirurgião-mór do regimento de Maura, 
António Jcsé Pinto. 

CDXXX. A 14 de Agosto de 1790 nasce em Pernam- 
buço o barão de Ignarassú (Dr. Peixoto). 

CDXXXI. Em 23 do Setembro de 1790, quarta-feira, 
nasce António Telles da Silva Caminha de Menezes, 
marquez de Rezende, fillio de Fernando Telles, tenente 
general e capitão general da Baliia, e vice-rei do Brazil 
no Hio de Janeiro. 

CDXXXII. Computo ecclesiastico. Anreo numero, 5 ; 
cj^clo solar, 7 ; ej^acta, 14 ; letra dominical, C. 

CDXXXIII. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, sexta- 
íeira ; pasclioa a 4 de Abril. 

CDXXXIY. Fastos astronómicos, neste anno appa- 
receu um cometa. 

CDXXXV. D. João de Castro, conde de Rezende, na 
quarta -feira 9 de Junho de 1790, toma posse do vice- 
reinado do Brazil, e governou onze annos, quatro mezes 
e cinco dias, deixando o governo a 14 de Outubro de 
1801, e fallecendo a 28 de Março de 1819. 

CDXXX \''I. D. Thoniaz José de Mello, que tomou 
posse em Janeiro de 17o3, mandou fazer a casa dos ex- 
postos e um hospital para lázaros, seccar e entulhar o 
alagadiço conhecido pelo nome de Afor/ados, que ficava 
ao pé da cidade ; mandou empedrar as ruas arenosas e 
foram traçados os arcos das pontes e a praça do Polé. 



(*) Vide o n. 1.0 o Brazil reino e Brazil Inípcrio o que praticou elle 
com o major Botelho. 



108 CHEONICA GERAL 

Deu providencias em favor do povo por occasião da secca 
que durou três anu os, mandando vir para o Recife os 
mantimentos e provisões de que se necessitava. 

CDXXXVII. Por patente regia o brigadeiro Manoel 
Soares Coimbra toma posse do governo da capitania de 
Santa Catharina, no dia 17 de Janeiro de 1791. 

CDXXXyiII. Computo ecclesiastico. Epacta. 25 ; letra 
dominical, B. 

CDXXXIX. Martyrologio. Paschoa a 24 de Abril. 

CDXL. Em 1792 houve tão grande secca no Ceará, 
a maior enchente de que havia memoria do Rio S. Fran- 
cisco, sendo tão demorada que matou a vegetação do 
Chique-Chique, doze legoas abaixo da Villa da Barra. 

Em 1825 outra secca no Ceará, que foi maior que a de 
1792, estendendo-se mais sobre o norte do Piauhy, 
dando motivo a grande emigração do Ceará. 

CDXLI. Computo ecclesiastico. Epacta, 6 ; letra domi- 
nical, A. G. 

CDXLII. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, domingo ; 
paschoa a 8 de Abril. 

CDXLIII. Fastos astronómicos, neste anno de 1792 é 
visto um cometa. 

CDXLIV. Em Fevereiro de 1792 o rio Paraguassú, na 
Bahia, encheu de tal modo, que, invadindo as ruas da 
villa da Cachoeira, hoje cidade, andava-se por ellas em 
canoas chegando as aguas até o altar-mór da igreja do 
convento do Carmo. 

CDXLV. Execução do Tira-Dentes, no sabbado 21 de 
Abril de 1792. 

CDXLVI O tenente coronel João Alberto de Miranda 
Ribeiro, i)or nomeação do vice-rei, conde de Rezende, 
toma posse no dia 8 de Julho de 1793 do governo inte- 



DO BBAZTL 109 

rino da capitania de Santa Catharina. Este governador 
cnidon da segurança da capitania, e desenvolveu a so- 
ciabilidade do povo. Falleceu na villa do Desterro no dia 
19 de Janeiro de 1800, com geral sentimento da popu- 
lação. 

CDXLYII. No sabbado 7 de Dezembro de 1793, por 
escriptoi-a publica António Gomes Quaresma, e sua mu- 
lher Maria Leite da Fonseca, moradores no lugar da Volta 
d' Agua das Alagoas, fazem doação, para património da 
capella de Santa Rita, novamente erecta nesse lugar, de 
três quartos de legoa e setenta e quatro pés de coqueiros, 
no valor de cento e vinte e cinco mil réis, terras que hou- 
veram por herança de seu avô José Gomes Quaresma. 

CD.XLYIII. Computo ecclesiastico. Epacta, 9 ; letra 
dominical, D. 
CDXLIX. Martyrologio. Paschoa a 5 de Abril. 

CDL. Na sexta-feira 31 de Julho, fallece em Lisboa o 
famoso poeta brazileiro José Bazilio da Gama, tão conhe- 
cido e apreciado pelo seu bello poema Uruguay. 

CDLL Na quinta-feira 27 de Agosto de 1795, nasce 
em Yilla Rica, hoje cidade de Ouro Preto, Bernardo 
Pereira de Vasconcellos. 

CDLII. Computo ecclesiastico. Epacta, 20 ; letra do- 
minical, C. B. 

CDLIII. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, sexta-feira ; 
paschoa a 27 de Março. 

CDLiy. Nasce em S. Luiz do Maranhão, em 1796, 
João Braulio Muniz. 

CDLY. No dia 30 de Maio de 1796 morre o primeiro 
bispo de Pernambuco D. Frei Diogo de Jesus Jardim, 
confirmado por Pio YI, em 14 de Fevereiro de 1785. 
Era brazileiro e natural de Sabará, da provinda de Minas 
Geraes. 



110 CllRONÍCÀ GERAL 

CDLVI. Na qiiinta-íeira 8 de Setembro de 1896, nasce, 
em Serinliaem (Pernambuco), o j)oeta lyrico bacliarel 
José da ISTatividade Saldanlin, que foi secretario do 
governo da confederação do Equador, organisado em 13 
de Dezem_bro de 1823, e que morreu de miséria no México. 

CDLA^II. Computo ecclesiastico. Epacta, 1 ; letra do- 
minical, A. 

CDLVIII. Martyrologio. Pasclioa a 16 de Abril. 

CDLIX. Na quarta- feii a 7 de Junlio de 1797 nasce na 
cidade da Bahia Manoel Alves Branco, depois visconde 
de Caravellas, deputado, senador e conselheiro de estado. 
Era iitteiato, estadista e notável orador. 

CBLX. António Manoel de Mello Castro e Mendonça, 
sendo nomeado governador e capitão general da capitania 
de S. Paulo toma posse da administração no dia 28 de 
Junho de 1797, e governou a capitania durante cinco 
annos, cinco mezes e doze dias. 

CDLXI. Computo ecclesiastico. Epacta, 12 ; letra do- 
minical, G. 

CDLXII. Martyrologio. Paschoa a 8 de Abril. 

CBLXIIL Na sexta-feira 12 de Outubro de 1798 nasceu 
em Lisboa D. Pedro de Alcântara, primeiro Imperador 
do Brazi]. 

CBLXIV. Computo ecclesiastico. Epacta, 23 ; letra do- 
minical, T. 

CDLXV. Martyrologio. Paschoa a 24 de Março. 

CDLXVI. Pelas oito horas da noite do dia 23 de Maia 
de 1799, dia de Corpo de Deus, sentiu-se um tremor de 
terra, nu cidade das Alagoas, 



1^0 líRAZlL 111 

CDLXYII. o Rio de Janeiro teve sete vice-reis : 

1.° Conde da Cunlia, D. António Alves. 

2.° Conde de Azambuja, D. António Rolim de Moara. 

3.° Marqnez do Lavradio, D. Luiz de Almeida. 

4.° Luiz de Vasconcellos e Souza. 

5.° Conde de Rezende, D. José de Castro. 

6.° D. Fernando José de Portuga], inlmeiro marc[uez 
de Aguiar. 

7.° Conde dos Arcos, D. Marcos de ]!Soronlia, que en- 
tregou o governo ao iirincipe regente depois D. João TI. 



FIM DO SÉCULO XYIII 



1800 — 1883 



I. C omputo ecclesiastico. Áureo numero, 15 ; cyclo 
sol ir, 17 ; epacta, 4 ; letra dominical, E. 

II. Martyrologio. Dia l.*' de Janeiro, quarfca-feira ; 
domii go de pasclioa a 13 de Abril ; indicação romana, 3 ; 
joerioc o Juliano, 6,513. 

III. Ne» começo deste século o Brazil era constituído 
adrairistrativamente i^or um vice-rei no Rio de Janeiro, 
oito capitanias geraes, no Pará, Maranlião, Pernam- 
buco, Bahia, S. Paulo, -Minas Geraes, Goyaz e I.Iato 
Gdss», e oito governos subalternos, no Piauhy, Ceará, 
Rio G -ande do 2í"orte, Par;th7')a, Sergipe d' El- Rei, Santa 
Cailia.lna, Espirito Santo e Rio Grande do Sul. 

IV. No dia 1.° de Janeiro de 1800 laliece o governador 
de SíiQta Catliarina, e o governo da capitania passa a 
ser ad ninistrado por um triuinvirato composto do tenente 
coronal José da Gama Lobo Coelho d' Eça, do ouvidor 
Aleixo Maria Caetano, e do vereador da camará José 
Pereiri da Cunha, qiie governou até o dia 8 de Dezembro 
do me.-im.o auno de 1800. 

V. J^SL cidade das Alagoas, antiga cabeça de comarca 
de Pernambuco, uma senhora de nome Anua, mulher 
do po *tugaez Carlos José, deu a luz, de um só i^arto 

CHhOHICA GBBÁIi IHiC. XVIU. — 8 



1 1 4 CimOXICA GERAL 

quatro íillios, e com tanta facilidade, como se elles viessem 
ao mundo em quatro iiartos. As crianças baptisaram-se, 
e a mfii íicou de peiíeiía saúde como se tivesse dado a 
luz um só íillio. 

VI. Junto ao arroio Abaete, em 1800, António Gomes 
acliou o grande diamante que pesava sete oitavas, que 
p)assoa para a coroa de Portugal, Em recompensa do 
tal acliado llie deram o emprego de tliesoureiro da casa 
de fundição de Sabará. 

YII. ^0 dia 27 de Maio de 1300, nasce, na Bahia, 
o illustre advogado, escriptor, bacharel em direito e 
actualmente o decano da imprensa brazileira, Joaquim 
Alves Branco Muniz Barreto, que muitos serviços prestoir 
á causa publica, na redacção e direcção do antigo Cor- 
reio Ifercantil. 

yiTI. Angelo Rondou lembrou se de querer uma 
pensão em remumeração de seus serviços, e ia frequen- 
temente á audiência do x^rincipe regente em S. Chritovão, 
e nada p)odia obter. Em uma occasião em que exagerava 
os seus serviços, disse ao princii)e D. João : Senhor ! 
tós a wn BOI, mandaste dar um cruzado por dia, e a 
mim que sou um bode mandal-me dar dous tostões. 

Os semanários, que faziam ala junto ao príncipe, 
levaram os lenços á bocca para encobrir o riso, e o 
mesmo fez o príncipe, p)rocurando disfarçar ; e, despe- 
dindo o com bondade, mandou não só abonar-lhe os 
duzentos réis nas despezas do paço, como fornecer-lhe 
uma ração, e um quarto no palácio da quinta de 
S, Cliristovão. 

Como estas ha outras anecdotas de muito espirito, acon- 
tecidas com o príncipe regente ; e entre ellas conta-se, 
que era capitão de um navio, que navegava para a índia, 
um sujeito muito frJlador, por nomo José Francisco o 
qual dizia mal de todos e de tudo, Quando chegava da 



DO BIÍAZIL 115 

índia e dava entradci no perto, ia logo fallar ao príncipe 
regente, qne minnciosaniente o interrogava. Em nma 
occasião o principe depois de o ouvir, lhe disrje : José 
Francisco, tu que a ninguém ponpas, e relatas os defeitos 
de todos, deves também ter formado o teu juizo a meu 
resx^eito, e x^ortanto te ordeno cpie me íalles com fran- 
queza : dize, dize... ; José Francisco hesitou; mas o 
principe insistindo, respondeu : Já qne vossa alteza me 
ordena lhe direi o qne penso. Yossa alteza real é mnito 
bom homem, jasticeiro, ])om catholico, mas i3ara ser bom 
rei íalta-llie ainda nma cousa..., ao que mandou o prin- 
cipe qne continuasse, e José Francisco cobrando animo 
lhe tornou. Senhor ! Yossa alteza i')ara ser um bom rei 
tem precisão de uma costella de brejuro. O princix3e 
rindo-se, o despediu com benevolência. 

IX. As audiências do i:)nncix3e regente D. João VI, 
duravam muitas horas, conservando-se elle semjire em ]}é. 

Depois que ficou doente da x)erna, ouvia a todos assen- 
tado. A enfermidade teve x^or origem o seguinte motivo : 

Pouco temx:>o dex^ois da chegada ao Rio de Janeiro, foi 
a fazenda de Santa Cruz, com o sobrinho e filhos, e alli 
um caiTax^ato incravando-se na x)erna do i^^rincix^e, e não 
sabendo sua alteza o que aquillo significava, entendeu 
tirar o carrax^ato com violência, ficando o dente do in- 
secto cravado na real canella, e, aggravando-se-ihe a 
mordedura, formou-se nma grande ferida inflammatoria, 
que lhe ia custando a x^erda da vida. 

Foi esta a única enfermidad^e cxueteve o Sr. D. João VI 
no Brazil, durante treze annos e alguns dias que aqui 
residiu. 

A ferida da canella do principe regente moveu a toda 
gente ir a fazenda de Santa Cruz. D. Carlota Joaquina 
para lá foi cora os filhos. As x^essoas de tal ou qual repre- 
sentação iam repetidas vezes cumi:)riraentar o principe j 



116 CIIROÍÍICA GEKAL 

e como não hoiive^sse aposentos suíficientes no x)alacio, 
para militas acc^rnodações, visto, ser o i)aiacio o antigo 
collegio dos Jesiiitas, nelle só s? acoommodava a família 
real e as pessoas lo indispensavei serviço. 

Toda essa multidão de gente eia liosx")edada na fazenda 
do Mato da Paciência, propriedade de João Francisco 
da Silva e Sonsa, 'que recebia em sua casa a todos, sem 
distincção, dand(^ mesmo transporte a m ai tos que o não 
tinliam ; chegando a hospitalidade desse cidadão a dar 
em sua casa quartel á guarda de policia, e sustental-a 
á sua custa. 

Melhorando o T)rinoipe regente, veia para a capital, 
deixando descançado e alliviado das^ enormes despezas ao 
honrado João Francisco da Silva e Souza, que foi a 
quem mais custei a mordedura do carrapato na canella 
real. 

Depois do falleoimento de João Francisco, quem aguen- 
tava com as deipezas de hos]>edagem e dava quartel e 
sustento á polic a, as vezes qae a familia real ia para 
Santa Cruz, era 1». Marianna Eugenia Carneiro da Costa, 
viuva de João Fianclsco. Algumas vezes a familia real 
se hospedava na fizenda doBaugú, pertencente a D. Anua 
de Moraes e Castro, que a recebia e tratava com bizarria ; 
menos a guarda de cavallaria ou policia, por ser esta de 
privativa pensão da casa do Mato da Paciência, pelo 
menos duas vezes em cada anno, não se demorando menos 
de dous mezes a familia real em Santa Cruz. 

O príncipe regente esteve seis annos doente, pelo 
que se mandou chamar todos os médicos e cirurgiões 
de nomeada e conceito publico para conferenciarem, 
sendo muitos delles em seguida nomeados médicos e 
cirurgiões da real camará. 

O príncipe regente 1)oy muito tempo não se levantou 
do leito, e passou a sahir eai cadeira inveriiiauda. 



T>0 BEAZIL 11 "7 

carivgarla por escrav^.s da fazenda de Santa Cruz, os 
qnaes andaram vestidos de encarnadc, semelhante ao 
uniforme dos soldados, com a copa das barretinas dou- 
radas e com as armas reaes. 

Eram doze os escravos, que coTregavam o príncipe 
regente ; e este, em reconhecimento a tã ) bons serviços, 
os libertou e as suas mulheres, filhos e oais, dando-lhes 
uma pensão sufficiente. 

X. Quando o príncipe regente regressou para a ca- 
pital os negros vieram com elle para S. Christovão, com 
suas famílias, onde lhes mandon dar casas, servindo 
elles de carregadores da cadeira, emq lanto não pôde 
passeiar á pé pela qninta de S. Christovão. 

E' preciso notar, que as vezes sua alteza sentia dôr 
na perna onde teve a ferida, e nessas occasiões man- 
quei java, e para melhor firmar-se, tra/.ia um.a bengala 
com castão de ouro e uma pequena moleza. 

XI. O príncipe regenCe quando estiva na fazenda 
de Santa Cruz, e sahia a passeio, os escravos da fazenda 
o acompanhavam, gritando atrás: 

Yiva nosso senhor ! 
In osso rei já chegou : 
Cativeiro já cabou ; 
Viva nosso senhor. 

Os escravos da fazenda de Santa Cruz fallavam-lhe com 
mais liberdade e segurança, que com o feitor da fazenda ; 
6 como gostava muito do sitio de Santa Cruz, e da ilha 
do Governador, para elles ia frequente:^ vezes. K"a ilha 
não havia palácio particular, e servia-se da casa de Joa- ' ^ '^'•^'^' 
quira José de Azeve.io, que foi almox irife do paço, e ,^'^ 

críado particular, com honras de offici ai maior da casa ^" 
real, e depois barão e vise )nde do Rio Secco; Ahi passava "*^ ' 
o príncipe regente o tempo ; porque, rodeado de todas 



118 



CIIPvOXICA GEIÍAL 



as commodiclades, se entretiiiiia na caça ; e para isso se 
armava uma barraca, onde elle assentado, ou debaixo de 
alguma arvore, esperava c[ae passasse alguma caça, 
para nella atirar, porque não polia montar a cavallo. 

Quando o príncipe D. João ia para a illia do Gover- 
nador, antiga illia do Gato, levava os ílllios, que moravam 
com elle. Embarcavam na galeota, no Eugeniio da Pedra, 
seguiam para a illia, para casa de Joaquim José de Aze- 
vedo, (1) e onde ii-nca se demorava mai^ que oito dias. 
O dono da casa e sua família iam para lá recebel-os ; e 
para isso tinliam a casa ricamente mobiliada ; mas toda 
a despeza de ucliaria era feita por conta da casa real. 

O 2^1'iíicipe regente D. João visitou outros lugares 
da província do Rio de Janeiro, como fossem a ilha de 
Paquetá, onde passava dons e três dias. Nessa ilha hos- 
pedava-se em casa de Francisco Gonçalves da Fonseca, 
(Angolista) ofíicíal de milícias, a quem recompensou ele- 
vando-o a brigadeiro ; foi a fazenda dabaroneza de S. Sal- 
vador de Campos e a outros lugares onde o trataram 
com bizarria e luxo. 

El-rei I), João YI foi muito reconhecido ás pessoas 
que o obsequiavam ; e assas gostava dos passeios qiie 
fazia não só pela segura/nça pessoal, com que -contava, 
como pelos sinceros agasalhos que de todos recebia. 

XII. Emquanto a Sra. D. JJaria I foi viva, foi este o 
modo de vida que teve o Sr. D. João YI, mas depois 
da morte da mãí, teve alguma mudança de proceder no 



(1) Joaquim José de Azevedo, visconde do Rio Secco, no reinado do 
imperador ]). Pedro I, foi elevado a mavquez de Jundirtbj', c grílo-cruz 
da ordem de Ciiristo. Estava muito rico ; e foi quem cdirieoii, como já 
disse, a grande casa que faz esquina na rupv do Conde da Canha, com 
o largo do Rocio, hoje praça da Conslituiçílo, a qual sendo comprada 
por muito dinlieiro, foi transformada cm colméa para Secretaria do Im 
perio ! ! ! 



BO BKAZIL 119 

Rio de Janeiro ; pois fixou de todo a sua residência na 
quinta de S. Cliuistovão, e só vinlia a cidade, para assis- 
tir ás festas das igrejas e novenas, ou nos dias de grande 
galla ; e isto mesmo ncão acontecia sempre ; porque depois 
que recebia o cortejo e dará beija mão (1) se retirava. 
Muitas vezes nos dias de grande galla recebia a todos no 
ixiço da quinta de S. Ciiristovuo. 

XIII. 'No dia 12 de Dezembro de 1800 o coronel Joaquim 
Xavier Curado, com i:>a tente regia, assume o governo 
da capitania de Santa Catliarina. Este distincto gover- 
nador pugnou tanto pela prosperidade da capitania, ani- 
mando o conunercio e a lavoura, que, conquistando o 
respeito de todos, teve a vontade publica á sua dispo- 
sição. 

XIY. Computo ecciesiastico. Áureo numero, 16 ; cyclo 
solar, 18 ; epacta, 15 ; letra dominical, D. 

XY. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, quinta-feira ; 
domingo de j)aschoa a 5 de Abril ; indicação romana, 4 ; 
período Juliano, 6,514, 

XYl. Por carta regia do dia 14 de Janeiro de 1801 , ex- 
pedida a todos os governadores do Brazil, ordenando -llies 
que não consentissem enterrarem-se os cadáveres liumanos 
em sepulturas dentro das igrejas, e cpie, de accordo com 
os bispos, se fizessem construir cemitérios, onde se sepul- 
tassem todas as pessoas que fallecessem. 

XYIL No dia 27 de Fevereiro de 1801, a Hespanlia de- 
clara guerra a Portugal. 

XYIII. lio dia 13 de Agosto de 1801, um desertor do 
corpo de dragões, de nome Josô Borges do Canto, afronte 



(1) El-rei D. Jofío era muito pouco asseiado : tinha empigens nas coixas, 
nádegas e em outros lugares reservados, e de quando em quando cossava-se 
por detrás e por diante, e com a mão assim mesmo dava a beijar, o que 
faziam de joelhos em terra. 



120 CIIRONICA GEEAL 

de nnia força caiiitaneada por elle, pnrts ppra as fron- 
teiras do Rio Grand?, e tor.ia í.os iiespanhoes as Missões 
de S. Miguel ; e em seguida as de S. João B:ipbitta, de 
Santo Anjo, de S. Francisco de Borja, S. Nicolau, S. Lou- 
renço e S. Luiz Gonzaga, formadas de Índios Charruas, 
Guai-anys eTap, na margem oiiental do rio Urugur^y. O 
tenente general Sebastião Xavier da Veiga Cabral, rerdo 
conhecimento do serviço feito a causa publica por José 
Borges do Canto, levanta-lhe a nota da diserção, e o 
nomeia capitão de milicias. 

XIX. Achando se impedido o governador da capi- 
tania do Eio Grande do Sul é nomeado o major Jo; quim 
Félix da Fonseca Manso, para governar a capií mia e 
toma posse da administração delia em Setembro de 1801. 

XX. Tratado de paz entre a França e Portugal 
em 1801. 

XXI. D. Fernando José de Portugal, é nomeado sexto 
vice- rei do Brazil, e governador do Rio de J ineiro 
em 1801. 

XXII. Em 30 de Outubro de 1801, o coronel l. Manoel 
Marques de Souza toma o forte do Serro Largo i o Rio 
Grarde do Sul. 

XXIII. No dia 5 de Novembro ás 11 ^ horas da iianhã 
de 1801, fallece na villa do Rio Grande do Sul, o tȒnente 
general e governador da capitania, Sebastião Xavier da 
Yeiga Cabral e Camará, sendo substituído no g( ve}no 
pelo brigadeiro João Roscio. O tenente general Veiga 
Cabral foi comni andante do primeiro regimento de linha, 
no tempo do vice-rei conde de Rezende. 

XXIV. Computo ecclesiae-.tico. Áureo numero, 17: cyclo 
solar, 19 ; epacta, 26 ; letra dom.inical, C. 

XXV. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, sexta- "eira ; 



PO lilíAZIL 121 

domingo de pasclioa a 18 de Abril ; iadicíioão romana, 5 ; 
período Juliano, G,515. 

XXYL Appareceu no Hio de Janeiro entre os annos 
de 1802 á 1803, uma catarrlial epidemica, com febre tão 
violenta e tosse sen^elhante á da coquei ache, que os 
alfectados do mal C-ni a força de rossir acabavam por 
curvar- se, e o ])Oyo em conseqnencia do estado em que 
deixava o individuo a denominou de Corcunda, 

XXYII, E' nomeauo o sargento-mór Lopo Joaquim de 
Almeida Henrique, no dia 2 de Junho de 1802, gover- 
nador da capitania do Elo Grande do Norte, e toma posse 
da administração no dia 30 do mesmo mez, recebendo-a das 
mãos de António de Barros Passos. O sargento-mór Lopo 
Joaquim de Almeida Henrique esteve no governo até 
Março de 1806, em que o entregou ao novo governador 
José Francisco de Paula Cavalcante o Albuquerque. 

XXVIII. No dia 2 ;le Novembro de 1802, nasce no Rio 
de Janeiro Polydoro da Fonseca Quintanilha Jordão, 
tenente general e visconde de Santa Thereza. 

XXIX. E' nomeado o marechal António José da 
Fonseca Horta, para governador da cíipitania de S. Paulo, 
e toma j)osse no dia 10 de Dezemljro de 1802 em cuja 
administração se conservou até 11 de Maio de 1811, sendo 
o tempo do seu governo oito annos, dez mezes e vinte dias. 

XXX. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 18 ; cyclo 
solar, 20 ; epacta, 7 : letra dominical, B. 

XXXI. Martyrologlo. Dia 1.» d(í Janeiro, sabbado ; 
domingo de paschoa a 10 de Abril ; indicação romana, 6 ; 
periodo Juliano, 6,516. 

XXXII. No dia 2o de Agosto de 1803, nasceu, no Rio 
de Janeiro Luiz Alv *s de Lima, que depois foi barão, 
visconde, conde, marquez e duque de Caxias. 



122 cniíONlCA GEEAL 

XXXIII. Comi:)ato ecclesiastico, Anreo numero, 19 ; 
cyclo solar, 21 ; epacta., 18 ; letra dominical, AG. 

XXXIV. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, domingo; 
pasclioa a 1.° de Abril ; indicação romana, 7 ; periodo Ju- 
liano, 6,517. 

XXXV. OíRcialmenie foi importada a vaccina no 
dia 30 de Dezembro de 1804. 

XXXVI. O cliefe do est]j^uadra Paulo José da Silva 
Gama tomou j^osse do governo do Hio Grande do Sal, 
no dia 00 de Janeiro de 1805. Por seus serviços á 
causa publica íoi nomeado barão de Bagé, e depois 
almirante, íallecendo no dia 22 de Março de 1823. 

XXXVII. António Pires da Silva Pentes Leme, que foi 
governador da capitania do Espirito Santo, falleceu no 
Sio de Janeiro, no dia 20 de Abril de 1805. 

XXXVIII. D. Luiz Maurício da Silveira, sendo tenente 
de Liin regimento em Lisboa, veiu com patente regia 
nomeado governad.or de Santa Catliarina, e tomou posse 
da administração da capitania, no dia 3 de Junlio de 1805. 
l'N"estt; governo conservou-se até 16 de Agosto de 1817, 
sendo o verdadeiro contraste a sua administração com 
a de Joaquim Xavier Curado, Veiga Cabral e outros, 
porque nada fez nos vinte annos que i^armaneceu em 
Santa Catliarina. 

XXXIX. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 2; 
cyclo selar, 23 ; epacta, 11 ; letra dominical, E. 

XL. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, quarta-feira ; 
pasclioa a 6 do Abril ; indicação romana 6,519. 

XLI. Carlos César Burlamacjue, nomeado governador 
do Piauliy, toma posse do governo da capitania no dia 
21 de Janeiro de 1808. Era Outubro de ISIO é suspenso 
das funcções publicas e preso. Em 1807 api^arecom de 
novo os Índios Pimenteiras, nas cabeceiras da cai^itania 



DO BRAZIL 123 

do Piauliy, e siio por dous annos perseguidos, batidos 
e por fim aniciuilados. Em principies de Outubro de ISIO 
é Builamaqae suspenso e preso. Bularmaque i^erteucia 
á malinha real cuja primeira praça teve lugar em 28 de 
Maio de 1790, donde sendo guarda marinlia x>as30u a 
alferes do exercito. 

XLII. José Francisco de Paula Cavalcante de Albu- 
querque toma posse do governo da capitania do Rio 
Grande do lí^orte em Março de 1803, em substituição a 
Lopo de Almeida Henriques. 

SLIII. No dia 7 do mesmo mez e anno morre no Eio 
de Janeiro o coronel José Caetano de Araújo. 

XLIV. O conde dos Arcos D. Marcos de Noronlia e 
Brito, que governava a capitania do Pará, sendo nomeado 
vice-rei do Brazil, cliega ao Rio de Janeiro em uma 
fragata com cento e vinte nove dias de viagem e toma 
posse do governo no dia 7 de Agosto de ISOo, em cujo 
governo esteve até 7 de Março de 1807, em que entregou 
o governo ao i3rincir)e regente o Sr. D. João YI de Por- 
tugal. 

XLY. Computo ecclesiastlco. Áureo numero, 3 : cyclo 
solar, 24 ; epacta, 22 ; letra dominical, D. 

XLYI. Martyrologio. Dia l.*' de Janeiro, quinta-feira ; 
paschoa a 29 de Março ; indicação romana, 10 ; i^eriodo 
Juliano, 6,520. 

XLYII. Por decreto de 25 de Fevereiro de 1807, ó o 
território do Rio C-rrande do Siil elevado á categoria de 
capitania geral, subordinando-llie a de Santa Oatharina ; 
com a denominação de capitania geral de S. Pedro do 
Rio Gr:inde do Sul, sendo nomeado D. Diogo de Souza, 
conde do Rio Pardo^ o primeiro cax)itão general para a 
governar, o qual tomou j)0sse da administração no dia 9 
de Outubro de 1809. 



124 CHP.ONI(A GEEAl, 

XLVIII. Na segiiiidíi-feiía, 11 de Março, morre na 
Bahia a celebre feiticeira ISTicncia, que o conde da Ponte 
havia mandado prender pelos uiuitus damnos causados as 
pessoas crédulas e fanáticas, que a consultavam. Morava 
no Cabulla, e como era aleijada foi conduzida em um carro 
para a cadeia publica. A ^ste acontecimento do tempo 
fizeram -se muitas poesias, que não foram imj)ressas. 

No dia 16 de Maio do mesmo anno, morre o sargento 
mór Cláudio José da Silva. 

No dia 28 de Agosto de 1007, fallece no Rio de Janeiro 
o desembargador Manoel Carlos. 

No dia 17 de Outubro do mesmo auno morre no Rio de 
Janeiro o desembargador intendente Joaquim José de 
Mendonça Cardoso. 

XLIX. No dia 26 de Novembro de 1807, o piincipe 
regente de Portugal faz baixar em Lisboa am decreto 
declarando a sna intenção de mudar a corte de Lisbca 
para o Brazil, creando a regência que devia governar o 
reino na sua ansencia. (1) No dia 29 sahe a esquadra do 
Tejo conduzindo o príncipe regente, e a rainha a Sra. 
D. Maria I com toda a familio real, para o Brazil, acom- 
panhada da esquadra ingleza, e o ministro lord Strang- 
fort. 

A familia real compunha se das seguintes pessoas: 

A rainha mãi, a Sra. D. Maria I com setenta e um annos 
de idade. 

O príncipe regeu .'■,e D. João Carlos de Bragança com 
quarenta e um annos. 

A prínceza D. Carlota Joaquina com trinta e dous 
annos. 



(1) Vide no tomo l.o da 2.»' pavte (ou o ■').•) da minha ChoroffvapJda His- 
tórica, a exposição circumstanciada da trasladação da côrtc portugueza 
para o Brazil. 



DO BKAZIL 125 

O príncipe D. Pedro de Alcântara, depois Imperador 
do Brazil cora dez annos de idade. 
O infante D. Miguel com seis anãos. 
A xirinceza D. Maria Tliereza com quinze annos. 
A infanta D. Maria Izabel com doze annos. 
A infanta D. Maria Francisca com oito annos. 
A infanta D. Izabel Maria com sete annos. 
A infanta D. Maria da Assumpção com três annos. 
A infanta D. Anna de Jesus Maria com um anno. 

L. A princeza do Brazil D. Maria Francisca Bene- 
dicta, viuva do i)rincix)e D. José de idade de sessenta 
e dous annos. 

A Infanta D. Marlanna com setenta e dous annos. 
Esta senhora falleceu no dia 16 de Maio de 1813, com 
setenta e sete annos de idade. 

O infante D. Pedro Carlos de Bourbon, que casou no 
dia 13 de Maio de 1810 cora a princeza D. Maria Thereza, 
e falleceu de bexigas, no pa;o de S. Christovão, no dia 
26 de Maio de 1812, com vinte e seis annos e se acha sepul 
tado em um mausoleo de mármore no convento de Santo 
António do Rio de Janeiro. N"o dia da morte do infante 
D. Pedro houveram tantas chuvas, que alagando as rn as 
davam as aguas pelas per vds dos soldados, e as ondas na 
bailia, eram tão grandes que iambiam a base da fortaleza 
da ilha das Cobras. Este príncipe deixou um íilho de 
nome Sebastião, nascido no paço de S. Christovão do 
Rio de Janeiro. 

LI. Computo ecclesiasfico. Áureo numero, 4 ; cyclo 
solar, 25 ; epacta, 3 ; leti-a dominical, C. B. 

LII. Martyroiogio. Dia 1° de Janeiro, sexta-feira ; 
paschoa a 17 de Abril ; indicação romana, 11 ; periodo 
Juliano, 6,521. 

LIII. No dia 22 de Jane])-o de 1808, ás onze horas da 
manhã, entrou na baiTa e porto da cidade da Bahia a 



126 CriEÔNICA GlinAL 

esquadra composta de três náos, e iiraa fragata, conda- 
zindo a família real XK^rtugueza, que deseuibarcoii no 
dia 2o, pelas quatro lioras da tarde. 

José da Silva Lisboa, depois visconde de Cayrá, acon- 
Sí?llia a D. Fernando JosG de Portugal, para pedir ao 
príncipe regente, cjue abra os portos do Brazil ao com- 
niercio de todo o mundo, o que sendo bem considerado 
por D. Feraando, levou ao príncipe regente as conside- 
rações de conveniência, que teve bom eíieito no dia 
28 do mesmo mez de Janeiro (1). 

LTY. Por carta regin, de 28 de Janeiro de 1808, o 
príncipe regente do Portugal, manda abrir os portos 
do Brazil, trancados lia mais de três séculos a todas as 
unções amigas de Portugal, cpie quizessem commerciar 
no Brazil. Este extraordinário acontecimento, foi o pri- 
meiro passo, para a independência politica do Brazil, 
porque com elle não j)odia mais o Brazil ser colónia de 
Portugal. 

l^este m.esmo dia, mandou x)or carta regia exceptuar da 
franqueza do commercio os géneros notoriamente estan- 
cados, e extinguir as antigas proliibições á este resx3eito. 

i^o dia 2G de Fevereiro creou na Bailia uma casa de 
seguros. l\o dia 10 de Março de 1808, mudou o i3essoal 
do ministério cjue trouxe de Lisboa, e organisou o pri- 
meiro gabinete ministerial luso-brazileiro, para dirigir 
os negócios do novo Império que acabava de crear. 

(Yide a legislação no livro Benejicios Políticos, pelo 
Yisconcle de Ga^/rú.) 

LY. íía sexta-feira, 20 de Fevereiro de 1808, em- 
barca-se na Baliia o príncipe regente, com a família real 
para o Eio de Janeiro, ficando i)or doente o duque de 



(1) Vide as iniuudenoias desses acontecimentos na minlia Chorografhia 
Jlistorica, 



DO BP.AZIL J27 

Cadaval, hospedado na casa de Manoel Joaquim Alves 
Ribeiro, sita no largo, e ao pé da fortaleza de S. Pedro. 
O duque de Cadaval fallece na Baliia no dia 14 de Março 
seguinte pelas três horas da manhã, e foi sepultado no 
convento de S. Francisco da mesma cidade, i^assando a 
viuva duqueza, com a familia j)ara o Rio de Janeiro. 

LYI. Ko dia 7 de Março entra pela barra do Rio de 
Janeiro a esquadra que conduz o principe regente e a 
íamilia real. J^esse mesmo dia o sétimo e ultimo vice-rei 
do Brazil, D. Marcos de I-Toronha e Brito, depois conde 
dos Arcos, entrega o governo ao seu legitimo sobe- 
rano. O principe regente desembarcou no dia seguinte 
8 de Março, ás quatro horas da tarde, indo dar graças a 
Deus, com toda a farnilia, na igreja do Carmo, x^or 
sua feliz viagem e chegada ao Rio de Janeiro a sal- 
vamento. 

Fizeram. se esplendidas festas. 

LYII. Xo lia 10 de Marco foi mudado o ministério 
que acompanhou o princií^e regente e a família real 
jDara o Brazil ; e o novo ministério ficou comj)osto das 
seguintes iDersonagens : 

1° T>. Fernando José de Portugal (d.exiois marques 
de Aguiar) xiara os negócios do Reino. 

2.° D. Rodrigo de Souza Coutinho (depois conde de 
Linhares) para os negócios estrangeiros e da guerra. 

3.® D. João Rodrigues de Sá de Mtnezes (visconde 
de Anadia, depois conde) para os negócios da marinha 
e ultramar. Foi este ministro o primeiro fidalgo -pov- 
tuguez, que acompanhou a familia real, fallecendo 
no Rio de Janeiro, o que teve lugar no dia 30 de 
Dezembro de 1809, sendo sei^ultado na igreja do con- 
vento de Santo António, sahindo o seu cadáver e 
préstito da casa e sobrado que faz frente para a fonte 



128 CIIRO:\"ICA GERA.L 

e rua das Marrecas, na rua dos Barbonos. e lioje de 
Evaristo da Veiga. 

LYIII. No dia 11 de Março de 1808, são creadas as 
três secretarias de estado : 1.*, dos negócios do reino ; 
2.*, a dos. negócios estrangeiros e da guerra; 3.*, a da 
marinha e altramar, ficando o real erário a cargo de 
D. Fernando José de Portugal. 

LIX. No dia 1.° de Abril de 18u8, o príncipe regente 
crea no Rio de Janeiro um conse-ho supremo militar. 

LX. No manifesto que o príncipe faz ás nações, 
expõe os motivos que o obrigaram a declarar a guerra 
ao imperador dos Francezes. 

No meu Brazil Reino e Brazil Império escrevi a 
historia circumst.anciada da conq dsta de Oayenna, e 
para ella convido o leitor. Não f ço um resumo dos 
acontecimentos por ser, aijida aásim, um x">ouco longo, 

LXI. No dia 5 se creou a Academia Real dos Guardas- 
marinlias. 

No dia 10 a Relação do Rio de Janeiro iDassa a ca- 
tegoria de Casa da Supplicação, 

No dia 13 crea se a Casa da Pólvora e a fabrica de 
salitre no Engenho da Lagoa de Rodrigo de Freitas. 

No dia 13 crea-se a Imprensa Regia no Rio de Ja- 
neiro, sendo ella estabelecida na casa térrea da rua 
dos Barbonos que faz esquina para a das Marrecas, 
em frente a casa de morada do colide de Anadia. Esta 
casa h<)je é uma taverna. 

No dia 13 é reformada a oi-dem da Torre e Espada, 
para remunerar as pessoas que acompanhara rn a real 
família. 

No dia 17 creouse no Rio de Janeiro o primeiro 
corpo dfc artilharia a cavailo, ooni duas companhias. 



DO BRAZIL 129 

LXII. A villa de Macacú foi em outro tempo intitu- 
l.i la de Santo António de Cassarabú, e está situada 
qi ;u' a quatro léguas da embocadura do rio Miicacú. 
Eia 708 a sua igreja era capella cnrada e filial a 
Sí.utí António de Cassarabú; e no anno de 1716, já 
es:aEÍo erecta em freguezia, sendo bispo D. Frei Fran- 
cínco de S. Jeronymo, foi seu primeiro vigário o padre 
Luiz Ferreira. Tem a matriz quatro irmandades, sendo 
a pri neira da Santissima Trindade, creada no anno de 
1724, com compromisso approvado por El-rei ; a se- 
guuu L irmandade é a da, Boa Morte, erecta em 1716, 
e é ( os homens pardos, em tempo do bispo S. Jero- 
nymc, e o seu compromisso não foi approvado ; 3.*, a 
Irma idade de Xossa Senhora do Rosário e S. Bene- 
di -to. erecta em 1677 por provisão do administrador 
do b.spado e vigário geral padre Francisco da Silva 
Dias. tem compromisso confirmado por El rei ; 4.*, 
irmai dade de S. Miguel e Almas, erecta em 1756 por 
prjviião do bispo D. Frei Antuuio do Desterro, e tem 
CO np 'omisso confirmado por El rei. (Extrahido do Livro 
do Tombo que me proporcionou o vigário Emygdio.) 

jío dia 6 de Dezembro de 1800 uma furiosa tempes- 
tade de noroeste damnificoa a igreja matriz. 

LXLII. Xo dia 8 de Maio de 1808, nasce no Rio 
Gim e do Sal Luiz Manoel Ozorio, que depois foi 
ba:'ão, conde e marquez de Herval. 

LX.7V. No dia lo de J;i iho de 1808, a igreja do 
couve ito dos religiosos carmelitas do R,io de Jaaeiro 
é elevada a priínasia de capella real. 

LX I. No dia 22 de Jaaho de 1808, é creado o 
coLse'ho da fazenda dos cous-ilheiros de capa e es, 
pa-la, extincto em Maio de 1§32, peia carta de lei de 
4 de StíteínV)ro ^ %^X' 

CBKQjriQi. QXJUX tOQ; £VU 1-7-9 



lâO CIIEOOTCA GERAL 

LXVI. No dia S8 de Junlio de 1808, crea-se no Eio 
de Janeiro o erário régio e o conselho da fazenda. 

LXVII. O brigadeiro António José de Souza Portugal, 
que foi commandante do 1.° regimento de linlia da 
Bailia, fallece na quarta -feira 13 de Julho de 1808, e 
é sepultado na igreja da Pidade daquella cidade, 

LXYIII. Por alvará de 23 de Agosto de 1808, o 
príncipe regente crea no Rio de Janeiro a real junta 
do commercio, agricultura, fabricas e navegação, para 
regularisar e favorecer a marcha do commercio e da 
industria nacional. 

LXIX. Pelo alvará de 23 de Agosto de 1808, com 
força de lei, é erigida em vilia a |)ovoação de Porto 
Alegre, hoje capital da província do Rio Grande 
do Sul. 

LXX. Por decreto do 1." de Setembro de 1808, or- 
dena o príncipe regente que em todas as capitanias 
do Brazil corram as moedas de ouro, X3rata e cobre, sem 
que ninguém duvide da sua legalidade, e ao mesmo 
tempo j)rohibe que se receba o ouro em pó como 
moeda corrente. 

LXXI. O príncipe regente, desejando ser agradável a 
sir Sidney Smith, contra-almirante e commandante da 
esquadra ingleza surta no porto do Rio de Janeiro, 
por decreto de 17 de Setembro de 1808, lhe fez pre- 
sente das terras situadas junto a Armação de S. Do- 
mingos, que estavam arrendadas a Manoel Martins 
Ferreira, a Agostinho Vicente e a Joaquim Pereira, 
e das quaes era então possuidor Jacintho de Mello 
Menezes Palliares, e igualmente uma chácara que foi 
de João de Deus, com casa de vivenda, seis escravos 
e uma canoa do serviço da mesma chácara, que parte 
com as sobreditas terras, na forma que consta dos 
titulos apresentados pelo referido ultimo proprietarioj 



DO EEAZIL 131 

para que gozem elle e seus successores, e possuam como 
suas, que ficaram sendo, sem pensão ou outro qualquer 
ónus, e com facilidade de d;spôr delias .livremente 
como lhe parecer. 

LXXII. Por carta regia do dia 12 de Outubro de 
1808, foi creado o Banco do Brazil. 

LXXIII. O conselheiro José Pedro, chanceller da re- 
lação e desembargador do paço, morre no Rio de Ja- 
neiro no dia 22 de Outubro de 1808. 

LXXIV. No dia 5 de ISTovembro do 1808, crea-se o 
hospital militar e real na curte do Rio de Janeiro. 

LXXY. Ko dia 3 de Dezembro de 1808 o tenente co- 
ronel de artilharia Manuel Marques d' Elvas Portugal, 
á frente de seiscentos homens, segue da cidade de Belém 
do Pará para tomar Cayenna. Ao corpo que comman- 
dava se deu o nome de voluntários Paraenses, o qual 
dobrando o cabo de Orange, no dia 6 entra na Bahia 
do Oyapock. 

Manuel Marques d' Elvas Portugal, já sendo tenente 
general, íalleceu no Rio de Janeiro no dia 21 de Abril 
de 1882. 

Era natural da villa de Penamacor, em Portugal, e 
nascido no dia 2 de Fevereiro de 1762. (Vide o meu 
Brazil reino e Brazil Império. ) 

LXXYI. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 5 ; 
cyclo solar, 26; epacta, 14 ; letra dominical, A. 

LXXVII. Martyrologio. Dia 1." de Janeiro, domingo ; 
paschoa a 2 de Abril ; indicação romana, 12 ; periodo 
Juliano, G,522. 

LXXVIII. K"o dia, quinta- feira, 12 de Janeiro de 1809 
o general francez capitula, e Manoel Marques apode- 
ra-se de Cayenna, em nome do príncipe regente de 
Portugal, no dia 14 sendo arreado o pavilhão francez 



132 CHRONICA GERAL 

das fortiíicaçõe-i e içado o portuguez tomou o te- 
nente coronel Xvíanoel Marques posse da cidade de 
Cayenna, e da coLjiia fianceza. 

LXXIX, O conde da Pont^, João de Saldanha da 
Gama Mello Tor 'es Guedes de Brito, governador e capitão 
general da capirania da BaMa, e que teve a honra de 
hospedar o principe regente de Portugal, a rainha a 
Senhora D. Ma ím I c faniilia reid, quando chegaram 
no dia 21 de J nieiro de 1808. fallecen na cidade do 
Salvador da Bíihia de Todos (!S Santos, na quarta-feira 
24 de Maio de 1808, e foi sepultado no dia quinta-feira 
seguinte no convento dos Barbadinhos de Nossa Se- 
nhora da Piedade. 

No dia 2 de Junho deste mesmo anno morre no Rio de 
Janeiro João António da Silveira, pai do illustre orador 
sngrado e phih-sopho padre Manuel Frei Francisco 
do Monte Alve.*ne. 

LXXX. Por alvará de 11 de Julho de 1809, foi 
creada em Saní i C^tharina a parochia de Nos^a Se- 
nhora da L;ipa do Ribeirão, sendo governador da ca- 
pitania D. Luiz Maurício da Silveira. 

LXXXI. E no dia 21 dome^nii; mez e anno, fallece 
no Rio de Jan àro, João José Kunes, governador do 
Forte do Castello, 

LXXXII. No dia 22 de O^itubro do mesmo anno, 
morre nesta côrt»' José Joaqulin de Souza Lobato, guarda 
jóias de sua ai reza o principe regente. 

LXXXIII. N( dia 28 de Outubro do mesmo anno, 
morre monsenhf.r Bernardo da Silva Soares. 

LXXX IV. N(. dia 29 de D<^zembro de 1809, morre 
o conde de An idia (Juão Rodrigues de Sá). 

LXXXV. Em Pernambuco T)e]a uma hora da noite 
de um dos diua do auuo de li^, houve uu seiíòivel 



DO BRAZIL 133 

tremor de terra e contavam os antigos ter havido outro 
idêntico setenta nnno-i :\itos. 

LXXXYI. No dia 14 de Dezembro <le 1809, falleceu 
o tenente geral dos txeroitos reaes António João Hen- 
rique na idade sessenta e oito annos. 

LXXXYII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 6 ; 
cyclo solar, 27 ; epacta, 25 ; letra dominical, Gr. 

LXXXYIIL Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, se- 
gunda-feira ; domingo de j)asclioa a 22 de Abril ; indi- 
cação romana, 13 ; periodo Juliano, 6,523. 

LXXXIX. D. Joãí; YI, como queria firmar o seu 
tLrono no llio de Janeiro, mandou vir de Lisboa a 
livraria e manuscriptos da casa do Infantado, para 
servir de base á Bibliocheca Publica do Rio de Ja- 
neiro, vindo obras raríssimas e de mui co valor e entre 
ellas a segunda Biblia iiupi-essa por Fus-e, companheiro . - 
de \Yu tenbe]-g, que seguado consta fo. comprada por 
qujitrocentos jnil cruZíid£>Sí_ ^^Y"^^/ 

Esta bibliotheca fo' augmentada cora a livraria do 
cavalleiro Araújo, depois conde da Barca. Mandou 
vir vários quadros de muito preço, dos quaes alguns 
estão no musêo do Rio de Janeiro. Igualmente deu 
ordem para virem os grandes coches, í» itos na Europa 
para o casamento de Ei-rei D. João Y com D Ma- 
rianna d'Aastiia. Estes coches não jjuderam servir no 
Rio de Janeiro pela estreiteza das ruiis desta cidade. 
Por muitos annos licc.rauí depositados no Arsenal onde 
se estragaram alguns, e outros voltaram para Lisboa. 

XC. D. Maria Thereza, priaceza da Beira, era linda, 
muito elegante, e com u;n ar soberano, parecendo 
a primeira vista sobeiba. Seus olhos, quando firmava 
em algum objecto eram encantadoro-s, e tinha muito 
espirito e habilidade para tudo, era perfeita em obras 
de agulha, f aliava bem o francez e o hespanhol e sus- 



134 CHKONICÀ ailílAL 

tentava bem uma conversação. O . pai que muito a 
amava, conversava com ella as cousas mais reservadas, 
até negócios de estado, e muitas vezes a fazia sua se- 
cretaria por ser preguiçoso em escrever. A's pessoas de 
quem era affeiçoada se mostrava muito amável, e mesmo 
buscava adivinhar os jjensamentos para obsequiar. Era 
muito somitica e ambiciosa, mas não lallava mal de 
ninguém ; não era esmoler. 

Chegou ao Rio de Janeiro com quinze annos, e já 
era uma belleza. O seu casamento estava tratado com 
seu tio Fernando VII, e depois que aqui chegou na- 
morou- se do luimo, o Infante D. Pedro Carlos, que 
tinha vinte e três annos de idade, e se quizeram tanto 
que D. João VI, como era muito amigo do sobrinho 
e da lilha, não se mostrava zangado pelo namoro de 
ambos. A mãi desesperava porque não queria o ca- 
samento, e dizia que a filha não tinha pressa, e 
esperava pela restauração da Hespanha, porque o do- 
mínio de Bonaparte não duraria muito ; e que sua filha 
podendo ser rainha da Ilesi^anha, não era para se 
casar com um Infante ; mas nada foi capaz de destruir 
a j)íiixi"ío <-la filha pelo primo. O pai, vendo que ambos 
se amavam muito, concordou no casamento, no dia 13 
de Maio de 1810, dia de seus annos. tendo a princeza 
dezesete annos, e o Infante vinte e cinco por completar, 
no dia 26 de Julho. 

Foi este o i^rimeiro casamento que se fez no Rio de 
Janeiro com todo o ceremonial, concorrendo tudo o que 
havia de esplendor, durando as festas um mez e sete dias 
com luminárias, havendo outeiros, cavalhadas, carros 
triumphaes ; cada oííicio mecânico apromtou um carro ; 
os ciganos ricamente vestidos dançavam fandangos de 
que D. João VI e D. Carlota gostaram. O primeiro 
carro tinha a figura da America, sendo x^uchado por 
índios, que nesse tempo havia muitos no Rio de 



DO BRAZIL 135 

Janeiío. Xo ultimo dia da illiiminação houve um curro, 
sendo 1 primeira argola offerecida a D. João VI, a 
seguiidaaos noivos, e a terceira foi o:Sei'ecida á vontade de 
quem a úrava, os quaes sempre oífereciam as pessoas 
da família real. A princeza desde o seu casamento 
sempre acouT:>anliava o pai, de quem só se separou 
quando foi para a Ilespanlia. Em 4 de Novembro 
de ISll nascHi-llie o íillio, e foi baptisado no dia 17 de 
Dezembro do nesmo anno, natalício da rainha D. Maria I, 
sendo padrinhos D. João YI e a Rainha T). Car- 
lota, pondo-se ♦ nome de Sebastião em obsequio ao 
Rio de Janeiro, -.endo Sebastião Maria Carlos João. Seu 
avô por um decoto o fez reconhecer Infante portuguez 
e como tal foi aptjsentado á corte pelo duque de Ca- 
daval, chefe da nobeza portugueza, descendente da casa 
de Bragança, que 11^ deu um beijo na face quando 
lhe apresentaram o i^cem-nascido. 

D. João Yí, disse, om um ar muito formalisado : — 
Duque, heije-llie a mã. que é um Infante xjortuguez^ 
como o pai o é. O dnoie assim o fez como toda a 
corte. As mesmas honra, dadas por sua avó ao pai, 
foram dadas ao íiiho. 

O príncipe D. Pedro Car.^s falleceu, como já disse, 
no dia 26 de Maio de 1812, no paço de S. Christovão, 
sendo seu cadáver depositado na igreja do convento de 
Santo António. Elle obedecia xo tio, como se fora seu 
pai, bem como a avó. O pincipe era perfeito em 
obras de marcenaria. Durante -, enfermidade a prin- 
ceza não se afastou delle um sC instante. O seu sen- 
timento pela morte do marido fo extraordinário, pas- 
sando-se x)ara a sua quinta de MaCí^o. 

D. Maria Thereza soffreu muito 'o irmão D. Pedro 
de Alcântara que lhe fazia as maiore^desfeitas, e soffria 
ainda mais por causa do filho D. ^.bastião a quem 



■J36 CHRONICA <*ERAL 

D. Pedro maltratava e llie puxava as orelhas, obri- 
gando a criança a não andnr i^elos corredores coii rae lo 
delle. D. Miguel lhe era indifíerente, e os tio^ mo la- 
ziam caso delle; no entanto o avô o estimava n.uii o. 
D. Sebastião tinha grande fortuna na Hespaiha, henio 
os rendimentos de sua casa para mais de quirhentos mil 
cruzados. Elle muito se alegrava em ser brazile"ro, e 
quando a princeza D. Januaria chegou a Nápoles, 'lizem 
que olle lhe dissera : Minha prima ãevmos ser '.nuHo 
amigos não sò pelos laços de parentesa que nos iigcm 
como por sermos amhos hrazileiros, haptisadci na 
mesma pia e pelo wxsmo oispo. B asshi foi, tomaadt-o 
a princeza por padrinho de seu iilho ^ quem poz o acme 
de Sebastião. 

D. Maria Thereza em 1817 foi pedida em casai fien to 
pelo gião duque da Toscana, Fenando, irmão d ^ i n- 
perador da Áustria, D. João VI não approvou p.rque 
o pretendente tinha filhos do primeiro matrimoi io, e 
não queria que os de sua filiy fossem filhos seg .ncos 
e que tendo ella de ir paraa Europa poderia fazer 
vantajoso casamento. Qae iA\ estava trabalhando p^ra 
por a coroa de Montevideo ^^a cabeça de sea m to, e 
para isso tinha mandado vr tropas para fazer a ^ iierra 
no caso de resistência, e elá devia acompanhar o tíl-io 
durante a minoridade. A princeza conformou-se para 
fazer a vontade a seu ]^i- 

XCI. O governo ino-lej aproveitando as clrcumst;r.ic''as 
do tempo, julgou tirar partido em seu proveito (onse- 
guindo do' príncipe r^ente, em 19 de Fevereiro de 18:0, 
o tratado de comnírcio e navegação entre a : ag a- 
terra e Portugal. 

XCII. Na Bahi <^s negros africanos, no dia 19 c t^ Fe- 
vereiro de 1810 e insurgem de novo ; e em Sete mbro 



ro imAziL 137 

O governndor recebe "»rflens reservadas do ministério do 
Kio de Jiineiro para punil-os. 

XCKI. No dia 13 de Maio do 1810, dia annivoT-sario na- 
talício do principe r^^i^^ente o Sr. D. João YT, ca.'-on-se, 
na capella real, o Infíiate da Hespanlia D. Fedro Carlos, 
sobrinho do principe ^'egente, com a princeza da Beira, 
D. Maria Thereza, filha do Sr. D. .T(>ão VI, sendo of- 
ficiante o bispo D. José Caetano da Silva Coadnho. 

XCIY. No dia 27 de Maio de 1810, mo^Te no Rio 
de Janeiro, Manoel da Canha Sonto Maior, visconde 
de Cesimbra e almirante da armada real. 

XCY. No dia 31 do mesmo mez e mesmo nnno morre 
Francisco António da Yeiga Cabrrl da Campra, vis- 
conde de Mirandella iiiarechal de exercito, cocsídheiro 
do supremo conselho militar e de justiça, e gover- 
nador das armas da corte e provincia do Ri 3 de Ja- 
neiro, nascido em 1' 34, e irmão do tenente general Se- 
bastião Xavier da Veiga Cabral e Camará, que foi 
governador do Rio Grande do Sul, 

XCYI. Por carta regia, do 1.° de Abril de 1809, 
funda se no dia 17 de Junho de 1810, a primeira:, missão 
nos campos de Quarapuava, debaixo do nomo de po- 
voação da Atalaia. 

XCYII. O conde dos Arcos, D. Marcos de Noronha 
e Brito, sétimo vice-rei do Rio de Janeiro, sendo no- 
meado governador e capitão general da Bahir, chega 
a aquella cidade no dia 29 de Setembro de 1810, e 
desembarca a tarde, e no dia seguinte, domingo 30, 
toma posse do govei ao e dá l-^go c>rdem para nu e hou- 
vessem seis dias de illumínações ; e no dia 3 de Ou- 
tubro annue ao pedido do povo concedendo licença 
para folguedos de m-i soaras. 

XCYIII. A Rainhr. D. Maria I, destinava o neto 



138 CimOXlCA CEEÀL 

B. Pedro Carlos, para marido da neta D. Maria Tlie- 
reza, e o príncipe regente, antes de eiíectnar o casa- 
mento, nomeou, no dia 13 de Maio de 1808, o In- 
fante de Hespanlia, D. Pedro Carlos, almirante general 
da marinha real portngueza, com todos as attribuicões 
e independência, junto a sua real x)essoa, sem inter- 
posição, alguma de outra autoridade, que a sua real. 

Esta nomeação i^oz em embaraços o cond.e de Anadia (1), 
ministro da marinha ; e os coníiictos foram tão sérios 
que o ministro cliegou á pedir a sua demissão do cargo 
que exercia. No entanto como o rei amava extremo- 
samente o sobrinho, se j^ronunciava sempre em favor 
do que íazia, j^ara manifestar-lhe a sua dedicação ; e 
para dar ao i^ublico o gráo de estima e o preço em 
que o tinha casou-o com sua filha dilecta D. Maria 
Thereza no dia 13 de Maio (domingo) de 1810, as 
cinco horas da tarde na capeila real, em x^resença da 
corte, fidalgos, e grandes do reino, sendo testemunhas 
conforme o Consilio Tridentino, o príncipe regente, e 
a princeza D. Carlota Joaquina. 

O regosijo, por este enlace, íoi immenso e as festas 
nniDciaes mui pomposas. Passados mezes depois do 
casamento nasceu no i)alacio dte S. Christovão do Bio 
de Janeiro, na segunda-feira 4 de ]N"ovembro de ISll, 
o Infante D. Sebastião que foi baptisado no dia 17 
de Dezembro do mesmo anno. 

1^0 anno seguinte adoecendo de bexigas, o Infante 
T). Pedro Carlos, succumbiu, á violência e todo i)odre, 
no dia 26 de Maio, sendo trasladado o seu cadáver no 
dia 29 as oito horas e quarenta e cinco minutos da 
noite, para a igreja do convento de Santo António 
no meio de alas de soldados, e acompanhado de toda 



(1) Vide o Tomo 5.° da minha Coro(irax>Ma Histórica a pags. 137 e 
soíTuintes. 



i 



r»0 BRAZIL 139 

a nobreza, onde cliír-gou as dez horas debaixo de 
coi^iosa chuva, qne inundando a ruas diínoultava o 
transito. Os pobres soldados, todos molhados e com 
agua pelos joelhos, praguejavam o defunto. (1) 

A casa real sentiu muito esta X)erda ; mas com o 
correr do tempo a viuva i3ara matar saudades ; passou-se 
para a fazenda do ?>Iacaco, hoje Yilla Izaabel onde achou 
consolação e conforto á íua viuvez. 

ínTo dia 25 de Março de 1817 foi encerrado o cadáver 
do Infante D. Pedro Carlos no tumulo de mármore que 
o rei mandou fnzer em Lisboa, onde se acha na igreja 
dos religiosos de Santo António do Rio de Janeiro. 

.XCIX. Frei Luiz do Carmo, frade turbulento, vindo 
preso da Ilha Grande, a ordem do governo, entrou para 
a cadeia do Alju.be no dia 10 de Wovembro de 1810, 
6 no dia 16 de Junho d.e 1811 seguia para o degredo 
na índia. 

C. O governo de Portugal e o rei de Argel con- 
cluem nma convenção estipulando nma trégua de dous 
ânuos e o resgate de seiscentos e quinze portuguezes, 
que ha muito gemiam no cativeiro ; e como a somma 
exigida era avultada e difficilliuia para o reino, e urgindo 
satisfazer o compromisso, o princir)e regente, exigiu que 
com o titulo de stdjscrijjçdo xoluntaria^ todas as capi- 
tanias do Brazil, concorressem x^ara tão caritativo fim. 

Cl. Em consequência de continuados conHicfcos de ju- 
risdicção entre o governador do Maranhão, que se arro- 
gava com maior autoridade, e o governador do Piauhy, 
que se não queria sujeitar a tal arbitrio, e ultimamente 
pelo coníiicto entre 1). Tliomaz de Menezes, governador 
do Maranhão, e Carlos César Burlamaque, governador 
do Piauhy, j^or aquelie suspenso, preso e sequestrado 

(1) Vide a Gazeia do Rio de Janeiro de 1813. 



140 CHKOXICA GERAL 

nos bens, o que El-rei reprovou, reintegrando a Burla- 
maque, por carta regia de 3 de Março de 1811 foi o dito 
D. Thomaz suspenso do lugar no dia 24 de IsTovembro 
de 1810, e chamado á corte, licando separado o governo 
do Piauliy do do Maranhão. 

CII. Por decreto de 4 de Dezembro de 1810, mandou 
o príncipe regente crear no Rio de Janeiro á Academia 
Militar. 

cm. Conipu:o ecclesiasti /o. Áureo numero, 7 ; cyclo 
solar, 28 ; epacta, 6 ; letra dominica], F. 

CIV. Martyrologio. Diti. 1." dt- Janeiro, terça-feira ; pas- 
ch( a a 14 de Abril ; indicação romana, 14; período Ju- 
liano, 6,524. 

CV. Em 1811 íoi visto no céo, um bonito cometa, e 
no dia 7 de Janeiro desabou sobre a cidade do Rio de 
Janeiro chuvas torrenciaes que duraram até o dia 11. 
As aguas ci-esceram tanto que as canoas andavam pelas 
ruas cora passageiros dentro. Por esta occasião desmo- 
ronaram as terras do morro do Castello ; e me referia 
o Dr. Manoel Joaquitu de Menezes, que as casas da rua 
da Ajudti íi(;ia-aín entulhadas de barro sahindo as aguas 
pelas janellas dos sobrados. O diluvio do Rio de Janeiro 
fi(;ou com o nome de Aguas do monte. 

CVI. Por decreto de 22 de J.ineiro de 1811, o príncipe 
regente, ordena quo o edifício la Sé Nova, que se con- 
strue no largo de S. Francisco de Pauh^, fique destinado 
para o estabelecimento do archivo das aulas da nova 
academia real militar, gabinetes de physica, chimica, 
mineralogia e historia natural. 

CVII. O tenente geneial João Baptista Vieira Godinho, 
que tinha sido do rf/j;iment<) de ai-fdharia da praça da 
Bahia, íallece na mesma cidade, ás 11 horas do dia 



1 



DO BRAZIL 141 

14 de Fevereiro de 1811, e foi sepultado na igreja 
matriz de S. Pedro Yellio. 

CVIII. No dia 21 de P»^ver.íiro do mesmo anno de 1811, 
por carta regia, foi eregidu e ii vjlla o arj-aial e fregutzia 
de S. Joà- > Marcos, separaudo-se da de Rezende de novo 
creada. 

CIX. Por decreto de 4 de Abril de 1811, é creada a 
repartiçfu' da vacoiíia na corre di» Rio de Janeiro. 

CX. A rainlia D. Mari i I era senhora muito virtuosa, 
e muito soberba, e só lesp-itava a seus pais. Depois 
que subiu ao throno de Pv)rtLigal, teve para com sua 
mãi, a rainha D. Mariaiiia, as maiores considerações, 
dando lhe sempre a direita em todos os actos piiblicos ; 
não querendo que ella deixasse o lugar que occupava 
no tempo de seu marido E;-rei D. José I. Qiiizquesua 
mãi continuasse a governar o paço, no qae diz respeito 
a familia mulheril, e criadagem pertencente as senhoras, 
e como s-nhora da casa puiido e dispondo de tudo como 
no tempo de seu marido. 

A morte da mãi lhe foi mui sensível, porque era 
uma senhora de muito jaizo, e que Ih.^ tinha dado e 
as irmãs excellente educaçt.;:). Ernquanto viveu D. Ma- 
rianna e D. Maria I est-íve em sea Juizo, o paço real, 
era o lugar mais respeitado, sendo a religião e a mo- 
ralidade juantidos, e gai-antidu^ convenientemente. Só 
depois que perdeu a razão foi que principiou a desmoL-a- 
lisação no paço, e que tantos escaadalos houveram. 

CXI. Tempos depois o príncipe regente, tendo conti-a- 
ctado o casamento dos filhos, D. Maria Isabel com o rei 
de Hespaaha, e D. Maria Francisca com o irmão do rei, 
foi participara mãi o conrra';to de casamento qae havia 
feiro, ao que ella lhe reipondeu : — Maria Isabel casa 
muito bem; mi,s Maria Francisca^ não. 

Sabendo a rainha que 1>. Curluta Joaquina queria ir 



142 CÍÍKONICA GEIÍAL 

para a ílespanlia com os filhos, e que levava comsigo 
as dnas íillias D. íviaria da Assumpção e D. Anua de 
Jesus Maria, i)orque D. Carlota foi quem lhe commu- 
nicou isto, ellíi lhe Tesi^onáeu. :—/a2 muUo bem; deve ir 
]para suaijcdria ; cá fica João com seus filJios. 

CXII. D. Maria todas as tardes sahia á passeio de car- 
ruagem, e para o que a carregavam em cadeira até ao 
degTtio da sege, indo ella com vestido de seda preta, chalé 
de lã ou de seda de côr honesta ou branco ; cabellcs soltos 
para as costas, cabeça descoberta, tapando o rosto com o 
leque, dizendo para Joanniuha, que ia a seu lado : — voio 
2Jara o inferno : estou no inferno ; e não quero que o 
diabo me taeja. 

Andava sempre em unia carruagem muito dourada, e 
com ricas pinturas sobre o dourado ; puxada por duas 
bestas, guiadas i3or um boleeiro, dous moços da estribeira, 
lacaios, e todos vestidos do mesmo modo, como os que 
andavam com o filho 

Levava mais dous cadetes batedores, um homem mon- 
tado na garui^a de nm burro, levando no arção da sella, 
um degráo que desdobrava, coberto com panno encar- 
nado. 

Era costume de ir um homem com o degráo para as 
senhoras entrarem nas carruagens ou montarem a cavallo, 
era j)ara todas as princezas ; nenhuma sahia de carrua- 
gem ou a cavallo, que não levasse o seu degráo. 

Seguia-se o homem que levava a frasqueira com agua ; 
depois o criado particular ; guarda de capitão, que 
acompanhava a carruagem. 

Seguia-se o camarista em uma sege de boiéa. Este ca- 
marista, foi nos primeiros annos, o velho marquez de 
Angeja, i^orcjue a rainha não queria outro camarista ; 
no seu impedimento, ella não quiz mais que a servisse, 



i 



DO BFwlZlL 143 

senão o vellio marquez de Bellas, que a acompanhou até 
o seu fallecimenío no dia 20 de Março de 1816. 

O passeio da rainha era do paço da cidade até á 
rua de S. Christovão defronte do aterrado ; ahi parava 
todo esse estado, e não se movia até a Ave J^Iaria. 
Toda a gente que passava na rna a ^dó viiiua curvando 
o joelho ; e se montada a cavailo ou de sege a|3eiava-se, 
menos as senhoras, que se limitavam em fazer os seus 
cumprimentos de cortezia e passavam. 

O mesmo que se dava no passeio da rua de S. Chris- 
tovão, dava-se para o lado de Botafogo, x^arando a 
comitiva ao desembocar na praia até Ave Maria, que 
era quando se recolhia. Si se encontrava com as pessoas 
de sua família, era costume pararem as carruagens uma 
perto da outra, para se fallarem na portinhola ; porém 
a rainha nada dizia. 

O príncipe regente, os filhos e sobrinha apeavam-se 
e iam fallar-lhe a portinhola, e ella estendia a mão 
para elles beijarem ; e ao filho dizia : — Voic xoara o 
inferno. 

CXIII. Por alvará de 27 de Julho são elevados a ca- 
tegoria de villas, na capitania de Pernambuco, os se- 
guintes povoados : 

Cabo de Santo Agostinho. 

Santo Antão. 

Páo d' Alho. 

Limoeiro. 

CXIV. Meia noite para uma hera da manhã do dia 
14 de Julho de 1811, morre na. enfermaria do convento 
de Santo António do Rio de Janeiro, o sábio illustre 
frei José Mariano da Conceição Yeiloso, natural de 
Minas Greraes, autor da Flora Fluminense e do Fazen- 
deiro do Brazil, e de outras obras preciosas. 

Foi sepultado na terceira carneira térrea da lado do 



144 CHRONICA GERAL 

poente e próxima a porta da sacristia. Seus ossos não 
foram exliumados, e íicartua coi« condidos, com os de 
outros religiosos qiie lá se se^Mil taram. 

Procurando ter i^articulares not.cias desse illustre e 
sábio naturalista, não as pude obter do meu amigo 
guardião do convento de Santo António, pois no con- 
vento não se fizeram outras meníorias mais que as que 
publiquei na minlia FTiytogramo. 

CXV. No dia 12 de Agosto de 1811, na cidade da 
B ihia apresentaram se pela primeiíavez a nova artilharia 
miliciana, e a co npnnhia dos nobres, creadas pelo conde 
dos Arcos com o titulo de — Regimento de Saa Alteza 
Real — ricamento fardados. 

CXVI. O príncipe regente, em presença das distancias 
das capitanias, resolveu em 10 de Setembro de 1811, 
crear em Goyaz, e em todos os capitães dos governos, 
e capitanias dos dominios ultramarinos de Portugal, uma 
junta i)ara resolver os negócios, que se expedirem pelo 
recurso á mesa do desembargo do i iço. 

CXYII. Pela carta regia de 10 de Outubro de 1811, 
determinou o príncipe regente, que .'• capitania do Piauhy 
fique sej-arada e indei:)endente da do Maranhão. 

CXVIII. Pelas oito horas da noite do dia 28 de Outubro 
de 1811, sentiu -se na cidade do Recife, em Pernambuco, 
um grande tremor subterrâneo, .*,comx3anliado de três 
grandes e prolongados estrondos. Causou muito susto a 
todos. 

CXIX. Luiz Telles da Silva, marquez de Alegrete, no- 
meado governador e capitão general para S. Paulo, toma 
posse do governo da capitania no dia 1.° de Novembro 
de 1811. 

CXX. O Infante D. Sebastião, filho do Infante da 
Etícipaiúia, tí da iníi^utay D. Hariu Tiitíi-Oiia e neto do 



DO BIAZIL 145 

príncipe regente, nasce no paç ) da Boa Vista, em S. Chrís- 
tovão no dia 4 de ííovembro (-e 1811. 

CXXI. Por provisão de li de Novembro de 1811, o 
príncipe regente faz doação das salinas de Cabo Frio 
as seguintes personagens : 

A D. Manoel João de Lotsio. 

Ao visc;>ndo da Villa ífoa da Rainba. 

A Joaquim José de Souza Lobato. 

A Luiz Ariionio de Faria (te Souza Lobato. 

CXXn. Por decreto de 2"^ de Dezembro de 1811, o 
príncipe regente nom^jia o caarechal de exercito con- 
seUieiru d^ guerra, e marque:, de Vagos, governador das 
armas da côi';e e capitania do Rio de Janeiro. 

C XXIII. X i noite do dia 31 de Dezembro de 1811, 
foi trasladíida com pomposa ]: cocissão a imagem de Santo 
António dos I*obres, que se achava na capella de Nossa 
Senhora da Lampadosa, paia a sua nova capella á rua 
de S. Lourení^o, depois rua los Inválidos, indo com ella 
também a imi.gem de S. Lou/enço. 

CXXIV. O.s que traficavam em escravos no Rio de Ja- 
neií-o de 1811 até 1850 para os vender a jjarticulares eram 
João Gomes Barroso, José Ignacio Vaz Vieira, João 
Gomes do Vai ie, Manoel Pi: .to da Fonseca, José Ber- 
nardino de S.^ e barão da Viiia Xova do Minho. 

X^a Bahia, Joaquim Pereira Marinho, hoje conde de 
Pereira Marinao, Quirino e André Pinto da Silveira. 

Este destemido commercio era favorecido pelas leis e 
muito appluudido pelo povo. 

CXXV. Computo ecclesia stico. Áureo numero, 8 ; 
cycio solar, 1 ; ejjacta, 17 ; letra dominical, DE ou ED. 

CXXVI. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, quarta-feira ; 
domingo de pa.^choa a 29 de ML.rço j indicação romana, 15 ; 
período Juhur.j, 6,525. 

CEKOKICA OEEAL 8EC . XTIU. — 10 



146 ClIROXICA GEKAL 

CXXVII. 1^0 dia 17 de Janeiro de 1812, por uma lei 
foram emancipados todos os escravos em Buenos Ayres. 

CXXVIII. Tendo sido nomeado Sebastião Francisco de 
Mello Povoas, iDara ir governar a capitania do Rio 
Grande do IsTorte, em substituição a José Francisco de 
Paula Cavalcante, alli chegando tomou posse do governo 
no dia 22 de Janeiro de 1812. 

CXXIX. Caliindo sobre a cidade da Bailia uma 
grande trovoada, na sexta-feira 24 de Janeiro de 1812 
na occasião de nm pomposo Te Deum Lauãamos, que 
se entoava, em acção de graças pela feliz chegada ao 
Brazil da familia real, um raio cahe na igreja do collegio 
dos extinctos jesuítas e faz grandes estragos, aterrori- 
sando a todos os que concorreram ao Te Deum. 

CXXX. Por alvará do dia 25 de Janeiro de 1812, o 
príncipe regente manda crear no Rio de Janeiro um 
laboratório ciiimico e pratico. 

CXXXI. O conde de Linliares D. Rodrigo de Souza 
Coutinlio, ministro de Estado, tendo levado duas ou 
três bastonadas, que Ilie deu o príncipe regente, por um 
acto de deslealdade, Grguindo para casa na rua do Sabão, 
que faz esquina com a rua do Is"uncio, caliiu na cama 
ardendo em íebre e df ra}'o de três dias deixou de existir, 
fallecendo no dia 26 de Janeiro de 1812. O conde de Li- 
nhares foi um benemérito do Brazil. 

CXXXII. ¥.0 dia 26 de Abril de 1812, morre no Rio 
de Janeiro o desembargador D. José Luiz de Vasco n- 
cellos e Sousn, primeiro marquez de Bellos, presidente 
da mesa do desembargo do paço e da consciência e ordem 
do Brazil. O marquez de Bellos nasceu em Lisboa, no 
dia 9 de Junho de 1740. 

CXXXIIL Por decreto de 13 de Maio de 1812, o prín- 
cipe regente crea a relação do Maranhão, sendo nomeado 



DO BKAZIL 147 

chanceller tlelln, o desembargador do i")aço António Ro- 
drigues Yelloso do Oliveira, com niais nove ministros 
togados. 

Ko mesmo dia 13 de Maio api^receu o alvará dando 
regimento á relação do Maranliào mandada crear pela 
resolução de 23 de Agosto de 1811, e coníirniada a reso- 
lução de 5 do mesmo mez de Maio de 1812. 

CXXiy. Xo dia 13 de Maio de 1812, anniversario 
natalício do príncipe regente, inaugura-se na Bailia o 
theatro de S. João, mandado construir j)or iniciativa do 
governador conde dos Arcos, no largo da Quitanda, ou 
Portas de S. Bento, com assistência do mesmo conde 
dos Arcos, que se mostrou muito satisfeito. 

CXXXY. Morre no Rio de Janeiro, coberto de be- 
xigas o Infante de Hespanha D. Pedro Carlos de Bour- 
bon, genro e sobrinho do príncipe regente. Esta morte 
foi para o Sr. D. João YI de dolorosíssimo sentimento. 

CXXXYI. O marquez de Pombal D. Henrique José de 
Carvalho e Mello, filho do grande marquez de Pombal, 
Sebastião José de Carvallio e Mello, morreu no Rio de 
Janeiro em 1812, saliindo o seu corpo da casa de sua 
residência na rua da Ajnd;!, onde hoje é theatro da 
Phenix. 

CXXXYII. Ko dia 26 de Maio de 1812, o governo de 
Buenos Ayres, assignou com João Rademarker a con- 
venção do armistício para susj^ensão das armas. O exer- 
cito x^ortuguez commandado pelo capitão general D. 
Diogo de Sousa, que occupava grande parte do terri- 
tório da bauda oriental, recolhe-se as fronteiras do sul. 

CXXXVIII. No dia sexta-f eira 12 de Junho de 1812, 
morre o tenente general Francisco da Cunha Menezes, 
governador e capitão general quQ tinha sido de S. Paulo 
e Bahia. 



148 CHKOXICA GEEAL 

Era irmão dos condes Lumiares, e havia nascido no dia 
10 de Abril de 1747. 

CXXXIX. ]S'este mesmo dia 12 de Junho o tenente 
coronel Ignacio Santos Abrea destroça completamente 
as forças do general Artigas junto ao arroio Laureies, 
compostas de Índios Charruas e Mimanos. 

CXL. No dia 8 de Agosto de 1812. morre no Rio 
de Janeiro o bemfeifcor sargento-mór Alexandre Dias de 
Resende. 

CXLI, Computo ecclesiastico. Áureo numero, 9 ; cyclo 
solar, 2 ; epacta, 28 ; letra dominical, C. 

CXLII. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, sexta-feira ; 
paschoa a 18 de Abril ; indicação romana, 1 ; periodo 
Juliano, 6,526. 

CXLIII. Em 1813, fora da barra da Bahia, deu-se um 
combate entre as esquadras ingleza e americana, indo a 
pique uma fragata. Um general inglez ferido de bala, 
recolheu-se á terra para tratar-se, e apesar dos muitos 
cuidados falleceu. Foi sepultado junto ao pau da bandeira 
da fortaleza de S. Pedro, conforme o costume dos pro- 
testantes. A respeito deste general inglez ha uma lenda 
de que íiz menção na historia das fortiíicações tratando 
da fortaleza de S. Pedro, da Bahia. 

CXLIV. No dia 3 de Março de 1813, morre no Rio 
de Janeiro o conde de Anadia, José Pereira de Sá, antes 
visconde de Alverca. 

CXLV. No dia 8 deste mesmo mez o conde dos Arcos, 
governador e capitão general da capitania da Bahia, 
passou a ter em seu palácio guarda commandada por 
capitão. 

CXLVI. No domingo 16 de Maio de 1813, pelas nove 
e meia horas da noite fallece de dyspepsia, na corte do 



Rio de Janeiro com qiiasi setenta e sete annos de idade 
a Infanta D. M irianna, irmã da rainha D. Maria I. 

Seu corpo foi depositado, pelas oito horas da noite do 
dia 19, no convento das religiosas de Santa Clara da 
Ajuda da cidade do Rio de Janeiro. 

CXLYII. No dia 23 de Julho de 1813 falleceu o tenente 
coronel Francisco António da Silva Bittencourt. 

CXLYIII. No dia 11 de Agosto morre o chefe de 
divisão Luiz da Cunha Moreira. 

CXLIX. No dia 24 do mesmo mez morre o coronel 
Joaquim Branca nt. 

CL. No dia 12 de Outubro de 1813, abriu-se pela pri- 
meira vez o real theatro de S. João, do Rio de Janeiro, 
que depois chan.ou-se de S. Pedro de Alcântara. 

CLI. Morre nc> dia 12 de Novembro de 1813, no Rio 
de Janeiro o mrirquez de Yagos, Nuno da Silva Tello de 
Menezes, tenente general, governador das armas da corte 
e província do Rio de Janeiro, sahindo o enterro da sua 
residência, na rua dos Barbonos, sobrado onde hoje 
é a casa dos expostos. 

O marquez de Vagos nasceu a 25 de Outubro de 1746. 

CLII. O princ^pe regente desejando saber a riqueza 
mineral de ferro que possuia a capitania de Minas Geraes, 
em 1813 encarregou ao engenheiro barão d'Echwege de 
as ir explorar, do que effectivamente deu luminosa infor- 
mação. 

CLIII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 10 ; cyclo 
solar, 3 ; epacta, 9 ; letra dominical, B. 

CLIV. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, sabbado ; 
paschoa a 10 de Abril ; indicação romana, 2 ; periodo 
Juliano, 6,527. 

CLV. Na terça-feira 3 de Janeiro de 1814, pela meia 



9 



150 CHKONICA GERAL 

noite fallece na Bailia o arcebispo e foi sepultado no 
convento tle S. Bento, por ser de sua ordem. 

CLVI. O famoso poeta lyrico e eloquente orador sa- 
grado, António Pereira de Souza Caldas, era n:itural do 
Rio de Janeiro e nasceu na rua dos Pescadores, lioje vis" 
conde de Inliauma, no dia 24 de Novembro de 1814, e 
falleceu no dia 3 de Março de 1862 , na rua do Sabão, 
no sobrado que faz esquiua, do lado direito, coma rua 
do líuncio. 

CLVII. No dia 24 de elullio de 1814, fallece no Rio 
de Janeiro o brigadeiro Gustavo José da Fonseca, filho 
legitimo de Manoel José da Fonseca. Assentou praça 
de voluntário no reginiento de artilharia da guavniç:io 
de Extremos em 9 de Janeiro de 1771, e foi elevado 
a brigadeiro em 8 de Março de 1808. 

Era casado com D. Ignacia Umbelina de Mello, 
irmã do tenente-coronel de brigada da marinha Fran- 
cisco Joaquim Lobão. 

CLVilT. Na segunda-ieira 19 de Novembro de 1814, 
chega a Eahia o arcebispo D. Frei Francisco. 

Falleceu na sexta -íeira 23 de Novembro, pelas sete 
horas da noite e foi sepultado na igreja da Sé. 

CLIX. O Br. Manoel Ignacio da Silva Alvarenga, 
nascido era S. João d'El-Rei, em Minas Geraes, em 
1735, (coronel de niilicias dos pardos do Rio das Mortes, 
falleceu no dia 1.° de Novembro de 1814. 

CLX. O conde e depois marquez de Palma, B. Fran- 
cisco de Assis Mascarenhas, nomeado governador e ca- 
pitão general da capitania de S. Paulo, tomou posse 
da administração no diii 8 de Bezembro de 1814, e 
governou a cai)itania q-saíro annos, quatro m?zes e deze- 
sete dias. 

CLXI. No dia 17 de Bezembro de 1814, lanca-se a 



r»0 RRAZIL 151 

primeira pedra para a edificação da i^raça do coin- 
mercio da Bahia. 

CLXII. Consolidando-se a paz da Europa neste anno 
de 1S14, parecia quo o priíicipe regente, cora a sna 
corte, regressaria á Lisboa, paiu restituir-llie a sede 
da antiga monarchia, já esperado, desde 1808, em que 
as armas lusitanas, haviam derrotado os invasores da 
península portugueza ; mas com pasmo de todos deu a 
Portugal delegados do seu ];)oder, e conservou no Rio 
de Janeiro, no Brazil, a ca^^ital do reino. 

CLXIII. Computo ecclesiastico. Anreo numero, 11 ; 
cyclo solar, 4 ; er)acta, 20 ; letra dominical, A. 

CLXIY. Martvrologio. Dia l.*^ de Janeiro, d.omingo ; 
paschoa a 28 de Março ; indicação romana, 3 ; periodo 
Juliano, 6,528. 

CLXY. Is o dia 5 de Fevereiro de 1815 morre o ca- 
pitão de fragata Jorge Thompson. 
Xo dia 24 fallece o ajudante general Ricardo. 

CLXVI. Frei Enzebio de S. Boaventura, degradado 
l')ara a índia, vindo de Lisboa, foi recolhido a cadeia 
do Aljube no dia 3 de Março de 1815, de onde em- 
barcou para o seu destino a 2d de Janeiro de 1816. 

CLXYIL O príncipe D. Pedro tinha uma pequena 
pensão, que lhe não chegava T)ara suas despezas par- 
ticulares, e por isso contiahiu dividas ; e para melliorar 
de circumstancias fez uma sociedade de compra e venda 
de gado vaccum e cavaUar, com Plácido António Pe- 
reira de Abreu. 

El-rei D. João YI, sabendo disto, disse que lhe que- 
braria os ossos com uma beng lUa se elie continuasse a 
ter negócios com Plácido. 

O príncipe negou ; e fazendo cessão vocal do que tinha 



152 CimOOTC \. GEEAL 

na sociedade em proveito de Plácido, e?!te aceitou a 
offerta. sendo esta a origei i cja sna fortiin-*.. 

Plácido António Perein de Abreu era o barbeiro do 
príncipe regente e varredc r do palácio ; pyla protecção, 
porém, que lhe dava D, Pe Iro, chegou a s-n' thesoureiro 
do bolsinho de sua magestade, e D. Pedro o condecorou 
com muitas ordens honoriíicas, e foi valido a tal ponto 
de ser o espião dos actos da imperatriz, por ordem do 
imperador, e governar as d^ spezas do bolsinho da mesma 
senhora. 

O príncipe D. Pedro, ainda depois de casado, só tinha 
um conto de réis mensal ,3ara as suas despezas, e por 
isso via- se na necessidade de pedir dinheiro emprestado 
a Manoel José Sarmento, que tinha sido official da se- 
cretaria ; mas homem de lortuna e de quem D. Pedro 
era muito amigo. 

O imperador D. Pedro go-^ lava de uma firaa do marquez 
de Inhambupe, e Plácido cambem gostava muito delia, 
e a pretendia, e sendo el;? o medianeiro- d('S affectos, 
em lugar de advogar em 'avor de seu amo, trabalhava 
em seu proveito, e taes cousas teceu qne logrando o 
imperador casou-se com el 'a apesar de ser velho, muito 
feio e grosseiro no trato. 

CLXVIII. No dia 6 de Jr nho de 1815, morre António 
José Pinto da Costa e Soiza, governador da fortaleza 
de Villegaignon. 

CLXIX. Por alvará de 10 de Agosto de 1815 manda 
o príncipe regente revogar a carta regia cie 30 de Junho 
de 1766, restituindo aos ourives de prata e ouro o di- 
reito de trabalharem nestes metaes, e de ncgocinrem nas 
obras que fizerem como m .JLor lhes convi( v. 

CLXX. No dia 5 de Oi tubro de 1815, uma grande 
desgraça aconteceu na cidaci ^ do Recife, em Pernambuco. 
A grande ponte da cidade, guarnecida de um e outro 



DO BKAZIL 153 

lado de anna2ens de mercadorias desaba e com este 
desastre morrem algumas pessoas, h ca asa notáveis pre- 
juizos. 

CLXXI. O cliefe de divisão Daniel Thompson morre 
no dia 25 de Outubro de 1815. 

CLXXII. O aiigmento da população do Penedo, e a 
necessidade da boa administração da justiça, lembrou 
a corte do Rio de Janeiro crear o lugar de juiz de fora 
para o termo do Penedo, por alvará de 15 de Dezembro 
de 1815, sendo nomeado para este cargo o bacharel Lniz 
António Barbosa de Almeida, que tomou posse do em- 
prego no dia 24 de Julho de 1818. O segundo juiz de 
fora foi o bacharel Caetano Maria Lopes Gama, que 
falleceu senador do ImjDerio e visconde de Maranguape, 
no dia 21 de Junho de 1864, no Rio de Janeiro ; o ter- 
ceiro foi o bacharel Gustavo Adolpho de Aguilar Panteja, 
que tomou posse no dia 7 de Setembro de 1823 e falleceu 
no Rio de Janeiro no dia 8 de Março de 1867 ; o quarto 
foi o bacharel António Ignacio de Azevedo, que tomou 
posse no dia 19 de Outubro de 1825, e falleceu no 
Rio de Janeiro em idade de setenta e cinco annos, em 
8 de Julho de 1873 ; o quinto o bacharel Francisco José 
Coelho Netto, que tomou posse no dia 18 de Abril 
de 1827, e falleceu desembargador apose^ntado na Bahia ; 
o sexto e ultimo foi o bacharel Firndno António de 
Souza, que tomou posse no dia 14 de Maio de 1830. 
Este lugar foi extincto com o apparecimento do código 
do processo em 1832. 

CLXXIII. Pela carta regia de 16 de Dezembro de 1815, 
o principado do Br izil é elevado á categoria de Reino 
Unido. 

CLXXiy . Computo ecclesiastico. Áureo numero, 12 ; 
cyclo solar, 5 ; epacta, 1 ; letra dominical, Q. F. 



154 CUROXICA GERAL 

CLXXY. Martyrologio. Bia 1.° de Janeiro, segunda- 
feira ; pasclioa a 14 de Abril ; indicação romana, 4 ; 
período Juliano, 6,529. 

CLXXYI. Pelo alvará de 21 do Fevereiro de 1816, o prín- 
cipe regente extingue í;s urdeiu^iças cread::S pelos alvarás 
de 18 de Outubro de 1709 e de 24 cie Fevereiro de 1764, 
e as snbr5fitne por outros, conforme o novo regu- 
lamento desta mesma data que marcou ; um coronel em 
cada distiicto : — um capitão-mór e um sargento-mór em 
cada capitania-mór, propostos pelo senado e camará 
dos lugares. Um districto comprehendia oito capitanias- 
móres, e cada uma destas oito companliias. 

CLXXVII. El-rei D. João YI, depois do fallecimento 
da mãi, inudou em algumas cousas seus hábitos. Em 
S. Cliristovão acordava as seis lioras e ia resar o oíficio 
divino, com o visconde de Magé ; depois voltava i")ara o 
seu quarto onde almoçava os seus três frangos : fallava 
aos íillios que llie iam tomar a benção, e conversava 
algum.a cousa com elles sobre objectos geraes, e depois 
saldam cada um de i)er si. 

As nove horas da manliã recebia o intendente geral de 
policia, Paulo Fernandes Yianna, desembargador do i)aço 
e natural do Rio de Janeiro ; e com elle se intretínlia 
muito tempo a conversar sobre objectos de x')olicia. Este 
lugar era antigamente de alta importância, e tinha um 
poder immenso. O intendente geral de policia era uma 
autoridade terrível, e muito mais tendo o valimento do 
rei, como acontecia com Paulo Fernandes Yinnna, de 
quem o rei era m.uito amigo, e em quem tinha a mais 
decidida confiança. Era o rei tão amigo de Paulo Fer- 
nandes Yiannn, que apesar da coacção em. que estava, 
por occasião de se proclamar em Fevereiro de 1821 a 
Constituição, não quiz assignar o decrelo de sua prisão, 
quando outros o foram. 



DO BUA^IL ■l-'>''5 

Acabada a conferencia com Paulo l^^^ernandes Tinnna 
que era três re^zes em cada saraana, se retirava para o 
seu quarto onde levava a rever 03 reqaerim(»ntos e papeis 
de importância. Depois iam os iilhos. filhas e o neto 
D. Sebastião, que cora e1le moravam, acompnnhal-o para 
a sala de jantar. As filhas e a nora J). Leopoldina se re- 
tiravam e iam cada uma para o seu qnarto tendo ellas 
lauto jantar, que sobrava em abundância para as assa- 
fatas que estavam ao serviço delias. 

Acabado o jantar, que era de três frangos, qne os dila- 
cerava com as mãos, D. Migael jpegava no jarro, D. Pe- 
dro na bacia o D. Sebastião na toalha, e todos serviam 
ao pai e avô na lavagem das mãos. 

Ao jantar assistiam todos os camaristas, guarda roiiT)a, 
viadores, ofíiciaes mores da casa real, o medico de se- 
mana, o phvsico m(5r e os outros que se achavam no 
payo a essa hora, ou que iam de propósito para assistir 
ao jantar do rei. Acabado o jantar, dav^a graças a Deus 
em pé, assim como os filhos» ; e ia para o oratório resar 
o oíncio divino com o visconde de Magé, ou seu irmão 
Bernardo Lobato. 

Acabado o officlo divino ia deitar-se um pouco ; as 
cinco horas ia dar o seu passeio de carro descoberto v\i- 
chado por quatro bestas, um sota ou beieeiro velho de 
botas grandes, niza e chapéo armado. Levava comsigo 
o neto D. Sebastião, sua guarda de capitão, e todos os 
mais montados a cavallo a roda do carro, menos o vis- 
conde de Mago, que não montava a cavallo. 

A Ave Maria voltava d.o passeio, que não passava da 
Ponta do Caju, ou ia pela rua de S. Christovão, e voltava 
por Maracanan. Ao chegar ao pateo de S. Christovão o 
encontrava entulhado de gente, que o esperava para lhe 
beijar a mão, custando a subir a escada, e atravessava 
até a sala, onde o esperavam os filhos, que o seguiam 
até o quarto, onde lhe tomavam a benção, e despiam no : 



] 56 CHROTsICA GERAL 

e elle ia merendar seus três frangos. Acabada a me- 
renda partia para a sala do throno, á dar audiência, e 
ahi se repetia o mesmo que fazia no paço da cidade ; 
recebia os requerimentos, e os dava ao conde de Paraty, 
que os punha em um sacco. No outro dia, os lia e os 
remettia aos diversos ministérios, durando a audiência 
como já contei até as dez ou onze horas da noite. 

Acabada esta, elle dava outra particular, em outra 
sala, sendo em um dia ao regedor das justiças José de 
Oliveira Pinto Botelho Musqueira, natural de Minas 
Geraes, o qual ia participar tudo o que tinha havido 
naquella semana na relação. Em outro dia ia o chan- 
celler-mór do reino Thomaz António de Yilla Nova Por- 
tugal, que depois foi ministro de Estado, passando a 
cljancellaria para monsenhor Miranda que também lhe 
ia dar parte do que havia. O thesoureiro-mór do erário, 
Francisco Maria Targini, que depois foi conde de S. Lou- 
renço, ia no outro dia : o escrivão do erário Manoel Ja- 
cintho Nogueira da Gama, que depois foi marquez de 
Baependy, ia no dia immediato. 

Estes dons indivíduos eram inimigos capitães, apesar 
de servirem na mesma repartição. O rei ouvia a todos, 
e com benignidade at tendia a todos, mas não dava im- 
portância ao que Targini, e Manoel Jacintho diziam um 
do outro. 

A Targini fez barão e visconde de S. Lourenço ; e a 
Manoel Jacintho deu-lhe alguns despachos, e o tratava 
com muita attenção. 

Por este modo o rei estava sempre em dia de tudo o 
que se passava nas repartições publicas. 

Nos outros dias da semana recebia as oito horas da 
manhã o general das armas, que ia receber o santo do 
dia, da mão do prc)prio rei ; e como elle não podia con- 
versar com o general das armas, nos dias ein que lhe 
apparecia o intendente geral de policia, se reservava para 



DO BKAZIL 157 

outras occasiões fallar-llie sobre o que pertencia a sua 
repartição. 

Depois disto o rei ia para o despacho, que principiava 
as dez liovas, e não dava audiência. Quando não podia 
mandava dizer que estava incommodado e ficava o des- 
pacho transferido para o outro dia. 

CLXXVIII. Era com as audiências particulares entre 
o rei e os chefes das repartições do Estado, que o rei 
estava sempre ao facto de tudo o que se passava nas 
repartições ; e as vezes elle picava o amor próprio do 
individuo chamando a outro empregado para ouvir tudo e 
saber das menores circumstancias dos negócios das repar- 
tições. Com esta politica palaciana, ninguém o illudia. 

CLXXIX. A's audiências do rei concorria a maior 
parte das pessoas não só pretendentes, cortezãos, empre- 
gados públicos, mas até a maior parte do corpo do com- 
mercio. 

Era moda ir as audiências do rei, bem como dos mi- 
nistros de Estado pela dependência dos escrivães dos 
negócios. A porta dos ministros estava sempre entulhada 
de carros, de cavallos e de muita gente a pé. 

De tarde todos voltavam para S. Christovão, e todos 
queriam ir ao beija mão, e ao mesmo tempo apparecer 
ao rei. Havia verdadeiro enthusiasmo por D. João VI, 
muito embora, durante os tempos revolucionários lhe 
achassem mil defeitos. 

CLXXX. D. Maria I, adoecendo, levou de cama dous 
mezes completos ; e apesar delia não querer fizeram-lhe 
conferencias. Constantemente gritava dizendo que não 
queria ver ninguém ; mas nisto não era attendida, iDor 
ser forçoso observar-se a etiqueta e ceremonial do paço, 
assistindo a camareira-mór, mordoma- mór, damas e todos 
os médicos da camará. 

D. João VI, durante o tempo que a mãi esteve de 



158 CIIRO^'ICA GERAL 

cama; não saliiu de casa : ia repetidas vezes ao aposento 
da rainha, mostrando-lLe osmniores cuidados e desvellos 
qne eram x)ossiveis. A mià gritava que não queria ter 
ninguém, que a rnieriam- matar ; e o filho, cheio de 
ternura para com ella, debahle se esforçava em conven- 
cel-a de se curar ; e ella o não attendia ; e por fim deixou 
de viver na terra, expirando no dia 20 de Março de 1816, 
com mais de oitenta annos de idade. 

CLXXXI. Depois de vestido o cadáver da rainha, es- 
teve exposto e depositado por três dias na sala mortuária, 
para todo o iiovo ver, pois sendo ella a rainha reinante, 
era de costume abrirem-se as portas do paço, para que 
o povo visse estar morto o rei. 

A rainha estava vestida com nma túnica branca bor- 
dada de ouro e manto real de velludo carmisim, bordada 
também de ouro. Foi encerrada em três caixões, como 
é costume; fazendo-se pontifical, e encommendações. O 
caixão foi sobre rolos emx3urrado até a escada principal do 
paço ; e dahi carregado por criados de galão até o coche, 
acompanhado pela dama mais moderna do paço, com 
uma palmatória, com uma vela de cera amarella. 

El-rei I). João VI, como filho e herdeiro da coroa, 
seguia o caixão, com D. Pedro e D. Miguel, com tochas 
accesas até ao toi^o da escada. 

O enterro da rainha foi como o da nora D. Leopoldina ; 
Dorém mais concorrido, porque a corte de D. João VI 
tinlia muito mais nobreza que a de D. Pedro I ; e ella 
como rainha foi acompanhada de todos os officiaes mores 
de sua casa indo muitos a cavailo, sendo os animaes da 
casa real. O cadáver foi para o convento das religiosas 
da Ajuda, onde já estava depositada sua irmã D. Ma- 
rianna. Depois foram ambas transladadas para Lisboa. 

D. João VI Gontiu muito a morte da nuli ; e depois 
(jue a Viu sem ViCla chorava Como xim 'Jevclido abrasado 



DO BEAZTL 159 



com O cadáver delia ; e quando a acomi^anhoii até ao 
topo da escadu, ia em soluços, qno a todos commovia. 

A todos os ofacios a qiie elle assistia, tinha os olhos 
banhados em lagrimas. Ia amiudadas vezes ao convento 
da Ajuda ouvir missa por ella. 

Ko anniversarlo do sen fallecimento qnebravam-se 
CS escudos reaes nas praças publicas pela camará da 
cidade ; e o mesmo se fez em todo o E,eino Unido. 

D. João YI decreton nm luto rigorosíssimo sendo seis 
mezes a vestimenta de lã, e outros seis de seda. Í^Tos 
dias de gala não se tir()n o luto, caso novo, porque o 
luto pelos reis, em dias de gala não tem lugar. 

Quando El rei D. João VI foi para Lisboa mandou 
preparar nma náo, para conduzir os cadáveres da mãi 
e da tia, sendo forrada de preto e illuminada a camará, 
indo criados de gnarda, e de estado o marquez de Bellos, 
que havia sido seu camarista, e outros que eram do rei, 
também foram servindo a rainha. 

Como guarda do corpo foi a camareira-mór, a dama 
viscondessa d.o Eealagrado, as assafatas e todas as pes- 
soas que a serviam em vida. 

CLXXXII. V rainha D. Maria I acordava as oito horas 
da manhã, pouco mais ou menos ; e depois do almoço 
assentava-se ( m um canapé. A maior parte das vezes sem 
dizer uma pr- lavra, ahi esperava as visitas do filho e da 
nora, de qu^í^n não gostava. O íilho ajoelkava-se, para 
beijar-lhe a i.ião ; mas a nora beijava-lhe a mão em pé, 
perguntando lhe simplesmente como 'passa i^osscb ma-, 
gestade ? ao que ella respondia deui ou mal. D. Carlota 
assentava-se immediatamente, sem esperar que ella Ih' o 
ordenasse, porque a rainha não o fazia, porque era seu 
costume nào mandar ninguém assentar so em sua pre- 
Ç^^nça, nem mesmo suas próprias irmãs. 

D. Carlota Jo? quina linha muito orgullio, © suatentava 



ff^ 



160 CHK02ÍICA GEBAL 

a sua posição, não se liumilhando á sogra, ainda que 
muito a respeitava, como soberana, e como mãi de seu 
marido. A conversação com a rainha era sobre chuva ou 
sol, pratica que não excedia de vinte minutos, e se 
retiiava. A noite lá não ia ; e quando morava fora do 
paço da cidade, só vinlia cumprimentar a sogra nos dias 
de corte. As netas iam todas juntas beijar-lhe a mão 
pela manhã, e a noite, quando estavam no paço da cidade. 
!N'ão dava uma palavra sequer ás netas ; e só dizia para 
as mais velhas, quando via as duas ultimas pequenas 
o que vem aqui fazer estes cupinlios l outras vezes dizia 
para que trazem cá estas pequenas ! 

Quando o príncipe D. Pedro se ajoelhava para lhe 
beijar a mão, ella cossava-lhe a cabeça, esfregava-lhe 
os cabellos e dizia as vezes para Joanninha : para este 
lia de ser a minha coroa, 

D. Pedro Carlos, quando lhe beijava a mão, e lhe i)er- 
guntava como havia passado, respondia hem ou mal^ 
e continuava dizendo ; tu não tens pai, nem mãi; és meu 
filho e de João. 

CL XX XIII. Quando se tratou do casamento do Infante 
D. Pedro Carlos, com a princeza D. Maria Thereza, que 
o filho príncipe regente lhe foi participar, e saber se era 
de seu gosto, a rainha D. Maria I, lhe respondeu : eu não 
governo e nem faço casamentos ; ao que o filho lhe res- 
pondeu : Dize a Joanninha que te leve as minhas 
jóias; escolhe as que quizeres, porque para mim já não 
servem. 

D. João pediu as jóias de sua mãi a D. Joanna, vis- 
condessa do Realagrado, e mandou a filha escolher um 
adereço, tirando ella um dos melhores, com grandes 
rubins e brilhantes, peça de grande valor ; e lhe i^arti- 
cipando Joanninha ter a neta escolhido o adereço de 
rubins e brilhantes, ella respondeu : deram a Maria 



DO BRAZIL 161 

71>er(za um tal presente ; e o qice se lia de dar a mulher 
de Pdro quando elle casar ! 

Qiiiindo a neta veiu com o marido tomar-lhe a benção, 
ella ilie disse : estão casados ! sejam muito felizes. 

Pa. sados mezes teve a princeza D. Maria Tiíereza o 
Infaii:e D. Sebastião; e lhe vindo mostrar o bisneto, 
ella he disse : O que cem fazer este desgraçado no 
muju o ! 

CLX.XXIV. D. Maria I perdeu a razão em 1792, depois 
da Diorte do filho, o priiici[>e D. José, a quemanava 
exa'e.nosamente ; e foi dessa época em diante que llie 
prinepiaram a apparecer os desarranjos mentaes ; — 
dizenlo que estava no inferno^ que via o diabo, não 
quer e ido confessar -se^ e nem ouvir missa, enemfxllar 
em rtligião. 

Tinaa occasiões em que gritava, atirando comos pratos, 
e dardo bofetadas nas criadas. Algumas de suas criadas, 
mesn:D as mais validas se retiraram do seu serviço, com 
o pretexto de doentes, jjara não se exporem a levar 
pajCc.ias. Quem se conservou constante ao lado da rai- 
nha, ^offrendo máos tratos, puchões e descomposturas foi 
D. J<»:inn'i Rita de Lacerda, a quem a rainha cha nava 
Jojni inha, que bem pouco servia, visto que a dona 
da ca nara, era D. Margarida Sopliia de Castello Branco, 
irciã de Joanninha, e mãi de D. Francisca Lúcia, mar- 
qu3za de Itaguahy. 

D. Joanna Rita de Lacerda teve o titulo de baroneza 

e dex ois o de viscondessa do Real Agrado, com sobre- 

viven< ia á seu irmão e a seu sobrinho, que lhe oHereceu 

D. Joio VI, quando príncipe regente, em reconhecimento 

aos srrviços prestados a sua mãi ; bem como uma fazenda 

n«j Ri > Grande do Sul, com muitas terras e muito gado. 

Deu-1 le uma bja pensão, que recebia do erário publico. 

Bepo; 3 da morte da rainha D. Maria I, El-rei uniii-lhe 
ch"x,<i:íica gebal eiíc. xvitt.— 11 



1(52 CIIROXICA GERAL 

ao titulo as lionras de grandeza com a mesma sobrevi- 
vência, e llie oíYereceii uma carruagem para o seu serviço. 
D. Carlota Joaquina, em vida da sogra, deu a D. Joanna 
Kita de Lacerda, a ordem de Santa Izabel, e depois 
da morte delia, a nomeou sua dama. 

CLXXXV. D. Maria I era formosa e elegante, tendo 
ar altivo e distincto. Foi casada com o tio, 1). Pedro III, 
muito mais velho, que ella, e assas ignorante, e pobre 
de espirito, e por isso incapaz de ser amado de uma 
bella mulher espirituosa, e com o prestigio de rainha ; 
e no entanto ella j)ortou-se sempre com honradez e di- 
gnidade, respeitando-o como seu esposo. 

CLXXXVI. Quando em 1816 estiveram as tropas, 

vindas de Portugal, na Praia Grande (Nictheroy), o 

príncipe regente foi morar na casa de Thomaz Soares, 

pie lhe fez x^i'esente delia ; e em retribuição o príncipe lhe 

íez mercê da commenda da ordem de Christo. 

Nesta mesma occasião da estada das tropas na Praia 
Crrande, D. Carlota Joaquina morava na casa da esquina 
do largo de S. Domingos, defronte da casa do i^rincipe. 
Ella ia a casa do marido com as filhas pela manhã ; e a 
tarde iam ver os exercícios da tropa, que os fazia todos 
os dias, O príncipe ia na sua carruagem, e D. Carlota 
em outra. Juntos ninguém os via. 

O príncipe andava em uma carruagem descoberta, 
bem como D. Carlota, com as filhas. Os filhos passeavam 
a cavallo. D. Carlota e as filhas assistiam aos exercícios 
quasi sempre em uma barraca. 

Ella passeiava muitas vezes a pé pela praia, com as 
filhas acompanhadas de muitos oíficiaes lusitanos. S. Do- 
mingos e Praia Grande, nesse tempo ennn lugares de 
divertimentos, porque, além da tropa vinda de Lisboa, 
estava alli a corte, e todos os tafúes e elegantes do 
Bio de Janeii*o. 



DO EBAZIL 103 

Eni um contiuuo passeio e constante divertimento ir-se 
a Praia Gi"and.?, Ojide S8 faziam bailes em casas vav- 
ticularfs, havia salas de danças, porque o i^rincix^e 
não queria tlieatros e festas i^ublicas por ter a Sra. 
D. Maria I íallecido uo dia 20 de Março do mesmo 
anno. 

CLXXXVII. D. Carlota, qnar.do o marido estava de 
saúde, rão passava da ante camará, porque elle não a 
queria ro pé de si ; por.3m quando enfermo entrava no 
quarto com as íillias, e em presença de todas as pessoas 
que alii se acliavam. líunca ningaem os viu a sós, depiois 
de certo temj)o ; porque elle a aborrecia. Jantaram juntos 
quando o fillio D. Pedro de Alcântara se casou no dia 
12 de Outubro de 1817 e quando liouveram as festas reaes 
l)or occasião do casamento da íiliia, com o Infante 
D. Pedro Carlos. Em carruagem só andaram juntos, 
no dia do casamento do íilho ; e nas festas reaes, por- 
que tinliam de ir j autos com os noivos no coche real. 
Se ella adoecia em palácio, elle a não visitava ; e nem 
nas chácaras onde ella morava. 

Quando estiveram em Santa Crnz, por occasião da mo- 
léstia de El -rei, ella foi i)íiva. a fazenda, e dormia em 
um quarto separado com as duas filhas ; e em outro 
quarto mais pequeno os dons filhos. Yiviam do mesmo 
modo alli, que na cidade. 

D. Carlota ia visitar o marido pela manhã, e ao caliir 
da noite, de modo que £0 não assentava no quarto, Hmi- 
tando-se ambos a poucas palav.-as. Elle comia no quarto 
quando adoentado, e ella em outro lugar com as filhas, 
filhos e sobrinho. 

Xos últimos tempos da estadu delles no Rio de Janeiro, 
D. Carlota ia algumas vezes á S. Christovão, com as 
ultimas duas filh*:3, i^orque as outras não estavam no 
I^oder deila. D. Maria Thereza, e D. I^iabcl Maria mo- 



164 ; CHRONICA GERAL 

ravam com o pai, e as duas outras tinham ido j^ara a 
Htíspanlia. 

Nesta occasiáo, oa íillios, fiJlias e no)'a iam na buscar 
na porta do paço, e segaiam com eUa para o aposento do 
rei, onde x>ouco so demorava. Dahi se encaminhavam 
para o quarto de D. Pedro, onde ficavam até ás duas 
horas da tarde, e dex^ois se retirava. 

CLXXXyiII Na quarta-feira pelas onze horas da 
manhã do dia 20 de Março de 1816, falleceu no paço da 
cidade a Sra. D. Maria I rainha de Portugal com oitenta e 
um annos, e quasi três nieze ^ de idade. Foi pela meia 
noite do domingo segainte depositada no convento das 
religiosas de Nossa Senhora da Ajada, onde se achava já 
sua irmã a Infanta D. Maria Anua, fallecida em Maio 
de 1813, com setenta e dous annos de idade. 

CLXXXIX. Em virtude de um aviso da secretaria de 
Estado dirigido ao intendente geral da policia, foi o reve- 
rendo Bernardo Maria de Vascoiicellos, vigário da Ca- 
choeira, recolhido a cadeia do Aljabe no dia 30 de Março 
de 1816, conduzido pelo desembai-gadoí Penna. Em 30 
de Junho de 1817 foi-lhe con-iedida a cidade por me- 
nagem. 

CXC. No dia 4 de Maio de 1816 nasceu Joaquim 
de Saldanha Marinho. 

CXCI. Tendo El-rei D. João VI unido os reinos 
de Portugal, Bi-azil e Algarves, mandou pela carta regia 
de 13 de Maio de 1816 incor})orar, em um só escudo 
real, as armas dos três reinos, e dá armas ao reino do 
Brazil, sendo a esx)hera armiUar de ouro em campo 
azul. 

CXCII. Por decreto de 12 (iti Agosto de 1816, fun- 
dou-se a Academia de Bellas Arces no Rio de Janeiro 
no lugar onde elia se acha. 



r>0 BirASTlT. 365 

Tov decreto dn mes-mn data concedeu-se pensões aos 
aiiisias fianceze"^ que vieram fundar no Rio de Janeiro 
uma Escola Real de scieacias, artes e officios. 

CXCIII. No dia 24 de Setembro de 1816, as nossas 
armas ganham uma esplendida victoria no Passo do 
Chafalote, sobre os lipspunlioes. 

No dia 3 de Outubro do mesmo anno o tenente coronel 
José de Abreu derrota Artigas em S. Borja. 

No dia 19 do mesmo mez e anno o brigadeiro João de 
Deus Mena Barreto der]'ota as forças de Artigas na 
vizinhança de Inhanduliy e Paipasso. 

No dia 19 de Novembro do mesmo anno, o mare- 
clial de campo Sebastião Pinto de Araújo Corrêa der- 
rota completamente a Frutuoso Rivera, que comman- 
dava para mais de dous mil gaúchos. 

CXCIY. No dia 24 de Novembro de 1816 fallece na 
Bahia o marechal Galvão, do regimento de artilharia. 

CXCV. No dia 16 de Dezembro de 1816, o sargento- 
mór José Ignacio Boiges toma posse do governo da 
capitania do Rio Grande do Norte, em substituição ao 
sargento-mór Sebastião Francisco de Mello e Povoas. 
Sendo eleito senador pela provinda de Pernambuco, é 
escolhido por decreto de 22 de Janeiro de 1826, e 
falleceu em 7 de Dezem])ro de 1838. 

CXCVI. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 13 ; 
cyclo solar, 6 ; epacta, 12 ; letra dominical, E. 

CXCVII. Martyrologi(>. Dia 1.° de Janeiro, quarta- 
f eira ; paschoa a 6 de Abril ; indicação romana, 5 ; pe- 
ríodo Juliano, 6,530. 

CXCYIII. No sabbr.uJo 4 de Janeiro df 1817, o miirquez 
de Alegrete, ganha victoria sobre os caudilhos La Torre 
Verdum, e Mondragan em Catai] an. 



166 CriEOXIf\ GEKAL 

O general Lecor entríi triumplianto em Montevideo, 
em 20 de Janeiro de 1817. 

CXCIX. Xa sexta-ftíi.-a 21 de Janeiro de 1817 morre 
no Eio de Janeiro D. Fernando José de Portngal, 
marauez de Agiiiai', com sessenta e q uatro annos, ura ]nez 
e dezenove dias, que íoi governador e cax)itão general da 
Bahia, e vice-rei do Brazil, D. Fernando nasceu a 4 
de Dezembro (> 1752 ; e foi sepultado na tarde do dia 
20, .em nm dos Liirneircs da ordem de S. Francisco de 
Paula, saliindo o prei-tiio dd rua dos Barbonos, da 
casa de sua residência, onde é actualmente a casa dos 
expostos. 

CG. Na terça-feira 28 de Janeiro de 1817, pelas 
cinco lioras da tarde, íoi inaugurada a Praça do Com- 
mercio da Baliia, com grande solemnidade e grande 
concurr<mcia de i^ovo, com assistência do governador, 
capitão general coníle dos Arcos, e mesnio por .ser 
dia anniversario daquelie em que El-rei, na mesma ci- 
dade da Bailia, abriu as portas do Brazil a todas as 
nações amigas, trancadas lia mais de três séculos. 

Os commerciantes mandaram tirar o retrato de gran- 
deza natural do conde dos Arcos, e o collocaram na 
sala de Iionra do ediíicio da Praça do Commercio. Por 
oocasião da inauguração muitos discursos, e poesias 
análogos se fizeram, que correm impressos. 

O ediíicio acliava-se revestido com o maior luxo pos- 
sível. Além do ornato, com que estava a casa toda 
forrada de setim e sedas de cores, com riqueza admirável 
iiavia uma varanda também ornadí^, onde se desp=índoa 
para mais de sete mil crnzados. Os convidados rica- 
camente vestidos á côrío de seda e velludo ; as senhoras 
convidadas para o copo de agua trajavam com má- 
ximo luxo e riqueza. 

O plano da festa íoi dado irdlo conde dos Arcos • 



Á 



TíO BEAZIL ]07 

aciiando-se o retrato do conde a que pertencia a honra 
da festa pelos muitos serviços prestados á província e 
ao x^^"^'^ agradecido. 

2>'este mesmo dia liouve o oferecimento dos cem 
contos de réis com que os negociantes x)rojectavam fazer 
um palácio no Rio de Janeiro i^ara a residência do 
conde dos Arcos, e como o conde não qnizesse aceitar, 
depositaram a qaantia no banco, i^ara que elle gozasse 
da renda principal, quando elle qnizesse. A festa ter- 
minou ás duas horas da manhã do dia seguinte. 

CCI. Xa quinta-íiira G de Março de 1817, ari"ebenta 
em Pernambuco a revolnção republicana contra a mo- 
narchin. 

CCII. No dia 11 de Abril de 1S17, fallece o tenente 
coronel José Alvares Marques. 

cem. I'Ta quarta-feira 14 de Maio de 1817, o capitão - 
mór Francisco de Paula Cavalcante e xVlbuquerque, um 
dos chefes da revolução republicana de G de Março 
de 1817, em Pernambuco, é atacado e completamente 
batido, pelo marechal de campo Joaquim de Mello Co- 
gominho de Lacerda, no engenho Trapiche de Ipo- 
juca. 

CCIV. No dia 19 de Maio de 1817, o almirante Ro- 
drigo José Ferreira Lobo, bloqueia os portos desde o 
Rio de S. Francisco até o Rio Grande do Norte, com- 
prehendendo as províncias que haviam adherido, ou 
tentado adherir a revolução republicana de Pernambuco, 
repelle a idéa de uma convenção e intima a entrega 
da praça do Recife sem condições ao governo revolu- 
cionário, que em desespero proclama dictador a Domingos 
Theotonlo Jorge, um dos chefes republicanos. 

CCy. Na terça-feira 20 de Maio de 1817, o almirante 
Rodrigo Lobo dá desembarque e faz occupar pela sua 
maruja a cidade do Recife, abandonada pelos republi- 



168 CHKOIíICA GERAL 

canosrevolncionario?:. mjogovpinn provisório se dissolvo, 
com a reliiada e fuga dos principaes chefes ca re- 
volução. 

No dia seguinte 21 de Maio, o padre mestre João 
Ribeiro Pessoa de Mello Montenegro, suicida-se iio en- 
genho Paulistas. 

CCVI. São fuzilados na Bahia dous principaes (,heies 
da revolução de Pernambuco em 1817, Domingoí J(<sé 
Mart"'ns, Miguel Joaquim de Almeida (o padre ]\ igue- 
linho). 

CCYII. Morre no Rio de Janeiro o cavalleiro A raiijo 
(António de Araújo e Azevedc»), conde da Barca ò mi- 
nistro de Estado no dia 21 de Junho de 1817. 

O Brazil foi elevado á categoria de reino, ceviio 
aos esforços do ministro conde da Barca. Foi •■ lie o 
creacor da Academia das Bellas Artes, no Rio c e Ja- 
neiro e quem mandou vir de Paris alguns professores, 
entre elles os Taunnays. Era poeta e diplomata nuito 
instrui do. 

Phllinto Elysio consagroulhe muitos versos lauda rorios 
por seus merecimentos pessoaes e litterarios. 

CCVIII. No dia 29 de Junho de 1817, chega L: dz do 
Rego Barreto á Pernambuco, e faz incontinente sí quês- 
trar os ben:i das pessoas compromettidas na rev( luçâo 
de 6 de Março, e crêa uma commissão militar perma- 
nente para julgar os criminoscs, composta de : 

José Gonçalves Marques, relator e auditor de guerra. 

Major de cavallaria conde da Figueira. 

Tenente coronel de caçadores José de Souza Saiupaio. 

Coronel Yirissimo António Cardoso. 

Co/onel Luiz Paulino de Oliveira Pinto da F]an<]a, 
interrogante. 

CCIX. O conde de Paraty, sendo solteiro, e não tendo 



r>o r.KAzrL 169 

liberdade para consr. alguma, depois que o rei se agasa- 
lhava, um individuo desses que ii tudo se dobram para 
terem desj>aclios ou por dinheiro, levou a noite uma 
mulher publica para o conde se divertir, conhecida pelo 
alcunho de Lanterna. 

O rei soube disto e ficou muito insultado, qu" Mignel 
mandasse vir uma mulher publica ao paço real, e pelo 
que o reprehendeu asperamente. 

O conde respondeu-llie : — Yosso. magestaãe não me 
dá tempo para procurar mulher fora do paço ; eu que 
sou moço solteiro tenlio necessidades naturaes. 

A isto responde o rei -.—pois ca^sate. 
O conde tornou 4hft : casar -me-het qua.ndo tiner cosa 
e meios para sustentar rnuTh.er e filhos. 

O r'>i contou tudo a filha D. Maria Thereza, que era 
a sua confidente nessas intrigas de casa, e ella depois 
de o ouvir, disse-lhe : — que o xerdadeiro era. o conde 
casar-se com a condessa, de Barreiros., porque a pensão 
que ella. tinJia como mitva desse conde., junta com a que 
recebia o conde de Paraty podiam Tiver com ohnMança, 
ainda, que o conde saJdsse do paço. 

O rei, ouvindo o parecer da filha, dá ordem ro conde 
de Paraty, para que fosse de sua T'arte dizer ao conde 
de Yallada que elle queria que a. filha viscondessa de 
Barreiros se casasse com elle^ conde d.e Paraly ; e hem 
que na mesma occasião se dirigisse a. viscondessa de 
Barreiros e llie fizesse a mesma communicação. 

O conde de Yallada não pôz a menor duvida, e 
den-lhe a filha que sua magestade determinara. 

O casamento effectiou-se dentro de oito dias : indo 
o conde cora sua mulher morar no paço de S. Chris- 
tovão, por baixo dos aposentos do rei. Sua magestade 



170 runoXlC.V OERAL 

mandou prepamr com muito luxo os aposentos do conde 
de Paratj^ 

O almoço, jantar e ceia eram tão profusos, como se 
o conde de Paraty fosse um príncipe da casa real. 

Foi este casamameíito apesar da rapidez, tão bem 
succedido, e se chegaram a amar tanto cjue foram senijpre 
mui felizes. 

A condessa de Paraty era linda, e tinlia 2G ou 27 annos 
e a sua virtude era tal que embora seu marido estivesse 
no maior valimento do rei, ella foi sempre um typo 
de bondade. Em sua casa que estava sem^ire atoi3etada 
de gente, a todos tratava bem. As x^essoas que iam ao 
paço procuravam o conde ou deixavam cartões de vi- 
sita. 

Quando a Cíjndessa de Paraty teve o primeiro filho, 
foi baptisado com o nome de João, que depois foi mar- 
quez de Parat}^ 

D. Carlota Joaquina a foi visitar ao seu quarto com 
as duas filhas que viviam em sua companhia. 

A princeza D. Maria Thereza, era sua intima amiga 
e a visitava repetidas vezes. Só J). Pedro e a mulher é 
que lá não foram, ])orque o príncipe detestava o conde 
de Paraty, e a todos que eram validos de seu pai. 
Era tal a ogerisa que D. Pedro tinha aos validos do 
rei, (pie iiunca com jusihnm delles fallava, e lhes dava 
a mão á beijar senipre muito sério. 

Era tal a estima qiuí o rei tinha a condessa de Paraty 
que quando ella estava gravida ou tinha algum incom- 
modo não ia pni-a a ilha do (xovernador, e nem para a 
fazenda de Santa Cruz, só para não se separar o ma- 
j'ido da mulher, porque em todas as viagens que o conde 
fazia a condessa o acompanhava. 

CCX. Quando se baptisou o iilho do conde de Paraty. 
que depois foi marquez do mesmo titulo, El-rei o fez conde 



DO BIÍAZIL 1*71 

depois cie oito dias de nascido, sendo o rei J). João VI 
padrinho, e a princeza D. Maria Tliereza madrinlia, 
]ionra que os soberanos portagaezes só faziam ao duque 
de Cadaval. 

CCXI. O marqnoz de Aguiar D. Fernauflo José de 
Portugal, sobreviveu a seus dons collegas da creação 
do luimeiro ministério no Brazil ; este marquez era 
filiio segundo do marquez de Valença ; e a casa de 
Valença é aparentada coíu a de Bragança. Os títulos 
de con ie e marquez de Agniar llie foram dados no Brazil 
por D. João VI. 

Antes de ser ministro foi capitão general na Bailia, 
e vice-rei no Elo de Janeiro, sendo substituído pelo 
conde dos Arcos, partindo p)ara Lisboa em 1807. 

Chamado ao conselho na grave questão da partida do 
Xmncipe real x^ai-íi o Brazil, mudou de parecer logo que 
viu qne o primeiro não tinha agradado ao príncipe 
regente. (1) iNã;) se sabe se foi p)or esta mudança de pa- 
recer que o príncipe regente o escoilieu para seu nu- 
nistro no i^rimeiro ministério que organisou no Brazil. 

Sabe-se que a esquadra que conduzia a família real, 
antes de entrar nas aguas do Brazil encontro u-se com 
nm navio qne ia para a Europa, e sendo chamado á 
falia e perguntado se no Rio de Janeiro já sabiam que 
a familia real ia para lá ? respondeu que sim ; e se 
preparava a cadeia x^ara recebel-a. 

Esta resposta causou susto ; chamoa-se D. Fernando 
José de Portugal para explicar o enigma, e este res- 
pondeu : que a cadeia estava próxima ao x)'dacio, e que 
de certo o conde dos Arcos, mandara evacuar os iDresos, 
e preparar aquelle aposento pttira os criados da casa 
real. 

(1) Vido o tomo ■)/ ou o pnmciro da soguada parto da minha Corc- 
graphia. 



172 CHRONICA GEEAL 

Esta resposta socpgou os ânimos :' porque D. í^ernando 
assegurava a fidelidade dos brazileiros, que Id aviam de 
receber o príncipe e a família real com a demonstração 
da mais viva sympathia. 

Tudo correu como D. Fernando liavia predito ; e daqui 
veiu a sua nomeação para ministro de Estado, e a affeição 
que o príncipe lhe tomou e a confiança que nelle de- 
positava, que nunca foi desmentida. 

D. Fernando, depois que foi elevado a marquez de 
Aguiar, pretendia o título de parente que D. João VI 
não negou, mas nunca Ih' o concedeu ; e a nizão disto 
foi um segredo que c rei não revelou. 

O marquez de Aguiar era foraiado em leis, seguiu 
a magistratura e era desembargador da relação do Porto, 
tinha íntelligencía, mas de comprehensão acanhada, e 
por isso procurava discutir os negócios para bem os 
comprehender, e quasi sem])re nos requerimentos o seu 
primeiro despacho era— escusado — e quando a parte 
lhe vinha fallar respondia : faça outro requerimento. 

O que o marquez queria era ganhar tempo para se 
convencer da injustiça que praticava. 

Era o marquez de Aguiar um homem honrado e limpo 
de mãos ; e morreu tão pobre que o seu enterro foi 
mandado fazer a custa de El-reí, porque nada tinha 
de seu. 

Thomaz António de Villa \Nova Portugal foi o suc- 
cessor do marquez de Agaia.r ; e El-rei que gostava de 
saber do que jiensava o x>ovo. antes de nomear successor 
ao marquez de Aguiar, perguntava a todos : ([nein dizem 
por alii que será successor do marquez? Fez esta per- 
gunta a João Pedro Carvalho de Moraes, que era 
moço da camará, que respondeu : — sefiJior, dizem militas 
cousas, mas para mini entendo que o l/ir/ar de ministro 
assistente ao despacho vem de Portugal, pura Por- 
tugal. 



T>0 BKAZIL 17S 

O appellido de D. Fernando era. Portugal, e o de Tho- 
maz Aut.mio era igiiylRiento Portugal. 

Conta-se que João Pedro Carvalho de Moraes fez um 
requerimento pedindo ao raarquez de Aguiar a com- 
menda d? Cliristo, e o raíirqufz lhe despachou : — Es- 
cusado — Fez segundo, Terceiro e quarto, sempre — Es- 
cusado — <; atasanavao marqnez com outros requerimentos, 
obtendo v) mesmo despacho, e o marquez de viva voz 
lhe disse : Sr. João Pe<lro, emquanto eu fôr ministro 
não ha cLe ser eonimenáudor ; e João Pedro lhe res- 
pondeu: — Sr. marquez, nisto não lhe posso fazer a von- 
tade porque já comprei uxua resma de papel de Hollanda, 
e emquanto ella durar hei de requerer uma commenda 
de Christo. 

Ouvindo isto, o marqnez de Aguiar no primeiro dia 
de despacho' fez João Pedro Carvalho de Moraes com- 
mendador da ordem de Christo. 

Pela morte do marqu*}z de Aguiar fizeram-se muitos 
versos. 

CCXII. O Imx)erador D. Pedro I teve muitas amantes 
de differentes classes, cores e condições, das quaes ne- 
nhum caso fazia e antes as redicularisava, e mesmo chin- 
calhava os maridos. A marqueza de Santos foi a única 
mulher por quem elle teve paixão. D. Pedi-o até a 
idade de dezoito annos não teve verdadeira amizade a 
gente séria ; e foi no theatro que se enamorou de duas 
dançarinas francezas irmãs mui bonitas e para obterá 
mais moça de nome jN'oemi, moradora no largo do Rocio 
deu doze contos que Ih' os emprestou Joaquim António 
Alves, por antonomazia — o Pilotinho. 

Chegando a princeza D. Maria Leopoldina era 5 de 
líovembrcj de 1817, est;;va esta franceza gravida de 
seis mezes ; e D. João VI, sabendo, dos desvios do 
filho, mandou casar a franceza Noemi com um official 



174 CUIIONICA GEIIAL 

da ilha Terceira, dando-llie ds doí-e iim ofncio em Per- 
nambuco, que lhe rendia oitocentos mil réis e mais 
seis contos de réis em dinheiro ; e a ella cinco contos de 
réis para o encho vai doíilho. Essa criança fallecea em 
Pernambuco e o general Luiz do Rego, c[ue de tudo 
sabia, a mandou enterrar com grande i3omx)a ; e a fran- 
ceza, sendo muito bem tratada por elle e X)or sua fa- 
mília. 

A princeza D. Maria Leopoldina, sabendo desta aven- 
tura do marido, mandou a criança uma memoria de bri- 
lhantes e um conto de réi.s, dizendo que sentia o seu 
infortúnio. Teve o príncipe mais dous íilhos de uma 
franceza de nome Sessé, casada com um francez deste 
appellido, com loja de ]3apel pintado. Foi também amante 
cia mulher do general Jorge de Avellar Zuzarte. 

Quando Imperador e já viuvo, estando no palacete 
que depois foi do marquez de Abrantes, um cai)itão 
de tropa de linha lhe íoi ?oíiereGer uma linda íilha que 
tinha, x^ela quantia de vinte contos de réis com o fim 
de felicitar o lilho ; e o Imperador aceitando o negocio 
além da quantia que deu ao pai, oíferêceu a victima 
um annel de brilhante. Esta moça de nome Joanna, 
casou-se depois com um oíncial que morreu generah 
O Impierador reconhecendo o caracter infame do pai, 
o desprezou. O Imperador passou por uma horrível 
decepção que não esperava : pedindo elle uma entre- 
vista a actriz Luduvina, esta lhe oífereceu a sua casa 
de residência, indicando-lhe a hora ; e quando elle 
ahi chegou, sahiu corrido, x^orcxue a virtuosa actriz 
communicando o pedido ao marido, este o esperou e 
o recebeu, eíUre alas cie cómicos com tochas accesas. 

CCXIII. O barão de Marechal ministro da Áustria 
foi para o paço de S. ChristovãOj quando foram o 



no KlíAZlL 17 



o 



mordomo-mór e a cainareira-mór, e só de lá saliiu 
quando a imperatriz foi á enterrar. 

Este barão era muito estimado da soberana ; e viveu 
muitos ânuos no Rio de Janeiro, já encarregado de 
negócios, no tempo do rei, e dei^ois da Independência 
íoi ministro por pedido da imperatriz ao x)ai. EUe 
cumpria o seu dever, x-)articIpando i^ara Vianna tudo 
o que no Rio de Janeiro se i^assava com a imperatriz 
O barão não gostava do Imperador, e nem este delle. 
Aborreciam-se mutuamente. Ainda esteve no Brazil 
alguns annos depois da morte da Imx)eratriz Leopol- 
dina. 

O barão de 2\íareclial, a^^esar de ter sido sempre 
bem tratado pelos brazileiros, de tudo cliincalhava, 
de tudo ria e ridicularisava a tudo. ^ão obstante o 
seu comportamento era bom. 

CCXIV. Xo dia 2 de Dezembro, em que sua ma- 
gestade a imperatriz mostrou gravidade em sua mo- 
léstia, o ministério tomou providencias mandando chamar 
o marquez de Palma mordomo-mór jiara tomar conta 
do paço e manter nelle a ordem, o cpial desemi)enliou 
dignamente o encargo, x~)rocurando ir em tudo com o 
ministério, evitando o comx)rometter se com o im- 
perador. Retiro u-se para sua casa quando chegou o 
imperador do Rio Grande, e ao entregar-lhe o governo 
do x">aço lhe disse o imperador : Marquez, sei que se 
'poriou 1)6111 ; eu lhe agradeço. 

A marqueza de Aguiar camareira-mór da imperatriz. 
qne nunca residia no paço, foi para elle durante a 
enfermidade da imi^eratriz ; e como havia sido criada 
no xjaço e dama, no tempo do rei, era a mais própria 
para alii estfír, para saber como ninguém das etiquetas, e 
por isso não deixou o quarto da imi^eratriz, assistindo a 
todas as conferencias, que frequentamente faziam os mé- 
dicos. A marquc^za de Aguiar não se importou com 



17B CHRONICA GERAIi 

ninguém ; proliibiu a entrada no quarto da imperatriz, a 
todas as pessoas sem excepção ; para assim evitar a 
presença da marqueza de Santos, no quarto da impe- 
ratriz. 

Só nelle entravam o bispo, as criadas privativas, 
os médicos e os ministros. As criadas dos piincij)es 
só alli entravam quando levavam os filhos á ver sua 
mãi pela manhã e a tarde. A marqueza de Aguiar, cama- 
reira-mór, emquanto esteve no paço, que foi até a chegada 
do imperador soube manter a ordem daquella casa, 
um pouco desmoralisada, desprezando intrigas, e nem 
recebendo as visitas da marqueza de Santos. 

Determinou todo o ceremonial para o enterro da im- 
peratriz. Esta soberba senhora, apesar de todo o seu 
orgulho tratava a todos bem, para ser respeitada pediu 
ao imperador quando chegou para retirar se á sua 
casa, e elle respondeu lhe zangado : — PóIe ir. O impe- 
rador ficou sempre detestaiido a marqueza de Aguiar. 

CCXy, A rainha D. Carlota Joaquim, tinha relações 
amorosas com Fernando Carneiro Leão, que depois foi 
gentil homem da camará, e conde de S. José e por 
quem ella • concebeu paixão veheinente. Fernando Car- 
neiro, tinha também por esse tempo commercio amo- 
roso, co]n certa viuva de sobrenome Penua mas con- 
tou- se que D. Carlota Joaquina ignorava. Fernando 
Carneiro, era casado com D. Gertrudes Pedra, senhora 
mui honesta e virtuosa. Sem que se soubesse o mo- 
tivo, foi peitado o pardo Joaquim Ignaoio da Costa 
Orelha ])ara assassinar D. Gertrudes, o que efPectiva- 
mente aconteceu no anno de 1817. 

Indo D. Gertrudes ver a procissão de Nossa Senhora 
das Dores, que os ourives faziam antes da semana da 
paschoa, ao recolher se para sua casa na chacai-a da 
ponte do Cattete, do lado direito depois das 8 horas 
da noite, cuja chácara passou á sua filha marqueza 



DO BRAZIL 177 

de Maceió, ao apear-se da carruagem, recebeu um tiro 
de bala no peito esquerdo, de que morreu. 

Differentes versões appareceram sobre o assassinato 
da infeliz D. Gertrudes Pedra. Uns diziam que Fer- 
nando Carneiro Leão, e Luiz José de Carvalho de- 
pois visconde da Cachoeira, sendo adherentes a revo- 
lução de 6 de Março de 1817 de Pernambuco, a mu- 
lher daquelle. o desvanecia sempre e com pertinácia, 
para que se não envolvesse n;i revolução e os entusiastas 
desta para se desembaraçarem delhi, mandaram matal-a. 
Esta versão cahiu por si, porque em codo o período da 
revolução não aconteceu facto igual, e nem os homens que 
queriam o governo republicano no Bmzil commetteriam um 
crime tão atroz, como o de mandarem assassinar a uma 
pobre senhora, mãe de família, pelo desejo de afastar 
seu marido de um movimento revolucionário. 

A outra versão recahiu sobre a viuva Penna, por 
ciúmes que tinha de Fernando Carneiro ; e tanto que 
appareceu um pasquim nas esquinas das ruas que ter- 
minava : 

A Penna feria a Pedra 
E sobre a Penna, a Pedra. 

Mas a opinião geral, conforme me dissera a mar- 
queza de Maceió, filha de D. Gertrudes e de Fernando 
Carneiro, pessoas de Jacarépaguá, parentes do mesmo 
e que foi confirmada pelo Co-iselheiro António de Me- 
nezes Yasconcellos de Drummond, e Dr. Manuel Joa- 
quim de Mení'zes, todos contemporâneos, era a seguinte. 
A rainha D. Carlota Joaquina de Bourbom, tinha re- 
lações amorosas com Fernando Carneiro Leão, que era 
homem muito gentil, e por quem tinha paixão vehe- 
mente, e como chegasse aos ouvidos da rainha que 
D. Gertrudes se queixava delia, a mandou matar pelo 
pardo Joaquim Ignacio da C<jsta Orelha. 

CBUOiaCA GERAli SEC. XTn. — 12 



IVS CIIRONICA GERAL 

Este assassinato foi mui sentido na corte do lUo 
de Janeiro e i:)ara o descobrimento dos autores do crime 
o rei incumbiu ao desembargador juiz do crime. José 
Albano Fragoso, que devassando com todo o interesse 
sendo escrivão da correição do eivei da corte e casa 
Lourenço Manuel Botellio de Moraes Sarmento cliegou 
ao conhecimento da verdade ; e antes de lavrar a sen- 
tença foi communicar a El-rei o resultado de suas in- 
vestigações criminaes dizendo-llie : — SenJio?' como Juiz 
sei quem mandou matar a D. Gertrudes muJJier 
de Fernando Carneiro Leão, "porque as peças do pro- 
cesso me não deixam duvida ; ma.s como liomem não 
sei. — E então quem é o assassino. Tergutou o rei. O desem- 
bargador José Albano Fragoso lhe respondeu : — foi a 
rainlia minlia Genitora quem mandoií, e o mulato Joa- 
quim Ignacio da Gosta Grelha, assassinou a infeliz es- 
posa de Fernando Gameiro Leão, como nossa magestade 
pòlener do próprio processo. El-rei atordido com o que 
ouviu da bocca do desembargador José Albano Fragoso, 
disse ao juiz :— Convém que diesappareça para sempre 
mais este escândalo dessa mulher ; e tomando o pro- 
cesso dei^ois de o ler o queimou e não se fallou mais 
em juizo sobre este crime. (1) 

A opinião publica conforme ainda referem os poucos 
contemporâneos foi colierente em criminar a rainha ; e 
Joaquim Ignacio da Costa Orelha desappareceu do Rio 
de Janeiro, e só voltou em 1822 piara se constituir o 



(1) o Sr. Teixeira de Mello, nas suas Epliemerides serviíido-se da 
autoridade do autor do Pathcon Maranhense diz que foi o desembargador 
Joílo Ignacio da Cunlia visconde de Alcântara fallecido em 183-4 o juiz 
processante no assassinato de D. Gertrudes o que nílo é exacto porque o 
desembargador João Iguacio da Cunha, nSo era o juiz do crime, e sim 
desembargador aggravista, o o que eutilo devassara como juiz do crime 
era JosC Albano Fragoso, 



DO BRAZIL ITO 

clief e dos capangas conteiros de José Bonifácio de Andrade 
e Silva e do primeiro imperador D. Pedro. 

CCXVI. No dia 13 de Maio de "1817 celebrou-se na 
corte de Vienna d' Áustria o casamento do príncipe 
real portnguez D. Pedro de Alcântara com a arcliidu- 
qiieza Maria Leopoldina Josefa Carolina, ílllia do im- 
perador d'Anstria Francisco I. 

Por ordem de El-rei D. João Yl nada se poupou para 
o esplendor deste casamento. A embaixada que se 
mandou a Yienna, fazer o pedido oíRcial, foi encarre- 
gada ao marquez de Marialva, que se achava em Paris. 
O marquez preencheu dignamente a sua missão, apre* 
sentando-se em Yienna com a maior pompa, que causou 
tanta novidade, que delia se escreveu um livro que 
corre impresso. 

Ko dia dos esponsaes deu o marquez de Marialva 
um baile a corte da Áustria, no qual despendeu x)ara 
mais de um milhão de florins, equivalente a mil contos. 
O luxo e a x^ompa foram tão grandes que cau.saram admi- 
ração. O marquez de Marialva, além do que recebeu 
do Estado, gastou nesta missão toda a fortuna que 
recebeu em herança pela morte de seu pai. 

A princeza Maria Leopoldina embarcou em Liorne a 
bordo da náo D. João VI, construida em J^isboa, e 
que pela i^rimeira vez sahia barra fora. Yinlia acom- 
panhada por duas fragatas e algumas embarcações de 
guerra. A náo estava adornada com o maior esjílen- 
dor, sendo os camarins forrados de sedas, velludos, 
alcatifas e o mais. 

A marinhagem da náo trajava uniforme de velludo 
carmesim, guarnecido de galão de ouro, e o gorro do 
mesmo velludo, com as armas reaes de i)rata. 

A esquadra chegou ao Rio de Janeiro no dia 6 de 
Zíovembro de 1817, sendo recebida pelo rei e pela 



180 CIÍRONICA GERAL 

rainha D. Carlota Joaquina, mesmo a bordo, onde o 
rei deu-llie um beijo na testa. 

A bordo da náo D. João VI houve um refresco, 
onde appareceram todos os doces do Brazil e os fructos 
do tempo, O rei apresentou a archiduqueza o esposo, 
seu filho, que lhe entregou o presente de noivado, 
sendo uma caixa de ouro cheia de ricos brilhantes 
lapidados. Ao entregar o presente o rei disse a archi- 
duqueza, sua nora : são fructos desta terra. Vossa 
alteza vem para o yaiz das pedras preciosas. O rei 
regressou para S. Christovão. A cidade illuminou-se. 

No dia seguinte desembarcou a princeza D. Maria 
Leopoldina, vindo na galeota real para o arsenal, onde 
o rei e a família real a foram buscar e seguiram para 
a capella real, onde receberam as bênçãos nupciaes, 
e dahi foram os noivos para o paço da cidade, onde 
se demoraram eraquanto duraram as festas. 

CCXyiI. No dia 12 de Outubro do 1817 o rei or- 
ganisa casa para seu filho D. Pedro e nora D. Maria 
LeoiDoldina. Nomeou o marquez de Bellas, que foi 
camarista effectivo de D. Maria I, o marquez de An- 
geja, conde de Yianna, conde de Belmonte, conde de 
Rio Maior, que eram camaristas seus, para o serviço 
da casa do filho. Para haver numero sufliciente para 
o serviço do rei e do filho, fizeram-se novos camaristas, 
que foram D. Nuno da Camará Manoel, filho do conde 
de Villa Flor, conde da Ponte, António Telles da 
Silva (filho do marquez de Penalva, que depois foi 
marquez de Rezende), D. Vasco, conde de Belmonte, 
valido do rei, a quem nomeou camarista privativo 
para o filho, que só o acompanhava nos dias de corte. 
Era o conde um homem muito de bem, e todos o 
respeitavam íí muito o estimavam, e por isso muito 
considerado pelo rei o por todas as x^^ssoas da casa 



UO RRAZIL 181 

real. O príncipe lhe era muito affeiçoado, e o tratava 
de — meu Belmonte ou de meu conde. 

Qnando se decidiu a ida do príncipe D. Pedro para 
Li.sboa, ficando o rei no Rio de Janeiro, disse elle 
a seu pai que queria levar comsigo o seu conde de 
Belmonte, seu filho com sua família. O mesmo acon- 
teceu quando os papeis se trocaram, mas como o conde 
tinha em Lisboa a sua casa e no Brazíl nada possuía, 
conseguiu retirar-se com o marquez de Bellas e outros 
coui o rei. O marquez de Angeja, que estava em Paris 
e aqui chegou quando o rei tinha já partido para 
Portugal, aqui sei viu ao príncipe D. Pedro, até que 
elle se decidiu ficar no Brazíl, levando sua sobrinha 
D. Francisco Telles da Silva, que era dama da prin- 
ceza D. Maria Leopoldina. Xesta mesma occasião 
foi para Lisboa, com o marquez de Angeja, D. Maria 
Barbara de Menezes, filha do marquez de Yalada, que 
era dama do paço. 

O filho do conde dos Arcos foi nomeado camarista 
no dia em que o rei embarcou para Lisboa, e serviu 
a D. Pedro até o dia ô de Junho de 1821, em que 
o conde dos Arcos, preso pela tropa portugueza, é 
enviado para Lisboa. 

Indo toda essa gente para Portugal, ficou o prín- 
cipe regente segmente com três guardas roupas, que 
eram João José de Andrade Pinto, João Maria da 
Gama Freitas Berquó e Francisco Maria Gordilho Vel- 
loso de Barbuda, que depois foi barão do Paty do 
Alferes, visconde de Lorena e marquez de Jacarepaguá. 

Ani-onio Telles da Silva, depois marquez de Re- 
zf-nde, que se havia retirado para Jjisboa, voltou para 
o Rio de Janeiro, dizendo que vinha para servir ao 
pnncipe; e este lhe disse qtie muito estimaxa a sua 
presença ; 7)ias que ?Lama de fazer semana, alternando 
corn os outros guardas rou^jas. Deu-lhe um aposento 



182 CHKONICA GERAL 

em S. Christovão, mesa de estado,' e uma pensão do 
seu bolsinho. O princÍT)e era amigo de António Telles, 
fel' o visconde e dex)ois marquez de Rezende, pagan- 
do- lhe todas as des^^ezas dos titulos, porque António 
Telles da Silva nada tinha de seu. Nomeou- o ministro 
plenipotenciário -píxva Yienna e dejDois i^ara Paris. 
António* Telles foi sempre cavalheiro, e fez boa figura 
nos seus empregos. Depois que D. Pedro abdicou a 
coroa do Brazil, foi-lhe sempre aífeiçoado, acomx)a- 
nhando da França x^í^i''"! Portugal a duqueza de Bra- 
gança. Depois a acompanhou a Munick, como sen mor- 
domo-mór, conservando-se em seu serviço até que 
morreu. 

João Maria da Gama de Freitas Berquó, o impe- 
rador o encheu de honras e condecorações ; fel-o ca- 
pitão de suas guardas e depois marquez de Cantagallo. 
Acompanhou o imperador para França, deixando sua 
mulher e filhos ; e esteve ao lado de D. Pedro até 
que elle partiu i)ara a Ilha Terceira; e voltou jpara 
o Rio de Janeiro, onde se demorou pouco tempo e 
voltou para Paris. Quando a rainha D. Maria II e a 
duqueza de Bragança foram para Lisboa, Cantagallo 
e sua família as acom];)anharam e lhes prestaram va- 
liosos serviços. Cantagallo, não obstante a dedicação 
que tinha a D. Pedro, nunca deixou de ser brazileiro, 
ainda que adoptivo, vestindo sempre a farda verde. 
Estando no Rio de Janeiro de^^ois da maioridade do 
actual im]perador, não só fez serviços no paço, como 
exerceu o seu emprego de capitão das guardas. Seus 
filhos, mesmo nascidos na Europa, os baptisoa como 
brazileiros. Cantagallo, Jacarepaguá e Andrade Pinto 
foram nomeados camaristas no dia 1.° de Dezembro 
de 1822. 

CCXVIII. Para a princeza D. Maria Leopoldina, 
foram nomeados veadores D. Diogo, conde de Louzan; 



DO ];ií\ziL 183 

estribeii'0-mór D. Francisco da Costa Macedo, que foi 
depois inordoino-mói* da mesma senliora, e tamloem 
agraciado com o titulo de visconde e marqnez da 
Cunlia. Este titular, retirando-se para Lisboa muito 
antes da abdicaçfio de D. Pedro I, desgostoso pela 
morte da mulher, cliegou a ficar desarranjado do 
juizo, fallecendo depois da morte de T>. Pedro ; D. Fran- 
cisco de Souza Coutinho, dei)0Í3 marquez de Macei(5, 
que foi ministro em Yienna d' Áustria, e morreu em 
Paris no dia 14 de Agosto de 1837, não quiz voltar 
ao Brazil dei)0Í3 da abdicação, e não obstante con- 
servou a nacionalidade brazileira. 

Nomeou-se depois veador da mesma senhora a Luiz 
de Saldanha da Gama, que foi marquez de Taubatô e 
depois encarregado de negócios na Itália : falleceu em 
Londres depois da abdicação. Dex)ois que D. Pedro 
principiou a governar fizeram-se muitos guardas rour)as, 
veadores e camaristas. 

No tempo da imperatriz D. Maria Leopoldina fize- 
ram-se quarenta e tantas damas, e três em nome da 
imperatriz Amélia. D. Pedro deu muitos titules de- 
pois do reconhecimento da tal Independência. Xo dia 
12 de Outubro de 1825 deu o titulo de marquez de 
S. João da Palma ao conde da Palma ; e fez mais vinte 
e sete titulares com grandeza entre viscondes e barões, 
além dos titulares sem grandeza. 

'^o dia 12 de Outubro de 182G iez vinte e nove mar- 
quezes e seis condes, além dos viscondes e barões. 

CCXIX. Fui nomeado em Lisboa guarda rou^oa effe- 
ctivo do piincipe D. Pedro, Marco António Montaury, 
homem probo mas incapaz de dar uma palavra de 
advertência ao príncipe, e de se intrometter em sua 
educação. Só servia para acomi^anhal-o nos actos pú- 
blicos, e falleceu no Rio de Janeiro em 1815. D. João VI 



184 CHRONICA GERAL 

conservou á viuva e fillios o ordenado que dava ao 
marido ; e D. Pedro clum!Ou-a para o paço fazendo-a 
dama da princeza D. Paula. 

Depois da morte de Montaury, foi servir seu irmão 
João Martinho de Montaury, que também falleceu no 
Rio de Janeiro. Estes dons Montaurys eram fillios do 
general das armas Montaury, que falleceu no Rio de 
Janeiro. Pelo fallecimento do segundo Montaury, entrou 
para o serviço do princi])e D. Pedro, Manf)el Francisco 
de Barros, filho do gnardn roupa visconde de Santa- 
rém. Este moço era mui serio e grave, e por isso o 
príncipe D. Pedro não gostava delle, e nem Manoel 
Francisco de Barros do comportamento do príncipe ; e 
pouco tempo o serviu, porque entrou para a diplo- 
macia, e se entregou ás letras, e se tornou celebre por 
suas obras diplomáticas, sendo nomeado depois vis- 
conde de Santarém. 

Seguiu-se no mesmo emprego Joaquim Valentim de 
Souza Lobato, guarda roupa do rei, irmão dos Lobatos, 
validos do rei, que era em extremo condescendente com 
o príncipe, chegando a leval-o as casas das moças. 
Joaquim Lobato não necessitava de praticar estes actos 
de baixeza, e por isso constando ao rei estas e outras 
baixezas, o apartou do filho ; sendo substituído por 
Pedro José Cauper, guarda roupa de El-rei, homem 
velho, na apparencia sizudo, casado e com familia ; 
mas era tão pouco escrupuloso de sua honra domes- 
tica, que levava o príncipe todos os dias para sua casa, 
a rua do Conde da Cunha, hoje do Conde d' Eu. (1) 
O príncipe D. Pedro almoçava ordinariamente ahi, onde 
se demorava das 9 ]ioT.\tí da manhã ao meio dia, e 
voltava para o iDakicío de S. Christovílo com o dito 



(1) Essa casa e chacora ainda fxiste (1881). E' um sobrado velho 
que fica em frente do muro da casa de detenção. 



DO BEAZIL 185 

Cauper, para jantar com o rei, que não dispensava os 
filhos D. Pedro e D. Miguel irem a sua mesa. As cinco 
horas voltava D. Pedro i^ara a casa de Cauper para 
merendar, e regressava ás 7 horas para a casa de 
S. Christovão. 

Esta assiduidade de um príncipe de dezasete annos, 
em uma casa onde havia moças bonitas, com a fama 
que o princií^e tinha de não respeitar as famílias, fez 
com que a reputação das filhas de Cau^^er soffresse 
muito na opinião publica. As pessoas que frequentavam 
essa familia, e que assistiam a esses almoços e me- 
rendas, diziam que nada havia de offensivo a repu- 
tação das moças. O princii)e conversava, almoçava e 
jt)gava o gamão ou o bilhar com Cauper, com o genro 
deste, com o sobrinho e mais com outras pessoas que 
alli appareciam. A tarde passeiava pela chácara com 
os mesmos e com a mulher e filhas de Cauper, con- 
versando com todos. Comia só, e as demais pessoas 
ficavam de pé a roda da mesa, e somente depois que 
elle acabava de comer e se levantava da mesa, é que 
se assentavam, ficando elle de pé conversando. Isto 
durou dous ou três mezes depois do seu casamento 
com a princeza D. Maria Leopoldina. 

Como já vimos, chegou ao Rio de Janeiro a i^rinceza 
D. Maria Leopoldina no dia 6 de JS^ovembro de 1817; 
e depois de passadas as festas, os noivos foram para 
S. Christovão, no dia seguinte pelas oito horas da 
manhã foi o príncipe D. Pedro levar a mulher á casa 
de Cauper, onde almoçaram, e para onde continuou 
a levai- a todos os dias. A princeza fazia muitos agrados 
a mulher e filhos de Cauper, mas por fim teve ciúmes, 
e teceu o negocio com o rei, queixando-se do marido, 
e lhe pediu que fizesse sahir do Rio de Janeiro Cauper 
com sua familia. O rei julgando razoável a exigência 
da nora, fez sahii- Cauper da corte, dando-lhe um 



•l»t> CHRONICA GEPvAL 

officio em Lisboa, que llie rendia dezoito mil cruzados 
amiuaes. 

lio dia do embarque de Cauper com a familia para 
Lisboa, o princix^e cliorou muito, abraçando-se com 
Cauper. A princeza mostrou-se muito sentida, e dizia 
que eram intrigas que faziam x:)ara desviar seu marido 
do único amigo que tinlia. lio em tanto o rei dizia que 
tinha mandado Cauj^er para Lisboa com sua familia 
por lhe haver i^edido sua nora, jDara seu socego. 

CCXX. Conde dos Arcos governador e capitão ge- 
neral da capitania, amigo. — Eu El-rei vos envio muito 
saudar como aquelle que amo. Sendo-m^. presente, com 
a vossa informação em oíScio de 3 de Janeiro i^assado 
o requerimento de Joaquim de SanfAnna, esmoler da 
casa pia dos meninos orpliãos dessa cidade, em que 
pretendendo pôr em execução os mais louváveis desejos 
que o animam, de estender os benefícios da educação 
da mocidade aos orpliãos i^obres e desamparados do 
districto da vllla da Cachoeira, me pede que X)ara 
este eíieito lhe seja dado o ediíicio que actualmente 
se acha muito arj'uinado no termo da sobredita villa, 
e que foi o Seminário de Belém. E desejando c|ue não 
faltem aos meus íieis vassullos meio algum de educação 
I)ublica, para que se façam bons e úteis cidadãos, 
iprincipalmente aquelles que pela pobreza de seus pais, 
muito mais j)recisam do meu real e imternal amparo : 
hei por bem, conformando-me com o vosso i^arecer, 
fazer mercê do referido ediíicio denominado Seminário 
de Belém, que foi dos extinctos jesuítas, para nelle 
fundar o supplicante um seminário e casa pia de edu- 
cação em beneficio dos meninos orpliãos e desampa- 
rados da vilhi da Cachoeira e seu districto. O que me 
pareceu participar-vos x)ara que assim o tenhais enten- 
dido e façais executar. 



DO ERAZIL 



187 



Escripta no palácio do Rio de Janeiro, em 3 de 
Março de 1817. — Rei. 

CCXXI. João Paulo Bezerra, tendo exercido vários 
empregos de diplomacia junto aos governos dos Estados 
Unidos da America do Norte, da republica da Hol- 
landa, do imperador da Rússia, foi chamado em 22 
de Junho de 1817 para o ministério em substituição 
ao conde da Barca, na pasta da fazenda e presidência 
do erário régio, e interino nas de estrangeiro e da 
guerra, falleceu de uma apojplexia no dia 29 de No« 
vembro do mesmo anno de 1817, na idade de setenta 
e um annos, cinco mezes e dous dias. 

CCXXII. António de Araújo e Azevedo, conde da 
Barca, que havia succedido a D. Fernando José de 
Portugal, marquez de Aguiar, nas pastas das três se- 
cretarias de estado, falleceu no Rio de Janeiro no dia 
21 de Junho de 1817, sendo sepultado em S. Fran- 
cisco de Paula. 

CCXXIII. No dia 4 de Julho de 1817, é nomeado 
o coronel João Vieira de Tovar e Albuquerque para 
governador da car)itania de Santa Catharina, e no dia 
16 de Agosto, com ixatente regia, toma posse do go- 
verno de Santa Catharina, onde esteve administrando 
até 20 de Julho de 1821, inimisado quasi com todos 
pelo seu génio muito desi:)ropositado, e sua muita igno- 
rância. 

CCXXIY. No dia 10 de Jullio de 1817 a commissão mi- 
litar creada por Luiz do Rego Barreto, para julgar os 
compromettidos na revolução de 6 de Março, em Per- 
nambuco, manda enforcar dentro da Fortaleza das Cinco 
Pontas os capitães Domingos Theotonio Jorge e José 
de Barros Lima (Leão Coroado) e o Vig.irio de Itama- 
racá Pedro Tenório. 



188 CHRONICA GERAL 

CCXXV. No dia 28 de Julho de 18]? o governo do Rio 
de Janeiro faz ninr., í^onvencfio com a Ingyiterra es 
tabelecendo em Lo adies u;na commissão mÍKta, e con 
cedendo-se a Gran Bietanliii ^ direito de visita e busca 
em navios mercantes do Brazil suspeitos de se empre- 
garem no trafico de africanos. 

CCXXVI. Em virtude do tratado de 28 de Agosto 
de 1817, assignado em Paris, pelo qual se estipula e 
fixam os limites d(> Brazil pelo Rio Oyapock, ou de 
Vicente Pinson, em virtude da decisão do congresso 
de Yienna de 1815. é evacuada pelas troi^as brazi- 
leiras a cidade de Cayenna e restituída a coionia fran- 
ceza ao governo da França. 

CCXXVIL No di:i 15 de Setembro de 1817, foi preso 
o caudilho hespaiihal D. José Verdum. 

CCXXVIII. Os muitos e assignalados serviços que as 
Alagoas prestou a causa publica desde o dominio hollan- 
dez até a restauração de Pernambuco, fez que o go- 
verno do Sr. D. João VI, para livral-a das vinganças 
de Pernambuco poi decreto de 16 de Setembro de 1817, 
a elevasse a categoria de capitania independente da de 
Pernambuco, e para lhe dar um testemunho de apreço 
concedeu ao reverendo vigário da matriz de Nossa 
Senhora da Conceiç lo da capital e a seus successores as 
honras de cónego, c(>m mais cem mil réis em sua côngrua. 
De todas as províncias do Brazil, é a das Alagoas a 
que conta mais factos gloriosos em sua historia. Ella 
é a {)rogenitora de D. Maria de Souza, a espartana 
brazileira, mulher d 9 Estevão Velho, e de D. Rosa Pau- 
lina, mulher do illustre coronel Manuel Mendo da Fon- 
seca, e mái dos geiíeraes Fonsecas. 

CCXXIX. Na cuarta-feira 5 de Novembro de 1817, 
chega ao Rio de J:;nei ro a Princeza Arquiduqueza da 
Áustria a Sra. D. Carolina Leopoldina, mulher do 



DO KKAZIL 189 

Príncipe D. Pedro de Alcântara e Bourbon, íillio do 
Sr. D. Jcão VI. 

O deseiiibíirqne da princeza efinctiioii-se ás três horas 
da tarde do dia seguinte no nrsení 1 de marinha. Hou- 
veram grandes festas, que as m-MiC'oiinrei, quatro dias 
de luminárias, e arcos na rua Direita, Pescadores, do 
Sabão e Ouvidor. 

CCXXX. No dia 29 de Novemb.-o de 1817 morre 
no Rio de J meiro, João Paulo Bez-rra, presidente do 
real era ri». 

CCXXXI. Por provisãc do l.'' de Dezeni])ro de 1817, 
se manda estabelecer uai curato na j ovoação do Vianna, 
creada com colonos illieos, na capitania do Espirito 
Santo, e margem norte do rio Santo Agostinho jDelo 
conselheii'o desembargador Paulo Fernandes Vianna. 

CCXXXII. O famoso orador franciscano, frei António 
de Santa Úrsula Rodovalhc, que no século se chamava 
António de Mello Freitas, natural c-a villa de Taubaté, 
na província de S. Paulo, fall-íceu no convento de 
Santo António do Rio de Janeiro no dia 2 de De- 
zembro de 1817. 

CCXXXIII. Computo ecclesiast- CO. Áureo numero, 14; 
cyclo solar, 7 ; epacta, 23 ; letra do ninical, D. 

CCXXXIV. Martyroiogio. Dia l.** de Janeiro, quinta- 
f eira ; pasch*a a 22 de Março, indicação romana, 6; 
periodo Juliano, 6,531. 

CCXXX V A coroação e sagração de El -rei o Sr. D. 
João VI foi em 1818. 

CCXXX VI. No dia 31 de Març) as nossas forças 
no Arroio do Pando gauham victo ia sobre as forças 
de Fructuoso Rivera. 

CCXXX VII. Por decreto de 6 '[e Junho de 1818, 
El rei manda crear o Maseu de Historia Natural, ór- 



190 CHRONICA GERAL 

denando a compra do palacete, e terrenos de João 
Rodrigues Pereira de Almeida, depois barão de Ubá, 
isto no camx30 de Santa Amia, depois campo da Ac- 
clamação, para sua installação. 

CCXXXYIII. O sargento-niór Antero José Ferreira 
de Brito, depois general e barão de Tramandahy, faz 
imsioneiros os cliefes gaucbos La Torre, Pancho e 
Tolies. 

CCXXXIX. Por aviso de 25 de Junho, e provisão 
de 9 de Julho do mesmo anno de 1818, prohibe-se o 
periódico O Portiigiiez. 

CCXL. ^^0 dia G de Julho de 1818 fallece na 
Bahia o marechal Joaquim de Mello Leite Cogominho 
de Lacerda, e é sepultado no dia seguinte ás sete 
horas da tarde no convento de S. Francisco. 

COXLI. Por carta de lei do 17 de Setembro de 
1818, eleva-se a Yilla Bella, caj^ital de Mato Grosso 
a proeminência de cidade com os foros, liberdades e 
as demais prerogativas das outras cidades do Brazil. 

CCXLII. Por carta de lei de 17 de Setembro de 1818, é 
erigida em cidade a Villa Real de Cuyabá, com todos 
os íóros e privilégios das demais cidades do Brazil. 

CCXLIII. Por aviso de 14 de Outubro de 1818, foram 
X^rohibidos os periódicos O Campião^ ou o Amigo do Rei 
e do PoT,o. 

CCXLIV. ISTo dia 1.° de Novembro de 1818, corre pela 
primeira vez ferro fundido na real fabrica de íandição 
de S. João de Ypanema. 

CCXLY. As tropas brazileiras que occupavam Cayenna, 
sob o commando do coronel Manoel Marques, evacuaram 
a cidade no dia 8 de Novembro de 1818 em virtude 
do tratado de Paris de 1817. 



■DO ERAZIL 191 

CCXLYI. Fallece em Pernambuco em 1818, com ciii- 
coenta e dons annos de idade o celebre botânico Frei Ma- 
noel do Coração de Jesus, religioso carmelita, que no 
século se chamava Manoel Arruda Camará. 

Este celebre botânico nasceu na lioje i)rovincia das 
Alagoas, quando districto de Pernambuco no anno 
de 1752. 

CCXLVII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 15 ; 
cyclo solar, 8 ; epacta, 4 ; letra dominical, C. 

CCXLYIII. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, sexta- 
feira ; i^ascboa a 11 de Abril ; indicação romana, 7 ; pe- 
ríodo Juliano, 6,532. 

CCXLIX. No dia 6 de Janeiro de 1819 morre Francisco 
de Souza Quevedo Pizarro, mareclial de campo, gover- 
nador e cax)itão general do Maranhão, que nasceu a 27 
de Setembro de 1776. (Veja -se visconde de Bobedo, fa- 
mília Pizarro.) 

CCL. No dia 1.° de Janeiro de 1819 Sebastião Fran- 
cisco de Mello e Povoas toma posse do governo da 
capitania das Alagoas, que exerce até 11 de Julho 
de 1821. 

CCLI. No dia 15 de Abril de 1819, fallece o conde de 
Cavalleiros D. José Thomaz de Menezes. 

CCLII. No dia 25 de Abril de 1819, João Carlos Au- 
gusto de Oeynhausen, depois marquez de Aracaty, no- 
meado governador e capitão general da capitania de 
S. Paulo, toma T)Osse da administração e governo a ca- 
pitania dous annos e dons mezes ; e em seguida como 
presidente do governo X)rovisorío eleito em Junho de 1821, 
governa um anno, dous mezes e dous dias. 

CCLIII. Por alvará de 10 de Maio de 1819 é a povoação 
da Praia Grande, em Nictheroy, erigida em villa, com a 
denominação de VíIla RcoX da Praia Gra/ade^ tendo 



192 CHROKICA GERAL 

por termo as quatro f reguezias de ' S. José de Icarahy, 
de S. Sebastião de Itiiii3Ú, de S. Lourenço dos índios 
e de S. Gonçalo. 

CCLIV. No dia 11 de Julho de 1819, morre nesta 
corte o chefe de divisão Rodrigo António da Costa. 

CCLV. No dia 13 do mesmo mez de Julho de 1819 
foi recolhido a cadeia do Aljube do Rio de Janeiro o 
desembargador José Joaquim Botelho de Almeida, á 
ordem do juiz da correição do crime, 7Índo na náo Fre- 
siganga, e obteve nesse mesmo dia homenagem por 
provisão do desembargo do paço, e accordão da casa 
da supplicação. 

CCLVI. No dia 9 de Março de 1819, jjelas onze horas 
da noite falleceu na Praia Grande D. Francisco de 
Almeida Mello e Castro, conde das Salveias, de um 
catarrhal, com cincoenta e oito annos, onze mezes e três 
dias ; e no dia 10 foi o cadáver transportado para S. Fran- 
cisco de Paula, na corte, onde se sepultou. 

CCLVII. Por Alvará de 10 de Setembro de 1819, El-rei 
D. João VI dá estatutos a nova ordem de Nossa Senhora 
da Conceição da Villa Viçosa, creada por decreto de 6 
de Fevereiro de 1818. 

CCLVIII. O reverendo Fr. José de Azevedo e André 
Ortiga, foram por ordem do governador das armas reco- 
lhidos a cadeia do Aljube no dia 14 de Novembro de 1819, 
e recommendados á segredo, tendo vindo ambos presos 
de Porto Alegre. 

CCLIX. Em Dezembro de 1819, o conde da Figueira, 
José de Castello Branco Corrêa da Cunha Vasconcellos e 
Souza, governador e capitão general do Rio Grande do 
Sul, celel)ra a convenção de limites entre a provinda 
do Rio Grande do Sul, e a republica de Montevideo. 



DO r.K.vziL 193 

CCLX. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 16;cyclo 
solar, 9 ; epacta, 15 ; letra dominical, B. A. 

CCLXI. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, sabbado ; 
pasclioa a 2 de Abril ; indicação romana, 8 ; periodo 
Juliano, 6,033. 

CCLXII. Xo dia 4 de Janeiro erige- se em villa, com a 
denominação de Nova Friburgo, a colónia suissa do 
Mono Queimado, acima da Serra dos Órgãos. 

CCLXIII. Xo dia 19 de Xovembro de 1820, a nma 
liora da manhã, falleceu de uma apoplexia D. Francisco 
]\Iauricio de Souza Coutinho, almirante da armada real, 
com cincoenta e sete annos e dous mezes, sendo sej^ultado 
na igreja do Engenho Velho. Esteve quatorze annos no 
Pará onde creou um arsenal de marinha e se fabri- 
caram varias fragatas. 

CCLXIY. Xo dia 22 de Janeiro de 1820 o conde da 
Figueira, e os brigadeiros José de Abreu e Bento Corrêa 
da Camará, ganham aos caudilhos La Torre e Sotello 
a batalha de Taqiuwemòó, licando mortos no campo o 
caudilho Sotello, quatro oíficiaes, e setecentas e no- 
venta e cinco i)raças de i)ret. 

CCLXV. Xo dia 13 de Fevereiro de 1820, fallece o 
conde da Ribeira, coronel José Maria António Gonçalves 
Zarco da Camará, nascido a 2 de Dezembro de 1784. 

CCLXYI. Em 12 de Março de 1820 é substituída a pri- 
meira junta X)rovisoria do'governo do Grão Pará, e Rio 
Xegi'0, creada em virtude do pronunciamento do primeiro 
de Janeiro do mesmo anno. 

CCLXVII. Xo dia 14 de Abril fallece o desembargador 
José Barroso Pereira. 

CCLXVIII. Xo dia 8 de Julho de 1820 abre-se o novo 
edifício da praça do commercio do Rio de Janeiro, cujo 
começo teve lugar no dia 11 de Junho de 1819. 

CITROXICA OERAL SEC. XVni.— 13 



CCLXIX. A faiiiilia real fez mais doiis oasameiítoa no 
Rio de JíiiiLÍio durante a sua estada no Brazil ; sendo a 
princeza 1>. lalaria Isa],>e], com D. Fernando sétimo rei 
de Ilespanlia, (pie a maton ; e a princeza 1). l\íaria Fran- 
cisca (pie ca;::ou com o Infante D. Cariíjs, iriníio de Fer- 
nando VII. 

Ou iro ca /amento esteve en( abolado ajustado e con- 
trariado em J<yo, o casami-iíto do pnnci[)e 1), Miguel, com 
a princeza Cliristina das Duas Cicilias. Estava tudo 
prompto, e aíé trocados os retrato;^, quancio arrebentou 
a revolução da 24 de Agosto mi cidade do Porto, e em 
15 de Seteiiibro de ]S:2() em Lisboa. 

Este acontecimento suspendeu o casamento, e a prin- 
ceza Cliristina se esi)OSOu com Fernando VII de Hes- 
panlia e de cujo matrimonio nasceu a rainha Isabel. 

CCLXX. Os dons irmãos L(;batos visconde de Magé, e 
visconde da Afilia Nova da Rainha, gozavam de grande 
valimento do rei depois do conde de Paraty. 

O visconde de Magé era ura excellente homem, e em- 
bora tivesse a physionomia carrancuda, o seu coração 
era bo'm ; e não consta que lizesse mal a x^essoa alguma, 
e nem se envolvesse nos enredos do palácio, e muito 
menos ter influencia immediata com o rei. Sua bocca não 
se abria para faltar mal dos outros ; ao contrario semi:>re 
que podia encobria os defeitos alheios, 

O irmão visconde da Villa ís^ova da Rainha era muito 
altivo, e o seu comportamento 'leviano em casas de famí- 
lia. Gostava de sociedades e de ser protector, e influente 
em alguns despachos e arranjos de seus amigos e i)aren- 
tes ; mas nada fazia i^or dinheiro, e nem por qualquer 
outro interesse. 

l)ex)ois do conde de Paraty foi o maior valido do 
Sr. D. João VI, mas nunca esteve x>reso á pessoa do rei. 

Gozava de plena liberdade, indo ao pa(;o pela manhã 
e a tarde beijar a mão de El-rei ; e entrava no quarto do 



soberau') a qualquer liora, porque era porteiro da camará, 
e governava a todos es criados de galfio. Era niantieiro, 
tliesoureivo da casa real, e do bolsiulio do El-rei, e secre- 
tario da casa do iníaiitado. 

IN os dias de gala elle se a^n-esentava como tliesoureiro 
do inlantado, levando as condecorações de brilhantes e 
jóias do mesmo infantado a I). Miguel. 

Ko dia seguinte as ia buscar, porque o rei dizia, que 
essas jóias, e toda a casa do iníantado eram suas, em- 
quanto elle l\):ise vivo ; porque o Sr. D. João Carlos 
por muito tempo habitou o paço de Queluz pertencente 
ao infantado. 

No dia dos ânuos do rei não punha em si as jóias por 
que quando o íilho D. Pedro lhe ia beijar a mão, elle 
tirava-lhe as condecorações que trazia, e lhe punha as 
suas, como o Tosão de ouro, obra primorosa e de grande 
valor, entregando-lhe a bengíilla, encastoada com um 
grande brilhante da coroa. Disseram-me que nessas occa- 
siões o rei se mostrava mais alegre e risonho e dizia ao 
filho : —Pedro ficas muito hoiiito com estas medalhas. 
O filho no dia seguinte as ia restituir. 

CCLXXI. Cheguei ao Eio de Janeiro no dia 27 de 
de Julho de 1847, desembarquei debaixo do caracter 
de official francez e no mesmo dia entreguei na resi- 
dência da legação franceza todos os papeis que me 
haviam sido precisos até aquelle momento para chegar 
aos meus fins, sem obstáculos consideráveis. Fui occupar 
uma hospedaria, na rua de Santo António, e no dia 
20 procurei o primeiro ministro de Estado, a quem disse 
estas palavras " Rogo a Y. Ex. queira pOr na pre- 
sença de sua magestade que se acha nesta corte, Agos- 
tinho Domingos José de Mendonça acompanhado tão 
somente dos seus crimes e da firme e invariável reso- 
lução de morrer aos pés do seu rei, " e retirei-me á 



196 CIIRONICA GERA.L 

minlia residência assegurando-me o- ministro que partia 
no mesmo momento a dar parte a El-rei. No dia 30 
ás 11 horas da manliã o ministro da policia me in- 
timou : que El-rei determinava fosse eu recluso na 
fortaleza de Santa Cruz. Parti immediatamente acom- 
panhado do ministro de policia e clie.o-uei a este lugar 
ás 3 horas da manhã do dia 31. Pedi ao ministro qui- 
zesse fazer conhecer a quem competia que as minhas 
circumstancias eram taes que presisava entrar em o 
numero dos presos que a humanidade costuma soc- 
correr. 

Retirou-se o ministro, tendo a generosidade de deixar 
ficar sobre a minha pequena mala a sua x^ropria bolsa. 
Fiquei entregue a um ministro polido e cheio de hu- 
manidade que x)or muitas vezes adoçou o martyrio das 
minhas considerações, forçando-me a acreditar o êxito 
mais favorável na incerteza da minha sorte. 

Tanta impressão fizeram as minhas circumstancias no 
real animo de El-rei que determinou soccorrer-me, para 
o que se deram as ordens mais positivas, e desde o dia 
3 de Agosto principiei a ser assistido com toda a qua- 
lidade de auxilio prestado da sua real casa. No dia 11 
fui inquirido i^ela primeira vez e bem longe de pre- 
tender defender-me ou mostrar algum desejo de que 
I)odia justificar-me. confessei meus crimes com todas 
as circumstancias que os acompanharam, o que deu mo- 
tivo a simplificar as i:>erguntas que se seguiram em nu- 
mero, e mesmo em matéria. No espaço de quinze dias 
tudo estava concluído a este resi')eito e soube então que 
El-rei havia confirmado a sentença dada em Lisboa 
contra mim. Não duvidei mais da minha sorte, porém 
também não me arrependi de baver dado os passos 
que tenho referido. Os grandes do reino, meus i^arentes, 
amigos, e mesmo inimigos correram aos pés do mo- 
narcha que ao menos me jierdoasse a i^eua ultima, e 



PO r.RAzir, 197 

alguns houve tão generosos, que pretenderam captivar seus 
relevantes serviços tão somente i)or tal objecto. A liu- 
meza do nionarclia mostrou a todos que a minha sorte 
estava decidida, e conseguintemente íiquei abandonado 
ao meu destino. Todos x:)erderam a esperança da minha 
salvação, e muito mais quando viram passar o dia da 
gloriosa acclamação, e que El-rei nem ao menos em 
mim fallou. Dous dias depois da exaltação do monarcha 
alguns grandes do reino em occasião opj)ortuna entre- 
garam uma memoria ao soberano, que a guardou, e 
seus gestos descobriram a todos que sua magestade não 
consentia que pessoa alguma lhe f aliasse em mim. Con- 
seguintemente esi^erava eu a todas as horas o instante 
do meu supplicio, 

A 20 de Março de 1818, entrou na minha prisão 
Frei Custodio cheio da maior alegria, eme disse "en- 
trando eu hontem á noite no quarto de El-rei, o achei 
muito alegre e me disse — sabes Frei Custodio que tenho 
destinado perdoar ao marquez de Loulé," beijei a mão 
a sua magestade, e lhe pedi o favor de ser o portador 
de tão grata noticia, El-rei me deu a entender que es- 
timava muito a minha resolução, e assentou: "Sim 
vai e diz ao marquez que nos dias de hoje e amanhã 
recorda a santa igreja as grandes finezas que Jesus 
Christo praticou com os homens e que eu o devo imitar 
e que portanto está jDerdoado da pena ultima, " poucas 
horas depois chegou um correio com ordem da minha 
soltura e a licença de poder recolher-me a corte do 
Rio de Janeiro, concedendo-me a homenagem de toda 
a cidade. Fui occupar a minha hospedaria que lia via 
já occupado, na qual fui cumprimentado pela corte e 
por outras muitas distinctas pessoas ; três dias depois 
da minha residência na hospedaria entrou no meu quarto 
um homem e me entregou um saco de damasco com 
dinbeiro, e um bilhete, íechado ; assim que abri o bi- 



108 CIIEONICA GERAL 

lliete, retirou se o portador sem esperar resposta, dizia 
o bilhete "quatro contos de réis para o marquez de 
Loulé dimiimir o numero de seus males, " conheci a 
letra e respeitei-a ainda mais do que o i)roprio soccorro 
que uma alma verdadeiramente grande me li)3erali- 
sava. No espaço de cinco semanas tive algumas oc- 
casiões de encontrar a El-rei e sua augusta família, e 
algumas vezes me via sua magestade deixa ndo-me en- 
trever de que me não olhava com indignação e des- 
prezo. Encontrei uma tarde a augusta princeza real que 
vinha do seu passeio ordinário. Sua alteza teve a bon- 
dade de parar e dizer : Yós sois o marquez de Loulé '( res- 
pondi : Desfrutei algum tempo essa grandeza hoje minha 
senhora sou um desgraçado. " Marquez não convenho 
nisso, me tornou a princeza, meu pai rei do Reino -Unido 
não é vosso inimigo. "Creio minha senhora lhe res- 
pondi, que o. meu rei não é inimigo de pessoa alguma 
porém também creio que o não posso ter por amigo 
verdadeiro. Sua alteza para me tii-ar do enlace em que 
me via, se approximou mais e me fez a honra de dar-me 
a mão a beijar. " 

Continuou a sua marcha, e eu fiquei iuctando com a 
minha opposta consideração. Quatro dias estive no meu 
quarto sem sahir fora, porque todo o temx:)0 me pa- 
recia pouco j)ara considerar na minha situação. Mil con- 
jecturas fazia e outros tantos partidos queria tomar, 
porém tudo ficava destruído pela cruel consideração de 
quem tinha sido, quem era, e a quem tinha oífendido. 
As 11 horas da noite do quarto dia, entrou o meu 
amigo mnrquez de Bellas, no meu quarto deu-me um 
abraço com as lagrimas nos olhos, e me disse : A prin- 
ceza real visitando esta tarde a El-rei, fez recahir a 
conversação no encontro que tivera com você. A prin- 
ceza teve a delicadeza de dizer a El-rei — Eu não quero 
offender o coração de meu pai em pedir- lhe favores 



r>o r.r.\7.TT, 190 

para com o marquez de Loulé, pois nuo qaoro que iiiii- 
guem presuma que a uma princeza se deve a ccmclusão 
de lima obra tfio generosamente i:)rincipia(la poi* uni ix-i. 
Aprovetei a occasião e disse — Eu ttu-ia já acabado esta 
questão se fosse Agostinlio de Mendonça. Como I me 
tlisse El-rei. Lançando-me aos pés de vossa magesfcade 
aonde íiTÍa a'.'Í!:i lo ]n<'[i d<'.s('ani;o. E ])orqae não tem 
o marquez de Louié dado ess(i passo i lvs[)oraria acaso 
que eu o procurasse i Beijei a mão a suíi alteza e a 
El-rei, e salii immediamente a declarar-vos que, El-rei 
vem depois de aiíianhn, a esta corte, e que vos reguleis 
salvo o que vos tenlio diio. " Saliiu o marquez de Bellas 
e eu liquei quasi cotuo louco, parecendo me que existia 
em um mundo div : ,o. Doas dias depois a duas lé- 
guas e meia distaii.e da corte, esperei o meu rei, e na 
distancia que me i)areceu conveniente ajouUiei no meio 
da estrada. Chegou sua magestade e fez i)arar o seu 
palanquim e me disse mui brandamente : O que quer 
o marquez í "Lembrar a vossa magestade que a minha 
e?cilada famiiia não tem parte 'nos meus crime^, e de- 
pois morrer aos pés do meu augusto soberano " O mar- 
quez expoz-se a mniiíj vindo a esta côrle 3^Mll auxi- 
lio.'' As virtudes de vossa magestade me aiUinaiam a 
dar um [tasso tão arriscado. " Dizei marquez, estais con- 
vencido de que vos devo perdoar í Não, sonhor os meus 
crimes me impedem essa ventura. El-rei voltando-sn para 
a sua equipagem llb^ diz — " E' o primeiro quo íiando-se 
no meu coração, veiu entregarse nas minhas mãos. Acoi- 
tou se depois -para mim *í me disse: \' ossos crimes 
ficaíu aqui sepultados e nunca mais me lemln-arei delles 
tudo vos dou até a miidia amisade e i)ara vos con- 
firmar que não vos enganastes com o coi^ação do vosso 
rei, viu.le para a corte, na qual ]íi não ha lugar ve- 
dado para o marquez de Loulé." 

CCLXXII, ITa correspondência dos plenipotenciários 



200 CIIROTSriOA GERAL 

portuguezes, no congresso de Yienna, se encontra que 
o gabinete do Rio de Janeiro tiniia concebido o pro- 
jecto de casar os infantes filhos do principe regente 
com o duque de Berry, sobrinlio de Luiz XVIII, de 
França, em quem a coroa de França devia recahir, 
porque o duque de Anguleme seu irmão mais vellio 
não tinha filhos. 

Estes dous príncipes eram filhos de Carlos X. 

O princii:)e de Benevente, inclinava-se á este contracto 
mas tudo se desvaneceu, porque o principe de Be- 
nevente se descuidou. De um officio do marquez de 
Marialva, que tenho a vista vejo, que por occasião da 
paz geral pretendeu-se também casar o principe D. Pedro 
de Alcântara com uma archiduqueza da Rússia. Parece 
que não produziu effeito este enlace x^ela differença 
das religiões. 

CCLXXIII. Não obstante não ser o Sr. D. João VI, 
de coração sanguinário, os abusos do seu governo, e a 
chusma de homens servis, e baixos aduladores, deu 
origem aos mais indignos acontecimentos que se podem 
imaginar. 

Os sentimentos da liberdade, e os desejos que havia 
de ser o povo governado i)ela forma republicana, fez 
apparecer em Pernambuco o movimento revolucionário 
de 6 de Março de 1817, sob as bases do governo re- 
publicano. Este acontecimento fez retardar a acclamação 
do rei que teve lugar no dia 2G de Fevereiro de 1818, 
com incrivel pomx)a. (1) Esta acclamação foi o contraste 
do que se dava em Pernambuco e na Bahia quando 
se executava cruel e barbaramente a justiça de El-rei, 
prendendo-se e processando-se a quatro centos e trinta 
e quatro x^essoas das mais distinctas do norte do Brazil, 

(1) Vide a Gazeia do Rio de 1818. 



líO V.TíA^IL 201 

enforcando-se, nns, fuzilando-se outros, surrando-se a 
muitos, roubando-se a todos, e deixando-se milhares 
de famílias no extremo da miséria ! 

Nos lugares comi^etentes farei memoria desses hor- 
rores. (1) 

CCLXXIV. Por carta regia do dia 8 de Julho de 1820, 
a caj>itauia de Sergipe de El-Rei fica declarada inde- 
pendente do governo da Bahia. 

CCLXXV. No dia 24 de Agosto de 1820, rompe na 
cidade do Porto a revolução constitucional, que em 
seguida reflectiu sobre o Brazil, com o fim de se obter 
uma constituição liberal. 

CCLXXyi. No dia 10 de Setembro, o caudilho hes- 
panhol D. José Artigas, que se havia refugiado no 
Paraguay, é preso na aldeia Curuguaty, por ordem do 
dictador do Paraguay Dr. Francio. 

CCLXXVII. No dia 28 de Outubro de 1820, chega 
ao Rio de Janeiro a noticia da revolução de Portugal, 
começada no dia 24 de Agosto, na cidade do Porto, 
afim de se obter uma constituição liberal. 

CCLXXYIII. No dia 19 de Novembro de 1820, morre 
no Rio de Janeiro o almirante D. Francisco Maurício 
de Souza Coutinho, sendo sepultado na igreja matriz do 
Engenho Velho. 

Foi governador e capitão general do Grão Pará e Rio 
Negro, quando cai)itão de fragata, de que tomou jiosse 
em Junho de 1790, e passou a administração ao conde 
dos Arcos em 22 de Setembro de 1803. 

CCLXXIX. No dia 15 de Dezembro de 1820, por ordem 
de sua magestade, foi preso e recolhido a cadeia do 



(1) Vide a historia de G de Março de 1817, em Pernaml)ueo no 
meu Brazil Hisí&ríco. 



202 rTTTiO>:iCA GERAL 

Aljube o leverendo x^^<li'e Firmino- Rodrigues da Silva, 
sendo solto no dia seguinte. 

CCLXXX. Uso dia 15 de Janeiro de 13.-20, funda-se a 
inimeira igreja episcopal anglicana no Rio de Janeiro, 
no largo da Ajiida, no mesmo lugar onde foi a ermida 
de Nossa Senhora da Conceição da Ajuda fundada antes 
de ICX). 

CCLXXXI. Forçada a família real portugueza a deixar 
Lis])oa no dia 20 de Novembro de 1807, ein presença da 
invasão franceza, o príncipe regente D. João YI, com 
sua mãi a rainlia D. lalaria I e seus lilhos D. Pedro, 
D. Miguel e o Infante de Hespanlia D. Pedro Carlos, 
embarcaram na náo Príncipe real. 

A princeza D. Carlota Joaquina, veiu na náo Ajfonso 
Henrique., com suas lillias D. Maria Tliereza, D. Maria 
Isabel, D. Maria da Assumi^ção e D, Anna de Jesus 
Maria. 

Na náo D. Henrique vieram a x^rinceza D. Maria Be- 
nedicta, viuva do príncipe D. José, irmã da rainha 
D. Maria I ; a Infanta 1). Marianna, e as infantas filhas 
do príncipe regente D. Maria Francisca de Assis e 
I). Isabel Marin, que foi depois regente de Portugal; 
e muitos criados liomens e mulheres. 

A confusão do embarque e sabida da hiniilia real de 
Lisboa X)ara o Brazil, ein visía do terror que causou a 
força franceza ao mando do general Junot, fez que viessem 
todos mal accoramodados, e c[uasi sem a roupa neces- 
sária para o uso ordinário, a dar lugar a soffrerem 
privações ; porque a gente era muitn, e com a pressa 
do embarque, tanto a que pertencia a familia real, como 
a que pertencia aos particulares ficou no terreiro do paço 
em Lisboa. 

Nas outias náos em])arcaram os ministros de Estado, 
fidalgos e povo sahindo todos do Tejo com bom tenii:)0. 



T>0 unAziL 203 

Xa noite de 11 de Dezembro na altura da illia da 
Madeira desabando nma grande tormenta, extramalliou 
a esquadra real, loroando-os a arribar a differentes x^ortos 
do Brazil. 

A íSni. r>. r\riuia Ij assustada pelo que se i^assava, gri- 
tava j)ara o lillio : — 2iara onde me levam ! Ilespondia o 
lillio^)a;Yí os seus Estados no Brazil minha senliora, 
aonde c e será sempre raiiilia, e nada lhe ha de faltar. 
Ella dizia que não queria andar no mar ; e o íillio llie 
resi^ondia : — foi vara saltar a vossa majestade, e a sua 
família^ e talvez a sua dynastia^ que eu oumndo o con- 
selho de estado^ resolvi deixar Fo7'iuc/al, 2yara evitarmos 
a sorte de outros soheranos, como a. de Carlos IV e sua. 
família. 

Apesar dos contratemiDOs cliegaram o i^rincipe regente 
e a rainha D. Maria I a Bahia no dia 22 (sexta-feira) 
de Janeiro, ás onze horas da manhã, de 1808, e desem- 
barcaram no dia seguinte vinte e três das quatro para 
ás cinco horas da tarde. 

No dia 28 do mesmo mez de Janeiro de 1808 são 
abertos os X3ortos nuiritini" • '"!■> T^razil a todas as nações 
do globo. 

Parte da faniilia real, ímii consequência do temj^oral 
do dia 11 de Dezembro, tendo chegado ao Rio de Ja- 
neiro no dia 17 de Janeiro de 1808, o príncipe regente 
tendo disto noticia, para poux>íi^i-'i' de novofi incommodos 
do mar, partiu i^ara o Rio de Janeiro no dia 28 de Fe- 
vereiro, chegou no dia 7 de Março e no dia 8 desem- 
barcou na cidade de 3. Sebastião do Rio de Janeiro 
onde fundou o Império Americano, conhecido por Império 
do Brazil. 

Estando a cGrte porLugueza no Rio de Janeiro, e re- 
ceios o x:)ovo de Portugal que o rei não voltaria mais com sua 
corte para Lisboa, x>romovea a revolução constitucional 
de 24 de Ago>to de 1820, ]ia cidade do Porto, e em 



204 CHROIíICA OEKAIi 

Setembro em todo o reino, cuja revolução repercutindo 
em Janeiro no Pará, e em seguida nas provincias do 
sal do Brazil, originou o movimento do dia 26 de Feve- 
reiro de 1821 na praça do Rocio do Rio de Janeiro 
que terminou pela saliida do rei com sua familia e corte 
para Lisboa no dia 26 de Abril j)elas seis horas e três 
quartos da manliã do mesmo anno de 1821. 

CCLXXXÍI. No dia 30 de Dezembro de 1820, é nomeado 
o conde da Ponte, Manoel de Saldanlia da Clama Mello 
Flores Guedes de Brito, governador e capitão general da 
capitania do Pará. 

CCLXXXIII. Por carta regia de 30 de Dezembro 
de 1820, é o conde de Villa Flor, depois duque da Ter- 
ceira, nomeado governador e capitão general da ca]3Ítania 
da Bahia. 

CCLXXXIV^. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 17; 
cyclo solar, 10 ; epacta, 26 ; letra dominical, Gt. 

CCLXXXV. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, segunda- 
feira ; paschoa a 22 de Abril ; indicação romana, 9 ; i^e- 
riodo Juliano, 6,534. 

CCLXXXVI. No 1.° de Janeiro, o Pará se pronuncia 
no mesmo sentido da revolução de 24 de Agosto de 1820, 
em Portugal. 

CCLXXXYII. O ex-imperador foi o primeiro que viu 
em Santa Helena um cometa no céo, e como Carlos Magno, 
elle mesmo predisse a sua sorte. 

CCLXXXVIII. No 1." de Janeiro de 1821, morre no 
Rio de Janeiro, cem sessenta e quatro annos de idade 
o terceiro marquez de Pombal, José Francisco de Carvalho 
Mello e Daim, antes conde da Redinha, presidente 
das mesas do desembargo do i)aço, e da consciência e 
ordens, no Rio de Janeiro, que nascera no 1." de Abril 
de 1753. 



DO 75RAZ1L 'JOÔ 

Em irmão do segundo mnrqnez de Pombal IL-nrique 
.Tose de Carvalho e Mello, e ambos íillios do grande minis- 
tro Sebastião José de Carvalho e Mello, primeiro mar- 
qnez de Pombal. 

CCLXXXIX. No dia 24 de Janeiro de 1821 pelas 
sete horas da tarde morre na corte do Rio de Janeiro 
a viuva condessa de Linhares, D. Gabriella de Azi- 
nari de San Marsan, com cincoenta annos, cinco mezes 
e vinte quatro dias de idade ; e foi sepultada na igreja 
do convento de Santo António, junto aos restos mor- 
taes de seu esposo, fallecido no dia 26 de Janeiro de 
1812. Esta illustre senhora decendia das famílias de 
Azinari e Pazzo, príncipe de la Sistema. 

CCXC. O Pará em 1851 foi governado ideias juntas pro- 
visórias no systema constitucional. 

A 1.* de Janerio de 1821, a Março de 1822. 

A 2.^" de Março de 1822, a Marco de 1823. 

A 3.^ de Março de 1823, a Agosto de 1823. 

A 1.° junta provisória de Janeiro de 1821 feita por 
eleição popular compoz-se dos senhores : 

1.° Cónego vigário capitular Romoaldo António de 
Seixas. 

2." Juiz de fora Joaquim Pereira de Macedo. 

3.° Coronel João Pereira Villaça. 

4° Coronel Francisco José Rodrigues Barata. 

5.° Coronel Geraldo José de Abreu. 

6.° Tenente coronel Francisco José de Faria. 

7.° Commerciante Francisco Gonçalves Lima. 

8.° Agricultor João da Fonseca Freitas. 

9.° Agricultor José Rodrigues de Castro Góes. 

CCXCI. Por carta regia de 6 de Fevereiro de 1721, 
crea-se a relação de Pernambuco, com a mesma al- 
çada e graduação que a do Maranhão. 



2U8 CUEUXKA GlíIÍAL 

CCXCII. No dia 10 de Fevereiro de 1821 a BaMa, se 
pronuncia no mesmo sentido da revolnção de Portu- 
gal, sendo este proiiiinciíimento pela tropa e ijo'^'^. 

CCXGIII. O povo e a troija portugueza reune-se no 
largo do Rocio no dia 26 de Fevereiro de 1821, e 
ob vigam o Sr. J). João VI a acceder, sem reserva para 
o Brazil, a futura constituição, que íizessem as cortes 
portuguezas em Lisboa. 

CCXCIY. No dia 26 de Fevereiro de 1821 é nomeado 
o general Carlos Frederico de Caula governador das 
armas da corte e i)roTÍncia do Rio de Janeiro. 

CGXCV. No dia 26 de Fevereiro de 1821, é no- 
meado o general José de Oliveira Baiboza, depois barão 
do Passeio Publico^ e visconde do Rio Comprido cliefe 
do corpo de policia da corte. 

CCXCYI. No dia 13 de Março de 1821, apparece- 
ram distúrbios no Rio de Janeiío. 

CCXCVII. No dia 6 de Março de 1821, nasce no 
Xiaço da Bôa Vista em S. Cliristovão o princiíDe da 
Beira, D. João Carlos. 

CCXCVIII. No dia 18 de Abril de 1821 morre, no 
Rio de Janeiro, o marechal de exercito, e conselheiro 
de guerra João Shadwel Connell. 

CCXCIX. Elrei B. João VI, não queria deixar o 
Brazil, iiorque muito o amava ; i^orém a rainha D. Car- 
lota, o íilho D. Miguel, e toda a gente do paço, e os 
c[ue com elles se relacionavam suspiravam i^ela volta 
l)ara Lisboa. Mas os j)ortugaezes de bom senso no Rio 
de Janeiro unidos aos brazileiros, e ao i^essoal do com- 
mercio empenharam-se i:)ara que sua magestade não 
sahisse do Brazil, onde estava seguro o seu governo 
e garantida a sua pessoa. Todos queriam ir i)ara Lisboa 



i'0 r.j:.\zii. 



e i»ur i^so piiiicipiavaiu a trabalhar em clubs, o tanto 
íizerani, que em Janeiro de 18Í1, mudaram-se as scenas. 
Convinha tomar-se nma resolução deíinitiva. Em casa 
do duque de PalmeUa (casa n. 173 da rua do Conde 
que pasáou a José Bernardino Teixeira) íez-se uma 
reunião de vinte e quatro x^essoas das varias claoses 
da sociedade, para a decisão deste negocio ; e se de- 
cediu que fosse o princii)8 D. Pedro de Alcântara viara 
Portugal e ficasse o rei no Brazil. 

Com esta resolução o i)aço de S, Christovão toruou-se 
anarchico, porque todos gritavam, todos f aliavam, e 
ningurm se estendia. D, João VI, desde o dia em que 
chegaram as noticias da revolução de 21 de xigosto de 1820, 
no Porto e dei^ois em todo Portugual, vivia triste, 
abatido, embizerrado i^resentindo as suas desgraças ; 
quando no dia 26 de Fevereiro de 1821, o foram ar- 
rancar do i^aço de S. Christovão e o trouxeram i^ara 
a cidade, (1) sendo radiada a sua carruagem, pelos 
coriphéos da revolução desse dia, que eram os celebres 
joadres Góes, Z\Iacamboa, Pimenta, e o famigerado Porto, 
(que foi emprezario do theatro de S. João, e hoje de 
S. Pedro de Alcântara ), e outros ; os quaes na praça 
do Rocio, mandando tirar as bestas da carruagem fi- 
zeram que algumas pessoas do povo, que gritavam — 
Viva o rei constitactonal, puxassem a carruagem até 
ao i)aço da cidade. 

O rei tomado de extranha sorpreza, banliou-se em 
lagrimas, e de quand'> em quando limitava os olhos com 
o lenço até que se apeiou no paço da cidade. jS^esse 
dia decidiu-se a íi)artida do rei para Portugal. El-rei 
pelo decreto de 7 de Março manifesta o seu profundo 
sentimento em deixar o Brazil, e protesta aos brazi- 



(1) Vide o Bi'02U EUiorico de 18G4, c o Brazil Reino e Brazil Im- 
pério. 



208 CIIKOXICA GEEAL 

leiros a sua sincera dedicação, e o • seu empenlio pelo 
engradecimento deste vasto e opulento reino do Brazil, 

CCC. D. Carlota Joaquina parecia andar endiabrada, 
gritando no paço e por toda a parte onde cliegava, e 
dizia que e7n cJieganão a Lisboa ficaria cega porque 
tinlia Divido treze annos no escuro só vendo negros e 
mulatos. (1) Tudo quanto liavia de ruim e x^essimo dizia 
do Brazil, que a liavia recebido com indisivel hospita- 
lidade, nos dias do infortúnio. 

Quando cliegou essa pérola a Lisboa, deitou ao Tejo 
os sapatos que levou do Rio de Janeiro dizendo que 
não queria pisar na terra de Lisboa com sapatos leviados 
do Brazil ; e ao saltar em terra, ajoelliou e beijou o 
clião, que mezes depois a não queria em si. 

As filhas mais moças, isto é, as que ella teve do 
criado da quinta do Ramalhão, também diziam que 
queriam ir para Lisboa, porque esta terra do Brazil 
não p)restava para nada ! E tinham razão o pai lá 
havia ficado. 

Repare-se o caracter dessa gente : uma das filhas de 
D. Carlota veiu i^ara o Brazil com dous annos ; e a outra 
fez um anno na viagem para o Rio de Janeiro ! 

D. Maria Thereza não fallava mal do Brazil, e coho- 
nestava o que sentia com o dizer : qu^e o que llie fazia 
ter desejos de voltar para Lisboa era para melhor alll 
pugnar pelos interesses e direitos do filho D. Sebastião, 
porque ella tinha uma demanda com a coroa de Hes- 
p>anha. 

Fernando VII queria que a casa do infantado, que 
tinha sido do Infante D. Pedro Carlos, i)ai de D. Se- 
bastião fosse tirada ao filho e ao neto, dizendo que 



(]) Dizia assim talvez por iguorar o alvará de 15 de Janeiro de 1773 
pelo qual foram libertos os negros e mulatos em Portugal, mais alvos que 
os próprios brancos seus senbores. 



1>0 15K.VZIL 209 

1>. Pedro Carlos, fora pequeno para Portugal, onde 
tinha sido reconhecido infante portiigiiez, vivido e fal- 
lecido. nos estados de Portugal, e exercido cargos mi- 
litares por noineavíio do soberano. D. Maria Thereza 
venceu essa demanda, depois que foi para Lisboa. 
Embora o interesse a chamasse para Portugal, comtudo 
não fallava mal do Brazil, como sua mãi e irmãs. 

D. Maria Thereza veiu para o Brazil com quinze annos ; 
e dizia que estimava os brazileiros, porque eram bons 
e os haviam recebido, quando vieram de Portugal, com 
muito agasalho e amisade ; porém, que desejava voltar 
para Lisboa, porque queria acabar seus dias onde aca- 
basse seu pai. 

As mulheres das differentes classes eram uns demó- 
nios á fallarem do Brazil, e dos brazileiros, chegando 
a insolência dessa canalha, a atacarem os homens e 
as senhoras brazileiras que iam ao paço, contando-lhes o 
que a rainha dizia contra o Brazil e os brazileiros. 
Que as frutas do Brazil sabiam a archote, que eram 
rnins, e não prestavam ; outras diziam que sentiam ter 
filhos no Brazil, e iguaes parvoíces. 

Os homens eram mais comedidos, ainda que alguns 
estivessem satisfeitos por terem lá suas casas e familia, 
diziam que deixavam no Brazil muitos amigos, e tinham 
sido mui bem tratados. Outros diziam que tinham vindo 
de Portugal sem posição, e sem cousa alguma, o vol- 
tavam cheios de honra e de riquezas. 

Toda essa gente canalha, e ingrata, que blasphemava 
contra o Brazil, íoi castigada pela Divina Providencia, 
pois chegando a Lisboa não tiveram do que viver. 

As taes mulheres do paço, desde as damas até a 
mais Ínfima criada da casa real, não recebiam orde- 
nado. 

Andavam a pedir a uns e a outros dinheiro para se 
alimentarem ; em modo que de Lisboa escreviam a im- 



210 ( HuoMtA '.l:i:al 

peratriz Leopoldina, do Brazil, para as soccorrer com 
alguma cousa ; e esta seiíliora reconliecendo a miséria 
em que elUis viviam mandou-llies dar pensões ; e as 
que tinham no Rio de Janeiro, Bailia e Pernambuco 
parentes brazileiros escreviam-llies pedindo-llies esmolas. 
6 eram favorecidas. 

Era tamanha a desgraça da gente que foi com o rei, 
que se vend<) em Lisboa ao desamparo, escreviam aos 
conhecidos que deixaram no Brazil pedindo-lhes esmolas 
e pensões. Isto mesmo aconteceu depois que as cortes 
de Lisboa foram dissolvidas, e a constituição foi abaixo. 
Os próprios fidalgos e a nobreza em virtude da perda 
dos bens da coroa soffi-eram muito por verem dimi- 
nuídos os seus rendimentos. 

Muitos portuguezes, homens e mulheres, que fallarara 
do Brazil e dos brazileiros voltaram, por não poderem 
resistir a miséria em Lisboa. 

Foi tanta a generosidade dos brazileiros, que man- 
davam esmolas aos próprios desconhecidos, que vivendo 
na miséria, não tinham quem lhes soccorresse. 

CCCI. In a madrugada do dia 21 de Abril de 1821, 
o collegio eleitoral do Rio de Janeiro reunido na praça 
do commercio, é assaltado pela força armada, que faz 
fogo sobre os cidadãos alli reunidos, do que resultaram 
varias mortc-^ e ferimentos graves. 

CCCII. El-rei, vendo o estado melindroso em que se 
achava a monarchia, e desconíiando ser trahido, no dia 
22 de Al)ril de 1821, resolvendo-se retirar para Por- 
tugal nomeou o príncipe real D. Pedro de Alcântara 
regente do reino do Brazil, e nelle seu lugar tenente. 

CCCIII. No dia 25 de Abril de 1821, morre no Rio 
de Janeiro o marechal de campo José Joaquim de 
Lima. 



no £nxziL cn 

CCCIV. Como no dia '2:^ de Abril de 1821, era annos 
da rainha 1>. Carlota Joaquina, e El-rei não qneria dar 
heija-nião embarcou-se nesse dia ; e na (|i"iinta-íeira 26 do 
mesmo mez pelas seis e três quartos da nianliã, parte 
a esquadra com El-rei e a íamilia real, indo sua ma- 
gestade em soluços e banhado em lagrimas por deixar 
o Brazil. Suas justas lagrimas i)reniunisavani os tor- 
mentos, decepções e a morte que o esi^eravam em 
Lisboa. 

Compunha -se a esquadra da náo J). .Todo VI. com o 
commandanie da esquadra, conde de Yianna ; coniman- 
dante da náo, o caijitão de mar e guerra Joaquim 
Epiphanio da Cunha. Fragata Carolina, commandante 
o cai^itão de fragata João Bernardino Gonsaga. Charrua 
Orestes, capitão tenente António Joaquim do Couto. 
Charrua Princeza Real, o capitão de mar e guerra, 
Pedro António Nunes. Charrua Conde de Peniclie, 
capitão de mar e guerra, António Corrêa Manoel. Cor- 
veta Voador, capitão tenente José Gfregorio Prego. 
Briaue Reino Unido, cn[)itão tenente Theodoro de Bau- 
re paire. Hiati:^ Real, capitão de mar e guerra Pio An- 
tónio dos Snntos. Náo Qimtro de Abril, capitão de 
fragata, João y-M-imucerio Brandão. 'Náo Ch'ã-Cruz de 
Ac;z, capit-lo dtí f-':ig ;í\. Tvjrqn ito Mnrtiniano da Silva. 
2\áo Rheniz, capitão it- f.-> gaia José Pedro Alves. Náo 
Sele de Março, captào de mgr e guerra, António Ber- 
nardo de Almeida. 

CCCV. O princip^ D. Pedro, nasceu »-ni Lisboa, no 
paço de Queiuz, no mesmo quarto em que depois morreu, 
no dia 12 de Outubro de 1798. NasC'-ii infante, porque 
ainda existia seu ii-mâo o príncipe D. António, que fal- 
leceu em Janeiro de 1805. (1) Foi nomeada para sua dama 
D. Maria das Dores de Mello, íllha do marqu 'z de Sa- 

(1) Vide a minha obra a IndepeTidencia e o Império do ira- 



212 CHROXICA GEKAL 

bugosa, a qual x^or ser muito moça, estava semx)re em 
casa do pai, e não veiu para o Brazil. Igualmente foram 
nomeadas assafatas D. Maria Genoveva do Rego Mattos, 
senhora de cincoenta e seis annos, cujo officio exercia 
desde o temx^o de El-rei D. José I, íillia do guarda roupa 
e porteiro da camará de El-rei D. José I e D. Maria I. 
Era esta senhora de exemi^lar comportamento, e própria, 
para a direcção de um x)rincipe. 

Tomando a si os cuidados de D. Pedro, encarregou-se 
delle, até que a corte veiu para o Brazil. Aqai princi- 
piou D. Pedro á servir-se de criados homens. 

EUa o amava sinceramente e o chamava de seu menino, 
aconselhando o sempre com brandura. O que Maria Geno- 
veva não alcançasse delle, ninguém mais obtinha, porque 
tinha-lhe verdadeira amisade, e sincero respeito. No dia 
em que ella se sacramentou no i)aço de S. Christovão, 
não querendo ir para Portugal em 1821, porque seu 
m''ain<» tião i . D ■"' ' já príncipe regente foi com a 
mulher D. Maric L tiidina, de toxa na mão, acom- 
panhar o Santíssimo Sacramento ao quarto delia ; e de- 
pois de sacramentada, abraçou-a chorando muito ; e ella 
lhe disse : que sentia morrer por causa delle, ijorque 
embora os seics consellios lhe não servissem para a po- 
litica, as advertências de uma mãi, como ella se con- 
siderava, Vtte poderiam servir para a zida domestica. 
Pediíc-lhe, que fosse bom filho, e que nunca se conspi- 
rasse contra seu pai e sua mãi ; e que estimasse as 
suas irmães ; que fosse bom inarido, e bom pai ; e que 
elle sendo uma criança, começava apenas a sua vida, 
e ia governar p)ovos, que Deus lhe confiava, e se lem- 
brasse, que aquelles que a providencia destinada para 
mandar os outros tinliani obrigações restrictas de os 
proteger. 

Na mesma tarde deste dia foi elle para a fazenda de 
Santa Cruz, jDara não assistir a morte, e nem ver o en- 



PO BRAzir. 213 

terro da sua Maria. Três dias depois voltou, e muito 
fallava nella. Esta assafata, quando chegou a princeza 
D. Maria Leopoldina, passou para o seu serviço, porque 
apesar de velha, D. Pedro não queria que se chamasse 
outra. A princeza não gostava delia, e a supportava em 
attenção ao marido. 

A outra assafata do príncipe D. Pedro, foi D. Fran- 
cisca de Castello Branco, pertencente a familia dos La- 
cerdas, que teve pouco trabalho com elle, porque sempre 
estava em casa da familia. 

Quando chegou a princeza D. Maria Leopoldina, entrou 
para o sen serviço, como assafata D. Francisca com qua- 
renta e três annos de idade, senhora muito feia ; mas 
de excellentes qualidades, e por isso foi a mais valida da 
princeza D. Maria Leopoldina. 

D. Francisca nunca fez intrigas contra ninguém ; e suas 
virtudes a elevaram a dama em 1823, por pedido da im- 
peratriz, que a queria levar comsigo por occasião da 
abertura da primeira assembléa legislativa constituinte 
do Brazil. O imperador em 1825, a fez viscondessa de 
Itaguahy, e marqueza do mesmo titulo em 1826, e até 
lhe deu uma carruagem do paço, para o seu serviço. 
Quando o imperador abdicou, ella estava de cama en- 
ferma de um cancro no peito, e assim mesmo se levanto a 
e o abraçou chorando pedindo-lhe que a levasse, porque 
o queria acompanhar. O ex-imperador respondeu-lhe : 
JlirJia Francisca não podes ir, estando o teu peito 
neste estado. Esta senhora falleceu três annos depois 
da abdicação do im^oerador, e abandonada de seus va- 
lidos, e esquecida de todos no paço da cidade ; e até foi 
enterrada xjor esmola pelos terceiros de S. Francisco de 
Paula de cuja ordem era irmã, sendo mordomo da casa 
imperial João Valentim de Faria Souza Lobato, que 
tantas homenagens e bajiihições lhe fazia, durante o pri- 
meiro reinado. 



214 ciinoxiCA r>Ei?AL 

José Bonifácio de Andrade e Silva tutor dos menores, 
filhos do ex- imperador, não se llie importa\^a de D. Fran- 
cisca, marqiieza de Itagualiy, e qnando lhe foram dar 
parte de ter ella fallecido res^Dondeu : enterrem-na. 

CCCY.I. ÍTos últimos tempos da estada do rei no Rio 
de Janeiro, o beija mão era quasi sempre em S. Cliris- 
tovão ; e a rainha D. Carlota assentava-se com as filhas 
na sala ; e acabado o acto voltavam i^ara a cidade. 

Poucas vezes iam a sala do tlirono, sendo limitado ao 
dia 13 de Maio anniversario natalício do rei ; ao dia 12 
de Outubro, dia de annos do x:)rincipe D. Pedro de Al- 
cântara ; no dia de S. Carlos ; e no dia de S. João. Nestes 
dias a rainha sentava-se ao lado do rei ; seguindo-se as 
filhas, e a princeza viuva, e o príncipe D. Sebastião ; e a 
direita assentavam-se os príncipes D. Pedro e D. Miguel. 

CCCyiI. A constituinte de Lisboa, vendo o rei cer- 
cado de sua corte, T)ara melhor enfraquecel-o fez depor- 
tar x^ara fora da capital todos os que se consideravam 
validos do rei, sendo o conde de Paraty, e os Lobatos, 
de que resultou ficar Bernardo Lobato, doudo. Os mais 
criados de i^rimeira, segunda e terceira ordem, foram 
também deportados, e só voltaram ao paço, de^iois da 
queda da constituição e dissolução da assembléa consti- 
tuinte. 

O conde de Paraty, foi grande valido do rei : mas não 
influía na politica governamental. Pedia aos ministros, 
quando queria um ou outro favor ; e i)elo que era sem- 
pre servido, porque sabiam os ministros, que o rei muito 
o estimava ; e que se não apartava delle, senão quando 
estava no despacho, ou de noite quando o rei dormia ; 
estando já de ^té as cinco horas da manhã, porque o rei 
quando acordava o chamava logo dizendo — Miguel 
ãá-me isto ou aquillo ; e para mais approximal-o de si. 



DO BRAZTL 215 

mandava por elle separar os papeis, ler os reqnei-imentos 
como se o romle de Paratj^ fosse seu official de iiabinete. 
Emqiianto o rei resava o ofiicio divino p*'l:i nianluT, e 
depois do jantar era quando o conde de Paraty almo- 
çava e jantava. 

* CCCVIII. O primeiro acto administrativo do príncipe 
regente lugar tenente de El -rei D. João VI foi : logo que 
despediu-se de seu pai, desembarcar no arsenal de 
marinha, e ordenar que os carpinteiros fossem ao campo 
de Santa Anna e deitassem abaixo as arvores e todas as 
i:)lantas de que se compnnlia o jardim daqnelle campo, 
que occupava a quadra desde a frente da casa do con- 
sellieiro Paulo Feriiundes A^ianna, exintendente geral 
de i^olicia, até a rua dos Ciganos, e Conde da Cunlia, com 
o lim de desfeitear o conselheiro Paulo Fernandes. Este 
acontecimento originou a morte repentina do ex-inten- 
dente geral de policia do tempo de El-rei. 

CCCIX. No dia o de Maio creou-se uma junta consti- 
tucional no Brazii. 

GCCX. Xo mez de Maio de 1821, nioi-re no Rio de 
Janeiro o visconde de Andaluz, António Luiz Maria de 
Mariz Sarmento, tenente-general, governador da fortaleza 
da ilha das Cobras, nascido em 14 de Junho de 1745. 

Era filho de Francisco Manoel Maria Sarmento Dourado, 
e de sua segunda mulher D. Anna ApoUonia de Vilhena 
Coutinho. Era casado com D. ]\íaria Barbara do Valle 
de Almeida Castello Branco. 

CCCXI. A tropa portugueza, chamada divisão auxi- 
liadora, insutiada pelo conde de Loiíran, no dia o de 
Junho de 1821, se revolta, e marclia para o largo do 
Rocio, hoje x)raça da Constituição, e exige que o i:)rincipe 
regente, jure de novo as bases da constituição, já rece- 
bidas em Lisboa, mude o ministério, sendo excluído o 



216 CHRONICA GERAI. 

conde dos Arcos, expulso do Brazil, sendo remettido 
preso para Lisboa ; e no que o príncipe em tudo conveiu. 

CCCXII. A capitania de S. Paulo no dia 23 de Junho 
de 1821, elegeu, e empossou quinze membros do seu 
primeiro governo provisório composto dos seguintes ci- 
dadãos, que governou um anno dous mezes e dous dia^ 

Presidente. — O ex-governador e capitão general João 
Carlos Augusto Orynliausen. 

Yice Presidente. — Dr. José Bonifácio de Andrada 
e Silva. 

Secretario do interior e fazenda. — O coronel Martim 
Francisco Ribeiro de Andrada. 

Secretario da guerra. — Coronel Lazaro José Gonçalves. 

Secretario da marinlia. — O chefe de esquadra Miguel 
José de Oliveira Pinto 

Yogaes 

Pdo ecclesiastico. — Cónego Felisberto Gromes Jardim, 
cónego Dr. João Ferreira de Oliveira Bueno. 

Peto exercito. — Coronel António Leite Pereira da 
Gama Logo, coronel de engenheiros Daniel Pedro Muller. 
■ 1 Pelo commercio. — Coronel Francisco Ignacio de Souza 
Queiroz, brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão. 

Pela instrucção publica. — Padre Manuel Francisco 
de Paula e Oliveira, tenente coronel André da Silva 
Gomes. 

Pela agricultura. — Dr. Nicolau Pereira de Cam- 
pos Vergueiro, tenente coronel António Maria Quartim. 

No dia 29 do mesmo mez o marechal, ex-capitão 
general Orynliausen assume a presidência da Junta 
provisória do governo eleita pela tropa e jiovo, e go- 
verna com os seus companheiros n(n ainio dons mezes 
e, dous dias. 



I>(1 URAZir. 



217 



CCCXIII. Luiz do Rego Barreto, governiidor de Per- 
nambuco, no dia 11 de Junho de 1821, proclama e faz 
jurar em Pernambuco as bases da constituição qne o 
congresso em Lisboa estava fazendo i3ara reger a mo- 
narcliia. 

CCCXIV. o tenente coronel Tliomaz Joaquim Pereira 
Valente, depois conde do Rio Pardo, com patente regia, 
toma posse do governo de Santa Catliarina no dia 20 de 
Jullio de 1821, e serviu até 20 de Maio de 1822, em 
qne assumiu o exercido, a junta do governo, eleita em 
execução do decreto dos cortes de Lisboa. 

CCC.XY. No dia 21 de Julho de 1821, o general Luiz 
do Rego Barreto leva um tiro de i^istola, do qual fica 
gravemente ferido. 

CCCXVI. Após a partida de El-rei, no dia 28 de Julho 
de 1821. apparece a grande crise financeira e económica 
do Banco Nacional, em consequência da divida de doze 
milhões, de qne resulta o mesmo banco susx:)ender, no 
mesmo dia 28, os seus pagamentos. 

Foi um dos beneficios que nos deixou El-rei o Sr. 
D. João VI, que aportando ao Brazil pobre, e indivi- 
dado, depois chegou a ter algumas salas do seu pa- 
lácio especadas por causa do muito peso dos seus cofres, 
retirou-se legando-nos não só a divida dos doze mi- 
lhões do Banco Nacional ; á loung e Finie, dons mil e 
tantos contos ; ao visconde do Rio Secco, depois mar- 
quez de Jundiahy, mil contos ; ao arsenal do exer- 
cito, mil contos ; ao arsenal de marinha, mil e cem 
contos ; aos voluntários reaes, seis mezes de soldo ; a 
divisão do sul pouco mais ou menos outro tanto. 

CCCXVII. No dia 31 de Jullio de 1821, a republica de 
Montevideo, se incorpora ao Brazil, sob certas condições de- 



218 CIIEOXICA GERAL 

baixo do noiiie de provinda Cisplatiua. Esta união foi 
nial vista em Buenos xVyres, e disso originou-se a se- 
gunda campanha do Sul, começada em Sarandy, e ter- 
minada em Ituzaingo, além de muitos combates e roubos 
dos corsários argentinos. 

A acta de incorx)oração de Montevideo ao Brazil de- 
baixo da denominação de Estado Cisplatino ou Oriental 
ao Reino Unido de Portugal, Brazil e Algarve, eu possuo 
uma cópia autograx^ba. 

CCCXVIII. No dia 28 de Agosto manifesta-se um mo- 
vimento revolucionário liberal em Goyanna de Pernam- 
buco, e o povo e tropa cream um governo temi)orario. 

CCCXIX. Luiz do Rego Barreto cajpitão general de 
Pernambuco, no dia 30 de Agosto de 1821, crea no Recife 
a junta constitucional governativa da qual se constitue 
presidente. 

Já fiinccionando este governo, no dia 2 de Setembro 
do mesmo anno as cortes de Lisboa mandam, que se 
organise em Pernambuco um governo j)rovisorio com- 
idos to de ura i^residente, de um secretario, e cinco membros, 
nomeados todos pelos eleitores. 

CCCXX. l^o dia 29 de Setembro de 1821, as cortes de 
Lisboa decretam a retirada do principe regente, D. Pedro 
de Alcântara, do Brazil. 

CCCXXI. No dia 29 de Setembro de 1821, foi preso 
na cadeia do Aljube Manoel Luiz Nunes por ter dado 
um viva, na noite de 21, no tlieatro real ; sendo solto 
por alvará no dia 18 de Outubro do mesmo anno. 

CCCXXII. No dia 1.» de Outubro de 1821 morre o co- 
ronel governador da fortaleza da Lage, António Corrêa 
Pimentel ; e no dia 2 de Novembro do mesmo anno 
morre o cliefe de divisão Salvador José Torres. 

CCCXXIIL No dia 3 de Outubro de 1821, dá-se 
um combate renhido entre as tropas do general Luiz do 



Rego Barreto, e os liberaes pernambucanos junto a cidade 
dp Olinda, que den em resultado a capitulação que o 
mesmo general iDropoz e foi aceita. 

Luiz do Rego no dia 2Í de Outubro eni])arca para Por- 
tugal, depois de um odioso governo. 

Fizeram-se muitos versos em relação a victoria que os 
pernambucanos alcançaram. 

Luiz do Rego valoroso, 
Sete campanlias venceu, 
Ciiega as tro^ms de Goyanna, 
Luiz do Rego esmoreceu. 

CCCXXIV. No dia 27 de Outubro de 1821 elege-se a 
primeira junta do governo de Pernam])uco, e da qual foi 
eleito i)residente Gervásio Pires Ferreira, que toma posse 
do governo na comarca de Olinda. 

CCCXXY. No dia 9 de Dezembro o major João José 
da Cunha Fidié, é nomeado governador das armas do 
Piauliy, do qual toma posse no dia 8 de Agosto de 1822. 

CCCXXVI. No dia 24 de Dezembro de 1821 a junta 
provisória de S. Paulo em um ioiigo officio redigido pelo 
Dr. José Bonifácio de Andrada e Silva, pede a.o princi^De 
regente o Sr. D. Pedro de Alcântara que não saia do 
Brazil, expondo-lhe os inconvenientes da sua ausência. 

CCCXXVII. Computo ecclesiasíico. Áureo numero, 18 ; 
cyclo solar, 11 ; ejpacta, 7 ; letra dominical, F. 

CCCXXYIII. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, terça- 
feira ; pasclioa a 7 de Abril ; in;licaçrio romana, 1<) ; pe- 
ríodo Juliano, G,5oõ. 

OCCXXIX. No dia 9 de Jan;'hu de^ 1822 D. Pedro I 
declarou ficíir no Brazil. 

CCCXXX. Primeiro ministério brazileiro : 
Império. — José Bonifácio de Andrada e Silva. 



220 CHROííICA GERAL 

Guerra. — General Joaquim de Oliveira Alves, 
Justiça. — Caetano Pinto de Miranda Montenegro, 
MarinJia. — Manoel António Farinha. 
Fazenda. — Martim Francisco Ribeiro de Andrada, 
Estrangeiros. — José Bonifácio de Andrada e Silva, 
interino. 
Este ministério soífreu diversas modificações. 

CCCXXXI, O general Jorge de Avellez em consequência 
da determinação do x)rincipe regente ter resolvido que fi- 
cava no Brazil, desobedecendo as ordens ias cortes de 
Lisboa, que llie ordenava que saliisse do Brazil, no dia 11 
de Janeiro de 1822, a frente de dons mil homens de tropa 
sahe dos quartéis e vai occupar a fortaleza e morro do 
Castello. 

CCCXXXII. Na segunda-feira, 4 de Fevereiro de 1822, 
falleceu o príncipe da Beira D. João Carlos, filho primo- 
génito do príncipe regente do Brazil o Sr. D. Pedro de 
Alcântara e da archiduqueza da Áustria D, Maria Leopol- 
dina Carolina, com onze mezes de idade, e foi dej^ositado 
no convento de Santo António do Rio de Janeiro. 

CCCXXXIII. No dia 15 de Fevereiro de 1822 a divisão 
portugueza de voluntários reaes ao mando de 'Jorge de 
Avellez Zuzarte, embarca na Praia Grande para Por- 
tugal. 

CCCXXXIV. Por decreto de 16 de Fevereiro de 1822 
crea-so na corte do Rio de Janeiro um conselho de pro- 
curadores das províncias do Brazil, 

CCCXXXV. No dia 18 de Fevereiro de 1822 houve 
na Bahia entre a tropa portugueza e braziíeira um conHict o, 
e no dia 21 a tropa bahiana evacua a fortaleza de S. Pe- 
dro, e fica toda a cidade em poder do general Madeira. 

CCCXXXVL No dia 5 de Março de 1822, chega ao 
Rio de Janeiro a esquadra portugueza, que devia conduzir 
o príncipe D. Pedro regente do Brazil para Portugal. 



J)0 I!UA/,1I. 221 

CCCXXXAai. No dia 6 de M:iri;o de 1822, morre a 
riscondessa do Real Agrado, D. Joanna Rita de La- 
cerda Castello Branco, dama privada da rainlia mãi da 
Sra. D. Maria 1. 

Ko dia 11 do mesmo aniio de Março, nasce na 
Qninta da Boa-Vista em S. Christovâo, a i^rinceza bra- 
zileira a Sra. D. Ja miaria filha do principe regente 
o Sr. D, Pedro de Alcântara e da arcliiduqueza da 
Áustria D. Maria Leopoldina Carolina. 

CCCXX XVIII. No dia 25 de Março o principe regente 
o Sr. D. Pedro parte do Rio de Janeiro para a x^ro- 
vincia de Minas que se achava commovida, e depois 
de a passificar, volta x)ara a corte onde chega no dia 25 
de Abril do mesmo anno. 

CCCXXXIX. Eleição na forma do decreto de 29 de 
Setembro de 1821. 
Foram eleitos : 

António Corrêa de Lacerda, medico. 
João Pereira da Cunha e Queiroz. 

O chantre da Sé, Joaquim Pedro de Moraes e Bitten- 
court. 

O caj)itáo de fragata José Joaquim da Silva. 
O major de milicias Balthazar Alves Pestana. 
O cax>itão de milicias Manoel Gomes Pinto. 
O agiicultor José Rodrigues Lima. 

CCCXL. No dia 13 de Maio de 1822, o principe regente 
o Sr. D. Pedro de Alcântara, aceita jDara si e seus 
descendentes o titulo de Defensor Perpetuo do Brazil, 
que o senado da camará do Rio de Janeiro vai em 
corporação offerecer-lhe ; e no dia 23 do mesmo mez 
vai em coriDoração ao paço pedir ao principe regente, 
que convoque uma assembléa constituinte brazileira ; 
e o Sr. D. Pedro respondeu-lhe que sobre o pedido do 



222 Cim02ílCA GEKAL 

senado da camará ouvirá os procuradores das provín- 
cias do Brazil. 

CCCXLI. No dia 20 de Maio de 1S22 sendo eleita a 
Junta provisória de Santa Gatliarioii recaliiram os votos 
nos seguintes cidadãos : 

Capitão-mór Jacintlio Jorge dos Aujos. 

O major do exercito José da Silva Mafra. 

Caxiitão João de Bittencourt Corrêa Machado. 

Vigário Joaquim de SanfAnna Campos. 

Major de uiilicias Francisco Luiz do Livramento. 

Esta junta governativa serviu até 16 de Fevereiro 
de 1824, em que entregou a administração ao primeiro 
presidente nomeado em virtude da lei de 20 de Ou- 
tubro de 1828. 

CCCXLII. No dia 2 de Junho de 1822, installa-se na 
corte do Eio de Janeiro o conselho dos i)rocuradores 
das províncias do Brazil, convocado já revolucionaria- 
mente, e no sentido das idéas da independência, pelo 
príncipe regente D. Pearo de Alcântara, e logo depois 
j)rimeiro imperador do Brazil ; e no dia seguinte 3 do 
mesmo anno, o príncipe regente atten 'endo a recla- 
mação do sena i > da camará municipal, convoca uma 
assembíéíi cod • a. i»- It^gislativa p ra o reiíii» do Brazil. 

CCCXLIII. ISÍu ant 28 de Junlio df 1822 a camará 
municipal das Alagoas se dirige ao regente do reino do 
Brazil pedindo-lhe uma assembléa constituinte e legis- 
lativa para o Brazil ; e no dia 29 do mesmo mez a 
camará municipal da vil Ia da Atalaia faz o mesmo 
pedido, e para este emj)enho mandam o seu esi^ecial 
procurador. 

CCCXLIV. No dia 25 de Junho de 1822 é acclamado 
o i)rincipe D. Pedro de Alcântara regente do Brazil. 

CCCXLV. No dia x.'^ de Agosto o príncipe regente faz 



1)0 lúiX/AL 223 

publicar uni manifesto pedindo aos brazileiros qiie se 
unissem para obter a sua independencin. 

IX este mesmo dia falleceu o primeiro prelado de Mato 
Grosso, o reverendo bispo de Ptolomaida. 

CCCXLYI. No dia 12 de x\gosto de 1822 o príncipe re- 
gente salie da corte e se dirige para S. Paulo aílm de so- 
cegar os ânimos de seus luibitantes que se adiavam 
exaltados por desavenças entre as iníliiencia locaes que 
ameaçavam grandes desordens; que esperava desvanecei- os 
com a sua presença, o que conseguiu chegando áquella ci- 
dade na noite do dia lo do mesmo mez. 

CCCXLYII. Ko dia 21 de Agosto de 1822 o senado da 
camará do Rio de Janeiro i)ublica o manifesto declarando 
que o Sr. D. Pedro de Alcântara obedecendo ao voto do 
povo vai ser soleinnemente ju-oclamado primeiro imx^e- 
rador constitucional do Brazil, e lixando o dia 12 de Ou- 
tubro para esta ceremonia e solemiiidade. 

CCCXLYIII. Por decreto de 22 de Agosto de 1822 o 
príncipe regente o Sr. D. Pedro, declara inimigas as tropas 
existentes no Brazil, que perturbarem a ordem XJublica. 

CCCXLIX. No dia 19 de Setembro de 1822 haviam as 
cortes de Lisboa decretado varias medidas violentas con- 
tra o Brazil, impugnadas energicamente pelos deputados 
brazileiros ; mas suas vozes foram abafadas pelos insultos 
e ameaças da canalha de Lisboa. 

Xeste estado de cousas tornou-se inevitável a lucta ar- 
mada, e sete dos mais notáveis deputados como António 
Carlos, Lino Coutinho, padre Feijó, Barata e outros fu- 
giram para Falmuth, onde em data de 22 de Outubro 
l)ublicaram a formal declaração dos motivos, que es 
haviam forçado á sahir de Lisboa, e deixar as cortes con- 
stituintes legislativas portuguezas. 

CCCL. No dia 7 de Setembro de 1822, voltando o prín- 
cipe regente de uma visita que havia feito a villa de 



224 CHRONICA íiEKAL 

Santos, Junto ao riaclio do Ypiranga recebendo os novos 
decretos das cortes de Portugal, que o forçavam a voltar 
para a Europa, cuja noticia caiisou indignação geral, ar- 
rancada do braço a legenda portugueza deu o grito — 
Independência ou morte. 

CCCLI. No dia 9 de Setembro de 1822 sua alteza o 
príncipe regente faz publicar o decreto ordenando, que, 
em consequência de ter no dia 23 de Junho próximo pas- 
sado cessado o governo da província de S. Paulo, as au- 
toridades que succediam na falta dos capitães generaes, 
fiquem encarregadas do governo da provinda, em con- 
formidade do alvará de 12 de Setembro de 1790, até a 
installação da junta provisória, que o povo ha de eleger. 

No dia 10 do mesmo mez, um triumvirato comj)osto 
do bisj)o diocesano D. Matlieus de Abreu Pereira, o 
ouvidor da comarca Dr. José Corrêa Pacheco e Silva, 
o marechal de campo Cândido Xavier de Almeida e 
Souza, assumem neste dia o governo de S. Paulo, e o 
dirige durante quatro mezes. 

CCCLII. No dia 16 de Setembro a^jparece uma sedição 
militar em Pernambuco. 

CCCLIII. No dia 23 de Setembro de 1822 os eleitores 
do Recife e Olinda (Pernambuco) nomeiam uma junta 
provisória de governo, em substituição ao governo tem- 
porário creado no dia 7 do mesmo mez de Setembro. 

CCCLIV. No dia 12 de Outubro, dia de annos do prin- 
cipe regente o Sr. D. Pedro de Alcântara de Bragança e 
Bourbon é acclamado primeiro imperador constitucional 
e defensor perpetuo do Brazil. 

CCCLV. No dia 2 de Novembro de 1822 a cidade da 
Parnahyba solta o grito de indei^endencia ; e no dia 14 
parte da cidade de Oeiras o major Fidié com força ar- 
mada para suífocar o movimento independente. 



DO BKAZIL 



CCCLYI. D. João YI depois qne assumiu o governo 
da nação, empregou todos os meios brandos e suasórios 
para unir o Brazil a Portugal ; mas não podendo con- 
seguir no mesmo dia em que ratificou o tratado da 
independência governamental, tomou para si o titulo 
de imperador do Brazil em sua vida, e ordenou, por 
uma portaria assignada pelo conde de Porto Santo, 
dirigida a todos os tribunaes, estações publicas, gover- 
nadores e magistrados, que os súbditos do Brazil fossem 
tratados e considerados como se fossem portuguezes ; 
bem como os navios, géneros, mercadorias do Brazil, 
fossem" recebidos nas alfandegas e estações dos domí- 
nios de Portugal, como se nacionaes fossem. 

A El-rei D. João TI muito custou a separação po- 
litica do Brazil, porque não só o amava com predi- 
lecção, como se dissipava com ella uma illusão que 
muito aífagava, que era fazer do Brazil o grande opu- 
lento império portuguez. 

El-rei D. João YI sabia que a revolução do Brazil 
não era loor causa delle ; e por isso quando assignou 
o tratado de reconhecimento da independência e tomou 
o titulo de imperador, foi com a esperança de voltar 
para o Brazil. Muitos políticos censuraram esta exi- 
gência do rei, porém eu não, porque sei que elle já 
em 1819 estava dispondo as cousas para se ir trasla- 
dando para o Brazil, tudo o que em Portugal hou- 
vesse de bom e útil para o seu engrandecimento e 
esplendor. 

Ao mesmo tempo estava preparando as províncias 
para mandar vir as famílias agricultoras, reservando-as 
para a residência de nm príncipe sujeito ao governo 
do Brazil. Pretendia estabelecer uma colónia de pesca- 
dores, na enseiada das Garoupas, em Santa Catharina, 
e outra de lavradores portuguezes em Itajaliy, com o 
pensamento de povoar o sul. O rei e o seu ministro 

CH3WKICA eEUAIj síc. xvm.-r- 15 



22') Clir.O^ICA GEKAL 

Tliuniaz AiiLwiiio se eiiipeiiliavaiu em aca])íir cuíii a es- 
cravidão no Lrazil. 

O que acabo de expor 6 tão verdadeiro, que em 
Lisboa, D. João VI se afielçoíiiiuo a iim poileiro clia- 
mado Pedro Yaz da ÍSilva, naíitral do Rio de Janeiro, 
lioniem muito intelligente, do inteira probidade, que 
tinha bido escrevente do Dr. Luiz Kicoláo Fagundes 
Varella, advogado no Kio de Janeiro, esta alíeiçuo 
mais crescia i)or ser Pedro \iva Irrazileiro. Com elle 
f-dlava do Prazil, e abria francamente o coração ; e 
para El-rei dar a Pedro Yaz uma x.rova sincera de 
sua aniisade, de reposteiro que era o fez administrador 
da casa do iiiíantado e ofiicial do seu gabinete par- 
ticular. 

Pedro "Vaz da Silva disse ajgumas vezes ao conse- 
lheiro Drummond, que me communicou, que o rei se 
deleitava cm f aliar d.o Brazi], o que acontecia amiu- 
dadas vezes e dizia semi^/re com prazer a todos : — 
O mellioT clima ão mundo é o do Jlto de Janeiro, e 
nem um pó dia estive doente, Lembrava-se de tudo. 
A mesa em que Ei-rei assignou a ratificação da inde- 
pendência no paço da Bemposta, o conselheiro Drum- 
mond a pediu a D. Maria IT para o museu do Rio 
de Janeiro, mas quando foi i)rocural-a já tinha des- 
apparecido, e não estava nem no paço da Bem^iosta, 
e nem em nenhum outro. Pedro Yaz que bem a conhe- 
cia andou com o conselheiro Drummond por diversas 
p)artes e a não encontraram. 

Ko Brazil c que eu fui rei ; e isio aqui não Tale 
nada; c onenos que o ducado de Luca. Portugal é 
um ca.ma.pé no 'palácio da IIesj)anlia, e não ò mais 
nada. 

Pedro Yaz da Silva, com o governo da restauração, 
foi demittido, e vivia tão pobre em Lisboa, que por 
fim morreu do velljo e dç uma apoplexia em casa do 



DO BRAZIT, 22Y 

conselheiro Diiimmoiul, ministro do Brazil em Lis- 
boa. Erjte n«)S30 ministro também a sua custa mandou 
a viuva de Pedro Vaz pani o Rio de Janeiro. 

Vendo-se El-rei B. João VI politicamente preso e 
sem acção, mui ias V'V,es dizia a Pedro Vaz que se 
liavia arrependido de ter saliido do Brazil. porque se 
olle estivesse no Rio de Janeiro os brazileiros o defen- 
deriam, como lhe deram provas na conquista de Cayenna 
e nus guerras do Sul. 

Pedro Vaz, como conhecia a aíleição que o rei 
tinha ao Brazil, não x^erdia occasiuo de a dispensar 
nos dias assignalados, como o de 7 de Março, que 
commemorava a checada do rei ao Rio de Janeiro, e 
se ai^resentava logo pela manhã de grande gala no 
quarto do rei e lhe beijava a mão sem dizer uma j)a- 
lavra. O rei enternecia-se, e depois de algum silencio 
dizia a Pedro Vaz : bem te entendo, mas vai despir 
a tua farda, porque sete xirem assir/i te Imo de intri- 
gar. Pedro Vaz beijava segunda vez a mão de El-rei e se 
retii-ava. O rei ficava por algum tempo cont8mr)laLÍvo. 

A independência do Brazil não lhe causava dissabor ; 
o que elle sentia era qne ella não fosse feita com elle. 
Is o dia em que assignou o tratado de separação soffreu 
muito ; e pegou muitas vezes na penna para assignar 
o Seu nome e a largava, pegando em um canivete com 
o qual feria a mesa ; mas assignou e no mesmo dia 
29 de Novembro de 1825 ordenou a seus ministros, 
que por aviso declarassem que os brazileiros seriam 
tratados nos estados de Portugal sem differença alguma. 
Na noite do dia 29 de Novembro de 1825 mandou 
chamar a Pedro Vaz ao seu gabinete, e este o achou 
triste e pensativo, e erguendo a cabeça, olhando para 
Pedro Vaz lhe disse:— estou feito imperador do Brazil, 
e isto por muito amor que meu filho nutre. Estas 
palavras elle as repetia sempre. 



228 CHEONICA. GEEAL 

D. João VI não gozava saúde em Portugal : gozou-a 
vigorosa no Brazil durante treze annos que aqui per- 
maneceu. 

O cirurgião Thom-az de Aguiar, depois do falleci- 
mento do rei, veia para o Rio de Janeiro, e talvez 
com vistas de servir no paço, mas o imperador que 
estava ao facto de tudo, o fez voltar, para pagar com 
a vida o mesmo que praticou, assassinando o rei, 

CCCLVII, Se o príncipe D. Pedro tivesse tido uma 
educação apropriada a sua posição social teria sido 
um importante soberano ; mas seu pai nunca se im- 
portou com a educação dos filhos ; e dizia António de 
Araújo de Azevedo, conde da Barca, que D. João VI 
era tão egoísta (1), que se descuidava da educação dos 
filhos, para ser chorado depois da sua morte, quando 
o comparassem com elles. Até a idade de dez annos, ainda 
houve algum cuidado com elle ; mas, depois, seu pre- 
ceptor frei António de Airabidu, que muito o amava, 
não o constrangia j^ãra. estudar. 

A vida ordinária do príncipe D. Pedro era estar nas 
cocheiras e cavallariças, tratando dos cavallos, chegando 
a sangral-os e ferral- os ; e no picadeiro, com os picadores, 
estando nestas occasiões em contacto com os serventes 
e lacaios, e tudo o quanto havia de baixo e vil. Assim 
viveu annos inteiros, mesmo depois de casado. 

A princeza sua esposa o acomx^anhava, indo para o 
picadeiro, com o fim de aprender a montar a cavallo. 
Por estas más companhias se habilitou J). Pedro, a ser 
desboccado, e grosseiro, usando de expressões impró- 
prias na bocca de um homem bem educado. 

A princeza participava dos maus costumes e era pouco 
reservada em suas palavras. D. Pedro montava bem a 
cavallo e tinha boa presença : governava seu carro á 

(1) Vide o meu livro a Independência, 6 o Império do Brazil 



DO BIíAZIL 229 

quatro e seis cavallos, e qnasi sempre de pé, porque 
tinha vaidade de governar bem os cavallos ; e esta 
leviandade concorreu, para que elle passasse na opinião 
j)ublica, por homem sem juízo, e incapaz de governar 
liomens. No entanto tinha elle uma bella alma, bom 
coração, incapaz de vinganças, amigo dos seus amigos, 
procurando a felicidade delles, mesmo nos negócios 
domésticos. Quando era sabedor de alguma desavença, 
elle procurava, a reconciliação, e nunca tomava par- 
tido por ninguém, ainda que fosse seu valido. 

D. Pedro tinlia uma physionomia tão insinuante, que 
era difficil estar-se mal com elle. Nunca se sabia quando 
elle estava bem, ou mal : tratava a todos com fami- 
liariedade, rindo, dizendo chalaças, tendo sempre anec- 
dotas a contar da vida privada de toda a gente ; e 
também tinha a lingua tão ferina, que de repente dizia 
quantos insultos lhe vinham a bocca, redicularisando 
as mesmas iDessoas, a quem a j)ouco tinha feito os 
maiores agazalhos. 

Todos o temiam, x>orque não sabiam quando elle estava 
de bom ou mau humor. 

O marquez de Jacarex^aguá, seu guarda roupa, e de 
quem era mnito amigo, já sendo elle imperador lhe 
disse uma occasião : Vossa magestaãe ê o melhor homem 
do mundo, quando se não lenibroj quem foram os seus 
antepassados ; mas torna-se insupportavel se se lembra 
que á filho do Sr. D. João YI porque entõM apresenta 
toda. a soberba da sua. família . 

D. Pedro com a mesma facilidade que ria, zangava-se ; 
e logo dei30is dava satisfações, joedindo desculpas e 
abraçando as pessoas ; e assim não se podia estar mal 
com elle. Se teve inimigos também possuiu dedicados 
amigos. Como filho era amigo do i:»ai ; e s<5 depois da 
revolução de Portugal, seduzido pelo conde dos Arcos 
e pelos coripheos adherentes ao movimento de 24 de 



230 CHÔOKICA GfeRAL 

Agosto cie 1820, na cidade do Porto, e 26 de Feve- 
reiro de 1821, 110 Rio de Janeiro, é &jie teve idéas 
de governar, ainda com o pai vivo ; e por isso o traMu. 
Era amigo da mãi, apesar delia andar sempre ralhando 
com elle, e a lhe dar bofetadas, mesmo já estando 
casado. Estimava muito ao irmão D . Miguel, e viveram 
sempre em liarmonia. Não gostava da irmã D. Maria 
Thereza, e mesmo lhe tinha ódio, pelo péssimo compor- 
tamento delia, e não gostava que a mulher tivesse relações 
particulares com a irmã tanto pelo mau T)rocedimento 
como por ser a mensageira de intrigas delle com o rei. 
Foi muito amigo da irmã D. Maria Izabel, e teve pro- 
fundo pezar quando teve a noticia do seu fallecimento 
na Hespanha. 

CCCLVIII. O general Labatut, a convite do ministro 
José Bonifácio de Andrada e Silva, no dia 3 de No- 
vembro de 1822, organisa no Rio de Janeiro, um p)equeno 
exercito para a frente delle ir bater as tropas Lusitanas 
na Bahia sob o cominando do general Madeira. 

CCCLIX. No dia 8 de Novembro de 1828, em Pi- 
rajá na Bahia, são completamente batidas as forças 
do general Madeira. 

CCCLX. Por decreto do õh 19 de Novembro de 1822, 
mandou-se entregar ao ourives da casa imperial Fran- 
cisco Gomes da Silva, o ouro píreciso jiara o fabrico 
da coroa e sceptro, e outros objectos necessários ao im- 
IDerador. 

CCCLXI. No dia 1." de Dezembro de 1822 é sagrado 
e coroado o Sr. D. Pedro I, Imperador Constitucional 
e Befciiiior Peri^etuo do Brazil, com toda a solemni- 
dade e esplendor po?:iúvel. 

CCCLXII. Neste mesmo dia foi creada a ordem Im- 
perial do Cruzeiro do Sul, i^ara remunerar os beiíe- 



méritos da independência. Foi a primeiía oídeíii creada 
no Brazil. 

CCCLXTTL :^ron^- no dia ]<) de IDez-mbro de ]8'>>, no 
Rio de Janeiro o barão de Anciães, Pedro \'ieira da 
Silra Braz Telles de Menezes Preto, tio de i\Iello Coelho 
de Miranda Lobo, tenente general, vogal e secretario 
de guerra do conselho supremo militar o de justiça. 
Este antiffo militar nasceu no dia 8 de 'Miúo de 1746. 

CCCLXIV. O brigadeiro Pedro Labatut no dia 29 
de Novembro de 18-23 dá um ataque geral a linha por- 
tngueza da cidade da 1-jahia. 

CCCLXV. Computo ccclesiasíico. Áureo numero, 19 ; 
cyclo solar, 12 : eiDacta, 18 ; letra dominical, E. 

CCCLXYI. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, quarta- 
feira ; pasclioa a 30 de Março ; indicação romana, 11 ; 
período Juliano, 0,530. 

CCCLXYII. No dia 9 de Janeiro de 1823 tomaram posse 
em S. Paulo, os membros do governo provisório, em vir- 
tude da lei das cortes portuguezas em Lisboa : 

Presidente. — O marechal de campo Cândido Xavier 
de Almeida e Souza. 

Secretario. — Dr. José CorrOa Pacheco e Silva. 

Yoga es 

Dr. Manoel Joacpiira de Ornellas. 
Coronel Anastácio de Freitas Trancoso. 
Yigario padre João rTonçalves Lima. 
Fazendeiro coronel Fr;inci.sco Corrêa de T^foraes, não 
aceitou. 
Capitão-mor de Santos João Baptista da Silva Santos. 

CCCL?vYIII. Por decreto do dia 9 de Janeiro de 1823 
foi concedido ao senado da camará da cidade de S. Se- 
liastião do Rio de Janeiro o tratamento de ''ãlusirissima 
camará raunlcqial da corte ; })em como foi concedido o 



232 CHRONICA GERAL 

titulo de muito leal e Jieroica a cidade de S. Sebastião do 
Rio de Janeiro ; e do mesmo modo concedeuse a insignia 
do Cruzeiro aos corpos de tropas, que no dia 9 de Janeiro 
de 1822, nesta corte pegaram em armas. 

CCCLXIX. O imperador nos dous primeiros annos, 
1823 a 1824, recebia o soldo de duzentos contos de réis, 
que chegava i3erfeitamente para as suas desjiezas ; mas vi- 
sando elle maiores lucros, no art. 108 e cap. 3.° da Con- 
stituição abriu larga margem para usufruir e sua esposa 
os grandes ordenados que tiveram e continuam a ter, de 
modo que, filhos, netos, genros e o mais, sacam do the- 
souro publico mil e tantos contos de réis jior anno. 

CCCLX.X. No dia 24 de Janeiro de 1823 é acclamada a 
independência do Brazil na cidade de Oeiras, sendo eleito 
o governo provisório, e tomando posse da i:)residencia o 
brigadeiro Manoel de Souza Martins, barão e dej)ois 
visconde da Parnahyba. 

CCCLXXI. Por decreto do dia 31 de Janeiro de 1823 foi 
concedida uma medalha ao exercito do sul commandado 
X)elo general Licor, visconde da Laguna. 

CCCLXXII. Marcha de Oeiras, no dia 13 de Fevereiro 
de 1823, o major Bernardo António Saraiva, com forças 
para bater as tropas lusitanas ao mando do major Fidié. 

CCCLXXIII. jSTo dia 17 de Fevereiro de 1823, nasce no 
palácio da Boa Vista, em S. Christovão, a jprínceza 
D. Paula filha do imperador D. Pedro e da imperatriz a 
Sra. D. Maria Leopoldina Carolina, archiduqueza da 
Áustria. 

CCCLXXIV. Por decretos de 24 de Fevereiro e 18 de 
Março de 1823 são elevadas a categoria de cidades as 
villas do Brazil que eram cai)itaes de provinda. 

Por carta de lei de 8 de Março de 1823 foi elevada a 
villa de Santa Maria Mngdalena das Alagoas, capital da 
província do mesmo nome, a categoria de cidade. 



DO BKAZIL 23S 

Por decreto de 20 de Março de 1823 é elevada a cate- 
goria de cidade a villa de Nossa Senhora do Desterro, 
capital da xDrovincia de Santa Catharina. 

CCCLXXy. No dia 13 de Março de 1823 o major Fidié, 
derrota no lugar do Ginipapo, no Pianliy, as forças im- 
periaes ; e contra elle marclia o commandante das armas 
Joaquim de Souza Martins. 

CCCLXXYI. Por alvará do dia 17 de Março de 1823 foi 
concedida á cidade de S. Paulo o titulo de imperial ci- 
dade de S. Paulo ; e a comarca do Itú o titulo de fidelís- 
sima. 

Por decreto de 20 do mesmo mez e anno é elevada Yilla 
Kica, capital de Minas Geraes, a categoria de cidade, com 
o titulo de imperial cidade do Ouro Preto. 

CCCLXXYII. No dia 22 de Março de 1823 fallece o 
almirante barão de Bagé, Paulo José da Silva Gama. 

CCCLXXYIII. Lord Coclirane, que se achava no Chile, 
é engajado para o serviço do Brazil, e chega ao Rio de 
Janeiro no dia 21 de Março de 1823, e arvora na náo 
Pedro J, o pavilhão de primeiro almirante das esquadras 
do Brazil. 

CCCLXXIX. A terceira junta de governo do Pará eleita 
em Março de 1823 foi assim composta : 

Governador do bispado Romualdo António de Seixas. 

Coronel Geraldo José de Abreu. 

Juiz de fora Joaquim Corrêa da Gama e Paiva. 

Francisco Custodio Corrêa. 

Capitão Joaquim António da Silva. 

Tenente coronel Theodorio Constantino Çhermont (da 
legião da ilha Grande de Joannes). 

João Baptista Ledo. 

CCCLXXX. No dia 3 de Abril de 1823, o almirante 
lord Cochrane, parte do Rio de Janeiro com uma di- 



Íín4 CHÉÒ5ÍÍCÀ GfeRAL 

visão de seis vasos de guerra i:)ara bloqueiar a barra da 
cidade da Bailia que se adiava em x^ocler dos portiignezes 
capitaneados pelo general Luiz Madeira de Mello, chega a 
Bailia no dia 25 do mesmo mez e encontrou a esquadra 
portugiiez,a fundeada alii. 

CCCLXXXI. íío dia 17 de A]>ril de 1893 reuniram-se 
os membros da assemf)]éa consticuinte legislativa do 
Brazil no Ilio de Janeiro e começam nos trabalhos das 

sessões preparatórias. 

CCCLXXXII. No dia 3 de Maio de 1823 abre-se a 
assembléa constituinte legislativa do Brazil. 

CCCLXXXIII. No dia 4 de Maio de 1823, lord Co- 
clirane dá combate, nas aguas da Bahia, a esquadra 
lusitana conseguindo victoria. 

CCCLXXXI\r. No dia 20 de Maio de 1828 o general 
La])atut, que commandava o exercito brazileiro no recôn- 
cavo da Bailia, dá ataque contra o general Madeira, que 
com suas tropas occupa\"a a cidade, e é preso com o >seu 
secretario Dr. Cambuci do Yalie, e deposto pelo mesmo 
exercito, cujo commando foi logo assumido X)elo coronel 
José Joaquim de Lima e Silva, i:)or nomeação do governo 
interino e x^atriota, estabelecido na Cachoeira. 

CCCLXXX\\ Na segunda-feira, 9 de Julho de 1823, 
pelas seis horas cl:i niaiihã, sahe da Bahia a esquadra 
portugueza, conduzindo o general Jdadcira e suas tropas 
para Portugal. O comboi comx)uahase de oitenta e 
quatro navios do todo o x^orte. 

Neste me:-jiuo dia pelas duas lioras da tarde, entrou 
na cidade a trox">a brazileira, sob o commando do coronel 
José de Lima e Silva. A nossa esquadra sobre o coni- 
niíuido de lord Cochrane, comi^osta da n;io Pedro I, 
fragata Niclhcroy, corveta Hlaria da Gloria, e um ber- 
gantim seguiu a esquadra portugueza aUí (p.ia-^i dentro 
do Tejo. 



CCCLXXXVI. No dia lo de Jiillio de 18â3, o impe- 
rador fez i>ublicnr uma i)i'oclamaçào garantindo a segu- 
rança individual e de prox^riedade dos habitantes do 
Brazil. de nacionalidade européa ; e no dia 92, fez pu- 
blicar outra proclamação a respeito do espirito demo- 
crático. 

CCCLXXXVII. Segundo ministério de 17 de Julho 
de 1S23. 

Imijerio. — José Joaquim Carneiro de Campos. 

Guerra. — João Vieira de Carvalho. 

Jvstiça. — Sebastião Luiz Tinoco da Silva. 

Ilarinha. — Luiz da Cunha Moreira. 

Fazenda. — Manoel Jacintho Wogueira da Gama. 

estrangeiros. — Carneiro de Campos interino. 

CCCLXXXVIIL No dia 12 de Agosto de 1823, a tropa 
do Maranhão capitula, e o povo jura fidelidade e obe- 
diência ao imperador D. Pedro I, e as instituições 
liberaes. 

CCCLXXXIX. No dia 18 de Agosto de 1823 foi eleita 
nova junta de governo, de accoruo com o systema da inde- 
pendência politica do Bra/il, que ficou composta com 
o pessoal seguinte : 

Presidente: coronel de milícias, Geraldo José do 
Abreu. 

Secretario: capitão de milicias, José Ribeiro Gai- 
marães. 

Yoga es 

Cónego, José Baijtista Gonçalves Campos. 

Porta bandeira de milícias, Félix António Clemente 
Malcher. 

Capitão de artilharia, João Henrique de Mattos. 

CCCXC. No dia 26 de Agosto de 1823, principia-se 
no Rio de Janeiro a cunhar a moeda de i^rata de 960 réis 
com as armas do Império do Brazil. 



236 CHEONICA GERAL 

CCCXCI. 'No dia 27 do mesmo mez de Agosto fallece 
o conselheiro da fazenda D. António Continho de Alen- 
castre. 

CCCXCII. No dia 14 de Ontubrc é mudado o minis- 
tério, e fica organisado do modo seguinte : 
Jmperio. — Estevão Ribeiro de Rezende. 
estrangeiros.— Lniz José de Carvallio e Mello. 
Fazenda. — Marianno José Pereira da Fonseca. 
J?í.sí?ça.— Sebastião Luiz Tinoco da Silva. 
Guerra. — João Vieira de Carvalho. 
Marinha.— Francisco Yillela Barboza. 

CCCXCIII. Por alvará de 17 de Outubro de 1823 foi 
elevada a categoria de villa, a aldeia de Valença do 
Rio de Janeiro ; e por alvará da mesma data, é erigida 
em villa da Imperatriz, a povoação de S. José do Ceará ; 
e em villa de S. Matheus, a freguezia do mesmo nome 
da mesma província. 

CCCXCIV. Por carta imperial de 20 de Outubro 
de 1823, são abolidas as juntas provisórias de governo 
nas províncias do Brazil, que passam a ser proviso- 
riamente governadas por um presidente nomeado pelo 
imperador, e um conselho do governo eleito na pro- 
víncia. 

CCCXCV. Por carta de lei de 20 do mesmo mez, 
são prohibidas as sociedades secretas ; e revogado o 
alvará, de 30 de Março de 1818 annullando os pro- 
cessos pendentes em virtude do mesmo alvará e tor- 
nando -os em perpertuo esquecimento como se não tivessem 
existido. 

Carta de lei da mesma data. regovando o decreto 
de 16 de Fevereiro de 1822 que creou o conselho de 
procuradores de províncias. 

CCCXCVI. Por provisão de 29 de Outubro de 1829 
foi declarado o dia 7 de Setembro de festa nacional. 



DO BRASIL 237 

CCCXCYII. P')r portaria do dia 10 de Xovembro 
de 1823 foi declarado o dia 12 de Outubro de festa 
nacional por ser o da acclamação do primeiro impe- 
rador e por isso o da grandiosa elevação do Brazil a 
categoria de império. 

CCCXCVIII. No dia 9 de Novembro de 1823, o almi- 
rante Lord Cochrane depois de liaver roubado escandalo- 
samente os dinlieiros existentes nos cofres do thesouro 
do Maranhão, é agraciado pelo imperador D. Pedro I 
com o titulo de marquez do Maranhão. 

No Brazil é muito commum agraciarem -se os ladrões 
do Estado. 

CCCXCIX. No dia 10 de Novembro foi mudado o 
ministério por não querer um de seus membros assignar o 
decreto da dissolução da primeira assembléa legislativa 
do Brazil, que o tinha de constituir nação livre e inde- 
pendente. 

Império. — Francisco Viilela Barboza. 

Fazenda. — Seba>tião Luiz Tinoco da Silva. 

Justiça. — Clemente FeiTeira França. 

Guerra. — José de Oliveira Barboza. 

Marinha. — Luiz da Cunha Moreira. 

Estrangeiros. — Yilleia Barboza (interino). 

CD. A noite do dia 11 de Novembro de 1823, 
foi chamada noite da agonia. A mensagem do imperador 
D. Pedro I a camará dos deputados, pedindo em nome 
da tropa que estava em armas nos quartéis do campo 
de S, Christovão, sansíação, das injurias a sua honra 
e intenções, motivou que a requerimento de um deputado, 
se declarasse a assembléa em sessão permanente. 

No seguinte dia 12 foi a. assembléa constituinte dis- 
solvida a ponta de bayonetas, seguindo-se a prisão e 
deportação para a França de seis deputados e no mesmo 
decreto de dissolução, em que chama a assembléa de per= 



2,38 CHRONÍCA GEEAL 

Jura, convoca outra, paru legislar 'sobre os interesses 
do Brazij. 

1^0 dia 13 i3or outro decreto explica o sentido em 
que tomou a palavra ijerjura empregada no decreto 
da dissolução. 

CDI. Por decreto do dia 13 de Kovembro de 1823 
crea-se o conselho de estado, para com o imperador 
toríiareni a responsabilidade da depsortação dos membros 
da assembléa constituinte. 

Por outro decreto da mesma data é nomeado o mi- 
nistro de estrangeiros. 

CDU. Membros do conselho de estado. 

1.° Mo.rquez de Queluz, João Severiano Maciel da 
Costa. 

2.° Yisconãe da Caclioeircc, Luiz José de Carvalho 
e Mello, 

3." Marqiiez de Nazareth, Clemente Ferreira França. 

4.° Marquez de Maricá, Mariano José Pereira da 
Fonseca. 

5.° Marquez de Saòará, João Gomes da Silveira de 
Mendonça. 

6.° Marquez de Paranaguá, Francisco Yillela Barboza. 

CDIII. Ko di:.!, Jl de Xovembro de 1823, o imperador 
organisou novo ministério que ricou assim com^josto : 
Império. — Dr. Pedro de xiraujo Lima. 
Estrarif/eirGS. — Luiz José de Carvalho e Mello. 
Fazenda, — Mariano José Pereira da Fonseca. 
Justiça. — Clemente Ferreira França. 
Guerra. — Francisco Villela Barboza. 
Marinlia. — Pedro José da Costa Barros. 

CDIY. No dia 15 de Novembro se reúne o conselho de es- 
tado, presidido pelo imperador D. Pedro I para se 
tratar da deportação para a França dos ex-deputados 
da aeseuiblOa. cousútuiute da Brazil. 



DO liV\/A\, . 239 

CD^ . Conseguido o modo da deporlação dos ex- 
depuíados o imperiídor organisou novo ]nini^■^fel•io no 
dia 17 de Xoveinbro de 1823. 

Império.— João Severiano Maciel da Co.sía. 

Estrangeiros.-- Luiz Josú do Carvalho e Mello. 

-Pare /6ífa.— Mariano José Pereira da Fonseca. 

Justiça.— ^'ebastião Luiz Tinoco da Silva. 

Guerra.— Joilo Gomes da Silveira Mendonça. 

Marinha.— Francisco Villela Barboza. 

CDYL Os partidos politicos no Brazil são ruinosos 
ao paiz, e nenlium presta porvpie não tendem ao pro- 
gresso e felicidade da nação. São sem pensamento po- 
litico, dominando puramente o interesse pessoal. A 
maior parte dos homens políticos nem tem pensamento 
politico, e nem tacío administrativo, e isto se acha 
provado pelo que se tem passado, e nos conta a his- 
toria, A fortuna publica augmentou pelos esforços indi- 
viduaes, e não pela acção protectora do governo. O 
Brazil não tem exercito, nem nmriuha, nem fortiíições 
e nem administração publica que preste, e o conliicto 
inglez de 1803, veiu mostrar evidentemente esta verdade. 

CBVIL Ko dia 18 de IMovembro de 1823 D. Álvaro 
e o general Licor, liarão da Laguna capitulam ; e Monte« 
vidéo se incorpora ao Brazi], independente de Portugal. 

CDYIII. Por decreto de 18 de Novembro de 1823, se 
manda pagar pela folha das pensões ao Dr. José Bo- 
nifácio de Andrada e Silva, António Carlos Ribeiro de 
Andrada, Martins Franco, ao capitão-mór José Joaquim 
da Rocha, e Montesuma um conto e duzentos annual- 
mente; e ao padre Belchior Pinheiro de Oliveira, a 
pensão de seiscentos mil réis 

Ko dia 20 do mesmo mez são todos deportados para 
a França embarcados na charrua Luconia com man- 
dado por Barboza 



240 CIIEONICA GERAL 

CDIX. No dia 24 ax:)pareceu o decreto mandando pro- 
ceder a devassa sobre os factos desastrosos, e sedição 
nesta corte e dentro da assembléa constituinte legislativa, 
por j)essoas armadas, que concorreram as galerias, para 
tirar a livre deliberação dos deputados. 

CDX. No dia 1.*^ de Dezembro de 1823, foi expe- 
dida uma portaria advertindo o vigário de Jacarepaguá 
sobre as doutrinas que exx)endeu no sermão que pregou 
na presença de sua magestade o imperador repugnantes 
aos princií^ios do systema constitucional que o mesmo 
tinha jurado. 

CDXI. No dia 12 do mesmo mez chega a Pernambuco 
a tropa commandada pelo general Lima, que fora res- 
taurar a Bahia. 

CDXII. No dia 20 de Dezembro do mesmo anno de 1823 
a camará municipal do Rio de Janeiro publica o edital 
annunciando ao publico ter recebido o projecto da con- 
stituição remendado com alguns accrescimos sobre as bases 
oíferecidas pelo imperador, e communicando a todas as 
classes de cidadãos que tendo examinado, nada tinha 
que acrescentar, antes encontrara uma prova não equi- 
voca do liberalismo de sua magestade o imperador, e 
pelo que convida o jdovo a dar o seu voto assignan- 
do-o. 

CDXIII. Comj)uto ecclesiastico. Áureo numero, 1 ; 
cyclo solar, 13 ; epacta, 80 ; letra dominical, D. C. 

CDXIV. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, quinta-feira ; 
paschoa a 18 de Abril ; indicação romana, 12 ; periodo 
Juliano, 6,587. 

CDXY. No dia 4 de Janeiro de 1824, foi mandada ao 
senado da camará uma portaria que de ordem do im- 
perador, no dia 9 improrogavelmente o senado apre- 
sentasse-lhe a expressão da vontade do povo, reconhe- 



1)0 liRAZlL -41 

cida exti-ii ordinária i^elo numero de assignaturas, imra 
qne se jurasse e adoptasse por constituição do Império 
o x^rojecto assignado pelo conselho de estado. No dia 9 
o senado da camará foi pedir ao imperador que ju- 
rasse e mandasse jurar a Constituição politica do Im- 
pério. 

CDiX YI, No dia 5 apparece uma portaria sobre a com- 
moção X30i^ular excitada na Bahia, pelo inexperado appa- 
ciremente alli dos dous irmãos Calmons, com a noticia 
da dissolução da assembléa constituinte. 

CDXYII No. 29 de Janeiro do mesmo anno morre no 
Rio de Janeiro. D.João Carlos de Souza Coutinho filho 
do conde de Linhares D. Rodrigo de Souza Coutinho. 

CDX VIII. O desembargador João António Rodrigues de 
Carvalho, primeiro presidente da província de Santa 
Catharina, nomeado em virtude da carta de lei de 20 de 
Outubro de 182.3, tomou x^osse da administração da- 
quella província no dia 16 de Fevereiro de 1824, e pre- 
sidiu-a até o dia 12 de Março de 1825. 

CDXIX. Tendo sido preso no Recife, no dia 20 de 
Março de 1824, Manoel de Carvalho Paes de Andrade, 
apparece na cidade uma revolta em favor do x^reso. 

CDXX. O dia 25 de Março de 1824, foi designado 
para o juramento da constituição do Império. 

Na noite deste mesmo dia incendiou-se o theatro de 
S. João, depois de S. Pedro de Alcântara, que o re- 
duzio a cinzas. 

CDXXI. O desembargador Lucas António Monteiro de 
Barros, que foi depois visconde de Congonhas de Campos 
e senador do império, sendo nomeado primeiro presi- 
dente da província de S. Paulo, tomou x^osse da admi- 
nistração no dia 1.° de Abril de 1824, e serviu até 21 
de Abril de 1825. 



242 CIIEONICA GIÍRAL 

CDXXII. No dia 10 de Maio de 1834, assignam-se as 
bases da iiicorijoração da província Cisi^latina ao Brazil. 

CDXXIII. Manoel de Carvalho Paes de Andrade, na 
sexta-feira 2 de Julho de 1824, proclama aos povos do 
norte de Pernambuco convidando-os a ligarem-se por 
um Pado, para se confederareni, e a esse x>acto se cha- 
maria Confederarão do Equador. 

No dia 2-1 arrebenta a revolução em Pernambuco, 
sendo presidente Manoel de Cnrvallio Paes de Andrade, 
eleito pela província, que não cpieria receber Francisco 
Paes Barreto nomeado pelo governo imperial. A. pro- 
clamação achou apoio no Rio Grande do Norte, Parahyba 
e Ceará. 

CDXXIV. No dia 2 de Agosto de 1824, nasce no paço 
de S. Christovão a princeza J). Francisca íilha do im- 
perador D. Pedro I e da imperatriz D. Leopoldina. 
Esta princeza casou-se com o príncipe de Joinville, filho 
do rei Luiz Felippe. 

CDXXY. Na terça-feira 17 de Agosto as tropas im" 
periaes, comraandadas pelo general Francisco de Lima 
e Silva assaltam o Recife e apoderam-se de tudo, sem 
encontrarem grande resistência da parte dos republi- 
canos. 

No sabbado a meia noite do dia 28 do mesmo mez, 
Lord Cockrnne, commandante da esquadra brazileira inin- 
cipia a bombardear Pernambuco afim de suftocar a nas- 
cente republica do Equador ; e no dia 12 de Setembro 
do mesmo anno o brigadeiro Francisco de Lima e Silva 
entra na cidade do Recife e occuxja esta. 

No dia 13 de Setembro os republicanos dão combate 
as forças imperiaes no bairro da Boa Vista. 

CBXXVI. No dia 24 de Outubro, o batalhão de Peri- 
(juitos, muito indicipliuado commandado pelo tenente 



DO BRAZIL 243 

coronel Francisco da Silva Castro, insobordina-se, e pela 
madrugada do dia 25 cercando a casa do commandante 
das arnins, no fim da ladeira do Berquó, pelas seis 
horas da manhã, ax3parecendo o general Felisberto Gomes 
Caldeira o assassinam trasx^assado por qnatorze balas, 
atiradas pela íorça de cerca de cem soldados do ter- 
ceiro batalhão de Periqnitos que se havia sublevado. 
No seu funeral gastou-se um conto o sessenta e quatro 
mil réis que íoi api^rovado pela provisão de 2G de Abril 
de 1825. 

CDXXVII. Por portaria do dia 15 de Dezembro de 1824 
ó comx)rada a casa do conde da Barca, em frente do 
Passeio Publico, para a secretaria de estado dos negó- 
cios da justiça, e estabelecimento de um laboratório 
chi mie o. 

CDXXVIII. Comi^uto ecclesiastico. Anreo numero, 2 ; 
cyclo solar, 14 ; epacta, 11 ; letra dominical, B. 

CDXXIX. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, sabbado ; 
paschoa a 3 de Abril ; indicação romana, 13 ; periodo 
Juliano, G,538. 

CDXXX. No dia 15 de Janeiro de 1825, foi fusi- 
lado no Cami)o da Pólvora o major Satyro, do regi- 
mento de artilheria, como um dos cabeças do assasi- 
nato do commandante das armas Felisberto Gomes Cal- 
deira. 

CD XXXI. Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, 
martyr da liberdade, sendo condemnado a forca, foi 
fusilado no dia 13 de Janeiro de 1825, por não haver 
carrasco qne o quizesse enforcar. 

CDXXXII. No dia 13 de Fevereiro de 1825 Fructuoso 
Eivera publica um manifesto, no qual declara, que 
sempre defenderá a incorporação de Montevideo ao 
Brazil, Juramento por elle violado mais tarde, visto que 



244 CHEOXICA GERAL 

em 17 de Abril do mesmo anno, elle attesta da força 
da camiDanlia de Montevideo proclama a independência 
dessa província e hostilisa as troj^as e o governo bra- 
zileiro alli estabelecido. 

CDXXXIII. Por ordem do intendente geral da policia, 
no dia 15 de Fevereiro de ^1825, foram presas as ac- 
trises D. Estella Cesafreda e D. Maria Hercnlana por 
atiraa.'em com limões de cheiro no acompanhamento que 
seguia ao imperador. 

CB XXXIV. O brigadeiro Francisco de Albuquerque 
Mello, nomeado presidente de Santa Catharina, toma 
posse da administração no dia 12 de Março de 1825, 
e serve até 14 de Janeiro de 1830. 

CDXXXV. O immortal Ratecliff, Metrowiche e Lou- 
reiro no dia 13 de Março de 1825, são transferidos 
da fortaleza de Santa Cruz para a cadeia do Aljube, 
para entrarem para o oratório, e ouvirem ler a sen- 
tença que os condemna a morte ; no dia 17 do mesmo 
mez, são executados na forca, no Largo da Prainha, 
por tomarem parte na revolução republicana de Per- 
nambuco. 

CBXXXVI. No dia 22 de Março de 1825 foi executado 
no Campo da Pólvora, na Bahia, o tenente Gfaspar, do 
batalhão dos Pitangas. Este ofiScial depois de condem- 
nado se invenenou, mas sendo medicado se restabe- 
leceu, e foi na tarde do dia 22 fusilado, cumprindo 
deste modo a sentença que lhe foi imposta. 

CBXXXVII. No dia 23 de Março f allece o desembarga- 
dor António José Osório de Pina Leitão, poeta dis- 
tincto e autor do poema épico Alfonseida. 

CBXXXVIII. No dia 11 de Abril fallece o brigadeiro 
Martiniano José de Andrade e Silva. 



DO URÀZIL 245 

CDXXXIX. Xo dia 21 de Abril de 1825 íallece o te- 
nente coronel José Miguel Corrêa de Castro, comman- 
dante das fortalezas do Pico e da Praia de Fora da barra 
do Rio de Janeii"0. 

CDXL. Lord Coclirane, almirante que commandava 
a esquadra hrazileira na guerra da independência, e que 
com o mesmo posto continuava no serviço do Brazil, 
achando-se no Maranlião, e desgostoso, ou resentido por 
não serem satisfeitas as suas reclamações sobre diversos 
presos, já tendo exercido a mais violenta pirataria, de- 
pois de exigir o pagamento de avultadas quantias, a 
que se declara com direito, arvora o seu i)avillião na 
fragata Ypiranga, e parte para a Inglaterra. 

CDXLI. A grande secca que devastava as provín- 
cias do norte, e princii~)almente a do Ceará, matando 
a tudo pelo íiagello da fome, e fazendo que o jdovo dei- 
xasse a província para buscar nas outras a salvação da 
existência, fez que no dia 3 de Junho de 1825 o governo 
mandasse soccorrer a proviucia do Ceará, com farinha 
e dinheiro. 

CDXLII. Xo dia 14 de Junho se estabelece na villa 
de la Florida, o governo x^i^ovisorio dos independentes 
da j)rovincia Cisplatina, logo depois de seiiarada do Im- 
pério do Brazil, e formando o que se chamou — Estado 
Oriental do Uruguay. 

CDXLIII. Morre no dia 26 de Julho de 1825 o ma- 
rechal de camjDo Agostinho António de Castro. 

CDXLIV. Por decreto de 28 de Agosto de 1825 se 
manda que os conselheiros de estado percebam o orde- 
nado de três contos e duzentos mil réis, em lugar do que 
percebiam. 

CDXLV. Os independentes da província Cisplatina 
no dia 20 de Agosto de 1825, reúnem uma assem- 



246 CHRONICA GERAL 

bléa legislativa, que declarou niiUos 03 pactos da incor- 
IDoração do Estado de Montividéo ao Brazil e a Portugal. 

CDXLYI. No dia 29 de Agosto de 1825 assignou-se 
o vergonhoso tratado da cessão e reconliecimento da in- 
dependência do Brazil, ficando o Brazil com dous impe- 
radores : o Sr, D, Jocão VI rei de Portugal e imiDerador 
do Brazil ; e o Sr. D. Pedro I imperador do Brazil, pa- 
gando o Estado dous milhões de libras esterlinas. No 
mesmo dia em que foi assignado o tratado de reconhe- 
cimento o Sr. D. João VI rei de Portugal e imperador 
do Brazil mandou lavrar uma circular as alfandegas do 
reino que ordenava que todos os navios de procedência 
do Brazil, e que trouxessem bandeira brazileira fossem 
recebidos nellas como nacionaes. 

CDXLVII. No dia 24 de Setembro de 1825 morre ferido 
de uma bala nos cami^os de Montevideo o distincto 
e valente coronel José Luiz Mena Barreto, coramandante 
do regimento de Índios Guaranys. 

CBXLVIII. No dia 13 de Outubro de 1825, o coronel 
Bento Manoel Ribeiro deu batalha no Passo de Sarandy 
contra o general D. Diogo de Alviar. 

CDXLIX. A indei)endenci;i do Brazil foi reconhecida 
pela Inglaterra no dia 18 de O.iLubro de 1825. 

CDL. Chega ao Rio de Janeiro no dia 4 de No- 
vembro de 1825, a commissão do governo de Buenos 
Ayres, enviada ao governo imperial do Brazil, declarando 
que o Congresso reconhecia a Banda Oriental de facto 
incori)orada á republica das províncias unidas do Rio 
da Prata. 

CDLI. El-rei de Portugal, e imperador do Brazil, o 
Sr. D. João VI em carta de 15 de Novembro de 1825, 
dirigida aos T)razileiros lhes declara, que cedera á seu 
íilho D. Pedro de Alcântara, bens e soberania ao reino 



T>0 BKAZIL 



247 



do Brazil, reservando somente para si, durante a sua 
vida o titulo de Imperador do Brazil. 

CBLir. Como o código constitucional que o imperador 
offereceu á na(;ão e foi jurado no dia 25 de Março 
de 18-24, era uni inojccto de constituirão, no dia 2G de 
Novembro de 1825, creou-se uma commissão composta 
de dez membros, qne, sol) ii presidência do imperador 
D. Pedro I, devia or^-anisar uma constituição politica 
para o Brazil, e para a qual o mesmo soberano deu as 
bases para a sua confecção. 

CDLIII. No dia 2 de Dezembro de 1825, nasce no 
palácio da Boa Vista o príncipe D. Pedro, filho do impe- 
rador D. Pedro I e da imperatriz a Sra. D. Maria Ca- 
rolina, arquiduqueza da Áustria. 

CDLIY. O governo imperial pelo manifesto do dia 
10 de Dezembro de 1825 expõe os motivos f undamentaes, 
que o forçaram a declarar a gnerra ao governo das pro- 
víncias unidas do Rio da Prata, e no dia 13 declara a 
guerra oífensiva e defensiva á republica de Buenos Ayres. 

No dia 21 de Dezembro do mesmo anuo de 1825 a cidade 
de Buenos Ayres e suas dex^endencias são declaradas em 
estado do bloqueio pelas forças marítimas do Brazil. 

CDL"\\ Computo ecclesiastico. Áureo numero, 3; cyclo 
solar, 15 : epacta, 22 ; letra dominical, A. 

CDLVI. Martyrologio. Dia 1.'' de Janeiro, domingo ; 
paschoa a 26 de Março ; indicação romana, 14 ; periodo 
Juliano, 0.539. 

CDLVII. No dia 3 de Janeiro Buenos Ayres declara 
guerra ao Brazil. 

CDLVIII. No dia 8 de Janeiro de 1820 a França celebrou 
um tratado perpetuo de reconliecimento da indepen- 
dencia, amisade, commercio e navegação com o Brazil. 



248 CHRONICA GERAL 

CDLIX. Em 1826 creou-se no Eio de Janeiro um gabi- 
nete secreto, que durou até 1830, que açulava o imperador 
D. Pedro I contra algumas pessoas de idéas firmes e 
liberaes, composto de liomens ambiciosos e servis. Este 
miserável gabinete longe de aconselhar o inexperiente so- 
berano a seguir pelo caminho da justiça e do bem pu- 
blico, o encaminhava pelo do compromettimento e da 
perdição como realmente aconteceu. 

CDLX. No dia 31 de Janeiro de 1826, fallece no Rio 
de Janeiro o desembargador i\ntonio José Duarte de 
Araújo Gondim, senador eleito, que não tomou assento 
no senado. 

CDLXI. Suas magestades imperiaes chegam ao Rio de 
Janeiro da sua viagem á Bahia no dia 27 de Fevereiro 
de 1826. 

CDLXII. Morre o Sr. D. João YI, rei de Portugal e im- 
perador do Brazil, envenenado em Lisboa, 1826. 

CDLXIII. O imperador D. Pedro I, desejando ir á Bahia, 
para, com a sua presença, socegar os ânimos dos bahianos 
no dia 2 de Fevereiro de 1826, embarcou-se com a impe- 
ratriz D. Maria Leopoldina, sua filha D. Maria da Gloria, 
na náo D. Pedro /, acompanhada das fragatas Ypiranga, 
Nictheroy e outra, nas quaes iam os ofiiciaes da guarda 
de honra ; uma fragata franceza em que ia o ministro da 
França, com a sua legação, e uma fragata ingleza em que 
ia Sir Charles Stward, então ministro que tinha vindo ne- 
gociar a independência, com toda a legação ingleza. O 
commandante da esquadra era o vice almirante Manoel 
António Farinha, barão de Souzel, e dei)ois conde do 
mesmo titulo ; segundo commandante o chefe de divisão 
Francisco Maria Telles, veador da imperatriz ; os officiaes 
do quarto eram os capitães de fragata Bibiano, Desiderio 
e Delamare. Camaristas do imperador o visconde de Bar 
bacena, depois marquez do mesmo titulo, visconde de 



DO líRAZlL 249 

Cantagallo depois marqnez do mesmo titulo, visconde de 
Lorena depois marquez de Jacarepaguá, que foi servindo 
de viador-mór, e encarregado de todo o governo da uclia- 
ria e mantiaria o barão de S. Simão, depois conde do 
mesmo titulo, José de Saldanha da Gama. Ajudante de 
campo barão do Rio Pardo, depois conde do mesmo ti- 
tulo ; guarda roupas, José Joaquim de Lima e Silva, 
João da Roclia Pinto, Joaquim José de Siqueira, pai, 
Pedro de Castro Canto e Mello ; veadores Ildefonso, de- 
pois visconde de Gericinó ; José Alves Ribeiro Cirne. 
Médicos Amoroso Baptista Pereira, physico-mór da ar- 
mada ; Guimarães Peixoto, medico parteiro de sua ma- 
gestade a imperatriz, depois barão de Inhomerim, 
cirurgião da armada Júlio Xavier ; capellão das pessoas 
imperiaes o abbade Boiret, que foi mestre de D. Pedro I 
e de seus íillios ; Francisco Gomes da Silva Chalaça, 
seu secretario particular, e escrivão das cosinhas ; Pau- 
lino Martins de Almeida, que ao depois o fez seu camarista 
em Lisboa ; e mais criadagem. Ao serviço da imperatriz 
foram a viscondessa de Santos, depois marqueza do mesmo 
titulo, primeira dama ; dama effectiva a viscondessa de 
Itaguahy, depois marqueza do mesmo titulo ; dama ho- 
norária a condessa de Lorena, depois marqueza de Jaca- 
repaguá ; dama da j)i'iiiceza D. Maria da Gloria, a 
baroneza de ltapagix)e, depois condessa do mesmo titulo. 
Açafatas D. Maria Francisca de Faria Souza Lobato, 
que depois foi dama da imperatriz, sua irmã D. Joanna, 
D. Rita de Santa Anua Pereira ; a mulher do Br. Peixoto 
que não tinha emprego, mas que ia com o marido. 

A esquadra chegou a Bahia no dia 26 do mesmo mez 
de Fevereiro por volta da tarde, com 24 dias de viagem, 
indo a náo D. Pedro /, preparada com luxo, attendendo 
ser um vaso muito velho e pequeno, e fazendo agua ; mas 
nado faltou pela abundância de provisões que levava a 
esquadra. 



250 ClIRONICA GERAL 

Durante a viagem o imperador conduziu-se com mui 
pouca dignidade, tratando a viscondessa de Santos com 
muito agrado e familiaridade, ora cliamando-a de minha 
Tililia^ e ora de minha rica viscondessa ; consentindo que 
sua filha D. Maria da Gloria andasse de braço passeiando 
com ella no convés da náo, e deitando se no mesmo colchão 
na tolda do comínandante, onde a imperatriz estava sem- 
pre. Pouco temi)o a imperatriz estava na camará ; preferia 
estar debaixo da tolda, assentada conversando com uns 
e outros, ou jogando o gamão. 

Nesta viagem a imperatriz se tornou mais tratavel, con- 
versando com todos, e não mostrava má cara a ninguém. 
Ella comia só, e amiudadas vezes, porque era uma 
senhora, que um dos seus maiores prazeres era comer. O 
imperador comia na sala de jantar, tendo a filha á di- 
reita, a viscondessa de Santos á esquerda, e as demais 
damas e açafatas indistinctamente. Elle era servido pelo 
camarista e guarda roupa x^íii'ticular, como sempre foi 
servido desde que nasceu. 

A piinceza D. Maria da Gloria era servida x>elo veador 
da imperatriz. As senhoras eram servidas pelos moços da 
mantiaria. O que era j)reciso tirar da mesa para as se- 
nhoras era feito jielo guarda roupa ou veador, que fazia 
isto por obsequio e não por obrigação. 

O imperador trinchava para ofíierecer ás senhoras ; 
a sopa era elle sempre quem servia principiando j)ela 
filha. A noite tomavam chá. 

A imperatriz deitava-se ás 5 horas da tarde em um 
beliche, e o imperador em uma maca toda de palhinha, e 
vestido. 

A viscondessa de Santos dormia em um banco alco- 
choado ; e foi a imx)eiatriz quem quiz que a viscondessa 



DO BIÍAZIL 



Ô51 



fosse dormir em seu camarim ; porque dizia que assim a 
morriíieava e humilhava. 

Durante a viagem algumas ]3essoas suas amigas lhe 
pediam que se abstivesse de dar escândalos, e se lem- 
brasse, que o mundo tinha nelle os olhos, e que tre- 
zentas pessoas que iam na náo observavam seus iDassos, 
e que em presença de sua filha de sete annos, e de sua 
mulher, que era desrespeitada, convinha o maior recato. 
Que se lembrasse que a Bahia iria testemunhar esse 
escândalo ; e elle a nada attendia porque a i^aixão o 
cegava. 

CDLXIY. A esquadra chegou com o imperador á 
Bahia no dia 26 de Fevereiro de 1826, e entrando na 
galeota com a imperatriz, a filha e a corte que levou, 
o i^residente visconde de Queluz, depois raarquez do 
mesmo titulo, viscondessa de Santos, viscondessa de Lo- 
rena, baroneza de Itapagipe, desembarcaram todos no 
arsenal de marinha, onde a camará municipal apresentou 
a sua magestade as chaves da cidade, indo o imperador 
cora as pessoas imi^eriaes debaixo do palio, acomx^a- 
nhado por todas as autoridades e iiessoas notáveis da 
cidade, subindo pela ladeira da Preguiça, indo a 
imperatriz em uma cadeira mui rica, e a princeza em 
outra, e os carregadores vestidos com jaquetas verdes 
agaloadas, e chapéos com armas de p)rata. Esses pretos 
carregadores tiveram carta de liberdade. 

O imperador, a imperatriz e a corte foram vestidos 
de grande gala, e seguiam as cadeiras em que iam as 
senhoras até o largo do theatro, onde havia um pa- 
vilhão armado e guarnecido com as armas com que ba- 
teram os lusitanos. 

Neste pavilhão havia um altar, e reunidos os membros 
do cabido com o vigário caj^itular, por estar a Sé vaga, a 
esj^era que suas magestades chegassem para beijarem 



252 jcheonica geral 

o santo lenlio, e seguirem para a Sé, e assistirem o le- 
Deum Lauãamus. 

Findo o acto religioso metteram-se nas carruagens e 
foram para palácio. No dia seguinte liouve beija mão. 

Os aposentos do imperador eram do lado da rua Di- 
reita, ornados com magnificência. 

Para a imperatriz preparou-se a casa da relação, onde 
puzeram um riquíssimo toucador. 

Para a princeza D. Maria da Gloria, arranjaram um 
dormitório no passadiço que do jjalacio ia para a re- 
lação. 

A viscondessa de Santos teve para aposento todo o 
andar de cima que deitava X3ara o j)ateo do palácio, 
tendo uma sala ricamente mobilhada, quarto de dormir 
com bella cama e ricas colchas de seda da índia bor- 
dadas, finíssimas cambraias de linlio bordadas, cortinas 
de seda, e toucador sortido de todos os enfeites ; 
casa de jantar, quartos x^ara seu irmão, seus apasiguados 
e para suas criadas ; tudo alcatifado. 

Se havia alguma differença nos preparativos que se 
fizeram para a imperatriz, os da viscondessa de Santos 
eram superiores. 

Os aduladores, tanto da i^rimeira grandeza como os da 
camada inferior, rendiam homenagem á viscondessa do 
Santos, como se ella iosse a verdadeira soberana. 

Nos passeios que davam de carro descoberto ia o 
imperador governando os cavallos, e a imx)eretriz a seu 
lado, a viscondessa de Santos e a princeza, e as demais 
pessoas iam acompanhando atrás. Quando passeiavam a 
cavallo a imx)eratriz ia senij^re adiante com o seu 
veador. 

A paixão do imperador era tanta pela viscondessa de 
Santos, que o levava a fazer as maiores leviandades e 
mesmo loucuras e indignidades. 



r>0 BRAZIL 253 

CDLXV. Socegados os ânimos na Bahia voltou o 
imperador com a imperatriz e sua corte para o Rio de 
Janeiro, onde cliegon no dia 28 de Abril, e, desembar- 
cando todos no arsenal de marinha, foram á capella im- 
perial assistir ao Te-Deum Laudamus, e em seguida 
ao i:)aço dar o beija mão. 

Depois da volta da Bahia a vida escandalosa do im- 
perador com a viscondessa de Santos, se tornou muito 
notável. Ainda a bordo elles souberam que lhes tinha 
morrido um filho de nome Pedro de Alcântara, que 
nascera três ou quatro dias depois de haver nascido o 
actual imperador D. Pedro II. 

O imperador quasi que vivia em casa da marqueza 
de Santos ; vinha alta noite dormir no quarto da im- 
peratriz, em um sofá, todo vestido pretextando sentir 
menos calor assim, o que praticou do mesmo modo na 
Bahia. 

No dia 24 de Maio deste anno, era que fazia annos 
a filha que teve com a marqueza de Santos, elle a re- 
conheceu dando-lhe o titulo de duqueza de Goyaz, com 
o tratamento de alteza, dando-lhe também as ordens do 
cruzeiro e de D. Pedro I ; e apresentando-a á imperatriz 
foi para a casa da marqueza de Santos, onde houve 
grande funcção. 

Toda a corte foi cumprimentar a duqueza de Goyaz 
em casa da mãi, a marqueza de Santos, onde era apre- 
sentada por seu avó o visconde de Castro, o qual dizia 
logo — Duqueza ãá a mão a beijar ao Sr. F. ou a Sr a. F., 
recebendo os cumprimentos de pé, não mandando a nin- 
guém sentar- se. 

O imperador perguntava a todos — F. você já foi beijar 
a mão a minha filha ? 

Quando a duqueza ia ao paço, o que era amiudadas 
vezes, elle a tomava ao coUo, e a levava á varanda e 



254 CIIROMCA GKEAL 

dizia — Bdla dá « onão a heijar a- F. ou a F.—q isto 
na presença da iinx)eratriz e i:>rincezas suas fillias ; clie- 
gando mesmo a dar i^almadas e pucliões na princeza 
D, Paula, quando não queria dar abraços e beijos na 
menina Bella ; e, porque uma vez a princeza D. Paula 
brincando emimrrou a Bella, o x^ai deu-llie ; e por isso 
íicou com tal medo de Bella, que agarrava-se com as 
criadas quando a via. 

Uma vez em p)resença da imperatriz a filha agarrou-se 

a ella e o imperador pucliou-a da mão da mãi pelas 

(.)rellias, e cliorando a mãi ralhou com ella dizendo : 

faz o papá Tiiuiío hciii para não seres teimosa^ e fugires 

da tua mana Bella. 

Era esta D. Paula a filha mais querida depois da 
rainha D. Maria II, i^orque era o vivo retrato da mãi. 
Aos outros filhos a imijeratriz não tinha amisade, e 
ainda que estivessem x^ara morrer, não deixava de ir 
ás suas caçadas e x)asseios. 

Uma vez em que deu um grande ataque em D. Januaria, 
tendo dous annos, a dama foi acordal-a, veia cem o 
marido x)ara o quarto da filha^ i)riucix)iando elle a tratar 
da filha dando banhos e clysteres toda a noite e parte 
da manhã até que a criança socegou. 

A impeiTitriz sentada abrindo a bocca e cerrando os 
olhos dizia : Xlca (dama da i^rinceza), eu niiiica^ te 
perdoarei o teres ido açor dar -me ; o que faço eu aqui, 
não tinlias o medico de se/mana ? Tanto se lamentou 
de não dormir, e tanto pediu ao medico que lhe dis- 
sesse se a x^rinceza teria x^^i^igo, x^oi'^^i® P^^^ manha 
queria ir caçar na chácara de Bento Yaliia, que o medico 
respondeu-lhe : que não assegurava a nida da ininceza ; 
e ella tornou : mas se estiver mellior sempre irei. 

O imx"»erador se revoltou com isto, e disse-lhe cora asxDe- 
reza :— Yá imperatriz. Vara a imperatriz vale mais uma 
caçada que um filho / receio que tenha, coração de mãi. 



no BRAZIL 



A imperatriz continuou a receber a marqueza de Santos 
do mesmo modo, depois do reconliecimento da fillia ; e 
quando a duqueza Já ia, dava-llie um beijo na face, 
chamando-a de minlia iillia ; e quando a duqueza se 
retirava dizia a todos que a cercavam : iuão posso soffrer 
c tenho soffrklo^ menos ver essa menina a par de meus 
JiUtos ; e estrcmcro de raha quando a vejo; ê o maior 
dos sacrifícios rccehel-a. 

CDLXVI. Adoecendo o visconde de Castro, pai da mar- 
qneza de Santos, que falleceu no começo de Xovembro 
de 18-2G, o imperador passou dous dias e dnas noites 
sem voltar ao paço, e a imperatriz já não podendo sup- 
portar tanta falta de attenção, levantou se na terceira 
noite, mandou chamar o criado particular do marido e 
disse-lhe : aprompte toda a roupa do imperador, e metta 
em balius, ou como quizer, emquanto eu escrevo, para que 
o imperador mude-se para a casa da marqueza de Santos. 
Emquanto ella escrevia, raandando-lhe dizer que se mu- 
dasse para a casa da sua amasia, porque ella iria re- 
sidir no convento da Ajuda a esperar que seu pai a 
mandasse buscar, lançando em rosto ao marido todos 
os desgostos que lhe tinha dado, o criado particular, 
em vez de arrumar a roupa foi dar parte ao imperador' 
que veiu ao paço f luioso, entrou no quarto da impe- 
ratriz, tomou-lhe a carta que estava escrevendo, e ahi 
liouve uma questão de palavras bem desagradáveis, ao- 
ousando eJle as criadas, dizendo serem ellas as qice 
faziam as intr ir/as, ao que a imperatriz respondeu, 
que lem pelo contrario; essas duas temas tem oh stado 
que nojKiço Vncesse ,;« IwMdo alguma tragedia: agra- 
deça-lJtes, p)orque são suas verdadeiras amigas. 

Depois de lançarem reciprocamente em rosto cousas 
indignas e impróprias de pessoas tão altamente collo- 
cadas, cahiu o imperador de joelhos aos pés da imperatriz, 



256 CHTtOXIC^ GERAL 

e llie pediu perdão, com o que elle concluía sempre as 
questões com a mulher e ella o perdoava. 

Dessa noite em diante princix)iou a imperatriz a quei- 
xar-se de doente, tornando-se triste e aborrecida ; escrevia 
frequentemente cartas ao pai, pedindo para a mandar 
buscar ; e constou que a irmã Maria Luiza se preparava 
para vir ao Rio de Janeiro para a levar á Vienna. 

Na noite da grande questão, que motivou sérios com- 
mentarios, até se dizendo que o imperador lhe atirará um 
pontapé no ventre, o que foi falso, não passando como em 
outras muitas occasiões de insultuosas palavras de parte a 
parte. 

O que é real é que, apesar das escandalosas extrava- 
gâncias do imperador, nunca faltou com o seu dever 
marital iDara com a mulher. 

CDLXVII. A imj)eratriz D. Maria Leopoldina adoeceu 
nos primeiros dias de Novembro de 1826, estando gravida 
de três mezes, tendo por causa a grande questão que teve 
com o marido. Ella soffria dôr em uma perna, e ataques 
de melancolia, que a faziam chorar como uma criança, 
e dizia que tinha uma saudade excessiva de sua familia 
e de sua jiatria, e da sua Bobó, que era a ama que a tinha 
criado, a qual veiu com ella ao Rio de Janeiro, e nelle 
esteve seis mezes, voltando depois para Vienna. 

Neste estado deixou de passeiar a cavallo, e sd o fazia 
de carruagem com as filhas e voltava no mesmo estado 
de tristeza, dizendo sempre que morria. 

O Dr. Peixoto, barão de Inhomerim, seu medico par- 
ticular, a quem ella chamava meu rico barão, deu-lhe um 
vomitório ; e depois delle x>rincipiou a passar ainda mais 
incommodada. 

Na véspera da viagem do imperador para o Rio Grande 
do Sul ella lhe fez presente de um annel com dous pe- 
quenos brilhantes, cujo annel abrindo-se tinha dous cora 



no BHAZIL 



257 



ções, com o nome de ambos ; e ella mostrando-llie disse 
cliorando : eu morro : roce quando vier do Jiló Grande 
Já não me lia de adiar. Aquelles, que na vida foram 
desligados, sejam unidos depois da morte. Elle a abra- 
çou, cliorando ambos muito ; e ella lhe disse : que tudo 
lhe perdoava, enenJmm rancor llie tinha. 

Depois da partida do imperador, a imperatriz sentiu 
muito e principiou a ter crescimento a febre, e a passar 
muito mal diariamente. Poucas x)essoas a iam visitar, e 
a estas mandava entrar para o seu quarto, recebendo sem- 
I)re a duqueza de Goyaz e a marqueza de Santos. 

No dia 2 de Dezembro, primeiro anniversario do filho 
do actual imperador, teve ella o aborto, lançando o feto 
perfeito, que foi conservado em espirito de vinho. Desse 
dia em diante, ella tinha delírios continuados, com febre 
ardente, gritando contra a marqueza de Santos, dizendo 
que morria infeitiçada, porque a imperatriz acreditava em 
malefícios ; e muito sorria o imi^erador quando ella lhe 
contava a historia de D. Branca, e principiava a benzer-se 
e a dizer que não queria negócios com D. Branca. Gritava 
nos delírios, que lhe tirassem aquella mulher (marqueza 
de Santos) e menina dalli. Pedia que mandassem chamar 
o bispo D. José Caetano, a quem ella muito venerava, por- 
que o bispo quiz que o vigário do Engenho Velho não 
rasgasse a folha do assento de baptismo da duqueza de 
Goyaz, em cujo assento se dizia ser ella filha de pais in- 
cógnitos, e o imperador queria que se fizesse novo em que 
se escrevesse ser ella sua filha, ao que o bispo não quiz 
annuir. 

A imperatriz confessou-se com elle ai^esar de estar já 
muito perturbada, e não consentia que elle se apartasse 
delia um só instante, lamentando as suas infelicidades. 

O bispo ia muito cedo para o j^aço de S. Christovão, e 

voltava dex)ois da meia noite para o seu palácio. Ao lado 
CHR03TICA #e:rai4 íec. xTin. — 17 



25S CimONICA GEEAL 

delia a exliortnva, fallando em religião até que falleceu 
ás 8 horas da manliã do dia 11 de Dezembro de 1826. 

Durante a enfermidade da imx)ei'atriz a capital do Rio 
de Janeiro, esteve consternada, e todos procnravain saber 
do estado da soberana, de modo que o paço de S. Chris- 
tovão estava continuamente rodeado de povo, chegando 
até adizer-seqneos médicos eram os que matavam a impe- 
ratriz ; outros que lhe tinham envenenado. A imi)eratriz 
era estimada e querida de todos. 

CDLXVIII. Logo que a imperatriz expirou, foi mettida 
em uma tina com espirito de vinho, e as 4 horas da 
tarde, já o cadáver estava ennegrecido ; ficando de guarda 
ao cor^w as damas marqueza de Itaguahy, D. Maria 
Francisca do Faria, e as açafatas D. Rita de SanfAnua 
Pereira e outra D. Rita. 

No dia seguinte pela manhã levaram o corpo da im- 
peratriz e o depositaram sobre o leito em que dormia 
desde c[ue chegou ao Rio de Janeiro ; e ahi o Dr. Peixoto 
com outro medico a embalsamaram. De^Dois vestiram-na 
de grande gaLa, sendo col)erta com uma colcha de 
magniíica seda da índia ricamente bordada a ouro 
e matiz, a qual ainda serviu para a coroação do filho 
D. Pedro II. O cor^io deitado nesse leito, e Já com 
o rosto muito disforme, e tendo as mãos calçadas com 
grandes luvas que cobriam os braços foi exposto i^ara 
o beija mão, principiando ^lelos filhos, e criados. Cortava 
o coração ver-se aquelle infeliz cadáver, com trinta annos 
incompletos, cjue os fazia ]io dia 22 de Janeiro do 
anuo seguinte, longe de seu marido e de sua familía, 
entregue a seus criados, ao ministério e ao ministro 
de sua nação, e este sem nada jioder fazer, mais que 
estar no Paço, vend») apenas que todos os choravam e 
e soluçavam pela perda que soíTriam. Os primeiros que 
entraram no quarto foram as lillias D. Maria da Gfloria 



DO BRAZIL 259 

com sete annos ; D. Jannaria com quatro ; D. Panla 
com três ; D. Francisca com dons ; e B. Pedro com 
nm anuo ; segnindo-se o ministério e a corte. Depois 
foi o cadáver dei^ositado em um caixão de madeira 
forrado de seda e de velludo, e este dentro de outro 
de cliumbo, que se soldou, e ambos dentro de outro 
de cedro, coberto de velludo com galão de ouro ; e 
l^osto sobre rolos de i^auno i)reto, foi rolado i:)elos criados 
de galão até a sala do throno, e sobre uma grande 
eca foi collocado o caixão pelas 8 lioras da noite, sendo 
assistido i:)elas damas e veadores até a sabida do enterro, 
tendo antes havido Pontifical, que x^rinciando as 10 lioras 
da manliã terminou das três para as quatro lioras da tarde, 
ao qual assistiram todas as confrarias, seguiudo-se as 
encommeudações que duraram até ás 10 horas da noite. 
Findos estes actos religiosos, foi retirado o caixão e levado 
para o coche funerário, e em seguida levado para a Igreja 
das religiosas do convento da Ajuda, no meio das 
damas, corte, ministério, bispo, todo o clero e da i30im- 
lação da cax)ital do Império ; seguindo-se todo o ceremo- 
nial que se guarda no interramento das pessoas reaes. 

CDLXIX. No dia 15 de Abril de 1826 foi publicado 
o decreto mandando executar o tratado de paz, con- 
cluído entre o Brazil e Portuí2:al, 

CDLXX. Xo dia 16 de Abril de 1826 o Imperador 
D. Pedro I crea a ordem de Fedro 1, fundador do 
Imiíerio do Brazil, com o íim de marcar de uma ma- 
neira distincta a época em que foi reconhecida a Indepen- 
dência (nominal) deste vasto Império. 

CDLXXI. Em 29 de Abril de 1820, S. Magestade o Im- 
perador o Sr. D. Pedro I, do Brazil, toma a coroa 
real de Portugal, com o titulo de Pedi'o IV, como legitimo 
rei e herdeiro de seu fallecido pai o Sr. D. João VI 
e dá uma constituição a Portugal ; e no dia 3 de Maio 



260 CHRONICA ^GERAIi 

abdica a coroa portugueza em tsLtor de sua fillia a 
Sra. D. Maria II. 

CDLXXII. No dia 22 de Abril de 1826 o coronel Luiz 
António Neves de Carvalho, na qualidade de j)rimeiro 
conselheiro do governo de S. Paulo, assume á vice i3resi- 
dencia, que a exerce até 18 de Dezembro de 1827, 
governando um anno e doze dias. 

CDLXXIII. Em Maio de 1826 morre no Rio de Janeiro 
o visconde de Magé, Mathias António de Souza Lobato. 

CDLXXIY. No dia 25 de Agosto de 1826 fallece 
o brigadeiro Bernardo António de Moura Freire. 

CDLXXV. O imperador D. Pedro I, em consequência 
do fallecimento do Sr. D. João VI no dia 10 de Março 
de 1826, tendo herdado a coroa de Portugal apesar 
de ter declarado que — de Portugal nada, nada queria^ 
comtudo aceitou depois a coroa daquella nação e a 
abdicou em sua filha a princeza D, Maria da Gloria no 
dia 3 de Março de 1830. (Vide o decreto no Jornal do 
Commercio de 11 de Junho de 1830.) 

Em 1828 mandou o imperador do BrazU a filha rainha 
de Portugal para Vienna para se educar em com- 
panhia do avô, Francisco I, imperador da Áustria, indo 
com ella como tutor e mordomo o marquez de Barbacena, 
camarista, José de Saldanha da Gfama, guarda roupa, 
Paulo Martins de Almeida, dama da princeza, a condessa 
de Itaguahy e açafata D. Marianna Brusco. 

Na altura de Gibraltar teve o marquez de Barbacena 
um aviso para não tirar a rainha de Portugal para Vienna 
e voltando para a Inglaterra, ahi achou muitos por tu - 
guezes emigrados. Barbacena de combinação com o 
duque de Palmella e outros portuguezes infiuentes 
fizeram com que D. Leonor da Camará, irmã do conde 
da Ribeira Grande, que havia sido dama da rainha 



DO BRAZIL 261 

D. Carlota, muito influente no partido da carta constitu- 
cional, fosse nomeada dama da rainlia D. Maria II, 
a qual acompanhou-a para o Kio de Janeiro, e depois 
para a Europa. Para camarista da mesma senhora foi 
nomeado D. Thomaz de Assis Mascarenhas. 

CDLXXYI. O príncipe B. Pedro tinha amores com uma 
franceza dançarina de nome Noemi, que morava no largo 
do Rocio, depois praça da Constituição. O j^rincipe, 
para se entreter com ella, ia com a princeza para a 
casa de Pedro José de Camj)os, e Noemi ia também 
para ahi, para se encontrar com D. Pedro ; e emquanto a 
princeza conversava com a familia de Camj)OS, o príncipe 
se entretinha com a amante Noemi. Destes passatempos 
teve o príncipe um filho da dançarina ; mas, se des- 
cobrindo o facto, veiu El-rei D. João VI a conhecer 
a verdade, e tomando as providencias fel-a casar, do- 
tando-a, e dando um officio ao marído, obrigou-a a 
sahir do Rio Janeiro. 

A criança com poucos mezes de nascida, falleceu em 
companhia da mãi, e vein embalsamada em um caixão 
para o paço de S. Christovão, e ficou no quarto onde o 
principe D. Pedro escrevia. 

CDLXXYIL B. João VI, era digno de melhor sorte, por- 
que tinha exceUentes qualidades. Não estava em Lisboa 
por sua vontade. Os seus pensamentos eram sempre diri- 
gidos para o Brazil, onde viveu tranquillo, satisfeito 
e feliz. No começo de Março de 1826, indo o rei assistir a 
uma procissão em Belém, sentiu cólicas agudas no ventre. 
(1) Dias dexDois, não apparecendo elle ao jantar ás 3 horas, 
como era de costume, nem indo procurar a filha D. Izabel 



(1) Sabe- se que a rainha D Carlota e o principe D. Miguel se em- 
penhíivam pela morte do rei, e que o assassinato foi promovido por 
eUes. 



2G2 CHEÒNICA GÉEAL 

Maria, esta extranliando foi aos aposentos do pai, o 
acliou estendido sobre um. sofá, como morto, e junto 
delle assentado o medico Aguiar. O medico ao ver a 
princeza lhe disse — qiie sua magestaãe estava neste 
estado segitfamente lia duas horas. A i)rinceza vendo o 
pai naquelle estado exprobou o medico, e mandou chamar 
a todos os médicos do paço, que, acudindo ao rei, conse- 
guiram que elle tornasse a si e melhorasse. 

No dia 9 de Março, findo o despacho tomou um caldo 
em presença da i^rinceza, e dos ministros, e dex^ois que 
o engoliu pronunciou estas ptalavras : — Este caldo ma- 
tou-me ! Xo dia seguinte 10 de Março de 182G era El-rei 
D. João yi cadáver. 

Na ante sala, estando o medico Aguiar, quando passava 
o criado com a chicara do caldo, o chamou, e lançou no 
caldo um liquido, dizendo para o criado ser um remédio 
em proveito do rei. O criado notou que o liquido, que 
se extravasou, fizera estragos no i)anno que cobria a mesa ; 
e como o medico Aguiar observou, que o criado tinha 
feito reparo, no dia seguinte api^areceu morto. Igual 
sorte teve o chefe das cosinhas, que recusou dar a El-rei 
uma emj)ada de veado, como lhe pedira o mesmo medico 
Aguiar. Estes factos me foram referidos i^elo conselheiro 
António de Menezes Yasconcellos de Drumond, que 
ouvira a narrativa feita pela ininceza D. Maria Izabel. 
Thomaz xVntonio de Yilla Nova Portugal, contando o 
mesmo ao conselheiro Drumond, nosso ministro em 
Lis]:)oa, lhe disse que desde o dia do fallecimento do 
Sr. D. João YI ficou tão horrorisado que não voltou mais 
ao paço. 

A morte do rei não se deixou esi^erar por muito temido 
pelo castigo. O medico Aguiar, que havia assassinado ao 
seu bemfeitor, teve uma morte attribulada ; e era constante 
dizer-se em Lisboa, que tendo elle vindo do paço onde 






bebera um copo cVnaua, ao cliegar á casa ao anoitecer, foi 
acommettido de amiros mortaes ; e pelo ciue mandoa 
cliamar ao advogado brazileiro Clemente Álvaro de Oli- 
veira Mendes e lhe dissera -.-Estou morto e quero fazer 
alrjumas disj^osições. Feito isto resistiu a não tomar 
medicamento algum e falleceu na mesma noite. 

CDLXXVIII. Por decreto imperial de 25 de Agosto de 
lS-->6 em attenção aos grandes serviços e esforços dos 
habitantes da província da Bahia, foi concedida á cidade 
do Salvador da Bahia o titulo de Leal e Valorosa em 
memoria dos successos que a tinham illustrado. 

CDLXXIX. Em 18-20 morre o illustre brigadeiro conse- 
lheiro Luiz Pereira da Nóbrega de Soíiza Coutinho, 
ministro da guerra que havia sido no gabinete de 27 
de Junho de 1822. 

CDLXXX. No dia 19 de Outubro de 182G, os portuguezes 
residentes no Rio de Janeiro mandam armar ricamente 
o templo de S. Francisco de Paula, e ahi vão jiiiar a 
constituição politica que o Sr. D. Pedro I do Brazil, e 
quarto rei de nome de Portugal acabava de outorgar 
para a nação portugueza. 

CDLXXXI. Xo dia 2 de Novembro de 1826, falleceu 
o coronel visconde de Castro, João de Castro Canto e 
Mello, que como tenente de cavallaria fez a cami-auha 
do Sul de 1775. 

CDLXXXII. Na terça-íeira 11 de Dezembro de 1S2G 
falleceu no palácio da Boa- Vista em S. Christovão a 
imperatriz D. Maria Leopoldina, esposa do imperador 
D. Pedro I, pelas 9 horas da manhã e foi sepultada no 
dia 14 na igreja do Convento da Ajuda. 

CDLXXXIIL No dia 24 de Novembro de 182G, o 
imperador D. Pedro I faz-se de vela na náo i>. Fedro l 
para o Rio Grande do Sul, afim de comparecer no theatro 



264 CHRONICA GEKAL 

da guerra, e animar o exercito com a sua i^resença. 
Cliega a Santa Catliarina no dia 30, joelas 4 horas da tarde, 
seguindo no dia immediato, cliega no dia 8 á capital do Rio 
Grande do Sul. Estando em Porto Alegre, recebeu a noticia 
do fallecimento da imperatriz, e embarcando-se logo para 
a capital do império, chegou ao Rio de Janeiro no dia 15 de 
Janeiro de 1827, e desembarcando seguiu logo para o 
palácio de S. Christovão. 

CDLXXXIV. í^o dia 24 de Dezembro de 1829, o conde 
de Beaurex)aire é nomeado governador das armas da 
província do Piauliy. 

CDLXXXV. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 4 ; 
cyclo solar, 16 ; exDacta, 3 ; letra dominical, Q. 

CDLXXXV I. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, segunda- 
feira ; pasclioa a 15 de Abril ; indicação, 15 ; periodo 
Juliano, 6,540. 

CDLXXXVII. No dia 12 de Janeiro de 1827, morre no 
Rio de Janeiro o marquez da Praia Grrande, Caetano 
Pinto de Miranda Montenegro com sessenta e oito annos 
e vinte e oito dias de idade, senador do império pela 
província de Mato Grosso. 

CDLXXXVIII. Desejando o imperador D. Pedro I or- 
ganisar o i:»essoal piua a fillia, duqueza de Goyaz, não 
acliou ninguém na corte do Rio de Janeiro que qui- 
zesse aceitar essa lionra, e então nomeou açafatas a velha 
D. Flavia, D. Josepha, D. Barbara Lopes, D. Rosa 
de SanfAnna Loires, que eram primas da duqueza de 
Goyaz. Querendo o imperador que o thesouro nacional 
pagasse as i^ensões dos criados da duqueza, este se re- 
cusou, dizendo que a nação não tinha deveres i^ara 
com os filhos naturaes de Sua Magestade. O imperador 
ficou furioso com esta resposta, mas não conseguiu o 
seu intento. 



rtO BEAZIL 205 

CDLXXXIX. o imperador D. Pedro I brigou com 
a marqueza de Santos por ciúmes que teve delia, x^or 
ter visto um trancelim de cabellos no pescoço do tenente 
Moraes, que acreditou ser feito de seus cabellos. Sux3- 
l^oz-se que a marqueza de Santos dera esse passo, j)or 
ciúmes que tinha do imperador com a irmã baroneza 
de Sorocaba ; e tanto que, em um dia de festa de Nossa 
Senliora da Gloria, indo a marqueza e a baroneza com 
o marido, na volta para casa ouviu-se um tiro sobre 
a carruagem da baroneza de Sorocaba ; e o imperador 
desconfiando ter sido mandado dar i^ela marqueza, foi-lhe 
a casa e llie tirou as duas filhas, e as levou para o 
paço de S. Christovão. 

CDXC. O imperador, no dia lõ de Janeiro, chegando 
ao Rio de Janeiro, demittiu o ministério. 

CDXCI. O almirante Brown, á testa da esquadra 
de Buenos- Ayres, infelizmente toma onze das melhores 
embarcações da esquadra brazileira, e queima outras 
em numero de cinco. 

CDXCII, No dia 20 de Fevereiro os exércitos 
brazileiro e o da Cisplatina dão batalha no Passo do 
Rosário, e no combate morre o general Abreu, barão 
do Serro Largo. A acção que começou ás 6 horas da 
manhã no campo de Ituzaingo, prolongou-se até ás 5 
da tarde. 

O marquez de Barbacena, que era o general em chefe 
das tropas brazileiras, soíirendo com]úetB. derrota nesta 
lastimosa acção, sahiu coberto de vergonha por sua 
imperícia militar. 

CDXCIII. O exercito brazileiro, em 1827, faltando 
apenas as tropas de primeira e segunda linha do Piauhy 
jjor não terem sido enviados mai)pas, comx)unha-se dos 
seguintes : 



2C0 CHitÔNICA GERAL 

Empregados na gnerra tio Su 
' ' ,1 

CORPOS FÚRA DO THEATRO No R. Grande Na Cispla- 

DA GUERRA clo Sul tília 

Officiaes generaes .... G9 5 4 

Cori^o de engenheiros . . 75 1 5 

Estado-maior 276 18 5 

1.* LII^IIA DO EXEIiCITO 

Infantaria : 
1.° batalhão de granadeiros 

(Rio de Janeiro). ... 521 

2.° dito (estrangeiros). . . 505 

3." dito (idem) 380 

Batalhão de caçadores do 

Imperador (R. de Janeiro) 677 

1."* dito de caçadores (idem) 703 

2.° dito (idem) 332 

3.° dito (idem) 134 510 

4.° dito (idem) 9 554 

5.° dito (idem) 586 

6.*" dito (idem) 359 

7.° dito (S. Paulo) 538 

8." dito (Santa Catharina) 451 

9.*^ dito (S. Pedro do Sul) 223 

10.^ dito (Rio de Janeiro) 385 

ll.Vlito (idem) 356 

12. "^ dito (Espirito Santo) . 490 

13.° dito (Bahia) .... 190 381 

14.° dito (idem) 435 



DO BnAZlL 

Transporte 4. o 13 

lo.° dito (idem) 472 

10.° dito (Alagoas). . . . 400 

17.° dito (Pernambuco) . . 433 

1S.° dito (idem) . .... 195 

19.° dito (Parahyba) . . . 523 

20.° dito (Pianliy) . ... 400? 

2l.° dito (Rio Grande do 

Norte) 310 

22.° dito (Ceará) .... 426 

23.° dito (Maranlião) . . . 1.197 

24.° dito (Pará) 519 

25.° dito (idem) 643 

26.° dito (Sergipe) .... 496 

27.° dito (estrangeiros) . . 48 

28.° dito (idem) 618 

Pedestres de Matto Grosso. 310 

Ditos da Bahia 59 

Comj)anliia fixa de Goyaz . 79 

Divisão do Rio Doce (Minas) 425 

Cor^io de policia do Rio de 

Janeiro 270 

Dito da Bahia 213 

Dito do Maranhão .... 278 

Dito do Pará 97 

Dito de Pernambuco . . . 146 

Cori)o de veteranos (Rio de 

Janeiro) 395 

Total da infantaria (18.928). 13.49S 



2Gt 



1.469 



3.165 



'322 



527 



2.318 3.165 



268 CHKONICA GEKAL 

Cavallaria : 
1.° regimento de cavallaria 

(Rio de Janeiro) ... 2 368 

2.° dito (Minas) 520 .... 85 

3.'^ dito (S. Paulo) . 242 

4.° dito (S. Pedro do Sul) ..... 256 

5.° dito (idem) 296 

6. '^ dito (idem) 315 70 

7.° dito (orientaes). ... 
Companhias de guerrilhas 

de S. Pedro do Sul 473 

Dita de lanceiros imperiaes 

(allemães) 68 

Corpo de lanceiros do Uru- 

guay (guaranys) 127 

Esquadrão da Bahia 192 

Comx)anhia fixa de Goyaz . 86 

Cavallaria da legião de Mato 

Gfrosso 170 

Dita de j)olicia da corte . . 72 

Dita de Pernambuco ... 77 

Total da cavallaria (3.419) . 927 2.337 155 

Artilharia (estavam ape- 
nas em casco quasi todos os 
corpos) : 

1.° corpo de artilharia de po- 
sição (Rio de Janeiro) . 590 .... 95 
2.° dito (idem) 439 



rO BRAZTL 



Transporte , . . 

S.*" dito (S. Panlo) . . 

4.° dito (Santa Catharina) 

5° dito (Pernambuco). 

6.° dito (Espirito Santo) 

7.'' dito (Bahia) . . . 

8.° dito (Pernambuco). 

9° dito (Piauhy) . . 

10.° dito (Ceará). . . 

11.° dito (Maranhão) . 

12." dito (Pará) . . . 

Companhias fixas de Monte 
vidéo e Colónia (antiga 
artilharia do Rio de Ja 
neiro) 

Artilharia da Colónia (idem) 

Dita de Mato Grosso . . 

1° corpo de artilharia mon 
tada (Rio de Janeiro) 

2.° dito (S. Paulo) . . . 

3° dito (S. Pedro do Sul) 

4.° dito (Alagoas) . . . 

5.° dito (Parahyba) . . 

6.° dito (Bahia) .... 



Total da artilharia (4.875) 



1.029 
149 
1S6 



72 
397 
120? 
125 
138 
224 



140 



312 



180 
168 



3.240 



60 



269 
95 



352 

80 

330 



271 

82 



120 
105 



140 



285 1.350 



^"- B. — O numero dos officiaes generaes do estado- 
raaior é indeterminado. O imperial corpo de engenheiros 
tem o chefe na corte e os officiaes em todo o Império, 



270 



CIIROXTCA GEEAL 



segundo as commissOes. Os batalhões de caçadores são 
29, com^íostos de diversa força, conforme as j)rovin- 
cias em qne têm estado estacionados ; entretanto o pé 
maior é de 711 e o menor de 230 x>raças cada um. 
A cavallaria compõe-se de sete regimentos de 620 praças 
cada um. A artilharia montada de x)osição não tem 
numero fixo de x>raças, sendo a sua organisação pro- 
porcionada ao serviço de cada província. A policia está 
nas circumstancias da artilharia, quanto á sua organi- 
sacão. Da provinda do Piauliy nada se x>6á.e saber ao 
certo, i^or não ter vindo max)pa algum delia. 

Além da primeira linha ou exercito propriamente 
dito, iiavia a segunda linha do exercito ou milícias, a 
que, como dissemos posteriormente, se deu o nome de 
guarda nacional. 

Exceptuando as províncias de Alagoas, Mato Grosso 
e Piauliy, que não remetteram mapi^as ; dividia-se 
assim a segunda linha : 

Segunda linha do exercito. Estado eífectivo : 





Cac;adoro.-, iiifaiiLavia 










c llcuriques 


Cavallaria 


ArLilhaiia 


Somuia 


Rio de Janeiro 


. . 10.932 


1.605 


1.172 


13.709 


S. Paulo. . . 


. . 4.980 


1.129 


.... 


6.109 


Santa Catharina 


2.684 


534 


.... 


3.218 


S. Pedro do Sid 


. .... 


1.769 


.... 


1.769 


Glsiilatiiia . . 





250 


.... 


250 


Espirito Santo 


1.000 


173 


335 


1.508 


Bahia . . . . 


. 14.106 


1.220 


762 


16.088 


Sergipe . . . . 


4.412 


1.279 


.... 


5.691 


Alagoas . . . . 


? 


? 


.... 


1 


Minas Gera es . , 


5.452 


3.309 


.... 


8.761 




43,060 


11.266 


2.269 


57.103 



Transporte . . 

Govnz 

Mato Grosso . . . 
Pernambuco . . . 

Ceará 

Paraliyba .... 

Pianliy 

Rio Grande do Norte 
Maranhão .... 
Pará 



DO BEAZIL 

43.566 11.368 



2.269 



3.027 

6.363 
4.821 

3.260 

1.189 

4.887 
4.863 



1.07Í 

1.009 

3.507 

389 

1.133 
171 



140 
108 



271 

57.103 
4.098 

7.372 

8.328 
3.649 

9. 

2.322 
4.698 
4.971 



71.476 18.648 2.517 92.541 



JV. B. — Estavam destacadas fazendo serviço de pri- 
meira linlia : — nas provinoias de S. Pedro do Sul e Cis- 
X^laiína todas as tropas de segunda linlia (1.769 homens 
naquella proviucia e 250 nesta) ; na do Rio de Janeiro 
o 1.° batalhão de Henriques com 530 praças ; na da 
Bailia um batalhão de Minas Geraes formado de con- 
tingentes dos diiferentes batalhões desta x)rovincia. 

Quanto aos corpos de segunda linha que se achavam 
no theatro da guerra, eis aqui a sua força : 

TROPAS DE 2.'"* LIXIIA EMPKEGADAS NA GUERRA DO SUL 



Só cavallaria 



No Rio Graude do Sul Na Cisplatina 



20.'' regimento (antigo reg. de mili- 
cias de Porto Alegre) . . , 

21.° dito (idem do Rio Grande) . 

22.° dito (Idem do Rio Pardo) . . 

23.° dito (idem de Entre-Rios ou 
Alegrete) 



257 
224 
365 

240 
l.OSG 



2V2 CHRONICA GERAL 

Transporte 1.086 

24.° dito (idem de Missões, com- 
posto de guaranys) .... 1.54 

25.° dito (idem, idem) 69 

39.° dito (idem do Serro Largo) . 181 
40.° dito (idem de Lunarejo) . . 218 
Duas companhias de lanceiros. . 61 
Regimento da Colónia do Sacra- 
mento 

Companhia de rebaixados de Mon- 
tevideo 

Guerrilhas de Montevideo 



130 

58 

72 



Somma 1.769 260 

CDXCIV. José Bonifácio de Andrade e Silva chega ao 
Rio de Janeiro vindo do desterro, em um navio de 
Bordéos, e foi morar em casa de Luiz de Menezes de 
Drumond, no Catumby, hoje rua do Conde, esquina 
da rua do Catumby, pertencente actualmente a viuva 
Raity. 

Antes de chegar ao Rio de Janeiro José Bonifácio, 
tinha, em Junho do mesmo anno, se recolhido á pátria 
António de Menezes Vasconcellos de Drumond ; e o 
imperador D. Pedro I e seus ministros no meio da 
devassidão, com um governo corrompido e corruptor, 
vendidos ao estrangeiro, haviam governado o Brazil 
absolutamente desde o dia 12 de Novembro de 1823, 
até 3 de Maio de 1826, que em virtude do projecto da 
constituição que elle offereceu, e a nação aceitou sem 
a menor reflexão, e quiz que fosse jurada, se abriu a 
primeira assembléa legislativa em 1826. 

Os acontecimentos dos annos de 1824 e 1825 são de 
funestas e dolorosas recordações na historia do devasso 



DO BR.VZIL 273 

primeiro reiníido. O sangue brazileiro foi derramado 
por opiniões politicas, e nos jiíi^i^iilc)^ que o despo- 
tismo ergueu no Rio de Janeiro, em Pernambuco e na 
Bahia. Foi então voz publica que um magistrado de 
nome António Garcez Pinto de Madureira, natural de 
Portugal, lavrara uma sentença de morte ditada pelo 
poder executivo. 

A camará dos deputados de 1862 foi, como devia ser, 
timida, porque a dissolução da primeira assembléa 
constituinte legislativa, e as violências do poder eram 
disso a causa ; mas em 1827 e 1828 a assembléa legis- 
lativa começou a tomar alento, e com o caracter de 
certa liberdade. 

A chegada de José Bonifácio, de Martim Francisco, 
António Carlos, capitão -mór Rocha e Drumond, em 
1829. foi uma circumstancia bem notável para a assem- 
bléa legislativa se animar, mormente no que dizia res- 
i^eito á administração financeira. O imperador, por seu 
caracter leviano e inconstante, não podia viver soce- 
gado : em seu pensamento existia o elemento europeu. 

O ministério estava quasi concentrado em José Cle- 
mente Pereira, que, em 1821, fez opi^osição á indepen- 
dência, sendo um dos heroes dos acontecimentos da 
Praça do Commercio. Quando em 1822 José Clemente 
Pereira quiz a independen^jia. não queria o imi^erio, e 
nesse mesmo anno cabalou contra a independência : e 
a forma de governo que elle queria era a republica, 
por contar ter nella a maior influencia governamental. 

Em Maio implorava ao príncipe regente do Brazil 
que aceitasse o titulo de protector e defensor peri)etuo ; 
em Outubro, na falia da acclamação, pretendia pôr 
condições honrosas ao imperador. 

José Clemente Pereira, como ministro do império e 

muito influente, tinha um banco, na rua do Rosário, 
ckrokicá. eEBAL SEO. xvin . — 18 



274 CHKONICA GERAL 

onde se vendiam em almoeda os títulos e condecorações 
do Brazil, cnjo i^roducto das vendas era destinado a 
soccorrer os emigrados portugnezes. Infelizmente este 
funesto x^ensamento ainda predominou e predomina. 
Os títulos e condecorações brazileiras, que a constitui- 
ção destinou para recompensar os serviços feitos á pátria, 
e distinguir o merecimento brazileiro, são vendidos a 
quem os quer comprar, e são dados aos estrangeiros 
por favores jDessoaes feitos ao imperador. 

CDXCY. ís"o domingo 11 de Março de 1827 morre 
na cidade de S. Sebastião do Eio de Janeiro o mar- 
quez de Nazaretli, Clemente Ferreira Franco, natural 
da Bailia, nascido a 16 de Março de 177õ. 

CDXCVI. JS^o dia O de Abril de 1827 a divisão 
naval brazileira trava combate com a divisão argentina, 
e na acção os argentinos perdem dous brigues. Esta 
sensível perda para Buenos-Ayres resolve o seu go- 
verno a entrar em estipulação de paz. 

CDXCYII. O capitão -mór Alexandre José de Mello, 
que relevantes serviços prestou á cansa da independência 
do Brazil, íoi o único da provinda das Alagoas que 
foi condecorado cem a Ordem Imj)erial do Cruzeiro, 
no dia 2 de Dezembro de 1822. O capitão -mór Alexan- 
dre José de Mello fnlleceu na cidade das Alagoas, na 
rua de Baixo, no dia 13 de Maio de 1827 , e íoi sepul- 
tado na frente da capelia do Santíssimo Sacramento da 
igreja matriz de Nossa Senliora da Conceição. 

CDXCT riT. Por carta de lei de 11 de Agosto de 1827 
são cread'>s no Brazil os cursos Jurídicos, um estabele- 
cido na cidade de Olinda, e outro na cidade de S. Paulo, 
]para os estudos de sciencias jurídicas e sociaes. 

CDXCIX. No Dia 1 de Setembro de 1827 installou- 
se na ciç.ade do Recife o lyceu pernauibucano. 



r>o r.RAziL 2/j 

D. Xo dia 10 de Outubro de 1827 installa-se no 
Ivio de Janeiro a sociedade Auxiliadora da Industria 
Xucional. 

DT. Morre em Paris, no anuo de 1827, o vis- 
conde de S. Lourenço, Francisco Bento Maria Targini, 
tliesoureiro-mór do real erário no Brazil, nascido em 
Portugal no dia IG de Outubro de 1757, Foi Targini 
quem mandou edificar o grande sobrado da rua de 
]Mata Cavallos que íaz esquina e face para a rua dos 
Inválidos. Foi antes barão, por alvnrá de 20 de De- 
zembro de 1811, e visconde por carta regia de 10 de 
Maio de 1810. 

DII. Morre no dia 20 de Maio de 1827 o coronel 
Francisco Nunes Coelho de Aguiar. 

DIU. Xo dia 24 de Maio de 1827 celebra-se no 
Rio de Janeiro, com o ministro argentino Garcia, 
uma convenção i^reliminar de paz, a que o presi- 
dente Bernardino Rivadavia nega a sua ratificação. 

1)1 V. Xo dia 28 de Mni.^ de 1827 morre no Rio 
Pardo o tenente general visconde de Pelotas, Patrício 
José Corrêa da Camará. 

DY. Xo dia 16 de Junho de 1827 celebra-se um tra- 
tado de commercio e navegação entre o Brazil e a 
Áustria. 

DVI. Xo dia 25 de Julho de 1827 íalloce na cidade 
das Alagoas e na rua da Matriz o benemérito reve- 
rendo cónego vigário António Gfomes Coelho, com a 
idade de CO annos e 35 de vigário da íreguezia de 
Nossa Senhora da Conceição das Alagoas. 

DY II. Xo dia G de Julho de 1827 chega ao Rio de 
Janeiro o duque de Cadaval. 

DYIII. Xo dia 2 de Julho de 1827 fallece o marquez 
de Snbará, brigadeiri. João Gomes da Silveira de Men- 



276 CHR05ÍICA GERAL 

donça, antes visconde do Fanado, senador do imi^erio 
pela província de Minas Geraes. 

DIX. No dia 17 de Agosto de 1817 celebra-se com 
a Inglaterra nm tratado, mui oneroso para o Brazil, de 
commercio e navegação, que foi ratificado em 10 de 
Novembro do mesmo anno. 

DX. No dia 3 de Novembro de 1827 foram eleva- 
das as x^relazias de Goyaz e Cuyabá á categoria de 
bisx3ado por bulia do papa Leão XII. 

DXI, Morre no dia 2 de Dezembro de 1827, na 
cidade das Alagoas, o reverendo vigário da vara, padre 
Jesé Ignacio com 62 annos de idade. 

DXII. No dia 19 de Dezembro de 1827 o bacharel 
em direito Thomaz Xavier Garcia de Almeida, depois 
conselheii'o, ministro do Suj^remo Tribunal de Justiça, 
toma posse nesse dia da presidência da província de 
S. Paulo, que exerce durante quatro annos ; e em 
18 de Abril de 1828 passa a administração da pro- 
víncia ao vice-presidente, vigário capitular, Dr. Manoel 
Joaquim Gonçalves de Andrade, quarto conselheiro do 
governo, depois bispo da diocese, que exerce durante 
5 mezes e 16 dias, passando a administração, em 5 de 
Outubro desse mesmo anno, ao terceiro conselheiro do 
governo Dr. Manoel Joaquim de Ornellas, que a 
exerce por 3 mezes e 7 dias. 

DXIII, Áureo numero, 5 ; cyclo solar, 17 ; epacta, 
14 ; letra dominical, F. E. 

DXIY. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, terça-feira ; 
paschoa a 6 de Abril ; indicação romana. 1 ; período 
Juliano, 6,541. 

DXV. No dia 21 de Janeiro de 1828 morre o tenente 
general marqnez de Alegrete, Luiz Telles da Silva 



liO BRAZIL 



Caminlia e Menezes, que foi governador de 6. Paulo 
e Rio Grande do Sul. Nasceu a 27 de Abril de 177o, 
e era filho de Fernão Telles, que havia sido capitão 
general da Bahia. 

D XVI. No dia 2S de Fevereií-o de 1828 morre o 
coronel de milícias José de Sá Bittencourt Accioli. 

DXYII. No dia 1 de Março de 1828 abre- se o curso 
jurídico de S. Paulo, sendo o lente fundador deste 
curso de sciencias jurídicas e sociaes o Dr. José Maria 
de Avellar Brotero. 

DXYIII. No dia 3 de Março de 1828 o Sr. D. Pedro I, 
imperador e 4." rei de Portugal, abdica a coroa por- 
tugueza em sua filha a Sra. D. Maria II. 

DXIX. No dia 25 de Março de 1828 o tenente ge- 
neral conde de S. João das Duas Barras Joaquim José 
Curado é dispensado, por suas moléstias e avançada 
idade, do governo das armas da corte e província do 
Rio de Janeiro, sendo substituído pelo brigadeiro Va- 
lente, conde do Rio Pardo. 

DXX. No dia 3 de Maio de 1828 abre-se a assem- 
bléa geral legislativa. 

DXXI. No dia 6 de Maio de 1829 morre em Lis- 
boa o tenente general D. Marcos de Noronha e Brito, 
conde dos Arcos, vice-rei que foi do Brazil, governa- 
dor e capitão general do Pará e da Bahia e presi- 
dente do conselho de ministros em 1821. 

DXXII. No dia 15 de Maio de 1828 abre-se o curso 
jurídico de Olinda, em Pernambuco, creado como o de 
S. Paulo, pelo Decreto de 11 de Agosto de 1827. Em 
Olinda o -[jnmeiro estudante que se matriculou foi 
Euzebio de Queiroz Coutinho Mattoso Camará. 

DXXIII. No dia 11 de Junho de 1828, amotina-se na 
cidade do Rio de Janeiro um batalhão de allemães 



2V8 CHEONICA. GEIíAL 

engajados ; os irlandezes também engajados correm a 
coadjuval-os, e rompem em sedição, e só depois 
de 48 lioras,^ o governo fez suffocar a desordem pela 
tropa brazileira. Os capoeiras, durante os dous dias 
de desordem, tomaram notável parte no acontecimento, 
atacando e matando a muitos dos soldados sediciosos. 

DXXIY. iS^o dia 3 Julho de 1828 cliegam ao Eio de 
Janeiro os ex-deputados da constituinte de 1823, que 
foram deportados, Martim Francisco Ribeiro de An- 
drada e António Carlos Ribeiro de Andrada Machado, 
no navio francez Le Vaíllant ; e desembarcaram para 
a fortaleza da ilha das Cobras, onde ficaram deti- 
dos até se justificarem ; e dahi requereram á camará 
dos deputudos, que seus j^rocessos fossem feitos jdu- 
blicamente de accordo com o art. 159 da constituição 
do imj)erio, 

O imperador desde a falia do throno da abertura da 
assembléa começa a atacar a camará, principalmente no 
discurso do encerramento. 

DXXV. No dia 5 de Julho parte para a Europa a 
Sra. D. Maria II, rainha de Portugal. 

DXXVL No dia G de Julho de 1828 o contra almirante 
francez Mr. Roussin, com unn náo e duas fragatas, apre- 
senta-se na bahia do Rio de Janeiro, exigindo a entrega 
immediata de todas as embarcações francezas, tomadas no 
Rio da Prata, e uma inderanisação por perdas e damnos. 

DXXVII. No dia 22 de Julho de 1828 fallece no Rio de 
Janeiro o cónego Dr. Rinato Boiret. 

No dia 9 de Agosto do mesmo anno morre o tenente 
general visconde do Juromenha e António de Lemos Pe- 
reira de Lacerda, 

DXXVIIL No dia 18 de Agosto de 1828 crêa-se o Su- 
premo Tribunal de Justiça na corte do Rio de Janeiro ; 
e no dia 18 de Setembro é definitivamente organisado. 



DO BEAZIL 279 

DXXIX. Xo dia 20 de Agosto do mesmo anno v lavrado 
o decreto imperial extinguindo o Tribunal da Pjiilla da 
cruzada e a distribuição da venda delias. 

D XXX. No dia 26 de Agosto do mesmo anno de 1828 
se principia a convenção preliminar de paz entre o Brazil 
e as províncias unidas do Rio da Prata ; e no dia 27 fez-se 
L convenção preliminar de paz, no Rio da Janeiro, e se 
ifeconlieceu a independência da província de Montevideo, 
chamada a Cisplatina. Xo dia 28 faz- se o tratado de paz 
com Buenos Ayres, 

DXXXI. X^o dia 8 de Agosto foi comprada a casa 
da relação da corte do Rio de Janeiro a João Marcos 
Yieira de Araújo e a sua mullier por vinte e sete contos 
de réis. 

DXXXII. X"o dia G de Setembro morre o padre mestre 
Fr. Custodio de Faria, religioso Agostiniano, j^rofessor 
da lingua grega e de x)aylosopliia moral, no seminário 
de S. José. 

DXXXIII. Comx3uto ecclesiastico : anreo numero, 9 ; cy- 
clo solar, 18 ; epacta, 2.") ; letra dominical, D. 

DXXXIY. Martyrologio : dia 1.° de Janeiro, quinta- 
feira : pasclioa a 19 de Abril ; indicação romana, 2 ; x^e- 
riodo Juliano, 6,542. 

DXXXY. Xo dia 13 de Janeiro de 1829 o bacharel José 
Carlos Pereira de Almeida Torres, depois visconde de 
Macalié, senador do império e conselheiro de Estado, 
toma posse da i;)residencia da província de S. Paulo, e 
administra um mez e vinte quatro dias passando o go- 
verno em 9 de Março do mesmo anno ao vice-i^residente 
D. Manoel, bispo diocesano, que administra a província 
durante um anno, nove mezes e vinte cjuatro dias. 

DXXXYI. X^o dia 17 de Fevereiro de 1829 fallece o 
cónego António Pinto Ribeiro Pereira Sampaio : e no dia 



280 CHKONICA GERAL 

22 do mesmo mez morre o vice-almirante Braz Cardoso 
Pimentel. 

No dia 8 de Junho do mesmo anno fallece o vigário de 
Jacarepaguá, padre José Luiz de S. Boaventura ; e 
no dia 11 fallece o mareclial António de Souza Sepúl- 
veda, que havia sido oonimiindante de artilharia. 

No dia 13 do mesmo mez fallece em Portugal o briga- 
deiro Manoel Ignacio de Moraes de Mesquita Pimentel, 
que alli se achava com licença do governo imperial. 

No dia 14 de Junho, morre o brigadeiro Francisco 
Joaquim Lobão, governador da fortaleza da ilha das 
Cobras. 

No dia 12 de Julho de 1829, morre em Portugal o 
Conde do Rio Pardo, D. Diogo de Souza, teiionte -general, 
governador e capitão general que foi do Maranhão e Rio 
Grrande do Sul. 

Conta- se qiie Diogo de Souza, morrendo, deixou a seus 
herdeiros, em testamento, a grande herança de mil e du- 
zentos contos de réis / e D. Miguel tendo disto sciencia 
immediatamente desapossou os herdeiros, e fez recolher 
ao erário de Lisboa a herança dizendo aos herdeiros — 
Vosso legatário não me consta tivesse tido herança nos 
bens patrimoniaes ; toda a vida foi emj)regado do go- 
verno em commissão : nestes empregos era-lhe prohibido 
negociar, e os ordenados apenas chegavam para a sua 
decente sustentação : Jogo essa enorme herança que tes- 
tou, ou foi roubada á fazenda real, ou a meus vassallos ; 
no primeiro caso pertence-me ; no segundo não se sabe 
a quem restituir, tara])em me pertence. 

Este acto de D. Miguel, bem que dispotico, agradou a 
todos porque provou qtie esse empregado do governo foi 
um assolador do Maranhão em cuja administração deixou 
na cadeia não menos de cento e quatorze cidadãos presos 



DO líRAZlL 281 

injustamente, quando se ausentou e foi governar o Rio 
Grande do Sul, onde fez proezas e latrocínios. 

D XXXVII. No dia 2 de Agosto de 1829 effectua-se o 
casamento do Sr. D. Pedro I com a princeza Amélia 
de Leuchtemberg. 

DXXXYIII. No dia 3 de Setembro de 1823 o Sr. I). Pe- 
dro I encerra a assembléa geral legislativa com as se- 
guintes palavras — augustos e digníssimos senhores re- 
presentantes da nação : está fechada a sessão ! 

DXXXIX. A noticia de uma noiva bonita e virtuosa 
para o imperador, e com a condição forçosa de pôr para 
fora da capital do Rio de Janeiro a marqueza de Santos, 
deu origem á lucta que se travou entre ambos. A mar- 
queza não queria de modo algum ir para S. Paulo, por 
maiores vantagens que lhe jjropoz o Imx)erador. A prin- 
cipio elle a quiz levar por bem ; mas nada alcançando 
ficou mal com ella. As mensagens eram frequentes, 
mandando-lhe fazer propostas pelos próprios parentes 
delia, sendo o mais empenhado Cândido Marcondes, 
official da secretaria dos estrangeiros, morador em Mata 
Porcos, hoje rua de Estacio de Sá, e dejDois fazendeiro 
em Pindamonhangaba ; ficando alguns até indispostos 
com ella, pela pertinácia de querer ficar na corte, o que 
não era possível, vindo a nova imperatriz. 

Os amigos ou aduladores da marqueza de Santos fo- 
ram também encarregados de convencel-a da necessidade 
de se retirar para S. Paulo, em vista de tantas vanta- 
gens que lhe fazia o imperador ; mas tudo era baldado. 

O imperador enfastiado por tanta relutância, tirou-lhe 
as honras de dama, bem como á viscondessa de Castro, 
mãi delia, que também era dama do paço imperial. O 
caso era urgente : a valida do imperador D. Pedro I 
devia sahir da corte. Por fira ella aunuiu retirar- se, im- 
l>(>ná(j ao imperador condições pecuniárias, chegando 



282 CIIRONICA GERA.L 

mesmo a regatear sobre valores dos bens que elle pró- 
prio lhe havia dado, mostrando desfarte, o quanto era 
pouco grata e generosa de coração. 

Não era o amor quem a continha ; era o interesse que 
a movia ! ! De mais elle licou dando -lhe nma pensão de 
doze contos de réis annuaes. Comprou-lhe os bens j^elo 
preço que ella estipulou ; deu-lhe muitos i3resentes de 
valor ; estendendo os seus obséquios a dar aos parentes, 
chácaras e boas pensões, que foram conservadas até a 
abdicação. (1) 

Depois que se retirou da corte a marqueza de Santos, 
indo para S. Paulo, o imperador j^assou-se para a fazenda 
de Santa Cruz onde se demorou algum tempo. 

DXL. Os filhos que o imperador D. Pedro teve 
com a marqueza de Santos foram 1.° a duqueza de Goyaz; 
2."^ Pedro, que morreu com poucos mezes ; 3.° D. Maria 
Izabel ■ á.° B. Izabel. 

O filho que o imperador D. Pedro I teve com a baro- 
neza de Sorocaba foi Rodrigo Delfim Pereira. 

Em meu 2Doder existem dons retratos, o j)rimeiro de 
um menino que o imperador teve com a parda Joanna 
Mosqueira filha natural do conselheiro desembargador 
Mosqueira, que se baptisou com o nome de José de Bra- 
gança e Bourbon, cuja criança falleceu de dous annos, 
e é o fiel retrato do imperador D. Pedro I ; o segundo é 
o de uma menina, de nome Urbana, que o inix^erador 
teve com a mulher de ummarquez, e ministro de Estado. 

Eu conhecia moça ainda, e vivendo na pobreza, pedi 
ao general Cabral para a ai^resentar ao Sr. D. Pedro II 
que lhe mandou dar uma esmola. 



(,1) E" assim que so consome o suor do povo, dando-se o producto 
dos rendimentos do Estado para manter o escândalo e |as baudalheiras 
da monarchia ! . . . 



DO KIíAZlI, 



283 



o imperador D. Pedro I teve com outras mulheres, 
brancas, pardas e pretas diversos lillios que se parecendo 
com elle, os uão reconlieceu. 

PXLI. Quando em principio do anno de 1829, 
o imperador D. Pedro teve noticia de que nenliuma 
l^rinceza o queria por marido esposo, ficou muito zan- 
gado, e disse que não mandaria mais pedir mulheres, 
porque já tinha successão snfíiciente para o throno do 
Brazil, e que para amante ia mandar buscar a mar- 
queza de Santos a S. Paulo, e de quem não se tor- 
naria a separar (1) ; e ciue para elle a marqueza valia 
tanto como qualquer dessas mulheres de alto nasci- 
mento euroi^eu. De facto escreveu á marqueza de Santos, 
chamando-a que viesse para sua comx)anhia, Ella re- 
cebendo a carta i)ela manhã, deu pressa á partir e 
no dia seguinte estava á caminho por terra, indo o 
imp>erador encoutral-a na estrada de Itaguahy, acom- 
panhando-a a cavallo até o j)alacio da fazenda de 
Santa Cruz, com uma iramensidade de i^essoas ; uns, 
que tinham ido com o imperador, e outros, que eram 
empregados na fazenda, e outros da villa de Itaguahy, 
parentes, aggregados e criados que com ella tinham 
vindo de S. Paulo. A marqueza de Santos entrou na 
fazenda de Santa Cruz como em triumpho. 

Passado o tempo necessário de descanço, partiu o 
imperador com sua amada Titilia para a corte onde 
foi comprimentada pelos fidalgos e p)elos criados do 
imperador, desde os de primeira gerarchia até os da 
ínfima classe ; i)elos desembargadores, empregados i:)u- 
blicos. militares de todas as patentes e mesmo por 



(1; A condessa de Iguassú filha da marqueza de Santos c do im- 
perador me disse em iiresença de algumas pessoas que o imperador 
queria casar-se com a mdi, apesar de ter o marido vivc^ o que ella 
não quiz. 



284 CHRONICA GERAL 

gente muito insignificante do povo : nns portavam-se 
com gravidade e outros com nogenta bajulação. 

Nunca o poderio dessa mulher foi tão grande no 
animo do imperador, como depois desta volta de 
S. Paulo. 

EUe se tornou escravo delia ; e o dominava a tal 
ponto, que dispunlia da sua vontade como queria. Ella 
disi)unlia dos jDroprios empregos públicos ; e o impe- 
rador obedecia ao seu menor desejo. O imperador só 
sahia da casa da marqueza de Santos (na rua Nova 
do Imperador) para o despacho ; e muitas vezes des- 
pachava em casa delia. Ahi comia, dormia e para ahi 
levava os filhos legítimos, com suas damas e açafatas. 
A marqueza ia amiudadas vezes ao paço de S. Chris- 
tovão, onde ficava como em sua casa ; dando ordens, 
6 dizendo ao imperador mande fazer isto ou aquillo 
e tudo se fazia. 

Toda a gente do paço, por vontade ou constrangida, 
tratava a marqueza de Santos com todo o respeito 
e subida consideração. No dia 24 de Maio em que 
fazia annos a duqueza de Goyaz, o imperador fez es- 
palhar a noticia de que receberia a todos que qui- 
zessem ir beijar-lhe a mão, e assim aconteceu. 

A maior parte da gente que costumava ir ao beija 
mão, foi ao paço de S. Christovão, onde elle, as 
filhas legitimas e a duqueza de Goyaz deram beija 
mão em uma sala chamada dos estrangeiros. Nesta 
sala não havia throno, nem docel. Ahi foi que elle 
recebeu a multidão que nunca foi ao paço, em dias 
de seus annos. 

As duas horas da tarde se apresentou no paço a 
marqueza de Santos, indo em um riquíssimo coche, 
com as armas e libré da sua casa ; e chegando ao 
pateo do i^alacio de S. Christovão, as musicas tocai-am, 



PO BRAZIL 2So 

e as band^^iras imperiaes se abateram ; os guardas e 
archeiros cliamaram as armas, j)ara fazer-lhe as con- 
tinências devidas como se ella fosse a legitima impe- 
ratriz do Brazil. 

O imperador mandou o porteiro da camará, João 
Valentim de Faria de Souza Lobaio, abrir-lhe a por- 
tinhola do coche, e o camarista de semana desceu 
para conduzir a marqueza pelo braço, atravessando com 
ella pela varanda do paço, indo o joorteiro da camará 
adiante, até apresentai -a ao imperador, que a esjíerava 
fardado, com ricas insígnias e jóias preciosas. As 
princezas estavam ricamente vestidas. A marqueza de 
Santos beijou a mão do imperador e a das princezas, 
e deu um beijo na lilha ; e demorou-se pouco tempo, 
conversando com o imperador e sahiu com todo o ap- 
parato indo elle acomx>anhando-a até o tò]}o da es- 
cada. 

A marqueza levava uma cadeia de ouro, grossa, 
tendo era cada annel escripto Pedro I. Pendente nesta 
cadeia estava uma rica medalha cravejada de brilhantes 
com o retrato do imperador. 

Mettida no coche, pelos anlicos do paço, foi ella 
para o seu palacete, indo logo depois para o mesmo 
o imperador com a daqueza de Gfoyaz ; e onde houve 
um magnilico jantar. Por esta occasião o imperador 
mimoseou a marqueza de Santos com uma rica baixella 
de prata e outros presentes de subido valor. Para este 
banquete foram convidadas as pessoas da corte, com 
quem a marqueza de Santos não tinha indisposição, 
os seus amigos e as senhoras com quem ella se vi- 
sitava ; e finalmente foi uma festa brilhante. A noite 
foi servido um grande chá e magnifica ceia. 

Quando a marqueza de Santos se julgava no apogêo 
de suas glorias e pensando que jamais o imperador 



286 CHROXICA GERAL 



Pedro I a abandoiiíiria, foi quando, dons mezes depois 
desse memorável dia 24 de Maio, recebeu o golpe de 
que estava definitivamente contractado o casamento do 
imperador com a princeza Amélia, fillia do príncipe 
Eugénio, cujo casamento se liavia de eôectuar no dia 
2 de Agosto, e ao mesmo tempo trazendo a noticia da 
condição imposta pela futura im23eratriz de que élla se 
não receberia com D. Pedro I, no Rio de Janeiro, 
se ao cliegar encontrasse na corte a marqueza de Santos. 

D. Pedro recebendo ao mesmo temj)o o retrato da 
princeza Amélia, a acliou mui galante, e com 17 annos 
de idade mais real(;ava a sua belleza ; e por isso o 
imperador ficou excessivamente contente, porque se via 
rei^udiado pelas principaes famílias da Europa. 

DXLII. O imperador D. Pedro I, depois do 
banquete que deu no paço de S. Cliristovão, resolveu-se 
em Jullio de 1827 a casar segunda vez ; e i^ara este 
emi)enlio escreveu ao sogro, i^edindo varias princezas 
da Euroi^a, que o não quizeram por saberem dos des- 
gostos que elle liavia dado á imperatriz D. Maria Leopol- 
dina, por sua vida desregrada e seus escândalos com 
a marqueza de Santos. 

;Mas quando elle se resolveu a casar, já andava des- 
gostoso com a iiinrqueza de Santos, porque dando elle 
um jantar no paJacíu de S. Cliristnvão, por occasião 
dos annos da duqueza de Goyaz, foi seiTida a mesa 
na sala e mesmo lugar em que esteve depositado o ca- 
dáver da imperatriz D. Maria Leopoldina, antes de 
ser conduzido para a igreja do convento da Ajuda. No 
fervor do banquete, teve o imperador D. Pedro ne- 
cessidade de ir a um dos aposentos do paço ; e se 
demorando, causou extranheza aos convivas, a mar- 
queza de Santos indo em procura delle o encontrou 
chorando e em soluços, abraçado com o retrato da 



DO BRAZEL 287 

fallecida mulher, sem querer i^e velar a cansa imi^re- 
vista que o liavia cousternado. 

O festim terminou iiorque o imperador não voltou 
para a mesa ; e desde este dia principiou o resfriamento 
delle com a marqueza de Santos ; e no dia lixado 
contraliiu novo matrimonio. D.\sse, é um alto perso- 
nagem do paço, e contemporâneo desses acontecimen- 
tos, que o imperador communicára a algumas pessoas 
suas intimas amigas, que entrando para o quarto afim 
de satisfazer uma necessidade natural, vira realmente 
a imperatriz, que se lhe mostra triste, desapparecendo 
instantaneamente. Que nfio foi uma illusão porque 
não x^ensava nella, e sim uma realidade de seus 
olhos. 

Continuando o seu desgosto, mandou a marqueza 
de Santos para S. Paulo, deixando de ir á sua casa 
publicamente desde o dia que resolveu casar-se. Por 
esse tenq^o teve a marqueza de Santos uma íilha que 
se chamou Maria Isabel (1), a qual foi baptisada em 
casa da mãi, sendo padrinho o actuai imperador 
D. Pedro II, representado na pia baptismal, i^elo 
mordomo-mór marquez de Palma, em virtude de uma 
carta que recebeu de D. Pedro I, ordenando-lhe em 
nome de seu filho que o fosse representar, e que se 
puzesse na menina o nome de Maria Isal)3l. A madri- 
nha foi a duqueza de C-royaz. Esta menina falleceu no 
paço de S. Christovão, e foi sepultada na matriz do 
Engenho Yelho, e acompanhada por muitas pessoas 
da corte a pedido do pai. 

Tanto esta menina como a duqueza de Goyaz foram 
residir no paço de S. Christovão, depois da ida da 
mãi para S, Paulo, sendo ambas tratadas com muita 

(1) Na matriz do EDgeoho Velho. 



288 CHIRONICA GEEAL 

distincção. Nos dias de beija mão ficavain em uma sala 
aparte porqne o pai ri.ão se animava a apresentar -se 
com ellas, o mesmo acontecia no theatro. Eram acom- 
panhadas por um guarda roupa, e a açafata D. Jo- 
sei)lia, prima da marqueza de Santos. D. Joseplia 
acompanliou a sobrinlia, duqueza de Goyaz para Paris, 
recolhendo- se ao convento onde a duqaeza de Goyaz 
se educou. 

DXLIII. No dia 16 de Outubro de 1829, chega ao 
Rio de Janeiro a imperatriz Amélia e desembarca no 
arsenal de Marinha no dia 17, por volta da tarde, apesar 
da muita chuva que cahia. No mesmo dia 16 foi o 
Imperadar a bordo, e mandou os fiUios que estavam 
em S. Christovão, dizendo ao camarista, que os trouxesse, 
menos a duqueza de Goyaz, para os apresentar á Im- 
peratriz, o que aconteceu. Desembarcou assim porque 
o Imperador mjandou pela manhã perguntar á senhora, 
se queria apesar do mau tempo desembarcar, ou adiar 
para o dia sef^uinte, ao que ella respondeu que queria 
desembarcar naesmo assim naquelle dia ; o que acon- 
teceu, causando muitos prejuízos ás pessoas da corte, 
que ficaram com os seus trens e vestidos arruinados. 

A imperatriz desembarcou com o Imperador e os 
filhos, o prinoipe Augusto, irmão da imperatriz, e o 
marquez de Barbacena, na galeota imperial, no Ar- 
senal de marijaha, onde os esperavam as pessoas da 
corte, que os tinham de acompanhar, como a cama- 
reira-mór maiqueza de Aguiar e suas damas. 

Antes de chegar a galeota ao arsenal, o marquez 
de Barbacena disse ao Imperador que elle não iria com 
a imperatri25 no mesmo coche, para a capella imperial, 
porque a d'aqueza, mãi da imperatriz, em Munick, 
lhe entregando sua filha, que elle só faria delia entrega 
a seu marido depois de haverem recebido as bênçãos 



PO nr.XTM, 



nnpciaes ; e assim aconteceu embarciindo-se a iniperaíriz 
com Barbacena em um coclie, indo elle ao lado da 
imperatriz, com as damas no assento de diante ; por- 
que Barbacena queria fazer-se celebre, não se lembrando 
que rcdicnlarisava o imperador, indo elle a par de sua 
esposa, quando ia receber as bênçãos nupciaes I I ! 

O imperador teve a fraqueza de se sujeitar a esta 
indecente condescencia, não sendo Barbacena cousa al- 
guma delle. e nem da princeza e sim um commissio- 
nado seu, para lhe contractar o casamento. 

Recebidas as bênçãos, foram os noivos para o paço 
da cidade, onde liouve beija-mão só da gente da corte 
e criados : jantaram, e findo este, se retiraram o im- 
perador e imi^eratriz i^ara o andar superior do paço e 
ahi estiveram em família ; e perguntando a imperatriz 
pela princeza D. Pnula, que a queria ver, disse o im- 
perador estar ella no paço de S. Cliristovão. 

No dia seguinte communicou-llie ter ainda outra filha, 
a duqueza de Govaz, e que lhe pedia licença para apre- 
sental-a : então lhe respondeu que de tudo sabia, (instrnc- 
ções do marquez de Barbacena), e que não iria ver sua 
enteada D. Paula, em S. Chrlstovão, sem que elle fizesse 
retirar essa menina do ])aço ; porque ella não consentia 
que essa menina continuasse a estar no paço, a par dos 
filhos legítimos, filhos da imperatriz D. Maria Leopoldina. 
Que a mandasse i:>ara a Europa quanto antes. 

Foi com esse acto improi:)rio de uma alma gene- 
rosa e baa, que estrelou a neta Beauharnais, a sua 
entrada no paço imi)erial do Brazil, tendo ella dezesete 
annos de idade, perseguindo uma criança de cinco annos 
que nenhuma culpa tinha das loucuras de seu pai. 
Tio outro dia pela manhã, foi a duqueza de Gfoyaz a 
toque de caixa, com as suas açafatas D. Josepha e 
D. Barbara, pjrimas da marqueza de Santos para Nic- 
theroy, residirem na casa que tinha sido de D. João TI, 

CHEOÍvICA OERAL ÍEC. XTEtl. — 19 



2 90 CIIKOXICA GEKAL 

que a uação com])roii, quando se reconlieceu a inde- 
pendência e que lioje é a residência dos presidentes da 
província do Kio de Janeiro, 

AM esteve essa iiofcre criança emquanto se i)i'eparou a 
fragata, que a levou para Paris, sem que a imperatriz 
a quizesse ver ; e nem consentir que ella viesse ao 
paço ver as irmãs (1) ! ! I 

Ka véspera do embarque da diiqueza de Goyaz o 
imi^erador, contra a, vontade da imperatriz, foi vel-a e 
deitar-llie a benção ; e disseram que elle estava commo- 
vido, chorando, ao despedir-se da íillia. 

Disseram me que quando estiveram em Paris, D. Amélia 
inudou de caprichos, tratando bem á duqueza de Goyaz, 
e que depois da morte de D. Pedro, estando ella 
em Munick, mandou buscar a duqueza de Goyaz, que 
ainda se achava no convento em Paris, onde foi 
educada. i)orque D. Pedro a nomeou tutora da du- 
queza, e dos outros hlhos naturaes, ainda que não re- 
conhecidos, e que a tratara como sua filha, e a casou 
com um fidalgo Bavaro, entregando-lhe a metade da 
terça, que o pai lhe havia deixado. 

'No dia immediato do casamento o imperador e a 
imperatriz foram ouvir missa na igreja da Gloria, indo 
em carro descoberto, e o imperador governando os ca- 
vallos, e a seu lado o luincipe Augusto, e com a im- 
peratriz a rainha D. Maria II. A' tarde foram visitar 
a x>rinceza D. Paula, e á noite foram ao theatro. 

D. Pedro depois que abdicou a coroa de Portugal 
na filha D. Maria da Gloria, sempre a collocava á 
sua direita e lhe oííerecia o iDrimeiro lugar. (2) 



(1) Que bicha nos trouxe Barbaccna de Munick para o Brazil. Ella 
mostrou o que era no testamento que fez cm Lisboa, (lue tudo recebendo 
do Brazil, nfío se lembrou delle quando deixou o mundo. 

(2) Tudo quanto se fez por occasião do casamento do imperador com 
a prluceza Amélia se acha relatado em uni livro que se publicou. 



iií) r.KAZiL 291 

DXLIV. ^io tlia 11) de Outubro, diii de S. Pediu de 
Alcântara, houve beija mão gera], e íl tarde formou ii 
tropa, e houveram contiueueias ; á noite foram suas 
num-estades ao theatro ; o peki manhã do dia seguinte 
foram para S. Christovão. Alli chegando principiou a 
imperatriz Amélia a i)òr em execução as instri!(;(;ões 
do marque/, de Barbacena. 

Traton-se de pòr o imperador em sitio, i)ara não 
ouvir senão o que a imperatriz llie dissesse e o que 
llie aconselhasse Barbacena, e seus comparsas. Prohi- 
biu-se a entrada no torreão do imperador, áquelles 
mesmos que desde a sua infância tinham toda a liber- 
dade de entrar em seus aix^sentos. Para fallar-lbe era 
preciso esperar-se horas enfadonhas, e isto mesmo era 
quando o imperador queria receber as pessoas. 

Os criados do inq)erador, tratavam a todos com má 
physionomia ; e a imperatriz uão queria ciue o impe- 
rador fosse servido pelos camaristas e guarda roupas, 
dizendo : — que se vexava ver 7iome)is de fardas tão 
bordadas ser g indo a seu marido. Fez i)assar esse ser- 
viço j)ara os criados particulares. Mas o íim era outro : 
era sei)arar o imp)erador da gente com que tinha vi- 
vido até então. Senhoras, que i:)ela sua p)Osição na corte, 
até as damas, que estavam acostumadas desde o tempo 
do rei, a irem ao paço, todas as vezes que queriam 
ficavam esperando na ante camará, até que lhes qui- 
zessem apparecer, ou quando uão lhes mandavam agra- 
decer a visita. 

Algumas senhoras foram mal recebidas pelo impe- 
rador e pela mulher, c[ue não lhes fallou, limitando-se 
a dar-lhes a mão a beijar, com a viseira carregada : e 
a mulher a simples cumi)rimento com a cabeça. Outros 
nem delias fizeram caso I ! Chegou o desaforo no x^aço 
de S. Christovão a serem os i^orteiros da canna, quem 



202 CIIKOXIOA GERAL 

determinavam se podiam ou não entrar as pessoas que 
desejavam cumprimentar a suas magestades. 

Esi^alhou-se a noticia de que a senhora que quizesse 
cumjirimentar a imperatriz havia de escrever a uma tal 
baroneza, que veiu em companhia da imperatriz, pe- 
dindodhe dia e hora i^ara ter essa honra ; e só depois 
de dous ou ires dias, é que tinha então a resposta de- 
sejada de i)oder cumprimentar a difScil imperatriz do 
Brazil. Sendo ella tão moça, so intromettia nas cousas 
as mais rediculas do paço, até nas desjiezas da ucharia, 
causando admiração, que uma senhora de íina educação 
e tão criança se occiípasse de ninharias, próprias de 
gente da baixa camada sociaL 

Por essas i^essimas qualidades, ninguém lhe tinha 
affeição ; e em geral era aborrecida de todos ; e aj)esar 
de fazer muitas cortezias com a cabeça, ninguém gos- 
tava delia. 

Essa jóia de Miinick, nunca se cpiiz servir com bra- 
zileiros : andava constantemente com a tal baroneza, 
que se tornou influente até nas cousas politicas do joaiz. 
Trouxe da Europa modistas, retretas, criados particulares 
e até confessor : nada queria do Brazil, á excepção do 
dinheiro brazileiro. O paço imperial estava cheio de 
allemães e francezes ; e no entanto gostava a imperatriz 
Amélia de apx)aratos e attenções, nos dias de grande 
gala, quer no paço, quer no theatro, 

A baroneza era quem lhe pegava na cauda nos dias 
de grande gala ; e ás vezes a tal baroneza, por mera 
condescencia chamava a nobilíssima marqueza de Aguiar 
viuva de D. Fernando, marquez de Aguiar. 

Dizia esta illustre senhora, que era a camareira mór 
quando a baroneza a convidava: Dê cá esse mantéo^ 
que em outros tempos me era leve, e lioje me é tão pe- 
sado para o carregar : eu lhe ajudarei : e pegava na 
cauda. 



DO lUíA/.iL 293 

O enxoval que tronxe a priíiceza Auielia foi bom ; 
111 ^ e-^tavn mui longe do que íi-ouxe para o Brazil 
a arcliiduqutv.a da Áustria D. INÍaria Leopoldina. A 
l)rinceza Amélia trouxe muitos brilliantes, sendo alguns 
que llie deu sua niãi, outros que sj coiupraram por ordem 
do imperador em Inglaterra ; e dissernu que foram de 
nosso thesouro nacional uma boa p u) pira Londres 
para se fazerem obras, sendo iucum\.l^ dessa cominis- 
são o marquez de Barbacena. O :-apor.idor mando a-llie 
a ma cai liça medalha, que foi da ex-imperatriz D. Maria 
Leopoldina, e a afogadeira, com um magniíico pingente 
de brilliantes. Os brincos custaram em Londres sessenta 
contos de réis. 

Quando falleceu a imperatriz D. Maria Leopoldina as 
jóias que eram particularmente dc-lla foram divididas 
pelos cinco filhos, porque ella havia casado com es- 
criptura, e nfio era meeira nos bens do marido ; o que 
não aconteceu com a Amei?:., que na sua escriptura foi 
instituída meeira, e por isso ficou tão rica com o que 
D. Pedro lhe deixou. 

As jóias que D. João VI deu a D. Maria LeopoL 
dina, o imperador D. Pedro ficou com ellas pela ava- 
liação, dando o valor em apólices da divida publica aos 
filhos ; e as que deu a Amélia pertenceram á rainha 
D. Maria I. 

A imperatriz Amélia estudava as maneiras de cai)tivar 
<i marido, o que conseguiu reduzindo-o á sua escravidão. 
Ella não approvava que elle abdicasse o governo de Por- 
tugal na filha D. Maria da Gloria ; porque concebeu 
a idéíi de que o imperador D. Ps-'dro pudesse ser inr 
jíerador da Pininsula e do Brazil ; e mesmo o de ser 
imperador de quantas minhocas lhe metteram na ca- 
beça. 

r>XLY. Pouco temjío depois do casamento o impe- 



20 i VTSVMytlCX C-RTfAL 

rador J). Pedro indo com a imperatriz, o cnnliado Au- 
gusto, a filha D. Maria da Gloria, e a tal tétéia da 
baroneza, a passeio com destino á Gloria, governando 
elle os cavallos na boléa, ao voltar a rua do Lavra- 
dio, fustigando os cavallos, estes disparando, e querendo 
o imperador sustel-os, que])raram-se as guias e na des- 
parada, salta o jogo dianteiro, e o imx3erador caliiu ira- 
turando as costellas, em frente da casa do marquez de 
Cantagallo, onde nella residiu e falleceu o nosso sau- 
doso trágico João Caetano dos Santos e lioje está a 
repartição da policia da corte, e i^ara onde foi re- 
colhido o imperador. 

Deste desastre ficaram machucados a imperatriz, no 
l-)raço, a rainha de Portugal, D. Maria da Gloria, no 
rosto, o príncipe Augusto em varias partes do corpo, 
e a tétéia ]:)aroneza tam]:)em ficou machucada. O marquez 
de Cantagallo os hospedou com toda a bizarria durante 
vinte dias, despachando alii mesmo os ministros onde 
constantemente se reuniam ; indo a corte duas e três 
vezes i:)or dia saber do estado de melhoras de sua ma- 
gestade boleeira. 

O imperador, quando se retirou, fez presente ao mar- 
quez de Cantagallo da Dignitaria da Rosa circulada de 
brilhantes no valor do oito contos de réis e a imperatriz 
mimoseou a marqueza do mesmo titulo com o sen re- 
trato e uma medalha no valor de dons contos e quatro- 
centos mil réis. 

Nesta época estava a imperatriz Amélia de mãos dadas 
com o marquez de Bar])acena dominando o imperador. 

DXLVI. No dia 12 de Outubro de 1829 fallec- o 
cónego Dr. Ayres António Corrêa de Sá. 

DXLAai. No dia 16 de Outubro de 1829, a Senhora 
D. Maria II, rainha de Portugal, chega ao Rio de Ja- 
neiro de volta da Europa ; vindo em C(un]~tanhia da 
imperatriz D. Amélia. 



DO BEAZIL 205 

BXLYIIT. I?eorgnnisaclo o ministério em qne entrou o 
marqnez de Barbacenn, jn'^^!""^^^ ^o iiiix)eraclor, como 
medida de convenieíicia, que Francisco Gomes da Silva 
(Clialaca), e Jofio da Rocha Pinto deviam saliir do Brazil. 
Estes dons validos, ambos portnguezes, ambos debochados, 
corrompidos, ignorantes, e debaixo nascimento (1). eram 
os mais perniciosos, Dorque eram os que gozavam em 
gráo mais subido da coníiança e estima do imperador. 
Eram os instrumentos da intriga de José Clemente Pe- 
reira, chefe do i:)artido portuguez ; que, como não xDodia 
mais ligar o Brazil a Portugal, queria que o Brazil fosse 
governado ítbsolutamente por portnguezes. 

A esta projiosta do ministério, o imperador rejeitou 
com indignação ; mas as cousas estavam -pi'ei)aradas de 
acordo com a imperatriz Amélia. O imperador argu- 
mentou com a constituição que llie não dava xwdor, para 
expatriar os brazileiros ; e Barbacena lhe respondeu que 
sendo ambos criados do imperador, os podia mandar para 
onde sua magestade quizesse ; e se elles não qnizerem ir 
replicou o imperador. ISTeste caso i^onha-os f(5ra do paço ; 
retire a ambos a sua protecção ; e nós nos haveremos 
com elles, acrescentou Barbacena. O imperador, dei:)0Í3 
de alguns dias instado pela imperatriz, cedeu por uma 
capitulação. Conveiu-se que Chalaça e João da Rocha 
Pinto fossem nomeados encarregados de negócios o 
1° para Nápoles ; e o 2.° para a Suécia. Lavraram-se os 
dpcrptos, que foram as.signados e referendados. Miguel 
Calmou, ministro de estrangeiros, fez a respectiva com- 
municação aos dons validos ; e estes responderam com 



(1) Francisco Gomes da Silva, era filho de Autcnio Gomes da Silva 
ourives de D. Joito VI, e como era muilo extravagante lhe puzeram o 
alcunho de Chalaça ; entrou para o paço para criado de gahlo. João 
da Rocha Pinto, era filho do Porto, e veiu para o Brazil depois que o 
rei se retirou para Lisboa, e seguindo a causa do Brazil foi apresentado 
ao príncipe, que se lhe affeiçoando se tornou seu valido. 



£03 ciino:acA geiíal 

iiUivez que não aceilavam taes despaclios ; porque de- 
peiidiauí tcTo somente de seu augusto amo, e que só delle 
cumpriam as ordens. 

Os dons validos pnrLÍram, por ordem do imperador 
a boido de um ]n!quete inglez x'>ara a Inglaterra. O im- 
perador concedeu do seu bolsinho uma pensão annual, a 
Ciialaca do vinte e cinco mil francos ; e a João da Iloclia 
Pinto de vinte mi], por todo a temx)o que ficassem 
ausentes de Elo de Janeiro. Ao imperador custou muito 
a separação destes dous validos, encarregando -se elle 
próprio de todo o necessário da bagagem, para que nada 
llies fali asse. Lembrava-se das cousas as mais miúdas 
rara comniodos dos seus dous amigos. Tudo o que fazia 
o imperador communicava aos ministros, entretendo-os 
antes dos despaclios com essas redicularias : estive toda 
esta mauliã a fazer arranjar, tal ou tal mala ; um estojo 
l^ara aqui, um copo para alli, um talher e outras cousas, 
para Francisco Gomes levar. Isto mortificava o ministério. 
Como Clialaça bebia muito o imj)erador teve muito 
cuidado em arranjar-llie as frasqueiras para a viagem. 

Ko dia do embarque o imperador, abraçou, beijou e 
cliorou |)ela sej)aração dos seus dous Íntimos amigos. 
Nunca se gastou tão boa cera com tão ruins defuntos. 

Em Londres ligaram-se com os emigrados portuguezes, 
e fizeram j)ersuadir sio imperador que se fosse para a 
Europa seria imx)e3*ador da Península. Chalaça foi com- 
niandante de um esqn-idrãoda guarda de honra, oíRcial de 
gabinete do imperador, consellieiro, ofRcial do cruzeiro e 
possuía as commendas da Torre e Espada e Rosa. João da 
Rocha Pinto foi guarda roupa, gentil -homem, e estribeiro- 
niór, e sui^eil tendeu te das quintas e da fazenda de Santa 
Cruz. Depois da mort(í do imperador a ex-imperatriz 
AmeJia nomeou Chalaça seu secretario o mordomo de 



PO BRAZIL 297 

sua casa, e o levou para Munick. João da Rocha Pinto 
suicidou-se em Lisboa. 

Chalaça fez publicar em Londres em 1831, um livro 
intitulado — Jlemorias offerecidas áncção hrazileira, que 
segundo nos disse o conselheiro Drumond, foi escripto 
por Almeida Gairet mediante a paga de trinta libras 
sterlinas, cheio de falsidades e mentiras. 

DXLIX. Com o chegada da imperatriz Amélia o imjie- 
rador creou a ordem da Rosn, com os privilégios e preroga- 
tivas com que a mesma ordem subsiste. Ella representa no 
Brazil, o mesmo que a ordem de N". S. da Conceição da 
Villa Viçosa, representa em Portugal. O ministro José 
Clemente Pereira foi quem referendou o decreto de sua 
creação. Os festejos que se fizeram seriam espontâneos ? ! 
Não : eram apparentes. Era o producto de certa esjDe- 
culação dos aduladores do poder, porque taes festejos, 
traziam titulos, condecorações e imraunidades. 

José Bonifácio e seus companheii'Os de exilio não 
compareceram ás festas ; e no entanto em uma visita t[ue 
fez ao imperador, foi por este apresentado á i minera triz ; 
e José Bonifácio em uma curta allocução que dirigiu em 
francez á imperatriz, expoz o estado do Brazil, com cores 
vivas, e concluiu x^edindo-lhe, que fosse ella o anjo, que 
conciliasse o imperador com a nação, e a nação com o 
imperador. Durante a conversa o imperador interrompia 
a José Bonifácio ; mas este que o conhecia de perto ; 
voltando-se para elle lhe disse : — não me interrompa 
ãeixe-me dizer a verdade, porqve ella interessa a vossa, 
riiagesto.de e a seus filhos. 

José Bonifácio frequentava pouco o jDaço imperial, 
mas o príncipe Augusto, irmão da imperatriz Amélia, que 
era acompanhado i:)or seu mestre o conde Nejaud, muitas 
vezes apparecia com elle em casa de José Bonifácio, e 
conversava largamente. O conde Nejaud, era um homem 
de Estado. O Dr. Casanova, que acompanhava o príncipe 



298 CHT.OIílCA OERAT, 

Angnsto, tamhem frequentava a casa de José Bonifácio, 
e com muita franqueza expunlia as suas observações 
acerca do Brazil, a respeito dos liomens x^oliticos e j)rln- 
cipalmente do imperador D. Pedro I. 

O Dr, Casanova era um observador atilado ; um dia 
no abandono da conlidencia assim se exprimiu : — O 
imperador do Brazil é um louco : se me õiessem dizer 
que elle andava a atirar iiedras ]pelas ruas, não me 
cctusaria isso sorpreza. José Bonifácio quiz modificar 
essa expressão do Dr. Casanova, dando por cunlio 
do caracter do imperador a volubilidade, os máos con- 
selhos e as más companhias o resultado de suas ac- 
ções ; mas o T)r, Casanova replicou : — seria assim ; mas 
o estado actual de sua magesiade resente-se de uma 
alienaçõM mental mui pronunciada. 

O marquez de Barbacena estava no auge do seu 
valimento e procurava seduzir a José Bonifácio, para 
se encarregar de reformar o ministério no qual fi- 
casse Miguel Calmou, depois marquez de Abrantes. 
Barbacena guerreava o ministério, mas estava de perfeito 
acordo com Miguel Calmou, que fazia parte do mesmo 
ministério ; e guerreava para elle entrar p)ara o poder. 
José Bonifácio approvou a reorganisação, porque o 
existente não podiam fazer se não mal. 

Xo entanto a opposição franca que a Astréa, peiiodico 
redigido por Vieira Souto e outros, fazia ao ministério, 
fez com que a imperatriz, instigada pelo marquez de Bar- 
bacena, se mostrasse receiosa de alguma altei-ação no 
socego publico. No principio o imperador não queria 
a modificação no ministério ; mas, não podendo resistir 
á exigência da mulher, modificou o gabinete, e no dia 
4 de Dezembro de 1829 entrou Barbacena para o mi- 
nistério da fazenda. 

Este ministério, apesar de sua força, não pôde gozar 
da confiança publica, e nem da camará dos deputados. 



•DO p.n.vzir, 299 

A imperatriz, iustrnida por Barbacena a respeito da 
concilie ta desregrada do marido, ousou propor ao im- 
l)erador a couveniencia i^olitica de saliirem do Brazil 
os seus dons validos Francisco Gomes da Silva (Chalaça), 
e João da Itocha Pinto. 

A imperatriz Amélia sempre inflain nos negócios po- 
líticos do Brazil, e talvez se ella não tivesse vindo 
23ara o Brazil I). Pedro não abdicasse ; e tanto que 
quando foram x^ara Minas já tudo estava arrumado 
para a viagem da Euro^^a ; e tanto é assim que quando 
no dia 4 de Abril de 1831, deu uma serenata, foram des- 
encacliotados, para o serviço, a i>Yn.ta. e outros objectos 
que já estavam inventariados. 

DL. Em uma sessão de 1829 foi accusado o ministro da 
guerra Joaquim de Oliveira Alves por infracção da con- 
stituição : o imperador se empenhava para que a accu- 
sação não proseguisse. A discussão na camará foi ca- 
rolosa, e o imperador ia todos os dias coUocar-se em 
nma das janellas do paço, que ficava em frente á ca- 
mará para dahi expedir os seus agentes, afim de saber 
o que se passava; e se lhe dizendo que Ledo estava 
fazendo um brilhante discurso em favor do ministro 
accusado, o imperador virando-se para os que o cer- 
cavam disse : é a terceira tez que o compro, e fie todas 
me tem servido heni. 

Este fado foi referido pelo marquez de Quixeramo- 
bim (Pedro Dias Paes Leme) que se achava presente 
como camarista do imperador. O imperador para salvar 
o ministro accusado nada poupou, nem mesmo a pró- 
pria dignidade. Prometteu, solicitou e corrompeu, clie- 
gando a ir em pessoa procurar os deputados em suas 
casas para este fim. 

DLL No dia 17 de Outubro de 1829, dia do con- 



300 CHRONICA GERAL 

sorcio do Sr. D. Pedro I com a princeza Amélia, foi 
creada a Imi)erial Ordem da Rosa. 

DLII. No dia 14 de Novembro de 1829, fallece no 
Rio de Janeiro o arcliitecto francez Gandjean de Mon- 
tegny. 

DLIII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 7 ; cyclo 
solar, 19 ; epacta, 6 ; letra dominical. C. 

DLIV. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, sexta feira; 
paschoa, a 11 de Abril ; indicação romana, 3 ; periodo 
Juliano, 6,543. 

DLY. O cliefe de divisão Miguel de Soaza Mello 
e Alvim, nomeado presidente da i^rovincia de Santa 
Catbarina, toma posse da administração no dia 14 de 
Janeiro de 1830, e deixa o governo no dia 22 de Abril 
de 1831, em consequência da revolta da tropa, entre- 
gando o governo ao vice-presidente Francisco Luiz do 
Livramento, que administra a província até 6 de Agosto 
de 1832. 

DLYI. No dia 17 de Fevereiro de 1830, morre no 
Rio de Janeiro, o afamado musico Marcos António, 
mestre de musica da capella real e imperial ; com ses- 
senta e sete annos, dez mezes e vinte e quatro dias de 
idade. 

DLVII. No dia 30 de Outubro de 1830 é reconhe- 
cida a Sra. Princeza D. Januaria, como Princeza Im- 
perial do Brazil. 

DLV [II. Pelas 10 horas e meia da noite do dia 20 
de Novembro de 1830, na porta de sua casa, na oc- 
casião em que se recolhia, é assassinado em S. Paulo 
o Dr. João Baptista Badaró, recebendo um tiro de bala 
no baixo ventre, do qual expira 24 horas depois. 



DO imAZIL 301 

DLIX. Por carta de lei de 9 de Dezembro de 1830, 
fica extincta a congregação de S. Felippe Nery, esta- 
belecida em Pernambuco. 

DLX. Xo dia 22 de Dezembro de 1830 o desem- 
bargador Cândido Ladislau Japiassú ex- ouvidor da co- 
marca de S. Paulo, é recolhido preso á cadeia do al- 
jube da corte, por ordem do desembargador ouvidor 
do crime. 

DLXI. No dia 14 de Dezembro de 1830, Pinto Ma- 
deira rebella-se no villa do Jardim, no Ceará. 

DLXII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 8 ; cy- 
clo solar, 20 ; ejmcta, 17 ; letra dominical, B. 

DLXIII. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, sabbado ; 
pasclioa a 3 de Abril ; indicação romana, 4 ; periodo ju- 
liano, 6,544. 

DLXIV. No dia 5 de Janeiro de 1831 o bacharel 

Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, depois vis- 
conde de Seiritiba, e senador do império, toma joosse 
da presidência da província de S. Paulo, e governa 
somente três mezes e dez dias, passando em 16 de Abril 
do mesmo anuo a administração ao vice-presidente, o 
bisi30 D. Manoel, que governa por dous mezes e dous 
dias. 

DLXV. No dia 5 de Janeiro amotinam-se os des- 
ordeiros na cidade do Rio de Janeiro. 

DLXVI. O presidente da Bahia, Luiz Paulo de Araújo 
Bastos, no dia 24 de Janeiro de 1831, communica ao 
ministro José António da Silva Maia, que em virtude 
de uma denuncia da camará da Bahia no dia 20 de 
Dezembro de 1830, de que na noite do dia 24 de De- 
zembro (natal) mesmo mez e anno, haveria horrorosa 
sublevação dos escravos na cidade e recôncavo da Bahia, 
por denuncias que teve o vereador da camará, Domin- 



302 



CIIKO>'ICA GERAL 



eros José António Rebelio, que um escravo de J. Gal- 
diuo da Maia Guimarães lhe liavia dito ter sido con- 
vidado para o levante na noite do natal dos afn<-anos 
da nação mina. nagô, bionum, autá, gege sendo o plano 
matar ^os senliores, capitaneados elles por um c lefe, 
doze cabos de guerra cujos africanos tendo plane- 
jado a sublevação foi ella abortada pelas prisões dos 
cliefes e coniDromettidos em differentes pontos da ci- 
dade, como consta da parte official mui minuciosa do 
tenente coronel Manoel Joaquim Pinto Facca, comman- 
dante do c.rpo da policia da Baliia, de 4 de Janeiro 
de 1831, enviada ao presidente da Bailia, a qual tenho 
á vista. 

Os receios que havia, annualmente, de sublevações 
de negros dos engenhos no recôncavo, nas proximi- 
dades^^do natal, não passavam sem providencias da parte 
do o-overno, nesse mesmo anuo o presidente da provín- 
cia ''tinha feito destacar para as villas da Cachoeira, 
Santo Amaro, S. Francisco, foco da escravatura, três 
escoltas de cavallaria de linha para coadjuvar as mi- 
lícias no caso de rompimento da escravatura. Quando 
estas' providencias tinha dado lhe apparece a denuncia 
da camará municipal na qual a primeira victima da 
revolta seria o presidente. 

DLXVII 1831.— A Bússola da Liberdade em seu 
numero de 19 de Outubro, disse, que houve em 1827 
quem previsse a queda de Pedro I, tal qual acon- 
teceu em 1831, designando o tempo, lugar e circum- 
stancia delia por meio do seguinte soneto : 

Ingrnto imperador, que altivo zombas, 
Da r)ondade do povo brazileiro ! 
Se impune tens passado um lustro inteiro 
No segundo não teimes ; sempre tombas. 



DO BKAXIL 303 

Arcabuzes, canhões, bombardas, bombas, 
Até o anuo trigésimo primeiro, 
Tiovejarão no Rio de Janeiro 
Donde emlim correrás, com baixas trombas. 

Os manes dos lieroes sacrificados, 
No Ceará, na Baliia, em Pernambuco, 
Aos céos bradarão vingança, inda iiritados, 

Quando acaso nos falte lieróe de sueco 

A iDunir teus enormes attentados 

Os céos te xjunirão como a Nabuco (1). 

DLXVIII. Pelas 8 lioras da noite do dia 28 de Fevereiro, 
é assassinado na rua Debaixo de S. Bento, na cidade da 
Bahia, o visconde de Camamú, José Isidro Gordilho de 
Barbuda, i^residente da x)rovincia da Bahia. 

DLXIX. No dia 18 de Abril de 1830, morre no Rio de 
Janeiro, onde nasceu a 22 de Setembro de 1767, o insigne 
musico i)adre José Maurício Nunes Garcia. Era com- 
positor distinctissimo e clássico nas j)i'oducçòes de mu- 
sicas sacras. 

DLXX. No dia 6 de Maio de 1830, morre no Rio de 
Janeiro Francisco José Rufino de Souza Lobato, visconde 
da Yilla Nova da Rainha, tenente general e governador 
da fortaleza de Santa Cruz, que nasceu a 80 de Julho 
de 1773. Foi secretario, deputado da Mesa da Consciência 
e Ordem no Brazil, e escrivão da camará no mesmo tri- 
bunal. Foi nomeado barão por carta regia de 5 de Junho 
de 1809, e visconde por outra carta de 21 de Maio de 
1810. 

DLXXI. No dia 14 de Maio de 1880, morre na cidade 
do Rio de Janeiro monsenhor José de Souza de Azevedo 

(1) Nabucodoaosor, paginas do antigo testamento. 



304 CIIRONICA GERAL 

Pizarro, nascido a 12 de Outubro de 1753. Foram seus 
pais o coronel Luiz Manoel de Azevedo Carneiro da 
Cunha e D. Maria Josepha de Souza Pizarro. 

Monsenhor Pizarro foi nomeado cónego em 1 de Abril 
de 1781, e monsenhor em 1809. Foi thesoureiro-mór da 
cathedral em 5 de Março de 1809 ; e renunciou o beneficio 
em 28 de Maio de 1819. 

DLXXII. No dia 15 de Setembro de 1830, morre no Rio 
de Janeiro o general conde de S. João das Duas Barras, 
Joaquim Xavier Curado, contando oitenta e sete annos, 
seis mezes e quinze dias de idade. 

DLXXIII. Quando o imjperador boleeiro, ficou resta- 
belecido das fracturas das costellas, e já um pouco refecida 
a paixão amorosa que tinha i^ela mulher, começou a 
I)ensar nas desjDezas que havia feito com o seu casa- 
mento, e^o' quanto lhe havia custado a mulher. Lendo 
com calma as contas que lhe apresentou o marquez de 
Barbacena do enxoval e jóias compradas para a imperatriz 
Amélia, notou que nellas havia a com^^ra de um adereço 
de elevado x:)reço ; e perguntou a imperatriz pelo adereço, 
que ainda não tinha visto, e ella disse-lhe que o não 
tinha recebido ; e o imiDerador exigindoo do marquez de 
Barbacena, este ficou insultado. O imperador chama a 
Barbacena de ladrão ; e o demitte do ministério no dia 
30 de Setembro, para Barbacena i^restar contas. 

Foi tão vergonhosa a polemica entre o imperador e o 
marquez de Barbacena, que o imperador ficou furioso e 
a imperatriz Amélia cahiu doente. 

O imperador descompunha a Barbacena, e este ao 
imperador em modo a ficarem inimigos figadaes, guer- 
reando-se reciprocamente. Barbacena i)arase justificar fez 
uma exposição circumstanciada da sua commissão, dirl- 
gindo-se ao visconde de Alcântara por um ofíicio datado 
do dia 8 de Outubro de 1830, com os documentos im- 



1)0 lilíA/.IL 305 

pressos na typogmpliia nacional. O niai\j[uez de Bau- 
bacena principia y>oi- um oííicio justiiicativo, dirigido ao 
visconde de Alcântara ; e na exposição que faz ao publico 
transcreve o decreto de i30 de Setembro, que o demittiu 
de ministro da fazenda, e formando quatro imputações 
as refuta, mostrando cxuão leviano era o imi)erador 
D. Pedro I dizendo:— Sua mngestade, cm uma carta 
imperial de 27 de Junho de 1823, principia por dizer 
ao marquez que coníia de sua fidelidade e inteireza 
ver o desempenlio do maior serviço, que fazia á sna 
augusta pe.-isoa, e família, b„^m como á nação brazileira ; 
e llie dá ííô instrucçOcS sobre a qualidade da noica^ 
que elie devia procurar na Europa e conduzil-a para 
o llio de Janeiro quanto antes ; o terminava com as 
l^alavras : — Todos os meios que a vossa sagacidade e zelo 
emx)regarem para conseguir este lim (uma noiva) serão por 
mim approvados : e por isso vos incluo ires assignaturas 
em branco, e i)onLo á vossa disposição a minlia legitima. 

Para avaliar as difficuldades vencidas i^elo marquez de 
Baibacena, conseguindo uma noiva, cumpre ^^aber c[ue o 
imperador da Áustria liavendo pedido seis differentes 
príncezas i^ara noiva de seu augusto genro, todas o recu- 
saram; e o caso parecia desesperado. 

Para avaliar o acerto e fortuna com que o marquez 
desempenhou a commissão, cumpre attender, que sua 
magestade recommendando a acqnisição de uma princeza, 
que por seu nascimento^ formosura^ mrtudes e instrucção 
viesse fazer a felicidade do noivo e do império, acres- 
centou : — quando não seja possível resumir as quatro 
condições, podereis admittir alguma diminuição na pri- 
meira e quarta com tanto que a segunda e a terceira sejam 
constantes. 

CHB05ICA GElíAL SEC. XTm.— 20 



SUÓ CHROXICA GEIÍAL 

Haverá qiiein negue, continua o màrixiiez de Barbacena, 
que a imperatriz actual possue as condições recommen- 
dadas, e que ella seja a primeira, mais linda e amável 
do seu tempo 'i Certamente que não. 

Si, pois, o governo imi)ei'ial não encarregou o marquez 
da dita commissão, e sim o Sr. D. Pedro I, se esteappro- 
vou íi escolha da noiva, não podia deixar de a2:)provar 
as despezaa, visto que o autorisou, para quanto julgasse 
necessário ; como pôde o governo intervir neste negocio ? 

As despezas nem pertencem á nayào, em quanto a 
assembléa legislativa as não considerar como taes ; e nem 
considerando-as, pode o governo instituir exame sobre 
as contas do marquez, a quem não deu instrucções, e 
o não encarregou de cousa alguma. 

O marquez a quem devia dar contas era a seu augusto 
amo ; o que fez, e íoram ellas approvadas como está 
deniouL-trado. 

O marquez de Barbacena além de outros documentos 
que publicou em sua defeza, para mostrar o caracter 
leviano do imperador, foram os seguintes que aqui copio: 

1.° Eu D. Pedro I imperador do Brazil e seu defensor 
l^erpetuo. Faço saber aos que este alvani virem, e o seu 
conhecimento pertencer, que sendo-me apresentadas 
pelo marquez de Barbacena as contas das despezas feitas 
na Europa, com a minha muito amada e querida íillia, 
a rainha de Portugal, D. Maria 11, inq^ortando em cento 
e setenta e sete mil setecentas e trinta e oito libras 
esterlinas, dezenove schilins e dez |.;nce (177.738 millib. 19 
scli. e 10 p.) ; e achaudo-as em tndo conformes e exactas: 
hei por bem api>roval-as, como tutor da sobredita minha 
filha, e o ministro e secretario de estado dos negócios 
da fazenda, presidente do thesonro publico, levará em 
c6ií'fa a cíiía quantia, nôs pagamentos feitos a àtía niá- 



Do v.nx/AL 307 

gestade lidelissima, E para íirmeza mandei passar o pre- 
sente. Escripto nu palácio da Boa Vista em o 1.° de 
Dezembro de 1829. oitavo da independência e do Império. 
Imperador com gnarda. 

:2.° Honrado marquez de Barbacenn. amigo. 

Eu o imperador constitucional e defensor perpetuo do 
Brazil vos envio muito saudar como aquelle que muito 
amo. 

Havendo-vos encarregado não só de acompanliar á 
Europa a niinlia muito amada e prezada filha a rainha 
de Portugal e Algarve, D. Maria II, que hoje, por 
ordem minha e zelo vosso, se acha nesta muito heróica 
e leal cidade do Rio de Janeiro ; mas também de tratar 
do meu casamento, já finalmente eííectuado : e tudo 
muito a meu contento, e com o vosso costumado desin- 
teresse, desempenhado commissões tão delicadas : hei por 
bera louvar-vos por estes singulares serviços, e xmi'a que 
todos os meus súbditos, conheçam o apreço, que faço de 
vossa i)essoa, vos mando esta. 

Nosso Senlior vos tenha em sua santa guarda. Escripta 
no palácio do Rio de Janeiro em 2 de Dezembro de 
1829, oitavo da independência e do império. Imi^erador. — 
José Clemente Pereira. — Senhor marquez de Barbacena. 

DLXXiy. No dia 6 de Agosto de 1831 Feliciano Nu- 
nes Pires toma i)osse da X'i'esidencia (quarto) da x^ro- 
vincia de Santa Catharina, e neUa se conserva até 4 de 
Novembro de 1835. 

DLXXV. No "dia 7 de Agosto de 1821 a tropa 
se amotina no Pará e dex)õe o presidente da província, 
visconde de Goyanna, prende-o e deporta. 

DLXXYI. No dia 12 de Agosto appareceu a carta 
marcando as attribuições do tutor [de sua magestade 
o imperador e de suas irmãs. 



yOtí ClIiloNlCA GE 11 AL 

BLXXVIL No dia 12 de Agosto, de ÍSSl o senado 
passou a íiiuceioiíai" na yala do supremo tribunal de 
justiça. 

DLXXyiIÍ. No dia lo de'Agoatodel8í>l manifestou-tíe 
na cidade de S. Luiz do Maranhão unia sedição. 

DLXXIX. Ko dia 18 de Agosto de 1831 appareceu a 
lei que creou a guarda nacional. 

DLXXX. Xo dia 14 de «etoinoro de 1831 maniíes- 
ta-se em Pernambuco um.a sedição militar clnmada Se- 
ie/nòrisada. 

DLXXXI. Xo dia 4 de Outubro de 1831 fui orgaui- 
sado o tribunal do tliesouro publico nacional, i^ira 
decidir dos negócios das íinanyas do iaiperlo. 

DLXXXII. No dia 25 de Outubro de 1831 a povoação 
de Alegrete, no Rio Grande do Sul, é elevada á in-e- 
emiutncia de villa do mesmo nome. 

DLXXXIII. No dia 27 de Outubro de 1831 appareceu 
a carta de lei revogando a de 5 de Noveaibftí de 
1808, quanto á escravidão dos índios de S. Paulo ; e 
a de 13 de Maio, e 2 de Dezembro quanto aos de 
Minas Geraes, exonerando todos os que ainda se achas- 
sem em escravidão. 

DLXXXiy. Installa-se no dia 10 de Outubro de 1832 
em Pernambuco a Sociedade Federal, da qual foi eleito 
I)residente o Dr. João José de Moura Magalhães. 

DLXXXV. No dia 11 de Novembro do 1831 ama- 
nheceu morto na cama o padre Luiz Soje, secretario 
da academia de bellas artes da corte. 

DLXXXVI. Em Pernambuco, no dia lo de Novembro 
de 1831, appareceu um tumulto. 



PO r.HAziL "09 

DLXXXVII. No ^farniilião, no dia 10 do Novembro 
de 1831, appnreceu um motim. 

DLXXXVIII. O coronel M:inoL4 Theodoro de Aranjo e 
Azambuja toma j>osse no dia '20 de Junlio da presidência 
da província de S, Paulo, e administra-a durante cpiatro 
mezes e vinte seis dias. 

BLXXXIX. Xo dia 2 de Julho do 1331 arrebenta uma 
sedição militar no Pará. 

DXC. Xo dia ]() de Julho arrebenta em Pernam- 
buco uma sedição militar. 

DXCI. Xo dia 11 de Jallio apparece na capiial da 
província do Es^iiriro Santo uma sedição militar. 

BXCir. Xa cidade do Pio de Janeiro, no dia 15 de 
Jnllio de 1S:]1. apparpcí» uma sedição militar. 

BXCIII. Por ordem do juiz correjedor do crime foi 
em 3 de !N[aio de 1831, recolhido preso ao alju1)e o padre 
José Gonçalves de Figueiredo por estar sentenciado 
l^or toda a vida p»ara í(jr:i do império, x'^'^^" accor- 
dão da rí^lação da P;:hia, ]!or crime de l^sa nação, 
fazendo cansa commum com os irãmigos do império, 
espalhando da cadeira evangélica doutrinas anarchicas 
contra a causa do Brazil e injurias ao imperador. Xo 
dia 11 de Agosto do mesmo anno foi x^osto em liber- 
dade ; mas voltou de novo á cadeia, por ordem do 
correji-dor do crime no dia 31 de Agosto. 

DXCÍV. Xo dia 4 de ]^f aio de 1831 o governo por um 
decreto reduz o dá nova org"anísação aos rorpos do 
exercito. 

PíXCV. Xo dia r» d(^ Ãlnio nppar.^ce uma sedição 
militar em Pernambuco. 



310 OIinOXIOA GEEAL 

DXCVI. Por íiviso de 27 de Maio de 1831 manda 
o governo conservarem custodia na fortaleza de Santa 
Cruz o T>r. Cypriano Josó Barata de Almeida e João 
Prinío, qup vieram da Ealiia, removidos presos, por cansa 
das commoções populares, e acliarem-se implicados na 
pronuncia de devassa que se procedeu i:)elo crime de 
macliinar e seduzir a tro})a da cidade do Salvador, 
para pegar em armas contra as autoridades consti- 
tuídas ; e mandando tamisem supprir a cada um com 
a diária de mil réis por conta do tliesouro, durante a 
mesma custodia. 

DXCVII. No dia 17 de Junho de 1831 é eleita 
pela assembléa geral legislativa a regência permanente 
que se compoz : 1.*^ do brigadeiro Francisco de Lima e 
Silva; 2.^^ deputado José da Costa Carvalho, depois 
marquez de Monte Alegre; 3.° João Braulio Muniz. 

DXCYIII. No dia 23 de Jullu^ de 1831 o ministério 
apresenta o seu programmn. 

DXCIX. Sendo nomeado o coronel Raphael Tobias de 
Aguiar para i^residente da provincia de S. Paulo, 
toma posíe da administração no dia 17 de Novembro 
de 1831 e administra a xnovincia durante dons annos, seis 
mezes e nove dias, passando a administração em 27 
de Maio de 1834, ao vice-presidente Dr. Vicente Pires 
da Motfa, 2/' conselheiro do governo, que também go- 
verna durante três mezes e seis dias devolvendo a admi- 
nistração ao mesm.o presidente Tolúas de Aguiar em 
14 de Setembro, que a exerce por mais sete mezes e vinte 
seis dias. Em 11 de Maio de 1833, Francisco António de 
Souza Queiroz (depois senador do império) que a exerce 
durante seis mezes e treze dias, entregando ao 7.° x^i'®si- 
dente nomeado. 



DC. Xa terça-feira 20 do Novembit> de Joiil, ^Hílas 
10 lioras da inanliã, íallecen no Eio de Janeiro o ])r. 
Luiz Nicoláo Fagundes Varelln, (lue iiaMOfii nesta 
mesma cidade a G de Xovembio de 170(5, sendo seuií 
pais Pedro Fa.í^andes Varella, natural da cidade de 
Ouro Preto, e D. Antónia Maria da Silva, natural do 
Rio de Janeiro. 

Xo anno de 1821 foi eleito pela província do Rio 
de Janeiro dey>utado ás cortes constituintes d<^ Lis- 
boa e foi lente da 2.°' cadeira do o.*' anno do curso 
juridico de S. Paulo. (Vide a sua Necrologia no i)eriodico 
Astita n. 777 do 1.° de D''zein])ro desse ann(n; 

DCL Por decreto de 20 de Dezembro de 18:;i são 
extinctos os corpos do miliclas e ordenanças, nos mu- 
nicípios onde já estiveram organisadas asgunid-.is nacio- 
naes. 

DCII. A ida do imperador D. Pedro I á ]>rovinoia 
de Minas C-feraes já ei"a discutida pelo Ilirpulilh-o dí-sde 
1830, E' certo cpie no Bi'azll s^nupre lio!ivHr:iin escri- 
X')tores a soldo do governo pagos pelo thesonro narional. 
A Aurora de '?, de Janeiro de 1831 em seu ii 433 se 
oppõe ás idéas do liejnihlico, escripto por António 
Borges da Fonseca, a respeito da federação. 

Esse anno df 1830 nelo corria íranquillo. porcpie em 
todo o império existia a anarchia. 

DCIII. Xo dia n de Agosto ás oito horas da noite o 
ministro Feijó, mandou o tpuputf^ coronel Francisco Theo- 
baldo Sanches Brandão com vinte soldados armados 
prender os soldados (^ paisanos rpif' encontrasse reu- 
nidos no morro do Castelk». 

No dia 16 toma igual providencia, sem indicar o lugar, 
ordenando-lhe rpie acompanhe o portador do aviso, e 
prenda as jjessoas suspeitas. No dia 18 de Agosto manda 



512 ^Imo^^cA nKiíAi. 

lima força para S. Bento, e previne qne estando preso 
o major 4-lpoim, talvez os sócios o tenlinm soltado, e iDor 
isso convém tomar as providencias. 

Ko dia 9 de íí^ovenibro de 1831, nomeia o tenente 
coronel Tlieobaldo commandante interino do corpo dos 
gnardas mnnicipaes permanentes, que está organisando. 
iNo dia 20 de Isovembro manda levar alguns presos para 
a ilha de Santa Barbara para alli trabalharem. Receioso 
o governo qne no dia 26 de Novembro os anarcliistas 
pretendessem fíizer distúrbios, manda que a força de j^er- 
manenres esteja prevenida nos quartéis para os bater 
ao priraeiro aviso. Ordena no dia 29 de Xovembro que 
os soldados x:)ermanentes farão as rondas nas freguezias 
de Santa Eita, Candelária, S. José e Sacramento, das 
seis ás cinco da manhã, a comicçar do dia trinta em diante, 
e dá inszrucções para as rondas em vinte artigos. JíodiaG 
de Dezembro manda conduzir os jrresos para as prií^ões 
da ilha das Cobras. No dia 16 de Janeiro de 1832 envia 
ao commandante do corpo de guardas municipaes i)er- 
manentes as instrurções a respeito das prisões nas cadêas. 
No dia 1;") de Jaupíro fogem alguns presos da Ilha das 
Cobras, 

No dia n de Abiil de 1832, marchando para o campo 
da lionra (campo de SanfAnna) um grupo de facciosos, 
com uma peça de pequeno calibre, foram batidos pela 
força do governo, sendo dirigida i^elos officiaes Elisiario, 
António Manoel, Espinho. Magano, Eduardo Castrioto, 
tenente Francisco de Lima, e major Luiz Alves de Lima, 
e o pequeno destacamento, fugindo os facciosos, dei- 
xando no campo oito mortos e alguns gravemente feridos, 
e presos noventa e tantos, e outros fugidos entre os 
quaes o major Frias, que a cavallo os commandava, se 
recolh*'^ra ao quartel, levando a peça e uma carroça car- 
regada do muniçnes e arnuimenio. Da parte do governo 



r>0 BTÍAZTL 3in 

moiTen iim liomem, e ficnraBi três feridos e dons grave- 
mente iiiortaes. 

Em 59 do Agosto de 183-2 mandou destacar em Mata 
Porcos nma força de guardas iriunicipaes permanentes 
para policiar aqnelle hairro, ate qne seja entregue o 
quartel oocnpado pela cavallaria de I^Iinas, recommen- 
dando toda a vigilância ; em C de Setembro de 1833 
manda reforçar a guarnição da fortaleza de Willegaignon, 
e a da Ilha das Cobras. No dia 2.") de Outubro de 1832 
ordena ao tenente coronel Francisco Theo])aldo Sanches 
Brandão, commandante dos guardas municipaes perma- 
nentes, que antes de partir para a x^rovincia de j\[iiias 
j)reste contas do tí^npo que cfimmandou o corpo de 
X"íermanentes, indo por commandante snpf^rior das guardas 
nacionaes do muuicipio de Marianna. Theobaldo íoi sub- 
stituído pelo major Luiz Alves de Lima, depois ducpie 
de Caxias. Em 5 de Xovembro de 1832 se determinou 
uma ronda de dons homens no Passeio Publico para 
manter a ordem e o socego naqnelle logradouro imblico. 

DCIY. Em O de DezpmVjro de 1833. manda-se força 
para Inhaúma para se prender os ladrões e facinorosos 
que infestavam aqnelle munir-ipio. 

No dia 27 de AÍarço de j833 os guardas mnnleipaes que 
se aquartelavam na Ilha das Cobras, por terem passado 
para a marinha, x)assaram a aquartelar se nos quartéis 
do largo da Ajuda, em que d'antes esteve o corpo de 
l)olicia. 

Em 7 di^ .Tnnlio de 1833 ordena que se maiid'-> wv.n 
guarda de seis homens e nni inferior para vigilância ao 
tlieatro pu])lico da rua dos Arcos, todas as vezes que 
fôr requisitada pelo dirí^ctor da companhia Caneca. 

No dia f) de Setembro se mandou construir uma prisão 
segura no qnnrtf-1 do },íata Porcos com snfnciencia d(; 



314 CHRONICA GERAL 

conter cincoenta presos. Mauricio José Laf iieute é en- 
contrado entre o povo no campo de Santa Anna, armado 
de pistola e punhal, no dia 28 de Oatubro de 1833 e escapa 
por illudir os guardas municiímes permaiientes. 

Em 1834 houve na Praia Gfrande um movimento revo- 
lucionnrio, promovido por diversos individuos. No mesmo 
anno no Engenho Novo, Ti jaca e suas immediações existia 
uma (piadrilha de ladrões, que ínzia rou])as e muitos 
attentados. 

DCV. Cópia. — Primeiro livro mestre do corpo muni- 
cix^al i3ermanente da corte, cuja escripturação teve i)rin- 
CÍX3Í0 em 1.' de Janeiro de 1834. 

DECRETOS DA OKGAT<ÍISAÇÃO DO CORPO 

A regência em nome do Imperador o Sr. D. Pedro II, 
em consequência do § 12 do art. 102 da Constituição e da 
lei de 10 do corrente mez, decreta : 

Art. 1.° O estado maior do corpo de guardas municl- 
paes permanentes nesta corte constará de um comman- 
dante geral com graduação de tenente coronel, um 
ajudante, ura cirurgião -mór, um cirurgião ajudante, um 
secretario sargento e um quartel mestre sargento. 

Art. 2.*^ Constará o corpo de quatro companhias de 
infanteria, composta cada uma de cem soldados, um 
corneta, seis cabos, um forriel, três sargentos, um pri- 
meiro commandante com a graduação d*^ capitão, e te- 
nentp segundo: de duas compaidiins de cnvallaria composta 
cada uma de setenta e cinco soldados, um clarim, seis 
cabos, um forriel, três sargentos, um x^rinieiro comman- 
dante com graduação de capitão, e tenente segundo. 

Art. 3.° Neste corpo serão alistados cidadãos brazi- 
leiros de dezoito a quarenta annos, de boa conducta 
moral e j>olitica ; e nelle servirão emquan to quizerem a 
não serem demittidos x^elo governo na curte, e xielos x)re- 



PO imA/.ii, 315 

sidentes nas províncias, onde taes corpos forem creados, 
ou por sentença condemnatoria. 

Ari-. -1." O estado maior e commandantes de compa- 
nhias serão nomeados pelos presidentes em conselho nas 
províncias, e na corte pelo g-overno, e demíttidos quando 
tenham perdido a contiança dos que o nomearam. Os 
officiaes inferiores sercão promovidos e tornados á classe de 
soldado pelo commandante geral soli informação dos dous 
commandantes de companhia. 

Art. 5.° O corneta, clarim e soldado vencerão mensal- 
mente dezoito mil réis, o caho dezenove mil réis, o forriel 
vinte mil réis, o sargento vinte e um mil réis, o segundo 
commandante e o ajudante sessenta mil réis, o primeiro 
commandante setenta mil réis, o secretario e o quartel 
mestre vinte e cinco mil réis, o cirurgião-mór quarenta 
mil réis, o cirurgião ajudante trinta mil réis, o com- 
mandante geral cento e vinte mil réis. Nenhum accumu- 
lará vencimento nem terá pret, etai)a, fardamento ou 
gratiíicação alguma. O commandante geral, ajudante e 
mais commandantes de companhia terão mensalmente 
vinte mil réis de ferragem x^ara duas cavalgaduras. 

Art. 6.° Os presidentes em conselho, depois de desi- 
gnarem o numero indispensável de guardas municípaes a 
pé e a cavallo de que deve constar o corpo, proporão ao 
governo o vencimento que julgarem conveniente a cada 
praça, para s^r approvado ou alterado. Entretanto, orga- 
nisado o corpo, se abonará ás praças o vencimento pro- 
posto, até definitiva resolução do governo. 

Art, 7.° A falia de cunipriuií-nto exacto nos deveres, 
será punida com reprehonsão particular ou em frente 
da companhia ; e sendo habitual com demissão. 

Art. 8.° A desobediência será punida com um a três 
raezes de prisão, conservando-se solitário oito dias cada 
mez, Na reincidência além destas penas será demittido. 



316 OTIirOMIOA OF,-nAT. 

Ari". 9.° A injiiriíi feita a snjjeilor será punida com 
três a nove mezes de irrisão estando solitário oito dias em 
cada mez. 

Art. 10. A ameaça aos superiores será imnida com 
um a três mezes de prisão com traballios. 

Art. 11. A offensa pliysica aos superiores será x")uuida 
com o dobro das penns do artigo antecedente. 

Art. 12. O que concorrer, oii mesmo tolerar para que 
se não conserve na forma determinada, aquillo que é con- 
fiado á sua guarda e segurança, além de ser punido com 
peni^ igual áqnella, em que incorreu, o que tal acto 
praticou, e se (òr preso o eiii que e.íte estava incurso, será 
demittido. 

Art. IR. O que desertar ou deixar o serviço, por mais 
de três dias, além das penas em que incorrer pela oom- 
mifisão^ será preso por um a três mezes e demittido. 

Art. 11. O que se servir do seu emprego para com- 
metter crimes, ou toleral-os, além de demittido será preso 
de três a nove mezes. 

Art. 15, O que se servir das armas para fazer, ou 
ajudar algum ajuntamento illicito, será preso por um 
a três annos com íi^aballio. 

Art. IG. Todas as vezes que a pena exceder a seis mezes 
de j^risão será demiti ido. 

Ari. 17. As penas acisna declaradas não isentam das de- 
claradas no Código Criminal, que serão imi^ostas pela 
autoridade civil competente. 

Art. 18. O r(30 indiciado dos crlsnes mencionados será 
logo preso, formando se-liie dilpa no prazo marcado pela 
M. 

Art. 10. O commandante do corpo e o commandante 
de companliia, são competentes i^jor siso, para repreliender 
pai-ticularment<\ 

Art. 20. Nos mai.-í casos, se o crime inv de estado- 
maior, ou dos comrnandan.íes, convocar-^^e lia pnr ordem 



DO líUA/.lh 317 

do governo, seis oliiciaes, de capituo para cima das 
guardas iiacionaes. presidido pelo comniandaiiie do corpo, 
senão i'òr este o réo, porque serão presididos por luii 
comniandante de batalhão das guardas nacioiíaes, e 
alii ouvidas as testeniuniias sobre a parte circumstauciada 
que deve dar a autoridade que mandou prender o réo, 
ou o accusou, será este pronunciado, ou não, iSe o crime 
fôr de oíiicial inferior, ou soldado a convocação será 
feita X)eIo chefe, e os oííiciaes serão tirados d' entre os 
commandantes de companliia. 

Art. 21. l'\'íta a iironuncia será oílerecldo o libello 
hcCusatorio pelo promotor, que será um oíficiul mais 
ai)to para esse íim, nomeado pelo presidente do conselho, 
seguindo-se em todo o mais processo o do Jur}-' ; podendo 
o réo recusar quatro oíiiciaes, e o promotor dons, os 
quaes serão substituídos por outros nomeados pelo mesnio 
presidente, comtanto que não sejam amigos íntimos, ini- 
migos declarados, ou parentes ato o segundo gráo do réo, 
ou i)romotor. — Na falta de commandantes de compa- 
nhia serão chamados os capitães das guardas nacionaes. 

Art. 22. Condemuado ou absolvido o réo, tem as 
l)artes outro recurso, digo recurso a outro conselho, 
quando a i:)ena exceder a três mezes de prisão. 

Art. 23. Este conselho será o mesmo jury do lugar, 
mas este não i)oderá diminuir a pena para menos de 
três mezes, excepto X)or unnnimidade do votos. 

Art. 24. Este recurso deve ser intentado somente 
dentro dos dez dias depois de intimada a primeira 
sentença, e i)erante o i^residente do conselho, que im- 
mediatamente fará remessa da culpa ao juiz de di- 
reito, para decidir-se no primeiro jury, no qual as 
partes poderão allegar o que lhes fôr a bem e até re- 
produzir novas testemunhas se o mesnio Jury Julgar 
necessário. 



318 CHR0N1CA GEKAL 

Art. 25. o ofíicial offenclido não pôde X)i'esidir ao cou- 
sellio. O presidente deste não tem voto. Em caso de 
empate é o réo absolvido. 

Diogo António Feijó, ministro e secretario de estado 
dos negócios da Justiça, o tenlia assim entendido e 
faça executar. 

Palácio do Rio de Janeiro em 22 de Outubro de 1831, 
decimo da independência e do império. — Francisco 
ãe Lima e Silca. — José da Costa Car Galho. — Joã.o 
Braulio Muníz. — Diogo António Feijó. 

Tendo a experiência mostrado quanto é indispensá- 
vel um major no corpo das guardas municipaes per- 
manentes desta cidade, para a boa ordem e disciplina 
do mesmo, a regência em nome do Imperador o Sr. 
D. Pedro II, em virtude da lei de 10 de Outubro do 
anno passado : lia por bem, addicionando ao decreto 
de 22 do dito mez, crear o referido posto com o ven- 
cimento de oitenta mil réis e vinte mil réis para duas 
cavalgaduras, regulando-se em tudo o mais, pelo men- 
cionado decreto. Diogo António Feijó, ministro e se- 
cretario de estado dos negócios da justiça, o tenha assim 
entendido e faça executar. 

Palácio do Rio de Janeiro em 5 de Junho de 1832, 
undécimo da independência e do império. — Francisco 
de Lima e Bilmi. José da Costa Carvalho. — João 
Braulio Muniz.— Diogo António Feijó. 

A regência em nome do Imperador o Sr. D. Pedro II, 
em addicionamento ao decreto de 22 de Outubro do 
anno passado : ha por bem crear mais um cirurgião 
ajudante para o corpo de guardas municipaes perma- 
nentes, com o mesmo vencimento do que já nelle existe 
e um sargento ajudante com o soldo de sargento. — 
Diogo António Feijó, ministro e secretario de estado 
dos negócios da justiça, o tenho assim entendido e faça 
e^ecutíir. 



DO HKAZIL 319 

Palácio do Rio de Janeiro em õ de Jullio de 1832, 
undécimo da independência e do império. — Francisco 
de Lima e f^ilim. — José da Costa CxirimVio. — João 
Braulio Miuniz. — Diogo António Feijó.' 

A regência em nome do Imperador o Sr. D. Pedro II, 
tem sauccionado e manda que se execute a resolução 
seguinte da assembléa geral. 

Art. 1." Ficam approvadus os decretos do fj:overno de 
vinte e dous e vinte nove de Outubro de 1831, de 5 de 
Junho e de 5 de Julho de 1832, expedidos em conformi- 
dade com o art. 3." da lei de 10 de Outubro de 1831 com 
as seguintes alterações. 

Art. 2." Os cidadãos, cj[ue se alistarem no corpo das 
guardas munici])aes permanentes serão engajados por 
tempo certo não se admittindo nunca por menos de 
um anuo. 

Art. 3.° O deleixo ou negligencia e as faltas de 
serviço, não especificadas no decreto de 22 de Outubro 
de 1831, poderão ser ininidos, indeiiendentemente de 
conselho, com prisão de oito dias por ordem dos com- 
mandantes dos cor^Dos. 

Art. 4.° O primeiro sargento de cada companhia, além 
do soldo que lhe compele, vencerá de mais que os se- 
gundos a gratificação de dous mil réis mensaes, e usará 
de um distinctivo que o faça conhecido na sua com- 
panhia, determinado pelo governo. 

Art. 5.° Ficam revogadas as disi^osições em contrario. 

Honório Hermeto Carneiro Leão, ministro e secretario 
de estado dos negócios da justiça, o tenha assim en- 
tendido e faça executar com os despachos necessários. 

Palácio do Rio de Janeiro em 13 de Outubro de 1832, 
undécimo da independência e do império. — Francisco 
de Lima e Silva. ^ José da Costa CarvaUíO. — João 
Mraulio líuniz.^ Honório Hermeto Cameiío Leão. 



S20 ClIlíU.NUJA GiilíAL 

A regência pemianeute em nome do Imperador o Sr. 
D. Pedro II lia por bem crear em cada companliia do 
corpo de guardas miinicipaes X)ermanente3 um terceiro 
commandaiiie, que vencerá mensalmente quarenta mil 
réis de soldo, e mais dez mil réis para uma cavalga- 
dura, e usaríi do disiinctivo de cpie usam os alferes do 
exercito. Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, mi- 
nistro e secretario de estado dos negócios da jastiya, o 
lenha assim entendido e laya executar com os despa- 
chos neoessarios. 

Palácio do liio de Janeiro em o de íujvembro de 1838, 
duodécimo da indei)endtincia e do império. — Fraueisco 
ãe Lima e Hllai. — João Braulío JIllilíz. Aureliano 
de Souza e Oliveira Coutinho. 

DC VI. Aviso;; de 11 de Outubro de 18:31. 

Encarrega ao teneiite coronel reformado da 2.'' linha 
Francisco Theobaldo Sanches Brandão, para receber os 
nomes dos que se pretenderem alistar no corpo de guardas 
municipaes permanentes, e completando o numero de 
cem dar conta a secretaria de estado para determinar 
deíinitivamente o aceite e providenciar-se pafa á orga- 
nisação, aquarteiamento e o mais que fôr preciso. 

Aviso de 9 de Novembro de 1831. 

Ao mesmo tenente coronel encarregando-o interina- 
mente do commando do corpo das guardas municipaes 
permanentes cpie se está organisando, etc, etc. Fazer 
chamar os alistados imra serem Inscriptos no livro 
mestre e tomarem quartéis no lugar destinado pai-a o 
referido corpo. 

Aviso de 20 de Outubro de 1832. 

Communica a nomeação, por decreto de 18 de Outubro 
de 1832, ao major Luiz Alves de Lima, para commandante 
do corpo de guardas municipaes permanentes. 



DO ];nAzii, 521 

DCVII. Computo eccltísistico. Áureo miaiero. 9 ; cyclo 
solar, 21 ; epacta, 28 ; letra domiuical, A G. 

DCYIII. Martyrologio. Dia l.*' de Janeiro, domingo ; 
pasclioa a 2-3 de Abril ; indicação romana, 5 ; i^eriodo 
Juliano, 6,r)45. 

DCIX. E' elevada a, categoria de villa a povoação 
de Garojpas com ii denominação de Porto Bello, na 
Ijrovincia de Santa Catliarina. 

DCX. Xo dia 3 de Abril de 1832 ai)parece um tumulto 
na cidade do liio de Janeiro. 

DCXI. Xo dia 12 de Abril de 1832 aiDi^arece, no Elo 
XegTo (Alto Amazonas), uma sedição militar, sendo 
assassinado o commandante da força o coronel Joaquim 
Felippe Reis. 

DCXIL Xo dia 14 de Abril da 1832 arrebenta em 
Pernambuco uma revolução. 

DCXIII. Xo dia 16 de Abril de 1832, é recolhido a 
cadea do Aljube, o barão de Bolow, j)Ov consi)iração, 
na corte do Rio de Janeiro, a ordem do Juiz do Crime. 

DCXIV. 2\a terça-íeira 30 de Abril de 1832 fallece, 
na cidade do Rio de Janeiro, o marechal de camp)0 
Vicente Ferreira Portugal de Yasconcellos, com oitenta 
e nove annos e sete mezes de idade, tendo nascido no 
J." ie Ou cubro de 1742. Foi sepultado em uma das 
í-arneiras da ordem terceira do Carmo. 

DCXV. Xo 1.° de Junho morre o rjadre Manoel Thoniaz 
Pimenta. 

DCXYíi.^^^^ ^'''^ 23 de Junho de 1832 a camará mu- 
nicipal do Rio 2íegro se revolta, e constitue-se provi- 
soriamente independente do governo do Pará. 

DCX VII. O coronel Rodrigo António Falcão Brandão 
do Engenho Desterro, no Iguape, escreve no dia 20 

CmiOKXCA GERAI. ÈEC. xviir. — 21 



022 cuiio.xicA oEr.Ai. 

de Fevereiro de 1S32 ao coronel" Ignacio de Aranjo 
AragRo Bulcão parlicipando-lhe que marcliaiido nesse 
dia i^ara tonj ar posição na vijla da Cachoeira teve noticia 
que 05 rebeldes de S. Félix, na véspera (19), ás 7 horas 
da noite, tinliam se aquartelado no convento do Carmo, 
e no dia 20 em que escrevia, íizeram o seu rompimento 
proelainrindo n(.va forma de governo (federação), na 
caíEa da camará. Qtie a vilia estava deserta e elles senhores 
de toda elia, o com tropa capaz de resistir ; e que em 
nome do governo faça immediatamente marchar para 
Sanlo Amaro o destacamento de primeira linha, os do 
seu batalhão e do coronel Mattos a quem deve oíSciar 
ficarão as suas ordens. Este officio foi enviado i)elo tenente 
coroiiol Yeilosc, que march;i a toda pressa para Santo 
Aninro .-l receber as ordens de todos. Pede o auxilio de 
todos os propricíarios em j>roveito da causa x^iíhlica, 
e diz que Monta Brecha ])retendia marchar sobre o 
Iguapé e não o fez, por lhes constar da opposição que 
tinha de encontrar. Lembra que para toda a parte tem 
sahido emissários que se dirigem aos escravos nascidos 
no Brazil. em proveito da rebellião, e fingem que se cor- 
resj)ondem com jiersonagens do recôncavo. E' de opinião 
que o destacamento do engenho do coronel Pena e Mello 
se deve reunir ao delle Aragão Bulcão, na esperança 
cpie será auxiliado pelas forcas do recôncavo. 

DGXYIII. Tendo-se conclnido o inventario dos bens 
pertencentes a coijgregação dos padres de S. Felippe 
I;s'ery, da Bahia, o governo imperial no dia 23 de Feve- 
reiro de 1832 os mandou entregar a casa Pia dos Orphãos, 
para beneficio dos mesmos. 

BGXIIv. O coronel Rodrigo António Falcão Brandão, 
em ofíicio de 3 de JÍarço de lS'o2, communica da Ca- 
choeira ao presidente Honorato José de Barros Paim 
ter preiídido o padr'e Oííivto, companlreiro de Guauás 



d 



Miiim, qne sem reserva pasr^eiava irablicameute pelas 
rnas da povoações ae S. Feiix, cem que uenliuma au- 
toridade Jocp.l o prer.desse. sendo elle o que executou 
a prisão em virtude da ordem de sua excellencia. Diz mais 
qne muitas cartas anonymns apijareceram seduzindo os 
soldados mas que viudo ellas fechadas as suns mãos 
nenhum temor lhes cau^a ; mas o abandono em que está 
a vilLi da Cachoeira lhe ínz receiar alguma traeoeira 
vingança. 

DCXX. O juiz de paz do curato da Sé, Joaquim An- 
tonio Islõitinho, em oíScio de 7 de Setembro de 1832, 
communica ao presidente da província, que no dia 6 
as duas horas da trrde foi chamado pelo presidente 
da camará municipal parn proceder a corpo de delicto 
na caixa forte da camará da qnl fo! roubada a quantia 
de quatorze contos quntrocentos e oitenta e um mil seis- 
centos e trinta e cinco réis ; e o presidente Joaquim 
José Pinheiro de Tascoiicellos em oiíicio de 22 do mesmo 
mez. paríicipa ao ministro Rollanda Cavalcante o aconte- 
cido, certificando ter dado as precisas i:)rovidencias para 
se descobrir o autor de tnl crime. 

DCXXT. iS^o dia 22 dp Setpmhro de 1882, o presi- 
dente da Bahia Joaquim José Pinheiro de Tascou cellos 
communica ao ministro António Francisco de Paula Hol- 
landa Cavalcante e Albuquerque, depois visconde de Albu- 
querque ter sido roubada a caixa forte da cumara muni- 
cipal, cujomnbo foi feito sem que hovesse arrombamento, 
segundo informa Joaquim António Moutinho, juiz de 
paz do curato da Sé, e t''r ç"'do chamado pelo presi- 
dente da camará as du-is hor s da arde do dia 7 do 
mesmo mez de Março para procedei a corpo de delicto 
na referida caixa. Os ladrõef^ não foram descobertos. 

DCXXII. O presidente da província da Bahia Joaquim 
Jasé Pinheiro de ^■^asconcello?, hoje visconde de Hont* 



criiiuxicA gí:i:al 



.serrai, em officio de 3 de Dezembro de 1832, ao ministro 
iSlcokiu Pereira de Campos Vergueiro Uie communica o 
ai^parecimeiíto de rumores sediciosos na c:ipital e para 
se justiiicar envia ao governo imx)erial uma d:is pro- 
clamaeõers e.spalíiadas iucitaudo o i')0Y0 para acclamaçOes 
da federação na Bailia, 

Plí o CLAMA CÃO 

"As armas, as armas brazileiroy ! I Níio í ardeis iim 
momento a proclamard<;'S o santa federação. A nossa li- 
berdade está perdida ! Os traidores, e carauiurús, unidos 
com a marotada. estão prestes a devorar nos !I Salii á campo 
e não temais, que se vos não unam os bons patriotas. 
Não consintais, que os malvados moderadores, apoiados 
nos marotos proclamem, como intentam, uma federação 
aristocratn, para nos escravisarem com ura dictador. 

" E' tempo de acabar os traidores, basta de sofírimento ! 

"Baliianos, com a vossa reconhecida coragem, mostrai 
que sois dignos da liberdade ! ! I As armas : levemos a 
ferro, e fogo os tYramios, os ti-ai dores, e os marotos ; 
e no meio da coragem gritai : Viva a federação liberal ; 
viva a p.aria; vivam os bons braziieiros ; e morram os 
os traidores." 

DCXXIII. No dia 30 de Janlio de 1832 a regr^ncia 
permanente resigna o poder e í.utoridade, deiDois de 
liaver o ministério dado a sr.a demissão, 

DCXXiV. Neste nnno de 1832 muitos cometas appa- 
receram no horiscmte ; e um delles apprcximou-se tanto 
da terr.i, :;u.í IIíí' daria encontro, se tivesse adiantado 
demais um ]ia sua orbita. 

DCXX\ . ('(>ii!])nto e(cl<\^;i;istico. Ann^o numero, 10; 
cyclo sol.ir, 22 j epacla, 0; letra dominical, F. 



DO ERAZIL 



DGXXYI. Martyrologio. Dia 1." de Janeiro, terça- 
feira ; pasclioa a 7 de Abril ; indicação romana, 6 ; pe- 
ríodo Juliano, G,õ4G. 

DCXXVII. No domingo 27 de Janeiro de 1832, pelas 
oito horas da manliã, fallece de nina liydropesia o 
donto bi^po do Rio de Janeiro D. José Caetano da 
Silva Coutinho. Era senador do império pela provinda 
de S. Paulo, e dcs eleitos na cror;í;ão do senado. Era 
litterato, e escriptor correcto. Ti :vernou a igreja flumi- 
nense durante vinte e cinco annos. 

DCXXVIII. Em Fevereiro de 1832 é visto a noite um 
cometa a leste do Brazil. 

DCXXIX. No dia 22 de Março de 1833, apparece em 
Ouro Preto (Minas Goraes), uma sedição militar, e os 
revoltosos qne havinm deposto nesse dia o vice-presi- 
dente da província Bernardo Pereira de Yasconcellos 
aban.donam a cidade de Ouro Preto, no dia 19 de Maio, 
depois de breve assedio, a que se oppuzera o marechal José 
Maria Pinto Peixoto a írente da guarda nacional. 

DCXXX". No dia 28 de Junho de 1833, na camará tempo- 
rária, o deputado Venâncio Henrique de Pezende propõe 
o projecto do banimento do ex-imperador D. Pedro I. 

DC XXXI. Em C) de Dezembro é invadida a ca&a das 
sessões pela gentalha e despedaçados todos os moveis. 

iNa noire deste dia algumas typographias soífreram 
o mesmo sendo arrojadas á rua, e varias casas de pessoas 
conspícuas tiveram as vidniças quebradas. 

No dia W, é por ordem do governo preso o tutor 
do imperador dentro do próprio paço da Bôa-Yista. 

A' camará dos dexjutados em uma das sessões dos 
primeiros dias de Agosto de 1833 é apresentada uma 
rai-ta do ducp.ie de Bragança em qne este recusando-se ao 
pagamiOnto de seiscentos e vinte dons contos duzentos 



n26 CHROXICA GETÍAL 

e quarenta e dous mil dnzsntos e cincoeiíta e sete réis de 
que é julgado devedor ao íliesouro, x^or terem sido des- 
pendidos em utilidade sua. nas transacções de seu casa- 
mento, donativos por essa occasião, viagem de sua filha 
a duqueza de Gfoyaz, etc ; pretende ainda que o Brazil 
continue a pagar a sua esposa, a ex- imperatriz D. Amélia 
princeza de Leuclitemberg, a quantia de cem contos de 
réis annuaes. decretada como dotação da imperatriz do 
Brazil. Esta pretenção teve o deputado Montesuma por 
advo.2'ado. (Vide Aurora Fluminense n. 805 de 13 de 
Agosto do 1833. 

DCXXXIL No dia 11 de Agosto de 1833 installa-se a 
Sociedade Militar no Eio de Janeiro. 

DCXXXIII. X"o dia l>1 de Agosto de 1833 é solem- 
nemente i)romulgado o acto addicional á constituição do 
império. 

DCXXXIY. No dia 8 de OutuíH'0 de 1833 manda-se 
fixar o padrão monetnrio e crear um banco de deposito. 

DCXXXV. No dia 22 de Ontul^ro de 1883, determina o 
governo a reforma da ac:ideini;i militar do Ilio de Janeiro. 

DCXXXVI. No dia 2 de Dezembio de 1833 apparece 
iim trininUo na cidade do Rio de Janeiro. 

rfCXXXVII. l^usijeiisão e prisão do tutor do imperador 
o conselheiro José Boniiacio de Andrada e Sii-.-a em 1833. 

DCXXXYIIL. Computo ecclesiastico. Áureo numero,ll; 
cyclo solar, 23 ; epacta, 20 : letra dominical, E. 

DCXXXÍX. Martyrologio. Bia 1° de Janeiro, quarra- 
feira; paschoa a 30 do Março; indicação romana, 7; 
periodo Juliano, G.õ-IT. 

DCXL. O governo da regência determina em 12 de 
Fevereiro de 1834, que as cédulas em troco da moeda de 
cobre sejam aceitas nas estações publicas. 



i 



r>0 BR.VZIT. •"í-2í 

DCXLI. Xo dia 20 de Março de lS3i moiie em Por- 
tugal D. Autonio de Castello Branco Corrêa e Canha 
Vasconcellos e Souza, marquez de Bellos e antes conde 
de Taiuburo, nascido a 8 de Março de 1785. Era iraião do 
conde da Fig-ueira. qne foi governador do Rio Grande 
do Sul, e íilho do de.-ienibargador D. José Luiz de Vas- 
concellos e Souza primeiro marquez de Bellos. 

1)CXLIÍ. Xo dia •22 de ^^Iarço de 1831 o periódico 
>'St/e de Abril iio st.-;! n. 130 apresenta uma escposição 
sobro a exclusão de Honório Hermeto Carneiro Leão 
da Sociedade Defensora. 

DCXLIII. Xo dia IG de Abril se deu a horrível matança 
no Pará. 

DCXLIY. X'o dia 18 de Maio de 1831 rompe uma 
revolta na cidade de Cuyabá, r)rovincia de Mp.io Grosso ; 
e pelo estado de anarcliiíi, deu-se uo dia 80 do inesrao 
mez a honivel matança em Cuyabá, cujo f aror anarchico 
só foi domado no dia .5 de Junho do mesmo imno de 1834. 

DCXLY. Xo dia 3 de Junlio de 1834, passa na camará 
dos deputados a moção do deputado Venâncio Hen- 
rique de Eezende, na cpaal se propunha o baniiiijnto do 
ex-imperador do Erazil D. Pedro I. Xo dia 18 do mesmo 
mez de Janho cahe no senado por grande iTinioria, logo 
na primeira discussão, o projecto de banimento do im- 
perador 1). í^edro I, 

DCXLVI. Morre no dia :}8 d»- Julho o iiiarechal de 
campo J(>ão Francisco X'eve.s. 

DOXLVII. XVj dia 24 de Setembro de 1834 morre o 
ex-imperador D. Pedr^i I, 

DCXLVni. O padre José Martiniano de Aleiícar, no- 
meado presidente da província do Ceará, toma posse da 
administração no dia 6 de Òutubro> de 1834. 



328 CHRONiCA g;:ea.l 

Ko diii 15 cliega, j-emettido preso do"Míiranlião, JoaqaiLn 
Pinto Madeira, por ser julgado pelo jiay, tendo íicado 
muito enfermo oUi o padre António Manoel de Sonza, 
Sendo Pinto Madeira condem nado a morte foi no dia 28 
de jN'ovem]:)ro deste mesmo anno executado na viila do 
Crato, na província do Ceará. 

DCXLIX. Foi na sessão do tribunal do jury da corte, 
de sexta-feira 14 de N(>vembro de 1834, unanimemente 
condemnado á morte o parrecida Yasco Fernandes Telles. 

DCL. Comx^itto ecclesiastico. Áureo numero, 12 ; cyclo 
solar, 24 ; epacta, 1 ; letra dominical, D. 

DCLT. Martyrologic. Bia 1.^ de Janeiro, quinta-feira ; 
pasclioa a 19 de Abril : indicação romana, 8 ; j^eriodo 
Juliano, 6,548. 

DCLII. Neste anno de 1835 íalleceram no município 
neutro seis mil seiscentas e onze pessoas. 

DCLIII. 'No dia 7 de Janeiro de 1835 lia a revolução 
do Fará e assassinatos do presidente da província, e 
commandante das armas. 

DCLIV. No dia 10 de Janeiro crea-se na corte o monte- 
pio geral dos servidores do Estado. 

BCLY. No dia 7 de Abril de 1835 morre, no Elo de 
Janeiro, Joaquim José de Azevedo, marquez de Jundialiy, 
que nasceu a 12 de Setembro de 1761. Foi o primeiro 
barão e primeiro visconde do Itio Secco, e senlior da villa 
de Macalié, e alcaide-mór da viila de Santos, Era na- 
tural da cidade de Lisboa, e íillio de Matbias António de 
Azevedo. Fidalgo cavalheiro i)or alvará de 5 de Setembro 
de 1808, pelos bons serviços prestados a El-rei, no seu 
transporte ao Rio de Janeiro. Cason-se em segundas 
núpcias com D. Marianna Pereira da Cunha, lilha do 
marquez de Inhambupe. Sua iilha D. Maria Zeferina de 
Azevedo, nascida a 26 de Agosto de 1801, casou em 26 de 



DO BRAZIL "29 

Setembro de 181G. no Rio de Janeiro, com o general Luiz 
do Rego Barreto, que depois foi visconde de Geraes de 
Lima, em Portugal. 

BCLYI. Por decreto imi^erial de 18 de Maio de 1835 é 
a sociedade de medicina do Rio de Janeiro elevada a 
categoria de academia imperial de medicina. 

DCLYII. Morre em Paris, no dia 27 de Junlio de 1835, 
o tenente general Joaquim de Oliveira Alves, que foi 
ministro da gaerra no primeiro gabinete de Janeiro a 
Junho de 1822, e segunda vez de Junho de 1828 a Agosto 
de 1829, em que soffreu accusações na camará dos 
deputados. 

Foi eleito deputado na segunda legislatura pela pro- 
víncia do Rio Grande do Sul. 

DCLYIII. 'No dia 20 de Agosto de 1835 morre no Rio 
de Janeiro na idade de setenta e nove annos o sábio bra- 
zileiro José da Silva Lisboa, visconde de Cayrú, nascido 
na rua debaixo de S. Bento, na cidade da Bahia, no dia 
16 de Julho de 1756. 

O Brazil, além de suas importantes obras de litteratura, 
historia, e o direito mercantil, deve-lhe o esforço que fez 
com D. Fernando José de Portugal, dei^ois marquez de 
Aguiar, para a carta régia de 29 de Janeiro de 1808, com a 
qual o xírincipe regente o Sr. D. João YI abre os i^ortos 
do Brazil a todas as nações amigas de Portugal. 

O visconde de Cayrú, foi sepultado erii uma das car- 
neiras do convento do Carmo ou tia Lapa. 

DCLIX. Na tarde do dia 20 de Setembro de 1835 
morre no Rio de Janeiro João Braulio Muniz, ex-regente 
do império, e foi sepultado na ordem terceira do Carmo. 
João Braulio Muniz, nasceu no Maranhão em Março 
de 1796. 

DCLX. In o dia 20 de Setembro de 1835 arrebenta no 



nriO CITTíONTICA GKRAT. 

Rio GmnJe do Sul a revolução republicana, e no dia '25 
Bento Manoel da Silva, x^ublica um manifesto dando as 
razões por que se rebeloa. 

DCLXI. No dia 30 de Outubro de 1835 é reconliecida 
a Sra. D. Januaria, como princeza imperial e successora 
do tlirono do Brazil, depois do Sr. Pedro II, e sua legi- 
tima (l!>sr-enden('ia. 

DCLXIÍ. Seudo nomeado José Mariaiuio de Albu- 
queix^ue quinto presidente de Santa Caíkarina, toma 
posse do governo no dia 4 de Fevereiro de 1835, e governa 
a província até Abril de 1836, data em que entrega a 
administração ao vice presidente tenente coronel Francisco 
Luiz do Livramento, afim de ir tomar assento na assembléa 
geral, como deputado pela j:)rovincia do Ceará. O vice 
presidente manteve-se na administração governamental 
até Janeiro de 1837. 

DCLXIII. Xo dia 33 de Dezembro de 1835 fallece, no 
Rio de Janeiro o almirante José Maria de Almeida, uas- 
ciuo em Oeiras a 21 de Novembro de 1774, com sessenta e 
um annos e dous dias de idade. Serviu por espaço de deze- 
nove annos e meio, como inspector do arsenal de marinha 
desde 2Q de Outubro de 1808. 

DCLXI V. Tendo sido nomeado José Cesário de Mi- 
randa Ribeiro (depois visconde de Uberaba, senador do 
império e conseiiíeiro de Estado ) presidente da província 
de S. Paulo, toma i^osse da administração no dia 25 de 
Novembro de 1835, e exerce o CLirgo durante cinco annos 
e quatro dias, i^assando em 29 de Abril de 1836, ao se- 
gundo vice presidente José Manoel da França, a adminis- 
tração que exerce durante três mezes. 

DCLXV. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 13 : 
cyclo solar, 95; epacta, 12 ; L^tra dominical, G. B. 



DO nPvAziT. 331 

DCLXVI. Maiíj^rulogio. Dia 1.° de Janeiro, sexta- 
ftíira ; paschoa a 3 de Abril ; indicação romana, 9 ; 
perioio Juliano, 6,õ49. 

DCLXVII. ZS^o dia 6 de Abril de 1836, em Pelotas, os 
rebeldes do Rio Grande do Sul, derrotam em combate as 
forças do governo imperial. 

DCLXYIII. Xo dia 23 de Abril de 183^1, morre no Rio 
de Janeiro o brig-adeiro António Xavier de Sousa Sayão. 

DCLXIX. O brigadeiro Francisco Juí^é Soares de 
Andréa, depois barão de Caçapava, no dia 13 de Maio 
de 1836 entra na cidade de Belém do Grão Pará, depois 
de a haver mandado occupar por nma columna de infan- 
teria, de artillieria e pela marinlia; e toma posse da 
presidência da provinda do Pará, que desde alguns annos 
se conservava revolta e auarchica. 

DCLXX. Zn o dia lo de Junlio de 1830 a cidade de 
Porto Alegre capital da província do Rio Grande do Sul 
se livra do poder dos rebeldes que a occupavam. 

No dia 11 de Julho do mesmo anno as forças im- 
periaes dão combate ao forte da Barra do arroyo de 
Pelotas ; e no dia vinte e três do mesmo mez assaltam 
e tomam o forte da Ponta do Junco. 

DCLXXT. O coronel Bernardo Jo.-íé Pinto Gavião 
Peixoto, brigadeiro reformado e deputado geral, sendo 
nomeado Tjresidente da piovincia de S. Paulo toma 
posse do governo no dia 2 de Agosto de 1836, e serviu 
durante um anno, set;^ mezes e oito dias. 

DCLXXII. Xo dia. 3 de Agosto de 1836 morre no 
Rio de Janeiro o marechal do exercito visconde da La- 
guna, Carlos Frederico Lecor. sendo sepultado na igreja 
de S. Francisco de Paula. 2\ão deixou fonuna, e 
sua viuva a viscondessa da Laguna, a quem conheci 



332 CHKO^TICA GEEAL 

pessoalmente foi morrer no Iiospital da Santa Casa da 
Misericórdia. 

BCLXXIII. 'No dia 13 de Agosto de 183G o salteador 
3íenino JMdbo é hatido em frente á vâlla de Taquary, 
apri,sionando-se-]li3 três lancliões, duas ipecas de arti- 
lharia e armamento. 

DCLXXIV. No dia 2 de Outubro de 1S3G as forças 
imperiaes dão combate as dos rebeldes, na ilha cha- 
mada do Farifa, no Rio Grande do Sul, que durou, 
até o dia quatro ; e são presos os chefes revoltosos 
Bento Gonçalves da Silvn, Onofre e Zambieari. 

DCLXXY. No dia .5 de Novembro de 1836 morre na 
sua casa da rua do Lavradio o marechal de campo 
Francisco Cláudio Alvares de Andrade em avançada 
idade. 

Foi casado com íi espirituosa e engraçada D. Anna 
Leonor Souto Maior, que também faileceu em avan- 
çada idade. 

DCLXXVI. Computo ecclesiastlco. Áureo numero, 14 ; 
cyclo solar, 2G ; cpacta, 23 ; letra dominical, A. 

DCLXXVII. iíartyrologio. Dia 1.° de Janeiro, do- 
mingo ; pasclioa a 26 de Março ; indicação romana, 10 ; 

periodo Julitmo, 0,on(). 

DCLXXVIIÍ. O tenente coronel José Joaquim Ma- 
chado de Oliveira sendo nomeado presidente para a 
província de Santa Catharina toma i)^sse da admi- 
nistração no dia 21 de Janeiro de 1837, e governa a 
província at('' o dia 4 de Outnbro do mesmo anno. 

DCLXXIX. No dia 8 de Fevereiro de 1SB7 morre 
em Nictheroy o senador pela T)rovincia de Pernam- 
buco brigadeiro Bento Barroso Pereira e foi sepultado 
na igreja de Nossa Senhora da Concinção da mesma ci- 
d:uh\ Era fillio do desembargador António Barroso Pe- 



i 



i)u niiA/.U/ 333 

reira, e natural ão arraial do Tijuco da província de 
Minas Geraes, tendo nascido a 2 de Outubro de 1785. 

DCLXXX. No dia 17 de Fevereiro do 1837 íoi exe- 
cutada na forca levantada no largo do Moura a sen- 
tença de morte imposta pelo jury da corte do Kio de 
Janeiro, em sessão de IG de Janeiro do mesmo auno 
ii Doiuiiígos 3Iora'nibiqu.e, cego de ambos os olhos, es- 
cravo de Joaquim Francisco de Oliveira, como autor 
do bárbaro e atroz assassinato de Manoel José da Costa 
Rego, caixeiro de seu senhor. 

Mais tarde, annos depois, veriíicou se que esse in- 
feliz preto cego, foi sux)p1iciado innoeente, pela confis- 
são, que no acto de morte, fez ao sacerdote o verda- 
deiro assassino. 

DCLXXXI. Na terça-ftíira 7 de Março da 1837, peias 
dez horas da manhã, foram executados na forca le- 
vantada no largo do Moura, dous marinheiros do pa- 
tacho D. Clara, de sobrenomes Gonçalves e Guia, con- 
demnados a pena ultima na forca i)or terem na viagem 
do dito patacho, do porto do Rio de Janeiro, para o 
de S. Matheus, perj etrado na madrugada de 23 de 
Agosto de 1833, horrenda matança, |)ara roubarem ao 
proprietário do na,vio, mestre e passageiro, escapando 
o reverendo vigário de Caravellas Francisco Alves Tou- 
rinho ; Joaquim Gonçalves arrebentou a primeira corda, 
cansando grande confusão no povo, cahindo uns ao 
mar e outros íicaudo pisados. 

Subiu a segunda vez ao patíbulo, e ex^íoz, bem como 
Guia, seus crimes. 

Manoel Joaquim da Silva, também condemnado a 
morte, falleceu no Aljube no dia G de Dezembro de 183G. 

DCLXXXII. Tendo vindo presos do Rio Grande do 
Sul. B^nto Gonçalves da Silva, Onofre Pires da Silva 
e Aílonso José de Almeida Curte Real, e recolhidos a 



334 CHRo^"Ic■A oekal 

fortaleza de Santa, Cruz. no dia li de Março de 1837, 
Onofre e Afiionso Corte Eeal fogem desta. 

DCLXXXIII. Xo dia 23 de Marco de 1837, é preso 
em Tapevy. o X'i"<ííiideni,e da ]n"ovincia, do Rio Grande 
do Sul, Antero J osô Ferreií-a de Brito ; e no dia 8 de 
Abril do mesnio nnno as nossas forcas dão conibate em 
Caçapava aos rebeldes rio-grandenses. 

DCLXXXÍV. X^o dia 2 de Maio de ISoT, comparece 
á barra do íribnnai do jmy da corte o Dr. Justino 
José Tavares, jtiiz municipal da corte do Rio de Ja- 
neiro, suspenso pelo Decreto de 23 de Outubro de 1836, 
por haver concedido ordem de Jiabeas cor^nis a alguns 
dos x^resos remettidos do Rio Grande do Sul. O réo 
recusa a cadeira que se oílerece e vai sentar-se no 
banco dos accusados. Os três advogados defensores 
Rocha, Josino do ííascimento e Souza Pinto, em vez 
de subirem para as tribunas, como é de costume, sen- 
tam-se com o réo nos bancos dos accusados, e dalii 
defendem o seu cliente. 

Findos os debates o jury responde unanimemente aos 
quesitos do juiz que não existia crime no objecto da 
accusação. 

DCLXXXY. X"o dia 12 de Maio de 1837, pela uma 
hora da tarde, morre Evaristo Ferreira da A'"eiga na 
idade de trinta e sete annos. Foi sepultado na igreja 
de S. Francisco de Paula. X'asceu no Rio de Janeiro 
no dia 8 de Outubro de 1790. 

DCLXXXYI. Fuga de Bento Gonçalves da Silva da villa 
da Fortaleza do Mar, na cidade da Bahia, no dia 10 de 
Setembro de 1837. 

BCLXXXVII. Demissão o. manifesto do Sr. Diogo 
António Feijó, regente do império. Illm. e Exm. Sr. 
— Estando convencido de que a minha continuação na 



]>o r.n.\7,iL ?gõ 

regência não pôde remover os males iJu])lico.s que cada 
dia se aggi-avam pela fíilta de leis apropriadas : e não 
querendo de meiíeira alguma servir de estorvo a que 
algum cidadão mais feliz seja encarregado pela nação 
de reger seus destinos ; pelo presente me declaro demit- 
tido do lugar de regente do império, para que V. Ex. 
encarregando-se interinamente do mesmo lugar, como 
determina a constituição politica, faca proceder á eleição 
de novo regente na fi5rraíi por eile esr.ibelecida. 

Rogo a Y. Ex. cpieira dar publicidade a esse ofíicio 
e ao manifesto incluso, 

Deos guarde a V. Ex. muito? annns, 19 de Setembro 
de 1837. 

lilm. e Exm. Sr. Pedro de Araújo Lima. 

Diogo António Peijô. 

MA2ÍIFEST0 

Brazuliro- : 

Por vós subi á primeira magistratura do império ; por 
vós desço hoje desse eminente posto. 

Ha muito conheço os homens e as cousas. Eu estava 
convencido da impossibilidade de obter-se medidas legis- 
lativas adequac.as ás nossas circamstancias, mas forçoso 
era pagar tributo á gratidão, e fazer-vos conhecer pela 
experiência, que não estava em meu poder acudir ás 
necessidades publicas, nem remediar os males ç[ue tanto 
vos affligem. 

Xão devo por mais tempo conservar-me na regência : 
cumpre que lanceis mão de outro cidadão que, mais 
hábil ou mais feliz, mereça as sympathias dos outros 
poderes políticos. 

Eu poderia narrar-vos as inveiíciveis dificuldades que 
'çve^á c experimentei ; mas para cpie ? Tenho justifíicadrj 



S3G CUEONICA CEiíAL 

O íiclo (l:i miulia espontânea demissão, declarando inge- 
ULiamente que cu uão x^osso satisfazer ao que de mim 
desejais. 

Entregando -vos o poder que generosamente me con- 
fiastes ; não querendo jior mais tempo conservar-vos na 
expectaçfio de bens do que tendes ]iecessidade. mas que 
não xK)sso fazer- vos ; confessando o meu reconliecimento 
e gratidão á confiança que vos mereci; tenlio feito tudo 
quanto está da minlia i)arte. 

Qualquer i)oréni que for a sorte que a Providencia me 
depare, eu sou cidadão brazileii"0, jjrestarei o que devo 
á pátria. 

Rio de Janeiro, 11) de Setembro de 1837. 

Díoyo Aníoiiio Feijó. 

Illm. e Exm. Sr. — Tendo iioje dado a minlia demissão 
de regente do império ; e devendo comparecer ás sessões, 
mas não o podendo fazer jior achar-se a minha saúde 
bastanten)enie alterad;;, e ter de mudar de ares para a 
provinda de S. Paulo, como se mo aconselha, rogo a 
V. Ex. queira paiticipar isto mesmo á camará dos Srs. se- 
nadores para que se digne approvar esta minha reso- 
lução. 

Deos guarde a ^ . Ex. Rio de Janeiro, 19 de Setembro 
de 1837. 

Illm. e Exm. Sr. 1.° st cretario fia camará dos senadores. 

Diogo António Feijó. 

DCLXXXVIII. O brigadeiro João Carlos Pardal, no- 
meado presidente para a pruvincia de Santa Cathariua 
tom(;u posse da administração no dia 14 de Outubro 
de 1837 e governou ato o dia 17 de Agosto de 1830. 

DCLXXXIX. Revolução de 7 de iX^ovembro 183T, na 
Bahia denominada a Saòinaãa. 



DCXC. Mar(,'o 25. Inaugaração do collegio de Pedro II, 
creado pelo decreto de 2 de Dezembro de 1837. Tem 
tido cartas de bacharel : 



Anuo 


de 1843 . . 


. 8 


1855 


8 




1844 . . 


. 5 


1856 


11 




1845 . . 


. 11 


1857 


5 




184G . . 


. 7 


1858 


12 




1847 . . 


. 8 


1859 


() 




1848 . . 


. 10 


1860 


10 




1849 . . 


. 32 


1861 


(; 




1850 . . 


. 13 


1862 


14 




1851 . . 


. 21 


1863 


8 




1852 . . 


. 14 


1865 


7 




1853 . . 


. 22 


1666 


9 




1854 . . 


. 14 







DCXCI. Computo ecciesiastico. xiureo numero, 15 ; 
cyclo solar, 27 ; epacta, 4 ; letra dominical, G. 

DCXOII. ]\Iart3a'ologio. Dia 1.° de Janeiro, segunda- 
ftíira ; i)asciioa a 15 de Abril ; indicação romana, 11 ; 
periodo Juliano, 6,551. 

DCXCIII. O obituário do município neutro neste anno 
de 1838 foi de sete mil quinhentas e seis i)essoás. 

DCXCIY. O Dr. Venâncio José Lisboa, dej^ois desem- 
bargador e deputado geral, sendo nomeado i)residente 
para a i^rovincia de S. Paulo, toma i)Osse da adminis- 
tração no dia 12 de Março de 1838, e exerce o governo 
por um anno e quatro mezes. 

DCXC V. No dia 28 de Março de 1838 fallece em Por- 
ingal o general marquez de Aracaty, João Carlos Augusto 
Oynhausem, que íoi governador e capitão general de 
S. Paulo dous antlos e dous mezes a contar de 25 de 
Março de 1819, e i)resideute do goveriío provisório de 

CUKONICA GLU^VX. SKC. XVIII. — 23 



338 • CnEONICA GERAL 

quinze membros eleito pelo povo è tropa e eTnj)ossado 
a 23 de Junlio de 1821, em cujo cargo serviu um anuo, 
dous mezes e dous dias. 

Ka qualidade de cidadão adoptivo foi eleito senador 
do império pela província do Ceará, cai-go que resignou 
para acompanhar D. Pedro I quando abdicou a coroa 
do Brazil na madrugada do dia 7 de Alnil de 1831. 

DCXCVI. Pelas três lioras da madrugada do dia 6 de 
Abril de 1838 fallece na cidade de Nictheroy o sábio 
conselheiro José Bonifácio de Andrnda e Silva, sendo o 
seu corpo depositado na igrejn dos Terceiros do Carmo 
no dia 8 níim de terem lugar as exéquias, depois do 
que deveria ser trnsladado para a i^rovincia de S. Paulo, 
lugar do seu nascimento. José Bonifácio nasceu a 13 de 
Julho de 1763. Era um grande vulto nas sciencias natu- 
raes. Prestou relevantes serviços ao Brazil, e a sua re]}n- 
tação européa como sábio naturalista foi de muita van- 
tagem para a causa da emancipação politica do Brazil. 

DCXCYII. Ko dia 11 de Abril de 1838 morre no Rio 
de Janeiro monsenhor Br. Francisco Corrêa Vidigal, na 
idade de setenta e sete annos, e foi sepultado na igreja 
de S. Pedro. 

.DC XC VIII. No dia 11 de x^Dril de 1838 é assassinado 
o Br. Manoel Eibeiro da Silva Lisboa, presidente da 
província do Eio Grande do Xorte, em um sitio lóra da 
capital, com dous tiros de bacamarte e doze piunlia- 
ladas. 

'No dia IG do mesmo mez fallece Joaquim Barroso 
Pereira irmão do senador Bento Barroso Pereira. 

DCXCIX. No dia 30 de Abril de 1838, as tropas im- 
periaes dão combate aos rebeldes no Rio Pardo. 

BCC. Tendo uma sociedade de particulares fundado 
uma caixa monetária para dar dinheiro mediante pe- 



DO r.nA/.ii, 339 

iilioros, Tc que deuo mineram Monte do Soccorro, in-in- 
cipiou a funccionar do dia 18 de Maio de 1838 em 
diante. 

DCCI. Xo dia 4 de Jnnlio de 1838 fallece no Rio de 
Janeiro o brigadeiro João Manoel de Mariz Sarmento, e 
no mesmo mez fallece o coronel de engenheiros Manoel 
José de OliveircT, lente da escola militar da corte. 

DCCII. Xn qninta-feira 25 de Outubro de 1838 ins- 
tallou-se o Instituto Histórico Geograpliico do Brazil, na 
sala dns sessões da sociedade Auxiliadora da Industria 
Nacional, no ediíicio do Museu. 

DCCIII. IS'o dia 24 de Outubro de 1838 fallece o 
douto brigadeiro Manoel Ferreira de Araújo Guimarães, 
redactor do periódico o Patriota. 

DCCIV. Morre no dia 21 de Novembro de 1838 o se- 
nador do império Lúcio Soares Teixeira de Gouvêa. 

No dia 7 de Dezembro do mesmo anno de 1833 fallece 
o senador do império marechal José Ignacio Borges. 

DCCV. No dia 14 de Dezembro de 18oo appnrece 
uma revolta no Maranhão tendo á sua frente Raj^mundo 
Gomes. 

DCCVI. Na provinda de S. Pedro do Rio Grande do 
Sul foi executado ura réo por ter me rto um capataz da 
chácara de sua senhora ; outro por ter assassinado a 
outras pessoas. 

Em S. Paulo foram executados três réos por terem 
morto a feitores ; e um dito morto os filhos de seu 
senhor. 

No Rio de Janeiro foram suppliciados três réos por 
terem morto a feitores ; e um por ter assassinado a mulher 
que administrava a fazenda, e outro por ter assassinado 
um portuguez. 



'P4'0 ciikoxica ger.vl 

Em Pernambuco íoi siippliciado um réu poi' Lerasáas- 
sinaclo a mulliei' do feitor. 

Na Paraliyba foram snppliciados dous réos por terem 
assassinado a dous individuos. 

No Piauliy foram snpioliciados dous condemnados por 
terem morto a uma mulher e uma criança. 

Em Minas Geraes foram suppliciados três condemnados, 
um ],)or ter morto a seu senlior ; outro por ter assassinado 
a íillia e o genro de seu senlior ; e o terceiro i^or ter morto 
o feitor da fazenda. 

Em Mato Grosso foi sui^pliciado um réo por ter morto o 
seu senhor. 

Em Goyaz foi suppliciado outro condemnado pelo 
mesmo motivo. 

Na corte foi suj)piiciado um condemnado por ter ferido 
a seu senlior. Ao todo vinte e dous justiçados. 

DCCVII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 16; 
cyclo solar, 28 ; epacta, 1.5 ; letra dominical, P. 

DCCVIII. Martyrologio. Dia 1." de Janeiro, terça-feira; 
paschoa a 31 de Março ; indicação romana, 12 ; periodo 
Juliano, 6,552. 

DCCIX. No dia 23 de Fevereiro de 1839 morre no 
Rio de Janeiro o douto marechal Raymundo José da 
Cunha Matos. 

DCCX. Os rebeldes do Rio Grande do Sul, no dia 2 de 
Fevereiro de 1830, se retiram do Cahy, e no dia 23 de 
Maio occupam a Laguna. 

DCJCXI. O brigadeiro Manoel Vaz de Barros morre no 
dia 14 de Abril deste mesmo anno de 1839. 

DCCXII. No dia 29 de Maio de 1839, a senhora prin- 
ceza imperial D. Januaria, presta juramento no senado 
como princeza imperial, successora do throno, 2}or falle- 
cimento de seu irmão o Sr. D. Pedro II. 



no BFAziTi 341 

DCCXIII. As ambições e intrigas sendo muitas, no dia 
3 de Julho de 1839, aventa-se na camará dos deputados a 
idéa da illegalidade do governo regente do império. 

DCCXIV. No dia 1." de Julho do 1839 é saqueadív 
a cidade de Caxias, 

DC(JXY. Sendo nomeado o desembargador Manoel 
Nunes Machado (depois conselheiio e ministro do su- 
X>remo tribunal de justiça ) para ir presidir a província de 
S. Paulo, toma no dia 11 do Julho de 1830 posse da 
adminisiração, que a e^çerce durante um anno e vipte 
cinco dias. 

' DCCXTI. K"o dia 23 de Julho de 1839, os rebeldes do 
Rio Grande do Snl in\'adem a província de Santa Catha- 
rina, e occupam a cidade da Lnguna, que lhes dá um. 
j)orto de mar, e onde se distingue o celebre Garibalãi, 
que tantos serviços fez a causa da unidade da Itália. 

DCCXYII. Em Julho do 1839 as forças republicanas 
do sul, ao mando do chefe David Canavíirro, invadem a 
villa de Santo António dos Anjos, na j)rovincia de Santa 
Catharina, e arvorando a bandeira republicana, ^yO" 
clamam-na cidade Juliana, em memoria do mez de 
Julho. Nella estabelecem um governo á seu modo, 
e dominam apenas dous mezes, sendo expellidos ideias 
forças imperiaes de mar e terra, 

DCCXVIII. O marechal de campo Francisco José 
Soares de Sousa de x\ndrôa, nomeado oitavo j^resi- 
dente da i)i'ovincia de Santa Cat]iarina, toma posse da 
administração no dia 17 de Agosto de 1839, e exerce a sua 
commissão até 20 de Jiinlio de 1840. 

O presidente Andréa tendo de fazer frente aos invasores 
republicanos, os bate na Laguna ; sendo esta restaurada 
no dia 15 de Novembro do mesmo anno. 



342 CHEOXICA GERAL 

DCCIX. Computo ecclesiastico. Anreo numero, 17; 
cyclo solíir, 1 ; epacta, 2G ; letra dominical. E. D. 

DCCXX. Mart^^rologio» Dia 1." de Janeiro, quarta-feira; 
pasclioa a 19 de Abril ; indicação romana, VS ; i)eriodo 
Juliano, G,5õ3. 

DCCXXI. Kos dias 3 e 9 de Maio deram-se os com- 
bates em Taquary, e o bri.iradeiro Caldeirou fallece em 
marclia no passo do Azevedo, em Maio do mesmo 
auno. 

DCCXXII. No dia 13 de Maio ax)resenta-se no se- 
nado up.i projecto declarando m-aior o imperador o 
Sr, D. Pedro II, e no dia 18 o deputado Honório 
Hermeto Carneiro Leão ( dex)0is senador e marquez de 
Paraná ) no intuito de impedir a immediata declaração da 
maioridade do imperador D. Pedro II, apresenta a res- 
pectiva camará um projecto propondo a reforma do 
art. 121 da constituição do imx^erio. Ko dia 20 cahe 
no senado por maioria de dous votos o projecto decla- 
rando nunor o Sr. D. Pedro II. 

DCCXXIII. O mareclial de campo Antero José Fer- 
reira de Brito, nomeado x^residente d:i província de Santa 
Cutliíiiina, toma iiosse da administração no dia 26 de 
Junlio de 1840, e governou até 26 de Dezembro de 1848, 
data em que entregou a administração ao vice presi- 
dente Dr. Severo Amorim do Valle, que era o ckeie 
de policia, e que interinamente governou até 5 de Março 
de 1849. 

DCCXXiy. O douto bispo do Elo de Janeiro D. Ma- 
noel do ]\íonte Rodrigues e Araújo, depois conde de 
Ir,\1á, faz a sua entrada solemne na catiiedral pelas 
quatro horas da tnrde saliinclo a procissão da igreja 
matriz de Santa Rita. Foi este prelado um verdadeiro 
ministro de Cliristo, muito illustrado e virtuoso, e legou 



DO ERAZIL 843 

a pátria obras que perpetuarão sempre a sua illustre 
memoria na terra. 

DCCXXV. Xo dia 16 de Julho de 1840 os rebeldes do 
Elo Grande do Sul atacam a villa de S. José do 
Xorte. 

DCCXXVT. Xa sessão da camará dus deputados de 20 
de Julho de 1840 abriu-se colorosa discussão no meio 
da qual o deputado Martim Francisco, depois de fun- 
damentar as suas idéas, apresenta um projecto decla- 
rando o imperador maior desde logo. 

DCCXXYIT. Xo dia 22 do Julho de 1840 o regente do 
imi)erio Dr. Pedro de Araújo Lima adia a assembléa 
geral legislativa : e o Sr. D. Pedro II sendo consul- 
tado declara que quer já ser proclamado maior e ordena 
ao regente cpie convoque a assemljléa g^ral para o dia 
seguinte. Xo dia 23 de Julho é o imperador menor de- 
declarado maior, ferindo-se mortalmente um do-; artigos 
da constituição do imxDerio. 

Xo dia 25 de Jalho o imperador ( depois de ter no- 
meado no dia 24 o seu j)rimeiro ministério), i^romulga um 
decreto de amnistia geral aos crimes políticos, que foi re- 
cusado na i)rovincia do Rio Grande do Sul, w só re- 
cebido no Maranhão. 

DCCX XVIII. Pela segunda vez é nomeado o coronel 
Raphael Tobias de Aguiar presidente da província de 
S. Paulo, e toma posse da administração no dia O de 
Agosto de 1840, e exerce o cargOj durante onze mezes 
e oito dias. 

DCCXXIX. X'o dia 12 do Agosto de 1840 foi promul- 
gada a lei de intei"pretar;ão do acto addicional. 

DCCXXX. Xo dia 14 de Agosto de 1840 fallece o muito 
illustrado conselheiro Balthazar da Silva Lisboa, irmão 
do sábio visconde de Cayrú, e tio do conselheiro Bento 



344 CITRONICA GEEAT. 

da Silva Lisboa, baríío de Carrú, nascido no dia O de 
Janeiro de 1861, na cidade da Bailia. E" o autor dos 
annaes do Rio de Janeiro, e um opúsculo a respeito 
das madeiras, impresso na Typograpliia Xacional. 

DCCXXXI. Ko dia 2 de Outubro de 1840 é assasinado 
na Bailia o Br. Manuel Joaquim Fernand«s de Barros 
pelas sete e meia lioi^s da manliã, indo a passeio jjela 
ladeira do Cemitério, próximo ao campo da Pólvora. O 
illustre Br. Fernandes era natural da cidade do Penedo 
província das Alagoas e cliimico de nomeada. Era filho 
único, e seu pai tendo fallecido, sua mãi B. Tliereza de 
Barros, viuva, empregou todos os seus desvellos na sua 
educação, e o enviando para a Europa formou-se em me- 
dicina e em direito. Foi por sua provinda natal eleito 
deputado geral na t^^iceira legislatura. Propoz na ca- 
mará legislativa que nenlium deputado recebesse subsidio 
do estado durante as funcções legislativas. A proposta 
cahiu por maioria de votos. 

DCCXXXIl. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 18 ; 
çyçlo solar, 2 ; ei)acta, 7 ; letra dominical, C. 

BCCXXXIII. Martyrologio. Bia 1." de Janeiro, sexta- 
feira ; ^Dasclioa a 11 de Abril ; indicação romana, 14 ; 
período Juliano, G,554. 

BCCXXXIY. O obituário no município neutro neste 
anno de 1841 foi de sete mil oitocentas e noventa e 
nove pessoas. 

BCCXXXY. Xo dia 24 de Fevereiro de 1841 fallece na 
província do Pará o vice-almirante Tristão Pio dos Santos. 

No dia 2 de Março do mesmo anno ó assassinado, em 
sua chácara, na estrada do Rio Vermelho, subúrbio 
da cidade da Bahia, o brigadeiro José Eloy Pessoa, 
sendo sepultado na igreja de Nossa Senhora da Pie- 
dade. 



DO BRAZIL 845 

Em Agosto do mesmo anno fallece na cidade de Onro 
Preto o padre Leandro Eabello Peixoto de Castro. A 
Senti nella ãa Monarcliia no n. 105 de 18 de Setembro 
desse mesmo anno de 1841 publica-llie a Necrologia. 

Xo dia 12 de Outubro do mesmo anno fallece o bri- 
gadeiro Carlos José de Mello. 

DCCXXXVI. No dia 13 de Julho de 1841 é sagrado 
o imjíerador D. Pedro II na capella imperial. 

DCCXXXYII. Xo mesmo dia 18 de Julho de 1841, 
em que o imperador foi sagrado appareceu o decreto 
mandando fundar o hospício de Pedro II, para asylo, 
tratamento e curativo dos alienados de ambos os sexos 
de todo o império, sem distincção de condiç-rio, na- 
turalidade e religião. 

DCCXXXYIII. Computo ecclesiastico. Áureo nume- 
ro, 10; cyclo solarj 3; epacta, 18 ; letra dominical, B. 

DCCXXXIX. Martj^rologio. Dia 1." de Janeiro, sab- 
bado ; paschoa a 27 de Março ; indicação romana, la ; 
iperiodo Juliano, 6,õ;w. 

DCCXL. O obituário do município neutro neste anno 
de 1842 foi de sete mil duzentas e noventa e duas pes- 
soas. 

DCCXLI. X^o dia 20 de Janeiro de 1842 fallece o 
cónego Dr. Marcelino José da Ribeira Silva Bueno. 

No dia 10 de Março de 1842 morre monsenhor José 
Maria TeUes de Menezes, 

DCCXLII. Xo dia 27 de Maio morre no Rio de Ja- 
neiro o almirante conde de Souzel ( Manoel António Fa- 
rinha ) e é sepultado na igreja de S. Francisco de Paula. 
Foi ministro da marinha de 1821 a Outubro de 1822. 

DCCXLIII. Xo dia 13 de Junho de 1842 morre o 
marquez de Earbacena, tenente general Felisberto Cal- 



346 CHRONICA GEEA.L 

deira Brant Pontes, senador do império pela província 
das Alagoas, na fundação do senado. 

No dia 13 de Setembro de 1842 morre o desembar- 
gador Geraldo Conrado de Muniz. 

DCCXLIY. ISTo dia IG do mesmo mez de Setembro 
de 1842 morre Francisco António Soares, redactor do 
periódico o Brazilelro resoluto. 

DCCXLY. No dia 27 de Outubro de 1812 morre José 
Rodrigues Jardim, senador pela provinda de Gojciz. 

DCCXLVI. No dia 29 de Novembro de 1842 fallece 
D. Marcos, bispo do Maranhão, 

DCCXLVII. No dia 1.'' de Maio de 1842 é dissol- 
vida por nm decreto a assembléa geral legislativa ; e 
no dia 27 de Julho por nm decreto íica elki marcada 
para Janeiro de 1843. 

DCCXLYIII. No dia 3 de Fevereiro de 1842 chegam 
ao ilio de Janeiro, os Srs. Yergeiro, Gavião e Souza 
Queiroz, que em commissão vem apresentar ao impe- 
rador nnia repsresentação da assembléa provincial de 
S. Panlo. 

DCCXLIX. No 5 de Fevereiro de 1842 o ministério 
do império declara que o imperador havia resolvido 
não receber ii commissão dos paulistas. 

DCCL. No dia 10 de Fevereiro de 1842 no paço 
da cidade, prestam juramento os conselheiros de Es- 
tado. 

DCCLÍ. No dia 17 de Maio de 1842, rompe em 
Sorocaba, na província de S. Panlo o movimento po- 
})n]ar liberal provocado pelas leis de compressão, que 
o governo conservador fez passar nus camarás em 3 de 
Dezembro de 1842. O brigadeiro Raphael Tobias de Aguiar 
é ploclamado presidente. 



DO BPwVZIL 347 

Chegando á corte a noticia do estado de pertnrbação 
de Sorocaba, desde o dia 13 de Maio, o governo fez 
marchar o general Caxias no dia 19 para socegar os 
revoltosos, sendo elles batidos no dia 20 de Maio nas 
inmiediações de Sorocaba. Xo dia 7 de Janlio são de 
novo batidos na Venda Grande. 

Xo dia 10 de Junho, rebehim-se os mineiros em Bar- 
bacena, e é acclamado presidente José Feliciano Pinto 
Coelho. 

DCCLII. Xo dia 19 de Junho de 1842 tendo sido 
suspensas por nm raez as garantias no município neutro 
por decreto do dia 18, em consequência dos pronun- 
ciamentos armados das províncias de S. Paulo e Minas 
Geraes, são presos na corte do E,io de Janeiro e re- 
colhidos a fortaleza de Villegaignon, e depois dex^ortados 
para Portugal, indo na fragata Paragioassú, o desem- 
bargador António Paulino Limpo de Abreu, depois vis- 
sonde de Abaete, Drs. Joaquim Cândido Soares de 
Meirelles, França Leite, José F^anci^3C0 Guimarães, Fran- 
cisco de Salies Torres Homem, depois visconde de luho- 
merim, e cónego Geraldo Leite Brito, que depois loi 
ofíicial maior do senado. 

Xo dia 30 de Junho ó preso o Dr. Joaquim Cân- 
dido Soares de Meirelles, recoliiido a bordo da fragata 
Paraguassú j)or causa dos acou teci uien tos revolucio- 
nários da i)rovincia de Minas Geraes. 

DCCLIII. Xo dia 20 de Junho de 1842 os rebeldes 
de S. Paulo evacuaram Sorocaba, e o pronunciamento 
armado se despersa : no dia 3 de Julho o Dr. Joaquim 
Antuo Fernandes Leão, um dos chefes dos rebeldes de 
Queluz, tal desanimo concebeu, que se apresentou as 
avançadas das tropas legaes, onde foi preso e recolhido a 
cadéa da capital. 

Xo dia 20 de Julho os rebeldes evacaiaram a cidade de 



Í348 CIIKONICA GEIíAL 

Barba cenn, e em Paracatú se manifesta a sedição. Os re- 
beldes no dia 26 de Julho tomam posse da villa de 
Queluz ; e no dia 20 de Agosto são batidos completa-! 
mente em combate no arraial de Santa Luzia, em Minas 

Gera es. 

DCCLIY, Terminadas as revoltas de S. Paulo e Minas 
GeraeSj é nomeado o barão de Caxias x)ara governar a 
província do Rio Grande do Sul ; e no dia 9 de Novembro 
de 1842 toma posse do governo, e do commando em 
cliefe do exercito em operações. 

No dia 20 de Dezembro liouve combate contra as 
forças rebeldes, em frente do Triíiraplio ; e no dia 30 de 
Dezembro as forças do governo dão novo combate aos 
rebeldes so])re o Camacnan, no Rio Grande do Sul. 

DCCLY. A má administração da justiça na provinda 
do Rio de Janeiro é tão escandalosa que o próprio pre- 
sidente no seu relatório do 1.° de Março de 1842, diz — a 
impunidade, a alnindancia de delictos, quer i)ublicos, e 
quer particulares, que á sombra delia se commettem, a 
parcialidade dos juizes, que ou não perseguem os delin- 
quentes ou o f:!zem dirigidos mais pelo espirito e formulas 
de vingança do que pelo da justiça, são males que mais 
ou menos se resentem em todos os termos. 

DCCLVI. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 1 ; 
cyclo solar, 4 ; epacta, 30 ; letra dominical, A. 

DOCLYII. Martyrologio. Dia 1° de Janeiro, domingo ; 
pasclioa a IG de Abril ; indicação romana, 1 ; periodo 
Juliano, G,r)DG, 

DCCLVIII. O obituário no municipio neutro neste 
anno de 1843 foi de sete mil novecentas ecincoenta e duas 
pessoas. 

DCCLIX. No dia 23 de Fevereiro se descobria um 



t)0 EKAZIL 349 

cometa mui iiutiivul no Bmzil pula giaude eaiula, sendo 
mui visível logo ao caliir da noite. 

DCCLX. Xo dia 16 de Janeiro de 1843 fallece o se- 
nador D. Xuno Eugénio de Lossio e Seibltz, que foi se- 
imltadono convento de Santo António do Rio de Janeiro. 

No dia O de Março pe 1843 morre o marquez de 
S. João da Palma, senador do império pela província 
de S. Paulo. 

No dia 17 de ]Maio deste mesmo anuo morre o bri- 
gadeiro António Constantino de Oliveira. 

No dia 17 de Julho do mesmo anno morre o marcclial 
Joaquim Norberto Xavier de Brito. 

No dia 19 de Agosto do mesmo anno morre o no- 
tável orador sagrado padre António de Farias Neves. 

Í)CCLXÍ No dia 20 de Janeiro é mudado o minis- 
tério. 

DCCLXII. No dia 28 de Janeiro de 1813 foi presente 
ao senado o processo da pronuncia dos senadores Ver- 
gueiro, Feijó, Alencar, e Mello, pelo crime de rebellião. 

DCCLXIII. Em Fevereiro de 1843 api^arece a febre 
escarlatina no Rio, que desimou a população da corte, 
O que salvou a muitas pessoas foi o emprego da lio- 
moeopathia. 

DCCLXIV. No dia 5 de Março de 1842 sahe do Rio 
de Janeiro, com destino a cidade de Nápoles, a esquadra 
que vai buscar a nova imi:)eratriz do Brazil D. Tiíereza 
Ghristina, esposa do Sr. D. Pedro II, e chega a Nápoles 
do dia 21 de Maio. (Vide a biographia do barão de 
Cayrú, escripta por mim. ) 

DCCLXV. No dia 30 de Abril de 1843 installa-se, na 
cidade do Rio de Janeiro, o conservatório dramático 
brazileiro. 



350 CHEOXICA GERAI, 

DCCLXVI. No dia 1.° de Maio de jS43 casa-se no 
Rio de Janeiro, a princeza T>. Francisca Carolina, irmã 
do imperador D. Pedro II, cora o 2'>i'incipe de Joinville, 
íillio de Lniz Felii^pe, rei de França. 

DCCLXVII. No dia 26 de Maio de 1843 as forças 
imperiaes dão notável combate era Ponclie Verde, na 
província do Eio Grande do Sul ; o brigadeiro Bento 
Manoel Ribeiro, comraandando nma columna de mil e 
quatrocentos liomens, é atacado por quasi todos os chefes 
rebeldes, que se reuniram com dons rail e quinhentos 
combatentes, e os rechaça brilhantemente. 

No dia 30 liouve novo combate junto a Ponche Verde. 

DCCLXVIII. No dia 30 de Maio de 1843 celebra-se, 
por procuração na capella Palatina em Nápoles, o casa- 
mento de sua magestade o imperador D. Pedro II com a 
princeza a Sra. D. Thereza Christina, irmã de El-rei de 
Nápoles. 

DCGLXIX. No dia í) de .lunho chegam ao Rio de 
Janeiro os deportados políticos António Paulino Limpo 
de Abreu, cónego Geraldo Leite Bastos e Dr. Francisco 
de Salles Torres Homera, e no dia 15 de Julho o Dr. Torres 
Homem, responde perante o jury da corte, como respon- 
sável do periódico Maior Isía. 

LCCLX.X. No dia 8 de Junho de 1843 o tenente co- 
ronel Chico Pedro, com um batalhão de infanteria, ganha 
victoria sobre os rebeldes do Rio Grande do Sul. 

DCCLXXI. No dia 3 de Setembro de 1843 chega ao 
Rio de Janeiro a Sra. D. Thereza Christina imperatriz 
do Brazil. 

DCCLXXII. A relação do Rio de Janeiro julgou no 
dia 12 de Setembro de 1843, una.nimemonte justa a de- 
cisão do jury do Ouro Preto, que declarou José Pedro 



DO r.KAZIL 351 

Dias de Carvalho, não coinplicatlo nas desordens de 
Minas Gerae^:. 

No dia 19 do mesmo mez e anno Theopliilo Benedicto 
Oítuni, responde ao jury de Marianiia por crime de 
rebellião. 

DCCLXXIII. No dia 25 de Outubro de 1813 é batido 
Bento Gonçalves, em Cangussú. 

DCCLXXIV. No dia 11 de Novembro de 1843 fallece 
na cidade de S. Paulo o illastre e honradíssimo senador 
l)eki província do Rio de Janeiro padre Diogo António 
Feijó, nascido na mesma cidade era Agosto de 1784. 
Morreu pobríssimo. (Yíde biographía escrix)ta por mim.) 

DCCLXXV. Comi)uto ecclesiastico. Áureo numero, 2 ; 
cyclo solar, 5 ; epacta, 11 ; letra dominical, G-. F. 

DCCLXXYI. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, se- 
gunda-feira ; paschoa a 7 de Abril : indicação romana, 2 ; 
período Juliano, 6,557. 

DCCLXXYII. O obituário do município neutro neste 
anno 1844, foi de sete mil quinhentas e oitenta e quatro 
pessoas. 

DCCLXXYIII. Mudou-se o ministério a 31 de Janeiro 
de 1844. 

DCCLXXIX. No dia 8 de Fevereiro de 1844 é assas- 
sinado em Pouso Alegi'e o padre José Bento Leite 
Ferreira de Mello, senador pela província de Minas 
Geraes. 

DCCLXXX. Tendo o chefe de policia da corte Eu- 
zebio de Queiroz Coitinho Mattoso da Gamara pedido 
exoneração do cargo de chefe de policia da corte foi 
ella aceita pelo governo no dia 20 de Março de 1844. 

DCCLXXXI. No dia 18 de Abril de 1844 fallece o 
padre Lourenço Rodrigues de Andrade, senador pela 
província de Santa Catharina. 



3Õ2 CIinONICA GElíAL 

No dia 2 de Maio do mesmo anuo fallece o general 
visconde do Rio Com[)rido, José de Oliveira Barbosa, 
que liavia sido barão do Passeio Publico. Era fillio do 
sargento-mór José de Oliveira Barbosa, nascido no Rio 
de Janeiro. 

Assentou ^n-aça em 1775. Foi governador e caj)itão 
general de Angola. Teve o titulo de conselho por carta 
de 5 de Agosto de 1809 ; e iidalgo cavalheiro por al- 
vará de 16 de Março de 1810. Como tenente coronel 
serviu de secretario x^jarticular do vice-rei conde de 
Rezende. 

Foi lente na academia militar do Rio de Janeiro ; e 
em 26 de Fevereiro de 1821 foi nomeado chefe do 
corpo de policia da corte do Rio de Janeiro. 

No dia 11 de M'iio do mesmo anno morre o briga- 
deiro Lourenço I\íaria de Almeida Portugal, que foi 
comrnandante militar das villas de Campos e Macahé 
até Fevereiro de 1820. 

No dia 12 de Junlio, morre o senador Luiz José Fer- 
reira Duque Estrada. 

No dia 7 de Julho morre o marechal João Pedro 
Lecor. 

No dia 8 de Agosto morre o coronel Alexandre José 
Leite Chaves de Mello. 

No dia 8 de Agosto morre o brigadeiro José Antó- 
nio de Mello. 

No dia 14 de Novembro de 1844, pelas sete horas 
da manhã, morre victima de uma apoplexia fulminante 
ha cidade da Bahia o chefe de divisão Francisco Bi- 
biano de Castro. 

No dia 29 de Agosto morre Maximiano António da 
Silva Leite, lente jubilado da íicaderaia de nuirinhá, e 
é sepultado lui ordem terceira do Carmo. 



DO r.ií.vziL 353 

DCCLXXXII. 2>'o dia 28 de Abril de 1811 casa-se a 
priiiceza I>. Janiiaria, íillia de D. Pedro I e irmã do 
imxierador P. Pedro II, com o príncipe conde d^Ai^nila 
irmão da inii)eratriz D. Thereza Cliristina, nmllier de 
D. Pedro II ; e no dia 24 de Outubro do mesmo imrte 
com seu noivo para Europa. 

DCCLXXXIII. No dia 21 de Maio de 1814, por um 
decreto imperial, ó dissolvida a assembléa geral legis- 
lativa, e convocada outra })ara o 1.° de Janeiro de 1845. 

IXJCLXXXIY. A's cinco horas da tarde do dia 24 de 
Maio de 1844 a barca a vapor Especuladora^ da car- 
reira de Nictlieroy, fnz horrível explosão e produz 
grande numero de victimas que nella embarcaram. 

DCCLXXXI. No dia 30 de Junho de 1844 são presos 
pelo tenente coronel Francisco Pedro de Abreu, em 
Piratinin, no Rio Grande do Sul, os officiaes rebeldes 
José Marianno de Mattos e Joaquim Pedro Ferreira, 
os quaes remettidos para a corte do Rio de Jíineiro, 
foram no dia 17 de Agosto recolhidos a fortaleza de 
Santa Cruz. 

DCCLXXXII. No dia o de Outubro de 1844 os rebeldes 
atacam a cn pitai. 

No dia 21 de Outubro de 1844 segundo ataque a 
Maceió. 

No dia 2 de Noveml)ro de 1844 ataque na villa da 
Atalaia, e no dia 4 são os rebeldes batidos na mesma 
villa. 

DCCLXXXIII. No dia 2 de Novembro de 1844 foram 
assassinados o padre José Caetano de Moraes, vigário das 
Palmeiras, e seu sobrinlio o major Manoel Bastos. 

DCCLXXXIY. No dia 18 de Dezembro de 1844 appa- 
receu o decreto de amnistia geral concedida aos re- 
beldes do Rio Grande do Sul; e no dia 19 do mesmo 

CUR05ICA GEOAX, SEC. XVIír.— 33 



354 CHEOXICA GEKAL 

nif^z voltaram á Montevideo, da, costa de Entre Rios, os 
vapores D. AíFonso, Mecife e Pedro 11^ que haviam 
conduzido a divisão inix^eiTal expedicionária. 

DCCLXXX1?C. Computo ecclesiastico. Áureo nume* 
ro, 3 ; cyclo solar, G ; ei>acta, 22 ; letra dominical, E. 

DCCXC. Martyrologio. Dia l."* de Janeiro, quarta- 
íeira ; pasclioa a 23 de Março; indicação romana, 3; 
l-eiiodo Juliano, 0,558. 

DCCXCI. O olútuario do município neutro em 18-15 
foi de seis mil setecentas e sessenta e três ]3essoas. 

DOCXCII. Ino dia 14 de Maio de 1845 morre, no Rio 
de Janeiro, o tenente general barão de Taquary, Manoel 
Jorge Rodrigues. 

DCGXCIII No dia 24 de Maio de 1845, o conselheiro 
António Carlos liioeiro de Andrade Machado, é esco- 
lhido senador do Império pela província de Pernam- 
buco ; e no dia cinco de Dezembro morre no Rio de 
Janeiro. 

Fui António Carlos homem de muita erudição, grande 
talento e eloquente. 

Nasceu na villa, hoje cidade de Santos, no 1.° de 
Novembro de 1773. Era filho do coronel de mili(;ias Bo- 
nifácio José de Andrada e D. Maria Barbara da Silva. 

DGCXCIV. No dia 6 de Outubro de ISÍo o imperador 
D. Pedro II com a imperatriz embarcam no Rio de 
Janeiro e vão visiiar as provindas do sul do Brazil ; 
e c]ieí;'a no dia 21 de Novembro do mesmo anno á ca- 
pital do Rio Grande. 

DCCXCY. Eiu 8 de Agosto de 1845 Lord Aberdem 
obtém do parlamento inglez o bill que sujeita os na- 
vios dos snbditos brazileiros, suspaitos cie se empregarem 
no iraíico do africanos, a serem julgados i^elos triba- 
naes inglezes e ininidos por suas leis como i^iratas. 



DO EEAXIL bou 

No di;i 11 de Novembro do mesmo anuo de 18-Í5 
fallece na Paraliyba do Nort'i o coronel Josó Tlioniaz 
Henrique, que liavia sido j)resideiite da provincia do 

DCCXCVI. Ko dia 12 de Novembro de 1845, pelas 
cinco horas da tarde, na capital de S, Paulo, armou-se 
ao sul uma feia tempestade, e quando se esperava uma 
forte tempestade com trovões, desabou terrivel cliuva 
de iwtlni, como nunca se liavia alli visto, íicnndo as 
ruas e campos cobertos de nni lençol de neve. Eram as 
l)edras do tamanho de nma maçã, e quebraram telha- 
dos, vidraças, e estragaram jardins e hortas comi)leta- 
mente, 

DCCXCVII. Computo ecclesiastico. Áureo nuiuero, 4 ; 
cyclo solar, 7 ; ex)acta, 3 ; letra dominical, D. 

DCCXCVIII. Martyrologio. Dia 1.* de Janeiro, quinta- 
feira ; paschoa a 12 de Abril ; indicação romana, 4 ; 
13eriodo Juliano, 6,559. 

DCCXCIX. No dia 15 de Jaueir.j de 184G iciliece em 
Pernambuco o senador do império José Carlos Mairiuck 
da Silva Ferrão. 

No dia 1° de Fevereiro do mesmo anuo fallece o 
monsenhor Duarte Mendes São Paio, sendo sepultado 
em S. Francisco de Paula. 

No dia 15 do mesmo mez e anno fallece reiiontinamente 
o cónego António Marques de Sampaio, ao saliir as 
escadas de seu hosi)ede e amigo barão, (depois marquez) 
de Bomíim, sendo por este remettido immediatamente em 
Tima rede para a igreja de S. Pedro, i)ara ser sei^ultado 
alli, furtando-se a despeza do enterro e funeral. 

No dia 13 de Fevereiro de 1846 morre assassinado, em 
sua própria casa, na noite de 13 para 14 de Fevereiro de 
1846, o juiz municipal da villa do Tucano, Dr. Joaquim 
Procopio Freire de Andrade. 



356 CIIllU^-riCA GEP.AL 

DCCC. Ko dia 22 de Fevereiro do mesmo auiio 
fallece na cidade do Rio de Janeiro o illustrado cónego 
Januário da Cunlia Barbosa nascido em 17S0, e foi se- 
X)iiltado em S. Francisco de Paula. 

I\o mesmo dia fallece o festejado poeta António Fran- 
cisco Dutra e Mello, nascido no Rio de Janeiro a 8 de 
Agosto de 1823. 

DCCCI. No dia 9 de Abril do mesmo anno fallece 
em Pitangui, o coronel Martinho Alves da Silva com 
setenta e sete annos, nascido em 11 de Novembro de 1769. 

No dia 29 de Abril de 1846 fallece no Rio de Janeiro 
o consellieiro, barão de Iguarassú, 1° medico da casa im- 
2)erial, e foi sepultado na igreja da ordem terceira do 
Carmo . 

No dia 7 de Maio de 1846 fallece em Pernambuco o 
cónego Manoel Ferreira da Assumpção. 

No dia 17 de Maio de 1846 fallece o famoso brigadeiro 
honorário do exercito, António de Souza Lima, (conhe- 
cido por Lima de Itaparica), que nascera na província 
do Minho em Portugal, e que relevantes serviços prestou 
sempre a causa publica do Brazil desde 1822. O brigadeiro 
Lima nasceu a 15 de Agosto de 1792. A sua morte foi 
geralmente sentida. 

No dia 13 de Junho do mesmo anno fallece na Bahia 
o Dr. em medicina António Lins Freire de Carvalho. 

No dia 2o de Maio do mesmo anno fallece na cidade 
da Bahia o desembargador Joaquim Anselmo Alves 
Branco. 

No dia 23 de Junho do mesmo anno fallece o conse- 
lheiro José Ricardo da Costa Aguiar de Andrada, e foi 
sepultado na igreja de S. Francisco de Paula. Os ossos' 
do mesmo conselheiro existem em uma urna de mormore, 
em um quarto, e por detrás do altar-mór da igreja dos 
Esmoleres de Jerusalém, na rua dos Barbonos. 



ito v.r.xzn. 



n57 



Xo dia •-?.") de Junho, do mesmo anuo. fallece João 
Evangelista de Faria Lobato, senador pela provinda de 
j\[inas Geraes. 

No dia 4 de Julho, do mesmo anuo, fallece Francisco 
Alvares ]\íacliado Ya.sconcellos, deputado pela província 
de S. Paulo, onde nasceu a 21 de Dezembro de 171)1. 

Xo dia 27 de Julho, do mesmo nr.uo, fallece em Per- 
nnmbuco o cidadão Francisco Xnvier da Fonseca Cou- 
tinho na idade de oitenta annos. 

Xo dia 11 de Setembro de 1S4C morre o senador marcj^uez 
de Paraungiiá, coronel de engenheiros Francisco Yillela 
Barbosa, sendo sepultado era S. Francisco de Paula. 

Xo dia 3 de Outu'oro de 1346 morre de uma tisica 
pulmonar, no hospital da Santa Casa da Misericórdia do 
Rio de Jrsneiro, o Dr. António Xavarro de Abreu, 
ex deputado pela província de JÍato Grosso onde nasceu. 
Era lilho do coronel António Xavarro de Abreu e de 
D. Maria Thereza Caldas. 

Xo dia 23 de Xovembro de 1S4G fallece em Xictheroy, 
o senador x)ela i^rovincia do Ceará, o honrado Manoel do 
Nascimento Castro e Silva, sendo sepultado na igreja da 
ordem terceira do Carmo da corte do Hio de Janeiro. 

DCCCII. Xo dia 30 de Abril o ministério Almeida 
Torres x)ede demissão. 

DCCCIII. Xo dia 12 de Junho de 184G parte do Ptio 
de Janeiro para o sul a divisão militar, que foi man- 
dada occu2'»ar a ])anda oriental do Rio da Prata. 

DCCCIV. A nova lei de eleições foi sanccionada no dia 
19 de Agosto de 1S4G. 

DCCCV. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 5; cyclo 
solar, 8 : epacta, 14 ; letra dominical, C. 

DCCCVI. Marfyrologio. Dia 1.* de Janeiro, sexta-feira ; 



358 CIinOXICA CEnAT^ 

p?iso1ioa a 4 de Abril ; indicação romana, 5 ; periodo 
Jnlinno, 0,nOO. 

DCCCVIT. O obituário no municipio neutro neste anno 
delS47 íoi de cinco mil e oitocentas e sessenta e sete 
l')essoas. 

DCCGVIII. ISTo dia 14 de Janeiro de 1847 morre o almi- 
rante conselheiro Miguel Josó de Oliveira Pinto. 

No dia 15 de Fevereiro de 1847 morre o mnrquez 
de Baependy, Jacintlio Nogueira da Crama, formado em 
matliematicas, x3liilosopliia, mareclial de campo conse- 
lheiro de Estado e senador por Minas Geraes. 

No dia 27 de IMarço do mesmo anno morre o ma- 
rechal de campo Duarte Guilherme Corrêa de Mello. 

No dia 1.° de Abril morre o marquez de Lages, te- 
nente general João Vieira de Carvalho. 

DCCCIX. No dia 11 de Junho morre, no Rio de Ja- 
neiro, o princii)e D. Aífonso, filho do Sr. D. Pedro IT, 
e ó conservado o cadáver em uma capella dos claustros 
do convento de Santo António. 

DCCCX. No dia 26 de Junho do mesmo anno de 1847 
morre, no Rio de Janeiro, o genenii barão de Viila Beila 
Francisco de Paula Magerri Tavares de Carvalho, e é 
sopulíado na igreja de S. Francisco de Paula. 

DCCCXI. No dia O de Julho do mesmo anno fallece 
('ui Porto Alegre, onde nasceu a O de Maio de 1774, 
o visconde de S. Leo^Doldo, Josó Feliciano Fernandes 
Pinheiro, senador do império pela provinda de S. Paulo. 

DCCCXII. No dia 9 de Julho de 1847 fallece em 
Pernambncano D. Thomaz de Noronha, bispo resigna- 
tario de Olinda. 

BCCCrvíII. No dia 13 do mesmo mez e anno morre 
em Pedras Brancas o coronel Bento Gonçalves da Silva. 



r)0 r.RAZiT. ílSO 

Xo dia O tle Outubro do mesmo anuo mono o coronel 
Jos'} Soares da Costa Reis. 

No dia '21 de Dezembro de 1847 mon" Vatricio José 
de Almeida e Silva, senador pela pj-oviuoia do Mara- 
iilião. 

DCCCXIV. Por 1.4 provincial u. ^ );), de !:> d.^ Abill 
de 1847, sancciouada pelo presidente da proviacia, An- 
tero José Ferreira de Jiiito, í )i elevada á cidade, com 
a mesma den(nni!i:i;;ã(), a viilti de Santo António dos 
Anjos. 

DCCCXV. Xo dia rM dií Maio de 18-17 sendo demi- 
mittido o ministério llollanda Cavalcauíe, 6 cluiuiado 
denovo o consellieiro Alves ]^rane>), _que ori^anisa o 
gabinete. 

DCCCXVI. Xo dia 20 de Junho de 1817 inani festa-se 
amotinado o povo em Peiaiamlxieo e vários portuguezes 
são assassinados na cid:;de do Recife. 

DCCCXVII. Por decreto de 17 de Jnllio de 1817 foram 
amnistiados todos os indivíduos compromettidos pelo 
moviii:ento sedicioso occorrido no lugar do Emi da 
província de Pernambnco. 

DCCCXVIÍI. XodiaSO de Julho de 1847 foi creado, 
por decreto imperial, o lugar de x^residente d(í conselho 
de ministros, sendo nomeado para elle o ministro da 
fazí^nda Zslanoel Alves Branco. 

iXJCOXlX. Xo dia o de Agosto d<í 1817 chega ao 
Rio de Janeiro Loi'd líowden, como enviado cxtraor- 
didario, e nduistro plenip'>tenciario da Gran Bretanha, 
leríciro enviado nestf; caracter, tendo sido mal succe- 
dido Ellis, e Hamilton, (pie o procederam. 

BCCCXX. António Borges da Fonseca, i'^'dacfor do 
periódico Ihizareno^ foi pelo jury do Recife do mez 
de Agosto condemnado a oito aíinos de prisão, ]ior ter 



36Ò CIIRONÍCA GERAL 

nas columnas daqiielle periódico, injuriado a pessoa do 
imperador, e escripto a favor da desmembração do im- 
pério. 

DCCCXXI. No dia 8 de Agosto de 1847 cliega ao 
Eio de Janeiro Mr. Todd, como ministro dos Estados 
Unidos da America em siibstitniçâo de Mr. Wise. 

DCCCXXII. No dia 14 de Setembro de 1847 ins- 
talla se o banco commercial do Pará, e são eleitos presi- 
dente o Dr. João Maria de Moraes ; e secretários, Dr. Fran- 
cisco da Silva Castro e José Pinto de Araújo ; e para 
directores do mesmo banco Josó Paes de Souza, Fran- 
cisco Gaudêncio da Costa, António Jo3(3 de Miranda, 
Vicente Rodrigues, Luiz do L:i Roeiae, Joaquim António 
Alves e Francisco António Gregório. 

DCCGXXIII. No annodt^l847 se manifesta um mal epi- 
demico que no Rio de Janeiro llie deram o nome de 
Pollca em virtude de uma bonita e muito da moda que 
na corte existia. Esta enfermidade atacava as entranhas 
e as articulações e lulo foi muito mortífera. Na Bailia 
chamaram rabo abcHo, em c(>nsequencia da grande quan- 
tidade deste pescado que appareceu no mercado, 

DCCCXXIV. Compntoecclesiastico. Áureo numero, G ; 
cyclo solar, 9 ; epacta, 25 ; letra dominical, B. A. 

DCCCXXV. Martyrologio. Dial." de Janeiro, sabbado ; 
paschoa a 23 de Abril ; indicação romana, 6 ; i^eriodo Ju- 
liano, C,501. 

BCCCXXVI. Em 1818 aj^pareceu lím cometa esj^len- 
dido, de cabelleira, idêntico aos de 124(3 e 1337. 

DCCCXXVII. No dia 18 de Abril de 1848 morre no 
Rio de Janeiro Saturnino de Souza e Oliveira, senador. 

No dia 30 de Julho do mesmo anno fallece em 
Porto Alegre António Manoel Corrêa da Camará, nas- 
cido em íins do século passado, na cidade do Rio 



110 r.VA/.in 361 

Piirdo, seiítlo seu pai a viscoiule de Pelota?, Patrício 
oJsó Corrêa da Camará. 

Xo dia 17 de Julho de 1848 íallece no Rio de Ja- 
neiro o eonselheiro capltflo-iiiúr José Joaquim du Rocha, 
um dos que promoveu ii separarão politica do Brazil 
em IS'2-?. Nasceu em 10 de Outubro de 1777. 

]S"o dia 29 de Julho de 18-18 morre na cidade da Bahia 
o visconde de Pira já. coronel Joaquim Pires de Car- 
valho e Albuquerque, descendente da celebre D. Catlia- 
rina Paraguassú, e de Diogo Álvaro Corrêa, o um dos 
beneméritos da independência do Brazil. 

Xo dia 10 de Setembro de 1S4S rallí':'e com setenta e 
cinco annos o marquez de Maricá, JMarianno José Pereira 
da Fonseca, senador pela província de Rio de Jajieiro. 

2>o dia 25 de Setembro de 1848 morre em Perjiambuco 
o marquez do Recife. 

Xo dia 2.") de Setembro de 1848 fiillece em S. Paulo 
José de Mello de Azevedo e Brito, seiuidei pela província 
do Rio Grande do Isoric. 

DCCCXXA^III. O tril)unal do iury em sessão do dia Ode 
Outubro de 1848 condemna a galés perpetuas a Francisco 
José Pereira Lis-joa, hospede do Br. José Luiz da Costa, 
a quem tentou assassinar rui madrugada do dia lo de 
Abril do mesmo anno. Foram tantos os golpes que esse 
scelerado deu no medico, que ( pcnpando mihigrosamente 
iicou aleijado das mãos. 

DCCC-XXIX. Os dons partidos Fraeiro e GuaJjír?/, 
em Pernambit»;o, em Iran^a hostilidade vão as armas, 
e no dia 7 de Novemluo de 1848 rompe a rebeilião 
em Pernambuco. Os rebeldes tomam no dia 12 de Xo- 
vembro a villa de Xazareth ; no dia 14 ha combate em 
Mus3ai:)inho : no dia 21 os rebeldes atacam em Bebe- 
ribe ; no dia 18 os rebyldès são desalojados da viila de 



362 cnRONicA geeal 

ISTazaretli ; no dia 30 entram em combate em Maricola ; 
no dia 8 de Dezemlji-o 1)aíom-S8 denodadamente no Po- 
cinlio ; no dia 10 dão com])ate em Catucá ; no dia 13 os 
rebeldes occux)am Goyanna ; no dia 20 entram em com- 
bate em Crnangi ; no dia 22 batem -se no engenho Alme- 
cega ; no dia 28 de Dezendn-o o general José Joaqnim 
Coellio, com as forças de sen cominando, salie de Na- 
zaretli para atacar os rebeldes acampados uo Pasmado. 

DCCCXXX. O desembargador Joaquim Nunes Ma- 
chado, a fieiite de uma força de combatentes foi morto 
no ataque do di:i 2 de Fevereiro de 18-19 por uma com- 
panhia de artilherin, sendo o seu cadáver joosto no 
mesmo lugar onde havia elle e seus collegas dej^ositado 
o cadáver do infeliz Camillo, que em pequena distancia 
tinha sido assassinado. 

Findas as desordens de 1831 em Pernam])uco, os estu- 
dantes do curso jaridico de Olinda procurando os sol- 
dados implicados na revolta e que se haviam occultado, 
encontraram e prenderam o de sobrenome Camillo, o qual 
escoltaram de Olinda para a capital do Recife, cuja 
escolla se compunha dos académicos Joaquim ISTunes 
Machado, Francisco de Arruda Gamara, Joaquiiu Franco 
de Sá, Francisco de Souza ?\íartins, e outro, e em ca- 
minho assassinaram o preso trás passando -o com três 
balas, e depositaram o cadáver atrás da porta da sa- 
cristia da cax^ella de Nossa SenlKnM da Solidade, o 
foram dar parte ao presidente da proviucia, que era o 
desembai-gndor Joaquim José Pinheiro de Vasconcellos, 
hoje visconde de Montserrate, que a morte do soldado 
fora occasionada por haver elle tenazmente resistido. 

PCCCXXXI. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 
7 ; cyclo solar, 10 ; ex')acta, 6 ; letra dominical, G. 

DCCCXXXIl. Martyrologio. Dia 1.^ de Janeiro, se- 



DO r.RAzit. n03 

guiula -feira : pasclioa a 8 de Abril ; iiidicaçrio romana, 7 ; 
l^eriodo Juliano, 0,50:?. 

DCCCXXXIII. O obiUiario do niunicipio neutro neste 
anuo de 184'.> foi de seis mil seiscentas e cincoenta e 
nma x^essoas. 

DCCCXXXIV. ^"0 dia O de Abril de 1840 fallece em 
PernambucDO dt-^sembaru-ador Joaquim Aj^res de Almeida 
Freitas. 

X^i quinta-íeira :J0 de Agosto de 1S-Í9 fallece o se- 
írundo conde do Rio Pardo, mareclial Tliomaz António de 
Almeida Pereira Valente, e é sepultado no convento 
de Santo António do Rio de Janeiro. 

Xa sexta-feira 28 de Setembro pela madrugada fallece 
de uma apoplexia fulminante o coronel de milícias 
Honório José Teixeira, que muito trabalhou pela eman- 
cipação politica do Brazil. 

DCCCXXXV. Na terça-feira 2:) de Setembro de 1849 
foi executada a pena de morte no famoso salteador Lucas, 
escravo do padre José Alves, na villa depois cidíide da 
Feira de Santa Anna. Este facinoroso salteador que por 
quasi vinte annos, com tanta audácia liavia commettido 
os mais horrendos crimes, mostrou ao avistar o patíbulo 
a mais inexperada cobardia. 

DCCCXXXYT. Xa quarta-feira 5 de Si^-tembro de 1849 
na província da Parahyi^a do Xorte foi assassinado, ao 
sahir do collegio eleitoral, o Dr. Trajano Alipio de Hul- 
landa Chacon candidato a assemblóa geral. 

DCCCXXXV. Xa sexta-feira 2 de Noveaibro de 1849 
morre o vice-almirante TluH)dorode Beaurepaire, e é se- 
pultado em S. Francisco de Paulo. 

Xo dia 15 de Xovembro de 1849 fallece na sua fa- 
zenda do Bom Jardim o inarquez de Queixaramobim, 
Pedro Dias Paes Leme. 



364 CÍIROXICA (ÍERAL 

DCCCXXXYIII. Os rebeldes de Pernami)uco na sexta 
feira 2 de Fevereiro atacam a cidade do Recife, e é ferido 
e morto o desembargador Joaquim Nunes Macliado. 

DCCCXXXIX. No dia 19 de Fevereiro de 1849 é dis- 
solvida a assembléa geral legislativa. 

DCCCXL. Ko domingo 1.° de Julho de 1849 teve 
lugar a benção do novo templo de Nossa Senhora 
da Lapa do Desterro, e convento dos religiosos de Nossa 
Senhora do Monte do Carmo, e a trasladação das sa- 
gradas imngens em solem iie procissão. Havia vinte cinco 
annos que se começara a reedi Meação da igreja de Nossa 
Senhora da Lapa do Desterro fundada pelo missionário 
padre Angelo de Siqneira no dia 8 de Janeiro de 1751, 
em terrenos doados em 1750, livre de íoro e pensão, 
l^elo capitão António Rebello Pereira, dono da grande 
chácara das Mangueiras ; que passou logo depois ao conde 
de Eobadelhi, que a doou as freiras do Desterro. 

DCCCXLI. Na quarra-íeií-a 8 de Agosto de 1849 
deu-se a explosão na íabrica da i^olvora da Estrella, 
junto a serra do iriesmo nome, na bahia do Rio de 
Janeiro, e embocadura do rio luhomiiini, morrendo 
queimadas varias pessoas. 

DCCCXLII. Na terça-feira 4 de Dezembro de 1849 
pelas cinco horas da tarde desfeichou sobre a cidade 
do Rio de Jaiíeh-o um medonho vendaval de NO, acom- 
panliado de muita saraiva, e do chuva tão grossa, qné 
inundou as ruas em menos de dez minutos. Havia muitos 
annos que não acontecia uma tormenta igual. O vento 
apesar de curta duração causou muitas ruinas, não só 
na cidade como nos subúrbios dolhí. 

DCCCXLIII. Numero dos hacliaveis formados pelo 
curí>o jurídico de S. Paulo. 







DO i; 


KA/.IL 


Anuo 


1881. . . 


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I8,M. 




18;{2. . . 


3.") 


ISi-i. 




183;J. . . 


57 


1843. 




1834. . . 


78 


1844. 




1835. . . 


41 


184:). 




183G. . . 


3(; 


184(5. 




1837. . . 


33 


1847. 




1838. . . 


'21 


1848. 




1830. . . 


it; 


1840. 




1S4Õ. . . 


8 


1850. 


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1841. . . 


9 





365 



80 

() 

13 

10 

15 

11 

í) 

125 
14 
2:J 



DCCCXLIA'. Computo ecclesiasfcico. Áureo numero, 8 ; 
cyclo solar, 11 ; epacta, 17 ; letra dominical, F. 

DCCCXLY. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, terça- 
feira ; i)asclioa a 31 de Março ; indicação romana, 8 ; 
período Juliano. G,563. 

DCCCXLA^I. Em Agosto e Setembro de 1850 appa- 
receram na Bailia os primeiros casos de febre amarella, 
que não foram discriminados pelos médicos. Apesar das 
reuniões feitas em palácio não concordavam na natu- 
reza do mal que devastava a população. Nas polemicas 
que eu sustentava em favor dos resultados práticos do 
systema liomccopatliico provei que o mal que devastava 
a Bahia era a febre amarella, e foi então em Janeiro 
de 1850 que os médicos concordaram ser esse mal que 
desimava a população, a febre amarella importada por 
um navio que tinha chegado a aquella cidade. O leitor 
ptóde certificar- se de todas as circumstancias no que 
escrevi e i^ubliquei no Correio Mercantil^ e Medico do 
Povo da Bailia, cujas collecções estão depositadas na 
bibliotheca publica do Rio de Janeiro. 

Em fins de Janeiro de 1850 a epedemia da febre ama- 
rella começou a desenvolver-se no Rio de Janeiro. 

A mortalidade no Rio de Janeiro de Fevereiro a 



366 CHKOXICA GEEAL 

Abril foi de cinco mil setecentas e lioveuta e oito pessoas 
das qnaes três mil tresentas e quinze falleceram de febre 
amarella. 

DCCCXLYII. Na terça-feira 15 de Janeiro de 1850 
fallece, na Bali ia, o visconde do Rio Vermelho, Manoel 
Ignacio da Cunha Menezes, senador do irai^erio pela 
mesma xirovincia. 

'No dia 14 de Março do mesmo anuo fallece o depu- 
tado Dr. .loão José de Moura Magalhães. 

No dia lo do mesmo mez e anno fallece, repentina- 
mente no Rio Grande do Norte, o Dr. José Pereira de 
Araújo Neves, presidente da provincia. 

Na sexta- feira 1.° de Março de 1850 fallece, no Rio 
de Janeiro, Augusto Henrique A^ictor Graugeaij, lente 
da academia de Bellas Artes, e architecto de grande 
nomeada. 

No dia 18 de Março fallece José Thomaz Nabuco de 
Araújo senador pela provincia do Espirito Santo. 

No dia 21 de Março fallece o commeudador Manoel 
António Galvão senador pela ijrovincia da Bahia. 

No dia 10 de Marco do m.esmo anno fallece, na Bahia, 
o illustrado cura da Sé Vicente Maria da Silva. 

No dia 4 de Abril fallece Francisco de Assis Peixoto 
Gomide, deputado x^or S. Paulo. 

No dia 7 de Abril do mesmo anno fallece em Per- 
nambuco o reverendo bis^w do Maranhão. 

Na quarta-feira 10 de Abril de 1850 fallece, no Rio 
de Janeiro, D. frei Antojiio da Arrábida bispo de Ane- 
muria, mestre do imperador D. Pedro I, e a quem o 
Brazil deve a publicação da Flora Brazileíra,, do ce- 
lebre franciscano frei José Marianuo da Conceição Vel- 
loso. 



PO lí HA 7,11. 367 

N;i quiiiia-it.-ira '2ri de Abril de 1850 íallece o visconde 
de Macalié José Carlos de Almeida Torres, senador pela 
província da Bahia. 

Xa quarta-feira 1.° de Maio do mesmo anno fallece 
Bernardo Pereira de Yasconcellos, senador pela província 
de Minas Geraes. 

Xa segunda-feira O de Maio de 18Ò0 fallece, o clieíe 
de divisão João Francisco Regis. 

Xo doniimio 10 de Maio do mesmo anuo iallecn na 
vilhi de Igaassú, o camarista imperial conselheiro João 
José de Andrade Pinto. 

Xa sexta-feira 24 de Maio do mesmo anno fallece na 
Bahia o barão de Maragogipe. 

Xa sexta-feira 28 de Jnnho do mesmo anno fallece o 
chefe de divisão Jacintho Roqne de Senna Pereira. 

Xo sabbado 16 de Xovenibro de 1850 fallece o barãc 
de Guax)imirim. 

Xo dia 9 de Dezembro de IS.jO fallece, no Rio de 
Janeiro, o Dr. Francisco Júlio Xavier, distincto professor 
da Academia de Medicina da Corte. 

DCCCXLVIII. Em Março de ISjO o governo imperial 
toma todas as medidas necessárias ijara pôr termo aos 
enterramentos nas igrejas. O Campo Santo e o novo ce- 
mitério de S. Francisco de Paula, bento no dia 19 do 
mesmo mez i)assaram a inhumar os cadáveres dos fal- 
lecidos na cidade do Rio de Janeiro. 

DCCCXLIX. Por decreto de 30 de Agosto, sexta-feira, 
foi augmentada a representação nacional, concedendo-se 
mais deputação as províncias do Maranhão, Rio Grande 
do Xorte e Mato Grosso. 

DCCCL. Por decreto de 5 de Setembro ciuinta-feira 
de 1850 é desmembrado do Pará o Alto Amazonas, 



oGS CIIROXÍCA GKKAL 

tí elevado ii categoiiii de i)i'oviiicia, llcaudo a povoação 
de Maiiáos capital da pruviíicia. 

DCCCLL Ka segunda -feira 23 de Setembro de 1850 o 
general Guido, niinisfro oriental pede os seus passaportes^ 
e llies são enviados no dia 30 do mesmo mez. 

DCCCLII. No domingo 3 de Kovenibro de 1850 
installa-se na capital de Pernambnco o Gabinete Por- 
tngiiez de Leitura, 

BCCCLIII. Ko dia O de Novembro de 18Õ0 dão-se re- 
gulamentos ]iara as colónias militares mandadas fundar 

nas x",rovincias das Alagoas e Pernambuco. 

DCGCLIV. No dia 4 de Dezembro de 1850 decidiu-se 
a fundação de dous cemitérios i^ublicos nas extremi- 
dades da cidade do Rio de Janeiro ; um ao snl, no 
Pasmado, que recebeu o nome de S. João Baptista, e 
outro ao norte, no lugar do Caju, ciue recebeu o nome 
de S. Francisco Xavier. 

DCCCLY. Computo ecclesiastico. Áureo numero. 9: 
cyclo solar, 12 ; epacta, 28 ; letra dominical, E. 

DCCCLY I. Martyrologio. Dia 1.** de Janeiro, quarta- 
feira ; pasclioa a 20 de Abril ; indicação romana, 9 ; 
periodo Juliano, 6,564. 

DCCCLYII. No dia 11 de Fevereiro de 1851 fallece 
Caetano Pinto de Miranda Montenegro, visconde da Praia 
Grande. 

No dia 21 de Março do mesmo anno fallece o barão 
de Monte Santo, presidente do senado desde 1847. 

No dia 15 de Abril de 1851 fallece o general Bento 
Corrêa da Camará. 

No dia 9 de JuuUo de 1851 falifice, na província de 



i>o r.ií.vziL 369 

Minas Gemes, o Pr. Dominiíos ]\rariuUo de Azevedo 
Americano, lento da Academia de .Medicina da corte. 

DCCCLYIir. No dia í?l de Janlio do 1851 fallece, no 
Maranhão, o I)r. António Corrêa de Lacerda, naturalista, 
cujos trabalhos foram recolhidos á bibliotheca publica do 
Rio de Janeiro. 

Na sexta-feira 8 do Agosto de 1851 fallece o capitão 
de fragata Bernardo José de Almeida, lente da cadeira 
do terceiro anuo da Academia de Marinha da corte. 

No dia 1(3 de Agosto do mesmo anno fallece o con- 
selheiro Francisco de Paula Souza e Mello, senador do 
imj)erio x^ela província do S. Paulo, que nasceu na ci- 
dade do Itú da mesma província a 13 de Junho de 1791, 
sendo seus pais, o bacharel António José de Souza, e 
D. Gertrudes Solidonea de Siqueira. 

Na sexta-feira 5 de Setembro de 1851 fallece o bri- 
gadeiro Vicente xA.ntonio Buiz. (Jornal do Commercio 
n. 251 de 12 de Setembro.) 

No dia 10 de Outubro do 1851 fallece o visconde de 
Congonhas do Campo. 

DCCCLIX. No 1.° do Janeiro de 1851 installa se o 
tribunal do commercio do Rio de Janeiro. 

No mesmo dia installa-se o de Pernambuco. 

No dia 13 do mesmo mez foi installado o tribunal 
do commercio da Bahia. 

DCCCLX. No dia 14 de Janeiro de 1851 inaugura-se no 
Saco da Jurnjnba, no lugar chamndo ilha do Caju, um 
lazareto para receber a gento do mar atacada de febre 
amarella. 

DCCCLXI. No dia 28 de Janeiro de 1851 seguiu do Pará 
para Lisboa a bordo do brigue Tarujo 11^ o Dr. Fi- 

CHROXICA GERAL EEC. XVIU. — 21 



370 CIIROXICA GERAL 

lippe Alberto Martins Maciel Parente com toda a sua 
fiimilia, com o íirme propósito de fazer uma revolução 
no systema politico da Europa, e de oíferecer á Sra. 
D. Maria II, rainha de Portugal, os seus X)rojectos de 
melhoramentos daquelle reino. 

O íim que teve o Dr. Patroni com os seus j)rojectos 
não foram sabidos. 

DCCCLXII. No dia 1." de Fevereiro de 1851 é recolhido 
preso D. Fructo Rivera, general oriental, á fortaleza de 
Santa Cruz. 

DCCCLXIII. No dial.° de Março de 1851 principiou o 
ent-erra mento de cadáveres no cemitério publico de Santo 
Aniíiro, em Pernambuco. 

DCCCLXiy. No dia 11 de Março de 1851 foi assignado o 
contracto com Irineu Evangelista de Souza, depois vis- 
conde de Mauá, para a illuminação a gaz da cidade do 
Kio de Janeiro ; e no dia 25 de Março de 1854 pela 
primeira vez foram illuminadas algumas ruas da cidade, 
e o lai-go do Paço, depois praça de D. Pedro 11. 

DCCCLXy. No dia IG de Abril de 1851 saho do Rio de 
Janeiro a esquadra brazileira destinada ao Rio da Prata. 

DCCCLXVI. O delegado de policia da ca^útal do 
Maranhão em 10 de Abril de 1851 declara que a contar de 
18 de ]\rarço de 184-3 ató essa data, commetteramse naquella 
província trezentos assassinatos, não se contando com 
os que a policia não teve conhecimento, e nem com os 
que pereceram por eíleito de ferij:icntos recebidos. 

DCCCLXVII. No dia 19 de Abril de 1851 evadiu-se da 
fortaleza da Lage o ex-capitão do exercito Pedro Ivo 
Yelloso da Silveira, um dos chefes da revolução de 
Pernambuco de 1848. 



no r.iJAZir. 371 

DCCCLXVIII. Tendo sido eleito no din 5 de Maio de 1851 
o reverendo p;idre António Jonv|nini de Mello bispo de 
S. Panlo. foi empossado no bispado no dia 14 de Junho 
de 18:)L\ 

Para o Maranlião, monsenhor Manoel Joaquim da Sil- 
veira, depois arcebispo da Bahia. 

Para o Kio Grande do Sul o padre Feliciano Ro- 
drigues Prates. 

DCCCLXIX. No dia 1.° de Maio são escolhidos sena. 
dores do Império pela Bahia : 

1.° Manoel Vieira Tosta, hoje visconde de INLuritiba. 

2.*^ Francisco Gô Acayaba de Montezuma, depois vis- 
conde de Jequitinhonha. 

3.° Francisco Gonçalves Martins, depois visconde de 
S. Lourenço. 

4.° Pela província do Espirito Santo o Dr. José Mar- 
tins da Cruz Jobim. 

DCCCLXX. O Dr. Moura Magalhães, cônsul geral do 
Brazil, no dia 17 de Maio de 18ol, pediu ao governo 
argentino os seus j)assaportes ; e no dia 19 de Junho 
do mesmo anuo o Dr. Rodrigo de Souza Silva Pontes, 
enviado extraordinário e ministro plenij^otenciario do 
Brazil junto á republica Argentina, foi no mesmo ca- 
racter recebido em Palermo pelo dictador de Buenos 
Ayres. 

DCCCLXXI. No dia 20 de Junho o conde de Caxias, 
embarca i^ara a província do Rio Grande do Sul como 
presidente e commandante das armas da mesma pro- 
víncia e com mandante em chefe do exercito em operações 
no sul do Império . 

DCCCLXXII. O almirante Greenfell, no dia 12 de Julho, 
penetra no Paraná com três vajiores de guerra D. Affonso^ 
Pedro II e Recife ; e no dia 14 de Agosto sobe pelo 



;u2 CIIROaCA GBKAL 

rio Paraná até S. Nicolau com os 1117103 do gtiorra 
brazileiros. 

DCCCLXXIII. No dia 25 de Jurno de 1S31 o coiiimaa- 
dante do vapor iiiglez Bharpslboortev queima o brigiie bra- 
zileiro PiraUnbn. jauto as ilhas de Maricá, nas nguas 
do Rio do Janeiro. 

BCCCLXXIY. No dia 9 de xVgosto de 1851 arde pela 
segunda vez o tlieatro de S. Pedro de Alcântara, antigo 
de S. João, 110 largo do llocio, dtí])ois praça da Con- 

StituiçLÍO. 

DCCCLXX V. No dia 2 de Agosto de 1851 esiaudo guar- 
necido o forte do Cerro, na Banda Oriental, pelo primeiro 
bataliião de artilliaria brazileira, no dia 4 de Setembro 
o conde de Caxias á frente de mil e duzentos liomens 
do exercito do Brazil entra no Ej tudo Oriental do Ur u- 
guay j)or Santa Aiiiia do Livramento. 

No dia 17 de Novembro do mesmo anuo cliega a 
Montevideo o conde de Caxias com a sua força. O exercito 
brazileiro no dia 5 de Dezembro acampa na colónia do 
Sacramento. 

DCCCLXXVI. No dia 14 de Outubro de 1851 a repu- 
blica do Paraguay adliere á alliança americana celebrada 
entre o Brazil e a repul)lica Oriental e os estados 
de Entre Rios e Conientes ; e no dia 15 seguinte do 
mesmo mez arvoram-se em Cerrito as bandeiras alliadas, 

DCCCLXXVII. No dia 20 de Outubro de 1851 o con- 
(sellieiro Honório Hermeto Carneiro Leào, visconde de 
Paraná, é encarregado de uma missão diplomática no 
Rio da Prata ; e no dia 24 de Novembro do mesmo 
anno assigna-se em Montevideo um convénio de alliança 
entre o Brazil, a republica Oriental do Uruguay e os 
estados de Entre Rios e Corrientes. 



1)0 r.iíAziTi 373 

DCCCLXXVIIf. No (lia '2:"! de Ouíu])ro do U-ol divoísos 
estudantes do curso jurídico de Olinda, em consequência 
do assassinato de um seu coUega. amotinam-se e cercam 
a casa de um de seus lentes que desconíiam ser o 
mandatário do assassinato. 

DCCCLXXIX. No dia 21 de Novembro de 1851 o 
general Urquisa com o seu exercito pCo-se eiti marclia para 
o Paraná. 

DCCCLXXX. No dia 14 de Dezembro de 1851 uma 
divisão de quatro mil liomens do exercito brazileiro 
embarca na colónia do Sacramento e segue para o Dia- 
mante ; e no dia 17 passa o Toneleiro. 

DCCCLXXXI. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 
10 ; cyclo solar, 13 ; epacta, 9 ; letra dominical, D C. 

DCCCXX.XII. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, quinta- 
feira ; pasclioa a 11 de Abril ; indicação romana, 10 ; 
j)eriodo Juliano, 0,565* 

DCCCLXXXIII. No dia 9 de Janeiro de 1852 morre o 
brigadeiro José Saturnino da Costa Pereira, senador do 
império pela in-ovincia de Mato Grosso. Conta-se que 
poucos dias antes de failecer indo visitar a seu amigo 
Dr. João António de Miranda, escorregara e caliira na 
escada e lastimando o Dr. Miranda o fracasso, disse-llie 
o senador Saturnino, que era para llie deixar o lugar e 
cadeira do senado em herança. 

No dia 2 (\j' Abril de 1852 morre o festejado poeta 
Manoel António Alves de Azevedo, nascido em S. Paulo 
a 12 de Setembro de 1831. 

No dia 7 de Julho do mesmo anuo morre, na Bahia, 
o general Henlique Garcez Pinto de Madureira. 

No dia 19 de Julho do mesmo anuo morre o ])riga- 
deiro Feliciano António Falcão. 



374 CHKOXICA GERAL 

No dia 5 de Dezembro do mesmo anuo morre, na 
Balii;), o visconde da Torre de Garcia d' Ávila, António 
Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, gentil homem 
da imperial camará, grande do império, coronel do 
exercito, íidalgo da casa imperial e um dos mais res- 
peitáveis e antigos patriotas da independência do Brazil. 

No dia 29 de Dezembro do mesmo anno morre o 
tenente general Lazaro José Gonçalves. 

DCCCLXXXIV. No dia 8 de Janeiro termina a i3assa- 
gemdo Paraná o exercito libertador ; e no dia 3 de Feve- 
reiro de 1852 o nosso exercito dá batalha aos argentinos em 
Monte Caseros ; e o dictador de Buenos Ayres foge 
deixando o theatro de suas crueldades. 

No dia 1." de Julho do mesmo anno chega ao Rio de 
Janeiro o general conde de Caxias. 

DCCCLXXXV. O nosso ministro residente em Lisboa o 
conselheiro António de Mejiezes Vasconcellos de Drum- 
mond tendo officiaímente noticia da descoberta, na 
aldêa Gallega. de uma íabrica de carnes ensacadas, que 
Juntava á carne de porco a de outro animaes mortos por 
doença e até carne humana, no 1.° de Julho de 1852 
em officio reservado communicou ao mjlnistro de estran- 
geiros, com a denuncia, x^ara que se dessem as provi- 
dencias em bem da saúde pul)lica. O ministro de estran- 
geiros envia o cíficio recebido de Lisboa ao do império, 
e este o enviando x^ara os jornaes, levantou tão grande 
celeuma, na colónia portugueza, que deu em resultado 
a demissão do benemérito dix^lomata. 

Havendo grande emx")enho x^elo lugar do conselheiro 
Drummond, 'pnvrí se ciimx^rir uma promessa feita ao 
Dr. Maciel Monteiro, e não havendo motivos \yArã reti- 
rada do conselheiro Drummond de Lisboa, ax^roveita- 
ram-se desta opportunidade x)ara o demittirem ! 



PO l-.nAZlT. 



f\l5 



DCCCLXXXVl. ^o aia 18 de Outubro d.' IS.Vi r rati- 
ficado no Rio de Janeiro o tratado de commercio e nave- 
gação tluvial entre o Brazil e o Pcrú. 

BCCCLXXXVir. Computo ecclesiastiro. Áureo nu- 
mero, 11 ; cyclo solai-, 14 ; epacta, 20; letra dominical, B. 

DCCCLXXXVIll. I\lartyrologio. Dia 1.° de Janeiro, 
sabbado ; pasclioa a 27 de ^Mareo ; indicarão rt^niana, 11 ; 
periodo Juliano, 0,5GG. 

DCCCLXXXIX. No dia 11 de Fevereiro fallece em 
Minas Geraes D. Maria Dorotliea de Seixas ( MariUa de 
Blrceu), íutura esposa do desembargador Thomaz An- 
tónio Gonzaga. Foi essa joven mineira a musa que 
inspirou no mavioso poeta as inimitáveis lyras tão afa- 
gadas i")elos corações sensiveis. 

Xo dia 13 de Março de 1853 lalleoe, no Rio de Janeiro, 
monsenhor Josô António Marinlio com quarenta e oito 
annos de idade. Nasceu a 7 de Outu])ro de 1803, no 
Brejo do Salgado, comarca do Salgado, em Minas Geraes. 
Foi deputado á assembléa geral legislativa ; e era cura 
do SacramePito no Rio de Janeiro. Escreveu e publicou 
uma obi-a so])re a revolução de Minas de 1842. 

No dia 19 de Março de 1853 fallece, com trinta e 
qiuitro annos de idade, o l)i'. José de Assis Alves Branco 
Muuiz Barreto, nascido na cidade da Bahia em 1819. 
Era formado em medicina, e foi deputado á asseuibléa 
geral legislativa, e biblioíhecarií) da ])!l)liothi'('n pultlica 
do Rio de Janeiro. 

No dia 11 de Seteinbro de 18.'53 fallec<', eui Porto 
Alegre, o visconde de Cisstro, João de Castro Couto e 
Mello, pai do marqu.v. dí> Santos. Era gentil lií)mem e 
brigadeiro do exercito, e segundo visconde do mesmo 
titulo. 



370 CIIROÍTICA GEKAL 

K"o dia 3 de Outul^ro de 1853 íallece o consellieiro de 
estado José António da Silva Maia, senador do império. 
Foi este conselheiro qne deu o nome á travessa cliamada 
do Maia, qne termina na rua do Luiz de Vasconcellos, 
porque recebendo em dote cinco braças de terrenos que 
lhe den seu sogro Luiz Cxcmes Anjo fez o sobrado no 
fim da rua da Ajuda, e ahi residiu. 

DCCCXC. No dia 15 de Novembro de 1853 fallece, em 
Lisboa, D. Maria II rainha de Portugal. O passamento 
desta senhora, qne primava por ser muito honesta, fiel 
esposa, e excellente nuli de familia foi sentido. 

DCGCXCI. No dia 9 de Outubro de 1853 naufragou o 
vapor nacional Pernamòiico^ salvando grande numero 
de x^cssoas o intrépido ufricano Simão. 

Este heroe e benemérito da humanidade constituiu-se 
no Rio de Janeiro um ente querido, sendo-lhe tirado o 
retrato, e dadivado por muitas pessoas. Os periódicos 
muito se occuparam delle, e a Marmota redigida por 
Paula Brito, além de o retratar ccnsagroa-lhe muitas 
l)oesias. 

DCCCXCIL No dia 31 de Outubro de 1853 é julgado 
l)elo jury da corte Manoel Joaqnim da Cunha. 

DCCCXCIII. Ger(5 presidente da republica Oriental re- 
ceioso de ser assassinado, no dia 6 de Novembro de 1853, 
asyla-se na legação brazileira em Montevideo. 

DCCCXCIY. No dia 8 de Dezembro de 1853, na cidade 
da Bahia, e lugar do Queimado, próximo ao convento 
dos religiosos da Soledade, assentou-se com grande Bolem- 
nidade a inimeira pedra da ol)ra da comi^anhia do Quei- 
niado que devia a])astecer de agua potável a capital da 
Bahia. 



PO LnAZIL 211 

DCCCXCy. Xo dia 19 de Dezembro de 1853 é inau- 
gurada com as formalidades legaes a vigésima in-oviíu-ia 
do Império, com a denominação de provincia do Paraná, 
tendo iDor capital a cidade de Coritiba. 

Foi inaugarador e seu primeiro presidente o con- 
selheiro Zucliarias de Góes e A'ascoucello3. 

DCCCXCVI. Computo ecclesiastiro. Áureo iiumpro, 12 ; 
cyclo solar, 15; epactn, 1 ; letra dcminical, A. 

DCCCXCVII. Martyrologio. Dia 1." de Janeiro, do- 
mingo ; pasclioa a 16 de Abril ; indicação romana, 12 ; 
periodo Juliano, C,õG7. 

DCCCXCVIII. O obituaiio do i;;:iiricipio noutro em 
18.")4 foi de sete mil quinhentas e sete i^essoas. 

DCCCXCIX. Xo dia 10 de Mltço de 1854 fallece o con- 
selheiro José Clemente Pereira, senador do Império, 
pela provincia do Pará, provedor da f?anta casa da mi- 
sericórdia da corte, le-ando á posteridade o seu nome 
nas obras monumentaes cpie levantou neste i)nÍ55, que 
adoijtou por pátria. 

Xasceu no disíricto de Tancoso em Portugal a 17 de 
Fevereiro de 1787. 

Ko dia 9 de Abril de 1854 fallece o barão do lia- 
picurú-mirim, José Félix Pereira de Bnrgos. 

Ko dia 12 de Agosto de 1SÔ4 fallece, na provincia 
de Govaz, D. Francisco Ferreira de Azevedo, bispo da- 
quella diocese, homem de eminentes qualidades, saber, 
virtudes e de Inexcedivel caridade. 

DCCCC. Xo dia 30 de Abril de 1854 inaugurou-se a 
primeira estrada de ferro no Brazil sendo de Mauá para 
Petrofíolis. 

DCCCCI. Xo dia 11 de Outubro de 1854 escolhe-se 



^VS niKOXIC.V GERAL 

Ing-ar em nma das ilhas de Maricá (no Rio de Janeiro) 
para a ediíicação de uni lazareto. 

DCCCCII. No dia 15 de Outubro de lSo4 o cliefe de 
divisão Pedro Ferreira de Oliveira é nomeado comman- 
dante em clieie da divisão naval braziieira no Hio da 
Prata. 

DCCCCTII. Foi no dia 2 de Dezembro de 1854 que se 
collocou a primeira pedra para a constracção da pina- 
cotlieca im})!n'ial contigua ao ediíicio das bellas artes. 

•DCCOCIY. Coiíi puto ecciesiastico. Áureo numerOj 13; 
cyclo solar, IG ; epacta, 12 ; letra dominical, G. 

DCCCCV. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, segunda- 
feira ; pasclioa a 8 de Abril ; indicação romana, 13 ; pe- 
ríodo Juliano, 6,568. 

DCCCCYI. No dia 20 de Marco de 1855 fallece, na 
Bailia, o visconde da Pedra Branca, Domingos Borges 
de Barros, senador do império pela província da Bailia, 
conhecido nas letras brazileiras por suas mimosas j)oesias. 
Era formado em scienoias natiiraes. 

DCCCC VII. No dialG de Abril do mesmo anuo, pelas 11 
horas da noite, fallece João Duarte Lisboa Serra, presi- 
dente do Banco do Brazil, e deputado á assembléa geral 
legislativa pela província do Maranhão. Era poeta dis- 
tincto, e suas poesias correm impressas. 

No dia 30 do Maio de 1855, morre em Porto Alegre 
o mare(;hal Bento Manoel Ribeiro. 

DCCCCVIII. No dia 18 de Junho de 1855 morre, no Rio 
de Janeiro, ^lanoel de Carvalho Paes de Andrade, se- 
nador do império pela jírovincia da Parahyba, e que 
na historia das revoluções politicas do império figurou 
como presidente da republica do Equador. 



PO liKAzTi, a 70 

DCCCCIX. Xo dia 24 de Junho de IS-x") fallece, nu 
Bailia, na idade de vinte e três annos Junqueira Freire, 
nascido na mesma cidade a 31 de Dezembro de 1832, 
frade benedictino, poeta inspirado, e autor das sublimes 
X^oesias Ins2)íra';ões do claustro. 

■ No dia 1 de Jullio de 185o morre o cliefe de di- 
visão João Henrique de Carvalho e Mello. 

No dia 13 de Julho de 1855 fallece, em Mctheroy, 
o visconde de Caravellas, Manoel Alves Branco, senador 
do império pela província da Bahia, e nella nascido 
a 7 de Junho de 1797, sendo seus iDais o commer- 
ciante João Alves Branco e sua mulher D. Anna Joa- 
quina de Sá Silvestre. 

No dia 24 de Agosto de 1855 morre o general vis- 
conde de Magé, José Joaquim de Lima e Sils\a. 

Xo dia 27 de Agosto de 1855 fallece o marechal 
João António Rangel de Vasconcellos. ( Vid. a J\^/co- 
qrapliia no Correio Mercantil n. 236 de 27 de Agosto 
de 1865.) 

No dia ^10 de Setembro de 1855 morre, na Bahia, o 
brigadeiro Rodrigo António Falcão Brandão, barão 
de Belém, casado com D. Maria Sabina da Franca 
Pinto de Oliveira. O brigadeiro Rodrigo Brandão foi 
um benemérito da independência e leal servidor do 
Estado. 

DCCCCX. No dia 15 de Maio de 1855 chega ao Pará 
a barca portugueza Sacramento, levando a seu bordo a 
peste do cliolera morhus, que pela primeira vez se ma- 
nifesta francamente no Brazil, e logo se propagou ás 
outras províncias. 

DCCCCX I. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 14 ; 
cyclo solar, 17 ; epacta, 23 ; letra dominical. F. E. 

DCCCC ■ II. Martyrcdogio. Dia 1.** de Janeiro, terça 



Í380 CIIRO>;lCA OERAL 

feira ; pasclioa a 23 (1(3 Março ; indicação romana, 14 ; 
período Juliano, G,569. 

DCCCCXIIL O obituário no município neutro no anno 
de 1856 foi de oito mil e oitenta e cinco pessoas- 

DCCCCXIV. No d!a 5 de Fevereiro de 1856 morre o te- 
nente general Antero Jos6 Ferreira de Brito, baráo de 
Tramandaliy. 

No dia 7 de Maio do mesmo anno de 1856 fallece 
o conselheiro de estado Josó Cesário de Miranda Ri- 
beiro, visconde de Uberaba, nnscído em 1792, na ci- 
ciacie de Ouro Preto, capital da província de Minas 
Geraes. Era senador do império x^eía x)rovincia cie S. 
Paulo. 

No dia 8 de Maio do mesmo anno morre o ma- 
rechal de campo Francisco Cordeilo da Silva Torres, 
visconde de Gerumirim. 

DCCCCXV. No dia l.^de Setembro de 1856 foi entre- 
gue ao brigadeiro Jeronymo Francisco Coelho, presi- 
dente e commandante das armas do Rio Grande do 
Sul, uma espada de ouro oíferecida p»elos operários do 
arsenal de guerra da corte. 

DCCCGXVI. No dia 9 de Novembro de 1856 fôi soleitl- 
nemente aberto o seminário episcopal de S. Paulo no 
sumptuoso edifício levantado a expensas dos lieis e 
do governo pelo leverendo bispo I). António Joaquim 
de Mello. 

BCCCCXVII. Computo ecclesiastico. Aui^eo numero, 15; 
cyclo solyr, 18 ; epacta, 4 ; letra dominical, j). 

DCCCCXVIII. Martyrologio. Dia l.'' de Janeiro, 
quinta-feira ; pasclioa a 12 de Abril ; indicação romana, 15 ; 
período Juliano, 6,570. 



1)0 r.UAZiL 381 

BCCCCXIX. o obituário no miinicipio neutro no anno 
de 1857 foi de oito mil novecentas e noventa e quatro 
pessoas. 

DCCCCXX. No dia O de Fevereiro de 1807 fallece, na 
cadêa do Benevente, província do Esi)irito Santo, o preso 
João Pereira, tendo-se ini])osto a si mesmo o não comer 
por espayo de três mezes ; tornou-se um esqueleto nnin- 
do-se a pelle do ventre á columna vertebral. 

DCCCCXXI. No dia 19 de Fevereiro de 1857íaliece, na 
villa de S, Fidelis, província do Rio de Janeiro, Domin- 
gas Maria de Jesus, natural da cidade de Campos, com 
cento e dezeseis annos de idade. 

No dia 20 do mesmo mez e anno íallece, na cidade de 
Campos, a parda livre de nome Lniza, natural de S. Fi- 
delis, com cento e vinte annos de idade. 

No dia 15 de Março de 1857 morre o general Juão 
Carlos Pardal amigo dedicado do ex-imperador D. Pe- 
dro I. 

No dia l.*' de Abril do mesmo anno morre, no Rio de 
Janeiro, o mareclial do exercito conselheiro João Clirisos- 
tomo Callado. 

No dia 6 de Abril do mesmo anno de 1857 fallece, na 
cidade de Sabará, Bernardo Fagundes, crioulo, com cento 
e trinta e três annos de idade, natural da mesma cidade, 
onde assistiu a preparar-se o terreno, e trabalhou mesmo 
de alavanca no desmonte do morro em que está collo- 
cada a cidade do Carmo, e a lançar a primeira pedra do 
seu fundamento. 

No dia 5 de Jalho de 1857 morre o senador Cassiano 
Esperidião de Mello Mattos, nascido na Bahia a 11 de 
Setembro de 1773. Era senador do império pela pro- 
vincia da Bahia. 

No dia 12 de Julho de 1857 morre, em S. Paulo, o 
brigadeiro António Leite da Gama Lobo. 



382 CimONICA GEPwVL 

No dia 30 de Setembro de 1857 morre, no Rio de Ja- 
neiro com sessenta e seis annos de idade, o Br. Joaquim 
José da Silva, lente da Escola de Medicina, sendo sepultado 
no dia 1.° de Outubro no cemitério de S. João Bai3tista. 

No dia 7 de Outubro de 1857 fallece, na corte do Eio 
de Janeiro, o brigadeiro Rapliael To})ias de Aguiar. 

DCCCCXXII. No dia 10 de Março de 1857, inaugura-se 
na capital da província do Cearcá um collegio para edu- 
cação dos meninos orphãos da mesma provinda. 

DCCCCXXIII. No dia 14 de Março de 1857, o famoso 
cavallo a vapor abriu a sua primeira corrida nas linhas 
férreas da estrada de D, Pedro II, sendo esta corrida o 
primeiro ensaio, percorrendo os vagons dezeseis milhas 
em trinta e cinco minutos. 

DCCCCXXIV. No dia 28 de Março de 1857 foi dictado 
o decreto que autorisou as suspensões ex informata 
consciência, e privou de recursos aos que fossem com 
ellas fulminados. 

DCCCCXXV. No dia 5 de Maio foi organisado novo 
ministério. 

DCCCCXXVI. No dia 14 de Junho de 1857 foi inaugu- 
rada no hospiciu de Pedro II a estatua do conselheiro José 
Clemente Pereira, fundador do mesmo hospício de 
alienados. 

DCCCCXXVII. No dia 24 de Junho de 1857 houve o 
grande incêndio no estabelecimento de construcção naval 
da Ponta da Arêa, em Nictlieroy, cujo p>rejuizo orçou em 
trezentos contos de réis. 

DCCCCXXyiTI. O famoso rio S. Francisco, no anno de 
1857, encheu tanto que inundou litteralmente a villa 
Januaria, dando causa a retirar-se toda a poi:)ulação para 
o lugar denominado Alto do Piquaeiro, distante um 
quarto de légua da villa, não ficando nella uma s(5 
pessoa. 



i)0 r,n.\/,iL 383 

DCCCCXXIX. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 
16 ; cyclo solar, 19 ; epacta, 15 ; letra dominical, C. 

DCCCCXXX. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, sexta- 
feira ; pasclioa a 4 de Abril ; indicação romana, 1 ; periodo 
Juliano, 0,571. 

DCCCCXXXL O obituário no niuuicipio neutro neste 
anno de 1858 foi de nove mil setecentas e vinte e uma 
pessoas. 

DCCCCXXXII. Apjvareceu em Outubro de 1858 um co- 
meta acima e um pouco ao lado do jilaneta Vénus com a 
cauda para cima. Na noite do dia 24 estando limpo de 
nuvens o céo foi visto perfeitamente por todos. 

DCCCCXXXIII. No dia terça-feira 15 de Novembro do 
mesmo anno calnu sobre a cidade de Kezeude um rijo 
tufão de NO como não lia via memoria ; desabando o 
novo edifício da santa casa da misericórdia, e produzindo 
outros estragos avaliados em vinte e cinco contos de réis. 

DCCCCXXXIV. No dia 16 de Janeiro de 1858 é exe- 
cutado na cidade de Marianna, Minas Geraes, o réo José 
Joaquim Gomes da Fonseca conhecido pelo alcunha de 
Tira couro. Este infeliz manifestou grande resignação 
e do alto do patíbulo pediu perdão a todas as pessoas 
presentes. IMalfadada familia : ha dez annos e nesse mesmo 
lugar foi executado um irmão de Tira couros, ejá outro 
e um cunhado andavam foragidos por se acharem in- 
diciados como autores da morte do ancião Rollim. Era 
crença geral de que o chefe de tão desgraçada familia, 
sendo desrespeitado por seus filhos, lhes dissera que 
em recompensa do que praticavam com elle lhes ligava as 
masmorras e a forca. 

DCCCCXXXV. No dia 10 de Fevereiro de 1858 morre o 
brigadeiro conselheiro Eustachio Adolpho de Mello Matos. 



384 CIlllOXICA GEUAL 

No dia. 13 de Maio do mesmo anuo morre, eni S. Paulo, 
o Dr. Gabriel Rodrigues dos Santos, nascido na mesma 
cidade no 1.° de Abril de 1816. Era orador eloquente. 

No dia 2 de Outubro de 1858 morre o tenente general 
Francisco José Sousa Soares de Andréa, barão de Caça- 
pava, nascido em Portugal em 29 de Janeiro de 1781. 

No dia 22 de Outubro de 1858 morre o marechal de 
exercito António Elisiurio de Miranda Brito, nascido em 
Lisboa em 1786. 

DCCCGXXXVI. No dia 3 de Dezembro de 1858 fallece, 
na yua Nova, em S. Domingos de Nietheroy, o pregador 
imx^erial Fr, Francisco de Monte Alverne (Francisco 
José de Carvalho) nascido em 9 de Agosto de 1784, 
professou no convento de Santo António do Rio de 
Janeiro em 3 de Outubro de 1802. Era orador eloquente, 
escriptor elegante e de vasta erudição. 

DCCCCXXXVII. No dia 29 de Março de 1858 inaugura- 
se a estrada de ferro de D. Pedro II, abrindo-seao transito 
publico desde a estação central até Queimados. 

DCCCCXXXVIII. No dia 13 de Abril de 1858 chega á 
corte do Rio de Janeiro D. Benigno Lopes encarregado da 
troca das ratificações da convenção celebrada na cidade 
da Assumpção entre o Brazil e o Paraguay. 

No dia 4 de Maio foram nomeados D. Francisco Solano 
Lopes gran-cruz da ordem de Christo, e D. Benigno Loires 
commendador da mesma ordem. 

DCCCCXXXIX. No dia 2 de Dezembro de 1858 foi lan- 
çada a primeira pedra do edifício da casa da moeda do 
Rio de Janeiro na banda occidental do campo de Santa 
Anna, depois praça da Acclamação, sendo encarregado 
da obra o Dr. Theodoro de Oliveira. 

No dia 13 de Setembro de 1868 foram removidos para 
o edifício as officinas que trabalhavam no edifício do 



no liJíAzii. 885 

tliosoui'0 nacional, e piincipiarauí a trabalhai* no novo 
ediíicio. 

DOCCCXL. Xodia2iaeOiUubi'o de 1858 abriu-se ao 
transito publico a rua de D. Luiza. para o morro de Santa 
Tliereza, sendo a obra feita por Joaquim da Fonseca 
Guimarães e João Carlos Falhares, auxiliados pela camará 
municipal da corte. 

DCGCCXLI. Xa segunda-feira 31 de Outubro de 1858 
inaugura-se a casa de caridade de Itagualiy. 

BCCCCXLII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 17; 
cyclo solar, :20 ; epacta, 26 ; letra dominical, B. 

DCCCCXLIIL Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, 
sabbado ; i^aschoa a 24 de Abril ; indicação romana, 2 ; 
periodo Juliano, 6,572. 

DCCCCXLIV. O obituário do município neutro neste 
anuo de 1859 foi de nove mil oitocentas e trinta e duas 
pessoas. 

DCCCCXLY. Xa segunda-feira 6 de Fevereiro de 1859 
houve um eclipse da lua, começando ás nove horas da 
noite. Durante o dia toda a atmosphera no Rio de Janeiro 
esteve coberta de nuvens. 

DCCCCXLYI. No dia 11 de Março de 1859 fallece o 
capitalista o muito caridoso Joaquim António Ferreira, 
visconde de Guaratiba, com oitenta e dous annos de idade. 

No dia 20 de Fevereiro (domingo) o engenheiro Horácio 
da Gama Moret e outros morreram desastradamente, no 
trem de ferro de Pedro II. (Vide os Jornaes de 20 de 
Fevereiro de 1859.) 

No dia 20 de Maio fallece Manoel Ignacio de Mello e 
Sousa, barão do Pontal, senador do império x)ela i)ro- 
vincia de Minas Geraes. Nasceu em Portugal. 

No dia 17 de Novembro de 1859 fallece Custodio 
Ferreira Leite, barão de Ayuruoca, nascido em Minas 
Geraes a 3 de Dezembro de 1782. 

CHROXICA GEKAL SEC. XVUI. ~ 25 



S86 ClIilOxVICA GERAL 

No domingo 18 de Setembro de 1857, pelas oito lioras 
da manlul, fallece o senador Nicoláo Pereira de Campos 
Vergueiro na idade de oitenta e um annos, íoi sepultado 
no cemitério de S. João Baptista. Este venerando cidadão 
foi um decidido amigo do Brazil, 

DCCCCXLVII. No domingo 10 de Abril de 1859 pelas 
onze horas da manliã, installou-se no salão do Club Mc- 
tlierojz-ense, na Praia Grande, a sociedade Defensora da 
Constituição. 

DCCCCXLVIII. Na qnarta-ieira 13 de Abril de 1859 
desa])ou ás nove lioras da noite sobre a cidade do Rio de 
Janeiro um dos maiores temporaes de que se tinha noticia, 
com cluiva torrencial, e inundou uma boa parte da cidade, 
fazendo estragos consideráveis. 

DCCCCXLIX. No domingo i22 de Maio de 1859 ás cinco 
horas da tarde foi inaugurada a capella da Casa de Correc 
ção da Corte, cora assistência do imperador D. Pedro II. 

DCCCCL. No sabbado 1.° de Outubro de 1859 suas 
magestades imperiaes em]:)arcaram para as províncias do 
norte, ás sete e meia lioras da manhã, no arsenal de raa- 
rinlia. 

O ministro da fazenda Angelo Muniz da Sih^a Ferraz, 
ordei]a ao presidente da Bahia para despender quatro 
contos de réis com a decoração do palácio que tem de 
receber suas magestades, obrigando com semelhante vila- 
nia a três 2^"ii'ti<^'"lnres fazerem as despezas a sua custa. 

DCCCCLL Computo ecclesiastico. Áureo numero, 18 ; 
cyclo solar, 21 ; epacta, 7; letra dominical, AG. 

DCCCCLII. Martyrologio. Dial." de Janeiro, domingo ; 
paschoa a 8 de Abril ; indicação romana, 3 ; período Ju- 
liano, 5,575. 

DCCCCLIIÍ. O obituário do município neutro neste 
anno de 1880 foi de onze mil e dezoito pessoas. 



De") UnAZIL oSV 

DCCCCLIV. No dia 16 de Janeiro de ISCO fallece o 
brigadeiro e conselheiro Jeronymo Francisco Coelho, 
nascido na Laguna, província de Santa Catharina, no dia 
30 de Setembro de 1806. 

Xo dia 19 de Junho de 1860 fallece em PernanilHico o 
marechal José Joaqnim Coelho, barão da Yictoria. 

No dia 18 de Setembro de 18G0 fallece o marquez de 
Monte Alegre, José da Costa Carvalho, nascido na Bahia 
a, 7 de Fevereiro de 1706. Era senador do império pela 
l^rovincia de Sergipe de El -Rei. 

No dia 18 de Setembro, fallece José Marcelino da Silva 
Lima, barão de Itaperairim, fazendeiro na província do 
Espirito Santo. Contíun-se a seu respeito factos que 
custam a crer, como entre outros, ode ter negado estar em 
seu poder unia pedra de valor, que um seu amigo em 
viagem para o Rio de Janeiro, e que i:)oasára em sua casa 
l^ara esperar o barco de vapor, lhe confiara a guardar, 
resultando sahir o amigo para a rua gritando que estava 
roubado, narrando o facto para quem quizesse sabel-o; loela 
injuria, ou como louco foi esse infeliz recolhido á cadéa, e 
na noite desse dia alii mesmo foi assassinado por um 
individuo que o cliamou á grade, e que se disse ter sido 
um x>reto escravo do mesmo barão de Itapemirim. 

No dia 29 de Dezembro de 1860, fallece na Bahia 
D. Romualdo António de Seixas, arcebispo da Bahia, 
marquez de Santa Cruz, nascido ^m Ca aetá, província do 
Pará, a 7 de Fevereiro de 1787. 

Era o arcebispo D. Romualdo António de Seixas ura 
douto e de excellentes virtudes. 

DCCCCLY. No dia 4 de Agosto de 1830, foi sanccionada 
a resolução xirovincial n. 928, creando o hospital de cari- 
dade na cidade da Fortaleza. Este hospital foi fundado 
pela resolução de 10 de Setembro de 18^^7, e instailado a 14 
de Março de 1861 pelo presidente /ntonio Marcellino 
Nunes Gonçalves. 



388 CHKOXICA. GKKAL 

DCCCCLVI. 1860. — A divida externa do império, era 
neste tempo de cinco milliões cinco mil e seiscentas libras 
(circiilante)j valor nominal, que equivalia pouco mais ou 
menos a quarenta e sete mil quinhentos e cincoenta e três 
contos e duzentos mil réis, vencível nos seguintes annos: 
1862, 1864, 1869, 1879 e 1882. 

DCCCCLYIl. A divida interna fundada era de cincoenta 
e sete mil setecentos e cincoenta e sete contos de réis. 
Desta, somente dez mil cento e um contos e duzentos mil 
réis pertencia a iDOssuidores estrangeiros, e o resto a 
nacionaes. 

A divida activa externa, ou o que se devia então do 
império, era: 

Três empréstimos á republica Oriental do Uruguay e 
os juros contados, quatro mil novecentos e oitenta 
e dous contos oitocentos e um mil setecentos e dez réis. 

Dous ditos á confederação Argentina, e Juros, etc, de 
mil setecentos e trinta e sete contos cento e noventa e 
três mil duzentos e nove réis. 

Total da divida interna cento e cinco mil trezentos e dez 
contos duzentos mil réis. 

Idem activa externa seis mil setecentos e dezenove 
contos novecentos e noventa e quatro mil novecentos e 
dezenove réis. 

DCCCCLYIIL 1860.— O império do Brazil estava divi- 
dido em : 

Cento e noventa comarcas, ( cento e vinte de i3rimeira 
entrancia, quarenta e sete de segunda e vinte e três de 
terceira). 

Quinhentos e seis termos judiciários (trezentos e seis 
com juizes letrados, cento e dez reunidos e sessenta com 
juizes substitutos). 

Mil cento e cincoenta e quatro freguezias. 

Quinze curatos. 



DO r.HAZlL 389 

Mil setecentos e vinte e quatro districtos de i^az. 

Vinte e um chefes de xDolicia. 

Cento e noventa e seis jnizes de direito do crime. 

Um Juiz de direito do eivei. 

Cinco juizes especiaes do commercio. 

Três juizes dos feitos da fazenda. 

Cento e noventa e três promotores i^ublicos. 

A guarda nacional em todo o império era de seiscentos 
e quinze mil cento trinta e dous homens. 

DCCCCLIX. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 19 ; 
cyclo solar, 22; epacta, 18; letra dominical, F. 

DCCCCLX. Martj-rologio. Dia 1.° de Janeiro, terça- 
feira ; paschoa a 31 de Março ; periodo Juliano, 6,574. 

DCCCCLXI. O obituário no município neutro foi em 
1861 de oito mil seiscentas e quarenta e duas pessoas. 

DCCCCLXII. Xo dia 7 de Setembro de 1861, Manoel 
Ferreira Lagos, um dos commissionados da viagem scien- 
tifica á provinda do Ceará, em um dos salões do Museu Na- 
cional da Corte exx)oz muitos objectos de industria, usos e 
costumes brazileiros, trazidos do Ceará. Deste ensaio de 
exposição nasceu a idéa da primeira exposição de in- 
dustria, iu-augurada em 2 de Dezembro de mesmo anno, 
com muita solemnidade no editicio da Escola Central da 
capital do imi^erio. 

DCCCCLXIII. Xo dia 21 de Setembro é inaugurada a 
abertura do dique da ilha das Cobras, que por aviso de 
15 de Julho recebera o titulo de imperial. 

DCCCCLXIV. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 
1 ; cyclo solar, 23; epacta, 80; letra dominical, E. 

DCCCCLX V. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, quarta- 
feira ; paschoa a 20 de Abril ; indicação romana, õ ; 
periodo Juliano, G,õ7o. 

DCCCCLXyi. O obituário no município neutro em 1862 
foi de oito mil setecentas e vinte e seis pessoas. 



390 CHEOXICA GERAL 

DCCCCLXVII. No dia 27 de Setembro de 1862, ás sete e 
meialioras da maiiliã, na província do Paraná, escureceu 
tanto a atmosphera, que na cidade se accenderara as luzes, 
e na noite deste dia cliuveu agaa jDreta. 

DCCCCLXVIII. No dia o de Marco de 1863 morre o 
coronel de engenheiros Conrado Jacob de Niemeyer. 

No dia 18 de Jnllio do mesmo anno morre o tenente 
general e conselheiro de guerra Firmino Herculano de 
Moraes A iicora, nascido em Lisboa no dia 25 de Setembro 
de 1788. 

Em Novembro de 1862 morre, na i^roviíicia do Maranhão, 
o tenente general Manoel de Sousa Pinto de Magalhães, 
barão de Turyassú. 

DCCCCLXIX. No dia 30 de Março foi com grande pompa 
inaugurada a estatua equestre de D. Pedro I, no centro 
da praça da Constituição, em outro tempo largo do Rocio. 

DCCCCLXX. No dia 29 de Dezembro de 1862, a ca- 
pital do império se agitou, em consequência da exigência 
da legação ingieza, pelo naufrágio da barca Pruice of 
Wales, na costa do Alabardão, no Elo G-rande do Sal. 

DCCCCLXXI. Computo ecciesiastico. Áureo numero, 2; 
cyclo solar, 24 ; epacta, 11 ; letra dominical, D. 

DCCCGLXXIL Martyi-ologio. Dia l.** de Janeiro.quinta- 
feira ; paschoa a 5 dt? Abril ; indicação romana, 6 ; periodo 
Juliano, 0,576. 

DCCCCLXXIII. O obituário no municipio neutro foi 
em 1868 de oito mil seiscentas e quarenta e cinco pessoas. 

DCCCCLXXIY. No dia 12 de Fevereiro de 1863 morre o 
marechal de cambio Pedro de Alcântara Bellegarde. 

No dia (sabbado) 11 de Junho, á meia hora da manhã 
de 1863, fallece y>g seu palácio no morro da Conceição, o 
sábio bispo do Rio de Janeiro, conde de Irajá, D. Manoel 
do Monte Rodrigues de Araújo, nascido no Recife em 



DO r>RAZIL 391 

Pernambuco a 17 de Março de 179S, com sessenta e cinco 
annos, dons mezes e vinte e quatro dias, e foi sepultado 
na caDella do pa'.:icio episcopal, tendo silo nomeado bispo 
a 10 de Fevereiro de 1S39, e confirmado a 23 de Dezembro 
de 1840. 

Morre de inllammnf;ão de fígado, no dia 14 de Abril 
de 1803, pela niadrn;;-ada, na rua de S. Ciuistovão, o vis- 
conde de Albuquerque, António Pranci.sco de Paula 
Hollanda Cavalcante de Albuquerque, senador do império 
e tenente coronel reformado do exercito. Sepultou- se no 
cemitério de S. João Baptista, saliindo o inustilo ás nove 
liorns da manhã do dia ÍT). 

Xo dia 26 de Abril do mesmo anuo morre José Fran- 
cisco Lisboa, conliecido ]Kdo appdlido de Timon. Bra- 
ziliense, nascido no Maraniião a 22 de Março de 1810. 

Xo dia 13 de Maio de 1863 fallece, no Eio de Janeiro, 
o cónego Jo.vé António Marinho, que niisceu em 1804. 

DCCCCLXXY. Xo dia 12 de Maio de 1833 é disr-:alvida 
a assembléa geral legislativa do império. 

DCCCCLXXVI. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 
3 ; cyclo solar, 2i5 ; epacta. 22 ; letra dominical, C. B. 

DCCCCLXXYII. Martyrologio. Dia i.° de Janeiro, 
sexta-feií^a ; j)asclioa a 27 d^; Março ; indicação romana, 7 ; 
liericdo Juliano, 6,577. 

DCGCCLXXVIÍI. No dia 13 de Janeiro de 1804 morre 
o brigadeiro, conselheiro Dr. Frederico Leo^joldo César 
Burlamaque, director do Museu ISTacional. Deixou varias 
memorias imi^ressas de muita utilidade. 

Xo dia 1 de Novembro de 1864 fallece o marechal 
de exercito João Paulo dos Santos Barreto. Era ura 
cidadão muito illusírado. 

Xo dia 17 de Agosto de 1864 fallece em Londres 
Manoel Odorico Mendes, nascido no Maranhão a 24 de 
Janeiro de 1799. Deixou a traducção de Virgílio, e das 



r>92 CHKOXICA GEIíAL 

obras de Horácio. Mnito figarou nos acontecimentos po- 
liticos de Abril de 1831. 

'No dia 30 de Abril de 1864 fallece, na cidade do 
Recife, o bispo diocesano, D. João da Puriíicayão Mar- 
ques Perdigão, natural de Viauna, em Portugal, com 
cerca de noventa annos de idade, 

DCCCCLXXIX. No dia 10 de Agosto de 1864 partiu a 
missão Saraiva i)ara Montevideo. 

DCCCCLXXX. No dia 10 de Setembro de 1864, teve 
lugar a quebra dos bancos no Rio de Janeiro. 

DCCCCLXXXL No dia 10 de Outubro de 1864, caliiu 
sobre a cidade do Rio de Janeiro tremenda tempestade 
com cliuva de pedras de grande tamanlio, que quebrou 
os vidros das casas. 

DCCCCLXXXII. O ministro da marinlia, por aviso de 
14 de Outubro de 1864, mandou instaurar conselliode 
investigação ao capitão de mar e guerra Gt-rvasio Man- 
cebo, commandante da divisão do segundo districto, pelo 
coníiicto que se deu no ancoradouro da Bailia entre os 
vapores americanos Wassuclietts e Florida, aquelle da 
marinha dos Estados Unidos e este dos Estados Confe- 
derados. 

DCCCCLXXXIII. O dictador do Paragnay Francisco 
Solano Lopes, por um manifesto de 10 de Novembro de 
1864 pretendeu estabelecer o equilíbrio i^olitico nas repu- 
blicas do Rio da Prata, em opposição ao império do 
Brazil. 

DCCCCLXXXIY. No dia 1 de Dezembro de 1864 o 
Brazil declara guerra ao estado Oriental do Uruguay, e o 
exercito imperial ao mando do marechal João Procopio 
Mena Barreto penetra no território Oriental. 



lio líRAZIL 393 

DCCCCLXXXY. Xo dia O de Dezembro de 18G4 começa 
o sitio de Paysandú, e o nosso exercito dá o jn-imeiro 
combate. 

DCCCCLXXXYI. Xo dia lo de Dezembro de 1864 é a 
falsa fé tomado por ordem de Solano Lopes o vapor 
bríizileiro Marquez de Olinda, chegado a Assumpção, 
conduzindo a seu boi'do o presidente de Matcj Grosso, 
coronel Carlos Carneiro de Campos, que com todos os 
l^assageiros, guarnição o dinheiro que levava ficaram 
retidos presos. 

DCCCCLXXXYII. X"o dia IG de Dezembro de 1864 a 
provincia de Mato Grosso é invadida por tropas de Lopes, 
sendo atacado o forte de Coimbrn, que é abandonado no 
dia 19. 

DCCCCLXXXVIIL Xo dia 30 de Dezembro, em Pay- 
sandú, as nossas forças dão combate aos orientaes, sendo 
este tão renhido que durou até o dia 2 de Janeiro seguinte 
de 1865, em cnjo dia foi tomada a praça de Pay- 
sandú. 

DCCCCLXX3IIX. Computo ecclesiasfcico. Áureo nu- 
mero, 4 ; cyclo solar, 26 ; ex)acta, 3 ; letra dominical, A. 

DCCCCXC. Mnrtyrologio. Dial. ° de Janeiro, domingo; 
domingo de paschoa a 16 de Abril ; indicação romana, 
8 ; iDeriodo Juliano, G,oT8. 

DCCCCXCI. Em viagem para a Europa fallece o se- 
nador Cândido Baptista de Oliveira no porto da Bahia, 
quasi a bordo do paquete Peliise., no dia 20 de Maio 
de 1865, chegando o paquete alli no dia 27 ou 28 pela 
manhã, sendo sepultado no cemitério do Campo Santo. 

Xo dia 2Tj de Setembro de 1865 fallece, nas Caldas, 
em Minas Geraes, o reverendo bispo, D. José Affonso 
de Menezes Torres, que resignara o bispado em 15 de 
Julho de 1857. 



894 OIIROXICA GERAL 

DCCCCXCII. No dia 2 de Janeiro do 1865 o nosso 
exercito dá assalto e toma Paysandú. 

No dia 20 de Fevereiro Montevideo capitula. 

DCCCGXCIII. Em 1SG5 assigna-se o tratado da tríplice 
alliança. 

DCCCC XCIV. O general paragnayo Robles invade Cor- 
rientes no dia 8 de Abril de 1865, e no dia 14 a esquadra 
j)araguaya o porto. 

No dia 17 do mesmo niez começara as operações do 
exercito brasileiro '.'ontra o Paraguay ; raarclia e acampa 
no arroio de S. Francisco de Paysandú a divisão da 
vanguarda sob o commando do brigadeiro António de 
Sampaio. 

A bexiga e a dysenteria, em 5 de Maio, começam a 
disimar o pessoal dessa força, pela tibieza e inépcia do 
general apesar das revelações dos médicos. 

No dia 25 de Maio parte da nossa esquadra chega 
a Corrientes e dá combate. Os ptaraguavos retiram- se e 
a esquadra tamben). 

No dia 10 de Jnnlio o tenente coronel paraguayo Es- 
tigarribia invade o Rio Grando do Snl e toma S. Borja. 

DCCCCXCY. No dia 11 de Junlio de 1805 deii-se um 
dos mais renhidos combates navaes conhecidos, em Ria- 
chiíeio, onde íalleceram heroicamente cortados a es})ada 
e despedaçados alguns oínciaes e guardas marinhas, 
licando a vií^toriíi do lado da esquadra ])razileira. 

No dia 26 de Junho, em Albotuy, Estigarribia dá 
combate ás nossas forças, mas sem resultado ; e no dia 5 
de Agosto é tomada Uruguayana. No dia 12 as nossas 
forças passam o rio e dão (,'ombate em Ouevas aos 
l^araguayos. 

No dia 17 de Agosto as forças alliadas, sob o com- 
mando do general Flores, dão combate em Jatahy ás 
forças paraguayas ao commando do major Duarte. 



110 T.KAzn- 305 

DCCCCXCVI. IS^otlmlSde Setembro de 18G5 rende-se 
rruguayiiim ás nossas i"or(;as ; e no dia 2o de Outubro os 
paraguaj-os abandonam Comentes ; e a nossa esquadra 
no dia 25 fundea nesse porto. 

No dia 1.") de Xovembro os paragnayos atravessam o 
Paraná, e recolliem-se ; e no dia 1° de Dezembro, os 
exércitos alliados cliegani e acamijam na margem do Pa- 
raná. 

DCCCGXCVII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 
5 ; cyclo solar, 27 ; epacta, 14 ; letra dominical, G. 

DCCCCXCVIII. Martyrologio. Dia l.'' de Janeiro, 
segunda-feira ; domingo de paschoa a 1 de Abril ; indica- 
ção romana, 9 ; periodo Juliano, 6,579. 

DCCCCXCIX. No dia 7 de Junho de 1866 fallece, em 
Pernambuco, o porteiro do juizo de orphãos Amaro 
António de Faria, deixando no seu testamento a seguinte 
verba : deixo a minha irmã vinte mil réis, para comprar 
uma corda para enforcar-se... 

No dia 1-1 de Junho de 1866 morre o ])rigadeiro José 
António da Fonseca Galvão, commandante das forças 
em guarnição em Mato Grosso contra a republica do 
Paraguay. 

No dia 16 de Agosto de 1866 morre o brigadeiro 
conselheiro Manoel Felizardo de Souza e Mello, senador 
do império. 

No dia 8 de Outubro do mesmo anuo de 1866 morre o 
chefe de esquadra conselheiro Miguel de Souza Mello e 
Alvim. 

M. No dia 31 de Janeiro de 1866 os paraguay os 
atravessam o rio, batem e destroçam os argentinos, 
acampados em Corrales ; e no dia 7 de Fevereiro faz 
exijlosão um dos nossos transportes que conduzia muni- 
ções de guerra. 



396 CIIROXICA GERAL 

No dia 17 de Março a nossa esquadra vai bloqueiar as 
Três Boccas. 

MI. K"o dia 27 de ]\íarço em conseqnencia de uma 
bala fulminante, La exi)losão do encouraçado la- 
mandar í\ e morrem desi^edaçados os valentes ofíiciaes de 
marinlia Mariz e Barros e Yassimon. 

No dia 10 de Abril são derrotados completamente os 
paraguayos no ataque da ilha da Redempção, 

No dia 16 do mesmo mez o general Osório passa o íio 
Paraná ; e no dia 17 dá-se o combate de Ltarpirú . 

No dia 2 de Maio o nosso exercito dá combate aos 
paraguayos no Estero Bellaco ; e no dia 9 se faz reco- 
nliecimento a mão armada sobre as linlias do inimigo ; 
acontecendo atacar-se no dia 20 do mesmo mez de Maio, 
e tomarem-se as linhas inimigas de Tuyidy. 

No dia 24 de Maio de 1886 os exércitos brazileiros 
e os paníguayos dão renhida batalha em luiuliy^ na 
qual perdemos três mil homens, os argentinos e orientaes 
perderam dons mil e quatrocentos homens ; e os para- 
guayos doze mil homens. 

No dia 28 de Maio ha combate na avançada de 
Tutuliy. 

No dia 14 de Junho os paraguayos bombardeam for- 
temente o campo do nosso exercito. 

Mil. No dia 15 de Julho de 1860 o general Osório 
retira- se do exercito por doente e entrega o commando 
deste ao marechal Polydoro. 

O inimigo paraguayo, durante três dias, estando a 
fortificar- se a esquerda da nossa vanguarda, o general 
Polydoro tenta desalojal-o no dia 16 de Julho, e dá 
combate que durou dezeseis horas, e cedemos, tomando 
á primeira trincheira ao inimigo. 

No dia 18 dá-se segundo combate nas linhas de lance. 



DO liKAZIL 397 

MUI. No diii 2 de Setembro de 18GG o yeguudo 
corpo do exercito brazileiro, ao mando do tenente ge- 
neral barão de Porto Alegre, desembarca em Ouru^ú, 
a vista do inimigo, e no dia seguinte dá batalha ; neste 
mesmo dia 3 faz explosão o enconiaçado Rio ãe Ja- 
neiro. 

MIY. Xo dia 23 de Setembro as nossas forças 
atacam o inimigo em Curupaity, e apesar do insuccess® 
a bandeira brazileira cobre-se de gloria. 

Isr^. Em ]S'ovembro de 1S6G o marquez de Caxias 
cliega ao exercito, e toma o commando em cliefe de 
todas as forças brazileiras. 

MVI. Xo dia 19 de Outubro de 1866 abre se a 
segunda exposição nacional no ediíicio da Casa da Moeda, 
na praça da Acclamação. 

MYII. Xo dia 8 de Novembro de 1860 sendo no- 
meado o desembargador José Tavares Bastos presidente 
da província de S. Paulo, toma posse da administração 
nesse dia e exerce-a durante onze mezes e quatro dias, 
passando o governo da x^rovincia, em 11 de Outubro de 
1867, ao vice presidente coronel Joaquim Fioriano de 
Toledo, que exerce por doze dias. 

MVIII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 6 ; cyclo 
solar, 28 ; epacta, 25 ; letra dominical, F. 

MIX. Martyi-ologio. Dia 1." de Janeiro, terça-feiía ; 
domingo de paschoa a 21 de Abril ; indicação romana, 
10 ; periodo Juliano, 6.580. 

MX. Is o dia 9 de Fevereiro de 1867 morre o 
marechal João Propicio Mena Barreto, barão de S. Ga- 
briel. 

No dia 11 de Março de 1867 morre o general, conse- 
lheiro José Egydio Gordilho de Barbuda, visconde de 
Camamú. 



398 CHEONICA GERAL 

No dia 13 de Junlio morre na Bahia José Joaquim 
Barreto, barão de Saubagé, com noventa e quatro annos 
de idade. Prestou bons serviços á causa do Brazil. 

No dia 16 de Agosto de 1867 morre em S. Paulo, 
o brigadeiro José Joaquim Machado de Oliveira, dis- 
tincto litterato e membro do instituto histórico e geo- 
graphico do Brazil. 

No dia 17 de Agosto de 1867 morre o marquez de 
Itanhanhem, Manoel Ignacio de Andrade Souto Maior. 

No dia 20 de Dezembro de 1867 morre o marechal 
Lopo de Almeida Henrique Botelho e Mello. 

MXI. No dia 11 de Julho de 1867 dá-se o combate 
do Alegre, em Mato-Grosso. ( Vide a gazetilha do Jornal 
ão Commercio deli de Julho de 1870 n. 121.— No 12.° 
anniversario.) 

" O combate do x\legre. — Escrevem-nos : 

" Fazem hoje doze annos que, nos confins de Mato- 
Grosso, se feriu o combate do Alegre, combate pequeno, 
é verdade, em relação aos brilhantes feitos de armas com 
que, no Paraguay, se cobriram de glorias o exercito e a 
armada, mas digno de não ser, como infelizmente tem 
sido olvidado. 

" Completam-se Jioje doze annos que uma porção dimi- 
nuta de bravos, esquecida da x^atria e ignorada do mundo, 
se bateu heroicamente em prol da provincia que a im- 
previdência entregara, indeíeza, á sanha de vizinho 
audacioso ! 

" Desde 1864 a expedição que i^rtira da capital da 
republica do Paraguay se assenhoreara de diversos pontos 
da inditosa provincia brazileira. 

" Corumbá, Dourados, Albuquerque e tantas outras 
l^ovoações hasteavam, cobertas de vergonha, o pavilhão 
tricolor do déspota sul-americano, e choravam lagrimas 
de sangue, ao ver infructifero o valor de seus filhos, 
supplantado pela superioridade numérica do inimigo. 



DO r.KAZlL 399 

'*' Durante quasi dons annos lançara MatoGrosso os 
olhos em direccfio á corte, procnranclo lobrigar naimmensa 
extensão que a separava o soccorro, que sabia partido, 
mas que a falta de viveres entorpecera na inarclia. 
Acostumára-se a contar somente com o pequeno numero 
de valentes que pudera agrupar, e esses mesmos já disi- 
mados i^or outro mal terrível — a variola. 

'' Vira o forte de Coimbra, depois de queiuiado o 
nltimo cartuxo, caliir ante a i)otente esquadra inimiga 
e quatro mil homens de desembarque: sentia-se impotente 
diante do progredir da invasão, e se não derrocara a 
rJtima esperança, seguia com dôr as populações amedron- 
tadas que, abandonando os lares, procuravam nas matas 
a salvação que, em má hora, haviam coníiado ao govtirno. 

" Da pequena liotiiha a que tinha estado coníiada a 
fronteira fluvial, o mais possante navio, o Anhanibay, 
havia sido tomado, só restavam o A.ntonio João, Corumhój 
e Jaurú, pequenos vax)ores, armados de dons canhões 
cada nm, e de taes dimensões, que melhor podiam ser 
classificados lanchas. 

" Corria então o nniio de 1867, approximára-se de pouco 
em pouco a divisão expedicionária de S. Paulo e Minas. 
Cheia do mais nobre entliusiasmo atravessara a linha 
divisória e começara essa brilhante retirada, em que 
cada passo era conquistado ao inimigo, armas na mão, 
essa série inaudita de desgraças, essa epopéa de abne- 
gações de heroísmos e de dores. 

" A 11 de Julho haviam descido os três navios, com- 
mandados pelo capitão-tenente Balduíno Ferreira de 
Aguiar, para transportar do Sara as forças ao mando 
do denodado tenente-coronel António Maria Coelho e 
compostas do 1." batalhão provisório, e diversos outros 
contingentes sob as ordens dos majores Costa e Nunes 
da Cunha. Xo braço do Bananal partira o Corumbá 
uma das rodas e se detivera ; o António João e o Jaurú 



'lOO CIIRONICA OERAL 

se adiavam em viagem de volta, fio Alegre, quando, ás 
três e meia lioras da tarde foi avistado o ^^cãto do Ouayra, 
mil dos mais velozes e dos mais l)em artilhados vasos 
inimigos. 

" Tão brusca foi a apparição quanto repentino o ataque. 
A' voz do valente capitão -tenente, que chama a i^ostos, 
responde o vomitar de quatro canhões e o tiroteio de 
immensa fuzilaria, e sem perda de tempo, o Jaurú, 
alvo do primeiro fogo, incapaz de resistir á abordagem, 
o convez juncado de cadáveres, cahe em poder do inimigo. 

" Do penol do vaso brazileiro arria-se a bandeira da 
pátria, e, já paraguayo, converge esse navio seu fogo 
para o ainda ha pouco comj)anheiro de lides e agora alvo 
dos x^rojectis de seis canhões. 

'• Era supremo o perigo, mas não perde nelle a varonil 
coragem o heróe de Coimbra ! Alenta-lhe a confiança, 
que sôe inspirar o cumprimento de um dever santo I 
Arremessa-se á lacta, calmo, como sempre, previdente 
como nunca ! 

" Seu vulto assoma, ora aqui, ora aili, incutindo o valor 
com o exemplo. Por duas vezes o inimigo occupa o convez 
do António João, e outras tantas o esforço da indómita 
guarnição o prós ta vencido. 

" Uma bala certeira, enviada pelo imperial Ladisláo 
Alvares da Canha, vai alojar-se no peito do commandante 
paraguayo ; outro imperial João Henriques da Costa 
faz morder o convez ao ofíicial que dirige a abordagem. 
Ambos morrem também ; mas, como Marcilio Dias, o 
denodado marujo ; como Greenhalgh, a inditosa criança, 
sentem os corpos retalhados pelo ferro, e só quando 
não lhes resta um átomo de força para empunhar a arma 
vingadora, cahem exhalando com o ultimo suspiro o 
triumpho da pátria. 

" A' força de vapor abandona o &alto do Giiayra a acção 
e nella a x^resa, que guarnecera, e que não pôde seguil-o. 



DO BKAZIL 401 

" Certo já de uma completa victoria recebe o António 
João um pequeno contingente da tropa acampada ua 
margem opposta. 

'' O capitão Feliciano Caliope Monteiro de Mello e os 
alferes Joaquim da Cunha Barbosa, João Luiz Pereira, 
Manoel Gomes de Menezes e Adoiplio Sclineider dirigem 
esses bravos, que correm a restituir ao i^aiz o vaso que 
lhe fora arrebatado e em breve uem um só inimigo 
mancha o lenho brazileiro. 

" Ante o ar.Lor da abordagem atira-se ao rio uma 
l^arte, que vai cahir eni poder de Maria Coelho, emquanto 
a ouira exhala o ultimo alento no theatro de suas 
façanhas, 

" Desfralda -se de novo o pavilhão rairi- verde, no meio 
dos vivas enthusias ticos da soldadesca, e nas paragens 
daquelle mundo afastado resôa o liymno de mais uma 
victoria. " 

MXII. No dia 3 de Abril de 1SG7 effectuou-se, na 
cidade de Outro Preto, em Minas Geraes, com toda a 
solemnidade, o lançamento da p>edra fundamental do 
monumento que se pretende erguer, na praça princií^al 
dessa cidade, á memoria dos Incoiifidentes de mil sete- 
centos e noventa dous. Era na cidade de Ouro Preto, 
em uma pequena irainencia ao norte da extremidade da 
cidade que via-se ainda em princípios de Setembro de 1831, 
suspensa e pregada, no alto de um longo ]3áo pionteado, 
o craneo ou cabeça que havia sido salgada do martyr da 
liberdade da pátria alferes Joaquim José da Silva Xavier 
— o Tira Dentes — victima da tyranula real. 

MXIIL No dia 20 de Julho de 1867, o marquez de 
Caxias commandante em chefe dos exércitos alliados 
opera uma marcha de flaní?o >ohiv Hiiaiaytá. 

MXIV. No dia 31 de Julho fer^u-se o combate de 

CimO^XCA GEilAIí tJ£C. XVIXI. — 26 



4U2 CIIEOXICA GEKAJL 

Tiiyucui ; no dia 3 de Agosto dá-sé outro em Paucuè ; 
no dia 6 do mesmo mez dá-se outro em S. Solano. 

No dia 15, a nossa esquadra passa o Curupaity. 

No dia 20 de Agosto, as forças do general Andrade 
Neves tomam a vilhi do Pilar. 

No dia 22 de Setembro dá-se o combate de Esíero 
ãe Rojas. 

No dia 8 de Outubro dá-se outro combate em Pal- 
mares. 

No dia 29 do mesmo mez o nosso exercito dá combate 
em Foiero Oceja ; e no dia 2 de Novembro dá-se outro 
combnteem Tayl. 

No dia 3 de Novemijro de 1867' dá-se a segunda 
batallia em Taijuhi, na qual o exercito paraguayo x^erde 
no campo dous mil setecentos e trinta e quatro homens, 
mortos no combate, e o do Brazil mil setecentos e trinta 
e um. O quarto batalhão de artilharia brazileií-aé cortado e 
tomado. Os paraguayos atacaram as nossas forças atra- 
vessando pelo acami^amento argentino I ! 

MXV. No dia 25 de Novembro de 1867 inaugura-se 
o dique cliamadu do Commercio. construid.o por iniciativa 
particular na ilha do Mocanguê, dentro da bahia do 
Rio de Janeiro e perto da cidade de Nictheroy. 

MXVI. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 7 ; cyclo 
solar, 1 ; epacta, 6 ; letra dominical, E. D. 

2\1XVII. Martyrologio. Dia 1." de Janeiro, quarta-feira ; 
domingo de paschoa a 12 de Abril ; indicação romana, 11 ; 

periodo Juliano, 6,581. 

MXVIII. Fellece em Lis])oa, no dia 5 de Janeiro de 
1868, o Dr. António Peregrino M^iiiel Monteiro, barão de 
líamaracá, natural de Pernambuco. Era poeta, orador e 
litterato distincto. 

No dia 20 de Janeiro de 1868 fallece o brigadeiro Paulo 
Barbosa da Silva, mordomo da casa imperial. 



DO BRAZIL 403 

Xo dia 22 de Fevereiro de 1808 fellece a bordo do pa- 
quete em viagem, no porto da cidade da Bahia, o conse- 
lheiro António Coelho de Sii e Albuquerque. 

No dia 23 de Man;o de 1809 o bacliarel Dário Haphael 
Callado, ex-chefe de policia da corte, que achava-se 
doente, em passeio na tarde desse dia, por entre o povo 
no largo do Rocio, desappareceu da vista do pardo que o 
acompanhava sempre erii alguma distancia, para não ser 
percebido, e não foi mais visto, e nem houve qnem delle 
desse noticia. Era natural da cidade do Rio de Janeii o e 
íilho do finado general João Chrisostomo Callado. 

No dia 7 de Maio de 1808 fallece, na rua de Santa 
Thereza, o conselheiro Eusébio de Queiroz Coutinho 
Mattoso Camará, senador do império pela província 
do Rio de Janeiro. Era o chefe prestigioso da facção 
conservadora. 

Fallece, no dia 25 de Maio do mesmo anno, o padre 
António da Cunha Vasconcellos, senador pela província 
da Parahyba do Norte. 

No dia 9 de Junho de 1868 morre, no Rio de Janeiro, 
o tenente general Dr . António Joaquim de Souza. 

MXIX. No dia 19 de Fevereiro de 1808 o nosso 
exercito e a esquadra, em ataques simultâneos sobre as 
fortificações de Humaytá, franqueiam o fosso, sendo 
assaltado o reducto do Estabelecimento. 

MXX". No dia 19 de Fevereiro é assassinado, em 
Montevideo, o valente general Flores aos golpes de fa- 
náticos x^artidistas de seu paiz. Era homem de bem, e 
sincero amigo dos brazileiros. 

No dia 2 de Março são abordados os encouraçados bra- 
zileiros por canoas armadas de paraguayos ; e no dia 21 
do mesmo mez, o general Argolo assalta e toma as linhas 
inimigas de Sance, Rajos e Passo Pocu\ forçando o 
inimigo a refugiar-se em Humaytá. 



4U4 CIIKOXICA GKKAL 

'No dia 2 de Maio as nossas forças occupam o CJiaco 
vm frente de Humaytá ; e nos dias 4 e 8 os paragiiayos 
(ião combate sem vantagem pára elles. 

No dia 3 de Julho o bravo coronel Hermes dá com- 
bate sobre o reducto do Timbó. 

No dia 10 de Jullio o general Osoiiofaz o celebre reco- 
nhecimento das fortificações de Humaytá ; e no dia 16 
dando-se assalto a essas fortificações nada se conseguiu. 

No dia 18 de Julho de 1868 den-se combate em Acuyna, 
no Chaco. Os argentinos abandonaram a sua bandeira, 
que foi recolhida pelo coronel Hermes. 

Nos dias 23 e 24 dão-se combates no Chaco com as 
forças j)araguayas de Humaytá, qne tentam fugir. 

MXXI. No dia 25 de Julho as nossas forças com- 
batem no Chaco, no dia 5 de Agosto Humaytá rende-se 
sob o commando do coronel Hypi)olito Martins com todas 
as honras da guerra. Ao ter noticias disto, Lopes manda 
entregar a sua joven jnulher e cunhadas á libidinagem do 
exercito e depois lanceal-as. 

No dia 8 de Agosto o nosso exercito poem-se em marcha 
para Assumpção, capital do Paraguay ; e no dia 26 do 
mesmo mez de Agosto dá se a horrível batalha em S. Fer- 
nando por ordem do dictador Solano Lopes. 

No dia 28 de Agosto dá-se o combate do Passo Real 
no Jacaré, e a travessando -se o rio viu se três vaias, con- 
tendo cento e vinte cadáveres em três camadas, ficando 
descobertas jDara serem vistas. Outra vala com dezeseis 
cadáveres reconhecendo-se entre elles os de Barrios, 
Berges e Carrera. 

Em Setembro dá-se combate em Samby-hy. 

MXXIL Em Novembro de 1868 começa- se a fazer 
a estrada estratégica do Chaco, obra maravilhosa pelas 
difficuldades a vencer em um tei-reuo alagado e pela 
presteza com que ficou concluida. 



TiCt T.r.\7.U. 



40Í 



Xo dia u de Dezembro, o exercito acami)ado no Chaco, 
em frente a Yilleta, vai desembarcar iunto á guarda 
Santo António a três legnas jiara cima. 

MXJvIlI. Xo dia G de Dezembro o nosso exercito dá 
combate em Itororó, commandado pe':o marqnez de Ca- 
xias, onde entre ontros cliefes mrireram em combate o 
coronel ]^>rnando Machado, e os majores Eduardo da 
Fonseca e Januário de Azevedo. São feridos os generaes 
Argolo, Triumpho, Crurjão e os coronéis Hermes, Deodoro 
da Fonseca e outros. 

MXXIV. Xo dia 11 de Dezembro de 1868 dá-se a 
batalha em Ivahy, na qual o general Osório é ferido. No 
dia 17 é reconhecido o caraj)o e se dá combate em Loma 
Cumbaryty ; o no dia 21 é atacada e tomada a linlia for- 
tificada de Pillysysy, dando-se o ataque em Lomas Va- 
lentinas no dia 25. 

No dia 27 dá-se o assalto iniciado x)elo tenente coronel 
Severiano, commandante do x^rimeiro regimento de arti- 
lharia á cavallo. Estando bombardeando o flanco direito 
da fortificação inimiga fez avançar duas baterias que não 
foram percebidas do inimigo pela muita fumaça que ha- 
via no campo ; e chegando junto as trincheiras inesx)e- 
radamente dispararam três canhões, e aj^roveitando o pâ- 
nico do inimigo, fez as guarnições e troika de protecção 
galgarem as trincheiras e derrotarem este. Então o 
general em chefe marquez de Caxias, que approvára o 
acto, mandou tocar avançada. O dictador Solano Lopes, 
que ia almoçar, mal teve tempo de montar á cavallo e 
fugir. 

No dia 27 de Dezembro é sitia,da xingustura ; e no dia 
30 rendia-se ás nossas fovça'^. 

MXXY. No 29 de Julho de 1SG8 ó inaugurado o 
Asylo dos Inválidos da Pátria, na ilha do Bom Jesus 
e convento dos frades franciscanos (alli edificado em 12 



406 CIIRONICA GERAL 

de Mfiio de 1704), em terra doada pelo juiz de orphcãos 
Dr. António Telles de Menezes, fallecido a 25 de Abril 
de 1757. 

MXXVI. Computo ecclesiastico : Áureo numero, 8 ; 
cyclo solar, 2 ; epacta, 17 ; letra dominical, C. 

MXXVIL Martyrologio. Dia 1." de Janeiro, sexta- 
feira ; domingo de pasclioa a 28 de Março ; indicação 
romana, 12 ; periodo Juliano, 6,582. 

MXXYIII. No dia 17 de Janeiro de 1869 morre em 
Humaytá o brigadeiro Hilário Maximiano Antunes Gur- 
jão, nascido na cidade do Pará a 24 de Fevereiro de 1820 ; 
foi um valente general e de gloriosa memoria. 

No dia 1 de Abril de 1869 morre, no Rio de Janeiro, o 
marechal do exercito Manoel da Fonseca Lima e Silva, 
barão de Suruhy. 

No dia 11 de Outubro do mesmo anno morre o briga- 
deiro José Xavier Garcia de Almeida. 

No dia 17 de Outubro de 1869 morre Tlieopliilo Be- 
nedicto Ottoni, senador do império. A respeito dos ser- 
viços deste cidadão lea-se o que escreveu o Dr. António 
Borges da Fonseca no seu periódico. 

No dia 31 de Outubro do mesmo anno morre o general 
Henrique Marques de Oliveira Lisboa. 

No dia 20 de Dezembro do mesmo anno de 1869 morre, 
em Minas Geraes, o senador José Joaquim Fernandes 
Torres. 

MXXIX. No dia 1 de Janeiro de 1869, o coronel 
Hermes, com a divisão do seu commando, occupa a ci- 
dade da Assumpção ; e dias depois o general em chefe 
marquez de Caxias retira- se do exercito, com licença por 
doente, sendo substituído pelo marechal Guilherme José 
de Souza. 



PO i:n.\zir, 407 

MXXX. No (lia K) de Abril d»^ ISC.l), o mare- 
chal conde d' Eu toma conta do exercito brazileiro no 
Paraguay. 

No dia oO de Mnio, o general ('amara dá combate 
em Tapium, no qual morreram qninheutos soldados, e 
são prisioneiros trezentos, sendo tomados dose canhões, 
trinta e quatro carretas e três estandartes ao inimigo. 

O general Mena B:irreto no dia 1 de Junho, com a sua 
divisão, assalta e toma o desíiladeiro de Síipucahy. 

Xo dia 7 dt' Junlio, dáse o combate de Ibicuhy, onde 
iicam mortos no campo duzentos inimigos. 

No dia 21 de Julho o general Portinho, dá o combate 
de Tiijuty ; e, no dia 5 de Agosto, dáse com})ate em Sa- 
pucahy. 

No dia 7 de Agosto, é occupada Valni.-suela, e no dia 
10 assedia-so Peribebuhy. 

No dia 11 de Agosto, as nossas forças combatem e as- 
saltam o desíiladeiro de Altos, e no dia 12 combatem, 
assaltam e tomara Peribebuhy, terceira ca[)ital dn Solano 
Lopes. 

MXXXI. No dia 12 de Agosto de 1869 morre o 
general João Manoel Mena Barreto. 

MXXXII. No dia 16 deu-se a batalha de Campo Grande, 
e no dia 18, a de Caguri-jurú, e no dia 21 a de Botuy. 

No dia 29 de Outubro, o coronel Fidelis dá combate em 
Cunguaty, onde morrera oitenta e seis homens e faz 
oitenta e sete prisioneiros. 

O coronel João Tavares dá corai)ate em Nn vangnny, 
no mez de Outubro, e emTapitanguá. 

No dia 23 de Novembro fere-se combate em Jejuiçú 
no qual morrem quarenta homens, são feitos muitos 
prisioneiros, e tomados dous cnnhõís e iiraa bandeira. 

No dia 13 de Dezembro, em condjate, é tomada a guar- 
nição de lííuacúffuá. 



408 CHP.O^'ICA G-KEAL 

M>'XXIII, CompMto Pcrl^s:;u'.tico. Aiirpo ttittiP' o, 9 : 
cylo s>)]i\v, 3; epactd, 28; letra domiiiicai, B. 

MXXXIY. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, sabbado ; 
pasclioa a 17 de Abril ; Indicação romana, 13 ; periodo 
Juliano, 6,583. 

MXXXY. No dia 11 de Janeiro de ISTO fallece o 
desembargador Thomaz Xavier Garcia de Almeida. 

MXXXVI. 2^0 dia 1 de Março de 1870 morre assas- 
sinado o dictador do Paraguay Francisco Solano Loiíes. 

MXX XYII. No dia 29 de Fevereiro, tendo as forças im- 
periaes tomado o ponto de Tacuaras, foi dar combate no 
dia 1 de Março de 1870 no Aqnidaban. 

MXXXTIII. A Reforma^ de Porto Alegre, publica o 
seguinte : 

"O illustre Sr. visconde de Pelotas enviou -nos liontem 
o escripto que abaixo publicamos. 

S. Ex. que teve a gloria de conimandar as forças bra- 
zileiras que perseguiram as do dictador Francisco So- 
lano Lox^es até ás margens de Aqnidaban, onde terminou 
a guerra que sustentamos contra o governo do Paraguay, 
julgou- se obrigado a vir á imjjrensa narrar o que occorreu 
sobre a morte de Lox^es. 

Na obra do Sr. Luiz Sclmeider, conselheiro privado 
de sua magestade o imperador da Allemanba, que tem 
IDor titulo — A guerra da tríplice alUança contra o go- 
Tsrno da repidilica do Paraguay, foi esse ultimo epi- 
sodio da gigantesca lucta narrado com inexactidão, de 
modo que lia verdadeira offensa ao caracter, á iudole e 
á generosidade das nossas tror>as. 

A Gazeta de Porto Alegre, coramemorando o decimo 
anniversario do termo da guerra, transcreveu a narração 
do consellieiro Sclin^ider, aonde se diz que na presença 
do general Camará um soldado começou a apertar a 
garganta do dictador, resultando da resistência deste 



BO BP.AZfL 



409 



rolarem ninhos pnra o rio, reppirir.cio cle^xiis Lopp=; n 
cu^^to, quando um soldado de cavyllaia desíecliou lhe 
á queima roupa uui tiro sobre o coração. 

Um general da ordem do glorioso vencedor d;? Aqui- 
daban, typo do cavalheirismo, do valor nos combates, da 
generosidade na victoria, nobre, leal, brilhante represen- 
tante naquelle commando da civilisação da nossa pátria, 
não consentiria de certo que em sua presença taes actos 
se praticassem. 

O nobre general vem, pois, restabelecer a verdade, 
naiTaudo, sob sua respeitabilissima as?ignatura, o suc- 
cesso tal qual se passou. 
E' um documento que ahi fica para a historia. 
A Gazeta ãe Porto Alegre que, commemorando o pri- 
meiro de Março, só o fez com o intuito de honrar o dia e 
os herdes da gloriosa joniada de Aquidaban, de certo, 
prestando devida homenrgem á honrada palavra do ge- 
neral rio-grandense, comnosco rectificará, naquelle ponto. 
a narração do conselheiro Schneider. " 
Eis o escripto do nobre visconde : 

A Gazeta de Porto Alegre, no seu numero quarenta 
enove, de 1 de Março corrente, consagrou seu artigo 
editorial á commemoração do decimo anniversario do 
termo da guerra do Paraguay. 

A illustrada redacção, depois das linhas que escreveu, 
referindo-se ao anniversario, transcreveu o que se encontra 
na obra do Sr. conselheiro Luiz Schneider sobre a morte 
do dictador Francisco Solano Lopes. 

A transcripção terminou com estas jjalavras da redacção 
da Gazeta : 

Cremos não poder honrar melhor o dia e os heróes do 
mesmo do que recordí>ndo aoptovo os factos taes como os 
consignou a historia universal em suas tíiboas. 

Desde que teve termo a guerra do Paraguay, tenlio 
visto, com reconhecimento, as manifestações da imi)rensa 



410 CnROXICA GEKAL 

do meu paiz, em lionra do meu liUmilde nome, em re- 
lação ao successo que poz termo á guerra ; maniCes- 
tações, porém, que cabem antes ás valorosas tropas que 
tive a fortuna de commandar. 

Tenho lido também as narrações que correm impressas 
sobre a morte do dictador. 

]N'nnca confirmei umas nem refutei outras. 

Agora, porém, entendo que corre-me o dever de fazel-o, 
visto que a Gazeta cie Porto Alegre considera a nari-ição 
do conselheiro Liiz Schneider, como a verdade con- 
signada pela historia universal. 

Se não visse no que escreveu o autor da obra— A guerra 
da tríplice alliança contra o gomrno do Paraguay^ 
uma injusta oíTi^nsa á honra do soldado bríizileiro, sem- 
pre valente diante do inimigo, mas sempre nobre e gene- 
roso diante dos vencidos, de certo não refutaria a narração 
do conselheiro Schneider, sobre a morte do marechal 
Lopes. 

Não o faria, porque a verdade acaba sempre por do- 
minar na historia, e ellaha de afinal collier os documentos 
e as provas dadas pelo patriotismo e pela lealdade dos 
geneiaes brazileiros que commandaram as nossas tropas. 

Um:i vez por todas, vou narrar os factos relativos á 
morte do dictador como realmente se deram. 

I^a mj^ahã de 1 de Março de 1870, a vanguarda das 
forças de meu cominando encontrarain-so com as do ini- 
migo, achando-se á frente o marechal Lopez, nas margens 
de Aquida])an, resultando-lhe rápida derrota no curto 
combate que feriu. O marechal, seguido por dous ou 
três officiaes, fugiu em direcção ás matas de Aquidal)an- 
Minguy, sendo perseguido pelo major José Siineão de 
Oliveira e mais dous soldados de cavallaria da guarda 
nacional. 

Ahi, apeando se, entranhou-se pela mata, e eu cheguei 
nesse momento ao lugar em que havia o marechal aban- 



T)0 niíAZIL 



411 



donado o cavalloem que montava, sendo então informado 
pelo referido ma jor do que tinha occorrido. 

Se2;ui na direcção que me indicaram, só, e a pouca dis- 
tancia encontrei os dons soldados que o liaviam perse- 
guido : deram-me elles a certeza de que por alli se 
encaminhara elle, parecendo ás referidas praças que 
estava ferido. 

Ordenei-lhes que me acompanhassem, encontrando-o, 
com eíTeito, pouco adiante, na margem esquerda do 
Aqnidaban-Minguy, cahido junto ao rio, apoiando o corpo 
sobre o braço esquerdo, e tendo na mão direita a espada 
desembainhada. 

Os dons oíliciaes que o acompanhavam estavam ao seu 
lado, com as espadas em pnnho. 

Então, dizendo-lhe quem eu era, intimei-lhe que se 
considerasse prisioneiro, garantindo-lhe a vida. 

O marechal respondeu-me que não se entregava, que 
morria pela sua pátria, atirando-me um golpe. 

O oíRcial, que estava á sua direita, procurou ferir-me, 
sendo morto por um tiro dado por um dos soldados que 
me tinham acompanhado. 

O outro official, procurou fugir, sendo igualmente 
morto. 

Dirigi-me de novo ao marechal, repetindo-lhe a mesma 
intimação, recebendo, porém, a mesma resposta. 

Então chegando a sen lado um soldado do nono bata- 
lhão de infantaria, ordenei-lhe que lhe tirasse a espada ; 
o soldado, obedecendo-me, pegou-a pelo punho para 
tirar-lh'a. 

Era de certo preciso esforço, e pela posição em que se 
achava, o marechal cahiu no rio, junto ao qual íiulia os 
l^és; o corpo ficou debaixo d' agua, mas levantou ainda 
sobre ella a cabeça, morrendo em seguida. 

Tinha o marechal um ferimento de l)ala no baixo ven- 



412 



CnROXICA GERAL 



tre, que liavia recebido, naturalmente quando tranFjpunha 
o rio, janto ao qual liavia caliido ; esse ferimento de 
certo o impediu de continuar na fuga. Mandei conduzir 
o cadáver para o acamimmento por elle occupado pouco 
tempo antes. 

Dispuz sobre o seu enterro, que verificou-se á vista 
de sua mãi e duas irmcãs, debaixo do toldo de panno 
que alli existia. 

Desta expoçiçíio verdadeira ninguém tem o direito de 
duvidar, contestando a minlia palavra, para crer no que 
dizem os mal informados, como o conselheiro Sclmeider e 
os detractores da honra do soldado brazileiro. 

Porto Alegre, 8 de Março de 1880. — Visconde de 
Pelotas. 

MXXXIX. No dia 7 de Janeiro de 1870 pelas 
qnatro horas da manhã, morreu o Dr. Pedro de Araújo 
Lima, marquez de Olindn, senador do império. Foi 
regente durante a minoridade do imperador D. Pedro II. 
(Vide a sua biographia escripta por mim.) 

MXL. No dia 23 de Junho de 1870 morre, na 
cidade da Baliia, o marechal de camião Alexandre Gomes 
de Argolo Ferrão, visconde de ItaT)arica. Foi uma das 
nossas glorias militares. 

MXLI. No dia 4 de Julho de 1870 morre, no Rio de 
Janeiro, o capitão de mar e guerra António Joaquim 
Curvello de Ávila, director do observatório astronómico 
da corte. 

No dia 4 de Julho do mesmo anno mcrre o des- 
embargador António Luiz de Barros Leite, senador do 
imx)erio. (Vide a sua biographia no quinto anno do 
Brazil Histórico.) 



DO r.RAZIL 4.13 

Xo (lia 7 de Dezembro deste mesmo aiiiio de 1870 
morre o bacharel Urbano Sabino Pessoa de Mello. Era 
liberal, e autor de iinia lii:ítoria a respeito da revolução 
Praeira de Pernambuco de VS-ÍS. 

MXLII. No dia 8 de Dezembro de 1870 um incêndio 
consome a capella do forle da Boa Aniagem, na baliia no 
Rio de Janeiro. 

MXLIII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 10 ; 
cyclo solar, 4 ; ei3acta, 9 ; letra dominical, A. 

MXLIY. Marfcyrologio. Dia 1.° de Janeiro, domingo ; 
l)asclioa a 9 de Abril ; indicação romana, 14 ; periodo 
Juliano, 6,584. 

MXLY. No dia 28 de Setembro de i871 passou 
a lei n. 2040 qu«3 declara a condição livre dos filhos 
da mulher escrava, nascidos nc Brazil desse dia em 
diante. 

O regulamento foi approvado por decreto do dia 
1.° de Dezembro do mesmo anuo de 1871. 

MXLVI. Em 3 de Janho de 1871 fallece, no Rio 
de Janeiro, o tenente coronel reformado José da Silva 
Mafra, nascido na cidade do Desterro cax)ital de Santa 
Catharina, em 1788, senador do im^^erio pela mesma 
província, e viador de sua magestade a imperatriz. Prestou 
bons serviços na conquista de Cayenna em 1809. 

MXLVII Xo dia 18 de JlQIio suicidou se, no íilto 
da Tijuca, no Rio de Janeiro, o Dr, Aureliano Tei- 
xeira de Carvalho, distincto mathematico e deputado 
á assembléa geral legislativa pela provinda do Piauhy. 

MXLVIII. Fallece no dhx 29 de Outubro de 1871, 
de uma conge;jtão cerebral, no seu couvento do Ric 



414 CllKOXICA GERAL 

de Janeiro, frei Fausto do Monte Carniello, visitador 
apostólico e provincial dos carmelitas da corte. 

MXLIX. No dia 8 de Novembro de 1871 fallece, 
nesta corte do liio de Janeiro x^^las duas lioras da 
tarde, e na sua residência, á rua de D. Luiza n. 83, 
o Dr. Manuel de Mello Franco, medico, natural de 
Minas Geraes, e deputado geral por diversas vezes X)ela 
mesma província, sendo sex)ultado no cemitério de S. 
Francisco Xavier. Era medico de muita intelligencia, fran- 
queza e independência de caracter, sendo valioso au- 
xiliar da facção liberal do Brazil. Accusou vehemente- 
mente o ministro da guerra Manoel Felizardo, i^or ladroei- 
ras praticadas no arsenal de guerra da corte. 

ML. No dia 22 de Noveinbro de 1871 fallece, na 
Bahia, o visconde de Passo, Francisco António da Roclia 
Pita e Argolo. 

MLT. Falleoe o major José Joaquim dos Reis com 
noventa e sete annos. Era o homem que mais conhecia 
as escripturas sagradas, e as sabia de cór ; e me disse 
que haviam quarenta ânuos que as estudava. 

MLII. Comx)uto ecclesiastico. Áureo numero, 11 ; cyclo 
solar, 5 ; ei>acta, 20. 

MLIII. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, segun- 
da-feira ; i^aschoa a 81 de Maryo ; indicação romana, 15 ; 
l^eriodo Juliano, 6,580, 

MLiy. No dia 8 de Janeiro de 1872 fallece, no Rio 
de Janeiro pelas seis horas da tarde, Joaquim José Ro- 
drigues Torres, visconde de Itaborahy, e senador do im- 
pério. 

No mesmo dia e mesmo mez fallece o poeta Fran- 
cisco José de Souza e Silva. 



DO IJKAZIL 413 

No dia 21 de Agosto de 1872 fallece na Baliia, o 
desembargador António Calnion do Pin e Almeida, 
irmão mais mo«;o do marqiiez de Abrantes, lillios le- 
gítimos do tenente coronel José Gabriel Calmon de 
Almeida e de D. Maria Germana de Souza Magalhães, 
nascido no engenho Santo António, da freguezia de 
Nossa Senhora da Pariíicação, em Santo Amaro. Era 
formado em 1821 em Coimbra, e serv^in como auditor 
de guerra no exercito libertador na Bahia, Foi depu- 
tado á assembléa constituinte do Brazil. Era conimon- 
dador de Christo e da Rosa, 

No dia 20 de Agosto de 1872 fallece o conselheiro 
João Martins Lourenço Yianna com oitenta e oito aunos 
de idade. 

No dia 25 de Agosto fallece, pelas oito horas da 
noite, de um ataque de asthma, exercendo o cargo de 
miniscro da agricultura o conselheiro visconde de Itauna 
o doutor em medicina Cândido Borges Monteiro com 
sessenta e um annos de idade. 

No dia 10 de Setembro de 1872 i")elas três horas da 
manhã na Bahia, fallece Francisco Gonçalves Martins, 
visconde de S. Lourenço, senador pela mesma província, 
nascido no Rio Fundo, termo de Santo Amaro, no dia 
12 de Março de 1807, 

MLY. No dia 22 de Maio de 1872 é dissolvida a 
assembléa geral legislativa do império. 

MLA^I. No dia 10 de Agosto de 1872 foi lançada, 
na praça dos Remédios no Maranhão, a pedra funda- 
mental do monumento erigido em memoria do poeta 
António Gonsalves Dias. 

MLYII, Computo ecclesiastico. Áureo numero, 12 ; 
cyclo solar, G ; epacta 1 ; letra dominical, E. 

MLYIII. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, quarta- 



416 CIIROKICA GEKAL 

feira ; doiningo de pasclioa a 13 -de Abril ; indicação 
romana, 1 ; j)eriodo Juliano 6,586. 

MLIX. 1^0 dia 23 de Janeiro de 1873 fallece o 
commendador Vicente Ferreira de Castro e Silva, de 
apox)lexia cerebral, na idade de oitenta annos. Era natural 
da proviiicia do Ceará, e foi secretario da assembléa 
geral legislativa em 1831. 

No dia 29 de Maio de 1873 fallece, no hospital da 
ordem terceira da Penitencia do Hio de Janeiro, o sargento- 
mór de milícias José Joacinim dos Reis, na idade de 
noventa e oito annos, nascido a 6 de Maio de 1775, em 
Évora Monte, em Portugal, Era o individuo que melhor 
conhecia a biblia sagrada, xoois a sabia toda de cór etn 
modo a fazer applicação a qualquer leitura que fizesse 
até aos i^roprios jorna es diários. Conheceu pessoalmente 
o marquez de Pombal, e delle dava variadas noticias. 

MLX. Computo ecclesiasíico. Áureo numero, 13; cyclo 
solar, 7 ; epacta, 12 ; letra dominica^, D. 

MLXI. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, quinta- 
feira ; x^aschoa a 5 de Abril; indicação romana, 2 ; j)eriodo 
Juliano, 6,587. 

MLXII. O obituário no municijjio neutro foi de dez 
mil duzentas e sessenta e duas pessoas, sendo quinhentas 
e sessenta e sete crianças, setecentas e noventa de febre 
amarella, seiscentas e quarenta e nove de variola, e mil 
oitocentas e oitenta e oito de tísica pulmonar e outras 
moléstias. 

MLXIII. No dia 11 de Novembro de 1874 fallece, 
na sua chácara do Mendanha, em Campo Grande do 
Rio de Janeiro, na idade de setenta e sete annos o 
S':ibio naturalista consp]heii'0 Francisco Freire Allemão 
Cisneiro, lente jubilado da faculdade de medicina do Rio 
de Janeiro, medico da imi)erial camará, director do museu 



DO BEAZIL 41Y 

nacional da corte. ( Yide a sua biograpliia escripta e i)u- 
blicada por mim. ) 

MLXIV. No dia 24 de Abril de 1874 caliia sobre a 
cidade do Rio de Janeiro nm furioso temporal, e sobre a 
serra da Tijuca quebrou-se uma nuvem ou tromba, que 
inundou os lugares circumvizinlios, produzindo enchentes 
dos rios e das ruas do Andarahy, causando mortes e 
muitos estragos. 

Ha dous annos que por espaço de trinta dias, no mesmo 
mez, foram as cliuvas quasi continuas epor oito dias sem 
interrupção com fortes aguaceiros de espaço a espaço. 

A cidade capital do império assentada em um extenso 
vale todo i)lano, sem inclinação bastante i)ara o escoamento 
das aguas pluviaes, mais cedo ou mais tarde soífrera 
estragos irreparáveis pela improvidencia dos agentes do 
governo, na fiscalisação das obras que são feitas i^or 
pessoas incompetentes, sem direcção profissional. E' uma 
vergonha verem-se as ruas da cidade intransitáveis, 
quando chove, por causa das inundações. 

MLXV. O decreto n. 2.501 de 27 de Junho de 1874 
( Diário Officíal n. 176 de 16 de Julho de 1874 ) approvoa 
a pensão de trinta e seis mil réis mensaes, concedida, 
por decreto de 2 de Agosto de 1873, a D. Francisca 
Romana de Morae-, mãi dos alferes • de commissão ; 
António, Pedro e Dircco Joaquim Corrêa de Moraes e 
dos primeiros cadetes, Júlio, João e Fi-ancelino Joaquim 
Corrêa de Moraes, os quatros primeiros fallecidos em 
campanha, sendo dous em combate, dous de cholera- 
morbus, e os dous últimos que se tornaram inválidos na 
gneiTa do Paraguay. 

MLXYI. No dia 3 de Agosto de 1874 6 recolhido 
preso á fortaleza da ilha das Cobras o reverendo bispo do 
Pará D. António da Costa, i^ara cumprir a pena de quatro 

CHRONICA GERAL SEC. XVm.— 27 



418 CHRONICA <5EKAL 

annos de ]3risão em que lhe foi commatada a de quatro 
annos de prisão com trabalho. 

MLXVII. No dia 10 de Outubro de 1874 é inau- 
gurado o segundo dique da ilha das Cobras, no Rio de 
Janeiro, denominado Santa Cruz. 

MLXVIII. No dia 19 de Novembro de 1874, foram 
achados, no Ribeirão Vermelho, na cidade de Arcos, 
X^rovincia de S. Paulo, nove imagens de Jesus cruciíicado, 
sem se saber quem as deixou alli. Diversos foram os 
commentarios, e o povo aífluiu em grande numero, a adorar 
as imagens entoando ladainhas, 

MLXIX, Computo ecclesiastico. Áureo numero, 14 ; 
cyclo solar, 8 ; eiDacta, 23 ; letra dominical, C. 

MLXX. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, sexta-feira; 
paschoa a 28 de Março ; indicação romana, 3 ; jperiodo 
Juliano, 6,088. 

MLXXI. O obituário do municipio neutro foi neste 
anno de onze mil quinhentas e sessenta e cinco pessoas. 

MLXXII. No dia 8 de Abril de 1875 fallece, em 
Lisboa, o marquez de Rezende, António Telles da Silva, 
nascido a 22 de Setembro de 1790. 

No dia 23 de Outubro de 1875 fallece, em Pernambuco, 
o monsenhor Francisco Muniz Tavares, na sua chácara, 
de Parnamirim, na idade de oitenta annos. Era um dos 
vultos importantes da independência do Brazil, foi 
deputado ás cortes constituintes de Lisboa, coaio da 
constituinte do Brazil em 1823. Deixou diversos escriptos, 
entre os quaes a Historia da Revolução de Pernambuco 
de 1817. 

MLXXIII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 6 ; 
cyclo solar, 9 ; epacta, 4 ; letra dominical, B. A. 

MLXXIV. Martyrologio. Dia 1." de Janeiro, sabbado ; 



DO BEAZU. 419 

paschoa a 16 de Abril : indicação romana, 4 ; periodo 
Juliano, 6,589. 

MLXXV. No dia 28 de Março de 1876 fallece, na 
cidade da Bahia, Joaquim António Montinho com oitenta 
e quatro annos e quatro dias, nascido na Cachoeira no 
1.° de Abril de 1792. 

MLXXVI. O Cabelleira, celebre salteador, natural de 
Gloria de Goitá, comarca da Victoria (outr'ora Santo 
Antão ), soffreu a pena capital na forca, em Cinco PoTitas 
por sentença da Junta de Justiça, sendo governador de 
Pernambuco José César de Menezes, que tomara posse 
do governo em 31 de Agosto de 1774. 

Com elle foi executado outro salteador, por nome 
José Theodosio, e o pai do Cabelleira. 

Chamava-se José Gomes e a alcunha de Cabelleira 
com que se tomou famoso proveiu de ter muito grandes 
os cabellos. Era mameluco. 

D' entre as muitas trovas com que o povo celebrou 
os seus feitos e a sua morte, conservam-se ainda na 
tradição oral de Pernambuco e da Parahyba as seguintes 
quadras : 

Fecha a iDorta, gente, 
Cabelleira ahi vem, 
Matando mulheres, 
Meninos também. 

( YAEIAXTE ) 

Corram, minha gente, 
Cabelleira ahi vem, 
Elle não vem sd, 
Vem sen pai também. 



420 CHRONICA GEEAL 

Meu i^ai me x^ediíi 
Por sua benção 
Que eu não foí^se carolla, 
Fosse valentão. 

Minha mãe me deu 
Contas para rezar, 
Meu pai deu-me faca 
Para eu matar. 

Lá na minha terra, 

Lá em Santo Antão, 
Encontrei um homem 
Feito um guaribão, 
Metti-lhe a espingarda. 
Foi pa, pi, no chão. 
Meu pai me chamou 
" — Zé Gomes vem cá ; 
Como tens passado, 
No cannavial? " 

" — Mortinho de fome, 
Sequinho de sede. 
Só me sustentaria 
Em canninha verde " 

" — Vem cá, José Gomes, 
Anda me contar. 
Como te prenderam 
No cannavial ? " 



DO BRAZIL 421 

" — Eu me vi cercado 
De cabos tenentes. 
Cada pé de canna 
Era um pé de gente. 

Quem tiver seus filhos 
Saiba os ensinar, 
Yeja Cabelleira 
Que vai a enforcar. 

Adeus, ó cidade (*) 
Adeus, Santo Antão. 
Adeus, mamãizinlia 
Do meu coração. 

Foi preso nos cannaviaes do Engenho Novo de Pau 
d' Alho, pelo capitão-mór Christovão de Hollanda Ca- 
valcanti. 

Era insigne tocador de viola. 

MLXXYII. O obituário do mimicipio neutro íoi de 
quartorze mil cento e setenta e cinco pessoas, sendo três 
mil quatrocentas e setenta e seis de febre amarella. 

MLXXYIII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 16 ; 
cyclo solar, 10 ; epacta, 15 ; letra dominical. Cr. 

MLXXIX. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, se- 
gunda feira ; paschoa a 1 de Abril ; indicação romana, o ; 
periodo Juliano, 6,590. 

MLXXX. Cahindo a festa do juramento da con- 
stituição no dia 25 de Março de 1877, domingo de Ramos, 
em attenção ao dia não houve a festa official ; no entanto 

(*) Olinda. 



422 CHRONICA GERAL 

em 1883 caliindo o dia 25 de Março,- sexta-feira da xmixão, 
não obstante a grandeza do dia, se festejou o juramento 
da constituição na igreja de S. Francisco de Paula. 

MLXXXI. No dia 12 de Dezembro de 1877 fallece, 
o conselheiro José Martiniano de Alencar, com quarenta 
e oito annos de idade, e foi sepultado no cemitério de 
S. Francisco Xavier. Era orador, poeta e romancista de 
nomeada. 

MLXXXII. No dia 28 de Dezembro de 1877 fallece, 
o conselheiro Zacarias de Góes e Vasconcellos, senador 
do império pela provinda da Bahia. Foi sepultado no 
cemitério de S. Francisco de Paula. Era parlamentar, 
e de um orgulho extraordinário. 

No dia 20 de Setembro de 1878, ao meio dia fallece, 
no convento de Santo António do Rio de Janeiro, o 
reverendo guardião frei João Baptista de Santa Roza. 
Era religioso de muitas virtudes e merecimentos. 

MLXXXIII. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 
17 ; cyclo solar, 11 ; epacta, 26 ; letra, dominical, F. 

MLXXXiy. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, terça- 
feira ; domingo de paschoa a 21 de Abril ; indicação 
romana, 6 ; periodo Juliano, 6,591. 

MLXXXV. Na terça-feira 26 de Novembro de 1878, 
fallece, na villa de Santa Cruz do Rio Pardo, onde era 
jDarocho o reverendo João Domingues Figueira, nascido 
em 1809, na ilha da Madeira, e ordenado em S. Paulo, 
sendo o reverendo padre Domingues quem mandou fazer 
a j)rimeira roça, e i^rimeira vivenda ou rancho, sendo 
elle o XDrimeiro povoador da villa de Santa Cruz, e o seu 
primeiro paracho e vigário da vara, e gozou de bonita 
reiDutação, como homem e como sacerdote. 

MLXXXVI. No paquete a vajíor do dia 14 de Janeiro 
de 1878 seguiu para a provinda do Ceará a commissão 



DO r.K.vziL 423 

medica niaudada pelo governo para tratar dos enfermos 
atacados da febre negra e da bexiga, tendo por chefe o 
Dr. José Maria Teixeira. 

MLXXXYII. Sendo dissolvida a assembléa geral legis- 
lativa em 1878, mandou-se eleger ontra cuja reunião foi 
marcada para o dia 15 de Dezembro do mesmo anno. 

MLXXXVIII. No dia l.%le Junho de 1878 apparece 
o decreto 6908 mandando construir a estrada de ferro 
de Piranhas á Jataubá. Os trabalhos foram j)rincipiados 
no dia S3 de Outubro do mesmo anno. 

MLXXXIX. Computo ecclesiastico. x\.ureo numero, 
18 : cyclo solar, 12 ; epacta, 7 ; letra dominical, E. 

MXC. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, quarta-feira ; 
domingo de paschoa a 13 de Abril ; indicação romana, 
7 ; i)eriodo Juliano, 6,593. 

MXCI. A despeza geral do imiDsrio, para o exercício 
de 1879 — 1880, é fixada na quantia de cento e vinte um 
mil cento e dezenove contos quinhentos e noventa e três 
mil setecentos e trinta e uni réis, a qual será distribuída 
l^elos sete ministérios na forma seguinte : 

Império. 8.822:7258948 

Justiça . 6.778:8453391 

Estrangeiros 1.032:624^666 

Marinha 11.352:6518371 

Guerra 14.864:2288464 

Agricultura 21.389:7838891 

Fazenda 56.878:664$000 

A receita geral do império está orçada na quantia 
de cento e um mil contos. 

MXCII. No dia 13 de Janeiro de 1879 pelas dez horas 
da noite de segunda- feira, fallece na idade de setenta 
e seis annos o tenente-general, conselheiro de guerra 
Polydoro da Fonseca Quintanilha Jordão, visconde 



424 CHRONICA GERAL 

de Santa Thereza, victima de uma febre perniciosa. 
Nasceu a 2 de Novembro de 1802, e foi sepultado 
no cemitério de S. João Baptista da Lagoa. 

Na segunda feira 27 de Janeiro de 1879 fallece, a 
uma hora da manhã, na rua do Lavradio, o conselheiro 
Joaquim Marcelino de Brito, nascido na cidade da 
Bahia em 1799 , presidente do supremo tribunal de 
justiça. Foi sepultado no cemitério de S, Francisco de 
Paula. (Vide a sua biogra^^hia escrix)ta e i^ublicada por 
mim. ) 

Na segunda-feira 27 de Janeiro de 1879 fallece, o 
coronel de engenheiros António Carneiro Leão, e foi 
sepultado no cemitério de S. João Ba^Diista. 

No dia 19 de Fevereiro de 1879 fallece, em Minas 
Geraes, em Santo António do Machado, com trinta e 
três annos de idade o distincto poeta Joaquim Theophilo 
da Trindade, autor do j)oema — A virgem. 

No dia 16 de Junho de 1879 fallece, na cidade do 
Pilar, o iDadre José Henrique de Amorim com oitenta 
e seis annos de idade, nascido a 15 de Março de 1793, 
na cidade das Alagoas. Foi membro do antigo conselho 
de governo, e muito se distinguiu por suas opiniões li- 
beraes. 

MXCIII. No domingo 2 de Fevereiro de 1879, pelas 
seis horas da tarde, na presença de suas magestades, 
fez-se a ceremonia da benção da pedra fundamental 
do ediíicio da associação agrícola de Petrópolis, pelo 
internuncio monsenhor Matera, ajudado i)elo cónego Paiva 
e vigário Esch. 

MXCIV. No dia 23 de Novembro de 1879, inaugurou-se 
a santa casa de misericórdia da cidade de Pitanguy, 
na província de Minas Cleraes, fundada por iniciativa 
e esforços do finado José Theodoro da Silva, que em 
1844 com a mais pronunciada dedicação começou a 



T)0 BRAÍIL 425 

agenciar os meios para a sua fandação ; e em 1847 estava 
o sumptuoso eiiticio concluido, sendo bento pelo linado 
bispo D. António Ditoso. Em 1848, o benemérito fun- 
dador procurava abrir o hospital, quando a morte 
veiu embargar-llie o intento. Seguiram-se trinta e um 
annos, e só em 1879 foi que iDrincipiou a funccionar. 

MXCV. Computo ecclesiastico. Áureo numero, 19 ; 
cyclo solar. 27; epacta, 18; letra dominical, D. C. 

MXCVl. Martyrologio. Dia 1.° de Janeiro, quinta - 
feira ; paschoa a 28 de Março ; indicação romana, 8 ; 
periodo Juliano, 6,593. 

MXCVII. " Temos a satisfação de anuunciar que os 
feridos do dia 1.° que se acliam no hospital da mise- 
ricórdia, estão considerados livres de perigo, excepto 
Arséne Cumange, ao qual tem sobrevindo accessos de 
febre ; todos têm experimentado sensíveis melhoras. 

O brazileiro Francisco Paulo da Silva Franco pediu 
hontem alta e retirou-se para a sua casa. " 



os MORTOS 

" Sabemos que o Sr. chefe de policia ordenara que os 
corpos das victimas do dia 1.° fossem sepultados na 
valia em caixões da policia, como pessoas desconhe- 
cidas. 

'• O digno administrador do cemitério deixou de cum- 
prir essa ordem e baseado nos decretos ns. 5 e 25 de 
24 de Julho de 1872, mandou que fossem collocados 
os corpos em sepulturas separadas, segundo publicamos 
hontem, afim de que, quando o queiram, possam os 
parentes e amigos dos assassinados pedir e obter tão 
preciosos restos. 

CHBOKICA OEKAL SEC. XVn.— 27. 



42G CIIRONICA GERAL 

'' Não nos admirará, porém, que o Sr. Pindaliyba 
mande qualquer dia dar sumiço aos corpos. Quem foi 
trigo, pôde muito bem representar de liyena. " 

O Sr. Fontoura Xavier, lui Gazda da JYoile publicou á 
respeito dos estrangeiros mortos na rua da Uruguayaua, 
o seguinte : 

EPl i APMIO L\ FAM AIS TE 

Povo : 

Fitae ! Três bravos estrangeiros, 
A' fuga d' um milhão de ]irazileiros. 
Rolaram sobre o i)ó das bariicadas ! . . . . 
Morreram defendendo os nossos brios ! 
Fechemos esses túmulos vasios, 
Recebamos na Historia essas ossadas ! 

Amanhã sabereis como se chama 

Essa tragedia vil que nos infama ! . . . . 

Por hoje, este epitaphio, e nada nuds : 

— " Três bravos cidadãos da velha Europa, 

Que cahiram varados pela tropn, 

Em defeza dos brios nacionaes !...." 

1.° de Janeiro de 1880. 

AO POVO 

Na coroa que César cinge agora, 
Ao grito redemi^tor de nova aurora, 
Vacilla a pedra negra do destino ! 
Nessa pedra que a corte tanta exalsa, 
Reconhece-se emíim a pedra falsa 
Do direito divino. 



i)0 r.KA/.ir. 



42Y 



Ta, que ha pouco acordaste aos pés do tliiouo. 
Arranca aquella j^edra ás mãos do dono, 
Substitue ])(>r uni brilhante novo ! 
E que, aos olhos de quantos te aviltaste, 
Appare(,\a a inseri i^ção no novo engaste : 

— "Do niuKiro do rovo. 

4 de Janeiro de 1880. 

Em continuação a esses acontecimentos, com a clesnp- 
parição da Gazeta acima, creou o Dr. Lopes Trovão 
um diário intitulado O Combate, no qual o poeta Mathias 
Carvalho, inspirando-se nas occurrencias que motivaram 
o conflicto, i^ublica uma poesia da qual distacamos o 
seguinte treclio : 

O IMPOSTO DO VINTE Aí 



o i>i;iN('ii*Ar. 

E o rei seiítiu-se inal — lura sinistro o dia! 

Passou-lhe no frontal a contracção sombria 

Que marca a convulsão tempestuosa, interna ! 

Pois que ! leproso cão ousar sujar-lhe a perna ! 

A lama ousar subir, — tocar no Privilegio ! 

A sombra dar um passo ! o diamante régio 

Sentir manchas na luz de sua grande esphera ! 

O verme avolumar-se em i)roporções de fera ! 

Ter o arrojo brutal, o grande atrevimento 

De commentar a cifra, o dogma do Orçamento ! 

E atirardhe em cheio ao seu sagrado rosto : 

" Esse imposto é illegal ! eu não pago esse imposto ! " 

Oh ! isto era de mais I duvidar um instante 

Da granfle intolligenoia, eju Londres triumphante, 

De um rei que honra o jiaiz como honrara a Garção ! 



428 CHROKICA GEEAL 

Duvidar do saber, da vasta illustràção . . . 

— Essa herança immortal das testas coroadas, 
N'um protesto qualquer?! 

O' turbas condemnadas ! 
O que fora de vós se vos faltasse o rei, 
Esse divino ser o cérebro da lei, 
A Providencia, a mão, a arca d'alliança 
Que vos ampara e guia, a vossa segurança ? ! 
Maldictos ! não sabeis que a verba já não basta ? 
Que augmenta a parasita, essa divina casta? 
Que um rei é um pobretão com cem contos por mez, 
E vós um Rotschild com cincoenta mil réis ? ! 
Foi decretado o imposto; e a regia assignatura 
Cedendo ao povo — o vil, faria má figura: 
Ficaria aífrontada em orbita económica, 

— Ficava o precedente, uma moléstia chronica. 
Era preciso ser claramente um tyranno ! 

E o espectro fatal de Maximiliano 

Passou-lhe na cabeça ardente, ensanguentado ! 

E no fundo do craneo um grupo accentuado 

Relevava os perfis de reis de quatro raças, 

O desterro e o desprezo e as explosões das jn-aças . . . 

Longe — a Misericórdia, envolta no estandarte I 

Era preciso erguer um forte baluarte 

Que fizesse abater da plebe a effervescencia I 

E silvando feroz nas mãos da violência 

O raio do poder, armado até os dentes, 

O imperial portão gyrou nos seus batentes: 

" Daes um passo e morreis ! " 

E' ura requerimento ... — 
" Voltai ! tende juizo ! " 

Então, um movimento 
Ia fazendo o povo, alevantado e franco, 
Como o leão que sente uma picada ao flanco. 
Mas veio a reflexão: 

O que despedaçar? 



DO IIRAZIJ. 429 

Umas cousas sem nomo 'i uns átomos no ar '? 



— Está morto o systema o descoberto o réo ! — 
Disse a philosophia. 

A multidão venceu 
Retrocedendo ao lar. Sentia- se a grandeza 
Das |>rot'!indas lições da Convenção Francesa. 

MXGVIII. No diíi 1-i de Janeiro de 1880 fallece, 
na cidade de Cuyabá, o barão de Melgnço, Aug-nsto Le- 
verger, nascido em França a BO de Janeiro de]8()3. Na- 
turalisando-se cidadão brazileiro prestou bons serviços 
á causa publica. ( Vide o Jornal do Commercio de 25 
de Fevereiro de 1880.) 

MXCIX. No dia 24 de Setembro de 187G chegou ao 
Rio de Janeiro o Dr. Monra Brazil. 

Logo depois da sua formatura em 1872 pela Bahia, 
partiu para a Earopa onde demorou-se até Julho de 
1875. 

Em começo de 1874 foi convidado i^elo sábio i)rofessor 
L. de Wecker para seu chefe de clinica, lugar que exerceu 
até sua vinda para o Brazil. Esta distincção muito nos 
honrou, pela importância do serviço clinico dirigido por 
um dos professores de ophtalmologia mais notáveis da 
Europa e por ser elle brazileiro. 

Em Yienna d' Áustria acompanhou as clinicas de Arlt 
Jager e Stelhvag. 

Em Londres as de Soelberg Wells, Bowmann e Critt- 
cket, com quem manteve as melhores relações. 

O Dr. Moura Brazil é intelligencia dí^ distincção e 
coração aberto a todos os sentimentos grandes. 

Na pratica de sua especialidade e pelas suas notáveis 
memorias d^-sciencia oi)htalmologica, vertidas para varias 



4ao 



OKONICA rilOUAL 



lingiias, o illiístre mestre tem conquista-lo na Enropa e na 
America do Sul um nome glorioso e justamente admi- 
rável. 

MXCX. A Associação Promotora da Instrucção foi 
creada em 1874, com o tisn de difíundir o ensino primário 
e seen!id;i!-io no Mniiicipio Neuti-o, 

Seu 'presidente, o Senador Manoel Francisco Corrêa, 
incansável nos meios de d;ir a esta humanitária instituição 
o desenvolvimento preciso para satisfazer aos seus 
intuitos, fundou ein I8T0 uma serie de conferencias, 
que ainda hoje se realisam na Escola da Gfloria, 



^ 



SUMMARIO DAS MATÉRIAS 

C o X T T D A S X O S E G U X D O V O L U M K 



1700 — 1800 

Computo ccclesiastieo, 1700 (I). 

iNÍartyrologio (II). 

Creação da povoação, depois villa e hoje cidade, da Feira de 
t>anta Anna, IVOO á 1880 (III). 

Crêa-se o lugar de juiz de fura de Peniamhuco, 1700 (TV). 

Quinto governador da ParahyLa do Norte, 1700 (V). 

Continuam os paulistas no descobrimento das rainas de ouro, 
1700 (VI;. 

Computo ecclesiastieo, 1701 (VII). 

Martyrologio (VIII). 

Tratado entre Portugal e a Ilespanha, 1701 (IX). 

IVrnão Carrilho toma posse do governo do ^íaranlmo. 1701 
(X). 

Computo ecclesiastieo, 1702 (XI). 

Martyrologio (XII). 

Carta desobrigando D. João de Lencastro do cargo de go- 
vernador e capitão geral do Estado do Brazil, 1702 (XIII). 

Mensagem que D. Rodrigo da Costa prestou de governador 
e capitão geral do Estado do Brazil, 1702 (XIV). 

Quinto arcebispo da Bahia, 1702 (XV). 

Terceiro bispo do Rio de Janeiro, 1702 (XVI). 



II STJMMAKIO 

Decimo sétimo goveniaclor do Maranhão, 1702 (XVII). 
Novo governador do Rio de Janeiro, 1702 (XYIII). 
Convento dos Agostinhos da Bahia, 1702 (XIX). 
Governador geral da Bahia, 1702 (XX). 

Nomeações de officiaes da camará para o anno de 1703, 
(XXI). 

Governador e capitão general do Estado do Brazil, 1703 
(XXII). 

Computo ecclesiastico, 1703 (XXIII). 

Martyrologio (XXIV). 

Crêa-se o juizo da coroa em Pernambuco, 1703 (XXV). 

El-rei D. Pedro II, manda proteger os indios, 1703 (XXVI). 

Por um tratado com a Inglaterra se acabaram as fabricas de 
tecidos em Portugal, 1703 (XXVII). 

Officiaes e soccorro para a colónia do Sacramento, 1703 

(XXVIII). 
Governador da Parahyba do Norte, 1703 (XXIX). 

Provisão de officiaes da camará da Bahia, no anno de 1704, 

(XXx). 
Computo ecclesiastico, 1704, bissextos (XXXI). 
Martyrologio (XXXII). 
jVíorte do bispo de Pernambuco, 1704 (XXXIII). 

Ordem para que os juizes da villa de Santa Luzia se abstenham 
de fazer diligencias nos districtos do Rio Real, 1704 
(XXXIV). 

Computo ecclesiastico, 1705 (XXXV). 

Martyrologio (XXXVI). 

Governador do Maranhão, 1705 (XXXVII). 

Governo do Rio de Janeiro, 1705 (XXXVIII). 

Villa de Nossa Senhora do Bom Successo de Pindamonhangaba. 
1705 (XXXIX). 



DAS MATÉRIAS Dl 

Ilomenaiífiu que Luiz Cosar do Menezes prestou pelo governo o 

capitania geral do Estado do Brazil, 1705 (XL). 
El-rei desobriga D. Rodrigo da Costa, governador e capitão geral 

do Estado do Brazil, da homenagem que do dito cargo prestou 

(XLI). 
Luiz César de Menezes toma posse do governo geral, 1705 (XLII). 
E' de novo tomada a calonia do Sacramento pelos liespanhóes, 

1705 (XLIII). 
Computo ecclesiastico, 170(3 (XLIV). 
Martyrologio (XLY) . 
Kesolução, de 5 de Novembro de 170G, concedendo mil cruzados 

para a obra do palácio do arcebispo (XLVI). 
Morte de El-rei D. Pedro II, sobe ao tbrono D. João V, 1706 

(XLYII). 
Secretaries de Estado de El-rei D. João V (XLVIII). 
Crea-se a ouvidoria da comarca das Alagoas (XLIX). 
Computo ecclesiastico, 1707 (L). 
Martyrologio (LI). 
Governo do Maranhão, 1707 (LII). 
Acclamação de El-rei D. João V na Bahia, 1707 (LIII). 
Primeiro synodo diocesano no Brazil, 1707 (LIV). 
Novo governador de Pernambuco, 1707 (LV). 
Povoação de Pernambuco em 1707 (LVI). 
Computo ecclesiastico, 170S (LYIT). 
Martyrologio (LVIII). 
Guerra civil em Minas Geraes, 1708 (LIX). 
O governador do Rio de Janeiro vai a Minas, 170S (LX). 
A camará da villa Real de Santa Luzia da comarca de Sergipe 

d'El-Rei, pede maior districto, 1708 (LXI). 
Computo ecclesiastico, 1709 (LXII). 
Martyrologio (LXIII). 



rv SUMMAKIO 



António de Albuquerque Coelho de Cíirvalho toma posse do 
governo do Rio de Janeiro, 1709 (LXIV). 

Em caminho é António de Albuquerque desobedecido pelos pau- 
listas (LXV). 

Carnificina feita pelos paulistas nos portuguezes no Rio das 
Mortes (LXVI). 

António de Albuquerque manda uma força para Minas Gcraes 
(LXVII). 

Computo ecclesiastico, 1700 (LXVIII). 

Mart yrologio (LX IX) . 

Gratificaç(5es que era estylo darem-se, 1709 (LXX). 

Primeira ascenção areostatica em Lisboa, 1709 (LXXI). 

Ordem a D. Lourenço de Almeida para tomar posse do governo 
geral do Estado do Brazil com o mesmo preito e homenagem 
que prestou pelo de Angola, 1709 (LXXII). 

S. Paulo e Minas Geraes formaram capitania separada da do 
Rio de Janeiro, 1709 (LXXIII). 

Casa da misericórdia da capitania do Espirito Santo, 1709 
(LXXIY). 

Computo ecclesiastico, 1710 (LXXV). 
Martyrologio (LXX VI). 

Sua magestade desobriga Luiz César de Menezes da homenagem 
que prestou pelo governo do Estado do Brazil (LXXVII). 

Computo ecclesiastico, 1710 (LXXVIII). 

Martyrologio (LXXIXj. 

El-rei estranha ao governador de Pernambuco sobre o procedi- 
mento com o escrivão nomeado para a camará da villa do 
Penedo (LXXX). 

Revolução em Sergipe de El-Rei, 1710 (LXXXI). 

xVntonio de Albuquerque Coelho de Carvalho toma })0sse da 
capitania geral de S, Paulo e Minas, 1710 (LXXXII). 



DAS MATÉRIAS 



Iiisurreiyão em Perjiamlmco, contra os mascates portuguezes, 1710 

(LXXXIII). 
Os paulistas revoltn.m-sc contra os jesuítas, 1710 (LXXXIV). 

Invasão franccza no Rio cie Janeiro por Francisco Duclcrc, 

1710 (LXXXV). 

Computo ecclcsiastico, 1711 (LXXXVI.) 

Martyrologio (LXXXVII). 

El-rci agradece aos habitantes do Rio de Janeiro o amor e fide- 
lidade que lhe votam, 1711 (LXXXVIII). 

Creayão da camará das Alagoas, 1711 (LXXXI?v.) 

Carta a D. Lourenço de Almada para dar posse do governo geral 
do Estado do Brazil a Pedro de Vasconcellos e Souza (XC). 

Continuação da guerra civil, contra os mascates de Pernambuco, 

1711 (XCI). 

A villa de S. Paulo é elevada a cidade, 1711 (XCII). 

Homenagem que Pedro de Vasconcellos e Souza prestou ^jelo go- 
verno do Estado do Brazil, 1711 (XCII). 

Fundação do AiTaial dos IMorrinhos, 1711 (XCIV). 

Segunda invasão franceza no Rio de Janeiro, 1711 { CXV). 

Navios existentes na bahia do Rio de Janeiro, 1711 (XCVI). 

E' incorporada á coroa a capitania doada a Pedro Lopes de 
Souza, 1711 (XCVII). 

O governador de Pernambuco convida os magistrados para sen- 
tenciarem os criminosos do Recife, 171.! (XCVIII). 

Computo ecclesiaslico, 1712, bissexto (XCIX). 

Martyi*ologio (C). 

El-rei mandou procurar os culpados da invasão franceza no Rio 
de Janeiro de 1711 — 1712 (Cl). 

Computo ecciesiastico, 1713 (CXI). 

Martyrologio (CHI). 

Morte de D. Francisco de Souza, 1713 (CIV). 



vr SUMMARIO 

Chega de Lisboa ordem para novas devassas, 1713 (CV). 

Governador de S. Paulo, 1713 (CVI). 

Tratado de limites entre a França e Portugal, 1713 (CVII). 

Lançamento para o resgate da cidade, 1713 (CVIII). 

Lançamentos de impostos em favor do resgate da cidade do Rio 
de Janeiro, 1713 (CIX). 

Rendimento dos quintos do ouro, 1713 (CX). 

Computo ecclesiastico, 1714 (CXI). 

Martyrologio (CXII). 

Homenagem que o vice-rei marquez de Angeja prestou pelo go- 
verno do Estado do Brazil, 1714 (CXIII). 

Ordem para Pedro de Vasconcellos e Souza dar jjosse do governo 
do Estado do Brazil ao marquez de Angeja (CXIV). 

El-rei aj^prova a contribuição do povo para o resgate da cidade 
do Rio de Janeiro, 1714 (CXV). 

Os prisioneiros da guerra contra os mascates de Pernambuco em- 
barcam para Lisboa, 1714 (CXVI). 
Povoação de Santa Catharina, 1714 (CXVII). 
Computo ecclesiastico, 1715 (CXVIII). 
^Martyrologio (CIX). 
E' reduzida a contribuição do povo do Rio de Janeiro, 1715 



São expulsos os ciganos de Portugal, 1715 (CXXI). 

Providencias as fortalezas do Rio de Janeiro, 1715 (CXXII). 

Restituição da colónia do Sacramento, 1715 (CXXIII). 

Morre o jesuita Prudencio do Amaral, 1715 (CXXIV). 

Computo ecclesiastico, 1710, bissexto (CXXY). 

Martyrologio (CXXVÍ). 

Portaria mandando saliir os estrangeiros como prejudiciaes a 
conquista do Brazil, 1716 (CXXVII). 

Povoação da aldeia do Corretão, 1716 (CXXVIII). 



DAS MATElilAP VII 

Computo ccelesiasticO; 171 7 (CXXIX). 

Martyrologio (CXXX). 

Xi.>nu'ação dos officiae^; para o senado da Bahia no aiuio de 1717 
(CXXXI). 

Santo António foi coulirniado no posto de tenente, 1717 (CXXXII). 

Novo governador de 8. Paulo, 1717 (CXXXIII). 

A capitania do Espirito Santo passou para a coroa, 1717 
(CXXXI V). 

Fundação do convento de Mafra, 1717 (CXXXV). 

Computo ecclesiastico, 171'=' (CXXXYI). 

:Maríyrologio (CXXXVII). 

Grande tempestade nas illias dos Açores, 1718 (CXXXVIII). 

Chafariz da Carioca, 1713 (CXXXIX). 

São expulsos os estrangeiros da Bahia, 1719 (CXL). 

Vulcão da ilha do Pico, 1710 e 1720 (CXLI). 

Rebellião era Minas Geraes, 1720 (CXLII). 

Computo ecclesiastico, 1720, bissexto (CXLIII). 

Martyrologio (CXLIV). 

Bispado do Grão Pará, 1720 (CXLY). 

Crea-se em Santa Catharina a villa de Santo António dos Anjos, 
1720 (CXLVI). 

Revolução em Minas cora o fim de impedir o estabelecimento 
das casas de fundição, 1720 (CXLVII). 

Fundação da ermida de N. S. da Corrente da cidade do Penedo, 
1720 (CLXVIII). 

Separação da igreja do Pará da do Maranhão, 1720 (CXLIX). 

Minas Geraes é elevada a capitania separada do governo de 
S. Paulo, sendo D. Lourenço de Almeida seu primeiro gover- 
nador, 1720 (CL). 

Fundação da Academia Real de Historia, em Lisboa, 1720 (CLI), 



Viri SUMMARIO 

Crea-se em Lisboa a Academia Real de Historia Portugueza, 1720 
(CLII). 

Vasco Fernandes César de Menezes, vice-rei do Brazil toma 
posse do governo, 1720 (CLIII). 

Computo ecclesiastico, 1721 (CLIV). 

Martyrologio (CLV). 

Villa de Abrantts, Bahia (CL VI). 

Nomeação de officiaes 2)ara o senado da camará da Bahia, 1721 

(CLVII). 
Rodrigo César de Menezes vai governar S. Paulo, 1721 (CLVIII). 
Bando de 14 de Fevereiro de 1721 contra os ciganos (CLIX). 
Convento ou hospício do Carmo das Alagoas, 1722 (CLX). 
Computo ecclesiastico, 1722 (CLXI). 
]\Lartyrologio (CLXII). 
Os moradores de Sergipe representam ao governador da Bahia 

sobre a cobrança da finta, 1722 (CLXIII). 
Bando de 28 de Abril de 1722 sobre o uso de armas prohibidas 

(CLXIV). 
Bando de JO de Maio de 1722 prohibindo o contacto com os 

navios estrangeiros (CLXV). 

Bando de 16 de Maio de 1722 sobre o ouro da serra dos Bay- 

tarans nos Ilheos (CLX VI). 
Ao senado da camará, sobre as camas para o patriarcha e seus 

gentis homens (CLXVII). 

Nomeações de officiaes para o senado da camará da Bahia, 1722 

(CLXVIII). 
Irmandade de N. S. da Barroquinha da cidade da Bahia, 1722 

(CLXIX). 
Computo ecclesiastico, 1723 (CLXX). 
Martyrologio (CLXXI). 

Hospício de N. S. da Palma na Bahia, 1723 (CLXXII). 
Grande epidemia era Portugal, 1723 (CLXXIII). 



DAâ MATÉRIAS II 

Bando Je oO do Abril de 1723 sobre deserção da marinhagem 
(CLXXIV). 

Pena aos desertores, bando de 13 de Agosto de 1723 (CLXXV). 
Bando de 20 de Agosto de 1723 sobre os ciganos (CLXXVI). 

Bando de 2 de Outubro de 1723 para partir a frota a 30 de 
Outubro (CLXXVII). 

Bando de 17 de Outubro de 1723 sobre passar mostra a tropa 
(CLXXVIII). 

Bando de 7 de Novembro de 1723 ao partir a frota no mez de 
Novembro (CLXXIX). 

^lorte do missionário Angelo dos Reis, 1723 (CLXXX). 

Fundarão de ^Montevideo, 1723 (CLXXXI). 

Hospicio de Jerusalém, 1724 (CLXXXII). 

Furiosa tormenta na ilha da Madeira, 1721 (CLXXXIÍIj. 

IIoiTenda tempestade em Lisboa, 1724 (CLXXXI V). 

Computo ecclesiastico, 1724, bissexto (CLXXX Vj. 

Martyrologio (CLXXXVI). 

Morre o padre Bartholomeu Lourenço de Gusmão chamado o 
voador, inventor do balão aerostatico, 1724 (CLXXXVII). 

Primeiro bispo do Pará, 1724 (CLXXXVIII). 

Computo ecclesiastico, 1725 (CLXXXIX). 

Martyrologio (CXC). 

Bando de 10 de Setembro de 1725 sobre a vestimenta de negros 
e mulatos presos (CXCI). 

Ordem a camará para se illuminar a cidade da Bahia na chegada 
do arcebispo, 1725 (CXCII). 

Recepção do arcebispo, 1725 (CXCIII). 

Rendimento das quintas do ouro (CXCIV). 

Computo ecclesiastico, 172G (CXCV). 

Martyrologio (CXC VI). 



X SUJIMARIO 

El-rei manda entregar a mulher do governador do Rio de Janeiro, 
Francisco de Castro de Moraes, os bens de sua meação, 1726 
<CXCVII). 

A povoação de Santa Catliarina é elevada a categoria de villa, 
172(5 (CXCYIII.) 

Bando de 16 de Abril de 1726 prohibindo as bebidas na semana 
.santa (CXCIX). 

O governo toma providencias sobre tudo, 1726 (CC). 

Grande zelo pela alimentação publica, 1726 (CCI). 

Computo ecclesiastico, 1727 (CCII). 

Martyrologio (CCIII). 

Bando de 8 de Abril de 1727 sobre o entrudo (CCIY). 

Bando de 19 de Maio de 1727 sobre navios estrangeiros (CCV). 

Bando de 17 de Maio de 1727 sobre as equipagens (CCVI), 

Quinto governador da capitania de S. Paulo, 1727 (CCVII). 

Sublevação dos soldados do Terço Velho da Bahia, 10 de Maio 
de 172S (CCVIII). 

Computo ecclesiastico, 1728, bissexto (CCIX). 

Martyrologio (CCX), 

Detenção do mestre de campo João de Araújo e Azevedo, 1728 
(CCXI). 

Portaria ao juiz ordinário da villa de Jaguaripe sobre o mestre 
de campo João de Araújo e Azevedo, 1728 (CCXII). 

Computo ecclesiastico, 1729 (CCXIII). 

Martyrologio (CCXIV), 

E' creada a parochia de Nossa Senhora do Desterro, em Santa 
Catharina, 1730 (CCXV). 

Dinheiro da finta em Sergipe d'El-Rei, 1730 (CCXVI). 

Ordem incluindo três presos chegados como soldados uo Terço 
Novo da Bahia, 1730 (CCXVII). 

Ao sargento-mór de Sergipe de EI-Rei, 1730 (CCXVIII). 



DAS M ATERIAS XI 

Prisíio e devassa sobro o prooeilinioiito do Domingues Antunes, 
capitão-mór da povoayão de S. Matlicus, 1730 (CCXIX), 

Não perniittindo o estabelecimento do correios terrestres, 17.30 
(CCXX). 

Mato Grosso, 1730 (CCXXI). 

Para o juiz coramissario José de Oliveira Pimentel remetter ou 
restituir os papeis pertencentes a missão de Araxá, 1730 
(CCXXII). 

Informação a respeito da comarca das Alagoas, 1730 (CCXXIII). 

Igreja de S. Domingos da Bahia, 1731 (CCXXIV). 

E' prohibida a sabida das mulheres dos domínios do Brazil para 
o reino de Portugal, 1732 (CCXXV). 

Diamantes que foram para Portugal, 1730 (CCXXVI). 

Mato Grosso foi povoado pelos moradores de Cuyabá (CCXX VII). 

Chuvas continuas e desmoronamentos de terras na cidade da 
Bahia, 1732 (CCXXYIII). 

Crea-se a freffuezia de Nossa Senhora do 'Desterro de Santa 

Catharina, 1732 (CCXXIX). 
Sexto governador de S. Paulo, 1732 (CCXXX). 
Desvio do curso do rio Maranhão ou Goyaz, 1732 (CCXXXI). 
Igreja da Santíssima Trindade da Bahia, 1733 (CCXXXII). 
Seminário de S. José do Rio de Janeiro, 1735 (CCXXXIII). 
O quinto vice-rei do Brazil chega a Bahia, 1735 (CCXXXIV). 
Junta de justiça criminal em Pernambuco, 1735 (CCXXXV). 
Convento do Carmo das Alagoas, 1735 (CCXXXVI). 
Convento das mercês da Bahia, 1735 (CCXXXVII). 
Igreja de S. Francisco de Paula da Bahia (CCXXXVIII). 
Primeira fortaleza no Rio Grande do Sul, 1737 (CCXXXIX). 
Morte do Dr. João Calmou, 1737 (CCXL). 
Sétimo governador de S. Paulo, 1737 (CCXLI). 
Fallecimento do conde de Sarzedas, 1737 (CCXlilI). 



XII SUaiMAKIO 

Os estrangeiros que occupavara a ilha de Fernando de KoronLa 
são expulsos delia, 1738 (CCXLIII). 

Em Santa Catharina é creado governo separado de S. Paulo, 1738 
(CCXLIV). 

Tratamento que se deverá dar as pessoas, 1739 (CCXLV). 
Extraordinária enchente do Rio de S. Francisco, 1739 (CCXLVI). 
Oitavo governador de S. Paulo, 1739 (CCXLVII). 
El-rei D. João mandou reduzir a duzentos o numero dos frades 
de S. Francisco, 1739 (CCXLVIII). 

Aldeia de Ipuca ou da Sacra Familia, 1740 (CCXLIX). 

Bispo do Rio de Janeiro, 1741 (CCL). 

A tropa do Rio Grande se suhleva, 1742 (CCLI). 

\ capitania de Goyaz fica independente de S. Paulo, 1744 

(CCLII). 
Irmandade de Nossa Senhora do Carmo das Alagoas, 1744 

(CCLIII). 
Capella de S. Miguel da cidade da Bahia, 1744 (CCLIV). 
Igreja do Senh.or do Bomfim da Bahia, 1745 (CCLV). 
Bispo de S. Paulo, 1745 (CCLVI). 
Creação do bispado de Marianna, 1745 (CCLVII). 
Creação do bispado de S. Paulo, 1745 (CCL VIII). 
A villa do Carmo ó elevada a cidade com o titulo de Marianna, 

1745 (CCLIX). 

Creação do bispado de Minas Geraes, 1745 (CCLX.) 

Prelasia de Mato Grosso, 1745 (CCLXI). 

Armações de baleias, 1746 (CCLXII). 

Creação da villa de Mato Grosso, 1746 (CCLXIII). 

Divisão de bispados e creação de prelasias, 1746 (CCLXI V). 

D. Frei António do Desterro, bispo do Rio de Janeiro (CCLXV). 

Fazenda da Jurujuba (CCLXVI). 



:-)AS MATÉRIAS 33^1 

Chuvas torrcnciaes com disniuroiiamoiitos iia Baliia, lítV 

(CCLXVII). 
Augmcnto cia povoayão de Santa Cathaiiiia, 1717 (CCLXVIII). 
El-rei D. Doão V recebe o titulo de Fidelíssimo, 1748 (CCLXIX). 
Novas capitanias geraes, 1748 (CCLXX). 
Expediyiío do Pará á ]\[ato Grosso, 1749 (CCLXXI). 

E' reunida a caj^ittinia de S. Paulo a do Rio de Janeiro, 1749 
(CCLXXII). 

Novo governador de Santa Catharina, 1749 (CCLXXIII). 
Crea-se a ouvidoria de Santa Catharina, 1719 (CCLXXIV). 
Tratado de limites entre Portugal eHespanlia, 1750 (CCLXXV). 
Passagem do gado do Rio da Prata para os cami^os do Rio 
Grande (CCLXX VI). 

Provedoria de Santa Catharina, 1750 (CCLXXVII). 

Creaçi^o da villa de S. Pedro do Rio Grande do Sul, 1750 
(CCLXXVIII). 

Forte do Guaporé, 1750 (CCLXXIX). 

Morre em Lisboa El-rei D. João V, 1750 (CCLXXX). 

Ministros de Estado de El-rei D. José T, 1750 (CCLXXXI). 

Falleeimento do Dr. Carvalho, 1750 (CCLXXXII). 

Fundação da capital de Mato Grosso, 1751 (CCLXXXIII). 

Primeiro governador do Rio Negro, 1751 (CCLXXXIV). 

Decimo nono governador e capitão general do Estado do Maranhão 
e Grão Pará, 1751 (CCLXXXV). 

Academia dos selectos no Rio de Janeiro, 1752 (CCLXXXVI). 

Deraarcaí;ão de limites, 1752 (CCLXXXVII). 

A povoa(;ão de Macapá ó elevada a villa, 1752 (CCLXXXVIII). 

Rendimento das quintos de ouro, 1752 a 1766 (CCLXXXIX.) 

Fundação da villa de Macapá, 1752 (CCXC). 

Fundação da nova igreja de Santa Luzia da cidade do Rio de 
Janeiro, 1752 (CCXCI). 



SUMMARIO 



Casas de fundição em Minas Geraes, 1752 (CCXCII). . 
Sociedade dos selectos, 1752 (CCXCIII). 

Creação da villa da Barra do Rio de S. Francisco, 1753 (CCXCIV). 
Demarcação de limites, 1753 (CCXCV). 

Creação do juiz de fora do Pará, 1753 (CCXCVI). 

A villa de íSouza, muda o nome para o de Bragança, 1753 

(CCXCVII). 
Primeiro governador do Grão Pará, 1753 (CCXCVIII). 
Novo governador de Santa Catliarina, 1753 (CCXCIX). 
Quinta forma de governo do Grão Pará, 1754 (CCC). 
Villa de Tapajós, 1754 (CCCI). 
Nasce António de Araújo e Azevedo, 1754 (CCCII). 
São Nicolau de Suruhy, 1755 (CCCIII). 
Nossa Senhora da Ajuda de Guapemerim, 1755 (CCCIV). 
Freguezia de S. José em Santa Catliarina, 1755 (CCCV). 

Património da capella do Senhor do Bomíim, em Taperaguá, na 
cidade das Alagoas, 1755 (CCCVI). 

Lei de liberdade dos Índios, 1755 (CCCVII). 

Terremoto do 1,° de Novembro de 1755 (CCCVIII). 

Combate dos indios das missões do Paraguay, 1756 (CCCIX). 

A comarca do Rio Negro fica independente do Pará, 1757 

(CCCXj. 
Creação de corpos auxiliares no Maranhão, 1757 (CCCXI). 
Creação da villa de Monte Alegre, 1758 (CCCXII). 
Um leilão nunca visto succedido com o padre Marcos Gomes 

Ribeiro, 1758 (CCCXIII). 
Igreja de S. Francisco de Paula do Rio, 1759 (CCCXIV). 
Expulsão dos jesuítas de Portugal e Brazil, 1759 (CCCXV). 
Fastos astronómicos, 1759 (CCCXVI). 
Vigésimo governador geral do Estado do Pará, Maranhão e Rio 

Negro, 1759 (CCCXVII). 



DAS MATÉRIAS XV 

Aoailoniia livnzilioa tios ronascidos, I7õ9 (CCCXVIII). 
Poiaes nas ruas da cidade da líahia, 1700 (CCCXIX). 
Computo ooclesiastifo, 17G0 (CCCXX.) 
Martyrologio (CCOXXI). 

Prisão dos jesuítas na Bahia, 17G0 (CCCXXII). 
Recibo dos padres jesuítas embarcados com destino a Lisboa na 
nau ^\^ssa Sinhora do Livramento e S. José, IVOO (CCCXXIII). 
Capella do Menino Deus em Santa Calharina, 17G0 (CCCXXIV). 

Carta regia nomeando governador para o Rio Grande do Sul, 
1760 (CCCXXV). 

Kasce Balthazar da Silva Lisboa, 1761 (CCCXX VI). 
Forte de Santa Thereza no Rio Grande do Sul, 1761 (CCCXX VII). 
Divida do Estado do Biazil de 1761 a 1780 (CCCXXVIII). 
Kovo governador de Santa Catharina, (CCCXXIX). 
Nova tomada da colónia do Sacramento, 1762 (CCCXXX). 
Os hespanbóes invadem a provincia do Rio Grande do Sul, 1763 
(CCCXXXI). 

Kasce José Bonifácio de Andrada e Silva, 17G3 (CCCXXXII), 

Ê restituída a colónia do Sacramento, 1764 (CCCXXXIII). 

K de novo elevado o território de S. Paulo a ca]>itania, 1765 
(CCCXXXIV). 

Novo governador de Santa Catliarina, 1705 (CCCXXXV), 

Alistamento dos moradores da Bahia, 1766 (CCCXXXVI). 

Rendimento dos quintos do ouro, 1766 a 1777 (CCCXXXVII). 

Povoador do sertão de Viamão no Rio Grande do Sul, 1767 
(CCCXXX VIII). 

Tremor de terra na Bahia, 1769 (CCCXXXIX). 

Abolição da provedoria-raór da fazenda real, 1770. (CCCXL). 

Quilombo de negros fugidos, 1770 (CCCXLI). 

Fundação de villas, 1770 (CCCXLII). 



XYI âUilMABIO 

Morre o primeiro governador de Goyaz, 1770 (CCCXLIII). 

Valor dos bens dos jesuitas na Bahia e em Sergipe, 1770 
(CCCXLIV). 

Casa da opera antiga da Baliia, 1770 (CCCXLV). 
Palácio do governo e cathedral do Pará, 1771 (CCCXLYI). 
Fundação de villa, 1771 (CCCXLVII). 
Computo ecclesiastico, 1771 (CCCXLYIII). 
Martja-ologio (CCCXLIX). 

Nasce na Baliia o Dr. António Ferreira França, 1771 (CCCL). 
Nasce D. Marcos de Noronha o Brito conde dos Arcos, 1771 
(CCCLI). 

Nasce Luiz Paulino Pinto da França, 1771 (CCCLII). 

E' desani-iexada a villa de Santo António dos Anjos do governo 

deS. Paulo, 1771 (CCCLIII). 
Computo ecclesiastico, 1772, bissexto, (CCCLIV). 
Martyrologio (CCCLV). 

Nasce D. Diogo de Menezes, 1772 (CCCLVI). 
Computo ecclesiastico, 1773 (CCCL VII) . 
Martyrologio (CCCLVIII) . 
Fallecimentos, 1773 (CCCLIX). 
Novo governador de Minas Geraes, 1773 (CCCLX). 
Compnto ecclesiastico, 17 7-1 (CCCLXI). 
Martyrologio (CCCLXII) . 

Combate naval na barra do Rio Grande, 1774 (CCCLXIII). 
Nascimento, 1774 (CCCLXÍV). 

Novo governador de Santa Catharlna, 1774 (CCCLX V). 
A povoaçílo de Lages é elevada a villa, 1774 (CCCLXVI). 
Computo ecclesiastico, 1775 (CCCLX VII). 
Martyrologio, (CCCLX VIII) . 
Nascimento notável, 1775 (CCCLXIX). 



DAS MATÉRIA» XVII 

Separação dos governos do Maranhão e Pará, 1775 (CCCLXX). 

Novo governador de S. Paulo, 1775 (CCCLXXI). 

Governo de Santa Catharina, 1775 (CCCLXX II j. 

Separação da capitania de Jlinas da de S. Paulo, 1775 
(CCCLXXIII). 

Computo ecclesiastico, 177G, Lissexto (CCCLXXH'). 

Martyrologio (CCCLXXV). 

Restauração do Rio Grande do Sul do poder dos hespauhóes, 
177G (CCCLXX VI). 

Carta régia prohibindo o officio de ourives no Brazil, 1770 
(CCCLXX VII). 

Parte de Cadix a esquadra Lespanhola com destino ao Rio da 
Prata e na sua passagem toma a illia de Santa Catharina, 1776 
(CCCLXX VIII). 

Computo ecclesiastico, 1777 (CCCLXXTX). 

Martyrologio (CCCLXXX). 

Crea-se a junta de justiça do Maranhão, 1777 (CCCLXXXI). 

D. Pedro Cevallos põe em sitio a colónia do Sacramento, 1777 
(CCCLXXXII). 

Tratado de Santo Ildelfonso entre Hespanha e Portugal, 1777 
(CCCLXXXIII). 

Luiz de Vasconcellos e Souza, quarto vice-rei , 1778 
(CCCLXXXIV). 

Caracter de Luiz de Vasconcellos e Souza (CCCLXXXV). 
Computo ecclesiastico. 1778 (CCCLXXXVI). 
Martyrologio (CCCLXXXVII). 

O procurador-raór da Fazenda representa a PZl-rei soLre os privi- 
légios dos conventos, 1778 (CCCLXX XYIII). 

O coronel Veiga Cabral e Caniara é nomeado governador de Santa 
Catharina, 1778 (CCCLXXXIX). 

Computo ecclesiastico, 1770 (CCCXC). 

*mi. DA CHR. — 2 



XVIír SUMMAEIO 

Martyrologlo (CCCXCI). 

O marechal António Carlos Furtado de Mendonça é expulso do 

exercito por cobarde, IVTO (CCCXCII). 
Epidemia no Rio de Janeiro, Zamparina, 1779 (CCCXCIII). 

O brigadeiro Teixeira Homem toma posse do governo de Santa 

Catharina, 1779 (CCCXCIV). 
Computo ecclesiastico, 1780, bissexto (CCCXCY). 
Martyrologlo (CCCXCVI). 
O brigadeiro Sebastião da Veiga Cabral toma posse do governo 

do Rio Grande do Sul, 1780 (CCCXCVII). 

Computo ecclesiastico, 1781 (CCCXCVIII). 

Martyrologlo (CCCXCIX). 

Nasce João Vieira de Carvalho, marquez de Lages, 17S1 (CD), 

Computo ecclesiastico, 1782 (CDT). 

Martyrologlo (CDU). 

Francisco da Cunha Menezes é nomeado governador para S. Paulo, 

1782 (CDIII). 
Computo ecclesiastico, 1783 (CDIV). 
Martyrologlo (CDV). 

Suspensão do ouvidor da capitania do Maranhão, bacharel Julião 
Francisco da Silva Siqueira Monclaro, 1783 (CDVI). 

Hospital dos Lázaros da Bahia, 1784 (CDVII). 

Computo ecclesiastico, 1784, bissexto (CDVIII). 

Martyrologlo (CDIX). 

Morte do bispo de Olinda D. Thomaz da Encarnação, 1784 
(CDX). 

Nasce no Rio de Janeiro Fr, Francisco de Mont'Alverne, 1784 
(CDXI). 

Computo ecclesiastico, 1785 (CDXII), 
Martyrolo^io (CDXIII), 



DAS MATEIUAS 3CIX 

Portugal reivindica as glorias da invenção do balão acróstico, 

17SÕ (CDXIV). 
Computo ecclesiastico, ITSG (CDXV). 

Martyrologio (CDXVI). 

Kovo governador de Santa Catbarina, ITSG (CDXVII). 

Computo ecclesiastico, 1T87 (CDXVIII). 

Martyrologio (CDXIX) . 

Computo ecclesiastico, ITSS, bissexto (CDXX). 

Martyrologio (CDXXI). 

Kovo governador de S. Taulo, ITSS (CDXXII). 

Creação da villa do Principe uo Rio Grande do Xorte, 1788 

(CDXXIII). 
O coronel Veiga Cabral toma posse da ilha de Santa Catharina, 

1788 (CDXXIY). 
Computo ecclesiastico, 1789 (CDXXY). 
MartjTologio (CDXX VI). 

Villa de Nossa Senhora da Piedade de Magé, 1789 (CDXXVII). 
D. José Luiz de Castro segundo conde de Rezende quirto 

vice-rei, 1790 (CDXXVHI). 
Sabbado 27 de Novembro morre no Rio de Janeiro o cirur" 
gião-mór do regimento de Maura António José Pinto, 1792 
(CDXXIX). 
Sabbado U de Agosto, nasce era Pernambuco o barão de Igua- 
rassú (Dr. Peixoto), 1797 (CDXXX). 

Quarta-feira 22 de Setembro nasce António Telles da Silva 
Caminha de Menezes, marquez de Rezende ; filho de Fernando 
Telles, tenente general e capitão general da Bahia, e vice-rei 
do Brazil no Rio de Janeiro, 1790 (CDXXXI). 

Computo ecclesiastico, 1790 (CDXXXII). 

Martyrologio (CDXXXIH). 



XX SUMMARIO 

Fastos aslroiioinicos (CDXXXIV). 

O conde de Rezende toma posse do vice-reinado do Brazil, 1790 
(CDXXXV). 

Grande secca em Pernambuco, líOO a 1793 (CDXXXVI). 

Novo governador de Santa Catharina, 1791 (CDXXXVII). 

Computo ecclesiastico, 1791 (CDXXXVIII). 

Martytologio (CDXXXIX). 

Ceará (CDXL). 

Computo ecclesiastico, 1792, bissexto (CDXLI). 

Martyrologio (CDXLIIj. 

Fastos astronómicos (CDXLIII). 

Grande enchente do Rio Paraguassú, Bahia, 1792 (CDXLIV). 

Execução do Tira-Dentes, no sabbado 21 de Abril de 1792, 
(CDXLV). 

Governador de Santa Catharina, 1793 (CDXLVI). 

l\atrimonio da igreja de Santa Rita das Alagoas, 1793 
(CDXLVII.) 

Computo eccle.siastico, 1795 (CDXLVIÍI.) 

Martyrologio (CDXLIX). 

Morre em Liyboa José Basílio da Gama, 1795 (CDL). 

ISTasce em Villa Rica Bernardo Pereira de Vasconcellos, 1795 
(CDU). 

Computo ecclesiastico, 1796, bissexto (CDLII). 
Martyrologio (CDLIII). 

ISÍasce no Maranhão João Braulio Muniz, 1796 (CDLIY). 
Morre o bispo de Pernambuco D. Fr. Diogo de Jesus Jardim' 
1798 (CDLY). 

Nasce cm Pernambuco José da Natividade Saldanha, 1796 
(CDLYI). 

Computo ecclesiastico, 1797 (CDLVIT). 

Martyrologio (CDL VIII) . 



DAS MATÉRIAS XXI 

Nasce na Bahia Manoel Alvos Branco, 1V07 (CDLIX). 

Novo governador de S. Paulo, 1797 (CDLX). 

Computo ecclesiastico, 179S (CDLXI). 

Martyrologio (CDLXIÍ). 

Nasce D. Pedro de Alcântara i")rimeiro Imperador do Bra/il, 1798 

(CDLXIII). 
Computo ecclesiastico, 1799 (CDLXIV). 
Martyrologio (CDLXV). 

Tremor de terra nas Alagoas, 1799 (CDLX VI). 
O Rio de Janeiro teve sete vice-reis (CDLX^'H). 



1800 — 1882 



Computo ecclesiastico, ISOO (I). 
Martyrologio (II). 

Divisão administrativa do Brazil (III). 
Morte do governador de Santa Catliarina, 1300 (IV). 
Fecundidade de uma senhora brazileira, 1800 (V). 
Grande diamante achado em Abaete, 1800 (VI). 
Nasce na Bahia Joaquim Francisco Alves Branco Muuiz Barreto, 
1800 (VII). 

Continuação do império (VIII). 

Duração das audiências. — Enfermidade da canclla real em con- 
sequência da mordedura de um carra}>ato (IX). 

O príncipe regente volta para S. Christovão (X). 

Como vivia o príncipe regente na fazenda de Santa Cruz e na 
ilha do Governador (XIj. 

Alteração que fez na sua vida depois da morte da rainha mãi 
(XII). 

O coronel Joaquim Xavier Curadu é nomeado governador de 
Santa Catharina, IS 00 (XIII). 



XXII SUMMA.RIO 

Computo ecclesiastico, 1801 (XIV). 

Martyrologio (XV). 

São proliibidos os enterramentos dos cadáveres nas igrejas, 1081 
(XVI). 

Guerra entre a Hespanlia e Portugal, 1801 (XVII). 
Um desertor brazileiro toma as missões hespanholas, 1801 (XVIII). 
Xomcação de governador do Rio Grande do Sul, 1801 (XIX). 
Tratado de paz entre a í^ranya e Portugal, 1801 (XX). 

D. Fernando José de Portugal 6 nomeado sexto vice-rei do 
Brazil, e governador do Rio de Janeiro, 1801 (XXI). 

O coronel Manoel Marques de Souza toma o forte do Seno 
Largo, 1801 (XXII). 

Morre na villa do Rio Grande o tenente general Sebastião 
Xavier da Veiga Cabral, 1801 (XXIII). 

Computo ecclesiastico, 1802 (XXIV). 

Martyrologio (XXV). 

Epidemia denominada Corcunda, 1802 a 1803 (XXVI). 

Nomeação de governador para a capitania do Rio Grande do Norte, 
1802 (XXVII). ■ 

Nasce no Rio de Janeiro Polydoro da Fonseca Quintanilha 
Jordão, 1802 (XXVIII). 

Nomea-se governador para S, Paulo, 1802 (XXlX). 

Computo ecclesiastico, 1803 (XXX). 

Martyrologio (XXXI) . 

Nascimento de Luiz Alves de Lima, 1803 (XXXII). 

Computo ecclesiastico, 1804, bissexto (XXXIII). 

Martyrologio (XXXIV). 

Importação da vaccina no Brazil, 1804 (XXXV). 

Governo do Rio Grande do Sul, 1805 (XXXVI). 

Morre no Rio de Janeiro António Pires da Siva Pontes Leme, 
1805 (XXXVII). 



DAS M.VTEKIAS XXIII 

D. Luiz Maiivicio da Silveira o iiomoailo governador de. Santa 
Catharina, 1S05 (XXXVIII). 

Computo ecelesiastico, 180G (XXXIX). 
Martyrologio (XL). 

Carlos César Burlamaquc ó nomeado governador do Piauliy, 
1S05 (XLI). 

Governo do Rio Grande do Xorte, ISOG (XLII), 

Xo dia 7 do mesmo mez e anno morre no Rio de Janeiro o 

coronel José Caetano de Araújo (XLIII), 
O conde dos Arcos toma posse do governo do Rio de Janeiro, 

seMdo o sétimo e ultimo vicc-rei, ISOG (XLIV). 

Computo ecelesiastico, 1S07 (XLV). 

Martyrologio (XLVI). 

O Rio Grande do Sul c elevado a capitania, 1807 (XLVII). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1807 (XLVIII). 

Decreto do príncipe regente annunciando a mudan(;a da curte 

150rtugue7.a para o Brazil, e embarque da familia real, 1807 

(XLIX). 

Irmãs da rainha (L). 

Computo ecelesiastico, ISOS (LI). 

Martyrologio (LU). 

Chega o ])rincipe regente a Bahia, 1808 (LIII). 

'So dia 28 de Janeiro de 1808 são abertos os portos do BrazII ao 
commercio de todas as nações, e creação do novo império (LI 7), 

O príncipe regente sahe da Bahia para o Rio de Janeiro, 1808 
(LY). 

Chega o príncipe regente com a familia real ao Rio de Janeiro, 
1808 (LVI). 

Primeiro gabinete ministerial no Brazil, 1308 (LVII). 

São creados três secretários de Estado, 1808 (LVIII). 

Creação de um conselho supremo militar, 1808 (LIX). 



XXTY SUilMARIO 

Pelo manifesto do 1." de Maio de 1808 o principc regente declara 
guerra a França e mnnda conquistar Cayenna, 1808 (LX). 

Creações que se fizeram no mez de Maio, 1808 (LXI). 

Villa de Macacú, 1808 (LXII). 

Nasce no Rio Grande do Sul Luiz Manoel Ozorio, 1808 (LXIII). 

A igreja do convento do Carmo do Rio de Janeiro é elevada a 
capella real, 1808 (LXI7). 

Creação do conselho da fazenda, 1808 (LXV). 

Crea-se o erário régio e o conselho da fazenda, 1808 (LXVI), 

]\[orre na Bahia António José da Souza Portugal, 1808 (LXVIT). 

Alvará creando a real junta do comraercio, 1808 (LXVIII). 

A povoação de Porto Alegre é elevada a villa, 1808 (LXIX). 

Decreto mandando correr as moedas de ouro, prata e cobre, 1808 
(LXX\ 

Doação de terras que faz o príncipe regente a Sir Sidney Smith, 
1808 (LXXI). 

Crea-se o banco do Brazil, 1808 (LXXII). 

Morte do desembargado!* do paço e chanceller da relação con- 
selheiro José Pedro, 1808 (LXXIII). 

Crea-se o hospital militar na corte do Rio de Janeiro, 1808 
(LXXIV). 

O tenente coronel Manoel Marques d'EIvas Portugal segue para 
Cayenna, 1808 (LXXV). 

Computo ecclesiastico, 1809 (LXXVI). 
Martyrologio (LXXVII). 

Cayenna é tomada aos franeezcs, 1809 (LXXVIII). 

Morre na Bahia o governador conde da Ponte e no Rio de 
Janeiro João António da Silveira, 1809 (LXXIX). 

Creação da parochia de Nossa Senhora da Lapa em Santa 
Catharina, 1809 (LXXX). 



PA^ HATEKIAS XIV 

:\r.)ite de .T.-ão José Xunos (J.XXXT). 

Morte ão g;\xavã:x jóias do pviíicipc regente (LXXXII). 

Morte de monsenhor Iiernardo da Silva Soares (LXXXIII). 

Morte do conde de Anadia, João Rodrigues de Sá (LXXXIV). 

Tremor de terra em Pernambuco, 1809 (LXXXV). 

?.Ioiren() Kio de Janeiro -Vníonio João ironiiquc, 1800 (LXXXVI). 

Computo ccelcsiastico, ISIO (LXXXVII). 

3Iartyrologio (LXXXVIII). 

Bibliotbeca publica do Rio de Janeiro (LXXXIX). 

D. Maria Thereza, 18 10 (XC). 

E' celebrado o tratado de conimercio e navegação com a Ingla- 
terra, 1810 (XCI). 

Insurreição de escravos africanos na Bahin, 1810 (XCII). 

Primeiro casamento re.il no Rio ue Janeiro, 1810 (XCIII). 

Morre no Rio de Janeiro o almirante visconde de Cesimbra, 1810 
(XCIV). 

Morre Francisco António da Veiga Cabral da Camará, 1810 
(XCY). 

Primeira missão de Guarapuava, 18 IC- (XCVI). 

Toma posse do governo da Bahia o conde dos Arcos, 1810 
(XCVII). 

Casamento do infante D, Pedro Carlos cora a princeza D. I>íaria 
Thereza, 1810 (XCVIII). 

Prisão e degredo de frei Luiz do Carmo, 1810 (XCIX). 

Convenção entre o governo de Portugal e o rei de Argel para o 
resgate dos escravos portuguezes, 1810 (C). 

Conflictos de jurisdicção entre o govei-nador do Maranhão e o do 
Piauhy, 1810 (Cl). 

Creaçãoda academia militar, 1810 (CII). 

Computo eccle:<iastIco, 181 1 (CTII). 



XXXl SDJmARIO 

Martyrologio (CIY). 

Chuvas torrenciaes no Rio cie Janeiro, precedidas do appareci- 
meuto de um cometa, 1811 (CV), 

E' designado o edifício da Sé Nova j)ara a real academia milií.ir, 
1811 (CYI). 

Morre na Baliia o tenente general João Baptista Vieira Godinho, 
1811 (CVÍI). 

Creação da villa de S. João Marcos, 1811 (CVIII). 
Repartição da vaccina, 1811 (CIX). 

D. Maria I rainha de Portugal em Lisljoa e no Rio de Janeiro, 
1800 a 181 f3 (CX). 

O príncipe regente dá parte a rainha do casamento das outras 
filhas (CXI). 

Passeios da rainha D. Maria I (CXII). 

Creaçâo de villas em Pernambuco, 1811 (CXIII). 

Morre no Rio de Janeiro o illustre frei José Mariano da Con- 
ceição Yeíloso, 18 11 (CXIV). 

Nova creação de militares melicianos, 1811 (CXV). 

Creação de uma junta em todas as capitães das capitanias, 1811 
(CXVI). 

Independência da província do Piauhy da do Maranhão, 1811 
(CXYÍI). 

Tremor de terra no Recife, 1811 (CXVIII). 

O marquez de Alegrete é nomeado governador de S, Paulo, 1811 
(CXÍX). 

Nasce no paço de S. Christovão o infante D. Sebastião, 1811 
(CXX). 

o príncipe regente faz doação das salinas de Cabo Frio, iSOll 
,CXX1). 

o marquez de Vagos é nomeado governador das armas da corte, 
1811 (CCXXII). 



DAS MATÉRIAS XXYII 

Trasladação da imagem de Santo António dos Pobvc:; para a 
sua rapeila, ISll (CXXIII). 

Traficantes de escravos no Rio de Janeiro, 1811 (CXXIV). 

Computo ecclesiastico, 1812, bissexto (CXXY). 

^lartyrologio (CXXVr. 

Emancipação dos escravos em Buenos Ayres, 1812 (CXXVII)* 

Sebastião Francisco de Mello Povoas ó nomeado para governar 
o Rio Grande do Xorte, 1812 (CXXVIII). 

Grande trovoada na Bahia, e a queda de um raio na igreja do 
collegio dos extinctos jesuítas, 1812 (CXXIX). 

Laboratório cliimieo-pratico do Rio de Janeiro, 1812 (CXXX). 
^lorre no Rio de Janeiro o conde de Linhares, 1812 (CXXXI). 
Morre no Rio de Janeiro o primeiro marquez de Bellos, 1812 
(CXXXII). 

Relação do Maranhão, 1812 (CXXXIII). 

Inauguração do theatro de S. João da Bahia, 1812 (CXXXI V). 
Morre no Rio de Janeiro o infante dellespanha, 1812 (CXXXV). 
Morre o marquez de Pombal, 1812 (CXXXYI). 
Armisticio entre Buenos Ayres c o enviado do Rio de Janeiro, 
1812 (CXXXYII). 

Morre Francisco da Cunha Menezes, 1812 (CXXX VIII). 

O tenente coronel Ignacio Santos Abreu destroça completamente 
a.s forças do general Artigas (CXXXIX). 

Morre no Rio de Janeiro o bemfeitor Alexandre Dias de Re- 
zende, 1812 (CXL). 

Computo ecclesiastico, 1813 (CXLI). 

Martyrologio (CXLII). 

Combate naval entre as esquadras americajia e ingleza, fora 
da barra da Bahia, 1S13 (CXLIIÍ). 

Morre no Rio de Janeiro o conde de Anadia, 1813 (CXLIV). 

Morre o conde dos Arcos, 1813 (CXLV). 



SUMMAKIO 



Morre no Rio de Janeiro a infanta D. Mariaiina, ]81;3 (CXLVI). 

Morre o tenente coronel Francisco António da Silva Bittencourt, 

1813 (CXLVII). 
Morre o chefe de divisão Luiz da CunLa Moreira (CXLVIII). 
Mon-e o coronel Joaquim Brancant (CXLIX). 
Abertura do theatro de S. João, 1813 (CL). ^ 
Morre no Rio de Janeiro o rnarquez de Vagos, 1813 (CLI). 
Exploração das minas de ferro de Minas Geraes, 1813 (CLII). 
Computo ecclesiastico, 1814 (CLIII). 
Martyrologio (CLIV). 
Fallecimento do arcebispo da Bahia, 1814 (CLV). 

Morre no Rio de Janeiro o famoso poeta padre António Pereira 
de Souza Caldas, 1814 (CL VI). 

Morre o brigadeiro Gustavo José da Fonseca, 1814 (CLVII). 

Chega a Bahia o arcebispo D. frei Francisco, 1814 (CL VIII). 

Morre o celebre Dr. Manoel Ignacio da Silva Alvarenga, 1814 
(CLIX). 

O conde de Palma toma posse do governo de S. Paulo, 1814 



Ediíica-se a praça do commercio da Bahia (CLXlj. 
O príncipe regente resolve estabelecer a corte portugueza no 
Rio de Janeiro e não sahir mais do Brazil, 1814 (CLXII). 

Computo ecclesiastico, ISlõ (CLXIII). 

Martyrologio (CLXIV). 

Fallecimentos no raez de Fevereiro, 1815 (CLXV). 

E' degradado frei Euzebio de S. Boaventura, 1815 (CLXVI). 

Sociedade commercial entre o príncipe D. Pedro de Alcântara e 
Plicido António Pereira de Abreu (CLXVII). 

Morre o commandante da fortaleza de Villegaignon, 1815 

(CLXVIII). 
Abrera-se as officinas de ourives no Brazil, 1815 (CLXl 



DA? MATEUIAK IXIX 

Desabamento da ponte do Recife, 1815 (CLXX). 

Morre o chefe de divisão Daniel Thompson, 1815 (CLXXI). 

Juizes de fura do Penedo, 1815 (CLXXII). 

O Brazil é elevado á categoria de Reino Unido a Portugal e 
Algarve, 1815 (CLXXIII). 

Computo ecciesiastico, 1816 (CLXXIY), 

Martp-ologio (CLXXV). 

Extincção das ordenanças, 1816 (CLXXVI). 

Mudanças que houveram depois da morte da rainha D. Maria I, 
1816 a 1821 (CLXXVII). 

Politica palaciana do rei D. João VI no Rio de Janeiro 
(CLXX VIII). 

Audiências do rei (CLXXIX). 

Doença e moite da rainha D. Maria I, 1810 (CLXXX). 

Cerimonial do enterro da rainha D. Maria I (CLXXX I). 

Procedimento da -rainha D. Maiia I para com o fiilio, nora e 
netos, 1808 a 181Ô (CLXXXII). 

Contracto do ca-amento de D. Pedro Carlos, com a princeza 
D. Maria Thereza (CL XXXIII). 

Cansas da j crda da razão de D. Maria I (CLXXXIV). 

Qualidades pessoaes e domesticas de D. Maria I (CLXXXV). 

Chegam ao Rio de Janeiro as tropas lusitanas, 1816 (CLXXXVI). 

Como viviam no paço o rei D. João ^'I com a rainha D. Carlota 
(CLXXX VII). 

Morre no Rio de Janeiro a Sra. D. Maria I rainha de Portugal. 
1816 (CLXXXVIII). 

Prisão do vigário da villa da Cachoeira, 1816 (CLXXXIX). 

Xasciraento de Joaquim de Saldanha Maiúnho, 1816 (CXC). 

São incorporados os escudos dos reinos e coroa de Portugal, 1816 
(CXCI). 



XXX SUMMARIO 



Fundação da academia das Bellas Artes no Rio de Janeiro, 1816 
(CXCII). 

Yictoria das nossas armas contra os Iiespanhoes, 1816 (CXCIII). 

Morre na Bahia o marechal Galvão, 1816 (CXCIV). 

Novo governador do Rio Grande do ISTorte (CXCV). 

Computo ecclesiastico, 1817 (CXCVI). 

Martyrologio (CXCVII). 

Victoria de Catallan e entrada de Lecor em Montevideo, 1817 

(CXCVIII). 
Morre no Rio de Janeiro o niarquez de Aguiar, 1817 (CXCIX). 
Inauguração da praça do commercio da Bahia, 1817 (CC). 
Revolução de Pernambuco, 1817 (CCI). 

Morre o tenente coronel José Alvares Marques, 1817 (CCII . 
Combate entre republicanos e realistas em Ipojuca, 1817 (CCIII). 
Rodrigo Lobo bloqueia os portos de Pernambuco, 1817 (CCIV). 
A cidade do Recife ó tomada pelos realistas, 1817 (CCV). 

São fuzilados na Bahia três principaes chefes da revolução de 
Pernambuco, 1817 (CCYI). 

Morre no Rio de Janeiro o conde da Barca, 1817 (CCYII). 

Luiz do Rego Barreto chega a Pernambuco, e sequestra os bens 
dos revoltosos, 1817 (CCVIII). 

Casamento do conde de Paraty (CCIX). 
Baptisado do filho do conde de Paraty (CCX), 
O marquez de Aguiar D, Fernando José de Portugal (CCXI). 
Amantes que teve o imperador D. Pedro I (CCXII). 
O ministro da Áustria barão de Marechal, 1817 (CCXIII). 
Providencias que tomou o ministério (CCXIV). 
Assassinato de D. Gertrudes Pedra, mulher de Fernando Carneiro 
Leão, attribuido a D. Carlota Joaquina, 1817 (CCXV). 

Casamento do príncipe D. Pedro de Alcântara com D. Maria 
Leopoldina da Áustria, 1817 (CCXYI). 



DAS MATÉRIAS XXXT 

El-i-ei D. João VI orgajiisa a casa do íUlio c uora, 1817 (CCXVII). 
Outras nomeações (CGXYIII). 

Outras nomeações de criados do príncipe D. Pedro do Alcântara 
IS 17 (CCXIX). 

El-roi em 13 de Março de 1817 manda dar o seminário de Belém 
para educação dos meninos pohres (CCXX). 

Morre no Rio de Janeiro João Paulo Bezerra, 1817 (CCXXI). 
3Iorre o conde da Barca no Rio de Janeiro, 1817 (CCXXII). 
Xovo governador de Santa Catliarina, 1817 (0031X111). 
A commissão militar de Pernambuco, manda enforcar três chefes 
da revolução de G de Março de 1817 (OCXXIY). 

Oonvenção mixta com a Inglaterra, 1817 (OCXXV). 
Restituição de Cayenna a França, 1817 (OOXXVI). 
Prisão do caudilho D. José Verdum, 1817 (OCXXVII). 

A comarca das Alagoas foi desmembrada de Pernambuco 1«17 
(COXXVIII). 

Chega ao Rio de Janeiro a princeza D. Carolina Leopoldií-^a, da 
Áustria, mulher do Sr. D. Pedro I imperador do Brazil, 1817 
(CCXXIX). 

Morre João Paulo Bezerra presidente do real e^ai-^o ls'l7 
(CCXXX). 

E' creada a colónia Vianna na capitania do Espirito Santo, 1317 
(CCXXXI). 

Morre frei António de Santa Ursula Rodovalho, 1817 (CCXXXII). 

Computo ecclesiastico, 1818 (OCXXXIII). 

Martyrologio (CCXXXI V). 

Coroação e sagração de el-rei o Sr. D. João VI (CCXXX V). 

Victoria das nossas forças no arroio de Pando, 1818 (CCXXXVI). 

Crea-se no Rio de Janeiro o museu real, 1818 (CCXXX VII). 

São presos os chefes gaúchos junto á Castilhos, 1818 

(ccxxxvin). 



XXXTT SmiMARIO 

Prollibição do periódico o Fortugv.€z._ 1818 (CCXXXIX). 

Fallece iia Ealiia o marechal Cogoininho de Lacerda, 1818 
(CCXL). 

Villa Boa, capital de Mato Grosso é elevada a cidade, 1818 
(CCXLI). 

A villa Real de Cuyabá é elevada a cidade, 1818 (CCXLII). 

Prollibição de periódicos, 1818 (CCXLIII). 

Fundição de ferro de S. João de Ypancma, 1818 (CCXLIY). 

Evacuação das tropas brazileiras da cidade de Cayenna, 1818 
(CCXLY). 

Morre em Pernambuco o celebre botânico Dr. Manoel Arruda 
da Camará, 1818 (CCXLVI). 

Computo ecclesiastico, 1819 (CCXLVII). 

Martyrologio (CCXL VIII). 

Morre o marechal Quevedo Pizarro, 1810 (CCXLIX). 

Primeiro governador da capitania das Alagoas, 1819 (CCL). 

Morre no Rio de Janeiro o conde de Cíivalleiros, 1819 (CCLI). 

João Carlos Augusto de Oeynhausen toma posse do governo de 
S. Paulo, 1819 (CCLII). 

A povoação da Praia Grande, em Nictheroy, é erigida em villa, 
1816 (CCLIII). 

Morre Rodrigo António da Costa, 1819 (CCLIV). 
O desembargador José Joaquim Botelho de Almeida, é recolhido 
a cadeia do Aljube do Rio de Janeiro, 1819 (CCLY). 

Fallece na Praia Grande D. Francisco de Almeida Mello e Castro, 
conde das Salveias, 1819 (CCLYI). 

Novos estatutos a nova ordem da Conceição da Yilla Yiçosa, 1819 
(CCLYIÍ). 

Frei José de Azevedo e André Ortigas, são recolhidos a cadeia 
do Aljube, 1819 (CCLYIII). 

Convenção de limites com ]\[ontevidéo, 1819 (CCLTX). 

Computo ecclesiastico, 1*^20, bissexto (CCLX). 



DAS MATEllIAS XXXIII 

^Maityiologio (CCLXI) . 

Villa lio Xova Frilmrgo, ISJO (CCLXll). 

Fallcciniento flc D. Francisco Maurício de Souza Coutinho 
(CCLXIII). 

Batalha do Taquarembó, 1S20 (CCLXIV). 

Morre o conde da Ribeira, 1820 (CCLXV). 

Junta lu-ovisoria do governo do Grão Pará, 1S20 (CCLXVI). 

Morre o desembargador José Barroso Pereira, 1820 (CCLXVII). 

Abre-se o edilicio da praça do commercio do Rio de Janeiro, 1820 
(CCLXVIII). 

Outros casamentos na familia real que se fizeram no Rio de 
Janeiro (CCLXIX). 

^'alimento dos dous irmãos Lobatos (CCLXX). 
Historia da farça ridicula do marquez de Lolc, 1817 (CCLXXI). 
Outros projectos de casamentos malogrados, 1817 (CCLXXII). 
Bellezas do governo de rei D. João VI (CCLXXIII). 

Separa-se a capitania de Sergipe d'El-Rei, da da Bahia, 1820 
(CCLXXI V). 

Revolução constitucional da cidade do Porto, 1820 (CCLXXV). 

D. José Artigas 6 preso pelo dictador Francia no Paraguay, 18'>0 
(DCLXXVI). 

Chega ao Rio de Janeiro a noticia da revolução constitucional 
de Portugal, 1820 (CCLXX YII). 

Morre no Rio de Janeiro D. Francisco Maurício de Souza Cou- 
tinho, 1S20 (CCLXX YIII). 

Prisão do padre Firmino Rodrigues da Silva, 1820 (CCXXLIX). 

Fundação da primeira igreja protestante no Rio de Janeiro, 1820 
(CCLXXX). 

Revolução de 24 de Agosto de 1820 em Portugal com o fim de 
se proclamar o governo constitucional, e obrigar o rei com a 



bUil. DA. CUIt.— 3 



XSXIV SUJIMARIO 

sua curte a voltar para Lisboa (l), o que aconteceu em 1821 

(CCLXXXI). 
O conde da Ponte é nomeado governador do Pará^ 1320 

(CCLXXXII). 
O conde de Villa Flor governador da Bahia, 1820 (CCLXXXIIl). 

Computo ecclesiastico, 1821 (CCLXXXIV). 

Martyrologio (CCLXXXV). 

O Pará adhere a revoluyão de Portugal, 1821 (CCLXXXVI). 

Apparece um cometa no céo visto por Napoleão, 1821 

(CCLXXXVII). 
Morre o terceiro marquez de Pomlxil no Rio de Janeiro, 1821 

(CCLXXXVIII) . 
Morre no Rio de Janeiro a condessa de Linliares, 1821 

(CCLXXXIX). 
Sétima forma de governo do Grão Pará, 1821 (CCXC). 
Crea-se a relação de Pernambuco, 1821 (CCXCI). 
Pronunciamento revolucionário da Bahia, 1821 (CCXCII). 
Revolução de 26 de Fevereiro no Rio de Janeiro, 1821 (CCXCIII). 
O general Carlos Frederico de Caula é nomeado governador das 

armas da corte, 1821 (CCXCÍV). 
Chefe do corpo de policia da corte, 1821 (CCXCV). 
Disturbios no Rio de Janeiro, 1821 (CCXCVI). 
A^asce o príncipe da Beira, 1821 (CCXCVIÍ). 
Morre uo Rio de Janeiro o marechal Connell, 1821 (CCXCVIII). 
Gritaria no paço por occasião do regresso da corte poríugueza 

para Lisboa, 1821 (CCXCIX). 
Conducta da rainlia D. Carlota, e da gente do paço em relação ao 

Brazil (CCC). 



(1) Vide o meu Brcail Histórico 1.^ serie de 1S64 a historia minuciosa desses acoute - 
cimenlos ; uo lomo 5.° da miuha Corograplúa llisíorlca a narrativa da trasladar;ào da 
corte portuguesa do Bra;4il ; c uo meu Brazil Etino c Brazil Iiiípcrlo. 



PAS MATEIUAS XXXY 

Desordem n:i pvaea do Conmiereio eoiilra os eleitores, 1821 

(CCCl). 
X(nnea«;ão de um regente para o governo do Biazil, 1S'21 (CCCII). 
:\i:orre no Kio do Janeiro o marechal de campo José Joaquim 

de Lima o Silva (CCX^TTI). 
Knil>ar.jne e partida de el-rei jiara Lisboa, 1821 (CCCIV). 
rrincii)e D. Pedro de Alcântara, depois primeiro imperador do 

Brazil : — sua educação (CCC'V). 
Beija nulo no? últimos tempos no Rio de Janeiro (CCCVI). 
As cortes de Lisl)oa deportam os validos do rei, 1821 (CCCVII). 
Primeiro acto do principc D. Pedro regente do Brazil, 1821 

(CCCVIII). 
Crea-se uma junta constitucional no Brazil, 1821 (CCCIX). 
Morro o visconde do Andaluz, 1821 (CCCX). 
Pronunciamento da tropa portngueza, mudança do ministério e 

l>ri?ão do conde dos Arcos (CCCXI). 
Governo provisório, depois de proclamado o systema constitu- 
cional, 1821 (CCCXII). 
Luiz do Rego Barreto proclama em Pernambuco, as bases dfl 

futura constituição portngueza, 1821 (CCCXIII). 
Novo governador de Santa Catliarina, 1821 (CCCXIV). 
Luiz do Rego Barreto leva um tiro em Pernambuco, 1821 

(CCCXY). 
Crise económica e financeira no Rio de Janeiro, 1S21 (CCCX\ I). 
Incorporação da republica de Montevideo ao Brazil, sob a deno- 
minação de província Cisplatina, 1821 (CCCXVII). 

Governo temporário em Goyanna, 1821 (CCCXVIII). 

Luiz do Rego Barreto crea a junta de governo no Recife, 1821 

(CCCXIX). 
As cortes de Lisboa decretam a retirada do príncipe D. Pedro do 

Brazil, 1821 (CCCXX). 



XMiVI SUMMAKIO 

Prisão de Manoel Luiz Nnnes no theatro, 1821 (CCCXXI). 
Morre o governador da fortaleza da Lage, 1821 (CCCXXII). 
Combate entre as forças liberaes de Go3^^nna e as tropas de Luiz 

do Rego Barreto, 1821 (CCCXXÍII). 
Primeira junta do governo de Pernambuco, 1821 (CCCXXIV). 

O major João José da Cunha Fidié, vai governar as armas 
no Piauh}^, 1821 (CCCXXV). 

Representação de 8. Paulo para que o príncipe regente fique 
no Brazil, ls21 (CCCXXVI). 

Computo ecclesiastico, 1822 (CCCXXYII). 
Martyrologio (CCCXXVIII). 
Dia 9 de Janeiro de 1822 — Fico (CCCXXIX). 
Primeiro ministério brazileiro, 16 de Janeiro de 1822 (CCCXXX). 
O general Jorge de Avellez vai occupar o morro do Castello, 1822 
(CCCXXXI). 

Morre o príncipe da Beira filho do Sr. D. Pedro, príncipe regente, 
1822 (CCCXXXII). 

Embarque da tro])a jjortugueza para Lisboa, 1822 (CCCXXXIII). 

Crea-se nm conselho de procuradores das provindas, 1822 
(CCCXXXI V). 

Conflictos entre as troi)as portugucza e brazileira na cidade da 
Bahia, 1822 (CCCXXXV). 

Chega a esquadra para levar para a Europa o príncipe rc^^ente, 
1822 (CCCXXXVI). 

Acontecimentos notáveis, 1822 (CCCXXXVII). 

O iH-incipe regente vai á província de Minas, 1822 (CCCXXXVIII). 

Segunda junta provisória do governo do Pará, 1822 
(CCCXXXIX). 

o senado da camará oííerece ao príncipe regente o titulo de 
defensor perpetuo do Brazi), 1822 (CCCXL). 

Junta provisoi-ia de Santa Catharina, 1822 (CCCXLI). 



DAS MATF.niAS 



lustalla-se na corte o cunsollio de procuradores das j)rovincias, 
e convocação de uma assembléa constituinte no Brazil, 182_' 
(CCCXLII). 

As camarás das Alagoas e villa da Atalaia pedem ao priuciítc 
a convocação de uma constituinte legislativa, 1S22 (CCCXLIlí). 

Ka villa da Caclioeira é acclamado o príncipe regente, 1822 

(CCCXLIV). 
Manifesto do principe regente aos Lrazileiros, l.S-22 (CCCXLA ) 
Partida do principe regente para S. Paulo, 1S22 (CCCXLVI). 
Manifesto do senado da camará do Rio de Janeiro fixando o 

dia 12 de Outubro para acclamação do imperador, 1S22 

(CCCXLVII). 
Decreto contra as tropas inimigas da causa do Brazil, 1822 

(CCCXLVIII). 
Medidas violentas das cortes contra o Brazil, 1822 (CCCXLIX). 

Sete de Setembro e o grito Independência ou 3Ioríc, 1S22 

(CX'CL). 
Decreto do dia O de Setembro e um triumvirato em S. Paulo, 1822 

(CXX'LI). 

Sedição militar em Pernambuco, 1822 (CCCLII). 

Junta provisória de Pernambuco, 1822 (CCCLIII). 

Acclamação do primeiro imperador constitucional do Império 
do Brazil, 1822 (CCCLIV). 

A cidade da Parnahyba solta o grito de independência, 1822 
(CCCLV). 

El-1'ei D. João VI não se esquecia do Jjiazil : amava-o .since- 
ramente (CCCLA'Ij. 

Caracter do princi] c D. Pedro de Alcântara, 1821 (CCCLVII). 

O general Labatut orgarisa um pequeno exercito para ir T)ater 
o general Madeira na Bahia, 1822 (CCCLVIII). 

Combate em Pirajá, Bahia, em qne são rechassadas as tropas 
lusitanas, 1822 (CCCLIX). 



XXXVIII SDMMAHIO 

j\íanda-.se fa])ricar a coroa e o sceptvo ini2)érial (CCCLX). 
Coroação e sagração do imperador, 1822 (CCCLXI). 
Ordem do Cruzeiro, 1." de DczemLro de 1822 (CCCLXII). 
Morre no Rio de Janeiro o Larão de Anciães, 1822 (CCCLXIII). 

O general Labatut, ataca a forca do general Madeira, 1822 

(CCCLXI Y). 
Computo ecclesiastico, 1823 (CCCLX V). 
Martyrologio (CCCLXVI). 

Novo governo provisório cm S. Paulo, creado por lei das cortes 
de Lisboa, e eleito pelo povo, 1823 (CCCLXVII). 

Titulos lionorificos ao senado da camará, c a cidade de S. Sebastião 
do Rio de Janeiro, 1823 (CCCLXVIII). 

Ordenado do imperador D. Pedro I em 1823 e 1824 (CCCLXIX). 

Acclamação da independência em Oeiras, Piauhy, 1823 
(CCCLXX), 

Medalha ao exercito do sul, 1823 (CCCLXXI). 
Fidié, em Oeiras, oppõe-se a independência do Brazil, 1823 
(CCCLXXIT). 

Nascimento da princej^a D. Paula, 1823 (CCCLXXIII). 

As capitães das provindas são elevadas a categoria de cidades, 
1823 (CCCLXXIV). 

O major Fidió derrota no Genipapo as forças imperiaes, 1823 

(CCCLXXV). 
Titulos honoríficos ás províncias de S, Paulo e Minas, 1823 

(CCCLXXYI). 

Morre o barão de Bagé, 1823 (CCCLXXVII). 

Chega ao Rio de Janeiro Lord Cockrane, 1823 (CCCLXXVIII). 

Terceira junta de governo provisório do Pará (CCCLXXIX'. 

Lord Cockrane parto com a esquadra jiara a Bahia, 1823 
(CCCLXXX). 

Reunem-se os membros da assembléa constituinte no Rio de 
Janeiro, 1823 (CCCLXXXI). 



DAS M.VTEIUAS XXXIX 

ALre-se a assembléa constituinte; do Jinizil, 1823 (CCCLXXXII). 
Combate naval na Baliia, 1S23 (CCCLXXXIII). 
Prisão do general Labatiit na Bahia, 1823 (CCCLXXXIV). 
O general Madeira eoni as suas tropas evacua a cidade do 

Salvador e parte para Portugal. Restauração da Bahia, 1823 
(CCCLXXXV). 
Proclamação do imperador sobre a segurança individual e do 
propriedade, 1823 (CCCLXXXVI). 

Segundo ministério de 17 de Julho de 1823 (COCLXXXVII). 
Os habitantes do Maranhão juram obediência ao imperador, 1823 

(CCCLXXXVIII). 
Oitava forma de governo do Gruo Pará, 1823 (CCCLXXXIX). 
Principia-se a cunhar moedas com as armas do império, 1823 

(CCCXC). 
Fallece o conselheiro da fazenda D. António Coutinho de Alen- 

castre (CCCXCI). 
Novo ministério, 14 de Outubro de 1823 (CCCXCII). 
Erecção de villas, 1823 (CCCXCIII). 
São abolidas as juntas provisórias do governo nas provindas, 1823 

(CCCXCI V). 

São prohibidas as sociedades secretas (CCCXC V). 

Foi declarado o dia 7 de Setembro de Festa Nacional, 1823 
(CCCXCVI). 

Foi declarado o dia 12 de Outubro de Festa Xacional, 1823 

(CCCXCVII;. 
Lord Cockrane depois de haver roubado o Maranhão é agraciado 

com o titulo de marquez do Maranhão, 1823 (CCCXCYIII). 

Terceiro ministério depois da fundação e governo do primeiro 

imperador, 1823 (CCCXCIX). 
Dissolução da assembléa constituinte legislativa do Brazil, 1823 

(CD). 

Creação do conselho de Estado, 1823 (CDI). 



XL SUMMAIUO 

Membros do conselho de Estado (CDU). 

Quarto ministério, 4 de Xovembro de 1820 (CUIII). 

Reunião do conselho de Estado cm 15 de Xovembro de 1823 
(CDIY). 

Quinto ministério, 17 de Novembro do 1820 (CDY). 

Os partidos políticos no Brazil (CDYI), 

Capitulação de D. Álvaro em Montevideo. 1823 (CDVII). 

Os três irmãos Andradas e mais três deputados são dejiortados 
para a França, 20 de Xovembro de 1823 (CDVIII). 

Devassa (CDIX). 

Advertência ao vigário de Jacarepaguá por causa das doutrinas 
de um sermão que pregou, 1823 (CDX). 

Chega a Pernambuco a tropa commandada pelo general Lima 
(CDXI). 

A camará municipal do Rio de Janeiro publica um edital annun- 
ciando o recebimento do projecto da constituição, 1823 (CDXII). 

Computo ecclesiastico, 1824, bissexto (CDXIII), 

Martyrologio (CDXIV). 

O imperador ordena ao senado da camará para no dia 9 de 
Janeiro mandar ao ministério do império os votos assignados 
para se jurar a constituição, 1824 (CDXV). 

A])parecimento dos irmãos Calmons na Bahia, com a noticia da 
dissolução da constituinte (CDXVI). 

Morre no Rio de Janeiro D, João Carlos de Souza Coutinho, 1824 
(CDX VII). 

Primeiro presidente de Santa Catharina, 1824 (CDXVIII). 

Revolução no Recife em Pernambuco, 1824 (CDXIX). 

Juramento da constituição e incêndio do theatro de S. João, 
depois de S. Pedro de Alcântara, 1824 (CDXX). 

Primeiro presidente de S. Paulo, 1824 (CDXXIj, 

A província Cisplatina é incorporada ao Brazil, 1824 (CDXXII). 



DAS M.VTKni.VS XLt 

Proclamação de Manoel de Carvalho pava a coufederaoão do 
Equador, lS-24 (CDXXIII). 

Nasce a princeza D. Fniivjiíca no paço do S. Christovão, 1S24 
(CDXXIVj. 

Os republicanos de Pernambuco são batidos, 1S2-Í (CDXXV). 
Motim militar na Bahia c assassinato do çrovernador das armas 

Felisberto Gomes Caldeira, 1S24 (CDXXVI). 
Compra<<e a casa do conde da Barca para secretaria da justiça, 

1S24 (CDXXVII). 

Computo eccicsiastico, 1825 (CDXXVTTTí. 

Martyrologio (CDXXIX). 

E' fusilado na Bahia o major Satyro,. 1S25 (CDXXX), 

E' fusilado no Recife o padre mestre frei Caneca, 1825 (CDXXXIj. 

Manifesto de Fructuoso Rivera em favor do Brazil, 1S25 
(CDXXXII). 

A actriz Estdla e mais uma amiga são presas pela policia por 
atirarem limões de cheiro, lS2õ i^CDXXXIII), 

Novo presidente para governar Santa Catharina, 1825 
(CDXXXIV). 

Ratecliâí e seus companheiros entram para o Aljube. 1;'-í25 
(CDXXX V). 

O tenente Gaspar é fusilado na Bahia, 1S25 (CDXXXVI). 

Fallece o desembargador António José Ozorio de Pina Lcitílo, 1825 
(CDXXXTIIj. 

Fallece o brigadeiro Martiniano José de Andrade e Silva, 1S25 
(CDXXXVIÍI). 

Morre o commandante das fortalezas do Pico e da Praia de Fura 
do Rio de Janeiro, 1825 (CDXXXIX). 

Lord Cockrane abandona o serviço do Brazil e foge para Ingla- 
terra, 1825 (CDXL). 

O governo manda soecorrer a província do Ceará, 1825 (CDXLI). 



XLII SU.MMATÍIO 

E' estabelecido na villa de la Florida o governo provisório dos 
independentes de Sloníevidéo, 1S25 (Ci =>.LII). 

Morre o marechal Ágosíinlio Autonio de Castro, 18-25 (CDXLIII). 

Decreto marcando ordenado aos conselheiros de Estado, 182-5 

(CDXLIY). 
lustalla-se a assemh-léa legislativa da yn-ovincia Cisplatina, 1825 

(CDXLV). 
Assigna-se o tratado de cessão e reconhecimento da independência 

politica do Brazil, 1825 (CDXLVI). 

Morre o coronel Jo:<é Luiz Mena Barreto, 1825 (CDXLVIÍ). 
Batalha de Sarandy, 1825 (CDXLVIII). 

Reconhecimento da independência do Brazil pela Inglaterra, 1825 
(CDXLIX). 

Commissão de Buenos Ayres perante o governo do Brazil decla- 
rando a independência de Montevideo, 1825 (CDL). 

Carta do Sr. D. João YI aos hrazileiros declarando ter cedido a 
seu filho D. Pedro I os direitos sobre o Brazil, 1825 (CDLI). 

Commissão para organisar uma constituição para o Brazil, 1825 
(CLII). 

Nasce o príncipe D. Pedro, actual impera ilor, 1825 (CDLIII). 

Declara-sc a guerra ás províncias unidas do Rio da Prata, 1825 

(CDLIV). 
Computo ecclesiastico, 1826 (CDLY). 
Martyrologio (CDLYI). 

Buenos Ayres declara guerra ao Brazil, 1826 (CDLYII). 
Tratado perpetuo de amizade, commercio e navegação entre a 

França e o Brazil, 1826 (CDLYIII). 
Gabinete secreto creado no Rio de Janeiro, 1826 (CDLIX). 
Morre o desembargador Autonio Josc Duarte de Araújo Gondim, 

1826 (CDLX). 
Yolta do imperador da viagem ú Bahia (CDLXI). 



UAS MATKUIAS Xl.tlt 

^íorro o í>r. D. João VI rei de Portugal e imperador do Brazil, 
envenenado em Lisboa, 1826 (CDLXII). 

O imperador D. Pedro I vai a Bahia, 1820 (CDLXIII). 

Chegada e desembarque na Bahia (CDLXIV). 

Volta o imperador para o Rio de eTaneiro, 1S20 (CDLXV). 

Desordens domesticas entre o imperador D. Pedro c a imperatriz 
D. Maria Leopoldina i^CDLXVI). 

Doença e murte da imperatriz Leopoldina, 1S2C (CDLXVII). 

Enterro da im.peratriz D. 3Laria Leopoldina, 182G (CDLXVIII). 

Decreto de paz entre o Erazil e Portugal, 1326 (CDLXIX). 

Creação da Ordem de Pedro I, 1S26 (CDLXX). 

D. Pedro primeiro imperador do Erazil e quarto rei de Portugal, 
1S2.3 (CDLXXI). 

Presidência de S. Paulo, 1826 (CDLXXII). 

Morre o visconde de Magé, 1826 (CDLXXIII). 

Xo dia 25 de Agosto de 1826 fallece o brigadeiro Bernardo 
António de Moura Freire (CDLXXIV). 

O imperador D. Pedro I abdica a coroa de Portugal na filha 

D. Maria da Gloria, 1820 (CDLXXV). 
D. Maria Leopoldina e o príncipe D. Pedro — escândalos que elle 

dava com a f ranceza Xoemi em casa de Campos (CDLXX VI). 
Assassinato de el-rei D. João VI, 1826 (CDLXXVII). 

E' concedida á cidaãe da Bahia o titulo de leal e valorosa. 18-^6 
(CDLXXVIII). 

3íorre o brigadeiro Luiz Pereira da Xobrega de Souza Coutinho, 
1826 (CDLXXIX). 

Juramento da constituição portugueza no Rio de Janeiro 1826 
(CDLXXX). 

Fallece o coronel visconde de Castro, João de Castro Canto e 
Mello (CDLXXXI). 

Fallecimento da iraperatiiz, 1826 (CDLXXXII). 



XHV SUMMABIQ 

Viagem do imperador D. Pedro I ao Rio Grande do Sul, 1826 
(CDLXXXIII). 

Xomcaeão do conde de Beaurepaire^para governador do Piauhv, 
1826 (CDLXXXIV). 

Computo eccledastico, 1827 (CDLXXXV). 

Martyrolog-o (CDLXXXYI). 

Morre o niarquez da Praia Grande, 1827 (CDLXXXVII). 

Damas da duqueza de Goyaz (CDLXXXVIII). 

Briga do imperador D. Pedro com a marqueza de Santos por 
ciúmes que teve delia (CDLXXXIX). 

Chega o imperador ao Rio de Janeiro vindo do Rio Grande do 
Sul, 1827 (CDXC). 

Destruição da nova esquadra no Uruguay, 1827 (CDXCI). 

Batallia no Passo do Rosário, 1827 (CDXCII). 

Exercito brazileiro em 1827 (CDXCIII). 

Physionomia politica do Brazil de 1824 a 1830, Chega José Boni 
facio de Andrade e Silva ao Rio de Janeiro em 1829 (CDXCIV). 

Morre o marquez de Xazareth, 1S27 (CDXCY). 

Combate naval entre a divisão brazileira e argentina, 1827 
(CDXCVI). 

Morre na cidade das Alagoas o capitão múr Alexandre José do 
Mello (CDXC VII). 

Cream-se os cursos jurídicos do Brazil, 1S27 (CDXCVIII). 

Installação do lyccu pernambucano, 1827 (CDXCIX). 

Installação da sociedade Auxiliadora da Industria Nacional, 1827 
(D). 

Morre em Paris o visconde de S. Lourenyo, 1827 (Dl). 

Morre no dia 20 de Maio de 1827 o coi'onel Francisco Nunes 
Coelho de Aguiar (DII). 

Convenção de paz rejeitada por Buenos Ay]-es, 1827 (DIU). 

Morre no Rio Pardo o visconde de Pelotas, 1827 (DIV). 



DA? MATEIU-^8 XLV 

Tratado entro o Brazil e a Áustria, 1827 (DV). 

Morre o cónego vigário da cidade das Alagoas o padre António 
Gomes Coelho, 1S27 (DVI . 

Chega ao Rio de Janeiro o duque de Cadaval, 1S27 (DVII). 

Fallece o raarquez de Sahará, 1S27 (DVIII). 

Tratado cora a Inglaterra, 1827 (DIX). 

Elevação das prelazias de Goyaz e Cuyabá a bispados, 1827 (DX). 

3Iorre no dia 2 de Dezembi'o de 1827 na cidade das Alagoas o 
reverendo vigário da vara padre José Ignacio (DXI). 

Segundo presidente da província de S. Paulo, 1827 (DXTI). 

Computo ecclesiastico, 1828, bissexto (DXIII). 
Martyrologio (DXIV). 

Morre o marquez de Alegrete, 1828 (DXY). 

Morre o coronel de uiiiicias José de Sá Bittencourt Accioli, 1828 
(DXVI). 

Abre-se o curso jurídico de S. Paulo, 1628 (DXVII). 

O imperador D. Pedro I do Brazil e quarto rt-i <le Portugal 
abdica a coroa, 182S (DXYIII). 

O tenente general Curado, deixa o governo da-i armas da corte e 
província do Rio de Janeiro, 1828 (DXIX). 

Abre-se a r.sserabléa geral legislativa, 1828 (DXX). 

Morro em Lisboa o conde dos Arcos, 1828 (DZ\XI). 

Abre-se o curío jurídico de Olinda, em Pernambuco, 1S'2S 
(DXXII). 

O batalhão de alleraães amotina-se no Rio de Janeiro, 1823 
(DXXIII). 

Chegam ao Rio de Janeiro os ex-deputados Martim Francisco e 
António Carlos, 1828 (DXXIV). 

Parte para a Europa a rainha D. Maria II, 1S28 (DXXV). 

Entra no Rio de Janeiro o contra almirante francez para exigir o 

pagamento das perdas que tiveram os francezcs no Rio da 

Prata, 1828 (DXXVI). 



SUMMARIO 



Fallece iio Rio de Janeiro o cónego Dr. Rinato Boiret, 1828 
(DXXVII). 

Crea-se o supremo trJLnnal de justiça no Rio de Janeiro, 1S2S 
(DXXVIII). 

Lavra-se o decreto imperial extino-uindo o tribunal da bulia da 
cruzada e a distribuição da venda delias, 1828 (DXXIX). 

Principia-se a convenção preliminar do paz entre o Brazil c as 
provineias Unidas do Rio da Prata, 1828 (DXXX). 

E' comprada a casa da Relação da corte, 1828 (DXXXI). 

Morre o padre mestre fr. Custodio de Faria, 1828 (DXXXII). 

Computo occiesiastico, 1829 (DXXXIII). 

Martyrologio (DXXXIV). 

Terceiro presidente da província de S, Paulo, 1829 (DXXXV). 

Fallece o cónego António Pinto Ribeiro Pereira Sampaio, 1829 
(DXXXYI). 

Effectua-se o casamento do Sr. D. Pedro I com a princeza 
Amélia de Leuclitemberg, 1829 (DXXXVII). 

Encerra-se a assem.bléa geral legislativa, 1829 (DXXXVIII). 

Escândalos que se deram na corte do Rio de Janeiro entre o im- 
perador D. Pedro I e a mar-^ueza de Santos, 1820 (DXXXIX). 

Filhos que teve o imperador da marqueza de Santos, 1829 
(DXL). 

Xcnliuma princeza europea quer a mão de D. Pedro. Volta a 
marqueza de Santos para o Rio de Janeiro, e o imperador oífe- 
reco-lhe o tlirono imperial, 1829 (DXLT). 

Segundo casamento do imperador D. Pedro I, 1827 (DXLII). 

Chega a imperatriz x\melia ao Rio de Jarieiro, 1829 (DXLIII). 

A imperatriz Amélia passa-se para o palácio de S. Christovão, 
1829 (DXLIV). 

Queda que deu o imperador na rua do Lavradio, 1829 (DXLV). 
Fallece o cónego Dr. Ayres António Corrêa de Sá, 1829 
(DXL VI). 



DAS MATEUIAS Xl.VIf 

Cheira a Sra. D. Maria II ao Rio de Janeiro, 1S29 (DXLVII;. 

Deportação de Francisco Gomes da Silva (Chalaçai o João da 
Rocha Pinto, validos do imperador, 1829 (DXLVIII). 

Mudança na politica, influida pela imperatriz AiUL-lia e creação 
da Ordem da Rosa, 1S29 (DXLIX). 

E' acciíí^ado na camará dos deputados o ministro Oliveira Alves, 
1S29 (DL). 

Casamento do imperalor D. Pedro I com a princcza D. Amélia e 
creação da imperial Ordem da Rosa, 1S29. (DLI). 

Morre o arcliitecto Grandjean, 1829 (DLÍI). 

Computo ecclesiastico, 1830 (DLIII). 

^lartyrologio (DLIV). 

Terceiro presidente para Santa Catharina, 1830 (DLV). 

Morre Marcos António, musico da capella imperial, 1830 
(DLYI). 

Reconhecimento da princeza imperial, 1830 (DL VII). 

Assassinato do Dr. Badavó, 1830 (DLVIII). 

Extingue-se a congregação de S. Felippe Nery, em Pernambuco, 
1830 (DLIX). 

Prisão do desembargador Japiapsíi, 1830 (DLX). 
Rebellião de Pinto ^lad.jira, no Ceará, 1830 (DLXI). 
Computo ecclesiastico, l.:^31 (DLXII). 
Martyrolcgio (DLXIII). 

Quarto presidente da província de S. Paulo, 1830 (DLXIV). 
Motim no Rio de Janeiro, 1830 (DLXY). 
Sublevação de negros, 1831 (DLXVI). 
A Bússola da Liberdade, 1831 (DLXVII). 

E' assassinado na cidade da Bahia o visconde de Camamú, 1830 
(DLXVIII). 

Morre o insigne musico padre José Maurício Kunes Garcia, 183C 
(DLXIX). 



XLVIII SUMMAKIO 

Morre o visc-ondu tia Villa Nova daliainha, 1830 (DLXX). 
Morre monsenhor Pizarro, 1830 (DLXXI). 

Morre o general Curado, conde de S. João das Duas Barras, 1830 
(DLXXII). 

Briga o imperador D. Pedro I com o marquez de Barbacena, 1830 
(DLXXIII). 

Nomeação do quarto presidente da provincia de Santa Catliarina, 
1831 (DLXXI Y). 

Sedição militar no Pará, 1831 (DLXXV). 

Carta de lei marcando as attribuições do tutor imperial, 1831 
(DLXX VI). 

O senado funcciona na sala do supremo tribunal de justiça, 1S31 
(DLXX VII). 

Creação da guarda nacional, 1S31 (DLXXVIII). 

Sedição no Maranhão, 1831 (DLXXIX). 

Sedição militar em Pernambuco, 1831 (DLXXX). 

Organisação do tribunal do thosouro publico nacional, 1831 
(DLXXXI). 

E' creada a villa de Alegrete, 1831 (DLXXXII). 

Libertação dos Índios, 1831 (DLXXXIII). 

Installação da Sociedade Federal de Pernambuco, 1831 
(DLXXXIV). 

Morre no Rio de Janeiro o padre Luiz Sojée, 1831 (DLXXXV). 

Tumulto em Pernambuc'>, 1831 (DLXXXVI). 

Tumulto no Maranhão, 1831 (DLXXXVII). 

Quinto presidente de S. Panlo, 1831 (DLXXXVIII). 

Sedição militar no Pará, 1831 (DLXXXIX). 

Sedição militar em Pernambuco, 1831 (DXC). 

Sedição militar no Espirito Santo, 1831 (DXCI). 

Sedição militar no Rio de Janeiro, 1831 (DXCTI). 



DA3 MATÉRIAS XLIX 

Prisão do padre Antouio Josó Gonçalves de Figueiredo. 1831 
^DXCIII). 

Nova organisação dos corpos do exercito, 1831 (DXCIV). 

Sediçcão militar em Pernambuco, 1B31 (DXCV). 

Prisão do Dr, Barata, 1831 (DXCVI). 

Eleição da regência permanente, 1831 (DXCVII), 

Apresentação do prograrama do ministério, 1831 (DXCYIII). 

Sexto presidente da província de S. Paulo, 1831 (DXCIX). 

MoiTe o Dr. Luiz Xicoláo Fagundes Yarella, 1831 (DC). 

Extincção dos corpos de milícias e ordenanças, 1831 (DCI). 

Estado politico do Rio de Janeiro, 1831 (DCII). 

Distúrbios e prisões no Rio de Janeiro desie 1831 até 1832 
(DCIII). 

O quartel foi feito em 1832 tendo começado depois de 1819» 
(DCIV). 

Decretos da organisação do corpo policial, 1834 (DCV). 

Aviso de 11 de Outubro de 1831 (DCVI). 

Computo ecclesiastico, bissexto, 1832 (DCVII). 

Martyrologio (DC VIII). 

Villa de Porto Bello, 1832 (DCIX). 

Tumulto no Rio de Janeiro, 1832 (DCX). 

Sedição militar no Rio Xegro, 1S32 (DCXI). 

Revolução em Pernambuco, 1832 (DCXII). 

O barão de Bolow é recolhido a cadeia como conspirador, 1332 

(DCXIII). 
Morre o marechal de campo Vicente Ferreira Portugal de Vas- 

concellos, 1832 (DCXIV). 

Morre o padre Manoel Thomaz Pimenta, 1832 (DCXY). 

Revolta da camará municipal do Rio Xegro, 1832 (DCXVI), 

Oíficio de Rodrigo António Falcão Brandão ao coronel Ignacio de 
Araújo Aragão Bulcão, 1832 (DCXVII). 



aVJÍ. DÀ. OHB.— 



STJMMARIO 



Os bens de S. Felippe Nery, da Baliia, são incorporados aos pró- 
prios naciouaes, 1832 (DCXVIII). 

Prisão do padre Olavo companlieiro do chefe federal dos Guanás 
Mirim, 1832 (DCXIX). 

Corpo de delicto ra caixa forte da camará municipal da Bahia, 
1832 (DCXX). 

E' roubada a caixa forte da camará municipal da Bahia, 1832 
(DCXXI). 

Prenuncio de revolução na Bahia, 1832 (DCXXII). 

A regência permanente resigna o poder, 1832 (DCXXIII). 

Fastos astronómicos, 1832 (DCXXIV). 

Computo ecclesiastico, 1833 (DCXXV). 

Martyrologio (DCXX VI). 

Morre o bispo D. José Caetano, 1832 (DCXXVII). 

Fastos astronómicos, 1832 (DCXXVIII). 

Sedição militar em Ouro Preto, Minas, em 22 de Março de 1833 
PCXXIX). 

Banimento do imperador D. Pedro I, 1833 (DCXXX). 
Acontecimentos diversos no Rio de Janeiro, 1833 (DCXXXI), 

Installa-se a sociedade militar no Rio de Janeiro em 1833 
(DCXXXII). 

E' promulgado o acto addicional a constituição do império, 1833 
(DCXXXIIÍ). 

Fixação do padrão monetário, 1833 (DCXXXIV). 

Reforma da academia militar, 1833 (DCXXXV). 

Tumulto no Rio de Janeiro e quebramento de typographias, 1833 
(DCXXXVI). 

Suspensão e prisão do tutor do imperador o conselheiro José 
Bonifácio de Andrade e Silva, 1833 (DCXXXVII). 

Computo ecclesiastico, 1834 (DCXXXVIII). 

Martyrologio (DCXXXIX). 



DAS MATÉRIAS LI 

Providencias acerca ãa moeda circulante, 1S34 (DCXL). 
Morre em Portugal o marquez de Bellos, 1834 (DCXLI). 
E' excluido Honório llermcto Carneiro Leão da sociedade Defen- 
sora, 1S34 (DCXLII). 
Horrivel matança no Pará, 1834 (DCXLIII). 
Revolta cm Cuyabá, 1S34 (DCXLIV). 

Passa na camará a moção do banimento do imperador D. Pedro I, 

1834 (DCXLV). 
Morte do marechal João Francisco Neves, 1834 (DCXL VI). 
Morre em Lisboa o imperador D. Pedro I (DCXL VII). 
O padre Martiuiano de Alencar é nomeado presidente do Ceará, 

1834 (DCXL VIII). 
E' condemnado a morte o parrecida Vasco Fernandes Telles, 

1834 (DCXLIX). 
Computo ecelesiastico, 1835 (DCL). 
Martyrologio (DCLT). 
Obituário em 1835 (DCLII). 

Revolução do Pará e assassinatos do presidente da província e 

commandante das armas (DCLIII). 
Creação do montepio dos servidores do Estado, 1835 (CDLIV). 
Morre o marquez de Jundiahy, 1835 (DCLV). 

A sociedade de medicina, do Rio de Janeiro, é elevada a cate- 
goria de academia, 1835 (DCLVI). 

Morre o tenente general Joaquim de Oliveira Alves, 1835 
(DCLVH). 

Morre no Rio de Janeiro o sábio visconde de Cayrú, 1835 

(DCLVIII). 
Morre João Braulio Muniz ex-regente do império, 1835 (CDLIX). 
Revolução republicana no Rio Grande do Sul, 1835 (DCLX). 

Reconhecimento da princeza imperial a Sra. D. Januaria, 1835 
(DCLXI). 



LII SUMMARI© 

Novo presidente para a proviucia de Santa Catharinaj 1835 
(DCLXII). 

Morre o almirante José Maria de x\lmeida, 1835 (DCLXIII). 
Sétimo jn-esidente para S. Paulo, 1835 (DCLXIV). 
Computo ecclesiastico, 1830 (CDLXV). 
Martyrologio (DCLXVI). 

Os rebeldes do Rio Grande derrotam as forças do governo. 1836 
(DCLXVII). 

Morre o brigadeiro Sayâo, 1836 (DCLXVIII). 

Entra o brigadeiro Andréa na cidade do Pará, 1836 (DCLXIX). 

A cidade de Porto Alegre subtrahe-se ao poder dos rebeldes do 
Bio Grande, 1836 (DCLXX). 

Oitavo presidente para a província de S. Paulo, 1836 (DCLXXI). 

Morre o general Lecor, visconde da Laguna, 1836 (DCLXXII). 

Prisão do salteador Menino Diaho no Rio Grande do Sul, 1836 
(DCLXXIII). 

Combates no Rio Grande do Sul, 1836 (DCLXXIV). 

Morre o marechal de campo Francisco Cláudio Alvares de An- 
drade, 1836 (DCLXXY). 

Computo ecclesiastico, 1837 (DCLXXVI). 

Martyrologio (DCLXX VII). 

Sexto presidente para a província de Santa Catharina, ISSY 
(DCLXX VIII). 

Morre o senador Bento Barroso Pereira, 1837 (DCLXXIX). 

Morre na forca o preto cego Domingos Moçambique, 1837 
(DCLXXX). 

São suppliciados no largo do Moura dous marinheiros, 1837 
(DCLXXXI). 

Evasão de alguns chefes da rebellião do Rio Grande do Sul, da 
fortaleza de Santa Cruz, 1837 (DCLXXXII). 



DAS VATE lí IAS Llil 

E' feito prisioneiro o presidente da província do Rio Grande do 
Sul, 1837 (DCLXXXIII). 

Responde ao jury o juiz municipal da corte, 1837 (DCLXXXR ). 

Morre Evaristo Ferreira da Veiga, 1837 (DCLXXXV). 

Fuga de Bento Gonçalves da Silva da fortaleza do Mar na cidade 

da Bahia, no dia 10 de Setembro de 1837 (DCLXXXTI). 
Xo dia 19 de Setembro de 1837 o padre Piogn António Feijó 

regente do império resigna o poder (DCLXXX\ H). 
Sétimo presidente para a província de Santa Catbarina, 1837 

(DCLXXXVIII). 
Revolução de 7 de X^ovembro, na Bahia, denominada a Sahinada, 

1837 (DCLXXXIX). 

Inauguração do collegio de Peiío IL crcado pelo decreto de 2 de 
Dezembro de 1837 (^DCXC). 

Computo ecclesiastico, 1838 (DCXCI). 

Martyrologio (DCXCH). 

Obituário do município neutro em 1838 (DCXCIII), 

Nono presidente de S. Paulo, 1838 (DCXCIV). 

Morre em Portugal o marquez de Aracaty, 153'^ (DCXC\ ). 

Morre o sábio conselheiro José Bonifácio de Andrade e Silva. 1838 
(DCXCVI). 

Morre monsenhor Dr. Vidigal, 183? (DCXC^T^I). 

Assassinato do Dr. Ribeiro presidente do Rio Grande do Xorte, 
1838 (DCXCVIII). 

Combate do Rio Pardo, 1838 (DCXCIX). 

Monte de Soccorro no Rio de Janeiro, 183S (DCC). 

Fallecimentos, 1838 (DCCI). 

Installação do Instituto Histórico do Brazil, 1838 (DCCII). 

MoiTe o douto brigadeiro Manoel Ferreira de Araújo Guimarães, 
1838 (DCCni). 



LIV SUMMARIO 

MoiTe no dia 21 de Novembro de 1838 o senador do império Lúcio 
Soares Teixeira de Gouvêa (DCCIV). 

Sedição de Raymundo Gomes, no Maranhão, 1838 (DCCV). 
Execuções que houveram no anuo de 1838 (DCCVI). 
Computo ecclesiastico, 1839 (DCCYII). 
Martyrologio (DCCVIII). 

Morre o douto marechal Cunha Mattos, 1839 (DCCIX). 
Acontecimentos no Rio Grande do Sul, 1839 (DCCX). 
O brigadeiro Manoel Vaz de Barros morre no dia 14 de Abril 
de 1839 (DCCXI). 

Juramento da princeza D. Januaria, 1839 (DCCXII). 

Questões politicas na camará dos deputados sobre a illegalidade 

da regência, 1839 (DCCXIII). 
No dia 1 de Julho de 1839 é saqueada a cidade de Caxias 

(DCCXI V). 

Decimo presidente para S. Paulo, 1839 (DCCXV). 
Invasão da província de Santa Catharma pelos rebeldes do Rio 
Grande do Sul, 1839 (DCCXVÍ). 

Canavarro invade a villa de Santo António dos Anjos em Santa 
Catharina, 1839 (DCCXYII). 

O marechal Andréa toma posse da presidência de Santa Catharina, 
1839 (DCCXVIII). 

Computo ecclesiastico, 18-iO (DCCXIX). 

Martyrologio (DCOXX) . 

Cambate de Taquary, 1810 (DCCXXI). 

Maioridade do imperador, 1840 (DCCXXII). 

O marechal Antero José Ferreira de Brito é nomeado presi- 
dente de Sauta Catharina, 1840 (DCCXXIII). 

O douto bispo D. Manoel do Monte Rodrigues e Araújo faz a sua 
entrada na cathedral, 1840 (DCCXXI V). 



DAS MATKRIAâ LV 

Os rebelílos do Rio Grande do Sul atacam a villa de S. José do 
Korte, 1S40 (DCCXXV). 

Discussões ua camará dos deputados em favor da maioridade do 

imperador, 1840 (DCCXXVI). 
O regente adia a assembléa geral legislativa. — O imperador ó 

declarado maior, 1840 (DCCXXVII). 

Decimo primeiro presidente de S. Paulo, 1840 (DCCXXVIII). 

Lei da interpretação do Acto Addicional, 1840 (DCCXXIX). 

Morre o conselheiro Baltliaz3r da Silva Lisboa, 1840 (DCCXXX). 

E' assassinado o Dr. Manoel Joaquim Fernandes de Barros, 1840 
(DCCXXXI). 

Computo ecclesiastico, 1841 (DCCXXXII). 

Martyrologio (DCCXXXIII). 

Obituário em 1841 (DCCXXXn^). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1841 (DCCXXXY). 

Sagração do imperador D. Pedro II, 1841 (DCCXXXVI). 

Decreto mandando fundar o hospício de Pedro II em 1841 

(DCCXXXVII). 
Computo ecclesiastico, 1842 (DCCXXX VIU). 
Martyrologio (DCCXXXIX). 
Obituário em 1842 (DCCXL). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1842 (DCCXLI). 
Conde de Souzel (DCCXLII). 
Marquez de Barbacena (DCCXLIII). 

Fallecimento do redactor do Brazileiro resoluto (DCCXLI Y) . 
Kg dia 27 de Outubro de 1342 morre José Rodrigues Jardim, 

senador pela província de Goyaz (DCCXL V). 

Bispo do Maranhão (DCCXLVI). 
Dissolução da assembléa geral, 1842 (DCCXLVII). 
Chegam ao Rio de Janeiro Vergueiro, Gavião e Souza Queiroz, 
1842 (DCCXL VIII;. 



LYI SUMMARIO 

O ministro do império declara que o imperador havia resolvido 
não receber a commissão dos paulistas, 1842 (DCCXLIX). 

No paço da cidade prestam juramento os conseliíeiros de Estado, 

1842 (DCCL). 

Revolta de S. Paulo e Minas, 1842 (DCCLI), 

Suspensão de garantias no município neutro e prisão de alguns 
personagens, 1842 (DCCLII). 

Continuação da revolta de S, Paulo e Minas Geraes, 1842 
(DCCLIIIJ. 

O barão de Caxias vai tomar posse do governo do Rio Grande do 

Sul, 1842 (DCCLIV). 
Administração da justiça no Rio de Janeiro, 1842 (DCCLV). 
Computo ecclesiastico, 1843 (DCCLVI). 
Martyrologio (DCCLVII). 
Obituário em 1843 (DCCLVIII). 
Apparecimento, no Brazil, de um cometa com grande cauda, 1843 

(DCCLIX). 
Fallecimentos de pessoas notáveis, 1843 (DCCLX), 
Mudança de ministério, 1843 (DCCLXI). 

No dia 23 de Janeiro de 1843 foi presente ao senado o processo 
da pronuncia dos senadores Vergueiro, Feijó, Alencar, e Mello, 
pelo crime de rebellião (DCCLXII). 

Apparecimento da escarlatina no Rio de Janeiro em 1843 

(DCCLXIII). 
Sae para Nápoles a esquadra para trazer a imperatriz, 1843 

(DCCLXIV). 
Conservatório dramático, 1843 (DCCLXV). 
Casamento da princeza D. Francisca, 1843 (DCCLXVI). 
Combate no Rio Grande do Sul contra as forças rebeldes, 1843 

(DCCLXVII). 
Celebração do casamento do imperador D. Pedro II em Nápoles, 

1843 (DCCLXVIII). 



li.VÍ MATKIU.VS 



KoL;■l•L•^^am ao Rio il^' .íanoiro os Joj)orí:Klos políticos, 18-1:1 
(DCCLXIX). 

Victorhi sobro oí; ivbeUles do Rio Graiule, 13-i:3 (DCCLXX). 

Chega ao Rio de Janeiro a imperatriz, 1843 (DOCLXXI.) 

Aeonteeimentoá passados com os sediciosos de Minas Geraes, 1843 
(DCCLXXII). 

Combate de Cangu-ísú no Rio Grande do oiil, 1S43 (DCCLXXIII). 

Morre o ex-regeníe Diogo António Feijó, 1843 (DCCLXXIV^). 

Computo eeclesiastico, 1844, bissexto (DCCLXXVj, 

.Aíartyiulogio (DCCLXXYl). 

Obituário em 1844 (DCCLXXVII). 

Mudança do ministério em 31 de Janeiro de 1844 (DCCLXXVIII). 

^'/T^^^f;^'.^^"^''''' ^"^ ^^"^^^^^ Alegre o padre José Bento, IS4t 
(DCCLXXIX). ' 

O bacharel Euzebio de Queiroz Mattoso da Camará pede demisàão 

de chefe de policia da corte, 1844 (DCCLXXX). 
Fallecimentos de pessoas notáveis no anno de 1844 (DCCLXXXI). 
Casamento da piinceza D. Januaria, 1844 (DCCLXXXII). 
Dissolve-se a asscmbléa geral legislativa, 1844 (DCCLXXXIII) 

Explosão da barca do vapor E^ncalaãora ein 24 de Maio, 1844 
(DCCLXXXIV). 

Prisão dvo alguns rebeldes no Rio Grande do Sul era 1844 
(DCCLXXX V). 

Revolução da província das Alagoas, 1844 (DCCLXXXVI). 
Assassinatos do vigário das Palmeiras (DCCLXXXVII). 

Decreto de amnistia geral para o Rio Grande do .Su] 18-t4 
(DCCLXXXVni). 

Computo eeclesiastico, 1845 (DCCLXXXIX). 

Martyrologio (DCCXC). 

Obituário em 1845 (DCCXCI). 

Morre o barão de Taquary, 18 45 (DCCXCII). 



T.vnr suitMAiuo 

António Carlos é escolhido senador, 1S45 (DCCXCIII). 

Viagem do imperador ás provincias do sul, 1345 (DCCXCIV). 

I>ill Aberdem contra os traficantes de escravos do Brazii, 1845 
(DOCXCY). 

diuva de pedra em S. Paulo, 1845 (DCCXCVI). 

Computo ecclesiastico, 184G (DCCXCVIT). 

Martyrologio (DCCXCVIII). 

Falleeimentos de pessoas notáveis em 184G (DCCXCIX). 

Falloce o illustre cónego Januário da Canha Barbosa (DOCC). 

Fallece em Pitangui o coronel Martinho Alves da Silva, 1S4G 
(DCCCI). 

Mudança de ministério, 184G (DCCCII). 
Parle para o sul uma divisão militar, 184G (DCCCIII). 
Nova lei de eleições, 184G (DCCCIV). 
Computo ecclesiastico, 1847 (DCCCV). 
Martyrologio (DCCCVI). 
Obituário em 1847 (DCCCYÍI). 

Falleeimentos de pessoas notáveis, 1847 (DCCCVIII . 
]Morre o príncipe D. vVffonso, 1347 (DGCCIX). 
^lorre no Rio de Janeiro o general barão de Yilla Bclla, 1847 
(DCCCX). 

Visconde de S. Leopoldo, 1817 (DCCCXI). 
Bispo D. Thomaz de Noronha, 1847 (DCCCXII). 
Morre o coronel Bento Gonçalves da Silva, 1847 (DCCCXIII). 
A villa de Santo António dos Anjos c elevada a categoria de 
cidade, 1347 (DCCCXIV), 

Demissão do ministério Ilollanda Cavalcante, 1847 (DCCCXV). 
Motim e assassinatos era Pernambuco, 1847 (DCCCXVI). 
Amnistia para Pernambuco, 1848 (DCCCXVII). 
Crea-se a presidência do conselho de ministros, 1847 (DCCCXVIII) • 



UAS .MAIEICIAS LIX 

C'lu"_ra ao liio de Janeiro lord Ilowdcn, iniiiiátio da Inglaterra, 

líilT (DCCCXIX). 
António Borges da Fonseca ó eondemnado pelo jurv do Recite a 

oito annos de prisão, 1847 (DCCCXX). 
Chega ao Rio de Janeiro o ministro dos Estados Unidos, 1817 

(DCCCXXI). 
Installação do banco cumniercial do Fará, 1847 (DCCCXXII). 
Epidemia em lodo o Brazil, Polka e outros nomes, 1S4'7 

(DCCCXXllI). 
Computo ecclesiastieo, 1848, bijsexto (DCCCXXIV). 
:\rartyrologio (DCCCXXV). 
Fastos astronómicos, 1848 (DCCCXXVI). 
Falleeimentos de pessoas notáveis, 1848 (DCCCXXVII). 
Coudemuação pelo jury da corte contra um scelerado, 1848 

(DCCCXXVITI). 
Revolução praieira de Pernambuco, 1848 (DCCCXXIX). 
Morte do desembargador Joaquim Xunes 3Iacliado cm 1849 

(DCCCXXX). 
Computo ecclesiastieo, 1849 (DCCCXXXI). 
Martyrologio (DCCCXXXIÍ). 
Obituário em 1848 (DCCCXXXIII). 
Fallecimentos de pessoas notáveis, 1849 (DCCCXXXIV). 
Lucas o facinoroso, 1849 (DCCCXXX V). 
Assassinato ao saliir do collegio eleitoral do Dr. Trajaiio Aliplo 

de líollauda Chacon, 1849 (DCCCXXXVI). 
Fallecimentos do almirante Theodoro de Beaurepaire e do marquez 

de Queixaramobim, 18Í9 (DCCCXXXVII). 
A^taquc dos rebeldes em Pernambuco contra a cidade do Recife, 

1849 (DCCCXXXVIII). 
Dissolu(;ão da assembléa geral legislativa, 1849 (DCCCXXXIX). 
Benção do novo templo de X. S. da Lapa do Desterro, 1849 

(DCCCXL). 



SUMMARIO 



Explusão da fabrica de pólvora da Estrclla, 1849 (DCCCXLI). 

Grande vendaval no Rio de Janeiro, 1849 (DCCCXLII). 

Nomes dos 'bacharéis formados pelo curso jurídico de S. Paulo 
(DCCCXLIII). 

Compiito ccclesiastico, 1850 (DCCCXLI V). 

Martyrologio (DCCCXLV). 

Grande epidemia de febre anuirella, 1850 (DCCCXLVI). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1850 (DCCCXLVII). 

São proliibidos os enterramentos nas igrejas', 1850 (DCCCXLVIII). 

E' au.gmentada a rei)resentayão nacional, 1850 (DCCCXLIX). 

O Alto Amazonas é elevado a província, 1S50 (l)CCCL). 

Desaccordo com o Rio da Prata, 1850 (DCCCLI). 

Gabinete portuguez de leitura em Pernambuco, ISÕO (DCGCLII). 

Colónias militares de Alagoas e Pernambuco, 1850 (DCCCLIII). 

Fundação dos cemitérios públicos no Rio de Janeiro, 1850 
(BCCCLIV). 

Computo ccclesiastico, 185 1 (DCCCLV). 

Martyrologio (DCCCLVI) . 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1851 (DCCCLVII). 

Fallecimentos de ijessoas notáveis, 1851 (DCCCLVÍII). 

Installayões de tribunaes de comraercio, 1851 (DCCCLIX). 

Inangiiração do lazareto da Jurujuba, 1851 (DCCCLX). 

O Dr, Patroni vai a Lisboa com idéas politicas, 1851 (DCCCLXI). 

D. Fructnoso Ri vera é recolliido a fortaleza de 8anta Cruz, 1851 
(DCCCLXII) . 

Cemitério publico de Pernambuco, 1851 (DCCCLXIII). 

Illuminação a gaz no Rio de Janeiro, 1851 (DCCCLXIY). 

Sahe para o Rio daPi-aiaaescpiadra braziieira, 1851 (DCCCLXY). 

Assassinatos no Maranhão, 1851 (DCCCLXVÍ). 

O capitão Pedro Ivo Veiloso da Silveira foge da foi-íaleza d;i. 
Lage, 1851 (DCCCLXVII). 



DAS MATiajIASi Nl.T 

Nomeação Jo bispos, 1851 (DCCCLXVHI). 

Escolha de senadores, 1S51 (DCCCLXIX). 

O cônsul do Brazil em Buenos Ayres pede os seus passaportes, 1851 
(DCC(^LXX). 

O conde de Caxias embarca jíara o Kio Grande do Sul, 185 1 
(DCCCLXXI). 

O almirante Greenfel penetra no Paraná, 1851 (DCCCLXXIT . 

E' queimado pelos inglezes o brigue braziíeiro riratinim, 1851 
(])CCCLXXIII). 

Incêndio do theatro S. Pedro de Alcântara, 1851 (DCCCLXXIV). 

O conde de Caxias entra no Estado Oriental, 1851 (DCCCLXXV). 

O l\'iraguay adbere a alliança com as republicas do sul e com o 
Brazil 1851 (DCCCLXXVI). 

Missão diplomática do visconde de Paraná no Rio da Prata, 1851 
(DCCCLXXVII). 

Motim dos estudantes jurídicos de Olinda, 1851 (DCCCLXXVIII). 

Urquiza segue para o Paraná, 1851 (DCCCLXXIX). 

Passagem do Toneleiro, 1851 (DCCCLXXX). 

Computo ecclesisstico, 1852, bissexto (DCCCLXXX I). 

Martyrob -lo (DCCCLX XX II) . 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1852 (DCCCLXXXIII). 

Continua a guerra com Buenos Ayres. Batalha de Monte Caseros 

(DCCCLXXX IV). 
O nosso r.lini^;tro em Lisboa communica ao governo a falsificação 

de carnes ensacadas em Portugal, 1852 (DCCCLXXX \ ). 

Tratado com o Peru, 1852 (DCCCLXXXYI). 

Computo ecclesiastico, 1853 (DCCCLXXXYII). 

Jlartyrologio (DCCCLXXXVIII). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 185:1 (DCCL'LXXXIX). 

Fallecc em Lisboa D. Maria II, 1853 (DCCCXC). 



SUMMARIO 



Kaufragio do vapor .Feriumihuco, 1853 (DCCCXCI). 

Miguel Joaquim da Cunha é julgado pelo jury, 1853 (DCCCXCII). 

Giro obriga-se lia legação brazileira, 1853 (DCCCXCIII). 

A companhia aquaria do Queimado na Bahia principia a sua 
obra, 1853 (DCCCXCIV). 

Inaugura-ise a provinda do i^iraná, 1853 (DCCCXCV). 

Computo ccclesiasíico, 1851 (DCCCXCVI). 

Martyrologio (DCCCXCVIÍ). 

Obituário em 1854 (DCCCXCVIIÍ). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1854 (DCCCXCIX). 

Inauguração da primeira estrada de ferro, 1854 (CM). 

Lazareto na ilha de Maricá, 1854 (CMI). 

Commissão de Pedro Ferreira ao Paraguay, 1854 (CMII). 

Piuscotheca imperial, 1854 (CMIII), 

Computo eeclesiastieo, 1855 (CMIVj, 

Martyrologio (C^IY). 

Fallece o visconde da Pedra Jaranca, 1855 (CM VI). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1855 (CMVII). 

Morre Manoel de Carvalho Paes de Andrade, 15 55 (Cr\IVIII). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, (CMIX). 

O cholera morbus chega ao Brazil, 1855 (CMX). 

Computo eeclesiastieo, 185G, bissexto (CMXI). 

Martyrologio (CMXII). 

0])ituario em 185G (CxMXIII). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1850 (CMXIV). 

Offerta de uma espada de ouro ao general Coelho, 1S5G (CMXVj. 

E' aberto o seminário ei^iscopal de S. Paulo, 1856 (C3IXYI}. 

Computo eeclesiastieo, ISõ*? (CMXVIÍ). 

3Iarty rologio (CMX VIIÍ) . 

Obituário cm 1857 (CMXIX). 



I)A5 MATi.UIA> T.MU 

Falleciniciilo do preso Joíío Pereira nacaileiadc Boneverto, lí^õT, 

(CMXX). 
Longevidade c raliecimcntos de pessoas notáveis, 1857 (C.NÍXXT). 

('ollegio de educandos no Ceara, 1S57 (C^MXXIT). 

Ensaio do primeiro watron do caminlio de forro de T). Pedro 11. 

(CMXXIII). 
Decreto sobre a cx informata consciência, ISeí (CMXXIV), 
Mudança de ministério, 185 7 (CMXXV). 
Hospício de Pedro II, 1S57 (CMXXVI). 
Grande incêndio na Ponta da Arêa, 1857 (CMXXVIT). 
Grande enchente do Rio S. Francisco, 1S57 (CMXXVIII). 
Computo ecclesiastico, 1858 (CMXXIX). 
:\rartyrologio (CMXXX). 
Obituário em 1858 (CMXXXI). 
Fastos astronómicos, 185S (CMXXXII). 

Cahe na cidade de Rezende um rijo tufão, 1858 (CaIXXXIII;. 
Execução de Tira como, 1853 (CMXXXIY). 
Fallecimentos de pessoas notáveis, 1858 (CMXXX Y). 
O padre Monte Alverne, 1?58 (CMXXXVI). 
Inauguração da estrada de urro de D. Pedro II, 1858 

(CMXXXVII). 
Cliega ao Rio de Janeiro D. Benigno Lopes, 1853 (CMXXXVIII). 
Casa da moeda do Rio de Janeiro, 1858 (CMXXXIX). 
Abre-se ao transito publico a rua de D. Luiza, 1858 (CMXL). 
Inaugura-se a casa de caridade de Itagualiy, 1858 (CMXLI). 
Computo ecclesiastico, 1859 (CilXLII). 
Martyrologio (CMXLni). 
Obituário em 1850 (CMXLI Y). 
Fastos astronómicos, 1859 (CMXLY). 
Fallecimentos de pessoas notáveis, 1859 (CMXLYI). 



Installaç-rio da socieclatlo Defensora da- Constitiiijão, 18.50 
(CMXLYII). 

Horrível teiiiporal no Rio de Janeiro, 1859 (CMXLYÍII). 

Inaugura-se a capella da casa de Correcção da corte, 1859 
(CMXLTX). 

Viagem do imperador as j^rovincias do noi-fce. 1859 (CML). 

Conij)i!to ecclesiastico, 1800, bissexto (CMLI). 

Martyrologio (CLLII). 

Febre amarella, 1800 (CMLIIT). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1860 (CMLIV). 

Hospital de caridade da provinda do Ceará, ISGO (CMLV). 

Divida externado Império, 1860 (CMLVI). 

Divida interna, 1840 (CMLVII). 

Divisão do Império, 1860 (CMLVIII). 

Computo ecclesiastico, 1801 (CMLIX). 

Martyrologio (CMLX). 

Obituário em 180 l (CMLXI). 

Primeira exposiyão de productos naclonaes, 1801 (CMLXII). 

Dique da ilha das Cobras no Rio de Janeiro, 1861 (CMLXIII). 

Computo ecclesiastico, 1862 (CMLXIV). 

Martyrologio (CMLX Y) . 

Obituário em 1862 (CMLX VI). 

Facto meteorológico, 1802 (CMLXVH). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1862 (CMLXVIII). 

Inauguração da estatua equestre de Fedro I, 1802 (CMLXIX). 

Questão Anglo-americana ou questão Christe, 1862 (CMLXX). 

Computo ecclesiastico, 1803 (CMLXXI). 

Martyrologio (CMLXXII). 

Obituário em 1863 (CMLXXIII). 



DAS MATERLiS LXV 

Falleciraentos de pessoas notáveis, 1863 (CMLXXIV). 
Dissolução da asscmblóa geral legislativa, 1SG3 (CMLXXV). 
Computo eeclesiastico, 1864 (CMLXXVI). 
Martyrologio (CMLXXVII). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1884 (CMLXXVIII). 
Missão Saraiva a Montevideo, 1864 (CMLXXIX). 
Quebra dos bancos no Rio de Janeiro, 1864 (CMLXXX). 
Chuva de ])edra e tempestade no Rio de Janeiro, 186 4 (CMLXXXI.) 
Conselho de investigação contra o comraando da divisão naval 

da Bahia por causa dos navios americanos, 1864 (CMLXXXII). 
Manifesto de Solano Lopes, dictador do Paraguay, 1864 

(CMLXXXIII). 
O Brazil declara guerra ao Estado Oriental, 1864 (CMLXXXIV). 
Sitio de Paysandú, 1864 (CMLXXXV). 
E' tomado no Paraguay o vapor brazileiro Marquez de Olinda, 

1864 (CMLXXXVI). 
Mato Grosso é invadido pelos paraguayos, 1864 (CMLXXX VII). 
Combate de Paysandú, 1864 (CMLXXXVIII). 
Computo eeclesiastico, 1865 (CMLXXXIX). 
Martyrologio (CMXC). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1865 (CMXCI). 
Continuação da guerra com o Estado Oriental, 1865 (CMXCII). 
Tratado da tríplice alliança, 1865 (CMXCIII). 
Guerra do Brazil com o Paraguay, .1865 (CMXCIV). 
11 de Junho. Combate naval de Riachuelo, 1865 (CMXCV. 
18 de Setembro. Rendição de Uruguayana, 1865 (CMXCVI). 
Computo eeclesiastico, 1866 (CMXC VII). 
Martyrologio (CMXC VIII). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1866 (CMXCIX). 
Continuação da guerra do Paraguay, 1866 (M). 

BUM. DA CHR.— 5 



LXn SUMMAllIO 

27 de Março. Morrem os valentes officiaes de marinha Mariz e 

Barros e Vassimon, 1866 (MI). 
O general Polydoro toma conta do exercito, 1808 (Mil). 
Combate de Curuzd, 1866 (MUI). 
Ataque de Curupaity, 1866 (MIV). 
O marquez de Caxias chega ao exercito, 1866 (MY). 
Segunda exposição nacional, 1SG6 (MVÍ). 
Trigésimo terceiro presidente para a provinda de S. Paulo, 1866 

(MYII). 

Comj^uto ecclesiastico, 1S67 (luVIÍI). 

Martyrologio (MIX), 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1867 (MX). 

Combate do Alegre em Mato Grosso, 1867 iMXI). 

Monumento em honra de Tira Dentes, em Ouro Preto, 1867 

(MXII). 
Continuação da Guerra do Paraguay, 1867 (MXIII). 
Combates de Tuyucuê e outros, 1867 (MXIV). 
Dique do commercio no Mocanguí";, 1867 (MXY). 
Computo ecclesiastico, bissexto, 1868 (MXVI). 
Martp-ologio (MXVII). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 186S (MXVIII). 
Continuação da guerra do Paraguay, 1868 (MXIX). 
Assassinato em Montevideo do general Flores e diversos ataques 

no Paraguay (MXX). 
Combate do Chaco, marcha para Assumpção e ataques de 

S. Fernando, Passo Real e Samby-hy (MXXI). 
Estrada estratégica do Chaco, 1868 (MXXII). 
Combate de Itororó no dia 6 de Dezembro (MXXIII). 
Batalha do Ivahy no dia 11 de Dezembro, 1568 (MXXIV). 
Inauguração do Asylo de Inva.idos da Pátria, 1868 (MXXV). 



DAS MATERLVS LXTH 



Computo ecclesiastico, ISGO piXXVI), 

Martyrologio (MXXVII). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1869 (MXX^niI). 

Continuação da guerra eoiitra o Paraguay, 1869 (MXXIX). 

O conde d'En toma conta do exercito, 1809 (MXXX). 

Morre o general Meua Barrero, 1S69 (MXXXT). 

Xo dia IG deu-se a batalha de Campo Grande ; no dia 18 a de 

Caguri-jurú e no dia 21 a de Botuy piXXXII). 
Computo ecclesiastico, 1870 piXXXIII). 
Martyrologio (MXXXIV). 
Fallecimento do desembargador Garcia de Almeida, ISVO 

(MXXXV). 
Morte de Francisco Solano Lopez dictador do Paraguay, 1." de 

Março de 1870 (MXXXVI). 
Xo dia 29 de Fevereii'o tendo as forças imperiaes tomado o ponto 

de Tacuaras, foi dar combate no dia 1/ de Março de 1870 no 

Aquidaban (MXXXYII), 
Explicação da morte de Solano Lopez (MXXVIII). 
Morte do marquez de Olinda (MXXXIX). 
Morre o marechal de campo Alexandre Gomes de Argolo Ferrão, 

1870 fMXL). 
Morre o capitão de mar e guerra António Joaquim Curvello de 

Ávila, 1870 (MXLI). 
Incêndio da capella da Boa Viagem (MXLII). 
Computo ecclesiastico, 1S71 CArXLITI). 
Martyrologio (MXLIV) . 

Lei da liberdade dos filhos de mulher escrava, 1871 (MXLV). 
Morre o senador José da Silva Mafra, 1871 (MXLVI). 
Suicida-se no alto da Tijuca. no Rio de Janeiro o Dr. Aureliano 

Teixeira de Carvalho (MXLVII). 



LXVni SUMMARIO 

Fallece no Rio de Janeiro frei Fausto do Monte Carmello 

(MXLVIII). 
Fallece no Rio de Janeiro o Dr. Manoel de Mello Franco, 187] 

(MXLIX). 
Fallece na Bahia Francisco António da Rocha Pita e Argolo, 1871 

(ML). 
Fallece o major José Joaquim dos Reis (MLI). 
Computo ecclesiastico, bissexto 1872, (MLII). 
Martyrologio (MLIII). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1872 (MLIV). 
E' dissolvida a aasembléa geral legislativa do Império, 1872 

(MLV). 
Monumento á Gonsalves Dias, 1872 (MLVI). 
Computo ecclesiastico, 1873 (ML VII), 
Martyrologio (MLVIII). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1873 (MLIX). 
Computo ecclesiastico, 1874 (MLX), 
Martyrologio (MLXI). 
Obituário em 1874 (MLXII). 

Fallecimento do Conselheiro Freire Allemão, 1874 (MLXIII). 
As chuvas de Abril de 1874 (MLXIV). 
O Decreto n. 2501 de 27 de Junho de 1874 (MLXV). 
Prisão do bispo do Pará, 1874 (MLXVI). 
Inauguração do dique da ilha das Cobras, 1874 (MLXVII). 
Achados de nove crucifixos no Ribeirão Vermelho, 1874 

(MLX VIII). 
Computo ecclesiastico, 1875 (MLXIX). 
Martyrologio (MLXX). 
Obituário em 1875 (MLXXI). 
Fallecimentos de pessoas notáveis, 1875 (MLXXII). 



PA? MATETÍI.VS LTX 

Computo ccclcsiastlco, bissexto 1870, (MLXXIII). 
Martyrologio (MLXXIY). 

Fallecimento de Joaquim António Muitinho, 1876 (IMLXXV). 
O romance de Franklin Távora, o Cahelleira, foi impresso na 
T)-pograpiha Nacional — Rio de Janeiro, 1876 (MLXXVI). 

Obituário em 1870 (MLXXVII). 

Computo eeelesiastico, 1877 (MLXXVIII). 

Martyi-ologio (MLXXIX). 

Incolierencias dos tempos, 1877 (MLXXX), 

José de Alencar, 1877 (MLXXXI). 

Zacarias de Góes e Frei Santa Roza, 1877 (MLXXXII). 

Computo eeelesiastico, 1878 (MLX XXIII). 

Martyrologio (MLXXXIV). 

Fallecimento do reverendo João Domingos Figueira, 1878 
(MLX XXV). 

Coramissão medica para o Ceará, 1878 (MLXXXVI). 

Dissolução da assembléa geral legislativa, 1878 (MLXXXVII). 

Estrada de ferro de Piranhas, 1878 (MLXXXYIII). 

Computo eeelesiastico, 1879 (MLXXXIX). 

Martyrologio (MXC). 

Despeza geral do Império no exercicio de 1879 — 1880 (MXCI). 

Fallecimentos de pessoas notáveis, 1879 (MXCII). 

Benção da pedra fundamental do edifício da Associação Agrícola 

de Petrópolis, 1879 piXCIII). 
Santa Casa da Misericórdia de Pitanguy, 1879 (MXCIV). 
Computo eeelesiastico, bissexto 1880 (MXCV). 
Martyrologio (MXC VI). 

Conflicto do 1." de Janeiro de 1880 (MXCVII). 
Fallece o barão de Melgaço, 1880 (MXCVIII). 
Dr. Moura Brazil (MXCIX). 
Associação Promotora da Instrucção (MXCX). 



índice alphabetico 

DO 

SEGUNDO VOLUME 



Pags. 

Acclamação de El-rei D . João V na Bahia 14 

António de Albuquerque Coelho de Carvalha IG 

António de Albuquerque é desobedecido em caminho pelos paulistas. 17 

António de Albuquerque manda uma força para Minas 18 

António de Albuquerque Coelho de Carvalho 22 

Aldeia de Ipuca ou da Sacra Familia 67 

Armações de baleias TO 

Augmento da povoação de Santa Catharina 71 

Academia dos selectos no Rio de Janeiro 74 

Academia brazilica dos renascidos 82 

Alistamento dos moradores da Bahia 87 

Abolição da provedoria-mór da fazenda real 88 

Alteração que fez na sua vida depois da morte da rainha mãi 118 

Alvará creando a real junta do commercio 130 

Armistício entre Buenos Ayres e o enviado do Rio de Janeiro 147 

Abertura do theatro S. João 149 

" Abrem-se as officinas de ourives no Brazil 152 

Audiências do rei 157 

Amantes que teve o imperador D. Pedro 1 173 

Assassinato de D, Gertrudes Pedra 176 

Abre-se o edificio da praça do commercio do Rio de Janeiro 193 

Apparece um cometa no céo visto por Napoleão 204 

Acontecimentos notáveis. 221 

Acclamação do primeiro imperador do Brazil 224 

Acclamação da independência em Oeiras, Piauhy 232 

Abre-se a assembléa constituinte do Brazil 234 

Abolição das juntas provisórias do governo nas provincias 236 

Adverteacia ao vigário de Jacarepaguá 340 



H índice alphabetico 

Pa«s. 

Apparecitnento dos irmãos Calmons na Baliia 241 

Actriz Estella ( A) e mais uma amiga são presas pela policia 244 

Assigna-se o tratado da independência politica do Brazil 246 

Assassinato de el-rei D. João VI 271 

Abre-se o curso jurídico de S. Paulo 277 

Abre- se o curso jurídico de Olinda, em Pernambuco 277 

Accusação na camará dos deputados do ministro Oliveira Alves.... 299 

Assassinato do Dr . Badaró 300 

Assassinato do Visconde de Camamú na cidade da Bahia 303 

Apresentação do programma do ministério 310 

Aviso de 11 de Outubro de 1831 320 

Acontecimentos diversos no Rio de Janeiro 325 

Aprisionamento do presidente da província do Rio Grande do Sul.. . 334 

Assassinato do Dr. Ribeiro presidente do Rio Grande do Norte 3í.í8 

Acontecimentos no Rio Grande do Sul 340 

Assassinato do Dr. Manoel Joaquim Fernandes de Barros 344 

Administração da justiça no Rio de Janeiro, 318 

Apparecimento, no Brazil, de um cometa com grande cauda 348 

Apparecimento da escarlatina no Rio de Janeiro em 1843 349 

Acontecimentos passados com os sediciosos em Minas Geraes. 350 

Assassinato era Pouso Alegre do padre José Bento 351 

Assassinato do vigário das Palmeiras 353 

António Carlos c escolhido senador 354 

Amnistia para Pernambuco 359 

António Borges da Fonseca é condemnado pelo jury do Recife... .. 359 

Assassinato do Dr. Trajano Alipio de Hollanda Ohacon 363 

Ataque dos rebeldes em Pernambuco contra a cidade da Recife 364 

Alto xYmazonas ( O ) é elevado a província 367 

Augmento da representação nacional 367 

Assassinatos no Maranhão 370 

Almirante Greenfel (O) penetra no Paraná 371 

Abertura do seminário episcopal de S . Paulo 38J 

Abertura ao transito publico da rua de D. Luiza 385 

Ataque de Curupaitj- 397 

Assassinato em Montevideo do General Fl.res e diversos ataques.. . 403 

Achados de nove crucifixos no Ribeirão Vermelho 418 

Associação Promot jra da Inslruccão , 428 



Bispado do Grão Pará , 40 

Bando de 14 de Fevereiro de 1721 contra os ciganos 42 

Bando de 2S de Abril de 1722 sobre o uso d© armas prohibidas.... 43 



D.V OHRONICA GERAL III 

PaG3. 

Bando prohibindo o contacto com os navios estrangeiros...... 11 

Bando sobre o ouro da serra dos Bay taram nos Ilheos 41 

Bando do 30 de Abril de 1723 sobre desertação da marinhagem 17 

Bandj de 20 de Agosto de 1723 sobre os ciganos 48 

Bando de 2 de Outubro de 1723 para partir a frota a 80 de Outubro. . 19 

Bando de 17 de Outubro de 1723 sobre mostra a tropa 50 

Bando de 7 de Novembro de 1723 ao partir a frota 50 

Bando sobre a vestimenta de negros e mulatos pi-esos õ2 

Bando de IG de Abril de 1726 prohibindo as bebidas na semana santa. 54 

Bando de 8 de Abril de 1727 sobre o entriídn , õG 

Bando de 19 de ]\raio de 1727 sobre navios estrangeiros 57 

Bí.ndo de 17 de Maio de 1727 sobre as equipagens 57 

Bispo do Rio de Janeiro CS 

Bispo de S. Paulo 69 

Brigadeiro ( O ) Sebastião da Veiga Cabral. 100 

Bibliotheca publica do Rio de Janeiro 133 

Brazil (O) é elevado a categoria de Reino unido a Portugal l-'3 

Baptisado do filho do conde de Paraty , 170 

Batalha do Taquarembó 193 

Bellezas do governo do rei D. João VI 200 

Beijamão nos últimos tempos no Rio de Janeiro 214 

Batalha do Sarandy 2ÍG 

Buenos Ayres declara guerra ao Brazil 247 

Batalha no Passo do Rosari ) 2G5 

Briga do imperador D. Pedro I com a marqueza de Santos 265 

Bússola da Liberdade ( A ) 302 

Briga o imperador D. Pedro I com o marquez de Barbaccna 304 

Barão de Bolow (O) é recolhido a cadeia 322 

Bens (Os) de S. Felippe Nery são incorporados à nação 322 

Banimento do imperador D. Pedro 1 325 

Brigadeiro ( O ) Manoel Vaz de Barros, morre 340 

Bispo do Maranhão 346 

Barão de Caxias ( O ) vai tomar posse do governo do Sul 348 

Bacharel ( O ) Euzebio de Queiroz pede demissão de chefe de policia. 351 

Eill Aberdeen contra os traficantes de escravos no Brazil 354 

Bispo D. Thomaz de Noronha 358 

Benção do novo templo de N. S. da Lapa do Desterro 364 

Brazil ( O ) declara guerra ao Estado Oriental. 392 

Batalha do Ivahy 405 

Batalha de Campo Grande 407 

Benção do edifício da Associação Agrícola de Petrópolis 424 



IV índice ALPHABETICO 

O 

Pags. 

Computo ecclesiastico 1 

Creação da cidade da Feira de SanfAnna 1 

Crêa-se o lugar de juiz de fora de Pernambuco 3 

Continuam os paulistas no descobrimento das minas de ouro 3 

Computo ecclesiastico 4 

Computo ecclesiasticj 4 

Carta desobrigando D. João de Lencastre do cargo de governador... 4 

Convento dos Agostinhos da Bahia 6 

Computo ecclesiastico 7 

Creação do juizo da coroa em Pernambuco 7 

Computo ecclesiastico 9 

Computo ecclesiastico 9 

Computo ecclesiastico 12 

Creação da ouvidoria da comarca das Alagoas 13 

Computo ecclesiastico 13 

Computo ecclesiastico 14 

Camará (A) da villa Real de Santa Luzia 16 

Computo ecclesiastico 16 

Carnificina feita pelos paulistas nos portuguezes no Rio das Mortes.. 17 

Computo ecclesiastico 18 

Casa da misericórdia da capitania do Espirito Santo 20 

Computo ecclesiastico 20 

Computo ecclesiastico , 21 

Computo ecclesiastico 24 

Creação da camará das Alagoas 2õ 

Carta a D . Lourenço da Almada 25 

Continuação da guerra civil contra os mascates de Pernambuco 25 

Capitania do Espirito Santo passou para a Coroa 26 

Computo ecclesiastico 29 

Computo ecclesiastico 30 

Chega de Lisboa ordem para novas devassas 30 

Computo ecclesiastico 32 

Computo ecclesiastico 33 

Computo ecclesiastico 35 

Computo ecclesiascico 3õ 

Computo ecclesiastico 33 

Chafariz da Carioca 33 

Computo ecclesiastico 39 

Creação em Santa Catharina da villa de Santo António dos Anjos 40 

Creação em Lisboa da Academia Roal de Historia Portugucza 40 

Computo ecclesiastico 41 

Convento ou hospício do Carmo das Alagoas 42 



da chronica obral ▼ 

Pags, 

Computo ccclesiastico 42 

Computo ecclesiastieo 46 

Computo ecclesiastic 1 52 

Computo ecclesiastieo 52 

Computo ecclesiastieo 54 

Computo ecclesiastieo 56 

Computo ecclesiastieo 58 

Computo ecciesiastico 59 

Creaçã ) da parochia de Nossa Senhora do Desterro 59 

Chuvas continuas e desmoronamentos de terras na cidade da Bahia. . 63 

CreaçSo da freguezia de N. S. do Desterro de Santa Catharina 63 

Convento do Carmo das Alaíròas. 64 

Convento das Mercês da Bahia 64 

Capitania de Goyaz (A) fica independente de S. Paulo 68 

Capella de S. Miguel da cidade da Bahia 68 

Creação do bispado de Marianna 69 

Creação do bispado de S. Paulo 69 

Creação do bispado de Minas Geraes 70 

Creação da villa de Mato Grosso 70 

Chuvas torrenciaes com desmoronamentos na Bahia 71 

Creação da ouvidoria de Santa Catharina 72 

Creação da villa de S. Pedro do Rio Grande do Sul 73 

Casas de fundição em Minas Geraes — 76 

Creação da villa da Barra do Rio de S. Francisco 76 

Creação do juiz de fora do Pará 77 

Combate dos indios das missões do Paraguay 80 

Comarca do Rio Negro (A) fica independente do Pará 80 

Creação de corpos auxiliares no Maranhão 80 

Creação da villa de Monte Alegre 81 

Computo ecclesiastieo 82 

Capella do ^lenino Deus em Santa Chatarlna 85 

Carta regia nomeando governador para o Rio Grande do Sul 85 

Casa da opera antiga da Bahia 89 

Computo ecclesiastieo 90 

Computo ecclesiastieo 90 

Computo ecclesiastieo 91 

Computo ecclesiastieo 91 

Combate naval na barra do Rio Grande 91 

Computo ecclesiastieo 92 

Computo eeclesiastio " • 93 

Carta régia prohibindo o offieio de ourives no Brazil 93 

Computo ecclesiastieo 94 

Crêa-se a junta de justiça do Maranhão ^" 



Tl índice alphabetico 

Pags. 

Caracter de Luiz de Vasconcellos e Souza 97 

Computo ecclesiastico 97 

Coronel ( O ) Veiga Cabral é nomeado governador 98 

Computo ecclesiastico 98 

Computo ecclesiastico 100 

Computo ecclesiastic > 100 

Computo ecclesiastico 100 

Computo ecclesiastico 100 

Computo ecclesiastico 103 

Computo ecclesiastico 103 

Computo ecclesiastico 103 

.Coronel ( O) Veiga Cabral toma posse de Santa Catharina lOJ: 

Computo ecclesiastico 104 

Computo ecclesiastico , 104 

Creação da villa do Príncipe no Rio Grande do Norte 104 

Computo ecclesiastico 104 

Computo ecclesiastico 107 

Conde ( O ) de Rezende toma posse do Vice-reinado 107 

Comput'3 ecclesiastico 108 

Computo ecclesiastico 108 

Ceará, grande secca e enchente o lOS 

Computo ecclesiastico 109 

Computo ecclesiastico ■ 109 

Computo ecclesiastico-. »•• 110 

Computo ecclesiastico 110 

Computo ecclesiastico liO 

Computo ecclesiastico 113 

Continuação do império 114 

Como vivia o príncipe regente na fazenda de Santa Cruz 117 

Coronel (O) Joaquim Xavier Curado, governador de S. Catharina.. 119 

Computo ecclesiastico 1 19 

Coronel ( O 1 Manoel Marques de Souza toma o forte do Serro Largo. 130 

Computo ecclesiastico 120 

Computo ecclesiastico 121 

Computo ecclesiastico • 132 

Computo ecclesiastico , . . , 122 

Carlos César Burlamaque é nomeado governador do Piauhy 122 

Conde ( O ) dns Arcos toma posse do governo do Rio de Janeiro 123 

Computo ecclesiastico 123 

Computo ecclesiastico 15 

Chega o príncipe regente a Bahia 125 

Chega o príncipe regente com a família real ao Rio de Janeiro 127 

Creação de trcs secretários de Estado 128 



da chrokica geral "^i 

Pacs. 

Creação de um conselho supremo militar 128 

Creações que se fizeram no niez de Maio '■-^ 

Creação do conselho da fazenda ^-^ 

Creação do erário régio e o conselho da fazenda loO 

Creação do banco do Brazil. 131 

Creação do hospital militar na corte do Eio de Janeiro 131 

Computo ecclesiastico l"3l 

Cayenna é tomada aos francezes 1-^1 

Creação da parochia de Nossa Senhora da Lapa em Santa Catharina. 132 

Computo eccltsiastico ■'■^'-' 

Celebração do tratado de commercio e navegação com a Inglaterra. . . VíG 

Casamento do infante D. Pedro Carlos com a primeira D. Maria. . . . 1.37 

Convenção entre o governo de Portugal e o rei de Argel 139 

Conflictos entre o governador do Maranhão e o do Piauhy 139 

Creação da academia militar 

Computo ecclesiastico 

Chuvas torrenciaes no Eio de Janeiro e apparecimento de um cometa. 140 

Creação da viUa de S. João Marc s ^^^ 

Creação de villas em Pernambuco 

Creação de uma junta em todas as capitães das capitanias Ml 

C imputo ecclesiastico 

14S 
Computo ecclesiasticD 

Combate naval entre as esquadras americana e ingleza na Bahia 14S 

1 19 
Computo ecclesiastico 

Chega a Bahia o arcebispo D. frei Fraucisci lo") 

Conde de Palma (O) toma conta do governo de S. Paulo IÇO 

Computo ecclesiastico '-* 

iro 

Computo ecclesiastico _ 

Ceremonial do enterro da rainha D. Maria 1 1--^ 

Contracto do casament . de D. Pedro Carlos com D. Maria KID 

Causas da perda da razão de D. Maria 1 1 ^1 

Chegam ao Ptio de Janeiro as tropas lusitanas 162 

Como viviam no paço o rei D. João VI com a rainha D. Carlota 163 

IGo 
Computo ecclesiastico 

Cidade do Recife (A) é tomada pelos realistas 1G7 

Combate entre republicanos e realistas em Ipojuca 167 

Casamento do c jnde de Paraty ^^^ 

Casamento do príncipe D. Pedro á^ Alcântara 1 '9 

Commissão militar (A.) de Pernambuco manda fazer execjções 187 

Comarca das Alagoas (A) foi desmembrada de Pernambuco 188 

1S8 

(yonvenção mixta com a Inglaterra ^'^ 

Chega ao Rij de Janeiro a princeza D. Carolina Leopoldina 183 

Creação da colónia Vianna na capitania do Espirito Santo 189 



Yin índice alphabetico 

Pags. 

Computo ecclesiastíco 189 

Coroação e sagração de el-rei o Sr. D. João VI 189 

Creação no Rio de Janeiro do museu real 189 

Computo ecclesiastíco 191 

Convenção de limites com Montevideo 193 

Computo ecclesiastíco 193 

Chegada ao Pão de Janeiro da noticia da revolução de Portugal 201 

Conde da Ponte ( O ) é nomeado governador do Pará 2(4 

Conde de Villa Flor ( O ) governador da Bahia 204 

Computo ecclesiastíco 204 

Creação da relação de Pernambuco 205 

Chefe do corpo de policia da corte 206 

Conducta da rainha (A) . Carlota, em relação ao Brazil 208 

Cortes de Lisboa ( As ) deportam os validos do rei. 214 

Creação de uma junta constitucional no Brazil 215 

Crise económica e financeira no Rio de Janeiro , 217 

Cortes de Lisboa ( As) decretam a retirada do príncipe D. Pedro.. 218 

Combate entre as forças liberaes de Goyanna 218 

Computo ecclesiastíco 219 

Creação de um conselho de procuradores das províncias 220 

Conflictos entre as tropas portugueza e brazíleira na cidade da Bahia. 220 

Chegada da esquadra para levar para a Europa o príncipe regente — 220 

Camarás das Alagoas (As) pede uma constituinte legislativa 222 

Cidade da Parnahyba (A) solta o grito de Independência 224 

Caracter do príncipe D . Pedro de Alcântara 228 

Combate em Pirajá, em que são rechassadas as tropas lusitanas 230 

Coroação e sagração do imperador 230 

Computo ecclesiastíco 231 

Capitães (A) das províncias são elevadas a categoria de cidades.... 232 

Chegada ao Rio de Janeiro de Lord Cockrane 233 

Combate naval na Bahia 234 

Creação do conselho de Estado 238 

Capitulação de D. Álvaro em Montevideo 239 

Chegada a Pernambuco da tropa commandada pelo general Lima 240 

Camará municipal (A) do Rio de Janeiro publica um edital 240 

Computo ecclesiastíco 240 

Compra da casa do conde da Barca para secretaria da justiça 213 

Computo ecclesíastico . 213 

Commissão de Buenos Ayres perante o governo do Brazil 246 

Carta do Sr. D. João VI aos brazileiros 246 

Commissão para organisar uma constituição para o Brazil 247 

Computo ecclesiastíco 247 

Chegada e desembarque na Bahia 251 



da chronica geral ix 

Pags. 

Creação da Ordem de Pedro I 259 

Concessão á cidade da Talua do titulo àe leal e valarosa 263 

Computo ecclesiastico 2tít 

Chega o imperador ao Eio de Janeiro vindo do Rio Grande do Sul. . . . 265 

Combate naval entre a divisão brazileira e argentina 274 

Cream-se os cursos jurídicos no Crazil 274 

Convenijão de paz rejeitada por Buenos Ayres 275 

Chega ao Rio de Janeiro o duque de Cadaval 275 

Computo ecclesiastico. 276 

Chegam ao Rio de Janeiro Martim Francisco e António Carlos 278 

Crea-se o supremo tribunal de justiça no Rio de Janeiro 278 

Comprada casa da Relação da Corte em 1828 279 

Computo ecclesiastico 279 

Chega a imperatriz Amélia ao Rio de Janeiro 288 

Chega a Sra. D. Maria 11 ao Rio de Janeiro 294 

Casamento do imperador D. Pedro I com a princeza D. Amélia 299 

Computo ecclesiastico 300 

Computo ecclesiastico 301 

Carta de lei marcando as attribuições do tutor imperial 307 

Creação da guarda nacional 308 

Creação da villa de Alegrete 308 

Computo ecclesiastico 821 

Corpo de delicto na caixa forte da camará municipal da Bahia 323 

Computo ecclesiastico " 324 

Computo ecclesiastico 3-6 

Condemnação a morte do parricida Vasco Fernandes Telles 328 

Computo ecclesiastico 328 

Creação do montepio dos servidores do Estado 328 

Computo ecclesiastico 330 

Cidade de Porto Alegre (A) subtrahe-se ao poder doS rebeldes 331 

Combates no Rio Grande do Sul 332 

Computo ecclesiastico 333 

Computo ecclesiastico 337 

Combate do Rio Pardo 338 

Computo ecclesiastico 340 

Canavarro invade a villa de Santo António do \njos. 341 

Computo ecclesiastico 342 

Combate de Taquary 342 

Computo ecclesiastico 314 

Computo ecclesiastico 345 

Conde de Souzel 345 

Chegam ao Rio de Janeiro Vergueiro, Gavião e Souza Queiroz 346 

Continuação da revolta de S. Paulo e Minas Geraes 347 



x índice alphabetico 

Pags. 

Computo ecclesiastico 318 

Conservatório dramático 349 

Casamento da princeza D. Francisca 350 

Combate no Kio Grande do Sul contra a3 forças rebeldes 350 

Celebração do casamento do imperador D. Pedro II em Nápoles 3õ0 

Chega ao Rio de Janeiro a imperatriz 350 

Combate de Cangussú no Rio Grande do Sul Sõl 

Computo ecclesiastico 351 

Casamento da princeza D. Januaria 353 

Computo ecclesiastico , 354 

Chuva de pedra em S . Paulo 355 

Computo ecclesiastico.- 355 

Computo ecclesiastico 357 

Crea-se a presidência do conselho de ministros 359 

Chega ao Rio de Janeiro lord Howden, ministro de Inglaterra 359 

Chega ao Rio de Janeiro o )ninistro dos Estados Unidos 360 

Computo ecclesiastico 360 

Condemnação pelo jury da corte contra um acelerado, . 361 

Computo ecclesiastico 262 

Computo ecclesiastico 365 

Colónias militares de Alagoas e Pernambuco 368 

Computo ecclesiastico 368 

Cemitério publico de Pernambuco 370 

Capitão (O) Pedro Ivo VcUoso foge da fortaleza da Lage 370 

Cônsul do Brazil (O) em Buenos Ayres pede os seus passaportes 371 

Ciinde do Caxias (O) embarca para o Rio Grande do Sul 371 

Conde de Caxias (O) entra no Estado Oriental 372 

Computo ecclesiastico .' 373 

Continua a guerra com Buenos Ayres. Batalha de Monte Caseros 374 

Communicação ao governo de Lisboa sobre falsificação de carne.... 374 

Computo ecclesiastico 375 

Companhia aquaria (A) do Queimado na Bahia principia a sua obra. 376 

Computo ecclesiatico 377 

Commissão de Pedro Ferreira ao Paraguay 378 

Computo ecclesiastico 378 

Cholera morbus (O) chega ao Brazil 3)9 

Computo ecclesiastico 379 

Computo ecclesiastico , 380 

Collegios de educandos no Ceará 382 

Computo ecclesiastico 383 

Cahe na cidade de Rezende um rijo tufão 383 

Chega ao Rio de Janeiro D. Benigno Lopes 384 

Casa da moeda do Rio de Janeiro 384 



da ciironica geral ^^ 

Pac.s. 

385 

Computo ecclos.astico 

Computo ccclesiastico 

Coiv.puto ecclesiastico 

Computo ecdesiaslico 

Computo ecclesiastico ^^^ 

Computo ecclesiastico 

Chuva de pedra e tempestade no Rio de Janeiro • - 

Conselho de investigação contra o commando da divisão naval ^J^ 

Combate do Paysandú ^^ 

Computo ecclesiasticv> 

Continuação da guerra com o Estado Oriental ^^^ 

Combate Naval de Kiachuelo 

Computo ecclesiastico 

Continuação da guerra do Paraguay ^^^ 

Combate de Curuzú 

Computo ecclesiastico ^^^ 

Combate do Alegre em Mato Grosso ^^^ 

Continuação da guerra do Paraguay ^^^ 

Combates de Tuyucuê e outros ^^^ 

Computo ecclesiastico 

Continuação da guerra do Paraguay 

Combate do Chac -, marcha para Assumpção ^t 

Combate de Itororó no dia 6 de Dezembro ^^ 

, . ,. 40o 

Computo ecclesiastico 

Continuação da guerra contra o Paraguay ' 

Conded'Eu(0) toma conta do exercito 'J^^ 

Computo ecclesiastico ' . 

Computo ecclesiastico 

Computo ecclesiastico 

^ , - X- 41o 

Computo ecclesiastico 

, . ,. „ 4ib 

Computo ecclesiast:co 

Chuvas (As) de Abril de 1374 ^J^ 

Computo ecclesiastico 

Computo ecclesiastico 



Computo ecclesiastico 

Computo ecclesiastico ~^ 

Commissão medica para o Ceará ^" 

Computo eccles.astico " 

'^ , . ,. ilõ 

Computo ecclesiastico 

Conílicto do 1.0 de Janeiro de 1830 



'^ii índice alphabètico 

Pags. 

r> 

Decimo sétimo governador do Maranhão 5 

Detenção do mestre de campo João de Araújo e Azevedo 58 

Dinheiro da finta em Sergipe d'El-rei 59 

Diamantes que foram para portugual 63 

Desvio do curso do rio Maranhão ou Goyaz 63 

Divisão de bispados e creação de prelasias 71 

Decimo nono governador do Estado do Maranhão e Grão Pará 74 

Demarcação de limites 74 

Demarcação de limites 76 

Divida do Estado do Brazil de 17G1 a 17S0 85 

Divisão administrativa do Brazil 113 

Duração das audiências 115 

Desertor brazileiro (Um ) toma as missões hespanholas 119 

Decreto do príncipe regente annunciando a mudança da corte 124 

Decreto mandando correr as moedas de ouro, prata e cobre 130 

Doação de terras que fez o príncipe regente a Sir Sidney Smith 130 

Designação do edifício da Sé Nova para a real academia militar 140 

Degredo de frei Euzebio de S. Boaventura 151 

Desabamento da ponte do Recife 152 

Doença e morte da rainha D. Maria I - 157 

Desembargador (O) José Joaqidm Botelho de Almeida 192 

Desordem na Praça do Commercio contra os eleitores 206 

Distúrbios no Rio de Janeiro 210 

Dia 9 de Janeiro de 1882 219 

Decreto contra as tropas inimigas da causa do Brazil . 223 

Decreto do dia 9 de Setembro e um triumvirato em S. Paulo 224 

Declaração do dia 7 de Setembro de Festa Nacional 23tí 

Declaração do dia 12 de Setembro de Festa Nacional 237 

Dissolução da assembléa constituinte legislativa do Brazil 237 

Deportação dos três irmãos Andradas e mais três deputados 239 

Devassa 240 

Decreto marcando ordenado aos conselheiros de Estado 215 

Declara-se guerra ás províncias unidas do Rio da Prata 247 

Desordens domesticas entre o imperador D. Pedro e a imperatriz 255 

Doença e morte da imperatriz Leopoldina 256 

Decreto de paz entre o Brazil e Portugal 259 

Damas da duqueza de Goyaz 26 4 

Destruição da nova esquadra no Uruguay , 265 

Deportação de Francisco Gomes da Silva e João da Rocha Pinto 295 

Distúrbios e prisões no Rio de Janeiro desde 1S31 até 1832 311 



da chronica gkra.l xm 

Pags. 

Decreto de organisação do corpo policial 314 

Dia 19 de Setembro de 18:37, 334 

Dia 1 de Julho de 1S39 é saqueada a cidade de Caxias 341 

Decimo presidente para S. Paulo 3il 

Discussões na camará em favor da maioridade do imperador 343 

Decimo primeiro presidente de S. Paulo 343 

Decreto mandando fundar o hospício de D. Pedro II em 1841 345 

Dia Í7 de Outubro de 1S12 (Xo) morre José Rodrigues Jardim 346 

Dissoluçiio da assembléa geral O IG 

Dia 23 de Janeiro de 1S43 (No) foi presente ao senado o processo, etc. 31.) 

Dissolução da assembléa geral legislativa 353 

Decreto de amnistia geral para o Rio Grande do Sul 359 

Demissão do ministério Hollanda < .'avalcante 353 

Dissolução da assembléa geral legislativa 364 

Desaccordo com o Rio da Prata 368 

Decreto sobre a ex informata consciência 382 

Divida externa do Império 388 

Divida interna 388 

Divisão do Império 388 

Dique da Ilha das Cobras no Rio de Janeiro 389 

Dissolução da assembléa geral legislativa 391 

Dique do commercio no Mocangue 402 

Dissolução da assembléa geral legislativa do Império 415 

Decreto n. 2õJl de 27 de Junho de 1874 417 

Dissolução da assembléa geral legislativa 423 

Despeza geral do Império no exercício de 1879 , . 423 



E 



El-rei D. Pedro II manda proteger os Índios 7 

El-rei desobriga D. Rodrigo da Costa 11 

El-rei estranha ao governador de Pernambuco 21 

El-rei agradece aos habitantes do Rio de Janeiro 23 

El-rei mandou procurar os culpados da invasão franceza 29 

El-rei approva a contribuição do povo para o resgate da cidade 33 

Expulsão dos ciganos de Portugal 34 

Expulsão dos estrangeiros da Bahia 38 

El-rei manda entregar á mulher do governador do Rio de Janeiro os bens 54 

Estrangeiros que occupavam a ilha de Fernando de Noronha ^ 

Extraordinária enchente do Rio de S. Francisco 67 

El-rei D. João mandou reduzir a duzentos o numero dos frades 67 

El-rei D. João V recebe o titulo de Fidelíssimo 71 



XIV índice alpiiabetico 

Pags. 

Expedição do Pará á Maio Grosso 72 

Expulsão dos jesuítas de Portugal e Brazil 83 

Elevarão do território de S. Paulu a capitania 87 

Epidemia nu Rio de Janeiro Zamparina 99 

Execução de Tira-Dentes 108 

Epidemia denominada Corcunda 121 

Emancipação dos escravos cm Buenos Ayres 146 

Exploração das minas de ferro de Minas Gei'aes 149 

Edificação da praça do commercioda Bahia 150 

Extincção das ordenanças 154 

El-rei D. João VI organisa a casa do filho e nora 180 

El-rei em 13 de Março de 1817 manda dar o seminário de Belém 188 

Evacuação das tropas brazileiras da cidade de Cayenna 191 

Embarque e partida de el-rei para Lisboa 211 

Embarque da tropa portugueza para Lisboa 220 

El-rei D. João Vi não se esquecia do Brazil ..... 225 

Erecção de villas , 236 

Estabelecimento na villa de la Florida 245 

Enterro da imperatriz D. Maria Leopoldina 258 

Exercito brazileiro em 1S27 265 

Elevação das prelazias de Goyaz e Cuyabá a bispados 276 

Entra no Rio de Janeiro o contra almirante francez 278 

Efíectua-se o casamento do tír. D. Pedro 1 com a priaceza Amélia 281 

Encerra-se a assembléa geral legislativa 281 

Escândalos que se deram na corte do Rit) de Janeiro 281 

Extingue-se a congregação de S. Felippe Ncry, em Pernambuco 301 

Eleição da regência permanente 310 

Extincção dos corpos de milícias e ordenanças 311 

Estado politico do Rio de Janeiro 311 

Exclusão de Honório Hermeto Carneiro Leão da sociedade Defensora. 327 

Entra o brigadeiro Andréa na cidade do Pará 331 

Evasão de alguns chefes da rebellião do Rio Grande do Sul 333 

Execuções que houveram no anno de 1838 > 333 

Explosão da barca de vapor Especuladora 353 

Epidemia cm toda o Brazil, Polka e outros nomes 360 

Explosão da íl; brica de pólvora da Estrella 364 

Escolha de senadores 371 

Ensaio do primeiro wagon do caminho do ferro de D. Pedro II 382 

Execução de Tira couro 383 

Estrada estratégica do Chaco 404 

Explicação da morte de Francisco Solano ' ^opez 406 

Estrada de ferro de Piranhas 423 



DA CURO:<ICA GEHAL XV 

Pags. 

Fernão Carrilho toma posse do governo do Maranhão i 

"•"undação do Arraial dos Mnrrinhos 26 

Fundarão do convento do Mafra 37 

Fundação da ermida de N. S. da Corrente da cidade do Penedo 10 

Fundação da Academia Real de Historia, em Lisboa 40 

Fundação de Montevideo 51 

Furiosa tormenta na ilha da Madeira 01 

Fallecimento do conde de Sarzedas :, 66 

Frei (D.) António do Desterro, bispo do Rio de Janeiro 71 

Fazenda da Jurujuba 71 

Forte de Guaporó 73 

Fallecimento do Dr. (*arvalho 74 

Fundação da capital do I\Iato Grosso 75 

Fundação da villa de Macapá r 75 

Fundação da nova igreja de Santa Luzia da cidade do Rio de Janeiro.. 75 

Freguezia de S. José em Santa Catliarina. . . 78 

Fastos astronomic' s 82 

Forte de Santa Thereza no Rio Grande do Sul 85 

Fundação de villas 89 

Fundação de villa 90 

Fallecimentos 'Jl 

Francisco da Cunha Menezes é nomeado governador para S. l^aulo.. 100 

Fastos astronómicos 107 

Fastos astronómicos 108 

Fecundidade de uma senhora brazileira 113 

Fernando José (D.) de Portugal é nomeado sexto vice-rei do Brazil.. . lv!0 

Fallecimentos de pessoas notáveis 124 

Fallecimento do arcebispo da Bahia 149 

Fallecimentos no mez de Fevereiro líl 

Fundação da academia das Bellas Artes do Rio de Janeiro 164 

Fuzilamento na Bahia de três chefes da revolução de Pernambuco. . . . 168 

Fallece na Bahia o marechal Cogominho de Lacerda 190 

Fundição de ferro de S. João de Ypanoma 190 

Fallece na Praia Grande o conde das Salveias 192 

Frei José de Azevedo e André Ortigas, são recolhidos á cadeia 192 

Fallecimento de (D.) Francisco Maurício de S. Coutinho 193 

Fundação da primeira igreja protestante no Rio de Janeiro 202 

Fidié, em Oeiras, oppõe-se a independência do Brazil 232 

Fallece o conselheiro da fazenda D. António Coutinho de Alencastre, 236 

Fuzilamento na Bahia do major Satyro 213 

Fuzilamento na Bahia do padre mestre frei Caaeca 243 



XVI índice alphabetico 



Fallece o desembargador António José Ozorio de Pina Leitão 244 

Fallece o brigadeiro Martiniano José de Andrade e Silva ■ 244 

Fallece o coronel visconde de Castro, João de Castro Canto e Mello. . . 263 

Fallecimento da imperatriz (D . ) Maria Leopoldina 263 

Fallece o marquez de Sabará 275 

Fallece no Rio de Janeiro o cónego Dr. Riuato Boiret 278 

Fallece o cónego António Pinto Ribeiro Pereira Sampaio 279 

Filhos que teve o imperador da marqueza de Santos 283 

Fallece o cónego Dr. Ayres António Corrêa de Sá 294 

Fastos astronómicos 324 

Fastos astronómicos 325 

Fixação do padrão monetário 326 

Fuga de Bento Gonçalves da Silva da fortaleza do Mar 334 

Fallecimentos , 339 

Fallecimentos de pessoas notáveis 345 

Fallecimento do redactor do Brazileiro resoluto 346 

Fallecimentos de pessoas notáveis 349 

Fellecimento de pessoas notáveis no anno de 1844 351 

Fallecimentos de pessoas notáveis no anno de 1846 355 

Fallece o illustre cónego Januário da Cuniia Barboza 356 

Fallece em Pitangui o coronel Martinho Alves da Silva 356 

Fallecimentos de pessoas notáveis 358 

Fastos astronómicos 360 

Fallecimentos de pessoas notáveis 360 

Fallecimentos de pessoas notáveis 363 

Fallecimento do almirante T. de Beaurepaire e M. de Queixaramobim 363 

Fallecimentos de pessoas notáveis 366 

Fundação dos cemitérios públicos no Rio de Janeiro 368 

Fallecimentos de pessoas notáveis 338 

Fallecimentos de pessoas notáveis 369 

Frauctuoso Rivera (D.) é recolhido a fortaleza de Santa Cruz 370 

Fallecimentos de pessoas notáveis em 1852 373 

Fallecimentos de pessoas notáveis em 1853 375 

Fallece em Lisboa D. Maria II 376 

Fallecimentos de pessoas notáveis em 1854 377 

Fallece o visconde da Pedra Branca 378 

Fallecimenios de pessoas notáveis em 1855 378 

Fallecimentos de pessoas notáveis em 1858 : 379 

Fallecimentos de pessoas notáveis em 1857 380 

Fallecimento do preso João Pereira na cadeia de Benavente 381 

Fastos astronómicos 383 

Fallecimentos de pessoas notáveis em 1858 383 

Fastos astronómicos em 1859 385 



DA CimONICA GERAL XVII 

Paqs. 

Fallecimontos de possoas notáveis 1SÕ9 335 

Febre amarella 1850 ^^ 

Facto metereologico ^-^^ 

Fallecimentos de pessoas notáveis IS62 • • 390 

Fallecimentos de pessoas notáveis 1S63 390 

Fallecimentos de pessoas notáveis 183i 331 

Fallecimentos de pessoas notáveis ISGõ 393 

Fallecimentos de pessoas notáveis ISGj 39o 

Fallecimentos de pessoas notáveis 18o7 397 

Fallecimentos de pessoas notáveis 18G3 '^'^^ 

Fallecimentos de pessoas notáveis 1S39 '^^ 

Falleciment ) do desembargador Garcia de Almeida -lOS 

Fallece no Eio de Janeiro frei Faustr) do Monte Carmello 113 

Fallece no Rio de Janeiro o Dr . Manoel de Mello Franco IM 

Fallece na Bahia Francisco António da R icba Pita e Argolo 411 

Fallece o major José Joaquim dos Reis '^^ ^ 

Fallecimentos de pessoas notáveis 1872 414 

Falleciment js de pessoas notáveis 1873 4lG 

Fallecimento do conselheiro Freire AUemão 416 

Fallecimentos de pessoas n jtaveis 1875 418 

Fallecimento de Joaquim António Moitinho 419 

Fallecimento do reverendo João Domingos Figueira 423 

Fallecimentos de pessoas notáveis 1379 423 

Fallece o barão de Melgaço '^^ 



O 



Governador geral da Eahia ^ 

Governador e capitão general do Estado do Brazil 7 

Governador da f arahyba do Xorto ^ 

Governador do Maranhão 1^ 

Governador do Rio de Janeiro 1*^ 

Governo do Maranhão 1 ^ 

Guerra civil em Minas Geraes 1 ^ 

Governador (O) do Rio de Janeiro vai a Minas 1-^ 

G ratificações que era estylo darem-se < 18 

G jvernadjr (O) de Pernambuco convida os magistrados 28 

Governador de S. Paulo 30 

Grande tempestade na ilha dos Açores £8 

Grande epidemia em Portugal, 1723 47 

Gjverno (O) toma providencias sobre tudo ^■•' 

Grande zelo pela alimentação publica ^'-' 



II. VOL. DA CUK 



9 



xviii índice alphabetico 

Pags. 

Governo de Santa Catharina 93 

Grande secca em Pernambuco 1790 a 1793 107 

Grande enchente do Rio Paraguassú, Bahia 108 

Governador de Santa Catharina 108 

Grande diamante achado em Abaete m, 

Guerra entre a Ilespanha e Portugal 119 

Governo do Rio Grande do Sul 122 

Governo do Rio Grande do Norte 123 

Grande trovoada na Bahia 146 

Gritaria no Paçj por occasião do regresso da corte portugueza 206 

General (O) Carlos Frederico da Cunha governador 20G 

Governo provisório, depois de proclamado o systema constitucional 216 

Governo tempr-rario em Goyanna 218 

General (O) Jorge de Avcllez vai occupar o morro do Castelb.... 220 

General (O) Labatut organisa um pequeno exercito 230 

General (O) Labatut, ataca a força do general Madeira 231 

General ( O ) Madeira com as suas forças evacua a cidade do Salvador 234 

Governo (O) manda soccorrer a província do Ceará 245 

Gabinete secreto orçado no Rio de Janeiro 243 

Grande vendaval no Rio de Janeiro , 364 

Grande epidemia de febre amarella 365 

Gabinete portuguez de leitura, em Pernambuco 3ô8 

Giro obriga-se na legação brazileira 376 

Grande incêndio na Ponta da Arèa 382 

Grande enchente do Rio S. Francisco 182 

Guerra do Brazil com o Paraguay â94 

General (O) Polydor j toma conta do exercito 396 



H 



Homenagem que Luiz César de Menezes prestou pelo governo, iO 

Homenagem que Pedro de Vasconcellos e Souza prestou pelo governo 20 

Homenagem que o vice-rei marquez de Angeja prestou pelo governo 3) 

Hospício de N. S. da Palma na Bahia 47 

Hospício de Jerusalém 51 

Horrenda tempestade em Lisboa ■ 51 

Hespanhoes (Os) invadem o Rio Grande do Sul 86 

Hospital dos Lázaros da Bahia 102 

Historia da farça ridícula do marquez de Lolé 195 

Habitantes (Os) do Maranhão juram obe iieucia ao imperador 235 

Horrível matança no Pará 227 



da curonica geral xix 

Paos. 

Hospício do Pedro II 3S2 

Horrível temporal no Rio de Janeiro 08(3 

Hospital de caridade da província do Ceará 387 



Insurreição em Pernambuco 22 

Invasão franccza no Rio de .faneiro 23 

Irmandade de X. S. da Earroquinha, Bahia 42 

Informação a respeito da comarca das Alagoas G2 

Igreja de S. Domingos da Bahia 6 í 

Igreja da Santíssima Trindade da Bahia 6 1 

Igreja de S. Francisco de Paula da Bahia 65 

Irmandade de Nossa Senhora do Carmo da Alagoas 68 

Igreja do Senhor do Bomfim da Bahia 69 

Igreja de S. Francisco de Paula do Rio de Janeiro . 81 

Importação da vaccina no Brazil 123 

Irmãs da rainha. , 125 

Igreja (A) do convento do Carmo é elevada a capella real 129 

Insurreição de escravos africanos na Bahia 136 

Independência da província de Piauhy da do Maranhão 1 14 

Inauguração do theatro de S. João da Bahia 147 

Incorporação dos escudos dos reinos e coroa de Portugal 164 

Inauguração da praça do commercío da Bahia. 168 

Incorporação da republica do Montevideo ao Brazil 217 

Installa-se na corte um conselho do procuradores das províncias 222 

Imperador (O) ordena ao senado da camará para jurar a constituição 240 

Installa-se a assembléa legislativa da pro^'incía Císplatina 215 

Imperador ( O) D. Pedro I vai a Bahia 248 

Imperador ( O ) D. Pedro I abdica a coroa de Portugal 260 

Installação do lyceu pernambucano 274 

Installação da sociedade Auxiliadora da Industria Nacional 375 

Imperador (O) D. Pedro I do Brazil e quarto rei de Portugal abdica 277 

Imperatriz Amélia (A) passa-se para o palácio de S. Christovão.. 291 

Installação da Sociedade Federal de Pernambuco 308 

Installa-se a sociedade militar no Rio de Janeiro 326 

Ignaguração do CoUegio de Pedro 2.» 337 

Installação do Instituto Histórico do Brazil 339 

Invasão da província de Santa Catharina pelos rebeldes 341 

Installação do banco c.mmercial do Pará 360 

Installações de tribunaes de commercio 369 

Inauguração do lazareto da Jurujuba 369 



XX índice alpiiabetico 

Pags. 

ILliiminação a gaz no Ria cio Jansh-o 370 

Incêndio do theatro S . Pedro do Alcântara 373 

Inaugura-se a provincia do Paraná 377 

Inauguração da primeira estrada de ferro 377 

Inauguração da estrada de ferro de D. Pedro IL ■ . . 381 

Inaugura-so a casa de caridade de Itaguahy 385 

Installaçâo da sociedade Defensora da Constituição 38(3 

Inaugura-se a cipella da casa de Correcção da Corte 386 

Inauguração da estatua equestre de Pedro 1 390 

Inauguração do Asylo de Inválidos da Pátria 405 

Incêndio da capella da Boa Viagem 413 

Inauguração do dique da ilha das Cobras 418 

Incoherencias dos tempos 421 



Juiz ccmmissario Jusé de Oliveira Pimentel 02 

Junta de justiça criminal em Pernambuco 6i 

José Luiz de Castro (D.) segundo conde de Rezende quinto vice-rui. . . 105 

Juizes de fora do Penedo 153 

João Carlos Augusto de Oeynhausem toma posse do governo de S. Paulo 191 

Junta provisória do governo do Grão Pará 193 

José Artigas (D.) é preso no Paraguaya SOL 

Junta provisória de Santa Cathariaa 222 

Junta provisória de Pernambuco 22 1 

Juramento da constituição , 241 

Juramento da constituição portuguoza no Rio de Janeiro 263 

Juramento da princeza D. Januaria 340 

José de Alencar 422 



Luiz César de Menezes tuma posse do governo geral 11 

Luiz Cezar de Menezes é desobrigado do governo 20 

Lançamento para o resgate da cidade oJ 

Lançamento de impostos em favor do resgate do Rio de Janeiro 31 

Lei de liberdade dos índios 79 

Luiz de Vasconcellos e Souza, quarto vice-rei 95 

Luiz M. da Silveira ( D. ) é nomeado governador do Santa Catharina. 122 

Laboratório chimico-pratico do Rio de Janeiro 146 



pa ciironu'.v gerai. xxi 

Pags. 

Luiz do Rego Barreto chega a Pernambuco 163 

Luiz do Rtg ) Barreto proclama cm Pernambuco 217 

Luiz do Regj Barreto leva um tiro em Pernambuco 217 

Luiz do Rego Barreto crea a junta de governo no Recife 218 

LorJ Cockrane parte com a esquadra para a Bahia. . . 233 

Lord Cockrane obtém o titulo do marquez dj Maranha j 237 

L"'rd Cockrane abandona o serviço do Brazil e foge para a Inglaterra. 245 

Lavra-se o decreto de extinc';ão do tribunal da bulia 279 

Libertação dos Índios 308 

Lei de interpretarão do Acto Addici jnal 343 

Lucas o facínora 363 

Lazareto na ilha de Maricá 377 

Longevidade e fallecimentos de pessoas notáveis 3S1 

Lei da liberdade d js filhos de mulher escrava 413 



:ivt 



Martyrologio 1 

MartjTologio 4 

Martyrologio » 4 

Mensagem que D. Rodrigo da Costa prestou de governador do Brazil. 5 

Martyrologio 7 

MartjTologio • 9 

Morte do bispo de Pernambuco 9 

Martyrologio '<í 

Martyrologio 1'^ 

Martyrologio 1-^ 

Morte de El-rei D. Pedro 4.o e sabida de D. João V 13 

Martyrologio 14 

Martyrolog.o 16 

Martyrologio 18 

Martyrologio 20 

^lartyr jlogio 21 

Martyrologio 25 

Martyrologio 23 

Martyrologio 30 

Morte de D Francisco de Souza 30 

Martyrologio 32 

MartjTolugio 33 

Morre o jesuíta Prudencio do Amaral 31 

Martj-rologio 35 

Martyrologio 35 



XXII índice ALPÍIABETICO 

Pags. 

Marf yrologio 3S 

Martyrologio 33 

Minas Gciaes é elevada a capitania separada d) gn'erno de S. Paulo 40 

MartjTologio 41 

Martyrologio 4'i 

Martyrologio , 47 

Morte do missionário Angelo dos Reis 51 

^lartyrologio 52 

Morre o paJrc Cartlmlomeu Lourenço de Gusmão chamado o voador. . 52 

Martyrologio 52 

Martyrologio 54 

Martyrologio 5G 

Martyrologio 58 

Martyrologio 59 

Mato Grosso G2 

Mato Grosso foi povoado pelos moradores de Cuyabá G3 

Morte do Dr. João Calmou G5 

Morre em Lisboa El-rei D. João V 73 

Ministros de Estado de El-rei D. José 1 74 

MartyroL igio 82 

Morre o primeiro governador de Goyaz 89 

Martyrr logio 90 

Martyrologio 91 

Martyrologio 91 

M artyrol(^gio 91 

Martyrologio 92 

Martyrologio 93 

Martyrologio 94 

Martyrologio 97 

Martyi-ologio 98 

Marechal (O) António Carlos de Mendonça é expulso do exercito 9^ 

Martyrologio 100 

Martyrologio 100 

Martyrologio 100 

Martyrologiii ICO 

Martyrologio 102 

Morte do bispo de Olinda D. Thomaz da Encarnação 102 

Martyrologio 103 

Martyrologio 103 

Martyrologio 10 } 

Martyrologio., 104 

Martyrologio 101 

Martyrologio 107 



DA CHRjMCA GLRAL XX.III 

Pags. 

Martyrõlogio 108 

MartjTologio lOS 

Mailvrologio 103 

Mi'rre em Lisboa José Basillo da Gama 103 

Martyrõlogio 100 

M'.irre o bispo de Pernanibuco D. Fr. Diogo de Jesus Jardim 103 

Martyrõlogio 110 

Martyrõlogio 110 

Martyrõlogio 1 10 

Martyrõlogio 113 

^I<>rle dl) governador do Santa Catliarina 113 

Martyrõlogio 113 

Morre o tenente general Sebasliiio Xavier da Veiga Cabral 120 

Martyrõlogio 1"^0 

Martyrõlogio 12 l 

Martyrõlogio 1?2 

Morre António Pires da Silva Pontes Leme 102 

Martyrõlogio 122 

Morre no Pão de Janeiro o coronel José Caetano de Araújo 123 

Martyrõlogio 123 

Martyroljgio Í2Õ 

Morre ua Bahia António José de Souza Potugal 130 

Morte do desembargador chanceller conselheiro José Pedro 131 

Martyr^logi j « 131 

Morre na Eahia o governador conde da Ponte 132 

Morre no Rio de Janeiro João António da Silveira 132 

Morre João José Nunes 132 

Morte do guarda jóias do príncipe regente 132 

Morte do monsenhor Bernardo da Silva Soares 132 

Morte do conde de Anadia, João Rodrigues de Sá 132 

Morre no Rio de Janeiro António João Henrique 133 

Martyrõlogio 133 

.Morre no Rio de Janeiro o almirante visconde de Cesimbra líJ? 

Morre Francisco António da Veiga Cabral da Camará 137 

Martyrologij 110 

Mijrre na Eahia o tenente general João Baptista Vieira Godinho... 140 

Maria I ( D. ) rainha de Portugal em Lisboa e no Rio de Janeiro 111 

Morre no Rio de Janeiro frei José Marianno da Conceição Vellos^ 1 13 

Marquez de Alegrete ( O ) é nomeado governador de S . Paulo 141 

Marquez de Vagos ( O ) é n jmeado governador das armas da Oôrtc — 115 

Martyrõlogio Ii5 

Morre no Rio de Janeiro o cjnde de Linhares IIG 

Morre no Rio de Janeiro o primeiro marquez de Bellos lltJ 



xxiv índice alphabetico 

Pass. 

Morre no Rio de Janeiro o infante de Ilespanlia 147 

Morre o marquez de Pombal 117 

Morre Francisco da Cunha Menezes » 147 

Morre no Rio de Janeiro o bemfeitor Alexandre Dias de Rezende 148 

Martyrologio 1 IS 

Morre no Rio de Janeiro o conde do Anadia 148 

Morre o conde dos Arcos 148 

Morre no Rio de Janeiro a infanta D. Marianna IIS 

Morre o tenente coronel Francisco António da Silva Bittencourt 149 

Morre o chefe da divisão Luiz da Cunha Moreira 140 

Morre o coronel Joaquim Brancant , 140 

Morre no Rio de Janeiro o marquez de Vagos 140 

Martyrologio 140 

Morre no Rio de Janeiro o poeta padre António P. de Souza Caldas. . . 15) 

Morre o brigadeiro Gustavo José da Fonseca 150 

Morre o celebre Dr. Manoel Ignacio da Silva Alvarenga 150 

Martyrologio 151 

Morre o commandanle da fortaleza de Villegaignon 152 

Morre o chefe de divisão Daniel Tompson 153 

Martyrologio 154 

]\Iudanças que houveram depois da movte da rainha D. Maria 1 151 

Morre no Rio de Janeiro a Sra. D. Maria Rainha de Portugal IGl 

Morre na Bahia o marechal Galvão 165 

Martyrologio 1G5 

Morre no Rio de Janeiro o marquez de Aguiar 1 CG 

Morre o tenente coronel José Alvares Marques 1G7 

Morre no Rio de Janeiro o conde da Barca 1G8 

Marquez de Aguiar (O) D. Fernando José de Portugal 171 

Ministro da Áustria ( O ) barão de Marechal 174 

Morre no Rio de Janeiro João Paulo Bezerra 177 

Morre no Rio de Janeiro o conde da Barca 187 

Morre João Paulo Bezerra presidente do real erário 189 

Morre frei António de Santa Úrsula Rodovalho „ . 180 

Martyrologio 189 

Morre em Pernambuco o botânico Dr. Manoel Arruda da Gamara 191 

Martyrologio 191 

Morre o marechal Quevedo Pizarro 191 

Morre no Rio de Janeiro o conde de Cavalleiros 191 

Morre Rodrigo Ant nio da Costa 192 

Martyrologio 19 } 

Morre o conde da Ribeira 19] 

Morre o desembargador José Barroso Pereira 193 

Morre no Rio de Janeiro D. Francisco Maurício de Souza Coutinho. . . 2ul 



da ciikonic.v gf.u.'.i- ^^'^ 

Pags . 

204 

Marlyrologio 

Morro o terceiro niarquez Jo Pombal no Rio do Janeiro 204 

Morre no Rio de Janeiro a condessa de Linhares 205 

Morre no Rio de Janeiro o marechal Connt-U 20G 

Morre no Rio de Janeiro o marechal José Joaquim de Lima e Silva. 210 

Morre o visconde de Andaluz • • -^^ 

Morre o governador da fortaleza da Lage 218 

Maior (O) João José da Cunha Fidié governador das armas 210 

, . 210 

Marlyrologio 

Morre o príncipe da Beira fillio do Sr. D. ro.Jro, principo regente. . . 220 

Manifesto do príncipe regente aos braziloiros 

Manifesto d j senado da camará do Rio de Janeiro "- -^ 

Medidas violentas das cortes contra o lirazil ----^ 

Manda-so fabricar a coroa e o sceptro imperial 2 30 

Morre no Rio do Janeiro o barão de Anciães 201 

Martyrologio 

Medalha ao exercito do sul "-^- 

Major Fidié ( O ) derrota no Genipapo as forças imperiaes -33 

Morre o barão de Cago ~ ' -" 

Membros do conselho de Estado ^' 

0I() 

Martyr.dogio 

Morre no Rio de Janeiro D. João Carlos de Souza Coutinho 211 

Motim militar na Bahia e assassinato do governador das armas.... 212 

Marlyrologio ' ^ 

Manifesto de Fructuoso Ri vera cm favor do Brazil 213 

Morre o commandante das fortalezas do Pico e da Praia de Fura... 215 

Morre o marechal Agostinho Ant mio de Castro ~^-J 

Morre o coronel José Luiz Mena Barret j 210 

o 17 
^lartyrologio 

Morre o desembargador António José Duarte de Araiijo Gondim..., 213 

Morre o Sr. D. João VI envenenado em Lisboa 21S 

Morre o visconde de Magé "^ ^ 

Maria Leopoldina (D.) e o principo D. Pedro, seus escândalos 2G1 

Morre o brígadeiro Luiz Pereira da Nóbrega de Souza Coutinho.... 203 

o,;;i 
Marlyrologio 

Morre o marquez da Praia Grande --' ^ 

Morre o marquez do Nazareth ~'__ 

Morre na cidade das Alagoas o capilão-mór Alexandre José de Mello. 27J, 

Morre em Paris o viscmde de S. Lourenço 2.5 

Morre o coronel Francisco Nunes Coelho de Aguiar 2/5 

Morre no Rio Pardo o visconde de Pelotas ~'<J 

Morre o padre António Gomes Coelho ^''^ 

Morre na cidade das Alagoas o padre José Ignacio • • • • 2/G 



xxvi índice alpiiabetico 

Pags. 

Martyrologio 27G 

Morre o iiiarquez de Alegrete 276 

Morre o coronel de milícias José de Sá Bittencourt Accioli 277 

Morre em Lisboa o conde dos Arcos ~77 

Morre o padre mestre frei Custodio de Faria - 27í) 

Martj^rologio 279 

Mudança na politica, iníiaida pela imperatriz Amélia 291 

Morre o architecto Grandjean 300 

Martyrologio 309 

Morre Marcos António, musico da capella imperial 309 

Martyrologio 301 

Motim no Rio de Janeiro 301 

Morre o insigne musico padre José Maurício Nunes Garcia 30) 

Morre o visconde da Villa Nova da Rainha 303 

Morre monsenhor Pizarro 303 

Morre o general Curado, conde de S. João das Duas Barras 30t 

Morre no Rio de Janeiro o padre Luiz Sojée 30S 

Morre o Dr. Luiz Nicoláo Fagundes Varella 31 í 

Martyrologio 321 

Morre o marechal de campo Vicente Ferreira Portugal de Vasconcellos 321 

Morre o padre Manoel Thomaz Pimenta 321 

Martyrologio 325 

Morre o bispo D . José Caetano 325 

Martyrologio 326 

Morre em Portugal o marquez de Bellos 327 

Morte do marechal Joiío Francisco Neves 327 

Morre em Lisboa o imperador D . Pedro I 327 

Martyrologio 328 

Morre o marquez de Jundiahy 328 

ISIorre o tenente general Joaquim de Oliveira Alves 329 

Morre no Rio de Janeiro o sábio visconde de Cayrú 329 

Morre João Braulio Muniz ex- regente do Império 329 

Morre o almirante José Maria do Almeida 330 

Martyrologio 331 

Morre o brigadeiro Sayão 331 

Morre o general Lecor, visconde da Laguna 331 

Morre o marechal de campo Francisco Cláudio Alvares de Andrade. . . 332 

JMartyrologio 332 

Morre o senador Bento Barroso Pereira Sil 

Morre, na forca, o preto cego Domingos Moçambique 333 

Morre Evaristo Ferreira da Veiga 334 

Martyrologio 337 

Morre em Portugal o marquez de Aracaty 337 



DA CllRCNlCA GICnAL XXVII 

Pag 3. 

Morro o sábio conselheiro Josó Bonifácio da Andrado o Siva 333 

Morro monsenhor Dr . Vidigal 338 

Monte de Soccorro no Kio do Janeiro 333 

Morre o douto brigadeiro Manoel Ferreira de Araújo Guimarães 339 

Morre o senador do império Lúcio Soares Teixeira do Gouvèa 339 

Martyrologio.. 310 

Morre o douto marechal (Junlia Mattos 34O 

Marechal Andr»5a (O) toma posse da presidência de Santa Catluirina. . 341 

Martyrologio 340 

Maioridade do imperador 343 

MarecJial (O) Antero Josó Ferreira de Brito presidente de S. Gatharina 3i3 

Manoel do Monte Eodrigues (D. ) íaz a sua entrada na cathedral 34:'2 

Morre o conselheiro Balthazar da Silva Lisboa 243 

MarI yrologio 344 

Martyrologio 3i5 

^larquez de Barbacena 3 15 

Ministro do império (O) declara não receber a commissão yjíj 

Martyrologio 3i8 

Mudança de ministério , 349 

Morre o ex-regente Diogo António Feijó 351 

Martyrologio 35I 

Mudança do ministério em c 1 de Janeiro de ISU 3õl 

Martyrologio 34 

Morte do barão de Taquary 354 

Martyrologio : 35õ 

Mudança de ministério 3õ7 

^Martyrologio 357 

Morre o príncipe D. Aff onso 358 

Morre no Rio de Janeiro o general barão de Villa Bella 358 

Morre o coronel Bento Gonçalves da Siva 358 

Motim e assassinatos em Pernambuco 359 

^lartyrologio 360 

Morte do desembargador Joaquim Nunes Machado 362 

;^L1rtyrologio 363 

ilartyrologio 365 

Martyrologio 368 

Missão diplomática do visconde de Paraná no Rio da Prata 373 

Motim dos estudantes jurídicos de Olinda 373 

Martyrologio 873 

Martyrologio 875 

Miguel Joaquim da Cunha ó julgado pelo jury 376 

]\Iartyrologio 377 

Martyrologio 378 



XXVIII índice ALrUABETICO 

Pags. 

Morre Manoel do Carvalho Paes de Andrade S7S 

Martyrclogio 3'^^ 

Martyrologio ' ^^ 

Mudança de ministério 383 

Martyrologio 33 5 

í»Iartyrologio 335 

INIartyroligio...- 386 

Martyrologio 389 

Martyrologio 3S 

Martyrologio 390 

Martyrologio 391 

Missão Saraiva a Montevideo 392 

Manifesto de Solano Lopes, dictador do Paraguay 393 

Mato Grosso é invadido p.jlos paraguayos 893 

Martyrologio 393 

Martyrologio • • 395 

Morte dos valentes oíTiciaes de marinha Maviz c Barros e Vassimon. . . 393 

Marquez de Caxias (O) cliega ao exercito 097 

Martyrologio 397 

Monamento em honra de Tira Dentes, em Ouro Preto 401 

Martyrologio 403 

Martyrologio 403 

Morre o general Mena Barreto 407 

Martyrologio 403 

Morte de Francisco Solano Lopes dictador do Paraguay 408 

I\Iorte do marquez do Olinda 413 

Morre o marechal de campo Alexandre Gomes de Argolo Ferrão 412 

Morre António Joaquim Curvello do Ávila 412 

Martyrologio 413 

Morre o senador José da Silva Mafra 413 

Martyrologio 411 

Monumento a Gonsalves Dias 415 

Martyrologio 416 

MartjTologio 413 

Martyrologio 418 

Martyrologio 418 

Martyrologio 421 

IMartyrologio , 423 

Mar tyrologio 423 

Martyrologio , 425 

]Moura Brazil ; Dr ) , 423 



da ciiroxica geral xxix 

Pags 

Novo governador dl» Rio de Janeiro. 6 

Nomeações de officiaes da camará para o anno de 17)3 9 

Novo governador do Pernambuco 11 

Navios existentes na bahia do Rio de Janeiro 28 

Numcaíão dos oíEciaes para o senado da Bahia 30 

Novo governador de S. Paulo .*. QQ 

Nomeação de officiaes para o senado da camará da Bahia 41 

Nomeações de officiaes para o senado da camará da Bahia 4'3 

Novas capitanias geraes 71 

Novo governador de Santa Catharina 72 

Novo governador de Santa Catharina 77 

Nasce António de Araújo e Azevedo 78 

Nossa Senhora da Ajuda de Guapemerim 78 

Nasce Balthazar da Silva Lisboa 8õ 

Novo governador de Santa Catharina 85 

Nova tomada da colónia do Sacramento 85 

Nasce José Bonifácio de Andrade e Silva 87 

Novo governador de Santa Catharina 87 

Nasce na Bahia o Dr . Antcnio Ferreira França í O 

Nasce D. Marccs de Noronha e Brito, conde dos Arcos 90 

Nasce Luiz Paulino Pinto da França CO 

Nasce D. Diogo de Menezes 91 

Novo governador de Minas Geraes 91 

Nascimento de José Feliciano Pinheiro, depois visconde de S. Le.ipoldo 91 

Novo governador de Santa Catharina 91 

Nascimento do m.arqucz de Alegrete, governador de S. Paulo 92 

Novo governador de S. Paulo 02 

Nasce João Vieira de Carvalho, marquez de Lages 100 

Nasce no Rio de Janeiro Fr. Francisco de MonfAlverno 103 

Novo governador de Santa Catharina 103 

Novo governador de S. Paulo 101 

Novo governad ^r de Santa Catharina 108 

Nasce em Villa Rica Bernardo Pereira de Vasconcellos 103 

Nasce no Maranhão João Braulio Muniz 109 

Nasce em Parnambuco José da Natividade Saldanha 110 

Nasce na Bahia José Alves Branco 110 

Novo governador de S. Paulo 110 

Nasce D. Pedro de Alcântara primeiro Imperad >r do Brazil 110 

Nasce na Bahia Joaquim Francisco Alves Branco Muniz Barreto 1 U 

Nomeação de governador do Rio Grande do Sul 120 



xxx indick al1'iiabet1c0 

Pags, 

Nunioação de governador para a capitania do E,io Grande do Norte. . . 131 

Nasço no Rio de Janeiro Polydoro da Fonseca Quintanilha Jordão.. . 121 

Nomea-so governador para S. Paulo 121 

Nascimento do Luiz Alves de Lima 131 

No dia 33 de Janeira de 1808 são abertos so portos do Erazil 12o 

Nasce no Rio Grande do Sul Luiz Manoel Ozorio . . . , 139 

Nova creação de militares milicianos 14-t 

Nasce no paço de S. Christovão o infante D. Sebastião IM 

Nascimento do Joaquim Saldanha Marinho ICl 

Nuvo governador do Rio Grande do Norte 165 

Novo governador de Santa Catharina 187 

Novos estatutos a nova ordem do Conceição de ViUa Viçosa 103 

Nasce o príncipe da Beira 20G 

Nomeação de um regente para o governo do Brazil 210 

Novo governador de Santa Catharina 317 

Novo governo provisório em S. Paulo 231 

Nascimento da princeza D. Paula 233 

Novo ministério 233 

Nasce a princeza D. Fi'ancisca no paço de S. Christovão 213 

Novo presidente para g.vernar Santa Catharina. . , 2ÍÍ 

Nasce o príncipe D. Pedro, actual imperador 247 

No dia 25 de Agosto de 1836 fallece o brigadeiro B. A. de ]\íoura Freire 260 

Nomeação do conde Beaurepaire para governador do Piauhy , 261 

Nenhuma princeza européa quer a mão de D. Pedro 283 

Nomeação do quarto presidente da provincia de Santa Catharina... 307 

Nova organisação dos corpos de exercito 300 

Novo presidente para a provincia de Santa Catharina 33) 

Nono presidente de S, Paulo 337 

Nova lei de eleições 357 

Nomes dos bacharéis formados pelo curso juridico de S. Paulo 361 

Nomeação de bispos , 371 

Naufrágio do vapor Pernambuco 376 



O 



Officiaes e soccorro para a colónia do S:.\cramcnto 8 

Ordem para que os juizes da villa de Santa Luzia se abstenham 9 

Ordem a D. Lourenço de Almeida para tomar posse do governo 19 

Ordem para Pedro de Vasconcellos e Souza dar posse do governo . . . 3? 

Ordem da camará para se illuminar a cidade da Bahia 53 

Ordem incluindo três presos chegados como soldados 5'J 

Oitavo governador de S. Paulo 67 



DA CIIRONICA Ol.RAL XÍX.I 

í'AfiS. 

Outras nomcacõos 182 

Outras nomeações do criados do principc D. Pedro do Alcântara 183 

Outros casamentos na fumilia real m. Rio do Janeiro 101 

Outros projectos de casameatos malogrados 19'J 

Ordem do Cruzeiro 23 ) 

Ordenado do imperador D . Pedro 232 

Oitava forma de governo do Grão Pará 233 

Organisacão do tribunal do thesouro publico 308 

OHicio de Rodrigo António Falcão Brandão ao coronel Igiiacio 321 

Obituário 303 

Oitavo presidente para a província de Santa Catharina 332 

Obituarii? do município noutro em 1839 337 

Obituário em 1841 344 

Obituário em 18i2 3^5 

Obituário em 1843 313 

Obituário cm 181 i 351 

Obituário em 1845 354 

Obituário em 1817 353 

Obituário em 1818 353 

Obituário em 1351 377 

Obituário em 185G 380 

OíTerta de uma espada ao general Coelli) 3S0 

Obituário em 1337 33I 

Obituário em 1853 333 

Obituário cm ls.3) ggg 

Obituário cm ISGO 38G 

Obituário em ISOl 333 

Obituário em 1SG2 339 

Obituário em 18G3 39O 

Obituário cm 1874 41(5 

Obituário em 187-3 419 

Obituário em 187G , 431 



IP 



Provisão de officiaes da camará da Bahia fi 

Primeiro sj-nodo diocesano no Brazil . . 1 1 

Povoação de Pernambuco 14 

Primeira asecnção areostatica em Lisboa 10 

Paulistas (Os] revoltam-se contra os jesuítas 20 

Prisioneiros de guerra contra 03 mascates de Pernambuco 33 

Povoação do Santa Catharina 3 j 



xxxii ? índice alpiiabetico 

Pags. 

Providencias as fortalezas do Rio de Janeiro 34 

Portaria mandando sahir os estrangeiros como prejudiciaesao Brazil. 35 

Povoação da aldeia do Corretão 35 

Pena aos desertores 47 

Primeiro bispo do Pará 52 

Povoação (A) de Santa Catharina é elevada a categoria de villa 54 

l^urtaria ao juiz ordinário da villa de Jaguaripe 59 

Prisão e devassa sobre o procedimento de Domingues Antunes GO 

Probibição da sabida das mulheres dos dominios do Brazil G3 

Primeira fortaleza do Rio Grande do Sul , G5 

Prelasia de Mato Grosso 70 

Passagem do gado do Rio da Prata para os campos do Rio Grande 7-2 

Provedoria de Santa Catharina 73 

Primeiro governador do Rio Negro 74 

Povoação (A) de Macapá é elevada a villa 75 

Primeiro governador do Grão Pará 77 

Património da capella do Senhor do Bomfim, em Tapcraguá 73 

Poiaes nas ruas da cidade da Bahia S2 

Prisão dos jesuítas na Bahia 82 

Povoador do sertão de Yiamão no Rio Grande do Sul 88 

Palácio do governo e catbedral do Pará 83 

Parte de Cadix a esquadra hespanlv da com destino ao Rio da Prata 94 

Pedro Cevallos (D.) põe em sitio a colónia do Sacramento 95 

Procurador-mór (O) da Fazenda representa a El-rei sobre os conventos. 97 

Portugal reivindica as glorias da invenção do balão acróstico 103 

Património da igreja de Santa Rita das Alagoas 109 

Principe (O) regente volta para S . Christovão 117 

Probibição dos enterramentos dos cadáveres nas igrejas 119 

Principe (O) regente sabe da Bahia para o Rio de Janeiro 1"2G 

Primeiro gabinete ministerial do Brazil 127 

Primeiro casamento real no Rio de Janeiro 137 

Primeira missão de Guarapuava 137 

Prisão tí degredo de frei Luiz do Carmo 133 

Principe (O) regente dá parte a rainha do casamento das outras filhas 1-11 

Passeios da rainha D. Maria 1 1 12 

Principe (O) regente faz doação das salinas de Cabo Frio 145 

Principe (O) regente resolve estabelecer a corte portugueza no Rio... 151 

Politica palaciana do rei D. João VI no Rio de Janeiro 157 

Procedimento da rainha D. Maria I para com o íilho, nora e netos — 159 

Prisão do vigário da villa da Cachoeira 1G4 

Providencias que t ;'mou o ministério . . , 175 

Prisão do caudilho D. Jusé Verdum ISS 

Prisões dos chefes gaúchos junta á Castilhos 199 



da chromca geral xxx.1ii 

Pags. 

Prohibição do periódico o Portugue: 190 

Prohibição de periódicos 190 

Primeiro governador da capitania das Alagoas 191 

Povoação (A) da Praia Grande é erigida em villa 191 

Prisão do padre Firmino Rodrigues da Silva 201 

Pará ^O' adhere a re^•olução de Portugal 204 

Pronunciamento revolucionari j da Bahia 206 

Principe D. Pedro de Alcântara, depois primeiro imperador do Brazil 211 

Primeiro acto do principe D. Pedro regente do Brazil 215 

Pronunciamento da tropa portugueza 215 

Prisão de Manoel Luiz Nunes no theatro 218 

Primeira junta do governo de Pernambuco . . 219 

Primeiro ministro brazileiro 219 

Principe (O) regente vai a província de Minas 221 

Partida do principe regente para S . Paulo 22;3 

Prisão do general Labatut na Bahia 231 

Proclamação do imperador sobre a segurança individual 235 

Principia-se a cunhar moedas com as armas do Império 235 

Prohibição das sociedades secretas 236 

Partidos ( Os ) políticos no Brazil 233 

Primeiro presidente de Santa Catharina 241 

Primeiro presidente de S. Paulo 241 

Proclamação de Manoel de Carvalho para a confederação do Equador 242 

Província ^A) Ciplastina é incorporada ao Brazil 242 

Pedro (D.) primeiro imperador do Brazil 259 

Presidência de S. Paulo 260 

Physionomia politica do Brazil de 1824 a laSO 272 

Parte para a Europa a rainha D. Maria II 278 

Principia-se a convenção preliminar de paz 279 

Prisão do desembargador Japiassú 301 

Prisão do padre António José Gonçalves de Figueiredo 309 

Prisão do Dr. Barata , 310 

Prisão do padre Olavo companheiro do chefe federal dos Guanás Mirim 322 

Prenuncio de revolução na Bahia ^23 

Providencias acerca da moeda circulante 326 

Promulgação do acto addicional á Constituição 326 

Passa na camará a moção do banimento do imperador D. Pedro I 327 

Padre ( O ) Martiniano de Alencar é nomeado presidente do Ceará 327 

Prisão do salteador Menino Diabo no Rio Grande do Sul 333 

Paço (No) da cidade prestam juramento os conselheiros de Estado . . . 346 

Prisão de alguns rebeldes no Rio Grande do Sul 353 

Parte para o sul uma divisão militar 357 

Patroni ( O Dr. ) vai a Lisboa com idéas politicas 369 

II, VOL. DA CH».— 3 



XXXIV INDlClí ALPIIABKTICO 

Pags. 

Paraguay (O) adhere a alliança com as republicas do sul e cora o Brazil 373 

Passagem da Toneleiro 373 

P inacotheca imperial 378 

Padre (O) Monte Alvornc 384 

Primeira exposição de prodiictos nacionaes 389 

Prisão do bispo do Pará 417 



a 



Quinto governador da Paraliyba do Norte 3 

Quinto arcebispo da Bahia 5 

Quinto governador de S . Paulo 58 

Quinto vice-rei (O) do Brazil chega a Bahia 64 

Quinta forma do governo do Grão-Pará 77 

Quilombo de negros fugidos , t8 

Quarta-feira 22 de Setembro nasce o marquez de Rezende 107 

Qualidades pesscaes e domesticas de D. Maria 1 162 

Quarto ministério, 4 de Novembro de 1833 2.38 

Quinto ministério, 17 de Novembro de 1823 239 

Queda que deu o imperador na rua do Lavradio 293 

Quarto presidente da pro vincia do S . Paulo 301 

Quinto presidente de S. Paulo 309 

Quartel (O) foi feito em 1832 tendo começado depois de 1819 313 

Questões politicas na camará dcs deputados 341 

Queima pelos inglczes do brigue brazileiro Piraiinim 372 

Questão anglo-americana ou Christe 390 

Quebra dos bancos no Rio de Janeiro 392 



I^ 



Pvesolução, de 5 de Novembro de 1706 12 

Revolução em Sergipe de El-Rei 22 

Rendimento dos quintos de ouro. 31 

Reducção da contribuição do povo do Rio de Janeiro 34 

Restituição da colónia do Sacramento 34 

Rebellião em Minas Geraes 38 

Revolução em Minas para impedir o estabelecimento do fundição 40 

Rodrigo César do Menezes vai governar S. Paulo 43 

Recepção do arcebispo , 63 



Pac.s. 

Rondiniento dos quintos ile oui.) ^3 

Reunião da capitania de S. Paulo a d > Ri > de Janeiro 73 

Rendimento dos quintos de ouro '-^ 

Recibo dos padres jesuitas embarcados com destin ) a Lisb ia 81 

Restituição da colónia do Sacramento ^' 

Rendimento dos quintos de ouro °' 

Restauração do Rio Grande do Sul do poier dos hespanhoes 93 

Rio de Janeiro (O) teve sete vice-reis 1^1 

Rio Grande do Sul (O) é elevado a capitania 123 

Repartição da vaccina l**- 

Relação do Maranhão 

Revolução do Pernambuco 1^' 

Rodrigo Lobo bloqueia os portos de Pernambuco 107 

Restituição de Cayenna a França 188 

Revolução constitucional da cidade do Porto *01 

Revolução de 24 de Agosto de 1820 em Portugal 203 

Revolução de 26 de Fevereiro no Rio de Janeiro • 20G 

Representação de S. Paulo para que o príncipe fique no Brazil 219 

Reunem-se os membros da assembléa constituinte no Rio de Janeiro 234 

Reunião do consellio do Estado em 15 de Novembro de 1823 238 

Revolução no Recife em Pernambuco ~11 

Rateclifi e seus companheiros entram para o Aljube 214 

Reconhecimento da independência do Brazil pela Inglaterra 246 

Reunião da assembléa geral legislativa 277 

Revolta do batalhão dos allemães no Rio de Janeiro 277 

Reconhecimento da princeza imperial 309 

Rebellião Pinto Madeira, no Ceará 301 

Revolução em Pernambuco 321 

Revolta da camará municipal do Rio Negro 321 

Roubo da caixa forte da camará municipal da Bahia 323 

Regência { A) permanente resigna o poder 32i 

Reforma da academia militar 326 

Revolta em Cuyabá 327 

Revolução do Pará e assassinato do presidente da província 328 

Revolução republicana no Rio Grande do Sul 329 

Reconhecimento da princeza imperial a Sra. D. Januaria 330 

Rebeldes (Os) do Rio Grande derrijtam as forças do governo 331 

Responde ao jury o juiz municipal da Corte 334 

Revolução de 7 de Setembro, na Bahia, denominada a Habinada 336 

Rebeldes (Os) do Rio Grande do Sul atacam a villa de S. Jusé do Norte 343 

Regente (O) adia a assembléa geral legislativa 3i3 

Revolta de tí. Paulo e Minas 346 

Regressam ao Rio do Janeiro os deputados politici's 350 



xxxvi índice ali>itabi*!tico 

Pags. 

Revolvição da província das Alagoas 353 

Revolução praiera de Pernambuco 361 

Rendição de Uruguayanna 395 

Romance (O) de Franklin Távora, o Cabelleira 419 



Secretários de Estado de El-rei D. João V 13 

S. Paulo e Minas Geraes formaram capitania separada .... 19 

Segunda invasão franceza no Rio de Janeiro 27 

Santo António foi confirmado no posto de tenente 36 

Separação da igreja do Pará da do Maranhão 40 

Sublevação dos soldados do Terço Velho da Bahia 58 

Sargento-mór de Sergipe d'El-rei 60 

Suspensão do estabelecimento de correios terrestres 61 

Sexto governador de S. Paulo 63 

Seminário de S . José do Rio de Janeiro 64 

Sétimo governador de S. Paulo . 65 

Santa Catharina (Em) ó creado governo separado de S. Paulo 66 

Sociedade de selectos , 76 

São Nicolau de Suruhy 78 

Separação dos governos do Maranhão e Pará. 92 

Separação da capitania de Minas da de S. Paulo 93 

Suspensão de ouvidor da capitania do Maranhão 100 

Sabbado 27 de Novembro morre António José Pinto 107 

Sabbado 14 de Agosto, nasce em Pernambuco o barão de Iguassú 107 

Sebastião Francisco de Mello Povoas é nomeado governador 146 

Sociedade entre o príncipe D. Pedro e P. A. Pereira de Abreu lõl 

Separa-se a capitania de Sergipe d'El-rei da ]3ahia 201 

Sétima forma de governo do Grão Pará 220 

Segunda junta provisória do governo do Pará 221 

Senado da camará (O) ofíerece ao principe o titulo de defensor do Brazil 221 

Sete de Setembro e o grito Independência ou Morte 223 

Sedição militar em Pernambuco 224 

Segundo ministério de 17 de Julho de 1S23 235 

Segundo presidente da província de S. Paulo 276 

Segundo casamento do imperador D. Pedro 1 286 

Sublevação de negros , 301 

Sedição militar no Pará 307 

Senado (O) funcciona na sala do tribunal de justiça 808 

Sedição no Maranhão , 308 

Sedição militar em Pernambuco 308 



DA CIIIV.NICA (W.U.Kl. XXWII 

P»OS. 

Sedição militar no Pará 300 

Sedição militar em Pernambuco 809 

Sediíão militar no Espirito Santo 309 

Sedição militar no Rio de Janeiro 309 

Sedição militar em Pernambuco 309 

Sexto presidente da provincia de S. Paulo 810 

Sedição militar no Rio Negro 321 

Sedição militar em Ouro Preto, Minas, em 23 de Março de 1833 035 

Suspensão e prisão de José Bonifácio de Andrade o Silva 330 

Sociedade do medicina (A) do Rio de Janeiro é elevada a academia. 3)9 

Sétimo presidente para S- i'aulo 330 

Sexto presidente para a provincia de Santa Calharina 33i 

Supplicio no Largo de Moura de dous marinheiros 333 

Sétimo presidente para a provincia de Santa Oatharina 336 

Sedição de Raymurido Gomes, no Maranhão 339 

Sagração do imperador D. Pedro II 315 

Suspensão de gai-antias no município neutro 347 

Sâhida para Nápoles da esquadra para trazer a Imperatriz 319 

São prohibidos os enterramentos nas igrejas 3G7 

Sahe para o Rio da Prata a esquadra brazileira 370 

Sitio de Paysandú 393 

Segunda exposição nacional. 397 

Suicida-se no alto da Tijuca o Dr. Aureliano Teixeira de Carvallio.. . 413 

Santa Casa da Misericórdia de Pitanguy íli 



Tratado entre Portugal e a Hespanha 4 

Terceiro bispo do Rio de Janeiro 5 

Tratado com a Inglaterra para a terminação das fabricas de tecidos 7 

Tomada da colónia do Sacramento pelos hespanhóes 11 

Tratamento que se deverá dar as pessoas 11 

Tratado de limites entre a França e Portugal 20 

Tropa (A) do Rio Grande se subleva 68 

Tratado de limites eatre Portugal e Ilespaniia 72 

Terremoto do í.'> de Novembro de 1755 '9 

Tremor de terra na Bahia 88 

Teixeira Homem toma posse de Santa Oatharina 99 

Tratado de Sant > Ildelfonso entre Hespanha e Portugal 95 

Tremor de terra nas Alagoas 110 

Tratado de paz entre a França e Portugal 120 

Tenente coronel (O) Marques segue para Cayenna 131 



XXWITI IXDICK AI.niABETICO 

Pags, 

Tremor de terra em Pernambuco VM 

Toma posso do governo da Bahia o cmde dos Arcos 137 

Tremor de terra no Recife 144 

Trasladaçã ; da imagem do Santo António dos Pobres para sua capella lí^ 

Traficantes de escravis no Rio de Janeiro ■ 145 

Tenente (O) Santos destroça as f irças de Artigas liS 

Titulos lionorificos ao senado da camará do Rio de Janeiro 231 

Títulos h «noriflcos ás províncias de S. Paulo e Minas 233 

Terceira junta de governo provisório do Pará 233 

Terceiro ministério depois da fundação e governo do l." imperador í;37 

Tenente (O) Gaspar é fuzilado da Bahia 244 

Tradado perpetuo de amizade, commercio e navegação entre a França 247 

Tratado entre o Brazil e a Áustria 275 

Tratado com a Inglaterra 276 

Tenente general (O) Curado, deixa o governo das armas da Corte. . . . 277 

Terceiro presidente da província de S. Paulo 279 

Terceiro presidente para Santa Catharina 300 

Tumulto em Pernambuco 308 

Tumulto no IMaranhão 309 

Tumulto no Rio de Janeiro 321 

Tumulto no Rio de Janeiro 326 

Tratado com o Períi 375 

Tomada no Paraguay do vapor brazileiro Marque:; de Olinda... . 303 

Tratado da tríplice alliança 396 

Trigésimo terceiro presidente para a província de S. Paulo 307 

Tomada do [> oito de Taco.aras, no Jiu i) de Fevereiro. 408 

Um leilão nunca visto dado com P. M . Gomes 81 

Urt^uiza segue para o Paraná 373 

Vasco Fernandes César de Menezes, vice-roi do Brazil 41 

Yilla de Abrantes, Bahia 41 

Villa do Carmo (A) é elevada a cidade de Marianna 69 

Villa de Sjuza (A) muda o nome para Bragança 77 

Villa de Tapajós 7S 

Vigésimo governador do Pará, ]\íar;inhão e Rio Negro 82 

Valor dos bens dos jesuítas na Bahia o em Sergipe 89 

Villa de Santo António dos Anjos é separada de S. Paulo 90 

Villa de Xossa Senhora da Piedade de Magé 103 



da ciiuonic.v gkual xxm\. 

Paos. 

Villa de Macacíi 129 

Victoria das nossas armas contra os hospanh oes 1C5 

Victoria de Catallan e entrada de Lecor em Montevideo , 105 

Victoria das nr.ssas forras no arroio de alando 1 -'-• 

Villa Bella, capital de Mato Grosso é elevada a cidade 1''0 

Villa Real (A) de Cuyabá é elevada a cidade I-JO 

Villa de Nova Friburgo 1''3 

Villa da Cachoeira (A) acclama o príncipe regente 222 

Volta o imperador da viagem á Ualiia 2 18 

Volta u imperador para o Rio de Janeiro 20:} 

Viagem do imperador D. Pedro I ao Rio Orando do Sul 2u0 

Villa de Porto Bello o21 

Victoria sobre os rebeldes do Rio Grande 3."0 

Viagem do imperador ás províncias do Sul fõt 

Visconde de S . Leopoldo 359 

Villa fA^ de Santo António dos Anjos é elevada a cidade 350 

Viagem do impt-rad ir ás pruvincias d j norte 3>ô 

Zacarias de Gó«s o Frei Santa Roza 4-:i 



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