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Full text of "Corografía cabo-verdiana: ou, Descripção geographico-historica da província ..."

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A. 

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Çrímittna í>a* 3Uja5 to €obo-t)frírf < «farine 

publicada rom 

Tenente do Corpo <T Engenheiros. 






Tyi 1 . de l; c. Da cunha. 

Costa do Castello iV. # lô. 
1841. 



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Prof . Ai & 




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ADVERTÊNCIA^ 



O Sr. Francisco Adolfo de Varnhagen haven- 
do também colhido vários apontamentos sobre a 
provinda, por uma amigável combinação resolve» 
mos juntar os nossos trabalhos, em utilidade do pu- 
blico, das sciencias geographicas, e da historia. A 
ausência do meu sócio durante a impressão da obra, 
junto aos meus diversos e variados encargos , e não 
haver eu nascido Pórtuguez* são razões sufficientes 
para que o publico seja indulgente para com os des- 
alinhos de lingoagem e i/regularidades, que ha de já 
encpntrar n'esta obra. 

Os Criticos imparcjaes ajuizarão, se a sua publi- 
cação foi, ou não útil, tal qual,—- 

a 



V 



) r 



Cet Arcbipél susceptible de toutes les culturetd* 
Amerique siiffit à pejne á la subsistance d'un pe- 
tit nombre d'habitans presque tousnoirs. Sod co> 
mercê av«c PEurope estJbomé é l*çnvoi d'uneherbe 

£I!orseillel propre á la teinture de Pecaria te, 
ayec rA^merique ^eUii de ,quelque betai! ; avce 1* 
Afrique á <celui d*une petite quantité de sucre et 
cTune assez grande quantité d'etofiegrossíárede<co- 
ton. JLá 9 xomme.Mie les plages *voisines de TAfri* 
que ou les Portugais .se sont dissemines, ils ont 
jpresque tous perdu le caractere deleur origine. *• 

M. de Pradí~dc§ Colónia* 



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'• ••' ! ""' ' '*., ■* '. ! • ÍJ' 






•as^ 



Fesde *# tntÀ9 Mttrotot tempo» *e, tem vitfo eBU$ 
©t povos, ápar da sua •cmIisaQ&<*,> nascer o desejo 
>cb atogmentarem coijbepimen*ô*)de estranho» pai* 
Yes 7 demares fi*oo4*ave«ailb«^ denwas iscadas da 
jbatureza, ou -'ie 'tfiemiinentos d?arte • sc^acia bu- 
toaria, dignos 'dPiftltitiçãoV .... 

' £ eqwelVes^ W quèn^ fbliae» dicnnstaociaf ou in- 
*tatí> 'úrder , ccUctavanrloa posição de poder deixar o 
estreito circuito dos pátrios :l*r#Sy instigados por um 
-génio ãescobridair^bujfrnr ventura, atvidw da glpfia, 
-tm desculpável sfeidáde* se moveram a. .partipipar o 
vjsto e cxpeámea*«ido.i também .mereceram louvor 
grande, que assai ábtioçAo. l^ar. oequpa na mpder- 
Ba ih IcraUira ^ easc scpiniyaaero de ai agem des £|ou- , 
gaifmlky CooL, Lopeytouscy Paliai^ Tavcrnicr^ Hum, 
òoldt, Bonpland. 

Notícias * dcscrtpçoes adte países , com exactidão 
« fé a. toda a prova, aempre são .fontes originar ias , 
«nde.se bebem ideas , que dão aos differehtes qua» 
íros da natureza ejdos costumes maior consideração. 

Porém quanto e' yasto ainda? e pouco pizado o 



t" 



€ 



.campo que os viajantes tema percorrer, e onde coife 
novas descobertas possãp enriquecer a scienciai 

Eis oçazo em que se acham ainda as possas poa- 
.sessôes ultramarinas, pela maior paçte, se não no seu 
ftodo ignoradas. - 

^Ipe/ar das immensas regiões que a Gorôa de Por* 
lugaj peçdeo na America, as colónias que ainda con- 
serva , eâoiâo importantes pela sua extensão, emai* 
ainc|a pela sua posição geographica, que nenhuma 
©itfrà potencia, se exctipiuar-mos a {iyã^Bretaah^ 
as posscie tâo^onsideravSei-s.— - ■- % . ,, : , 

fj se Poitugai pela .sua pequenez^ contin^talEjUr 
ròpea nial pode cdmjxtijt comias, .potonçia* da segui- 
da ordena; como potencia jnarifcima Çaqiimpn$e ojjtgf 
rá esta collocação, uma veaf que qtfeita aprpveitar/? 
se dos íiu morosos .recursos qus. «inda conserva; lan- 
^a ixlo mâo xjetaag b^Uaç colónia*? v Cfljas riquçzas If, 
jáiíetti* em íodo-o ^ettichaos; • t » oúi ...•-, , •..■:> 
7 Flhalrnefcte : a soa importância. tem : de, tal taeíio 
a tf ah ido uitim tenente a at tenção de iodof o* Pmfay 
gúèzes zelosos d* prosperidade e^H^adeeimeot© dar 
sna pátria , €5 do* estrangeiros desejosos de conhece* 
os thesourós commerciàes e geograpbicos akida «- 
.condidos- >*-*- que são ptocurad^s e lidos kqm avide? 
pelos nacionaes e estranhos todos e.quaesquôr esó£& 
ptos qufe tratem mais, explicitamente de cada uma 
cTaquellas regiões; e próximo virá o momento que 
não haverão pessoas , alias de saber e consideração, 
que ignorem ou duvidem o que *ai por boa parte do 
pátrio -teirrito rip. ... 



— III — 

Assim ácercadalfldiaeMacaoappreciamosoimri- 
to que se tem escripto na pátria língua ; (com en- 
tfeusiasmo seesgotoúa obra de Sebaitiâo Xfwicr Bo- 
telho , relativo á Moçambique ; que sobre Angola é 
procurado e consultado Moita- Fêo ; «sobre os Aço- 
res a Çorograpfcia Açorica, a raríssima Folhinha de 
1832 , e ainda o P. Cordeiro. 

Todavia nao .temos uma única obca que descre- 
vendo alguma das nossas possessões, a encare de ma- 
neira conforme aoestado dasscicticias do século em. 
que vivtanoê , c assim t/ate todas as matérias que 
forçosamente bão de entrar na descripcâo d'algum 
paiz. D*este modo^té algumas .melhor, e mais am r 
piamente s8o tratadas pelos estrangeiros ; como p. e. 
as iib/as da Timor eSolorpor 2%qpssKf;*sjcripUna? 
parcial mente esem aqnelleestillo mordaz que geral* 
jnenle se repara nas relações estrangeiras , £ prin- 
cipalmente dos. viajantes Ingleses} esta obra »ada, 
deixa a desejar.' *' 

O atrazo dassçiencias naturaes em Portugal, nao 
pouco influio, para não termos noticias exactas de 
todos osproductps* ^.estado físico das nossas colónias; 
porém para semelhantes, desçripcões como as tem a 
França, Inglatern, eHollandá, exigem-se associa- 
ções d'homens distincto? em diversos rarjios descien* 
cia, eo auxilio poderoso do Governo. Agora porém 
nutrimos a doce esperança, que pela Associação Ma- 
rítima serão removidos todos estes obstáculos, egra^ 

ças a esta sociedade teremos em breve exactíssimas 

... ' ' . 

descri pçoes das nossas possessões. 
Temos ultimamente a noticia da exislericiacPuma 



e t #rincipe, jjue^yarj^ cpqqnstançias, te^ QHft^° f 
^lu* < p4frUç*: r Q|$» <jua^ bjeve W£^tâ r $« € Hft 
lacuna. '-. ■».':•. •■-.;. < ,. .v,. . .-í f .,,A .v 

No enxoto falta>v*..aiafe ^ffipnivçfMJ^ ajgj^traj 
balatí ^respeito da^rovinsiaj da&iUtqpdç Ç^f^V^r 
de e Guiné. Encetam®? e$,ta eaipsega,,;, £ ^vçrji$çje, 
Jtâo saperio* ás nogsas forcai;/ por^^ejá e^façn^aiq 
considerado ^Oj^eiite ^009 uw ,trib*fcta 4^ K^Wâp^ 
pago á unia jQftçâ^ qi^ «os tem dado ge^jnçsQ #$q- 
làimsnto e , cgjo |iaw adoptamos ppr ww i*egunr 
da pátria. 'Ap?o*«ito Qom.poraaer .e^a^cw&ãfòaiite 
offereceraos Ronfcuguazes ^-Europa eAfete* tf frôçtp 
insignificante ctárjrossas jri{r$a*ii£<wfta^a^B;^&^ 
z^r conhecer e apreciar .uqpa ^árte ,4'<Ktàaa 'yaistài; xm 
gi6ês ; infeiiawwKta» jatentèfc no abandono cMfa&mi 
mas de quanto.wisl^tÈreisJ^:. <• ■ j ^ -•; vi<j t <( 

Movidos por estas idêás e obrigados pela 11 ature? 
za do serviço , em que nos demoramos pelo éspàçó 
d. um anno na província de Cabo- Verde , coTiígimos 
todas as informações e esclarecimentos , que Tòi pos^ 
sivel colher, para na yolta a rMrtugal apresentar- 
mos esta CORQGRAFJA ? filha dum constante 

trabalho e asssidua contemplação. : *- 

■' 5 i .<«»•»•• v ">•'- ..;;■.,;•.„ ..•■■ *•■•. v..| b t;. , 
As sciencias como as religiões tem os seus muar 

gre?. Homens muitas vezes munidos de todos os soe- 

corros da arte e do apoio do Governo , cabem ten- 

tando uma obra diíTicil ; e a honra do feliz êxito e 

as vezes reservada a simples apóstolos 9 cujo zeloe 

Jabor é o unipo patrirnonio. 



jíssím lfeoifgeamoHfrotfdeaptefeéirtarn^ste opusco- 

"I ó sro ptrbKcò 9 ãlgutoas* cotizai pouco conhecida* : 

ê ólicíás hfcKoricías deséii (erradas do pó dos Archi- 

tos, % teritat cobertok cora 6 talismano dos nomes 

dbs passados a inchar o patriotismo e desvelo dos 

contemporâneos. ' 

«» 

A História da Provinda não foi omettida , e of- 
"Tferfetíe o' interesse de apresentar os nomes dos qfte 
'^rtlcfpárabi ha descobettaj cento também dos pri- 
- fe ei h j» péròattares, tudo isso baseado sobre doeu. 
mentos históricos, qne devemos em môr parte ao 
nosso âtirigo óBt. F.'A. de Vamkagen que sedeo 
5Ab gf ándê trabafto de revèt e colíigir todos os mo- 
numentos existentes*nos-ATchivos Reaes. 

A' descripçâo detalhada de cada ilha do Archi- 
j>elagae dos estabelecimentos em Quine', segue a 
~éxpòsiç8LO doestado da agrieuKtrra, industria, e com- 
eto erciò. Zelosos 'em qtferer prestar um serviço aos 
%&bitatites d*aquelfe' paifc , devemos ser desculpados 
jpeia exténéao, se com élla indicamos os meios pre- 
feríveis ; á vélhá níliha íio fabrico d'assucar, aguar- 
âente de cánna, anil, íf. como também da cultu- 
ra das plantas mais importantes. 

Os commerciautès acharão asréllaçóes dos diver- 
sbs objectos e mercadorias d^importação e exporta- 
ção , tanto nas ilhas, como em Guiné, com os se- 
us preços respectivos. 

assamos em seguida a examinar o estado mili- 
tar ;e.. defensivo, da Provinda, -—as rendas e despe- 
sas , -— a administração , — o estado ecclesiastico , — 



— Vi — 

e a ínstracgâo. Em tptçfos estes ramos, apòz*do fiel 
quadro do estaco actua^ propomos medidas de me- 
Ih ora mentor Finalmente (Jepois do clima, doa cos- 
tumes, e caracter físico e morçal dos habitante*, 
terminamos com uma desçripçâo detalhada dospro- 
ductos naturaès da Província. 

. Tornamos a pedif iádulgeneia por este Ensaio 
Jitlerario ,'. que chamando Corografia ÇahçrPty- 
duma, talvez atfl, seremos taxados de ter feito uin 
titulo, para uma pbra, e na© escripto um livro para 

m ... 

O titulou , ; 

A sua forma pode ser ma,, os d^envo^ vi mentos 
toscos e impróprios , 9*as ao menos é uma obra de 
boa fé e sincera vontade • ••'•. 

■ - » i .1 ; 

rode ser que alguém nos queira mal por algum 
azedume 9 no modo com que por vezes somos obri- 
gados a criticar, e.dfo que desde j& pedimos des- 
«julpa, pois que um livro deve ser de instrucçâa, e 
itóVó de injuria, £ diremos somente em nossa des- 
c ulpa, que desejando alcançar o seu fim, nem sem- 
ptc é facjl dê regular o* seus passos: o* espirito s® 
anima na escolha dos meios de persuadir aquilloque 
toma por verdade, e assim involuntariamente se chega 
a uma espécie d'exageraçâo que se confunde com a 
energia. Finalmente também sabemos que mostrar 
feridos não é cura-las,— e nosso século preciza mais 
de ç>rgnnisaçâo do que de critica.— 

Liihoa 29 út Novembro de 18«, 



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I 



CORCSRAm* 




tyt$cx\y$âo tâtral >a$ %V)09i 



o 



ARCHIPELAGO DE CABO-VERDE ê si* 

tuado do Oceano atlântico, entre 17.M8' e 14.° 17' 
de Latitude boreal e 14.° 5' el6.° 16'de Longitudo 
occidental do meridiano de Lisboa « 

Pela sua disposição fysica se divide em dous grup* 
pos : 1/ o das ILHAS DE BARLAVENTO , 
que vem a comprehender: S. Antão 9 S. Vicente , S 
fmzia, eS. Nicoláo com os ilheos Branco e Ma%o 
— g^das ILHAS, DE SOTAVENTO, a saber Sal 
JJoavzsta 5 .Maio , Santiago, Fogo y c Brava com as 
ilhotas adjacentes* 

Estendem-se em forma de meia lua, cujo lado 
convexo e' voltado para o continente d' Africa. A 
Ilha de Maio, qued'elle fica mais perto, dista 93 le- 
goas ? referindo ao Cabo ? que deu o nome ao Ari 



r 11.° « S. António* 

* No descobrimento ha tradições [apezar de qué 
Barros e o contemporâneo Cadamo9to nada di2em] 
de se ter encontrado, já povoada, ou pêlo menos 
habitada, a Ilha de Sahtiago de Negros Ialofosj 
qúe ali tradicionariamente consta terem passado 
J)or acazo sendo perseguidos pelos .Fulupés, e lan-* 
çados pelas bricas è correntes ao Oeste. 

Nos antigos e' verdade pouco encontramos a este 
fespéitoj com tudo tanto Strabo com© Ptolomeo 
bem nos mostram ter conhecimento da existen» 
cia d'estas Ilhas: assintp. e. rio Ptolom : [Claudi] 
tjeograph : Enarrationis no Liv. 3.° vemos i . » in 
6inuHesperiô 9 Hesperiòncera£ ? seu cornu extrema, a 

Este promontório Africano , agora conhecido 
tôm ô nome de Cabo-Verde , era designado entre 
t>s Romanos pelo Hcsptrium Promontoriutm oir At" 
sinarium Afrícae. + 

Alguns dos antígoé chamavam ás Ilhas de C. V^ 
Gorgones com se vê no Strabo é algumas mais des- 
cripçôes ainda que vagas, das Maçarias [Canárias] 
e das noisas tlesperidas ou Gorgonas 4 

O grande naturalista Romaho não menos tinha 
conhecimento d'estas Ilhas; e parece que igualmen- 
te as suppunha habitadas; assim no [ C. Plinii Na* 
turalis Hist. LUk F/.] Gy. XXX/ encontramos. . m 
» Traditur et alia insula contra montem Atlantem 
et ipsa Allantis npellata. J\b ea quinque' dierum 
■navigatione soliludines ad Aethiopas Hesperios et 
proinontorium , quod vccavimus Hesperionceras 9 
ind^ r primurn circuo agente se terrainm ponte ia 



— 5 — 

occasum ar maré Atlanticum. Contra hoc promon* 
torium Gorgades Jnsulae narrantur , Gorgonum 
quondam domas bidui navigattone distantes a con- 
tinente, ut tradit Xenophon Lampsacenus. 

- Penetravit in eas Hanno, Poenorum lmperator, 
prodiditque hirta 9 fQ<jrninarutnjque corpora , viro» 
pernicitate evasisse , duarumque Gorgoquni cuteg 
argumenti et miracuM gratia in I uno nis templo po%* 
euit, spec ta tasque usqqe adCarlhaginem captam . . . 

- O Infante 0. Henrique e EIRei D, Affonso V. 
mandaram muitas familias do Reino, que ali se es- 
tabeleceram no anno de IJL60 : os crimmozos erão 
«nviados para purgarem s,eus deljrtos, e assim pç- 
lo tracto e casamentos com as descendentes das pri- 
meiras familias, chegou o numero d 'almas na Ilha de 
Santiago no anno de 1730 a 25$ e a l%$ nado Fogo. 
• Po Infante D. Henrique só nos resta memoria de 
ler mandado os seus Criados \ sendo erçlre estas o 
CJapitão Lansarote Çseu inoço da carqara e almc^- 
xarife de Lagos ] e o seu sogro Soeiro da Costa 
^aturai de Lagos e moço da Gamara do Sr. I). Duar- 
te; foram mais ainda Gil Annes, Dinis Annes,, 
Rodrigo Annes Travasso , criado do Infante D. 
Cedro, Diniz Fernandes, [que fòra escudeiro de 
JSIRei D. João 1.° e indo por: Capitão da Cant- 
^ella de Álvaro de Castro eia 1445 tomou unia al- 
tnadia, e levou os primeiros pretos n aquelles tem- 
pos a Portugal]. — r- Estevam Affonso e Vicente Dia,s 
mercador, que passaram á Costa de Guine.— 

Dom Fernando mandou a João Gonçalves , Ál- 
varo Fernandes sobrinho d'aquelle^ Gomes Pires > 



•Álvaro dfe Freitas, Vicente de Lagos, Luiz Dias* 
J)iniz Dias escudeiro do Infante D. Henrique, * 
'Aires Tinoco moço da camará , que foi então por 
Escrivão. — - 

Os primeiros donajtarios e principaes povoadores 
•tlosquaes as mais antigas famílias da terra descen* 
dem , foram Diniz Annesif irmão do CHI Annes ou 
Gil Eannes], Rodrigo Annes Travasso, e Aires Ti- 
noco; e por ventura algum parente do Nolle, por* 
quanto ha ali um sitio ainda chamado de João de 
iYo/fe. 

A população sendo assim animada por mão real 
c alimentada tanto com filhos de Portugal , como 
ainda mais, com pretos de Guiné, cresceu mui ra» 
pidamente, e seria enorme hoje em dia, seanãodizi* 
ínassem tanto as frequentes fomes. 

No anno 1831 segundo o recencearnento a popu- 
lação das Ilhas era de 88$460 iqdividuos, dos quae* 
a fome de 1832 e 1833 levou para cima de 30^000.-* 

Hàwkins narra-nos uma grande seqcn e fome em 

< 

1593. Segundo fioberts houve as tapibem em 1764 
— 1749 e 177$. 

]ioje a sua população passa de 63 $000 alma». 

A situação das Ilhas é favorável ; elevadas no 
interior, d'origem volcanica , com o solo seco; mas 
mui productiyo, abundam, em não faltando as eh u* 
^as, em todos os vegetaes , sendo milho e arroz os 
principaes artigos d 'agricultura ; dão-se mui bem 
quasi todos os fruçtos da Europa meridional e da 
Africa- cresce exponlanearnentebello algodão; çul- 
liva-se boa canpa d'assucarj ha grande abundância 



de gado, principalmente de cabras; os mates são 
imii pisçozos^ e u aia prodigiosa quantidade de tarta- 
rugas ap parece nas suas praias. 

Tudo isto, junto ainda á boa qualidade de sal, qo© 
ali se fabrica, pão pôde deiaar de constituir o Ar? 
chipelago, n*um ponto importantíssimo para o com* 
Hiercio e navegação , merecedor de especial aten- 
ção da parte da Nação, a que pertence. 

Antigamente pão havia quasi navio Portuguer 
que ali não aportasse a refresear , indo para as di- 
latadas viagens das índias •, ou para a Costada Afi- 
pa. 

A" 1 , quella Ilha a portamos , que tomou 
nome <|q çuerreiro S. Thiago. 

Gim. Lqs. Cant. V. Est. 9f 
Yepios assim què q grande Vasco de Gama tam- 
^em ali refrescou^ o Cabral passou á sua vista; enel- 
Ja estiveram Thome' Lopes e João de Empoli, em 
1^02; e em 1530 a armada de Marti m Affon^o de 
^ouzase foi prover nesta paragem . E depois nos an- 
nos successiyos a escala era serppre feita pelas Ilhas, 
de Cabo-Ver^e. O mesmo acontecia ao tempo do v 
jugo dos Pastel^apos 5 e corria ali então dinheiro a 

Jpdo. 

£' iTesta epocba que um poeta — viajante Hes«^ 

Jpanhol de século 16.° diz 

El sitio es apacible y deleytoso- T 

La gente muy lúcida y muy galana; 

íor el calor la gente no esta. sana; 
Mas vivem a plaser los Lusitano^ 



f "' Contentos, muy alegres, muy ufano*. 

* argentina de Centenera. Cant.. 8.* 
As ruínas da Cidade da Ribeira Grande na Ilha 

de Santiago servem ainda de testemunho da ver- 
dade a este dístico , que hoje porém , hyperbolico 
talvez de mais , parece ser parodia. -~ 

* A decadência começou em 1712 pela invasão do& 
Francezes, que de tal modo saquearam a Cidade qué 
até levaram os sinos da catheãral ; assim esta coló- 
nia, seguindo a sorte da sua Metrópole teve que par» 
tilhar «m muitas épocas revezes e desgraças: em 
1582 foi saqueada a Cidade da Ribeira .Grande , ; 
por occasião da guerra a favor do Senhor D. An- 
tónio, e em 1595 teve a mesma sorte repetida pe- 
los Inglezés então em guerra com os usurpadores..-— 

Os Hespanhoesquizeram estender o nome da Ilha, 
Capital a todo o Archipelago, chamando-lhe Ilhas 
de Santiago , os Hollandezés chamaram -lhe Ilhas 
do Sal, em consequência de abundarem h'este pro, 
dueto ; porém ò nórtie dado pelos Pòrtuguezes sub* 
slstiu. Se lhe quizesse mudar o nome, bem lhe qua, 
(írariá,* mais procrio fora, e melhor pela gloriosa 
xèteòrdaçâo histórica, o de Ilhas do Infante; por se* 
rem obra das descubertas do Infante D. Henrique, 
ou dê Infantáes; pois pertenceram a três Infantest 

Estas Ilhas ainda que situadas proximamente no^ 
meio da Zona Equinocial do séptehtrião , e sepa-. 
rada por uma distancia de lOOÍegoasda parte mais 

larga da* Africa, parece seu clima e vegetação mais 

» 

com as regiões temperadas e com as Canárias prin* 
cípalmente do que com os Trópicos, 



*No Continente visinho sobrevem as agoas com as 
maiores calinas, prosegu indo Maio, Junho e Julho* 
o contrario succedea.este Archipelago, pota que as 
chuvas só começam em Agosto continuando até os 
princípios de Novembro. 

O tempo de melhor navegar entre as Ilhas e de 
Outubro até o fim de Maio, que rei não as britas 
do N. N. E. a £. N. E. porque nos outros mexes 
do anoo, que é o inverno , ou estação das aguas . 
venta mais do quadrante do Sul. — Querendo de- 
mandar qualquer destas ilhas, convém buscar fedo 
Sal por barlavento, couza de 10 legoas , para não 
passar rente e desfa sedará o rumo, para a que se 
queira , de sorte que as pão rase com a força da 
corrente*, e com sentido cie noute, para não peri- 
gar. - — - íía proximidade destas ilhas se encon- 
tram os largasse t^m celebres, pelas narrações dos 
antigos' e modernos/ E\sem duvida que se encontram 
muitas plantas marinas destacadas do fundo, que 

sobrenadam , como acontece em todas aí costas 

>• 

e ainda mais entre as ilhas. 

Quanto porem ainda no XVI.* século a idea a 
este respeito era extravagante, bem fazemos con- 
ceito , lendo Riccioli , homem alias de grande sa- 
bere erudição rara. 

A situação das Ilhas de C. V. tinha sido deter* 
minada por varias observações de Fleuricv, JBorda y 

_ i 

Vcrdun , 72. Kexlor , Heywood , Mortlock e outros 
lnglezes , Francezes e Rortuguezes , como se vedas 
Taboas Perpetuas j4stronomicB.s , [impr, pelaAcad. 
em 1815 pag. 153]. Porém o calculo da Longitude 



— 10 — 

tinha um mo <T alguns minutos para leste. Vidal, 
Mudge, Owen e Monteath , distinclos officiaes da 
.Marinha Heal Britannica calcularam melhor, e con« 
forme as suas observações apresentamos aqui o se? 
gtiinte mappa. 



* i 



— 11 — 

MAPPA 

Das Latitudes N. e Longitude* O. referidas ao 

meridiano de Luboa. 



o 
(I- 



Ponta do Norte - - 
w Oeste 

v f Pão d^Assucarj - 
Ponta de Leste - - 

» n Sul - - - 



*mm*~m 



O 



CO 



Mindelo 



Porto 



Grande J - - - - 



Lat. N. 



17/ 1S&' 

L7. # 4/ 0" 
17/ 5' 30" 
16/ 56' 



16/ 54/ 



Long O. 



io/ o' *d"; 

16/ 16 

15/ 53' 55"jj 

16/ 13' 15", 



15/65' 15' 



Ponta da Praia dos 

mastros - - 

» doCreolo- - 



16/ 49' 
16/ 46' 



» Le^e - - 



16/ 38/ 



15/ 41' 30"3 
15/ 36' 15"j 



15/ 37' 15" 



fco 



Pedra da Enxova 
dos Camarões - 
da Praia branca 
da Vermelharia 



33 



y» do Norte - 

n a Sul - - 

Cabeça de Leão 



t> 

i 

»«• 
I ** 

22 



16.* 
16.' 
16/ 
16/ 



34' 30" 
42' 
38' 
28' 30" 



16/ 
16/ 
16/ 



bV 

41' 



Fonta de JSÍ . 0. - - 16/ 

» N. E. - -16/ 

A Yilla Sal Rey - 16/ 

Ponla de Sul - - - 15/ 

Baixos de Joà.o Leitão lô/ 



14/ 54' 
15/ 15' 
15/ 21' 
15/ 13' 



15", 
35" 
15» 

15" 



1.1/ 48' 

13/ 51' 

13/ 51' 



13' 20" 
II' 
7' 
57' 
48' 



13." ò(/ 
13/ 37' 
13/ 50' 
13/ 43' 
14/ 4' 



45'' 

__ ! 

•:»5"j 

45"^ 

45",< 

55'^ 



amaaei 



wíT %&i. 



:&J 



GORO&BAFXà* 






3fe*íi%õc fatal >oí fyati 

O AfíCHlPELAGO DECABO-VERDE ê * 

Auado no Oceano atlântico, entre 17/18' e 14.' 17' 

de Latitude boreal e 14/5' e 16.' 16 'de Longitude 

ocidental domeridiano de Lisboa. X"**™* 

Pela sua.dfeposiçãofysica sedivide em dousgrup. 

P<* : 1. o das ILHAS DE BARLAVENTO 

rr e a /°v pr ? ender: s - m °> s - ***> « 

S, -1 ^ • DE SOTAVE NTO, a saber &J 

tt&otas adjacentes* 

Esteodem-se em formo X* ~. • * 

em rorma de meia lua, cuio lado 

ííba de M«o , qued-elle ficamais perto, dista 9* le- 
«<»», referindo ao Cabo, que deu o nome ao Ar* 

A 



Destas oi tico Freguesias* só na^rirriéfaft 
Villa mais irrirjbrtaríte : as pfttras g-So péqueocrs 
lògai-es ; aquella chamada vuljprrí-teriteMÍa Bít«íf#- 
Grande, cujo' nome primitivo' é odè ViHÀ de-Sarf- 
ta Orui. Gonvinlíarestab^rewivse^tefiom^tpi^fe- 
Tftar confusões :d'élra era conde ò titaflar de Sani- 
ta Cruz, donatário d'estaf ilha. ^ * * ' « 
"• Esta Vrlla e situada á© Nordeste-, um pouco* 
Leste da perita dé Sol j ^ confluente ;dé J áuaa *i-- 
beiras, n*um válle cercado d' alfas mtftítàhhfcs^ so- 
bre uma daâ quaes é construída uma parte "d^Ite 
chamada Penha de Franga. As eazas são todaá de 
pedra e barro/ arrumas reboèadaa e caiadas ^ èb- 
bertas em parte côm telha de madeira, què 'tràzéto 
era Americanos', o Véstò dot» folnas dé soca. ~ 

' A viílà terá ' diais de 6000 habitantes; logd ctfiri ás 
ultimas casas-, 'pègíím hortrfs, vinhas, J ptóhtaçSes, que 
se estendem nòà 'valles' muito 'para o interior ao' lòn- 
"go das ribeiras. A abundánda d'agua' d*elras afian- 
ça ádsfrabitafitesHTmaèóIHeita certa è abundante. Es- 
tes dois regatos tão tràrtquillòsv, todo ! o árínó,* eii- 
chem-se d*tuna maneira t&ô prodigiosa »a 'estatjío 
invernosa, 5 acrescidos*' de 1 panos d'agoa ,* qtfe cáh@rn 
entàò das < nuvens ^crtó' toírehtès ,' qde' vem 'flâs 
montanhas , que de peqnérro* fe lanços Tégâtbs^se 
•torrfate-eaaBiéloBÔB-rU»; 1 * ifttf-&a krma qí?e%íi6 le- 
vetrl rjâtett- faiar ^ésíáehchéfíte alguma* fiorfe, 1 ai- 
g^um muro, cazaougado; ds y li abilafa tês ; bem den- 
tem a necessidade d* alguma obrtf yfrir o6&6àcula ar- 
tfitial, mas nâo opermitte, nãé J, a J faftá c de*iie^ 
)3 ; mas a perpetua e invetemd« T< 4tieí i çtó-; t ínacÇao r 



e faha. t64^d'aémirfstração. £' para admirai qu^ 

*n*i£aanente seguidas** mesmo mgis na conserva^ 

çno;dos Edifício» publico», do que hoje. O quartej. 

,18 pieak}U,f>iaúi Uem <*wjíJtrutdps , estão complt* 

tamee/kt, artm)mà^» ; e>* Igreja Pa«ocbial, funda* 

-çâo do Bispa Fr.: Pirita» Jaejafo VaAeaJte , que estiv 

-behate*.vudte<>taiÉupv a,.8é Episcopal achasse até 

-destelhada y*eari£ .alias á untca< pautei onde se ce- 

kíbr* o culto divino Vesta YiUa alem da hermid* 

-da?Fenb*cic F*a*ça* , 

* Os ha bita nt es sã», mais mulatos do que. pretos » 
raie alguns bem ciares. Tanto aqui, como em todji 
juilíta^ os ■ bvamtis são d*uma grande estatura 7 as 
fMttraKs bem feiras; lemoontrain-se com a sua cQr 
.parda, molhos p&aetrántas <e feições bem regulares. 
«Marília toa também; muitos.» branca, descendentes 
dos jfrimetMfc eciolfd? porto^oezes'» que. não se cru- 
-saratii muito Tcomas-raças mascavadas, eêçtaseret- 
lasr, coMérvamb* a brancura Burppèa , tem tal vi- 
ngar nar proporções:; ato corpo, como, não encontra* 
, BM6 rm veftaofioBopa <nviiisada. -- 

- r Além d^stB viUadtt.fSants>Gcuzí haua distancia 
âe d: legoM^inasirpo^m^^áo' chamada Poul\ siftum- 
4a entre itíorrtftntesBr>:^berrttniar n'feótfi» .valle.per 

- Tjnrle pa|sa uma ; j^raUp tíbéica t i teca seus -300 . ha- 
' bitatttèsv £^ bamt^Gtíti^axio eata.siiió , >assun coaô 
»** pofrrJaç^ê^^^Jfe^dJiâ^ G-arça^ 1 éwpwinn^ [Jíi- 
tJufar&t* P&mia muitas oatras,; com tudo nSo 
•'rf>píH«)íRh|) séttitaija efu ar triparte -,W:iifedotfjda»âUgi, 

%ass l íbe^tó^tefms pKr^alíivouLma.de^niiliko eípian- 

'-ta-ç^d^sif^to-j^Ufs^ «ifciftt J -«Sb ínicsMiltta^xjs^cr 

2 # 



6 chamado Mato estreito > ZJn*lk\ró, Campo ra- 
ãondo, Alto da corda, êda Çálâtirà e todos a» 
outras chadas nos cumes das-montaahas. E* facto 
que n'outro tempo , uma colónia d' Hespanhoe», 
vindos das Canárias estabeleceu-*è n'esta ilha e to- 
dos os cereaes d'Europa, ctoKM trigo, cevada, a- 
vea produziram muito , bastando o sSmplea traba- 
lho de confiar aumente á terra, Bsfta colónia aban- 
donou porem a ilha em pouca tempo. Nos comeu» 
tarios do Sr. Lopes de Lima á Memoria doíDíi Cas- 
tilho , achamos que íoi em raaão -das mònstriíosat 
extorsões do Governo. Houve outra eárcurastaoeia 
que motivou a cíeaçâo d'esta colónia, j e contribuía 
á sua extinção. D. Mariano St ioga a onpaiaisou 
com fim d* estabelecer um deposito d' escravatura, 
porém sendo-lhe apanhadas as. embarcações pelo* 
Corsários de Buenos- Ayres , [entre ellas o Brigue 
€*tçador, que foi obrigado a veoder, por lhe. te- 
rem tirado tudo , deixando só o easco 3 largou mão 
da em preza, e se embarcou oomo-pilato n' um navio 
da ilha : faltando então os «oocorros aos eoloaos , 
desperearam em breve. Ainda hoje com tudo , no 
sitio que elles occupavam, nascem spoatapeameiifte 
o trigo, cevada a outros cereaesun** .w •;. ~ . j 

A ribeira de \ Tarrafal , que peia maior par tei per- 
tence ao Sr. Martins, &;tamtam muito cultivada; 
o porto> que ha n'este sitio , é a que j& aUtidtmae, 
é o melhor para fazer aguada; posque se funde* a 
pouca distancia .da. cosia , e, a tibejra que vai de- 
sembocas: no mar, não secca #m estação alguma. 
Os donatário* d'esta iiha mandaram fazer .ali gran* 






des plantações d'anil, debaixo da inspecção d'um 
hábil technologo Poitugue* , ,que oom bom metlio- 
do na fabrica 9 extrahia a tinta d*esta planta ; ho- 
je existem ainda as ruínas, dos tanques no Paul ao 
pé da Igreja, — 

O algodão aresee aqui btavo pelas montanhas* 
porem apenas o cultivam desde a rilla da Ribeira- 
grande até o Paul. Encootra-se em abundância o 
Dragoeiro, [Draeama draco], * arvore que produz 
a conhecida na drogaria ,resiaa com nome de san- 
gue de dragç , e cujas folhas podem ter a mesma 
applicação que o linho. 

O Sr. Marinho mandou plantar 5$000 pés d'es« 
ta arvore , een breve ajvantagem e lucro, que hão 
de offereaer, far&o decerto chamar maior attenção 
.dos habitantes para este ramo de industria agríco- 
la. As terras i ocultas são coberta* de rosmaninho, 
que se?ve de pasto àq gado efaz as suas carnes mui 
gostosas, 

Inaccessivel pelos rochedos a pique , que a cir- 
cumdam, é a segunda ou talvez a primeira no Ar- 
chipelago, em grandeza superficial. Esta ilha deS. 
Antão, sadia como Portugal , e não somenos alta 
que as outras, é retalhada por muitos córregos e 
regatos, que a fazem fértil em fr netos de toda a 
qualidade* Produz laranjas , bananas , frueta de 
conde, ananazes, limões * Umas, uvas , legumes 
e cereaes em abundância como feijão de muitas va- 
riedades e até sem cultura, abobras não menos di- 
versas, milho, batatas, anil, tabaco, caffé, ca- 
na d 9 assacar &; fornece muita urzella > e encontra- 



fce a mesma T>arri?ha; 'tem lenha em abundatícS*> 
ò que com a muita pedra calcareá peftrrftté fazer 
cal com facilidade. •••''■ ; 

Quanto amineraeáy *é'dê'f;rep-, qu« pòssuà mui-w 
tos no seu seio; acham-se topázios-, amgcUta* , e 
hâ uma mina de cobre 'rica, fto estada-de 9ulfáto 
de cobre. : ' ■ - • -'■ ' 

r Enconiram-se rochas dè Schorl e algum Zkrconi* 
ic corii pedaços de - ferro crystalizadò , assim tanv 
bem boa terra de pizdeiro [terra é fouloii]: de que 
Timos amostras. Ha urna fonte cTagoasfeíreas emsrU 
algumas outras mineraes. -• ' 

No tempo dos donatários o âmbar [ambre gfis] 
<pra propriedade (Telles* hoje ainda se apanhei aU 
gum, como porém péla rriâror parte ignoram o pre-. 
ço d'esta pírodacção, geralmente o deixam para os 
pássaros, e tartarugas, que com avidez o apanham. 

Em fim esta ilha e a mais fértil , pode ter to- 
dos produçtos vegetaes da zona tórrida e os ceréaes 
cTEuropa , e é mais abundanfte em tudo. No anno 
1695 uma esquadra Francesa èm dois dias se for* 
Xieceu com 1400 galinhas- 100 porcos, W bois&; 
c se tivesse bom porto, que infelizmente nSo tem-, 
liávia dè ser; por todos os motivos a Oaprtal da 
província. Entretanto p commercio e itiui escaca 
n*esta ilha$ onde ha milita falta de numerário. 

A exportação , que fora assaz importante ^ se se 
t 'animasse a agricultura , feduz-se hoje a algum caf-. 
"fe' , nizella , pannos d^algod&o, chamados ' (Fagulha 
*qrie vão para a costa de Guine', e diversos legu- 
mes e mantimentos, que são remeltidas ás outra* 



Utas.do Ar.çhipelago^ Pôr isso no estado actuar os 
rendimentos da ilha não pass-io de 2:030J000. 



ILHA DE S. VICENTE. 



: Tem esta Uba 8 legoas de comprido sobre 5 na 
sua maior, largura: dista 44 legoas da ilha de San- 
tiago, e dp lado, da de Sa»to Antão tem o ma^ni- 
|»eo Por t io-Gr<mde^ que está á prova de todos os 
ventos, com bom fundo e espaço sufficiente para 
ancorarem mais de SOOoaós # Aprezenta uma bel- 
ia appareQcia e l^om ancoradouro com fundos de 
cascalho e areia, e agoas tao limpas, que se vê 
a amarra e ancora das pavios fundeados ; também 
offerece facU e bom desembarque. Do vento de N. 
p. ornais commum , está abrigado pelas alturas 
vizinhas; doN. O» tem S- Antão qije o ampara. A 
boca da b^ia está o ilheo dos Pas$çiro$ muito pró- 
prio para a construcção. d'unfa fortaleza, <jue. vare* 
jasse todo o ancoradouro. * 
.. No canal entre «ste ilbeo e aberra.,, ha de ordi- 
pario um? forte corrente. para o N. E. e por-i . 

< . : / ... 

: ." * >. 

*..... inter Hespérides insulas, S. Vicentíi si>v~ » 
liabet ctrm optifrra portu 20 et 25 passam seciiro í>f ?. . s 
coris peridoneo. Sed et. S. Jacobi insula habet porl.. 
Praija com oppido satis coçaodum . ~ . • 

RICCIOIAIS [fallaDido na sua Geogra^hia dqs melb.. 
res portos do Globo] : s \ x 



ã 



_J4 — 

« 

os navios devem surgir ali , deitando espias e to- 
mando cautella em que a ancora nko emtoquc. Além 
d 'esse porto 9 tem a ilha mais alguns no teu con- 
torno. Assim ao Sul tem o Porto de S. Pedro e 
na costa de N. E. duas abras separadas por uma 
península chã de meia legoa ; e$ta £ost& porém 
cheia de recifes e coraes e' perigosa. 

A ilha é formada por duas serras que correm na 
direcção de N, £. aS. E, , deixando um vaUecen* 
trai , que vai acabar ao N. O. na formosa bafaia. 
Esta ilha por muito tempo não foi habitada, vi- 
sitavam na somente , tanto Portuguezes , èomo Es- 
trangeiros para pescas e salgas de tartaruga e apa- 
nha de burros e caça de cabras bravas ; com tudo 
no século XVI.° foPdadaao Conde de Portalegre , 
que ali introduziu ai. 1 colónia. Gennete Prcãer 
ftiencionam já ter alguns habitantes , no tempo que 
lá estiveram, com tudo o Decreto de 1781 e a Car- 
ta Regia de 1795 expressamente dizem — nova po- 
voação da ilha de S, Vicente, uma da$ desertas da 
Capitania </e Caho-Verde. — * ~ 

O decreto de 1781 determinou 9 que se povoas- 
se esta ilha, bem como também as outras desertas 
do Archipelago, e por carta Regia de&â de Julho 
de 1795 , * foi concedida a João Carlos da Fonse- 
ca , habitantes da ilha do Fogo , de povoar esta i- 
llia <Je S. Vicente 9 iaentaj)do-o assim ? pomo todof 

♦ N 9 esta concessão a Fonseca foram dadas simultânea- 
mente instrucçoes , que julgamos dever n3o omittir. * 
—NOTAI, [no fim] ' 



— ti— 

#4- mais colonos, de foros, dízimos, e maiscoatri* 
buições por espaço de dez ânuos. O Governo for* 
neceu instrumentos d* agricultura e fabris , e man- 
timentos pára dom annos , alem das sementes dis- 
tribuídas aos vinte casaes que vieram do Fogo. Nao 
foi avante esta colonisaçâo, por ser mal admi- 
nistrada , por feita de ordem ; requereu depois um 
particular ^ que -o Oovcrno lhe desse esta ilha em 
sesmaria ,< porém desde 1814, nao obteve o per* 
tendente favorável resultado. 

O numero dos habitantes em 1819 era de 120 al- 
mas, em 1890 hovia 300, e hoje chega a 350, 
reunidos quazi todos na única povoação que existe 
ytâtà zo<Pt*rlo*Grdnde e é para , lamentar que se 
conserve sem cultura, quando aliás fora útil não 
somente aos particulares, senio á Fazenda Publi» 
arranca-la desle miserável estado. O terreno é pro T 
priopara a cultura de todas as plantas da zona torii* 
áa; tem bellas planícies , as montanhas são muito 
transitáveis, e nãcvcomportam a altura e os abis- 
mos das de S.* Antão, 

• O anil e -algodão cresce por toda a parte no es- 
tado selvagem; produz milho, muitos legume*, 
«enne, urzella, e alem d'isso tem a vantagem de 
estar perto da fértil issi ma ilha de S, Antão, da 
qual e separada só por um estreito canal. 

A introdução de gados jTesta ilha em 1810 sem 
pastores destruiu muito as plantações, que já então 
havia; com. tudo 9 quanto fértil é essa ilha, im- 
.parcialmente qualquer ajuizará á vista de que em 
1830 seus dízimos renderam 180$ réi# com 30Ò ha- 



— 26 — 

bit antes,, quando oi dailba do Mai^vPW IbOQ 
almas no mesmo anno produziram 50$ réis. . 

Os vali es e a» faldas das mpntanha$ são cobex T 
tos de purguetras e os pastos abundantes offereceii| 
bom sustento a muitas vacças, cabra» e burros ; es- 
tes davam bastante rendimento neutro tempo, na* 
carregações para as índias Ocqidentaes , como tem* 
bem na exportação dha pelles. A ultima fome de^ 
quatro anãos m;&iouqaasi todos estes animaes* 

Ha terrepos excellentes para huma boa salina < 
abundância d'agoa em Ioda a parte; eo*, distân- 
cia de três milhas do Porío» Grande tya uns cinco ou* 
seis olhos de agoa muito boa , nos. sitioa chama*- 
que Madurai , Madeirahinho e o Mato do Inglez; 
do3 se podiam encanar bem facilmente para o Min* 
dello, na cuja vizinhança com tudo em 3 — 4 pai* 
moj acha-se agoá , algum tanto é verdade salobra 
nr> principio. 

Nas praias se encontra âmbar e muitas tártara* 
gas, algumas $té de 400 H. O clima emui sadio. 

E' d'esperar, que as couzas mudem de face e 
qúe ãs Cortes olhando paca as colónias com atten- 
çao , decretem os melhoramentos reclamados «pela 
conveniência publica, «levantem as possessões ultra» 
marinas áquelie altura, donde nunca deviam ter. des- 
ci do. As vantagens que resultam da mudança da ca* 
pitai para esta ilha, são tão evidentes, tão claras 
c tão grandes , que não as perdendo de vista deve-se 
executa-la logo que seja possível. No actaal apuro 
fno se podetti despender quantias avultadas, aintla 
que haja a certeza de as decupíar .no fim de alguns 



sbbos; ma» esta mudança ufa é tão dispendiosa, 
como parecerá talvez $ primeira vista. 

O Governo pada possue «a ilha de Santiago , 
que o ligue a este ponto, o Governador não tem ali 
caia para habitar , é obrigado a alugar uma , que 
jamais xorreaponde ao caracter de que clle é revet* 
tido. A tropa não leu» quartel, nem os Gfficiaet f 
que com soldos já t&> módico* , são obrigados ign-» 
ai mente a alugar cazas ; as Secretarias necessária* 
existem em barracas indignas; jiip ha hospital para 
a tropa , os doentes militares vâo para o da Mi-, 
sericordia , e pela doença da villa da Piaia , chega 
a despeza annual, pelo tratamento n'e»te Hospi* 
tal a 3:000^000 de réis e n f alguns annos sobe ain- 
da a muito mais. 

A alfandega é uma c azinha, que parece foi da- 
da pelo Sr. .Martins, porque o Estado não temne? 
nhuma, Não ha fortificações, nem desembarca- 
douro capaz; mas sobre tudo a maldade , a apa* 
thia dos habitantes çla villa da .Praia na jtfba de 
Santiago, passa toda a id$a. Elies se oppoem a 
lodo progresso dp. pirosperidade 4 a colo pia.. Sobejos 
motivos temos para aventurar esta asserção, que a 
verdade não ousará, contrariar. O Governador bem 
persuadido , que necessitava cubrir d'arvorcdo toda 
a. Província, expediu as ordens a todos os çonse- 
ihos para esse fim ; as quaes senão executaram por 
■diversos' motivos ; mas pare evitar o insupportavel 
calor na villa jia Praia , mandou plantar arvores 
tanto na Praça , como em todas as ruas» Houve 
quem achasse isso mui incoherente , plantaram as 



— Q8 — 

arvores mas de propósito mal , para oSo pegarem 
as plantas , e assim com o facto provarem qs soa» 
asserções, a aonde às arvores plantadas d\jfctaeas 
rebentavam, vinham de noute dçstrtjtt-la*. 
r A camará municipal igualmente recebeu ordem 
de plantar dragoeiro* , e coqueiros na beira mar; 
nem um só foi posto e em S». Antão na mesma oc* 
casfào em poucos dias foram plantados noespaço de 
eince dias 5^300. 

O Governo efe Portugal fea repetidas vezes remes? 
tas de vários instrumentos, ferramentas, &. 5 mas 
hoje nada existe d' isso nos Armazéns, da Fazenda* 
se bem que nas cacas se encontram machados , pi* 
caretes, &, com mçrca R. que mais naturalmente 
se poderá ler Roubo do que Real — ; dos 8 ara- 
dos e charruas com grades e todos os seus perten- 
ces, nãobasinaes, nem sequer de se terem servido 
«Telles. 

Todos estes motivos, devem obrigara breve mu* 
dança da capital. 

£ p%ra onde havia de ser, se nâo paca outra ilha, 
que sendo d* um clima exceUeate, tendo abundan» 
cia d'agoa, lenha e pastagens? tenha também bom 
porto, proptio para fundear em todas as estações. 

A ilha que reúne estes attributos é so a de ^ 
Vicente. Verdade é , que a algumas pessoas não a* 
grada, porque acostumados a djsfructar as terras e 
as pastagens para os seus gados , sem pagaram cou- 
sa alguma , bem sabem que estes e muitos outros 
abusos haviam de cessar, logo queali se estabeleça 
a sede do Governo. 



T 



— to- 
sa© ellea 9 que gritara , que esta ilka não poda 
produzir cousa alguma, que e estéril, árida, eate 
que não tem agoa; entretanto no nosto tempo o 
Brigue Tejo de 160 praças de guarnição e quatro 
embarcações de guerra Franceiat surtas n'este por» 
toem três dias fizeram a aguada e lenha, que aã© 
menos segam á ilha. 

Muito de propGsito nos-demoramos n*e*te oljec* 
to , para prevenir todas as objecções e estamos cen- 
tos que repetimos as vozes de todos os Deputados 
d*aquella Província , que tomarem a peito os in- 
teresses do seu paiz e o bem da Metropoli ; alem 
d'ísso o Sr. Marinho expoz muito melhor do que 
nós as vantagens d'esta mndaftça n*utna represen- 
tação diíigida ao Ministro d 1 Ultraróa* qne era en- 
tão a Sr. Visconde de Sá Bandeira. 

O primeiro Governador , que suggeriu a idea da 
mudança da Capital para S. Vicente , foi o digno 
Governador P^sich. O Sr. Marinho o recordou 
e a maioria conVçiõ. Oom tudo , apezar do que a 
opinião publica «applaudk este acto e pela voz de 
iodos os periódicos está' medida foi reconheci <fe 
como sabia , útil , salutar e patriótica, houve indi- 
víduos i coma os ba- sempre efla f todas as partes, qiie 
sem *onheciin£|}$o de .causa*»; e lâesnfco -incapazes 
efe as a*aliareip np ca«o de ^ não ignorarem ; es- 
tef^k*ain-8e em ironias e iaveetivas. contra o desíju 
terçssadx* Ministro e^prebended^r .que ,:*p£Qjreitat« 
do o magnifico porto de S< Vicente > ^ft aíi for- 

"" . " I / . . • , !-■ 1 ' - r - ' - - — . '- 

-■•«..- . •: . - < i :.'. : : •]*•*•.£,■• 

• r 



toà* uãáa povoação,' a-qual d'arrtejnâo dètt um 
nome- &udt>so : de J gloria* * regeneração tocionaS. . 
<* 'Muilèsescre veiam prò e cotitfa, houve n' Hm» cisrto 
tempo uma rnundaigão de art i gos- e entre elkte aparece* 
fám também algum d ? um Pofsugofez - eátabelefeido 
n/áqueila iií» ha «mis de 30 annos-^— é Verdedte 
que este Sr. ®utr'ora escreveu urti» memorial a' es«e 
respeito , e o apresentou ao Extm° Gpvebnader Ma- 
rinho, <}i*e por oâo ; *er :sem intcnesisey âdmenlfe 
aÇui cçpiamos» 



•»■ Memoria affeteoiàa «o Governador de Cdèo Vèt*. 
de i Joaquim Pereba Mftrinhoj por Joaqúàin Jgnà- 
étoFerveirã Nobre\ Gomúrtdantô Militar dà Wfca 
de Si Viccntej qtéawcb aqueile Gnooemador pela li* 
ve%ém-lS%b visitem nquetta ilha** • 

' f> N&o obstante aVescacfez* ías^tÁutás ria ilha deíL 
'Víctfnfo?, è^ sendo* estas eih .Juahtfy *ppa*8éefefti 
huvetfs de. gafanhotos; fctJm> Wdfc 4 âristitptitrel àe 
melhoramento, dafldo^e^l4iéasproWdenéia%^ate 5 v*)fa 
expiôr. Ha uW-tbírôtitf q^-flea- perto <tó Pa* t#- 
Grande dá dittirilfcft qtteyquetertdo*sé#a$&it tetftón- 
ta qoncòs ^de íóís,* ItóVèrá urna^aliría^ilé^poWteíá 

-exportar deE-à quinze riiíl htoios àé sal^òô *ârôfc. 
Ha na dif* plaffíiéíe partes , ; éttrqúte $ê ptfftfttf^l- 

- t>rir ■ excelleíritbs poços "dPág «ti , * tími&i isaBfe&aa • db 

' que«à dò toai- * f [<*!>] logo í|iíe té ^isi#á ;<r#è8ba*neri- 
to desta salina , mais conta fará a qualquer íiaviò 6 
vir carregar deste género a esta ilha do que a ou* 



trás $ ãntéçotfoe *eja mais. caro mil róis em tfttfto, 
«1$ r&zão do bom porto , abundancia.de ldaba e 
<tnesjtoO'd'agua, querendo faze-lo no Porto do S* 
Eedv& antes ou depoif de carregar como abaixo 
direi*-*- As águas para o consumo doa habitaqtes 

-tubo deixam de ser salobrentas e-n&o cora mtrjtm 
abundância ; com tudo podeimse* abrir, mais poço* 
em partes em q«e mostra haver agoa y é talvez me- 
lhor e com mais abundância. No Porto de S. Pe- 
dro ao Sal da ilha y ha na praia muito perto do 
mar exceUente agua para os navios fazerem suas 
aguadas com uth pequeno trabalho 1 ; pois que fa- 
zendo-se covas de quatro a cinco palmos na areia 
aparece. mfuita abundância deste exceliente liqui- 
ÔOj a ponto de poder fornecer em 48' horas agua- 
da pata unia e$quadra : de €0'náos , âè ,: lihh , ai mesmo 
no interior da ilha &a pequenas nascentes d'agu& 

'que se podétamelhoífàr^ ou beneficiar^ ']& fezendo 
poços digo esckvamentos , tanques <5f. Toda ilha é 
susceptível dè cultura ,' em toda ellá^d&riZ' toda 
a qualidade dè eéreaes próprios da zonii tbííídrf, 
mas a escácez das ebruvãs faz. corfi que falhem ás 
colheitas, e poi 1 '* eoiísegúinte os habitantes ' geral- 
mente so fazem suai 'sementòira^ nbcuttie doií/óri- 

'it-Ftrdt*, tódtítónlíá èslà que íi^ao NóffôyailKa. 

*Ha tirite ribeira no centro dá \\W^* r 4otfte RiKtU 
ra d&^áMãô; ne$\fr tibevécP sòmeftte os habitante s 
tem- áferto-ttM '^stístM-pailèf 1 VttftWeíffi^iíòr 

• falta • dfc séteénteiràV, j oufras^ptíf' íifltS 1 r dé btóçb* , 
e tfcmbeimfor fâM du^httvai*. ^-ílftHhfe é^uscèptt- 
wl de píúntaçao-tfo 'cOíju()iíWj'>> jifbs^ teifr' ètfftèrt- 



— 38 — 

mentado, produz muito, porem a iaacçío dos ha~ 
bitantes e a indolência natural tem cooperado pftr 
Ta não terem prosperado estas arvores : sendo em 
grande quantidade , podem ser um manancial de 
riqueza , já pelo seu fructo * e já pela atracção*!** 
aguas $. Os gados nunca devem exceder, a 300ea> 
becas de vacum , mil de cabrum , . seis cenffts l*,- 
nar. e SOO de muar e cav aliar — já pela esçâces 
dos pastos , já para não destruírem as semeateixUs 
e as faaendaSi que se forem abrindo. *• 

PROVIDENCIAS NECESSÁRIAS. 

De haver uma lancha prompta para- os povoado- 
res poderem ir á ilha de S. Antão trocarem seus at 
godões ppr mantimentos, e fructos$. Parece de ne- 
cessidade que os dízimos da Ribeira du Jancllu se- 
jam aplicados para o suprimento dos povoadores 
desta ilha ; e quando crescer a População delia se 
apliquem igualmente os dízimos d* Ribeira do Paul , 
menos vinho aguardente e caffé , que estes géneros 
poz-se em praça naquellailha ;. sendo com tudo mui- 
to útil que os dilps sejam administrados pelo en- 
carregado desta ilha. e,. não daquella* — Seria muito 
bom virem das ilhas dos Açores quarenta cazaespois 
que os . habitantes desta Província pelo , geral 
são inertes, molles e- incapazes de trabalhos . vio_ 
lentos,-— Igualmente devem ser supridos de ferra- 
mentas para a cultura das terras», e aos novp$ co« 
lonos que vierem, se, devem fazer ca*as,, e dar o 
*. Governo (t cada cazal, 4 «abfas, 1 cbibarro, e l 



jumento e serem sustentados um aitnô á culta da 
Nação. — A ilha de S. Vicente deve ser livre dos seu* 
portos a todas as nações amigas, não pagando ónus 
algum suas mercadorias , tanto de importação co- 
mo de exportação, isto por seis ôu mais annos, fa* 
cilitando por este motivo o commercio de uma co* 
lonia nascente, e por conseguiirte o bem estar dos 
seus habitantes. Os terrenos idcultos e ainda mesmo 
aquelles, que seus proprietários não tem aberto nem. 
cultivado, devem ser repartidos pelos novos povoa- 
dores e todos os habitantes das outras ilhas que ti- 
verem terras na ilha de S. Viceate, e não vierem 
residir na dita, as ditas fazendas serão repartidas pé. 
los ditos povoadores. Depois de se ter aberto a sa- 
lina, deve-se construir um cães para o embarque do 
sal na parte mais próxima da dita salina ao mar , 
que vem a ser ao pé do Morro do Salgadciro em 
um recife qne find^ perto do dito monte. > — Nuno, 
devem ser adraittidos filhos da ilha da Boa- Vista 
para povoadores, em razão de sua soberba, eque- 
rerem-se fazer superiores aos outros colonos, motivan- 
do por este principio desordens, e desuniões entre 
uns e outros , a ponto de fazerem motins e revolu- 
ções em uma sociedade nascente , é mesmo contra 
os Governantes, amotinando o povo íf. como a 
experiência tem mostrado/ n Ilha de S; Vicente 7 de 
Outubro de 1835. [Assigoado] Joaquina* Ignacio 
Ferreira Nobre ~Ex/ B ° Sr* Tudo quanto digo a 
V. Ex.* nesta indicação encerra-se em três coizasy 
verdade jjura—^ experiência e lealdade de meu c<>. 
ração, —Assim meus fracos talentos não avançam 



ihais ; qufcira eorregir este manancial de rlqueafcwé è 
obrar como melhor lhe. parecer.» 



SANTA LUZIA. 



Esta pequena ilha de 4 \ legoas de comprida 
«obre 2 de largo, dista 6 milhas da ponta O. de' 
-S. Vicente. Agora está por assim dizer deserta, ape- 
zar do que rT outro tempo teve algumas cazas no O. S . 
•O. debaixo do Monte do'Caramujo 7 aonde na fren- 
.te d* uma praia limpa <Farea t funde a m os barcos. 
Nos u Rimos annos , o Sr. Dias, proprietário n'es- 
ta proviaaia, aproveitou os pastos doesta illia de- 
serta para manadas de gados, tanto vacum, co- 
mo cábrràn , burros e eavallos. Cbegou a ter ali KM* 
egoas e 10 burros pais, pax?a creaçSo de mulas*, da» 
quaes fez grandes remessas papa as- Anti lia* f an- 
tes da fatal epoeha da ultima fome. Papa obstar 
que Os urzelleiros de Sv Nicoláo e S. Aatão vii.do 
para o apanho, n£o -os matassem, tinha aqui unr 
-guarda com sua família composta de 6 pessoas; porem 
n aquelles teiirveis tpes annos de secca e fome pe-^ 
receu graade parte d'estes animaes-, por falta der 
pastos; o guarda morreu também, e no annol83G' 
nâo havia senão apenas alguns burros^ Consia-no* 
porem, que agora o Sr. Júlio José Dias, ultima- 
mente tendo voltado das suas excursões "residindo? 
por algum tempo nas sua9 propriedades da ilha de ! 
S. NÍ^oUo, continua a renovar aq-ielle Uo útil e 



* * * 

* * - — - * 

louvável estabelecimento na ilha. de Santa Luzia p 
e tem já mandado paia 14 carneiros, vaccas, ca* 
bras e egoas. 

Em pouca distancia da praia ao pé do monte de 
Caramujo existe uma na-cente d*agoa doce; não sa- 
bemos se ba mais n'otftros sitio*, mas sendo na maior 
pare plana esta ilha, podia-se com pocíco casto 
cavar poços no caso de se querer povoar. Ha al- 
godão , e havia de produzir muito , se o cultivas* 
sem. Nas praias lança o mar algum âmbar , e 
sabem muitas tartarugas t é abundantíssima alem 
d'isso de peixe. Toda ella e cercada de rochedos 
e não offerece para desembarque senão a praia 
mencionada, e outro sitio também soffrivel na costa 
que se estende da ponta da Crus á do Curral; 
Em distancia de 4 milhas está o 



líttOTE BUANCO 



It 



Terá 3 \ legoasde .comprido e-j de largo/ é àaíuW 
to alto,, toda .uma montanha e despovoado; Abun- 
da em urzellà e tem' uma ioiinensidade de cagar? 
ras. Ha aq.ii umía pequena riaàeeíite. d'agoa doce, 
cpe podia siipprir 50 pessoas pot todo o anno, e 
da quarl fazem usto os urzelleirosquarido vem colher. 
I>a parte do Sul ha uma pequena praia de Í60 pai- 
nços de comprido. P'esta pouta dista duas milbsw 
* E. S. E. o 

94 



4* 36-** 



ILHEO RASO 



. EVquasi redondo, e mui longe de ser chão co-< 
mo o indica seu nome, é bem alto e cortado taa~ 
to a pique , que o navio pode pôr o gurupez em ter* 
ia, tanto da parte E. como do S.:Na ponta do 
Jí. pode se desembarcar. AÒ S. E. do ilheo esw 
te na distancia d' uma legoa e meia é situada á ilha 

d* 

SAO NIC0LA'O 



Dista £4» legoas da ponta do N. O. de Santiago 
navegando no rumo de N. quarta N. O. E' de là? 
legoas de comprido da ponta da Pedra de Enxova 
f Leste "j para a da Praia branca^ [ deste ] sobre duas 
de largura ; só n*um sítio da ponta da Vermelha*' 
ria para a dos Camarões tem seis legoas. E' a úni- 
ca ilha no Archipelago donde se avistam todas as 
outras em bom tempo, porém Ba serrações tão fre- 
quentes, que nem se distingue ò ilheo Raso. A 
.ponta da pedra da Enxova reconhèce-se em certa 
distancia , por ser chata y tendo em citaà , úmá ro*? 
chaífpyramidál em forma de caracol. 

O numero dos seus habitantes chega a 7000 eii«* 
tre mulatos, pretosfe. escravos, sendo apenas uns 
,80 brancos, E' mais* puro- p portuguez que aqu| 



— 37— 

se fa'la que o de qualquer das outras ilhas. Tem 
duas freguesias, a daS. Nicoláoea da Sr . a da Lappa 
nas Queimadas. Seu primeiro donatário e povoador 
foi o Gonde de Portalegre. 

Tem muitos portos e bahiascom cotnmodos fun- 
deadouros, assim a do S. Jorge, ou porto velho, 
que fi ca no Sueste, a do Tarrafal ao Oeste, o da 
Lappa no S. o mais antigo e melhor que o de S. 
Jorge , mas pouco demandado agora, por ficar 
distaqte da villa e não ter bom desembarque como 
aquelle. O porto da Prigutça , talvez chamado as- 
sim , por se poder do navio n'uma prancha saltar 
em terra, e ficando os navios amarrados com 4 cabos 
a uma pedra. Este porto é uma bali ia , no cujo in- 
terior ha urna doca natural , aonde se podem acco- 
modar algumas embarcações , e tem próximo um 
poço de boa mas pouca agoa, e foi aberto pelo 
Bispo .D. Frei Christovão de S. Boaventura. 

Aqui ha também algumas casas e um forte com 
«eu competente quartel e paiol , guarnecido com 6 
peças de ferro de Gal. 12. : hoje está abandonado 
«em ter guarda nem muniçoss. Além destes ha ain- 
da no Sueste o Porto do Carriçal, chamado pe* 
los Inglezes Frithwitcp Ray ; tocam ali muitos na- 
vios, e vem providos d*excelentes verduras e agoa, 
cujo fornecimento é propriedade d' um particular o 
Sr! João Dias. O3 navios fundoam ifeste* porto a 
meia milha da tensa em sete braças d' agoa, haven* 
do não menos bom desembarcadouro para os botes. 
*A alfandega está no canto de S. E, d' esta bania. 
Afora os portos que acabamos de citar , ha ainda 



a Bahia do Fidalgo , junto á ponta da iVermelha? 
ria, a Bahia do Forçado bom porto d'area, Parto 
do Barril e mais alguns que admitem lanchas. i 
Todos estes fundeadouros são bona em tpdo ; $ 
tempo/ excepto no d as $goass: n'esta estação maior a T 
brigo offerece o do T anafai. Este porto ,ao nascen* 
tê do da Preguiça dista mais de 3 legoasda v illa, 
fundeasse bem em 10— *-30 braças», e pode-$e sup- 
prir d'excellent^ agoa, .- , 

Dentro da bahia de S. Jorgt estava n'dutro temy 
.po o iVrseaal Real da Marinha d'ElRei, .cujopom? 
poso nome mal correspondia ao estabelecimento 

que decorava; não era mais do que hum jogar pa^ 
*ra uma pessoa, que revestido çom o , titulo de Jn-r 

tendente da Marinha, custando pata eima dedous, 

contos de reis annualmeiite, não desempenhava, do 
.forma alguma, o fim, da sua instituição 

Neutro tempo a povoação ou yilla principal ^ja 

no porto da Lappa , mas os. habitantes repeti- 
das veeès inquietados po* Corsários Hespanhoes, 

retiraramrse para o interior, onde.nJ14mfurjdo.val- 

lé , siíio algum tanto doentio, estabeleceram p^trg 
-povoação, legoa fc meia do portç da Preguiça, ar 
►travessando q lindo prado, chafnado Campo da* 
. Tábuas , que agora se tem começado a cultivar com 
. plantações de purgueirás, 

, O porto de Carriçal, qtiasi n?a ponta, de Leste, 
-Êstána bocça de duas ribeiras, pertencentes aos Sr». 
. Dias. Estão muito bem cultivados estes valles, pror 
.duzem vinho, cana d*assucar, coqueiros e carriço, 

donde provavelmente veiu-lhe o non^. 



Toda a ilha cm geral é montanhosa, m«s a ex- 
cepção do Monte Gordo f que tem 4280 jxk <TaU 
lura, cdo Alorro do Frade [ Puo d* Assucar 3» Pico do 
matinho , os de mais sao pequenos altos susceptí- 
veis de toda a cultura, O Monte Gordo 6 volcãnir 
co, de matéria frágil e porosa, e aio forma pico , 
como a 'outras ilhas encontramos- 

Parece que n "outro tempo o clima da ilha foi 
muito bom , pois lá estabeleceram os Bispos a sua 
residência, mas de certo tempo para cá, tanto os 
febres <lo paiz, como as disenterias, grassam ; com 
tudo não é tão doeu tia, como o asseveram alguns. 

No anão 1819 appareceram as prirneirns febres 
do tempo .dos habitantes., na occasião que unia 
balça morta encalhou na costa do norte» pois os po- 
bres acudindo a retalha-la e frigir pox an»or do a-* 
zeite, as exhálaçoss pestíferas em breve fizerajn seu 
effeito ? aagrnentado aiuda, por. ser naquella .oçcar 
siâo o cemitério nd centro da vfila* Este inconver 
ciente prejudicial jú foi removido, gradas aó nltiino> 
$isp<&.' • < • , 

Do aano 1|8^1-h-:18S1« fez bastante estrago a : fe- 
bre amarella, queíbi introduzida por um aavioHes- 
panhol } no anão jde 183^ konve ui$a forte disen- 
teria* 

. ÂMiç 3a povoação: da Ribeira Brava, vi Ha ca* 
pitai da ilha , ha outras corno a das Queimadas y 
4a Ptàka Branedj d& Ribeira Calhào, Fragata , 
Rtbtira da Prata „ Fuoida tç. Foi o Bispo D, Frei 
Silvestre, q110.no principio d' este século construía 
desde 03 alicerces a Jgçeja parochial da Ribeiza, 



—40-. 

ftràva, c reedificou a Igreja parochial de N.S. dq, 
Lapa na ribeira dás Queimadas'. 

Em geral a ilha abunda em todos os géneros ,< é 
fértil , bem cultivada : e produz 500 pipas de vi- 
uho para cima. Muito contribuiu para o augiheoto 
d'ella a residência d'alguns. Bispos e ás virtudes do-; 
mestiças e civicas da família dos Srs. Dias i cujoa 
esforços patrióticos alentam a agricultura e indus- 
tria com o seu exemplo. Serviçbs semelhantes de- 
veni ser considerados como grandes benefícios e 
assim- nós publicando-os em parte , julgamos pagar, 
um diminuto o tributo de gratidão, pelos habitán-j 
tés das ilhas, que bem Somos persuadido, com ale- 
gria verarrí aqui repetidas às suas vozes. <• 

Os Srs. Dias introduziram toda espéce ,de anv? 
Tnaes, arvores e plantas, tanto da Europa, como 
da America ? que ás circutistancias lhes fraquèa T 
ytktíí , não poupando aliás gastos e despesas pára 
obra de tanta utilidade, e fim tão louvável. 

E 1 d'este ino<ÍQ que a ilha* Cem agora yaccas tu» 
ri nas , coelhos e perdizes no monte Gordo , car.» 
tteirós da raça Hespanhola , conhecida com o nome 
<le merinos, O Sr '. Theophilo José Dias mandou 
•alguns burros e cavallos Hespanhoes que lhe custa- 
rão 1:200$000, e que infelizmente morreram com 
resultado pouco, satisfatório ficando (Telles na $ f 
JLuzia só a raça cruzada. 

t Quanto ás arvores vemos assirn vindos d'Europa, 

o freixo, olmeiro, cedro, faia, loureiro* ecy prés? 

•te; igualmente das arvores fructiferas pecegôs, 

maçans , peros , peras , laranjas, , tangeri0as , 



limões doces , amoreiras , cerejas , ginjas , atnen* 
doas , figueiras àf : • uvas ferraes ,. bastardo , verde- 
lho moscatel , tinta da madeira .que todas produ- 
zem em parreiras excellenté uva. Os morangos 
transplantados prosperaram muito bem , excedeu- 
^té em gosto e tamanho os Portugal 

Das -Antilhas introduziu o Sr* Dias as seguintes 
espécies — 

Cerejas d* Antilhas , Malpighia uveru. Linn, 

Amêndoas, Badamcr dm malabar. — Tcrminalia 
Catappa. L» 

Nogueira ? 

Cnitezeira. Crcscentia cujeU. L. 

Mangas. Mangifcra Indica. X. 

Chá das antilbas. Captaria tnflora. Lm 

Cana de Caianna. Sacharutnofficinakj var. I*. 

Palmiste achou. Areca Oleracea L. [ vieram dou* 
pés da ilha de Santa Cruz» ] 

Lantana Camará. If. [da Madeira. J 

M imo&á Unuifolia L» 

Hura crepUans. lt. 
' Sensitiva pudica. L. '-. •; " % K 

Chryiophyllwm cavmito. Z. 

Todas estas arvores e mais ainda flores e plan- 
tas jardineiras, pegaram muito bem y provando a** 
ÊÍm quanto este terreno adoptava facilmente toda 

& vegetação. 

Pára demostrarmos ém geral a fertilidade d'est& 
ilha, basta notarmos, que um terreno -de 100 
braças quadradas, do valor de 24$000 réis cuU 
tivado com canna d^ssucar^ © está reduzida % 



— 4* — 

rv>m, produz 90 gallons (335 canada*) q»ne p« r ; 
lo preço corrente de 600 réis dào- 5.f$000 réis; an- 
tigamente, quando o gaUon de mm se verçd/a su 
1 $200 reis, daria 108$OQO de renda, 

•Na vi Ha de 9. Nicoláo na Ribeira Brava, do leír 
to por onde passam as cheias na estaca© da» aguas, 
deixando-o coberto de cascalho , cultivam tabaco o 
qual produz tãobem , q'ie 500 pe's quadrados do 
terreno, dio n'este ramo de cultura 80$000 réis 
de renda liquida. 

Eticontram-se nesta ilba marquezitas v pyríteí 
de cobre, sulfatos de zinco, e igualmente pedras de 
cantaria e caloareas- ha ponta da Enxova. 

S. Nicoláo rende 3o Governo 2:0O0$00O annual» 
mente, sendo 1>600$?000 de dízimos. 



ILHA' DO SAL. 



s « 



Esta ilha cuja nome deriva do grande numero 
das marotas artificiaes e naturaes em que, se cris- 
taliza a agua do mar, para o grande com-rnercio do 
Sal,. dista $6 legoãs da ponta E f de S. Nicoláo e 
oito da ponta ti. da Boa- Vista, Tem seislegoa3.de 
comprido sobre duas de largo; a parte eeptentrio? 
nal e' montuosa, e a do Sul areenta e baixa j 
tanto os lados de leste como o de peste sâo irregu- 
lares. O de leste é orlado do norte ao sul de 
«ma ordem de cachopos ao longo da costa. Quem 
vem d? Norte a alista de ordinário : na distancia 



— 43 — 

<Je 14 legoas e as ireies mais; apresenta tcd* outei- 
ros, ornais alto dos quaes émais septeatrional , cha* 
jqado Pico do Martins, tem 1340 p& acima do 
uivei do mar. T. E. Bowdich compara com muito 
conceito esta ilha vista de longe a um tumulo d» 
área. Teia as seguintes pontas ou cabos* 
a Ponta do Norte ou do nomo Quebrada 

» ? Gonao. 

» de Manoel Lopez. 

* da Palmeira. 

?9. do Ilheo, 

p de Tartarugas ôu Madama de cima 

p p - Sul. 

» da Fregata. 

#. » Serra negra. 

» *? Pedra de Lume. 

y> de Martins. 

i 

Ha n'esia ilha algumas bahias, onde os navios 
fuadeam, todas porém más e perigosas, sendo as- 
sim mais íundeadouros mal seguros, como é por 
exemplo o porto ou antes a bahia da Palmeira 7 
flue fica j^o S. O. &'iuna praia d'area. 

Mais para o $ul tem outro porto chamado Ra* 
bo de Junco : é grande e bom nos mesmos tem- 
pos . que o antecedente : tem rato mas dá a van- 
tagem de o navio, poder com quaesquer ventos suspen- 
der o ferro e fazer-se de vela. Na ponta do Norte 
4' este porto ha um pequeno ilheo, ou antes um ro- 
chedo , e a popta. mesmo da terra firme é coroada 
com uma montanha chamada Cabeça de Leão pela 
. semelhança do pico : ao pé da qual habitava al^u- 



— 44 — 

toa gente, Á oãtrã ponta do porto é a ponta kiás 

r 

tatàrugas, que tem 96 braças d* altura. 

Este porto além de ser perigoso nò tempo das- a* 
guas , tem um !baiio de recifes , • que orlam tam*/ 
btem as margens diambas as pontas; perto d'ella ha* 
fundo em 3, 6 , 6 Braças; e no centro em 9, 10, 
11, IS. EStabahia em forma de concha semicir- 
cular tem de entrada de ponta a ponta uma legoa 
e nas brizas de nordeste é bom ancoradouro ; tem 
agora um poço aberto pelo Sr. Souza j que dá agoa 
doce. A bahia é mui piscosa e*apafchám-se aqui 
bastantes tataragas; conhéce-sebem pelo ilheòche- 
gado á ponta do Norte , como já dissemos \ A La- 
titude d'este ilheo é 17.° 41' a Longit. 23.° 15" O. 
Junto a ponta do Sul fundeam também os na- 
vios em razão da proximidade das marinhas, embora 
esta costa é cheia de recifes; este fundea douro cha- 
mam Portinho da Salina, : pouco mais adiante é a 
Ponta da Fragata assim dita, por ter naufragado 
ali em 1819 a Fragata Ingleza Erne. Toda esta 
costa tanto ao pé d'esta ponta , como d*aqucllado 
Sul é perigosa, por ser tão baixa^que íieni de dia 
na distancia de 3 legoas se avista, 

N 'outros tempos já foi habitada esta ilha e pos- 
tuia grandes marinhas ; nò anno 1705 em razão da 
fome . por falta de chuvas , foi abandonada pelos 
habitantes e a maior parte dos gados morreu. 

O seu primeiro donatário foi D. Martinho Pe- 
reira,. o mesmo que da ilha de S* Luzia e do* 
ilheos Branco è Raso, 



— 45 — 

Hoje que tornou outra vez a ser habitada terá 
uns 500 habitantes. 

Dapper di« nas suas viagens , que na ponta S, 
E. perto d*uma pfaia arenosa , contou em 1700 se- 
tenta e duas marinhas, que occupavam duas milhas 
de comprimento. 

O Governadora Capitão General D. António Cou« 
tinhode Lencastre nomeou em 1808 o então Sargen- 
to-mór, Sr. Martins por uma provisão, Administra- 
dor dos reaes Rendimentos d'esta ilha. — Vej. Not. 2. 
E' d'entiio que houve quem o considerasse como 
proprietária d T esta ilha , «ometlendo-se d* esta fon- 
te algumas irregularidades e excessos; assim como 
ninguém podia, ainda ha poucos anno», pescar 
nas costas desta ilha sem consentimento deite, das 
talavugas erâo obrigados a dar-lhe a casca e azeite, 
ficando só com a carne; e mais outras, que omita- 
mos, julgando não ser de interesse com mu m. 

O ultimo Governador- d*esta Província e actual 
cte Moçambique o Sr. Brigadeiro J. P. Marinho 
corto» d* um golpe este né gordio, que ninguém 
antes qaiz dasatar e agora k na ilha tttíi coman- 
dante militar , e tima alfandega e a ilha admi- 
nistrada no mesmo pé que as outras , tem nos úl- 
timos mezes da reintegração do Sr. Marinho ren* 
dido mais do sextuplo de alguns annos anteriores» 
Com tudo quid cst Dei Deô, qmd Cacsarit Cs&* 
âari) se a ilha do Sal tem agora cazas e habitan- 
tes, rende ao estado, e promette ainda melho* 
ras, é imparcialmente fallando, ao Sr. Martins 
que se deve, A Junta da Fazenda autfroriíou éver* 



L 



— 4G — 

dade em 1834 quem quisesse: poder abrir maretasná 
ilha do Sal, mas ninguém aproveitou d'esta licença 
senão para clamar depois contra o St. Martins, 
que estabeleceu . então aqui uma sociedade cu* 
jos membros podem trabalhar até em 800 maré-* 
taa , vendendo porém o Sal só a eHe , a razão de 
1^800 réis o moio que corresponde a S 9 6 dè Lis- 
boa. Bom seria que se fizesse renovar o contracto 
feito, e que o contractante satisfizesse aos ajustes. 

Gritaram alguns covet suas gentílicas kfeas de li- 
berdade, que se devia espoliar o Sr. Martins de to- 
do o usufrueto, que elle possa ter- n 'esta ilha; nó* 
julgamos que semelhante proceder seria o mais' in- 
justo e indigno d 1 um Governa que já deu j^or ve* 
zes provas de querer proteger a industria , e priny 
eipiou a olhar com attenção e esmero 7 para as pos- 
sessões ultramarinas. Se o Sr.- Martins tivesse tido 
a doação da ilha de D. João VI. [ como se tem? 
querido inculcar] devia ser respeitada intacta, pois 
até certo . ponto offerecia vantagens ; não a tem j 
mas somente existe a supracitada provisão : corri 
tudo as obras ebemfeitoriasque tem feito ffao me- 
recem menos contemplação. Que outro teria assim 
arriscado seus fundos em tantas obras permanen 4 - 
tes? 

De principio tirava o sal d' uma íagoa d'ãgoa sal- 
.gada de figura circular que se acha tnima chada 
a 105 pe's acima do niveldo mar, e seis braças de- 
baixo da cumeada do monte. O sal embarcava n*uma 
pequena enseada perto do monte da Pedra de lume. 
ojnde por haver muito rato e ser perigosa a entractoy 



— 47 — 

«He introduzia os navios e com grunJes amarra» 
o& segurava. Para diminuirá distancia do transpor- 
te, que chegava a uma legoa e estragava nas subi- 
das e decidas as bestas , aliás bem custosas por fal- 
ta d'agoa e pastos no lotai, mandou furar o mon- 
te: esta ubra custou-lhe mais de 10:000^000, apro- 
veitando-se d'um mineiro Inglez que ia para Bue- 
nos- Ayres. Ao fim de certo tempo abandonou porem 
esta salina , por outras melhores na ponta do Sul. 

E quem. havia de dizer, que a primeira estiada 
de ferro em Domínios Portuguczes seria construída 
if esta parte das suas colónias í — Foi feita por Sr. 
Martins, desde esta salina até ao ponto do embar- 
que, onde tenciona construir um cães. — Termi 
n aipos dizendo que mais de 40 contos gastou cm 
diversas destas obras. Restabelecendo com toda a 
razão o antigo imposto do Sal , bem ha de render 
agora até 10^000^000 pois sendo o sal muito bom, 
é procurado f tem até o Sr. Martins a segurança 
«Tuas 30 navios anualmente tanto da Inglaterra, 
«omo de • Hamburgo e Hollanda. 

Esta ilha nada mais produz senão sal e urzella; 
é incrível porém a abundância de peixe na sua 
éosia. 



BOA- VIST A, 



seu nome precede de ter sido a piimeira a 
(jueCudamosto viu noqutlla parltovn 111G. IV pois 



tom erro , repetir com alguns que lai nome e r ltâ+ 
próprio, fundados em não ter ella boa apparencia* 
Tem forma mais approximada a um oetogono, tett^» 
do cada lado perto de 3 legoas d'extensão ; e' divi* 
dida em duas partes desiguaes por um espinhaço 
elevado que corre de N — O ao S — E, e que re* 
mata pela banda de norte no monte de João Ftr- 
nandez. Da banda oriental e chã, elevando-se pa* 
ra o interior, porém á excepção de fcres montes, 
altos que se descobrení de 10 a 1& legoa^ , é toda 
plana, e o littoral arenoso cdm algum cascalho. A 
villa de Sal-Re% é a capital d* esta ilha , n'outro 
tempo era no Rabil , povoação mais distanle do 
porto, donde nridarant por achar aqui mais fôcil 
embarque dosai, —fonte de riqueza e prosperidade 
commurri. A camará, porém, e a igreja ainda fi* 
caram na villa do RabiL # 

Pedro Oorrea foi seu primeiro donatário e tev« 
o gado bravo da ilha rior doação de EIRei D. M a* 
noel de 3 de Janeiro de 1505, confirmada por H* 
João 3.° a 10 de Março dè 1522 é deixou por sue* 
cessor seu sobrinho Aritonio Corrêa que EIRei con- 
firmou por carta de doação de 27 de Setembro de 
1542 IFej. Lw. 38 de D, João 3.° foi 134.]Sac* 
dedeu-lhè Francisco Correa 4 

Hoje tem a ilha mais de 3000 habitantes , no* 
tando-se mais que em qualquer outra as grada-' 
ções desde o branco dos Portuguezes até o ne- 
gro de Guiné , e excepto os escravos , com pe* 
queíias excepções tudo é uma família. 

Tem alguns J portos 7 o melhor é o chamado Iií* 



gk% f 9»dfe esta situada a villa de 8al*Rei« Eêtt 
porta, abrigado desde. N. attf S. & £« , seçdo um* 
bahia de duas. milhas e meia do largo na s*a eu* 
t?ada,, a copiar. da poftta doa Corae* até ao ilheo, 
tesa quasi uma , milha de comprido. O fundo eTtra« 
po d'atea, de 4 até 9 braças de sonda; porém tem 
o inconveniente de tóo podetfem os navios de maior 
lote chegar a villa em menor distancia d'uma mia 

» 

lha. Alem d'isao, aao podemos repetir com o Sr*' 
lÂm* f que é muito bom pogrio em todas as esta* 
coes ; é de levante como todos os mais do Archip*» 
logo, salvo o de S* Vicente. Nos mexes Dezem* 
faro e Janeiro e .ás veees ate Abril com ventos £st« 
Nordestes o mar é tão forte, o rompimento 1?ef ai 
pox toda a bahia que os navios com risco de não 
ijem a- garra ^ são obrigados a fa*erem-ee logo d# 
vela*. Todos os.&nnos assim acoutecej— »oque 1& 
chamam maretia* ;, < 

, . Aléjn deste ineonveniente n f aqdella estltçio, .4. 
louito mau para laser aguada, e também perto» 
do ilheo, r j*mtD. do' qual entram os navios, ha u«r 
recife pqbertfc de uma braça d* agua no qual ba i 
poucos anãos < tocou uma galera Hodlandez&V e 
isso e^b^^itfe/rçente . frequente , e apesar do que 
o Sr. Lima declarou qas suas annofcações a me*, 
moria do D*. Cf^tilho, que por cima d' este recife, 
piloieava uma n&> de t 3 poates ,-r a chalupa do St> 
Jheophilo .tocou duas v^êô. • liste teèife acaba n'u» 
ma ponta mui; agu&t qqe sç na o, descobre», nem or 

mar alí^ebeafca^mflcK. ,. .. ' ••> .• •? - ' 

. Ent/e , o jjy&eo e a terra : n^ ha, i f undò* tosfcfcnft* 



4 



fóO-sait 



p&râ pfe^lr^^ig^j fernníe' uma ^^tíâs iMÇatápe* 
p&* éágaâo ifcfca Bailia Aôié^iôàwU. 






swii *J 



< <£íià <bahía> é it>^o-í^attáfrft te de peixe f> qtíe te' <í 
priíídpàll ^^t^té dok K^rtstttesy' e^%a^áf>tè& $£* 
<*w fc& ^nce**em; 'Má&f ^ara-o^ei *a còSfàÍB -<I 
da 4tíla^dlâtènffó três legoa* ft S-&da pònhi i aé? ! Vtí2 
fttívdfit '#• sfo*a<io b' r ? , Wte* díM<7(»^êrfi>i&& ôú^atfát 
Porto :iP^%t#feí li* atoa* pteto de^fesTè' fcasfeáí 
H*g9 **n*à&dò «Ma pfequená' énsfcaád>, -èéta -^rti 
gfc ;dáftf &réiis* e *iâ*éí*as£ *noè> exposta aos- veiHÍÒè 
JSçneiSsí;, N ! e3te portou dá fimdfcefti 10à~lS<tòfe{ 
ç*M 4* paú<!0 aquentado porém' > ^pk* flàa iíér$ 

^'HaWfidtíio JPérfc dos Jbrtotyo* afe còú&dé ISA 
«e sôiteàté\rdfêms léguas dwftinlé da pbnta do 0*vát&>í 
hirtai ' pequeíttt : t£feèadfc y ^n# «tfcjo -tticíio sé- fWleá 
de 6 a 8 braças ; este f tmdeadoufó <*tf]eitt> a rflatfè* 
j&a? dé t NvB* ' «àp e » ségttft^ - pois' tontas ofcoaslões 
tóifl%vi^<satf bbrigaftfoa a íaifcíeftiJíè togb dè ( Vetai 
pouc&fl mariofr tíateb^m\> ^emátldôin^^^^alvo álgirtá 
pairai eafregar urzella ou ^4o <^#e satcedè-rtif^ yesfes. 
b jtatf.i^tihfr-*li* oiftffcM pfcrtò vutgfcfrfíiéiAé éhaí» 
mqdordo^í»jfe mi .^ S^ft>ii. Junt^a^lè^há iftfcá 

âlritea:: doltòsfi^ «oltte? è áa-^àfêí' 4fèq4entad& 
p<>r~ catM^íTtímtf fiiKréUP i^átáí^uè £8*d*z sal 
oohr'ak^dtóeià*rde *íe$hèr'^.aalidftfe E*te poii 
to^er^r^.vêr^de 1 ^ te^í^ <fe^agoaèJ, irias, ^^. 
risiaoto íjrocWôil^ stíirfnwíb^^átfóe. *- f c; i *«* 
Toda acosta da ilha dn MA^VU^^péèigõUfl 



jfos-é récf8é% 9 ènãè4 raai fòcft encalhar ifo tempo 

das brfeás , pofe cos* aína taref aqoíte^ha nebrina,' 
é ri&o cónTem démahdft<Ia então "ao N*--E. Muitos 
Aavios teiii fiaáfragadé ti'eêtà ilha , d>mô p« e.' no 
dnno de 1787 ! fc tóo*' làgteM Httrtutoll , que dfeit 
íeu nome aos rochedos dá ponta éeptémtf knral <fo 
porto do íforte ^ ontte se ]terdeâ, -No> mesmo sitio 
õ célebre Úàjtitèko Coofe esferé a ponto de naufra- 
gar na sirà 8; a viagem <dò* íriáres dc> : Sàt A # Perttf 
ée méiá' legbá do promontório de oeste , está tam* 
bem um rochedo de cotai y onde rebeata o mar, ef 
fco : mesmo tempo a eorrente 'caminha com muita 
fapideáv - '•■ -• '- K .,...« 

Ò potffò *fe «al-Réi com tudo é à uhiea do Ar* 
chipélagd, qtie offérecé «melhor Besembarqae, 
existindo tai-viUa úitícaes' dê >edra l , ; ' embota niui- 
to-tòseo,' más aonde coíti tudo, tfáhtfo ai pèatoaè 
como aú fazéádfis podeift desembarcar com ôe»u«? 
íatifça è cõmmWlfâãdè» -èrsfce cães ibi ftíto u cusú 
lib jgfci Múrúús é é fcró^MRIade s\iá, • :> 



•;. * r *'*>iúA f.\- ! o íx • i» ,- '. \ 



1 J .... .... 

• • i • m/díá' ÍWwÀlosto ITT* as navfe 1 horas ^ 
*»<fe^4vllttô«bè: a iliiá da BóX*Yik* U S*l púcó { u^Sí 
iftana^o** fièaM^tt^ssftr mail tiiátarfe*, ihm eàr 
Jwei* reewAeceme* oi^noeío iangád* , .fipáatado » pttt* lés* 
<*•«$* fífeydíarrpitoenifett raBhurtaoiUrtaft^^aAy 

em cima d'eUas. Nossa situação foi terrivel<A|nmtb, ai» 
^minu^^j^^^ s^da^ «^^a^o 
tola ^rn^adp o l^fco^m íar^ejqt efcoíe^ifefe ^ 

Viagem do Cap. Cook; T. I. Cap. *r 



< A-villa^ de £^-Rél que e^ 181£ constava d* se íw 
ca&&* e -algumas choupanas^ de poucos annos paraçá 
âugjnfefttou. çonsid^^velix^nte: teip. grande nume» 
ro de cazas ,boas, e melhora de dia~em dia coro» 
a maior frequência c^ navios. e$tr*ngeij-©s ,; tanta 
para tomar refrescos .*> negociar , ,. coma principal- 
mente para carregar de sal. O que. ha aqui n&o á 
puritp .claro , e pelo mau fabii/?* sah$ <£jts mareias 
misturado* com bastante ar&a* éríepot^do com tudo 
mais, próprio para a salga das capnes na; America^ 
do Sul e. prepara do& coufçsj 

Pelo termo m2^io T e^pocU-se annoaimente ^OQQ 
moios; extrahe-se das duas salinas naturaesy das 
quaes,, a mais explorada e a : vizinha ao gçito Sal- 
Rei, e menqr a que fiçp no iadp opposto, junta 
a- povoação do Norte,'. Nos últimos annos dimi- 
nuiu bastante a exportação , mas nem por iss.o que- 
rem os habitantes darr-se á agriculta v que íbes, e 
^oàsi desconhecida v basta dife* que no contori^ 
da villa não ha uma arvore y nen^uig^ jplants^ &e« 
não na distancia d* uma legoa novalle junto ao 22a* 
h%l numa fazenda d* um digno Europeo aqui esta- 
^lesidaha.annp.s , r — o S* HiHpolitçr Nfr sua quin- 
ta,. Jbejo*. çbama4a Esperança ^HPfc terfsnfl todo' de 
arca, çonse£uiu\:Jer toda- a qualidade de ftuctosda 
Europa. ecAátioa. Ha ainda- duas ou tiwfaten* 
<J&í,do;Si. Martins aa Belmonte notdvefepeia gran»» 
^erAhuckdaacia de óoqueirò» 9 p&rém ès*5o tíiri gran* 
deabamtóo<h *-wj i ■■•> t - — • '•"-- ' J 

i ihrttiva**! ntf iHmMígum wilbd/e*aratá'dÔèc^ 
tod^iá^horfàR^á que ík i fcoiisomè ^hâ^Vittavem uní*^ 

-Si» 



í 



iràniènfcéde HtpérânÇà ; a agua mesmo para beber* 
pelo maior parte mondara* buscar a; esta fkxenda t 
jtoís a^uella q«e geralmente fcsant na.vilk d'umqs 
fontes na are*, perto dj» 4>*rãa do mar, embora 
a reputem miiW «utta , é de: gosto pouco agrada* 
vet,ede4ta um -sedimento bntoco* * 
*- §RtaHÈto>4:fé$i$/tà>q\mi fórum bano de área 
com dois picos dç basalto rônQ' amansam faeqtb» 
giqs em rraaior parte de vegetação , nem tão pouco 
rastos da pista dos viandantes tal é por exemplo , 
uma grande extensJLálFarewrrjtortd^a entre SaURei 
p o Kabil. 

Os habitantes coojq se não dedicam á agricultu- 
ra , 'ntltrqm»se em nmJor prtrte daí pengr ie teét* Pa- 
rd as outras prar iates grande xemafeo. é ar vinda dof 
navios estrangeiros, que os emprega «I» trabalho* 
pêlo qtiah preferem-sbr -págerç em geaerofi, oxtaí) t>o- 
laia, farinha, feijaev isto • velho L&-- { roa pescador 
res p. e. trazendo peixe ;a borda;, tónica o quejren* 
vendar a dinheiro, tnas^par 'um balde, "de bolexf 
Ou feijão dãoum burdous de peixe. ' ') 

-- No estado aotfral. tudo ge oppde ti ides* do Sr. 
Lima de mudas afcàpHal-pâra. esta ilha ; . naocom* 
bateremos este conselho? iâò dmrntmmadú* danosa 
ta exposição <pode*se forjmarr -imrjuiM». rj : . ' 
. O prtmrini cuí dader piaria, ser, <Je< semear i mato 
^ atimstts' j>arardenhb, ; *piçj ó.tào >eoío*sa <Jue usam 
da bosta 1 Já bòL;\ qpláaia*oQo/pi/çiros, ; i gue juiuito 
bem haobde 'produzir a ? **fcfessdpbrj&:ft arsoso terrej 
no / «orno mait^oirtraí ^ próprias; J assiftí l^am beto cul* 



i 



^ cómodo* amareHfr * dç twiftl- t$a gptâ&xii* 
Qiba a ilha ié> s»s«ep*i*el de^pucrduai*,: taaft f *e .vèq 
quando nos pouco* sitie* ^>rqteS9 wqoQgt* ftigujg^ 
cukfcii», .faa/miUÉo^S^kb^iabwqe^ fthtbjft», ífípt 
laca e «dances* > w jndliórç^i^rtAtftíbipeteg^. ; n 
Jías praias encotttra-so tfe ratais f/aig*tffr. banbK * 
•endo !a&>:0Mtfe*>ohdBA de mititoft lóoçhte&Ây ( F4u*» 
<?lnlairate f ittMfarepor&; ,. , 



! * i * •' i ' * » « • • * • « - ; 



4 . ^ i -. rjf j . ILHA B£ HA&0« 



'Ti. 



Dista ff l«goa« kfeted&SaDtiagôídond^.quaj&i^em? 
ptk sé 'avista ,< tem ciáco )e$e*t< de coa^imsjitt* 
aobre três <de t^igo, . i .,,.;.. .;-,.. . -t 

Já dteepaoa n^oufcra parte;, donde, tkm4y* : o, 1107 
tne que possue. Esta ilha ídfev^9e pousidèràiVélip^iiW 
aòbre o uivei do mar, erguendo-sé para o intricai 
§>or três motfrosde boa aliai» em fctfma de pjbwv 
que a dão a confaectej- áos; ntaritimasodb Jbadof d& 
norte, por ser odo mno' maisiallo c djteeQbrçra-se 
em 10-12 legoas de distanhitu Quem , vem <fc> g, Bi 
enxerga ao' longe como doar ilhas elevada» :?re ffà 
ra o Sul acatou <atto monte, ebairtaftò $imo go& 
um chão baixo para o sul , onde ha dom <m|eijx>s« 
A meia teg*>a do centro quçsi dá costa do norte, h* 
uns cachopo*, que se eslsktdéip de N. VL E±&S&.Qè 
perto d*um« mHhaje défein ser cautelosamente*** 
tentados; ^este baixo perigosa encalhou- Vuntt 
%tttàfe'$&fim de 16!» ofQafefo .ftme4y&>, ****» 



teAte 4 armada q**í*á ^^pugnaç^qda Batia; mptte* 

X&m muito* quejfte. dçft&jMR ►*** <•«**> salvando-ço 

pp^émos qqe í e$f^ravaín 1/ ati fto.outj^ dift^ d>ntufc 

flcou-Uie o now$ do J3toi?o> <&Gakâo. Enu 1803 pqrf 

deu-se ali ui^a, galera Am^ricaça carceguda do vir 

nbos e wtoi inaw ti vejam a masma f$ft*. : * 

i.Do ponta de.S» O r da ^oa-YUu para <* Suldqfe 

cahtndo paca o peste eacçp transe tajnbpm * : 4m&sh % 

meia distancia 9 outro jbaiio maUperlgotQ ,aii^)% t 

chamado Baixo <k> Jvoq LfiUio £ça ot^ra cU tçt^ 

lagoas na dicaçQ^ de 5, Q d% ppflta Qcciden, 

tal. 4a ilha d« Ma|o/ na extensão #u*n* railba, 

de .norte paca. o sul \ e?te pefi^ty? rochedft e^ 

na porte central de» um extôn^q bíinco ífà c 9*al Y r qua 

$e. alonga mujto #ara E, e O. 4 a £, milbça pjaja .<* 

«ale mano* gaxa 9 w^e. Varias naaíra^io^ tqrpfDif 

c<jehf§s .çsles cacliçpcç, acrç^-o W* reoy&pm CC W 

violência; eatje outros, em 1# de Abjúfc 4a 1S0<^| 

fcassa^Q iiap ^q^arfça içgljza;,, jvpfeifetej ^ 

Oftti* da C^panJwa, 4^ iílHj» a ^(^í^^á^í 

ç&g&.Jflga «? aenov*.. qm, #5 tesga* j, ^ d ? atij ^çaçi* 

901 pulagrçtó^eitf^ r j í:J : ., -. i^ . ^, :. 

-. Alóqi j4'**te% toda M % «rçsfci. dai Uh% d&M a*9 # pr* 
teA» ,# paçhpflos. O^ij^ipojt.BDifto gj^i^.çiajf 
frequentada t ..£apen*i&,5#*$i 4e ?Wt;.\^l* h^H^ 

dos; o desembarque por<fU3 ( * iftuitg ^yu .<*lrgusg^ 



*-Ôtf 

|)or uttiá corda.' Eète porto cbattíaío Thghzé tkrm 
grande bahía, ' ca$>&« de conter um gránefe riôfnerò 
de navios de todo o lote : que fundeará èm 7 r a'í9'- 
braças, porem em parte é fojo 4 de lastro de pedira. 
Ao norte da rocha de desembarque e embarque, es* 
tá uma. espaçosa praia de área, onde sefató à aguaU' 
da em udái grattde e bom poçjò situado *entre & £raia 
è a salina* Aléta d*esté porto ha ainda òutrb'?oi* 
tadò!aç oeste , chamado de Pém secço ♦, que é p&wf 
co frequentado. Dista quatro iêgoàs dopoVtoitígieS', 
évwà ie&seádàdèafea,' abrigada ífos véntos J Si eS. E; 
aberta pOjéM fps NíeN: NSE.'; è èe r anbottí ém 
Oito braças d Vagira, em bons fiindos >, ■ tíbègkhdd-sê 
sempre ihãis a parte noite dòpoirto, dò ; que da pafc«- 
le sul. Poi ; seu 1 primeiro dottatdrôã,' por 1 grtíça r cfe 
ElRètD: Manoel, o ©apitai dè 6a8t&go;' ttbdíi- 
gé Affciítóo [[Liv. das ilhas f. 69 te Ur. «Sacie 
D. Mafíòel f. 6],* que a vendeu a Jdão* BàptHta e 
por tfiorte ^éfcte-pàssdufe seusHMhcfe Egas Coelho 9c 
Jdâo Gòelhb d^ute EÍRèi cónfihnóa^m 10 dé Ju- 
lho de XÔ04 ; Contrastando cdm élies' de darem ^ 
quarto è dizimo dás péllese tíébé dè gado eabrutA 
evacum què matassem [ Liv.' 1. 9 de Reisfi 185 f?\? 

Succedeu-lhes na Capitania por alvará dè 7 de 
Julho de iôW o vedor da Farfenâa, de ElRei D. Jo- 
io 3. 6 Bátíto d* Alvito, a quem ElRei deu mefeder 
da ilha [Li\r. 30 dei). Sèt)fcstí&o & »&8 J. : - — 
' D contrácttT a respeito 1 éás pèlles V eebo fof ite* 
fiovado £or carta dè 14 de Outubro dê 1*38 [ L ^* 
49 de D. Joító 8/ ft «66], 

Em data de 18 de Julho de 1078 fe« £IRei ©• 



67—- 



Sebastfao mèrce* de metade desta ilha , que era do 
Barão d* Alvito , a D; Antónia de Vilhena. [Lm- 
30 f. 259. ]. 

- Tendo vagado para a eoroafei El Rei D. JoâôV 
por alvará de 4 de Setembro de 1642 mercê do di* 
reito da outra- metade da ilha a Martim Aflamo- 
Cbelfao. fLir. 14 de D. João 4/ f. «4}. 

■ A 80 de Setembro de 1ST3 confirmou IX Affonso 
ê. # a posse da metade da ilha a D. Maria de Me*-' 
nezeç e mulher <te Diogo {Somes de Figueiredo tao 
eeesora de D. António de Vilhana. [Li 4 ?. 11. de* 

Aff. 6.*f. 43] .;.-•■ 

■ A respeito doesta ilha *eja*a£ndA de D. Aff.* 6/ 
Liv. 36 f. 154. Liv: 40. f. 1!5. e Liv è 24. f.iW// 
è também a cart&a Affonso Pestana Picoto.* Liv. 
47. f. 90 f . e oàtra a Anttajo Furtado dé Men- 

! donça Liv. 80 f. 133 fi ' • l <"'' .'.:.' 

: Com tlttdo apesar de ler tido tanto» donatários, no 
artno Í7S3 n&o tinha sfcnlfc* *00- habitantes , mora- 

! dores em cozas térreas y hoje fem flOOO "', -e a póvoa* 

çâe skuadà ao pé do pterto dos íngltfees , tem aW 

gamas boas cazsw ,' como M p. e. a casa dwande 

ga, que é a inélhor das dè todas as ilhas. " ' * '* - 

* Esta povoação que nSotem nome nem cathegofia 

de vSla é situada sobre úm rochedo de obra de 4 

braças sobre o Ihár , irídò' 'd- Wrrério • tf^ote elevtó- 

do-se sucee^hr^metite; Jfe ínhíòr^ptórtè éfta'tfilfc é 

«m «om^ostb irregular ^dè ctóàs abbmcftdá* e de 

|>edra enaseéa. A ígxteja •aoèrè^uteliltof estàvàpor 

pouco -a ctehSr, e àemdbav^^mais^* um ]pteriltei-' 

*o do que a um lugar d*oraçâo f O embarque eonw 



-ttWc*-r£ 



rc •*-■ 



$V * Vm* . <;ca;<Ja 1 t cf i^^Wi /P°* ! vezes .mçc^^jàei?* 
fracas» : -.p } :/?*. 

\jA&«*dV*t^|K|?p^oJti*4^ cinco <pequa- " 

*#fe*,í* fr*gu*W 4o, Feww» diga qqatfç fcgWt 4% 
^^a^iflfcpdoF pprjta;dcft>IiigHuw. ..... *.:,*,. t: 

A ilha q*qp» fcpdaj i^egttat; servf ,ui*içjiipeitfe>£te 

èJí&esój é>patttap<^a^.e 1 pOKjtt*cJ^^ ^n 

Poisamos que igualmente podia cuUiya^se enrçiijin* 
tas partes, si^a^zào <J'e*ts a»bandow 4» *gri-. 
^ultur§,. da q^fil e ws ajofla Bi|scfptiveL qi^rfl 
QtarVkt* è\ <##. fgtà&i tç&Qfr os b f abit^e&..da, .ií^% 
ptosufem : m$f ela* j ; e $b, .imvjosr.e^porf^m apmpafaieç* 
te para cima de 4000 moios, i; t . • •, . ;i 

. Tamlmbi vw*, da* raffÇesr* .qpç#Htitoin0utit p$r* 
•cr aatU ^iRàl^ia^ Hgric^ujia <U pft? * fo| u> Wn 

fconofÉ&jas t . w*tfc .YôpdiftW, t& Sspfêíaj/ja, ; dj) ^Q<H 
i^rao i , feay ia. çi)£aq pais % Qfòçif^ jaj^piapo» > 4^ 
que soldadas,;, , &p, ftcççia ^ç^boujft £ hqje €«». di^ ' 

%ou^Q^Ga?rer^p4f>fr4eggsa^4o8 bafc^tçs#j j*a§fr * 
d<** vlnerf ^PtfiMfoi^^Bsdo paptá MaW'fca*<wl» * j 



Çirç agui bastqqte dinheiro qtrç pçss.a em 
tèepajtç Rara. Santiago k dçnde Tem os mantimen-. 
|os; agç.r$, já principiajm e verdade também a se- 
mear milho, mas o terreno permite mais cultura 
■jÇtypfàç* <$?. Í9 r * Ç^is p*qye|toso aos especi^ 

■^ A $P r *"* m ^ P" le ^ ix * * d esarborisa4a ^ 
cqn^sçlp.se^çjc) e estéril è com pquc^s jÇoutes, é sujeita, 
a fomes , mais que qualquer das outras. JElla pare* 
ce ter sido produzida por um levantamento, ainda 
que as .camadas de pedras areentas, que a compòem 
sejam dispostas por camadas horizontaes. Ao pé do 
ancoradouro ha uma elevação que chamam monta* 
nha do Fogo; pon^a ,f f i«fiyfyq| que d*alí sahiam 
chamas *, porém não se vêem vestígios de lavas nem 
tão pouco cratera ou caldeira ; a rocha é compôs* 
ta d' uma área mui friável, como qaasi toda a ilha 

: A mb&tofr ftuppfitt Qptniçft fcon4ade da tal* cm* 

lim mar muito piscoso. - * ^ 

c 

dadefe feur£*g<* cpktfr&bf&yLfy qq* que o; QoUan^ 
dezes no tempo dos Filippes vinham . sem iippecU+i 
atento algma Itaer **s<*>AWng*« .* s^lg^;.-iida 

mutB.cfoM tani grande es te ^naneis^ cp*? boa* 
se- to. a»no ^dm<4*ej&<) dtelft. il&a .^atura/% ^OOíX 
péllès, c^mo consta -,d^Wigfts. açsentps, isto t só» 
«fo* . pertencente* $p% rsadiífcegtpfc R**u?*, afqgt ^ 

• Aft«ai*nte*,s%* ^^vsUvu^^iW^^iÇWfi^W^^ 



fonte clara rebenta das entranhas d'um rochedo^ 
è é suave o ouvir o seu murmúrio , descançado á 
sombra de ramagem que torna impenetrável aos 
raios do sol , e gozar a amenidâo do lugar , donde 
se espraia a vista por sobre massas enormes de ro- 
chedos agglomerados em desordem* A branca fa- 
ce do convento faz um singular contraste com as 
miseráveis choupanas d' uma lava negra e seus fus- 
cos tectos de palha. A ribeira gemendo entre estes 
pardieiros, alarga-se a borda dõ mar e forma uma 
lagoa,' que vai insensivelmente filtrando entre o» 
calhaos e desagua no Oceano* — * Nota 3.— -* 

O porto coíno já dissemos , é uma peqacnfa én* 
seada com cachopos no meio , por fora dos qnae» 
fundeavam antigamente os navios; porém hoje já 
aqui nao vem , a rrao ser algum baleeiro , que to- 
ma os refrescos sobre vela. Barcos costeiros , deno- 
minados aqui lambotcs fundeam entre a terra e es- 
tes cachopos. 

No tempo da Companhia do Grâo-Pará e Ma- 
ranhão , os navios descarregavam o lastro de pe- 
dra , de maneira que agora está cheio de rato , e 
com o fundo obstruído de muitas amarras e fatei- 
ias. Se o porto fosse bem abrigado de ventos , e 
ófferecessê vantagens, e se a povoação o merecesse , 
seria fácil de o limpar mas 1 não existindo motivo 
algum d^stes^mui preferível a todos os respeitos 6 
o porto dít villá da Praia. 

A Cidade é exposta todos os dias aos ardentes 

• r , 

raio6 do sol ? rodeada de montanhas tão altas que 
não deixam penetrar ò vento, a não ser pela ribeira 



-61- 

*>yrime\ro 9 que ha dita ilha achou c começou ckpfy 
voar. Como D. Branca cazou com Jorge Corrêa £• 
dalgo da caza de EIRei D. Manoel ^ confirmou Uk^» 

ja^elle e os seus herdeiros. 

■ ■ - ■ * » ■ * ■'•. '/'... 

A foi. 69 f m do jÀvrodús ilhat achate lambem » 
•confirmação de 29 de Outubro de 1497 a Uodri» 
go Affomo, do Seu Çopcelhp * da Capitania <£• 
parte do Norte de Santiago, quej:í lhe tora assi* 
gnada pela carta,, que ahi vem transe ripta a dada 
em Montemor o novo a 14 de Janeiro de 1485 % 
guando El Rei era Duque de B ja. Esta carta do 
doação, pode-ae considerar «orno o foral duqucLU 
ilha, . • 

Este mesmo Rodrigo Affonso foi ,. como já Jii* 
ternos, donatário da ilha de Maio e por alvará dp 
31 de Maio de 1490 obteve de EIRei p. Manoel 
n doação do gado bravo da Boa- Vista que confir* 
anou depois sendo Rei, por carta de 29 de Outu* 
bro.de 1496. [ Liv. das ilhas f. 49]. 

. Rodrigo Affonso morreu passados poucos anãos, 

como consta da doação que a 13 de Janeiro de I50d 

fez EIRei a seu filho Pedro Corrêa, da.saboata 

da jlhade S. Tiqgo', que fora do mesmo Rqdrigp 

4ffo*io. ILiv. 19 de D. Manoel foi. 36.] % .. j.- 

Nq Liv. 91 de D. João 3.° L 158 vem uma car« 

ta de EIRei D. Manoel a Jorge Corrêa. Sejzuiu-llM* 

jijfomo 4pnt$ de Compot r q^^nclo *ido assaci- 

jTOdo por um J?uy tardia passpg a 24.d^Peverei* 

*© 4e 1Ò31 <a Eernâo d' Alcáçova, [Uy; 9 delji 



uèl- 



JMmb&Í; triora^f nà iííia de íaiifí^d , à fcfcfetf 

«istalção áè : uma ca^elía, 'ínstítuidà^^' Igreja tia 

%'níí '^infu ifa fòbeírà^Wiiaé £& ^''Cáslelha-' 

no Rodrigo de Vilharan— ? [ t}K 'daiMaVf. ÍWJ.* 

Os primeiros sesraeiros fõf ám , um Gonçalo de 

*aiva 9 que perdendo por culpas a sua sesmaria, 

passou 'em ! 13 cíe A&b^õ de ibVO a 'Jo5o Burgallea 

í Lív. ' dás ilLí f ; 'éâ ]. '^imsiWàím tMàs , tendo i- 

gijalníentô perdido por motivo» idênticos, passou aí 

tRlahoel Òardozo a 20 <& Aoíó' &°15S£ " 

Esta. ilha de Santiago cnegou á sèr muito povoa* 
da ; l liòje não» tem sénao* l^ôlJO liabííaritesl ' 

Servia antigamente de refrescar as armadas' que 
iam pára ò Sul è depois as do oriente è occiderile* 
Âlí foram Vasco cfè Gámàl 'itfartim ÀffoÃsV de 
«Sousa e" todos* os navegadores celebres conforme 






fica dito áa pág. 7. 

Esta ilha moniuosà, e qufe dé muito longe sedes* 
cobre tem muitas enseadas, bahiàs e fundéadoiirò» 

fendo suas costas' limpas ; porém porto ^realmente: 

'• .» ', •..:{• ' té ^-) »• i ''-t^*iõ tv-»- 1\*'-> • •• *»*- »* *'■ ; noj 
nao tem* a nao ser na V ilíada rraia. 

Esta bítíia situada em 14."," õ'3' ! çf4 Latitude $&► 
pténlrloM e Í4> W dè Lohg^tódèátãt' áo U Híe- 
ridiano de LisW, feti£- ria%Ítr&íiidaaV S,"Ê'. 'dâ 
HEà.' Pertó se 'fundeia 'dè 8 V a & ira^s dê fundo 
ArèMSài 1 os ná*?oii áè^rite^dPlóte píodelft itíc : órát 
em 4 l)ra^ ; W^rrt*i<)r í pòls^^òriíJo ^' mdi IímV 
"pb. EsWtpé-rtd í^gurohibf tèmpfc oWbtizas^ li <& 
•íifer , • désdè 1 èuttror&Wò : rdéz ! de Uillhó íhkltíitvè-t 
nos mezes porém das agoas, que vieiri a 1 sef Agbs* 
'fe/^elcnltííi-iOikubíd-, - é"pHiitfów j ptfr «irw 



|><>sto aM vetftós 8. V>y S. B. que Usinando gana* 

ttíèútè ifaqoellaepocír, vecorpof vfezes Co» fofteHtf» 

F6ee. Eu tão quando estes prtfictylárt, é múh <sc»rtt 

para c* 5 Navios &teerém-*e logo dé Vela , do «qwe •► 

guèntafr *aas amarras, pois 1 rebenta tido estes , oaau* 

fr&gio seria ifoevitáVcl: '■ Para evitar eètb dftgraça 9 

*TaqueHe tempo do 'anilo, é mais jSrúdetrlé fio- 

dfear fora das poetas em 30 a$b brâçb*, para* as- 

*im logo- pod<ér-se fázér^dé 1 vela. A ponta N. Et 

d'esta bahia , chamada Ponta do» Bièudãê ê fentif 

limpa, pode-se dobrar* de perto; tnils a Mitra de 

S. S. O. Teih*ro$at*i atíát Ao TbtoMo-tmri «aja 

tíer pedras t precisa ufatiatUe ' <TeIl* tnàh d« tbesfc 

fchffim. O eoíiltecíín^íb de&e porto é n&ui fácil', 

niarcattdo^e p«la'Pô7ifatíd/ -B^utííH queé èrtffho- 

fee o mônle rcríhrfftíi : que^^«^'de*tá còr fkm 

^rfgum tstntó rio interior; : '*•'? 1 - ' l ' 

~--A!ém cPéáte porto h# na distancia díí três legòás 

*o Oeste-,' óda-C&kídti onde ftrnde&rt os navio*'*, 

|*btàii* raras vezesti £or sér cV fànêif èheib de ráto f 

^ n?o ha*?r tíèllfr fecWméfccSo.- ; QUètó po¥Án àBi 

quiser,* ou* frechai fundear : <fev% í enfiar d' pai* fcfo, 

band&ra da fcaterhr cofti <a varada' d6 velhor £*. 

lacib Episcopal, e data flrftíô descfé* a M brírças, 

Jxw fòta dornas pedras/ dchiro íat ^uâea fiuâèath 

làmkotes. '■> <■'/ ,JÍ r -i *- \^ • ■ * . ' '* ' : ' 

Na costa Occid. de Santiago y ^cffcfe j>Hiief£ia na 

pòtfta da èWèiWãé frftrrtà , ri a liltfintt Jtohta '•& O. 

tia iflfia f i t àcMrri.stt 1 Wftindeáaòkir^ ; dá «iòd/rà db 

*ff/èo^íffi8d^tf l «àPkií(i, t)te sâÔ-duair graMSs 



l 



èra antigamente à residência do Governado* , á sé 

do Bispo e de todas as authoridade&i Dista três le* 

goas davilla da Praia e deriva seu nome diurna ri« 

beira quê ahi se metté no mar. Admira muito, co* 

mo podiam ter escolhido para capital um sitio dVstes: 

esta cidade é bordada d'altissimas rocha*, no funda 

à*uítta ribeira estfeita, de maneira, que como todas as 

eazas são do lado do norte debaixo da .dominação 

d f enormes massas basaltiças, tem acontecido muitas 

vezes que um rochedo despegado de cima, foiço* 

lando ate' cahir dentro da viUae derrocou edifícios , 

levando tudo . que encontrava no caminho. Hoje 

taes fragmentos não podem já encontrar edifícios no" 

termo de sua queda e quando se precipitam empre* 

gam tddo o seu esforço contra montões de ruínas ^ 

que é quanto por ali se descobre! 

Na maior d' estas montanhas foi construída 
tio tempo da uzurpação Hespanhola , uma forta- 
leza chamada Real; tem quatro baluartes , haverr*. 
do contido n'outro tempo quartéis, cisternas, pai- 
oes e todas as mais accoínodações : agora está arrui- 
nada , e algumas peças de ferro e sem reparos, en- 
cravadas desde . o tempo do saque dos Franceses, guar- 
dam e servem de proècua.protecçâo ás ruínas da Ci- 
dade^ Esta n'outro tempo possuiu muitas e boas ca- 
ssas de pedra; e cal , e até muitas de cantaria de 
Portugal ^ havia ali cazas acastelladas , no gosto 
da architectura de 16/ século, resultado da combi- 
nação dos elegantes arabescos e suas esveltas e so- 
berbas columnas, com os grandiosos massiços go- 
thicosi algumas ainda, arrostando as injurias do. 



tenípo, ficaratu em pé^ como se fossem protegida» 
pelos brasões gloriosos , que lhe avultam sobre aa 
vergas das suas portadas !.,, hoje uma térrea chou* 
pana procurou abrigo debaixo da massa d*esta ou 
daquella torre, e rente do chão, á sombra das fo* 
lhas das palmeiras, vegeta uma desgraçada família 
de negros, ignorante do passado, deixando correr 
o presente e sem curar do futuro 9 quaes vemos os 
pastores que ora habitam nas ruínas da famosa Pai* 
myra ! . . . Umas cabanas de pedra e barro cober- 
ta* de palha, constituem hoje toda a cidade; encon- 
tram-se com frequência degráos de mármore de Pe« 
ro-Pinheiro, que conduzem a uma porta de junco 
com ombreiras de pau carunchoso. Havia ali qua* 
torze Igrejas, mas hoje existem somente — a Sé, que 
se vé agora (não obstante ser um bellp monumento ) 
destelhada no meio, —o Hospital da Misericórdia 
que está a cahií — e um seminário que b ultimo Bis- 
po mandou continuar ha poucos annos; este edificio 
de dous andares j e umas trinta janellas de frente j 
ti u rica ficou acabado, mas o bixo comeu toda ama» 
deíra que e' de pinho, e em breve càhindo em pe* 
daçoe adgmentará o cahos das ruínas* 

No fundo a bordo da ribeira se levanta um mo- 
desto convento dé frades capuchos: hoje privado 
de «eus devotos habitantes, porém ainda bello pela 
verdura , que o certa e abundante agoa quç o ba* 
nha, lá está solitário no meio daá ruínas: éo sítio 
mais delicioso talvez de tpdo Archipelago* A traa 
do edificio foi o terreno inferior aproveitado para 
horta. Ha aqui um bosque natural de anonas, uma 

é * 



— 74-9 

ganç^ militares, prezos ç fazendo outras possíveis 
economias. 

Os navios pagando um direito de desembarcadou- 
ro, e applicando uma parte do imposto sobre osge* 
neros ex-e importados , a despesa di^rante três ou 
quatro annos será soldada, e 4 e p°i 8 ai^gmentadq 
p rendimento do cofre. 

Formou-se uma Companhia na viU» da Praia , 
que quiz dando-lhe a propriedade de vinte annos, 
e as madeiras , construir á sua custa, seguindo a o* 
pinião do Sr. Marinho, uma ponte de páo adian- 
te da restinga mencionada, e mesmo defronte da 
actual Alfandega. Visto a areia ser movediça , e a 
grande quantidade doguzano que córneas madeiras 
em pouco tempo e offerecer ainda muitas difficulda* 
des na construcçâo, que n*este pais são as maiores. 
na proporç&o do pouco adiantamento dos officios 
mechanicos , e dever o Governo ainda fornecer as 
madeiras na Costa, não somos da opintâo, que se 
conceda semelhante monopólio; sen&o que o estado 
tire vantagem d'esta obra, aliás de pouca monta, 
tendo ali uni Engenheiro , que zeloso pelo interesse 
da Fazenda, não consin ta delapidações,— 

Não podemos também deixar de notar , que tan- 
to iTeste objecto , como em muitos mais , não é a 
falta de Lei, mas a falta d'observancia delia que é / 
de lamentar. 

No annol807 taxou-se um imposto de 1500 re*!» 
a todos os navios estrangeiros que aportassem a San- 
tiago, e dasde 1820 se applicou a todas as mais 
ilhas : este tributo era destinado para a feitura do 



i} 



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*-/<&*& t&a f z/ta 


X 



"PMAw diários , e a despwa não havia de passar de 

fcooaíoop. 



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a tortos os tít — • _ 

tia^o, e desde 1820 se applicou a todas a» maii 

ilhas : este tributo era destinado para a feitura do 



^ 



i cães, porém em lugar d'isso, entrava sempre nos 
' rendimentos reaes sem nunca ter a applicação de- 
lida. 

Outra obra 'qwe muito contribuiria também para 
p melhoramento d'este porto , consiste em unir q 
ilheo ao sitio indicado na planta. Formar-se-ha does- 
te modo uma bahia, onde os navios ancorados po- 
derão abrigar-se no tempo dos ventos do Sul , e ha- 
yendo duas a três braças de fundo ao pe' do ilheo 
n'e?tes sítios 9 ha bastante agua ate para embarca- 
coes de trezentas tonneladas. * 

Quanto á defeza do porto , sendo n*outra parte* 
o objecto de nossa àttenção , aqui omit timos o tra- 
tar a tal respeito. 

O terreno n*uma parte alagadiço no tempo das 
«aguas, é bom geralmente •»• Quanto á agua além de 
haver já alguns poços, acha-se mais cavando menos de 
tçes braças ; aperar de tudo isso , quazi toda a ver- 
|ea esta em completo abandono ; apenas a vigésima 



I 



^ Este trabalho de summa utilidade , sem faser custo- 
sos esforços , empregando quasi somente presos , degrada- 
das e homens de fachina , tanto da tropa de linha , como 
Milicianos , coni os materiaes e utensílios á mào , bem 
** pode concluir em seis mezes; feito da pedra perdida ou an- 
te* com o methodo chamado pelos Franeezes — d'enroche- 
ment— , revestindo com tudo do lado interior a face com 
alvenaria, da qual apresenta l£6 "feraças cubicas, que ne- 
grita 94 dias de outa horas de trabalho a razão de 30 
°perarios diários, e a despeza não havia de passar de 
^#000. 



— ?6 — 

parte tem sedo aprovei tad a em cultura. Somente? exia-r 
tem três fazendas , a do Sf .- José Pereira , a cha- 
mada da Fonte- Anna de D. Anna Watring e a bel* 
la do Sr* Francisco Caidozo. N'outrp tempo se cul- 
tivou em toda esta extensão bastante algodão, ain- 
da ha poucos annbs. um fazendeiro vend«u a sua co? 
lheita por, 30Q$00Q x% \ porém é d'esperar que nem 
sempre os habitantes se. deixarão accusar d' indolên- 
cia e ignorância dos seus próprios interesses 9 poi* 
já no fim da assistência de um de nós nesta ilha , 
principiavam a fazer^se du£*s fazendas ao pé mesmo? 
da villa; n'pma o Sr. Jo$o Pereira plantou mais 
de mil coqueiros, n'outra do Sr. João Bento bo- 
ticário, em breve talvez haja toda a qualidade do 
fructos e legumes , pois o proprietário não poupa 
nem despezas 9 nem trabalho. ' 

Afora d' uns seis poços particulares que tem esta» 
hortas, ha um publico, chamado — Fonte- Anna — 
de cuja agua se servia qu^si toda a gente, da viHa q, 
os navios, ali faziam a^uadp.. Nas maiores seccas e 
por mais que se tire, nnnc^ faltou . nem a diffe- 
rença era sensível; depois de. estar algumas noras 
envazilhada ten| bom gosto ; mas toda a gente de 
mais teres a manda buscar a diversas fazendas de 
meia até uma legoa de distancia; como o Monla* 
garro, T)'indade , S. Francisco , Calada £f. 

Esta Fonte- Anna até pela sua distancia é pouco 
com moda já para o 1150, domestico, já para embar- 
<jue } a ordem de 1652 de trazer á villa agua ença^ 
nada, nem se quer se principiou a p&r em execu- 



ção, — 



— 77^ 

Foi o Sr. M. Â. Martins que emprehendtu esta 
obra á sua custa, e a concluiu com muita decência 
e grandeza , trazendo agua até á villa de distancia 
(1'uma legoa da sua fazenda do Monta garro. A 
agua é mui boa na villa e o» navios fazem aguada 
chegando apenas as lanchas a praia. Um barril d'es« 
ta mesma agua, que se vendia ale agora por 100 
réis, podem ôs habitantes ter por *5 reis: mas as-* 
lim mesmo ha alguns maliciosamente captos, .( pois 
n'este paiz sempre a malícia anda á par da es tupi- 
dei) que considerando a agua como bem comum , 
clamam contra esta injustiça de deixar o governo de 
Tender agua, e dizem que isto e anti-cou-bti-tu-cio* 
nal [saberão elles o que e' Constituição ? ! J. Esta* 
mos certos que o Governo desprezará semelhantes 
representações, que poderão ser movidas por vingan- 
ças e ódios particulares 9 mas bom fora, que com- 
prasse o direito de propriedade ao dito Sr. Martins, 
pelo sen justo valor* 

Um viajante que se limitasse a desembarcar na 
Praia , e subir no ardor do sol ate á villa , e dallí 
lançasse um olhar sobre seu contorno , não faltaria 
ainda chegando até a Fonte- Ahna , como todos fa- 
zem ? de alcunhar esta ilha com o costumado epithe- 
to de árida ? estéril e inculta*, porém que grosseiro 
não reconhecerá que foi o seu engano, quando vir 
que no circuito de úmalegoá de raio, se encontram 
já algumas fazendas como Bom-Cué 7 Montagarro, 
Caiada 9 a pequena ribeira da SI Fílippe e aexten- 
sa e miiito bem cultivada de S. Fransisco^ asquaes 
são como precussoras ou postos avançados ^* ví~~. 



— ?8~ 

tosa « continua vegetação, que já* principia á dis* 
t anciã de duas legoas da rilla. Cedo um delicioso 
bosque de anonas è diversas outras arvores nos in- 
troduz na ribeira de S. Domingos. Os olhos costu- 
mados aos tristes contornos da viila da Praia, co- 
mo por encanto se fixam subitamente iía rica e va- 
riada verdura — vendo por toda a parte bella vege- 
tação I -í- O fundo do valle é cheio de hortas que pro.; 
duzem a mandioca , batata doce , hortaliça , abo- 
bías , &. abundantes coqueiros, larangeiras, cáffc- 
zeiros, limoeiros, bananeiras, papaias, é muitas ou- 
tras arvores fructiferas qrie protegem estas hortas do 
demasiado atdor. Os outeiros é montanhas' contíguas 
e elevadíssimas são cobeitas dè milho è feijão.' Em 
outros sitíos ha plantações de cannad'assucár. Por 
toda a parte , hão faltando a Chuva , ha ricos pas- 
tos para o gado. . 

N'esta ribeira na extensão d' uma legoa haverá 
mais de 300 casas, mas sem formarem povoação. 
sãò espalhadas no meio das plantações. Sahindo da 
freguezia de S. Domingos , para o Norte ate' a ex«< 
trema ponta da ilha, que são dezeseis legoas * atra^ 
vessando o Monfalàro, hcitôts pequenos e Gran* 
des , Órgãos , Picos , Santa Cathcrina £f* ha contí- 
nua verdura, sejnenteiras de milho j muito arvore- 
do e diversas hortas* aonde conforme o terreno, ou 
antes o uso, abundam mais num oit n* outro géne- 
ro de plantas. Na freguezia de S. Miguel o Sr, 
Ambrozio tem n'uma sua fazenda já 10^000 pésd e 
caffé : aqui são também as maiores sementeiras dç 
milho. Na achada de Santa Çatherina, que dista 



—79 — 

dez Icgoas da villa da Praia , diremos aos que cha* 
toam esta ilha estéril , que produí ate bello repo» 
lho todo o anno. Nesta freguezia se dão as melhorei 
laranjas da ilhae por ventura do globo inteiro; n*e*- 
ta chada que é uma bein extensa planicie, con« 
viria talvez formar-se uma povoação. Aqui e já 
nos Picos, dizem geralmente, ser o paiz mui sau- 
dável : e o certo é que ha menos doenças no inte» 
rior da ilha, que na costa do Sul , especialmente 
na villa da Praia e Cidade da Ribeira Grande. 

Em geral apezar de haver mais de dous terços de 
terreno ainda incultos, esta ilha e a mais abundan- 
te de todas , tanto em gados , como vegetaes e froc* 
ta. A exportação do milho chega annualmente á 
8000 moios. Além disso todos os navios que aqui 
tocam , em poucas horas e muito em conta se re- 
fazem de mantimentos, e ainda muitos géneros vãu* 
para as outras Ilhas como assucar , agoardente , e o 
milho para a ilha de Maioi 



FOGO. 



4 

Está ilha está ao oeste de Santiago, da qual é"se- 
{tarada por um canal de onze legoas. 

No seu descobrimento foi chamada de S. Filip. 
pe, — santo festejado pela igreja no mesmo dia de 
S.Thjago, li: de Maio). Depois foi denominada do 



— 80 — 

•*- Fogo — em consequência do volcâo que ali sé 
aclrou. — 

Nós documentos antigos porém e no historiador 
Góes encontramos sempre o nome de S # Filippe, que 
ficou só á villa capital. 

Esta ilha é mui alta , e quasi toda redonda 9 sen* 
do suas costas de rocha viva a pique : tem nove le- 
goas de comprido e quasi tanto de largo; No cen-. 
tro ha um monte, sobre cujo pico é o volcâo: que) 
se eleva sobre o nivel do mar obra de 1650 bra* 
çasí . 

Teve este volcâo por vezes grarídes erupções ^ no 
século passado em 1757, 1761 e 1769. Desde este 
ultima epocha esteve como extiíicto ate' 1785 ; n'a- 
quelle anno houve aos 24 de Janeiro pelas onze ho- 
ras do dia uma terrivel explosão, que presenciou 
João da Silva Feijó e colheu varias amostras de la* 
vas que offereceu em 1797 á Academia Real das 
Sciencias com uma memoria da qual compilaremos 
o que fora de interesse. 

Houve ainda depois uma forte erupção no fim do 
rne^ruo século e ate' 1817 muitas vezes estremeci- 
am os habitantes visinhos vendo sahir da cratera 
mais densos fumos sulphureos acompanhados as ve- 
zes de chamas azuladas. D'então para cá parece 
corno, extincto totalmente este volcâo. 

Os Insulares conservam á cerca da sua origem uma 

• » _ 

fabula bem t extravagante. Dizem elles, que os pri- 
meiros habitantes da ilha, foram dois padres ou fra- 
des^ que. se tinham retirado para ali, afim de vi- 
ver em solidão, osquaes acharam uma ruinad*ouro, 



i 



Oo pe aa qual. se estabeleceram ♦ Tendo ajuntado 
uma grande porção daquelle metal perderam o gos* 
to da vida solitária * e esperavam uma occaziãopa* 
ira regressar & Europa» Quando fizeram a partilha 
dó thesouro, um d'elles attribuindo a si maiores co* 
nhecimentos d'alchymia, tomou a maior parte, doa- 
de se originou uma rixa tão grande, que pondo em 
acção todos os feitiços , pozeram á ilha em fogo é 
morreram ambos. O incêndio apagou-se com o tem-» 
po, mas no centro ficou sempre acceso o elemento 
destruidor. 

Robcrtt , Bcclnàan e Froger viram o volcão ao 
ceio ,co auctor da viagem de Ant. Sherlcy diz 
que passando ali perto no momento d'uma erupção 
chegaram cinzas ad seu navio. — 

íodos os arredores do volqão são cobertos de la- 
va , que sahiu era tam grande abundância na ulti- 
ma grande erupção que em duas torrentes desfez 
penedos 9 encheu uma ribeira e depois de levar ca* 
sas , gados , e destruir fazendas , entrou umas qua* 
renta braças peio mar, dentro. 

9) Uma grande commoçao subterrânea que aba- 
loú e se fez sentir por toda a ilha com fortíssimos 
estfòndos no interior do Pico como trovoens foi ô 
primeiro signal doesta irrupção. Depois do 'que a- 
briu-se o Pico perpendicularmente e lançando de 
si èim golfadas, torrentes de escorias , cinzas e pe* 
dras tornou a fechar-se, ficando no seu primeiro 
estado. . . . N'esta situação . . .foram abrindo por to- 
da aquella Montanha até o mar de espaço em espa- 

Jo * da parte de E, N. E. diversos rombos, por 





fmâè sahirám torrente^ aè fógio , immensa qúàntida* 
lie de la Vás , ' umas duèiiiiadas , oiitras • derr&tòfâfô l 
èi rizas é : fúrrio , què : Sábados a6 ór faiiafe escurecer 
*óáb aqfuélle circuito, sehdô para: notai o não corre* 
rêiti eáfa** fluidos* para a lado oppbstô , onde se disf 
aWòn/e â % Aip& <ehi que* se encontram 1 antigas crate^í 
fas ,' 'que foráii* abertas nàr antecedente erupção dfr x 
firmo dè v I769; *' ' , • - • - ; 

" Ju&afríente' riÀ base do ; Pico da parte de* Iestè^ 
«onde chaáiám os riaturaes Monte de íòsna ( oiítrcí 
antigo montieulo e cratera voleanica) se abriram aS : 
£rincipaes e r as mais pcófondas^òcas, pelas qúaes 
sábia a niâíor forçay e : quantidade dè incêndio e dé 
iuvaY> e tyuédefam origerh a quatro no 1 os 'rríorrtesr 
immediatos uns atís outros e nà* meinia direccâoi 
Estes rióvos montes feámbem' se abriram verticalmen-! 
te e kinçàram de sf ihimensá quantidade de lavas , 
&s qímes descendo pete lado' de L. 8. E. se dividiram 
'tfcn átiaè 1 corno ribeiras 4 de íbgtf, dás quaes uma foi* 
entulhar um grande e proftmdWéimo vallè chamado 
Ribeira de /íntonmha [;de Palha Carga] e outr$ 
pàssoíi á alagai um dilatado plano inclinado deho-' 
éiinado : Jtíe/fci òndè havia alguitias casas é planta* 
ções* de algodoeiros , víhhás íf ficárido a maior parte 
sérvirião' de alicerce ã mesma lava;* 
•"'•A% que fbralh ètfpeliidás das bocas que se abriram 
da ípárte dô L.< K. E desde ô Monlt denominado 
de Dtnnirigok Fcmanãez até outro junto ao' mar, 
què se diz de João Marfim, inundaram* tambein; 
muita porção de terreno e'as que sahirám da ultima 
fcocea em João mariins foram àté entrar pelo ifrai* 



••-83— 

dentro m*h de vinte lanças fazendo ali- naquellâ 
costa, onde antes era uma enseada com o fundo da 
(juatro para cinco braças* , uma ponta de pedra quei- 
mada' assaz- aita. ' > ■ 

■ Até aqui são os fenómenos observados iTesia cr- 
rttpçâo que durou ate* vinte e cinco de Pevereirò 
seguinte, sendo a sua maior violeuc ia nos primeiros) 
sete dias success/vos continuando com tudo o fogo* 
ainda que mais central, porém sempre bem sensi* 
yel particularmente nos quatro novos montes em que 
foi intericissimo calor na superfície e nas suas bocas .et 
quaes são como a do Pico ellipticas terminadas in> 
feríormente como um funil, n 

N'aqueíla terrível errupçâo que durou vinte ese* 
te dias , as. cínàas e areias- chegaram até a ilha de 
Maio, trinta legoas de distancia ; a ilha do Fogo 
era toda coberta com altura de meio palmo ereben- 
taram duas fontes' d*agoa doce. -j - . ' - 

Em muitas partes^ e principalmente na' cratera 
ou caldeira > que fibje já csíá totalmente extinbta, 
àcha-se bastante enxofre cristal/gado. 
* Ha alguns anrios que um H espanhol desceu pela 
cratera e trousie algumas arrobas delle; Quando :tra* 
tarmos da geognosia doesta Provinda :j teremos aia* 

da ocòasiâo de descrever os productos volcanicos que 
*e encontram por ali; ; : - 

ÊT notável é muito para sentir- que éstevollao ét* 
feja ainda por visitar , tefído ido aò deTenerif&ofl 
Humboídts , Buctís , e Bedemtíres, 

A ilha como já dissemos é ! quasi redonda * toda 

impa, á excepção drt $ua ponta meridional <&»«• 

e * 



m#êk ptmia dójj4ícátr^% a qual tem unia resringfifc* 
qW la^ça- qoast uáia milha ao mar. Do lado de Nv 
S. O. tem também sete pedras fora dagoa, que^ 
chamam sete cabeças e distam da terra meia milhar 
* O toar nas suas costas geralmente anda de lefra- 
díò principalmente no temp* das agoas:* q«e ás ve- 
xes só a nado é possível desembarcar. Ena occasioe* 
maisfavoiavíeis effeotuafsç; q desembarque ás costa» 

dos negros* .- . ' x 

Tem varias praias para lanchas e lanibotès, po* 
fém somente na. costa S. O. dous ancòradores na 
«mesmh enseada «stfiarado& pòtuma. ponta; dé terra e 
área. O principal é o da <Vp*«a Senhora' da Lú%+ 
que é uma grande praia d'area ? e onde dá-se fundo 
ém oito a nove braças: na praia onde está a alfân- 
dega hb alguns armazéns de particulares J 

ÃLviíla de S. Filippe, capital daiHia,- éo segun«* 
do ancoradouro, do antecedente dista meia legoa> 

para o Norte, 

Oiàfes^mbarquè bo porto de N* SúnJiorar ê pouco 
seguro e encomoiodò peia quasi constante maresia:, 
aí brisas aao pouco sensíveis; e,se experimentam qua- 
si diárias calmas e virações-, é aqui que quasi todos, 
os navios cacrçgam o milho que sahe da ilha. 
.. Ofufldeadoro cteS. KiUppe, que tem um desenw 
barcadouro igualmente péssimo "• m»i paqneno. Já 
m distancia de meia milh» da terra há. viote ecin- 
o h**ças du fundo de rocha, e em to4o;<> contorno 
da ilha em três quartos d<5 milha de littoral nua 
sé acha ihndb em cento e trinta braças. 

Alem d'e*te$ dous ancoradouros ha mai*olgun$«p<>i* 



&5- 

los para lanchas e lambotes, como por exemplo t> 
das salinas i 9 ao N. N. O. que e mui ruim, impwC- 
licavel e não passa de uma simples costa de mar j 
e outro dos Morteiros } ao pé deste skio, que eomâ, 
tfreguezi^i *é encontram íaras »*oth vaHe formado 
pelo jPico 4 $,pela serra que o encobre pêra os da vil; 
la. Mste valle chamará — O chão das caldeirai — e 

* é 

3*£ crateras que resfolgkó jâr$ onde -se encontra tara- 
$>em enxofre em pó. **• ' 

Fernão "Gomes foi o primeiro etohatariotTesta ilha 
ecapítaó por elrei D. Manoel. Um dos seus primei* 
rossesmeirds, foi um certo Martim Miguel, que yen- 
deu a sua sesmaria a Pêro Taco, Ouvidor da mes- 
ma ilha , e por este a comprar e haver eem licença 
de Elrei passou á Fructos de Góes (que Isto denun* 
fctou, por mercê deÔ8 de Novembro de IM6 (Lto; 
das ilhas, foi âÔ8. coíl. 1/) Este a doou á suapri- 
ma Anua de Góes , que recebeu confirmação dei- 
tei em 14 dé Junho de 1S&1 (Liv, 39 de D, Manoel 
foL 111) 

Outro* Sismeiro foi um bacharel Martim Mendes, 

* ... . . t. 

Cujas terras maninhas e montados passaram por seu 
fállecimento ao Cfondc de Penellá por carta de £4 

de Maio de l|«& (Liv. 14 de JoSo 3.° fòl. 140} 

-. * • • ' 

Por morte do Capitão' Fefnão 'Górríe* doou elrei 
todas as terras matoinhas-e montados aò mesmo Con- 
de de -Peneira, 'por carta de â0 de Abril de 1330 
(Liv. 14 de João 3.° foi. 90 jf.) D. Filippe 1.° a 
doou a D. Affonso de Vasconcellos de Menezes, 
(como se vê da confirmação de D. Filippe 2.° (Liv. 
p foi, 339) quefc<*rdoti cótn a: a""Alcaidanã'm6r f de 



~~r86 

Castello Bom a Capitania da ilha do Fbgo, qup 
passou q, seu filho D.João pjfz de Vasconcellos pojr 
^}varã dç 7 de Junio de, 1636. (Uv. 26, f, 814.— 
Jav. «7. f. 314 e úr. 3ô, de Filipe ?.° f; 56), „, 

VA 17 de Setembro de 1648 passou para a herdei* 
|*a D. Joanna de. Vasconcellos que cazou co^xf ç^ 
: Yisçonde de Villa Nova da «CJerveir^. . qr '•.."[ 

. S. Filippe é a villa capital da ilha , e foi, a. te* 
gunda povoação fundada n 'este Arçhipejago^ tem ai* 
gumas boas cazas e é mais "extensa que a ViUa da 
Praia em SautiagQ. E*bem assentada, mas tem um 
certo ar d 'abandono, em consequência d^ residirem 
os habitantes mais nó interior da ilha nas .suas la? 
youra?, D 'isso) porem provém a abundância e melhor 
tratamento que ha na;s fazendas desta ilha. Situada n 
pm.alto^ donie se avistam as hortas distantes, nã$ 
ha na villa uma arvore 9 que cqrrv sua sombra po* 
desse offerecer afr igo do sol constantemente abraza* 
£or.^ t)o lado doma* seudo quasi todas as cazaf 
caiadas e telhadas offérece por. isso linda apparen- 
cia. Algurqas peças coUpçadas atraz4'um monte de 
. pedra, solta, verp, a ser, a Fortaleza que se dí? exi3« 
%ir par$ defeza do porto e villa; ; no porto, da N; 
Senhora da Luz bad^ual cohstruççao uma peque-» 
ia bateria , ahi chamada — baluarte, — * 

Se pouco ou nada se tem importado em augmentaç 
$ defeca d|L ilha com fortificações, ha n'esta pequerç 



# Veja-se a Hist^GeneaK T, U p. 116» 



fa. villa, ique pouco ^aís-tondç- çein fogos % 
tnsnos 4e oito igreja*.!.— t ;-.■•••. 

A agua que se bebe na WUa* ytm f o> ^istaucia, 
de. duas legoasj porçamuj&os.quasi. intransitáveis, 
£ra*ida em odres ide peiles de cabra, que no prinçi* 
ÇÍo lhe dão sempre unj çosto pcmco agradável j es^ 
£a> agtia na soa Boscente frigidissima* e tendo nao ? , 
rigcm duas telha* somçrse nas área*, JT situa-, 

4 a ¥***? 4 o cume ^ a sen '?^ 9 ue ^ a , P^T l^f*** 
da villa , fazendo frente ao volcao : e d f absoiut^ açrv 

cessidadç encapar esJta agua a traves da ser;? r M\6 

í villa ? aa yisiah^BÇ* da qual melhorada ainda a*ui>> 

fas fazeiadas^-r^ . ..... ; { 

. Ha ainda «|ai$ algumas fontes de boa agua, juipv 

to á> praia* 4$ Ladrão, x $a, jPena ; de j^ 5e#/io-, 

j-a <Jq Spcçorro ; da Faiçisinfyi flç JUÇospeiço $. do Cçr^ 

*p ; da P4ha-cfLTg^ e ojâ^as.^ttps importantes. t 

A ilha do Fogo .tem.qqatfp, £e$utzias r a saber ;< 

a de , & Filippc ; ^^annenjo ## £i^*j . A 7 :< S*nAu- } 

ra da Luz fcós ^fosíe^o*, e fianta Catfiqçina. +r- r ^ 

Pelo jre£enseapaprçj;Q <Je }p34tinha ,1096FqgpaiThov 

je terájwa cima de fr/OvM) habitante*,, dSP-.-SIA&r. 

* * * * 

9QQ sm e$çjaYQ$ vquando ^{{nncipio d'e/te se;culq r 

o. numero, e*a niuitç jaajor e na proppj jjsjãi? rse?t 

guinte^. - ' , . .,:•:" v "" j : - :-*.■•> i »". f 
. JJranpps. ...., . ? ... . : . :?f r ,.,, ijf v:. ^° 

Mulatos. ........ ... . * 5 t.oí :♦".:::. *P^"- 

. : Preto.s foro^ v i . % ;. .v.«..«3«^.-«j rv ^?Q 

. jsic^pi* . , , i .: . :v . , . . . . v ?í ; • , fo°? i 

■ - ,• ■ ' • fot^íM 60 . 



r 

Antes da fome de 1831 — 1833 havia 16,870 ha* 
bitantes, cujo numero n*eata desgraçada occatião , 
diminuiu de 12 ? 0ÒO.— J 

A ilha do Fogo e muito saudável , apezar de ser 
ião quente cornei as outras, ou talvez ítinda mais ; 
por isso accreditamos, que não obstante haver' aqui 

ò mesmo inconveniente da Multiplicidade dòs viri- 

, • • ... . '- ■ 'i . ~» 

culos como em Santiago , a sua cultura como a suà 

população aúgmenta em proporção tão considera* 
velmente. •«■••' 1 

Jfesta ilha prospera tudo 9 quanto nas outras se 
cria, até é melhor não precizando tanta chuva» 

Pelas encostas dão-se vinhas, de que se faz um 
vinho muito bom pára uso ordinário, é melhor aín- 
da seria se seemprègassé outro methodo ha sua con- 
jfeição ; pois ò usado, * está em proporção com o es« 
tado da industria dós cultivadores, que depois de es- 
znagarem a úvá como podem , não havendo lagares 
próprios, a me ttem em sàccos, è a exprerpem com páos 
e pedras. A julgar pelo íjue" provamos em caza do 
Sr. Barbosa , Eoropeo aqui estabelecido , r e que de 
melhor modo o prepara , poder-se-hia obter um vi- 
nho bòm e forte', e pode ser que até generoso, in- 
troduzindo*se tf uso dós lagares é dás cavas , aonde 
podia com o menor calor ter lugar a fermentação*' 
Antigamente haviçt muitas vinhas tomo sS véd'anti« 
#° 6 inventários e testamentos. ■■'-'•• ' 

Além de toda a frueta do paiz como cocos, ta- 
márinos, guiavas bananas, papaias, excéllentes ana- 
nazes tfc* ha hortaliça , repolhos é todas as mais 
qualidades de legumes: prosperam muito bem asfe» 



— w— 



9 maçãs , pecegos e outra fracta Europea ; o ta« 
taco doesta ilha iguala o da Virgínia eé ainda mai4 
forte. 

Os rochedos também produzem aqui aunella, 
mas por bater outro lichcn vulgarmente cbamado 
JBicana, que muito se lhe assemelha naapparenciá 
pouco a apanham. 

Abunda esta ilha em iplitre, que é o tulfato dê 
mxia dos chimícos, e ha também muita pedra ponte* 

Manufacturam- se bons p^nnos de algodão, cha^ 
jnados Gallan que sendo com renda valera ires pata* 
càs, è duas semella: outros Òxõi ordinariamente de 
preço de cinco ou seis patacas também bellas colcha* 
para camas , toalhas , riscado para calças &<?• 



ILHA BRAVA- 



]Está situada três legoas áo oeste do Fbgo e vinte 
fe traia de Santiago, Ao principio se chamou de S. Joâoj 
e como esteve alguns annos por cultivar ecomj>le|a* 
mente bravia, parete segundo alguns qde d*esta cir* 
cumstancia lhe Veio o nome, ainda que* boje se po- 
de sem receio affirmar que tal ilha brava está total* 
mente desbravada, e pode-se chamar o Paraito do Ar*> 
chipelago Càbovcrdfcmo. * 



> ■** • - • ... ? 



(*) Vej. Viagens de ílinders e Krttzenstern e tam« 
kem Voyages of the Leven, 



«r-90 — 



.V» 



ji maior cultufa porenj e de milho, do qual se 
fhega a exportar para ^cinja de. quinhentos moios et 
medida da terra , que equivale álI25 de Portugal; 
este milho, corrç o o da ilha Brava 5l reputado cqhiq 
Iftdt^pr de toda a província paga-se sempre mais ca- 
10? na Madeira para aonde é o sçu principal porto 
«Pexportação ; a grande abundância d'este género 
fa? ( qu^ ^'esta yha sç eriçm juhíJjos , porcos , que*" 
ajbastecem todo o Arçhipelago. . O feijão cons itue 
tfepois. do milh$ a princjp^J ag^çuUyra. dos tyabi* 
tanfes*. .... 

, ' A bunda não mçnos çsta ilha < em gados • e tem. 
jaauito bons cayallos ç muares, O Capitão Mói João 

à..'?. .1-* ''T 

Carlos d& Fonseca, que foi tão infelizmente succe*! 
dido na sua colonização de S« Vicente, mandou vir* 
doui camelos da* ilhas Canárias , mas rrçorreu lo- 
go a fêmea, e assim não. houve propagação d' estes 
animaet tão úteis , que parece se começam a intro- 
duza em Angola. 

* Principiem ella a ser .piais povoada, desde 1684} , 
guanjlpv aa occasião .d^irça r^rande fome , alguns^ 
feohi$a£tes pobres vieram do* FogQ,, e onde .acha- , 
tf** segttadp ftarece, j4 £wili%% de ^ egjos, qpp 
tf^ham mni$p gado vacum, cabras, e .grande . 
já>imdaac|a de pojco£ ,. que deitados por, um JiavioL 
J^ortuguez, propagaram extraordinariamente, fòta> { 
ilha que já chegou a ter 7Q0Q habitanj*s ; tefp-^ft-., 
je pouco mais de 4000 : quasi todos brancos , ai- 
gtbâ Ifóròpèos , ''muitos filhos daTIfadetía, Cpeta* 
maipr, parte. marítimo* ea^abcíeqidftf n ou, 4<^c/5ndqn- 
tes d*elle», . . -*aJ. .• . ■'/../■ 



? A Hha Brava tem quatro ancoradouros para 04 
pavios,. <los quaes o principal e m*ts .frequenta* 

fio é. 

O Jfotífo db Jftm*i. Situado ao S. B. da ilha i 
jnuíto bom no tempq das bricas. E' uma especif 
«Je furna que terá çem braças deltfrgo entre og dna© 
pontas de entrada, que são de rocha» preta», eapoa* 
ta occidental sahindo mais ao mar chamada — pon* 
ta de Jalungo. — Os navios, que entram n'e*te por* 
Co, se amarram de popa e proa) e como tem até 
vinte e cinco braças , tem capacidade para 09 maio» 
f es embarcações. A entrada é 'mais fácil, qne a sa* 
jbída, em ratão dos embates e viração* diária , por 
isso preciza muita cautella, esperando para sahif 
bom tempo, e amarrar um cabo na ponta» de leste 
ou sei Tebocado por uma lancha a remos. Este poc» 
to e difficil a conhecer , de quem não fòr pratico ; 
pias or melhor é então, -procurar Q pon^a de leste 
da ifha> e costeando-a 4e perto, descobrir o por? 
$0 que se reppahece,en$o pele* fjrna que faz e, 
por alguns armazéns, que ha na Praia. 
, Meia Jegoa ao % oe*te, ao sui da jilhp,' está 9 Pari 
to de Aiú&o : i umabahia, que pode conter uns» 
ioie juivjos, achando, fundo çm toda,, extensão por^ 
doze braças. J 

■ Raras vezes pprçqi .vem aqui algum navio , tan« 
to por nãq haver boas agoa como por falta de 
commercio. 

i OiPortó.dos JFerfeiros é situado na Costa S. O. 
da ilha.? quasi, uma l.egoa parado oeste do antece* 
dente ; é uma pequena enseada , onde os navioa se 



: / 



«marram de popa e proa e 9&0 mais abrigados do? 
Tentos. S. e S. E» que nos dous anteriores. 

O Porto do Fajâo & Agoa ; este pequeno porto 
que acoomoda só sek pavios amarrados de popa e 
proa em oito a dez braças d' agua, é situado ao N» 
da ilha, o que p&z bom na tempo das aguas* comi» 
bem abrigado dos ventos do quadrante de Sul ; 4 
também aqui que geralmente vem os navios fazer 
aguada.— 

A ilha Brava é composta de altas montanhas* 

accumuladas py ramidalmente unas fpbre as outras* 

comlud* a proximidade do Fogo a faz pareeet 

inais baixa. Quasi sempre coberta com densos ne* 
yoeiros, e húmida, o que contribue muito para a 

áua fertilidade, que peqaena, alta e montuosa co- 

• -. . • . » . 

niQ e, pòde-se charnar o jardim das ilhas: atçesta 
íiumidadé a toma amena e saudável.— 

Tem duas fiegiiezias : a de S. João, e a da N01+ 
ia Senhora do Monte. "Verdadeiramente não fia po- 
vòaçâo nesta ilha; pòÍ9 o que chamam villa, e é 
situado no cume* d'úma rocha, perto do porto da' 
Furna, consiste em muitas cazas, algumas bèm boas,. 

* ■ * 

todas cercadas de jardins é hortas, que sfto circum- 
dadas de roseiras, tamarineiros, laranjeiras, co- 
queiros, parreiras, íf. Em toda a ilha, pode-se 
dizer, que não ba um palmo de terreno, sem ser 
aproveitado. Os habitantes são com razão pintados 
por muitos viajantes estrangeiros como hospitaleiros 
e generosos. 

O principal objecto da agricultura é o mittío 9 
do qual faz afmualment* vima exportação de qua? 



ferdsenlos moios, coúsumindo outro tanto na tetra- 
tanto nò sustento, coma na creaçàode muito» por* 
cos; abunda porém também em vinhas , legumes, 
verduras, fruto, e tem muito gado e aves. 

A porém afora alguma tarraffa é tão pouca, que 
pela maior parte usam de bosta e caroço de milho 

ÍH duas ribeiras n'esta ilha , e mui bem cultiva 
das; uma desemboca no porto do* Ferreiros r o 
tem muitas vinhas , bananeiras e algodão: a outra é 
no fitado do porto' do Fogão d'agua, muito abun* 
dantíssima d 'agua, e onde não se encontra menot 
bella cultura* 

No porto aa kintiao, as rochas negras que o cu> 
CUjãdamsSo impregnados de salitre: em algumas con« 

cavidades abrigadas da chuva, se acham áte' de gros- 
sura de duas pollegadas , mas ninguém se* dá ao 
trabalho de d explorar ; no tòno 1799 foram reme- 
tidos 13 caixões d^eHe parar Lisboa/ 

IRoberts tirou de alguns logarés áfé £ àe salitre 
poço e bom -/ este lnglez que bastante tempo se ti- 
nha demojttdo n'esta ilha , suspeitava a eristeacu* 
<Tuma mina de cobre e julgou poder assegurai", que 
as áreas continham bastantes partículas de ouro , 
dó que por falta de meios V reagentes nfio pO* 
dia obter toda certeza: tobs vagaméttite falia de artaà 
èiver sat tmcúr e jjteo , e alguma* inàis penada* qii* 
o ferro. 

E' sem duvida, que esta ilha abunda em mine» 
iaes: assim afonte chamaáa da agua de Vinagre, 
cuja agoa nascente é muito acida e passadas qua- 
renta e oito horas é óptima e até promove a^ di- 



£ésiao; tem esta particularidade sem duvida éríl 
razão de muitas partes férreas; como ou tracem muitó 
cobre. fíá -lambeui outra tâef sulfurosa que qualquesr 
peça dê praia mergulhada , n'utn instante se 1 fa É 

* * * » 

preta.*' •■ * •" Á> -' "-♦ /"* : *- 

Neutro tempo acfíavam na costa d f èste'Íifaâmitil<{ 
áifrbar (ambre grU.) r -í- Od Portugueses ^antiga- 
fhentè chamaAm a eaita prodacção ^^wi&ragfri* 
griài ' sétrnòihe na scienèia é Anibrà ' aníbrosidcá 
ê preseiitèitfente conéofrla à maioria .do* esquadria 
fthádores das riquezas da natureza, o seí:eíle um es<* 
permen conglutinado d'alguns Cetáceos.' Esta pro* 
aucção apezar de ter diminuído cfosidefavelriiente 
no seu preço, cdm tudo considerada d'absolata áb* 
çessidade para a confeição d'oleo^e perfôínes merece* 
ser, procurada com zelo. 0iz-se que :Jpao Carneiro 
degradado de Lisbqa; para espiar n'esta jlha squ^ 
crimes, achou ao p£d'uma das ilhotas vizinhas,* um 
bocado d*ambar fatal grandeza, que não r só esta 
pesca feliz lhag*apgeou o perdão do monarcha, rnai 
copa producto do trhe^otiro achado comprou bens con- 
sideráveis napatria.^ Valha a ferdade— raaso&aláes* 
ta lejnfranga estimulasse ajguem na esperança da, 
igual «orte; hoje. não se Açba atnJbar, porque o não, 
procuran>, deixandoro para as tartarugas e aves ma> 
litimas. 






ILHEQS DO .ROMBO, 






Duas legoas ao norte da ilha Brava defronte d* 



fkmta cfo Ênccnép são situados esies rochedos bran* 
cos e altos , dos quaes um chamam o ilhco Grande 
é outro de João Carneiro .cujo nome provem , dizem 
3o feliz acaso supra mencionado : geralmente porém 
se designam com o nome de ilheosdo Rombo. São in- 
Cultos , tem urzelía e algum algodão qué cresce bra* 



to. 



Entre elte* é'a ilha Errava podem passar todos oi 

t - * 

navios; o canal porem entre um ilheo e outro è 
sujo de pouco fundo e cheio de recifes , que des* 

floram. 

' ' » ' ' 

Para . tratarmos com ordem na descíripção de 
toda esta provmeia daremos primeiro uma noticia 
geral da território que ainda nos falta no continen- 
te Africano, ou da 



CiDÍSET £ORTÍJGUÉZA. 



A costa de Guine' que nos antigos Portugueses 
abrangia o espaço comprehendido entre orlo de Se- 
negai e Serra-Leôa , começou a ser descuberta de* 
pois que Gil Eanhes pelos annos de 1433 dobrou ò 
Cabo Bojador, por ordem doSr.lnfanteí). Henrique 
fe que fez o seu nome mais gloríozo', que o de todos 
ôs seus contemporâneos « cómò disse Voltaire* 

No anpo 1446 tentaram Luiz deCadamostoe An- 
tOnio de Kolle a segunda viagem para completar o 



^96 — 

descobrimento do rio de Gambia ^ que já tinhant 

avistado. Armaram para este fim duas caravellas é 

Í- ' * * • . -i • . . . .■ ♦ 

tirante com grande contentamento Íhe9 deu a in* 

dispensável licença e mandou juntamente com elles 

uma caravella suá. Esta frota na volta das ilhas d© 

Cabo-verde , das quaes como dissemos dcscubriu n* 

esta occasião/ S. Filippe, Boa-vista e Maio, foi 

Reconhecer o já visto rio de Gambia. Sabidos d'el- 

le fercão estes navegadores continuando para oeste 

t depois para o sul , e já por mares nunca d'antes 

navegados: avistaram ao terceiro dia o rio queòha* 

maram de Sé Pedro , e logo adiante os de S. Ànna 

e Ostras* Na manhã seguinte viram o rio de Casa* 

mansa , que assim chamaram do nome do Senho* 

dos terrenos ribeirino*. No dia seguinte continuaram 

■ 

a viagem, descubrindo o Cabo roxo obra de lõ tuim 
lhas , é além o rio de S. Domingos , o das Ancoraé 
chegando finalmente aboca do rio de Giba. D'áqui 
concordaram > os com mandantes de vtoliar a Portu- 
gal , o que fizeram reconhecendo de caminho alguw 
mas das ilhas Bissagós que acharam com ftondozas 
arvores e algumas habitadas. 

No mesmo anno de 1446 mandou o Infante á 
Nuno Tristão com uma caravella com ordem de 
Passar adiante do Cabo dos mastros ultimo termo 

4 

ate então dos descobrimentos. Èsfte cabo avistou 
primeiro um Álvaro Fernandèz , sobrinho do Capi-« 
tãcKinór de Funchal João Gonçalvez da Camará, 
e que no mesmo anno parece, tinha sahidoda Ma* 
deira. 

Nuno TristXo descobriu ao Sul deBissato o gran* 



de rio que ainda conserva o nome cTeste valente 
náutico, que infelizmente ali achoti a morte com 
a maioria dos seus, n'uma peleja contra treie alma'- 
dias de Negros. — 

AWaro Fernandet 11'oiitra viagem pastou ainda 
além. até ao rio de Tahite, que parece ser algum dos 
ijiie desaguam entre o rio Nuno e Serra-Leoa. 

No auno 1462 mandou Elítei duas caravetlas pai 
tá continuarem os descobrimentos d' Africa; n'tima 
das qúaes ia por cotnmandante Pedro de Cintra* 
e n'outra Soeiro daCòtta. Chegaram ás duas ilha* 
habitadas defronte do rio que Cadamosto chamo» 
.Rio Grande, e 40 milhas alem viram outro rio 
com trez ou quatro milhai de largo na sua foz , a 
que chamaram Bctsenegue , tirando este nome do 
d'um regulo vizinho. 

Estes dois navegadores Portugueses avistaram ain- 
da além o Cabo da Verga. 

Os antigos Portugueses por tanto como primeiros 
descobridores , foram por muito tempo bs únicos 
senhores de Guiné. Os Reis man- 

daram c ndé custo diversas fortale- 

zas, para sessões ; assim elreiD. João 

II- fez e , da Minai e o Sf. D. Ma* 

noel o di o do porto da Serra-Leoai 

O Senhor a praça de Bissaó, &. A 

bandeira das quinas tremolafa em' leda a Guiné 
desde o cabo Branco até o Congo ; sobreveiu po- 
rem o malfadado jugo sexagenário dos Firippés, e 
em breve achou Portugal concorrentes , è teve que 
sofrer lambem ali sensíveis perdas. — 



. . Com tudo, ainda em 1,680 o distrícto de Guiné , 
que pertencia á Capitania de Cabo^ Verde , come- 
çava no rio Sanagá estendendo-se até o rio dos 
Casto, onde principia o districto de Serra- Leoa, e 
jt^eniremeío ainda nação alguma tinha portos, for- 
tes ou feitorias, havendo alias muitas povoações 
de Portugueze» nos rios de S. Domingos , dt Ge* 
ha, Jtio-grcmde , de Nuno 3f< 

Hoje tem perdido os melhores rios, como o de 
Senegal, e Gambia: ficou ê verdade ainda uma 
grande influencia que te.m o nome Portuguez, e 
mio governo intelligente a podia com interesse fazer 
exercer e aproveitar. ,. ;;; 

Esta parte das nossas Conquistas se estenda 
proximamente desde 10," a 13/ N. Cortado por 
muitos rios e riachos , com uma vegetação activis- 
eima, coberto de muitas arvores e matos vir- 
gens, em que tumultua uma população immeri* 
ta e robusta , — este paia ainda malsão como todos 
os entre trópicos, aonde o braço da. industria na» 
removeu os obstáculos, n ia **• 

tuaçuo geographica, po t pe- 

la riqueza das suas produ bri- 

lhantes da Coroa Portug «>».«> 

çu nada conhecidos ■ são "» ■ 

s*m seu conhecimento et todos 

os projectos, todos os amelhora mentos sonhados , 
todas leis tendentes áquelle fim. — E* nesta árdua 
tarçfa que 4 beneficio das sciencias geográficas ou- 
sámôs-pòi.as. mãos, e com quanto sabemos, quão 
incompleto será este nosso trabalho, eiperamos in- 



jjuígencia por sermos talvez o* primeiros que lera* 
mes este trilho» 

Oxalá pendas mais hábeis, e espíritos mais fer- 
ieis e fecundos , aperfeiçoem este fraco esboço e de 
fcohejo seremos remunerados dos nossos esforços ! — 
. P ara proceder com ordem na descripção geográ- 
fica do pai 2, narração das suas producçóes, usos e 
costumçs dos habitantes, e diversidade de tribus: 
^omo lambem para a exposição das causas e factos 
que os trouxeram áquella decadência , e dos meios 
que os podiam collocar no gráo competente , — co- 
meçando pela parte hydrograãca, apresentaremos 
um limitado roteiro da costa de Guine', desde o 
norte do rio de Cazamansa ate ao Cabo da Ycfrga» 
cem o intuito de poder utilizar aos que por ali na-. 
fc vegarem. Depois do que seguiremos com uma des-» 
cripção mais minuciosa dos presídios e estabelecimen- 
ios portugueses nesta parte do mundo* 

Começando do cabo de S. Maria e uma mata 
redonda 9 chaftiada Farão , logo se encontrão ria- 
cho de S. João, só navegável para canoas e çTam- 

.. |n^ as margens habitado por Ftupes. Segue-se o ria- 
Ufa de S. P*drò 9 n'algumas cartas chamado — 
Éa* Ostras. Áo sul está o rio Casamama, na sua 

' v embocadura ha o ilheo dos Mosquitos, por estran- 
geiros, por vezeá chamado Ito, agora segundo nos 
Consta ocçupado pelos Franceses. A barra do rio 
é má e só serve para pequenas embarcações que 
não demandem mais de oito palmos d*agoa, além 
de ter ainda fora um grande recife:. no meio po- 



rém é limpo; este rio distada fo* de Gambia vihtó 
legoas. De noute feconhece-se por ser o fundo àè 

vaza solta. 

No Casamansa fica situado Zenguichor , e maia 
algumas povoações e portos aonde se pode nego- 
ciar. D'alí até o rio deCacheo ou de S. Domin- 
go* toda aterra e' habitada por Flupes, e pode-se 
correr a costa afastado umalegoa, até ver umas 
praias grandes em terra, antes do Cabo-roxo^ a 
que chamam Lengoès de fora. O Cabo-Roxo se 
descobre em forma de ilha com um grande alto 
coberto áe arvoredo ; d'eíle vai a costa fugindo 
para S. E. a E, S, E. Passando o Oabo-Roxo o> 
fundo é vasa qtre pega ao prumo , é ver-se-hão 
outras praias com malhas brancas d'area, que 
chamam Lençoet de dentro, e assim se vai até ou«* 
tro cabo mais pequeno chamado o Cabinko , e de* 
pois as barreiras vermelha* , sem temer nada dando 
checado a terra prumadas em área dura , pois lo- 
go se encontra mais agua : mas sendo de noute f 
é prudente fundear, O Cabinho dista duas legoas dei 

Cabo-roxtf. 

D'aqui se governa ao sul com cuidado Aos bau 
xos de norte , que ficando mais á terra , deitam 
três leoas ao mar ; reconhecendo os baixos do sul 
se chega aos do norte, e se pode entrar no rio de 
Cacheo; na sua margem septentrional são três gran- 
des aldeaj, C/ioZ, Jafunco e Bolor. Nesta ultima ha 
um estabelecimento portuguetf. 

O rio de Cacfaeu ou o de S. Domingos tem duas en* 
>?adas. 1/ o Canal de João <fc Coimbra, entre o baixo 



^101 — 

i aterra firme, por este navegam geralmente os nossos 
navios e 2.° o Canal entre & baixa dcFaiula e o bai- 
xo de João de Coimbra. 

Tinte legoas acima da foz do rio está a praça de 
Cacheo. Do sal a primeir% terra de fronte de Bolor 
é a Mata d* Putama, ponta cheia de arvoredo, e a 
terra é de Flupot. D' aqui para Bissaó ha três ca* 
minhos , 1/ Entre a terra dos Ftupos e Papeis 9 e 
as ilhetas de Bossis 9 que tudo são ilhas, I asando o 
caminho a modo de rio. 8/ Por fora, pelo ca* 
naldat Caravelas ou pelo Canal das Ancora*.— 
£.* Partindo da mata áe Putama, correndo a ter- 
ra dos f lupos , até a ponta das Cabaceiras , deixan- 
do ao mar uma coroa d v area descoberta^ aquié ope- 
wgo chamado Bofe, e os baixos das cabaceiras e do 
funquinho , que fazem o canal mui estreito , pas- 
sando a sua largurapouco mais de, dous comprimen-, 
tos de navios. Pérderam-se n'este sitio bastantes na* 
rios , também preciza entrar com o repontar da ma* 
ré e bom piloto. Chegando á terra das cabaceiras . 
ha o rio Timos, onde n'uma aldeã de Flupos se 
compra mantimentos e arroz, mui barato. 

Da outra banda d*este rio começa o reino Çayo, 
áe Papás : e defronte sflo as três ilhotas de Cayo. 
das quaes a maior é povoada, passando, o reino 
Cayo , segue o reino Ctmhaguto até de fronte da 
d*ha Sossis da qual é separado por um riacho cha- 
mado — esteiro de Caiherina. O porto da ilha Bos- 
sis fica junto de ym ilheozinho, e a ilha terá, seis 
iegoas de' comprido , sobre três de largo. — 

Da extrema ponta desta ijha , obra d* uma l«goa 



está a ponta Bium da ilha de Bfcsáo , com utm 
pequeno rio e porto, ese vai acima ao porto de F<ap 
numa maré. - v « ' * 

Da ponta JEHum correndo a costa da ilha de Bis* 
sáo até a ponta de S. AÇartinhoj mette aqui. a terra 
alguma cousa para dentro 9 e logo é a praça de ■&> 
Joté de Bináo. 

Sahindo d'este porto e passando entre" d do Ban* 
fiim, e caminhando para o Sul três legoàs 9 se eu* 
contra a ilha das Arcas , rasa e deserta . e mais a* 
diante a das Gattinhas e< Bolama. Entre esta ilha 4 
a terra de Chumalá apejar de ser um canal mui es-i 
treito, podem passar maiores navios e invernar 'até sen* 
perigo. 

Da$ Pretinhas que é o sitio do porto de Bolama 
correndo duas legoas ao sul é abocca do Rio-Gran* 
de.— Este rio tem na entrada f de legoa de largu- 
ra, mas pouco acima não tem nem meia legoa; 
as suas margens são habitadas por Bkafares. Da 
landa do Sul junto aboca é o reino de Gubia* An- 
tes de chegar ao porto que é dentro do rio , ha na 
primeira ponta um recife, chamado Honra xIoMon* 
tetro , nome que provem segundo Lemos [#] de um 
certo Belchior Monteiro Capitão d' unia Galera que 
correu a costa por mandado de Portugal <, no 
tempo da Rainha D. Càt narina 
"No rio Grande como veremos adiante houve po- 



[#] Vej. Descripção da Costa d« Guiné . . . feita por 
Capitão Francisco de liemos em S.Thiago deC. V, 1684 
(Mss na Bibl. Real. B 3-6, ) 



voações e estabelecimentos Portugueses , dos quaet 
apenas aignaee fioafetty. 

O primeiro porto abaixo d* boca do rio é o porto 
o rio dos Tambatts de fronte do ilbeo Afaiambolé. » 
Oe iBÒradoréft s&o Bsafares ,' e d'aqui á boca do rio 
Kúnd Ao trinta legoas de costa, habitada por Na- 
fús*> 

Sabiado de IWbatts, 4ntr<rMatàffiboIl e â iifaa ' 
Uoxa, caminhando aò sul se ênc^ntfàifl as três ilhas, 
dbí Camilo* 9 db Meio e de João» Fieira. ' % ■'"• 
' Dete-se chegar pouco d ilha dosCavallos, por- : 
ief muitos recifes e baixos; na ilha do Meio ha 
bom porto 5 limpo r e pode-se fazer aguada* D 'este 
porto se navega ate o dos ídolo* sé coto á vazante, 
pois na enchente as .correntes são Iftui fortes , e ha 
dous caiptinfeos |Sara o rio Nuno: *— por fora e por 
dentro: porqne dezoito legoas ao S E. do 1 Meio e a 
ilheta dos Alcatrazes , e no mesmo rumo mais três 
legoas ba um recife de pedras descoberto no baixa- 
mar. Os que seguem o caminho por dentro, que é 
mais comraum , passam entre a terra firme , a ilho- 
ta e abaixa. Osòufros deitam logo ao Sul, dando res- ' 
guardo a uma ilhota pequena e vão por fora de to- 
dos' os baixos 9 até dar na canal Sangue no tofo, é 
buscam logo a báría do rio Nuno, ou vão maispa^-' 
ra o Sul, se omro eseu destina. 

Indo pelo caminho de- dentro', passando -a MJia 
do Poulão p pequena, despovoada e cheia de recifes, 
e coiii a proa S. : E. avistando a ilha dos Alcatrazes* , 
qifè-rião tem nem agua, nem arvores, e tomando 

. S.E; sg descobre a coroa âe Gaspar Lope% q«efi- - 



, *-9l04UtoJ 

oa para a b^nda da t«rta a leste , e então dando* 
lhe resguardo entre a coroa e a baixa entra no ca** 
nal Sangue na Ío/q, do qual são ate ao rio Nuno 
dezoito legoas. 

A barra doeste rio tem baixos ao norte e sul, cô- 
mo todos os nos de Guiné. Ao sul antes do Cabo 
da Ferga 9 ha ainda o rio do mesmo nome que é d&* 
vegavel, e por outro? chamado rio de Tah\{<. 

A Guiné Portugueza é dividida em dois districtos j 
O dcBjtsáo e ode Cackço. Seguindo a sua situação 
geographiça , passeinos então a descripção do^ nos« 
sqs presídios e pontos ali situados, principiando pe^ 
Iq mais septentrjonal. 



mSTRICTO DE ÇACHEO, 



Abrange Caçheo, Zcnguichor, Bolor e Fanm: te* 
ri S000 habitantes sujeitos ao domínio Portuguez, 
empalhados por todos estes pontos , incluindo 93 sol* 
dados que os guarnecem* Os rendimentos sobem a 
1;£00$ sendo a despeza tpmanclo por termo médio 
a dp aqrio de 1^34—6:943^715 rs/ 

ZENGIJIÇHOR. 

Este ponto situado no rio de Çazamansa nas ter - ? 
ras dos Banhús, vinte legoas da barra, ficanuma po-j 
sicao muito vantajosa para ocommercio. X cm cojn* 



^íamcação pelo interior com o rio de Gambia, co* 
mo também sem precisar sahir fora da barra por via 
dos pequenos rios de Byjcto e Guinguim, pode-«e 
transitar a Cacbeo e Bolor ate' em grandes canoas. 

}f egocea-se aqui com os gentios Fiapos , Cassaa* 
gas, Banhas, Mandingas, comprando cera, arroz, 
marfim, couros de vários animaes a troco de contas 
miúdas, <Je ferro, pólvora, alambre, cristal e colla. 
A cera p aqui melhor que em Farim e Geba e po- 
dia-se fazer grandes carregações. 

A não ser a vulgar ignorância dos commerciantes 
Fortuguezes, havia-se ate exportar muitas gommas, 
que abundam ao norte do rio de Casamansa. Os 
Francezes que com tanto lucro exploram este ge- 
nero deitaram os olhos para este rio e em 1836 
fizeram up&a feitoria acima de Zenguichor , haven- 
do já em 1828 occupado o ilheo dos Mosquitos na 
barra. Este estabelecimento Francez dentro do rio é 
«n* ScKiw na margem esquerda do rio. Compraram 
este terreno ao 6entio, com tudo ainda n5o fizeram 

» 4 

forte nem feitoria , negociando só a bordo do$ nar 
vios, provavelmente por desconfianças. 

EM' admirar que tendo aquella nação já construído 
dous fortes Veste rio e. içado a sua bandeira, o Gover- 
no Portuguez nao tenta ainda obtido nem porventu- 
«» * * i ■ 

rã exigido a devida satisfàçãp. No tratado de paz fei- 
to em Paris em 1814 foi reconhecido o rio de Casa- 
mansa como propriedade da coroa de Portugal , e 
o Governa deve tomar esta violação cm considera- 
do, pois é contraria ao prospero estado dcZengui- 



L 



~rl04— 

cia para a banda da terta a leste , « então dando* 
lhe resguardo entre a coroa e a baixa entra no ca- 
nal Sangue na tojo , do qual (lo ate! ao rio Nuno 
dezoito legoas. 

A barra d 'este rio tem baixos ao norte e sul, co- 
mo todos os rios de Guiné. Ao sul antes do Cabo 
da Verga, ha ainda o rio do mesmo nome que é na- . 
vogarei, e por outros, chamado rio de Zb&Mc. 

A Guine Portuguesa é dividida em dois districtos ; 
O de Bútào e ode Cacheo. Seguindo a sua situação 
geographiça, passemos então a descripcao dos nos-. 
soa presídios e pontos ali situados, principiando pej 
lq mais septentrjonal. 



piSTRIC rr 



Abrange Cacheo, Z 
ti 2000 habitantes i 
espalhados por todos 
ciados que os guarnei 
l;§0Q,f sendo a despe 
a do anno de 1^3* "~ 

ZEI 

Este ponto situado 
ras dos Banhús, vinte 
sição muito vantajosa 



Chapa2a para construir um forte, dizendo que era pa» 
Ta defender os nossos navios dos piratas estrangeiros; 
depois obteve licença para fazer algumas cazas pa- 
ra a gente de guarda ao forte ; acabada a obra, os 
Portugueses, abandonaram a aldeã dos negros, vindo 
todos babitar no novo sitio onde existe actualmente 
Cacheo. Os Papeis ajuntaram uns poucos dermiLho* 
yr\^na em segreda, para expulsar os seus impedes 9 
mas os oitocentos Portugueses avisados por duas 
pegras que vieram de noute ao forte, trazer a noticia 
do que se tramava, receberam o ataque sem abalo, 
e depois de tf es dias de assaltos successivos eiufruc- 
luosos foram rechassados os gentios. Mandou então 
EIRei ao Capitão Afor António de Barros Bezerra 
natural da Madeira e casado na ilha de Santiago, 
pom ^òldttdog Qftturaeç de Santiago^ foi então ogen- 
Jtio repellidopara o certão efez-se uma praça fecha* 
da de páos de mangue a pique com artilheria. 

Actualmente aquillo que chamam Ca%a-foria 
n%h- téna de fortaleza , senão o ser de pedra c cal , 
e é artilhada segundo- a curiosidade ou zelo das au- 
thoridades. No anno 183& no meu tempo mandou 
jnontar á sua custa IS peças o Sr. Honório Pereira 
Barreto, entaò Provedor d'este concelho. 

Toda a villa é fechada com ama estacada com 
duas porias, quq fazem os moradores por braças e 
chamam Tabanca da Ça%a*forte. y 

Antes de chegar a Cácheo," riadistancia d^tnii- 1 
To de peça ha um recife derpedras que deita ao mar,' 
e do qual os navios que vem" surgir no porto devem 
daj: Resguardo. D'este recife chamado da Calaça, 



i 



—108 — 

tirou toda a pedra para a consírucção da Oa%a*forf*$ 
e Igreja Matriz, feita pelo zelo do Bispo D. Frey* 
António de S. Dionizio, e para as mais cazas da, 
villa. Junto a este recife ha uma ribeira d'agua doce^ 
que corre até o mar quasi todo o anão. E* d'aqui 
que geralmente os habitantes de Oacheo mandam 
buscar a agua para beber, senda aquella que se tira 
dum poço debaixo da villa mui má e muitas vezes» 
e só com gente armada que se pode ir buscá-la,, 
O Capitão Paulo Barradas da Silva quia fortificar, 
e povoar este ponto, vindo até para esse fim com., 
ordem de EiRey Et. João, mas impediu esta obra po*. 
causa de rivalidade, o então Capitão mor Gpuçallo. 
de Gamboa de Joalla depois Governador da Capi- 
tania de Cabo-verde. Convinha muito criai um es- 
tabelecimento n'este ponto, o que se faz ia com pouco, 
despendio e muita vantagem, 

Quasi sempre está Cache© em guerra com a. gen- 
tio vizinho , principalmente com os Churos. A con- 
servação d'este ponto se deve realmente ao Sr. Ho^ 
norark) e a sua mãi D. Roza , Senhora muito rica, 
natura^ d'aqui , que exerce grande influencia sobre, 
os pretos. 

A guarnição é de 74 pjaças, tacita Officiaes co* 
mo çojdados do§ peiores. -*• 

As cazas da villa são de taipa caiada por dentro, 
e pqr fora; são bastan^emente vastas em geral, ma^ 
d'uua^ andçr $6. Em quanto duram as chuvas, as 
cobrei^ com folhas de palmeira, porém no tempo sec-^ 
co estendem apenas um panno, o que basta para q\#i^ 
gar do sol e sereno. 



— 109 — 

O clima é pouco saudável por ter ym paix pa»» 
toUoso e às chuvas serem mui violentes* 

Na ponta do sul da barra do rio de S. Domingos, 
cheia d' arvoredo e abundante em agua, chamada 
3d[ata de Putama ha aldeãs de negros Fiapos. O 
Capitão mór António da Fonseca Dornellas quis ali 
saudar a povoação de Cacheo 5 mas não o levou a 
«fieito. 

Entre esta ponta e Cacheo ha o rio Bianga do 
Teino do mesmo nome e habitado por Papeis* Os 
navios pequenos podem entrar n'elle e Comerciar , 
achando bastante cera e marfim. 

Passado o Bianga e o reino de Mata Putama, 
com quem houve antigamente muitas guerras e in* 
felizes até que os castigou por vezes com rigor, um 
Capitão mór António de Barros* Atreslegoas de dis- 
tancia e Cacheo. 

Já dissemos acima que de Cacheo a Zenguichor 
o caminho por terra e mais conveniente e comino» 
do , agora o descreveremos. Embarcasse em Cacheo 
e passa a outra banda do rio de S. Domingos e met- 
te-se no rio Ginguim, pelo qual se vai a cimaqua- 
si ate' o fim d'elle , e depois se atravessa por terra 
de gentios cousa de três legoas, até embarcar outra 
vez no rio Bujetó , que vai ter a praça de Zengui* 
cho*. Previne-se toda via, que apezar de ser este 
caminho mais commum e commodo por mais petto f 
não se pode ir sem algum perigo das perseguições 
dos pretos , de modo que é preciso pagftr-lhes para 
atravessar as suas terras, como também para carro* 



—na-* 

gafem as fazendas, fato e tudo o que qualquer cjuí- 
zer levar ^ 

. N'iim esteiro do rio de S. Domingos da margeai 
do norte, passado Cacheo, na terra dós Barihús ha 
uma aldéa Bujendo 9 onde viveram n'outro tefiapo 
muitos Portugtfêxes soffrendo muita injuria pelaccM 
bica de grande interesse, até que Francisco de An* 
drade Sargento- mor de Santiago que foiáquelia po« 
voação, indignado do tratamento dos gentios, fez 
passar todos os Portugueses em 1560 para Um por- 
to do rei Macatombo de Cazamansa , que fica n* 
outro esteiro do ria de S. Domingos, é passando pe* 
ias terras dós Banhús vai dar nas dos Cassangas em 
Sara 9 uma jornada de Burcama, onde os Portugueses 
por ordem do dito Andrade fizeram a povoação de 
S. Filippe. # Hoje esta já não existe , e parece que 
foi abandonada ha muitos annos. 

Os fertilissimos campos de Sansan na proximidade 
de Cacheô não são approveitados. 

Único estabelecimento agricula que ha por ahi é 
umas dotfe legoas acima ao pé d'um esteiro de S, 
Domingos. Este sitio chamasse Poilão do Leão e 
pertence a D* Rosa. Útil e con temente seria [pa- 
rece-nos] conservar aqui um destacamento de tro- 
pa pura guardar a bandeira nacional. 

Assim os colonos não se dedicando a cul* 



• Vej. a Relação e descripçao de Guine — que eserer 
Teu o Capitão André Gonçalve* (alias Alvares) d' Almada 
Lisboa 1739-^4.° 



— lll- 
tuTa» sâo .apenas caixeiros de Americano», In* 

-glezes eFrancezes que fazem a permutação das suas 
mercadorias pelos géneros do pais , como cera , ar- 
roz , al^-um marfim , couros , pelles e em pequenas 
quantidades afeite xk palma. Antigamente Tinha 
lambem bastante ouro, mas já nos princípios dose* 
culo passado quasi tudo ia como hojfe a Tombuctu, 
se^umio parece. Ainda em 1768 [segundo vemos em 

• «André Alfaies d'Almada] vieram os negros trazer 
a uma feitoria Portugueza no rio de Gambia, cin- 
co arrobas e oito arráteis de ouro, que não acharam 
comprador, e assim seguindo este escriptor em 1684 
acabou por ali este commercio. 



Para fazer a melhor navegação de Lisboa paTa Ca- 
cWo, tomar-se-baem 13.° e parecido Cabo de S. Ma- 
ria e seguindo para o sul em seis braças , buscando 
Vl vasa e entrando por ella em oito braças: fundear 
de noute será sempre prudente. Avista-se depois o 
fjOboroxOi ao norte d'este os Lençocs de fora; duas 
legoas adiante o cabinho^ Lençoes, de dentro e Bar- 
reiras vermelhas-, pôr-se-ha então a proa fora d'ella s 
tneia legoa , no fundo de quatro braças prumadas 
em vaza ; tendo andado duas legoas e m* ia por es* 
U ultima afastado das barreiras , se dará em um 
banco de areia mui duro com tfes braçaae meia, ese 
irá ao & O- até sahir do banco, que tem de compri- 
memo duas amarras e passado elle se navega ateseis 
braças de vaza ; velejando^se a E. se porá N, S. c*>m 
os baixos de Norte affástado d'elles um tiro de Ui- 



ía; e lago avista o baixo da Eira dó tul coní do* 
*e braças prosegue-se deixando-p ao sul, ate aviltar 
a ponta do Bolor, aonde se porá a pjoa com cuidado 
passando perto d'ella -em baixa»mar, por ser este 
lugar mui aparceltado. Pareada esta ponta se trave* 
g» por fora da terra, que fica d'aquellà parte e eoi 
lâo chegándo-se entre a ponta de Oen e Bolor se 
veleja em direitura da Malta de Cacheo até avis-l 
*ar a povoação, dando fundo defronte do antigo 
Hospício dos Capuchos, onde tudo é vazai 



BOLOR. 



È situado na entrada e margem direita do ri<rdW 
S. Domingos «n 12/ iy Latitude N. e 6.° ô&' de 
Long. O. de Lisboa\ 

Os reis gentios cederam em 1831 á coroa de Por- 
tugal a ponta chamada, do Baluarte de Bolor , on* 
de então o Sr. Lopes Lima que fe* esta 1 cohven. 
São principiou a formar um estabelecimento 

Este distincto Official da Armada , que actual- 
mente e Intendente daMarinha nos Estados da ín- 
dia, deu ao publico unra interessante memoria so- 
bre os Flupos* em cujo terreno é situado Boiory 
que não podemos deixar de convidar os nosso» lei. 
tores a procurar ali noticias verdadeiras é cheias de 
mérito. 

Parece que ao prinefpro db% descobrimentos e es-í 
tabelecimento dos Português tféstas paragens * 



—iro— 

■ 

primeira povoação tinha sido creada n'este mesmo 
ÉÍtio^ donde mudaram para oirtra aldeã que chama* 
ram de S. Domingos: abandonando com tempo este 
e os mais pontos , foi transferido o estabelecimen- 
to para Cacbeo> • • » 

Hoje existe ;uqi forte com sete peças sem repu- 
xos e uma estacada.* e seis soldados de guarnição. 

A iocajidade nSç é iquito boa,, por ser q terreno 
alagadiço, como todo pau dçsrlupos catre o rio de 
Casamansa e S. Domingos* 

As im media coes porém de Bolor são arcentas , e 
os Europeos gozam também de boa saúde, indo até 
muitos^habitantes de Cacheo alli Vestabelçcer-se. -^ 

O Snr. Lopes de Lima na ; sua èstad^, empre- 
tendeu alguns pequenos trabalhos ria proporção 
âos meíosi para impedir ás alágaçôes dò mar, qne 
com ás inundações dos muitos rios que cortam o 
paiz, muitas tézés frustram tí'um momento a es- 
perança do lavrador Fíupo, que perde assim as suas 
boknhas. (searas de arroz) 

Estes trabalhos que foram ; principiados com fim 
de preservar o ponto dé Bblor de gradualmente se* 
levado pelas aguas domar, consta-nòs que nao con- 
tinuaram, e hoje este estabelecimento quasi que mor- 
reu á nascença. E' porem de notar que eniugandò 
os terrenos baixos, com valias eakorca*, cotíi gran- 
de facilidade conseguir*sè-hia formar aqui um esta- 
belecimento agriculo, tanto mais que p visinho gen- 
tio é manso è tratavèl; por tanto tem evidentemente 
mudado nos seus costumes, poisno meado ainda dó 
17. ° século, os contemporâneos viajantes, dignos de 

8 . /* > 



—IH— 

todo o. t&ediVo Como Fra ncísco. de Lemos e Cotlho, 
os pílAem como guerreiros e ladrões , que roubam 
M canoas e que por falta de fé era impossível com* 
merciar com elles. — 

Antes de chegar a Bolor ha ainda também abei* *"- 
amar duas grandes aldeãs TJtol e Jafv/neo. Para 
«sta ultima quíz mudar a povoação de Cacheo o 
Governador Gonçallo de Gamboa quando era Capí- 
tão-mór, e assim o avizou aEl-BeiD. João 4." mas 
não teve effeito. 

As outras aldeãs n'este território onde os Euro- 
peos podem negociar, são A'g\n, Lalem, Zige- 
bar, Arame , Socujaque, Jambarétn áf. 

Em todas estas partes se cultiva arroz , que po» 
de ser um graúdo ramo de comercio a troco de 
ferro, pólvora, tabaco, terçados, facas, raissanga, 
contas, aguardente, pnnnos, quinquilharias, que 
todos estes géneros deixam sempre pelo menos um 
lucro de 100 por §. 

Abunda lambem o paiz em arvores como Poiloet, 
Mangai, Palmeiral, entrando a Sibe, excellente pa- 
ra construecões de cazus , &. 

Os mant e navios são abun- 

dantes e bi oi em IjjfOOO , um 

porco em ! i no valor do paia, 



Passando Bolor , fica acima no rio de S. Domin- 
gos o chamado Eiteiro de Saco em cuja boea. os na- 
vios devem ter cuidado de não encalhar tia vaia; 
«diante fica o esteiro Oin. Aqui n'outros tempos 



— 115 — 

trâo os negros mui traiçoeiros o ladroes. No anuo 
I66O queimou-lhea as suas aldeãs o Capitão mor 
Manoel Ditfs Quatrini, de que resultou uma porfia* 
da gtíerra, na qual bastantes brancos pereceram» 
Daqui para cima o rio é bem navegável e pode* 
se até bordejar n*elle. Fica ainda da mesma ban- 
da passando Om o rio Binehangor , pelo qual en* 
tram os navios e vãó uma maná mais acima até a al- 
deã do mesmo nome que é do gentio Banhu. 

Por ultimo não deitaremos de notar que durante o 
governo da Usurpação houve ordem de occuparcom 
fortes a embocadura do rio Casamansa para preve- 
nir os Ffanoezes. Ignoramos que motivos prevalece- 
ram ao Sr. M. A. Martins de occupar Bolor, em 
v»a de cumprir esta ordem, fazendo um táo ulil 
estabelecimento, concebido pelo Sr. Conselheiro 
Costa e Sá tão entendido no que se passa neste ter- 
ritório. 



FAR1M; 



Dista sessenta legoas de Cacheo, pelo rio de S 
Domingos acima, ficando igualmente na sua mar- 
gem esquerda em terra de Mandinga*. Ate 1692 era 
uma simples feitoria de negociantes sujeitos a todas 
as insolências e inaós tratos dos gentios. Dous clé- 
rigos naturaes de Santiago , o Padre João Cabral e 
Pereira Simão Vas Salla , degradados então para a 
quelle ponto pelo Bispo D. Fr. Victoriano Portu- 



8 * 



«-JU6 — 

ense, por terem iulhentcs e dadot a valentias, <at 
fortificaram persuadindo aos Christãos que allí se 
fechavam, pela maior parte naturaes da ilha de San- 
tiago , que pegassem em armas e se defendessem dos 
gentios. Assim animados fecharam a praça com um 
fosso e palanques dás arvores , que chámàm de Cor* 
vão* Algutnas peças d'artilheria que mandaram, 
dè Cachei 1 acabaram depois de fortificar este ponto* 
Hoje *e >acha ainda no mesmo estado^ consis*. 
tindo a sua ; defcza em a estacada, que une a três 
batteria* dè barro k cofcer£as com palha e guarnecidas 
<Re quatorze . peças incapazes* ' -• - ; -a .« . * * « 

A sua guarnição consta* de oito soldados. , 

No anão de 1895 sendo Provedor do Conselho 
de Cachèo o Sn Honório Pereira Barreto montou 
aqui sejs peças. d'artiihec£a a sua custa- e restabele- 
ceu então a ordem e o respeito ás authoridades é a 
bandeira ; Pprtuguezà. — » • 

t O numero dos habitantes é mui diminuto , não 
chegara talvez a 800;/- • i; j * J (i 

Os negociantes de Cacheo tem aqui seus caixei* 
ros , e disto lhes vém os. principaes meios para o 
seu passadio e còmmercio; . « > < 

•' Os artigos d'exportaçâo são cera, marfim, pei- 
tes, couros $ algum ouro em pó» O melhor nego- 
cio é a colla. Os naturaes compram também com 
muita avidez, prata para fazerem manilhas, e apre- 
ciam esle metal mais do que ouro. Francisco, de 
Lemos diz , que nos fins do 17.° século, se vende- 
ram mais de oito mil patacas, ese exportaram pa- 
ra, cima de treze ntt>s<quii>taes de cera. 



I 



* "Até depois de 1640 o commercio e navegação mr 
éo de S. Domingoe era arrendado pelos Capitães, 
mores deCacbeo ; foi posteriormente que* o Capitão- 1 
ttjót Gonçalo v de Gamboa com ordem d© Elrei fe* 
mudar os moradores de Geba pdra Farirti, decla- 
rando o cotnmercioiívrey e» arrendando jàés Capitães 
o rio deGeba,*^ * .»• .• •' •:-;■■ 

^ '•:•. ..'• • ' : - ' l « ; f \ » 

Partindo deCaefceo o primeiro rioda banda de norte 
é Bugucndo* no qual estão as aldeãs Bugiunda, Guin* 
gtrôft<e Baeia maré acima Bmchagor. Esta» três al- 
deãs éâopi^oxitnas do rio: n*outros tempos havia ali 
muitos brancos. N*aqueUa épocfaa, doestes terrenos 
mui íerteis e babrtados por Banhúi vinham ate* 
&90 moios de niilfoo ânnualmente para Cache©.—* 

Seguindo o rio aeiraa quatro legoas, encontrasse 
o porto Sarai ficando a aldeã do mesmo nome, 
habitada por Cetsangos. um quarto de legoa dis • 
tante. Seguem os portos dos reinos Nigre, BaU 
ar , Soar , Gémeo , : todos Bakmtet , mas sujeitos 
ao Rei de(Jazamarisa. Õ porto de Genico dista uma 
maré de Faíim : tem um rio que ali desagua e pelo 
qual n?uma canoa se pode chegar até á aldeã. Em 
todos estes peitos habitados por gente boa, inclina- 
da ao trabalho e lavoura sé acham mantimentos e 

* . • * — 

quasi tudo para o negocio de Cacheo. — 

Pela banda do Siil defronte do rio Buguendo é o 
rio Canlàmbelern. No tempo* do inverno para asca- 
noaâ é perigosa a travessia n*esta confluência. Adian- 
te ficam os rios que entram na terra do reino de Ca- 



bo e Chul 9 na 4*$tancia de seis legoas de Cacheo , 
e passando estes , está o porto de lol habitado por 
negros da casta Papel , máu gentio , atraiçoado e 
quasi sempre em guerra com os branco*. Meia ma- 
ré além ha outro rio que entra no reino de Baóla* 
eujos habitantes já tem costumes mais mansos. Se* 
gue»se-lhe o rio de Nogas no qual numa maré da 
foz está a aldeã do mesmo nome, e n'uma legoa da 
boca, qa margem do sul fica o porto Cachoffa. 

Passado rio das Nagas , principia ò reino deiía- 
jabo com porto e rio do mesmo nome. Entre estes 
dous rio$ ha ainda outro que dizem os Negros que 
sahea ilha de Bissao. N'uma maré se vai deBujabo 
ao reino e porto de Cafaras , ao qual succede o rei- 
no Ifatw com porto do mesmo nome , e logo de- 
pois Farim, cuja povoação, ainda que não usado, 
propriamente se chama Titbabodaga [aldeã dos bran- 
cos nalingua mandinga]. E' situada na terra de.Ja- 
rim-braço: ( que cognominamento corresponde a Em- 
psrador) sua terra que é mui extensa, é repartida em 
Farinados 9 que equivale a Reis. — 

i 

O titulo de Farim tem só pois quatro: o Farim- 
braço— o Farim»Cabo. -r- o Farim-Cocolis — o Fa- 
rim- Landim. 

De Tubabódaga ou aliás como mais vulgarmen- 
te se chama entre brancos, de Farim navega-se ain- 
da mais duas marés o fio acima até a aldeã de Iamr 
degu , que fica da banda de 6ul , e aonde como na 
vizinha aldeã de JBafcta e outras , se ia* grande ne- 
gocio em cera. De Iandegu a Geba que são doze 
léguas se vai por terra como qijasi diariamente fazem 



os nossos, aecompanhados por um negro, pelo'pe« 
queno salário d* um frasco d*agoardeate. 

Aqui terminaremos a nossa divagação a respeito 
de Farim , observando semente ainda, qne este e o 
único ponto em Guiné, onde uma grande emtensão 
de terreno vUinho pertence facto e de direito aos Por* 
iuguezes. por ter sido comprada por um Sr. Pascoal e 
outros ali estabelecidos. Mas desgraçadamente estes 
terrenos não são cultivados com medo do Gentio, que 
vendo a nossa fraqueza, não teme de roubar as colhe* 
tas , se alguém de Farim semeasse ; tanto mais que 
entesta com a nossa estacada uma tabanca d* «lies. 
JEste ponto é muitíssimo importante por ser 
ponto de passagem de todos os Gentios que vão 
levai a Gambia e Senegal os seus marfins , ouro em 
pó, £{. por não achar aqui sortimento de fasendas 
próprias: visto que o negro não se importa andar cin* 
coenta ou cem legoas, para ganhar dois ou três vin- 
téns mais no seu negocio. 



DÍSTRK3TQ DE BISSAO. 



Compõe-se da praça de S* JaU , de BUtfo tom 
mas dependentes Ilfcas de Bolama* Gallinhas , o 
Xiheo do Rti f Fà e Gcba* Todos estes pontos for-, 
tnarão tal vez unia população de perto de três mil habi- 
tantes sujeitos ás authoridades Portuguesas. O seu 
rendimento em 1834, que an^io tomamos por termo 
médio, foi de 5:065$460 réis. A despeza n este mes- 



t£kT 

fitado, e elles pouca tem distensão, qualcpier na* 
vio pode passar sem receio. 

A três raiíbas O. S. O, do ilheo de Bandim «• 
ti a ponta de Sâo*Martinho f onde a costa faz um pe~ 
quencr reintratitç, Chegando três milhas a?9. 4. S-* 
O. do ilheo da Bandim orce-s« sobre ella de manei- 
Ta que passe umas £00 braças a leste, N'e6la dis- 
fancia acha-se fundo em seis braças* D*ac$iii eoo- 
tem dirigir por entre o ilheo do Rei e a praça de 
Bissáo defronte da qual se fuudea em seis a oito bra- 
ças da vaza molle. — 

Os navios podem refazer-se aqui d'aguada, lenha, 
mantimentos de toda a qualidade , coma bois de 
pezo de quatro arrobas a razão de vinte pesos, porcos? 
cabras, aves, arroz, milhinho, inhame, fruta if; tu- 
do isto geralmente a troca de pólvora y aguardente , 
ferra e pataca». 

Umas trezentas habitações, todas miseráveis pa- 
lhoças, senda seis mais soffriveis cobertas com te- 
lha, formam a povoação que jaz debaixo da fogo da 
Praça. Aqui assistem alguns negociantes Portugue- 
ses , ca resto são pretos christãos ou apenas bapti- 
zados* 

Os Gentios visínhos não tem porém nenhum res- 
peito, nem temor, deixam tremular a bandeira por** 
tugueza, por ser de seu interesse, tirando d'aqui a* 
pólvora , aguardente e outros artigos que já são 
j)ara elles quasi de primeira necessidade. Todavia 
vem sempre ao mercado armados , e dizem por ve- 
zes , que em chegando as chuvas , hãc de arrazar a 
fortaleza. 



W mui frequente matarem algum habitante da 
povoação. £m 1836 um gentio travando-se de quês* 
toes com o Juiz Pedaneo, abriu-od'um golpe de es- 
pada, de meio a meio e isto a porta da fortaleza.— 
Entram frequentemente na caza do Governador, 
que tendo muitas vexes paisano e negociante, liabila 
afora da* portas da fortaleza, tiram-lhe o chapeo 
da eabeça ou a/gum outro traste que lhes agrada , 
e tudo isso elle soffie impunemente» «— 

A iíha de Bksáo poucos recursos offerece por si 
mesmo, para fornecer artigos indígenas para lucrati- 
vo commercio, visto não ser o seu fertilissimo solo 
aproveitada Mas de bem longe trazem diversos ob- 
jectos de commercio os fiiafares , Balantas , Man- 
dingas e outros. Os géneros d' importação são, aguar- 
dente , assacar , tabaco , vinko, comestíveis d'Eu- 
ropa, ferro, espingardas, pólvora, [e quanto mais 
grossa melhor ] folhas d'espadas sem bainha nem 
guarnição, missanga, contas, quinquilharias, alguns 
moveis, tecidos e pannos d' algodão, e alguns ob- 
jectos de Wrxo e regalo. 

Exporta-se em troca d'aquclles géneros arroz , 
azeite de palma , eéra , marfim , couros , ma* 
deiras de tinturaria e con&trucção , tatarugas e al- 
gum ouro em pó e manufacturado em argolas* eeste 
sem liga. 

Infelizmente porém este comercio è na totalida- 
de explorado por Francezes, Inglezesc Americanos, 
porque navios Portuguezes poucos lá tão. E com 
magoa e vergonha havemos de confessar, que muitos 
Negociantes Portuguezes haverá, que ignorem a pos- 



184 ■*. 



•#•■ 



sibilidade de eiii prebende* commerciò tao lucrativo,* 
go* de^èonheceram talvez a existência e situação de 
Guinei . f . .;-."? k .'•'? • 

D'este modo o commercio todo está nas mãos dos es* 
trangeiros, que fazendp-o directamente com os gfen* 
iios, grátis e sem vantagem nenhuma pari a Pro- 
víncia 9 não deixam de. sobre carregar com tributos 
e ónus todos os navios d' outra nação que nas suas 
colónias tentassem negociar. 

Defronte do fundeadouro- da praça de fiissao está 
o lindo e arborizado Ilbeo do Rei, chamado pelos 
ínglezes e.Francezes Sorácn, eque mesmo nalgu» 

i 

Kias cartas poTtuguezas vem denominado da Supcrs* 
Uçâo : nome que lhe foi dado por existir neste ilheo- 
a crença, de que qualquer individuo , que fòr caçar 
e matar alguma couza, infallivelmente morre embrjh» 
ve ! N'elle se juntam todos os annos os Gentios aos 
1.9 de Março para assistir a certas ceremonias reli- 
giosas ao pé d* umas arvores sagradas ; á vista 
d'uma racca branca vaticinam os Sacerdotes o futu- 
ro êxito da meditada guerra, a abundância das co- 
lheitas, $c. Aqui tem lugar também os ritos fúnebres 
da jworte dòs.cejs:.e.dâ suateleíçãov^estas occasiões 
sé juntam oito. à dez mil negros, todos armados, em- 
barcam defroate da praça,' aonde? na volta que fa- 
zem com o seu Rei em triumpte& recebem, uma sal- 
va de aeis tiros. Então se feecftnè o povo dentro da 
fortaleza, feoham-se as portasry levantam os alça* 
pões e todos tremendo esperam os fins dos ritos e 
dispersão dos hospedes* Com tudo estes dias são tão 



— 165 — 

ibiemnes 9 que não consta terem perpetrado os gen* 
tios no seu decurso crime algum.—» 

E' de &umm^ impojjt^ocia ooçupar este ilbeo, e 
talvez estabelecei atí $ede das autkoridades. O Go- 
vernador Marinho pof. intervenção do Sr. Honório 
obteve era 1Q37 r do ge*£o Acessão delle; resta ago- 
ra fazer algum forte e construir casas para o Gover- 
no e a tropa» E' evidente; que aqui não ha de haver 
ç continuo temor da invasão 9 e com os oMsmos 
poucos meios , se torna, impossível da parte dos ne- 
gros um insulto á bandeira ou extorsões aos nego- 
ciantes. Ellesnao deixarão de vir em razão das suas 
eeremonías , porém não se ■ deve por ora tocar 
nos seus uzos religiosos , mas ao contrario protegeu- 
do-os , -com o tempo se poderá prohibir estes a- 
juntamentos com armas, <e obriga-los assim a esta su- 
jeição ; d 'este modo com o tempo reconhecer ião a 
suzerania da corda portugaeza, e por ventura algum 
tributo será possivel exigi* para o futuro. 
* Uma legoa £ara o Sul de Bissaof 6 oilheo <le Baii- 
dkn 9 defronte diima povoarão do mesmo nome abi- 
tada pelo gentia líegTõ 5P<i/>eí. O ilheo aporem é mui 
pequeno, todo uma -rocha selvosa e inhahitavèl. 
E' indispensável oCcupa-lo , * pois ' os navios es- 
trangeiros ' fandeartr entre * elle e a povoação dos 
negros, com os qiiaes directamente sem pagar direi- 
tos alguns a Bissao negoceatti , tirando 'assim o pro- 
veito aos estabelecimentos Portuguezes. Construindo 
ali uma bateria com três on quatro peças d'artiihe- 
íáa e um pequeno destacamento de dez ou doze pra- 
ças, sendo o fundeadouro a meio alcance de canhão, 



— 126 — 

não ha de continuar o negocio clandestino, c «* 
fluindo os navios a Bissáo , vão não pot*e& colicar* 
ter a augmentaçãò d'este ponto.— 

Vemos por tanto que o único ponto que occup&* 
mos na ilha de Bissáo é a acima descripta y chama- 
da Praça de S. José de Bissao. Esta ilha porém 
tem doze legoas de comprido fcobre dezoito de largo? 
e é dividida em seis reinos, a saber: B^um, Fòr^ 
Bvyaináta, Safim, Antulha* Cuchúte* Este grawid* 
divisão, sendo estes potentátòs sujeitos a uma sspv* 
cie de Governador, facilmente com uma administra- 
ção politica, podia enfraqueeendo-os entre si, au- 
mentar a nossa força, edar principia a estabélecimen* 
tos agrícolas. 

 ilha de Bissao e toda plana, cortada por vario» 
rios e coro muitas fontes d'agua doce. Tem muito 
arvoredo e immensos pomares que a tomam apár- 
zivel* As palmeiras produzem um frueto chatxo do 
quatos indigenas fazem azeite, chamado nas Ilhas de 
de C. V. vermelho, e no Brazile Angola dcDcndé; 
d'elle uzam para tempelar arroz, mancarra, c? fase* 
sabão. As producçôes de Bissao são arroz, milha 
de diversas qualidades, como painço na Europa y 
milho cavallo, maçaroca , branco, (d'este ha duas es- 
pécies). Produz-se o/tinrfo,«(semente iniuda e saboro- 
sa,) inhame, batata doce, manfafa, (raiz mais pe- 
quena e mais gostosa qne o inhame) mancarra que 
se parece com o grão de bico, e se cria debaixo da. 
terra, á semelhança do mandubi d' America»-— 

Ha também muita frueta d'arvores silvestres ea^ 
maior parte ácidos, como os por lá chamados foles 



de macaco, fola de elefante, manipla*, manganaça, 
mampator€$ Sf. — 

Alem d*íseo abunda a ilha de Bissáo muito tm 
gado vacum , cabrura e porcos. 

No Bugamata fabrica-se «uil. O rio da Antulla 
que tepasa Bíwao dos Balaates parece que tahe ao 
rio de Cachoo. Antulla e importante pela grande 
abundância de madeiras para fabrico de navios,— 
Terminamos dizendo que a ilha de Bissao gaza dè 
melhor clima que Cacheo. 



\ 



BOLAMA. 

Esta ilha é talvez a mais importante do todo o 
Arcbipelago de Bissagos. Situada na foz do rio Gran- 
de pelo qual podem entrar navios até cincoenta le- 
goas a cima , pouco distante do rio de Geba , ne- 
nhuma VaYsez reúne maia vantagens para a creacão 
d'fim estabelecimento mui importante. — 

Os Inglezes por vezes tentaram occupa-la, mas 
sempre ería xepeltidos pelo* insulares, vizinhos que 
não põem impedimento, algum , a que nos cortemos 
ali madeiras, Bojanja foi cedida a coroa de Portu- 
gal , pelos reis negros lia muitos annos , nunca po- 
rém se tem chegado a formar estabelecimento. 

No mino de 1760 uma caza iriglezaveaddo aban- 
dono d'este ponto , formou n'elle uma feitoria , que 
*m breve acabou, sendo roubada e os Ingtezes mor- 
tos pelos Biafares e moléstias quç vieram, p<>r ter 



— Íâ8 — 

i. 

aberto uma fonte debaixo de uma arvore grande* 
chamada Pòó-BvancO) porque cortando-Hie parte da 
raízes, estas Tcommuòic aram .o veneno á agua. [se- 
gundo noticias dos habitante* de Btssáo que preseo* 
ciaram o facto] Escalpou unicamente o Capitão que 
com auxilio dos Portugueáfes voltou ;á Inglaterra* 

Poucos annos depois uns negociantes mglezes teo> 
taram reâovar b e^tabdéctijaénto* e d'esfe?vez for* 
tificaram e aôilhaVarjqf a feitoria 7 que porém semdi* 
r ecta intervenção do Governador* Poitóugnèztde BU* 
sao, teve á mesma! sorte da primeira^ conseguindo 
escapar, algumas pessoas, que vieram parar ás ilhas 
de Cabo- Verde* ;* '' ; , 

Desde então nunca tentaram ja mais os Inglezes a 
estabelecer-se'èm Bolama. No anno de 182? inandoii 
ò Governo Portuguez fazer cortes <fe madei/a para 
a construcçao naval, o que porseguía sem op posição 
alguma dos gentios : iriasos íngíezes vendo com olho 
sinistro qualquer tendência dè Portugal para melhora 
mentos, mandaram o Governador de Serra-Leoa com 
o Brigue PTòrth^Starc em barco d^;* vapor ao rií* 
Grande, onde com data anterior obteve á cessão de 
Bolama d'um regulo, que neírhum direito ti oh a de o 
fazer. O Governo de Portugal parece que n'aqueU» 
época não se mostrou indiferente a este acto btóea* 
do n'um subterfúgio, e tratou de oppíanar &fté in* 
ridente. Segando fomos informados peio Coeselbeiro 
M-; A. Martins, foi elle mesmo que encarregado d* 
esta comissão, por via do Coronel de milícias Joa- 
quim de Mattos arranjou tudo o me hor ppssivei. Fo* 
ram convidados irBissáo o Rei deCanabac e o do rio 



Cirande , legítimos dono» e senhores de Bolama , te 
denotaram a formal cessão desta ilha que ha muitos 
aftntò já foi feita. Os Ingleses não tem outro do* 
^uxÀento tio qual fundem os seus direitos a Bo- 
lama , senão que houve ja ali uma feitoria ingle- 
za. Esta razão mui valiosa nas ma& do mais for* 
te , é irrisória , pois d 1 este modo , porque não teria 
Inglaterra igual direito a Portugal e ás outras 
ilações e ierkoíiòs , onde existissem casas de com- 
mercío doesta nação ! ! 

Assim Bolama de direito e agora até de facto 4 
Portugueza. 

" Esta ilha formosa , bem arborizada , d*um aspe- 
cto rizonho e elevação considerável, otferecé algu- 
mas enseadas e um fundèadouro muito bom no por- 
to da* PrcdnháÊê, que tem a sua entrada defensável pe- 
la situação topográfica que favorece e facilita cons- 
trucção de fortalezas. N'este porto que c no S-O. 
sonda-se em 28 a 24 braças ém vaia solta. A con- 
figuração da costa é tal , que a acção das correntes 
repellida atais pára leste, e quasi nu 11 a n'este anco- 
radouro, e apezar do que as marés sobem a doze 
ou quinze pés, ó mar sempre é socegado e o des- 
embarcadouro mui commodo. Em terra ha agua 
doce com abundância. O terreno é fertilissinio , tu- 
do prospera: além d* isso a ilha é cheia de matas dè 
arvores como oCt&e, i*oitóo, Magno^ Carne, [tin- 
taria, semelhante ao pau de Campeche] e muitas ou- 
tras, chamadas ameixoeira* que grandes e direitas dão 
taboado óptimo para o fundo dos navios , pois não o 

* * 

toca o guzano. Lemos diz que teve um navio cons- 

9 



— 130— 

rtruido d'esta madeira que lhe servia mais de vintf 
annos sem ter uma picada , andando sempre por es- 
tes mares ; onde e precizo lembrar-mos, que um na* 
yjo de pinho sem ser forrado de cobre em dous ou 
três mezes fica incapaz. 

. Muitos Capitães-Móres de Cacheo quizeram mu- 
dar para este sitio ainda no 16.° e 17/ século.— 

No anno 1835 estabelecesse ali o Sr. Caetano 
Nozolino , negociante Portuguez de Bissao e cons- 
truindo caza d'habitação, armazéns^ &, deu princi- 
pio a um estabelecimento rural empregando mais 
de 300 escravos. Roçando uma porção de mat- 
uto achou muito caffe bravo, do qual mandou já a 
Lisboa algumas saccas. Este caffé ede superior qua- 
lidade, de grão pequeno do tamanho do de S. Tho- 
pié e Príncipe e d'igual aroma. 

Este principio e esperança de possibilidade de fu- 
turos melhoramentos não pode porém permanecer ? 
sem chamar a. ciumenta attenção dos vizinhos ln- 
glezes de Serra-Leoa ; como de facto no anno pas- 
sado de 1839, estando o Sr. Caetano Nozolino au- 
sente em Bissao, veio a Bolama uma Corveta ingle- 

è 

za e não achando resistência alguma, (qual d'ante- 
mâo sabia não encontrar}, saltou a tripulação em 
terra, capturou os escravos deste colono, como tam- 
bém a sua escuna, que estava fundeada no porlo. — 

Deixemos a qualquer individuo, Inglez que seja, 
o próprio John Buli, que dê o epitheto competente 
a este acto. — 

Passado tempo a Comissão de Serra-Leôa entre- 
gou ao. seu dono a escuna, conservando os es- 



qrayos a* base cfjim raciocínio tão valioso como o: 
direito que tinham a praticar uma acção tèmelban* 

Paramos aqui com este' triste episodio, que bem 
amargas teQexõçs ha de causar a todos os cora- 
g$t< aoaante s da sua patrU 



Vemos então quanto vantajosa e a oocupação de 
Bolama, e que resultados podíamos tirar d'um es« 
tabélecimeiito que puramente agriculo, servir- bar ia 
também a um deposito de mercadorias para o com. 
mercio em ambos os rios , na cuja embocadura tão 
felizmente está situada,— 

- Quanto aos cortes de madeira tanto de construo-' 
ção como de tinturaria, faa<*m-se [quando se fa-' 
zem, o que bem raro e, geralmente até por falta 
de ferramenta J sem nenhum systema , deixando a 
madeira cortada, exposta até a hora do embarque a 
todas &* iotet&peries do tempo. 

Assim uma boa officina de serradores e d'abso!u- 
ta necessidade e simultaneamente a ponstruccão d* 
um forte com uma guarnição capas, 



ILHA DAS GALLINHAS. 



Esta ilha dista de Bolama um tiro de peça afr 
oeste. £* pequena, terá pouco mais de cinco legoas 
de circonferencia , mas 4 não menos arborizada « 



9 * 




to das Ahnqdui* , • onde r comdgf o reino 4*' Gut** 

* 

Aqui havia n'outros tempos um celebrado perto, £ 
aldeã Mcdompanta aoade moravam muitos Portugpey 
ses e ricos; d'aquivai-se poí terra a Geb%:qye*l* 
quatro legoas. Na margem do sul do rk> está.aiad» 
o nosso Fá povoação de Mandingas Mourot^ tót 
goa e meia adiante Gaájarra, de fronte d* qual n^ 
outra margem fica Cr*bs.»-*Not f é.~ 



FA\ 



- |íate ponto situado na margem esquefãa ido r i^ 
40 lego&s acima de Bis&áo, não foi oecapado senão 
depois de 1800* Ufa negociante português* deu co* . 
meço a uma feitoria, que principiou a prosperar* 
ém razão do bom sitio ; em breve porém morreu t 
então para não se perder este estabelecimento, emt 
bora não haja nenhuns brancos, qmndou o Governai 
dor de Brssáo alguns soldados para ali» Porem não 
ha forte algum: annò passado havia um sargento eseiè 
Soldados desarmados , que moram n*uma palhota, 
como as dos outros gentios, expostos a serem rouba* 
dos pelos Biafares , como muitos vezes acontece. 

O território onde está situado este estabelecimen- 
to pertenceu outr*ora a uma preta chamada Fidal- 
ga de Fà que patrocinava muito os braneos, como 
também antigamente houve ali uma pequena povoa- 
ção de Europeos e filhos das ilhas de Cabo Verde. 
Até aqui chega a maré com agua salgada, conti- 



4auio *ind* muito, ftcimm mas com agua doce. S 9 
«te um sitia muito formoso» ba muita laranjeira» 
limeiras, coqueiros, cana d'a«sucar, mandioca, ba» 
nanas , palmares, muitos ananases e uma cerejeira e 
maceira 9 vindas de Portugal* 



GEBA. 



fi' situada na fnargem direita do rio do mesmo 
nome 9 60 legoas acima de Bissáo e 40 adiante de 
Fà. Está como Fà no terrena de Mandingas. Geba 
era a maior povoação de todas as referidas ; ainda 
na principio do século actual tinha até 9000 bap» 
tirados que habitavam em 400 casas baixas, d?» 
quaes alguma? erâo bem boas. Hoje existem ali sé 
#eis brancos. Ha uma Igreja que porem muitas ve? 
yes está sem sacerdote. 

Este ponto 6 governado por um Cpmmandantt 
subalterno a Bistáo e n' outros tempos tinha muitos 
Capitães de milícias e até um CapUào mor; naoea* 
tá porem fortificada, ioda que parece com tudo ter 
tido antigamente uma estacada ; assim os Gentio? 
conservam a somente a conta do seu interesse, — 



Muito mais outrora se estendiApi as possessões e 
estabelecimentos aa Guiné Portuguesa. . Havia en- 
tão muitas aldeãs de brancos no rio Grande cNu- 
no, Se alias desappareçeipm , para mim tenho, que 




riãb será trabalho perdidç, o ajuntannoà tíiaisálgu^ 
mas palabras sobre ^stes dous rios, que pelo sane* 
cionado direito de descobrimento» devem pertencei 
á Coroa Portugueza. i 



Na margem do sul do rio Grande , passado o re- 
cife da honra do Monteirq , é como ja temos visto 
o reino de Gubia, cujos habitantes são tratareis 
e amigos do brancot Seis legoas avante é o porto 
de Bi$cgé cota rio para entrar, e na sua margem 
fica próxima a aldeã. Aqui teve una combate o 
celebre Nuno Tristão. Até ao meado do XVII.* 
século habitavam ali bastantes braneps , mas des-; 
de que um d'elles morrendo, deixou ao Rei poi; 
seu herdeiro, Sua Magestade gentia converteu es* 
te acto em lei 9 e assim todos os brancos em bre- 
ve, por causa d 'este herdeiro forçado abando^ 
naram os estabelecimentos. 

- Passado aquelle rio segue o de Calota em peque» 
na distancia ; e depois está o porto Guinaiá á vis- 
ta d 1 um riacho que entra pela terra dentro. Aqui ha- 
via também até ao fim do XVII* século unia fei« 
toria de Portuguezes , umas casas do mesmo Fran- 
cisco de Lemos , e uma fortaleza» Talvez seria este 
o chamado Porfy da Cm*, onde diz André Gonçal- 
ves d 1 Almada , tinham os Portuguezes uma povoa- 
ção com igreja e um forte. Por aquelle tempo po- 
rém, tendo o principal d*aquelle estabelecimento, um 
Chrhtovão de Mello , primo de Francisco de Le- 
mos , por desavenças com o rei Gentio , largado a- 



«137— 

queUe sitio , todos os brancos o seguiram para Ba* 
lola. Subindo pelo rio de Bolola, entrave no reino 
de Biguba doa Biafares; o seu porto foi no tempo 
que havia ainda n'este rio estabelecimentos Por- 
tugueses) chamado porto de Sebattiáo Feman* 
de%: por um Portugnez deste nome morar aqui e 
ter feito casas com uma aldeã. Quanto então o 
eommercfto era florido, jt»lgar-se pode, se este 
sujeito retirando-se pgra Gacheo , • levou dezoito 
narios carregados e 1100 escravos. [•] 

Acima do porto de Biguba, que reino confina pe- 
la banda de baixo com o de Gwnalã, e de cima 
com JSuchfifa) tem de fronte na outra p*rte do rio, 
Biugtte e Batota . N'esta ultima, fomos no precio- 
sa manuscripto — » Chrtttovâo de Afeito meu primo 
» teve arrogantet ca%a* , fõrtak%ot com 14 peçat de 
n ferro e bronze. i> ífc. 

■•■ WaqueHe tempo o commercio era melhor aqui, 
que em Guinalá- De Balola vai-se em quatro dias 
por terra ao fio Nuno, e em oito a Serra-Leoa. — 

No rio Nuno , aonde a Coroa de Portugal tem 
propriedades por cessão dos reis gentios, havia tam- 
bém n 'outros tempos aldeãs e estabelecimentos Por. 
tuguezes, nos quaes se fizeram grandes negócios : ho- 
je nem signaes de tal existem, nem jamais ahi ap- 
parece navio nosso em negocio licito. — 

A costa do mar até o Gabo da Verga é habitada 



W ^ e J« ° mantiâcripto da Lemos de 1684 — na Bibl 
Pub. Iéx- de-»B. 3. 6. 



— m — 

por Nalús e Bãgm % os Coeólm* virem mais pela 
sertão adentro* ^ 

Passada aboca do rio Nuno* logo na margem do 
Sal demora a aldeã e porto Btnar y habitada po*> 
R&g<*) gentio valente, em contínuas guerras com o*> 
TÍsínhos, que. tem acavalleira lealdade de avisar em 
que dia os hão de attaca/. Usam pouco dermas de 
fogo , mas de azagayas com ferro muito comprida 
• curta astça, e adargas de pelle de bntfalou .- 

As ernjas são muito estimadas , e Baga que tem< 
os testículos mais enchadps , possa por mais valént 
te 9 copio não pôde fugir do campo da batalha* 
, N T este porto commercia-se pouco, apenas em, 
sal^arroz e. algumas pelles, sendo muito procurado», 
©apalpas das ilhas de Cabcn,Verde* --? 

Três marés acima fica a aldeã Cangandé , onde. 
houve outrora um estabelecimento e aldeã P.ortun 
gqeza. Porem jauos fins, do 17.° século elle deçabiu e. 
uma recem-cria^da feitoria Ingleza fazia grande ne- 
gocio, que ainda continua, chegando atirar 400, 
quintaes $e marfim annualnaejite , o inalhor de to-i 
da a Quine, que trazem os Cocufcns, íandimai t 
Souroij Nalus &c. 

O rio Nuno é cheio de ilhotas , algumas povoa- 
das , e aonde se acha muito amhar. Lemos diz , que 
no seu tempo, dois Portuguezes, Manuel Luiz Fran* 
co natural de Lisboa e Vicente Roíz Duarte natural 
de Monte-mór, ficaram ricos com algumas compras 
que fizeram ; sendo que o primeiro mercou d*uma 
rez três arrobas por quatorze cscates [pannos bran- 
cos de Cabo- Verde], Lemos porém já n|esta epo* 



éba lamenta que quasi sempre o Inglez tirava o lu- 
cro."— 

No rio Nuno ba muitos riachos , que conduzem 
ás terras dos Nalus , e assim facilitam a communi- 
cação e coanaercio com os habitantes mais afasta* 
dos das margens , trazendo em abundância atroe , 
marfim, âmbar, pelle», couros, Untas [que cha- 
mam do rio Nano^ e outr'ora occopavam muitos 
pavios na carregação para á alta Guiné] algália, 
tendo oe gatos de algália aqui melhores que os de 
Farím e chegam a dar duas onças por mer. 

Audfé Alvares d* Almada refere de mais , que nos 
esteiros e ribeiros confluentes no rio Nuno se acha 
prata j e muita* minas deve haver. O mesmo autbor 
narra que no seu tempo, um ourives Araújo por no- 
me , achou junto a um braço do rio uma veia de 
prata, que elle arrancava e fundia n*um bosque, 
aonde escondido faria as manilhas que Tendia aos 
negros: mas temendo que vindo o Gentio a desço* 
bri-lo, o não matasse, foi até o rio Grande, onde 
em breve morreu sem poder fazer seus naturaes scien* 
jtes do sitio. — - 



. Resta-nos ainda dizer alguma' coiza a respeito das 
Ilhas Bi&sagós, pois n'ellas são incluídas as nossas de 
fiolaxpa e Gailiohas, e mesmp segundo alguns , n* 
este Archipelago se incluem a ilha Bissáo e todos 
os mais terrenos , que cercados pbr braço s de rios 
tem forma de ilhas, •-« 



— 140 — 
AftCHIPELAGO DAS II<HAS BISSAGOS. - 

« " •- * % 

Este arcbipelago estende-se desde 16.° 48' até 11.*; 
4.V 15" Lat r N., principiando ao quI do cabo Roxo 
defronte das ilhotas do Cays> e acabando próxima* 
mente na altura do rio Nuno, 

Apeza,r das muitas diligencias e explorações que* 
fizeram os Ingleze.* e Francezes nqs fins do século, 
passado e começo do presente , pouco concordam 
as relações a respeito da situação e nojne das diver- 
sas ilha* ; e realmente, precizava um tempo infinito, 
«grande numero de pequenas embarcações para, che«i 
gar ao plausível resultado de explorar com perfei- 
ção as miudezas , tantas e tão complicadas., mas d« 
tamanha vantagem para a navegação. 
, Ha assim mais de vinte ilhas e ilhotas por entre; 
baixos, coroas e recifes , umas habitadas , 'outras de*? 
serias , de que se compõe este Archipclago das Ilhas 
Blssagâs: 

E' separado do continente por um canal de les- 
te a oeste 9 que forma a entrada para o rio de Bis* 
sáo ; e é cortado também por outro canal na direc- 
ção de, norte-sul , cuja parte meridional , forma co- 
mo a embocadura do rio Grande. Este segundo ca- 
nal ou canal oriental cruza-se com o primeiro ao- 
este da ilha do Arco. Sua margem direita, consi- 
derando-o, do norte ao *ul , e' formada pelo recife 
que se estende a leste das ilhas dos Papagaios, a 
ilha das Galinhas, os bancos -que unem as quatro 
Ilhas dos Porcos, na língua do paiz, Riuban, Ba- 



feu£, Xoga e Corcte e finalmente a ilha Canabac. 
* À* taargcm esquerda doeste canal c a ilha do Ar- 
co, a Bolama, os banco* que unem estas duas ilhas, 
a embocadura do rio Grande, a ilha Roxa ou Man- 
tere , e finalmente os recifes que se estendem até ao 
pequeno ilbeo ãc Joâo-Pictra. 

Aqui dmde-se o canal em dois ramos que abra- 
çam entre alguns ilheos , recifes e baixos , a ilha 
áos Cavallos , a do Meio e a mais meridional dó 
Poilão. Na margem direita do ramo occidental d*- 
cste canal está a ilha Orango e uma estensa cadea 
de recifes que correm ao S-S-O- doesta ilha. Este 
ramo é a principal embocadura do Rio Grande.— 

Além doestas ilhas ha ainda outras muitas mais 
como mais próximas e defronte das ilhotas de Cayo t 
Corcte e Càmonà que sao tão juntas , que se podem 
tomar por uma. Carraxa , a ilha da Ponta [ Caze- 
gut.] com Àgo ao Norte e Xeringa ao sul. Segue 
depois mais ao sul a Formosa, redonda, uma das 
maiores, com muitos riachos; uma legoa dista a 
pequena , mas aprazivel ilha da Oração , e perto d* 
ella Uno e Nhoço. A* vista d*esta na distancia de 
meia legoa é Orango, a maior de todo o Archipela^ 
, go, a ^Loga e as pequenas e juntas Bonabo e JSs» 
ttiro ; defronte d'elle está na bocca do no Grande 
ainda a ilha Roxa» 

Todas estas ilhas em geral são mui pouco conhe- 
cidas , e se todavia houve quem escrevesse a respei» 
to de seus usos e costumes , como producções e com* 
mercio , enconlram-se n'estas descri pções frequentes 
enganos de nomes e localidade ; de que ja temos 



— lás- 
tima prova evidente na na notável differença que ha a^ 
este respeito entre a Carta Hydrografica de Guiné 
do Bellin e a do actual Almirante Rousêin e das 
Ingiezas. — 

Estas ilbas podem ser roais interessantes, consi- 
deradas já como estabelecimentos agriculas , já co- 
roo pontos onde simultaneamente comerciando, po- 
demos ter forças para assegurar o nosso domínio 
pelo continente ; mas infelizmente até agora se os. 
próprios nomes e situação d'ellas são duvidosos, qu« 
diremos do mais 7 . • • 

Seria conveniente que o Governo mandasse aos 
navios de guerra que vão estacionar-se na Costa de 
Guiné, fazer este utilíssimo trabalho, quedando 
um passo progressivo ásciencia, não pouco ha de in- 
fluímos positivos e palpáveis interesses do comer-} 
cio.— 

A' espera d 'este . passo acertado , inc ulcaremos en- 
tretanto algumas ideas a respeito das principaes ilha» 
d'este Archipelago. 



Orango. — E' a maior de todas , chamada Ha- 
rang pelos Francezes , Warang pelos Inglezes: e" 
estes lhe deram ainda uma posição muito mais se- 
ptentrional , collocando-a coro visivel esgano nas 
suas cartas , quasi defronte das ilhotas de Cayo. — 

Esta grande ilha é pouco conhecida por serraras 
vezes procurada , por os numerosos baixos e recifres 
que a cercam. Todavia sabemos que tem muitos ha- 
bitantes e grande abundância de mantimentos: e 



.— MS — 

qaaoda. tínhamos estabelecimentos no Rio-Grande, 
ali se ião buscar* 

Ai suas costas são -pouco elevadas e da menu* 
natureza que as ilhas vizinhas, bastante arenosas, 
com rochas vermelhas e negras de mistura, cober- 
tas de levas scori fiadas, indicando assim, serem ' 
jdas de origem Yolcanica. • * 



Haaca.— Preferimos conservar este nome com o qual 
a conheciam os antigos náuticos e escriptores Por* 
tuguezes, Coelho, Lemos, André Alvares d* Alma- 
da, áquelle dado modernamente pelos estrangeiros, 
de Mantcrc. 

A ilha Roxa situada na embocadura do rio Gran- 
de é a maior depois de Orango, Dizem que ella áea 
os povoadores a todas as mais do Archipelago ; pob 
os habitantes do rio Grande invadidos pelos Biafa- 
res % negros que vieram do interior , vendo-se ven- 
cidos , em almadias passaram a esta ilha e seguida- 
mente oceuparam outras , que até então erão deser- 
tas* 

Como os Biafares continuaram ainda a molesta- 
los, então de pacíficos e fracos se tornaram fortes c 
atrevidos r atacando os mesmos Biafares em terra 
firme e até os Portuguezes, dos qHaes porém leva- 
ram por vezes tão boas refregas, que ficaram mais 
mansos e com respeito. Assim nos conta Lemos f 

í que um certo António Jacomo , vingando a seu ir- 
mão que tinham roubado e morto 9 amarrou a bor- 

| ào do seu navio, estando na ilha da Ponta, o pai e 

\ 



•*- 144 — 

filhei àuclores do crime , e tendo cortado ao ulfcírad 
a cabeça com machado, fez beber o sangue ao pai* 
é depois de andar douá annos a bordo do seu na- 
vio, consentiu-lhe resgatar-se , pondo* entre outras á 
extravagante condição de dar também um cesto dè 
palha de lè alqueires, cheio de ovos de gallinha. — • 
Em 1700 o Capitão mór Santos Vidigal com soc- 
corro dos Papeit , fez guerras na ilha Orango e Ora- 
ção, aonde depois de queimar cazas e mantimentos, 
lhe resultaram muitos prisioneiros. — 

Mas tornando á ilha Roxa; ella e cheia d' arvo- 
redos, bem produclíva e muitas vezes se encontra 
ilas costas âmbar. Lemos diz que um seu tio o Ca- 
pitão Manoel de Mello comprou uma vétf 84 H. d'el-: 
le, e n'esta occaziâo se tinham colhido dous quintaes 
e meio, como em outra dez. Também dos elefan- 
tes , que passam do continente a nado , se colhe al- 
gum marfim. 

Ilha da Ponta. — N'esta ilbapor outros chamada 
Cazegut , na ponta Jabá ha hum riozinho pequeno 
com pedras, ao pé do qual ha uma aldeã ; a ilha 
toda é muito povoada. O dinheiro que ali corre é 
ferro, papno amarelío, azul, vermelho, aguarden- 
te para dar e comprar mantimentos, facas, conta 
miúda, roupa baixa &c. E' pratica entre os ha- 
hitantes que hospedam os comerciantes, receber d*es- 
tes previamente presentes , e depois tratam do ne- 
gocio. Antigamente fazia-se aqui bastante escravatu- 
ra. Tanto esta ilha como as vizinhas Ago e Xeringa 
tem muitíssimas palmeiras, de cujo írueto cAciôéo ex- 
trahem. o azeite vermelho: também abundam em 1U 



— 146 — 

9 diversa fructa, e bem assim, milho, milhi~ 
iilio , feijão, arroz &c. 

Oração. — E* habitada, tem bons portos, boa pesca* 
lia, gallinhas, cabritos, feijão» malafaty e arroz mui- 
to limpo, que cultivam ob habitantes tanto d*estaco- 
mo tia vizinha i\ba Uno , nos desertos ilhotes adja_ 
centes. 

*' Terminamos aqui por ora o nosso esboço das ilhas 
fiissagos, propondo-nos fallar d'ellas mais vezes, 
já tratando dos usos e costumes, já das produções* 
do commercio. 



JEis aqui o que nos resta depois de quatrocentos 
annos de posse ; — miseráveis presídios,— nenhuma, 
industria , falta de commercío e de cultura. E não 
podia deixar de chegar a este deplorável estado de 
mina. Tudo, tanto nas sciencias e artes , como nas 
administrações, não tendo melhoras, não tendo pro- 
gressos , ficando estacionário , em breve é retrogado. 
Portugal comos olhos fitos no novo Hemispherio com 
a riqueza das minas, não se importou com as posses- 
sões Africanas. Aquellas estão perdidas já para sempre, 
Éaas com estas que ainda existem na posse, Portu- 
gal em poucos 'annos, com boa administração [torna- 
tá a ganhar seu antigo esplendor. — 

Consideremos as possessões de Guiné como colo- 

líias Côtnmerciaes e Agriculas , isto é de cultura de 

10 



plantas exóticas, Elias estão em muito melhor ií* 
tuaçâo que as Inglesas e Francesas. Cinco glandes 
rios, como o de Cazamansa^ S- Domingos, Geba, 
Rio-Grande eNuneZj navegáveis muito pro interior, 
offerecem fáceis ineios de communícaÇâoj boas viasi 
de commercío e uma fronteira natural d'uiíi paiz, 
que facilmente se pode occupaf e converter . paiaí 
cultufa de plantas indígenas, que nos fornecerão 
produetos, que com tanta despeza e trabalho proqu J 

íamos afora, 

* > ' * ' 

Occupando as embocaduras doestes jios com pe J 
quenos fortes , cuja construcçjão mui pouco custara 
ao Governo, em razão da sua utilidade, dilataremof 
a fronteira marítima desde o rio de S. Pedro até ao 
Cabo da Verga, e prohibindo de facto a exportação 
dos escravos de toda esta costa j os habitantes vol- 
tarão ás pacificas occupaçôes de agricultura, reto' 
matão o nobre e perdido caracter da humanidade), 
penetrarão as artes, industria e commercío n'este9. 
selvagens mas J férteis paJzes, e Portugal .senhor dçí 
todos estes rios, conservará facilmente o monopólio 
d'esta nova esphera d'actividade« 

As ilhas do Archipelago adjacente de Bissago** 
habitadas hoje por uns ferozes Negros, em breve, de 
facto serião sujeitas á coroa Portugueza que assim * 
antes de cem annos, concluída esta grande obra dtí 
civilisação, contará aqui mais d^um milhão de súb- 
ditos. 

Os terrenos obtem*se com facilidade dot indi? 
genas : então devem ser repartidos em grandes «es«* 
marias, a proprietários ricos f zelosos do bem publK 



i 



ço e iatiàtlgèúté* nos seus interesses. Mandem-se 
vir colonos daHollanda, Suissa eAUemanha, don- 
de elies trarão a indústria e civilisação, e augmenta 
rão assim a população branca sem diminuirmos a 
do Remo* Favorecendo o Governo os Açorianos, 
lies hão de preferir estabelecesse aqui, e com traba* 
lho, sabendo que o ganho éd'elles, enriquecesse 
em pouco 9 dó que servirem d'escravos brancos aos ' 
Brasileiros* Os degradados formarão debaixo de 
policia colónias agriculas militares; e assim apôs 
do accmcitno da agricultura e commercio, teremos 
também força real. — . 

JBem sabemos que htoverá quem considere este es* 
boço d 1 um brilhante futuro como visões chimericas. 
Porém no estado actual , caminhando e esperando 
pela sua total e próxima dissolução , não é possí- 
vel assim conservar tâes possessões» Pois em breve 
nos pontos intermediários desoccupados, estabelecen» 
do*se os estrangeiros 5 eomo ja tem principiado, 
por uma razão mui simples e notória a todos , aca- 
barão o nosso commercio e cahirãò todos os estabele* 
cimento*.-** 
«A Guiné Porttigueza deve ser uma colónia d'ex* 
portoçâo de producçôes agriculas como de caffe> 
arroz, anil, algodão, assucar fyc. Ura commercio 
activo, bem entendido, em troca dos géneros do 
paiz a saber, gomnia, azeite de palma, marfim, 
tartaruga , otifo , pelles i couros ífc, dará cxpedien- 
te aa producç$ea das nossàte fabricas , que hão po- 
dendo ainda rivalisar nos mercados d*Europa com 

10 # 



os- estrangeiros, n'um espaço tão extenso terãd snflw 
ciente sabida Alem, d' isso* n' um estabelecimento d*. 
estes, com bases tão solidas. ^ pois sobre a agricul- 
cultura que repousaria este ;edificio y teremos ainda 
muita e de superior qualidade madeira? para acons- 
trucção .naval, dç guerra e commercio. 
. O. estado actual de Guine é como na descuberta- 
ou peior ainda, pois sem neitbun» haver . melhora- 
mentos, vestígios de mão Europea , ha nocivos ■ 
costumes, usos e superstições inveteradas , obstácu- 
los a qualquer innovação. — Tudo está por fazer, 
e com tudo e possivel consegui-lo, com os rendi* 
mentos da Província, ficando para o futuro os lu- 
cros £ Metropoli. 

Assim da immediata precisão é 9 occupar o ilheo 
dós Mosquitos na foz do Cazamànsa, como obter a 
cessão de Sedhiou , ponto que no mesmo ario occupa- 
rara os Francezes, violando todos os tractados inclu- 
sive o de 1814 feito em Paris, onde claramente se 
considera este rio de Cazamansa, como pertencente 
unicamente á coroa Portugueza. Simultaneamente 
deve-se occupar a embocadura dq rio Grande e rio 
Nunez, formar um estabelecimento na Bolama e ilba 
das G ai linhas, e pôr uma guarnição nos ilheos do 
Rei e de Eandim , como também no sitio chamado. 
Poilão do Le£o. 

Já acima temos exporto os motivos d'issô ^ o que 
recapitulando agora, podemos asseverar que, n acons- 
trucção dos seis fortes e algumas batterias não se 
gastará mais de dous contos déreis, pois por maior 



— U9 — 

parte, poderão ser nó entanto blockhatu, cercados com 
um parapeito guarnecido com artilharia. 

Todos estes pontos estão nas nossas mãos a ex- 
cepção do Rio Grande e Rio Ntrnez, aonde ha toda- 
via ainda restos de ruinas 'd* antigos mas abando- 
nados estabelecimentos } por tanto nenhum obstácu- 
lo porão os gentios. O certo e, que sabendo-nos in- 
sinuar no espirito d*elles , obter-se-ba tudo a bom 
mercado, tentando estabelecimentos d' agricultura , 
como p. e. no anno de 1831 foi cedida a ilha das 
GaWmhas, n*outra occasião a Bolama. &. 

A julgar pela quantidade d f ouro em pó e argo- 

sê - 

las que sahe annualmente de Guine', não tendo os 
habitantes nem conhecimentos, nem meios d'ex piorar 
«s minas , pois se contentam somente a apanhar o 
que acham nas áreas dos rios, e cavando não des- 
cem punça nem tão pouco a duas braças; é des pu- 
pòr, que ellas se encontram em grande abundância 

como e ^ototio pelas tradições dos viajantes e as- 
sertoe* dos negros, ha muito ouro no Reino de Ge- 
ba , portanto tanjbem nas visinhanças do nosso es- 
tabelecimento do mesmo nome. 

Tomando nos solidez n*este paíz* que obter-se-ba 
por meio d' agricultura, tendo a suprematia de fac- 
to , qaem nos poderá prohibír explorar estçs theçou- 
ros d'Àfrica ? No entanto, talvez ainda nps limites 
circumscnptos que adoptamos por ora> não sem al- 
guma probabilidade, poder-sq-hãp epçpptrar algu- 
mas minas. 

ir or ísgo nao queremos sustentar que em mina* 
somente existe a arca de salvação de Portugal; ma* 



—.160— 

ar > ' , - • 

tão pouco, como alguns declamadores pouco judU 
ciosos^ não vamos estabelecer por axioma, que uma co 
lonia rica em metaes preciosos e uma" fonte de males e 
desgraças, uma cauza d'empobrecimejQto e despo- 
vação da metropoli. Porque não havíamos tirar pro- 
veito das riquezas que a terra para o nosso uso conser- 
va no seu seio?— 



»«<^ 



Eis a descripgão geographica da Província das» 
ilhas de C. V. e Costa de Guine, no desgraçado, 
estado em que está actualmente ; deixando apenas 
ver o muito de que e susceptível. Com muitíssimo 
talento, conhecimento de causa e profundeza, tratou 
este mesmo objecto o Exm.° Visconde de Sá de Ban- 
deira, no seu bello relatório do Ministério de Ultra- 
mar de 19 de Fevereiro de 1836. Oxalá que o sa«* 
bio Congresso Legislativo àttenda como convém e 
é d'esperarj ajusta, mas triste e humilhante com- 
paração que fez este varão das nossas colónias com 
a do Cabo da Boa-Esperançá , que depois de ter 
escapado das mãos Portuguezas, tanto augmentou 
em riquefcas é população branca : ou com a nova e 
visinha colónia Americana, Libéria, no Cabo- Mesu- 
rado, que não tendo ainda trinta annos d 'existên- 
cia, prospera d'um modo espantoso, e já e superior 
aos nossos quatrocentanarios estabelecimentos. 

Quem n'outras partes se diz zeloso pela honra 



nacional, pelo bem estar da pátria, quem aama,e 
verdadeiramente é* patriota , não deixe lugar de fa- 
cer semelhante comparação; *^-o meto de não dei- 
xar, é evitar o mal,— e este evitasse cuidando e 
trabalhando* — 

Limitamos aqní a descrípçio da Província das i- 
lba$ de Cabo*Yerde-e<íuine'; embora sentimos eoni 
demasia a na ia*u&eiencia , e quanto restava ain- 
da a dizer £ pennas mais habei*, que juntassem mais 
perfeito conbeeimentoée loeaiidade*»— 

Haverá de certo 3 quem releie os erros que aos 
possam ter escapado . e motivando assim este pai- 
ro para o adiantamento das Seieneiat geograipbcas 
de sobejo ceremos recompensados d'ette trabalho , 
tanto acima das nossas forças* — 

-Agora passemos a examinar esta província emto* 
das a*. na* miudezas principiando pela 



162 



» r '• 



Oigxicnltvxa. 



«, f f 



r • * 



Apçzar do solo muito produtivo, e de todas a? 
circumst anciãs favoráveis a uma vegetação mui ac- 
tiva, custa , dizer que esta cota&Jfty^tMdot na po6- 
se d^JJurop^os.ha^a^roceatòsamiQSftiWida.eíité co« 
mo na primitiva. As possessões Ingie&as e France- 
sas, muito yisiabas na costa de Guine , apresentam 
um aspecto .fcjem differente. Km Cabo- Verde não lia- 
um jardim , ne*& uma plantação feita como deve > 
ser. A agricultura tem os limites mui pouco exten- 

sos.— 

-'■---« . « 

As libas de Siafciago e do Fogo, compõem* 
se de uma immensidade dos chamados morgados 9 , 
que entre se possuem quasi todo o' terreno , e por 
este motivo, a maior parte dos individuos não 
tem terras próprias para trabalharem; o que não acon- 
tece nas ilhas adjacentes , como v. gr. na Brava j 
S. Nicoláo ou no S. Antão, onde as terras sâo 
mais repartidas , e os habitantes por tanto mais la- 
boriosos* N 'estas ilhas, onde ha taes morgados, 
por maior parte muito insignificantes vê-se mais 
terreno inculto : porque não tendo elles meios para 
cultivar todas as terras, não as podem vender, e nin- 
guém quer aforar ou arrendar, receando de levanta- 
rem o preço, depois de terem feito melhoramen* 
tos , como temos presenciado. Assim quasi toda 
a ilha de Santiago pertence a estes morgados: e não 



— 163 — 

àe direito creio, pois o Governador Marinho man- 
dando apresentar os titulos de propriedade dediver. 
sbs terras incultas , de que elles se diziam proprietá- 
rios , não appaDeeeram. Infelizmente não teve exe- 
cução esta ordem: deviam todos que não aprese atas- 
sem %eus títulos ou não principiassem no espaço de três 
> 

mezes, a cultivai terras que chamavam suas, perde, 
las. Somos da mesma opinião que esta medida devia-se 
pôr em execução todas as terras que não perten* 
oBseem legalmente a particulares, serem das Camarás 
Mouicipaes , ou entrar no numero dos Beos Nacio- 
i>aes. Parecia é verdade , que reunidos os bens cm 
uma mão, deviam em razão dos maiores meios , pro- 
duzir melhores resultados. Como os vadiot não que- 
rem trabalhar, e nece$sita-se para a lavoura de es* 
cravos , que poluem os proprietários ou morgados : 
empregando-os no trabalho das suas terras e trapi- 
xes , ou criação dos gados, podiam tirar maior pro- 
reito d 'este imjf)ortante exercício. Porém habitua- 
dos como os vadios, a uma vida mollç e ociosa , li- 
vre e apathica no centro das suas herdades, aonde 
tudo deviam possuir com abundância, oceu pados 
unicamente n'um esboço de cultura da canna d'as- 
sucar, pelo ideal interesse da aguardente, despresam 
outra qualquer , que não seja a pequena porção de 
mandioca e arroz para as suas mezas , e no tempo 
das aguas, o milho e feijão que suppõem bastante para 
o sustento da sua família n*aquelte anuo: do que pro- 
vêem, viverem quasi todos miseravelmente. Assistem 
em palhoças, cazinhas dé pedra e barro, sem rebo- 
co nem solho, vivendo pouco melhor d' hum campo- 



— Isé— 

Re» cU Beira, Exceptuaremos d'esta regra o digno 
Ç&ronel de milícias, Luiz Freire d' Andrade, que tem 
a melhor caza emSantiagoyaranjadaaJSurepea, ea 
mais dou* ou três lavradores. Este estado te trans». 
suite de pais a filbçs, aosquaes faltando-lhes a edu« 
«ação, não tens outras ídeas nem conhecimentos, 
se não do* objectos, que tem diariamente ante o» 
olhos. D 'esta forma cercados de negros, escravo* ou.li* 
vres , todo* seus domésticos , para se Terem . mais 
txanquillos 9 cedem desde, logo nas mãos d^algum^ 
d'aqueile$, a administração de suas facendas e seus 
teres : o qual feitor ignorante como seu amo , cont 
corre do seu melhor para a ruína d'elle. — 



O milho, como dissemos , feijão eatfoboras[ que 
çhamain aqui roca] são os géneros do primeiro cui- 
dado, mas isso mesmo unicamente quanto basta pa- 
ra o seu presente passadio* Cultivam também pela» 

ribeiras amajndio(ca,[a^ií»^°^ raz U] a b$m» do- 
ce ^ hortaliça, a banana, o coco eputra íruta : so- 
bre tudo a ca^na. ^'ass^icar:? para, o fabrico d'agua- 
ardente e o melaço; porém ppucossào qvie saibam fa- 
zer bom assuçar, 

i . . . "... ' 

Todas as ilha» tem duas vezes por anno muito boa 
«va, em parreiras altas on latadas. Os habitantes de S. 
Nicoláo e S. Antão extrahem d'ella um liquido, p 
que chamam vinho , e que eu apezar elles o. acha-; 
rem muito bom, tomei por uma dissolução de vina- 
gre; também geralmente temo nome de mijarella ; é 
como o peior vinho verde no Jtipho : bebem»q em 



~155 — 

mesto , õ O que vai ás vasilhas, não odeixam, nem 
sabem fazer ferver. 

: Tem feito ia; cinco ânuos, alguns periódicos do mo- 
vimento) grande carga ao então Prefeito M. A. Mar* 
tins , por mandar arrancar as vinha« na ilha de 3. 
Antão. — Convém repetir o que já declaramos, qa« 
' não somos partidários d'este Cavalheiro, [como lá 
se diz martiúiãtai] mas nem por isso deixaremos de 
ser im pare mes ^- declarando como escriptor, mera- 
mente a nossa opinião , embora alguém a conside- 
re errada, por causas que não podemos alcançar. 
Portanto se este facto a primeira vista parece arbi-& 
trario e despótico, elle teve lugar no anno im media- 
to a ukimà grande fome, e n'esta circumstancia a- 
chá alguma desculpa. Sr. Martins tem as maiores 
fazendas n'esta iiia, edeuio primeiro exemplo* que 
seguiram alguns que tinham raciocínio; elle então 
como Prefeito n'este tempo , mandou arrancar 
mais algumas vinhas para aproveitar o terreno a gé- 
neros mais úteis , e necessários para combater a fo- 
me ainda sensiveU « 

A experiência com tempo provou, que não se 
conseguia fabricar bom vinho 1 no S. Antão; pois 
então, claro e, que prosperando ali muito bem o caf- 
fé, deve-sc substitui-lo ás vinhas. Ao contrario na 
ilha do Fogo o vinho é muito bom, achei o melhor 
do vinho do Termo, e ha de produzir com. abun- 
dância, nas cinzas volcanicas da ilha, como temos 
exemplo no Vesúvio e no- Aetna» Antigamente ha- 
via n f esta ilha muita mais vinha, como se vfc d*an- 



tigos inventários e testamentos, e de que hoje Mm 
si naes existem. ...... 

A cultura do tabaco é geral: o melhor é 
ha ilha do Fogo e de S. Antão, mas é em 
mui : peque Eta quantidade, podendo ser um ramo 
de comercio e riqueza do paiz. 

O Contracto compra tabaco de fora , e som» 

itta» avultadas sahem an-nualmente do £áiz em tro- 
ca d'esta erva ; porque não: se empara a condição,, 
que o dito Contracto seja obrigado a comprar a. 
folha, quanta houver nas Provincia& Ultramari- 
nas ? -— nas Ilhas de Gabo-Veffde , p. e. $#00(1 
Arrobas . Este tabaco comprado lá a 100 rs. em 
moeda corrente . a: libra > - deixaria 6:4Q0$WO ré, 
na província» Este sysle ma é seguido em todos os 
países, aonde sem terem ás formas chamadas li* 
bernes, existe um governo, que cuida no real 
bem ; dos habitantes , , e na prosperidade do patz ; 
assim é na Prússia , Áustria, Rússia, Polónia, 
$ • aonde a cultura d' esta planta sendo livre, 
mas fiscalisada pelo Contracto , chegou por isso a 
offereoer muito boaq variedades d'igual qualidade 
ao tabaco do Oriente» , » . 

No anuo 1836 mandou o errtào -Governador da 
Província o Coronel A&ouca, uma porção de ta- 
baco da ilha do fogo, aos Contractadores de Lis- 
boa. Apezar de crescer no estado de natureza sem 
cultura alguma , 6 muito melhor que, o que nos 
offerece o Contracto, como todos pessoas que eo vi- 
ram, concordaram.**- •' ' 

Jife aqui uma idea geral esuccincta da agricultu- 



—157 — 

ia na ilhas deC. Y. que agora recapitulando, mais 
havemos esclarecer e analysar, 

O trabalho na cultura do principal artigo, isto 
é do milho e feijão , não é , se não de queimar ** 
matos e restolhos no mez de Maio e Junho , para 
semear no Julho e Agosto . O trabalhador abre no 
terreno com o calcanhar , ou com um prego , faca 
ou pau , uma peqaeaa cova, aonde deita um grão de 
milho e três ou quatro de feijão , cobrindo com a 
mio ou pé, estas sementes. Este trabalho espera no 
mez seguinte a estação das aguas, que não faltan- 
do, está a colheita certa. D'este modo é evidente y 
que com uma cultura tão bruta, o colono necessita 
grande numero de escravos , e o jornaleiro alem de 
custar muito a acha-lo, sahiria mqito caro. Por 
tanto devesse introduzir quanto antes o uso d' ins- 
trumentas e maquinas agriculas. Não podemos com 
tudo deixar de notar, que o Sr. João Dias, proprie- 
tário de S. Nicoláo, ja tentou lavrar um bocado de 
terreno com o arado : semeou milho , mas obteve 
somente palha muito alta ,. canaas- mui grossas , as 
espigas muibellas, porém sem grão* Seria' conve- 
niente averiguar , se este defeito proveiu por ter en- 
terrado muito as sementes, ou algum outro motivo* 
que nós por ora, »âo nos aventuramos duplicar. — 

Ha aqui algumas variedades de milho , geral- 
mente de cor branca, que conforme a maior parte 
d 'expertos agrónomos, dá menos gostosa farinha, 
que o milho amarello. 

Assim mesmo fácil e!ajuizar da, fértil idade des- 
tas terras, sabendo que havendo um moio de co- 



158— 

Ilícita por uma. quarta de semeaduta, elles.cbátttaflii 
isso máo anrio. — ■ . , • . ■ • ~ 

Qu?ntp M fiaijaiOi do qual há muítíssitfío, dístin- 
gpem-sg prinçipakaente lies espécie» } frttyiiiÀo, 6oh* > 
ja, ebQngíiloit. Oprimsáro é bravo* sem ser sçme» 
ada renasce, e chovendo,, cobre ost montes e vadies* - 
J£* branco, do tamanho do vulgarmente chamado j 
da Hollanda, mas pouco gostoso para comer: tem > 
a pelle, mflitc* dura e o miolo- cozendo- desfaz-se^N - 
esta espécie ha «ima variedade venenosa, que po*? 
reo| ,09 naturae» apegar da grande semelhança sa* - 
bera distSpguirv O 6ow/o éimais pequena e redondos 
é preto rajada £ amarello , e tem melhor gosto, - 

Quanto á terceira espécie, é como anowo feijão 
frade, baça de. qualidade e gosto, è de còí sobre a'' 
de caffeVISailha de Santiago ha ainda outra varie- ' 
dade„ de cor branca rajada com en,ea(!»adoy quecha- 
maia pai de familiã — - 

Em ânuos caros chega-se a vender ate 1000 re» 
o alqueire* 

Encontrasse nâo menos,. em toda» a* ilhas, uma 
grande quantidade d'aboboras, principalmente em ; 
Santiago, Brava e S. Nicoláo. Algumas variedades* 
que tem , todas sao muito doces e saborosas : as ' 
maiores a5o passam porem de doze libras. Ha em Sari* -' 



[•] O Leitor fica prevenido que todas as vetes* qw fat* 
larmos em moios ou alqueires , intendemos * medida do 
paiz que corresponde a 2\ de Lisboa. 



— Io9 — 



ttqgonma variedade silvestre, que produz nó campo pe- 
los matos e nas montanhas; são do tamanho de bai- 
las, de cal, 3 — 6, redondas, «erdes rajadas d 'ama* 
rello ; gui*ad*s sao moi gostosas* 

Jiesta-oos ainda faltar da mandioca \ esta planta 
utilíssima cultivam e tratam melhor; como Um* 
bem consideram a como género de primeira necessi- 
dade , náo lia ninguém que nio aproreite para a 
cultura um bocadinho do melhor do seu terreno* A 
mandioca chega a altura de um homem , e cresce 
tóçor uma haste, no extremo da qual sabem ver- 
gontas com sua» beUas folhas d*um vivo verde. E* a 
estas vergentas que cortam para a nova plantação./ 
Todo trabalho por tanto consiste em espettar boca* 
dinboa d*estes ramoa na terra que, assim pegam e 
para. o anno já dão uma rafe sofrível. 

Não exige outro algum cuidado, a não ser a* 
terra previamente bem cavada, e depois feita em 
regos» A mandioca produz em sequeiro , mas a de 
regadio e mais gostosa. — Por um acaso ou engano 
se mtrudaftiu uma espécie venenosa, mas felizmente 
á tempo foi extincta. ■ • 

Todos sabem que a taiz é fructo que se come, e 
tanto nos paizes da zona tórrida corresponde ao uso 
e grande serviço que aos camponeses daá regiões 
fteptentríonaes faz a batata. — 

A raiz da mandioca ê oblonga, com a casca da 
cor da terra: seu gosto mesmo em crua não é desa- 
gradável , e partindo-á á mão ou faca , em fresca 
larga uni liquido braneo, 



— 16Ô— 

- Se llca dous ou três anuas tia terra j toma rabeé 
que pesam maÍ9 de uina arroba. — * 

A abundância que ha d'esta planta * podia set* 
ainda incomparavelmente taaior, se não se conten- 
lassefr senão com aquella quantia que aeham in- 
dj&pensavel para o seu Sustento : com a qual , cozi- 
da , guizada oú assada suppfem o uso do pão e fa- 
zem o principal alimentei. Seu preço geralmente 4 
de seis a dez por uai vintém, e sendo cotóprada tio 
terreno é 150. rs. cada rego****» 
. Da : n&Mwiioca do regadio fazem alguns uma es* 
pecie çte farinha, como aquella que chamam no Bra- 
sil, farinha de páo. Em. S. Nicoláo é a maior por- 

• 

ção d'ella que se» faz ainda ; porém tanto áqài, co- 
mo em- Santiago, tão pequena é a quantidade que 
mais parece ser. pato amostras. O processo que para 
i$so usam,, não menos e insufficâente^ como- adiante 
v.eremps. — ■ - ' 



. Quanto axultura dq eaffé, aao é sujeita aqui ar 
nenhum systema : o arbusto cresce ,, colhe-se o firu- 
çto , e se descasca, pizaado-o n'um pilão grosseiro» 
Ninguém se dá ao trabalho que exige esta arvore , 
que sendo bem amanhada, e bem tratada, dá um 
produeto incomparavelmente ma^or d'aquel£e , que 
obtém hoje em dia os habitantes» deixando-a ve- 
getar no estado da natureza. — 

Os logares mais convenientes a plantações de caf- 
fé , são geralmente em terras substanciaes de outei* 
ros, mediocremente regadas pelachura. Prosperam 



mwUo bem ^0 ífecitviQ 4* çolUaa* algum* cousa 
sproVroda** pa*.iem. *«Mr*Qi a «mi grande alta* 
ta*, pçi*. a* experiências prwaiam, * que a mefr> 
te^mo da cakjWO q^e *5«^pe ^Ui plauta., é.coastaii» 
tepeate eittw< i0.%r»85.* : <fe ThermK 4* Reaumar»» 
Nos. smaoai d a * n a ontoròa? » arepeotiaa.variagàoilé 
aMMSpbejra 4 tnsrôai* a. vegetação é. fraca* • aco» 
Ifeeiu ewíwsa: «omotatnfatm em uma tempeiatura 
cgn&aiftemitnta. mab (datada* .<►. tronco arme*- ao* 
raptâe** apresenta o>ar*o<r» uai alpecto magesto* 
so, mas com potstb-icupjôt; Q> sftk> mais vantajoso 
paia? caffefcHv <ánaaaro<)ado* bosques qua tatt Chão 
finado esubôtoaciaL As terras rírgeas vão muitoboaa, 
tento (mais que poupam m»«ta despesa a*coioao. 
Assim p. e. nailba defiantiage» todos os coutai* 
noa da Vilta da Prata *ão boas paia plantações, 
mesmo talvez a chada .granfle.*— 



»* * 



«• i 



- - Teód<i pois feko a ^oolhapdo tartedo? e revol- 
vida ia terra pôr veieireomU^ esco> 
>bem^prtasemeâr«*«)&&^ò*to* gt*ã*, que provem 
d lesjteeies reetfifhetâ&â por mfttã ptrêdta&fta* ; assim 
fteato éw «e* àf£ sèfs semanas 1 sem germinar. Ao 
fim d\ím írtiriò <oé de tjakttémeze* , siò os renovos 
nssttt forte$*{íara mudar de terreno. Com cuidado t*- 
tA-se éhtíiò eíida pé cdm séfe UoriSôVtnho de terra, 
pfcf* sér* trmsplàrrtadó. : Fa#èm-se cotas em tá- 
drea ná^ dístártcia de dèz ti doie pe?^ ondesédfcpo- 
sitam esta* plantas. No quinto ferino os âtfeòiros 

produzem fructÒT : it ? esta epooa tilem** -o^cr^Hoénf- 

11 




J~ ^^toWétoi,»^ * ***** Skihil** . ra 






***■• «*£?• ' -*> ^s d. C f ' * - 









- i 



qT-ftfc^Á Afc*i»l«PfftiM ^r,»sb*fi^ ; .-,:... , . v , 
-ic rJJfcg.riíicoíiio rffttt i ***», *. Wl^of. $af fe/pç«> 

ondeé a maior quanUjfôJfe \ç%j> wfaii1P*\»y^*ft 

•SíD /-- 9f. v- o.iifnib timono nir >•.•*—; -.-/(,, U 

o .9: éf f É íí»; ^H.^&.^fih 8 ! ,4?. Çtyf.y-, 

António Leite . Feitor da Fazenda .Racional. 
Depois desta experiência coroada, .com icliz resolla- 




gmcntoud, 1 

deal interesse, da aguardente, oue cxtrafiem dà canoa, 
oassucar. abandoqam osJiabUaates de,tal,môdo eâ- 
fcSfHWSL. <iue pteseg temente ,de todas as ilhas nao 
se exporta mais de 3330 arrobas. an,mi ai mente. O ê 

Capitão leneote L. Li roa calculou erradamente a 
plantação do caffé no Archipelago a um milbuo de 
fés e disse c\\^e t graças a.benefica prçvldencia do Gover- 



— li- 
mais ainda. Com tttdô* nâo cfega<à tftÔjjfttô o n«* 
ftterò 1 total de pés existentes' hòjfc y e ar j»JÍn>kJcfKte 
bèrUftédt^LO produziu resultado : itlãfor itòfttágeoifalrá' 
por certo a ultimente decretada V&rè -enfiada d*e1te 
etó Portugal*. *íS<* d\iWádpéíráiii*que<3om tóák ai- 
ganias úteis pfoVidendás^ possa' bater aquéllê fcu- 

* 

Éiiérò e então a expor tàçfe 'd' este género ! equivalerá 
a -3ÓÒ contos ^ o tpje còtn bo&s níedidas em quàttfo 
áhhás já po*a\ttoM ^áP rerfliatto/-- '' i,iíI3J ' 

Ahtiga^éhte' flhvlaíriííitH «ftateéalfetá^ do qne 
hà actualmente';' dHatá decliria^ò áclitpá- e dos pas- 
sados Governos que, p. e. sobre o vaiOr^ee-tfàhfc^rN- 
tão no mercado de Lx. de 2<|400 nu por arroba, 
o dejxavarçi carregar com enorme direito de 33 §. Che« 



ratei ue ca lie nas imas, a uuuvu ^ws «»uuw ■»• 

vraçlores desesperados arrancaram-o , para plantar 
milho ou canna d assucar. 

" r ÍE ; 'pàíÍ" ainda . : Íò"nobÍ8'-'VAcW*'«íf ; WÍ-qâéf 
competiu fazer este betp ^meíro^t^^^ras^épi 
mas transatlantíèas ; foi élíe' que alwítt^eôte exe- 
cravei direito, e com a importação livre, veremos ètó 
breve que .os habitantes convencidos dás suas van* 
tagens, rçãó deixarão cie cobrir 'todos os terrenos' còni 
estas arvores que podem constituir o árcnipeiagô 

; • - v' » J -»A ;- • '•• u<^ !»■ :ítí. *.•.*■ •• • 

n uma das mais ricas províncias. — . / . , 

* ' * * i 

*' 4 i,,:; " : *»' - «^ :: »"• .:~t/. *..: n í>:> oj- • t . : -^u; 

A intrpducção da cultura"da~ caniia d'assuçar no 
novo mundo. fez uma enorme revolução commer- 
ciai ; o producto tirado d*esta planta , principiou 



d r éntão * 'ser m» ***igo> d* tanta i«if>ortaiicia e ne* 
fcessidttde que esperamos bc nfts nfeve^ tratar mu» 
lttg«aieiiteiJçst*;t*o impoctapte: matéria.*- . * 

Ai dtíwobettâii mtmyUh<w»i quo a ousadia do# 
navegadora. Evropeos opeteuyo 4f* do XV.* s*r 
culo «jdurauterflo»XVÍ/» teproduz iram um systema 
dMnteresses mq?os « daba^o d* jmpejio do* quaef 
aiacb ficam ap, «K^ TOwrçprcj/uite, favorecidos 
por felue* /çircuaistancia*,, os poros da Pejuqsul^ 
Ibérica «atenderam spa {dominação, exclusiva so* 
bre unia grande .parte, d'Ao)erj0a de d orle, e »o T 
bra ioda acbsuL. -Bui bftffemuitas feitoria* após» 
aessoes Dtti^ertHai cx)tri^^ os mares- . ;>Ji t ~> 

A Inglaterra- que fòx grande proraito colliea afih 
nal Vestafortuan ia -todos aberta, Bollanp! a daquaq 
a sorte pôf longe tet»po florescente, justificou a *ua 
baUor devisa r^ Cfocardkí porvoc rc* *r4*wít> ZJfls- 
eortfóz atcmm<ia <ii//a£*rtfur,-tT" a Fraeça haj£ qwa- 
si desèendada* todas, etfa* ,*açõ*s tiyerfiMPft seus dias 
de gloria e fespkj*ite*. YfewPi, tarde^ paca .tojal* 
a primeira : partferaa partilha. 4<}c aoto muado ,, 
mas no XVII •* século conseguiram formar/., bel* 
los> vestabefeermcntos .iKk Anseiica , e na* Índias* 
Estas* colónias <>b<ye ião "brilbantes, box» «o auge 
de esplendor ,- mas acjtatt^ dweftPp* e. ás < Anftlttts 
esta sua prosperidade ? Nào? f e á in&isttia fabril, 
não é*i a minas'} : neb a cdmâercíio', é à V4gricuthirh 7 
e â caltú^a darcànaa' d-afesttear. '^ : ,; 

Os priíriéirois* chefes de colónias precteáràtíi diri- 
gir para um fit&vtil os trabalhos dos boftiefls, que 
tinham tomado a decisão 'de »ègúir v a *ba ' sor * 



com o -eentindata \sásp^i^hie<^rk>ú^et:^ifmg4ãk 
¥ètetrbmto*> êràúficêtte;l>A>agtic\fontM<eHtâD Avia 

£tfíE ; es{>#a¥* ;í8biínte°«*«Wdiisty» -i^j^i^ 

jírodirct(& W pVlfitf^ 

êlfj&^toffe 

colonos injtrodtrêi&iifftè ^rtta^clo^^àml^lti' '«V **■ 

laéspccfo^k { ttittf $abrfcí ^èi&cpiite£<*lá!<èll j • r i^4è30tcfatt 
^fesfeé^tifc* ínW ; te^k' ,áe*fert«*<lli*qa :<àMfti» 

^kaa^d^SOifcftfr W&JfmwbVutiáò^ E«ta inatk^a* 

tabtotfiHos>&ibosf* d^itógô^e9í>ibirii<íWn Aira«»b9ro> 
-^reflo."?*-^ >t m./iiiiL . ao.* '^'w *>i r "/7! .>• <lm 
. * j, iQoé semeia açça não . &mnttt*<quadr(>flflM'£&b nitf 

>dlftd£ UiftP£Íar í cto^HÍ»Q¥#Í^^ 

diverso não seria, se 1 ç^^ J ^v^^ ) 5cfrwft»}8f*traf' 
JÍ$ftdft,^^yi|af^ertft :( ^,<çuJUuW cffr <^i^i#,a$*jcar 
-j^to^Q^r^ipriagq^qnw^mii/rfiiíflp^nj , r;: < } > 



* .-j 



parava.; gu* se^en^gi Çui^..!. ]f , „ 

í * * 

Q assacar principiou a ser conhecido muito tar- 
de na Europa. Os antigos, pscriptores nup. fazem 
menção, alguma,: apenas t e íuqicado ji uma peque- 
na passagem de Iheophrastes, qua. viveu três secu- 



car, e 



alguns séculos até passariam , antes que o 
uso Ticasse gerau . ^ 

""A caoaa' ôTaásucar e 'originária da Asla Chíen- 
CalV^fèse/e W fcf rfà^íiloá', , Bò" v ArêlifrÍblágíi , 'iffS 
trâ&? u *lttús§ÍÁò* <c?e jfflafcV edtlincliínái T)ií 
fê-piré^ derWâ AtÀlfi'] 

<foíute 'tft líaMs^aStáHa^ilàs ^ ^eíras^ db^MfeaitôtAi?r 

nèS BO T cbBtíffeáttf c£Ãttidà^XJòm feÀaS Ir^Brfi^ft^ 
^tíS: '^ J de febriJ 

câr oassvicar^^assitóVrò^áVelftíériiè ídranV -asIcòW 
íjtííkaS dás* 7 ilrattès' e : 9árVacéh6V qiie dts^rrvoFv^rárrrf 

século os Sarratósy'sèn*^ 

Ch v prbV% ÍMLWa^Mrâ^siíráSt "álrí >xi ! ctfnna ?i*mo 

tò&qufefdird3 ín o^ , *rêiW ,: de' Wà^^SM**»** 

Granada, n*aquelles a natural isaram ; e no XII* 

secui 




compravam, 

cr .uz«*das nelo contacto dos povos do Uccidente com 



,il'*V 



— l«s— 



«ttmfo <» Pfcnuguetes leVaràrit * jriiôitííi 1 pára as ilhas 
Canárias e Madeira mi Âíá imppoe 'se que «Tes- 
ta ultima passou a America , apezar do que 
alguns lá a fazem originaria. O assucar n'este 
tempo variava muito conforme ôs paizes , a cultu» 
rae o fabrico. Q d* Madeira era superior, pre* 
lendo áo Arabç, e aquelle que vinha do tEsrypto/ 
A .pequen^ líhíi de $. Thomé de baixo do 
equador tinha no AVI. século mali de qiiaren- 
ta engenhos e produzia quatro, milhões de libras ' 
Uccupava então Portugal o Brasil, e por via cPes* 
te género, Çortugal durante dous séculos tinha o mo- 
nopolio. na provisão d\Europa, q a elle deveu Lis- 
boa a maior epoça do seji esplendor, — Porem ern 
b^yp as ^ntiJUiSí, Barbadas, ^ujrç* £ rto fíico^ 
^jw^eraj^r em* rivalize com : p ^azili cahjij eji* 
^ift^Pí^Ç 118 ® Colosso jeste brnçç, ^.as qujras çç^ 
loniaj dgi*ad$$, íP abaqdonp^m Q 81 ^. coengensa^ 
esta pçrd^. Voltem^ pois çs.ojU^os para çllas e seu* 
precisar, ^importação esír^ngcirgi, ai l}has de Çab<> 
Verdç,e^s pqtseçsôes pp.Çp ; s^ dç^Guitjé .da^p^b^l 
t4nMyiuc«..pa|«7QT^c,ÍPp^^^. ^ : , ._ 
Nas ilhas, {IçCjaho Verdeja ^tia^varied^es^ oj$aj 

&harMW.Qffiç!^b? a B Ili <)WQnte4ntf^ J 

- •- ■ • - • .»-'. . » J- il • - •••/:; m , ... .; S - . ) 

; • ft'ç*U} ultima, o quinto que D. Henrique reseiv 
voq p^ra ã coroa, subiu a írut quinhentas barricas d* as- 
sucar, por conseguinte a proaúcçao era de 7 ^óÒOrbàVili 
cas: o què equivaleria agoràíÉéiídéltf^rOOò' rs. è òq^ítt- 
to como renjimento da coroa vinha' k çst 11 aí 500^ 900 
réis. 



a» *■» * 

— 169— 



inoJutauTS, chamado nestas ilhas Carina de Caycnna» 

ri ■ . • • * ' i • > ' • 

Este ultimo que tem cannas mui grandes, dá muito 
mm , porem o aesúcar e'mA» trigueiro. As apolica- 
Coes fabris de canna, tanto paraacohfetçao d aguar* 
dente como aò assucar, nâo sendo da direita competen* 
eis*, do agriçula , mas oriundas da industria, e n'aquel~ 
lelogar que as analisaremos. Aqui juntaremos sárneu* 
te algqmas ideav sobre a cultura d esta planta. 



r 



"No Archipelago das ilhas de Cabo Verdeje encon- 
tra a jcanna d*assucar d*amhas as espécies,. E* po ♦ 
rem só nas ilhas de Santiago 1 S. AntSo e S. Ni* 
còláo que se dao. a esta cultura j e n'ella proce- 
dem do modo seguinte. 

Cavam a terra dous palmos de fundo e depois 
formam uma espécie de canteira , no meio dos 
quaes fazem.' covas para. as cannas : em cada cova 
põem três bocados de canna çomolhD, n'uma situa* 
çãoquasibojijontaL Jfermahdo três ângulos iguaes; 
cobrem-os com terra ,e regam. D^ili a quinze 

dias mondam a erva que principia, a crescer, e n una 

-•'•.-. .*•■>: ■'■ r. M íf . -^ .ví:oí» :-.,.(: r^..,.r. . <T 

mez ou quarenta dias SJ puxam a capa fora para fa- 
cilitar o desenvolvimento do olho. Dous mezes e njeio 

... . • . • . < \ j . ' • . ., !,> '• ■ ii > ■. » • Jk 

depoip rçmex|çm, a terra á roda, e tendo as canna^ 
perto de dous pes de altura . deixam as c.escer será 

algum/ tratamento. ./ , , 

O.Sr. João Dias experimentou em S. Nicolaode 
plantar e cultivar canna de sequeiro , isto e' % sem ser 
regada; e se ii'esta tentativa foi coberto {Timões, 
recompensou-se amplamente coma colheita, a pon- 







dous extremos deve-se escolher as terras leves. An- 
tes da plantação prepara-sg o cliao , em abrindo 
fossos de dou» pe's em quadro , separados por inter- 
vallos d\ins ctqus palmos ; estes, augmen.tam~se^ em 
terrenos fortes, diminuem em terras fradas. A terra 
que salie dos fossos poe-se d. um ladq. para jormar 
como um rego conimuo. Assim rica um ate dous 
mezes exposta ao ar, para se dividir, ser mais le- 
ve e arejada e ajudar, d este modo apegarem as can- 
na£ 




cononuco, mas avegetaçaci nunca efcao bel la, e nos 

j''- •',' «• '-,*: 'm .oí f>i)iu;aH*i /^:W-'' ,/ ^ , *tLL*"" » 
terrenos inclinados a chuva ieva*e deslo ca facíltaen- 

»Si.»*-p *i u' • »•_• frr. -jí *. /;;n>t ;ur.\> ;«.-.v. ;>-:/<••> 

te qs Buperuciaes camadas de terra» 

Jj estrumo mais conveniente para a canna d afc- 
sucar e proveniente dos caválros, machos e burros. 

A experiência mostrou que as cannas piantâníis 
awaca'"meltiores^^ quê áéiiiM- 

Sas'. Èortárn-le^ doui tfáTmol* ^e^tnprMehftl 1 ai 



rap, Esfe processo ó mm vantajoso* '^ como à^párl 

superior das cannas contem menos sueco no rguta 

*m «: a t ii /.*',„»;.. -.1 fj iu«ij -: :;rm:!í;.i»i> :v-i,i 'Âi*Mrrio:i*i 



f 



JgWmrfiWftf <t^P«^e astutas.: ???.*£<««* 

•?» «Wo»? %-: v <«tf«S»P » ^P^taJam , restyij jwf, 
muito á humidade. A extrema seçca nao. menos 

*«?«» ^#^^! 1 íff 8 ?.<Í|^ l . < ?«Ca|)0-yej4e. ( í» m»*es 

faiHS.rf^WfilWí^.^^.^p,,* J»ft|{o. /ôe-te as 

«fcwS» i^o^^a.seremjyanfcaQtaj, . na terra 

JM»rí«».^; i i«W»,jíWçâo.' < ^ a8Í bflnsontal,, jsto én o 

canoas tenham um desenvolvimento rápido, e .fácil x 

^■*W»-45rfs***»liÍ - WÉr h ?;JW. .^H^ra.^ "? aS '.*$? 
lítica é.ij^ae.^á mais.pe^ o^ue^anho. — a 

A floresc.<^£ % o ( me* ,4* Acosto., 3 quando^os nós 
eâo bem formados e a superfície exterior dura: as fo- 
lhas que chegaram a todo o desenvolvimento sec- 

ainda , par» alimentar o lume das fornalhas ou para 

",. 7 ' <»•.,•■ •«X''.. ,;, . .| j. ,. , ,, ^-j j. ,. .■*..<.■•> 
liteica§,. 

- A niadufeza da-canna e completa aos 16 para 18 

m<* W^»iOT^^ reno- 

vas das vergonteas estas dão cannas cuja madurez 



priricipía á fètièntâr iJáríatfbá^ ; a hásté qife 1 iiWA 
flores. Dous mezes então antes, àére prfátipifcf o feòt- 
tis' 9 J è senão fora àcatiado' etó brefreV^ thélhor ( ius- 
pènde-íòV : pàfá -terittinât 'deptfiá' da florescência. 
Pòí# i0 doitf 'èífeíto^ i^aqÚètlsi i dcè3*Íab ? * caimá * ôeà, 
tèffi pòiíco çurno c estétdtèrádorá vegetação rápW* 
do haste parítfita e ; a flor ' parecem esgotar todo à 

çi&oda>niià;^ , . flv, ' :/:> A ''■ - :l ■ ' - 
t) c^rie faz-sê coto um m^achadUibí pròptiò e qua- 
»i rente á terra; para ajudar qué entrem faielhor 
nos cyíindros dai Ini^rensás còrtà-íse cai&i cannã 
ainda em tfbus ou três bocadoí rfetrès pafrnor émeié^ 
com corte chanfrado. Kiiàlmerite senapré se deve 
cortar só aquellá quantiaVque' sem dériibVa posta* ser 
exprimida; ^" : *' i: -""*^ ^'' cia.t.v,; ^.n;.. 

Todos os ahnós°deVè^sèf'iretòVaf fjitaii óti ftejirJs ò 
quinto da plantarão: ápfezár'dè q te erti te*rás ? Bèfrt 
cultivadas os jíaà âúram "beirai' t^atá qâiiidè feimos. 
Às vezes ahtesàe se plantar', deixasse destánçar à 
terra reservandóiá parâ°pasto^; Aás mérhor íí àlte* 
rar a cultura estrumando béfti t o térferioi "•'- 






- . ? 



_» t • *-> ««« , 



Temos assim corrtado o modo de rjue tfSam na 
cultura d*es ta planta rias ilhW' desabo- Vferde, e se- 
guindo com algumas idea3 geraes sobre este obje- 
cto, lerhbramos ainda 1 quanto inais vantajoso e eco- 
nómico seria 1 substituir ò àradó a erí*ada ; que j>ouco 

v * ' * • F • ií"i r ' . '• * í i ~ " 

abre o terreno, —objecto quási essencial. — 
, Julgo qu£ mais conveniente seria, abandonai as 
mesquinhas plantações de canna tias ilhas de Ca- 



W» Verde v* fc*fe+las em grande em Guine';, aonde a 
abundância de tombtttU?fal e. m*fef Ufateaa de joi* 
nateiro ««is; animarão -o catana, -r» Sm Ç nine milito 
ma» cm contai virá pa.sahir Unto <> attucfrçwpo a 
aguardente goe em qualquer outropei» >. donde tante 
te cvyockaaaatiainienie. Aioda^^Heiías ilbi^Mcaf^ 
na* oeco^am m acatarei terj**<*, WJMM.pfldeâor 
influir .«obre a riqueaaido paii, Bttta»»et>e Jewfci ai s*V 
mente que algum tanto seria talres impolitico fuer 
aguardente em Guiné. 



1 f Eirf qttènto as "dtáér&s 01 ocftrat produçfea do rei* 
fttf regètaí d f Hte àréMf**to£<v v terem**' aiad* loger 
*> feltár , em trotando cW clima 4 dot prodsctòt na- 
furaesa v *sta pràtÁictó^ttb ^tanto direi ainda daaa 

palflfem «obre dãtf i pfo ! hiéw J^qw tendo indígenas e 
dé moita itoportxmda, tnéreéein * ■ownlteaç&o.-— 
E* o *1gód<fetro \ Gb^yf*tíwrJ-'e o anil [índi- 
go titrtòfert^. ; : Da piimtírn quê nasceu ê' consiste em 
dia á rH^^^de trintas ^rle« do globo. Afarie» 
dade exMétitétfiiáe atòKfpelágó é a mesma q*e ta 
encontra ^íaáa^co^^^Aitto»:^ o Go$*ypèu*i 
Arbor*tíri~. I^lapoticb trabatbo qbt requer em com* 
paraçSo dos lucros immediatos que dá 9 deve èmptf- 
meiro lag»r feuratór à nossfa éttençao»* A sb* uttli* 
dadè tfflwr ^erÁifftiífiPcotih^ld^^omo e AinUertalò 
•eu* vkàyVfà estado da' nattír**n tíreéeè esta plan- 
ta- por todfó as iíhàs: Mas 1 sfent 1 ser «ajeita a nenbu- 
ma bhltdr&', nem cuid^o mesmo no apanhe, o qual 
e tàóíós^infrcante, 'qué anrtualtriente wa uma pôr* 
çio consi^érkTéiaaArticri&i, j^dertafrestoPrortacia 



pártff^,' 1 ViíiWá «t»p*wta7 Ugtia>»««<£iHfeutt!»afctuátf 
^eWQíáwfthièb-^r hatbmeoum f kotaátebttimmwuisiam 

©r. {&ftft"êh«SÍft4<» iJflgadâpih .<jBiáo Uágiúàeb singe 
í>Vsl« algodão ptfíia-íwi &b£feambelÍMJg«Ég«|K£9i 
WÓ b«'^Cfit«ttv-poi» por davagatibuà» pBa}e»%M«i 

vju;} o^;^;--.;.!'! j-iv'. t jiii •-. > o» : idJ ninais s.rpshiiái 

Em geral o algodoeiro e bem iadifferente a rtatu- 

iJM&!iiit*fcfat*b M** de .Mrl»f!fi#íft. R ,Rodç.f)%íWry 
^wd»«>'hgUH tWopflis d«|i|^^ 51 Çffefpá4i Wr ag í d^. 

iU*çg<*»o an$>rsgad<?.nQ UaJ^^g^laj^ajfoi^jik 
•4l>pmd.í.:ob f ibaup cri; ií »',tni..-i ;>./id ,f iof» ur^Tfitf . 

<ífe*ift*fft»-fe ««appW^fioÇqmjW^Qs^íflWBiftr ^ 
4« '{pgjoi as £o& .pa** itflípr , qft m$$Pffifcâ.W t L y # \ 
Adm*. ppfc «^íâjoisfiBa^ fwwda^ ty faflemj^a^p^ 



i 






^òtíift^^q^bgirêtri ^líi di^e^çôei^i^sta^ ^ {Sor riíeià 
a>?ft& aT$^^to<&atr& ^Ò drrs âmblc^bVés^' c^A 
tf ^ pòifês"é«' mtíViÀéift^ , ! $trarid8^%ab J lM*-*i 

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galar na cultura, como tambei«>Ãi«^l<rAcptl|iiAíyIí^ 
eifl^^sl^Afaflqdnquikiuioid mforibftcéi «btfalifttit»£les 
a^pifreMtti/ainotvâiiJfi^fc poh 

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pttrâbriiqde»cil»àJtHHiito qttg 

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-rt^rte«taiioU^ur*'f©èsq'« 

etM #rJofáac'laobEiií^randBípe f <tà6nsfr|qlfe 5ãiar>bisb 

eoáimetfJyiisinferajnsfMDiBèbQ» fek»,|iax*nJíoriugii4 

* 

pobres, «míualçtttoi ^«H^oaft^oatta^bdiarsttí^ aã* 
da aproveitadas para fabrico d'azeite: eo colono não 
perdia o seu tempo com esta oceupação mais fabril 
dateis £grwfla> £ r.Jipm nto/no') o^nís^. !- -A cY. 
roPare» .fccitôaírofanl* ^tfeâV^fB^gobcorivada^ifoeii 

^^tr¥ÍÍ^U'k^Ú^ir^9í^^^^t> SMÍÍ& 3 elrrJ .3 



— 176— 

... O; Çr % Çastilhp disse na sua MepfqrU^ que ^al» 
godoeiro foi jn4j0duzido e plantado, pel*. pcitggjrç 
Vfiz nas libas* no anão de 1795. O ilUàstr^ Dr. igçig 
egta^epgapa^pke^ 

pois ew. todas, e pr^cipalfMnte po S. Ant(U> r obf 
»$tyçi;#« W «iMw cobria grandes .pprçw^^ 
W9; *m?^ *P^fcw 9 ap*d* outiiçafoi semeada, Sigam 
$ci,e proyavej, .queioveq^o teças** a swppftfcrrijiiijr 
f , f .^lem 4jfo«> ^ Í^Çitàq Jtol*rl* f«Hfi ^^ilCbWlfíttK 

siWfVf*» Affo» ?«a« Jlh**.w> whío d*. 1760» .4q 

q\w, ^f j»>ft3^t*ft&* r-o*> jqu* feSi* «fttaIM* < Mjjá em 
dia: muito diminuiu a$sii& aci*Uur*:d#s^;plA&te^ 
paiatefAtor mrdê^ r nio ha: .{M^se«|eim(otfi aeaílutna 

r l^íniilbé jda S* Nicqiéeha ainda um pedaço ,*eguH 

9f\Fi'gttárèrÂo Co*»*te .* ponta efe leste ^ptfo.paiv 
U;nio uecte. Este) campo íqpieí te^.péMoídexjiòcole* 
gm» de* comprimem**, foi outt'om todo coberto d* al- 
godoeiro i. Na ilha da íkfl«Vista r .só pitapfiapaa» 
4tfar>éltunà$i amaibrplantaçaaque vi, foto* foUen* 
daida Sfí 'HjippoiUo, qae realmente e um do» mm 
Ihores a^riaulfor** ,' e diariamente introda* melbo-» 
rias kasa suas terras ; ma&<ootó tado esta >ptantagai 
nâo f»Mn»Ld*uBt sessenta Ipasfos jem qtadro. - • 

* 

Np Archipelago convém muito a cdltura do algo- 
doeiro ú ilha da. Rpa? Vista, Maio e ás desertas' de 
S. Luzia e Ra«a>. Porém as grande» plantações d'és- 



w-177 — 

U arbusto devem-se fazerem Guiné. O Governo Ira* 
tara de melhorar as espécies, mandando-ai vir de 
fora, e propagando-as nos seus jardins <Tacclimata« 
£*o- Carregando com fortes direitos o algodão em 
xamã estrangeiro, e isentando d*elles o que vier das 
nossas colónias , será de sobeje aaimadoquem se de* 
rá a esta cultura* 



IVa.o e mais cultivada a outra planta com que a 
natureza mimoseou estas terras, E* o Anil. [índigo- 
fera.] Das cinco distinctas espécies, é a índigo/era íin- 
ctoria. L. que se acha n 'estas ilhas. Os grandes in- 
teresses, que o industrioso colono tira n'outras par- 
tes (Testa planta, fazem d'ella um ramo muito im- 
portante* Porém infelizmente até hoje não ha n'es- 
ta província uma só lodigoaria. Ttgato a cultura, 
como a colheita e o fabrico são feitos sem methodo. 



À tbeorla da cultura das plantas indigoferas 
é muito importante * pois a pezar d'ellas geralmen- 
te of/erecerem grandes vantagens , também são su- 
jeitas á damnos consideráveis. Demasiado, calor , es- 
cacez e suprabundancia d'agua , grandes ventos, bi- 
xos e outras circumstancias accidentaes, exercem in- 
fluxos tão desfavoráveis sobre esta planta delicada, que 
muitas ve^es , nãoé senão á força de cautellas e tra- 
balhos que se pode salivar uma parte, da colheita. 
Mas assim mesmo, temos exemplo que nas Antil- 

las, na Mí\rtinica, Haiti, no Guatimala, na cos; 

12 



— 178 — 

ta de Coromandel , no Egypto e muitas outras par- 
tes , os habitantes por amor do trabalho não deixa* 
raríi de cultiva-la, antes ao contrario, esmeram-se 
èm introduzir melhoramentos. Aqui porém nas ilhas 
de Cabo- Verde, tudo é em contrario ; noutros tem- 
pos havia grandes indigoarias, principalmente na ilha 
de S. Antão, Aonde em dous estabelecimentos, se 
fabricava a tinta , como logo veremos , em fal- 
lando sobre a industria. Hoje em dia ninguefo. 
planta o anil ; cresce bravo , e este mesmo ha pou* 
co quem o colha para preparar os grosseiros bo- 
los, nos quaes desfeitos tingem seus pannos e te- 
cidos d*algodãó. 

Uma indigoaria não requer tantas miudezas , co- 
ma uma assucararia. Não preciza muito terreno, 
porque poucos animaes lhe bastam para sua lavra, e 
por consequência não se exige grandes pastos para 
os sustentar; por' tanto esta lultura mais couforme 
com os pequenos teres dos habitantes, grandes lucros 
havia de dar n'e8tas ilhas. Tendo comparado os me* 
thodos usados nas Antillas , Haiti e Egypto com as 
particularidades doesta província,* julgo poder dar 
ainda algumas ideas, como seria m^s próprio cu!*- 
tivar allí esta planta. 



O anil requer muito sustento, por isso a terra 
deve ser vigorosa, solta, è leve até certa profundez, 
para deixar liberdade & raízes. Vantajoso é um ter* 
reno de matos , roçando só o necessário para a plan- 
tação, pois não ha planta, que cance mais depressa 



o terreno , que por isso deve ser algumas vexes es* 
trumado» Depoí* a terra estar bem cavada , no tem- 
po próprio, isso e depois das chuvas, semea-se lan- 
çando des a doxe graõsinhos a cada cova, que se 
abrem e enxada, perlo amas das outras: e com 
Dina gradebem leve, se lhe escorre por cima. A mon- 
da faz-se duasveses, a primeira logo no principio, a 
segunda lendo já a planta quusi um pe d*altuta. 

Finalmente nalgumas palabras que tomamos 
ao illustre Afr. Plagne tornamos a expor a es- 
colha e preparo do terreno, a sementeira e a colhei- 
ta. 

As planícies de terras leves, abundantes em hú- 
mus , ou fragmentos vegetaes decompostos , ou tam- 
beça expostos á med canas inundações d % alguip rio, 
são as preferíveis. As planícies d' área miúda pouco 
escura não menos vantajosamente podem servir» Os 
terrenos d 'área mui fina, branca ou avermelhada i- 
gual mente convém , se conservam apezar das seccas, 
alguma humidade em duas ou ires poliegadas de fun- 
do: estes porém exigem mais estrumo. O anil pros- 
pera também em terras que só tem um quarto de 
aluminia, mas requerem muitas arrendas, segundas 
lavras e mondas, De\em-se r evitar terrenos ferrugi- 
nosos: mas com vantagem se aproveitam, sendo 
em sities abrigados de ventos seccos e ardentes , ou. 
por outeiro* copados. 

As lacras devem ter ate* um palmo de fnndo, e 
depois de ser assim a terra duas vezes» revolvida , 
passa-se4he .por cima com cylindro e grade. 

A semente mais. nova ê a: melhor, por tanto na 



— 180-. 

época dos cortes deirtam-se pára semear alguns pés 
á proporção das futuras precisões* Consertasse a 
semente em camadas entre cimas seccas e peneira-* 
das. 

Semea-se a braçada; porém e melhor fazer em 
sth até dez polegadas de distancia , cdvas de meia 
pollegada de fundo , aonde se lançam alguns , basta 
três grãos , que se cobrem logo com a terra do cego* 
e passa se por cima com um dyllndrov A época da 
sementeira deve ser determinada pela estação da# 
chuvas, não sendo estas continuas. E' bom molhar 
as sementes em agua de cal clara, antes de as con- 
fiar á terra. Quinze dias depois , tendo já principia- 
do a ctescer as novas plantas, monda-se continua- 
damente o terreno, ate que as Indtgoíeras cobram o 
solo com a sua sombra. 



■ Para o fabrico fazem-se alguns cortes; ú primei- 
ro, lendo as suas primeiras flores, que vem a ser, 
três mezes depois de semear ; o segundo corte é seis 
ou sete semanas mais tarde, e em fim o tetfceiro 
ou quarto. De tempos a tempos lia vendo seccas* de- 
ve ser' regado por causa do vento que sèrtdo fort# 
e- tontíntmdò tf nocivo ao aníl : ImsU^faàímdo riP 
plantações em sítios muito abettos , cefab *&f> as. 
achadas frestas líbas^èérca-las- cctta latadas" de ca- 
rjços ou purgueiras , pondo : rtiais urila ou duas* 
d' estas fiadas para quebrar o vento rt'a sua direc-I 
çao. Outro grande inimigo- tem o cultivador *do 



— 181 — 



anil n'um insecto que as vezes pela sua praga daa>- 
nifica toda a colheita. N'algnmas partes usam còm 
vantagem o methodo seguinte para extirpar este* 
hospedes. Deixam eatrar na plantag to alguns por* 
cos que dando com os focinhos nos pés das plantas, 
sacodem os taes bixinhos e para lojo com grande 
avidez os devoram* 



Eis algumas ideas que pude dar sobre esta pian- 
ta, á qual ainda outra vez tornaremos quando exa- 
minando a industria n'esfca província, faltaremos so* 
bre a maneira d*extrabir a tinta do anil , como é u» 
sada aqui , e como offerecia maiores vantagens* 



Não me resta agora nada a dizer a respeito de agri- 
cultura no ArchipelagoCabo-Verdiano, se não mais 
'algumas paiabras sobre os pastos e as aguas* Pa- 
ra evitar repetições, lembramos somente que nas fa- 
zendas que tem os insulares pelas ribeiras, se acha 
toda a variedade de frueta , plantas e legumes , co- 
mo veremos ainda faltando das produções vegetaes 
desta província* Assim p, e* as laranjas sem trato 
nenhum dão duas vezes por anno e por ventura são 
as melhorfes do globo: chega a dar um milheiro cada. 
laráhgeira, porem não seexportam, a não ser algumas 
para refresco dos navios que alli arribam nas suas via- 
gens. As bananeiras nâomenoá abundam, em todas as 
ilhas, d'ambas as espécies,, tanto daiareoto* .como o 4a 



.— ias— 

áéS. Tbomé, da ado cachos de cem 6 mxis banaáis» 
Ha muitos ananazcsy e muita diversidade de fructo; 
Dá-se muito bem toda a hortaliça quanta plan- 
tam, mas era geral pouco se importam 1 com eUa. 
As3Ím me contavam que no anno> 1303, o bot> 
Cario Porluguez que entàoallí estiava t vendo brocos 
no canto d' uma fazenda d' um rico lavrador de? Seta* 
tiago, estenaosó ignorava o nome da planta, ma* 
disse até que a dava a comer aos burros, e muito 
custou a meter-lhe em cabeça, que podasse se* vir 
para meza. -,..*. 
' Quanto aos pastos, depois da chuva; ciescs. a*rva 
•a ponto* que n'um me* cobre- um hoinasm; nwl 

como nâoi se eeifa, e o gado anda liv*e , perdè-s* 
quasi toda : e nao fazendo palheiro») no mez d'A-? 
bril já sentem e choram a falta, sem com tudo lhes 
ficar d'emenda, Assim nas mezes de secca padece o 
gado fome e sede, pela mandfka .dos-diwos ' que 
iiâo abrem poças,, a ponto .que até ú gosta &* «aro* 
tótoma nntavek No tempo dal chuva* e logo depoif 
é muita boa, mas forad^altf, mal ^PP<Ía WflOT 4« 
.secca e raimosà , até qqasj ; uemh um çefeo tem* . . 



'i 



f Ha muitos aftiòs é verdade nasilbâs de Gabo^Vec- 
áeqtfe não se pddém cultivar , como montes 4'an»:* 
sWtas de rofeh», ou montes se: menos altos * rira* tâo 
escalvados, que alguns nem «rva. criam* As gtandefc 
ehadas porém de Santiago sâp tawibem todas «çi 
•baldio. 'Como semeadas de pedras volcauicas de to- 
Ao o tamanho, apenas tem espalhadas arvore» de fei a 



— 183— « 
« tríite apparencla que chamam etpmhcvrot bravot, por 



serem os seus troncos e ramos cobertos de espinhos a- 
gudos. Estas chadas tem nomes como as charnecas 
em Portugal , eno temp3 das aguas, cobertas de 
alia e viçosa erva, apresentam um aspecto risonho e 
alegre, como triste no reito do anno. 

Alg&ns sabichões perguntados porque não cultivam 
estas achadas, riem-se como de cousa impossível ; ou- 
tros porem , quando lhes eu estrauhava não abrirem 
allí poços e noras, deram-me uma resposta mais asi- 
zada , ainda que triste e vergonhosa de relatar • 
— » tememos as injustiças t vexames em togar do ou» 
xiita do Governo » !! Esta era a resposta da maio* 
ria e citaram muitos casos em prova . como r. g. 

Havia ha annos que um .homem .rico, filho de 
Portugal , cultivara ura campo na varge da Villa da 
• Praia, abrira n'elle um poço com sua nora e dera 
assim principio a uma boa fazenda. Mas entrando por 
ella o gado e destruindo tudo , mandou atirar- 
lhe por um escravo; este cazualmente matou um 
porco do Governador , que usando da pena de ta- 
lião , fez matar o escravo. O dono em logar de sa- 
tisfação, ameaçado ainda com degredo , retirou-se 
para o interior, e a fazenda ainda hoje em dia lá 
jaz abandonada. 

Muitos mais exemplos semelhantes podíamos ci- 
tar, mas limitamo-nos por agora a este, na dócé 
esperança, que taes atrocidades acabaram, eos lavra- 
dores poderão principiar a contar com o amparo t 
Animação do Governo. — 



— 181 — 

* , « 

No entanto vê-se (Testa exposição, quanto a 
agricultura nas iíhas de Cabo Verde é diminuta, 
se exceptuamos apenas as sementeiras de* milho ,' 
que , realmente era proporção saq consideráveis. 
Porém assim mesmo 03 lavradores trazem òs mer- 
cados d'estas ilhas muito mimosos debatata, hor- 
taliça, fructa, aves domesticas e gado, qúé pelq 
pouco cuidado com que são tratados, devemos coit- 
ar entre prodqctos 11 atura es •, e tudo isso em bás- 
tante copia pura supprirem o» habitantes e 'os navios 
por preços muito commodos, — Mas a essérefepeitq 
quanto a, Costa de Guiné que havemos de 'dizer f 



*•'■ V 



Nos pontos de facto Portuguezesi n$o ha, senão q$ 
;miseraveis fortins, que fora do alcance da sua arti? 
lharia não exercem influencia, nenhuma, e os Por- 
tuguezos estabelecidos preferem p ganho facíl na tro- 
pa dos gerisrosj á nobre, hpnrada e já tão adiantada 
arte nos. pajzes, civilisados, a arfe de cultivar a ter- 
ra. O uo.nç do colorço, tão estimada e hqnrado, 
£qm,raz5o em toda parte, e' cqui ignorado. A fazen- 
da .da D. Roza de Cacheo, ao Pollão do Leão- é a 
única que e$is.tc nos limites da Guiné Partugueza'. 
• Nos .últimos annos principiou o Sr. Honório a,lgu- ' 

jma.. cultura na ilha de B >lama, eq Sr. Mattos na 
'""."* ' /• ~ ' 

das, Gallinha*: mas isto são couzas tão insignrfican- 

Jes que mal se pode^m mencionar* Talvez ate a da 

Bolama ja acabasse, desde que no anno passado, os 

'nglezes invadiram esta ilha e roubaram ao colona 

ÍOO escravos que empregava rTcsta cultura. Nas vi«t 



— 185 — 

sinfcanças de Farim o Sr. Pascoal comprou terreno? 
que a (alta de forço, não pode nem se quer semear 
por causa dos atrevidos ladroes gentios. 

A agricultura por tanto nào fez ainda nenh int 
progressos n*esta parte também de Africa. A pouca 
certeza de poder recolher a ceara, n$o anima a se* 
mear» 



Cada atdea dos gentios é cercada de um rasto territó- 
rio, composto de bosques, prados, e terras que são con- 
cedidas áquern qçizer encarregasse do trabalho e das 
despezas. No resto pastam os gados. Não i conhecido 
entre elles o direito da propriedade. Aterra entanto 
è Lao fecunda , que sendo hutni4a , em outo dtoi 
depois de semeada , já é huin prado , nos dou* 
mezes uni campo coberto de espigas douradas. N*es- 
tes cíir»as de fogo , a agua é a principal tíohdíçâò 
de fertilidade. Todos os çejreaes' è verdade sao pe- 
quenos, de g&o muito duro~ mas ein paga a natu- 
reza offerece aos mandriões 4 o * habitantes , palma» 
"de diversas qualidades, milhares de vaf ias arvores 
de fhíta, debaixo das quaes tendo a sombra para 
abrigo e descanço 7 o succulealp frúctò ftes serVe dè 
alimento. 

Não podemos cogitar sobie as produções das diver- 
sas partes do globo terrestfp , sem reconhecer a pfoví- 
dente bondade, que rç^alou os donativos de cada 
clitna eonforrne as preci zoes dos 'seus habitantes. As- 
sim também aqui n'estas regiões trópicas, os ant- 
maes destinados para subsistência do bomrm s&o cm 



— Í86 — 

pequeno numero, e a carne é inferior á <T aquefles 
que habitam a zona temperada; ate este alimento é 
prejudicial nos paizss quentes. As diverssas sortes 
de cereaes indigenos seguem a mesma lei, p, e. o 
arroz pela sua sequidão é menos dado á fermenta- 
ção que o trigo ou. a cevada, 

O arroz é cultivado em toda a Africa , prin- 
cipalmente porém quanto a Guiné, no paiz dos Félu- 
pes, paiz abrangido entre o rio de Cacheo e o de 
Cazamansa, ocupando uma região, de mais de vinte 
legoas quadradas. .Como. o tçrr,eno ; é em parte lodo- 
so, em parte arenoso, mas era geral cortado de re- 
• ♦ * * 

gatos e alagadiço, promove muito ps. asaras de ar- 
roz, que aqui chamam bolenhas ; como todavia por. 
falta d* industria nos seus trabalhos ruraes, são cx- 

* • • • m 

postos a verem num memento, pela invasão do mar 
frustradas todas as esperanças da colheita,, não yen- 

• * • 

dem nunca os Filipes a colheita do anno anterior, 
sem terem já a do corrente segura. A única produção 
d'este paiz é um arroz ordinário, muito miúdo, mas 
de bom gosto e de muita nutrição. A cor escura que 
elle tem, resultara talvez, como observou mui judi- 
ciosamente o Sr. Lopes Lima na sua Memoria 
sobre os Flupes,de recadarem elles o seu arroz na 
palha nos sótãos das cazas , aonde durante o decur- 
so de todo anno é exposto a um fumo insupporta* 
vel. 

Nas beiras do rio de Cachso cultiva-se também, 
bastante arroz , que^ mais claro, e donde ovem bus. 
car os Inglezes de Gambia , e depois debaixo do no- 
me d'esla sua colónia mettein em commercio. A culpa 



f 



— 187— 

d* isso nãoe tau lo do Governo, como dos. negocia o- 
tes Partuguezes que deixam explorar *os estran- 
geiros um género tão lucrativo» nio se lembrando que 
tomando o meio termo das importações, sabe de Portu- 
gal só pelo arroz, um milhão trezentos mil cruzados 
por anuo. 

Clamam alguns contra a introdução da geral cuU 
tora d 9 Bjroi nas nossas colónias, apoiando esta sua 
crtonea asserção «obre os nocivos vapores , que ex* 
kaiam os arrazoes. Na China , no Egypto e na In- 
dia 9 não tem este inconveniente, t a razão** , que 
n 'estes países a maneira de dirigias é boa, a a- 
gua sanca fiea estagnada a assim não se podem for? 
mar perniciosas cxbalaçôes* 

Nas visinbanças das aldeãs tetn os gentios urnppfr» 
eo da milho 9 arroz, algodão euma espécie de par 
inço, [milhinho] quanto basta para o seu sustento. 

Os Papeis de Bitsáo cultivam ta&bem. o atroz e 
o funda* Km quantoe tempo lavram., rjtsft e Oayafti 
os homens, as boiímkàt [ alagadiços unturas?, pu 
artiftcíaes, que fazem com tapumes de terra, pa- 
ra conservar a agua por muito tempo]. Um mez an* 
1bs do chover f esgptam estes tanques* jCaortrma 
pá de.páo com ferro na .ponta y que e' o sei} arado, 
-fazem regos e depois esperam afir.cQpiosas chuvas 
Preparam então ao pé das suas cuzas* uiji -bocadp 
de terreno bem lavrado e estrumado, oride perqeam 
arroz, Logo que está decerto tamanho^ tr#nspjan<- 
tam-o com ò nome de m$w$ , nas bolajxbasj . corno allj 
-depois da colheita fica agua e palha \ ftste será uip 
dos principaes motivos das çlofeaça*» Ha mais. 9qí r P 



— 188 — 

4 

artoz de secea , que semeam lavrada aterra. Côin 
o fundo, semente miudinha, mui gostosa^ procedem do 
mesmo modo, eomo acabamos de vér. 

A lavoura nos Mandingas difíere no milho e ar- 
voz dos mais gentios. Tem um instrumento a mo- 
do d'uma pequena enxada. Mulheres e rapazes se 
prolongam n*«ma fiteira ao s?m do tambor e canti- 
gas : á uma pancada de tambor levantam a enxada; 
á outra descarregam; assim semeamy mondam e 
colhem alegres, Semeam o arroz d' outro modo qoi 
oA, Bissagos ou Balahtae. As mulheres «atam nosec«- 
íoe tiram a palha ou raízes- Em chovendo fazem 
as sementeiras nas margens dos rios, que transbordam 
com as cheias. Nos terrenos mate akos cultivam o 
?nirho e algodio. O modo que usam para ter duas 
novidades também é diverso; escolhem um terreno 
folgado com muito mato que cortam , estando seçco 
queitfeam , e sobre as^cimas fazem dormir o gado. No 
mez de Junho dâo4he uma eava , chovendo se*, 
meam, e a colheita' £ abundantíssima*—» 

* * ■ 

. 4: í . .> . 

» 4 

- Neutro tempo houve altí ' um grande ramo d* 
commercio para Portugal , ti*úma especiaria tirada 
d*é*te pàiz e conhecida na Europa debaixo do no- 
me , Pbntnta dó Guiné. Os Hollandeaes ao fim 
4e' mttitofe esforços còrisegairam desacreditar tanto 
efcta como * de S. Thomi , para poder lucrar mais 
na siiá que traziam das Moluccas; por isso hoje', to- 
talmente ''deixada em esquecimento esta espocia»- 
rla não é já procurada. — '.•'.- 



■ 



— 189 — 



N*esta$ poucas palavras limitamos-nos a failar da 
agricultura de Guiné ; veremos ainda depois quaes 
são ás producções d' este pais, como também que 
melhoramentos 9 que reformas , ou antes que crea- 
çSes é necessário fíuer aqui. 



Temos assim exposto o estado d'agricultura tau* 
to nas Ubás , como c na costa , e tornemos outra 
Ter a examinar , quaes são as causas do seu mísero 
estado i como se ha de remediar, e a que parle de 
cultura convém dar preferencia. As causas são. 

lt° A immensidade dos morgados*.. 

2/ Os caminhos impraticáveis. 

3/ A falta de instrucção e educação, 

4*° A miséria em que são criados os habitantes. 

òé • A falta de povoações. 

6/ Em fim não se facilitar aos colonos estran* 

geiros o estabelecimento. 

Quanto ao primeiro , em faltando sobre a agri- 
cultura nas ilhas , suffictentemente o creio ter de* 
monstrado: portanto repito somente que, é da maior 
urgência o haverem de ser abolidos os morgados, 
tysto a mesquinhez dos seus teres : pelo qual mo- 
tivo em consequência da falta de meios, deixam 
iaculta a maior parte das suas terras. Por esta 



— 190 -w 

mesma razão ^ lendo notório ,'qu* ao estado flò- 
tiescfettlè da* agricultura se oppôe adivisão do ter-i 
titprio em grandes herdades 9 sou de parecer qtie 
também o Governo ou as Camarás Municipaes to* 
ffiem posse da todas as terras., que em dous ah* 
nos depois do decreto publicado não fossem apro- 
veitadas para a cultura, pastos ou bosques. Contra 
este aclo ninguém podia clamar com razão n*esta 
província, pois a agricultura n'aquellas tetras não 
exige os preparos, o gado, o milhar d'outras miude- 
za» indispensáveis entre nos. Pois seja o anil , o al- 
godão, o cafeeiro, ou sejam campos de. milho ou ar* 
K>2: qualquer doeste» artigos poucas desp&zas neces* 
sita, « grandes lucros cm breve assegura ao lavra* 
dor. Conforme- as suas. circumstancias poderão to- 
dos assim fazer productiva esta terra , que jaz inú- 
til nas suas mãos. Ate bastará cobrir os peibres pe* 
daços com dragoeiros e purgueiras, outras com pas- 
tos, semeando o capim; e por fim quanto ás ilhas, 
com arvores silvestres para construcçãoe combustí- 
vel, que àfòra de Santiago, S. Antão e Si Nico- 
láo faka nas. ou trás ilhas, como na Boa Vista', ou 
Brava, a ponto de se servirem para cozinhar da- bosw 
ta de boi ou caroço de milho. 

Estas terras que. os lavradores assim reduzirem a 
cultura, conforme a espécie sejão izehtos de dizi-> 
mós e àiais tributos? p. e. os caffetaes por cinco 
annos: por dous os algodoaes t e assim na proporção. 

E depois, se ellesdesaltendehdo tíait próprio bem 9 - 
seja quer p<rla preguiça , quer* pela costumada apathi*». 
nio executarem esta ordem ; as suas lemas , fidarâ<> 



— 191 — 

pertencendo como já distemos, á Fazenda Nacional ou 
as Camarás. — 

O Governo mandará n 'estes terrenos plantar arrotes, 
das quaes se formarão bosques : com estes cobrindo 
se as montanhas, e juntando-se maior quantidade de 
rapores na atmosphera , provavelmente regularidade 
terão os chuvas. As Camarás destinarão alguns terre- 
nos para pastos com m um; o resto poderá o Governo 
aforar, e uma parte distribui-la em porções n benemé- 
ritos veteranos e outros indivíduos, colonos, como 
exporemos em tratando do Estado Militar.-— 

Não e' fora do lugar lembrar outro sim , que não 
menos os proprietários da beira mar , devem ser to* 
dos obrigados a. plantar n ella coqueiros. Uma ordem 
semelhante de grande conta seria pararei (es, visto o 
lucro que da esta planta que tanto prefere os terrenos 
sali Irosos na vizinhança do mar. 

2.° Cmninho$ Impraticáveis. 

Os progressos da agricultura dependem essencial-» 
mente da faculdade da exportação- Não tendo meios 
de fazer valer o supérfluo das suas producçòcs , os 
trabalhos reduzem-se a tirar da terra as matérias me- 
ramente necessárias para o consumo. Esta faculdade 
de exportação consiste nas estradas , canaes e rios 
navegáveis. Quanto as ilbas de Cabo- Verde, os cami- 
nhos são tão inal formadas, que além das montanhas 
não darem passagem em parte nenhuma a carros „ 
em muitos sítios nem a um burro carregado o 
tonsentem ; de maneira que 7 .por alguns passos é 



— 192 — 

forçado aos homefcs i irar a carga dos animaes» Nào 
e raro até acharem se homens mortos, cabidos dos 
despenhadeiros que interrompem os. caminhos* £m 
toda a ilha de S* Antão e no interior de Santiago 
estes acontecimentos são muito vulgares; D 'esta manei- 
ra claro e', que os mercados nasvillas» ou porto* do 
mar, nunca são abundantes, pois nos dous.saccos de 
pelle de* cabra, que atravessam as costas do animal 
em ar d* alforges — ingnca$—* pelo mais que .levata. 
éâo dous alqueires de milho ou caffe'. Duas, três co- 
ves , que chegam a praça sem folhas , ou três forma? 
ri'assucar, uma dúzia d*ovos* ou um cento de la- 
ranjas , que vendem na praça por um tostão 9 eis a 
carga que na distancia de algumas legoas trazem ao 
mercado. Ainda com alguma regularidade não 
existe se não na Villa da Praia da ilha de Santiago, 
o este mesmo nunca está bem abastecido em razão da 
falta total d*estradas ; d'este modo nem se podem 
carregar bem os animaes, nem haver alguns carros ; 
sem o que actualmente a condução para os portos , 
do milho ou outros géneros , sahe tão dispendiosa , 
que ábsorbe a maior parte do ganho» 

Em quanto me demorei n'esta província, muitas 
vezes lembrei ao Governador a absoluta necessidade 
de metter mãos a obra, o que não consegui alem de 
outras razões, pela total falta de ferramentas. E'po« 
rem bem conveniente, e aqui o repito, atravessar 
a ilha de Santiago por uma estrada da Villa da 
Proia até ao Tarrafal, e ramificar esta para as di- 
versas freguezias e portos de mar. Restabelecendo 



M^^HM 



— 193— 

tem todo sett vigor ^ antiga e allí indispensável pra- 
tica de trabalharem os habitantes dous dias por an- 
no no concerto dos caminhos, (o que nioé nada vio- 
lento,) o Governo fornecendo somente alguma fer- 
ramenta, em breve os felizes resultados recompensa- 
rião largamente este trabalho. — O mesmo necessi- 
tam as ilhas de S. Antão, Fogo, e S. Nicoláo, por 
serem na mesma falta, tendo aliás bastante povoa- 
ção e cultura. Na ilha de Sal jáhi um caminho de 
ferro, primeiro no território portugi;ez , feito pelo 
Conselheiro M, A. Martins, e muito ha de influir 
na prosperidade (Testa ilha, offerecendo grande e 
fácil sabida ao sal, único género e importante d'c.v- 
portação n'e*ta ilha. 



"Nos palzes marítimos, de algum vulto exercem 
influencia os portos, bons cães ou desembarcadou- 
ros. No todo o archipelago de Cabo- Verde não ha 
senão um, na ilha da Bqa-VUta, que com indulgên- 
cia ainda pode ter cate nome: e este cães, já cha- 
mando assim aquelle. desembarcadouro, foi feito a 
custa do proprietário acima mencionado. 

Nos outros portos porém , tanto nas ilhas , como 
e em Guiné, não só não ha nenhum, mas ate mui- 
tas vezes o desembarco faz-se com perigo da vida, 
como na ilha do Fogo, S. Antão e mesmer no Maio. 
£' a absoluta necessidade construir um cães, agora 
pelo menos na Villa da Praia f — como pio temos 
demonstrado na descripçâo d'esta villa. EmS. Nico- 
láo com mui pouco custo se arranjaria «ga óptima 



— 194 — 

cães na Preguiça que podia ser feito todo em rocba 
viva.— 

3.° Inundações, 

Quanto a esta causa, que geralmente em muitos 
Paizes oppoe-se a consolidar um estado florescente da 
agricultura, tirando ao lavrador por vezes todo o sus- 
tento: também faz bastante mal aos habitantes agri- 
culas d'esta província. No Archipelago, é nas ilhas 
de Santiago e S. Antão onde mais àe faz ressentir. 

Em Guiné, é no paiz dos Flupos que o mar inun- 
da todos os annos uma parte dos arrozaes , e os rios 
que lá sao mui grandes, alagam muito terreno» 

As ribeiras nas ilhas de Cabo- Verde são quasiem 
todo o anno tão pequenos regatos, que n'outra par- 
te nem terião outro nome : sendo porem tão peque* 
nos como são, vindo as chuvas, se tornam ém tor- 
rentes precipitadas e se espraiam por todos os val- 
les, por onde passam. E* tal a sua força, que muitas 
vezes chegam as aguas enfurecidas a levar arvores, 
cazas, animaes e gente. 

Mas como estas inundações duram pouco, desça- 
hindc as aguas , as exhalações são assaz nocivas aos 
visinhos habitantes. N'estes tempos mesmo aquelle 
pequeno trilho que serve de caminho e estrada, em 
muitas partes é intransitável : e e' necessário passar 
por agua atdao pescoço em alguns sítios, ou as ve- 
zes fazer rodeios de léguas. 

A Viíla deS. Antão tem mais de 6000, habitantes 
merece por tanto altençao , c assim devia-se 1 com ur* 



— 196 — 

gencia fazer d* um lado- da ribeira um muro de re^ 
vesiimento , para que espraiando não alagasse as hor- 
tas c não fizesse os estragos e mortes que todos os 
annos se soffrera. O Estabelecimento de Bolor é to- 
dos os annos inundado : ate uma vez forao os Gen» 
tios que a nado salvaram a guarnição, que se tinha 
refugiado em cima dos telhados. No tempo do Go» 
verno do Sr. Lima que durante a usurpação prin- 
cipiou este estabelecimento) tem se feito alguns traba- 
lhos para preseivar os arrozaes das inundações do 
mar, mas sendo mui insuficientes o suspendidos pe- 
la sua retirada, a primeira inundação os derrubou. 

4.* A falia d*in$trucçêo c educação not la- 
vradores. 

* t • » * 

De sufficiente prova doesta atserção.jáserveama* 
neira até agora usada tanto no cultivar aqui aterro, 
como nas outras oceupaçoes ligadas comeste traba- 
lho: assim como no fabrico d*assucar, aguardente 
&. Os naturaes doestas ilhas, não tema meuoridea 
do que lhes convém, para tirar partido da sua situa- 
ção, e os Portnguezes que lá vão, em. maior parte 
das classes mais baixas, são também quasi sempre 
d'huma crassa ignorância, á qual juntam ainda a 
estupidez de se julgarem superiores aos naturaes , 
dos quaes tendo os vícios e os defeitos, não possuem 
as virtudes. Estes por tanto com toda a razão os 
desprezam. 

O Governo nao tem tratado, de- formar esco- 

Jas* e assim estes povos vegetando sempre igno- 

13 * 



* — 196 — 

rantes , nem sabeçn o que lhes pode ser mais útil e 
mais vantajoso. M 'outro lugar ainda fallando sobre 
a instrucçâo n'esta Província , veremos oseu mise- 
rável estado, e indicaremos os meios de espalharas 
luzes entre os habitantes. — 

Porem alem de estabelecer escolas , cujo fructo 
para o futuro será evidente, ha outro meio que mais 
análogo com este nosso objecto direitamente ha de 
offerecer felizes resju liados. Este meio , sâo estabe- 
lecimentos ruraes por conta do Governo, uma. sorte 
de JardinsBotanicot, 



■ i 



Lançando as vistas para os, nossos estabelecimen- 
tos do Ultramar, nenhum tão próprio parece para 
este fim , como esta Província. Pela suã situação 
tteograpbica , pçde haver allí com pequena excep- 
ção todos os vegetaes úa Zona tórrida; a posição 
topographica, tendo beiras- mar e elevadíssimas mon* 
tánbas, consente n 'estas ultimas aoeli matar lambem 
às producçoés vegetaes das Zonas mais tcmperadasPa* 
ra conseguir porém este fim é necessário fazer o mes* 
mo, ' qde fizeram os Francezes na ilha de França $ 
no. Pondrchery e na Caíenna, ou mesmo os Hespa- 
hhoes nas Canárias. E* necessário fazer por taóto 
conio elles um Jardim Botânico d'acelimatação. Al* 
li se via ensaiar e ensinar o melhor metbodo da cul* 
tura , e obtèt as melhores espécies. São estes jaí* 
dins absolutamente necessários para a introdução tb 
propagação das alvores que produzem especiarias 
finas que nos faltam. Antigamente foi a politica 



— 197 — 

possuindo Portugal as índias , o Ccylie &c. que 
obstava a generalisa-las por toda» as colónias. Mas 
boje que estas causas tem desapparecido, e bem que 
se at tenda ás tantas riquezas que se podem obter com 
tão pouco custo. 

Não pense alguém que estas ideas serão de tama* 
nhãs despesas \ alguma é certo que convém faaer, 
mas o que se obtém sem ella ! Uma Ter precisemos 
dar o passo para sahir d'esta misera situação : em* 
preguem-se então todos os meios. 

Estes jardins podem ser feitos na ilha de Santia- 
go, S. Antão e Fogo: e na Costa de Guiné età 
Bissáo. Serão cultivados por soldados [ q ( ie tam- 
bem n*uma parte terão a sua hcrta regimental ] 
e postos debaixo da inspecção d* um Director mtelli- 
e com bons regulamentos. 

Certo é que grande lucro dará ao Estado um seme- 
lhante estabelecimento , além de instruir os povos , 
tanto na maneira de cultivar diversas plantas, como 
na acquUição e applicação dos utensílios . D'e$ta 
maneira se conhecerão bem todas as plantas da pro- 
víncia , serão patentes as suas applicações na mede* 
cina ou nas artes, e pelas diversas experiências que 
se fizerem na sua cultura , ficarão instruídos os* habi- 
tantes.— -Estes jardins bsm tratados, servirão de es- 
cola, servirão' de estimulo, é isto feito, aquelles pd- 
Yosbeni dirão a mão protectora queos favoreceu. Pois 
verão que não menos do que as outras nações tam- 
bém a su& Metropoli , a sua mai pátria cuida nó 
seu amelhorahnento . na sua felicidade. 



— 198 — 



d." Pda moeria na qual ifa crcaãw;, 



Peloa motivos ditas , os habitantes sãp creados e 
acostumadas a um^ miséria, que pela falta d'in*« 
trucção a mio avaliai» ; çonteqtam^se cora urrç vil 
•ustento, e não procurara os com apodos da vjda » por, 
os desconhecerem. As$im teqdo poucas precizòçs % 
passando serq vestir nem calçar , e qào pagaqdo tri-ç 
hiitos quasi nenhuros, preferem dar?se ao ócio, bas- 
tando-IUes alguns puqhadas de milho para o diário 
sustento, 0'meio de os tirar d ! es.ta preguiça, d'es«? 
te ócio, é çrear?lhes mais, precisões- Çsjes meios são 
na maior parte., no seq todo direi, rço mão doGoi 
yerno. Assim; p. e, não, é rjoçivo, $s festas^ d^Igreja 
flM© ^Ao wíçbpadas.com apparato^ sem ser tàofre«? 
queqtes, que estorvem, qs, irabalhos. nq cqmpo; o% 
Governadores que ondeai pelo iqteriqr , fallem corrç 
os h^hit^ntes, eqtrezq cm tqdas, as miudezas: tudq 
isso sesTÍrá ; de estimulo para .melhor apparecer, D* 
esta modo çrião-sepreçisòesquenãosepodegi^aUsfa 7 
jer $era tqeiqs j estes otyemise por meio de traJqaUjo, 
Assiu^ indirectamente serão obrigados, a darrse com 
feio $. agricultura*-» O serviço militar., rniq sçflffo 
muito longo taçpbem infixe Vj&ia* Um homem po* 
çinpq anqos .d ? este serviço, qhrigaçjp a andar calça, 
do, veatidPj e ser b fc em nutrido., acabando es£e tem* 
po, já ter x á mais pjecizões inç|ispens,ayeif , $em q? 
quaes , não ppdendo passar , mais traha !bar4 pan* 
satisfaze-las , e assim com tempo a miseri .? desappa- 



— 199 — 

recendo nas famílias , não ha de retrogradar a agri- 
cultura. — 

6/ Falta de povoações. 

Em breve apoz da descuberta das ilhas de Cabo* 
Verde, se formaram em todas ellas, villas a borda 
domar, aonde concorriam tolos os habitantes. Sen» 
do estas mal seguras paragens infestadas por piratas, 
forâo esUs infelizes insulanos obrigados a refugiar-se 
para o interior, aonde ficaram dispersos. Assim, co- 
mo já temos visto na descripçuo geographica, ha 
mui poucas povoações , que são d'a!>5 >luta necessi- 
dade, para haver uma agricultura florescente. A a-' 
gricultura de um paiz nào pàoduz q«iantó pode , se 
nao quando mui tipi içando -se as povoações, a espa- 
lham por toda a extensão do território. As mesmas 
povoações são necessárias para o desenvolvimento da" 
maior parte das manufacturas e estas o são também 
para objectos de troca a agricultura Uma provin- 
da aonde os produetos da terra não tem consumo .' 
nao sustenta senão uma pequena porção dMiabitan- 
tes. Estabeleção-se allí famílias industriosas, formem- 
se povoações, cujos habitantes igualem os do cam- 
po; bem depressa os das povoações subsistirão dos 
produetos agriculase os cultivadores se enriquecerão 
dos produetos industriaes das povoações vizinhas. As 
mesmas povoações são também um meio excel lente 
de espalhar áo longe 03 valores agricnlas da provín- 
cia. Os produetos brutos da agricultura são de um 
difficil transporte, excedendo muitas vezes a suades-' 
peza o valor da mercadoria. 



— 200 — 

V 

Alem d*isso, na dispersão em que vivem agora es* 
tes insulanos, cada um em sua % .ch,oupana, eimpossí- 
vel terem educação alguma, nem tão pouco pura 

moral, ou queconheção os dogmas da Religião Chris- 

« " ..... ^ 

ta: por falta do que são em geral supersticiosos, 
e conservam muitos ritos e costumes, que herdaram 
dos Gentios de Guiné, 

Assim na ilha de Santiago e' preciso formar ou ira 
povoação, pois como já temos visto, n'esta ilíiauue 
tem 18 legqas de comprido, pode-se dizer não ha 
senão a Villa da Praia. O titio mais conveniente 
é na achaca de Santa Catharina. N'uma planície re-j 
putada por mui saudável; abundante cTagua e rica 
er$ vegetação y no centro da ilha, não tardaria de 
se forrriar pui breve uma povoação, uma villa agra- 
dável. Grandes porções de terreno ainda incultas 
Cariamos a agricultura e por este meio conseguiría- 
mos, o. nosso ficq. Quanto a Cosia de Quine', for- 
mando os estabelecimentos, que ternos indicado na 
dcsçripção geqgraphiça do mesmo modo cooperaria- 
mos para introduzir a cultura n'esta parte.-? 

7/ Nâo se facilitar aos Colonos estrangeiras 

p estabelecimento. 

t * 

' - * 

N'um, paizem parte desertp a no seu todo selvagem, 
deixandp?s,e aos effcilos do tempo o progresso e a for? 
mação, e' certo que ás mesmas invenções já entre nós 
conhecidas ha séculos, se ha de a final chegar * aias 
no atrazo sempre hão de ficar os habitantes, selva- 
gens em comparação das suas metropolis. Tudo is- 



J 



— 201 _ 

to obteremos fazendo estradas, creando povoações, 
juntando n*ellasos dispersos habitantes, e instruindo- 
os: porém tão tardonho havia de chegar o proveito de 
todos estçs remédios 9 que não ha duvida ser a todos 
preferível, o da introduçção de colonos estrangeires 
Na ilha de S. Antão já houve muitos habitantes das 
ilhas Canárias, que agradados do bom clima, aílííe 
estabeleceram; e trazendo com sigo luzes de cjyjlisaçab 
não só .tinham mui bem cultivadas hortas e obtinham 
nos seus /campos trigo, cevada e outros cereaes de 
Europa, mas até fabricavam louça e vidro. Asau- 
tboridades porem longe de os proteger, vendo coroa- 
dos os trabalhos (Telles com felizes resultados, obrí- 
gando-os com continuas extorções a pagar impos- 
tos , de que durante alguns annos deviam ser isem- 
ptos, os cpnstragirajn a dosemparar a província. - - 
Milhares de famílias vão todos os annos da Hespa- 
nba, das ilhas Canárias e outras partes d'i£uropa, 
como e das nossas ilhas Açores e Madeira , para a 
America, ponde servindo dè escravos brancos aos 
naturaeSj em breve vem frustrados os sonhos das 
8 uas esperanças. Um colorço estabelecendo-se nas ilhas 
de Cabo Verde ou Guine', por muitos annos ainda ti. 
rara lucros maiores do qae em Qualquer outra parte 
do mundo. Serão, somente colouos estrangeiros. quê 
introduzirão boas indigoarias , fabricas d'assucàr y 
d azeite , sabão £fc. Facilitando-lhes o estabeleci- 
mento, dar-se-ha se o maior impulso á agricultu- 
ra, e achando elles protecção e boa fe' da' parte do 
Governo, virão d' Alemanha , virão da Suissa, ví- 
rão de todas as partes , donde convém comi pofitu 



c. 



—302 — 

cá recebe-los. E além d 1 isso criando assim em brere 

■ - • - • • . 

uma população numerosa branca , teremos a vanta- 
gem immensa de iuo despovoar o reino. E fiquem to- 
dos os antagonistas do tal systema bem persuadidos, 
que 03 filhos, se não já os pais tçrão pelo menos" 
tanto amor da pátria adoptiva, como muitos nacio- 
naes hoje em dia o não tem. Vivendo dispersos por 
um vasto território e d'origens diversas nunca pode- 
mos recear nem por pensamento alguns fins sinistros; 
mas assim o mais brilhante futuro, como milhares d** 
exemplos d'este systema posto em pratico já rios nos-* 
sos dias podem demonstrar. 

.Vejamos os Estados Unidos d'Ameríca , o Brazil; 
as costas do mar Negro e a Geórgia na Rússia : vas- 
tos campos desertos, em poucos annos forão reduzidos 

a mais bella cultura e animados de mais de cem mil 

• * •'..*■ . . 

habitantes, todos d'origem estranha, — . ' 

• •' • • '■''".. . > ■ 

As ilhas de Cabo Verde, com os jardins d*acclinia- 
tacão, que temos projectado, os estabelecimentos 
ruraes methodicos r que chamamos colónias mi- 
li tares, o fabrico d 'estradas, espalhadas luzes , e 
alguns annos de socego debaixo d'um bom Governo, 
subirão a um gráo, que nada deixarão â desejar a 
respeito d'asrricultura, — 

Porem a Guine não ba de ser. jamais povoada de 
brancos, nem cultivada, senão introduzindo colp- 
no*. As ilhas das Florei e Corvo nos A cores sepo- 
voaram , porque forão concedidas em sesmarias 
ao Duque de Aveiro, que para lá transportou gen- 
te, officios e artes necessárias. Quando em razão 



— 003 — 

da extiaç&o dVsta caia, aquellas Unas patsaram â 
Fazenda Nacional, ellas tinham 8000 habitantes , e 
só o foro que a caza recebia sobre o milho, moo* 
tava a 130 moios* Da mesma maneira, isto c por 
coacessâo em sesmarias á proprietários ricos f 6 que 
for^o poyoadas e cultivadas todas as Capitania? d^ 
BrasU, 

No mesmo Archipelago de Cabo* Verde a ilha de 
S. Antão foi assim concedida ao mesmo Duque de 
\reiro. Para alii inandou elle feitores > cazéiros f 
rnetteu muita escravatura de Guiné , e por isso tem 
hoje para cinja de 15/000 habitantes, —«Contente* 
mo-nos eom estes exemplos 9 seguiodo»os , em breve 
yeremos toda a Guiné Portuguesa superior cm agri- 
cultura, industria e comercio ao indolente Brazil. 

Sejâo doesta maneira distribuídas as ilhas Canabncf 

* 

Gallvnhat, ftolama, Mantcrc c Jqlt : o Htro 6 imos ter- 
renos vizinhos ás fortalezas e pouco a pouco havemos 
de consolidar assim o nosso domínio. • 

Em. popsundo *sta providencia por Allemanha, 
virão acod/ndo homens rico?, a fazer semelhantes 
estabelecimentos ruraes em tofla a província ; izem- 
tem-os por (Jea ânuos de todos e quaisquer iinpostos 
e tributos; que o GroyernQ pelo accrcscimo de consumo 
começar^ jáa lucrar no rendimento das alfandegas, 
não fallando na acquisigâo de população, propric» 
tarÍQs ricos, e com isso d'um sspecto.de força ç 
estado florescente,. -^ Este passo nào fará despe; 
za alguma ao Governo de Portugal , pois sejâo 
isolados homens ricos y ou Companhias que se en- 
carreguem djçsta emprega , o GoYerno no mais que 



_SJ04_ 

podia entrar em gastos } seria franqueando seu*bar< 
cos para o transporte* — 



£ís o quadro doà obstáculos á agricultura: temos 
dado algumas ideas joara os destruir , ma9 ainda nos 
não damos por contentes. Queremos satisfazer um 
dos prineipaes dados daí economia rústica ; — n*um 
pequeno terreno, com pequerta9 despezas, obter gran- 
des vantagens. 

As ilhas de C. V. como e a Guiné Portuguez a 
pela sua situação geographica estão n' esta Zona, aon- 
de prosperam quasi todas as plantas dos outros pai- 
zes da mesma latitude. Vejamos logo qual d'ellas 
e a mais conveniente, a mais utU táftto para a pro- 
víncia, como è a metròpoli.— : As plantações de mi- 
lho realmente são bastante consideráveis no Archi- 
pelago, pois chegam a produzfr 7$Ô00 moios que pe- 
la medida de Portugal fazem 16^884 moios. Quasi 
cinco mil moio* sè exportam amraalmente: mal se de- 
verá deixar sabiresta quantia tio avultada, se hou- 
vesse juizò.' Pois ' por ria d'isso, éqúe sempre antes da 
colheita se costuma áentir a falta; é assim mesmo 
melhor seria , se os habitantes raciocinando sobre o» 
seus interesses, empregassem uma porção d*éste grão 
no sustento de porcos e outros gados ;" mormente por* 
que salgando as carnes , visto a súa' abundância 
maiores vantagens haViào delirar. O 'Brigadeiro 
Marinho no primeiro anho do seu governo n*esta 
província, receando qué fosse adiante 1 a fàfta d'agua 
c com ella o calamidade da fome, ptobibtu que se 1 



J 



— Ato- 
ei portasse o milho. «—De despotismo o taxaram ahi 
os preguentos, ( e más línguas que míDca faltam. ) 

Nos ob serramos somente ter este um uso antigo da 
provincia, e mui aceitado: e n'este metmoanao, em 
que vamos, lá esta prohibidaa exportação. 

O «.ilho então, o feijão^ e a mandioca comoprin* 
cipal sustento do habitante deve ser com iazáo o 
objecto do seu primeiro cuidado. Mas vamos áqucl- 
las plantas que constituem a riquesa d'uin pais n 'es- 
ta Zona, que peem uma. colónia no estado mais 
florescente. As que mais convém a esta provincia 
existem allí, c devem ser pof todos os modos anima- 
dos pelo Governo , e com esmero tratados pelos co- 
lonos. E* o algodão', o caffé, o onil, a can na d 'as- 
sacar, o dragoeiro, a purgueiía, e o tabaco. 

Dragoeiro. 

Draccena thaco. Esta espécie do palmeira que 
prospera tanto melhor, quanto mais escarnado é o 
rochedo aonde pegou arai*, e afrontando o sol mais 
ardente, sem cultura^ nem rega, ma-ia- brilhante co- 
pa levanta, pode ser base de riqueza n*eita provín- 
cia. — . O tronco, por meio d'algumas incisões produz 
ann uai mente dous arráteis, de resina, conhecida no 
qonrmercio debaixo do nome de tangue de, drago ; 
das folhas pode-se tirar quatro arráteis e meio d 'uma 
espécie de. linho muito bom para amarras e cabos, 
artigo de grande importância n'um paiz marítimo, 
e. aonde «ao ha Unho; — Estes produetos tem lugar 
-dez pnno« depois dft* plantação. O termo médio do 



— 206 — 

valor d*um arVatél de sangue de drago na xtíão do 
agricultor é 800 rs. O arrátel d*este linho 60 rs. fogo 
cada pé no preço mais baixo dá 1$600 js. em san- 
gue dé drago è £70 rs. em linho, cuja sosima é 
1 $870 rs. No aichípelagò de Gabo- Verde e Ilhas 
"Bissagos pode-se plantar «em prejuízo d*outra cultu- 
ra cem mil pés , que depois dos dez ânuos produzi- 
rão .187:000(^000 de reis onnualmente. Tirando ¥1 
to» tos para a de&peza de colheita e outras, ficajài 
160:000^000 para os cultivadores d'e*ta arvore*-*-' 

•.■'.• - . . • 

Purgueira. , '■ r 

Jatropha Cnrcas. Este arbusto que cresce por 
toda a parte d 'estaca, sem cuidado, entre rocbas> 
sem differença do ar, do sol, e do sitio, este arbusto 
digo, pode fazer da província de Cabo- Verde a mais 
rica talvez em proporção de todas as colónias. O frueto 
Sueste arbusto produz uma grande quantidade de azeite 

A purgueira como já disse pega d'estaca ; um 
jornaleiro planlá por dia / supponbamos só ôd 
purgueiras , em dee dias planeará a quantidade suf- 
ficiente para darem uma pipa d'azeite. Osjornacs 
sàoa lOGrs, logo a plantação para uma pipa custam 
1#000 rs. Uma garrafTti d* azei te de purgueira custa 
aqui no seu menor preço 40 rs. o almude por tanto 
D60, a pipa de SI almudes S0^160rs. Ás purgueirss 
produzem ja no 2/ anuo, euro pe por outro dá uma 
garrafla d 'azeite. Assim como a plantação dos ôô pes 
custou 1$000 rs, lemos com estes dez tostões' posto 
um 4n}>ital, éu estabelecido uma base para um ren- ! 1 



—207— 

pimento annual de S0£160 rs. As ilhas podem dar 
200^000 pipas , sem diminuir a cultura das outras 
plantas; 200/000 pipas rendem 4.023:000/000 de 
rs. Esta demonstração deixa ver a cada lavrador ou 
colono que lucros pode tirar em proporção.— 

O' Tabaco. 

A espécie mais celebre N. Tabacum. L . e' que 
aqui existe; mas brava e só n'uma ou n'outra fa- 
zenda e em mínima quantidade. — 

Reflectindo que esta planta venenosa, e'd*um chei- 
ro em fresca, muita desagradável, d* um sabor acre 
é ascoso : custa a intender como pôde vir a ser um 
objecto de tanto uso c fornecer aos Governos tama* 
nho rendimento. Mas que influencia não exerce o im- 
pério da novidade eda moda, principalmente sendo 
encontrado dê obstáculos ! 

No A rchi pélago encohtram-se pes d'esta planta 
por todas as partes e de mui boa qualidade; tenho 
visto folhas de meia vara de compridas e um palmo 
de largas. Hão seguem com tudo nenhuma cultura, 
nem a tratam com algum cuidado; depois de sazona- 
da , apanbam-a e põem ao sol, e logo que está meia 
encham brada, ajuntam em molhos de dez a doze 
folhas qúe vendem por um Vintém. Homens e mu* 
Iheres tudo fuma e pòr cachimbos. Alguns também 
o cheiram , torrando e moendo toscamente a erva. 

A cultura d*ééte vegetal consiste em produzir gran- 
des c-beila* folhas $ por tanto necessita um terreno 



i 



•■■' —208 — 

fresco e substancial. Depois de o ter semeado, os pes 
começando a tomar uma forma, transplan tam-se n* 
um campo bem preparado um por um, com o seu 
torrãosinho de terra, em distancia de três pés. Um 
mez depois colhem-se três ou quatro folhas debaixo, 
como as peores, sendo salpicadas da chuva que cahc 
na terra. Por outo dias se vai continuando isto mes- 
mo. Limpam estas folhas, deitando fora as podres; 
estando seccas, tornam-3e a limpar uma por uigae 
então as borrifam com uma dissolução de dez libras 
de sal marino em trinta canadas d'agua. Alguns põem 
melaço ou aguardente em lugar dosai. 

Parece-me que nao seria vantajoso, mas até prc 
judicial espalhar esta cultura na Costa de Guiné, 
allí devia ser prohibida. Mas nas ilhas de C. V. pe- 
lo, contrario deviam os habitantes. dar se muito a seu 
trato visto os grandes interesses que dá o tabaco em 
proporção do pequeno trabalho queexige. Como o» 
progressos da agricultura dependem essencialmente 
da faculdade ^'exportação e do consumo , é despe- 
jar que o governo pela sua parte não deixará de con- 
correr para ajudar e animar este tão importante r«- 
mo. Assiui augmentando-seos direitos no tabaco es- 
trangeiro em rollo e folha que lá é admittido, o plan- 
tador de .tabaco nas ilhas , contará com certa sabi- 
da e consumo tanto no paiz, como em Guiné. O 
Governo pode não menos obrigar o Contracto do Ta* 
baço .no Ueiuo a comprar certa quautia por um pre« 
ço arbitrado. 

Também ao Visconde de Sá, é que os insulanos 
devem o* agradecimentos dos esforços e cui$ladoque to» 



[ 



:_ô09— 

faiou est« constante protector das colónias Porttiguê* 
zas, a fim de conseguir do passado Contracto de 
tabaco «ma compra annual de, folha, — Not.6 — 
Os Contratadores concordaram, e desde logo pa- 
feceu aos pouco peritos, que este acto era patriótico. 
Jjl as com tudo findou o contracto , e nem uma só 
-vez até boje se tem efiectuado a mínima compra. 
iPois em primeiro lugar, quinhentas arrobas é uma 
quantia tão diminuta, que atç parece ridícula, oc- 
companbada como foi esta proposta c!c tanta osten- 
tação. Só um morgado da ilha do Fogo, Fran- 
cisco JVÍonteiro a sua parte tem tido tanto como 
isso, e podia fazer esta remessa da fazenda dos Pi" 
cos, que possue n*aquella ilha. O mesmo pasça com 
os Coronéis de Milicias de Santiago, Luize Gregó- 
rio Freire d 1 Andrade, ô muitos outros proprietários. 
Durante a ultima guerra dos Eslados Unidos d* A- 
m eriça com a Inglaterra, faltando o tabaco que u- 
nha sempre d'aquelle paiz : plantou e exportou para 
Guine' só deS. Nicoláo, um HollandezWatring, es- 
tabelecido n* estas ilhas, seiscentos quintões. Não e' lo- 
go tào módica a quantia do tabaco que podem forne- 
cer as ilhas, para a, liaiitarem em 500 arrobas. Ma* 
com igual resultado podia-se dectiplar na proposta o 
numero d^arrobas, e remanecendo a rresma tenção 
de levar ao cabo esta ofíerta, nada teriam arriscado 
os Contractadores. Pois em segundo lugar qual foi o 
preço offerecido?— 1^600 re'is por arroba e depois 
como grande rasgo de patriotismo 2^400 reis! Quan- 
do o mesmo contracto compra aos Americanos folha 

mui inferior a 80 reis a libra; ca isto*c chama ani- 
{ .14. 



■**Ki* 



*-vr: i— 210 — 






y i 



mar a agricultara, promover a prosperidade^ do seu 
Taiz! — Nas próprias ilhas se vende mais caro o ta- 
baco, sendo o dê rolo de 100 — 150 réis a vara. , 

Criminamos assim o contracto , aventurando a 
asserção, que a julgar pelo resultado, semelhante 
offerta nao foi fsita de boa fe, senão uma espécie 
de ostentação de patriotismo. Mas com tudo recahe 
ainda não menos boa parte de culpa sobro a indo- 
lência dos' insulanos.' 

Esperamos todavia que, um. dia. um Governadis- 
irahindò-sc das.suas graves questões que o preoecupam 
Jfanceos olhos sobre semelhantes futilidades, que se- 
gundo alguém mais importapi á nação, que a poli- 
tica ; c obrigue se o Contracto do tabaco , este se- 
gundo poder, este estado n'um estado, a cumprir 
forçosamente a compra de todo o tabaco quemani- 
cstarcm á venda os habitantes do Àrchipélago. — - 



O (Joverno, c verdade, e bem penozoe confessar* 
deixando desde tempos mais remotos, as colónias 
sem nenhum systcma colonial , nunca as animou , e 
nem tão pouco se importou com a sua agricultura/ 
De tempos a 'tempos appareciam porem varões ao 
leme do governo, que bastantes esforços, e alguma* 

* • • * 

providencias com bom êxito Fizeram. Assim as ilhas 
de Cabo Verde também nem sempre ficaram emes»' 
quecimènto, e com muito gosto aproveito esta oc-~ 
camião, para lembrar o que se tem feito para ajudar 
a agricultura u'csLc Àrcbipelago, — 



—211 — 

lim 1790. mandaraQi-sc para Santiago, aJ^unuu 

saccasde cânhamo, que porem nunca foi senieulo. 

Com provisão do Erário do 1/ de Março de I/í)4 

znandou-se o seguinte. 

Trigo: alqueires -•••• • - - . \o 

Cevada: idem --------- .12 

Mi\ho : idem -------- i - «l 

Feijão branco: idem ------- -t; 

Feijão fradinho -•-•---.-.;& 
Favas ---•---.---.«.(; 
Ervilhas ----•--••-. ..j, 

Grãos de bico -------..„$ 

Wcfta. occasião simultaneamente forâo remetlidoi 

os seguintes instrumentos. 

Arados com suas grades e mais pertences • 6 
Charruas com os seus respectivos preparos - 2 
Aravessas com ditos ----- - - . o 

Fouces de ceifar e roçadou/as - - - - - Í2!i 

Baldes - *• --.-.-------12 

* .i 

Jogo de ferramentas para o oQicio de carpinteiro 1 

Dito de pedreiro com 2 colheres de mais - 1 

i 

Ditos, de navalhas de barbear ----- 2 

Albardas com seus pertences ------ 4 

Cabrestos - -------. - - á 

Machados - ---.„_.'. - - £Ji 

Euxadas 01 

Picaretes -----.----,*. o ^ 

Alavancas - - - . - - -- - - . 1 o\ 

Camartellos --.-.-«_„ - - 7. 
Picadeira *-----.-. - - 1 

Aguilhadas preparadas „------ tf 

I4r # 



« 



« 



Apparelho de pescaria ---*.-•! 

Estes instrumentos erão accompanbados de dezeJ 
nove degredados , pela maior parte peritos em cou- 
zas d'agricultura, julgando-se que d*este modo com 
adequadas providencias, semelhante estabelecimento 
bem se havia de segurar e prosperar. Desgraçada- 
mente pelo desleixo das authoridades no focal , os 
degradados fugiram nos primeiros dois mezes e os 
instrumentos e sementes nem consta terem tidoap- 
pli cação. 



Com Avizode 4 de Janeiro de 1799 fez o Gorer* 
'no uma nova remessa de sementes e plantas cotti 
igual resultado ; vem a ser, — 

Alfarrobeira. Ceratonia Siliqna. Alguns pés ain- 
da vi na ribeira de S. Francisco : mas parece-me ^ 
que não fracti ficam. 

Azereiro. Prunus lutilamca. Não ha noticias d v es« 
ta arvore. 

Asinheira. Quercus Jlcx. Perdeu-se. 
Avelleira. Coryllus avelaria. Jgualmente não prós* 
perou. 

Carrasco. Quercus cocclfera. Perdeu-se também sem 
produzir. 

Castanheiro. Fagus Castanea. Não ha ate noticia ai* 
guina dVsta arvore. 

Castanheiro da índia, desculus Htppocastanum Jd m 
Cedro dTlespanha. Junípems oxyccdrus. Jd« 



—213 — 

Cipreste. Gupressus fcmper virou* # Jd. 

Freixo. Fraxinnt txcchior. Jd. 

Baganha- Glcditchia triacantos. Jd. 

Lodão. Cdlls australti Jd. 

Loureiro. Lauru* nobilita D*esta arvore exist.cm al- 
guns pes na ilha de Santiago , a saber ha os na m- 
beira de Santa Anna, cinco legoasda villa da Pra- 
ia, Na ribeira deS. Martinho duas legoas distante 
da dita villa. Na ribeira dos Órgãos, c se me não 
engano também na Trindade* 
Olaia. Ceras siliquastrum. 

Nogueira. Juglans Regia. Foi semeada na ilha de 
Santiago nas ribeiras de S. Martinho e S. Francis- 
co, mas não prosperou* 

Pinheiro bravo. Pinus maritimus. Teve a mesma sor- 
te, morrendo quasi todos já na altura de um pal- 
mo. 
Sobreiro. Qucrcu$ tuber Também perdeu -sc # 



Com Provisão da Juntada Fazenda da Marinha de 
12 de Janeiro de 1799 renovou se a ordem de ani- 
mar a semearem os pinhaes, para cujo fim n*esta 
occasião foi enviado um rnoio de pinhão. 



* Com tudo estas duas ultimas arvores pegaram bem 
e existem em S. Nicoláo, ftaFeijam, n'uma fazenda do 
Deputado Theophilo José Dias \ do que se collige que, se 
tanto estas como jnujtaç outras espécie* pao prosperaram f 
foi por falta de cuidados, — 



Cem nvizo de lDcle Outubro de 17í?9 tratava-se de 

introduzir o Cedro de Bussaco. Ciipresms glauca 

' f 
remetteu-sc a semante, mas igualmente sem resulta-* 

do. 

No anno de 1H01 foi enviada as ilhas a" sémen-** 
te do tabaco Virginia, com um folheto sobre b me- : 
thodo de o cultivar. 

Já nos nos.os dias no Ministério do Exm.° Sr*.* 
Visconde de SA da JBan/leira não menos forãore-' 
mettidas algumas sementes, c segundo me lembro 1 ,' 
forào alfarrobas , tabaco dí Virgínia, algumas va-J 
riedades de feijão e diversos legumes.- Presenciando 
a esta ultima remessa, da qual também nada re-" 
sul to u, pode conceber, como das anteriores*i&uáU ' 
inente não se tin!ia obtido ofrncto que se podiàès^' 
perar. li nao podemos deixar dè reparar *c|ue sé áU 
gumas vezes tem apparecido algum desvelo e ten- 
dência ao melhoramento da ajrícittttira e augmen • 
lo da vegetação d "esta província, foi isso feito sem- 
pre sem methodo e geralmente sobre qma base ej> 
rada. 

N*estas remessas tratou^sê como vêmss de intro- 
«luzir no archi pélago de Cabò-Verde a agricultura 
de Portugal, cousa não só inútil, mas ate impos- 
sível c contraproducente. Remessas de pinhões com 
ordens de semear pinheiros Da zona tórrida, n'um 
paiz aonde esla. madeira m?srrto da piei hòr qM ali da- 
do, não dura mais de cinco annos hão deixa' de ser 
ridículo; tanto maii que a vizinha l costa de Guiné 



— 215 — 

é abundantíssima em madeiras que reunem todas as 
vantagens que é possivel a exigir, como a altura, 
grossura, rijeza c direitura. O mesma se intende 
a respeito de toejas as plantas que o Governo al- 
gumas vezes tem íemettido , e que acima temos c- 
numerado. . 

Em Portugal ainda hoje em dia so não faz unia 
idea exacta das ilhas de Cabo- Verde, e nunca se tra- 
tou de tomar um cabal cçnhecimcnto, sem o que e 
impossível legislar para íiiii paiz som cabir emano- 
mal ias. 

Assim no relatório da Comissão do Ultramar so- 
bre a provincia de Cabo-Veudc, nas Cortes de 1323 
encontramos o seguinte. 

» Quem se persuadirá , que sendo os Portuguc- 
» %es senhores (Testas ilhas ha quazi403 annos, não 
» se- cultivem, allí hortaliças algumas y como ceòb- 
79 las 9 couve , mostarda qc. 

A mostarda é tãio supérfluo de cultivar allí, co- 
mo top e esteva em Portugal; pois se encontram 
nas ilhas estensões de legoas, cobertas de mostar- 
da.— 

Semelhantes erros que na bocca do legislador suo 
imperdoáveis, *»0 resultados de mincaterám sido na« 
turalfetas incumbidos de cabeis pe^qittzes e descri- 
pçôes da vegeta'çãoíe- estado físico e natural dopniz. 

Com a indispensável introducção dos jardins d* 
acelimatação, serão sem duvida removidos senielhan- 
tes enganos e as remessas de plantas ou sementes 
feitas no futuro com boá escolha e methodo , não 
hão de perecer como ate' aqui sem nenhum resultado. 



— ái6 — 

Nao são pinheiros , nem cedros ou carvalhos que 
convém introduzir nas ilhas : mas sim promover ase-» 
menteira do Piaus Araucária # a Arvore do Pào , 
e principalmente Moscadeiras, Pipereiras, Cane- 
leiras e Cravo girofe. — 

As ilhas de Cabo- Verde necessitam somente me* 
lhoramsntos nos seus ramos d' agricultura , anima* 
Çao de governo, e chegando aindaacrear nas acha- 
das e baldi>s, bosques d*aquellas e outras arvores 
próprias d'este clima, pouco deixarão que desejar 
«ím alguns annos. Basta que o Governo instigue os 
habitantes das ilhas por meios indirectos á cultura 
dos géneros de maior vantagem , que dependem do 
labor humano. — 

Foi também para esse fim , que o Visconde do 
ba Bandeira, no seu para o Ultramar sempre tào 
proveitoso Ministério, obteve dç S. M. a Ràinh* 
a sancçao da diversas concessões a vários 4 de terre? 
nos nas ilhas de Cabo- Verde — # # 



* O Exm.* Visconde de Sá Bandeira foi também que, 
no seu Ministério deu positivas ordens para introduzir es- 
ta arvore em Angola , aonde segundo fomos informados * 
já tem bello principio. — vpj Nq$. 6 f- 



. «•# Limitamo-nos a publicar algumas d'estas concecspes, 
e e n^este lugar que nos reservamos ainda de fazer algu- 
mas reflexões. — voj. Not. 7.-* 



— 217 — 

Quanto porém a Guiné, demais devem se excitar os 
capitalistas Portuguczes a formarem una associ- 
ação, cujos capitães desem volvam o gérmen da na- 
tural riqueza, que aquelles terrenos abrigam. 

Estabelecendo cm Guine colónias a gri cuias, tere- 
mos a duplo objecto tuo desejado preenchido. Ha de 

| se poder cuUocur com vantagens os militares vetera* 

i 

| nos ainda validos, como cos expostos , dar oceupa- 
ção aos degradados , libertos e empregar util- 
mente os homens confirmados ú trabalhos força* 
dos. — 

Com tudo não deixamos de« recowboccr que o sys- 
tema de colonisaçao aurícula, apezarde todas aqucl* 
las vantagens, è um ensaio que exige uma longa ex- 
perienria para appreciar os futuros resu liados c co- 
lhe-los. Pois os íruclos nf.o se mostram se não de- 
pois d^um lapso de tempo mui considerável. O fim 
ir*esta operação , debaixo de todos os pontos è emi- 
nentemente louvável , mas quaes c quantos obstacu» 
los imprevistos i^um paiz como a Guiné, podem es* 
torvar a cada passo a marcha , e paralisar os esfor- 
ços. Combinada pore'm com uma legislação sabia , 
protectora dos interesses da agricultura e industria, 
não duvido que esta operação apezar de todos os 
tropeços e dificuldades , seria activa nos seus effei- 
tos.— * 



Em 18IS foi creadapara este fim, por Leydo en. 
tão Príncipe ílegente o Senhor D. João VI.* «ma 
/unta de melhoramentos tfjgricuttura , á qual erao 



— 218 — ■ 

sujeita? as Soclcdctdes agronómicas estabelecidas cm 
todas, as illiai. A Junta era composta do Governador 
e Capitão General como Presidente, e do Ouvidor , 
Juiz Ordinário da Capital, Escrivães da Camará e 
da Fazenda como Deputados. Seus estabelecimentos 
filhaes nas outras ilhas erão compostos do, respectivo 
Comtnandajite militar, Vigário, Juiz, Feitor da Fa- 
zenda e Escrivão da Çamara, Esta orgamsação p a- 
rece nos ler sido viciosa, não pertencendo, nenhum 
lavrador c mais. pessoas que geralmente tem maiores 
conhecimentos a este rcspsito. Esta instituição tâa 
bella e louvável, assim como .tantas outras c taobo- 
as leys e instituições que ternos^ quasi que nao exis* 
tia. senão no, papel. . Segundo o zelo cT algum Gover- 
nador reuniçim-«se os membros as ve^es e tinham, lu- 
gar as.-SJe^qes, .# , rn<as.teimbem sem ef ri.çacia ncaUuraa, 
a não» ter. por. resultado, enclierem se muitos ca^er- 
nos de papsl. Apenas tem dado al^am. impulso á. 
plantação, do cafre; que. todavia tornou a decahir^ 
como ateima já.temos, exposto, r— Se algum.ave? ti-. # 
pham-se tomado boas. o úteis deliberações., com %k 
costumada apathia, ,aunca nem tão poaeo uiiagíS 
foi, jamais posta em pratica. ...» - s 

No anno.1837 forap estas Juntas recovadas ca m 
diversa orgmis^ção ainda que igualmente yicio^ a, ; 



*~ * Apresentamos em seguida algumas sessões doesta Jun- 
ta., que podemos alcançar, e p3zemos a.s ^pp^.ratçpsp , 
por não sg cem s?,m interessa *t darem uma*J>3m clara, idea» 
— Npt 8. — 



v» »• 



— 91fr— 

e de certo sem uma reforma radical na Prcuincia, 
nào se podem d*ella no estado actuòl, esperar ai- 
pins melhoramentos. — Not, 9. 

O Governador Marinho desde que foi renovada a 
Junta d' agricultura, dividiu algumas terras entre 
gente pobre, para promover a plantação d^nlgodao 
e purgueíras. Consta-fcos 9 que a ates da partida 
d' este Governador para Moçambique, orla medida 
promettia grandes resultados » a julgar pej<> que já 
havia em S. Nicoláo, np Campo da TVw* Iktan- 
tia de J5ra%, os Carvoeiro* j — e outros sitias, onde 
tev.e lugar aquella divi&Jb.-— 



* 

Esperamos indulgência do benévolo icitor, se com 
alguma demasia nos temos demorado com a expo- 
sição d' agricultura d 'esta Província; mas nos escro- 
vemos também para os babitan.tes d'aqucllas regi- 
ões, e com a convicção de que este paiz deve ser 
considerado como uma Colónia agíicula; — poisas- 
$\m será industriosa, será comerçante.— 

Pessoas ha, que não sei porque se tem na conta 
de só ellas conhecerem o paiz, as quaes dizem [ain- 
da que por certo o não cuidam] serem impossíveis 
por lá todos os melhoramentos d v agricultura acon- 
ta da falta de aguas. — 

Quanto a Guiné esta refutação não tem lugar; 
quanto ao Àrchipelago porém,, cobrindo as ilh 



— 82o — 

com vegetação, haverá mais frequentes chuvas, & 
cultivador poderá contar com uma certa colheita , 
e aniquilado será o receio da fome. Alem d'isso o 
homem tem raciocínio, e d'esta faculdade que o 
extrema dos cetros animaes, deve tirar partido pa- 
ra ajudar e compensar a natureza aonde ella se 
mostrou insuficiente. A$ ilhas de Cabo- Verde não 
são faltas d*agua, pois tem abundantes fonteg, to- 
das teem algumas ribeiras r e por toda a parte se 
encontram nascentes em pequena profundeza As 
plantas próprias d'aqueUa ; zona não exigem lambem 
suprabundancia de rega* Mas para todo o cazo, 
alem dos poços e noras que lá não existem todavia, 
temos já agora o meio tão fácil, tão vulgar e tão 
económico, de haver Agua em toda a parte, que 
não acho difficuldade alguma em abastecer as ilhas 
lambem corn aquelle eleniento, por este meio* — 
por via dos Poços Artezianos. »— 

* * * • 

A doutrina d'estes poços é fundada sobre o equi- 
líbrio dos fluidos. E 1 sabido que a precipitação das 
aguas da atrnosphera é a. origem das fontes . A hu- 
midade absorvida da atrnosphera penetra pelas fen- 
das da terra, ale que filtrando pouco a pouco, a- 
che uma sahída, conforme á affluencia. Assim tam- 
Tbcm como na superfície da terra ha lagoas e rios, 
a natureza no seu seio escondeu outras lagoas e ri- 
os subterrâneos, uma espécie de cisternas, de re- 
senatorios que alimentam aquelles. D'este modo a 
lerrn no seu interior em todos os sentidos e' cortada 
por veios d'agua. Atravessar ei^tfo é&tâs camadas 



f 



*— «SI — 



}>or um furo j>erpendicular, com a remi ma da ter- 
ra, — eis o que se chama abrir um poço Artezia- 
no. — Ajuritanvse n*éste poço todas as aguas, qi e 
sé acham entre as differentes camadas? e sobem ale 
se pôr de nivel cefm a sua origem. Seella fora mais 
alta da boca do poço, rebentam e já sb alcança- 
ram repuxos ate de 30 palmos. No cazo contrario 
por m«io d*uma simples e pequena bomba extrahe 



se a agua» — * 



Estes poços alem de dar quasi sempre uma rega 
natural espraiando a agua fora do orifício, são ainda 
mais económicos que quaesquer outros poços , noras 
ou bombas. — 

Oxalá esta lembrança estimulasse alguém na Pr o- 
vincia, a pô*lo em pratica, como jií o tem feito 
a Camará Municipal de Loandaem Angola; c esta 
fatroducção nao tardaria a attrabir enormes resul- 
tados sobre a agricultura da Província.— 



FIM DO I. VOL- 



SSfèBÀS. 



— 225 — 



NOTA I. 



J. — Pog. 24. 



Instrúcçõcs cp* se devem praticar com a nova povo- 
ação da ilha de S. Vicente , uma das desertai da 

• Capitania de Cabo-ferde , mandada* observar por 
Carta Regia de 22 de Julho de 17í)ó. 



t> O actual Governador da dilaCapilania, Joscda 
Silva Maldonado dMíça, a quem S. M. encarrega 
a execução deste negocia , logo que receber as suas 
lteaes Ordens, expedirá Aviso a João Carlos da Fon- 
seca , morador na ilha do Fogo, para que se aprom- 
pie com os seus escravos, a tom de ir povoar a ilha de 
S. Vicente, com o posto de Capitão -JM cr delia, e 
com os privilégios, isenções, e remunerações, qi«e 
nbaixo se declaram. v> 

♦ » Fará ao mesmo tempo aprom ptar os 20 casaes das 
outras ilhas, cos mais povoadores, q m> já desta Coi> 

{e se remoiteram com igual destino, sendo tedostrans- 

* ' lô 



— S26 — 

portado? a custa da li. Fazenda; c igualmente fará 
apromptar asferramentas,petrechos, munições, e man- 
timentos, que forem necessários para esta expedição» 
servindo-se dos que já se enviaram, e n'esta occasião 
se remeltempara esse effeito, e comprando-se a custa 
da mesma Fazenda R. tudo o que fora indispensável* 
mente necessário. » 

» Permitte S. M. que os referidos 20 casaes pos- 
sam levar comsigo os seus escravos, se os tiverem, 
mas expressamente prohibe que da* outras ilhas se 
possa transportar maior numero de casaes, por se não 
julgar 'conveniente que esta nova povoação se execu- 
te com os habitantes d*essas ilhas , quando pouco a 
pouco se lhe podem ir introduzindo cazaes do tleino, 
e das Ilhas dos Açores, que se reputam mais activos 
e laboriozos , emais capazes para semelhantes esta- 
belecimentos. » 

» Prevenidas que sejâo as cousas com a necessária 
antecipação, e disposto o dia para o embarque, e 
transporte dos povoadores, edo mais que se carecer 
para a execução» deste importante objecto, passará o 
Governador n'e$sa occasiào adita ilha de S. Vicente* 
par.i authorizar com a sua presença aposse, edistri-* 
buição das terras, e do mais, com que hao de ser 
soccorridos os referidos povoadores, indo acompanha* 
do do Provedor da Fazenda R. , e do Escrivão da 
mesma, Marcellino António Basto, e de um Official 
Kngcnheiro, ou de quem possa supprir a falta deste; 
e para de commamaccordo, e maior acerto se assina*» 
"hr o lugar da povoação e o terreno, que ha de pôr» 
tencer á Camará ? quando aili §e houver £e erigir «^ 



villa, e para se distribuir a porção do terreno , que 
ha de pertencer a cada um dos povoadores, na forma 
abaixo expressada. 

„ Para os ditos transportes poderá o dito Govcrw 
nador servir-se do Paquete de S. Al., ou do 11 iate, 
que agora vai destinado a conduzir a urzel la para es- 
ta Corte; pois não é justo, que por falta de embar- 
cações e do necessário soccorro , se retarde c malo- 
gre esta importante diligencia- 

- „ Chegados que forem a dita ilha , passará logo 
patente de Capitão Mor ao sobredito João Carlos da 
Fonseca, a quem S, M. confere o dito posto, e 
promette remuneração de serviços no fim de 12 an- 
ãos, além dos privilégios e isenções que lhe lecani 
como povoador > se mostrar que com a sua activida- 
de ^ zelo, e prudência coopera para os progressos» 
e augmentos da lavoura, e da população da mesma 
ilha, e para a regularidade, harmonia, e bons cos- 
tumes dos seus habitantes. E se outrosim fizer certo f 
que á sua custa erigiu Igreja decente , e sustentou o 
Parodio delia nos primeiros seisannos da sua funda- 
ção. 

. „ Ao referido Capitão Mór obedecerão no que for 
concernente ao bem publico os povoadores que allíse 
estabelecerem, e todos ficarão subordinados aos go- 
vernos ecclesiastico, civil, c militar d'e«'sa Capitania; 
podendo elles em caso de necessidade recorrer ás jus- 
tiças da ilha de S. Antão em quanto não tiverem Ju- 
♦]z próprio com jurisdição para conhecer das suas de- 
pendências , e de senteuciar as suas causas. Na dis- 
tribuição das terras se ai tenderá ao ni: mero 'de braçoç, 

• ♦ ... - - 

15 * 



que li ver cada um dos casaes para a cultivar, afim 
-dè que a repartição se faça com a devida proporção, 
reservando-se nãosóo terreno, que ha de pertencer á; 
Camará , mas também o que pelo tempo adiante se 
ha de ir repartindo pelos mais casaes, e povoadores^ 
que forem habitar a dica ilha, estabelecendo-separa 
ella um livro de tombo, em que se deve lançar com 
toda a individuação e clareza, a quantidade que se 
conceder a cada um dos colonos, e pa9sando-se a es- 
tes os competentes títulos- com as devidas confronta- 
ções, e com as declarações dos foros, qiie hão de pa* 
gar depois de findo o tempo da isenção, que se lhe 
"concede, para desta sorte se evitarem* duvidas, econ* 
tendas* prejudiciaes tanto ao socego dos ditos colo-» 
nos, como aos interesses da R. Fazenda. 

„ Concede &. M. assim ao referido Capitãa Mór* 
como a todos os maís povoadores o privilegio de isen- 
ção de foros, dizimos, equaesquer outras contribui* 
coes por tempo de 10- annos, conlados-do dia em que 
cada um delles tomar posse do terreno, que se lhe 
conferir, para que ajudados , e soccorriidos com este 
beneficio possam melhor estabelecer-se, ficando po-* 
re'm obrigados, findo que seja o referido praso, asa* 
fisfazerem á Fazerida 11. não só os dízimos-, e mais 
direitos estabelecidos nas outras ilhas, mas também 
o foro competente, que lhe será imposto com a neces* 
saria moderação. 

,, Sem embargo da referida isenção* dos dizimos pe* 
lo espaço de lOannos, deverá a Fazenda li. satisfazer 
a competente côngrua ao Parocho desta nova povoa* 
çiio depois <le findos os primeiros seisannosj em que 



ha de ser pagoá custa do Capitão Mór, na forma a- 
cima expressada. „ 

„ Pela R. Fazenda se assistirá logo] aos ditos po- 
voadores com ferramentas , espingardas, e pólvora, 
e com algum soccorro de mantimento aos que o ne- 
cessitarem tanto para as suas lavouras, como para se 
«ostentarem, em quanto não colherem os f ruetos das* 
suas plantações, e sementeiras: distribuindo-sc lam- 
bem por todos elles com a devida proporção e igual* 
dade os gados que ha na ilha, pertencentes ú R. 
Fazenda, reservando -se porém algum para se ir se- 
melhantemente distribuindo pelos futuros povoadores, 
a fim de que por meio deste beneficio possam promo- 
ver com interesse próprio o augmento do mesmo 
gado. „ 

„ A.todos os tfforadqres , que de futuro se forem 
estabelecer na dita ilha de S. Vicente se .assinalarão 
terras incultas para as cultivarem comas devidas con- 
frontações e clarezás , na forma recommendada a 
respeito dos que forem no tempo da fundação , dis- 
tribuindo-se-lhes igual mente ferramentas á custa da 
R. Fazenda, e algumas cabeças de gado, assim co- 
mo se manda praticar com os outros, concedendo-se« 
lhes os mesmos privilégios e isenções pelo espaço dos 
ditos 10 annos. „ 

„ Para defeza própria, e natural dos mesmos po r 
voadores , serão entregues ao dito Capitão MYr algu- 
mas espingardas , pólvora, e munições, riãosópara 
se acautelar de qualquer incidente que possa acontecer 
mas também para que o dito Capitão Mór haja de ir 
distribuindo as ditas espingardas por aquelles colonos.. 



— 23D — * 

que mais se distinguirem nos trabalhos da lavoura*, e~ 
derem provas da sua actividade , e bom comporta- 
mento. ,, 

„ Daixa-se ao prudente arbítrio do referido Gq*- 
vernadoro fornecimento, e distribuição das ferramen- 
tas, mantimentos, e géneros, que se devem. despen^ 
der com esta fundação ; e se lhe recommerida muito 
a possível ecoriDmia, com que deve zelar a R. Fazen- 
da, sem se faltar comtudo a execujão de tão útil 
estabelecimento, 

„ Para que n'esta diligencia não haja alguma du- 
vida o a motivo , que retarde ou embarace a sua 
execução, poderá o mesmo Governador providenciar 
cm todos os casos occorrentes, como lhe parecer ma- 
is acertado, conveniente ao R. serviço, não deixan- 
do porem de cumprir o que por estas instrucçoes se 
Ibe ordena. „ 

„ Logo que estiver conhecida esta Commissão, e 
arranjadas as cousas na conformidade do que acima 
se determina, voltará o dito Governador pa*raa ilha 
capital da sua residência, com as mais pessoas que 
ae devem recolher a cila: donde dará immediatamea* 
te conta exacta, e circunstanciada de tudo o que ti- 
Ter feito, e se lho offerecer sobre este assumpto , di* 
rigindo-a d Secretaria d'Estado respectiva, para ser 
presente a S. Magestade. Palácio de Queluz em 22 
de Julho de 1795. — Luix Pinto de Souza,—» 



— «31^. 



Relação de irutrumemtot, t preparativo* , que de Lit- 
boa vieram para a povoação da ilha de S. Vicente 
tm 6 de Outubro efe 1795. 



Barracas de Capitão Portuguesas com as suas com» 
petentes madeiras, 3 — Ditas de subalternos, 4— liar* 
raquins de Infanteria, 50 — Espingardas inglezas con. 
certada3, com baionetas e varetas de ferro, e fer- 
ragem de latão, 20 — Martelinhos novos 20 — Patro- 
nas com correias e cartucheiras, SC — Bandoleiras de 
espingarda, 20— Guarda fechos 20 — Bailas de chum- 
bo, 100 —Arrobas de chumbo para caça, 3 — Enxadas 
com seus cabos, 100 — Picaretes com ditos, 100 — Ma- 
chados com ditos, 100 — Fouces ordinárias, 100 — Ala- 
vancas sorteadas, 24— Sachos com seus cabos, S0 — 
Serrotes de mão, 40— Serrotes de duas mâoç, 10 — 
Fouces Toçadouras, 25 — Enxós de Carpinteiro de obra 
branca, 40 — - Ditas de Carpinteiro de machado, 10— 
Martellos de Carpinteiro , 50 — Pvebotes, 60— For- 
mões sorteados, 50 — Altar portátil cem seus perten- 
ces, 1 — Pólvora entre fina, barris 4 — 

Trigo — alqueires 6 — Milho, ditos 6 — Cevada, 

ditos 6 — Feijão branco, ditos 3 — DHo fradinho, 

alqueires 3 — Favas, ditos 3 — Grão de bico , ditos 3 

— -Ervilhas, ditos 3 — Lentilhas , ditos 3— Sal, mo- 
ios 3. 



— tó&-~ 






* ' 



« • t 



B.-~P>ag. 30, 



i' 



** . 



lllm.*' Sr. ~ Tendo o Governo ordenado cm 3Í 
de Maio de 1837. ao Governador ! Geral de Cabo 
Verde,, que mudass? a Capital daquella Provinda 
para a ilha. deS. Vicente, e lendo depois o cx.-SvV 
cretario da mesma Provirvcia , David da Fonseca 
Pinto r informado que havia grande fnconveniènlc 
em simifhante mudança, como se vc do Artigo in- 
serido no incluso Periódica — . o Constitucional ~ 
foi necessário recommendar ao dito Governador que 

procedesse em tal objecto com toda a. circiuiíspecçào 
»■ •« . ^ . j ■■• í 

e prudência. 

ÍJòsejartdo eu pois coí!i ^r Iodos os escTarccnnen- 
los possíveis em matéria de tanto interesse para a- 
q^ella Província, rop:o aV. S. 8 de, sobre cila, me 
di/er o que s« Th? oíTereccr , para co:n perfeito co- 
nhecimento de causa, o Governo polar lomar uma* 
resolução acertada. Deos Guard^S^S."' Secreta* 
ria datado dos Negócios da^^^piPR-e Ultramar, 
ioi- H de iMaiode 1838,> ^^ Wrff Sr, Thcopjjt<> 
José Dias,**' Depulada^éUito^ptWíVovincia dò Cabo 
Ycrdc. — Sá da Bandeira. 



~S33 — 

Ill.*Ex.*Sr. — Ordena-me V. Ex. a em seu officio 
de 14 cio corrente mez , expenda eu o que se me of- 
fereça sobre a projectada mudança da Capital da 
Província de Cabo Verde para a ilha de S. Vicen- 
te, a fim de que o Governo com perfeito conheci- 
mento de causa, possa em matéria de tanto interes- 
se para a mesma Província, deliberar conveniente- 
roenle: enviando-ine ao mesmo tempo o Periódi- 
co — - Constitucional— no qual o ex-Sécretario Da- 
vid da Fonseca Pinto ponderou aV.Ex. a as incon- 
veniências que o tal projecto entendeu dever sujeitar 
ao juízo de V. Ex. a A'vista do que cumpre-me di- 
zer a V. Ex.*, que taes inconveniências se desva. 
necerão quando V. Ex. a melhor informado venha 
no verdadeiro conhecimento das muitíssimas vanta- 
gens da, referida mudança, fundadas sobre as causas 
physicas , e moraes , que altamente reclamam aquel- 
latào necessária medida. Concede o ex-Secfetario 
David da Fonseca Tinto excellente porto á ilha de . 
S. Vicente, óptimo clima, mas nega-lhe, por in* 
formações que obteve, abundância de aguas, far- 
tura de mantimentos, e centralidade ! Mas quando 
eu demonstrara face de provas incontestáveis o con- 
trario, necessariamente não curarão os seus argu- 
mentos. A ilha de S. Vicente alem de duas nasceu* 

, ítes perennes de agua excellente no interior da ilha, 
*a pequena distanciado Porto Grande, denominai» 
íâs — o JVladeiral, e o Madeiralsinbo — tem mais 
o poço da Matiota, quesuppre a aguada dos navi* 

- os que constantemente aportam áquella ilha, e a 



— 234 — 

gar deste poço se podem abrir tantos quantos forem 
i;ece3sarios na razão directa do a.igniento da popu- 
la^ão: cnãoso n*este lugar, como em qualquer ou- 
tro da mesma ilha , porque na profundidade de du- 
as oa três braças se encontra exceltente agua. No 
Porto de S. Pedro uma extensa bahia , a distancia 
de legoa e meia do Porlo Grande, ha excellentea- 
gua q le se obtém fazendo covas na arêa, junto da 
praia, a qiie os indígenas chamam Cassimòas , e é 
neste lugar, aonde a maior parte dos navios baleei- 
ros, c muitos outros vão fazer aguada, porque tem 
a facilidade de encher 33- a 30 pipas d*agua por 
dia. EMeste mesmo modo que os p^vos da ilha da 
Jioa- Vista, e ilha do Maio obtém a agua para seu 
consumo, e não saio estabelecimentos novos com ^00 
ou 309 almas de população, são povoações de mi* 
Ih ares de habitantes ! O poço da Matiota é na ver* 
dade pequeno, mas o remédio é bem fácil: cons* 
truam-se poços coin propriedade , e conseguir-se-ha 
obter com pequeno dispêndio um resultado ntih 
Não é farta de mantimentos a ilha de S. Vicente., 
porque ate' agora tem estado inculta, e sua peque-» 
na população entretida em outras oceupações , a 
criação dos gados , e ao apanho da urzella , tem a* 
bandonado a agricultura, de cujos produetos são a» 
bastecidos pela fértil o importante ilha de Santo A.n- 
tão, que lhe fica próxima: mas quando a popula- 
ção augmenle, e convenha ao interesse dos povos a 
cultura dos terrenos, a ilha de S. Vicente produ- 
zirá como as demais ilhas do Archipelago, logo 
fluo concorra a circu-istaimia absolutamente «ssenci- 



ál em todas ellas — da abundância das chuvas! At 
ilhas do Sal, Boa- Vista, e Maio suo arenosas, a- 
ridas , agrestes , e soffrem as tempestuosas ven- 
tanias das chamadas Brisas, que sopram a maior 
parte do anno da banda de Leste e Noidestc; n:ai 
nem por isso deixam de ser habitadas por mafs d*j 
6 a 7 mil almas, a per ar de não gozarem da salu- 
bridade da ilha de S. Vicente, nem de possuírem 
portos seguros e abrigados, c dependerem dos pro- 
duetos agriculas das outras ilhas pot quem suo sup- 
pridas. Os ventos que açoutam a ilha dcS. Vicen- 
te, são os mesmos que sopram em todo o Arcliii.e- 
lago. As ilhas da Boa- Vis ta, Maio, cSal, sl<> là.> 
ventosas como a ilha deS. Vicente; nas duas pri- 
meiras existem algumas arvorisações , porque lècni 
sido habitadas, circunstancia que não tem concor- 
rido na ilha de S. Vicente; aliás achar-se-hia ar- 
vorisada como aquellas. Da certo que o ex-Secrota- 
rio David da Fonseca Pinto nunca pisou o terreno 
da ilha de 3. Vicente , nem obteve verdadeiras in- 
formações, porque se assim fora não avançaiia a as- 
serção de que só o arbusto algodoeiro allí vegeta) 
Nos valies e campinas, e em muitos outros lugares 
da ilha de S. Vicente ha matas de Tarafe, de que 
os habitantes fazem uso para a construcçao de suat 
pequenas casas e habitações, e de combustível. To- 
dos os navios quer nacionaes, quer estrangeiros , 
que allí aportam , fazem lenha das mesmas matai 
que ficam próximas do porto, o que claramente pro- 
va a abundância de um tal artigo. Os navios de 
guerra, obrigue S. Boaventura, c a e.cuna Ame- 



— 23G — 

lia, que allí estacionaram em Agosto próximo pas- 
sado, toda a lenha que consumiram no espaço de 
cinco a seis mezcs, e outras mais embarcações que 
o Governo da Província apresou por se acharem 
complicadas no Comraercio illicitode escravos, fo£ 
cortada nas malas de larafe da ilha de S. Vicen- 
te ! Este írbusto vem espontaneamente, e cresce a-, 
lé a altura de duas braça*; e de uma consistência 
rija,e engrossa os troncos cm poucos annos,easua 
cultura pode levar-sea grande augmento por ser ar- 
busto indígena, e próprio de terrenos húmidos. A- 
\ém deste arbusto ha goyabeiras, marmelleiras , e 
vinhas. Produzem excellentes melões e melancias, 
milho, feijão, batatas, e abóboras &c. , e para o 
futuro devera produzir todos os fruetos que as ma- 
is ilhas produzem. As costas da ilha de S. Vicen- 
te são abundantíssimas de peixe, è tartarugas. A- 
lem do Porto grande, eda bahia de S. Pedro, tem 
muitos outros portos pequenos abrigados, de faci* 
e segura entrada, e de bom fundo. Junto do Porto* 
grande, e em diversos outros lugares ha extensissi- 
ifios terrenos próprios para salina?. A posição da 
ilha de S. Vicente a respeito da ilha de Santo An- 
tão , os ventos que ai li supram constantemente no 
tempo das brisas, istoé, de Novembro até Agosto, 
do lado de nordeste, e leste, demonstrará o con- 
trario da proposição do ex-Secretario David da Fon- 
seca Pinto, porque tanto de uma como de outra 
ilha o vento faz feição, e facilita a navegação das 
embarcações miúdas, isto e', das lanchas que qua- 
6Í sempre navegam d» uma para outra ilha, de ma« 



* 

iieira tal, que no tempo das ventanias c que ellaf 
toais navegam* porque no tempo das chuvas, os po* 
Vos entretidos com a Ia voufa , e tímidos dos tempo* 
ràes , que sào frequentes da parte do sul , suspendem 
a navegação 9 e alguns encalham os seus barcos ;c* 
xactamente o contrario da iuformuçuo dirigida a V. 
Ex_ á , pelo referido cx-Secretavio, Na estação chu* 
vosa hem por isso deixa de haver communicaçfio fre* 
quente cotn a ilha de Sanlô Antão, cos navios qué 
fiessa epocha mais do que em neuLutna outra allí 
aportam, são abastecidos dé legumes, creaçào, ò 
fruclas em muita abundância, c por preços muíi tf 
comnaodos; de tal softe que pode dizcr*se que a i* 
lha de S. Vicente é o mercado da ilha de Santo 
Antào. Perguntarei eu agotfa a face destes factos ífi* 
<ron testáveis , e verdadeiros, reconhecidos, e sabi- 
dos <?m toda a Província de Cabo-Verde, se e exa* 
cta a dcsCfípçao desfavorável do ex-Secrclario Da* 
vid da Fonseca Pinto. Considerando ao mesmo tem- 
po quej dirigido unicamente por informações, pef- 
tende sustentara impossibilidade da mudança dá 
Capital contra a opiaiio dos Governadores Pussich, 
e Marinho , que por experiência própria , e levados 
só do publico interesse, e da prosperidade de uma 
porção importante dos nossos domínios Ultramarí- 
Hos, defendem c demonstram a possibilidade e vau* 
tagetn da mesma mudança? Filho da Província de 
dabo Verde, a amigo da sua prosperidade, cu não 
faltarei a V. Efc» a outra linguagem, que nao seja 
e da verdade , despido de toda a preoccupaçâo. A 
j?o«$ibili4aie da mudança fica, demopst*ada a des* 



— 238 —- 

peito das objecções ate agora apresentadas a V, 
Ex.% porqueellas sãofundadas em falsos princípios; 
Esea centralidade falta á ilha deS. Vicente em re- 
lação a todo o Archipelago, e!la tem a centralida- 
de necessária reactivamente ao grupo das Ilhas de 
Barlavento , igualmente rico, importante, e o que 
infelizmente se acha desprezado, por se não ter até 
agora effectuadoo projecto da mudança da Capitat 
que o Governo deSua AJagestade tão sabia e pátrio* 
ticameat» tem determinado. Mudar a Capital da 
ilha de Santiago para a de S. Vicente não e' des- 
truir o commercio, a agricultura, e a navegação 
daquella Ilha. Não e diminuir a sua importância 
politica > antes ao contrario e'dar força, energia, e 
vida ao Governo! E'sim animar a agricultura, in- 
dustria, e navegação das duas importantes ilhas de 
S. Nicoláo, e Santo Antão, as mais populosas de 
todo o Archipelago, á excepção de Santiago; é 
estabelecer a marcha, e operação dos negócios pú- 
blicos estável, permanente e segura. E'salvar as vi* 
das de centenares de Europeos destinados pelo Go- 
verno a servirem naquella Colónia, e arranca-los & 
morte , e á perda de verem morrer com elles espo-? 
sas, filhos, parentes, e amigos, para os collocar 
em uma ilha, que reúne as grandes e mais apreci- 
áveis vantagens daquelle Paiz , a da salobridade , e 
excellente porto, eas mais que hão de segui r-se, em- 
j>regando-se os meios convenientes, e peculiares á$ 
nctuaes circunstancias da Província. O Governo 
preciza de quartel para a tropa, de casa para q> 
•Governador Geral, e para os administradores da 



Fazenda, de armazéns para depósitos. Carece de 
edifícios próprios para estabelecimentos de instruc- 
çã.o, e se os ha de edificar em terreno aonde amor* 
te destroe annualmentc três quartas partes dos Euro* 
peos, ou arruina para sempre a maior parte dos que 
escapam ao terrível flagello da carneirada; e de hu- 
manidade , justiça , c de razão effectuar quanto an- 
tes a mudança. As enormes som mas despendidas nos 
Hospitaes Militares, era boticas , cirurgiões, Ifc. 
podem ser applicadas para o novo eslabelccimemo 
da ilha de S. Vicente. A grandeza do seu porto ao 
abrigo de lodosos ventos chama a attenção, ecom* 
mercio estrangeiro, ecreando-se aliíum deposito de 
todos os nossos produetos d' A Trica, e muito princi- 
palmente das madeiras de construcção , as qtiaes po- 
dem ser carregadas cm embarcações tripuladas por 
marinheiros da Província, para depois serem trans- 
portadas a este Reino em navios maiores, e d*aqut 
fenviados, animando-se assim a navegação com a 
Costa d\Africa, ea de cabotagem, salvar-se-hão as 
vidas aos marinheiros , e Officiaes de Marinha, Eu- 
Iropeos que não serão viclimas da insalubridade de 
Bissau e Cacheu. Tudo isto e' fácil , possivel , econ- 
veniente. A insalubridade da ilha de Santiago e- 
*iste na natureza do terreno , e em causas physicas 
ate' agora desconhecidas. l£*neceçsario arvoriscra i- 
lba de Santiago para attrahir as chuvas , e quan- 
do sem existir esaa afiorisação chove demasiada- 
mente ahi, temos uma epidemia terrível. Ks^es pân- 
tanos seccos, a que erradamente pertendeu o ex-Se- 
tretario D^id da Jionscca Pinto atiribuir a moles- 



—24,0 — 

lia endémica da Villa da Praia* são ostenenos ma- 
is arvorisadosde toda a ilha u Ensopam-se e levam 
agua ao mar », como elle» diz, do que pode de Ju- 
zir*se que nãó ha aguas estagnadas, e do que igual- 
mente se conclue , que não sendo esses terrenos ma- 
is baixos do que a superfície das aguas do Oceano, 
que os cercam, propor o remédio no projecto d*u- 
ma obra dispendiosíssima, quasi impraticável, e 
para o desem volvi mento da qual seria necessário em* 
pregar milhões, alem da inutilidade nos apresen. 
ta a idca de não ser possível mudar o clima, nem 
ao menos minorar a sua influencia maligna sobre os 
Europeos. Cercar a montanha sobre a qual çe acha 
collocada a Villa da Praia, pelas aguas do oceano» 
para a salvar da moles lia endémica do Paiz, im* 
porta unicamente o trabalho de escrever palavras 
harmoniosas , que não podem illudir de sorte algu- 
ma quem está ao facto de taes obras * e emprczas» 
Em quanto por obstáculos offerecidos á consideração 
de V* Ex.* sobre a mudança da Capital, se vai de* 
morando a sua execução, que só pode ser ruinosa a 
quem não tiver interesse pela prosperidade da Pro- 
víncia de Cabo- Verde ; vão os estrangeiros aprovei- 
tando-se do seu local , clima, e excellente porto, e 
agora acaba a Companhia Ingleza das Índias de a 
escolher para os depósitos de carvão para supprirem 
os Barcos de Vapor que se destinam á navegação, 
e carreira da índia estabelecida pela mesma Com- 
panhia. Os navios de Guerra Francezes, e Inglezes 
das estações d' África, se aproveitaram sempre, o 
ainda se aproveitam das vantagens indicadas dailU^ 



de S. Vicente, para allí irem frequentou cr, te mio 
$ó restabelecer âuas equipagens des estragos soffri- 
dos nos seus cruzeiros , como igualmente fazerem a- 
guada, refrescos, e repararem o apparelho de seus 
tiavíos. Um porto aoade embarcações d'alto bordo 
\ão pinlar, refrescar seus apparelhos, e algumas 
vezes virar de querena, de certo nao e' o porto das 
tempestades que se descreve n* essas observações offe- 
recidas a V, Ex%* ; e ainda avanço mais, que será 
difficil dar notícia em nossas possessões da existên- 
cia de um porto mais seguro, e menos tempestuoso, 
e de melhor fundo que o porto grande da ilha de 
S. Vicente. # Esses navios estrangeiros que aporiam 
á ilha de Santiago para refrescarem 9 e fazerem a- 
guada, nada tem que a Capital allí esteja ou dei- 
*e de estar, nem esta circunstancia pede influir na 
economia publica, e administração governativa. A 
população de Santiago rn.o muda para S. Vicen- 
"te , nem os braços faltam á lavoura, porque a sede 
d* um Governo muda d\irri lugar para outro. A a- 
bundancíá dé viveres da ilha de Santiago conti- 
nuara sempre em quanto fôr favorecida pelas chu- 
vas ; e a permanência do Governo em logar certo, 
ao abrigo do bom clima , e situado em uma ilha 
que offereceo melhor porto, fará desapparecer a ir- 
regularidade e incommodo, de andar o Governador 
e mais empregados públicos a mudarem de quartel 
para as differentes ilhas, deixando a de Santiago 



• Veja as duas notas seguintes. 

16 



— 242 — 

para não serem victimas de carne irada I Diminuiu 
por ventura o commercio, a lavoura, e a navega- 
ção da ilha de Santiago, quando o ex-Governa- 
dor Arouca escolheu a ilha do Fogo para sua resi- 
dência, durante a estação das chuvas, e o Gover- 
nador Marinho a de Santo Antão pelo mesmo mo- 
tivo? De certo que não. Alas o que se seguia da sua 
ausência ? — deixando os outros empregados públicos 
a luctar com a carneirada o que sempre se tem se- 
guido. Paralisação dos negócios públicos, mortan- 
dade nos que ficam , e a demora de todas as medi- 
das , e trabalhos emprehendidos em beneficio do pa- 
iz. Perdem-se vidas , dispendem-se inutilmente som- 
mas consideráveis com os Hospitaes,e no fim de se- 
is mezes de ausência do Governador Geral , épreci- 
zo começar de novo, o que a maior parte das vezes 
c impraticável? pelo máo estado a que a moléstia re- 
duz os que milagrosamente escapam ao flagello hor- 
rível! E quantas vezes a administração civil , e mi- 
litar fica entregue a quem a ordem do serviço, e a 
Lei chama ao Poder pela prematura morte de pessoa 
idónea, abusa e transtorna muitas vezes, por in- 
capacidade moral, as intenções do Governo! Cum- 
pre Exra. Sr. acabar com taes males , e concorrer 
para uma nova jepocha na Província de Cabo- Verde. 
V. Ex. A que tanto se ha dedicado ao melhoramento 
de nossas possessões Ultramarinas , e que tantas pro- 
vas ha dado de sua devoção pela prosperidade da 
Província de Cabo- Verde, dê mais este testemunho 
de seu patriotismo, e concorra V, Ex. a para o bem 
e*tar de perto de 6) mil habitantes, dignos de me-* 



I 



_ 2 i3 — 

Ibor sorte. A mudança da Capital para a ilha de 
S. Vicente debaixo dos auspícios d'um Ministério 
verdadeiramente Patriota, e auxiliada pela munificên- 
cia da prestação de dois contos de réis mensaes, pa- 
ra fazer face ás despezas publicas , que Sua Majes- 
tade Se Dignou conceder-lhe , e outros meios que 
por ventura no futuro se appliquem á regeneração 

da Província de Cabo- Verde, a tornarão feliz, ea 
nação Portugueza perceberá igualmente a vantagem 

da prosperidade e riqueza de seus Dominios. Decs 
guarde a V. Ex. a Lisboa 23 de Maio de 1338. 111. - 
c Exm.° Sr. Visconde de Sá da Bandeira, Mi- 
nistro e Secretario d'Estado dos Negócios da Ma- 
rinha e Ultramar. = Tkeophilo José Dias. Deputa- 
do .eleito pela Província de Cabo Verde. 



a. 



£ Extracto d\ima Memoria publicada cm Lon- 
dres em 1829] 



• • 



. . A ilha de S, Vicente e separada da de Santa 
Luzia por um canal de qualro milhas de largo , e 
por outro de sete milhas da de Santo Antão. Tem 
esta ilha de nascente a poente mais de três legoas, 
sobre duas de largura. Ha nelladuas serras com fa- 



o 

16 c 



—444 — 

ce ao norJesle e sudoeste, formando um valle cen- 
tral , que vai terminar na bahia chamada - • Porto 
Grande — , ao nordeste da ilha. A costa do nor- 
deste conte'm duas enseadas, separadas por umape* 
ninsula chã de meia legoa por lado: esta costa é des* 
cripta como bastante' perigosa. 

Porto Grande e a maior e melhor bahia das ilhas 
de Cabo- Verde, e pode admittir trezentos navios 
grandes; e bem abrigada da banda da terra, que 
é elevada, e apresenta umabella apparencia. Dous 
Officiaes de Marinha ingleza [Vidal, e Mudge ] , 
que allí estiveram em 1820, dizem queé um anco* 
ra Jouro seguro e bom , onde se podem desappare- 
lhar e reparar navios, visto que esta ao abrigo dos 
ventos, e dos mares. O vento, quede ordinário so- 
pra do nordeste, embate n'uma parte da terra; ea 
ilha de Santo Antão, que lhe fica ao mar, serve de 
resguardo. 

Ha madeira em abundância, e pode obtér-se 
agua sufficiente para o consumo quotidiano, do poço 
que fica na praia oriental. Depois de um navio aqui 
concertar, pode ir prover-se de um abastecimento 
de agua mais completo, na bahia do Terrafal em 
Santo Antão, que fica seis legoas para oeste, e é 
reputada o melhor local de fazer aguada entre todas 
as ilhas de Cabo- Verde. Em Porto Grande pode a- 
char-se gado , mas nem por isso muito bom. A i« 
greja e a alfandega estão no fundo da bahia para a 
banda de leste , e pôde enxergar-se bem uma vigia 
no cume de um outeiro, a pouca distancia do an* 



^-245 — 

coradouro, que dá parte de tudo quanto passa ouse 
aproxima da ilha. 

Fora da bahia , a três quartos de milha da pon- 
ta do nordeste, fica um ilheo escarpado bastante no- 
tável, o qual se apresenta a uma certa distancia ar- 
redondando a modo de Um pão de assucar, sendo 
possivel navegar livremente em redor delle, sondan- 
do-se regularmente profundidades de 25, a 8, 6, 4e 
2 braças sobre a costa. O fundo é exceilente, e em 
algumas partes da bahia se pode lançar ancora com 
seis braças de agua em um fundo de arèa com ra- 
mos de coral. A agoa e tão límpida, que se pode 
escolher o logar para lançar ferro. 

Os navios devem surgir deitando um ancorete, 
visto que de ordinário ha allí uma forte corrente 
para o nordeste , entre a praia e o ilheo : e como o 
vento nordeste e inconstante, seria impossível sem 
esta precaução, a ancora não entocar com as rajadas 
de vento forte, que vem as vezes da banda da terra. 
A meia milha do ilhe'o ha de fundo 36 braças , e a 
mesma profundidade se encontra regularmente nave- 
gando o canal entre Santo Antão, e S. Vicente, 
onde o fundo é de â:ca, pedaços de coral e pedri-' 
nhãs* Neste canal navegando-se para o Porto Giande, 
pode-se chegara uma milha de Santo Antão, e do 
lado de S. Vicente pode-se chegar tão arramado á 
terra, quanto se queira, visto que a corrente geral- 
mente empurra com força para o noroeste, sendo 
assim este canal perfeitamente livre de qualquer ris- 
co. Proseguindo cousa de oito milhas, para a par- 
te meridional de S. Vicente acham-se 35 braças d* 



— 346.— 

ao-ua ; e ao aproximar do outro porló da ilha, de- 
nominado de — S. Pedro — , que fica ap sudoeste, 
vão as alturas dadas pela sonda diminuindo gradu- 
almente, ate chegar a 18 braças perto do meio do 
porto. A baça d'este porto tem diias milhas e meia 
de largura, e do meio delle até a praia, onde o de- 
sembarcadouro é bom , o fundo é regular e perfei- 
tamente limpo de rochedos. Esta bahia é aberta ao 
vento sudoeste , e pjde-se nella obter em abundân- 
cia, e por preços razoáveis, vitellos e carneiros; e 
bem assim a agua suficiente por meio das cacim- 
bas 



b. 



.... Tendo, tido uma \iagem feliz desde o dia 
23 do passado, em que sahi do Tejo, até hoje, 
ainda não tive senão N. E. bonançoso, vento em 
popa: gastei quatro dias a avistar o Porto Santo; 
sete á vista da Palma, e quatorzea largar ferroem 
o mui excellenle e mui desprezado porto de S. Vi- 
cente em Cabo- Verde, aonde tive que me demorar 
quatorze dias. Não sei se. avance, que este porto é 



— 847— 

o melhor surgidouro de todos os Domínios Portu- 
gueses, incluindo mesmo o Tejo; e tanto sentem 
todos à sua importância e vantagens geográficas , 
qne a Companhia que navega os Vapores para a 
índia, tem entabolado negociações com o Governa- 
dor Marinho, para fazer escala em S. Vicente, es- 
tabelecendo allí um deposito de carvão: a conces- 
são a esta Companhia seria de mui grande proveito. 
Para gozar as immensas vantagens que o referido 
porto offerece, eu, primeiro que tudo, tractaria de 
trazer a agua ao porto , de modo que fosse mui fá- 
cil aos navios o fazer a sua aguada a troco de uma 
módica retribuição. Estabeleceria depois uma guar- 
nição, que seria dada regularmente por corpos do 
exercito [doug annos ?]. D'alli com esta força sj- 
mente se guardaria todo o Archipelago e Guine, 
quasi sem ser precizo fazer marchar um soldado : 
allí poderia existir permanentemente uma guarni- 
ção Europea sem ser anniquilada em poucos mezes, 
como acontece irremissível mente em alguns outros 
pontos d esfa Governança. Tractaria em seguida de 
armar o ponto, estabelecendo as baterias necessári- 
as L que não são muitas]. Levantaria os edifícios in-« 
dispensáveis, como quartel para a guarnição, Pa- 
ços do Governo, Alfandega, ou Repartição Eiscal, 
e um bom Hospital , estabelecimento da primeira 
importância nestas paragens: o resto o commercio 
o faria. Decretaria o porto de S. Vicente de Cabo- 
Verde,=Porto franco, ede deposito para todos os 
géneros e mercadorias conduzidas por todas as ban- 
deiras em paz com a Portugueza. — D'estas medidas 



antevejo eu os seguintes resultados . Todos os na- 
vios que navegam da Europa para o sul da Equi- 
noccial , tocariam era S. Vicente , ou para reparar, 
ou para refrescar, ou para completar a sua aguada. 
Este ponto fica no caminho de toda a navegação 
do sul , e assim nenhum transtorno viria a esta na- 
vegação d^llí fazer escala; alii viria a estabelecer? 
se urn immehso deposito dos géneros dos mercados 
da Africa* Brazil , e outras partes da America, 
aonde seria mui conveniente aos negociantes do Noi> 
te ter asna fazenda, esperando um preço favorável. 
Para o futuro esle ponto se tornaria um foco de na-r 
vegaçào a vap5r, que se ramificaria para a Africa y e 
America; e se o Governo souber aproveitar estas 
circumstancias, este Archipclago mudará de facc,e 
a Metrópole aprovei lará grandemente. Um mui mó- 
dico direito de ancoragem cobrirá todas as despezas 
do estabelecimento, c deixará um bom remanescen- 
te. Para levar a effeito este projecto, e consolida- 
lo , não conheço oúlra pessoa mais idónea que o 
Governador Marinho, que nesta Província tem fei- 
to grandes serviços : a sua actividade se desenvolve 
admiravelmente , em sendo necessário , e a sua in- 
tegridade existe illibada. Como preliminar deste 
projecto , elle jà abriu uma estrada na inaccessivel 
ilha de S. Antão (parte ásua custa), que principia 
desde em frente de S. : Vicente, e se dirige ao N, 
O. da ilha, epor este modo se deve facilitar o es* 
tabí*ltcimcn!o de S. Vicente, de que Santo Antão 
é natural celleiro, e horta. Elle conquistou para o 
listado a ilha do Saí, que se achava usurpada por 



_Í49 — 

um particular 9 e que já hoje produz para o cofre 
uma boa renda : tem tudo pago em dia , e vai or- 
ganisando o cabos que os seus antecessores produ- 
ziram. Será bom que chegue ao conhecimento da 
Companhia das Pescarias, que durante os 14 dias 
que me demorei em S. Vicente, poucos se passaram 
em que não a p parecessem dentro do porto, de roda 
mesmo do «avio , em 3 1 braças d 'agua , quatro, e 
cinco enormes baléas ao mesmo tempo ! peixes ca- 
pazes de quaesquerdous delles fazerem a carregação 
d' um navio medíocre. Os Americanos aqui veni den- 
tro do ancoradouro fazer esta colheita, e esta gente 
de braços cruzados a olhar para elles; excepto a da 
ilha Brava, que são óptimos arpoadores de baièas. 
Medi a cos tel la d* um destes cetáceos, que se acha- 
va abandonada na praia, ainda que muito útil pa- 
ra certas obras de tornearia, e cingia 36 pol legadas. 
Hoje espero largar do chamado porto da Villa da 
Praia de Santiago , que não tem desembarque , sem 
se expor a grandes riscos, etc. 

(fíxtracto das communicaçôes do capitão- 
tenente A* da Cunha, Commandante da Curveta 
— I%abel Maria — , encarregado de examinar o 
porto da ilha de S. Victrde , no Archipelago de 
Cabo- Perde*) 



Foi depois d'estas e muitas outras indagações e 
exactíssimas informações que no Ministério de Vis- 
conde de Sáp o Governo deliberou-se a proceder a 



— 160 — 

mudança de Capital para a ilha de S. Vicente, mu- 
dança infelivel mente ainda não levada a effeito, a- 
pezar da publicação do Real Decreto , que abaixo 
transcrevemos. 



Causando gravíssimo prejuízo c transtorno á Ad« 
ministração publica da Província de Cabo- Verde o 
retirarem-se em certos mezes do anno as principais 
authoridades da Ilha de Santiago, aonde presen* 
temente se acha fixada a sede daquelle Governo , 
para se subtrahirem ás moléstias, que periodicamen- 
te se desenvolvem na mesma ilha; e não sendo por 
outrapartejusto, nem conforme aos princípios da hu- 
manidade o obriga-las a stricta residência naquelle 
local insalubre e maligno, com manifesto risco de 
suas vidas , sacrificadas sem nenhum proveito para 
o Estado; por estes ponderosos motivos, e por e- 
xistir felizmente n*aquelle Archipelago uma outra i- 
Iha, a de S. Vicente, que gosa do melhor clima, 
e de outras vantagens, entre as quaer merece a ma- 
ior attenção o possuir um porto dos mais espaçosos 
e seguros da Monarchia". Hei por bem Determinar 
que as principaes Authoridades do Governo Geral 
de Cabo- Verde assentem residência permanente na 
sobredita illia de S. Vicente, e que para a cons» 
truecão dos edifícios do Estado, necessários ao ser- 
•viço da mesma ilha, sejam applicados aquelles me- 
ios pecuniários, que se deveriam consumir na ree- 
dificarão, de taes edifícios, que se acham em ruiua 
ua de Sautiago , alem de outros de que se possa, 



— 8ôl — 

dispor sem detrimento do serviço publico. £ em com* 
memoraçSo do desembarque nas Praias de MindeL 
lo 9 do Exercito, a cuja frente Meu Augusto Pai 
veio Libertar estes Reinos da oppressão em que se 
achavam , e Restituir-M e o /Throno usurpado : Hei 
outrosim por bem Determinar , que a nova Povoa» 
çâo , que se levantar em S. Vicente , tenha o nome 
de Mtndello, Reservando-Me Dar*Ihe a cathegoria 
que lhe competir, quando, pelo augmento de po- 
pulação e mais circunstancias , o merecer. O Vis- 
conde de Sà da Bandeira, Presidente do Conselho 
de Ministro e Secretario d'E9tado dos Negócios Es- 
trangeiros, interinamente encarregado da Pasta dos 
Negócios da Marinha e do Ultramar o tenha assim 
entendido , e faça executar. Paço das Necessidades 
em oaze deJuuho de mil oitocentos trinta e oito. ~ 
RAINHA. — Fucondc de Sá da Bandeira- 



Not. 2 Pag. 45, 



Provisão que nomea a Manoel António Marfim , 
'administrador dos Reaes rendimentos da ilha do 
fiai. — 

D. António Coutinho de Lencastre; Professo na 
Drdem de Chris\o , Moço Fidalgo da Caza Real t 



Tenente Coronel de Milícias e Governador das ilha* 
de Cabo Verde e praças an afixas no continente de 
Guine, íjfc. 

Hei por bem do Real serviço de encarregar pro* 
visoriamante dá Administração dos Reaes rendimen- 
tos e mais dependências da ilha do Sal, ao Sar- 
gento Mór Manoel Antónia Martins, por assim o 
julgar conveniente aos interesses da Real Fazenda 
e a ug mento do commercio d'aquella Capitania ; o 
qual não haverá emolumento algum da Real Fa- 
zenda pela dita administração, mas gozará das hon- 
ras e privilégios que competem a um Capitão Com- 
man Jante e Feitor da qualquer das ilhas povoadas, 
assim como também aprerogativa de sóelfe , e mais 
ninguém introduzir gado de toda a qualidade na 
sobredita ilha do Sal; e isto em attenção as gran- 
des despezas que tem feito, e a servir gratuitamen- 
te a R. Fazenda, dunio-lue igualmente a faculda- 
de de poder avocar por cD.isentimento voluntário as 
pessoas de quaquer das ilhas desta Capitania , que 
para o expediente da dita ilha lhe forem necessá- 
rias como a liberdade de nomear quem no seu im- 
pedimento occasionado por qualquer motivo que se- 
ja , exerça esta inspecção ou Administração, fi. 
cando o dito M. António Mar/ins íesponsayei pe- 
la conducta do que nomear, para por elle respon- 
der; cujas preeminências lhe concedo em quanto 
S. A. R. não mandar o contrario* e eu achar ser 
assim couvenients á R. Fazenda e a prospér idade 
desta colónia ; assim como por esperar do honrado 



— £53 — 

comportamento do sobredito encarregado que em 
tudo coiresponderá ás n-esmcs ideas: não só pelo 
aue pertence ao augmcnto dcs Keaes rendimentos, 
senão também ao commercio; pois que nas difle- 
rentes incumbências de que tem sido encarregado, 
tem dado provas do seu patriotismo, zelo e activi- 
dade pelo Real Serviço ; e para que conste do que 
deliberei em consequência da resposta do Tbezou- 
xeiro e Escrivão da R. Fazenda, que mandei ou- 
vir, mando que este se registe nos livros da Real Fa- 
zenda, eque o requerimento comas respostas se con- 
serve no Archiv o da mesma. O sobredito encarregado 
prestará o juramento appenso aos ditos documentos , 
e o Escrivão da R. Fazenda o declare nas costas d 'este 
que terá vigor em quanto se não dem outras providen- 
cias, nâo obstante não pagar novos direitos do que por 
ora fica isento. Dado e passado no Quartel da Vil- 
la da Praia da ilha de Santiago de Cabo- Verde, 
sob o signel e Sêllo das Armas do Governo d'esta 
Capitânia, aos 2Vde Fevereiro de 1808. Eu Tho- 
maz de Sá, Secretario co Governo o subscrevi.— 
Lugar do Sello« — D. António Coutinho de Lenca*. 
ire. 



— 354— 



Not. 3 — Pag 68. 

.... Ha na Cidade da Ribeira Grande de San- 
tiago , um Convento de Religiosos Capuchos 
que pertence á Província de Santa Maria da Sole- 
dade em Portugal . Estes Religiosos logo que pro- 
fessam, é com a condição de irem para aquelíe Con- 
vento, quando pelas seus Prelados Maiores forem 
mandados. As suas obrigações alli são missionar, 
confessar, e ensinar a doutrina Christâ. Tem duas 
aulas, uma de Theologia Moral, e outra deGram- 
matica Latina : por aquella recebem 80^000 réis 9 
e por, esta 60$000. Quando o Ordinário tem falta 
de Clérigos [o que acontece muitas vezes], pede 
por Officio ao Padre Guardião que lhe mande o 
Religioso , ou Religiosos de que tem falta para pa- 
xochiar: presentemente estão três Vigários, um na 
Senhora da Luz, outVo na Freguezia de S. Lou- 
renço dos Órgãos n'esta ilha de Santiago, e o ter- 
ceiro na Freguezia de Santa Catharina na ilha do 
Fogo. O numero dos Padres que se aeham fora, e 

4. 

dentro do Convento e' de nove, inclusive o Padre 
Guardião. 

O Convento está muito bem situado, ou para me- 
lhor dizer , no melhor local que tem a Cidade. Es- 
tá cercado de rochas, d 1 onde sae copiosa agua, 
que forma uma ribeira que corre pelo meio da cèr* 



— 955 — 

ea, que no tempo das chuvas se augmenta de tal 
sorte, que chega a ser iuvadiavel : de uma das ro- 
chas sáe uma grande telha cie agua, que se enca- 
minha á cozinha, e antes de lá chegar, tem uma pia 
de pedra mármore, aonde os padres lavam os seu* 
hábitos, e lenços. Tein dentro da cerca um gran- 
de bosque, muito útil , rao só porque dá lenha 
quasi para o gasto da cosiniia, mas ate pela mul- 
ta sombra que faz : a maior parle das arvores que 
formam este bosque, sâ> nogueiras, figueiras bra- 
vas , guaiabeiras , manipulo, pinha, &c. : no 
meio d'este bosque ha uma fonte que sáe de uma 
rocha, onde os Padr&s mandara buscar a^ua para 
depositar em talhas, a fim de refrigerar, e poder 
se beber melhor do que da inái donde sáe morna. 

Tem o Convento no fim do dormitório uma par- 
reira apreciável, não só pela qualidade de uvas, que 
são Dedo de dama, mas ate' pela sombra que dá, 
,para onde os padres vão tomar o fresco; tem mais 
duas, uma debaixo do dormitório,' e outra ao pé 
do lavatório, ambas dio uvas brancas ; alem does- 
tas poderão haver mais, se os Padres fossem mais 
curiosos (contra mim fallo). Alem do que tenho dito, 
.tem. oito arvores de café; e haveria mais , se o man- 
dassem semear e plantar; tem muitas laranjeiras, 
qu* dâo excellentes laranjas , muitos coqueiros, 
tem muitas hortalices de varias qualidades, tudo is- 
to dentro da cerca. 

Tem mais a Communidade uma horta que dis- 
ta do Convento um tiro de baila de espingarda. A 
sua producçâo condiste em laranjas, bananas, pa- 



— 266 — 

paias , mamões , mandioca , cana de assucar , de 
que se faz aguardente, e nenhum assucar, por não 
ser própria para elle. E' a dita horta regada, uma 
parte com agua da Ribeira Grande, é outra com 
agua nascida na mesma horta. 

Tem o Convento um só dormitório, doze cellàs, 
uma livraria^ tem a sua Igreja com três altares, 
inclusive o mór, Sacristia menos má, e coro: pe*- 
re'm todo o Convento precisa de * uma grande reedi- 
ficação por estar muito arruinado , a qual a Oom- 
munidade não pode fazer por demandar grande des- 
peza , e ella ser pobre. 

Recebe a Communidade 100^000 fe'is, que S. 
M . lhe manda, dar chamada a ordinária que è ap- 
plicada para paramentos da sacristia, e igreja* 
"Recebe mais 40$000 réis dos sermões da quares- 
ma, e advento, quando o Deão e Chantre não são 
Pregadores; pois sendo-o, um d'estes éo que os 
prega, e recebe a esmola. Nada mais tem , á exce- 
pção de algumas esmolas que os bemfeitores dão 
quando os annos são abundantes , o que acontece 
poucas vezes , por serem as chuvas muito escassas 
iTeste paiz ; assim mesmo os habitantes d'esta ilha 
hão deixam de nos estimar muito, e mais grangea- 
i iamos a sua benevolência, se nós estivéssemos na 
primitiva observância do nosso instituto. * 



• • 



— S&7 — 



Not. é — Pag. 134. 



• : ^ . Logo que entreguei o Convento ao Padre 
Guardião Fr. José de Tentúgal 9 que foi a 24 de 
Outubro de 1816 , foi para Bissao na companhia 
do Commandante interino, António João de Deos 
Miranda, tendo saido deste Porto da Filia da Praia 
em 3 de Fevereiro de 1817, e chegamos á Praça 
de S. José de Bistáo aos 14 do mesmo mez : ond« 
estive servindo deCapellão da tropa d'aque!la guar- 
nição nove meies , por uma Portaria do Excellen- 
tissimo Capitão General das ilhas de Cabo-Fcrde. 
Logo que se passaram dois mezes emeio foi manda- 
do á Provincia de Geba [que dista d'aquella , di- 
zem, 60 legoas pelo rio acima] pelo sobredito Com- 
mandante de Bi%?á<>, e»n consequência de uma re- 
presentação feita pelo Commandante dè Geba eseus 
habitantes, em que pediam para eu lá ir confessar, 
e baptizar aquelle povo, que havia seis annos , ou 
mais, que estava sem Pároco ; com efleito foi , não 
obstante estar convalescendo de uma grande moles- 
tia, da qual não me julgaram vida ; deixando pa- 
ra dizer missas a tropa o Padre Vigário de Biuáo 
em meu logar. Sai de Busáo nos fins de Abril, e 
cheguei ao Fá, uma povoação de Mandigas Mmi~ 
ros , em três ou quatro dias , e depois de descançar 
allí uma hora, parti a pe' ate a Ganjarra^ que se- 
rá distante d*allí legoa e meia para duas ; e como 

1T 



— 258 — 

eu não quizesse ir por terra, por me achar fra- 
co da moléstia, me affirmaram que era um passeio 
de meia lagoa, econvenceram^me com effeito a ir a 
pé. Parti por entre aquelles arvoredos, que erão 
encantadores , não só pela vista , mas até pelo a- 
gradavel aroma que d'elles dimanava i único leni- 
tivo da minha fadiga e cáhçaço : pois quando che^- 
^uei á povoação da Ganjarra já não podia dar um 
só passo, por levar os pés muito feridos; Logo que 
o Commandante de Gcba soube, que eu tinha che- 
gado allí, mandou uma canoa para passar o rio á 
outra parte , aonde está a povoação de Gebct* 
Quando cheguei ao porto d*esta povoação , bastan- 
tementò lindo pelas muitas arvores de que está bor- 
dado , todo aquelle Povo mostrou grande alegria e 
contentamento, dando muitos tiros de espingarda, 
repiques de sino, e todas as demonstrações de ob- 
séquios de que eu não era digno, e que só compe- 
tiam a um Bispo , ou Visitador. D'allí me dirigi a 
casa do Commandante [e não fui á Igreja por ser 
já de noite]. No dia seguinte, que era 3 de Maio, 
Invenção da Santa Cruz, foi celebrar, a que as* 
sistirâm o Mestre da Capella, e muitos meninos, 
que me ajudaram a cantar a Missa, e muito bem; 
melhor qiic se canta na Cathedral d*'esta ilha de 
Santiago de Cabo- Verde : estava a Igreja cheia de 
gvinte, que não podia caber mais. Estive allí todo 
o mcz de Maio, c só confessei 203 pessoas. No 2.* 
Oitava do Espirito Santo forãò só sete pessoas á 
Missa, que" lambem foi cantada, e isto não dt;i- 
xou de :uc 'espantar. Perguntei porque razão era 



tâo pouca gente n'aquelle dia : responderam -me 9 
que estava a maior parte no sertão a fazer cera. 
Baptizei entre meninos e adultos para cima de oU 
tenta pessoas, a que não puz os Santcs Óleos por 
não os haver lá, nem em Bissáo. Gtba julgo que 
terá para cima de duas mil almas ; advirto que bap- 
tizei só os que disse, por ter lá estado havia pou- 
co tempo, o meu companheiro Fr. Manoel de Ces- 

• 

soes, que baptisou um grande numero de pessoas. 
lista povoação de Geba está também ha seis ou ma- 
is annos sem Paròcho. A v Parochia ou para me- 
lhor dizer, o seu Vigário,, está sujeito ao de J5ií- 
sáo , como Vigário Foraneo, que é nc meado pelo 
Ordinário; porem a Religfâo, tanto em Bissáo, 
como em Geba está bastante abandonada, acolá 
todavia mais do que aqui. . . . . 

[friagem a Guiné do Fr. Agostinho de Ma- 
cedo dxriptj por elle mesmo cm 1817. ] 






•»*■-; 



17 



860 — 



Not. 4.— pag. 162. 



Arvore de pão. Ârtocarput incita. Esta arvore 
natural da Austrália é o maior benefício da nature- 
za para os habitantes da zona tórrida. E' da altura 
d' um medíocre carvalho. O fructo do tamanho da 
cabeça d* uma criança, contem entre a peite e o grão 
uma substancia carnosa, branca, molle como pão 
fresco, que se assa antes de comer. Esta massa con- 
servasse em covas revestidas com pedras, aonde cober- 
ta com folhas e pedras , fermenta. Para comer , tira 
se uma porção, e embrulhada nas mesmas folhas, as- 
sada sobre carvão ou pedras quentes; tem gosto de pão 
de munição fresco. Três d*esta arvores dão o sus- 
tento annual d*um homem.-— 

Os Inglezes já tem introduzido das ilhas Frarice- 
zas esta arvore em todas as suas ilhas na America. 
— Seria de desejar que o mesma possa se dizer em bre- 
ve das ilhas de Cabo-Verde. Todavia com gos to lem- 
bramos, que um dos seus habitantes, o Sr. Dias* 
ja o tentou , trouxe esta arvore da Martinica , tuas 
infelizmente pereceu antes de chegar a S. Nicoláo.— *j 



í 



—261 — 



r Not. 5. — Pag. 209. 



lUustrissimos Senhores. — * O Tabaco que Por- 
tugal gastava antes de se separar o Brasil da Mo* 
narchia Portugueza, sendo cultivado n'aquellepaiz, 
era consequentemente uma producçSo nacional) eo 
dinheiro dos consumidores ia alimentar e dar incre- 
mento a um ramo de industria 9 que tão poderosa- 
mente concorreu para a admirável e progressiva pros- 
peridade e riqueza de algumas das Províncias d* a- 
quelle Estado, Depois da separação, os valores que 
os Portuguezes empregam na compra do tabaco 
vão somente fomentar a judusiria estrangeira, tanto 
do Brazil, como de outros Estados Americanos; e 
isto em quanto nas vastas províncias ultramarinas 
que conservamos, mui pouco tabaco se coíbe: ain- 
da que n'el}as existem terrenos os mais próprios 
para a cultura d'aquella planta , da qual podei iam 
seus habitantes obter vantagens incalculáveis, se ao 
menos uma parte do dinheiro que gastamos com o 
tabaco estrangeiro fosse n'elles empregado. As ilhas 
de Cabo- Verde estão especialmente n'este caso ; o 
tabaco que alU' se cultiva é de mui boa qualidade, 
e a sua producçao cresceria rapidamente , se os pro- 
prietários d'aqueJlas ilhas tivessem a certeza de acha- 
rem um consumo seguro ao que cultivarem. As van- 
tagens que d'ahí resultariam para aquella província, 
e conseguintemente para a Nação em geral, são bem 



obvias, para que seja mister demonstra-las. Estas 
considerações e a convicção que lenho de que Vos- 
sas Senhorias saberão avaliar a verdade e importân- 
cia d $ ellas, me determinam a convidara Vossas Se- 
nhorias, para que se proponham a comprar annual- 
mente, e pelo tempo que "conservassem o Conlratf to, 
uma pjrçãò certa e avultada do tabaco produzido 
nas mesmas ilhas, por preço marcado eenr epóchag 
designadas e'pago nas mesmas ilhas. Quando Vos- 
sas Senhorias concordem comos desejos do Governo 
de Sua Majestade, esta prestará a Vossas Sjnhòri-í 
ás toda a coadjuvação de qué carecerem, para se le* 
var a effeito úiri arranjo que 'considero de maior n ti -í 
lidade para a prosperidàdedos habitantes das ilhas" 
de Cabo- Verde, e qiiè ta mb 2 m considero utrí-aaV 
Contractadores de tabaco; e Vossas Senhorias ápro- 
Teitando a occasíão de darem miis u:na prova do seu 
patriotismo, concorrerão poderosamente para o bem 
estar de uma parte da Moiiarc-na- Portugueziu De- 
os Guarde a Vossas Senhorias. Secretaria cTEstadò 
dos Negócios da Marinha e Ultramar, em 28 de' A-' 
bril de 1838— Illustrissimos Senhores Contracta- 
dores Geraes do Tabaco rr Sá da Bandeira, 



— 263 — 

Illm.* eExm.* Sr. = Respondendo ao Avizo que 
recebemos da parte de V. Ex. a , em data de 26 do 
mez passado, acerca das vantagens qnc resultam' á 
Nação em geral, e com especialidade á Provín- 
cia de Cabo- Verde, de que seja animada a planta- 
çâo do tabaco, por existirem allí terrenos próprios 
para a sua producção, servindo-se V. Ex. a mani- 
fçstar-nos os desejos que o Governo de Sua JVlages- 
tade tem, de que compremos annual mente, e pelo 
tempo que conservarmos o Contracto ? uma porçãç 
certa de tabaco produzido nas ditas ilhas , para es- 
timular os habitantes á sua cultura. Temos a honra 
de dizer a V, Ex. a que sempre nos e grato o poder 
concorrer para o aug mento da industria nacional ; 
e para darmos a V. Ex. a disto uma prova, r.ào 
duvidamos comprar annualmente quinhentas ou se- 
iscentas arrobas de folha daqnelle Tabaco , sendo a 
sua qualidade a mesma da de uma amostra, que nos 
fpi dada por pessoa relacionada nas ditas ilhas : a 
qual deverá para lá ser reraettida , para que venha 
igual; e incumbiremos a um correspondente da nos^ 
sa confiança, para que na estação própria da co- 
lheita, receba a folhado Tabaco, eo pague pelo pre- 
ço de mil e seiscentos reis cada arroba-, em dinheiro 
fraco; esperando nós, que com este ensaio os pro- 
prietários -se proponham a fazer a plantação; pe- 
dindo porem muito, para que a folha do Tabaco se 
aceredite de maneira que possa progr «edir, e qneo 
Contracto possa usar sem motivar clamores no pu- 
blico, quet o Governo de Sua Magestade, querendo 
animar a dita plantação, mande inspeccionar na 



— 264 — 

alfandega da ilha toda a folha, approvandoa que ti- 
ver sido apanhada em tempo próprio, e estiver acon- 
dicionada com limpeza, perfeição ,e secca, como a 
amostra; refugando toda a que assim não estiver, 
da mesma forma que se praticava no Brazil ; e foi 
por isso , que a Capitania da Bahia adquirio com 
o credito daquelle género a maior parte da sua ri- 
queza. Deos Guarde a V. Ex.* Lisboa, 10 de Maio 
de 1838. zz Illm.° e Exm.° Sr. Visconde de Sá da 
Bandeira, Presidente do Conselho de Ministros. = 
Lino Silveira £f C.*— : Manoel Joaquim Pimenta lf 



lllni. Exm.° Sr. Os abaixo assignados Contracta* 
dores actuaes do Tabaco, desejando concorrer para a 
prosperidade das ilhas de C. V.: por offleio de 10 de 
Maio do corrente anno participaram a V. Ex. que 
elles se offereciam comprar 500 arrobas por anno do 
tabaco produzido d'aquellas ilhas, como designaram* 
u razão de I$6 J0 réis por arroba, a fim de anima- 
rem a cultura da dita planta n'aquella parte da Na- 
ção Portugueza. Sabendo porem pôr informações 
posteriores que o preço oferecido não preenche o fim 
que os abaixo assignados se proposeram , têem nova- 
mente a honra de participar a V. Ex.* que elles pa" 
{farão o referido tabaco por 3^400 reis , que vem & 
8 er mais 800 reis em arroba do preço que tinham 



indicado. Ao Coronel Pereira, Negociante bem co- 
nhecido H*aqueHas ilhas, damos ordem para comprar 
e pagar o referido tabaco* Igualmente os abaixo 
assignados téejn a honra de dizer a V. Ex. a quevuo 
ordenar na primeira occasi&o, a José da Costa Tor- 
res , negociante em Angola» a compra de mil arro- 
bas de Tabaco , esperando que esta encominenda 
sirva de estimulo, para que n aquelles Logajres se au- 
gmente a sua cultura. J)eos Guarde a V. E*.* Lis» 
boa 31 de Outubro de 1838. = IUin. e JÇxm.* Vis* 
t conde de Sá de Bandeira, Presidente do Conselho 
de Ministros = Lino Silveira e Companhia —«Ma* 
noef Joaquim Pimenta e Companhia. — r 



Not- 6.^ Pag. sie» 



O Abbade João Ignacio Molina fez primeiro con- 
hecer esta arvore, e denominou a na sua Historia do 
Chili — Pinus Araucária— classificando-a assim en- 
tre ospinheiros em raz&o da semelhança da sua frue- 
ficatição. Porém em breve o Dr. Dombey e ou- 
tros botânicos que viajaram no Peru e Chili , ou 
viram as amostras de ramos com folhas e fructos , 
julgaram que esta arvore devia constituir um no- 
vo género. Também o celebre Lamarck e o sábio 
Schreber em honra do Botânico Ingkz, deram-lhe o 
nome de Dombeya excehis. O Dr, Jussieu mudou 



— 266 — 

este nome pelo o de 4rAUcaria vnbricita , i.ndican- ' 
ndo assim bem a naturalidade, e sua disposição física. 
E* unia grande arvore de formoso aspecto de fpr-. 
rnà pyramidal, terminando quasi em. quatro an ga- 
los. Seu tronco tem 60 — > lôO pés, e direito, de 
casca áspera, rugosa e muito raxada no seu exteri- 
or, mas inteira. Os ramos, sâo oppostos era cruz, 
numerosos, geralmente quaternos, e sâo cobertos, 
d 'um a espécie - de escamas triangulares, largas na 
base, e que n 'algumas fileira* se cobrem mutua- 
ihente. A madeira é branca e muito dura. As sémen- 

» 

tes ou pinhões parecem quasi bolotas grandçs ; são 
oblongas, de poltegada-e meta decomp rido , na sua 
maior grossura de meia pollegada de diâmetro , su- 
periormente quasi cylindricas, inferiormente quadran- 
guiares comos ângulos embutados, terminando em 
uma ala carta, larga e espatulada. O imolo ou amên- 
doa é oblongo, branco, oleoso, tenro e bom para 
comer. 



} 



Esta arvore dá se espontaneamente nas montanha? 
«do Arauco no Ciuli , e nas serras dos Andes na A-* 
merica meridional. Pois a Araucária, originaria no 
Brazil nas s*«Tas da Província de S* Paqio , e ago* 
ra reconhecida cotrio uma variedade ou oufra especo, 
ainda que o insigne, Brotero as tinha ambos con- 
fundido.. Esta tem ramos vertjcillados e os fruetos 
não tem aquella pequena ala no sçucumo, como a 
Araucária de Chilt : também a sua madeira émai 
is molle. 



— «87 — . 

Ambas estas espécies vertem das axillas das folhas 
dos seus ramos c por entre os seus amentilbos, umas 
lagrimas resinosas , louras, semitrans parentes , que 
ardem nas brazas com cheiro semelhante ao do in- 
cenço. As camadas annuaes do seu corpo lenhoso 
são menos grossas do que as dos grandes Abetos do 
Norte ou dos Pinheiros de Riga, mata sua madei- 
ra e mais compacta , e reconhecida como d*excellen^ 
te qualidade; seu tronco é óptimo para maslroc.-*» 
* Ás tentativas dos Franceses, Inglezes e mesmo 
em Portugal de a cultivar forâo frustradas; apenas 
«'alguns jardins botânicos existem em etta&s. O 
grande firotero sem embargo, de todo o cuidado , vití 
morrer em dois annos todos os' pe's que se inunda* 
ram vir de S. Paulo. O mesmos succedeo ás do Be* 
ai jardim Botânico d* Ajuda, eás que mandou viro 
actual Exm. # elter. Patiiarcha Eleita para a qukn 
te de S. Martinho. — 

- Mas apezar doestes frustrados ensaios não «e davia 
desanimar, e principalmeMe repeti-los n- um paizque 
tendo análoga temperatura cora a de S, P«uloy eas» 
sim serras nevosas e ennevoadas , aonde esta> arvore 
e indígena , cótíio todo o interior, da ilha de Sànti* 
ago e S. 'Antão, não deixa a menor duvida do bom 
êxito e então que immenso beneficio não 'reverteria 
para esta província. — • 



—268 — 



V 



Not. 7.— Pag. 816. 



Tomando em consideração as numerosas , e pal- 
páveis vantagens, que podem resultar para o fo- 
mento industrial , e agricula da Província de Ca- 
bo- Verde , engradecimento do Coinraercio , e Na- 
vegação destes Reinos, e augmento futuro das ren-t 
das publicas , da proposta, que José Ribeiro dos 
Santos, e José Ignaciode Seixas fizeram subir i Minha 
Real Presença, pedindo na Conformidade das Leis 
vigentes a concessão de terrenos baldios nas Ilhas de 
Santo Antão, eS. Vicente [no Archipelago de Ca- 
bo Verde] para os aproveitarem do modo vantajoso, 
que propõem nas condições, a que por sua parte 
se obrigam, havida a informação do Conselheiro Pro- 
curador da Fazenda Nacional ; e Vefcdo Eu que tu- 
do quanto na dita proposta se pede, é inteiratnen-% 
te conforme ao que se acha outorgado pelos Senho- 
res Reis Meus Augustos Predecessores, na Legisla- 
ção vigente, e mais particularmente no Alvará comi 
força de Lei de dezoito de Setembro de mil oitocen- 
tos e onze , que entende directamente com as ilhas 
de Cabo- Verde; e bem assim, que as condições of- 
ferecidas preenchem completamente os fins benéficos 
daquella Legislação, e o Meu constante desejo dtí 
melhorar aquellas férteis possessões : Hei por bem 
Approvar as-ditas condições que fazem parte do pre- 



—269 — 

sente Decretos e com «He baixam assignadas pelo 
Visconde de Sá da Bandeira, Presidente do Con- 
selho de Ministros e Secretario d 'Estado dos Negó- 
cios Estrangeiros , encarregado dos da Marinha , e 
Ultramar : e nesta conformidade Ordeno ao Gover- 
nador Geral <la Província de Cabo Verde, á Junta 
dos Melhoramentos da Agricultura daquellas ilhas 
e a todas as demais authoridades daquella Provia* 
tria, que fielmente HTas cumpram, e façam cumprir * 
na parte que lhes toca; mettendo desde logo os sup- 
plicantes ou seu procurador, e administrador, de 
posse dos baldios, que escolherem na conformida- 
de da primeira condição, precedendo as informa- 
ções, emais formalidades marcadas do supracitado 
Alvará de dezoito de Setembro de mil oitocentos e 
onze, e sem delongas , nem dificuldades; antes re- 
solvendo de prompto na conformidade da Lei qual- 
quer duvida occorrente, lhes passem suas Cartas de 
afforátnento gratuito de prazos fateozins, e perpé- 
tuos, com pensões moderadas, e laudemio de qua- 
rentena para o Conselho respectivo, como directo 
Senhor , e a concessão de serem os ditos terrenos 
livres de tributos e dízimos por dez ânuos suecessivos, 
tudo como no dito Alvará se acha determinado; elhe 
outorguem todo o favor , e bom despacho em "seus 
tfegocios: fazendo-lbes boa, e effectiva a execução 
de todas as outras concessões que por este Decreto 
lhes são garantidas nademais Condições, assim ap- 
provadas ; e do mesmo modo vigiem de futuro no 
exacto cumprimento daquellas, a que osSupplican- 
tes por sua parte se obrigam; o que tudo lhes Hei 



•por muito recommendado. — E cumprindo'otitío8Íni 
ser levada' brevemente á approvação do Corpo Le- 
gislativo uma niedida geral , que envolve o objecto 
da per tenção dos Supplicantes acerca da isenção de 
direitos de entrada por cinco annos , de todas as 
matérias de construcçâo, ferramentas > e machiuas 
ruraes, de que carecerem para a sua nova fundação 
e exploração agricula: Hei por bem Determinar,, 
que era quanto não houver a tal respeito a necessa* 
ria decisão do Corpo Legislativo r os Supplicantes* 
ou seu procurador , e administrador r prestem fr- 
ança idonéà pelo valor dos direitos dos géneros da- 
quella natureza, qne importarem na alfandega res- 
pectiva, para haverem de os pagar no caso de deci- 
são contraria. O Visconde de Sá da Bandeira, Pre- 
sidente do 'Conselho de Ministros,- Ministro e Se* 
"crètario d'£stado dós Negócios Estrangeiros, e .en- 
carregado do$ da' -Marinha e Ultramar > o tenha as- 
sim entendido efaça executar* Paço das Necessida- 
des, vinte e oito de Dezembro de mil oitocentos 
trinta e oito. ir RAINHA. — Visconde de Sá d» 
; Bandeira. 



Condições que fa%em parte do Decreto deita dfli»; 

.' ta: 

'• Primeira. ' Serão outorgadas aos Sócios José' Ri- 
beiro dos Santos, e José Ignacio de Seixas , ou. ao 
procurador, e administrador por elles nomeado, 






— 271 — 

doas legoiH quadradas (contando se a legoa por tre» 
mil braças ~) de terrenos incultos dos baldios da ilha 
de Santo .Antão [das de Cabo Verde] em um ou 
mais lotes , que não. poderão exceder de três , na 
dita ilha; ebem assim uma milha quadrada [de mil 
"braças 3 em um , ou dous lotes, na ilh4 de S. Vi- 
cente, do mesmo Arohipdago; sendo os ditos ter- 
renos por elles escolhidos, e demarcados com as for- 
malidades da Lei, nos logares que -mbi* convenien- 
tes lhes parecerem, para as cultujras a qqe se pro- 
põem, sem prejuízo de terceiro, por direitos legaes 
adquiridos, para os ditos terrenos lhes serem afora- 
dos em praso fateosim , e perpetuo , com uma pen- 
são moderada, e laudcmiode cjuarentena para o Con- 
celho respectivo; tudo na forma determinada np Al- 
vará com forca de Lei de dezoito dè Setembro de 
mil oitocentos e onze. 

Segunda» Na conformidade do disposto no mes- 
mo Alvará, aculti:ra destes terrenos, assim afora- 
dos, correrá livre de tributes, e dízimos por dez ac- 
enos suceessivos , e os afforamentos serão gratuitos* 

Terceira. Será lambem outorgada pelo Governa- 
dor Geral aos Sócios acima mencionados, á área 
correspondente a dous quarteirões urbanos da nova 
pòvoaçãodo Mindeílo, na ilhadè &J Vicente,' pa- 
ra nella edificarem casas, e armazéns; e bem assiín. 
um lo<íal contíguo á praia , aonde possam construir 
um trapiche. £ 

Quarta. O seu cemmercio naquella Província, 
l l e em todos os povtos de- Portugal, gosará de todos 



— 273— 

os benefícios concedidos pelas Leis novisimas ao Com* 
mercio Portuguez nos portos de Africa. 

Quinta. Nenhuma authoridade daqúella Pro- 
víncia poderá interferir com a administração mer- 
cantil , e rural de taes estabelecimentos 1 , e policia 
domestica dos seus colonos , jornaleiros , e empre- 
gados , excepto no que fòr attentatorio ás Leis r e 
regulamentos de Policia. 

Sexta* Pela sua parte os ditos Sócios se obrigam 
a fazer arrotear, e cultivar dentro nopraso de cin- 
co ánnos , a contar da data do afforamento , todos 
os terrenos susceptíveis de cultura, que entrarem 
nos ditos prasos, devendo, pelo menos, ametad* 
dos terrenos afforados achar-se occupada no fim do 
dito tempo, com plantação de caffé, assucar, ta- 
baco, mandioca , algodão, chá, cereaes, e ba- 
tata , como pedir a natureza do seu. solo ; sujeitan- 
do-se no caso contrario, ás penas da Ordenação do 
L.° 4.% tit. 43 : e outro-sim se obrigam a plantar 
no9 altos, e em roda das plantações, os arvoredos 
que melhor convierem ás localidades , na proporção 
da vigésima parte dos terrenos cultivados, procu- 
rando até, quando seja possível, acclimatizar no pa- 
iz algumas arvores exóticas. 

Sctima. Igualmente se obrigam a construir , pe- 
lo menos , quatro edifícios na área que lhes for doa- 
da no quadro da povoação do Mindello, e cercar 
o resto com muro de pedra, segundo os alinhamen- 
tos prescriptos. 

Oitava. Obrigam-se outro sim a fundar, e man- 
ter na ilha de S. Vicente uma Casa de Commercio, 



que jBÍn»dd Matarp**to çwcçafttj} salre aquella Pro- 
vihcia , « os paitòs )#t «Rqrapa; e para este çom- 
mercio pedem todo «o favor possível. 

Nona. Obrigam-se mais a não empregar nesta 
cofcnisaçJio , teoâq_ gpnte forra , livre, ou liberta, 
indígena, ou estranha : t çaas nunca escravos seus , 
nem alheios. 

Decima. Por ml timo , a Sociedade sendo pura- 
/açute ^destinada a uma em preza- rural e mercantil, 
jjenhuro dos^eus^ageiUes ou empregados poderá 
jn.volvev-se nupca directa.* nera iodi rectamente ena 
guesipes poli tkras.^ ou, i^ parido, > que possam agi- 
tar o,. Pais, «ob pe^a de serem logo despedidos pela 
direcção da Sociedade k requisjjçào do Governo, 
caso já onao tephamsi^o Mtes,, < ... 

Secretaria 4*Es|^do do* Niegoçios da Marinha e 
lílt t ramar ,i en}.$$,$e.pezembro de 1838. =^ Viscon- 
de de. SÁ f â* Í5fndjúra # . ■ 



r . - « 






w t 






:fl/ ! :' Í ? . J :■.'. 



Tamandpeai cpnsideraçap a; proposta qu# á Mi* 
nba Preàepça.diíjgintm. os. aegpciautes,,. Jtaronymo 
de Almeida Brandão e Sousa & Companhia, e Jo- 
ão Gomes de Oliveira e Silva e Companhia , pedin- 
do«AJe, na conformidade das Leis vigentes, a con- 
cessão de terrenos baldiets nas ilhas de Cabo* Verde, 
para os aproveitarem ijo. modo, que propõem as 
[condições a.qiie.por^sua parte se pbTigam : HcipPfT 



«—874— 

Bem Appr-ôrar as díttó 1 condiçfe*, que fazem pattp 
do presente Defcreto, e cora éAe baixam &e« • " 

: Condiçftes que fa%etn parte do Decreto detfaãá* 

• • • . 

t 

Primeira. Serão outorgadas áòs sócios Jerony* 
mb de Almeida Brandão e Souia"íf Companhia, e 
João Gomes de Oliveira e Silva 2f Companhia , ou aò 
procurador, e administraoktf pof elles nomeado, 
duas legoas quadradas [contandÒ-ie alegoa porttes 
mil braças] de terrenos incultos dos baldios dailfcá 
do Fogo j] das de Cabo Verde ^ em um ou inaft 
lotes, que hão excedendo a tre¥y sendo os ditos 
terreno's por elles escolhidos, e demarcados comas 
formalidades da Lei, nos logaréi^que mais conve- 
nientes lhes parecerem para as culturas a que s6 
propõem , . . # * 

Segunda. Na conformidade do disposto no meu 
mo Alvará, a cultura destes terrenos, assim aflora-' 
dos, correrá livte de ttibutos ,' è difcimos por de* 
ártnos successivcfy e os áfíbramehtol serão gratuifcost 



r 



r . • n 



r Srfi/tai.-Iguali&ettte se obrigárrf"à cônkrtiir 'dei 
ftò 9o dito prazo sobpehá de r h'iifHdádê deste coi 
trttcfò pelo* menos seis edifiçios 1 rtU úrea, que Ih 



fôr doada no quadro da povoação do Mindcllo, 
cercando de um muro de pedra o resto da área, se- 
gando ós alinhamentos prescriptos. 



Secretaria d*Estado dos Negócios da Marinha e 
"dó UMr amar , aos 18 de íevereiro de 1839. = Sá da 

Bandeira. • * 



Tomando em consideração a 9típpliea que áMi* 
nha Presença dirigiu JÒã*> António- Leite, natural 
3á Ulia de S: NicoSío [das cte Cabo- Verde]; pe- 
dindo-Mc na conformidade das Leis vigentes a con- 
cessão do terrena da Uueq , denominado = Kazo = 
contíguo á dita ilha, que se achava inculto antes de 
lhe se* fkeuúitl\dx> z 'p&lQ -respectivo Governador Q em 
tal ^>^or'Pi»tàrÍ0xl© d^.de Janeiro de mU. oitocen- 
tos tri»ta.je oita,, b míJtjjyft*!®» dentro do prato 'desp- 
ir mezes .. ã&ei . por íbéov>' Deferindo; á Supplica ,do 
dita João .Antemio Lejtel, CdnçedQr^heideaffora- 
ménto o"tferreno: do; iUbeoy ]saia<> fétfnm : e debaixo 
das condrçôes^qiíeÈazeaa parte do ipvdsenie Decreto, 
e com elle: baixam assjguadas pelo Visconde de Sá 
da Bandeira, Presidente, do Conselho de Ministros, 
Minigtro e Se cretariôd'E&tado dos Negócios Estran- 
geiros 9 * encarregado interinamente dotf da Marinha 
e Ultramar; e nesta conformidade Ordeno ao Go* 

vernsdor Geral dfe * Frtrjinçia desabo- Verde, . . • â 

13 * 



—876 



Condições que fa%em pwtedo Decreto detta da* 

ta. 



Primeira. ' O, terreno <b Ilheo zz Razo rr con- 
tinuo á ilha deS. Nicoláo [das de Cabo-Verdelem 
cuja posse e, pelo Decreto desta data, conservado 
João António Leite , será a este aflorado em praso 
fateosim e perpetuo, com unia pensão moderada, 
â laudemio de quarentena para o Concelho respec- 
t»iyo , tudo na fór.caa . determinada no Alvará com. 
força de,Lej de dezoito de Setembro de mil oitocen- 
tos epnae. 



• » i 



Sexta. Peta sua parte se obriga o dito JoioÁn* 

-tonto Leite a>faz«r rWrdtbar y e; cultivar identra do 

pra*o de «jm annof & eontairfla? dita do ftffcramea- 

to r todo <f terreno siisceptivelde euRiUfet ,. quecoí*- 

-tive* o dito ^>nubv ; devendo» pelo menos' a metade do 

teweao aff orado achar-se oecupada no fim da dito 

praso , cotn plantaçces de algodoeiros', e porçuei- 

ros ; e oatrmimoe obriga a,, plantar os arvoredos que 

melhorícoaVierbm ás localidade* y'ft a prbjkwçâo da 

~»igâeHna iparie. do terrena ícultivado : . sagettando-We 

x&* casd contrario áspenirsda:Qjj(kna^ãi>. do Liv. 4.* 

f . • •; t i • ; • * • y • .; '•• • 1 



Secretaria <T Estado dos Negócios da Marinha a 
Ultramar , em 26 de • Fevereiro d? 1839. — Sá da 
Bandeira. 



Tomando em Consideração a Proposta, que á 
Minha Presença dirigiu Cláudio Adriano da Costa 
pedindo-Me na conformidade das Lei* vigentes 'a 
concessão de terrenos baldios nas ilhas de Cabo Ver- 
de, para os aproveitar do modo que propõe nas con- 
dições a que por sua parte se obriga : Hei por bem 
Ajpprovar as ditas condições, que iázém 'parte' do 
presente Decreto, ecom elle baixam ássignadas pe- 
lo Visconde de Sá da Bandeira, Presidente doCoh- 
lelbo de Ministros 7 ». #/ . . , 



Çondiçôet que fazem parte do Decreto desta da* 

■ '«-..» .í. ■ • . « •-• ! .-, . . ■ • 

ia. 



41 



Primeira:' Será outorgada á Cláudio Adiriaftò 
da Ctísta , ou aò Procurador , ' e aíiiWinktrador por 
elle nomeado*' um Quarto de lêgòa quadrada (^óorf- 
tando-ste alègoa por três mH braças) èÉn&rcr,' 'oudotís 
lotes de térretibs- incultos dos baldSòfr dáá iíhás dfe 
Cabo- Verde," ' sien&ò tfrn daquéllés' lotes na ilha de 
i Santo*' Antão*; podendo 1 òi dito* terrenos gér pórelle 
ttscolhidos, e demarcados ctfnras formalidade* ' dh 



Lei, tíos lôgàfès que ttiaís còtíveiíièrrtSès ilifc'pareàetérn 
para as~T»uUurât a qtreSè jtfãfpõé; ■. • . V* <• •-- 






&Swa. Igualmente *!rt>bri£aa construir dentra 
do praso de dous annos, «ob pena de null idade des- 
te Contracto , pelo menos quatro edifícios qa área 
que lhe fòr $pada no quadrada pqvoaçâq do A|in- 

dejlo', cercando de um muro de pedra o resto da 

- J •' ' ■/ •'■■• •" '■'»- /.•'. •'..'.•V. ■...-. J ; iW li.l-yííl 
mesma área, secundo ps , alinhamentos nrescriptos. 




Ulti 

Bandeira. % , • t - . . , - -,, 1 r * "*>/"! 



• • • • - • • 



Tomando em consideração a Proposta, queá Mi-* 
nha Presença dirigiu Francisco António Vaz da Sil* 
*fH [>ediado-Mc na conformidade das L^is- vigentes 
a concessão ,^de terrenos bailios. nas.illms de Ça,bo» 
Verde v para , os aproveitar do .inqojp, qijci gr^põe ria« 
íjooídigões- a que; por .fua pajt,ç jftpj^a^ .fteV poi 
bem ApFQva*,as;di , tas,.c(>n4ís5 à Q3 , ,q,ae n ft)zem par. 
te dp prfiVQlç. # Decfí*o < ».^.cOTi ^Uô^aix^m.a^igaa- 
d*s pajo Viacqnde d^ 8£ da, %n^&tr f -}, «ÇlBííÍP^-dl 
— - <So»*feliÍQ:dfi ; MiniSsti'o^.. ., t * , : . , .. i, : . ^.bi. : .- 



■-PP—. 



'.(.. 



Condiçõe* que fazem parte do Decreto desta da* 

ta. 

*. * • 

Primeira. Será outorgado a Francisco António 
Vaz da Silva, ou ao procurador e administrador 
por elle nomeado, uni quarto de legoa quadrado, 
[contando-se a legoa por três mH braças ] em um 
ou dons lotes, de.terrenjos inculto* dos' baldios dasi- 
Ihas de Cabo-Verde qiie élte preferir': podendo os 
ditos terrenos ; ser por leite escolhidos, e demarcados 
com as formalidade fltt fce5, flòs logarfes que mais 
convenientes fiie parecefefoY p&iV as culturas a que se 
propõe, , ;', # - l ' i: * ' sin-yf. <í - « ' » 

..Sextas, ^Refe^ua.^ar^ «, obriga o { dito Francis- 

TOr^n^qj^p^p.de Jphfpnos t a contar da da-. 

tM°. ^ficW?»^^^^ s^ejpíjvejs de- 

cultura ., qu?e çjçptrar^m^ç^v dtyo^.pr^spSf .devendo 
pelo menos a metade dos terrenos affqra^os , achar-. 
se peçttpa^a #0 fgça, (do /iitp tempo coiç a^p] an tacão, 
q.uepe4iç : a^atareza f dojse^ soJp> e, priaci Pi alrneflte 
com a dos arbustos, que produzem os adstringentes 
próprios para o curtume de couros, para cujo fabri- 
co igualmente se obriga a&»marum Estabelecimen- 
to dentro do mencionado praso. E outrosim se obri- 

^ a /*^f ar 3^ 8 : al ^V?;?í? r ° da ^P^^Sesos 

arvoredos que melhor conTJerem. ás localidades, n*v 

[proporção da vigésima pare te, dos terrenos cultivados, 



procurando ate quanto seja possível acclimatisar no 
paiz algumas arvores exóticas ; sujeitai%dò-sé rio ca- 
so contrario ás penas da Ordenação do Livro 4 tit. 

42< - • ;> : ; . -v ic . , ;• :'. .» >>*.•• -.. 

: Sckima % \ J[gualn^|it^ ; sç.çbrigíi%^ooslj:t^ çlen^o; 
do práso de jáousf aAfiqs, ; 30b .pena $e nt^Udade.de^. 
te Contracto», pelft ..jpôftQs um,. J£di£pic; rça^rgajque 
lfaie tU doada. Qp qyM.r$>Mda^j|Qyf>^4Q à9M\ n fc\)P8< ' 
cercando. d$ un^n^urjo. de.pedr* oTf^t/xda í .i^esxw ( a^an i í 
raa,. segando Qs f ftUfljfftmôpt0$ .pfçtjCftPlgg,. r ; t - 1;;. 

Qitaw. Qbrijr*4ft qift^HB éãrtftiSft-ffet WH» 
pen*^ nuiJUdnde .dpuHfi)(H^9-.y t i^ «fa-»WPí?«W-. 
nesia colonisaçâio senão gente forra ^ livre ^ «Oj^ ^? 
berta, indígena, ou estranha; e jamais escravos 
seus, ou alheios, *•*•••••.•• 

Nona. Finalmente se obriga a não consentir que 
ricuhútoi dós'&us 'agerííès 9 , &trirrrjire»ádc«,- , w fn-> 
volvam núrifcValfècéa^eifi Wdiíeftíárifefté Wn ; qá<*:? 
to es 'politicas , 'òif cfe'pr«8o Hqtfé^&s&itá' tígtáir <» 
Pàiz; "sói p^ í ay°ttíertf , lo^Ô''desp : ériaia^'4o' «efc' 
«erviço' ; à réqúMÇârt GWeFrW}- éãsVj&fc «£»'&' 
riham sido' ánteá- ' ; ! '"' ; ' ,yi a ''' -• ín; '" '' ,; 8 " : ' " °" , I 

Secrela^ía : a^iteaodoí^Nè^ètefe^k^AfáHâHà e 
Ultramar', ÍÓ de AbríT 4^18^9; — S^da "Bántâb&M 

• ::í »«' >. > ri. \ 'Í)okj ;>;y f -v' ■' ■■•'•j '•!) •» fiK ! 



' . > 






ir • « . ;-i')íi »iv v'o cítdÍ) ol 



J Tomando em' Còrisicleyàçao *> que *]vte ièpre&ntoxi 
itfanóel António Afartíhs^ negócÍáíW'(éstã í béíe l c ) KÍ<> 
Provinda das' Ilha^de 1 Ca^o P : VerdêV^eaí^b^f Í 



—281 — 

na conformidade das Leis videntes, a concessão de 
duas legoas de areaes nas ilhas do Sal , e da Boa* 
Vista, incluindo os que já allipossue sem a tbra men- 
to, para os aproveitar na cultura de algodão, e 
]M ilho , de que sâo susceptíveis ; Hei por bem , ou* 
vido o Procurador Geral da Cor5a, Deferir á sup„ 
plica do mencionado Manoel António Martin*, de* 
baixo das condições que fazem parte do presente 
Decreto; e com elle baixam, . . . • 



Condições, quefj%ern parte do Decreto desta da* 

ta. 



: > 



" . 



.Primeira. Serão outorgadas a Manoel António 
Martins duaslegoas Quadradas [contando-se â legoa' 
de ices mil baças] de areaes nas ilhas do Sal, e da 
Boa- Vista, do Àrehipelago de Cabo- Ver de, inclu- 
indo-se nestas as duas léguas das porção de , areaes 
que já poseue sem aforamento naquellas ilhas , os qu.àes 
areaes serão por elle escolhidos , e demarcados com 
as formalidades da Le! , nos Jogares que mais /qon- 
veuiente lhe parecer , para a cultura , a que se pro- 
põe, precedendo as competentes informações, para 
tjue não haja prejuízo da conveniência publica, ou 
de terceiro, por direitos legaes adquiridos ; e lhe se- 
tão afforados em praso fateosim , e perpetuo , com 
uma pensão moderada, e laudemio de quarentena 
^>ara o Concelho respectivo j tudo na forma deter- 



ípinado JiP Alvará com fonja de Lei^ (Je dezoito de 

•„ mibro de mil oitocentos e onze. 



■ • ' 'IV. . ' u + 



., m * • p • ? • m p # 






c ■.- *>:»i. 



Quinta» ., Pela sua parte se obriga o aito.JVÍanoel 
António Martins a fazer arrotear * e cultivar dentro 
do praso de cinco unno*. a contar da data do ano* 
ra mento, iodos os terrenos susceptíveis de cultura ^ 
que entrarern no dita praso, devendo pelo menos a 
meta le dos terrenos aflorados achar-se occjpada no 
fim do dito ternpo, co;n as plantações, que pedir 
a natureza, do seu solo, sujeitando-se no caso contra» 
rio as penas dá Orcfenacjao db E*ivrò qitaVto, titulo 
quarenta e três, eoutrosim se obrigará a plantar nos 
altos , e eoi roda das plantações os arvoredos , que 
melhor co/ivier ás localidades, proejar ando até quan- 
to seja possível aclimatisar no paiz algumas arvores 
**oticas, ,,,..." *!■'.. 



Secretaria d Estado dos Negócios da Merinna e 
Ultramar, em 29 de tfovèrnbro/de 1B39. — Conde 
oo Bomnm. 



«< r ■» • 



" -i 



» 



—283 — 



Noi. B *~ Pag. Z18. 



Sct$6t$ varipi da. Junta de Melhoramento da 
agricultura da t ilhat de ' (x&o- Perde. 



• i 



li r 



- »l 



I . ' I ' 



António ElleawÍQ;Netfcet4i Capitão 4? ftWPr 
mento de Gavallar ia de Mjlicias, E^râq^Çíw^ 
*a da V^illa da Pw* da ilha 4e Sautiagp (Je Cabo*-. 
Verde , e SecretarÍA d* Juntado A£*Mpraroefttad v ~ 
AgTicuUura $. / \ , • . ;, . , , r x . .. . ... . 

Um curtimento ao despacho supra, rçfeqcto o. 
Livro ^ue senre das .Sefiõçs desta Janta* açhei^ a$í 
Seasões, seguintes 4r Bm , op vinte ç, oojve, dfas; jjo, in$jL> 
de Maio de mil oitocentos 9 4e*afcov^ 9t?ta3/YiiJ!fC 
da - P/aia da Uha<ta «Santiago de Cabo? V^rde^nas, ça^ 
zas que seriem dai .Sestáes <Jê Junta 4a- JMWítfSto 
m*n4osd'AgrwMkttmv e$tanda prestes o^py^ivab 
dor Geral cooi<> Presidente e DepiiteHJ^^prosqdfcji) 
noaçto da. Junta do. Melhoramento., ,e jwrarÇíHig-. 
tar fi? o.pjresçpte teçcfto^ie.eu José ÇQei}H>.deBaf5 
ro9y ZWriv&> da Corjreigâp o«screvi>cpnio Secretario, 
da «tanta: . pqr não Jiave^ ju ai? nada .a #e{Jbçj-ar ,fi? 
eprçaepte t$rftp 4e_e?£Çr?amento r4 eetf Jose^jCoe^ 
lb.Q de^arrost^çriv^tp d,a Corr^igí^e iS^ç^tftflkída 
i&eçfta Jtfn*«0;esfcrej(j; -^ çpnj Mes rub^s íir H^P>^si 
oito djasdp gotezdç jaiíeir^idenaJe^iç^i^oí fesriíí^ 



— 3&1 — 

te, nesta Villa da Praia da ilh.i de Santiago de Ca- 
bo- Verde nas cazas que servem das Sessões da Jun- 
ta do Melhoramento da Agricultura que estando pre- 
sente o Governador Geçafcemo Presidente, e De- 
putados se procedeo no acto da Junta, e para cons- 
tar fiz este termo , e eu António Eleziario Neucetti 
Escrivão da Camará, no impedimento do Secretario 
o escrevi.— - Nesta se, deter rniniou , que tendo a è\- 
periencia mostrado de que os vários Inspectores que 
forão nomeados nas differentes ilhas desta Capitania 
phià ' v igfatetn sôbrVo : - àiagmeáto d» agricultara, erâo 
eiWéy i?iíHos ^ 'í"toãfc> preenchiam os- deterei dos seus 
cáfgo*. 'O GoVèVríaífór^Crkálcdfli^ Presidente dea- 
ta* Ji&flTãm^f i&dòí pè\& méstm* ttdsteriá e forra** 
em cada uma destas ilhas uma Sociedade Agròno^ 
mica êê*hpo«íá í «peto (5onimand&ntè de <ja4a uma del- 
ltts ,* JUÍzes* Òrâínarios , *j doiOrfàoe, e do Feitor 
dttM*Reàl ! 'í , aííè r nd^, , e *o Vig«riò-^a Matriz, è do 
Bácrfvàb !r dá Carnarâ como Secretario, para que este* 
s^é^nVoqiiéfti' todos c^^uInz^diàsyconioTtneais clr-» 
ccré^tnftMa^* é*igitem) a fim de tratarem sobre to- 
d$i 5 ós otjjectos rèíàtivos* aos melhoramentos da agrt*' 
óiÚti&ayipatfÁ^éús dó gad<!^ pe?caria , e dê todos 1 
os : rarnd4d«industrià'tiaeíônal: devendo participarem 
a esta Jurrtfeítbdus as^á^dèl&esáçàeB^ a fito de «trem 
sanecronada?. E dótáó esta Jiiri tá achou áéertada está 
créação; : ia dão pòr aprovada é ; san?cdonada em quanto 
9u& AíageWade r*uO mandai o contfafrtó } è por ifcs* 
«edei^inoa Uniíbrmeníeftte e}*íé se' participe taddi 
i^'á 5 8na fc 'MagWtadé peta mp*ctí**Séet4t*fia d* 
Eitaáo; '«TuiéStá igoálmèató sé delibôitMi qbe píorita* 



— «ffl — 

pedíme&tido Seorfetaíio âeeta luofta «irra «Ir car* 
t go 6 Escrivão 4* Gamara d» Y-iila da Praia Afttp» 
jiiò Elesiárkt Neipcctti, eu» -quanto « dito para isto 
nio forbabiiitiádo*: E pcnrnrâo batei: qprò que deli* 
•beirar, ee mandou Jazer, este tertao de «nctfrraíqento; 
•a «a Antonip Eleaiíirio Nieucelli EeèrtvSoda Cama- 
rá que sirvo deSecretariob escrewí; ~*com tjra» rubri- 
cas. —Em os sendài da aiez d* Março do mil oi- 
tocentos e vinte lannos* nesta Villa da Praia da ilha 
de Santiago de Cabo-Verde » e na» cazaa que ser- 
vem das Sesscfes 4a Justa do Melhoramento .da A- 
gricultura, catando pr-eseatco Governador Geral co- 
mo Presidepte e Deputddes v se procedeo.no acto da 
Junta ;, e;para constar fiz e*W tertno, e ( eu -António 
JEletiario Neucefcti Escrivão d& Catoaft <Juc sirvo de 
Secretario o escrevi. Neste o. iPresideftte-apíeseqtov. 
titna par ticipaÇâó £La~-SccieoUde Agr tf nomiga da jlJUa 
r deS. Vicente -om data de vinte e três fo Novena* 
bco do aanp ptcodniopasgaxky na qual adita Socie- 
(iade pede v^j^^^o^idej^iá&ia %híd^íwío dos habi* 
iagfôs da mesma ilha ^ ei.ácbanado esta Ja»ta que a 
dka. representação endignri de vala pronapta provi- 
deticia* uoaniuien^nte se dtílerniinou quese tirasse u- 
JBa copia é 'se dirigisse a Sua dAfiajgeftjtôde pela -coiu? 

petente Secretaria d!Efeto4<»5 ^araqwe o mesm? Au* 
g«sto Senborse Digne der aquiellas providencia» qu$ 
íbrem do seu Reai agrado em ^beneficio daquelia 
pacto dob aeus vassaHos, e entretanto que o Preai* 
dente coiro G o* er^naUpr desta Cappitania dê fcquel- 
JS^« Providencias que assentar justas: guardando^se 
AP» c^qtí0 ; da Juntei q reprezeotaçÃo original, * 



passatidose uma- ProvisEoá dita Sociedade Ajjjro- 
ilomica, accuzando-a recepção das partes què derão, 
ftssegtflrando-os das providencia» qisé se traetamim- 
mediatamente a dar , e ardenando-lhei . á continua- 
ção d€ todas as providencias -que conhecerem tenden- 
tes ao beneficio daqueilss habitantes : o que feudor par-* 
ticiparatti a esta;Junta. Igualmente ftri apresenta- 
da a esta Junta outra representação da Sociedade 
Agronómica da ilha do Fogo em dattede quinze de 
Novembro do anno próximo passado, na qual pé* 
dem as seguintes providencias. — I** # Que é mui- 
to útil semear algodões em todas as terras incultas 
na vizinhança daquella villa, e mais que é preciso 
que todos os gados fossem gratuitamente a ptrttar 
n o montado Real.-i-â/Que se obrigasse Uos proprie- 
tários das terras ás plantações das vinhas, á pro- 
porção das terras de cada um. —3.° -Que sendo aquel- 
la ilha muito productiva de um exceli ente tabaco, 
para se augriíentar o cultivp delia-, é preciso peoi 
hibir-se a entrada do tabaco estrangeiro nestas ilhas» 
4/ Que tomarão as medidas necessárias para animai 
os 'peecadores; obrigando-oe a pescar diariamente 
'para abastecer a ilha de peiíce; devendo stippH* 

M 

t;ar^e 1 síôretn ; kenjptósos pescadores doReal Sjerviçow 
O qfte tudo exavpiaafdp .e posto em deliberação ttfta* 
íiimamente *e deterfchrnou que.se passasse un*a r pro* 
visão á 4 Camará dà ilha do Fogo pára que immedi» 
«tamente obrigue a todos os possuidores das terta$ 
ibeuftas , e que são próprias para a?~ sementeiras de 
algodões, que se achem antes do tempo das ptoxi*» 
nw agiraffsemeadfcs ; ordenando a dite Cartara què 



— 287-= 

toda equalqtier pessoa qirenid executar et (a andem, 
sejão as dità^ terras aftfradas na conformidade*!* Lef; 
è em qilanto ao gedo este seja probíbkio de pastar 
naquetlès arredores, e remêt tido para os montado* 
Heaés tom aquèllas condições que afai se achlo es» 
tabelecidas, por não caber na aul!:oridâde desta 
Janta de os libertar 'dá pensão q'je'tem. 

'E l em quanto ao segutídò* paragrafo cobre as plan- 
tações das vinhas pa*scse da mesma sorte Provisão 
4" Camará para obrigar aos proprietários das terra* 
a plàritarêín aqueMas > inhas que a proporção da5 su- 
as terras ó permítinehi; participando a esta Junta 
tanto aquèlfes que possuo ser ommissós para rece* 
"bérem ò castigo que merecerem , como aquèlfes qtte 
"se distinguirem no augmentò e plantarão deste in- 
teressante ramo , cujos nomes a Junta porá na pre*- 
zençacIeSua Mágestade para meiecérem'lóda*áqaeP- 
la Real consideração que se âevé a todo o benemé- 
rito vassàlío . Sobrfc à terteira que e a pfaniaçSo 
do Tabaco,' esta Junta deteYminaquè Se passe igual 
provisão á Camará "porá augment ar esta plantação, 
á Junta representará a Sua } Ma£estadé que seria mui- 
to vantajoso carregarem-sé rnàfores 'direitos no taw 
bácò estrangeiro, para deste modo sef fomentar acuf- 
tura e* consumo interior' tlèste artigo;"' e em quanto 
á peèc/èífia se aprov&a tíétéVminàçSo dada. Igual- 
men^lé^Júntâ detértiníhdu, se' tire utna copia dadi- 
ta reprèséiilaÇàô' P pára se remétter a Sua Mágestade 
e gue 'em rèspoáta 1 sé' participe á Sociedade Agronó- 
mica dáqúclla ilhàf, o quanto a Jtinla dctei minou 
a' este respeitò Íoiiva.Tido-lhe o sèQ éefo, ordenando- 



— 088 — 

lhe •qpe continuem ap bem commum jáaquella itbd 
eoijao deites se espera ; eda mesma^ forma se deter* 
iníoou ds se ppssar opa a provisão circular ç, todas 
as SJpciedades JVgronqaricas das ilhas, ordeoafldo-ser 
lhe. na ..continuação do seu , zejo e tjab,all}Q : da- 
yendo convocarem-se. todos os quinze .dias para- tra- 
tarem dos objectos da sua comjqissão » e que o nu- 
.fttâro dos, membros serçdo composto de; mpip/ia seja 
considerado completo: não lhe importando a faltp 
<le algum que por sua impossibilidade possa faltar, 
devendo em. todas as occasióes participarem, á es^a 
Junta as suas deliberações ; e ecpxo a^ je^s jj>ode 
faltar navios. que possão trazer ao f ondeei qaentp da 
Junta aquellas propostas que exigem a sua (inpl (< re r 
solução, fiquem- na intelligenciaque quanto acha- 
rem utilaQ^m commum devem dirigirem-se. a Ça- 
jnara, ao Cpmman^auÇe respectivo, e &o. Juiz de 
.ajÇandega pela. parte que aça/ia up dei les., lhe tocar; 
pois que a Sociedade Agronómica é corpo cpnsul- 
-tativo, o não executivo; e o prer#io e recompensa 
dos sejas t^baLhos o .acharão em si.oiesmos corpo 
lejief vassallos, e que por esta Junta serão leva*» 
^ias, a Presença de Sua Magestade; Igualrriente se 
..deliberou que é. necessário representar a Sua, Ma- 
.gestaeje de, se nomear, .um Secretario . des^a Junta 
com | um ordenado certo, authoriçando p&ra este 
fim ao Presidente da Junta para diligenciar este fim. 
JB por ntvo haver mais que tratar.se mandou fazer a 
presente Te/mo,: e eu António Ellezjarjo ( I|IeuçeUi 
Escrivão da Camará que sirvo de Secretajio o es- 
crevi. ,— Coaji quatro Jl ub ricas — - Km os cinco dia» 



— 889 — 

de tnez d<* Dezembro de mjl oitocentos e viole unnoç, 
ne*ta Villa da Praia da ilha de Santiago de Cabo- 
Verde, e nas casas que servem das Sessões da Jun- 
ta do Melhoramento da Agricultura, eslando premen- 
te o Governador Geral como Presidente, e De- 
putados, se procedeu no acto da Jun!a. R para cons- 
tar fiz o presente termo, e eu António lilbziario 
Neucetíi Escrivão da Camará que sirvo de Scc reta- 
lio o escrevi : Nesta representou o Presidente q-.o 
tendo passado os mezes das aguas na ilha Brava , e 
pela faculdade que esta Junta lhe Linha concedido 
para o bem commum e melhoramento de Agricul- 
tura, achou elle Presidente que na dita ilha existi- 
am muitas terras aforadas com maior augincntoque 
aquelle que lhe pertencia, e lhe linha sido conce- 
dido; e estas em os poderosos, estando os pobres sem 
terem terras algumas; eque por i.-so tinha eliePre* 
sidente determinado namesftia ilha que se medissem 
novamente, .as qpaes seudo medidas achou -se que 
muitos tinham terras demais: c vendasse o nupiero 
de terra que havia de mais, chamará o JuizdaqueU 
la ilba, e junUiçente oom p Feitor, e dois homens 
bons do povo, para que se repartissem aquellas ter- 
ras pelos povos necessitados , o que se assentio, e 
para o bem daquelles povos se passaram as provi» 
iões para cada um tomar po$se dos seus prédios : e 
que pelos mais Deputados foi aprovada tal delenni- 
terção, ipandando que» se cumpra uniforraemeâté e 
foi determinado; e. declarou mais elle. Presidente 
que examinando a cultura das terras daquella ilha, 
Veiará que já se n5o deve aforar mais terra alguma, 

19 



— 290 — 

pois que as poucas que ha baldios, não são suflkrien- 
tes para a pastagem dos gados. Tèndo-se apresen- 
tado nesta Sessão , ade três- de Novembro de mH 
oitocentos e vinte , da Sociedade Agronómica 'da 
ilha d© Fogo, na qual se relata certas .determinações 
expecifieadas na dita Sessão; deliberaram mais que 
visto haver a* Sociedades Agronómicas nas ilhas, 
estas avizem aos seus habitantes por Edítaes-, que 
logo que pertendâo dirigir-se? á esta Junta a reque- 
rerem o aforamento de algumas terras que estejão 
baldias, apresentarão primeiramente os seus reque- 
rimentos ás ditas sociedades , para que logo infor- 
mem a esta Junta sobre o que requererem, para que 
possão com brevidade serem deferidos ; assim co- 
íno todo c qualquer objecto, que pertendâo requerer 
a esta Junta sobre melhoramento: assim como a dita 
provisão seja circular, fazendo-se animar a cultura 
do caffe nos* pés das bananeiras. E por não lia ver 
mais que deliberar se fedeste terrrio de encerramen- 
to; e eu António Ellezrario Neucetti Escrivão dà 
Camará e Secretario da: Junta* o escrevi, E nada 
rríais se continha nas ditas Sessões até hoje sete de 
Dezembro de mil oitocentos e vinte do Nascimento 
de Nosso Senhor Jesus Ohristo; e èu António JElle- 
ziario Neucetti Escrivão da Camará e Secretario 
da Junta o escrevi. ! 

NB. A criação destas Sociedades Agronómicas que 
se formaramem todas as ilhas subordinadas a Junta 
do Melhoramento da Agricultura creada na Capital 
eui mil oitocentos e doze por uma Lei de Sua Ma* 



gestade, ém togar dos Inspectores que de nenhuma u- 
tiiidade erão, foi posta na presença de Sua Mages- 
tade juntamente por uma copia destas Sessões com 
officio no principio do annode mil oitocentos e vin- 
te um, no qual se rogava a Sua Magestade que sedi- 
gftassêde apprõtat com Sud Real Saticção a criação 
das referidas 'Sociedades Agronómicas; portfm os 
poucos mezes que me demorei no Governo daquel- 
fes ilhas, não derao logara sabér-se o êxito daquel- 
la utilíssima representação^ e que talvez as circunstan- 
cias daquella época o não permitissem. Ignoro a 
marcha 'successiva deste negocio, e stí actualmente 
existem ou não aquellas Sociedades, mas que de 
fcétto seria titn mal para a ' prosperidade daquellcs 
insulares, se arbitrariamente se tiverem mandado sus- 
pender nas' suas tão úteis funcçoes, e trabalhos. — 
£stá conforme — António Ptissich. - *- 



<. 



X* 



Not. 9. — Pag-. 219- 

» ♦ * 

Senhora, *— A Jantaf Geral da Província de Cabo 
Verde , legalmente constituída nesta^Villa , Capital 
da mesma Província, leva com o maior respeito á 
Presença de Vossa Magestade a consulta, que a 
Lei da sua creaçao a incumbe apresentar sobre ai 
necessidades delia, e sobre o melhoramento de que 
e susceptível. Gostosa , e cbeia da mais patriótica 
alegria , cumpre este dever : certa de que Vossa âía* 
geslade não a desprezará pela baixeza do estillocom 
que e traçada ; mas ainda Se Dignará, cheia daquel- 
la liberal e virtuosa Munificência inherente á Sua 
M agestatica Dignidade,., «acolhe-la com benevolência. 

A Junta confessa a sua insuficiência pela falta de 
luzes para desempenhar dignamente c* seu dever : se 
bem que com a maior sollicitude tratou de conferen- 
ciar entre si sobre todas as necessidades que a Pro- 
víncia experimenta, e os meios de melhora-la, com 
aquelles conhecimentos locaes, que habilitaram seus 
membros a merecerem os votos das Municipalidades, 
que os elegeram. 

A Junta nâo sabe explicar o fervor, com que seus 
constituintes idolatram esta liberal instituição; po- 
rem pode declarar, que esta Província desde a sua 
primaria e mais longeva idade , condemnada ao 
grilhão do mais duro despotismo ; e costumada só 



ás barbaras Leis, que a degradaram de todos os d I- 
reitos políticos, reconhece sua regeneração politica, 
e aprecia as immunidadés que ella Ibè concede; e 
st a Junta ultrapassou os limites da sua attribuiçuo, 
saberá Vossa Magestade heneficamente perdoa-la. 

Tendo attendido a Junta em sues conferencias a 
todo o que entendeu ser do bem geral da Província, 
reduzio seus trabalhos , se bem que informes ; e de- 
terminou a divisão da sua consulta em duas partes: 
na primeira expondo os males que a. Província actual- 
mente experimenta; ena segunda, o melhoramento 
de que dia é susceptível, e os meios qua devem ser- 
empregados para conseguir este iuipoçtautefiui. 

1.* Parte. 



As ilhas, em razão da calamitosa fome que acaba 
de âssòlã-las por falta das chuvas , que experimen- 
tou por três an nos consecutivos, éstao reduzidas a 
um estado de decadência, que precízam de muitos 

anríos abundantíssimos para resarcirem.o que perde- 
ram; eo estado de indigência em que permanecem, 
não deixa logar a impor à seus habitantes a menor 
finta, ou derrama 5 por isso a 'infinidade de obras e 
ifistiíuiçoes : publicas de que carecem? é mister que 
Vossa Magestade as m&ndé emprehcnderá custadas 
tendas publicas da Nação. 

As estradas publicas das ilhas , especialmente des- 
ita, do Fogo, e de Santo Antão, estuo actualmente qua- 



— - 394.— • 

si intransitáveis. Nào se carecem muitas- rabões £a- 
ra mostrar a necessidade de serem melhoradas. ; por- 
que é conhecido que et {as facilitam o transporte das 
mercadorias, economisam as despezas dá producçi-o 
eommercial 4 e. asseguram a& coasutoidor u-tn.inte* 
resse, que nada custa ao prdductor. Ò quadro po- 
r^m da indigência das ilhas, que rèarlama a m&i$ 
se'ria altençâode Vossa M^agestade , apge que Voswt 
Magestade mande melhoradas á casta do Estado; 
convocando-se *comòjo*nal*eifos, d& cada chefe de fa- 
mília mensalmente uma pessoa para trabalhar por 
ires dias , como derrama ent que a Junta contfeten- 
cioq, e determinou, que se podia knpôf sem vexame 
Desde o período de mais de três séculos que estas 
ilhas são povoadas, ainda não tem nesta Capital 
mn çaes, que facilite o embarque e desembarque das 
fazendas aos commerciantes ; porém um imposto de 
I$500 réis desde 1Q07 ha sido estabelecido nests* i- 
lha em. todos os navios estrangeiros para aquelle fim, 
e desie 18?0 ha sido extensivo a todas as ilfyas ; atçf 
agora porém, não se acha feito [coro notaveLprejni- 
xo da copimercio] >*e carece portanto que sej »*&<-. 
prehendida aqtaella. obra com o resultado daquetíe 
imposto, ate agbrá amontoado, que deve t«r.eon s- 
titujclo um fundo equivalente para a emprega efxm* 
dusuo da obra; e que outFosímem Gacheo, ©B5s- 
sár>, seja feito outro càesemçada um daqtieHfesPre-' 
sidios, porque não se pódp, -env razão de serem por- 
tos lodosos, embarcar 'C desembarcar volumes pesa- 
dos, senão em preamar. 



—396 — 

A falta das chuvas.de 1831 a 1833 iuclusivc , mo- 
tivou a esterilidade geral das ilhas, que já temos 
mencionado. A$ ilhas ficaram reduzidas à mais ex- 
trema pobreza* á seus habitantes apenas lhes resta- 
ram as terras; eaquelles que são foreLrosj ainda mais 
lhes restou que pagar os foros daquelles aunos. A Jun- 
ta roga a innata beneficência de Vossa Majestade quei- 
ra relevar aquelles desgraçados forelrosdos a traia d os, 
qae ficaram -devendo .ao Thesojuro noqoelles anãos. 

A falta de ínstrueçào Publica e um dos maiores 
inales, que estas ilhas soffrem ; e seus habitantes de 
todas as cores são susceptíveis d'applicaÇào á% letras: 
pois nem um mestre hábil das primeiras letras ha 
nas ilhas, porque o ordeoado é mui íeuue. O atra> 
zamento cjla Prpvinqia julga a Junta provem pela 
maior parte da ignorância dos seus habitaates ; e pa- 
rece que nâo se engana, porque não havendo ins- 
trucçâo, não podem haver luzes; enio havendo In- 
zes, nâo pode haver o desenvolvimento de idéas. que 
ensina a raciocinar sem prejuízo, ea conhecer o bem 
e o »tij, 

A Lei de 13 de Agosto de 1832, que manda abo- 
lir os foros, acha-se em duvida, se seu effeitoé, ou 
nao extensivo a estas ilhas; e por cons e guinte con. 
tinuam a ser cobrado». Pede esta Junta, Se Digne 
Vossa Magestade declara-la extensiva a ellas. 

Igualmente, que os dízimos destas ilhas sejao 
somente de agaardente , vinho, assucar, milho. 
feijão cultivado, e mais nada, porque estes sao os 
ramosde maior producçao das ilhas. Os mais gene- 



— 296 — 

ros de agricultura s!io diminutos , e outros «stão no 
seu principio , e deve ser animada a sua cultura. 

O cafle, eo algodão das ilbas, s$ò dous géneros 
mui excellentes ; e animadas as suas culturas poAwft 
abundar em grande quantidade, especialmente oWU 
godão , que e' igual ao de Pernambuco. 

A Camará de Santa Catbarina, transportada da 1 
demolida Cidade da Ribeira Grande para a Fregue-' 

m 

zia daquelle nome, não* tem cadeia , cata para as 
Veréaçoe^nenj meios dé satisfarei* aos seus empre- 
gados por finita de rendas. À Junta pede et Voss^- 
Magestadc uma dotação para ella, que lhe possa 
assegurarão menos a renda, a nn uai de %ê®$0Q0réte 9 
deduzida dos dízimos da Freguezia de Sfonla C^tlia-- 
rina, ou da, do Sal/ador do Mundo, * '" 

A Camará desta VUla Capital, empreherttferida ar 
obra de um cemitério nesta Villq, queatè opresen-?' 
tenaoha, reconhece a escacez das suas rendas ; t 
ainda que ajudada de alguma sub.3crlpçao Voiunt&r 
ria. nao o pode concluir decentemente: À Juriti} 
attendendo á proposta dos seus membros, em nome 
delia pode a Vossa AJugestade a releve do pagamen- 
to da terça dqs annos passado, presente-, e futuro, 
ate á conclusão daquella ta}o útil, como incíisp^n- 
sável obra. • ' * 

2.^ Parte. 



Para libertar esta Pto»incía da crassa ignorância 
a que os antijoi Governos por utn bárbaro systemà 



J 



a haviam desbumanamente condemnado, eareeeque 
Vossa Magestade eia log$r de manter a corporação, 
de Cabido desta Capital, cuja inutilidade tejnche- 
gpdo até aos nossos certos conhecimentos f mando 
estabelecer nesta província Cadeiras de primeiras 
letras, Latim, 4a Filosofia racioual e moral; es- 
tabelecendo $os Mestres ordenados que lhes. segu- 
rem a sua manutenção r e que possam attcahir A vi- 
rem do fteino homeas. babeis para oecupar as ca- 
deiras, porque, .na Província não os li^. A Jtuity 
julga que, a pouco mais pode montar essa despcza 
do qvie a que se, dispendia comaquella corporação, 
sendo estabelecidas do moda seguinte, — 

Resta ilha, como Capital da Província, que ha* 
ja dous mestres das primeiras letras : o desta vil- 
la com o ordenado -de 840^000 re'is, o do Conce- 
lho de Santa Catharina com 120$0G0 reis; um Mes- 
tre de Latim como ordenado de 3j5Q$000 réis; eo 
de Filosofia racjonaj e moral 9 sendo a mesma pes- 
soa, com o ordenado de 480$Q0O réis. 

Que nas ilbas do. Fogo, e Santo Antão, como as. 
duas principaes ilhas da Província ^ haja em cada 
uma delias dous mestres das Primeiras Letras: os 
das villas, cabeças dos Concelhos com os ordenados 
de 12Õ$000 re'is cada um , e os do interior com os 
ordenados de 80^000 reis cada um ; e um mestre 
de Latim em cada uma delias com o ordenado de 
240^000 re'is; eera todas as mais ilhas, e nos Pre- 
sídios de Caclieo, e Bissáo, um mestre das Primei- 
etras , cem os ordenados de 80$000 reis cada. 
Uin, Estabelecidas estas cadeiras, e" cuidadosamen- 



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Descripção geral de . 



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Advertência - , * . - - » • . - '" * " ^ a S- ® 

Discripçâo geral das ilhas - - * - » 1 

«fj.'. Ant|p .- .- - :' .* .? -• * * ■! - » M 

§.. Vicente * jr r : *■.;?.---- * 32 

j$. . Luzip. - * w .r «r rf" - *• «p f * * » ; /3* 

Ilhote Branco -------- » 35 

Ilheo Raso ----.---*-- » 36 

S- Nicoláo --•-«--«*- » id. 

Ilha do Sal -------- - » 4& 

Boa- Vista - - - » 47 

Ilha do Maio -------- » Ò.4 

Santiago -.--«. » 60 

libado Fogo [S. Filippe] - - - - » 79 

Ilha Brava [S. João]- - - - - - » 89 

Ilheos do liombo ---»*-• » 94 



Descripçâo geral de Guine' - • • - -. 9 * 



95 



— 398 — 

té vigiadas pelas authop idade v a quem avLeis ia« ■ 
cambem isso, jalgá a «Tanta, que eni poucos- anãos 
melhorará a Provincia inteira, do mal- da ignoran-' 
cia que tanto larnsntaaios , etidoo mais melho- 
ra -á á proporção. 

* Para arrancar as ilhas da miséria etn que se acham, ' 
julga a Junta, que não ha outro recurso, do que 
Vossa S M ages tade conceder-lhes a urzella franca , 
e livre, impòndo-the o direito de 100 réis em libra, 
ou quando muito o mesmo qaefoi imposto na das 
ilhas dos Açores, e isto para os que a despacharem 
para Lisboa, ou outro qualquer porto* de Portugal; 
e duplicados" direitos para aquelles que a despacha- 
rem para portos estrangeiros; e que jamais possa 
ser exportada senão em navios Portugueses , ainda 
para portos estrangeiros. Concedendo a estas ilhas 
Vossa Magestade erta Gr iça, as arrancVtía indi- 
gência, em qne vivem \ eliicra o Estado com o àug- 
mento geral dás ilhas, "que podem aSundarde outros 
géneros, que corno accessorlos attrahem navios de 
Portugal ho commcrcio dás ilhas. 

Além disso, para animar a cultura das ilhas, a 
Junta julga mui efficaz 6 remédio de Vossa Aíages* 
tade Mandar ? que todos os géneros delias, qije se 
exportam de uma a outra, sejam livres de qualquer 
direito. E que outro sim os géneros aqui importados, 
vindos de quaesquer dos Domínios Portuguezes, aonde 
tivessem pago os direitos de coqsumosejSo aquilivres- 
A cultura do Tabaco destas ilhas, aniquilada pe- 
la inlroducçâo do estrangeiro, carece ser animada, 



tia» wHr-** 

impa»d<w«ao«twmgeiro odireKodelOO réis em ca- 
da iibtasendo em folha, el90 réis «ndo«m estriga. 
Os habitantes da ferttt itta de Santo Antào, flue 
produ* anil, tabaco, agaatdeate, vipbo, milho, 
caffé, algodão, batata , feijão, além da grend. 
quantidade de unelta, lamentam a estagnação da 
todos os seu. géneros, sem poder extrahi-lost e es, 
ta Junta implora de Vossa Magestáde, Haja deli- 
vra-los dwte mal, facilitando-lhes algum meio, com 
que possam haver pelo que lhes sobeja , o q«e lhes 
falta. Esta falta faz aquélle povo iodolente, pregui- 
çoso , e por conseguinte sujeito a contínuas fomes, 

Além de todos estes males , que acabamos de a, 
pontar ? lamentamos o abandono das nossas Posses- 
sões da alta Gutrté. Todos . que as conhecem , ad- 
miram suas'bellas posições, a fertilidade do seu so- 
lo , as vantagens , que ellas oflerecerem á nação in- 
teira, e o desprezo, a que se acham condemnadas! 

A Junta se linúta a respeito daquella Comarca a 
dizer , que «* nação pode delia fazer um novo Bra- 
sil; e pela posição, em que se acha collocada, pô- 
de ser ainda de mór vantagem. Os estrangeiros, co- 
nhecendo esta verdade, (que entre os Pòrtugtiezes 
parece até um absurdo proferir , ) suspiram pelo mo- 
mento, ijue as kbãndonemos, parátomaYeiíí delias 
posse, domo' tem feito com muitas outras que pos- 
suíamos na mesma Costa, das quaèVeslâò tirando 
grandes interesses', e procuram com «dlsvéló tne)bo- 
. fra-las , e dilatar suas acquisições. 

Conclue a Juntei' desta maneira a consulta, repe- 



tindo, que a falta; da? luxes não -a : permitte rfoxérkt 
mais dignamente; e protesta. ser exacta todaja aai> 
ração que faz das necessidades da Província,; eroga 
a Junta a Vossa Magestade, f Se Digne lançaj. Sua* 
Vistas sobre ella, porque é Btidoeptiyel dd todo o 
melhoramento. -*— Yilla da Praia da,ilhfi 4e Santia- 
go de Cabo Verde, 18de Maçço 49 l8Wu — Antó- 
nio José Silua, Procurador de/San to Ant$o. ~* João* 
Gomes Barboza, Procurador eleito pelo Concelho, 
da ilha do Fogo. — Francisco Cardoso ,4? Mello , 
Procurador pela. ilha da Baa-Vista. — • Ambrósio 
Gonie^dfíÇar^aíbojProcurador pelaVilIa da Praia». 
~^ Manoel António dos Santos, Procurador da ilha 
de Maio. — João José António Frederico, Procura-? 
dor da Cocnarpa de Guinei — Jo.aquiqi, Marques , 
Procurador pela ilha de S. NiçoUío. .— - António Pe- 
relra de Borj^, Procurador pelo Concelho de Santa 
Catharina. — Luiz Autonio Fortes. Procurador da 
ilba Brava. 



, Constando-Me aohar~se suspensa n,as ilhas de Ca* 
bo- Verde , e pás de S„ Tbomé e Príncipe j desde o 
anno de mil oitpçentos trinta e quatro, a execu- 
ção das benéficas providencias do Alvará de dezoi- 
to de Setembro de mil oitocentos e onze., endereça- 
das todas a promover os melhoramentos ruraes <te« 
' qiicllas possessões ultramarinas •, não porque tão 
util legislação tenha sido revogada, ou alterada por 
l«iis» p33 ter i ores, mas tão somente porque depende 



— 301 — 

a soa effectividade das Juntas <le melhoramentos de 
agricultura, compostas na conformidade do mss- 
mo Alvará , do Governador e Capitão General , do 
Ouvidor Geral, do Escrivão da Fazenda, e do Juiz 
Ordinário das ilhas de Cabo- Verde ; e nas He S. 
Thomé e Príncipe, do Governador, do Ouvidor 
Geral , do Escrivão da Fazenda , e do Juiz Ordi- 
nário, têem estas Juntas deixado de existir de facto, 
por haverá mudança de designação de algumas da- 
quellas aulhbridades suscitado, por ventura, du- 
vidas sobre à sua actual rrganisação; e não deven- 
do um tal estorvo continuar a empecer por mais tem» 
po o tão necessário fomento da agricultura daquel- 
las férteis regiões. Hei por bem Ordenar, que as 
Juntas dos melhoramentos da Agricultura, creadas 
pelo Alvará , com força de Lei , de dezoito de Se- 
tembro de mil oitocentos e onze, continuem no e- 
xercicio de suas funeções nas ilhas de Cabo- Verde , 
e nas de S. Thome'e Príncipe, sendo formadas das 
mesmas Au th o r idades ; e entendendo-se , que aos 
antigos Capitães Generaes correspondem os actuaes 
Governadores Geraes, e aos Ouvidores Geraes, os 
Juizes de Direito, ou quem as vezes de uns e outros 
fizer. O Visconde de Sá da Bandeira, Presidente 
do Conselho de Ministros, Ministro e Secretario d'-* 
Estado dos Negócios Estranjeiros j e encarregado 
dos da Marinha e Ultramar, o tenha assim enten- 
dido, e faça executar. Paço das Necessidades, em 
em vinte e sete de Dezembro de mil oitocentos trin- 
ta e oito, 2= RA IN HA -nViscon4ia.de Sá da Ban- 
deira, 





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ftahalbo brfiB^i as invéfjçlfli do«spirito ? a 
itairâ dai t<?rr*3a a a4miiMs|r*£ãg 4** a\ai>ufao- 
>,, e o c^ipnipi-jçíade^rQ^a^^tte «s jfajhpeotpe** 
., í*e« tfào <?s prií^ipgei.raiBO^ 4ç> ireínc? com» 

tuftria d?*ií»a n*$ão. ? ,. : f .> , 
!e procurar-mos eexatuinar-naos qualquer deitas* 
\bejn&*% ilhas <te Cabo r Veí^e r apense ackareufos 
Vp.jq^I, ^ap#*reiHjjas dg iod<* '*&o. Oftpo«' 
d« Guine são selvagens de mais, para d'este Ia- 
>s an^lysaf-mos. ... 

de Jspla^meqlp .^i ^^e e^bUfQ ,£3*9* poyOAr . 
43 pouca ^qi^iijaenhvfp^a idyça .das, pr*ci$oçs e 
.tzioJidadtti feicgs, se. wo.sniçQitçftu^^alU.Mtí»'* 



ias em abundância. Entretanto as manufacturas des- 
tes povos, £cipiMerftd£ r 'la''*lMr 4af& ^tnstrucçâo 
primaria V dáftarídônd mõraT,' éfu^que tem "sido dei* 
xados pela Metrópole desde a origem da Colónia , 
fazem a^nirAj o^obse^dpfr A iodus^ria- n*este 
paiz e'* ifrmtfe i á fe ii ito 4|ue ysràl mente "ae- wftpoe em 
Portugal. 

A* fora çapateiros, alfaiates, ferreiros, carpin- 
teiros, pedreiros, e outros officios, observamos ha- 
ver n>s tas ilhas qUé©"lírt>fTcasse pannos, tecidos, 
cortumes, sal, assucar, melaço, aguardente, sa- 
bão, louça ordinaiia , anil, etc. 

Examinados porem particularmente estes objec- 
tos, vé-se quanto a inAustrté n-este archipelago de- 
manda de melhoramentos. Dos officios que deixe- 
mos dito?, com quanto haja indivíduos que os exerr 
jão-, tf sçaieâtfe Ml Vi tia da ftfltía terft Sd*Ma$»;' 
60» 8ad4fefr«fe BttMtitit} et* SantACrnz «feS, An* 
ta» r * rf&p&i&Hfio úá ilha Btá*& qm se en<&n*< 
tromv v N'*tf!tf Hfea hà bafetdtiWs' carpínUeií^s de 
cazAsr«<de wlteát<Sti$ò& , Fòttugktíto** a+U estabele- 
cido*, ou seus descendentes, mi&ès» 4ftt& os indi* 
gtsrtat. , • • 

c 3i'estai iiti*,: eomo há da ÔoaVtoa ^ faaem-em-. 

barçajgdes d# Sé -^- 30 fon^ltoda*» qt* obWam L»m* 

* . ; : ■ : . • • i : ■ • ■ - • . - 

* Ainda ha poucos annos , o numero de todos os ho- 
rfÚàé' âròfflàtà 9 que existiam' na Capital da Provi nc ia , 
etfHaVaidíé uífc Sâíbeilrd / í ^e« Waíates , dotis çnpafriros, 
qttatr^pe&élm e (piatfo éátp ínsito*.. !Tent3o< para cá 
teia áfcgéíènlade todavia' éoirâdcwtlmetite* 



Pa^aio? pow% ^p^ufi ^quet qg. gtrtd Uw- qbreí- 
ros não podem ser classificados mais do que como 

também então p^Kes^iplf^^i^,^ ,, ^ 

Além da falta dos diversos qfficios, oppôe-se mui- 
to a que se possão em^^^cr algumas obras, o 
excessivo preço dosjornaes, por quanto a sua cares» 
tia atl^je^ta, ojfo só. narj^q. 4a$s$afssz dqs obr^ r 
ros, çoipo tambeffl dq^qrçgç, o limitado trabalho 

rs. por dia, não faz mais :obya- neste intervallo de 
terjipo, do que íarJA, orr^ um$ hqp qualquer carpin- 
teiro tf *l}a|baníje regviar^eitfe : o que ^ exorbitan- 
te, e^foçipa álgutç^ se compadece çom a bara- 
te ?ft dos yiv^re^ ^F«i q ^ov f «r^dojr Ch^pu^et que 
n Jo sa^etpq* porque a|QMvo^ ley-ou aq tjriplo e rpais 
os ganhos (jetadp* os Q%io/5 ( mecânicos ; couza taç* 
to n}jais,d*e$tranb^F| que t^ap mesrrio terupo en. 
tre j^âq? principiado ajggtqjis olpjas òjq Go*er|io % 
Alajor beneAcio teria s^idq de cçrto gara a Provín- 
cia^ ^errse formado com $ djffc fçnça dq ajiiçmento 
dp salário, utna çorç^aj^^i d*artifiqes 9 que pi^opor- 
cienando aos oa+uraes uma efcola pratica de officí* 
os , se não sentiria boja erp (malquer; empresa tamá« 
nl*a falta. _ 

Assiqi a culpada de não haver em província tão 

***** ^ ** _ i& * * 

vi&inha dç Portugal f bojas mestres dofpciosj e a 

* ■ ■ ■ ■ 

geral apatlua dos Governadores. Tinham os pas$a-, 
dos mais dados e meios; tanto maisn um paiz, a.on~ 



tim Santfegt) e eua S/ Amâo ât.fabmoaflfr tamtafn 
um ptqu&X&p&ttixx mpt)bk) chamado*] tftígvjfuh 
qaetertl» muita <sk tracção' 0*1 Gume» No Ftfg* «xw. 
cedem na M)rka de c0)*a*y qMe:lw0m.d%idijirf|rfaft. ; 
céfé*j mbtuftmdfotafr com *à o\i «^i& Yi^arm»j}te 
ahlda comi seda. Tcw|aw* lodos estes prodMMP£,pfl|* 
insufficiencia dos teares tem preço muLattfaído, aífpm; 
elle precária sahtda x . O Sr. Marcellino da Costa 
Resétráe ; habitante tié Sfcmtíagtav .tratava* t&tijilt- 
menté #e eatobétecer em ponto grâríd^ unta fabrica 
destes teèidos , feitrys em bon» teores y.oxahi os. re- 
sultados que por ora ignoramos*, sejâo feliz**; • . . 

Antigamente era prtíhioida a yimda. destes. pa,neçs 
para 'fora, da pmvinrct» ; * nâo. sepode explicar -o 
motivo, a aâoser, o não se ter queílido pie ca&0{ 
pensado fazer progredir esta manufactura, efw ; 
cotisequefeoia un^ranía o? industria tâoJ4tGj&tipp/<e?n 
razào da sua* exportação parta G*iné, aonde ha 
pouco ainda se exportavam annualmente .mais de 
cmco witt pnnrtos. x 

-iRobcrt*' qne patfa :um: íogtea escvtve* com muUa 
h*a féa impárrial4dade, chegou a dizer, que até 
aos negociantes In^Iezes [nâo á -Inglaterra] feria, 
mais conveniente , comprarem allí 09 pannos para 
o negocio em Guine , do qite em Inglaterra mes* 
rao.~ • - - 

-O Governo deve portanto, apoiar eprbtfiger a cul- 
tora 4o algodão, e influir vigorosamente paisa o mo- . 
lhoramerito deste ramo da industria. Ate tendo jâ 
estabelecidas suas oficinas 00 Trem, coj&o. veremos 
em faltando do Estado militar, vantajosos ensaios 



e -p#r&içOaii*eiito* je pg*lef i*rt Mi tenta* < 'Havendo 
awdla, * «riMUi * *«6rM- pr«4uo|ões aaijuraes que 
pessap st*1rir par* Untura 9 - 4 tt » um t*m*kh«nU* es r 
tçbeWcirot**^ *tu e n> geacttal iraria» **tfr* ntgw*., 

Como actualmente o anil é a unwcn tinta que 
allí sabem preparar e usar, ramos agora exa- 
miftar, ctwnq ptoqefem neste fobticof, e que, fcg*r 
po4i^ «*** fecMla oqcupar aa iudustría T uma vez 
que\ foasç befft qa^pi^ulada. , . 

i \ 

3ltttt. 



t 

.r". 



»/ 



Ind/fO. Ha 'mais. de ISO juukm, q«te se cerne** 
ç*a a cultivar nestas ilha* a anti, e ensaiar a sua 
raaitiptikiçSsò, O Oovernador D. António Salgado "* 
regressando d'esta Província a Lisboa, trouxe uma 
amostro , a primeira , e que petos ensaio» foi julgrfda 
rnsufficiente. Foientào que o Governo de Portugal 
ordetooa ao Governador Gonçalo de Lemos Matea-r 
reftttas y pélas carta* Regias de 34 de Maio i # 30 
de Dezembro dle 1703 , para que se retieihessè a *c* 
va estando sazpnadíaye se manufacturasse ò anil; eni { 
tampWs, <íòm flegulavictactee triethodo, ;e'annua*Y 
mtttte vemettôsse as ainosferas y. tudo poreotita da 
Kcal FaeenJâv 

As primei r?á amosl lias sendo & toda más, mandoir' 
o Governo, que dirigisse a fabrica um Miguel de 



Gol tons iJFrMioez' resichttto *&im% >áe *8; m<sè>Vfo. 
[^Ittiramr^wíkíto p3 m-^ias <pá*tf cfetábetecer ^hvfor* 
ma- uma* febma fegukir ; è ^Gdtfcfnlídd* ftfpíe-*i 
sento» entao^qi»* por ^ta^ile^tnftios pèettfiiârio&V 
não se podiam construir oa tanques ; e que áB^&rôá* 
incumbir a empreza a algum particular. 
* p <■-'.:* .. .:• : * i í ru; o »ín>ii'l;i '•■': o«k/) 

lima Carta Regia' dé 19 <fc JtoktQo* d&t70bt?*êè& 
termina que Qualquer jbessofe qúe binjirènfertxlessè es^ 
te fabrico — seria remunernaWphr^kfevb trabalho'' tdès^ 
pezas ? com a especial graça, de isentar de lodos * 
quaesquer direitos de entrada e sabida, e dos emo- 
lumentos dos Officiacs aYíAtfrindcga , todo o anil ^ 
ou seja navegado por conta da Companhia do mesmo 
estabelecimento, ou seja remtttido ã consignação da 
Junta da adminiUrQú9,oid*tll4>, pçjw >i#is xefyfiçti- 
Wt fabricante* f, e tem *r^t£& : dejqpfWHptàrjhytt , 
rtgvlatmntQSii <3^ojfyqcÂi>QrdAi&* W wfifaÊM^i W^. 

i.A pe^ír/id^ l^aiaiíl(iÁ»YaR|figern jr&jfl&ufenx porém , 
terçou* d<e«tpr^»íiw 4*ttd* •$epQÍ*M$'itò&.Úi#Ml&.- 
ep0çbútf_à&SiiàQAo$\lZll<Q 17171 Atitamos* íer-*e jkra* 
bôtbadq no Wiil^ pDr cfcnta do po^rno, H^via U*m* 
teai á fòra .érta» foferka utna;outr*\iajihô:díe & An»; 
tio? rta «ibeira do: PauJ,.estai)^lejrÍ£b. pelos. Manque* • 
zefcnde? Gouvea^ufefttôo dántittàpifes- da Jlfafi. • A.pri T 
moira* situada afcgjdad* da Iijyb«ira*gra*d6 de S*n- * 
tiago, veio a extinguir-se ; e então contigoou; a de 
&. Antíto pòncoéta dar Real» Fazenda > .jpeia.QxIiti- 



>çâtr*iartcal£ dwr-doaâtaribi ifaTiUiajf « confiscação 

do* >9eus' beatftf *p « [N-Jrírçj fíífrr-n -.:,••* í ♦ :•■■•* n- ,, 

♦ »• Mâo?p4d*in*tfncaii «dbion»*rcár cont«fca€ttaái«*jo 

^ermíxída^^uft ex^tencia/O) raoil^c^de «e atandoái- 

-r^rtaddtil^diuas&ánic^^^ír quedem raiio^dos feios 

«>ethbd@i» taftrójpa c^tpraf comp BofabridavifUM te 

obCinha^ $e iíuò ^*pecles dfaml ihiiko ^o»di«ttirkí , 

•qrosi}»i**atoT cetgunr nos irièrcdéo*.- A 'fabrica ^a 

th^kst dtfnP&ui de #. Ã^tão, consta fai. nomeniesde 

4o«ftilmiqpe«ai)ai<fettf0s ««panas *étocado» com Qf l 

fknr dé*iti*cíçtâBíípeque«cpf<jueTa)âòí4aíaaip »fftaife l ide 

^ocb^Tftfbaanpor taticada^ ^ n'este iUfefealfco/ t$m- 

pregavam-se 31 homens debaixo da inspecção d'um 

^iioitufce^hcTfatándo Misto 9, do onfU !TitfíIor.*r*r, nláo, 

*íeutaim\p«wfilia *\ a jawstiiYí <)ite*txÍAte tojé ; ft T*>- 

^ll^tía iguítiíbeBtoy^poijrGoi^ayíím fe planU^o &*z 

-dJ Agosto^ jttqto^í rafe*!** «ápirâpa ,fi* i£An£44*a 9 

iinjjstorçnd^a^iblbasoá? jplanjtsr ganir. $) ftettft t *ro*çfls 

o*edijm*w;«waa,.íl4o fo^rioei-n^ lactai £atforjr0fK- 

raçâo que era feita mui, toscamente* <ri^inga,va)i*ffca 

•granld@r|E>c^£ÍBaí icM míId-iíAMui; do qMtf, «Ãjí^per- 
^e»ídiW^ ttr. ^^\qi^;o tal mm&fw* çooi^ei 
ifc iahattèr e^&HWpttjebjir . 4* e^^ne^^tãp. \ W^Í?H« , 
<*j<prça§^oleftte;bfti5iii^ de >alf«j^r a aó? £Ri f#3U#^o 
í*tfâ^<ÍOi.a^t&«l/i -, -vi iwyn» ,*» ^;;:..í.;:t j .<> 
hk*. oí jL';«iríi;í i-.'r» o* n ^: i{ - «i-fii:- r:'|» • •..*•/.♦<:;.* 
M9q àv.í ~ .« -oÍM.;oí)fliii;q #'»v. lo. f ei^L-i: q ♦. í 1 oj 

* Esta fabrica existia ainda , quando João aa Silva 
reijfo, mandado, em comissão scieUtmca. Artsuou as unas, 

*H(ff,l0i 9li!>èV- '• «I *•:<., ,'J #i.. ,od&LJ r • • '• 

e ella faz o objecto da sua memoria — Vej. 1. 1^5 das 

Memorias Económicas da Academia * 



Quanto a rpá adníintttfwgi*, «atito ttítoatett». $a 

cuja sombra vivia muita gcntc3 e (Knugj^ytjowb- 

*itmta toda o rendimeotoulii» dbâmaaidá Ribeira do 

lífiuii, -recebendo além ,d'isso um 'tóttâo por libra de 

-anel qdeeBUBçai9emv)A(3r^<^tò)ài»ttfbstah€Íaa ka- 

^iàóraUafauóutraa qoe Dão: pKkiíàoiideíaaí d&daf «ca- 

«t*> étUte ^stábelEciíneíTto. J, da-Sihra BeiJ0^àot*in~ 

po qae : ett«ve nesta Prmrnriftf jfe iv4fiiaare*periep* 

ícHaSyíeai^cu^irteiritadó-olttev* ú&iAutáímémtm piQ» 

pato* ^ aifcf.soáào usadjosj, tóplièada* ^paatia» de 

fanit -d* qtwlèiadaíaiMii^ »fc> 

-tftftoítt fteMica* >nin$ u&flhjdBW accpsa* J*plairtay*-*- 

iím'*; t».~*r '.*:'•.! i 'J. ••'•: •••'• í.f • - : Jy oa-ií í- •••;. '»4-j 

<• • Gofttta ^«rttóaVptn- «Gasta Règcá -da 7i xle Juíha <fc 

17 H * 4|ttè tán Paulo Gonm <U jfóra*Jjànàe*t*- 

tel&mtitítáu dai ilbas^nmá fabrica <fei*nd, deqde 

• rafeie4t*& tfttia potção par^ Lisboa., pediado cpáfcfr- 

•Wtt*p»'* Governo tinh* ftoroeUrde^aos que aug- 

-tttetotafetòm tstaindaatria , eak mnoseroçíu* o posto 

!N f u«à Aviso datado de 41 da Jwlbo d» <47Í4* di- 

figkló ao fetfÉSte' 1 Governador; Jowpúm Salema de 

gatêmih* Lohé, referiíftkHseis f&orçBei dó anil fia* 

brteádd tia Pioeineittj 4 jemattido a Liiboa peto 

Companhia do Grão Pará e Maranhào, aèfeoifee» a 

observarão que ainda que não era fabricado com 

toda a perfeição, todavia purificando-o, ficava per« 

feito; n'este mesmo avjzo recpmmenda-9e aoGover- 

jpador o zelo no aujmento d*esta manufactura ;1 rf 
ipêttendo a Lisboa à* maiores porções que fora poa* 

sivcl fabricar. 



~ \fâr*abeentfc *.olt«n^.^«lat|va de H»taM*c?r es- 
tfcmanráatfura^ f<*< w* gpv^jw,dpj£^ad<$ito yijflo 

dbLjftbfte Ch«!pHtt/,.t>YeÍQ pa^a^^m/á ill* de 
S.^i Amolo £m% Ma\tritw> rçaturid de Xitrinf por£m 

-íftriíaiiA^ os tfirraiws áft tFw&efida Real* <jue «Wtfs 

lares, e encontrando vario^^^r^y^,, e fa^ta ^ie 
*«KnkepnnL 9 foi K)fctfiç9tfl<> * 4**ínMr tdaemprw** «que 
tfettd* a eifajfc» nju iftfeliat .poftsç**^ Çrapçeiaj o^o 

iliias ; porém é a única , tinta,, 4ft flue H*W HW J^P- 
«freiai** *m*,pfUM*aê,; ^ : u\i;^q ; ^uem ^ip, tpàp os 
^egro44*iCiwiMk '«TAfijft*,**-'./ ,.,,, ,- , r :J 

<oÀ>pai»taip <** gratas Ms>494MWi4p W^4 kn* v ?9 
«s fejbda íqj»« lbô$ ipar^cf^a tpelfe9jre*« fl?pi~,liMn|o 
-Miard&ey í^^a^aj^Ila^s; chegando ^^2^<> fW^ss 
<p* arfoíhar<priti«ípj^a tí<HHW»Uíff % . ^i^m-a^>p 
p&ãa 4e>Agpietf;iífcjr*vA, soiwk * qaftelmcajw; «té $• 
«ar iem fftitfft»: ida q«aA fç^n^ip^jtt^n^. pâ^f,, qge 

para não apodrecerem. Estes pSe3 ou bollo|,,qu#}jiijn 
->ltoW-*Utftf!^'^ », u^efi-qs 

~**R tmasr^eiteiprjlte <m jÇW* ^guaff^.^^sta(u4o 

•*fo4e<4A*,;j > v ^e **w r^í> w*wtoik9tofi.;ê* 

^ráo. 4a) íbrç^^dcfst^ VtKÍvÍ4j. fo^endo.sptírepadijr 



i % • 



Ifr— 



Uj 

í» 



*•■ Algím» '£Ôèiô£atodk bratea* fiá 'foda ddí*aa«,iiwfim 
de' fáfctír à àg&<tfe <*rtt*v «5 «ii» facHittaúà. rfermwi- 
Vaj&& 'A<VífWiiaa^<^ «fcfcdgutów 

"lífegtfcaíf^á-íferífà í*á í{ íiMa ^à^pVecisàui cAoffim.de 
^èf d!ó:é, de* 'tjia*£flWi»ííW ;fcs primtot .x>it*tt;te- 

* ! i*F tf éiiblíq^<?qt*"^^' , *» , ** i,IÉ exinf«iinbs 
'^uè qxxéièín 1 fíttgtP^éPttmá -*friCÔfi|^ cdinÔ* a» Jtariét 
ou Oráinarioi. Se os pannos devem ter d%çs Aa3o 
mais escuros , cozem-os dous a dous , como saccos, 

•«ô^Sb^Hi^fiji^eriiídtfr/ ií'' * * <^~' -í < r ^ 
*° ^íltl 1 ift^tós^iííveY^és-p^oéelJèéi^aíJo* par*>a-%- 
tracção do anil. Na^esia^o Ceteí&iftfeíy 'taifco 
no território Inglês , como Francês? , ninguém o fa« 
rfcHcW ctitn ^*fô«* : *érdel ^AlU':eíii^g«ttiior.«A5Co: 
^'e^esfadtf v +èti <3 arai! >á* +Aoé- dwfakrièahUi , 
a í&HL ibWòncefeW ^uebraAtfl^fWèif e*p«eçPHÍ'»ift- 
r «à fxir 'fiér «a íw> ' àtddr do sol*! ítfdepp w <gilaid»a**> 
•^ór^itote *'quátr& tferas em alrtoaxensbém «ctof* 
^èbbert^ae^teftlà^iEft^ntã^qOe È>rin%ípilini"AW*- 

«T-<Rfr#! a táfusâ* dás fbRias quelrffedffs etíi qwíro 
«ÍWa^íd^tiaj' * depois» de a pas*á* pQ^tfr t«c4- 
'€fo^rfcb«è^Ho'Arpèlte de* riabky daspeja^pwa 
^dil^fetíííUe; : tóba«ntóé bHtfidte#o* UebWchè^se *&• 

tèWtymVfttámléÚúas hwas ^ »«tumttdòift|e iffl*ia 
! éknadâi(Faèliá aécal-pái-à 1 ^ fibras de foíha; as- 

sim deixa-se assentar, decanta > lava o precipitado 



— 17 — 

J]'tima pequena porção d agua a ferver, e estende-o 
sobre pannos. 

A fecjla colofante uma* vi?Z'esgottad a, imprensa* 
se, e divide esta pasta em pequenos cubos dçlres/Jn* 
ças de peso. Jbste anil e ordinariamente compacta 
azul claro, com certo brilho de cobre, e gru- 

moso ria quebra , J aonde também apresenta ai ir una 

,". M ,» T ..-, .< : "i. /. . ,-. • ; . , •• 

pontos brancos, e as vezes bocadinhos da planta. 

* Julgámos que por ora, iio estado actual dfa cuU 
tura deslá indigofera no archípelago. este methodo 
de tratar as folhas seccas,ó preferível ao usado ain- 
da hoje allí com a planta verde, como também se 
pratica no México, no Chiatimala, e n'outras partes 
aonde este fabrico já emais aperfeiçoado. Nos tam- 
bém lá poderemos chegar por meio d'uma cultura 
mais cuidada; porquò então a planta elaboran- 

-...•. * '.li ,* ' , , • • • ' - * 

do seus suecos com uma força mais activa e con- 

forme f a natureza dosieus produclos, será mais 

*w'"i '■ % '-'i't>": -• » *"',í* y •'',-•- - : ,' -f * * ; ' -.o 
rjéa eot substancias tinctonaes, lendo menos priri- 

,cipios mucilaginosos*, ciija decomposição durante o 

fermento - altera consideravelmente o anil, e absor- 

ve muito em dissolução* 

A fòliía verde exige pelo menos quinze horas de 
•- -•<**" ) ■}• .•!>•;< ■ - -- 1 -jCíj. • . , ,o: y . •? 
contacto aom a agua, quando a tolha secça larga 

quasf toqa a fécula no um de cfyas horas. 



' J -«•?,»* .*.:** i 



Quanto a arrecadação da folha nos armazéns, co- 
mo ha accrescimo de calor d alguns grãos sobre o 
ar ambiente: formam-se alguns fluidos elásticos, 

como o acido carbónico, gaz-oxido do carbono, e 

f 



~18 — 



/• » • • * • 4 



~ . • . ; • . s ^ *.» , .- j J t • • >. - * . • • , % J *- * ';-'•• • 

nydrogenio carbonato, e então ja se estabelece o 
principio. da fermentação. / 

"' "No JBgypto extrahetse o anil por, um methodo 
aíversb, que junta á sua singeleza e economia, de 
não haver nenhuma probabilidade de perda. 

"À Folha logo depois . de colhida , cozem, durante 
ires horas. Alguns maceram*a somente durante 
uma hora em a<nía elevada a temperatura de 7Q.°, 
è depois a infusão segue o methodo ofdinario, 

., - í . * , : 

t '»•••«..'■.;»- * >*. :«'. J • .. ) •'• .'«:•.. v. * »í 

Indicamos dpus processos usados em diversas par* 
tes do fflobo , porém sendo o nosso fim con tribuir 
para a utilidade, quanto possível for a» nossas for* 
ças , minuciosamente vamos expor as operações que 
se devem seçmr n'este. fabrico. Talvez .serei taxado 
de extenso e difuso, o que de bom xrrado levarei 
se tanto nesta , como outra qualquer colonm Por- 
tugueza , alguém empr^hendèr com successo este 
trabalho, estimulado por estas ainda que fracas no- 
ç^oes. Tanto mais que .este ramo da industria colo- 
nial , pelo pouco fundo , capital e primarias despe- 
«as que exige, e' preferível no meu voto, princi- 
palmcnté nas ilhas de. Cabo- Verde, á qualquer ou- 
tra indusLri.i fabril, como p. e. è o, fabrico d*aguar- 
dcntt de canaa^ 



;v 



'Asshiif fiaftl ètot ! titia fafdlgoana , bastam dous 
alpendres : uni destinado á fabtfcação , outro para 
íeccar o anil já feito. Debaixo do primeiro se coU 
lòúam J em^guirriento é jiiritoá, ft-es caldeiras ou <an- 
qiies 9 dispò&os de maneira que' a agua por via d* «má 
tfcrneírà possa- do ptf oleiro Cstíòfrer lio segtfndo , e 
d f sstcr ^étfa o último, O' primeiro chamasse de ano* 
Ihadelro òu' de Infusão; ô segundo e obaUcdouro^ 
aonde a agua bái^re^ada' dé moléculas > coioranles * 
o«e*a fctforveu no tanque precedente, 4 fortemente bat* 
lida^ Fina J mente *o *er ceita é o [aepasoih] cuba do 
aticnto Ao pe do muro *qúe separa este tanqup 
úb batitrfour&y e aonde elles 9e communicam, lia 
utaia pequena caldeira chamada baeta ou ladrão [du* 
atdTitf] que tem 1 geralmente a forma d*nm cone tron* 
cadò voltado. Collocádã no plano ààcuba dt anento 
por cima donivel do fundo do batedour o, è' destinada, 
pata receber a fectilà qde safaé do secundo tanque* 
O dctmòlhadciró tem geralmente uma forma qua- 
drangular de treze até quiflie palmos* de lado sobre 
quàtfò de ftmdò ; : o plano em quê assentam as tinas 
deve &er inclinado para facilitar o escoamento» ObaU 
ledcmro dever sef mais comprido dor que largo, eOseu 
funda quatro palmos e meio abaixo d'àquellc do.prí» 
itteiro tanque? sendo umas seis pollègadas superior ao 
ultimo. — 

■'■ Â' mádida qèé se cofta a erva, [quèrendo-a 
cmpr^faf fcm verde]' iança-se no dèsaialfaadeirb ; es- 
tando chrfío, dei tá-se agua até três pollegadas por 

cima d^ fofhô : emtomo das faces -da cuba se le* 

3 m 



«•"— kT —•*' 

vx^a, ^ .tapume & FMf&f»?, Wft * l Pfi V a MJ?!*" - 
*., quando ern^^dp fer^eijtayuP.aug^ep^^g 

volume* ( -. .. '.-■ ■-■'- o// >,*'• *'.i ••■ * vi ;-•. í* *» ° ■»**;'.•••• 
lha* d'ar. qa«^ wt*Ofc <1° $»B*>i P «reífln^^pijWr 

*i»V.aM««ttM>. do raaipr > grio ^ ifomft*fft>fr 
apraòirfá^t» -reflexo, d* eçfej& , «o, ; ferUlM4tf.» 
flue, porém em! taeV^çejfe ta&r>ft<uPA «gmadii <a* 

ígqudtf parte «bioptf «SÍ^í r~ ra Mtafr. §#P taifcpsivo 
Tpt-oprip.yftws-BQ o ewaid** sondando t o, tertqsfc^iato 

f [o ; <*us apresento, o .fort^ fOf fesutaje. precipita: w 
>íu*k1o <fo taçn* fór-mândo «gcà?» .feefe egniftastíl* * i^f 
p momento íio esgpitar ,0 .{^jrçeiro .:tQ#i()uef,.**nf:ta 

o òaltcdnuvQ. >A 9gW •&&$&&&> &#&* ^ fu- 
rada , boímí a^gu^rdeaw.d^ ,CpgiwM3. .£4* insta* 



O 4^m.po isendo quentes ^MW?aQ* à*% ^é.flwtf 
*o*a* chegam pam.conipl^ar ftfeim^a;«f %teW 

ha mais. — 

Wo que a agua passou do desmolhadeiro para 
o segundo taaqup , <k v * JwWia^jneate principiar 
o bditer^JihitoAto «s-mçioft tfsados . ,pftr§, ptiajun* 
o meilior tlinoui* ecofiP&W *< 4 :W ejxo.^audo 
<uíra-,patniot^^devmad^Ka^ ^Upogas cirçul/umiíiUe, 



— 21 — 

e posto em movi meta to por um fio d*agua, ou uma 
ihánlvellà! Esta operação tem por objecto deéggld* 
merar e granular à matéria "colora n te , que tinha à 
fermentação desligado do^Vecido vegetal da planta, 
e sem parar Irei ou quatro horas, ate que oii- 
quido deposite na tassa d ensaio grãos v bem for- 
mados. 

O battedouro tem três torneiras sobrepostas, sen* 
do a ultima mesmo no fundo, Abrem-se successi- 
vãmente, e a agua cahindo para a bacia ou ladrão, 
espraia pela abertura da cuba d'assento. De- 
pois de escorrer toda, fica no fundo um polme 
d'um àslil íèVfefe'; qíâsi preto 'J que sê g&oa qôan- 
tô-póèiVéfdá á^ua s i úfyrabund^rfle, ,i abrfndci a me- 
tade,' è cbid : cuidadora-* torneira írjferíor. Logo que 
«irWBèrn eSj^òttada 4 , vazia-se 1 a agua : dò^àdrào, e 
abre itf torcei fá* ih Fer ror toda, pára á ; fecuíá-eutráí 
ir^éfte rectpiôiWé. D^tíi' 'letam-g em metades de 
cabaças para 'ssrícos* 'de pdnno 'ptíiico tapado i qúe 
«è susperidém, para riiélhor exortarem. 

A pá&à , rnolfe Vmdá como eatflj fhette-se ; em 

• * 

cdíxas ckàttas dctre^ rkVdétfumpnrheh to 'sobre me. 

f ; 

tádtí da rargurà 1 è dua^ póilegádas de Tundo. - 
1 Estfaís cálices vâòr>ai'a q secundo alpendre chama* 
flò' o dèísèóadaufà ; aHi raxà-se a pasta erri alguns 
pedaços !; etn rnzâo do : relrecirhéintb produzi tJo 'peta, 
dessecação. Antes que seja porem' to tattnenie seccá, 
allza-se a sutf su^eWibie' cbraurHttctflbefr , e rVpar- 
te em . pequenos cubos , á> que ficaft) expostos ao 
sbi,â"tô se desFrghrferh- das paredes dás eaixa*. En- 
tão o fabrico está acabada ; mas i«$ter anil nSLo *pc- 



... . ..v —^rcado sem sei; pe A .-ívum.oiue <sn*u- 

to» Para este fim fica uqs quinze dias ou três se- 
manas amontoado em grandes barricas . aonde to- 
ipa calor, epassa por uaja sorte de fermentação in- 
testina, cobri ndo-se cora uma efflorescencia branca: 
torna a , ser estendido para seccar, ,e então já é 
próprio para entrar nos mercados. 



! f\ 



1. . • 



- 1 



., .Pareçe-qos. que o Gpyemo devia, daf impulso, a 
jes.tç importante .ramo,, de. industria colonial, tão 
próprio a esta Província^ -e } estabelecer, uma fabrj* 
ça por sup conta. O local m ai» próprio seria em 
S. ;Nicpláo, S. Antão* ou na c^jade. da «Ribeira- 
Cirande da ilha de. Santiago. A situaçjip topográ- 
fica d* esta ^ ultima , é muito vantajosa, t,anto peja 
abundância d'aguft durante todo o anão* necessária 
para as lavagens. da planta, como por que desça- 
hindo das montanhas, podia servir, de força motri? 
para batter o liquido na segunda tapeada, atém: de 
já haver edifícios 9 a como . ,0. ex ti neto ^nventp dos 
.l^adfjs Capuchos, e, qutrus Igrejas adjacentes, que 
r alg,nmas . cqui mui pauua.de*peza f se podiam appro- 
,prlAt paja ^te fim... . . t> 

» * 1 * 

A ilha de Santiago , teado seus baldios cobertos 
com, a pj*frn.ta 4 o anil , n dar;i l >ba.stanj.e ocçupaçâo á 
j&brica; afora da «eçca , quç ha de poder v ir das 
nutras ilhas ,. e que, não sorçienos serve, çotno indi* 



— 23 — 

camos. Administrada com regularidade e economia, 
esta fabrica daria bons interesses á Fazenda, e ani- 
maria a cultura d 'esta planta em todo o archipela* 
go, influindo muito pára o bem estar de immerisas 
famílias. Quando seguindo o exeqiplò e vestígio* 
da primeira, alguns particulares principiassem es- 
ta taaniplitàção, deveria então o GovertjO ceder ú 
sua, e TéfHfiréhéndor «rm grande stttnèlhantè estabele- 
cimento em Guine. 



4-J *J 



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3fe$Ujcor, ^gúarfcntt, JHtlofo. 



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N*estes três p rodados que a industria extrane da 
canna d'assucar, nem hoje, nem jamais, esta pro- 
vincia occupou logar que merecesse attenção. liou- 
ve tempo que a Madeira rendia annqalmente bb&UÚÓ 
quintaes uassuçai 1 , eas c ílhasde S. Thômé ePrinci- 
pe 40$j [o que pelo valor actual,, equivalia a dous 
milhões de cruzados!. As ílíias de Cabo- Verde po- 
rém ajaezar da situação gepgr^pbica tao favorável, 
Dela, facilidade em prover-se fle escravos, nunca se; 
deram nem ao fabrico, destes pj;oducto& ) nem á cul- 
tura da planta. Ainda boje. somente nas ilhas dei 
Santiago, ,S. ^içpUo e S ? Antão, cultivam algu* 
ma ca n na paya agqardentepu assuçar. Às duas ultimas 
dào apenas. para o s,eu consumo, E|e Santiago é fornççi. 
do oresto^o Arcljipelago * e as, fei^ocia^ de Guine;, 
o&, navios <jue arribar^ para, forçar refrescos, tam- 
bém levam geralmente ajgum para psep uso duran- 



— 24 — 

to a viagem. Porem tudo. isso em gue insignificantes 
quantidades! . . . 

.'£emog n*outr% parte ; demonstrado a má. cultura 

pouça§ jp^javras, >verepio$, como. aqui e, tratado est^ 
importar^ ra^^a. iM^ria^ í a ^ií n Çpl«n^U M .,,,, 

O Ttapixe ou engenho , aonde esmagam a can- 
na, e composto de três cylindros verticaes, de ma- 
deira, fixo* em ambas, as extremidades par piões, « 
que giram /postos em movimento pela roda denta- 
da fixa no meio do cylindro central, movido por 
dous Jbois. 

A canna recém cortaqa deposita-se ao pe dést* 
moinho. Um escravo entalla-a por enlre os dous 
cylindros, par,a ex premer oçumo: o segundo es- 
cravo, do putro lado do engenho postado', torna a 
mette-Ia. entre osdpus outros cylindros, para a es- 
marrar pela segunqa vez, O çumo vai 'por uma ca* 
l|pa para t uma caldeira, ou para uma cuba donde 




ra , e quando a calda principia a icrver, jin 

jh *r.\r; ui.n •>.;:.. ...^ v. : >.-•: ,.. . • t -* tU: l - - j^^ 
lhe potassa, ao que chamam, clarificar com a Cfe 

coada. Usam para este fim geralmente ae cinzas de 

p.urgucira ou da raiz da laranJeil i a , '. Deitam Fora"a 

espuma que sobrenada , e' quando juigàm peia 'pnt- 

ca, que esta no ponto , v vazam tíste xarope em 

formas' 'Se barro, 1 "cóiíiíasf^ tèo'tiio' Vêriíbs nd 'dràrlo 

Ú^o,o aWucar^Iiairfadb^^p-ddVo. 1 ' ^ VAi r%i filei 



— 25 — 




com uma roltia ou trapinho, e assim se viram com 
a oaze para cima. Esfriando amassa, se destapam, 
para -em goto po&tas vazilhas èàcorrer o melaço. 'Ao 
fim d'algum tempo, dtminue o pao cTassucar no 
folume; põem-lhe então na base uma camada de 
barro húmido, cujas partes aquosas filtrando alra- 
vez da massa crystallinã^ 'Tevam com sigo as partes 
mucilaginosas e as esgottam formando o melaço. 

Conservam estes pàes embrulhados em folhas df? 
banancrfra'} daf^tmev também faiem "um cfcràèl , 
comi o^utí entrelaçam aqUella tapa*/ - deixònênr no 
vefci&e da forma' úmàraíça {/ara ^a ))ewdurár , : e es- 
correr toxioío melaço; Gimrdando-o assim !! um> attiio 
o^iimaif/cé o aswrèaríihtti-Báboróâcí^-alVôJ Põriítri 
c^omoljoii-necessIdJde, ge'tàlriientfc j ô -Vendem lo&o * 
mal efefwj é teputnâé «'lascado "'frifustameiíte r de 
máo. Commumente seu preço varia de 70 — 100 rs: 
todavia sendo bom, chffga as vez«s a libra a 150 rs 
e mais. Entretanto por rríuí to*' imperfeito que seja 
*> s*u fóbíídô , bom 1 será lémtoairoB-hofe , que nào é 
inferia ? ab as^ucafquef vèm'dos J&tadb^Unídos. 

i' 'Efe &è(toi ê#mò; se fatmca o nsgtfctír n 'estas ittras. 
Esta expedição comutado serrei sémeniè para San - 
tfago^iu^iwie trfgtimasf pessoas jAprfacipiãm ri^tra- 
ÍKrHííiiv^^rniln^diodo-ebceio'; como os Srs. ; Jòâò 
&né' Frttícttà^rèXn ís> ! Dôttfitigo» ^ Jadniò • Plrilid 
«m^Sfc (VátkSfsfefr, &tí* C-oroneii de Miticias Grcgo^ 



— 2$ — 



— - \ 



Poisem S..,Njcoláo c gefalnjente em tachos <juc 
se faz para pequenas porções, e sendo aiaior^a^qu^n-. 
tia, servem -se das caldeiras de deretter o azeite de 



». ■» 



baléa, sem terem os próprios preparos.. A*sirn claro 
e, que podemos dizer, que somente em Santiago se 
fabrica assacar. — 



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. . ' 4 1 i » . I 



f Qu*ntQ J4 ao.J$tf*t, ou aguardente, de çarina* só 
rVesl,&$ mesfmas três ilhas, se faz, a, ioda que^ tam- 
bem.algufli.no Fogo? 4 esteTabrjcQ.só. se pode de* 
sejar demais, abundaqcia maior e . iqe{tiore» appa«? 
relhos; Poj$ sem exageração podemos asseverar que 
os aaturae&s£oemjnentes em fazer a aguardente,, [co* 
xúq e beber , tacto homens como inu(berea] '■■ ;• 

. « - • • • ; 

. Sabemos todoi. que o rum é um, licor ale oplieo, 
que se obtém, em «abunda.ncia peja,' fernjentaçâo e 
distillaçâo do çump da. canoa 4'assqcar. Q metbo- 
do muito simplez aqui usado, e o seguinte. 

O.çqmo dejtara conforme a, qualidade àJiim 
barril.,' ou n.^uma pipa com um *c fundo» aondfe 
ao fim dalgum tempo , azedando e^te liquido, ,»e 
forma o fermento.:, chegado- o. pprHo preciso,, passa. 
?Wa v Ç alambique. Este éojiuto sirigelp, poucos são 
H*ie o ien.ha.rn de serpentina * e,n! esta parte aiecjes^U 
tam-se urgentes melhoramento*. Com tudoesÇ^aguar- 



• — *7— 

~entç é muito forte, branca ediapbana, por «cr pa- 
rp. este proçlucto alcoólico, , 



t» • . 



Em poucas pajabras temos visto de que ipodo se 

* « * 

fabricava aqui o assucar e a aguardente de. canna, 
9 copiq se obtinha o melaço. Havemos, de dar ago- 
ra, aipda uaía breve exposição^ cocno n!outrs}s par? 
tes com esmero são tratados estes dons , ramos da 
industria, estas duas fontes da riqueza colonial. 



\: 



Sobre a cultura d^ planta, já lemos faltado no 
lqgar competente; aqui somente o trabalho fabril 
nos occupará. Assim , em quanto ao trapixe, ou, 
engenho para esmagar a canna , aquelle que usam 
n*esta prov^pia, não- é do> .-peiores,, E! muito, pare<* 

eido co pn os da Jamaica» e todas, as Antilhas, po- 

. » *■ • • - . • . ■. * ■ 

rém. necessita, alguns melhoramentos.; — vem-a-ser t 
as. rodas dentadas deviam ser em cinja, e não no 
tneio .dos cyjiudros $ esta collocação, tange . de es- 
toryaj: o, trabalho,, apresentaria até .maior superfí- 
cie para : melter a canna. Têeãi observadp alguns, 
chi micos que a . madeira azedava o, çutno da canna* 
por Jsso ps canos por oude corçCjpara. a caldeira ^ 
sejâo.de chumbo,, ajssimçomo tafnbera os, três ey« 
li adros do moinho deviam *er. forrados copiaste. 
metaL As; rodas datadas, eratodo o cazQ rigoro-, 
semente, devem ser de ferro, . ,.■*■;<' 

Uoa engenho todo .de forro,. nâ<> custa mais, de 
cem moedas nos^^a^Qs.-Umdqs.. e mesmo em For* 
tugal com pequons}. diíTerenga podia-^e fazer., Aflupl" 
les de macieira., epifto ^mnsfs. illw&. '«líPf jk.-ÍH 



gueira^ráWel/rà^ 

Este engenho deve ser -éc&úiió , : a^abrígo dó' sol 
e da chuva ; pois ale'm de que é exposto ás intem- 
péries do tempo , °ê por cbáyqaehbfà &os'estra*òs , 
<!& feainieííé^ovèVtSnto-o gádó/çortio b ntíz9ró 
escravo , b torrài&fi-se^ nó imtóeiísò- callbr , - detóuo 
d^úrn ^'ábaluV t5o' frôienlo'.'' Aryda ; fòVsr' do-sehíil 
mento da humanfâàcfe^opfòtírio 1 íntérésáe 1 devia àU 
li guiar os proprietários. 

Qujanto ás caldeiras , devem ser de cobre, com 
íunáJ^uaii^chatto*; nfecesíitárídò ássírri >óW<y coim- 
ou s^í'v : ei~', I, áíem de" que a pk^ènit^ôbnta^iàiídè^o 
fuíido menos favorece : oã depósitos itiuòiliigiiíosos. 

Ná'ÍÍtia 'da JaWâirà ; 'Martin^; ytMèUipâ'-; ! é 
cm éérál n'ás índias tfcdáentaéâ; 'for riiiilHssímó 
áperféíçoad(ToíabrÍcb (í^àssiiCar: N^á ; còl6niífs : fran- 
cesas, fôrao : tocfos os 'meifeôyártíehtos ^^troddzfdtís 
n''ès(é'trat>àlkc>^ WjèWòs priríieitarriehte a uma pro- 
iuntia é seg^à^tfaI^*DÍ!fante'o' ! Wpeflo l; db- ; G^ 
lilòda* Victóríásy todos bs^hirriicJis^e 1, Pratica sé 
«Jstàtí&rárti l^éáa^rAáteria , ' taa inVpártahte patá Ò 
projfeátefo^^^ fÓTãb ^tiiZô "dê- 

báftó do% vs a\isr3itfíos 'dó Grátídè NàpòléJrb 'bèadas 
as~íal#ifcas 'd^&uèar de p^tWVaba^^ap^eceii a 
irrVJibétàntè de^cob^rra^ rjuè bj>ef feiçoadH jií noritóí»' 
sos dias, tamanhas vantúgèns assè^uhi á esta iridu^- 
tllaí u^E* ti itifrbdue^rtò 'do ca^óáo ' aftiwá? no fa- 
brico;' da atites' ^areffihâçtlo der , a5súcá^-^ 
* : Eit4 prcKícWfcé iate" igàiòradò rtós nbááàs CólòhiaS, 
níivè* pòt\oib&Í u rí^é^ô á^feHes-bons 1 Hotoehs , 



ilu^pdp^ríUe^qi^ *. carvão ,< ff ipel^r aç^te j*. 

ífc <ète*ifl<?« ° 9»WS a í». ty^JMW? CQJonias , o ranp 
raifl 'ififWKlrçie^ ^pcessos^ 

qu,e pcfpet^a^çs.cpiíi.ç Jen^tq,, jp^.admittem úteis 
gjtefaçqçs e ,oii|dançaf. (i) , . ; f .. . 

* íí Wí ?>#« tf l9gar : cor } y í eniçrvt S para enumera r to- 
$Qf q^/^thodos q^dps na,* íab/icaa d'assucar ; mas 
çpijpi .lu/Jo uma, -ideaj. geral, dos processos que se se* 
g^opp.ute^.fabrico Vurna.bpa açucararia,, não se- 
rifcra ^e proposto, '.,...-,. . .-„ . .. 

.^ , As . ma.qu.jnas,. , i^pieq-as K ou . moinhos , Usados 
JtajC^ifisgfia^ai; a, c^na fi; y\o mui jliversps* Era mui- 
tas colónia^. Fran^e^s. r^piftajp ■ pqr .rçejhores ? os 
jje cy^u^osi.v^tj^esy. por .Lerem* a dobrada vantar 
gern, dq oçcuppr ipouco.eamppre ^erepj^uixi, servir 
ço.façH,,. N40. sijip porém n^euop usados moinhos de 
vento; alií.os trcs cylindros,, fixos um ao. pç do ou* 
Jfp, suo pos.to^ern mpv inapto, por vicj dero<^is den- 
tadas : e a canna fida esmagada do.rpesmo. modo 

* j . ' * .■ » ^. ' . «... 

J9r eiiíre.el[c|s ? , Uai? esfriava sqppjç a uijtx m^njio , 
Ê í .quon.d,o o ventoso ft>i-te* ,dou> ape.njjs. chegam,^ Q 
çuiiip paasa $u£cessiva j menl { e d^um canal > eui 1; m < a,dei- 
ra ou metal çollocado, debaixo dos cvUnd{0,s, f ,pará 
.0 ianque ao p£$o. moinho^ aopde atravessai^) ^du£is 
peneiras^ deixa aUí ^qdas.ajs pajVkulçts lignpsa^ çU 
canna, que pQdia.lev^r ppipsigo,. e. escorre nor iim 
Jubo de metal,: para aonde ? çstào as cajdekas* A 
canna djpois de ter sido esmagada n,a superfície dp 
terceiro çyliudf.Oj escorrega por umplaqo inclinado, 
c por uma abertqra no muro cabe p.ajra fora, apa- 
de mulheres, veihps, e creanjas apòem a enxugai;, 






-^-30 — 

para servir depois de combustível. -C) çumbé reco- 
lhido em enormes caldeiras de cobre í alguma* lia 
íjWe éoiítem ate seis pipas. : 'Es<â etorbíe porçâb fuí-i 
se ché>ár ablráb He Calor iqúe píecede aebulliçào' 
uma pequena quantidade decai etó po> ou agua 
cie cai, que sé áefta então , fà* subir á superfície 
r á 'máiór paHd dos corpos estrduno'$V tratfcvazaí-sé 
èfitão d liquido para outra caldeira , chamada o 
ilanficaãbr y aonde é espumado', ate ficar transpa- 
rente; n'esta caldeira porém tÍSlò feiVey taa& iot* 
íiànfti para a rííaibr' dás caFdêWasVfifca outra vex 
sujeito' á acçâWdò Rigb.' Áll^tíòm grande* colherei 
\è rifa à e^púmá^-á medida qifé soW: 4 pb;ícò : à pou* 
c*o ! , ó Çurtiô se clarifica }' è toma còtóiâteticià^atiá 
Ticarquasi 1 ' da èto do vinho da Madeira. Reduzido 
em Volume pelaebulliçiiô, passa suecessi vãmente pa- 
*à outras 1 caldeiras menos espaçosas, aòhde para lhe 
dá* a cíárezá desejada, *empi*e se lãiitura ainda' al- 
guma água de cál. 

* ' Êftí catla asseie arar ia bem í-ègulada è de tnaiot 
Víiltòy P ha duáír ordeíis :, dè fcaldtítfàs^ cada serie com- 
posta á& cinca, trajas Irorda* superiores estão no 
thésmo nivél, aquescidas pôr utn só fogão, do qual 
r maís ò\i menos calor rece^ekn , conforme a distancia 
erfaqué ficara. Cada Utaa doestas" caldeiras terii o 
seu dome , ãssitn p. é. a última chamá*se battèdon» 
fa> (tíaiUHe) , poí se' bátter ? ou agitar muitas vezei 
a espuma do Xarope que sobe durante o ferver. 
' A mesjma cuza tem geralmente cfncò aseis vazos 
de madeira' de onze poilegadas de fundo sobre sete 
'pés de comprido e cinco a seis de largo. La secoa- 



gul£r % o 'ásáuedr i' <f : éÍfrla1^B 'iotiia a àpparencia d\i. 
Úík : ttiús$U*irregú\ái de cíiísÉaêí a meio formados. 
Todos os dias o assucar feito aa véspera, se trans- 
porta para barricas, aonde fica cinco a seis sema* 
hás,' esgotí^ncíô ' puí * f fita ctínat próprio o melaço 
pafté não' tiíistatlizàdá. Obtem-se assim diversas es- 
pécies tié uVaàcdvadòs , e deixando escorrer lodo o 
mel, feixa-se a barricai, e d ássucár ésla promptò 
parW èxpòrAçãtí. * ' ; ' ' »' " ' ' =' 

'i-íL* r'^::»!. •»»:;; . 'j«.«! ?í; j < * ' ; 

O caibrado cliníá obriga a ferver' o Çurríd, logo 
é eif/fèiriido da cànría. Mela hórá de demora caU- 

■ « 

ZairiÀ fermento , azèdava^é o xaròjte, e êntfiò so 
para ítjiúirdéhte pode servir; * 



», 



' : ' Ó trabalho das rafírraríás cortsisté fcm desembara- 
çar os assucareâ 'brutos da substancia gorda, qiie 
possuem : ainda depdis dei cnstáttisaçào* PaTa ésáe 
fi*rn dissòlve-sê o* assear tttn agua, itíiStúrá^lfíe água 
de^eal eWrf<*te-dé boi; '& ferve' è*ni ! òáldérras diíTé- 
rentes, tirando' sém pré rl â~& puma que sobrenada. 
Quando esta calda parece estar clarificada ,• coada 
*ptor' ubJ patino de 13, tái Jkttaifrria grande ealdei- 
1*0, aonde torna a ferver $' e dèpoiá bàttklá cónr co- 
lhera de pau, iè tédtí*' á cristaés. Este assucar ain- 
da imperfeito \ ié vaza ttb 'íbfmá^db batfo, coôto 

asr que úsáni ria rPròv inicia !é T àcí má 1 Vemó* áésetfiptb. 

• - ■ 

Tendo escoado todo ô mel, vao os* pâe3 patfa nina 

caza, chamada estufa, aohde : corri forhòs sé susteá- 

ta o necessário pffáo.de cálòr para bétò séccarèrfu — 

Em S. Domingos [Pai : .] rafinarn ás vezes o as- 



cí ?t re ? a j e t tauí spare o cia ejçcejjç fi piai.^ .^epi .tt^n^f 

*Eu,ropa< _ . ,,,•> ....... ... ■{. ,, i j 

, • , ..';•.,. ■••■•::•)■-,:« '.'•»' •■ .:■•;• ' V. . - j >-••>, 

Tpndo d ito, ftçjipíy ,qije. íjp ppí |an tejo^y . °ccupa- 
vá a poucos annos nleste fabrico*; çatvâo an\vnal f 
julgamos indispensável Cop sagrar al§.i|i^as{palabras 
a este incomparável agente. > i í ,» 

Com esta denominação, se designa, .jP^rCjcular- 
mente a matéria carbonosa, que obtemos distil- 
)ando os^o^sos em v^zps /ecoados ;J! ,; corrç a.fcrapeja- 

esterilidade. .p^a^al^^ a 

diversas substancias, e..priacÍRa.lqienJ^e j [ag J uçlla }í qMe 

tem aífin idade com os assucares brutos. Esta útil 

appljç#çãp foi descpbertapejo ;Sr. Cru iJlon,eín. 1#05. 

Elle today ia $m pagava ,g jcajç v<U>, jvqgela I <[?n?/r ; ptgtr 

tal] j,que só.çírç ^812 foi^u^i-ilu^RnRpri^St^UA- 

, Coqi ;este u?yf> p.roqessp, «^pMojrç.owMflf <P9F 

^ççntpj çtaiflssyqar, cxjsullisa^ jpndA n^ajs^faijcq, 

êxodos; qs .prod^clof ^g^n^jp^Aie. melhor sabor e 

,qua^dade, . • ,L, . v . v , f: f i: |.; . . \. . ..\ ltll .. * ) 

■§pr.vmd,<?-s« d&sal paja aclarar, ^çuíno^^a.iqann^ 

,p sea exCi?$|0,:qae. fica, ern^ijpolus^.noiiqpic^ 

,i*ag«. np assuçar duraute q o,ya t pqr^çiiQ r .e tprtutJjif 

^fcuMUaftel jj/aa^ . bop , parle. ,, 3S T o ra^.ar í?; ^n<|p 

tamfoçni fp.veftg se, grapçsga; ,çal;, este .agente, tâp 

«.hW jm»,o fim.tPreppstq rí erp excesso .e^Qcivo^^ 

. jwrtantq n^H^Q importante;, podçj gr teicpo, deter a 

.ãu^.açjgiov tyifliçil 4eri^:cousí;gujL-,lo.p9^.p|eip «Tugi 



— 33 — 

ácido ousal-acido : pois ornai» pequeno excesso d'u«. 

1 ina (Testas substancias , * cauzaria maior perigo do 
que periendemós evitar.. O carvão animal poreW go- 
zá (Testa útil propriedade. Satura á cal, e em ra- 
zao do íub -carbonato ãc cal que contem , pode ab«» 
sorver õ excesso d^áíguYn acido queliajà nos xartf- 

: pes; tem por tanlo a* dobrada vantagem de satufar 
a cal , eos ácidos. 

Verdade e, q ire está matéria vem a saliir 'muico 
cara nás colónias 9 erú razàó dos fretes: rhas Iam-' 
bem os lucrou nao tem proporção ; e alem d -sso , 
o carvão animal que jaservio, calcinado pode tornar 
a ser empregado. # 

Terminaremos aqvii a nossa digressão sobre "o fa- 
brico d^ssucar: lembrando que cento e dez boas 
cannas dao treze canadas de çumn, e, produzem sei* 
arráteis d assucar cristallizado. Um engenho com 

boas terras, é r bèm governado/ deve rérider tantas 

ri»-.- *. '.'jli:..''.' <í ■ / •••- ' - x .' ;, í: •„;»*' i " /• - 
barricas de dezaseis quintaes,. quantos. suo os ope- 

rarios precisos para trabalhar n elle. 



i 



' .:. n:./ -"i H'--' "?•• ' : - * • 



•'..::; '-«v* ' ; » :.: < -i ! . »" -> * : •■."•• • *• ... '^.' , - 



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/ •'.. w; •■ '^ ''iiV.; >í: V.* li*. .,-.•'»'. «V- i\0 ^ ; * — • -. - '''tlA. 

Quanto ao ru^, nao seieínos tao extensos ; íem- 

,: ,/, y .':,.'.:; vi -v\« a v..-i "J\ :.i'-. oj 
# Usa«-se cinco a oito libras de carvão para 1500 da 

çumo i deitando as conjunJtamente na caldeira - « suLittet? 

tendo á acção do fogo, . , . , i? , w . «i 



.'. J* - s» • 



tratemos sotíienté que não se devia espordiçar o mel 
e p melaço, como aõoíítece nas ilhas de Cabo* Ver- 
de Pois to Wías partes , ê geralmente dò' tííêlaçò 
que escorre do asauéár , .cjue_.se fabrica a aguarden- 
te. Distíllandp-a a 22° do Areometro, e deixando 
em barris ou pipas, ganha espontaneamente d gos- 
to , e a cor amareliada como a vemos díariamenle. 
Westa província tao pouco &elhe juntam raspas de 
çortume , cravos , etc. . Estes processos nunca aqui 
são usados í entretanto podedizer-se que cm nenhu- 
ma parle se faz tão boa aguardente : pois é extra* 
hida somente do çumo da oanna , sem mistura al- 
guma de melaço. 

Agora que já temos examinado * presente cultu- 
ra da canna d'assucar n'esta província, e iridficado 
os melhoramentos praticáveis na fabrico d^ssucaf 
e da aguardente, resta-nos fazer ainda. algumas ob- 
servações sobre este tao importante ramo da indus- 
tria colonial. 

As fabricas d'assucar, demandam muitas forças, 
e grandes fundos 5 e com tudo os lucros não estão 
cm rellação com as enoftíies despezas. Disse bein 
Labat.— - a Qtfon Compare ladepense d 1 une sucrerie 
et cçlle d\tne cãcaoteríe qiii aurait donné le mêmc 
revenu , et Von verra par la difference , quunc ca* 
taoieric est uneriche mine d'or$pendant quunc tu* 
çreric ne será quunc mine de fer* » 

Nao ha trabalho inais rude, nem mais 'violento* 
í)s trabalhos das forja* de ferro e das fabricas de 



vidro não tem comparação. Em alguns ramos «Ta* 
gricultura chega ás veies nas colónias um escravo 
a trabalhar dez horas; no fabrico d'assucar suo de* 
zoito , como acontece na ilha da Cuba ; e pe- 
lo grande e demasiado esforço do trabalho extingue* 
se o gérmen da propagação , aliás o maior soccor- 
ro nas mesmas Fabricas. Afora isto, um só anno de 
secca destroe os pastos, mata uma boiada inteira, 
e causa perdas irreparáveis. 

Com tudo isso devemos notar, que muito influio 
nos tempos passados, o assacar na riqueza de Por- 
tugal : e hoje em dia concorre não pouco paxá a 
brilhante posição que occupa a Inglaterra. 

Os Estados Unidos da America empregam an- 
aualmcnte navios do lote de 200$ tonnelladas para 
exportar 500 milhões de libras d'assucar. O rendi- 
mento que percebe o Governo Ingle2 sobre o con- 
sumo d'este género, sobe a cinco, milhões de libras 
.esterlinas annualmente. 

Só a ilha de Jamaica antes da ultima abolição 
de escravos, exportava todos os annos, em aguar- 
dente de canna e assucar, o valor de 4000 contos , 
e là o juro do capital empregado n'este ramo, e' de 
3--J0I. 

Tendo Portugal nas suas Colónias [aonde mais 

.convierem] grandes plantações e fabricas d'assucar; 

/tilas influirão muito na industria, e seu commer- 

çio. Os colpnos nos trabalhos ruraes supprem os nç« 

gros d« fouces , enxadas, maxados, etç. ; reno- 

-Vgna, pnnualmente os utensílios necessários: cb- 

' 3 * 



feres ^ "caíxas , colíières , ^uniadfíJrás 1 } 1 tf1áth%iíi<íè%>- 

'íérragens,' carros'; ? ctittiò também ós ! refcidÓ5Í : &e-al4 

*g ; odâo, íà , ou'lÍníio : . 'p&àV Vdtu&rió ? tf'*tíes* 

mos e. s cVavos; ! tràba<háàorés. Tildo 'Íst8'"a quaíq^ 

"pYeço 'que sejà'í se deve tirar 'deToi-tugáí, &*iiA 

Como os matep1aespaA"a-'coi)&tiU€ç"vô dó eázas-, « 

. outras 'diversas éóirrmkdídadtís' (fá VídâV ' ; "' : " : ,: : "• , 

f Como to'dos' ; os produéfos^ésfas-í ^làníátòes éóHÍM 

tituem uma mercancia" volumosa, J «c 'éttifiieèarií 

muitos riavioVnà cònducÇâò'*) nisucar/águ^âtín- 

% V melado. -E à'e&e giro ,' grande augirietitó 

proviria na iriduslfia- écbmineVckr tfa fflai J>aírta, è 

grande tenda para o' Estado'/ "■ ""• ' 

• "eontinúarh aítída^â^tótóaF klguW-^rnens , < po* 

'iuteVessé proprío 'ou' mal^óYéU?á/ ' W J^ra****, 

ou emWpela fidícutd ma^íaTWfê^nfifent^WSlah» 

"ie' vulgar entre írós 1 ]^ &tó maT^indà qae^na- 

«íonal', quc : as ílíiáS de' <3íiWVét«<» riddà ^dlKift 

produzir, a.nàoser a ursetràrEntWtttyrfWí 1 »** 

'tívòk iins ; ma ! is iriázoavèfe q\lé oVcWròs; diíèifi-eN 

les 

*$ formação a um esuiucruv-»iXAv. i *».~ « ò » 

'& gtóide' imporknciâ. ^'Al^trsiállègtirrf-a^ftcj 

abundância d'agua. Quanto ao primeiro,- èmbraTé- 

Jnos emente, de que só a ilha de Santiago, ou S< 

' Ín'tâ'0 áo tnátóés^.e^ notávél-5rriá"3e'lfe*t«ni- 

: ca òu (^uàdalupa. O Veítitô j& 'tifo*» refattti*/ *r* 

' iandVàa ^icHdtura^estò' Província',' '* 1; **t*rt** 

' p ; erVua'dÍSo^de qué' aVítlfas ! «fe' Cább-Vtífde podiam 

* produzir urna qúantiakderj^sabhf,' pH**rhe»és igual 

" íqueíla çjue Uno as^hás^iriamáAt^W^ôfi <*•«<- 



— r37 — 



temepjnveotoj Suecos.^; e.,qye vantagens já nao. 

resultariam cTalií! 

; Porem, aonde - esta. .cultura, em. maior parle devia 

*er tratada «'esta Província, é na Costa dcGuiné. 

P obsf&çulo.íjue encontramos nas ilhas^ pela falta 
,4Q coui^ustivel para 9 fabrico da agyardenie, [pois 
. paxá o assucai* é quasi sufilciente o ba<raco da cao- 

L \ * * j 

rnajjíi.dtísapparcce, e amuo d'o^>ra sahe mais bara- 
ta. Semelhantes estabelecimentos ai li podiam a,u- 
„ daz.menle rivaJisar com todas as outras colónias de 
mais na^eg. . " 

Portugal consumiria o sissijcar só <Pesta previa- 

. xjia, e, 0$ QÍUros paires, da Europa que não tem co- 

. Jonia3> ( lamhsrn. viiiàq proyer-se. . Oà Inglc^çs, 

Francezes e Americanos alimentam toda a costa de- 

Africa com as suas aguardentes. E este comrpercio 

seria então nosso monopólio. 

Se teia os enLrado em muitos detalhes do fabrico 
pTassucar, e demoradoçnps sobre a quantidade que 
antigamente extrahiam os Portugueses das ilhas si? 
tas no Oceano adjacente á Africa occidental , aon- 
de a canna crssce em abundância sem cultura : é 
'porque títàkios cottvè^éítfosy <lé'q&e<*ib tardará o 
día/èm que todos \m : de^rt-itna* sidósq d0^»an- 
' to é' mefíitit' fazlk : &*h?'d flefatijflb tt&fyo áe;escra- 
yos, e cultivar a canna d'assucar nas-hjaásas-pds» 
Ressoes Áfrícbtiàs^ $á%\ie p^WándcM* ãssfjá >doèbra T 



>i« 



*' 



' Boiítartí ânmitil tebáKN^At ^ilfe5ê9.d»iUbrr^, 



i' iT i !.;.' i , í i ": ! :í'> í .»r í -í "•-' ; ■ •••« rí>'- m . >f ' % 



•^33 — 

* • • « 

çcr , animar e ajudar q Brazil , que se separou da 

Monarchia. 

Assim animando esta cultura pela abolição dos di- 
reitos para os seus productos , na via de trazer aih? 
da comsigo a aqniquijaçãq d ? um commercio inju- 
rioso para a humanidade, $ inferne para quem ófo- 
lera; e apressar a çivilisaçâo de paízes ? para os 
quaes tem Portugal a expiar séculos de crimes e cruel- 
dades. 

Mas suppqnhamos mesmo que por diversos mofi- 
nos fosse inconveniente ou impraticável a total abo» 
lição dos direitos, estes sendo iguaes, [o que. nãq £ 
de suppôr] assim mesmq ? havia de se cultivar em 
* Africa e fabricar o assucar com menos despeza, que 
em qualquer outra colónia. 



< ■ 



ôat 



Este artigo que foi q primeiro objecto de com* 
mercio para qarchipelagq 2 ainda hoje constitue um* 
das principae? riquezas das ilhas de Maio^ Boa-Visr 
ta, e Sai- ' 

Cowhy, di? que, no v seu tempo ^ era neste archipe- 
lago que os Inglezes se iam prover de sal para as 
suas viagens do Orienta 

Çtumpre^nos aqui felevar p erro, erg que, têem ca? 
hido diversos viajantes, publicando, nas suas relia* 
, ções , que n*estas ilhas se encontrava sal mineral. 



— 39 — 

O sal que se acha nestas ilhas, d o lai marino, 
e em quanto seja producçâo natural , todavia com 
alguma razão podem os-lhe consagrar algumas pa- 
lavras aqui , <jue tratamos da industria da Provín- 
cia; pai$ realmente em maior parte, e quasi no seu 
todo, e produeto artificial. Só na costa do Ncr* 
te dq, Boa- Vista e na ilha do Maio, n*um sitio, 
chamado salina antiga , que ornar rompendo um 
areal, inunda a terra que e baixa e chã, e no fim 
fTuns quinze dias, evaporando a agua, re manes ce 
o sql çrystajlizado. Ainda na ilha do Maio, acon- 
tece isso somente no tempo dos ventos fortes deN-O, 
. na ocçasião que Ua na Boa-Vista ? as taes clmoia* 
4as marettiaf, 

No Porto de Sal-Rev na Boa-Vista, na ilha <Jo 
Sal , e nas outras marinhas do Maio , acontece d'ou» 
J.ro rrjodo. Nestas abrem poços d* alguns palmos de 
fundo, e a agua muito salobra que encontram , va* 
Z£|txi sobre as vizinhas mareias, aonde do mesma 
modo 9 em dez ou quando rriuitq quinae dias, se 
crystalliza osal. Ajuntam*o en^ão com rodos [clafor-r 
ma d^um chantel de pipa] em cabos compridos, e 
põera-*o em, montes. Em geral o trabalhq 4 o s **'ó 
bastante grosseiro e sem, cuidados 5 necessitando ai? 
guns melhoramentos, tanto no arranjo 4a? maret$s> 
çqmo na çQadMÇâp da agqa.-r- 

Julgam geralmente , que.é necessário deitar agu* 

doce nas maretas % para coadjuvar a formação dq 

sal, pela au^l rç^zâQ ço^sideraniçomo mais farofa* 

r: vel pva q iahj. tçq -a esitaç^q das chuvas, dizendo que 

sem etf* Q sal é inuite miúdo* Na i|h.a 4o Sal ? n^ 



— 40 — 

"«miga solina,. se mistura com a agua salobra, a do* 

ce d uma fonte vizinha. ff 

. Os^montes da sai. que se ajuntem a oorda das 

roaretas , embora seiao, montões cortiços , * ou pyra- 

mUiaes, deviam sê? cotartps com palha ou erva, 
.o".', tf? i >■->,-. í ». : A-^" c r . -(■ • -, ;' 
para prçserva-lqs da chuva. O sal assim conservado 

em montões, se purifica, attrahindo os aaes solúveis 

eme contêm , a humidade atmospherica, e escoando 

em solução. — - 

O melhor s,al n«este archipelago e"das salinas do 

]Norte.da Boa- Vista, .'muito branco, puro e for ma- 

f cío em grandes cristaes. Pouco lrje cede o da ilha ao 

Sal, graças aos melhoramentos do Sr. Martins. ''Q 

peior e' o do Sal-Itey da Boa- Vista, misturado c codi 

arca, erniudo.— 

-MO ,_. ,í,m- J|:roK' ç tf. : ' . •..•!.■,> ■ '« .*■;:':;•* :;H'Í . * ? 
fi- '•';i;tí"i:ii 2i»'«;'//f». • v - i,i'/.jíí: ':;<:*# . >V. fU vil % 

JSaont>s foi possível colher documentos certos, pa* 
ra podejrmos accuzar com exactidão aquantiUadc do 
sal c^ue *e exporta. I ornando uma serie de vinte a 
trinta anhos passados, o termo ' médio ' daf ánniial 
'exportação 1 , é de li — lÀ^inóioi f medida de -tls- 
., boaj. iNos últimos seteannos porem nao chegou mim 
a' metade. Assim p. e. no ánnó findo 1 em Setembro 
íle" 1'835, ' ^exportar a rn os 'Americanos ííos ÍIsfaao 5 

c no anno scguinteTeVdràm^ap^baá^^óS x BiiihcT$i 

T.o<iaVia d então para ca torna a âugrfíentciír 'con* 

Íiaei;ávelrhènte a' exportação *i£f iHiatfo Sal! O Sr. 

^^^(i^^^è^im^? á^^rtégáreW iatírfu- 



£-41 — 



^i:^\ OCLl \ i '» ' - . ' V 1 ! 



alto ente útfi certo numero de náviôs,-6 hojfe em dia 
ia conta com trinta c tantos. — - 

O sal poelévii* asfer uma inesgotável fonte da prin- 
cipal' riqueza destas' ilhas , tanto pela «directa venda 
aos estrangeiros , ! como ria àpplicaÇaò a salga. A 
HdlTándae Inglaterra não tem sal, e são precisa- 
mente estás' duas nações , que tiraram flsfs pescarias 
e suas salgas , os maiores lucros ; nua ''Vnhétítè da 
yeàáa directa, cotaib e tfos fretes d*esfé commércio 
"ido maior eíríprégb 'da sua nayegâçSò d marinha»' 

PortugàTtem quasi em iodos 1 os tetrípos SBandò- 

Ji jiia<to, senão olhado corri pouca cuidado para este 

f rafiioV 'Éntrétdrito' ia rntíítxy terrrbò , ' tjae por ^Sòs 

' ettraníias sé ésíiio ^oVftfdb «lè peséarra^ è^ftnltiBésrae 

cruzados saltém' anfíWSirienté em tfBéa dícfslie aifaièli- 

'rá;'$6deii&» está <rtidrtne' qteintóà fica* tio pote, - « «le- 

ff urar a e Visterrela' á ôHlhârès^ de^ámílirfs dfetóiH tteis 

"^c^áoire* * iáttáfiítóres' mar«tóliHDÍií^u>(. wl-rr.íí 

" ^^áê-fflfte* ê bénféfictó^a^plfe^Ses â&o -se pôâifllm 

fazer também nas ilhas dê 1 0. V. *s$*ga*«*ò » pè**te , 

•^aê^ue <>'âí#: ^feiíílfp^ tiiâ;: Vitelo ; 'nasdàlgrfs da 

*' copiosa carne dezoito è yúéèú jów àâs taHrtigtfs 9 

çóúíidíiÚoWtt e saudável sntíe Oat>tjtiipte0*yé'ifja. 

r ^'^v&gèàs- ínávitífi>as; — 'Vej^ííola^itfuo^imJ**— 

' Fítial áíiébtè, lerábrdmes ÃÍàda^ao^oronOTeii*; *£ie 

""ò^saltí >u&k-objécto^dè «aepoitticii roditíishno s Jiioia- 

livo com os habitantes do interior daAftiea, /A;íc*m 

» j^ôe fatólítócfcf wão saç>podjámi ten dupoeitos *tf> Ge- 

^Iba-oq rílarion^nfcotnoí patótds' ©síraai&ini^l^Ofcf— 

**\> j. ír'f::?;iO'j oí> il. '"-■!> ..,!•. * !, ~ -í> oíoíu .'■': . •* 



9 

Á\é o anpo de 183.4tpa<java o sal .800 rs. p<>f 
moio de direitos deportação, Apòz do Decreto 
^'aquelle anno, que o declarou livre, pftgçndo 1 § 
aójnente, representou o então Prefeito M. A. Mar- 
tins, ao Governo de Portugal; que a abolição d'es«? 
te imposto que constituía a principal renda das AU 
fandegas, havia de ser mui sensível a prejudicial ás 
administrações da Província 

. Continuourse coro effeito a perceber os 800 rs: 
quando porém $£• A, Martins deixou de ser Prefei- 
to * principiaram aclamar muitos habitantes da ilha 
^da Boa-Vista [quasi todos p# seus parentes] , que 
t em consequência do Decreta , ainda não revogado > 
..era antUconstiçucionaJ, e arbitrário continuar seme- 
lhante paga qien to, N'este sentido representaram , a> 
.Xi$boa, e em resultado fiCQu q sal s^ito^ómeate 
_;í» di^tp de 1| de exportação.^-- . 

Serião jiien jâo d^sfíessarios os ren4^£alos do Es* 
ntado? — Isto porém e uma swpJNj yer^a^eifa 3 
, jmpaw^l exposição de factos, 

; Quando a exportação do sal era t maior , chegai 

„ va e passava, de. 81:000$ o .rendimento da Carpa sxh 

bre este género ; quando . coro aquella- Ley apenas 

• subiria, tomando o termo médio cja pxportação ? a 
120$ rs. E muito aletp ainda, havia de avultar 

' hoje em dia o rendimento da Corôa^ em í*»zão das 

* novas marinhas da ilha. do S$d 9 e a sua considera-» 
Tel exportação* -«• 

O Governador Marinho com muitíssima rapão* 

--persuadido doesta indubitável verdade, ímpu* 400 

rs. por moio de sahida; depois de consultar a Ca* 



Tnara Municipal da ilha do Maio, que voluntaria- 
mente a isto se prestou, na convicção de que a abo- 
lição d'este imposto , cortando os rendimento* do 
Estado, em ijada influía no augmento da exporta" 
çaQ; como -se pôde observar ^° lapso de tempo, que 
«Ha foi livre: e que outras cauzas téem concorrido 
i sua diminuição, que julgamos momentânea. 

'J3* portanto de urgente necessidade, tomar o Go« 
verno uma deliberação, decretando a cobrança d'eji- 
'te imposto, mas applicando»se o rendimento exclu- 
sivamente paraconstrucçao docass, alfandegas, etc # 



%ovtmt$i 



Apesar de que este ramo de industria não é de 
tamanha ínfiportancia CQitío os antecedentes, e não 
pode constituir por si mesmo a riqueza da Provín- 
cia: todavia como nada queríamos emittk, consa- 
graremos-lhé algumas palavras. -r- 

E' em Sarçtjago S. Antão e ainda em S, Nicoláo, 
que seoccupam m ai* V isso o# habitantes. Mas com 
tudo precisa advertir , que não só > nao se çxporta 
çortido algum, mas tão pouco chega para pçoti*u* 
jno interior. 



mf:,í A ; i' T feYl<*9 i >Ãe>t&hi& eortfthí ,a'efc1a> -Jljboi'; .quaéf 

qtié ii&ò ; ctt€jctri áqtfeJJasr de Mârofic^.fídatA Afan>* 

'^'erfetè mifctfipbs motreíaoioaj^.CQfpQjjÀjQ.v^rqoi n> 

-<Jíie:£^#ff^a'*ítá qoe? asmâo ha r ortalfiQ*o8> JSfC^o/ djr 
t j à*4- r *}w*u ipi»èpa.ra«a /iB^r^¥jltio^ai?iônJ,fa ;;a .rpaaej- 

ra da#tf# Levante. ,:•: : ; ,; . : .-, , ■,; ;. . ..■ 

m ' m Aá r ãflhho prelo •^•outca^f plantas 4$ natijrç^a acj- 
• s : t i- ÍTígèrf tb" f *^íic Jte'jà .ristsíljj^^^-p^ sopj ^ r ca$CA:dô 
manga^ que vem de Guine: e finalmente com cal e 
pinzas. — 

Em S. Nicoláo usam também da casca d*uma ar? 
vore mediana chamada lá torta-olho, c que e' mai$ 
própria a esta ilha. Este cortame aprompta o be? 
zerro em ou to a quináédias*? 

A julgar pelos resultados, todos estes ingredierit 
tes dâo um excellente cortume para as pelles de ca- 
bra. Da maneira como e' fabricado allí o rnaroquim, 
^deveria-se animar esta industria; pois ate' estamos 
*J)ersá'áa?dái% n ^è ^iftr«misr.Vi*taj^a^e^^te-lQ 
' Veste ^tadò 1 tf 4tor»itgalij' 'J^^9^ft i fa^tq, : maro- 
' r VjutnVeètfaTrgeir<^ dcoqueriiiel^Qr:^ o^ r ^]iQç^ç^nof r /is 
"^pfefífes < dW 'ttiBta tftnr >bvu toé::£tFÍkxfafeyftfif J qu$gl- 
gnem emprellend^sei.eI«^í>p^ô. ^ rríaifg• s,$piell}ante, fa- 

•'"Wídhy iía'^liírt^jjéèa>ptíftíi4^í8<^ííílíÇft.€ JEMV 11 ??^" 
1!, Tr?ente^o dos^ba^hóstdQfrâ^aiii^^iPqj^^J)^^ f P e '* 
*• 'líéiítióMii-veé. -í>ajpait# $o Xj&y^rpo jiesI.aja^jlogQ 
ml ^irèPlfctfíêftcí ^lgb?ttr>qaq ^pro^ze^af^^^pr^o, 



c 



jt&ir & venda k*s estraogeLcos ><kft pvlles.dé cabr* 



4ftií bruto.—. ' jj« <-".«. i 



"'-*'" : ' : .' K -'■' ■ ' ••-' ' ' - * (.!.'.). : ■ i ' •• 



c Pata dar acôraoJjôzerjto qtfeidiStiíjp^fc para-caU 
ça^o mais ^qòta. ;ott ot^ro* <úft£>9 , .ensQjftepi-p naipes* 
ma agoa do cortume, aonde au^Pí dej^.jn ; ferro* vei 
Ího\ ébSjtaNó^d&brfBaitéfta o# U|d os ^uioa. Copio 
#0ccaiKÍo:«sla tintfi^.f)Ç^)oJbçi^xr,õ(iQi\i(o açpgrae dujOj 
vâo-a lavar % batte^mi^t^uaL^gMa d# mar; esfneg*io..o 
depois com o azeite de purga, e tornam outr^ yej 
mjy mar. FindivosfU ppe^çao, & o jbeierto miwtoma- 

tío e.pretifc— .<.o) * * ;•■ ,p ;. ,.. u •„ ,.;- , t . , r • 
* r NSo ^erábecA jjoj^i^^aiçi jCçqa o ; ata^dp£ <ji|$ n£o 
«; éiixíQOtra .pçpyaye^m^nJif $Q* bem jfp^tfdq :„?* .nfo 
tahjto pònes^^^e^ .d^astrringpnte capaz, cooio pptf 
fadAa de intsUç^pó^gerata^nl^ 
«onidoyC^Bk^apejíia^q^ixa^, cortir um.piez*. ^ 
ttélànd® ifteNtaj^ippsM^i^^imQfQf px, $anti&gQ «MQ i{ c#* 
aa dó Corp^elc>#.Miyçi^?^Ii^Jí 4 ^yip d^ndracje^ 
JMferg^dor.nçs £i^, ; .a&nados e.c^rpj ^ft^çd,,^^ 
tidos debaixQ^ ^i^xisj^ cçipa a perjjew$9 que, ; rj^ 

JíoTa. 3. ^ •<»■) ,( r í «,-. riJ ..,;-> tM j, v ,., <*._»•;;.>._* í:,^ 
•'•s rr.^on *,„r iíJ.yjxY. ^ ;[> „,,.,. ; <í;j . l?l . #-l íílflr „; ,.j 

•fi .i/Ol'i i MjIJ rSJj;p. : 'i :. •rijflOíl-J lOi*^/: 'J í \ í I ' '-r 

í • .Dentas lalpifre* á^oftfte&ftab 4^ífl l ¥i t}^V e VSiFP 



tfà páifca Provinda, a i^taía da Purguei™, pM 
ra fabricar o azeite ém ponto grande. - Nào.kouVíUi 
todavia até hoje nenhum estabelecimento que me- 
recesse o nome dé fabrica; mas assim mesmo» o 
feieíte para luzes, e o sabão que se gasta ne archipe* 
logo, são allí feitos* 

O azeite fabricado nasr ilhas de Santiago , S. An* 
tão, S. Nicoláo e Fogo, e&trahem do fruto do ar* 
busto denominado aqui— á PurgUeira. — (Jatropha 
Curdas. L;) 

* Procedem do modo seguinte. Torram as. sémen* 
tet no fogo ao ar livre, e quando tomaram uma côr 
toegra, e são oleosas no contacto, pizam-as; depois 
Vle bem moídas, fervem as com agua etn caldeiras 
de ferro, até está evaporar. O óleo que sobrenada, 
Vazam fora, tornam a deita* mais agua, e coàti* 
Huam a ferver a mesma massa, que finalmente des* 
•pejam com o óleo sobrenadante para outra • caldei- 
ra, aonde jà tinbam deitado ò óleo puro. Volta 
ludo ainda ao fogo, evapora a agua, remanesce o 
"bleo , e está a manipulação terminada. 
" Bem v^mos, quanto este methodo é vicioso. To» 
dos os óleos e azeites devem-se fabricar por via fria, 
e só pela imprensa, pois ainda que alguns fabrican- 
tes para augmentar os seus produetos , acquiescetn 
ou fervem as sementes , este processo sempre é de- 
fectuoso, porque* o azeite geralmente fica rançoso. 
Entretanto especial attençâo merece este fabrico, 
pois nomos persuadidos que $ód'allí que poderá re- 
sultar maior beneficio e riqueza para a Província* 
Tudo o mais não deixàtlo de ser amostras muita 



insignificante* : quando n*tste ramo 9 éomo ò tttttot 
demonstrado no 1* volume a pag. 807. podem a# 
ilhas fornecer annualmente SOO^f pipas de azeite, 
que a 20$ rs. deixarião na província 400 Contotv 
Nao ha objecto nenhum , que tamanha influen* 
cia possa exercer sobre a felicidade deste p&iz. 

Nada custa a cultura como já temos visto , crés* 
ce este arbusto nas escarpadas rochas aonde nenhu- 
ma outra arvore pode entranhar as suas raízes; é 
nos vaJIes ou ribeiras, sem prejudicar outra cultura, 
pode lhe servir d* um excellente e im penetra v«l ta* 
píimes tjúe nunca toca o gado. Teu se visto notem* 
po das seccas e fomes , morrerem animaes ao pé dè 
purgueiras, sem lhe pegarem* 

Q frueto não exige nenhum cuidado na apanha; 
embora fique alguns mezes no chão, nào menos »er« 
vê-*, e dá grande quantidade d*azeite. 

Todavia é d*admirar, que apezar de tudo isto, 
ninguém se tenha dado até agora a este fabrico em 
ponto grande. Haverá dezannosque um navio Ame* 
ricano levou a primeira amostra para os Estados 
Unidos , e no anno 1836 pode se dizer que se fez * 
primeira exportação do azeito de purga, por conta 
d*uns negociantes do Porto, que allí tinham vindo 
mercancear e compraram trinta e duas pipas. D*en« 
tào para cá tem vindo algum para Portugal, aonde 
ja por vezes em Lisboa forno os candieiros nas 
ruas alumiados com este azeite. Até comnimío gos- 
to já podemos annunciar, que estão se estabelecen* 

do agora em Santiago duas fabricas com boas im- 
* » * 

prensas, que prométtem grande lucro aos empre* 



^odc^ftr^.ACtivps,^ ifftçljigtgfáp. e ; em , resuliftágj 
gpnde bep^&pio em. gero] pw^ fe proyincia., , 
,.f) Sr. Miller, Ingkz estabelecido crn S. Nicola? 
i^ c í^qteyiprrnente dejjois fj dç ;- feitos ? os convenientes; 
ensaios : Temetteo. ultimamente grandes porções dó, 
fruto da purgue ira paxá Inglaterra, para alli se ex- 
trair o aceite coxa bons processos ; e consta-nos 
guo as experiências de o empregar para tintas em 
locar do óleo de linhaça,' forão coroadas com os 
mais felizes resultados. Lembramos que logo que se 
ês^abeleçao aquellas fabricas no paiz , seria mui 
èonveniente a' prohibiçâo d'eXpoftarem-ae assemen- 
tes, animando, a© mesmo tempo o. Governo o pro«* 
gresso d'uma nascente industria.— 

InfelizmenU com -espanto vimos nas ultimamente 
decretadas alterações na Pauta dos direitos da Al- 

» ' •••*:•**!! ;.'- í /*•■ i'*i .1 : "i 'Ilidir. ' nj-ii í*LQ'fi.'» 

fandegá , diversas , que longe de pi órnover .o Com- 
márcio Colonial , estorvam-q, e ániquiLam cctmDle- 
iam ente. ,GÍoria competente aos seus autores ! • • ♦ 
^ssimjp.^e. o azeite de purga por t ^sta,nova pauta 
P32A 300 rs. por âlrriude de direitos. £ile custa la 
1^400 rs: seu preço ,em Li,sboa é S&300 r%«. — 
Contando pois o vasilhame,, a quebra e ò frete, 
lo n se de offerecer sranbo a^? e^peculajáor^ da-lb(í 

J)eríia, como ultimarnente tem acontecido a um dos 

negociantes dq.JLisboa. D, esta maneira se o Goien 

no nao rernediar de pressa este inconveniente, esfria 

indubitavelmente o zelo dos emprehe,nqedores fa-» 

bricajitçs, que só poderão contar com á venda. aos 

estràngejros, ou .as fabricas morreria afites d 4 a íias,-» 
• -:. *fft.\ itr g ...d. í...^. r. •* í»-.í- t , •- 'i •' t - 
cença. U receio, que temos ouvido tuleçarem algu* 



tísás pessoas , dò prejuiso c|ue causaria a importai 
£âo livre do azeite da purga, ao da oliveira fabri* 
bado em Portugal v não i adiniséivel , e nâo tem 
fundamento algum* Elíe substituirá o azeite depei- 
xe estrangeiro, e o dinheiro que sahe fora do paix 
por elle, irá alimentar e lev&ótar uma terra irmSj 
que taittos séculos nenhuns ioccqrros è apoios rece* 
be dá Metrópole* Esle aleite alènl de set vir para 
Juzef y é iuqitp hçtn pfrra sa,bjío, cohumeá etc, aon* 
de não mçinoi fc emprega o mais 6á,rò e peiòr a*ei* 
ié de peite estrangeiro. 

Também já principiaram fcm todas as Ubá* gran* 
des plantãçôe^ de purgUeira^ue ate agora cortavam, 
|>ara lenha» pomb outr'<oi$ ácòuteceo coíri 04 ca0e* 
áaes, que arrancaram à/c deáesjjerò de iiâo acbaren} 
yenda a este género , <Jue enUo tão enormes çlirei» 
ios sobrecarregavam em Portugal; 

O Brigadeiro Marinho que deo ò primeiro im* 
pulso ás íabrifcás* que agora áe vâo e^^èteopr, 
obstou á está destruição, pfobibitldo-a formal? 
inetíte: O Goverfiador actual, João d? fontes P«r 
reira dè Mello, renovou esta, prohibigâo, ^eaten- 
dendò-a até á iodas as arvores, que nenhum proprie- 
tário possa derrubar riem pára o seu iisd$ éein pr&> 
tia licença da Camará -Municipal. 

.Aitida qtle haja quem taxe isso de arbitrai iedadç 
todavia sendo desta natureza, [se n^stecazo lhe con- 
vier tal nome] que tenda ao bem estar e prosperi- 
dade ^ nunca a ninguém h nociva.— 



feres , caixas, còlhè'res, éspuráad&irás^ 1 â?l á t4i% ií] ti'é%V 

ferragens,' carros; comV> t&'iúbém ôs' v t/efci<ff<^ : cfe àl4 



<►* ! 



godào, lâ/^oaTinW/pâ^^^ 

mós escravos, trabalhadores. Tiídò i ; st8 ! 'á quaíò^íe^ 

preço que seja j se deve tirar ! de Portugal ,* a^ím 5 

Como os râatepiaes paiV Vconstnicçiró de cazas', •£• 

- outras 'diversas éótocrfôftidadfflf cfá vídãV*'"' : " ,: "* 

f Como todos os pro^iictbs f d^{a^{dàn(á^S6i'é<^if§M 

tiluem uma mercanciei* volumosa 1 , J áe 'ém^ré^ari! 

muitos navios ná còndiicÇ.aoao aèsiicar', "'águatâcn- 
** *í »~ i. . • * " \ '. • i • • • . > ' 

te, e melaço. — E d'éste ^iro, grahde ; augnlentó 

"proviria "na industria e coiiirnefrciof tira ífl&i pat-rta, è 

grande tenda J para o' Estado/ '" '? r "? ° ' '' : • ' 

Continuam ainda a clámaF algims^nbm^ns, ' pot 

interesse próprio ou malevóléYicíá,' póT 1 r^tioranoia^ 

ou em ( M pela ndicutá 'Ma^fa^i^ef n^^t^ 'Mfl4t*li* 

\e'yulgar entre nós*] de ?afíá? mal f d^ triâò- efuô'^^ 

cional', que : asíiháV dê ; ChWVèr<í<v< rirídà ^ddiam 

produzir, a não ser a urzetlà. Entre 1 tírversbV mò«* 

tivos uns mais írzazoavefé que ôfe outros, ai2tein en 




ò!e gf ande* importância. — A1g6n^-âlIê^th M, a'^ud& 
abundância d'agua. Quanto ao primeiro,* temorirré- 
"fnos semente, de que só a ilha de Santiago, ou S. 
Jíntâo são mdiòiáqué 

^ OuGúádalupa^ 'O secundo jk tè : triós* fetatidtffttt^ 

ndoàa 'ágricHiUuí-á^dek^ 1 PtoviricfàV ^testàffáfc* 

* per"suadictoIs ! de quê as' ilÍiW ; de Csíbò-Vtfíde f>odtoifh 

" produzir uma cjuaiiticladê H^stfbàr,* f^tfmettàs í£il»l 

áquetla ejue tlàb as iíhâs í)iria , már(fif&a^ rí ò^t debi- 



ca 

■t 

ta 



— 37 — 



«*. 



-t^^lecjnrientos Suecos fii^.qye yaiitageiu já nao 
Resultariam d*alíí! 

; Porem aonde e5ta, ; çulti.jra..em, maior parle (Jevíft 
*er tratai, Ves ta Província, e na Costa dcGuiné. 
Q obsf&qulçqjue encontramos nas ilhas, peia falta 

.4^ combustível para o fabrico da a^yardenie, [pois 
paja ; o assucar e <jua&i. sufficionte o bagaço da caa- 
.WJ ■'* d tíS W arcce > e amai) d'obra sahe mais bara- 
ta. Semelhantes estabelecimentos alli podiam a^ij- 

. da^mepte rivaJisar com todas as outras colónias de 

* '» '' • *■.. '"'•''"3 1 

I or.tugat cçpsiiiijirjfl o assucar só d^sta pravip r 

• " ' •' ' ' ' ' ' L 

-•£ |a 7. e ,,°*: S l,l r°,s paiizes,da Europa que nao tem'ço- 
Jcmias,, lambem,, viriW prover-se. . Os Inglezçs, 
Francezes e Americanos alimentam toda a costa de- 
Africa com as suas aguardentes. 1$ este comrnercio 
seria então nosso monopólio. 

Se temos enLrado em muitos detalhes do fabrico, 
íT assucar, e demoradoçiips sobre a quantidade que 
antigamente extrahiam .'os Portugueses das ilhas si ? 
tas no Oceano adjacente a Africa occidentai , aon? 
de a canna cresce em abundância sem cultura : é 
porque estamos c&rVfchclcfòsV klé^àe' aib<t»*darú o 
'dia^e&i qué todos \\% l ó : d&^rfôl&ôtf aidésq da^pran- 
tò e' ; meKiór^aicteessti^ò tíei&úflLó «fafijeo xJerescru- 
f os , e cultivar a canna d'assucar nas bossas pds« 
jjessoès  ? frícílrràs^ dk5 Y 4ue priVandòtse assfm doàbra* 



iji 



portátil ánmitiltófeáte^i^ilfeQfe9»deilfln:f|, '. cl. j 



'o*saes, q tle a istia propriedade alkaíttia ficará àmdt* 
decida "péla âbuhdâncià deste*. *■*-•• 

Este objèdto merece entretanto, fepetimo-lo, mu? 
•*ef lèi attengâtf dd Grcfverntf, e' devia 1 sè examinar * 
fcu! lura das plantas alfcálírtâ* ria* ffcinlféte ittias Ca* 
olarias, cuja sodacíonliecida no ttommercicr, com a À- 
nominação de BafríFbá de" Tetoeriffey ftftmedrà- 
to lograr occupa apôz da de Alicante, fi' de pre- 
gofhhr qtfè »ão seham dfe dar pedr neste wosao Ar«í 



tJtn objecto que ainda na industria poderia cons- 
tituir uma mercancia de exportação, éa fáriWhade 
mandioca (farinha de páo). Com quanto pot ora 
a fabricam etii mui pequenas qi/antícTacfes, e' ttiuítô 
tida, mas de certo esta industria nâo Tia decrescer, 
não sendo 'livre de direitos a aua entrada eu» Por- 
tugal.— 

Sèrvem-sC para eíle flui os insulanos, da ihand io* 
ca de regadio, cjue é tnelhor;' esbrugam-a, cortam 
em bocadinhos, seccam-òs ao sol, e pizam nos píllões 
de páo, como os já descrevemos nos usos do ihííbo.. 
TÉT esta farinha fazem os melhores cu$cut 9 ou sè ou 
'misturada com a de milho: também pão de lo er- 
cétíéuie, e biscouto pata embarque. Alguns fa- 



brfcua da mau$oc* muito bom pol^bo 
cornai*, melhorou* no Brasil. Faxop-a d* man- 
dioca fresca, que derascam* rajiam, e deixando*a 
estar çtssioi 4e mçlfco §»or <|o,ze horas , espremem f 
mudando de. agua, a.ié wío aer amarella. Então o 
pato* que atsetitfa fto fundo 9 f ceco ao sol dá a ex- 
celente gfroma* 

Também faz&m manteiga eqaeijo do leite devoto 
ca e cabra. J^wanteig? jfei^a na occasiâo dos boa» 
pasto* aa esiaçáo céu voaa, émuit? bp#; jmtscomo 
anão tangam * pouco cuidado e acek> guardam na 
sua conservação, eip pouco tempo perde bojn sa- 
bor. Vendesse a 400 , 500 , até 750 réis o frasco. 
Os queijos tanto de vacca, como de cabra ou ove* 
lha, com quanto eejão muito bons em frescos # tem 
o mesmo defeito de terem pouco «ai, e assim de*» 
truirera-se depressa. Todavia em geral pouco se dão 
a este fabrico, como preferem sustentasse com lei- 
te dormido , {azedado d'um ou mais dia»3 W* mct * 
tem ejjj, vazijbai, holm*, qjie nunca lavada. — 



.\ 



li. t 



£ís ahi o estado da industria do Archipelago Ca- 
bo-Verdifup, Temos' vistq quantos e quaes melhora» 
mentos se necessitam em todos os ramos ; para os 
facilitar porém e pôr em execução, nada é táo çon. 
Tenente como o exemplo da gente rica e influ- 
ente do paiz. Estes porém ou muita vez desconta* 



jcrm a jmportançia dè qualquer metfootlo que selhe# 
indique, pu desfalecem ante tini benefrcip futuro que 
não podenjflp perpeber, antolham mui remoto edu* 
vidosp. Nada portanto no actual estaío da provín- 
cia seria tão ppnyefcienté, como oexemptô daautho* 
ridade superior, ás. reçommèndaçôes y trtsinruaçôe», 
esfifnu}o| e recompensas 4 o QoYepH* d# Província ^ 
que deve ser çempre poníja^o a um homem instrui? 
4$ e çreador^ que ajudado de naturalista* e téphtt ològos ' 
Jjaheis, posta promover todos os mel iiòramentos com- 
parais • e <jue fcavifio de etevar àquelie rico torrSp 
africano ao alto gráo da^rattdexa e prospéríêade, p^ T 
r$ qué ia ventura 6 parece ter destinado» 



.i 



i * 



Quanto a Guiné, nos estabelecimentos Portugue* 
jses è impossível até procurar vestígios cie industria. 
J? entretanto rjãp podemos dizpr o mesmo dps jndi- 
gerias : antes, pelo confrarjo » denptam gran4e ap- 
Mdào para todos os officios meçanicps , enibpra ps 
ttâp exercem actualmente pom perfeição. 

A ss im os Mandíngos Al ouros' são mui engeribo- 
sos. pjam, tecem, e matiuam panqos de ál^òdâp; 
ainda que não com a mesma perfeição àps das ifh^s 
de Cabo- Verde. São ferreiros, carpi ntelro$, esotffir 
yeis serralheiros. Vi uma espada fe;ia a imitação 



—to- 
das nossas, que nada ftatre» deixara a dmejar* Cor» 
tem bem oe coito e peites , dâoflhfts nór» f tmi* 
tam perfeitamente a maroquim • cordovio. Faceai 
bolças para «aça, ^pdvertnfcc* de ©bi&ee, oabtftoe 
com couro primorjorfaroente. Aos obreiro* que &M9 
isto, chamam caramgue* [çapatetros]» SâotllAS qip 
concertam sdlás> ftfceia bolhas como carteiras per* 
arrecadar papeis, *.mbar, ouro, cocai, etc, ; ejOVK 
trás aonde g«a#darai«s s*m feitiços ou laUypwn, 

J3ncontram-se não monos hábeis ferreiros qpe f& 
«em lemes para portas, : arnta*d& gftleiro, £r* fos, es» 
tribos, esporas, etc. 

Também aqró taabrfamos ,. que. em tpda a G^inl 
se fabrica a&site eVinboAe. palma, . uma espécie da 
cerveja, e outra bebida chamada mam6ttK? ^ue abeu 
xo discrereremo&b 

Pe çhaticp tias pai useiras faiem como já d issem os 
o azeite { mas querendo ter a. «infra de palma , *?» 
bem ás palmeira e tiram as foli&as velhas., deutw* 
do só os ójhosv A arrore rebenta entj$o tom foi$* 
e predito <Mi c&aho grande , era quereria a#) 
chaveo. Com ttma facac fateqa n© fxí 4o fttfQ um* 
incisão , e appl içando uma canoa grossa tapada ©o 
fundo f aoi)c}e cerre o sueco , tiram assim ri*um* 
noute mais de cinco canadas, Secço o ff Mio, furam 
a arvore junto ás folhas, e tornam a epanbar ornai» 
sueco, W verdade que estas mesmas palmeiras , já 
nao podem dar azeite ; mas a grande abundância 
-que allí ba destas arvores f consente ambos es» 
tes usos. Das tamareiras servem*se do mesmo 
| njodo, JEsle sueco em q«fi^^ fresco, é como mos* 



I&âoçni ufas expo*lqf ao $pj, fepmeqta* e.entãft 
*& d p^l^^ar 4*^ gc«tí0 lè)e pode rçhar gp^a o 

A ^tombem éxtfàbeoi dqtoais fo*4*9 gamadas 
tfiàrnpatp , que pfoam e . fofarart*m com agua . Do 
ftfétqtt* taodó ftsem tatobdra «ma cerveja da milho, 
{ãfetiit*ttdtt*lfce certas niisésy Dd ml fervida e frr T 
^íéntad^bbm agite cfa. milho preparam ainda qutrç 
bebida fedofe^fca e*#}tiero|a, Gfqe ajphNp pbwm de, 

fttíc*av' ■ .,.-,'. 

- Oi Etófíá^ttia febriòanv *al 9 Jerveudo a qgtfa d* 
mar çm tacho* 4^ barro. Bste$al é cjawy mas mui r 
to tniucto, pfela qqa.apesardefhurte* p dft^ i\h&> de 
€abo-Vfcfdc hoa valia «a Çoata «|e Qutatí, * hq in 7 
téfrfar , ffete é pnaferidb peio getttkt, 

O* Jalofqs fazem também a tinte <ta <ft*U* <juasi 
êò ^Mnrado^ otmò já d&ttaio* f^e pfgcçdia no. 
&fehi|tehi9Q- Àpahbao* 88 /olhas do« adustos., an-, 
téMftftua frdatiftcaçãa, e soa quantidade nepes^ 
ffr fev* líií^imirteéíátftiiieptet #» som íttiHia* -*j 
Q^y (jUde^èotno ^fpsadUq r $âv múiformatwc {dg 



' - »* li 4 .• / ' ií i / . > « ( ' _ 



1 . 



•v..: 



Çotnrtttxáo. 



I>a nossa reteftte e* posição doestado da tppj»» 
puhura e industria n'esta província, bem f aril 4 
fJédoisir qtião minguado é o quadro doeffnímejpiopa- 
fa o 5 Arcbipelag^Oabo-Verdiano: Ootta» «ircuas» 
tfepjfitft tttcorretn em qtfeam a (J*íne, — 
* • ••*.«*., 

: NSô no* foi possjtet aliançar» esttamcttaeatoa ai* 
gims necessários , ou fteptfttf <fue jáscnp sdpohadoa 
fi^ Secretaria* datado, emtóhòf n^tfl) «aleftpio <do 
trevas e ipysierios; e sem semelhantes dadesafr» 
piaes impossível noa eYa arranjar qom cbotsiapeegâo 
inappae do balanço d* exportação * importação > a 
Omito, difficil apresentar vim quadro histórico do 
commercio f)'etta província: como elle se lormou^ 
como anilou , o finalmente pomo principiou a de&- 
piar. • . ' . 

Gostoso- é atil analysas a origem a receitar oa f*« 
Diedros- Tomos entretanto colhido qqe -podem** 
Pric&Dtrat? f se nfto 00$ sej>á poMtval <outt'or4 co»* 
phrit sobrace assumpto uin trah^bo o>«^ refulgi* 
esperatqptqueipepqas mars itabei» «o queiríto acçu* 
^ ar em qtn o^jec^o de taaiau^a gravidade cotttp é p 



commercio d* uma vasta, rica mas abandonada pro- 
víncia.— 



Às ilhas de Cabo- Verde e principalmente a de 
Santiago, forão logo. depois da sua descoberta de 
grande importância marítima e colonial, já como 
centro de todo o trafico com a costa , j4 peio con* 
curso que alli havia de nacional e estranhos. Os 
que passavam a equinoccial , ou íào para as dilata** 
da» viagens das. Índias f allí sempre çe previam de 
mantimentos e vitualhas. . 

• Qs lagtapa «• Franceses , Holl^fi^as .e Dina* 
marqucoes d'allí levavam para atjsuas colónia^ d!Á« 
merica , gados ? tarkarufan % j#a* * palgadp» f sal , e 
todo o mais , que 14 careciam e n*este paiz acha* 
vam<*l» obowdaiuriaíeQOBi bar^^a: aoinwiçrain- 
e\a : pela liberdade f fraaquftz* e. bom acolhimento 
com qoe erão recebidos* ,c tratados em .todas a^epo. 

'Lagp tdeads principio., o, eomip^rçio ecçt livre 
n*<?s*e Aroiíjpalagoy pertencendo exclusivamente 4 
coroa o atobar , sangue de \ «drogo , e 'tuit^cuga , *J 
inuSfo depois fcaiwkwra a nrffftU*. .íí.«sta eãtftdo?sftb< 
sralíb até {75õ* qiie fof arrendado junti^rtteteooi 
o de Guiné á Companhia do Grão Pará e Mara* 
Bim«9 qnue «turca ale 1778 , e foi »ub*tikuid*t «aos 18 
èfí úèéteqibrv èe i 1780» por outra, ntQ<) trafttio se 
de&on»iaava . fíammarçuo da (JoUa; diJtfriw* ,* W 
cruit{y*fite:<ge ottaudta desde; q Cabo Br<mCQMP. do 
d*$ Pafmrtt t > porém **>m Juut^paecp*laraç00* 
o ^V<èí£W^ '^^esi^r^os resiirliaáoe jfcora a Pruvin? 



i 



lia (alguns bem prejtidtciae^) do estabelecimento de 
Êaes companhias, todavia sempre térnsido estecom- 
piercxo rniríto vantajoso pela sahida dos productos 
"da soib e da induzia de Portugal , em troco d'aiv 
tigòs preciosos , .e principalmente -pelo grande nu- 
meto d'escr ( ayos qrçe tirada para cultivar o JJfrà- 
sil/ As Hfrhs de Cabo-Verde pòr longo tempo er&6 
/como um entreposto de /éserdyos ée Guiné, $!!• 
mentada ou pelos oacíonaes otf peles Francezes ifrate 
iarde, que os traçiàip do Senegal 9 Gore é Benfim, •-*• 
Depois da extincçiJLô da Companhia do Oom men- 
eio da Costa d 5 AfHea p commercíd ficou livre 
aos negociantes portognezes. Forem sendo abolida 
a mola real d*este negoefo, — a escravatura, mudou 
(totalmente de face tal commercio , como veremos 
abaixo, examinando a parte as ilhas, e a co$tádp 

' As relações commereiaes com Guine' dafarri já 
jânlès do primeiro meado do XV:*setítjro, consistin- 
do o çomínercio d*éxportaç&o 4'aq^ellei pai í es já 
então em òijro érr> pó ^'escravo* <é pelistf de lobos 
marínfapS; — Not# 4, ' 1 

" Os dentes d^elefantes no principio rjio se encònC 
fraviarri , ou pefò jtoenos faâo erão objecto de mêS 
juancia. — ». 

O primeiro resgate em Guine fez em 1442 Antão 
ponçalye? *. -r- Èfota 6. 



• fSeg. a Chrronfcfe do Azarara. 



? :. 



Em 1469 ji se fazia çoia paz e sem roubos , co* 
mo d\p fiairos » parque o# preto? já twerâp olgt+a 
vwiicla da verdade pelos beneficioê que recebido a*sí 
oa Qlma como inicndin&nto* v Todayip o$ merca.» 
dores pada pagavam ao estado, e visto a de&orden) 
imppssHvel era estabelecer um fisco, J?atão íH-Rey 
arjrendou este Çom.mercip ejn 1469 no mez de No r 
Y£i&bro, 9 « a um Fernão Gomes , cidadão honrado 
çfô lf isboa , por cinco ânuos* com a retribuição au* 
nua) 4* 269$ *«• Teve porém o. arrendatário aeoni 
djção deslescobrir cem legoas de çosfca.cada apfio, 
coroeçanoV da Serrai- Leoa , aonde acabaram Pêro 
de Cintra e Speiro da Costa, Tampem o marfim to, 
fio qua comprasse 9 havia de yende*lo ao He! a ra* 
zâo de 1^600, rs. o quintal, Pois o Hei se tinha 
obrigado por um contracto anterior de P qr rematar 
por maior preço a um Martirn Anes da Boa»viage, 
Todavia não podia Fernão Gomes em virtude do 
çpnfjracto,, reggatar na terra firme defronte das ilhas 
à$.GixkQ* Verde, reiervandp este trafico aos seusmen 
radores, ppr serem do Infante D« Fernando* 

JSsjte contracto findou em 1474, pias graças a hon* 
ra e zelp de Fernão Gomes que em 1471 descobria 
o resgate do ouro d^A^inft, $ste negocio e o com* 
m4rci0.de Guiné 6cararnj|á de. grande renda e pro- 
veito p*ra o Reino, — 

-Desde eotio jweejfrpo^ <jue não houve em Guine* 



♦ Barros. Cecadò X. lâvy.2». Ç*p.,£, 



Hrífendbrtiento áé còmmerclo, anterior S com^nhi^ 
doGrâo-Pará e Maranhão: salvo os privilegio* pbi* 
#kes 6 tem pó mes, concedidos pelos fieis aòs tlápi- 
tâes-Mores de OacT^éò é otftms, dè tòtmMrciarem 
exclusivamente h*algúm ^dos rios que atravcfesaiii-es^ 
ta parte d* África. 4 'todavia aítidaquant d |ior mui- 
to tempo j *e até aos reinados do Fríippèi 5/ e -4/ 
te tem conservado activo o cotnmercio é a navega- 
çSo Portuguesa para as possessões d 4 Africa , tfem 
se pode julgar, quando as etnbftfcaçòVs partiam «É 
trottais* e poí tim Al Vara dte Í7 de Novembro de 
1621 , què' também s* refert» vOufaé, foi prokibi*- 
do dé serem menos de quatro navios que partissem 
èm comboio; Hoje passam annos, e mesuro actuarP- 
ftiehtefcâò hanrm om navio que faça expressamente 
* 'cdmtnetóo de Portugal com a Guiné, -i- 



O Commérclo da Provincía das iliias de Coto*- 



* P&s tanto a Cotopafchia dé €abo*\íè*l« eCadShefi 
fcreada í>elo Alv. de fê: de. Janeiro .de <tft*0 eprorogadf 
«ás 24 ée: Béfâtàbro de il(f94 ., eomo ,é 4. Companhia de 
ifakitaê ateada por ufa Jbearetp <|e là de Julho d> ( 1?Ç£ 
*raò meramente Companhias d*escravatura , com pouco 
ou nenhum fim commercial. . 

O Alvará que estabelecei a primeira aliás bem raro 
hoje em dia ; é bem curioso , e por isso juntamo-lo pdr 
e*tejiso. — * Nota 6.-*- 



Ver4* t Girine actualmente pode-se dividir em lie* 
ramo 1 » distinctos. 

. 1/ Interno r ou Costeiro* d'uftia* ilha* ^rráouK 
trai, è as rçílaçoes cora a Grume'/ 

£.° Cómprehendéas negociações feitas' com Por- 
tugal , Madeira e as ilhas Açores. 

3«° Com os » navios estrangeiros que alií apor- 
. tafò* 

O primeiro que sem impropriedade sê pode cha- 
mar de cabotagem, consiste na troca dos produc- 
tos das ilhas , conforme a demazía* dalgum género 1 
n'uma, oir a sua falta n'outia ilha* Assim bantia-' 
go reeebendo o sal da vizinha ilha ao Maio; forne- 
cera com miíhoy azeite de purga, qguardente, as- 
sacar , e outros géneros que exporta também ás vi- 
zinhas Brava e Fogo, em troca efe porcos q^e.prin- 
cipalmente da primeira vem em abundância. As 
ilha» de S. Antão e S. Nicofáo alimentam de todo' 
a Boa- Vis ta *- Sal e S. Vicente ^ e recebem sal das 
duas primeiras^ 

Haverá outo pequenas embarcações i córfcó lam- 
botes e chalupas que andam iTeste giro , e não dei- 
xam de fazer bom negocio: sendo todavia o princi- 
pal artigo dasu* ganância o frete do milho*, que 
paga 100*-*-MO ré* por alqueire* 

Por Decreto der 7 de Maio de 17dfr foi estiabele' 
eido o imposto* de vinte réis- por alqueire de milho 
que se exportasse; por útn abuso fetti*Be' potéln e§* 
tendido d'enião para cá, ao que sahe d'utháisr ilhas 
para outras* 



Também aqui déramos noUr a reexportat&o das 
mercancias portugtiesaaou estrangeiras* quenãovejf 
directamente aos partos de pouca monta. Este com» 
Inercio porérn é JBuiiBsigniAeante* narasão doatrar 
to dos habitantes e poucas «ias precisões. Todavia 
devera de augmentar , se as communicaçoes d'uma? 
finas para as outras fossem mais frequentes, e a in- 
dustria mais promovida pelos governos*. 

• 
O comtnefcio com o conMneJite d* Africa,, e fei- 
to directamente com as ptagas de Bissio eCa&heo r 
As ilhas enviam para alU os.seus paonos, aguar; 
dente , algum tabaco, sal > e diversas faseadas pre» 
viameáte importadas para o Arcbipelago. O com? 
mcrcid dos pannos diminuía consideravelmente já 
pela exlinrçâo do tm&co. da escravatura, .como tam* 
bem pela insólita affluencia das fazendas d* algodão 
Inglezas e Francesas» Ainda ha poucos aunoa che r 
gava a exportação daquell.es a quatro até cjnço mil 
peças, dando este negocio ate 80f.de lucro* Os 
de maior consumo e preferencia em Guiné, sâpjqs 
ordenarias y os de agulha y lUla/ora, e oxá* sim* 
pies,-— . 

Em quanto a agwfcfdebtè de canna* ainda vão 
anmaalmènte para Guiné . ate*, 1200 almtides que 
custando no Arcbipelago 4^ 800 — 6^ rs« lá ^e.vea» 
dem per doze rnil réis* 

i-mitrooa d*&quelles géneros trazem escravos pa- 
ra trabalharem as terras, cera, ario/, inaptas df 
coastrutç&o ,< mar.fi m * e algum ouro , porqui raras 
veaes , e en» quantias mui diuii/iuta*. 



-.64 — 

ítrfeltómente esteeofritHémio, a ioda qufe mulio* 
Itictafcittf), sefiéc feito eoni regularidade, 4 erai^ant 
de e qiwrti -lotai abandono* deixaiido <*-«ie$(rò*n* 
tes PòH^uezé* eétabelecides á é Mé Arcbjpelftg»* 
*proveítarçín-*e d& sua apaibik aos estrangeiros 
mais itfMlígentés nòS seu* intetesses;— 

O itgundo iatoo é filais impòrtàote * alada que 
mixtò do activo e pa**Hro,c<*B0 temos da qualida* 
de dal importações e exportações; De PorUigài vai 
pára Gábò- Verde lenha , cal , taboádo de pinho , 
azeite; bòíaxa> assacar areado/ doce*, tinbo, ro* 
trox, chapèo*, é nrafe fazendas cotóoa%odâo> chi? 
tas, ferfagens, quinc/uilbaf ias , éíc. , eia mor par-» 
te produétos estrangeiros. N' outro tempo linhal? 
aqui muito gasto' oê offepeòa nactonàetf de Braga* 
pòtétíí qtíasf áe todd já abobou esta exportação; 

Todavia com satfe&ç&ò devemoí notar ; que com 
qttàtào étfte cômmercio n&o sejaregalar, ao que não? 
jjòúcoéoricòírtftfjilfadBÍma^iM, osquaes áftoha de 
alliíguer, nos últimos anão* têm oòntorrido mate d&* 
tíos de Pòrtngát/ é a ] gim«do £ofto / sendo taiv«ff 
toda â suk carga de pfoductos nacionaes das fabrí? 
cas do Porto, Braga e Guimarães, e paFece-nop 
que ftgora já stfvai eMabéfecevido ooròr Regularidade 
este còtnmercio da Bf ettopbfe com esta Provinéidi 
Tatitó mais que esperamos" cosi fundamento, qufe 
as commuuteaçôes ou correios regulares f tantas ve# 
tes decretados e esquecidos , actualmente permane- 
^eeifto seín inteff up§ãò. j— Nota 7~ 

Em troe* d*aquelles géneros, actualmente o que 
se exporta para Portugal das Ubás de Cabo* Verdey 



k apenas algum caffe, e as Teses milho. Para aMtffc 
deira , donde annualmente vem quatro ou seis bar* 
ris de vitíbo , também milho e sal , que ultimo vai 
também ao» Açores, 

Eis o esboço docommercio eom a Metrópole* Da 
ursella, cèmo é do contracto, adiante fatiaremos 
em separado* — * 

Quanto ao caffe , já o teínos exposto em tfataftd* 
dá agricultura, apenas servindo de amostra, não po« 
de por ora formar um objecto importante no com* 
meroio; hoje não passa atua exportação de Zff&QÚ 
arrobas, apesar deter muito nos últimos annosaog* 
mentado a sua cultura. Ainda ha poucos amos atras 
não vinham a Portugal senão algumas saccas para 
prezenles, sempre pois cá era muito estimado; na 
Praça raras vezes apparecia maior quantia , nem 
assim podia deixar de ser , logo que vindo diurna 
colónia Portuguezay pagara direitos mais fortes que 
o do Brasil, ou outra nação estrangeira. Hoje po- 
rém que o Oovetno Português principia a olhar 
para as colónias com seria attenção , entre outras 
salutares medidas , já decretou livre de direito» o 
caffe vindo ao reino das possessões ultramarinas. 
Desde a publicação deste decreto , consta-nos, que 
muito tem aogfnentado as plantações de caffe no 
Arelripelago, e em breve ha de mudar de face este 
ramo de commercio com grande vantagem e inte- 
resse na recíproca negociação, tanto para a Me- 
trópole, como os eolowos. As ilhas de Caho* 



Veurck * a GuÂué hem poden* fornece* o im<?wafí<* 
ctfíe para o coaat} mo. de Portugal, -w 

O milha eo feijão faziam ouif'ora unfriplflresssWr 
te objecta d» aoBiinarsio na aaoual exportação pa- 
tt a Reiao> Madeira* **CanaJíia$ et«; ppis po* 
si ti vãmente vi abam allí carrega* oste> gefier?Q* 
Hespanhoes e Franceses , como consta pelas en- 
1*èda*. da& sl&adegas da Pro)YÍfyjia> tfcjè qua eila 
safo* unfeftinettte da* ilhas, dp F4>go* Brava, 8, 
itkiolÀQ. et %utó. de. Sku»ti?go; 9 leu* 4i»iai|ido coa- 
*jfcki;ayetaeate e»|a t»p«tfl3Çfco * Qtoda 4«e i*ão h* 
muiliOA anxroa tsttfiâa. $afc&fa pat8,ej*&* de 4#0QQ 
mom psfc* precedei 24íK** «O.Gfc ra- o> aJqiieim; sen- 
dfc »j lafidida tnms <te dfobw) da d* Lisboa* 
.' Agojít praet» e#n opftdeqfjetick* da* Hjirçtança da 
Çrp^erngç.ç, ttofja* íu^tuiçora em Pocto^*!:, tfc*it«* 
teri!eA0s,i&Qtjito9<ej baldiDs forêo^enJsegues a sgíicttlt u- 
», * m& áece sjâtaitfto ovReítfo. de- eereaes imporá 
tados, te de ftnd*ç.e*te comnieifttp, aliáí* iterativo; 

sté agora. Mafrt^eagueresitiUara.dVibi ofol*ía«o-i 
c#$s_o » q^i». os t colonos egp pregara meMtor seus te** 
*enoç , QOjbr iutWrO^ çojj* caRe^ae* e Qutías planta-. 
£<ste«: d# psoduetos. e*oUep<* — 



O terceiro rauao-de commercto, ~.aqtieJle fcilo com 
os^eajTun^eiro* ú o i»ai$j>rejudi£ial, seudo todépat- 



! tfvó, é o balanço das irriportaçõeé e exportações é 
de todo désaVantajosõ pdra a Província. 

ois não é sobre o valor" no^ mercado (Táquélléà 
proíuciòS j ma* so5re a $iía natureza , que se dteve 
estabelecer ò balanço do cottmiercio \ asfsírrf p. è* 
ós estrarígeifos lucram ^ ficando á província fezada: 
pois dando pof comestíveis preparados é outroà sé^ 
flielhantes objecto?, productos ágficuíõs, ficam com 
ftérdá, julgando qiíe fazern úih com mer cio igual: 
sem se fembtarern' d** qúe ò Vàíor inírinsiéo da fa^ 
aferida que compram, é apenas a sua quarta parte. 

São os Américàriosr dos Estados Unidos que fa- 
zem principalmente este commercio; trazem' comes-* 
tivefs, corno manteiga, queijo, farinha de trigo' , 
bolaxa, arroz r Carolina,- chá etcV e também rou* 
pas «* mofeis, fínalmérfle tudo, indispensável não 
só para o passadio, mas ate' o necessário ao confor* 
tabíe da vida.* Sito eTíes que vestem todos os insu- 
lares corri um tecido d'álgodao cru, vulgarmente 
allí chamado Paulino , do nome d^um negociante 
que primeiro o trouxe a esta província. 

Ha duas cazas Americanas, que de pais em filhos 
não tem outra navegação, se não esta das iíhas de 
Cabo- Verde, que em cabotagem correm ém alguns 
naezes do anuo, fazem as suas trocas, e voltam pa- 
, ra os Êétados Unidos, paia no ôdoo seguinte lazer 
o mesma giro; 

Os lngíezes traiam fazendas secc&s de linho, 
algocíão*, etã, — •Cal, obras d*; ferro, carvão* de pe- 
dra etc. ; todavia geralmente não levam por isaò sé 
wSo dinheiro, O £ommercÍo eom os Americanos en- 



tao entre todos os estrangeiros que abi importam 
fazendas, è o mais conveniente pela troca que o 
constitue : fazendo elles acquisiçâo de todo9 e quaes- 
quer objectos. Assim exportam das ilhas, caf?e> 
couros, peites de cabra, sal, hoje jà algum azeite 
de purga, e mesmo cobre velho ou cunhado, poi*. 
tas de boi f ossos etc* # O eommercio das pelies- 
e couros è muito vantajoso para os Americanos, 
Até agora pagava o vendedor h por cento <le sabi- 
da. Seu preço variava para as pelies de cabra de 
100 — 300 reis-: o dos couros de boi é geralmente 
75Ò rs. , quando nos Estados Unido» seu preço or- 
dinário é 2400 rs. e daquellas 600. Jà nas Cor- 
tes de 1822 mui sabia foi a proposta de pòr uma 
imposição de 10J rs. em cada couro, e 30 rs. em 
cada pefle, exportadas pelos estrangeiros, pagando 
os nacíonaes unicamente um por cetrto. 

De grande utilidade seria esta medida, por» aug» 
me ni ária o rendimento- da Fazenda, sem em nada 
afrouxar o eommercio. 

O eommercio de peííes foi sempre mui activo, e 
antigamente quando havia milito gado bravo, ainda 



* Sería de desejar que o* nácíônaeS percebessem esf e ne- 
gocio, e fossem elles que fizessem este eommercio- deper- 
íruiaçaa por aquelle» objectos q&e podiam entreter a in- 
dustria nacional. Só um negociante do Torta, Si. Souza t 
que do mesmo modo praticou em 1#36 na sua l»* via- 
gem a estas ilha» , « párece-nos que tem continuado. — 



— 69 — 

mais. Consta dos antigos assentas , que n'um anno 
só, forão exportados da ilfaa de Maio ò$ pellcs, 
-o que também refere Dampier. No mesmo a n no parece 
4*hjr*m de S. Nicoláo 3/650, unicamente das 
pertencentes aos rendimentos Rcaes. — 

Nos annos de 1792 e 1793, exportaram os Ame* 
ricanos 30$ couros a jazão de 750 rs : foi isso ena 
razão d*-uma grande secca e mortandade de gado , 
proveu lente da feita *ie pastos, — 

Agora ainda que este com mercio émais diminuto, 
sabem annualmente para cima de 3$ pelles , e 2/ 
couros* 

Na exportação do sal sempre .consistiu como 
ainda boje o commereio de maia consequência f 
pois qt]f> geralmente os navios Inglezes, Hollande- 
zes , e das Cidades Anseatieas , que vem a carre- 
gar n*este Arckipelago, para levar á America do 
Sul , o pagam de ordinário em prata,. 

Esta exportação tinha afrouxado algum tanto lia 
vários annos, porém agora tem outra vez augmenta- 
4o, de maneira que o termo médio da exportação 
annjal podemos avaliar até 4>$ moios. 

Algum como já dissemos vai também á Madeira., 
os Açores e Guina. 

Antigamente quasi que não carregavam os In- 
gleses e Hollandezes n*outra parte de sai, senão 
n'estas ilbew, do qual só pagavam SOO rs. de direi- 
tos por moio , retribuindo também o trabalho dos 
homens no transporte e carregação; porem como 
os Administradores da Companhia <lo Grão Pará e 



«-70 — 

Jty^pflliãflj Jogo que .es.t$ .33 : jestabei.eçQO , nâo qui T 
cessem açceitar os p^ame^to^ ,4os direitos em fa« 
«pendas, porejja só pinheiro? fjije não costum.avaQ 
| r&zer aguei-} es na.viog 6£tjineirqs. ? os íbrãp afugea* 
tAndo : de q&ç resultou alem do afrouxamento des* 
£e çprnjtnerçio, por alguns sinnos notável prejuiso 
$0$ pobres ha bUantes, ->■*•■ 

N' outros tempos jtaipbem gr#n4 e çopupercio .se 
fazia, das ilhas nâo só ein carnes salgadas , mas em 
gado vivo, <jue payrrega^m esa glande abundaaçia 
para Gayenoa, Guiana e as Antilhas, tanto ca*, 
bras, como «pachos., burros, cavallos e bois. 

Porém pe^ geando erecção, gue lá se for.mou> fi- 
cou exhaustp e ^pa^ac^o. este íiommofcio 9 yislo não 
ter feavidp neghtiiaa ppUçí$ n$ exportação , saliiii- 
do iadisUactanjte^te n^ichos e (eçxea^.-r-r* 

Actualmente f}í;i4? Sfche ct.l gum gado, cajbruffi, 
por.cn m e vacurp <Je rçfrççoo dos navios estrangeiros. 
■ Pai;íi as. possessões Fjfaiiceaas .e Inglesas ejn Gui- 
né jíão tampem, {WMiftlipegte jpui.!#£ porcos. P'es-. 
fei. maneira *iu)4a ehpgftrá p du^s, <pajji cabeças , o 
gado exportado j^e^o% estrangeiros, £omprando-o. 
por; um pieço *».ais,;c0rp do ^ue p coftrsptp #3 íco- 
yiiijcia. 

O jcprnmercio d* âmbar , algodão,* torta-, 
i^ga.quasi qu© cessou .totalmente. O pr inteiro does- 
tes .objectos já nha è procurado: tão pou#o igual- 
jmente se dão os insulares; a pçsca dss tartarugas. 
Q glgQdâo.oatrpra teve na proporção 4iMM££Ujtu«» 



—71 — 

ra, uma exportação muito grande ^ que veio a ser 
tão extraordinária, que se fui sensível e prejudicial 
á manufactura áos patinos, a ponto que a exporta- 
ção d * este género foi defendida eros estrangeiros com 
pena capital, pelo Alv. de §8 de Outubro del7tl. 

Os navios que vão tia Europa pata a Ásia, Ca» 
bo da Boa Esperança e America, geralmente nt 
sua derrota 9 ioèando por .estas i/bas, refazem-se áè 
refrescos , que acham em abundância e por preços" 
mui commodosy eomo o» apresentamos em segui- 
da. D*este. coramercio bons lucros revertem para á 
Província. 



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— 74 — 

Demos um ligeiro éáboço tiocomraércio das ilbas, 
e ainda nos restam afazer algumas observações; po 
entanto porém lancemos os olbos pára o seu esta- 
do na costa de Guine. -*• 

Hoje em dia, podemos' dizer^ que nâ$ Jia 
lá nenhum com meneio nacional. Àté agora côrnis* 
tia qqasi só no infame trafieo da escravatura,;' mu- 
daram porém as circunstancias , tt necessiía-se no- 
vo sy&tPina. N:io se pode, nem fe -deve já calcu- 
lar nas possessões Portuguesas da Africa çonj a trfêr- 
caricia dos escravos> -^ - r . J. 

Mas também em quanto Guine. não se torna 
uma colónia agricula^ e não se entregam aes£e mis- 
ter os indígenas , debaixo da 4irecçào , exetfiplo e 
estimulo dos. colonos Burojs-eos allí estabelecidos : 
ha de ainda por muito tefcnpo* ficar o çoaunercio nes* 
te • mesmo estado. £ as causas d*isso , acha- 
remos facilmente na apajbja dos- comerciantes 
portuguezesj receosos de empregarem os seus 
capitães, não tanto pela continua oscilação politi- 
ca do paiz, como pela sua ignorância acerca das 
possessões ultramarinas \ qué nerii saberb que objec- 
tos com lucro podiam tirar d*àlh\ — ' 

Assim todo o conímercio* de mercadorias, £Stá 
nas mãos dos 'Inglezès^ Frtirrcezes e Americanos, 
que de todos os artigos abastecem o mercado- de 
Bissáo e Cacheo, Pela superioridade numérica e-fa- 
bril fornecem armas -de fogo, pólvora, .espadas, 
tecidos d 'algodão, ferragens, et*;, por uift preço , 
que o negociante portugaez só com perda podia fa- 
zer. Desta maneira , são os Estrangeiros que. fazt»m 



— 74 — 

grande* lurtaressBS ms nossas possessões, -seguros qis* 
nossos navios aâ© irão alalbar o eorntnercio nas 
deites. — O paiMfto de linho e. as ferragens do, Mi- 
nho, que são artigos no Brasil tão procurados ees«* 
timados, aqiri não apasecem por que nâo ha espe- 
«uladoues que os conduzem. Tudo vai pala rotina» 
# a rotina antigamente levara tudo pana o Brasil. 

Hoje deviam ter variado as coisas * mes nào d 
aesMD. -*»- . 

Deste, modo, «otso já dissemos, sem alterai a 
legislação, não se pode cornar em Guine como 
comraercb das mercadorias ; sem a perder d» *jV 
ta, mas como objecto secundário, anime-te aagri«> 
cultura, e elia levantará o eomnercio. Elle nos 
lia de dar productos, eco que. ultimamente se env 
pregarão .capitães , navios, nossa .gente marítima, 
e assim babilituáremos os colonos a comprarem os 
ef/eitos de nossa industria. Pois também é «eceasa» 
rio, que este cammercio seja nacional ; a nâo o ser, 
fkariào só os sacrifícios para a fcetropote, rever* 
tendo os lucros pa?a. o estrangeiro»-^ 

Nos. primeiros tempos apòz da dascubeita de' 
Guiné, tirava Portuga] cfe&tas regiões* ouro, mar- 
fim, pelles e pimenta de Guiné. JBstes. géneros vi- 
nham em grande stbimdaacia, e a vil preço, em 
troco de quinquilharias, cascavéis, vidros, etc. £m 
breve, descoberto o Hemíspherio virgem, necessi- 
tava este de robustos braços para a lutta que prin- 
cipiava. — 

ÍJuine forneceo ainda e>tes braços que deviam 



— 76 — 

extrahir do Brasil e mais partes da America, ai 
riquezas tanto mineraes como vegetaes. O impera* 
dor Carlos V. authortsou e promoveu em lã 17 a 
Sntroducção d'escravos prelos das possessões porta* 
guezes de Guino para a ilha de 8. Domingos , afim 
de trabalharem nas minas. E é d'admirar que i** 
to em grande parte se deveo ao virtuoso Las-Cazat, 
Bispo de Chiapa, que assim pensava, tom uma phi- 
lantropia assaz contradictoria, proteger os índios. * 

D'então ficou sendo Guiné o viveiro de gente 
que ia alimentar o novo mundo. Porem a indepen- 
dência deste império, e a repressão do trafico dá 
escravatura, fizeram por assim dizer, acabar este com* 
raercio. A pimenta de Guiné, desacreditada pelos 
próprios PorUiguezes , do me» mo modo não existe 
jà no commercio, 

Dirão agora alguns, como é então que se diz que 
ee hão de tirar lucros de Guiné ? 

Ha muitas pessoas que duvidam até da proba- 
bilidade de poder jamais tirar da Africa outra cou-» 
3a, que não seja ouro e marfim. --r 

Em toda a Guiné não houve commercio d'azeite 
de palma, em quanto vigorou o da escravatura. A 
abolição desta creou aquella. Os naturaes habitua- 
dos ao trafico, é verdade que até no princípio acha- 
vajn custoso o pequeno trabalhp que se necessita- 



♦ Robetioson. r— Hist. d*Amoriea. lib. III» 



— 77 — 

▼a; apesar de que nenhum outro commercio' afie» 
recia menos dificuldades, e se tratava da única pro- 
ducção natural , que a cada passo se apresentava á 
vista. Finalmente tomou raízes , e estendeu-se este 
commercio* graças aos cuidados e perseverança d'al- 
guns negociantes de Liverpool. Hoje annualmen* 
te no rio de Calabar carregam azeite de palma 
pelo menos oito a dez barcos de 300 tonelladas ca- 
da um. Estes povos são agora pacíficos e bospila* 
leiros , compara ado*os ao seu estado no tempo da 
escravatura. 

A. industria vai neutralizando o veneno moral 
d'aquelle trafico, e assim os povos de Gabon f cu* 
jas florestas cbeias de madeiras riquíssimas de cons- 
trucçâo naval , mercenária , e tinturaria , eruo vir« 
gens antes da abolição, hoje alimentam muito o 
commercio, e merecem mais confiança e attençâo 
do que os negros da Costa d' Ouro e de outros pontos» 
aonde continua a escravatura.— 

Do mesmo modo podia da nossa Guine, tirar o 
eommercianle Portuguez, azeite de palma, éba- 
no, páo rosado, mahogono, e muitas outras bellis- 
simas madeiras , algumas especiarias, marfim, ar-» 
roz, pelles, couros etc* # 



* Jantamos &o fim , por julgarmos nâo acr destituída 
de interesse, uma tabeliã d'artigos de importação e expor- 
tação , em qne os nossos ua\ios podiam commerciar nesta 
Província. — Nota 3. — 



—78 — 

• As diversas go»màa : que a natureza- õ&m tanfar 
rfeffedade e riquéz-a -espàlhotf por emes sítios ^ eque 
tàftoz constituem o tttais impôftíftrte commercio dos 
Ffaticetfes tí<y l&inegaÈV nem suo procuradas pelo* 
nossos- iiátifó. 'iodos o* rios eo no o de Gaínnian- 
ia*, S. Domingues, deBissuo, Grande, etc. abuft- 
ê*m #'urn píOcr^ióBo n\irfterod«c«và4iWiiiafinhosv 
O cotaro e <*s dentes d^sfé aniphibié' 9»o dou* art i* 
gos* jsrroeu fados- no commercio e o/ie mewiiíairt 6^ 
ria? attençfto. AÍW rrifetizme*Ke esi»i*o D&ésfiBo aban-* 
dono que todo o mais,— * * •• * 

K de certo n&o foi o Governo sempie criminado,: 
que foi causa d^sto-, a culpa é da apatbiâ dos nos-* 
s*os negociantes. Os íngíezes tèem chamado* à Oaua* 
bia quasí todo o eortfrocrcio der paiz-Kmil*ofe com 
ôs possessões Porluguezas j e o» NqfFos do* iate** 
fior ,• não* obstante passarem pr-oxrmo^ a Geba ,* 
*âo 80 — * 1 00 legbas mais , prbeu rtir as tef r-ori&s»! n- 
glezas r- unicamente* por mio haver 1 nas nossas, arti-* 
gos próprios- para a commercio de troca com os Gen^ 
tíos y e quando os* ha, sào por um preço e*ofl>itan- 
te. A* vezes está em Bissáo ou- Cache», o t&ba- 
có a 800' rs. oarrafcèl. A aguardente a 1^(000 ofras-' 
co , quando no mesmo tempo se vende-esle em Gam- 
bia por 360—- 400 r*, e arçuelle de 80~~109 rfc. 
O negociante Inglez intendendo o commercio, dá 
ao Negro por um arrátel de cera Hmpa, um' de ta* 
beoo* trocando 80=-* 100 ps. po* 3tótt»~*.40ÍH per 
um arrátel de marfim , dá um arratal' de tabaco er 
meio frasco de aguardente , i. e. £9O->--30O 4 rs* por* 
600 — 800 rs. etc. Se as nossas posscssõeV tívéssei» 



tempre abundância ée géneros propilo*,, <}ue n«eev 
ntan os N*gm.-j hstviam . de aHrahir lodo esta 
eommsrcia*- ; 

For esse mesmo mptÍYo, já ao principio, d* d**» 
coberta desta ò©li€(uj*t* acabou o resgate de ouro 4 
ca*íia <ê rfefere *téHem«nha o4«|*r André Aivaret 
á' Almada. ",,.•;« Bti&en ftctífr wg&te [157S} cm 
fo*w« à drifofais eotóa arratciê efe owa., çn« Aa?*» 
«todo naqtóeiía cáfila +. por não. tew mercadoria* çan 
ifmiA resgatar * £*td ho§e ate rt$gat* ptrdidp* p&c* 
qut ha Saneou que. àeiU não foi n&w nenhum.* c 
ate* rriercedofei devem d* correr com o* 4» Tum* 
bòmfam , tttindo* que lhe* falta ^ re*g0te 4 «««99 # 

Assim no estado preseti te* a que se tem chegado 
pdla eontinuaça® tia viciosa mafeba , ena <Ju« ha 
secwlo9 se anda , parece-ao* .que sómeitfe compa- 
nhias exclusivas poderão levantar o commereio d* 
Guine 7 como teremos. — . 

No ultimo dos tf es ramos de commereío em que 
dividimos o da9 ilhas de Cabo- Verde, £0 qual é 
feito pelos estrangeiros ] ainda por longo espaço de 
tempo ha; de ser desvantajoso á Pravine ia .; gois, e 
baleado, sobre a industria das diversas nações -çom». 
mediante*. Q& £*kul®S: D aidos d' Ameriea tomam nas: 



* Tratado breve dos rios de Guine de André* Alvanz de Al- 
mada. — 1594 -~ publicado pelo Sr. Biago Kopke — 1341* 
— pag. 37,— 



— af- 
ilhas de Cabo- Ver de a maior parte (teste giro, par> 
tilhando^o na costa com os Francezes. Estes- vem de 
Goree # e S. Lufe para Bissáo, Cachei* e Zen-» 
guichet 9 - formcencto taes ponto» com sua» asmas , 
pólvoras, aguardentes, Kcores, vinhos, &c. tudo 
por um- p*eçr>- o mais intimo. E* Incontestável qué 
havencío liberdade ampla de eommercid , os nego* 
craafes Portuguezes não paáem em todo» os obje* 
etos rivalisar com 09 estrangeiros * ma» também k» 
taés cpie sé por apathia se lhe» deiaaa» es piorar. 
Assim p* cr. n*e»te «asa está a frrinhar de triga. Os 
Americanos chegam a vender a barrica a HQ# 9 
sendo o seu custo* a» rams 40 rs.- Porque* radio ofto 
apparecem pois lá algumas barricas de farinha de 
Portugal ? — . E tanto mat» agora qtoe o Governo 
estabeleceu uma carreira regular de Correios. £' 
forçoso confessar que, como este*, ha muitos gene~ 
ros ; e se houvesse prohrbiçãor aos estrangeiros de 
trazerem r havia ressentisse continua falta d v elles^ 



• Esta ilhota actuáfnlenfe pertencente a França: fW 
out^era de Portugal, e chaniav*-se então Bezenague ou* 
Beraiguiehe como entre outros dk Francisco de Lemos, 
Capitão de Santiago, ecujo Mss. escripto em 1681 exis- 
te na BilbL Piíblv de Lx.. AIÍí encontramos que osHol- 
landese* apossadrlb-se doesta ilha , lhe derao- o nome de 
Guré, e tiravam d'allí 60 $ couros annuaímeate, assim 
«omtf mil quintaes de cera que exportavam de Cacheo. 



— 81 — 

lodtivia, não tf tanto commfercio eoái dt eé» 
taingeirot que é prejudicial, como a escandalosa U>» 
lef anciã dé o$ deixar fazer em toda a província o 
tbmiíiercio de cabotagem* dó qual os nossos navios 
sâo excluídos como estrangeiros em todas as coló- 
nia* d'aquellas nações, que tão impunemente o fu» 
zem nas nossas* • » 

Ainda que muita* pessoas aUriboam a decadência 
das colónias ao pouco zelo e consideração dos anti» 
gcp, tão gratuita é esta injusta aceçsação, eoino 
bem provam o contrario os muitos Decretos , Alva* 
ias, Ordenanças, è Avisos que encontramos a cada 
passo tia Legislação antiga, que iiâo pouca protec- 
ção.sempre administrava ao Comwiercio nacional» 

Assim p*e* o Alv, de 18 de -Março de 160A * 
[Li?. 3 da* Leis da Torre áo Tombo, f. 8-ir}, ã 
Pxov; de 16 de Jutíhò, e a Carta Regia de £8 de 
Novembro de 1606, pcoaifcem a navegação d 35 es* 
traogeiros nas conquistas *le Portugal , sob pena é* 
tomarem os seus navios com todas as fazendas. "S& 
o* Hespanhoes estarão exceptuados pelo Alv. de 



* Este Àlvf que prohibe ao» estrangeiros de irem 4* 
colónias , menos. Açores e Madeira, e isso só ás. fiações 
á migas $ e nlo rebeldes , também manda sabir todos os 
estrangeiros que viverem, forem mercadores, ou existen- 
tes nas ilhas de Cabo- Verde, ete. 

6 



— M — 

14 de Outubro de 1606 [era durante a ata itarf)ya- 
çâoj. O mesmo refere ainda a Lei de I616v Acha* 
moe ao» 3 de Fevereiro de 1711 * 9 de Qu* 
tubco de 171ft, é nq Provisão de 14 db Janeira de 
1719, *~ a mesma psobítriçãty nèoadmettindoaark* 
estrangeiro» ás eartfjiiisiaf , semi sestro incorpora* 
dos nas frota» portuguezas* Assim sem procurar ai-* 
legar roa» praias , claro e tydtsbkavel é 7 coíbo a 
liemos loetfRQ na* narrações do» Ghfonisf** e escrip* 
loreft çoifttemftpraneos , «pie todo o ecraimesero qtie 
ftérfa.fçilo o* ettcartgeuos deteropct» í«meiitorfnreia, 
fui de coot**bendo, c^ foigfado arribadas* «~ 

Uma ^íuelbaaie prqbihiç&o ampla e gera), boje 
Jftría telve* ÍQ«rop*li*ei , e de impraticável eaecu» 
çãç.; mas toda^ip è de grande importância o uso 
prudente dw tey» rastrietivta»? para obstar assim 
QUffla qoqpjva coaçurrrneia, O Governa d» sua pa*- 
te faz o que e*|á nas moi altribuiçôe» : e de certo 
jj4 ftãoé .t* »ua| etrfpa, inasvdos nosso* commereian* 
tes, repeti mo«l o, se não ha maior mercado e »e* 
gocio (ias oplonios. O parecer da Couudísmq do Ul- 
tramar nas Cortes de 18&2, expressasse a este res- 
peito do modo seguinte, — "E r também absoluta- 
mente necessário, que se estenda ás ilha» de Cabo* 
Verde o Decreto, que prohibio em Portugal a in_ 
troducçâo dos vinhos e aguasardentes estrangeiras,, 
e taciiitemoi assim mais um mercado aos nossos vi" j 
ftbos, tanto n'esias ilhas, como no continente de Gui- 1 
ne\ Os Povos doestas regiões são ardentemente apai-, 
xonados de bebidas espirituosas. „ 

O Decreto de 16 de Janeiro de J8S7 pá? fase em 



J 



— 88 



èiecHç3o. Not. 9.-^Ma* havemd* de lembrar j <joèb*t* 
legislação antiga já existia «ita prohibioâo, como 
ieij&aiiaitids doÁlvi de 1« 4e0e*embio, de J 700, 
$ Vííí.-t Agora e4tao depeud* $6tfledtc dosltet- 
íéoe corumerciantes ostástéotar eJté gtónde £otUmtr^ 
Cio ena toda a Africa , cotri enorme beneficia par* 
Portugal ; devem [tareai prover regular mente o* 
ínerCados de Oiviaé coni estei g^nereff , mu n|o 
pelít rdtíoá antiga a d#uai, f*or rim pre<Ço 19o exor- 
brtanté, 5 que ápezardo mfór zelo do* /jtãeae* ,. (siilh 
jiostQ que a iWjjaJ e f igor do Gtov^rno e ttíuh autbo* 
ridadeâ na tfbservarioia detfta Lei, o coatf abando aâo 
ie possa evitar. — Quanto irregulares é <fe pouca 
íTíQum tôo a» «atries*** de viriho de Portugal para 
esta Proviria ^ julgar ftodtíJWs 4a tabeliã seguinte 
daexpoPtaçSo do vinho do Porto ^ é que abrange 
os atínds desde 18Ô4 — 1833; 

Èní 2894; 25, ^,~n«da — l^f7, 29 pipa*, r^ 

ÍSg8 •— l.-f 1890, 1830 «^aada;*** 1851* *.— 
1852, 1833 — nada. ~ 



Havemos de relevar aqui a errónea idea queraui* 
ta 4 gente coaseriva ainda a respeito das ilhas de Ca* 
-bo^ Verde : íundaiido*se sobre asanecdoias de Oiriti- 
■gton.y Cernwal e Beckmaa y que cobrem de ridícu- 
lo aquelles habitauieas ou as rellações mais É*o- 

<fernas, copiadas dos antigos roteiros ingletfes, que 

6 • 



informam ao» marítimos , para que vão alli com 
éamtzas, calças e chapeos velhos, sendo este o me 
lhor modo de fazerem bom negocio. Em Santiago 
principalmente, aonde elles põem em maior conta 
os alborques e trocas dos fatos velhos , qiie dizei* 
ter allí tanta valia, de certo não existe; ainda que 
òutr*òra fossem verdadeira» aquella» aneedotas^ t 
existisse este vilissjmo e perniciosíssimo uso, de que 
se aproveitaram com interesse os estrangeiros, mo» 
fando com razão do» habitantes. 

Encontra r*se-ba isso ainda aa Boa- Vis ta, aonde* 
cotóo jd dissemos na deécripçao desta ilha j os pes* 
cadores trazendo peixe abordo dos navio», prefe» 
tem que se Wo pag*ue com mantimentos ou fatos* • 

No principio era o mm?rario que figurava nas 
transacções commerciaes / porém pouco a pouco, 
augmentando a população das ilhas- com pretos d* A- 
íf ica , accòrtutnados a alborcaretn e trocarem , *e foi 
aqui introduirado este mesmo pernicioso systema»-*» 

Também ba desigualdade na estimação do 
numerário; muito menos do que foi outrora, ma» 
como correm indi fiéren temente moeda» de varias 
nações, alguma» têem-n r uma» ilhas um quarto de mai» 
de valor do que n r outra». De que resultava a pouca, 
harmonia no com roerei o y e mesrmo nos pagamentos 
ao estado. Os Alvarás de 28 de Março de 1711 
23 de Janeiro de 1712 com muita» outras pr ©videi 
cias que se deram sobre este poúto f nao poderam U 
tcftmente extinguir este abuso* -_ 

Ainda havia outra confusão no comraenio, 



_8A — 

porém já hoje etn dia quasi desappareceo. Repte» 
sentavam por patacas, at varas de diversas fazendas, 
e à sua venda pela reducçao das patacas em quar- 
tos e oitavos. ? 

Mas assim mesmo alada que corre allí todo o di- 
nheiro que a p parece , não tem o mesmo valor em 
todas as ilhas. Só as patacas Brasileiras de 960 rs. que 
correm constantemente, e mesmo nos pagamen- 
tos do listado por este preço. As outras moedas 
tem differenie* valores.* 

Temo* por vezes menoioaado a exportação dal- 
guns géneros desta Província, eçcuzando*nos pela 
insirífíciencia dos documentos impressos , indifferea- 
ça gera! n*esta matéria, apathia dos governadores 
e mais autboriiedes_, e sobro tudo a mystcriosidadc 
da Secretaria da Marinha e Ultramar, não poder- 
mos apresentar em mappas, um balanço docommer- 
cio n'esta província, durante uma serie seguida de 
annos , como e o movimento marítimo para os seus 
poiCos. • 

Apenas colhemos algumas couzas avulsas : , que 
sendo exactas e dignas de fe , appreisamo-nos de 
as ju&Ur , ainda que semelhantes noções , não sen- 



* Apenas alcançamos o mappa dos navios entrado» e 
sabidos n'um ann> — Nota 10.— 



dó còfflpléfós , de j*bnc# *w quasi nenhuma u til ida t 

dè sito p*re o estadista observador. _ 
Segundo upna Memoria Fysíop Pofjtica de A. 

Pussicb, escripta em 1£09 ? eis a exportação n'a 7 

quelle arino da» ilhliç de Çabo-Verdfc». 

Brri pamiò* J>*t» Gfoiíiil t T . . 6$p0# 
JYgt4ardente df cannà . y ? ? . 2:000^ 

Milho T . . - • • • ? • V 1^9°°^ 

Sal. .'■.' . . . . 7 T t ,' 3p**X# 

Pelles e couros para os Efef. tJnidos> 4 : PQ0js| 

Gado è refrêscoá para navios. , . 13:000$ 

Uffrella; , V • . . . é T f ]0:OQO4 



'^àtjúèífà efcdê* j$ará £á, éfugiiyéitiQti aírçda eon- 
sideta*ettneín*e$ fcirço-vhjtós^ a e*po?t*çào do sal, 
é da Ijrzetta; e tatpbem principiaram a, entrar riq 
írtferc'ad>> áfguns genérpá li^vctt, á saber, aceite de 
p\\fg\)e\féi, câffé', $c. O iftápp* Segcririte: rios indi- 
ca, q estado do çqmmercio entre Portuga) eas ilfia% 
de pábò-\férd£, ê ta esÍa^eHcftòehto$ de Bi&áo e 
CJacheò. Sentimos porem rriuítOj qíta nos ^er sldç 
pôssivél, paTQ carripàfâçào, apresentar ainda, <^$u$ 
semelhante dos últimos ânuos 





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— 88 — 



* 



As importações êe Bissáo ^ Cachea erã<> enfr 
1806 em<tivçrsos artigos de valop.de J 1:697^600 rs^ 
No mesmo anno , das ilhas de Cabo-Verde, éntrç 
viveres, couros, tabaco f drogas , foi 8:871 $400 
rs. 

Observaremos que só da Serra- Leoa, montam as 
importações em Inglaterra, antmal mente de? 170 
ate 240 Contos, constando em marfim, ajeite dè 
palma, geminas, dentes d'abada t ca vai lo marinho, 
petles, madeiras, como Teca , Pão rosado^ ♦. ma-? 
hogono, Ciba t &c< Os nossos corflmerciantes não 
podiam fazer o mespio?— ~ 

À importação dosi produetos e mercancias, d$ma« 

« * 

nufacfurai ínglezas no anuo 1839, nas ilha* déCa* 
bo^Varde .foi , de 93 libras, 6 shill, 4, deu. [Wcfo 
dòParlafycito /V.° 338,* Setsâo 183 1,1 - „ 

jSo meirwo anrço fmdo em 30 de Setembro, . inv* 
portaram ;o» Americanos da Nõrt-o destas ilhas um 
váh>r : de (6^400 pozos. E expectaram» para- tilas 
82^005 pesos,— senda 68$5SB em p rodados,, na*. 
cíotiaes, ^13$4:7? em estrangeirou. ^X\táo menés 83 
tooaeUadas?, carregacto : em ii&vie^ Americanos; J 









h 
t 



* Esta mad.?Va e <jta superior «jualidad? para as Abras 
c?e marcanaâro» No anno de J830*, vieram pajra íj^la^ 
torra 1049^tonnalladas: saneio, sín ppeço a 12Q ->'-•-. i:f5 li-* 
trás a tun^elladà. fora dez lihns de direito, 




Ufa pâiz não offerocé comfaeícío, senão napro-* 
porção da sua agricultura, ou da sua industria. 
* Nas Colónias, e só õ primeiro que pode » deve 
convir á Metrópole ; mas e também elle, que pode 
fcrzer a 5 colónia rica e feliz. E* peto atrazo da agri- 
cultura e indústria agricula, que todo o commercio 
úà ÃrcM pelado, é somente d*amos(raa. O mais pe* 
queno navio , chegando a esta província, não achai 
êvú pòocô tempo saflleiente carga , por mali varia* 
da «r)ue seja, » - >t 

Em 1836, gastaram 1 uns negociantes do Porto»- 
cfne tinham' vindo com duas embarcações carrega- 
das de fazendas, cinco mezes para as vender,' 
é levar carga na volta para Portuga!; e ainda 
covnpletandõ-a Com tudo o que encontravam, a saV 
ber, àz^itê de ptirgn, [que obrigados acomfirar a miú- 
do por garraffõèsi, em quadro' métfes apenas enche» 
rara na Vftlâ'da Praia dezoiío pipas]: touros, péllesj 
pintas de boi, cáífè', cobre velho, arroz deOiuioé,* 

■'":-. • ; • . . . •• ■ 

Ale'rri de atiimár pois a agríeultuya, que dará roo* 
vimento ao commercio interno-, 9uKíndo a quantida- 
de das exportações ánnuáes, á medida que seesten* 
der o seu commercio de troca; deve-se chamar a 1 át- 
teriçao aoí efreitôs datvavegaçSo sobreocòmtnorcio. 
Convém procurar as condições necéésariès para ob- 
ter ifmasnpsrforidade na dàvegaçào ú% otitras na- 
çôV* xnàfiirriVas. Assim, as embarcações qiie mais- 
convthli hVtfia* parabéns, *Sb pcqnenòs brigues,' é 



tteunas au sumaeat, navios que facilmente allí po- 
dem ser construídos. 

.- Portugal em brere podia ter aqui tinia marinha 
mercante, que lhe desse vantagem sobre muitas na* 
ções marítimas, vantagem tirada d* uma melhor for* 
toa dada aos navios , e inferior preço da construc» 
ção, do anu amento, equipamento a viveres; tudo 
(são aqui encontramos* Guine suprabunda de ópti- 
mas madeiras, e com os Bijagós tripulatu}*} en^par* 
te os navios, teríamos excellentes marinheiros, mais 
4ptos para aquelle clima; resultando além d* isso a 
vantagem de os^iyilisar por este modo, e ligar mais 
coo* Portugal, — 

, O único meio darebabilitar as conquistas daAfrí- 
CSk f e torna-las ricas e prosperas 9 ~~ e' só a forma» 
çâp de Companhias, e estas exclusivas. Não ha du« 
vida, que ellas sâo ruinosas, roas é quando já as 
colónias pripcipiam a vigorar. •»- Assim tis ilhas da 
Cabo» Verde longe demelhoraf, perdiaqa jntntocom 
uma Companhia de Com márcio exclusivo. Outras 
cautas, e outros meios ali/ são applicaveis. A Gui« 
q* porèiri é tão selvagem , como era na da$cuber- 
ta* e mais ainda % graças á çivilisação Europea, 
que ensinou aos s$us habitantes o çommercio da 
carne bumaaat 

Factos que mais provam que longas e vãs decla« 
mações em defesa dasfranqueas e liberdades poco.m- 
mercio, de sobejo nos deinpnstram 9 que não existe 
a) li negocio algum. E' agora franco e livre, pão 
tem restricçôes de qualidade alguma, eneoi um na- 
vio sahe ele Portugal para a Guiné em çommercio 



}i(G#<V Pejwdsi certo a*o plissar, *juand* u+q# 
yesse ijma Companhia. 

. E ? sei# devida jkaiçbrai » que. por maiores que se- 
jào as vaotagens para a mai pátria pelas Wpútaçôes 
jrapostas no pppimarcio colonial , não a raaap sufi* 
piente para as exejrcer, As pelagôcs cpoi apia coio r 
pia sua , oâo »âo ag fp espoas que com os paicta 
estrangeiro» , mas e com yma parte íntegranje d*a» 
/quelle tudo, que constitue a pátria. Çef tos HjnJM 
pó cqmmerch colonial podem e devem sej seqfi du» 
yida vantajosos a mai pátria, mas çm todo o caio 
«ião deyeip ser taes, que enriqueçam uma parte cop* 
prejuiKQ da outra r É ? dever 4o Qovefno, effectuaf 
p t#ip estar em toda a parfe, 4*f iguaes dircjto*, 
PP&Q proteger erp paipmerpip uma província ou cias* 
$e 4» çqdiedade, opa» prejuízo 4a outra. 

. Fe}aiingua 9 ppçturaes erejligiào, e^ercejp os cora* 
pjerpiaqtes. 4% *T?ai pátria §empre ijipi grande influ* 
enci^, e sert4p 9« sua* fiasaadas e géneros tão úteis 
^baratos, como dos. putros, sempre ^ej^o preferen- 
cia. No caao contrario seria npcifo á polónia, com* 
prar e coapqefciar cotp a wai pátria* 

. Por issq ta_oit*ea* é, que a. opiajào geral se manh 
festa eqntfa a^ Gonjpaphias, exck|sivas. O mopppq» 
lk>, do cqmmercip ipiptugq ornais £emivel, e a base 
4 ? s*tç* associações, e|sfp basta para as. tornar odiot 
sas . ~ Por&P h} ^empreaas^ que qeai um, pepj pout 
pos iudividups podem levar avante; estas ipelhor dp 
perfa é que se executem por meio de grandes reu- 
niões de accionistas , embora trngâo com sigo ai- 



/ 



/ 



— 92— 

• , » » 

gufls inconvenientes, do que abandona-las de' to-' 

do.— ! -:' • - 

* « * 

•' Temos acima referido alguns argumentos queap- 
plicam os inimigos 1 dos monopólios e das compa- 
nhias avantajadas; sobre estas theofías se construe 
â defeza da completa franquia no commercio. Mas' 
perguntaremos, em. que seria isso applicavel &Gúi- 
Hé ?' Conheçamos este pai*. __ Nada allí existe, tu- 
do resta a fazer. 

*' O Commercio Portuguez na Africa e Asiá qtíasi 
ò/ue definhou de todo. E' preciso procurar-lhe na 
Africa uma nova base, sobre osproduetos da terra; 1 
abril* um mercado abundante aos nossos vinhos e 
agóardentes, como e produetos industrfaes, è isto 
somente se consegue por meio de emprezas de agri- 
cultura, mineração e pesca, — que exigem todas gran- 
des fundos , empates e perseverança. Só Compa- 
nhias podem fazer frente a tudo isso* e sahirem 
victoriosàs, s6 etlas podem- salvar as colónias.—*- ' 
E % de certo ainda grande ventura, se sé poder 
formar uma, qne só com a vantagem de ser exclu- 
siva [aonde ninguém, negocea], queira carregar com 
tamanho pezo, por lucros bem tardios, embora se- 
guríssimos. Mandar vir cof&iios, construir-lbes ca- 
sas 1 e sustentar nos primeiro» tempos , protegê-los e 
amparar com dispendioso apparato militar, haven- 
do que levantar tantas fortalezas , abrir portos e es» 



~93 — 

t/fedas* e sobre tudo rivalisar com o* Franceies a 
Jbgleftes que encl&vam as nossas possessões deGut* 
nélr^E haverá ainda alguém que ache nocivo o ex- 
clusivo por tantos sacrifício», e obras que havia de 
f$ser a Companhia. 

Se o fora,, serão yociferaçôes empestadas pelo ha« 
Jito sórdido de partidos políticos nas apparencia» , 
,e no funde de interesse pessoal i dé notório egoís- 
mo e indiferença na matéria de patriotismo 9 eo+ 
mo sfempre o patentearam estas facções que fasami 
systemaíiça opposiçào era todo que é d'um Gover? 
x>o f pox ser d* um governo. Semelhante opposiçâo 
acharam nos últimos annos muitas medidas, que o 
Governo julgou dever adoptar para a resufreiç&o 
das cotonias. Houve muitas até, que já approva* 
das, sanccionadas e decretadas, assim pereceram, 
sem principiar a siia acção, Assim morreu a nas- 
cença a Companhia de Moçambique, a da Afrieá 
Occidental, a de Guiné, etc. Porem também te* 
mos agora a consoladora idéa , qne tendo nos che- 
gado ao .ponto de ser preciso obrigai a acceitar o 
bem, semelhantes vociferações serão despregadas ^ 
.c o.mtnístefio que com tal beneficio marcar; uma 
baliza da sua duração , outros elogios e un iversai 
olamor de gratidão receberá da reconhecida naçâo^ 
persuadida que só estas Companhia» bão de salvai 
a» colónias. • ' ■ . ..*♦ 

Foi por ^ste modo que JilRcy D. José deo anu 
grande impulso ao commercio na Africa, como á 
agricultura e comtnerrio do Brasil/ Asaim q<ii*lsal- 
Tai»;)^. Ped*o o decadente im&erio -da Asi».. Bóiem 



fé tbdàs as Companhias què Hdwéj cahíranh ,- écà 
poi má administrarão è erros , que agora n&o ba* 
vemos repetir $*-* dê passados sirvão d'erír£nda: 

Âfótfad , a%utirasbtilhanterf utopias revestidas cottf 
harmoniosas' palavras , ainda não fò*i esíè' objecto' 
encarado do ptoifto de vista verdadeiro'. Nds nofeto? 
dias, qufasí toda? tís náçòé* tic? seu inconsiderado 
éntbusiafertto peía fortuna da Inglaterra, s&ornstfti&í 
tamenté dótarnatfas peto deseja de Sc* eséabefeCidò' 
^ntre ellaí 6 systema cotoflnercial e industriai do£ 
Ingleses. Ôfevémos porémíomar por «xiofnay — que 
* felicidade' está aorVdé a encontramos, e aã© aon* 
de a pômofr. — Assim urna Companhia cfue te qui- 
ser moldar aobre a G rande Cofrfpanhra das í tfdrW, 
jtrétíe d' um rtráto princípio. Toda» a* crretiflfctancias 
$io ihuii diversas* 

As Índias, erte páiz vasto', rico eábutodaitte, ve* 
fbo tfa elvíiisaçãoe industria, berço «aírtigo das ar* 
fes e «ciência* , gratade desde tempos descotâiecidosy 
Aad* tettr d* comparável cotn os vasto» eMesjfcbvG*^ 
dos sertáe* d 1 Africa,- cujor habitantes etir nrôr ptor* 
íe só a> votf tern de foirriano'. -^ ■ 

Um* Campairtbia de cormwei-eío 1 , tírair soberana; 
que © Oòreriny da Metrópole,- n'uaà pai* tífco retatk 
4k>v afc nitíiTgltftetra jk)d)o existir, Aonde a gigante», 
éat j&àrmha do estadia desvanece qualquer idea *te 
emancipação. Nenhuma outra nação podia com. 
tanta éectirjdadé fiar-se em semelbaitfe.Co.mp&ftfcia« 

• « ■ 

Todavia a única salvação que pode ainda terGui- 
neVrepetioK^ío* consiste em ser enWttgut .a una 



Companhia de grande Capital, por eetla flataeto dê 
*nnos; tfctiào 09 primeiro» sem alguma retribáiçàoi 
Esta Companhia de?e ser agrícola, creando 6 com* 
mereío em m6r parle dos produetos da terra* As* 
rim «Ha poderá dar principio e rápido escretcim* 
á cultura do anil , caffé , assucaf , aigod&o ele. po* 
dendo no entretanto ainda empregar a escravatu- 
ra 9 porém com terrível responsabilidade pela sua 
exportação fora da província. Que seja de sua obri- 
gação formar colónias militares ruraes, civilisar p 
industriar os habitantes, trazendo para este ftmca- 
íaes dos Açore», Madeira, ou talvez ainda melhoç 
da Suissa, Bélgica ou Allemanha* augmentaado* 
se d 'este modo a população branca n'aquellas re- 
giões 7 sem baver diminuição no Reino; e não sen- 
do, marítimas esta» nações, sem nenhum receio dal- 
guma coHisão para o futuro. Que tenha armazenf 
de fazendas e mercadorias próprias f em todos os 
pontos e presídios \ não podendo fender por miado 
em lote» menores de 160$ rs. du moeda do paiz.— 

Persuadido» d y esla urgente necessidade , não nos 
estendemos todavia mais sobre este assumpto, alias 
no momento em que escrevemos, seno objecto da 
Auoctaçâo Marítima c Colonial, que esperamo» te- 
rá a gloria de formar o núcleo de semelhante Gbm- 
panhía. 

Por um Decreto do anuo V85tè consta que ijoa* 
ve então uma proposta para uma Companhia do 
Guiné. — Nota 11.— Apezar de termos visto óf 
seus estatutos , não emi itirernos a nossa opinião , 
tanto mais que nâo obstante 4* %nt S*4* approvada pe* 



— H 



U> Governo, .nunsa chegou á fca^çao 4*3 C«rJtW.# 
neto lte»;fci.mesmoa|>jesetttad«b e hojú desappareçe? 
*am ate' «ístes ptapeis 1 — . .,. .; 

c isto de sobejo denota outro» .fi»? <m* tinha o à $e* 
aactor , econseguiado-os já maia, se impcrtoi* qom 
a sua utopia. -*- ^ -. 



Terminamos aqui o nosso capitulo sobre o cam- 
tnèrció, muito ainda nos fica por dizer* Restam 
nos agora porem algumas palavfas sobre à urzella', 
Como principal exportação do Archípelago, maior* 
renda do Govefno, e objecto de máximo vulto nó 
dômmercio. Também só deste lado a trataremos por 
em quanto, reservando-nos para outra parte ò seu 
exame, quando fallar-mos das pròducçoes da Pro- 
víncia*— 



Ur } tlía. 



A principal exportação , e a maios renda <ju^ 
tira o Governo Portuguez das ilhas de Cabo- Verde 
consiste corno acabamos dedicar na Ur%$l la, [L[e\itm 
rocella] . Tem se p^elh^ç, oproveiudo dçfle artigo, por 
iqjie nâo exi^e, «yte neni pejrsejeraqçay e.só.o tçab&r 
l|jo dos. apanhadores. D«sçrcverafn e^a- planja ea r 

l H? fi 1 JWStPVHÍi. íWJér A P WVZV* Botânico Pq**. 



tuguez » Brotero num opúsculo impresso em 

Apenas se começou a ciar té desta planta em 1730, 
ánno em que parece foi descoberta tia ilha Brava» 
A urzella já então era conhecida e explorada nas 
Canárias ^ e os agites Hespanhôes de Tenerife 
a viská d* uma amostra que lhes foi apresentada pa« 
ra exame, enviaram v no fcopp seguinte uma embarca- 
ção com alguns Hr*çHei<o$ das Cagarias, ás ilhas de 
S. Antão eS* Vjceate» aonde tarregf^auí 500quin« 
taes: dando de luyas» apenas uma pataca por quia» 
tal, ao Capitâo-mòr da ilha de S. Antão, em pre- 
mio da licetiça . Os Jesuíta* sabendo deste fecto, pedi* 
Iráftl a EIRéy D* João V o privilegio exclusivo d'a- 
panbar a hervinha^ querendo com este nomehumil* 
de inculcar a nenhuma valia do objecto pedido, a 
illudir a ignorância ou boa íé do governo. Porém o 
Monarcba já informado , deu em resposta um de* 
creto contra todos que apanhassem a uraella n*aquel« 
las ilhas* Ficou então para o. estado esterendimen» 
to, que arrematou em Lisboa um negociante Hollan* 
dez, e no aano de 1750 passou ; ás. mios de Portu- 
gueses, sendo o primeiro arrematante José Gomes 
da SUra e Candeas. Debaixo 4'e$ta administração, 
que prosperou muito, ganhou a.yrseHa bastante cre* 
dito, que porém perdeo p^U ináíeççppmi/i e$$mi* 
ttistração da Companhia do Grão Para e Maranhão» 
•N*este teaipo, hpuvç em Lisboa uma fabrica dirigida 
por um Francez, chamado Luiz d^laGUapeJle, na 
qual se fazia certa composição tintureira- de ujrzel- 

ia , que além - de muito barata , também se repu- 

7 



\ 



tatá wpetiòr a iodas Mb qw tinham dè toga; 8«n* 
do a urzella um dom gratuito, que a natureza kyfíe^ 
Wce Wárotjhedos os' raaiV arido&y à sua cultora não 
txige cirfdado, que todavia rrecee§i%» asua&rih&ita* 
■ Cúhtétn apanhar »ó a madura, para que os suè* 
eôs Cõíbrántes 'tehhSo adquirido á perfeição* De* 
pende feaitô' a sua deputação cr credite raepc&ntU, 
tfufé-átméhr irtjportancí* , flr limpa- e toem ac« 
èrnieficíortada-, teecá, e ôeat fraaer ter» éom st* 
g©'$ trâo sé^deveff! por tí»m^ rap* r brocha 3 <íonv fer~ 
to 5 £ {> poÍÉNIestfc modo com a telha , virá «ata e ten- 

- ,U E* c^fe^iéfom tamrj^kn-cf«ié'«H»(la taremos a oeoasíio 
de ^ónsítd^rw de&atooxiVutrO ponto* de vfetfa* «juan- 
t)oftrtfcrWn63*!a9 ppodueç#ê& do paíz, quo^cmsLúue a 
f>ri^i£alí rj£rt& âm' rénàknt*iXw tiá Província. 

ífèf aeteuto -passado tinto a uttéttò bott* priço* pb- 
ífeft ^e^pente deéáfeíé^ é ftoS ^rin^s pfseéedentés a 
*880 etaky quintal •<*&, 10* 16, 86 aril iételTen- 
rJ^pftVh èá , feitf mittínáo- tfe l preço* j»o«ém nnqme- 
Tky& cèrfl Varm^oeé^, ora rjafóarido') <o*ft4ubindQ.a*é 
40^ : «)^Mfttê 80 rfift íéisv«*tt»fi| ulrihmm*?tíe se 
reirt vendido ^raLísfeoè; iWo^jJi^U^ qiiBftOôo- 
rriéçd 'troto *><3ovévr}o fcdta 'prudência. arrer4at&do>c;*- 
tfcgèfceroy poi^> no ^r^lpk^^ proè^rite se^iiio^ dei- 
xou-^tíludir, à ponto ite'; tomar ^^mf>r«Eá por* 9**Bt 
é&atayfecóriAfcrttiir-se íídrrhmistrcíd^r. EKeHa manei* 
fé i o ©ovérflo ' correndo 1 0-" rJseft' do*' ínfcgoeio 
iíSòvfi occasiêcs , * £m que fleflo baixo >p*fc$** no àM*r«. 
cadoyviotia awída a perder^C^rti -o adiai ntefra^o* 



pdft^w Has Áihéit qnegaabatra 6 § sobre a Tenda gros- 
é*> t<*J 4 pela «omissão sobre o fendo adiantado, i 
úléíú áe^págo o afrete, tinha ainda tem 1 acros na 
ensaccadufa, etc 9 ftão juooedta^a mesmo» £llé sem* 
pre faeia boiàáegóciot — • 



» > 



Rafiemos <fc fcttai'. aqui 4in prova, «na etftracfta 
rt*ittaá memoria de J. A. Pussich , -• que < joi*Iguits 
anno* Governador d WaPro»i«çia ; # ■ . ' 

' '*(2 atltbor cáfcuèa qoe . o administrador arrecada 
anmmkaente por conta do Theíouro 4000 quintaes 
Qe uríeHaj ã qual deve pagar cmsmctaluo* apanha- 
dores \ á razão de 40 rs., a libra; e <]ite..p .quintal 
for* rendido em Lisboa por 23^000 rs» —Na 
pag. 83. v. 17. prosegue — u indaguemos .pois > 
,, qual he o liquido, que entra no ThssourC^ depois 
M de salvas as despesas, conforme huraa facturado 
„ Sfr Martins para 1000 Quintaes de Urzella, da- 
ii tadaíé 17 de Agosto de 1819* 
Pela Comissão de 6 por cento sobre o 

fundo da venda grossa de £3:000$ réis 
-pega ao âr. Martins • - • • . • 1 : :380£<X)* 



» / » '. - 



« 

v.í •; » f. ■" • • . •• f «• .-....-,;> ;*.•*• 

*• Esta Wtàoria ttctíptá em ifcía , Jbí befimpwss * *m 



'W37^t-*. ,.,!•,;• ■; .,- ;!f.:-: ; ; ^- , •«.' «: . '."J.-:. ••■'A 






— 100 — 

Transporte Rs. 1;38O/GO0 
Por 743 «iceas a 600 rs.- - ■* * - ;M4£400 
Pelo frete de « j |M»0 por Quintal v - t:4OO^iO0» 
Pela Codmsão de 10-g'qm kva o 9r. ^ 
Martins sobre o fundo dos 5:1£O#OO0 
adiantados em Cabo Verde - - - 612^000 
Pela Commissâo de 2 § aos Adminis- 
tradores em Lhboa sobre o» ^^ 4600000 
Pelo Seguro a 4 § - ------ .S04JOO» 

Pelo desembarque, condãçâo, e outras 

despesas miúdas* approxiwadametite 3000900 

Somma. &77S0OOO 

toso abatendo e3la quantia dê - * - $3:Q0fy|Ô0O 



Resta- ■..-•-• - VT*!m$<XX> 

Da qual quantia deduamd© ainda di- 
nheiro que custou aUraella, qarhe, íklâO0KXH> 



> ' ' ■ | : | II! • 



1£;108#000. 



' Desta maneira n'um an no que a unreUa estiver 
n*um preço tão baixo, não rendia ao Governo se 
não, quando muito, 4A:49*flO0O déreis. Esta quan- 
tidade porém geralmente era maior, pois aqui adop- 
tamos o mínimo termo, e p. e. na ultima venda d» 
anno passado, tem-se vendido o quintal a 59 mil 
reis; então vinha a ser o liquido rendimento do 
Governo, IA0 Contos, se ioda colheita do anno ti* 
vesse obttdo o„ preço d 'esta carga. Porém este ca!<- 



— 101 — 

calo *em ! a ser bastante problemático , visto não 
ehegar nunca igual quantia, e raras Teses serem 
a*utn «mio remettidos 4000 quintaes. Assim vemos 
que • tomando em consideração todas as diversas 
«trcurastancias, variava m rendimento da Coroa so- 
bre a urzelia, estre òQ e 90 Contos. — 

Por tanto muito bem obrou o Gosrerno mandão» 
do em 1838 arrematar este contracto a quem mais 
desse. D 'este modo -chegou o lance a S6 Contos , 
que vinha animalmente cobrar o Governo, sem des« 
peza e abattimento algum 9 e s*m receio £ risco de 
contrabando* 

■ Da maneira ^que. até então a uraeUa era adrni* 
nistrada , correndo sé o Governo o risco, partilha* 
va quasi a metade do rendimento com os adminis- 
tradores , sem fallar do grande contrabando , que 
continuada mente se fazia* • 

Xucrara pois a metropoli, lucrava, sobre tudo o 
administrador: e a província,—-* colónia que pro? 
duz e cria este rendimento, era a única que ficava 
espoliada* 



* Nao se pode com exactidão avaliar a quantia que 
clandestinamente sabia da Província no tempo da Admi- 
nistração , ora em pipas como aguada , ora em colxòes , 
ê mesmo ém lambotes , que levando-a d' uma ilha para 
outra, a deixavam abordo do navio que esperava ao 
kfgo pára este fim. 



— 103 — 

IJrB&ioontfMuad* áerie de- mudanças de Governo, 
succ&didcra em Portugal , nupcà trouxeram um ha- 
rizoate dtaMeraatiYa favorável pato. a meihctfa men- 
to tias ^ofani&s. Nâo se iiotportar eorn eiras, coo- 
sidettindc*a**á cconopairimankí d^al^jum S^Uapm, 
que á custa do* habitantes* e com. queb*a da na* 
çAo, *g dètiam "enriquecer, i~~ padtece ter sidc*. ado- 
ptada poir principio admiimtcfctfro das éofonia** < 
- Não fdi setiuto depois d£s actinteciaDeatofc politi- 
co* dê Setembro , ' de 1836 , &moé obrigados a con~ 
fessa-t o , — que pela primeira ve* asoacâcou o Go* 
verno como devia, e principiou a adoptas jrfgamas 
ifcexiidarhefiefteas' para as sutís psoçssas&Ses ulti aóta* 
Tfnas; é; 4*e«tas a honra à a gloria é para o booto 
Viscoríèe tfeSá da Bandeira, que tarrto de borqçào 
se occttpa coul eUasr .• r ->_ • < .'•,.■ ^ . ??* ; * 

Foi então que a urcclla. -ficou arrematada oos 
hasta publica por 85 cauiiqs, deixando d'eata rin- 
da 24 boatos anfttrae* para as dospeeaa. .da. Pró* 
viftoia. 

Entretanto parece fatalidade do destino, toda & 
qualquer medida que seja boa, ba de perecer,— 
No momento em que escrevemos, já tornou outra vea 
a utzella a ser administrada por eonta de Governo, 
como antigamenle. Mal findaram os três an nos dos 
arrematantes, J]avia muitas pessoas que queriam 
tomar este contracto ; porém entrou protecção e 
patronato., .não se annunciou a arrematação, e 
clandesljuampBte se renovou a antiga administração 
com todos os seus. erros ,e desvantagens 

As Cortes de ver ião instar para qua novamente 



— 108 — 

ponha em praça este rendimento, mas seria melhor 
parece-nos se fosse por ilhas em separado. 

No anno. 1937 jfcioobrio ateste. Arcliipelago um 
lnglez S.r Miiíer agora estabelecido emS. Nicoláo, 
uma outra espécie de ikhen chamado ai li atreita, 
— que por ena ainda que no principio esteve em In- 
glaterra em alto preço , hoje não o tem quasi ne- 
nhum. 

Tendo o dito Sr. feito uma avultada compra des- 
te lichen , a su$ sahida lhe foi embaraçada pelo 
Governo em consequência das 9 ainda que maífuu- 
dadas reclamações dos arrematantes 4 a arzella. E 
agora consta nos que em virtude de exigências do 
Governo Britânico, tem que se lhe pagar vinte e 
quadro coutos de indemnisaçâo ! 



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104 — 






»;«-'•. v , • «* t ; • : '» » 



l£' de certo uma verqade incontestável, quanto 6 
estado militar e defensivo não pode, nem deve sçr 
objecto indiffereote n*uma próviíacia como es-* 
ta, mas antes pelo contrario merecer seria atten* 
çâo do Governo e de todos que dé&ejanj concorrer 
nos trabalhos tendentes ao hem estar do paiz. N*u«i 
ma parte da Província, como tip Guiné, eátâo os 
nossos presidios cercados de hordas selvagens, esâq 
expostos a rt s seus insultos, attaquese diárias depre- 
dações e rapinas; n'outrà parte c' um Archipt)ago 
de ilhas espalhadas, em m^r parte de facit accésso, 
e á mercê de piratas, que por vezes se tem valido desta 
situação/ Em tempo de guerra, também pela sua- po~ 
siçâo no Oceano , e cominados fundeadouras f não 
pode ser indifferente este ponto ás nações que entgot 
espumarem os mares. Portanto de certo n$a é com 
abandono e desleixo em tudo quanto concorre pa* 
ra a defeia , que se ha de poder n'este caso evitar 
alguma collisão. 

Todavia não é, por seguirmos a nobre carreira 
das armas , que pugnamos por este objecto , To que 
alguém chamará talvez , advogar a sua classe], fat- 
iamos com a convicção, que quinhoam todos homens 
sensatos. 

Tudo que existe a este respeito , assim como to- 



-•10*-*. 

do o mau não tem ordem nem systtfma , n&o obs* 
tante ser mais do q«e em qualquer outra couta, ia* 
dispensável , e dfc facií execução. — * ■ r —* 

J>* a esta falta tjúè etrí boa pafte attfibuimos o 
desgraçado estado de Guiné, e d*àbf resultam mui- 
tos acontecimentos funestos assas repetidos. Temos 
presenciado os insulto* 'que com tanta frequência al- 
ií soffre a bandeira nracional, tanto dos alliado* 
d* Europa^ como dos Gentios de Guiné._^Qs.ca- 
zos não sfio raros; e podendo encher lamentosas pa- 
ginas, limítar-nos-faemos a dons factos que de 
indignação e pejo devem cobrir cada coração por* 
tuguei, — 



No anno 1836, entrou no porto de BJssáe, a 
esquadrilha franceza de Goree, com artilheria car- 
regada e morrões aecezos , exigindo certa quantia, 
que o Governador Francez do Senegal quiz extor- 
quir do Sr, Caetano Nozolini 9 - negociante Portu- 
guez estabelecido n'ésta Praça. £ste suspeito deter 
influído para à morte d*um Capitão mercante fran- 
cez, chamado ©urhège , estava n'aquella occasiâo 
perante os Tribunaes de Lisboa por exigência 
das mesmas a uthor idades francezas, livrando*se 
d*esta accuzaçâo. A esquadrilha fundão u defrbnte 
da fortaleza , ameaçando de romper 'o fogo, não 
sendo immediatamente pagos os dez mil francos em 
que o Tribunal de GoreVcondemnou o Sr. Nozo- 
lini , em beneficio da viuva do Fraacep morto. Co- 
dbo porém o dito Sr. estava ausente, e o Governador ; 



«-106 — 

ou ai uU- um nfegociante q^e iotewMaio^jatf fazia áfc, 
*uas veaes por 800 Jí rs. por annq, <? por. bso não. 
podia com a alma merqaatit çorgbiqar . jentimen* 
los mui» dobres, em Jogar de reppellir ^gres^ao tão 
nefanda* declarou ao$ Piradas, que vi$f;o existirem 
allí w armaiena do Sr. ííozolipi podiam 3Q, iodem- 
níaar coro. as suas mãos ; v o que nâo fretou, Offi- 
ciâas. e marinhagem saltaram em terra , e carrega- 
ram para bordo couros, peiles, marfim, arroc- e 
ornais q^ a.<: liaram. -r^ g^tft carga foi. á praça em 
Qereg, e depois de p%gas. as despezas.e custas, da 
j-ustiça , algumas moedas que sobraram , farão. Feli- 
giosamente restituídas. — _ ,/ 

Culpado de certo foi o Governo em não ter resisti- 
do; —mas mesmo ainda que fosse outro, a arti- 
Lbería qi<asi toda até sem reparos.^ e iirvs sessenta 
pretos ,■• • vulgarmente coalhados, Spldados , descal- 
ços: e nus, com armas que-. em maior, parte hão 
podem dar fogo, eoostituiaça a guarnição. 

No aiuio 1Q39 ap.mesmo Sr. Nozoliai roubou uma 
Cdrveta Ifigkza d% Setra'Leôa upa escuna^ fundea- 
da tío poito da itha de Bolama , bem corpo doen- 
tes escravos que Aá trabalhavam na roça fios mat- 
tos e cultura das terras; como já. o narramos, nal. a 
parte, tratando xfc desci ipçâo de Bolama. — 

Quando voltará um Marqaea.de Pombal que w- 
prima semelhantes ultrajos i 



Sobre a organisaqao doestado militar n*esta con^ 
quista, nada podemos encontrar anterior a epoçha 



d* l#i£. ffcíowi mpm nr ianm*a w* iy ia, 4><t¥£lW . Mg»v 

po, do reinado dosFiltppes, queitanoftp. vista, «pç*,, 
stmta*nas a segUitte <i*I«çã# 4o$, i^ffkiof <& flçr- 
ra, que havia então u>ata. pçaviaçia, e a xjuaj 
teanrtrevètolos pbr extettw^ DoUa ae \$ q/W ?ffã° 
•atavam a$> cafeâ* *nt; muito ftteJhtfÉ pç *}p que boje^ 

ÍDffmoB ia <8>uma\ ' l 

^1& um Saigegto mpt com chtcç^nta, ipilreif^de 

ordenado* ... 

• - . < 

Ha seis companhias de gejilc , cada uma com seu 
capitão de infanteria,— _sem paga. 

Ha outra companhia de aventureiros, cada uma 
com seu alferes , sargento e quatro cabos d*esqua. 

Ha uni meirinho de cada bandeira e um çsçrjyão 
gerai de tocjlas ellas 9 que $ç chama de matricula , 
*em <Htfçua4fc.al£urou ^ , 

Ha um. çongealavej nq fortaleça t com ordeqajlp 
$e trinta aiil réis, cada, anuo, por provisão de Sua, 
Magegtadg, . ,. ,. . 

Ha^ n^idilajfpftaleza três bonxbardeiros , tem ca-, 
dà um,)de f ordca^do i) cada anno vinte qm mil seis 7 
cernira. . -,,,.-, .. , , : . ; . ^ .... t 

iHum portei co da fortaleza, com ; ordenado; doae 
mil, mia»- ,....,. 

Hum armei ro e seiyajheirft com ordenado dezoitq 
mil rei*. » ... t . « 

Ha sejs^ facheiro* , gij* sçrvem desde o monte do 



Pticado aUo até a fóttafeoa, tesn cada um por aa~ 
no deiaseis mH réis. •" * » ,; 

Ha um bombardeiro fca vllla da Praia , tem por 
anno vinte e quatro tail réis. 

Ha dois bombardeiros mais nos dois baluartes de 
S. Sebastião ; tem cada um de ordenado vinte um 
mH e seiscentos réis. 

Ha mais duas bombardas noras , uma no porto 
da Cidade, outra em S. Braz, cada uma de or- 
denado vinte e um mil seiscentos réh. 

Ha na ilha do Fogo um bombardeiro, tem por 
anno dose Hjil réis. 



Nos fiai do século passado, compunha-se a for- 
ça armada da Província de. duas companhias de 
linha pagas: uma de brancos e mulatos para guar- 
da do Governador, e outra de pretos para a do pre- 
sidio da villa da Praia, D'allí se detalhavam os 
destacamentos para Guine 9 e para as outras ilhas, 
havendo percisão. Alem d* isso, havia em Santiago 
três Regimentos de Milícia de f nfanteria, e três Com- 
panhias de Cavallaria, cujos Officiaes, à excepção 
dos Ajudantes do numero e supra , nào erão pagos. 
Nas de mais ilhas 9 a sua guarnição foi toda mtli» 
ciana, sendo com mandantes d'aquelles corpos, os 
meimos respectivos Capitães - Mores dás ilhas, tam- 
bém servindo sem soldo, excepto o do Fogo e de 
Santiago, que erão da ira mediata nomeação Regia. 



— 109 — 

O do Fogo consefvou-se assim ale 1894, recabindo 
sempre este togar iTuma pessoa principal da ilha; 
d 'então para cà foi conferido a officiaes de marinha 
ou do exercito* 

Em 1800 constava a tropa de linha da Provín- 
cia, tias ilhas de Cabo* Verde de 840 praças, ede- 
mas 150 que havia nos presidios de Guiné* Estes 
faziam de despega annual 11^690^800 rs. e aquel- 
les 7iò9BgtQ0. O Governador d*aquelle tempo, 
Antotiio Pusstch , propôs um plano relativamente 
ao estado mtfitar 9 em que apresentava uma econo- 
mia de perto de cinco contos, faseado todo o ser- 
viço com quatro companhias de artilheiros fuzilei- 
ros, As Cortes de 1S8C chamaram a attençao do 
Governo sobre esta proposta , que encarando só do 
lado da economia, achavam muita vantajosa, sem 
todavia examinar se força tão diminuta era sufú- 
ciente; Estas mesmas cortes já reconheciam a ne- 
cessidade e urgência d'um plano militar, que uma 
veá se devera adoptar tanto para esta , como para 
as outras colónias , — mas nào menos ficou em de* 
sejos, é até hoje subsiste a mesma falta. Ainda es» 
tomos á espera que se ponha em vigor um definili* 
vãmente ;«— se a gunrniç&o deve ser feita por desta» 
camentos vindos de Portugal, [o que seria preferí- 
vel] ou se compostos de naturaes. 

Em 1823 fotâo mandadas de Portugal duas Com- 
panhias com o fatal nome de Provisórias^ que de 
sobejo indica a desordem administrativa: estas com- 
panhias provisória! muito* bem compostas, conserva* 
fam-se aili perto de três anãos, até que definharam 



— 114 — 

Erii 183(1 fera*** quando foi aílí acekmado ; chGo* 
verno da Rainha, duas Companhias coroo*:*tHÍga- 
firèhté, dé p¥«fto& r Caídos i e algara brartCOfe. »; 
• Kift 1835' foí de Litboa .< narf bíUdlhàs JPromsprta 
^feVa sub^tair á tfDppa do prizj • • 

O Prtfetob 4mtio ; Manuel . António» MaUtntf&oUi* 
citou do Qovorftd este. batalhai), como abjtoJotexneii* 
te pfeeiso para writer to panidos , íbXwçt r^^peifcar 
e •fcbedecèt' ' as uuthoridacks* ;Rropunha ao ^Besmy 
tèw pb <4> necessidade do f aaer «a guerra aos rfigjrfo* 
g^rilkd den ■Guiné,* afa» dequc castigada* severa^ 
tiitente^u&iias longa* insoleròrias^ reconbeces$ein vas? 
$a4agem e homenagem idev^a, á coroa de Portu* 
gal. BetaaVa vôequcxl'nquella ocwifo se po^iaajé 
aproveitar Jb»a?a a 'completa oçcupag&o da ijttta de 
fiièsáo. Nao duvida aio» da possibilidade* #eipa?ga* 
mos a utilidade de tal medida^ uom. vez. <|Oe «aja 
éteq uivei, mas notarem o* a ir rcâeaibnada eacolha que 
fes então o Governo , na força xjue : mandou para 
tal fim. 'Todavia* .verdadeira cairaa d'*sta, e ao mes* 
moteitepo do mal qaeéelçve a «deplorar epj breve^ 
proveio dafèlta dun ^ystema, ede baeea d' u u\ pia* 
no militar para a guarnição dfts coloníaé an*. t*W" 
pos ordinários, ou «in.crao». que* carecessem da atig» 
roenfc de forças^ t ;<, . ? .:^hí \ ; ,.,t t . t 

Marchou eu tio para -#rta.<iRrqv-in.cia > .o BatykUuto 
de waifaiiada mjemoria., cam lo^n^fne (Je <sinistix> a- 
gouro^ -Pronúarir*. xw . Fojb « c^P»|)0|lo qtiasi. . çp .çeu 
todo de soldados Açariatiot*qusL do Porto dpçerUu 



rnth fiSAi tfl ffletrá* do Usurpador, e tinham toet&i» 
dh lutta, deposta as arma» no Catteilo d 'Ourem; 
aos já*V do Intrépido marinbeiró^que "tia» agua» de 
ET. Vicewte, com heróico feito ganbíou otituèo de 
Conde. " • 

HfáfcBtegotâ este bataJhuo a Santiago, em poucos 
diàí deixoti t^r signaes de insubordinação que cada 
f%4É crescia rirai* com afeita de justo rigor no Com- 
trf&ndimté. Os soldados otivindo que deviam ir para 
Guine, murmuravam em voz alta, que os queriam 
degradar por toda tt rida, e faze4os morrer do clima e 
daV frechas dói Btjagte. istoera/aoii d'a*tever.< Ne* 
garam*se à descontos de ratfcho ^ não «consentiam 
castigos, eòcommandante tímido^ sempro cedia. Ate 
que fthahnente, na uoutc de SI de março de' 1836 
prenderam todos os omeiaes em suas cozas , tnaton 
ram-ò3 no cemitério , e tomaram um caracter poli- 
tico ácciamando Rei o ex«-Iufànle D. Miguel* * 
E ,r 3*admirar , ter-sesàfdid© uma conftptraçâo se- 
melhante, annuindo qiias4 sem excepção todos os sol- 



• Tendo a vista o relatório deste acontecimento , as- 
signado pelas pessoas as ranis conspícuas e fidedignas na 
Villa da Pk-aiâ, >jurtUhlo-Jó po* extenso r qa convicção 
que é* dá iwunmoi interesse * ainda que oraittiraos a toires* 
pondenèia. anterior, dtatyuiis individues,, que naoquexe* 
mos por> esfta<>pvUiea§íto , votar á exeeiaçâo- publica , gáj 
qoe neío reaebem o neteeida castiga da justiça. >- Nota. 
\2'— í . .-', 



dados e inferiores,- e isto tudo sem de atada tarem cia* 
do fé os offrdàes ! *_* Mas basta dizer 9 que nenhum 
official estava <fe terviço no quartel./ n'aqtiella in- 
feústa noute* mo de aotejp.çjefoota como fezíam ai 
suas obrigações; e se os doús que escaparam da car* 
nificina do cemitério, graças á protecção d* um aol* 
dado 9 nâ# deyiaip ser julgados e processados, p?l» 
cuf}p$È que lhes cabia na indifferença no vigiar um 
corpo tão suspeito, e que exigia ni mia ai tenção e 
resguardo/ 

Não pOuctf 6o n correu e facilitou a execução destó 
crimirtoso atteuf£d<?, a dissolução togo a chegada des- 
te batalhão, das duas companhias que até então ha- 
via; como também com a mania das* ínnovações* 
derrubando sem reflexão 6 escolha tudo que existia,- 
tendo se inadvertidamente e sem motivo estendido até 
ás coloirias, e mesmo no Reino tão supérflua e no- 
civa abolição da» Milícias. N'esta utilíssima e a 
mais própria organização militar * (da cuja renova* 
ção já muitas pessoas têem sentido a necessidade) 
é verdade que se com me tt iam alguns abusos, mas 
isso de certo não é cauza para extinguir uma insti- 
tuição, talvez a única praticável e exequível** Ede 



* O General For authot da Historia da Campanha 
da Península , e que veio a Portugal para o combater, é 
a testemunha mais decidida c imparcial, que a favor de 
f ai system* podemos apresentar. Segundo este General, 
as outras nações £uropeas ganhariam na adopção de um 
systema análogo ao das milícias em Portugal. 



noiar que as duas companhias fora» creadas portai 
Decreto, que um individuo, ainda que então Prefeito! 
«ao devera ter a otfsadiã de querer anúllar. 
. Durante a existência das milícias todos os payta- 
fjoè érâò soldados coifco Ordenanças^ e desde aida- 
de de quátorie aimos até a de cincoenta, assenta- 
va-se*lhes praça nios corpos de milicias. Por compa* 
jrhias vrnhaiu por turno fazer serviço em Santiago 
ira Villa daPratfe^ e na Cidade; e nas demais ilhas, 
«onde residiam as authoridades. £* verdade que a- 
èontecia ás veaes,-. que taes homens obrigados a tra- 
zerem mantimento para estes dias, erâo com grande 
prejuizo nas suas occftipagoes dessorados* e empregai 
dos ecà se? viço alheio de seu destino» Houve tam^ 
fceni outro abu#o na nomeação dos officiaes , que ú<i 
abam que pagar a$ patentes : o que constituía parç 
algum Governadores quasi um rendozo tributo tus* 
nuadt.: 

t Etteg corpos de milícia» não exibiam na verda- 
de se não de nome: pbis ainda que na razão do 
feio , actividade e posses dos commandantes t se ai* 
guns erâo fàrdadds, nenfium d'elles tinha, armas» 
Fazia-ie portaiitó còm o seii Estado-f Maior, a inútil 
deépesa de perto de dous contos de reis anmialmen-* 
te y é isto era só para a ilha de Santiago , pois nas 
demais ilhas mesmo esta» apparenciâs pouco se guar« 
tlavam*: 

\ * * * - i ■ ,• . > 

Depois do supracitado Acontecimento, ficando a 

Província sem força armada , chamaram-se alguns 

8 



tftfcTáâòé <!áS Shíífctts companhias , paro fazer o ser-r 
*S$o tia Víílá.dàPíaiâ, »á Boa- Vista ena iifra da 
Maio : o qtie suftsístiò até a chegada do Governa*- 
líór Joaquim Pereií-à Matíàhov Atenas tinha este to- 
tòàdó posse do Gbverdby qiíaíido colheo amplas infor- 
tòaçSès sobre bestado deQniré, que com justa razão 
iHe iris^frãvía & maio* raterêsse. Via que estas posse' 
Soes é*ao faltas fetâlmèftte chi tropa, e todos os 
,diàVaêneáÇàdas peíos géÀtíôs v existiam xi sua mercê 
,3omaalro dé insultos é èscétfneo. Nâo havendo tam* 
Hèk l rienHum» rio 'Att&ipelago, para aíff enviar, 
^ pnticípiòu a tratar èom zelo da ergànisação mi- 
liiàrVlftó mereceu-fheW ttfXèfdo de «mbieiozò > cru-* 
èf, despótico, e hão sabetnos ò, lie má ís epithétos . Formou 
iitk "bataffiSo dè Ckçadfctes- de itoha r e criou alguns 
fle mílftíías cõnyo bdme de Voluntários; porem de 
tò^ ^amdo aímhs, ésles ficaram somente no no- 
me, e o outro foi licenciado em parte, por faitia de 
tôéfósy e reQUrôáb a titoa* ctffcip&nlnas qiue tornaram 
Sfhâ» a iér cr favorito e indispensável vtomer de' 

• W^iíeílè^annô íbiâé Portugal *m» destacamento 

a* * • - » -■» 

! e '4W) homens da 3rigada^cte Marinha : por coroa de 

C'é^e r pma^»feffc3féMOltadofe escravos pfcebos. Es-' 

tes s3idftdé9r, vicíozosy devfe&osy e insubordinados* 

pbY natureza do Corpo a^ue pertenciat», -graças 

ás pygmeas revoluções politicas em que alterna ti" 

vãmente erâa convidados a figmar, achando meio 

de alimentar por este modo a sua natural bebedice r 

êar^tfMiGÒ tempo qttafei todos morrerão*. ; 



* ■■ > *. . . ♦ 

* A actual guarnição <Ja Proviqcia comp5e*e $e 
áuas Companhias , — salvo o caio de não ter parido 
' ultimamente alguma alteração , tio usual • da 
pratica com cada mudança de Governador. — 

O destacamento de Guiné rendido s6 em J83Ç, 
ia lá tinha estado quatorze annot, e doze tem rece- 
ber fardamento; Ãjíoía 13.— 

Em 1839, o tfr. Honório Pereira Barreto então 
èlovef nadbjr de Guine, fardou a guarnição de Pi*.' 
sáò e Cacheu mufto bem, de panno azul com golla* 
'encarnada ; de niodb que estava mettiòr vestida que 
á v dás ilhas de Cabo Verde» 

Não podemos deixa/ de tributar aqui o reconhe- 
cimento a este bontado cidadão, incançaveí empres- 
tar serviços ao seu paias , e cujo nome sempre sé é* 
cha unido á todas as medidas úteis f acertadas que tè ! 
fêem adõpládo erii Guine*.' 

Á eoiiservaçãó' de Cacheu dève*se realmente tÓ a 
ille é a sua mai, a D. Roza , que o gentio respei- 
ta muito niais do que o Governador e a guarnição, 
(Jue vota á uni justo e merecido desprezo. — 

O fragmento seguinte d'um pffiçiododitoSr. Ho« 
ttório ao Governador Geral da Provinda bem ode» 
mostra.' 



4 . • • . . • Quando tomei possf do Governo» 
achei-o no estado sejuinte.' 

Tudo quanto forma sua defeza militar arruinado, 
artilharia por terra : em Cacheo o Gentio não ti- 
nha respeito algum ao Presidio» aponto de entra* 



— 116-4 

de noite: armado ároubaf tudo quequeriâo, em í?&* 
tinido Povo- inteiramente desobediente r chegando 
ao auge de perpetrar/em impunemente mortes e feri* 
mentos. Bolo* rioésiàdo de quê fàlló a S. Ex. a no 
ineu^officro ri. 1, é só Zeguichor estava socegado, 
tudo detido ao caracter ier Influencia desinteressada 
de Francisco Carvalho" d* Alvarenga /que não possa 
-assaz louvar e recommendar a V. Ex.* O meu pri- 
meiro cuidado e sollirítude foi logo pôr tudo emor> 
dem : empreguei todas minhas forças para conter o 
Gentio errí Cacheo, nomiei depois meus Delegado* 
para Bolor , Zeguichor e Farím , aonde fui pessoal* 
•raente e ajuntei todo 1 o poto para lhes- dizer, que 
tl'allí em -diante seria punido severamente todo & 
Tjué-commettesse a lhais leve falta, e afci montei á 
'minha custa seis peça9 de artilharia, — graças á 
Providencia que obtive. restabelecer o respeito ásau- 
thoridadtes e' bandeira portugueza^ 

Nãfr ínè foi possiveV por então dár mais providen* 
<eia£ i -'porque" nSo tendo eú ífaquellef tempo ò coil* 
mando- militar [separação por ora impossível em Gui* 
néj nâfc ptfdia dispor da força como queria. •-••'. « 

....,„.. Pouco tempo depois do meu Gover- 
no o Genlic de Churo pensando ainda que encon* 
trarião neste Presidio a cobardia e timidez antiga 
yier-ao a boca do maltó contifíruo e ábí matarão um 
homem deste Termo. Euquiz logo tomar a,dcffcn- 
$vtot) porém ò então Commandanlemilítarnâoquiz. 
[àtoqvíi.V,'ExY* inferirá que 1 em Guine* é impossível 
a-áivtsãockts atithoridades, adminislrativaic mQitarJ. 



O Gentio vendo este desleixo, tornou segunda vef 
^ a vir matar um menino, e ferir, três pessoas, todas 
d*este termo , e se elles neste dia tivessem a resolu- 
ção de attacar o Presidio, de certo o tomarião; por 
que não havia artilharia prompta, nem carregada. 
Vendo eu esta, inacção do Commandante militar, á 

minha custa armei o povo e os domésticos : dei-lhet 

• * * * 
pólvora e baila e montei a minha custa dez peças 

d*artilharia , fora doze que. para isso tinha recebido 
ordem superior j offerecendo uma peça. de Calibre 
9. Este apparato bellico, e muito mais depois de que 
eu assumi o Co mm ando militar em virtude d* uma 
Portaria da exti neta Prefeitura, da data de 2 deDe- 
zembro de 1831, atemorizou o Gentio, e os fez lo- 
go conter, ate' que se effectuou a paz de que tenho 
a honra de enviara V. Ex. a a copia N.° 1. Esque- 
cia-me dizer que mandando eu pedir soccorro a Bis* 
sáo, o exSub-Prefeito enviou 27 dos mais perversos 
soldados que lá havia , e outros sahirâo da gonilha 
para aqui. Que bella gente para uma guerra. Asse « 
vero a V. Ex. á que mais custou a conter estes cha- 
mados soldados, do que o próprio Gentio, •••«•••••• 



O mesmo gentio repetiu os mesmos assassínios nô 
*nno de 183.8; ainda o sr.Honorió, então Governa- 
dor de Guiné, castiga-o, e força a acceitar a par 
com condições assaz duras, que todavia estes pretos 
selvagens hão de quebrar , quando bem lhes parecer, 
havendo allí para o futuro o mesmo desleixo e de- 
organizaç^o no estado militar e defensivo.— ^ 



i . 



•Mil»'-' *■'!" *' ('•'*■ » -^ 4 '• " » ' • - ' A'' ! ' ' '• » W* v -' 

' ©baníamos pois com urgência a attençao do gà* 
férno sobre o modo de conservação e defeza d©snos 7 
sós estafelêci mentos <àe Críuné, ÈÍó estado actual,- 
fe' até uma sem-razao lís^gear-se, que. esta coíoniq. 
n&o haja de segújr um ãiç. q camião Ae tantas, que.. 
ftb t"êém perdido. A$ praças de Guine çugmentárãq 
ttn breve os montões de ruíças 1 , que cobrem toda a 
costa cl ? Africa? — d 'estes monumentos de gloria pas r 
sada e incúria presente, J2 todavia facíl e remediar 
e atajhar esta desgraça. fJonservje-se tílí ugqra ainda 
que pequejja , pia* b,e m metida fo^ça, que fa^endp 
recuperar o respeito $ bandeira nacional ; e apoian- 
do assim ,p estagnado e atemorizado commercio, poj 
nha em l>reve estas possessões a pbrigq d ? insulto e 
rapinas, e a? collóque n/unia pçsicàó briliiante e de 
prosperidade, rr? 

Juntamos aqui orrçappa da forç^ quJMiãvia em CjFut? 
né no anno 1836, o único exacto que teujds. a vista? 
^-Notá T$, •?•- Hoje pouca diffejreaçja Bayer^, maf , 
saibamos que estes algarismos, rjâo passa ip de alga* 
rismôs êsjbríptos no papel; pois d e . certo çâp sãq 
soldados, entes sem instrueção nem disciplina, yro? 
tos , esfarrapados , descalços , esfomeados e quasi „ 
desarmados. — Tal é qu^sí sempre a guapiçao *ds 
Guin„e'. — 

r areceroos , que sabindo uma véz dos planos provir . 
ãOriós, e adoptando definitivamente uma organisaçâo 
militar para as colónias, seria mais conveniente 
e politico j em vez de corpos permanentes serem 



dl 



*tl| as guarnições £U*s por d^at^cjwnentos £o exer* 
cite, por turno; ou muito preferível ainda pe« 
lo* do £orpo.N#val ? su^rdjn^do ao Ministério da 
Marinha: augpjeut^ndp-^e primeiramente este cor- 
po ao numero ent$o necessário <de cinco ou seis ba- 
talhões. Reqder-se-hjaip aquelles destacamentos em 
pioporção e pocbas combinadas de maneira, que se re- 
partisse com igwxidade e justiça entre officiaes • 
soldados este serviço tão penoso. Assim se pratica em 
França nos cazos ordinários, sendo o ser j iço colo- 
nial feito por escala pelos regimentos de marinha, 
tanto os de infanteria como df artílheria» 

Querendo porem guarnecer esta Província com 
tropa dopai*, é necessário que haja um batalhão de 
caçadores de seis companhias, da força total de 640 
praça* ;— com a denominação de 1.° Batalhão de Ca» 
çadore* cf^/rico, -atendo as outras possessões os nu» 
UMJros suecessívos, Ale'md'i$so a 1/ c 2.* Companhia 
à\<prlilhcria d 1 africa da força de 160 praças ; e mais 
ai.* Companhia d*Arti6ces ou Sapadores, de 50 pra- 
ças, debaixo das ordens d'um Official Engenheiro* 
Assim o total da tropa] de linha n'esta Província 
seria de 850 homens, incluindo os officiaes respecti- 
vos» Talvez que ao primeiro aspecto esta força pa- 
taca, demasiada,— -mas não vacillando entre a con- 
servoçâo ou perda destas, possessões^ ellas não se po- 
dem guarnecer , com menos de 480 praças só em 
Guine; — a saber cento e vinte praças em Bissáo, 
cem em Cacheo, sessenta para Geba, trinta emFa- 
rim, vinte em Fá e Zinguic.hor, sessenta na iiba das 
Bolama, e quarenta na dasGallinhas. Cem homens 



feao~ necessários para os diversos destacamento* na 

rcíhipelàgo. 
Bestam duzentas e settènta praças, inclusive os cia» 
coenta sapadores, que sempre se haviào occupar naís 
officinas do estado , fortificações, ou Jriais obras que 
forem precisas. O quartel permanente de toda esta 
tropa será n'uma das Ilhas mais saudáveis , aonde 
fôr a sede do governo , p. e. na ilha de S. Vicente, 
para onde esperamos que um dia seja finalmente 
transferida a capitai , dando assim a tao desejada 
execução ao Real Decreto de J837, èque apezar 
da sua.nimía utilidade ate* agora e' menoscabada por 
>ís intrigas que se lhe oppõem, 

Çonservando-se allí o Estado Màiòr do Batalhão 
corn tstá forca , ha de se poder emprega-la , não. só 
na guarda e segurança, mas também a pai* dcsexer» 
ciclos militares, n^quelle* que conservando q soldado 
ti* uma saudável actividade e robustez, são não so«* 
menos úteis para elle como para o paíz. — T raba* 
íhandp conj uma pequena gratificação nas dífferen* 
tês obras e conslrucçoes do Governo, (como sempre 
se lêem praticado ha Suécia, principiou ultimamente 
na França, e desejável seria que fosse introduzido 
em Portugal.). — livra-se o soldado da ociosidade 
que leva ao vicio e turbulência ^ e ri*ésta nova es« 
phera d*act!vidade , nova utilidade em tempo de 
paz se acha então no exercito, tanto em prol dò pais.— 

D'esta força sempre disponível cprompta, rênd«r» 
se-ljâo çs deslocamentos de Guiné, todos ôs ahnoSf 
nos mezes de Janeiro até Março, } estação âllf a 
mais saudável, paYá terem tempo* a acclimntiear*se f 



Pòr catm dos n&merosòt e continuados destacam*!*** > 
«os, convém que as companhia» de Caçadores sejtfb 
àe cem homens cada uma, com um Capitão, ym 
Tenente, e dous Alferes. Esta organitação será a 
mais própria ç pois todos os destacamentos pelo de* 
faJh* que juntamos, devem ser dofucial, o que é^ 
indispensável para combinar a boa administração 
« economia com o serviço. Assim p. e. exigindo a- 
guarnição de Bissuo JàO homens, destaca para \& 
ama companhia inteira do Batalhão de Caçador* 
m mai* um destacamento d ; Àrtilheria. 

O" serviço d*um soldado , «eja Europeu, seja filho 
de Oiáíné ou do Afehipelagso, será de seis ánn*t. 
Ao fim d % estés tética a baixa, recebendo em Guiné 
ii.ni bocado de* |en<eno, cujo primeiro amanho assim 
£omc* a construcção da casa *erào feitos por contai 
do Governor -Sêmeibamos aldeãs formarão umas ca* 
tenias militares, e isempta* por ; certo espaço de 
tempo de €|ífae«^er impostos, aUm.de contribuir 
J>ãra povoa* , : fe*tilísar ^civilisar opaiz, ^em bi*h 
sve hão de indemnizar o Governo das despegas adi* 
£tftadas> - 



guando o Coronel Marinho tomou pouse deste 
Governo em ]s9$õ, nâo achou tropa alguma, pois 
«orno dissemos «ô Batalhão 'Provisório depois dare» 
volta tinha fugida, i e as antigás milícias , bem co- 
mo as duas com£açbfò$ indígenas tinham si^olicen* 



— 1W~ 

«todas por ordem do então Prefeito. Chamou epi» 
Governador os antigos soldado* e fe* tua recruta- 
mento; alguns d'*qaelles ainda tinham feio* queda* 
w indicio* de .ter podido noutro tempo servir do 
Jarda ; os recrutas vinham aus. Pediyi fardamento 
de Lisboa , "bem como armas e >mttniç,õejs. Foi p*re«i 
ne^nos, n'aqueála occasiao que era resposta vieram se* 
mentes d' alfarroba» feijão branco e gx&& de bico» 
Bardou então esta gente com jaqueta» de ganga com 
gottos de panhioho; edeujbarretiiuis de palha cober» 
tas com a mesma fazenda. Ao fim dedoustoezes to~ 
dos andavam como Adão no estado da graça. O ri- 
dículo destjte novo e fe*travagante v estuário , não re» 
cabe de certo sobre quem o , mandou >fa*er; lançan» 
do -mão do que havia .na terra,, ;paratcubrê anude*, 
poupou ainda aos governantes o desprezível concei» 

4 

to que haviam de formar os estrangeiros , 4 vista do 
tanta e tamanha iaouria e negligencia, -r» 

£' grave engano., julgar que. os filhos do pai* não 
sspportam panno» As noutes são aUí muito frias, e 
tiles são mais sensíveis aojfrio do que nós ; os sol* 
dados (que itão tem nem mantas, nem capotes) enw .. 
brulham-se de noute com tudo que encontram * pa- 
ra supportar a penetrável cacimba;— em âm Ioga • 
que podem, compram fardetas de panno ,-**á sua cut„ ~ 
ta, bem entendido. Por tanto e de desejar que se 
acabe este ridículo uniforme de algodão, substituiu^ 
do-o por um regularmente distribuído, de saragoça, 
eu outro panno. dç, fabrica nacional. Além d'isso , 
bom seria, terem para uso diário fardetas de fazenda 
branca, [também feita no pai?] que avivadas com 



dMfefc viras , como taam às (itopas beipanhcda* aa* 
^oloniaB , jUntjarii o útfl $o lindo e 'económico. 

pt pa&e letribramos ajfed* qóe «t toocòil!» po- 
diam ner 'feijt*5 jttlí da* pelles 'de cabra , vindo cadft 
jlma importar em 500 j^s, aquando as <* amadas ta* 
gtesas, ^iém c $c pouca dvfftdouWft, ;cutf*ip l£00O 

Para evitar a nociva è supérflua disptfoptygiod» 
£fliciaes que ha nesta Pro vinda, o qite do cértO 
gabaria adoptandor«e uma vje* um syjtefflda ifa 
organ&ação miljttar , hòm seria taftes que conforme 
o antigo u$o £ jcqsiume dò tempo 4os Capit^es-Ge-i 
peraes, possa ( p Governador Geral da Província 
norrieai e promover os officiaes necessário* , ate' ao 
posto de Capitão inclusive, sem preterir nenhum 
sem motivos justos ; porém sem poder demittirlos a 
jseu alvedrio. Tosfos qs poj&tqs deveu* ser preenchidos 
por graduaçççs coq^pejteitfes, jpois sem esta hierarchia 
breve e a disBoJ^çâo; e nâp como lá se praticava no 
^batalhão organizado pelo Qovernador Marinho. Un* 
Alferes jcòmma^daya o Batalhão , outro servia de 
A judaçte , outros de Capitães , &c. A culpa duma 
iâo~ absurda jparpha de per£opâo pode lecahir sobre o 
,dito governador .. -?r 

JLiistoe u til por causa do$ nnmerozos abusos, foi 
( o decreto renoVadQ aós 24 de Julho de J8S8, e 4? de 
outubro de I8Í39, — prohlbindo aos Officiaes «íjue 
servem nos Domínios Ultramarinos de voltarem ao 
Jtdnosem previa Jicenrade ,J S.' Magestade. ~ Nota lê* 



«*■ IH —. i 

, JE dqEK4s ;rJ q^n\AW>,os ,pfficia?s 4espaç!wtys par* 
la! ^ geralmente for QHtr*qra um fijho ou sor^riqbo 
desobediente e incorrigível; hoje. a jqiajor parte. das 
vezes algum .s*rgei)to oucabo, ignf*antj3«,e devasso» 
£sal?Q raras excepções].^- Ha, couzas ; que apezar.se,- 
T^m ; vergonhosas e custosas a .confessar , é; l>oin.q.ye 
▼enhão á vista» Os Ministros da Marinha e Ultra- 
mar não o ignoram , e que vejam que a nação tam- 
bém entra no conhecimento , e vê qual e o remédio, 
qoe elles lhe dão. — Que vejam? quaes ofl&çiaes )átc« 
mos para guardar e defjejader as, nossas possessões ! — 
Jftntapaps portando a seguinte copia litteral d' umas 
participações. officiaes, remeltidas sobre.este. assum* 
p to pel^^uUxor idade local. ~t , 






Relação dos Officiaeé cm guarnição em Guiné , 

na conformidade das ordena de V. jEic.* 

\[do Governador Marinho.'] 



Luiz Tavares de Brito. — Capitão graduado, Com* 
mandante da Companhia d'Artilheria deCacheo, 
de boa condueta civil ; antigamente foi apto no 
serviço , porém hoje nada pode por se achar mui- 
to doente de feridas venéreas nas pernas, que o 
, tolhem fazer, serviço. Ha um anno que. está com 
parte- de doente. Tem trinta anno&de serviço, sem- 



-1*6 — 

' p*e na Infanteria, Snas [opiniões politicai bem 
suspeitas , de que deu prova* bastantes f atépro* 
hibindo [quando f governara estie presidio] eosba* 
bitantes festejarem a noticia da restauração do 
Throno de S>. M» a Rainha, Este Official merece 

* a sua reforma; está impossibilitado de servir, e 
tem cincoenta annos dte idade. 

Francisco Lftpez Monteiro* — 8. Tenente graduadòj 

incapaz de todo o serviço pela sua inaptidão e 

estupidez. Tem 87 annos de áerviço;'assuasopi« 

Jtides politicas mui suspeita*, e atí bauzaadmi* 

• 'ração , como se fizesse Ofòeial este homem , até 
dado a bebida** Tem de idade 45 annos. 

. ' Observações. 

O único Official capaz que havia no Districlode 
Cacheo, José Joaquim Coelho foi demettido porS. 
M. como affecto ào usurpador, porém de certo o 
Governo foi mal informado ; porque este homem 
foi gempraJiberal, pois em 1831 quiz a cclamar aqui 
o Governo da Rainha e da Carta, e lhe estorvou, 
Luiz tfJavam de Brito , hoje graduado emCapitão» 
S& o Tenente Monteiro é que está fazendo o sem- 
çòv porque o> Capitão nada ' pode. — • 

• Caza da Provedoria do Concelho de 
-. i Cacheo. 19 de Fevereiro de 1836. 



: iDelfiqa JoM) dos Capito*. Tenente. — Aptidão miti-* 

tar^— boa;, cwhece os seu* deveres , #pp1ica-te 

r ao* folhões 4>i^uCçâo,_Comiucta militar e 

lAlJbiw S^qaedo Caído^o. — TenéíiAe, ifbcía rrãcndà 

.- &$trviç<>--c}&óoetíta l e nove annos deidade — 

" opinião* politica nenhuma, etc. — ' 

JJanoel Pa**oalv Alfetes/ — Aptidão Militar , ooV 
^não sç a^pfiça aos folhetos d'instrocção , por 
n&o ãqhtr ler. _Conduct# ^ílítai' « cívif — *ofc 
frivel. ~_ Opinião politica — Deportado para Bis* 
táo a 1 0} de Dezembro de ltffò , pbt toda a vi. J 
da, com pena de n^orte sé voltar pára ò' reino," 
por alliciar steus camaradas á rebelliào contra* 

V s Sua Magestade. (Foi durante a usurpação db~- 
ex «infante D. Miguel), etc, etc. 

Biss&o 9 ? de Janeiro dr W$6. 



t ' 



,, Li.mil^níps-nós aqui, ainxja que facii seria conií- 
puar-nioseste qiíadro. Otganismndo porém os Oôr» 
pos como dissemos, dt?sapparecer£o semelhante* 
torpezas, pois então havfer^ sargentos e oftaiaes' 
do exercito ou da 3/ Secção, que d& boa Vontade 
irãa. Intendemos ppr umà vez .somente, e páradi* 
ante sendo as promoções feitas na Prbyincia, e ha- 
ja por estimulo a honra e emulação, nunca se h* 
de perder o brio e estimulo militar. 

Alem d'aquelle pequeno corpo de linha, devem* 



— 187— 

* fprraar nas Ubás de Santiago, 8» Antio • Boa» 
*kt* o» 1.° «/ V e 4.° Batalhão de 3£/ictaf A 
Aftica cf três companhias d' Artilheiros MUiciaftot* 

. As ilbas de S. Nicoráo , Maio , firara, Fogo- e 9» 
Vicente darão sete Companhias destes, eos K°, fc% 

* 7/ Batalhões. Assim este força de nas 3jf he- 
tâens, pftg* sóiÉedte na occasiàò d- alguma gueí- 
*a defensiva, pode socegar o receio que jamais unae 
«mo aodas se estendesse até <alií« De atais, por 
tezes já técm dado estes insulares provas d*adbe*á# 
á sua notai pátria, para outros temores insptrarse* 
melhatiie armamento, [receios qae afasta até <á io- 
oaiidade da Provitteia] mas absolutamente neeeesa» 
fio-, leutbv ando-no* f que se FórtQgàl perdeu as pos- 
sessões da America ^ e já alguns pontos da Africa, 
foi por falta de desenvolvimento de força, foi por 
frouxidão; assim como Hespanha ficou sem as suas 
eoíomas, por rigor demasiada , que chegava a cru» 

r^idade* 

•*■ Tárnbem e necressarífc uma esquadrilha de dou* 
ligues e tffes chalupas 4*1 cuter's para a navegação 
dos ri^3' ria costa e seu perfeito reconhecimento. Es- 
tas embarcações tendo no Archipelàgo o mag* 
nifico porto" de 3. Vicente j além do serviço de es* 
tacão, impedirão o trafico da escravatura y#civili* 
èando • ao» rrfésmo tempo pelas* suas frequentes' relia* 
foH <m Bijagós e ipais gentios, 

^Eltas podem transportar as madeiras de Bo- 
rarrta e Bissáo para ' uma das ilhas do Archi- 
pélago, p. e. S. Vicente, aonde feito o primeiro 



-Ép$ai»lbé cóm dimcnflãrâ incfrcadéá por cropiãtefc 
*os portuguezes, apprfertderào os jadigetías^e para: 
o Araen&Ide Marítibà não iife como acontece^, ma* 
"drer*a r qtie: carregando iniftilmetíte os navios* que é» 
Ireàes/ 'só para tenha pode servir. 

• *• iiStó menos*- indispensaveisr snko dons Officiàfes" Bny 
gealgeirOft , pára levantar a carta topográfica, e by- 
àrografVca da Província, e fazerehr toda» as obra* 
ê çonstrueçôes indispensáveis, que «Uí.até hoje neml 
%m sombra existem. 

• Não fia quartéis para tropa, 1 nem eaza» do go* 
vetno, teao ba hospital t nem cães, nea» estradas, 
wem fortificações. . . íão ha nada. Parai coadjuva* 
èorrç ecoo«dnyia em todas estas obras , que insta motf 
wanedesskladiadNiro destacamento dcárrCifkes* Com 1 
etiçshaderse-podér formar eoua gcandte beneficip da ( 
pnovincia^^irma escola pratico- d^ffkios para o* 
árlhos; docpaiz^ recolhendo rapazes de tpeate aie' quiov 
te annos, que alojados e nutridos á custa 4°' Qtó* 
Terno. ,« em remuneração sejâo obrigados em ten^ 
do de&noite' aanos*> irasaentsr praça ?> «servi* jdu-" 
«ante outo amio6 na- referida Gonlpanhiay 

• i\ Supérfluo julgamos o Je&)bsar>, q*ie d' este . raodp fav 
eilmente leria o Governo ; um Trem -em-, S . . V icentef 
HHlisjpeiBsável n«ma proyinçiatao. distante da Me- 
trbpol* AUí junto ais ofílcina* oeee&aria& 9 aíoFa 
dóíwjpiadito ajjaielbo. de madeira* para* o Arsenal 
da Marinha de Lisboa, "e os reparos da artilharia 
da '] pfovincíá v havendo ofíioioas. de serradores* 
eW Bolama e -fifesáoj , se Ua do poder por còata dés-» 
tt:r Uena e parado seu cos teamerilOj fornecer aos ha«* 



Éi# 5up<wi0r ííq , pinho* cjue qs Ámerj£a*0$ v $>iH3í<» 
feepa caw, tp&á* eftajjpo* importem;: aeitdja^Hg 
«Ili4a de tâí> pouca dragão, peio muita estrago que 
lhe feA o pipiai.* ç " *» .>v 



: » i • < ; • 



[ 



t Veiemos» rVoulm P*»rte de -quanto havia -4frJMMffc 
differeixça da despesa actoat, adoptandprse^o q4**o 
«plaina* ff te hriuVer alguma para otftts, tambtfiç qaaet , 
*!%&•»!** vt&tftgBnjtf fcJfae hão de mgW í 






O i 



\Tejittio& a^ora, qual è o eat|^ dtffi^fo &»£* _ 
]ínro*ínéiav Em quarHo às ilha»,, alguma* tètnt aiàj* 
p*ra ai sua dsfeaa, o iaacfccsgvet <^as mí>nfcímh*a> 
éo intransitard. do^ cwmijnios. O irrterH)r,,d€4ta4 é 
inatlafcaveL As povottç$çs pof^ox quaai tgga* a bor- 
do do mar, oera ao ffSeno» *ioi w abriga d'ufe gqlh 
pe ■ de.mâQj até de qualquer «ovâo ^er&ario ou pij^t^ 
^oqjo por Vjb«Ml t&niteQQlfttido.Vm d,'**?* rosto* 
^ . , MUfueou ft ilha , dé At áio fem 18 LÇ , i», q tf# 
:<teoa4iio*ó qs Sr ô.Bf ias puderam; mai^.<te *ititecój|to» 

. ;.Jí© tempo dosFclipptff estarão est ai ilha*> t* 
.talmente a matcè dòà Hollatidézes ,' euáa^fçsqusar 
«Iras .«gUtoéto )por ahí a. sim derrota 7 vinham -se 
<p?oyfir de vkuathas arforçn^t aqttcfcvfci» afrp9Moft$fa&' 
iNa> v jll* -da .Fiaiô achando <re«i^ericia , iAM*HflÉ*& 



4 CHrt*lteem 16Ô8 e foúbAram os habitantes. Bè» 
fetóçados Iporèm todia seguinte, por muita gente a. 
|3& fc m (dáVallò que acudfo dó interior , e rendo que 
t& 'âeàt desejado» plante de áttfeqtoe eTsaqtte dar Ci- 
dade da Ribeira Grande, erão malogrados, ferio 4 
ilha Brava, em cujas aguas sepultaram dous do? seu» 
*tkmmètoêàtáe* v Jacob M*hu e Daniel Resfcê&u f 
mmo* ctes feb*e»do pato- ;- 

1 v Ol ft i gfclM s capitaneado* pejo toefobrfe Franeíic* 
Drake, támbét» em força de mH toittats desearbàr* 
iraram na Cidade da Ribeira Grande, esaquearam-a 
em 1583. Nos tempo» mais recentes, muito têemsof- 
firido estes insulanos de toriros os espumadore» do» 
mares, jà Hespanbões, jà das republicas de sul da 
America. Foi por cauza deste» continuo» ataques , 
4|u% os 1 httfctftante* de S. Nico 1 Wo abandonarawi apo- 
«tofcfjfereij f Uhv prfneípal , que outrora entstía ao 
fttttô d&iAppft, taufclaadfrtepftra aacttaal povoação 
^u%dtête leg^ e-meia^ ■ 

^I^Hia» fevaVa , Fogo e S. Antòò, com algumas 
totitetfas , podem pela sita tfaiaç&o top*gvaphiea t 
■ Wfa i ífr Wé tt «ma numeroza esquadrai Enm tacto 
Mifotfc*) <|ue os habitantes de 8. Antão em 17iS* 
yto podendo por falta d'ahilheria obstar ao desem- 
taáfqué dos #Yaneeaes, que vinham na esquadrai 
Duguay— Trouin, retiraram-se para o interior , e 
lá' ctttti mandados por um padre , cujo nome senti- 
WH nâ& ser levado à posteridade, — cortaram oca- 
«rifcho urtice que existe da Pontudo Sol à vil la de 
4hm|sv-Ou* , e destacando rochas sobre os invasor»» 
*MÉftff*tt* muito* ; o- testo do» Fianéem, oom 



I 

! 



ffegfatâf afeato^ttatoa?tadrtaircj a*«a f ugasan^o** 
gttnt grumete* Fraliòeae*, : erppt»kHfâdoèi^«itf ittM 

* i .' ' s. • «- f* , . ' ". * ■ ** ?■-•.'■ •! ' ') 

> Áftha de Santiago poremi , á ex«capitai, áaneW* 
e>tt&*Q do conrmief cio, oodeesíatemí oscapâba**,**? 
Ai» déve^ «'erJBbatidonnadat as*kou JQrf meihfe qao A 
arte.*mp«sga pa& ajaida? « àotifiU l*o*\ià*fc im 
éehm^òcm^Ujá^àaaMÃoMfhBçS^ *q*ú ião 4risUtíri. 
í)Í9se, è verdade , o sf. Lopes g Lima no N. # 63 dai 
ífanpof de Sfl da Maio de 1835, faltando doa relê- 
dantes serviços da Prefeitura!, . . + . fhànetarâò-$cioTk> 

uravèl «atado; e : a artilharia quati toda em j&* 
fa . . . . * numdarâo**c dar aoi iotdaiàá dtdé farda* 
triento cUfoiicéá^ carta do* muito* fite wt Ihtt 

ffâo a*tt*efeafo* ap«k>ffia*V nem 0Ó1 importam 
do com ttrtérefffes p**rtioaJare#, è àb* forçoso <|a$ 
elsrar, qáe Uso muitíssimo- sfc affasta da 'verdade. 
* Foi po*adui«ntc a. Prefeitura ^uè te deixou cafcu 
i mais importante bfeftVritf ali dbfeza dt> porto dã 
Villa da PVaia, — a da ponta da Teméroza : aonda 
apolar do Beu tom estado, hm ve* um paiol e ufaaa 






« Não admire isto, porque possuímos : uma carta ma 
dirigida' ab Secretario do Governo da Província , a onda 
líie mandava indicar n'uin relatório. -— que acolhera 
bem como aS chuvas se devem ao bom governo da Pre- 
fellúrrf.v!f !-~-èefeelhantebÒafée amor politico dispensa 
jio* dedi vagir sofore este assumpto^' " * : ° 

9 * 






para t gataia ! teáéo*se retirado esta * cfcágfNf 
• desleixo a poflln, j igaç Viabam o* «scrátos tu*t at 
tdluu r *>*etMÍft»las aavflla por ttinta rela, . ,:,-.; 
£ aio té durante- a Prefeitura, como e no tempi) 
de muitos Governadores anteriores, e posteriores» 
«Ha se &ui< feito a este respeita. . > Pois Ide certa a 
pçqca deterra. removida em ^. Vicente no governo 
áo Sr t Marinha ntogiterablasaiílcàráainda cbé £cmt* 
IttcaçdvsiiN&dsfaífastíios se o actsialrgqrernador ta*)« 
beijti trilhará êqla ^sjna maff^*^especajiia» que 

*' ifíft ilbia de^níFa^ò •bacrestígios^iie afttigas for* 
tftdaçde* ©a' Vilia 4a ííiaí^e na Cidade da Ribei- 
ra Gràndá, M^estóvUltiiBa £oÉio«€uÍ9trâídas no .tem<* 
po das Fitáppés àiacacbahtottes $ qta* jtaáto com* «m« 
grande muro seteírado e pegado com algumas kw 
ehw eM^padfts.*.msu3QB9S«í«Í5^ focto tao a Cidade 
jppcfeitameâta do íado d<i> *efta. ; 
. Tf ee destes , baluartes r o ida. i Sv Bw » 9 'dos Cavel- 
ktros eod^S. Martha fottoatítm «> chamada Folia*» 
leza.Reaj *.i que eslava n*a penbatcc* sobranceiro» 
ao actual .CpoiveWo: . m > , ,. f J • r : . / 

, ; ;Do.>outro {Udo d*jribeirá v eateyaooidous oufcto* 
baluartes, e sm meio baluarte* — o que era a Por» 
Èiíesa dé «J íoao; * >• "'1 • ' • 



Va primeira ja restam so ruínas, ainda que esta. 
^^aesta em quasí igual estado. Ambas todavU 
tinham muito/ boajs^açcòmodjijiâef ^ quartéis ^ cis- 
ternas, ^aiôes; etc./ Estas f#i^J[cw forãío oejiftW*- 






das com moita oolMea* iodai aVipivaihas <de Ur* 
vcJcanica e basalto ^ o os ouâhaes em mós parte & 
cantaria de Pòrtagab , . ..nii .<"> 

*- A frente m principal defeea {wrtáfate era do Jadò 
éd campanha: a borda. do mar havendo apedej 
um muro e algumas pequenas baUertas, que ainda 
«xktem, roaa num lamentoso estado, e àè todo 
incapazes. Tanto ellas eomò as fortalezas estão em 
completa ruina, os mertôes em terra, cobrindo: na 
eua queda «as peças* que calmam dos seus^podie* 



: Maior attençâo merece* porém <toje em dia a viU 
l* à* Praia, mas pouca dtffere o seu estadp., Jífou^ 
tu» «tempo houve nuiétasibat terias,, algufflMs bem 
eollocadas; e se estivessem mejhor construídas T e ar- 
tilhadas ,- por ventura seriao suffibientes para a de- 
jeea do porto. Havia uma bataria no ilkeo do$po$* 
ara*, de que agora «neta «vestigos ha, Itym como a* 
d& Prmo negra y do GspaZfafr», o Forte d* Gq*c&* 
fato , e a batteria : de Páo da tbtmdara » Actuaj nte n*» 
ba na titia, em cima da roeba escarpada fronteira 
ao porto, uma batíetia finito coígapr|Wa^ chajaajfti 
Gwnde, construída no GoAorao de D » António dç 
Lencastre íE* guarnecida com duais pflças de ferro 
de cal: 18, outo de.cal : 12, noíe de cal; p,am* 
à* 3* e quatto óaronadas . Toda esta, artilhar^ .«de- 
iretse ao nautfragioi da Fraga t4 Z)idna ? que suecedeo 
oat 1818 nas pejuaá da poata da Temerosa . Esta 
bateria não so 4 pessimamente construída , como 
ei coHocada . Não t^n* as «limensâe? necessárias , o 
revestimento, qaosj \ todí> cifciio^ sendo d*j>edrt|,e 



O^tirot $ko t&o pergulbaptet cjflemalpodeoí ^ífato 
dor <jg'n«riot jid«|ti» dó jH>rUr,*:q*smj«á p*ra 
fitairpdti* «$r*fr. Atra*d«ie muro 9ttítÍM|4««xi«t 
f#HJ* fofttiip de 4$m*tlirp i cqm fornjifc de/mducto » 
4* Ceifei -« **f y H*w dti«jd^arat!WBPItÍ9 , fláWOtaf 
dtt amteftckrçâò è de^paioV 

- Feira dá vilte bâ qt restos da am pastaste btijtarift 
4T? rrtwoaa > a dm* *a «utra perçtajctiéjffarfA.-*)* 
Mulher branca. Uma tem o mesmo nome d*po*i» 
til i % wHr« q de ^iKawrfej porém aflgbfts tamisar 
de báturla po tem * sca^cr o a<tmè. ;S&d l o&Mrf 
d'fe*pé)dO*i r de jiedra|oi : tar«èa|;:tief|liuii)a<tepça^ *u 
H» ^ atyaç$da cm* barro, » - - • f .-.-> 

-? í£fti'«MM|a ulnadàttai ebamada* ibattarias, lí&qtffei* 
tttv pfr^M dei : ferro y - <j^ iujni& d'álb. forâq rdmovip 
«M* ^ètanèib ^sjro iftai* de vmir.içijQs 4*pqita* 
4rfcttèri>pet}e$ tia f^«ip4» Q^re^rM^p0dièa^\qjala? 
%Mtoi^ Já'ni* - ttfe Jtérafeeo} qflg^a:^#rti*tifcptfr* 
&B*tã poetem mmfkf. A bauxbwuã* Temei***, icoqfcr 

eéHtfèètyv * ftàw mmh <fc flor d **aev Tfe«i .H» 

pá$&$ d 'artéria, rporéi^ ni$o<meaps áqhiiiiaday mtít 
fécé-sét- yépar^P^fi oof>tór?4d*.-> ••'. » ,' 1 :f..o '>í> 
Aftttfc áe feito? sfidp Jaba^tíoniwJaf tedfs «a* folh 
t*rÍQS^ tfSd' podia «aUr^dopdrtQ* qbUmmo ti**io + 
«em prévia 1 jtfeáç* dò* Go^rnadw, e f«e iÇáftpfe «# 
báltèrki grande anj dignai dô^parbid»; Issd *ra> p*i 
r» e»itar <]tfe , e*capas**ffi> iftc* pflgar os cftreiéói» efa 
*-alfp»dfcgá, óu outra* i dividas iqtie tivessem coatfa* 



fcido, A l*rtM* <}a Temera» por vqwj obstap sfn 
meJhanU^salrida i alguns pavios* •:■:/.* 

A localidade defte pqrto é óptima, pip quaotçt.p* . 
presta muito bem aos meios .da arte , paca *e faiar 
mui defensivel v eisso com bem pequeno custo. A 
babia sendo larga e funda, tem no meio um iiheo 
PQUço elevado» o do§ Pa$$aro$: dqas ponta* a 
abrangem , uma d*ellas raia, que éada Tcmera§a n 
$ outra mui elevada y que é a da Mulher branca. 
(Vq: a PU 3. T. 1. pag, 74.] — A principal de- 
fyf^ do porto deve ser no ilb^o , aonde uma jbattf ^ 
xi* enterrada de doze peças,, çofn a frente para *y .. 
Cerada,, tem o bçllo flanqueamento da faUçria d^ , 
Temerosa, quq dfTjc ser eijgpieji^ad+ para alado 
'ptgripr 4^bahia„ ç guarnecida com wto peças» ^ 
ponta 4^ ,fl/tijí Acr 4r<inca por sua grande elevação, 
e menos favorav^aos tiros dç canhão, alcançaodfl 
estes aos navios só em maior distancia: mas deve 
ter morteiros e obazas , ciyos projectís muito mais 
receiam oi oavios. 

Ainda que se .conserve a grande batteria q^ue exis« 
tena, ViUa, e como dissemos , é de pouco effeito^ 
— e necessário constriiir uma na praia, d* alfandega . 
de seis ououlo peças; esta sendo quasi ao nível d'aj . 
guq, e com a vantagem de se não poderem ajj>pro- ; . 
ximac. muito os, navios, completará perfeitaqaept$ 
a defeza do porto, cruzando os seus fogos razant^j 
G£ip as outras batleriap e principalmente com a 4° r 

ttbeo. 

|£stas obras. deveriam ser effec tuadas, mesmo rea- 
lisandc-sc a dewjada Jraudança d* capital para q, 



i&aHjé í£ Vicente. Bem peqiiefta será a %íi*A*Npé* 
*a, Visto * abundância dos máteriaes lojò ariíà*»,^ 
iikptegàikdò br'tatalhãteé de mlticias\e corpos 'de 
finfca , cèm alguma gratificação, ^ ' r ' ! '- i 



* • 



I IJ.»M 



erh tapume com nome de 'forte^ bém -espaçoso , 
Aias construído de pâdrk sôítav e ém -af guris' sitíbs' 
fígkda com barro ; hoje está tddo*erii terrjH UflOà^ 
«alo peças guar<fam í estás' ruínas ? * ainda 4|ue ftío 1 
jMiâmi Servir * pára,' dar fogo, '. Alas to3a * esta 
. ilha é 'Tàácéefcsfvè* : ' , defenda ' só peta ' h atufe» 
ia. /A ffiifc Brava também nao' tem tientfutaa 

A i » 

oeféza, ie'nSò a attúra da* suas rochas. Consta ^ót 
-éift 1 bi actual Governador o ^♦Fàtoés' tnáru 
flòucònstruif utna bateria no porto <Ja rqfná, v 

t* •" . ,•: . ■.• ;• ■ :i ti •■ • a \ ~i , . -.'. ** 

^í&ilba da ; Boa- Vista constrtrfòu b Sr. : M; A>" 
Martins um forte no ilheo dopo* to de titaURejrj If 4 
irtát coHocado e 1 construido, sem dttrieíisSés" tilem 
traçado ( mas- guarnecido com áígurtía artírnaHà , 
ainda podia ter 'serventia. Pomos ioforthadòs qufc 
líí- : Rei D. Jfo5o 6* pròtfíetíeô 'feito IBÍfc áo iMtò, 
CfiW&rtihfc 9 eitfcr Sargfchto-mô* dii'lHm; 'ém 
rèrhúWér^ko -desta construção, feitàf á sua' custa, 
ie dar o seu governo cerni o 'dráeh&cto' 'fèfe* 
pêcrtvò a um dos seirâ 'filhos, Fátefce-nós pbrentf, *fcie 
como já oào estamos no tempo de .feudalismo e Víln* 
gtíetri possfie tfo rtafesàs e ciijrtélrbs, deterá ô Governo 
averiguar este cazo, e ent&p se este forte realmente k 



» 

•4 

#íra pt^priédfttieVcom<)ÍTit;iflca,Jtrieninitó-lb peto «âi 
jimo vator^ e •íbrtiar à poSse^— * *'• ...... 

"Na iiba de S. Nicoláó Ha 'também ima bateria 

m 

«oih algumas peças, («em munições nem artilheiro* , 
*orrto todas aq\ieít&) FoieoiWtroida pelo ^ntendtttte 
de Marinha •AJPttâsich : 4 hettteòllocada , mas ès- 
i& bastàntemente arruinada**— 

â * * 



s - . L f 



t • 



1 t . • ! ' 



\ » . 



© ArcMpelagò dar fthto <!e Cabo -Verde ^pelattta 
altuaçao geogràphJca, éértitàò nataraLeaídòusgnK 
pos, aia* tias dhâs"de ISàriáfefitiyj eotittto'4e So- 
tavento; parece. qtiè poi* èata 'eilttocaçia (íeví a apre- 
sentar a deslocação da força, e a baxe d'operações 
oa*sua defeia; porém oppôem*se auto as varianças 
ét embates dos ventos, benr como outros motivos , filhos 
*fe localidade. Àllhacfc^S. Vicente éume das má» 
AorteMsi tíesté q.^id^ari€e rètriaHdo geràUneáté *$ 
▼ènt^, a esqtiaYÍrHhafundeatfea^^íb frttftoy mâghí- 
flécrsãi» i&ital, poderia acédÈr tójipfe -««'qtiotqtfer 
«ucfra Wm fcóm * mfcto* «titarMIM. «" :::••«-.• -i»;* 
1 'Qrtmtadtf *al§titir áe^boVés-ehfegar^tfr à ^etiuàdl^rtí 
•i|«e há vi^^sio^sÀetô^rVr^a^iiô^ne^-ida (5à- 
pftírl para 8: ,a VífentéV è;se ^*éram efitié AlK todò^ 
«cKftclos^e eonsírtíc<j6e$ pVftpriás "d^owfa^eOlóBÍS kn^ 
poTtâfate éH3fttànte : da ttife^fò^iílè^ itâòmênò4 sedei 
^éi , à t Íjú<»r;À i ifètt#e%a «òitt «JçuÉ^i^tocfc .acarte? 
pondo a '«•brigo dé ^dalqwerjiísàh» éilts noVotestíi» 
bdeeínjefttíj.: Toda a'(x«t*cle S. VicÉntè ■ é -tte ttií. 



3-T-138 —- 



fcoyg WfiUfQ ,. * e*csp.sâo d'a]g»ipjis pequena eii. 
seadas , c estas mesmo sâo cercadas cLaltas rpçhas. 
Pprtaato toda adefeza consiste em fortificar o por- 
to Gfôpnd* ». ; ott ?ox^o d^o Míndelro. Oilheo no cen- 
tro da ja^r^ra deftta, ^eH^ ^lia Circular 9 prestasse, 
# H** i: pfarl)5it^ff|ej)it^ r qem óptimo . flanqueamento 
d## J^eria» qu* s^d^iam collocar nas pontas e 
no Interior da bahia, cujas cos^aa são rasas. Até boje 
infelizmente nada se fes n*esta ilha , e ancio- 
sos esperamos que uma ves se ponha em execução o 
Decjreto de tanta utilidade , o que nós não cança* 
mos de repetir, esperançado* que virá um dia, que 
kqja um Jtyiojstro cjo Ultramar, [oxalá fosse o ac- 
U»al 1} qw dê *> çQtyBQf} { 4 <*ta obra utilis&ima , ape» 
iaf . <fe todas M iptfittP* e emedos, 



, : .Quanto ,ao . material ," n$o. jó,epi<n*lhor, estadoqu* 

*• ft*UCtaç$98« Af*t*« WfíV**° ,***$* em.purte a 
natureza,, n*^ ,r£q p<^ rçmpftor o oytro. Amo* 

<st*o as armaf -dlfrirqpb-Ma n¥*w> «Mfte* $cwd<* 
maior parte do anno nas, ip^os 4'W , serralheiro , 
[que .serve de espingardeiro.} ,,Nq anno .1836 havia 
356 espmg-ardítf , 3$$ wretqs, 339 baionetas , 865 
bainhas d % aquellaj,43 terçadçs, õ^/suas bainhas, 
3^3 patronas e corroa^ , 306 cinturões , 18 clavinas,. 
484 cartuxatnes, çmbaHado* , 3ò8St pedieneiras f 
f te. À artilharia, n^charç&da* fortificações e'defer-, 
to, em mor pari? 4 pxidada p ^ç geralmente sem re- 
puxos. Eiistcm todavia no arcfrifçlagq p*f* WBfi dq 



pafatêtà peças: dásquaes té fia ViHa dá Praia cin* 
^eíetita» è séhuHatiambernuni parque de campairiíadé 
^natoo peças de brontede cal:' fr e <Jou« obiizes.— ; 
- 0s taparas a *âo s«r <le feriro , que sto os toisíh' 
ooaveqieirtea na aona tórrida , derem sér feifò^ 1 allf 
jnescao de madura de Guine e não 4* piano-, 1 <qu<* 
vindo de Portugal além de serem multo mais caros, 
0$o de pouca duração. De efe»' ou pôilao'/ e 
}&* jfdâs fe «lindo com terdetecftr com uma dissolu- 
ção dsitfrsejrico fia pri*Ê&* de mâo, duíaraeidè' 
jcfcrtò odecup^o «N^^»e as dê pinho. A» ffeçaâT 
tbmbeat já q^líflfattt^rrt* «34^ ^m^re *tn bate* 
Has, devWi&ift' ^ ao «^«^«pwtafclas com frequên- 
cia, Tudo 4**o||fr miudezas inefgniftcaittefft mas qiw 
se não fazetft pe}p<jksIeiçoedesorg*nj£ã^taqría tit^ 
.do artda. • - l -' : » ' ' ' • - 

Eia prova que ébètfí superflu/i, ' pòís nití^irtih o 
Contesta» eHftretftó* aírufe uiti facto <$tie ftfevetiáfrmoSf' 
£ oXala fossa flrérá jihêitklota'.' »'<•:. * :« -• ' ' 

. íl £.:.íii;oi c moj too'! ^.ítií.ÍL 

* ^ ,» 

No cor pode guarda <$a principal da vi Ha da Praia, 
ta via um sino de bronze 9 aonde na falta de relógio, 
£ senti o ell a dava as horas com badelladas ; cobrou 

& o.dóròti * * ifté bWoqum mandaste pot wtío, 
tW%òldadf> trepava ^tSo <le hora- e^ tara para 

tPUNSaiÈoi' * ibtostíié *&0 6 bedalo n&f puredc* dó 
çinoy àssirn 4ttn*Jtatfc?a tia* vHlaojeropo; -masoòmo 
jfeste '&t&oéf& qíte 'd±$fc#tttt>a^ * e* Vé*é> pféptlésrftí»; 
*ubsthuijo~o uma pedra , que em rezaltado -das 
FftáUa» p*}fti£a* rachou o emo, e por &ltade corda 



uâose sonha ínai* ôè korss aavilia tia Praia! laietâj 
Irteute pr£EeuQÍa*ap* esfce, facto muitos efticiaei dj 
navio» d# guerra 1 £gl&es e Franoeze*, qoe «betita^ 
do ^e riz^nâo padiam* dei*ar de enriquecer s< 
albuttM epm soeoa tfco grt>te*cíu fiaatatfá teo pai 
foj joaj; umç àèea «ti* *dt&i)»i*lra$ão» ! 



•*♦'* 



. f i* 



•:.« 



«, 



•■■< f *-V 



, Itfa*, : v oleado ap >awii tnp to, «jtôiqwn te a *pHtt 
f VerfQttlM|M|P> i*M» ; é . v$r4ad*ua» >qqe por srtaes 
te pé«fc.TOfpon<fe* àasajiras. 4o% QftFW «*ti?angeir< 
ppr 4^0 ^av^r^nlian^a. Quando éhegoa o Govj 
xiador Arouca >(l J^âg .eptiíti^TOoa um ^Jiâo no pi 
fcalvou-sç 4 c$ti> ipplMpr^ í^prfstada^ Na ínes 
tgt^do s^o a»s baliaô, e tod<|>s as mais. petrechoi 
ar<tf go^ de ^rra . ,-.„ ' • , • • *. , 

N outro tempo houve todavia muita ferrameni 
• utmaá|ipi çemçttidQs.dç Poít^gal 9 que forãp ei 
jegues» a uiaa eftpeeie d^aljfr^ri&si, .defapparsc* 
ram dos armazéns* , aonde ideiam ^atar 9 mas 
eas são as casas ua vitla da Praia» que n*o tenhi 
alguma peça com a marca R. 



lu 



1 «•• r> 



t. 



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•>X: -Ii.í í» » 



-• • II 



t. 



: Qoaiit* ao *n*do;<tefenwo df Guité r b*ja poi*j ^ A 
90 rfsta á dizer* Y^jcimc* qya^ *áo 0$ meios 
dfcfe*4 > quaes *s<>f®ffetleaaft que Asuirda^ O&qdsi 
pr^kliOfti, e qw peia sua boa xKd^ooag&o « mani 
fepçãj» wntaaWafteem a nuta^rUa íprça bruta- ú( 
íttgro*. . ■ * „.. _, •, .!■'.. 
. A uriica foilafpza $w .etUeyfctt , f ade & *&«' 1 







IA 



10 



10 * \ô'l. do * 



* r 

♦♦.' 



ée JBwáei Staada a cem b*aças da borda do mar} 
4. de TOasfoicgSo Regular, cem forma d$ um *Wa* 
ctoqwdtíuitf de4*m pasto* deitoe* flanqueado etií 
ead»: angulo por * um (baluarte seteitado. Fbi cooa 1 
truid* e*$a praçk e» Itfdtfiio reinado dfclfc Jèíé U% 
quasi toda daèanteriá vinda de Portugal. Umana- 
tteteea etqaadra protegia esta obra , na qual o ar- 
tífice tinha o maitel n* uma mio, e n*outra a espia* 
gaiSa ; apesar de que a4»treno é akawed^rtiíhe- 
xiaitiuhaLdidò comprado peia Companhia do Par£e 
Mhtzúhho^ ião Rei Campolaca: Ficou fjesde então 
què>Q*<iõvernadore* que vierem' de Portuga) aBfs* 
$áodo4«m ao- Rei de Jntkn oma farda eneartàda 
e calções, meia*, çapatos, chepeo ebefeg&la* EtjU 
despeza fasia-s* pela /Gompanhhv do Gçâo Pafi, *J € * 
pois r pela Sociedade JSxclqsWa, •*. Ãttâlmeute pela 
Eaeendá Nacional* Hojéquasiqae em esqueekoetv- 
to jà está es t*v pratica.' ( . - 

Anteriormente a epocba de 1764, njo baviapoi* 
attí^ptaç*, nam fbrti&eaç&ò /algum* , vá» W 
mente utri prezidk) para ©s> degradados .," debaixo «da 
juriedioçej» dura Capitão mór , quagi sempre filho 
do ; jmiz , • nomeado . pelo fòiaiiâandadpte de Cacheo. 
-tr Daotro 4a j>raç^ ha upa quartel para oJfieiaes 1 
duzentos soldados , caza do goveínó* umaigtéjá* 
aUfendega , <je àfcmazens, <**£udo coberto cofi* teíba. 
AGoftpaniiiadb iSrão Pará, e depoife a soofcdade 
Ej^hisiva tirtkam tèjnbeafr allfc boas caga» je a«na* 
zens próprios para arrecadação, que haja «rtà^tt* 
davtaitofcalmfflte ariuâoados, t • '• • ■ ^ 

i AfVtí&i df beAiew dmU pcaça r .faaica >*e tepdo 



fiito o«, rep^ps grççmariofcy >acccfiíckra aa miflas á 
gqtfo que^ a 16 <|e «Agostaíd* 1830, cahinKK jxif 



ferra d^ ^.ftKles fci&^^ 
tp , j4 ofu* 4fMH»Ífoa(i<v Jftaí gostos* nris í* poder • 
«M* ^çclamíar, <jue ^M^jor DzbaasJçi esni^ntò^o* 
Ktfioou çsta. PcaçaT} tepturofr Ioda* -eaias rumas y oaM 
BH> tefpbpBfc.ebjwerfou aiglfya c tmA. ecUfeòie»; *** 

r 



Gosto a roftlbar *gufe poftafyel qut* leibèbeioa Pra^ 
, tfcro nadUtamúâd ama ratitay chr forte cbah^ 
ty Jlt&eifi -qM ettá\n*ft fúfcòatf^Hn^ftegufo Pa* 
p^I^C<>oyúâa QHfeUufc cfeat*» da p*a$a uma tíiev 
JferJI<tV«*-<ett tq uHq «nelbor dceupar eala tale com? 
§lj?4niaDÍ»* tfxterâr^ ^taflW 

íxnn.ôe^wratíjga; Qtorretfcoatmexoeirç toda esta srtjen- 
>à^p^diai«círe*lpregad«epor uèla esped*& boi^a «^ 
gMWtfafi) cfaiíio 1 ar; awim uèv prjnlcipiò* agricultar» 
nas hnmediçDes da pifcç^ e djabafao da mia. prateei 

., Jáe iwior dí to y quaotp cta n&cèssotio oc^wj*M>$e 
p Jttttfio dos Pastaitoay cbUocandp allí uma batteris* 
f*t& obslar o commercia iiDbáo ilo* ndY*e«/e*tran- 
geitiot com o povo <ide Baadisqven* cabal prejui* 
fados Mgooiqnfaag fpo{tugaefes e derfakjae cVsb céu* 
$pf*Qto& do eytado»- ,, o r ; 

. > Wâo menos eé de?* guarueoer o Hbeo cteSupcr- 
stíl&>., <ouja localidade presta uma defexa muito efr 
taftfeá praça de S. José* tfc JMssáo, -e cobre o seu 
lyjidtadouipw: > :> *" > • • - 

Tanto maia que se fosse oástosa *>tal««t impôs* 
«frei esta aocapaç 5q osfn tirito «ratada^' > por «tása 



«fumas eotómonias rè Hgtos** <|*ie ai li celebram ofc 
gentios;-* esta ilha e actualmente do^ doto ínio Por- 
táguez , tendo o Governador Mtrhifao obtido esta 
cessão em 1637, por intervenção "» dc*''8*« Hono*- 
tio* ~Consta-nos mesmo, ainda que ta4o< terrliamos a 
certeza, que este Governador mandou coltecar alK 
uma bateria com algumas peças/ . 

Restava pois construir casas e ftials aceommocla- 
igdes , tirando partido da boa posição e localidade 
<iesta ilha. 

As ilhas de Bolama e das Galinhas «Mão no mes* 
-too caso. Pertencem por direito ha -muitos ah Aos 
á Coroa de Portugal, mas rf&o havenitfallí nada 
tjue o indique , nem forte, nem soldada, nem báiH. 
deira, — maquinam os Ingleses diversos pretextos 
para se apossarem da Bolama, que tanto cobiçar* 
por causa do sen bom surgidouro, e beUissimas ttiaí* 
vieiras em que abunda. 8e allí hoavesse uma batte* 
tia e alguma tropa , ha muito acabariam ètfaftbfc. 
merinas pertencias, e nao íeriâo os da dita nação 
'assaltado «esta ilha, como fiseram «m 1339, rouban- 
*fo ao Sr. Caetano Noíoltai, negociante allí es- 

idbeteòdo, «ma esotf na e 4wwetitóp- escravos, que 
^efle empregava na roça efhivotijrti.u. 

Pã é Geia a&o «em fcrtd&caçôW ide qualidade al- 
guma. Com tudo Geba - outrora tK> tempo da sba 
opulência, e activo eommercio, tinha utoa éstaicd- 
^a em roda , è foi artilhada . ' ' 
- Ça«beo, Zen^ijchor^ e jfarkattm paw astiade- 
-foià anttápufgep de; fc*rrôy * algumas utac*€U* f 



[quando jo >g^mjodo íjteen^4de at cortar aa atiatr 
tej: A • attilberiátoda ejçi mizeío «tado* apontada 

-*as oG0açjfè^ ^íWii^etHe perigo > e :>#o d epena 
d*;?*|o, t$iá&aiftâ%da* p**se*<dfls auihfrwdad^s. _^ 

' - jgfôp J*i4«* ^U^fciíestatmMtee «fc «Serial d* 

*$doe eat£â pente* * a wto eçr da > praça d« jfik Ío«« 

<leBmáo, ju n ta rjtoa. es Japw t>irte»BG>^H«tíAl£4^ 

. ^ ;&<$*& vôU ; f>3r* t <?ot*sf^ vtf r ; d» ftoctp as posses 

s$ef d* GuUré, . & algema* .cTaaf <p*aes* f jfr «a çstratt» 

' geiío» principiara a inventar difèi tos. antigo*!» woda 
o abandono em que os deixa o Governo Portuguçz, 
— o, uaíoo meio. i- . ou pfeW mettot .à Aiaift p*Qfi> pf*>, é 
o^^M deftos eyUarp^^<>íutulK)e^lwo^3^sae^ban- 
tt& fts ^ CaHW»è*sa rfe^ro e* F>^«ce^, e da Bola- 
ma fcam. os}< Jtagkires ^-^e c^o^truiP' fo*tiji& ; .e#i<io4as 
f*s< eorbocaduia* goç fiqs^e mafe ,$0nMfò« q*ç;fíçla 
tfeiHtça* wantfijac{a > ajftdé: íqilfc J^b ^prezados , 
podem inoit&* a*obiça;do^e8tíratfgeÍE)*J. -, : , , 
.• :AtfE>ra^0^$«e*tetà^ s^ pov 

jfe^daj^eat&ile&i** * -é a, iíft bbfikhcw** Todos, o? 
«nUfc»rç« ^abbnndcTtqwatat tlefeaa ^.swoâptàwift 
jtM&ffdjifit** v ehfgataete a sgr- iq^ottjaww *«rç» arti* 
-JHeria, <Y*um jj^açróa q^e é iirgQi)lfaBÍi&4 aco»M 

*r »cç^ ^*>giejl^^ tem 

Grande 9 Nunaz . fo <2atfa»aiifta i £?i&0 tasal^m*, *a 
.pontudo, ilfea»d* j^tftiftrçrfo Jí*»p<rt*al. fistes 4°°* 
;^irTms.pG#tf>a<bfodefl^ do* 

mi^ dsd*>d&úrta de JBjjMfte* ..,,,, f|l i„ , 

Quanto» mais poirtQ$^fbittòcçrôo% aUi ; tj^mp^ 
Jtiaifr se h^ d? e*ppj&ft r <* *ÍYtftóaçâo< t o<? d%r. prínci- 
pe fctagricatota^w rafa.4* ptetffgiyatdf ga* dftfe» 



ias. B considerando debaixo deste ponto de titia as 
ilhas de Bolama e Gallinhas, não é pouco 9 que 
se consegue. 



* ?*rte basta : -^(jfew Já liguem terá jcbádcde. 
ttèsfattò estfmddeéte «apitai* dfrestodo militar.*^ 
De «m* pensado »étfétaos, para apresefcta» té vive 

• éòtlVMÍea»iia de *& ter *6 potsésséet in ngwttMtfr 
p*r* éom eMa* dhpenéér sem Y*Hrt*£ea) algutnefatf 
•pdí*o<|ft£ gotiUdá» ptlas leis, titfj* fegeeuçftonetf pai* 
Mi fc&rbaroe sft %er «totem pomar foiça, poderio *lr * 
civilizar-se, prezar a industria > e jadeamitar 9 flijl 
ttopolé de» »étfs'pt^i**+ 



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<Ê9tal>a Ccttoiatttrir. 

>Àitidô <j\ic iwis s fQ88ç:pQ5fiwljSegijí»íte £e*ta.*>1ra^ 
4icãe&» «duatUir , a;, existência £&hfoftt: UaUUrtftl 
afilha de SanUf*g<** na, Qç^s^4cr.4W;de^ltt^ 
$aefc4o,~dcvia a^Hipèro . deile* **r iâo, di^iaut^ 
^j»a breve aip^^qiaí*ck>-6^ «ofa os tçcçgi çh^ga* 
4ôl; P<* tttgue«#* * «jjMrqt i S W0pt*? * R»o folia a Wf 
Jígilo.Ctob^i^^^agtf^ prcfçtt^e ^i^iBtM* »a# 

Mas cama em breve prift^pipu.0;tra/HK> d^sçr^r 
talura , e affiuia no» portos das ilhas grande m> me- 
ro de escravos de Guiné, que vínhanr buscaros 
estrangeiros, introduziu-se o paganismo- e mais super-- 
stiçõe* gentil iças \ ficando mufrcduatdoo numero dos 
christàos rt'este arcliipelago. Os Reis de Portugal 
per em procuravam sempre nas suas gloriosas con- 
quistas a extensão da Lei Evan-gelica ? e foi precizo 
enviarera-se para esta colónia missões para planta* 
rem a verdadeira fè. Os primeiros dizem * ter 
sido os filhos de Serafim Francisco, da Provincia 
do» Algar v es. Era Fr. Rogero, um dos fundadore» 
áo Convento de S. Bernardino, Hespauhol de na* 



* Hist; Berafiea. J>. 3, 1. 2. Cap. 3.?, 



— 147— 

çSo, énão Ffancez como alguns tem dito; «qm 
em 1466 , foi a iihm de Cabo £Vd*»- com Fi» 
Jayme natural do Catalunha, e fundou um tegurio 
ou choupana ecn. lugafv deserto, construindo ao p/i 
qq» oratório de ramos e terra para dúer miss^» 

Passavam estes homens muitas ioclemeacias obrU 
gados como forâo a pescar para viyer. 

Ainda posteriormente sempre ião para ali í sacerdotes 
para generalisar no archipelago a fé christã.D.Felippo 
3*oo<-anno de 1604 sollicitoua Roma ao Padre Ge- 
ral, para que mandasse a esta ilha uma missão 
da ofderh dos Jezuitas. Òom efíeito ella sahio de 
Lisboa em Junho de 1604, composta de três 
sacerdotes escolhidos e uta irmfiôY indopórsoperioro 
P.Bakhezar Barreira, que já tinha estado quatorze 
annos em Angola, € tinha mu tia virtude 9 e experi* 
eneia, czcllodoMaimai. Ú contemporâneo chronhta 
relatando os grandes serviços desta missão , refere 
que havia nas ilhas, e principalmente' em Santia- 
go uchá superstição,— .(citamos aqui as próprias 
palavras de Guerreiro) 

4 * , * 

»,.. que manando da terra firme de Guine, tinha Ipu* 
çado muitas rai%*s nesta, nãosomenfce na gestas pretada 
queaqui ha grande copia maa também em majtafcraiip 
ca. Estaera haver aqui muitos adeví&h&daresefeUi* 
çeirosque chamio Jabáçauce$ r cuja doutrina era pew 
suadir-ihes que quando e*t»vâo doentes* ç morriam* 
outros feiticeiros quaes elies queriam nomear, ain- 
da que o não fossem, lhe comiam os corpos, e ti* 

• Agi?fo£. Luúte&o. Ti 1* ■>.■■. r 

1U « 



tv(am a» bliires-, # a*J < piw temx ámidè qucrram ^ > 
dà^ofree lbepsgàvão behif Mies 'iorsaVftfii -á&Mtilu* 
fail? 4 i|ti«tld€» áttotbianit èiieb «rim* o^me^o* «eiri 
iççem sé et*ft*&mt 09 quaés ]bç 4tavai* <* remedioy 
queo» dwnktnio ilaeai CTHiuavít v fttila*do4he ptrr te* 
«cv o laráatente >*«<*** fwquB t» óifria do* eirearts- 
tantea, e meu»idc*llie «pa cabeça; muitos ootfo»de&* 
patdH* y* parroyçei bítíliW» * * . » * * »••■- 

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* * 






£&(*? qqUos fU.T*r»3* Mi^ouvjpsqite vieram do> 
gejna paca propagar Wfta p^ovi^ia os d^gi^s dfl 

$o|$ecido ( v^râo^fíftii^^, & $. £ti tonjo\ V M 
4*g.««. Sahifc da kâ&oa ao* gg dfe N*v<tf»bj?0,íd* 
1$#*:WR MMf ;WW|WWW** ô» JPadtt* jtyanqeí 
4$ JUinaav .JM^iLb^i^; J9^a4tt»e Manoel dç ,$ou** » 
•fCMÍJldo > «MM; |*» : V &eçt^e*,;do Ataraniiào*. 

arribaram no dia 20 de De*^iVf f> á tlii* 4« §4P<? 
tiago, Allí cedendo o Vieira ás instancias dos 
Cb^hdoífesdà fóvtkoai^ Hg- 

toifei^teaadk*: ^ubrovao putyiu* ti* «fftiiê&trf no/ 
^MtTíícft Dominga do 'iÀídvant>a^ -e> ptag3& & ! J8#/»£}if' 
tãtí tf* i ?»tti*Jáwki. * Nti matam tarde y «!te ^ roà-> 
isuo* «»9i4iatopà>iii|etro6, iaaiiurfdmittóikt &i*i?feti£ 
çaiififròai f q qUe repetktift x,* qa*tre tiias que fcé dè* 

* Vida âo Apostólico Padre Aiitoaio Vieira, pelo Pa- 
ire André de Barro». — ISHO.T .w*iit%fj .*■».. ,A * 



moimm. pimm 4w tal foi* *>pMN>tift»4?e* 

extinguiam publicamente antigos ódios e inimiftr 
ie*, efatiàm-K <n*»ttteyj$<*,< A*id* tomi^ *>)*«- 
ga* Mgiiafl» vt#.m+ t l* antera, 4» N«Uj f) dfc^for 

wdada* me*»» bojd ate areis» * «vpta» *<*£*$*** 

repetir* . -I ,-m - 



•' ..«-'í 



„ repre*efttando-Mies «mu estifcflhá enttgfcfalbri» 
gaçSo, em que è§ta»&> ée acedir *riti*)t*9> «almas y 
das quães èHes, getfr f&teHt*)' <é*Bo pacatos* >*j 
tiftoitâtaé rpié ein falta de ofettjotf 'Weefdietet ido» 
tiebs ífiife rôò fctarig , áetfòfe ' *H*n Wes»*i . fMtB? 
tfqfàe^as desompá* adtl* * ilfcat , « 'tfrteitarwjjcitift 
áquefla Mitra, jq*£ *3sftivaa< Utflts^flfeifeMmt* cta 
extrema, necessidade espijtamk t&t&tftJ tolloa/lttfc 
a eloquência, e espirito em rios de fogo : faltou, co- 
mo faltaria Paulo Doutor das Gentes , e Mestre do 
Mundo; concluindo, que separa este sooeorro dei- 
gfesiew >a» 4*^4*a*» .e í<? cfro fa ^ §?-» qer^ ^ste 
canto autfohwjs: agx^davel ,a &W +.-.*> bffoÀQ* 
comparável mente maior harmonia ao serviço de^juem 

- . - » f 

c * ; " ■" ; '- «••"»' • *. ■; ••■■ : - .- ví o;«.f £l . , 

»o nwíit^ u^i^s^ea p^ca. esty frçyjnçkt* e em^ou^ 
partç ^^^«.^..^av.,^ jroajiciraqye se 

«'aleito «W^I.ÇqJX^^íS PS f $f!J* ,!* st * nt * 



áeWgenciou &m$rt pa*a taèa ptfentf propagacio da 

¥fo eft€aiHõ é ftfister confessor, ainda que a 
reTigíâõ queseeegne it'esfe are bi pélago, séjaacatfco* 
Ifoa; todavia ^ falta lotai d'edftcaç&o<, ~«0*»jih» da 
relt^òata, fasque com o «Htffr teve eanme observa- 
remos, que em Santiago e no Fogo, os intitiiafloi 
ignoram totalmente a : religião s je as suas idtfasaes* 
te respeito se limitam a juntar com osignal da cru? 
é- |>afojfjrAft , D**, i Jesus , «f- $$$**. Senhora 9 — 
ptiUQMitflfl ftttpejrstft4ptgs4e <JuIb£.,. <JU? peja tra* 
àfapo e trslp coí^ini^o o^m os ^oyo vincas efçjravo?, 
éotueryaJ». A*sim,p^, çíg«rala per^uasio dos es- 
cvavtit, .^«e «iK>rwado alíí, íessufrçitam,,^ tor^apa a 
*p|fe^er;«o.*ejp da* su*$ famílias, ete.-*r-Nas f <ui T 
ilibai Ita^j^n^^J-aptor, e pm#fpa}mjenje etn S. 
4^^ ^»â«iOi»t4ey>9^* 



* * * 



' ísta f itjvítiéía foi eirfadk em Bispado ett* d* 
tfoSrtfmbro dcF 153*.' confoftàe éni otrtrolbgtfr sèídi* 

• • • *v • * ■ ' 

"' líesde tempos antigos tomou "o rei, como grão* 
jpeslre de Christo . á sua conta o pagamento d& 
côngruas dos bispos e clero do Ultramar, com a 
condição de receber os dízimos não só então, como 
osqòè no" fuVdró'Aií£mebttid#ri!áta mãttò-creséer. — 
^«"jBòúcelâáo' dfo Papá' tfòbie ií-éttfôa tti.iifo» 
VenSíinentoiV'1» .tjtUt** pbdW^dát^SiJtrò» dléstkiOs. 
* ;r JÍL §èofl§m diA âiâmofiúo fatal tét&e psh, nzb 



—1M — 

passou por felicidade do continente ; e às cousas con- 
tinuam a este respeito 4o mesmo modo. — 



Passando a divisão ecelesiastlea desta Província, 
«tafro&aJtf a mesma. dewofdem dos m&*> rarçifls. Sen* 
#tMCW*ittiè da hierarcUi^ eociesia$tie^^ ^ jnpfcequi- 
,v«el iiiferpduzit. ordens e jeguterid^d*. Assim guitas 
p**Qcbra4mâo táefli saueídote^ ©orço Ipga vçremos, 
£i§fafttji4p á,par dfisw «raa Se, ctfçri #s sous co- 
«tegçs e ivigfcrk», J$a un? #J£p9>, f «m ./wa,, Vigá- 
rio Xqpilular :; Tr^ma* todo* eljes vi.vemyeQi suas 
cazas , com as quaes se importam como podem ou 
sabem 4 — ser» todavia de modo algum se embaraçar 
com a observância dos Seus (íeveries-; "e assim í» pa* 
VocIíqs deixanfi (fé ser fiikpè^cíoiíados tía execiicão e 
desempenho das suas ôtjíigar^õesv '' K ""'■" v> 

: ' JíStó podem te JxpSr f ó s í ácèe i áSivò , d , eVfértv<flyftnen- 
iíá do ' estado écdésiàsfcíèò : Eifr nota liléiicio- 
náremos oque achamos èmunm memoda do princi- 
pio dòserulo 17.*— Nota 17.-,- - *,<\ •» ., 



*v 









. A actual djvi^o e^çles^tica da Prpvifiçja das 
{lhas de Cabo»Verdè, e Costa de Guiné, é em trin- 
ta e.t$«« %f»W*ia*i^-J^if4o .*ÍP 1 ? «f ^fto iParaoaÇr 
cbipelago, e cinco no continente d' Africa, a sa- 

^ er - i. »I . irJcvj»!?'.' E • r c „. K < 



^ 'A ^fm«fra'(Mfo$H*''*a *<Sdadfeí ft>i 'n* tp*j% 



•I . 



í»; 






&q #*.«.** ?enfce T a. ( d,* P5?s^-- N ?. Vi .%4« 

"concertada em JB£6. : p»lp.,Gov^r«adQr Chapa. 

zet; está em bom estado, mas é de notar, qu« 

ff****. «W9<l"l»< ?*a <9J¥t*J I a ?. Ç^ÍP»^. n^p^em 

•r^miter io, ##« ologar, apn^nfcrram, a ^genfo, 

-i ::1»inlW«do ,ai>atfo % . t9 ,-p$r vezes, freo^snUdo 

» 

por porcos até*qfl? ^Mí^Qfepratif flatriçSQ.*, v , 

ÀSanta Patroa desta freguesia «e festeja aos lfr 
d'Ago*lo. 

3, S. Nicoláo Toleati no.— Na Ribeira de S, 

Domingos.. A igrejatrstá em mizero estado, qiía» 

' ,s ' 4?^ne !rW&a tima-^fcè«pláí 7 *e4íWô§rié. — 

*; ° %:Wft g 'míi ró 9.<*r9A* ; w m*mi «***. 

*. NossaSenblrada Luz, — ídera. 



% S: Kba«rVft?fa*^Na iltbem 4» O&ouk 

igreja et£á '^tnrii et» te*m. 



^T. S. Miguel. 

•. S.Maria. — no TarrafaL — Á igreja aio 
menos está muito arruinada.— 

& Santíssimo Salvador doMund o— Nd* 

Pieoa. _idem. 

. . . .' . » . ' 

IÓ # & fcatVarítia,-— idem,. 



T 



ÍÍ.'& João Baptista. — Na tlíbeiraa^ Lua. 
ideou 









X 



i i 



18* N. S* da L u au— A igreja «está n*um estado atf 
*ei^ihâSQ*J^& malfiz ériMi#Ri«Ç«o ?4t*, ç|jf • 

•■ ■ • • • 

•■ - - i ».• J . f- . • ' . : , < « . . , \ 

i 

» » » » • • • i •» !».■». :• ' * à-' ' /.. 

-' •" iW iHidá *àmb ií Pfirt^a\;4á)»'ar-%MÍÉ-ÍaC»» 
14. & Jo&* Baptista.— Ka povoaçftfr toWarte. 



+~1M— 



dro Jacinto Valtante; . e não tinha o parodio 
então côngrua, senfioum boi lo decen* reisquç 
Ibe pagava cada caia} . .? 



Ô. Iluifrltt*. 



15. N. S. do Roaario_Na Viila da Ribeira 
Brava. Esta igreja,graça á família dos Srs. Dias ç 
muito bem conservada. Cònstruiu-a o Bispo Fr, 
Silvestre > .pas como todo o vigarijentp era dç 
pinho, foi reedificada pelo pai do actual d i- 

_ _ X 

gno Deputado ás Cortes , o Snr. Theopliilo 
Jozé Dias: contribuinc} não menos o honra* 
_ - _ Igario Miguei António d* 

Silva. * 

•16? fossei '9#tí frora da lapa; --* Na ribeira 
o;:i das Qileimadat'. Esta fregueeia e striW*dina~ 
da á antecedente; eri^io-a o Bispo D..*ftv Pedro 
Hyacinto, obrigando aos parochlanos a dar ao vi* 
gario annualmentç c^fa^zal cem reis em dinhei- 
ro, ou um alqueire de milho. Durante as fomes de 

-«O 1 **&W*. «testa freguesia i 4e,jpg}f ffl&<$$p des- 

•• oj; Af .HOavfJteaç^teciflç^, ^«^^yç.fiiftcoen- 

ta cazaes , q^ ; : cpo!$ifefissflp ?a8f%MS(mS™* * 

Agora porém est4 assemelhada esta parochia 



— 1*6-*- 



A igreja desta fteguetia precisa grandes repa- 
ros e não tem casa paraparocho. 



'6« 3ltit&0. 



ff. N. S. do Rosário. — Na Villa de Santa* 
Cruz. Esta freguezia e' a mais antiga da ilha. 
Ate' ao Bispo D. Fr. Pedro Hyacinto VaJlen* 
te, que rezidio àllí dezanove annos, não ha» 
jvia outra senão esta, cujoparocbo tinha acon? 
4 griía de cincoentà miPréis: O dito Bispo poc 
jnais dous jcuràs, obrigando o povo a pagar 
cem réis annuaes por cada cazpi , para a cou- 
grua e sustentação dos d.ois cura*. 

A igreja desta fregíuefria foi construída iam- 
•bem no tempo deste mesmo Bispo; é fi seme* 
Ihatrçads ènUiedraljteãftnli^gO) fnasGjpnj» faji 
feita de pedra e barro, esta hoje' bastante ar« 
minada : não tem tecto^ç pepino ^âftirfo wmqnv 
£e se pode celebrar n' uma capella lateral. Cons- 
ta-nos que no **feo pkssado trpt?ipm~ c|* çon» 
certa-la por subscripçâ$« ou pelp. ,raetios,par-lhe 
um teoto. O governo que percebe os dizimes, 
«Ãç devia :4ejxar jsta & ge*a dos povos. 

J18, S. Crucifixo»-*- Em Cpculim. A içfeja es- 
tá bem conservada* < 

|9, S. Fydr^WJía Jij^r* ;ia jGanj*. A igtm 



: f«*i«»fMI*rto* e «ftÁ fccUft^.por /alta dç 

parocho. ..- 1 ». i 

120. S. João Baptista. — Na Ribeira dag Pat- 
tasj idem. „ , 

31. Santo António.— Na Ribeira do Paiil. A 
kn-eja estiem muito bom arranjo, 

i * 



».••,•«. .>,,!' ) . > > f, 



, No*s*y8«*h9r*ida Lm?..— NftMindelIo, 



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«3. «.*• Pi 1 i p p*v*— ífe filiai *±*i> a*M*ri*. ' 



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!í í: ■•♦ -'• 



«4. & Lòur ènço. -*- 



».'. I. '*."»• •!.' ' . .#*- I 



«51 N. 9: da L w ar. -^>ííoftil«3tirir<W4 ( A>igM§» está 
g6. S.Oattfa^iiia^^M^^^eii&^tetopwwcbo, 



/ 






BtCLXU^l > . l ^ wi >.. ..) 



l&rjSf 1 J^ioB^*i^ta»^í^pt)TàofSfe. .H <M 



— ívr — > 

•fc. - N. S. do Moftte. Está fregtteftia foi creada eife 
1836} è a igreja hão está ainda acabada. 

• •' * 

tfultt/. 

fíf* S. J o ■ $ dê'B is* á o.— Na Praça. À igreja qué 
precizaVa grande reparos foi agora totalmente 
concertada no goverpo do Major Dziéfcaskf. ' 

90. NiS.da Graça. — Em Geba — Haartnosqtie 
a igreja foi consumida n'um incêndio, ate' agoi- 
ra não se reedificou , e esta sem parodio. ' 

M. N.S.doNasci m ent o.— EmCacheô.*— exige 

reparos a igreja. 

• ■ • 

■ . . > 

W. N. S,d a G r a ç a. — Em Farim, idem. 
$3* N. S. da Lu e. — Em Zenguichor, idem. 



i 



* \ F 

Alem destas Freguezías ainda ha mais algumas 
igrejas no archípelago: a saber, na Boa-^V ista, — uma 
na povoação de Sal-Rey , e mais três capellas par- 
iiculares, com òs títulos, — de N. S. das D ore?, 
S. a da Piedade, S. António, eS. Is abe f. 
— Na ilha de S. Antão além das freguezias já no- 
meadas, ha uma eapell.a no porto da Ponta do Sol 
com o nòrne da N. S. dó L [i vr ame n to, «-"-a* da, 
Senhora da Pénh-a dé frança, Ué^buiÀ 



de & M f g bel aa villa de SaataKJruak Na- S nW* 
capital da ilha Fogo existe além da òaajrjz^ a igreja 
da Misericórdia e mais algumas cape lias particulares. 
A ilha do Sal não tem.fttsguezia, e a capella 
que alli está , foi edificada ha pouco , e é sem pa- 
jocho. Em S, Ni(|oláo Jm mais* ama: capella na ?U 
fyeira da Tab ua , com a denom íuaçao da S.* d àCon- 
ceição, e a outra no porto da Preguiça tqm o 
titulo deS. A ii tomo. Encontram-se umas poucas 
9a Cidade em Santiago, e nesta u-.esjna ilha a ermida 
da N .S. da Esperança, eonexaá parodia de N*S. da 
Graça* Na Ribeira de S. Martinho aumalegoa da 
Cidade, se vé o santuário de N.S. do Livramento, 
que fundou ainda jio, i&.° século, uina matroca na* 
tural da ilha ou moradora, chamada Joanna.Qoc- 
lha. Ha allí uma festa aos 15 de Agosto. Na Ri- 
beira da Trindade existe também n'um sitio o mais 
pintores co, tf uma propriedade do Snr. Pereira t 
Uma cape.Ua aonde se diz regularmente missa, $ 
aonde é sepultado o Bispo D. Fr. Fraucisco de 
8. Agostinho. 

Vemos portanto que bem sufficiente é o numero 
de igrejas: oxalá podes&emos dizer o mesmo do de? 
sempenho das obrigações dos parochos. Grande obs- 
táculo a isso, em parte é, terem tao mesquinhas* 
côngruas. Já a Com missão do Ultramar nas Cortes 
de 1882 bem o observa, dando o voto. 

» Que as côngruas dos Parochps se augmentem 
a 80 £ réis; e a« dos Coadjutores, a 40^; seporéia. 



tiverem a disposiçito necessttkia para ensinar ao* seus 
fregaeíes as primeira letras, sejíío nn», ou outro*) 
yencerão 40$ réis de gratificação* As petéoas »tnatt 
instruídas nos negócios destas ilhas afltrmâò) qu0 
©Hes satisfarão com gosto estue obrigações, medfitft* 
teaqnella gratificação. Nada é.tSo necessário a«s*> 
tes Povos pouco civilizados, como a inttrucç&ódót 
primeiras leira», e o Estado será o primeiro a tfr 
rar vantagens desta í nstrucção* „ • [ 

•» ; * 

íííi freguesias cujas Vigários ganham apenas 40$ [ <~à 
Hnnualrnente , ouros 50$: os Theaoureiros , uns 4 
^dez, outros a quinze mil réis. 

Assim em Santiago tem o Vigário Gerai cem tíril 
féhj os dez outros a 40$ réis.. O Coadjutor flâ 
Vtlla da Praia tem 24$ réis. Orne thesoureiros , e 
fabricas 110$. { 

Na ilha do Maio temo Vigário 60$* reis, o coa- 
djutor 35$ , e o thesoureiro ô$ , com 25$ réis pa» 
ra gnizamento. ' 

Na Boa-Vista ganham o mesmo. 

Km S. Nicoláo o vigário tem 75/000 réis, co- 
mo ensina também a Grammaticae a moral; o cu* 
ta tem '40$ réu, o coadjutor 35$, e 30$500 para 
guizamêntos e thesoureiro. 

Em S. Antàò tem urçs a. 50$, outros a 40$ réis*. 
■ © Vicário de fibsáo, que simultaneamente exer^ 
ce as funeções de mestre d'eschola, efoi empregado 
por uma provisão do Bispo de Càbo-Yerdfe, tíú 
1828, tem-40$ auniiaes^coTiJo vigaiio, é outro tan* 
to co^ao mestre â*£sfchttta ? f íra os aractementòi dté 






ãtaittog*» 

" .> «à'ttíW%'ar1tfl**r A^r^^CJatlfeiral ^w»dli 

t '-'"WfcVdRMáft &Wafe1)Mto%difKfc* tfft^iPwtftf^ 

- ' ifrèêésifca ; tiè> ál£iifcs fcoSfcferliòs **n* fligáftúfe 
'- 7 A' pf íro«¥a * jflftoqtó A Ha <<8da*» foi 'n* tpijt 
<fc Ni J Si' flo fttaiffe ,> (^%inda %Wst*> -^ . 

■ 

•Ssq #!!*** $er)feor-a { 4a Qrççft — NaVilla. da 

concertada em lSSJfi jÇtçlp^Grpv^r-nador Chapu» 

zet; está em bom estado, mas é de notar, qua 
. r. n r,jfc«ft. wpa^oquja, da caftjtaj ^a Çrpvjrjcia n^p^Jtem 
. t . ; lf wmitpript fqis oiogar, ap^,anl#f raina #nfo 
-• :; t in^n^dp ,abariq „.,? poj vezes, frequentado 

por porcos stc^qpe ?Mí?! r Q£yraflf nutrição* 
ASanta Patroa desta freguezia se festeja aos 16 

d* Agosto. 



* t« 



»# ■ .< 



3, S. Nicoláo Tolentino.— NaRibeíradeS. 
Domingos. A igreja «tá em missero estado, qna- 

*' ! â, i? tjoe !rW&sa trotar 'fcèíripláè 'tfeeáWéafy. — 



.':..«• .■ 1». i - •'•..."*.„•' ;//•! 



I 



• »í. 



4. Nossa Senbira da Luz. — idero. 



Mas padres, parochos de semelhante natureza, 
sem neiihuuia instrucçao , são elies capazes de en« 
sinar a moral a um povo íjue não e niais ignoran- 
te que elíes, e á par d* uma simplicidade de 
raciocínio ,* más muiló claro , reúne a superiorida- 
de de costumes jrreprehensfveis. í 

Bem acertado é aqui d antigo rifão, = ninguém é 
profeta «aí suà terra =. Iridividuotque n'uma época 
por diversas circunstancias se acharam ri* unia corf- 
diçao* aonde pela natureza da sua posição, erâa obri- 
gados á contrahir certas iiálaçôese 1 costumei; é pouco 
depois tícf mesmo paiz são col locados no serviço da 
igreja como parochos,' ott até elevados aos mais 

altos gràófe dá hierarcbia ecclesiatfUcd, «^» de certo 

< . . . 

nem aquelles, nem muito dténos estfcs podem éor- 
fesponder ftôs desígnios 1 da rfuá mfissâo.~ Ffancar 
inen^é escrevemos isto, net peTsuasãó que orâo venhp 
á cabif este livro nas mãos d* aquelles insulanos, 

i 

que ainda, devem reipekar e venerar á sotaina do 
homem das ordens sacras. Entre og povos que per- 
inanécém da primitiva simplicidade dos costumes * 
os Bispos p. e. erâo setopfe um objecto de riinis pro- 
funda e religiosa veneração^ è n' este cazo estão., 
è serh tantas innovaçõés ainda poi . longos tempos 
podiam estar as nossas possessões ultramarinas» 
Porém o clero como eíle é agora , por cauza d%s 
Nomeações, como as tem havido, perdeo mesmo ai- 
li o prestigio mysteriosd que. ha tantos séculos cer- 
cavaá uin sacerdote; Uni Bispo õutr'ora para esta 
gente era um enviado de Deos^, estava eiíi conta- 
cto cora o ceo« Ainda se recordam na província 

11 



algtm* anciães, da* consideração e culto que goz* 
▼am allí os JM»po»j— * também quasi todos seneace* 
pção mefeeedofe» «om justo titulo. 



Pela fé pod^o sacerdote irtduíir aosínYpíes [mas 
no seu fttndo virtuoso] rustieo a accredila-Io, e se' 
gufr os seus preceitos «r eomelbos^ Pore» não é 
sufficieirte fa#er as cerefton&t db rito ao* pé' de al- 
tar. O proçedter exenpta» dos pnvochos, e sermões 
? simples e eotnprehensivefe', proferidas peta boca d* 
mor respeitável sacerdote , elercem uma muito ma^ 
ior influência. Aindaiia pouco eonsevvpvaiie nades*; 
peza com oes^adiy ceeiesiastíco, a verba de 4QJI pá' 
ràr sermétes. Tae» sern»fte^ou> não* se pregam- nunca, 
ou se alguns» vez hac^m- se lembre de o fazer, ímitkn^ 
&<fàe ^hnos n» natoir dft vili» de Shnta Cruz de 
•9. An tSo*. aonde é pregador principio* voltando^ 
'se papa os ouvÍMfes, — -» » A posto que ninguém de 
vôce* sabe o- que é th FedK> ad vk*eufem.* —Não' 
ftouvc resposta, tornou se então para o* lado de 
sacristão que estava ao pé da escada* de mão, por 
onde' sé subia ao púlpito*, -*• „ € éo* Cifaa ca mo* 
hc ? y -*- O sitage !o sacristão não percebia esta figura 
retbetiea e apresse*]*-** a vesponder — - ry W! ÍViq- 
\Padre ta fla> ta aabe melior „ . Apôs desta jooosaf 
interlocução' pfoseguíh então 6 sermão com a costu- 
'tttadkdescripção dos tormentos* corpo*aes do inferno,* 

Somos rxt mais fiwnc cènvfcçâo que o tmicome*» 
3b de espalhar e semear a moral-, ja qpe não tte*- 



àkòê aquelíai reuniões patriarcbaes cóm à edífíefcn* 
te simplicidade <k>s coitirittes » s&o frequentes ter* 
áiòes , e po* ora qbatfto possível fto creoK> idíomai 
do paiz. Isso é&n sér ofijeéto de steriâ attènçao pa- 
ra os Bispos e Gbv erriàdores. 

No cobcHro TrideAtirto tíbegoli-sé adèttermiattlr <jutr 
é» sernaoes feitas' flfo NoVo Afundo e todas toftnai* 
«^ras descoberta*, fossem ha Ikiguft d*' patei O 
Jtf atq«e* de Pombal todavia mairtOu ò Contrario * 
è commetteo um erfoy jogando tAWez por este modo 
general isar ofcs totooffcs a Riyguft jsortuguera: poren* 
assim iin fiam o<geál^o^5iécfuèrÍacatbeo^iuar,idiiaa 
difficu Idades a vencer, uma na uogaa' qufe toitt' 
fie*dia*y 4 outw na mesma religião, 



> «. 



Naò sA<y né^éssams fetigós e labríosos commeti- 

Vários para demonstrar a propagação 'da religiifc 

éamo uié dfcver e oBtfgãçâó rfhgteda , é qiiaes* e 

Quantas ivantagdhs politicas d* ai li resultam' paitó 

a t^formaçâtv cok>nkil. A relígt&o é à b&s* da civi* 

Ksâçâo^éaateeeik? á Aor*l|dad$ * O christianffrti* 

<Jue civílisou a Jiirrôpa , também poderá eivrU$ar Á 

Àfriôav E eh«£a*do a *5te ponto, ar vantàgtà» 

£olítiéas 4 fogo sb bào. de patehtear nor palpáveis ia- 

feresses* ite eotomercio ? este fcfe tfe crestar aa raião 

do progredidas imssfer, eomo dferiafinewte vemo* 

oí mais* eVkteiíteâr e&tfeptos nfcs fóifaçâes eommer* 

eiãétf ípie fbyttum os Ingleses poí este modo' em to* 

dás ás parte» do mundo. Nos sertões d* Africa, rf ií 

pregá£&> dir lei do M ahemtt* qtfe devem os Árabes 

li -• 



WI04 — 

a segurança* das «na* carav^anas ; ; elles bem como ©í 
J^ouros, a seu ajbrigq penetram ate Toinboctú 9 se-' 
$uem até a Abissínia e entranhaawse' no centro d& 



À sociedade; deve pçinçipiarícoiri a religião^ et 
pôa 4ell$ fiçgfcir a iastrucçâo. E como a usurpação 1 

* t * 

e^teçcí^a,, ná jjgnor.anc : i% e desgraçada . nos seus resui j 
lado* para o .mua4o pivilisodtf, assim uma itattireztt 
barbara esçm ; «u|t ura não pode sojanettoa* gozar nem 
^efeade? os difeilDfr, do hontem. Se as planícies e ser* 
toes «TAXrjca fossem ,aiMe da pWtosopbm^ oS seus 
íil^ps .aâqhavianj 4* carrega* com a* cadeias daescra* 

Vejamos o P,&agtify*^Áfámsyítai*íte$.pbTme\ò 
da religião, converteram muitas íribus e nações de" 
barbares , ferozes e mandriões índios, à uma vida 
re^ula^p. jndustri<?s^ e guiatef. Bifes acolheram a Cs- 
tafr crea^ufas ? ; diíprayadas ç ?ef vagens ^ como a na* 
^ir^a 4 ps jforibott iinpi&tfeito*; — levantaram a aua' 
çondíçãp iOa j\osiçàrf ^>viaí, e deram. Ibcfa o prazer da 
liuaaanidaçJe^ Sem sangue, sem;, çadafatsosy e oppres/ 
^iyas perseguições, ^qaant^ felicidade não trouxe ,aqu? 
a ínstrirççaa cotn -bsisç e çlemCnto-s freJigio»Of ' Estes 
Ç^dre* da Companhia, bein lpnge;d\aqaeHe$ que pv* 
8 eju xelv imaio*deTado c^Uindo vkftima^ . obtiveram 
a palnja do i^aflírio, principiaram convenientemeo., 
te; n.^o.destr^laáo.tudo Com a torreule devastadora 
â$*\nnoyaçÔ€& . e refonnet* , mas emendando o* que 
podia éoffrer.coríjcções; naoesp^lh^ndo as* flanynai 
4a novidade., e irritando as paixões, ínafs appJ içando 
com discernimento e sagacidade o raeiocum âa 



— 164^ 

homem para os seu» próprios gns ; ♦■*■ inculcando á 
virtude como meio de adquevir * felicidade, e & 
prime para a afastar e destruir. Não tendo ai n* 
4a no principio meios nem força pôra exigir a obe* 
diencia, decana aos índios idaas e luzes antes da: 
doutrina. Coq>*çaratQ por espalhar a moral e expli* 
par os dogmas dapiiv*** da Chci^tianismo : assim 
uniam a sua religião com leis civis, ^- o que jàtra* 
^ nos $çu$ eflpUos palpáveis vantagens, antes- que- 
j»sas mesmas leis fossem compreendidas, rm 



' Os insulanos do ^trchipelago Cabo-Verdiano, d # * 
pa qature?* fjrouxa, mansos * humildes, sem pro« 
pensão a grandes vicio* , e q<ja4 nunca offerecendo* 
exemplos de trágicos crimes , — » com facilidade 
podiam ser fâstrutdos ti* verdadeira religião f ao 
que então devera $egu|r à iflstruçção. 

Na costa de Guine, com o gentio Bijagó, Papel,' 
Bássis, Banham» noutros , — o casto i bem diverso, 
Um Deus de guerra e sangue é a sua inspiração, A' 
vn?to*i$ qopefigo é uma protecção invisível deste 5 
Deus, a morte na peleja éuuy beneficio efavor t JuN 
gam que elle appafece no métd dos combatentes/ 

é. 

para' $occorrér aqueifes que brigam com vater , é 
ferir de ? morte as felizes victimas que detormi* : 
Tkôxk sacrífcar. Uma tal religião faa v *ubir o* ar* 
dor dos*combattentês fio enthuata&mó , coflser*a-oà 
n'esta vida tempestaosa de continuo* combates, com 
horrores de cativeiro em lesultadõ , — e affasta-ç* da 



•pcagada eswtencia que cop paz «tanso tratattit 
*chariad[l cyUivandp a» tu»» terra*. ^ómerçle Mia- 
^íOJifrip* ^fcolUutat e ^m int«icjpnados, seriao 
,ca#az#5 a desga*te-t«s deqta ^Ma rçgabimda e relu 
gífto fie sangue. B>tps boraens religioso*, vivendo no 
jnék> iTeHes .com uitia <?Qf duçta exemplar', piedad? 
« tUustraç^, baViào J de fa*e-los rnelbortw, destru- 
iodo poi^co a pouco a fpflueasía* £'«fy sytteqia q«e 
43 faz tio cfuef* ^torrí veie , t*í «iiW^4ÍBXlo*ibe ideai 
de ordem, «oral V hutDaflidflde. 

Não padece duvida alguma que tanta «'esta, como 
£ em.todas as nossas possessões ultramarinas, foi itn* 
politica o ©jtincçfa do# pou*>* e iifWtt» ficapte? 
.çoqveptqs, que aHi/exi&tiam na Q^euridfMte* 'fftfUo 
jpigj? na, apõe* .flpw*nte ? $0. actual eií#d<>, em qrte 
o governa fc&o pode ^PWfe* #QTOWw jb vaiada? a, 
l^neíiçtp ^^astrucção e ci vil Waç^o d'a^u«4les povos» 
r— a conservação def sUabeleçíme^tps religiosos ao- 
£ia paia 4te* ^fuppMpa MtHtd#d«t* » 

Considerando a. i»ç#çl valha Kurqpa tljDtons teia 
Mè oqto jrçcutos pqr a traji , vêtpo> qu? foeào esia r 
; Wleçi^enXosr*Mgiosps, fundações .ijionaew qwtep*. 
gra.ndeciam a fortuna 4o estado» « jtmfkl^ra^vajn o> 
£as*ad;o dos seuu fcafritaptes, AqufWef estftbelecir, 
génios Aêepp ^er^idç a fafler as M'*^ 8*g<in»# 
^rir novas, prepaja/ ps)^;l^*pfrajkMX>t n 4 aqyel r 
jes #ec$os bard*dqs 4 e fyrp t 9 J<W a agricultura. 
*? actividade ao* cu mos das .fórrapias, e <y obscuro* 
fcwfo* de vplí^s festos . ç inculto*. 

A' «#*? pr<jciozo> t>W* »«J»ttrf «p furacões <t\ 



— 1€7 — 

«olas de theelogta , letras > <e algumas artes toe- 

# 

caniças ; foi lá que iodas as obras dos aoUgoe forlo 
conservadas para a hnman idade, 

£ de certo que Europa já a"' aquèlles tempos mes*, 
-mo, que «os agora chamamos bárbaros, era mais a« 
adiantada em civilisaçâo,, e moral, do que são 
hoje as trlbus Africanas ao alcance dos nossos do- 
mínios. — * 

Às ilhas de Cabo* Verde talvés já o possam dis- 
pensar, é outros meios srriamafií mais adequados: 
cm Guiné sendo d« suasma, é incontestável utili-" 
dade, — estabeleci tnohtos retígiôsos, com" postos de 
homens industriosos , moraese instruídos ^ que cal-' 
tivando elles mesmos os terrenos ánnexos^ bão de 
amansar os selvagens costumes dos gentios , e in- 
troduzir potièo a pouco as luxes, e civil isaçao. 

Ha de dizer alguém que semelhantes sitlos deser- 
tos ' e solidão, convinham aos frades dos tem- 
pos passados: pois do principio construíam unia 
«rmida, apôz umas casas, « quando se estabelecia 
debaixo da protecção dos pios ceaobttas , uma po- 
pulação attralúda pela devoção , ellcs estendiam os 
braços muitos annos cruzados par» a humildade, e 
<eòm a «ião que só devia se abrir para dar e aben- 
çoar, -^- impózeraoi a servidão # e demarcaram o 
dizimp do direito seahorial. 

£* verdade que assim nasceram , crescera», e to- 
marani vigoi* todas ás congregações monásticas; po~ 
réft^ outra* são hoje as circunstancias* que sem 
cáuzíir receios de Semelhantes consequências, sófeli- 
«es frutos nos haviam de fttfer colher. 



— 168 



Havia Ía>nJbeiB p'esta Provinda contentas, éo^ç 
pequenos forào os serviços, que praticaram era to* 
dos os tempos sçjus Religiosos. Ainda na ocasião 
da sua exiincçâo, exibia naCidade da Ribeira C5ran r 
dêem Santiago, — o de Religiosos Capuchos da 
Província da Santa Maria da Soledade. A primeU 
ra pedra deste convento lançou-se em 16^7, por or r 
dem de P, João IV. Pqis coroo /Jepojs da suaac 
clamaçâo, piprjrep o Bispo de Ça^o* Verde p. Fr. 
Lourenço Cíarro, e os Papas Innopençjo }í. eAle r 
xandre VIÍ V á diligencia de Gaftel|a, njiq quiíe.- 
ram conceder pUpos _fr Portugal, -^o Rei zeloso 
peia conservação .da f<? nas copqujsta^^ j»iJ^ou por 
csjte meio, creançla conventos f compensar ewfr par? 
te 9 mal , que havia de cauaar a auzçnçia dps Bis* 
pos jaa prévineía, , 

Coui cffeitp nomeou p Provincial deLagQs, putq 
religiosos, quây9Juntariam9í)tepariifa,m.eçri I6W4 já 
rnandados pela^iáí n ha viuva qu.e veljgiosaiinenteexe? 
entou esta^Ui ma vontade do seu Real Ef poso., Depois 
de correrem a ilha de Saniiago, , aonde coufes^aram, e 
moralisaram o povo, grafaram da fundado dp cortven? . 
to, para o que o Rei tinha dado quatro jroil cru* 
zadop. Escolheram para tal fijp umu amena yo.sieôo 
na Cidade, na hpjta de .um jporga^ft, fjjujnada 
dos Mopquitoi, & levantaram a igreja, fyçm comoe 
o convento, que. ainda pxjsterJEU £y, e j 7 T. 1* pag. 



r-169— * 

Fouco depois fòi o Frey Paulo do Lorddlo, ja 
vieste convento pàra a terfa firme de Guiné, aonde 
.converteo mHhares de gentios*, e formou nm lios» 
piei o eto Gacheo, que dedicou a S. S. da Piedade/ 
ISste convento íe Gacheo bem\jcomo outro que havia 
em Bistáo; erâo independentes do daOídade: mas ?Ur % 
Jeitos ao Provincial, governados por um regente cada' 
uín , nomeado «m -Capitulo Provincial. Este #r, 
Lordelfo converteo ao Rei dó Malta, e o de Jta?* 
g arei com muitos v as saltas; o mesmo' praticou fio 
líeiho. dejíir^e, fe mai* trÍQUS ppntiguas. # 

O hospício do convento em Gacheo, fera muito granr' 
de, ' bem situado, e chegou a ter seis, e mais reK- 
giòsosquç se repartiam peia» fieguezias vizinhas d«.* 
Farim ' e SSenguichor, Põrèm já ha muitos annos* 
apenas* se conservam os alicerces do edifício, e não 
havia frade$. 

O convénio, em Bissáo também foi fundado por' 
aquelte fchesmo tempo, nos fins do 16/ século peio' 
pispo de Gabo» V erde D. Fr. V ictoHço Portuense. ' 
Foi no f eu teippo que principiaram os Portugue- 
ses a affluir à Hha de Bissáo ; mandou ejle éii/ 
tão logo alguns frades como missionários, Que tia*' 



• Q.nási todas estas noticias »3ío tiradas da fide» 
digna Chronica* da Piedade do Monforte, que ê excer* 
pta da obra esçripta por Fr. ' André de Faro , cujo Bfift* - 
te acha na Bíbl, Publka de Évora, 



— 170 — 

. zsodo uma imagem de: N. r 8. epculptada em ma- 
deira, com o some de N. S. da Candelária^ lbefize* 
ram uma igreja em Bissáo, e erjgiraava em Ma* 
hviz d*aquellajlha^ seudo seus parochos ôs mesmos 
religiosos da Piedade. O mesuiQ zelozo Bispo D, 
Fr. Victarino foi pouco depois visitar o continente, 
para ver se o progresso era a par dos seus desejos,. 
Converteo fc esta oçcnsjão ao Rei Beectrnpolo-Cy 
e o seu filho primogénito que foi baptisado na ca- 
pella real de Lisboa.— Nota 10. -»Na volta deste aeq- 
fita para a sua pátria, aceompanharam-o quinze fra- 
des que forâo para Bissáo com presentes e cartas 
ao rei, bem como fundos para restaurara igreja que 
até então era de barro, e coberta com palha. Isto 
foi eo> 169(>, era que anuo E!-Rei D. Pedro II,. 

% mandou para aquela ilha, artilberia, munições f 
eum Governador, com ordena de construir uma for- 
taleza, e alfandega. Os resultados d*aquella missão 
erâo tio efficazes , $ue nó anno íminediato já ha* 
via mais de seiscentos Christâos na freguezia. Crés* 
cendo sempre *o numero > foi necessário o Bispo 
manjar para lá um Vigário Capitular, indo n*aquella 
occasião um cónego da Se ( por vigário e párpeho 
<f aqueila CbrisUndad/e, 

O convento, de Bissáo era mais pequeno que o de 
Cache* 9 sempre conservava porém pelo menos três 
ou quatro religiosos ; tinha uma cerca com muitas 
laranjeiras, e uma fonte, que servia para as pa* 
dres lavarem , cozinhareis # e beberem. Hoje qua* 
si q«e aem siçnaes já existem*. 

Deve ser objecto de se/ia e particular atfejrçao 



do 45overno t — o haver tanto n'esta xemo e outras 
.possessões ultramarinas padres instruídos , ern nu- 
( raero suflrcteftte.0 relativo aos vastos domiotos, aon-. 
/de h&e de espalhara fé, e por meio. da religião cou« 
..«oltda* a influencia e pofler da metrópole. 

.VUtoatnoUaadadedos Europeos ao por em qtian* 
tio insalubre eiiipa u> Quine, leiais convém ai li aa* 
^cer dotes filhos 4a pois, (|j*^ tivessem previamente 
^recebido unia própria inHrucçito. Nas resnola* «d* 
mirnstraçó^ ^passada* 4iâo appqceceoi a este res{tet« 
^o seaôo-apaaas' farqs esboço* de 4e*t8tiva*; roqt; 
.não se .ter lançada «ftadeale jneio,, fosse talvez 
jaieftma&lbp4}as*idea$.dpt*ttdQf *tue fatianv encarar 
«semelhante ined ida corno i m politica e perniciosa. To* 
( davíà mes»* p Alvará de 7 de Janeiro de 1608 q<ja« 
,*> que adopte o mesmo* principio; pois ordena que 
jhajâ .fiasrithas de Gabo* Verde, beincoflpo e Praça»; 
,de Guino, Gafcbeqaisia^ prática* ' na* Hrtguas dos 
tiegnas de toda a costa , para que nas .sua* próprias 
fliàguas os ppáesseni intf rupr para receba***» a agua 
do baptismo* Este coesuio i^lvaf a detertotua taa>> 
ifcem^-^que, sendo possível, ** fisessa *iwa,caea. 
grande eôi Gácjiep, queserrisse do escr avaria, e 
^opde os senhores fosseia obrigados a por os seus. 
escravos, a Gm de serem ensinados pelos jr#Kgk>so* 
-Catueqtii.stas> Obrigava tnajfe os sanhort» do? €»- 
.cravos a recorrer a/cajtheqpistas, c pagar deviiarnea - 
te seu trahaUio, ainda que jjbegando a" algum por- 
te da província, ^Uítoxassetp po/ escala ^ ,ou#e 
^tto/a^sejn gótico 4t. 



Necessária* *de 'certo fof$o estas utilíssimas pro* 
videncias n*aquelie tempo , quando vemos Fernão 
Guerreiro clarear em 1606 contra os grandes aba* 
zos que se praticavam a este respeito íctm Ottine; 
dizendo que como sabiam muitos escravos todos' os 
annos para Brasil, India^ Sevilha, etc , baptiza? 
vanrwe aos trezentos , quatrocentos, sein çabpfÇH* o 
cátbeeismo. 

Todas aqueMas medidas porem se algum dia for 
rio de rigorosa observância e execução f «*- na loq- 
gos attnos que já se hão praticam, 

Foi por isso qcie sentindo a imperiosa* neceseida* 
de de formar eeclesiasticos entre os filhos d*aqoélla* 
terras, qtte o respeitável Sr. D. Fr .Jerariymo do Bar- 
00 , BispO reservatório de Gabo* Verde , firndou em 
1823 , um Seminário na itltà de Santiago, na CU 
dade da Ribeira Grande. Este. cjigno grelado ap* 
pi içava para esta obraniosó o? rendimentos da mitrct 
de que podia dispor a vontade ,» como propriedade 
sua, mas ate mesmo as sobras qqe poupava na 
côngrua; e assim com osmi dmheko particular com* 
prou uma "quinta, a qual doou ao Seminário, para, 
que fnesse parte4o seu paUiruorrio, Gonstruiou com 
effeito um bélio e grande edifício de dous andares, 
com aodas as accotnodações , e já potico ^estava 
para a conclus&o final desta obra, • 
- Neste Seminário deviam vir estudar os filhos do 
archipelago , que sededioassem ao serviço do altar, 
e com preferencia , os filhos dos regulps e mais 
influentes de Guine, para depois de concluírem a 




íâo / e serem ordenados , — • voltassem &s 
luas terras como parochos e pregadores da fe evan* 
gelica. Por* como muitíssima bem observa- o Con» 
selbeiro António Maria Couceiro, nas (jónêideteçôet 
febre a pfegngâa Ao EóangelHo na dfriea publicadas 
iids Annaes Maritirrios e Cólon ia es. — 

'.. ., ^ffeotfls acte clitfiã», ctfnítecedoresdos caminho», 
àn lingoagetfij e costumes dosdívêfSos gentios como 
seus irmãos, n&ú tbès será diffiríl ã viagem pelos 
certões , com mais confiança seriam escutados pelos 
riaturaes jcaWí elles estreitariam as rtflifçdes existen- 
tes-, atuiriam novas alliafngasjfe doutrinados allí , 
ttík Gabo- Verde, onde o tratd e clima se aproxima 
ao sei** nao teriam saudítdtís da Europa* e sahiriam 
dest* Sejnioario/com urn cafaòtet tão in?enuoe v^r- 
dadçi rp, como c©n vêm áos Ministros da "Lei de Oh ris* 

tO. i 4 l- ' * ' 



Ínféli*hifcèít« d ttlérictonàéo tílspô hâõ pódé ter 

& praáet que -Àbíbicionàva (á custa clé Untos sacri* 

6cio* e privações, de vét cm andamento obra que 

eJlé teve á gloria dê crear* édifteio nfiò íbi cóni 

ciaido ? não s& abriram as aulas, á quinta foi ia* 

corptoadâ nos totens nacional ^ Va caía sem áp* 

plíoaçuoatgtihia^ pâfreee nftor ter bdtró ! destina, a 

imo de augirientar:o rtmnehrdas ruínas da Cida- 
de* ^s v ■ ••'". .-• ■-- • •'-*: • , - »' 

; ' Cweordatíios que o sltiô escolhido pafa serne- 
ífcaotó *sCab*fiteinTf*hto não foi dtfs melhorei, áíndá 



íjiíe j»otirtHl<y ftet* vhiiiifaança d* tfatfiedraí. Áléitt 
de que, sendo <Jer piukfr todo: a madeirameMo , e 
ppr isfto totalmciKe or*utn«tk^ sefria íncoMea tente 
a «na reedificaçârt étp. Ineal ImdoetiMÒ*. Pfáo ats- 
tante, uai mo» os nossos votos ptfra que o. (jrqverW 
tratasse, da .prèfeçâf» d'1419' 6enrtaaffc> rftalgusi* dar 
ilhas, como p. e. S. Anta©, S. Nicoláo ou S. Vi- 
lente. Escoltando ^sta ultima , seria nad* rjêqn.etio-' 
principio que' se devo» á decifeftKiv Capital , « poV 
esse mesmo motiVo çchfttnps preferível esta á q»tfd~ r 

qqer oulfa iiba. ' 

Também hjm? tf tf dfespeta que devia < faxer afè« 
gçntar de obra ge tanta atilidade:: poiá tettos^ ã* 
mão cartas d'at£umas pessoas as. mais inílitóuter 
na Província, que fjrbmettem de «eantfttMiji parar 
este esiabeleaimejrt?, logo qfc* «KJovarnoiquiser }be 
dar um principio. Além' d'i|so a, supef fliijt despeatf 
eom a Cathecbai devem se exfcittjpuiry e applicac .* 
este fim.— v 



A Gatlpdfpl dasúlbar^ Cabò^ertíê 
£ fundaçki em ]53^ doando^alogoD. Joâ» 3/ entf 1 
500 criuados* çte.refjda, e mais sgfeftatt e seis d* 
certa igreja que .itavia então-' na ilba» A *aa de*< 
pesa avulta erç mph de.dous conto* de ffeis f n&& 
servindo p cabido allí efe aada^ nem paru a reli*' 
giao, nçm para utilidade ouiostfueçie jfcablica, Jà ] 
nas Cortes de- lôÇát, f<à a cpntaHssS^ do Ultramar 
a este respeito de parecer , que se indtque aa CfoK 
verno, que nlo prova mais CaiMmteafo algum na 
Sé de Cabo-Verdc^ e/que se inatílua uma dowate^ 



toas pouco dispendiosa CoHegiada junfo ao Bispo. 
N'aquelle tempo constando o cabido de cinco di- 
gnidades e Ires cónego» 9 [devendo ser dose] rece* 
biam a som pia de todas as côngruas, como sê o* 
togarem estivessem cheios-, e as distribuíam pèp 
rata entre si. Hoje julgamos qae n£o continua eite 
abuso. — * 

El-Ret D. Jese sotli citou ao Papa Benédfeto 
XIV. que visto durarem tio pouco os Bispos efe 
Cabo* Verde e S. Tbome, consentisse na mudança 
destas Cattiedraes para sitios oiais saudáveis; ao 
que annuió o Papa pela Baila Mater Misericórdia» 
rum , à qual todavia até agora* não se deu execu- 
ção. Mas- já ha muitos annos que os Bispos deixa- 
ram de assistir na Cidade, aonde tinham junto a 
Se' f um paço episcopal. O primeiro foi o D. Fr. 
Pedro Jacialho Valente q»e apenas havia desem- 
barcado na Cidade e celebrado o primeiro Pontifi- 
cal, pasmou para a ilha de S. Antão,, aonde como 
já o* tentos dito durou, dezanove aanos* servindo com 
sua vida cxeròplar de in odeio aos habitantes, nos 
quâ^s infundia, a inafe piofunda moral e desQÇfcfr 
Ntmca sábio mais desta ilha e até deo ordQfti: ao 
i^roettrador da Mitral para que nio (kessp no pa- 
ço episcopal nenhuas «^actírtosv por tmU urgente 
eme fossem á 

O seu suecessor o D. Fr. Francisco de S. Agos- 
tinho ainda residio na Cidade/ mas na occasiSo do 
desembarque e saque dos Francezes em 1712 reti- 
lou-sjQ.jiar&a Jiibeira da Prata y aonde deo princi- 
pio a , um Seniinàrio. l}'allí passou á Ribeira da 



— Iftí— 

•lrihdade , qfte ja pertencia á JMitra, e aonde mór» 

reo e foi sepultado. 

-.' Utos mai* Bispo* que houte, nSo aéêiáiia nenhum 

e ^ ^ 

na Cidade/ áejcepçôp do St. D;. Fr, Jeronim© do 
vBarcp 9 Bispo reser vaiaria de Cabo* Verde, eque aia* 
da- vive. .' „ ; -. 

O actual Bispo eleito reside ordinária rú ente na* 
ilha Br atfa ^ donde sahe a visitar as íg/eja* da suar 
Diocese.- 








/ 


V 


^ ' . 




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• 






; « 


í ■ . 



^ 



O Bísftído <te CabòyVcfdey o aêgimdò creado ná# 
possessãe* Ultramarinas dos Portugueses, foi erigi* 
do como jé o dissemos acima, aí 3 de Novembro 
de lâ32y reitíando E4R*y f£ João 3/, no PoatU* 
tieado <te Clemente 7;° que o confirmou. « Apre* 
sefntaíríos 5 axjtti em seguida o irrteressan tisii mo Cata^ 
logo dos Bispos desta Provi ncia, conforme a ossada <W 
Dí Antoflio Caetano de Souza. * ••'.*' 



* Vejá«*e qToftia 5.' d das Memorias <fa Academia* líeal 
d*Historia.- 



— va* 



ttataíogo Íro$. é Upot ; 



1. lb. baaz mvei Havia sido enfiado èá 
Roma, e foi *ste Bispo de Santiago que 
em 15 de Julho de 1537 tiriba sido rioiriea* 
do para estar no dia 16 de Agosto' em Baio- 
na, a fim tratar á respeito de negociações das 
prezas no Brasil. Fatteceo etó 9 de Fere* 
téirtf de 1538. Nunca foi ao Bispado. 

» V 

S, »- «O AO »k avi arcediago á* Er ora: fal- 
leceo em 1546, eao que parece tambfeirií áão 
cbegour a ir ao Arobipelago. 

3. 1>- FR. VBJMblBCQf BA cku» entfou no 
Bispado em 1547 e finou -se a 19 de játièi- 
ro de lá71. [segundo D.' António Caetano 
de Sbuza]^ Porém parece mais provável que 
fosse etu 1674, pois não bavia ihotivo pa- 
ra estar o Bispado vago trinco annos. Do 
seu tempo' são a favor da Igreja os Alvarás 
de 12 de AÍarço de 1555 , de* 24 de Janei* 
ro de 1560, de 6 de Abril de 1561 , e a 

provisão de 3 de Maio de 156$, ,on<fe sç 

18 



t *. ■ 



dispõe para missas pela alma do Infante 
D. Henrique, arniualmente 60$ rs, 

4, ». BARTHaiiOMSU MÍTAÔ , entrou n<* 
Bispado em 1576, morreo a' 9 de Feverei- 
reiro de 1ÕÒ0, 

&„ 0. Wt. rtBDttO IftÍAfiritAÕ cbegou a Ca- 
bo^ Verde em 1589 ; esteve rá cinco annos , 
e yoftandp parp. LiífeDft, {XHipie. aão se da^ 
y##» &bgjp J#>°* 4P*tfM«f .motfeo nerta 

* * ^ » » * 



« , 



i i 



7, $ f p*. g}gp*f5FíAd.a>'4ííi<>P»Ç4d, íeligío^ 

so de S. Domingos, foi sagrado em Lisboa* 

-. «Dl §. JKo.n>iõ^os ãà$$6 détònliode 1611. 

: # Çbegpj* 4 *ua Biocsae em Novembro de* 

1612. . ^újftu logs> aML vela autborisad* 

com cinco Diga-idades, a saber Deão,- Chan- 

tray Are^^jagu, .^ftSftMrórp e n«stre*esco-r 

la-, do*e Cónego? r quatro capejà&es , cura 

e çofid|tttQy , ttasoíneuro menor,, e quatro^ 

moços ,<Je choro- com. a seu jnestcede capel- 

Ja e organista» -*■ Visitou $m J&i«p© *<><*&* 



» AgÍ0l0gr t«5Ít. T, 2 c p. 151^ 



— 179-» 

ás ilhas do Archipelâgo bem coroo os rio% 
de Guine-, áotfde uma febre Ike atalhou á 
fcorte A 12 de Março de 1614. 

Jaz enterrado áa Igreja de N. S. doRo* 
áario da Cidade da Ribeira Grande eito San- 
tiago. Escrevco a stoa vida o Licenciado ÀL« 
varo Dias, Goaego e Vicário Getal n'ftquel«i 
• le tempo* 

d i. « -. * "- /* *** * 

8. b. rfiu AttfMÉriO tWAMto recusou emor* 
reo em 1619. 

é. *- #£. MAMOU JUFTOKSO 9A ftUZILAJL, 

naáural de Guimarâe9. Estudo* em Cuen* 

» 

ca e foi Cathèdratíco ab Coliegio maior de 
$. Bartbolomeu em Salamanca. Ná volta 
a Portugal obteve o priorado dá igreja de 
Villa-tffor. Em 1019 estando D. Filippe 
â.^ éra -Lisbba, pregou na sua presença um 
ser&ãb éontíeddo dom o nome de sermão 
de Santiago. # 

Entrou nó Bispado da Província em 
lfâf , aonde falleceo na Ribeira Grande 
èm a de Março de 16&4. O 



# Este sermão foi impresso n'este mesmo anno eqí 
>IiX. na ôfficina de Crasbeck. 

O Bibl ; de Barbosa T. *.* P. 1«*« 



10. A*T<»» MARTINS, Dbufcòr em TbeolcK 
gia, natural.de Villa Nova de Portimão, 
fo> eleito, mas nao acceitoiu * 

1L ». P*L. lOURKNÇO GARRO. Abraçou o Ins- 
. tituto ,da ordem de Christo em Thomar, 
donde era natural. Formou muitos discí- 
pulos, e* sérvio vafíbreneargos, como ode 
Provedor do Hospital de N. S. da- Luzy 
Visitador GeYal da ordem-, e EK Prior Ge- 
ral em 161S. Em 16$7 * foi assumpto ao 
Bispado de C. V. Foi allí Ião (JstimUdo , 
que uma vez com a rnèrar suspeitar' que ten- 
cionava voltar para ; Portugal, todos os ha- 
bitantes banhados em lagrimas vieram á 
" Cidade roga-lo' para que os não desampa- 
rasse. Morrão no 1/' de Novembro de 1616, 
passando de mais de 90 anhos dé' idade. 

Jaz cm Santiago- na Cidade da Ribeira- 
Grande na "Igreja de Nw S # d©^ Rozario. 
Escrêveo algumas obras eux matéria reli- 
giosa. JVluítos escritores citados em Barbo- 
za faliam d'elle com elogio;. 

19. fr. Gaspar xasittAÕ não accekou. 



• Segundo a Relação Vmverscã foi em Setembro 40 

1626. 



1 

13. 1>. nu PH AW0I900 M 8. DIOOO, natu- 
ral de Serpa, pregador de O. Pedro 2.% 
<}uariificadpr do Santo Officio , foi eleito 
-em 1668T, mas não aoceitou. 

14. 3». UOVAHOO »B 9. AOOtTXMXO , Co- 

nego Regrante e Geral da sua Reiligiâo, 
tombem não acceitou. 

1 õu »■ ra- fAKáí jdos HUB sendo já ve- 
)ho foi sagrado a 11 de Setembro de 1-672; 
-chegou ao Bispado em M-ato «do auno se- 
guinte, e depois de lá estar nove meees, fal- 
Jaceo a 8 de. Fevereiro de 1674- 

16, B- TH. AWTOSriO TOS S. TCOHIZIO, da 

Ordem de S. Francisco, foi eleito em 1675; 
chegou a Cabo-Verde em Junho de 1676, 
e falleceu passados oito .annos*. 

17. ». PH. vtctohiahto »o pohto natural 
da Cidade do Porto, da qual patronimisou 
o seu nome, que era Victoriano da Cotta. 
Depois de formado nos Cânones em Coim- 
bra, entrou n'um Convento da religião de 
S. Francisco da Província da Soledade. 
Seus conhecimentos ezelo o fizeram nomear 
por D. Pedro 2.° a Bispo de Cabo-Verde. 
Sagrado pelo Cardeal de Lencastre em 14 
de Setembro de 1687 / entrou no Bispado 



no anno seguinte. Foi zeloso obseryador d<f 
seu ministério ; c&çpu. a freguesia do Sal- 
vador* do Mundo nos. Picas de ^ntiagò; 
visitou^tòdas ** Ub** € continente de Gui- 
ne. No <«w ..taiçpQj fei con^truidp ojconven : 
to de Bissáo, e muito zelou este Bispo pe- 
In cxlensio da fá cbrista eoira: os gentios 
d! Africa, ji mandando missionários, já 
convertendo muitos y .como j adiaremos aci T 
ma. — Noj;a 18. — Teve o Governo Mili- 
tar cla3 ilha*deadè Junho dç 1688 até ot." 
de Mçrço de 1G9Q*. quando q. Governador 
Veríssimo deCarváHap daGos*a foi manda» 
do retirar par$. o Reino* Mojr«o a SI de 
Janeiro de 170&» de çinopenta e quatro an- 
nos de idade. Escreveo algumas obras een- 
fte outras uma- ilejft§â<> - da Al-issâo, que. fe2 
a Bissáp. # ' 



natural de Loures , Religioso da Ordem 

terceira, d$ S> FraacUco da Co» w?n*o de Jc? 

sus* Foi sagrado a*, 90 de. Janeiro de 1709 

* e.clu&ou. a. Gabo-Vexçte no fim efe Dezem- 



* * António Rodrigues da Costa extrufrió <Teíla gran- 
de parte na sua rellaçao quts publicou sobro este assum- 
pto era Lisboa 1695. 



. **r deite áimov Esr 1342 guando allí fo* 
*amt os' Franceses saquear a' Cidade da Ri- 
itâraGràirde, ípi doi que mais contributo 
para que os mãos effeftes aio fossem maio- 
res 'Marre* eài 171$ ** Ribeira da Trir* 
4ade 9 quê entio já perlenti» á< Mitr^ , e foi 
allí sepultado. Ainda existe a Capela e na 
empa* se & o seguinte epitáfio ♦ 

9 

Usque ad ultjmum diem 
ÍM Jiac foss,a . 
Jacebunt Francis/si o*?a.« 

« * 

19. to. ruí. ^oísb âfe éu béaWia x>e jxsvs na- 
tural d*Evora em 1670. Professou o Será- 
fico Instituto no Convento de S. Maria de 
Xabregas na Província dos Algarves. Pas- 
sou ao Seminário de S. António de Vara- 
tojo. Eiiiat tenção' àsuaeiemplar observân- 
cia foi tíomeadó por El-Rey D. João V. 
0íspo dê Cato- Verde', a 18 de Dezembro 



• Não era pois D, Fr. Francisco de S. Simão o Bis* 
po que allí estava em 1712, como se pode verificar do 
Catalogo de D. António Caetano de Souza. S. Simão foi 
o success#r de D. Fr. Pedro Valente, e só chegou a Ca- 
bo-Verde a li de Dezembro de 1781. Houve pois a es- 
te respeito confusas de certo escriptor. 



de 1729, £ sagrado pelo Patriarcha D f 
Tbomai de Al meida em B úé Junho de 1 79 1 . 
Chegou ao seu Bispado a Sõ de Nove m br q 

- do mesmo anno, yisiiouo todo,. as$tm as 
ilbas , bem. BOtpo a Guiné* pregando em 
toda a parte , como era da sua educação. 
Reeolheo«se a Lisboa em 1735^ tendo an- 
tes por causa d'junj horrendo temporal arri T 
bado á Bahia, aonde vícereinava n*aquella 
época Luiz Gesár de Menezes.' Escreveo al- 
gumas obras , sendo -de maior interesse o| 

' seus Btadot do Pastor ás tuas ovelhas, 

íalleeep a 7 de Junho, de 4736 .e foi se- 
pultado no Cruzeiro do Convento ,de Xa* 
bregas. # 

20. p. ra. joaÕ as paro- Cònljecidpemle? 

trás e pela estima de D. Jo_ão 5/, foi no- 
meado em 1738 Bispo de Cabo-Yerde. Na= 
sua ida, para a Diocese em 1741, naufragou 
na barra de Casamansa, aoncje çahjo nas 
mãos dps gentios Flupos, na terra de Jam* 
barem, e ficou allí escravo junto com os 
seus que se salvaram n\ima jangada. De- 
pois de passar toda a qualidade de ultrajes 



* Veja-*e a Oração Funeral do Bispo de Cabo-Vcr- 
de por Fr. JoSo da N. Senhora. Lx. 1739 4.° 



jque podiam exercer idolatras qite se serviram 
,de vestes dos onjamen to» que levava para 
o culto, — foi resgatado e os seus, no hií- 
porte de cinco m\\ crnaado^. 

Tendo chegado a Cacheo e recolhe ndo-se 
á> Se4e.epi^copaJ inojreo no niçr. 

(81, ». FK. JOAÕ DX BtOBZULt, Capucho da 
JPjrovipcia da Soledade , entrou no Bispado 
em 1743, e faHeceo a 13 de. Agosto de 
1747, Foi prelado afíavel, caritativo e virr 
tupsq, Todos sentirão^ a morte des^e bom 
yelbo. ■ 

JLevou condigo um OFgí^o para a Oatbe* 
dial da Oidade e muitas livros de doutrina, 
e um relógio para a torre dacjithedral. # No 
$eu tempo, por Carta Regia de 2{) de Ja- 
neiro- de 17$@ , determinou-se que os 
Jíispos d' Ultramar precedem noslogares de 
ÍXocese qualquer pessoa secular, ainda mes* 
#}p aos Capijtães Generacs. 



O. TpU JHB1KRQ JACI1FTHO VAXJBNTK , 

natural de S. Olaia , 4a Ordem de S, Ben- 
to de A vi?, sábio de Lisboa a 2d de Abril 
4p 1754, Resojyep jdesemp^r^i* opaco epis- 



Jor^al de Coimbra. n.° 8. P. 2, p, 105. 



— Iftí — 

Trindade , qfré ja pertencia á Jtfitra, e aonde mórV 
reo e foi sepultado. 

> l)t>s mais Bispo* què hoòte, nSo aéàisliâ nenhum 
na Cidade, á.ejtcepçfco do Sr. D. Fr. Jeronime do 
JBarcp, Bispo reser vatario de Cabo-' Verde, equeaia- 
da vive. ; . 

O actual Bispo eleito reside ordinária tú ente ntf 
ílkâ.Braila ; donde saUe a visitar as igreja* da suar 
JUioecse. 



rtr itoi 



\ 



: O Sisado (teCabo>Vcrd* f oéég;mdò creadona/ 
possessões Ultraibafrinas dos Portugueses , íbi erigi* 
dó como já o dissemos acidia, af J de Novembro? 
de 1532, reinfeYido KdRey ÍX João »/, no PoqtU 
fcead© <de Clemente 7;° que o confirmou. « ApreV 
sénfafrios* aqui em seguida o irrteressantissitna Cata^ 
legados Bispos desta Provi nciav conforme a ossada <tó 
D* António Caetano de Souza. • • v 



* Veja-fle oToftiã 2.* das Memorias da Academia Real 
d*Historia.- 



~I2Í^ 



Cataloga íro$. éUipo* ; 



1. *. baas mroi Havia sido enviado em 

Roma, e foi este Bispo de Santiago que 
em 15 de Julho de 1537 tinha sido nomea- 
do para estar no dia 16 4e Agosto em Baio* 
na, a fim tratar á respeito <Je negociação das 
prezas no Brasil. Falleceo em 9 de Fere» 
féír<y de 1638. NuaCa foi ao Bispado. 1 

• * 

2. »- J0£O muiw arcediago 4'Evora: fal- 
leceo em 1546, eao que parece também Áão 
chegou? a ir ao Arcbipelago. 

3. Jb. m. riuuróisco »a cfeiuz entrou no 
Bispado em 1547 e finofr-se a 19 de Jatiei- 
r© de là7I.* [segundo D. António Caetano 
de Sou**]- Porém parece mais provável que 
fosse etn 1574, pois não havia motivo pa- 
ra estar o Bispado* vago táncô annos. Do 
seu tempo são a favor da Igreja os Alvarás 
de 12 de Março de 1555, de 24 de Janei* 
ro de 1560, de 6 de Abril de 1561 , e a 

provisão de 3 dè Maio de 156$, 4 on<le sç 

18 



dispõe para missas pela alma do fnfanlé 
D. Henrique, amiualflaente 60$ rs* 

4, »- mawltU&lmêXC IIÍÍtaÍ, entrou n# 
Bispado em 1576, morreo a 9 de Feverei- 
reiro de 1580* 

fc »- Ml. VfcDltO tfáÀVSttd chegou a Ca- 
bo- Verde em 1589 ; esteve lá cinco annos , 
e yoífctDdp parp Liahpa, {*>ii)Aie não se da-' 
yfljp & be*p j#m> <om ,elte # . morreo n*erta 



* • 



IÇf ^rf 1 *^ff^ ^^^Tf^^Pr^í Ifin^r ^Wb#^#^%^w^~* 



i t 



7, fy tf*. BV*+$n*ò VAfiCVXÇAÒ, religio^ 
so de S. Domingos, foi sagrado em Lisboa? 
. . £Q| 8. Dotyi&gps ao$ «6 détenbode 1611. 
: # Chegou 4 ?ua Diocese em Novembro de' 
1612. . Jíest&jftu logo. allí. ?ela autborisada 
com cinco Digiridades, a saber Deão,« Chan- 
tre* Arcje&ago, 'WieseWQTO e mcstre-esco* 
. la , doze Goqegos, quatro eapejttfies, cura 
e coadjutor, tliesoureiro njeaor ^. e quatro* 
moço* ,<£e pboro» çq«1 o. seu mestre de capei- 
la eoigaoUba»-*' Visitou este Bispo toda» j 



i 



♦ Àgiologr I^sit. T. a. p. 15 1* 



ás ilhas do Archipelágo bem como ps rio* 
de Guine, áotfde uma febre Ike atalhou á 
morte * 12 de Março de 1614: 

Jaz enterrado fla Igreja de N. S. do Ro* 
áario da Cidade da Ribeira Grande em San* 
tiago. Escrevco asna vida o Licenciado Al* 
varo Dias, Cónego e Vicário Geral o'aquel«* 
le tempo: 

». r&. Atfteririo feo AMto recusou e mor* 
reo em 1619. 

natural de Guimarães. Estudou em Cuen* 
ca e foi Cathèdratico noCoHegio maior de 
É. Bãrfbôlomeu em Salamanca. Na volta 
a Portugal obteve o priorado dá igreja de 
Villa-Ffor. Em ' HH9 estando D. Filip pe 
â.^ èm Lisboa, pregou àa sua presença um 
serrhão Conhecido dom ô nome de sermão 
de Santiago. # 

Entrou nó Bispado da Província em 
168* , aonde falleoeo na Ribeira. Grande 
ém & de Março de 16&4. <l 



Sste sermão foi impresso &'este mesmo anuo eq| 

i officina de Cratbeek» 

Bibl ; de Barbosa T. *.* p. 16*. 

18 • 



180 



ia AJflMNOf JttAR*IK5, Dbufcôr et* Theolo" 
gia, natural.de Villa Nova de Portimão, 
foi eleito > mas não acceitoiu ' 

1 L B. PÍL. I.OURBNÇO OÀRK0. Abraçou o Ins- 
. tituto .da ordem de Ghristo em Thomar, 
donde era natural. Formou muitos discí- 
pulos, e* sérvio varíbr erneargos , como ode 
Provedor do Hospital de N. S. da Luz^ 
Visitador Geral da ordem-, e !>.- Prior Ge- 
ral em 1619. Em 16$7 #íoi assumpto ao 
Bispado de C. V. Foi allí tão estimado, 
que uma vez com a merar suspeita* que ten- 
cionava voltar pàra ; Pbrtugal, todos os ha~ 
bitantes banhados em lagrimas vieram á 
" Cidade roga-lo' para que os não desampa- 
rasse, .Morrão no 1/' de Novembro de 1616, 
passando de inais de 90 aniios de' idade. 

Jaz eai Santiago na Cidade da Ribeira- 

Grande ua 'Igreja de ff. S, do Rozario. 

Escrèveo algumas obras em 1 matéria reli- 

. giôsa. Muitos escritores citados em Barbo* 

za faliam d'elle com elogio.. 

19. fr. c^aspar ESXTAÕ não acceitou* 



• Segundo a Relação Universal foi em Setembro if 
1626. 



— 181 — 

I. B. nu niAVOXSCO BB *. BXOOO v natu- 
ral de Serpa, -pregador dç D. Pedro 2.% 
purificador do Santo .Officio . foi eleito 
-em 166fif, mas não aoceitou. 

. 9. MOWABBO BB ft. AttOSTlBKO , Co- 

nego Regrante e Geral da sua Reiligião, 
lambem não. acceitou* 

, b. nu fauaÕ jdo» bui sendo jí re- 
lho foi sagrado a 11 de Setembro de 147$; 
«chegou ao Bispado em Maio -do anno se- 
guinte, e depois de lá estar nove meges, fal- 
ieceo a 8 de Fevereiro de 1674. 

B. TK« AWTOVZO BB 9. BXOHXXXO , da 

Ordem de S. Francisco, foi eleito em 1675; 
chegou a Cabo-Verde em Junho de 1676, 
e falleceu passados oito annos. 

b. nu VICTOBXAHO BO PORTO natural 
da Cidade do Porto, da qual patronimisou 
o seu nome , que era Victoriano da Coita. 
Depois de formado nos Cânones em Coim- 
bra , entrou n'um Convento da religião de 
S. Francisco da Província da Soledade. 
Seus conhecimentos ezelo o fizeram nomear 
por D. Pedro 2.* a Bispo de Cabo-Verde. 
Sagrado pelo Cardeal de Lencastre em 14 
de Setembro de 1687 ," entrou no Bispado 



— 19* — 



> » 



frtSttttrf Í9 pllUi**/ 



Mui pouco havemos de divagar sobre este astoin' 
pto, incluindo-o aumente, para nãosuppôr alguém,- 
que fomos omissos por esquecimento ou inadvertên- 
cia: pois realmente, cm vez de descrever e anali- 
sar semelhantes estabelecimentos da Província,— 
resta- nos só lastimar a sua faha* e total aban- 
dono. 

Entre os flagelos que experimenta está coronia , 
contando o da indigência, e talvez o maior a falta 4 
d'irxstrucçao publica: o que náfo lhe facilita o de- 
senvolvimento progressivo ; eí uma pena por cer- 
to, que tão pouco tratam do seu ensino todos oà 
habitantes, inclusive os* mes mós brancos. 

Ainda não na muito tempo, que não existia át* 
íí um só mestre hábil, nem dai primeiras leiras e 
ísto provrrtha da mingoa dos ordenados. 

A primeira vez que o {Joverho da metrópole se 
lembrou deàía província, foi em 1740, que man- 
dou um mestre de Gra mm atiça, dande-lhe pelo 
Alv : ds 13 de Janeiro do mesmo anno , cineocnta 
mil reis de ordenado annual. 

Em 1773 houve uma idea de enviar mestres do 



ortagpl par» abrirem escolas : como' tau} bem de 
formar na capital una r*colbimçn£o d educação 
ira a* creanças. de tenra idade: aonde deviam aer 
tmettidas mesmo algumas estrangeiras doeultçpro» 
rtante, que allí (Içavam por vezes, não ppdenda 
p portar os inoommpdos marítimos das dilata da^ 
igens que seguiam para as Índias e arribavam, 
>*te archipelago. O Conselho Ultramarino deoor r 
na para esse fim aos .9 de SeteçabrO de 1773 , e 
ipdou tomar njedidas pura a sua prompta eatecu* 
> ; mas na forma de costume e sorte das detei> 
riações, pajutare* , não teve isso effeiio. 
Houve ainda outra ordem em 8, de Abril de 1794» 
? á custa da Fazenda nacional mandava trans- 
tar rapazes para Lisboa» aonde se deviam, ios- 
ir nas. sciencias , ar$es e officfes. , 
\ sua escolha foi deixada ao arbítrio do Bispo 
Província» faaendo a remessa ao Jn tendente ge- 
da policia ena Lisboa* 

3oijsta-nos que n'aquella epOcba Séguifam para 
apitai muitos rapazes da Província : porém não 
■tios sabemos v que desembarcando «yw Lisboa:» 
^oem mais se importava epm elles. Assim va- 
undavam pelas ruas, até que finalmente não 
indo quem o* reconduzisse ao seu paíz, em Ili- 
de aprêaderení nas estiolas, para viver eiàOpbrU 
os a tomar, serviço de criados ou ínatinhei* 



13 



* ; Fáz admiraçSò di& Vêr até que ponto naò bavta 
'«ystètóa aÍ£iim d^educaç&ò tt*esta província. Ainda 
nó principio déstè século eafetiam ein Santiago 
liò totíffentc^ titíi* áulá éè teologia é la* 
tim, é óútra de ftrôrràlj bèm eòmo em S. Ni- 
,coláo ubiá de inoralè gramática; -aquando ápar 
â^sò ríítò Se àcbavá ém todo o A*ch;pelagò ama 
^colá de ptitnéwas letra» qufe fosisé paga pelo Go* 
trernovE úsêltíi raeséid às* atilas do fcòhvènlo já na 
t>ccasiâo dá ettftícçao éúi eoávéfitos * estavam fc- 
• chadas. 

A Junta dá Fafcèhda <fti província creou em 1817 
timaéadéfra dte pfiíhgir^ letras tfà Villa dà-Praia, 
-dàndb áò mestre cazàs e ^jjf rsv d'ordenado. O 
-printekd qiié teicercefe eáfce ea+gb foi nftí hespánhol , 
D. António Gabãdáè* cfiè fofcHémènte poueo du- 
4 Ttai, sétid/cJ assawinfcdo com geral pezár dos 'babftan- 
nes. Sttfccedeo-lhè ! o trtrçtèllio da trop* , Padre José 
Manoel Delgado filho dopáh?: lia» ftio tardou raui- 
- l to Sqi4ê fosse fechada festa feSeola. 
< O ntestnò stfceedià éoiírt maia algui*a& que sè 
r tinham forttiado nà pibvittclfei, porém Toda» ma) pro- 
vidas pôr falta' de mestres epfc^ttfenefc ites stttark*. 
'De modo que quando chegou Mi gmlfótô o Go- 
vernador Marinho, wio errtKMtrtfu nenhuma escola 
• regular £ e ópeear de todo» os esforços ttjio pôde cd- 
mo desejava, estabelecer aulas' em todas fes ilhas : 
mal conseguio por urna na villa da Praia. Ago- 
ra já ha mais algumas escolas de primeiras 
letras , e acham*se em exercício duas em Santiago, 
duas no Fogo, uma na ilha Brava, uma no Maio, 



—195 — 

toa na Boa* Vista 4 duas em Ç. Niooláo, a duas. na 
ba de S. Antão. Cada um dos mestres de.gram* 
alies e primeiras letras tem 60/ rs. d'ordenado , 
i o da villa de 9. Nicoláo recebe 40yf » Os de tfee« 
ayia tèem 80^.-* ; 

Deste modo figura a verte da iasirueção publi* 
no orçamento da província, na quantia de 7s>5£00£ 
is : e nas reHaçdes do Governo e participações of» 
iaes, não deixamos de vèr repetido o quanto sedU 
enceia para asse- fim» Estacaras confessar todavia 
e tudo que . existe a tal respeito, data só. dft 

* * ia' 

>ca da feliz restauração ao Throno da actual 

x»rana, —> Mas no entanto^ embora se testa feito 

uma cousa, ainda snrito resta: pois de tedaé 

tellas esoolas não podemos esperar outros resul* 

os a não serfaàtastica* iltusdes» Geralmente não 

n caia própria ; por veres eaeoptramos gruppos 

'apares que aprendiam a ler nos pateosott vãoe 

portas, por falta de local próprio. Também 

iam ser providos de livros competentes, modelos 

ctita , papel , tinta e pedras de conta ; coutas 

faltam allí de todo. E' curioso por isso como 

. eto S. Nicoláo vimos os rapaces aprenderei 

orever. Não. tendo papel, nem pedras de conta, 

sm-se das taboas de cardar algodão que vem 

Estados Unidos; escrevem, quando já estão 

|s, com uma tintai económica feita de car- 

ptftrido que tiram dos entulhos, 'e dilluem 

«gua* Esta ti^ta como não teas mor* 

e> , djesappaiece com uma «imples lavagem , *e 



ts m 



— 396— 

«stabdas seado de faia podem dufíur ffiukissime 

tempo. ..•.-.•.'••... - .- 

Ko MinKste*iè de nobre Vise ernde de Sá foi 
pata. as ilhas uma collecção de livíos elementares, 
modelos descrita e pedras de contar ^ mas desde 
éhtão ninguém se Lembrou jánqais de semelhaoie 
eduza 5 e assim ainda no afino passado, ressentia se 
a mesma fa(ta em toda a .província : como parece 
aqoelles objeèfcoa frcaramJna villa da Praia r e não 
foram disKâbjfldos pelo arabipelago. •> , 

J*. • ' v- > • í : i». . .«■.;..«.• ••• •■•.,. 

i :A y uSmtf educação^ regular • muito íèoppôe tantr 
bebi ; a dispersão dos habitantes f ' ,. e .mais ainda o 
dbsletxiry 'quiçá, deppre&O! do língua ptiièngueaa, que 
tão: faaihnttDte general UacUims outra* possessões ul* 
tramartnatt da* quatro parte* do. mundo, a*e6U foi 
«duiterada do modo 'orm&is boesondo'* e wibstituf- 
da pote 'chatfrtfla ;liftgȉ db paia, idioma criofo, 
vonto mais amplamente varemos, quando ira lat- 
inps.dosr.mpg; < .cattiirçe» dps ; habitarç tes* JS' de 
Mtí&x ©oiti <e*pa»&o que '<* tpdsojos Portuguetes aili 
jtt^btolecidos.e re&tó<*4)te»t euv lega* 4é Uatar de ro- 
jte*M\ e*ta peraicÍQ$a : pr&j^aj,. togo *e acostumam á 
sq^ella; ridieala.iingpAgejm.^ 



1' -., 



j. Todavia apoiar de todas, estas eft6uBisl*n«ias, e 
* * 

tamanca incúria na-iastrucçãp publica,, é d^admi- 

rar quaotOjrarò e' encontra* ajl* alguém qtie pio sai- 
ba ler e escrever : principalmente em S. Nfcoláo, S. 



— 197 — 

ntâo e Boa*vista. N^sta* ilhas.se denota mais il* 
straçâo do cfue em Santiago, apeiar que fosse a 
pftaf. Em geral , os habitantes deste archipelago 
o ião tSo estúpidos e bárbaros , jcomo os taxava 
i Deputado da Província. Ainda teremos n 'outra 
'te occâsião de faltar das siias- disposições intelle- 
aes; aqui lembraremos semente- que «encontram 
umas pessoas ate com «ertft erudição « conhe* 
entos, sem nunca lerem sabido fora do pais 

M dos melhores pintores retratistas no Rio dè 
úto 4 trai Cabo-Verdiano. Simplício -João Ro- 
ue$ èe Brite? irmão do actaal vigário de & 
ío, o Padre Ricardo Rodrigues António deBri* 
era um dos rapazes remet tidos pa-ra Lisboa em 
. Seguindo a sorte dos seus companheiros que 
jgar d" 1 ensino acharam vagabundagem nas ruas 
pitai y para matar a foiwee se íiao entregar a ocio- 
3, foicreado de servir d*um insigne pintor Ita- 
que n^áquèlta época estava cm Lisboa» Qual 
Juan âc Pareja , escravo mulatto do grande 
juez, sem estudo, sem mestre, desenvolveo ò 
n que possuía 5 e em breve apparefceo como 
5 retratista , escolhido em Rio de Janeird 
intar toda a família Real* 
igrarêmos também duas palatrirs a uma Senho- 
o-Verdiana', merecedora de particular m#n- 
littératura. ; D. Alaria de Spencer Freitas j 
do Coronel João de Freitas Machado e Mi* 
J^atural de S. Antão, tia infância denotou 
opensão ás scieucias, que louvavelmente to a ri- 



dárájB** logo*» parentes para Lisboa ao wltagio 
das Sitesias; attí ■deswfaihw* sen Uleníp neural j 
que nomeio d v ama vidfc tempest&p&a > própria dq 
seit #snio e^catacter * 4ei*bu moitas podias eescri? 
tos «heio* de atmá poeticfc. 

Temos vrsto>emS. Arrtão alguns <jpie nos mostrou 
sen iiko, € com gosto admirando as bçileisas, uús- 
taramoa com o p*aaer da leitura , a pena não se* 
rèm dadas, á luz. Estire outras, mui bellas sào as. 
Ode* desta poetiza ao então Princípe Regente, <> 
Sfenboar D- João VI o , quando em 1 81 8 deo q *U> 
«eila para à Província , e esti* graça foi festejada 
mi Vitla da Prsia com -bailes, maeearas e diversos 
rtgezijost 



_ Não ba na pfcrvincia uma Bibliot|mpa, apexar de 
que em 1811 se tinha para esse fim da propósito es- 
tabelecido um imposto corçi o nome de Subsidio Lit- 
tór&rio, Cada moio de sal expprtadp da Boa- Vista, 
pagava para esta appUeaçao alem dos opto tostões 
fie direito , mais 200 rs. Nos milhares de moios 
aportados, aypltada era a quantia, lêem. se com- 
prado bastantes livros, e houve urp Jjom priopipkv 
de bibjiolheca ; ruas s^ccedeo a sorte fui ai de lo» 
das as.bpas medidas, — morreo piodividup enoar* 
regado d '.este arranjo , os Hvros já existentes foram 
jroutuidos na pcirl ilha dos sens bens, -edesap por e- 
fc>raip eptre diversas nmõs v oca bando ao. mesmo 
tempo o imposto tão mal appl içado. 



— 199 — 

No Convento da Cidadã em Santiago havia uma 
gueoa livraria menos mal escolhida : mas ainda 
1 1836 vimos, que çom inexplicável desleixo não 
fez caso nenhum d'ella pa occasião da extincçãõ 

convento , e ficou abandonada á merc$ do 
deiro da cerca. Por vezes instamos para que se 
nsladasse paia a villa da Praia, afim 4 e dar um 
icipio a uma bibliotheca publica , — pias balda*. 
, forão o& nossos esforços, nada podemos conse- 
r. Provavelmente achourse njeliior deixar os li- 
i para os ratos e usufructo do rendeiro. Ignora* 

o que se tenha feito posteriormente , porém q 
í certo será, que terão tido bastante gasto nos 
rulhos domésticos e annexos ao fabrico d'assii« 
de rendeiro* 



iiaos exposto tudp o que existe na Província 
rellação com a instrucçao publica; pois em 
to a Guiné nada se encontra a este respeito. Tudo 
acrear; é forçoso portanto adoptar-seum syste* 
a instrucçao publica, e segui-lo com regularida- 
despeza do Cabido, sendo este supprimido, dará 
isto. Mais general isada fora a instrucçao, eaté 
ativa a todas as classes, maiores serão osresul- 

•/ » • 

Afff. julgamos poder classifica-la em civil, mi- 

5 «eclesiástica. Um quanto a primeira, sejasuf- 

;e para poderem os habitantes preencher com 

a os cargo* municipaes, e mesmo ter a haby 



— 80fr__ 

]ftaç&o necessária para servir em alguns lugares ad» 
niinisfrativos. Se esta colónia juntamente com to.* 
das as outras possessões ultramarinas goza, das vau- 
tagens e direitos iguaes aos da Metrópole, nSo de- 
vem ser estes limitados ao illusõrio e irrisório pri- 
vilegio de ! mandar ás Cortes dous Deputados. 
Não tratamos aqui da utilidade o vanta» 
gém desta pratica ? mas notarcmoi.que obrando de 
boa fé, — só quando o mais possível" fóra espalhada 
a instrucçSo, que uns representantes d*aque!!es po- 
vos , sendo filhos do paiz, com dignidade reveslf- 
dos d*um cargo tão honrofco , — poderiam avaliar as 
precisões, e pugnar com vigor pelo bem estar dos 
seus concidadoes. Actualmente custosa e' a escolha 
entre os habitantes da província, ou pelo menos 
sempre lia de recahif n*um ou dous ao mais iodi- 
viduos. 

O mesmo se sub? n tende a respeito dos officiacs 
militares e ecclesiasticos , como já o temos <Jít° no* 
eiipitulos antecedentes, 



O systema que propomos, e*'o seguinte. Em ca- 
da fré^tiezia da província,' seja ànnexa á igreja 
-uma escola que chamaremos paro chi ai, aon- 
de o parocho , ou o coadjutor na sua falta , ensina- 
rao a ler, escrevei', o catheciámo è as quatro es- 
pecies. " 

Mediante u<na gratefrençao dé fiO£ 80$ rs. sa- 
tisfarão elles com muito £ôsto câtaobrirraeSo, 



— 301 — 

* 

Os pais deferão ser obrigados a mandar .allí o$ 
is filhos, sob pena de multa» ou castigo em traba- 
* nas obras de ntilkfode publica na fregiiezta ; o 
tnslno s,erá gratuito, contribuindo ós discípulo* 
?na« com trinta -reis mensais para o arranjo d^ 
a, etc* ' v 

[pàz d 'isso eslabelecer-se-h£o «mais escotas — 
ementares. Kstas por em qoanl* busto' que 1 se 
nem na VlHa da Praia eiíi Santiago, na de 
ta-Crurem S. Antão, — na da' ribeira' Brava #f?r 
«2»coIiío, e no Sal-Rey na Boa-vista. Podem- ser 
Jidas e«i diias clames, cada uma de curso ân- 

a primeira apprendern a Grammatfca portngue- 
a historia do antigo Testamento, a- moral , o 
rhismo, as quatro operações* com os números 
-os, e noções da geographía. No segundo con* 
rão a moral, gram rn atiça, eescrip^a por togue- * 
o IÍÕV0 testamento ,. as quatro operações com 
ebrades e deeimaes, a reg-radc três e de pro- 
o ;J_ noções das propriedades das linhas rectas, 
ares e ângulos : mais ampla» rdeas da geogra» 
r rudimentos da historia de Portuçal. 



fovens que quizerem aperfeiçoar a sua educa* 
uaiquer fora a sua carreira que destinarem se- 
civil , militar ou ecclesiastica, acharão ainda 
>s dados na capital da Província, aonde sap- 
que' se estabeleça um Lyc eo. Allí n*úm 
Lrfenuiò serão repartiáos', _o ostylo e fitte- 



--«02 — 

natura portuguesa, —o latim, francês e. inglês, — 
Arithmetica , elementos da Álgebra , Geometria 
synthclica elementar,, e uma idea dos sólidos; — 
princípios da physica, mechanica, agricultura, 
botânica, e historia natural.-** Economia Politica» 
direito administrativo e couimercial, e Historia Por- 
tuguesa e universal* 

Conforme a carreira , administrativa ou ecclesias^ 
Uca, que declararem seguir os aluamos, serão 01 
seus exatnes mais. rigorosos nas respectivas mete- 
rias. 

. Aquejles que se dedicarem ao altar, acabando 
o segundo anno poderão completar os estudos theo- 
íogicos no Seminário, de que já falíamos no .eapttu* 
lo^arUerior. 

Px>rétaa é rigoroso que sem aquelles estudos ain* 
guem possa ser «orneado para qualquer emprego ou 
fiuiegão pa província. Assim nao acontecerá como 
temos presenciado, haver juizes desitos que não sa«*t 
biani ler e escrever, ou um empregado doa 
piais notáveis, feeste era filbo de Portugal, por el- 
lo tenho pejo de o nomear] que ignorava ate o que 
era fracção e deci mães!— e era uma authoridade 
cifro-motora. Um Secretario do Governo de. Guiné 
assignava-se Sacar t ar io. 



Em quanto a tostrucçãa dos militares, deve ha- 
ver nos batalhões ou bat terias, uma escola — regi- 



— 303 -: 

eniçl 9 aonde os soldados appreaderào a ler , çs*. 
ever e contar* Para a formação porém dos offi* 
ie», como já o temos dito em foliando do estado 
ilitar » 4 precisa uma — e>coia de Officiacs *«/c-, 
*rc$. Aqui serão admittido* gratuita mente os offi« 
Í9â inferiores da !•* Linha , escolhidos na razSo 
sua capacidade c boa condueta, como também 
n certa retribuição osalumnos que tiverem com- 
tadoos seus cursos ao Lyceo, Seria ainda. mais 
tajoso serem todos alojados e nutridos juntameu* 
debaixo de vigilância* No tempo das ferias, 
tuezes no anuo, voltariam ás fiteiras. O curso 
posto de matérias próprias seiia illimitado» 
«do a appticação do alumjio, não podendo 
)orem ninguém promovido a official esm menos 
res ânuos , e sem frequentar esta escola. 
i&im podia haver na Província bons officiae*; 
tanto forçoso nos e declarar ahi, o que se faz» 
)oca presente a este respeitp. Alguns officiacs. 
ichados de Portugal para-esta província, fre- 
am a custa d «Ha, os estudos no^fteino, para 
lotado* esjtes , passarem ao exercito de Portu* 
Coosjtarnos que actualmente, ha três n' es te ca- 
e modo que a Província, além de ser. sobrecar+ 
a com péssimos officia**» entes nullos, ha de 
biiir peta a instrucção dos do Reino 1 _ 



aqui a nossa idéa v ou projecto que julgamos 
►e adoptar para a instrucçâo publica da Pro- 
; é tle mui faeil execução^ e pouco maior 6t* 



— *06 



téfvtrttti — 3tómtni$trQfãa. 



. » 



* Sobre tao importante mater í», couto é * adminis- 
tração das colónias, nada temos do d éter minado 
de£al ; tudo é interino e provisório. A Carta, Cons- 
titucional de 1636, n«tual Lei Fundamental da mor 
jiarehia nada dia a raspeito da* po&sesâ&õca UUr*» 
•roariaas, «alvo asuaonuEâecaçào. Pouco roais acla- 
rava a Constituição do 1638. Eis o que alií se en- 
conbrava a esXe respeito. 



» 

Zttaio X. 2>««, provinda* Ullmnwrina*i 



CA*IT9*0 VWIff^ 



Art. 137/ As províncias Ultramarinas poderão 
ser governadas por Leys especiaes, segundo exi- 
gir a conveniência de cada uma d'ellas. 



— «07 — 



. I.* Governo poderá não estando reunidas a* 
Cortes, decretar em Concelho dos Ministros as 
providencias indispensáveis para oceorrer a algu» 
ma 'necessidade Urgente de qualquer provincia 
Ultramarina. 

8.* 'igualmente poderá o Governo Gerai decrmfe 
província Ultramarina tomar ouvido ao Conselho 
do Governo sobre as providencias indispensáveis 
para acudir a necessidade tâo urgenle que não 
Dos*a esperar pela decisão das Cortes ou do Po- 
ier executivo» 

3. fim ambo3 os cazos o Governo subinettera 
«Cartes logo que se reunirem as providencias to- 
nadas* 

» 

Quanto isto é confuso , e vago ! K é tnisier con- 
fir. que desde 1883 data o maior chãos na ad- 
istraçao colonial. As Leys antigas providentes 
todos 03 cazos , fora,ncom fascinação derruba- 
com çi queda da usurpação de D. Miguel ; e a 
s como e aos usos c costumes que lá tinham to- 
o vigor de leys, substituio-se em globo a carta 
titucionale a legislação damonarchia, scintra- 
i lembrança, que nem todos os Governos, nem 
s as leys igualmente agradam ou são vantajo- 
i todos os povos. 

>i n/aquella torrente devastadora e época d'a- 

ôes e innovamentos, que se deitou também por 

o Concelho Ultramarino , uma das melhores 

uições, vasto Archivo, e deposito de todas as 



— «08 — 

boçoe* a re- peito das colónias. Porerj) inal afncúf 
não ppssafmr* ttes ânuos, que já foi beca sçosml 'es- 
ta abolição; e não tardou que e- nobre Visconde 
4e.§á .d* Bandeira, sempre. *qlos<> ejocaaça- 
vel no aug mento das colónias , se pão. rotHuio es* 
.te Conselho Ul trama tino com a mesma denomina* 
.çâo^-*— fez melhor, crean/do a Ilepanição do Ul- 
tramar., com chefe e empregados inamovíveis a ca- 
da mudança de Ministério.. Kesta-aos. semente ala- 
montar, que c* a tojrfeci mentos políticos dopai&tjue 
expulsaram a D. Miguel de Portugal» la$»bent pe- 
la mera cauza de Aerem. servido o governo de fteto, 
deitaram fora desta repartição homens cm mais in- 
struidos na matéria , e cuja ausência deixa um vá- 
cuo irreparável. Nào haverá lector nenhum que não 
conheça. que nos referirmos ao Conselheiro Sá.-*- 



i . 



* » • 



1 ♦ t 



z. 

■ã. 



\t 



loioUff*- CíjronoiogUo *** Cwmufrrt**. 



As ilhas de Caho- Verde na oecasíao da desço* 
bertá doadas aô Infante D. Fernando, [do* qual passa- 
ram pára D. Manoel, e depois para D. Jaime] ; repar- 
tidas ainda entre donatários parciaes, foram gover- 
nadas durante os primeiros cento e trinta annos por 
Capitães Mores com jurisdição somente na ilha 
aonde residiam : eo mesmo acontecia em Guine'. 

<D Doutor Gaspar d*Àndrade Rodrigue» foi o 
primeiro Capitão mór das ilhas de que temos noticia, 
e succedeo-lhe André Rapoza. Veia depois a in- 
vasão de Castella, e foi nomeado primeiro Gover- 
nador Duarte Lobo de Gania, seguindo -se-lhe ou- 
* tro> ? como se vê no se-guinte Catalogo. 



1 . DUAavs J&o»a da ôama foi nomeado 

durante o reinado dos Filippes.— [Torre do 

14 



f. 



«IO — 
Tombo. Liv, lí deFilippe 1. f. 333. tf J 

%< mxukd Soarz» 9s mulo em lôf d,[Liv. 
93 dfcFilippe 1. f. &5>jf] 

3. FRANCISCO LOBO DA GAMA em 1567^ 

|Liv. 31 d*Fílipp*$. M3?.] Teve desor- 
dens com o clero, quiz prender os Capitu- 
lares que fugiram para S. Domingos, po- 
< re'm elle cercou os na» igreja de S. Nicoláo 
Tolentíno, e por isso foi rendido por 

-4 

4. F£ENANDO BE MESQUITA ]>£ BRITO 

Este Governador tomou posse no principio 
de 1603 , sendo rendido ao fim de úes an>* 
»os.— Vej. Lív. 1^. deFilippe 2S f. 148. tf. 

O. FRANCISCO CORRÊA BA 3II.VÁ entrou 
em 1606. i 4 oi no seu Governo que chega- 
ram os três primeiros Jesuítas, Baitbnzar 
Barreira, Manoel Je Barros e Manoel Fer-' 
nancjes. # ... 

6. ÍRANCISCd ÍIARTINS ji* SEQUEIRA 

em Í61Í. 

7. NICOLÁO DE CASTRILLO em 1614. Foi t 



t , 



• *^ y 



'••■ VeJ. Úferon': 'da éomp* : cfe Jesus de Baltb. 
» - Telles.. lâ>. <K**Cap. 51. p. «S4. 



— «II -X 

ó pVimeiro Governador que juntou o titulo 
de Capitão General, 

é. ». rajuroisco 3>S MOUfeA em 1618. 

9. d. rHANCiftCO roiaxm foi em 1629. 

• Havendo fallecido no mesmo ànno a 12 de 

* 
. Setembro j deixou por Governador ao Bis» 

po D.' Fr. Manoel Affonso; porém a Ca- 
mará não o quiz acceitar, dizendo qué pa- 
ra estes negócios não era de valimento a 
sua vontade. Reunio-se pois eelegeu-o, de 
modo que o dito Bispo ficou por Governa- 
dor, até que morrendo aes 13 de Março 
de 1624, voltou o Governo á camará, fi- 
cando . assim mais d* um mez em quanta 
não chegou o successor. 

Dizem qae aquelk Bispo deixará em di- 
nheiro oitenta mil cruzados f que ti riba ac~ 
. cumulado para comprar o barrete efe Cardeal. 

Foi n'ette tempo que no méz de Janei- 
ro de 1624 se juntou no porto da ilha de 
S. Vicente a esquadra Holiahdeza compôs* 
ta de vinte e seis navios , commandada por 
Jacques Guilherme, e d'alií seguio pa- 
ra a Bahia que tomou a 8 de Maio del624v * 



- * t 

é Vej. Jornada do» VottcMot da Coroa de Portw' 
gal por Bartholomeu Guerreiro. Lúboa. 16»5. 
Cap. *." . 

14 * 



*.*L, 



'*ttf 



10. PRAJKMSOO *X ▼ASCOXTGE&X.OS 9A CUV 

f 

NHA tomou posse tio me» de Abril de 1624, 

No seu governo hospedou na ilha de San- 

• ». - » » ^ 

tiágo à armada portugueza . que ia para a 
expugnaçâo da Bahia ; chegou esta ali ia 24 
" de Dezembro de 1624 f é deteve-seno por-' 
to cincoenta. dias, sem cahir ttoentfe nem 
um so da tripulação, Sahio para ô seu des- 
' tino a ; lí de Fevereiro <fc ÍG&À, tendo che- 
gado á 7 do mesmo méz a Armada Gaste-- 
lhana com rua n dada por p. Fradique * 

Nó mesrho ânno passou pelas paragens 
dàqWl la* ilhas wnà armada Hollandeza de 
34 velas \ das quaes 15 de força, levando 
3^000 itifãntesi Proveo-se de agua pordous 
ptitàxos nâ ilha cfo Maio, sem as roais lan-= 
. çarem ferfôV 

Esta armada* faeifl fòccorro- da Bali ia v 
'e por isso o Governador se apressou deman- 
* dnr allí ao' GcneWrl da Armada D. Manoel 
difMcnofetíàJiinia ea favela de avizo^Esta em lá,. 
1 dbegando, itrvje-' a jigradavel» noltera* que cv 
V * soècôrro era r bnl<iado, pois- havia quinze 
' " dias 'que a etttacíc fora recuperada. [Foi no 
' • 1.° de Maio de ; 16Ô5.] : , # Aqúella arma- 
. --—cia Hollandeza de soccôrro foi derrotada^ 



<»•».. *....« lk.1 



♦ Jlc(ti£u« Universat de 162,í è; Í6£<* foh 7. ^ 



^ 213 — 

15 rô 'Novembro de 1ÇS55 offereceo a este 
<3rove^aador, Andte d'OrneUas uma rjcaJD*f- 
crtpçdo da Serra' Leoa composta em 14 Ca* 
pitulos. Este matwscripfeo original existe na 
Bíbliotitec* d ? £1 Rei i> 'Ajuda. 



.» •» 



II, JOÃO PEHEIKA. COKTE-KEA1 entrou eem 
163a. [Na Torre do Tombo no Liv. 15. 
da Chancellaria de D. Filippe 3.* está uma 
«arta a João Pçreira Corte- Real Capitão 
Çrenctral de Cabo Verde. J .. 

1$. FRANCISCO CHRISTOVAI« CABRAS em 

.* • • • • < , .. j. 

13. JORGE DE CASTII.HO. —1636. 

1 *, JERÓNIMO DE CAVAX.ÇANTE $ AUS|N 

QUERÇUE ent>rpu,e#i 1639. ', 

15. JOÃO serrão i>a cunha succedeo em 
1640, e morrendp no aja no .seguinte, \o- 
mou posse a camará. 

16. jorge DE ARAÚJO Capitao-mór da ilha 



y '* 



* Jornada da Bahia por Bartholomeu Guerreiro 
Cap. 39. 



N 



— .214 — 

de Santiago por ordem cTJEI Rei D. J0S9 
4.Vtomou poise <jo Governo, fioahdo até 
1 649.. V 

* « 4 

17, B.0QVS HE BARROS DO REGO entrou np 
governo a 10 de Maio de 1648 , e morreo 
$eis mezes depois ? ficando a câmara a gQr 

' veroar, 

• • •> 

r 

18. GONÇAliO DE GAMBOA DE REALA en? 

* m 

trou na posse a £9 de Junho de 1650 egor 
vernou pouco mais de quatro mezes. 

19. fedro semxdo CARDOZO natural da 
mesma ilha de Santiago tomou posse a JÇ 
,4e Outubro de 1650, 

20. JORGE DE MESQUITA C ASTEILO BR A MT. 

CO rendeo-o a 24 de Dezembro de 1651, efoi 

substituído antes do tçmpo por 

21 . PEDRO FERREIRA pARRETO a 12 de 

Abr 1 de 1653. 

• * - . 

£<?. FRANCISCO DE FIGUEIRÓ A succedeo- 

lhe entrando a 13 de Julho de 1658. 

33. antonio gai,vão .tomou posse a 16 de 
, Maio de 16(53, 

24. manou DA COSTA E SOUZA Cavai! eiró 



•da -Ordem de Cbristo, do Concelho de 
"Sua Magestade, Comendador da Comenda 
de S. Pedro da Louroza, entrou a 1 1 de 
Maio de 1667. 

Pof ordem deste Governador tez Fran- 
cisco de Azevedo Coelho uma Detcripçâo 
da Costa de Guiné desde o Caho-Verde ali 
Serra-Leôa , a qual^ íhe offereceo a 8 de 
ISetcmbro de 1669. 

liste Ms. está na Bibl, Publica de Lis- 
boa com a marca — B — 3 — 57. 

25. MAjffosx. r achxco de jgzxxo entrou a 
15 de Maio de 1671, 

■26. JOÃO oakbozo pássaro chegou a 30 de 
de Junho de 1676 e morreo a 20 d*Agosio 
ilo me«mo anno. liste "Governador recebeo 
o Regimenta passado a 10 de Maio de 1 676, 
eque bem. como e outros documentos a res- 
peito destas "Ilhas desde este . <3o.vexnador 
até 1707, se acham na Bibliòtheca Ebo- 
rense em 1. Vol. em foVxo de 144) folhas. 
A* sua morte ficou governando jx Cama- 
rá que pedio a Sua Magcstade para que 
«orneasse outra vez o mesmo Governador 
Pessoa que lá tinha estado anteriormente, 
«e consegui 0-o.. 

♦ 

» » 

07. MAlfOEI. DA COSTA PESSOA tomou pois 

posse pe!a segunda vez em 168&. Desejoso 



: de fazer conhecer a Costa dè Guine, order 

, ' nou ao Capitão Francisco d.e Letnos 

para a descrever, o qual utilisapdo-se do 

trabalho do Coei Lo, ofifereceo a sua Dcsr 

cripção da Coita de Guiné ^ em. Santiago., 

no anno de 1684. £Ha quem diga que 9 

nome Francisco de I^cmo* e supposlc] 

• S8. XCWACXO PB FRANÇA BARBO? A entro* 

em 1685. . 

... 

■* . * 

29. VERJgSIMO BE CARVALHO DA COSTA 

* 

tomou posse aos 20 de Maio.de 1687. 

A 15 de Abril de 1683 chegou ali í'Ma.. 
noel da Costa Ramalho, enviado para sin- 
dicar ,dfc Fazenda. Logo depois o Governa- 
[ ; .dor entregou o governo ao Bi* po D. Fr. 
Vietoriano do Porto e se embarcou para 
t o reino em Junho do- mesmo anno, 

# 30. DIOGO RAMIRES tom OU posse no 1/ de 

Miirço de ly.690 e morreo no anno seguinte, 
passando o governo á- camará. 



31. MANOEL ANTONIP PXrJHBXRO BA CA- 
MARÁ eoirou eu> Majiõ de 1609 f 

32. AWTOBUO gdbcss MI^A veio aSl de Abri} 
de 16% : morreo a 7 de Junho ^do anno 
seguinte? passando o Governa á Ca uaar a. 






$$. P. ANTAVIO SA&CADO tomou posse a 1 ò 
de Abril de 1698. Quando xecolhdo a Lis- 
;baa^ trouxe tuna amostra dapranta de anil, 
de que resultou saturem as Cartas Regias 
de 24 de Maio e 30 de Deeembro de 1703, 
dirigidas ao seu gnccessor^ determinando 
se colhesse toda a planta *, qnamk> fora sa- 
«oríada ; se manipulasse por couta da Fa- 
zenda em ianques, eseremetteasem as amos- 
tras,. . . •.' > - 
* 

$<\. GONÇALO M 3UEMQS MAftCAasmAft en- 

* 

trpu.a.25 de Maíõ de 170&. Aos 6 de Álaio 

» do anno seguinte publicou um bando que 

está nacqliecção citada 4I& 3' hi,- Eborense. 

:$ r *. noimxao de ox.xtsz|ia da foitsjbca 

tomou posse a 26 de Outubro de 1707 e 
jmorreo.a 4. de Pezembço. . . ^ ■ 

■26. ?0S£ PINHEIKODAOAMARA tomou pos- 

sea 19 de Agosto de 1711. Foi ,mio e indi- 
gno Governador. "No, seu tempo abicou alli 
cm JVlaio de 17i&, uma^squadra Franceza 
com mandada pelo bravo Çcmart. Fize- 
ram as tropas- um desembarque^ na Vil- 
la da Praia, e marchando para a Cidade, 
a saquearam no dia 4 de Maio. O Gover- 
Tiador arreou a bandeira portugueza ao aprp- 
,xin)arem-sc ps inimigos 9 e apezar das ex- 
hortações da Bispo, nào se (juiz defender: 



— 318 — • 

©ppondo^sé até que o Capitão António de 
Barros Cardozo e um irmão i filhos do seu 
antecessor, que tinham muita gente arma» 
da,' os fossem esperar no estreito desfiladei- 
ro de longolói como se tinham offerecido. 
O Governador fugio para Boguendc. Os 
Franceses tendo saqueado á vontade a Ci- 
dade, se fizeram de vela. 

Alguns ah ri buem a r este aco ateei mento 
o começo da decadência d*aqueUa Cidade.-^ 

9 

37. 1SANOM. frEREXRA CALÍÉIRO Orendeo a 
S9 de Abril de 1715, e rernetteo prezo 
para Lisboa, Este Governador iiiorreo a£0 
de Junho do mesmo anno, 

38. SERAriMt TEIXEIRA SAKMÈ7JTO BK ftÁ 

lhe suecedéo. Tendo se levantado contra el T 
lêem 1718 o Capitão mprda Villa da Praia, 
João Nunes Castanho , fez os preparativos 
para o atacar; mas cedendo, ás instancias 
do Bispo, que receava se involvesse a ilha 
1 n*uma guerra civil , eontentou-se em repre- 
sentar ò facto a EU Rei, que mandando pro-^ 
ceder á prisão do rebelde Capitão' mor 9 
este fugio n*um navit) estrangeiro, e nunca 
mais se soube dVHe. 

39. ANTOJff IO VIEIRA tomou posse a S8 de Sts^ 
tembro de 1730. Nada consta a seu reàpet- 

/ lo, se não qito o Ouvidor Manoel Carnei** 



>. tis -^ 

^ro Ramos tendo ido á alfandega tirar pól- 
vora e armar- se contra este Governador , 
elle o prendeo e remetteo em ferros para o 
Reino, pnde ficou para sempre fora -do 
serviço. Este Governador morreo na ilha a 
4 çle Janeiro de 1785. -r- 

AO. FHA1TCISCO MHHTB& »E VpBUJBC A VA». 

CONCSU.QS tomou posse a 24 de Janeiro 
de 1736. lambem no seu Governo houve 
uma rebelliâo. l«evantou-se pois contra a 
.sua authoridade o Ouvidor Sebastião Bra* 
;ve Botelho, « matou um do* Saldados que 
,o iam prender: resultou d*ati upia desor- 
dem j .na, qnat no conflcto foi morta o Ou- 
vidor * outros * isso foixm Março de 1727. 
♦O Governador -íeve que se .retirar ao forte 
.por cauza dos insultos que soífria na Cida- 
de. Foi rendiçlo v por 
y > •" . ■ . 

41. TRAJfOISCO DE OUVlX|Uk WANS que 

-tomou posse a $3 de Dezembro de 1728, 
e foi muito bom Governador. 

% 

42. BENTO H0WTEZ oob&qò natural de Mou- 
ra, entrou no Governo desta Província a 

30 de Março de J733 , e esteve allí qua- 
% Aio annos, - . • * 

43. JOzé j>a roífCECA baebozí. natural 
- de Setúbal , tomou posse em 28 de Feve* 



— «20. — 

. Beiro de 1737 , sendo já mui velho : mor- 
reo a, 7. de Agosto de 1738 , ficando a Ca- 
mará com. o Governo* 

á 

w ' 

44. ,JOAÕ UTZAHTE BE SANTA MARIA na- 

tural de Santarém tomou posse a £ de Maio 
de 1748. Era alTavel porem ambiciozç. Ei- 
; le foi o primeiro que introduzia o maldito 

abuso de cobrarem os Governadores dinhei- 
ro pela» patentes, que, até então fazia par- 
te dos emolumentos dos Secretários e Sar- 
ge&tos-nióres. Promove® muita gente só pa- 
ra recebeT dinheiro das patentes,, e usava 
, rigor com o» que não pagavam log-p- Creou 
muitos cargas era todas as ilhas: em fim 
não houve meio, pelo qual na o tratasse de 
jse enriquecer ; porém- morreo antes de go- 
zar das riquezas, • * .., 

45. B. ANTÓNIO JOZÉ BEÇA S FAB. IA 

fuocedeeo lhe çra 23. de Abril de 17&1. mor- 
roendo Jogo cm Junho do mesmo anno. To- 
mou então a Camará conta do Governo. 

46; Mttfl ANTÓNIO BA CUNHA -B'SÇA go- 
vernou desde 84 de' Junho de 1752 ate' 3 
do. Abril de 1757/ Foi no seu governo que 
em Maio de 1754, por occazião de fazer 
na Cidade da Ribeira Grande a sua entra- 
da: solem he o Bispo D." Fr. PéilroJaciutho 
Valente 5 quando -se deo a salva na batle- 



'> I 



•— > *tf 1 -^ 

fia doPreeidio, "cãhio utria búchà no ces- 
tode gavia da galera etiTqtie tiftha vindo 
este Bispa. Côlnecjandò a aTder foi a ti ando 
o fogo, de modo que pára salvar a fcidade do 
. em minenle perigo, que lhe havia dècautar a 
quantidade de pólvora que ba via a bordo, 
picaram as amarras ao navio, e a*sim como 
o dia era tb& tempestade, o vento fez de la- 
taredas vellas e felizmente conduzio-o ao 
mar, aonde st? sertfio a explosão dapolvo* 
ra , porem sem prejuízo da Cidade* 

47. MANOEL ANTÓNIO BX ftOUSA E MSVI- 

zss succedeo áquelle Gpvernnòlor e esteve 
• aiííete 6 ; deOotubro de ff-Bi: " 



48. MARCTXtriVFO JPttEIRA D^AVIIA torfiou 

posse ali de Outubro, de 1761 e morreo 
passados vinle e ífcs dias, ficando aCama- 
Tacom o Governo, : e Governador das ; ar- 
amas o Coronel António de Barros Bézer- 
ra. • ' •' * •■'■ 

' Foi tfeste tempo* que o Ouvidor João 
Vieira d* Andrade porsews actos arbitrários, 
injustiças e ameaços, creou e incitou o ódio 
* dos habita fites* a ponto que projectaram as- 
sassina-la. Terrível fói porém o castigo, que 
passou a ?er vingança. O Marquez de Pom- 
bal ~que se tinha famUiàrifcadó eofn a jusli- 
ça da pena última, enviou logo allí duas 
• - fregatás è mandou .processar os réos. 



i 

Foífeiri- declarados cúmplices e cabeças* 
s de motim, o Governador das armas, homem 
muito de beta e honrado? um Capitão de" 
Cavai leria; João Coelbo^. Motitèiro e outro 
Capitão; Manoel José. Todos t^es forarri eaf 
. , patibolo, só pelo depointentò d*alguns neV 
gro$. Valha a verdade, mas todos rTaquel • 
lè tempo os- julgaram mnoceôtes* Muitos' 
cónegos , oíficraes e e rir pregados foram de- 
f gradados, e corjrdemriados ás gales, prisões, 4ty 
A sentença destes reos corre imprensa se- 
gundo nos disser 1 o Sr. ConfcelhelroSá; mas 
liada vimos- 

» 

49 BARTHOlOMBlT DS SOUZA t BRITO TI- 

ÓÚ tomou posse a SI de Fevereiro de 1764, 
e por desavenças com o Ouvidor João Go-' 
nrez- Ferreira foi pendido- a rKes do tempo. — 

50. ». JOlO ÕAGOIÉ* tíBHÀIÇUXS ÀATAVA 

- succedeo-Ihe;- chegou a Cabo-Verde a 25 
de Dezembro de 1766, e falleceo a 4 de 
Maio do annò seguinte. Governou pois ai 
Camará, mas como pâosoube manter asudr* 
antboridade a respeito dos Coronéis/que com- 
mandaram a tropa, — ordenou a Rainha D.- 
Maria í/ por Alv, de 12 de Dezembro de 
1770, que por morte da Governador pas-»- 
sasse o Governo acr Bispo,, e na* sua falta. 
a uma Junta doDeano * Ouvidor eum mi* 
li Ur da maior patente: ena falta destes 



— 2fi3 ^ 

t 

que fizerem as suas vetes, «que nunca mata 
governasse a^ Camará* 

61. JOAÇVZ1Í BAlOSMt MBAL^Atta LOBO 

chegon á ilha a 8 de Dezembro de 1769, 
tomou posse a 13,— *»e* falleceo a 3 de Ju- 
lho de. 1776, chorado de todos, bom go- 
vernador como foi, e amigo dos frevos a quem 
muito soccorreo por occasião das fomes. 
Era o primeiro governador que foi viver 
para a Vi Ha dar Praia, deixando a insalu- 
lifera Cidade: o que depois imitaram todos 
tis seus saccessores.- 

Por avizo dir 11 de Julho de 1774 se Hie 
fez recommendaçôcs de promover acuUura 
do anil e aperfeiçoar a sua manipulação, 
como já o disbemos anteriormente. 

Jaz sepultado no adro da Igreja da Vil- 
Ta da Praia, Este Cíoverfiador instituio na 
Villa da Praia na igreja Matriz, a Confraria 
do Santíssimo Sacramento, sendo a sua erec- 
ção cofrfirmada por uma provisão do Bispo da 
Província o Fr. Pedro Jacintho Valente. 

Os estatutos, bem como e a erecção e o 
resumo histórico desta confraria são impres- 
sos no Jornal de Coimbra. -P. 8.* — «-N.* 

77. — p.-m. 

Por sua morte governou uma Junta com- 
porta do Presidente do Cabido, do Ouvi- 
dor e do Coronel mais velho ale que che- 
gou o sen suecessor. 



frg,., JkMTQMXO J>B VAIA* PS «LOURA J«»fe> 

Z£8 filho do Goxernador Manoel António 
de Souza e Menezes. 

A* respeito deste Governador bem como e' 
seus suc&essores existem „ aos cartórios das 
ilhas os mais seguros documentos. Na falta 7 
desies, que aguardamos, publicaremos por 
eni quando abi qnasi unicamente os seus' 
. nomes, sendo facir a algum futuro visitador 
das ilhas o iadagaF o resto. 



* . 



53. DUARTE DE MEXX.O DA SILTA CASTRO" 

DS ALMEIDA chegou. & ilha de Sautiago' 
a 16 de Fevereiso de. 1,781;» tomou posse 
4p Governo a 19, . e morreo no dia J9 de 
Março do anno seguinte, • 

54. D. F. FRAVOJSCO DES. SIMÃO, Bispo 

t 

da Província, seguio^llie., sendo nomeado- 
Governador interino por Carta Regia de 16 
♦ de Novembo ,de 1782. 
. . Este Governador rei&ettco a Lisboa a 

" s 

primeira amostra de &ne y producção d'a- 
quellas ilhas; que foi entregue á Junta do> 
Proto-Medieato f a qual. o achou de ex- 
cel lente qualidade e marco u-lbe o valor de 
. . 300 ,rs. o arrátel. 

N'aquel!e mesmo tempo enviou em 1783 

•o zeloso Martinho de Mello e Castro, para 

o Archip'jlago a João da Silva Feijó, pa- 



285 

ra com ordenado de 400^ rs. por anuo, se 
empregar em descrever tudo que houver n'es* 
sas ilhas relativo a historia natural. 

Existem alguns trabalhos deste Natura* 
lista, como abaixo havemos de mencionar 
no sitio conveniente;— 1 

bt. ÀNtfOOTO VULOÈLADÒ *ft TAÉL1Â 2 MÀUL 

foi nomeado por Decreto de 33 de Agosto 
dè 17841, é conservou se até 1789. No seu 
tempo foi renovada pelo Álv. de 14 de 
Abril de 1785, aprobibição aos Governado- 
res , Ouvidpres é mais pessoas de cotnmer- 
èiarem tanto com os estrangeiros como ena- 
ckmaes , de todp e qualquer modo* 

66. PB.AJW CISCO 4TOs£ ttlXXtBLA CA**SXÍiO 

nomeado por Decreto de 2 de Abril de 1785*. 
No seu tempo por Decreto de 18 de Janei- 
ro de 1790 foram augmerttados os ordona- 
dosdos Governadores do Ultramar* Foi ren- 
dido por 

57. *Off£ J>A ftiraa, MACHAM us EÇA no- 
meado por Decreto de 87 de Setembro de 
179a. Durante o seu Governo sahiram ai- 
guns Decretos salutares relativamente ao 
comoiereio agriculo das colónias. Assim o 
AIv. de 30 de Abril de 1794 izentou a ce- 
ra de Cacheo e Bissao dos direitos de en- 
trada e sabida: como já o tinha sidoocaf- 



fé das conquistas Portuguezar por Decreto 
de %é de Julho de 1743 e\4 de Maio de 
1761. — ' Então bavia menos associações . 
e pomposas appareacias : mas dilígenciava-se 
da prosperidade do paiz. Foi no seu Governo 
que se semeou e cultivou primeira vez o ai* 
godâo n 'estas ilhas, segundo a memoria do 
Doutor José Feliciano de Castilho, Foi 
substituído este Governador poí 

â8r MARCElAnía ANXO&JXO &A0TO a ; 3 de 
Agosto de 1796. Este Governador foi um 
dos melhores administradores que tem ha-' 
vido ná Provincki.' Conservava somente ses- 
senta soldados no avchi pélago, resumindo o 
mais possível todas asdespezas • e j&so com 
tanta integridade, que jnorrendo deixou no 
cofre Diais de víu/te mil cruzados , e tudo 
pago em dia. Fez a batteria da Praia nc«* 
gra, da qual porénv já nem signaes existem* 
Para occorrerr ás d i> pez ai e augmentar 09 
rendimentos do' tínsouro irapôz um tributo* 
de 300 r*. por alqueire de rniiiio q.ie se ex-* 
portasse d'utrai illía paca outra: qual im- 
posta ainda subsiste* 

No seu tempo o AN. cie §0 Janeiro der 
1798 estabcleceo e regulou os Correios Ma rf 
ritimos ou Paquetes do Ultramar, mandão* 
do sahir dons ehi cada dous mezes. 

O Alv. de 18 de Maio 17<)8. § 2. con-* 
sente fuzer pescarias seden la* ias de baleai 



— 287— 

êm Cabo Verde a qualquer negociante,, * 
estabelecer armazéns pnra este fim; 
(Xavizo Régio de 9 Janeiro de 17$7 da« 
• tado de Queluz mandou também a este Go- 
vernador remetter ao Real Jardim Botani- 
co os productos naturaes da Província, bem 
como e utensílios ou artefactos dos gen- 
tios de Guinéu 
** > 

8$. » . ANTÓNIO COJrtlKÚÚ ÒÚ ISNCAftTRE, 

Moço Fidalgo da Caza Real, Tenente Co- 
ronel de Milícias foi nomeado por Decre- 
to de IS de Maio de 1803. A 26 de Mar- 
. ' ço de 1808 recebeo o titulo de Governador 
e Capitão General. Governou, esta Provin- 
da até 1818 i deixando algumas obras e 
Recordações da sua integridade, e rigorosa 
mas. justiceira administração. O estado da 
guerra geral quéabrázavan'aquelle tempo a 
Kruropa, abrigou.tarabemáaugn^ento defor- 
mas n'aquelle ponttf, ç houve alíí 400 baio- 
netas é . Não podendo ?% escassos rendi- 
mentos cobrir semelhante despeza , hn- 
. pôz elle um tributo aos habitantes para o 
pagamento dos soldados , ficando por isso 
izemptos do serviço das miiicjas. Exigindo 
o Ouvidor, o pagamento d'aquélla CôntrU 
buição, com toda espécie de vexames, ti* 
rando-lhes ate as papcHas : levantou-se na 
, Capital um susurro , que da% imprevistas 

providencias ^passou a ser levantamento foç« 

1.» * 



32ff 

mah Uma imroensidade deâte9 habitantes* 
da ilha de Santiago veio então sobre a Vil-- 
la da Praia, donde* rechaçados com alguns 
tiros de peças que lhes mandou o Governa^ 
dor fazer do presidio, foram á Cidade da 
Ribeira Grande implorar a protecção do* 
Coaegos. O Governador enviou" por mar 
ao Patrâo-a>or com soldados para destro- 
çar o ajuntamento ; mas estes a ordem* 
de fazer fogo* vendo seus pais , irmãos e fi- 
lhos, fizeram, pontarias altas, com o que 
* animados os revoltosos, irão» tendo arma*, 
com pedradas metteram a tropa a bordo- 
da lancha, ferindo ao Patrãownor. MaT~ 
chou no dia seguinte mais tropa e tudo fi- 
cou acalmado. As três pessoas que* vinham* 
& te^a da g.etue forarn remei tidas preza» 
aro-Rro cteJormíro como' cabeças du motim.» 
Foi também pronunciada n*aquéi4a occa- 
sião e coftcternoada a> deportaçaa para a 
ilha do Maio, uma mulher de cor, natural 
de Santiago, chamada Maria José, e que 
parece nos ainda vive. Valiosos eram os 
serviços que prestava aos navios estrangei- 
ros que demandavam o porto da villa da 
Praia» Paliando- bem Inglez, Francez e Ho- 
landezy quazi quer' Hiesr servia de Cônsul » 
teve a honra de ser transportada para * 
ilha do Maio n r uxrj9 fregata de guerra In- 
gleza. 



a» 

. D. António era muito amigo de festas 
e reuniões , coasideraiado-as como óptimo 
meto para 'civiliaàr e animar aqueltes po- 
vos; mas ápar d'is»ofoi muitíssimo respei- 
tado mesmo dos estrangeiros, que as ve- 
zes levava por mal, não querendo por bem 
ouvir a Taz&o* 

Consiruio no perto da Villa da Praia as 
foatterias, —dollhco, Ponta da Temero» 
*a, Mulher branca , e a do Fitcondc. Fei 
também dons caminhos de 4 braças de lar- 
go em que transitava num carrinho, da 
Villa da Praia até a Cidade , e outro até 
ao Montagarro, hoje propriedade do Sr. 
M. A. Martins, donde este actual possui- 
dor encanou a agua até a Viria -da Praia. 
E* de lastimar que mesmo estes dous úni- 
cos caminhos deixassem os- seus suecessoret 
abandonar a ponto que hoje são quasi in- 
transitáveis : ainda que os restos indi- 
cam que o seu director o Tenente" Enge- 
nheiro Jerónimo Martins Salgado a tenha 
feito muito boa, esem dispêndio da Fazen- 
da Nacional. 

Este Governador renovou também em 
1815 a confraria do Santíssimo Sacramen- 
to, da qual já falíamos anteriormente, e 
que tinha acabado de todo durante o Gover- 
no de António Machado de Faria e Maia. 

60. AWOKIO OTSSICB natural de Raguza , 



,«.230 — 

Capitão de Mar e Guerra, foi -npmeaJp 
/Governador desta Provinda por Decreto de 
16 de Fevereiro de 1818. A ates d' isso eja 
Intendente da Marinha, residindo entàoem 
S. Nicoláo. No Rio de Janeiro soube perstuu 
dirão Governo que das pedra* havia de fazer 
dinheiro em Cabo- f*erde 9 [efez-Q. para sejof» 
ferecciído-se ate a servir com menos ordena* 
do. Não foi dos mais gelosos Governadores 
pela Fazenda Nacional, como se pode coU 
ligir entre outras , da coza d'álfandega que 
eonstruio em 8. Nicoláo. O Governo remet* 
teo de Lisboa para esta obra cal, madeira 
e telha* ealém pagou do saldo mais de 26$ 
atirados. Também no seu tempo deixou o 
.Arsenal de Marinha de Lisboa de se forne-» 
ger allí de carnes salgadas de porco e vacca, 
pela caro e mal feitas que eram,* Instituto 
as milícias em todas, as ilhas, nomeando 
Ofliciaes effecAivos, addidos, «ggregados e 
siipra-aggregados , pagando todos as suas; 
patentes ? que de yéz era quando cassavQ 
e substituía por outras. Os Capit-acs pagavan^ 
12^ rs ? os subalternos ($$ lúu i coseu nu* 
mero creseoe a ponto que cm dez Compa* 
nuias de Milicias ha vi* 164? ofliicíaes, 

Influio este Governador para que se 

fisesse em S. Nicoláo uni forte no por-. 

to da Preguiça ,.a qual obra efieituou reaU 

mente com muito aceio João Antónia 

JJias ? pui do digno 6r, 'Xeojihilo*' Josí 



—«31 — 
Dias, Deputado eleito pela Província.—. 

6U JOÃO DA watta CHAFVZZT Coronel 
jaddido ao Corpo d' Engenheiros foi nomea* 
do em 1822. Com saudosas recordações re~ 
pelem a ioda hoje os habitantes o nome des- 
jte Governador, desejando unanimam ente 
que ainda tornasse a ser nomeado. Sensíveis 
melhoramentos fez na .Vilia da Praia, que 
totalmente desde o seu tempo mudou de as» 
pecto. Fez calçar as ruas que já estavam 
xdiahadas no tempo de D. António, e in- 
fluio com conselhos , rogos e persuasões pa- 
ra .que se substituíssem velhos pardieiros e 
barracões por cazas mais agradáveis. Aos 
ppbres ajudava para cobrirem as suas cazU à 
chás com telha e caiarem as paredes. Prin* 
cipiou tagnbejn um cães na praia da Pedra 
negra ? e um quartel para tropa , jmas am* x 
ba$ estas- obras não ficaram concluídas, ain* 
da qu« importassem muito caro. O pas* 
seio feito no tempo de D^ Axitonio no 
. largo da Villa. da Praia , estava abando-* 
jaado , — elle traosferío^o para o aprazível 
Valle da Fonte- An*M*) qu;e muito embelle» 
«ou Com utilidade publica; o poço que allí ha*- 
▼ia. único do serventia dos habitantes da 
vjfa e das aguadas dos navios, v era descoberto 
erm mundo, — mandou a revestir de novo, 
cobrir , e por uns baldes e correntes de fer» 
re, cou^aqueaté então não havia: de modo 



83* 

que com ar rores e assemos em. roda, é hoje 
u qa lindo e folgado passeio para os habitan- 
tes 

Mafs outro utilíssimo aeto deste Gover«r 
Dador foi a limpeza das. salinas da ilha de 
51 aio. 0>nstFMÍo acaza do Governo e quar- 
tel na Boa-visía, e rjiujta* mais obrai de 
utjlidade publica. 

£ com tudo apesar de que a despcza fos? 
se muito grande, foi o /único Governador 
talvez que tanto $e app) içasse ás obra* de 
utilidade publica: e chegavam os rendimen- 
tos : ainda que houve rf aquglle tempo um 
batalhão de Jinha do exercito de Portugal 
. que accompanhou ^ este Governador. Ti- 
fcha se pote espalhado ,e acreditado em Por* 
tugal qtre a iaterior da ilha de Santiago 
estava em revolta, desconhecendo ai autho? 
tidades: nomeava-se até um Manoel lio* 
berto da Silva proprietário no JUbtxrão do 
Cal} chefe dos imaginários Insurgentes. — 

62. CABTAJf O P&OOOMO ÔOBIJTHO BE TAftr 

CO^GSllOft Capitão de Mar e Guerra se- 
guio-se era 7 de Setembro de 1836. Nada 
fez nem de bem flem de maá , passando 
*çu tempo a tornear. Mas Honrado e pro? 
bo tamherrj não consentia roubos. A accusar 
Çilo que se lhe fez de ter elle proclamado 
ena 1838 o Governo de fecto que então ha- 
vljt em Portugal, é injusta; pois a accla- 



«33 

«nação foi frita na ifha deMífiõ por um tal 
Verçolino, no que ellc forçosamente i»uo 
pode deixar de aonuir. 

rf>3, ?>. MJAB.TS DE KESQtTITSUA Capitão 
/da Bridada da Marinha foi nomeado du- 
f^ijte a época da usurpação, pir Decreto 
.de ò de Junho de Irt.íO. Ta m Itera injusta- 
•*r>cute foí taxado ç pois' todos os degreda- 
dos políticos que iam para Bi as á o, Cacheo 
.ou mesmo Angola , com uma simples par- 
te de doença, deixavn os ficar nas ilhas, 
• consentindo ate «acolherem as mais» sadias 

* 

i -no tempo das a^nas. K se ào fim , qnen. 

rfo príncípiòi*\a luita errtre o exercito da 
iKai-nha e <* f&tetli&es do ijsurpatior,' mo*. 
Irou alguma tie&con&âAiça e fez certas per- 
seguições $ *acabe a culpa sobre as denon* 
liac contiauadas e malfadada dissensão dos 
partidos. Único erro, se não crime que se 
lhe possa imputar , foi que na occasião da 
fome, morrendo trinta mil habitantes, não 
lançou «não daurzeUa para salvar tantas vi* 
. das, mas a remetiia a Lisboa, dizendo que-^o 
Governo não tinha obrigação ãe sustenjtar o 
5>ovo •.— 

64*. B.josé COVTIVH9 BX XtÚMAST» Co- 
ronel dos Realistas de Lamego filho do pas" 
sado Governador )). António Coutinho de 
Lencastre ? foi Aoj#iado G.os&nf4QT djuran* 



— «34 — 

te. o tempo da<usurpação 9 roas nunca chegou 
a lá ir. 

No mez de SeUrnbro de 183,3 foi accla- 
mada allí a Carta, e instaliado» o Govçrno 
legitimo. D. Duarte reriíou-se paira jGam. 
Uia e tomou posse do Governo uma Junta 
de ires membros. 

6&> MAKOSZi ATÍT33IIO MARTINS negocian- 
te- alií estabelecido , foi nomeado' Prefeito 
ppr Carta Regia de 17 .de Dezembro dt 
1833, Saliente* no seu tempo sâo, — r at 
ordem de arrancar as vinhas, e a revolta 
4o. Batalhão 'provisório que assassinou ao* 
officiaes e proclamou D. ■ Miguei roubando 
as cazas. Houve qiesmo quem a este Prefei* 
lo julgasse conniveate $*aqueUe$ funestos 
acontecimentos, 

66. JOAfcUIJI PEREIRA MARINHO Coronel 

d* Artilheira foi nomeado, por Decreto de 4 
de. Junho de l&fó». Principiou • o seu Go- 
Terno com muito zelo e actividade, mas 
quasi tudo lhe foi estorvado por intrigas, 
surdas, Fez um caminho seguro nos preci- 
pícios que ameaçavam no trilho que con- 
duz em .S. Antão da Ponta do Sol ate ao 
; Paul. Projectou uma Còrnpafthià Cornmer- 
cial e Industiial para a e& tracção d* azei te 
de .purga, persuadido como era, que esta 
era a única e verdadeira fonte de riqueza* 



pararia Proviocia, Abjectas intrigas ob». 
taram, a que' se levasse a eflfeito a empre- 
ga» Foi rendido peio Decreto de 14 de Ju» 
nljo de 1336' por 

67,.. BQMINOOS «mUiSA AROUCA Coronel Jo 
tjllruinar. Pouco tem pp durou , e isso uin» 
■da entre desordens ; algumas ilhas couscr* 
v'a«aiB-«í obedientes ao Governo , e outras 
tendo ficado o e* Governador Marinho no 
Archipeiago a espera d\i ma embarcação 
para regressar ao~ Reino, decl araram -se por 

As de^ ordens, (que- agora ae costuma cha* 
inar movimentos políticos) que havia n'a* 
i|uellâ tempo em Portugal, súccediam tam- 
bém alternativamente allí. Veio ate' de 
Gofiíe juma esquadrilha Fianceza para pro» 
teger este Governador , sefldo requisitada 
pelo Sr. Martins. Mas basta, não referi» 
mos mais acontecimento algum , para não 
entrar no campo politico. . . , 

g3. JOAQUIM VElUgXRA MARINPO promovi» 

do a Brigadeiro tornou pela 2.* vez a tomar 
posse do Governo, em virtude d'uma Carta 
íiegia de 1 3 de Janeiro da 1837. No tempo da 
sua demissão teveoccasião de visitar oGui« 
né, Allí junto .a Bissáo fez do gentio a 
acqu isiçâo, do ilheo do Reino, como já odis* 
.§emo$.no Vol f 1, Activou muito a supre»» 



c 



236 

são do trafico daescravatura,capturaqdo mui* 
tas embarcações de negreiros. Foi elle ob- 
jecto de largas polemicas per iodiqueiras, 
accuzadòpor vezes, mas ninguém poderá ser 
tào infame que -ouse caluainia-lo de dilapida* 
dor da fazenda nacional. Mais honrado que 
elle ninguém. 

Foi demettido deite Governo por decre- 
to de £ de Abril de 1839 e transferido para 
o de Moçambique. — 



€9. JOÃO ÍDB FONTEA VIBIIRA DE MSUO 

Capitão de Mar e Guerra, sendo Inspector 
do Arsenal da Marinha foi nomeado Go- 
vernador por Decreto de 2 de Abril dé 1339, 
e demettido pelo de 5 de Abril de 1842. 

70. FHAlf CISCO T>X PAVIA BAftTOà Coronel 

do Batalhão d'lnfanteria n.° 7 foi nomea- 

» 

do Governador no posto de Brigadeiro pelo 
Decreto de 5 de Abril de 1842. 



03? 

Nào é de pouca monta a attt»rtçuu que devera 
conservar o Governo na escolha, dos Governadores 
dai Possessões. Ultramarinas : além dos merecimen- 
tos, estws capacidades ou ba br t ilações, olhando ainda 
para a sua posição social e grão que n*ellaoccupam. 

Apezar da reforma è mudança 6ub\ta que houve* 
cm 18&0 em Portugal , quando' foi proclamada a 
soberania popular e invadido» por cila os degráos 
do vetusto Tbrono dos Reis, — com muitíssima 
prudência se tomou a esse respeito a deliberação* 
que era da classe dos Aflarecuaes de Campo e Te- 
nente* Generaes que deviam ser escolhidos o» Go- 
vernadores da* Possessões Ultramarina*, Ate 4834 
quasi sem excepção rigorosamente se tem isso obser- 
vado, assim como o era anteriormente. Foi desde a 
ultima tfpoea das reformas politicas no pahs que se 
mandaram indistincta mente para todas as colo* 
nias, Coronéis e até mes mo graduações inferio- 
res- 



Ern parlzes como o Reiiio d 1 Angola, e os Justados 
da Índia, sempre antigamente estavam grandes per- 
sotiage/is do Reino, elevados por nascimento, sa- 
ber é valia, e revestidos Com o alto caracter de 
representar allí a pessoa d # EIreh E é d'entâo que 
fce conservam os restos do profundo respeito que 
■era tão devido aos antecessores dos actuaes Gover- 
nadares. Os povos vêem n'eHes os representantes* 
da porôa de Portugal ; e" portanto conveniente senão 
forçoso j e pelo menos politico de representaria dfc 
gnamente, e não por pessoas d'ambigua condvicta; 



— 233 — 

Nestes últimos annm foi ate • um ex*G jarda mari- 
nha Governador d'umá.das Possessões 1 

No principio dx existência, da Colónia havia poif 
como .dissemos Capitães- Mores ; os Governadores 
succcssivos receberam em breve o> titulo- de- Ca- 
piués-Oieneracs , âò q\isA porém rros princípios do 
18.* Século tinham sido privados , e que reassumi-' 
ram por Decreto de &6 de Março de 1838, ben»~ 
como--. & carta do Concelho^ honra nos tempos an« 
tígos sempre annexá a este cargos 

Agoraestá. abolido o titulo de Capifcfro- General ,- 

e substituído? pelo de Governador civil«> militar*, que 

ícone ambas esfasaltribuiçoes > más sem intervcn* 

çâo alguma nos negócios judiciacs. O Capitão Ge^ 

neral tinha muito mais. amplos poderes: assim no* 

meava osCapilaes-Móres ou Governadores parlfcu* 

lares de cada uma das ilhas 5 bénv como os feitores- 

ou administradores da urzella. Era o presidente da 

Junta da Fazenda e principal arrecadador das retw 
das do estado : nomeava todos os offieiae* milícia* 

nos e os de linha ate ao posto de capitão inclusi* 
vè, e. decidia lambem cm cazos judiciaes. civis e cri 
minosos, posto que esta repartição dependesse d*o\jL 
tra, personagem de magistratura, 
. Actualmente o Governador civil c militar reside 
em geral na vi lia da Praia da ilha de Santiago, 
donde fugindo o seu pestifeFo. clima, no tempo da* 
aguas passa a -residir durante a estação iuveraosa 
cro qualquer outra ilha*; oqtu* fazem ino vi dos natu- 
ralmente pcloniesmo inuiacto de conservação pro- 



* 
w 



— «39 — 

prra, também todos os mais empregados, «p«. 
lhando-se- pelo archípelago- para escapar á morle 
quasi inevitável em Santiago rTaqtielles mezesj pratica 
desculpável i verdade, mas muito- prejudicial ao servi- 
ço. Qnando mandará algumM inistro de Matinha pôY 
em execução ò decreto tio desejado, que transfe- 
re a capital para S. Vicente í 

Melhor pois seria de certo não se decretar me f - 
dida alguma, de que dar o Governo semelhante 
exemplo dVoedierjcia e observa rícia dos Régios- 
Decretos* '. v 

O GovernadoT da Província tem agÓTa 3:000$00O 
fs. de ordenado afinual, tendo-lhe sido tirados peia 
dictadura de Setembro 6GQ$. A sua fiulhoridade é 
quasi nulla legalmente, tendo *i cada passo n'um 
paiz aonde tudo resta a criar, tropeços que lhe em- 
baraçnm as melhores intenções, e qualquer deter- 
minação por mais salutar, fazem encarar como il- 
Jegal. Finalmente ea siia aiithoridttde tanta quanta 
pode ser n'um paiz sem civilisaçâo, e aonde por 
kei iia jurados y Juizes eleitos* e urna eleitqral eirí 
toda. a latitude* E' Presidente da Junta da Fazen- 
da , em cujas determinações tem só um voto, 
bem como y e nos Conselhos do Governo, que e'au- 
thorizado a chamar toda a vtfz que ojiilgar conve- 
niente, equ<> sao compostos do Bispo, Juiz de Di- 
reito, Recebedor Geral eCommadante dá força ar- 
mada-. **— * ' 

Decídio o Corpo Legislativo de Portugal qué as 
colon-ias fossem governadas e administradas do mes- 
mo modo que se segue rra'metropoli. Não houve 



realmente .terminante deliberação a este r ti i peito' t 

mu» pfeior ainda, esta é a pratica. O observado,»" 

repara quawto is^o é contra -produéeirte ao estado phi«* 

siço e mora) tanto desta conáo e. fcoda? as ajais xo" 

looias^, quanto e impòlifeieav — - alyvio' è querer 

proyar wna vercKide q,ae .ninguém 4 - de boa fe' du-» 

vida.. Baita trazer & lembrança, que a lngla* 

y terra,- França* e Hollaadu q*ue ièfeui às imiis flbre- 

centes colónias, tiveram cuidada dé. as* não goa 

lemar* cof»as leh da metrc^poli.' 

E matéria mui delicada o t':r f j-is4:tr para o « povos j 

tantas çi fcums lanei as "dtfVe atfonder o cauto « 

sábio legislador , já* em qãantoaa clima-e religião y 

ja os inveterados usos 1 e "costumes , "quj quasi' tèenr 

adquirido a authoridade de leis.- 

J\ historia dos povos 1103 demostea a ia fluência- 

dos acontecimentos sobr-ea&uà sorte; eq«ae a maior 
desgraça qur* possa acontecer moral meu te a um po- 
vo , __e mudar rapidamente de leis, costumes, ef 
da forma de governa, ainda que a novaardem dasv 
cotizas lhe roube a ingerência na administração pu-' 
blica, e da estado independente o torne servo:- 
como também se em logar da d o mes ti cidade recebe 
amplíssima liberdade, sem que primeisamento 90^ 
nheça e intenda os direitos e deveres que esta uitv~ 
ma lhe impõe. 

Será acazo o A rebi pélago* Cato* Vettftano ou o 
presídios de Guiné no caso de ressentir e apreciar 
os benefícios da liberdade outorgada? - — estam 0$ 
seus habitantes na respectiva altufa, tanto em quan-, 
•** a moral como e educarão ? — Hesitamos na i*~$- 



—«41-. 

J»»ta, pote franca * sincera é uma reniade< ainargt, 

> Os toabif antes do Atchipeiag» tâo composlor da 

princípios heterogéneo» , cTuhhi fusão ide ctiveraaa 

raças, lmpossitel. sfrrra procurar nas ianumeravefe 

trítnjs do 1 comhie&te Africano^ quaet forneceram o* 

primeiros habitantes ; foram muRat, vindo- «escra* 

tarja que originariamente povoou as ilhas j > indis» 

tt&ctámenté de «toda esta eosft* de Guiné fronteira 

ao archipelago; . - : 

Chiearam-se* e tornaram a enlaçar esta» raça è «om 

os branco* caeus pardos descendentes, ficando boa 

parte ^odavia ainda com á côr preta primitiva. De 

maueíra que para o actual objecto qtw encararoòs , 

basta dtvidir-nios a população das ilhas entrr èlbo* 

da terra, os de Portugal j e esciavos, • • * 

Entre os primeiros, sejam brancos, (estes e*n mui 

pequeno numero),* pardos, ou pretos, raríssimas 

«ão as excepções dos que tenham alguma; inetrucçào ; 

mas esta é a maia digna porção, occupam-se cóm 

a cuj tura das terra* , pouco? com o negocio ; e ain* 

da qué se note uma eapeere de indolência e incúria 

do bem, estar f «sta parte da população é digna 9 ; 

proba, corn as virfudf&.patrtarchaea dos primeiros' 

século». Atpii também haremos de cctfit&r algu&9 de*- 

cen^kntes dfe familias v de Pòrtu^aí. . "! 

Vejamos agora ^ quem sao 09 otfltos Portugú*ae* 

lá-estabeiecrdos ovt moradores* s e <}U8 querem de*-> 

prezar; e tratar de reíto ©s filhos dó paíz. Com- 

mui peupxetms excepções honrosas , são degredados^ 

ou- maffeUores^, Udrôes , assassinos , mais perigoso» 

atada *jqe as primeiros , por nâo serei» «terçado* 



« 

com fertafe <fo coligo 4a jattíça/ Sen* nomitif 
rfnguetn t #fte«wfc «**£ ufn tówto» na Projiicia, 
chegando- bHÉ com tftíja eatb*r**ç&> toatada e jár 
febaiaa deacwuròç^o détessawiatoí livwsmeiHe coay 
ttntiò* m, eaetta* a «ia vkjé, ewtoaUtoado^ c&àra» 
wiêdadai d* jâff alaria* f fofraeiras, ddapidaçâet 
c rowboa da Fa»tada Nacional* ê *>«i<W<? W* dor 
mais iiiffi*&ies> e con*e»pi*do tpeto «te*ar*>0 de' 
PortogaF,.— r • < * . 

GoVfeftmdc* e çoh* aaaksga vid* j**»*a t*»a fort«- 

* * « * 

*a, a**ni a sçe kiítoriítttei ~* 
% tha «artijp o»* p*a*w?fcnte à ,- ècnrtjkr dVn* na' 
%fo qoeattí oairftíag*> prfaçifrf* >ti?á«a& Ittvetnay 
e graça* a pia^oios logan** da Jfatendaé p^e^àcr 
tftro Gíovíeiaaífor^f ema acr itfgOeían*ceipfl«eate. — 
Mas basta *« *>»fè»ies e*>#» e^Tg**adiKr, . v* ■ _ 
. Y<íjau*a* aijwítt <$une* *â^ tu èta pregado* • iaiHp* 
çtai*«OH»ô roiiKa*e* <$u^ p^ Já se ¥ eovfe^ «•". 

colha alfaia, Frir*wp^niií«te eatria oa^imòá sertv 
doar sua* nawe&sí» lactai** a fò*a dk pr<Qpocgào y 
kactuaintfcate ba «ttt tègund® foi»os iwfcw íàadfc»»» 
ciococunrta ofl&ciae* f ! .^e eoaiiaúarti-ié wida a en^ 
viai oiai*? apcaat Ar.<fue fior ma Dfeçreia; da f$37 
se suspendeu* os (fesgacUoU .de aKfetefr ptfratO <4*ra* 
n*a* ^ «&*» fcáteado preci^àa »eiil t que aaciixo o 
Governador d<* Província. ^ eiieoftlram^&éiadividboa 
•.« • • 4 aia alienes aates de despíxAado para esta 
província , tinha ^ crime de desjefção ag$ra»A<fci * 
uai .lá owsnao* rouba tto^nfrute uma loja eom istfrac* 
<jào* v Pwem imMa t c Jiavetá alguém que $u*r 



• —843-. 

fcnjc <j«e um pais com semelhantes elementos po« 
âesqr governado constitucional tneftte .e taes iodivi» 
ffuos hàô de ser ttactados como cidadoes honra» 
rfoi, e serem elegíveis oh .eleitores dos Deputados 
tmj raenrbros das Camadas Municipaesl? 
' • - 

£' (T alguma manteira ate cetto ponto politico 6 
povoar as colónias coinareM d»naç$oecottvestran* 
geirosf deste fflfodo não se díminut a população do 
feino, Éias só íeys severas, leysde Draco, junto 
éom uma justa adrfiiufelraçôoí uma aubtíttencia fa« 
cil e útil traballío, podem dar a estes homens prós* 
Ôtftcs' da Eufopsíbeni costumes, que nunca tiveram 
antes* • 

Sâo elles o% çorístdfltès antagonistas do Gover- 
no è estorvam as suas melhores disposições - 
éom os vícios/ nenhuma dás virtudes trouxeram da 
éoéiêdade do nosso bemisphèrio Europeo, mas sem* 
pre téem uma certa influencia e superioridade mo* 
isxi «oespiritôr dos hatufaes , que ainda 'via suaprl* 
iniiiva simplicidade consideram o brauco por um 
étfte sruperiòr a elles^ ií sâo esies que absorvidos em 
Continua Irmfevfccèrrcia , foffréntam cantrnúas intri- 
gas, petturhíitfi ér sociedade , lançam a dissençâo, 
desunem os atnigos e /afilias, criam ódio* e vin- 
ganças y e espalhara a desordem e confusão na Pro« 

T?ineiâ> Estes sâo os maiores inimigos da paz, ci- 

» • * 

irilisaeSo e progresso naf agricultura e industria, que 

poderiam trazer um betn-estar flórecente para á 

Província: — egoístas por condição, de nada 

ih es importa o bem coimnum. 

16 t 



. • Estes homo»* $etvís-do« Governador prèseftte* ôpçy 
«nas têen* noticia da sua breve demissão, coutpea-* 
*&m as suas baixeaas anteriores coin outras de lou- 
vores envenenados e applausos malignos. Mal chega, 
o novo Governador , o seu antecessor ainda presea- 
te na Província $ é alvo da maledicência com 
a qual os aduladores cobreemos pe's de-novo^aUar. 
£ sexá por acaso êsfca gente que passa e deva- reprè- 
tentar na Metrópole no Congresso legislativo obs- 
tado da Ptoviflcia- e expor a* suas 'prccizòes ? . . . 
Raras são ás escepcêes, [comprazer nomeamos aqui 
o honrado Sr. Theo|)hi}e José Piasse. $0* esta cati* 
*a geralmente vem eleitos DepuLados^pelas provia» * 
cias Ultramarinas, homens estranhos totalmente ao 
pai& cujaicausa devem : advogar, engraçadas, aneodo- 
tas podíamos contar s^bre isso M .\. .> 
, Resulta d*ahi que os Dbpwtaçlos. do Ultramar , na~- 
da Influem ao bem dos seus circfulos elciloraes, n^iu 
promovem, a discussão dás suas precisões ,- juntam 
apenas sen vote, segundo ao lado aonde . topuunv 
assento , e fechands-se , as/Gáma*at. da sua presen- 
ça somente se pode eolligiv do& oenfas de mH rei* 
que receberam em prestação e sub&idios* * 

Porém basta, pois ninguém duvida de boa fé 
que oacluat estada e forma ào. G ovei no- nullamen> 
te e apjdrcuvel ê útil uo Ultramar, e esperamos 
qiiè em b»e\e, se adoptará 'um que seja/ exequível 
ç que trazendo fciií domésticidadè sem chlmerrcaa 
jHúsoçs possa próincHcr a real felicidade das nossa* 






Portafito parece-nos que nesta Província se deve 
eomervar a antiga forma do Governo, substituin- 
do por nm novooantignissimo Regimento de. Go- 
vernadores, e Ouvidores eque ainda rege com tan- 
gia anomolia. Pon'ham-se em pleno vigor a* anti* 
ga* previdentíssimas leys, e iião haverá receio de 
despotismos sese escolherem os homens para os Io*' 
gares, e nao locares para homens.- Premêem-se o* 
bons, e castiguem rigorosamente todos os emprega* 
dos deli&quentes , desde o mais ínfimo até ao» Go- 
vernadores, e tudo irá benu 

O Governador Geral 4a -Previncia reside como 
já o dissem©9, «a Viria da Praia i^uma xadalta 
alugada , não estando o «ha nado Palácio -do 
Gover nq habitava , mai \seguro como e por es- 
peques, destelhado e sem sobradas, Na ilha dèSan* 
*iagob& «também um Com mandante militar bemeo* 
mo .tia* outras ilbas, aonde têem otkulo de Govei** 
naderes. Na -Costa de Guiné ha um, e as v<ezes 
doers " Governadores ,' um tio Drstrlctô de Bfcsáo.e 
outro no de Cacheo, ambos em lodo o caso na de* 
pendência do Governador Sèrtil da Província. " 

Emre os últimos que aWí tèem havido , «om pra» 
**r. podemos lembrar «om distincçào ao Major 
Dz iêcas&j ? q«e no seu surto Governo interino «ao* 
certoa c« edifícios da Praça e reparou as muralha*. 
DemoroH-se porém pouco tempo^ já per cauz4 da 
saúde que allí pefdeo, como também por n&o se po- 
ter íprrrar mercador , no -estado actual eòj«a inr- 
iiepen sável em Guiné. Sendo todos os ordenados paf- 
rnsutm géneros, em Jogar de desempenharem os 



- ** i 

seus deveres, são ©brigador os n&esiççs e^p pregado* 
a gastar o tempo em traôèos e alboorques, O Go* 
vernador Marinho alterou esla viciosa pratica e fe* 
com que se .pagassem. osprets, soldos «.ordenados a 
.dinheiro ; aias rsso 4 tão contrario aos interesses das 
indivíduos que tamanhos lucros d*ahí th eram, que 
de novo se continua aqueHe inethodò. dç .pagamea- 
to , em que o estado perde tendo eaiprtfgadoç jauai 
pa^osi 

. B* de iiàlnr com espanto y. qtfe pqr este rriodoiu? 
duz o Governo os seus suUordinados a transgredira 
]*y, pors de tempos ^niigo v i tjwtt st^o prohibido q 
curnmerciar á todàrt as àiitbóf idades e empregado* 
nas pQssessSes vdo ultramar. Data esta prose ripçâq 
amda do tempodos Fitippes, jen> que até p*>r AIvj 
de. 10 Fevereiro de 1619 não podiam luvaj osGcrç 
vernadóres dò ultrajarmos iVlhoftcorbsjgp, #éúi in* 
termettcr-.se na cobrança dou deiurjtos e a^entea, — : 
como consta dffr Regimento de 10 dé Itere inlvro de 
161 à no Cfyp% #4. edfi ^rovisâp. £e.$t 4 e JPeveíe| r 
áe 1730. /.'".■■ •' ^ 

Pella Bitolúçâo tle <& de Novembro de 1709- foí 
permittido negociar aos Gpyer nadorôs do ultramar, 
3rnd* logo depois foi cassada »ta licença* e renova- 
da * probibiçoQ por Ley de 29 desgosto de 1:730, 
.especificando essencial ro^Ue o, com-ruer cio cotn «s 
estrangeiros, perdendo neste caso os seus ben* e fi- 
cando jniia^ei^ para o fg^nro a e&ereer qualquejr car- 
go, eonfbrme se ^ahaya determinado pelo 4*y : de 
8 de Fevereiro de 17 1 1 . ^ Lèy de 37 de U á/ço del72J 
autuorizavapcommeráiar por meio de; Companhias 



4tt> utabéleoidai, mas já o ipesmo Alt: de 17 da 
Março de 17fcl manda iSrar devassa áé três anitaes 
aones do Governador eoftafae» que commerciarein: 
eprobiba-o ao Viço* Rei, CafptãoW&cneral, Go?4r- 
asddr , Desembargadores , Jdiatstros, Officiaes da 

iuetiçae Fazenda, bem como aas cabos ou officiaes 
de Guerra com . patente de Çapkâo para cima ia» 

.eliwive. — 

Esta legislação utilissitòa não foi revogada, *on- 

serva*9e até fias appareaoias, e ao entanto o mesmo 

{íowao fax os^eus fixapregados de Game marca- 

.cfapn.i -• 



Cm quanta a adúti rif straçia dà jastlça , foi esta 
província dividida em 1834 em daat Comarcas. O 
pecrcto de 16 de Jairóro de 1837 deten&iaa a esse 
respeito que fcavera aa Capital um Anis de Darei* 
to , e um Juiz Ordinário para o «nbstituir em ca- 
ses d' impedimento; este ultimo deveado ser aleito 
na Conformidade dos ao itetao , legando a po- 
pulação da Comarca, Em c&da Jiba do Archí- 
pélago, bem como«edístríetos de Guine' deva haver 
Cambem um Juiz Ordinário/ Quaado estes pertfm 
«sti verem legalmente ifri pedidos, tem <o Governa- 
dor o direito de aomear em Coostlbo ao advoga» 
<Jo o maia antigo , ena sua ialta qualquer cftdadfta 
«qae parecer mais idóneo* Este mesmo íiecreto deter* 
mjna em cada Comarca três Esériviss , «ia Con- 
tador e o numero suficiente de officiaes da dili- 



gêWiss^O escVivIUy do; Juiz de* Direito serre tatu* 
beitidfcTabelliâo de notas,— r , \ v •: 

< Aqticlla organisação judiciaria rioneá teve*, 
todavia execução ; ppiV realmente se -não |q^ 
possível , seria moito custoso* encontrar se «allhpeá*. 
soas: para tantos Juiie*, Trescandiçíates que no- noi- 
te* tempo fo rato proposto* ao Governador paia- Jtii- 
«es eleitos na ilha Brava, nao sabiam. ler nen> es* 
©rever, é um delles era pastor de cabra». 

< O eystema judiciário portanto que se aehív em ri* 
f«or na Província é o, seguinte. Km cada fregiieím 
ha um Jui? de Pax ; perante ^elle não sendo. ca?«* 
de crinic devem ir primeiramente todas as mauras á 
conciliação; sendo acauza de mil reis para ipejn-cã, 
vi^ á die^jsao dp iuií êieíto,; as de.r&JuWr impar- 
Ufecia dependem, âo Juiz Ordinário ou \Cqii bíncio- 
21» -que éordinar&mentè a^gumlei^o de maior con? 
ftidpráfãoi. O luís de Direito decide em utyiuio ca y 
is© e ern ceiízà* -efíme*, ha.veodo «appetfagao. T.«>r- 
dos estes Juizes t&im seus. Escrivães ; .q'Juí? oVe Pus 
também e r «to&Orfòos. Assim p. e>. ua. Hlia de S* 
Nidoiio b& um Juiz coutteiicio2o 9 .^r4oiis Juifes de 
Bai : 'úm na Vilhi r e ouit o na ít^uô^itk da >>►* 4«s 
ljappa^^e dou* Juizes eleitos, _ 

•O artigo 14. do mesmo- Decreto -de 16 de Janei- 
ro de 1337 detémirá» teiuhem y qie enx MoçambU 
qwj Angola , jÇíâbo-Verd.o, fiquem si*h*isiindo us. 
Juntas da Jiíáliça, appde sex^deifinil^va^ienie.jul- 
gedás et»nlf?ftci«das lis £OHi/ôf.c#^m)ESi o\as Pfúsapo* 

eHMHtitoft^&HMaAoutttL seg^d?. «P* ; . P°*Scf.j?Pr 
iuelbaiites juntas nesla . província. Antigau^iite 



sentorçcuiva um Ouvidor em todos os casos, de- 
cidindo ,»os de fnenor eousi^eração o Oapitjto-mór, 
iComo Cominandante Ao lugar. O Ouvidor era ao 
mesmo tempo Ffovedor do Crhjae ,e da Fazenda 
Keal, e. tinha seu JRegimento particular. E* decaia 
zs^es tranca aámtraÇ&o 4 gatito' eni -outras iempoí 
todos os caíos • eram previsto*, « na sim marcha se 
conservava ro^nlaridadê. Os regimentos do tempo 
(k$ Ftlippes encerravam em si toda a iegiâlaç&o po- 
licial criiniaoza , e appròpríada ao palz : hoje v naò 
<haity algttwa especiM para a província, achando- 
sê.ém vigor. as da Reino. Niio deixanj de $er"sem* 
interesse estias Regimentos antigos , que mui apro- 
pYmdamehie com íevés alterações devera m-sècqq-' 
s?r<var , ^eriajlmeíite.e/n quanto a Gu inéi — No- 
ta' r».w '' •' '.'- < ■•;•" "- % 

2Vnio*-ámSo uma memoria manuscrípta do tem- . 
po dos Fiíippes," aonde vêem enumerados* todos os 
cargos jfudk:iae9 jp adnain^traiívos que -havia o*a^ 
quelle tem,po &a provinda. * Ví 

Pela curiosidade deste raro , e interessante doeu- 
mento trkiWK^ébpUq-iibr'ekienjfK: — Nota «Ok — 



«■♦ 



Parece a julgar peíla' data do Regimento, dot 
Ouvidores de Cabo-verJé , "publicado pof Àlv, de 

<@Ó do Junho de 1606, que então deveram tíoajeça- 
do; todavia o pu melro de epii pfodetoos tef íjUiciav 

appaieceem I6S3 como -se vê no tegnfote CJaUdo* 

^^ • • • 



ti^^^w „ 



» » • 






V O IICBKCIAP» *¥***** «ORRJJA P*SOU- 

.,. *A entrou 6 lé.dç Abril de 1€$S, 

«. -L10BNMAPO A*T»If ia VICÇNTE BA VIP A. 

3. o POUTOR MiatJXI. FAB3 PE ARAOÀO. 

4. O POUTCR OR£GOHI9 RIBEIRO PÇ MP r 



» . . »- 



*. • Í.WJENCIABO A*T»*ÍO PS 9A**A**Bf. 

, 1653, , . > .. 

«, O BOUTOR JOÃO HOMJÇ* PÇ «VMP 

>i ..- • 1655^ . ■*. , _ , ,. ._ /.' ^ % •/, < . 

7. O- POUT0R BCI.CHIOR *SXXSX*A <?A r 

BRAfc desde J659 ale J66f,' 

H, O P*UTOR HAX*SX> PB COSTA ?A*M4 de 

166$ até 11564. , ,. . . < • 

4. # povtor MAM9*i «QW«o r « 10 de 16fã 

«14.1667. . . - 

1$, m npmom vpaiuxQ** br kmwr*** 

rsx.tai.BO em 1668. 

11. O CAHTÍO MAVO^ COSLRBIAP* **?*** 

- PA d* 166$ ale 1673, t 

12. O POÇTOR ««1* R*B**9?S« PA *SBJLA 

.. em. 1673. \ ..■ ,- 

13. O BACStA*** F*A»CXWO PBRSIRA de 1675 

«té 1685. . — / 

14. O POUTOR LU XZ ROPRIC VE» BSIAO de 1686 

ate 1688. 



i9> 





iyb. f »om<>Rpui3)r9 ?Il JNpmuuMU «acosta 

de 19 d« 4brM t»e i$id até 20 «te Abrel d« 
1698, 

16. + DOUTOR JOÃO COIMBRA SOS»* (J € O 

-<fe Abril de 1693 ale Jotifeo cki 1700^ F«z 
um He cimento porá a A-lfandega. -* 
f7. Q DOUTOR AKTOJMO I>A *<WC«4A «SCO- 
■TAH a 90d« Abril de 1701. Morre» Jogo. 

£1. o »ow^n MAir o^ j>^ A«qnçj»*(iAaM 

. em 1703/ 

o Bouro* Aiurtfttfo feoaai&trçs sampa- 

Jf .dê. 1706 até 1706 -^ e» que foi pieio 
pelo GorrrniKkhF — 

1709 ate J71Ó/ . , . , 

Ar. oMUToa to»?** ixç furas vracer- 

**. desde 89 de Abril <k 1715 até 10 de 
Junho do mesmo arção em. qi>e morceo. 
S&, 4 BO0TOA. BBAS ÇRA*m£o PJS90UZA ein 

174$*** rf^ugiocum o etpoJio d*s um naviodo 
Porto que deo a Costa. . 

£3. O BÇUTOR MAKOXZ. CAfUTOIfeÓ RAMOS 

desde 2g d* Setembro de 4720* 

âi. O POUTOR SEBASTIÃO 9RAVQ ROTEIBO 

- » •.''■" « 

a 3fr.de Jhtueira de 1824; íqí biçHq opi um 
tumulto de que era cabaça >s ejrç Morço de 
1727 -i- Kai Março de. 17412 ^xllf chegou por 
'ordem dê S, . M agestàdo o Desembargador 
João Pereira Barròzo para. vydicàr desle a- 
-. ; couieaimea4o ; o qual apurou oe crimi^ozo? A 



^ 



* 4 ; porem acontece©, que todos mor rêratn. tle 
doença sem checarem íà ser justiçados. . 
A epidemia foi oeste a imo de 173f terriveji 
e tiiárreo m uta gente -'* 

íá. O DOUTOR JOSÉ BA COSTA &IBUM natif. 

ral da Madeira $ veio em 6 de Fevereiro da 
> 1749 -—Esteve oitz* ânuos," foi a correição 

. a todas, as ilhas, e também a Guinés 
tS # a DOUTOR ANTÓNIO DE ' PINHO veio em 
. 14 de Janeiro de 161-0 ; moneo ao truísmo ai*» 
no da doeirça áa terra— r- 

17. o doutor zjf Kocjsrsexo axat ares d Asiir- 

▼A Em 19 de Maíode 174*. 

20. O DOUTOR «RANCMOOS^VIERDS ARAÚJO 

em Dezembro de 1749. 

S9. * doutor **âo AsrTopso da silveira 

SAMPAIO em Fevereiro de 175& -r- Fez de 
toda a qualidade da veliiaçaria -que o obnV 
•. •* goram a 4àj*Wi ;- T ,j '" - 

30. O DOUTOR AMARRO &ÚXSDR MESQUITA 
TINTO, e chegou em 'Janeiro fie 17&8 e falleceo 
a 2! deDeze»%rd do mesmo atinou Por>ú* 
raojte se conbeceo que tinba ante* tomado 09 
quatro gr&os de menores ■, \ ■ 

31; * DOUTOR CA RIOS JOSÉ DS SOUTO MA- 

TTOS cavaileiro de Christo, chego* a & dê 
de Março d« 1761 ,-morrèo à 38 de Maio do 
dito anno tendam idò á correição da liba do 

-■ • l Fogo. . , - > 

St.' ^DOUTOR TOÃO VIEIRA DE ANDRADE 

chegou a 17 de Dezembro de 1761 — Como 



ameaçasse muito o& habitantes. eate* os iodi*~ 

poze^e 1, o) a ndando dar n'u«i ; soldado forro 

. vinte açoiUes, liavendodiftsqiwtmba chegado, 

, e os tratasse mal ,ibi assassinado. . 

53, JOÃO GOWBsrmiiHílEAy Cavaleira de Christ o 

veio erh 21 de fevereiro de 1764 -U Foi bom 

v ■ M\ nisfercr , porém havendo contra el le uma* re- 

prçzen tacão o Merques de Ponihal o man» 

... dou. render antes de tempo. 

Sê. O D»SÍMBAneAI>OBr DXO*»*0 OOV»A&* 

. VB» BBLAJffCO chegou a% de Dezembro de 

I7Ç6» O Governador Salemra representou 

' contraí elle , peta, $u*. devassidão, e foi rendi* 

doer^fOeUido preso para; Lisboa pelo jeu sue» 

ceisor. ■ i 

35. O P^XBCBARaADOR JOÁO GOKSSTKSUUBIr 

bu$ veio pela£. a ve& eia. Setembro d<? 1770;/po.r 
Caú&a de arengas Com o Governador pa*sou 
à iiíssáp do. ode se rècolheo a Lisboa. 

£6, O DBKEMBARGJU>OR FBA1KCX3CO OS SÁ 

' 3ABJix»rTO. chegou em Marçro de 1780 e 
ifrorreo dabiaum anno ; ' ■ f . 

Hf. O MCWBJUlOASÇa JOSÍ 3ASII.VAFER- 

checou a 18 de, Abfil de 1780. * 



r« 



O jVlr > í?oria. força de ley . da Príncipe Regente 



i 



• * Os euvidorá qne senegaem (fareifrios adianto — — N<í- 
4a Al, 



— í25^ — 

t 

passado a i&cto Março <fe I8l I- , ereou tem bem? 
Aro 1 ugar de Juiz de fora d<><íi^ei e Crime , e Or- 
&o«jic.fiÍ6Sfío efCacJied, ntarcartdo-'! hv graduação'. 
d£ correcção curdioafia. Este itoa#*stred>o* em virtn-' 
éfi.dôúilo Alv. exercia a' jurfsdtéçap" nc# nVesmo* 
togares, é suav dependências' , como Geba \ Fá y 
J<Vim V Zénguichof , ífè. desde d •Cabo branco ate 
«o €afco> Corso** e étn J*i& déf -'Feitos* de -Coifa e 
Fazeijdá , Provedor :dá .dor defuntos e auzentes y 
' 4Mâ&^p*tí*çto e-aggrtxfor pfofà' o ~ Ouvidor dás, 
ilhas. de Oàbo-Vérde '€ vcncenêer é* áeãado ^como o' 
Juiz de Fora de KengóèlUr.' 

-. Actual meftte es#á: incumbida a arrecadação dos* 
bens jacentes á Provedoria d=oí «defunto* e au- r 
/entes,' equazí que hí ficam de lód-ò geralmente na»? 
ftiáÔs dos seus empregados; melhor seriam arreca- 
dados pdo9 ' Juixefr de Pag &ot> *a vigi&ricia da# 
Juulas de Puiótitia:- 

v. 

' • r 

• \ * * 

'Passemos agora a-Tér ojesfo da administração^ 
nesta Província. A administração publica é o exer* 
■cicio d*aqueljfi autboridade qneVuina dada porção 
de território letn a &eu cargo a exeeriçôo da9 leyí 
que regulam as relações necessárias de cadct .ádtm* 
nistrado com a sociedade e desta mutualmente com 
cada um d-elles. Kfla exerce a suâ «fotfeoridadè so- 
bre os administrados não como indivíduos mas co- 
mo membros do estado, em quedifferé do poder 
judiem!, A administração tem por ntu de prevenir 
os delictoá que castiga a justiça. Naorganisaçt* 



administrativa devewi-se observar duas considera* 
$$m ejpeciaess utffe «ra» quanto a divfcfto do terri- 
tório e (Kitnrrelelivametttá: ãôf objectos admfoUtrà* 
tivod. 8e uma grande e inufílplfeida divwào com» 
plica Jit rodai da maqufora nfchainftlfativa e afrou* 
ta a? unidade q'ue nMtie os interesses geraesedà íi 
fcrça cóminui» ^ Càmbbin dfrfditfdó a pouco, Tem 
a&kaf.a éada parte a vida, resultado da ínspe- 
èqko im mediata da authofJdjde; A tfâ* organka* 
jàtí n es€a PfVx\ii)ícki e à itoesma de Portugafc filha 
da* forikas conslRocfanaes tem muito beilas appa* 
rerícitf, ntò» sem restíl lados fetrzos , pela dtflfctitda^ 
ée de achar íilft- nitfwero yttfltaiènte éé pkssoaâ, qtfé 
gelassem peio bem estar ck> pàit } e das gastes ema- 
nàssem ordem *gi liadas pelo amor pátrio e dea«jo 
do imn pulrco. Fuflamò* trquí das Camará* Mu ir* 
tipaes. Cudb Cowstíttio tem um administrador <Jirt 
é eleltnro ^ bém como a Camará Municipal/ Po* 
estos duas autoridades -dúnottUm as ordens do Go- 
vernador, emittein-^as aos -prcvos, tendo assim pos^ 
íibil idade de ca'uz»r bem, sem poder jfeger mal. Po- 
rem no entanto es-Èa bel Ia appareneia apresenta a 
•setr r^veflo ,• alem de oolrm eireunstancras e vfcio 
de £c*ei*i e)eciívae r ponen» t&m o : rendifftento pá^ 
ftk stifhswUr. Mrm vHík>8 «tn 18ftd representa!? 
aCêtmarúdo Gonsetlto dè'$. Calharka da Hha 
SfitotUg^', <fujfc nàoiloíWK^a par* ?ereoçòe$, nern 
cadeia , nem meio* alguns : e solíichava ao Gom 
ve#dador , qiife Hie m»ndas*e pelo mente papel, 
tiiiln e pètitift* * pow nâo podia nem coo* es li d<**<- 
pét*t IRepresfeitlet» novamente a0- Gt>yértia de Por* 



.tugal que tinha. absoluta fufa* de meios para tatfcr 
lazer aos encargos muqicipae*, e<Juc ttraera kirpra" 
tj$àV,el \tqewtet: às> fmfca*. o *k*faafins , pela* grande 
pobreza, eia qn« estay.ãfft <# r pov.os, Pedro etiião * 
doegfta -*rd& ÇosteMo^-r- umas terras da Fazenda si- 
tas rio CeneeMie de &* GfiCha^iiHi^-rqmc'- <ibtor$. pôf 
iPeereto lileal de Jâ dç, Jaqeiro de-l&SQV» » < . 
. .A.dama?» Muaici^t/da ViM^ da Praia. *&av* 
tapiberoqufizi no mfesirto .©azo ale Jc&td , no jqoal 
pnno iollickòif ao Gpwotio poçl p oreof umas iuw 
posiçOespapa xl*ejkis ttdtabeíeofer; sfeu património, e 
çotujtruir tnxife eaza dâ Calhara- e cadeia.- O pruici-f 
pe Kegeote por ymaPfovisàcx daíiBkdirtie IWo d*«Jaw 
fj»eirq * a 1 1 dê D^xen>i>ro d$ n&& anfruío- a êsra- 
wppljc^ e íq% enjuLo ' T détè>(ntaado que - as lajes* "dó 
pri infira classe pagnepauBnviaVqpíeBlfe^ sobredita Ca*' 
para .6$00& rèisr: a*da i^eg wda- ciasse ~9J> 9 ,e as in- 
íertorej» ou tãberiHis 1$500: eada cabeça de gado- 
yaciiit^pprçMfn que eutrar nòaçoiigoe pagWSQO^e*- 
sendo exportada 400 *pôíí* 

^ J£m,i}jiar\tQ «ívo, chegamos ao rarportant* artigo»- 
das rçuda* edeep$za> d* I\rov^icja; iw»d* bav«a)«*i 
$e dçs^iivolver.o nio49 d€H;íWeca4ta§âo e^ehdmerar 
ps ^s^ctivos.enaprfgacbs^ a^r^e»tareui!ai pquimatt 
Plí 1 )* 3 ?!* palavta? .sobie a adtfliuiatraçtto ha Gosta 
4ç.G«dnç v .,«. ... ., ..-, (J ,. i , - .. 

No an^, 1,^34; for-^ai aiií.intro^histdos cwfòrwe 
«9. pty»*> adi^ii^.tra^o rfe to^la a. mQtiHrcb^a, sob- . 
p;efciL<$ , r«iuiiíidQr^e r^/n ^ <^ft.CpASíáfco* de 



— 857 — 

Bissáo e Cadieo , que desde o principio, por mais 
de trezentos ànnos estavam separados, ainda que 
debaixo da im mediata auctoridade do Governador 
Geral da Provi ncia. As Prefeituras porem provaram 
tfial, è curta' foi a sua duração, sendo substituídas em 
Guiné óof um Governador subalterno com residen- 
cia em Bissào: no Concelho dèCacheopòr um Prove* 
dor, e nos outros pontos por Delegados da Provedoria, 

No annò de 1836 era Provedor do Conselho de 
tacheoo Snr. Honório Pereira Barreto, nofoeado 
posteriormente em 1838 Governador interino de 
(juine. No exercício tio seu Concelho das attribui- 
ções administrativas ^ judiciáês e militares, nada 
vencia págaédo á suá custa a um escrivão. Os 
Delegados em Zenguíchor eFarim ríadá ganham do 
mesmo modo j e por esie motivo nem os ha em 
feolor, para aonde ninguém quer ir cie graça. 

Em Bissáo ha um Sub- Delegado do Recebedor 
e Alrríoiarife^ por 60$ reis annuàes compete-lhe 
á contabilidade , fiscalização dos direites , paga- 
mento das despesas, e arrecadação dos utensílios, 
géneros e fázehdasí Um esérivãò cVáífandega , um 
meirinho e dous guardas completam o numero dos 
empregados administrativos e fiscaes desta Praça. 
O primeiro d*estes além de ser escrivão d* alfande- 
ga, o e também do Almoxarifado e Cível: tem 4»0$ 
annuaes, devendo lariçar todas asdeápcftas, fazer os 
termosjuridioo* como escrivão t ajudar a fiscaliza- 
ção. 

No Coricelhd de Cacliéo ha um Delegado do Re- 
cebedor Ocial, que no mesmo tempo é almoxarife 

17 



—«68 — 

i m 

e Administrador das alfandega* na Comarca de Gui- 
né;' vence 500^000 réis afora os emolu mentos, que 
tão 8f do rendimento da alfandega de Cacheu, aon- 
de reside, e 1^00 réis por entrada do cada navio. 
O Secretario da Delegação o é também da al- 
fandega, almoxarifado e eivei: tem $40$ réis de* 
ordenado, 4- sobre os rendimentos da alfandega 7 
e 800 réis por cada , embarcação que entra* 

Em Zengfuichor ha lambem um administrador da 
alfandega, que é ao mesmo tempo Fiel do almoxa- 
jrifado co«i 50$ réis annuaes y e o» emolumentos; 
•èu escrivão tem S4^J rei* annuaes de vencimento, 
além dos 4 2, e800 réis pela entrada de cada embar- 
cação» — Afora um meirinho e os guardas ha ain- 
de em Farim úm escrivão do Recebedor, que ga- 
nha anuualinente 24JIÔ00 réis. 



s Eis uma boa ídea de todos os empregados na 
Comarca de Guiné: de que maneira eiles treáeinpe» 
uham seu» deveres a administram a fa&enda, pode* 
se çolligir pefa paga que recebem; N*uma palavra, 
boje se ainda nas ilha* ha alguma regularidade, 
nos estabelecimentos de Guiné não ha nenhuma , 
i um chão* sém igual. -—Só quem quer paga os di- 
reitos na ai fandega, ou paga cinco despachando por 
vinte.. 

Generalísar aqui a ordem de couzas de Portugal, 
adoptar todas as formas das authoridade* do Rei- 
no, parece intempestivo t porque é preeixp consi- 



— 249 — 

derar a Guine como recém conquistada , eo« 
bertade mattos, inculta, c habitada por gentio bra- 
vo que não é sujeito à nenhuma autboridade Por- 
tuguesa; e . alem d'isso tem do «eu lado o di- 
reito da força. £* preciso portanto ganhar primei* 
ro uma authoridade sobr* o# povot que habitam en* 
tre um e outro estabelecimento 9 domados, e depois 
civilisar e industriar ,— e eniâo poder-se-há diaer que 
e nossa esta possessão. 

Se pequenas alterações na administração são suf- 
ficientes no Archipelago, é d 'absoluta necessidade 
uma reforma completa em tudo o que diz respeito, 
a Gume* 

Em primeiro logar o melhor seria como já o dis- 
semos, separa-la das ilhas, e entregar à uma Com- 
panhia por quarenta annos. Pois dividida em dous 
diatrtetos , atada que os seus respectivos Governa* 
dores sejam independentes um do outro , mas 
1 sujeitos ao Governador Geral , este nunca indo 
• ao continente, -sempre ha-de haverá me«ma apathia; 
tanto mais que os governadores subalternos dos dis- 
trictos de Bissáo e Cacheo pela sujeição em que 
estam, nenhum zelo tomam, por cousa nenhuma, sen* 
i do a honra do seu feliz suecesso só a favor do Gover« 
t nador Geral. . . 

. Ha também uma inconherencia de formar deGui* 
né um Governo separado do Archipelago , sem a 
entregar à uma Companhia, pois não poderia 
i subsistir sem que o cofre da Província cobrisse o de- 
I ficit annuaJ. Km todes os cazos, os Governadores 

i devem ser filhos de Portugal, e renovados de domou. 

17 e 



Ires em três annos. Actualmente $ m razão daesca$< 
sez e penúria, bf vfaitos annos para cfl, filhos do paiz 
otí altí estabelecidos, foram . revestidos da autbori* 
dade superior. Estes como todos* os ém pregados não* 
podendo subsistir dos mizeraveis veneimentos que 
recebem- do estado , vivem . negociando , e sempre 
com desfalque do Governo. Da rivalidade na vida* 
particular coma«nego£Íantes^ criam-se inimizades 
que levam frueto chegando elles a exercer algumas 
funcçôes; e então estas rivalidades que nao deviam 
surgir além' do* eseriptorio^ trazem- por vezes funesta» 
consequências. ■**• . • , . . 

O Sr. Honório Pereira Barretto, negociante es- 
tabelecido *en) Cacheu, quando tomou posse do Go* 
ver no deste concelho como Provedor , , achou toda á 
defeza militar arrumada, a : aitillieria em terra^e' 
o Gétttio vizinho a tal ponto não . tiúha .respeito ai* 
gutâ , que* armado entrava na povoação' e roubava*- 
Farim estaaa no mesmo estrado. O Sr. Honório nao 
quiz vencimeitío algum, e á suô-eusta montou a ar-» 
tilheria e restabetéceo o respeito á» atèthoridades-e» 
baftdcira Portuguesa. Como porém não tinha ai»- 
da n'aquelie tempo o commapdo. militar, couzaque 
\? indispensável em Guiné, não pôde fazer mais,-*— 
Com sacrifícios e persuasões ainda obteved'aIguns 
seus amigos, que assim como elle exerceram as fun- 
ções de logares indispensáveis gratuitamente; e por 
todo isso, servindo com zelo e honra, sacrificais 
do a sua vidae seus teres, foi pago com injurias e ctes- 
prez sp«to então Sub* Prefeito Caetano* Nozolinr, co- 
mo amargamente sequeUaia nosofficijis-dirigidosao 



— *6Í — 

Governador Geral. Naquellè tempo o Gentio de Chu* 
rpj peH&ando que encontraria ainda no presidio a 
.antiga timidez, matou na vizinhança um homem do 
íermo. O Provedor quíz sabir da praça e castigai 
este insulto, pore'm o -Commandante militar não 
; ànnuio: [ verse é'ahí , *e é possível em Guiné 
a separação da authoridade administrativa emi* 
litar]o Gentio vendo o desleixo , tornou a inva- 
dir ó território ,' matando e ferindo gente do Usrxnój 
e ameaçando de attacar o presidio.. Crescendo 
numero , o Sr. Honório mandou pejçlic soocofro m 
Bissáo, eo então Sub-P refeito mandou 27 dos mais 
perversos soldados, alguns doj quaes tirou dagonU 
|fa á para os enviar. 

Casos análogos a este são bêift frequentes, e faeil 
í antever as desgraças quepodeih d*uoj dia para ou* 
ro resultar At semelhantes dèsintelligencia*. 

Procedeo-se em Guiné conforme às ordens da Me? 
^opcrli , à formatura das Gamaras Murticipaes e aí 
íeiçâo de Juizes ordinários, de Paz, e PedaneosJ 
emelbante ordem ridícula e insensata , claro ó qué 
ao pôde ter effeito tanto no concelho de Cache» j 
>mò tio de Bissáo. Em primeiro logar 5 porque 
estes sitios tao faltos de homens, poucos ha para 
egivéis e mesmo para eleitores. Esses poucos já saò 
rthoridàdes ou empregados , e não tinham itiesmd 
m a quem governar, nem cousa de que tratar nó 
eseote estado selvagem. Depois taes Camarás nâd 
iam rendas nenhumas. ' " * 

PL falta de homens" denota-se "ha acima menciona- 



da relação dos empregados. Os Delegados nos di- 
versos pontos do' CpnceJho deCacheu servem de gra- 
ça, e quando o Provedor em 1835 suspendeo 
ao Delegado de Farim, não houve quem quizes* 
se fazer as suas ?ezes , e foi o Vigário que. tendo 
60^000 réis d'ordenadoannual, gratuitamente osub- 
stituio. 

O Poder Judicial deve, ser separado do Cominan- 
do Militar : é porém d'immediata necessidade que 
o Governo proponha meios como deve ser ahí ad- 
ministrada a justiça, e julgadas. as cauzas, 

Promettemos de compilar no fim desta obra, to- 
dos os melhoramentos, mudanças e reformas que 
Julgamos indi&peuJtftveisj-e exequíveis n'esta província. 
Notaremos no emtairto antes de terminar este capi* 
tulo, dtiaa essenciaes que lhe dizem respeito. 

Existem como já o ternos dito, nas possessões ul- 
tramarinas ot taes chamados Concelhos do Gover- 
no, Sendo meramente corpos consultivos , de 
nada tervem, e «ao §j gm obstáculo à marcha li- 
vreda administração. Poiso Governador não é obri- 
gado a seguir o- teu conselho, ainda que fosse una- 
nime teu parecer o contrario e.o delta, visto que m 
responsabilidade; e' toda sua; portanto sem esta for- 
ma receando guiar*se por sua própria opinião, ?em 
lacs apparuncias, pode querendo consultar em qual- 
quer matéria a« pessoas que lhe roerecçía conceito e 
confiança. Em todo caso, menos ainda devm tomar 
parte nestes Conselhos o Juix de Direito; pois co- 
mo iaflueip na administração e o. Governador, pão 



tem ingerência no poder judiciário, — é quebrar 9 
equilíbrio entre estes dous poderes, - 

. Também no caro de morte 011 impedimento do 
Governador, deverá substitui-lo. interinamente o Se- 
cretario, e nunca as Juntas Provisórias. Basta o no- 
me dos taes Governos, eo que pçova a experiência, 
paia os fazer odiados; sempre foram de ra i no r ida- 
de, convulsões e partidos. 

Temos já denotado quanto inútil e sem proveito 
para as suas respectivas provindas, e o virem d'allí 
os Deputados tomar assenta nos bancos do congres* 
10 legislativo da , metrópole. Achávamos mais ade- 
quado, acabar-se esta pratica, ecrear em cada pos- 
sessão ultramarina, — - uma Junta Co 1 o n i a L — 
composta de negociantes, agricultores, t outras pes- 
soas conspícuas, nomeados pelo Governador por uma 
lista tríplice votada ,. tendo este ò seu presidente, 
idêntica* juntas em todas as ilhas ou districtos , 
reunindo-se em teftipos marcadot , para discutir 
as preci*Ões e propostas que occorressern., reme (.te- 
riam as tuas deliberações à Junta Colonial da 
Proviocia , qu« te havia de reunir todo« o* í\nnos 
n*um tempo fixo , e tomar conhecimento de todo* 
os cacos , das rendas e despezas, das obras publi- 
cas em andamento ou projectadas, bem como da 
instrueção publica, meMioramntos d'agiicultura, 
regimentos das diversas repartições, alterações que 
julgasse necessária na legislação local, impostos , 
&ç. Uma quentão unanimamente approvada pela 
Junta, e á qual se oppòzesse só o Governador na 
{ qualidade de Presidente , devera ser addiada qua- 



— 264 — 

renla e*buto horas , as quaès passadas, seria obri- 
gado a e*euta-la, ou declarar os motivos do seu 
parecer contrario. Neste ultimo cash deliberaria o 
Ministério do UUra mar, e nomeavam-se outros mem- 
bros , prevalecendo o parecer <Jo Governado* : bem- 
comeste devera sérréndido^ logo que o Governo da 
Metrópole achar que a sua opposição foi obvia e 
, sem motivos ponderosos prejudicial ao bem da Pro- 
víncia. Q Governo deve maççar os cazos nos quacs 
a Junta nãq tem ingerência a}gumanas aUribuiçoe* 
do Governador Geral, bem como pôr o limite á- 
quellas que este não possa exercer sem consultar a 
junta. Todavia estas decisões e portarias do Gover- 
no antes de sere,m postas enj pratica deviam ser pi* 
blicadas n'um periódico official da Província ou n* 
falta sua n^uma proclamação do Governador Geral, 
para assina se poder. manifestar a opinião publica, 
e segundo çlla fazcrem-se as alterações necessá- 
rias. 

Asseirjelha-se algum tanto esta nossa proposta corrç 
a administração usada nas provinciaesdo império do 
Brazil , bem como algumas colónias inglezàs ; e so^ 
mos certos que melhores resultados haviam de se ti» 
rar de semelhante organisação do que còrrro ate ago- 
ra acontece, deixando á* pf o postas relativas ao Ul- 
tramar ao arbítrio das Camarão de Portugal, que 
gerafmente sem cónhpcimenfo dos interesses matè- 
riaes das localidades, nem sempre acertam nas suas 
medidas, a fazer prosperar as possessões ultrama— 
rinas. — Lembraremos aqui , que foram as Cama- 
rás que carregaram com direitos os géneros colo^ 
nines.'! .... 



li rn ir 05 t Atolas. 

•Não desenvolvemos como e.ra mister esta importan- 
te. mou ria com a madureza que ? Uie compete, por não 
termos podido alcançar sufflcietvtes dadoi e docu- 
mentos pa.ra apresentar o orçaa>en,Jto dos rendimen- 
tos e despezas desta Província em mappa? exactos. 

Não existem se não . raros e eparsos fragmentos so- 
.í?re as nossas colónias, e especial monte as Africa- 
iias; a sua estatística e totalmente ignorada, e os 
poucos dados que £m distantes épocas lêem appa- 
reci d o, jaz^m envoltas n'um mister/oso veo' nas par» 
geleiras <Jo Ministério do UJiramar. Esperamos, que 
a Associação Marítima e Colonial içtentíftcando^se 
com o seu nome, corres pon-dendo à- sua missão, to- 
rnará a beUa tarefa de fazer -Don-becer jnsnos*a$ co- 
lonias e no sou periódico apresente as desejadas no. 
coes, como principiaram a nppa<recer no Memorial 
Ultramarino , publicado por ordem do Visconde de 
Sá , e do qual por jnfeliz fado só o primeiro nume- 
ro sahío a 4az.-v- 

Os rendimentos desta PVovincia constam dos — 

* * * * ' ' 

dizimo» que são arrematados, — direitos d' alfan- 
dega e ancoragem,— decimas dos prédios urbanos , 
— sello dos papeis e heranças, — sizas e meias si- 
zas , — c rendimentos á* alguns bem} nacíonaes. ~ 
Apresentamos aqui em seguida^os dados que po- 
demos colher sobre alguns annos anteriores; ainda 
que nos faltem com a mesma exacçâo os últimos , 
e pouco diíTererti, todavia juntamos as notas e explit 
caçoes indispensáveis. 



— 566 — 



Rcctita da$ llhat dé Cabo-FcrcU em 1827, 



. 1UU Dl SAXT1AGO. 

• * 

Dizimo» Reaes. [anema-. 

tados] ....... *: 387$833 

Alfandega 6 : 965/489. 

Próprio* Reaes [arrema- 
tados], .*... 90^000 

Decima dos prédio» ur- 
banos 839^40 

fr R*. em arrátel de car- 
ne verde .., 4204:000. 

Siza e Meia siaa M6£146 

Se lio dos papeis e he- 
ranças ............ 466^679 

Chancelaria .......... ^33^753 

Terça da Concelho .... 386^107 



11 : £€4^303. 11:^64^808, 



ILHA. DO VOGO. 

Dízimos Reaes. ..;... 8 : 875^750 

Alfandega . 406#62* 

Foros das terras 880 /èQ0 

Decime dos prédios ur- 
banos 48^479 

Siza e meia siza 84jff 584 



—867 — 

Sello dos papeis e he- 
ranças > 847/170 

Terç* do Concelho .... 43/ 478 



■*» 



\ 



3:863/585. 14:888/333. 

NB. Não a p parece aqui o rendimento do novo 
imposto da carne verde por nâo haver naquelle tempo 
um talho publico, 

V<UÀ BRAVA. 

Diz imos Tteaes. ....... l;045/608 

Alfandega , 368/740 

Decima dos prédios ur- 
bano* ...,,....,.,.. 3*/£f>« 

Foros das terras . . . - M . . 109/387 

Siza e mela siza ...... 103/485 

Se ti o dos papeis c beran* 

ça» , ' 23/537 

Laudemio ............ 19/098 

Terça do Concelho , . . . 1 1/51 1 

3:707/520. 16:535/91 9. 

NB. AJlí tão pouco nâo havia naquelle tempo ta» 
io publico, nem gado para i#so. t - 



* 



,-«68-- 



ILHA DO MAIO. 

Dízimos Ueaes. 127 $166 

Alfandega 3:984/589 

6 R s . am arrátel de car-r 

ne verde * 1/693 

Decima de prédios urbanos 109/017 

Siza e meia siza 1 5/1 85 

Sello dos papeis e herança* 5/910 

Foros da» terras . . , . &3/060 

Terça <Jo Concelho ...... / 



\ ' ... j 

4*205/620. 90:801/539. 



N 



NB. A Camará era tão pobre que não tendo 
nem para despezas da sua escrtpturação, não appa- 
rece e$tc rendi mento. 



ILHA DA BOA^VrsTA. 

Dízimos Reaes .... 695/066 

Alfandega 5:294/068 

Decima de prédios Urbanos 54/075 

Siza e meia sizq. , P 6/333 

SeUodos papeis e heranças 37/398 

Imposto de carne verde. 9/190 

Terça do Concelho . . , . . $5/515 

fcjros de terras . : . . . . ? 86/780 



6:137/125. 16:938/964. 



26SÉ — 



ILHA DO SAL. 



foiaSimoí Rèat* ..*.;; 10$500 



10$500. «6:949/644. 



íktik Ufc í: VICENTE. 

t)iziraos Reaes ....... 105$C>53 

Àlfatídéga 153/754 

""ii -- — — 

253/387; «37:307/751. 



ÍLtíA DB á. KICOtÁd; 

t)i2imòs Reaes ....... 1:160/65$ 

Alfandega . 1:478/980 

Decirna dos prédios ur* 

bano* >..<•-/.•;<••» . . 07/64$ 
Foros das terras ...<.. < 654/678 
Siza e meia siza *..... . 18/â93 

Séílos dos papeis e heran- 
ças , r * j ... ; . 9/980 

Terça dó Concelho .... 36/436 

Laudemio « 60/655 



5 



í 



Ji 



Í— A—l 1 'f II n n í 



3;447^ÔS7. 30:655^078. 



— «70— 



ILHA Dl 3. ANTÃO. 

Dízimos Reaes . « . . . . , 1:818^5331 

Alfandega 3f $865 

Terça do Concelho . . * . . ÒQ029 

Foros • rendai 573$025 

Novos imposto* €2$12l 



2:à43#773. 33 ;1 98^815. 



Devemos agoia observar que neste orçamento 
nao é incluída a urzella, que andando n'aquelle tem- 
po administrada por conta do Governo, rendia an- 
n uai mente entre 50 e 90 contos. Deste modo c»ta 
província , apezarda rná administração f imprópria 
legisaçâo, desleixo das author idades e nnlla prote- 
cção da metrópole , e a única das possessões ultra- 
marinas que dá ainda um saldo considerável % cons- 
tante que reverte para o tbezouro de Portugal. — 

Assim rio Orçamento de 1828 vemos allí a recei- 
ta figurar em 130:iâ3#46Ó 

A Despega no mesmo anno foi . 68: c 2òl$270 



O Saldo a/avor ....... 61;908^l 90 



—271 — 

No Relatório apresentado pelo Ministro da Pa- 
leada o Sr. F. A. Campos a 29 de Fevereiro 
de lg36, relativamente ao armo pretérito, appareca 
a receita .do modo seguinte. •*- 

Iwpoftto» directos 10:866/287 

Idem indirectos 20:496/541 

Cobrança de dividas atrazadas 1:836/088 

Rendimentos de próprios e liquido de- 

urzella . . . 85:740/751 

Total 118:939/751 

Nestes dou* últimos orçamentos entra também a 
receita da comarca de Guiné, assim como é inclu- 
ída no seguinte. 

Receita da Província das ilha* de Ca- 
bo- fer de c Comarca de Guiné , 
no anno financeiro 
de 1837—1838. 

Alfandega em geral Í5:43fr/793' 

Dízimos arrematados .....; 8:989/734 

Pr,oprio6 Nacionaes arrematados . . . » 949/200 

Decima de prédios urbanos 535/51& 

Seiio e Sizas .681/38$ 

Novos direitos . . . • ...... . 69/576 

Real d'ugua ......* • . . . 16Í/767 

Terça dos Concelhos 143/533 

Diz imos do sal .. .\ 2:00$/080 

Receita extraordinária 3:122/914 



» .. ' ■ 



Total [era moeda forte ] 31:99/481 



— <47f - 

No anno 1?839 temo-lo tainbe~i com certeza qiiie 
os rendimentos da ilfra de S. Nicoláo chegaram a" 
f:5!5$OO0; foram applicadds' para os emprega- 
dos da mesrrta ilha, e o festo rèrríettido para a 
Thesouraria Geral da Capital. N*esta quantia figu- 
ram 1:352^000 como direitos d* i mpdrfáçrào e expor- 
tação. Geralmente porém só os dizimos desta 
ilha são arrematados por 1:600$. No anrie de 1827 
vimes pois que que rendiam 1:160,^653 ,• é à reoeitâ 
total à&l ilrm passava' de tres^ ôonfos/ 

Desde 1334 desapáreceo ta ai bem o Yendimentodos 
foros; tendo sido quasi todos as terras sujeitas ao foral 
Regiô, pagavam os seus possuidores um real por cad* 
lança de terra regadia ,' dvt pbr duas de sechen-í 
teira , ou por quatro de algodoeiro. A abolição' 
deste tributo' diminuto a receita annual em perto de 
tres contos. Por outro lado porem tem augmeutade/ 
e promette accresciínb' em razão' das grande» 
salinas da ilha do Sal, donde se faz actualmente rnui^ 
ta exportação. Outrora pois como dissemos, estava es- 
ta ilha dezerta, e quando sé fazia a-lguitfa carregação 
de* sal, os direitos se pagavam na ilba da Boa- Vis- 
ta, vem a ser não se pagava. O Governador' Ma r inho 
cortou o uó Gordio que havia á respeito desta ilba 
como Sr. M* A. Martins; ó estaberecea alli 
uma alfandega, construindo ao otesrno tenfpo uma 
caza para o commandante e destacamento de tropa. 
Repetimos todavia que o direito de 800 réis por moio 
de sal exportado, tão inconsequentemente abolido, 
com urgência deve ser restabelecido; com ellesen- 



4ó a exportação animal 14^000 moios t •© 
terá roais Jl:MOfOO0» ? ■ 



O priacipal rendimento portanto vèmo* «què coo- ' 
lUie na urzetla ; este liebea considerado como mo- 
nopólio de estado/ apesar de sei 1 producçâo natural 
da provioçia , entrava nb todo seu produeto parvo 
<*>f«e<da metrópole* catando na provinda epepatob 
4Q réis por arrátel para os apanhadores. Procedi* 
mentç tâo injusto não dever*: continuar. A. unelía 
itasca^BastJ-ochas encravadas em terras de sementei* 
ta, J*or tas -e ^plantações dos habitantei; estes por 
ta^to esiam no seu natural, e legítimo diréitodedei* 
*ar.ou ptonitnr aos urfelloirOs: de .atravessarem seus 
iarranos para ir ao apaaho. E ( de certo senuelttante 
pjohibiçâo da sua parte pão deixaria deaef razoável, 
rendo elles as precisões da. Provinda, a faltado 
todos os estabelecimentos , escassez do numerário em 
aríro r r-^e por outro. lado aiçulpada apathia e indif* 
íerçnça da metrópole que absorveiido-lhe este seu ren* 
Inneato^, eoa nada leui cuidado a favor da Provin# 

X>e ^baalder clamaram e pediram muitos Governa» 

\t>n&s e representante* deste ' arehipelago^ sqiie utoá 

>arte des^a sua propriedade lhe fosse concedida, — 

édúta* o o^ie era sou / -i— mal chegandovàs' outras 

? ridas para saldar as detpeza* dò -pessoal, e nada 

► bojava para ai gamas obras utèis, de «pie se cara» 

? « mn todo. Foi para q nobre Visconde de S á 

te fkeou reservado este acto tâo * «til ;e salutaiv* 

udu qye a não levasse a effeito tomo tencioy 

18 



«mm fafce-ld-com tempo, a que obstaram varia» 
circuttstancias í çotno mesmo o disse no seu Relatório 
do Miriiáeriò do Ultramar de 27 de Fevereiro de 
183$, — jt a justiça pede que parte deste excedente 
seja aplicada para os melhoramento» de que n'èíla 
se carece» . . . . Foi então em 1835- arrematada a 
uçxeHa por três airaotá razão de 8& conto» porôono, 
do» quaes data o arrematante doas conto» measal* 
mente para a» despeza* da Província, 

Antigamente todavia o âèfiAt que tia via* na Pré- 
vincia> indo toda aurzelta para Portvigal , érà sal- 
dado pdo Thézouro publico , sobre cr quaV faceava 
letra» a Recebedoria Gerar* Cora e»Tè auxilio po* 
tem do» Vinte e quatro • contos, ficou a "Província 
tosada v pois sendo prohibido a contititrar aqtieltès 
saques, está obrigada a cobrir o deficit Constante de 
Guiní* 

. Cora a. arreoiatsaçilo lucrava a Fazenda r mas fin- 
daram o* tre» armo» , <jue »e n$o leiiovou ; nem foi 
st praça, e íoi estabelecido o antigo viciòza 
syslema d'a<ímiiíntra^3io. Deste 4<ríodo baldado* são 
os esforços de quem trata promover, algum rnelbo- 
ramento, e perde, seu tempo* como nos lambera o 
nptte momento eserevendo-o, * ' 



- Os dizimòs já dissemos -são arrematados, <gw i o 
j&eiboe systeroa allí applicavel, Pagam-se de todos 
«sproduotos «crioulos, e criação de vaccas, ovelhas» 
cabras', eaialtos, burros, &. Às aves são izemptas, 
bem como ata S. Nicoláo o éão também os burros» 
ptofae antigamente «eram os lavradores obrigados * 



<*- f75-~ 

conduzir à caía do* contractadores es género» qq* 
constituem o dizimo. . , 

,* A arrematação das dízimos f a*-se geralmente no 
ultimo de Dezembro em praça publica, sendo Jui* 
dos arrematante! o escrivão da Junta da Fazenda,, 
tàmú x>utr*ora era o Feitor ou Capitão Alór* O arre» 
matante cobra o dizimo por si ou por seus agente*, 
pagando nós lavradores o carreio dos géneros, een* 
traçara o importe pará-o cofre no tempo convenciona» 
do, geralmente umana* depois* Estas arrematações 
fazem*se de houtc as escuras n'uma praça ou rua, 
aonde os concurreutes passeiam embuçados, cha- 
gando jde tempos a tempos ao pregoeiro para lhe 
d i ter ao ouvido o lance que offerecem. Peio menos 
o* -V>1 la da Praia de Santiago prezenciamos esta 
risonha pratica* 

• - N - ' . * . ■ 

O rendimento das alfandegas i sobre a importas 
jâo f exportação, e ancoragem* que e 4^800, Os na- 
ios #strangseiros pagavam ultimariMinte W| sobrei 
acturãjáexcepçlo de aguardente que sendo estran* 
eira, tem ^5^000 rei* do direito : os náeionaet 
agàm&** 

As facturas dos navios estrangeiros deviam serre» 
>nhecidos pelos Cônsules Portugueses dos portos 
>nde sabiam > mas todavia isso era um pè para 
►ijtinuas fraudes,, vindo jtudo avaliado na fa* 
ura por um preço tão- baixo, que ò dolo era evi# 
o£er. Agora parece-no*, ha allí uma espécie dê 
uta. * 

A uíto menos e sem comparação, rendem as alfau* 

18 # 



/ 



Sega* dtvtjae outr'ora, quando o tranco d escravat*ni 
estava tolerado, que p. e. em 1806 foi despachada 
nesta Província o valor de cfcnto e outen ta contos» 
À irrazoavel abolição dos direitos de exportação so* 
far e o sal também não pouco dimmaio os reodimerw 
tos das alfandegas. Alem disso são pessimamente 
.montadas, eaão devem existir como estam; os seus 
empregados leram pois lé^do reodimento, e.admi* 
Iristram mal por ignorância e por tàa&rêu Depois 
de 1834 foi um ex« Despachante da Alfandega de 
JLisboa nomeada de salto Director Oerál da* Al* 
fandegâs da Província, com 600j|Sd00 de ordenado. 
Em breve mostrou a experiência a rídicularia dèse- 
foelhante emprego , foi abolido, então, -e o mesmo 
èujeit© passou afazer as vezes de, Recebedor Geral. 
— Quaes empregados, tal administração. -- 

A* aTfandega* não se podem melhorar, porque.o 
«eu regimento' mal. chegaria*: para os se tis eai pre- 
gados ," querendo os* ter bons-, em numero- necessá- 
rio e co(hi. ordenados- *©iwen8Mrt6*pu. indispensáveis, 
cotfza essencial papa -haver booe empregados. OunU 
em e meUsoft jneio allí praticável^ é arremata-las em» 
separado, dando-lhes uma pauta bem raçiociaacU* 
em primeiro fcaao* * >. 



* » 



- Síeivos aíhda poiíemc» dízera respeito de Guiné 
fendo* - nos - apenas possível apresentar o seguin- 
te mappa dos rendimentos desta Comarca, tomaiw 
ío o urmo #mtio dós aduo* 1834, 3fr, t 36. 



— *77 



Roteita da Comarca da Gutni. 



Bissáo Cacbeo ^^ Total. 

Alfandega #:219/I30 l;l*V/8ao 8«/S34 4:43Y/4S4 

Importe* • • , 

indirecto* lt/336 «0/4*0 14/760 47/446 
Bens . da 

fazenda 463/OSO 6/400 / 4*9/430 

\gio....> 647^967 t43/035 / 890/00* 

tetkiuoi.: 738/898 J/637 / 740/436 

» 

X3s outro» pratos como Bolama, fà 9 Bplor, Fa* 
m * Gkba ttftd» oostumajm re&dex» 



Se realmente à adnHbUtrdçâo das alfandegas na* 
as é xnà 9 não lia expressões para &* de Guiné » 
to os escandalosos procedimento* q«e diariamen* 
ahi secommettern. Alem desta culpados empre» 
[os, [que nâo tem ordenado]] fas-se um grande 
Ltrabando 9 vem a ter um commefeio direc to dói 
angeiros com os Gentios, como p. e. ao pé de 
sáo em fiandim , &.* não tendo força snfficienr 



te nem cruzeiros nfe se pode impedi-lo, Á injusta 
«violação do Governo France* oco u pando Seu o f 
tirou todos os rendimentos à Zenguichor, e 3 po*r 
sibitidade de commerciar com os povos liraitfofos a 
este rio, bem como e o de S. DomingQs f O Governo 
de Portugal occupado com 01 sagrados interesses de 
conservação nos lógares òchroriica alteração dasfco 
mat fco paia r,. não pode ter ainda tempo 4e pensai 
nestas couzas, que provavelmente não lhe merecem a 
sua aitenção. Quando entfará o paia no s*u eiU4Q 
normal \ . 

Os rendimentos nas líhas são arrecadados por Ad? 
ministradores das alfandegas, que. tàrâbem são? De* 
Ifegados da Contador ia da Jimta da Fazenda, a quem 
femettem o restante depois de pagar -^s-em pregados 
lias ilhas aonde assistem. Em Qafcbeo Ite U47> Delega- 
do do Recebedor, que ao meçmo tempo é Alrnoxa» 
fífe e Administrador das alfandegas:^ Gifíne', tjm 
Bissáa um Subdelegado 1 junta a*- .mesmar func- 
Çoet. 

Muito melhor e previsto em todos os cazos era o 
regimento antigo tios Feitores da Fazenda Real que 
data do tempo d©$ Filippes > pelo Alv; de 11 de 
Abril de Í64 : $ para o 7 Àrchi|»lágo/ e pele* de 14fde 
Outubro efe l€9(*p4r« Csrcheô/ Jjjàtamos- ambos^nãò 
tfrieno* pofe* tenso; pela sua vçaried&te 8 interesse et- 
£ecial.^Notá.&8:«*— • :'. / • 

-' Nos tempos méis modernos anctootratuoe "ainda o 
Decreto de 9 tte Março de H5i9 que oréou $ Pro-r 
vedtM» d«*Rear Fazenda no Ultramar, unindo os Io- 
dares dd Provedíir do Assentamento da Real Fazen- 



4áe 4o Conselho Ultramarino em-uarso lugar com 
360£060 d^rdenedo* ; 

Posteriormente temos em 1811 tugia Carta Regia 
«abre* a urrecadrção «administração da Real Fazen* 
dar nas ilhas de Cabo- Verde. «— Nota 83, — • 



A despes* neste -Pieviocta faz*se somente com os 
ordenados, e potto qttepequenos emèsqui&hos, pe* 
Io; seu grande numero absorvem todos os rendimen- 
tos e ainda aio chegam. De iqMftediata urgência se» 
ria estabelecer uni rigoroso quadro de todos os em* 
pregados, do Governo * tanto militares, como çivXs 
e eeelesiasticos,— <» Poucos , mas bons e bem pogos, 
i a «melhor regra» 

Actualmente já se não praticam tantos abuzos 
[ainda que o< haja ]em prodigalisar ordenados, co« 
mo antigamente, para que basta ver o Alvará de 
D. María 1. de U de Abril de 1785. — Nota 24.— 

Toda a despesa actualmente é feita com autho*. 

i 

risaçâo d a Junta da Fazenda 9 novamente restabe- 
lecida nessas ilhas* em 1838, tendo sido erigida por 
Decreto dé 18 de Setembro, de 1780, e de cujo. 
Regimento dado ê&tâo pelas* Cartas Regias e De» 
crétos da soa cteaçio, se serve agora; O Governador 
co Presidente, osvogaes sio. o. Juiz de Direito, o 
Procurador Regia è>u seu Delegado servindo dePro-, 
curador da Coroa e Fazenda, o Thesoureiro, eo Es- 
crivão. Estes dou s últimos são unicamente pagos.— 
• A Junta hão deve mandar fazer pagamento algum 
que aio seja por _ decreto ou portaria assinada pe* 



ló Mfruttío <3o Ultramar, è a este Ministério' de* 
vem ser enviadas as contas-, balanços , representa? 
çôes e todas as correspondências relativas. 

Parece que deste modo não poderá haver -tantas/. 
dilapidações ? n^m despesas arbitrarias.- % : » • • 

As antigas Juntas da Fazenda succederam ao$ 
Vedores ou Provedores da Fazenda, em rvaâo dos. 
sítrs enormes abusos. Depois âe4834ad©ptou-se para 
al^possfess^es uttfamfetin&fr <»sy»t*Bia <$a arcécadaçào 
e adiíiinistraçâò, posto então em píafticá rn>iletao^ 
fttfam reproduzidos debaixòde outro nome os antigo* 
Vedores de odiada àiétt)oria, voitou-sre ao mesmo 
ineowvenienle $ 'deixando caminho livre áVdtlapida* 
çêet em. razão da distancia dA- melro pote , escaateg 
da popalaçâo e mais circunstancias.. FaUajeos «qo * 
em geral, pois de certo quem. conlrçpej: o bctntadq 
Sr. } l^U>drigaes Bernardo Artiagá, que com ;ta«to ze* 
ló e probidade tem exercido <$ Iqgar de Jtecebedor 
Geralí não o •onfundira com outro jque neste Vogue 
posteriormente negociava- cbra os pagameuiQS que 
havia de fase*. » i 

Mostrou portanto a^xpeVienc!**qHe a. ft&tabele- 
citnento das Juntas da Fasendfc iot a meteor «mais 
adequada medida ^ata* a - ádrmtriktfcaçâo das resUGJba* 
prbbWns; pois em parte *a©conç aq*i&*BQ* aos -ou? 
vfifertfeo» e^slurnadot abusos;: Ifeabem este r*$ta* 
bfelecimentò se deyt ao f*i*con4+ de Sá, . 

'Nâo.^poJ^frms orçar com esáctidão adesf>e*a da 
P^ovincía: apresentamos apèn&s os seguintes fr*g« 
ihcàios que tios fo* palitei «ioaDçar» 



" l * • . . . . " ; ' 

'• 4fáppa da D ctpc%a da Capitania 
$<i$ ilha* de Caho^FtréU cm 1927. 

' - • • • " •■ 

7QX.HA CITI&. - ■ 

« 1. •• ■ - . • * - * * 

* «•* .••*•<.. • ;, ' .»• . . 4 . 

##%Wfiad«Mr. ... . . . ........ . 5:600/000 

Svcr^tarioldo Governo. „ . . . . '480/000 

•Ofljcial da Secretaria.. t40/000 

£>»*Mor ; . .... . r .... ,. 1:066/666 

eBcrif&Q da Corrafçô*, a. ;-. .*. . . - è . ; . . £4/000 

Meirinho. - id.. ,. 38/000 

Escrivão de Châne&lfam ....*.. . 1«/Q0(F 

Alcaide na ilha do Fogo . , . . . ... i */000 

Professoras na ilha de Santiago ...... • IWí/OQO/ 

ld, no fogo. ... ... ......... # .... . .60/000 

' Id. *m S. Nicoiáa...... .......,* SOO/QOQ 1 

Id. riá Brava/. .;.^;u,v...r. l . r . - . 4 . fi&/009. 

^criy fio Deputados • ., . - .. * ., . ^ ■> .... < , 600/000 1 

"hesoureiro. .*.,.......**._,..... r 300/000 

Yox$i?ador da €oróa. . *. ..,..., *. ... . 100/00<£ 

)a nikdoí 4a ..Faxeedí^ ,,.•**.». ... ., .„. . . . 400/000 
. # Baaripturario, l... . , . . . v . ♦ v ," . « % • . . 800/000 

.•.<* \*u ...*^... .;.,,., %vv * t . ./ V^ôo/ooo 

> _ 3 íav MM f , MMMIIMHMMM , .3Q0/00O 

ratfcâhte.. . # t ky ,*,.... . ^ . . .,-_ 00/000 

prtçisò ^. , , ,...♦..,.. 50/00& 

Imof ariíe ; $40/000 



- -.«88:—. 

> 

Escrivão de Almoxarife, lbÒ&dOQ 

Fiel de id.. . .... 50^000 

Officiaes d'aifandega na ilha do Fogo*. • 405/98$ 

Id. na Boa-Vista. .. , ., . . k . , ....,*. - SéOJftS? 

Id. no Maio. , ; > . . . . . . . > ♦ , OT8/733 

V Id. S. Nicoláo - 461/404 

Id. em S. Antão .,,*.,«.,-•.. . . • • . 326/lSflt 

vidrem S, Vicente. .. . ; . **/. . <.. . . . 66/174 

4 Guardas d^ifendega na Villa d* Praia 80/000 

, Somma ........... ...,ll;3tf/«# 



i 



Tenente Coronel Com mandante da VA* 

la da Praia.. ... ....«*..♦. 770/40» 

Capitão Ajudante da Praça. , .*,,*.,. 288/0Q& 

• Id. da Cidade ..,.«.,.. , . ., * . .,.. , .♦ - ♦ 988/000 

Tenente Id..» ^ \»+. 96/000 

Alferes ás ordens do .Governadóc , . ♦ . * 326/000 

Major Engenheiro. ......... ... . • 4 * 4 # / l:8?y/700 

Auditor. . v . ... . . .^f . , v«90j|«ÕO 

CapeUão, *>. i . .w.-. „,.,.-. «v. i* • 180/090* 

Pbisico-Mórw.v. i ,♦«...—•?• -' 60O/D0O 

CirurgiãòrMór* *...,>.,......, . v/. * 380/000 

Enfermeiro, w . *< .,«♦♦.*• , ♦ ♦ # H5/S0O 

Amanuense ..•».......♦....*,. ^- ,/• < •' 11&/S00 

Aluguel do hospital*. *,...*, *,,*,,., 96/000 



Jf*j*F d* cavai leria de milícias ..,„.,. 470/000* 
JcJ. cTinfanteria de. milícias da Ci- 

/ dade,. .. .„ „...,.* ,.•-.. 312/000 

.■Id. dít Viila dft Praia. ..,..,..*.. 312/QO» 

■ Jd.. aggregtdo ,...,.,.. , r M2/000 

# Ajudantes, de Milícias . , ..,...,.. . 820/000" 
£fet dos Tambores das Milícias ...... . 194/400 



* 



pfígadsiro raform^dp , ...,.,.,..,,, ^ 72O/0QQ 

ifajorícl.,.,...,.;^,^^.,.:^^. ,8*Q/4Qft 

#CaplíW id ..,.,..,. , ,..,.. 360/000 

efrurffiâó&Jfcór id. ...... , . , . , 300/000 

Alferes id ,...,,.,.,., 144/000 

3 Soldados . „.,..,, ..,..,, ..,,>.. . 8(5/400 

* Pensionarias* ,,......,,.,.,,,,.,. £64/000 

JVnente Coronel Goajmãndanie das / 

dtuis GornpaobUs.v , „ ,.....*.". .,. ô76/0j90 

gkjtrouaf de Milícias Cpmmaadjante de 

' - S f Jtficolào...,,.. ..,...,,,.,,.•••<•• 600/000 

Jj^pItàAComm^ndatíUdeS. Antão... 288/000 

id. dá Brava, . „ ,> , . .,,♦,,.,,,... 888/000 

Id. de S. Vicente, ..,,,. f «88/000 

'ommandaate mriitar da Boa* Vista. . . « 312/000 

Id . do Fogcv r. ... ;> i , ,. > „■>;. ,;...• 380/000 

fojcr id. da Maios. . < ....... 31S/000 

ontestavdda Cidade. ,,,, ..,...,. ... , . 40/000 



■» » » > • 



âphão da companhia 4'mfynteria.,, 888/00Q 

ãfiçnte id. ., , ........*. 216/ÔQO 

(feres i$ ., .*.*. 180/000 

ipjlão da cpmpanbia d'artilheria . . . 288/009 



V 



Teaente id ..,..•....., Í16/00fr 

f .• Tenente id, . , , , ... ... . .. ;• 180/000 

Id. aggregado. .................. 180/000 

C&pkao Corii mandante do destaeamen- 

to no Maio.. . ............ . . . . . $98/000 

Tenente íd. em S. Nicoláo. , ........ * f 16/000 

4 

Alferes id. na Boa- Vista. . . «... . . .'. . , 180/000 

Id. no Fogo ; ./.;.•/ 180/000 

Pret . . . : . . . . ,.. t ........ w_ ; &8&/160 

Aluguel das quartéis . ,. ...... < $84/000 

T SoHima. ... S&6Í3/5Q9 



\ 



VOX.BA BB MABIXHA 



-« 



Pátrào-Mór .,*.,...; . . ?#0/00<1 

Marinheiros dos escaleres ........... . $76/000 

Extraordinários. ...... . ............. 480/000 



V 



T*tal ................... 1:596^000 



» • * / 



POI.EZ A KC€U6IAaVMA. 

t ! • 

Bispo.. . ..^..m..;í M íh.; v* . . 1 1:300/000 

Cónegos da Sé\. , . . .. . . , . # ,-, . é .-, . , 1:800/000 

Provizor do Biápado ...,....,.;.... 1 00/000 

Fabriquejro da Sê.. ......... .* > . * .. 40/000 

Vigário Gera! ..- , 100/060 

Mistas do Infantado » . . , ,. 60/00* 



Cttia da Sé . . •■ • .', . . <■ .i .* . * . ,. 40/000 

Ooa^jtft^rvid. .. . : .» •.....;...... è «.. * 20/000 

Theíoureiro id. . . . *. ,. • • . v . $0/000 

Matodd Cápeihu.r... .,.. ;. ..,.-„ 30/000 

4 Gapíelfâesr *..♦..... ..,.,". .,...;• ^ . 160/000 

4 Moçoí de .Coro--* . » .. # 60X000 

Organista ,<........... ♦ 30/000 

Porteiro da Massa ^ * .*...» 18/000 

Coadjutor lia Vil la da Praia < . ,. - 24/000 

Ofdioarià aa Convento de S. Francisca 100/000 

Semíes. -..,,.... ,......,»..... 4ojo00 

De* Vigário» em Saatiago . ...•»..... 400/000 

Gnmamentoi . . . ; • ....■..*..*.• 164/000 

li Thesoureiros * •. . .,,* , . .. è . , é .-. ■. . ., , $5/000 

í -Vigários õ 8 Coadjutores no Fogo . . £54/000 

rhexenreiro e Guiaamênios ..•....*..* .. (&/OQ0 

figario-e Coadjutor 85/000 

JUL no Maio ..•...,...*;. ....„ .... 85/000 

iuizamentos 30/000 

igaÁlc* *a< Boa-V is|a . ^ .......... . 135/000 

Id. em S. Amãó -. * :•. . ;. 285/000 

'aizamentos ....;»•.............., 128/000 

igarios em S. Nicéláo ..*.;... «80/000 

uizamentos -. . . . ,-.'... # . , ., .... ... -.. 60/000 

igario em S. V iceaite ....*.♦..... ; . 50/000 

uizamentos ♦....., 10/000 

l * SonuM ..••/.;; • ; • . 7 . &.*689/O50 



« 



» 



ti 

ri 



Alem d'is*o entra *m despesa, o 4tf ppfimetito át 
Praças de Caebeo t Bissâo, que impott» #m "-a»e* 
foi — 10:000,0000. .„- . 

EtfflMi addiçãpttapeci&c^da -^-dk t»*i<i/^é porque 
reduzida a eflfeitos próprios do paia em qrie se isff*^ 
ctuám os. pagamentos:, produz a soram* de vinte e 
'quatro conte** necessária para a eo&teaímeiílo annuat 
<dat praça» de. Guinei 

Para a manufte»çâa eâeetivà - do hfbspítal militar, 
medicamento* 9 fardamento da trojaa,, lu*es pa* 
ra guardas e quartéis , ajgupoas obrar pubWeavjor- 
naes* ífc * . . * 4 . .• . . . . . é . • • * # v * -. ffeOOOjgOOO 
Para a conservação das lanchas e escalei 

rcsda RealFazenda. w. ...... ..„ 440^000 

Pará fornecimento das repartições cm» 400#000 
Eitraordinauos , , . . > . , , . . • . <. . . , . . - 640^24 



^W*»— » » < ■ ■ > ! 



Total da Despeza ^ . .<..;,, 60:000/000 

Déve-se ainda juntar a 4e»peza de v....B{QQQ^006 
*nnuaes com as embarcações de guerra 
que ahí aportam em" direitura ou pores- • 
calla; como também para materiaesje 
jornaes na continuação das obras ou edi- 
fícios que deste orçamento aetoubeoenSo 
existiram. 



Vem a ser portanto a Despeza ......* 

a Receita ....... 33;«00#00O 



Deficit 84: 8000^000 



v. 



— ta*— 

No anuo seguinte, no orçamento de 1828 appa« 
«jpe a despçga ealeuiada quásina mesma quantia. 

Pessoal da ser v iço » £ ordenados 9 soldos, 
gratificaçôeSj-.farraçeh*, ajudas de cus» 

taipe.],.,.^ ■....-.»...• - M:6«6jfO0O 

Dofogdes par* Corporações reiigiosâre - 

estabelecimento* pios* ....«,, 6^009^050 

Material do serviço ^ [jornaes » farias , " 
transportes , «gtaeros ] . v . ...«., * «-, . . tTitóOflOQO 



*m 



.- \ 



Total Ôô:*lò^27« 



» » 



i 






:?ío -fdafcorio do Ministro da Fazenda , o Sr» 
Campos apresentado 4 29 dç. Fevereiro de 1836, te* 
ufóê dm matròr^ seguUit* exposta a defesa. 

. AÀninièti^ôes ^ivb « . , ♦ . ♦ • .. ; * . 1 1 :196£566 

Clawe militar _ . . . . ... .. 38:613^660 

listado écdestesiifco .*.',,. • . 6:009/050 

Marinha*. ,-.«« .w.í.j ,*.. ♦. . .. 816/000 
Petpeaa* extraordinárias. .♦ * . . . , 9:680j009 



<m 



T«tal . . . > . . ..... . . . ..... 40;315£ 21$ 



. • • - . ,'.•■• • • t 



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** — * 



i 



.« *\ 



,\ 



i 



attestatn do teu estado de futea; A ratão é <pie at 
authoridadesr são negociantes» edeVéram ser etimi- 
da* deste penozo cargo da conservação.- Afiai* krora'' 
ri o estado tora fc*o;— l 



♦ »» 



i . 



ff&petã em Guiné nó% anfwê 
1634,-1835,— < 1836, 



Bisfáov Bolama; Fá* Creba.... w 7:040^687 
Cacfcea. feufofe la«n*> Zea^aiabar •;* $t%4&$7i& 

Total» • • «• . • • •'•'•'•'• •« r - .' • r- . . •- $3:*384$Í30& 
Receite. . .... . ». ^ ...... 6:574/73*7 



Kfelfcfc. . . ........ •. w. «*• . ..' 6;709 £500 



Este cfeficít amortírftYa-^e pejo cofre da Frovin--- 
cia em reiftefts*» de especiesy effeilo*, a*eet*aiMÍale-' 
ira*, efe* 

N'etfter fie* amjtm em* cp*» tairfo ntfdfcspezáconio' 
e receita ^ to&msH& o fertjwy médio , , reme» <j)*er c* 
rendimento dW alfandega der Zengtiichor é proxima- 
mente 06009 ^áwr^-^IÍa aífr um J?i«J eardminri^- 
dor desta f.fó*«dkga çpm 60000 d 'ordenado, fora 
c+ eoiolantfenfo* c8| sobre o rendimento, como o 
escrivão tem 1 #4$000 e 4 § ; o meirinho e guarda 
de numero tèetn $4$QQQ cada mn f Todos estes* or- 
denado? tão mesqujnhoi cyie tão, excedem a receitA 
pçov^vel de, 78^000 1 i . 



íq Go^ernp da JRtoyjacU efa de ; 3*319^000, «com* 
por>ba*se o pessoal' de w^ empregados, quando an- 
tigamente" ha via só Uea^i 1a>po«;4**u a despeza em 
799^000 rei* Isto atada ao menos foi estranhado 
n*uma portaria ao Ministro da Marinha • Ultra- 
mar o Sr. Ottolini, e mandado procederá reforma, 
mas ha milhares de factos semelhaaie*, e em môr 
parle ignorados aa metrópole. • , 



Relativamente a Guioé ieiOás á segú idtá despesa 
feita eed 1819 na Praça de Bissáo e sua* depen* 
denciaí. 



* . 



Lista M ilitat. 15:Í59£790 

' Id. Civil .; .♦...: M4/800 

Id. iicclesiasticá 113^000 

Id. £ Ktrqof diria ria . . . * ; : £:54íT$15l 






Total 1 8>950«Í741 

Efltrém ttilídespezas que não podemos deixar de 
especificar, como prova da btfa âscaílzaçào. 



/ 



r* 



* Por varias safras 4tè ártilheria e 

mosquearia it^eate* átiiiò .;.... 1:890^450 

- Reparos deèáfaw e ártíFtariW: ; . ! 3:%tí0tO 



'»l. n •• v 



.^ • 



E* de notar ^ms em' GuinetodoíT ôtf ánnos séac- 

&\ta boa^qitatitfé pata a conservação dos reparos, 

artiiheria e fortificações 9 e lodos osátmos os ófficiosi 

1» 



—€•*— 



*s 



.' 1 . 



«luttd. 



» 



« » 






Muito se ièmditò, e tradiciónàinítthte continua' 
a repetir acerca da insalubridade destas ilhas , que 
pintada com negras- core» , tornou-se em Portugal 
proverbial. Eàia opinião' generalisada e em mor par- 
le sem fundamente», cauza um damno muito grave 
ao adiantamento progressivo ejesta província , aonde 
os Europços cotrt cst»at»tecipach> idea sempre se eon- 
sideram em vésperas* de partida. Nào curam de es- 
tabelecimento algum iudust f toso ou agricuto,' jul- 
gando de não poder esperar tàò*íoiigiquos resultados, 
c assim entregando-se a um inero cornmereio de tro- 
ca, conservam-se e;ii vésperas de partida por trinta, 
quarenta ecincoenta ânuos. Ciiegâ finalmente a* ve- 
lhice, definam, ena hora derradeira nem tèem a con- 
solação de ter deixado alguma obra merilofía que 
influio para a prosperidade da sua pátria. 

Procuramos dar o nosso fraco quiuhão' concorren- 
do para extirpar este fatal prcconceiío', e apresen- 
tamos assim ascouzas comoeslam :' sem exageração 
para lado algum, dando deste modo uma idea e 
cia do clima desta, Província. 



— >»3— 

Em quanto ao Àrchi pélago das ilhas de Cabo* Ver- 
d#>, situado entre 14/17.'d7MoV da LnUboreafe 
portanto debaixo da zona tórrida, exposto ao sol 
abrazador dos trópicos, do certo não pode apreseo> 
tar o clima das margens do Tejo ou Douro. 

Durante nove meu» do anno, desde o Novembro 
arte ao fim de Juiho reinam ventos geralmente do 
quadrante de Norte até Leste, em maior parte Nord- 
fistes, portanto mui frascos e sadios. Nos gestantes 
porém 4.Tes meies, oequâ-zi constantes ventos de Sul 
«'&»£, augmentam muito ao calor: e nV&te tem- 
po jcmhem as torrentes d'agua queestam para os ha- 
bitantes e principalmente JEuropeos, na. razão ín- 
versa do bem que causam às plantações. Nestes/me- 
xes ha mais doenças, porém não existem as taes fa- 
migeradas carneiràdas., raio morrem tripulações in- 
teiras: — tudo isso são contos, exagerados de diver- 
sos modos, e que convém rebatter e esclarecer. 

A* ilhas mais doentias &ão, — Santiago e Maio, • 
especialmente a primeira , e algum tanto as vezes 
jx Boa- Vista. Têem reputação de sadias e realmen- 
te © s&o, — *S. Antão ^ Fogo e Brava* 

AHba deS. Nicoláo periodicamente é flagellada 
-também por alguma doença, ora febre$, ora- graves 
dis3enteria9.Env quanto a illia de S. Vicente, ha- 
bitada poryris trezentos indígenas, itào se pode ain- 
da determinar o estado de salubridade com todo o 
acerto; notaremos todawiaque por vezeá tripulações 
'.numerosas lá passaram algum tempo fazendo agua- 
da nosmezes doentios,' e gofcando sempre de boa 
• ande. * ■ . • . • •• - 



— §94— 

Julgaram algttM ter - achado • <*i#rm 4a» doen- 
£as.em Santiago, «os miasmas pútridos que exfaala 
uma lagtfa na freguesia de S* Al íguel , seis légua* 
dUtanle da VHIa da Praia, Esta hypotbese porém 
não tem fundamento , pois a agua desta lagoa não 
* stagnada, commun içando «m todas estações com 
4>mar na cuja proximidade .está situada» Além d' is* 
ao no tempo das chuvas, quando mais padecem os 
habitantes, $om*><le*agoa uma ribeira nesta lagoa, 
leva ali suas aguas para o Oceano. Devesse proou* 
»ar a origem das doenças de Santiago nas causas ge- 
raes que *s produsem temelhatiítesem <quasi toda a 
largara d' aqaella sona na época dás ohjjvas. .«■* 

A ilha de £>ânf if go :é portanto a uniea batp doeu- 
Via tios três meies das aguas; mas especialmente a 
Villa da Praia , «Cidade da Ribeira Grande com 
setis contornos, ejtajj}b?tty a freguesia de S, Miguel. 
No interior daiHta? já principiando eoiS. Domia- 
tgos,«5*Q# Qrfaos, ps Picos, a & Cálharina, Ki- 
beis» da Barca, $$0 muito melhot es.. Todavia o pas* 
sar fl ooule ao sérefeo, e apanhar a cacimba, bem 
como estar exposto ao foj, *e. nâp occasioqa forte 
idofíKça e morte, .çejgpjrg jpofcste jfcesmo os , oacio- 
aa6S,-*-.o que não acoptepe p$3 ilha. de 8, Antão, 
Jfcrava e^Fogo. A Vitfa daPraia i*ão &f&k<$ó tão 
mortífera como oi|tr'ore, atjjibuefSir e Raives não $api 
razão, a terem*se elevado moitas çaajas >fa *obr&dp, 
e piíncipalmaote cobertas com ^elfe^ , acabando 
assim 3& palhoças, —o q^açe 4«veao. Governador 
Chapuzel. P. muito mais ainda havia de melhorar 
e»ta villa, se o valle que a cerca fosse cultivado, 



— 296— 

njlo formando charcos e poças estagnada* , como 
acontece no teojpo tia* chuvas. 

Realmente deyeçauzar admiração eattrahir acu« 
riojsidad^ d"averíguar «seaucas, porque ilhas tão vi- 
dinhas iêem climas tão diversos, Nâo ousamos apre* 
acatar hypotheticas asserções a. esse respeito, não 
possuindo bastante cabedal cie especiaes conheci* 
mentos nesta mataria 4 nerçi 4*periencia d'observa- 
ção; liroitar-nos havemos a indicar os motivos ge« 
raes das moléstias que ailí nos sítios reputados 
doentios,, afaçam vs indígenas & ^estrangeiros. 

.» -. i • 
O provérbio diz iá que se deve evitar quatro SS. 

— •o/, satã, soa eêcrónot e«ste trivial rifão encer- 
ra toda a hygiena. O sol é muito forte Àodo o dia 
e pelas quatro bojas da tarde regularmente solevan- 
ta de súbito um Nordeste muito fresco- Transições 
repentinas do calor para o frio # são tão nocivas á 
na^uresa^ e occasiouani tantas doenças entre ostro* 
picos aonde se. suocedem quasi sem intervallo as 
diárias revoluções, que as não podendo supportar as 
fibras e fluidos dos homens, especialmente dos Eu- 
ropeos chegados de novo ^ promovem doenças in- 
flam maiorias da mais forte "espécie. Pôr isso tam- 
bém as chuvas são tãofatei* n'aquellet paizes à saú- 
de, porque sendo então maior o calor de dia e o 
frio de noute, tornà-se a atrnosphera ainda mais va- 
riável do que n*óufros tempos. Calor sem interrup- 
ção não causaria estes males , pois trazia comsigo 
um grande remédio no suar; e assim totna-se o cor-, 
po mais sensível ás impressões do frio que suecede 



—296 — 

ao calor , a ponlò que ainda qup isso pareça s*í 
um paradoxo,— e o frio que cauza as doenças nas 
flbas de Cabo- Verde. — 'Por esse motivo lambem, 
são tão nocivas as cacimbas; eltas são ás vezes t5o 
copiosas, que parece pela madrugada ter chovido de 
noiité; porem se siò vantajosas* ás 'plantas, faze ;i 
niuíto mal à quem as apanhar continuadamente. A 
cacimba e" uma das causas', que tanto padepeinallí 
e definham os marinheiros e soldados," que mal ves- 

* * • i ... 

tidos, mpl nutridos é quasi sem abrigo, passam as 
noutes sem ler nem capotes nem mantas para seco- 
hrir , e dormem no cbào! .... 

Hicharc( Ilawkint que alli viajou pelos annosdí 
1593 observa que aíií, bem como em Guiné e todos 
os mais paues enlre-tropicaes, alua tem urna gran- 
de influencia sobre o corpo humano, e p5e-o cm peri- 
go passando as noutes exposto ao sereno ao luoV' 
Este mesmo navegante- chegou a avançar que estas 
regiões eram para a saúde as mais perniciosas do 
imiiferso; e isto j^qrqije í\uuí yy-ies queatli abordou 
perdep grande parte da sua tripulará o cotn as mo- 
l estias do. paijç. 

« » 

9 

9 irçnjgde^aílg pso das ceias laudas, que se faz 
pelas dez l|oras Ja Jipujte é muitíssimo impróprio o 
]jrejifj4if?jal # sáutjp : sendo o corpo debilitado 
pela contínua transpirada, produz grande* índi- 
ce, tòçs que conforme obbe; vamos, toem levado cm 
major parte 03 i£uropeos ji sepultura.!^-; 



Ein qnamoào irt timo foé quadro SS— ■ chegando 
a este pais mio é e3s<*hcia>l aíhstar-se totalmente do seu 
moderado uâo; rflas #odo fy acesso e perigoso , de- 
vendo conservar 'Coã li Meneia ^anto- . bômena c&* 
mo mulheres.' A mocidade espèolaí mente deve détc** 
se por algrim tempo. lía muito mal yenereo àlil, pf ii>* 
•cipalitiehlé' ria V ilta da í*rula do-8aalía*o e na Boa* 
Vista, e não fca sç>ÍH*e 'íko- ,ifcvtth$Mrats próviden* 



Cias. 



O gue diz íesprftp íiõ fíilo, deliam os wwovitt* 
dos d' Europa jUfàzé^Tcvè^dè panwó, com modo- e 
sem constrangimento.' 'O de tinhò, r*lgó<rão óti seda 
ainda que pareça n|íted*vc4 tfc ; dia., fluo prtjst^rva 
ocòrpo tias inúía!)Çtis âeí tem^o # tarde* e do frio 

* • • 

de noulé: ' ^ ■ '- • * * 

Os IràbitUnW cm g^rçw! 9 th«s N espacialmente os 
Eurôpcos, ou o*d'o>?gem Europ^a costumam beber 
nos calores aguardente de Carina com asrifa, aclvan- 
do a ag«a : pura $à ais prejudicial a saúde. Noemtati- 
to é de notar que çsta^btHrfda^ehi continuação aui 
gménta o 'desèjvrdos' espiVitos^e dimintie seas effei* 
tos: também petiços são afd f>s que vivem muito 
ternpò nVqueila jiratíca itrtnródejada > sem hcftpKÍ* 
rir p detestável máo hálito dos bêbedos, estupidez 
próxima do idiotismo Vímf>títencia. Aguardente de 
cantiáboa e senicòpfeiçãVçomoé h 'estas ilha*, mis* 
turada com* agua é muito Uíra bebida para genfe 
laboriòza, sendo lo muda coin moderação j -e talveí 
õ ríièlhòir liquid&pnra 'acalmar a Sede, poisa frgnar» 
donté melhora an£uaè promove a transpiração. (>» 
mariíibeirós^ sotdadus- ''e*' toder-a gente baixa rmeveiri 



-~£98 — 

pára lá d* Europa , dào-se com excesso a beber esta 
aguardente pura , e no seu immoderado uso acham 
a sepultura. O rum [aguardente de ca una] novo é 
mui nocivo, beb?ndo*o sem agup. Espaatoza foi a 
mortandade das tropas Ingleza&nas Antilhas nose- 
eiilo passado, promovida por esta cau^a ; e o mes? 
mo se repara na baixa ql^sse dos obreiros e brancos 
em todas as pluntaçôer geralmente. 

Também é nocivo allí o uso dos ácidos: em iodos 
os. climas cream constipações esào fateis aos órgãos 
da digestão, A agradarei sensação que promove o 
•eu .uso era clirnas. quentes /«z jcoin que selbe toma 
gosto., mas é à esta .mesma cauza que se pode aí. 
tribuir a debilidade e obstruççãp. de .estômago,, a 
*rieza da pelle e em parte a pailidez geral dos ha- 
bitantes dos climas muito quente*. Os natujaesdas 
filias ecolonjas francezas betara tanta limonada, que 
com esta verdadeira dieta vegetal perdem geralmen- 

4 -* 

te de repente o appetite e a digestão, ao. que segue 
lima frouxidão e abattimenlo eu» lodo o corpo. Os 
ínglezes bebem mais espíritos queps Frapcezes, es- 
tes mais que os llespanfeóçse Portuguezes; também 
nesta proporção: e a reL^t|ya> mortandade nas suas 
colónias, 

O, prazer de bebidas frias é um dos maiores gos- 
lo$ nos climas quentes. Um copo de vinho ou agua 
oevada produz uma sensação agradável, tão diflfe- 
reoted/Hjuelle bebido no gráo do .calor da terjipe- 
ra t tura, ordinária, .que á de desejar que se generali- 
ze nos trópicos o uso de nev.j. Este objecto. aiuda 
yue seja de iuxo algum tant«>, de maior aprego seria 



— «Í3 — 

ê 

p. e n'este Arabtpetago, aonde é totalmente de*, 
conhecido o «eu usou Julgamos fazer algum ser viç* 
a estes bons insulanos, apresentando abio modo de 
«ima preparação arti^iaJ de neve, simples, com mo- 
da e barata, -• * • * 

Em quanto ep doenças que mais assolam esta pro- 
víncia, relativa utepte à^ilbas pr>de»se diser, .que 
iuu» tia altf moléstias de qualidade alguma , excep- 
to a grande endémica , que aos parece ser a febre 
nervosa reuwttente e as vezes iiUermittente , quaj 
sem sjrmptomaê pútridos, tem a sè 190 systema ner- 
voso. 

E ainda que esta febre, como já temos dito, pou- 
co ou nada se sente fora das ilhas de Santiago e M aio 
e algum tanto na Boa» Vista, assim mesmo a mor- 
ta-ndiíde seria aiuito meíior, e talvez evitava-se to- 
talmente-, 104» and o as. precauções ,e cuidados neces- 
sários, 



v- • .: • ' ♦ 



a » 



• - * • * 

• Tomè-se igual pezo de agua e óleo de vitríolo, 011 
por medida t de Vitríolo paral^ de água. Fas-se esta 
mtitdra pouco a pouco; em esfriando dtssolvem-«e p. é. 
16 onças de salde Glaubet era 14 onças desta matura* 
deitamleK) Sempre em pvqtjeims .porçoe*. Este. Sal, previa- 
mente não deve ser ex posto. nem. a, ha nem ao ar. Qual- 
quer liquido mergulhado nesta tylugia n f um vidro dellega- 
do ,• fica nevado de pressa y descahindo o Term : de €2* a 
— 10.° Com algumas repetições pode-se até gela-lo de 
todo. 



--300 — 

O» preto* não so&rem tanto coíbo o» çreolos fiv 
tbos da terra , o que observa se geralmente em- to- 
dos os patzes trópicos. Dos Europeos padeaam mais 
os soldado* os< mafujot, «m rasuo jda sua 
intemperancia ., ~ dcbocb* e tamberq. privações. 
Se alguma associação, alguma parte do corpo so« 
cia! fherete a este respeito- orais considerações e di- 
rei preferencia, é de cerfo o estado militar que de* 
\e ser Gon tem piado pelo Ooverrço, sç mesmo não 
pelo sentimento da humanidade, de serem os sol- 
dado» arrancados das suas famílias, *egetai*do as- 
sim aos cuidados do Governo, mas tombem pela 
idea politica e commereiid da perca que soffreoe*» 

» 

tado. -* 



. « 



Estas lembranças por tantoque em seguida apre- 
sentamos, servem tanto para esta província, bem 
como para as mais possessões Ultramarinas. 

No tempo de paz, o littoral que nos trópicos e 
mais quento não necessita defesa. Considerando en- 
tão somente a saúde, deve a tropa haver seus quar- 
téis nas montanhas pp interior do paia, aonde o ar 
geralmente e mais. fresco e sadio,, ou n'aJjcutii ou- 
tro sitio rreconliecick) por \#\» Allí o . spjdqdtt Undó 
exercício, conserva a saúde fi vive muito bem, cul* 
tivandó hortas para nwlborar o seu aJUneato; em 
logar do que 6ctindo{ia« viltas situadas nas baixas ou 
portos' de mar, nem é bom moldado nem • çidadào 
útil*, e aonde perece de doenças' occtusJonadns pelo 
excessivo calor, indolência^ 'bebedeira e devassidão, 
filhos da ociosidade. 



— 301 — • 

• 

N'uma palavra, repetimos o qu«jtuil «as temo* di« 
to, era todo o ultramar çonvemosvstema da» colónia» 
militares,— é mais económico e «m todos os pon- 
tos offerece vantagens tonto para ò soldado indivi- 
dualmente òomo para o au'gmento da provinda. No 
tempo da guerra efevem díffererrtèmente ns fortale-J 
zas ser guarnecidas, eo liltoral defendido» Masen-^ 
tão á troppa acostumada e aCelímaiada menos risco 
correra com as dóvnfças. ' '. 

Dissemos que a íepenthia tVansfçSo docator pá-' 
ra o frio e uma cias princfjiaes couzas dus moléstias; 
persuadindo-nos' portanto d*esta verdade e teirdoern 
vista á conservação dt> desgraçado soldado ,.tle\e- ; 
inos lerubrar-nus , de que mudo se-hrão dimiuurr os*- 
seus males. Seria de grande vantígetta , 'fscnJobem* 
entendido bem alttjadu, nutrido e vestido,] que ca-' 
da soldado tivesse duas eamizas de ílanella largas e 
cheias, para poderem servir ainda "depois tlc lava- 
das. Devem as vestir, logo regresSihdo ao quar** 
tel, depois de exercício , marcha ou tendo estado 
expostos ii chuva ou máo leinpo. Custa accrediiár 
quanto o homem pode sup portar , sendo assim co- 
ino embrulhado em flanella. Nào menos fazendos r- 
vigoemmáo tempo o soldado deve conservar esta Ca- 
miza. A flanella quebra á força da impressão do frio 
do ãr nocturno que tende a pemHíar no corpo' é 

* " ' € ' ' ' " " 

ao mesmo tempo nao obsta a transpiração : acqui- 
esce sem incòmmodar, -— grande consideração para' 
o soldado. A flanella faz unia fricção n a pelle, con- . 
serva oí poros abertos e cria- portanto urna atmos- 
pliera constante a rodado corpo. Kste vestuário pa- 



— 303— 

* 

rece*nos dabioiuta necessidada tanto para ov offi. 
cioes como soldado*, fl&o só como defeza contfaob 
inconvamieritos d^ et»va, cacimba e ar^cfa noute, 
mal lambam piara qqe pondera depois de serem mui- 
to, êatrçadbr*» quente», e moldados, a transpiração 
oão foss? lapidatnénte repretmda 5 mas o corpo esfrias- 
se gradfòatõfeate* — - . 

Os tfgff ntfeft* portanto d^gosto, Sefetnbro, e Ou- 
tubro senrfo* para terra os melhores são para os ha- 
bitantes os peiorfes, tocfavtatf ,. ȋq ha taes decanta* 
das carneira dar* foda a moléstia, éonsbte em uma 
febre aguda^ §eu$ signaes precursores são os mes- 
mo,*, symptoitfa? das. febres e constipações , mas 
à constipação »eguè logo uma febftr valente, e as 
sezões igualmente sãamuis forte», na proporçâodas 
causa*. Ma# q^ faeefc não são de curar esta» fe- 
bre* ! 

No emtanto vejamos quaes sâp as providencias que 
se, tem çlado a respeite do cli(na )9 para a conser- 
vação da saúde. Nfl* ilha de Santiago por acaso 
ha um hábil Ciru/giàoi r Sr. Joaquim Martins Fran- 
co, quç sendo por opinião politica degredado no 
tempo . çle D. M igutl , caiou ailí com vantagem 9 
• assim p6de acceitar o despacho de Cirurgião- 
JM[ár. dof Ho*p\tae$ da Província. — [como dizia o 
spu despacho em 1834] Mas aonde estam estes lios- 
pi taes? Na Villa da Praia na mesma cazinhaaon- 
dç a Misericórdia cura os seus doentes, ha um re- 

* • • . ' • > ■ . » —• . . , . .: . * - 

canto para a tropa »e marinhagem , ^ é o que se 
chama vulgamente Hospital, além do qual nào ha 
nenhum outro eoj toda a província. 



— 303 — 

- O Sr* Lima nas $waa annoUçõcs à Memoria do 
Dr. Castilho disse , que o Sr. Martins então 
Prefeito, mandou em 1834 para Guiné um Ci* 
rurgiâo-Mór e uma botica, e que se fundou um 
hospital em Bissáo. Pode ser que alguma vez pen- 
taesé n^isso e não negamos a tenção, «ias 4ò» tu. 
do provavelmente isto será, como as arvore» efar* 
dammtàj pois nos fins de 1835 «abemos com 
certeza - que não havia em Bisaáa . nem me- 
dico, nem cirurgião, nem hospital; menos ainda 
poderia havê-lo nos outros pontos da Gosta. 

N 'outro tempo houve é verdade um Cirurgião 
em Guiné; é mister porém lembrasse que estas 
praças distam 6O,kg0as iifnada outra* 

Na tília da Boa- Vista ha um Cirurgião? o Sr. 
Htppolito* mas este be*n cidadão , de. quem já a r 
tias teniç* tlde a. occ&siâo de /pilar , e sempre cpm 
o* mesmos elogios tecidos pela verdad«r>e estabe- 
lecido e tendo outros afazeres cura só o amigos e 
gratuitamente. ...... 

Na: ilha <fe.S«/Aatao ha verá doze annos por cir- 
cunstancias d* um naufrágio, depiorou-se por a|« 
gum tempo um; medico dos Estados Unidos <VA- 
m eriça ^ e tanto gostou do paiz, que neUe quiz es* 
tabejecer-se. prestando «eus soccorrp* sanitários a 
todos jpft habitantes da iiha, com a condirão que 
lhtí d$sse- c%da. iiheo 100 réis fnnu^lmente emmoe-, 
da 4p paiz, einn^meraric^jç^v em géneros; a esta, 
retribuição acharaa^uito* pezac]a.e calculando que, 
% soa*#i*a dotal fazia, perto de S:000$000 r negaram, 



— ao*— 

*e^ -p-De insdo qaè atrUialmeitfe -esiorilbâ t«lv{2 a 
mais belia do' árclripelago.oom . WJjftQO JinMúmies, 
aio Leio nem. botica i»4m cirurgião; 



i. < 



O* habitantes: gftrahmnM *8b oníUK tteainbeiros, 
presiMitear cmbecet ai propriedades dto muitas pbu)« 
t-ae medicina** que a oabureea eipaibou a'e»tas 
iibas amn muita muhifiáenciar, ecoai sua falsa ap~ 

* piicaçâo angftfteftiklka geralmente os' males que alui» 
urá factdratàro aftilbacia bem depressa- 



As moléstia**' tbafftiidaft da?t<?rra são pottdttlô fo*< 
bres, sezões, bermtraxlias e sarna*. V árias pessoa» 
logo depor* ah i checar Gato* attirtadás de uma* erupção 
de pequena» borbulhas ètteárnudus, e isso tem terem 
febre; rebentam rémdíveÁas partosulòieorpev'* prin- 
cipalmente n'aquefks que ressentem tnais calor; aii 
aonde maior -ú a irr Ua<^' otrf rkçào. fia quetri le^ 
r.ha esta erupção todos o* annos , e a algamas pes- 
soas fonnaRi-se dentro d*^ucila^ uni bi- 
xinhos que se éxpremet». 

■ Os symptomas da moléstia da terra são dores so- 
bre os rins/ cadeiras, * modulla espinal, e nas 
/untas das extremidades, '—languidez do cor- 
po, esprejdtçadoíiròs ,• 6f d A pafecerido éslês sym— 
ptomas, cóst<iiha»se 'dar logo vomitórios; se uma. 
febre forte se declara no óutto dia e'bom signa}, « 
estai ãtaltia-se com imris vomitórios No caso coiv- 
trario^e a febre iíuo cètleS' da-sé t*m pur*a»ie ao 
quinto dia : sendo rèmittcnte ao sétimo diat 



4ppiicam-$e sanarias, téntosos ou sarges; com alw 
guas-còrdiâei, lisa frat » . nâistuta salina* £fc, acaba?» 
*e ae cufaf e«U febre. Asterôes q\ie geralmente lb* : 
fftfeèdetn, passam, c4m, sulfato de quinina e outro$ 
áínatgos. A alguráaá pessoas incham as pernas^ e éón* 
|TA isSo bastaijí passeios • banhas d* mar; Também 
ha zílt muíbèré» .chatf&aâa» cdradeircUj que coia 
Cíildo^, sodofífico^, òl/rfleres ç remediotf d\er?**j cas- 
tas^ ruises è diteWas pfabtas ritédícioaés que allí 
abundara , atalhem perfaitainíçDte estai itiolestfas. 

• £* dé admirar <jju? os que #o ffrjateiro anho da 
sua chegada tivefa;iti amolçftia é escaparam, podem 
áe contar salvos jlara o futuro ; ma» auzeaUndo«sé 
poi w*i* d- umas 00» na vph» gera Impala tornam 
* teêa&ir: » ' • , • 



-Boi} quanto ac* hospitaes, pára toda a prtftitt- 
ih Jsa? actuou na ilha de Santiago; que^d* Mi*«*i* 
cordía. Foi fundado na Cidade da Ribeira Grande 
*m 14^7 póc filiei D. Manoel , determinando por 
Carta Regi#de 30d# Juobodo mèstóo ánito, # que 
3o* beto dos que morressem <rí> itttedpta ott semher« 
4eito* conhecidos, páésem ao teéttfio hospital. 
r fia Cidade da* Ribeira Grande,* construído cqol 
{rrtndeza toa* ao péssimo local , hoje astá abando* 



•4P 1*< *t de Dv Manoel'*-* 15 —tdnV^^oaabf* 

HO 



Hédàs *ndò fnfttadado peto an*6 dfc f 8t5 par» s 
<rflla da Praia, aonde em ves dir» beile»-rf«¥m{lorío* 
Çat tmbanB Cidades ^4 abrigai* **«m* t*qe*n« - 
tatínfeá; i i ♦ . festf èatfia cotívinbá e n<fd ato se a*» 
ptofím prati«ab^Ob4í%e pflfraUfrrinn* p u* 
fclicfc brotè> A Saafta Ca» <d* Htkteríéotdl* 
ftèfft<ba»lkBtefr *ettdfttN?nlos f fcâfes»a**«fc 

Ji»oê^w. . . . . i . :•• : - . ;-.-!. . .'. U*v^ r - fft3j$89&< 
gD-aftéto»*!* Mentor j-dattfe» fcad** * i '*- 

•tf*»* èa* 4& f^iwferfii^ ^ iito • ■"•■ ; *• 

- JUém d'èê*o- mu» irt^kas retfft esmolas 4tfnsMpJra~ 
^•itvrtoasiiesl»* inf*koh^Of^ *wi» '-A» aatfr ateis ida 
«òdbcMik «fito ^rfi«Nmb<rosís«w éjMtfptH» >geffaèfrroà» 
ie.<8»;iwaljme^HaAtói«<*eu^ .o qm 

de sçíaribpaii q^ frfe sa c ddaa; JAiftgueib já^tfaaessdai* 
âOft efttfl^^^qMft.9^ ' 

-«bjabfl» -èa» «quârn hwps* Mmétt ttt&t-fhi anedb * 
Duior parte dog offçríitf » da me^a^âo o* próprios de- - 
vedores, nao pagam a» swas dl vidas > nem por este 
motivo .exigem dos outros, e astiai "o* pobres* sao 
sem abrigo e consolação/ Nen» está Misericórdia 



v: 



ê I 

Igreja/icotó p no*»* ã# JMjterfrpjr#ft.j tfíty &*& *ÍP1 
àúiritvte para í*zer \qjtiftlqtfpr o&ra de çaf idade, 
• - Os roariojtaitfos.» es trapeiro* adocjcerçdo no parti) 
da y*lla Praia yiworse. curar jpara ps^e Jlotpital da^ ' 
Mbciitttòàia > «Ãtocfe $agaiá a despe** os jeapocti* 
ié* .Cjausutes. A mar inhagepj 4e guerra Jiaciou.al bjecp 
éomõe os soldados também ah i são cura/fos* De jivq* 
à& Çwiti&fiv&Bo flSplienp t^pjtaljSfiu, .«çopiapo -. 
ca * gia/«fcjfer gftía aoflUaJUup^ a> ypjn* çia{t da 

,- Sê iima ye* ( pe£a£ Bi.ftlfrífeda> 8^ç^a/ia? dp Ul. 
tíkttiar A? itfeiirasfa pftr £ca , ofj^çftp, ao ,bjBfli jtttljk 
ço**r joteficsfe iiiWísqujjrlu* áe -Iq^idiw^ j* Jw/qp* 
fia* *o*i Mwdajiça <Ja .G&ftital 4W*J?« y^qtpj 
Fógi> ,i>u \S, AialíSo py^a^^sa MpUj ; &H*Q?a« ja 
poupatfarç* yi&i* f4e itaiiftof i^f3paps ( /qij^-;f^iwDá 
woLiaifta : np peMlfcra SaníiajjQ, graÇas |t uma. iacom- 
jtfebeaáwí *? c c*iaHflt»a &eUn^t .pu autes ( a£aikia ,dQ* 
£fctte*i*0»tab; ^eln' querer, cpj^ervar ,a çapUa,! Jao ' 
«peio* sitiou Aòrób nem am /edi&cio .pqssiie Çtar 
frirno 5 jionoçLe jjwia po*sa desculpar ^o^ftlbauAç Mbt 
aturdo I — *f ■ ' ..1 .- ' 



*< •» 



►v (Apenas 4íina .«efe jtácontfamo* .cjufc jeAomotí »«tit» 
ardida tendeu te a melho/arjo catado ^oilpripUa 
^roTiiicia; foi o Aviso Kegiò de 16 çle Juaho de 
1811 *para que dous ai um nos desta Capitania fossem 
à custa da Fazenda Real aprender a Cirurgia u<j 

■ " . < 

to • 



Rio de Janeiro, para aí praticarem xlepoi* 1 na tua 
pátria. ♦ Actualmente ha aigqns filhos desiaPro» 
ihncia nas Aub® de Medecina e Cirurgia em Por* 
tfigal', pore'ai bonr .seria que o Governo* para osani* 
mar decretasse, que completado 1 oeufsoe sendo a p* 
provados fo»em providos no* logares que foUar«az 
tSwtua 1 pátria 

' No entanto' para ondíe <|ue forta franferida a" Cis> 
pitai, e d' urge o te eimthediata necessidade * com- 
trucçfed^mn bospíta^ Áderpeza íttòaVeá ieíla cort 
UYri bom, pada é* na escaía.día* despegas y ee um 
solecismo ila' economia politicaste* um móo.» Êstè 
êffí poucos tronos priva o estado de imiito^ bomentr 
«tos qúae* o valor no* ealeulo po'if itfo oxcede a q«an* 
fia necessária para eoittfruir irtn opfimò. Assim jul* 
gatn muitos- que para tçr hiw 'bo*pilaJ arejecfc» e es» 
paÇtfeo, basta «oUocar muitas portas e janeIJasem 
todos és» sítios destinados áos doentes, e tê-las sem» 
fte 'abertas. Sem dwida q^eosbospitaes devem ser 
▼etr* liados, ma# remo o doente não^< precisa seFu*» 
fijrfadoy **° p***ct* c*u vem que haja torrente» 

Pois- o* corpus doentes em climas quentes- áe-* 
vem-se consertar fpeseos, e em caiar espaçosas, pa- 
♦â terem trtn* temperatura uniforme* Btfrin4oe pe- 
ia evaporação e' a^ morte, . - i 






• Jornal de Counfat*. N, * «*, ~ÍP. 1. f ; 93, 



. $os pato» das trópico» e unuát como nVstapro- 
tiacia- e variarei a a,tgaosphera 5 jtâo 4- pouco im« 
poftaMe artigo <em qúanio i hygiena , g construo* 
$ÍH> <}*$ cíi*^,. To&s que ali* *xist<etn, não sao&p» 
ato.prmdas ao clima ; copias dai ca&as da., peque* 
*«*. vijlas, a aldeãs d* Portugal , nâo têem aquella 
originalidade qjie se encontra jeni .todas as outras 
colónias 9 * asieipelnandosse à .archrtectura orientai 
ei)t£ça ^q viajante pela sua apparencia. exterior co- 
iro o deleita pela ajtprx>priada coj? trucçao e «dispo» 
tiçâo internou 

Cazas gjcnjçictet e grossas muralhas de pedia ou ti* 
Joio * cw&t ttom. a base 909 climas quentes para «ma 
ha^jlaçio fresca, saudável e amena* A frente <ie» 
y* ser sib menos possível voltada para 6 Oeste ; o 
laeMior é ser o edifício largo, de dous pés direitos 
• vojt&do pa/a l^este. Estas observações servem igual - 
ojeigte a>s quartéis e liospHaesy em cuja constriic~ 
fão. iiâo so deve reediíir na viciosa manha que- a es- 
te respeito seguem n*ãqiiella Província* fazendo ca* 
' sas compridaê, estreitas, d* um pe direito «co:n mui- 
tas portas a janellas, 

. A* cazas nos clima* quente» devem tsr largas va* 
rund^* a roja a ternaços/ Pioahnçniè o archittcto 
fieve reunir o gosto com a archítectura-, e a facul- 
dade 4© prover aà prazer corn : oin?tinçto apprecia- 
dor do bom e bel lo em geral» 
. J4as ilhas da .Cabo* Verde ba abundância de pedra 
ainda que por causada custosa, conducçao não se 
emprega sempre a melhor para alvenaria. Porém nas 
im/Dediaçoesdoá nossos estabelecimentos de Guinl 



*âàuc\d de barro íqim 1 h&d tnériàs l niò fi Wro - . ite «M 
cm^íi^;'e-8ènáíii ^ortarttrVáíii préfei^H ás èóíí« 
trucçofrs de adbÊfci òii de táipa."Êfctè uri Quê ttifttif itta 
ménté ficou dóáTròçioÔyf^^e^itijfeòtíy^iètííé.liW 
cliin&s quénteí éfabdtó chuvosos á* ié£ei,é#to tatyt* 
tyíá hâó Béjaifa cternàsíèdo hàtaitfoí étogèhtt. NáA^ 
nica é ná A>ía sátf YrfccjjtfétfteSr t>i èitèttífllps dè l$ât 
cohttrticgfôs dê YevisL taiitá de adotytt còmé <te. tafr 
pa. baVhimaíá 'àtèsk **&*&* Batylòriiíjt íé Vê 4tíl 
as tu^s muralhas eram tijolos secos 'óíi.còfeid/>fr j 
como àínda &fe õik em Bá£datf. As frtiiràlhss taáu- 
ritáijàjf ^íió qi>a$i IçààVdè lerràj &dè teria tòoiàm* 
beto ás da Villd àè Àldajcfejr tíô S*i sobre ó Sdda; 
que com os iiiàfe Íòrte$ sãb dé c^trutígàb* ArlfH*;. 
«<> interior <Jtf feráiíl deWé k JiròViflcià.dé S. P^ttr4 
lo ate QQiat sa Q nè cnzâs fétiát de thty*. Ó efesèh? 
cia) fé rebocarias befri J)rtir fora ; fc ftífcér aabidâ* lis 
beiradas dos UHiiadòs jiarà c}ui? á| íjjííá* Hão é&cdf? 
rárq pélas pfcjrèdéà ^bàiíò è kièí JrrMiáSffc ' . 
"' Olhemos páfá ás eoti&rUc^s dft Gr(ètUfc é iihft 
temo?!*? pa? possas possessões ttftriárhíafirtàrsy^ dé" 
certo sênWítíatítès í\b\itiqSik ttih\$ k&tjháêàh * tbm T 

moías tíâo de^ensívelWeplfe itfièl&brftr <? bltaft WK* 

í « «■ - ■ ■ 

mínuir'^ s-iias ^nènjS^/lfá Pfefcfá 4 <$&$ iqàúÇ 
ÔríepU nao 'è' fior fàUa de pedrb* (J^el&íílcHaMí a*M? 
da, que todas as cázasvgJro tiéiisfc Ufe tferitò ,èu -tijolí* 
cru ('más' ^órqiré òk hftlitalhií* $ícfiài& *á ^biHittJÇr 
coes de^édra mfe ; *js procriai W&fg rjáii f " ; é> ft&efA 

com' Wàrf<f;te , é ,, <er^<!)f^B^H6téte/^lf«tó•Irf(Rte'Ôé^ 



I 



v 'i\ '•• ' .i • ■'" ■■■■■: 

! pa^fc.«tUj&f <lt p*4**> N^iul 4n i}çspa«iift ainda, 
I j»|*Biv,tes|kos d« tenras, JO»rthdgenwJfei^^ tfaqiiella, 

I t&afuOja, eque o sabia PIi>íp 0aatur,aliua.ji^4qrct 
¥£>4O0)O eaqia ^xtiaoi-dinaria, : 
v P^spadtdos estamos qu$ mesmo na» doem ia San* 
tia^<S> «^pecíaljjjejaiQ ViJIa dft Praia baviáiq cjqj 

roiaofaç muito ^ doenças, tomando-se todas, ou 

' ■ # • 

.pf#fonçõw 9 .>KKÍ,ica4a&. T-r-Sentimos não podçr jufltar 
observações meteorológicas feitas nesta .Província, 
»tm <a#ppas denasctmcn jos e m^fclidade, Convij ia 
sM&Ijtftac a* *ç*a>, * ♦** .< a* terra* nos- sitias rçputa* 
dg* t iiDA$# doentios , «a .qcfasiftp que #eq buoxçd^ 
çída* da çbuya > • de certo semelhantes e*pcjrjteBÇJaf 
hatifom de pos^nduiír .9 çoaceber {ai vçz a* cayzat 
da* dçeftg** eJaciljf>ir P9* taojo com flttf s dafo* ><** 
ofe* ja* i$o .pjrogfeaso dp mal, -_,; 



Itestswios ainda a observar que a mortandade 
na Hba de Santiago é muito maior no sexo femi- 
nino. 'Assim as branca* estam ero perigo na oe,*a- 
síjud ,de partos; .e .talvç* não, ssm : razão dizem. ,os 
4a£«r af» que , a culpa ^ de n|o , ^aerereip. suj «ftar- 
«e.ap processo } qye «açsta ciccumstaocte segijem a* 
W^l|ierj9^dp ff pai^ , a„qyal; parece k*m< ejtraordina^ 
íi£*, : A. parteira spnhecpnplQ que está próximo, pre- 
para P ; banbo> aliás um escaidouro de seis canadas 
d'agua > »na qual ferveu» .certas ervas j chegando o 
xupjprierUodedarà Juz> passa à nwttier uma corda 
4çbaixo dos ' sovaco* do* .braços 9 que amarra 



t 

érn cima' de modo que a mulher ftqw Impem* 
. por cima deste banfoo, abade fica cojberto com um Ictw 
Çul ate ao tnorçento de dar j||ij£ a erfança. Kstaaçfe* 
de enfaixada pasta também por este banhr>, j>Oqital* 
continua a maj a ficar por áfgutr) tempo, p.tj 
ránte todo o tempo do regímem, condor m# ao 
<exo do nascido, esjta a mai n*ujtfl qitarjo tasn? 
fechado, com nm braseiro apceso aq pt» #a cama. 
Alguns modificam o gráo db calar 4o.bai.ho, ou ta- 
fain só debdjs, — 

* Cerjto e que muitas, mulheres brancas niofrcfnal* 
II $qbrè_ parlo. '$ ayortam frequentemente - ^ os na* 
tpraes asseveram que n$o seguindo $ esta prai 
tfcia ? cazo de escapnrçm /jleixaut de s<*f njtdberes. 
tteahrjenle em 1813 quando lá estava um batalbsto 
irindo de Por£tfgpl> morreram todas a* mulheres d**» 
soldados sobre parlo,, menos duas qtràsò sujeitaram 
a este processo tio oiigiaal. — 



<:> 



* Em quarto a Guine" t seria absurdo contestar qrçç 
o seu clima ç incuti fero, ainda qué não seja tan* 
fo corno alguns o exagerar^ éfetyp alguma râ* ao o 
Còriççliíeiro W, A. Martins dizendo na sua* Prc* 
posta da. Companhia dèl/uine de 1&&7, qtté Vclima 
áçBissáo émelrjoírjuccm ^anLíago.Certoe; todavia 
que Bisèáp ç menos doèntío do que Serra- Leoa dos* 
írigkzes òif : 8. Lotiis «os Francezes. Peiór é €afcbeo,' 
rsrdteera que etrt JBcrámá W gõzã de bons ares, mas 



É-8ÍÍÍ — 

i*lo t&o passa d* «er ú#a4iy,p<^e$e/ pfrtfr bfió ba* 
Miau* allí brancos } « $6 a exp^rtçri^â < nos poderá 4 
demonstrar a justiça desta snpposiçflò. A Costa dô 
,€Hriii6 : ç'4ftet»tia' e muitíssimo prejudieia} aosEur' » 
peos, t*«£ <* uaofchoi ^}o mais foceis (Texpficar dè 
/jue no A rehi pélago , . ao^ide se erçcontra taiita varie* 
da^e no> cfima na distancia d' algumas tegoas. Era 
Guiné, cçmt> p. ?, tia jJ^mi de-ftfsVúj, n acç^odo 
sol sobre uma - terra saturqda «Tintai id<tde e .coberta 
potti u(pa*M*geláça,o prodigiosa mc\pte- vjgnróza, pro* 
<Utô exhalaçaes tuo nocivas, que^on^au^em uma das 
e«>?. zas mati activas das febres mie t ftMo asso hum 
e«tsi cetonia» Qspeipres tueaej parais tòurofjeos: s&e 
/t> ><llb$> * Agx>*U>; díuvsé boúf no iuMefeifo, Mar* 
/pfre Abttf. ^- . 

X9>vs0 *ÍOiftr nlti ta iiibem -o &lr&cc& y atada <fnel> 
freirtmieiíttf. íiste veojo temível ocMtéreCjjdÀ úo tigy* 
pto ctírn *> *»ame d^ Á>Htf*f*, «ojtvfc «*>pra^.-8i ©' 
oomcvdesde o OaDõ das Paitoas ate ao &*nm 'jmm 
d« Ei N'. J5í\ *— ^'este* pi.iqrgens, isu> e dasda oiíabo? 
V^rde nl^ aoéas PaJuias, tem a direcção de NoitaUtis* 
e cbâma^e Hat9Wtt<%n. Ó embaciado quasi opacu 
brilbo déiol**? do ascur do ceo, fiin pó fineqae co* 

btè &&K ta seHrCura da pette, dos beiços c ctana* 

* ■ . - . • 

" * * I 

'.-* I . «"- * . > • . ' * » ' . ♦ i .• .;, 

• t- - * i ' " y- > , . •- » 

' * Seja d*alii quç jesultafá aqnetle pó* encarnado que as 

fezes cobre as velas doa navios n*âquell&s paragens t Ná 

ff»** 

Vi Ha áa Jfra.a observa-se dó mesmo que a roupa brafoca 
ainda q fie mudada anta*' poueas vewwt áo dia se tinje d# 
encarnado,— 



ment^de livro* e papei* >{ o cocolber-fre dai.. jftfetftê 
da madeira» tudo isso tâosignaes; perpyrao^rtsHlaGha* 
gada deste terrível uibo dos ^!^M>s^'T4ai4UjKÍ% li 0it-» 
nos se fc* ressentir p. e 4 em Bjs$áo,dq qpe> já em* 
Serra- ^eoa aonde e maia fre^uç^nij^v aíM,í*ào 6<h>s?» 
%n \oTiuc)tndo alguém da iropo^ibULo^h» d* respi~ 
tqr, . que e gerajroebte acompanhada 4? conyuliioasi 
$ congestão do sangue à cabeça ,:í*gqind/>* uiorta 
4 uma aflasâo sa^guina. pela b®cç£ <i aari*. .« 

I * • — 

cl, t* ' • ;. .". S t . -• . .- , ,.\ - v ,.• % ,•_ ., ■•- 4 

rrJío.enta*ft> ; de. certo não; padeça 'duvida que • s*-» 
kifoV> J&uini> de*£e «stado sol-vagem e incult** ajntn 
Violando ouatiâs *yé*ndo-«a a agrmul}.t»ra> «rixUg^P" 
do alguns pântanos , empregando finaifti£nte - oa 
íô fetttf «da íòdusifia Jíiifopfía,. mp^t^exis %H« «tftn~ 
<fc* f*»,lyua eoá*. o* tttoi*». tyi de **Mr .*f *cftdota t 
Qt r5ure$*os ^rç|^«eja4to padeaflu* da jwtaQtia eo~ 
cfemksa «sa\ cbegfender á. wttta»* eMa)p*irBetf*doea- 
Saj€^^E k íb^t^fOiaa^«a^«(d^>t'«UaJia <jV5ttii;cer* 
tt&idt itunoa raab* rocatór. Ji £tiaí)a4s*doei^<,^Taty 
tocará i>«iroa^ ^tteiíao^ide.faírçtís-e, á^s^wy^; ti* 
ro*da o* h&bhantes de ócio* « fajfead&>e<*ti çi*** 
ettkr«#uem -è • ag rica Katfc a i hdustria * iteandonlhftff 
precisões, d esappa recendo final mente â miséria* ba 

de minorar- sem duvida o máo effeito do cHma.De 

» » » 

sobeja prova pode- nos, servir à colónia Amerfçafta L?r 
j>**ía.^ situada. ao sul do Cabo-Mesuradou umsi- 
Uq repn^adp P por m$is i . doe^o da nossa, Quiné^ 
fferoçpftf a perfeitamente e xpm vjôUj tpiwfiGW&fír* 
cia está alguns séculos adiante dos nossos.. içsiabelc* 



4* de. arfMç.jM.fiqp-v $pu* basp\laç*.çvi.. Quine, 11 *? 
«« ,me/io&eaji J^í^éPy^u Q^eAajve^ seria qielhorna 
frcmt^ir^ Jiliep, 4*>> K R*i 7 ,que çooio. j^p distemos p.e,i> 
ten^agora ,i\ coroa. <fo PortygaJ^ graças .00 (Joy«r- 
&ndar Altinho ^--iiiieifV/cuçac «fr^K JÍonpjjp Pe- 
l^a Barpeta.-*- 






* 

#«"•*,,.».. ; \ . . * k r. ; ,. . .- , , • *...'! 

•í AmígflHWote hi^riji.tuipi ii^w ife Caijo- Verde urçia, 
yi&ilá ée jtffefc pam todos, qs r^íoj .qtie allí Iqca^ 

> 

vem; ^é tfco^adè. qjitLvgwalmei)le eUa,*ó. era pftfft 
fô^mlif.^itdo.feilfa.ílW^^itgujpp empregada dí* alfa#1 

* 

^legfc, .fn«4IC|fee|iífí^ çra^iu^Bio^a^Qyre.itos. rçiar,«k 
Had0* i»>sV9, cajso. £' ,d? ijiiíti^a, é, 4**ef> cjite $£ 
ce«ove <#!* putí-ipa t tes^al^leceo^ç» a.yuita, div^i^ 
(Je feita poá cirurgiões ou Cediços aoafde os houver. 
£4449 ,ouirps .mrçti r yq* . nãg ç de. J»eflqr ^^wjuçl^íjcta 
%JW%&b$» ^r.vcel .flpiojç&tja ft qtugpdo: #;*ai£u : nnj pa>^ 

Uw4j^ír ís ^ pi:(WQwrC^|? r P v l«cia ^de Qtbp- Verde £ 
iím«?ulm;âki cU ya^çina v: pflijérri PW° gef^me t nteaooi£ 
le^e lUtoa* wdjdíUi* ficou o.aviao sem è^ecuç^ 
0Mflffl[vfÍft e^empjtojrquq tenvps r dayjaiç todavia 
cftjrafifrfrA flftteQção* Nu >il ha de franga aonde nio- 
Çil*ift<ftt*.eD*ãq tiajjasido vaçi podo*, era t 1786t troar 
XGj )ca;juali»#r>ie , utrç \nayio d« ti antes .bexigosos £ 
fnowgrxun maia da metade dos habitante», os estrar 



— 316 — 

gos foram terríveis, os colonos* alguns assaz letiwes 
de escaparem com a vida ficaram arruinados pela 
perda dos. seus escravos que apesar de todos os soe* 
Gorros . ainda suecombiam mais que os brancos. 

No Arckipelago de Cabo- Verde "aconleeeo o mes- 
mo baverá vinte e cinco annos , proveniente d*al« 
gnns negros bexigosos cjue Unha trazido de Bissáo 
uma escuna de Guerra portuguesa, e que introdu- 
ziram o contagio em Santiago, donde se espalhou 
pelas enais ilhas. Morreram nesta occasiao mais da 
mH pessoas: Será as precauções e providencias ne- 
cegarias pode eritretantb repetir semelhante fatali- 
dade; uma negligencia,* um naufrágio, nmaespecu* 
laçâo barbara óTuma nação inimiga', podem facifc 
monte despovoar estas ilhas. E* d 'absoluta necessida- 
de que ò Governo dê providencias a este respeito e 
obrigue os habitantes a yaccfnaretn, seus filhos, 

* ' Terminaremos aqu? as nossas obsefvaeôes sobre o» 
clima, notando que ha nas ilhas mais uma cotiza 
qne augménta. a mortandade e assola os hábil antes. 
Filhos da localidade, sSq as periodizas ffttlás decku* 
vas e em resultado os horrores -éa fome. -Réfereuwe 
comd as mais terríveis as de 171S, 1750e a ultima 
de 1831 e 183?. E*ta últírtia deo cabo de- 3Ó£0(K> 
almas. Causa dó ler o quadro dos estragos desta pra* 
ga e os agradecimentos do Presidente da Camará 
de S. Antão de ife de Outubro de I83f a nobreçi- 
dadede Pbiladefp!iia,ondè secreou qtna commis.sao 
para soccorrer os habitantes abandonados pelo Go* 
verno de Portugal.' — 12 ainda foi impos^ivéf fazer o 



com pata exacto dos .mortos, pô|s muitos ficaram 
peias praias , outros devorados pelos cães e seus se- 
melhantes, como tem acontecido em S* Aptlo! 

No erotânto batendo boa administração não se de- 
Teram repetir scenas tão atrozes; basta abrir muita 
poços e fazer çetleiro» para evita-las* 



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V J» 



Rio de Jsneiro, para ff praticarem tJepotf na tua 
pátria. # Actualmente ha alguns filhos desiafro? 
tincia nas A ufa* de Medectna e Cirurgia em Por* 
tugat, porem boiw .seria que o Governa para osani- 

» 

tnar decretasse, que completado* o curso e sãadoap* 
provados fossem providos oot Jogares que fn^tar«m 
WMúar pátria. 

' No entanto' para onde que fora tranfeiida á Ca^ 
pitaí, é d*urgente e im media ta aeeessid-adè a coro* 
trucçmycKmn hospital Adespexa tfátaVea ieísa cota 
fim bom, nada e* na escafa tfas despegas y e é úm 
lolecismò na economia politiea te* ubi inéo^. Este 
éta poiíeos atino* priva e estadão de tttôflo*' fcomentf 
ibs quae* o valor no- ealeulo po'itteo oxcede a q*iaw» 
fiar necessária para eorrtfcrvMr ihd óptimo. Assim jol* 
gatn muitos- que para t<;r un* hospital arejada e es» 
paçoso, baste eollocar muitas portas e janelJaset» 
todos os sítios destinados aos doente*^ e tê-las sem» 
prc 'abertas. Seul dwida <p»eQtbftspitãet devem ser 
*eti*iffcdos, mat romo o deêátè Dâ«r preçira seFú*» 
fMadbv **° pouct* c#uvem que haja eorrentt* 

d*ár. " •' 

* 

Poir o* corpes doernerem clírna» quentes- áe-- 
vem-se conservar fpe^eos , e em cazâr espaçosas, pa- 
ta terem uma temperatura uniforme. Esfriados pe- 
4» evaporação é *• monte. "~ i 



* „ 






• Jornal deCoimbfa, R/*&-~& i. p; M. 



i J4 «bus -dUsenW cjim' £0rie<udando «a '©pfnHW 

f i'digtinc geògraphoèi «adflriltimos qttè tia» iHra* : d« 
i Càbò-Vtrcla^adè &tntiagci na occasiào da' éescx*- 
òerfa èra "habitada por Negros Jaloffos. E f veríladtj 
Htr éírtwttt> <|«re o cont^tepo^aBeo Cadámo»lt>« © fiíar- 
MS «ôdb dhsem a e*te-Tés peito.» 'f ©davia lÁo^pafle» 
ee 4torá4* q*t d* PfoetMcios, <3artageHos e itama* 
wsú>ei»toiecitt«i ertA* ilba* , « «batoavam ai 'Gorg*- 
*kfo*y »fo ignwando qHitç eram **Ítafrctes ao-suH das 
Jfoái '4^Jfi**»fe* {»G**fc»YÍaS;]: 5 e o *át#o NaforaBâtti 
H»mim+ nneudién*;- serètoilatítadat por gerrte co* 
bérta de pello, narrawd*> «toe <q«« tíanfK*V <5emH*ú! 
Carthageno cTallí trouxera duas mulheres. * Aopi-- 
oiâo do Plinio se encontra repelida ainda por um 
viajante dos fins do 14.° século. 



Depois da descoberta mandou para allí o Infan- 
te D. Henrique algumas famílias do Alem-Téjo e 
Algarve : augraentando em breve o numero dos ha- 
bitantes pela grande quantidade de escravos negros 
vindo* de Guine*, alguns Portuguezes que abando* 

* 

navam a sua palria procurando allí maiores in teres* 
ses y e outros que vinham expiar os seus crimes. 

O Padre Vieira diaiaem 1653 que na ilha de San* 
tiago, Capital do archrpelago Cabo-Verdiano, ha* 
via mais de 60$0QQ almas , e outro tanto na« res* 



C- Plinii Natur: Hist: L. VI, Cap. 31, 



tante» ilha*» E*ta aVahrôção talvei teáfta «ido eia' 
gerada, pois pelo ren^W&ifcehto efe 1730? hobvé 
ém Santinho QbjfQOQ : f . e. 13JQ0Ó bafa*ta*te» a» itb* 
do Fogo.\; 

Deade então porjero, {aluada 6 cótómerci», m^ 
petindò-** a$.$e^c&^eeoiá^ resukadcró e&eriltda^ 
de, diminuio muito * jÍK>pul*çitt , e prlocíttalmea» 
te de p ciada* tre» calamitosa* foim^de 1749 ? — 177fy 
^ 1832. Durante a aeguada morrera&.qittfrô dout 
terço* da população papal, O rejrenseaiiieoW.Ae 18091 
apresentou 5fy$éQl habitante* de atnbot o* irxot è 
toda» « corei (tt ipedfr «egtuate* 



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Jfo AlmanacU de 1M6 achados apopulaçâadoAr* 
thipelfcgq Çabo-Vertíiatio calculada atfgupdo Sr. 
Fraiufru -em $5/600. Esto numero à muiliésimo 



limitado;; è p&rete-ftos 
brar-mofque aferoede 



inexacto. Ppi* basta lem. 
1 88 1—1835 levou 30/000 



pessoas, e *ó a ilha de Sdnftjago tihti&ea» 1836 
para èifó* áfc vinte spil Imt&aijteflu 



* . * 



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' • O rpcet*sç#mtínto Jé Í83J deu a população áes- 
tas Hbas em 80/460 indmdups, 



Cartt.fa^o. ••••. • •>..•«-*• •««#•• i##.«.«. Sd/930 

8. Anta*;.*. , * . „ ^ ^ . , , . , 1 . i. . . . . . . . 81 JJ670 

/irara*. . . ... .>..;-.; . .^ ,,,...,..... 9/3fc0 

S. Nicoláo..;;,.;,./;. /,,... 8/650 

Boa- Vista. *.;.;,.,,*.., j ... . . . . . .> 3/860 

Maio. * .......,,,... .... . ;•; 1/648 

8. Vitenteí .*.**--#.,♦!.*.."., 260 



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Gustá eitèr quanto e impossível accumr com per- 
feita exactidão a população deste Árcbipelago. A 
npathia das author idades tocaes a este respeito eàtçh* 
dè-se igualmente a todas as possessões ultramarinas, 
Piorno de sobejo o denota a circular expedida aos 
Governadores do Ultramar pelo" Ministro dè Mari- 
»iba e Ultraow o Sr. iKfcolinl. — Nota 26. — 



.1 



Quando o Tiga rio Capitular progqntoo èto 1836 
no Prior d\iina fregnezií* na ilha de S. ÀniaOjõelo 
'numero das sitas ovelhas* presenciámos a resposta 
désté digno j>aslot,'.T— hosoiiç morreram, já íá vâo, 
os Vivos agui andatn ?'.-— 



Os tísfor^os; d o Governador Marinho para ob- 
fer um re^en^Rbmeu to- exacto nfio menos' foçam bal- 
dados: apenas vieram; algnrpíls relações da ilha de 
S. iSicoláo e da Concelho de S. Catherina de'San- 
tiaço, «raças ao Coronel de Milícias o Sr.' Freire 
« Sr. JBofQtefnpo : mas ' i-n felizmente as nào possui- 
9)0$. Apenas temos à mão sobre a ilba de S. 
Mfóoláo os seguintes, dados* Que no anno de 1839 
houve a]U 50 e azàmêntô* , 2'6*& nascimentos e 95 

r í 

óbitos., [&7. de «dúl^o» e 31 de menores."} 

* • 

Açtiialm^nto passa de certo o numero <!«>* ha- 
bitantes neste arct)Ípe?a<ro de 75;000. 



Nas iikas de S: Antão , Santiago e Boa-Vi*ta> 
à mnroria dos habitantes é de còf preta. Nas de S. 
Nicoláò e Ifogxy é parda, e ccrm eabello quaii liam; 
especialmente na primeira destas duas ilhas se ao* 
coirtràra muito belia* mulheres. Na iifaa Brava ha 
mais brancos que em qualquer' outra; ." ■ 

Em Santiago pode-se dizer que todos os habitantes 
são pretos, a excepção doa da Viila da Praça*, al- 
gumas familfot isoladas peias ribeiras; raros se eh* 
cjòntram attítooiatos ou pardos, e talvez isCo tnes* 
. coo faça -aaorfedirar ~á tradtçio do*abortgenas jatóf. 
jbs* Parece que tudo segee aqui na razào inversa» 
— boje ha pootifts brancos f outrora existiam mui* 
tos naturae* e prtoeipee* da terra, descendentes 
dos primeiros povoadores, frtbe* de Portugal que 
tinham casas battant* opulentas a erarg senhores da 
maior parte das ferras da if ha 9 doados -n'ellas por 
ni^rcè da; Infante Ú. Fernando a El~Hei D. Ma- 
noel , què os m aadavain > para -lá.aftgi de povoares- 
t$ liba bem como ado Fogo, Em maior parte nas- 
cidos de saàguè rlbbre tinham bmôes d*artt>at,qae 
se vêem ainda em muitas minas, e todos erçai res- 
peitados dos indígenas pretos, geralmente seu6 ren- 
'3tef roti. Será d'então qu$ data o costume , que en- 
contrando ai» preto/ a um branco no caminho? m- 
*do a cavai fo r 'fepta-se eui -distancia de thrtf de pe- ' 
dra e fora do caminho espera, áté* que passe /o 
branco.- Aiitigataente rnearno preto -nenhum entra- 
da na Cidade a cavalJo. Estes • primeiro» povoada- 
-res, filhos de Portugal, erâo ifto zelosos da boxira da 
aua ao'>re?a f 4 que o» vindo* da novodo Ur?iuo nem 



podfe/n habito* H& Cvfode, InWo ííirof^ftC^lbao 
até q»wt moslraasem a Kropeza dk> *eju, &íMigUt\H©jn 
porém ha muilq pouco» Usai*;** 4* legitima de*», 
crodaneia dos primeiro» * pois. muita» çJura* *S *** 
ftsUiguiram totalmente por faltaste jsueces^o* outra* 
sè degeneraram. emrawf|iço« t 

Q»<4»*et0«, 1 j wto, , habi taaie* cfy kKcEJo^da* tth*$ f 

ainda q»te , gerai foéaie itwradàrt» $ f»wtf Jtaboíiosp* 

«âa.vulga emente cbmnadofc, — **<iiof — name que 

<te c4rto mio merocgm d*« iadi>]<y*to£ bwjguç*ea ou 

afalèôVá habitantes do* port£* de .map, ... 

• Jàsteft bâWitanfos.d0.!\ritefiof f«3reo* ugifi clasae. 

mui : «e. totiilipHite, destacada da popii-Jaçãa da» 

*illafce logare»; qjjfj «Jlí, têefl». o ftopie de *iUàf* 

«Nesta», bft moa mistyrate.ftisík> de raças* cl08$e«,e 

e^?pdigfeft< como ||áQ çxflte a^aíp^llei* Q* Jae* vq? 

4itai ço.n^.d^sfníp* víve/ada Jfivoura 4* terra e* é 

-o wd a de iro tyí>o dcm JmhitAnte^ $£% se. {emitam 

^verdade, da. passado* nâfe cijrarji do fut^fo, e U% 

<dHTerenfas até ao preste, setftqtyPii B^nhaxow pjfv 

-cisões, ^Hf/éisB; qi peados pelM fibeife» e encosU* 

das montanhas: úçl^do^ qn^iiiuDw.íorHíâip pq- 

«voaçòés ^ porém suave 6 *erç $&&ctM ? ra-ançq* cp 

- cmtiicKiea 9 pai tiarcbal a tua ho»j)k«Hda<fo:;. obar 

-djeates , siibípissoi e humilde?» ^sçc^beqèip ep 

gravides crimes» tao vulgares e a par ; do progressp 

tia dvitoaÇftci «Rur/^a. }ftftuditp ; e aUj.pr çrjkçç, 4* 

rn/iff>e<w . rtfwU©;, . nwiíno .ao* Ju*i>ç>»e*. d&. aitW 

•ferne, i.qui ndo !a desesperação em- qualquer oq* 



£ÍQt 

» Yirin40* pouco* tttto* *hí se tta^QetwtUfdo, 

Ot roubo* quç atIL açpítfeccia a*, vesçs , seflapiA 
s^ Anáot pelosr b**acos , jgpftftknegLe d» classe ,do« 






V * 

t Skttãvadhs té#tfl tfr pene** Rrecízoçs a,*e 4ous ie# 

í^t^.ir^^dí(?€ô>fAl^tiavmiiba eutna» pouctu_d«<ca- 

ta*s<l*.fet£ellMiA bafiamvpara as- satisfazer. O prin?, 

ciperl alimento e' todavia o. ttiilfcv íf°ff° Qj 1 * & m^ 

çaroca t*m ffranU*dor> çpjj(M?ça4fa a apquhar, eco.; 

Riem *#; coaidaa v a**ad^ e cr ua* ; mjittoft comenv 

•6 !Mo«ojniljeHq<ior/iU4o [azedada], Meio^a vende-; 

•o para estes usos o. milho antes de maduro , Fepur 

tando (mu balaio por 1 alqueire «m grão. O milho 

tepco deitam , no pilão , e .bojrrifando-o com agua r 

bsuteoi e*m a pilado? para descasca-lo da tez, (jueo 

cotae,. -Depois, de, es^f dç mojho por doze, horas ^ 

&*êtò be/tt.coitta.o, borri/ar pâo á pceciza, sendo or 

IflUkovhóyo]] lor^.ju» pilap,, conde battendo extra* 

tttm «inço cdMpsv ?*v q fareis -*-- cachupa, — xartm 9 

^rblâç>-r:$ a/^ri^o, r fi rampas 4 W&o çandejan* 

do tUMÍa r^uov^Uaia [o qwe çbam.ro ftVi(ir.] O xe r . 

ttfv «u«WJR f cawdACora mas e leite dormido, <Su 

ft* fatiota, ,qu*j é a uiliuoA Rarle que figa no balaio 

(tteftv urofer e&peçte da pio* a.6aía»ga oh e/tfango* 

<uofi^ Pa*a a ftrurçeiça ornarei a farinha como 

pana.pao,.^ l^tteQdOf aflaUoando « qj rodondando 

*as< idao* fazeo^um» boHq* ,^ qa^pôèm em borralho 

*t». a4}ire grelhas efr^ çim^ ^iía> brazeico ou ladri* . 

Iba t » Jbra#4> ao*ide,se coçcm m assam. Algaus 

" " 81 » 



artnda m*itfcm-!tièé 'por* tfentro e toa /afceite.Queti* 
tês com manteiga oô aíeite 0S0 %ôo ni&os. 
* O ajsatê é muito rô*i* gtta\ *inda ; é xtn»a eape*. 
ciè depíio defarjnba p^ mi l£o, mas muito mui$vS*|x>í 
roso do queonosso pap-der V0bo dePoTfuga!, Ka- 
*errí-o roei tendo e»t& farinèa húmida n'umas pa? 
riétlas de birro, taaís larga* n* bocca o,ue em 4»i- 
xo, f aradas ro>'fijridó ," e que ehalfwitti òmefe.» por** 
tdo as por cirna de efgua as ferver 7 $ seu -vapor lai 
crescer é "cosey a farthba. r-í 1 * 

N3o Ha allí mòmfcos «eito atentas, e Hfláco que 

existe na vi Ha da Pràtây fcile cm «11*83* niotra** 

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ba|h:i;' pofs dizem qtté moendo* ©< rniibb teriam *& 
a farinha.' ..;..-. . j, 



* Os habitantes de 8. \Arit'aò eram quasf todos es* 

rravoç do Duqnè à'Aveiro, e ccftno taes .perterHce* 

ram, á tfqrôà , depois çjd abolição desta caza , em 

ctVjo talvez irihocente sangue baseou á sua força <* 

Majqtiez de Pombal.' *A* afra' casualidade deveram 

tio reinado de D. Maria I. a sua alforria: i/m iPel* 

' íês póf nome {rofw&oa frigindo a Lisboa, aondfrter*» 

via na cdzinta d^m ftdálgb, "fconl^a iiígémiamétt- 

Je, p^nritado sobre .0* que lá tfflvja na itt*"»illia. 

O Fidalgo poucos <fr?a$ depois ^t fineza ti© paço fie» 

sciente a Rainha dor milb«res de escravo* que pN>s- 

Hjia ern S. AiH&o. Etfa piedoz* é caritativa -imtoe^ 

, ffíafnmehte rs mandoã declarar fortoV-^O pr*to qne 

,íiss!m foi o Ihstriiniento t cego motor da feHclrJfed* 

de ''milfeara de faiffitia? . 'frttrésiando em %tfeve ao 



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seo. pai* natal, em "• tééoto pensa e gratidão rqge-. 
tartdo algum tempo% morrei obscuro e^de fume) — 



A ilha do Sal, ajpar tias contraria* afirmações 
dó* Dam pi erre, Froger e afgim* outros viajante» an* 
figa* 9 nwiÇa fot habitada atéfeo principio do seeu* 
ft> presente, Agcfra mesmo po aços «5o *dài o* baU* 
fantes, ré alguns pastore* e a gente empregada na* 
Hnot . 

; * Na* S. Luzia taróbeuT apeiias fea alguns pastores, 
Eift gerat pòde~se dizer que os fruo ta aos suo bem 
feitos principalmente porém os de 3. Antiò, e Ni* 
foláo;' os primeiros excetlentes: pela «na altura .e 
benr feito do corpo, posto que coroo jú disse mos 
pretos «n* maior parle. Os seguados gecaúnentoputr 
-étfs teêtn inúfto kods RMiHieresèW -.•' 



4 



• Os degredado* ettaftr em mfctorntiityefo concentra* 
dos pa vitta da Pntin de Santiago ainda q«*e haja ai? 
-guns pspaHratfos pelo Ar chip^iago. Todavia 4©oi.íHfr 
nhuma occupaçao nem vigrlaiíi ia , sio muitas ve* 
j?es auctores Hé delfctòs e crim*s 9 e fogem quat«dc 
querem ; é de notória urgência, o dar*aé41ifr» ufpt> 
ap pHcaçAn em qOe*x piassem seus crimes de' ffKxfrg 
-q*tfc.da sua occupnçào ou emprego revertesse um 
I cm para a metrópole ou a província aonde foreoa 
mandatos» Impróprio e' e aviltante para a tropa, as- 
senta rr<*ç- lhes. praríj nos corpos., como alginié, (>o- 
\emudores costumam fazer.: ootes deveram serem» 



ptcggdo* em taitaUiQ* put&M* qp ^cçI^j^çSd agrl». 
enla, K*e*teiamo> pi*SefW*\fr%#ria «ruidar-lUe* o 4*a*| 
Uno para Quine creando allí colónias agriculas mi- 
litares. Totncse por exemplo as colónias de V-aiv- 
pK*)dfQ &Ua» àv pciucip** <ft>fl£ÍegredAdçi*«. 
* Pelo- Qecreto d* 5 de Nov^Jup de .183 9 querea« 
do o Governo d*r nuwamqttmls >ua tçjideoci*, 
cie SHigmeõtar a p<^i*J^aQ,<^ do^uiaios uitraaiari-. 
ritos* por $erç*se uai mmo t V)4^f}|xiiàdife^t^tAentQpQ^ 
sa concorrer para * #un prosperidade t mandou que* 
o Major General da Àro>*da<dè.pító*agei|i m* et». 
tercaçòes d« guerra riíui-só aa famílias e fiibps 4p% 
degredados que. parti dlí p*rtipem r ma? Uxabçot á 
quiiesquer iadtidduQ* qtifc oelle* desej*pi estãkele*. 
cer-se * estejam ws./çjimmMpcia^ de prewiçbef. qs 
Am que »e. lava em vista. «^- Sfi e§ ta. cedida, fc«e. 
mais ampliada » M»hQsiiiistr{indq spçcftrros para os. 
qite^se quiserem estábejeccr 3 dUirJbuindo-lhes ter* 
ras , de certo que a grande emigração para o Bra- 
rH reterterkt pafat as' <ws**« wlaaiav. Aqui semrve* 
xar a metropbla^a pfíwiK ia \ o WA feu prepriç ren* 
draierrto, -*com.u urzett* , podia J $a4j$fo*er a,i$tg 
e«reav a#siin a UHju^ft^cvyilHaçàp... 

Os* *ti topasaadqiH/#!*Mra*rv4* u fronde ;pjiwn9jer allí 
a. população bcauia, c<}f&p<>G dpc*ri# çt? Çartulie* 
cr* de ÍO de Outubro de 1 6$Q* # em q*^ ac -amada 






•**'•£• 9< da 'Supplícajao: wf; 'fl7;«4-Ordètiae2to Lfv, 
rVit. 140. b.-«; 



— m— 

par» que nm iih»s de Cebo-Verd* c de SU XIioau 
a9 *e*4.inguajn quanto .for possível as casta* de ou*» 
felps qftte n Vilas kf q que ae degradem/ para allj 
as «mulheres que se costumam degradar para, oBra* 
sil.— "* * 

Contrario a esse fim, ocioso * contraproducente 
e o Decreto de 87 de Junho- de 179fr quçprohibq 
degredar mulheres, salvo eazados indo com seus ma* 
ridos lambem réos. 



Em ragâo de po«*a êwllisação,, falta. d/iaOirnch 
<jâo publica , a qualidade dos vfados; de Portuga! t 
o estado disperso dos habitantes e mofe cauzas de* 
pendentes d 'aqw»IUD»« *àb f*pen**s;o.$ fijhps d^ Por* 
tugat que ainda faliam xi lingu» Pottugue**{ % mé«* 
mo estes' accostúmam-se logo á ridícula linguagem ' 
do pai», geralmente usadaecbam%daa língua Creo* 
la, idioma o mais perverso 5 eorruptoe imperfeito, 
'sem ron«trtieçâà t sem gránunatica, eqtie se mio pó* 
de escrever. .Todas, as ilhas téem «sua corrateiadi* 
versa; peior éode Santiago, ^chamado jrtrf**. péMs 
outros insulanos ~«ròtôr> v 0crftiâfot*~v Mistura de pa» 
lavras portuguesas, gentios de Guioe', e algumas 
francesa^ e ingtattH, ^ totalmente estranho e irn 
«comprefcawivò! oo ouvido Porttjguet. . • * 



Cttaremos áqtti ai # narrai pèda^r** para se p<c*der 
fase? alguma idt* de*ia corutdla mutica, atndat}H9 
ttuo se}& exarcta^ fahamlc^lkett na -certo acçeoto qui 
lUesdào aste* Mwulanos.— 



•> • 



• • k • 



>• • 



Senhor : . . . • 

Senhora 

Kecoinemlaçoes . . 

Bonito. . ••• 

Mão.. . « 

Calças .......... 

Gostar ......... 

Ábobra 

Cachimbo .,,.....,..... 

Cachimbar , . . 

lu 

m ai itir«« » • • « v « • • ••••»' 4 • 

Eu... :.-,...„.:.. 



• • • 



NiQi Nionio 

Niora, Niania 

Manta nhãs 

Palitado' 

Fanado 

Droê 

Cre 

Koca 

Cheo .. 

Caniotq 

Oatitotar, 

Bo ; 

Pupie^FIa . 

t*a. . * - 

OH. 



>• . 



Que dtaei»?TT~ CV* A que Mo /á//^! >, . ok pitpte I 

li ii ta àmo uiaUo» — J/# rre bà cfwa * -. 

A Sacara manja ao, Sr. muitas recomateadaçôeç. 



■ t 



Áa pataca* tçrinÍBadas em r*&Ht«,Quaea *àb pro- 
nunciadas como deveiu ; é tiar tom auáito. entre e*» 
te e o — i*n— * fiqul. que as me>q?as palavras têem ua 
ImjMa iletpanhola. •r*^- 

Um ecclesiasiico em Santiago teve a paeiencia 
,*lç pvj.iipií ir i«n voçatmla to e arraiar ujrifr cspeeia 



d© gramroatrèa desta cormteila; ate pa*a melhor 
eomprfenénsffto. e p*et eito dós habitante» pregou ser* 
tndes neste idioma» . Al eRtor ;serta em k>g᧠de aper- 
feiçoar, feze*lo:desoppar*cer de.tôdo.t •• 



*.' Em quaoio ao traje> a EsU 5 repccseota um 
preto livre do interior ■ de Santiago qtfa vem ao mer- 
crido dfatio , que li chamam foira * e-sima cceofrt 
eõi vestaario de casa' decante. ou fado a. passeio. ,• 
" t O primeiro iisade ««ia jaqueta e calças d-rflgo* 
dfeof « chapco delpattiar é descalço com uma espora* A 
crfeola tem por «ima do vestido, ú m paono.de algo* 
dao tecido no pai» , deitado em cima dos ombro* 
com muita gfiaça, fagumefEeito muito pi «tare^co. Nos 
enterros e serrieihá^le* oircumatancias usam de saias a, . 
paitfios escuros azoe? qoást ptetris.- Gostam muito 
de colares e anneis, tmaendo todas ao pescoço, co» 
roe*, emuas ini grNhoes dfc.otiro* e geralmente tam* . 
bem uma ftg* ipar cansa cbvfeHirço. , 

*; Nas outras ilhas, o traje «âo difíere. Nasreu- 
nides c partidas appsvecom todavia as seaboras com 
todas as elegâncias e modas da Europa; muitas mes* 
tnovuo deixando, o elegante f^««9ifo« 

Os escraros tanto homens como mulheres* sen^ 
pre a*idam descalços. - , 

O *tnodà de ccvmprimenfar ©atre o* pretos \\~ 
^res ,'— vadiai , — bem como escravos e mes.ou> ai- 
pins CTeolofce^ascguiiiW». EpconiraiKÍo*ie t param um 
defronte do oh L***J úábatim alguma coroa o* joelhos 
e locam-se as tfiTios pela borda , voltando-as com a 



—334— 

]wlmfc p&m cimas ar^òmpmnhfem este fceato com h 
pergunta »— «omo nfo ia pasta **í «• resposta £<** 
*£coitufttafe # «<?ca«»c><fctAnAo;^'i«fce^cato^outrore* 
plica iam contaife , — a ambos pàbm . doa* dedoe d* 
mão direita por cima do fiaria 

Geralmente gostafn muito de divertimentos, 
ddfiças, &m abundância e profusão de comidas 9 já 
pof ocaatião fie. festas naciotvaes è rcgòwjoi publico** 
já com motivos privadoide família. Allr appartcem 
as «catar** creria* e braacas, Jtlhaé da terra ou allí 
estabéteeida*, cosa itpatta elegância, e denotando 
Jnatitsrr|is agradáveis* NWàs reuirioèt que tem ca- 
racter ifAiwpttfdansam^ franceias* 
fnglezas, ea vaiça. Nas dos l— roáfof «•*éqae*e<deao~ 
fe o verdadeiro- caracter africano. Paraf baptizados e 
casamentos, 4c» juatam-sc para oèiiHcçiia quaaloa 
J*e, homem e tmtftfere* em Vede-o rireuitad alguma* 
fcguà»; Toda esla nègraria iehta-scem circulo n^mâ 
rasa ou á porta v « no meio entra a balkaécvra^ vestida á 
moda do paia, largando tenente o paanodoshorabroj 
a apertando beta o da fintara, O coro começa mui 
lentamente s««s cantigas, graduando e-era canta* 
do tom certa languidez ora gritando apretsadamen* 
te; todos accompanfeanj ao tacto, battehdo domas 
palmas das mães nas pernas. A baUiadeUr* a»?com- 
passo desta vozaria faz no meio movimentou -com o 
corpo voluptuosos, lascivos* desenvolvendo grande 
•elasticidade e mobilidade dos músculos, p, e. tenta- 
uiehte abai irats-so Seta inclinar o corpo a4e tocar com 
•**J0c}hos no ch4o,e tomam a leronUr-ae domes* 



mo^Dodo «i*i de*«gàf< f leteniprofr ceado j«gfcr tf* 
do* os músculos» ' i 

•'■ A* talhfffeircui t^st&w?m^- alternativamente 
*e As-'*e*e£ falem tometot as tuas «cae», 

' ~.N'aq»Hfo ftcMi djãte tioilet, e contímmrmn* 
*4ei*tfn*«' : feteiras flékta ociosidade sem te importa» 
rem com mais cousa alguma , não se lhes faltando 
TC&m algattite 'Oortífda -e agtiftfdeote de eanna. Pre* 
leticfaifae* eftfShátiago maitAS^wíWwnúsfeaosomi 
Ti*omo etf&oíaltiíewte >nà ftlb*fca de <Si Dbcofogoa 
átiTOU *eta g^ttirla twt dftt«* « #m trouxe* * g taças á 
profusão d* -temidas do ]!>«rga<io qu« dava e festa* 
. fistas Wwi^taajbeiVi têem Ioga* «os^Uiteiròs? 
iftotmiiáé frígtun pareateNttU avuigo, mandão* per 
TèUe mmtkmka* , e* inA& à igreja % tiramtoda 3a£U* 
benta para. a despejar em <*ima da leptillora; Mrt» 
^râim^t* luccede bo ewcrto «mba^^e, mes- 
ino rozani* oJtcrgo e ladainha* emlingua^rcolaao 
pa do* «JfcdaveVj- « teto dufa etti-quaMo o herdeiro 
tiver a1^i*ma ctoitsa para dfcr a comer ; áa v*zt* pito* 
iongafft-W estes baft*]tfe4es até oulodius- 

; Nà &i<cã$t&0 étoe&tdWenlm 'lambem seconser- 
rn ainda em Sàhimgo 'Dma praft ica gentílica;- os noi« 
*o* ; " aò «sébir dtt - ígrej* sêp&ram-se retiratido^se a 
ítòiv* para ío quarto tom 'liaria raparigas, tuna 
amig**» 4foÇ pan* a guoMiar Jechatt) a porta-; bit 
rakla f*orém t> rtoívonrae aíll entra a força , . ; ; em 
ferèMe aedo&á imi* tifo de. 'pfctata ou espingarda ar 
ettstiBdde da ftàa e*posà. Wwste 1 taxo Cvlneça le£o 
* gtitariá^ dfls e^rwídikdos qfu* escutam á* portas * 
Jftttét4á9 r "0 e^*o *^M«iHcr rètiMMa^e «nt silencio* 



«mio -ha mais fòta. Esta pratica todavia já te vai 
perdendo pouco a pouco. 

" Caiando -/viuva cod úm sokeir* r ou ao con- 
trario, assignam^ambos ujfrtéru»0 eaniftosbeosnâê 
bajain xle pertencer aosfljbtjs do* tíiatf imotiio;, dim 
* juro» o». Viuva' bio de poder dispor deli** como 
qnizerem. ' . ,. 

. . Em muitas- colónia já se tènr libertado aosas* 
cravos -, e frite tardaça o leropo o*ue- Umbea» nas nos? 
•os, pelo menos algumas como p. e «^ Arcbtp^- 

- lago Gabo-Verdiaiu* se estabeleça ajguàldade ciril 
dos babilariles^ seja qual fdra «^&c^ Abolir a 
escravidão sestas, ilhas àeria setoduvída^omeiomais 
prompto parti, a sua prosperidade e a pegar da es- 
cftsses» dos me\aá 9 podia e decreta o Governo lenta* 
*uí#te começa* cata obra** 

. Todavia Utabvareuio*,, ainda que mta, nossa ídça 
possa parecer extravagante f • que pai* baver perfei- 
ta igualdade -nas colónia* africadas sptia co*urenri«nte 
»er autboritada a'polygatma eu legjiiacSVo consentisse 
ter uma mulher branca» preta e parda. Pois então fa- 
seado às diversas cores parte d'ua>a tnesoía femilía, 
serão «co^nf íi od idas e aTpalga.iQada& ^ e sen» isso m>*>- 
ca podará, inwér reatados, satisfatórios ; porque 
dando a liberdade «amplo goto da liberdade aos 

.pretos,' este* mais Qumetotos oi| destros te^ao os 
francos Immilbados e viççveraa. R a confusão dera* 
%9l\ e cores; que produz a poligamia abastante para 
estabelecer a união * perfeita fgtwjdade entre todas 
alias. Esta qnest&a é tm objeotOrde c*rlode grave 
ffeditaç^o», «tiacande assim n«T usó\ inrejerado e 



— 837 — 

\ 
\ 

apoiado pelas leys civis e ecclesfastica*. Os legisla* 
ladores Europeos autborizam só uma mulher 9 os da 
Ásia e Africa sempre consentiram a polygâmia, « 
se os primeiros téem rasão, ella também está do la- 
do dos últimos, visto a posição geographica e a mesma 
variedade de raças, que assim confundidas 4 n'uafa 
família, deixam de se perseguir e odear, ficando 
anouladas as barreira» que os- dividiam natural- 
mente. 



Em quanto aos habitantes do território de Gui- 
né nominalmente sujeito a Portugal , menos ainda 
se pode dizer; logo e impossível avaluar o seu nu- 
mero, quando apenas talvez os que esiam dentro do 
alcance da artilheria das praças, se podem conside- 
rar como súbditos ou vassallos da coroa» 

A Guiné é dividida em muitos reinos de di- 
versas nações , que se subdividem em outros. Segun- 
do a fiel e exacta antiga Memoria sobre Guine de 
Coelho escriptaem J669, eisabi os reinos, que se en- 
contram. 



q& 



348 



RànoiJatyo* 


Ifetur -i 
Sinico 


Grão Jalafo 


AttiuU . 


EocalUor 




&olow 
Barbeio* 


Biafarê*. 


Borcafo 


. Gotilé 


Flupos. 


Acbam ■ 
A mchomené 


Combo 
Jame 


Gala 

. Gobia 


• mais algu» de powca 
monta 


Bisege 

Guinai* 

fialonta 


Banhúi. 


Bigobá 


i 


Abe 


Reino dos £ rejea òu San- 


Bucheta 


• * 

dedegu 


r 


Jate 


* 


Guinguim 


Mandinga* 


Bichangor 


^ # 




Barra. 

■ v 1, » , 


£ ala n tas. 


Sonhí 




Guiam 


Nogas 


Badibo 


Nigre 


Jagra 


IJoiabo 


Nbani — -mania 


Bahnr 


Uí — mania. 


Sn ar 


Farim-Cabo grande 


Ca furão 


com *tus tributário*. 



ssa— 



• ' ' i * l 


ÇaaliQbQ 


A 
% 


4 Caê*ànga$ 


Bassis 


f 




Ilhotas 


* 


Cásama&aa •**.•■' 


Safim 


< • * 




Bi um 


l 

1 


Burameê o* Papei* 


Cacheia ... ,.: i 




« 


Bujoraata ... 


■ 


Mato 


Bissáo 




Mompfrlos 1 




• • 


Caboi . 


Sape* 


< . 


Chul 


i 


• 


Jol 


Cáceres . 


I 


Baula 


JBoeUôes 


• 


Biaoga 


Bogas . 




Cànhoguto 


Carecoies 


• 


Caio 


!*>#>». , 





Afora destes ainda ba outras nações como os Fu« 
los, Nalttt, Sacalaaes ífc. : 



Assim entre o rio de Casamansa e o de Cache* 
ou de S, Domingos , isto é aonde está Zenguichor, 
o Bolor, e antigamente existia S. Domingos, o pri- 
meiro estabelecimento feito n'aquejlas paragens pe* 
los descobridores, encontramos os Flupos* Entre, o 
rio de S. Domingos e o de Jatt , n*aquella parta. 
aonde temos Cacheo, existe o gentio Churo e as na- 
ções Papel e Banhame; aquelles últimos e mafc os 
Balantas habitam desde allí até Fá eGeba, Ao Dor* 

te do rio de Çacheo estani os Cassanpas eBaiotas. 

22 » 



— 340— 

A ilha àe BUsao é habitada pelos Bijagós e Pa* 
peis. 

Entre o rio de Qissáo e o rio Grande predo- 
mina e nação Biafafa, como osNalus entre aquelle* 
e o rio Nunez. 

Com lodo as nações princrpaes n'estas {Miragens 
suo os Jalofos, Fulos e Mandingas. 

Os Jalofqs em geral habitam olittoral do Ocea- 
no desde o rio de Senegal até o de Gambia. 

OsPuIos se estendem ao norte e lçstédo Senegal, e 
nas irámediaçoes do Gambia em pequeno numero: po- 
rem a maioria leva uma vida errante* Os Mandingas 
habitam ambas as margens do Gambia, mas>nàodei« 
xam de nu o ser encontrados por todas as partes de 
Guiné como e no interior da Africa. Esta nação é 
originaria de Jaga, mas por umad'aquella9, na nos* 
sa historia tao frequentes e notarias transmigra- 
ções , «stabeleceo-se tio paiz de Galam aonde é 
ijaito poderosa e forma uma espécie de Republica. 

Os Mandingas sfto vivos, alegres^ divertidos, rfiui 
dados a dança e mui altercado rçs. Geralmente; po- 
n*m em quanto aos vicies prdpríos a todos os Ne- 
gros , pòucMs censuras podemos fazer n esla iribu* 
O -Mandinga é doce, -civil, amigo -dos estrangeiros 9 
fiel ruis suas promessas , laborioso^ e o mais indus- 
trioso de todos o§ Negros do Hitorai e- mesma do 
iiVtt»rior mais pm*imo # 

* Q<kuí todo a com meneio do interior d* A frio» d 
u*u màos cirViles-, detsde a fiarbaria até Tpmbuctu 



— 341 — 

* além, tão elles que faiem tu mutuas trocas, e se- 
guindo o rito de Prapheta Mohamet, não menos 
ardentes peta religião que professam, como riqueza* 
que procuram, são • negociantes e simultaneamente 
Missionários. Assim como os Fulos faliam o A rabo 
além da sua lingoa. ' 



Estes Pulos vivem em sociedade, mas cultivam 
pouco a terra, fomente quanta é neoessaria para o. 
seu a]imento. Ainda que alguns vendem e mui barato 
as vezes pequenas porções d 'algodão e cereaes. 

J$sta «ação e entre 09 Mandingas como os Ciga- 
nos entre rios: sem rei* sem domicilio, procuram 
habitações . em matas muito fexadas ;. fazem pe- 
quenas lavouras, mas criam muito gado.. Seu 
principal sustento é leite que azedam coni o fru- 
cte de cabaceira [Adan$onta]-~ Tendo tanto gado 
não podem pelos preceitos da sua crença mata-lo, e 
comem carne sé morta á frexa. 

São pardos, mas as mulheres sâo bem forttiozas; não 
cazara-com alguma d'outra tribu, mas escolhem a que 
ja teve dous filHos ao menos , envergonhando+se os 
homens de caiar com mulher que não agradou a 
ninguém. Se eila assiste dez a vinte legoas , o 
homem tra-ia á sua morada ás costas » qual joi* 
nada e' uma grande funcção. 

As mulheres cultivam, fiam , e tecem algodão $ 

« 

parem no mato sem assistência d*alguem, e antes se 
deixam matar do que ter communiçação com b"~ 
mens d'outra nação. 



— 3« — 

■•• Os Fulo* são geralmente atraiçoados « iribosjritalei» 
tgs; gostem muito da «gudpdente; e vinho? de palma» 
Os Mandingas eonsenfóm os pelo tributo* em racqps 
que d*el!es recebem. O seu gado é ião exercitado que 
tu> sêm de botina *è ajunta c apressa o passo, até 
entrar na carreira: o que fazem quando se mudam 
temendo as guerra» que frequentemente lhes declaram 
as. outras tribus para roubar os gados. 
" Não. lendo domicilio > «9 suas cazas- consistem de 
•Juas íorqotthas' coro uma trave, cobertos" com ra- 
teto*** : * <* *y '. — - .... 

Bonreaçadores em gera 1, conhecem muitas plantas 
que curam e matam ;;- heGvam< as «agayas m*s só para 
feras bravas;.- põe isso twizem. sempre duas. especws 
tfe; armas- Quando querem limpar: o mato [de feras 
deixam' flxpmsta tinia vacca envenenada, ; 
' O* Fylnn eítánx espalhados por todo oNord^oeste 
«d* Africa, do Borãtt, na* margens do Senegal ele*»*" 
tas do Saltara; os di v* rsoa. viajai nlea deram lhes os 
nomes de Fido*, Fwlqht v Pnhy JPeuii, Foutf*,Fpur 
lana, Feihim, .Ftílaioh^ nomes que todos parecem 
•ser as fonr?as diversa» .d' uma mesn^ raia. Certo e 
•què e.4a nieào.tiao é da raça negra, e.çuo} rnuUo 
>frmd&tnentQdedii3to ultimamente i*m ilJusire viajan- 
te AUemAo* ;Sr. de $íchthal#uq $s J^Mlos.^ãu des- 
cendentes dos,JM[alaÍQS índios* . 



e \ 



©0 Jalolos. excedem a todas. sas majs tribas em 

•furtar p a. qno se dâo comietnio golo.e, habilidade. 

N*algu»s paizes doesta nação arcoroa é; hereditária t 



doutros eelecUva* A<oatart* doreyaante, tanto aqui 
como entre os Bijagós e roais tribus, sunoedem o* 
sobrinhos. — Uma fita branca é o distinctivo da 
Realeza» <- 



Os Baiantus têem reis, mas é só de nome, pois 
oáda um governa e defende a sua césa como po- 
de, Sâo sagazef , más muitíssimos ladrôe*,. nin- 
guém impunemente atravessa . as suas terras sem 
risco de ser roubado. Dormem, em cima d f um p&o 
redondo, do qual no sonMSo quapdo cahem, leva,fi- 
tam-tè e pegam em armas, dizendo que os defun- 
tos o* chamaram para furtar. Nào guardam nenhuma 
lealdade no que dizem oa fezem. 

O que é maior ladrão goza de maior respeito. 
Em canoas vão fazer roubos aos visinbos mais dis- 
tantes. N 'outro* tempos eram antropófagos, espe- 
cialmente de brancos, xjue apanhando matavam e 
oomiám, e guardavam as caveiras pa(a v beber por 
ellas o vinha de palma que milito allí abunda. Ago- 
ra já t4em. algumas, povoações á borda dos rios e bra- 
ços do mar, e estes! são mais tratáveis Todavia res- 
peitam a mulheres que. vão d*uma aldeã a outra, . 
Os homens vestem couros , as mulheres pannos 
que trocatn por sal que fabricara em abunoUmçirt, 
fervendo o lodo das praias em panellas de barro. 
Também cultivam muito airoz e, milho. , 
t As suas armas sâaei padas de ferro ou de pão de 
ferro , esping4rdfi$, e ^raos, ... 



344— 



Amim trás «té quinze ou. viole ftMpt, ou «té **• 
jem/amkia«[ciccuitlcidado5.^ 



Nas margens do braço do mar que separa a ilha 
de Bissâo do continente e ao longo do rio qued^alli 
pn**a porGeba, habita a nação Mandinga Sonin- 
que. Sào dados a bebedice e raptara , e quando vão 
a ella invocam sempre ao espirito de mato, ura ho- 
mem erèatura do fei que- dá as ordens e profecias. 
Junto- á uma grande arvore, matam fcret ou qoatro 
nórilhos prelos , queimam as estranhas em cima 
d'uma pedra liza, e entre o fumo appareceotal*etpu 
rito de* muito. Se é na occasioo de entrar em guerra, 
elle nomea um descendente de família que oon* 
lasse aigutn rei no seu numero, <* este. depois de re- 
ceber presentes do rei aetuai tf vassalos, vai no dia 
âò combate a frente dos seus com uma zagaya na 
mão, e a cujo ferro está attada uma tira de panoo 
finto no sangue do sacpificio. filie deve atirar coca 
esta zagaya dentro da taba uca inimiga 9 então atta-» 
cam*a os seus eòm tanto ímpeto , que quaet sempre 
a' tomam : porém tendo a infelicidade de não lan* 
çar dentro a kágaya, morte queimado vivo pelos. 
seus, 

Os Mandingas bem como os desta tribu téem cavai. 
los e usam o$ pafa guerras com sei las, estribos e freios, 
montando os com polainas de couro que .bem .como 
as bolças sao de obra primorosa ; estas ultimas são 
cobertas de orações inseri p tas pelos Mouros. 

Nos «combates vai adiante a gente de pé com ar- 



— 345 — 

»a» de fogo, segue a cavallaria, e na reta«guarda os 
que usam de fre&a e traçado. A Reavaliaria divide- 
te em duas turmas, a primeira batte a tabanca, a 
segunda guarda o campo , depois de dar. a descar- 
ga retira , e. avança a gente de pé, descarrega e re- 
trocede, avançando novamente a cavallaria. Então 
marcha paraoattaque a gente que não te 91 armas de 
fogo, continuando os outros a atirar, em quanto 
aquejles se esforçam a penetrar «a tabanca. Se o rei 
que. está dentro d'elia tem bastante gente, sabe ao 
.campo, aonde brigam até decidir, , ficando os ven- 
cido* escravos do rei vencedor, e morrendo, os que 
se distinguiram pelo valor. 

* * • 

Nas immediaçoes de Geba hm Mandingas Mou- 
ros ou Mahometanos , dos. quaes já a, meia legqa 
d'aquella praça se encontram aldeãs situadas n'u~ 
ma bel la planície, com boas fontes, palmares e mui- 
to arvoredo, entre o qual dizem que ha também o 
cravo da índia e pimenta* instes Mandingas sào 
muito industriosos . cultivam milho braul , ca~ 
©«//*>, br.anco, e t/*Ufcío,. beaj como algodão em 
grande abundância que fiam e tecem, vendendo os 
pannos que fabricam, em grande parte aos Balantas 
a troco de sal que ai li custa ump iCtygra (alqueire) 
duas tiras de panno ese vende por dez nas cerras dos 
Mouros. Sguern o rito Matiometano, também nâo 
bebem aguardente nem vinjio de p^lnià, nem co- 
mem carne de porco : toem tantas mulheres quantas 
podem sustentar. ^ 



— 846 — 

" Criam muito gado, especialmente umas ovelhas 
com cabeHo liiõ em logár dà lã crespa. 
„. Trajam roupas largas, catçdês largo» é curtos, e c#- 
micas còm nielas manga?.' Assim 4 andam também os 
Biafares. 

Empregam -se muito estes Mandingas hoçommer- 
cio interno d' Africa * contando as suas viagens por 
luas; vão assim desde Gebá ate' a Meka, com re* 
commendação do' Rei ao reino vizinho. Os seus ta« 
cerdotes fazem por este modo umaf viagem d'um anno 
para receber às ordens.* Sào venerados e respeitados, 
alem de tratar da mesquita, ensinam a lér, escrevera 
dào conselhos. 

O Rei desta tribu o? ora n*u ma ioòânea a quatone 
legoas "de Gebs. Túbanca é uma aldeã fortificada 
èom estacada e fosso, com ruas alinhadas, distin- 
gui ndose assim das outras aldeãs abêrtar, que chamam 
fnerecnhdai. Este rei tem mais de trinta tabancasno 
èêá domínio. 

£ Os Mandingas como todas as tribus da crença Ma* 
bometana sao religiosos observadores da hospitalida- 
de, e para guardar este direito fazem muitas veses 
grandes guerras. 

As leys geraes' sab allí as seguintes. — 

Fica escrava do Rei e poáe «er vendido quem 
roubar, desencaminhar ou fora feiticeiro. 

• * * * » 

Os tios em precisão podem vender os sobrinhos $ 



— M7 — 

mas, são obrigados a resgata-lo* se o cativeiro * sem 
crime* , 

Q rei é obrado a exigir a eptrega da se\j vas- 
•alio delido em , chão alheio e usar represálias. 



. Na jlba de Bissáo é a nação Papel que predomi- 
na, havendo- também muitos. Bijagós, nome que 
jHDfcuUaneafnente te dá aos habitantes de todo o ar- 
cbipelago JBijagó.. 

:, Apesar de que. Cacfeeo é mais. anjigp q^ Bisiáo, 

. (esta praça em razão da sua melhor entrada , ttin 

jàào mais frequentada pelo» estrangeiros, e o com- 

inereio -e trato continuo civjlisqu ; mais estes nqgros 

^ 4q que sâohpje os.visinbo». deCaçhep; também mui- 

„ tQ*<T>eJl*& abraçaram a religião Çhristãa, e habitam 

aa palhoças a roda da Praça de S. José de Bissáo, 

conhecidos com nooifi.de Qurmc&Q*. Geralmente sup- 

,pòe-se que a ilha de Bissâo tem para cima de 30$ 

JjabLiames. A' excepção porem d'uns mil Gurrne- 

4as , são por maior pçrte idolatras, 

A divindade geral chama se Chinq , porém cada 
um forma uma divindade para si : as arvores Com 
tudo não consideram como Deozes mas sim a sua 
jporada, e como taes tributam-lbes veneração. Sa- 
crificam á* suas .divinidades ,. gallos, cães, vacr 

cas etc... 

• 

, Np ijbeo do Hei defronte da f faça de Bissáo, 
•eV^pdos aQpo£,£eraljaiente,. çprpo também em todos 
9&. atsujpptqs políticos da grave ^importância, cpmo 



■— Í4Ô— 

a morte do ftey , ao entrar u*uma guerra àfc. cele- 
bram-se ritos religiosos ,. aonde no fim sacrfô- 
eam uma vacca branca, que antes de servir de vi* 
ctima tem -cuidado de engordar e bem lavar; ba- 
nham com o seu sangue o pé e os ramos da venera- 
da arvore, e depois immolam-a, cortam em peda- 
ços , dividtado-os em bocados que distribuem aos 
assistentes,, ficando a divindade só com os cornos; 
dos intestinos* vaticina o sacerdote o futuro. 

Jím 1836 tendo noraez de Janeira morrido o Rei 

• 

Papel José, vizinho da Praça de Bíssáo, celebrou-se 
alli«sta festividade, à qual assistiram mais de dex 
mil Negros. < ' 

O .Rei deBandrm que vendeo este ilheo a Coroa 
de Portugal por intervenção do Sr, Honório como 
já o dissemos, preside a estas festas , e na occa- 
tiâo de lá ir, recebe uma salva da Praça de sete 
tiros. 

Este t-ei em vírtnde~do contracto da cessão de*- 

« 

te ilheo que custou 400$ em géneros, recebe osoldo 
de alferes, que manda ou vem buscar todos os me- 
xes, progu u tando sempre n' estas' occasiões pela saú- 
de da sua mana a Rainha D. Maria. 



Os negros da ilha de Bissáo andam nus, cober- 
tos só pela cintura com uma peite de cabra tal qual 
tirada do animal. As mulheres trazem pannos das 
ilhas de Cabo Verde ou do chão de Mandingas. 
Sàoem gural Jnortes, pois cultivam o algodão, mas não 
© sabem fiar , nem tecer. Os homens são mui va 






— 340 — 

lentes:, aj sua* arma» são a espada, aanhàç<h [chuço] 
tflcuwko , : etcudo de palba-e feitio das antigas cha) 
peleiras, que paca aparar as bailai , cobrem com a 
pelle de jaeuré ou orelhas oa pelle de elefante. - 

São mui atrevidos c*»m os «seus, .mas timoratos 
eoin.ot btaiiGòt» Cóm duaealos soldados brahcos 
bem se podia sujeitar á vassalagem todos os régulos 
da ilhâ> . 

Podem caaar com quantas- mulheres poèsara susten* 
tax: os sobrinhos herdara dos bens dos seus pais, e 
não os filhos, mas os bens de raiz pertencem aoRei» 
que os torna a ceder por certo numero de vaccas. 

O th r ano também nâo é hereditário: de' ordinário 
fica eleito rei , quem fora da vontade dos ricos e po- 
derosos, que se ganham com dadivas , mas de\e ser 
da família dos antecessores % e como tal herda os 
tens de vais. 

O Rei de Bandim é o mais vizinho de fiissáo J 
quando toma posse do reino manda comprimentar 
ao Governador , enviando-lbe uma vacca de pie- 
zente e annunctado o. dia em que o há de vizL 
tar NVste dia vem com todo» os velhos, fidal* 
gos, mulheres, accompanhado d'immen*o povo-, 
tudo nu; depois de obtida a licença, entra na 
Praça com o seu Dragoeiro, Batoteiro, fidal- 
gos &. e concerta com o Governador a mtelligeticia 
«m que Ih*c de viver. O rei promette procurar peio 
seu reiííotodo escravo qie fugir, ou soldado que de- 
sertar, recebendo pela entrega do dono d tias barrnsde 
ferro, e cinco frascos d*aguardente: pelo desert r chi o 
Governador oqueqnixer. Depoi* dando as fnaôs em 



sigTítl da amizade, o Goyernador manda vestir «o Rei 
dá uma íràiqueira de aguardente pára tis soldados, um* 
panttôpara cada mulher? eum lenço emaço decan- 
tas para <a ixmBeijúda [rapariga que ha de »er tam- 
bém sua taulher quando for caaadeitâ,] ; 

A' sabida loca-se àiarelia, içá a bandeira e da' 
nmajalfa desate tiros. Alguns GoVetaádoretf nao 
deixam entrar este accoznpanhamento dentro da l?ra- ' 
ça, receando algum dia traição , tanto' mais 'que 
todos estes -negros tèebi pennisfcao' de entrarem na 
praça armados. N ao acontece isso em Gambia ou 
Serra^Leoa, aonde os negros depois <io ultiíno cas- 
tigo que receberam, são-obriga<k>f a vir atestes pon* 
tos desarmados ,;ou depor as sua? armas n'um forte 
vizinho. 

O Rei mora n'utna aldeã a tiro de baila da. Pra. 
ça «'uma cazinhá redonda coberta de palha, aonde 
cabe só <elie e. uma. mulher : arodaestam as habi* 
taçoes dos filhos, mulheres, esòldado** Todos os mo- 

çe* do reino de ykite até trinta- anitos, sâo soldados m 

• 

sétretn paca guardar o .reino dos inimigos, fazem se. 
gienteiras ao rei, em<c}ue ajudam os mais vassal los, e 
não toem outra paga «senão de poderem .'tirar viiiho 
em todos òs palmares. Em caso de.guerra, todos os 
vassalos pegam, em a* qaag. O rei não dá licença 
de cagar ao moço que, nao foi solidado. — Os mais 
vassal los moram enS pequenas aldeãs perto dás suas 
boi anhos [lavouras] A riqueaa consiste em vaccase 
anos. ; . 

Sá u Rei Um touros pais ,e recebe por cada vac- 



caqije -pMF^ um ta/aio .dç, wof [# ç meio alqueU 
rol. § . , , 

Entre o* fidalgas *ba alguns donos do chão <{\iç go* 
Vçrnam *ohre os visinhos em.norae dotei. . 
(>) Log^ que um ^l^ado tem licença. para caiar, es- 
jqolh* o siiio ordinariamente, ao pe çT algum tio, de. 
quem ha de hejdar, £ fi íiueni; a ju4* > n 9 trabalho. 

Quando um homem quer. ter mulher sua, ao que 
çhapoaxa qmçurâr pçnfio £as raparigas andam ntjas 
até cazaram] dá uma vaccta parida ^o pai. Em parindo^ 
a mulher, o marido procura qutra, pois antes de três 
annos ella não tem depois de parto cpmmunicaçâocom 
.pinguem r julgando que morreria fle i , dia/r hea, do-- 
•nça alU muito vulgar. . • / » . 

* * * - i 

r - » ' . '- 

O, Rei é obrigado a f fazer as despezas com a Ba- 
/o/a, dar ayacca e aguardente para derramar sobre 
ella na oçcasião dos sacrifícios, que se fazem com fre- 
quepcia quando chove; demais, se não chove,— 
sç bixo dú na sementeira, &. Jistas funcçoes são de 
noute. 

• * 

Quem perdeo ou furtaram-lhe uma vacca , quei- 
xarse ao Rei, que falia ao Balolciro e no sacrifí- 
cio publico declara, que a Balol% matará o ladrão 
%e não restituir o iyrto^ o que de ordinário e acon- 
tece ; outr'ora o ladrào fu-ava escravo do Rei. ; . 

Alsruma pessoa recebendo mal do outrem quei- 

..O » i , . 

xondo-ac com dadivos ao Balukirò, este promette a 
vino-ança do Jjalolti. Se a posàoa dò quem se quei- 
sou ou alguém da família morre, ou ha outro acazo, 



— 3*2— 

o quetiozo fica satisfeito dó castigo do Balofa a que 
accreditam muito.— 

Se adoece alguma criança , a mai com' presentes 
▼ai ao Baloláro que escutando o Balola dá ervas, 
úncturâs &: Se morre a criança, dix que mataram a o» 
feiticeiros ou os defunctos , ou o jíire (espirito po» 
deroso) contra quem Balola nada pode* 

Os Baloleiros são ordinariamente dous. Quando um 
â'eltes cubica um presente d*alguma pessoa, es* 
tando em presença do Rei etnais gente, cahe fin* 
gindo-se sem sentidos, com grandes convulsões» 
lançando espuma pela boca, para que mastiga 
uma planta. O outro Balolclro é cbamàdo,deita aguar- 
dente por cima do companheiro, entra na caza, ond ô 
suppoe estar o Èalola, truz uma porção de farinha 
que lhe deita também fazendo varias perguntas, ás 
quaes com voz contrafeita responde aquelle, que Ba- 
lola o quer matar por que F. Ibe nào quer dar 
certa vacça, ou pannò &. O Rei as vezes é também lo- 
grado. — 

Ha entre o Rei e o Bal oleiro um segredo, que cha- 
mam coí%a amar goza. Se algum dós Grandes nào faz 
aa ordens do R?i, o Batoteiro, poe-lhs a noule um 
pào com certo golpe, de que lai medo se apodera 
do Grande que as vezes morre , — e se não matam 
o cem a tal couza amargoza. 

li 5 1 es gentios crêem em sonhos eque as almas do 
outro mundo assim voem conversar com cites. 



Era geral os Bijagós são muito bons marinheiro^ 
n deviam ser aproveitados nas estações navaes de 
guerra , como fazem/ os logleãfès com os Kroomen* 
Remam com uma velocidade incrível com pequenas 
pás,' que chamam pangay os $ e vão assim por , mar 
mesmo até Cachei 



. Qqaivlo a liâ^ua teajos já dita qUe a maioria d\ 
«queijas naçôe? fajla o Árabe: as outras lêem seu 
próprio . dialecto* O Sc. >. Lopes Lima na sua estada 
çm f£olor Ho paiz.. dos.Flupos* cçlligio «muita? das 
suas palavras > oqlie foi impresso no Jorna,! daSo* 
ciedade do* Amigos das Letras*- 

■ r Na colleççlo das viagens de Lahajrpé também eA* 
centrará ojeitoj* no VoJ. £.°, muitas , palavras do 
idioma Mandinga* Jaioffo <* Fjuio» 



H 



JW 1 



ptftmttit* 



* » 



Alui escasso» abordamos esta «iftterta li# Impor* 
tante, pois ainda que abstracta é de summo interesse; 
pot quanto pode apresentar o melhor quadro d 'um 
país 9 indicando pa mera enumeração dos seus pfo* 
diicEes , feto qti* bates te ftHttaftl jslH *s feHnçde» 
éoftiíWreráeè, quafe» matérias primos pwfetft aíeãtâf- 
á Industria» e per tente qnél é a «ja)4q«e*a. 

ílo entanto nem nafetenaes nrtttesttantoos «e lêem 
dttetfpade *ef taitfente tfo estudo das seienétas óafu* 
faes desta província. A pena* ««totem doa itfHpfros 
eptítim frttgiA*Mos sem earaeter éfguttf $ q*é *i*te» 
Jtereèem narraQSifc, ora mais Adttftgtoes, oía duvido- 
sas e extravagante»; Doattaetavaeshi *£ <• qntf es ^rc * 
veoJ. da 9ilva Feijó, natural do ffrazil, enviado para 
altí pelo Governo na qualidade de naturalista. Des- 
te os raros bosquejos que existem, (pòU nada ha segui- 
do) ressentem-se da cfpocba ; escrtptos no» fins dò 
século passada , quando achymiea ainda quasi que 
Aao tinha penetrado a travez dos Pyreneos, apresen- 
tam especialmente em quanto a geologia muita 
confusão, ou aliás sào iaeompfèbensiveii* 



Ê mister confessar no entanto quene* la província 
a essencialmente ém Guine são difficul tolíssimas se- 
«aelbantes pesquizes; allí encontra «raa natu alista 



-fttft- 

Atada passo taeslropeços que apenas w ardor q tt i$ a 
imano pela sciancia ha de os poder vencer. Toda 
p.bservaçâoou descoberta nas srôocias Qatnraetda*. 
tas regiões devera ser dividaiaeote sentida eapprecia» 
da, Niotertioosjus a esta gloria, como desejávamos: 
todavia 40 que colligimos^ juntamos estranhas ob* 
aerv*ções lambem , e assim no seguinte esboço te* 
Jnos a consolação de se não apresentar um &d m 
exacto qugdro das producçèes desta província, ao 
taienos facilitar o futuro trabalho cPalgueid que. tep* 
do. maiores conhecimentos, se quiser dar á preenche* 
tarefa ião .importante* 
-■.-#- - . 

Seguiremos neste artigo a mesma marcha coma 
nos antecedentes, tratando ein primeiro logar do 'ar* 
chipeUgo ,eem separado de Guine, 



C ó v ai ) os. — Abundam em todas as ilbas, e mais 
em Santiago , S. Nicoláo e Fogo; nesta última -«s» 
ptoCiaJmenie e*cellem i\et$ formas e vives». Geral» 
mente tão de, pequena marca, encontram se porém 
em Santiago e maiores* descendentes d'uas que 
«rotr'ora vieram de Portugal* Em 1818 mandou o 
Governo para allí dous bons cavallos pais ^ e em 
1014 seis éguas crias; destas niorreo uma na via- 
gem , e uma só sobre viveo deixando dous potro*-* ' 
que refere o Dr. Castilho na sua memoria. 

Todavia desta única remessa que fe* o Governo 

de Portuga^ já vai em»trjota annoi, embora se aio 

f tf a 



SM — 

tjrofscm era ^resultado as vantagens possíveis, foi feto 
por culpa da costumada incúria edesobeiliencia dos 
autboridades ultramarinas ás ordens do governa. 

Os cavallos da pata pafecèm ser da ràçs Árabe, 
ainda que não ha noticia nem documento a Igrn tf* so- 
bre a introdacção do godo cavai lar, que sem du* 
vida não foi indígena no arcbtpelagò. Más foi des- 
tas Jlbasquesereroetteiam para a Bahia as primeiras 
egtias , * bem como vacçat e cabras, 
.. Nâo se ferram os çatallo*> ma* toem o casco l\o 
t ijo que, apezar de andarem por caminhos: mui ásperos ' 
e por grandes jornadas, nunca padecem e são mais 
seguros que se pode imaginar. Os habttantW lêem 
ate a supersticiosa idéa , <jjne morreria cavalio que 
se ferrasse. Os arreios dos vadios são feitos no pau 
e difterem dos nossos , principalmente os freios, á 
imitação dos do Rio Ofçnáê no Brasil, urna ar- 
gola fixa no bocado abraça a beiço inferior* 

Pela Provisão da Junta da Fazenda do Ultramar 
de 12 de Janeiro de 1799 mandou***»- reme tler dés- 
IOt ilhas pára Lisboa o maior Mimero de-cayállo», 
para ver o etísaio de sefeclbantc especulação. 

Km ISll quando Portugal entranhado na guerra 
continental, progredia na lutia.com o usurpador de 
sua natalidade, oíferccer.uri os habitante» deste a rchi- 
pelago para as pracizoes do exeroto, gratuitamente 



• Gabriel goares P. *; C.«33, 



— «67 — 

• 

viu te etatftos cavallos. Nãoaer viram nos regimento* 
clecavallaria por não terem a marca; irias este pátrio- 
tico ofíereci mento foi agraciado pelo governa com 
uma medalha çom. a effigje do Rei d'ura- lado;' e 
a inscripçâo. Premo de fidelidade do outro. Estar 
insígnia, podiam trazer no peito suspensa i/uraa, 
fita por uma argola. 

A et imlmenle está fazendo o Sr. Júlio Dias na de- 
serta ilha de S. Luzia grande -criação de gado ca" 
v aliar, bem coma de machos e burros; estimaremos que 
oç resultados correspondam ás despeças e cuidados. 

Assim para promover e melhorar a raça eavaHar >' 
devera o governo de Portugal mandar para alli dou» 
hontcavallos pais e fazer comprar outros .dons Ara* 
bcs. • do interior d' Africa que se obtém facilmen- 
te em Geba, aonde custam 60$— rs. em géneros J 
e com systema e boa administração em poucos an- 
nos bão de p>der estas ilhas fornecei á remonta da 



' • Di&emes Árabes porque Vulgarmente tanto allí 
eorao em Portugal , são conhecidas com este nome ainda 
que impropriamente. EUe» são da raça Barbara {chevau* 
B rbes) que são mais pequenos dos Árabe» da Ásia , e 
com a qual raça s3o mui parecidos. Segundo o Leo Afri^ 
cano provem aquelles dos do interior da antiga Lybia e 
Numiáia, e a qual raça se estende entre os Mouros e 
Negros quasi até a costa de Guiné*. Estes cavallos nao 
excedem de quarenta e nove pollegadas, mas engendram, 
maiores potros» 



éavrtteria àunuáhnente uns quarenta tarallola ra- 
sto «k.40£ rt. cada uni.. 

BtsV roè. — Stta ser» duvida oriundos dos trazi- 
dos de Portugal: abundam em todas as ilhas, aen- 
âò este animal quasr .o único tjpie èerve para os 
transportes qu€ efectuam em doas pequenos baldes 
de pelle de cabra pindurados um de cada lado do 
attimáf, e eháWára tngucaé. Geralmente "são mais 
pequenos *|tie os de Portugal,' mas lêem melhor an- 
d&duf* ; hk os que passam adiante d*um bom ca- 
vftlloaotcbtte. Antigamente Ira via m ditos burros bra* 
▼os, principalmente nas ilhas de Maio, S. Vicente, 
S. Nieofáo e &. luzia , aonde como refere Roberts , 
Dam píer e P. tabat, Porttignejes e estrangeiros, 
especialmente Flamengos os caçavam com cães 
ensinados, e' rrtaíavám por catita das peffes; mas 
tttèsfné em tempos menos remotos, formavam os 
btrrróè um grirnde artigo de exportação para as An* 

Ym&S. 

Porem a ultima fome triennía de 183 1—1834 

extinguio os burros bravos ; ps desgraçados fesfò«. 

.. tfrfatfos devoravam os r-stos mòrtaes, e foi n*eátaoc« 

Casfôo tjne se lançatatrt sobre os burros do Pi ove* 

dor da "Ilha de S. Aritão/e comeram todos, 

\ * • 

Machos, e Mu las. — Estes mis ticos e*Utem 
em tod** as ilhas , pi incipal mente porem em S- 
Antão e S, Nicoiáa, aonde se encontram os mar» 
bonitos* Foi d'e*ta iilra qu» w*atH)& WOOiMftdm** 
99 para Lúboa uma muliuhaanã, de 3 atmos, com 



A paitoP* 4 'afeara» muito faegi projprdonadfj W*» 
a* 4 n*ú a*d*ja« 

. G ado Vacuro. Não menor * a abundância de 
beisr e veçcns» porem como iiao esca&prsg&mao* 
trabalhos do campo, atm appliòamos leites paracoA» 
feição de manteiga ou queijo, não {.ralam d'amf]horar 
a raça; também o gado é pequeno. Na V ilíaca Praia 
em Santiago aonde mais ç*rae de vnccs> se consome* 
e a 48 reis o artatel. — Previne . se que punça |e 
matam vaçcas. 



C a b r a s são de mui liada eapeok^ieat pctUo auri» 
curto que gpraliqeate as de Portugal» donde épro» 
navej qtte< foram iotrcdusidas pelos descobridores* 
mas em breve empalharam com modo tão espantoso, 
que cobriam todas a» ilhas rebanho* de 4afer*s bça* 
iias. Agora, porém d'estas. eficontrnm «a apenas ajgji* 
mas na* rochas inaccessiyeis de S* Antão y Mfein a oôr 
parda como corças > e carne mui gostosa , aio po> 
X&m mui difficejs a caçar, , 

As cabras, mancas ou domesticas abundam mui- 
tíssimo era todas as. ilhas, e seu augmento bawie 
ser prodigioso; parindo aos 3. e A duas yeses do 
floan. • Sua carne é o alimento mais vulgar que 



(*) Bufk* na «urHiitwia Natural cita e segeiftite faei 
te. Ne am 1S90 em navio Inglês iendo arribado a Bear 
Vfcta, dons negras vieram a borde, offeteear aò Cftpttl» 
srafo quanto» Vedas quisesse ; e aAnairtdo o **&** 



— 36Ô — 

» de %bi; de seu Teite que é õ principal sustente 
dos insulanos, {atem queijo e manteiga.*— As pel* 
les dao um coráméreio iriuí- vablajòâo. àô estran- 
geiro, podendo as comprar de M5O---3O0 rs. quando 
nos E»ta*b» Unidos vàíem ©90 **• 

Ove Ih a s. Apenas 1 algumas se encontram,— ape- 
zar de que varias memorias faliam de graades reba- 
nhos,, cuja lâ dizem serve jpaiV confeição de pau- 
nos> l , 

Porcos. Sâo originários de Portuga! coma o 
méis gado» dotne$t4#>r tia os em Iodarias ilbas/com 
muito porem major at>ub<jí*ricki encontram se n» % 
Brava e Fogo, aonde vistoso grande excesso de mi* 
Ibo mais se dedicam a sua criação, e fornecem San* 
tíago e mais ilhas. Com tuêlo como bastante touciv 
nho e carne de porco salgada cslmngeirá veiii ao* 
Reytto* bèná podiam asTílbas snpprír estáfttUa, serv 
▼ind<>sepf*ra óxêvárcota maior i;antâgetxi do^mílbo, 
que nos últimos annos já nervlmtn v beneficio fem deixa* 
do na êxportaçAo prtrà a Madeira elleynq. A Mari- 
nhado Rey tao bem podia muito ém conea pela Junta 
da Fazenda assegurar um fornecimento, de ca rite de- 



de tanta generosidade , responderam que sendo so dei 
h»&taftt*$ ,-osc bodes jc c^íàs waltí^wvaiift-»© a f onfade 
•e taiparem ioeom modos , e foage de«U*eta&a«faço para 1 
ap&Ati*4os , ftegoiam .0* batota» '«eaà 'çaoá >teia»á) qojo» 
adlm^cs domésticos. • 



1 



— 361 — 

perto salgada para ouso das tripulações dos navio* 
de Guerra» 



... ) . 

M aeacos^..— Desfafamilia e do género dos Mo- 
rna que se encontra em grande copia a espécie 
Mono Callilricho. [CercopithecusSaboeus.] Todavia : 
é de admirar que os -haja só em Santiago e na Bra- 
va. Sao esverdinhados com suíças e ponta da cauda 
atnarel las. Ainda que estes animaes são os mais peque- 
mos da t ri bu> estam temíveis pelos eslragc>s que ban- 
zam fias borlas e plantações , especialmente nas de 
mandioca ou rbanannes e laranjaes, Fm Santiago 
p. e. na horta, àb extinctô Convento da Cidade 
da ribeira Grande, sendo este sitio cercado de ro- 
chas aonde habitam, quasí- lodos os dias vem ban- 
dos., de trinta e mais destes ladrões. Nestas expedi- 
coes mostram grande fcagflctdade, coHocando a roda 
da plantação que querem explorar, redetas que os 
avizam se alguém se appraxíína. S&ò fáceis de doi 
mestiça)*. 

> *Gbn$ta-ni» que na 'Brava ha ainda 'outra ; és- 
p?ciè deefr pnjta e mais pequena , mas nunca a- 
vimos; ■ - ■ 



. / 



Terminamos ftqtri àénumeração dosiWathmaes do 
arohipelagó, lefahi-nijido q-te ha tamtiem cãe? ,'gat*<- j 
tos e coôjhos domésticos'. Estes , reproduz iram-se na-, 
estado bravo em Santiago na ribeira da Trindado 
com tântá Quantidade, que estragando caba taieme 



as bortaa, foram todo» «oitos. Em S, Nfefri** fca 
uma bella variedade de cãe§ muito robustos . 

Os antigos Chrooistas faliam haver «m Santiago 
mwt os.gatos d*algalia ; ainda eocontramot ino na 
Hi*t. Insulana do Cordeiro, m&* eerto éqo* hoje 
não oi ha. 



Ejp Guiné lia pousos atiimaes domerttafe f éo 
pouco que sedào os habitantes á agricultura «xpltcS 
a suprabundancia de feras que infestam aquettas pa* 



ragens. 



Cavallos appartfcelft soa principiar de Gaba 
em diante, q«* é já o uHimo mais entranhada pre- 
sidio que allí possuimoi. 

< 

Gado V écnm é muito numeroso, ma» de Yeça 
miada , sendo ainda mais pequeno^ que o do arcfeU 
pélago Cabo-Verdíano. Os gentios servetn-se das 
vaccas para transportar as cargas e até as mon- 
tam. 

Ha uma' espécie comihum qoasi em toda a *ona 
tórrida, que tem entre as espaldas ama cotejada de 
Cordura* v . 

Ovelhas s&o como as d Europa, mas Umbeqi 



— 3€g — 

eacontta-se nina tspewte v íom peito lho em rei d* 
|a ,— é a Ofcir Guinièriih . 

*.~ . », • * * * • 

Eí c f a n t e s^fòrçosameitte hão* de ser cm gfftft. 1 
efe numero ^ a julgar peia quantidade dos dentes 
que sé exporiam. Ha os mesmo o a ilha deBissáo* 
para- aowdé véeirt da terra dos Batantas atravessando 
o Efafernat a nado. * ' . 

Leões eT igres existem em Guine', mas não os 
hà nã ilha de Bfssáo : enconfram-se os primeiros 
especialmente com mais frequência nas vizinhanças 

de Cacheo , e nas terras dos Flupos. 

* - ■ . ■ 

Onças, Chakales, Lofeos, Gattos bra- 
vos infestem toda Guine: as primeiras ròdeam as 
'povoações, e tfresmo de nôute entram fl09 fossos da 
praça de Rissáo para apanhar algiima preza. Ate d*ahi 
\*m dos baluartes destA prnço tem o home éa Onça 
porque muitas vezes de noute entrava por allí por 
uítt esrbrotfmerrto lima d'aqftellas ferasi 

* Porcos bravos ab\r*dam e dfe vartars espe- 
efes , étitre estai ha também 6 Sus jffrtcano^ e o 
pòt co espinho. 

BrirffàTos.-*4?sta béllaespecie é éommirm quá&i 
em todo b continente africano. Maior qne* os gran- 
des touro* d 'Europa disttngue-se pela pequena- «i- 
'beça com armas immensas * sobre uui pescoço 
multo cueto. Grandes manadas destes animaes co- 



— 36* -~ 

bneiç a [lha àt iíiwáo , e cofla admiração* iiie%m* 
a belíissima ilha de Bolama»; como abíram muito 
a nadar, sem duvida leram vindo alli por este modo 
do continente, Propag*ram-se n aquella ilba d*um 
modo. tão prodigioso que 6 muito facií mata-los, e , 
a carne é deliciosa. . > ~ . 

Podiam o deviatn se domesticar ésles ahimaes^ 
como tem acontecido >n a colónia do Cabo da Boa 
Ksperança* 

A % par- destes quadrúpedes havemos de citar ainda 
as lebres, veados, antas, if 

Gnzella e como á nO§sa corça , se? meta te' ttitifc 
pequena. ' . 

Fr i La ip bo,, e cixjl tudo semelhante k aptecedeo 
te, com fidiffèrença de ser muito pequena, pi.ucoex. 
cede p vima lebre.. . ,, 

'■>••' *■ ■ • 

Sim sim. Este lindo aniaial do tamanho d'um { 

burió e parecido com elle na cabeça e orelhas/ as- 
semelhasse â nossa corça pé\o pescoço e resto do cor- 
po , lendo também armas na cabeça. Abundam es- 
pecialmente nos arredores de Parim» donde um veio 
n Lisboa em 181^, mas ba os também nailbadeBis- 
sáo* e d'allí foi um remettido, a Lisboa anuo passa^b*- 

. i\ a ncj* a parece com x> antecedente e lerá uma va^ 

r jedadc, . .^ 



i 

1 



-,365 — 

Macacos, —«reproduzem -se em innumera*v*l 
quantidade bem como e variedade de espécies. 

CJok, Cachorro v. Ráttodo Mangue* 
Os naturaes. dâo eslcs nomes. a*ima viverra, que 
'habita -com preferencia as margens dós rios de Ca- 
samansa e S. Domingos, aonde ha muitos mangues. 
E* do tamanho d' um gaio, de côr cinzenta, de pel- 
lo imdto fino, macio e comprido.. A cauda que tem 
palmo e rrrçio decompriqiento, é muito felpuda. 

Domesticana-se facilmente, e então seguem aodouo 
como cães , e~ grande é o seu préstimo pela cruel 
guerra d 9 extermiuio què fazem aos rattos que tanto 
abundam em Guiné. • - 

^HeàJa-no» ainda antes de leTniiiuir-iíjos sobre os 

4 

mamuaaei d«»tas .regiões * dizer algumas palavra» a 
respeito dos Cetáceos do mar ambrante. 

* * ** - * 

"• N ao b a nestes mares individuo algum da família 
dò* herbívoros s a nào ser o cavallo marinho que se 
encontra nos rios disGuiné, couio Jogo veremos: 
\nas de sòt>ej o so mos coji» pensados cm quanto à fa- 
m ilia /dos* carníooros. 

Estes animais . hoje ern dia procurados ora todos 
os mares por cotiza dè sua gordura qlie dá um ex- 
cedente azeite para cortume o outras applicações 
techflològtoasT, cons ; ituem um dos ramos mais lucra- 
tivos tanto nó commercio Ôomo e industria. Desta 
numerosa família assistem aqui os seguintes indiví- 
duos. 



Go.lphinbQ verdadeira. [Dclphinus det- 
phit] Eacontra-a* em $r*Hde ab*Bdaneia neste* mar 
res, aonde a inttnensa quantidade de peixe podesa- 
tiar seu voraz appeUite» 

M<trsopa>0» Todinha*. D. {phoc$ena)y.\%Xo • 
seu grande numero, vantajos*ima seria ai li estafes/ 
c# por causa do ateite que «Tellas^se, extrabe.. 

Não affirmaremos, mas julgamos poder suppor 
que h«l também o Unicórnio [Monodou]. Fu«* 
damo* esta idea na observação daj terríveis. lutta* 
que passa frequentes vczçs a balea no porto da Vil" 
'a da Praia, de Santiago, cm no Porto Çrrande dm 
ilha de S. Vicente, c mais. ainda guiados pela^iba* 
luada opinião de alguns naturalistas.. 

Cachalotltt. [Physeter macroccphãlus] liste 
gigantesco c voraz cetáceo constantemente habita es- 
tes mares, e em maior numero que asbaleas. Atra* 
vessarfdo d 'umas ilhas ás optras e dentro dos portos* 
quasi todos os dias se vê^rn, alguns ate.de mais de 
outepta pes de. comprido. O* baleeiros Ingleses 9 
Franceses e dos Estados-Unidos constantemente. pai- 
ram nestes mares #or causa desli^ lucrativa pev- 
ca, harpoam meSim? dentro dos portos á vista dos 
indolentes habitantes do arcii}pelUgo. 

Lembramos que o cachalotte fornece Jrea fcuta* 
tencias 4e vjilor r — o toucinjio para azeite, oespar*» 
macete, e a ambra. A quantidade destes productos 
varia; porem geralmente tomando ter mo médio, dá 



i 



l 



*-367 — 

um cachalotteoutenta barris (Tazeile, vinte deespar» 
macete e^até vinte e cinco libras de âmbar- 

D espermacete, esta espécie de cera branca e fria- 
tçl) acha-se nas concavidades da monstruosa cabeça 
deite eetaceo, e serv« especialmente para exceljen- 
tes vellas, que á bellá luz que projectam, j uniam a 
vantagem de não mancrbar tecido 'algum , etn que 
e*hfr seta pfngo, ->' 

A Co&pfttttM* dás Pescarias não devia desprezar 
e«*ft hp-portante pesca, cujo cos teamén to havia de 
importar «oí *nuito -menos do que a da balea, pois 
podia se. feter *oní barcos mais pequenos e per ma- 
nentes no nrcliipçlago. 



B a te a G i b b a r, [Bafocna Pbysáíus L] ç a e* 
Jjech? que aqui a p parece. ' *- . 



Jíncontra-se tamtjem nos rios de Guine o Cu vai* 
lo marinho; especialmente abunda no tio dé S. 0o- 
iningos, . aonde as vezes manadas ou cardumes de 
ctfm. e- mais destes moosiro* causam formei» estra- 
gos fias . plantações "ribeirinhas , e qo rio chegam à 
virar as canoas e lanemos. Ninguém '*tio pouco sé 
dá á caça dcsles attiphvbios , ctya pelle' bem ceara 
e dentes, que são mais ri^os do marfim e nunca mu* 
êúm d« cfir, haviam' de dar graridè lucro ao empre- 
hèitdedór qiw fÇíjçsse semelha nléeslabèlttcilífteftio tm 



363— 



AV2S. 






►• 



Não entramos em classificações, esuppfímiad« 
$oda. a espécie de -divisão, offerecemo&Q seguinte 'c*« 
boço da Ornitologia Cabo-Verdiana *, em. seguida 
da Guineçnse , pedindo desde já desculpa peias in* 
correcções que se possam encontrar,. apegar, dos nos- 
sos esforços. - • * 

Abutre, ha somente una espécie; e pequeno, 
branco, cçtn cauda e axas. pretas. 

F r a n ce 1 h t>. [Falco tinanculus] a mesma espécie 

que encontramos geralmente em toda a Europa. 

« * 

G a v i ã o. [Falco «*>.***]. 

. '. Milhafre., v. Miníiolo {Falco mil vus] lia uma es* 
, f>ecie~ também.. 

. Coruja: (Strixj, % 

• • 

Alem d'estes encontra-se na Ordem dos Rapava 
«ma espécie; que vulgarmente chamam na* ilhas Mi* 
nhoto mas e impropriamente. Em Santiago dâo4be 
também o nome de Manoel Lobo, Esta are de certo 



1 



titio pertence ao género Falco. Parece-nos ser tal- 
vei autes do das águia*, e então é possível n'este 
oaco que seja a Águia pesqueira y. Falcão Altto ou 
HèdUto. E 9 do tamanho d* um grande peru, com pei- 
to e teatre branco , e aias da mesma c6r, sendo só 
as guias pretas. 

Deixa-se chegar muito perto, e pousando sempre 
ao chão: o primeiro vdo cu»ta*lhe muito f e a'esta 
Oceasião até a paó é fácil mata-lo ; em Santiago * 
dão a esla ave o nome de Manoel Lobo. 

4 
» • 

Guincho. Os insulanos chamam assim a uma 
pequena ave de rapina, que talvez terá da espécie 
do francelbo. 

Melro* — Álreloa amarslla £ MotaciUa 
fiava}, 

Andorinha — * Andorinhão [Himndo A- 
ptisj. . 

Cotovia — Calhandra —*8tot ninho. 

Algumas espécies xlo genro Fringilla* entre esles 
o nosso Pardal, que nas ilhas de Santiago e Fogo 
chamam Chicharottx encontra-se este dam noio gra- 
nivoro em grande abundância, porém muito menos 
que em Europa. 

Corvos infestem todas as ilhas a ponto que nem 

fogem de gente, e andam em cima de burros c porcos: 

fa*em grande prejuízo às sementeiras, esgr^ça- > 

tajndo o grão mal foi posto na terra. 

24 



— 870— 

Gralhas &&o mend» abundam e cansam \g*m\ 
prejuízo. As Gamara» oulrVwa obrigavam a ap-fezai** 
lar todo» os a&oot um cetto iKimero áe cabeças de»* 
tes da nrrninha* pássaros; mas hoje eabk> isso em de- 
suso, como também em Portuga I se nèo toporlaM* 
at Catnarae a respeito* dos pardaes. • 

m 

Passarinha. Os fbstííanos dão este nome & 
*m pássaro murta bonito q ire pertence ao género dos* 
Picapcizei, e será uma variedade da bel la espécie- 
do AUtdo Senegalenrii ou A. cancrophago. B„ 
EHe oom tudo é indígena* não podia .sei transpor* 
fado da Guine , pois» tem o vòo mui lo curto, e Co~* 
mendo só insectos vivos não e possível tê-4o- emea^ 
aa , o quer debalde *e sem experimentado. 

A cauda que é muiío curta, e as cosias* sâo,d*ura % 
beijo asul d'aguas-marinlia* 9 t?eju eotpo as borda* 
exteriores das guias das azas 7 cujas pontas suo pre- 
tas e de manei to queparec* marear sobre a asca outra 
aza preta. O venirq é ruiva claro, e o peito e pescoço 
branco. O bico que é groseo e tem quasi dou^polte-' 
gadas de comprido e' encarnado como os. pés# 

Nutre-se de insectos, lagartixa* 9 carangHejos de 
feffa ctc. ;• pousa sempre em ramos baixos e tem um 
*òo*r»pido mas curto, que a coo mpanha gritando çoo» 
«ma vo^ penetraiHe Iti f ki , ki, kh — E*t* V. 
fig. 4v 

P 01 u ê so i-m estado domestico e a mesma espe»- 
cio qjie temos em Po*t»gafc, si\o porém bastante 
raros. 



i 



O a li i nba pintada (Nuaiida rôoleagris) chaj 
mada* nas ilha» GatUnha <fc mato, existe em toda» 
e4las, principalmente porém em Santiago, Fogo, 

4 

e S. Antão. , 

N 'outro tempo bavia-as em grande quantidade na 
ilha de Maio, # aonde como referem estes viajan- 
tes andavam em bandos de 300 — 300 * qee se ma- 
tavam oam um cão a paó. Comem insectos quepro«* 
curam como as gallinhas domésticas engravatando 
o chão. 

Tendo as azas curtas , voam muito depressa , mas 
também como as perdizes, correm com velocidade* 
Sâo muito bravas e por isso bem diíTicil é a sua 
caça , e faz-se só a espera nos bebedouros. A sua 
carne é tenra e delicada, mais gostosa que das gal- 
linhas domesticas : das quaes sâo maiores alguma 
cousa, na forma porém asse mel bando*se mais ás per- 
dizes. A penugem sem ser decores brilhantes écoim 
todo disti neta; é um fundo gris-azul, com redondas* 
pintas brancas. — -> Ett. V, fig. â. — 

Gallinhas domesticas abundam em todas as ilha»j 
principalmente cm Santiago e S. Antão. — 



C o d o r n i z e s — Pombos bravos e man- 
sos.—» 



r # Roberts e Dátapier* 

. «4 • 



''Maçarico R e a 1 e roais outra variedaded*éstã> 
espécie ; na estacão própria èàcontrara-sé e«tes pere- 
grinos em grande abundância nas ilhas dè Sal* Maio 
e Boa- Vista , e as vezes alguns* era 8antiago. 

■ 

* Flameirgo (Phoemcoptertfc ruber. L) Este via* 
jante volátil existe só na ilbadeSal, mas em grande 
numero. A sua betla côr, graça dos movimentos i 
forma do bico, estriictora do pescoço edos pés, fa- 
zem d*esta ave' uma espécie singular e digna de alten*. 
çao. A brilhante penvgeta» de côf de rosa fez»Mie 
dar pelos antigos o nome Phoeincopteros, q'n£ vem 
a ser em Grego com aso» de fogo m Este nome. pin- 
toresco foi traduzido verbalmente em Fraacez/ian»~ 
bani. Mas desde que em lugar de f lambe , no mo* 
«terno francez usa-6e da palavra flamme, ficou a av* 
por um homonymo o nome dum povo, de cujas la- 
goas da Flandria muitos o julgaram originário, 

# aonde elte^aiuda nunca apparecco* 

Chegam e* passam de seris pés d'altura, a penu~ 
/ gem do principio d' um cinzento claro, escurece» 
medida que crescem mais as pennas f e ao fim de 
dez ou onzemezes que lêem o desenvolvimento com* 
plcto, tomam aquellu bella còr de roza, cujo ma- 
tiz pai lido ern quanto sào pequenos , augmeata a 
ponto que as azas ao (nn de quatro anãos, quando 
a ave fica perfeita , tomam-se encarnadas 7 com ex- 
cepção das guias que sào pretas. 

illero da belleza das cores, mui singular e o bí* 
co e mais ainda o pescoço. Aquellc i*rga e dentado 
ou; lo^ar de ser direito ou ourvadó, -tetn ud>a do- 



— 37i — 

bra tio meio que parece quebrado, e assim setve- 
lhe muito bem para apanhar conchas, molluscos, 
insectos aquáticos , peixes > ou reptis que lhe con- 
stituem o alimento. O pescoço d'um individua de 
seis pés d'altura, tem quasi três, quando as per- 
nas passam de*dous: ageita-se e dobra em todo» 
os sentidos com muita graça e molteza, que* ape* 
zar doeste eonglomerato de partes tio bizarras e es- 
tranhas, o flamengo fica sendo um doe pássaros, os 
roais elegantes que se podem imaginar. Vivem em 
grcrppos, sempre com vedettas mui vigilantes. 

Põem seus ninhos em lagoas e pântanos \ fazem os 
de barro , lama e folhas em forma piramidal de 
30 pollegadas d*altura, em cima do qual ir*uma pa" 
quena bacia guarnecida de penugem, depõe e fêmea 
dou* ou ires ovos do tamanho dos' de ganço. À mai 
assenta-se sobre o ninho como a cavallo, dei$aq- 
do as pernas pinduradas de cada lado. Os peque- 
nos correm muito em breve depois de nascer, mas 
não voam antes d'um anuo. A carne e mui gos- 
tosa, -*. Jta, Vfig: 1. •— 

Cagar r a como o chamam allí, e uma espécie 
de mergulhão, 

Gaivotas e Alcatrazes. [Albatross dos In* 
glezes* -» Dtiomcdca êxul int — . J Encontram-se, em 
grande numero ncis costas de todas as ilhas, como e no 
mar no meio do Archipelago : principalmente nas 
vizinhanças dos ilbeos do Rombo, Razo e Branca, 
aonde milhares aadam juntos, e de diversas espe* 



—374— 

I 

- Andorinha do mar [Sterna hirunáo] L. 

Ceivo [Pelecanus Carbo. % ,]. a variedade que a* 
qui se encontra é pequena, 

R a b i f o re a d o ( Petecanus f regata. L.] Esta 
ave chamada pelo» habitantes Rab'il y é preta com 
algumas pennas brancas no pescoço, do tamanho 
d v uroa galiiaha, uvas a estençâo d'a«as passa de 
outo pés. 

Rabijuncòs [Phaetoa aethereus L]« a espécie 
que se acha ali t e o R. ordinário, chamado nas ilhas 
Jiabo de juuço. Esta ave constantemente per ma* 
ttece entre o& trópicos, por Uso chamam as também 
wtoeiifo Trópico, 



Em quanta a Guine', immensa e a abundân- 
cia e variedade de aves. No entanto tão limitados 
são os conhecimentos das producções naturaes d' 
aquelias regi3es, como diffieultosaS semelhantes pes- 
quizes, que no seguinte esboço mal havemos apre- 
2eqtar a mi ri ima parte da-Ornitologia Guineense. 

filia tem a especialidade da grande variança e 
riqueza de cores das suas aves. Nas margens dos nu- 
merozos rios e por meio dos impenetráveis mangues 
que os bordejamhaimmensidade de aves aquáticas. 
\As florestas finalmente e n'estas a abundância de 
varío« fruclos e insectos, alimento ordinário dos 



{Mtmros 9 explicam es ta grande quantidade , metot 
4que eta qualquer outra parle. Tombem muitas espe- 
cw peregrinas voltam para alli constantemente de* 
-pois de curta, periodka residência. Das planícies da 
Africa meridional. 

Nas aves económicas eucootrata-se somente as 
gallinhas, e poucos patos. N'aqúellas em estado da 
natureza oitaremos os seguintes. — 

Pelicano, existe nas margens, do ria deS. Do- 
m ugos e nas proximidades de Geba. 

Flamengo s.— • Colhereiros. — P a g u i n s* 
— Rabecas. — Grou Real d'- A f r i c a ©♦ 
Grou Pamnino [Ardea Pavonia] jfof. V. f%g. t* 
habita lambem a ilha de Bissào» Esta linda ave 
domesticasse facilmente, e n'este estado acha-se eia 
muitos pateos tanto em Guine', como no Arclupe* 
lago Cabo-Verdiano, — Da mesma espécie ha ain- 
da a Grou Pantomima. — 

» • - § 

Papagaios, — encontram-ie duas espécies, 
piriquiio verde de Guiné, e o PiiUocut guineemiê 
einereu*. Os primeiros são -mais pequenos, todok 
verdes «ou com a cabeça amarella, e apprendem & 
pronunciar todas as palavras ; os outros são muito 
maiores, geralmente cinzentos, mas com diversas 
variedades. \ 

* Perdizes — Pintadas de Guiné — Ro- 



— ate- 
la»*— Tucanos — Rombos, entre algumas va» 
riedades que allí existem, ha uns todos verdes, ou* 
tros têem a cabeça, peito e pescoço d'um verd* 
amarello pallido, a cauda parda, as asas amarei* 
las nas extremidades, e o resto do corpo roxo. 

Patos abundam muito e.de varias qualidade» 
•como o Ana% Gambien$i$. L. etc. Abí citarem** 
também os chamados Patos-**- ferrões que teem 
nos encontros das azas uns esporões de três pollega* 
das de comprido. 

4 , 

Trombeteiro v. Agami de Cayenna chamada 
ahi ganga. 

Garçai-^Lvni ~ Azulões ^Tordos — 
Es toruinh o a f — Cardcaes — Secretários, 
— - P icapeixes p, e. Halayon $snegalcn$is , ff P 
fycoanotis JJ. rufivcnler. «•*- Pica flores çdre-t 
Madeiros, ha de muitas variedades* 

« 

Ibis, três espécies conhecidas, entre as quaes 
também a Ibíi rcUgiata. Cuv. 

No género FxtngiU* ha a Fiduap&raditçQ , — 
Phctm brachyptcruiy — ^duachn/ionolus, -— Cri~ 
thagra chrytopygra. Desta ultima espécie cobrem 
milhares ajs poiiões da praça de BUsáo. 

,Das aves de rapina citaremos em primeiro Ioga r o 
J u ít ii d y : — dio este nome em Bistáo á uma espé- 
cie de milhafre do tamanho d\*ln peru, — é o 
«cosmo que chamam em Santiago Manoel lobo. 



Águias, ba quatro espécies ~*-Fale o es,- dVste* 
ha o Palco ruficottis 9 F. ru/ntem, F. concblor. 
— Milha n os -T- Abutres -^ etc. 

Muito maior ainda é o numero de aves em Gui- 
né, limitar nos havemos porém a este esboço, espe- 
rando a que penca mais hábil preencha esta lacuna. 



Temos já visto os animaes vertebrados n*esta pro- 
víncia, habitantes da superfície da terra e do ar; 
deitemos ainda uma vista d'olbos sobre os peifces, 
Lisongeamos nos de encorrer abí em menos faltas,? 
poucas sendo as especief que não fossem indicadas. 

Assim os peixes que appareçem no mar do ar- 
chi pélago Cabo-Verdiano são os seguintes. — 

Sparos t?. P argos encontranvse entre todas 
86 ilhas è de algumas espécies, como a Dourada, 
Salema. O viajante Sr. Bowdícb que vio esta ul- 
tima nas aguas da ilha da Bôa-Vjsta, terá com me- 
tido um erro talvez , chamando aquella espécie o 
S. salpa de Cuvie'r f quando ella mais parece ser & 
JBoops taipa. 

O viajante Inglez diz tambeert qué os habitantes- 
desta ilha chamam este peixe seleima, e deduz lo- 
go uma ingénua etymologiu do pronome se e cor- 
rupto lane. 



—ti*— 

Chetodon tos. Ha algumas espécies deste nu* 
maroto género, especial men te iras costas da ilba de 
<5al e no porto de Sal-Rey da Boa»vist« , aoade 
sem cessar cercam os navios, alegrando a vista com 
«eus leves movithentos é o brilho das suas cores , 
realçados do sol trópico* Cabeai coai tanta caguei* 
ra qo anzol , que n*uma hora centenares se podeos 
pescar, 

Scombros, a saber Aium , SarcUt , Bonita 9 
e os vulgarmente chamados. e conhecidos dos mari- 
nheiros , Alvacorra e ludeo* 

Coryphena azul encontra se mais nas aguas 
de Santiago e Boa vista, bem como e C. hippu* 
ra$, abundantíssima nas costas desta ultima ilha, 
é fácil de pescar pela sua gulozice. — 

> Labros,ha algumas espécies com lindas cores, 
mas pouco são procurados para a meza, tendo geral- 
mente a carne muito dura* O viajante Bowdich cla- 
ssificou uma espécie como nova, chamando-a L. 
Jagonentis. 

Abunda este peixe em todo o archipclago; d' ura 
encarnado muito vivo, tem a barbatana dorsal de 
25 raios, a peitoral de 18, a ventral de 8, a anal 
de 14, e a caudal de 13. 



/" 



P e ixe Voador — Bodianus punctatus 
• Perca pu nc tatá. — >• 



— 879 — 

Salmonete, chamam assim a uma variedade 
dos Tetraodon , e que Bowdich classificou como es-» 
espécie nova T. locvimmu*. 

- O dorso e as ilhargas são de còr de roza , com 
nódoas regulares pretas , o ventre de còr de carne , 
e os beiços sâo encarnados. , 



Balistas, algumas espécies que ha nó archi- 
pelago, chamam os insulanos Famôios. — E$t.Y. 
fig. 5. A variedade que representamos, foi como es-, 
pecie nova nomeada por Bowdich J3. r adi ala. Ou- 
ira«que£*e acha nas aguas de S. Antão e S. Vi- 
cente, chamada Bursa, tem bellas malhas hexa- 
gonaes d v um azul muito vivo. 

Bica, nome que dào os insulanos a uma varie- 
dade do arenque franjado. Est. V. fíg. 8 

P e i x e»p ore o*e «pinho — Hippocampo. 

Pescada Bicuda chamada allí Bicuda; en« 
conlra-se mais nas costas de Santiago, é o melhor 
peixe para comer; geralmente tem seis palmos dt* 
comprido. — 

Papagaio, nome qu5 dão os habitantes á uma 
variedade do Scioena cllongata E$t. V. fig. 7 ; é 
cinzento prateado com reflexos amarei los. ~— 

PI o m bet a , assim chamado peixe pelos insula nos, 



.e queBowdicb como espécie novo classificou ernii- 
tina Pctracantha. p$t. V, fig. 6. 

T u b a r ã o g r a a d e. {Squalus Carcbarias] abun* 
da em ioda a parle , tanto nas costas como portos 
e enseadas, que e perigosíssimo tomar banhoá, espe- 
cialmente em Santiago e S. Antão. Sào lâo vora- 
zes, que as veies atirarn-se sobre a sombra d* uma 
'pessoa com tanto ímpeto, que ficam em secco na 
praia. 

Caçâom a Ih a d o. — Ca çãodeCa bo-Verde 
[S. Minimocelus] assim classificado e nomeado por 
Brotero. 



Na costa de Guiné apparecem não menos as 
mesmas espécies de peixes, todavia notaremos que 
as aguas do archi pélago Rijago não são tào pescozas 
como alguns viajantes tèem esdripto. Áquelta abun- 
dância prodigiosa começarias visiubanças do Gabo da 
Verga e a p parece ata! ponto já em Serra- Leoa, que 
segundo o Bruc um oerto Fínck. pescou, allí numa 
hora seis mil peixes. Esta mesma abundância ha 
também ao norte do Cabo- Verde no rio de Senegal. 

Mencionaremos também aqui que no mar entre 
as ilhas de Cabo-Verde e a Guiné frequentemente 
se encontram serpentes ma ri ti mos de dimensões co- 
Ioísucs bem como polvos. JBVesle mesmo par que 






— sai — 

existe o conhecido mar d$ §argáço chamado Grtauy* 
Sea pelos lnglezes e KroQt%e pelos Hollandezes. 

Esta região 4 as Vezes tâo coberta d'uma espécie 
dd erva sobrenatantr d*um verde escuro d'aMeitoaa, 
e nalguns sítios tâo junta e entrelaçada rjue nas cal- 
marias impede até o transito dos navios: E'o /w- 
€U9 notam , ccmpõe-se de muitos nós que crescem 
em maçcs. Geralmente corre na superfície das aguas 
em linbas parallellas, excepto em temporaes, que 
se desmancha esta ordem. 



Na Herpetologia poucas espécies achamos nas 
libas de Cabo- Verde, e posto que em todos os pal- 
ies entre*tropicaes tanto abundam os bixos vene- 
nozos, aquellas ilhas são livres de?te flagello, de 
modo que se nâó acham nem serpentes, ou co- 
bras, nem mesmo lagartos, escorpiões, etc. As uni* 

cas espécies que n*esta classe podemos enumerar 
* * s 

•âo. 

Tatariíga verde maior [Testudo mydas] Co- 
mo estes ani mães ss sustentam de molluscos e plan- 
tas aquáticas, a grande abundância de fucos e al- 
gas explica a sna imroensa quantidade u'estas para- 
gens* Na A meri ca desovam as talurugas desde o 
mez- de Abril até Setembro, alií porém acontece 
isso desde Setembro até Janeiro , e escolhem para 
.case fim. as praias arenozas da ilha do Sal a e Boa* 
vista. Os ovos sito ivm alimento ameno e saudável , 
cppiítituindo^âté nos climas quentes um remédio ef- 



— 38Í — 

ficaz nas moléstias que **igem epuraçào de san- 
gue. ^ 

A espécie que geralmente te encontra não dá cas- 
ca de grande estimação, por ser muito dellega- 
da, todavia. vende se toda que haja a raaao de 800 
rs* o arrátel* 

A Ularuga é urna das u te is producçôes da natu- 
r*aa para os habitantes dos trópicos 9 aonde a sua 
carne é uni alimento muito sadio, e excellente até 
é o seu caldo tanto para os escorbu ticos como tysi- 
cos ? por causa dos suecos adocicados e diaforéticos 
que contem. 

Antigamente e ainda no século passado vinham 
á estas ilhas navios carregar para as colónias d*A- 
merica carne de tataruga salgada. Hoje em dia nin- 
guém se dá a esta pesca, e seria de grande vanta- 
gem promovê-la, já por causa da boa e' saudável 

9 

comida que se havia de dar ás tripulações dos na- 
vios, como também pela casca e azeite, do qual uma 
por outra dào vinte canadas. A Junta dá Fazenda 
da Província bem devia começar este impulso forne- 
cendo este alimento em raçáo ás tripulações de guer- 
ra portuguesas. — 

Cagado. — ltau. — Sapo* «— 

• Lagarto. Ha uma variedade de còr de lixa,.* 
que se encontra somente no ilheo Branco e Raio» 
iubabitados como se sabe. Tem de bocca á pon- 
ta da cauda muis de doira palmos e meio de com- 
prtmeato» 



— 883 — 

Lagartixa ordinária. E'a mesma lano- 
«ente espécie com m um em ioda a Europa. 



Abundantíssima e porem a Guiné em todas a» 
•species pertencentes á hcrftetologia. 

Ha muitas cobras e serpentes de diversas cores e 
todas dimensões, pretos, encarnados, azueç e uns 
verdes que não «e destinguem das erv.as e folhas ; nem 
todos são venenosos* As mordidelk» d*algun? cu- 
ram os negres sarjando com pólvora a ferida. _ 
. Os mais terríveis sâo os pintados. Maior de todc$ 
è o Boa cintado, chega a ter trinta pes de comprido. 

* 

Lagartixas e lagartos de muita» qualidades y 
entre os quaes o mais notório é 

C-Tocõdilo negro de Senegal, habita com 
preferencia as margens do Casamansa e do rio S. 
Domingos. 

Cameleâo — Scorpiões, alguns até de dous 
palmos de comprimento. «—Salamandras. -— 

Haas sao maiores que as d^ííurôpa, na occa- 
«ifio de se approximar a estação chuvosa, appave- 
cem ern alluvjão e investem ate' as habitações :- — 
signal infallivel da próxima trovoada das primei- 
ras chuvas. 



^■p 3Q|f —m 



A Entomologia Cabo*Vefdiana apresenta pouca 
variedade e riqueza. 

Os insectos pefa maiof parte suo os mesmos quei 
s<? encontram em Portugal ; ha porem e alguns pró- 
prios ao continente Africano. D*aqueltes são p. e, 
o escaravelho nasicorae, berbofcta da ortiga, do 
cardo, ele. o bizouro, algumas variedades de 
ichneumos, ete»dos últimos citaremos o papitio Ca~ 
lypso , Scylla , Cktoris e uma bella variedade do 
prtpilio atabrtta e da Argia. 

Ha muitos gafanhotos , formiga», vespas, mos-* 
quilos, meigas, moscas, algumas variedades de 
aranhas muitíssimo grandes, etc; objectos inte- 
ressnntisòimoá para um naturalista, e a quem por 
ora cstam a espera para devidamente ser nomeados, 
classificados e determinados. No entanto a passari- 
nha felizmente extingue uma boa porção d* insectos. 

Dentro das cazas La dous airtda, terríveis pefos 
seus estragos. I£' y o cufàm Ç Termes destruetor)" e a 
batata. (Malta americana L.) O primeiro conso- . 
me toda a madeira de pinho, cattaca mesmo as. 
o itras. A segunda propaga-se d*utn mpdo tão es- 
pantoso, que e um flagello dá província, incom- 
modos por seu mao cheiro, importun idade e prejuí- 
zos que cauzam, roendo tudo, roupas, couro, 
panno, comestível*, etc. — Felizmente ha uni ini- 



— 385 — 

fcnigô terrível que as persegue com denodo: e uma 
sphespa verde, [sphex lo bata] á qual dão os insula* 
nos um outro nome que nos não lembramos. Este 
liado insecto quando quer desovar, procura uma 
grande baratta, á roda da qual gesticula, se assim 
nos possamos expressar, até quecançada pára; entàó 
precipita-se sobre cila* attaca e entranha por vezes 
seu dardo na diílbf me barriga do vencido, que arrasta 
para algum .buraco, depõe os ovos dentro do seu 
corpo, e rapa a sabida com certo cimento : a vrelima 
serve em breve de. alimento aos insectos quertuotar* 
dam a desenvolver-se. 



E;n Gaiúá existem todos estes mesmos insécHOs fc 
rnuito mais ainda ; notaremos soque ha também ita* 
mensidade de abelhas que produxem muita cera e mel, 
apezar domáosystema dos Gentios, que estragam os 
enxames, cada vez que apanham acera. O outro inse- 
cto terrivel pelos seus estragos é o Terme fatal: na- 
da resiste á sua verocidade, as vezes andam em Bis-* 
sáo columnas de centenares de braças de comprimento 
e alguns passos de largura/ e esta fita vivente pqr 
aonde passa, tudo consome e estraga. Nào é raro 
' achar-se de marjhã a criação de patos ou gallinbas 
morta nos quintaes : isto sào signaes da passagem dos 
Terraes. Eli es levantam suas habitações de forma 
cónica , até a altura de doze pés, que de lorçge pa- 
recem ser cazas de jentips 



Sè 



38G — 



À C o n c li y o 1 o g ia Cabo- Verdiaoa é assaz in- 
teressante e rica.. O vHjante Bowdich tem a obser- 
vado com bastante escrúpulo , e segundo elle é que. 
apresentamos' a seguinte rc Ilação. • 



Stepta 


ofòcinalís. 


Solen 


strigulatus. f^arici. 


Petricola 


guinaica. Gray. 


Tullina 


lacunesa. 


Lucina 


sq ii arnosa. 


» 


pensilvatricav 


Ovula 


gibbosa. 


Donax 


rugosa. 


Echinus. 




Cardium 


ringens.* 


n 


aeolicurir, 


» 


isocardiuv 


Scatella 


drgitata.* 


Arca 


jNosr. 


« 


senilis. 


Pinna 


semi-uuda? Lnxri. 


Turritella 


tfisulcata. 


Bulia 


amputla*. . 


» 


itriata. 


AíargineUa subcoerulea. 


» 


gibbosa. 


ff 


punclulata. Groy, 



-^307-* 



Márglnella 


faba; 


» 


aurantia. ' 


»> 


lineolata. Gtay. 


Monodonta 


fragroides ! 


Trochus. 


- 


Triton 


undosum. 


» 


scòbilator» 


Rosterallaria fissurella. . 


Turbinella 


cingulata. 


Strombus 


pugilis. 


rt 


vittatus» 


á 


lobatus. 


a 


giganteus» 


Coluinbellà. 




Al urex 


aspiriml)?. 


Ccrithium 


granulatunw 


» 


obelistictt». 


Harpa 


rósea. 


Voluta 


rebra. 


Natica 


fulmioea 


w 


cárnea. Gray* 


5* 


rose a. 


» 


collaria ? 


9 


collaris. Gray. 


J» 


canrena. 


Cytherea 


tripla. 


9j 


cincta. Varitt* 


j> 


corbicula. 


Vénus 


ver ru cosa. 


Pectea 


pyxidatus. Çhtmn. 


f} 


imbricatus* 


# * 


V** 



—3Ô3— • 



Peclen 


amusium í 


59 


gibbus. • 


Lima 


glaciaPis? 


Chama 


gryphoides. 


Perna 


vulsella. 


€oj»tiê 


leoniauf* 


99 


obesus. • 


99 


ácbatinufe- 


w' 


amadis.- 


99 


nebulosas. 


99 


monachus^ 


99 


testudiflaríus^ 


flfassa 


reticulata^ 


» 


lineolata. 


9* 


conoidea, 


Purpura 


hemastomàv 


99 


raancioella. 


99 


Beritoides* • 


Cassis 


testiculus. 


Cyprea 1 


zonata. Gray< 


99 


oçcellatra. 


• 

9Y 


vexillum^ 


99 


erosa. 


Oslrea 


fueorunf. 


Patella 


mamillari*. 


Perita 


itoiateu 



— 383 — 

A maior parte destas conchas é toda moderna p 1ia 
ainda mais alguns mollusco9 do género Limncu$ 9 
como também nos carracoésdestingue-se uma espé- 
cie nova, que se acha nos areaes á bgira mar em San T 
tiago-, efoi chamada Hdlx Gyrmtoma, Nob: be.rçi 
como novas são o Lanx Batnboucha e o Carychium 
minuê. 

Ha arestas ilhas muitos Zoophíto*, especialmen.- 
ie no ilhee da Boa-vista. Nas costas de S. Antão 
na occasíâo de pe&ca muitas vezes acham -se bellis- 
«imas Madreporas e Milleporai. Por todas as cos- 
tas do Archipelago apparecem boas esponjas, e aU 
gum coral encarnado. [Im nobilií] 

A rocha sobre que. está construido o molhe no 
porto de Sal-Rey da Boa-vista está caracterizada 
por verme* e por êpondylm gaederopu*. No grés 
.que ha por al.lí achasse este mesmo spondyius, o 
cam* tetticului , varias espécies de lapas euma im- 
mensidade de restos deasterias. Na are^ estam cn* 
volvidos o mesmo casai* , o área senilis, oerithium 
obelisticus, q bulia ttriata, etc. No tufo apparecem 
o maelra alba, o arca senilis, um cerilhium, etc; 
mas sobre tudo 6 abundante utn conglomera to de 
área e cal, próximo de litloral , aonde ha um tico 
deposito que contem o cen obelisticus 9 ca**i$ tc$t; 
bulia $trfata 9 uma vénus, uma ostrea, ele, 



*<r?s3íM) — ■*»■ 

A Conchyoíôgia Guineense tem o mesmo carac- 
ter; lembraremos porém aii\da a immensidade de 
bancos de ostras que allí se encontram ; especial- 
mente na entrada do rio de Casaip&nsa , aonde cts 
^rançezes fabricam cTellas iquifa e boa cal,-* 



— $91 — 



6otcmu<K 



A natureza da vegetação e aqui, como em todas 
as maia partes o mais destincto e verdadeiro cri te*- 
rio do clima. Infelizmente ainda d ao houve am na- 
turalista que fosse, botapizar aquellas itbas: até pa* 
rece impossível não ter ninguém dirigido alli a sua 
attençâo, quando tantos têem ido a»s Açores, Ma- 
deira ou Canárias, Oxa!á v que es(a nossa admiração 
estimulasse algtferp. ...,'. 

As pequenas observações que temos feito pessoal* 
piente, e comparado cqnj alheios trabalhos, são in* 
sufficientes para estabelecer vim arranjo fisico da 
Flora do Arcfc i pela go e menos ainda de seus carão* 
terns fytologicos. 

Pouca? das plantas inquestionavelmente indíge- 
nas se podem chamar do Trópico; pelo contrario 
a Flora Gabo-Verdiana á minguada em ajgumas 
famílias que oceupam grande porção de vegetação 
geral do Trópico, ein quanto é rica de outras dos 
climas temperados como são as Labiatos. • 
' Acham -se pouca* plantas das regiões Africanas; 
perem gFande numero d^especies do sul da .Euro* 
pa e das Canárias, ou a ellas parecidas, allí se 
dâo excellenteménte 9 germinando e jnedrando. No 



— 39?— 

em tanto abundam asLfguminosaS) Euphotliaccas* 
Molvaceaty o Phiinerogamas.^ 

Na Ilha de Santiago p. e. o numero doestas crés* 
ce subindo da cosia para qs outeiros. -Esta ilha ga- 
xando da influencia de um sol do Trópico, pare* 
ce ser pobre de plantas indígenas; porém sendo a 
natureza aqtn espontaneamente muito produetiva , 
tem feito adoptivas e porfilhadas algumas plantas^ 
que por nlh' foram levadas àe propósito* ou fortuu 
lamente. Pela maior parte são de Portugal, argti* 
mas das outras ÇolonUís.Portugueaas das índias, 
do.BrasH; das Antilhas são as que o Sr, Dias in- 
troduzio em S. Niooláo. 

Ha pelas ilbas lambem murtas plantas marinhas; 
na Boa- Vista um Dinamarquês ha ânuos tentou ex-» 
trahfr dYHas os alcalis, po.re.rn nao deram bastão* 
te para etnprehendcr- a especulação em grande* 






Já dissemos ern tratando da agricultura, qnaes c©-» 
reaes, legumes e frutos prosperam n'esta proviueia : 
repetirmos agora todavia oa. producios vegetais, 
que nella se acham» 

JSm quanto -á-s arvores., as silvestres são* 

D r n út o e X r 0. £ Dracien* Draco] Rin maior uUun* 
dauciaesta na ilha de SL Antão; ha alguns em S.Ntca- 
Ijo, o s«i ii ?t.í> r«i.ros*sao nas outras ilhas, O Gove*» 
na.ior Marido tiili-Qnciou o atigmentar esta cuhu«* 
*" s e eiii p.ute conseguio-o na ilha. 4e % 3. Atitàç*^ 



j 



— 893 — 

eôadjuvada com zelo pelo então Provedor, © Sr, 
L. A. de Mello. 

Esta arvore e' realmente muito útil, e grande é o 
partido que a industria poderia ti ror. Os insulanos 
fabricam cordas e^cabos mui" grossos e -fortes das 
suas folhas, e conhecida é a outra producçào desta 
arvore, chamada Mangue de drago , applicavel nas 
tinturarias, vernizes etc*. E 1 verdade que toda est* 
resina, quanta haja, é comprada pelos inglezes <y 
€ Americanos; mas devia haver mais cuidado e boa 
fe na sua limpeza, para merecer melhor preço. 

Hoje paga-seàcom tudo a 300 rs.o arrátel, e nos 
últimos mercados de Londres vendiu-se a 21 — r §5 
Lb. est. o quintal, 

lista resina tem também virtudes medicinae*, as«* 
sim dissolvida em aguardeute bebem* a os insulanos 
conso remédio para quedas. 



Figueira br a v a , [ Fiai* cariôa captificiís] li n«. 
c6ntra-se em toda a. as ilhas, mas especialmente em 

r 

8. Anlào, S, Nicoláo ena parte oriental do Maio, 
Arvores grandes e fYondosas, lêem nâa. menos a 
vantagem de dar boa madeira, dn qual fazem ohh 
breiras das portas, etc. ; ha troncos tamanhos qué 
se-excavam pura gamei las e Unas quedou banho a 
uuia pessoa. 

Cortando .uma das grossas rniaes, corred^ellá uma 
a£tia mui límpida, que os insulanos bebem com pro* 
vcito para remédio contra a itrlcia. Em vinte e qua- 
tro horas dà uma grossa raiz perto de duas canada* 
<jPe*ta agua. 



T a r r a f f e.[Tamarja: afr%eana]iiâo passa de quíiir 
£6 pés d'altura ; de triste apparencia são as de San* 
tiago e Boa- Vista; melhor têem as de 8. Abiãc, 
Servem só para lenha ,, pois ainda que é mui rija 
a madeira, seus feios atravessados taxem a estallur 
jiuito. 

Guiaras, [Pndium powiferum'] Das duas var 
tiedades que ha ollí, silvestre é uma chamada G r 
da terra, cujo fruto e muito pequeno, redondo c 
acido. Sua folha é um excedente lanino. 

Anona/ [Anona %qwimo${\ Só em Santiago s« 
encontra silvestre, bem como uma variedade cha- 
mada Pinha , e cujo friiGto é conhecido no Brasil 
com q nome fruía do Conde y e qual variedade ha 
fambem em S. Antão e £. Nicoláo sem cultura. 

Calabacei ra (jídamonia digitata,) Esta arvo* 
re extraordinária exige um ; terreno arído ; ha algut 
mas em Santiago, uma na proximidade da viila da 
Praia tem' três braças de circonferencta na altura 
de sele palmos do chão. Outra muito maior, de 
eincoenta e seU pes de círcoqferencia , e que men-r 
ciona Lord Macarthney na sua viagem á China, es? 
tava ao pe d 9 aquella r mas já uao existe. O fruo to 
é do feitio e tamanho d\im melão pequeno, preto 
por fora ede consistência lígnosa ; interiormente ha 
um miolo branco dividido em dez repartições. Al- 
guns pobres fazem d'elle uma espécie de farinha, 
que misturam também ás vezes com leite. Empre* 



i 

j 



— 89* — 

fa**e também geralmente para limonadas, muito sau» 
dáveis em dyssenterias e febres inflammatoriàs. 

Palmeiras. [PAo«ma? dqctyliferd] Existem só - 
em Santiago em abundância, nas mais ilhas sáora- 
jras; e salvo o elegante emagestoso aspecto nâotêem 
préstimo algum , a não ser a espécie de vinho qut 
por incisão extrahe as vezes algum negro. 

Purgue ira. [Jatropha Çurçan] Este importan-; 
te arbusto, chamado pelos Francezes Mçdècmier ca» 
thartique V. Pignon de Barbárie cresce espontàriea- 
rnente por toda a parte, sobre tudo emSajitiago, S, 
Nicoláo e S. Antão. Já no l.° Vol : dissemos, p. . 
606, que vantagens e riqueza daria este arbusto á 
província , e de perto que bastaria para a constituir 
a mais rica , promovendo mais ainda a sua cultura 
para ô fabrico d*azeite. Este rarrço d'indus!ria to- 
mou acerescimo nos últimos annos, e hoje em dia, 
▼em grande porção da semente para a fabrica que 
estabeleceo o Sr. Burnay em Lisboa, aonde até ac- 
tualmente se faz a illuminação das ruas com este 
pzeite. 

A purgueira cresce entre rochas como e no bom, 
terreno, pega de estaca, e serve assim para opti- 
jnos tapumes , pois o gado não pega na sua folha. 

Os habitantes servem -se do óleo das sementes pa- 
irç purgante, que é muito activo. 

Piorno. — Arbusto até de vinte palmos de al- 
tura : as suas folhas esbranquiçadas parecem*sc cain 



«is da salva. Abunda mais em SI Antão, aonde *or> 
ve de lenha, a madeira e rija, mas tem veios mui* 
lo grosso*. 

Ameixoeira. Outra arvore silvestre da ilha 
de S. Antão , semelhante à laranjeira: sen fru- 
cto do tamanho e forma cTuma grande A/&ei$a, tem 
o gosto d 'amêndoa amarga. 

Ta m a r i ti e i ro. Ha silvestres e cultivados, 

Espinheiro. Chamam com este nome algumas 
variedades da família das Mimo%at> Abundam espe* 
cíalmente cm Santiago. Em garal são arvores de 
triste e fem apparencia, com a ramagem inclinada 
do vento. Dcbtingoein-se o — E. branco que dá boa 
madeira para canoas e ta boa de landi as, não lhe 
entra o cupim, ^-Z?. prelo , é maior arvore, e a 
iua madeira rija como ferro serve para os trapir 
Kes d ? assucar. -rv Esponjeira e ainda outra variedede 
entre as duas antecedentes; dá uma flor compridas 
itmarélla em cima , e azul na parte inferior. 

Z i .m b r a o , ê um arbusto que cresce torto, mas 
cujo tronco se emprega nas ca verãos de botes elainr 
Lotes. 

Torta»© Ih o, arbusto de outo ale dea pós, co«> 
pado; tem este nome por causa do damno que faz 
aos olhos o sueco que coutem,. . . 



397 



As arvores* arbustos cultivados no Archipelag» 
tao. 

Figueira mansa — Purgaeira — Anona 
*— P i'n ha — Laraojei ra— Li mo eiró,— .destes 
ba também uma variedade, cujo frueto é do ternas 
nho diurna noz, mas com mais sueco dasoutras. — 
Cidreira, ba cujo frtiéto tem mais de dous pal- 
mos de circunferência. *** 

Coqueiro. [CjOcos nuciftrà] Esta utilíssima ar- 
vore indígena nos trópicos, abunda especialmente 
em Santiago e na Boa- Vista. Nao se lhe dá abi 
tanta applicaçâo como na Índia. Os primeiros co- 
cos que foram ao Brasil remetteram-se á Bahia da» 
ilhas de Cabo- Verde, [e mereceram no Brasil se- 
rem denominados Cocot da JSahia, pel^ soa mui- 
ta próducç/fio").- * 

Caffe — Guaíavas, ha duas espécies, 1] G* 
da forra -que também é silvestre, e 8], aqoe no Bra- 
sil chamam Arççâ. 

Bananeira. Ha as de algumas espécies, J&. 
do t-ertà) cujo frueta e' grande, uras em cru pouco 
saboroso, sendo melhor assado ou frito. A D. d* 
S. Thomé v. cr cola é mais pequena, mas de çost» 



* Gabriel Soares P. 2.* Cap. 34. 



superior. B. mocha v.Pacoba, dá outo fructos nurft 
cacho. B. de Haiti ha só em S* Nicoláo, mas começa a 
espalhar-se pelas alais ilhas : e encarnada por den- 
tro. A banana por si só dá suficiente alimento 
ào habitante dos trópicos , e assim em grande par* 
te talvez á e^ta facilidade ♦ na qual esta planta quasi 
predomina, que se deve fitarem tanto tempo esta* 
cionarios os amelhor amentos nos paizes d'aquello~ 
zona; Pois um campo de dezaseis braças em qua- 
dro, contem trinta à quarenta bananeiras, e cada 
* uma chega a dar ate' cento e ou tenta fructos de pe- 
so de 70— * 80 arráteis ; tal plantação dá por aano 
perto de quatro mil libras de substancia nutritiva ! 
este mesmo terreno semeado de trigo daria 30 ar-* 
ratei* d'alimento, e44 arráteis plantando batata. — * 
Com semelhante facilidade de se alimentar não ha 
necessidade, sem a qual não acorda a industria* 
não se desenvolvem as forças inteliectuaes, e oÀfrU 
cano permanece sentado á porta da cabana, bas- 
tando-lbe apanhar um caixo de banana para satiar 
a* fome, sem curar em maior ventura e luxo, sem 
pensar em mais elevados desígnios da vida, do que 
em cotíier e dormir. 

« 

Papaia [Carica papayaS] Chega esta arvore X 
altura de vinte pe's, crescendo só n'um tronco, que 
é muito molle , e sem ramos como as palmas. No 
vértice debaixo d*uma copa de folhas são os grup- 
pos de fructos. São ovados, grossos, do tamanho 
de pequeno melão; a pelle éamarella em sendo ma- 



i 



duros, são suçculenfcos, aromáticos, t comérft-te 
eras e em doce. 

* 

Romãs — Cajueiro. — À frucUt desta arvore 
eòme~se, e serve também para fazer limonada ; tem 
o frueto a esquisitice , de ter a semente da banda* 
do fora, e uma pellicula qòe tem dentro corroe. a 
pelle do corpo, acnde se applica. 

Mamo eira (Mamrhea Americana). £* o mais 
delicioso frueto que ha n'esta província. Maior da 
nosso pecego assemelha-se-lbe na forma.» e mesma 
algum tanto no gosto. Reputa-se pouco saudável r 
e geralmente suppõem que a parte próxima da va' 
roço é venenosa* 

Mangueira. [Ikfangtfcra %nd\tct~] lia só um 
pé em Santiago e um em S. Nkoláo. 

Videira, e geral em todas as ribas, dá caixos- 
dóas ve^es no anna, muito bons, e que pesam -até 
9 arráteis. — Cana fistula. — Mar m e i e i ro, 
A lgodoei ro.— *A n i I. — Ca n n a d'ass u car, 
lia duas variedades, o S. offkcinali» e o ultimamen- 
te introduzido S. violateum. [Cana de Caycnna.J 
Buxo, 

> * 

As outra* plantas cultivadas no A rebi pélago são 
— Tabaeo-* M i 1 b ç> — Feijão, de algumas 
Variedades, conforme já o dissemos em tratando da 
agricultura. — A boboras, também algumas va- 
riedades ha } a. mansa semelhante á de Portugal, a. 



— 400-> 

túàa , e de cor de chumbo e muito saborozat A* tu* 
queta é pois silvestre , cinzenta e de figura e tama- 
nho d* urna laranja, é muito boa e saudável; encon* 
tra-se pelos campos em toda a parte* 

Coloq uintidas-*— M^lão e Melancia, as 
melhore* sâo na Boavista. — * P e p i no* — 

Mandioca. — aipim do Brasil. Alface, pían* 
tam-a gera 1 me a te por entre os pe's da mandioca, bem 
como o a I h Oi 

A gr ião — A nanas, duas variedades, o bran* 
«o e amarei lo por dentro; os naturaes tomão o co- 
ei mento da raiz na blennorbagia* 

Arroí — Batata doce [Convohulo* batata j e 
a Batata americana [Solanum] — Tomates— ^-1 n- 
hames, cuja. raiz coine-se como a da batata e ó 
mui saborosa» 

Poucas sâo as arvores introduzidas de Pòrttigal 
que tivessem prosperado eacclimatisado-se ; meihot 
medraram muitas outras plantas. 

Em tratando da agricultura, dissemos quanto fo- 
ram baldados os desparados ensaios de promover ai* 
lí os pinheiros; o mesmo succedeo com cedros, car- 
valhos, etc* Todavia quasi todas as arvorts que pe* 
garam, têern uma apparencia débil e estranha, e 
se algumas ha que ás vezes dão fmcto, cahe antes 
de maduro, ou é sem sabor nenhum , como acon- 



i 

j 



Jõftfcè às pereiras , pecegueifos , damasqueiro* > ma* 
t eiras , que existem n'algumas ribeiras , e especial* 
ihente na Brava e Fogo. 

Oliveira, ha alguns pe*s em Santiago, thà* 
.*ò umá na ribeira de S. Francisccf que raras vezes 
produz algumas azeitonas; as outras são bel las ar- 
rotes, creseeratn muito bem, mas nunca dão fru- 
tto , talvez por nâí> serem enxertadas. 

Alfarrobeira, cultivada bem couiò e silves* 
tfre ou de sequeiro; 

Quanto ás arvores e arbustos introduzidos das 
Antilhas, todos medraram muito Hem ; mas acham-se 
só em 3. íiicoláfy para oftcteforam levados por Sr. 
Theôphtlo José Dias. -*- vem a ser. 

Arvore das Cujas (CVeícJwíia Cujete) — 

{drtca ohrácea) — Chá da* Antilhas (Ca-\ 
pràriá biflora) C e t e j a d' A n t r 1 h a s (Mctlpighiá 
úvenk) — Scmitiva pudica— Hura tirepítam -~Ckrg* 
ibphyllnnt {Mifnito. — A mendoeira (TcrrHinatiá 
Calappa) —*B ananadé Haiti.-*- 

É* nos impossível apresentar aqui à Flora do St + 
chipelago; apenas para dar alguma id a geral, jun- 
tamos o que a este respeito relativamente a Sanliâ*' 
go observou ò Prof. Smitb* bem como ai ainda qúe - 
toais incompletas observações de Bowdich sobre esta' 
mesma ilha è a da Boavista. — Noia 17. «*-Enume* , 
remos todavia algumas plantas e entre estas muitas 
inedicinaes que se encontram nas ilhas * conservan- 
do- lhes cm maior parte os nomes que lá lâem.-— 

Aloés, ha muito especialmente em Santiago e 

86 



— 40*— 

S.Antão. Abrolho — Açafroa — Aipo — Ar* 

luda. 

A r o m ei ra, [Mimosa de Fomcte] Poincillade 
(em fr,) e silvestre. Acha-se naaís em S, fliícoláo e 
SL Antão,— - apode a chama»} o» habitantes flores* 
a raiz dá uma tinta* - • s 

Alfazema si l v e s t r e — Rosuianínfrc*, «so- 
bre a» montanhas de S.- Antio,— - 

Almíscar, Â semente que e como. grão» de 
chumbo, esfregada dos n%âos dá um forte cheiro do* 
nome que traz*. 

M e n d o b i m ( Aioclnic hipogee)* — 

Feijões de S.Clara, e uma trepadeira. 

Macrhrcbo (Concombre sauváge), é geral e so- 
bre tudo na ilha do Fogov 

Are a dentes— Artem Í9 rar — Beldrcrega y 
ç espontânea, soe vem- se 4*ella. para muitos reme* 
dios. 

Pé degalfínlra f assim chamada emS, Nico- 
láo. (Cretetlc cn balais).*— 

Canna (Yqutou, Sambou) ha muito em S. Hi- 
eoláo e na ribeira de Sv Francisco eu> Santiago-. 

BaKosa — Balaftco — Barrete de par 
dre.— ' 

T i n t a br» v a„ ÇG tlega soyeux) é venenosa, »o 
nhum animal a toca. — 

U r i.i e u y eaia planta tintiireira que tanto allí 
abunda e devera ser euUi vada • ebar&a-se oricu eu* 
S. NieoUio, e citolz cm. Santiago, 

Hatata t|e porco.. A raiz desta planta silves- 
tre «ipauhada, etn Maio, serve; de purgante; n'a- 



-.403 — 

* 

quelle mez costumam dar unia oitava, nos outro» 
raezes ãugmentam a dose. . 

Bombardeira é um arbusto pequeno cujo fru- 
cto grande , sobre comprido, do tamanho d' uma 
cidra , encerra dentro da capa carnuda que reben- 
ta com estrondo quando as sementes são maduras , 
uma espécie de lâ, branca, prateada e de fio cur- 
to, masque podia-!*e â ar e> tecer. Pertencerá tal- 
vess á família Bombax* 

Bombardcirinha — Bongaló— Parrei- 
ra brava — Br i n gé lá— S. Caetano. Esta 
planU goia de créditos muito medicinaes ; e geral 
a opinião que as sementes que se aebam dentro do ca- 
sulo que é amarello, postas d'ififugâo em aguar- 
dente, são óptimo remédio para quedas ou aquém 
deita sangue pela boca. — . 

Palhafede (Stramoine épineusz) cura chagas 
e feridas. A cinza queimada desta planta tira no* 
doas, — • • 

Tinta de vacca {Cleome irypkik) usam -a pa- 
ra suadouros e curar febres, 

Loló, — é espontâneo, nas ilhas, parece tal qual 
ocha, tanto nas folhas como e sementes, dtfiere 
só na flor. Os insulanos fazem oabos da* suas folhas, 
e podia dar óptima tecido da força de linho. 
• Gengibre, ha afearei i o e brao co , abunda 
na ilha Brava. . 

Fu ndo— G égé «— Pega-saí a. A semente 

destas três plantas come-se à maneira d*arroz : dão 

bom verde e palha paTa o gado. 

Malagueta de Guine', [/fmomum grawm 

36 # 



^-406 — 

Calypio *enegaJcn$i* , Rhu» tomcnlota. Coulleri* 
africana , Vimtnia americana , èfc. 

As priocipaes arvores são o P o i 1 â o ( Erio xden~ 
dron anfractuosum) E* a mais alta e apôz do Bao- 
bab a mais grossa arvore da Africa. Fazem-se d'el- 
la canoa» de GO — 70 pés de comprido,* sobre qua- 
tro de largo e fundo. # 

Ha muitos nos rios de Bissáo e Caclieo ; na pri- 
meira destas duas praças ha um em cada ba- 
luarte que o cobre todo com a sua sombra* Tem 
sempre folhas, que são compridas trt-partidàs : de- 
pois de as mudar nascem as flores cm grandes mo- 
lhos, são miudinhas, brancas, e cabem ao fim de 
8— 10 dias. O fructoé uma capsula do tamanho d*iun 
ávodegallinha algum tanto comprimido, dentro do 
qual são as sementes envoltas n\ima penugem, cha- 
mada lã de poildo. lista arvore éde dois sexos, o P. 
fctnta que dá os taes cabaços com la, e p. macho 
tem flor, mas não cria cabaças. 

Prosperam muito á bord<« de rios , em terrenos 
que conservam muito tempo a humidade, ao pé de 
fontes. Pegam de estaca' e crescem muito depressa. 
'Ha alguns em Santiago nos Órgãos , um especial-* 
mente que é de jine»;irado. 



• vi uma que carregava 600 (1500 med. d# 

Lx. a ) alqueires de sal, c na popa agasalhavam vinte bar- 
119 cie pólvora , e cabia uma pipa atravessada. 

Mss. de André- Alvares. 



— 407 — 

A sua madeira é esponjosa, branda e leve em no- 
va, mas envelhecendo a arvore, enrija que até por 
ca ura dos veios atravessados, e diflicil a trabalhar; 

Sibe, assim chamada arvore é, da espécie dás 
palmeiras, envelhecendo óptima é sua madeira. Ha 
muita na tf ha de Bolama e Bissáo. 

Figueira brava — C a f f e' — G ti i a v a $• — * 

Tamarineiro ( Tamarindm indica) — 

Cabaceira {Adamonia digitata) E* o Baobab, 

toma esta arvore dimensões desmarcadas, e é mui* 

to esiiinada pelos negros, em raião de servir-lhes 

o fruclo de vasilhas, cestos, alguidares, &c. — 

Stercatia acum inata. — - Esta arvora dá & 
fruclo chamado entre ot gentios Ao/a, edâò-lhe um 
especial apreço, como os Chin* ao amfião; masti- 
gam -o (em torno , indo de bocca em bocca : tam- 
bém serve* lhes para tingir d'amarelio e corre como 
.moeda,, 

Bombax buonobo%ense uma das maiores arvores 
bem corno Parinarium excclíwn, chega a 30 e 100 
pés d*altura. Ai suas flores são muito odoríferas, 
« também n' es tas arvores com preferencia fazem as 

* 

abelhas os seus enxames. — 

Ptcrocarpu* erinaccui , Wegne dos pretos , dá 

madeira excellente de cor vermelha, e d*um grão 

muito fino, óptimo para mercenería e moveis de 

# 
preço. 

JM icheri, arvore assim chamada pelos pretos 9 



— 4QS— 

de quarenta palmos cT altura, mas muito grossa, 
achasse com abundância indo o rio de Bissáo aci- 
na ; tem a vantagem de não ser a t tacada, pelo cu? 
pim, segundo, asseveram. -~« 

Khayd Sencgaknm vulgarmente chamada ccdra 
t. magno de Guiné, dá excel lente, madeira e cbe* 
ga a 120 pés (Taltnra e seis acouto de diâmetro. — 

Tarai fas apparecem perto do tqar como ar- 
busto*, para o intcriojr são maiores. 

Entre as arvores que foroeoetn gamma* ereziQas* 
ha a hcudclolia africana $ chamada niotutt pe- 
los Jalofos, e mais qlgumas das mimosa^ Uma d* 
aquellas chamada %inibrâo y dá umas frutas como o* 
damascos 9 e a sua fezitia entra até no çommercia 
com o nome de gomma arabie/i. Outra chamada 
fumadouro, prOtvem d*uma arvore dita aUi pào do, 
incenso, e desta ha çraade abundância , bem çqo\o 
do dragoeiro, 

Terminafetoos aqui o nosso esboço da Botânica 
da Província , juntando 03 resultados das observa* 
coes de dous viajantes Jnglezes, relativamente ao 
4-Fchi pélago Cabo-Verdiano. — Nota 27, — 



1 



-.409 — 



(ftlploflta — 4Çnitt^raUflia- 



A falta de mais mínimo trabalho ou observações 
a tal respeito, quanto £ província, deveria cauzar 
no seguinte artigo o summo interesse para as scien- 
cias , porem d'antcmâo corpos obrigados a prevenir 
o leitor, que apenas ousamos boquejar esta maté- 
ria, na qual faltos |de cabedal não podemos entrar 
com a madures^ qeces^ria e conforme $o$ qossqs 
desejos. — T 

O archi pélago Cabo*Verdiano pomo quasi todas 
as ilhas do Oceano, mostra ter sido revolvido con- 
secuti vãmente por algumas erupções vulcânicas, sem 
apresentar em parte alguma montanhas primitivas. 

Quasi todas estas ilhas lêem em derredor altissi* 
mas roehas, em maior parte talhadas a pique, 
principalmente nos cabos ou pontas , haveqdo mal 
pequenas praias arenosas na foz das ribeiras. Em 
leitos de pouca largura, ás vezes de alguns cantos 



— 41Ô — 

de varas , passam ellas enlre altíssimas paredes de 
rochas, que para o interior se elevam até alguns 
milhares de pes. Estas paredes geralmente são a 
prumo em correspondência dos lateraes bancos de 
rocha c terras , bem como e dos ângulos salientes e 
rentrantes, denotando assim com evidencia que nos 
antigo* choques das revoluções do globo se raiou 
o centro em vários sítios, e deixou abertos aque- 
les abismos , d s quaes se apoderou a agua , for- 
mo tido ai li os leitos das suas ribeiras. 

Nas rochas á borda do mar, aonde o choque das 
ondas tem desabado porções, observa-sc a eslructu- 
ra das camadas mui b m pronunciada , em mor 
parte são substancias decompostas pela acção do 
fogo e separadas por bancos de área, terra vegetal, 
argilas, etc. , que indicam ter passado certo lapso 
de tempo entre a formação da$ lavas inferiores e 
da camada superior. Melhor que em parte alguma 
vê-se isso nas escarpadas rochas da ponta da Uicu- 
ila, h entrada do porlo da Villa da Praia. 

As mais montanhosas são as ilhas de Santiago, 
S. Antão e Fogo, nas quaes custoso e achar em 
geral um systema, pois são.accumuladat em com* 
pleta confusão e desordem* 

Em quanto á estruclura, constituem o seu esque- 
leto, basiltoi e teorile [Grunstein], Os montes 
de secunda ordem são de argila em ruór parte com- 
binada com ferro. As camadas originarias de silex» 
ele, estam rotas, desorgnnisadas, desorientadas e 
confundidas.' Sobre ellas apparecem misturados ban- 
cos de lava e projecções volcanicas como basaltos, 



— 411 — 

puzsolanas, escorias, pedra pomes, Iodo, cinzas. 
Raros são os háticos calcareo*: o maior e' na Pon- 
ta de Leste da ilha de S. Nicôláo. 

Outros montes são de seixos schistosos, e quasi 
toda a terfa cjue se cultiva, não é pela maior par- 
te se 'não a fina moinha de lavas derregáda». A ter- 
ra vermelha bastante vulgar em Santiago e S. An- 
tão, sem duvida multada decomposição de basalto 
c tufo vermelho.— 

A ilha de Santiago d*uma forma triangular , te- 
rá 4ô léguas de circunferência. O solo vq,i subindo 
do litteral para o centro, aonde ha uma grande 
montanha cónica mui aguçada, de 4800 pes acima 
do Oceano, e que chamam Pico da dntonía. Des- 
te ponto quasi central , e donde se pode formar uma 
idea da lopographia da ilha, partem alguns ra» 
mães ou ares' as, que porém logo se confundem , 
formando gruppos òusystemas de montanhas total- 
mente isoladas, e que têem de com m um se não o 
Jerc declivio para o lado do mar. Entre estes os 
mais notórias são o& Leitões e os Orgâo*; nos pri- 
meiros encontramos uma agglomeração de montes 
e outeiros cortados por ravinas em todos os senti- 
dos ; nos segundos uma cordilheira de picos mui 
aguçados ; estes são de basalto, o mais d*aquelle terre- 
no em geral é de camadas mui espessas de lavas 
compactas e basal ticas , mesmo destinguem-se allí 
alguns formados em prisrae; n 'outros veios de la- 
va encontra-se tarnbem muita olivinft e pyroxtnc. 



w-412 — 

A ilha da Boa-Vista e' formada d* um banco de 
érea ondulado com dous predominantes morros de 
basalto. Por meio destes areaes eqcontram-se es- 
paços d\im conglomerato de cal. e área cheio de 
conchas. Ao leste da *illa de Sal-Rey o terreno pa- 
rece ser de rocha, cooglomerato de pedaços de ba- 
salto e Iqfo amarello. Do lado pcciílenjtajl desíin- 
guem-se entre as camadas três pes de basalto, dous 
de grés com bancos de conchas , e com mistura 
fragmentos angulares de basalto, e uma leve ca? 
mada superior de terra yer me lha qu tufo formado 
pela decomposição do basalto. A-S áreas basal ticas 
j}'esta como nas outras ilhas estatrj misturadas com 
àiivina e augiU. — Por meio dalgunaas rochas ap- 
parecc aUí também o spath calcar ea. 

As ilhas de Maio e Sal tem caracteres análogos 
á antecedente; na ultima ha uma rocha toda d« 

A ilha do Pogo forma o volcâo principal deste. 
grnppo. Este volcâo outr'ora ainda em tempos pou* 
co ramoios terrível pelas suas erupções , hoje está 
e.xtiucto, Sabine calculou a sua elevação sobre o 
Oceano em 1€30 toesas, Kit}g en} 1378» e Mastcr 
em 1481 toezas. 

Terminaremos este esboço de geologia do A rch i- 
pelago dizendo que quasi tadas as suas rochas sào 
dtí basalto , vj ou com partes ferruginosas 9 ou 
cpm hornbknde, ou também decomposto «de todas 
as cores, bem boprço as lavas eos Uoriêa. 



i 



ítelopi taremos aqui aonde alguma*- ptodifcçcte? 
éimeraes que ai li se acham. — 

Em 9* Antão ha mármore mui rijo, especial-* 
mente na ribeira do Paul, que é cinzento eoui pon* 
tos pretos , — bolo armem o , ■—• turra pi zoe ira \cr* 
gila figuhna] 9 — * erfxofre — * pedra pomes muito 
fina na Garça - — ferro, — algumas fontes férrea» 
e outras mi neraes, iintre estas notórias são duas, 
a agua d*irma fa* largar o pelo em menos d' uma 
hora, e no lodo ao pé da outra tinge- se de preto 
perfeitamente urría pelle cortida. — Ha também 
hyacynthes, ametistas e granatas. 

Etíi S. Nicoláo ha caparoza, — ^ sulfato de ma^ 
gneziá, -** cristal de rocliá na ponta da Vermelha- 
ria, e alfí tfeni coiiío na ponta de Leste, bella pe- 
dra calcaria capaz de fornecer toda obra de can- 
taria. — No Sal ha py ritos de cobre , — pedra bu- 
rrie na S. Luzia, lale no itheo Kazo, azeviche nos 
iHreosdo lloinbo , salitre na Brava, berr> como 
iftdiciós de cobre e ferrov Do Fogo podia-se tirar 
sal ainmdniaccr, erixofre c boas pedras para filtrar 
que também ha e*m S. Aniarr e Santiago. 

' Lfmitamo* aqui este aríigo n ao deixando de ípiii- 
brar que os insulanos partilham a ido a commum ã 
efuasi todos os povos, ha ter na terra que habitam 
muito ouro e diamantes, muilissimos sitios indigi- 
tam como tacs, e" com engraçada! tradições* 



414 — 



covcLualo. 



Na epocha actual , que tudo corre sob a influen- 
cia d\ima multidão de theorias novas ainda não as- 
sentes , e quando todos se suppoem com o direito e 
conhecimentos para a difícil arte de governar, — 
quantos são os reformadores e aspirantes a legisla- 
dores, tantas são as tbeorias e chimeras vagas, 
hypocrifas, obscuras, tão incertas e embrulhadas 
corno as turbas excêntricas que se agitam em todos 
os sentidos, e fazem que em nada se adopte um 
sjrstema de governo , pois se tracta só de viver e 
c comer aos dias — Aprci nous le Delugc! 

A* esta incerteza eávaciilação que d'el!a resulta, 
pode-se em mór parte attribuir o máo estado das co- 
lónias, que se governam sem administração local, 
e somente quasi ao acazo. 

Km 1820 o grito de liberdade proferido nas mar- 
gens do Tejo e Douro retumbou nos sertões da A- 
merica e o ècho do Brazil foi mais forte. Portugal 
altou as mãos á realeza, teve um governo col lectivo 
com duas camarás, mas sem nenhum centro, e quan- 
do quiz dar direitos ao Brazil de separar-se 9 tinha- 



— 415 — 

lhe já dado as forças e não as possuía. Cabíram 

depois as theorias prematuras , mas não voltaram 

*o velho pai as' ferieis regiões transatlânticas. A 

criança já chegara á juventude 7 e emancipou-se 
para sempre.. 

Desde entào resoava a capital de Portugal alter- 
nativamente com hymnos, foguete* e cantos de li- 
fycrdade, ora alegres ora jqdifferentes ou taciturna 
executava religiosamente caprichoso* mandatos d'um 
tyrano, que quiz de propósito perdet-se a si e aos 
seus. Mas ambos estes governos sem força nem con- 
sistência, uni indifferente ao passado, e descuida- 
do para o futuro, — outro receando e temendo a 
sim queda e tremendo todos os dias perante um 
fantasma de conspiração ideal e supposta, ambos 
nem ergueram o braço para levantar as colónias 
restantes que jaziam etnjabandono. — 

\l de certo sem preoccupaç&o, sem espirito de par- 
tido ou conmcçóes politicas, como se costuma cha- 
mar , é mister confespar, querendo ser imparcial 
que este abandono data da epocha que citamos. Pois 
de. certo ainda qoe os governos anteriores nao te- 
nham feita tudo o que deviam, todavia basta per- 
correr as legislações do tempo , para ver que todo* 
os cazos estavam então prevenidos e sempre se cui- 
dava nos interesses maleriaes das colónias, este» 
verdadeiros motores da sua feJicrdade.— 

Um publicista, oráculo das massas, M, de Pradt 
esforçou se a provar com muitos argamentos bem: 
compilados, que as colónias sâo ruinosas para a 
metrópole. Al;un> outros escriptores apoiaram es- 



tas theorias j e os defensores do systema. das éolo* 
nias não oppózerám geralmente áquellas brilhante! 
novidades e. algumas felizes profecias * senão racio- 
cínios ainda qu« em parte justos* em geral 
vagos como os dos seus adversários. Assim ainda 
hoje em dia diversas sãò as opiniões á este respeito, e 
mesmo em Portugal tirando consequências dos re- 
sultados sem entrar no exame das causeis, muitos 
se inclinam á opinião dos primeiros. — * 

No entanto tudo tem seu systtíma, tudo deve ser 
sujeito á certa theoriaí Assim as .colónias podem 
ser dévidkias em seis classes bem destinctas * a sa- 
ber:— 1. KslabelecHiieiito» dto caça c pesca.— f. 
commerciae* e militares*—* 3. de cultura de plan- 
tas exóticas. — . 4. de explorações metallicas%— bt 
siii >s de degredo c no mesmo tempo fundação dei 
novas nações* -^ 6. colónias mixtas. — * 

Vejamos á qual d'estas tenl mais analogia a Pro- 
víncia de Cabo Verde e Guine é de quanto àsuacon-» 
seriação e avantajada ou ruinosa á metrópole.— 

li £nt qudnto ai.*, ainda que a venda do pei- 
xe ede peites fundada sobre precizoes certas econs* 
tantei, dô lucros segufos ao emprehendèdor, -e se- 
melhantes estabelecimentos feitos sempre em térrea 
nos incultos e habitados "por fracas tribns são mui- 
to simples* pouco despendiosas e não os medos lu- 
crativos ; todavia -nuo se pode consagrar esta pro- 
víncia unicamente á tal fim* pois a abundância e 
sobretudo a qualidade de peixe é inferior áquellca 



—417 — 

*Íoa estabelecimentos exclusivamente a isso destina- 
dos, como o« bancos de Terra nova, Labrador, 
Grenlandia, ctc. Com tudo encarada a província n'es- 
te potitó, ha de poder dar grandes lucros, à quem 
emprehendar a pesca dos cachalotes , baleas, talam- 
gas, bomjcomo em Guiné u caça dos cavallos ma- 
rinhos» 

á. f Estes estabelecimentos indispensáveis k urria 
grande potencia marítima, seriam ruinosos à um paiz 
de menos força, pois convém sempre anf olhar se 
e possível um grande commercio marítimo sem o 
dispendioso apparato bellicoí As colónias commèr- 
ciaes neste sentido abstracto tèem por objecto ex- 
plorar as precisões d' um povo sèm civil isação e in- 
dustria 1 , trazendo-lhe objectos próprios a lisongear 
o sèir gosto j e levando em troca as producçòes do 
paiz mais preciosas, de modo que se ganhe na ven- 
da e na compra. 

Portanto feitorias bem fortificadas, bons portos e 
communioaçòes fáceis, constituem tudo necessário 
para consolidar até com tempo a incontestável pro- 
priedade do território dVuma colónia commercial. 
O -Archipelago Cabo-Verdiano está fora d f esta 
consideração, mas allí é que compete por em quan- 
to collocar a Guiné, e a sua administração suborna- 
da à est« fim nuo deve ter por em quanto outro 
cm vista. 

3.° Este de»ignio toem quasi todas as possessões 

ultramarinas das nações Huropeas, e todas ahiten- 

27 



cícm ttiais au menos ; — único Portugal sem resulta* 
do algum notório e paípavel desde a emancipação 
do Brasil. O grande ponto aflí é saber-se, à qual 
espécie de cultura se deve dar preferencia j e o Go- 
verno a protecção, pois de cettó nâò convám tòdcf 
a tudo 4 e urna nação com colónias pode ser rica^ 
forte e feliz, sem fabricar aisucar pelo preço subido 

dos colonos das Antilhas. 

» 

Guírii pode ser também uma coloriia agriculá , 
fijas depois' dè, fiízeNse o que dissemos no § antece- 
dente, consolidando o território :-—'e ainda mesmo 
então é preciso 'ver opines plantas tanto allí como 
án Archipelagd converti tilais, e sém pfejuisíd à rfie- 
líopole. 

- 4.'* Ainda que em Cralam , ao norte de Ge6a é 
outras partes mais entranhadas stí assevera haver 
grande abundância de ouro, todavia no entanto nem 
sonhar se pode em semelhantes explorações. 

S." De certo baila e graríde foi a idéá que cm 
muitos paizes fez substituir a deportação à pena ca- 
pital. A expiação do crime pode converter com uti- 
lidade erri beneficio da pátria ; úi vícios com a mu- 
dança de clima e costumei, rfuma iiovaesphcra po- 
dem emendnr-Sc, d uma geração depravada' , rjah- 
hida da Sociedade ^ podd edni tempo formar uma 
nação até 4 que ainda algum dia se venha a eman- 
cipar da tutellu* da rrietropóle , lhe fica ulil corri* 
ál liada; Com tudo esta' classe d'homehs deprava» 
d:>* <S de certo a menos própria para formar uma 



saciedade bem orgánisadae florescente. Sem colonos 
bons e probos, uma colónia não ha de fazer algum 
adiantamento e etn breve recahe em miséria. 

Estes mesmos pelo forçeso contacto com aquelles 
{x>dem vir a corrompesse. Por isso objecto de se- 
ria attenção do Governo deve ser a coi locação, em- 
ptegõ e policia das degredadas : do modo actual 
longe de tirar alguns bons resultados, gravíssimos 
são os prejuízos. 

6..° As toloriias mixta&.são o resultado d'uma 
coloaisaçâo ao acazo, ou também de Outras cir- 
cunstancias posteriores, c«wo mudança de tempe- 
rai uras , cansaço do solo e sobre tudo precisões d.'u- 
•tna população disseminada, em augmento e que se 
vai civilisandoi — N/e$ta classe em que se aclmu o 
Brasil , também col locamos esta Província, e e 
com este desígnio etâodeficio que encarada pelo Go- 
verno , deve-lhe ser. opprof>riada a legislação. 



Assim lia mesma ordem das matérias que segui- 
mos n'csta obra, juntamos as medidas que seria 
conveniente e talvez forçoso de adoptar. Cousiderc- 
se as como lembranças» que o Governo ou as 
autboridades locaes pondo em execução preenchem 
muitas faltas da Provinda, e causam a sua prospc* 

ridaje. 

27 • 



-**4âe 



2lflrxcultura. 

1. Abolir os prazos e morgados, todos em ge- 
ral , ou uma boa parte que não li ver certo rendi-* 
mento. - 

£. Todas as terras que não pertencessem lega!-» 
mente e nào forem cultivadas, como geralmente 
acontece aos íaes c tramados morgados , ~ que pastem 
ás Camafas pára o» distribuir enffe colonos , p. e. 
eiítre soldados que ti vetem baixa. 

3. Impor-se a Òoftdiçao obrigatória ao 'Contrac- 
to do Tabaco de comprar ha' Frovinèia annuaímen- 
te até duas mil arrobas de folha* por certo nufrie* 
ro de annos. 

4. Promover a plantação da pnfgeira, caffe e 
algodão, estabelecendo prémios. 

5. Formar o Governo um jardim d'acclima'isa- 
çâo , a fim de introduzir plantas novas e ensaiar os 
diversos methodos de cultura. 

6. Obrigar os proprietários da beira mar a plan- 
tai* coqueiros, — é á execução da providencia de 
ninguém cortar arvores sem áUestar que deixa duas 
fiadoras novas já pegadas, que se obriga a con- 
servar. 

7. Abrir caminhos centraes, um pelo menos que 
atravesse cada ilha até ao porto d'embarque. Nào 
ha elemento ? nem meio de progresso mais activo 
que este. 



* 

8. Crear mais povoações, influindo para se con- 
centrarem habitações espalhadas. 

9. Formar colónias agriculas cm Guiné, ad- 
janittindo alguns colopbs ^llemâes e Sujssos. 

10. Á roda das praças de Guine como Çacheo 
e Bissáo estabelecer hortas e mais plantações por 
conta da tropa que allí estiver destacada. 

11. Crear em Guiné colónias agriculas milita- 
res, recrutadas nos Açores. 

IS. Promover em Guine a plantação do caffe', 
e mesmo canrra d'assucar ; mas convém prohibir a 
extracção d^guardenjte, deixando assim este mer- 
cado ás aguardentes dá metrópole. 

13. Converter no Archipelagó alguns baldios 
em bosques, e vigiar o corte e desperdício das mar 
deiras. 



3níru$tría. 



1. Formar um trem ou Arsenal no Archipela- 
go, e isto na ilha de S. Vicente, empregando al- 
lí os degredados que tiverem algum officio, grari- 
geando estes por tal modo jus á remissão d* um a par- 
te da pena. Nas varias oíficinas dependentes d*a? 
quelle estabelecimento terão os insulanos uma esco- 
la pratica. 

2. Promover o fabrico d*azeite de purgueira ; 
basta dar a sua importação em Portugal livre, aon- 
de hoje paga 30Q rs por arroba ! 



3. Promover o aperfeiçoamento dó fabrico da 
farinha de mandioca* 

4. Promover a pesca debaleas, cacbalotes, tatá.» 

4. 

rugas, e «aça de cavallos marinhos nos rios de 
Guine. 



(íommexáo , 



1. Pazer livre a importação em, Portugal das 
producções agriçulas da Província, menos o arroz 
e milho. 

fí. Regular uniformemente os pesos, medidas e 
numerário; prohihlr ao mesmo tempo a importa* 
ção o exportação de dinheiro de cobre e bronze aci- 
ma do certa quantia. 

3. Formar para Guine uma Companhia de com - 
mercio, e melhor ainda seria entregar de todo esta 
província à uma Companhia por 50 annos, obri- 
gando-a sobre tudo á colonisação, 

4. Conservar a probibiçâo de vinhos» licores 
agíiasardentes e azeites estrangeiros. 

ò f Impor maiores direitos nos couros e pelles 
exportados por -estrangeiros» 

€staíro lEEltlitar t Wtímúw. 



1. Regular definitivamente a tf onça militar ne- 
cessária, e o numero d'offici$es, acabando por uma 



rr493 



*w 



vez esta infinita agglomeraçao de despachos para o 
Ultramar, para accomodar afilhados. 

2. ^doptar um plano, s* a guarnição deve ser 
feita por destacamentos do reino, o que seria mais 
convenieiíte, ou por corpos» indigepos. 

3. Nó Arehipelago renovar algumas milícias, 
poucas, mas btm equipadas, ecom preferencia cor- 
pos d'arti(heiros para a defesa do littoral. 

4. Levantar as fortificações, e artilheria que 
estam por terra. 

6. Corjstryir timquartej para a tropa era S. Vi- 
cente, visto que ainda não tem nenhum. 

G. Os soj lados Europeos ounaturaes ao fim de 
Ç> annos deviam receber terreno casas e meios 
para amanho • formando assim colónias militares* 

7. Estabelecer um paquete regular de commis? 
sâo que percorra infallivelmente em períodos certos 
todas as jjhas, preferindo-se quando podesse ser por 
vapor. - 



<£$taí>0 €cde*i(&luo t 3n$tntrfaa. 



1. Grear um Seminário na Província, copcor» 
rendo os alumnos quetiverern meios, com uma prés* 
tacão mensal para a sua sustentação, 

8. Supprimir a Se e despeza do Cabido, 

• * » 

3» Mandar regulares. Missões a Guine', 
4. Crear escolas , e alguns discípulos melhores, 
mandar a Portugal, 



— 426-^ 

obstam á formação da nova capital, e algum dia quan- 
do este Àrchi pélago se elevar ápar dos seus irmãos 
mais velhos — Canárias — dçares — Madeira — os 
seus habitantes reconhecidos repetirão aos passagei- 
ros de vapores, que nos seus passeios pelo occeano 
ahi tocarem a refrescar e receber carvão, os no- 
mes dos Pombaes que derem novo ser e nova vida 
à um paiz amollecido. e engolfado em ruínas! ape* x 
zar de ha taqto apagados os. volcões que lhe derao* 
origerri ! 



9333. 



3fè$&& 



4á9-L 



Nota 1. — Pag. 41. 



Os animaes cuja carne se pretende salgai* e eín- 
barrilhar, de verti ser mor; os de tarde e depois de ti- 
radas as entranhas, etc, devem ser cortados em pe- 
daços de 4 até 8 arráteis tirando-se-lhes os ossos 
das pernas; do espinhaço e das costellàsi Estes pe- 
daços devem ser cuidadosa* mente limpos é examina- 
dos , sem deixar sangue coalhado nas veias: as$im 
preparados , sejam bem esfregados com sal em quan- 
to estam quecites » e postos em citiía de bancas, ou 
tarimbas; èm pilhados expostos aònr, cobertos com 
taboascstrregadoé de grandes pezos. Na tarde seguin- 
te devem ser bem enxutos, examinados e as par- 
tes suspeitas regeitadas. Deitam-se entào cm 
tinas de salmoura forte, e examinam-se uma 
ou duas vezes por dias, no caso que algum 
pedaço não tenha tomado sal , o que se conhe- 
ce ate' pelo cheiro de salmoura $ serão tirados 
de novo, examinados, e os bons repostos em salmou- 
ra. No fim de seis dias, pela ultima vez se espre- 
mem ligeiramente, e meltem em barris entre pe- 
cj icnas cantadas de saí. 

O Capiluo James .King, que suecedeu no com- 



— 430— 

mando do segundo navio d'esta expedição, íevòti 
para Inglaterra alguns barris de earne de porco as«* 
sim preparada na ilhaOwhyhieein Janeiro 1 de 1779, 
e foi provada em Inglaterra por muitas pessoas no 
Naial de 1780, as quaes declaravam efstar perfei- 
tamente sã e saudável, 

Viag : de CooL T. 3.° pag. 159. 



Nota 3< — Pag. 61. # 



Havendo alguma idéa de que iras costas d 'essa* 
ilhas ha barrílha : E' S. A. R. o Príncipe Regente 
N. S. Servido, que V. S< proceda ás maiores dili* 
gencias e indagações pela descobrir ; e quando acon- 
teça encontrar ah i este produeto* deverá V # S. re- 
melter amostras d'cUe no seu estado de florescência 
a fim de que se possa aqui mais utii e exactamente 
fazer as analyses necessárias sobre aqueUa barrílha;' 
que V. S. iníornuirá também se existe em quanti- 
dade considerável. Deo* Guarde a V, S. — Palá- 
cio do Rio de Janeiro erft 14 de Junho de 1811. — * 
Conde dasGalvéas. — Sr. D. António Coutinho de 
Lancaítre. 



* Omittimos a nota 2 por nao ter interesse , conser- 
vando a numeração todavia das outras seguintes. 



431 — 



Nota 4 é &-*Pag. 59, 



;..... Efoe assy que em aquesté anno de quatro 
centos e quarenta ehuu, avendo ja es feitos doreg- 
ho algum assessegò, ainda que grande nom fosse, 
fez o iffante armar huíi navyo pequeno , no qual 
toandou por capitam huu Antam Gonçalvez, seu 
guarda roupa, homem assaz de nova idade; e afim 
Ua vyagem dáqueste nom erattutra, quanto ao man- 
dado do senhor* seriorh de carregar aqueile navyo 
de courama e azeite, daqUelies lobos marinhos de 
'que ja falíamos nos outros capitólios ante destes.. - 

E trautancio suas arrefèes ^ irecebeo Au- 

tam Gonsalves dous Mouros por fiança, e elle de 
sua parte deo outros dous homees d'aquelles que tra- 
zia consygo. ..... Grande fyanga mostravam aquei- 

íes Mouros no movimento de seu trauto, ca em fal- 
lando sobre suas cousas, muitos hyani seguramente 
aos navyos , levando consygo as mulheres, que so- 
bretudo desejavam veéraquélla novvdade. O cavai- 
Iéirò acabou seu traulo , recebendo aíguas cousas 
que lhe mais prouve, daquellas que lhe per os nos- 
sos forom apresentados, empero pequenas e de pou- 
co vallor, pellas quaaes leixou ix negros, e huíi 
pouco douro em poo * . . . k . k * 

lí dysscrom ainda mais aquelles, que a 

grandeza dos eliffantes he tal que a sua carne farta 
razoadamente dous mil e quinhentos homócs, e que 



— 438 — 

achara entre sy por muy boa carne, e que dos os- 
sos te nom aproveitam em nhúa cousa, ante os 
lançam a longe, os quaaes eu aprendi que no le- 
vahte desta parle do mar do Af edyo Terrano , que 
vallecn razoadamente mil dobras a ossada de buu 
d'aquelJes. ..... 

Chronica de Guiné de Aiurarà. 



Nota 6. — Pag* 61. 



Eu ElKey faço saber aos que este Alvàfá virem 
que havendo respeito á ser conveniente à conserva- 
ção de meus Reinos a frequência do commércio, 
principalmente nas conquistas deli es, aonde a ex- 
periência térri mostrado, que esta providencia é 
mais necessária, fui servido resolver por Alv; de 
4 dè Janeiro de 1690, que para a introducção do 
commércio nas conquistas de Caclieu e Cíabo- Ver- 
de se estabelecesse uma Companhia, na qual se in- 
teressassem as pessoas que se declaram no dito Alv. 
e porque a dila Companhia com permissão minha 
mandou arrematar no concelho de ludia o assento 
de introducção de negros em a Nova Hespanhacom 
as condições declaradas na escritura que outorgarão 
em 12 de Julho deste anno com os Ministros dei 
Rej Catholico, que houve por bem confirmar o di- 
to contracto por Alv. passado em dezasete de Ju- 
lho assinado por sua mão Real, e em razão de se 



„ « > 

ler borigado a dita Companhia a introduzir na dí- 
fcà- Nova II«spa&1k& d*z mil túucHadas da jtiegrçfc , 
reputa t)dos« ires peças de Índios por fcadia tonel* 
Imja pelo decurso de 6 anrvos -'é 8 metes. . . . . . pro 1 - 

rogo. 



»• • « • k 



£mp testo dàwinha tixieúdz f00£000 jjataíeias. pai 
ra satisfazer ati pngatnento ah taipado do direito 
doa itegroà estipulado no Contracto , è ordeno q^e 
Visto gfràndeà déseaiboiço$ piara o provimento kjodi* 
to ásèéoio, que .a me*í«a fuáenda sè interessa ha 
dita Oômpaáhia tem q4utro partes áasnoYe,;. . . . t\ 

P. VÍ'-4 :■:.", 

i 

í : . D. tfedr© (Ueyj. 

! ' ■ '' i ' . ■ - ' 

1 

i. 

•N* S. dá Conceição , rrotefctòra ^ terá missa sb* 
iêmne to<Jos os aftuos na Igreja dè S. ÀntÁòf dos 
PP. Agostinhos, aonde haVerá $000- missas p^tas 
nlmas dos índios que morrerem no transporte para 

ás índias ; . i . . 

Que por fazer -inerfcê a está Córrípanlna, lhe con- 
cedo livres em cada um ànno da sua duração, os 
direitos de fazendas que valiam 40$ cruzados, rtí- 
partidos pelas casas dos direitos Reáes à que per- 
tencerem , porém não gozará esta Companhia desttt 
Indulto, senão no cazo em que despachar por en- 
trada ou sahida para Cacheu e C. V. todos os an- 
nos fazendas que importem 30/ cruzados e d*aUi 

para cima. 

y 28 



~~4<M 



Que adita Companhia poderá còna roerei ar líVre^ 
mente em todos os porto» deste Reino e suas Coo-' 
quista» , e fs^er feitoria* e entradas pelos' sertões 
para o resgate dos negros do mesmo modo que cos- 
tumam fazer os naturaes e moradores d' Angola, e 
nas partes não cô tn prebendadas* no eontraéto d' An- 
gola r 

• 44. 

Que a dita Companhia será. obrigada a /ornecer 
a% praças de C. V. e diefcèu d'aquelles géneros e 
fazendas que n'ellas costumam ter corou moy e aoí 
moradores dará praça nos seus navio*, ptrra nel- 
les remei terem a este Reioo as fazetfdas que Ibe coiw 
vier, de qite Ibe pagarão os seus fretes na forma 
ordinária. 

.->•. • .-• . Que nâo. haja queixa dos , moradores. . • . * 
pois mandari proceder .como parecer coui jusfci* 
ça T .• . /. ...- &cv , . 



Nota 8.— Pag. 7Í. 

K. Relação do* pioduetos d'cxporta£lfo da Frovla- 
ciâ daa ilhas de Cabo-Verde e Guiné. 



mi cernes. 


Prod ; vegeta es. 


Prodtio : aniraács. 


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— 438 — - 



Nota 7. — Pag. 64. 



oendo a facilidade de cor^municações entre aijei 
tropole e nossas Provinçias Ultramarinas um do$ 
meios roais, eflfcazes parai as fazer prosperar 7 aug- 
iiientando as suas relações commercjans, e os, meios, 
de civilisaçâo de que taòto carecem; e acontecen- 
do* que, achar» do-se a Província de Cabo- Verde dis- 
tante apenas dez ou doze dias de viagem, se este- 
\\ muilas vezes. sele eoitb mezes sem d*allí se recc- 
berern noticias algumas;, com gravíssimo prejuízo 
das especulações mercantis, a que a fertilidade, ra- 
ridade, e preciosidade dos seus productos podem 
4a r orcas ião; para cpnseguir aquelias vantagens, e 
evitar esles inconvenientes ; Manda, Sua Magesta- 
de. a Rainha, pela Secretaria de Esia<ik> dos Nego- 
cias da Marinha e Ultramar, estabelecer Correios 

: * ' • v * 

para a dita Província, de dous erjri dous mezes, 
principiando* no 1/ de Janeiro próximo futuro , e 
continuando, assim regularmente. A derrota destes 
"Correios «er£ do porto c^e Lisboa á Uba d;a Madei- 
ra, e dalli ás .da Boa-Vjsta, S. Tiago, S. Nico- 
Ho, e S. Vice/i te, podqndo as outras Ilhas daquel- 
le ArchipeJago* enviar prpviárriente pára estas as suas 
correspondências: a demorar em cada urna dõs refe* 
ridas 1 1 lias que os Cor rojos tocam , nâo "excederá a 
vinte e quatro horas, á excepção da de; S. Tisigo y 
porque neála estacionado por três di$s, findos bs 
quaes regressarão a Lisboa eom escala pelos Aço- 
res; o que tudo ficara ^atendendo o Major G.erte- 



^439 — 

ral da Armada, a fim de dar as necessárias provi* 
ciências* Palácio das Necessidades » em Q£L de Nó* 
vembro de 1839, -+- Franciico dfi Paula d* Aguiar 
Qltolint, . 

. íSota $.-r-Pdg. 83. 

At tendendo ao relatório do respectivo Secretario 
d'Esudo: Héi por bem Determinar o seguinte: 

Artigo 1 .° E* lirre a exportação da Urzelta das 
províncias de Angola, S. Thome' e Príncipe, e 
Moçambique, para qualquer ponto do território 
Portuguez , e em navio Portuguez. 

Art. $,° Oito mezes depois da publicação deste 
Decrete em cada uma das províncias de Cabo Ver» 
de, Angola, S. Thomé e Príncipe, e Mocambo 
que , fica vedada nas ditas províncias a admissão 
de> vinho, que nâo seja ou de producçao Portugue* 
za despachado para exportação, ou estrangeiro, que 
no território Portuguez tenha já pago Direitos de 
eonsurno; indo um e outro de porto Portuguez na 
Europa, ou nas ilha© adjacentes, e em navio na? 
ci<>nal. 

Art. 3/ Passado o mesmo espaço de tempo, $ 
agua-ardente Estrangeira qire fôr importada nas 
nossas Províncias Africanas, pagará nellas, além 
dos direitos, acttipes que no entrarem directamen- 
te nos Cofres do Governo j o direito de quinze mil 
réis (moeda do paiz) por pipa de trinta ai mudes. 

* Art* 4/ A agua-ardente . Portugtteza , que de 
Portugal ou da> ilhas adjacentes fòr importada na# 



províncias Africanas^ em Navio Portuguéz $ séfq 
frlli isenta de direitos, 4 excepção dos. netuaes, 
que tj fio entrarem directamente -nos Cofres do G07 
verno : sendo importada en> navio Estrangeiro nà|o 
*erá admi|tida, 

Art. !\.° Os gefleroi d^ manufactura Europeq 
Estrangeira, necessários para oConamercio interior, 
da Afriça v * 9» e i *>».** hào fakricatti «rn Portu-s 
ga), qu- niíp ficam 1W flianufrietura» Portugwetaa 
jy?$ preço jponveiií^qtd pAraiaqufllé jcorrinnercio, pa- 
gpr."*o no$ portos do Reino direitos èorn&nte: de reex- 
por, taça o, çt) baMoaçap-, •»©. para as Provincial A frh 
can.ts forem conçWJdot^ireçintnente eççi Navio Por* 
Vigiai qeiflnu» dos referjdos géneros seja adrwit- 
Vuiof i*>$ porto* Africano», $em terem pago e«i Porr 
ttigal. uin do$. rn« ncioriadps direitoç, ç nos ditos* 
Porto» pagarão cinco por çeoio. Q Governo pu- 
blicara com, a l»aior brevidade ijjna tabeliã dos 
nr%mes destes gfcrçerps^ e aoder^ a|tera-l^ çorao fôr 

necQssário, • ' 

Art, 6.T f Porpwiucgiq.de pada uma da* nçssa^ 
Província Ultramarina* entendeH?e ta mijara tudo q 
que. vem da interior do Paíz respectivo, ainda alern 
d.osj Rinites <|a po,$fift»s/to Portuguesa , e e' embarca-, 
do nos portas Porttigilfefes <to mesma província. 
. Art. 7/' Jftcmn. derpgadfl* Iodas as prohibiçoes 
^Je cultura orç faUr c*>» <$ue por qualquer pretexte* 
tile agora t$xi*tjpisein n,^s Províncias Africanas, . 

Acfc» .&«* Todas os. Oftftciaes rnechanicòs qnc de 
quae*o^jer Porlos Portugueses qui2erem passa r-sepa-* 
ra as nossas Pr&vincus Africanas ^.le pròdu&iretfy 



attestações de três pessoas fidedignas, que os abo- 
nem como homens laboriosos , e do bons costumes, 
ter^c passaporte, gratuito para ; si estias familja^ A 
isto juntará o (Joverno (juáe$quer outros auxílios 
que forem possíveis para a. passagem dos ditos of- 
fiCiaes , e $èu- estahelecíipento na'$ 'nossas províncias. 
Africanas^. . . : 

"Art. 9,° Serão merecedores da jVlinlm Real Afr 
tetiçao., pã f ã> serem Contemplados com despachos 
Jidn.oriftco.Sj lodos aquelles que cortcbrrererh eíficasi* 
mçnte pa*a .a prpdup çao f .e prsparoçiío dos géneros 
cdloniaps fim nossas Pf o vjnbfôs Africanas, e pari 
tojnarern florescente o canítfiepcio entre aqtiellai 
Províncias ^ e o residido território Português. ) 

♦Aft.i 10/ ^ipa derogada lofia.a Legislarão erfl 
potitrario. * • . » 

fO Secretario d*Eàlado dosJíégooiô* da.Maríntut 
e da' Ultramar qteijjia gssim.eiitendida, e faça exe* 
cukar. P.a&Q 4 as Necessidades.', deaesete de JanàirQ 
de. mil o i t oc ea t o s triola esete. — KA IN II A. -*■ An* 
fojfiô Manoel L<ope$ í r ich'a de Vaçtro. . •.. 



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Nola 10. — Pag- Bé, 

Majtpa dot naniot qne deram entrada na AU 

fandega de Santiago em 1837- ' 



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A'/í. Fsle mappa nfio com prebende 16 navios 
baleeiros Inglezc; e Americanos que sem ancorar 
tomaram refrescos na Villa da Praia: nem oi Iam* 
lw|.«f e (anchas, que navegam entre ai ilhas, w 



448 



Nota \l.--Pag. 96. 

Otnit timos esta nota, conforme o terno» feito com 
fháh alguma?. N'cstc coxo, porque a Commusio 
nomeada para deliberar robre tal Companhia de Gvú 
né nada fe% , bem como mUra Commutâo nomeada 
vara a mesmo fim posteriormente. 

Nota li. ^ Pag. 111. . 



( TVmof a mão daas narnaçôes de diversa* pesions 
qs mats conspícuas; da Vtlla da Praia, relativa men m 
te a estes acontecimentos ; não as apresentamos por 4 
extenso , como envoioem pessoalidade* , qne sempre 
havemos dt evitar^ no entanto jantaremos alguns? 

fragmentos toes; quaes.) 

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• . < . ' t 

. • . ; A 25* de Fevereiro chegou aesteporlo a char- 
rua Principie Real com 23ô baionetas que de pre* 
positoreqtiesitpiv p Prefeito ap -Governo para. . *.. , 
N ! esse mesmo* dia antes de desembarcar a dita t rap* 
p r a, ò Prefeito ofifciou ao Governo Militar, p ise- 
ntando que aMroppas da terra despejassem o iquar* 
tfci ; de, maneira que nas houtes de 25 ate! £7 fica* 
ram os d^sj^açadas soldado* do pai* dormindo pç* 
lo arrçor de Deos em cazas particulares. Km o dia 
$7 outro officio do dito Prefeito para que se desse 
baixa ás duas companhias da terra (quando foram 



creadas por um decreto antiquíssimo) o que se poz 
em pratica em outro 4 ia seguinte, e os armamentos 
foram recolhidos à i»m deposite..-..., A 15 de 
Março houve uma parada desse batalhão, em rego? 
sijo á chegadn de S. A f 11. o Príncipe D, Angus* 
to, cep que o Prefeito não deo os vivas- na forma 
do costume, . , . r Na noute do 21 para %2 do mes« 
ião raez houve uma revolução no quartel do Catai, 
lhão sem ninguém pressentir, prenderam lodos os 
seus oflkioes nu prisão do mesmo quartel, e muitas 
pessoas. . . . (seguem os nomes). . . . , líu e. . . . es-* 
capamos na mesma na ti te só eonj o foto no corpo , 
c alguns íetn chapeos, e fomos a pe amanhecer na 
ribeira de.S. Domingos 9 outros pa da Trindade e 
R.. Francisco, No. dia 2$ ás nove horas da manh$ 
açclamaram seu Hei D, Miguel, e o Prefejto, afit 
ançou que as pessoas da terra que se achavam pre-» 
aas, excepto os officiaes do Qatalliao podiaip ser 
soltas. ... Na mesma noute do dia 23. ás 11 horas, ' 
tiraram da piizâo os seus officiaes incluindo o Te? 
neja^e Coronel , amarraram-ios e forou} assassinados 
no cemitério da vargem da Companhia. , Escaparam 
somente 3 offiejaes* um que deitaram por morto 

* 

com. uma ferida de baila da cabaça 9 que felizmen* 
te^njio era mortal, e ma.i« 2 AJ feres jovens, qiveper-» 
doaram a morte par serem crianças. Principiaram 
seus Governos desde o dia 23 até 26 que viemos 
com a força do interior, mas do qqe nos servia tan- 
ta gente sem espingardas. Todos que (mia nqoexn 
cediam 50, e <rm maior parte, es pingadas da caça, 
HÃO pbuante isso atreve roontios q, aUaca-lqa pe|^ 



parte dá Boa- Vista, aonde nos batemos á frente de 
sua anilharia e mosqUelaria com tanta fortuna, .que 
ferimos alguns (Telles, sem que nenhum dos nossos 
fosse ferido i era tanta a metralha, que chovia 
•sobre nossas cabeças, que pareci* pingos de aguai 
'Este mesmo choque 9ervio de muito, . porque -seus 
tintemos éra nrrazar avilta e deitar fogo, depois 
í<de tudo- sarpteado. Atemorizados de ter- nos á sua 
ttrente, com coragem, , sem armas, retiraram na 
rtnesma jioote 26 , depofe de terem encravado a ar«. 
:ii4!terta que guarnecia á villa', quebrando o artna- 
jin^nto -que n ao podiam levar, e deitaram toda a 
'pólvora ao mar , roubando as diversas ca&as; . . : «. 



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Filia da Praia 1 6 de Abril cU 1836. 



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Nota 13. — Pag. 116. 

Guarnição de Bi ssá o. 

Alopjja do E-tiido do íiim amento e correame 

da mestria. 



1 DeiTã- 



s & 



pOBllo. 



Espingarda? 



g | Baionetas. 



, | Çiavim 



j. |-Várrti»r 



; | Alabarda » 



j | Boldriés t- chapas. 



jlTra çarios e bainhas. 



^ I Caixas de g»< 



"MrU$ de ferre 



Bahdolei 



1'ures de Viiqueia^ 



Bailas; 



iirvação. O fardameilto foi distribuído & guar- 
nição em 1824, e consistia em 2 jaquetas, S 
porei de calçai, e 8 camizas, ludo d'algodão ; 
uno receberam nem capa tot, nem bonnes, por 
isso não vão mencionados, por estar maior 
I>arte lodo roto e fantpado. 

Pclfiin Jots âo$ Santos. 



—4*7 — 



Noto 16. — -Pag. 1S3. 

Estando inhibidds osOmciaes que servem nos Cor- 
po* dos Domínios Ultramarinos, de regressarem ao 
Reino, em quanto não obtém o Posto de Coronel, 
segundo as disposições do Decreto de 16 de Setem- 
bro de 1799 $ não podendo os Governadores respe~ 
ctivos dar-thes licença* sob qualquer pretexto , de 
viram ao Reino, como é expresso no Aviso de 8 
de Qfttubro de 1803 i e lendo-se abusado da facul- 
dade qittf a Resolução de 16 de Janeiro de 1893 dá 
aos Officiaes doentes , prèle*tando*sè moléstias qu* 
não exwtem, ou são curáveis, mudando-se de uns 
para outros Ioga tes da mesma Província $ ou para 
d ifferen té Província sem ser necessário vir a eite Rei- 
no ; por todos estes motivos, Manda Sua Mages- 
táde a Rainha $ pela Secretaria d' Estado dos Ne- 
gócios da Marinha e Ultramar* prohibir que se dê 
licença a Qualquer OfBcial dos Corpos Ultramari- 
nos, debai&o de qualquer pretexto ou razão, sem 
que tenha precedido expressa licença da Mesma Au* 
custa Senhora; e assim o ficará entendendo o Go* 
vérnador Geral do ;...... . na parte que. lhe to- 
ca. Palácio em Cintra» Si de Julho de 183gi^-,S4 
dt Bandtlt*. 



— 4tft. 



Nòca 17*~Pdyr. Ml: 

* Ha nesta Ilha um Bispo que tom por Diocese to- 
do o districto desta Capitania j e tem de ordeaadò 
seiscentos mil íeis. 

Dtôty dom quarenta e cinco riiil té\i de ieu orde- 
nado, tem mais vinte quatro mil , e tíe^setíta mil 
reis pofr sela -pensas forras, tçrh por ajiuo, soai ma 
iuáò ÍS9$ rsi • 

Há quatro digdidade*. S3. Çiiântre^ Me^re^ho- 
lu , Tbésdúreiro , è Arcediago do tíagjo com qua-> 
reijta cinco tói4 reis eada um i * 

Ha- doze conetfias cada utfia com quare&la mil 
tch dVxdenndoj 

lia iimcuR e: coadjutor coja triatá de ordenado 
cada úm; .':';■ .« - • 

Ha sítbtliosourciro* Um de ^rdetiadd quinze mií 
reis. •.•■•.' ;■..,■ 

Ha q nutro tqoçoi dú chora» com seu mil réis de 
Ordenado cada -um.* • 

Ha um 'parteiro <da hxaça. <jom quatro mH réis. 
• Ha A*ve iitegiictéias xSpip ?«ms vigários * Sw Lou- 
renço, S. Tlda#o, j8j Miguel, Saato Amaco,San« 
ta Gathjirina., 8. Joio, ^das; qaaes Santa Cuth uri- 
na e S. ThiaTO tem a trinta e cinco mjl reis. d*or* 
denado , as outras a trinta ; 

Escrivão do lícclesiastico não tem ordenado, pro* 
veo o Bispo. 

Kscrivào da Camará do Bispo não tem ordenado, 
proveo illc também. 



— 449 — 

Meirinho dos clérigos nao tem ordenado, provè*o 
o Bispo. 

Escrivão da fabrica* pròve-o o Bispo, tem de 
Ordenado da mesma fabrica cinco mil réis.. 

Recebedor da fabrica não tem ordenado. 

O Seminário tem de sua porção duzentos mil réis, 
ós quaes S. Magestade manda dar áos padres da 
Companhia que estuo naquella Ilha. 

Ha pròvisor, e Vigário Geral do Bispo*, tem ca* 
dà Um ctntíofcrrta mil réis de ordenado* 

Ha utti lente de casos de consciência com qua* 
rtnta mil de ordenado. 

Ha um pregador cotn Quarenta mil reis de orde» 
nado* 

Èxtrtoclo detona Atcmtwm manuscripta 
do tempo do$ Filippes. 



29 



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Pf olá i«fc — 



Guarnição 



AUppa do estado da Artilhe ria, Car- 



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Péçãs de ferro. 


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l" 'Peças de BforiieV 


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Observação: A peça tta frronse para Concerto 



Quartel na Praça 



Pag. 144. 



de Bi as ao. 



retas , Ballame e sua plamenla. 



Carros? 


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precisa de ouvido novo;— *ã inutilisada estáraxada. 



deS. Jòté da Bisróo. 9 tle Janeiro de 18SG. 



Delfim Jo%í dot Santos. 

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Nota 14. — Pag. 118, 



Guarnição de Bissáa. 



Mappa do Estado e força da mesma 



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Alferes. 



^ 3.° Sargento. 



^ í -'Furriel. 



Cafcos. 



Soldados. 



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Observação: Vao aballídos 1 Cabo e 1 Soldado que 
tislum dczortadòs. — 



— 4W^- 



Nota 19. -- Pag. 249. 



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Jtegvncnto que leva Balthazar Pereira de Cattcllo- 

Branco, que rai por (Japi tão á povoagâo 

de Cache o ç r\o* -de Guiné. 

_ _ V ^ ^^ ' • 

Eu EM{ey faço saber, a vós Bulthazar Pereira dç 
-Cartel Io- Branco que ora tenho encarregado do car r - 
go de capitão e ouvidor de (Oaclieo. nos rios de Gui* 
pé 9 que c%i * j y por bem. e me praz que em quanto ser- 
v irdes o dito cargo useú do ttegi mento seguinte, 
visto alterados poderes e jurisdicçyão que por mui- 
Jtas leis 1 e ordenações sam dados aos corregedores 
de que usareis nas cousas em que se poder applicax 
e não encontrar este Regimento* 

Nos actos de guerra tereis -poder e alçada para, 
mandar «castigar os inhobedientes com as penas que 
vos parecer até dous annos de degredo para a ilha 
4o Príncipe ou Angola, e em pena pecuniária ate' 
jcontia dfi .cincoenta cruzados, que applicareis 
para as obras de fortificação do dito Cacheo, e is- 
to sem appeilaçao né aggravo. 

• • ■ • . . . . ■ . ■ i. • 

Vendo a ínhobediencia feita á vossa pessoa com 

^arruas por .negro, -o, podereis condenar em qualquer 

pena , até morte natural inclusive que podereis 

dar á execução r e sendo branco pião em pena d* 



açoutes e d© degredo ate quatro annos para a ilha 
do Príncipe sem appellaçâo ne aggravo; e seoda 
maior a condeiVaçJ&i , dareis áppelfação e aggravo 
pêra a casa da supplicaçâo; e as partes de inaioi 
condição que as sobre, li tas , as podereis degradar 
pára fora do dhstriòtô dè Vòsèà JúrlsdícÇao setn ap- 
pelIaçHÒ hé uggràvd atd tèfflpo de três annos; e 
sendo maior a òbrideriaçííò , dareis appellaçâo e 
aggravo pêra a dita casa da supplicaçâo; e acon* 
tecendo q*ne Vos Tesi&taiti sobre cousa quanto que a 
Vórèo cargo, ò\í : digào palavras offénsivas contra 
Vossa 'pèfcáoa ,* procedêreis contra o's culpados na 
Torrná íjnè íll/poem a tofdèhaçaó , podendu-os con-* 
tfeiYár nás pè tias delia', dando appellkçivo é âggra* 
Vò jieirh ^a^Cttsá da Supplicaçâo, tíâô sendo a* con. 
Senaçôés^niairíms *dòt}ue r pòr bé déstè règítneiifo ten* 

tfès podei e ntçAtJtí; 

\ 

Nos casos eiveis tereis alçada ate contia de 
iquírtz^ uiil reis 'nos be^srrioveís,' e nos de Raiz ate 
Vionliá dè deJ5 rrWl itèís, e pndéreis pâr pètta nVí 
y\uú\fb tillí reis WVcaios ehS t\úe vos parecer rícêes- 
Wnó, ^rSrerfi ScníPrè &'betn cíà ínílrça e aos q«re 
^ncorreréttS ifélfas^dalfasâ eirçuçuò^einaripella^ 
^;\o ne' ag^ravò, 

R qunn lo que alguns fidalgos, cavallciros c escu- 
Vlèíios qiie torórn 'dblttifragéitt fizerern í íaes*t: / oVisa& 
)>• ) ronde vò$ "jiàiV^à *""cjAe dèVekr^iié^fcer VnipráZàd*»* 
^Vára-minlVa hóríe *, ' fôreis fazer/ 1 de Stn}* culpas núlof* 
V»e Vòi ^ríròetjrbái ià^ssarfts , è fcítb« : Wéíí)prá^ 






— 4M — 



Noto 19.-—. Pag, 249. 



ftcgimcnlo que leoa Baltha%ar Pereira de Castcllo- 

B ranço, que rai por Capitão á povoarão 

de Cacheo e rio* dt, Guiné. 

Eu EMiey faço saber, a vós Balthazar Pereira de 
jCabteJIo- Branco que ora .tenho encarregado do car,- 
o-jo de capitão e ouvidor de Caclieo nos rios de Gui- 
p«, quecti H j y por bem, eme praz que em quanto ser- 
virdes o dito cargo useu do Regimento seguinte, 
visto alterados poderes e juris&icção que por mui- 
tas leis , e ordenações sam dados aos corregedores 
de que usareis nas cousas em que sa poder applicax 
e não encontrar este Regimento* 

Nos actos de guerra tereis - poder e alçada parçji 
manda/ ,cas ligar os inhobedientes com as penas que 
vos parecer até dous annos de degredo para a ilha 
4o Príncipe ou Angola, e em pena pecuniária ate 
jeontia dfi .ci.ncoenta cruzados, que applicareii 
para as obras de fortificação do dito Cacheo, e is- 
to sem appeilaçào ne' aggravo. 

Veado n íntiobediencia feita á vossa pessoa cotn 
Anuas por negro, -o. podereis condenar eui qualquer 
pena , até morte natural inclusive que podereis 
dar á execução r e sendo branco pião em pena ds 



• —456 — 

finalmente por vós s5 'dando àppellaçãò pêra a casa 
da supplicaçaò nos casos que não couberé em vqs» 
ia alçada, ' 

Os instrumentos de aggravo, e cartas testemu- 
nháveis que dantenos retirarem, das sentenças ^n? 
terluçotorias de que por bem das ordenações se pó* 
de agravar, podeis conhecer a ...... de vossa ai* 

Cada e passado delia poderão a* parles agravar pe- 
ia ci Ouvidor deCabo-Verde, na forma em cjuevem 
lia ordenação o podem fazer os que se aggravarão 
dos juizes ordinários pêra o\ corregedores âa% ço* 
parcas . 

•Crnfrecereis das appeflàçães que -saírem dunte. 
os Juizes ordinários dos lugares e povoações e os 
despachareis por vós só, de que dareis appelhiçào 
pêra a difitGasa daSupplicaçua, no* casos que nao 
couberem «in vossa alçada, e assim dos hggravns qn e 
♦ irarem dás posturas e mais ct\sos dos officios da 
camará, * • 

• '. . . ■•■ ■• 4 - • ■ -.. ; *'. .. • - 

li as^in tornareis conhecimento dos nggnívos doe 
juizes ordinários, como podam fazer os Corregedores 
das Comarcas, e podereis advocar oí feitos que o$ 
d rios currégèdõref pôr<btfru'dò seu, regirrçeníò podecrç 
advocar. ' ; 

Tirareis as devassas que os corregedores sao ' obri* 
gados à^lirà' 'por bem das ordenações,' sob r pena n* 
p\\íx decíárlídõs ííqs caso.á em que pocterem "PpUcaf j 



e assi mau devassareis das pestgas que andao nos 
rio* ou em outra parte feijos. . . . , e trabalharei* 
para os prender e procedereis contra elles como for 
justiça , e aàsim procedereis contra ò» homens cã* 
«ados que tem suas mtilheres neste reino, e se d<*9« 
xio lá estar maistempo* db que por minhas. lei* # 
provisões lhes he premeUtéo, ■•■-■. *. 

JS asbi devassareis de todas as pessoas que tive* 
rebi coromercio com. os estrangeiros, e lhe derem 
mantimentos e cousas necessárias piira seu regresso 
e os prendereis e sentenciareis conforme a lei que 
sobre esta. matéria tenho feito, dando appellaçào 
pêra a Casa de Súpplicaçao; ' 

Podereis passar e passareis cartas de saguro nos 
çqzos em que os corregedores das oamàras as pas*sâo, 

- Fareis as audiências que sâp obrigados a. fa^er oi 
corregedores das camarás eistonos lugares próprios 
e parasiso deputados conque aa coslumào fazer os 
juizes, e as nao fareis em vosça ca,sa, 

Sereis obrigado amahdar à cadanmjdos escrivães 
de vosso juiso fazer um livro em queescrevão tod.>s oá 
feitos eiveis c crimes, e instrumentos de aggravo e 
as mais cousas de que conhecerdes assentando cadi 
um o tu<? líie fôr distri ,uido sòmerile e ns3Í dos que 
se processarem per bém da justiça , como" dos fei* 
tos erftre partes, è vos tereis um livro numerado 
e assinado per yos ; cn cm? fareis escrever a Iodas a$ 



qrdenaçâos de dinheiro que se opplscarem às despe* 
ta* da Justiça ou para outra parte., as quaes de**» 
pez as serão feitas por vossos mandados , e fia jresi» 
deneia qtia derdes se vos toma** conta das, deape* 
zas d at ditas condenações, pnra ver se o mandas* 
tes empregar naa couxa« peca que f«mo\appJicadaa 
e as despezas que por vossos mandados se ftxésaesu 
se lavarão em conta. ...........* 

9 
« 

. Ah: de 4 <h Abril de 1615. Turre do 
Tombo. L/t?. 3. Zcís. //. 2& c 24. 



Nota 80. — Pag. Stí. 



Reside ordinariamente nesta Capitania um Capi- 
tão e Governador delia que S. Magestade custuma 
prover errr fidalgos , posto que algumas vejes esti- 
veram nella letrados corri titulo de corregedores ; 

í .. 

tem de ordenado os Capitães seiscentos mil réis, e 
dei encravos, e dois homens Jbruncos para suá guar- 
da, cada um dos brancos com vinte mil réis por 
anno. 

O dito gpvernador serve de provedor da fazenda 
de S. Magestade, e com este .cargo nio tem orde- 
nado algum nem nunca o tiveram os .pi credores pas- 
sados. Ha mais um ouvidor que.S; Majestade tem. 
ordenado^seja letrado coqi SOOJ' rs. de salário, cora 
regimento e alhada que. tem os Corregedores dasco- 



marcas deste reino, e também serve de provedor dt 
resíduos e capeltas. O Juiz dos Orfàos nào tem orde? 
nado» 

Ha dois juizes e doU vereadores, e um. procura* 
der da Concelho eleitos era Camará na forma da 
cwdefeaçHo. 

: Na Villa da Praia ha os mesmos juiies e veroa* 
dores e procurador do Concelho eleitos da mesma 
forma. 

* 

• Um escrivão, da feitoria, quartos, e vintenas * 
*era de ordenado quarenta e oito mil reis , e três 
f»essas de escravos forros de direitos. Escrivão do 
-Almoxarifado tem de ordenado por atino doae mil 
telsv - . 

Almoxarife tem de ordenado seis mil reis. 

Alcaide do mar tem de .ordenado doze mil réis. 

Recebedor te