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Full text of "Compendio da historia de Portugal"

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o,i,-f-n,Googlc 



o,i,-f-n,Googlc 



o,i,-f-n,Googlc 



243>7 ^ '^ 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



0,i,-f-n,GoÜglc 



o,i,-f-n,Googlc 



COMPENOIO 

BIST0RIADEP0RTl]G4L 

»BBBB M PmiMEtKMI VVTMBWKBM ATA 

POl 



T^f. St CtSbro V lrm8o,Rua iaBoa /^laa. 4 B. 
UHMM 18H. 

ü,o,i,-f-n,Ggoglc 



SSo faJto$ todos oi exmplares mo n^cadot 
jmlo auetor. 




0,i,-f-n,CoO^ílc 



' A ttístaTÍa ^'-a alma <l(t& sci«hn ; 'é « «fctottb^^'l^ 

- le 16 a paiMdo. Elte {m^ell^B as boai 011 aiii kCf«|t 
doshomens. £ a vcrdadeiro nwammttmla , .yw f nüáw» 

-«lente aof está roostrando a trisle flgura doi omím |Wr« 

- d'elJa nos horrarisarnoa , e M ac^iies UIOiMa ^nt )>• 
T«rdadeiros faeroes nos legaraiQ para 01 imitarmMr - 

. É.poT isso ([tie eícriptor da bistoria esU ^rig«4p 
Q.diier » terdatie, ainda quc seja «oittra a jpttrii^k 

'contra «Pnncipc, ooQtra os shisí ba cotírt «i ptft- 
{ici9h Segairenc* está'aereda , ap^scAtaado osiKlM 
•0tt4véHfcÍactM~posslTel , moraiisando-os algnmas tC' 
les , porém uDÍcamente'coBÍo éiori|áBr'fcofiiciasldD|o 
religÍQSO, que náo tem proposito de ofTender pesgoai. 
É obvia a ditHculdade de escrever b bistoria coo- 
temporanea. escripior tem muitas reies de fallar da 
pessoas v ivas , e que ás vezes sso de saas rela^oes od 
amiiade. Taes circumstsnclas impedem as mais das ve> 
zes o escrípLor de Bnaljsar com todo o rigor da crjti- 
ca faislorica aclos publicos de grande transcendeDCÍa , 
deixando esie legado aos xindonros , que se dii geral* 
mcute slo os que devem eicrefer melhor a historía da 
nossa epocha ; e nós diiemos , que a defem escrever 
peior , porqne muitas cousas ba que , nao eslaodo es- 
criplas , só ouvidas da bocca dos propríos ÍDdividuog , 
com qu'e taes factos se passaram , £ que se podcm es- 
crever com veracidade , e ainda assim é necessarío qu« 
taes individuos déem todas as garanlias de probidade, 
porqve t'.oKtrí Í^Wt. o.«QT>etor n^l informado pód« 



o,i,-f-n,Googlc 



tfamllúir boa té , t^ o e¡aaa , adQtterar os bctos , 
^no defem apparecer com toda a pureiai principaV- 
aetite perante a.ntocidade. 

A Doua cdnBcieiicÍB está tranqailla , porqoe proco» 
rdnMS nao errar;' por¿iu, se ■ssim mesroo alguma rfr< 
clannfio apparecer , que demandc repara^ao , justlQa 
Ifce seri fdU n'uma segonda editfio. Esperjmoi pois, 
j]Ue este nosso trabalho agradarí «o maior número , e 
-Mlsfará ao seu. fim , a ÍDStruc^ño. da mocidade portu- 
•gneu Dos ptincipees.ractos hisloríco»-do nosio pait. 

UfboB 13 demlvdc 18»3. 



ü,o,i,-f-n,GoOglc 



INTRODUCfAO Á HISTORIA. 

HisTORiA. £ a exposífio da origtm, rtUgiSó, pro- 
^MtM dos povos , da sna orgmUarao fciltiea , das ep»' 
cbas tnais notaTGÍs dasuaymndefa tdecadencia ¿cc. &c> 
Cbama-se: 

■ HisTOBU ÜjnvERSiL.. — Quindo se descreve a hí*- 
torU sagrada , eccIesiasUca , e política do mundo. 

HisTDRu Gbril. — Quando se descreve a historía 
geral de ama das partes de mundo , t. ^. a da Euro' 
ra , a da Aui &c. 

Hbtobia PiRnctiui. — Qaandotr>6U dos acoiiteci- 
inentos particularw de algum impcTio , reioo , repsblica 
&e. &e. 

DlTUld DA Kbtoiu Uuvirsái.. 

0« historíograpbos modenios dtvidem geralmenle a 
bJslDria uaÍTerul em (ret partes — Siétoria antiga , 
Bistoria da idade máéia , e Biitori» modcrna. 

HiSTOBii ÁNTiGA. É a Darra^o dos aeontecimentos. 
desde 1.* anno <5a crea;w) do muado até á quéda d& 
imperio do occidente em 476 da era christa ,.ist(i é, 
4476 annos depois da creaqao do muado, 

HuToiu D* inAni ntDu. £ a narraráo Ao9 aconte' 
cimcnlos desde a quéda do imperio do occidente em 
476 da era cbrista , at¿ á quéda do imperio do orien- 
te 00 grego, e tomada de CoDstantinopla pelos turcos 
en 14a3. 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



BiSTOBii KODERNA. É 3 narra^áo dos aconteciinenros 
desdc a quéda do iniperio grcgo , e lomada de CnRslai>- 
linopla pelos turcos em 1453, «té aos nossos dias. 

GtVISlO Dl HtSTOBlA PlKTlCOUI. 

A dÍTÍsiio da historia partículpr dos povos náo segnc 
ncm.deve seguir a divisáo da historia udÍvcfs*!, mas 
sim. ag epochas maie nolaveis da sna gnoáci» , deca- 
dcncia &c. 

NÓ5 os portuguezes e hespanhoes podémo^ dividir a 
nossa historia gfiral cm Ires gravdes epochas. 1.* Bro- 
CBi , desde a povoaQao de Hespaitha pclo^ Detos de Noé 
em 16S6 do mundo , alé ao Nascimento <}e Nosso Se- 
nhor Jesu Christo , ou 4000. 9.' Epocbi , desde o Nas- 
círacnto de Christo .alé a batalha de Oiirique om 1139 
da era. christSi.wdc for acclama^Q rei o prÍDCÍpe. D. ' 
, AfToQSO Heoriques , e se Iniujou a pcdra fundamenUl í¡ 
independeocia da 'Monarchia Portugiicza , separandorlL 
do resto da Hespanha. 3.* Epoi^b*, desde a fuDdaQáo 
da Honarchta Portugueiia até aos nossos dias. 

A pritaeira epocha « a nossa. hisloria anliga , a *e- 
gunda púde ser a-jiossa historia mcdi^, e a terceira 'é. 
a nossa historia moderna. 

As trcs epochas pDdem ser subdivididas em quitro 
periodos cada uma , a sahcr : 

1 .' Efocha oü HiSTORiA ArcriG*. 1 ." Periodú , primei- 
ros povoadores. 2.° Periodo, invasao dos phenicios. 
3." Periodo't invasáo dos cartbaginezcs. 4.° Periodo, 
invasai) dos romanos- 

2.* EpOCHA OU HlSTOOIl DA.lpiDE HAOIA. EH POBTC-^ 

CAi.. i.° ^PenoÍo, Nasc.imento de Píp^o Senhor Jesu 
Chrislo, c ésuboiecimentp da ficligiao CbrislÜ. Í' 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



Periódo, iDvasao ám povos do norte.-3.* Periodo, ii^- 
vasio dos sarracenos. 4-.'' Periodo, Portugal erecUi em 
condado a favor de D. HeQrique de Borgonha , e da 
rainba D. Theresa. 

3:' Epochjl 00 HisTOBii HODSBNA. 1." Ptriodo , fun- 
dagáo da Uonarchia , dTuastia Capeto , ou Affonsinba. 
2.* Ptñoio, djnastia Laso-Capeto, Joannina, ou de 
Avis. 3." Periodo, d;na5tia Philippina. 4.° Perioio, 
dfoastia Brigantina. 



lí ü,o,i¡-n,Googli: 

1 



I. Coo^ílc 



COnPENDIO 

Bk 

fllSTOl» BE POBTOGIL. 



HISTORIA ANTIGA DE POttTÜGAL 

]fe*do n povoacün <le neÉpnnfm pelos nrlos 

dc A'oé , n(á Qo KMcliueRte <1e VlowMk Se> 

nbor <>e>a' Ckrl«(o> ' 

PlllfEIKO PeBIODO. 

Primaro* Pwodiora. 

Addo do muodo 16S6. Castigon Deos os homens com 
o Dilutio iiDÍversal, pertoiUindo unicamenle a Noé o 
'nu bmilia, quc nio se acbBTam crÍmÍDOSos na cor- 
rupfio geral , o aaWarem-se n'uina Arca , para depois 
sercm os scgundos povoadorcs do mundo. 

Noc ,-dividindo o miindo por seus filhos, dcu a Ja- 
ptieL,.ficu terceiro flllio , a -Asia , dcsdc o Euphrales 
alé ao Dor, ou Tenacs, e a Europa toda. 

No anno do mundo 1792 partiu do orientc pnra este 
ultimo occidcnte Tubal com muita gente da sua familia. 

Os argonautas chegaram as nossvs praias , diz-se qae 
pclos annos do mundo 1801. Agradados do apraiivel 



o,i,-f-n,Googlc 



10 

siílo qDe se v ia peh bocca do rio , a quc hojc se cba- 
ina Sado , Tubnl o escolheu parH ossenU» da nova co)o- 
nia , fundaiK^o a primcira puvoai;ño de Hespanha , cha- 
niando>lhe Selhitbala, qac qncr dizer ajuntamenlo de 
Tdbal, quc com pouca corruprao do primciro conbc 
cemos boje por Selubal. 

A colonia fui crescenda , e pcnclrando até ís mar- 
gens do rio Ebro, por isso esles povns sc chamarani 
Iherog. 

Succedeu a Tnbal seo filho lliero , ou nma scrie de 
reis ou regulos, de quc a bistoria c a trsdi^.ao Tahulosa 
ou nao fahulosa nos dá nuticia com os nomes de Ibe- ' 
ro , Jnbfdda , Brigo , Tago , Bcto , Gereao , Jupiter , 
Oiyri* , Lominiot , Uereulet Lybieo , Ilispalo , Biipa- 
M, Heipero, Athalanto , Sieoro, Sie-eelio , £tuo,'e 
Sie-ulo. 

Os lusitanos , mais antigas quc ás corles de Lamego . 
vendo estíncta a raca dc seus reis natiirae» , tomaram 
a resolu^áo de nao admitlir reis eslranhos. 

Entregues a um genero dc KOTerno lívrc , lembrados 
da sua primilÍTa crca^áo , assím viveram por mais de 
oilcnta annos , cnidando da cullura doi campos , da^ ■ 
gnarda dos gados &c. 

Os hespanhoes elegeraro rej a nm rapitáo BfricatM 
chamado Tesla, era lcmpo do qiial aportaram á Hes- 
panha muitas ^cnlcs da Grecia ( i ) , as quaes rundaram 
.0 lemplo dc Diana. 

~ Baecho, filho de Scmelc, scompanbado de muitos 
grcgos , invade a Lusilania. Os povos so assustam , que- 



(1) Herodolo, opaisB»tigo hiiloriaiior d'aqucllpl tem- 

Ea, dit qne, uatri doi pheuiriui, ucBbuiuai £eule* da 
recia vteram a Hciiñuhi. 



It 

rem reiistir ; porém BmcIm oi p«raiud« , qne « alna 

do leu rei Luso tinba Iransmi^rado pan o corpo de 
Ljsias , qne Ihe vinha apprcsenlar como rei , o que a 
sua simplicidade fez acreditar. Com lal arte os Insita* 
nos acceitaram como rei a LyMÍiu , e a este k ■egnia 
Jjyeinio -Cáio , Gorgorít , c Abidit, 

Por cste tempo aportou a Lisboa (Tli^m, rei deltha- 
ca, fugíndo da destrui^áo de Troia. Ulysses melhoron 
a poroacÍD de Lísfaoa , que ilisas , bisoeto de Noé , ha- 
via fundado, e Ibe pos i> nwne de Ulyssea, 

SsaoKDO Pbiiodo. . 

A hmtao doi Phevieiot. 

A)i pelos annos 2963 do mundo , >s armadas pheni- 
cías jnvadiram o Algarve e a Andaluiia. Logo que saV- 
taram em terra os- novoa estrangeiros , corac^aram a as- 
Bolar os poTos , principalmenle os andaluies. 

Os tusilanos , em continuas lides com sens hospedes , 
Hcaram sempre victoriosos , já na defcsa propria , já 
cm auxflío dos minhos. 

Foram os phenicíos os povos mais commerciaDles 
d'aquelles tempos. - 

Tebgbibo Pkuodo. 

A hvüttiao dot Carthaginetit. 

[34S3] Os carlfaaginezes, vindo primeiro a Hespa- 
nha em anxilio dos phenicios, acabaram por expulsaU 
os , e n'ella eslabelecem o governo milllar. Os capilSes 
Aniilcar, Asarobal, llymjlcoD, HaaoD, e principal- 



o,i,-f-n,Googlc 



12 

.. mente o ^nde Aniibal , lendo eiperlmenUda ai nosns 
aroias, enlcaderam quc Ihes cra idsÍs conventente a 
«niizade dus lusitanoí , do que as bnstilidades. A, al- 
liaD^a Toi duradoura., e os carthaginaies gaDharam mui- 
tas ticloriaa eon o Qeuo^niElio. 

O» romanos , invejosos da furtuiu dos carthagineies 
na Hc&panha , lhe« dcclaram goorrai Annibat se prepa- 
Ta para a campaoha., e levanta muita trapa. 

Eutre os muitos cQQtÍníentes que recobe , vem o dos 
lusilaaos cammaiuladas pHa pFÍmeírg Viriata. [JnM se- 
rie dc victorias , enlre as quaes avulta a de Sagunlo , 
foi lan^ar o audacbso Annibal na cora^So da. Italia, 

Ronia , assustada , manda os teus mais valentes gc- 
ncracs ao encontro dc Annibal. Os exeicilos se encon- 
tram , e a batalbn de Cannas, ganha por Anníbal , se- 
rfa e uttiroo dia de Roma , se o genetal cartbagineE nSo 
dormisse sobrc os louros da victoria. O uosso' primeíra 
^ViriatO-foi morbi na iiaUlba ( 3785 ]. 

QOIBTO PnKODO. 

A /nDorao áoi RomanM. 

Anno do mundo 3793, ou 207 antes de Chrislo. A 
Kiierra eotre Koma e Carthago continúa com successo 
vário. Os lusilanos., commandados por Magon , Asdru- 
bal ', Hanon e oulros guerreiros faiDosos , continusm a 
merccer a rcputacao dos prímeiros soldados do miindo. 
Oí romanos íís ordcns de Cornelio Scipiáo, e Gneyo 
Seipiao , sao desbaralados , e morlos acus chefes. 

(3795] Roma continúa envíando forifas , e faiendo 
por ganhar vontadcs. graode Scipíáo toma muius 
cidadcs, e as victurias íucccssivaa ijue elle o seus ge< 



I. C^ioylc 



I» 

benes ganliBm »bre os cartíuisiiKkM obrlgatti estes a 
«jefainparar a Hespaoln , depais áe n'ella dominareDl 
84i annos ( 3797 ]. 

(3804) Seohores os romanot da Hespanba , esta 6 
dÍTÍdida por ordem do senado em duas provincias i a 
Cilerwr, que eram as terras da mBrgem direita do 
Ebro até aos PjTcneos ; e a üilerior , qne erem aa dn 
«sqtKrda do mcsino rio aié ao Oceaao. Estabelececam 
nas doas provincias goTernadores com' o nome de pre- 
tores, consulea , e proconsuleS. . 

(3807 — 38S1J Os lusitanos nSo se acfaam salis- 
fcitos de seus donifladaTes. teu estado era o de uma 
guerra pcmiaQente, em que foram Tencidos os melb»* 
res generaes da republíc» ( 3851 ). Cansados porím de 
«m-estado tao iiu]uieta, acceitam a pax proposu por 
Gaiba; porém este com covarde trai^áo manda dcgol- 
lar nove mil laaibnos. ^ 

Um luútaoo dos nontcs HenninioB cttara goardado 
para vingar a trai^áo de Galba. VirÍHto, bumildc por 
naBcfmento , porém íllustrc pelas suas obras , larga o 
bordio de pastor, para empunhar a espada de gencral. 

Reune os poueos lusitanos quc rcslaTam d'aquelle 
estrago , e todos juram sobre as feridag dos innocenlci 
asaassinados , que jánuis dcporiam as armaa aem tomar 
uma Tingan^a terri«el dos romanos. 

Virialo abre a campanha com dei mll bomens, e em 
repeli<ioi recontros os romaooB ílcam vcncidosi Roma 
come^a a assitslar-se , e refor^os sobre rcfor^us , gcnc 
raes experimeoladoi süo mandados á LusitaBÍa ; porém 
a sorte Ihes é sempre adtcrsa. 

( 3862 ] Os romanos , nio podendo vencer lealmenia 
05 lusitonos , recorrerara á irai^áo , e o grandc Viria- 
to apparcce morto na sua lenda. 



u 

(3920) Apesarda perda de Viriáto, a |^ra can- 
tÍRUou com mais oU menoa furtima. 

N'este Umpo o romano Sertorio (2), escindEiHsadd 
da patria , acceilúU o commando que 09 nossos ilw mao- 
[Uram ofTerccer a Africa. 

O graodc Sertorio , o homem instruido nas armaí e 
ni3 letras , estabclcce a stia prÍmcÍFa pra^a d'amas eia 
Efore. Os mais illaslres gcneraes romanos , cntre ellea 
Pompeo , sÍD vencidns n'uma scrie de campanbas , qne 
durarara por mais de onie annos, e em qiK Sertorio 
penetrou muitas reies pelo cora;io da Hespenha. 

( 3931 ) PQmpeo , nao podendo vcncer os lusitanos >' 
t!orrompe l'erpcua para aponhalar Sertorio, c o grande 
capttáo cáe assassinada coiu vinte é nma punhaladnsi > 

( 3941 a 39i4 ) A morte.dc Serlorio abateu por maf-' 
tos annos os lusilanos , mas náo os fei largar aq armas i'' 
poróm vindo Julio Ccsar governar a HespanhH , conw 
{ou a pralicar taes crnctdades com os lusítános , que 
estes se poteram em campo , e Ihe dernm muilo oue 
fazer. Julio Cesar rmatlnente venceu ; mas fi>i táo Itbe- 
ral com os vencidos , que estcSo comc;iran) ■ respcitar, 

(3933) Foram de pouca importaneia as comas da 
lusitania diirantc doie annos ; porém dt'pols os cxcessoa> 
do pretor obri^u os povos a levantarera-se , e Pompeo é' 
mandado scgunda vez para os socegar' 

N'csCe tempo Cesar , desobediente As ordcns do s»- 
nado , dcpois de Tarios successos na Italia e Uacedo^ 
nia , passa á Hespinha , aonde por mnilos annos eslC' 
paiz é o Ihealro dai guerras civis cnlrA Cesar e Pom* 
pco , e cm ^ne os lusilanos foram cnvoWtdos comtNi-' 
lendo por ambos os lados. 



(2) Sertorio era de ua^ Mbiao* 



,u8lc 



IS 

impcrador Angnsto Ccwr Ksolve vir cm pMsoa a 
Ücspanha para apaiiguar qs povos , e a consegue dctH 
tro em qaalro annos. Os lusilanoa Ihe dediraram tem- 
plos e estatuas pelas roercís e privilegios que Ihes cotH 
cedeu , singularissDdo-sc Evora , Ucrtala , Lisboa e 
fiaotarem. 

(4000) Cousas de ponca imporUincÍa se passaram 
•té ao aono 4000 da era antiga ; eslamos por¿m eth 
trados na epocba mais mcnioravcl , a do Naacimcali» 
de Christo. 

HISTORIA DA IDADE MÉDIA EM POIlTü- 
GAL 



PBIIIEinO PEUODO. 

Nateimenlo dt Jen Chrisio , e eitabeletimmlo da tmi 
Bcligiüo., 

Anno 1." de Chrislo. Imperana Augosto, e lodo o 
imperio romano getava da mais profunda pnz. É oo 
neio d'esta pai que Bescc o oesso Itedemptor Jcsu 
Cbrísto. 

Augnsto morrc. c os lusitanos mostram a lua dor 
Iwrtal pcrda. Sticcctle-UieTiberio, e oo govcrno d'esto 
tjnimo é cniciricado Jesu Christo. 

A nova religiaa {danlada por Jeso Chriglo, c com 
linlo tervor cullivado pur seus discipulus, fiucüficou 



o,i,-f-n,Googlc 



(« 

Unto ti3 Hespantia , que até hojé atndíi nlo poderam oS 
impios extingtiir esta planta dívina. 

£ra a[£ muilo natural qnc nos pr-imilivi» tempos i 
taova religiáo soITresse grande opposi;ao. Blla ia de en^ 
Contro a tantos vicios e inleresses creadosi e esia a 
causa da crua gucrra que se Ihe fez. 

As persegiii<;acs aos novoií chHslaos siiceediam»se 
Omas ás outras; mas quanto maii a terra era regada 
tora sangne dos mnrlyres , mais fecanda se appresen^ 
tava. Os gloríosos Apostulus nada lcmiam, e dBvam a 
exemplo de como se murria pela I^é dc Christo; o a 
nossa Hespanhn lcm o orgulho de conlar milhares de 
marlyres da Fc Christa qos Ires primeiros seculos da 
Igrcja. 

Seguhdo PÍBIODOi 
Á iacatáo dotpovos do noríe. 
(403) imperio romano, enfraquecida pelas saas 
divisóes, náo pódc rcsistir aos povos do Dorte, que o 
Invadiram. O íiopcredor Honorio > vcndo o imperio ÍD- 
Vadido por lantas gciites , alcmorisado thcs dá a Fran- 
ra e Rcspanba para se estabelcccrcm.~ 

Invadida pois a Hespanha por láo diversas e barba- 
ras gcntcs , quc se conbeccram pelos nomes dc nurcN , 
átanot , tíRidafoi ,' t^ingos , goda» c tUigodot , furkm 
tamanhos os estragos que fizeram por onde passaram , 
ou se foram estabelccci-, que os povos logo come^aram 
a manífeslar furtissima opposicao aos invasores. 

Os alanos c saevos sc cstabcleccram ita GallÍM e 
Portugal , e os vandaloS , selingos e (odos occuparam 
a Andafuzia , e parte da Castella. Estes povos eram ea- 
pitaneados por cbcres oii rcis naluraes , e por Jsbo dIo 
sc qucriam sujcitar 6s aactoridades r 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



. Forañi elles'qite Irouxerani a Hcspanha o readalts« 
niD, e Cflin clle uma ansrchia de muitos secu]o3. 

As rehellioes coiitra os rDtiiBnos cram contfuDas; 09 
mesmosinvasoresesUvamn'uiDa guerra permanente uns 
com os outros , c nño havia uma rur;a superior qne os 
domasse. podcr dos romanos estava morto de faclo 
na Hespanha , e a anarchia campeaia por lodas ag pro* 
vincias d'esla par[e do imperiu. 

- Os imperedores aindn sssím mandaram por Teics al- 
gumas tropas para fazcr entrar os b^rbaros na obedien^ 
cia do tinperio; porém uraas veMs eram batidas, ou- 
Iras cram. os proprios generaes romanos que se fazÍEHn 
acclamar reis. 

Os romanos roram de (odo expulsos; porém as guef 
res cunlinuavam > e cada vez mais desa^lrosas. 

A heregia de Ario havia-sc inlroduEÍdo na Hespanha> 
Uuitos dos reis suevos e godos a scguiram , o qiie deu 
ceusa a guerras cnL-arnigadas entre pais e filhos, qae 
duraram cem annus, e causaram o martyrio de muitbs 
beroes. 

Os rcjs que se cnnservaram catholicos fiieram reunir 
concílios , ora era Braga , ora em Toledo , e a Goal ei- 
tirparnm de todo a heresia de Ario, quc chegou a ler 
mais scctarioc que as de Lulhcro c Calvino. 

Os vandalos passaram e Africa em númcro dc oileu' 
ta mil : porém os outros povos estrangeiros sc eslabelc- 
c«ram para sempre na Hespaiiha. 

As guerras entre elles foram láo encarniradas , que 
os god(A ecabaram com a ra^a dos rcis sucvos , em 
583, com a morle do rei Eiirico; e Leovigildo, rei 
godo . íicou scnhor de loda a Hcspanha , cstabelcccndu 
n'ella o impcrio güdo.- 

A serie dós reis suevos desde S09 alé 583 , e q»^ 
. « 



IS 

. terminaran em Eorico , rorsm i ffemWMríM , BediUa , 
Riciaño , Maiára , ( FranU e Frumario ÍRlrtin» ) , Bf 
mUmundo , ( Theodulo , Vnemundo , Miro , Pharaioiro , 
RaehiU u , e Riciirio n tncnles ) , Thtodonán , Ariv 
Mtro, Eurieo, [ADdíca intntio). 

A morle das mais poderoias na^oes sao as gnerrat 
civis. A nsEaa goda , eQfraqDecida por Unta desordc» 
ÍBlcslÍna ,'desperta a cobica do* sectarios de Matoma 
para a invadirem e a senhorearem. E como nunca b1- 
tam traidores , ach^ram entre os gtnlog ym prompto a 
sacrilicar a patria a TÍDgan^as pfirlicularei. traidor 
(16 eiecranda memoria foi o cimde D. Juliáo. 

Despcitado por affroDtas qae havia rccebido do rel 
D. Bodrigo. dissimula-as, e sinda inculcatido grande 
íélo , persuade o rei que coDlinuasse a maodar arrasar 
as forlalezas do reino, obra come^ada p«lo rei Witisa 
Sieu »Bteces5or. Inculcava o traidor esta medida como 
de prímeira ncce&sídade , a fim de evitar as rebellióes 
dos seahores fcudaes ; porém as suas Tistas eram des- 
fortalecer a naQáo , para mclhor a subjugarem 03 inva* 
■ores , que sA esperavam o sigDal. 

Arrasadas as pra;aA da Hespanha , conde Jaliao 
pMsa a Afriea , e dcpois ie cunrereDciar com califa . , 
volta a Hespanha para ganhar partido , e os ultimos 
ajusics se concluem em ÚaLaga. 

Seffuradas as cousas, conile paasa a Cetita , leva 
sua filha, e comeca a eiecutar scu abominaTel pro- 
jccto. 

( 713 ] Tarif Abensarca iDTade a Hespaoha cAn doie 
roil homens. Gsta for^a era apenas um recoDbecinento 
quc os moiu'os faziam pafa se auegnrarem do bom re- 
sulludo da conqnista que projecta.«am. 

rei mal podia aioda acrsdilar na traifio d« MH 



19 

coRdt , liil é cegD«Ír3 dos mimarcbas qoatido le deiiam 
''rnistar por Talidos. 

povo clama contra sÍmilhaDte (rai^áo ; el-rei atto- . 
níto manda armar a naqáo. Utn eiercíio desarmado se 
ienne, e o rci dá o commando »o prÍDCÍpe D. íatgo 
00 D. Sancba. 

Os üois exercÍtoG sc encontram. Os godos aTan;ami 
poréni Ingo no comé^o morrc o prÍDcipe D. SaDcho, e 
eierciio godo é complctaaente desbaratado. 

Ei'Tei marcha de Tolcdo para o exercito; por^m ji 
Ds monros cnm o coDde Juliáo baTÍam passado a Africa 
tarregailos de rieos dcspojns. 

[714} El-rci D. Rodrigo apressadamente repara ta 
roinas das muralhas das pracas, manda leranlar tro- 
pas ; porcm Tarir Abensarca d3D dá tempo para que 
eslcs aprestes se rcalisem. 

Cofa poderoso excrcilo ÍDTadcm segcnda tez a Hespa- 
nha o mooro Tarif Abensarca e o conde D. Julíio. El- ' 
r«i D. Itodn'go se apressa a ir recebcl-o com om eier- 
cito oiais niimeroso , que agiierrido. As margens do rio 
Guadalcte Toram e theatro d'uma das mais rigidas ba- 
talhas que sc tetn dado Da Hespanha. rei , montado 
tk) cavallo Orclia , fazia prodlgias ; porém todos os es- 
for^os c valor pcssoal do godo.manarcha nio poderam 
salvar a monarchia qQc elle mesmo tinha destruido. A 
bal.i^a duroii oito dias , e vencidos D'ella os chríslaos , 
atabna a nionarchia dos godos, quc tanto sc nzeram 
respeitar pot seu valor, 

O rci , fugitÍTo , disfarea-se em traje dc pastor , roti- 
ra-se a IScrida , e recolhido ao mosteiro Jc Cnulioiana , 
sli se descobre ao abhade Romano , c junlos se retiram 
pwa a parte occidcnlal , e se refugiaram na Estrema- 
dflra portugoeza , onde boje é a villa da pcdetacíra. 
« * . 

I».,,,.-. I. Coo^ílc 



20 

A serie doi nis godos desde 411 at£ 7t4, equa 
terminaram em D. Rodrígo, foram; Atarieo, Atatdfo, 
, Sigiñco, W<dia, Tkeodoredo, T^urismundo, T/teiuIeri- 
co,,£urÍco, Áiarico lí, Getalieoi Thettd*rieo, AnuUa' 
rioo ,' Theudo , Theudiido , Agila , Athanagildo , Liuva , 
Zeovigildo , Flavio Ricaredo , Liwca II, Wilerieo , Gwt- 
áemaro , Siiebuto , Flavio , Suyniüa , Sitenando , Chin- 
tila , Tulga , Chinduiuindo , Reeeiuindo, WanAa, Er^ 
vigio, Egica, Wiliia,.^ D. Rodr^o. 

Tebcbiro Pebiodo. 

A Invaiao doi Sarracefw*. 

( 714 ) A batalha de Gnadalete , ou o ultímo dia dos 
godos, foi scm dúvida um castigo do ceo. El-rei D. 
Bodrigo, depois de ter feito muiCa penitencie n'uraa 
cova , e morlo o seu companheiro , resolveu penelrar 
mals pela terra dentro; e em uma ermida n'um monte 
jonto a Viseu aCabou,seus dias. Seu corpo foi sepulta- 
do na igreja de S. Miguel do Felal , junto a Viscu : 
porém ■ passados muiios seculos , seus ossos foram tras- 
ladados para Castella. 

Em quanto o reí dos godos s¿ tratava da conquisU 
do ceo para st , os mouros audaciosos conqnistavam a 
Hespanha, rendendo as suas pragas , uraas pela for^a 
das armas, outras por convenjáo. Em dois annos'ha- 
viam senhoriado a Hcspanha , e os povos opptimidos 
vjam com roágoa intima a raaior parte dos templos do 
Deus vivo transforraados era mesquitas de Mafoma , 
dando cullo á mais nefanda religiao ; as mcias luas ot- 
toraanas orgulhosas trcraular nos castellos dos princi- 
liristaus , a sda dur rinalmciite os razia olbar para 



ai 

ludo islo como obra áú ceo para castigar a conup^ío 
de setis coslumes , e de tanlos de seus principes , que 
se havtam tomado tio dissolutos. 

A polilica sarracena dá alguma liberdade ao collo 
cathoiico, e conserra algiins condes e senhores chris- 
taoB em diversas terras ; porém Indo isto com uma >a»- 
sallagem repugnante. 

(717J A; batalba dc Guadalete sobreveiu o infante 
D. Pe\ajo , de antíquíssima família doa faespanhoes can- 
tabros. Este illustre principe se retlra com as reliquias 
dos godos ás moDtanbas das Asturias. Passado algum 
teoqio o principe famoso , o primeiro beroe da Hespa- 
nha do seculo rin, projecla sacudir o jugo dos barba- 
ros. 

Gommunica o seo intuito, e logo multas e Talorosas 
gentes se Ihe reunem. No valle das Caogas é aeclama- 
do rei pelo feu exercito, se exercito se póde chamar 
is gentes de D. Pelayo. 

Alahor , goTernador arabe , sabedor da sublevacao de 
p. Pelayo com os chrlst3os d'aquelles montes, o ac- 
commette com cento e oilenta e sete mil lAouros. D. 
Pelayo os deslroe , e assim langa a primeira pedra fun- 
damenlal á libcrdadc dá Hespanha. 

O eccho de táo grande vlcloria chcgou aos mais re- 
conditos logares da PenÍDsnla. Este primeíi-o triumpho 
desperla em lodos o desejo de destruir o jngo maurl- 
tano , e á porfla , priocipes e vassallos , tudo corre as 
montanhas das Asturias. 

Es'tava pois aberta uma terrivel guerra , cojos resul- 
tados nao se podiam calcular. Has Deus , condoldo das 
desgragas da Hespanha , prolegeu-a táo Tisivelmenle , 
qOe n'uma serie de campanhas , que áuraram seculos , 
a» armas catholicas foram fazendo taes conquisUs nas 



lerras occiipadas pclos mo<iFns , que já no anno de 1073 
Affünso Ti reinava cm Caslclla , LeÜo , Porlugal e Gal- 
liza . cnm o tidtlo dc i[>ip«radür. 

( 1063 ) D'enlre os muilos e illustrcs principes qiie 
ao eccho das viclorias de Fernando o grandc, rel de 
Castella, Leáo , Purliigal o Galliza, corrcram á Hcs- 
panha a buscar gloria, vciu o nosso ÍDclito D. Henri- 
que , conde dc Borgonha , o heroc qiie abriu os 'aliccr- 
ces eni qae o grandu principe D. ArTonso Reariqqes . 
scu lilho, laii<inu a primeira pedra fuadamental i mor 
narchia e á liberdade porlugueza. 

Era D. Uenríque de £orgonha terceiro (ilbo de D.' 
Bcnrique , dnquc de Borgonha , e da duqucza Sibylls , 
filha de Renató , cnnde de Borgonha , ncto dc Uctberlo i 
de Fr.inga , daque de üorgonha , bisneto de KoberLo i 
reí de Fran^a , e terceiro neLo de Hugo Capeto, cabe- 
ca dos reis capelos. 

As ac^oes de D. Henrique foram tantas e.táo illus- 
tres , que nenhum oulro como elk ganhou a estima do 
monarcba e da nagao , que bem Ihe moslraram, dando- 
Ihe nao equívocas provas áo allo aprcfjo em que tinhaia 
seus servL^os. 

E1~rei D. Fernando , precisado de descanro , resolvei^ 
enEregar os seus eslados e todas as suas glorias a seus 
fllhos- Elle os repartiu , dnndo a D. SaDcho a Castella , 
3 D. AITonso Lcao, e a D. Garcia aGailiia o Portugal. 

Cem depressa a desordcm se maHÍfcsta cntre os tres- 
irmaíVs. D. Garcia , dciiando-se tevar pelas lisonjas do; 
sca valfdo Vcrno , descontentoii lanlo os do scu reino , 
qiic uma revolucao o enlrcgou a D. Affonso , ücandu 
assim Porliigal e Galiiza encor|K>radas a Leao, 

D. Sancho perseguiu rortcinente a sciis i-rmaoSi po- 
rím fui vencido, e morto ao cSreo úo, ^^ota. 



,L-.-.,Coo.ílc 



2S 

Jf'eslas desordem de iriDlos . qne dafam omÍdiM a 
falldos para os perdercm , D. Benrique acompaDboa 
lempre a «1-rei D. Affonso ti , quer na próspcra , como 
na advcrsa forluna. 

D, Henriqtie era inseparavel de D. AfTonso ti. ElJe 
jámais o desamparou nas desaTcn^as de faiailia , oii nas 
guerras maís que nunca perigosag , em que el-rei [ 3 } se 
embaraQou ccm os moarcs, obrando líiilas genlileiBS, 
qoe reclBrnaTam nma nio vulfar récompetisa. 

( f093 ) Affonso rt , reconhecido a lanla fidelidade e 
• B tantn merilo do iliiislrc conde , o prmeia , dando-lhc 
o gorcrno de PorlugBl d'aquelleS Irmpos com o titulo 
de condado. Esta nostca^ao foi scm dávida uma gran- 
de prova do muito em que o rei tinfaa os servi^os de 
D. Henriqne. 

Os portugoeies reccberam a nomea^ao do conde co- 
mo o pitcursw 4a independencia dt PorlugaL 

QriSTO PEBIOEO. 

O emáado de Porlvgal. 

(1093}Tcmos um condado denomÍDado Portugal,. 
e diremos cm brevcs palavras d'onde deriva este nome. 

£ opiniáo de muitos gcographos e hísloriadores , que 
Porlugal deve o scu nome a uma povoarao chamada 
Cale , que antigamcnlc houve no silo ondc hoje é Gaia , 
e por ser mal siluada resolveram scus hahilantes edifl- 
car uma villa no logar ondc hoje está a cidsde do Por- 
to , a qub deram o nome de Portui Cale , ou Porto ie 



I. Coo^ílc 



M 

€tdi , Donie qué imidou , por meio de uma Mlerat^o fa~ 
cil , para o de Porlugalia , e por Hm para a de Port»- 
gai , Q quai se estcudeu ÍDseDsÍTetincBte d'aquelles prí- 
meiros habilailores a tado o paiz. 

AigHns porém lia , qu« dizem viefa á fui de rio Douro 
nn grande número de Gallot , c, q.ae, fundando uim 
povoa^áo n'aquelle sitio, Ihe ptizeram o nome de P«r~ 
tm Gatlonm , oa P»rtú áos Galloi , e qtie pouco a pou- 
co esle Dome se estendeu a todo o paie, e se adequotT 
até »b ponto de formar o nome de Portugal ; porém igno- 
ra-se abiolatanente a epocha deste aconteciiBento , e a 
malivo que trouie aquelles Gatlos a esta terra. 

D. Uenrique, enlrado na posse dn condailo de Por- 
Uigal. que se dilatava aVcm do Doitro e Minho, com 
as mais terras que conquistasse aas mouros até ao Tcjo 
« GuidiaDá , come^ou logo coni as suas empreias a an- 
nuDCÍar aas Portugucies , que tendo estes tanlas terras 
mooriscas com q>ie engrandecer o novo estado , e náo 
Ihea faltando , ncm vontade , ncm valor , o futuro maís 
brithánfe os espcrava. 

0. AiTonso VI, coma politico mui Ono que era , cal- 
culava bem o (aluro , e apressou-se a dar em casamen- 
. lo a D. Henriqae sua filha a rainha ( i ) D. Theresa , com 
o conilado de Portugal em dote, livre de fcudo , se- 
gUDdo os auctores portuguezes, c com feudo a Leáo , 
■eguDdo os auctores hespanhues. 

Fosse Portugal dado com feudn , ou sem feitdo , é 
certo que muito lucrou , porque oblcve um govemo cs- 
pecial para o paiz , com chcfe natural , que le havia de 
perpetaar nos descendcBles de D. ThéfesR. D. AIToiigo 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



dcB a teiDpD o que mai! larde Iho podi« ter pt^Jido de 
espsda na máo. 

D. Henrique , aclivo sempre para alargar o peqaenA 
territorio que Ihe troaie saa mnlher , só por sua mor>- 
te embainhou a espada que desenbainhára a faTor d« 
soa nova palria. Os triiiinphos furani succe&sivos. Nb 
batalha de CordoTa acompaabou D. Henriqoe a s«u m^ 
gro, e por siias maos preudeu o rei mouro. 

(1103] Depois da eipedí^áo de Cordo?a dizem ai 
nossas chronicas que D. IleDrique passára i Palestina, 
pelo baTer o papa Urbano ii nomeado par um dos doM 
capities da primeira cruiada qae se resoheu no conci- 
lio de Clcrniont , e qne de lá troniera o corpo de. S. 
Giraldo . qne fui arcebispo de Braga. 

D. Ilenrique, que já tinha a sua corfe em Gnima- 
raes , inTadia com frequencia as terras inimigis , con- 
qnjstando tntiiUs , e contam-se iesttete as batalhas can- 
paes que ganiiou aos mouros. 

Deu foraes á ctdade de Coimhra , « ds villas de Teo-. 
tagal , Sonre , Certá , Atarara , S. Joáo da Pesqueira, 
Guimaraes , e a outras Biuitas. Eipiou mnitas uKsqui- 
las , fundou grandc número de templos , entre os ques 
w conta a sé de Lamego , e muitos mosteiros para ei- 
Tilisar reino. 

Depois de uroa vida táo cheia de gloria , morreu o 
conde D. Henríque na cidadc de Astorga , que siliaTa . 
com setenta e sele annos de idade. sen cadaier foi 
trasladado para a sé de Braga , aoode jai. 

(1113) Morto D. Hcnrique, saccedeu-lhe seu Qlbo 
D. Aifonso Henriques , de trcs annos dc idaáe. A rai- 
"nha , sua mae , tomou as redeas do governo. 

Entregou o principe ms «nidados d« seu aio Bgas 
Honii ; e esle Ihe dí uma educaíSo a mais esmerada. 



..Coüglc 



S6 

' ( ItSO ¡ Segundó a u|)int3o ile alguns alictores , a rai>- 
nlia tornou a casar com D. Fernando Peres da Trava , 
tonde de Trastatnara , e em 1122 runda o convento de 
S. Joáo dc Tarouua. 

( 112S ) Apenas contava dezeaeis annos , já o prÍDci- 
jpe por suas máos loma as insignias de cavalleiro no a1- 
lar do Salvador, da igreja calhedral de Camora, qve 
ñ'aquelle tempo eslsria sujeita^ Portugal. Funda o con- 
Vento de Lafoes , trabalha no melhoramento das leis , e 
inlroduE em Portugal a ordem dos Templarios. 

( 1138 ) O principc , que já por esle tempo contara 
deienoVe annos , qucr tomar as redeas do governo ; po- 
rém sua mic , ambiciosa do pqder , recusa entregar-lhe 
o dominio , qiie só devéra conservar na menoridade de 
■eu filho. 

Nao tenilo H. Affonso oblido de sua mae amigav«l- 
inente o governo qne Ihe pertencia , lan^a mao das ar- 
mas, e a cxclue á cusla de uma escandalosa balalha 
que Ihe ganhára no campo de S. Mamede , junta a GuÍ- 
maracs , a 24 de Junho de 1128. 

A rainha é reclnsa no castello de Lanhoso , e de lá 
pede a el-rei de Lelo, que a venha libertar. El-rei cor- 
re prompto ao chamamento da rainba ; porím D. Affon- 
50 ainda mais promplo o desbarala na veiga de Valde- 
vcr. 

El-rei de Lcáo , para se lavar da afTronta recebida do 
principe , voUa no anDo seguintc ( 1129 ) com exercito 
mais poderoso : cérca o principe na villa rle Guimariei . 
t reduz a tanto apérto, que Egai Mmñx fiii occulla- 
mente ajnstar com o rci sitiante certas condi(cíes para 
este levanlar o sitiu, empenhando sua palavra. 

Hetirado o inimigo, o principe nao qiiia eslar peloa 
•rtigoi do tralado, o que dcu logar, diíem, a qne 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



27 

&gu Uoniz eom sua mnlber e rilhns.se spiM'escBlaiSMa 
em Toledo , para que el-re) tomassc n'clks vingani;a 
pcla fal^a da palavra mat cuuopriija , c que el-rci Ihe 
perdoára , admirado de LiiUa nubiezii d'alma. (3) 

AlguDS iiobres da Gailiia se retnllam coutra Affoiu 
so \u Ae T,eáo , c vem a l^ortugal offerccer a D. AffdR* 
so Hcnriques uma grandc partc d'aquctle [eitio. A of- 
ferta é acceita pelo prÍDCipe, e a posse d'aqiielle tcr- 
rítorio é disputada pelas apmas, ficando veacido o rei 
de Leáo Qas bal^ltias da Cerneja , e nn dos Arcos do 
Vatdcvei, faxeniio prisioocira n'ejíta uJliaia ■ maii no- 
bre gente de Leau. 

arccbispo de Braga teriQÍna esta gucrra , Tencen- 
do con ro^s o priocipe c o rei , c fai quQacja assigna- 
da a paz de Tuy. 

rei monro Cnj'une com trczenlos mil ttomens cérca 
Coimbra.. principe purlugiici; aüstrou n'esta grasde 
crise o scu genio militar, saLvando Coimbra. 

( il30) A rainha D. Ttiercsa morre, e scu corpa ó 
cooduzido á sé de Uraga. N'esle mcsma anno fí. AU 
Ibnso iotroduE em Porlugal a ordem mililar dc Ualla. 

(1134) Atbiicaram, rci mouro de Budaj'ii , faxgiier« 
Ti a Porlugal. D. AlTonso o vence ; e para pefpe(«»r a 
demoria d'csla campanha, nunda edificsr o mosleiro' 
de San'a Cruz de Coimlira, que coraeQuu cm 1136. 

(1135) D. AITanso náo dava trcgoas aos monros.. 
ü'este «ftoo lomou Leiria , c cdificou n'esia cidude Lin 

(6) Duarte Nunei de T.elo b> iim Cbranira pag. ST,. 
Drito ni Houirrhia Luiitiinii , e Uarlima uo CBlflWo •>** 
Riiabai, n?!;am forinBlmentE o jegunao ra^impnlo <!■ rai- 
BluS. TberMk.aguerHsatracititeHuOlball. AfbU- 
w,a iiiopritie bo raileUo de Lanboio, ■ eocrraiU Lstoi- 
« o (uw 4ai9 poi Bfiw Uosib 



o,i,-f-n,Googlc 



28 

lorte eastelto, qnt¡ dooii a S. Theotonior l-" prior áá 
Sanla Cniz de Coimbra. Gm sc^giiida tomou Torres No- 
vas , e rccnlheii i sua capila) de r.oimbra. 

(1139) A conqnísta do Alemlejo era a idéa consfan* 
(e do prÍDcipc. O Alemtejo era o centro das opera;áes 
do initnigo, c D. AITiinM) qiicria ali dar üra forte gn)pe 
ao poder maDrÍtano, que nli agglomerava ^andes for- 
^-■s para invadir Purtiigal. 

O illustrc principe , mancebo ainda , mas j& consum- 
luado capiláo , bcm sabia qiie o fnxer &gucrra énopaiz 
inimigo. Toma a iniciativa, e s<>mente com tVeze roil 
hoRiens abre audaciosamente a caiRpanba, saicdo de 
Coimbra para o'AIcratejo. 

Lngo na priméira jnrnsda Ihc morre o seu aio Egas 
Moniz, perda sensivcl, pelo valor, pcla ñdclidade, e 
mais pelo consclho. 

Avancando para o cojacan do pniz inimigo, o eicr- 
cito portugiiez chega ao campo dc Úuriqne. 

No iflio dc Cabcgo de Rci , junto á villa de Gastro 
Verde, o csper.ira Ismar com vínto regulos , cinco 
d'ellcs reis pnderosos , e com um excrcito supcrior a 
duientos mil faomens. 

O principe porlngnei proclama ao sen cxercito , lcr- 
minando, que ningriem temnssc a morte aonde e))e ar- 
riscava a vida. discurso do principe produiiu um ef- 
fdlo maravilfaoso. 

O dia 25 dc ju)bo de 1139 amanbcceu o mais for- 
moso e fausto dc quanlos Portuga) bavia Tisto, Poi a 
AnsterliLE do sccuio ui. ( 6 } 

(6] rriD tenho ilú'iita em aiier que ■ batilba il> Ouri- 
qDe foi ■ ADiterlíti pQrtarueiA , porqac ai TantHEeui qiie 

•avralnCBle wta baUUia dca ao gratide 1>. AtfoBW, tam- 



o,i,-f-n,Googlc 



ii 

'b; AITunsó, animadb com.o auidío ác Ccas (?), 
prccorria as filciras anDnDcíaDdo o coini!;o da batalba 
cm que enlrava principe, e bavia de sair rei. O ÍDcli^ 
to principe é o primciro em toda a parte. niido das 
armas, a fozeria dos mouros , o estrnndo dos instra- 
mcntus bellicos , ludo cra horrnr , confusao c espanlo. 
O exercito victoreia rfei a D. AfToDso, e a bataihá con- 
linúa borrivej. D. Pedro Taio , D. Diogo Gon^alves Va- 
lente, D. l.oureriEo Vicgas , Mem Itodrigiie.'i, Uartim 
Uoniz obravara tanlas gcnlilczas, qoc mouros e cbris' 
lüoB os olhafam arrebatados, 

Terminou (inalmcnlc csta batalha no Itm dc scis ho' 
ras dc porGado combatc , tendo alcanfado o novo rei e 
os portugueícs uma gloríosa Vk-toria , ainda qiie á cus- 
ta de bastantcs vidas portuguezas ; porém nada cm pi-o- 
porgáo da mortandadc Teita nos ÍDricis. 

novo rei , depols dc lcr lan^ndo em Ouriquc a ta- 

DBA iNGULÁH HK UOKÁRCHIl FOnTDGUEZA , VoIIB a Coim- 

bra , aonde é reccbido em triumpho, Para pcrpetuar a 
mcmuria de láo grandc victoria dá accrescentamcDto ás 
armas que herdára de seu pae. 

A serie dos rcis e principes cathoticos qiie goíerna- 
.ram cm Asturias, Oviedo, Galliza , l.cao, Portugal o 

bem Naiioleüo ■• slriiDi;Au Do dia 2 de ileieinlirn ile IfiOS. 
O pTÍnieiro , venreuil» oi reis munros ^lliaitui , fei codi qiie 
n3o ló citcs , mai tambem ín prinripei rhrijtSoii o rcconhe- 
cefiPin rci, O leEundo, veneeDdo oi ■Íliailoi, m abrignii ■ 
reronhccel-u camo «mperBilor dm fradeci». M. AlTunMi ia 
dar ■! Iiat^lha) ao centro do paii iniinieD ; Napoleao faifa o 

IT) b. AfTonio affirmou rom lolemne juritmento perai» 
le oa ersniles da »■■ corte . eio Vnl, <|"c '>«'" ""* *"'"'"' 
■'ppareri.lo na noitc de V5 de julhu <le li:i9. Eate documclt- 
t« ■« coDiuvAva ua carlorio de AlcvbB^a. 



o,i,-f-n,Googlc 



3ft 

C»s[cllí, (tcsdc7I7 atc li39,íurara: Petagio, FuriU 
la , Affortto I, catholico , Frmla I, AaTtlio , SÍIq , .V<iu*' 
r^l, jntnrso, Bermudo I, Affotuoll, ocasto, Rami- 
n> I, Ordonho l, Affonio III, o grande , Gareia, Or- 
dmlio II, Froila II, Affonso IV , aliriica . Ramiro Il', 
Ordanho III, Orilonha IV , intiiisn , Simeho I, Rami- 
ro ¡II, Bfrwxde II, Affonio V. ücrmudo III, FerMn-' 
Úo I, o msgno, Garcia . Sancho II, D. Ajfonso FI,' 
Affonio ril c Urraea , c D. Affomo 7111. Nü condad» 
dc Portitgal, dcsde 1093 at6 Í139, D. Hcnriqae áá 
liorgonha , D. Tkcrua áe Leáo , e D. Affatuo Bmriquet.' 

- "fmmmmmm. 

mSTOlílA MODERN,\ EM PORTUGAL 
Ikrsde n fundncAn dn Mnnarcbln a(¿ aOK 



PniMEita Peüioeo. 

Dsnasiia Capeto cu Affoniinha. 

O Sgnhoii D. Affonso i ( Co.vqvistabor ) 1.° Rei. 

( 1 139 ) T>. AITonso i , sublimndo & cathcgoria dc rcl ' 
pelo excrcilo, tLacta dc íiuc o novo «diliílo da monar- 
cbia porlngneza , comc^ado cm Ouriqne ■ sc continue a 
ckvar com táo solidas hascs , qne jñmai^ os embales 
dos scciilos ou diis homens o possam destrnir. 

(ItÍO) D. AITonso viii de l.cño nao riiiíz reconhecer 
o novo rclno dc Porlugal ¡ porém D. AJTunao i Ibe de- 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



u 

cUroú gmrra , invadiu os ieos cstados, « o obrieoii a 
sssígnar ■ pax. 

Ismar , aproTeitaodo-se da ansencia do cei de PorlU' 
gal, renñe as rcliquias do scu exercilo. ÍDvade a Eic 
tremadara , e toma I.ciiia. D. Theutcnio nio póde de- 
fcnder Leiria ; porém , rcunindo genle , enlra no Alem- 
tejo , e loma Arronclics. 

{ iii3) O sabio rei conToca eorfet , para d'ellas sa- 
ber se queríam o reino e o rci qiie o «lercíto accla- 
mára em Ouriquc. Eslas cortes gao as prinieiras quc 
hoQTe em Portiigai, o se rcuniram na igrcja de Santa 
Maria dc Almacave , cm Lamego. Ciiaaiaram-se os Trn 
E'taibti ¿o Beino , [rarqne se ciimpunliam dos depelaáo» 
do Clero , Nobrexa , e Povo. A ira^ao , assim rennida cm 
curies , acceila sotemncmentc o rcino e o qovo rci , e fat 
leis para haver bom eoierno". 

LoDren¡o Viegas , deputado do povo , c tambem prO- 
curador d'el--rei , disse; — Senhorcs, *ós qnercis qua 
el-rei vá ds cortes d'cl-rei dc Lcao , ou Ibe dé tribti* 
to , ou a elgiima oulra pessoa? 

Todos sc tevantaram, c tcndo as cspadas tinas em p¿, ' 
disseram ; Nái lomos litrci , naiso rci i lirre , notiat 
mSof ncu liberítíram . e o imhor gue tal conienlir morra , 
e te fOr rei% nao reine, ma* perea o miiliorio. E o se- 
nbor reí se letantou coia ■ carea na calieca , e espada 
iHia na mao , e fallou a tiicios : ■ Vós sabeis muilo bem 

■ quanlas balalbas tcnho Ceitas pnr vossa libcrdade , sois 

■ d'isto boas tcstemunhos , e o 6 tarobcm mcu bra;o , o 

■ n|iada ; se algucm lal cousa coDScnlir, morra pelo 

■ mesmo caso ; c se Tor filho meu , nu ncto , nao rcine. » 
B disseram todos : Boa palavra. Morra. Eí-reí , « for 
tal que contifiía eta domitiio alheio , nSo reine. E el-rei 
outra vcK t « Ani st fa^a. • 



nvGoogli: 



92 

[II4S) t)> Airunso, já scguro do poder de Lcáoi 
abrc a cain¡>nnha contra os sarracenos , e a 4 de feve' 
rciro toma Lciria. 

{1H6) EI-reL recebe em casamento D. Marald» , 
Tilha dc Aroadco ni, coude dc Saboia'-Moriana. 

( Ui7 ) A fürle-praífl de Santarcm vae a cair cm po* 
dcr di)s porlngiiei^es. D. AfToiiso sác de Coimbra com 
poucos , pms esrorcados cavalleiros , e a praga é loma- 
da a'8 dc maío. SimiUiaDte fcilo d'armas nao quÍE el'' 
[ci quc Hcasse sem racmoria , e para o perpetuar funda 
o iDagnilico mosleiro de Alcoba^a , e iostiluc a ordcm 
mililar de S. Miguel. 

A toinada de Sanurem segne-Ee a rendl^ao de MaCra , 
« do furle caslcllo de Cintra. 

( 1147 ) Já da Estremadura nao restava a conquislar 
mflis do que n forte Lisboa , porque Lciria, Ourcm , 
Sanlarcm , Obidos c Cinira . quc cram , e ainda siio a 
p^'íncípal tinha dc defcsa dc Lisboa, já cram dns por- 
Lugiicics , c por isso a rcndi^ñn cra infallivcl , com dif' - 
ferenca dc mais ou menos lempo- 

Na scrra de Cinlra mcdildva D. AfTonso nos meios 
quc linba para abbreviar csta eslupcnda cmprcza , quan^ 
do sc Ihc apprcscnta á sua visla uma armada com gen- 
tcs dit norlc , c qiic navcgavam para a Palcslina. A ar- 
mada vinba acossada dus clemenlos, e trazia a bordo 
quatorzc rail inglczes , allcmaes c francezcs , commao' 
dadus pelo duque da Normandia, chamndo Guilherme 
da l.onga Espada. El-rci Ihcs roga quciram auxilinl-o 
na (omada dc Lisboa , e cllcs acccitam. Dcpois de re- 
fcitns dos dcslroíos do lempo, paricm para o Tejo. 
. Em qnanlo os porluguczes aperlavam o cérco pelo 
lado orienlai, os alliaijos fnziam outro laiilo pcli> lado 
occidcnlal. agseüio durou cinco oieies. Deram'Ss 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



«5 

kS»ltOs espantosos * e cwiabates horrivets , até qne , a 
85 de ouLubro , o castello é levado <!e assalto pelM 
portugueies , sendo Martim Monix o pTÍmeire que íih 
trepidameDte avaDga á^^iorta , e se atra?essa n'ella f*- 
TA ,mais se uáo^ íechar , sem qoe ^r ella tenba entrido 
e esercilo portüguei , o que se eR«ctua por cime do 
corpo do.beiue. Beguiu-^e a coBilMte m>is deseiperado 
denlro do castello e cidade; porém em poticas horu 
já as Quínas de üurique tremulararo aonde aÍDda ha 
pguco se viam orgiilbosas as meías luas oltomaqai. 

A caDqiiista de Lisboa fac tremer as pra^as mourlscas 
d'além do Tejo. EUrei passa o Tejo , e reode Almada. 

Em memoria da tomada do Lisboá , instituiu a or- 
dem mililar de Avis , e fundou o grande convento de S. 
Vicente dc Fóra em Lisboa. A cadeíra episcopal de Lis- 
boB é restabclecida , e uomeado bispo Gilberto , ioglet. 

( li57 ) Alcacer do Sal rende-se, N'este mesmo au- 
Do morre em Coimbra a rainha D. Uafalda, e iaz em 
Santa Cru(, 

( jl62) Fcrnao Goncatves tama Bej'a pór um estra- 
tagemat mesmo fas o famoso Giraldo sem Pavor , que 
toma Evora em 1166 , e d'esta sorte' expipu os delictos 
passadQs. A lomada de Evora obriga as pra;as de Evo- 
ra Uonte , Scrpa , Mnura , _e Cczimbra a render-se. 

(1166) rei, com sessenta larjceiros, marchou a 
recoDhecer a forte praca de Pulmelja , qoe ainda se sus- 
len[ava> quando se eucaDlra com o rei.mouro de Bada- 
ioi, que com sessenla mil infanles e qHatro rail caval- 
los vinha em soccorro dc Cczinibra , náo sabcndo da sua 
'eoditao. Os mooros marchavam em desurdem • e c1- 
'ei , vefido esla , os ataca 'láo vigoroBamentc , que em 
ireve a vicloría é dos potlugue^es, Palmella , sem pti- 
:r soccorrida, rende-sc. 



0,i,-f-n,CoOylc 



V - 3* 

( 1175 ] A. otiém milÍUr áv Siinti«g« i IdMdttxfdi 
•m Porlt¿Bl , e em 1179 reeebe D. Affouo i a ottrM 
resl iñt «tos do osrdeai Albirbt , nutidada ptlo papa 
AlCxaridre in. >. 

DemsHfMl etitre él-rel de PorMgal e mu g«ro , o 
r«i de LeSo , btem.oom qne estes neiMirchas reeorra» 
ét armat. D. áXum i tiilra em Galliia , toiaa algmna* 
|Wa^ds , e , coFn»id« para o sal , vae dar sobre os Uon- 
ros em Badajt» , tomando esta prai;«. DnrBDie esta canH 
panha , M iWm acompBnbado paV sen &)bo , o prioci- 
■pt D. Sancbo , qaal bh baulba de Arganhol se poriod 
bÍBarrMieiMe. 

D. FeriURdo stgnn o rei de Poflitgial , e qMndo este 
nafa da pra'^a para receber o de Leáo , qtiebron ttna per- 
na fto fcrrolho da porta, e Beoa pisioneiro. Vm des* 
bSIi^ siiDÍIhante ht com que Portcgal restitoa aa pr»- 
^n conqaístadas em trdco da liberdade do monarcba. 

( 1 18i ) E«U ÍBfelicidade aoonteeida a el-ref JAna ídB- 
de de setenta annos , anímaD a AlbOjaque , r»i de So* 
TÍlha , a Inndir PortngBl. 

Coffl poderoso exercito Ttia o mouro evrcar el-rel 

, ént SaOiarett. O ref de Leáo , ao aaber do perigo do mo- 

nafcfaa portngvea , fiorre «m sen aniilto ; porém , qaan- 

do chegB , j¿ fi. AiToDso titüu tefdo dk pri^ , e 4ei» 

fvudo os fn«asores. 

O prineipe D. Sancbo ífeg*e os ínflforeB, e mm^ 
sobre Sevilha , «únde as BCdtBs cbristas dío eram visUs 
desde a perda da HMpanba. priucipe vé-ae oppríMi- 
do pela foTfa nafneTÍea dos manros ; porém o nlor dos 
portuguetes Bh»n;a aaia ^ande Tiotoría , lendo ovtuiH 
daru de Srrtlba arrasudo , e M nioiirog pattoa tna cot^ 
p).eu foga , etttrando <n nOasol de enrolta coM etle* tm 
TriBoa. 



0,i,-f-n,CoOylc 



» 

M« i»MQo tenpo rei usttra de V«1eo(a toi dar 
xAre PorLo dc Mui- D- Fuas BoupinlHi , govcrnidor ám 
pnq* , em breve desbaraU inimigo. e lívra a pra;a. 

(1184 ) D. Fuas, já conhecido como genera) em ter- 
ra , tsan comiMDda da primeir* fnits portDgoeia , 
com que derrota os tiHiuros desde s cotla de Lisboa 
alé ao Algarre. I'oiicob snDOB depois mgiTe D. fuas 
em outro combate nsva]. 

(1185) O HiraKwlito, imperadwr de Harrocos, 
Kompatihada ds Irtae reis e nuflKrosa eiercito , lem 
áP«)tiuula ving» a afTptatideSeviliia, ecércaoprii^ 
cipe em Seutarem. £l-rei reccbe esta noticia em Coíb> 
bra , e logo , a marckas ibr^as , vae em soccorro do 
Glho e da praca , que ha cinca diai faiia leDai resi»' 
tencia mi conlinuoi asíalloi dos InvBsores. D. Affonso 
apparece i vista dó Inimígo , e « 10 de julho ataci oS 
mouros. príncipe lambem sde da pra;a , e oa mmiros. 
lao envolf idos « eomplelamente derretados , morrAido 
v^nos reís , estre etles Hiramolim. 

Foi esta a altiDU facanba do bravo r«f ^e fuodoa 
QBi reinft, gaBhando cada palino de terra a trdeo da 
sangue , e abateu a arroganeia de triDta e seis reis mOtt- 
ros , que Tunflou • reediflcou as villas de Almada , Villa 
friBC», Vllla Verde, Arruda , Aiambuja , a oulres 
nniilas , e cento e cínceenta mosLeiroa. 

D'entre os mailos beroes qae foram companbeiros 
das fjlorins do monareha roerece distincto logar Gan- 
Qallo Hcndes da Haia , ehama^o o lÁiador , pelas con- 
linMs correrias que fasia ao paíi inimigo , n'uiaa daa 
qtiaes raorrev , ganhaiMÍo flina grande vietoria. 
■ Csrregado d» ttivmpfaos adqníridos eui cÍacocDta e 
leie «DDoc de goferne, seado d'estes qvarent^ eom» 
tei, BOrre.el-»i D. Affas»a i em Coimbra ■ 6 do 



I. Coo^ílc 



deEcmbro de 1165 , na idade de setenU e nis siinM , 
pois qne linba nascido em Gaimaráeí a 25 de Julbo-d« 
1109. Jai em Santa Croi de Coimbra. 

. SiNHOK D. SnrcHO i [ Potoidok } 2." Rn. 

( 1186 ) Por morte de D. Affonso t é ecclamado rei 
seu Albo o principe D. Sancho , tendo já (rlnla annos 
de idade , e muita gloria adquirída. 

Os mouros cstaTam qaielos , e el-rei , em logar de 
faier guerra , tratava de caltivar os campos , reparar as 
pra^as , de povoar os logares , e de eariqaecer o reíno 
pela agricultars , merecendo o cognome de Agrieota , 
Poroador , e Poi da Patria. Dotoa cora liberalidade as 
ordens militares de 6. Joao de Jerusalem ( UalU ] , do 
Templo , e de Santiago , e a grande númeto de igrejai 
e hospiUes. 

{ 1188) Saladino bavia conqnistado Jerasalem, e os 
cruiadas se preparavam para a resUurar. papa \}r^ 
baao iii convidou el-reí D. Sancho para esU empreza ; 
porém povo pDrtnguet náo deixa ir o rei. Este, estl- 
mulado, declara guerra aos mouros , e logo in*ade a 
Andatuzia , ganhando algamas vanUgens. 

{1189] Cbegou a Lisboa ama armada de crniados 
do norle. El^ei Ibes rogon que , antes de passarem á 
Syria , o ajudassem a conqaistar o AlgarTe. 

A cidade de Silv^s foi posta em assedio, e depois de 
longos combates foi toiuada. D. Sancho cedeu todo o 
despojo aos alliados , reserrando para si a cidade para 
n'ella reslabeleccr a cadeira episcopal, que oolr'ora 
rsLívera Ha anliga Ossonoba. Ootras poToa^Qes do lito- 
nl do Algarve tem a mesma sorte de Silves , e o rci de 
Vortagal ajuuU ao seu titulo do rei do Algtnre. 



0,i,-f-n,CoOylc- 



37 

(lldl) A Boticia da tomada de Silteg eiaspera o 
inperadar de Uarrocos. Este se prepara para Tecm- 
quistar a cidade perdida , e nianda aos reís'de CordO' 
Ta e de Sevilha ordem para se Ibe reaiiirein. 

Miramolim com o seu formidavel exercilo , di*idí)lD 
em tres grandes corpos, entra por Portugal. O reino 
achava-se enfraquecido por uma graode fome e peste , 
e por esla causa a resislencia aos inVasores for froo» , 
dando logar a que a sua sudacia erescesse a ponlo de 
assediarem Tbomar e Torrés Noras , que , pros:imas a 
eair em poder dos reis de Sevilba e de Cordofa , foram 
livres pelos esfor^s do principe D. ARbuso. Esta de^ 
grafada invasáo deu novamente aos mouros a posse do 
Algarve e d'outras pra^as do Alemtejo , entre ellas A>- 
cacer do Sal. D. Sancho deixsu o lítulo de rei do Al- 
garve , que tres annos antes havia tomado. 

( 1 198 ) Desaven^as entre T^eao e Forlugal obrigaran 
D. Sancho a invadir de mio armada aqnelle reino , e a 
cidade de Tuy , e outras pra^as ficam por algum len>- 
po em poder dos portngueies. Uorte da rainba D. Dut- 
ee{íl99). 

( 1200 ) Um eelipse total converten em nocte escura a 
maior parle do dia , e uma grande fome ainigÍQ o rei- 
no.. Elvas , que ainda ge conservava em poder dos mo»- 
ro», rende-se, sendo esta a ultima victoría que as ar- 
nias portngueias 'gaDharam no reinado de D. Sanobo t. 

( 1201 ] principe D. AITonso casa com D. Urraca, 
filha de D. AfTonso ii de Leao. 

( 1211 ) Et-rei D. Sancho i gOTernon o reino vinte e 

leis annos , « a pesar da sua grandc liLeralidade com 

* os pobres e com as ordens; dis grandes despecas que 

fei nas fundatoes ou rbedifica;oés da cidade da Guar- 

di , e d« Tillas 4« Moole I*6r , VaU'^a > Covilha , • 



.o.ílc 



38 

PeaaRiBGor , déicoQ avultadn rtqntiM {Mr lui mbrta , 
^e aconteceu «m Coimbra a 27 áa aarfo <te 1211 , 
conlflBdo cincoenta e seíe annos de idade, poia que 
havta nasctdo a 11 de jiovenbro de 1194. Ji^ eai Saii~ 
ta CniE de Coímbra. 

Senhob D. Affonso ii ( Gobdo ] 3," Rei. 

(1311) A mortflde D. Sanefao i eteioaao tbrono leo 
filho prÍQcipe D. Afibnso, tendo já de idade Tintc e 
Beii 101109. 

D. AITonso era breve leve grandes deMTen;9B com 
seus ircniioi por cattsa das riqueiag que deitoo sea p»i , 
obngando o infante D. Femando a fogir para Caslella . 
e a D. Pedro para Hárrocos; Sius irtnis tÍTenoi de se 
detbnder d'elle nos seus caslctlos, e pedir aaillfa ao 
rei de Leáo , e eo papi. Este acndiu com cerisuras; 
«qnelle cOm um etercito, Tal escand^o fea perder mi>i>- 
■to 4'oDlras boas qualidadei do menarcba. 

Legou a villa dc .^ís aos eavallciros d'eala ordein , 
con*ocou corles para Cnimbra , faiendo n'ellas novas 
íeis , efundou a ordem dos prégadores , ou de S. Do> 
mingos. 

( 1212 ) Hahomet it projecta a conquisla da Hespa* 
aha , e poe cm movimento om exercilo regpeitave}. 
perigo commum traz a aniSo aos priocipes christaas da 
Hespaoha. 

As desordens em qae PortDgal aiiida ee via envolvi- 
do foram a causa de qtie o monarcha perlngnei lúio 
CMse em pessoa com o sen exercíto para Castella , aende • 
«'P^r'íro era grande ; porém.mandou eseolhidos HHda- 
dos , aos quaes te deve prÍRcÍpalmoDte a «éiebre yicto< 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



tfa 4h NitTU 4e Tolow . Hf» cHiipl«UiMot« Amüiúii 
« plino* de ihboeaet. 

( 1317 ) O iAguie e ama grfait parte ^o Alenteja 
aínda se coaser*»*affl em opd«r <toi «gBreMf. ^te esla- 
do era de impaeiracia para o moiiareba. 

X'ealt teinpo ^porioa 00 Tejo uw tivutit de cnw- 
dos, O bispo de Lisboa , D. Sueiro , coin «s oaTvUeinu 
das ordens , os coiivíd*arBm a aDxilial-os na tomada de 
Alcacer. Vinte*rail pffrtpfqewi e o» allíadoi BMrBliam 
aobre aquella pra^a , aonde os cercados íizeram tanU 
mHi(«ncia. que deratn lempo a wrem «oecorridi» pelos 
reis de CQrdoj». Jaen, Beiiifaa, e Sadajos. 

O animoso bisi>o nao desanirna. Os assallos á pra(« e w 
Cdmbalea aot Boares «usiliadorM üo freqaeBtei, alé 
qae , donvlados.todos , Alcacer M.repde ás «osn» vmS' 
. O» reis dAfroUtioa em AlcRcer recebem reIbr;oi , « 
oeream El*ai| pcwém el-rei em pesM* os ia« it«car, 
9 .oB darroU em frente d' Elias . Monra , gerpa , p wp- 
eorre esUs pm;as. 

( 1219 ] Cinco religioiQi fraiicísauaa sio fUOdedos 
«m jnisMo a UárrooM por S. Fraocisce d'As<i«, ■onde 
MSKraa o martfrio, sendo degollados pela proprin 
Bño á» rei. tntnile J>, Pedro, .qae ali Ae «cbava, 
ounda Rs .reKqtiiu dos saUtos .niartfr«s paia f (KMigal , 
C:»c eaoserran em SanU Cruz de Coimb». 

.Uina parU do clero esUva fallo de digeif^lin) . e «»t* . 
Mlttdo , QM dava serios «iiidadtts « *lTr«i , r* clamajr» 
Diedidas Tigonuas para conUr 01 ntdo^, £gtrf defSg"- 
ram as «onan , represcqUDd» ao Sanlo PjiMp qne el- 
rei os qiMria «ibulbar ds HOa dinitea; {lor^ Hob^ 
liom penen Umpo foí <il)od)do . «(■sdbíi) Í9 jiltol re- 
clama^oes dtaMMrchi .fOrtHgMs , .« jiío .-ia ^ «^1« 
■ itwrdoUs. 



I. Coo^ílc 



■ « ■Bi • tm 1S90. 



m CMirin a 33 de abñi «e 1186. 
Íl«Tm ■! MMBa ci4ad« a ^ dc I 
idadí dc triMB e «iU ai 
Ihcr IM mastún dc Alc*tMa. 

O tewm D. Smaa ■ ;0 Cimn } 4.' Kn. 

f 1923 ) A MOrte de D. JUfmia n (4c««a ao thnM sea 
Clho e pñBCÍpa D. SuKbo~, trado viate e oa anos do 

O noTo rei s^ne maa politíca cMoliadara , reití- 
tflindo a Hias liat , M arcclÑspo de Bnga e ao clero 
9t preJBÍcos qoe ha* i>n Mffrido ne antecedente reinado. 

[ 1235 ) deMJo de dilaUr o fcíbo o &i eolrar pdo 
Alcmlejo; e asMkra por tal fónna o poder isBaelita , 
que o papa Honorio inlbe fei honroios elo^ot. 

(12Í0) At annu portngoeus continnam a ganhar 
grandes «iclorías , e no Al^ne reDdeia CaccU , e Aya- 
natne. E*tai TÍctoríat contra os ininigos eilcnios crain 
|ir>r¿ffl neatralÍMdas pelas desordcns inteTWis que eo- 
fraqaecian o reioo. nonarcha t6 cnidan em se di' 
f erLir , uu etn ftter crna gnerra aos mooros , deisando 
qiie (etil «alfdoi goverDassen o reíno i sua Tontade ; 
fnüendi) timbem croa goerra aos poTos , lantando-lbes 
peiadi)! tributu's • e loda a qualidade de Texa;5es. 
clftro é lambcRi muíUp vesado, e rcprescnta ao papi; 
01(0 ameafa el-rci com a» censDras ecclesiasticas. 

( lílil ) N'uste amio um degradanle decreto auctorim 
Ai juleni B L'um|tfar us empregos pubticos. 

(i'H3) AMÍffl mvsmo a guerra progredia. Os nwar 

ü,o,i,-f-n,CoOylc 



ros, RprOT^itando-se óts nassis fr(iqti«us , hafíam re- 
cdbnáo El«as ; porim o eiercito portuguez de prompto 
■ f»t render. A mcsimi sorte tem Jcrumcnha , Serpa , 
Arronclies , e Uertola ; e no Algarve Aljezor , e l'av ira. 

( 1245 ) Os Talidos do monarcfaa o f.iiem receber por 
nulher a D. Hecia de'Harii. Este casatnenlo foi a des- 
p»^» de D. Sancho. pOTO, tao opprimido já , des- 
Mpera , vendo lancar-lhe mais trit)u[os arbitrariamcnle. 
Os grandes tambem mostram o éea dcsconte»(eniento 
por táo deeatinado gOTerno , e pedem o deslérro dos mi- 
nisiros. O rei Ih'o promelte: mas'a rainha fax com qne 
elle faUe ao que acabava de prometter aos rassallos. 
Os fidalgos , indignados , qaeÍKam-se ao papa , que , 
depob de difTcrentes advertencias , lanca ifñ) interdicto 
Mbre o reino. O medo decide el-rei a promelter a re- 
&niia do3 abusos; mas S. Mecia «ence de'tiovo, fa- 
lendo'com que o rei falte outra tcz á palavra. 

Os babitantes d'Entre Douro e Uinho , can^ados das 
Teiacoes da rainba . se levantam debaiio do comman- 
flo de Raimundo Viegas Porto-Carrero , e afan^am até 
Coimbra , aonde o povo se Ihes ajunla : arrebatam a rai- 
nha , e a tbo encerrar no cBStello de Onrem. O rei quer 
segair og roubadores , mas náo é ofaedecidb. A rsinha 
i condnñda a Castella , onde morre sem mais Tero 
marido. O rei nio mnda de conducta , e os grandes do 
reino tratialham na sna deposi^áo , e propoem^ em sen 
logir o ÍDtaule D. AfTaDSO, seu irmao. O papa é o pri- 
meiro que reconhece este prineipe , qoe enlao se ■ncba- 
*a em Paris , e logo psra lá caminham alguns prelados 
e DiAres a p^estar-lbe Rdelidade e submissao. A guerra 
citil comeqa j pnrém , a pesar do rci ler aioda om gran- 
partldo, abandona liido , e relira-se a Toledo, onde o 
rei de Caslella muílo bem o reccbe. 



I. Coo^ílc 



4> 

( 1346 ] Cbef oa o ÍDfimte ragenlewnSieoto DOQiaa* 
áo , e acceite por comtnui» CQnseatimeitto doB Tres Es« 
lados do ReÍQO. Totna iago conta do goTemo d« feiooí 

. porém algaos vassaltos fieis ao rei recusam ebedeeetv 
Ihe. 

D. FerBando, rei de Castella, reune am e»rcii« 
para ioTadÍr Portugal , e restabfllecer a aDctoridaile da 
iBonarcha ; porém . apenat o» generaes caslelbaDO» pi- 
sam Bs ribeiras de cima Cda , os preladot porlngiKte» 
Ifaes intimain as censnras e deeretos ponliGcios «ontra 
fls que einbara;asseDt a regencia de D. ArToosa. Os cas* 
telhanos desistem da empreza ; e ^-rei D. Sancho >• 

- rctira a Tolcdo , onde , todo entregue a oht3.% pias , aca- 
bou seas dias a 4 de junbo de 1248, tendo quareol» 
e seís annos de idade , e vínte e citice de goverao , poU 
que. comCQOD a reinar a 25 de margo án 1223. S*i m 
capella dos reis , por elle .fDndada m sé át Toledo. 

O Sbrbos D. ArFO.-no m' ( Soiomkz ) 5.* En. 

( 1248 ) A pesar das bnllas do papa , que esbolhavcin 
da soberanía a D. Sancho ii . e da decfsáo das eortcs , 
que depozcram o rei. em 1245 , e entregvrsm o forer- 
no do reino a seu irmio D. AfFonso , de qwe tDmeii posso 
em 1246 , Tassallos Kdelissimos hopve , qne biÚ> rcco* 
nheceram a Tiolencia feila ao infaliz monarcfaa , dMdo 
occasiio a que o ÍBfiinte regente slliaese algnmts pror 
fss , qoe só reconheciam a auctoridade dn ret. Hoftim 
de Prettas , go*ernador dc Coimbra , e Fermiido í>b« 
cbeeo . alcaide mór de Celorico da Beira ,' fhafM lal 
resistencÍB ao jafante . qoe este nio <n pMo «■ieitM'^ 
* ló depois da morte d'el-ret , ■noeedida a 4 d^ Jimbo 
de 1248, é qne oa doú bemi aaroswtB m pnfM 



-qW'O mútiarclui lurvia oonfiado á sna Ailat[da4«. Uitr- 
tim de Freitas qaiz por sna pessoa certilicar-se da.moik- 
<e da rei , indo para isso a Toledo , aonde sobre o ca- 
darer de 0. Sancho ii depositoii as chavej de Coimbra , 
dando por lcrmiiiada a sua miuáo. Entio prestou preito 
« hcHnenagem a D. Affooso ia , rei e tuccessoc legilimo 
de seu irinio D. Sancfao n. 

<0 rei de CastellB , que tentava b conquiila de Seri- 
Iba , pede auxflio a Porlugal. Aíronso ui Ihe reaoda um 
nercMo is ordens do mestrc de Santiago , D. Paío Pe>- 
Ks CorreÍB , e de Martifn Femandes. üauifliodos por^ 
togDozes foi tio eflieaz , qoe a cidode foi tomada , e o~ 
nideCastelladeo o go«ernod'ellaa HarlimFernBiides. 

( 1249 ) Affanso in iavade o reiua do Atgarre , le- 
vaodo n'eeta expedi^o o grande D. Paio Peres Cor- 
reia. As arinas portngueias foram liio feliies , que n* 
oano s^uinte já os mouros e a scu chefe Abeo Maffo li- 
nbam do todo sido eipulsas d'iquelle rcino ( 1259). 

Conqnistado o Algarve, e expulgp o roouro Abes 
Maffo , passou este á Andaliuia , e renuncion no infai>- 
te D. AffoiTso , filbo de S. Fernando , todo o direito quc 
tinha áqnelle paiz , renáncia queo infanle acceitou en 
cambio da vílla dc Nieba e seu districtp. 

( 1253 ) Deiejava Affonso m alongar o reino pela An- 
daluzia , e logn ali vae atacar os mouras , e Ilics toma 
algumas praigas. Affomo i., que já reinafa em Castella , 
inejoso doa Iriumphas dos portugoezes , nio só se iip- 
pñe i cantinuafüo das conquistas na Andaluiia, mas 
ÍDfenla assenhoriar-se do Algarve , debaixo do preteilo 
da renáiicía feili prio mouro. Esta desaven^ entrc os 
doís TOODBrchas terminoD cora o casam^to de D. Bri. 
tes, Glha bastarda do rei castclhano, ficando Afionso 
m con q ptM e liliMo de tm áo Alt^rfe , e cedqndo a 



I- Coo^ílc 



u 

sen sogro os rendimenlos 'das terras tÁmeOte em •aa 
vida. 

TrI casamenlo era nulto , porque D. AfTonso ni estt- 
va lcgitimamente casado com a condetsa de Bolunba 
Malhilde , que deixou em FranQa , quando veiu gover- 
nar Portugal como regcnte. Hathilde e o rei de Frat»- 
i;a queixám-se ao papa d'esta acQao indigna do rei de 
Portugal , e o pontillce langa a D. Alfonso c ao reíno 
as censuras da Igreja. Estas Irouiteram gravissimas de*- 
ordens ao reino , qiie sá temiÍDaram por morte da pri- 
meira e legftima mulher d'el-rei. Os prelados portu- 
guezes pediram ao pspa quizesse dispensar el-rei para 
com segundo matrimonio ; tudo coDcedeu Urbano iT , 
sendo legitimado o inrinie D. Diniz , que já havia na»- 
cido, e sendo'ainda Tiva Uathilde. Assim leiaitada a 
censura , entroo a Dfdem e rcino a llorecer. 

(1264) Os mniiros em guerra com Castella inradem 
ai terras da AndalUKÍa . e AfTonso x pede soecorro « 
seu genro , qtic promplo Ihe manda um eicelleote au- 
xf lio de tropas escolbidas , com as quaes obstou ao pr»- 
gresso dos invasores, O rei de Castella, agradccido a 
,táo graode servigo, cede do direilo do uso fruclo do 
Algarve, reservando unicamente o díreito do «oxUm 
de cincoenta lan^as em sna vida , e qaando d'ellas pre- 

Tal sujei^ao dorau poaco , porque no anno segDÍnte 
o inlante D. Dinix foi com maitas tropas em soccorru 
de seu avd , pe1n qne foi de lodo abolido o obrigalire 
contingente (iaS7 ). 

O reino estava soce^do e fforescente ; porém dcsín- 

telligencias enlre el-rei e o clero Irooxeram novamenle 

'"""''"'cóea ao paii. clero , venJo-se opprímido pelo 

represenla para Roma , e dá logar i» ceif 



*5 

eatai dos papas Clémenle ir , Gregorio x , e loSo n , 
ou m. Kl-rei mostrou qnerer ceder, e «ijeil3r-»e is 
ttetermiiui^óes da saati sé , e o moslroo por gna morte. 
D. AfTonso ni Kavemou o reino trinta e doíg annos, 
rBEendo boBs leis , vendo floreccr a justi^a , ■ agricnl- 
tara e a commercio , e alimpando o reino de facínoro- 
Ms: estabeleceu muitas feiras ,' entre ellas a da CoTÍ- 
]hi ; fundou os conrentos de S. Domingos de Lisboa e 
de Élvas, e o de Santa Clara de Santarem. Havia nas- 
cido em Coimlira a S de maio de 1210, Horreu em 
Lisboa a 16 de fevereiro de 1279 na.idade de sessenta 
e Bove annos. }m uo mosleiro de Atcoba^a. 

O Skhhdb D- DiNU I ( O LiTiiDoi ) 6.* Bn. 

(1279) Por morte d'el-rei D. Afibnso nt sabEa ao 
Hirono o principe D. Dinit seo fillio, contando ponco 
inais de 17 annog de idade. Govemon o novo rei o rci- 
no conjunctamente rom sua ináe, a rainba D. firiles, 
alé completar og deioíto annos de sua idade, 

Teve D. Dinii nma mui illustrida educai^, a que 
sobre tudo se deve a grande prosperidade do reino no 
scu governo. 

Conforme os bons costumes d'aquelles tcmpog , el-rei 
Toi faier a visila ao reino , principiando pelo Alemtejo , 
scsuiudo para a Beira e Eslrcmadura , f;uardando as 
outras proviticias para o scguinte anno ( 1280 ). N'csla' 
dtgressao eiterminou do reino toda a gente facinorosa 
e perlurbadora do socégo púMico , supprinliu os ex- 
cessos dos grandes conlra os peqnenos , deu grandes 
privilegios ai» lavradoros , a qiie cbamava oa nercot da 

[ 1282 } Estwdo el'Cei «m Trancoso , ali recebeu por 



o,i,-f-n,Googlc 



»» 

nnHier a D. tnbel , inhnt» d'Aregio , que depbii lui 
Santa Isabel , raÍDha^e Portugal. 

( I2B7 ) Entre o reí e o infanle D. AeFonao , seu ir- 
mao , se susciton uma s¿ria desaveo^a , que a linal ji 
e infante nño se coDteBtava com menos úo qne a coroa 
p*ra fii, siib pretexto de que D. Dinii h»TÍa ■aicido 
antes do casamenlo de D. ARbnso e D. Brites estarle- 
giltmada. Ei-rei cercou o inrantc em ATruticbes , po> 
rém lodo se compoz por interrerencia da rsinha. 

( 1288 ) N'esteanoo coDseguiu elTei ■ separa;lo da 
ordem militar de Santiago da sujei^io a Casbella , e 
tambem fundou em Lisboa a priraelra uuíversidade (|Bfl 
houTe no roino, onde comegarsm oa estudos poblicM 
com grande frueio e ■ecciu^áo. 

( 129S ) rei de Castella com injustas preten^oes en* 
Ira Bléivosnmente rm Forlugal ; porém el'rci ti. Dinii 
logo Ihe rebale similbanle audacia , nao só eipnlsanda 
03 caslelhanoB do reino , como seguindo-os por GaGtalla 
denUo I abrasaiido-lbeg as praviucias da Estremadura e 
Castcila Vclha. Ao mesmo tempo que os exercitos em 
terra ganfaavam tio graodes vanlsgens , os nossos almi- 
raBles apneioaaviRi nos máres as galés de Castella. 

[ 1279 ) Üs castelhanos , assim derrotados , pedem a 
paz. El-rei a coaeedoi pórim cwn gnndes vantageiis 
para Portagal. 

( 1303 ) N'este anno morre D. Brites , rainba , viu- 
va de D. Affonso iif. 

( 1304 ) rei de Castella , em guerra com os moiiros . 
pt^diu'algum auxilio a Portugal. D. Dinii manda a seu 
gcnro cem mil cruKados para as despezas da guerra , e 
muiia gente paga i¡ sua cusla. Se o auillio de Iropas 
foi importante , náo o foi menos o pecuniario , qae era 
fOBiDfa )iT«ludissÍBM pflfa tquelle» t«ia^, 



s„,-^-n,Co!.iylc 



(iSOS) Vendo «Í-Ki qiie É pmfSéM iiitT«nM«de d* 
Lisbaa nao prospeniTa pelas distrac<¡oea da corU , m- 
denou a sua transferencía para Coimbra , onde a eit»- 
belecen com mais largas dimeosoes e profeito geral. 

O principe D. Affonso celebra em Lisboa com grands 
ponipa d EGU casameUlo com a infanla D. Brites , filha 
d'cl-rei de CasteÜa. 

■ ( 1319 ) Á ordem milílar dos Templarios foi nnÍTei» 
salmenie cttíncta. EI~ret, com os bens qoe estes c^ 
Talleiros tinham em Porlugal , fnstitaia a ordem Bilí- 
tar de Chrislo. 

Notava-se qae o principe D. Affonso , desde qne ea> 
sára , e separára sua casa e goTcnio , data n'ella en- 
trada a bomens estragados , faiendo capricho de os aii>- 
parar; e dando-se todo ao exercicio da ea^a , tomaTa 
por officio que só devéra ser passatempo para certas 
occflsíoes. 

Advertido de taes desvarios , o pñnclpe , naturalmen'* 
le aspero , concebe vingan^a e odio aos seus, e ciosodo 
gOTerno e do atfecto que el'-rei seu pae tinfaa a O. Af- 
fbnso Sancbes , seu irnño , Ian;a mao das armas con- 
tra sen pae. A rai¿ha metle-se de permelo , e Dos subur- 
bios de Lisboa , no meio do combate , salpicada de san- 
gue, eonscgue a santa rainha cfaegar a sen fillw, « 
Satei'O entrar na obediencia no rei , e ao pae. 

£l-re¡ D. Diuit gOTcrooti o reino qoarcnta e seis an- 
nos, aniraando a agricuUura, as artes, e as sciencias; 
fnodoa varios conventos , e quarenta e qnatro cidades 
e Tillas ; e assim , dispendendo tanto . aínda deiiou por 
lua mortc grandes riquexas. Morreu em Santarem aos 
7 de Janeiro dc 132S com sessenta e qiiatro annos de 
idade. BaTÍa nascido em Lisboa a 9 de onUibro de 1261. 
Jai no mosteÍTO de OdÍTellat. 



♦8 

n (0 AuTo) 7.*Rit. 

. ( 1335 ) A npvrte d'elrrei D. Dinii eleToti ao throno 
sea filho o prÍDCipe D. AffoiuD, lendo quasi trinU e 
qaafro aoDos de idade. 

D. Afronso iT pegou no sc«plro com tal aspereu . 
que fei com que Íhe dessem o nome de Bravo. 

O ezercicio da ca{¡a linha^ tornBdo ero D. AfToiiso , 
en qoanto principe , nm'vícÍQ ; dcpois de rei , deixaTa 
contiiiuameQte os negocioB do eitado , para se occupar 
no aeu divertimento faforílo. N'uma d'egtas ca<¡adas se. 
demoroa el-cei am met ,, e quando recolhen á corte , 
Ifigo os aeui ministro^ Ihe aDnunciaram a necessidade 
de um conselbo. Eslando pciis él-rei em conaelho , co- 
necou a relatar a grande qoantidade de animaes que 
tÍDha morto; porém oa conselheiros fleis o interronN 
pem , a com liberdade , mas respeitosamente , Ibe di> 
xem : « Senbor , nao é assim que se govema o reioo ; 
Heua nao tos tomará conta das feras qne foram mortas 
na ca;ada , porém sim do hom governo qae fizerdes ao 
vússo poTO : i precÍM ter mais cuidado nos negoiiiofl 
puhlicos, genao. ... b &nao jWe?perguDtoo o rei ira- 
do. R Faremos oulro rei , que nos gOTeme melhor. v 
El-rei , advertido assim pelos Tassallos , emendoa-se. 

odio .que o rei tinha a seu irmao D. Affonso San- 
ches se atÍQÓu mais com o poder. Usou de calúmDÍa 
indigna da magestade, toniou-lhe os bens, e o obrí- 
gon a abacdonar o reino. inrante retira-se a Castella , 
onde era bem Tisto, e alcani^Ddb ali um esercito, 
marcha , nao contra Portugal , mas contra o irmao íih 
justo. D- Affonso it se Ibe oppóe á infasao, e arrasa 
caslello de Albaqoerqoe , qae perteacia ao ÍDrante. 
£s(e retjra para Cailella. . 



I. Coo^ílc 



w 

' (DSS') fistara el-fei lirTe de sen irmao; porém ti- 
abt Dens laDt^ado inao d'outro iDstruraento para casti* 
gir'as saas fáltas. principe D. Pedro foi o escolfaido. 

Graves desÍRtelligencias se travarani entre o monar* 
Cba poTto^úez e o castelhano , poT cansa dos casaraen* 
los dos prÍDcipes , e tlos máos tratamentbs qoe o de Cas- 
teila dava á rainha sua mulher , que era filba do rel 
pu-lDguei. Os dors monarchas lan^ám mao das arms. 
Os portugiieKes invadeni a Andaluzia até ScTilfaa, e a 
Galliza simultaneamente. A ofostinagSo de ambos os la- 
dos era tal , que desprezaram as admoesla^oes do pap«. ' 
Os nossos rendíam muitas galés rnimigas ; porém logo 
perderam nma gTande batalba naTal no Cabo de S. Vi- 
renle. D. Affonso iv de^pica csta afTronta invadindo de»- . 
■piedadamente a GallÍEa. rei de Oastella faz o mes- 
mo au Algarve ; porém vendt) que nada assim consegue , 
cedeu , promellendo a sen sogro'tralar bem a rainha , 
e deíxou vir D. Conslanqa para casar com o prÍQcípe 
D. Pedro. 

(1338) A. nnÍTersidade é Irabsfenilá de. Coimbra 
para Lisboa , em razio de n'aqaelle tempa estar a corte 
n'aquella cidade , o que muito prejudicara os estudoi' 
Bcademicos. 

Casamento do principé D. Pedro com D. Constan^a , 
BlhadoduquedePenafíel, marqueide Vilhena ( 13403. 

( 1340 ) Alli Boacem , iinperador de Harrocos , con- 
jnrado' com o rei mooro de Granada , amea^a a Hespa- 
nha com uma ruina igiiar i da prlmeira inTasao. Para 
1*1 fim havia elle congregado os habitantes de Africa e ' 
da Asía , e com exercito ha muitos tempos assim dIo 
Tisto passa a Bespanha. 

reí de Castella manda sua filba a Portugal expor a 
sea pae o grande perigb commum. A rainha chega a 
4 • ' 

■ ''Cooylc 



STora , onde « e«te estan , e £ all roccUda dwfanw 
o reqneña a ina alla posi;So. D. Aflbnso n váe encon- 
. trar-se eom len genro em OIÍTen^a , e ali se combi- 
nam nos meios para fazer a gnerr^. 

monarcba portugnez com um luiido e agnerrido 
exercito marcbl para a Castella , onde foi recebido 
como o libcrtador da Hespaoba. Em Sevilba , sobre tn- 
do , chegaram as acclama^es ao seu apogéo. 

Ós prÍDCÍpes chrístlos bzem conseibo. O rei de Cas- 
lella é de parecer , qoe se entregue a praca de Tarifa 
■os monros , sem arriscar já nma balalba , qne podia 
perder ludo ; porém o bravo rei portugnei disse : ■ Ea 
nio saf do reino para fazer aos monros guerra derenBÍ- 
Ta , qne o caso eiige mesroo que tudo se arriscasse ,' 
qne Tarífa se havia de conserfar , como se fosse a ca- 
pital da peninsula bispanica. > As dÚTÍdas cessaram. 

Nos campos de Tarifa estafa acampado nm exercito 
de maís de quinhentos mil monros, e o rioSallado foi 
leslemnnha da grande e cruenta balalba de que tomoa 
nome. 

Os inimigos , em núinero de maís de qninheolos mil * 
eslavam acampados not campos de Tarifii e margens do 
río Sallado, c a 30 de outubro de 1340 se deu a gran- 
de e crnenta batalha , qne d'aqnelle rio lomou o nome. 

rei de Portugal atacoo o de Granada pelo lado d«s 
montes ; o de Castella accommetteu o de Uarrocos pelo 
lada da agua. O cnmbate durou moitas faorai borroro- 
co , porém mararilhoso pelos actos de valor. Os porlo» 
guezes, tcndo já derrotado os de Granada, correm * 
(leslruir os de Marrocos, qne obstinados se sustenta- 
vam.'A eamageni acabou coro o dia , a TÍctoria com as 
armas christas. Os mortos e~pr¡aíoneiros subiram a graiw 
ria nümero , contando-se slguns priacipet nwuioi. ni 



,u8lo 



d« VdHsgal tó quer do ríqnlgsimo despojo — a. 
armiu immigai , cinco bmdeirtu, e o prineip» mowV 



( 1345 ) N'este anno morre a prínceia D. Conitatifi , 
iDDlber do prÍDcipe D. Pedro. 

Com D. ConslaB^a linha vindo a fonmosa D. Isdci do 
Cislró , sna dama e parenta. Horla D. Constan^a , D; 
Fedro passa clandestinamente a segondas nupcias coia 
D. Ignei , e o rei continlia a snppor TÍnro o priacípo 
MQ fllho. 

( 1354] A nniversidade toraa a ler traniferida para 
Cvinbra, e n'esta occasiio el-rei'lbe concede amplot 
privilegios. 

( 135S ] Vendo el-rei qne priocipe naoescolhÍB pHn- 
eeia fHira passar a segundas nupcias , Ibe intlma , como 
pae e rei , que o &;■. O principe recu». D. Affonsa jfi 
linha ■mpeitas do molivo qne bavia para tal recnsa. 

El-rei «ppresenta este neKocio peranle os seos con- 
selbeiros ; esles acharam que o meio mais prompto para 
resolver o problema era a morle de D. Ignei ! ! con- 
Mlho foi acolbido, e D. Affonso rr, aaclorisando BÍmi-' 
HiaDte assassinato , transfbrmou-se de rei em tyranno. 

De Monte-H6r o Velho parle el-rei para Coimbra , 
levando um apparato guerreiro , e os seus conselbeiro»- 
verdugos. Dirige-se aos pagos dc D. Ignez , e entra na 
■Ba camara. A infelir se lan^a aes pés de ses sogro 
com seos innocentes fllbos. O monaroha parece eommo- 
ñdo , e TÍe a retirar-se , qnando os conselheiros de ex' 
ecranda memorfa , os fldalftos converlidos em algoses , 
Snallnente , Alvaro GongalTes , Pedro Coetbo , DJogo 
Lopes Paeheco , qne haviam Gcado á porta , entram para 
dMtro da eamara , e tmta cair • golpes de ponlikl » 
ioMis príDCCit. - 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



D. P«4ro, ao receW a notícís da desastron mDrts 
de snB tsposa , «pcbe-se de jasta colera coDtra os auaa^ 
(inos. Lan^a inao das armas , e os povos d'Entre Doaro 
e Hialio e Trai-os-Montes foram oa que soffreram a> 
coiisequencias da deshnmaRÍdade do rei e dos tDÍnis^ 
tros , e da colera do priocípe ; porque este , leirade pela 
forga da paiilo , e em quanlo a razio nio chegon , poe 
tudo a rerro e fogo. 

( 13S7 ] D. AnoxAo IT goTemon o reino Irinta e dois 
annos , rundou alguns estabelecime'ntos pios , e reedift- 
cou a sé de Liaboa. HaTÍa oaseidg em Coímbra a 8 de 
ferereiro de 1291. Uorreu a 28 Óe maio de 1357 , oa 
idade de sessseuta e seis annos. Jaz na sé de Lisboa. 

O Senhok D. Pboro I ( O Jdsticiuio ) 8.' Bsi, 

(13S7) Mdrto el-rei D. Áffouo it, sabia ae tbrom 
Ku filfao prÍDCipe D. Pedro, tendo trii)(a''e scte ao- 
nos de idade. 

noTo roonarcba , em qaantf principe , haria pn^ 
mettido a seu pae , que perdoava aos complices da Hwr« 
ta de saa esposa ; porém apenas tomfHi as redeas do^ 
I^Terno, dii que, comobomem, podia perdoar ; porém 
agora , como rei , nao podia deisar os homicidas de D. 
-Ignez de Castro sém um exemplarissimo castigo ; ca^ 
ligu que o rei deíuDcto uao podia moralmeute dar , e 
qae ■ elle , como seu successor , fóra transmiltide Ul 
legade , a qne i> satisfazer para desaffrfmtar a justi^a. 
ofTeDdida. 

D. Pedro t de Portagal combina com D. Pedro i de 
CasteUa, para este Itae entregar os tres yerdiigos de 
princeta „ que em IfÍii^ lb« wtfegaria vtítn qae eita- > 
•Vírtogal. 

."-Coüglc 



Apeus os tret portqtnMes tfottisiadoa em CistelU' 
sooberam dos «ÍHitqs , Diogo Lopes Pubeco se mttm- 
ton. AWaro Goni^Wet e Pedro Coelbo sao presos e eoD- 
4uiidoi a Santaren , eidle el-rei tbes fas dar a morto 
mais crael , eitrabindo o cora^io a Pedro Coelho pelo 
peUo , e « Alvaro GonfalTes pelas eostas , e depois 
queimados. patibulo b«TÍt ildo letantado derroBW 
do palaeio real. 

( Í3SÍ J D. Pedro d^lara , pcraote oa graiides do rei- 
M , a Talidade do sea casanento com D. Ignei. Handa 
lirar sen corpo , qne se gnarda*a em Santa Clara ds 
Coímbra , e lodos os grandes do reino )he beijam a de»- 
carnada máo como rainha. Depois d'esta ceremonfa , a 
corpo i metlido u'uma liteira, e com o mais kuido, 
mas iDgnbre acompanhameftto , aonde se Tin el-reí, e 
todos os preladós e grandes do reino , i conduiido ao 
nesteiro d« Alcoba^, para ali' ser depositado no so- 
bertKi manieleo, já para esse fim mandado lenntsr 
pelo monarcha. Darante^ Iransito, as deieHte legoa» 
de estr^da , que corre de Coimbra a Alcoba^ , esta- 
vam cbeias de povo restido de llieto , eom tochss acoe-' 
■as , biendo atas para passar^o prestito funebre. 

O reínado de D. Pedro i tornoo-se notarerpela Ilbe- 
ralidade , e tambem pela sereridade do monarcha. Elle 
diiia que *So passtfia bem o dia em que irio pratÍcaTa 
aignma boa aci;ao. Qne queria traser as roopas bem 
Iti^as, 0$ bra^es e as aAos bem lÍTres para I>eneSclar • 
o poTOi As leis que so pubticaram durante o jea gO' 
Temo fóram dnrísglmas , assim como a sua •xecai;So , 
qse el-rei por si qneria *er a maior parte das veies. O 
poTO haTÍa-ge tomado litiglogo por oScio. Uroa leipro- 
bíbe 06 adrOgadot , que enm os que atitaTam as [mt- 
tai para hner dcmaDda*. Outr» lei ihb4« coaAscar ot 



n, Co 1.1^^1 C 



hens ao9 gugistrádM reiaei., oD.qae demoraisem M 
pleitoi. Oulra lei severa £ promolgaiia cootra o laco « 
OD contra as pessoas que o tÍDham sem podírem , e.me^ 
mo coiitra os qti& o promOTÍam , Tendeudo taes objectoi> 
a credíto. 

Foi D. Pedro i mníto inclinado ás bellss letras, á 
ipusica, e á dan^a, seodo Tisto n'estes dÍTcrtimeDtos 
muitas Tezes , nas ruas de Lisboa , em occasiao de fea- 
tas públicas. Goveniou dez annos , ajuntoa tbesoaroa 
aem oppressao albeia. Horreu em Estremoi fiS d» 
janeiro de 1367 com qDarenta e sete annos de idade. 
Havia náscido em Coimbra a Í8 de abríl de 1320. }u 
Bo mosteiro de Alcoba^a. 

' O StitHOi D. FEinimo t (0 Foukw») 9,* Rn. 

f 1367 ) A motte d'el-rei D. Pedro elcTOB ao throi» 
SCD Alho principe D. Pemaiido , tendo vinte e dois 
annoSfde idade. 

D. Fernando i achou nm reino forte , soceRado , rico , 
eoi vassallos contentes ; porém todas eslas felicidades , 
qoe a oagao gozara , em breve se dissiparam. O rei 
frouio e ÍBConstante faz fraco e ÍDConstaBte o povo qne 
'gúverna : assim acanteceu no reinad^o de D. Femando. 

( 1369 ) Uorto o rei de Castelta D. Pedro i , D. Fer< 
nando pretende aquelle reÍDo como bimeto de D. Ssd- ' 
cbo IV de Castella. D. Pedro bavia sido morto por sea 
irmáo bastardo D- Henrique , qne entio se achava de 
posse da coroa. Huitus lldalgos castelhanos reconbece- 
ram rei dc Castella a D. FerDando i de Portugal , e Ibe 
entregaram algui^as pra^as e cidades. 

rei de Portugal , para melbor expellir do throDO 
d« Caslella « Benri^ae o . ftu uoi» alliap<¡a cwn « rñ 



aMMMde firaDada , e cora el-rei d'Aragio D. Pedro t*. 
promeUcDdo D. Feroando receber em casamento a D. 
LeoDor, filha do rei aragonex. Esta allian^a com Aitf 
gio levou grandes thesouros a Porlugal. 

Abríu-se a campanha por ntar e terra. A esquadra 
poTtugueia Tie sitiar Sefilha , e o rci enlroD por Gal- 
liia ; poréni D. Henrique ein breve o Tai rclirar. N'csU 
jarnada veÍD de Gallíia Joáo Fcrpaodes Andeiro , qu« 
«lí se fei tassallo porluguei , e depoís tantos males cau- 
■on a Portngal. 

.Continuava a giierra sem nenhuma Tanlagem para Por- 
.logai , e só Incrativa para os castelhanos que milita- 
vam DQ nosso exercito , e a projectada conquisla nada 
sdranlava , até qae , par interven^ao do pipa Grego- 
rio .u , se fei o tractado de pai com Castella , que foi 
tssignado em Evora a 31 de mar^o de 1371 , estipu- 
lando-se , que el-rei S. Fernando i casaría com D. Leo- 
nor, fllha d'el-rei D. Henrique ii. El-rei D. Pedro it 
de Aragio , estimulado pelo repudio de sua filba , lan- 
{• mio daa grossas sommas qoe na sua corte eslavam 
promplas para o mallogrado casamento. 

Bem depressa D. Fernando se esquece do sen nltima 
Gonlracto de casamento ; e tendo rejeilado as duas in- 
fontas l>eonoreSf casa com D. Leonor Telles , mulher 
de D. Joao Lourcn;o da Cunba , senhor <¡e Pombeiro , 
dirorciando-a de seu marido. 

Esta cegueira do rei foi a cansa de grandes dislur- 
bios Do reÍDO. Em Lisboa tres mil pessoas armadas , a 
CQJa frente ia Fernao Vasques , alfaiate, corrernm so 
pa<^ a censnrar e1-rei por tal procedimento , indigno 
da magestadc. Fernao Vasques é préso e degoilado. 

Joao Louren^o d« Cunha passou para Caslella , d'ond* 
guerreou el-tei , já miUtando not exeicitoscaslelhBooa,. 



o,i,-f-n,Googlc 



5« 

jj procuranda dar-The s morte cob veneiHi , pehi qn* 
Ihe foram conüscados os bens , e.daijos a outros , qoe 
apoiavam os erros do rei e da rainba. 

O ÍDfante D. Diniz , fi\Uo áe D. Igoez de Castro , e 
irmao d'el-rei , nSo qaia beijar a mao á oon raÍDha , 
e passoii para Castclla. inraate foi para ísto acoDs»~ 
Ihado por Diogo Lopes Pacheco , que , nao contente de 
ter assassinado a mác, e ter-)he lirado a coroa da ca~ 
be<:a , agora perde o üJtio , porquc lal conselho Ihe taz 
perder o reÍDO, que raais tarde Ibe veiu a pert«Dcer de 
direito. Os mais principes cederam for;ados. 
■• A raioha e o seu prinieiro Talido, Joao FernBodes! 
Andeiro , eram quem dfspuBham dos negocios do ests- 
do a seu arbitrio. O povo e os nobres murmuraTam ; 
porém el(a Ian;a a lUTa , eletando o «alido i grandeza 
de üonde de Ourem. A luva fui leraDtada tarde , mas 
com repelláo tao TÍ|;oroso , que os traidores se abala- 
ram e baquearam por terra com eatrondoso estampido. 

O duque de Lencastre , filho de Duarte ui de Id;;!»- 
t«rra , era pretendente i coroa de Castella , e D. Fer- 
^ nando , que ainda ha pouco o era lanabeoi , ide agors 
alliar-se com o inglez para derrubar üeDrique u. Tudo 
ísti) era nalnral ao caracler TOluvel de D.Fefnando. 

( 1372) D. .Henrique II rcsolve invadir logo Porto- 
galv e desafTrontar-se das injúrias recebidai de D.Per- 
nando. N'esle mesmo anna nasce a princesa D. Bea- 
Ifii , que , nascendo em comí;o de guerra , parecia o 
presaRÍo das muitas, 'de que maij tarde foi a causa. 

( 1373 ] Entra o rei de Castella por Porlugal , e 
rei portuguez quer oppor-se-the , corao era d« sea 
dcTer; porÉiD bouve fidatgos que o tmpediram, acoR- 
Mlbando-lbe o contrário. Os castrihaDos sem opposifao 
•raiifaia 8ol»'e Lisboa,-iiivesl<m-Da, e tonaa-n» gmi; 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



gnvát eilt»fomis iid>3 « biendas ile sen's monAant, 
D. Henríqufl n váe alojar-se no comento de S. Frao- 
ciseo. 

■ Em quanto o rev caslelhano' tomaTa LUboa , os ReiM 

generaes assolaTsm as pminciiB d'Entre Douro e Bli- 

' nho ; porém n'eslas ainda Ihes &aíu ao cncootro Ntiiw 

GonpilveB , deiiando seu iilho no caslello de Faria. 

O bravo portugnet é prisíoneiro dos castelhanos , « 
pede a esles, que o leTem deñ-onte da castello de Fa- 
rín , ^ra díser a seu filfao quo o entregne ; e levada 
ali , ífitfma o fi[ho para nao o eolregar , ainda qne tísso 
o seu corpo feito em pedsqos. Assim acontecen. 

El-rei D- Fcrnando esta?a em Santarem muilo soce- 
gado, Tendo arder o reino por lodoa os angulos. 

O papa, coodoido de tanta.desgra^a, procnra con- 
eiiiar os dois monarcbas. e consegue uma sospentao 
d'armas. D. Benrique e D. Femando seavístamnoTejo 
defronte de Sentarem , e flcam táo encantados da gen- 
tileia e formosura nm do ontro, que logo assignam a 
paz na prescD^a do legado aposlolico, e seretirrim pirft 
as suas córles muito alegres, e elogiando-se reciproca-. 
mente. A nacáo é que ficou chorando a perda de mui- 
tos de seus filhos , e da -gua riqneza. 

Beuniio de córtes em Atouguía ( 1373 ]. 

As inquieta^oes dentro do reinonáo cessaram. A'prin- 
ewa D. Beatrix^nha estado contractada a casar com 
qaasi todos os principes dá Europa ; porém a inconstao- 
eia de seu pae rrustrava todos os ajustes. 
- infante D. Joaó , irmáo d'el-rei , mata ás punha- 
ladas sua mulher D. MariaTeltes, irmi da rainha . 
tendo esta qne induziu o infante a commetter similhaiv- 
te TÍIeca, fazendo-o.suspeitar de sua mulher ; porém o 
fiiR principal «t Císia-O com a ptioce»" D. fisatiii , >«• 



M 

Alha , pira ñSo nr nita dla lobre o throno ■ irmil quH 
aborrecit. O inranle , conhccendo a traiijia q'ae se Ihe 
armoa, passa para Caslella, ofide foi feito coDde de 
Valenca , e casou com D. Constan^a , filtia baslorda do 
rei de Castella D. Henrique ii. 

( 1379 ) ftlorto rei de Casletla D. Henrique n , « 
gnerra se renoTa entre as duas na^oes. principe , 
conde de Cambridge, irmáo do rei inglei, *em logo 
em saccorro de Portuga} cam um exercito auxiliar, O 
contraclado a casar com a princeza portugiieza. 

Praticaram os castelhanos os maiores borrorei na»* 
nossas Tronleiras. Os nossos faziam o mesmo nas froo- 
teiras de Castella , e na costa maritima ; porém tivemoa 
a infelicidade de perder algnmas galés pela mi condo- 
ela d» almirsnte Joáo Affonso Tello , irmao da rajnha. 

N'e«ta guerra come;oa a mostrar D. Ntmo Alrares 
PereTra , apesar dos seos poucos annos , o seu genio 
militar e polilico , qne Fez admirar as geracoes fírturai. 

O infante D. Joao , mestre da ordem de A«is, ca- 
lamniado pela raiRba , é príso , e estára para ser de- 
gollado ; porém el-rei , conbecedor da intriga , o man-' 
doii soltar. 

( 1383 ) ConlinuaTa a guerra com Caslella , e os doii 
roonarcbas estavam entre Elras e Badajoz promptos & 
decidir pelas armas a sna eausa, qaando vieram a 
concerlns', assignando-se a pai com^ondi^áo do rei 
de Castclla D. Joio i esposir a princeia D. Beatrii, o 
qne sc efTecluoa em 14 de maio de 1383 , Tetirando-aa 
o principe inglez mui despeitado. 

(1383) casaraento da princeia fo» das ultim» 
acgSes de D. Femando i , que , apesar dos muitos des- 
eoncertos que praticou em qaasi dezesete anno* de rej- 
mdo , coDtndo Rlgnm» acjoes boas cviAita. Fec tl- 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



gUBwJeis provflllosu. Cereou d« mDrot t'cldado ié 
Lisboa , e (brtificon ETora , Coimbra , e Santarem. Mu- 
dou a UDÍTeraidade de Colmbra para Lisboa , em razio 
dos lentes qae liDbam dos paizes estrangeiros niio que- 
rerem residir em Coimbra. Uorreu em Lisboa a 22 de 
Ootubro de 1383 tendo trínla e oilo anDos de idade. 
Bavia nascido em Coimbra a 31 de OuUibro de 13tS. 
¡*x ua S. Franciaco de Santarem. 

laTTERBfiCÍII'O. 

{ 1383 ) Uorreu el-rei D. Femando dejxando regeo* 
te do reiiio a rainha D. LeonOr , sua mulher. A rcgeii' 
te fat logo acclamar rainba de Portugal sua filha Di 
Beatrit , casada com o rei de Castella D. Joio t. 

Os desfarios da rainba regenLe ,- que cegamente s^ 
gaia os conselhos de seu vilfdo o conde Andeiro , a 
idéa de que , coin a acclama^lo da nova rainha , o rci- 
no ia cair em dorainio cstraDho , fcx descnvolTer nma 
láo forlc opposi;áo lo novo governo , quc a na;iio em 
poacos dias se achaEi na desordem maís espantosa , pro- 
xima a ceir no profundo abjsijio em que la a ser lan- 
(Bda por alguns Rlhos espurios; porém estes nada po- 
deram contra o grande número dc seus verdadeiros e 
briosoB Tilhos , que , reimidus em roda do eslindarte de 
Oarique, a salvam , dando ao mundo am espeetaculo 
grandioso. 

A prÍDceia D. Beatric bavia nsscído porlngBCia ; 
mas , tornando-se casb^lbai» , náo podia reinar em Por- 
logal. Os infantes D. Dinii e D. Joao , flihos d'el-rei 
D. Pedro i e de D. Ignei de Castro , estavam ausentes 
em Caslella, e lioham elleg, por seus actos hosiis á 
(UrU , twegtán esti , e 'peTdtdo o direito ao throoa 



I. Coo^ílc 



so 

Hae Tfaes Jen ■en aTto nascimenlo. RestaTs o [nfañl* 
Í). Joáo , gráo mestre da ordem de Avis , fl1h<:i basUr- 
do d'el-rei D. Vedro i, e de D. Teresa LourenQo; po- 
rém este, por i,llegitiino, 's6 podia subir ao tbrono por 
eleI;ño das corles. tbrono portuguci eslava pois de 
direito vago pela morte de D. Pernaiido i , e a» cortes 
posteriores assim o jDlgaram. 

A na^ao appellou para o patriotismo do grio net* 
tre, e este nao era bomem que recnsasse o ser*il-a 
como o primeiro.de seus filboi. 

O primeiro desejo de lodos era que a rcgenciftpis- 
lasse para as maos do infaiile ; este , para satisfaier ao 
clamoi^geral , pede ao xei de Cistdla a investidira do 
governo em quanto D. Beatrii nao désse a PorlDgal um 
filho capax ^e rcínar. A conciliadora proposta foi re- 
jeitada pelo rei castelhano , e o infante , senlido , apra* 
vejla as boas disposi^oes do povo.em seu fafor. 

A boa vonlade do povo a favor do iofante assusta a 
regente ; esla , por Gonselho do conde ADdeiro , alma 
do governo , manda o grao mestre para o Alemtejp com 
o ñm apparente de o governar, mas as suas lcDtoes 
eram o nuinda|>o lá assassinar. O infante e seus amigos 
estavam senhores do ptano; obedece appareDtcmeote , 
e partc; porém, repassando logo o Tejo, enira no p»-' 
(o subitamente, e mata o conde Andeiro , aurtor de 
tantos males para a sua patria adoptiva-(6 de Deicni- 
bro de 1383). 

Espalha-se a noticia qve o infanle fóra assasainado 
no pa;o > e o povo furioso corre ali para TÍngar-as. O 
bispo de IJsboa, que era todo da regente, é procura-' 
do , e fugínda para a torre da Sé , d'ali o lan;sm , e 
o arraslam pelas ruas. ÍnfaDle apparece, e annuncia 
a norte de AndeirOi que fo( recebida com applauM. 



o,i,-f-n,Googlc 



«i 

A raiiiha foi Irsctsda' brioMmente ; por^m nSb m émáo 
por legura etn Lisbo»i passa para AlMnqner, e d'ali 
para Sanlarem. inTante é acclamado regnl» t áefen- 
lor do rtino ( 16 de Dexcmbro de 13S3 ). 

Conie^oQ o infante a «xeicer a goyerno áo Teino eom 
nuila prudencia e fortuna., apesar de ler contra ti a 
tnaior parte da nobreza^ qoe esUTa pela rainba , e p»* 
Jo f^rande poder de Caslelia. 

D. Beatriz appresentava algans IJdalfros contra a na* 
^o com mcslre de Avls á frente. 

(1384) rei de Caslella move-se para invadir o 
reÍDO, e avan^a até Lisbaa , oude o regcnte o batc. 
4)brigando-o a retirar para Santarcm , e n'cjta accasiao 
O rei de Castella retira a rcgencia á rainha sna sogra. 
Oulro corpo de castelhanos ás ordens de Pedro Alvarca 
Pereira , que geguiu Castella , occi>pá o Alemtejo ; po- 
rém D. Nuno Alvares Pereira , froDteiro mór no Alcm- 
tejo, e irmao do general inimigi», o derrota na bata- 
Iha dos Atoleiros ( 29 dc Jsneiro de 1384). 

O rei dc Caslella cérea novamenle Lisboa por mar e 
lerra. regenle em grandes apuros manda ordem pa- 
ra o Porto, a fím de que a notsa csqiiadra lógo nave- 
gue para o Tejo. Encarrcga ap arcebtspo de Braga , 
D.Louren^o, a dircc^io dos trabalhos dc armamento , 
e o arcebiapo ^o primciro nos estaleiros. e obrlga a 
todos com o eicmplo a trabalbar para a sanla caosa da 
defesa da patria. Se algnm se escusava por ser cleri- 
go , dizia elle ; fTarobem eu , mas trabalbo*. E se ou- 
tro dizia que cra rcligioso , instava elle : nE eu sou 
'arcebispo*. Em bteve doie ndos , algumas scsscnla f^a- 
leras , e sete navios ás ordens do geoeral Gon;alo ^(y. 
drignes de Sousa se fiieram de vela para o Tejo , onde 
eDlram i vi^a forsa derrotando a Isquadra castelbaiM . 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



(1 

lUpeilof ei^ núinero! pOFém, 'réfti^ailii eitá cau at 
guns navios , continúa o bloqnei& da barra. 

No (10) de cinco mezcs de cérco , o inimigo , enfra- 
quecido pela gnerra, e por uma grande peste, retira 
para Torres Vedras, e depois para as fronteiras. Al- 
gumas cidades e pra^as se entregam ao regente, e os 
portuguezes cumetani a ganhar animo. 

D. I^eoQor conspira conlra a íida de sen genro; eite 
3 faz recolhcr n'am conTenlo em Tordosilhas, oDds 
morre em 13S6. 

( 1385 ) Descobre-se uma conjurai¡ao contra o regeiH 
te, e D. Garcia Gon^alves Valdez é qoeimado vivo. 

regente conToca para Coimbra as cortes. Estas , 
depois de largos debates , em que tomou grande parto 
o célebre jurisconsultd Joáo das Regras, declaram o 
throno portugliez vago, pela impossibilidade de ser D. 
Beatriz«9lrangeira , e D. DÍniz e D. JoSo espurios da 
patrja, £m seguida se procede á elei^áu da fórma de 
governo , e decidc-se que cootinue o mesmo proclama* 
do em Lamego , c ainpliado em 'differentes epochas até 
áquelle lempo. Seguc-se a eleicáo de nuvo rei , e Joio 
das Begras n'um eloquente discurso mostra que o in- 
f^nte D. Joáo , mestre de Avis , já regente , govemador 
e defensor do reino, é o mais digno de occupar de 
direito o throno que já de faclo oecupa , o mais digno 
Hnalmente de defender as liberdades do reino. D. Joáo 
é unanímemeiíte acctamado rei , tendo vinta c teis an- 
nos de idade ( 6 d'abríl de 1385 ]. 



I. Coo^ílc 



i3 

.btniNDo Psbwim). 
Dynattia Luio-Cafelo , Jóanttina , ni á» Avit, , 

Sntaoi D. Jolo i ( ó ■>■ Boa U^iobu ) 10.* Rn. , 

A deciiio das corles (fe Coimbnr , qoe declma ngd 
n throno porfugveE , a eleí^o do neslre de Atís para 
occnpar , foi a aolii^io mais logica > no cstado eiD qos 
reino se acbava. 

Algaiis iogares', que ainda segsiaiti Castélla , tio ii>< 
timados pelo novo rei para obedecer i decisio das eor^ 
tes, oaí fbr^a das sins armas , e mnitss se reDden. 

£ certp qne o r^ente e p. Joio i eram a mespui 
pessoa ; mas nitiraliiiente D. Jmío i valia mais qae a 
niestre (t'AvÍB , dsTa mais for^ á nasSó para debellar 
ei estrangei'ros , tiran a estes l«ds « id^ de transac- 
c3o, e aú pels farca das armas poderiam estabelecer 
um goTerno que , pa¡ra PortDga) , nanca seria o de tia-' 
cáo livre e independenle. Por(Bga) havia de iusteDtar 
até ¿ uUima a ofat'a das ctirtes de^oimbra , .havia d* 
coDtioaar'a ser DarJa eom D. loSo 1 de PDrúigal , oit 
batia de ser oma provincia de D. Jaáo i dé Castella. 

O rei de'CaslelIa prepará-se para tiavi e mais deci- 
Eivi invasio , contañdo com fe)ii resultado. O rei por- 
(ugnez leranta mais trapas. Em <itiimaraes reccbe e)la 
a noticia de. qne o rei castelhano iDTadia Alemtejo , 
e logo com o condestaTel parte para a Eslremadura. 

Um troco de cavalleiros. castelhanos inrade a Beira , 
e saqneia Vizen , Trancoio , e ontra« mDÍlas terras; 
porém JoSo Femandes Pachéco com alg«na fidaldos e 
iatradsies , ao tudo pouCo mais de trcicntor homens , 

.-^.Coüglc 



Ihes >iem ao eDeoQtM , e « desbvcam no c^bn re- 
contro de Trancoio , tonwndo-lbes s rica prisa. . 

D. Joao i áv CaptelU abandona o cérco d'Etns , e 
CDire sobre Coimbra , aonde enlra para se Tingar da 
terra onde lefe logar a exaltacáo do mestre d'Avis ao 
tbrono portti^éi. 

EstaTa el-rei em AbrantespensatÍTo , e sobre os maios 
4« defflM indecisQ. O eondeBUvel o ba mndar contn o 
TOto dos XlOB temiaoi eocaiu inimigo de frf nté , qiw 
cr^ saperior a loqU mU bomens bem maniciados , em 
qaanto qne o eiercito portugnei , prompto a sair-ltia 
já 'pela (mdU, «aO eicédÍB a seis vij e qoinhetitos b»- 
nens , aSo bem maniciadDs. 

. DectdJdo B aUcar o iiÚDUgo , o nosso eiercito Tai ont 
vevimeBto parft oeste , e nos campos de AljnbarroU 
ae enconlrani ús dois exercjtos a 14 de agosto de Í3A5. 

Os javens rei e GondesUvel ( ambes tiobaa a meuBa 
idade , Tinte e, seit annos } esuyam dispondo as fortas 
pana o aUquei.quattdo o ÍDÍmigo fei um movimenUt, 
qne obrigoo as nossas a modar a frenfe, ficando com 
a cafa pira o so) fl para o venlo , qoe Ihe metlia pelos 
atbos todo.Q pó qoa e eieFcito casleHiana fsiia com oa. 
seus. moTÍtnentos. Passado cSte Ínoidenle, tndo Sca ein 
profuodo sileneio. 

Ao som dos ÍDstrumeiitos bellicos dtesanolam os nos* 
sos a bBodeira gloriosa de Oaríqoe, e rompem o 
aUque. Os casUlhanos , togo no comé^ da baUUia , dis- 
param dors tiros de pe^. BsU arma UrrÍTcI , ainda eo- 
tao nao conhecida entre os apssos soldados , Ibes caB.> 
aou basUnte espanto ; porém o. inTÍcto condesUTel os 
reanima , Uwndo-lhes ver briasaaiente.cam « exemplo , 
earregando com x vanguarda sobre o inimigo , <pe U«s 
itutruinentoa iitáa:;podian«intn peitoi portiigtiMes. 

Couslo 



6B 

Q-íbIb%o forim cárrega de mm (3« vígwwUMhle 
M MSBOS^, qoe o doBdMUtot teve ils reiirar- íobre 
wuM ceatro , jé eiwrto p«r»'« reeeber: HeAi Bodrtgnes 
teH d« ■nstenter io4» 0't>^ dfr itumig» , até qoe o 
condeslatel , refeílo , avanna de novo 'ao sea pssto dt 
Tahtiufila. 

- A Bosn. diretta , envolvida n'niá inoniraté, i Boceer- 
rida peto rei em pessoa , carregaiiclo elte e o coadesl» 
vel eoúi táo . ruiiasé impeto sobre os oastetbenos , que 
•stes, dtpretadot cofHplelaiDeiite , se poem ein tao pr&i 
eipitada e'verfonhoea fuga, que desampararam o sea 
rei- 

- Bn qnmto as reliqaiu rfo etereite mieihiDo se rc 
liraram em debandada para' a« firoDteirac , o sea chef^ , 
rei , se diri^e a Saniareni ; onde embarcs uo Tejo , e 
se lecolhe í stw esqaadra , que( blúqoeava o porto dg 
LisbMi d'ondei, daAdo á vela, rntTa em Sevtltia ear^ 
rcgádo de tncto , qne conservouem stf» vida ¡Attíi'eSjni 
niemara^o dos se^ deavsttes'vni PorHlgaf. 

■íí |iecáa:dc('i((lMíg«'sut)tD a dpie mil hoinenr, seuld 
mais de metade prísiorieiros : a nossiF niio eicedeu t 
duentas. Aos p«ringueiés degenéraijos, ^tie segaiam 
Casietla. , nio ii deü quatttl i v'esie n6mei^ enfro» o 
irmio do cendestatel i ' 

- e aKcbispo de Br9^,'&.<I.onr«nbo, (x'BStou n'esla 
eeeBBÍio válioios Servícos i naíáb. Elle toi sempre vistd 
no niMúr perigo eibortagdo m soldadüs a cainbafer pela 
liberdade^ 'da patrie , e preltando os soccorros eapir** 
liiaes aoR que inorriaiB na etlB ^eiesa. 

El-rer D. hao t flcou tres dias no cflmpo. O eonde»* 
lave) , feíto conde dé Ourem , váe a esta villa , e Jogo 
leune a el*ii!ei'.em'Sai)larem. O moofrchA fel tnuilei 
mcrces aM valentes de AlJHbBrrots^' 



cs 

' Segae-u logo outra Tictoria. O cottdestavel-enUa por 
Castetla , e juttto a Valverde derrota os Gastelbanon em 
número áe tjrinta mil , commaiitlados pelo grio mestr« 
das ordens , morrendo o d« Santiago ( & de outabro do 
,1385). 

condestaTel recolhe ao reino , e em premlo é feito 
conde de Barcellos. Ei-rei ainda fai om morimeBto lo- 
bre Coria, mai sem resnltado. 

{ Í.a87 ) Casamento d'el-rei com D. Filippa , filha do 
duque de Lencastre. Perpetua-se a memoraTel balalha 
dc Aljubarrota com a Eunda^Io do monumenlal conveo« 
lo da Batalha , come;ado em 1388. As pra^s qoe aínda 
obedeciam a Castella se rendem. El-rei preaide it cor- 
tes reánidas em Braga ( 1388 ]. 

. ( 1390 ) Ttoze portugueies \»o a fnglaterra combaler 
com doie inglezes para desaETrontar doie damas ingle- 
xas. Iforle do rei de Castella D. ];ho i , e eleva^io da 
Henri<Ilie ni, seu filho, eo tbrono. Assigna*4e nm tn- 
ctado preliminar de pai , e dcsapparece o espirilo d« 
revólla no reino , e com a pai florecem a agiicallora , 
as artes , e o commerciü [ 1393^). 

( 1396 ) A sé de Lisboa £ elevada a archiepiscopal , 
e D. Joáo Annes primeiro arcebispo. D. Henrique m 
reno^a a guerra sem resnltado. Horte de D. Henriqwfl 
m (1406). D. Calharina de Lencastre , (8) regentedfl 
Castella , assigna com Portagal uma fuspensao d'agmas 
por doie aDuos. AMÍgna-se a pai entre Portngal e Gas-i 
-tella, reconhecendo a regente o rei D. Joao i. 

( ÍilS ) El-rei D. Jolo i , com dois de seua fllhoa» 
passa a Afríca com um exercito, couquisla Cetita «14 



nvGoogli: 



67 

de agMto , a toitw o titalo de rei de PortDgtl e ¿ó» 
Algtrns, e seDhor de Centa. O ÍDfante D. Henríiiae, 
Alfao d'el-rei D. Joio i, emprebende as 'deieobertaa. ' 

( 1419 ] Joio GoD<;al*es Zarco descobre a ilha da Ha- 
deira. ContÍDDam ai detcobertas it£ ao cabo Bojador. 
ABÍmado o ÍDranta , manda mais tres oáos , e Gil An- 
nes , commandante d'nma , se adianU treEentas legoas 
além d'este cibo , e passarim'Se cÍDCoenta anDos sem 
que algom oulro se arealDrasse a ir maís longa, 

( 1433 ) EKrei manda contar a era de Christo em lo- 
gar da de Cesar. HaDda trailadar em talgar o codigo 
de JnstÍDÍano. Eslabelece a rónna da saccessáo sem to- 
ear nas leis fondamentaes da má&archja ( 1436 }. 

( 1438 ] Casamenlo do infonte D. Doarte com D. Leo- 
Bor , ÍDfanta d'AragÍD. 

FfflDdaiwn-se maitos templos, palacios e couventos 
dHTaDte o longo e brilhante reinado de D. Itiio i. Vol 
este grande rei nm grande estadista , gnerreiro , pae . 
de sens Tassallos, qm nunca tiveram,de arrependey-se 
ie sublimar í catfaegoria de reí. GoTemon quarenta 
e oito annos. HaTÍa naseído em Lisboa a 11 de abril 
de 1358. Uorreu na mesma cidade a 13 de agosto de' 
1433 , oa idade de tetenta e seis annos. Jai no eon- , 
Tento da Batalha. 

Snmok D^ Doaite i ( BtoQofart ] 11." Rai. 

( 1433 ] Horren o grande rei D. Joio i no dia anni- 
Teraario de dnas grandes victorias por elle ganhas — 
MJtibamta, t Ctuta. Foi scelamado rei , e entron no 
gOTemo do reino seo filho D^ Duarte. 

El-rei D. Daa'rte fei logo reconhecer por sens irmios 
e grudet d« niao , ewao pEÍncipe hñdeiro legiümo 



it c»roa, « ^aOlhft Vi^tíhxua, de Jifade ds TÍBtá 
0ieEe0, sendo o9cln)eiiu.^Be tDouu o tituhi de pria> 
cipe. 

( 143'^) Cortes em Santarfn. Publtea^áo'da famosa 
]ei mealaL, e de outras CDntca o liua. Os grandei üo 
ntandadoa ppra >s prOTÍncias para nao se empeDharett 
M corte, ficaodo íá ob: enpreKados tio pa^. ' 

Frejec(t-M a conqKÍata ile.TMiger , e snia'eipedi^ 
passa a. Afrita ao imiido dos iafonle* fí. Uemriqne /, s 
D- Femando. Oa. pDiiugiieieB, carregados por uiU ex- 
ercito d« trennloa mil moiiroE , ^'reduiidoseiitfleiit^ 
' á vUima éitf eiBÍdade , «.pedem gHÍpbnBáod'anftai. Ob 
mouroj pedern Centa , e o inEanle D. Feriundo Bca em 
refe&s tva quBDto D. Beariqae vem ao reiDo propbr a 
coDvenfao, 

( 14Í7 ) ReuOem-se as corlM em. Leiria-para a Bda- 
{ao dos l^Kaaios.d-Afnca. Ascorhiv m mrattts», fl'i> 
neBioo captÍTQ seiontoem a qne se<entiiegus CestaiJBP 
cousa al^amav ^ó et-rei era do pareeer da eBtrega« 
pela muita amiiade (jtK'IÍBba a seti irmM, e eame^a 
a levantar um exercito para libectal-o. 

( 1438.) Qrande pesté. qne assoU o reinó , • o rsdox 
U> ultisio apuro. Cortea em, Sautarem. 

Femáo Lopes é encarregado de escrerer ai'cbroBÍcaa 
dos reis anlecessores. As sciencias prosperam pela mni- 
ta proteCQfb que el-rei dava aos. aeiis ctiltifadon».' O 
proprio moDarclia escrcveu sobre dirersos assumptos , 
e lera dolado de bastante. ehiQKencia.' '' ' '■ 

. Et-rei visita e ■ocawra oi psvoa coDrteniadoa peta 
pesto , de que eile ID89HM é; ataCado eih ThoDMr , en4b . 
inorre. povo o cborcA ct&n rerdadeiro lentfanente. ' 
: Dorbn cinco annoB, o soveraa d'elHrcí D. Duuüe. 
Uol-reti.ftfi fic teteiobca.do. Ii3$,.>t«id»'qaamrti • 

ü,o,i,-f-n,CoOylc 



vet» uuiot ic íd«d*.aa|rii iwigM* «01 V&eu a Sf d< 
4etembn> de 129t. 4u no coorfioto da Bttalha. 

SABoa Di Anonbo r (0 Anicuio} i^i* Bñ. 

{ 1438 ) Uorrco. ci-rtí D . Dmm , dcíiando nm ane- 
ccbser de mcnos de sote aoDoi do idade ; e o teiBo i^ 
«(dado'pela {lute. principe O. i^iuo ¿ logo ac]a- 
mado rei , e goterno do lirioo eBtregne k isa iii3e t 
ráialur D. LeÓMri a^ando odispoBto oo tértaidenló do 
reá D. Boarta. 

. Ob grandea e o pOTO se opp^ita , e Mmeíam o Itt^ 
Ckile D. Pedro , du^ de Caintbrá , eo-ne^nta , e d»^ 
lenHir do HeiD». Comecam a hafer pdrturbBQSet tio rel- 
Bo por causa dá regerída. As eortes reutlidBS em Lti- 
bóa éntrcgam o gnenia do reino ád infaiite D. Pedhi < 
ficando a! rainha catü a edooa^io dos filbbl. k rainlia ^ 
«ffendida , retira-iv para Gastella. 

( 1440) 'Ai cortei., reunlda* tía Tórré^ Tedraí , gn.' 
tliirisarti o' caianeiilfr d'«l-rei coiii D. IMbel , filba dd 
ÍalBDle regetua. 

(I444J eoDfal» Velhb Cabrbt deicttbré KKihipela^ 
90 doa A^res. ■ 

(14(6) JAorn ém Toledo t raittha D. LeoffOr, inu- 
Iher d'el-MÍ D. Doarte. .O seu corpo fot (rasíadadd 
para «oilvinilo da Batalhai 

(1446) Bl4ffi C)te¿t aos qiiatorie Hnnos de icladé; 
e • regtafe , ptñ-ailt* S« cortes retfbldas eiú Lishoa , 
Bn. di cdktta Ca aaa áduÍnfttrB^So , cnm que fica taixi 
•atfsfeitoj'raiiaca o iea.{Bs8Uento, % pede a sea lia' 
eéntinne cepi a dinMÍ^o doí oegocios dü reino. 

tl447) D. AO^, iM]iWdfl Bragefi;a..ii-mi« d(i 
regente , e alsnns ftdalgos , ciosos da aoiKorldaab áa 



TA 

regeiüe, principlam a^mal^aiital-ftcom o rei; Eite-i 
dando t^trada ás intrif a», eiSDeKi ]). Pedro do gomt~ 
•no do reÍQO (1448]. 

Livre do: cargo dA.Boverno do reino , D. Pedro se 
retira ás suas terras de Coimbra. Os calumniadores qoe 
ficaram na corte persuadttDi el-rei , que seu tio Ib» 
quer tirar a c^oa, e con&eguem qiK oÍDÍanteseja dc- 
clarado Iraidor á patriji, s^m que Mia filbi, a ririDlM, 
possa valer para co» el-r«) a EaTor de scu pae. 

O innoceníe principe parte de Coipbcs para jusliB't 
car-se perante o rei, seu sobriaho c genro.; poitem tíoiiio 
Tiesse acompanhado d'um número maior de geute d'ir- 
mas para siU; gua,rda , qifp kssim se .toroava preciso 
para seguran^B ^e. fua peB|0a> oi verdadeiros traido-^ 
tes que cercavam él-rei persuadem este de que. o inn 
^Dte marchava 'hostiImeDle.coDtra .a .sna auctoridade 
teal. rei reane uqi eiercito quatro-vetes maior qoa 
a guarda de D. Pedro;, e o váe qneoDlrari o que ■» 
effectua a quafro legoas de Liabaa , do sitio da Alfar- 
robeira. Deu-se uma batalba i 20 de-mar^o de 1449 ) ,' 
em quc foi morlo o iardii ÍDfante com.todos os seus. 
seu corpo llcou eipc^lo.par tres dias por ordeáid'el- 
rei, alé que foi sepultado na igreja de AWeKa , a 
d'aqui trasl^ado para A^brantei ,• depois para Saoto 
Eloi de tisboi , e de Lisbaa para a BaUltta.i 

(1155] A. merooria do regeoLeié rebabililada , RtD^ 
qne alffuro de seus ÍDÍmigos se atreva i^jfollar. . 

( 1455 ) Morre em Evgra a iBÍDba O. Isabcl . e seu' 
corpo é trasjadado para o amraUo da Batalba. Igual 
traslada^áo se fai ao corpo de seu pac o infiote.régen- 
te (1457), Saii fílho D. PedrooblemJicciita.pan^vol-. 
lar ao reiDo , e el-rqi o f eslitoe a' todas 'as suas botiras 
e digoidades. , 



I. Coo^ílc 



TÍ 

( <5K7 } CálHsto ni pnbllrá a eni»d« |uri s con- 
qnista da Terra Santa. D.^fFoñso é o prínieiro prÍDCÍ- 
pe qae se promptinca ■ marchar -, e maadi cunbar a 
moeda cfaamada cruzadoa para pagámento do eiercito, 
A morte do papa ffDstrou os planós d'el-rei , quc trins- 
ferin a RUerra para Africa. 

( 14S9 ] Aflbnso v passa a Afnca com ona eipedi^D 
áe duxentas enibarcflfóes , e loina Alcacer-Cegoer. Por 
csla occasijo tnstílain 3 ordem da Torre d'Espada. 

[1460} Descobrem-se as ilbas de Cabo Verde. JHop- 
re om Sagres o graode infaDte D. Henriqué. 

Segunda expedi^áo a Africa; onde el-reiperded a 
Elor do seu eiercitoi 

( 1470 ) Casamento do principe D. Joáo com B. Leo- 
nor, filba do duque de Vizen. Descoberta d« ilha de 
S.'Tbomé. 

( 1471 ) Pescobre-se a iIha.do Prinnpe. Terceira ex- 
pedi^So a Africa. El-rei toma Anilla e Tanger, e Tol- 
tando 8 PoTtugal, 6 recebido em (riunfo, e touia « 
litulo de Act' de ParUtgai' e dot Alganxi, d'aquem * 
d'aUm mar em Afriea. Estas Tictorias oa Africa dSo a 
el-rei' cognome de Afñeano. 

( 1473 ) corpo do santo infante D. Fernando é tro- 
cado por alguns mouros captrras. O principe D. Joio 
aepara a so» casa , e: ¿ este primeiro exemplo. 

EstaVa'et-reí- juslo a passsr » scgundas nupcias com 
D. Joanna ,. fllba é berdeira tfe Henrique it réi de Cat* 
tella; porérii, loorrendo esle , se originaram desor- 
dess , v « maledicéñcia dizia , qae Joaniuii nSo era 1e- 
gftima , e Bomearam os castelfaanos a D. Isabel , irma 
dorei defbDCto , e a casaram i:om' D. FerDando rci de 
Artf^o. 

Ó reí de POTm|aJ:i«M« « CasteU» com Yiirte miVh». 



T2 

mens p>ra lotíaT possc i* cbrMj-e ctH PkceoEÍtt des- 
poaa I). Jo«nna , sua sitbnDfaa, T). AffoDso t laiiw o 
tltulo de rci de Portugál e Castelta , e passa á cMad* 
de Toro , que seguia a sua vat. 

O principe D. Joao marcha dc Porltigat com uéi 
exertito 3 refur^ar o re¡ , e iMÍdos tSo lUíar CamoraC 
Sobre esta prai;a - appáreceu o r«i de Aragáo. e bütre 
ella e a dc Toro se deu a memonvel batalba chama* 
da.de Toro {maio áe 1476], ein que os portuguem 
-tivei-am que ceder fio péso dos casldhanos , tendo ji o 
princrpe D. Joio vencido os aragoneces; D. Duarle de 
Almttida , que lema o estandarte real . depoii ie ler 
8 máo direjla cortada , o tomou na eiqserda; e ttacc^ 
deialo^he o meBmo á ^querda , pegou con oi cotoi e 
Com Ofl dentes , e o coaservou a(¿ ter cravado ie folpui . 

D. AfTonso v, alTrontado por tal derrota., delia.A 
goverAo do t-einí' a aeu filbo o priaGÍpé D. ItAn, eftsr- 
te para Franfl a pedir auKÍIio a'Luiz ii. Bste iBolilaiu 
cha, que só tinha boas paiavras « 3 priocipio recebo 
Diagnincamenle o rei de Porbtgali porém , poi iDgge»^ 
toes do rei de Aragio , manda preñdeT a D. AffiWso , 
lendo-o recluso um anno. Posto o rci em iibGnfade;^ 
projécta peregrinat i Teira SlQta , e cKreiie t sen fl- 
Iho , que se Ea^a aoclamar rei. As QrdeQS do mooarclia 
BHu cumpridast e D. Joio.foi acelamado rei , em Saiw 
tarem , a 10 de novenbro de 1477. A gUerra MO tillba 
ccssndo desdc a párlida db reí para FmOQa.. 

Quasi só Linba Ih' Aff<nuD emprriMiididó «.joruto 
da PaiesfÍDa , por^ j'sendá preaéittido do» leos., o fo- 
ram bUscar a eantÍDho , e o trotneram para Portu|ñl* 

Quitro dias depoís'da accldma^io dc D. Jmh ^ipa- 
rece é1-re¡ no Tejo. D. Joán pede cnnselho ao dttqutf 
de'Bregtafk, • «o t»deai iwgc d» GMa , 4uii ta(ks 



73 

pstíerani á bcmlt do Tejo , 'e )fae ■iÍMtm , tp¡t ei 

'8 coro» a sea pai , o qne logo fez. D. ACTonso quer fa- 

ler rei do Alf^arfe ■ seO Hlbo , que aáo abceila. 

( 1478 ) Coiüínia a guerra com Castell»-; mas , can- 
(adas as duas coroas , fazem a ftt , e O. AflbnGO r»- 
nDDcfk ao IbrODO de CasEella , e por oid doa seusiBrtí- 
gos tica Portugal seobor da navcgafáo da cosla de Gu»- 
né (4 deselcmbro de 1479). 

D. JosBTia , esposa d'et-reí , recolhe ao conretito de 
Santa Clara de Santirein , com o sioplei lllalo de £«- 
etUeHU Smhora. 

(1480) O reino é aHligido por linia graode pestCi 
D. Afrunio recolfie ao palacio de Cintra ; andaTS muit* 
-pensaljro, e dtiia que qlieria entregar o goverso áé 
reÍBo a seu filho > c entrar úa ordem de S- Franeiicei 
porém sendo accoimnettido de peste , morre no mesmo 
qDarlb db pa^o de Cintra , onde havia nascido. 

Os- quarenta e tre^ annos do reinado de D. Affonso t 
d3o roram s6mente empregados dds guerras e deseober' 
tas ;. tamtwm se cullivaram as leltras. O regenle foi bo* 
mem de graade saber, e o re! fallavd o idioma verna* 
enlo com tanta onUara , que parecia composi^ao adver' 
tida. Dimittlndo-se Fernáa Lopes do cargo de ehroHis» 
la-mór de reino , logo el-rei ntimeou para o seu lugar 
B Gomes Eannes de Aiurara. No pa^o real cf Etora sa 
retmin nma copiosa livraría. Mandoti-se escreKr a hifl- 
loria portngueEa em latidi , e animoram-se os sabios 
eBtTaDgeUos a vir para Portngal. m 

Uorren el-rei a 28 de igoslo de 1481 tendo qnarMK 
fa e nore aonoR de idade. fie*ia Discido aos 15 de j** 
neiro de f432. j« no'cdnvento át Bafalba. 



I. Coo^ílc 



a Sttmox T>. . Jolo' n ( PaMan PBivRto } 13.* Biu 

(1481) í morte d'el-reí D. AJToiiso v íefc enlnr 
pela seganda tci no governo do reÍDO ceii lilho O 
prittcipe D. Joao , 'qve foi seguoda vei Reclainado rei , 
tendo vinle e seis añnos de idade (31 de agoito de 
Itól). 

D. Joao n reune logo cortes em Evora , j>rocur8 c<k 
Bhecer bem os homcns capates de empregar no serri^a 
da na;3o , dando tudo ao meieeinunlo , e nada ao mtuei~ 
menío. Refréa a liberdadc do povo, e abale o oi^lho 
dos grandes , abolindo-lhes bs restos do feodalismo , 
que ainda existia. A nobreia, julgando^e oSéndida . 
Ihe representa por seu chefe , o duque de Bragan^'a D. 
Fernando ii; porém o rei náo os attende, e conUnáa s 
grande obra das. rcformas ( 1482 ). 

( 1482 ) Continuam as descobertas. Diogn de Asam- 
buja cam uraa armada dascobre a costa de Guiné , Ain- 
da a fortaleza de S- Jorge de Uína , e VDlla' a Lisbos 
carregado de ouro e marflm. El-rei junta aas teas libi- 
los de Sathor de Gidné. 

O rei snspeita do duque de Bragao^a ,. e eate é itta~ 
sidu de íer correspondencia com o rei de Bespanha 
contr.a Por^ugal . duqjie é préso , e metlido n'nma 
torrfl do seii palacio em Efora. Confessa corresponder- 
se Gom sen cunhado o reí de Hespanha , por¿m <|iio 
esi^s rela^óes cram apenas de fapilia , e nada tinhaDi 
de politicas. Assioi meimo el-rei , ou por acfaar prons 
de críme, ou por odio contra o duffue , o metlea em 
procflfiso, e é eondeinnado s ser degollado na pra^a de 
Evora^ o que se eVecuU a 31 de jiu^ de 1483. 

A mortc do ÍpfeÍÍE duque fei espBlhar a tristeia 
BO reÍQo, e exasperar oi gTandes coDtni o r«j. Origi- 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



18 

Bamntse ^(ndes 0OBJur>;5es e^títra * sn» vida , qu 
todas rebatea , algDmas por suas mios. 

{ 1485 ) O duque de Viien , primo e cuDbado d 'el- 
rei, e qoe mais larde devia occapar.o tbrono qoe foi 
INTa D. Ifanoe) , daqae de Beja , csUva iramaiido con- 
tra a vida do rei. Chamado o dnque ao pa;o de Seta- 
bal, D. Joao ii , depois de o ler reccbido bem , Ihe 
peTgnpta: ■Prinia, qae faria a quem o qiiiusse ma- 
UrT> Hatal-o-hiapnmeiro, fespondeii o duque. cLa- 
traste a tua senlenga, disse el-rei.n £ logo jhe crava 
um ponhal , e ntata o duque ( 23 de agosto de 14S4). 
El-rei manda formar.processo ao duqae morto, e ai» 
seai complices , que (oram declarados CiimÍDosos d'alU 
traício , e eiecutados os Dllimos. 

( 1484 } El-rei despreia as ofTertss de Christovao Co- 
loBibo para as descobertas. Colombo váe ufTerecel-as ao> 
m de Hespanha, que as acceitn. Diogo Cáo conlinúa 
ts deseobertas na Guiné , descobrindo o reíno do Con- 
go, e o grandc rio Zaire. Na seguinCe. tiSgcm passa- 
doienlas legoas além d'esle rio até Cabo Negro , e os- 
Dossos missionarios táo conscguindo a conversio ao 
cbrisliaitismo doa reis afrícanos da'GuÍné. 

fl4SS) Qartbolomeu Dias com tres náos ebega í 
eilremídade da Africa , e dá-)he o nome de cabo Tor- 
mentaso ; mas D. Joáo u , alegre da descob^rta , Ihe dá^ 
o da Búa Etperanpa. Pedro Cuvilliá , e AITonso dc.Pai-> 
va partem para a India por terra. fio Cairo scpararam- 
se , índo ASbns« de Paiva para a Eíbiopia , onde mor» 
reu ; c CoTÍIhá ,■ depois de ter corrido a India , voHoU' 
a Portugal traiendo curiosas nolicias. 

El-ra raanda queimar uma easa de jogo , e publfca 
l«s leTeras conlra os jegadorea , e contra o tuio. Um 
- rei da Negricia , chega a Lisboa , e s« fw christB- 



I. Coo^ílc 



jvdeos expaUoB da Hespanha pelt iDqiüs!^ ^ reoebjí- 

dos em Partngal , prainatmdo faierem-se christios; e>- 
qtie se negnram á pronessa foram nuodadús pva as 
«ooquista». Corles.ein Etoira p»ra delíberarem sobre- o- 
casaweDlo do piiiidpe D. AITdiiso com D. Isobel, Qtba 
e berdeira dos reis de fiespanha { 1490). 

(1490) conde de Borba , Fernáo Masearenhas , 
Uartim de Tavora, e os Ueueies, filhos do'narquex 
de Villa Real, obram raaravilhas sobre Alcacer Qm~ 
bir , Tar^ ; Caoif a , e oatras poToa;oes.'da mauritMÍa. 

( 1491 j O principe D. AtToiiso dá uma quéda do ca- 
lallo abaixe indo a correr peta maTgem do lejo jimla 
a Saniareia. Recolhido iDoribando á cho^ d^un pobre 
pescador, sobre a bumilde cama de fenaexbalou o nl- 
timo siupiro nos bra^os de seo pse , de sua mie , c ds 
Bua esposa , tendo apeius sete mgles de casado; 

A coroa vegi a pertcnceT a D. ^anocl , duqne de 
Beja. £)-rei, que nao gosLa do dnque , fat Itido (iara 
que a .coroa pasac a D. Jot-ge seu rilho natural ;- porém 
Bchando gfBnde opposiyao ua rainha e uo) grandes, 
náo póds conseguir o seu desejo. D. J^rge foi entie 
feito duqne de Coimbra , com toda a graiuEeia e «aia 
de aeu vísavd o infainte D. Pedro. 

O rei do CoBgo-convecte-se ao cbTÍstiatiismo. Bl-raÍ',. 
atavado d'uma iBDguidez , conse&te , e ttomea seu her* 
deiro e suecessor o duque de B<ga. 

( 1492 ) Christovao Colombo descdhre o novo Conti-' 
netite : ua sua valta-entra em Lisboa , e 6 bem ncebi-< 
do por cl-rci. : 

[ U9i ) Tratado de Tordesilhas entre Portugal fí Ba&- 
panha , auctorigado pelo papa , para & demarcapio das 
novas coBquiilas. A Europa via passira estas dñas oa- 
«¡•w. a dÍTidir o mwdo. 



,u8lo 



•n , 

ji-*e duaa fertaleias no Trjo^para a defeia da 
bánra. A Dwleslia d'eí-rei att^«nU; 03 medicaso maD-' 
im para as caldai de Uoncfaiqtie , e insrr« ua Tilla 
4e. ÍLl*or c(Hn tutpeitas de enreneDado. Antes de mor- 
m eotregou nas niaoB^ D. Manoel mu filbo nalnral 
t). loi^. 

. DiirDtL qoalom aDuoi o ^erno de D, loSo n. Uof- 
na a SS de DatnbrO de 149S, tendo quareDta annos 
de idade. HaTÍa natcido eDi Liaboa a S áe isaio de 
iW&, Jai na BatAlha. 

. O SwHOi D. Uanoel I ( O VcKTOioso ] i4.* Rh. 

(1495, 149(i) Morto él-rei D. Joio n , doqne d» 
B^a , D. ManoeJ , eecupa tbrono , tendo vinte e oito 
MBioa de idade. 

O noTO rei convnca cortes parj 'Monte-M6r-o-No*o , 
ende se detemina partícipar a sua acclnma^So ao papa- 
e ao rei de Hespanlia , e delerminati-se igualmente con- 
tÍBuai' as Gonquista's. Noras expeditoes alo mBnttadag a 
Africa, e os portugtiezes obtem TÍctorias em AreiDa e 
ODtros pentoR. 

. D. Jorge , dnque de Coimbra , ¿appreientado a el- 
Ki , qne o reccbe muito bem. Aúk Ülhos do duque de 
Bragan;a sao restituidos os' bens e as dignídades. O 
cardeal Jorf;e é ebainado de-'Kóni'-t; porém a sua mui» 
IB idade nao Ihe permitte recolber so reino. O ^apa 
dispensa do eriibato og eommendadores e cavalleiros das 
Ires ordens militares. 
, ( 1497 ) Vascfr da Gama parte com qu?tr6 náos par» 
dobrar cabo da Boa Esperanca. I.cvoo comsige as in- 
ñgBes capitaes Paulo da Gama, spw irmáo, Nicoláo 
Goell» ,■• GonsaUo Nune» : cad« iw> t*"»^» * w>iobi"o- 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



40 d'tims &áo , e V^sco o da «^eáí^So ( S de jaíki ]. . 
£l-rei entrega n'esU occasiSo á Vaseo o mtppi e ine^ 
morias qiie Coelho ham mandado a el-rei D. Joio n. 

El-rel pede para casamcDto a princeia herdeira d« 
Gastella , D. Isabel , já Tiuva donosw) prÍBcipe S. At* 
fonso. Os reis calholicos annuem debaixo da «ondi^ia 
de serem eipiilsos de Portugal todos og jAdeos e moii- 
ros que náo quitessem abra;ar o christianisino. Esle 
paiso impoliticor'foi dado por el-rei , faaendo assim saír 
de Portugal grandes riqueias. Expuhos os judeos e moD- 
ros, casamento d'el-rei com a princeza D. Isabel'se 
elfectupu (oulubro de 1497) em Valén^a d'Álcantat-á , 
e el-ret passa a Hespanha para ser jurado principe . e 
herdeiro d'aquellé rcino. - 

Vasco da Gama dobra o cabo da Aoa Esperan^ ( 29 
de norembro 1497 ) , e logo so appresenla á TÍsta'dfl 
Mo;amb¡que, Momba^a, Melinde, Calicut, e devassa 
os mjres do ofiente. 

( 1498) Na cidade de Toledo foram juradoi prínoi-' 
pes 5erdeiro» de Castella el-rei D. llanoel , e a nintaá 
D. Isabel sua mulher \ 2S de abril). Passjndo a SaVa- 
, go;a para serem jiirados como principcs,herdeiros de 
Aragao , ali morre de parto a rainha ( 24 de agoslo ] , 
daodo á lui o principe D. Miguel da Pai , qiie devia 
ser futuro rei de loda a Hespanha , ao que obstou a 
sua premaUira morte. Bt-rei D. Manóel voltou a Por-' 
tugal. 

( 1499 } A 10 de julho chega a Lisboa » nova dades- 
coberU da India por mar , e logo a 29 do mesmo mea 
cntra pelo Tejo , carcegado de riquczas para a nagSo, 
Vtisco da Gama , dcpois'de ter dobrado o tí^ da Boa 
Siperansa , desCoberto a Terra di Natal , o Rio do* 
StU, Jlto áoi Smt Sisnast na Ethiopia , JHaMfcipa oIl- 

Couslo 



AFrica oiienlil , e CalieM na íoHa. M'ésbt atliiui ü' 
dade foi loagestosameDte recetHdo pelo Camorim , o 
mais poderoso ntonarcha da iDdii. Ootras po?oa{óes o 
teceberam cbm grandeia c rcspeita. 
' El-rei D. Hanoel premeia ob §randes lervifos do 
Vasco dando-lhc o titnlo de Dom , e o Habilo de Chriita 
psra elle e ftüs descendentes. 

Comeca a edifícar-se o magniilco templo e mosteiro 
de BeJem , para perpeLuar a descoberta da India. A s;- 
nagóga dos judeos é reedifieada , purificada , e dada 
phra o cullo catbolico, e boje é a igreja de ffossa 5e- 
nhorada Conceigao dos Freires de Cbristo, em Lisboa. 

El-rei , animado com o íelit snccesso de Gama , fai 
partir para o mesmo déstino treie náos ás ordens de 
Pedro AlTares Cabral. Um forte temporal obriga Cabral 
acorrer muito para oeste , e descobre as costas do Bra- 
>il ( 25 de abril ). Gaspar Corle-Real corre para o nor- 
te, edescobre a Terra Nova. Colitintia Pedro Alrares 
a sga viagem para a India; tocou eio Uofafflbique, 
Qai1¿a , Melinde , ilhas de Anchediva , Calícut , reco- 
Ihcndo ao reino no íim d 'este aDuo , OQ com¿(0 de 1901 . 

Celebrou-se em Alcacer do S^l o segondo casameu-- 
to d'el-rei com D. jHaria , inf^nta de Hespanha, irioS 
de SU3 prímeira mulber. 

(1501 ) Joáo da Nüva lambem havia partído com tres 
Mvios, e na viagem descobre a ilha da Ascensáo'; ga- 
nba a primeira victoria naval na Indía, derrolando a 
armada de Calicut: deiiou feitorias em Cochim e Ca~ 
nanor , e na volta para O reino descobre a ilha de Saa- 
ta Helena. 

(1602) Desde a volU de Pedro Alvarcs qiie el-rei 
s« intitolava — Senhor da Navegacáo , Conquiita , e Com- 
mertio ia£(ltiopia , Árabia , Per«o , e /nd«a. Para sega- 



o,i,-f-n,Googlc 



i«r Üo bkilhaBtMÍtuId daBds pek wgiuilb Téi á lii4U 
6 sen gnaSe ttmiriata- D. Vitco da Gaim codí Tbta 
Bias. &. Vaseo ¿«iToto o íei de Quilda , e fai Hmr {Brte 
da iDdia tributjriaa PortugBl; depois recolheaorahio, 
ttaseBdo o prteira tributo da India ( 1." dt MtEHitiro 
db-lStS ]. 

Francisco d'AlbDqaerqne tanibeiii IiaTÍ8*i)artido ceiq 
tns DÍOB ; protege e rei de Cocbúa coatra o Camoriñ , 
miSia iniaúgo , faimdo-lke grondcs efilragos na g«ite é 
Ha &iesda. O reino é ataeado pela peste. 

{f90a) Aff(N)sod&Albaqnefqne, D. Francíscad'AI' 
weida , e DoaFle Pacbeco Pereira parteDi para a lodii , 
a ali » enetmtrara com Francisco Albuqnerqne . qa« ae 
dÍEpimba a rundar nma fiirtaleia. Uatten-se máu i 
«brá, e rnndou'se a fortaleia, de Sanlíago. Os Alb»* 
qaerqsJBS Toltaram ao reino, deixando dnas caraielas 
a Dnarte fecheco. 

Antonío de SoldanhB cona tres navios espcraTa noc 
wA'ea da ArabÍB as- náos de Ueca. Diogo Femiandes 
Pereira deGcobre' a ilha de Saeotorá { abríl 9,). Baí 
Lotirenco Eie' tribotan» o rei de Zasiibar. Rni c SaMa- 
nha derrotam o rei de Uombaga , que fasia gnerra. ao 
de Uelrnde , nesso aUiado. Duarte Paobeco faz respei- 
tar as arraas portaguezas na IndU- 

( 190-4 ] Lopo Sóares de Albergarria ektgk a CaKcut 
eom uma esqoadre ; toma Cani^nor , e deslroe 4 ar- 
' aada de Calicut , composta de oitenta e cÍDGO.Telad^ 
Logo dá sobre Pinane. DestroQS deicseteafios de Ueca , 
sustentadQs por Titite fustasi, nHtaadomais de doia mil 

(150S) Outra tenvTel pesl» no reino. Os reis do 
oriente le confederarsm para sacudir' os portngtieies; 
peiM e Tic«>rei-D. naBoisoff de Alaiet<tv , c(w Tinlci 



31 

6 dof j nñ'ids héva ^ioiisiciiañ'ái , córre ji]Ué]lat part^ 
a <lé9lVtef x r%a. Btesfrúto tf réi de Quilda , e fiiDd'k 
íiDia fortaTe^. mesfió' sdcc^sso em Mo)bba|¡a. Tadp 
ilísf'íii í sufejnfeádo." ^ 

Fundam-ae fóHaleü^s etí Caüanór , e AntbÍdiVa. Fe<- 
6r6 é'Á-iarjá em' SofKlla. t). LDnteo^o d'Jítmei'da ft^ 
Tetado a CéílSo , e táx {ríbbbno ñi tfe 'Golí. D. 
Lou^enfd d'Almerda, Coita^dttlEe'ÁayÍo's e óilotentos b<^ 
mens de Iropa , ijerroU duzeiiCas YtfaS éé CaÍfcDt, é 
mata mais-de trtri'iñif inomoá. 
' Diogo d'á AzaniE^jiJi tohiá Ca'lW , ib' Madríta'ntB. 

> As noSsaS áVihadas p^rá á' InUVa scgtlíam-s^' utttas j> 
dUtraf. P'edTÓ de Anaya mar^há' ftain seiá velas' , e atrax 
d'enc qitinze cdtti Tri^iao' cfa Ciiitha ,' e AffoHso de Al- 
btl(pierque ,' qfire hflris de'sncceder no' VicC-reinado, 

, Horrível matanca dos JDd^os em (.Tsboa', ^or causii 
de d'ois fi'adés domintCos. Ef^fei' ili^'rtia' q^eiraar os 
d'óiy frades íT"íos. 

Tristáo da Curthh AéSCoÍré a ilfia íe Mfffdagascar 
( t& dé jiHho ). D. Praritiscó d'é Almeiiñ chegí a' Guil- 
ía , reslabclece a' paz . e fai o rei triWario ; queimt 
IffoifiKB^a , alcan^a' Cánandr , f^z um traclado com o rei 
Narslilga , é áá finSliitenté fuhdo' ed' Cocbim , séde do 
seU gortriio. Fralflcisco Gnd'jie chcga a'So&lia. D, Lou- 
rén^o' d'c A'IAiéid'a tdma pusse das ilbás Málllivas , des^ 
éin&arcá ém Céilad, e Tolia a ajudai' sen p'ae uo ataque 
dc Cia. 

( 1507 ) Jaqntl^ de Seqtifeit'a ettlra nd estreito de Ha- 
lai;^.- /KTnnM) dé AHinquerque toma Mascáte , e fai tri- 
bulario o rci de Ormuz, na Persia. 

fíci^réi Ú': Prancisco de Alnleida , ¿din Tristáo da 

Cimha , &. Ldilfeh^o de Alifaerda , e TÍMno da Curihá , 

pírtíein para* Panlue para qneliiiar rfs 'iiSo^ dé Mcc« e 

€ * 

■^ Cooylc 



Calical, qna esUTam n'aqDelle porto defetididu por 
qnatró mil saldadas, Deioito náos roram queimadu. 

(1508) D. LoureoED de 'Almeida com oito naTÍos 
l>ate-se contTa as armadas reDnidis de Cambaia e do 
SoMao de Babylonia , porém é Tencido e morto. 

TÍce-rei despica a morte do fllho , destntiado Da> 
bol, e logo com dezesete naTÍos dá sobre Dia, 0Dd« 
destró^a duientas Telas dos inimigoa, guarnecidas de 
valentes mamelucDS. 

Na Afríca conliouam Diogo da Azambuja , Princlico 
Pestana , D. Joáo de tfeneies , o conde' de Borl», a 
ganfaar graades creditos combatendo em Ariilla, L»- 
racbe , Aiamor , MamDn , Cale ; Calim , e outros pontoa. 

(1509) £I-rei manda resemir o codicillo das leU 
por famosos jurisconsultos, Duarte Pacbeco derrota o( 
francexes no mar. 

( 1610 ) D. Saarte de Meoeies alcan^a uma gratid« 
TÍctoria em Taoger. Os seus capitües Nano de Alaide, 
e Lopo Barriga , ganbam' grandes creditos. 

Sáem para a India com qnatorie Telas Filippe de 
Cattro , Vasco Gomes de Abreu , Jorge de Uello , e 
FerDÜo Soares. Sáo ]ogo seguidós de Diogo Lopes de 
Sequeira com qualro , e de Jorge de Aguiar com doie, 

D. Fraacisco de Almeida eutrega o Tice-reínado da 
ladia a Affoaso de Albuquerque , e parte para o reÍDO. 
Desembarcaado na Aguada de Saldanha , na costa de 
Natal , foi morlo pelos negros , e atrsTessado por nma 
seta nagarganla. Ograade capitlo, Teado-se feridoda 
morle , fallou aos seus , e logo , arrancaudo a seta , 
cafu morlo. 

El-rei maoda ao marischal D. Femando CoQtíuho 
com uma Rrmada de quinze náos para destruir Calicut. 
AIToaso de Albuquerque e Couliiüio atacam aquella ci- 

."-Coüglc 



«5 

dade', faieDdo n'ella graDde estrago , »siin>como nal 
náos de Meca , das qoaes qaeioiarain mnilas. FenuadQ 
CotitÍDtio foi morto, e AlbuqQerqne iterígoiamenle fe- 
rido. 

Depois d'esta inrelicidade Affonso de Ubnqacrqno 
toma Góa ao Sabaio , e a entrega ao Idalcao. Segun- 
da TCt a rendea e conseTra para capital do imperío 
portaguez no oríente. O rei de Samalra fai om tracta- 
do com Seqneíra , que o Tice-rei approva , e por toda 
a India nome portuguez era respeilado. mesmv 
«contecia na Afríca. D. Fernando de Alaide ganha lO* 
bte os moaros de Harrocos uma grande víatoria. 

( ISÍl ] Malaca , cidade presidlada por trinta mil bo- 
mens , eom tres mil pe;as de artilhBria , é atacada por 
ASbnso de Albuquerque , que a toma , e n'eUa recebo 
embaixadores de todos os principes e reis asiaticos : 
manda Vasco de Abreu descobrir as Molucas , o qae 
elle execula. IdalcSo ataca Gda, aproTeilando-se da 
ausencia de Albuquerque; por£m é rechatado por U»- 
noel da Canha Vasconcellos. 

(1S12J Albuquerque recothe a G6a , e ganba nma 
ftmosa victoria conlra o Idaleao ; loma a fortaleza da 
Benastarím, e manda motitar cincoenta portugueies, 
qae 'se tinham feito mahometenos. 

Na Africa conlinuam as conquistas com vigor, e o' 
rei da Harrocos é muítas vezes vencído por Femando 
de AUide. 

( 1S13 ) Ó daqae da Bragan;a D. Jaime passa a Har- 
rocos com nm exercilo de dezeseis mit infantes, e dois 
mil e quiuhentas tanceiros ; dá sobre a cidade de Aza- 
tnor, e a toma é for;a d'armas. Os mouros descor^oa- 
dos abandonam as cidades de Tite e Atmedina. 
- dnqoe Tictorioio recolhe w reino , deixando o go~ 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



Tcrno do .pxeicito a D. Jqño de UeDe^. E«te oiareba 
s^bre Bcaacafii ', em quaQÍa {>. JBerpqrda Hinoel ia^, 
TfsLia a cidade de Tafut , e Ñuuo de Ataide a de Tetneft., 

O rci do Congo manda a el-rei D. Manoel nraa cn- 
baiiada, e leu pLbo tí. I|eprii)ue é appce^e^tfidD au 
Bapa. . 

Na Ipdia Albuquergue derrota os ^eis de ^aira , fi o 
^e Benlain , e os obriga a pedir a pai. 

El-rei D. MaDocl , engaDado pclos ininiigog do veD-. 
cedor da India , Ihe detcroiina que abandone G¿a.,Ar- 
fpngo de Álbuquerque , cunbeceudo o engai)0 , ajunta o 
seu conselbQ , e depois de madura delibera^ao , guarda 
a cidade , e conrundc seus inimigos. 

(iS14] p. Jqáo de MeQe^ei continuaia eiD ^iamor 
sendo terror dos mQuros , poréin a morte o arreba-» 
tou. Mtfitos hero^s ficaram aiiida. fiur t^da a Haarila-, 
nia eram victorÍBs ganhas pclos portuguez^s ás qrdens 
dos insigiies capitiies D. Pedro de Meneies, coode de 
Alcoutim; Dio^Q Lo^pes; AfÍQQsa de Noroaba, conde 
de Oderaira; D. Joao Coutiaho; Diogo de MeHo ; Hea- 
rique de Meqezes , e de ontros piuiios |>eDcmerilós. 
rei ((e UacTQcos treme na aua capilal, da ^tbiopia' 
nianda uni embaiiador a el-rei p. Mano^l. 

Fez grande ecbo na Europa o epibaiiadar que e]-iei, 
)|)sadou ao papa Leaó ( , náo s6 pela riqueea e í^ppara- 
tp , como porque entre os rjcos prfs^nteí via-se Difa. 
on^a mansa, e um elerante mui alto , o priineiro gae 
tinha apparccido na Europa. O cbKe d'«sla «élebre efo- 
baixada foi Trislao da Cunlia. 

( iSlS ) AiTonso de Albuquemuc tanja Ornuz , e re< 
cebe 6i cmbaixadore^ do soplii da Per^ia, O grande. 
portüguci , que hayia feito grande a soa pAtria « o seii 
rei , peiíe a p. if^j^^l a gtatfi ^t ía^el-^ dtt^ i^e 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



que na corte estaYam raivosos 4e eiiime contra w gldi* 
rias (k Albuqueniue , faEem crer a el-rei , qne Ul p^ 
djdo bem &zia ver as tíaUs do vicerei ; qne olle sipi- 
rau 8 aer — rH4o witnU, El-rei D. If aiwd «credlta , 
« manda ordem a ASbnÉo de Albuqueniae pars entregit 
9 governo b Lopo Soares de Albergarta , que loga Wn 
reodel-o. 

O sophí da Persia e oc reis de Ormni pfferecem-ic « 
AlliuqHerqae para coflserral-o do sau emprfgo á cojta 
4e quaesqoer atcriaeioi. faeroe tndo reciua , e morro 
fiel ao seu soberano , a quem escreve : « Qut o rei p»^ 
üa jtdgar peio gv» dle iinka feito , a do gvt tiAa eo»- 
tíimaio a faxtr, » Hoitos piincipea asiaticos tomaU 
lueto por elle. 

( 1516 ) Pará comega a eer colonitado por Wnm- 
CÍKo Caldeira Caslello Brapco. O Tice-rei da laáia Lo* 
po Soares ik > pai a luna grande inrte dat conqnisias ,_ 
C manda una einlwÍKada á China e ao Pegrá. 
. ( 1517 ) Fernindo d'Andrade ebega á'Ghina ,eéf 
cebido com amizade; faz um traclade con o inper»* 
4er . e ot poctugBeiea Gdnsegaen liceuQa paBa ediflcar 
t cidide de Uieáo. 

A ritÍDha D. Uaria «arre m Lisboa. Jai no cm- 
\ta.\a de Belem. El-rei passa a tercciraa oupcias con 
P. LcoROT, Alba de Filippe i de Heipanha ( ISiS]. 

( 1516 ) As vietoriaa na Afriea sao importantes. Ma- 
lagio rendeD-se ás noasas arraas. Os'ii^oeios da Gaioá 
.Wmbem o«capan as attenfDes d'e)-rei , que procura ci- 
ñlisit aqaeHes povos pelos inauios da Teliglio^ 

Dñg» Lopea , qme fi áacm imstrEa da •■« espiritis ^o 
defMtarineMlt Ae Smatn , e BiAca . incca<{e no go- 
Teruo d'a India, e os negocios prosperam. Manda om 



o,i,-f-n,Googlc 



embBlxadftr'ao Prestés Joia- Panda a rorUleu de Chul , 
e decUra gaerrs aoHeliqne-At , seQbor de Diu. 

(1519) ADtODÍo da SiWeira conqutsta Sorrate. 

FerDando de Magalhaes , official da casa do rei , des- 
gostoso por D. Manoel llie náo atigmeDtar o seu soldo , 
coiDo mereria , pelos seus bons servi^os , retira-se » 
Hespanha. Carlos t, on i, o recebe graciosatnente, e 
Ibe dá GÍDCo náos , com que se adianta até á ponta xd6~ 
Tidional da'AmerÍca , que 'dobrá , passando pelo estrei- 
to , qne depois conservou o seu nome ; mas é assassina~ 
do na ilfaa da Matta , e das cídgo úios só uma voltou a 
Hespanha. 

(1521 ) AnConío Correia com quatrocetitos bomens 
toma a ilha de Baharem , defendida por áote mil ara- . 
bes. A rainha de Ternate permitLe a fundagáo d'om« 
fortaleza na sua ilha, O reidc Ceiláo se oppoe a que 
os porLugaeies se estabele^am n'aquella ilha; porém 
obrigado cede , e pede paz. iOs portogneies residen- 
tes no reino de Ormui sao quasi todos assassinados 
no mesmo dia , eKceplo em Mascate. Malaca é defen- 
dída por García de Sá. 

Assim caminhava um reinado tao felii; , qne deu av 
monarcha o cognome de Tmturoio. Teve D. Manoel a 
boa fortuna de enconlrar homens eminentes para tudo; 
guerreiros sabios e prudeDtes , jurisconsultos eiimios , 
historiadores Tcrdadeiros; e a todos el-rei protegeu, 
particularmente a Duarle GalTÍo, e Bui de Pina, 
chronistas do reino. 

Já el-rei D. Maaoel gOTernaTa o reino ha Tiate e seis 
anuos, quando a mQrte oarrebaton em Lisboa , na ida-' 
de de cincoeota e dois bddos. HaTÍa nascido em AIco- 
chete a 31 de oiaiode 1469. Jai no coaveDto de Belem.- 



0,i,-f-n,GoÜglc 



OSKmmD. htlam (O^iboso) IS.'Rn. 

(1S21 ) Hoprea-o grande e felii rei D. Manoel, o 
seu fitho , o principe D. loio , [ama as rcteas do go- 
Tenio , tendo dezenove annos de idade. D. Joao iii era 
homem mui piedoso, porém oao era por certo o ho- 
mem para rej successor de D. Manoel. A smbi^io dai 
conquistas e da gloria tinha IcTado os portiiguezes nos 
ulliiDOS cem annos, e principalmente noa ullimos trin- 
U , B láo espantosa grandeza , que , para a suslentar , 
se tomaTS preciso um rei guerreiro da esphera de D. 
Joio 1.° ou D. AfTonso v. 

Os carsarios francezes jí faaTJam sido balidos pelo9 
nossos uaTÍos de guerra , e Francísco 1 ." , rei de Fraii' 
(a , manda dar uma salisfa^ao a Porlugal, 

D. Duarte de Meneies , gorernador da India , conli- 
núa a ser oa Asia heroe, como o fóra na Africa. Sen 
innio , D. Luiz de Heneies, capilao das Indias, dil- 
tingue-se por seus servi^os. 

(1523) Funda-se a fortaleza de Ternate lus Holu- 
os, e a cidade de S. Thomé ein Heliapor. Anlonio 
Tenreiro coroeca as suas Tiagens. El-rei manda uma 
embaixada á Persia, porém é mal succedída. reiaa 
é assolado pela peste. 

h. Daarte de Meuezes acaba o sen goTemo na India ; 
fica interinamente D. García'Henriqiies. 

(1523) Heitor da Sitfeira é nomeado almirante das 
Indias, para onde párte. D. Affonso de Sonsa derrutá 
o rei de Pam, O Taior de Antonio de>-Brito faz com que 
lodos os soberauos das Holucas maudem pedir protec- 
(io aos portnguezes. gOTerno da India estava mal en- 
tregoe nas mios de D. Garcia. Et-rei manda por TÍce- 
rei «liiurante mór , D, V»go da Gan» , coode da Vi-' 



diguera , e cdv^ já ¡estÍTesse velhe , Ifevx pvr Bd)antos 
D. nenrique de Menezes , Pedro Mascaranhas , e Lopo 
de Sanipab. A preseni^ ds coi>de da Vidisueira rcsta- 
belece a ordem nas conquistas, mas a inorte o arreba- 
la em Cochim ( IS^Í^.^uccede-Íbe D. HeBrique de 
Menezes. 

( 1525] Colonisa^ao da capitaoia do Espirito Santo 
Da provÍDcÍa do Brazil. , 

^l-rei manda juiies deT^tra para todos os logarea n^ 
Ceasarios ; cnnserva uma restricta neuiralidade no meiu 
das guerris que agilavam a Europa , e celebra o «eu 
casamento com a infanta de Hespanha D. Catbirioa » 
filha de Filippe i. 

A .guerra , e as victorias na India continuam ramosoa 
debaixn do goferno de D. Uenrique de Meaexes. Ta- 
uanbia TÍc(orias«rBm poTéin mais devidas ao espÍEÍIo 
marcial da naQSn , e esfor^os dos bravos soldados daa 
escholas dos Vascos , dos Á^lbuqueiques , dos Beneiet . 
e de lantos homens famosos dos reinadvs precedMrtea , 
do que ao caracter pessoal do nlanarcba , tfue eca mais 
dado ás aciencias, e maii ptoieclor d'eslas, do ,qM 
das conquistas. 

O graade cantinente , ■ que depois se cfaanati Na*« 
Hollanda , é descoberto pelos portuguezes. 

( 1526 ) lastiUrifio em Portugal de tribunal da [H' 
qnisifáo. Lopo de Sampata dcthsraU dei nail malabfrt 

( 1527 Morre D.IHenriqae de Meiteies , gorenMÍM 
da India. Pedco MascaraDbas , e Lopo Vai , questÍQiiam 
sobre o mantlo, « ainda assin os aiÑmos seleaoc eoB> 
tÍDuam nas coíiquiatas. 

Loiirew^ Vasqm desAe>baE«a tra BoraM. Lapo Vaa 
S>Ph* gxánd^ cubuit wb(«« ainiada 4e.£alii!Ht< A* 



DMsag Jirmas fraDham ígDalmente trlonfót sobre o rei 
de fiÍDláo Do mar Roxo, nas HoluGas, e em muiu» 
outras partes do orleDle. 

(1529J grande'mathematíco Pedro Naneg é no- 
meado casmographo mór do rtino. 

Nuno da Cunba toma conta du govcrno da India, ■ 
acabam as discDrdias enlre os duis rÍTaes do poder, 
Conquisla do Tidore. O rci de Mombaea Gcá nosso tri- 
bntario. fielchior de Souza Tavares váe em auilIJo dift 
reis de Biicará, e devassa os rios Euphrales, e Tígre, 

(1530] A colonisacáo do Braiil, já comcgada nq 
ParáemlSlfi, come(a agora a ser attcndida porel-nei. 
Hartim AfTonso de Souza é encarregado dc explorsr as 
Goslasd'aquelle paiz. 

ffuno da Cunha prrijecta a conqaista de Diu , e dü 
fonnidayel alaque á ilha de Beth. Náo podendo eonse- 
guir o aeu intento , recolhe a Gda , dciiando Anlonift 
da StlTcÍra com uma armada para ínfestar is costas dq 
Cambaia. ' 

( 1531 ) Espantóso trcmor de terra > que dura oila 
dias (feverciro]. 

( 1532 ) Descoberla do Rio de Janeiro (1.° de j^nei- 
ro}. Instituigáo do tribunal.da Mésa da ConscieDOÍa e 
Ordens. 

(.1634) Institui^áo da celebre companhia de lesos 
por Ignacio de Loiola (o.Santo). £ Iransferida par« 
Coimbra a tmiveraidade , mandando cl-rei vir dos pai- 
les e&trangeiros muiLos professores dislinctos com que 
a enríqncceu , dotando-a ígualmenle com cabedaes sufi 
ficientes para sustentar a sua grandeia , como univer-> 
sidade de primeira ordem. 

Garoia da HorU navega pira a India , onde ejcreve 
ijibK. a» ÍTO^^s do orienle. 



o,i,-f-n,Googlc 



[ 1535 ) Nuao da Cunha rende Ba^atm. Atemorisado 
o sultao Badni assigna a pai , e faculta a funda^io da 
forlaleza de Diu na cosla de Guzarate. Manoel de Soo- 
za ficou governador da Dova forlaleza. 

Hartim AfTünso de Souza foi soccorrer o sultáo'COii- 
tra o Mogor , e o governador foi para Góa , e logo bI- 
canca a cessao das provincias de Bardeit, e Salsele. 

O infanle D- Lui; com a mais luzida nobreia váe em 
anxilio do imperador Carlos ▼, com uma armada para 
a expedi;áo de Tuneg , na qual o iafante e as uossas 
armas ganharam muito credito. 

Colonisagíio do Maranhao , Ceará , Rio Grande , Fa^ 
rahiba , e Tamaracá, no Braiil. 

Nao tardou a haver desavengas entre o rei de Can>- 
baia , e o governador portuguez da India. Manoel de 
Souza e ouíras portuguezes sáo mortos em DÍu ¡ porém 
Antmiio da Sikeira e D. Jorge dc Menezes derrotam 
e matam o sultao. 

(1536) O grande e virtnoso Antonio Galváo empre- 
ga um zelo oposlolico na conversau ao christiaDÍsmo 
dos habltantes das Molucns. 

( 1S37 ) Peregrinacoes de Fernao Mendes Pinlo. 

( 1538 ) A morte do sulláo-fai colligar os mouros da 
Asia e do Egypto contra os' portuguezes da India. Lá 
marcham sobre Diu, o Solimao do Cairo , oldalcao, 
e oulros. D. Joao Pcreira dcrrota o Tdakao , e. Antonio _ 
da Sitveira' dcslru^a ns armas colligadas , defendendo 
heroicamentc Diu, nño tcndo mais de seiscentos bo- 
mens , e Hcilor da Silveira levou tudo a ferro e a foga 
pclas costas do mar Roxo. Ao'mesrao tempo D. Jorge 
de Menezes fazia tremer as Molucas. 

(1639) £ DOmeado governador da Indíi D. Garcia 
de NoroDha , que logo estabelece a pu com Ciinbaia t 



n 

Cilicttt ; forlalece Din , t mom im ñm de seii rnnea, 

( 1540 Succedeu no goforno dl ladia D. EsUÑo da 
Gama. D. Estevaolevon o PJ Fraacisco Xavier [ o San- 
to) , Q apastolo da India, 

FundaQÍo do collegio de Sant'Iago de CaDgraDor 
para educa^ao dos nihos dos gcnlios cuoverlidos. 

Preparavam-se os tiircos para ÍDTadir Dovaioente a 
IndJa; porém logo qne D. Estevio teve conbecimeDta 
da projeclada invasáo, apressa-se a ir esperal-os até ao 
Íiorto de Suei , baslando s6 esle rasgo de audacj'a do 
governador , para os ÍDÍmigos desistíram da empreia , 
sao deixando os nossns dc Ihcs cauaar graves prejuiios 
lias suas cidades tnaritimas. 

N'esla' mesma occasiao o imperador da Abyssinia 
pediu soccorro a D. Estevao Cunlra o rei de Adel. O 
goTemador logo manda quÍDhentos homens ao mando 
de seu irtnáo D. Cbrislováo da Gama ; o» expediciona- 
rios obraram prodigios dc valor, porém tivemos a iu- 
felicrdade de perdcr a D. Christováo. 

A fiagem dc D. Estevao ao golfo Acabico foi escript« 
geograpbicamente por D. Joao de Caslro, que alé boje 
ainda aingueTD o eiccdeu. 

(>15f 1 ) Marlim AITodso de Souza vjc goverDar a In- 
día. Funda-se em G6a a cüllegio dos jcsujtas, dcno- 
minado da Santa Fé. para a inslruc^áo dos meainos 
chrislaoa , e dos ncophilris gentios. 

( 1542 ] Descobre-se a Japáo , para onde parte o he- 
TOe P.' Francisco Xavier, e lá obra maravílhas. Oa 
DOssQs estabclecimenlos na Cbina progridem. O Idalcáo 
retíra das terras de Sulscte , e Bardez. 

( 1344 ) Corles em Almcirim , onde é jursdo principe 
herdeiroD. JoSo , filho d'el-rei. PedroNunes c nomeado 
lcnt« de nwliieiiuitica pafa a universidade de Coimbra. 



♦4 

■ (IS45 ) J). JaSó 4e Caitro í iii»neadn více-TeÍ da 10^ 
dia. Lonren^o Harqués descobre a bafaia , a qoe deu o 
seu íiome. ' 

( 1546 ) El-rei manda aos portugueres na Abjs'siaia , 
^e procurcm descabrir camiDhos pclo interior para a 
cosU de MelÍDde, e (ambem para a costa occideutat 
da Africa. 

Declara-se a gnerra etitre PDrtagal e Cambaia. rei 
Hamoud manda sitiar Diu pelo seu visir Coge Sophar, 
soldado eiperinientBdo nas guerras da Europá'. D. Joá<t 
Mascaranhas, governador de Díu , defendeu a pra^a 
eom um valor nunca visto. O general mahometano nior- 
re n'uma sorlida dos nossos. Scu fllho Rumecao conti- 
núa o assedio com maior vigor; e rccebe reFor^os de 
(ropas , e materiaes de gaerra ; dá assaltos sobre assal- 
tos ; porém D. Joáo Hascaranhas todos recha^a. Fer- 
nando de Castro , fllho do vice-rei , já havia perccido 
na defesa , no mome&to em que o inimigo fex ir petos 

Apesar de tao brithantes feitos d'arinas,'a prai^a de 
Diu cslava em grande risco. O vice-rei se apresla em 
Góa para a ir soccorrer. Levanla ferro a' armada , í 
chega á vista de Diu', deserabarca tropas, alaca a e>- 
quadra inimiga , que destroe , e logo os nossos siein 
da pra^a cm' tres Irogos , e o ininiigo é balido comple* 
tamcnte , e obrigado a levanlar o assedio. 

A cidadeUa de DJu precisava grandes reparos. D. 
JoSo df Caslro pede á cídade de Gda trinta mil pardáos 
para a sua reediflcacáo , mandando por (^arantfa de tin 
avultado emprestimo vm eabeilo dai miñ barhai. Bepa' 
rada a praQa, o vice-rei recolhe a GfJa , onde recebo 
as honras do triuafo. 

vlce-rei , aprei'eilanéo o deteoniomentft do íntmi- 

• ü,o,i¡-n,Googli: 



g« , aÍBÍi D. .tfawel de Líhm por loda a «oEta de 
Camtuia metter tndo a ferro e á fogá. Ai cidides ds 
Golg'a e Condar foram JDcendiadas. proprio více-rei 
com tres mil bomms appresenta ttatalba ao sulláo , qae 
aeampara em Sarrate cora grande ex^ercito , porém náo 
fii acceita. 

Em Ualaca , eio Ormni , nas-HoIucas e na Arabja ^ 
oniaram ds naMOS infmigos accoiBmetter-nos , porém 
foram Tencidos triunranlemente. Assín as nossas arraal 
rcbatiam qualqner audacia de iniinigos , onde quer que 
elles appareciam, e a bandeira portogueza corria lí- ■ 
Gtoriosa nas <|natro parles do mundo. 

Os ílheos e Porl» Seguro no Brazli , comc^am a ler 
coJoiiÍMdas. 

( í 547 ) Comecam a apparecer os efTeitos da desacer- 
tada medida de abandonar at prafas de Arríca. Os mou- 
ros,*tencidos ali sempre. conseguem por surpreia'uma 
Tictflría sobre oé braios Liiii Lonrciro , e Tristáo do 
Ataíde, sendo morto o primeiro. 

Na India , D; Joao de Castro desbarala o Idaleao. 
reí de Cainpas, alliado dos portiigaeies , expulsa d« 
Eden os inouTOS , e pede soccorro ao nosso governador 
de' Ormua. D. Paio de Nopónba commanda a expedi^ád 
qne para ali é mandada , e logo que se appresenta á 
fista d« iiiimigo , foge. vice-rei semiu bastante tal 
fraqueza. ' 

(1S4S) Uorre D' Joáo de CaAro. diiendo-se que 
foi masoado pe]a fraqueza de D. Paio deNoronha. Suc- 
sede no Koremo i¡i India Garcia de Sá , que fai pa* 
eom Cambaia. 

(1549} Colonisacilo da ctpitania da Bahia. Thomé 
deSouza , primeÍFogovernador psrel de Estado do Bra- 
Ül,.l^« o* fundamentna A cidade d^aqiKlle nonie, 
para aer a capital do Brazil. 

I».,,,;. 1. COO^ÍIC 



94 

■ Sotge Cabra] , Tellio e »pertment&do soMado , t¿« 
gDvernar a iDdU. que cooserva com gloria basUnls 
para o Estado, rebatendo aggressues naa cidades de 
Capocate, Tiracol, Coulete , e Panane. 
' (1550) D. Affaaso de Noronha é DOmeado vic^rei 
da India. O novo governador continüa a fazer respeit» 
as nossas armas em todo e oriente. 

Naufr^gio de Manoel de SouM de Sepulveda , e laa 
mulher D. Leonor de Si. 

. ( 1S5I ) Conclusao do magestoso templo e coDTenlo 
de Belem. Conie^ a colonisa(3o de Pernambuco , « 
Sergipe. Funda(áo dos seminarios de Salsete do norte , 
e Punicale, peios jesuitas. Tomada de Geildlo, capi- 
tal át ilba do mesmo nome , no archipelago das Uo- 
luvas. ' 

(15S3] Mon-e o grande Padre Francisco XaTÍer 
( o Santo ) , jesuila , depoís canonisado. 

Luii de Camoes passa á India em companhia de Fer- 
nando Alvares Cabral , que voltava lá com quatro nios. 

Casamento do principe D. /oao com D. Joanna, fi- 
Iha do imperador Carlos v (novembro). 

(ISfii) Morre o principe D. Joao , pae d'el-rei D. 
Sebastiáo (.2 dejaneiro). Nasce o principe D. Seba»- 
tiiio , depois rei ( 20 de janeiro ), 

Edificam-se novas -cidades no Brazil, e dividem-se 

D. Pedru Mascaranbas snccede no Rovemo da India ; 
emprega todo o seu cuidado na fábrica da armada para 
o eslreita de Meca ; porém a morte o arrebalou logo. 

( 1S5S ) Francisco Ítarreto succede a D. Pedro Mas- 
caranhas , que durante o seu triennio consegulu muitos 
triunros pelas armas, e pela religiáo. 

{ 1536 } Ff . Gsspar Á Crui (dominicaoo } préga • 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



MHHfellio m Cblu», f.aetem nm traúdu «dm u 
cousas d'aqBelte ÍDperio. 

1 1557 ) Os portiigueies derrotBiD 09 piratas , qne in> 
feHam,os máre» d» Cbiton e iBHfim 09 fundamentoB á 
cidade de Hacjo. -. 

Uorre D. Joio m, deixando por MicceBBQr nm neto 
de tres aanos. DuraDle seu reinado , qae durou tTÍiir 
ta 6 GÍBco aDDOS, foram muitos missioaarios prégar a 
EvaDgelbonaAsia, Africa e^merica , cm cujas regioes 
03 seus generaes fiiérain innumeraveis conquistas. 

Erigiu Dietrapolítana a Sé de Evora, e em bÍGpados 
ai igrejoS de Míranda. , Leiria , Portalegre , Cabo Ver' 
de, Codiim, e Malaca. 

Poi o primeiro soberano que come^ou a der eonside» 
ra(í¡o ao Brazil , faiendo-o colonisar. Derrogou as leia 
antigas que mandaTam marcar os ladroes.na. cara; fui^ 
dou muitos collegios , e outros muitos estabelecimentos 
uteis ,' até qae a roorte o arrebatou , estando em Lii- 
boa, a 11 de jooho de 1557, centando cincoenta o 
eÍDCO anBos áe idade. Havia nascido a 6 de janho do 
1503. Jas no coDTento de Belem. 

SmBo». D. SoÁsnlo i [ Desuido } Ifi.* Rn. 

( 196T ) A moTte do piedoso rei D. JoSo m deTon 
ao thropo seo neto D. Sebastiao , que apena;r tinba tres 
annos 4c -idade. 

.Tomou coDta ^ü regencia do reino a rainha D. Ca- 
tbarína , avó d'ei-rei , e senhora de gtandes vírtudes e 
tal^tos. A educa^io do joven rei foi entregue aos cui- 
dadtis de D. Aleixa de MeAeies, varao muito sabio o 
vittuoso. Para sen mestre fbi-lbe dtdo Luii Gon^Ives 
áiL Camara, jesuiU. 

7 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



^tllXt.yOanegotiiésáithMiifcoiiptnnm, e ogtm 
de Coiutantino de Bragenga pan H lic lomH- ettt» 
áo goveniD. 

Chegoa o noM *fe«-t«i , a tegs eajtígcn o rHwM* 
rei de CananoT , e tomon as cidadei de- Dalño e flol*~ 
tí ; niMldou ABWfif o Uonív Varreto sobr» m AñÍM , 
qn« fofam derrotados; manda t Tmü de Helfo para o' 
Úslabar , aonde Tenciia omH poderMa armada , destniiv 
» ctdadc de Uengalar, e cónqmsttKi'en) pestoa o Jm^ 
btSo. 

( 1SS9 J DeBcobriinentO' da Hba 4e S- Piralo. Doarte 
dfr Alb»C|«erque Coelho, doHelaFÍo de Pemamboco, 
'descobre o rio de S. Francisco no- Braiit. 

( ISfll ) 9. COnstantitao Üt Kagan^ acaba o sen TÍee- 
reinado da hdia, e ésBbstítnitfoporD. Prancisco Coo- 
tfnfao , conde tk Redbndo , qDe'OmserTa todo o orÍHite'' 
eom respeito e credito para a na;áo. 

( 1962 ) Aiiiitaha regcnre de se» nmlo pro{HrÍ» ea* 
Irega a regencia do reino ao cardeal jy. Hfearíqtie , tio 
do' rci , e retÍFa-se a am convento. A abmidancia cobre* 
reino; o cjimmercio para o oriente'é conrideraTel. 

Na AfricaToi Hazagao rigorosamente cercada pelos 
moaros, per£A ralorotameate defendida por AdtOBÍo 
de Carralbo. 

(ÍS63) Cada dia chegam noras das' ftcanbas dos 
mssos n» IttdÍB,;' cada soldado é nm beroe. O fiee-ret^ 
conde de Redondo morre , e fica com e goremQ JoSo* 
de UendUn^a al¿ qne o vie subgtituir D. Antao de No< 
ronha. HorrÍTel terremoto na ilha de S. Uiguel. 
' D. Paulo de Liina gatiha a ÍSraosa Tictoriá sobre s' 
poderosa armada de Camata1&, obrigando o Rajaa'le- 
Tanlar o cérco de' Gota. 

( 1S67 ) Cuta foi abandonada , portae-iM» dimi' pr*» 

Couslo 



f? 

jtíio,-e péáatmm is wmM iNpw i'a» pan Culiiib» 

(HMlpmihi 09 i1kMd$ qoe se oppHÉaH áo tesO e^b> 
belecinKínbi it'xjtieltis ^rj^cAs. 

Hem áb Sü , ^«rttador gerat d» Itail . taics o9 
finiAliiieBlc» i cidade do Ria de JtteiM, i qaeGh»» 
Mnti de & dM<uM5» m meinDHa d'el-m. 

( t568 ) Mi (fe Ceylao MativAa a qoncr App(iM4 
M MSM estakeretirtíDlo A^aqadtv Hhv; parfin B. Btl^ 
AmM' de Sooia (t ohrígi' e ao seu esercito de tríiilK 
«(I boiwm * rétti*' paVa o tcMnr dv i]!». 

Ettrd t(MA as téien áágtmÍBo. fímtagpñmeini 
Btíot db' ^fl gonrnb fer ñHndaP para vice^rei da fniiiri 
«0 pwñt! D. fcafií de AtaMe , condc da Atongnia. O 
líee-nt coitiefá a idb MÓpréi* em OMr e Bantfór. 
N'esta occasiio os rcis do oriente se caMsphamn pira 
Aeatfir Dt' ^onOgllMi ; poi^m' o cobd^ da Alot^nia 
MnSt; «9 no9sai 'eoMptela* co» tnitf nflor e petíéis 
AiKUr admii^vel^. 

( n%9} Os' confcdendos mardiitr. Sobre M» vie • 
Idalcao , o NiiamalHCO sobre Chaul , o Camori s(rtira 
ChafS; rr o Actiem stobre Mataca , jstd i, «tuitro'dos 
nossos {hmlos frinüipaüs de eccupl^So mHitar iiB'lndiR 
farvm ^MIIMneanetlie a(eci(fos por eansiderimii for" 
(|a9. O rei- de Acbem foi eotnpletamtfnte desbaratwlo 
díM^' d« Hamta', e' OS' ovtro» balMos' v obrigados • 
rttfrar.- 

TÍce-rei e os seus cipiti^S' D- Jorge de Hen»es , 
D. F(4n(!Hco'MMcar(<aIlas , Biogo ffiascaTeriflas , e Tris- 
fSo Yat &»■ VeigR , ganfaaram Ishfos immarchaTf^is na 
AfFfesa á» palria', e A gtoTia do nome portoguec. 
' ( iSÍO y O pltpa é ,0 i<ei de Hespanha- conTÍdam a el- 
nei para- entrar' n'iRbir confei^ri{ao contra' os moaros. 

( t571 } Para a Indía vío nomeado TÍce-reL D. Anl^ 
7 • 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



aíd de IToroidiat qoe ajHita pu com o Idalcl». fiu 
1573 £ •nbstitDÍdQ.no gOTerno por ADtonio Honu Bip* 
reto. Empreheiide Barreto a conqubta de MoDamotapa i 
e mitus de SoñllB . aonde foi em .pesuM. Soccoma 
llalBCa . apertadft pelas fotqts da rainba de lapari. 

El-rei D. SebastiSo via desgostoso o abandoM dii 
pra;as de Africa, e a grande obra de D. Joio i e A^ 
IbDso T qner elle terminar. Qner coroar^se rei de Htr' 
rocos , e auenfaerear-se de toda a Arrioa , a logo pusa 

■ raier peisoalmente nm recoDbecimeDlo sobre aqaelle 
territorio matirilJiDo. Desembarea em Tanger, e-p«w- 
trando no ÍDterior , tíq e plani«m oma forraal conqnis- 
'tipara maia larde , e recolben ao reino, El-rei roanda 
I ÍPaBlo Días de Novaei fnndar ó reÍDO > e concluir a 
COD<¡uista de ADgula. 

( 1576 ] AdIodío Barreto wtrega o gineTDO da lodia 
« D, Dif^o de UeBaei. Este brioio portugnei mante- 
Te poder doa portugnetes no oriente , qoe come^va 

■ abalar^e pelaa contfonai conjnraüoes dos reia naln- 
we*. ■ - . 

Unley Hamét, rei de Uarpocos, teodo sido eipBlsp 
do tbroDO por uu tio Hule; Holsc . pede aoccorro* 
á Hespanha para conqnistar o teino. Filippe a nñ tb'oa 
coDceden; mafD. Sebastiio. sendorogado, aprf»eita 
• Dccasiio , e Ibe promette poderoso anxilío , contn o 
parecer do sen congdho , do cardeal , e de sea tio o 
r<i- de Hespanba Filippe n. 

(1578) D. Loiz de Atiide, por diaer ao rei qa«< 
expedi(Éio era imprudente, ibi mandado, pbr le^oada 
m, gorarnar a India'. cardeal D. HenriqueDáoqDer 
aeeeilar s regencia , qne é confiada a nm coDtelbo. D. 
piogo de Souia , horoem de pooca eiperíencia miliUr , ' 
Í feitO general do eiercito. 



ü,;,i,-f-n,C00^ílc 



» 

A fil de Jimho <ie á^ tisboa , c ebe^ a Tatiger' • 
Anilla , londfl inarca d ita campo. llak; Hoinc , qtM 
tinba junCado Dm"«erci(o seis veies maior qne «de 
el-rei , se acampf na «la fmile a uma legoa da Alcaceis 
quÍTÍr, Dá-ie batalha « 4 de agosto: oa poilagaetes 
faiem prodigios : na prímeira iaveslida foi derroUda « 
Tan^narda inimiga, asstm como a sva artilbaria ia k 
caírem uosso pOder , e a-TÍctoría já era acdamada pel» 
nossos,- porém um momento át snspeasSo fez perder d 
trínnr». Os inimigos carregam sobre os nossos , eitennar 
do9 peló calor e pela séde , e os cercam , detbaratandt^ 
03 inteiramente; 

O nosso exereíta tere oito mil mortos , e maior n6- 
mero de captivos : ot inimigos perderam mais de deioilo 
mil bomens, ' 

-0 rei Uoíuc , grafemente doeüte , eipiron dettro di 
liteira durante a batatha , e Ualey Hamet arogado no 
río Uneacenr, indo na fngida.' El-rei D. Sebastíáo des- 
appareceu , 6 ba grande conlradic^áo nosaactores sobré 
se morren , on ficon prisioneiro. 

O certo é que o reí portngnei naoapiiarecia, 0* fidal- 
gos portagoeies prisÍ6Deiroi , reunidaa na tenda do no- 
vo rei mouro, e os mesmos iaimigos, estavam crentec 
qae era vivo D. Sebastiaoj 

Um críado da casa real disse , qne íabta tmde estan 
cadaver d'el-rei. Snppoe-se qoe esta declarB^áo do 
criado foi s6 para ganhar o premio promettido pelo 
rei monro a qoem o declarasse. Levado o criado ao si- 
tio da batalba , laa;oQ mio d'nm corpo , inpossivet de 
ser recenbecido. Estaia ttido retalhado, e bo naior 
ettado de putrefic;io , por ter estado esposto ao inlgn- 
so sol dnranle tres dias de igosto. rei monro chamoa 
Al|DDi adalgo» priiioKÍros para o neoDbeccrcm ; po- 



I. Coo^ílc" 



féffl tms B priiKlpiq <»dA id»Dlá«si , e^ojvii 4i>eni 
BBt Q n>rpa d-el-rei'O. SebBsUáúj Disje-iiedeppis, qae 
ilto f4r^ uma estFsbegÍa para dar lempo a qus ^^-lei se 
«Blvasse;.p<iis, julgtdo nM>rto, náo o^r<Kii''i'!'0B>BÍ3. 
Maisrlaide, noisando j4 íiiippe b, o cadtvoT vein 
para PoEtiJgál , e ae caji9«rira em Btíem.- Tamben) pos- 
fteríomifinte app>r«csram algans Jii(tiirídw>B iatiUluidar- 
•e D. Seln^á« rei dc Pc^Lugal. Vm d'ell«i d£U sarieg 
Citidados 8 el-rei Filippe , pms muila genU scroditoa 
^ve era o infalÍB rei portiigifei , e taltet nfia m esga- 
aasscm.- (9) 

ei Qnerfvwiitfif ñ*M tflIifWi*id«oft«»e,i>pi-efri(> W. 
liio, ^e ficira c^pLiyq, e ilíifá,rf¡iila em ti|iqp|^ xd- 
dadó, para melhorie poJer eicápar, comeguiu^la fu;:irpa*- 
»do mais de um anno ; mai chegado ao Algarve , maiidDa 
t*. SebaatiKo (ecrétBiHbDte'a «eu lio , qu* 'ocrufUTa o 'ieii 
tbroilo, ávisol-p d«'>aa í:tt(!e«l» , • sue o ra>4«id respwdd- 
I», que »'i«*cjá 4"^ T«i»? 1 «WBf^o ¿3p » m?»df*'l« p«*nder 

O velho cardeál 'i novo ^l eitara cercado de Ctiríilavao 
de Moura e acus Binigoa, qué qaerlain , e cDuKguirBm eo- 
t^égkr 'Porfagal ■ ibnfuilia; e for Unt, «é' tal re<*MtB 
Iwtire , derefim ■cT«iditaT qiie Eú iiMÍa obra 4*4 trwdír« 

Sae vMder^m Portueal » f iUppe tf , do que 3» aip^is^? 
e D, Henriqae,'que era quail cadarer ¡ e'tudp quantu le 
fei DM ujtiino) dia* da lua Ttda , fndo foi 'obra da kMpa< 
slmlBdiM. 

O certo é gue inlitqlada D. ^ebaiti!» re) d^ Purtiie*} 
paisou « IlalLf, e ríÍBflodo já ew Purtnsfl Fí1?,w>e '» "1* 

UespatitiB , fui préso epi Venei^ , e cOQduziilo b Nspotci. 
CTvíce^rei dé Napolei, conde de I,e"mo«,lh¿ fiillou etn pBr- 
lIcúlBrÍdB^i de qtiBodo foí aahBÍKailor «m 'LittM» Junt* 
^o ineaflTp f).. SisbHliivi, ÍKapiÍP, .o .<ío<|4^,,<:«rtO dfl qw 
^Oaelle ho,(i|eui rra • prop^lO D- SeV^stiao rci de ^fl^Iugal ; 

' í;oti.ÍemiiBdaa garés'pnr «odá. B TÍda , foi D. Sebailito 
iBQttido {uiiwr g diiia''eH^, e'ó pvva^i'Vi.cautelu ^m 



m 

. Tin&a &. SebHtiio ^iusj y't^ a oineo sbdm. «en 
TfÍBajdo /oi de linte e ujn aonos. Fei maitsi leis « 
Smw dos eccIe«Í9»tMWf , e ¿eia Goidciria« á sqa Auctf 
rr'ikde, e alterou muíui a.lcgisU^ao i^ofl reia aeusu» 
^ecessoreg. 

Sbiuoi S. pmiftiii I [ Cmo ) 17.* Rn. 

'1578} A 22de.sgo«(o cli^ou a notfciado desaslrf 
de, Alcjicer-quitír. a qa« lancoB PorlugBl m maior 
cofisIcrDagap. cardeal D. Heorique toma Qonla dg go- 
«erHo com. o titulo de protector , e cioco dias d^if 08 
TretGitadot do Rdno , reunides emcortes 1 acGlanwrain 
rei ( 28 de agoatG } ao meímo cardeal D. Benrique , GI1k> 
d'el-rei D. MaBoel ,4endo já ses$«ita e Aeis annof de 
idade. 

k nagao , prevendo o« males qse a eBpera<ra > aooiow 
pedia a el-rei noineasM um rei porlDgnei i poría D. 
Henrique entretial» oi aaimos , d>z«Ddo que eeperav* 
dispensa para cassr , quaodo elle ti eatava aonÍMCfnda 
qvein melbor dir^to lÍBha ao foído. [ 10 } 

ron elle Iia*U] D'uin ntvfo, qae o ntndiitla a 8. Latat 
dc Birnneda , d« AnifalniÍK. Fallaram-tbe ot 4aqBM •)« 
Hcdiaa SidoBÍa , c.U. SebaitUo perfnDion r/tir cmiu qoe 
•'ieraai caDhacidÁi do rei ■ do daque. UmB etpada havia 
.o rei dado ■□ duque, e logo a rcconheceu , ■uim como um 
■Dnel que dera á daquCia. E dlne mali : B¡ie tmntl tak 
i'fiaizD da ptára grmado a mei noinc. O «nnel foi Inpi 
.dcKrBTuia, « e<fccUT«aacDte fiwado o fue dlii'' 

O rondemiud* á« g^léi, raeinioein fsrro*, dava cada *e* 
■■li ruidido ■ Filippe. De S. Luc^r íoi tniDiporlMlo ■ nm 
mtello, e Dunea maii le ranbe d'elle. E'' de inppor qae a 

( HDJ 'Stíu ÍDta^ de &. Keitriqae iSo mui bqw 
P'«a GMtra a mpMU que en nome lícHe w deu «o bj^ 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



«19 

Os^pTAenAttíM ersmt 1.* FÍU^'n rei de Beit»»< 

nha, 2." Manoel Fetúbérto , duiim de Saboia, 3.* D. 
Jntmúo , prior do Gralo , 4.* Aainmnilo Fariuie , prm- 
clpe de Parnw , fi.° D. CatfaarÍDa , diiqueia de Bra^i- 
^a. O 1.°, 2.* e 5.° pretendentes eram netds , e o 4.* 
biineto d'el-rei D. Haaoel. O 3." Umbem era neto do 
mesmo reí , por¿ni filbo oatural do ÍDfánte D. LdÍi. 0. 
Catharina era a legftinaa guccessora, depoii D. Anlo- 
Sio. 0» outros tinham perdido o direito por estranfei- 
Tos , .s^unílo a lei rDndamcntal do estado. Havia nms 
as irrisorias pretéa^óeg de Otbañna de Uediois , raí- 
nha de Franca , e as do pipa. 

■ ('1S79 } Éntre tantos pretendenles , e apertado ;»e)oa 
castelhanos , el-rei se decide a cscolher ura siicccuor , 
inas a flnal nada resolve. Ajunta cortes , e Fiirfipe n 
ajunta as suas tropas para apoiar as suas prelenQÓes. 
Os senlifnentos dividein-se , e o medo faz al^ um parti- 
do a favórjdo rei de Hcsp^nha ; muilos querem a duqnc- 
Hi de Braganga, e gerahnente o povoquerD- AnioDÍe. 

EBfpaquecendo o rei.de sande de dia em dia , o con- 
selbo proclama os govemadores du reino , ^ue sao tia- 
cft : — D. Jorge de Almeida , arcebispo de Lisboa ; D. 
Francisco de Sá de Meoeze»; D. Joáo Hascaranbas < o 
beroe de Diu; Diogo Lopes de Souza , seohor de Mi- 
rasda; e Jq30 Telles de MeDezes, senhór de Avelrai, 
os quaes tomaram o juraiñento de governarem seguodo 
M leis do reÍDO. 

( ISSO ) ^m quanto os negocioi do reino amea;avam 
B ■abversáo da moaarchia por ciusa da successio , os 



pererido no Algsrve. Se D, Henriqne fnue de ,tal Mbedór , 
por certo qne, tertllcsda a idcBtÍdade da peiÍM, «llt llio 
eRtreiaTi a reiu. ■ 



0,i,-f-n,GoÜglc 



negodot áñ tadl» canUnaavBih » pFOSperar delutto áo 
gonma do conde da AtougDÍa. Na Ífrica', Paulo DiaS 
de Noraes otiriga orei de Angola a fazer i paz. Mor- 
n o * íce-rei da India : suecede-lhe D. Fernindo Te)le> 
de Ueneies. Uorle do Idalcio. 

Alrreiii-se as cortes em Almeirim. D. Antonio Pi~ 
nheiro , bitpo de Leirii , fei o dlscnrso da abertnra ( 11 
dejaneiro ). El-rei , alHicto , eada vei se debilita maii, 
IX Calharina paríe de Villa Vi^osa para Alméirima 
»« o tio, fatla-Ihe, e o reí resoive-se a declaral-a sii(^ 
ccitara ; porém D. ChristOTÍo de Monra , do parlido de 
Hespanha, o impeije, e n'esta irreso]a;iú continaoa 
até ao dia 31 de JBneiro , em qne falteceu. 

D. Henriqne fpi prior commendalario de Santa Crot 
de Coimbra, arcebispo de Briga, d'Evora, e de Lis- 
k», inqnisidor geral , CBrdea) , regente do reino, e 
pornltimo rei. Poi insigne theologo. Mandou facer pelo 
desembargidor Duarte Tftincs de Leáo uma conipi)ai;3o 
de leis Dorissimas, fundou a qniversidade theologica 
de Evora , « militos co))egio3 e eonventos , e a rorla)»' 
n de 8. Íuliáo da Barra de Lislxu ; porém quasi lodo 
dnrante a sna' ugencia , ou mesmo cono arcehispo , e 
peacas durante o seu curto reinado de dezcsele mezes. 
Horrea em Almeirim a 3i de janeiro de 1580 na ida- 
de de sesseota e, oito annoB. Havia naacido em Lis)>oa 
S 31 de janeÍTO de 1512. Jai no conveDto de Belem. 

BS«VarDO IMTEBBECÍNO. 

" CoBJ a morte d'el-rel D. Henriqne comeíiiram os 
cinco governadores, a governar o reioo ; mas táo dcsn- 
nidos , lemerosai , e abalaáos , qne cada nm seguia o 
partido dot oppoiitore» , a qae ■ piopensSo qs inclína- 



I. Coo^ílc 



m 

*a , w talrex o altractjvo áo loteresse, iS<tllo mxí» ¡flc»- 
ram perplexos , quando viram que el-rei D. HeRriqn» 
no seu testamento náo attcndéra mais dt> Que is couuw 

.da sua alma , deiiaQdo as do reiao ao arbjU'ia ^qs jní- 
les que havia nomeada em eortes. goTerao leune cor'- 
tes em Almeirim. 

As prelengóes crescem. A raioba Isabel d'ln^aterrp 
tambem veai com a sua. Qs governadoreg cada v«4 e|r 
láo mais teQicrosos. D. Aiitanie íinha o pofo por $■> 
mas náo tjnba o poder. A casa de Bragan;a s¿ lÍBha o 
apoio do dlreitp, resolvido oa Uoiversjdade d» Coim- 
|)ra. Filippe II de UBSpaikha atqea^va ludo £0« o di- 
reito das arnai. 

Com taes intenQées nao'qaíz Filippe n egperar a len- 
tgnca dos juiies , « manda reuuir eip Badajoi um 4xer- 

■cito para invadir Portugal, ás ordens do fanoso duqup 
d'AUa. 

Sabidas ^s inten^oes do rei de Hespaoha, i^ffmt 
prelados e .nobres, em qiwin o ptnor da patria estava 

.aciraa de tudo , uoem-se ao partido popular de D. Ao- 
toDio , e eslo é acclaouido rei eo) Santa^ein [ 2i de jo- 
oho ). Passa logo a Lisboa , sólLa os presog de I,iaiaeif 
ro ; foi residir nos pa^os da Ribeira ; comecou a passftr 
provisóes , nandou bater moeia , e rioalmentie intilulou- 
se rei , e alKUinas viJlas do reioo seguiram a sua vox. 
Os governadorcs da reino retV'am-se de A|iDQÍri||i 
para Setubal , é dcpois a S. Lucas. Declaram rei a Fi- 
Ítppc n , por Alvará datado de Badajcn a 7 d& agosto. 
Este alvará é assignado por D. Joáo Msscarenhas , Prao- 
cisco de Sá e Menezes , e Diog^o Lopes de Souia , a re- 
feraadado pelo secrotaiio FÍlipp«^uDadilTaiesPet4ra. 



0,i,-f-n,CoOylc 



SKinoi D. Ajitoii». 

Fílippe n, sabendo das open;oes qoe en Lisboa 
eiecubiTa D. AntoDÍo, prior do Cralo, wandi ao dn- 
tfae d'Alva, que com o seo esercito intadiue Portn- 
g»\. O duqae logo occupa Elvas , Estremoi, £« ora , 
jfoate-Mor-o-NoTO , Seíubal , e depois de se faier se- 
Bbor do forte de S. Juliio da barra , poe cérco a Lit- 
boa, acampando fóra da ponte d'Alcantara._ 

D. Antonio nlo era o mestre de Avis . nem IS80 era 
1S83. Cocpiudo espera deaodadameaie o ÍDÍmigo , e 
apesar de nao ter mais de quatro mil bomens mal ar- 
mados , accommette o exercilo castelbano , forle de vio- 
le e dDÍs mil bomens <Jiscipliaadlsslmos , e commaBda- 
doj por am tao acreditado general. O dnque d'Alva 
dcsbarata os esqnadroes portugueies [ 25 de agosto ] ; 
S). Anlonio foge, e os caslelbinas veDcedores e furia- 
<og entram era [jsboa. 

Os governadores da cidade entregaram as cbares 
d'ella ao daqae vencedor, que logo mandou presidi^r 
CMtello com tres mil CAStelbaoos, e imiita arlilha- 
rii , e D. Filippe é acclamado rei com o nome dc YÍ- 

Tbbcxuo Pbbiodo.' 

Jh/nMtia PhiUppina. 

O SnvoB D. fmírn i (0 PBcoEinB} 18.* Kei. 

{ tSSO ) O duque 'd'Alta esUva seahar de Lisboa e 
do Alemteia, e ao reslo do reioo- nlo havia quem ro- 
siptissé a Fllippe n. que fai acclamado rei pelo direito 
do mais forte. Mánda ír a oobreia do leino & uia p*" 



,u8lo 



i06 

«en{i pará p>eslar óbeiliencla eo hoto réi. pDbllcAo-st 
um armisticio , e I), Antocio é decrarado traidor , per* 
tDrbador da paz , rebelde a seu reí , e inimigo da pa- 
'tria [ 11 } ; o conde de' Viniioso , o bíspo da' Goarda , e 
cincoenta pessoas de distinccEo náo entraram no ar- 
misticio. 

D. Anlonio baTÍa rétirsdo para a provincii do Mi- 
nho ; por£m nao tendo meios para contÍDnar a resisten-' 
cia , porqae os anjmos estavam abalidos , embarca parft 
Fran^a. 

As ilbas dos Acores conservam-se flejs a D. Antonin. 
Ao seu governador D. Manoel da Silva havia D. Anto> 
nio feíto conde de Torrcs Vedras. 

£m quanto ti reiAO era subyigado coni tanta facilida- 
3e, os nossos generaos na Asia t America ainda faziam 
a admira;áo do miindo. rei de Cejlio , que nao tinba 
filbos , fai doacSo dos seus eslados a el-rei de Fortagal. 
Horre a rainha D. Anna de AusUna , mulhcr^e Filip- 
pe I ( 26 de outubro ]. Por alvará de 4 de reverein» de 
1581 é prohibida a moeda de D. Anlonío. 

(1581) Filippe I, ji acclaniado rei , ainda aisiiR 
'convoca cortes ( 12 ) para o reconhecerem reí ,- e a sen 
filho D- Diogo principe herdeiro.^l-rei parte de Ha- 
drid para Porlugal. Em Thomar , perante os Estadoi 
do ReÍDo reuQÍdos em cortes , presta o jaraménto de - 
bem governaro reino segundo as suat leis.nsos e cos- 
lumes [ 19 de abril ). Cuninha para Lisboa , onda fex 
uma entrada com magDincencia nuDca vií(«. Come^on 

n declara tni- 

(IZ) Dm rort'ei «Dtis» foram eítM ai idIcü a qae «s 
póde clmiQar Chancelbria , poii ferun recoBbcccr «ni !■• 
«1« CMuaaamade. 



(11) NSo é nil, Um prínclpe eitrBB|:eiT« d 
dor e inimigD da patria a. um prÍDCipe portusn 



I. Coo^ílc 



m 

t lrsl>t ús porlDgoeiet com afTibilidadc > finendo-IIiel 
muitaa merces , e augmenlando os privileglos do reÍHOi 
Taiila liberalidade enganou muiloi , qtie só mais tatdo 
■e desengaBarBoi , quando viam a patria escravisada , s 
governada como paii conquisledo por estrangeiros. 

Horre o duque de Bragan^a ; e eUrei , que sempre 
se receava do dtreito d'aquella casa ,. propoc i duqneia 
e easar CDni e])a , o que ella recusou com digoidode e 
grandeia. Quando el-rei falla¥a com a dDqueia, eri 
Gom um respeitó sigDÍficatÍTo, qtie bem moslrava qu« 
]))B devia muilo,.e dcvia floda mnuu que uma coroa, 

Dai DoasBs conquislas chegavatn as frotis com im- 
ntensBs nqueiaa , e com a nolicja de ua Asia , Afríca , 
Amcrica , e na Madeira , haver sido reconhecido el-rel 
p. Filippe. Só es A(oret nip se curvarami D- Francis- 
CO Mascaraphas . condc. de Sanla CniE , chega á Índia 
á tomar conla do goverño. No Braiil governava Mt- 
Boel Cabral da Veiga. 

' [ 1K82 ] A. ilha de Labna , nas- MoIucbs , submetle- 
■e Bs nossai armas. re¡- de Fran^a reconliece D. 
IntoDÍo camp rei de Portugaí , e Ihe dá auiilio.da 
uma esquadra , tropas e diuheiro , com que parte para 
os Agores a ouir-se aos leaes , que ali sustenlavam a sua 

. D. Antonio desembarca com ot francezes em S. Hi- 
guel, áo mesmo tempo que chegava a esquadra hespa- 
Dhola ao mando de D. Alverd Ba^an, cnnile de Santa 
Cruz, Os fcaDceies s3o atacados e vencídos depois de 
reuhido combale. D. Antonio fugiu vergonhosamcnte , 
e attribue-ge a.perda do seu {Mriido i &ua cobardia. 
D. Hanoel da Silva , ou o conde de Torrcs Novas , con- 
tÍDÜa a sQstentar as ilhas do archipelago aijoriano. Os 
fruueKi priñoneiro) forus tido* oomo piralas , e en- 



,u8lo 



(brcádos. t>. Alraro Ba^an 6 dei'ado áe cónda a marqKf' 
dc Santa Croc. 

Horre o principe D. Diogo. El-réi convoca corlea 
para reconhecerem principe herdeiro a scu filho D. Fi-f 
lippe. 

( 1583 ) EUrcÍ Jurs de novo conservar os privikgioj 
de seus ñofos subditos , e relira-se para Restianha , dei~ 
xando para gOTCrnar como Tice-rei a seu sobrinbo A1-' 
berto, eardcal e árchiduque d'AusCrfa. Morre em Lis> 
boa o duque d'Alva. marqnci dé Sanla Cruz ttppa- 
rece seguñda vez nos Acorcs , rendc as ilfias , desbara- 
Va partido dc D. Antooio , é o Talorosci D. Hanoe) út 
ffilva perdcu a Tida.n'um cadaralso. O rei de CháU sé= 
faz trihiJtario a Partugal. 

(158i) Ticc-rcinado da India estaTS enlregue » 
Duarte de Metieíes , conde de Taronea-, e o do Braci] 
* Manocl Telles Barreto. 

( 1587 ) Os portuguexes lCTantam Tortalezá' em -UaS^ 
<Aie, D. Panlo de Lima expugna a cldade de Jor , e 
enlra triamphante cm KlDlaca, O bispi) da Babia D. 
Antonio Barreiros goTema o Braiil ; e a colonÍsa(ia 
d*aque)Ie vasto paÍE augmcnla. 
, ( 1588 ] O goTerno da ladia é entreguea Vanoel dv 
Souza Coatinho. '. ' 

D. Pilippe junta em Lisboa a famosa arfnada cliatÁa- 
á^ a TnveiteiTEÍ, Bra composta de mais dé rento e viate- 
Háos, e destinada a conquístar a Inglatet-nr. O com-' 
' mando de lao soberba esquadra foi dado ao duque de' 
Medina Sidoaiá. 

Salu a esqnadra do Tejo navegando para o eanal dá| 
Mancha para recehcr era Ffandres mais cincoenta míl 
bomens dc dcsembarqne ; porém antes , uin forte tem-' 
porM' desiF'aiu a 'esqusdra ('97 de julboji 'almiratrtfr 



m 

Íligkü Bnke , ttm naf ios mais costeihis , cafn sobre n 
naTÍos dispersos , t[\K aprisiotioD , ob melteu no fundo. 
A- perda da Hespantaa foi de cem náos , linte e cinco 
vril homena , e mais de nove milhoes. 

£' adTDÍraf e) a flrmeza e sangue frío com qne Filippe 
revefeen tSo desastrosa noltcia. « Blandei , disse elle , 
nínha armada para coinhater os ÍDglezes, e nao os ele- 
menlos. n E logo ordcnou que soccorressem os desgra- 
^des , e recompensou aquelles qoe se tinham distin- 
goido. 

( 168S ) Isabel , rainha de Inglaterra , esEimnlada pela 
itova'sáo que seu cunhado quixera faícr. no scu reíno , 
vde búscar ■ D. Anlqttlo , que pobremente TÍYÍa em Pa- 
rtí , e fai com' elle um vergnnhoso tractado ,' pelo qual 
se obrigava a conqutslar~lhe a coroa. Dma esqnadra in' 
gleta com doie tnil hDmcns de desembarquc chegam Js 
eostas dd'tortUgal , e desembercam na Ericeira e Pe- 
niche. Sabidas no reinu as condicoes cnm qne foram 
dkdds slmflhantes soccorros, ninguem se quix morer 
paí» sftr eseraVo dé Isabel. Escravidao por escravidáo , 
cá linham uma. D. Anlonío nvarcha até Cascaes; porfm 
Mndo passados cinCo dtas, sem qnc alguem se Ihe re- 
Onisse, e vendo qtie o e)icrcilt> de FiH))pe se'preparave 
para o ir atacar , rernibarca com os seus inglezes aii' 
Xillartis , e nunca m.-iis lenlou fortuna. 

Conquista completa do rciuo de Angola. 

(fS90) Mathfas de Albuquerqne vice-rei da Indía, 
e Christováo de Barros no Bratil. Tomada de Candia , 
Mpibt'dH ilbff de CeylSo. 
■ ('Bg* ) D. írancisco de Soura vice-rei no Braril. 

{ 1594) archidoque Alberto váe parirarcebispo dc 
TOIedo, O ^oterno do rcfno é conflado a uma rcgencia - 
de'«ÍM« HmMliT«s — arcelJispo do Lisbea , e conde 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



11« 

de I>DrUlegr« , b conde do Sabc^l ,'« coad« di SnUi* 
Crui (Mascarenhas), e UÍBuet de Uoura. 

( 159S } Gabriel Spinosa se fai .pagsar por D. Sebat- 
tíio. D- ADtoaio , prior do Cralo , escreveu a sua bist»> 
ria ein doí» volumes , e morre eni Parfs inslítuindo o rei 
de FraD^a herdeiro.dothrouodePortuf^al. LevantaB^so- 
fortaleiag em Solor. 

( 1597 ) condeda VÍdígueira vice-rei paraálndÍB. 
rei de Portugal accláma^o rei de Ccf láo [ 33 <te maia}. 
Terremoto eni Lisboa, que submergiu cinco ruas do 
bairro de Santa. CatbarÍDa. 

( 1S98) D, Filippe i goverDOU em Portngal dezAÍtO 
annos. Uorreu uo Escurial a 13 de setembr» de 1&98| 
tendo selenta e um annoi de idade. Havia nascido em 
Valfaadolide em 15^7. Jai no Eseuríal. 

Sbhbok D. Fiuppx n ( Pio) 19.° Bn. 

(ISíA) Pela morte d'el-rci D. Pilíppe i siibiu. av 
Uirono petí lilho o principb D. Pilippe , tendo vvite an- 
ws de idade. 

Filif^e n deixou oi negocios -do rcino á diacri^ 
io seu mÍDÍstro o duque de Lerma p bomem incapa^ de 
goTernar. 

A iMlitica a respeilo de Portugal modou. Filippe t 
deiioa' gozat aos portuguezcs os seús privilegios , po- 
rém OB minigtroa do seu successer foram cohibindo essas 
regajias, 

( 1599 } D. Fr. Aleixo de Ueneies «rcebtspo de Gda 
TÍsita os povos cbristioi das serras de Ualabar, e ce- 
lebra synodoi. 

(1600) Primeir^ eipedi^áo dos- hollaDdeiei , e ia> 
gleiei it Uolucai , ipai lem lacceHO, íundasáQ d'oum 



o,i,-f-n,Googlc 



cut forte nó 1*6^6 pelo célebre Sahador.Itibeiro' de 
Souu , qae chegou a ser aGclamado rei do Pegú eni 

' Ayres de Saldanha no loTemo da India. Os hóllan- 

iems augtnenUm o n'dmOTo das suas náos nas Molucss ; 

parém o vke-rei mabda Aodré Futtado de Mendonca 

pafa ÍDÍpedir o commercio d'aquellei intaiores , o que 

coosegue por alguns amos , -ganhando grande repuU^ao. 
( 1602 ) Vtagem do jesuíla Bento dc Goes ao desco- 

'brímento do GFan-Cálay», Diugo Boieltra' goverini o 

Brazil. 

■{ 1603 ) Publica'SQ a Ordeiuelo do reino , qne aiiida 
hojevigora, na maior parle. 

( 1604 ) D. Marlioi AfTDnso de Cftstro gove>rna o Brv- 

nil. O goyemador d'Aogbla , D- MHnoel Percira Porjaz , 
tenta descobrir coramnnicacáo pelu inlerior para a cosla 

.oríental da Afríca ( ISOe )'. 

(1607) D. 'Fr. Aleixo de Meneies , arcebispo do- 
G4a , goierHa o Bsudo da India , e Nicol&o da Hcirla 

'Vein de Gba a PortBgB) por terra. O Monomotapa dia. 

4 et-'rei de Portogat as minas que se acharsm nos geus 
eBtados. rei de Achem , induiido pelos hollandezes , 
manda maUr lodos os portagueiee estabelecidos nos sctrs 
esUdos. Os hallandezes s3o derrolados em Ho^ambique 
(39 de martjo). impetador dc Honomotapa sé Ijga 
c«m os.porlugueies , e manda seus Rtbos para se instrui" 
rera na religiáo chrjsti. 

'( 1608 ) El-rei manda jurar eni Hadrid seu fílho Fi- 
líppe , de Ires mtnos , principe herdeiro. Governa a In- 
dÍB D. Joio Pereira Porjai , conde da Feira , e o nosso 
imperío ali Táe em'decadencift. Braíil prospéra de- 
baixo do governo de D. Diogo de Menezes. 
' '(1609)CoBquiitad«ilbade,Satidiva, pertodeBen- 



gali , goTemtoda t ludia André FnrtKlo de IIendoti{a , 
e Ruí Louren^D de TiTOra. . , 

( 1610 ) Publicacio das TÍagens de Pedro Teix.eirB. 

( 1613 ) VJagens de exploratio i ilfaa de S. Loaren- 
^ , ordenadas pelo vice-rei D. Jeronimo de Aievedo. 
Gaspar de Sonia gorerna o Braiit , e as oossas possessóes 
Bli prosperam , apesar dot esfor^os reunidos doi gea- 
tíos , bollandczes , ingleies , e fraocezes. 

Filippe n reconhece a ÍDdependencia da Hollandi , 
com quem fai pai , deisando Portugal em gnerra coiB 
os hollandeies. 

( 1614 } Os franceteS'Sao espulsos do Uaranbio p or 
JeroQÍmo de Albuquerque Coelho, que laofa ut funda- 
.nentos iqoelle estado. 

(1616) Come;a a perda das nossas eonqnistas no 
oriente. 

(1619) El-relFiIippe vema-Lisboa, ajunla cortesr 
e fai reconbecer a seu filho Ftlippe priocipe herdeiro 
de Portngal. As fest^s qne se flieraoi foNm táo grat>- 
des , que Pilippe disse , que sú n'aquelle dia fóra rei> 
O rei de Dongo , no serlio de Angola . se nos sujeita. 

( 1620 ) Os boltandeies lanfam os fandamentus á ci- 
dade de BalaTÍa, na ilha de Java. 

( 1621 ] Filippe H de Parlugal já gOTernaTi ha Tinte 
e dois aonos. Nao dissimDlaTa o odio q^ae tinha aos por- 
tngueies ; mas o odio d'estes conim os castelhanos taift- 
bem crescia cora a oppressáo de que estavam sendo tl- 
Ctimas. A safda das tropas para os Paiies-Bai joí . o 
traclado com a Hollanda , ai TeiatÓes continuameDta 
feitas-a todas as classes da sociedade , foram as semen- 
te* qne , Tinte snnos depois , produziram a gloriosa r^ 
to1d(Ío de 1640. 

Morreu el-rei em Uadrid a 31 de DMr^o de 1631 , 



o,i,-f-n,Googlc 



.toido quarenta e dois aDno» de idada. Havia nascido 
cm Aladrid a 14 de abril de 1578. Jai no Escarial. . 

O Senbok D. Fiuppb tn (0 Gbahdb) 20.° fiei. 

(1621 ) Succeden a D. Filippe n de Porlugal o príii' 
cipe D. Filippe, (endo dCKeseis annos de idade. 

Em Tio esperavam os portiigDezes meinoras na sna 
condigáo de vassallos do no»o rei. Fllippe ni, onpor 
aversio propría , ou por inspira^oes alheias , continuoa 
a ser l; ranno como seu pae , raiendo a Portngal aa 
extorsocs mais injustas , tractando os porluguexes como 
bratos , empfegando a corrupcao para a'char , enCre ^s 
paturaes , instrumentos para faier execütar os seus dam- 
nados pTanos. 

( 1622 ) Apesar do abatimento a qne nos havia redn- 
.tido o prccedente e presente reinado,.Bu; Fréire de 
Andrade, na India. aiuda sastem a gtoría de Porlo- 
gal , Tcncendo por tres Tezes os inglezes e hollandezffs 
DO roar Roio; mas taes esfor;os eram inuteis nüo tendo 
apoio-do governo. 

( 1624) Os ingletes e hollandeies, alliados Com os 
persianos , nos tomain Orinui. Os jcsuitas portuguezes 
esiendem as soas missoes at¿ á capilal do Grio-Tibet. 
O commanilante da pra^a de Hazagao derrota alí am 
fotle eicrcito de inouros. 

Os hollandeiefi aUcaro o Brazil. Os seus almirantés 
Ermile e Wilbens se apoderam da cidade de S.'Salva- 
dor da Bahia ¡ mas d'ella sao expnlsos rio anno segnin- 
te (162S). 

(^1629 } Henriqae LonoVe , almirante bollandcz , des- 

embaFca em Peniambaca, e toma Olinda depois de 

8 « 



lU 

oma falorosa defeDsa feita pelos portnenetes coniinaa- 
dados por Mathias de Albaquerque. 

( 1630 ) A frota qae Tinha da ChÍDa para Lisboa é 
tomada pelos.hoUandetes. 

(1634, 1637] Cuntinoam os bollandeies as suai 
eonquistas no Bratil , apoderando-se das capitanias de 
Tamacará , Parafba , e Rio Grande. Pedro Teiieini em- 
prehende Dma Tiagem do Pará a Quito. 

Filippe m manda a daqaezá áe Mantaa na qaalldada 
de Tice-rainba goTcraar Porlugal , o que eiaspera os 
portDgaezes. 

As desgra^as sobre Portogal sáo continnas. As nossas 
possessóes sao atacadas por ingtezes , franceies , e hol- 
íandeies , que , a prelexto de taier guerra a Hespanha , 
nos conqubtaTam as nossas colonias , qne em gnnde 
parte naoca mais voltaram ao dosso dominio. As nossas 
~ tropas e recarsos , em vei de se empregarem em segu- 
rar is conqaistas , qae tanlo sangae "nos haTÍam casta- 
do, eram empregados nas gacrras da Catalunha, de 
Franja , de loglatena , e da PUndres. 

Na Asia e na Oceanta quasi todas as nossas ppsses- 
sóes nos tinham sido conquistadas pelos hollandczes e - 
Ingleies. Na Ameríca e na Africa/levavam o mesmo ca- 
mioho para os hollaodezes e francezes. 

SimÍlhaDte estado de consas era o mais desesperado. 
Todos albavam para o duque dé Bragan^a , ou todos 
qaeriam a liberdade, que só Ihes podia vir com a mo- 
narcbia legltima , ou com a republicarjá em 163S esta- 
vam os espirilos em tál agitagSo, que , prégando em 
ETOra o padre Gaspar Corría , jcsuita ,- eslando presco- 
te o duque de Bragan;a , disse elle : — Prineipt , verei 

' ainda tohre a vMia cabeca a eoroa dt gtoria , á 

jTHo' proia ao SeiAor jue to4ot nót chegvmoi. Aquella 

Couslo 



' üni incidente abrcviou a rcvolui^ao para o ú'u 1 .* á'í 
dezembro ; a dnqae foi logp d'isto preveDÍdo. Aoa seis 
priinitivos restanTadores já estavam associados alguiis 
DUtros fidalgos , cavalheiros , ncgociantes , e cidádaos 
chefes de familia , ao todo pouco maig de trczentos. 
' .Erarn nove horas da manha do glorioso dia 1." dc 
deiembro de 1640, quando os conjurados se dirigiraig 
ao Terreiro do Pat^o para dar liberdade ao rcino , o» 
sepDltarem-se com elle. Víam-se entre ellcs os ÍMbos de 
D. Maria de Leocastre , e os dc £>. Filippa de VilhcDa. 
condessa da AtoUguia , a queib snas maes armaram o 
^shortaram a combatcr denodadamenle por táo justa, 
CBusB. signal do ataque foi um liro de pistota dispa- 
rado por JoBO Pinto Ribeiro, e oo mesmo iustanle os 
eonjuradog se dirid^ em quatro handoa , e ao grito 
de — viva D. Joao iT rei de Portugal, liberd^de, li- 
berdade — catram sobre 04 iMnt08.qne Ihcs haviam sido 
áestinados. 1.* bando , gniado por D. Migoet d'AI- 
meida , ataca a guarda aHema. O 3;*', guiado peto mon- 
leiro m6r Hello , seu irm3o , e Estcvao da Cnnha , otaca 
a gnarda bespanhola diante do fbrte , obrigando-a a rcn^ 
fter-se e a dar vívas a D. Joáo ir. 3." , guiado pcl!> 
caHtarísta mór Telto de Mcnezes , e Joiio PÍDto Itibeiro , 
ae dirige cootra » secretario d'eslado UigDel dc Vas- 
concellos, b qaem apunhalarain , e tan^aram pela ja,- 
nella fóra. Vasconcellos era jostamentc mais odiadfl dn 
qao o fóra em 1383Lo conde Andeiro, quc tcve igual 
sorte. Andeiro havia nascida gallega; porém Vasconr 
eellas , nasGÍda portuguei , fot um espurio , tornaudo- 
■e.GegOÍDstrumento de Filippe para tyrannisar seus p a- 
trÍGÍos. O 4.*, guiado por D. Anfao d'Almada • Pedro 
d;e Hehdon^a, D. Carlos de Noronha , e Anlunio de 
Saldanba , se asscgura do palacio ,^e da viee-rajulia du- 

"i».„,.-. I. Coo^ílc 



48«« de Hantoa. BsU , •dmiFada de UBto roido , ^>e- 
Koa a onia Janella a ver o que era. Cbegaram do mea- 
mo ioaUnte D. Miguel de Almeida e outros , e queren- 
do a daqueia sair do qaarlo, os conjurados a detive- 
ram láo resjpeltosamente , que elta se aDÍmoa a pedir- 
Ibea, que entrassem Da obediencia d'el-rei filippe, 
poii assai estaTam vÍDgados com a morle dc Miguet de 
Vasconcellos ; que ella Ibes prometüa perdáo. arce^ 
bíspo de Braga quii fallar a Tavor do Fitippe it ; po- 
rém: foi interrompido , e maDdado calar por D. Uigoel 
de Almeida. Entáo os conjurados disseraoi á duqneia , 
que já Dáo rec.oDheciara por soberano a el-rei Filippe , 
mas sim a D. Joáo iv , e qoe houvesse saa alteia de 
recolber-se ao sen quarto para evitar qiic alguem. Iha 
faltas5eaorespoita.-Como?L3nQando-apcla janellafóra. 
Conciuidos estes ataques foi o duqae dcBraganta.ac- 
clamado rei de Porlugal pdo nome de D. Joao iv pelo 
povo qae corria as ruas de Lisboa , levando Alvaro dQ 
Abrancbes o estandarte reat, e depois o foi tambem 
por todos os tríbnnaes, corporat^oesiSfo, A duqueu) foi 
obrigada a ássignar as ordena para a entrega do cas- 
teHo e de ontras fortaleias de Li&boa. D. Rodrigo da 
Cunha , arcebispo de Lisboa , foi incaBibído do gover- 
no alé i chegada do novó rei. O arcebispo tevc por 
coDselheiros p. Uiguel úe Almoida , Pedró de Jlen- 
don^a , e D. Antao d'Almada. 

QvtKTO PllIODO. 

Djpuutía Brt¿atttina- 

O Ssmoi D. Jolo IV (0 R«TAUBaMk) 91.' Ru. 

(1640) O.daqne de Braganfa eslara accUmado rei 

4< Portagal , recupenndo pela for;« ii» cousai 9 dt< 

ü,o,i,-f-n,CoOylc 



tlft 

nito qoft ba lenenta mtí¡a Ihe estafa D»iri»do pela 
íbr<^ nuior. Nunoa m viu uma reTolu^ao mais felii ; 
em tres bons ■ e apenag com a perda da f ida de Ires 
ifldividuos odíados , derrubaram os portugueies uma áj- 
Butia iDtroduzida peio direito do mais forte , e collo- 
caram no tbrono a d; uaalia que lá defia estar dasda 
IfiSO pelo direito lesftimo. 

- üo mesmo dia 1.° de deiembro, o arcebispo regeo- 
te eipedia para Vílla Vigosa a Pedro de Meiulon(a, 
e moideiro mór Uello , a preslar bomenagem ao naro 
rei, e pira faielio conduiir logo para a capilal, nio 
BÓ porqBe a sua presen^a se ioroava moi precisa , mii 
porque em Villa Vi(osa'esUva exposto a ser sorpre- 
bendido pelos bespanhoes. Aa mesmo tempo se espedi- 
nm ordens para todas as terras do reina e proTÍnciai 
do ullramar , a Gm de que fosse acclamado o rci por- 
üignei. e fossem sollos todos os presos politicos. 
' A dnqueza de Mantua foi mandada retirar par» • 
paCO.de Xabregav, sendo acompanbada pelo arcebispo 
ds Braga, e tratsda com a msguiíiceDeia e respeilo 
davido á.saa alta gerarchia. 

.' EWei psrliu de Villa Vi<;osa a 3, e ehegoa a LÍs- 
hoa.a 6 de deiembro. N3o se póde explicar o alToro^o 
4a cidade ao receber a noticia da cbegada do monar- 
cba ; todos o queriam ver ; derramaram-se muitas lagri- 
mas de alegria , de amor , e de salisfagio. 

D. Joáo IT logo determÍDou ser coroado no dia 15 de 
- deiembro , para o que se Qieram aprestes no Tecreiro do 
Pa^o , e ao mesmo tempo se expedirim btísos a todosi 
os titulares e fidalgos do reino, para se acbarem em 
lisboa n'esse dia. 

De todas' as terras do reino chegaTam notfcias de 
w B'qllu acclamado o novo rei , e as guaroifóes cm-^ 

ü,o,i,-f-n,Co0^ílc 



tQllianas se rendiiiu . icDdo logo as prs^tn giurnecidu' 

pelss tropas portiiguezss qae á pressa se orpaDÍsavam, 
O conde duque de Olivares. primeiro minislra de 
Filippe IV , nño pdde acrcditar tal rcvolugaa. e nao sa— 
bfa como havia de annuDciar ao rei uma siiuilhaDte no< 
va. A (inal com um ar risonho se Ihe appresenta , e dii : 
■ Seohor, -venho annunciar a vossa magestade uma fe^ 
Itt nova : vossa magestade tem um ducado mais que 
ajunlar a seus cslados. s a E como? replicou o rei. ■ Íi 
porc^oe ( Ihe torna Olivares ) o duque de Braganfa en-. 
louqueceu, deí^ndo-se proclamar rei por um povo' 
seduzido ; seus bens vSo ser confiscados e reunidos á 
' ¥0ssa coroa. » rcí porém . a pesar da sua cegueira,- 
duvidou bem da facilidade de similhaDte reuniaOi por- 
que se coutentou em diüer : « £ preciao sem deznora 
ouidar em extinguic uma lal revolucáó. ■ 

Passada porém a primeira impressáo , a govemo hés-> 
panhol julgou que , para reduiir Portugal , nao era ne- 
cessario pór «xercitos em campo ; que uma assigniita- 
' ra d'el-rei Filippe era sufBciente para reduzir i ob»- 
díencia uma nacSo destiluLda de forcas . sem armas. 
sem gante com exercicio militar , sem náos , e semdi- 
nbeire para se poder defender. Similfaante juizo a res-. 
peilo da revolucáo porlugueia foi reslmeDtc o queS' 
«msalidou , pois deu tempo a que ludo se apreitasse 
para uma rigorosa resistencia , quando mais tarde dok 
alacarHm. 

Chcgou dia 15 de deiembro , destinado para a co- 
roa^o ou acclama^ao solemne do rei. Dois grandes. 
theatros se haviam alevantadonoTerrcirodoPafo, pnra 
onde el-rei se dirigiu acompanhado dc todos os grandes 
do reino, arcebispos de Lisboa e de Braga, inquisidor 
gflral , prelados , e oulros iBUÍtoa senbores. Diarqiiez d«. 



o,i,-f-n,Googlc 



FerreiF» «sristki como condesUvel ; en alferesmir D. 
Férnad Tellade Meneies; secretario d'estadn-D. Frai»^ 
cjsco de Lucena , Taráo de grande capacidade , e rara 
merécifnento. AsseDtou-se o rei no Ihrono , e )he appre- 
seritaram a cn» e o evangelho , e ajoelhBodo deu o ju- 
rámento.da maneira seguinte : 

■ }aro , e prometto reger e governar este reino , a 
adminisirar n'elle justí^a com aqoella pruSencia , siso- 
df<za e moderi^o que me for passivel ; manlec os usog ,. 
costomes, e dlTeitos d'esle reino, coucedidos e coif 
flrmados pelos reis meus anteeessores. ■ 

O clero , a nobreza , e o povo denm depoit aeo 
Jarametito de fldelidade : o primeiro qae o veciBcou fof 
o arcebispo de Lisboa . que disse : 

■ Eo juro qae recebo por meti'tegftimo rei , e ver- 
dadeiro senhor . o alto, poderoso , e grande re[ D. JoSd' 
iT , a quem Fendo homenagem em nome de todo o cle- 
ro d'eslc reino. » Segniram-se os outros. 

Acabada esta ceremouia , e por entre as scclama^oet 
e TÍvas do poTO , foram todos & catbedral na mesma or-> 
dem com que saíram do pa^o. No camínbo estava o oor-. 
po do sénado , e o desembargador vereador Francisco 
RelKllo recitou um discurso analogo ao assunipto. Em 
sefiuida oonde de Canlanhede, presidenle .do -se-: 
nado, tomou n'uma band^a de ouro as. chBTes da ci> 
dade , e as appresenlon a el-rei.Continaou sua mages<- 
tade o caminho pur entre o povo immeno , que o vi-. 
ctorÍBTa; e chfgsndo i^si, o arcebispo o recebea de 
pontifical. Acabada a missa , el-rei voltou ao pa;o com' 
mesmo seqtiito , c appliusos do povo. 

A ceremonia da eoroa^áo foi o grande 1a;o com qne 
el-rei se ligou com a na^áo; e se el-rei nunca'depois: 
faltoU'Boi s¿ut juramoaUii , Umbem A m^aoMiWata- 
te sustentou o seu. 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



'El-m e ■en gOTemo eram activiniitioi em proier 
a> pra;tf froolciras áe guanit;óes e de iuuni;5ea de 
gaerra , e se preparava para apia séria canipanha ; sen- 
do nolBvel , que em quanto o governo portuguei obra- 
va llo energicameDte , o de Hespanha , por uma impre- 
Tidencia que náo se póde eitplicar , náo procuravB k- 
riamente alacsr Portuga]. , ' 

[ 1641 ) Os Tres Estados do reino se reunem em co^- 
lei na cidade de Lrsboa. A 28 de janeiro reconhecem 
a dynaslia bfigantina ; depols regulam tndo o oeceMa- 
rio para a derensa e segurau^a do reijo , para g que 
se maDdaram Taier nos paiies ettcangeiros grandea com- 
pra» de armamentos, muni;5es de guerra, e eogaja- 
mcDlos de tropas. 

' £ncarregou-se conAdencialmente o padre Ignacio 
Mascaranlias , jeguila ,- d'uma missio á CataluDha , a 
fim de excitar os calaiies > continuarem TÍgorosos na 
conquista da sua liberdade , para o que se Ihe Gieram 
largas promessas. Para o Braiit roi o padre Vilbeos , 
e pera a Flaadres o padre Gabral, que todos desempe- 
Dharam catHÍmente as scias missóes. 

Igailmeute se mandaram embaiiadores a virias po- 
tencias. A Fraii;a , loglatcrra e Suecia os receberam 
eom bonra e estima^áo. A Hollanda convenctoooa uma 
Iregoa por dei annos. A Dinamarca , por motivos par- 
Itcalares, nao admitthi o dosso embaisador; porém o 
rei o recebea particalarmeDte , assegurando qoe o novo 
rei de Portugal nada devia. teraer da Dinamarca. Á 
corte de Roma recasou , por tDOuencias hespanbolas . 
receber o nosso embaiiador. A Fran;a assigoa um tra- 
'Ctado de allian^a eom Porlugal ( 3 de junbo) , e nos 
IDanda soceorrer. 
- AÍDda 0« cvl«lba»» DÍO linbam feito Bm «Uqoe 



(,i,-f-n,G00glc 



pira reeapenr o domfnio em PaTtogal, e ji come{a- 
vam a descoofiar do bom eiito da m má caina. Con- 
cebem porém o damoado plaao de ■Uiciar algotis dea- 
contenles para agsaisinar el-rei e a familii real. Os 
conspiradorei , apesar do segredo comque dirjgiam os 
seus infemaes plsDOS , foram dcacobertos , e presos o 
arcebispo de Braga , o Itiquisidor gerai , o marqoes de 
Vilta Real , o duque de Catnitiba , o conde d'Armamar , 
D. AgostÍDho Hanoel de V.ascoticellos , e outros. pr(M 
cesso foi raptdo. Declarados traidores i patria e »o 
rei , foram condemnados á morte. O duqve de Caiñi- 
mba , DHrqiiei de Vina Real , o cende d'Annamar , 
e Vasconcellos, foram deffotlados (29 de Agosto) na 
prai;a do Bocio , e os outros morrerain na prisao. 

A ilha 'da Madeira reconhecen D. ItAo n ; o BraiÍI 
ÍRaalmeote , e todas ss coloniaa , á propor^io que ié 
chegaTa a notieia. 

O Ínrante D. Duarte , irmao d'el-rei , estava ein Alle- 
manha tervindo no eiercilo do imperio , em qae linha 
o posto de tenenle general. O infaiite havía ganho ama 
'boa reputa^lo militar, e nos era ella de grande auii- 
'lio em taloccasiao. Uaodoii-seaoinianteqiierecolbeBse 
30 Tcinó , islo togo no coméca da restaura^o ; porém 
os Bvisos nin Ihe foram eo'mmnaicadoa , a pesar de iren 
por nove dilTereDtes direc^óes. 

Logo qtie o infanie leve notlcia doa acontecimentos 
de PoríDgat , se dispoz a largar a AlleiDanha pari lir 
prestar i sua patria os seiis grandes lalentos miliUnjs , 
de qnc-ella tanlo carecia ; porém o rei dc Hespanha já 
estavá em ajustes com o imperador Feniindo iii , t>ara 
este maridar prender o infante , o que se efTecluoii ( l^ 
de fevereiro ) em Ralisbona , com escandalo geral. Tal 
eoinníHio liitba filippQ it oMuregada a algant- por- 

ü,o,i¡-n,Googli: 



Í2* 

-lugneics degeRérados , a itsantf qtre até deriain sran- 

áes Bneus á casa de BTagan^a. 

CoaeQaram logo BOtas reclamagoes doi eastelhanos 

para que o ÍDfante Ihes fosse enLregne , e o imperador 

pratica a indigna ae^o de entre^ar a seus ininigos oin 

prineipe, qae lantos serii^os prestára ao ímpeTÍo, re- 

crbeRdo por tal enlr^a quartnta mil ptastrat.' D.'Da- 
.orte foi entao condyzido ao castdlo de Milao, na Ita- 

lia, onde por espa^ de oilo annos soRreu horroroso 
'Bartjrio, atí que deu a alraa ao ereador. Nao foram 

s¿ os porluguezes q»e loostraram o seii jasto sentimen- 
Xo pelas desgra^as e perda do seu prmcipe: a Europa 

civilíiada stigmatisoii , como deTÍa, o procedimenttf de 

Pernandont. 

"' (1643) Come^avam os castelhanos b )nquie[a[<-nos 

ittaa fronteiras; o Qosso goferno tiao Ihes stÁreu o in- 

salto, e logo rompe a guerra , inTadiddo a Calliia; 

pürém como era nccessario ^zer uma diversio a favor 
ide Luii ini de Fran;a , que faiia a gUerra' na Catalu- 
'Rha , passoa o grosso do nnsso esercito ao Alemlejo , e 
■fet assento em Evora , em quanto os gcnefaes conde de 

Obñlos , e Joao Mcndes de Vasconcellos entraTMB por 

Ostella. ' 

I A pra^a de Vatverdc foi atacada pelo nosso exerctto , 
e. togo se p(iz sftio a Badaioi para dar amoslras ao ioi- 
nftgo de que nao o temiamos. Os castelhanos stacam 
Villa Vigosa e Olivenca , porém sáo derrotados. A mes- 
-ma' sorte tem no Hínho, aande o conde de Castello 
U^'lhor os destro;a. De Trás-os-Uontes sio ignalmeote 
afnf 'entados por Ru; de Alsrcao , e D. ítíao de Souia ; 
na Iteira tambem Feniáo Telles de MeneEes rebale com 
Talof- a oosadia dos inimigos. Mathias de Ahbuqnerque 
inma. o goTerao do Alemtejo , o jupto pwi o conde do 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



12» 

'QbidoB comiñús a (tanlMP tldorías sobre oi cartotlia- 
Dos, defaetaado a EslreiDadura e AndalDtÍa. 

Cortes em Lisboa. Tao^r recnnhece a dominafio 
porlnguaa. duquc de OlÍTares cáe oa desgra(a.do rei 
de Hespanha , e morre n'este mesmo anno. 

( 1644 ) MoQambique ,- Hombata , a» cidsdes de Diu , 
DamSo , fiagaim , a capitaDÍa de Chaui , as forUkias de 
Ottor, BrR;a)or, Uangalor, Cauanor , Canf^ranor, asc^ 
dades de COcbim , Coulan , Negapatani , Mcliapor , e a 
maíor parte da ilba óe CeyUo recmhecem n nnve ret. 

Os caslelhanos cdcm snbre OugueJla ; porém Matliias 
de Albuquerque queíma Barca-Itota , Blontijo , e omtDOS 
logares. marquci dc Torracusa , general da Estrem»- 
dura bespanhoia , senti'do do destroco feito no diatrtcto 
ido seu commando , manda o baráo de Molingnen com 
.6:000 infanles , e 2:S0O cavallns alacar Albuquerque. 

O general portuguei: com 6:000 infantes e 1:000 
fiavallos corre a coconlrar o iotmigo apenaa teve DoL»- 
eia do movimenla de Molinguen. A meia legoa do 1»- 
gar do Montijo se avistaram os dois eiercitos , e Albo- 
qtierque dispóc as suas tropas cnovenientcmeDte para - 
receber o inimigo, que nao lardoti a atacar furíoa»- 
nente os nossos. choqii£ foi lio forte , qoe a nOssa 
cavallaria an^itiar hoUandeza rugiu precipitadamenle 
sobre o regrmento dc infanleria de Afres dc Saldanba , 
que pot em dosordenada confusáo. Os castelbaaos dcram 
segunda carga , e completnram a desordcm d'aquelle 
regimento. Corren logn em seu súccorro a cavallaria 
portogueia carregaodo o inimigo cOm denDdo; porém 
■ cavallaria castelhaoa recebeu os, nossos com lanCo.va- 
lor, que oa olvigou a retirar. O inimigo aproveita-se 
.d'esta segunda occasiáo , e carrega a nossa inraoteria 
láb rijamento ; qus lado Rcou «m complota dewfdoia. 



I. Coo^ílc 



12« 

• Albaqaerqfle emtiocriticoiiKnnetito, fbrcejando por 
reuDÍr os seus soldadog, tere o seu caTallo morto , « 
'sería [Dorto ou prisiooejro , se um official fraocez , Ur. 
de La Horle , nao Ihe dera logo o seu caTatlo para 
. mantar. 

A desordem era. geral. A dossb artilhana já linba 
cafdo em poder do inimigo , apesar do» esforros do va- 
loroso general D. JoSo da Costü , e o intmigOj cantando 
B -victoria , se entregou ao saque. Matbias de Albuquer- 
.que n'um momento reuDe os batilhoes dispersoa , e iO 
caralloi , e pondo-se á frente d'elles cam a espada- na 
máo , seguido de seus generaes e estado maior , preci- 
pita-se furiosametite. sobre os castelbanos , relemaitdo 
B nossa artilharia c bagagens. Este novo coinbáte foi 
horrirel'. O inimigo fugia precipttadamente da metralba 
da nossa arülharia , e das espadas da nossa cavallaria , 
qde scguia os fugilivos sem Ibes dar quartel, ainda 
para além do Gaadiana , cujas margens offereeiam um 
quadro horroroso. 

A perda dos castelbanos foi de tras mil soIdadoS'mor- 
tos , tres generaes , e cincoenla e qiiatro oSciaeB ; a 
nossa foi de nore centos hom'ens. 

A vicloria de MiHilijo fai.a primeira betalba de inh 
portancia dada depois da restauragao. A naQfio a cele- 
tn-Du com grandes regoiijos publicos, e preiniou o he- 
roe Matbias d& Albuquerque , fatendo-o el-rei Gonde 
de Alegrete_. 

( IfifS ) Itefbrfados os castelhanos , poem eírco a Bl- 
vas , porém sao obrigados a levaatdl-o. Domingos Lei~ 
te , homem obscuro , é seduiido pelos castelhanos para 
-tentar conlra a vida do rei no dia (20 de junbo] da 
procisSBo de Corpus Chrrsti ; porím o esplendor com 
-qae el-rci acop>paDb«?a a procisHO ateiroil o regícida 



o,i,-f-n,Googlc 



12T 

por la) f Jriua , qne, nSo se alreveu « dísparar. Lcite fol 
préso e juali;ado; e querando el-rei perpetuar ests 
acootectmento , fnndou o convento de Corpus Christi. 

Os hoUandczes siío derrotados na batalba das Tabo- 
cas em Fernambiico [ 3 de agosto ]. 

( 1646 ) Qatalha de' Telcna subre OB.hespanhoes ( iS 
de seEembro). El-rei , peranle as cortes , lomou pot 
proteclura do reino a Tfossa Senhora üa Concei^áo. 

( 1647 ) condc dc Villa Ponca vác governar o Srs' 
til em logar de Antonio lellcs da Silva, e lcv? umíi 
esquadra |>ara coinbater os hollandezes. 

(164S) A Ilespaiiha ajrista a paz com a Hollanda 
para aiais facilmente nus siibjugar. A giicrra continúa 
no Brazil conCra os holbndezes. Joao Fcrnandcs Vieira , 
André ViUigat, e Francisco Barrelo dc Uenezes náo oB 
deixana respirar um inslante, c ganham a célcbre vi- 
ctoria dos Guararapes ( 19 de abril ) cra Pernaratiuco. 
Os hollandezes sáo igunlmcnle rcpcUiüos na Babia, 

A sorte náo Ihes é niaÍB fcliz em Africa. Uma esqua* 
dra nossa , ás ordcns de Salvador Corrca de Sd , os ex' 
pulsa de Ángota e ilha dc S- Tbgmé. O rci do Congo, 
que cum elles se altiára , obteni a paz , ceitcndo a Por- 
tugal a ilba de Loanda. Uoire o graude Joáo l'inlo 
Bibciro. 

( 1649 ) El-rei poe casa a seu filho primogenito o 
principe D. Theodosio , e é o primeiro que lnraa o ti- 
tiilo dc Priruipe do Braiii, que fica anneio ao« imme- 
diatue successores no throno. 

. Scgunda victoria dos Gnarar.-ipcs sobre os holtande- 
les. £m quanto assim em Pernamhuco os heroes Barre. 
lo e, Vioira übram maravilhas, o pnlriolismo dos cida_ 
dáos do reino coDsegue organisar a grande Companiiia á^ 
Braiil, para faz«c opposi^ao á Companhia huUaudeza. 
9 

Cooylc 



m 

{ 1660} tyrBnno de IngtaterrSt Cromwel , depoii 
•&e ter nioTto o rei Carlos i , manda ao alm'irante Blae , 
qne persiga a armada dos prÍDcipes palatinos do Rhe- 
no , lobrÍDhos do infelii mooarcha inglci. Blac «s per- 
segne até i barra de Lisboe , onde qner eiercer a sua 
Tingan^a sobre os prÍDCÍpes ; porém o nosso governo , 
apesar do respeito que a inglaterra já n'esse tempo eti- 
gia , e do apuro com a guerra de Hespanha. nio con- 
sente que os principes sejam insullados no nosso pait , 
onde vieram procnrar hospítalidade. 

Para rebaier a onsadia ingleia , el-rei manda a toda 
a pressa apromptar qutnze nafios de guerra dos qne es- 
tavam no Tejo , manda reforgar as fortalexas da barra 
e expede ordem ao goTemador do Alemtejo , conde de 
S. Lourenso, para fazer marchar tres regimenloi do 
infanteria , e duzentos caTallos para refor^ar a guami- 
(So da capital. Todas estas ordens foram eiecutadas 
Gom ama rapidei extraordinaria. 

Poi nomeado general da armada Antonio de Seqnei- 
ra VareJBo , e para almirante D. Pedro de Almeida. Os 
principes encorporaram as suasembarca^oes á esquadra 
portngueia, e deram sobre o orgulhoso almirante in- 
glei , que nio espera os nossos , dando occasiEo a que 
os principes se (Izessem de vela , e se pozessem a sat- 
To. Similhante acQao muito exaltou uq intcrior e ex- 
terior a na;áo portugneza. 

(16S3) A Companhia do Braiil ji pdde n'esle anno 
mandar slguns navios para o Braxil , e n'elles váe o 
noTO vice-rei conde de Castello-Uelhor. Outros navios 
se (icam apromptsndo para partir para o mesmo desti- 
no , e a nolfcia de siroilhante auxflio anima os Bossos 
generaes de Pemamhnco, psra atacar seriaraeDle os 
Íiollandczes , até os esptilsar d'aqnella pFOTlnda. 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



129 

( 1653 ]' ó príiic¡p« D. Tfaeodosio , qne Uinlas «pe- 
ranfas dava i na^áo , morre a 15 de maio. As cortc> 
M reuDem , e jaram principe herdeiro a seii irmao o ÍD- 
faote D. AfTonsD. André de Albaquerqne desbarata per> 
to de Badajoi um corpo de caTallaria castelbana. 

A Iuglalerra dcclara gnerra a HolIaDda. Esle acon- 
(ecimento doi é de grande utilidade , o o noisa goiQr> 
DO, aproreitando sabiameDte a occasiio, maida para 
o firaiil sessenla naTÍes da Companhia. levando pOT 
general Pedro Jaqnes da Uiigatháes , e por almiraule 
Francisco de Brito Freire. 

£m qnanto Francisco BarreLo , aa esperan^a da cber 
gxia daarmada . dispuDha as cousas para atacar os hol- 
lamteies na capital de Pernambuco , os &eus cabos Viei- 
ra, Vídígal, Figueirda , e Camaráo, iam aperlando oa 
ÍDiraigos, 

Cbegada a nossa esquadra ao Recife , o general Bar- 
reto se dispox para o alaque ( 20 de dezembro ] em 
quanto o ^neral boUandez , Segismundo , se preparara 
para destruir os lemerarios ( como elle Ihes cbamava ] , 
planos dc Barreto. 

( 1654 ) Dispostas as cousas , Barreto manda .alacar 
o forté do Rego por Vieira e Vidigal , e logo é toma- 
do. Ao meimo tempo o valoroso Henrique Camarao com 
o> aeus minas ganhava o forte dé Attaná ( 15 de jaDei< 
ro ). Ú iaimigo , perdeudo siicccssÍTamente as snas for- 
tifica^ocs, ficou reduzido á cidsde , e Segrsmundo ca- 
pilula honrosamente , perdendo os hollandcKes , em no- ' 
ve dias, o dominio de vinle e quatro aunos. noseo 
esercilo occupou logo á cidade do Recife. onde foi 
recebido no meio das mais enthusiasticas e siueeras ac- 
clamaqóes de seus habitantes. 

Com a espalsÓo dos holtandetes de Pcmambuco, leve 
9* 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



130 

FrancÍKO Barreto s gloria de asKgnrar a Portagal a 
traDqUtlUdade das vastas possessoes do Briiil. 

yo\a conspira^áo contra a vida do rci. bispo de 
Coimbra , Sebastiao Cesar de Ueneies , sea ministro 
quiz entregat-o ao rei cle Hespanha. 

( 1655 ] conde de Sartedas substiluia'no viee-rei- 
nado da India o condB de Obidos, <]ue goveVnou com 
gloria> O Dovo vice-rei contínúa a guerra com os bol- 
hndetes nas nosias possessóes além da lioha , obrigan- 
do-03 a levantar o silio de Cejlao.-prendendo q rei 
d'aquella itha , que levou prgso a Góa , atado no banco 
da sua Galé ; porém no anno seguinle a morte arreba- 
tou o conde vice-reí , e os hollanitetes atacam novo- 
tnenle Cejtao , tomam CoIuoiIk) , e se faKm senhores 
de todaa i)ha(1656). 

( 1656 ] D. Joao iv morre em Listioa ( 6 de norem- 
bro ) , tendo cincoenta annos de idade. Govemou deie- 
seis annos , duranle os quaes estabeleceu leis utilissis* 
simu , e se crearam os tribunaes — Conselho UllrBma- 
rÍDo , Conselbo de Gaerra , Jiinta do Commercio , Jun- 
ta dos Tres Eslados , e oalros. Foi principe virUioso . 
affavel , e justo; melbur politico do que guerreiro, e 
inuito inclinado á musica. Ilavia nascido ero Villa Vi- 
fosa B 19 de mar^o de ÍGOf. Sendo duquc de Bragan- 
^ , casou a 21 de janeiro de 1633 com D. Luiza Fran- 
cisca de Gusmáo , ñlha do doque de Uedina Sidonia. 
Jai em S. Ticente de Fóra. 

SuiBOi D. ArFOifBo vt ( Victouoso ) Sa.' Rei. 

Peta morte d'el-rei D. Joio ir cofflefoa a reinar sea 
fitho o principe D. Affonso, tendo trete annos de ida- 
de. D. Joio iT Ünba Domeado taUira, e regeote do rei- 

ü,o,i,-f-n,CÓOylc 



no , arafnfaa sna nnlher , comeneida qne a<|ne1h qoe 
por leD anlnRt e deGÍsáo o linha eleiado ao throno , la- 
twria , duranle a menaridade de leu lllbo , conserTar- 
Ihe a coroa. 

Cnmeqaa a rainha o sen governo com nma prudencia 
e taleoto , qne soube contrariar os projectos dos gran- 
des que Uie queriam tirar o gOTemo , como baTÍam fei- 
to á raÍDha D. Catharina de Austria , avó d'el-rei D. 
Sebastíao. Cbamoa a si todos 05 frabaihos do conselbo, 
lia todos os despachos, e nada escapaTa aos seus cui- 
dados e Tigilancia. Hcdotoh allian^a com todas as cor-' 
tes, de modo que poTo a tinha em adorB^Ía, • OS 
grandes n odmiraTam e respeitavam. 

X guerra com Hcspanha cstaTa amorlectda desde as 
derrolas de Uontijo e Blvas. As campanhas estaTam li- 
mitadas. a alguns pequenoa recontros ; porém agora a 
morte d'el-rei D. Joao iv animon os castelhanos a dar 
um golpe de mestre na qne elles chamavam remltifSo 
portagueta. 

( 16S7 ) general em cbere , conde-de S. Lourenso , 
■hre a cam¡ianba , « síija Valeo^a de Alcantara e fla- 
dajoz ; porém nao s¿ fomos obrigados a levantar sílío , 
Mmo perdemos OIÍTen{¡a e Mourao. 

( 16S8 ] Similhantes pcrdas nüo se podiam attribuir a 
falta de talcnto e vigilancia do general ; porém o espi- 
ríto p&blico desejaTa o commando das armas do Alem- 
teju em outraS maos. ]oio Mendes de Vasconcelloc 
aubstituiu conde de S. Louren^o , e a guerra conti- 
nnou Tigorosa , retomando-se a pra^a de Houráo , abra- 
lando muitas poTOa;Óea inimigas , e lomando-lhea mni- 
tas presas. No ottramar iguatmente coulipuaTaro os nos- 
sos generaes reconquislando algumas posseisóes dai 
perdidas durant« o goierno <toi Filippes. 



Teádo^se a nosso goTeriiD com ror^as para tentanmii 
empreza de nome , resolvea-se o silio de Badajoi , coo- 
tra o parecer do conde do Snbugal. Comecaram as ope- 
rB;des pe!o ataque ao Torle de S. Chrislováo; porém.o 
ataque mais notavel d'este círco foi o do forte de S- 
Miguel, que o duque de S. Germano veiu loGCorrer 
em pessoa. a 

Os generaes VasconQellos c André de Albuqnerqoe 
atacaram ao mesmo tempo o fortc c o duque , quc o qne- 
rla descercar. O combaLe durou porBado quatro horas, 
rendendo-se i discricáo o forle , e o eiercito caslelha- 
no rctirou na inaior desordcm , perseguido tenazmcnte 
por André de Albuquerqiie. 

Estc noTo desastre exasperou a corte de Hadrid , e 
logo o governo bespanhnl mandou fazer grandcs prepa- 
rativos para soccorrcr Badajoz , qnerendo o prüprío rei 
Filippe IV vir em pcssoa commandar o ataque; porém 
resoWeram depois , que viesse o sea primeiro ministro 
D. Luiz de naro. 

Durava o assedio ha qúatro metes, qaando chegou 
s notfcia , de que o inimigo marchava com grandes for- 
^as em soccorro da praga. O ^f eneral Pedro Jaques de 
Magalhaes aconselhou que o nosso cxercíto se relirasse 
para Elvas , e o inimigo , orgulhoso das snas fortjas , 
ODsa vir pór cérco a esta pra;a (22 de otitubro). 

O govemo do Elvas estava entregue a D. Sancho Ha- 
nocl. Este illnstre general sustentou heroicamente o 
apertado cérco qnc Ifae poi o inimigo , rebatendo os 
seus repetidos assaltos , apesar da dÍEÍmaijao (^e uma 
molestia cpídemica fez na nossa guarni^áo. 

Nas provincías do norte lambem o inimigo dos in- 
commodava , e ganhava algnmas vantagens no Hinho ¡ 
poriiQ o coade de Cutello'Uellior Ihe retMil<eu a ídso- 



I. C^ioylo 



133 

lencia. A praca de Mnuuto, riUada pelo ii 
descercada. 

Assim se obraTa iias oalru fnñoaas; wut cslas p»- 
qnenaa TÍctorias nada decidiam; a alleo{io genl en 
para o Alemtejo, onde a pra^ d'Ehas coitfÍDiUTa a 
lofl'rer oft. rigfH'es do mais estreito assedio , e recUm>- 
Ta promptos soccorros. 

gOTarDo nomeia o dnqne de ATCÍro general em cbe- 
fe, para ir descercar ElTas; mos o daqne, depbis de 
aeceiUr . reDuncioa o commando , qae logo roi dado u 
conde de CantaDbede. (13) 

HaTÍa divergmcia sobre a maneira de introdnzir os 
soccorros na pra^a ; porém o general em cbefe , contia 
o pareccr da maioria do conselbo de goerra . em Li»- 
boa , qae decidfra qne se soccorresse nnicanHnte a pra- 
^ , resolTeo eom os scDS generaes atacar o inimigo nas 
iDas linhas , obrígando-o a am combatc geral , baTendo 
toda a prpbabilidade de nio $6 introdniír os soccorrss 
Da pra^a , mas mesmo i}e aalTal-a por nma Te>. 

( lfiS9 ) general em cbefe , CMide de CanUnhede , 
lafu de EstrHnoi a 11 de janeiro , leTando nm esercíto 
de dois mil e qDÍnbenlas csTallos , se(e pe(as de arli- 
Iharia, e oito mil inbntci , amaiorparteaasiliares.Era 
mestre de campo geoeral [ chere de estado maior gene- 
ral ) o coode de Hesqnitella , geoeral de caTallaria An- 
dré de Albaqnerqne, e general de artilharia AffoDSO 
Fnrlado de Hondon^. AcompaahaTam mais o exercito 
os tenentes graeraes Manoel Freire de Andrade, Gil 
Vas Lobo Freire , Dinis de Uello e Castro ¡ Tanuricut . 

(13) O dnqne d'ATelre puuin-H depoii para CMtella, 
« nlippe IT premion a (Oa tnHio &aMd«-a dnqnc d* Cf 
dadeBodrlto, 



o,i,-f-n,Googlc 



m 

e os cominissaHas geráés Joio da SiWa de Sonca, e 
Joáo Vaunicclli, 

Os tergos de infaiitena eram caminaiidndos pelos 
mestrcs de campo general Pedro dc Uello . D. ManoeT 
Henriqiies , Antnnio Galviio, FcrnSo de Mesqiiila Pi- 
menlel , Alvaro de Aievcdo Barrcto, Anloiiio dc Sá Pe- 
reira , Gregorio de taslro dc Moroes , com os tcnentes 
dc mestre de campo gcncral Uii'^o Gomea dtf Piguei- 
redo, Manocl Lolíalu Pinlo, c Ascenso Alvarcs Barre- 
ta, alfm de ontrus quc, por iinsencia dos mcstrc» d« 
campo, erani commandados pclos sarnentos mórea. O 
excrcito levava comsigi) tim (^randc comboi de munigóes 
de bocae deguerra , paraintroduzirna praca. Asguar- 
nifoes das pracas dc JorQracnba , Villa Vicúsa , Caio- 
po Maior c Arronches , reuuirum-se ao eicrcito liber- 
tador. 

A 13 de janciro o exercíto formava era hatalha , i 
vista do inimigo, comc^ando por o desalojar da Ala- 
]aja dos Capaleiros, c collina^da Asstimada. Nao se 
p£de explicar o alvora[;.o dos siliados ; todos sc vestiram 
de t;alla ; os vivas atroavam ós ares , como so a gnerra 
ji livera acabado. 

D. Sancbo Hanoel safu da pra^a , alraTessaado pelo 
ínimigo j frente da cavallaria da gnarniglíu , e veiu ler 
com o general em chcfe. De noite recolheu á pra^a , 
di^poi uma batcria ilc vinte pc^as np balnarle do pñn- 
cipe ao mando de Pcdro Jaques de Magalháes , e rea- 
nindo a guarni^ao nos lemplos , oraram perante o San- 
tissimo Sacramento eiposlo , e todos se prepararam com 
os SacrameDlos da Igreja para entrar na batalba. 

O inimigo recebeu nm refor;o de tres mii infanles e 
qninhenlos cavallas. Duranle a noile , o chefe de es^a- 
do maior general ( Hesquitella } e o generil André de 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



t3S 

Albnqnerqne flieram niii recODhecimento , t ó nosso 
exercílo [omoti posicóes. 

As 8 horas da manha ( 14 de jafieiro de 1659 ) avan- 
coa o e!iercito em tt'ss coliimnas. A eoiumna do centro 
era coinposta dc mil ÍQraDtes ás ordens de Díogo de ¥i- 
gaeiredo , com fachinas, suslcntados por Ires mil in- 
bntes ás ordcns do conde de Mesqiiitella , e de mil e 
diitenlos cnvalliis dc André de Alhiiqticrque. A columna 
da esqucrda , em forra de dois roil homens , era conv- 
mandada por Oiniz de tlello e Caslro. A columnn da 
dircila , ás. ordcns de M.inoel Freirc dc Andrade , era 
composta de dois mil inranles, e novecenlus cafaDos. 
O resto do ciercito (ormava era reserva com o. eom- 
boi , e dcvia scguir os morimenlos da direita para com- 
nnniear com a.pra^a. 

D. Sancho tinha a gnarnigao da praca debaixo do 
commfindo do Taloraso conde de S. Joáo ( Tavora ) , de 
Fernao Corría da SílTa , e do hravo D. Joao da SiKa , 
■lojada na contra-cscarpa , para na primeira occasiao 
dar as maos aos líhertadores. 

Diniz de Mello cnm a esquerda toma denodadamenle 
as (rincheiras , e póc o inimigo em fuga : iima parte da . 
gnarni^áo da praca occupa as posi^óes ahandonadas. - 
Üesquitella e Albiiquerqne , com o centro , avanqam 
para o monte ( fortillcado ) da Graca, ondc estava o 
qnarlel generat inimi^o , e o general em chefe D. Lnic 
de Haro fqgc para Badajoz. Náo foi lao feliz a columna 
da direila ; porqoe em quanto o general inimigo , dn- 
qne de S. Germano, rennía a sda infanteria com nma 
diligencia e inlrepidez admiraveis, o duque de Ossnna 
com uma respeilavcl for^a de cavaUaria ohrigava « ler- 
SO de Luiz de Souza de Menezes a perdor o terreno 
g»bo. Luiz de Menezes , ferido morUlmente , aindB ani- 
naTa «s seus soldados para o combale. 

ü,o,i¡-n,Googli: 



J36 

N'ntc BiomGitto An4r¿ de Albaqoerque mn^a dei- 
lemiilinienle sobre o iniinigo, qne . reLirado ás trio- 
cheiras., ali o assalLa ; poréoi , no momento em qae com 
o Hu baslio tocava na trincheira mostrando aos solda- 
dos eono rtliu te tottuKam , nma bala o atraTessou por 
baiio do braco, e lo¡to perdeo a vida. D. Sancho toma 
e coromandu da dÍTÍsao de Albaqncrqae , e a pcleja 
conlinuoa. O general castelhauo estava ferido oa cabe- 
(s , e a desordem estava em todo o seo eiercilo , qne 
relírava em completa debaudada, e o nbsso eiercito 
victonoso eotrava na pra^a pela noite. 

As bigagens, tendas, caiia militar, secrelaria da 
gaerra , e o estandarle de Carlos * tndo caíu cm nosEO 
poder. As fort;as hespanholas que tinham viudo para a 
toraada de Elvas subiam a trinta mil inranles, e seis 
■QÍI cavalles , de qae apenas recolheram a fiadajoz seis 
mil : só no dia 14- foram mortos mais de dez mJI , sen- 
do a nossa perda de oito cenlos homens, alguns offi- 
ciaes de imporlancia , como Alboqueique, e o conde 
de Sarzedas. 

O ooDde de Cantanhéde voltoa a Lisboa a receber os 
applaasos e o premio de tlo grande servigo, Ocando 
'*Gom o goterDO do Alemtejo o conde da Aloaguia. 

( 1660 ] Enlre os successos d 'esfe anno í memaravel 
■ embaixada do conde de Soure á'FraaQs , para obstar 
a que a pai dos Pf reneos nos causasse darano. conde 
«bteTe promptoB soccorros , e tronxe comsigo o famoso 
conde de Schontberg , e seis centos francezes boos en- 
genheiros e artilheiro'g. Tambem foi cílebre a empreia 
da naregagáo de uq) porlaguez desde o JapSo pclos 
máres do Pólo arctico. 

( 1661 ) Os castelhaoos flearam lio cortados do nosso 
Eerro no e(rco d'Elras , qae em mais de un anoo nao 



0,i,-f-niGoOglc 



s Dc;aciac6« , Inida o 
destreu de acabar a dañtelligcncM qoe haña coh a 
de Lwklres , e o coade de Híniida * de aJBSbr as pa- 
I» com > Hollnda , abmdofunda csU Baño todu u 
»35 peftenÑes stibrc o Brazil. A inbnla D- CatbaríH 
cssa com el-rei de Ingialern Carios n , leTand^ ca dato 
a cidade de Tanger ( IS de maío de I6GI ]. 

Filíppe iT , qne nio desislia da sna leÍBa de deslnir 
Portn^l , encarrega a dílEcil (arera de nos eoBqBÍstar, 
a seti filtio natoral D. Joáo d'Anstría. 

Taatos preparos da parle de Hespanba nos obrígaran 
a CDÍdar de dós. O conde de Cantanhede , já elendo a 
marqaez de HaríalTa , foi mandado ao Alemtejo cohm 
apiilíar do coDde da Atangnia, D. Jwo d'Anslría abrc 
a campanba tomando-ttos Arronches , e o caslello da 
Alconehel ; porém , apenas lia qae o procnraTamos , 
retiron para Badajoi. 

N'este OKsmo tempo o conde do Prado , geoeral da 
prOTÍDcia do Uinho , soccorrído pelo conde-de Hesqni- 
tella , qae manJara em Trás-os-Monles , laiem Trente 
em Gallíia ao duqae de Ossuoa , derrolaDdo-o por dnas 
veies. Ossuna corre sobre a Beira , e toma o farte de 
Val de la Mala ; porém O. Sancbo Hanoel , já con<l« 
de Villa Flor , desembaracado do Alemteja , no grande 
choqae da companhia de Pcrales , castigou o diique eas- 
lelhano. 

( t662}D. Joáod'Austria torna a apparecer no Alcm- 
tejo. marquei de Uarialra toma deilDÍtÍTamenU o 
cammando das armas do Alemtejo , e procura o inimi» 
go , que sTÍstou qnasí debaixo dos mnros dg Eslremoi ; 
poiém náo espenndo biUHia das nossos , retrocéda ao- 



o,i,-f-n,Googlc 



138 

hre Borba , qne saqneia , e descarrega d^ís o p¿M 
daa suas arntas sohre Jortimetiha , qac 10^0 foi soccoi^ 
rida pelo marqncz. 

£l-rei , frouiio , facilrini em ser rascinado por homens 
pessimos , ii occastáo a geral desgosto no reino. K. pro- 
pria rainha rejenle , nao podendo já sofTrcr os dissal)»- 
res qne Ihe cansaTa el-rei seu fílho , sdnzido pelos qiie 
qneriam goiernar í somlira d'elle , Ihe cntrega o gover- 
no (23 de jnnbo «lc 1662). A grande rqinha disse a 
■ea lilho : « Eis-aqui os sellos quc eu cnlrego a TOSsa 
niasestade ; oxali que os emprcgue conforme mens áe~ 
sejos , e a felicidadc dos tossos poTOS. n Entregae o go- 
«emo a el-rei , a rainha D. Luiia se retira ao conveDto 
das agostinhas dcscal^as , qiic bavia fiindado no sitio 
do Grilo. 

D. AITonso Ti em libcrdade , se enlrcgoii a seu Talída 
Antonio Conti : o conde dc Odemira , al£ ali no agra- 
do, cáe na desgra^a , e o coude dc Castello-Uelhur fui 
o minislro qoe governou com maior forga alé 1665. 

( 1663 ) Era grande o perigo cm qiic n'esie tempo se 
via o reino; porque U. Joáo d'Austria com for^as supe- 
riores ás nossas andava despolico pelo Alemlejo , che- 
gando as suas partidas a Alcaccr do Sal. Evura estava 
sitiada, e os meios para a defcnsa cram poucus. De 
todas as proTÍncias roarchavam para o Alemlcjo as tro- 
pas qne n'ellas se podiaro escusar. Cnm eUas unidas 
saiu de Estrcmoz o general conde. de Villa Fior , le- 
vando pnr gencral da caTallaria^Iniz de Mello e Cas< 
tro, e da artílharia D. Luiz de Mene/es. 

Cbegou o nosso eiercilo á vista de Evora , porém ji 
esta cidade estava em poder do inimigo, tremulando a 
bandeira castelhana oos seus muros. EolSo o nosso 
exerciio retrocedeu , resolrido o geoeral a esperar o 
¡nímigo alfm do Degebe. 

Couslo 



13» 

t). JvSo d'Amtria , Gonhecendo o nosso fntento , d«K 
xa uma forle guarnt^ao eni £vora , e marcba para Cas- 
iella para refaier-se, recebendo as recrutas que esla> 
Tam promptas ; porém o cunrie de Villa Flor conheceo- 
do o deíisnio . lüc foi no olcance , e os dois eiercitos 
se encoiilraram (7 dc junho } da outra margem do Ters 
nos campos do Amciiial , nio podendo o inimigo es- 
quÍTar-se ao ccmbale. 

O general da Bcira Manocl Preire de Andradc, e 
o commissario gcral Gomes Freire, que mandavam a 
cavalkiría do laüo esqaerdn , ambos dulodos de Tolor , 
e de disciplína, avan^am intrepidos snhre o inimigo, 
com os fins de impedir-lhe a retirada. N'este movimen- 
to perdeu a viila Hanoel Freire atravessodo por uma 
bala. Diniz de Uetlo refor^ou logo o ataque com trcs 
mil cavallos, e a bataiha tamou um caracter serio. A 
oossa cavallaria obrava maravilhaS; e nao sendo as vis- 
tas do gcncral portuguez dar um ataque geral , agora 
move todo o enercito sobre a Infanteria castelhana que 
occupnva as eminencias circumvitinfaas. ^oi faom di^ 
putada a batalba ; porém ganbdnios uma completa vÍcío> 
'rÍB , dciiando D. JoSo d'Austria no campo , entre muí- 
los cadaveres , rico despojo. 

Os generaes conde de Villa Flor, o de Schombergi 
o da Torre , D. Joáo da Silva , ACTonso Furtado de 
Hendon^a , D. Luii de Menezes com os mais cabos e 
oSiciaes ganharam n'este dia a admtra^io da Eurapa , 
poT screm os vencedores de láo famosu general. * 

D- Joáo d'Austria , perdendo em Portugal a siia grau- 
de rcpntB^iÍD militar, foi desahridam^nte recebido na 
corte, e mesmo pelo rci seu pai. 

nosso exercito marcba logo sobre Evora , que go- 
rerMva o gcneral castelbuw conde de Sflrtiraaa. O va- 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



IM 

lor roconhccido do gfncral liespanhul nao fot capai de 
resislir aos nossos ataques , e nos entregou a praea em 
dia de S- Joáo. O marqucz de MariaWa acompanhou a 
eiercíto na tomada de Evora. 

As Dossas tropas foram aquarteladas , para descanca* 
rem dis fadigas da guerra , á sombra dos Iriunros ad- 
quiridos , e o geDerai Viila Flor passou i corle , onde 
foi mal recebído na occasiao em que todos esperavim 
vor os seus semiíos premiados. 

Com sátisfaQÍo geral fui o condc de Villa Plor snbsti* 
Iiiido no governo pclo tnarquez dc Marialva , nomeado 
eapitao gencrnl , e furam igualmcnté piüiidos no gover- 
no da provincia o conde de Schomberg , e o mestrc de 
campo gencrsl , GÍI Vaz Lubo Freire. 

Durante a campanhn d'estc anno, foram igualmente 
felizes as nossas armas nas outras provincias, e cspc- 
cialmenlo no cclebrado Ghoque de Val dc la Mula , ga- 
nbado por AfTonso Fortado dc McndoDca. 

( 1664 ) nosso eiercito estava oo estado o mais lu- 
sido; c como os castelhanos nao nos procuravam, re- 
solveu o gcneral em chefe, raarquez de Marialra, in- 
vadir o paiz inimigo. Valenra d'Alcantara foi sitiada, 
e depois de galbarda resistencia se sujcitou ao dosso 
jiigo. 

Igiial trinnfo gahboii o general dn Bcira Pcdro Ja- 
(|iieg de MagalhÜcs , derrolando o duque de Ossuna so- 
bre Castello Rodrigo (7 de julho). 
■ A corte de Madrid desesperava com tAnta perda , e 
nllDmente clamava contra o seu general em chefe D. 
Joao d'Anstria. Este . vendo qne attribuiam a mi fortu- 
na da gncrra , á sua má direc;So , rcnunciou o cargo , 
e safn da corte. 

Fitippe IV , veado seu fllho humilhado , o credito dai 

ü,o,i,-f-n,Co0^ílc 



141 

saas armas depreciado , empregs loóns os meios para 
restsbclecer a opiniSo pefdída. Nomeía para capitao g»; 
neral da Eslreinadura ao marqoez de Caracena , que n« 
guerra da Flandres tinha adquirído a reputaQÍo de pri'- 
meiro soldado da Ilcspanha. Aconipanharam a bsíe gran- 
de tneslre da arte bellica muitos (ilhos da sua disclpli- 
na , e creaturas loiias da EUa inspira^áo , c assim saíu 
9 general faespanhol para a cámpanha, cnmecando por 
emeodar os que etle chamava errog militares do prínci- 
pe. Ao marquei: dc Itlarialva. c ao conde de Schom- 
berg , náo assnstaTam os brados da fama do dovo com> 
peiidor. 

Bnlroo o general Caracena por Porlngal com quinte 
mil inrantes e scis mil cavaltos escolhidng, e foi a sua 
primeira e uUima emprCEa o sitio de Villa Vicosa , re- 
preEenlando>se-lhe , qoe o sojeitar a corte dos lerenis- 
SÍmos duques de Bragan^a ao dominio cBstelbano, era 
quanlo bastava pnra obler a sujei^üo da moiiarchia. 

Governava a pra^a Cbrrstoyáo de Brito PereirA , que 
para a defender, ainda esquecendo a mcmoria de seus 
tllustres progenilores , Ihe bastata o valor proprio sem 
D soccorro do s.ingue. Chrtslovao de Brila defendeu a 
pra^a com conslancia superior á potTia dos que a ala-, 

No mesmo dia em que Caracena come^aTa o silio de 
Villa Vinosa , cnme^ava Marlalva os aprestes para a 
soccorrer. Náo lardou muito quc o nosso exercito em 
forga de quinze mil 'infantes e cinco mil e qninbcntos 
cavalloa aafsse de EsIremOi na direccSo de Villa Vi^nsa. 

Os generaes que tinham a direcíio d'eslas aitnas , 
além do general em chefe , eram o conde de Schom- 
berg, gfneral do Alemlejo; o mestre dc campo grn&- 
ral, Gil Vai Ubo ; o general da cavallnria , Diuii dis 



142 

Hello,; u génerat da arlilharia , D. Luic de líenetes | 
D geaeral da Beira , Pcdro Jaques dc Magalháes ; o ge^ 
neral de Trás-os-Monles , coDde de S. Joao ; Pcdro Ce^ 
sar de Henexes , general da cavallaria do Uinho ; e 
Simao de Vasconcellos e Soaia, governador de Lis' 

Se ■ conüanga que os nossos generaes tinham no no9> 
Eo exercito era grande, náo era DieD~bs a que o gener.ll 
hespanbol linha no seu. CHracena deixa Nicoláo S.nn- 
^res com njil e oitocenlos bomens para guarnecer os 
trabalhos do silioj e safu a eiperar o nusso eiercito 
nos campos de Montet-ClaTot. Os castelhanos nos ataca- 
ram com resoluQáo e dísciplina; mas a sua.ousadia rui 
infeliz. Vencidos, depois de muitas horas de porfiado 
combale , furam ohrigados a coroar ó nosso eiercilo 
com nma das mais brÍlhaDtes victorias ( 17 de julbo 
de 10G5 ). 

A nossa perda foi de setecenlos mortos; a dos casle* 
Ibanos dc qaatro mil , além de seis mil prisioneiros , qu'e 
o nosso triunfanle etercito conduiiu a Villa V¡tu$a. 

Esta consideravcl perda fez abrir o5 olbos a Fili[ipe 
IV. Os scus vassallos já murinuravam de siinilhnnte |>cr- 
linacia de guerra , que dnniva ha vinle e cinco annos , 
e que só IRc havia acarretado deSRra^as. 

A batalha de Montes-CIaros linba decidido o pletto 
da nossa liberdadc. Tndo quanlo Filippe iv ñzessc {wra 
nos sobjiigar , era infructifero ; e conliecendo esta ver- 
dadc, propoc uma canfefencia em Salvaterra paia tra- 
tar da pa7 ; por¿m naUa so decide, 

(1666) Náo solTi'cu o nosso ftovemo que um inimi- 
go vencido ainda ousasse qucrer dilar o tractado de 
paz. B como para alcani;ar segnra paz é muitas vezes 

'^ciio fazer guerra , o nosso gov^tno maiida romper 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



Bovrakent^ aa bostÍlldades< eoBdo de SélioinberK tiñ' 
póe immcnsas contribiii^Ges no oondado de Niebla, « 
toma S. Lncas gobre a Guadiana, O conde do Prado 
etUr'a em Galliia até Baion'na. 

A rainh%]). Luiza de Gnsniao marre no aea convsn- 
to do Grilo [ 27 de fetereiro ]. A na^So riu , com seDti- 
mento Bastanle, morrer a grande rainha , ao meimo 
tempo que complelava a cunqulsta'da liberdade porella 
come^ada. 

Casamenlo d'el-rei com a ditqueza de Neumurs D. 
Uária Francisca laabel de Sabafa ( 27 de junho ). A no- 
T> rainha chcga a Lisboa (2 de agosto). rei quer; 
q«e scn irmio, o infante D. Pedro . case com M."' de 
fiovillon, sobrinfaado tnarechal de Turenna; mas ella 
se nega absnlutamente. 

(1667 ) El-rei , cDnlinuandonassnasdesordens, dei- 
gOBtou geralmenle a na^üo. Separado da raiobft, attan- 
donado aos con^elhos do marquee de Castello Melbor « 
maltrata seu irmño. A rainha , veiada pelo rei , e mal- 
tratada pelo minístro , retira-se ao convento da Eape- 
ran^a ( 2 de novemhro ). El-rei quer empregar a forja 
pera^tirar a rainha do convento, o que nio consegue. 
Eslas desordens augmentam o desconlenlaroenlo no rei- 
no , e a rainba come^a a tratar da nuUidade do malri- 
monio. ' 

tlma revolu^So palaciana o'briga o rei a abdicar o 
Boverno no infante seu irmao (23 de novembro}. 

ItBGKial DO InFANTK D. PkdBO. 

(1667 ] Tomou a infanle D- Pedro conla do gover- 

no do reino em nome d'el-reí sen irmáo ( 22 de novem- 

bro) i e segUDilo os deiejus bém claramente pronuoct»^ 

10 



m 

4os pcM na^. EI-Ki eettTsrbelu» m pe{o;-perte 

tralado eóm toda a grandeu da magetbde. 

A guflrra coin HespiDha eslava quaú no eslado út 
tregDs qae costuma preceder á pai. O regeate desft* 
jara auignslar o cinné(o do sea gofemo, conchiindo 
e trKlaáo com a na^BO vÍEÍnha. Carlos n, rcí d'Iaglw 
torra , casado com a inni de regenle . qiier sér o dw- 
dianeiro, c manda a Madrid o conde de Sandwicb, 
mjnistro plenipoteneiario , para fazer desapparecer ai 
dlBkaildadei. 

Ot Tred Estados do Reino , reoDÍdDs em cortes , |ik 
ram • ÍDfanie D. Pedro principe regente , e herdeii* 
da eoroa (27 de jaQeivo). Assigna^se o (ractado d€ pas 
eom Hcspanha ( 13 de fevereiro). Esta notícia canii 
grandc alegría no reino. As cortes rcconhecem o trá- 
etado de p» iato com a Hespanfaa. 

A. rainba alcSnfJ nos Iribunaea a sentenca de nollí- 
dade tto matrimonio com el-rei. O papa Clemente ii 
eoDfirma eita MDtcDta. A rainba passa a scgundas nii* 
pcjas com seu ctwbado o principe regeste ( 2 de abríl ]. 

( 1669 ) El-reí D. ACTodso é mandado para o castello 
de S. T<áo Baptista d'Acigra, e o regenle emprega-M 
era restabelecer o commercio , reformar os abusos , e 
hD^ar OB fuDdamfiDtos de nm goYeriio sabío o Bores- 
CeDte. - ' 

( 167S a 167B ) Descobre-se em Obidos uma eonspi- 
racao csntra o rcgenCe : os hespanboes lao suspeitados ¡ 
Francisco de_Meadon;a c Anionio de Gnvide, dois dos 
principaes conjarados, ááo punidos. Portugal conlinúa 
em paz, apesar de uma guerra 'gcral DaEiiropá. Assi- 
Kna-ie em Uisboa novo Imctado eom a Bespanba .para 
rieierminar oa limiles da* coIoiúu4h4iím margeM da 
Hiu da Prala. 



m 

eslevc seis annus. É dépois uaoiltda ^»f o ^lacio dJf 
' £iatra, »iinde o c9DS«rv»eBi reclaso a|é á »a» morte , 
i|ue fui a 13 de setembro de 1689- Reinau «ÍDte e aeta 
•iHins, govefnindo cinco annos, %»_ i qne f^veritaUp 
Urtís nascido em LÍU>db a 29 t)e qgpato dc 16i3. Ja^ 
no mosleiro de Belem. 



O Senhos D. Pedbo n [0 PícíficoJ '23.' ItEr. 

( 1683} {iríneipe D. p.edro ló coin » morte ^'eUr^ ' 
¿ qus temou o titulo de rei..Moi're i Yaínha 0. Ifaha 
frBncisca {27 dejeiemhro]. ia> no coavefto (]9$«ol9 
Crucinio, cm Usboa , pw «^1« fundado. 

( 1687 ) D. Pedr» ii pa|s> a seguadas onpcias coof 
D. Maria Sophta ,^prj[weza do Bbepo ( 11 de. ^gostp)^ 
. ^EUheÍ ÍM imax pfÍRGCE^ herdeira a sua filhaC Isar 
bel , e alcan^a dM Eitados 4o,il^ino reufúdoí pn po^ 
ies , permissiq pkra a prince^ji ea&ir com o (hiqtie de 
Sahoia Vielor .imadeo ; porén) » pfiwalura mftcte d4 
príttCHa, ac«Mte«Í(Ja a Sl>de ouUibriO de 1690, malf 
logroii consorcio. 

( 1697) AlgaBerrgiaientús mo miBdadoa cro auxÍT 
lío do.Carlos u reí de Uespanlia , pflrÍR) sá pa^a servi- 
rcm eontra os moaro's. 

■ (Í700) A fBOrte de Cariús n, rej de Hespanha, 
aconteeida n'este anno , veiu pár Portugat ein Dovaa 
pollisóes. Tioha o monarcfaa hespaoiiol Teito tcsbtmcnto 
aa eleitor.da Baviwa em 1697; (wr«m, ^evoj^ado cm 
Í7jOO , fei ^sogondo testanealo , cm ^ue uoigcia por her- 
dliro da «otm i'ilippe , 4«que d'Anj")) . e na 5ua falta 
duquedeBcrrj; em terceiro logar o archi'duque Car.r 
10 • 



I. Coo^ílc 



tM, Gom tondl^o ^ bCc Jontir a HnpitAa'M Impe* 
rio; e aHiminieiite o daqae de Saboia. 

O doqne d'Anjon é áectomada em Uedrid com o m* * 
ine de ñlíppe T, e Portngal foi« prjmein'na^o qiw 
o rccanhecen , e b>das as na^« da Enropa , «cepto o. 
imperador da Allemanbt , leguirám a exemplo de Poiw 
togai. 

PortiiKal , Respsnlui , e Franca raaem nm tractodo d« 
ellian^ oflensÍTa e defenaiva , e logo a esquadra fraii- 
ceia ís ordens de Mr. de Reneao , qae encórporada á 
nossa flcou ás ordens do conde de S. Viccnte , sguar- 
dOa a Jnvasio qne se esperava do norte. 

( 1703 } A politica fei n'este anno uma madan^a con> 
sÍderaTel, Todas a| poleDcias qne hiTÍam reconhecido 
Fílippe T o desamparam pan reconbecerem o arcbidii- 
qoe d'Anstria cofno rei de BMpanba , coni o nome do 
Carlos in. Filippe t fica s6 com a ajtianf a de sea aré 
Luii nT , fl grande. Pertuga) eidra na grande alliaDfa 
com o Imperio , ProTÍncias unídas , e Ingliterra: 

( 1704 ] Cliegou o archiduque a Lisboa nta esqoadras 
de loglaterra e Hollanda com d» mil inglezes , que sa 
nnlram ao nosso eiercito. Reonido o exercito na B«- - 
T^, Pedro n e Carlos m entraram por Castelli a bier 
Om reconhecvmento , retírando-se depois a Porbigal. 

( 170S ] Os alliados ganbaram depots a pra^a de GÍ- 
braltar. Filippe fei os maiores esfor^os por reeobral-a , 
pcndo-lhe aperUdo círco por mar e terra ; porém saindo 
de Lisboa a nosú esqnadra ás ordens de Gaspar de Atai- 
de , e alguns navios dos alliados ás ordens de Leake, 
inTestín e derroton a Mr. de Poíntes , que eom nma es- 
qnadra de trtnta e cinco nios occnpava o Esfreito , ■ 
desendnre^dd i Biar ; leTUtou 9 •iti* exercitv i* 
terr*. 



n, C.OOylc 



1*1 

M pra^B de Valenca. Alacarain a brecEia doii regjin 
IM portiigueces , Dm inglei, e ontro hollandei: o prv> 
BMÍro qne « moiitoa fei q coronel D. Frascisco de Len- 
cattre , qae no alto d'ella foi niorto. O conde de Co- 
CDlím sasteotou a aTaiifada i freote do ontro regimenlo 
portuguei : Gam a mesiaa biiarria se portararo os cor«- 
Beis Doncason , inglei , e o conde de Norelles. 

Guaratcida Valea^, lera&tou o eiercito o ean^i 
e marchou ao «ttio de Alboquerque , qoe roi dirígids 
palo general conde de Gallowa;. Derendeo-se « ioimígo 
com resolu^ao ; porém Tendo a innlilidade da resiste»- 
eia , entre^u por eapitnla{¡lo a praga , qne logo saar* 
Dccemas. 

£m quanlo as tropai rerreaeatam para depois ae em- 
^garem no sitio ile Badajoi , o marquei das Hiiiat 
loinau SaWaterra , que le rendeu á discricio , e depoit 
afan^ea a Sarcai qne o inimigo desamparára , e foi en> 
tregna ao lago. - 

O litio de fiadajsi «onecofl eon aeérto t ppréiii ff ' 
«ilo foi inhlii. O conde de Gallowaj perdeii um brar 
fo , e general Fagel tomou logo o logar de Gallowar 
na qnalidade de ebefe d'estado maior geoeral , debaixo 
das ordeni do marquei das UÍDas. 

CoDtinvaTam os slliado» as opera(Se) do sftio , e a 
marechal de Xessé se dispunha a soecorrer a pra;a. Oa 
Doasos generaes , e principalmente o conde de S. JoSo . 
lomaram asimaiores precaufoes pari eiitar a introdue- 
(Bo dos soccorroB na pra^a ; pwím tiveram a infelíci-; 
dade de ver iBBtlograr , por culpa do general Fagel , ai 
aabiaa disposisoea que hariam o^doiado. 
- arebiduqoe , od CarloB m, aalii de Lisboa na ar^ 
nuda ios «Uiaáesj c lama Pue^oM* To^as u naiB 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



m 

é^adet'di eaMafñac s» 4««TaniratD fiéht p^rti^' 4e 
enrlos tíl, qiie »nst«ttt»-ditt t<m grattcle enpenbo , e'» 
fflejttio aeoniee«« á TaieHca. ■ •- 

' lAáo seccessa de ItüifftjoE cstaVs bem áesfbrradttv 
0» anlados iam renmitndu \oéá a monarchla de Hesf»- 
rtftd á« doitiiAí» de Carloa m. A Ptanea , assust»da , 
spnra pars esta camfiátiha lodos os íc«s esforjos. 

■ (1706) Foi enviaío n (hrqnB de Berwick para W«H 
dár ds tropas d"el-r«i Filrppe , poi^ue- esíc prittcfpe , 
édin o inafechftl deTessé, HHíÍaeoni ihb corpotléeser- 
cflo sepafaSo siliar Barcclona , em qimnto Berirtclt fa-i 
ria frehle iti nossos , e * eonde de las Torres com oe- 
tfv corpo de eterelMi fnfia frenle e lord Peterborsu^. 
Sobre a tnarcha do e:tercito dc (erra decidin-se qm 
Mdt^hasse tfit^iio ti Hadritt. 

O éxereitb.^rd fofra 'de qiilirentí mil boinetis < sfl 
pcn em mal-chÉ debalvo da^ ordens do mdt^wi das Hi'- 
na»; c d&GanowHy. d«poís<de p»sar o tio Sotor , re- 
solveu atacar o duqiie Ae Berwick, que aearepata eitt 
Brogai. O duqiie pfocuVoU etílaí' o ataqiK , porétn a 
sita retágtiarda foi derrotádH. PéMeinO» ii'éste combaW 
Aconde de S: TiceWie. - ■ 

' O n<M50 etef eíto oeeiipnn Bróeas , qoe esfava deaam- 
parada. Guarnecida esta praca , o marques das Minatt 
matciiou sotve Alcifltíira , qne renden , apemr de estar 
gtmrtiecida'coRi ctrteo mil homcns bem provldos'de tndoj 
' Bendida Alcsntara , ae avamcou o ttaarqoez de FmtH 
téira a MWdleja , qtie martttou atacar pelO conde de - 
SoUre , e á sun ^itíirHieilo sí rettdliU prisioneifa. A mes- 
na feticidáde tete bi Jn9o-4e Ataide snblw a cidade 
de Coria , d'onití akía toá^ o eÁ^Hd 'pars Plicenclar 
N'esta Mi^é d^ctdiram'tir ^en^áU nío íííflcaT «m 
''''«otíctM^d eM«r tti) tÍHo- de'íBáttÍlRfKi^ 



I. Coo^ílc 



14» 

NSo ^ercMlo o 9m«nl m ¿befe ier * ncrdta «■ 
iaac^«, relroctdeu, e ««ÍDaUcarCidad^RodrígOi ^bs 
K rendeu eai poacos dias ; e chegkiido a Ml« campo « 
igradafei not(eta do leTanlaineato do (ilío da BaTcala' 
na , rciolveti-H qne o eiercito BMrchasse direito a Mt* 
átiá , ua idéa dc qae Carloi m ati le aoiria , e qne ot 
hespaDhoea , TciMlu-a apoíado por tautas forfes , «baa' 
doaarúiii Pilíppe. 

Em todo o caminbo até Uadrid nao achon aargiMX 
iniinlgos. 8afu Filippe d'eita corte para o nosM eier- 
cito entrar n'ella (3 de jnlbo de 1706); porén, nst 
- aconielbada Garlos, atraiou mafto os seas sagooloi» 
por nio rir apparecer entre um poTO onde lodoi ^a»' 
rian ^r aev rei. 

Oa nosiDs geoeraes , rcndo a iaapasaibitidada im SM 
conserTa;ao n'aquelle pais , onde Filippe e Berwlck ti- 
Hfaana ntais TBDtagcra . sairara de Hadrid psva ValeQEi 
a ajuDtsr-ie camCarloa, qns et deTftra terboKado aoi 
Madríd. 

Horre el-rei D. Pedro ii a de dcEeadiro de i70< . 
lanáo ciaooeota e eita annoi de idade. GoTemo« Irintt 
« oite annoB, aendo deseseis como regeBto. e Tintea 
dois eomo rei, Haria uscido esi Liatioa a £6 da abril 
de 1648. Jai «n 8. Vicflnl» d« P6ra. 

O Siamt D. Jalo w ( O 'iiutuama ) 24.' Ka. 

( 170fi ) k norte d'cl-ref D.^edro d e)«M «o tbo- 
M aen AHio o pridEÍfw D. Joio , tendo apenai 4«*eaeia 
annos de idade. 

D. JeÍD T ratiAca a grand« allÍaBQa , eoDtin««ndo as 
KMSas amus a sttlteDtar a canss de Ortol nf. 

( 17^7 } O «Bqw áe Osmwt. tMH S«rf«. 0» ««ti«fM> 



■Brqaec éu iSmtí-, -« lord Golloiri); etocMtnn o n» 
recha) de Berwick á vista de AlmaQia , m Castelb No-. 
va, dio balalha, e sáii inteifanieiite desbaraudos , B- 
«ando doie regjiBeBtos partuguezes prisíoDeÍEOS ( 25 de 
abril ). Os^alliados sc rielirarara ao reÍDo de Valen^ , 
que pouco leoipo ge conserTou na -obedieDCÍa de Carloi 
m, seguiodo o inesBie eiemplo o dc Ar3ga,o. 

Os alliados, a quem a batalha d'Alnuitta poz em 
^paros , nzeram uoia diversao dc Tor^as. Uioaie.Gol- 
Iffwñj atraTeisam para a Estreinadura , .e sobre Badajoi 
sao novamente battdos. 0» alliatjoí , e prinDÍpBlineDte 
Portugal, empregam todos os meios- para^ recuperar 
perdido. 

( 1708 ) El-rei celcbra o sen casamento com D. Ma^ 
ria Anna d'Aastria , filha do Imperador Leopoldo i (S6 
de outubro). 

(1710) conde de Storemb gaflha a gtande victfr* 
lia de 9arago;a sobre o ^neral Bay. Os altiaáoi de 
Carlos III entram pela segunda vez em Uadrid. A caosa 
de FiUppe julga-se perdída; porém, recebendo uoto» 
soccorros de FranQS , o duque de Vendoise ataca Sto- 
remb em VÍUa VÍQOsa. na Castella Nova . e o desba- 
rala. Esta rictoria póde diier-se que modou a Uct da 
causa de Filippe, e o segurou no throno. 

N'este anno morre José ii , imperador da Altemanba , 
e o arcbiduqne subíu ao throno ímpcrial. Come^ o 
seu parttdo na Hcspanha a dcclioar muito , porque as 
nacoes tambetQ náo desQaram que Carloi reunisse la- 
manho número de estados: todavia PorUigal conMiMioa 
a sustentar a guerra. 

{ 1711 ) almiranle francei Dngiiai Tronin atacá e 
loma a cidade do Bio de Janeira. marquei de Hei 
tlaca Carofu-Hiier ¡ porém depoi»dfl>ii|iiiTigorosafe- 



,u8lo 



dfteBéit-ürita peTú eoode da Rlbetra, por espa;o dü 
trmta dias, os litianteg retirain. 
■ ( i713 ; Paz geral em [Jtracht (11 de abril ]. Assígna- 
uo tractado de paz [13 de revereiro de_1719) entro 
Portofal e Hespanha , na mesma cidade de Utrecht, 
■eodo plenipoEenciarios o doque de Ossnna , o conde 
de Taro'uca, e D. Luiz da Cunha.'Os principaes ap- 
tigoa eraai , qae a Hespanha entregaria o castello de 
'Konda com a aeo territpria , a ilha de Verdejo, ea 
Mlonía do SacrameDlo ;'e Porlugal eutregaria Albuquer- 
qoe, Puebla e seii tcrritorío, c Íhe seriam pSROS seit- 
ecntos mil cniiBdos pelo assento dos neKros.- 

Faiem-se progres^os immensos na cÍTÍlisa^io do ser- 
táo do Braiil , e nas suas proTÍncias augmentaiQ as des-> 
eobertas'. 

( 1716 ) A s¿ de Lisboa dividida £m oríentat e occi- 
dental , sendo está uttiiaa elevada a patrlarcbai, e geu 
primeiro patriarclia Ü. Thomai de AÍniefda. 
- K esquadra portugueza , ás-ordens do conde do.RÍQ 
Grande , vie em soccorro dos Tenezianos , que tintiani 
tomado a Horea , e atacafam a Hha de Corfú. Os turcos 
.Hio esperaram , e a armada recolheu a Lisboa. 

( 1717 ) TornaTata os turcos a incomtnodar as iliias 
do Uediterraneo; a Dossa es'quadra toma a sair,.e Q 
conde do Rit>-Grande e o de S. Vicente , unidos em 
Corfú com as OHlras eaquadras auxiliarea, ataeam os 
lurcos junto ao cabo UatBpan;.e a pesar do inimi- 
mige ser si^perior em forcns , furara Qbrígados a retirar 
GOffl.grande estrago para a ilha dc Candja. 

r.an^a'-se a pedra fundamenial á ^asilica de Mafrá 
(17 de narembro). conde da Ericeira, TÍce-rei da 
lndia , atcaD^a gloriosoi triunfos. 
' (1720) Brecíjio do bispado do GtÍQ Pcri. InsUtui- 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



fsa 

flo 'da Aeadeinia Reai át HíiIoFla Pmlngiift» ( 8 áv 
deiembro) com cincoenta Mademicos áos mns eradi'- 
tos do reiiiD. Insliluem-se scademias militares pnra as 
eatudos mathematicus , e tres cadeiras de direito cÍYil , 
e dnas do cammico na unÍTenidade deETors. 

( 1723 ) A i>este mata mais de quaresta mil pcMo» 
em Liabua. 

(1738) Casameolo do principe áo Bnnit com Ife 
Haria Aona Victoria , infanta dc Hespaaha , e da prin'. ' 
eeia da Berra D. Unria Barbara com o principe ilis . 
Asturias D. FernaDdo. 

(1729) Comc^a a ediñear-se o grande aquedueli» 
das aguas livres para abastecer de agua a cidade dc ■ 
t.isbua, obra a raais gi^antesca da Earopa. 

(1730) Sasra^ao da Basilica de Mafra [ITde n»- 
Tembro): 

(1733) conde de Sandonñl , Tiee-r«t da India, 
Gonserva com bastaole dilHcatdade esfe Estado. 

( 17(0} marquex de I.^urifal láe segnAda nt ko- 
Tersar o Bstado de India , fai levanlar o sllio de Gda, 
« retama alffumas pracas. 

( 1741 ) fi lupprimtdo o arcebispado de LislMMt , ft- 
caitdo s^menta x si patriaFChal ( 1 de selembro ). 

( 1744 } Sendo vice>rei o nNrqvcz de Alonia , conU- 
Búa a impedir o progresso do intmigo na India, e « 
faicr respeitar as armas portngncMs. 

( 174K ) Erec<;ao des bispados de S. Paulo < de Ifa- 
rianna , no Braiil. 

( 1748 ) Itenediclo ht conccde a al^rei e seos sacoas' 
■ores o título de Fidetistinm ( S3 de deteml^ro ). 

( 1750 ) Traetado com a Hespwha para deMrCaf ts 
liraites das dnas 'coroas nas Indias nccidentvej. 
' EI-r«í iwTia sido aUcado de unu ptnrlrti* • 10 dc 



m 

■ FoJ D. Jnio T doUdo de um gcnio grindiuso. Gon 
vernoB o teino quarenla e trcs annos. Além <las funda-f 
^óes do coTiTento de Mafra . e do aqueduelo de Liiboa , 
mandmi faKr em Roma a magníflca'capella áe S. Joio 
Baptísta , qiTe m Té na igrcja de S. Roque , obra qiia 
ctrslov Qm milhao de cruiadas. Fundou e aDÍmou a ÍD- 
duslria manufactureira do reino. Estabcleceu livrarfss 
faoiosas, e reediñcou o utilissimo hospital dai Caldas 
da Bainha. Morreii em Ltiboa a 31 de julho-de 175(>, 
teodo seiscnta e um annos de idade. Havia nascido a 
2'2 de outubro de 1689. Jai em S. Vicente áe Fóra. . 

SbNHOB D. JosCI 1 ( ItEFOSMÁDOB ) 25." Ru. 

Unrto el-Tet D. Jolo y , foi acclaroado rei , eom M 
SolemnidadeB do cosiome, seu ti^o o prÍDcÍpe do Bra-: 
Cil D. Jftsé (7 de agosto), Uada trÍDla e seis anDas 
de idade. 

' D, José I achoa os cofres vasioi. Calcula-se que na 
reÍDado áe sen pai foram para Roma ceoto e oitaDta mi^ 
thoes de cniMfios. A despeta com o coDTeDtft de Hafra 
bavia sido enorme , assim eomo o fei a feita com o utí- 
lisBÍmo aqueducto que abasteceu de agua a capital. 
' Os primeiros. cuidados do inonarcha fhram o de ani* 
rtat' a agrícultura , as aries e o oaninercio , para eom' 
estes solidos elementus faEer prosperar a na^So , e ai>> 
^meRtar o» rendimentos do Estado. 

Bl-rei entregou-'se completameDte nai nwoa dO'Sen 
prímeiro mtnislro , Sebasli^o José de Carvalho e Me)- 
lo . bomera doiado de grande talenlo ftdminÍslraUvo. 
<A trand» negocio» do Estodp r Ve a>é fto. niniKl» 



I. Coo^ílc 



tS4 

4e-D. Pedrn a >ó<e.t»cUi7n «n cottes, reOBÍd(W.0|i 
Tres Estadosdu Reino , comefavainagora , ntaiídoqaa 
Bo precedente reirurlo , a scr dclibcrados pelo govemo , 
Min guardar respeiFo aos roros, e regaliag nacionaes. 
Debaiia de sfmilhaxile sjstema se (uitriioarain muitas 
leis , algumis sem-dúvida de gramlc interesse p¿blico« 
poTÉm tambem algumss houTe ineonvenientes. 

Chegou a Lisboa a frota do Briiil { 7 de dezembro) 
carregada de dÍDheiro , e gencros coloniaes. 

( 17S1 ) CreafáQ da Bela^io do Rio dejaiieiro.-e do 
Seposrto PúblicD em Lisbua. 

{ 1752 ) O comniercio dos diamantes é declarido t%- 
clusÍTO . e flca debaíio da protcccao do rei. 

(175S) Keforma da Jimta do Commercio (30 de se- 
tembro ]. 

Horrivel terremoto (1.* de novembro) em Lisboa, 
qae sabv«rte a cidwle , pereecndo mais de qaareata mil 
■pestoas , e os prejuicos forara ealeulados em centenares 
de milhóes. £l-rei e seu governo desetiToIveram n'esla 
críse ama energia adiniravel. A cidade submergida ,.e 
Mii babilaDtes vendo-se cercados de niinas e de cada- 
veres , ainda o'eSle doloroso esEado faram atacados pela 
cübifa dos salleadores. Estes em Damerosos bandos so 
esfMlharam pela capital , assailaDdo as casts , OS habi- 
taotes flas raas , e at£ is raulheres rasgavam as orelbai 
para mais facilmenle Ihes ronbar as argolas ou bríveos. 
-OrdeDOu o governo ,. que todos os salteadores apanba- 
dos em flagraDle fossem lt>ga enforcados nos looaes do 
, delicto , e seus Corpos eonservados na forca ; esta or- 
dem. hoFrorosa , sem dúvida , e que se. eiecutou pon- 
tualmenle , foí quem salvou a cidade dos horrofes do 
assassino, c da pilhagem a que se via cDtregue.' Ale- 
VMtanis^ barncas p«ra recoUier os iafelÍKi qoe »i- 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



IS3 

^vun dhtterao», •deeorrennMs lodM m tpe pMelsa» 
vem , sem olbar a classe ; llDalmente derain-se proridea- - 
ciaa taes, que só ellas fariftm grande o reÍDado de D: 
Jotói. 

A iiberdade do cominereio dog Tinbos do Alto Donro 
estaT8 faietodo graodes casas inglezas em prejuiio doi 
tavradoreS , e tambeot dos urgociaDtes porUigoeies.' Os 
ingleles faaviíim estabclecido uma feitoriai.o govem* 
■ destrae , e institue a Companhía Geral da Agricnllu^ 
ra e Commetcio dos Vinhos do Atlo Douro , estabeiecj* 
menlo que chegou a ser , no Bea genero , um dos nuio- 
Tes da Earopa. 

Os ingleies que n3o gostavBm d« restríc^io que o 
govemo acatuva de faier ao commercio dos vinhos do 
Dooro, proinaveram no Porto uma subieva^io contra a 
Companhia. O gorcrao manda tropas sohre o Porio-, e 
' abafi a revolla , e Domeou unia Al^ada para ir lo Port4 , 
conhecer, e castigar os amotinados. Foram coDdemnar 
dos ( 13 de oniubro de 1757 ) e punidos com pona Ult- 
tioia , agoilcs e galés i confiseatio de bens e degredos , 
duienlos e oitenta e tres individiios de amtMs os-sexos*t 
c deicsele iiBpuberes condemnados b palmatoadas , c « 
irem ver as execn^oes. 

- (1787) O primeiro ministro csOva n'uma guerra 
aberta com os jeiuitas. Eales se- oppunham i emancl- 
pa^áo dos judeos . e ao projectu do casamento da prÍDr 
ceia do Braiil com.o duque de Cumlierland'. « Eis o 
crime qne nunce so Ibes póde perdoar. ■ ( 14 ) Os jesui- 
tas foram eipulsos do pa^o (ooite de 19 de setembro). 
~(17W) Fet-se a diligencia psra que o odioso d'al- 

n UitcmeBta fo^ 



I. Coo^ílc 




ftb akMU di» GahÍB. • 
Ajaáa . c bwMH MlMK>d 

Coa D mMor ■r^fcda sc InlM de Imar cenhKÍ- 
■cMd á«t refcicülu , c em dezcaibra foraiB prcaoa 
• daqoc d'Aniro , a ■nrqaa c wai q Hc ia de TaTOni , 
Ijiíz BcnMTdode1^nin,eJiH¿llaríidcTan>n, scbs 
CIIms; D. Jctwwim dc AUidc, cande di Atonpiia, e 
do* plcbcM Bfas Jofc RoBciro , Joao HistiH , Manoel 
Al*e* . e Anlonía Akcs. 

f 17S9] A sentciiri defmilÍTi f»i dada a tS de ja- 
nefro ein j<inia prcsidida pclos lrc« spcrctaríos d'Bst<t- 
do, c a 13 se ciccmmi noi coodennados a pcna ds 
MMK por nuneira lao cmel , como nio hatia eiemplo 

(1A] IlerefEmi! S. lenario de Loiola fondott ■ Compi- 
nllla d« JoOk para raiDlntFr nt erroi <te l^lfaFru e Ciltt- 
iM.Claall b»e|tc*<>a*«'uIoI6.° Oi jenilM dscmpeah»- 
rNln IRo ticm ■ tiia mii>Bu, qiie o prnKljliiimD lulbcraiiii a 
(alfliitila rome^nu ■ TEtro^radir. ÁpparerFD o jnpieiiiimo , 
■ Ot liMiilH Um comtnliitb tño cncirai^Klam'eBle dt filhot 
d« J^iii'euto, como m do Lntliera, e Cal*ln«. 



„:-.-.,Coo.ílc 



m 

na Europa Aesde oi f randei nuptfríos qae sa flicrtDi' 
«Qs cbrisUÍDS nM tempos da» grandes persegoifSes. Fo- 
rani os reos levados á pra^a de Belero , onde ■ lufi Ibet 
qticbraram oa ossos, rodando-os em vida, e lani^araa 
00 fogo, outi:oieBquartejadas e lanqadoB ao fogo, oa' 
tros gnrfotados e lan;ados tnmbem ao fogo, e no flm 
Udas as cinias lan^das ao mar. 

José Polycarpo dc Azevedo escapoa ao mesmo Bnp> 
pifcio, e DUQca appareceu. Igualmente se considera- 
ram eomo complices do alrocisslmo erime os padres 
jcsnitas Joáo Alexandre , Joio de Mnttos , e outros com 
u padre Gabricl HalaKrida, qac dcpois foi jusLi^ado 
por crime de heresia. Os bcns da sociedade dos jesai* 
Us roram conriscddDs ( 19 de JKneirn). 

O primeiro minislro é elcvado á dignidadc de conJB 
de Oeii'as ( 6 de junho ) , e seus irmñai Franciseo Xa- 
tier de Mcndon^^i , e Paulo de Cartalho de Mt-ndon^a , 
foram tanibem depois nomendcs secrclartos d'CiUdOi 
iDSlitiiÍcan ia coinpanhia de Poriiambuco [ Í3 de ñgw 
tu¡. 

Os jesuilns sáo pmcriplose hanidos do reiiio.(d ds 
sclcnibro), doclarados inimigos da palria, o desoatu- 
rulls.-)dns para sempre. 

( 1760 ) llcnora;ao dn (3onselho d'Estodo. Foram cre- 
ados mcmbros o cardcal patriarcha Saldnnha , D. Jiiño , 
Glho do infante D. Francisco, o marquei de Taiicos , 
o arccbispo d'Evora, o condc de Arraf olos , e os ■#- 
cretarios d'eatado. 

Casamento da prínceza do Brazil com sea tio o in- 
fjnlc D. Pcdro ( 6 de junho ). O (toTerrifi manda snir do 
Lisboa o nuDcio dc sua sanlidacle ( IB'de Junho ). Crca- 
tao do officio de intcndentc ¿eTn] da pniicia da corle e 
«■100.(23 de juiího} . e seu primeiro inlendente odcs- 
embargador IgDacio Fcrrctra do gouto. 

Couslo 



m 

(ITBt) Cm^ó do Erarío Hrg^. 

(1762) Come;aiii as boslilidadcs entre a Heapanhi 
e Inglaierra , por causa do Paeto de Fnmíjfo .- o nosso 
goverbo Dio cede ás ameidai da Heapanha c da FraiH 
(a, qáe eiigíam se deeiaraiw cMitra « Inglatern. 
Aprosimain'se ai tropas d'aqiieltas na^oes para ai nos» 
sas frontei ras ; mas o gof erno permanece llei ao seo sf s- 
tema de neDtralidade. 

A Hespanha declara guerra a Portiigal ( IS de ju- 
nho), sendo o nosso paíi logo invadida pelo general 
bespanhol marqueE de Sárria , que se fez senhor de * 
qoasi toda o profincia de Triis-os-Uontes , e se enca-> 
minba para o Porlo. copde d'O Iteillj toma Alraei- 
da por capitula^ao ( 23 de nxnsto ). PorlDgal tíd aisint 
caTÍilosamente invadido o seU tcrritorio. 

O duqtie de Lafóes é nomeaijo general ém cbefe do ~ 
exercito, e á pressa se prepara para repellir os ÍDva« 
sores. O general conde de Lippe , que se tinha diitiu' 
guido em Allemanha, é nomeado mareebal general , e 
chcre do estado maior general. nosso eiercito coina 
por encanto se apyrescDta n'um estado de organisaráo 
e disciplioa admiraveis, e em varios .rcconlroi desba- 
rata os hcspnnhoes. 

Na Ameríca o general bespanhol Ccvalhos nes loma 
a colonia do gacramento, e a iiha de S. Gabriel. Al 
corles de Madríd e Versalhes conlínuam a soffrer gran-. 
des perdas com a Inglalerra. Assigna-se a pai [ 10 de 
fcverein)) entre Portugal , Hespanha , FreD; a , e In- 
glalerra, sendo restituido a Porlagal tado quanto os 
hespanhoes Ifae baviam tomado. 

E rcnovado o'tribulo da dccima lan^ado em 166( 
(26 de selembro). 

(t7ft8) & creado o triboiMl da Hesa GeBMiÍa; 4 

* ü.o.ii-n.C.OOylc 



m 

Kbolida B 'oálosa distlDC^.áo entre chrUtaoi noeoi, » 
velhv», " , ■ ' . 

{iÍ69.^ El-rei maixia dar o traUmento de magesta* 
de Ao trihunal do Santo Officio. 

. ( 1770 J Abre-so communicaíSo com a corte de Ro- 
ma (25 i]e ago9to),.que estava impedida desde 1760,, 
ArriTana de Souza erigida em cidade com o nome de 
Penafiel. Erecíáo dos bispadoa.de Penaliel , e Bpja. A 
vjlla de Pinhel elevada a cidade. Alguns mosteíroa e 
ordchs sáo supprtmidos. Q conde de Oeiras elevado á 
dignidade de marqne;! de Pombal.-- 

( 1771 ) Erec^áo do bispado de €astelIo Branco. 

( 1772 ) Reforma dos Esliidos , e da Universiilade do 
Ceimbráj crearam-se as faculdades de mathematica^ 
philosophia , e inailas cadeiraf para completar o ensi- 
no das qne já hatia. 

- ( 1773 ) ábolifáo da eíeravalitra em Portagal, Nova 
loi pcla qual se alxiiiu toila a diiTeren^a enlre chriitaot 
iWftoí , e christáos noror, e uma lerceira qiie dá o re- 
gio praz-me á bulla de Clcmenlc iiv eipedída para a 
extínc^ño da Companhia de jesus. 

( 1774 ) Ereccáo dos hispados de Pinhel , e Aveiro. 

( 1775 j E inangurada iio Terreiro do Pa^o a Eslatua 
Equestre d'el-rei D. José i (6 de junho). Tlnha sido 
fundida e cinzelada desde iS de outiibro de 177 Í' até 
15 de maio , e collocada a 27 do dito mez de maio. 
£ loda de bronze, e pesa duns mil arrobas. descnho 
füi dado pclo archileclD Joaqufm Machado de Castro, 
e a fnndÍQao foi feita dehaixo da 'dÍrec<;áo do insigne 
engenhciro Barlholomeu da Costa. 

- ( 1777 ) Já el-rci D. José i governava ha vinte' e tres 
aimos , lcnHio em qite fez clcvar a nacao a um grúo de 
pioiperidade, que fei a adroira^áo da Earopa. Tam- 

11 



160 

' íiim dea a liberdade aos indios do Braxil. Creoa o» 
cÍDCO HMrqaezados áe Lavradio, Tancos , AWilo , Cas- 
feUo Mdhor , é Pombal ; os dez condados de Beiende , 
Bobadella , Lumiares , Bga , Cunha , Satnpaio , Oeiras . 
Atambuja , l.onxá , e Redínha ; os dois Tiscondados de 
Souto-d'EI-Rei , e MisqDitella ¡ e deu bs honras de 
conde ao de Asséca. ■ ', ■ 

Morreu em ¿isboa a 2i de fe»ereiro de 1777 , tendo 
íeSsenÍa e tres annos de idade. Haria nascido em Lis- 
boa a 6 de janbo de 1714. Jaz em 8. Vicente de Fóra. 

A SÉKHObi D. MaUa r (A Pibdosa) 26." Rei. 

( 1777 ) Por raorle d'el-rei D. Jos6 , snbio ao Ihrono 
sna ñlha D. Maria . prinasza do Bratil , lendo 33 annoi 
de idade (24 de fevereiro). 

; Verificou-se o que determinaram as leis fandameD- . 
Íaes , quc na.faltá de varao , succeda a femea ,,que em 
linha se seguir , e tif er casada cbm senhor porlugu^z. 
foi pois acclamada solemnemente D. Maria i e seu an- 
guslo esposo el-rei D. Pedro m (13 de maio). 

A Hova rainha dispensou os servicos do marqu» de 
l>omba1 , e escolhen para ministro assistente ao despa- 
cho , e presidenle do real erarlo , o marquet d'Angeja t 
para secrelario d'estado dos negocios do reino , o vit- 
eonde de fiUa Nova da Cermira ; dos negocios estran- 
geiros e da gucrra , Ayrei de Sá; e fia marínha e coo- 
qoístas conservou Éfartinho de Sfello e Caitro. Üm dos 
primeiros actos da sobcrana , e do seu goTerno, foi b 
de mandar soltar todos os presós d'Estado. 

A requerimento das peísoas accusadas de crimlnosos 
d'Estado , durante o govérno do marquei , -se prucedéül . 
i revisSo dos pcoeessoi em que havian -sido coulein- 



' I6i 

tibdog, e foram declarados tt'esU retís^o íBnecetites i; 
náo só os vivos , como os tnorlos> É para DDlar que 
tnuitos dos juiies que proferiram a seuten^a , tiiihaiii 
eui oulro tempo volado pela condemna^tío dos mesniof 
preaos. Era a politica que mudava. 
. marqucz, agora accusado de crimes atroEes,'¿ 
processado , declarndo crimirioso, e digpo' de um es- 
emplar castigo; porém a boodota rainha , teodo en^ 
considera^ao a sua avacfada idade e cnrerinidades , o 
nanda desterrado para viute tegoas da corle. inár> 
quez roi para a villa de Pomtial. 

( 1778 ) Gomes Freire de Andrade da parl« de Por- 
tiigaV , e Cevalhos da parte de Hespanh^ , sáo nomeadog 
para decidirem da ultima lioha de divisSo da America , 
e a guerra do sul conclue-sc ;'assignanda-se novo Ira- 
Clado dc allianca , em qito ambas as poleocias sc ajus- 
(aram a aoccorn-r-se niuluamcnle , ficando oj hespa- 
nhoes com a nussa colunia do Sacramento , com a iihi 
de S- Gabriel , e as daas ilhas derAnno Bom , e Fcrnan- 
do do Pó , no golfo de Guiaé; e r^stituindo-nos » ilha 
e forte dc Sanla Calharina , e dando-nos em iudemnisa- 
(lo uraa parle do Paraguay. 

Porlugat conserva neutralidade entre.a guerra da 
America com a Inglaterra. 

¡ 1779 ] O conde da Azamhuja é noraeado para guc- 
ccdftr no governo das armas ao 'gcneral 'Maclean, que 
bavia succcdido ao marcchal conde de l.ippe. 

I^n^a-se a pedra fundameDtal á fiasilica do Caraijao 
dc Jesus ( 24 de outubro ). 

Creacáo da Academia Real das Sciencias , ou refor- 
ma da Ácadcmia de Ilisloria Porlugueza ( 24 de dczem- 
bro). 

( 1780 ) Allianfa e traclido de oopmercio com Ca- 
11 • 



162 

ifaarÍDa d tmperatrii da Rássia. Novos tractados de al' 
liaD^a o&íensÍTa e defensÍTa com a Inglaterra. Eslabele- 
eem-ae aulas de esludos para o pública nos conTeDloa 
dos reguiares. ' 

( 1781 ) Institnigáo da Academia das Bellas Artes 
em Lisboa [23 de agostoj. 

(1782) Marrc'O marquei detombal, deslerrado na 
Tilla de Pombal (8 de maio}. 

{ 1783 ) FuDdacao da Casa Pla em Lisboa. 

( 1784 ) Troca das infantas em 'VÍIIa Vitosa ; a in- 
fanta de Hespanha D. "Carlota , para'casar com.o in- 
ftnfe de Portagal D. Joáo (depois el-rei o scnbor D. 
JwEo Ti), e a itfanta de Portugal D'. Maria, para casar 
com o inrante de Bespanba D. Gabriel. O casamento 
teve logar a 8 de maio de 1789. - - 

( 1786 ) Horre em Lisboa el-rei D. Pedro m ( 25 de 
inaio), tendo iessenta e nore annos de idade. Jai em 
S- Vicenle de Fóra. 

( 1788 ] Morre o pHncipe do Brazil D. José , deixan- 
do a na;io coberta áe sentimeiito e mágoa. 

( 1789 ] Grande reToIu^áo em Fran^a , que , abafatla 
por vezes , ao presente ainda dura , e bastaute tcni in- 
qnietado o nosso reino por dtfersas vezes. 

Creagao da Cordoaria .emXisboa. Dd-se princfpio ao 
HOTO Erario no siLio da Patriarchal Queimada , obra 
que , se se acabassé , faria a admira£áo do mundo , e 
detxaria n'um ponto muito diminuto os edificios dos 
Bancos de Londres e Amsterdao, , 

( 1790} Sagra;ao da sumptuosa Basilica do Corafáo 
de Jcsus (15 de noyembro). Importou em 15 milhóes 
dé cruzados , e foi dada ás filbas de Santa Tberesa de 

( 1792 ) A rainha i aUctda de uraa molestia mcntal , 



o,i,-f-n,Gopgli: 



e seu fllho . o prÍDcifM do Braiil D. Joao ,' toma as »• 
áeas do governo , continuanclo todavia o eKpediente dos 
negocios em name da sobcrana , apesar dos actos publi' 
C09 serem assignados pelo principe, sem que prévia- 
mente tivesse havido convoca^áo dos Tres Estados da 
Reino , para que , reunidos em corles , deliberassem so- 
bre tao importante negocio , como se fez em casos ideo* 
ticos , e em outras epochas. 

(1793) Dccreto para o encanamento do Hondego'. 
^ As obras comeEaram , porém fqram interrompidas pcU 

guerra com a Fran^a , quando nos invadiu. 

A Pranca invade a Hespanha. Estava aqnella na^ao 
Do faaior gráo de desordem ; tinha morto o rei , a rai- 
nha, os principes., e as cabe^as dos cídadáos rolavam 
na guilhotina aos milhares. Porlugal manda para a Ca- 
talunha , para socCorrer a Hespanha , uma divisáo auii- 
liar de seis regimentos de infanteria, e um corpo de 
■rtilharia , ás ordens do tencnte general Joáo Forbes 
Sbelater. Os regimenlos cram — 1 .* regimento de OIÍ- 
venga (3.* de inf. ), commandado por Joáo Jacob de 
Hestral ; regimento dc Freire ( 4.* de inf. ) por Gomes 
Freirc de Andrade; l.*regimenIodoPorlo(6.''deinr. ) 
por José Corr£a de Mello ; regimento de Peniche ( 13-' 
dc inf. ) por Bernardino Freire de Andrade ; S.° rcgi- 
Biento do Porto ( 18." de inf. ) por D. Jolo Corréa de 
Sá; regimento de Cascaes (19.* dc inf. ) pelo UonteÍT 
ro mór; e uma brigada de 400 homens de arlilharía 
commandada pelos majores Tetieira, e Bosa. 

( 1794) Decreto para se abrírem novas eslradas de 
Lisboa a Coimbra , e d'ahi ao PorLo , noraeando inspc^ 
ctor d'esta grande obra o descmbargador José Diogo 
Uascaranhas Neto. 

Crea^áo das aalas dc rortiBca;lo. José de Soabra d« 



i6Í 

Sitva é nomeada ministro dos negocios do reino , e para 
bs estrangeiros e da guerra l.uiz Pinto Balsemao. O da- 
qne de Tafoes é nomeado mareí:ba] general dos excrci- 
tos junto á real pcssoa. 

( 1795 ] Aos regimenlós da divisao suxiliar na Hes-. 
panha fu'i concedida u seguihte inscrip^iio nas suas ban- 
^eiras — Ao valor~do regimento de Olivenca &c, íic, 
( 17 de dezembro de 1795 ). ' 

- ( 1796 ] O nosso exercito da CatalQnba chega a Por- 
tugal coberlo de honras e de loujr^s. 

( 1797 ) Chega a Portugal o p>incipc de Valdek para 
Servir debainn das ordens do duque de Lafoes. Morle 
do ministro Marlinho de Mcno , quc é substituido por 
D— Rodrigo de Souza Coutinho. Creacáo do Alrniranta- 
ño, e da firigada Real da Uarinha. Extincgao da Mesa ■ 
Censoria, dandv-se a sua auctoridade ao Ordinario, 
Sanlo OfBcio , e Desembargo do Pa;o. 

(1798) Creacao da Livraria pábNca da cidade de 
Lisboa. É aberta n'cste mesmo anno, sendo inspector 
marquez de Ponte de Lima , e bibliolhecario o desem- 
bargador Antonio Ríbeiro dos Santos. 

( 1799 ) Creacáo do tribunal do Prolo-Hedicato. Ábo- 
)í;áo do ofGcro de correio mír , ficando a sua adminis- 
IraQÍo a cargo do Estado. Crea^ao do papel moeda , 
assim como do papel sellado ( 1'6 ). ' 

Gontinuando as molestias da raínha , o pHncipe seu 
itlho dcclarou-se principe regente do reino ( IS de jn- 
Ibo], que já governava desde 1792 em nome de sua 
augusta mái a senhora D. Maria i. 



(16) Mai e)te papel mIMq «a d» 10 tiU a bllu., e 
lemponrio. 



BuKRCu Bo PuHon D. Jolo. 

f^l799 ] Auumiu definilÍTainenle o governo 6 príncí- 
pe I>. Joáo, noUDdo-ge muito, qae para am caso de 
tanta gravidade, nao se canvocassem os Estados , oit 
melhor , qae desde o reinado de D. Joao t houT^sse 
lanto desprízo pelas liberdades nacionaes. 

Come^oa o regente o seu goTerno assignalando-o pela 
muita prolectaa dada ao commercio, alcan^Budo am 
tal desenvoltimento , que em breve se tíu o reino cheio 
de prosperidade , e «s^ portos de Lisboa e Porto rivali- 
lando com as primelras pra;as mercBnlis da Eurapa. 
(1801 ; Os goTernos da Hespanha 8 da Franja allia- 
ram-se'para faier guerra a Inglaterra, e exigiam que 
governo de Porlugal tambem entrasse na liga , a que 
Ó regente se recusou. A Hespanha e a FranQa deKlaram 
gnerra a PorlDgal , e as trojías das duas na^oes ÍQvadem 
o nosso territorio ao mando do príncipe da Pai , e nos 
tomanf Olíven^ , no Álemtejo. As tropas portnguezas 
se movem por toda a parte , mas a gucrra é ile curta 
darafaa , e ■ pai le conclue no mesmo anno ( 6 de ju- 
nbo ] assignaDdo-se o tractado 'de Badajoi , em que Por- 
tugal deíia em refens í Hespanha a pra;a de Oliveiv 
Ca ( 17 ] , e á Fran;a uma prté da Guiana pelo Iracta- 
do de Madrid de 29 de setembro. Mudan^a de miDÍsie- 
rio. O general Lannes , embaiiador do primeiro constU 
(Bounaparte] da repuhlica franceia , chega a Lisbóa, 

(IT) A pra^ de Oliven^a devla ier-lM>i reiütuida >e- 
[onda a traclada , porém m hnpanfaoei alé boje b tcni con- 
«ervado cilcAndo a f¿ do trictndo. duaado m porlucueiei 
■ tomaratn aoi frauceia em 1911 , dcvUm arvorar u ella • 
■oua faindein , e >Ío a caitetbnna , poli nem um bctpaufavl 
IbÍ'aUKarKiumutMpara a Bnawar do p«ilci4tw fiauceie*. 



o,i,-f-n,Googlc 



1«6 

( 1S03 ) lDSttItii;3o da At;adeiiiia de Harinlia e Com- 
tnercio na cidade do Porto, com aulas de philosophía , 
inatheraatica , commercio , nautica , desenho , e das lin- 
guas ingle^n, e íranceM. 

(1801) A ordcra de Santa Isabel , creada etti 1801 
pela princeza do Brazíl D. Carlola . para as damns dl 
primeira grandeía , é approvada (25 de abrii) peío 
principe regenle. 

(1806) Reforma nos unirormes, e dislÍDCtÍvOS no 
cxcrcito ( 19 de maio ) , adoplando-se o plano do secre- 
tario d'Estado Antonio de Araujo de Azevedo. 

( 1807 ) Napoleao , orgulhoso de ter sobre a cabe^a 
vma coroa das mais brilhantes da Europa , e que elle dí- 
zia tinha achado na lama , orgulhóso dc dar a lei a Euro- 
pa , sera a poder dar a Inglaterra , náo loleraM o seu or- 
gulho qoe esta nacáo se !he appresentasse sempre altifa j 
semprehoslil , e protcsla destruiro colossobritannico , e 
redüzir osinglezesá infimaespecJe.EmbebÍdo poisoim- 
peradornosseus gjganlescosplanosparadestruira snarí- 
val , concebe o syst^ma eonlinentftl , oii a expulsao dos 
Ingleics dos porlos da Eiiropa , inlimando as na; oes'para 
qne Techassem os seus portos a todos os subdilos da Grao 
Bretanha , seqaestrassem as suas propriedades , e os 
prendessem. 

O principe regentc dc Porlugal prestava-se a annuir , 
i primi'ira parte da intíraicao do imperador dos fran- 
cezes , mas recusava a segunda e terceira,' porém tal 
recusa trouxc a guerra que assolou o reino: e se esle 
náo foi riscndp do mappa das pa;des , como queria o 
despota da Europa , deve-o aos csforcos de seusbriosOs 
fllbos , que em setc annos souberam mostrar aps franr 
cexes , que o nosso solo era tngralo de mais para pr»- 
duxir Áreolie, RivoH, Pyramidet , Zurieh, I' 
AuUerlitz , Jena , Eyh» , Frifdland ^c. JCe. 



I(Í7 

Napo}Ño e CitIob it , rei de Hespanha , assignam o 
Iraclado secrelo de Fuiilainebleati (37 de outubro ) , 
cm que depunliain do tlirono porliigiiez a casa de Bra- 
gatica , e Porluga) ers riscado do mappa das na^óes, 
sendo o seu lcrritorío occupado por um cxcrcito de qua- ' 
rcnta c cinco mil liomcns , e retalhado pcla manei'ra sc- 
giiinle: — a provincia do Mínho formaria o reino da 
Lusilania seplentrional a favor da rainha da Etruria; 
as provini^ias dc Trás-os-Mantcs , Beira . e Estremadu- 
ra lieariam cm sequcslro a üivor da Fran^a ; e o Alcm- 
tejo e A1gBr\e rorroariam o principado dos Algarves a 
favordoprincipc da Paz. 

TrinU mil fiancezcs e quinze mil hespanhoes deliai- 
xo do commando cm ch<^ do general Junot marcham 
sobre Porlugal, e Junot cbega a Abrantes (24 de no- 
vembra ). 

A oolfcia da chegada dos rranceies a Abr<inles poi 
ludo em alarme. O plano do inimigo era apoderar-se 
da familia real; porém o príncipe regcnte immediata- 
nentc toma a rcsolucao de embarcar com a familiá real 
e corlc para o Eslado do Brazil ( 16 ) , frustrando assiia 
os designios de Napolcio. Tudo sc poz em ordem de 
partida , e o principe regenle , por decrelo de 26 de 
no?embro , nomcou um conaelho de regcncia para go- 



( 18) Rilaiiléti de traniportsr ■ rnrle nara o Braill tiao 
era noie,. ül-rel D. JoSo iv eflnva já n'eiH re«u1a.;Io , 
qaiudo B furlUDa da guerra com Hej|iaiiha Ihe toue a.lver^ 
M. Em 1615 o irieamo rei elevoii o ItiiiJI á principado ■ 
fiivur do berdciro da coroa, na idca de que aqiictle KitadD 
ÍbiiegovernadapelD ¡mmeiliiito surreitor. El-rei !>■ Jusé i, 
quando a(-oDlei«u o detattroio lerremolo do 1 ." de novein.- 
bro de.1755,.foi icoiiielbado pelo leo primeiro miHÍiliQ 
para ir eilabélecer ■ corte no Braiil &c> 



I. Coo^ílc 



Ternar o reino doranle a sna amencia. N'esU meiDM 
tarde tomou posse a 

Jbgtncia do Refno tm nome do Principe RegenU , 

composla dos seguinles senbores; — Preiidente , mlir- 
quez de Abranles , membm , o tenente geaeral Francis- 
co da Cunba e Menezes, priucipal Castro, Pedro de 
Mello Braytier, Luizde VascoDcellos e Souia : supplen- 
tes — o leneDte general D. Fraocisco Xavier de Ñoro- 
. nha , o conde Monteiro Hór ; secretarios o conde de 
Sampaio, 0. Higuel Pcreira Forjaz , e o desembarga- 
dor do Pa^o Joao Antonio Satler de Uendnafa, 

A 27 verificou-se o embartjue da familia real , s sua 
corte. A regencia dava ss suas providcncias para que 
os francezes fossem bem recebidos , para assiio evitar 
maiores desgra^s á na;ao. A 29 se fei de vela toda s 
esqaadra. A 30 entrava em Lisboa o general frsocei 
lunot , lomando posse das fortaleias com tal presteia, 
que ainda chegoo a mandar fazer fogo sobre alguns na- 
Tios da nossa esquadra. O general Taranco com a di- 
TÍsSp hespanhola enlra no Porlo (13 de deiembro). 

Junot , senhor do reino , come^a logo 'a legislar scm 
se importar com a regencia. A 13 de deiembro manda 
arvorar as aguias francezas no castello de Lisboa, e 
nasmaís fortalezas do reino. Pordecreto de 19 do mcs- 
mo mG2 manda seqnestrar toda a propriedade britanni- 
ca , e a 22 dá haixa ao nosso eiercito. 

Assim continoou Junot a governar atéao dia l.°de fe- 
vereiro de 1808, em que o dito general organisa nofa 



I. Coo^ílc 



HegeiK-la eni ñome de NapoleZ» i, Ímperador do* franc*- 
«e>, reidelialii, &«. 

Presidente general Janot; membros condt da Ega, 
J). Franciscü Rofad de Cattro, conde de Sampaio , e 
^atfro de Melto brayner. ^ 

' (1808) novn guverno publtca (l.'de fevereiro) 
decrelo dalado de Milao a 23 de dezembro, pelo qual 
Napoleao impoé a Portugal á conlribuicao dc quárenta . 
müliüei de cruíados. 

■ O nosso exercito é desarniadb , e inandado para Frai». 
ca. Muilos nobres «áo igualmente intimados para iretn 
para aquella nacáo. Outros muíto livremmte rendem h»- 
menagem ao impcrador , e pedem para entrar no sea 
serviso e agrado. (19) 

Em quanto os francczes e os afrancciados estavam 
dispondo das cousas do reino, pHncipe regcnte e süa 
real familia natrcgavam para as Terrás de Santa Crnz, 
lendo solTrido no mar g^ande tormenta. 

Cbegou a familia real ao Bio de Janeiro , e ali está- 
beleceu o principe regente a sua corte, creando logo 
todos os tribunaes taes qiiaes havia no relno. Nomeo(i 
novo mÍDÍsterio, declarou guerra aos francetes, abriu 
os portos do Brazil a lodas as na^oes , naalmente esta- 
belecou-se a corte , como se estivesse em Lisboa. 

Napoleáo bavia prcndido a familia rcal dc Hespanba , 
e og hespanhoes se levantam conlra os francczes. A 
divisao bespanhola que eslava nas provincias do norte 
de Porlug'al prende no Porlo o general francei Queroel 
a 6 de junho , e a 7 parle para Hespanba. 

(l>).AdotBvam o lol qus aateit. O inl que nté ao dia 
30 de Dovembro o> alainidra , mergulhou no grande oceá- ^ 
no , n'aqacHe dia falal para Portug*!. 



170 : 

Ijvre Porlo e o Uinho de tropas , > cidaijc do Por- 
to dá o grilo da ]il)erdade.( 18 de jiinho) , acclamando 
principe rcgenfe, c o governo portugucz. Os chefes 
da revolu^üo tao gloriosa , como reliz , forana o capiláo 
UarÍK, tenenle ciirgncl Luiz Candido Cordeiro , e 
(Milros. A 19 formoii-se a junla suprcma do governo 
do Porlo , e deo-se principío á organisaíao do exercito 
t>nra ir alacar Jimot, e líbcrlar Lishoa. calhusiasmo 
é geral, o palriotismo efflcaz , e a energia sem igual. 
mesmo espirilD se maRÍfcsta por toda a parte. Trás- 
os-Monles segue a voi do Porto , e nomeia presidenle 
da SII3 junla o gencrat Sel>u]vcda. Coimbra e a Beira 
eipiilsam os francezes. .4lgarve se prununcía igual- 
mcnte , e nomeia presidente da sua junta o coode dé 
Castro Marim. Alcmtejo , apcsar de oceupado pelo 
cruel Kcllerman , <dá o grito de libcrdadc em Evora ( 20 
de juJho ). ' 

, general- Junot manda tropas para lodos os pontos. 
Loison marcha sobre Eiora , e a toma dc assalto (29 
de julho ) . 

As nossas tropas do Minho e Trás-os-Monles , ás or- 
dens do gcneral Bernardino Frcire de Andrade, co- 
mecam a marchar para a Eslremadura ( fins de jolho ) , 
e nos principios de agosto chega em nosso auxflio um 
exeroito inglci ás ordens de Dalrymplc, e Wellcsley, 

Dalryroplc manda dcsembarcar no Porto a Wellesley 
com algumas tropas, e o rcslo do eiercilo inglez des- 
-cmbarca na Figueira e Estremadura, e sc rcune ao 
nosso. general Wellesley, depois de lcr confcrcn- 
ciado com a junta do Porto, partiu a unir-sc ao eser- 
cito luso-anglo. 

Junot manda o general Delabord a enconlrar os atlia- 
' dos ; jppréra é batido na Roüía por Welleslc)' ( 17 de 



I. Coo^ílc 



17i 

Sgosto ) I a lé relíra. Janot sie de Lisbóa com mais lro> 
pas, porém £ lambcm desbaraíado por Wellesley na 
batalha do Vimieiro (21 dc agosloj. 

Vcndo Jiinot a ioipossiblHdadG dc sus(cntar-sc em 
Portugal , tratou com os aHi;idos a céUbre «tnrHifño de 
Cintra (30 de ,igos[o), ratiíicBila em Torrcs Vcdras 
{ 3i dc agosto ) , pnra a UAA evacuaijaü de PorlHRal pe- 
los exercilos francezes, Esles emliaicam no principio de 
sclcmbro , levando todas as suas bagagens , e as riqueiaa 
dO'paiz. A 15 de setcmbro se arvora a handeira porlu- 
gueza nas fortalcüas de Lisboa , e ¿ Domeada a segunda 

Regmeia do líeitto m nnme do Princijie Regentt de 
-Poiívgal. 

Prcsidentc, o liispo do Porlo , membros , o roarqueí 
das Minas , o conde de Castro Uarim ,. D. Francisco Xa- 
vier de Noronha , Francisco da Cunha e MeneEes'; se- 
cretarios D. Wiguel Pcrcira ForjaE , e Jofio Antonio 
Saller de Mendonra. 

A princera D. Carlola Joatguina proteatou em 19 de 
agosto conlra a rcnúncia feila pelos rcis leus pais c ÍT-' 
maos a favor de Napoleáo, imperador dos francezes, 
para quc simílhanU rcnúncia náo Ihe prejudicassc scus 
dircitos á coroa de llcspanha. 

A conven;3o de Cintra noo agradou a ningucm. Na- 
poleáo exasperou-se conlra Junñt. Os ingleies mostra^ 
ram tao grande dcscontenlamcnlo, que o governo tcve 
de lirar o cummándo ao gencral Oatrymple, ricando 
Welleslcy com o eommando cm chefe. Os portugueics 
accusavam o gcneral ínglcz de mcnos flel , por ier as- 
signadu um tractado com um inimigo vencido , coDce- 
dendo-llie o iGTar a> nossas prcciosidade*< 



o,i,-f-n,Googlc 



m • 

( 1609 ) NapúleSo . psra mostrar a «tia desapprova^So 
i conten^o feita pelo seu geaeral , maoda segunda. ex» 
pedifáo contra Porlugal , ás ordens do marechal Soult. 
Este habil general bale 08 anglo-hespanhoes epi GaUiia , 
mareha sobre a Coriinha , que totna (20 de janeiro)i 
e faz <%)barcar precipitBdamentc og inglezes, dehaixo 
do commando do general Moore , qne é morlo n'esla 
bcm «angrenta ac^Bo. A cidnde dc Tuj tambem fui oc> 
Cupada pelos fraMcczes (20 de fevcreiro}, 

Souit, senhor da-GalÍizB, roarcha sobre Portugal ,. e 
toma Braga ( 20 de m^£o ] , sofl'ren'la por todo 6 Mi- 
bho fracB resislencia. mesmo aconleceu do Porto, 
onde «01^01/(29 de mar(o) buasi sem resisteocia. A 
pe(^ena guarni;áo , quc ali tinhamoi , havia abandona- 
do a cidade , e pas^ando á roargcts esquerda do Dou' 
ro, alevantou o akjapio da ponte. ó.povo, que fugía , 
sein haver de qiic, porque os fi-ancem vinham mais 
macios, corria sohre a ponte., sem sabcrdo'precípicio, 
d'onde caíram , e pereceram mais de cinco mil pcssoas ; 
c mais victimas hareria , a náo ser as providencias do 
marechal Soult, que fet avan^ar uma respcitavel forQa. 
de cavallsria e infanleria sobre a liibcira , a tomar a 
ponte , para mais Dinguem n'eUaentrar. Porto deveu 
niuilo n'esta occasiáo a S(iu|t. 

' marechal Welleslej com o exercilo lusn-anglo mar- 
cha ^obrc o Porto , d'oDde desalojn Soult ( 12 de maio ) , 
mais manobrando, do que combatenJq, cooseguindo 
igualmente , qtie os francezes cvacuassem o Minho ( 17 
de tnaio ) , e assjtn acabar a segunda invas&o das tropas 
francczas. 

Por decreto do principe regcnte , de 6 dc julho , da- 
litdo do ttio de Janeiro , Qcou a rcgcncia ümitada a tres 
tnembrus — o patrÍBrcha eleito, marque&dagUinast 
e miiquei de Olbao. 

Couslo 



m ' 

Wclleilef coiO'O exercito lusa-anglo passa Í EslreiDa* 
dura hespanhola , e uDÍdo eo general hGspanhnl Cuesla ■ 
gaoha sobrc os-JraDceies a famosa batalha de Talavera. 

( 1810 ) Asjignam-se no Rio de Janeiro os dois tra-* 
ctados de paz e allian;a , e cominereio cnlre Portugal , 
e a Grao-Bretanha ( 19 de fevereíro ). 

As derrotas Quc os eüercitos francczeB luTÍam sof- 
rrido eo) Portugal nas duas precedenles invasóes, d3o 
cram para flcar no esqnecimenlo do orgulhoso Na- 
poleSo , que determina (erceira iDvasao , - e a con- 
-quisla formal de Portugal , mandando para lal fim reu< 
Dirna Castetla Velha o 2.° corpo de exercito do com^ 
mando do generat Reynier; o 6.° ctH-po do commando 
do mdrechal Néj , diique de Elchigen ; o 8.° corpo do 
eommando do marcchal Junot, duque dc Ahrantes; 
tendo por generaes de divisóes a Oudinot , Kelterman , 
Loison , e ontros de nome. ownmando em chefe d'es- 
te formidavel exercilo , que tinha um efTcclivo da cem ' 
mil-inrantés . evinte mil cavallos, e um numeroso trcm 
de artiiharia, foi dadn (decreto impeTÍal de 12 de 
■bril) ao marcchal Masseoa , prjncipe d'Essling , a 
quem o imperador chamava o braro doi braiot , o filho 
qverido da victoria. 

Uasscna chega a Valhadolid (12 de maio ) , toma o 
commando do exercito, que manda rcuiiirein SalamaD- 
ca, para d'aii vir cm direítura a Porlugal, 

Em quanto os rraiicei^es avan^avam sobre Portugal , o 
marecbal Bercsford organisava o nosso eiercito. e á 
proporggo que os corpos se cooiplelavam em forija , e 
manobra . os mandava rcunir ao marechal gcnerai cm 
chefe Wellinglon. Eslc com o» exercilos aíliados ubser- 
Taia o inimigo na fronlcifa , tendo a praca de Almcida 
colterla pela divisao ligoira tuso-angto , áo comoMn- 

I».,,,;. I. COO'JIC 



4o éa geserat Oawte< , e fctJ;iiMl ii J« ila gtftent Ou~ 

H bwM fie tim a fj<iaiie Eodrí^, ^m máe 
f It ée jtAo , dcpMS «á'unta herarca misleD.:¡a. O Ídí- 
■Hj» bi *m Hnimentu snbre a !Titi^ini , <esa)<ijaDda 
Crawíird ii ie joihu ' para liebaito d<is Buros da 
prwa d'&iw^iita. CnwSinl , atacoiio wnaoarate ; ii de 
jMtio ' , é a[T«p«l« para ab-n d<> Cüa . e > F^^S^ d'A>- 
■ñla é inKtiiia c iirf»«i< ptrr Ldísihi psra ()ae $« 
rcwla, coovite qae • sea ^««mdiH Cos rrprliiit. 
M»scH poc ccrco rr^lar á praca 10 de a^osto ) , 
qae taBfañi rpiíisle n^laratcBtp : poréoa acmlccendo 
qne nu boBba di> laÍBÍ^ caisse' di> paii>l da potrora , 
nta sv iornulíoa ' iS de ^>Mte ' . CiiPtHla niM cspl*- 
sio borriiH , qae ca«sott graDle morUmiidc. C cstra- 
gits írrcparaiei» bo BoiMmto. N'este e^ado nao cra 
possiicl a contíniiarao da defe», e a pra^a capilDloil 
[ 27 dc aftoel» ) boDrasaoM'iile. 

I.ord WeltinstOD csipreknrie a reltrada com o ex' 
crcílo para o Bnssaco . qne rircatiia «agarosamrDle , 
nas scoipre eobtindo a eslrada dc lisboa. O ^eneral 
Crawrord robria a rrtirada briúsam^nte . faieado sobre 
o Agarda oma derrsa , qoe fvt a aimirarao de Nej , e 
JoDOt. Xs ponlrs da Dao e do Crís foran cortadas , e 
CraVford exccaloo poDtaaliDCDte as ordros do mare- 
rhal genefal , obstniindo as estradas pira demorar a 
niarcba do ÍDÍmigo , alé qoe as baterias no Bussaco 
eslÍTessem promplas , qne os noros corpos ali tíves^em 
cb^adit dc rcfórco para dar Bma bilall» ao inÍDiíí^ , 
e que lodas eslas dcmoras finalmcDle , dariam lempo 
para qse as lÍDhas dc defésa da capital se lcTassem ao 
Fstado dc podcr recba^ar os ataqocs que Ibe fízesse o 
' ncrejlo inimigo. 



o,i,-f-n,Googli: 



178 

.eiercíto alliado, em fon^ de msmdU a seteUU 
mil bomens , cobria a linha desde a estrema Mquerda 
da serra do Bussaco , serra áo Cantaro , oté i ponte da 
Hurcclla , tendo em reseiva a divisao do general HIII 
Gom o scu quarlel general Da Lameire de Saala Eufle- 
mia , ao p¿ da serra do Bussaco, do lado occidental. 
quartel general em chefe eslasa no conTento. Assim 
collocsdo nosso exercito, esbvam cotwrlas aa tres 
estradas que o inimigo tencionava seguJr para eDtrar 
na estrada real de Lisboa. 

exercíto rrancez cobria as montanhBs orienlaes ent 
frente do nosso exercito. A 26 de setembro fiEeram o» 
francezes iim reconbecimento pcla estrada que por Sutla 
se diríge ao alto do Encacnadouro , Luso, e estrada 
real na Uealhada. A 27 atacam vigorosamente o mes- 
mo ponto , e nio podendo ganhar a aUura , retrocedem , 
conservando porém as stias massas um fortisslmo fogo 
de Btiradorég, De repente é atacada a nossa linha na 
serra de Snnto Antonio do Cantaro , com o ÍDtuito de 
seguir a estrada de Boláo e Coimbra , tomando a van- 
guarda do nosso exercito. O inimigo alcan^a vantagens 
n'este alaque , desalojando alguns regimcntos de mili- 
cias portugueias . que guarneciam aquella parle da li- 
nha, que por natureza cra fortissima. Já os franceies 
comecavam a estabelécer-se na esplanada quc ba no 
cume da mDnlanlia , quando chegaram alguns regiraen- 
tos de soccorro, e o inimigo é compelíido a retirar 
carregado a bayoncta , distinguindo-sc n'este fanioso 
ataque o 8,° reginiento de iaranteria portugueza , que 
sendo compostu de recrutas , para quem era novo 
aquelle horroroso apparato, foi o corpo que mais se 
distingaiu , e a qiiem se deveu a victoria d'aquelle dia. 
general francez Slmeo ficou prisioneirQ , assim como 
tre5 mil homeoi da soa divisao. 
12 

- I».,,,;. I. COO^ÍIC 



m 

UauMi* reconheciendo nos alaquet do dia S7 , qoc 
bao podia desalójar o nosao exercito das snas fortissi- 
tnas posiQoes no Bussaco ■ fai um niovinieDlo sobre o 
nosso flanco esqnerda ; porém para o encobrir mandoa 
■ODservar por todo o dia 28 om liroteio activo na linha 
dos aliradores, e na noite de 28 para 29 lodo o.seu 
exercitq se movia pela estrjda de Boialvo direito ao 
Sardao a tomar a estrada feal de Coimbra a Lisboa. O 
inimigo leve üo Bussaco quatro mil homeiis mortos , e 
mais de trea mii prisioneiros , sendo a perda do nosao 
exercito de mil. 

Na mesma noite de 2S para 29 o nosso eiercito em- 
prehenden a relirada para as linhas de Lisboa. A 30 
batia-se a retaguarda dos alliados com a vanguarda fran- 
ceia nos campos do Mondego ; porém no dia 1." de 
onlnbro o exercito francex entrava em Coimbra , segpín- 
'do a maÍDr for^a da tua cavallaria , i$ ordens de Kel- 
lerman, para o lado da figueira, passando depois o 
Uondego para a margem eiquerda. 

Os francezes avan;avam rapidamente , porím a nossa 
relirada nao se efTecluava cora menos rapidez c ordem. 
sendo o inimigo bem escarmentado em Leiria pela ca- 
vallaria do genersl Cotlon. Náo impediam porém tSo 
ligeiras vantagcns a marcha victoriosa de Massena , que 
se appresenlára á vista das nossas linhas a 7 de ontn- 
bro , no momento em que o nosso exercilo tomava po- 
si^oes, que só concluiram depois do dia II. A 12 li- 
nha Massena o seu quartel general em Alemquer. 

general Trant , que commandava uma dÍTÍsao de 
milicias, e havia retirado para o Porlo, quandoMasse- 
na rompen pelo Sardáo , agora cje sobre Coimbra , que 
retoma aos fraDceies , 8 quem fez cinco mil prisionei- 
ros entre a tropa da goarniflo e a doente nos bospílaeR. 



I. Coo^ílc 



m 

Haisena come;a a raz«r algdns recoDliectmeiitps «o- 
bre a$ linhas, de qne rcsuitaram oalras tanUs escars* 
inii^as. Vnido porém que um ataque serio era maitQ 
arriscado , cameea adesanimar , e mais , Tend(>-se n'um 
paii inimigo, no princlpio do inTerno, sem vÍTeres ,' 
em quanto que ao nosso exercito nada fattava, 

A (tÍTÍsao 4o general HiIÍ passou para a margetn es- 
qaerda do Tcjo. O marqnei de la Bomana com dez mil 
hesponhnes se retniB ao nosso eiercito em 20 de ouln- 
bro. A 14 de novembro Massena toma posÍQoes mais á 
retaguarda , poslando e sua direita em Leiria , e a es- 
querda ero Santarem. Lord Weltington avan^a com O 
eiercito , e estabelece o seu qiiartel generai no CartaxOii 

A posiclo do exercílo frsncci era delicada. D'alguns' 
oRicios interceplados se soube que Massena dÍRÍa a Na- 
poleao , que precisava mais sessenta mil bomens , e vi- 
veres , setn o que nao podia tazer um ataque ás linbas , 
nein sttbsistir nn paii. A' Hespanha eslava toda insur- 
reccionada contra os Bounaparles , e por isso se torna- 
va arriscado quaesquer reror^os mandados u Porlugal, 
todn a vez quc náo Tossem em far{;a que podesseni re- 
pellir os jttaqiics dos hcspanhoes. 

( 1811 ) O marecbal Beresford passa ao Alemtejo no 
dia 1 .* de janeiro pnra obstar a qtie o ínimigo passasse 
o Tejo. fiadajoz rende-se aos frgnceies por capitulacao 
em ll'de fevereiro. 

Conserva-se o exercito francet como paralyticodesde 
o dia H de novembro, cslando as suas opera^óes re- , 
duzidas a forragear para comer. N'este estado recehe 
um reíBrQo de IrinU tnil homens commandados pelos 
generaes Drovel, Claparede, Foj, e Gardone . poréiu 
nem asiim nos ataca , e na noite de 5 para 6 de mar- 
(0 empreMide a aú retirada ..(endo desdo logo pec^ 
U * 

. Cooylc 



178 

leguido pelo exercito allltdo. Durtnte á retírada ttí i 
froateira houie os corobaLes de Poinbal , Redinba , Foi 
d'AroQca , e Sabugal , em que at cagadores portuguezea 
te bateram heroicameDte , principalmeDle em Pombal , 
onde lombaram da caTallaria franceza. 

A relirada do eiercito francex fei inoTer o marechal 
Beresrord sobre Campo Maior , abandonando o inimigo 
o sitio que Ihe havia posto , e W retira para Badajot , 
sendo pers^QÍdo Talentemenle al¿ esla pra^a pelo re- 
gimenlo 13.' de dragóes ligeiros inglezes, e pelos re- 
gimentos de caTallaria 1." e 7." portDgueics, causando 
•o iQimigo uma perda de seiscentos homens , em quanti» 
a nossa foi de Irezentoi. 

A 4 de abril ptiaTi Uassena lerrilorio hespanhol. 
Beresford corre sotfre OIÍTeni¡a , e toma eSla pra^a a 
IS de abril, depois de algama resistencia, e aprisio- 
nando a sua guarnicao de quinhentos homens. Náo 
«bstante esta pra^ ser occopada pelos brsTOS regimcD- 
tos N."" 11 e 23 de infanterÍB , ■ bandeíri bespanhoU 
foi arTorada nos sens muros. A regencia dcu n'este 
«aso uma proTa de bem mal cntendida lealdade para 
Gom Hespanha. 

marechal Massena recehe noTos reror^os, e rcsol- 
ve-se a alacar o exercito alliado , o que fei TÍgorosa- 
menle no dia 3 de mato em l''uenleg de Honor. Foi 
esta batalha bem disputada, poréra a Tictoria coroou 
dsarmasdoeiercitoluso-anglo. inimigo perdeu qua- 
tro míl homcns , e os alliados trcs mil. 

A prara de Almcida é relomada em 11 de abril , e 
assim lica pcla terceira tci Portugal lÍTre dos fTance- 
ics , náo podeudo Napoleio conseguir o senborearHW de 
Purtugal , nem por traifio, nem pela for;a. 

* occupa^io das pra^as de BadajoE e Cidade Rodri- 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



179 

go pelos frantezes ers um 'uande obstaculopara ai 
opera^oes An exercito.attiado, marechat Beresfonl 
foi sitiar BadajoE ; porém o msrechal Soiilt quer levan- . 
tar o sltio , para o qne mareha ie Serilha sobre aquella 
praca. Beresford espera SouU em Albuera do dia 16 
de maio, onde se dea uma das mais san^rentas bata- 
Ihas da guerra da PeDÍasQla , decidtndo-se a Tictoría 
pelo exerctto Ius»4nglo com a perda de seis mil bo- 
mens, e oove mil do inimigo, a terga parte dos can- 
batentes. K brigada porlugueKa dos regimentos N.** tí* 
e 23." de infanleria recebeu s cavallaria polaca cm li- 
nha , daodo-lhe nraa descarga cerrada á queima roupa; 
callon-lhe bajonela , e a poi na mais complcta deban- 
dada. 

Depoís da perda da balalha de ^aentes de Honor, 
o marechsl Hassena fol suhitituido pelo marechal Uar- 
mont, duque de Baguia. Este habilissimo generat ma- 
nobrara sobre Wellinglon , e a 37 de selembro , em 
Fuente-Guinaldo , Ihe toma artilharla . e o obríga a 
oma retirada , que foi um dos fetlos mais brilhantes da 
guerra peninsular, e dc que nao se aponla exemplo na 
historia modema. Dois bataihóes ÍDglezes , o regimen- 
to portngaei de infantcria N.* 21 , com tres esquadróes 
de cavBUaria iugteEa. e om parque de artilharia por- - 
tugucza, repelliram o choque de quarenla esquadrSes 
de CRvatlaria franceia , com sels pegNS de artilharia , 
commandados pelo general Hontbrun,, apoiados por 
qnatone batalhoes de infanteria , e a competcntc arti- 
Iharia do general Dorscune. A caTaltaria foi repellida , 
a artílbaría relomada por tima bríthante carga do 2.* 
batalttlo do 5 de infantcría ingteia. Bra magestoso ver 
como a infanteria relirava em qtiadrado por ama gi-an- 
de distaiKÍa , tendo de pastar poir desflladeiros , o qns: 

Couslo 



fffecttiaTa bzenda ilto , e incía *otU a (br^ da rvU- 
gnarda , em quanto ai ontras faces pasuram : a Mfal- 

Uria /rancezs parava dnrante a passagem do obstacuio, 
fazendo entao o ÍDÍmigo apenas alguns liros de arliiha- 
ria. O marechal general reiira para denLro do quadra- 
do portuguex, e maravíihado de l«nta rirmeia , triiiuta 
os maÍDres elogios ao brava regimento N.* 21 , e á arli- 
Ibaría portugueza. 

A 28 de ouíul>ro o general Híll desbarala o geaeral 
francei Gerard na balalha do Arroyo-del-UolÍnos , s«n- 
do esta acgao mui gioriosa peb pericia que ali mos- 
trou o neneral loso^nglo. 

(1813) As tictorias coroavaia os exercilos luso-an- 
glos por toda a parle. A pra;a de cidade Rodrígo fM 
tpmada d'assaito em 19 de janeiro de 1812. A mesma 
■orle teve a de Bad'ajoi , gue é tomada a 6 de abril , 
apesar de ser' defendidd pelo braio geoeral .Filippon. 
depois de ler resistido ao primeiro e segundo silio. O 
8.' bataiháo de cagadorea pnrtuguei foi o primeiro qiw 
subiu a escralada peia castello de 5. CbristOTáo. A per- 
da dos ailiados foi de perto de cinco mil homens dos 
titios e assallo. 

doqiie de Raguza , refor^ado pela divisao do ge- 
nerai Bonnet , reune as suas for^as em Salamanca , e 
manobra habiimenle Bmca;afldo os eiercitos ailiados; 
porém Weilington.'disposloa recebel-o , manobra ton)- 
bem Láo Itabilmcnte, como Harmonl. Assim andafam 
os dois habilissimos generaes por espa^o de vinlA dias 
observaDdo-se , e estodando-se peta maneira a mais cir- 
cunspecla , al^ que no dia 22 de Jolho aleapi^ o ez- 
ercito alliado a mais famosa TÍctoria de IDda a guerca 
peninjiilar. Houto muilas pasifóes tomadas e retorai- 
das, e (odai.as nuinot»«s erim execiOadas ,com gran- 

ü,o,i,™,Googlc 



Uí 

Íe pericla de parte a pirte. A perda do ÍDhnigo fei ét 
quíiue mil hoaieDB entre imirtos e prisioneiros , mni- 
las boccas de fogo , agaias , e muni^Óes de loda a es- 
pecie. Corpos inteiros depoieFam as armas , e foi a noi- 
le- quem íaUon o eieTcito francei d'uma total rnina. 
DÍE-M que similhante perda no exercitn ioimigo f6ra 
em conseqoeDcia do ferimento do marecliat Harmont; 
poréro Clausel, táo habil como o duque de ftaguta , 
tomou Jogo canümando. A pcrda do eiercito alliado 
foi de seis inil homens. 

Os exercitrts franceies na Hespanha retiram-se por 
toda ■ parle diantc dos aljiados, que 6cam senhores da 
Satamanca, e tomam Madrfd em 12 de agosto. Duis 
IRÍI franceies quc guarneeciam El Retifo capítulam bs 
dia 24. Os fraDcezes tinham perdido ama ter^a parte 
da Hespinha. 

O Castello de Burgos é posto em assedio a 17 de 
selembro; porém a desobediencia do general hespanhol 
Ballesteros fez com que José Bounaparte e Soult s^ 
rennissem , e obrigassem os alliados a leTanlar o sf lio 
de Ourgos depois de ter dado alguns assaltos mortife- 
rot. As for^as TranGeias rcunidas sobiam a cera mil 
homens, que obrigaram a retirada do exercito alliado 
para a fronteira de Portugal. Esta retirada tao tatal , a 
que se cbama retirada de Burgot , entre^ria a Penin- 
sula a Bounaparle, a nio ser a diAíplina do eiercilo 
luso-a'nglo, que chegon á fronteira por meado de no- 
Tembro , morto de fome , comendo apcnas algontas cou- 
Tes, herTBS do campo, Irigo coiido', e boleta de axi- 
nbfl : Tinha roto , desealgo , teniio morrido grande nú- 
mero de indÍTÍduos afogados, on atolados nas estra- 
daa , perqoe as grandes chuvas tinham posto os earai- 
nboi-iDlnuisitaTCÍa. AccrtKta qne a caTBliaria fmeeu 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



ISS . 

vinl» c<Hn »í poDUs dai espidas toeaitdo nas l^rreti- 
nas do eiercito alliado; poTéin eale nunea perdeu a or- 
dem. marechal general eiperoD por vexes o exercilo 
francez para o coiDbater: porém o marecbtl SonU ha- 
bilnaente o illudia manobrando sobre os Qanco» do ex- 
ercito alliado, tomBndo-lhe muilas bagagens e prisio- 
ueiros, e obrigando-o a déixar a Hespanha , sem ha- 
ver mais do que alKumas escaramu^as. Mukos soldados 
que se deiiavam aprisionar de inaai^ao foram mBnda- 
dps por Soulf para os huspilaes , e Tollaram is Bleiras 
do nosso exercilo: isto honra muilo a SouU. 

Combate de Arapilcs ( 15 de novembro ]. 

( I8Í3 J A gutrra do norte fei com que Napoleao re- 
tirasse de Hespanha alguaas tropas e alguns de seos 
generaes , en'tre elles a Soult. Esta diversao de for;as 
foi sera questáo uma das caasas mui poderosas para o 
complemenlo das nossas victorias. 

6 eiercito alliado, refeito da desastrosa relirada de 
Bu[gos, em que teve a maior perda de toda a guerrk 
peninsttlar, livre do astuto Soult , emprehendeD a sa> 
marcha depois do meado de m.irco. Os franceses reli- 
nram. sem combater, at£ á cidade de Victoria. 

José BoDnaparte e o mareehal Janrdan esperavam « 
nosso eKereilo em Victoria , tendo ordenado i divisio 
do general Foy , qite estava era Bilbao , e á do gene- 
ral Claussel , que estava em Logronho , para que >e 
Ihe retmiisero. Esta jungao de for;as , que poden'a ser 
fatal ao exercito alllado, soube-a evitar habilment»' 
lord Wellingtan atacando''em 31 de iuuho, logo peta 
manhá, o exereito franceK com todo o sea exercito, 
tendo tido o cQÍdado de roandar a 6.' divbao a mar- 
chaa for^adas occupar a estrada de Bajona para corlw 
a retirada >o ÍDÍmi^, fomo quem ji coUaTa CQn *. 

i».„,.-"'i. C^ioylc 



t83 

vLctorU. Logo poréni que a fl.* dirisSo tomou as posi- 
foes qoe Ihe foram designadas peto marechal genera) . 
a batalha se tornou geral , e o inímigo combalia em 
retirada para Pamplona , deixando na sua retaguarda 
mais de cento e cincoenta peqas de artilharia , com o 
seu trem , e quaai lodas os bestas de liro , o thesouro , 
bagagens, espin|&rda3, mochilas, aguias . e outras 
muiLas muni^oes de guerra. O rei Jiisc Boanaparte sal- 
Kou-se Tugindo n'um ligeiru caTallo. O inimlgo pcrdcu 
Sers mil homcns , e os alliados quátro mil. 

Foi arrebalador ver a galhardia com qne marcharara 
as brigadas compostas dos regimentos N." 9 e 31 de 
iotqnteria 'da 3.* diVisáo, e a dos regimcntos N." 11 
e 23 da i.* di?isao . com as armas em liberdade , cora 
08 seus cafadores na frente , que eram os balalhoes - 
N-" 7 e 11 1 TSo nolavel sangue frio dos brafos regi- 
menlOB portugucxes mercceu ser disLinguido dando-se- 
Ibes novas bandeiras , trndo os regrmentos de Infanle- 
ria N." 9 , 11 , 21 , e 23 esle honrosissimo dislincliiro 
em letras de ooro : — 

Jvigarm qml i mai» eaieelleitU , . 
Se ter do'jmndo rei , ov de tat genle. 
■ as dos batalhoes de cacadores N." 7 e 11 : 

DUtincíof vói *w$ na Ltua Hiitoria 
Com w Lourot pte eothettet na vietoria. 
(Ord. tSde mar^ode 1814]. 

A decisÍTa batalha de Victoría tet com qt>6 o exer" 
cito francei piiasse o solo da Fran^a no dia l." de ju- 
liio, deixando' porém guamecidas as forles pra^ss de 
f<nplOTu , e 8. Sebastiio, Napolño manda qne o m»' 

ü,o,i¡-n,Googli: 



1*4 

)«clul SouU tome o cotnmanda -do cimílo , eo relbr- 
{■ com trinU mil solüadi»! dovus. 

priniciro movimenlo de Soult foi o de qnerer íater 
leTaDlar o siLio de Pamplona ,. para o que alacou o ei- 
ercito alliado nas suas pusi^oes do Porlo de Maii , e 
Ronccsvalhoi , no dia 25 dc jufliü. Lord Welliagton, 
conhecendo as inlen^óes do inimigo , fcz conceHtrar as 
suas for^as cm VíIlalM, Huartc . e suss visinhan;as. 
Gobrindo a pra^a , dhde se combaleu com denodo not 
dias 27. e 28. No dia.30 tomou o cxercilo alliado ■ 
oirensita , e so deu s célebre batalha dos Pyrencos , 
em que o inimigo foi novamente arrojado para o terri- 
torio franccz. A perda da e^ercito francci avaliou-se 
em quinze mil homens , seodo a do cxcrcito laso-anglo' 
de seis mil. 

Depois d'estas balnlhas as escaramu^as roram dia- 
TÍas. A pra^a de S. Sebastiiio, defendida pelo general 
Rci , tinha resistido ao primeiro assalto , c o marecfaal 
Soult . querendo goccorrel-a , passou o Bidassoa , po- 
réta os hespanhoes o repellirani cm S. Mar^al no dia 
31 de agosto. cm quanló o escrcito alliado dava novo 
assalto á praca , e a lomava com nma intrcpides admi- 
ravel. A guarni^áo franccza , em númcro de dois mil 
faoraons, rccnlheu á cidadella « rendendo-se no dia 8dc 
sctembro; Os siti.tnles perdcram trcs mil homcns. 

Em 7 de oolDbru o eiercito alliado passou o Bidas- 
soa , e a 10 dc novemhro se deu a memoravel hatalha 
de Nivcllc, ou tomada das linhas francezas, vencendo 
os alliados os obslaculos que a natureza e a arte mili- 
lar ali Ibe appresenlaram. 

Tomadas as famosas linhas do inimigo , a exercilo 
ae .preparou para os grandes alaquos dentro do leiTÍt»< 
uo rrBuc«..Ífo dia 9 de d«aetobr« cometaram m ?«>- 



I. Coo^ílc 



181 

gnÍDoléntos combates Junlo á praca d« Bay«Di» ( Fraiw 
;a } , e a 13 01 alliados gan)iaraai a balatha do rio Ni- 
Te, expalHndo o ÍDÍmigo dai suas furmidaTcis posi- 
;5es enlre o KÍve e o Adour, apoiadas com fr)rti#ca- 
%óes, e pela prai;a. Soult passa a inar^em direita do 
Adour, dirÍKJndo-se para Dai. A perda do exercíto 
luso-anglo foi de cinco mil homcna ; mas pixava a Fraiw 
fa para mais náo a deixar seuio com a pai geral da 
Europa . 

{ 1814 ) A 27 de feverciro o enercito alliado ganba 
a bem disputada batalha dc Ortbez . perdendo dnis mil 
homens , sendo porém a pcrda do inimigo de cinco mil. 

Uroa parte do eiercitu alliado , és ordens do mare^ 
cbal BeresCord , entra em Bordeos a 12 dc mar^o , oaAe 
lem a gloria de arvorar primeiro a bandeira dos Bour- 
bons, e procUmar a legitimidade de Luii xvin. 

Soult, reforf^o pelas fur;as do general Suchet, 
qner ainda tentar uma batalha , na sitnples idéa de 
podcr vencer a lurd Wellinglon, pois que a essc lero- 
po já constava do armistício , « da eipulsao de Napo- 
leio, decretada a 3 de abril. O marechal francez es- 
colheu uma nplima posigáo entre o canal de Langiiedoo 
e o río Garona , nas alturas que dominam Tolosa ,' fa- 
zendo alevantar reductos , e oiitras obras deeampanba; 
porém o eicreito alliado zombou de todos os ohstaou- 
los . ganbando no dia 10 de abril a batalhi de Tolosa , 
célebre por ser a ultima da guerra da Peninsula , e por 
terminar vencendn um inímigo habil; A batalha come- 
«¡on is dez horas da manha , e terminou junto á noite , 
relJraDdo-se S^ult para junto da cidade , onde o duque 
de'Wellington nSo o quiz ir ataear, para nao bostili- 
■ar a cídade. Soult retirou darante a noite., e dois dias 
depois , a 12 de abril , entraTa..ein Tolosa o victoTÍoto 
eiarcíto luso-aoglo. 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



186 

A 30 de maío aKSÍ)(na-se em Part» a pai geral , e 9 
exercito partuguez cm Fran^ vulta á patria coroado 
áe loitros, e cbeio de faonrBs e gioria ganhas n'uma 
guerra de seis annos , raemorarcl por todos.os secnlos. 

( 1815)-Abre-se o famoso congresso de Vienna , a 
assemblea dus representantes das primeiras testaa co- 
roadas da Eiiropa. Portugal é ali represenlado pelo con- 
de de Palmelta , Antonio de Saldanha , c D. Joaqnim 
Lobo da Silveira , e consentc que fíquc abolido IraG- 
co da escraralura ao norto do Équador. Fecha-seocoii'- 
gresso a 9 de jiinho. 

O Braiil é elevado á cathegorla de reino por carta 
de lei de 16 de dczcinbro, tomandu o sobcrano o tilnlo 
de — flri do ReÍAo Unido de Portugal , BrOMÍl , e Aí- 
garvet. 

1816 ) Morre no Rio de Janeiro a rainha a senhúra 
D. Maria 1 ( 20 de mar^o ) , come^ando o príneipe re- 
geate B goreriuir coroo rci , com o nomo de D- Joao n. 

O Seabob D. Jo.lo VI (0 Clurütb) 27." Rri. - 

r 161 6 ] A morte da rainha a senhora D . Haria 1 fei 
acclamar rei seu filbo principe regente de Portugal 
(20 de mar^o). 

novo rci o scnhor D. Joüo ri dá noro tilulo ao 
principe da Bcira , que tomn o de Pñncípe Real do Bii- 
tio (Jnido de Portugal , BrazU . e Átgarvei. 

[ 1817 ) A gucrra no Rio Grande do Sut , Paragnay , 
e Rio da Prata contra Arligas, que já bavia principia- 
do ha annos , conlinúa com fcliíes resultBdos , e a 30 
de janeiro Montevideo , a principal pra;a, é tomada 
pelos portugueies commandados pelo tenente general 
Carloi Frederico Lecór. 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



187 

. A 13 de Diaio é declarado b caiaidenlo ijo serenissi- 
mo seDbor principe real D. Pedro de Alcantare com a 
archidiiqueza d'Austria a serenissíma D. Carolina Jose- 
fa I..<eüpoldina. 

c O mirecbal general Beresford tinba grande «scet>- 
dencia no governo do reino. A regencia nada faxia sem 
o consentimento do lord , e mesmo el-rei Ihe áava lal 
latitDdé, que o reino de PorlQgal mais parecia nraa 
parle inlegraDle do Beino CTnjdu da Grao Brelanha e 
IrlaDda , do que do .Beino Unido de Portugal , Braiil , 
e Algarves. A ofilcialidade do exercilo era na atia ma- 
xima parte ingleza, e similhante eslsdo dava baslanta 
desgosto á na^áo , e ao exercilo. 

Lord Beresford conbecia a posi;ao difficil em que es- 
tava ; o desgosto da nacao Ihe era bcm patenle , e ima- 
ginou, que o melhor meio de se segumr no poder, 
era o do terror. 

generat Gomes Freirc de Andrade épr6so, assim 
como mais dezescte individtios. Accusados de quercrem 
fázer uma revolu^áo para tirar o goverDO aos inglezes , 
(20) foram jnlgados criminosos d'alta trai^ao doie. 
GoBBcs Freirc foi garrotado fóra da forttleza de S. ]u- 
liáo da Barra , e onze , foram garrotados iins , e enfor- 
cados outros no Campo de Santa Anna ( ISdeoutubro) , 
gendo depois'seus corpos qucimados , e suas cinm lan- 
(;adas ao mar. 

Similbantes ciecu(oes Hzeram com que 3 Ra;Bn abor- 
recesse goralmenle os ÍDglezes , e em especial ao ma- 
rechal ; e uma revolucáo para os expulsar era espera- 
da a lDdos«s momcntos. 



nvGoogli: 



188 

Cbega BD Etto de Janeira ■ Benbon D. Le(>[HMiiM . 
esposa ia princi|je real o aenhor D. Pedro ( 5 de m^ 
\embrn). 

Em Pernambtico ¿ descoberta unia conipira^io para 
ilcar independente aqiiella partc da monarchia. Foi par» 
lá maadada uma al;ada e Irnpas. Presoj os complices , 
foram condemnados , e eieenUdog. 

( 18181 O senhor D. Joáo ti é acclamado solemne- 
mente no Bin de Jan<:Íro (6 de revereiro). 

(1819] Nasce no Rio dc Janeiro a princeza da Bei- 
' ra B senhora D- Haria da GlnrÍH (aclualmente raiaha 
em Porlugal com o nome de D. Maria it) no dia 4 de 
abril , e R 3 de maio se celebra o baptismo da meimi 
Auginlft Senhora. 

(1820) ConlinuaTa e descontentamento pela esUda 
da corte no Rio de Janeiro , e por a domina^io in^tle- 
2a no paiz, sem haver ji as caasüs de 1808 a 1814. 
Uma revolo^io estava imminenle. Deresrord váe ao Rio 
de Juneiro reclamar d'el-rei ainda maiores poderes 
(21 ) para debeltar qualquer reac^lo cnntra o seu go- 
verno; pnrém na entanto, na cldade do Purlo , sc deii 
o grlto de liberdade a 2Í de Mgosto , acclHmnndo-se ■ 
regeneracáo do pais, ou a reítaiiraQÜn das antigas cor- 
tes. o regresso d'ei-rei o senhor D. Joño Ti ao reino 
de Porliigal , e a demissáo dos ingletes das nieirds e 
commnndos do exercitn. Taes pmmessas nie podiam 
deixar de ser bem recchidag por todos m verdadelros 
portuguetes. As provinciss do norle com as forcas mi- 
jitares qiie as guarneciam ahra^aram o mnvlmento do 
Porlo; ii'esta cidade se org.inisou um (^overno provlso- 
rio para diriglr ns negocios até á instaura^áo de uina 
nova regencia na capíUI. 

( 31 ) SA M foiie o renunrlar ■ cariM nn •nBrecfial. 



o,i,-f-n,Googlc 



A regencia, uiu querendo annDÍr ao movínietito áa 
Pprto , dea occasiao a que as tropas do norte se poxes- 
irm em marcha sobre a capiial, d'ondc se aproiima- 
Tam , qnaudo a 15 üe selerabro se secundou em Lisboa 
o movimenlo do Purto, e se organisflu nma junta de' 
govcrno ; porém , como já havia ootra no Porto . qoe 
queria a primazia, viemm a nm acódo , inslailBndo-se 
a JutUa Províñonal do Goremó Supreino dá Reino . sendo 
seus memliros lirados d'uma e d'outra jutlla (1." de- 
uutubro ). 

Beresford rhega do Bio de Jnnciro; porém o gofer- 
no o manda iotimar para nao desembarcsr , e o mare- 
cbal sáe a barra de IJsboa. Os ingleies sáo eicluidos' 
do exercito, subslÍluin<lo-se os seus logares porolBciaes 
portugueiFS. 

Sioiilhantes medidas jtparenlaf am boa fé, e alguem 
Bcrcdilnu qnc o P'iiz ia renlmente gozar os inHoins de 
iima vcrdadcira rc^cnera^ao: porém bem dcpressa pas- 
siiu a illusáo , pnrquc aigims dns chcfcs do mi)VÍmenlo 
comegaram bcm clnramcnte a moslrar as suas flesmedi- 
das ambicoes, lcvando as cmisas para uma revolu^áo, 
cm logar da rcgenera^ao que se havia proclamado no 
Porto. 

paií é inundado de escriplos para convencer o po- 
vo, qne nao era possivcl a convoca^áo das corles pelo 
tystema anligo , e quc o governo devía convocar ciirtes 
cnnslituintes. Cnm cfTcito cllas se rcnniram segundo as 
de Hespanha do anno dc 1812. Era a revolii^aa era 

( 1821 ) Abertura das cortes geraes extraordinarias, 
e conslituÍQlcs da nacñn portugucza (26 de janeiro), 
assumindo poderes soberanos, e inlÍtulandO'Ee Sobet^ 
no « Ivgutte Congrttto Naoional. 



I. Coo^ílc 



190 

As corles decretani ama regencia para eiercer o po' 
der execuiivo em Dome d'el-rei o senhor D. JoSo ti 
(31 de janeiro). 

El-rei, principe real o scDhor D. Pedro, o sere- 
nissímo senbor infante D. Hij^uel , assim cnmo (oda a. 
corte, juram no Rio de Janciro a constituicSd que as 
corles haviam de faíer em Lisboa (26 deVeTereiro). 
Declara igitalmenLe el-rei , qne váe felicitar com a sua 
augusta presenga a antiga capital da raonarchia. 

As cortes mandam jtirar as bases da constituicáo , 
coine;ando a execugao deste dccreto pelas mesmas cor- 
tes ( 29 de raargo ). patriarcha de l.isbo» recusa dar 
o juramento. Aa cartes o desterram para o Bussaco, e 
depois para Fran^a. 

Kevnlu^ao no Hio de Janciro pedtndo a constituÍgSo 
hespanbola de 1812 ( 21 de abril ). El-rei annuiii poc 
forga de circumstancias ; porém no dia segointe annul- 
la por oulro decreto tudo quanto na vespera se Ihe ha- 
via cxtorquido violenlamenle. 

El-rei entrega o guverno do Brazil ao senhorD. Pedro 
com o titulo de Prineipe Regenti . e Coffar-Terunte d' Bí- 
Bei m Gouerw Provitorío do RHm doBrasÍl . em qfian- 
to nao le pvblieat»e a eorutiimtóo ( 2? de abríl ). El-rei 
Umbem Qomeia um ministerio para govemar com o 
principe. 

El-rei e a ramilia real ( excepto a dn senhor D. Pe- 
dro) emharcam no Bio dc Janeiro a 25 de abril , e a 
26 ievanla ferro a esquadra. \ nolfcia da parlida do 
senhor D. Jnio ti , traiida coro anlicipa^áo a í.isboa ; 
chegou a esU cidade pela fra^aU Uaria da Gloria (27 
de abril). 

A 3 de julho entra » Tejo a esqaadra que condmía 
el-rei, sua rea) fkmijia, e a corle. A* cortetdterttaM 



ü,r,i,-f-n,C00¿ílc 



m 

n'étle memo áia 0» vivat pK tthmiam ck dor tM oectu 
«i5o do detettAarque ^'el-rn. Os coDdes de Palmetla , 
de Paraty , o barao de Bio Sécco , Targine , Lobatos , 
e úutros que acoinpaDhaTam el-rei , sáo intimaiiog pelo 
governo para náo desembarcarem. Ordena-se mais , que 
el-rei desembarque em Beletn , anLes do meio dia , e 
que náo baja arpaa^ao nas janeHas , por cau&a da grai^- 
áe Ketentáo dai rtuu. Outras ordens, qae erám oulros 
tanlos insullos a el-rei , foram emanadas das coftes , ou 
do goTeniov 

A pesar . porém , das restríc^óes das cortea , el<-rei tí 
seohor D. JfSa n , acompaBbado dos serenissimos se- 
nbores infantes D. Higucl , e D. Sebastiáo , desembar- 
caram no Cáes da^ Cotumnas, dd Terr'eiro do Pa;o.' 
pcla uma hora da Urde, dirÍKÍndi>.se á Basilica da 
Sanla Maria Maior- {Sé), onde se demorou até ia tres . 
saindo d^ois para o palacio d^s Necessidades , onde 
ebegúu js tres e meia- As cineo boras TÍe á tala das 
cortes («ntáo no conventa das Necessidades , janto aai 
pSfo } , e raUAca o jurameDlo de fidelidade ás basea da 
conslilUlQáo. Depois retolhe o seDlv>F D. Joáo vi ao pa- 
go , e as eortcs Acaram era sessio permanente até á for- 
maeao do ministerio, e dissolugao do poder esecutÍTO 
da regencía , o que teve logar ás oilo horas ( 4 de Julho ). 

'Aos coades de Palmella , Paraty &c. &c. se permitle 
' o desembarqne , porém para residirem a vinte legoas da 
corle , e dez do litorai ( 10 de julbu ). 

El-rei , acompanhado dos aerenissimos senhores ín- 
fantes D. Mignel, e D. Sebastiáo , 'tío langar a p«dra 
fündainenlal ao monumento coBStita'cional , qne se eri- 
gia na praca do Rocio. Para csta solemnidade formou 
loda.a guarnj^áo de Lisboa , fecbando o quadrado,:iio 
momenlu do acto, o legimento de infanteria N.° 4. 
13 

ü,o,i,-f-n,GoOgJc 



Uoove Ires detctrgas, *im ¿cc. dic. ( Ift de seUm- 
Iwo). 

Monteriileo proclama a uñiáo com o Beino UniÜo 
de PortDgal , Braril , e Atgarre ( 1821 ). 

O c«ade do Bio Fardo é deposto do ^oTcrno da ln- 
dia, poFuma reToIucáo' feita em Goa (16 de setembro 
de 1821 ) , que proclaioa a coDstitui^o que sc bouver 
d« faser. Tambem em 9 de Juaho , ua provincÍB de S. 
Thomé , se juraram as bases. 

As cortes decretam o regresso do principe reat , o se- 
nhorD. Pedro, ao reiuo dePortagal ( 29 de Setembro). 
Ú priocipe havia pedido para regressar. A sua desbar- 
monia com O geueral Jorge d'Avilez, general ^as ar- 
mas no Biú db Jaoeiro, produua cada dia scenas as 
Btais desagradaveis e perigosas. 

As cortes decretam governos provisories pflra o fira- 
fÜ , em (panto se nSo ptomulgasse a consUtui^ao. Estea 
goveruos proTÍnciaes seriam compostos de sete mem- 
bros , eleítos pelas parochias &c. ( 29 de setembro ). 
AlguDS d'estes goveraos ainda se chegaram a instaurar 
na maior parte das pTDvÍBcias do Braiil. 

congresso dá de Dcnhum effeíto a promocao reíta 
por et-rei ( 23 ) em 2t de junho , a bordo da nio 0. 
Joio VI ( 9 de novembro ). 

S^o mandados refori¡os de. tropas para o Brazil ( 24 
<)e novembro ) , assim como nomeados novos generaea 
para os governos das armaa das provincías do Bra- 

(22) Foi niua IbrtoiM p«n o nelno, o ter el-rel dotaJo 
d'nin taracter braqdo e reiÍKDado: porqoe, le o monarclia 
Íem euiia guerreiro, rortugal lalTei teria de paiiar per 
deiordeni limllfaaiiles ^t que aniifiiryin a Ipglaterra no rei- 
nads de Carloi i , qniDdo eite infelli monarcha qnil reba- 
tcr pelm.arinu ■ audacia do partamcnt* iii|lei. 



I. Coo^ílc 



i»3 

sil (9 de decembco ) , <ei)}raiido n'osle número o btigt^ 
deiro Joáo Carlos de Sjildanbe paraa proTÍDCÍa do'Rio 
Grande. 

A 9 de dexembro r«eebe o priiicipe rea) o decreto 
das cOrtos , que o manda recolher ao rejnn , e a 10 es- 
oreie o mesmo principe a el-rei dizeodo , que ia já cum- 
prir as ordeDS d6 soberano congresso , eDtfegando o go" 
Táno, para partir para Lisboa. 

Crea^o do Banco de Lisboa (31 de deiembro). 

( 1822 ) No Río de. Janeiro estava ludo n'uma grande 
efiervescentia pela retirada do principe. O senhor D. 
Pedro declara ( 9 de janeiro ) quc ficaria n'aquelle rei- 
Bá. Esla resolu^áo foi uma re«ietencia ds ordens ema- 
nadas da inai patria , e o primeiro passo para a total 
independenCia do Braiil: 

Jorge de Avilcz , qde conmaTidava a divisló das tro- 
pas .porlugaezas no Bio de JaneirO, insiste pelo cDm^ 
primeDto .das or-dcns .d'eJ-rei e daa cortes. Esta insis- 
tencia , no momento da declaracao do principe reil , 
foj o íigBat de guerra. Osdias 11 e 12 de jaDeim .de 
1822 foram dias de lnclo para os portnguezes do Ilio 
de Janeiro. A teima de Avilei em querer sustentar as 
ordens das cortes exafiperou o principe a ponto de o fa- 
lereiAcegar dcftnÍlivámeDle nos bragosda gentede Josá 
Bonifacio de Andrade , acerrimo revolacianario , e apos^' 
tolo da.ipdepeBdenci» do Braiil. 
. O senhor.. D, Fedro i a pesar do formidavel eiercito 
d6 pauUstal qoe José. BuDiraGÍo ihe mandou de auillio 
contra os portugueies , náo podia appresentar contra 
AvíIaz "mais de 106ft taoinens (23). Com tal gente, e 
amiliado pela popiila^ do Bio, o senbor D. Pcdro 

(23) Deputado nirSo aa leisSo de 38 de janbo de ÍéSÍ. 



,Cou8lo 



194 

DiatuU intimar Avilei e a gem brayos canaradas para 
pauarem á Praia Grande. Os bravbs soldados portu- 
guezes , veQcedores de Napoleáo , obedecem ao priaio- 
geulto d'el-rei, porém uao foTam vencidos. {24} 

Abt)lH¡io dos tribuuaes snpremos no Braiil , a Gm de 
se Ihes dar nova organisa^ao segundo as cireumstan- 
cias especiaes d'aqnelle reino ( 13 de jaDeiro ). 

A dÍTÍsao porluguexa ds Praia Graude embarca a li 
de janeiro por ordem do senhor D. Pedro , e ■ 15 sáe 
« EÜrra do Rio de Janeira, sendo escoltada até ao cabú 
de Saoto Agostinbo pelas corvetas Líberal , e Uacia da^ 
Gloria. 

Nis oDtras provinciis do Braiil . a pesar da agita^ 
qne reinava , fennenUd'a pelos apoitolos da ÍDdependeD- 
GÍa , 05 govemos provísorios decretados pelas cortes e 
por el-rei installaram-ae na Bahia , Maranhlo , Pará , 
PerDambuco , Uato Grosso , S. Pedro do Sul , e ontras. 

Augroento no valor do ooro [ 6 de mar^ ). * 

£ aonullada a senten^a qne condemnou Gomes Frei- 
re , e seus companheiros ( 2 de jnnho ] , sendo mDÍto 
notavel , qne esteja assignada por dois dos juiies que 
assignaram a da condemnaeao. 

O senhor D. Pedro> convoca nma assemblea constir 
tainte para o Braiilv em opposi^o á do Reino Únido 
de Portngal, Braiil, e Algarve (3.de JDnho]. 

Decreto das cortes , sancclonado por el-rei , «m qoe 
dá por nnllo qnanto ó govemo do Rio de Jantñro tem 
feilo'. Aanda recolber a Lisboa o senbor D. Pedro , lob 

(24) Ai nouBi trop» no Bnnl téitt ildo eMavdlwdM; 
DiM nio vencidu. Acabem-M ■■ CDnlÍdera^ie* « qne 4l000 
lioineni tio baitBntei pan bier cDinpTÍr naBraulatordrau 
do conereMo, e d*el-rei. — BoTEei Carneira na KMSa de 
U 4* Jnlb» de 1832. 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



t9S 

r DM pnuriptaB Ra crastttui^tTpara 
o rei 0« «ea succeasor qtie 3air do retno sem lícen^a 
das cortea ( 24 , e 26 da jolho ). 

O Sr. D. Pedro doclaron iniinigas as tropas portu- 
gnetas , mandatido a todas ag auctoridades braiileiras 
qne Ifae b;Bm guerra de eslerminio (1.° de agosto). 

Hanifeslo do senhor D. Pedro ás nagoes ( 6 de agos- 
to). N'este maniresto é insulUda e calomniada a na- 
{io portugaeia. 

As seisües das cortes estáo tormentosas por causa 
dos negocioB do Brazil. O deputado Houra na Sessao 
de 19 de setembro, (allando do decrelo de 3 de jn- 
nfao , em qne o genbór D. Pedro conToca uma Assent- 
Uea eonstituinte para o Brazil , dii : « Os bossos maio- 
res , qne nio eram mais lifaeraes do qnen^s, depo- 
nbam os reis e principes rebeldes á naQlo , &c. &c. b 

O congresso aisígoa a constitui^áo em 23 de setem- 
bro. A 30 £ jur^da solemnemente pelo mesmo cod- 
gresso, e nó 1.* de ootobro por el-rei o senbor D. 
Joao VI, &c. ÍLt. 

No Rio de Jaaeiro forsm «{(uMdos , por ordem do se- 
nhor D. Pedro , maís de tresenlos soldados portugneies 
pertencentes i dÍTÍsüo da náo Vasco da Gama [ 30 do 
.setembro, e 1.* de oatabro). crime d'estes inreliies 
foi o pedirem a sna alteía real , qae os deixasse re- 
gressar a Portuga). 

A trtii(ao d'uns , a íaepcia oa mal entendida consí- 
deraqao d'outrot deisou tamr a anarChia no Brazil a 
poato , qae os reTOlucionarios oa partidarios da inde- 
pendeacia acclamam o príncipe real o senbor D. Pe- 
dro — Imperador eottjtiluetonal , e defetuor perpétuo. 
d> BratÜ ( 12 de outubro ). SimtlhBnte índependencia 
erai^llida por toda 3 geirte cordala d'nm e d'oulro 

Couslo 



m 

hemisidiério , e elta prejiiiltcaTa aíé o propño Bftvo im- 
perador , porque alicnava uma grande monarchia , para 
ter um sceptro mais cedo, desmembrando uma paite 
d'essa mcsma monarehia , que máis tardC'lleria t«da 
ser por 'elle govefnada. 

A senhora D. Maria da Gloria , filfaa do senhor D^ 
Pedro , muda o seu liliilo de princeia da Beira para o de 
princeza do Grao Pará , titulo que , segundo s eonMi- 
iuifáo imperial brazilcira , e o facto da independencia , 
era dado so herdeiro presuraplivo da coroa ímperial. 

Morle de Manoel Fernarides Thomai , o principal 
apostolo da revolu^ao p-'irluffueta ( 19 de novembni }. 

Á rainha senhora D. Carlota Joaquina recuaa jurar 
a constíluigáo [22 de novémt^ro). Similbanlc recnsa de 
sua magestade dcu causa a unrá forte contesta^io cntre 
esla e as corles, lermitiando/pela eiautoraQño da. rai- 
nha ( 4 <te dezembro ). El-rei foi campellido a BSiÍRpar 
táo dcgcadante decreto , assim eomo outro qae ot'deM- 
va.a safda.da ei-rainfaa para fóra do rcino; parémsas 
magestade resisliu contra sirailhante despotiamo ^.refof- 
^ando a saa cansa eom o delieado estado da saude, a 
que tacs violeoeias a tinham reduzido. 

As cortes e el-rei decretBm , que a regencia do Bra- 
lil residirá provisoriamente na Bahia ( 17 de dexembr» ). 

O senbor D. Pedro decrela (.30 de dezembrO ] cartB» 
de corso conlca o pavilbüo portuguez , e sua f roprie- 
dade pñblica e parlicular. Muitos estrangetros lonnm 
servi^o do novo imperador , principalmente n'egle 
genero de guem. As corfes declardarreheldes as pro- 
vÍDCÍas do Brazit que obedecerem ao govemo do Rio 
de Janeiro. - 

A^pesar porém da aMlama^ao do senbor D. Pedro , a 
profincia do Maranhio « oBtras mulss jitriiBt wiciaite- 



0,i,-f-n',CoO^ílc 



. 197 

mente a conslitllitio portsgueia , e nlo recebei& as or- 
dena do prÍDCÍpe (Hi imperBáor. Os generaes do go*er- 
oo do Hjo de Janeiro praticam at maiores crueldadés 
Gontra os portugueies. Labalour fnsila os soldados por< 
tagueies, e tambem os cidadios inermes, atjotta ou- 
tros , V mette-OB nas enxovias aos ceutos , «nde os f» 
BOlTrer as mttis crueis priva^oes ( 25 ). 

£ innegaTel , que muitos dos homeBS da revolufáo 
deram eausa is desgra;as que a nacao estava soffrendo. 
No Brasil levarara as cousas para a perda d'aqnelle 
reiao; em Portugal legislaTam inflnitamente para am- 
bosoB hemis[Aerios. Sem dúvida que algmnas provi- 
denciag houTC uleis ; porém mnilas eram intempestÍTas. 
HaTÍB Dii desgüsto quasi geral. 

A nacio viiinha ardia oos iiorrores da gserra ciTil. 
O rei Femando vn estcTa como captÍTo em poder da 
demagogía , e grande nAmero de seus subditos esfbr^a- 
*am-se por libertal-o. eslado d* Hcspaoha era doiO'' 
roso , e as na^oes -se resolTeram , no congresso de Vero.' 
oa, a tiberUr o rei de Hespanha. Á na^o franceia 
conbe , como mais TÍsÍBba e naís poderosa , a empretal 
de pacificar a Peniosula hispanica , e am eiercito de 
eem mil homeos , ás ordens do duque d'&i^oHleme , 
tendo por generaes os melbores cabos do tempo do im'- 
perio , e que flseram a guerra da PeninsnÍa, enlrara» 
BS Hespanfaa pela- Catalunha e NaTorra. 

O KOTcmo de Madrid preparaTa-se para uma TÍgorosa 
résistencia ; porém as suas Irepas eedtrram o terreno 
aoa francezes; apoderam-se estes d'uma grande párto 
da Hespanba em pooces dias. As corles de Uadrid re- 
líram-se com el-rei para Sevilha. 

(ti) Petunibne»qae o diga. 

1».,,,^. I. Coo^ílc 



A entrada dos franoeEes «m Heipmha poiTáda a 
Peninsula em agita^So. Em PoitDgal tarabein «s amigoa 
d'el'Fei , o senhor. D. Juáo vi, recorreram áj arnws 
para dar maíor latitode ao poder do monarefaa. O firi- 
iDcJra grito foi dado na cidade de firaga a- 22 de f&^ 
vereiro ; a 23 era repetida em Villa Beal ; e a 34 e 95 
loda a pr/ivincia de Trág-os-Uotites tinha secmdado o 
m'ovimento. O conde d'Amaranle , qae foi qnem den o 
gritoem Villa Reat , tomoa comniando do eswnto 
reBtaorador, e em poncos dias se llie haviam jontado 
osgeneraesGasparTeinelra , Hartinho Corréa , e outms: 

As cortes e o goverho tomam miiitas medidas pira 

süfTocar o movimente do dorte , e em poucos días di»- 

~ panham de um enercilo muito superior ao do' conde 

d'Amarant^. O cntfausiasino á»s tropas das cortes era 

ephemero , corao se viw. em poucos dias, 

O conde d'Amatsnte alcancoa □(> coméco da eampi' 
nha algoims vgntai^eni , sendo a de'maior.impartaiicia 
a de Santa Barbara , eni que aprisionou alguns carpos 
de infantería e ca^adores; porém laes vdntagensforam 
logo naatralisadas, porqne as for^as das cortes, ma- 
Tiobrando de combínacáo com o general bespanhol Mo- 
rillo , e oDtros das cortes hespanbolaa , obrigaram o ( 13 
de abril ) o conde s pcnetrar pe1o centro da Hespanba 
eom mil cavallos , e ponco mais de quatro mil inrantes , 
com que chegoo a Valhadolid , onde ge reunin ao eteP' 
cito franoec, e tropas d'el-rei Femando vn. 

duqne d'Angoaleme entra em Hadrid em S3 de 
maío, retirando as tropas das cortes para Sevilba. Al- 
gnmas tropas hespanholas , que acompanhavam o exer- 
cito francei, avan^am para Palencia , e ontroa pontos 
da fronteira portagDeza , sendo seguido este moTÍroen- 
to pela divisáo portugoeiB do conde d'Anmnle. 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



l»9 

flniBd« nám«ro dc Iropsi das eortes de LisboB eita- 
i»m áe ohierracao na fronteira desde Trái-os-Uonles 
at¿ á Beíra. .0 goTerno faiia deporta^oes iqinKnias , 
porque doocaflava de tudo. O conde de Paimella, • 
c«iide,d'Alva, e outros muítfls iiidividuos d'alta posi- 
^ sooial sáo.desterrados. - 

O senhor inranle D. Miguel sác' de Lisboa [ 26 ] para 
SaaUrem a 27 de maio , á frentc do rcgimento de ÍDran- 
teria N.° 23. Em Santarem se Ihe reunem outras tropts , 
o.geDeral Scpulveda , *e o brígadeiro Saldanha. (27) 

Em 30 de maio o senbor Í). Joao ti, ou as coríes 
pkra melbor díier , estigmatisam o procedimento do 
senhor infanle , e dos que o seguiam; porém a 31 , 
qnando as cousas tinham tomado nma face raTCR-avel á 
caasa real , o monarvha sje de;Ltsboa á freote da gtiar- 
ní;iD da capíta) , e víe estacionar'Se em Villa Franca. 
O lenhor D, Uígael recebe 1<^ wdem para se reunir 
com Bs snaa tropas a el-rti seu au^oelo paí , o que prom- 
ptamente executa. 

No 1.* de junhn nomeia el-rei em Villa francv dovo 
minislerio , em qbe antra o eonde de Palmella , Pam- 
plooB ; Gones de Oliveira , e Palcio de Castro. rci- 
no esti lodo prfmonciado a favor da causa real , sem 
qae as cortes possam pdr em eampo for^as algumaa 
para combatar el-rei , pois qne apenai em Lisboa al- 
gamas guardas naoionaes pegam nas armas. As pro- 
prias ttopas dos generaes Regoi e Ptgo, cbeias do 
maíor entbusisamo , scclamam el-rei , sendo o ultimo 

!26) Sem dúviila por ordem de len ■agnito pai. 
XT) O brígadelro Saldanba mUtb prei<i Do CHtelio ile 
H. Jorge por r«u»'d» coam do Braill, e póde CTadtr-te 
para ae ir reaDlr »W deféDM»et <'el-rei , • da* «Dti|M Initi- 
tni^. 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



aoo 

gcmera) insñludo na Bnrá pelos proprios soldades com 
qaem ha poucoi dÚB condutAra o coade d'Amarante. 

As tropag que >e reDniram a eWei e ao senfaor inr 
finte aTan^am lobre Lisboa , onde entram com el-rei a 
6 de jnnho , destrnindo todoi on prfeparaUTos de rc- 
BÍstencia mandados faier pelag cortes. A entrada á'tí' 
rei foi Terdadeiramente triampbal. 

O monumento constítucional do Bocio foi demolidó 
'pelo poTo , qne tambem com algmi tiofrrM^ 28 ) e fror 
dei foram ii NecessidadeB , e despeda^ram as cadeiras 
dos deputados iic. Alguns dos conapicuos . daranle o 
gOTerQo da rerolu^áo , embarcaram no paqnete , e foran 
para fóra do reino. 

O senhor infánte D. Higuel f(H nomeado generaHasÍH 
mo , entregando-lbe el-reí sea augusto pai o cominaBAo 
em chefe do exereito. 

A anetori^ade ríni.eataTa restabelecida em toda a m»- 
narchia , esceplo n'aigans pontos do reino do Braiil , 
qus contÍnDavam rebetdes ao rei e á mái patria , on , 
para melhor diaer , rebeldes á uniio com Poriagal ; lo- 
daria ag nossas tropas oa Bahia , diminolas infinitaraen- 
te , contínnavam a combater os insurge&tes como noa 
melhores tempos de D. Joio de Castro, e Aatoaio da 
Silveira. 

As cortes de Hespaoha depoem o rei Femando *ii , 
e leram para a ilha de Leáo ( 12 de junho ). Os frao- 
cezes enlram em Sevilha « Í3, e vao a Cadii libertar 
e\-ni catbulico. 

Achava-se pois proclamads por cl-rei e pela na^iü a 
antiga constitui;áo da monarchiai porém cfuerendá el- 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



»1 

ni qo* B BemMi comtitni^io eslWesse m haraioaia 
ctra o seculo , nomeia ( 18 de Junho ) Dma commiuio 
para propor «s rerormas qae os. tempus reclamavam. 
P*ra GOBhecer de assumplos de táo alta magnitude , e1- 
- rai promette conTocar og Estados do fieino , promessa 
eUa qae foi «lui bem recebida. 

O conde d'Amarante com a sua divislo chega a Lis-' 
boa [ 24 de junho ) , onde é muilo bem recebido. 

Oi negocios do Draiil nao melboravam para Portu- 
g«l. A revulugao braEÍieira devia ter sido esmagada; 
porém, se até aqal elia medron por fidta de ser com- 
batida , como o brio nacioaal reclamava , agora mais 
fronxidao havia para mandar reforqos ás provincias que 
sostentavam a causa da nniao. As vioiencias qne o novo 
imperador e seti gnverno pralicavam contra os portu- 
gueies revoltam um cora<;áo amante da sna patria. Nüo 
adulterem a historia , que a narragao fiel de similhan- 
tes facitoa fará por muitos sccuLos iniiignBr os vindouros. 

O oampojla batalha devia ser no Bratil ; porém « 
reveluQÍo procurou distrabir d'ali a atlen^ao , envol- 
vendo o pa^ n'um pelago de intrigas. Afastar d'ol-rei 
os homens de Brmes cren;as , e sobre tudo a seu au- 
gusto Glho o senhor inrantc D. Migucl , era o alvó da 
revoluQÍo , qne náo se atrevendn a apparecer de frente , 
quer destruir a ordem de couaas com a hypocrisia. 

(ÍS2\] marqueK de Lnulé, que seguíra Napoleao 
contra a patria , e ha pouco havia sido perdoado por cl- 
rei , apparece- morlo no pa^o de Salvaterra. Tao lamen- 
tavel acontecimento é aproveitado pelos inimigos do se- 
Dbor infante para eipaíbarem a m,iior das caltimDÍas 
e<Mitra sua alleza reai. 

Aínda náo havia um anno que cl-rei se havia livrado 
d'om capüveiro , e i¿ estava. meltido n'outro d'ootro 



I. Coo^ílc 



202 

gústo. SeuanKBBCo fllbo qner iia*aneiite NaÜlDÍf>'llw « 
Eiia auctoridade; e coma conKnandanle eni cfaefedo ex- 
ercilo reune a guarnicáo da capílal ( 30 de abril ) para 
restitair a forQa ao monarca , seu augusto pai e leahor. 
Simithante acto é desfigDrado pelos inimigos de sua al- 
teta real , appresentandoto a el'rei como nma reroltt^o 
para Ihe tirar a coroa. Os que appresenUvam assim a 
questas a el-rei o condiuera para bordo de ama náo in- 
gleta , onde manda comparecer seu augusto filho , e sua 
altcaa real ahi se dirige promptamente para receber as 
ordens de seu augusto pai. seuhor infaiite foi manda- 
do viajar , e lixar a soa residencia em Viepna d'Aostria. 

Estes tiltimos acontecimentos consolidaram a revo- 
lufio brazileira. govcroo manda recolber lildaB as 
tropas que ainda se batiam no Brazil. A 4 de jallM é 
evacuada a cidade da Bahia, séde-entao da regenci» 
portu);aeia no Braiil. 

( 1S25 ) infelii monarcba andava pensativa^ Um de 
scus fllhas arraacuu-lhe a melhor joia d» sua coroa , e 
ambos Ihe faram arrebatados , para mais nao os ver. 
Aconselhado para reconhecer a independencia do Bra- 
ail , senhor D. Joao n assiai o pratfca por carta de 
lei de 21 de novembro de 1825, reservando para si » 
Ijtulo de imperador , em quanto vívo. El-rei tinba de^ 
clarado em vigor a constitui^ao portugueza , e esta pn>- 
hibia ao rei a alicna^áo de quabiuer pori;áo de territo- 
rio da monarchia , sera o conientimento dos Tres Eita- 
dos do Reíno reunido^ em cortes. Tal emancipa^áo niío 
se podia faier sem recorrer ás fórmas legaes; e máos 
CORselheiros foram os que acobs^baram ao monarcha 
que praticasse um acto despotico n'uma na^ao, a qnem 
o mesmo rei acabava de diser, que Ihe estava reslitui- 
da a sua liberdade. Bracil coutiuui»! pois de faetí 



I. Coo^ílc 



iiHlepeDdtote, etlireinos Umbem de direito/jtdqidrí- 
do pelo tempo , e pela for^a das cousas , fwrém nunca 
pdo acto da emancipa^o de 1825. 

(182S] A promessa que e^rci fliera 4e convocar 
eorlei naoca se realisou. Todas as boas intenqoes da 
monarcba eram imitiliiadas por inlluencias das p«ssoas 
<)ue o cercavan. Assim mesmo nio poderam por mni- 
tas Tezes cooter , que o infcliz rei suspiñsse por man- 
dar recolber o infante seu Otho. 

A 4 de mar;o apparece el-rei d6ente , díieDdo-se 
logo, qu« a molestia era graTÍssima. A 6 se publica 
nm decreto em que el-rei nomeia , para o caso- de sua 
morte, nma regencia para' goverjiar o reino até qne o 
aeti legftimo succcssor ái as ontras proTÍdencias, A re- 
gencia serfa coinposta dos seguintes senhores : — In~ 
fanta D. Jiabel Maria , patriareha de Litboa , dugtíe de 
Cadavtü , marqttet de yallada , e condt dot Areot. 

Gravea jaizos se tem feilo sobre a morte do senhar 
D. Joaü VI ; e a pesar de que clta se deu ofücialmeiite 
a 10 de mar;o, ha muito qoem a julgue acontecida 
■ntcf d'este dia. Governou em Dome da rainha sua 
mai sete annos; como regenledezeselc; e como ret dei, 
Foi muilo infelii como rci , cnmo bomem , e como pai.' 
Serla um grande rei para outra epocba , purém nao 
para os tempns calamitosos em que viveu. Teve a sali»- 
fa«^o porém de ver que , a pesar da sua ausencia , oi 
portuguezes salvaram a patria e o seu throno d'as gar- 
ras de Napoleao , ganhando o antígo renome dos beroes. 
qne conqnistaram PoKngal aosmonros e a Castella , e ó 
cngrandeceram nas cinco partes do mundo, obrando ma- 
ravilhas taes , que até parcceram fabulosas. Havia el-reí 
nascido em Lisboa a 13 de maio de 1767 , tendo por 
coiuei)seaci« ciitcoenta e neTe annoi qtuiMlo lalleceu. 



I. Coo^ílc 



&H«ICU DJL SnrSOBA ÍMrAHfA D. ISABKL UáKUt 

( 1826J A morte do senbsr S. Joao ti dnsoH Por- 
lugal n'um mlerregno de.facto, e tambem h'diub po- 
si^o bem melindroia. 

A pesar do dcereto dft 6 de margo , que ordeoBva a 
regencia de cídco membros , a senhora inlanta foi a 
unica que eserceti o poder eiecuttvo, tomando conta 
d»-governo do reino , apenjis se aDnunciou oiGcialinen- 
te a otorte d'el-rei seu pai. 

Toda a gente acnsata prcTÍa.ng grsndes males qae 
amea^avam a naglo. Os parlidos' comefarBm a. de»eD> 
vidver-se ; as afleÍQdes praioaes , ou de puro interesse ■ 
dominavam no maior núnera. Os bomens de conscien- 
cia nada podiam Tazer, 

Sastentavam uns, qoe.a coroa portiigneia perlencia 
ao senhor D- Pedro. outros que clle^ pelos factos arw 
teríores de desobediencia á (Dii patrtR , e reconheddo 
imperador d'um reino estrangeiro, náo linha direito 
á coroa portugueta , mas sim seu augusto irmao o se- 
nbór D. Higuel. ":, 

senhnr D. Migucl estava ns Allemanba. Oa indj- 
TÍduoi que cercavam a senhora inranla Tcgente erate , 
na maiur parte, recoitheeidos como adeptos ao seohor 
D. Pedro. (Jma deputasáo (29] fui mandada an.Braul 
a comprimentar o imperador , oo Ictar-lhe a coroa de 
Portogal (30) 

- (39) Ot membrM da depatn^io fiiram o dnqoe de La- 
I3ei, « ■rcebiipo de^Licedemooía , «•it«e«lurgadar Fran- 
tttco Rlenterio de Paria e Uetlo , lodoi tre> bameiu d''aniB 
probidade ■ lorin ■ pruTB. B' porém muito QOtarel , 'que 
todoi tres segiiirani ■ cau» do tpnhnr D. Mijgael,~e o ju-' 
ramin rei nos Bitailoi da BeÍDo em 18<8. 
(SO) Talvci o* illaitrM ettadiitM do goKnM liraMCM ■ . 



I. Coo^ílc 



*** 

O iinpcrador do Brazil aceeila a eoroa porlugueza ^ 
qae Ihe rorani leTar, e loina o ncimc de D, Pcdro iv 
ein 25 do abri).' A 29 publica a rarla constilucioiiaj , 
que sua magestade imperiál olTerece á monarebia por-. 
lugueia no comÍEO do seu reinado , para scr acceita e 
jurada pelae Tres Ordens do Eshtdo. ( 31 ) 

Em 3 de maio sna magestade imperial abdica (32) 
coBdicioDalmenle a coroaem sua augusta filba a seabora 
D. Maria da Gloria , princeza do Grao Pará. { 33 ) 

A i»is9áo dc traier a cart? consütucional a Portugal 
foi dada pelo imperador ao inglez Carloa Stuard , a quai 
cbegou a Lisbaa em 30 de juaho. 

O goTerno do reino diiTÍdaTa proclamar t carta sem 
o consentiniemo dos Estados do llcino juntos em cor- 
les; poréra o gcneral Saldanha , goTernaUor militardo 
Porto, instoupelaaccjama^áoiequandonaoseñiícsse, 

boa lembi'anqa dejul°;arein que podertim ■iiím reuDÍr oo- 
Tameute o Brsiil a Purtngal. Se lal tiyeram na mciite, rf 
■en nome deve ler levailo á miiii rFmata poiteriJiide! ¡ ' 

( 31 ) A ineDte do legblBdiir foi lem dúvlUa piira Mt oOft- 
recida aot Trei Kitailoi do Reino, reunido* eni cortiu. 
( 32) Acto de abdicaqáo do 3 de inBÍo de IB26- 
(93) A neDliora I). Maria da Gloria, srluM rKÍnha do' 
Portugal, nnsreu prírtctza da Bcira, tiiulo que Ihe pSr-' 
lcncla por tcr a prlmomuila do Brincípe real; pvrém , te* 
paraado-ie o Braiil, deiiands de faier paite da mooiT- 
thia poTtufueiB, ropilituindo-ie imperiu indep«iid»ute , e 
icndo B aenhora D. Matta dn Gloria a priinuecnila du im> 
perador , deiiau em I8I3 o titula portoguíz pora tomaT e 
de ptltueta ÍB^riBf , que Ihe perteDrin legundo ■ cuDili- 
tiiffio braiilsira , e rono herdeirB prmunptiva da coroa. 
■inperi^I , ^r 11R0 }iav«r vafli; na orruii.^n ein quc te prn- 
clamou o iinperio, c ■ roiistÍIuii^Úo brBiilira; parém nat- 
eendo em 1S?S prínripe imperiol D. Pedro, Iuhidu voIÍk 
o éf prÍHctta 4Ío OrSo Tái-á, ((ue partcoce a» berd«lr« 
pf ^Ptn^iia A*P*^ '*•' [tMntipe imjiei fal. 



206 

iDBrcliaTa com aa tropas do sea commaiMlo sobre tAa~ 
boa. A carU foi pois acclainada em 11 dejDlho, co- 
me^anda lodos os actos publicos a ser em oome do 8e> 
nhor D. Pedro iv. 

Sknhob D. Pbdbo ir, 28." Rei. 

( 1826 ) inKlez Stuard , que foi portador da carta 
CODstitucional , o foi tambem do decreto que coañrma- 
\a a regencia na pessoa da senhora infanta D. Isabel 
UaFÍíi : foi ignalmente portador dñ notíCia do acto de 
abdicaoao , e qoe o imperador ordeaava o casamento do 
senhor D. Htguel com a senhora D. Haria da Gloria. 

Sbqbkcu Di. Sbndoba Infinta D. Isabel Haxu , KM . 

KOMB d'eL-BBI. 

A senbora infaDta D. Isabel Haria continuOQa go- 
vernar o reino como regente , porém agora em nome 
d'el-rei o seohor D. Pedro ir. governo manda que 
no dia 31 de julho tenha logar o juramento da carta 
conslitucional. Bsla ordem foi o signal de resistencia. 
O regimento de infanleria N.° 24 , estaciooado em Bra- 
ganca , acclama ( 26 de julho ) o senhor infante D. Mi- 
guel rei de Porlugal. brigadeiro^BtoBÍo Tarares 
Haggessi com o regimento de cavaluría N. 2 , e al- 
gUDS miliciaDOs de Villa Vicosa , secanda n'esta «11« 
o grito do 24 , no mesmo dia do juraiDento da carta , 
porém sem a ter jurado. O 17 .'' de infaatería , estacío- 
nado cm Estremoz, tendo jarado na manha de 31 , 
mas já bastante lumnltuosamente , de tarde segne o 
grito do 2.' de ca*allaria , e vae unir-se'lhe. Alguos 
arlilheiros do 3.° regimento tambem se nnem ao 3>* e 
17.' Todog eales corpog ^rarain logo em B«^lWlw. 

ü,o,i,-f-n,GoÜglc 



Eib 12 de sdembro o brigadeiro BeTaardo da Silvcint 
com o N." 11 dc infanlerin , estacionado em Almcldai 
seguo o mesrao destino. Em 5 de outiihro o marqueK 
de ChüTes tnmbem acclama o senhor D. Miguel em 
VilU Beal. 4.° de cafadorcs e o li." de infanteria 
do Algarve tambem se proauDCÍám pela mesma eausa 
etn 15 de outubro. A 21 segue o mcsmo destioó o 7.* 
de ca^adorcs, que estava em Villa Pouca de Agaiar. 
Segum eslés corpos na sua emigracio voluntariá mui- 
los cnDlingenles d'oulros, assim como generaes, ma- 
gistrados , &c. dic. 

(íoverno dn regente , vendo similbante defecfáo no 
cxercilo, e observando o cspirito püblico , principal- 
mcnte no norte , orienle , e sul do reino , pcde ao go- 
vemo britannico ausflio para a occssiso em que oS emi- 
gradns tcnt.issem penetrar no reino , ou proiflovesseiB 
alguiD pronunciamcnto mais serio. O goierDo brílannico 
expede as suas ordens para estarcm promptos dcz mil 
homens de tropas escolhidas a Gm de embarcarem para 
forlugal á primeíra ordcm. 

O barao de Viíla Sfcca , commissionado pelo senhor 
D. Pedro, appresenla-se em Vienna d'Aostria a eiigjr 
do senhor. D. Higuel o seu juramento á carta , e o seu 
consenlimentn para se pcdir a sua saritídade as dispen» 
sas para celebrar os esponsaes com sua augusla sobrinha. 
senhor D. Higuel annue a tuiio , e em 29 de oulu- 
bro celebram-se por procnra^ao os esponsaes dos mes- 
mos soguslos senhores em Vienna d'Austria. 

"Morre no Rio de Janci'ro a imperatriz senhora^D. 
Xeopoldtna (11 de dezembro]. 

As torqas dos emigrados entram no Atemtejo e em 

Tris-os-Montes (dezembro). Maggessi , que comman" 

dava as do Alemtejo e do Algarve , eutroti por Villa 

14 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



«08 

Vi(Maj úiKle aprÍBÍonoa a for^a da «mllvia-7 «li a- 

itciooain. Ob «oldados toiqaraii] o serví^o , Msim cpino 
iuis algnD» contingentes de dÍTersos corpos se Ihe reti- 
IWfaDl, e <B spera<¡oeR n'aqaelU provÍBcia comefarani. 
Algmu «ombsies boDve esm Tanlagein para as tropas 
dfi Uaggesii ( dci^bro ) ; porém refbr;ado o c»nde 
de Villa Flor com mais tropas, Uaggessi é obriga- 
Ío > CQtrar per BespaBhp , pasgando d'ali ao norle x 
ftser jonecw oom o marqiui de Chaves , viscMides da 
V»nea , ée Ifoiellos , e outros que sustentavam a mes- 
ma cansa , e liabam já n'esla provincia feito capilular 
firagaBft «om o 3." e 31.° de inTanleria, e o ii.' de 
caTalItria ; Aljneida eoin o 6.* de infaDleria , algans 
ca(ad»re« do novo 7,'. e o 10.° de cavallaria , e arti- 
Ihlría montada &c. Todos esles corpos tomaram o ser- 
tjfo qoa fe faiia em nome do senbor D. Migael , assiiii 
•Mltí¡ quasi toda a íor^ do 12.° de infaoteria , e dú 
6.'- 4 9."^ eaT^llaría, além de muitos conlingentes 
de «ntros corpos; qu^si todos os regimentos de mili- 
cias de Trás-os-Uontes e Beira , e alguos do Uinbo, 
■iHÍto pQ«€| annado fnc. Em Tris-os-Uontes e no Ui- 
whú tinbam deixadp os viscondes de Monte Alpgre, ()a 
Amha , e putr«s giw com illgumas tropas d« infanto- 
ria e cavallnria , e mui^ povo aimado , faiiam freptc 
í» tropas de r«gentc- 

is fftTí»! priDfÍpaos do marqaeü de Chave». vís- 
Gond» de If^lelios e da Yarfiea, avanfam fvii a 
Bcira. 

EataH poif 9 Datáa eqvolvtd» no^ hprreres d« gcwra 
civil , cm que as ambjQt^ de muitos, f lat^aran), 

EBtoa RO Tpjo ( 24 <>« ÍtK*»bi<) ] a eüquadr» ÍBgÍesa 
que cfmdmia u^ brJlhflntp dirlü^ d* Iropaf dc ^ñnsi 
it ordfBf Aa ífverat ^littfo^. ^t^ aH<t)>» Untq a tcm^ 



1K¡ den eTinfde fot^ nlonl e natcrial ao gortnio dt 
regcDte. 

( 1837 ) DepDÍs de varios recontrt» ^ o amát de Yillfl 
'Ftor bate os Bens sdfersaríús em Corncbe da Beira ( 9 
de janejro ) ; e ftS obríga a retirir tebTt Pi&hel , e p»* 
nctrar eni Hespanha ( 11 de janeiro ) ; p«ra ireDl appt- - 
Teeer novsmente em Tri^-os'Uontes. Almeida com > 
.sna gnami^o entrega-se ao genisrai Villa FIAri 

As for^s belligeranleS conrer^m agora to^a* para 
ss provincias de Trjs-os-Monles e Mínbo. Os ingleiefl 
«Tnn^ani para o interíor do reino ^ aL¿ Ooimbra. O mat^ 
quec de Chares avgn^a sóEire x> Póflo t por firaga ; po^ 
Tétñ , depois de Táríos corabates na Hirilia , empreheit- 
-de a £ua retirada , sem mais poder rebfeer'-se dot det- 
1ro;ns qne havia sDfTrldo. £m 8 de marf'o ós resllB dts 
snas tropas entravam em Hespanha pnr Abellana e Ssd- 
ia Anna , e foram internadis pafa Valfaadolid. 

3." de Brtilbaria i é um batalháó do 8." de iura»- 
teria , e mnilA povo d'filtss acclamanr o senhor D^ Mi- 
gnel. general Canla [¡allimi até poder rearíir fw^as 
do governo , com qiie os obrigoo i ccdér , depbis de 
muitd fogo de metralha i fusilariá, c cargai de caval^ 
laria (39 e 30 de abtíl). 

lenbor D. Pedro hnmci^ atí sehbor D; SIigBel sM. 
logar-lcnente em Porliigal ( 3 de jalht) ). 
- A regenle dimítte do tninisterio da gubrra ao ^ene- 
ral Saldanba ( 20 de jalho ). Os amigos do gcnera) pe- 
dem tamaltuosaaetite noa diai 2i a 2T a sda rcinte- 
^ra^io no niinisterío ] porém o gDTérno da régeote d^ 
troe pcla fbrf a os tmnultos , tetidó para esae ñm feilA 
entrega do cotnmando da ftfr^a armada da eapital a« 
conde de Villa Ftor. 

A tMteii dc ^n • MHboii D< íedro hiTÍ» A(»ii«ado 
14 • 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



210 

ao senfaor D. Higoel para lOD logar-tenente regeiite de 
Porlagal cfaega a Vienna d'Aaslria a 27 de agosto , e 
a Lisboa em ReCembro , encbendo de alegria oí habi- 
tantes da capital e do reino. ( 34 } Soa alteia real es- 
creve em 19 de outnbro a laa aagitsta irmáa regente, 
diiendD-lhe , qne tendo acceitado o gOTerno de Portu- 
gal , ficava preparando-se para recolber ao reino . eqne 
Ihe mandasse para Faimoutfa uma fragata e um brigne. 
Ainda primeiro do qoe a carta de sna alleza real á re- 
genle, o mioistro partDgaei na Aastria tinfaa eipedido 
para Lisboa a nolfeia de que o senbor D. Uigael ac- 
'ceitára o govemo. Esta noifcis cfaegou em 24 de outu- 
Itro , e a S5 já a fragata Perola e o brigue Tejo davam 
á vela de Lisboa para Postsmoutfa. chegando a Fal- 
moatfa em 6 de DOvembro. £m IS d'esle mei escreve 
siia alteza real á regente , diiendo-lfae , que podería 
acoatecer que a sna cfaegada ao reino tivesse logar an^ 
tes da abertara das cortes ordiaarias , e que por isso 
serla bom eonvocal-as ettraordinariamente para a seisio 
real do jaramento , e eatrega do governo do reÍDo. 

O banco de Lisboa sospende o pagamenlo das snas 
notas em 6 de deiembro , e pede ao governo qae Ihe dé 
carso for^ado por seis mezes. governo nega-se [ÍO 
de deiembro ] a sinMlfaante pedido ', e que liquide , se 
estí em eslado de qaebra. banco convoca a sna as- 
^semblea geral , e ama commissio examina o estado do 
baneo , e vé que nao bavin moiÍTo para similhante sDs- 
peasáo de pagamento. A attitude séria do goverao fei 
enlrar a direc^áo do banco na ordem , e até auiilion 
bastante o mesmo banco para restat>clecer o credito 
que por dias havia perdido. 

( S4 ) fiucta'de LÍiÍMa d« 1." d« oalDbni de Un. 

ü,o,i,-f-n,Co0^ílc 



ari 

O goTMDO maDda qoe o untdo de Lisboa publiqHe 
^r nm batuJo , que lúja feslejos pnblicos por tres dias 
i cbegada do senbor D. Miguel , e o senado manda sair 
em IS de deiembro om dos mais brilbaiites bandos 
dos que se tinham listo. 

O Mobor D. Miguel deiiava a Allemsnha , onde vt- 
veu pof espaca de tres annos ^nbando a estima de 
muítos monarehas e príncipes , eom qnem conviven , e 
de quem receben as maiores fineias. Os elogios que 
todos os jornaes prodigalisaram ao principe portagaei 
sio infinitos ; porém lobre todas as amiiades que sua 
alteu real ili grangeou , a amizade mais fntima e mais 
sincera foi a que teve com o duque de ReÍGfastadt , on 
Napoleáo ii , filho dé Napoleio-i, imperador dos fran- 
ceies , e neto de Francisco u , imperador d'Aastria. Os 
dois ( 35 ) principes mais pareciam dois irmaos ami- 
gos , do qne simplesmente dois amigos. 

Sua alteza real partiu de Vienna a 6 de deiembro , 
ehegou a Hanich a 9 , a Cbarlsrucb a 13 , a Slrasbur- 
go a IS, e a Parfs a 20. A embaixada portugueia foi 
esperar o principe a dez legoas de distaiKÍa de Parfs. 
O rei de Fran;a , toda a familia real e a corte o reee- 
beram com todas as distinc;oes devidas i sna alta ge- 
rarcbia. ( 36 ] A 27 partia sua alle» real para Lon- 
dres , oode cbegoa a 30 de deiembro. A sua chegada 
produiin grande sensacao em loda a Inglaterra. Os ob- 
■eqnios que o prineipe reeebea do rei e da eorle , e ge- 
ralmeale da Da^io iugleta , eicederam a toda a eipe- 

(35} Bra bcm iliigaUr n'eata Mcukao ■ poi^Io doidoU 

GiDCÍpei. Haii tarde, eia 1033, quanilD o leDbor D. 
icuel rerelwD em Santarein ■ notiria d^ morte do Mu 
ínlínM «Diigo, foram bMt^ntea ■■ lagrima» que dCTramou. 
(34) Gueu de Lbboa de 8 de juLclra dc.l&lB. 



I. Coo^ílc 



su 

ctatÍTi. Todo» u ((neiiam ei¿ed«r «bl «tneqniar o pri- 
nteiro principe brigantino ( 37 ) que pisqva o territorio 
brita«nico. 

( i^8 ) Em quanto o principe.DOs paxtea estrangairos 
recebia láo altas provas de sympailiia , a na;áo porlD' 
gneia preparava-se para recelier o len regente como a 
dignidade e o brio nacional reciaraavam. 

Na eamara dos depuLados , em sessao de 21 de jn- 
neiro , o deputado Gravilo disse em summa : n Estan- 
do nó» tüdos os dias esperando por sua iltéia real , a 
regenle do reino , a camara deve ter nomeada uma de- 
puta;So para ir a bordo feticilar o mesmo augosto se- 
nhor pelo seu regresío ao reino. » Porém na scgnintc 
seisáo , sob proposta do deputado Wan-Zeller , suppri- 
míu-se a pilavra a boráo , e decidiu'Se que a deputafSo- 
fotte »i a Urra. 

principe embarcott em Poslmnth a 9 de feverciro , 
e chegou a Lisboa a 22, A 26 do dito mei tmnoD sna 
alteia real posae do govemo do reino em sessao reaL 
estraordinala , preslaado o jnramentoprescriftoiu cir- 
U coDStituciona^ 



Mo mesmo dia 26 de fevereiro naraeou m» 'alten 
real o seu minislerio pela maneira segainte : — . Dun 
que de Cadaval, miniilro auistente ao deipscbo io 
gabinete de sua alleia real. Heino , José Antonio de 
Óliveira I.eite de Barros , e ioterÍMiiienl» csm a past« 

(ar) V<>lMM*ai ganlH inslnH' <)'•»•. tcM^, «<« U 
*e achua «Mai «•■Mk' 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



213 

dá' mMÍBba e nttrániar. Jasti^ , Lui» té Paali íarta-' 
do.de Castro do Rio óe Hendoii;a. FaEeDda , conde dé 
Leuii ( D. Diogo ). Guerra , conde de Villa Beal , fican" 
do ÍDterinameote com a p^ta dos estrangeim. Bm 3 
de mareo ho'ave recomposi^áo miaisterial , entrando o 
ooode do Rio Pardo para a gaerra , e o conde de VilM 
Real flcoH eom os estrangeiros. Foram ignalmente aa-; 
mesdos para o conMlhod'Estado o marqnei de Borbti, 
o Mspo de Vizeu D. Francisco Ateiandre Lobo , t o 
principal Freire. 

EalavHm os «nknos aiada muito agiUd<H pelos eBei- 
tos da guerra cifjl, qae podémos dizer estava m«i» 
ababda pela inOuencia e preseo^a das trt^as jngleias , - 
do que estÍQCU. B ainda qne a miís compromettídtf 
psrte do exercrio , qne em 1S26 e 1837 acílanlou nñ> 
ao senllor D. llignel , esUva intemado ecn Hespanha', 
f^i basUote a preaen^ do principe paVa haep com qM 
a na;ao sv «gitasse a tat ponto , qne aerfa até impoA^ 
Tol ao goTeMo SDffocar o entbnsiaBmo manifesUds , «ent 
lantar a DKama na^o enl novos horrorer da gm/rtit 
cifíl. 

minigterió fei ÍDcrepado ua tessio de 6 de aar^ff, 
ns eamára Acé pares , pelog eondes da l^tpa' e Liata»' 
res , per nSo so eppor á torrcnte manifcstada , tofnandtf 
o conde de Villa Real a defesa dos seas collegas , que 
n'^ssa occoslÍD nio'éstanm da CifflKira. N'este ÍQGÍddn' 
te , occorrido Qa cainara dos pafes , sSo noUViyis a'S pa' 
Uvras prorecidas pelo CMi^ da Taipa. « Par» conhe- 
oermos quaot» ifito def ft detagradiE aO'Senhor tn^le 
0: Higo^, KnB9ptRe<tai.tM-aahÍ9toríKdB'saaTlda"r 
qpaDdiremfmS', na e$t»ba'dh je^rx^ db Ittaft, 
algmis ifliiusfra» Die dísSeraOI ,- que o' qperlain reco- 
nhecer priñcipc real de PorHigal , é to» coDstanle qiie 



o,i,-f-n,Googlc 



«»* 

•ua alleia se qaiiera valer de sna» armas pira det|ri- 
car esla aíTronta , que Unto feria os seus sentimeDtus 
de amizade cumo irmao, e de amor á legitimidade 
Como vassallo. » ( 38 ] 

O regente .dissoive as corles ( 13 de maf^o ) , e no- 
meia uma c'ommissáo para propor uma lei de eieicües , 
conrnrnie a tnesma csrta , mas em harmonía com os 
usoa e.costi)mes da na^áo. O governo íicou n'uma di' 
ctadura de facto. Tüüos os ministros ncaram no minis- 
terio , excecto o conde de Villa Real , que deiiou a 
pasta dos estrangeif os , entranilo o visconde de Sao- 

Todns as corporacóes do reino mandaram depiita^ñes 
a folicitar sua alleza real pelo scu felií regresso ao 
reino. Com -(toas d'estas depulacoes, a da iinivcrsida- 
de , e do cabido da sé de Cuimbra , aconteceu uri faclo 
borrivel nos annáes da hrstoria das nacoes civilisadas. 
Alguns dos membros das ditas deputacoes se reupiraoi , 
como geralmente c costumc , para fazer viagem com 
menos aborrecimento.. Uma legoa adiaoLe de Cundeixa 
foram assaltados [18 de marifo ) por treze esludantes 
da uDÍverSidade os indefesos e desapercebidos ientes e 
conegns. Os tigres conduxen seus respeitaveis mesjLr«s 
para fóra da eslrada , levando o honrado e anciáo lente 

. (3S) Gite fact» honra lobremaDelra o lenIiaT D. Mignel, 
porque em 182«, ■ peur d» derardeni du Braiil , detor- 
den» em qne foi envolviilo o lenhor D. Peiiro peloi teimo- 
lo> de cá e de lá, o (enhor O. Mieuel nflo q'uit aproVeitar- 
fe da alierti ila indepeadenria dé faeto, para reverter «m 
lea TaTor acaroa portogueia; poii aluda cra poiii'el haver 
uma reciincilÍH^io cDtre o prinripe e « uagio, reconrili'- 
qao tio ardentemente deiejada por todoi oi Iiodí portngue- 
lei, e in> atteia, «01 portaguci, nSo cedia o pano ■ nin' 



215 

Uattbeufi pcla niSo , porque o scu estado de aocÍaDÍdade 
e susto oao Ihe permitlU camÍDhar. Atnafram oa cria- 
dos, poxeraiD as suas vicliiDas «m linha , e procede- 
ram ao arrombamento dos bahús , examitiando e ras- 
gaDdoinuitus papeis, Dcpois d'isto comecam o massa- 
cre. O IcDte de medicina Figueiredo roi o primeiro 
que caiu com uni tiro na caheca , scguiiidu-se logo tres 
liros DO lente dc caDones Mattheus , a quem um dos 
mahados aciibou de matar cspétando-lhc um punbal na 
cafae;a. e depois Ihc lirou os olhos. lcnle Neves , 
de pbilosophia. cscapou a rogos de.seu filho, que se 
olTerecia morrcr , mas Que por miserícordia conier- 
vaisem a tida a seu pai. Sobre o, conego Falcao descar- 
regaram sete tiros , e quarenta puuhaladas; o deáu le- 
TOU'CÍDCO tíros , e grande número de golpcs; um so- 
brinho do conego.levou sele liros; outro kvou um liro. 
Horroroso espectaculo '. Os diseipulos assassinarem seus 
lentea e companheiros , todos pessoaa de tanlo rcapei'- 
to, e que náo tÍDham outro crime mais , do qiie irem 
Gumprir o mandato por parle de suas respeitaveis cor- 
pora^des, de rendcr homcnagem ao throno. 

No meío da catastrophe apparece uma mulher dO 
logar da Présa , gríla , e póe todos os povos em alar- 
me , que correm sobre os assassinos ; esles , espavori-- 
doa , fogem em direccües oppostas. Tambem n'este lem- 
po passava o general da fieira Alta, Agoslinho Luii 
da Fonseca , que fei ir a sua escolta de cavallaria em 
auidio do povo , e persegui,(ao dos hottenlotes. Por ou- 
tra casualidade passava uma escolta dc ca^adnres , e 
Bo meío d'ella já vinba disrar^ado um dos criminosos , 
que, sendo descoberto , foi lugo préso , assim como 
nuis q'uatro logo nas imroedia^oes de Condeixa , sendo 
doU tirados de denlro d'um cano , onde por aijaso fo' 



o,i,-f-n,Copylc 



21« 

ram riítos por am 'rapai qne aGOrapMhtvB <»■ eaeado- 
res. poTO , seguÍDdo os outros , fui prender maisqiia- 
tro ao Raba^al. Os qiililro restantes escaparara , le os 
Dove presos forain rcunidos em Condeiia, e d'ali ceo- 
duzidos em seguranca para as cadeias da nDÍversidade. 
Os (Dfelizes que do massacre ainda escaparam com vida 
Ibrara tambem coBdaiidos a Condeiia, onde se Ihes 
preslaram os primciros soccorros, e Blguni ainda so- 
brerÍTeram. 

A maior parte das tropas inglcias embarcan para 
Inglaterra (29 e 30 de mar^D). 

scDado de Lisboa representa ao senhor D. Higae] , 
qne se .declare rei ( 25 de abril ). alto clero e quasi 
toda a nobrcia reunem-se em casa do duqus de Lafoes 
no mcsmo dia 25 de abril , e assignam uroa represenla- 
{io a soa alteta rea! em igual sentida da do senado. 
(39) Sua alleia real oáo se declara rei , porém assu- 
me o poder supremn , e comefa a goremar como re- 
gente do reino , e depositario do poder snprem» , at¿ 
qoe as corles geraes dos Tres E^tados do ReÍDO o rc- 
conheceram rei. (40) Dosde o dia 25 de ^iil qne os 
abtos publicos deiiaram de ser emaaados em nome d'el- 
rei o senhor D. Pedro 4t. N'este roesmo dia embareoii 
o resto das tropas ingleias quc ainda guarneciam as for- 
latezas da barra de Lisbaa , sendo loga guarneciAas 
por nroa forca do 4.' de ÍDfantería. 

BKscfcu fio Skirob InrANTK D. MiaiJEf.. 

No mesmo dia 25 de abril, era que o seoado d« 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



817 

Lüboa, atto clero e alta nobreia repreMDtaraia a» 
scobor D. Miguel , que sc declarasse rei , o senado da 

' camara de Coiaibra, a universidade , o bjspo com o 
cablda , scguido da maximn purte da cidade, acdama'. 
vam solemaemenle sua alteza real como rei de PortU' 
gül , Algarves , e seus Dominius'. lavrando-se o com- 
petente auLo com as furmalidades da estilo. 

Os destacamentDs do 11.° de cagadores , e do 8.° de 
cavallaria, qne ali eslavam dc guarniciio, annuiram » 
flzerara o scrvigo , palruihando pela cidade, náo ha- 
vendo desordens a lamcntar. Aveirotambem se proDUit- 
ciou no mesmo sentido. Em 30 d'abril é igualinenle 
acclamado no Algarve , tomaodo parte na acclama^io 
á blspo, e general da provtncia , Palmeirtm. 

Em 3 de maio o regente convoca os Estados do Rei- 
no para a cidnde de Lisboa, -a fim de decidirem os 
pontos de direito sobre a successio do reino. N'estc 
mesmo dia , no Rio de Janeiro , abdicava formalmeBle 

, o imperador do Brazil a coroa de Portugal em sua au-. 
gusta Htba a senhora D. Maria da Gloria, 

A senhora infanta D.. Isabel Maria stigmatisa por sea 
manifesto de 20 de abril o abuso que pessoas mal iit< 
taicionadas faziam do seu nome giara snbverler 'a or- 
dent pAblica &c. (41 ) Eitinceáo dos regimentos do- 
«Hamercio , aliradores , e aniltüeiros oacionaes de Lis'> 
boa (lide maio). 

O eonde do Rio Pardo tinha passado ao exercíto um' 
gr*nd& n¿mero de ofüciaes, que eram oulros lanlos 
íoimigos do governo. Uma revolu^ao miJitur apparcoe' 
DO Porto ( 16 dc naío ) , onde se fórma uma jmita pre- 
vÍMOrÍa m nom d-'ei-rei o tmhor D. Ptdro tv ,- e reo- 

(41) Waf. GMat»- d« t4ibMlf.« tlt. 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



218 

Bíitdo-se mais algiim corpos i gnarnifao do Porto., 
marcham sobre a capital para livrar o regente da coac- 
(áo ( assiin o diziam ] «m que eslava ."e resUbelecer a 
aucloridadc do scnhor D. Pedro iv. 

O governo do regenle reonc tropas para operar can- 
tra 3s for^as da junta do Porto ; chama ás armas (odas 
as pracas com baiia desde lS-20 , e manda crear cor- 
pos de volutitarios rcalístas.O governo do Porto Uin- 
bem nio sc descuidava de augmcntar as suas forcas. 

Em 25 de maio nia batalhao do 2." áe infaitLería, 
eslaciunado em i'avira , pronuncia-se a favor do moví- 
racnlo do Porto. Em 26 a pra^ d'Almeida com a sua 
guardjgáo do 15.° de linba sejue o mesmo movimento. 

gencral Palmeirim coDSegue fazer com que o 2." 
batalháo do 2.° de liniia abandone oa ofliciaes , e se Iho 
reuna noTamcQle í 27 de maio ) , restabelecendo qo AI- 
garve o ^overno do regente, ou do rei segundo diiia 
.o mesmo general. Estas operafoes* porém,, eustaraDi 
algumas viclímas, principalmeníe em Faro. 

As for^as priScipaes do PorLo occopavam Coimbra . 
Condelia, Soure , e Pombal. As do rcgente marcha- 
vam por Leiria e.Thomara procurar os scus adTerurÍos. 

Nas provincias do norte nenbumas vaBtagens obti- 
nham as for^as do Porto. Os generaes do regente n'a- 
quellas provinciás eram Gabriel Franeo de Castro , ge- 
neral das armas du Purto ; D. Alvaro da Costa Uace- 
do , general do Minhu; vjscondc do Pcso da Regoa , 
general dc Trás-os-Montes ; Agostinho Luii da Fonse- 
ca , general da Deira Alta; visconde de S. Joáo da 
Pesqueira . general da Beira Baiia. viseonde de Saola 
Martha commandava a divisáo ligcira de Trás-os-Moo- 
lea e Minbo. Do exercito de opera^ües commandava 
Povoas a ranguarda ; a 1.* dÍTÍsáo o visconde.de &au- 



I. Coo^ílc 



219 

Kel;'i 3.' i> ciDndfr d'Albandra ; ¡r 3.* o'fisroiide'dé 
S. Joao da Pesqaeira ; e a 4.* o visconde do Péso da 
Kegoa. 

Nas protincias do sul tudo obedecia ao regenle. As- 
Eim eslaTa a jonla do Porto, apcnas scnhora do lítoral 
desde o Porto até á Figueira , com mnilo poucas le- 
goas para o imeriar. 

A 6 de JDnho foi a cidade de Viseu occupada pelas 
for^as do general Agostinho Luiz da Fonseca , e Al- 
nieída achara-se sitiada. A 10 os f^cnerá^s Gabriel , 
D. AKaro, viscnndes do Péso da Regoa , e de Santa 
Marlha, tinham o seu quartel general em fialthar, a 
qnatro legoas do Porto. A maíor parte das Forgas d'estes 
generaes éram compostas de miUcias e Toluntarios reá- 
listas, á pressa organísados. As for^as de linha eram 
o 6." de cavallaria , e alguns soldadus do 9.°; de in- 
fb&teria o 12.", un) batalban do 9.°, e parte do 21.*; 
deca;adorespartedo6.°c 11.°, e l.'e^." pronsorios. 

pecreto do regente'mandando abrir as córles gerbes 
dos Tr«s Estados, era 23 de Jnnho [ 19 de junbo). 

Os estudanles assassínos de sens lenlcs foram con- 
demnadis i mortc , e eiecntados [ 20 de junho) na for- 
ca RO Cáes do Tojo , em IJsboa , os nove quc já esta- 
Tam presos. LamentAmos este quadro, qae e'nchen' de 
desgoso tanlas familjas rcspeitaveis ; mas clle fdj uoi 
dos acfos de vcrdadeíra justiga , uma satisfa^áo á mo- 
ralidade pública, uma desaiTronta á briosa e ciilta na- 
gao portugiieza , e í distincta corporacün acadeniica da 
universidade. Infelitcs mancebos , que foram arrastados 
ao crime por inlluencias occuitas a qoc se haviara li- 
gado. 

A ilba Terceira , que em 27 de maio acclamára rei 
ao Mnb«r D. Higuel , i agora snbjngada pelo batalhao 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



220 

S.° do eapdoíci , que lendo annaido á BccIáina{3o do 
Biesmo senhor, Acclnma agora novamente ao'scnhor D> 
Pedro iT (22 de junhu). 

A pesnr da agitafáo ein qne o reino se achava , os 
procnradorcs das cidades e Tillas do reino chegaram a 
Lisboo ao chamamcnto qiic Ihes ñiera o regente pela 
carta contocaloria de 3 de mjio, A 23 de junho, dta 
destinado por decreto dc sua alteza o regente pam a 
-aberlura das cortes geracs dos Tres Estados do BeÍDO , 
leTe logar , pelas cinco horas da lardc , no palacio da 
Ajuda , a solcmnidade da scssáo real da abeTtura , se- 
gondo os antigos costnmes do reino. 

EslaTflm os Estados reunidos na magnffica ssta des- 
tinada parn o acto, quando o aiigusto principc entron 
na mcsma sala Tcslido ao antigo.modo portoguez ( todos 
Atsim cst^vam Tcslidos, cxccplo os ecelesi'aslicos , e 
magistrados ) , e preccdído dos porteíros da maga , reis 
d'armas . arautos , passafantes , c comitiva real , tocan- 
do o) ministreis snai charamcUas. Sua altcza real se 
dirigin ao throno , e fcchando-se a porta para todus os 
<¡ue ali nao tinbam Toto , collocaram-se os procnrado- 
res das lerras nos seus compctentes hancos , e nos seus 
respectivos togares os bracos do clcro, e da nobrcaa. 
O dnque de Cadatal , que fazia as Vexes de condesta- 
Tcl , lcTantou-o csloquc , e entao lea o bispo de Viseo , 
D. I^rancisco-Alcxandre Lobo , o discurso da proposi- 
^o ás cortcs , e acabado ellc , leu a resposl» o descm- 
bai^dor José Acurcio das Nctcs , um dos procurado- 
res pela cidade de Lisboa , a quem isso por antigo uso 
eompetia. 

Concluida a lcitura , desceu do ihrono o príncipe, 
e Tiritou eom a mesma ordem para o seu quarto , d'onde 
paaMO á lala do beija-mio , e o den aoa Tr*s BiMoa , 



,u8lo 



'221 

e 9 oatTái uuitas pesutas qne emicorrenm ao pa^o por 
«sta soleoHie occasiao. 

Nos dias seguidtes c.ome^aram os Tres Estados a func- 
eionar ; o ckro na igreja'de Santo Antonio da Sé , a 
nobreza na igreja de S. Roque , e os procuradores dos 
povos em S. Francisco da cidade. 

As forgas prlncípaes dos eKercitos belligerantes se 
aprosímavam a Cündeipi. As tropas da junta dn Porto 
M baviam reconcentrado desde Condcixa até CoÍDibra , 
p as do regente , e do coniinando do gencra¡ PoToas , 
e TÍsconde de S. Joáo da Pesqueira , aproiimartm-se. 
O general Povoas os Blaca na madrugada do dia 24 de 
junho , comeqando a desalojar os seus advefsarios desde 
Samache alé á Crui dos Marou^os. combale foi por 
veies mui vivo , c só (crminoa pela nmte. Se houvcsse- 
inos de chamar gtoria á adquirida nas guerras cítís , 
áa que estamos bem longc, a d'eslc dia pertenceria ao 
8/ de caQadofes , 8.°, 16,°. e SS.° de inranteria , e 
milicias d'Aveiro ( 1.' e 2.* brigada de infantería da 
dÍTÍsáa da vanguarda do cxercíto do regente ). 

As for^as ds junta dispnnbam-se a defender Cflim- 
bra , e o gcneral Po>oas a atocal-as ; para o que man- 
dou passar á sua csquerda a 3.° e 4.' brigadas de in- 
fanteria , nma brigada de artilharia, e a 2.' brigada 
de cavallaria do commnndo dc Affonso Fiiftado de Mcn- 
don;a ; á sua direita a 3.' divisaa do commando do 
Tisconde de S. Joáo da Pesqueira , cm quanlo clle Po- 
>o»s fieava com a 1 .* e 3.* brigadas de infanteria , o 
principsl da artilbaria , e a 1.* brigada dfi cavallaria 
do commando do coode de S. T.ourcnco. 

Coimbr* era 4ccidHlameDte atacada no dia 2G pelos 
flancot e centro ; porém na noite de 25 para 26 fni a 
Gidadc precipila^amciiteabandojpadat as»imC(uoogr»i- 



s„.-.-n,Gopglc 



de iiAmen) de mani^oes, «rmameDto, artltturís, &c. 
Ao amaahecer do dia 26 entravam em Coimbra as for^ 
(■s d09 generaes Povoas , e viscoiide de 9- Joao da 
Pesqoeira , no mcio das mais eslrepitilsas acclsma^oFS ; 
( 42 ) segiiimlo poDco depois Dma parte d'estas forfat 
para a freote , para apoiar os moTÍmentus da 3/ e i.' 
brigadas , e 2.* de cavaltaria , que scmpre foram mar- 
cbamlo pela esquerda , a Gmrfle cortnr a retirada ás 
tropas da junta. Eslas baviam lavado de Coimbra oj 
presas pnliticos, os qiiaes Toram bastRnte maltratados, 
e alguns assassínados darante a marcha. 

Os genernes Palmetla , Saldanha, Villa-FIor. e on> 
tros cbegados de Infrlaterrn , loniain o commando das 
Iropas da jonta , e a 28 e 29 esperaram Povoas e Pes- 
qneira nas fortes posicoes do Marnel e Vonga. Os fe- 
, neraes do regente alacam novamente os seus advcrsa- 
rios, e alcancam novas vanlagens , faiendo-os abando- 
nar aquellas posicoes , para lomar as de Grijd, onáé 
projéctBvam defpnder-se. 

As cortes geraes dos Tres Eslados do Beino deci- 
dJrani qiie o retno pertencia ao senhor infante D. Hi- 
giiel ; [ 43 ) era visla do qiie sua altcza real se decla- 
rou rci cm 30 de junho. Igualmenle se deii por nstlo 
jaramento prestado ao sefihor D. Pedro iv , e á carta. 

Sbnhor D. HtfiUEL 1 , 29.* Rbi. 

Era impoSBÍvel fszer parar a torrente dos aeontect- 
mentos. Em Lisboa as cortes declararam rei ao senhor 
D. Higuel . cm qnanto o sea exereito vencia os solda- 
dos da junta.em nome do senhor D. Pedro iv. 



0,i,-f-n,GoÜglc 



m 

- t>«5aIojiM}os das posÍQoes de Colmbra e áo yooiga , 
ede toda a Beira e Minho , doininavam spenas ba ci> 
da<le c stiburblaa do Porlo e ua praca d'Almeida , com 
a qual nunca poderam comiHunicaT do Porto.^m con- 
sequencia dn cérco que llie bavia posto o gcneral da 
Alta Beira com miliciaa a voiunlarios realistas das duas 
Bciras. 

As tropaj da junta , ainda em graode ror; a pela quan- 
lidade e qualídade ( pois era quasi tudo 1.' linha), 
depots da retirada do Vouga occuparara as posi^óes de 
Grijii, posí^óiis mui vanlajüsas para a arma de ca^a- 
deres , em que consiítia a sua principal forfa ( 1.* d« 
Íulho). 

Tudo prometUa qae o Porto só serfa abandonado pe- 
bs fbr;as da junla , no easo dc se ter perdido nms ba- 
lalha uas suaa vizinhancas, Povoas e S. loao da Pes- 
queira , de combinaqBo com os geoeraes realistas ña 
Úinho, náo só se preparavam para atacar em GrijiS, 
mas mesmo a cidade do Porto; porém na noite de 3 
para 3 dc julho a junta c seus generaes abDtidonam a ' 
cidade e o seu eiercílo, e emharcando no vapor Bef- 
fast ( onde tinfiam víndo os mais Dotaveis ) , ratiram-se 
para Inglalcrra. 

' A 3 de julho o exerctto da Jimta abandonav» o Por- 
fo, retirando-se pelo Minho para Galliza; c Povoas, 
■ qaem o senado do Porto logo mandou participar qua 
a cidade eslava abandonada , passa o Douro , e occupa 
a cidade no mesmo dia 3 , ainda á vista do Belfagt. 
As tropas realistas guardam a mais cstricla dísciplina , 
tío havendo a lamentar o mais leve desgosto. 

No Porto deixa Povoas uma guarnigáo , e todo o 

esercito marcha soforc o exercito da junla , qtie retirava 

M itwíor deiordein, ji maito acoHado pelas 3.' e 4.* 

14 

Cooylc 



m 

^kvíso^ realislas. Os soldados qae ab|odoiuTaD)'as ñkU 
ras da-juDU ersin immensos. balalhao 6.° de caea-. 
^re$ abaadooa as suas lileiras em Santo Tyrso, e vem 
appreseolar-se ao Porto em 4 de julho , conduzido pelos 
cOiciaes ÍDferiorQS. mestno passo é dado por muitos 
«oldados d'outros corpos, que desertayam aps bandos. 
Duas fragatas brazileiras deram á vela do Ítio de Ja^ 
nairo, conduzÍDdopara Porlagal sua magestade a fiai- 
|lba de Portiiga) ( 5 de julho ). 
. A guarnJ^ao da pra;a d'AImeida, qne em 27 da 
naato seguira o partido da junla , depois de ter protcs- 
^o jBdelidade ao seuhor D. Miguel , o acclania oova- 
mente como rci ; porém o gGoeral Agostinho Luiz da 
Fonseca nao Ihc acceita a acclamagáo , e só uma ren- 
diifSo á discri^áo, para a guaroifao se aproveilar do 
úiduUo.de 18 dc juQho. Goveroava a pra^s o brigadeiro 
lÍirBj c assedio continuou ( 6 de julho ]. 

Sessao real da jurameQto prestado pcio scnhor D, 
Uigael , como rei , peranle as corlcs geraes dos Tres 
JBstados do Keino , com lodas as formaljdadea osidas 
em taes aclos. bispo de Viseu reciton , anles do ju- 
tamento, um bello discurso aDalogo ao acto. Acabado 
o discurso , o rei ajoelhou, e jurou , sqbre o livro dos 
Sacitos EvaDgelfaos , que s^urava o minislro Ab reiao . 
qual fkiia as vezes de cscrivao da puridide. Depoisi 
seguiu-se o juramento de fidelidade dado pelas cortes. 
SuraDte o acto , o condestavet teve o csloque levaota- 
4o , e o alfcres mór a bandci;'a real des^Drolada. O 
acto celebrou-se no palacio da Ajiida ( 7 de julho }. 

As reliquias do exercito da juuta do Porto eDtraram 
sm GoJIUa pela Porlella do Uomem, junUi a Lobios 
( 9 de julho ) , perscguidas muilo de perlo pelas tropas 
re^listas. da 3.' divisáo ,. e tea^o {í^i4i4.o > is^e Jt mi> 



I. Coo^ílc 



fctirsda do Vongi, nuis de clnéo mil hom'eiú eUre - 
mOFtos, prisioneiros , e appresenlados. 

O vtsconde de S. Joao da Pesqueira expediu ( 10 da 
jttlho ) um de seus ajadantes d'ordens ; com officies pira 
as aucCoridades do reino viiinho , a flm de se procedei 
00 desarmameníó e recolbimento de todas os objectos 
do Bstado , pira o quc auctorisou a ter qiraesiiner con* 
ferencias , ou fazer reclama^oes das anclorídades faes'- 
panholas , ao mBjor AITonso Bolétho de SBmpaio , cnnt* 
lúandante de um batalháo de ca^adores da 3.* dívisao 
rcalista , com o qual e oatras tropas occapava Carra* 
Ihosa. 

03 eommissionados do exereitorealista recebem das 
auctoridades hespaoholas os obj«clos pertencentes aa 
■ Cílado ; porém quasi tudo em pessimo estado. Uuitos 
soldados e ofRciaes recolhem aoreino para gozarem do 
indulto. Os mais compromettidos etnbarcsra para a Tei^ 
eeira , Madeíra , InglBterra , Frao^a , dt. 
' E nomeada oma algada para na ctdade do Porto jul-' 
gar 6s individuos compromettidos lios acontecimento^ 
Se ii de maio (14 de julho). 

Encerramento das cortes geraes dos TresSflados-dv 
iteino (IS de julho;. 

A pra^a d'Almeida com a' sna gaami^o entreg;eh^« 
á discriíáo (16 de juHio). 

Morte do grande botinico portugnei Felit de AreW 
lar Brolero [ S de agosto ). 

O bispo'de Viseo c nomeado reEormador gerel do» 
esludos do reino [7 de-agosto). 

O coronel Lemos loara a ilha da Hadeíra ao coronel 

Valdez ( 22 de agosto ) , fazeodo entrar esta parte da 

monafchia na obediencfa do senhor D. Uiguel. VaJdÉz 

r«iro«-sé p4ia bordo i'ma navio inglei. . - 

15 • 



m 

■ ÁA baUlfaift 8.* d« ca;adoref, « ao nglineato d* 
niliciai d'ATeiro , lio concfdidas biDdeiras de dittinc- 
|lo [2Jdfl «gosto). 

Os emigrados do roarqaez de Chavei recolbem ao 
reino , onde agora iSo }ouvados peto goTerno. 

As fragalas que coDduziaro laa roageatade ■ rainba 
foram entrar no porto de Gibraltar ( 2 de setembro }. 
Este ac(»itecimeRto de grande importascia , o> erros 
praticados por todos n'esta oceasiao davam logar a lon- 
ga analyse, para o qoenao estamos ilispostoi a eotrar. 
Das coDseqtKDCias Glhas de táo grandes erros , nero o 
aenhor D. Higuel é calpado , e mcnos a senhora D. Ha- 
rÍB dá Gloria , porém sim as pessoas d'ambos oa |mf- 
lidos , qufl obstaram a nroa firme uniáo, que a PrOvÍ- 
dencia parecia condaiir a Portugal na pessoa de'uma 
princeza de dotb annos , qufl em todo o caso era rai- 
Bha de Portugal , esposa do senhor D, Miguel , r«i , oo 
infante , e que nl^vinba actHnpanbadq de amesercita 
para degthronar seu augusto tio. As rrigatas Gierani-Be 
4e Tela par^ Inglaterra , osde sna magestade foi TÍTer 
cproq particular até receber ordens do imperador seu 
anguito paí. 

O senhorD. Pedro, qnando lcve notfcia das aflon- 
(eciroenloi dc Fortagal , náo moitrou sDrpVeta , nem 
receÍo.Sua roagestade imperial contaTa^e sua auges- 
la' filha teria sido recebida como Ihe era devido. A 27 
de selembro o encarregado dos negocios de Porlugal 
Ho Rio de laneiro OfliciaTa 'para o visconde de Santa- 
rem , ministro dos Degocios estraogetros do senhor D. 
Uiguel , dizendo gue o marquea d'Aracatf Ihe deela- 
rjra da parle dc sua roageslade o 'imperadordo Bro- 
a1 , que apesar das madangas occorridas altimunante 
em Portugal , .ts r^acoet coniiBeFCÍsei de nBtiw io- 



'";*• 



m 

ttttub e eonveDÍeiKla para ambas ai paliei eonüiiáa' 
vam gem intcrnip^áo algama , c qne o mesmo encarre^ 
gado serfa admiltido para tratar D'aquella oorte de ta- 
do <|nanto fosse caneerDente ás referidas rela^óes , qm 
snbsistiriam na conformidade do traclado de 29 de agot- 
to-de 1835. ( 44 ) Esle docQmento prora qne o Br«iil 
e Portugal ficaram em rela^des de amíiade. 

Os emigTados comegaTam a formtgar para a ilbaTer» 
ceira , ende 'furain ostabelccer unia regencia em nom* 
da señbora D. Uaria n. O gOTeruu do reioo- preparavK 
iima expedi^ao para snjeitar a ilha , on , melbor , os in- 
-difiduoB ati reonidos , porqne os habitantes da ilba eram 
^almente decidiilos partidarios do senhor D. Miguel , 
e se armaram a-panto de que por muilo tempo'os emí- 
grados apenas dispuDham do lerrcno que pisavam. O 
goverDo da Terceira obrava para com seus habitantes 
, arbitrariedi<Ies inaudltas, dispoodo da lua vida-e f»< 
xenda. Esle despotismo em nome da liberdade .indigna- 
va Btá a muitos qne para ali se haTÍam acalbido fugin- 
do á impolitica pcrsegui^ao quc no reino se Ihes faiia. 
(1839) O brigadeiro Moreira lenta subleiar a bri- 
gada real da marinha na noite de 9 de janeiro , dentnt 
'da len proprio qnartel , onde é pr¿so eom outros indi- 
ndnos qae o seguiam no mesma sentido. k 12 do .dito 
sméDomeada aaia commissáo militar para julgar Mo- 
reira e seus companheiros. A 26 3e fevereiro faraoi 
julgados onxe d'estes infelizes, seodo Moreira e mais 
qnatro condemnadoi a soffrcr o supplícío da forca . o 
^ne tere logar no Cáea do Sodré, em 7 de mar^, 
»eDdo>lbes depojs decepadas as cabe^as , e aos seis mí- 
tiiites Ibes foi applicada a pena de TJrios degredoa 
para Afríca. 

(M) Mxa. GtMi«'4« i.i!bH B.* na- 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



. Ootroft TÍnte e tres iiidivídnas de mats on i&aM)s im- 
portsncia foram condemnados pela alcadi do Pórto , 
por accordáo de 9 de abril , dei a soffrer o supplicio 
da forca na praga nova do Porlo , o que se esecnlou 
em 7 de maio, sendo-lhes depois decepadas as cabe- 
^as , e eipostas no Porto , Felra , Aveiro , e Coimbra ; 
e aos ireie restaDtes foi applicada a pena de vsrios de- 
gredos para Affíca e lodia , leodo quatro de mais bai- 
xa cofldicáo de soñVer a pena de seoites , cm que tam- 
l)em faram coodemDados , e que se'eaecutou em 16 de 
jonho- Estes infelises foram dos euvalTÍdos nos acomle- 
Gimeotos do Porto no anno aatecedeote de 1828. . 
, O conde de Vilia Flor , um dos cbefes principaes 
dos emigrados , tinba ido para a Terceira tomar a p»- 
aidencia da regencia , e commando da for^a armada . o 
que deu for^a moral á ^uarnitjáo. O conde náo póde fa- 
ur cessir o teTror , quc seus soldados haviam imposto 
na ilha ; porém é certo , que o fez dimínuir. 

A eipedicao destinad^a tomar a ilha Terceíra safa 
de Lisba em i6 de junho, e era.composta do 1." e 11.° 
de casadOres, do 7." e 16." de lioha , um corpo de 
artilharia , e outro de artÍGces engenheiros, A esqua- 
dra devia ir i ilha de S. Uiguel para ali ser rerorca- 
da a etpedi;aa com os segandos batalhoes dos regimeo- 
tos N.°' 1 . 13 , e 20 de linha , e nm corpo de arlilh»< 
ria. O commandanfe da esquadra éra o chefe d'«sqiia- 
dra Rosa, e da tropa o coro'nel Lemos. 

AnnuDCÍou-se que o asylo dos naufragos na foi do 
Douro, já pravlde do b'arco salva-vidas, e tudo o maia 
necessario para salisfazer aos bumanos Gi» da sna iosti- 
tuÍ;áo , esUva prompto a loccorrer os infeliies que 
precisassem de seus soccorros. 

^o prímeiro de jultio profcriu a Alfada áo Porto 

ü,o,i,-f-n,Co0^ílc 



mais riina'seDteiH;» de niorte, e oatra de (tegredo 'per- 
petuo. A de morte foi commutada por carta regia á6 
16de jalho (46). 

A esqoadra realista appresenta-se á vista da Terceira. 
No dia 11 de agósto t«D[a faxer um desembarqne oa 
TÍIIa da Praia , porém ou par falta de meios de desem- 
barqae, on por má.direccao, a primeira for^a que 
desembarcoB foi rcpellida ñcando perto de qninheDtOS 
homens mortos, ou prisioneiros, cntrando no número 
dos primeiros ddís dístinclos officiaes^ tenente coro- 
nel Azeredfl , e o major D. Gil Annes Hesquilella. 

As forcis da'regencia tioham convergido todas á Til- 
Ib da Praia , e uma segunda tentatÍTa u'aquella occa- 
mo, teria o tnesmo rcsnjtado da primeira. Os ofRctaea 
da egquadra e da divisao 'eipcdicionaria fizeram con- 
selho, e deliberaram desistir da empresa , em quaQto 
tíSo reunissem reforcos, porém a guariiiíao [da(_Hha 
ntinca mais foi atacada. 

Horte da princeza do Brazil D. Haría Francisca Be- 
ncdív:ta , TÍuva do principe D- losé ( 18 de agosto ). 

A rainha embarca em Porlsmoulh para o Brazil , na 
companbfa da impcratriz do BraKÍl a senbora|D.^Ame- 
Ha (30 de itgosto). 

A 2 de outubro, receben o presidente do«[E9tBdos 
llRÍdos as credenciaes ao ministro dc 9ua magestade|fi- 
delissima. No dia 11 tambcm o condc da Figueira foi 
rccebido no palacio do Escurial pclo rei de Respanha , 
entregando n'essa occisvio as crcdenciaes que o acredi- 
taTara como enviado cxtraordinario e. ministrí» plenipo- 

- (45) O roDdemiiado i morte era Ignacio Mooíi, ta- 
pilao de mUícia* de Guiaiaraes. Parece que |ir)tv»u ler de>- 
rendeDte de EgM Hodíi, o inie Ihe vnl4r« pora ■commu- 
tB<¡io da pen»^ 



Í3« 

ttnclario de tpa mag«>lade Sdelisslma « Jants-^ ma 
inagesUiIe catbolica , e a 14 do referido met de oWu- 
,bro, lamhem era receljidn nn palacio f)e Quelui o mi- 
Distro hespaDliol Bcreditado jiinlo de sua magestade fi- 
delíssjma. A 9 de deEemb:'o tamhem roi rccebiih> oa 
corte, o envíado eitraordinario e ministro pienipoteti- 
Giario da Repnblica dos Bstados Unidos da Amerie« , 
ealreganda as credenciaes que o acreditavam junte de 
iua inaxRst,ide ñdeiissimi. ^ 

( 1830) Morle de sua magestade a rainba D. Carlota 
Joaquina (7 de janeíro). 

O marqiiez de Cbaves falleee em Liaboa (7 de mar- 
5o).Tsrahem o viacond« de Vartea morre repentina- 
menle , cslando no Porto general das armas (34 da 
mar^o ). O viacondc de Varzea foi um dos geDeraesemi- 
gradns em 1S27 com o marquez de Chaves. 

imperador do Brazil rccómmenda os emÍKrados 
portuguezes á phiIaatropi« das cimaras braiileiras. A 
regencia da Terceira estava eibausta de meios , ch^r"^ 
do a crear bilhetes de 100 , a SOO réis com ,c«rsa 

Éra voz constanle que a Inglatcrra , a quem o egta- 
do das cousas em Portugal incommodava por causa d» 
seu commerüio, instava eom o senhor D. Pedro para 
reconhecer scu irmio como rei de Portagal, oa llie 
fliesse a guerra , porém as duas camaras expressaram- 
ie do modo mais formil cootra a uUima perten^o. 

senhor D. Migucl já havia mandado ao Bto de Ja- 
neiro uma fragala de guerra portugueia , condititndo a 
heran;a paterna , que pertencia a seu aagasto innáo o 
■enhor D. Pedro. A beranfa foi reCebida c a fragata 
Toltou a Portugal. Este facio [H'ova boa íé, qoe os 
dois priDcipes se cnteDdíam , t qae en breve , ai>e*ar 

Couslo . 



»31 

Í^mí» Tonladcs de nMiitos , a faDñlía real brÍgaBlÍM 
Mtaria piiblicaaieitte reconciliada. 

Osgovernos das grandes potetictas da Europa que an- 
davam metUdos n'esla reconcilia^So , exigiam para esie. 
üm as conferencias na Europa , porcm o seohor D. Pedro. 
queria-as no Rio de Janeiro. cedendo Qtiatffienle para|. 
que fosseoi em Londres. senhor D. Pcdro inaDda.pari' . 
ua'enbaixador ao marquez de Santo Amaro., á &iro^ 
pa , para por media^io das mesmas grandes potenñafi'. - 
torminar as desaven^as públicas enlre os doU-^WOS-- 
O marquei chegou a Brest , em lo de junho , a bordo. 
da. fragata braziletra Principe Imperiai , porém as con- 
{«rtnctas nio cgrae^aram por causa da morte do rei de 
laglalem Jorge iv acontecida a 26 do rererido mez de 
junbo-de 1830. Por outro lado, muitos dos emigrados. 
UaUvam de ímpedir a reboncilia^ao da familia rcal. 
, Foi preso na frunteira hespanhola um dos estudarites 
«omplice no horroroso alteniado de IS de mar^o de 
1838. Conduiido a Lisboa Fbi enecutado na.forca , no 
Caes do Tojo ( 9 de julho) , scndo-!he depois deccp.a- 
da a cabe;a e as máos , que Gcaram cipostas no pa- 
tibnlo. 

Um acontecínicnto cxtraordiaarto vciu miidar a face 
a todos os negocios polilicos da Europa. Este graode 
aeoiUecimenlo (ai a revolucio de jnlho em Frani;a. A- 
27.de julho raanifeslou-sc na cidade dc Paris uma gran- 
de reac^áo contra alguns deerelos promulgados pclo go- 
verno. Eslc, qiicrendo pela for^a , faierccssar os lo- 
niilltos , fex exasperar mais os amolinados, a qiiem se 
reuniu a guarda nacional , e cm breve Paris era nm 
campo de balalha horrivel. A 28 já a revuliiíáo linhi 
wn governo provisorio eslabelccidn no Holel de Ville , 
« adoptaáo a baudeira Iricolor. Ka madrugaija d< 29 



I. Coo^ílc 



33fi 

tné a trnpa tte coneentrar-se bo Lóurre e Talhefrías , 
d'onde pelas 2 horas da tarde sairam para S. Cloud os 
regimeatos das gúardas , os suissos , a artilharia , e os 
hnceíros , encorporaQdo-se bÍí a esla coluihna os d«sta- 
Camenlos qae occiipaTam aqucllc ponlo^ ODde se acha- 
va snn magestade Carlos x com (oda a sua fiiroilra. No 
dia 30 maiidou sna magcslade pelo duque de Uortinarl 
algUBias conlesU^des sobre propostas snleriorcs , so go- 
Vcrno provisiona) , e pelas 3 boras cla manlii do dia 31 
saia el-rei em direitura a RambouiUct, acompanbado 
sJDda d'uín respeitavel exereiio fíel a Biia magesUde. 
N'cslc raesnio. dia trasludüu-se o duque de Orleans, 
para a capital , tcnilo sido caovidado a exercer o togar 
dc tencnta general do reino , por iima mensagem da 
iD.tTA BBCBKTA qae se rcunio . cunsistcnle de 27 pares , 
e i5 dcputndos, qnc se achavani cm Parfs. A 9 de 
a^sto, Carlos i, o seu lllho o Dalfím abdieam a co- 
füa no d'aquc dc Bordeos , neto do rei , e sobrinho do 
DelGm. Sua m»gcstai1e cscrcve n'esta occasiio ao re- 
genle scu primo a segdínte carta : 

Sobrcscripto : .J meu Frimo o Duqw d*. Orlemt, 
Lvgar Tenente GeMTal do Rdno. 
• o Ram^uiUet, 2 dc Agosto de 1830, 

« Primo. fle demasiado grande a pens que etperí- 
mento pdos males quc afTligem ou qne podem amca- 
i^r os meus povos, para eu nao procnrar hum meio de 
os cvitar; por (anto tcnlio resolvido abdicar a Coroa a 
ravor de meu Ncto , o Diique ite Bordeot. 

' DcIOm' qiie p.irticipa nos mcus proprios senli- 
menlos lambcm rcnuncia seus direitos a faTor de seu 
Eobriuho. 

u Na qualidade de Lugar Tenente General quc sois 
éo Itejao, lereis.^ne dispor le procUme a eleTajio de 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



233 

BtKrÍ^ r ao Throno ; ilem do qoe tomareis todts ■»s 
disposiíoes que vos tocareüi para rcgular a nova forma 
de fiovernp na racnor iiíaüe do iiovo llei : limilo-rae 
por ara a dar a conhecer estaa disposiíoes que sao htira 
meio de aÍDda eviCar muilos males. 

« Cominunicttreis as minhas intcngSes ao Corpo Di- 
plamittico, e o mais brevc que for possivel fsreis com 
que eu veja á proclamacáo qne vai itar a conhecer o 
meu Nelo como Hei , debaiio do nome de Hénrigae v. 

1 O ViscoDde dc Foiuac-Latow Tai encarrogado de 
vos entregar esta caVta , e tem orJeia de se enteníier 
conivosco para o ajuslc que se ha de fazer a favor das 
pcssoas que m? tom acompanhado ; assim como das dis- 
posicdes comenienles ppló que me toca e a minha fa- 
niilía. Nós ultcriormente lomaremos as outras medidas 
que sao cousequencia da mudanga de Reinado. 

-B Eu »08 renovo , Primo , a seguran^a dos scntiraen- 
tos com qae sou vosso alTeisoado Piimo. = Cartot. = 
Lvit Ántonio. » 

No dja 3 saiu Carlos s de Rambouillct, tomando a 
estrada de Gherburg. Luii Filippe>, porcm , em vea do 
faier o qae a honra diclava, scr o (lol depositario da 
coroa dc Hcnrique v, feí com que em 7 de agosto , '■ 
as eamaras.em diminuto DÚmero declarasscm o throno 
«ogo, poT dois ou Ircs votos, e o acc.lamitssem a clle 
rei . com o noi¿e de Luiz Filippe i ( 46 ) Á vista d'es- 

(46) A idéa de níorpiir o tbronn itc S. Liiii senniua- 
Ts Iia muitm auDo) bs raliBqB doi tlrleaoi. !*a faorroroaa 
reTolui;ia friinc>u de 1789, ■ 1Í<J4 o duqiie de Ortcani 
FilSpFK! Joié, dc^oii mui voluntarianiciile PÍli]ipe R^bIí. 
té , foi um dos prÍDcipaes cbefci , qae fei rolnr ■ rabeq» lio 
rei , <U rBinbo , giromovendo oi ■tuniiutoi áot principes , 
&e, ftc. A &ati tambcDi r«Í0D • mu w niv) i<f ieiu,«. 



23» 

tu noras occuFroncías , Carlm «om ■ lua fenilia eia- 
tiarcam ein Cherburg ( tl de agoslo) pira Inglalem. 
Assim cafu do Ihrocia um rci poderoso . e que , ainda 
ILO día 20 dc julho, rccebia nas Tulberias as relicita- 
cócs , pelas vicloriaí quc o ciercito francei ás ordens 
do illusLre marechal Bourmonl ganhira em Ar^l , to- 
nando esU cidade em 5 de julho , aos barbaros , qae 
ali sc acoilaTBm , e tinham vergenhosamente , as na- 
«¡oea da Europa tríbuiariai. 

A refolui^io de f ranra deu ba&lantes , e bem foada* 
átí csperancas aos cmigrados poMBgueies. Blla apa* 



•ea Glhit Luíi Filippe, jjenerBl. republirano . leve de fagir 
pira uio MiffTer a turte ilo pii'. Tudoi ns teiti bei» foran 
ronSiraJai e vtnitidas, Buiin roitio o KaTÍam >ido M do rci 
bc. Pene*iiido por tnda ■ parte, Loii Flllppe »6 arboé 
repoDno, qnanda ni emigTHqio ic foi enngratar coBi'«m( 
reaet parentet qoe bonduBsmcDtc enqaecerBin ac Hia» ^ffe»- 
wi e ■■ de KU pBÍ &c. Itr. Pruinuverám o leu ÍBSameulii 
CBm uma firha do rei de NBpnlei , enlio aijtadai na Ilha 
de Sirliia. ^a qoéda <le Napuleio , em 1814 , iiti Lnii arm 
orcupar o (hrono de teoi tnBÍorai. O rei nada quii da ib- 
dcmuiisijia pe la pcrtlB ils lua cbsb , maDdou parcin ei>lTr|¡ar 
»o duijne de Orleans o fiue reilaTa da lua , e uma ÍDitemiii- 
•B^in <le duienlot i<iilhGes de frincoi. O duqne de Or- 
lean» muilo iubuiiiM) BpiiBreutemente a Luii x>tii pedia- 
Ihc ■ grata dt> tr^lBiDenlo de BÍteu real , mn) Luli ztiii 
nnura quii ■anuir , porein por lua lanrte , tubindo aa tliro- 
Bo leii innOo CarJui x, enlüo Luii Filippe abtere do rei 
■en piÍHlo, u»D tii o tititlo de aUcia rea) , mai tuda qDBnls 
^BÍi. Kiii a raiSo purqne Carlo* confiaTa na leBldadc da re- 
j¡e«tc , n^i nao leve ■ peripiraci'^ de Luii xtiii , para to- 



t o boinem leuipre ■inliiiiaso , e Que 
■i;bo cum n Junla Stereta que de 
■ deitruii;3o dui Baurlwni. Outrui urandalai 



n Junla Steríta que de ha mailo pmje- 



EuÍTBai coDiD o loUmeBto e nnrlc do prindpe de CoRiIé , 
• daatanv 4a rei c da famili* leal, ks. ftc. 



nhéu * Buropí de surpreza , « os luonarcbas tetit» 
TOSM de Ihe faier goerra. A Belgica reTolucionou-M 
contra a BoHaada , acclamaiulo a sna indepeDdeDcia 
( 30 de agosto ) , o em qaasi todos oa reinos spparc^ 
ccK mais ou meoos lentatÍTas dc IranstorDar a ordem 
de cQusas estabelecida , porém sobre indo aonde foram 
«BH tenazei foi na Hespanha , llalia , e PoloDÍa. 

Os emigrados contÍDuavam a reunir oa ilha Tcrcei- 
ra , e haTJa preparativos para atacar as outras ilbas. Oa 
príswoeiros do dia 11 de agosto de 1829 sofTriam o» 
mais crueis tormenLos , algnns foram fusilados. No rci-- 
no, tambem o governo nio cedia do seu lameDlavcI 
systema polilico , c as cadeias reliuham muítaí indivi- 
duos por crimes poliljcos. 

. (1831 ) Na madrugada do dia 8 de fcTerciro appa- 
ECM em JLisboa uma uova lentalÍTa dc revoIugSo. Alguna 
indtviduos foram presos , e jalgados por uma commis- 
sáo nomeada erp 9 do dito mez , scodo condemnadoa 
sete , a soffrcr a pcoa de garrote , e excculados no Caos 
do Sodré , ,no dia IR dc mar^. 

0-reÍDO TÍnnbo taml)em era iMStanle ÍRqttielado.As 
lenlaliras para revolucionar o paiz oao ccssavam. As 
invasoes pf:lo Udo dos PyrcDeos , c pela 'costa da An^ 
daluiia seguiam-se umas ás outras. govcrno manda- 
va fagjlar e garrotar todos os qiic cram apprehcndtdos. 
Na Fran^a , moyinienlos rcalistas na Vendé , republíca- 
nos em París , Leáo 6íc. Ka Bclgica , na Polouia &lc. &c. 
Uido.cra dssordem, fruclo da revolugáo de julho. 

A morte de Jorge iv , os acontccimcnlos de 1830 , 
e I safda dos lords Wellingloif c Aberdeen do mÍBÍslc- 
rio ÍDglez flzeraro paralysar as pegociacocs cnlaliotadag 
uo ^nno aiilecedeBte para a reconcilia^ao enlrc os doia 
principei da casa <le BrHganfa. Os diplomaUs ficaraia 



nvGoogli: 



236- 

eituperaclos com a rcvolu^áo rranccia dc 1&30, qiie 
aptiresentaTa uma catadura horrivel , ameacahdo absor- 
ver 01 diplomatas , e até o mundo. Os diplomatag tor- 
Mndo a si do primeiro siisto , come^arnm a prestar a 
Mia attengao aos graodcs ncgocios eoropeos , scm se 
ioiportarem por muito tempo, com os de Portngal. 

Os inaujos da revotucao foram apparecer no Rio de 
JaneÍFO, e o senhor D. Pedro foi expulso do throno, 
obrigado a abdicar a coroa imperial br.)sileira (7 de 
abril) em seu augusto lilho o principc D. Pedro. Ai 
camaras proccdcram logo A elcigáo da regencia. 

O senhor D. Pedro rctirou-se para bordo d'uma náo 
tngleza,'n>i occasiio da rcvolucáo; nomenu por tnior 
<)c scus augustos ülhos a Jüsé BonifacJo dc Andrado e 
Silva , a quem cha'mou o scu melhor amiffo. Siiá mages- 
tadc reeommcndou js camaras Ihc eonservasscm a no- 
mea^ao feita em José Donifacio, porém o seu pcdido, 
náo foi attendído. £ notavcl a segutnte carla dc despc- 
dida fcita pelo senhor D. Pedro aos seus ingralos bra- 
fileiros, na occasiño da sua parlida para a Europa: 

aNáo sendo possivel dirigir-me a cada hum dos meus 
Terdadeiros amigos em particular, para me despedir, 
e Ihes agrad«cer ao mesmo tcmpo os ohsequios, que 
ne flzeráo , e outro sim para Ihes pedir perdao de al- 
gnma ofTensa , quc de mim possao ter, Hcando certoi 
qoe , Ec em alguma cousa os aggravei , foi scm a me- 
nor intencáo de ofTendelloB; fa^o esta carta para qt/e, 
impressa , en possa deste moda alciD^r o fim a qiie 
me proponho; 

Eu me reliro para a Europa , sandoso da Palría , áo» 
Filhos , e de todos 09 meus verdadeiros amigos: Deixar 
objectos tao caros , he summamente sensivei , ainda ao 
£iH'ai¡io mais durp ; mis deixallot para sasttntar « hon- 

■ ü,o,i,-f-n,GoOglc 



m 

:a tiSa|>4de hattt maior K)oría, AdeM Palria , fahM 
amigos, e adeos para semprc. 

aBordo da Ma Ingleza ITiirfpjfe, 12 de Abril d« 
,831. . . 

D. Pedro d'Aleatdara da Braganta e Bourbm. 

O governo inglci pediu umi &atisra(üo ao govemo 
portoguez por Ires excessos de suctoridade .corameltÍT 
dos Gontra treg subditos bntanuicos. A reclama;BO ersi 
justa , e o governo demiltiu o juii do crime Belforl 
por (er praticado uma diligencia de noite eni casa de 
Qin subdito inglcx, o que em contra os tracledos com 
a Grlo-Bretanha. Ootro subdilo britannico foi abso1vi-< 
do do t'ributo do maueio de qoe por leí era isempto^ 
e se Ihe havia lan^ado indcvtdamentc , sendo reprehen- 
dida a aucloridade que havia abusado. Tambem foi de~ 
millido do servÍ£o da marinba mílitar o cbeCe de dii 
visáo. Everard , por caplurar indeTÍdemente , no mac 
dosAsores, o paquete inglpzSantaHelena; qoocondu-, 
zia para InglaMrra suidados invalidos do oxercito bri-í 
tanniep , e as malas com despacbos para o mínistro da9 
coloñias. Igual satisfa^ao já havia dado o goveroo bri- 
tannico ao portugucz, demittindo o capitáo do briguo 
de guerra iuglez Vigílant. 

QuiZemos apprescntar esta exigencia jusla para eon^ 
fronlar com oulra injusta. Foi a do governo francei ,- 
que por se ter applicado a lci a um indivíduo da saa> 
Datáo , que havia delinquido oo nosso paiz , paii livre: 
e indepcndente , pediu a soltura do preso , e uma grOa- 
ga iodemnisntao para o supposto olTendído ( (7 ) , • 
par« dois ou tres inditiduos mais. brio aacional nao 

(47) OflbiidUa fu] B'NaiiSo Portnenci», pelo eitnmeei» 
^,,4»Cc*|cou ^a tu«> lcii, 



o,i,-f-n,Googlc 



m 

pntílti» (JtfB K ütM laó d«gratiaW< priWa ü* «ib» 
iDÍssio a estrangciros, e o govemo ^eciisou dar a s»- 
tisfíifau podida. gorerno fFancel appelhHi )ogo para 
As armas, e o portuguez para o soccorro ilo governo 
brilaanico , conÁailo 'nus Lraclados que exislcnt cnlre ai 
4U3S niQÓBs , porqué a Gram-Brelanha é obrlgsda a 
Boccorrer Portugál qnando seja aggredtdo por outra na- 
^, seja a aggressóo jnsla ou injusta. Uma esqaadn 
franceia se appreseota a tiloqucar os nossos portoa , e a 
'fetptarar os noswts navios de gnerra e mercantes , e o 
ItaTernü porta^iei poucas ou nenbumas providencias 
éan para repeUir a agj^ressao franceZa , quando teo- 
Ussc Íbr^sr a liarra do Tejo , oit algum dBSembarque 
n'outro ponlo. O dui;ne de l^fdes foi nomeado pira 
gOTernador milítar da ctUndc e parlido do Porto, po- 
rém náo che^it a ir tofnar posse do seu goverao. Ñat 
camaras inglezss clamBva-se contra-o píocediinmto do 
governo franccz para codi Portugal , « nsa sessóes de 
34, e 2S de jiinho eKpressavdi-se lurd Wcllington, e 
lord Abcrdeen nos lermos majs positivos s Que Forln- 
gal era allíado da Inglaíerra ha'quatrocenlns annos , e 
aonde os sutaditos britinnicos gozavam de protcc^ao e 
privilcgios como em ncnhum outro paii ; qiie ero trd- 
•0 das vantagens commerciaes <)ub Portugsl fornece á 
GranPBrelanha , esia devia quanto antcs soccorrer a 
lia;áe portugucza eontra o ataqiie de c|ue cstssa amea- 
^ida pcla Fragca. Qiie era necessnrio acabar com o e»- 
lodo das cous<i« era Portugal reconheccndo D. Higne] , 
. e acabar cstn o estido da Terceira , &c. &c. Que o se* 
iKcano de Portugal se snsleatava no throno ha maito 
tempo seni receber ausflio estranbo , 6lc. ¿cc. • 
. - llavia pois toda a probabilidade de Portnga! ser soe- 
c«rrido n'esla erí» pela Granb'BretaQhi , t («Int qiM 



I. Coo^ílc 



m 

e tfMfelsA^da'gmnio tMrlrffOW 'fÍMie «áaiAli» tnla eM . 
fMráHfadfl U^40C«orr(M: £¡:c«'h>,''qae as diicBiBot* 
das cantarM - inKleHs bím fgnáéttiti »0 > gwter^o á» 
LaÍE Fili^p» , e esCe deo) lego orderw pmftiVas m sh 
Biniild' BousBÍD , qne-bloqaeata osiwwot potta3',<pa» 
for^ar » bn-raisdm perda de teinpD , e'bmnbanlMriLis- 
biM, 'se nSo Ibe desBem' a satish^ e infleaiBÍSB^ 
Oigitfts.' ■ ■■■.:,,/ ,.\ ' ¡'.ú.'..-- ■ 

- Parte'da'ttqnadraiDínigar 0'ii<a». 3 fp^Ui5:,!« 9 
eorvelBB , Én-^raid a fos d« Tej», dattaHéo-imttoB na» 
TÍds-Rira dabsrn. Ab íbTtatHBBirGsia)mn"deBgaanieci« 
das.-prineipalmeiile de BFtilbffiroB , 6 ob fnnCeiesi env 
trarara itnpUnmnente , teadainais, n'esse dia^ tido^lt 
TantBfcerad'iHn faiee»o'dia de briia', {iT«raT«í aos' sem 
fiss. Jj olnünigo dentrodo Tejo, fexfoga sobre-os nan 
vios partugueus, que comtfiponderam froaxKnentet ' 
sendo aprisioBados Wte; O'geTetao teee- tempo de SB 
ptepanr para a guerr», e poder résistir até i ctMgada 
do^ seccorrós 'da ÍDglateira; que aecewariantente btH 
rlamdevir; porém a eua isouria fbi ttí , ((neiu^clÍB ain 
qne a esq^adra ínimiga for^ava a barra , cbegoli á •I'QrT 
rede S, Jaliáo o majords attUbatia José d» Bos«;Gut 
rado, para coi>becer BBnecx^SÍdBdes-da.CDTttleaKri p«T« 
o BCS'eBtado-de defeaa! ■■ : ur--' -li ,. 

- O proeedimenta do ^Temo fiuKes esGandaUaott * 
todos os individaot para qüem'náaera indifTerente o la^ 
BBlta feifa» á patria. Hsbto nm portugnei , qAe -granr 
ftvi en tal eríiennm iríbnto-de retpnlo, <ynt deve 
«er levsdO á maia remota íiaBteridade, e foi elte-o'to- 
«ente' •orohel'do «xerCit» D.:JoBé Migoet de N-twotiba., 
que n'essa accaaiio éilptafireM) .na Totre de -^, Juliao 
cmBptindo a sentenc* de.dojs 9m<>i de prisia.em qu« 
&i«.«oniltnutado Hr tfliK^.a9;«;?teina eof^tUucioiiaU 

16 



Wliw» ie, rac^ , ycda M gMcn» pa» «itlnr ne 
Hnéf»4HaBÉe i fBBirt cos • ttñ^ Bste'Mfio tio 
i|i|iw M' «y wcitjá j e iw Bugekide' Ib* peiAMm o 
BWto deleáp»r4«* bUan pMe ciíib^u' » itttffln^j. 
- OinB9>go*íatoriew,(pMr iemar «MABeriKgsl, t 
Iñ ali» qae • sanma desflnel«eii-«lg«m« «mrRii 
recnseDdo entregar a fortaleu de S. Juliio , e faaet 
•oa»Pi«ag«; nn tMCta4o> etsqM o* sabditoa fran- 
«an> lUMeto gWiBdo ei weaMea priiilegÍM , q« m 
teglaet go aa T M . alaiftBte , em iúIÍibo reKaeaa, pc 
4t a •rtlini ie doia >nWitoa freaecn» ( 48.) , a ia- 
¿enaÍMfiti 4» oito. e«B*09 e aeteDla. e eiMe ohI IraB- 
Mt tperlv óm eente e q«ar«Bla eatos. de r¿is) pan i 
m qBOÍSMM, * daapBBu da cKpedÍ^o, aBnnllafia | 
é% * P *i i «t-aenteDgat-gwitrt o« fraDcasea, a desitsiM 
«t MenAarte geral da ptMoia e 4a seia deatBabvga- 
4brai, qMebaTÍmi jolgtda, iqmitdo a» l«g , aos frao- 
eBBet qae idto miieitaniD ts leis do paiaaaiida ti- 
^iis , • flttalnKMe' tDdaresfiei «ckia de degrida^^» te- 
tlaRi ptbttetdoe' na folba efficiai do gOvtna^ O govei- 
B» -pñftriv salísfater a- M^aiitia da soHiira á99- prt- 
Sot . «nttUa(ii>-d» seolea^ ^ deniasifr dos< 'HiBgittra- 
dos , indeB»iis«{ao pecnDiaria ; « a poblifiaQÍo d« to* 
4ot «ifst' a^oi Ba MhB oneial ( 49 ) aaDJailar'a capi- 
Wl ao ooBflicto 4e u>a bQmfaardeMne^. Vetam eelio 
KStMDMiB 0« mrlOB retidoB dos portot de Fraaca » po- 
iréú cMWenMMi , e naBdBfan pafa-Pranfa, e« «»• 
tflo' da 'indttnaita^ pteBBáaria-,-oi «ote n«TÍoa'd« es- 
^a4ra^rtn^m;iBdeitldatMnletpriifa>B«é»sB0X«}«. 
JLpestr da agitoi^im^m qoe -o {aicjM'TÍa desde o prÍD' 

Í48} Parece qne um (« hkvfa natariIiUito portiine*. 
«I IMI, SuhriaBtBW' á' «MIB 4t UOm *,*: 1«& 



I».,,,;. I. COO^ÍIC 



etpSo é* pnunto'niiMd*. *m {lúr iitaogamm h 
k>m dncindado dos inUrsiies inilartMs , e ák io»« 
Inic^'.da pañ. Estes ^ah rmas ie admÍBñtra^Í* 
píUMVtÍBbán sera^ utadoiMs batMÍs e probas 111Í0& 
do (uwle da Ijomi D.. üioga , taiaitíxo da- faM5d< ■ • 
a ÍDStrticfio pública nas do sabio bispo de Via«a fii, 
^attcñco'AleiiftdN Lobo. Pela r«^Tti;io da reforiu 
l^erál dOB eilados se offercceo ■ pnuao anMial 4fi 
40t>¿M0 F¿ii a quffner pessoa qne se ackaise eoH 
Circas de eospar om diccÍDoario latma , • oolre latt^ 
BO portDgnei ( 20 de agosla ). 

- Os nwgridM oa Terceir^. ommdiK pela rwolnsia ' 
frMKcu qoa 01 pcfltegix. e posterjormeiite p«lá tvw 
hifia bmtlaia <}u¿ eipiriHN do thrano ñap^a] ao w^ 
Dhor D. Pcdro. pwa- Hk dar cstt sen{i«r por cbefe , da 
qoe elles estaiam bem longe , a »3o ser Ul saecesEO, 
uinBO^.s eiBpreaa» msiiHes,' pAtsando-a a^ee«ar'B« 
das íihas dos A^ores. Eslc succesio foi em graMle part 
le dcTÍdo ao estadji áe fraqHCCt nMritíma em que o 
goTerno do reino ftcoB depoís da éttavm^ «eaa a Prau- 
fa. Aa rtcteKmfOes franceza»quecone^ranem ISd» 
■Mr^a, logb cn IS de maio donm em reHtltBdo.ti ca* 
ptara de bbtÍiov portagneie» feít» pelo almirante fioas- 
ajn , e depois eaijulho ■ tomada da etquadra na Tejoi 
■eiD Fiarer goertá de direilo; porém sim de facto e d« 
parte éo govem» da Fran^ , ooma se t¿ d« segHÍBta 
pMfiiato ftuta pelo visBOBde de Stntaiem, mjiHStrodo* 
Mgocie>'Mtraiig*n-es , Bdirígido'ap aJaairaBle francea: 

- afir. Bario, ->-Nit(tcDdar.o Gov«rfle'PeftugneEpn»> 
yoeaAo, Dem'féita a gHerra á F.ranfa... ante* pelo cobt 
Irário baiDalti lu Bw:poai^ relatífti ^rq coin o Go* 
Tosnd thnneei todt»- os oteios fandades «as pHiieÍpMt 
HUtfkhik pwtittibwaa'-ttKSesjMriUMdM, «atiag^* 

16 • 

Cooylc 



m 

iBcoQtroTtn-Ms do Erir«íUi ttsi úeata para. b «ÍUr t Ite 
é inpoishs) admiUir o prÍBclpio de que de aiM guer- 
ra de ftcto feiu peU FnD^a , e decUiMda como Ul em 
a NotB de V. £!■* de 8 do corrente, se queinm obler 
ViírmUts e coos^ueiicias que resulUus da gtiecra de 
diredo. , . . 

' *A defeu do pKfirio territorío sendo de dirato in< 
éíipntaTel commum a todas as Na^oes , o GoTerbo Vot- 
tagnei oio podia deíxar de ol»lar i viola^o do mei- 
nle tecrilorio, qnaDdo nuforcada a entrada do Tejo, 
pela Esquadra de V. £i.* 

« Porta&to o GoTemo Portngsei protcsla solemne- 
mente i face da Earopa , e do Uimdo , peta captun 
, Mta pOT V. Ex.* das embarcaEoesde Giierra.Portngu^ 
2« , qne se acbavam fuDdeadaí no Tcjo, ' 
• «íteceba'V. Ex.* &o, 

*' irSecretaña de Estado dos Negocios Esttwguros, 
m 14de julhode 1831. 
' kA sua Ex.' Sr. Bario Anmtn. 
[ Assigaado ] ■ FÍMOndf áe Santaran. ■ 
A mtrada , e presenca da esqnadra fmceia ein Lis- 
bea tamhem animon os canstiluciooaes e Untar uma 
rerolo^íio em Lisboa', para derrubar'O gBvemo, e para 
essc flm 'poderam alGan^ar riivolatíioQar a tnaior parte 
io rcKimeiHo de «faBteria n.' i pelas dez .horis da 
nóite de 21 de agoslo. Gomecon a desordem deatro da 
qnartel , matando o capiláo Victoria , fBritido OBln» 
ófficiaes , sargentos , e toldados qtie nab quizeraia ao- 
tiuir. Um official corren a dav pute ao regidiente de 
infanteria n.° i6 , e a outros Goi|>a> do que u jttasaTa 
Bo quartel áo A. Este, commaBdado por.iUnindividuo 
eitranho aort^iBento , safu do qoarlel pelas dei horu 
" mia , leniMlQ «IgDiu officitGi oJiKÍgwÍei.'iiUtta aa 



I. Coo^ílc 



Hñ 

irco ñt rda dc 8.' ftenlo foi teñp«IllJa a retrópadirj 
Obrigiáo iwlo rffgifocnto de inilicias de Lisboa Occh 
dcDtal , e 10/ conipanhia da Guarda Real de Policia ; 
qoe alí Ihe fei frente. Segnhi depois por diVersas Tnat 
at6 BO Rocia onde (Aeg'oa pela m^ia noitc , matandb 
dBranle^ o traiisito ao conde de S. Harlinho , ao major 
da FoÍicÍB , e a outras pessoas. A. Gurda Beal da Po> 
licia baTÍa' tomado posi;áo no lada occidenlal do Ra>- 
eio, e qitando o regimento n." 4 all entrara sofffeH 
ama descarga da Pólicia , qae poz o regimenlo en con> 
fitsio, e raga. A Policia, e o regimento n.° Ifi.forai» 
■prisionaodo os fugÍtÍTOS , outros se appresentaram nos 
dÍTcrsos qaarteis. O brigideiro Nnno Taborda , que se 
bavia jdo postar no largo da Boa Horte com a peqae>- ' 
na fer^ do regimento , que ficira fiel ao govemo , ali 
eeeebeñ os offlciaes , e soldados qne foram por liolen- 
eia , e qno safram das fileiras logo qne poderam. Pelaa 
dúag horas da madrugada do dia 32 , tudo era silencio. 
N'este meimo dia , por um atiso , foí nomeadóam con- 
seiho do aTorigua^o para conhecer quem forain os in- 
dÍTÍdnos do mesmo rcgimcnta , mais camproipettidos 
ná rerótD^io; e por decreto de 2t foi igiialmente íio- 
meado nm CMtselho de guerra , para jalgar t» mesmos 
compromettidosi 

bispo de Viien é sabslitnido na reforma geral dos' 
estndt^ , pelo monge de S. Bemardo Fr. Fortunatn d« 
8. BOBVentúra (37 de agosto), depois arcebispo de 
ETorá. 

estado de Porhigal e dos A^ores ch'Bmava muiio 
a atten^o das 'eamaras ingleias , e nas sessócs de 6 , 
e 17 de agoslo , 6 , e 10 de S^lembro bflvia nas mes- 
mas eamaras discuQÓes acaloradas o .interessantes sobre 
<» nepwÍM de PwrtoB»!- ministerig Grey era incre- 

I».,,,;.' I. COO^ÍIC 



pééit pelof terf t pM* ifle ter 'soMon-Uto PoTtn^ con^ 
Ira aaggl^etáSo frHcec* , p4r nio rvctwbtttr o seiiíbor 
D. MigD^ , a timbem ^or oopsentir (<fQ awñlihr) o 
yrmamcDUt dos erojgrados'áoi Acorcs-, para oade se &- 

'siam rcmessBs dc geate racruUda not dircrM» ^iies 
da EoFOpa, navioi ; annas ^ e maiS'mHiÍQ&ds degner- 
ra , tiidd cotai propDsilo de invsdir Poriugah O eonde 
de Gref ifjiuBlmenle censaroa a WelÍii^tDn — par'nio 
ter hito esae reconhécimento durante a siia adnÍDÍstra- 
jio , tosdo eoBcorridD para <(ae oulcss DS^deS' o fit»' 
lem, a que Welltngton e Aberdeen re6poñdi;r*m qne 
m n» dia i& de Dovembro dc 1S30 ; Sean erae negoeia 
decidido no ■titihterio , porÉtn que a- tm tafda úo ga- 
lÍBete no dia iS deíiára etse iritiniatiim ao nobt<e eon- 

'de; que se a dívida áo miniiterio eB recsitliMcr D. 
Higael er« por csusa da «mni$tí&, ditse' WeHiagton, 
eu a Sfianco da parte dü soÍMrano déPortagalfcn. &c.* 
Fallaram mnitos' lords fré e coBtra , 'e algttus por ma- 
Boir* BUf acre eonlra a Fratifa , conlra o máiisterie 
ñglei , por obandonar Perlugal aos rrancezes , 6 cimln 
a tiipedi^o dos A^res , seu cbefe dce. ftc. 

O eonselho de aTCrígttafio , formado no ré^nent* 
n.° 4 , issíffi como commandante do mesmo fegimen- 
to , Taborda , appresentaram os seos Irabalhos ao CMse- 
Ibd de gnerra. Bsle por sedteil;! de T- á» akttmbrb ap- 
plica as ordenaDQas mi'litares a 18 individuos ^acas 
do dito r^imento a saber — i alferes , 1 ciid«(fl ,' 9 
sargenlos , 1 cabo , 1 larobor , e S soldados , mandwMlo 
que fossem passades pelts 'armais , eseeufSo Mti , qne 
se fei no Campo de Ouriqae , ne dia 10 do dilo mr> 
de tetembro, na presen^a des contingentei dos eortns 
da gdamigao , come é de castnme. No dia 92 fsram 
Pri« ilMiBio c«&«elh9 de iwm MfiUDcMtM a MfNr » 



m 

H, «safeer-r* 1 mnñtsOy i piíuM, 9 tamboru, 3 es* 
bw, 1 «nps^ada.e 13 »oidadaa. A exccncao tew lot 
¿ar a 34 do dito ■!« , M wsmo iooid , na fiÑaa d* 
cMtnmei 

Uorte 4a fodre Joié AgoKiidM d^ Mando ,- «m dos 
Biellions4tni|torei,e«ndordoBiiona«l»Dipoa (3d« 
ent¿bf»)i 

Poi reMUdd em «idteiKta pública o «reebiapo dft 
Pietra, bo paiacio.d'ijnda « «itregaDdo«s cradeaciaea 
do nero papa Gngorio XVI , qu o ooivdilan caaio 
BaocÍD apa^t^co jaaín ^a peMoa de «oa Hignlads 6h 
deliMiBa (2S de ouuibro). f|^l recebineiito ba¥i« 
Ceilo saa uMidade Gregorío XVI , no pdacio d» Qhí- 
rinal , em 21 de aetambro , ao Bt«ri|nei de Lavmdio^. 
aabBxadaiMe toa «ageetada Sdeliuima iinilo fc wa 



. O- cmieUio de g«emi prokriu terceira 8aiiteD{¡a a M 
iDdividuoe i^ifaa do r^inwto b." 4, eendemaaBdo 
BWia a ■eraD pseMdoi peláf arnMa dO das dítM prataa * 
a laber : 1 leBaüte , i ■wsicas i 1 «onele , 1 piftiio , 
fi iBBibarei , 8 larganlof , S cabei « 1 «B^Wfada , e IS 
saldados : a degredo perpatHO 1 {lií'aita , e 1 soldado ; 
e fliram.sbKilttdoa 1 eapitfo, 1 lenente, 3 alferef, 1- 
eiiw^áo i^udante , 1 oadete, 1 «argMitOj.e i ealda' 
dos. For decreto de 26 de outubro foi gua mfgestade 
aerrida ceifaBBtar DapvBa immediata , a pena de ttbr- 
lo aos arínta priBieiroi HidividBoi.' 

KeBboma dÚTÍda faaTÍadeqiie o senfaor D. Vedro,' 
baréDdB perdido dnS' «otom , aitsTe i 4esta da «X- 
pedi^io, qae tioÉB par flttdeslbronar Mn BB§Mta Ít>' 

~ , e oMcr amnMte b eoroa pOrtngBan. SarÍB , 



I. Coo^ílc 



tt cetonHn ) «e^a^coroa detia retertet para' o uahor 
'D.Psdro, se para, sui .augnila Ílba. ¿ fOE conslaDia,. 
qiie .fif^re eate deUcatlii'fKito hoHTcraai conbutacaes 
Oiui sérias , resolvendo-se flnalineDte que a senbBr D. 
Vedro^Betía regenUt.di^aiile a iBe«Orid'Bd« de sua «e- 
gwia flUU'; Su« íBKgubde tnverial , topndoe liltalo 
de dnqoe de Bragan^a , disgolveo a regencia da Teicci- 
n , 'para lomac aobre si essa rcspODMbiliáade. . 
> Ú.nÍDÍslerMi^ái^ei Grey , e o ftsncci de Xuit Fi- 
lip^i protegÍMn.qpaü claranieBle a eiípeditjio , « pri- 
«oeif o por CBUia dot interesm com^tciaes da Gfio- 
Sretanha i porqae o lenbor D. Uigael. náo quii ucrí- 
licar. oa iotenesies :iio paii.aoi da. sua caosa , < » te- 
gtiado. mnvído pela poliilca.orleaniBLa. . 

.0 senhor D.;Pedro coiitratiia ctnpreitidioi -oob «s 
banqueiros das pracas de Londres c Parls, hypothecan- 
do naa só os beiis do Bstado , mas a>s das otdeiH reli- 
^osas. Os seos, 4gcn(ei «ctivav«n iera Krftoga, Belgi- 
t¡i, InglaLerra , lr)aada,.£scacÍ8 , &Cíitc. engajamen- 
los de. geOte e navioslpara a sua expedifBo. tn tbe.Isle 
af.Di)g& reuniram casco da cbaraada primeipa diviüo 
ÍDftleza , 'qne mandarBm para os AjOfes , onde se^a 
timbem um .aclivissiiao: recrulamÉDto. D'outroa pontos 
das ilhas ibritauotoas ,. e do.contíncBle faiiam. iguaes 
remcssBs. 

Q;GeDbor D, Migoel , apesar da perda de. lete dos 
melhores navios da esqofldra portugueu, qne os'frao- 
cezes levarara , e. quo ifnr.issoperdeu o dmmrio dos 
Acores , prepara-se parg reoeber no Reino , e na Mí- 
d«ira a aggressáo de seu augutto.iraiao, Jeranttvdo um 
«xeccitD formidatel , cumo Portugal nooca teve , exco- 
pteíndo o da guerra peniii»i4M'. Além do Qurcilo IH*>-, 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



S4T 

Uri iriiMnoii is snnas s m^ «ai ibuu', e'áimto 
4M1 Boj-tu^l appregentkva oiaa aUiUide reapeilMreU 
Akb o ,]fetado>'peden faier fíice a lao eBúrnes desp»^ 
m,,D^««Mrno decretou en 12 e 18 de.DOTCmbro nm 
enpmUi»o de mil c duientos conl«s, ao jaro de 5 
por lOQ ao.mino , deTeiido este empreitinio ser lan^a- 
te ptU uaQdra aegUMile : — 800 centos »^re ns ca- 
piAalísUi das pr»f w de lisboB, e 400 aes do Porlo,. 
CoimbrR , fi Figueira : abrtu cofrea oin todas as terras 
pana duitinuar 1 reoelíer doDativos em dinbeiro ou ge- 
neros cotn que quae^qufr pessoas quizesscia coDCorrer: 
pera as. urgeneias doEstüla, e cste segundo appillo 
bSo^ em vEiu. 

. rEtn nofeMibro comeQaraBi os.corpos de 1/ e 2/ li-: 
pha a sairdas suas pra;a» para.irena eccvparas peisl- 
f óes q«e: Uids rorwa desbinadM . e foriBer as cinco di-' 
viioa ent que exercito se dividiu. Os regimentos de- 
milicÍBS , e os italaíboes de rohliitarios reBlúlas appre- 
settaTtni uma apparencia railiiar, qfie Qs.pt-iBeíras ri~ 
Talisavem com os melhores corpos de infiinteria de li- 
Bbí\ e 09 a^TOdos.' cem es melbores de infantcria li- 
geíra. cominandQ do exercilo eslara na pessoa dni 
■«iliDr D. Uigsel , tendo por sen chefe de estado niaior 
«O'Oonde de Barbaeena , e ajudante general ao narqiNn 
do^TaWo;. Os.igeDeraes daa dÍTÍSó^s eram dal.* o fis- 
Cónde do Peso á» Begua , 2.' Alvaro das PovoaSy 3.' 
AngtHto -Pintt) de Moraes Sarment», i.' viscoiide de 
Saata Marbba, e 5.' visconde da Mokllos. 
. Jía«e em Heudon ( Fran^a ) a princeza D. Maria, 
Amelia fliha do senhor D. Pedro { 1.' dp deMmbro). 
JfOf a' téntatÍTa para reToluciooar a Hespanba. Tarti- 
jos, que'haTÍa orgsnisadogente. eai. Gibraitar, fat aat 
Dquene pro«incia,de,Miilaga.> poite ctm. 



I. Coo^ílc 



HMmo maludo dss tns MtKiuuoMs . OgMHVl r«*^ 
IñU Horem deslMnta a «i^ioio d* Tort^ , « OHH 
MgM em S de demiabro , ■prigUnil'^ fam &4^d« «•■■ 
«(uip»ib«iro£ , Fn Alqiicrii , *0M ¡«gou d« H«Ug«. 
Ko dU 11 do dito «Mt fonm twlM pasndoi pdw ■(■■!. 

As cM^wis unl«liTas para rervltar ■ BflifMiltfe b^ 
qaietatafli >. Penunda vii.' E8te mooMiAa , pwa ^■n 
nao era ÍDdiB'ereiite a TMlÍrica ie PortOKa) ,-dMlanMl ■•■ 
g«*eriias frandet a inglet , que se algwna na; io wxi- 
Íiaue a inv«sio coDtra ttortugal , ■ HeipMibk-lhria en- 
mr no (•rrtlorlo portugnei ain eierctW sBAcitule para 
Bostentar o soberanD que occupaTa» thron.^Os gonr- 
nos da Franfa e da Inglaterra nlo aaiilianni «diB ■ 
soa bandelrt a invasio , mai DiBtidavain ilefeiiiiv da do 
Eénbor D. Mn oSoiaes , soldtáot , navtos , anna« . 
&B. dEC. A Heipanba mandeu pirt ■ fronteir* vm cxcp- 
cilo de obiérra^o om for^ de viale a trinU Btil boBMii> 
-•(Í832) £ báptisnla fta cipella do patacio du Tn- 
UMFÍai tm Parls , a senbera priwiea B. Ibria An^ 
(14^ jaDeiro}. i 

O senhor D; Pcdr» etegi' am A«aru (S3 d« £em- 
rciro } : inipBccfoM as Sum tropM . osqnaán 8tc 8|u 
iBaK«8Ud« iniperlal tenU a)Ml3ar-sa do aKlKpclaB» da 
Hadcira, e ConvMa o govcraador, ^erat D. Alnn» 
da Costa UeHrnitella , ■ ■tMndeoar o «OBlbK' D. Hisnel , 
e «otregar a Hadeira c suas defwndeacias. D. AlMro , 
qne nao era tiomcm capai do faltar aO i'ti qoe jnrán, 
repelle a proposEa do setibor D. Podro G*a tonu Ir- 
nen , caiDo dai annos ailtM bavla ÍWtO eai HMAevi- 
deo , qnsodo o nM^mo augullo seiHror o cMvldbn' t 
afaandoiur a ciuía úa patria e 4d ref , pan se lMr.ao 
Bratil, cono fiEera é genera) teeir. 
' A r^iln 4c i». AlfkrO dIo asr>i)on *« HBÍWr 9. 



'oylc 



Pe^a , qw «oRtaTa Mm of jmBmot recuf bos is Vaf 
deH-a para o b^m eiHo tla saa cn^eia. fro^etoii «ii- 
&a tomal'a pela ÍOTca , mandaRdo , qtie o »eu almiriuiMi 
( e eapitáo da BHrÍBba ingleia Ssrtoríus ) Ihe poiess». 
Í>hM}fle¡o. 

■Q geutnl V. AI«aro , distincto oa arte da gadTa e&- 
mO' era sabitltt , tinha tios aUimos qu^tro neics ^aafo 
B ilha n'am qstado de defosa , que aada deiiara a dc*»* 
jar. Desde e pria«jpio do anno qm o govemo Uie b»^ 
via maiKlada dois refor^es de tropss eseolhidas de 1.*-' 
línhfl , etn tigQiero de -mil e seiscentos' lioEieBS , offi-. 
ciaes saprBnumerarios flrmes e eiperimcntados para er^ 
gatiwar novos eerpos, lúnni^es de gyetra &:c. &c. O 
genera] costava pois já ( var^ ) para n defesa da Mft-> 
deirav e^ uma opti«a e Gel guarnji;go foite d« oil». 
mil homens, seodo iuetade de l.'.linba, e coolan- 
iguatoaeBl^ com o apoio dos fasbilaatcs, i1i>e lúio qu»-< 
riaiB a g»erra dentro da <Ba ilha. senhor D. Pedro- 
arriscatido'ee a fiEer viaalaqpe na Madeira , emqueti- 
nba de loctar coBtra «ma gaarnii^io decidida por a 
CUM que defetulia, arriscaTa-se a terminar a lucta 
sobre a oesla da fler do Oceaao , sem aportar ás praias 
da tAsitaoia. i 

- O barae de QuÍDtcIla i eiautorado dc fodas «s «u» 
booras por naoqBerer entrar ne Erario eote vinte cnn- 
tos de E^ii em qtie fei collectado para o empTcstímo 
for^ado des «il e dnsentos canlos ao juro dc & por 106- 
ao anno , decrelado cm 12 e 18 de novembro de t83t. 

O senhor D. Pedro pobtfca o manifesto dos direitpi 
de sua otigusU Filba ao throoo porluguei ( SO ].'0 le-' 
nherD, lligiie] tembem pablÍGao seti noUvcl maDifeato- 

ItO) Uulbile 4k «mlnra 9. aCaria h. 



áh'iS 'áe líitrso de l'S3S [ 5t ] «n qne mostra.os aeás. 
- Ssrtórias appresmia-se i visla ák Hadeira Gm 29 
éé fnarcn , totna posse da ilha do Porto Santo ; e de- 
clara o.blnqueio da Hadeira. Algans ntíos de goarra 
da Repubiica dos EaUdos Unidos nio qaixerañi rcco- 
ntiecer ó bloqueío , e eatrarain o porlo , sssim coma 
ootros drnamarquezcs . e na ilba aanca faltaram pro- 
visñea. Sartorius no nm de cincoenta e cínco dias de 
bloqueio ('SS de maio) relirou-se para oa Acores , e o 
projectn de tomar o archipelago da Hadeira ficon ad- 
diado. D,- Alfaro mandou logo occupar a ilha do Porto 

Abandonado o prnjecto de tomar a Uadeira í tin 
fiir^a , o senhor D. Pedro embarca com a sna eipedi- 
gfio , em que traiia sete mil e quinhentos bomens de 
tropas de lerra , donfando n'esle nüraero íres mil es- 
(rangeiros de varlas na^óes , e se^ áirígn ás costas de 
Pot-tugal.' A guamicñoda esqnadra era quasi toda com- 
posta de estrangciros (mm poucos portuj^uetes). 

' ^ovenio do Senhor D. Higiiel publicá em 30 de 
jmho, que todns'os portos Karitimos ficara declarados 
em estado de sítío, logo que aeja vista a esqnadra ag- 
grcssora. Dsu oatras pl-OTÍdencias concernentea a asse- 
garar a manntencSo da ordeiR pfiblica. RenOTarani-se 
05 decretos anteriores, cin que cóncedía amnistia a'lo- 
das as pragas da expcdi^ao até sarjento inclusi*fe , qae 
se aprosentassem. Dcpois esla gra^a se estendeu aos úf- 
íiciaes até capitSo- 

' Os expedicianarios , sabedorei do estado de defesa 
deLisboa, c costas circumTÍtinhat, náo tencionaTam 
faier o seu desembsrque n'esla» paragcns para nao cor- 

(fil) HanlCeitodvienhvr Di Uljnel i. ' 



m 

nrem, o mco' <t^iw toUl deitnüfiHtt Jf*; im'iMtHÚIÍt 
dada de ala^af ,|.Í8boB dírigirain as.próaa ác mks na- 
vips para a costa do norte , e a 7 de julho se avÍsUvapi 
Bobra a GosU de Viila do Coitde, Fovoe de Vaniiij 
ll«thosiolio9 ', &c. A 8 deu fundo a tiro de fii^l á» 
praia , lui poqaeaa enseada de Lavre , e.come^ou o des? 
embarqiie , io*DdaDdo logo o senhor D. Pcdro um pBri 
laineBUrio ao brigadeiro José Cardoso , qae coni a 3:* 
brígada da 4.* divisáo occupava Villa do Conde, con* 
Tidando^ a upir-se-lbe com a sua brigada; poréa su 
nagesUde Uve uma resposU b«m desagradavel ..acresr 
cenUqdo /oa4 Carda»a , que &e maadasse outro parla'* 
meDUrio para o mesmo fiiii , o maudava pasiar .pelaS 
'rmas- 

general visconde de SanU Marlha , commaDdisU 
da 4.* divisio do eiercito de opera^oes , sáe do Porlo 
direito a í,ajte com o regimento de milicías de Braga , 
e um esqsadráú do regimento de cavallaria de Cbaves . 
e se poiíaram a um tiro de canháo, coDservando uma 
lereoidade propria de portuguezes- SaoU Hartha já ti> 
nba «;ipedido ordem para 0^3.* brig^da se Ihe reunir 
Do Latre ; porém o desembar(|uc esUva já muibo adiaqi- 
tado, e »S commaDÍC3(;oes cortadas, e por isso se tfir- 
Bavq Ul junc^ao impralicavel n'aquelle local. Hso sen-. 
do possivcl ao generat realbU obsUr ao desemliarque. 
do imperador ■ reliruu sobre MatliqsÍDhos em freute: 
dos atiradores cuDtrarios. Pela uoite recolheu ao Portu 
ordenaoilo a evacui^áo d'esU cidade ■ e qoe se effe- 
éUion pflla madrsgada do dia 9, s«odo Doniesmo dia; 
occupada p«)o senher i>t^J'edio. J^s pof.i;oes dos belli-, 
ger^litM no .dia 9 eram, o scnhor.p.'Pedro no Por-. 
lo , SaoU HarUia em Villa Nova d»Gaia , e a 3,* bri-: 
gada 4a 4.* ^ÍTÍaio [iaté qanioso} eoi Valiongo, po-, 

ü,o,i¡-n,_Googli: 



ft» 

fl4a««l«rd«m de fwnttr ao »1 ^ ■e1miMra:M ir 
nir i saa divisM. No dia 10 entravam a foi <)• Dou- 
r» alfou Bavios da «sqwdra do senber D. Pedro , e 
«S trapas de Sanla Uarlha d« nMrgem esquerda fMÍan 
Ui a»tna tiroteio para a margeDi direila , d'onde ersn 
■ correipaodidai , asstm oomo o faram tom raais de tre- 
aetttot Ures de oanbio disparadoa dos na*ies. A 10 pe- 
U Mile retirava-se o ^eneral Saota Uartba lafcre Cirijó 
«4HB ai ftrigjtda» t.' e 3.* ,-e a 11 foi eslabeleeer e sch 
qwrtel goieral eai (Niveira de AaeDMÍs , oBde espara- 
va a S.' e 4.' brigadas d« ms dñisio , e o ■aiflio da 
S.* divñio do eoiBnaad* do geBwal Potom para' ope- 
nwn lobre o Porto. 

O senhor D. Pcdro Iqgo no acto do sen desembarqne 
yw«ta«oa i nagio {Mrlugueia dizendo-lhe o motivo da 
soa TÍnda a Portagal. O scnher D. Higeel igwalmenl* 
pniclamoii i na(ao, e >»eseTCÍto (10 e 11 dejalfao). 
Foram os dari«s de gnerra que se íkeram soar estron- 
dewntmtte por todoa os angulos da infelii LusHania, 
atotand'>-a até aos fendamentos ; e hoje sao dociUBe». 
tb« im^ortamissímos pára a verdade da bistovia da 003- 
sa: patrie'. - 

Scsde o día do desembBrqae, que miHtoS soldados 
e sargentos do sentior.D. Pedro seapprcseaUvam is 
tropH, e i» avetorídides reatMÍas, e eram elles, na 
IkalDr parte , dos apristooados dob A^ores , e doe reeni- 
MoynaB mesmss Hhav. 

gmeral Santa Marlha reanÍD no dia 19 de joHio 
M'Cirmpe de OIÍTeíra ^ Azemeis m 3:'^ e 4.* bdigadas' 
da'sna divtño. Na proriicia d«*lIlaho flcara gOverMn- 
do o rtscoBde de-HbHte Alegre, e na de Trás-ffs-Hon- 
» vfs«oade d« S'. loBo da Peaitfcir»,' ainbo» estes^ 
é asifi}r{»sde'4«e.podi«B) disporf 



o,i,-f-n,Cooylc 



m 

Í/S L* Uah». c alnHtU'U>rpoi 4e mílKHS e ToluaU» 
rÍM MAlwtw defceraiB para o lado do Porto para obsgi(- 
fw «.«««ÍBeBtoft do exAFCito d» senhor 0. Pedfoi 
q«ft peveo >e afi&Uva da cidade qiu occupa?B. . 

DO'Wl iqu*1m^4 ■ divüao do geBersl Poto» { a 2.* ) 
elieja da coafiaafa- A 3.* dÍTÍsao . da coinniM(do do g9« 
Deral ^BMDto , tantuMn marchava apóa da 2,* , porén 
pauHdaomtRr e pof brigadat. Tiado Satia pareecr qc» 
a luet» nio anfa dDjradsüra , attsbd«nd« ás for^aí , • 
poNSAQi'dp» IfelligeraDtes. povoss ooeupoa a> post^óet 
da 4.* divisSo ein 15 e 16 de julbo, anmgiLdo lo§« 
maÍB pan 4 fraale.. A 4.* dÍTÍsÍo patwu o rio Dooro , 
^n «perae m norte do Porto , e ua batalbid é'eala - 
diíisio, a de talaajtarios realiitaa d« Brag», (anA« 
«larahadte iwta^ameBtC ds S. Juo da Ufldeira para • 
norte , fhwwtii_ a atloif áo de seiis adversM-io* , q«o «■• 
darm ao eeñ>ael Hodges con ura balalb«> ingl», 
oulro fla 18, oaoBi 2 pefas de eampenha aUear e b»- 
tal^ NalisU , o que lexe logar no dia tS em Pare- 
. d«B. O eeraiel Leite Pereira , cQmaiaBdaBle do bate* 
ihio, fei retÁraBdo ev* atiradoTM sobre Deufiel, e se»> 
áo tli cebrtsdo pOr 300 heacns de erdeBangas. P«r 
muito-tempo sustentou o conbate nae rttas de Páalel * 
e retinod» depoifl de ter eegotade- quaú tode o caito- 
xam, eslTflu Badges aa cidade, oBde- » demor«ti 
apena» cioe* tiorae , retietodo depeti de ler ineendiado 
«n «iv*«it«. jN- Áe> ft^ ingleieB deÍMraia m eaiopo-, 
mais de qnarenta morlosi 

A Sa d» JHlh» wfit dO' Popb)- e gesenil y\^ Ffor 
c«B cÍMCft-. imf< betnens. « foi ata«ar o geMrri SaBtH 
IteFtlM en PsHle FMTelra o»d* aei.dea tw» Dwrtifen ' 
WntMto 4« pile •■ iiarVa , Aea^d» e» VeH<SMMte» «c^ 



o,i,-f-n,Googlc 



«■{■■ildo ti itfenBfR pbsifStis', fárém o s«tAor O; Pe- 
dr« , qne'obseiTava (XM^Ito (joé a noticia de- Poiris 
VerreÍKi feaiia producido no Porto , matHlh durante a 
Doite reCari;ar o gcnéral ViHa Flol- com todas as rorcM 
■inda esisleates no Porto , 'e o cambale recomecoD n« 
dia 23 na Granja , por cspa^o dcdez hqras , combalen- 
do-se de parte a parte cüdi encarBÍi^ameDto. As perdas 
de Bmbas os lados foran mai grandes , e oe éxereítos 
flcBram novamente em saaa posi^oes , Seoi que aenhtia 
posia coDtar victori*a , cooiecando depois a soa reEira- 
da a tomar quarteis , Villa'^lor na Perlo, e SaiilaiMarT 
tba ein PenaSel.. 

. Em 27 de julho fei Pofoas ain mOTÍinenlo de'Dbser- 
n^HO sobre Grijd e Vílla Nava. Daas escanas 4e S«r¿ 
tórlai amea^araKi a Figaeira em 3 de agostO; porém o 
gorernadar ,.coroDel Uetto, Ibe mandou fazermo fogo, 
e as escnnas se flteraiu aa largo. Iguaes ameacas já tí* 
nlnin fciio em outros portos da easta, chegando cm 
Villa do CoDde a deilar genlc ein terra; * 

O geDera) Tisconde do Peso tla Regoa i nngneade 
pat-a commindar o exercHo de operagoes sobfe o Por- 
to. passando o duque de CadaTal a eommandar a f.* 
diri»a , que ati agora commandafa o Tiiconde do Pe- 
H> da Itegoa ( 4 de agoslo ). 

Coatinuavam oi navios de Sartanu» a fazer aiaeaeas 
de desembarqiie por toda a oosta até á foz do Tvjot 
* qiiereiido porem eSeclual-o em Aveiro , forani repelli- 
i^of, assim como por doas veíes em VHla do'Oonde, 
onde ))erderam genle em terra. 
" O sehhor D. Pedro náo coatara ser reeebido f»o bos- 
tílmetite. O estado da lua causa o inqulélan sen -dú- 
Tida. Na impossibilidade de bater 'o eiercito r«elMta 
li'aoiabaUUia casBpiU' concebeo. o plaan de » ÍtJMt 

ü.o.ii-n.CoÜglc 



CTi' deialbe , e átsim -0 infnqaeeei-. As stDgiiiMleiita* 
befttfaas de Poote FerFeira e Granjaiiio deram o r»- 
fitiltado que o iniperador precisáTit. Era preciso um-fei- 
-to de estrondo; bater uma daa doas dÍTÍisÓes qoe ce^ 
cavam o Porto , arreme^ando-a'pelo menos alé aos coti- 
ñm de Trá»-os-Uen(es , ott Goimbra. O pnmeiro fa^ 
Uion , seguDd« estava em vesperas de ser levado a 
«seeu^ao. Desde o dia 27 de jullio em que se Tei um 
pequeno réeonhecimeDto sobre as fori;as de Povoas , em 
Grijó , generai conchiíu , que Ipgo que as tropas do 
Benbor D. Pedro livesscra descancado dis jóniadas do 
dia 22 , e 23 , a sua dtvisSo seria atacada. Povoas , ba^ 
btl g«neral , collooon as snaa Iropes estrategicamente a 
fln de poder tirar partido de todos as armas , é no cass 
de podet attrabir os sens'aátersarios a Gaadra de Souto 
Redondo e envol«el-o« n'uma batalha geral , linha toda, 
a probabilidade da viclona , e assim aconteeen. 

O general Villa Flor sain do'Porlo na noite de 6 
para 7 de agosto com todas as for;as disponi?eis. Pela 
vuoa hora e meia da noite recebea Povoas parle verbal 
do brifad«iro Canavarro de que os postos avaogados da 
!■* brígada foram atacados na occasiáo cra qbe tinhK 
feito patrulhar o piquete cnlre Grij¿ e Villa Nova. Avi- 
sados igoalmente os corpos , eites com rapidei e sem 
eonfusao , se reuniram ás brigadas , e dcntro n'uma fao- 
ra tudo se movia cm ordem e regularídade legundo as 
ÍAStrucfóes do general , e }á este com a 1 .* e 2.' brt- 
gadas estavam em Souto Redondo promptos a receber^ 
alaque, porém »ó depois do sol nasccr é que o fogo 
come^ou em for^a nos f)iqaetcs , que foi bem reecbido 
]»eIos batalbses^de volimtarios realistas de HangoaMe , 
e do Penafiel , e nm. contingente de cavallaria n.° 8 
( f uaái»} qoe 4«ve occutao de carrcvar dvas v«ies SD- 
17 



fwndo Fmou ordBMB a ratinéa dos ^qaetfs c- uui 
-Menas lobre a linha de «m peñtio , e comBdo a li- 
nha dea oi vim ao rai qae dcÍEadia , qae fenM rapc- 
tldM co» «Hwiiamo ; fea ■■» bUa ao r^inaeMla n.' 
-M ( Bngaf^a ) • Uw ncnDineiidaa qne sónente em- 
yngáut tUM deioa^a, e eamgaage i baytmeU , logo 
qae o sen (■■iwaiidaalc ( Doolel ) racebessc ord«n do 
lirigadeÍHi CaBaTarro conuaaBdaiite da 1.* brigada. To- 
éo Bcra en eapecU^o o dqtidaBdo qne Villa Flor ata- 
eaiso Po^oas lendo a attitode cni qoc o esperara com 

• n 2.* dÍTiiÍo , sai BM iu anÍB. Um «10 fogo. de atí' 
ndoras e artilkaria nunpea soke ■ linha de Povoas, 
qso'Ibe tinra das fileiras Itastantes atridados feridos. 
Pofoas jalgon o laoBeoto oppertimo de atacar , e o re- 
ginento 24 , coinraandado pelo tenenle coronel Dootel , 
apoiado por nn eiqnadraode caTatlaría 8 do conunat» 
do do teocnle coronel Ios¿ Uibana, carregoa á bayone- 
(a sobre a artilbaria qne ihe ficoTa em írenle tomandt) 
Bna pei^ e am obDz con nma braTnra , lamentaTel em 
pierra fralricida. O choque foí-táo Tiolenlo, qoe as 
tropas de Villa Flor iciram, iramediata e completa- 
meñle am derrota , e retirada sobre Joilo., persegui- 
das por toda a divisao do sen sdTersario, at¿ além de 
firiji, soiFreDdo coatfniias cargas , qoe qnasi todas su^ 
iMitou eom hiiarria o bravo eoronel Pacbeco do regi- 
mento 10 , unico corpo , que cooseTTBTa alguoia ordem. 

■. X perda foi numerosa , moral e pbysicameBte. Os pri- 
MOnerroB «appresentados subiram a tretentos. No Porto 
tudo Boou atonilo com a deriota de Souto Kedond». 

O senbor S. Pedro conhecea a impossibilidade de 
avan^v para o interior do reino , e adopta o plano do 
**foftj|eut«ria«itatfrM>P9Fto, e «pwir, Aaw fts. 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



«87 

Naí caairis ingTézM rsnovardiii^ os debiteí sobro 
a questao portagueia. Sartorias foi ali accusadode hs- 
ver abusado da bandeira tngleia para fios da cüDSft qae 
adoptára ( 16 de agosto ). 

Ccint¡nua*aiD a a);glomerar-s« trapaa sottre. o 'Porto , 
principalmente as da 3.' dÍTÍsáo a refor^ar a 2.* c 4.* 
O fiscondedo Peso da Regua btvia tonado o commaD- 
do do corpo do exercifo de operago^ sobre o Porlo , e 
■s tropas iam apertando o cérco , porém kntamenle. 

A 8 de selembro avangoa a 2.* divisio dos Carra- 
Ibos sobre Yilla Nota de Gaia, que louiou é Tiva for- 
^a, eieepto a posigao do c(nmtito da Serra do Pilar 
que foi alacada e defendida eoiA valor faeroico. N'esfe 
alsque foi gnlTemente ferido o bowado 'e bravo coro- 
ne) Rtfdrh^ de Sooia Tndella , coiniliatrdante do regi- 
ment« de milf cias de Tondella , na oecasiia de carregar 
á bayoneta com o seu regimento , dentro da e&rca. No 
dia 10 flterfim oS siUadoa ttn desembarque na pfata , 
e srmultaoeamente ■na sbrtída da Serra do Pilar, Ua- 
vando-se rijo comhate , em qiie os silíados foram obrí- 
gados a retirar is saas tríncbeiras. 
p A esqunlra realista de 1 náo, I fragata , 3 corve- 
tas, 3 brigofes,^ 1 vspor safu a barra de Lisboa ( 11 
de setemtn-o) para estabetecer o bloqueio do Por^). O . 
bl6qnei« foi officialmente amiunciado aos govcrnos , mi" 
nistros , e constite] das M^oes estrangetm , qae o re^ 
coBheceram. 

kí baletias atsestadas sobre o Porto e margem es^ 
qoerda do rio DourO raiiam conSideraVeis estrsgos met- 
lendo navros a pique , irrazando c3sas &c. Náo meno» 
éstragoa faEÍamis baterias do Porto sobre Villa Nova 
de Gsia, assim como a» sortidas quasi diaiias, quft 
«Q BaÍH ott UtCBor' far;a' a» siliadef RHHm para am 
17 • 



t outro lado do eyercilo sitiante. Esperm-je todoi os 
dias nm ataque geral á cidade , lendo os siliados g>rati- 
des espefan^as nas saás farmidafeís forliQcajoes , e n- 
lor doa seos , e os sitiantes no aeo nlimero e ralor. O 
viscoDde do Peso da Regua atacou tinalmcole as liabas 
em 29 de setemfaro , por ires diversos pontos ao norte ; 
porém a má direc;io do' ataque fez ceder o ardor , e 
a Talenlia de suas tropas em frenle das foHes posi^oes, 
boa dcfesa, e v^lor dos sitiados, mas náo sem hater 
a lamentar perdas considcraveis de um , e oatro lado. 
A 6 de oulubro foi nomeado marecbal do exerctto o 
dnque de Cadaval. A 7 declara o seobor D. Migucl 
qae Tai^passarDma'rcrísta ao eiercito de opera^oes so- 
'bre Porto. A 8 nomeia o duque de Cadaval 'comnun- 
danle em chéfe de todas as tropas da capital e pro- ' 
vincia da Estremadura que nó momenlo houvesse , oa 
Tiesse a haver , f(TrtaIczas de uma e: outra margem do 
Tejo e do litoral , que faiiam a defesa de L'isboa Slc. ¿ic. 
Hodia 10, a ^uadra do mando de Joao Felix. que 
tinha arribado a Vi^o, sji aquelle porto , e se encon- 
tra com a de Sartorius nas alturas dis iihas de Baio- 
na. resullando um combale renhido no dia 11 pelas 3 * 
horas da manhá , comecando Sartorius a suá rctirada 
pelas 4 horas , e ás S já o 'fogo da csquadra de Joio 
Feliz nao Ihe dava alcance. A esqnadra realista reco- 
Iheu ao Tejo para refor;ar-se daS avariss , e recomecar 
as opera(¡oes. A 14 foi o conrento da Serra do Pilar 
denodadamente atacado pelo habii , e bravo brigadeiro 
PeÍKoIo. A guarnicáo defendia-ge heroicaniente. Mut- 
tos , e distinctos ofüciaes realistas estávam já fóra do 
combate morlos , od feridos gravemeDtc. Peixoto caíu 
mortalment^^rido ( e dizem quc por um alferes de c»- 
-idores^,4c5er(«do para a Serra n'aqaelle dia , wi ni 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



259 

Tcspwa ) qaaada á fireñte do sen regímento de ca^dores 
da Beira Baiia ( Oi 8.° de ca;adores ) niandaTa aTan^E 
Í3 trincheiras. Os atacantes relirarain leTando o seti 
chefe Peixolo , que roorFen dois dias depois em Tirtnde 
de seus graTcs ferimeatos. 

O senbor D. Hignel , e snas aogastas irnüs as senho- 
fas inrantas D. Isibel Maria , e D> Haría da AMma- 
p;ao , saem de Ltsboa a 16 de outofaro para le estabe- 
leeerem por algum tempo era Braga , a llm de o senhor 
D. Mígttel estar mais perlo do sea eiercito. Por todas 
as terras do Iransil» foram os augnstos viajantes Ticto- 
riados. A sua entrada em Coimbra , acontecida a 20 do 
dito mei , foi um dia de alToro;o ineipltcaTel. AqueUa 
cidade nao via um rei dentro de seus muros desde o 
senhor D. Podro ii. O corpo da Uuiversidade , o bispo , 
o cabido, o senado da camara , as auctoridades gítís e 
militares , tropas , e pessoas de todas as chsses saf ram 
a esperar a iámilia real fóra da cidade , como é práti- 
ca de antigas eras. 

Assalto de noite á Serra do Pilar, qtte foi repellido 
(34 de OQlubro). 

O Tísconde do Peso da Regua foi exonerado do com- 
maado em cbefe do exercito de opera;oes sobre o Por- 
to, e nomeado para o govemo das armas da corte e 
prOTÍncia da Estremadura , de que foi eionerado o TÍ3- 
conde de Veiros / mas nomeado n'esta occasiao [ S6 de 
ootubro ) marechal do eiercito em atten^ao á sna lon- 
ga carreira militar , e relevantcs serTÍ^os feitos ao Es- 
tads. O visconde de Santa Hartha tomou o commando 
em chefe do eiercito de operaijoes sobre o Porto. 

A Eimilia real depols de ler visitado tudo quanlo haT 
TÍa de DataTel em Coimbra , salu d'esta cidade no dia 
39 de oQtubio na direc^lo de Braga , onde chegon no 

II .-" I. Caoylc 



dfa ( * de nOTanllM , etDlCiHuiido a recflber ftroni «ñ« ' 
eqaÍTOcas 4e verdsdeiro respeito, inteteMe, e mesBHj 
Bmor , notando-ge qae indÍTÍduos.até ali conheeidos por 
desatfeclos i ordem dc consas, eram os mais empe- 
Dhados em obscquiar os reaeg viajaQtei. 

Sortídas pelo lado de QuebraDlOes e Furada : foram 
repeVlidos ( 14 dc noTenibro ). 

Os sitíados comeca*am » ter eKicei de mnRÍ^oes ; 
principalmente TÍveres. As deser^oes eram grandes, 
alé mesmo nos estrangeiros. Huitos nsTÍos tinfaam lido 
' mettidos a pique pelas faaterias. Havia necessidade de 
fazer sortidas-para obter communica^óes , c mtmi^ÓGS. 
A 14 de norembro se effectuaram tres sortidis , duas 
ao sul por Quebrantdes , e Fnrida , sendo repellidos 
pelas tropas da 3.* dÍTÍsáo ; jgnl sorte tiveram na ser- 
tida ao norte por Lordello , onde foram cortados pela 
2.' dÍTÍsao , seguindo parte para b cídade , :e parte pa- 
ra casletla da Foi. A 17 fiieram ontra íguii •ortida 
por Paranhos e Crui das Begateiras. 

O brigadeiro Lemos loqja o commando da 3/ dÍTÍ- 
sáo , e Sarmento passa a lomar o da 4.' No Porto taro- 
bem havía madanQas. Ao general VÍ|U Flor foi tirado 
comiaandO'; porém fbi feilo daque da Terceira pelo 
senhor D. Pedro. 

Os sitijidoB Aieram uroa aortida efla for^a de leii mit 
homens sobre os Bcampamentos da 2.' e 4.* dÍTÍsóes 
em Ramalde, e Paranhos, conseguiodo ÍBcendiar aW 
gamas barracas do acampameDto do eieccito sÜiaDtc ; 
foram porém repellidos por uma oBrga dada per nm es-> 
quadrao do'regimeoto de OTalIaria de CbaTes , o oim 
denada pelo general Telles Jordáo (38 de nOTeñbio). 

O senhor D. Migoel creoti nma diitinc;áo ie Mlér 
e oierito pani o íea exarcito (14 de dcHHAc*}. • - ~ 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



• Srttt ■ysloia Í9 !i«lM» en m» MwsiM* jIm ' 
süiadM |M» (rt)ler Tir«ret , racrarar ■rtiIliarU , « át9- 
tratr as dbr» do sitlo. A 17 de deicmbrD llitrám os 
■iliMlos DDtra soTtida para o lal pelo titto da Furada. 
fl Candal , deisaDdo na sua esquerda a guami<¡io dn 
Serra fque fóra refotfada dnraDte a Doíte por UDi ba- 
talhao ÍDglei, e ooUo frances ) eib attitude de ataque, 
para apoiar os seDV iDOTÍneDtos do oenlro e direíta ; 
forain poréni repellidos pelo brigadeiro Lemos, com- 
maBdaDle da 3.* diiisiio, distÍDgDiado-se n'esta ac^aa 
o batalbio de ToIuDtarios realistas da CoTÍiha e Fun- 
dao , e o 17.° de infaDleria (3.° reg. de inf. d'Elras) , 
q«e poieram os aggreiiores cni precipitada retirada so- 
bre rio Donro, oade pereceram em grande Dftmera 
afogados , e deiiaiHlD mDÍlos mortoi do campo , e gran- 
de n6m«» de prisioDeiroi. Nasna retirada ÍDceDdla- 
ram o conreDto de Val da Piedade, qne todo arden,' 
e eocrararam Dma bateria na Farada « mas ISo mal,. 
qae seodo [VúmptameDte desoDcravada Ihes fes logo 
mDÍto fogo. 

No Diesmo dia i7 em qae se dara a aci¡ao ná nar- 
gtm esquerda do DoDro , o •enhor D. Uiguel passaw. 
reriaU ia 2.' t 4.' divisdes dosca eiercito, acainpa- 
das ^o norte, correDdo n'esta occssiio ^raDde riseo, 
pelo ranito fogo que se Ihe fet das batcrias dos sitia- 
dea , quendo as obscTrara , e aos belIigeraDtes da mar- 
gem esqaerda. No dia IS fai o mesmo augttsto senbor 
passar rerisla i 3.' diriuo acampada em Villa Nara 
de Gaia , e a t^risitou a fundigio dc ferra de Crestu- 
ma ; regt^s^aDdo a firaga no dia 20. 

As obras do sitlo cada téi ge adiantarsm niais , priu- 
eipalmente nas bateriaa do sul para fechar a barra áo 
Oonro, porqae o principal empenbo dos siliantas era 



ndutrem' peh iant m. cxcraUO'do senbot D- Pe^. 
O general em cbefe do exercilo realisU dcclara MS-e»' 
tratigeiroB qae o porta se acha fecfaado pelas baterias , 
o o bloqueio é reconbecido alé pe)Gs ingleies. O faln- 
ro de Porlo era horrtvel. Algum niTÍo qae se arnsca- 
ya a enlrar a barra , e CKapafa de ser ineltido a piqoe 
na occasiáo da entrada , nem pur. isso estaTa livre de 
ter tal sorte , poÍB mesmo denlra do Douro, niuitot 
forsm inetlidos ao rando, ou incendiados. A esqoadrí- 
Iha que os siliaDtes lÍDham em Anotes tambem aada 
deixava entrar. Na cidade come^airain a escacear os 
ntantimentos. Ai tropas cstrangeiras ao senico da se- 
Bbor D. Pedro estavam n'um estado de insnbordina^ao 
insupportavel porfalladepagamento, e per ontras moi- 
tas priva^ees qne os alormeDtaram. 

( 1833 ) O anno de 1832 haria corrido , detsBBdo ao 
senbor D. Pedro e aos seus cercídos oa cidade do Por- 
to , depois de seii mezes de desenganos. As poucas 
deger^óes que.sua magestade imperial rec^udo exer- 
cito dercQSor de seu augusto irmio , nio compeBsaTam 
as muitas que diariamenLe abandonavam as suas Mei- 
rat. Nüo baTÍa harmonia entre os principaes chefes no 
Forto , e sobre ludo a falta de meios , e nio baver qaem 
adiaDtasse mais dinheiro , tudo faiia parecer que a causa 
do seahor D. Pedro se eacaminhaTa a uma completa 
dissalui;Ío. 

O'general francez Solignac (32) conseguiu eotrar no 
Porto , e senhor D. Pedro o fez marechai do sea extr- 

ISÍ) SoUgnac foi o vileDte ofGcial fnncet que em 1803 
fagiu dii ordeDaoi^i de Thomai' , mai alicou o cirio de 
Notia SenhoTa da Amdiaoein, toDiaMdo-lbie diia* ban-~ 
deitu, 4c. 



.CousJo 



m 

clloy déD-ltie cominaDdo, e ao mcsmo 'tempo o iio- 
IMOD msjor general. 

A esqtiadra'dc Sartortns é obrigada pelo gofemo 
besftanhol a sair da bafaia xle Vigo , e prohibe-se quo 
selbe vetKtani TÍíeres. A esquadra naTegD para as cos- 
tas do Perlo, e a-24 de janciro rompcu tivissimo fogo 
sobre o castello do Queijo , eslrema direila da líalia . 
dos sitianles do Porto , e ao mesmo tempo oma for;a 
de sete balatbóes , e um esqiiadráo de lanceiros saíu 
do Porlo e alacou por T.ordello e Nogovilde a 2/ di- 
?isao (Telles Jordao ) , traTDndo-se um rijo comlisto 
em q»e pereccram baslanles portugueies. Úma fragaía 
da esqoadra Ae Sarlorius tambem sofTrcu baslante do 
fogo qoe.lbe fer o caslello do Queíjo. ' 

O general Cordova , noTO mÍQÍstru hcspanhol , cfilre- 
g» as suas credcnciaes Tio paco em Braga ( 16 áe ja- 
neiro) com as formalldades do costume. 

.Oespirito dc rerolla maniresta-se na esquadra- de 
Sartoríus, qne vai cslaeionnr-se nas ilhas de Baiona, 
e receando-se qae os marintieiros levassem a fragata 
D. María. Sarlorius exigía os soldos para si , c para 
08 lens marínfaeiros , quando n3o qiie se recolbia n In- 
glaterra , e vendia os navlos para se pagar. Igaaes des- 
iptelKgencias havia com os estrangeiros cngajados , re- 
tirando-se do servi^o , Hogdes , e outros oQiciaes e sol- 
dados , com os quaes passou a Inglalerra , bafendo al- 
gUDS ofliciaes , e muitos soldados que preferiram appre- 
sentar-K, como os que quasi diariamcnte se appredcn— 
taram , no campo do senhor D.Miguel. 

O senhor D. Pedro lanca no Porto noTas conlribai- 
;5e> no ralor de qualrocentos conlos de réis , para po- 
der contÍDuar a faier face is despeias da guerra cm 
qoe estaia empeBhado. 

ü,ol,-f-n,GoOglc 



.. {) conde de S. LoureD{o, tniiiíslro át Kflerrt'do M-. 
nhor D. Uiguel, »«i tomar o eommando do exemtOv 
de operasoes sobre o Porlo ( 21 de feíefeiro ) , 6canda 
ÍDterÍDanieDle com a pasta da guerra o chefe do estado 
maior general do eiercito , conde de Barbacena. No 
dia 4 de mar^o fei o conde de S. Lourenco um reco- 
nheeimenlo sobre toda a linha do oorle e aal , operan- 
do Umbem a csquadrilha do Doiiro. As tropKa avauGa» 
ram denodadamente , chegando as da esquerda { ♦.' 
divisáo) a occupár poBÍ;des sobre as trÍDCheiras, ptAo 
que mais se Ihe póde chamar um ataque fbrmal. Parte 
das Iropas realistas aó recolfaeram aos seus rcampamen- 
los pelo sol posto , sendo os pontos por ellas occupa- 
dos n'aquelic dia , Dovamcnle occupados pelos sitiados. 
As perdas foram grande»do parte «parte.-O eiercito 
realista leve basUntes officiaes ÍÓra do combale , aendo 
dus oflicíaes superiores , morto o major Castro do 20.* 
de infBnteria ( Ábraotes ) e mais cíhco gravemente feri- 
dos. Uagoa-Bos o coracao o ter de narrar scenas tio 
trisles , a hravura de porluguezes ( algans , d'ambos os 
campos. nossos inUmos amigos) em guerra fratrícida, 
mas é historia , e a historia nSo deve ser adulterada. 

Oi tcmporaes nio deiiavam lentar a barra , meEmo 
a linchas. Um brigue , que tentoii entrar cm 6 de mar- 
(o, foi mettido a pique pelas baterias da Furada. A 
pentiria rcina no Porto fiorTÍvelmeDle , }i pelos erCeilos 
da guerra . já pcla fome , e pela ch(4cra-morbi» pira 
ali importaila pelos estrangeiros. 

Os soldados a^orianos que haviam abandonado ai G-. 
leiras do (Dnhor D. Pedro cram em lao grande núrae- 
ro, que o senbor D. Miguet mandou em 9 de mar^o, 
organisar nm batalháo cooi os qiie pedtam para MDti- 
Duar fervifo no eicrcito realisU. 

üo.i<-f-n,GoOglc 



Á efqmdnt ia SartorÍBs canliniiiva no nesRo «Ur 
dodfl tntami^o, « o senhor D. Pedfo demittiu San- 
lorÍDS.mi 13 de.niar9a', nuniliiido entregar o comniitnr 
do ao capitáo Crosby , a qiie 8arturius recusou obeder 
cer , B proleston contra o que elle fhamava violcncia 
do govefBo da regencia. ¿enhor D. Pedro mandon 
Crosby , e Dojle á esquadra para prender o almiraiil» , 
miisáo sem dúvida de bem difficil eiecucao. Os enT 
viados apprewDtaram'Se a Sartorius diaendi^lhe, \ós 
¿bis nosco prisioDeiro , a que Sartorias respondeu , t¿> 
é qae o sois , e os metlcD no porao da fragata D. &la- 
ría. SartArius Imbrou ao scnbor D. Pedro o proccáü ' 
metUo de lord Cochran» para eom tua mageilaá* imperiat. 
O senbor D. Pedro procuraTa de ho moito quem subsli- 
tuisse no commando da sua csqnadra a Sarturliis , « 
etle DHistraTa.bastaijLe dissabor por tal proccdimenta 
de sua migcstade imperial , nio se lembrando qae ha- 
vÍB itdo elle Sfrtorius qucn havia organisado a sm 
esqnadra para teolar a expedifáo , e o primeiro a len- 
lar 08 primeiros perigos dc nma tal guerra. 

O govemo áo senbor D. Uignel manda abrir nai 
pra^as de Parfs e Londres um empreslimo de qiiarenta 
mílhoes de francos (15 de mar^). £ certo, q*0 % 
causa do senfaor D. Pedro se reputava perdida n>s pra- 
^als estrangeiras , porque a.náo ser assim , nao havería' 
ban<]ueiro qne eDlrBsae para tal emprestimo como ttté-. 
etÍTamenle faouve , e muitp de prompto ; poréra o go^ 
Terno do senhor D. Hignel ponco le apraretloa de sU 
iDÍlfaanlc recurso, parqnc aconteccudo pouco depois a 
ioesperada lomada de Lisboa pclo senhor D. Pedrn, a. 
gOTentD d'esle senhor lan^oa mio dos ruodos que ba\ift 
do dito empraitiroo. 

Safram de Hadrid para PortagKl e pnncen d» Bci; 

ü,o,i¡-n,Googli: 



n T>. Ibria Teresa , e os senbonn ínGiQt^ T>. Seltts- 
liio , e D. Carlos com as snas familias , en) 16 de mar- 
i¡o , chegando a EWas a 21 , a Villa V)(¡osa n 03 , e a 
¿itboa a 29 do dito mei. 

Telles Jordio foi dcmitlido do comraaitda da 2.* di- 
visáo do corpe do eiercito sobre o Porto , passaDdo a 
govefiuc de novo a Torre de S. Jnliio da Barra ( 19 
de marco ). 

Ac^o nas Antas do Piohal entre os sitiados , « parte 
da 4.' dÍTisio que se oppoz aos trabalfaos da linha de de- 
fcsa dos sitiadoSf em 24 de marco. A 25 rizeram os gi- 
liados uma pequena sortida para o sul sobra a bateria 
da poDla do Cabedello a ftm de a deslruir, retirando 
,sem poderem consegair o seu imnito. A batería da ponta 
do Cabedello , pela sua proximidade á bocca da barra , 
naa deixava passar a salro os mais pequeDoi barcos. 

Em 7 de abril fui o commande da esquadra tirado 
RO chefe de esquadra Joao Felii , passando a exerccr 
o logar de major Gcneral da Armada , e inspeetor do 
Arscnal Beal de Harinha. Para o commaado da esqua- 
dra foi nemeado o chere de divisáo Abotm. 

Sortida do Porto para a tomada do Covelta ( 9 d« 
abri4). Oi sitianles tractarara dc rctomar o poDto, do 
Covello , r|ue nño consegairam ( 10 de abril ). 

O senhor D. Uíguel passa rcvista ao eiercito era 19 
e 20 de ahril. Do Porto faram lnn^ados para fói^ crian- 
^s, velhos e estrupiad'ts poc oao tecem abrigo n'uma 
cidade lio estrcítanicate sitiada, e ondese tornaTaDi 
jncommodos. scnhor D. Uiguel manda rccolher ai 
criancas m collegio dos padres jesuitas em Coimbra ; 
aos oatros tambem manda dar abrígo, sendo mandados 
para os corpos dc veteranoa , os que eram militares , ft 
haviam sído aprisioMdos. 

ü,o,i,-f-n,Googli: 



t67 

' As tMiteríirs ráalisUs metleram AaJs dois brífttes o. pf- 
qW', assim como algnmas catraias (21 e 23 de abri)). 

A cbolera morbDs descDTOlTeu-se em Lisbaa e por 
todo o litoral , onde fez horriveis estragos. O gotvmo 
. áá as mais acertadas proridencias para gbter a dimi- 
nui^ao do.contagto. 

O general Saldanha foi (inalmente chamado para tq- 
mar o commando do nercito do senhor D. Pedro, on- 
de faaria faastante desintelligencia entre os cberes. Sar- 
loriiig esperava receber os pa^amentos alé ao fim de 
«bril', quando nüo qae retirava cobi a esquadra. Quio- 
telta Bppresent»-se so scnbor D. Pedro, e Ihe presla os 
aeosgrandes fundos, cont que o imperador aínd^'esla 
vei pdde livrar-se dós gTandes apuros em que se TÍa'i 
e saivar , se assim se póde diier , a saa causa. 

O Porto «offria toda ■ qualidade de priva^óes, e o 
exercito sitiaBte cada vea se lumava mais animado 'it . 
agnerrido. K guerra teria acabado, sem dúvida , ae ti- 
vesse havido da parte dos generaes realistas mais um» 
pouca de energia. A esquadrilha realista no DourO « 
em Bfathosirihos continüava a inqnietar os sittados. 
senbor D. Uignel passa oatra rcvista ao eiercito a 9 e 
10 de maio , e a 11 reeolbeu a Braga'. 

castelto dc Gaia , j¿ artilbado, rompe em 14 de 
maio , o fogb contra a cidade. Os agentes ctmsularGS 
estrBDgeiros irvoram as baodeiras das snas respecliva» 
na;oes, e represenlam ao general em chefe do corpo ' 
do exercito , qoe sitiava o Pfrto , que houvcsse de as 
mandar respeitar ; porém o conde de 5. Louren;o res- 
ponden que nao podia faier cessar o fogo nem garan* 
ti-Ios das contiogencias , a qne pela saa eslada na ci- 
dade sitiada dles se achaiam expestos, mas que do 
caso (te qoererem prover i sua s^nran^ retiranlo-stt 



,u8lo 



4'élU, «stava a^tóriiado a permiUir'lhes que o po- 
dMsem ctTectuar. MdíIos marinheíros estraDgeiros dei- 
sam • servi^o úo senhor D. Pedro, e se reliram pari 
Ingíitcrra. Forsm mettidos ao fuudo mais dois biates 
(16 de maio), qoe eutravam a barra do EhHir.o. As 
appresentacoos de tropas do Porto continnavam ( 25 e 
27dcmaio). 

' A senhora príaceia da Beira , e os senhores infanla 
de Hespanba passam. de Lisboa para Coimbra com » 
guas familias. Cbeganim áquella cidade em o 1 ." de 
}«nho , e senhor Ü. Higuel chegpu ali pela posta no 
día 2 para vísitar sua auguste irmá , tio , sobrínhos , e 
primo^ No dia 4 tambem chegaram á mesma cidadc 
U lenhoras iirfaotas D. Isabel Maria . e D. Hai-ia d'As- 
gump(io. Snas alteias reais ftcaram residindveia Cainv- 
bra , c o^nhqr D. Higiiel parliu de Goimbra no dii 
12 i pela posla , e foi assentar a sm quartel geDeril 
na qninta da Pettra , lo noTle d» D<ñir« , janto a» 
exercKo , onde cbegaa pela mña bora depois da meii 
noile do dia 14. 

Chegaram a Inglrtevra loMaáQs estropiados do exer- 
cito do scnhor D. Pcdfo, retirando da cidade do Por' 
to. Estcs individuos apprescnliTam o aspectode homens 
qóe tinham luctado com todas as prí'va^s. 

O smbor I>. Migael attgmenüiva o seu eiereito, e 
esperava o mirechal Baormont , e outros friDeeEes ge- 
nerses e oSeiaes screditados ptira Hies cenfiar eom- 
snndos. Uandou a Inglaterra coraprar trcs vapores pa- 
ra rcforear a esquadrx , e o commaBdo' d'esta seria da- 
do a tord Etiote , qne se preparava a parfir noB niesmos 
vapores , traaendo para distribiiir pela esquadra triflta 
•ttciwss , quÍDhentos marinheiroB , e algnns artílheiros 
iKgVéats. Tódos eAes refor^s mn espendni «Cé-3I> de 

,i».„,.-. I. Coo^ílc 



jatíté , e é 'certo , que o's smigos da sentier D^ P«dré 
uo estraitgeiro Ihes daTam importancia , e ínstaTam ^■^ 
ra qu« uma pirte do eaercito Ao ¡mperador safsse do 
Í>orlo , paFq,ue tal safda era uma necessidade absoluta 
para náo lerem ali morrer'uma causa , pela qual tan- 
íos sacriflcius se baviam já felto. A safda para fúra iSa 
Porto era sujeita a grandes conlingencias , mas era o 
UBÍeo meio de obler alguma cousíi , e náo admittia de- 
inoras; o general Saldanha era d'esla opiniüo, e logo 
qae tODMHi o comraando trabalhou por abrir commnni- 
ca(aes pela Luz ao oorte do rio Douro , e farem cstas 
obraa de grande proveito para a causa que o geDeral 
derendia. 

O gof emo do senhor D. Hignel sabía qne se trataT^ 
d'uma eipedí^ao da parte do Perto; porém parecia 
'acreditar qua ella teria logar por terra rompendo a li- 
Bba , e náo per var. Os preparatÍTos dos generaes rca- 
listas , mandando reunir no exercito sobre c Porlo , 
grande uümeTo de transporlcs, indicaiam qnc espera- 
»am seguir a eipedi^áo , e para isso qiieriam , que na- 
da TalUSse ao seu exerci(o para uma rapída marcha. 

O scnhar D. Pedro obtevc restaurar a sna csquadr* 
das máosdc Sartorius cora o dinheiro que em abril ihe 
prestou o bario de Quintella. Em Inglaterra engajoir 
Bovos offlciaese marinheíres .e entTeos primeiros oca- 
pitao Napier, a quem fez almiranle , e the entt^goa o 
commanilo da esquadra. Naofoi sd em abril que Quin- 
tella prcstou soccorros ao seohor D. Pedro , poís jd des- 
de os fins do aano préteóto ( 1832) Ihe tinha Tatfdo 
tm firandes apBtas ; porém o imperader bem Ihe retri- 
buiu lacs Anezas , dando-Ihe cm 10 de novembro de 
1832 , cMtracto do tabaco por doic annos , consa al^ 
aii oi* fbla , faieBdo-lhe pesteriormetite ootras mercé»' 

ü,o,i,-f-n,Googli: 



S70 

hotwfificas , taes como , etn abril o titalo de conde de 
Farrobo, em maio o de grao crui &c. éic. Ootroa oihí- 
tos individuos foraro sgraciados pelo mcsmo aDguslo 
scabor, o entre elles o mnrqueE dc Palmella eteTado 
á grandcia de duquc. Por ouiro lado tambem o senhor 
D. Uigucl rccompensava os seus fieis servidores , e as 
familias dos que percciaro nos combalei. Alguns trai- 
dorcs LeTC o senhor D. Uiguel , que depois de rccebc- 
rem postos e hoaras do mesmo aogasUi senhor , foram 
para o campo do seahor D. Pedra , oude Ibe foram ga- 
raniidas. 

Besolveu-sc no Porto , qac a expedÍEÍo fosse Unfa- 
d« ao Algarve , para o que a esquadra de Napier se 
«prosimou ao Porto , e ali f6ra da barra recebeil dois 
mil e quiaheiitoE homens dc [ropas escolhidas , daodo- 
W o commando d'esta fori;a ao duque da Terceira. 
. duque de Palroclla acompanhavtA expcdi^üocorao de- 
legado dg regeute , em materias civis , para o caso de 
podcr exerccr csscs puderes , cm algum pouto em quc 
a cxpedifáo sc podcssc firmari cmbarque concltiJu 
cm' 20 de jutihu , pela nüva communicario da Lui , lO 
norte da rio Douro. - 

Os generaes rcalislas livcram logo conbecimento dft 
deslino da e:tpcdisao, c dcstacaram psra o Alemlejn 
Uma ramosa brigada de tres a (luatro mil homens át 
tropa¿ dc todas as armas, confiando o commando d'eS- 
ta for(a ao brigadeiro Nuno Taborda, tcndo por chefc 
d'cstado maior ao lenentc coroncl Augusto Xavier Pat- 
mcirim , de qucm o senhor D. Uiguel muilo csperava , 
pela sua condiicta passada, dislincto cm todos os com- 
bales do cérco do Porto , agráciado liberalmenle , e go- 
«ando da amiiailc do sobcrano qiic jiirára rui aind» an- 
tet qiw B na{$« olBcialmeatc o rcGOahecesse conao tat. 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



m 

' estado da ¿espanlia m assDitador. Pernaiidff vn 
lendo casado e éaTÍuVada por trca vezes b3o pAde obter 
ñihos. Ibrono passava cfn tal caso para sen irmáo o 
jnrante D. Carlos ou fllfaos d'este , em c^So de fnorte oa 
abdica^ao. Ferbahdo passon a quarCaB nupcias comMa* 
ria Christina, fllhadó rei de Ñápoles. yaría Ch'rísti- 
n> Ihe deo duas fllbas , mas as fllbas i)3o pódiám; dd 
direito reinar em Hespanba , que Ib'o vedava a )ei sa-* 
lica ( S3 ) , lel que reguUTa a successáo em Hespanha 
depoía da ttiorté de Carlos ii, admittiado uoicámente 
es (ilhos varocs com exclusao perpetfia das femcas. 
Apesár da lei , Fernando.oa Uaria Cbrisliná , qne- 
ríam que sna (illia inais vclba reihasset mas para isso 
cra pfeciso naáa mciios do-que destruir a lei pela qual 
a casa dc Bourbon occupava o throuode S. Fcrnando, 
6 que excluiu a 'dynaslia dá casa'd'Austriá. Destrilida 
a lei saliía, a cAsá d'Anstría poderiá áspirar i nová- 
meDle occupar o Ihróno dó Cárlos i [imperador Car- 
los 1). Todavia as funestas cotiséqaencias que pode- 
riam traxer a Hcspaulia uma tal mudan^a náo faram 
Gapazes de fater parar a torrentc das ambi<¡aes. Fer- 
nando vii dominado por stia muther , e eSIa pela in- 
tfucncia dos governos de Luiz F¡lippe,'e de Guilher- 
me iT ; rooribundo o rei , e ( sc houvermos de ,Bcredi- 
tar as dcclara;oea em Parls e Rouia feitas pela pto- 
pria rainha D. Maria Chrlstina' qdando eKpatriada por 
Espartero) sem saber o qüe fazia, praltca o acto mais 

(fiS ] S«b e*te nome é eonlierido ná hiitaTÍa nm codigo 
Aé lebdoi franc-Mliencei , hibiUnteidairaar);eiHdBSia]e, 
•TÍlMlra da ADemiaha,^ diipoitqiu mai* noUiel d'eite co- 
'■"" é ■qaella que Brohibe ai niDtberei a gucceiiao a terra 

d.^h«| 



diEo e ■qaella que Brohibe ái niDtberei a gucceiiio a terra 
Mlica. Rfla diipMÍ^io tomou-K agim da* lei* fuadameatae* , 
4« monHcliM frraceic, ■ d« heafwikola dcide ITOOi 



I. Coo^ílc 



rra 

AupaiicQ , Miptillmdo a lei ptla qn>l relMTS e a loa 
bñili« deide Filippe v. ialeDte D. Carloa , manda- 
do uir pan Portugal, tiDha préviamcDte felto os seus 
praleilo*. EsUndo já o ÍDraote em Portusil > nuiiKtou 
•iodt • carta de proteslo Beguinle ao rei sen irmio: 

« Seohor. Bo .' D. Carlai Maria Isidro de Bourbon , 
íatmin de HeipaDba , eitaodo bem eonvencido dog le- 
gitimoi direitos , qne tenho á coroa de Hespaaba , no 
cuo de que V. H- nSo deíxe lilho vario-, declaro que 
a minlui consciencia e a mínha bonra oia me permiL- 
tem o prestar o juramento, ou reconbecer oulros di- 
nitos. Eu o deelaro assim , Senbor , aos Beaes p¿s de 
V. H. yosiD aETeÍcoada Irmio e Subdíto — O lafante 
D. Cartos de Bpnrlmii. No Palacio do Ramalhao , em 
33 de Abril de 1833. » 

(h protestos do fnfante de ntda Taleram- A infanta 
liaria isabel foi jurada princeia das Asturias { berdei- 
n da coroi ) , oo dia 20 de junho , tendo n'este tie- 
gocio nma parto mui scliva os governos francei « in- 
glci. O infiata D. SebBsUao , rei de Napoles , o rei 
de Sardenha protestaram tamtiem contra uma lei que 
es esbalbaTB dos seos evenluaei direitos como mem- 
l>tos da casa de Boorhoa. As oulras potencias , etce- 
ptnaDdo a Fraaca e Inglaterra , tambem nSo reconbe- 
«er.ain a ordero de tnccesslo noramente esubelecida 
em Hespanba. Haria CbrislJna mandava por «eu mi- 
nístro Zea Bermudci prometter a D. Carlos a mao da 
jOven princeza para seu filho , tambem principe das As- 
hRÍas; porén D. Carlos negou-se sempre acceitar o 
[■Tor do IhroBO para sea filbo, quer«idttHt sómente 
obler pelo 'direlto, 

. A lei salica introdndi^ Cma Ftlippe t em Bespa- , 
Bba pwa leparar ett4 peteoGÍa if. M cjm d'iiutria , 



0,i,-f-n,CoOylc' 



873 

(bi 'áekoáÜt^ p«los heipktibdcs áé Filípiie V , taiÍNl-' 
dos pelos fraDcezes, eontra Carlos in óa archtduqaft' 
d'Aaslria, é seu parlido em HespRDln laiiliado por 
Portugal , iDglaterra , Atislria , Bollandi , Dinamarca , ' 
e.Suecia. Foi ama famoia gOerra de quatorfo ■nnoi, eut 
<tae trtunfou a dfnaSlii BoUrbonlca , é a lei gilica ; Í 
esla lei depois jurada e dcfendida por lóda i naj^ft 
pór mats d'uin seculo , línha em HéSpaaha gra&de prés- 
íigio , e dava a D. Carlos bein fundadas esperati^S parai 
poder supplaniar ú revola^ño qtn deltruia • lel de nc- 
cessao com os scns direito). 

A 34 de jniiho deserBbarcoa dnrpfe da Teteelra 
na praia de Cacetla no Algarve. X'esle menno dia uma 
eScutia artitliada, qiie cottdD^ÍB oítenla e taotos ingle- 
les para a esqiiadra dc Napier , fot tao^di pelo rento 
rijo sobre Peniche , d'oiide Iba Sieram fo|a nbrtganao-é ' 
S rendcr-se, ñcando Idda » getile ptisíoneiíá. Oatrft 
navío com írtittdezcs já heTla anteriormenle jido «pre^ 
Sado , qaasi pela mesma, fúrma ni cofta áa norte. 

Os emissarios do setlhor D. Pédre Inbathavain por 
fkier atgnma e<Misa no interlor pira apofal- a eipedtfüo. 
Já nó mez de abfit hnuve uma tetitBtÍTa no' Pendio, 
danda o grito unl suldado do deposito de eavallaria n.* 
8, porém grito nüo foi onvído, e a sotdedo fiigia.. 
A 21 de junho akt hespanhol r^sidenie na Barqoinha 
cúnseguiu com alguns contrabandistas dar o griio peto 
senhor D. Pedro , sendo logo seguido pdr outros ind)- 
Tidnos , e dirigindo-sé a Thomar , onde nSo havia ¿trar- 
»Í93o , aK Szeratn i accIamae3o da rainha t ptTém togo 
liveram de fngir pttrg Hespanha em debaifdftda peri«K 
guidos pelo bstalhao Asoriano, • por elguma cavalla- 
ria , e ordeoanfes. 
f isconde de lCoIellos , general do Alg<rre , • tiún- 
18 » 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



e da 5.* dWIiSo áo etercito do naliór D. ll!> 
guel> nm obstoa ao desembarqne d> eipedi^ao , nem 
manobroii ■certadamente para obstar ao seu progresso , 
4e mineira qne , qnasi sem resisléncia abandonou a 
promcia, relirando para o Alemtejo, « o duque da 
Terceira , sris djas depois do sea desembarque , en 
senhor do Algarre. 

A esqóadra realisti safa a faarra dc Lisboa ~ne dia 
1.* de julbo, tefldo o chefe de dimlo Aboim ordem 
de naregar para a altnra do Porto , ou Viila do Coode. 
Eata ordem foi dada pelo .seubor S. Higuel [ 54 } a 
qaüm acoDselbaranl est^plano , dizendo-lbe , que a jan- 
ta reTolucioDBria eni Lbboa tratava de corronaper' os 
officíaf;», e guarDJgao da esqnadra, e alé mesmo lan- 
^ar o fogo á mesma esqoadra, aotes da chegada de 
Bliote , e mais ofBciaes , q marinbeiros inglexes. O se- 
nbor D. Higuel Sásustado com taes revelacoes , tomoo 
o consetho, de que era melhor , qoe a esquadra safsse 
do Tejo , para o norle , oode o mesmo augusto seubor 
Ike pBSsaria nma revista , e n'essa occasiao tiraria o 
commahdo a Aboim , e o enlregaria 'a Eliole, leDdA 
logar, sem reccio de reTOlugáo , a iatroducfáo dos oRi- 
ciaes ingl^tes &c.'; porém Aboim , em logar de cuiu- 
prir as ordens do sen soberano, navegou em direcráa 
opposta procurando Napier , náo fazendo caso das obser- 
Ta;oes, que um oSdal seu subordiuado Ibe fizera a i 
tat respeito! A 2 de julho a esquadra realista eslava 
á vista da de Napier nas aUoras do Cabo de S. Vicen- 
te. Napier mandou a Lagos cbamar os seus vappMS, 
que se Ufe reuniram de tarde , porém recusaran^ entrar i 
B flcn leui ' 



27B 

em combale sem qae se Ihes iixse doas ebíI libras á 
cada nm ; todávia Napier conlla?a n» inimigo qtw línba 
a vencer, e no dia-S pelas duas buraa da tardc atacan 
a náo Bainha de PorlDgal , sem faier cago da náo l>i 
Joáo Ti í SS ) . que se entregon scm tWr am tiro, e 
qirasi Benhui&a resistencia flieram os onlros navios, e^ 
ccpttiando a nio Hainhs, que se defendea herokMuen*' 
le. Dcntro ein poncos minulos a esquadra er» toda "áe 
Napier . cxceptBando duas eorvetas e nm bfigHe que es- 
caparam. brigue foi ler á Hadcira , onde se conser- 
vou , e as duas corvetas entraram o porfo de Lishoa. 

A saida da esqttadra do Tejo , antes da chegada dos 
vepoKS, de Eliote, c, mais refor^os qoe se esperavam 
por dias , deu logsr , e ainda hoje dá a reflexSes pou- 
co bonrosas para^algms dcs homens que dirígiram 09 
negocios politicos e aeonselharam o seobor D. Higael, 
duranle o seu reinado. 

A caosa da rainba ganhen rapidamente nma grande 
posiqao com a tomada dá eaqoadra adTersaria. Reror- 
eada a divisao do duque da Tcrceira com tropas da 
btigadafla marinhsapri«Íoaadas na esquadra, mas que 
tomaram o servifo, assimcomo com ofücjaes e soldados 
appreséotados no Atgarve , emprehendéu o avancar por 
todo o liltoral , o similhante avanco pouco risco pod»^ 
ria t«r com uma forte esqnadra que parallelamente se- 
goia a eipedi^ao , para a receber no caso d'ain revei. 

Quando taes acontecimentos tiaban logar , cbegava' 
i Vianna do Hinbo om dos vapores eomprados pelo 
gov'erno do scnhor D. Higuel, conduiindo o marechal 
Bourmont, com oulros geaeraes, e oiliciaes franceics 
para o eicrcito. A 14 dc julho fai Bourmont nonieada 

(65) Officiode N«fi«Miniahtrod« marinha.- • 



sr?6 

pel9 teiilior D. Higuel OMrcclul gwml Ao csercíle, 

C cbefe d'ettfAa maioT JDnta di sua real pessoa. O te- 
HentQ genaral conde dc Barbacena foi t^mbeni n'esle 
IBCSiiiQ dia elevBdo i dígnidaile de iHareebal do exerfilo. 
BoarQOiit sabedor dus aconlecimenlos do sul do rei- 
no qño esUva wcegado em quanto oao y'is^e a cJ|Mta] 
em máos capates de dirigir a sua giiarni;ao para * de- 
fesa da mesmB, e um general habil no Álemiejo, que 
era o campo oade ^e esperaTa fusse tbeatro de grandes 
acontecimentos. Defendida Lísboa , o duque da Tercei- 
ra ou bavia reembarcar , oii aTanfar para o cora^ip do 
reino; no primeiro caso a giKrra terraÍBaTa no sal , 
pelo menqs mameDlaneamenle ; no «egiiqdo, o duque 
«bria uma campanfaa oode os getieraes poderiam mo&- 
- (rar a siu pericta militar , e uma campanha qiM nais 
agradafa ap aoldad» > larto , durante um aano , do de- 
fender, e atacar paredes. Bourmant mandou alguns 
generaes e «flBciaes ao duqne de Cadaval dand»-lheB as 
Wtrucfoes uecessariaa para poderem obter um bom re- 
SnUado para a cansa do rei que defendiam, porém ei 
«fficiae» píio poderain tomar os coanMndoS 9pporlii- 
Bamente (56). . 

O general Uolellos estabeleoea o sen qiiaTlel geoe- 
ral em fieja, onde tii^a uma forija re^pcitaTel. A 17 
de julbo general Tcreeira, esta»do em Uessejaoa, 
COmmtmica aos o^ciaes da sna divisáo, que abaDdoMH 
Vt Múlellos eat Bcja , e drteminava que. a expedi^o 
W dirí^iase ao Tejo: cate iwfimeqlo onsado agrd^ 
dou, e fpi exccata4o. A, 21 entroa a divisái) eipedi- 
cionaria em Alcacer do Sal , a- 22 em Ateitio, !»• 
(M) QiiaiidoiM<iflidBe*fhiiicei« diaganm a Colatbra, 
UDhuii loemr Di graodn ■coDtecioienloa doa diai 2i d* jn- 



n, C.OOylc 



vn 

xnido mutlaa pritÍODeÍNu , rceebeiido apprMenlédM 

O duqae de CidaTal lunda alguot cerpos , eaa fat^» 
de trei mil bomcni , para Cacilbai ái ordeM do gea»- 
ral Tellea Jordáo , M\tt guppondo, ^n» Molelloa «■ 
Taborda segniani de perto a Terceira , na raa Tetagnar-i 
da. A 33 rui Telies Jordao alacado na Cora da Vieda<i 
d« e Cacilbas, delxando-se estopidameDte derrotar * 
sos seos 5otdad<M. Os fagítivos corriam sobre o Caea 
de Cacillias, onde ns maior desordem embarcatain 
para Lísboa ; porém n'ests tempo Dma forta dos len- 
eedores CQrreiido sobre aqnelle ponto , ■lcan; ou a appr»-' 
sentacSo de miiilos , fcz graode número de prísÍMie*^ 
ros , matoa rouiiiasiiiios doa soMados de Telles Jordio , 
e a este mesmo general , a qKi» deram uma aMtt* 
ontel , faxendo-ú em pedai;os. 

O govemo da eapital possnido do terror panico ^ qoe 
■ derrota d« Talles Jordiio )ba tDrundla , láro tendo tm>' 
tieias posÍlÍMa de UoleHos , os boaloa de tpte vinbtt 
lá exercito de Xeries , fec cem que no dia 24 d« 
madnigada abandonasse cobardemente a j:apital do rej* 
no , onde tíqha nma guanifSa superlor a dOEe mil bo- 
mens finnes , e a coberlo das fortiflca^Ses da margem 
direha do Tejo. Sobre~láo vergoabosa retirada noito 
se fklloa , tem faDado , e ha de fallar por mniloa av- 
nos, e n'esses muitos annos qnchSo de vir, £ qne oa 
noscos vindouros bau de aclarar siniilliante mjstcrío, 
peis nift i d« «rer , q«e as pe»sou ao.faeto dos nego- 
oioB ocenltoa d'aqneHe'tent^, deiieni de descarregar 
a nti conscíencla , legntdo ao fUaro' ntiúilscnptDS ctna 
a.wrfatlo verdtuivira d'esse» wstlerio* • pwa que leja 



I. Coo^ílc 



tí9 

ttHitmáñ a menoria, e boa repBtlcSo de tDaitos Ín- 
difidaos , UQS já mortos , oatros ainda v iros ( &7 ). 

.Afoaodonada a cspital . algum pofo miudo primeíro , 
e depois todo , come^ou a correr a» raes acclamando 
a seshora D. Haria ii , o seiihor D. Pedro &c. (SS) 
GoineQarBni a pFeparar-sc transportes para conduzír a 
l>Í3boa as tropas do duqiíe daXcrceira, que nao esce- 
dÍHD niuita a 1:600 homcDs. ArrooibaTain'SC as cadeias 
do Linoeiro e d'outras prisúes, stdtando todos os pre- 
sos , consequencia logica do triunfo do dia tm quant* 
■« tratasse de soltar presos polilicos; porém proeeder 
criminoso nos qne KOltaram mslTados . que horrorísa- 
ram a capital , onde porpetraram novos- crimes. 
. A divjsao da general TÍsconde de Holellos chegon a 
Selubal no dia 24 , Oo inesmo. dia em que. o duque pas- 
sava para Lisboa. A marcha de Afolellos desde Bcg'a 
foi Tagarüuasimn ; cúm duas marchas dobradag teria 
cbegado a Almada ao mesmo tempp que o duque , e 
este flcarÍB u'uma posi^áo, airtscadÍMÍms , attendeDdo 
» que a esqiiadra nao apparecia , poís o venlo nao )he 
tioba Aáa favoravel n'aquelles dias. Molejlas deixando 
a estrada dc Setul>al a Lisboa, marcba para Aldeia 

(Sfr) EDteiHlo qne « bomeni hanrada, leJB qoal fbr ■ 
faMtideira ctn que milite , nSo A*"j» o Uii)éo ile (raUM- , e 
neni tSo pouco os bous filhoi ou oelo) goilario de ver ao 
faturo oi noinet de leui avót ligado* ■ hiitoria com tia Ín- 
fsinsntei tpilhrtm. 
'{58) Bram dk «laiar parle oi qae oatr'ora acclaniaTani 
o lenhor D. Miguel, é lamtteni o qne le cottnoia dar ■ 

¥iem Tence, coing reipunileu d graiule D. fr. Manoel do 
enacalo, arcebispa de BTora ca occaúia em qne a gene- 
ral francei Liúion tomou ■ cidada de Brora e pettnntaa 
ao arcebiipo — qaem TÍTeT fimn Vfnei ^ gmrrtil ¡ tai «sta 
> bella reipoita do arcelHfpo. 



0,i,-f-n,GoOglC' 



Gallega , 'se&do sbandoniido pela chefe d'Estádo maior 
Augusto Xavier PBlmeirrin , e pelo brigadeiro Ndoo 
Taborda , qae deserUram para se appresentareni. ao du- 
que ^» Tecccira I MoJellos lúio podendo patur. o Tejo 
em Aldeia Galkga , como se diiia leociooava , para se 
reunir ao duque.de Cadaval , passou-o em Vallada, 
reuRÍndo-se ao duque em Leiria &c. Napier e Palmem 
cam a esquadra entraram no Tejo a 25. 

Bourmdnt estava impaciente por noticias do snl , p»- 
recendo bIo querer ientar cousa séria , sobre o PorU), 
lem ter a cerleta da seguran^a da capital. Oa geáe- 
raes e olHciaes , que elle havia .mandado ao dvque de 
CadaTa) o encontraram por Leiria em canfiiia retjra- 
da sobre Coimbra. 

fiourmoiit , depoisdeler obsenado as liohas , fez s»- 
bre ellai , em 25 de julho , um reconhecimeDto , qite 
todos temclassiBcadOGOmoumgrandéataque.SeBoVT". 
mont chamaTa reconhecimento áquelle roodo de ata-, 
car, como seriam entáo os seus ataqoesf Os do Porto 
t^lvez náo resisti^m a mais dois , a mÍD lerem ganhi^ 
a grande forca phyaica e moral que Ilies deram os suc-, 
cessos do sul de 23 e 24 de jutho. 
I A ánciedade do senbor D. Pedro e dos seui nao era 
THeaas pela rcceio quc lÍDham do resultado da mar- 
clia de Terceira sobre Almada , áo que a do senbor 
D. Mig:ael e dos seus , pela seguran;a de Lisboa. A. 
2& de jvlho pcla noile chegou ao Porlo um vapor in- 
glei como expresso para levar a notlcía da vicloria do 
dia 23 , c da occupa^áo de Lisboa pelo duqnc da Ter- 
ceira, depois de abandonada pclo duq^ue de Cadaval. 
A 26 o senhor D. Pedro passou ao mesmo vapor ti>- 
8|ei , e partiu para Lisboa , ande descmbarcou a 28., 
A'o ineiiao día 29 chegon a ,Villa do Cvnde o rapor 

: ■ Cousio 



(8» 

fjtrá daá Itbas ( nm dos trei compraSos m iDglalerra 
pan.aesqAadra realijU) c«ndaiÍDda mais quinze oP 
flciaes fraDceies , eotre elles dois geaeraes , e lambem 
Kliole, qoe veiu especialmente para se oríentar sobre 
o eslado dos negocios , depois do aprísionameDto da 
csqaadra realisU, que elle esUVa deslinado a com- 
Biandar. 

cardeal Jastiniano , nuneio de sna sintidade , foi 
Bandailo sair de Lisboa dentro em Ires dias pelo se- 
Bhar D. Pedro (39 de julho). Em Lisboa faiíam-se 
armamentoi com a mesma on mait kctÍTÍdade com que 
se Hieram no Porlo um anno antes ¡ ludo era obrigado 
a alisUr-se nos baulhoes de linba , ou nos moreis Ott 
fiios. A» linfaas come^aram a alcTBntar-se a toda a pres- 
sa. goTemo promalgaTa nma immensidade de noTas 
teis , e pnblicaTa as promulg'adas um A^ores , e no 
Portifr EsUg leis cram na 'maior parte destniiAdo todoa 
os aniigos tribuoaes , suppressao parcial de conventos 
&c. &c. CreiercitodosenhorD.Pedra angmentaTa, ¡i 
pelas deserfoes do csnpo realisU , ji pelas recritas , 
cavallos, e toda ■ qnalidade de petrechos que Ibe re- 
metliam de Inglalerra e Fran;a. A lua esquadra ígnal- 
mente aiigmentoa com os ntvtos qne ainda acharam no 
Tejo , entre os quacs se encontrvam as doas eorreUi 
fbgjdas da baUlha do dia 5 de jnlho, e o Taper Jor^ 
ir, uro dos tres cnmprados para a esqnadra realisU. 
O miaislerio inglet rcconhece ■ senhora D. Haria ■ 
( 9 de agosto ) entregendo n'este dia as suas creden- 
ciaes Lord William Roussel. Esperara-se igual procedi- 
menlo de Laii Fiiippe. ministro bespaitttol , general 
CordOTa , nSe reconheeendo o noTo guverno esUbele- 
oido em Lisboa , relira-se para CoitUbra para- Acar jniv 
1« da peasoa do ttnhor D. Miguel. A cMlero WrtMii- 



nvGoogli: 



S8i 

«onlíatun ■ ftier Knnáet MtragM por Ud« o'ltlaralk 
AccoDnnetlendo Uipbem o exercilo do HBbM\D. Ui' 

goel , fei n'elle gfande deilrofo; muitot e altoa per^ 
aonagens morrerani em Coimlira atacadoa d'esta bmh 
Jestia , entre eltes o ajudanle general marqaei de Tam- 
cus, o mioisiro do reino coode de Ba&to Joai Anlo» 
Dio de Oliveira Lcile de Barros , o inteodcnte geial da ' 
policia, &c. &c. 

O senhor D. Uiguel fei oi seusconselhoa , nos qnae* 
ae tratoo das ulleriores operafóes. Da esqoadra apenaf 
Ihe resbiTam doia vapores , porém prometteu-ie a Eli»* 
te fundoB para comprar uma esquadra ignal á do s^» 
pbor D- Pedro, e o almiraiite realista devia partir, 
eomo effectivamente partiu , para Ii^laterra a iratap 
(Tesse negocio. 8obre opcragóes tarreslres , assenlou>(a 
qoe sobre o Porto ficasse um exerclto superior a dea 
inil homens de obsena;ao, e qae reunindo vinte-acÍB> 
to mil homeos marchassem sobre Lisboo. 

O levaBtamento do c¿rco do Porio foi demtiada- 
mente moroso para um caso do lanta gravidade para a 
caDsa. realista , como era o de retomar a capital , o qna 
terinn eonsegoido, se com rapidci destacain do Porlo 
vint^ mil homens ; porém o tcmpa decorrido desde Sd 
de jalho at¿ 6 de agnsto íot todo perdido em conferena 
cias &c, , isto é , tempo necaisario para chegar » ^ 
Lisboa ( S9 );. Só ■ 9 de agest» é qua o exereito re»> 
tista eomctoú a lcTanlar ao nMta of sens postos nwis 
avan^dos ; tendo comtndú ji eome^do a narcbar gran^ 

{69] AdBilra qna lead» «m janKa l<^« a exercilB en 
eipectalÍTa p«ra fater Qtna tapul' niarcba tebn o eierct- 
to do iCDbor D. Pedro, ijue te ■nppuDha querii roioper a 
tli>k> •i ..!. Ai, ».._i_ «É..0 tiia coDiÍdcraTani ■ tamada 



I. Coo^ílc 



m . 

d« nninero d« tfopas, que «&traTtiii ea Coinbra na 
día ÍO , com o s«nbor D. Misoel , o mareehal gene^ 
ral , e todo o seu numeroío esUdo ntaior. - • 
• Edi Lisboa raiia-se acréditar, qne o exercito rea- 
lista Dáo lCDlaTB um alaqae á capital , que elle .esUn 
lotalmente dcsfeito.; porém esta idéa foi deslniida na 
dia 11 , quando tiveram notieii d> marcha do eiercito 
realista. Lisboa foi noTamente présa áe nm bando dc 
eialtados, quc recomcEaram as scenaS do dia 34 de 
julho, matando, ctpancando, Slc- O senbor B. Pedro 
sctivava as linhas , c faiia lodos os ecfor;os pelas guar- 
necer , e para mostrar qne nio tÍBtia receio , que a 
guerra estava acsbada ; apesar das medidas de defesa , 
qae em táo grandes propor^oes se tonaTam , decretoo 
em 15 de agosto ,.que as eleitoes para cortes cxtraor- 
dtuarias livesscm logar oodia 1.° de oatubro. Era islo 
uma estrategia , c nada mais , pois a Bao ser alguma 
cabe^a vasia , ¿ que acreditaría , qae a guerra estaría 
lerminada ahtcs de OBtubro , dispondo o senbor D. 
H iguel de todos os recursos do reino , e domiAindo o 
senher. D. J'edro pouco mais de Lisboa, e Porta. ' 

O duque de Lafóes fui encarregado pelo seu garer- 
no de faxer vender todo o vinfao da companbia do Alto 
Douro, que ostivesse annazenado em Villa Noti de 
Gaia, para que o governo do senbor D. Pedro náo ti- 
rasse d'ali os grandes recursog que a sua posse offere- 
cis. duquG propoi ao general Saldauha , que dei- 
xasse emharcar- para loglaterra os ditos vínhos , qne o 
seu producto serfa depositado no Banco de luglaterra , 
até ao fim da guerra. Bstas ncgociacóes du^aram oito 
dias, c observando os gcneracs rcaliflas , que o quc 
sc qaeria da partc do Porlo cra demurar .csle negocio , 
e como a dcmora eiiibarai¡ava as opera^^es .'qoe o con- 



dede Aln¿r tinfaa enr lista levinlanda o sttio, man-' 
doa { 17 de ■gosto } lancar o rogo aos annatens oiidé 
«xiatia o vinfao, pa» qae os seus cantririos náo sO 
aproveitassem de lao grandea valores [ 60 ). 

O exercitú realista rennido em CoiqibTB em iórca sn*. 
perior a vinte e cinvu mil homens , destinados a tomvr 
Lisboa ,'ainda apprététilflTlim bm aspeclb aiarciat admi- 
ravel, apeMr dos seus }á desbaratados uniFormcs , e 
iflcAiDRiodos d'uma penesa campanha d'um anno , e nm 
cérco de dei metes. A eaTalIaria'priacipalmente, com- 
posla em groode psrte de ofiictaea c soldados da guer- 
ra peninsiilar , fazia a admira^ao do marechal fiour^ 
mont , que ainda n'aqiiene eslado a comparara á me- 
Ibor do mtindo. As tres divisóes em qne eslava oi^a- 
msado éste-corpo do exercito comecam a sair de Coim- 
bra a 14. Clouet commandava em chefe. A 1.* divisio 
do GOmmando do gencral mBrqnea I.arochcjaqnclira , 
atraTe;saodo o Tejo na Charausca roi occupar Salvalerra 
de Hagos para scgurár as communicagóes com o Aleoi-' 
tejo ; a 2.' is ordans do gcneral Lcnws , dirigiu-sc por 
Thomar a Santarem ; a $.' áa ordcns do general Ñu- 
nea de Andrade seguiiv a estrada real de Leiría b Li»- 
boa. O quartel general rc«l safu de Coimlira no dia 
i8 , wguindo ar 3.' ditisáo , perém tudo marcfaava len- 
tamenle , coniuminda o tempo em planos , scffl nuoca 

(CO) Na farqa da paixio multo >e fallon contra o proce- 
(Umento d» Beaeral realtita ; porém u>t> coni rHiilo , purque 
o daqtR! de Lafiíei, eji rande de AJinér procuri<r«ia meioi. 
raioBTeia para eviur tal deitrai<;io ; nio foram ■tlendidas 
■1 Hias propoilai p«lo geDvral advenariu , callocoBdo-Di tal 
reciua am poil^iu de utar do direita da guer» , que enii- 
n« ■ liiar todot m recartoi ao iniiitÍED &G. fcC. Nao le. pan- 
*e porém , ^m appróv» • paMO-daiv pelo geaeral Almér. 



0,i,-f-n,GoOglc 



m 

hntt nma fl*m6 délibera^ao, eomase reqaerem to- 
4as ts gucrrat, e cuni eepeoiatidade nas. civis. Parecia 
blalidade no eiercilo realisla, as snas marchas eram 
senipre morosas, nao Ibe serTÍntlo de eiemplo o re* 
saitfdo da morosidade na canpaDba do «imo antcce- 
dente. 

O general Saldanfaa safu das linhas para o lado do 
norte { 18 de a^osto ) e atacan o brigadeiro Panlaleao 
lan^ando'O para fóra das suas posígoes , lícando o silio 
levantado por aquelle dado. general conde dc Almér, 
qoc estava em Villa Nova , Cerreu para acudir ás trop» 
do gtneral Panlaleáo; porém nao podendo efiectnar a 
sva passagem em tiramil por o seu anlecessor general 
Glouet ter destruido a ponte do barcas ali levantada , 
tere de ir passar a Arncltas , podnido cbegar só no dia 
19 ao campo realísta , que animou , e come^ou a esta- 
betecer o bloqneio no Porto , sogundo o noTO plano de 
oampanha. A 20 leiantaram oi realístas p sitio , pelo 
lado dc Villa Nova de Gaia para ir tomar as posifoes 
de Ovar, Feira , S. Jíao da Madeira correndo na di- 
Fectáo 30 Douro a ligar com á üdI^ estabelecida pe- 
le lado do norte. Na octasiSo em qne os realislas aban- 
donaram Villa NoTa ; feram. alacadss pela gnami^iu 
da Serra do Pilar , que havia sido grandemcnte refor- 
(^da já para tal fim. N'esta etpecie de sorlída conse- 
gQÍram aprisionar , e appresentar-se um grande nnme- 
To de soldados rcaüsta.s [ 61 )■ 

conde de Saldanha embarca no Perlo para Lisboa , 
detxando o govemo d'aqaclfa cidade ao'geDeral Slubbs 

(« ) 0« ■cOBtecimento» de JbHm de flOS eiliiMnliti inn» 
dMnno á rmut» TeatbU, qae o •eu eserr))» dimlMrlir M«- 
■MMWMhMMla peht dMn^glMi qm fHTMldntM IblMI ftrm 
'«Mf M-^nr « cMM^ «•(eMlw Dir Pvtiti. 

• ü,o,r,-f-n,Co0^ílc 



M5 

(93 ie agMla). Qaisi todas as tropis de IídIib »tí aft 
exislentcs no* Porto , tinbam igualmente paBudo a Li>- 
baa. ciercito do senbor D. Pedro tiiihi n'eslM epa* 
cba uma forfa de 36:000 homens, meUde do l/ lí.' 
nha contando ja 600 caTalIos. Já m v¿ , que a for^a 
áo Getihor D. Pcdro , de repente se poi quaii ignal i 
do senhor D. Miguet , excepto em caTallaria , porém 
nao poupava esfur^os. para a angmenltr , já nandando 
recolher quantos cavaUos e muares p€de encontnr eni 
Lisbo) , e no Riba Tejo , já mandando-ot compfar .e&t 
Inglaterra. rccrutamcnlo para o seu exercilo nSo o 
r^iia com menos vígor, e náo o gatisfbzendo o que se 
oblinha no paiz , mandaTa-o activar na Inglaterra , Ir- 
landa , Escocia , Franc» , Belgica Acc. &c. Corpos em 
grande for^a se organÍBavam n'aquellcs paites para pas- 
sar a Portugal ao serf i;o do imperidor ; e como a for* 
luna da guerra se apprcsentaTa da parle do senhor D. 
Pedro , em taes recrutamcntos já náo havia difficulda-< 
des como quando eram para passar aos A;ores , e ao 
Porto estreitamente cercado. De opera^üeS ao norte» 
desde o dia t^ e 20 de agosto qiie nao havia nada no- 
tavel ; apenas no dia 3 Gieram do Porto nma sortida até 
Penaflel , e logo' outra no dia 4 sobre ViIIa do Conde , 
recolhendo ao Porto com duzentos prisioneiros, quasL 
todos do rcgímenlo de milicias de ViUa do Conde. 

O esercito realjsta avancava de Santarem e Torres 
Vedras , relirando sobre Lisboa a divisao do duque da 
Terceira , qne em doas columnas observava os movi- 
mentos do excrcito realisfa. A S de sctiemt>ro atacou 
Bonrmont as linhas de IJsboa em seis columnas com k 
for\;a de doie míl homens , apoiados por oit» pe^as ds 
arUlfaaria , e aiguoA {ortes esquadroes. O principal ata^ 
que roi f«la» «str«d«s 4« Palbavi ,' e Afco do Cego. 



i-n,Googli: 



286 

JBonVfl nigói 4t ftlor de amboi ós eurcilós , « e's rea' 
liatas podeciam ter peneLrado a cidade , se am outro 
movimento opportaDamente soccorresse m bBtallÑes de 
ToTanUríos de Lamego , CoTÍIha e FDndSo , cacadores 
n." 8 , e os regiraenlos de inffmleris n.° 8 , 17 , e 24 
qne ás ordens do brigadéiro DubreQÍI avaD^aTain cora- 
josamcnle por Palhavñ. Depois de treee boras de fogo 
09 realistas estarnm nos seus acampamentos , e dizia- 
se qnc para renovar o alaque no dia seguiute ; porém 
elle nao leve logar , dando assim tempo aos sittadosa 
reparareñ as suas trtncheiraa , fortes &c. &c. 
' O marechal Bourmont prOpot nm ataqne nortnnio 
faxendo p,enetrar do interior da cida'de tres miF idfan-' 
tes cm columna ccrrada , apoiada a cuhimna pela com' 
petente artilbaria , e algúns eaqiradróes de caTallaría; 
algans oE&ciaes francezcs sc ofTereceram a marchmr de 
frente. O platio foi rejeítado por muito arríscado , po- 
rém era elle o unica de , em taes alturas , dar um gol- 
pe mortal na eaasa do senbor D. Pedro, ou tambein 
acabar desdc logo com a do senhor D. Higoel. Rejet- 
(ado o plano, iratoü-se de oulro , que^era chamar a 
átten;3o para a esqnerda da linha'de defesa de Lisboa , 
onde sé devía fazcr' nm ataquir serio, e no mómcnto 
ém que as tropas do senhor D. Pcdro paTa ati tives- 
sem eorrído,'as massas do eiercilo realiata com todi 
8 sua cavallaria penelniriam a todo o custn pela cidade. 
Optano Eoi rejeílado pelo generat Clouet , qué tambeoi 
kigo pédiua sna dcmissáo. general Gouvea Osorio 
flncarregoD-se de diri^ir o ataque , o qne fez com duas 
brigadas pelo Altdde 8. Joáo (t4 de setembro), pt^ 
rém sem o resnltado, que esperavam. Desde esle dia 
qne os gcneraes pareciam ter renunciado a qualquer 
alaque ás liDhas dé Lisboa, que livesse por fim o le- , 



28T 

Tal-3S á viva Tor^ ; porém lambem o tempo cnrria stin 
«e haver (omado no campo. reatista nm partido. 

jenhor D. MigDel faaTÍa luctado até agora iiao a& 
coolra seu augtuta inaáo , auiiliado pelos govcrnos da 
lagUterra , Fran^a , c Belgica', mis agora contra o go- 
verno de Bespanfaa , que exigiaa expulsao do senbor 
inrante D. Carlos do territorio portuguez, para onde o 
Dtesmo governO'o havia mandado. O estado moriitundo 
em que se achava o rei de HespaDha , Fcrnanda tii ■ 
nelteu o goTerno nas maus da rainha D. Maria £hris- 
lina, que odj'ava seu cunhado , a ponto de que para 
ler apoio nio duvidou cntregar-ae nas máos dos revo- 
lucionarios , qnc apoiados pelos mt^mos govcrnos Ín.- 
glCE, francez, e belga , haviam constanleiaente íeiía 
gocrra ao [lodcr do rei seu augusto esposo. O.senhur 
U. Migoel negoa-se a scr inslrumento da raiaha Cbris- 
lina para ler o pcrseguidor de seu anguslo tio e cu- 
nhado , assim coma se havia negado o senhor D. Joáa 
IV a ser instrumcnío do lyranno Cromwel! , qu^ndo 
este eKÍgiu a enÚ'e^a dos principes paUtinos , que ti- 
nham seguido a sorte da causa Bu ínreli^ rei da Ibgln- 
tcrra Carlos i. A recHsa do senbor D. Miguel trouie- 
ibe mais um adversario, qne mais tarde se tomou em - 
tnimtgfl poderoso, e ao seohor D. Pedto um a'Uiilio 
poderosissimo. 

O impcrador, activo em organisar o seu ctercito , 
esperavx em breve mais tropas eslrangeiras com.que o 
rcfor;asse„ e podesse fatcr levantar o cérco dc l.isboa , 
eemprehcnder novas opera^oes , pois as suas tropas 
apcnas dominaTam no Porto , Peniche , Lisboa , Sctu- 
bal , Lagos , Faro , e OlhBO. No Afgarve priocipalmen- 
te estavam cm grandes apuroa , pelo cÉrbo que Ihe faa-, 
viam posto a'aqQctlu.lies pratjaa as gaerrilhas e va^. 
19 

I».,,,.-. I. Coo^ílc 



Nmtaríos rinlistils d* {trovfncía. Estes esforgos pari 
eipulsar 4tt AtgBrre oí «eldidoa do seiibar D. Pedro 
Íraib tisia detidos á bo« TÓntMe d'ai^UeHes povos, do 
^e aos eiTorqiis dos gGneries realhtns. Os sitiados de 
hagai flxeraDtnnia sortida (15 de settüibro ) para re- 
^nir os sitiantes. Selubal quasi abBndanadi' pelo se- 
irtior D. Pedro poderk ter sido oecBpada pelas tropai 
d» aeiihor D. UifUeU 

O Tapor Loi-d.dM lltias chégon ao porto dc S. Ifar- 
tiliho condutÍDdo algvBs soccerros qae os agentes do 
^enhor D- nigtiet cm Londres poderam Brranjar. No 
Tspor VierHH «Igims efflcTfes inglezes, entre clles o 
gencrat Macdamald , official qu6 ñiera a guerra penio- 
lAilar ab serrlgo da Hespanha. Erá'lnB occasiao .para 
ÍCT empregBiJo Ho eiercita realisU pela descredilo 
f itDm^rícids ) ém qoe ji estaTam 03 generaes fribee- 
t6s. k HacdflnaTd foí oñ^erecido o logar vago peta de- 
ttiiSio do generfri GtoOet , logar que o' gvaeral kiglei 
iSrietwii. 

Bonrmcitit , coDfaeceñde » impossifailtdade £e innier- 
xür t> eterdto ha offensÍTa por Biuito tempo , propei 
plnfio de o retfrar para Loures , a rer se a)¡ padia al- 
trahir as tropas^o Senhor D. Petfro para as baler n'uma 
botatha gírat, pela Ki^eíioridado da sm cavallaria ; 
quc desde logo se mandasse rortiflcar Santarera , Lei- 
rjá e Obidos, a flm de servir de base de uttei-iores 
upéra^Ses, no caso de serem ohrigados s retirar, por 
nifeito da perda da batatha que csperava tivene lc^ar 
itas iitfmedíacdes dc Lisboa. Era snn qaeslio, este pla- 
no do raarCchJt , o dhits proprio p«ra or^niisar o exer- 
cHo, ttorBll9BtK>, é fntcT d'ísUnvalTer a peri«fa no 
ramif!> , anfoMdfi pdr ums Vtt cmh o tcrrrrel sjHteras 
d« tuMw mmprt t atawr oim«9t íetffmUB &Ci O re* 



o,i,-f-n,Googlc 



250 

nlior , e come;araiii a dsr Um motÍTos de desgosln zS 
márecba! , qiie esle pediu a sua dcmíssio, que loga 
Ihe foí dada. Bourmont, Ciouet, e outros muitos offi- 
cíaes francczes foraiD por Hespanha , para embarcarein 
para Italia ; todavia o marechal ^como homem de bem , 
deixou ainda no cxercilo dois de seus filhos , Dm d'el- 
les conde Lnix de Bourmont. 

A scDbora p. Uaria ii cbegou a Lisboa em 22 6e 
setembro. Sua magestade , na sua-passagem 'por Ingla- 
lerra , foi recebida pclo rei Guilherme iv com todas tS 
honras devidas a lesta coroada ; e nem podia deixar d« 
assim ser , vislo o rei de loglaterra ler ji reconhecido 
B mesma 'augusta senhora. Setembro de 1834' j¿ nSo 
era o Belembru de 1828. No mesmo dia da cbegada d» 
ralnha a Lisboa foi o conde de Saldanba feito mare- 
chal do ciercito. 

Mallogradas as negocia^Ses para termínar a gnerra , 
e para «vitar , em parte , qae no exercilo realista se 
abracdsse o plano de campanha , uUimamente appre- 
senladó por BonrmoQt.'para o que.parecia haver sua 
dbposisáo, mandou o senhor.D. Pedro refor^ar a guar- 
ni^So de Peniche com tropas do Porto, a flm de po- 
derem tomar a ofFensiva por aquelle lado , tomando 
.Obidos aoB realislas. Refor^ada a guarnÍQáo de Peni- 
cbc , esta safu da Prate c tomou Obidos cm 29 de Se- 
tembro , flcando senhora de alguos máteriaes de guer- 
ra que ati bavia. 

A morte de Femando vii , ba tanto lempo. esperada , 
realÍBou-sc finalmcntc no dia 29 de selciDbro. Fernan- 
do ha muito ^uc cra quasi cadavec, María.Cbristina' 
foi quem governou , assim se póde diier , de^de qae 
eHlron em Hespanha. A guerra civil matiirestou-«Q «pe- 
nas foi conbccida-í morte de Feniando: en « eoos^ 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



29i 

qoencta das iiUimas medi<]is do gOTcrno quc aboliu a 
íei de successáo. A princcza D. Uaria Isabel Toi pro- 
clamada cóm o nome de [sabcl ii , sendo o seti nomc 
Uarij. (63) Os governos francez e inglee reconhece- 
ram logo Isabel ii , o que deu grande forqa moral á 
sua acdama^ao. A regenie Maria Christina dispunha 
dc um eiercito e do ihesouro, mas nem por isso p4- 
de obstar a que Carlos v fossc logo proclamado (' 3 , Í, 
&c. &c. de outubro ) na Navarrá , e nas provincias dc 
fiiscaia, Alava, Guipuscua, Castellas, Aragáo, Va- 
lencia, e Catalunha, e n'otitros pontos d'outras pro- 
vincias. movimentn carlista assustou por tal rórma 
o partido da nova rainha, e ao seu protector LuizFÍ-- ' 
)ippe, que sc julgou quasi inevttavel á intcrfcrcncJ.i 
Aranceza. Os libcraes mais eialtados quc ainda se acha- 
vam no exilio , tacs como Mina , Valdcz , Jaurcgui &:c . 
¿lc. foram chamados para serem os dcfeitsdrés da caosa 
da joven rainha. As nolabilidades palacianas do parti- 
do carlista dirigiam-se a Portugal a procurar o sen rei . 
mas os soldados, ou os vcrdadeiros defcnsores da lei 
salíca corríam a procnrar a gloria nos campos da Na- 
varra e das Vascongadas. A regcnLe Uaria Chrislina 
ínsisle para que o stnhor D. Miguet expulse do lerri- 
torio porliigiicz a seu augusto tio e cunhado; porém o ~ 
senhor D. Miguel insiste na rcsposta que aQleriórmento 
dcra a lacs reclama^ócs- 

O baiSo de Morlicr fOÍ nomeado' por I.uík Filippe 

(fiS) Foi parainoslrar que ji tinba ha*iilo eiit» rainha 
reinaiite em toda * HetpiDha , e' osiim foi , qunnda le reu- 
nln u Heipanb* pelo cHam«ilto de Itabel de CHtella rom 
ITerDHida da Ar'fio tiai 147«, ma* eulio «Dda oio batia 
a lei que exclaia a* fcmeai, por(|uc a lci mIíc* «lata eni 
UcapaDha dg amio de 1700. 

i,n:.-' I. CoO^ílc 



sm embaiudoF ctn Llsboa , juoto úo govetno da taí- 
nba a seühora D. Mana n ( 10 de outubro ). 

O generai kfatdoDaíd titt frenle de Lisboa itkosll-M]-s« 
a prihcipio ^i^postD a lAudar o systetuá dc guerrá , se- 
gmndo o que iiaVia plaotsado o inarecha) Bourmont ; 
|>oréiii >tu-se, que frcoo n'uCQ éstidb de ipalhia, áes'- 
'de dia 18 de sclen^o cm que lomDü o connnando , 
>té aos pTÍmciros dias de ouinbro. £ra notarel esta fal- 
í» dc euergia eltt qoasi todós os getteraes realistas. Nos 
prJmeirúS d!as de o<Iiubro sc obserfon qtre do excrciló 
ícalista se ÜeMnfOheu uma actividade espantosatio le- 
^antamcnto dls fortiñcagoes , náo só para repellir ({lul- 
'^uer ataque que de dentro sc Ihe flzesje, más mesmo 
pclas guarnt<;3es dc fcaicltc e Obidos , que tinham já 
feito avancar dois úa trcs tnil homcns sobre Tofres Te- 
dras. Idacdonald tcntionaTa na noite de 11 fazer um 
ataquc bocturno soln-c Lisboa , a fim de poder lan^ar 
por ineib artiHcioso um corpo de Iropas na cidade , 
Dnde csperava achar apoio n'nnta conlraretolngffo ; po- 
rém senhor D. P'cóíro, sabcdor dos platios , mi jmt 
acaso, safu das sQas litiba^ no Ijia 10 de olilubro pe- 
las Dove horas da tnanh; , no intuito de atacar os st- 
tianles. O exercito realista desde a rerista da mattha 
ique au'davii dispefso , e facil foi aos soldados do sc- 
bbor D, Pcdro , o alcancar as prltneiras vantagtens; 
reubídos porém , quatido eram de^ Iioras a acíSo se ti^ 
nba tornado [cnhida , priiríipalmcDle no íílio de k>alma 
de cima e de baixo: de ambos os lados se obrarara 
gentifezas di'gnas d*uma otitra qüalidade ié guet-ra. O 
bravo brigadeíro realista Coclho, maudando cellocar 
duat pei;as dc arlilbafia em Telfaeim, <et ali desar^ 
í«iar 08 bBUIhoes inglesm , -e iscqBHiiedava 5éri«m«n>- 
lc a paisagem das tropas atacantes pda nlrada (lT>'(toiii>- 



m 

pD Giúdc. Oielb» fpi gnMneDte fetUo , wmla inteUr 
liu'ds |M cBaintDftnáo ia artilharia peJo coroael v*imit 
deBockelÍBM. Na esquerda da linha roaiííU as Ivig^ 
das ie Osori» e do ctHtde Luix de BowoiffQt suslcnt^r 
rant ataquas fortiasinos. Loiz de Bouraient, prtncÍjMl- 
taoente , ntostroa a'eele dia grande rakor e .geiiio hhH- 
tar , qoerendo aó cmq a sua farigada fsMr «iMn qne « 
victoria ae deciiüise pda ca«sa qoe tioftíra. ilacad» 
sas altaras do Can[>o_ GraiidG , Íuiz de BofirBiont m 
peltía 01 toidaáos da senhor D. Pedro porsefUÍiidB^ 
tíé Penfaa de Fraf»;a , e ÁUa do Pina , ^íad» e«m 
ÍMtaacia , Bias em váa , reíbr^os ^ara avantai- , até <me , 
carregado por uma fur^a superior, e <HMu oatvgia,i«r 
ve que retirsr Mbrc « Campo Grande , aaáe talTaxa » 
[HFrameRte , mai quasi de envoIU com os «tacaote». 
qnoado cltegarain os TcTor^.ai , Iravando-^e DM'.o cQta- 
bAc , emqae iraai'e usia cirga de cVfallaria díula Pfi9 
Bujor Corv4 de CaaÁcs , occaaiüs em ffve £e«M fertdDi 
O ceroBd Olinewa Ao regimeot« 14 tiEÜxm fw fenido 
«noi^ltneMc. 

As fereas .jráctpaes do sevÍMu- !>. Pedro ailjMw 
SobrC'O Caii|po£raBdc, entk se travou (mUo <i0Btb4e> 
haraMla ainas ?aTgak de .CBNiUarú. £n(raqm<wl» # 
cefltro ircatista , «s ulacaitcg penebwcam (MiAt) ^das iil- 
-tnraa dvLumiar, que.tenuram il«mar. m3s4otwrfi- 
pellidos pela presenfa e intrepidefl, da simbin- h. Mi' 
gnd ,^q»e en pessea reanin as tropas ,imoaitrasflo n'es- 
la ocoagiño f^ande valar. OfteHbof D. P«dr« «M íot^ , 
de dia sata fóra dae tmbas e otoerwar «s ttdtÍceranLes . 
rccotfeeDd» de^w ao Sot4»¡ do Uaniqoe. A, neile kiler- 
rompea nU sene lie «anbeln*., morttCerot cotna c$ 4a 
giiem fnniualw- , «egwH(o s teaUntinb» «1« tBÜitflre» 
qiK-«alnnia a'j»K, /t a'tia),m- O exercils reálista 

ü,o,i¡-n,Googli: 



Kdinpoo Tio Lnmiar i \-itta doa leiH advemmft, fi- 
cando «obre as amias. Pela ineia Doite saiu o senW 
D. Uisael do Pa^o de Lumiar , reUrando-fte para Lob- 
rei , comecande tambem as hagageni do exercitó en 
retirada }iara SantareiD. O eierciLo cffeclflau o aeü mo- 
Timenlo aobre Lonres comegando pela uma hwíi á> 
Boite a desDlar a arlilbaria , e sHcceuÍTamente a. in* 
faoteria , e caTallaria , assim como ds feridos e daea- 
tes , aem que iiad* fícasse á retaguarda, cbegando a* 
iimanhccer a Lourcs onde tomarám posi^oes , »end« 
este moTÍmento do cserciLo realista feilo-coni tal oi- 
dém c segrédo , que só na taaiihS de 1 1 , ¿ que o ma- 
rechal jSsldanba , leve d'clle.notfcia. Estabclecidas a 
tropas realislas ñas suas posigoes dc Lourcs , só coue- 
■¡arara a ser atacadas depois do meio dia pot alguaj 
lancerros , e atiradorei;. porém sódápots das trcs ho- 
Tas , na chegada da aririharia , é qae o combate sc tor- 
Bou energico. Q&'realistas conserraram as suas posi^oes. 

Ho mcsmo dia 11 deoutubro , em que se dava a ac- 
(So de Loores , a guamiráo de LaKOS , aperlada pelai 
realístas , propoK o cnlregar-se ; pedíndo aoi sitiaDtn 
qne para elTecQiarem a sua entrcga , se aproximaasen 
das muralhas ; e no momento em que se aproximaTaDi 
Ihes deram umadcscarga ó qtieimi roupa , faiODdo-lbes 
grandc mortandade. Similhaale maneira de faier a guer- 
ra náo merece commenlos , o faclo por si falla. 

EmHespanha faiia proseljtos a causa de D. Carlos. 
As provincias do norte estavam levantadas em massa. 
O general car{ista D. Sanlos Ladron Toi apriSionado no 
, dia f3¡ de ouliibro, c logo fusiiado pelos chrlstinos. 
sangue de D. Santos clamou por vitigan^a conlra um 
ínímigo que encelava uma gucrra de barbaros , em lo- 
gar de uma gucrra em qiie lealmeule se balesseiD pe- 



Itis princif^B d^nstícoe poütico qQe represetiUirain of 
dois partidos. O logardeD.;Sflnlo9 foi subsliluido .peh> 
c&rooel Zumalacari'eeDÍ , que por vODtMle geral dos 
poTDS e do exercito carlista f«i acclaioado seu general 
em chere. Havia grande^ calhegoria* no campo carUs- 
ta, mas todas annuiram dc boa lonlade á escolbs do 
Rovo chefe. Zumalacarregui náo desmcntiu das espé- 
rangas , e Con6an;a n'elle deposiladas, Em pouco len- 
fo c]|e «ra cwibecido jh) innjido conio um beroe d(> 
JI095O seculo. 
, Deixánios os cxercitos bell¡geranl«s nas suss pesf' 
^es de I/>nres depois das batalhas dos dias 10 e 11 
dc oulubro. Macdonald ttuha as tropas realistas por lal 
fócma collocadas , que Saldanha nao se animou a re- 
Huvar o cembale no dia 12. general rcatista , na ceor 
rormídade do plano da camiianha adoplado , evacumi 
Lottrcs no dia 12 para ir estabelecer em S^ntarem o 
centro das suas Dperacóes. O exereito realista chegom 
a Santarem no dia 15 de outubro na melbor ordcpi , 
sem ter sido incommodado pelg exercito do senhor D. 
Pedro. Este retirada deu grandes creditos ao genera} 
Uacdonald pela ordem em que fei marcbar o exercite 
fauDdOrO respe¡(ar pelo marechal Saldanha. Macdu- 
nald manda para a siia direita tres roil hoipens para 
occupar Leiria, e para a sua esquerda uma.outra co- 
lumDB a fim de assegurar a posse do Alemtejo. Salda- 
nba tomou posi^oes no Carlaxoi e suas immed¡a;oes. 

govemo belg» , que conjQnclamcnte com os gorer- 
nos francez e ingle^ prestaram tá^ efficares protecnóes 
á caDSR do senhor D. Pedro', leconhece a senhora &, 
Uaria ii em 23 de outubro. 

coronel Florencio t mandado de Lisboa tom nít 
e dutentos bomens'para occuptir Alcacer do Sal , o qu» 

' \ Co^ílc 



296 

effectaoa m 2$ de ootobra , coiíe^ii^Q lo^ á drti- 
licar aqnelle imjmrUnits 'poBto, 

A raiutia Hsria Chríslina úrdenti a iesarmatamAo de 
todos oi corpos.de Toliuitarios realistas de Hcspanha, 
em 2T de outobra. 

As fortificacoes de Santarcm progrediram com tal 
rapidez , que em brere esU grandc villa c imporlaDte 
poHtu militar se poz em i3« respeiUfel estado de de- 
fesa , quc se tornou o OHilro e capJtal do par^ido rea- 
lisU. OseDhor D. Uíguel e o scu minidtcrio d'ati maii- 
davam Srdens para a maioria do rcino que Ifie ^ede- 
cia , e muito do coracie abrarava e ardcDteraentc de- 
f^ndia ■ san causa. (64) 

O senhor D. Pedro i timitado i -oc«iipar¡« d« lá« 
-poucO terreno , nio podia 'levaatar dc prompte um exer- 
citft como o i;u£ precisava para entrar cfli oampanba. 
A guerra , na actaalidade , náo era a 4e defender as li- 
Hfaas éa Porto , e as de Lísboa; «ra taKet nois «éria , 
porqne n'ama batalha eampal pedia ^r4er « em% eau- 
ea : excmpks d'eites «mis appres«nta em ■gTmaáti nú- 
tneiv a historia gerat. -t^rdmeo aos seas ageotcs He es- 
Uangeiro, <f«e« toda a pressa llBCisen b eoapra de 
'nais 'Seisceittes eavnltoa , « cnga^seem mais Ires mil 
«oldadog , e que csl« seccorros fossem «iaflda4«i6 <«« 
promptidio. Estas tfopas eram na maiur parte d» «xer- 
Tito franeeE, inglcE, e telga , a iqnom davam baisa , 

(M) O jnsiur míiitero., oo o ettado •!■ Iorí¿m pbfura 
do paii, ÍDqueitiimiivélpente pertencla aíoAa ao partido 
'tíe 1). Miguel , de luótlo que , li exrepi^So rle Liiboa , da 
-Vorto , PaiMlU . Setubrf , Pe>)Vchc,Laí;M,f aw ,« «MfcS* 
com ■ parte ¿t BilrcmBdiira, ipie vai^rté S>»tamaá 4ed» 
• «Hi leilnidDTeÍBo •aaUuJ» eocHcSo a4tbraqav«, « nr- 
¿eiitemcatc defendia A,c. &.C. Soriauo, But,.do Cérco do 

Tertio, Vrt.i!,'o p,g. W6, « 3ST. 

cooyic;. 



297 

i^erécendp-Itics o patsar a FortH^) ao séni^ é6 t«- 
nbor D. Pedro , onde se ftppméntarfliti a t»iti a capn- 
paoha orgsnisados em corpos sepaTados dos porlugue- 
zcs , iiSEindo dos oniformcs inglezes &c. &c- 

general reaKsta , cond« dc Alinér , eada vM aper^' 
lafa mais o Forto , c attendcndo ao grande desfalqiife 
da guarnicao d'aquella cidade , principfllmenle cin tr«^ 
pas dc 1.* linha , que quasi toda (inha passado ysra k 
Eslremadura , a cídade du Porto estava em risco de ser 
alacada , ou surprehendida ; e tomada a «egmda c«pi- 
tal do reiao, a focc da gnerra ranito mndaria. so 
nbor D. Pedro inslava cdhi fitnlilis para sair e opcrar; 
porfm Slubbs rcspomilia quc nao tfnha for^a para lea- 
laT taes empretas sem -correr o grande risco dc ser der- 
rotadu ; 4|ue a gente que liolia era na niaior parte útís 
batalhSes fixes &c. &c. 9tutibs náe saía do PortD , e 
o general realista, com o seu t|uanel general em Sal- 
lar , fazia correr as soas pairulfias até perlo das tinbas 
d'aquclla cidadc. Para em cerlo modo salisfaier os exi^ 
gencias do scu governo , e para titie nao o atrcusassvm 
de Talta de coragem , o general Stubbs , em 3t de ou- 
tübro, fez nm reconhecimento sobre Gríjd, -onile M 
carre^ado pelt>í realisias aié aos Cartallios , vbrigaD' 
dó-o a rctrrar para o Porto. 

O gencral Lemos passou Q eSítiieTdh d<o l%Jo coia 
lUiiis íoYqas , para gorernar o Alenítejo e o Algam 
em nomc do scnhor D. IHiguel. Lemos , attivo scm- 
pre , toma Alcacer do Sa! «o ti¡& 3 de novembro , lie»- 
'truínilo Compl'etamenle a 'brígada do rorotrel Florencio 
-que ocCopaTa atiueDe ponlo. I.emos foi ciWderoradb 
'com uma commenda da ordem ■*e cbrtslo , e f>romoVt- 
d6 por dislínctáa a teneiíte -generta gradttado. S'e'- 
nbcrr D,'P«drb nAmdnn metwt- tm «otiseHio de eoenti 



M coroDcl Florcncio , para mpDtider peU derroU de 
Jklcacer , porém Florencio foi absolvido. 

Stubbs sde novameDte do Porto em 5 de novembro 
dirigiiido-se com'ilDÍs mil bomens e dois esqnadróes 
sobre S. Manaede d'lDCcsla , onde foi repeJlido pelo ge- 
neral Almér , amca^aDdo-o dc tlanco , e obrigaDdo-o a 
.ganbar O Porto a toda a pressa. conde de Almér 
loanda tropas sobrc a Maia.'onde aprisioDou alguns 
oreciaes , lomou gados dtc. 

O senhor D. Pcdro chegou ao Cartaso para passar 
reTÍsU ao seu CKercila ( 6 de DOTcmbro). 

Ao sdI fei Saldaoha um moTÍmcnto sobre Pernes no 
dia 11 de Dovembro, dcstruíndo os moinhos , o a^u- 
de, e tomando Ririnhas qiie ali havia para o eiercílo 
realista. Esta vantagem Coi porém contrabalan^ada pela 
derrota qne no mesnio dia 11, na Barroca d'Alva, 
soffreu uma for^a de Saldanha , quc foí dcstrutda por 
Keríenó , ajudante de Macdonald, Desdc este momcDlo 
que Setubal foi mais sériamenle amea^ada pcto gene- 
ral t.emas. Sincs foi abandunada passando a sua guat- 
nifáo para Splubal , cnde tambem chegou Napier coin 
um rerorco de dDzenlos belgas. 

Apesar da carcocia de recursoj , o eiercito reatisti 
progredia na sua organisa^áo e disciplina , appresen- 
lando já em Santarem um efTectivo de quinzé mil ho- 
mens de tropas regularcs, havendo oulros quiaze inil 
Dos mais pontos por clles occupados. Eram os restos 
d'um cicrcito de oitenta mil homens quc tinham em 
jtilho de 1832. O recrutamento faiia-se com dedic'acao 
para elevar o eiercito a cincoenta mil homens. Haria 
muitos soldados e officiaes que se susteDlavatn á stia 
cusla., havendo at¿ coramandanlcs , que fardaram com- 
' pletameute á sua ciuta os corpos do seu cmmando, 



899 

pob a tanto ós leva«a a soa deilicafEo peta caosá reá- 
lista. 

senKor D; Pedro tinba cí^nqnistado ' palino « p«V- 
M« os pontos mariUmos qae domtDava (66), ou me-' 
Ihor, soube 'bem aproveitar-se dos erros militares e 
polilicos dos seuB adversarloS , para levar a sna cauSa 
ao 'ponto em que eslava. Scnhor das dutis capitaes do 
reino , oude achou vaslos arsenaes bem providos , c o^ 
grandes recursos publicos e parliculares quc as mes- 
mas Ibe offereciam , coroado com as suas victorias para 
á sombra d'ellas podcr continuar o levantamt^niú de 
emprestimos e récrulamentos fiSra do rcino, todavia o 
sca ciercito náo se acbava em eslado de lomar a ofren~ 
siva, e seu crcdito no estrangeiro' resentia-se pe)a 
conlinuacio da guerra , e dcsinlclligencias entfe os sctis 
principaes parlidislas. A prolobga<;.áo da gnerra , priiW 
cipalmcnte dcpois. da lomada de Lisboa , nio era espe< 
rada em Franca e Inglaterra , aonde os agentes do s&< 
nhor D. Pedro scrapre aflirmaram, quo loda a nacao 
porlugueia ó receberia dc bracos abertOs ; por¿m ven- 
do a maneira como f¿ra reccbido, e os seus apuroS 
no Porto , Bppellavam para s occupacao da capilal do 
reino. Lisboa foi toraada , e apesar de todos os rccur- 
sos materiaes e moraes que a posse da capítal data aÜ 
gcnhor Di Pcdro , a gucrra promettia grande dura^ao, 
é d'islo mesmo cslava já convcncido o proprio impe- 
rador. Estas circunslancias rizeram com quc o scnhoí 
D. Pedro enconlrasse difficuldades para o tcvanlaraenta 
de iiovos.xmprcslimDS , de quc o seu governo tanto prc- 

(86) A cuito te aiuteDlavam ot pÓDCoi poDlM maritlmo*, 
ue foram palmo ■ palmo roBquiiitad«i. Soriapo. Hiit. dp 



que foram palmo ■ palmo rouquiiil 
Cdrco do Porto. Vol. I.^ p>S' 3W 



aeo 

cinra pan fasor l^cs it enomet detpeus4o Mn cxct- 
cito, esqiiadra , corte &c. &c. 

O gOTemo ie Msdrid tendo fcilo. rfpqtidas eiígcn- 
ci>s ptn que o scnhor 0. Uiguel expulsasse do terri~ 
torio poflitguei ao Epnhor D. Carlos , e nao senda al- 
tendidas a> suas rec1ama;ües , m^Bda era 12 de no- 
Tembre relirar psra Uadrid o Reneral Cordova, sen 
iniiiistro na carlc do scnhor D. Miguet- U<>ria Christi- 
tia , em rcpresalia do que acabsTa de rcceber do go- 
veroo do lenhor D. Migni^ , qae f oQscnlia dcpositoi 
de carlistas oa fronlcira partugueiiL . opde k organisa- 
«am para a guerrear, {wriBÍtte que na rrontcir» besp»- 
ohola se possan fomar depoiilos de deserlores porlu- 
gucies , oa de outros quaesquer deseoQtenles , a fim dc 
te podereiH orgnnisar para invadtr o terrilOTÍo porla- 
guei coDtra o senhor O. Miguel a favor do senhor 
D. Pcclro. Esta pemisKÍo logo dcQ logar > furmar-M 
|im d^posito de descDQlentcs em S. Vicentc , na £str^> 
inadura hespanbola , coq o Aki de invadir o AJto Alenf 
tejo. A 16 de novenibro ai^aBÍsarani ali lun gOTemo, 
« prnclamaram a coovvdar genht,, e os eipigsarios w 
fronteíra para «li mandavam a g«nte que podiam. 

As tropas deChrUtina, em for^a de quínie inil ho- 
mcns, at^icam a cidade de Victoria . qne toiiKtiB aes 
carlistas ( 21 dc novembro ).. 

. As for^as rcalislas de abscrTHtáo ao Porto, qada ta 
■naís aniraadas, amcacam Villa Nova dc Qaia , cbc- 
gando no dÍB.22 de jiovcmbro alé aos CnrtalbM. 

Na Gorte do senhor D. Pcdro havia grande divergen- 
cia, Os poucos parcs qne cm 1828 íicaram ficis i carla 
faiinm grande opposi^áo no ministerio pela sna politi- 
ca perseguídora, e promulga^ao de leis destrnidoras 
ét tudo a litulo de refbrinas. Os «cquealm mAfc m 






30t 

bens dos rtalislas, e a' TeDd»'d(M 4\io6 betls faiitf-ae 
cttn ■etÍTÍdode. Tfada chegava. aer^orD. Pedro coa^ 
SDltou o cenEelha d'Estado sobrc > necessidade de laiH 
^r nóTt» tributas , e sua magestade imperlal o'eata' 
ecca&iio f S3 de novembro.) outíq da bocca do duqtie 
de PalmelU e de Trigostf coasas quc muito Ihe ñew 
gradoram , é fizeram nniigír baslante , conservaDdo to- 
davia no seu ininislerio os uUra liberaes. 

SluLbs leDlou outra sortida sobre Garvoeiro e Val- 
lon'go, nlío alcan^ando vanlagüm algtHBa ( 2fi de no- 
vembro). 

As tropas ñc Cbriílina tomam Bilbáo aos Carlislas 
em 96 de nov«mbn>; todavia ZumalacarregDÍ conlínii»' 
va • ganhar diarianenlo TÍctorixs sobrc os chrislinos, 
e 8 organisar un grande exercito cont oa recursés to' 
inadoa ao iaimigo, 0« sncccsrivol revcici eDrureciaik 
«s christinos, quo tiravaiD a vingan^a ct^rde dc fo-- 
silar ot prtsioneiros , assasstnlarbomeiii, miilheres, 'm-' 
ccndiando as pavOBcoeg &c., faicndo a guerra como 
es aehagons. (GG) Zumatacarre^ui nio pndia deixar 
de loniar rcprcsalias, e as iDfflou para confer o furor 
dos chrislinos. D. Carlo) annservava-se em PorlUgal , 
devendo lcr parlido para a Navarra , a partithar os pc- 
rigoi e glori» dos geas Pcis dermsores ; porém com- 
mettcti o crro de sc dcixar Ccar, para ■jadar a perder 
■ causa de sen sobrinha. 

Um noTo inforlonio come^on a altrauar a posícao dm 

flUÍ] A nVMá pitim cltlT Unbe» fbi BtffCiina vom Bm»> 
chM> de pwdanf ^mt i)yerein<il ■paiar, aUi Bnda «m l-Fla- 

Sla ái pratindai u Hetpuiha , nlo tü Bot primcinM dia» 
n guerra djnailica , porém do rmqo de lete hiidoi qua 
duroa. Todk a «giM ao OccaNO nio i laíBcienle para ai 



■aoa 

nalistas. Bm Santárcm' deseBTolvHi-M nma terrÍT^I wh 
leslia tf pfaoitfc , qse quau poi todo o exercito fóra da 
combate. Uavia dia de morrerem n'oTenta a cem soldi' 
dos. Uuilas pessoas particularcs perecíam ignaltnente 
de tao terrirel tnolestia. N'esta lamentavel círcunstaD- 
cia foi preciso ao generai Hacdonald mandar vir do 
esercilo de observa^áo sobre o Porto unu brigada pan 
supprir as baixas dos que haviam morrido , ou esla- 
váin' nos hospjtses. 

Este novo desastre no eicrcilo realista fei conccber 
a idéa ao govemo do senhor D. Pedro, de que a oc> 
easiáo serfa sem dúvida favaravel para álaear Almér. 
pelo julgarem menos forte em consequencia da For^ 
d'ali deslacada para Santarem; porém estavam lalio- 
rando n'um grande erro. Almér, senhor do Minho, 
Tris-oR-Uontes , e Beiras, acliviva o recrutameiita, 
or^anÍsavB novos corpos de linba, introduiia no t\et- 
'cito a arma de cavallaría de lanca enlregando a instruc- 
^ia d'este corpo a um habil officisl íraDcei , e fíial- 
mente discíplinava o corpo do eiercito do scu comiiMn- 
do , faEendo-D sérinmente rcspeitar pelos adversarii» 
q^ue tinha na sua frcnte. A forea com que o genenl 
realista Gcou sobre o Porto , era nño só suRÍcicDtc pan 
conter a guamirao d'aqueil* cidade, mas promelLÍi 
em lireve amea;al-a. , ■• 

Stubbs estava no desagrado , e cra arguido pelo f<f 
verno de nada faier. duqHc da Terceira foi caovidailo 
para ir tomar o commando no norte; porém o duqnt 
recusou. Foi enláo 'maadado o general Torres , já barii 
do Pico do Celeiro , para toraar o commando Qo Partn. 
Celjíiro chegou' ao Porto nos ñns dc novcmbro , porém 
OBa achou Slubbs disposto a entregar-lbe o commanda, 
teuiiuprcciso ir «rikiii posilÍTX do stuhor D. Pedio. 

i,n:.-' I. CoO^ílc I 



305 . 

' llO'dia i.' de detenbrofDÍ » cidade do PorU «aqea- 
(ad& pelo cónde de Atmér, que coin duaa columflas' 
fazia sobre ella um reconhecimento. Stubbs safu com a 
giiarnicüo ao ciicontrO de Alraér ná baixa da Areosa , . 
mas debaíxo da protec^áo das linhas; porera carrega» 
do. pela' cBvallarja realista foi obrigado a retirar coin 
perda i.cntrando n'esta a do bravo coronel Pacheco , 
chefe d'estado maior de Stubbs , que foi ferido morlal- 
menle , morrendo no dia scguinte. 

A opposiíáo ao minjslcrio do senhor D. Pedro con- 
linuava com grande calor. O conde da Taipa dirigia- 
duas carlas ao impcrador, dictadas em estilo táo for; 
Ic , qiie conde fot mandado prender ( 7 de deierabrg ), 
Os parcs prolcstaram (11 do dezerabro) contra simi- 
Ihante procedcr do govcrno , como atlentatorio ao arligfi 
26 da carla constiñicional. As eousas tornavam-se ca- 
(la dia mais complicadas na corte de Lisboa.O mesma 
Kapicr oiisou fallar ao impcrador sobre a má direccáo 
dos ncgooios politicos, e no desgoslo geral que havía 
no povo , e Do exercito. Os ingleies queriam até qua 
o minislerio fosse dcmitlido, e qiie se organisasse um 
outro mbderado , quc désse garantias a todus os par- 
lídos, inclusivamenlc ao partido realisla^ ministro 
ingltt exigiu a suspensao da. venda dos beos seques- 
Irados aos realislas, e a venda foi suspensa. Os ingle- 
zes n'esles seos planos levavam em visla o poder alcan- 
^ar o lermo da gucrra pcla paz , conciliando os parti- 
<]o5. So estas náo cram as suas vislas, ao nrenos elles 
assim o fíizÍBm acreditar. coronel Hare fa araiuda- 
das vezes a Santarem para conferenciar com p ministe- 
rio realisla , e com o barao de Riimrord , enviado hes- 
panbol. Algumas exigenciai se rixeram , que os reali»- 
tas leieítaram coqio inadmissiveis , e is negocia^óei m 
«0 , 



m . 

tonrrompeuñi linila d'eita m. Estas interf«r«ntíu 

titranfteirai c opposi^oes davam serios cuidados av'se- 
Bhor D, Pedror que tcDdo notfcia do quanto lairavi 
na seu exercito o espirito oppasicionista , chegou a con- 
ceber a idéa, qiie mais d'uini tei tivera , de qiie Ibe 
fiieriam tirar a regencia. Sua mngestade impcrial,! 
prelétto de passar uma revista ao sea exercUu , vai aa 
Cartaxo (13 de deiembro) para coDbecer o espiriia 
de que o mesmo eiercito se achava animado , coDstaa. 
do depois que o lenhor D. Pedro voltira mais socega- 
4o a lal respeito, pela promessa que o marvchal Sal. 
danha Ibe fizera. 

A gnarra de Hespanha tomava cada tci mais incre- 
nento. Apesar das perdas de Vicloria e Bilbáo , a caa- 
u de D. Carlos tomaTqum aspecto l3o ameagjidor para 
■ cania de Isabcl, qde Luii Filippe mandou para a 
fronteira um exercito de cincochta mil homeiis pront- 
' plos a entrar eni Hespanha para sustentar o novo priih 
cipie dynaslÍGO. 

Cordova havia cbegado a Madrid nos princípios de 
deiembro. A conservagáo dc D, Carlos em Portugal 
dava occasiao a bostílidades cntrc os govenras de Chris- 
tina e do scnhor D. Uiguel, e a permissio ds se for- 
marcra depositos de emrgrados portugnczes na rrontcira 
hespanhola jé era declara^io dc guerra de racto entre 
os doísj^uverflns. N» praca de Marvao se reunÍMn lam- 
hem alguns emigrRdos carlistas, e dizia-se que aqiiella 
pra^a Tóra posla i disposigao de D..Carlos para d'ali 
lazer om ponlode apoio para organiaar uma e^tpedicao, 
c invadir a Eslremadura hespanbola. Bram os dois go- 
tcrnns a faier represatías um ao outro, 

A II de deiembro satnm de S. VicoDlc os emÍKra» 
*M. qoa auuliados peh» cbriiliBot. « por um «fficial 



0,i,-f-n,CoOylc 



fntéríor dr ^artil;Co da p»;a , qne de proposito rett) 
rou de noite a sentinela do poato éscolbido para entra* 
rem, surprehenderani na madrugada do dia 12 a ci^ 
dadells de Harvao , que tomaram , e ciH seguida a pra*. 
(a e parte da guarni^áo. brigadeiro Pinto., que tti 
. achaTa príso em Uarvao , tomou o commando da pr»> 
f a , rorga armada , e governo ali Inita.urado , para or- 
gantiar fur^as no Alto Alemtejo. brigadeiru, e g(H 
Ternador re'ilista foi para o calaboii;o , d'onde ha pon- 
co salra o brigadeiro Pinto. A surpreia áa Mai-vao tert 
um caracter trai^óeiro, e qnasi hespanbol. brigadeú 
ro Pinto escreveu em i3 de dezembro á rainba Chrí»> 
tina a pedir-lhe soccorros para sustentar a pra;a , vjslo 
a Ímpns$ibilidade de sor soccorrida por sua magcstada 
imperial D. Pedro. Cnm os 'soccorros dos christinos m 
pra(a de MarvSo immeilialtmenle se pox em bom esla> 
da de defesa, e'incómmodou bastante os realistas por 
aquelle lado, obrigaodo-os a ter sobre aquelle pout» 
nma columna de tropas de todas as armas, 

A Euppregsao da venda dos hens sequestrados awi 
reatistas Tei com que algnns agiladores fiiessem um tuv' 
tnulto na cidáde <to Porlo no dla 16 de dezembro , na 
occasiáo em quc a commisjáo municipal tevanlara « 
■equeslró i casa do negociante Sonto. Os agitadorei 
invediram a casa da camar.t, e os seus memhros cor- 
reram risco. A commíssao muniuipal foi díssulvida. 

general Stubbs cedcu flnalmente o commando no 
Porlo ao bario do Pico do Celeiro , depois de Ibe ser 
expressamente assim ordcnado. senbor D. Pedro Ibe 
remunerou por esta nccasiau os servÍQos passados, dan- 
dn-lh^o lilulo de barao de Villa Nova de Gaia ( 18 
dé dezembro). 
Hrcorte 4o seidior D- Hignel aecasanm I(«ilml4 
> «O* . 

Cooylc 



toe 

tfÍB. nada hzét , i que o general' etá chere áo' eierciti 
realisU respondia , que queria organisar e disciplinat 
bem eiercito para abrir a campanha na priinavera da 
aDRO de 1834; porém, continuando as accusa^oes, o) 
íésgostos do gencral roram lac$ , que o levaram a leguir 
<i exemplo do marechal ílourmont , pedindo a sua do^ 
nissao do commando do eTercito, que tadavia nio 
Ihe foi dada com promplidao Como a fiourmont; ii^ 
sistindo poTÍm pela demissáo , esta Ihe foi dada em 2S 
de detembro , e nomeado o 'general Povoas pam o 5ut>- 
stituir. Esta mudaoga do commando para as mios de 
PoToas eiultou de prazer os inimigos de Hacdonald, 
nas nao os homens que Tiam no general demittidoo 
'general disciplinador ; e que contÍTera Saldanha desde 
OS dias 11 de oulubro. Povoas e SaiMa Marlha com k 
suas TÍTalidades em jiflho e agosto de 1632, deixaram 
pr'olongar a lucta , que tantas desgrarfas fez pesar so- 
brc a nagao, c sujeilando a causa que defcndiam ás 
conlingencias e caprichos d'uma ionga guerra , caprt- 
chós que Ihe deram cra rcsullado o esiado perigoto, ¡ 
bu perdido da sua causa, tal i'omo (tcou pelos aconte- 
eiraentos da tomad^ da esquadra , c tomad»- dc Lisboi- | 
Estas considcraroes faziam com que os ofBciaes dislin- 
CÉos de ambos os ciercitos conhccecem , qu'c PoToai 
nSo cra o hoinem de acgao para um caso tSo serio , co- 
no era em tacs alluras o commandar o eiército rcalisla. 
marechal Saldauha , querendo como solemnisar a 
«ntrada de Povoas no commando do eicrcilu que Ihe 
era. opposto , manda ao brigadeiro Macedo com um» 
forga dé cavallaría, c alguma infaníéria levada na f;a- 
í-LÍpa dos cavallos. fazer uma sortida sobr'e Torres No- 
" vas, no dia 21 de dozembro, a fim de destrnir os mol- 
nhn. e farinhas qne n'aquelU tilla iHTÍa- pata o'excr- 



,u8lo 



m 

«íti> r«aliala, e cODaegulndo o fim 'piia que «li íóra^ 
reliron Uacedo com rapidcz sobre o seu exercito, Mt' 
capando a qualqucr ataque de for^a maior da parte dot 
Fealistas. 

A vifla de Sclubal , conslanlemente amea^ada pela 
geoeral Lemos desde a derrola de Alcscer, come^ptt 
á chaoiar a mais séria at[en;áo do senhor D. PedfO, 
mandaDdo activar as fortificacdcs , e augmeQlar a stiy 
guamicao. i 

Terminava o anñn de 1833 , que lao cheio de acoii> 
lecimeiitos se apprfscntou. No princfpio de janeiro o 
senbor D. Pcdro e o seu excrcito luclavMn no Porto 
com todos OE hoi'roreg d'uma cidade estreitamente si< 
tjada, tendo a sua causa cm gravc risco, em quanlo 
Hae ao senhor D. Miguel e ao seu exercito nada fálla- 
va , e tínha pela sua parCe toda a probabilidade da fi- 
ctoría. Agora tudo estava^ niudado , appresentandifc-se o 
exercilo do senhor D. Pedro abundantemente proTfda« 
bcm Tcstido , e equipado , em quanto qne ao do senboc 
D. Migticl faltavam as cousas mais precisas para fazer 
a guerra. Os dois cxercitos, npesar d'esCa despropor- 
qao moral , iiáo tinham forfa para sc debellafem um 
ao outro ; « sonsiderando phjsica e'moulmente as foF- 
{<16 dc cada um,.a continuagáo da guerra por parte da 
cxercito realisCa nSo dava a este um caracler mentM 
heroico, do que a defesa do Purto pelo .exerGÍlo do 
senbor D. Pedro. 

( 1834 ) Entravo o aano de 1S3Í , e a guerra eatara 
bem loDgc da aua lermina^o; e ainda que as proba.> 
bilidadcs do triampho estavara todas pela parte do sfr: 
piiar D. Pedro, nem por isso o partido realisU, que 
confiava na Caíta da naijgc, desesperava de poder pov 
UD) d'essec acontecimeDtos extraordinarios , com qna t 



Mt 

l«ÍTa capríchoianente fai n'in» nomenlo nHdar « b- 
ce doa negocios , poder melhorar a sna cauu , e pól-t 
pelo menos eni ettado de.poder negociar coni TanU- 
gem. As aacloridades realistas por toda a parte eran 
■elosissimas no recrulamento , e em pruporcionar w 
Bieins de Tardar, e fazer subsislir o seu exercilo. 

No Algarre (iierem ero 3 de janeiro os sitiados de 
Faro nma sortida sobre o campa realista. Na Estrema* 
diira falleceu era Santarem , no dia 6 , a senbora infaiK 
la D. Uaria da Assutnpgao , 'quc desde deiembro estava 
•tacada da fehre lyphoide que grassava n'aquella villa; 
nnde tinha arrebatado grande núnero de nolabitidad« 
io partido rcalisla , e mais de cinco mi) soldados. No 
Blesmo dia 6 de janeiro fei a ^ainifao realísla de I.ei' 
ria om moTÍmento sobre Alcoha^a;, éAo Alemlcjfe'ta» 
bem os realislas atacarani'a ^a^^ MarTáo. 

Os realislas rortiltcavitn-eartitharám o castello ( 
cidade de Lciría , onde tibbant para sua defesa mil t 
qninhenlos homens , qnasi todos de milícias e votoola* 
Vios realittas , e ura esquadráo áo regimento de cavtl- 
laHa n.° t. Saldanha projecta temar Leirir e abrir vmi . 
CommiiDÍcacáo para o Porlo, o» , {«lo meaos, cortar i 
dos realist^s entre Coimbra e Santareio. A empresa^ta 
baslante arriscada , porém tent(Hi>se, .üeuniitdo SaÍH»- 
aba para tal tentativa uma fnrca dé quatro mii e qui* 
nhentos in&ntes , trer regimenlos de caiallaria , e t 
comjetenle M-tÍlharia, for;a quasi toda ürada do Car- 
la^io , deixando slinha aÍi bastante cnfraqnecida , t 
expoata aqm gDlpe de mestre da partc dos realislas, 
■e etles tiressem n'essa «ceasiso em Saitf axein . Iim $f 
neral que , reiinindo i pericia q aotÍTÍdsdé e aadacia, 
Mardiasse lobre Ltslws éiñ quanto Saldanbii w wttr»' 
Hrta em í*iria. 



.uslo 



**» 

' StÚHri^a ippreaeBliw-str' tobre Leiria' «« H de j»r 
Beiro, A guarnr^o esperou o ataqtie fúra de leiu lii^ 
da rraqiiisiÍRios entrÍDeheiraiiieDtos ; porén vendo e e»* 
rancl Pitta O^orio a superioridade de seus advf rsarioa , 
aliBDdoBoi) B tidade e' easlello , rclirand'o-se «obre a es- 
Irada dos Mscitadas, seodo logo reilo prigioDeÍro com 
untros muilos ofGciaes e snldados. A cavalhirÍB de Sal^ 
danha correu depois sohre os ftigitívos ^eoi Ihes daE 
^uarlel , sendo notavel que SHldanha no scu oiBcio ai> 
minijlro da giKrrá se fanglorie de qne o seu esladi» 
inalor lodo lítessfl a honra de lÍDfir as suas espadat 
no Mngne de portufcieies que linhain o crime . coma 
elles, de peasar diversamente. Esta acfio da tomad» 
de I^iria, olluda pelo lado bumanitar.io, foi uma da» 
^ne Difiís deslustrarám a guefra civil da BUfcesgao. 

Em Hespanhk coniiwaTa a rjiusa de D. Carlas a f»-, 
>er proselflos. No Aragao, Vakn^a, e Culalunha s« 
■ rmafBm og carlistas em grande forfa . e se liatiam c^ 
rajasamenle coroo seus irmáos da Navarra e Vasconga.< 
das peia lei Mlica , por seiis foros, e pela eua liber^ 
dade. Zea era accussdo pelos ehrislinas de protegep 
claDdeslinamente s cansa carlisla , o» dus biapanos-sa- 
liences. Cbrjstina demittiu Zea Bermudes em IS de ja* 
neiro , nomeando para o 'seu lugar yartÍDei de la Bosa ^ 
de senlimentos opposlos a Zea. Martinez de la Rosa fei 
deseuTolver completamente a revolu;3o em Hespanha. 

Á qttéda do wíatslerio de Zea Bermudei bí.um golr 
p» lerriid M causa realislai Zea , se bem qiie tivess* 
aoandado retJTtr a mínistro Curdova , e feile naó pou- 
€t bofililidade to seBhor 0. Mignri por acinle peja 
protee{So dada a D. Carlei, é certo q«e nunía quíft 
•Birar «n •rrwjo' slgsm que tivesse por fim o reco* 
«hwiiMecto afBcttJi 4* iudHira J>- UJiria u, com i "' 

' . ■ .-^.Coüglc 



yiilsSo 40 «enhoT D. Uignel para fóra da PenÍDÍált. 
Alé le dissfl , que Zea teolára o senhor D. Migael offe- 
recendo'the a corpa da PeDÍnsuhi , casando^ com D. 
Isihel II , poréra que csla proposta fdra rejeilada pelo 
, IDesmo augusto senbor, e (fue igualiBenle rejeitára lu- 
éa quanlo tivesse por rim obrigal-o a expulsar D. Car* 
las para fóra da Peninsula. Havia aínda a probattilida- 
de no (empo de Zea , de que se o ministerio realisla se 
encoslassc Analmente para o lado de Chrísttna ,'os sol- 
dados d'cslj, que oieram ajudar eo senhor D. Pedro, 
)nr« derrubar do throno a seu augusto írmao , virian 
com a»suas primilivas (éncóes para o segurar. 

Os realislas f»iam einda grandes esfor^os para re- 
enperar por si uma poGÍcao, fazendo por organisar dd- 
los corpos , e «nimando os scus com esperañcas n'uiin 
egquadra , qne se diiia tratBTam de arranjar os agco- 
leg realisiag no eslrangeiro. 

A t7 de janeiro'deu o senhor D. Miguel noTae am- 
pla amnistia, passn Ijastante politico, se tivesse sidn 
dado cinco anaos antes. N'este mcsmo dia foi a pr*u 
áeLagas novamenle atacada pelos rcalislas. | 

A 22 de janeir* mandou Saldanha uma forca sobr« 
Aldeia da Cruí , a flm de apprchender uma porcao d« 
dinheiro pertencente ao exercito realista. Saldanha des- 
'4e dia Ifi que havia feito activar aa ohras de defesi 
de Leíria , e deixando n'esta cidade mil e quinbentos 
homens , dezoito pecas , e cincoenla cavallos , gaiu a 
il5 sobro Torrcs Novag , onde surprehendeo oma forfa 
do r'egimento de cavallaria de Chaves , resultando d'cs- 
■tn surprexaLim combate. 

OB'ehristinos cada vez invadiam com mais fre(|uen- 
■^M as'fronleiras portuguezas. Iguaes invasoes faeiaiD 
o* emigrados porlügHezes.ipDiados pelfii clú-isiiiiM.' 

i,n:.-' I. CoO^ílc 



Slt 

Üstn-ÍDTasocs' linham os nucloridades ' rcalistas das 
fronteiras ein coDlinua inquietaráo. 

Do Porlo Rzeram, cin 2€ dc idnciro , uma sorlidi 
sofaro Villa do Condc. ^^uerrilheiro Batalba', qne cm 
HespanbB havia organisado uma gucrrill)a de cavalla- 
ria , fniia correrias pelo Alemlejo. A 27 saiu clle dt 
Setiibal e corrcu rapidamcntc até'Moura. Saldanha, 
quc nio se detnor.ou cm Torrcs Xovas, corrcn sobre 
Pernes , onde ee trarou uma accñu cm que o gcncral 
rcalista Cnnavarto foi faalido por galdnriha cm 30 da 
janciro. A 31 fiteram oa realislag um novo ataque á 
pra^a de Marvio. A 10 de revcreiro fcz a guarni(3o do 
Faro uma outra sortida. A priinavera prometlía pois 
ffrandes aconlecimcntos , principalmcnte ao noríe e aa 
sul do reíno , pela aclividadc quc se notava em amboS 
os partidos bellígerantes. 

O general Lemos preparava-sc a lomar Setubal , pl»> 
BO que lalvcz nao Ihe désse o resullado qne esperiva, 
em atlenfio a que a villa já n'esse tempo estava em 
fcom eslado de defcsa. Os planos de Lemos foram frus- 
trados d'esta vei pela ordem que rccefaeu para marcfaor 
com tres mil bomcns das tropas do ful para Sanlarcmt 
onde eDtrou pela noile de té de fevereÍTo. Em Sania- 
rem qaeriam qne se disse uma batalfaa a Saldanha. 
general Povoas irresolulo, can^ado pela idadc e estado 
pbysico . -t mesmo -moral , porque já havia ponca con- 
fian^a n'elle, nio se qoeria cncarrcf(ar da cxccii^ao de 
planoB arrtscadns. Povoas perdeu muito na sna rori;a mo- 
ral , pela apathia que mostrou de 15 a 30 de janeiro , 
qne f^z conhecer ao excrcito que a pericie do gcnctHl de 
aada vale , qnando Ihe falla a energia , e mesmo a aO' 
dacia para aproveitar-se d»s erros mililares 'dos seos- 
advei^His , ou , jne|h«r., 8eb«r aprovcitar i «ccujia 

ü,o,i¡-n,Googli: 



S13 

tfSerna, e nSa iolla. Eslana realidade eslesosdotM 
406 raiem distinclo o geDeral , d'outra rórina desce a 
eiphera dM generaes rulineiros , que só sabeai combater 
eom grandes meias , e com a quasi ceiteia da victariai 
' O general Lemos tomou o commands da ata direiti 
do exercilQ realist> em Santarem. A 18 de fevereiro, 
pelas seit horaj da manhi , mandou Lemas romper o 
tofo em frente da ponle doXeleirn , com qualro |iecas 
e um obi» , apoiado por mil inFantes e dois esqiiadróes 
quc linha emboscados. Q reducto rcal da pante da 
Asseca fompcu igualmente o fugo, onde appresentou 
Bina for^a de dois mil e quinhentos homens , e um for< 
te esquadrao. As seís b m»», quatro eolumnas de in' 
bntcHa cora oitn esquadrocs passaram a pante do Ce- 
leiro tnmando a difec;ao de ViUa Nova do Onteiro , e 
$anta Uaria , muito i esquerda de Saldanha. Esta fori 
fa-era apoiada pof doie pe^as, e Ires obuzes. 0,ma> 
techal Siildanha conhecenda os niovimeiitos do ^eaeral 
Lemos , em quem sem dúvida se divisava a e:(ecu;ao 
d'um plano ousado, corre com as suas prineipMs for- 
fts, apniadas por oito hoccas de rugo, a oooupar Paul 
e Atmnster. Pelas onie horas a infiinterÍB e cavaliarit 
pealisla marchivam cm frente de Almoster, sendo io- 
commodados pelo fogo de artilharia e fugueles mandi- 
da bier pclo brigadeiro Schwalbalc, a quem a gene< 
hI realisla mandou respondcr conf a stia artslharia. 
I,amos coutinuou a mandar avan^ar pela esquerda sete 
oorpos de inranteria e a cavallaria , que SaldAnba man- 
dou seKuir parallelamente por cinco corpui de inraDle- 
ria , e dojs regimeQtos de caTallaria. Em qnauto e»- 
tes raovimentoi se praticavam na eslrema esqnerda de ' 
Saldanha , na poBle da A»eca faavia ríja combate , que 
^pait da laeiQ üím GoiitíatiMr'«a acüviiHiio. fafo 4< 

i,n:.-' I. CoO^ílc 



«Í3 

«timdoKi. Pelo iDMo dia , « ^neral realrstadeeUrtaca 
fcas as inlen^oei de avan^ar iobre LUboa , íe as 0|k- 
racoes d'aqiielle dia Ihe dessem um fesultado favorap 
vei , rompendo as sua« trnpas em enthiisiasticas acela- 
inagóes ao rei que defendiam. Eram ires horas da tai^ 
de quando os atiradores e arlilbaria realisla romperani 
c fogo aclivamenle. As quatro boras e meia se Iravoii 
rijo combate na puntt dc Sxnta Haria , onde morreu o 
brigadeiro realista Sanla Clara. Spbrc Almoslerse com- 
batia iguaimenle com desoda. A esla mcsma hora de 
ataqiie , oiilra columna se preparava a passar a valla na , 
ponle do Celeiro. k morte do hrigadciro Sanla Clara 
segniu-se logo a do brigadHrq Brassaget, e seii aju- 
daiite de campo.o tenenle Dubrevil, e a desordem se 
ÍDlroduziit nas lileiraa realistas. Lemos mandtiu a sM 
cavtllaria para assegurar a relirada siibre Sanlaremi 
o qne efTectuou já pcla noile. Esta balalha foi de am- 
bos os lados dada com valentia e pericia. As perdai 
foram grandes. Do exercito de Saldanha morreu o co> 
ronel Miraitda, morte nio menos sentida , qiie a do 
Sania Clara , e BrassageL Ox realistas atlrilmjram r 
■na ínfelietdade n'este dia ao brigsdeiro [tebocho , to- 
do ctralura de Povoas , e ao commandanle da cavalla- 
ría Orinhi. I^o dia srguinle (19 de fevereiro) foi o gc 
neral P«voas demittido do commando em chefe do extrt- 
cilo , notntido-se dizer a ordem dn dla . |ir(o r^qvtrtr , 
em raxao <¡ó wu eitado phyHco « moral. general Lemoa 
sutistitaiu Povoas. N'este mesmo día se deu nova orga-f 
DÍEa^ao ao exercito realista , ma^ndando-sc cnmplelar os 
corpos de 1.* linha que fornm supprimidos em 1829, 
voltaDdo á creatio dida em 1806, alé t89S. Para al- 
guns dos novos corpos jí havia cucos em dirersas ter> 
ru «4 amiG « fnj 4« mw< 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



' 3U 

' A enlrada do gencral Lemoi no cüramanila do «léF- 
cilo realislá iiáo fui ambicíanada por estc gcncral , qut 
tinha o bom setiso dc pensar quc nao era lidalgo, e 
que por isso náo Ihe serfa posstyel oblcr iim sincero 
apoío da classc privilegiada, constantenKnle iM'Ovada 
nos coinmaiidos do cxcrcito desde o coméco da lucu. 
O gcncral LemoS reciisaía pois siniilhaDte honra, po- 
rém o senhor D. MigiH-l Iheordenou positivamcnte que 
toraaasc o commando do exercito, dizcndo-lhe mais. 
qiie nao se teiido pudído arranjnr a csquadra 4)ür rnlli 
de meios , estata resolvido a vender os snas jo.ias.{ 67 ] , 
para com ellas se obter uma esqiiadra igiial á de scus 
adiersarios. Lemos obcdeceu. 

O exercílo rcalista mctlido em Suntaremrn'umibro | 
niasmatico , e.hamoH desde logO a aLtcncáo do novo ge- 
neral em chcrc, qne fez sair as tropas para o campo, 
para tomarem o ar livre, e assini restal>clecen a saude 
do soldado, táo dcteriorada pela tcrrivel iñolestia át 
qne poucos deiiaram de ser accommetlidoe. 

O gcneral Lemos tinha adquirido cerla reiiiitafáo, 
quando , seodo coronel , foi mandado commandar a ci- 1 
pedÍ;ño para tomarajlha da Madeira , oqne conse- 
gaiu com reticidaile no dia 22 de agosto de 1828 ; po- 
rém esta reputa^áo foi bastante annullada' no anno se- 
guinte noalaque daTerceira em 11 de agosLo de 1839; 
e sc-bem que Lcmos se juatificou, comtudo nao deiia- 
ram de the attriboir, em parlc . o máo successo dn 
dcspmbarqiie da Villa da Praia. Poslcriormctite Lemos, 
como geñerat commandante da 3.* dÍTÍsáo no eérco do 

- (67) Tnn JoÍBi nSo le Tendrrim, nem ■ ciqnailra Tclni i 
■e bem qiie te afñrmi , qiie le traclava leriamrBte áa tc* ' 
«Deojninento , na ocriiilo em qiiea IneUlerra , FrnB^ , • 

nripuiba dellbenrara esUeTÍr a Isvvrdv tralHW B. Pfdi*. 

i,n:.-' I. CoO^ílc 



31S 

Porlo, M nm Sos officlaeí genleraej mafE'aetno^'BiÍlf 
leloso , e qpe mais ínconimodda os sitiados n'aqirplla 
Gidade ,. fechando-lhes a barra , e repellindo lodai a> 
sórtidás qúe fiierain soLrc a'margem esqucrda do Dou- 
ro. Lemos eonlÍDHDU a mostrar ié]o , cifergia, e brar 
Tnra duranle o cérco de Lisboa', e depois a liirltiM . 
que por veccs o coroou no 'Alemtéjo , tex eaquecet t» 
successos da Terceira , e come^on a ganhar certo jKeSr 
tigío ño cxcrclta , pelo que s sua subidci so Commaiido 
em chere foi até certo ponto de satisra^io para a maio- 
ria do eiercilo, qlie via preraiados os servii¡os do ge-t 
neral modcrDdo^'e todo cbeio de dedica^áo pela Gau- 
sa real. 

cande de A)m£r passou a commandar no Alémtejcí 
em logar do general I.cmos. Almér, general habil a 
energico, tinha tomado conla de um eicrcito de obi 
serra^o ÍDdisciplinado , e doiiBva nm eicrcilo discl- 
plÍQadissimo ; por^m Almfr tirado do coromando'do it- 
ercito do norlc era iim golpc terrivel para a causa rea'r 
lisla. A salda do general d*AIm¿r scgain-sc logo a mar- 
cfaa de duas brigadas para o sul , dciiando o corpg do 
ciercílt) de obscrva^io sobrc o Porto baslante enfra- 
quecido; todavit com taes' dcáfalqucs aiñda a guami- 
^ao do Porto esta^a conlida a colwrto das suas linhaí,- 
scm se arriscar a tomar a iniciativa oas opera;3es. 

Nolava-se que no eiercilo realisla mnitos ofiiciaes 
eram passados a veleranos , ou a govcrnos dcprifías em 
eslado dc desarmamento. I<láo havia díivida qae algnnf 
d'cstes ofHciaes mereciam tal arrflmo pela sua falta de 
eaergía ou aptidáo; poróm tambom t innegavel, que 
no meto d'esta expurga^ao foram posios de parte ofli- * 
ciáec beuemeritoE , al^uns dos qoaos havÍBro feílo com 
'grdddcs credilffs as gucfraS 41 Península e de Mosict 



Slfí 

vfdéo, »C[ae Ígnalrooite enun fldelisíinios ho scoiioi! 
D. Uigád , a quem poderiam coDtÍDuaR a preitar ser- 
Ti^os de graade Taiia. • 

De operi;óes mililares -fiieram ama soitida sobre S. 
BarflioliUBeu do Piiio , em 22 dc fe*ereiro. A. 97 fat 
a Gidade de Fifo oDtu veE atacada pelos realistas. A 
SS fqgiiipara Alcaái^ [Hespanha) o geoeral Jorge 
de Arilei, que estava emSrsgaDca príso, raas a qDem 
te conceiiia licen^ para.passéar oom ura ollícial da 
gnárni;&e. Avilei orginiiou em Hespanba nma noTa 
expedifio. 

O govomo britanDico mostrava-ae ÍDdigposto contra. 
o scnhor D. Pedro, por conservar no seu minislerÍQ 
rdilÍTÍdiiós de ópiniáeB exageradas, é- qne ñsnhuinas 
garantias davam para sc poder obter a reconcilia^áo 
di familiá portugueza , HDÍcos desejos, diiiam os mi-< 
BÍstros de GRÍlbcrnie it , dc lodos os esfor^s da na^ 
;io britannicar Os poucos indÍTÍduot da antiga aris- 
tocrecia portugueza , qoe segaiam o iroperador , apoia' 
Tam tM gencralidade a polilica ÍDglexa a respeito de 
Pórtngal , faiendo porlaiilo opposi^áo ao miaisterio do 
regGDte. 

Lord Wítliam RuMell foi Babstiiaido por lord Ho- 
ward de Walden na embaixada de Lisboa. O BOTb ni- 
nistr« brítatinico come^on logo a inlrometler-se nos ne- 
goeios politicos do tiaii, com bastante despeito para 
eom o smhor D. Pcdro, poii sem deferencia aiguma 
pafa Ooni o mesmo angiisto senlior , propoi [ S8 de fe- 
vereiro ) « mediicao ÍngJcia para o acabamento da guer- 
ra , devendo os govemos britannico e o de Luiz.'FiIíp* 
' pe serem os arbitros nas negociajoes con 03 reáliatas . 
porqm esi» nio conQaTam no goremo do senbor D. 
PBdro^ Slmilbante oasBdia irritou'o iiDperador , itrila-' 

ü.o.ii-n.CoO^ílc 



J17 

(So (|M aÍDdi o ministro britanQlco ftt eabít ao »■& 
álto grjo , qaando oa sua appresettta^So aa corte diri« 
giii o seu disctifso unicamente á rainha , sem Tazcr cesi) 
fiu menqáo do imperadur , que era regcnle em nume d* 
•ua anguata filha. A aniinusidade do ^nhur U. I'cdra 
CORtra lord Howard augmentava diaríamenie, che^n* 
do a conceber , que O ministro inglei tinha instruc^óc» 
para o hostiliiar, 

A causa realístn, apesar de ter ofatido gravdes me^ 
Ihoranieulos naleriaes , e de IihIus os esrur^os de scuj 
(ieÍ3 defcnsores , parccia a muiliM que la siiccumbir n<t 
presente anna ao poder conihinado das na^ñn que ha' ' 
viam adnplado a politica da revdu^io de julho, iiUi é, 
que siircnmbiría ao podel' dns governos iiiglei e lielga ,- 
e sohre ludó ao de Luík Filippe e de Marla Chrisiifla. 
A face que osnegocios Lomaram desde a quédadeZea 
Sermudez assim o indicavara. O seiihor D. Pedro já ti- 
nha a promessa dn entrada d'uin corpu dc ciercilo de 
christinos, que -dcviam etttriir na proxjma primavcrjt 
para terminar com á questáo portugiieza a favor da se- 
nhora D. Uaria ii, com a cxpnlsño do senhur D. Mi- 
gucl. Era a potitica de Luis FilÍppe.supplanUndo a d9 . 
gat>inele de Guilhernie iv , qoe cunie^ « dar auiilioa 
ao senhor D. PedrO para as suas eTpedi^fics, a fim de 
pela for^a obter a annuencia do partldo reali^ta BDt 
seas Gns, o qae teria conseguido, te oi realislas h 
deixagsem levar inais pdos interesses individnaes , Ú9 
que pelos do pundonor , despreiaodo os juramciitDS 
preslados ao seu chefe. 

A 2 de marfo feE 'a guamí^áo de Setuhal nma Gor- 
tida sohrc Rilvas. A 1 oulra snrlida 4c l^iria e[itir« 
Aldeía da Cruz , ondc foi surprehcndiiio'O hatalhño de 
voluAtanos jeali^s de Trancoso. A 19, oulra aortida 



ata. 

4« Faro. A iü outra da praja de Uarvio. K'H fui 
aprjsionado nas atturas de Vigo o vapor realisU I.Qrd 
das llbas, e mais doi$ navios carrcgadoa de muDÍcoes. 
' scnhor D.Pedro assiitnou dois decretos, umei- 
autoraiido seu augusto irmáo das hcfnraa devidas ao s«u 
alto Dascimento! ootro extÍDgutndo a casa do infaiil^ 
do encorparando os stus bcns dos do eslado ( 18 da 
inarco). Esles decretos foram como.ein represalía i 
diplomacia britannicn; poréra o minislro ioglei fezcn- 
do pouco caso dc laes decrelos , cooIíduoh s sua gner- 
ra ao minislerio do ácnhor I). Pedroi a quem commU' 
Dicou a sua ten^ao de continuar nas suas diligftncMS 
'pcla lcrmina^áo pacirtca da lucta , qtie aflligia Púrlu- 
gal. Lord Howard passou poís ao Carlaxo para abtir 
Gommunicatdes com o ministcrioreatista cm Sautarcoi, 
subre as hasos dus antigos projcctos de saida tempora- 
ria do senhor D. Miguet pára fóra de Portngal , reco- 
Ihendo o mcsmo augusto senhor an rdno , qaando aca- 
basse o praso roarcada, scm que se Ibe podesse lolher 
scii, regresso á palria. A nada d'islo annuia o minís- 
terío do jcnhorD. Pcdro , e olé se di^ia , que o mes- 
mo imperadoF, conlra a vontade da Inglaterra, quen) 
casar a rainha sua Tilha eon^ um principe da saa esco- 
Ilia , mas que , segnndo as vistas dn gabinete inglci , 
Dao dava paz a Porliigal , porquc s6 puderia satisrazer 
nm partido , raas nunca a maioria da naijao portugne- 
la- Notava-ge. nos documenlos oilieiaes, c alé ira rela- 
lorio do^ccreto dc 18 de marco, nma jinguagefn Ikií- 
sa contra o senhor D. Miguei , tinguagcm qiie csle se- 
nhor nunrn conscnLiu que os seus usassem contra sea 
augusto irniiio i parentes , e esta Ünguagem ofücial ds- 
ya azas aos discurios c estilo dc jornacs o luais offoDsi- 
Tos, aií S aiigMsfa casa de Bragan(¡a na pessOB d'ua 



I. Coo^ílc 



u» 

d« le.Hf'prÍDGÍpMl tMDdfras. nüiMid'o iágicM nigUl 
moderatio na lÍDgaagera para coin a priocjpfl brigan^ 
tino ; qae no eslito official se pozessera de parte as ei< 
pre<&6es offensivM de usurpador e outras similhaates^ 
e que no geral se usasse d'uma linguagcm de regpeitft 
e polide^í , assioi como Ihe fosse restiluida a sua cas^ 
&c. &c. Que as nomea^oes ecclesiasLicas . civis e ml- 
lilarei,,feitas pelo goferno reaiisU, fossem ein parta 
garantidas, pagando-se ns soldos aos militares &g. \ 
í/trá Howard,na aua chegada ao (artaxo escreieqi 
para Santareiq tp ministra da guerra eonde de S. Loa~_ 
rcn^o, mas cm particular; porém o niinistro recpsou 
qualqiier conirauDkaQáo que náo tivesse por sf uai ca'^ 
racter fraoco e oQicial (68), exigeiicie a que o mi- 
iiistra inglez ÍBunedialamcnte satisfeK , e umá entreTÍila 
bouve na ponte d'Asseca [ 22 de marQo ] entrc o gene- 
ral Lemos , a ministro brilannico , mareohal Saldanha ^ 
almiranle Parker , c mais dois oDiciaes da mirinha io- 
gleza. Os qualro ultimos afaslaram-sc , e Lcmos e Ho-^ 
ward ricaram para eatro si coafcrcnciarem e regulai'eia 
as tiases da negociagao para a paz; porém o gencrai 
Lemos com a franquexa que o caraclerisa logo decla> 
ron , que era preciso pdr de parte a eiigencia da sal- 
da dú senhor D. Higuel para fóra de Portugal , po'rqus 
ncm cHe, nem os outros' qne mililavam debaixo das 
bandeiras realistas, estatam resolvidos á abandonar a 
rei , qualquer que fosse a gravidade c mngnitude- dot 
■acrincios que para isso bouve^sem de fazer. Howard 
fei uma etposi^iío ao géneral realista dos perj'gos a que 
te expnnbam nao acceilando as proposlas, porquc a 

(C8) DDrante o c4no da Porto tatnbcin olllBitre Adak 
go Tecuian rccebcr (artai da (cnhor l>. Pedr*, lem qae* 
MBlwf B. Hi|il9l ÍMM labeaoe de t«« comipoBdcMÍw. 



hStnev^O itíiáát tAxAt* elki U f» lofBr «ii. étc. 

l?o calor da ^eitío LeDIos iinda onraAam^(« peTBon- 
loo ao itoínístro ÍngtcE : dizci-me , milord , é ou aáo i 
» senbor D. Mignel feí de Porfügtt? {ironOieUeu on TÍSó 
t^oiDetlea o gabinete dt S. JamM que jjmais sü Mtiy 
Aiette^ii, ou CDDsenlirii que outros sa intromeltesieiD 
tom for;> antiada i faTor d'al^m dbs dois princ^ 
Sk Cisi de BraganifaT — A nora pofitlca dc gibioelt 
' dai Tnlberlas e de 8. Jimes , depois da destbroDAc» 
^e Cartos i em íarfs , e da quM» do doqué de 'Wel> 
Kngton etH Londrés, nlo pemiilte tat i'eCónbecÍmen- 
4b , e hoje mesmo o ^oTerno de Usilrid naa s& abra- 
foti esU polilica, mas está invadiodo Portngal conln 
t senbor D. Hígnel ; acrescentarido o lofd , qoe o» nf 
fislas tinham Já feito t>astante para salvsr b sna honra, 
i acceitar as basés da negaciaQBo. Os dois commissio- 
Bsdos nlo podet'am cbegar ■ om BC<}rdD , e o geneHl 
I.emos retíroo-se a Santarem , onde ó senbof B. Mi' 

S'nel anciosamenle esperaTB , para saber o resullti)* 
a conferencia , de que foi informadü coitt > ímíot í- 
¿elidade. tlord Bowacd re[|n>u-se para LiSt>oa , od<I( 
- ^oucos dias depois receben a denDÍIÍTB ^esposta olfr 
tial , dada peto DÍiriistro conde de S. LMiren^o. Foi 
ksU a ultima interferencÍB do gabinete inffltt ^ra lef 
ininar a guerra em Portugat por ontrot frielos , que nM 
Ibsiem os da for^a ¡ porém Ínfetizmente Aaa Toi p<^ 
(ÍTel lerar os dois partidos contendores a um acArdftj 
tom o quat se teriam cTÍtado, sein dú^ida , grandf 
ta»\pi qne postcrfotmente carrcgafam sobre o infel 
Portugal , ji pelos cfí^itas do acabitOPott» da gnetl 
pela guerra, ji porqae muilos ÍDdÍTÍduoi do -pBrlil 
reatlsla , faoffiínk entÍReAtei cta Tiftiidéd e Mber > C 
ntfa Ws flot M8»ci6s ^ubliíidli fo4«M« Mr í|lT«t 



m- 

i iiH jBtrÍA « UM'lú^ <|e v»¡a tsleotu • mi^n|<t 
qas grfiHdÍMÍmas crisei em qve > nai^o se ^eot íj!m 
4epoÍi de 1834. Querer levar % qu^taq portugueia « 
unua solutio paciGc* , exigindQ iqcriQcicu de houra é(-> 
t^lusiuQeute a ufn dus partidos , ^ue era o menao qut) 
4ixer : — n^ preferínm a gvfirra á jfat. Sq ^e tfvessi^ 
propoito , como prelÍDiÍDar daa iiegocía;oes , q íiii^M, 
liezqporsria cle ambos os priacipes , qu prescin^isaeif) do^ 
«diQso da laida d'uoi com a eiclusio do outrp , e, coot 
a cainposif io 4'*UQ mÍDÍiterio ({Ue d¿sse garantias d'or'' 
dem 4 todos, serla qiujlo ponivel entao obter a Ua 
desejada recoociliafao .4o^ portuguefes , e yraudef nia» 
les se terism evitailo^ . 

. Effl Hespauba progrcdia a fortuua dos cirliíta) SOt 
bre ot chfislinof . Q general Zumatacarref¡Di eutroa en^ 
Victqria. Q gaverD9 de Madrid recete em ^l de inar-. 
(0 enxbaiiadqr ia Mahor D. Pedró , e recqqhecje j^ 
unbora D.'Maria ii^ ^epoif 4? W rqconhfci^o q 10^ 
Qhor P. UÍguel I ! 

, Os Fealiibis abafldmiram o c¿rpo de Marvao en) jl^ 
de marQO, pa.ssando as fori^s que faiíam o cérco i QCt 
cupar Porlalegre e Castello de Vidc. N'este mesffl,o diti 
foi surprehendidi a villa de Cjminha por Napier, an- 
yiliado pelos bespanhoes chrisLinos. A 25 foi a TÍ|Ia d^ 
$erpa atacwla por 8i da Banijeira ,'que havia sfifdo d« 
Álgarye p^ra e&ie fim i por^m a guarni^io da pVa^a. 
i;ompw^ doi baUlbofs de rcalistas de Serpa e Mer- 
ío\9, repel)i» oi «tacante* com denodo. A. 26 estava 
Sá da Bandcira em Be]a ; poréra o bTÍgadciro cOnd* 
Uiii da fionrmont • segnia , ^ssiiD C.omo o brigadeiró 
Cabreira , qne (om !ima forc^ do tres a quatro Q3¡I hor 
QJflBS piHaTa • »9ffV BO Al«arve pontra p íoronel $i 

u Vtaátín. Asft>tni$%a ip ^«1« , ^ ^^ ^40 '0, 

-'Cooylc 



- . Sáí 

ftir;adi coin 'algiíns corpot do *u1, i itodis crdnu d> 
Pico do Celeiro , sobre o brrgadeiro Quiniioiies , t em 
Saolo Tjno te deu nm combale no Ü\a 26 de marco 
cm'qne ficaram mal os realltíis. O general )os¿ Car- 
áosa , que n'cssc lempo estava em- OlíTeira d'Aseiiteis , 
fbi a loda a prcssa tomar o commando das suas tr6pai, 
c qae QuÍDhoncs Ihe deixára dérrolar , fazendo nm et 
feito lerrivel nos realisl^s. Jia me^mo dta 26 fei i 
^amitáo de Marráo uro ataque á pra^a de Caslello di 
Tide, quQ estava guarnccida pelo halalháo de volun- 
tarios de Portalegre commandado pelo coronet Villalft- 
hos , milicias de Efora , Idanha , e algnns destaeameii- 
los , e lodas eslas for^as dcbaixo do comroando do go- 
Temador da praqa o brigadeiro Doutel ,- o qnal repellin 
e pcrseguiu as forcas atacanlcs , e as teria anniquil*- 
do , se a columna do commando do coronet Cofvo , qat 
cstava em Portalegre , tivcsse feito o movimento inii- 
cado por Doulel. Corvo línha era Portalegr« o regi- 
niento de inranteria n.° 31 , batalhao de Toluntarios ii 
COTÍIha, regímento.de milicias de Tilla Ví^ osa , sn- 
«eola cavallos , e duas pe;as de artiHiaria. Napier , dc 
pois do seu desembarqae em C^minha ', marchon sobn| 
Valcn^a, qtie atacou no dia 31 , mas sem resuItadoV 
pelo que Ibe Cstabeleceu sfíio. Em 3 de abril 'davad 
Plco do Ccleiro c Cardaso nma renhidá ec;io na ÍMH 
retirando 03 realislas a Lomar peíícoes em AEaaranltf 
No mcsmo dia 3 de abril rendea-sC Vaienfft a Napi(4 
A 4 , sorlida sobre Lonlé , repelliSa pelo^ rfidlfátas. / 
T ataque 'no Ferragudo , nt> Algarví. - 

Ds belligeranlei ao norle e aosnldo reriM batiari 
Se dcnodadamcDte , sendo rar^t o dia em'que d5o t; 
Tessc a1gqm combate, em quanio que «o ceBlro ( 
nin c(^ n'tnaa 'eipecie ie tn«9t4»diBtf lMUlt»4 



m 

AlmMtor, «nMsma [itvecia nio. havu' ali Tontade.d^ 
eom^ter i^rqiie se via qoe o general Lemoí deábkcár 
va fiirijBs cobsKdQfBTeÍs para o sul.e norte , e Saldaahk 
destacava eii^a) paca íazer face ás operaQoes dos rear- 
listas.'n^s estreoiiiiades. do reino ;. porém estcs esrorgoi 
dos realiatai eram purroiiitos coDSÍderados inuteis. SI^ 
les poderiam coDtinuar a guerra cootra o senhor D. ' 
Pedro , aposar de todos os soccorros queo imperado^ 
recebi4 dos estraDgeiros, e talvej que a sorte da gueo- 
ra Ihss fossc mais faToraTel no fuluro , porque se do^ 
tava muila vida nos novos gencraes , e a guerra £ muitO' 
capríchosa ; porém naa poderiara continuar a guerra. ' 
contra a Fraufa , iDglaterra , e HespaDha , que come- 
^avam directamcnte a invadir o reino para os obrigar 
a depor as armas. A continua^o da guerra era pois.rEy 
putada poc muitDS'iudÍTÍduos como só desastrosa para 
n natáo , sem que podesse dar o ^iumpho á causa reat. 
TroB m>l christiaos occuparam Chaves e Uirandella a^ 
dia 9 d^ *^"^ r mais otilros corpas hespaohoeB- SUr- 
periores a vinte e cinco mil homens come^avam a tor 
trar.por a fleira , Alemtcjo , c Algarve , teodo por codi- 
'iDaDdanlo em chefe ao general Rodil. Apenas se verifi- 
cúu a .ÍDV^o directa da parte da HespaDha , e em táa. 
.grande for^a , os animos dos realistas cairam cm gran- 
de desalcDto. Oñ que ainda, combateram , depois de Utl' ^ 
acoalflcímento, foram mais lcvados por uma lidelidad^ 
extreim , d<>'<inc por coDTebcidot de alcan^ar bom eiito. 
dsque da Terceíra , acompaDhadó de mais for;a& 
'gse leTOU de Lisboa, foi lomar o commando das for' 
^ss áo ñorte , que commandaTa Pico do Celeiro. A 10 
.e 11. de abrii se deu enlre os g^neracs Terceira e Car- 
deso 0« i>em;dis[lutado3 eombates da ponte de Amarati- -. 
j|>,^.Cardie«9 rilinu, peio ^[ueioiniutío censacai^ 

.-í^.Coüglc 



MtM M ■iau; (wrém it^iMtaikMU, perqtte vetii im- 

K'isi'rel »> general realísU d eobsernr i^elle pOQto, 
i4o n'ate de iem SaacM iiiiu ti6 fri&i)e tbr^ de 
Iropss cbrittinas , que já havikm alacado o fenerai Rsi- 
inundo, (omando-lhe Brlilliarja , bagagei» &C. A« Tor- 
'¡£36 de milicias é ñe ToluntaTÍos realistas n'iquellas pro- 
Tíncias debandaTatfi para juas trasas , e áu noUbilidi- 
des 'appresentaram-se ao duqUe da Terceira , en 12 At 
'tibñ] , os ^eñeraes visconde áe Santa Hartha , Joat 
'da Silveira , e otitros nlaitos individút» , que depois dt 
ftzereilt. a sna submit^ao ao imperador , ae retírsran 
Ípara suas casas 6 vida prÍTada. 
~ Ao aUI foi Setttfoat aiacada no dia- 12 peltt condt 
Inii de SonnnoDt , qub por pouco nio occupa « villi 
'por suTpreza. Cabretra avan^oa ptra o centro do iV 
^Tve snbre Si da Ba&deira. No norte cúDliñaaTa o di- 
vue da Terceira a avan^ir paVi Trás~OA-Uontes ; de ac- 
Wtrdo com os christinos, e coin as for^as hespanhol» 
'e portugueieas do general Atitel, Cfue lamt>«Hi bam 
enirado de Hespanha. Os gieneraes realistas abaiidoQi- 
Yam toda a margeln direlta Ati Douro em 17 de abril, 
'passando este rio na barta do Pociubo , na dírecfio dt 
Trancúso. Os realistas atlribuiram ainda assitno al>ai>- 
'dono láo rapido do iiorte do Douro a faKa cOmmettidi 
'pelO general Gouvéa Oserie , qoe fui quein de raclo 
'commandou as tropas realistas depoit da retirada dt 
Amarante. general flodil-com oito mil homehs occv- 
'para a Guards. Almeida , die ha i6iií(d ameSsadá pelu 
tropás christinas de Rodf 1 , TÓi abandenM]% pelo g«- 
Vtrnador, generdl Nuncs de AndradC', eta 18 de 
'ábril. Os realistas coMerviAam n'esU pre^ 'óitvcti'- 
'lós presos polHicos qbe'pafalli tín&ám Sido yenlovidcs 

'dai outras cadaiaa *> íeíiw.,«ffgoTe««lw *»■*©!«* 

i».„,.-" I. C^ioylc • 



fl<^r.l(>4W • « 9«»> ellc 0* yoderja leTar. Oa pMJtw fe. 
rain ,logo «oUoi , e deJjaixo do coiomando do corús^) 
Valdet sé organisaram , e innaraDi para faicr a gUt^T> 
J1ÍS40 da pra^ em Dome-da raÍDba. Ílodil náo aiancoa 
Além da GiAfda, em quanta Tercetra nia se apro^;^ 
mou para operar de coiomam accárdo. D. Carlos f|]gÍH 
da Guarda á eotrada de Bodil , e foi ler i Chamqsqi 
com algnns poucos suldados hespanhoes qoe seguiam •■ 
pua causa , e que liaviam eroigrado para Portugal. Of 
^«neraes Osorio c <Cardoso .coüm os restos das suas tro- 
jtas' juntas á guarai^áo de Almeida oecuparam Vizeu « 
Ca'stro Daire. lerceira passou o Douro em22, e occOt 
pna I.amegp. 

&sstgDaurse a quadrupla alI¡BD{a offensÍTa e defeiH 
^iva «nlre os goveinos ■ias Tulberias, de fi. J&iaQs,.^ 
Ilfadridj « Lisboa , para eipulsar-da Peninsula aok s^ 
jihor«s D. Migtid ,e D. Carlos de Bourbon (32 i» 
abril ). lata dqpois io gabinete hespanbol baver recp- 
nhfcido teDbor D. VigDel camo rei de Portugal., e a 
de S. Jajnes detdarar no comégo da lacU , que m>ap» 
se intrtmetleria , ncm conseDtÍria ,q|ie oulrqs se iuUo- 
mettesnim eom forga aroiada ufs questoes que l)a?ia 
cDtre os dois priacipes di Ca&a de Bragan^ , fallanda 
a esLa promessa , ipter:ferindo ÍDdirectameDle a favor 
do senhor jD. f «dr« , .recoahcceDdo depois a seDbora 
D. Uaviajij «;eg»rH sHÍgiiaiido o tr^clado da gufidr^- 
1)1« :al1íani¡a para o 6« de eipul&ar do territorio da 
Pe^ioaub híspaniea ao.seDbor'D. Uiguet , emprcgaudo 
Wfifiiflft.'Mflsntfls, it>r>daDdo.O£Ofe^DO ÍDgloi e fran- 
x«i qa ■flW iWgtiadrafi^ e o heapaDbol um formidavel 
Axef«ílft « .DOfl^ga), ,tta .'quantÁ um oulro.é ,grapde 
«ifWCÍCo ikmo§t .^oa*< 4t ot»erva(áo .nos Pyrencqs 



I. Coo^ílc 



846 

liarte io eietcilo dt Christína , qne é» ordñta 4a Ri>- 
~ dil , Serrano , Latre , &c. 6ic. faiiám a campantaa em 
Portagal. 

As for^as realistas ao sul &o Dooro , e do comman- 
do do brigaddro Bcrníirdino de Moura , háviam relira' 
Ío á,tomar p<)siqÓes sobre o Vouga , na occasiSo ()ue 
ó generai Cardoso rítiroii para Trás-os-Monlcs. Do 
Porto passaram as forgas áo baráo do Pico do Celeiri) 
h ocQupar as posicóes de Oliveira , Soulo Eedoudo, 
Óvar e Feira ', tibandonadas pelo brigadeiro Moura;_pi>- 
tém este gcneral , logo qtic os generaes Cardoso , e 
Osorio se aproximaratD a Viteu e Castro Daire, afao- 
(ou noramente a tomar as suas anligas posi^es, no 
dja 24 -áo abril, que forain abandonadas precipitada- 
jnGDtc pela^ forcas de PicD do Celeiro. Este movinenlo 
,de Bernardino , e a reconíenlra^So das tropas reglislas 
por Castro Daire , faria recolhcr ao Porto on a conser- 
Varem-se na dircita -do Douro as Iropas do duque, a 
aao scr a cooperacao (jue lioha«i rtos hespanhoes. Kn- 
Ire afguma for^a dos realístas e Terceira houve uea pe- 
qóeno combate em.Castro Daire no mesmo dia 2t á» 
abrjl , 'e no Algarr'e a dírisao'do brigadeiro Cabreira 
' bateu Sé da BBtideira em S. Bartholomen dcMessines, 
obrigando-o a reconcenirar-se Qovamente nás Ires pra- 
(Bs de I.agos , 'KaiS^ , e Olhao.CabrcÍTa ím promovido 
por dislinc^Ro a msrecbal de campo. A'^9 se deu oa- 
tfo combate no norte , na Ponle Pedrinba ' sobre o rio 
PaÍTB , «nlreas trtfpas do duque da Terceíra e dos ge- 
fi^raea Osorío e Cardoso , e a 2 dé maio a bri^da bos- 
panhola , do coramands do barao' de Garandolfet ', ata- 
■ cou o povo armado em Gouvea c ■Céa, qoe 'deblrofoo. 
A S entron Terceira ém Viieu , eos'generaes realis- 
■»at . flanqueHdM pelos hespanhges, C9BK>^l^.* «fr 



0,i,-f-n,CoOylc 



i*r w (lífeecZa de Coiinbra. A S fbi a pn; ■ d* ITira 

attcada |ior Cabreira. N'eile menBO dia o brigvdeífto 
Houra com quatro mtl homens -cbbria Coimbra, acam- 
pando na Healhada , e Osorio e Cardoio reliravaB^fior 
jCondeW». Uoura, oa Urde de 6, aT*n;an a lomar po- 
BÍfocR no Bussaco , deixando na^Ucalbada o 13.° de ca- 
^ado'res , valBntarios de PenaOel, e umi esqiiadrio 4e 
cafallaria n." 1 ; potém tendo já os generaes Osorio- e 
Cardoso relirado sobre Botio, em coosequencia d'e 
Bodil ja occupnr a Ponte da Murcella , 'o brigadeiro 
Uoura retn^i'adou pira a Uealhada peli noite, e na 
nudrugadade 7 retirou sobre Coimbra , onde entron 
ao raesmo tempo que as reiíqutas das fori;as: qne reü- 
ravam do norte. O general Gout^a Osorio lomo» o cúm- 
BHndo de lodas as fer^as rcunidas em Coimbra. Sup- 
funba-«e qne o« realistas esperassevi a Terceira en 
Cóimbra, cidade qae estaTn já regulamiente fortifioh- 
da. O duquie en'lrou na Ueilhada no dia 7 , d'onde safn 
lura Coimbra na maidrngsda de 8 , esperando ler de 
atacar a cidade , parao que tex avan;ar as suaa tropas 
oom todas 18 disposi^óeS mililares para eatrar n'um 
oombate. A dívisao hecpanholB'do general Serraaoea- 
Uva a 8 em- Uertola , avam^ndo sobre o Algane co- 
brindo a estrada do Aleibt'ejo panTXquelté reino , palt& 
eortar as communtca^oesdeCabreira eom o Alemléjtf. 
Coirabra foi abandonada b 8, entnndo n'este dia na 
cidade'o doque-da Tercerra , e'Napier na vitla dá Pi- 
goeira , avanfando logo com as snas forcas de dtsem- 
barqHe rennidas em Lavos ás de Lairia ,*Bobre Soure., 
wHe eotrou a 9, Os raali&tag reuntndo a« for;u do not- 
i\eíí columna qtte tinbam no Uondega e PoHabahi relf- 
racam pcla estrada de ThomsrjnTerceira detnarou-tfe' 
-«n GwHArt WM' di«f 9 c.l9>.« a'cste aHimo', <Uá t«N 



o,i,-f-n,Googlc 



iMt Mrtna cMiferencla co» Bodít .p»a «ontiiUTew s»- 
fbn attérioces Aperacow- Pictf úo CeleÍFo fei pccHpaf 
ATcira, e * pedído iloJuque da Tcrceira mandou tnda 
■ tHB ovallaria de Inncetm ( qu^si todos os cavatlos 
-•'■aldados eraoi iogJezes ) a reuDÍr lo dnque. A M sala 
■m difisáo do Terceira pela eslrada de Tliomar. A vitl) 
'de Pombai foi occupada no niesmo dia 11 . ficando as- 
■Ím sberla a comniunica^so de Usboa com o Porto. 
Tcnceira foi a CoDdciia a 11. Napier cooi »? suas for- 
fas e as de Leiria seguiram a e^r^a dcTorres Novai 
:iobre a TÍIIa c castello de OureBi, que estava rortilica- 
da e'gUBTBeada, assim comoo cafilctlo pelo batalhao 
•ée cirimtarias realistas de Mengoalde , e regiinento ^t 
-jntaatería n.° 7. A 13 Bcava Terceira em Auciáo. 0» 
-raalistas reuníram todas as suas forgas do norle em Th^ 
iimr, e ili receberam de reforco uma.brigada maDdada 
-de Santarem. O general Gnedes lemou o coiniiurDdo dai 
ifor^as realístas TCUDÍdBs em TEiomar. A -13 eiiitou o 
Mirtnn' D. Pedro uma carta rcgia ao general cotide'dt 
XlBdeira D. Alvaro MesquiloUa, goTerD.adDr e c«piláo 
igeneraí da Uadeira e Pofto Santo , coni'ídaiido-o a fa- 
-ser a «oetBffla^io da raiatui , visCo estar já .aoclainada 
-«m quasi todo o reiao. O general Guedes abandoDOR 
'Thoniir a 14., «ntrando n'ella o duqoe da Terceira. 
-N'dste Aeanu) óia iolimou Kapter a goanii;ña de 00- 
irem para sc:r«nder , a que «e recusou jnQStraod» dts- 
-pasifoes de se deTeuder; parim no dia 15 pediram cíf 
-pitnla^so, qtte Ihes foicencBdida 'com tsdas¡as faioiiraA 
.da guerra , depoodo m «rmas , e;retirattda-8e para suas 
-aaaM, veaáo * tíUb e^oicastetlo oecDpBdo.porHapÍBr. 
-Gttedoi evperou o daqiK [His ellnras da Asseiceira , « 
'4egoa e meia do Tfabmar . «stindo os,aeDi>5oldados«oa- 
'-*'*" '*««'aeiitotB., JBig«<a «npíawi vija.qwB 



1. Coo^ílc 



<8» 

mris TorcBS ptrai dar uma fcatdhi • TereetrB^ w ptla 
nenos vlria o general em cfaefe Lenoa. A ara^oraii^ 
foDla D. Isabe) Haria passoti de SSntsrNn para Bkat,, 
para nio ficar esposta aos riscos d'um sitio ou GoaA*- 
te' em Santaretfi. Xapier reunia-se « Terceira oa doUa 
de 15. Saldanba estava em commuaica^áo cem Tercei- 
ra. De Santarem foram mandadoa dois esquadréea 4^ 
Telor^o aa brigadeíro Spering , que oocupava 5al»teF- 
ra , e para eritar que Saldanha passasse a margeiB e»- 
qverda do Tejo. Guedes tÍDha de combater com u 
relÍqDÍas d'nm exercito desaDÍmado. Os bespanhoes 
flanqneaTaia as for;is de Sanlarem . niBrchaiMlo sobre 
AbraDtcs , em qoanto outro corpo merehafa pelo Ákmk- 
-tejo a reonir-seás fer^as de UarTJo, e o genaral Ser- 
rano dava r« maos a Sá da fiandeira. O duqne daTe»- 
Ceira laJa de Thomar na meaha do dia 16, e ^wtas 
'Sele hor^s le encontraram ss avanjadas em Saota GiU„ 
onde hs&ve üm pequeiío tiroteio , retiraodo os realÍAtW 
wbre as saas for^aB principaes. Guedes linb» seis nil : 
iirfiinteg, qninbetitos cavaltos , « oilie boceas de-fogüi. 
'Terceira tittha aproiimadímente a mesme for^a em ofl- 
vallarÍB t¡ artJiharia , porém-tinha «aís infadteria. Aa 
des re^lístas «slafam divididasem Ires brigadag , len- 
do o commando da que oc<ni[á*a-a dirMla-o brigadei- 
'TO Bemardino de Moara', da do oenlro o -brigadeino 
Ricardo, e o da esquerda o.brígadeiro UauTÍty . coin- 
mandando toda a cavallaria brigadeiro marquei de 
'PuJssebx, e em segondo o earonel víseondcde-Clacíi, 
-« a artilhati< ocapÍtioLobo. O.dHqae^UnibeB tinha qs 
'suai fdrcatjtdlvididai am trei ralnmnas , oommaBdaodo 
a da direita eúrmel íjaeiroa, ^do'cnlro 10 bríga- 
-deiro NépMiaento, e a e«ia«r4a o -'tniecte. tJonoMt 
-BhMitfrt a¿ LoMa , «9BuitiMtamd»ta4« ii-!piT*iU**l«« 



..Coüglc 



aa» 

camtiel J9s£ da-FoBseca , e a ■rliUnria-'S jm^ Piwhl 
Pelas-ime (iorA -BTah^rain as trapaa do düqtie-sobre 
es reilistA) , e áf 1t) horas o fe^ se tisha. tórnado go- 
fal í sa«t«ntando os realislas as'suas posif 5es - com d&- 
Bodo, e mais db que se csperava de trO{)as que< em 
^randc parte , tomaiam' posi^Óes depois de uma longa 
'e penosa marcha em retirada, que baslRiite as desor- 
ganisDu. Apesar de lodns' as desproporfóes pbjsicas • 
inoraes, ds realistas já tinham os scus cantrários en 
grandes epnros fchi seu afltiio fogo de artílkaria , qge 
Ihes tinbam abalado a direita e ceDtro; e mandmdo o 
duqae carregar sobre a esquerd» dqs reaüslas , com 
cnei^ía , e pelas sua^ pTÍncípaes fortas , o '^eperftl Goe' 
des mm opportuneinerile ordenou so brÍgBdeiro.mai^ 
quei de Pufssbtii qac com dots esquadroes de ca^ado- 
r«s e lan;eirss do 2." e.8.° de caTallatia carregasGe a 
di'reltn dnt s«us Kiversarios ; esta carga foi dada con) 
'bravura e galtKirdia ao grito de viva o rei ! &zesdare- 
'tÍFar'oi seus contrarios sobrc as ssas reservas ;- e cjin- 
tinubndo os esquadrocs a avan^r , enlhUsiasmados pelo 
bom successo da sua carga, esolamaTeiB' : TÍcloria ! 
Tictoria ! grito que /oi logo repetido eO) toda a linlia. 
A batalba éstkva gaoha-ptor Guedcs , e o duqoe orde- 
nava a retirtdai pocém Puysseux e Clacy iotempéslivii- 
mehte cohlinuaram a conduzir osiesqaadroes , que sik 
bi^am B passo de 'carga , econ a maior flrmeu , a 
«otlina qae Ihes íleavd de.frente, onde estava a infsB- 
'ttria da cotumtifr do coronel Queiroz , qaerelíirou para 
(briAir os qiiadradM, e Da dceislao que a <CBTa)laria 
r«alÍ8ta se iproximavB piraidar nova carca , Queiro* 
-onleiion uAia descarga gérati recuUando o rerimenlo 
'■nmU'du distlncto Pufsseux , e a dM«DÍil>as3o da c»> 
'T^la^ í^oe Ttndo ó sen ctefe por terra , fWrd^u « oc- 



0,i,-f-n,Goi3gli: 



isl 

itB>> « deo cflitaa-sas leA cobtrtrlo». O eovÓBel €1«*. 

C7,.affieMil niomeBQS distÍBCto', Bem meooíbnwQ i{M, 
Pa^sseox , tonoo o cOBHiHndo',' ajicMr do Bstt -niio ei^ 
tado ite laude , e Cn todos oa possñeis pars meltcr & 
enallaria etn oidem ; porém iMci etáentendido, portiue 
nio falJava oada « porluguez , nem láo poncp ali.bavi^ 
qnem Ihe csteDdene o francea; progredindo por teato 
■ deiordem , qtie foi levada a toda« ae iileiras pela xa- 
VBllaria , atemorísada pela perda do seu cOBimaaclanta 
. geral ; todavja o regiiUeiito de ÍDfanteíia a° 16 e obata' 
Ihio de voluntarjos reaiisás de LamegeiMmia se deten- 
djuaeem i^or, apesarda metralha que osdieinafa. 0) 
dnque mmda carregar sobre o centro , qoando ludo co* 
m<;ava em deiordenida reltrada pcla estrada de Coas^ 
tan^a, BaFquinha ^Torres Noias, e Golega. A cavatla'* 
ria e srt.ilhBria atropeUava a abalida inranteria , nSo ha* 
TCiido n'esta occasiae am of^cial , qoe oom.firawta fl- 
ceiso coBter ■tanunba desordem , faiendo com q((a « 
cavaltiria roltasse a prolegef a retirada da iafanteria , 
na qual se Tiain ainda alguns InlalMes fotmaidus em 
quidrado resistindo, nas iflutilmeute ; porq<ie , ttao 
leodo Soccorridoi , tíveFam de d«por as armas o regi- 
mento é* infanteria n.° 13 , e Um balalhao flo regitt 
meato n.* 16. Os realislas perderana mil e quotro cen- 
(os homcns , ns maior parte prisioneiros ou appreiedla- 
dos, orto pet^s de ailÍltiaHa, quatro bandeiraB, toa- 
gagens , reiervas &.c. , e os seos atlTerfarioB , segundo 
o'olBcio do duque , tñeram tins quatrocentos bomens 
ffira do combate. O dnqoe A» Terceira deveu a viétoria 
d'esle dia á morte do chefe ()a cavallaria reilista , e i 
iatelligéneia níiilardo seu chefe d'estado maior Loai. 
relro. Os retliMa* 4icviam ter ganho egta ' batalba , rei 
farcajido «s tnqrti d^ Aamceíra c«m alguos es^M- 

,ü,o,i¡'-n,Googli: 



3S3 

Mm ', « eifadom tirBdu d« Saittroai ,^ o qae nuúfa» 
Iton podaria» ter feito lem eafraqnecBr ■ loa li&ba. 
6 se^or D. Higitei , oa o icD general em cfaefe de- 
fiam ler-se appresentado aos leus soldados » AMcicek 
1« i e assim satísfaier-lhes a desejos lao >llamcBle m»- 
ntfestadoí, e para o qae boave lempo. £ n'estas grw- 
d«s esolemnes crises. que teiQos\ígto teig, principei, 
e mesmo ebefes de partido appreseotar os shis lalea- 
Mw , e a andacia qne mnitas me» tem feilD mudar a 
bce d'uma- caasa julgada perdida , pa'ra a pcHÍgas de 
TnKedora, e a batalha da Asseieeira , ganba peloa rea- 
listas , e com om i^neral ÍDtelligente e.andaciosa, fo- 
deria produxir um d'esses phenomenos , qne a hisloria 
nos appreseñta , e que fazem a nossa_ admira^io. Ol 
bomens grandes só se pudem mostrsr. grandes nas grw- 
des crises. 

general viscondc de 8. Joio ds Pesqueíra ofQeiov 
da pra^a de Abrantes^ ( qae ainda estaTB debaixo do 
domÍDÍo do senhor D. Uigael ) ao tninistroda gaem 
do senbor D. Pedro , fatendo a sua snbmissi»i scnbora 
D. Maria n. A maneira por que o Tiseonde redigia « 
seu ofitcio é basljmte censurarel , por serde um homeiii 
de qiiem era tao conhccido o seu proceder em 1888, 
e BUbsequenles aDnos du reinado do senhor .D. Higiwl 
f 16 de maio J. 

No mesmo di» 16 de maio, tio memaravet mi di»- 
wngSes dos portngneies , eram ctmdHtidos de Estrc' 
moE para Elvas setenta e nm presos politicos. BaU 
eommisaio de transrerencia dos presos foi eacsrregada 
pelo general conde de Alaér ao auijitor do exerettQ 
Hanocl Haria Coutinbo de Albci^aria Freire. Este iih 
dividno, eonhatído slé ali como um •cei'rtD» realísU, 
qait KfoTMr «1 raai opiaio«f politicjis coa oai {0ito 



tétíttaáio, nBt ipiBGlisloa b vlia a tnitoiirfelüat; 
que DÍo moTrtriain >e fossein coiHÍIaiidos para Elru 
como o.^Terno provideBtemtate ordeiMia para oio ha- - 
V0r ontra icena ¿o castello de EttTcmot. Albergaria e>- 
tando com Ds presoa na eslalagem da (toreda , « din* 
levoas de Eitranm, fez com qae ot prcsos se apode- 
railím das annas da eicolta , tr«vando-se eiiLre a Iro' 
pa e os preioB um confiieto em qne foi mortalmcnte !»■ 
ríd» leneote commandanle d« escolta , e gravemenU 
alguDi loldados , fugítido o resto da escolla para Estrs* 
moi: O govemador d'esta pra^a, brigadeiro Pereira,' 
ofRciou immediatamcnte ás aodoridades militarcs e ci« 
\is de HoDforte, Villa Vi^osí e Jeruiaeiiha para quei' 
rdonindo as suas ordenan^as e as forcas qne podessem * 
fosseni no alcance dos fagilivos , e no dialT lodas at 
cslradas se achavam tomadas. Foí dolorosa esta scen» 
de persegulrio , porqnc dos.presos qiie fagiam n« <di- 
r*c;áo dc iiespanha , foram muitos d'ellcs mortoi h 
passagcm do GiKidÍans , oo afogados n'esle rio. A- ns> 
sistancia dos fugitivos era mui frouvá , como sc podÍK 
«perardc'honiens tfetidos na cadeia alguns ha cíbc* 
« sels annos. Itffcliiesenm os presos de Estremoi, 
pofqne já no amia antecedente , a 37 de julho , na oc* 
casHío d«s desastres dc Uatellos , o povo mitKl« cor> 
rcD amotinado sobre as cadeias da tilla para massiicrar 
01 pri<sos , o que nSo pMe conssgair petos esfsrfoi d« 
o^poilfio qoe Btttaib as aoctoridades ; porín ai amo* 
Dnados , guiadoi por uni rapar , correram para o cai> 
tello , onde lubitsmente penetraram , e caindo lobpe oi 
presoB ali eslstentci, Ihea derátn tima morte bartmni, 
pBrtindo^OS 8 golpe de machado ! ! 

O general Guedes dirigiu a nia marofaa pela eitrsda 
diBüwyiiMn •.SaQMPm. A t7 csWtm e» brigadei* 

■ ■ ' Couslo 



M* 

^M BetaMhM'e-Rícftrdo.ni ChitsoM», .o 'dnqae d» 
Terceira n« Gollcgi, e Napier cm Torres. Novas;» 
«enbor D. Higael em SaBtttfem , e o senfaor Ü. Pedro 
Bo Cdrlnxo. bTÍgadeirO losé Ürbeno foi matMtodo para 
a €hiK)i;3ca cok o regimeDto de cavallaria r." 6 a re- 
for(;ar assfar^as de Bemardino e Bícardo, A villa de 
ganUrem bu abandonada na noite de 17 para 18 n'ama 
•rdem que nao se esperáva d'um eiercilo em desman- 
Ida^aa. O senhov D. Híguel as&istiu á passagem da 
exercilo, e foi dos ullimos qne passoti á margen es- 
querda do Tejo. José Urbano, esquecido dos grandes 
benefícios que haTÍa recebido do seu rei , deserla pari 
o campo do senbor D. Pedro eulregando por trai^e 
4 regimento de canallaria d." 6 (Gbaves), illudindo 
os soldados I . dizendo'lbei , que apassagcm i margen 
dJreila do Teja tiuha por flm libertar o rci prowmo 
a ser prisioneiro. ESectuada a passagem junlo da Gol- 
kga , José Urbaoo lormeu a cavajlaria , e a foi mel- 
ter DD cenlrodas ÍQr^as do duque da Terceira,. aquem 
tiveram de se entregar grílando o brigadeiro Urbano; 
e o coronol Anlonto Cardoso de Albuquerque : viva ■ 
«arta constitucrónal 1 viva B. Harla ii! brigadeir» 
Bernardino transmíLtiu .para o senbor D. Migucl a na- 
Ucia da traifio de José Urbano , e dirigiu a sna mar> 
cha Bobre Evora. senbor D. Pedro e o marechal 
Skldanha entraram «18 em Santarem. Um etqBadrio 
do regJnteoto de cavallaria n.' i «li se appresentoa 
levado pelos seus offíciaes. imperador^recebea os 
iTftnsnigns lírbano.e outros, mas nao Ihes deu craisi- 
derafinio algunu. Beunídos em Santarefn os-dois mare- 
chacs Terceira e Saldanha , e njo podendo o senhor 
D. Padro'ACompaohar o sea exercito., em consequeo- 
ci«.do tca H mi* esladfl ét Hv4e, íriwwt qw Ter> 

ü,-o,i,-f-n,GoOglc 



4tít» patMtte Tejo em Sañfareai) «m qoMit* Sidá*> 

bba , Tollando ao Cartaxo , o roi passsr a Salfaterra oii 
dta 21. N'este mesmo dia chegara o senhor D. Hignel 
a Evora . o&de já estava o scnhor D. Carlos e saa fa- 
milia com uns dazentos oflSciaes bespanboes , qaasi to- 
do5 montados, e setecehtos soldados. O vlscond^ de S. 
Joao da Pesqueira eDvi'oii segundo officio >o ministro da 
guerra do senhor D.'Pedro, participandu-lhe ter feito 
a acclama^áo da rainha cm &braDieÍ ao dia 30 do 
maio , e que esteva reunindo forgas dos appreseniados , 
e esperava mais a guerritha de Madureira para manítr 
o Mcégo público , dizendo mals : — c. náo se torna pr»- 
ciso que outros corpus vcnhatn occupar Abrantes , e s* 
distrálam do pnncipal tim , i perieguííao doi inimigoM , 
e im total ealerrnitiio e deitruicao. ■ Terceira e Sal^ 
danha com um excrcito superior a vlnte mil homeni 
marcharam quasf parallelamenle, seguindo Terceira» 
estrada de Coruche a Estreraoz para Gom Rodíl obstat 
a passBgem dos realistas para Elvas, ondc bavia gran- 
de nümero de provlsoes de guerra , em quanio Salda- 
nha marchava por Arraiolos sobre Evora Monte , • o 
g'eneral chrístíno Setrano marcfaava sobre fieja. 

As fur^as rcalislas do reino convergjram lodas pani 
o Alemtejo, e ainda appreseotavam um elfeclivó res- 
peltavcl. O Alemleja ainda poderla ser o tbealro da 
grandes acontecímenlos mílítares , se tivesse ha\tdo dá 
parte dos tealislas a preven^áo dc abastecer dc provi- 
-eoes de hocca e de guerra as suas principaes pra^as; 
culdado que só Ihcs vaiu muito dcpois das tfopas hes^ 
panhoias dc Chrlslina esiarem cm opera^oes na Beira , 
e sobre o Alemtejo e Algarve , pois só em prÍDCÍpidS 
de maio é que o commissario geral do eKcrcilo , des- 
-cffbarKadat J0R9 Qaudencio Torres . deu. algiuoat prn^ 
M 

i,n:.-' I. CoO^ílc 



m 

TMfUcEw para bier abaítecer Jf.vivereí d3o iú b pr>t% 
d'ElTas , Ria> as de Campo Mai<ii- , e Ca^tello de Vide. K 
pra^a d'Elvas prÍDcípalmeiite (inba uin rormidavel abaj- 
tecimenLo de municoes de guerra , c a sua guarni^áo 
foi refor^ada com um balalhao do regimenlo de iofaD- 
teria n.° 14, e o batalbÜQ de volunUrios reaLÍslas dt 
Faro. 

As tropas reunidas em Evora com o senbor D. Ui- 
gnel subiam a deieseis mil úir^mtes , mil e quatroceo- 
tus cavallos, e trinta e cinco pcQas de campanha de 
diíTerentes calibrea , e um graiide material de guerra. 
A divisio de Cabreira po Atgarve subja a Ires mil íih 
ianles, duKeDtos cavallos , e seis pe^as dc artilharia, 
af¿ra o corpo franco de cavaJlaria o gucrrilhas., Havia 
mais as guarq^i^óes das peqnenas prajas , que na maioi 
parte linbam convergido para Ehas , CaslelLo de Vide , 
Campo Haior , e Serpf , podendo cantar-se , que o exer- 
«ito realista no Alemtejo c Algarve ainda appresenlava 
uma forga aprosiiiiadameiite a trinta mil homens. Na 
Uadeira havia uma guaraí;ao de det mil homens. P»- 
l-ficta ÍQCrivel , qne o exercito realisla ainda appresen- 
tasse uma for;a similbaute , depois dc üntos dcsastres. 
tk 22 proclamoo o senhor 0- Higuel , prolestando con^ 
tra a violencia das na;o«s estrangelras , que coai gcui 
esercitos , e com as ^uas esquadras, se vieram. Íntro- 
nelter n'uma questáo só portugueia , para o fíni de o 
obrigarem a abandonar os seus . e a patria , intromet- 
ter-se rinatmente n'uma .queslao qua.só I pDrluguezei 
xflmpelia o direito de a decidir. . 
. Ko dia 23 o senfaor O. Hignel reunin o presidlu a 
■m ceúseltiar a que assistiu o senbor D. Carlos d« 
Boarbon , t>s mÍBÍstros de estado , os generaet dc divi- 
»#•• • d< _brigad«íi f ccmlntiidmlfs.ft« .«trct>t em i 



ioaniMiido efl^tÍTO, aHÍm como algons outros índiri- 

duos d'alta posiqáo social, qu« foram convidados t 

ajsistír ao dilo . conselbo ; de generaes setn commanda 

sóassistiu general Guedes. Propoi-se le oo eslad» 

presente do exercito , e das cousas em. rela^io aos efTeÍ^ 

toj qne ia produiindo a qoadnipla a{lian;a , convi-i 

ria conliDDar a guerra , oa entrar em negociaijdes para 

deporeO as armas, e a^sim e?itar mait derramamentft 

de saague portuguei , em grande parte feilo correr pelq 

Terra estrangeiro. Os individuos que entraram no con- 

Selho rui;am de'ofríniao ^ segundo o testimunha do pro-.' 

prio geuersl Lemos cosmandanie em chefe do exerei* 

lo realisla, que em viila, mats das for^as da quadru* 

p)a allJafl^a , do que mesmo dasijue tÍQham na sua fren- 

te commandadas por Saldanha , e nó^ sea tlanco díreito 

por Tcrceira e Rodil , e no esquerdo por Serrano , náo 

era possivel a «oiHinuacao da guerra coni esperan^aji ' 

de vebcimento, e que s¿ foram cohtra esta opiniao, • 

faravo e habit brigadeiro commandante geral da arti- 

Iharia Lqíi Goitherme Coelho ( 69 ) , e o coronel com- 

BiaDdanle 4e brigada Prancjsco José de Gouvéá, 4 

qoem o coron^l Luii de Figueiredo fei observaQóes, I 

qtie Coefho e Gouvía nao responderam ; mas sem qne- 

rermos ci9)leatar o teslimunfao insuspeilo d'um caia- 

Iheiro tño respeitivel enmo general Lemos , é certo, 

que muitos éommandantcs de corpos sairam do conse- 

tho como desesperadoB por tal deliberaqio , declariindo 

lue diWeram , que os seaj respeclivos corpos e&lavam 

jrotnplos e eqttrar já em fogo , se tanto era prcciso , 

ippOfido-se portento á proposta para a depnsitSo da| 

(60) O brtjcadetraC«í<fao,ietidacfimniaii^nUfaraI d* 

rtilharla do cArce de Bilbao po^ p«lM CMÜitM W l&M^ 

9% • 

i,n:.-' I. CoO^ílc 



Irmat , • Mto testtmttnbo Umbem ainda bo]* nos f 
appreseDtado por aiguDS d'csses comntandantes qui 
^ÍDda TÍvém no presente anno de 18S3. Senhor D. 
Uiguel ealeve pela delibcracáo dO conselho , e encar- 
regou o general Lemos de enlrar eni negociaroes com 
6s marechaes Terceira e Saldanha , sendo mandado ne 
ÍDesmo dia 23 o general Guedes ao quartcl gcfieral dc 
£aldanha com o lim de obler uraa suspensao d'armas, 
tomo preliminar da confencao a que se ia proceder, 
Lemos escreveu aos marcabaes para es^e (im , susleih 
tando com elles uma correspondencía actit-a nos diai 
S3 , 24 , e 26 de maio. Agostinho José Freire , miais* 
Iro da gucrra áo seohor D. Pifdró , cscrevia em 24 aoi 
Inarecbaes diiendo-lhes que nada de demoras com i 
¿onvcDcÍo, porque poderia o inimigo reuDÍr as soii 
for^as &c. &c. , tal era o respeito , quc Ihe impuDhi 
exercito realista , ainda nos seus nllimos dias. 
' A delibera;ao tomada po conselho feito cm ETora, 
te bem qne judiciosa , náo agradou á maioria do exer- 
tilo , que optava pela gnerra , ou , pelo menos , pai) 
que se désse ainda üitaa batalba nos campos do Aleni- 
lejo. A 24 passava o scnhor D. Miguel a sna ulthiu 
revista ao esercilo, c n'esta occasiio recolbia de A^ 
tacer do Sal a Evora a brigada dó commando do con- 
de Luiz de Bourmout. Correu que Bourmont dissera 
que, sc assislísse ao consetho que se fet no 'dia 23, 
);)roporia sair d'Evora com oito mil homens eseolbidos. 
t ir alacar Terceira oa Saldanha que estavnn a oit" 
legoas de diKlancia nm do outro, e serfa nnii poséivtl 
b balcl-os em detalhe, atiendeiido a qne estaríam sii 
bem desprevenidos para receber uiq.íitaque tao atrevi' 
do, e táo pouco esperado da parte do exercito realii 

M, que elles jaigaTun DEtisfrACff d9'q«9 M rvnUdao 



ealara. Ha*ia msito quem te lembrasss de pasi» ú 
VascoDgadas , plano qiie poderja miiilo bem ser levid» 
a e^eito, se nao fosse a.desanima;30 em qoe eslaTam 
o3 generaes. Elvas bem presidiada, assim como algu* 
mas outras pra;as do Alemtejo , poderiam entreter uin 
grande eiercito para serem [oinadas. Elvas principal-: 
mente serfa impassivel redtizil-a pela forga tendo TÍT»- 
res. O exercito realista podia ser coBduzido até reunic 
a Zumalacarregui , nas Vascougadas. Se os exercitoa 
combinadus o seguissem, dciiavam as pra^as occupa- 
das pelos reallstas sem u'tai cérco regular, e ss desconp 
tcntes perseguidüs por lodas as proTÍocias haviam pará 
ali cOnvergir por forga de necessidade, e assim aa- 
gmcnlar. a sua for^a. Ficandó os esercitos siliando ■■ 
pracas , os rcatistas podcriam raarEhar lentaraente por 
luda a Kespanha , até tomar Úadrid , qae eslava pouco 
guamecída , e em todo o caso dar grande impulso i 
'Ctiusa do senhar D. Carloa . que já se achava como 
communi com a do senhor D-. Miguel. Mesmo a guar- 
ni^ao da Hadeira poderia tcr sido eonduzida ao Algar- 
ve , e apossando-se de Faro, ou d'alguma outra pra^ 
imporlantc n'aquelle reino , coRÜnuar ali a guerra ; • 
ciiso náo podcsse ou nño conviesse o desembarque na 
Xlgarrc, poderia tainbcm ler passado a.Hespanha. A 
Uadeira , no estado prcsente da quesláo . nio era poO' 
to que para es realistas \atesGe a pena fazer sacrificw 
pela Eoa cunscrvagao , empregando ali tropas famosas . 
que com maig proveito para a sua causa poderiam scr 
emprcgadBs no GontÍDeDte. Nada se fez , porque nñu bar 
TÍa no campo realista na homem que , reunihdo ener- 
gia e inOuencia , deliberasse osenhor D. Sliguet a coi^- 
doiir aquelJe's braires soldados portuguezes , quc , ape- 
su. de raal Ttslldoa , ii»l tal^ados , e brto^ de toCfrer 

Couslo 



SM 

prÍTB^Ses, mnÍtM feitas áe prqpodte para otrler de- 
Íec^oes, eitfrám promplos a «egQÍr o leu rei aonde 
«lle os qniiesse lcTar. Era um exercito que iá'nio bri> 
Ihara pelos setis etegantcs uoifortnes eonsumidos na lun< 
ga Incta fralricída , tnas qtie brilhava pelas criixes d« 
(lisÍÍDc^áo gantias em defesa da Fatria na campanha da 
Península e de Monlevideo , c que adqt^aTam o peilo 
de grsnde número de olHcíaes e saldados. Estes vde- 
ranos, iiiftindindo respeito e brio& á mocidade militar, 
faiíam-nos pensar commuramente que Ibes era niaij 
glorioso succumbir com a sua causa n'uma balalha, 
Binda que dada no centro de Hespanha , do que depo- 
rem as armas tendo ainda uma ror^a táo respeitavd. 
Hapólelo disse dG|)oi$ do desastre dc Waterloo — Eu 
Ii5« d*¥¡a confiar nos grandes, qne já estavam canf»- 
dos de guerra , e jí nao lioham nada « ganbar ; devii 
fhier grande s6 a quem o merecessc, promoTeDdo no 
exercito desde anspecada até ao coroRel , os eoronrú 
B generaes , os gcneraes a marechaes . agracia1-os com 
tilulos &c.'&c.'(70). A divisao de Cabreira comeeoo 
s recoDcentrar-se no AtgarTB abandonando o c£rco i' 
Faro , porqus o general hespanhol Serrano , qne baiU 

' (TO) Oi ofRrtaes ■upei'iarei *So qnerHm morrer bh pl*- 
, alrlca da Evara , e deiFÍaram rer termÍDada m gaerra; ot 
MldiHloi, peia ootra ]iart«, CflaTaBi ptomplos pan comlw 
ler e derTainar o MD utlimn uDgcie ein lUfeDia da csuu dc 
n. Niguel. KdUo que devia elte fater? ~- O qi»¡I Devii 1 
ter g^radeddo aoi offtciaei □> leos' seriÍi;o> , e d^)ttil-«. 
<|BBd-o a rommando di> iea eiercíto a d'Ainlér , on Boni- 
aiDBt, prpaioTer.in offíciaei qire quíicHem Bear, e jiroTH 
M Tacnturai rom bomeas tiradyi dai ñleirnt. Cbm uia eie*- 
rito «ssim^táa pcrfeitamenle dedicado á >ua cauia , tCDdJ 
tudo a ganliar, e iiada ■ pcrder, terinm mBrchado tahn 
Madrid, regniMlo «■ ciirlUt*, « é idai» {«)»*«•> 40« iL 



1341 

Mtr«d« 'por Bferlola , cortafa-o , Kado já em 18 6eeii> 
ftio Béja com parte do seu esercito, A 2S taibbem s 
general Lemos recebea do marecbsl Sáldanha um oHi* 
cio en*iaDdo ao mesmo lempo os arligos e insimc^ei 
'de que di'zi» nlo se podia afastar, porqae assim Ib'a 
ordcnava o seii govcrno , artígos quc na ccmTeDcio fo- 
ram copiados pakvra por palavra , "scm quc de nada Ta- 
lesscm as reílexoes feitas por Lemos , sendo apenas re- 
Formado o artigO que dÍEÍa respeito ao embarque do 
tenbor C Miguel , que devia ser em Aldeia Galle^a , 
deixando-llic depois a escolha do porto. Na rerdade 
alguns artigos eram táo ofí'ensÍTos para os realistas, 
que deviam por hoRr.-i suq q^uebrar a suspensao d'ar> 
tnas , e romper tiovamente as hoslilidades, e preferi- 
rem o ficarem ali lodos sepullados , se a sorte assiro n 
permiltisse, mas náo assignarcm uma cunven;áo inde' 
corosa. Todavia assignon-se do día 26 , passando o ge- 
nefal l^moa para esse flm ao quártel general de EVo- 
ra Monte, oode estavam os dois nwrechaes do senhor 
D. Pedro. O geoeral Lemos pobticou « Este acto foi 
para mim de maior repugDancia, e o do maior dii* 
sabor qae tive na minha vida militar. d Lemos , qu'ano 
áo passou a Evora Monte, foi igualmenle encarregada 
Í>elo senhor D. Miguel para tratar do cmbarque do se- 
nbor D. Carlos , « 4e sua familía ; porém os marecbaet 
responderitm que d9o estavara aDctorisados para isso , 
e foí ebtáo <^e mr. Granl , seerelario da- legaíao ingle* , 
Ca eifl- LisbM , (B ofterecev psra esses arranjos , con- 
dujdó» os quaes-ot siambae« disseram, que nio (1- 

Cario* t«rüt ■gora tüm i»l de HmmbW . e Higael poderia 
A*t*i ter recoperado m coraa. O. pédro >cbon-ie do PotIo 
ctn nnia paifi^ó ntaito pelor fte. tr. NapEer, ^atwtM do 
tvttvtA», tvan fl ^ fmg. «4, e ÍVt. 



nvGoogli: 



Uf 

n^n emllarla iwa ■ tna tM<Ai» ', Mm Iwitai para 
as bagageos , ao que o general Lemos respondeu qu« 
podia rornecer lanto a cavallaria como as cavalgaduras , 
o que ludo Toi acceite. A 27 de maio o senhor D. Ui- 
gael annunciou com a seguinle proclamacáo a con- 
ven^ao reita enlre os generaes chefes dos eiercilos bel- 
ligeraotes': 

« Soldados — valnr que tendes desenvAlvido qnaiH 
do tendes sido chaniados a combaler pela minha co- 
roa , e a vossa fidetiítade á minha pessoa no meio da 
¿ífficullosa conlenda em que lcmos sido empenhados, 
vos tornam dignos dos mais altos elogios, e inereceia 
loda a mínha gratidáo. 

Háo ohstante isso, como as tres Grandes Potencias 
de Inglatérra , Franga e Hespanha , conjunclamcnle 
com Governo de I.isboa tem concluido um Traclt- 
do , cujo objecto é obrigar-me a deixar este Reino, a 
cotitinua^áo da guerra unicamente póde conduzir a inu- 
til effusáo de sangue Portugaei que me é lág caro. 

Só esta consiilcraQgo me indax a.separar-me de vñj. 
Jls convenQoes e arranjos que procedem d'esta resolif- 
(Üo esláo coocluldos, e em brevc vos scráó communi' 
cados : enlio sabereis que estipulacóes se [em fcilo 
para vossa seguranca. Náo é a falta de coQfiauca em vós 
que me induziu a dar este passo,. maa uma convicfio 
da impossibilidade de vcocer as Potencias que se nos 
oppócm , c o dcscjo de evitar os mal^s , a que a presen- 
(a dc Eicercitos Estrangeiros eiporia ci nosso amado 
paiz. Tenho razüo para.espcrar, pela vossa disciplÍDa 
e pela vossa obcdiencia a mim, bem corai) pelo amor 
que me tendes sempre Icstimunbado, qne as trópas so 
conduiiráo na crisc actual como tropas dignas de obe- 
dacar ao ssu rei ; é por isso qoo outra V« íoj [«COIB' 



0,i,-f-n,CoOylc' 



34S 

mo'do obiirvancia de ordem e tranquilllddde, pelat 
quaes fa^o reBpúDsaveis o$ CominaDilantes , e OlBciaej 
de todas as graduacñes.' 

Lembrar-vos-heis , qiie nao 6 um aclo de rraqucza - 
que eu exijo de \6& , raas meratnente dc resignacaot ' 
cedcndo ás forcas desproporcíonadas , qiie , scgiindo o 
tractado acima mcncionado, sc cslao preparando p»r\ 
se derramarem por este pah. Apreciareis como mere- 
cem estas razóts, que a prudencia dicCa, para etitar 
calamidades quc coDsummariam as miserias do no«gi> 
paii. 

Recommcndo-Fos outra vcí ordm e resignacáo. Es- 
tai certos que eu nuDca csqueccrci o vosso valor, ■ 
Tossa cooslancia, e a vossa ridelidadc. Conlribuí pois 
peta vossa condncta ao bem do nosso querido paíz. 
(Assignado) Miguel. 

No Palacio d'Evora , 27 de maio de 1834. d 

Assim deixon o senhor D. Migticl dc oicrccr os po- 
derei -magestaticns que Ihe foram conferidos pclas cnr- 
tes Kcraes dos Tres Eslados do itcino, reunidos ent 
1828. infeliz principe desccu do tlirono resignado , 
e leria feilo um bora governo , sc rcinasse n'oulra epo- 
cha , que náo fosse a d'iiÍDa agitacio gcral «uropea , e 
em quc rui for^oso^ ao scn governo Comar o cstado de 
defesa permanente. Assiin mesmo, apcsar da agilacio 
em qiie a na^ao se viu , as sciencias, as arCes^ e a in- 
dustria tiveram proleccáo do ^nverno , e do seu augusto 
chcfe , que para dar o CTcmplo vestia o panno das fútiri- 
cas naciunaes , mandando, quc o exercito náo usasso, 
d'outro, assím como deu semprc preferencía a Indos 
os oI>jcctos da indaslria pordigucxa ; e comii o ctcm- 
plo é sempre o discnrso mais cloquenle , a corle , e 
qau\ todos os porlugueies scjjiuiam o eiemplo do che-. 



«H 

k So eitadó , qne sborrects o laio , qne é o cancró t\tu 
íoe as nacócs (71 ). Este patriotismu cada tcx se arrit- 
gava mais, c via-sc que tanibcm aj fabricas de papc) 
iDmaram grnnilc desenvolvÍDiento, havendo poucas pei- 
soas qbe escrevessem^in pape> estrangeiro. 

Em virlude da convenQio piibticada n'este dia (27 
ét maío) o senhor B. Miguel dcvia snir para fórn do 
reino dentro em quinze dias, escolhendo o porlo onde 
Hie aproiiveste embarcar, e um iiavio de.guerra doi 
áts naeóes da quadnipla allianra. Garantia-se ao se- 
nhor D. Migucl uma pensao de eessenla contos deréis 
annua^s em atten^án ao seu clepado nascimento , per- 
. mittindo-se-lbe mais o dispor da sua propriedade par- 
licular e pcssoal , devendo porcm restiluir as joias e 
qnaesquer artigos perleticentes á coroa , ou a particn- 
lares. nugusto principe dcu ordem para que tudo 
fosse restiliiido fielmcnte , o que assíra nconleccu , sen- 
áo nolavel que Oj dínhniros dos deposilos piiblicos «^ 
tiveisem intactos por espaeo de do^ annos , como acOn- 
leceu cora n deposit') público do PorLo , retirado oo 
dia-S de jiilho dc 1833, na occasiao em que ali eo- 
trou o imperador ( 72 ) , intacto o dinheiro . joias , li- 
írosN que l«do fui entregnc no acio da convengao , res- 
pcitando-se'assim a propriedade pírticulaf , nas Biaio- 
fes crises , e de que jiiq ba exerapjo na hístoria. Os 
mÍQÍstros.d'estado duraitte o governo do senkor D. -Mi- 

(Tt) Eisla opiaiSn anhre o Inia é conteitaif* por «t~uni 
aurlore' . qne teni etrrípta lobre eFOnainla poiitira. 

{71) Náo «D a thcinuro, mai oi iÍTro) Htr (tepqtilo p&- 
bliru <to Porto, iliohcirn ■i'ultailn, joui ftc. íarmai entre- 
Euei pp|a gavernD ila aeahnr D. Misucl tiD HCta Jn coaveii- 
^o <le Rfarii Hnnte. Deputado Klaia , di )ei]üa dn camara 
•1« deputHdM d« 6 d« narv) ^ ItUS. 

. ,o„„-.-.,Coo.ílc 



■3« 

fUtñ GomiDelteram sepi dúviái gramlea erros póliLf cM . 
que etles tnesnio pagaram ; porétn safram cdid as sua> 
maos tio limpas.'com a saa bonra tao sem maneba , 
que os que ainda bnje vivem podem com nobilisEÍoiO 
orRulho dútT : — Nós sertimos a na^ío cdm bonra; 
aqui eslaraos mais pobres do qae eDtrámos'. 

Tambein pela convencáo o esercito rellísla serla 
'desarmado, mas os ofiiciaes conservariam as sb«s pa- 
tentes legilimamente adquiridas (73), ou passaHam á 
etasse de paísanos os qne assím o desejasieni. Os sol- 
dados marcbariam para os depositos das rc»{iecti*ai 
ftrovincias a'que perteociam scos cocpos , parD segun- 
do a convcn^ao serem mandados psra seus Isres , aqiiel- 
les que nao qnizesscm cootinusr do servico militar. O 
coDde de 8.- Lonrenro expcdiu o aviso áe 27 de nraio 
M Bjndanto gcnera) Gaüao' Itfexia , remeltcndo-lhe 
igtialmeDle a cópia da conven^ao assignada pelas ma- 
recbaes Terccira e Saldanha , e lenente general Le- 
nos, a fim de se come^ar a dar cumpriracnto i dila 
conven^áo. avisando-as iropas e os governadnres dal 
pra^as realistas para depórem as'armas , e entrarem na 
obediéncia do governo do rcgenté em neme da raÍDha, 
e conuimnar esse grande aeto de obediencta das rea- 

- (^3) Pitentei lafiitfm» «io tndai a* ^ae ti« c*mhMn 
per qualiiBer eoveruo «Isbelecida. CHrlui ii tecciihereii a* 
pMtoi cooreriUiJf pcl» rcplihlirii ii>f;Icii , uu ptTu l'rutectiir, 
Bm ISU , p 1S]S n> llourhDns recouhcferam n¡ pmtoi (ou- 
fcrídni pelfl repuhtirt.e pelo irtperlu ; na HulUnila., na 
AlleniMnha , e dh ItMlii Broatereu « mtunai e cm H»|u- 
Mbi, ■peMr do Sflterun de D. Carlof , e dcpiiii o lie leu 
filbo o conile ile Munliuolin nan se ter eítabeivciilo rni 
!&l>drid , todoi i» pnttoi e be^eSriiM p«r ellei conreridot 
ten lido (flrsnlklot koi hcipBnhoei que ten pmlailo «b** 



S4e 

líslas para com o seu augusta chcfe. OrJenaya-se-lhei 
Dada menos , do que largar as armas , perderem as suas 
eolloca^oes . e todos os seus empregos , que para iDUÍr 
tos era condemnal-os a verem morrcr as suas raqiiTÍas 
nos horrores da miseria. Bram sobeji». niuLivos csles 
para levar tatitos homens ao desespéro; porém a dis- 
ciplÍDa voluntaria , e a mais rigorosa , foi a que sc 
observoü no campo realista ; esta é n verdade , e esla 
verdade Ihes faE muita honra. Apenas roram vislos al- 
guas militares quebrarem as suas espadas e espiojtar- 
das , como em desafógo ou prateslo coníra a sua des- 
graca ; e se algumas eipressóes se ouviram cootra os 
cbefas que por impericia ou por desacertos , e alguni 
por Irai^oes , oa levarara áquelJe estado , nao se viu 
que attentassem contra a vida de alguem , ou promo- 
vessem motins para conseguir taes fins. Era sem dAvi- 
da a preseni;a e a voi do principe , quc elles respeifa- 
vam tanto na sua desgrai;a , como nos melhores diaj 
ÚA sna grandeza , quem conlinha aquelle povo , que de 
todos os cantos de Portugal para alí se aggtoroerára. 

ReGBNGIá tlO SBnnOB D. PbDBO, DOQCB DE BBAflAXfA, 
EM ItOHB Dl BlIItHA A SKNHORA D. MaRIA II. 

Deíxiroas escriplo-, que em 182S se inslalloo na ilba 
Terceira um governo provisorío em nome da senhora 
D. Maria ii , e esle governo durou até 15 de mar^o de 
1830, dia em qiie se inslallou uraa regcncia nomeada 
pelo iroperadiir do Brazil o senhor D. Pedro ■ . coroo 
lulor de srta augusla filho a scnhora D. Maria da Glo- 
ria, em qucm siia magestade imperial havia abdicado 
a Goroa de Porlugal oo. dia 3 dc maío dc 1828. Os 
tnembros da rcgencia da Terceira foram — prMÍdenle 



^. 



« marquei do POmelU , vogaes o CDftde áe ViIIa F)or, 
e fosé Antonfo Guerrciro. Os acoDtecÍiUentos do Rio 
iv JaneÍTO era 7 de abril de 1831 , que derrubaram do 
tliTono imperia) ao senhor D. Pedro , IroUTeram o me&< 
tao augusto senhor á Europa , e com o litulo de dnqoa 
de Bragatica tomou a direc^ao dos negocios de soa au- 
¿asla Tilha. Qtiegado á Terccira, assumiu o go?eriio 
tomo regente em 3 de tnar^o de 1832. Correram oa 
(empos, e os sdcccssos dá guerra vieram, como aca- 
bdnios de Vcr, coroar os seus esror^os e os dos seus 
álliados , consegoindo dcrribar do throoo a seu augusto 
irmáo , que pclo acto convencional de Evora Uonle 
lniDdou depdr ns armas ao seu' exercilo , e entrar lodos 
os dominios da nionarchia portogneia na obcdiencia do 
regenle em nome da rainha. 

~ No mesmo dia 27 de maio, em que se publicou a 
conveh^io dc Evora Monle , deu o rcgcnle uma amnis- 
lia geral ; c sc bcm quc esta amnislía já estava no cs- 
pirilo da convencao , esle aclo do senhor D. Pedro , no 
apogéo do seu triumpho. é digno de ludo o elogio. 
Hio foi elle purém hem recebido dos exaltados , a quem 
o grande aclo do regenle , assim como o da conven^ao ^ 
tbes dcsagradou muilissimo, -pois quériam que o im- 
pcrador mcltesse em proccsso , e Ihes cntregasse o prin- 
cipe scii auguslo irmáo. Os furiosos, transtornadorcs 
de loda a ordem pública , delibcraram nos seus clubs, 
mandar emissarios para o Alemtejo com o fím nSo s6 
de perpetrar o assassinatu na augnsla pessoa do senbor 
D- Higuel , e nas pessoas de seus indefesos soldados e 
■migos, como tambem dé os ronbar, Os minislros da 
Pran^a, da Inglalerra, c da Suecia, sabedores d'esle 
execrañdo projeclo , represcntaram ao regente para que 
• lev sonrna déss§ a> provid^nQias coDC^raeDtes a e\i* 



,u8lo 



Ur DMt ac^Ío que Unto detlDstraríi o praprío saAoc 
D- Pedro como o sen partido. O regente Rundoa o mi- 
BÜtro da gnerra Agostfnho Joíé Freire p«ra o csctcí- 
to , ■ (im de prover ■ S8guran;a ,d<i principe e dos cott- 
Tencinnados, e capilnlados em geral , e Uoibem park 
eijgir do senhor D. Hignel novos artigos e dectara- 
foes. Aí proTÍdencias do.regcntc para faier aborlar os 
dclealafeis planos dos exaltados ■iada os enfureceD 
nais, e füi eirtio que elles redobraram os seas eafor- 
{os para conseguir seus cnminoscis fms , oao »e limi- 
tando já a sua raiva á pessoa do principe infeUi , oo 
de seas infeliies amigos , porém já pretendiam igoal- 
mente sacrillcar o proprio senhor D. Pedro, I quem 
crandeiDcnte insultaram no theatro de S. Carlos na Hies- 
ina noile de 27 de liiaio. O imperador tenao-se assin 
olTendida, rompeu com os tnmuUnosos , c do seu ca- 
marote Ihes disse com voz tirine : fóra eanatha I Esl« 
justu desafógo do senhor D. Pedro ertfureceu aqaelU 
genle qne elle bera conhecia, o siia niagestade viu lo- 
go o df^sacato quc rot feito á sua imperial pessoa alí- 
randorlbB com palacos, e depoís na rua com laina. Po- 
démos dÍEcr aíTiiutamcnte', qiic n'este dia abriram Hieii 
eepultiira ao ser\^ar D. Pedro, para o comecar a enler- 
rar no meslno diñ do teu Iriumphó. Os assassinos 1« 
eorriam para as cslradas do Alemlcjo. nÜo cscapaoda 
o giicrrilbeiro Batslfaa com os seus. Ao Batalha foi dis- 
tribaido uln impQrlanle papei ; elte foi o que occupna 
lod'is as estradas do Alemtejo , pur 'onde o senhor D. 
Uiguel leria de passar , para assim poder cnmmeUer o 
nernndn críme de regicidto por meio do punhal ou do 
bacamarte , já quc o augusto regenle nao se prampti- 
flcava romper deide togo a cotiTen(aa , e aiada raais 
rompcr os ktjoi .do sangue , eptregaailo SM aagMto 



o,i,-f-n,Googli: 



m 

reproduc^ao dos cBpecUculos de Whií-Bidl, e da ^rí-^ 
(a da Revolu^ia [ boje da CoDcordia). 

Em qu^nto em Etora se dava Gto ao grande ^rama 
tragica que atsolou. ['ortugal , 'o regcDle asEÍgnaTB en 
Lisboa, eia 28 de maio, o celabre decrclo da extinci 
Cáo total das ordens religiosas. Outros muitos decretoB 
¡orava promulgados n'esles di^s em quanto as armas es- 
tavam quente j , como diziam os ministros d'estado d(t 
tal epocba. Era a conlinuayáo do programma encela- 
(]o , uáo para reTormar , mas para destruif todas as an-> 
ligas institijicijfs do paiz. D'entre esla destrui^io ge^ 
ral , a. da dealrui^áo da couipanhia dos viahos io Alla - 
Ihiuro lancou em pouco tempo aqueJle belJo paii n^ 
maior miseria. Miiitos foram os individuos ecclesiasti- 
cos (jue licaraea reduiidos a morrer de fome , por Ihea 
Ber«iQ-arrcbMadoS 09 scus bcns , ou benclicios. Sccn- 
larcs havia oo fnesinu caso. jdesralquc que similhnn-i 
tcs mcdidaf deiiiani faier na reccila nacion.il erani 
cibTÍas. — A'á9 maicm a gailinha q»e póe ovoi ile mtro ,. 
esclamou lord Wellington n'uma das scssocs. da regen- 
cia., .jquando algum de scus memhros tm occasÍRo da 
• puros financciros para snstentar oexercito que dcfen- 
^ia a wtssa qwñda pffleia, propoE a exlinc^io dc.al- 
giins coD?enlo5. Havia sem dúvida mnitas corpQragóos 
reljgiosas que estavam fóra do seu instítula, 'que dc- 
mandavam ser refurmadas, e mesmo eitinguLr as quo 
Uáo esUvMKm caaonicas; porém devi.n geguir-se' eoi 
lao ímporlante assumpto os meios por que em outras 
«pochas ootras reformas e extincgSes similhantes se fl- 
EcraiD'.'Mesmo o governo do senhor D. Miguel que aca- 
bava de caír , bavia cncct»do com a corte de Boroa ne- 
gocífCOfjs pua.Ievar a elTeiti:) esta r«fociiia. fiavia mti» 



o,i,-f-n,Googlc 



«M 

, é elrcimiUiitia de qoe pardecreto d« meiiM dú M 
te canvoCafani ai cortes para IS de agasto; ora com 

.as cortcs láo aproiimadamciile a abrirem^, e'geguiH 
éo a caria e t liberdaiie lao altamcale, mas tambein 
tio raliamenle infocada , eram as mesmas corln quem 
tinbam o direito de decídir aisumplos de tio alu sa- 
gnilude social. 

- desarmainento do exercito realista liavia camie^ 
áú, Poucos foram.os soldados que acceitaram o ñcat dd 
■erTÍ^o, e esses foram Da maior parte de CHallaría, t 
homens que nao leitdo outra vid^ , {trefeTÍam aqaelli 
para náo se eiporcm a morrer de fome. 
' Nu dia 29 de maio recebeu o general l.emoa am oF- 
Scio do general Cabreira , dalado de S. Hartinbo d» 
Amoreiras ( Algarve ) , participando-lbe que cam as ror- 
{as qae linba náo podia coDserYar-se no Algarve eta 
TÍsla da cntrada das Iropas bespanholaa , e do terroT 
que liuha causado nas suaa tropas a cooperacao das ror- 
;as dos altiados , o abandono de Santarcm r traí^ao de 
José llrbano , e pessima coñducta dos olBciaes do bi- 
lalháo de cagadores n.* 4,.g do capiláo Pioliciro dt 
cavailaria n.° 8. ir Meu general ( diiia Cabreira a Le- 
mos ] , para tanlos desgosEos nao jutgaei eu estar gttac' 
dado (74}; em lim, resla-me a satisracau de dii^r, 
que servi de coracao., e qne nao servirei outro rei4|iie 
. nio seja o nosso , e feliz de mim se elle me acredítar. * 
Cabreira dizia mais na ofScio , que marchava en direi- 
lura a Evora , e que Ibe dissesse o qué «le*ia faxer. 

. (71) Infalii, qne ■indB eitaTa goardadn p*ra ibbIi trisle 
wrle. Lo^o depoii da coDveuqlo fai príio, e nietlido na 
'cadeia de Faro, onde al|;iiB», que nüu eTam »pMes At 
YrnteT Dociinpo eite bravo mitilar, tivcram a cotürdia d* 
*atnr ■■ cadcU, « •)) o atHuiÍMr « g^rn de poalMl 1 ; 



..Coüglc 



íSlli 

lemos respondea bo- meimo dia^ , diiendo s Cabrei- 
ra i qDe. no pontD^nde se achasse fiiesse depdr as ar- 
niis ds tropas da sua dÍTÍsao , fazendo-as recolhec en 
am d^posito , para o que nomeasse officiaes , e , dissol- 
Ttdas as Iropasi as mandasse para os pontos indicadof 
na conven^áo. 

-Caslello.de Vide guarnecida pelo regimento de-iii- 
fanteria b." 10, batalbio de .ToluntarÍDS realistas de 
Portalegre, regimentos d& milicias da Jdanha, e de 
^rora , um esqiiadréo de caTallaFÍa , um parque áeat- 
^ÍJbaría de campaDfaa , e todo 0;material da praga ca- 
.pitulou com general hespaflhol Rodil, debaixo de 
lionrosas condi^ües.-A brigada portugueia qoc guarne- 
cia a pra^a era comnundada pelo coronel do regimen- 
to n.° 10 Rodrigo de Sooza Tadella , que iambem foi 
jjnem assigneu b capilula^o com o general faegpanhot. 
. ^ guarBÍqlo , depoig de largar as.armas, saf u da' pri- 
^a com es suas bagagens , conservando os oÍEciaea ai 
suaa espadas, patentes &c. ¿[c. 

Na madrngada do dia 30 de maio saiu de £v<»'a o 
senhor D. Higuel para Sines , levando para »ua escol- 
U o regimento de lanceíros da rainha , e uma peqns- 
jia for^a da sua aotiga caTallaria. ^Ta mesma occasiao 
safU'para Aldeia Gallega o seohor D. Carlos de Bour- 
bon cen> a sna familia , acompanhados por uma forte 
escolta. Ao mesmo lempo que safam as pessoas reaes, 
come;aram a entrar na cidade as tropas de Saldanha , 
e eiercito realista rennido ali cslaTa quasi todo des- 
armado. Em viflude da convenQao de Evora , celebrada 
a 26, Elvas, Campo Haior,.Íerumenha, Serpa , &c. 
abriram as snas portas no dia 31 is tropas alliadas da 
qnadrupla allian^a , e o generai Cabreira , estando em 
GaMT» ikei , «rdenoa a deposií¡lo das arisas á diriMO 
«3 

ü,o,i,-f-n,Googli: 



352 

4o set¡ Éonniamlo*, tm Titiudé <kí atAexa. {(iie'Imii 
recebido dageneral Leiños em o oKcío diudo de S9. 
Calireira fei a soa submissio coD» a díf^dade profiría 
de vm nlilJtar e caralfaeirOi « de hoiDea de Grm« 
creB^M. k 31 estara coftelaido e desafnameiito «b 
Erora. 

No dia 1.* de jnnbo embarcoa em Atdeia Gslle^, 
n'aln dos escsleres da eiqDEfdra it^Ieca , o senhor D^ 
Carios d« Bodrbon e sna' ángmu faiBÍIÍB ,- qoe faran 
recebldos a bordo da njo Dotiegal eom umB saWa reaU 
prestando-lhes as Tnañ aKas attefl^oes. Grande númere 
de bespatifaoes de fflia gerarcbia embarramn com o se- 
nbor D. Carlos. Sodil reelamon a enlrega do senhor 
D. Carlos , porém nSo fei attendido {wles ingleacs. Ne 
Ineimo dia 1 .* de jonho pclas cinco horas da tarde cfae- 
gon a Sines o senbor D. Uignet. O gserrilheiro Bal» 
Iba lá o esperara no trensito de B«ore a gines com a 
«ar gnenilha de faetnoroMs' postailos a d» lado da es- 
Irada. A apparencia de tal bomem féi oom qne o 1» 
hente coronel de lanCeiraíSimioInrante, qne escolkr 
H o senhor D. Hignel , fizesse sair a toda a bríáa d* 
'destacamentó de lanceiros alé á frente do gDerrilheiro, 
S qnem dirigÍD algumas palarnis qoe náo forato onií- 
das pelos'da cOmitira. X entrada da villa cstan om 
grande número de indÍTÍduos-da'mais in&ma -claase , 
génte mandada de Lisboa , qne rennida i mariitha^em 
■da corveta portognexa qhe ati estava ñtndeada ( e conr- 
mandada pelo capitao Limpo ] , 'flieran mm ■ssnada 
indigna . amca^ando com espadas e ponhaes ns pessoa» 
'qucacompanhBvam o senhor D. Hignel', cfaegando a 
ferfr am cavallo [ 75 ) , e arrojaado pedraa , bateram 

(ys) Officlo de Simio Infántb ao lAiitiilro'Ja zuemi ein 
a ae Jñttliit (l« I8M, ■ 

Cbuslo 



3&» 

t«m BN M eupitÍQ át hinceifos D. Cnto* lC*Kar»> 

nlu». OseBtior Dv Higael subia pan a cmi ^a* Iba 

«sUva deUinada para passar a noit«. O gcDCfSl LeSMi 

oeascrvoa-se á porU > e o cotBi»aiidaale di guarda man- 

dtxi diierao ceiiuiiaDdante dos la.nceii'at, ^ne (]cess« 

■cconiniadar pqaella gente. Simao IpAnle fei pasUr uiq 

forte desUcaoiwto proiino i habiüt^o nal , e o« aoiDT 

tinailores se eontiveram algiiiD tanla. Os coinniaDd«B< 

lea da fragala iagleia Stag, e da correla Neinrod ooti^ 

a EUa offioiattdade logo >e appresenlarain ao «enbor D. 

Miguei , e kñ estio que o gevera) LeaiQS . qoe *e tü 

nba coniervado coa a guarda dos Tinle MÍdJidot r«%> 

Itstas á porla'do pa^o.para ae oppcH- aos aiHitiaadof , 

consideraDdo » senher D. Higuel já lirre de perigO> 

sabio « escada , e Iho dis&e qm passado ugu ba» 4e 

deacflDce cra Kelbor emb«rcar , e annaindo o aBguiU 

principe á pnpesta , o general roi fillar <» coffliDa»i 

dante doi laoGeires pan qoe esfe Giesse desenibaragai 

o caniialio para d^r legar ao caibaniDf . Oi lanceire* 

Sxeran atas a p¿ desde o pafo até ao logar do «Btnri 

ffae. Ealao b seiriior D. Uigoel desoeu a cal^df pm 

a prat* |whi braco de commandaole da fragata Loetliget 

e d« Ñeicdoagate , caramindanle da corveta , com a snx 

Bomitiva , e os officiaes ÍDglNej na retaguarda. Darao- 

ie t> tempo da marcba e do embarque aqueila mi«era- 

rel fiente conprada psra k- att , nao deijon de vecife> ' 

war ceotra o senbor B. Higael e s<U seqoito, apossaiw 

4}o-se depois de algnma ti^i^eiD do senbor D. Mignel , 

e dos caaallos de qataí toda a coimtiva. senbor D< 

JUíffuel entroa na fragata Stag , onde foi recebido cont 

B 9Mlf» real dada pela fragala e corvetá iagleia , e cont 

todas as honras devidas ao icn allo nascimeDto. Ot in- 

«le¿e» MD oecnlUTaB a sna iDdjgnafio contrx o pri>> 

«3 . 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



5SÍ 

e»der d'acfQfllls povo , e da gvariH^Ío dt ctírMU pn^ 
tngaen. Tad« ■ guarní^io in^eza se tníovtan pordi- 
minaif aos teus hospedeí as suas saudades e amti^a- 
rii. Limpo nSo só aio correspondea com a su caneta 
á salva dos inglMes , porém mandoa ■ sna «larínlMgeRi 
pira a assnida £cc. O scnhor D. Higur-I conserToa o 
inaiaT siBgae frio e lerentdade dnranle o motím , e sem- 
pre com o chapeo na cabe^a sen laier caso dos vivas 

. qoe se davam. Os do seu seqoito pralicaram o mesmo 
tratando-os com o despréio qne merecia tal Kente.'Bsi- 
Imrcaram com o senhor D. Mi^uel os generaes Lemos , 
Galvao Ueiia , e Coelho , e os offiiciaes conde^e SooTe , 
Joio Btldy , D. Bemardo de Almada , D. AntoniO'da 
Sllveira , os desembargadorea de Paco Guüo , e Ganden- 
cio Torres , o corregedor Uascaranhas , dois capelllej , 
C ontros indÍTÍdaos at£ ao námero de vinte e aete , aXém 
de trínta e seis críados do priocipfl, e dai pessoas<do 
iea sequito. Depois do embarqne Simáo Inlante recla- 
noii porordem do goremo algnmas pessoas dis qne cs- 
tlTama bordo , porém nao Hie foram entrognei. Exi(^a 
nats certas dec|ara;oei que se Ibe nio fiierem. No dii 
S a fragala Stag e a corveta Nemrod lerantaraai fcrro e 
foram fundear em Cascaes. commandaiite da esqiu- 
dra ingleia em Lisboa , Parker , fot a bordo visitar o 
senhor D. If íguel , com quem teTo ama longa eonTer- 

* sB^ao; tambem Parker qnii ver o general iTemi»,' a 
quem dirigin palavras affectaosag, A 3 safa úo Tejo a. 
nio Donegal para- Inglalerra. "A Wag e Nemrod con- 
servaram-se em Cascaes noi diaa S , 4, e 6 ■ raceber 
mantimeñtog, As péssoas do seqnito do senbor D. Ht- 
|[uel escreveram is suBs.fntnÍHt». O sehhor D.' Migael 
ncébeu ali noticias de saa angus'tá i^mS a senhora in- 
fanu D. Isabel^Varia. Soa Blteta reai , q<)«ia»(«a El* 



o,i,-f-n,Googlc 



nt-iiMtbe da sorts d« seu augatto irmáo, as lagriinBí ^ 
Ibe ÍHDbaram o raglo , e o sea esUdo de gsode a priioD 
d< acompanbar sen augusto irniaa. [ 76 ) , a qaem sen 
dúiida teria suavisado baslantc as amarguras do exilio; 
' Cometjaram as tropas desannadas a marchar para o> 
pentof desigiados na conten^io. Os hespanhoes earli»* 
tas foram nnndados para Santarem , e depois para 09 
pontoes da oto Cabo de S- Vicenle , onde se conserta- 
ram nns poucoa de ennos, perecendo quisi todos. Al 
eítradas estavam eheias de aasalariados pa.ri roabar> 
eipancar , e inatar os iadcfesas realistas que recolhiam 
a snai.caaaB ao abrigo d'uma solemne conven^áo ga^ 
ranlJda por ires 'gruiáes potencias que Tieram ajudar 
<i desamMl-os. Forsm dolorosas as sceDas de Uonte* 
mor-o-NoTO, Santarem, Lisboa , e outros mnitos poii- 
tos do reMo , onde os eonTencionados cafam por lerra 
a golpes de punhal, ou da metratha dos bacamartes. 
A Beira tremia debaiio do p£so do bacamarte e do pni- 
nbal doB s«eln-ados de Midoes, e de Villa Nova de 
Foacoa- Hopra á cidade do Porto ..que fei'a terra onde 
SB conlaram menos violencias depois da Tictoria. Est* 
desfecho da guerra cívil foi o punhal cravado no cora- 
^O do imperador , que ja náo tinba forgas nem phfsi^ 
cas , nem mesm» moraes para CAnter tamanha anarchis^ 
4)s desgostos , e quem sabe que mais , o tinbaro pros* 
trido de tal fórma , que a sua morte era esperada 'pre? 
matiiramente. 

A tí de junho foi reeoQhecido na ilha dr Ifadeira o 
governo do regente en nome da rainba. O proprio ^on- 

(TK} Sabre • tenfcarBÍAhtil* ter doejo* de ■cDni|wnbü 
■cu «ugntto (rinlo, nfe ponO lal aniriiTar, porém refir»< 
~- " t OTl|iittfeirTlptD poT u» fatallielro qu^moit» 



356 

ée éa Madeln' D, Ahan) fai qttAtr fex a acclaancao 
depots qite tefe noticia dos aUimos aconteciineiitos de 
reÍBO. áo nolaTeis algnmas fraMS , qae se eDcefltram 
no officio de D. Alvaro-, onde se f6 que a sna rijatém- 
pera falhon n'esta occasiio. Ainda tnais notafel , qm 
elle se assignasse para com o^goferno áo scnhor D. Pe- 
llro com o titulo de eonde da Hadeira , qüe Ihe hafis 
dado senlior D. Higue) em recompensa 'd« sua fide- 
lidade na conserva^o d'aqnetle importanie arcMpela- 
go. Todavía D. Al?aro nio fai consemdo Ito goverDO 
pelo senhor D. Pedro, e o seu minislro dS reino ful- 
ininou eontra o general nma portaria^ em qoe' a^ra- 
inenle » ceDsnniTa por nsar "de similhante' tilalft. dmi 
outra portaria de severa repreheneüo foi dirí^ída i ca- 
mara mnnicipal de Villa VÍ;osa . por esta no seti aatci 
ée acdama;io da rainha nsar das frasts de vaUaUo* « 
vmmUngem ; e mais por no dito auto nio bllar na cai^ 
to coDstiiacionnl , e dar e tratameñto de seivnissÍRn 
senhora á raÍDha, e íinalmeirte ordenavS qne • camara 
fizesse nm oat'ro aulo de ae'clamá^o anaiogD ao sjf- 
temb ¿Lc. &<>, 

A IS de junho chegava a Portsfuoiitfi o sAibor D. 
Carlos e sua faníilhi. Áli foi que «'.gioverno in^lek Ihc 
pediu renonciasse os sens direitos á coroa de Hespa- 
Bha, B qae scnhop D. Cartos se recusM. Dft PorlS- 
■ BiDUlh se dirígiu is vixinhancas de Lond^es ; onde es- 
tabclecen a sua residencia. ó senhor D.Higtffil tara- 
bem che'gou a GehovQ.'e a 26 de junho ptiblieOB ñ'a- 
quella cidade o sén novo manifesto dé protesto •, ^qiie i 
face da Enropa fci contra a violéncia das naqóes qne , 
ofarigarahi i conven^áo 3e ^6 de inaia ;' CclébrAla em 1 
í vora , aUcntkloria aos seiis dircitos', ñelos qoMs -pro- 
tesiflva *c. órc. ^ .. - 

ü,o,i,-f-n,Coi.Vílc 



857 

. A,c«iv£D;ao de Jelvora e .ami^&lia do regenle dai^ 
debaito da pfotec(ao das poteiicUs'da quadrup1aaJIian7 
£a camQcaram logó a ser 60(^1 ismadas. Os ministroi 
ptpediram porlarias a maodar preoder alguDS indivi- 
duos que.descan^avaifi ao abrigo de [So solemñe In- 
cUdo, Os prereitus , subprefeitos , e provqdares , ainda 
Jevwdo <t fea KcJo muito aiémido do ministeno , pren- 
di^iii «m grandc escala , e deftortavam aÍDda em maior. 
iDdividuos de ambos os scsos e algung filhos familia , 
e que oada tÍDbdm ÍDOuido Da politica , dío cscaparam 
a esse furor vingativo das «ovas auctoridades. EsCas 
/echavan) os olhos aos assassiaatos e roubos que se fom- 
inettiam a.tsda a bora , e por borriveis modos. Os raui- 
tos aclos iutolsraveis que algumas auctoridades reátis- ' 
.ías deitaram praticar por aiguns subalter&os ou deDua- 
'fianliet davam pretesto para tág barbaros eicessos ; po- 
té¡a quem proMiFar beBi couhccer as coosas a fupdó 
acbará em graode parte agora nos perseguidores os 
paeunos ipdividuos que p furam no passado govemo^ 
algups que até estavam presos jwlos seus escessos , ,e 
disseram quando Ibes foram abcrlas as portas das ca- 
deias (oDdc deviam jaur), que ali> estavam pela sua 
adbosio á raiuha e á cartá , quando o verdadciro mo- 
Í.ÍVO eram os scqs altcDtados coutra a sociedade. A odiosa 
fi ahsurda lei das indemnisacües poi-se em prática-, c 
jum grande númcro de ceusas d'esta ordcm comegavam 
a ser tentadas contra os realislag. Outros , ainda dcspre- 
Kadores de tal )ci , empregando a for;a e o terror , sc 
.apossavam dos bens sem formalidade alguma juridica. 
Algumas anctaridades houve que eropregaram ura líla 
lirDtal na et pnUao dos frades , faiendo questao até so- 
lire os objectos do scu .farticular uso. Commovía ver 
tsnu de^ra^a , e e#ta contmo^áo chegnva % muilos das 



I. Coo^ílc 



368 

mie de BWthor boa H -defiñderam «i túnu ÍBStÍtaMJSéi. 
gorenio facendo por toda a parle ama receita espan* 
losa na veoda do rico espolio e propriedades dasordeni 
religiosaa , nem por ígio se tíb n'elle dia|M>aíeóes de coic 
tio Doinerosas qnanlias se pagar o papel moeda qwefón 
- estincto pelo regente, assim coino dimÍBDÍrft diridi 
pública , em grande parte feita para organisar a expe- 
di^áo , e susteBtar a lueta ciHitTa o senbor D. M igue), 
Opartido chámadoda opposi;ioaccugava ogoremodcii 
inales passados'C prescnLes, e dizíam que era precÍM 
guerrear o ministerio nas prosimas elei^oes de depu- 
tados. L'm acontecimeato nolaTel Toiu aÍDda raaer huí) 
exacerbar os dois partídos , e agitar o pait. O coroncl 
Bodrigo de Souia Pizarro, qne na soa eraigracio dt 
Parfs havia escrípto contra a regencia do senbor D. Pe- 
dro , appareceo em Lisboa depois de terminada a ga«r- 
ra ciTil. O goTerno o mandou prender , e no acto di ' 
prisáo ( 23 de jnoho ] Pizarra ronipeu nas miaioret ei- 
GÍama;oes conlra o senbor D. Pedro e seos miaistros, 
diiendo ao proTedor do 2.° districto: • Eu nSo reco- 
nhe^O essa auctoridade laperior; o-senhor D. Pedro é 
um prjncipe braitteiro qoese arrogira arbitrarianientt 
« regencia d'estes reinoa , e a queoi elle nunca reco- 
nbecíra nem preslíra ioramento ; que o seahor D. Pe- 
dro era muíto capat de fater e mandar eiecntar q seu 
assassinio, porque já od Riode Janeiro tinha VMtidada 
assassinar qualone indÍTÍdooi &c. dic. E que estando 
parte d'esses assassinos faoje era Lisboa, algnnt esUTa 
de certú esperando-o por'ordem do gererno-pani con- 
metter n'elle um novo assassinato , díc &c. Hais aeres- 
centou , que o goTerno era composto de tadróes , e qne 
'Me era persegnido por nanca comer nem deixar co- 
«er ; qiie det bratileiro» gOTernaram .toje ffprtngal : 



o,i,-f-n,Googlc 



3M • 

{TT^qiie es ewpregados ptiUíi:«3 eslavam' «endHliM a« 
KeTcrno , e qtte aquelteí qae ainda nio o estavilQ era 
porqae ainda Ihes nio lÍDham cliegado ao preQo^ > Ó 
partido da opposi^ao cDme^uD desde logo b faier todoa 
osesfer^os para,qae PÍEarro nlsse'depatádo nas pro- 
xifMS etej^s. 

A 27 de junbo D. Csrles evadiu-se da lnglaterra. 
At«*e em Paris , e atravessando a Franca ( incognito ) 
arrajon-ie denodadamente cntre os seusaoldidos da Na- 
Tsrra. Eate pasM fbi tido como andaciaso, e elogiadA 
por mvitos que o reputavam .de um espirito fraco. Fes 
o qne devia ter- feito em outiibro oti novembro do an- 
n» preccdente , e por aerto qu¿ o passo dado em j'anfaa 
de 1834 nao foi mais arriscado do que o tería sido nos 
fin do anno de 1838. No estado presente as forcas dos 
carlislas erara já grandei , porém as dos chmtÍDos lam" 
bem cresceram constderaTelmenie sobre Zumalaearre- 
gni qnando aeabob a guérra de snccessao em Porlugal , 
porqne todas as tropai de Rodil , T^tre , Lorenio , San- 
gaaiMna , Serrano, Condorlocet &c. roarchaTaro para 
o norte de Hespanha; todavia estes grandes reforc;as 
dos cbrFStinos nio eraro sufücientes para sDbjugar o 
paVlido carlista nss Vaicongadas , onde estava cheio de 
uma TÍda de gigaiHe; vida toda dada pelo hihil , itt- 
trepido, e fetii Zumibcarregni. D. Caríos esUva se- 
goro ao ahrígo de tal ehefe. Quiieram tentar a sna D- 
dclidade, mas iiia o conseguiram. Era aimla a ln^la- 
terra quc pedia. a subtBÍssio de Ziimalacarregui a lr(- 
ca de grande posi^a'o. A Inglalerra scnfpre a appare- 
eer a apaiiguar as desordens da caaa alheia : é notavet 
eata bumanidade britannica. Rodil havia tomado o com- 
. (77) Vcja tw docamcnlM pnbHendoi oa camnra dm <!*• 
putitdM CM kmSo de de setcinbr» de iSM. 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



366 

*M>Bdo do exore^ cfaríftlÍBO no iiorl« t«- ^ (le jtA&u , 
para Zamalioirregui ter a gloria do ler mMSUiH a veD- 
cer ,. cbmo já baTÍ« feito a Mina , Vaitiez , e- twioi 
Dirtros. 

■ Chegarain a l.isboa aoUciaí d&.no EaUd€< 'd» India 
haTer sido acclamado em 10 de jaDeifo o goT«ra»d« 
regento eifa name da rainhaJ' Era goveroador d'aquekle 
Gstado D. HatKwl de Vorlugsl e CaslfO , qufr para al) 
fóra mandado em-1827: foz depttis a acelamataQ. di 
eenhor D. Migael , depoís a da aeabMa D. Macia, t 
■olire todo fei muito bom goTerBo. 
- A ímprensa declamava psra qae ÍMsem exolutdos á» 
nma ot reatíataa . e sdbre tudo qae náo fossom ?oU- 
doí Qi indÍTÍduos que haviam assi^ado o reqaerimeft- 
to de 25 de itirii de 1828 eni casa do duqae de Lir 
lóe», ou qae tomuam parte dos Tre» EsUdea., e.cb»- 
goti a JBtoleraneii a ponto de se pnblicaren os UQmes 1 
d'eises ifidifidaog. Esta intolerancia dosgostMa - mcs- ' 
-mo 'algDDfr indlviduos que , apesar de hivcrem asMgiu* 
do o reqnerimeDto e o. auto dos Trea Estado^ -em qw 
declarMii orsenhor D. Hignel rei legitiniBdePortagal, 1 
rcconhectam agora como legftima á lenbora J>. Marii 
n . lendo modiflcado gratidementa as. suaa Qpinioes po- 1 
fiticas. É b^'certo que todas eatas desialelligeDciai 
=entre o partldo vencedor detegradavim ao regeBte , < 
que as suas afree;5es physicas oada vet mais se desen- 
volviam pelas caiisas moraes. Uma pequena ■selbon 
4he despertou desejos de ir ao Poito , e eates desejot 
■Hie roram mtftto aiH>ti"ididos { segundo se disse ) pelo> 
iseiis minislras , que estavam na persvasao qae a ida dc 
•reKente áqaella cidade fiiria ganbar ali as elei^Ses pek 
. JnintsterJo. A 861 erabarcou o imperador, suaaugmU 
mha a Tainh«,-e « iaiptKitf iz , e no dÍA 27 eaUarau 



»«1 

abám do'Porto, iato 6, no i 
um anao qne 9>ira d'aqiMHa cidad«.-Os tugustcn via* 
jaiiles demonrM»-M n'atiuetta cidtde dn díu , eai- 
barcando a 6 de agosU) para Lisboa , onde cb^arsia 
« 7. Em Lisboa , e n'nma graade parte dás leiras. do 
reÍM se organisava a gitarda naeional. A 15 de agost* 
S9 «briram as cories. a' 18 foi o seohor D. Pedro part 
' •< CaMas ; porém , nio obtendo melhoras , recoiheu t 
Lisboa a SÍ. A-prtmeira questáo das cortes to'i a da 
regencÍB. Foi eBta ama quettcio 'importante. O Mnhar 
D. Pedro nao podia ser regenle ségundo a carta. O 
parlido eslan peit dfvidido em dnas opinióes; nnt 
■qm , apesar daditpoti^ÍD da .carta , queriam a conti» 
ihm;Ío 4t Tegenoia «om teflas as attribui^oes do po- 
der mederador na pesaoa d« imperador ; Mtros , qua 
c regencÍB h désse í •enlnn infam» D. Isabd Hariat 
A 35 se deciditi ifw eratÍDnasBe regente o imperedor ; 
Mn por ona -qutsi tolalidade d»s camaTae: Logo se 
-tfitou ( 27 de agoito ) de ontro negocio importsBtiisi*- 
»0 , o do ctRsmento da >»inha , pedindo^ em cortei 
aifetorisnisem • s«)kor D. Pedro a eeeother nn prinw 
«ipe estranfreiro ; por^m este negocie do casamentu foi 
fnterrompMo pela'interpella;io feila ao ministerio pele 
l»iÍo de Rendsfle retatÍTO ao prolesto pnblicado a 2« 
de }Unho pelo senbor D. Uigue) emGenova. Este acOD- 
teciAiento den otcasiao a ^ue^ na camara dos deputa- 
<los- algDns dos seus membros desenvolvessem a animor 
-aidade qne tíñham o^tra rsna real pessoa. O depub 
lado Sousa Aieredo propoi: que fosse reetiflcadu pelaa 
;éortes o decrtlo d« tS dc mor^ó qoe esatitftrou o se- 
nhOr D. Uiguel , ,e que sé declarasse quc i successao 
4'^Me p^rincipf nunea podesfe r«iiaar em^prmgal. S^ 
enln-ie deputado Silva SaB«liM-p«diiKÍÓ'u;a}wadtr 

I».,,,;. llCoO^ílc 



BMite r t com gMndes iapreca(MS tMU». o pitncipe ; 
qne M Qomeisse.uma oominissáo para formular ua» 
lei-que Ihe sfip'icasse a peoa de morte se eile voltuse 
1 Portugal , 4eTendo ser julgada BUmmariameate. Foí 
noraeada a conimissáa de scte memlirpi para formulaT 
a lei , e aiguiu deputa^m iBO&lraram o »eu lilo patrio* 
lico pedindo qae fussem li4os do oiiBaerQ doa ioscri- 
ptos. A caiisa d'esta medida era o .caraeter serio qut 
tiaha toiBado a gucrra dc Haspanha >. e a .noticia dc 
que o príncipe porluguez, imitando seii.tio J>, Carlos, 
bavia passado á Hespanba , e muiloi tambeBt acrediU- 
nm , que se inTeotou lal tug» paca dar occa&iao a si- 
mílbante proposta. Seja porém o que for , o ccrio é que 
a seisáo de 28 ainda fo4 curiosa , toraaod» novammta 
■ palavra o deputado Siha Sanches , GontinuaDdo « ««u 
discurso Do gotto da sessio anlecedenle « comparaDds 
C principe a Nero &c. &c. Segaiu-4e o depiita4o l^e- 
nel coiB mais algum .camniediraentd , e logo o-haña 
de RendufTe, qae n'nm l<«go discDTSO cbeio de pbri* 
ses ultrajanies pintou o senbor D. Uigael camo o maior 
monstro produaido d^sde a creaeio do moBdo! ! ñD 
Ihe e^capando tambem a stia dóse de imbeci) a D. Ct^ 
los. BendufTe mandou poig para a mesa uma proposii 
em doís artigos: o 1.* para fater applicar ao senbw 
D- Uiguel as penas de ordenatao do livro 6." , titale 
ñ.° I corao traidor á nacño e á palria ; o 2." que desde 
logo fosse prÍTado da presta;áú dos sessenta contos es- 
tipuUdos pela conTeD^ao de Érora Honte. ( 78 ) O nu»- 

(7E) Era bein.ocíaM e*te I.e artigo, poi^ve nada ae Ibt 
liavU dido , e todfli ■uppóem , <)ue nem tcnqcle* tiafaiim de 
tal pr«il(i;ÍoyiitIiraicr. Agotliuho Jc»é Freire tliuc ii>i 
corict m 1834, que Buncá iHiuTe lcaciv de caiUBrir ai 



o,i,-f-n,Googlc 



táoi€pMíáo barXo 'conlituioa- (^tnflo 'íoblv i tttÜsU 
dade de tnarcar com iiHlmduAlidade v suecesModo 
rein&, e de tilmatieira qtre nlTi restasse a menor dú- 
vida, de que a detcendencia de D. Migoel jániais le- 
tia dJreitOs ao throiio portoguec ; c obscrtou quc posto 
estcja estabelecido na carla ehi quanto á linha descen- 
dente , nio o está clararaente cm quanto a collBterel , 
e por isso ofTerecia nma mocao para qoe se dectaras- 
sc coin«;ar a linha collaleral ( dé que irala O artigo ÍB 
da cartaj na pessoa da^enhora prineeza do Bran) D. 
Januaria , e soa descendencia legitimn &c. Cíc, 
• As persegni^oes que se faieiam áos do partido rea- 
tisla , daiam em resultado a emigracao para Túra do 
reino. Eram ranitas as notabilidades qne se haviam 
etílado , contando-se os duqnes de CadaTal., de'LB- 
foes, crovtroi miritos nobres , magistrados. militares, 
« mesitio paisanos fogiatn dos' horrÍTCis marlyrios qae 
TÍaM fazer no reino. Huitos erhigraYam para Hespanlia 
entraodo a raia , e estes íam engrossar as rileiras caf- 
Kslas. OMros , pássandb a Fran^a , d'ali ctiiraTam para 
a Na*arra para o mesmu flm. Na sessaode2S de agtñto 
o depniado Uacario de Castro , expondo o'eslado las- 
timoso dfls provincias , pediu qne fossem convidadog os 
minlstros d'éstado a darem esciarecimeñtos sobre o qne 
constava da emigra^aó de muitOs oiRciaeE portugnetes 
para Hespanba , e mesmo de peizanos: queera peri- 
fosa esla deser^ío , que elle attribara ás perseguí^óes 
quesetinbamleito&c. Aindanasessáo do 1 .' de selem- 
hro disae o mesmo deputado, que se o minislerio nao 
sabla como eTÍlar taes emigra^Scs , elle Ihe dizia — 
'menOs pcrségiiifoes, e mats vigilancia. que sc ássim 
»áo se evitareai , será comludo pailo pot^ivel a soa di- 
ninuí^lo. ;: ' ' 

."-Coüglc 



• MAO«rio M CiMro: em bMn«« pcnMraiiIc e pMW» 
tfor;, elle Tii pelo paissdo qail seria aolubiroortniU 
tado -do parseguÍRoes feiUs com unia^guerra civH á 
porU , giierl'a cm qiie d'4iid des campoa se batÍHn poB 
principios, pelos quaes o« sold.idos dc. Evora Úoote 
■yoipathHaTaiD. N&o hayis dávida qae efBciaes , s^di. 
dús , e ptísanM psHaTaBi'fHn'a as VascoB^adas atrare»' 
saDdo a Castella &c., ou embaraaDdo para Fran^a t 
Italia para d'ali o poder ein> faaer mais sem piseo {Í9)- 
Apesir dos iduíIos que pereceram dí lucla , qoafldo 

- aconteceu a traicao de Maroto^m 1S39, o^aunieFOdat 
portugu^s quc entraram em Fran^a ( segunde o oBi- 
clo do censul portugnec em BaTonaj foi de eiDCQ mil 
n (antOs , e isto afdra a» 'qne ficaram cqid os batalboej 
■traifaados por Maroto. Orn addicionando a esla cod- 
ta 09 queiDÍIitaTam do exarcila de Aragio como bre- 

. «o geBera) eaode de Morella ( Cabrtiira ) t e na Calalih 
nfca no eKercito do eonde de Bespanto , a aea nAmeto 
dcTÍa ser muito consideraTel, 

' No áia 31 prestou o senbor D. hdra a'iHBA .ft«]a it 
palacio da Ajoda o seu juramentocomo regWUe em imm 
«e da raiaha. Na caraara dos depulados contiatMva « 
fliscuiuio aobre a auctorisaqio ^ara o casamento da rai' 
nha Gom principe eKtrangeÍro , c na sess&o do 1 .* dt 
•etembro disse o depntado -Rodrigo da Penseca Uaga- 
Ibaes, ftoe como escríptor ^oiera dúvidas á-Teraoida- 
de das cortes de Lamego; porém cOmo deputadD as dc- 

gt ) Foi ETande o ndmera doi poTlo|tDeiei qne pa*»rai> 
eipuiba ■ mititar debiixD 4' battdeirii ^o D. Carlco, 
^orw di Carmieati engijgu em Pgrtoical Iiibb dívÍs2o Bari 
o lerv^o ie Chri.(in», poréiii que em graníe DÚmero p» 
taram ad campo CBrlistii Oatro Uato acoBlecen com • di 
TíOo •okiriar 4o barSQ dai ADlai. i 



365 

cÍHni genqiMi éic, ^ e ^e «egar iilo Serk dcsfamlt 
«B gfMNte «diAcM. ^ - . . I 

Em HMpaDha tritap'Be nai ct^Les da oon esUligl» 
rtot dado por Chratina , de rivalidar o decrcto' de 4 
de jaBeiro, em que.a niegnia Chriítina ¿aQÍu o seobot 
D.-Corloe. lnfaaLe-D. Sebastiio. nio quercndo rcco* 
nbecer aDOTaOTdem de cousas, qne ofiendÍBm os seoi 
direilos ao thrcmo , toniou o partido de seu Lie D. Car.i 
tos , relirand»-se para Ilalia. Na Catalanha fui aprisio* 
nedO'e fusilado o.generfll carligla Roraagosa. A soihof 
ra intáDta de Parlugsl D. Haria Francisca , esposa do 
senbor D. Carios, fallecen em Londres a 4 de scteiU'r 
bro. N'este mcsmo dia chegava a Roma ( dcpois de tet 
visiiadn Genova , Floren^a , Par ma , Uiláo &c. ) o so* 
nbor D.-Migael de BragaaQa , acoapanhada do honraV 
dÍBSimo marquez de Lafradio. e d'outros indiriduoa 
qna Ibe faaiam a corle. O santo padre Gregnrio xti* 
de santa memoria , recebea o-Bcnhor D. ■Higuel con 
lodas BS honris devidas a testa ooroada. Este recebi* 
mento nio agradoü aos gftvernos signatarios da qnadrur 
pla alÍiHifa , e o ministro de Laiz fibppe . em Roma « 
\i rcpiesentou , mostrando o quanto o seu goTerno sa 
haTÍa «fTeadído pela mancira cona a carte pontificia 
recebéra o prÍBcif e pgrtuguei ; porém Gregorio iti m* 
Ihe deu oufides, e eontinuou nas suas attensoes part 
eom o scnhor D^ Miguel , lratand».o como rei , e man* 
dou 'preitacional-o 'roensalmente com uma grosia qaan> 
tia para poder viver CDi Roma conm era dcvido ao seii 
allo naseimento. 

Na camara dog depatides, em sesiio de iO de le* 
tembro , appresenton o depnlado Ferreka de Cas tro ni» 
projeclo de )ci psra que quem serrin o scnhor D. Hi« 
guel I nio-podesse servk a ienb»r« D., Uaria n. Bsi» ■ 



,u8lo 



m 

nao aguardands coDveDÍeDcias oOé«d«ll graiKleiiiralS 
aos aeophytos e cathecumeDos q^ , abruados no lutD 
lélo da nova religiáo , lüo queriam qoe Ibe foise lem- 
brado oerro em que por tatlto tenpo eslmraig , e on- 
de íoram tio esircnuos aposlolos. N'esta sesño e nai 
■egaÍDtes se apprescniou á camara o coobecer da vali- 
dade da elei;io do caronei Piiarfo para podec lomac 
■ssento como deputadu pele Doaro. partido mioiste- 
rial argnmentafa contra a illegibilidaile de PÍEafro , coia 
o processo instaurado contra o depulado eleilo , t 4IK , 
visto estar pronunciado , náo podia ser TOtado , -oa ta- 
Itdar-lhe a elci^áo. A opposifáo queria qae Piiarro se 
defendesse i barra d> camara, porém vencen-se qoe 
ata. No dia iO e 11 continuou eata acalorMa díscns- 
aao. O goTerno miuidou uma for^a de caTatlaria pam 11 
UrgD das cortes,' o que deu occasiao a contesUQÓei 
cntre algttns dépntBdos e ús mintstrús , «ettdo a final 
retirada a tropa ali exiraordiiurismeote pos^da -, t > 
{■izarre negada a entrada na camara por nao grandt 
tnaioria. Hana esla tempestade na' camara dos dcputi- 
dos para admittir , ou nio admiUir na camara o homea 
liberal qae ousou escrever conlra asenhor D. Pedro. 
em quanto que na camara dos pares outra dJscBssio 
havia para nao serem admittidos , ou serem stlaBÍItidai 
alguns nobres que officialmente recoDhecerani rei legi- 
timo ao seDfaor D. Miguel. A camara dos par«a em 
i828 seguiu na sua quasi totalidade > caasa áo senhoc 
D. Miguel, Dio só assignando um reqnerÍHWDto en 
casa do duqne de Lafóes , no dia 35 de abríl d'aquelli 
Bnno ,' em que pediam ao augusto principe se daclaras 
«e rei, porque rétno inconlestavelmeUle Ihe perten 
xia , como assignatido depols auto 4a BCcUiiu^ao dc 



tiefBtbdeii do.BeÍtto, cm qne. recoB^eniD ni h» 
gltimo d'eetes reioos ao-senfaor D. Mignel, Ol piras 
qm ^iffl de^rexaran a carta do seiibor D. Pedro, e 
a íoí posiciq de par, foram pdo mesmú lenborD. 
Pe^ro e«lotdea da c«D(ira por Hm deeralo da djetAdi>- 
fs; porém é-cerio que - nenbnm dos p«res ■igaaUirÍos 
do reqaerimtoto ou do auto de 1828 »e appregeDlM 
^ro 183i a toacr asaeBto &a camara , á eicep^io áa 
conde de Paret; , que sendo um dos signatarios da oasa 
do duque de La^es , refgrmoudepois as suasopinides. 
P pequeno námero de indÍTÍduoa de qne coijstavíi a ei^ 
fnara alta iei codi qiie.o regente &oineasse por laa ciT- 
Ía regia do 1." de letembro bovos parei, contando-se 
entre esleso condede ^ampaioi Ántooio, o de Pen^ 
Se] , o. de Pprto Saltto , .e o de Farrobo , qne todos fr- 
ferva parte dos Tres Éftados ; e«s tres nmmos aind* 
insis baviam a&signedo o requerimeute de 2& de abril. 
oonde da Taipa e«ulroB paresda opposi;ao se oppn- 
nbam fi entrada na'camara dos qaatro pares Sampsif), 
penafiel , Porto Sanlo , e- Farrobo ; perénv foram Tescb- 
dos iwlo partido minuterial , qae os'defendia «IteKiiL- 
do os serví^os que slguns dos agraciados já haviMn 
*preslado. A 13 coucluiram ai camaraf 08 deI»teB sobra 
o caiamento da rainba , deeidindo-ie qoe podesse ca- 
lar com.principe estrangeirOj e da escelba do seobet 
p. Pedro, B qaem esta delíbera^ foi logo-offlciil- 
mente^ GommaDÍoatja. Para esta decisSo epipregaram al>- 
guns oradores o eiemplo das eertes d« Leiria de 1376 ^ 
que diziam dispensaram a princeza .Bealrii , filha d'el- 
rei Dí Fernando i, para pqder casar cem príncipe es- 
traBgeiroi. e o das cortes de Lisboa-, qoe em 11 d« 
daKembrp.dfi.lfi79 cimeederua que a princeia D. Isa- 
bv\t filh«,e ber^nn d'ei-rei d. Pedn).a> podesse ca- 
S4 

* ü,o,i,-f-n,GoOglc 



S&8 

wr eoBi' Qm príncipe' R»b(riaiio. úm de D. SMbfa i 

lavito contortado ; mis meSmo eooeede&4o a Teruidi- 
de de lal lieei>$a , nós Timos qoe ella serria f«nt lan- 
•^ o relnD noi horrerea de gnerra cifil , hcñido com 
qoe a nafSo tiresse de repellir oa fllhoa esparíos e oj 
estrangeiros , tencendo-os bos Atoleiné, Tráneom, 
AljiibaTrola , e ValTerde , e que pela decisao dai cor- 
tes de Coimbra em 5 de abrit dc 1385 foi leTantada ms 
dynastia naclonal na pessoa do Hestre de Avis , qne en 
um lllfao natural , mas ^oe efa nm portogoeE digno de 
reinar , cómo jí havia mostrado durante a sna rcgeiicja , 
e eTÍdent«mente o contiúoon ■ moBtrar tw sen hmga , 
e fftoríoso reioado. A senhon D. Bealrís tanbem era 
nma grande senbora digna de reinar; mai 09 pertB- 
gnetes nao combatíara peisoas , porém as cMu». O se- 
gnndo caso dado era D. Isabal poaca for^a ám. ^ra 
bora aif nmento na preiente qnesláa , aos propagtiado- 
ras de tal licen;). D. Pedro nfoio rei qne abuoa com- 
plettmente da for^a da nagSo rennida em cortes , e po- 
dftflMS diter , qne primeiro rei absoliito em Psrtagat. 
Haa é innegaTel qne D. Pedro n era liDmem flM en 
IMlitiea , e eile bem presente tÍDbi os acontecjineotos 
4e 1383 a 1385 , qne expelliTam d» throno s mha d« 
yemaiido i; e para obstar a qne sedésse nm similhaii- 
le conOlcto , D. Pedro u , contn sna Tontad« , cono i 
sabido pela hiitoria , passon a segmdas nnpeiaB eom 
Ifhfia Itabel., princeia do Itheno, nnicaneide para 
obter filbo tbtío , qne poSesse a snccessao do reino a 
coberto da gnerra cítÜ. A prineeu Isabel , apesar de 
ilelibera;So das eories , e de estar já com os sens Tínte 
•evla afiDoif ■ saa morte aconteeida emíll da fmtobre 
■ñe 16M, veln acfaal-a »0 esUdo de celibato , e el-rei 
i< n'esse Uníd tiBhi aKeeiirada A Hecúsl» do tein< 



o,i,-f-n,Googlc 



tm filbM TuSeff (pie Um dea flu legmát mallier, 
•rredudo asaim a gaerra ciiil {votBvel , qae poderia ' 
luTer nb r^o , se saa'fllhai leBdo tmÍGa berdeirai 
tivesse casado cun am estranKeÍra.contra o espirjlo pú'* 
blico do reino, aitida mais qne contra o disposlo nas 
cortes de Latn^o. G tambem a lei de Lamego náo d» 
qne oase'com principe, mas sim qite no caso qae nl» ' 
baja no reino prindpe para easar com a filha do se? 
nhor rei , quando esta seja herdeira , que seja OKoUii- 
do um doB nobres do reíno mais qualiflcado Slc. 

O conde da Louai 4). Díogo havia sido prtso qaant 
do.receIhÍB a sna casa no mea dofllaro, e -ceodo con- 
dutido a Ltsboa , fef meltido no eastBllo. Hana o eoii> 
de requerído a sua soltufa ,' porqae a toa detODflo na 
eadeia era uioa viola;á<t da «onfen^o e aitmiatia d* 
&7 de maio. O conde éra par do relno desde 1826 , « i 
apesBT de que o seehor D. Pedro hayia eiclaido os pa* 
res que reconbéceram rei ao senbQr D. Higuel , toda* 
Tia esta escleslo , Begundo a propria carta,' nio tinha 
forgas em direito , púis que es paret c¿ podem ler eir 
ctnidos da ceanra por «ma decisia especial 4a menui 
camara oonstttfifda em triÍKiiMÍ de jristtft. Nada H 
bavia feíto para dar ama tal iegalidade i expalsio , « 
pnrtanto os par«s estavBffi fór« do nso do seu dlreito i 
mas nao do direito incoiite^vel de tomarem Besenfo; ' 
•u pelo menoa dos seus crimes pessoaes serem jnlga* 
dos pela camara. Siisciton-se n'esta o facto da retei^a* 
do conde do Louza , e o par- { novo } Pico do GeleirO 
sastentou a validade da esclusao dos pares em questao ; 
porém ceDcle de Lmiíares se Ihe oppM argnmenlan- 
do com direito da camara , e qne oi pares eram pa- 
res em qtñDtú a mesma camara nSo désee ima eeoten- 
f« %» ihai Bcgftm tli ■ entrada &c. j todtTÍi , apesar 
t4 • 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



370 1 

d'ettes bodi argiiinentos , a camara Datrquíi tomiir eo- 
nbecimento da violencia que o governo pralicava com 
coade da hmuA i qne era am par. Outras muitaa vio- 
lencias e morteg le praticavam pelo reÍBo. Lamentavel 
o e^petaculo aas ruas de B«ja , onde foram asuiMÍDa- 
doi com o maior sangne frio deioito presos politicos. 
Lamentaveis ontros muiloa , qae uao qaeiemes Barrar, 
porque o noaso cora^So o repagsa. 

O lenlior D. Pedro estava como morlo. e a sna mo- 
]esLia tinba tomado tat iutensidade , que elle ba lenH 
poi ló era nominalmente regentei oa seus miuistroi 
«ram quem tndo faiiam. Em IS de setembr« -recebe- 
Tam as camaras a despedida ofScial de sna magestade 
Ímperial , em que diita , que tendo recebido no dia 
antecedente os sacramentos como fllbo da Igreja ,' e nao 
podeodo , pek) seu máo cstado de saade , canlinnar na 
regencia do reino, bonvesBem as camaras de or&enar 
o que melhor Ities pareeesse, qne elle flcava iaiendo 
votos ao C^o pela felicidade pAblica. As camaras fica- 
T«m egi se3sao premanente para dar as proTÍdeocias 
que o caso exigia. Houve ainda quem se lembrasse da 
Muhora infanla D. Isabel Haria para a regeocia áa 
xeino durante a menoridade da rainba ; porém esta prth 
posla feila pot Trigoso oa camara dos pares s¿ teve seis 
Votos. Na camara dos deputados nem em tal se talloa, 
• foram todos unanimemente de accdrdo em declarar 
a rainba maior , o qne teve logar oa mosma sessao de 
18 de selembro de 1834. 

A uNHOBi D. VaKU'Hi 30." Ru. 

( 1834) Estamos entrados na e|>acb« eip qne a actoal 
«berani^ lomou u redew do govemo do leiaoj e leio, 



o,i,-f-n,Googlc 



371 

sido ella nma Gpoch& farta de acontecimentús , qne natf 
analjsaremos , e apeúas apontaremos aljuns dos Ikctos 
mais salientes qne decorreram. 

Declarada maior a raínha , a senhora D. Uaria n , 
assignou o sea primeiro decreto em 19 de getembro 
annaindo á deUberafao tomada pelas cortes no dia an- 
tecedente. A 20 preston o sen jnramento na conformi- 
dade do artigo 78 da carta conatitucional , e com aa 
formalidadcadoestilo, nopalaciodascortes. A24mor- 
ren o senhor D. Pedro, estando no palacio de Qneluz. 
A 2S eelebrou'se o seu enterro , sendo condniida o seot 
cadaver ao ÍaEÍgo de S. Vicente, e depois o seu cora- 
;3o tnmGportado para a cidada do Porto , pars ser de^ 
posítado na real eapelta da Lapa. Em o Í." de deiem- 
bro celebram-se os desposorios da senhora D. Haria il 
eom priocipe Aogusto de Luctemberg. Lei de 19 do 
deiembro , em que é cicaútQrado o senhor D. Uignel , 
seus descendentes, e prÍTados dc seus t>ens, flcando 
elle , sua sneceasSo , ou os que pegarem em armas « 
sen favor, sujeitos á pena de ser fusiladog dentro em 
TÍDte e quatro boras sem dependencia da tribunal su- 
perior!-! ! 

(183S) Prepera-se nma divisáo auxiliar de seis mil 
homens para ás ordens do barlo das Antas ir soccoir- 
rer Christina eentra os carlistas. A 35 de janeiro che- 
ga a Lisboa o principe D. Angaslo , e celebrera-se as 
ben^los matrimoniaea com a senhora D. Maria ii. Sua 
alteza real foi nomeado marechal gencral. A 28 de mar- 
;o morre o principe Augoslo. Em Hespanha zombav» 
ZumalacarregDi dé tod'as as ror^as qne a quadrupla al- 
lian^a mandava sobre elle. Em junho eslava o itlustre 
gnerreiro sitiandD a praca dc Bilbáo; n'ura dos atnquea 
foi feiido , e oáo imdo a ferida dc grande consjüera- 

ü,o,i¡-n,Googli: 



37» 

fSo a prlDcIplo, o despréso qua d'ella tei o general 
Ibe den a morte , parqoe de repenle appáreceu com uin 
caracler tao serlo e perigoso , qae ]he regullou a morle. 
p seiütior D. Carlos fei todas as bonras a Zumalacarre- | 
gui , eleTando-D a grande de Hespanba de 1.* classe, 
capitao general , conde de Zamalacarregdi , duqae da 
Victorfa dcc. &C. 

, ( 183S ) No l." de janeiro celebron a senhora D. Ma- 
tia u o sen aegundo coosorcio com o principe o senhor 
X>- Femando de Saie Cobourgo Gotha. Sua aheia real 
cfaega a Lisboa a 8 , e a 9 teve logar a ratificafaa áo 
Gonsorcio com sna mageslade. principe foi'nomeado 
marechal genera). O senhor D. Fernando vai á cidade 
do Porto , opde chega a 7 de julho , e a sua volta a 
LÍsboa teye logar por terra , chegando i capíCal no dia 
27. A 9 e 10 de SBtetpbro tere logar a reiolu^ao d« 
liisboa feita pcla guarda nacional, sendo destrnida a 
earta constitucional , c substitliida pela constiluiciode 
33 de sclembro de 1823. A rainba foi aos pa^os da 
camara manicipal jDrar a canstitui(ao. A 4 de novcm- 
br(t reacsao para rcíUbelecf r. a carta , tendo « rainba 
idú para o palacio de Belem. Agostinho José Freire 
(am dos ministros da carU') qae para ali se dirigii 
foi moTto á Pampalha , onde esteve eiposla , e por es- 
earneo , com uma tigela na barriga para receber es- 
mola. Os ÍDglezes chegarsm a desemharcar tropas em 
Selem , porém a attitude da guarda nacional as fez em- 
barcar, e flcarem todas as cousas.s^gundo a reToluQao 
leita em setembro. 

■ ( 1837 ) A 18 de janeiro teve logar a primeira sessio 
preparatoria das cortes constituintes , e a 26 do dito 
mez a sessao reál da abertura. Revolta do batalbiio i.' 
«le CBsadorei na vjlla dt'Pmté d« S»ca, acGlanaii4> 



I. Coo^ílc 



873 

a.carla'. b«r$o 4e Leiña lomon o camnuqdo d'ette 
ÍOT^ü , ¿ qual se rtnmram algons volunUríos da rainht 
que esUvam em Braga , e alguns sohUdos do 9 de íih 
anteria. A 17 entrou esU for^a «ni ValeD(a do Hioho 
pers^nida pelo bario de Almargem. Os uarecbaes Ter- 
ceira e Saldanha aafram de Lisboa com algans lancei- 
ros , e reunindo a esUs- em Torres NoTas o regimento 
de caTalIaría n." 4, marcharam sobre Castello Brahco 
e Coimbra , até que , em 27 de agosto se encontraram 
¿om as for^s do bario do Bomflm no Chlo da Feira , 
joDto á Tilla da BaUlba , e ali se den uma ac^áo , em 
que os marechaes ficaram mal. Terceira e Saldanba se 
dÍTÍgiram novame^te peU Beira Alu para sa uiúrem ia 
íor^as dfl Valcn^a ¡ porém já a esse Lempo a ditÍBÍO do 
(isconde das AnUs tÍKÍu catrado em Tris-os-Uontea 
abandona^o preciptUdamente a sna pou;io do Ebro , 
obrigado pelo general carlUta Zariategui. Cousa de mil 
boQieiis da dÍTÍsáo do AnUs passaram para o lado dos 
cartistas logo qne entraram em Portogal. A 16 de se- 
tembro naace o prinCÍpe real o senbor D. Pedro de AI- 
(aaUra. A 18 se deu o combaU de RuÍT^es . ganho por 
AdUs sobre o barao de Leiria. A 19 assignou-se a con- 
vensio de ChaTes entra Anlas e os marechaes , saindo 
estes e outras noUbílidades cartisUspara f¿ra doretno. 
fl838) A 9 e 13 de niarso revalUs democraticaa 
em Lisboa. A 4 de abril jurou a rainba a ¿onstituÍQÍo 
de 1 S3S. Nova revolU no dia do Corpo de Deos. Foi 
disaolvida a goarda nacional. Remechido, que no 
Algarve e no Alcntejo tinba levanUdo fofQas a favor 
do aeahor D. Uiguel, Cbi aprisionado e fusilado em 
Faro (2 de sgo»to]. Nasce o seabor inCanle D. Luix 
Filippe. «m 3^ de ouiobro. 
. i iM9 J Grandes dcsÍDtellígenciaí e d^fccrñcs no par- 



I. Coo^ílc 



3T* 

Udo (etoiiMiU , ptasuido' pira-o 11019 cAnpo ordei- 
ro. O generalHarotOi-coinniAdMtcflmchele do-ezer- 
cito caritsli nas Vascoogadas, vende-se « Chrísliita , 
enlregiotto aqnellas prorinclas , e ama parte consid»- 
n*el do erercito carliita do norte. Este exercito po»- 
nido do panieo que can^on táo eslroadosa trai(ao , •»- 
Ira em Fran^a com proprio seahor D. Carlos. 

(1840) O general' chrístÍDo Etpartero, depois d« 
ter segnrado as Vascongadás qne Ihe entregmi Maroto , 
tinha aTBn^do com todas as forfas sobre Cabreira. O 
fcraTo conde de Horella receben a Esptrtero nas snas 
posi^des da Castella , Aragáo , e Valeo^ , fosendo es- 
tacar o general cbrislino. Cabreira cáe gr^emente 
doen[e com mD tjfbo. Espartero recorre a compras , e 
alcan^ Blgnmas no Aragao , c na Catalnnha eDwegiiin- 
do fater assassinar o conde de Hospuiba, general 
em chefe carlista no príncipado. Depois das cOniM >s- 
■im preparadai , Espm-tero aTantoo , e Cabreini B'mna 
Uteira quasi áa porta* da morte foi retiranda at^ á Ga- 
talonha , e depois para Frani¡a , oñde ainda entioa com 
trinta mil homens persegnidos por perlo de cen nil. 
Bevolta-se em Castello Branco o regimento de inbnle- 
ria n.* 6 cora o fim de derribar ministerio. Este re- 
gimenlo , nao tendo apoio , foi retirando sobre a frco- 
teíra , e ali a]guns soldados e sargentos assassinaram 
eeu caronel Uiguel Augnsto. Ao mesmo tempo ha- 
via em Listwa moliai ( agosto } para proleger os mo- 
Timentos qqe egperavam nas prorincias. Espartero Bmea- 
;a invadir Portugal por causa da naTcga^áo do Donro. 
N'csta crise se vin, qne todos, fem eiceptio de par- 
tidos . eslavam animados para rebater a audacia casl^ 
' porfia todos se prepararafli &c. 



o,i,-f-n,Googlc 



tvra «Bda vei maía o ten partldo, e u preparSTa oc* 
cuttamenle para derríbar a coDStitoi<;io. 

(1842) Prcparadas as cousas Costa Cabral vai aft 
Port<) a pretexlo de visitar seQ pai ,- c ali faz nma re- 
TolD^ao [ 27 de jaoeiro ) para restabelecer a carla. Em 
Ltsboa ba preparatÍTos de resistencia. Cabral marcbá 
com as tropas do oorte sobre Lisboa ; porém , quaodo 
cfaegaTa a Coimbra , boute em Lisboa a proclama^áo 
da carta no castello a 7 de revercíro. Paredia que ia 
haT^r resistencia aos do caslello , porém tudo se aca- 
bou com a restaura^ao da carla cm 10 do mesmo met 
de Tevereiro , prnmettendo a raioba na sua proclamacáo 
que a carta hafia ser rerormada. A 16 de mar;o nasce 
o senbor inrante T). Jo3o. 

( 1843 ) Nasce a senbora infanta D. Maria Anna em 
Sl de jalbo. A rainha 'í»i onia viagom ao Alemlejo, 
DO 'outono, e reeolbe por Thomar a Lisboa. 

(1844) Revolta da cavailaria 4, batalháo de ca;a- 
dores n." 1 , e regimento de inrantería n.' 12. con- 
de do BomSm so poi é Itsta da reTolu;Io , com o fim 
de rennir mais Íút^hs , e marcbar sobre Lisboa a der- 
rsbar o ministerio; porém vendo-se sem mais apoio no 
eiercito , retirou sobre Almeida , onde capitalou com 
gcneral barao da Fonte Nova em 28 de abril. Bomlím 
e a mais oüBcialidade foram para Hespanba. Costa Ca- 

,bral fui elevado a conde de Tbomar. 

(1845) Nascimento da seohora infenta D. Antonia 
em 17 de ferereiro. seu baptisado fei-se na Igrcja 
de Belem cora grande pompa. 

( 1846 } povo , acabrnnhado com tantos impostos , 
e desgostoso pelas novas leis de conlribuigáo directa ,' 
e da saude , revolta-ge no Hinho ( marco }. A rcToIn^ 
¡io c9inofou por caotii de um entgrFo 'dentro d'uma 

I».,,,;. I. COO^ÍIC 



,376 

igreji. De Guifflariea Tui maodida Iro^^para Gbrigu 
a que o cnterro se nzeise fóra da igreja , Uafando-se 
fionüiclo, em. que a tropa refrocedeu. Foi mais reforco 
de tropa , e o poio tocou a rebate na Poroa de Lanho- | 
fo, e este toq'ue foi-se .generaliundo a toda a provio- ! 
í;ia , e os conaictos entre a tropa e o povo appareciain 
já por lodas as terr^s. O povo grilafa abaiio.os ca- 
t>ract, abaiio os impostos, vivam.aí lets.do feolior D. 
ÍoEo VI , viva o seohor D- Higuel , os nossos .capitiei 
nor«t &c. &c. Bra uma revolutáo espoDlanaa i; popD- 
lar, que náo tinha cbefes. goveroo manda ipais ira- 
pas de Lisboa e d'outros pontos sobre o Minho , e nas 
cortes appresenlaram leis para reprimir a'refoIa(iú 
fusilando o povo que se eocontrasse cora arm*s ua 
faáo dcc. Estas leis foram a^rovadaR pelaa doas e^taa- 
ras , Totando por ellas al^ ecclesiasticos de aVU gerar- 
chía , diiendo que a leguran^ do estado assim o «xi- 
giaFOmiaistro da jostt{a José Cihralfoi para o PortD 
Gomo logar tenepte da rainha. As leis de r^resaio de 
^ada valeram. José Cabral en po«QO teinpa terc qne 
bigir, apvpado pela revolu^ qpe IrTonfova por todas 
9S províncías do norte. Os realiitas parece qu^ deviam 
ter aproveitado esta rcvolugae paca o seii partido; po- 
Xém foi notavel que'neBhum homem de importaaGÍa 
d'aquelle partido safsse a dirjgír o movimento insnr- 
reccional. Safram os sctembrislas , que já mnito latde 
Q aproveitaram faKcndo muitas promessas ao pQvo &c. 
4 revoIuQÍo, corao o relampago, entfou em Lisboa em 
21 de maio, opde houve.grandes tumultos, codOícIos 
enlre a Icopa e o povo , de qoe resulUM a morte de 
muitos dos oltimos , scndo tambera assassinados ou fe- 
tidos pelt tropa alguQs cidadáes iaemwB , que acban- 
<l0::Be Có{4 de soa.casa wtes de «p^rfcer o movfmen- 



o,i,-f-n,Googlc 



to, reeolhiam pacifluineiite aoui» de mu &idIIí^ 
Os cabraes rDgtram para Tóra do reipo. duqDe-de 
Palmella foi chafflado para organkar a mÍDÍsterio. P«l- 
mella eslaTa n'este tempo com os selembristBS. Estes 
alcan;aram*por um acaso o que oao podoram «bter 
n'uns poucos d'anoos , fazendo nmas ppucas de revoln- 
foes. O regimento d.° Ifi, que tinha ido parao Minbo 
com losé Cabral , foí apedrejado era Lisboa qnando r^ 
colfaen á capital. A 23 de julho nasce o senbor ínfaolA 
D' Fernando. povo do Minho continuava em ^rapd» 
parte insurgidc^ conlTa o- governo , e acclamando o se- 
nhor D. Uiguel. coode das Antas foi mandado com 
trepat par)i apaiiguar o Uinho.-A 6 de ODtnbro a corte 
fei nma reac^áo co'ntra o goTernoesisIenle, e conse- 
guÍD derrul)al-o , apparecenda aa madrugada do dia 7 
toda a guami(áo da capital ero armas , com os dois 
marechaes á frcnte, organjsada nofo m>nislerio &c. A 
rainba proclamou. duque da Terceira foí para o Por- 
to como logar tenente da raí»ba ; porém qoando o va- 
por lá chegou , jí na cidade tinham recebido a noticia 
telegrai^ica dos acontecimentos da Lislm. Jos¿ PasaoB 
dírígiu o moTÍmento insurreccional no Porto G^mtra o 
duque, que foi prÍBO coni quasi lodos os quc o acom- 
panbaTam , e mettidot no Gaatello da Foi , e mais tar- 
de passados para a cadeia da Relt^o. Oraaniaou'ie no 
Po'rto lima junta provisoria e suprema ,^e que tomou 
a presidencia o conde das Antas, que estando no M4- 
nho para ap»iguar os rDaKstas , tbíu para o Perto 
para tomar o commaado do exercito da junta , e a pr«- 
sidencia do govemo. Antas marchou sobre Lisfafta , 4ei- 
'xaado o Minbo e Trás-os-Montes. Os roalistas do Mi- 
nho contÍDaaram a trabalhar por uu conta t e j¿ linham 
4 MM frente « tir«a4eiro BMnardiiw CoeUi^ át ííím~ 



,u8lo 



378 

ra, e í^gmi ffutros ofReÍaes. Huilos realistas serviam 
Bls bandeiras da junta do PorlO- Hacldonald appare- 
cen no Minho , e tomou o commandb dos reallstas , e^ 
tabeleccndo o aeu quartel general em Braga , onde se 
come^aram a organisar lentamenle. O baráo do Casal, 
general da rainha no Hinho, marcbou sobre o Porto; 
porém Si da Bandeira , general da janla , safii com 
nma for^a superior sobre Casal , obrigando-o a retirar 
sobre Trás-os-Hontes. AlgarTe tambem tomon o par- 
tido do Porto, c as tropas d'ali, marchando para o 
Alemtejo ás ordens do brigadeiro Celestino , foram der- 
roladas pelo general da rainba , Schwalbaki em Vian- 
na do AÍemtejo (novembro). Saldenba hsTÍa safdo de 
Listioa, já feíca duqué : seguiu o marechal dlreito a 
Antas, que tomou posicóes em Santarem, toinaodo-AS 
Saldanlia no Carlaxo. 5i da BaDdeira atacon Casa\ ent 
Val-de-Passos , porím desertando-lhe os regimentos de 
inranleria n.* 3 , e IS , que passaram para Casal , lere 
Sí da Bandeira de retirar para o Porto. general rea- 
lista Guedes tomou o servifo da junta do Porto, on- 
tros olficines seguiram estc excmplo. Casnl assim refor- 
^ado avanga sobre o ^rto , mas nao bavendo dentro a 
revolu^ao que elle esperava , levanta campo , e vaí $o- 
bre BragR. Os realistas estavam mal organisados, por- 
quc UackdonqU náo tratava da sua organisatjiío scríl- 
mente , chcgando até a mandar para casa os soldados 
qne se Ihe appresenlavam com o lim de defender a cao- 
sa do senhor D. Miguel , diiendo-lhes qoe qaando fos- 
sem prccisos os chamaria. Braga foi atacada por Casal 
enCrando n'aqnella cidade ( 20 de dezembro ] , onde as 
suas tropas commetteram atrocídados. Os realistas re- 
tiraram sobr^ GvimaTáes, e ali estabeleceram o sea 
centre d« accSo. J>e Santarem safn dom diríiao i> or> 



t. Coo^ílc 



3T» 

dcosdo c«ide do Bomfimj ivaBfindo pelo Qanco «•■ 
querdo de Saldanha sabre Lirirai ; poréin Saldanba o 
seguía , e em Torres Vedras o derrotou e apr^sioDon , 
e a toda a divisao, Antas, que egtaTa. cDm a oalra.dH 
Ttsao a tres legoas de distancia do BoiniÍDi , nao. soo 
corren este gcneral. Aiitas retiron sobre o Porto, e 
Saldauba o foi seguindo muito do vagar. 

( 1847 ] A jiinla do Porto v endo-se perdída pela se- 
rio de desastres soffridos em Vianna do Alemtejo , em 
Val-de-Passog , e em Torres Vedras , cbamoa os rea-' 
listas em seu aniilio, com os postos que tinbam recor 
bido do senbor b. Uiguel. O geueral realista Guedea 
gerria muilo para este passo. A junla de lepenle le Tia 
refor^ada com grande número de batalhoes , que como 
por encanto appareciam. general Povoas proclama na 
Beira , e vai para o Porto com grande anxilio moral'B 
material a favor da jnnta. O senhor D. Uiguel , qno 
ainda se conservafa em Roma , sáe d'aqucUa tidade ~ 
paraLondres , lalvex com o intuito de passar ao oorte 
de Portugal. O geoeral MaGkdonald foi morto por trai- 
C^on'uma digressio que fei para o lado de Villa Beal. 
As tropas d'este geoeral , com Bemardiao e ontros che> 
fes , seguindú o ciemplo dc PoToas o Guedes , se onem 
i jufata do Porlo. Esla se acbava forte como uma na^io , 
e dava bastaote cuidado o estado de Porlugal aos si- 
gnatarioi da qoadrapla allianta. A juotrdispnoba de 
oroa esquadrilba de vapores saperíor í do governo da 
rainha , e nuis tarde obteve tambcm uma corveta de 
guerra que desertoo para o Porto. Com taes meios de 
Iranaporte a junta reforfon as suas tropas no sul com 
nma divisio que para ali mandon ís ordeoa do geo&* 
ral Sá da Bañdeira. Este general foi desembarcar ao 
Jklgane, < d'ali marchoa pxra « Alcmlejo a lát«r joa. 

ü,o,i,-f-n,GoOglc 



386 

fle ema'ai'lbrtú dfBron, 4e qns m coauundaBte 
«m cheTe o conde de Hello. Sá da Bandeira cbegoa a 
Setdbal, c >H fei alto, e PcanÍB oma for^a respeila- 
Tel. SaManba nio passan al¿m deOU*eira d'Aaemeis, 
Bio se Tendo nas opera^oes dot generaes da rainht 
eoBM qne poiesse em perigo a eiislencia da janla do 
Porto. & 29 de abril se fci oma revolo^o em Li^oa , 
a^ritando os presos do limoeira , por£m foi snffocado 
cste movinMnto. O general eoDde de VínhBes foi com 
fw^as sobre Setubal , e nó dia 1.* de maío se den no 
Alto do Viso nm combale. O general Almarffem conse- 
gma qoe as tropas da rainha , que se conser*aTam en- 
eerradaa no caslello de Vianna do Hinbo.-o abando- 
najsem de noíte ( maio ) , por^m foram aprisionados 
perto de treientos soldados e officises qnaodo se era- 
diam para Valenca , qne Almargem foi cercat. K% tro- 
pat ú* junta appresentavam uma apparencía brilbnte. 
O general Povoas oocopava a Regoa , e Goedes , e Ber- 
nardino limparam a prorincia de Tras-os-Uontea , bt* 
tendo Bemardino ao barao de Vinhaes em Hiranddla , 
obrigando-o a entrar em Hespanha. Assim desembara- 
^da a provtncia de TraB-o»-Uontes , Casal obrigado a 
passar o Doaro , e a reconcentrar-se em Castro Daire , 
Pofoas occnpon Lamogo. Goedes e Bemardino entrara 
uo Porto. A ^adropla alliaDfa preparava-se para ian- 
dir PoKogal para desarmar as tropas da junla. Beraar- 
dlno com a soa divisio ocenpoo VJIIa No*a de Gaia , 
« Gnedes Iteou com a commando no Porto em qaanto 
o conde das Antas sa(a do Porlo com uma briihanle 
«ipedicño qae fei embirear para eom ella sallar n'nm 
doi pontos do sul. 4 31 peias cinco horas da manhi 
laTantava ferro defronte da barra do Porto a esqnadra 
li' jnnta , portai íiA tud»tprmoiiadO'peU'Mq«»dr« in* 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



SSl . 

gtea, «algtiiU.nAffU frMeete»é desiMflhoei. 6s it^ 
glete^ coDdMÍram as trooas prisioneiras e esqaadra 
ptra o Tejo , sendo osnftTios «nlregnes ao g^OTerao dá 
nÍDba , e oa prisioiKÍfoa metlidos na Torre de 9. Ju* 
liio. O exercjto hespairiiol ein for;a de Vinte e cíncO 
mil homens is ordens do general Concha , entrou pelo 
, Uinlio e por Tri«-o$-Hontes arantando snbre o Portoi 
e foi entao que Saldanlia se rnoteu alé Vitla Nots , on-^ 
de generat Bernardioo recefaeu com nm-TÍTo fogo: 
8á da Bandeira «bandonou os seos sotdados , c esteá 
dispersarain>s« cada obi para onde pAde , cheggndo bíq- 
da atguns ao AlgarTe, A janla do Porto fez com os hca^ 
panhoes nina cORren^io para a entrega da cidade , 
eonsas da jnnta , e esta coDT«n;ao foi assig nada eni 
Gramidope1ogeneral€esar de VaseoncelTos, eConeha; 
Os bespanhoes entraram eñtio no Porto , e dapois SaU 
danha. O. exercito da junta fbi desarmado e dissoÍTÍ'^ 
do, e moílos soldados foram essaasinados no transito 
para seas lares. As tropas prisioneiras em S. Julila 
Ibram pouco a pouco enlregoes ao goTcrno da rainiia; 
RcaDdo ali só os olBciaes , qae em Tirtode do tractadd 
de Gramido e da quadrupla altian^a foram todos solto!) 
no dia 7 , e 9 de jullio , fazendo-se o mesmo aos pre- 
■os polílicos qne em grande ntiuiero eiichtam as cadoiaf 
de Lisboa. No Porto tambem foi^olto o duque da Ter't 
ceira e lodos oi'prcsog poIi\icos, um ou dois dias m- 
tes da entrada dos hespanhOes. Assim acafoou a guerra 
chamada da Haria da Fonte , por ter origem a qncs.* 
Uio de enlerramenlo , eom uma malher assim chamBda, 
Nascea o senhor infante D. Augusto a 4 de ooTcinhro. 
( 1848 ) ReTo1a;(io popular era Parfs ( 1 8 dc fevereí- 
To ) , em qne foi derribado do Ihrono o uslirpader LdI* 
l'^ltlt^, apewr d«ter UdM osieasfflboseota oi cMo- 



382 

BMndoi (los-eiereUoB , qas Hbiun a qatlre c^os nril 
^omens , e da esquadrs , que era i, terceira da Earo- 
pa. Csrlos x , em 1830, lafu de Franca com digaida- 
de , ainda acompanhado al¿ á fronteira por um graude 
eicrcitoi Luii Filippe fugia ás apnpadas. A Enropa 
^pprcsentou-se toda em agita^ao e refoIu;áa. A de Ho- 
Oia cODtra o santo padre Pio ix te*e Ivgtr esa Doreia- 
jwo , comefando pelo assassinato do conde de Rovi- 
Sua Saulidade fugiu para os estados de Napolea , alé 
goe foi reslabelecida a sua auctoridade. 

( ÍSi9 ) conde de Tbomar enlrou Dovantrate para 
p ministerio por ÍDDaencta do dnque de Saldanha , qne 
declaroa naa corles , qoe antes queria todos oa cabraet 
na camara dos deputados , do que uin só dos ds jnnta 
do Porto. A náo Vasco da Gama é muito damníficada 
pels temporal no Kio de Janeiro ; porém ei poiUigue- 
jes ali preslam grandos sommBs para o sea Tepars 
l maio }. rei de Sardanba foge da derrota de NOTan , 
f Tem ter ao Porlo , onde morre cm julfto, sendo poa- 
GO depoig seu cadaver transporlado para GeDOva. Oi 
chins assassínam o goTemador de Hacáo , Amaral ( 22 
de agostoj. Graodes accusaifoes conlra o cottde dt 
Tbomar. 

( 1850 ) dnque de Saldanha é demittido do cargo 
de mordomo mór da casa real (reTereiro). O.duque 
pede entao a demissao dc todos os cargos de commis- 
sáo, por Dao querer servir com o conde de Tbonur. O 
govemo appresenta um prujecto de repressao da .impren- 
sa. Hilbares de individuos de Lodos bs. parlidos enchc- 
ram as columnas dos jornaes protestando coDtra esli 
TÍolencia da liberdade do pensamcnto; todavín o pro> 
jecto mezes depois foi lei. 

No anno aDtccodeate , algumas genbofas ImtíiuB or 



o,i,-f-n,Googlc 



ganisado nnu conHBMSÍio com o flm de promover alt- 
DualmeDte mn baile , para com o produclo dos bilh^ 
(es da entrada loccotrer' os officiaes desralidós pela 
ci>DTeJ(¡BO de Bvora Monte , oa as TÍOTas dos qae ji 
eram fallecidos. Uma ontra commiísáo organÍMram par» 
roceber um subsidio aÜmeDticio para o suihor D. Ui- 
gnel^e firagao^. Como amiliireB d'eita comBtissao, 
algutis caTslheiros orgasis^ram oatras , porém o gover* 
no as mandoB'ÍDtímar para se dissolverem (mar;o),~ 
e náo continuarem a promover e receber os subsidios; 
todavia 3S senboras , spesar fl'esta TÍoteDcia , coutinna- 
ram a receber as qnantias com que qualqner pessoa 
qaixesse concorrer, para^pie-'a tta^ao portugneía báo 
passasse ntais pela vergonfaa de dar o espectaculo ás na- 
^oe» , de deiiar morrer.ile fome , n'nm pais estranho , 
Kum principe porlngoeii, G)ho do nosio bom rei o se- 
nbor .D:. Joao n. Este» acontecÍBientos cbegaram ao co- 
nbecimento do leahor D. Uígníl , e o [H-ini!ipe do lea 
eiilio de Inglaterra escrevau as seguintes cartas ás s&- 
nhoriM da' cammissio i e a nm jomal poetagnea. As ae- 
nfaoru eoTÍaram a carta do senbor D. Uiguel ao) n» 
4acton8 ds Ka^o» eoma legainte carta: 



o,i,-f-n,Googlc 



: 3«* I 

■ ■ ■»*: 

' Boglnos «VT.se aimm puUicsT no aen wred¡. 
Udo jornal t inclusi csrU do'Senbor D. Uigoel de 
BriK«*ca • qne livemot a boDra de receber pelo paqoele 
■dtíinamente cbcgsdo. 

AprareitáiDM esU occMÍio de asse^ar • tt. qiw 
somos coa nniU coiuiders¡áo 

De TT. 

' Uuto «ttents) TeDeradOm 

LiíbM fi de msio de ISfi». 

CendMfa de Pmtiriro. 

Jt. Maria CarMa ds lima. BoMn i'MtmÍ^ 
D. Akm da CvAa Maiáanta r Mnfxe». 
D. Ibría Itfto Cerria i« Sá. 

- « Ea «ría tido por ingTslo , se deizssse de agnde* 
CCT-TOB , Seaborai , qne coBpoiCstes a Commissio cen- 
tral em Lisboa, eoni o fim de promoTer em PortDgal, 
e s mea favor , nma subscrip^o alimcnticia , e poc 
isso cumpro n'esU occasiao o deTcr, de tos dair ama 
prova dó mea recoohecimenta , peU Tossa muito nobn 
e bandosa lembrance ; agiadecer-TOS , e aoa cavalhei- 
ro) , qae tos ajadarsm , os trabalbos * que tos déstes , 
para mitigsr a penoss situa{;ao , a que em terra estra- 
nba me rednEÍu a ÍDJusta espolia£Ío de toda b minba 
propnedade , de qne ha dei^eís annos estoa privado.; 
Na certeza que apreciareis este mea especial tesü-| 
monho de gratidao , se por isso o quiierdes publicar . 
■unile tolgwei qae o isoodoiDteiropoiHBTalÍair.M tq&i 



- - 38!t 

As.tirindes , e qne ,' to Knlimento da ctoridide , }aih 
cbes a lieroismo proprio íb Senlnrai Portt^eias. 

Fa^o Totog ao Ceo para qne recwipeDSe as Tossas 
Dobres ^aalidades. 

Sou Touo mDito aifeGtiiosa 

D. Mijiutl da Braamta.'» 

Beihill em 18 d'abril de ISÍÍO. 

Na oútrá carta dirigida ao jornal a NaQao expressa- 
se Bssim : 

« SenÁorei.Bedaetont da ífaeáo. 

« É pela primeira 'vei 'que dirijo uma commiinicaf So 
ao f osso joTDal , mas , n'esie momento , é am dever meu. 
Na lerra do exiHo, espoliado de (oda a minha pr<^ 
priedade, e [hoaro-me de o diier) pobre, porqoe,. 
nos ciuco aliDos do meu governo, nao bouve em mim 
Dunca o pensamenlO egoisla e desiíacioiial , de cothe- 
sourar , prevenindo desterro , qoe a forga mc impoi , 
e mais tarde acbou meios de aggravar, tenba sido faa 
tempos , parcameute sustentsdo só pelo tribulo da ÍeaL 
aSéisSo de Portugueies , qne , do poaco qne Ibes resta ^ 
tnuito espoDtaneamente repartém comigo. 

Sei afrora , porém , qne o govemo existenlc em Vof 
(ugal estorva , por medidas ames^adoras , os tnbalbos 
d'aqseDes^ qae tio nobremente pnunoviam a subscri- 
pgao destinada á minha indispensarel subsistencie. De- ' 
cjaro , pois , ein testjmunbo de gratidáo aos meus aeis ' 
anHgos , que antes soffrerei a altima miseria , e que o 
mODdo a veja , do qne servir de pretezto a qtuilquet 
pertMuícÍo, qne possa augmenlar o námero das vi* 
V> * 

Cooylc 



m 

títmuátHáA^áe; il«lmwlo unben (pt ; M eeUv 
«10 cálcalo forfaF-me pela indigeiicia a qaalqaer aeto 
ÍDcDfnpatÍTet com a minha dignidadc e bobra , o cál- 
cala é teta fundameoto, porqne, ODtregando-me nss 
niioi di ProTÍdéncia Dirina , me coDserrarei fiel ms 
neas dereres. 

Por esta oecasiáo', coma portagaez , ros sigoifico a 
HtÍBfa^o com qae lenho Tisto o modo TerdadeíraEaente 
Dacional, por qae haTOis deféndidó ok interessU da not- 
sa cara patria. 

SoD volso aQeífotdo ' 

J). Mgvá d« Bratimfa. • 

Bexbill , em Í8 d'abnl de I8&0. - ' 

Ai cartas do prinélpe loTantacam graDde ftolemiea 
antre a imprensa. A do go?emo Tomiton imprecaQOes 
coDtra o reat «xilado. Alguns jomaes porém hoine qae 
registraram as cartas com a defida considera^. O 
Patriola disse maito em dnas palavras — ahi -tem as 
carta'i , senhores , reqMndam , se é qne tem resposta a ■ 
dar. A Rerola^áo de SetembTo , depois de traBKrever 
as caitas , escreTCU um artigo contra acto ill^al do 
gsTerno, e no qnal se lé « Sao consas d'este mnado' 
O qtie foi rel , escrefc hoje Drtigos para es jomaes , 
e , deremos confessal-o , foi melfaor uso da peana , qoe 
do sceptro ( t um adTersario do senliar D. lligwl liae 
falla ) ; é maior no exilio , qae sdire o throno du. du. • 
O Ecco Popolar, jomal do Porto, escreTeDdo sobre o 
raesmo assamplo, disse ■ Folglmos de regiitrar Mte 
docDmento , qae sobrs iiiauirii honrB' o prÍDCJpe e de* 
sni4a dcc. dcc, > 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



387 

' Vorre em 13 de outubro ( 6i 5 horas da Urde ) o d^ 
qoe de Palmella , tao célebre na diplomacia portagaeza. 
( 1B51 ] O marechal Saldanha prepara uma reTola^áo 
para derribar o conde de Thomar. A 7 de abril silu o 
marechal de Lisboa , e roi a Hafra para levar comsigo 
o regimento de infanteria n." 7 , porfm nSo pMe con- 
teguir scnao levar alguñs soldados. batathao 1.' de 
catadores, estacionado em Sctobal , seguiu o,niare' 
ebal , assini pomo o S.* de cacadores que estava de 
qoartel em Leiria. O goveruo manda for^as sobr^ Sal- 
danha , e este , sem alcaD^ar angmentar o número dos 
■euí Boldados , manobra sempre eTÍtando qualquer en* 
contro com as tropat que o perseguiam. comman- 
dante «n cfaefc do exercilo (o senhor D. Fernando ) 
aVancoti de Santarem para Coimbra , e ali estabelécea 
O seu quartel general. Saldanhs , sem nada poder fa- 
xer , abandona na Beira Alla os dois batalhóes que par- 
tilbaTam os riscos da revoln^io. márechal entraTa 
tm Lobios ( Galliza } no momento em qne José Peisos 
feiia rebenlar a revolta no Porto. Esta fo! feita pela 
balalbáo de ca^adoreg n.° 9 , e infsnteria n.* 2 , sendo 
morto 1¡raT0 coronel Cardoso do 2." de ÍDfanleria no 
nomento em que , agarrando as bandeiras do aeu re- 
gimmto, nio as qaeria deisar levar aos soidados re- 
Tollados. conde do Casal , general no Porto , quis 
e6m o resto da guami^ao obstar i revolugáo; poiém, 
Tcndivse dMamparado, fuglu (24 de abril), e a re- 
I0la;ao trinnrou no Porto. Os dois hatalhSes n." i e S 
narobBTam logo a procnrar o abrlgo d'aqnella cidade , 
e SaldaDha, a quem se mandon communicar este, já 
inesperado acontecimenlo , correu sem demora para o 
Porto. Esta nolicia fei logo grande impressao to eier* 
cito , pe|o mdita qii« a'eUe t«m « mmcba] SaldH'- 

Couglo 



388: 

^a , á H tropu que tm Cirinbra estimjB cpm s r} o ■ 
lenhor D. Fernando n , flcaram em grande alarnic. 
general bario de Uesquila com os regimeQtoSde-laQ- 
uirqs da reiaha , de graaadeiros da rainha , de infan- 
teria n.'' 1 , e uma companliia de. 16 desertou para q 
narechal Saldanha , deiamparando o sen rei , e sea 
commandante em chefe. O senhor J>. Femando reliroq 
ptra Lisboa com o resta daa Iropas quc Ihc Gcaram 
fieis. conde de Thomar fugiu pela segunda vez. Jio 
Por(o chamou-se regeoeragao í reTolufao , e assim ñ- 
coD cfarismBda. O marechal cqme^oi) do Porto a diclar 
a lei para Lisboa , d'onde mandaram os navios de guer- 
ra e vaporeg buscaT-o e is suaa tropas , com as quaes 
tntroa triunfante ern^ Lisboe no dta 13 de maio. A tr»-. 
pa foi passar em continencia por defronte do pa;o. A 
rainba soffreu desgoslos uo Ihe^tro de S. Carlos. O go- 
Terno em dictadura expede oma immensidade' de de- 
cretos. Eiposi;io universal de Londres, em que mui- 
tos produclos da nossa industria foram premiados. Mui- 
tos portQgueies foram n'esta occasiio a Londres , e ali 
Uveram a honra de fallar ap senhor D. Míguel , inesmii 
01 seus adversarios politicos, GDtraudo n'este número 
o conde de Thomar ( Costa Cabral ]. scnhor D. Ui- 
guel parle para a Atiemanha para casar com a senbO' 
ra priticeia Adetaide de Loewenstein,.e o seu consor- 
cio teve logar a 23 de setembrO , no palacio de Hea< 
bach junto a PrancforL sobre o Meno. pri»eípe vin-se 
■'esta occasiáo cercado de portugueies , que foratn as- 
atsfir a láo solempe acto. O oosso sabio e apostolo pa- 
dre losé de Souia Tavares ( Sacra Pamilia ) deixou o 
•ea rebenho de Withim ( loglalerra J para ir estar jun- 
to á r«al pessoa d^ senhor D. Higuet , e instruir • s*- 
Hiora prfnceM Adelude nai comas portugueias. 



0,i,-f-n,GoÜglc 



S8d 

(1862) ilni padre republicano tenU 'conlra nyiát 
da rainha de Hejpanha [2 de fe«ereiro]. Nanrragio do 
rapor Porlo na Ibi do Donro (29 de ii]ir;<L] : morre- 
Tam se«scnta pessoas. A rainlia , o rei , o principe , e 
o senhór infanle D. Lutz visitam o Minho ( abríl e 
niaio). Morre o conde das Antas em 20 de maio. 
'. senhor D. UÍgUel publica em Langensetbold , a 
18 de janho , nm novo protesto contra a liolencia ds 
quadrupls allián^a , e artigos addicionaes de 18 de 
agosto de 1834 , que o obrigaraDi , o prímeiro a aban- 
donar a patria ; e ámbós a permanecer fóra d'ella. Que 
pelo protesto de 18 de junho ratiBcava a süa prodar- 
mafao de 22 de maio de 1834, e protesto reito' em 
Geuova a 20 de jnnbo do mesmoanno. Que protestava 
fiualmedte cónlra a itólencia qne compelle a qne leQl 
fllfaos DEi5;am em patz estrangeiro— 
' Publica-se o «cto addicional á carta eonstitacional ; 
em 6 de júlho. A 8 foi o principe real jnrar a eárta 
peraete as cortes. A 17 foi a rainha e ■ corte laA^ar 
n pedra angiilar no monumento que na pra^a dé D', 
Pedro ( Rocio) se alevanta ao mesmo sentior D. Pedro; 
- Nasctmento da senliora princeia D. Haría das Neves, 
Alfaa do senhar V. Higuel ( S de agosto ). A 8 fgi ba- 
ptisada a princeza pelo bispo de Wurtzburg , no pala- 
cio de Heubacb , com grande soleiñnidade. A agua era 
portagoeza , Jerada de Guimaraes da mesina fonte qna 
a brolon para o baptísroo do senhor reí D. Atfoataílen- 
riques. Foram padri>i)ios o pri&cípe CarJos de Loewens- 
tein , e sua alteza rcal a senhora iiirenta D. Isabel Ma- 
ria, por quem tocou sua alteza a prlnceza Sophia de 
Itembourg. O senhor D. Migucl viu-se ainda n'esta oc- 
catiao cercado de muitos portuguezes que furam a AI- 
lemanha para leteni a bQura de asuttifem a ^o s«* 



0,i,-f-n,CoOylc 



^ m 

lettni Mto. nurqaei it LaTndía foi qdem le<n^ a 
prÍBCGia nofl bra^oa no acto lulemne. A 10 parlin ü 
iDarquei para Portngal com o marqnei de Penaln í 
conde d'Almada , e os outros portugnezes Gdalgos, pro- 
prjelarios, fabricaDles, iwgociaDtes&c. que linbamido' 
a Heobacb com aquelle anico Om. 

Uorte de lord Wellington em 14 de selembro. A 3 
dp setembro morre o general realiata José Cardoso. í 
7 de dezembro lambem morre o visconde de Holcllos, 
oalro geoeral Fealislt. 

(1SS3) Horre na ilha da Uadeiri a lenhora príñ- 
cezB D. Maria Amelia (4de ferereiro). A virtaosa prín- 
GCia baTÍa para ali ido tomar ares para rer se podia 
restabe1ecer.4e de uma (isica que haiia adqnirído. A 4 
de abril morre na sua casa do Atalho ( junto a Agveda ) 
o honrado realista ttodt'igo de Souia Tudella , célebre 
pela sna bravura na tomada de Villa NoTa de Gaia era 
9 de aetembro de 1832, e depois pela cepilulaqáo de 
Castello de Vide com o general hespanhol Rodil , em 
' 1834. A 7 de maio foi a rainba assistir i inaDgura^o 
do caminbo de ferro de Lisboa í fronteira de Hcspi- 
Vfaa. A 11 entron a barra de Lisboa o Tapor qae cod- 
dnsia sua magesUde a imperatrii do Braiil D. Amelia i 
que Bcompai^aTa o cadaver de soa aognsta filha a se- 
nhora princeia María Amelta. A 12 se fez o funeral da 
illnstre flnada , sendo condvt'iAo o cadaver a S. Vicente 
de Fóra , e saa tnagestade imperiil desembarcon teco- 
Uiendo-ie ao sen palacío. 



o,i,-f-n,Googlc 



EnRATlS PHINCIPAES. 



p.g- 


lill. 


ErrOfl. 


Emend. 


150 


25 


Mn 


Joiíi 


196 


10 


Gtáo Pará 


imperial 


Sll 


2danDt>3ií 


1833 


1S32 


. 


3 idiin 


Santarem 


Lislna 


227 


9 


regencia 


gofemo 


240 


29 


os sele 


osdet. 


m 


27 


dos sele 


íoi dei 



o,i,-f-n,Googlc 



0,i,-f-n,CoO^ílc 



ÓBHA« MODEIINAM 

PvUicadas por Jaaqmm lopei Carreira de Hdlo , Dirf ' 
elor do CMtgio dt JVpt*a Senhora da Cmcei(ao 

tm lÁihoa. 
Compendio da Bitloria de PortDgal desdc os primei* 
ros poToadores alé nossos dias. 1 vol. 1853. 

Resomo da Historia de porlogal para OM dos alam- 
tios das aDlas de instnic;ao primaria ( fica no prelo ). 
CoinpendÍD de Geograpliia'para nso ias escholaB ( flci 
Doprielo]. 

Brete Tractado dc Chorographia Portogneu Histt^ 
rica e Polilica. 1.* edi^o, 1 vol. 18S0. 

Compendio da Chorographia de Portugsl e Dominios 
para nso dos alumnos das anlas de lostruc^io prima- 
ria, approvado por Si'a MASKSTADt pela Secretarja 
d'Estado dos Negociós do ReÍDO sob consnlla do 
Contelho Si^ríor d'MrnvtSo PfUiiea, 2/ edi;ao , t 
TOl. 1853. 

Compendio de Civilidade , Beligiosa e Moral , para 
■tso dos alumnos das eseliolas de inatnicfao primana , 
approTado por 8oa ÜAeESTaDE pela Secrelaría d'Eslado 
dos Negocios do Reiiw sob coiunlta do Coñtelho St^e- 
rior d'butnecao PMiea. 2.* edi;io , 1 vol. 18S3 { Qca 
110 prelo a 3.* edi;ao). 

CompcDdio de Duutrina ChtÍsU , Dogmatica e Ho- 
ral , para nso d«a alumnos dSi aulas de inslruc;3o pri- 
maria , approfado por SvM Haowtidb pela Secretaria 
d'Estado dos Ncgocios do Reino sdb consulta do Conr- 
selhó Saptrior d'AtdrwFckr Publica, t' edifio, 1 rol. 
18S3-(flca no prclo a 9.* edi<;.ao). 

Venden-se em Mm dos srs. Bertrands ao Chiado 
n." 4S ( aoi Hartyres ] ¡ na rna Angusta n.* 8 , loja do 
sr. Lavado ; na Úo ir. Pereira , na mesma rua n.* 188 ; 
o nas iMis do costume. No Porto , rua dás Uortas n.* 
144. Em Coimbra, em cata do tr. Orcal. 



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