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Full text of "Dialecto indo-português de Ceylão"

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DIALECTO 

INDO-PORTUGUÈS 



DE 



CEYLAO 



JUSTIFICACÀO DA TIRAGEM 



3 exemplares em papel de linho branco nacional 
i:ooo em papel de algodao de i/ qualidade 



■s 



QOifiTO CEHTEHARM) DO DESCOBRIMEHTO Di IHDIA 

CON'rRlBU]9dES 
^Ji^Crrrn - SOCIEDADE DE GEOGRAPHIA DE LISBOA 



DIALECTO 



INDO-PORTUGUÈS 



DE 



CEYLÀO 



SEBASTIAO RODOLPHO DALGADO 

Antigo VJgario Geral de Ceyl2o 
S. S. G. L. 




LISBOA 

IMPRENSA NACIONAL 
1900 



^"^M^.S^ 



JU : E 1903' 





AO 



ILL.»*° E EX.*'^ SENHOR 



GonseMro José de Sousa Honteiro 



EM TESTEMUNHO DE SUMMA GRATIDAO 



DEDICA 



O AUCTOR. 



ì\: 



i 



PREAMBULO 



Em 1892 enviei da India ao meu amigo monsenhor 
Francisco Gordeiro urna breve memoria manuscripta, 
para ser lìda no Congresso Internacional dos Orienta- 
listas. A memoria, que se intitulava Influencia da lingua 
portuguesa no Oriente, constava de duas partes: na pri- 
meira tratava-se succintamente dos crìoulos portugueses 
indianos em geral, e do de Ceylao em particular; na 
segunda dava-se urna lista classificada de muitas pala- 
vras portuguesas, adoptadas em mais de meia duzia de 
linguas indianas. 

Nao tinha eu entao conhecimento do interesse que 
tinha despertado nos philologos o estudo dos dialectos 
crìoulos, nem dos trabalhos publicados sobre o assum- 
pto, que, em geral, multo me aproveitaram^ 



« F. Adolpho Coelho : Os dialectos romanicos ou neo-latinos na 
Africa, Asia e America, em tres artigos publicados no Boletim da 
Sociedadede Geographia. — Hugo Schuchardt : Kreolische Studien : 
n. Ueber das Indoportugiesische von Cochin; III. Ueber das Indo- 
portugiesische von Diu; VI. Ueber das Indoportugiesische von Man- 
galore. Beitràge psrKenntniss des kreolischen Romanish: VI. Zutn 
Indoportugiesischen von Mahé und Cannanore. — E. Teza: Indo- 
portoghese, — Joaquìm Vieìra Botelho da Costa e Custodio José 
Duarte : O criólo de Cabo Verde. — A. de Paula Brito : Apontamenta 



Mallogrado o Congl^8«d, 'rlSo me imporrei com a 
memoria senao para amplfa'r a lista com novas linguas 
e mais vocabulos. 

Quando vim para o réino e tive occasiao de conversar 
em 1896 com o sr. Adolpho Coelho sobre o crioulo de 
Ceylao, recommendou-me elle com insistencia que pu- 
blicasse, comò contribuigao para o Centenario da India, 
OS meus discursos sacros, proferidos em Colombo nesse. 
crioulo, acompanhados de notas grammaticaes e de glos- 
sario; emprestou-me dlguns opusculos do sr. Schuchardt, 
e ministrou-me varios esclarecimentos. 

O sr. Luciano Cordeiro promptificou-se de muito boa 
vontade a acceitar o meu traballio, e pediu-me que 
abrangesse ambas as partes. 

Nao pude, porém, acceder entao ao seu pedido, por 
desejar alargar e aperfeigoar o meu estudo sobre a 
influencia do portugués na lexicologia indiana, o que 
demandava muito tempo e vagar'. 

O sr. José Leite de Vasconcellos, que se dedica com 
tanto afinco aos estudos dialectologicos, estimulou-me 
muito a fazer o meu livro possivelmente completo, e 
nao so poz à minha disposÌ9ao a maior parte do& seus 
escriptos sobre os dialectos do continente, e o seu dic- 
cionario, em prepara^ao, do crioulo de Macau, mas até 



para a grammatica do crioulo que se falla na ilha de 5. Thiago 
de Cabo Verde, 

Pouco pude utilizar-ine, por ir adeantada a impressao, dos inte- 
ressantes artigos do sr. J. F. Warques Pereira sobre o crioulo 
macaista, publicados na sua revista Ta-ssi-yang-kuo. 

» Agora jà o tenho quasi concluido, e espero que a Imprensa 
Nacional tenha os typos proprios para o imprimir em umas doze 
das principaes linguas da India, com o addita mento do malaio. 



XI 



se ofifereceu ao improbo traballio de rever o manuscripto 
e as provas. 

Deixo aqui consìgnada a expressao do meu profiindo 
reconhecimento a todos os tres illustres homens de 
lettras. 

Devo tambem testemunhar os meus agradecimentos 
ao sr. J. A. Dias Coelho, empregado da Imprensa 
Nacional, pelo seu valioso concurso para a impressao 
d'està obra, que tendo dado entrada em tempo para 
se publicar por occasiao do Centenario, so agora sae 
à luz. 

Para concluìr: està minha contribuÌ9ao para celebrar 
o descobrìmento da India tem a signifìca9ao principal 
de modesta homenagem de amor e gratidao de um 
indio à gloriosa e heroica na^ao que, primeìra d'entre 
todas, levou para a sua terra os benefìcios da verdadeira 
religiào e da civiliza^ao europeìa. 

Lisboa, Maio de 1900. 



S, SI. 9>afyibc, 



INTRODUCgÀO 



k 



Foi de pouca dura a domina^ao dos portugueses no 
Oriente; acabou-se com a rapidez com que se adquirìu. 
Jà nao tremula o pendao das quinas na margem do 
Hooghly, na cidade de Bombaim, na costa de Coro- 
mandel, no Malabar, em Ceylao. Do immenso imperio 
que surgira, comò por encanto, sob o esfor^ado bra90 do 

Albuquerque terribil, Castro forte, 

so restam uns pequenos tractos, que talvez vicìssitudes 
poiìtìcas farao passar para outras na^Ses. 

Mas nem por isso ficarà de todo olvidado o glorioso 
nome da heroica na^ào, que descerrando as portas do 
Oriente implantou primeira a civiliza^So do Occidente, 
conquistando terras para o rei e ganhando almas para 
Christo. 

As colossaes fortalezas com que se depara a cada 
passo e que sao comò os padroes na Africa; o pa- 
droado ecclesiastico, que, se bem que multo cerceado, 
ainda cobre uma vasta àrea; e os appellidos portugueses 
que resoam por toda a India, attestam eloquentemente 



XVI 



a sua passagem luminosa, que, embora ephemera em 
varias partes, exerceu todavia poderosa influencia, e 
deixou vestigios duradoiros por todo o Oriente. 

Mas — quem sabe! — a ac^ao do tempo, e, ainda 
mais devastadora, a ac9ào dos homens desmoronarao 
as fortalezas, e dissiparlo os ultimos restos do poderìo 
tempora!. O padroado, coarctando-se ainda mais, des- 
apparecerà por fim sob o conjuncto de varias circumstan- 
cias. Os mesmos appellidos passarao, por conveniencia 
politica ou social, por diversas transforma^Óes, e, corno 
eu vi com meus proprios olhos em Bengala, os Cor- 
reias serao Currie, os Coutos serao Cout", e os Suares 
e Gomes serao Swarees e Gomeesse. 

Aìnda assim, nao se romperao por completo os la^os 
que prendem a India a Portugal; nao se apagarà de 
todo da memoria dos indios a conquista portuguesa, 
que se distanceia das demais, anterìores e posterìores, 
pela sua ac^ao civilizadora toda especial e pela sua 
politica altamente egualitaria e fusionista. 

A influencia que a lingua lusitana exerceu no Oriente, 
zombarà certamente da ac^ao corrosiva do tempo e dos 
esfor^os dos homens, e sera um monumento vivo e 
constante da domina^ao e civiliza^ao portuguesa. 

E quando mesmo porventura, pelo prepassar dos 
seculos, o portugués nao for fallado na patria de Vàl- 
miki e Vyàsa, comtudo os vocabulos da bella lingua de 
Camoes adoptados e naturalizados nos idiomas indige- 
nas nao perecerao jàmais, mas perdurarao juntamente 
com OS mesmos idiomas. 



Pronuncia-se Caut. 



XVII 



O heroismo fascinador e o cavalheirismo empolgante 
dos conquistadores 

Que da occidental praia lusitana, 
Por mares nunca de antes navegados, 
Passaram ainda alem da Taprobana, 

legaram ao 

Novo reino, que tanto sublimaram, 

dois thesouros preciosissìmos, que constituem ao mesmo 
tempo o malor padrao da sua intemerata gloria: — a re- 
ligiao e a lingua. 

Assim corno a palavra phirangi (= franco, francés) 
veiu a significar tportugués» no Konkao e Dekao, por- 
tugués tomou-se' synonymo de catholico em Bengala, 
chrisiào ampliou-se à lingua portuguesa em Singapura, 
e o portugués fìcou conhecido aos malaìos por nasa- 
renoK 

E porém em Ceylao que se accentuou, mais do que 
em nenhuma outra parte, essa dupla caracteristica, e 
subsistiu com admiravel tenacidade, sahindo mais reful- 
gente do cadinho da crua e atroz perseguigao que Ihe 
moveu o odio entranhado dos hollandeses. 

A celebre ilha, que nos principios do seculo xvi vira 
desfraldada nos seus muros a bandeira portuguesa, 
cahiu nas maos dos hollandeses em 1666. O seu domi- 



I Vid. Adolpho Coelho, Os dialectos romanicos, 3.« artigo. 



XVIII 



nìo de quasi um seculo e meio foi urna constante e 
infrene guerra ao catholicismo, que tentaram desarrai- 
gar por todos os melos que a malicia humana podia 
excogitar. 

Destruiram as egrejas catholicas ou as converteram 
em protestantes; ordenaram aos catholicos que man- 
ddssem seus fìlhos para as escolas protestantes; obrì- 
garam-nos sob penas severissimas a assìstir todos os 
domingos aos officios divinos nos seus templos; decre- 
taram a pena de morte para quem quer que desse hos- 
pitalìdade a um padre catholìco; prohibiram aos catho- 
licos ter reuni6es publicas ou privadas, e aos missio- 
narios administrar o baptismo sob qualquer pretexto; 
impuzeram pesada contrìbuigao aos casamentos dos 
catholicos; declararam nullos taes casamentos; man- 
daram enterrar os cadaveres dos catholicos nos cemi- 
terios protestantes com pagamento de taxas exorbitan- 
tes; vedaram aos catholicos o accesso aos empregos 
publicos, etc.^ 

Baldada tarefa! lAs portas do inferno nao prevale- 
cerao». Provou-se mais uma vez a verdade do celebre 
dito de Tertuliano: sanguis martyrum semen Christia- 
nonim. Surgiu do Oratorio de Goa um apostolo da 
tempera de S. Francisco Xavier, o qual apparecendo 
no campo na mais crìtica quadra, tanto labutou com 
incansavel perseveranza, taes prodigios de zèlo e de 
caridade obrou, que nao so conseguiu reunir os pou- 
cos restos dispersos, prestes a se desfazerem, mas até 



1 Nesta resenha de penas sigo a ordem chronologica. Vid. 
UApòtre de Ceylan, P, Joseph Vaj, por Mgr. Zaleski. 



XIX 



creou urna christandade florescentissima, e trouxe ao 
gremio da egreja catholica milhares de apostatas e de 
hereges '. 



Nao foi menos tenaz e violenta a repressao exercida 
contra a lingua portuguesa, nem menoro seu triumpho. 
Queria-se a todo o custo expungir da ilha todos os ves- 
rigios da domina9ao anterior, para se evitar o parallelo 
da respectiva influencia civilizadora^. Por cento e qua- 
renta annos trabalhou-se com todo o afinco, empregando 
todos OS meios possiveis e para destruir a lingua dos 
portugueses [que nao levàra mais tempo para se impian- 
tar], a firn de que perega o nome dos nossos inimigos 
e o nosso floresca em seu logar»^. 



I «A propaganda fanatica dos portugueses [é um protestante 
que falla] levantou para si um monumento na duradoira e expan- 
siva influencia da fé catholica romana. Ella floresce em todas as 
aldeìas e provincias onde foi implantada pelos franciscanos, em- 
quanto as doctrìnas da egreja reformada da Hollanda, nunca prè- 
gadas alem dos muros das fortalezas, estSo in tetramente esquecidas 
por toda a ilha, com a excep9ao de uma communidade morìbunda 
eni Colombo». Ceylon, an account of the Islanda by Sir James 
Emerson Tennent. 

Cumpre-me consignar aqui os meus ardentes votos para que 
seja coroado de feliz exito o empenho de Mgr. Zaleski, actual 
Delegado Apostolico nas Indias Orientaes e meu antigo condisci- 
pulo em Roma, para: a beatifìca9ao do Veneravel José Vaz, cujo 
processo foi annullado por Bento XIV por falta de certas forma- 
lidades. A sua beatifìca9ao satisfarla um dos maiores desejos da 
India chrìsta. 

« Excepto a concessao do titulo de donty por ser uma pingue 
fonte de receita. 

3 Valentyn, apud Emerson, op. cit. 



XX 



Proclamou-se que nao se fallasse nenhuma outra lin- 
gua, a par das indigenas, alem da officiai; decretou-se 
que nas escolas se ensinasse so o hollandés e em hol- 
landés. Rapava- se a cabeca de todos os escravos que 
o nao aprendessem e usassem exclusivamente; multa- 
vam-se os seus senhores que fossem negligentes neste 
assumpto de interesse capital! 

O resultado foi diametralmente contrario. cÀ lingua 
dos hoUandeses, que elles procuravam extender por 
commina^Ses penaes, deixou ha muito tempo de ser fal- 
lada ainda pelos seus directos descendentes, emquanto 
um portugués corrupto é até ao presente dia a lingua 
vemacula das classes medias em todas as cidades de 
importancia»'. 

Os hollandeses nao lograram, a despeito dos seus 
persistentes esfor^os, legar à terra que procuravam a 
todo o custo fazer sua, nenhuma recordacao agrada- 
yeìy a nao ser duas duzias de palavras e o nome de 
burgher, apropriado a todos os descendentes dos euro- 
peus.. O nome, porém, dos legendarios portugueses, 
«que se tinham identificado com urna consideravel sec- 
cao do povo pelos la(;os de uma fé commum» e de 
uma mesma lingua, é relembrado com respeitosa admi- 
ra^ao e saudosa gratidao, e resoa por toda a ilha e 
sé-lo-ha por muitos seculos por vir, pela honorificencia 



I Emerson, op, cit, — Curioso contraste I Quatrocentos annos de 
domina^ao e as senten^as de exterminio fiilminadas pelas auctori- 
dades civis e ecclesiasticas n§o bastaram para abolir a lingua in- 
digena de Gòa; um seculo e meio de perseguiamo nSo conseguiu 
extirpar de Ceylao a lingua portuguesa. Vid. Cunha Rivara, Ensaio 
historico da lingua concani. 



XXI 



de dom e pelos appellidos Sousa, Pereira, Silva, Dias, 
Femandes, Gon^alves». 

E até & lingua singalesa rende homenagem à portu- 
guesa com um semnumero de palavras com que enrì- 
quece o seu copioso vocabulario*. 

Ainda mesmo ao presente, ap6s um seculo da domi- 
nando inglesa com a sua poderosa administra^ao colo- 
nizadora e extensiva instruc^So da propria lingua, o 
indo-portugués de Ceylao ou o portugués basso (baixo), 
comò é là commummente denominado o dialecto, em 
contraposicào ao portugués alto (puro), nao dà nenhuns 
signaes de estar agonizante, mas, pelo contrario, pro- 
mette longa e robusta vida, conformando-se, bem enten- 
dido, com as circumstancias e sujeitando-se à incessante 
evolucao dialectal. 

E tao entranhado é o affecto que Ihe consagram os 
que o usam, que o argumcnto que os padroadistas alle- 



I «Os hoUandeses e os seus feitos cessaram de ser lembrados 
pelos singaleses da regiao baixa; mas os chefes do sul e do oeste 
perpetuam com orgulho o honorifico titolo de dom, que Ihe foi 
concedido pelos primeiros conquistadores europeus, e ainda ante- 
poem aos seus antigos patronymicos os sonoros nomes chrìstSos 
dos portugueses». Emerson. 

3 Taes sao : abano, aia, alfìnete, almo^o, ama, armario, atalaia, 
banco, baioneta, balde, bandeja, bastao, batata, bebado, biscotto, 
boia, borra, botao, bra9al, burro, caldeirSo, cal9as, camara, camisa, 
candelabro, capitao, carreta, casamento, ch3o,chinela, cita^aOjCon- 
tracto, copo, cozinha, cunba, curral, dado, dedal, diamante, doce, 
dona, escola, espirito, forro, garfo, gasto, gelosia, globo, janella, 
lan^a, lan^ol, lanterna, len^o, lestes, linguina, loteria, meia, mesa, 
mostra, numero, padre, pao, passaporte, pato, pedreiro, penna, 
pepino, palangana, picao, pintura, pipa, pistola, pucaro, renda, 
ripa, roda, rosa, sacco, saia, sala, salada, sapato, sarampo, saude 
(brinde), semana, sino, soldado, tacho, tenda, tinta, toalha, tombo' 
tranca, trigo, vidro, vinagre, etc. 



XXII 



gavam, corno um dos mais ponderosos, para a conser- 
va^So da missao portuguesa, era que com a sua extinc^ao 
nao teriain mais occasiao de ouvir a lingua portuguesa 
nas suas egrejas*. 



Nao admira, por tanto, que o crioulo de Ceylao occupe 
um logar preeminente entre os dialectos portugueses 
coloniaes, seja o mais conhecido no estrangeiro^, vaiha 
a pena de ser estudado no interesse da dialectoiogia em 
geral e da portuguesa em especial, e mereca a honra 
de contribuir com o seu contigente para a celebracào 
da gloripsa data do descobrìmento do caminho mari- 
timo da India. Tem historia brilhante e gloriosas tra- 
di^óes; està fluidamente arraigado no solo; é fallado 
comò lingua materna por quasi todos os eurasianos 
ou burghers, e aprendido, por conveniencias commer- 
ciaes, domesticas ou religiosas, por muitos europeus e 
nativós^; até 1886 era a lingua favorita da egreja por- 



J A missao foi abolida pela concordata de 1886. 

2 «Quem falla do «ìndo-portugués», costuma com isto entender 
exclusivamente o portugués degenerado que ainda se falla em 
Ceylao». Schuchardt, KreoL Siud,, u. 

3 Alguns d'estes o aprendem, comò me disseram, no convivio 
infondi para brìnquedos. 

«O indo-portugu6s é mais ou menos entendido por todas as 
classes na ilha de Ceylao e por toda a costa da India; a sua 
extrema simplicidade de construc9ao e facilidade de acquisi^ao 
tendo-o posto extensamente em uso corno um meio de trafico. 
Mas o povo de que é vemaculo e que, em Ceylao so, sobe a mais 
de 5o:ooo individuos, é constituido pelos descendentes dos hol- 
landeses e portugueses, os primeiros dominadores (europeus) da 
India». The Bible of Every Land, citado pelo sr. Adolpho Coelho. 



XXIII 



tuguesa de Colombo', e sempre foi empregada comò 
meio da prèga9ao e da propaganda pelas miss6es pro- 
te.stantes; possue urna iitteratura relativamente consi- 
deravel, e contìnua a dar à luz livros, folhetos e perio- 
dicos em varios generos, que claramente se ve terem 
numerosos leitores. 

Alem d'estas razoes, jà de si assaz importantes, a sua 
estructura intrinseca, tanto da grammatica, comò do vo- 
cabulario, é notavelmente superior à dos outros criou- 
los, e nao deixà nada a desejar. Nao se trata aqui de 
um lexico probrissimo, composto pela maior parte de 
elementos heterogeneos, nem de linguagem meramente 
colloquiai, constituida de amalgama de accidentes e de 
hybridas construc9oes syntacticas; trata-se de um dia- 
lecto culto e definido e de exhuberante vitalidade, que 
se presta a todas as expansóes do espirìto. 

Q)nfrontando as produccoes litterarias antigas com 
as modernas, se é que aquellas representam o fallar 
da epocha, fica-se surprehendido de ver os progressos 
que o indo-portugués de Ceylào tem feito com recursos 
proprios, para estabelecer e individualizar a sua phy- 
sionomia e para systematizar harmonicamente todo o 
seu conjuncto por uma logica inexoravel^. As regras 
sào quasi sempre universaes; nada de anonxalias e de 
irregularidades. As ligeiras discrepancias que se notam 



I Rezava-se geraltnente em portugués, e prègava-se alternada- 
mente, e és vezes conjunctatnente, em portugués, inglés, sìngalés 
(que era mais entendido) e tamul. 

2 Compare-se, por exemplo, a traduc9ao do Novo Testamento 
de 1826 com a de i852, e està com o jornal O Bruffador do 
sr. Willenburg. 



XXIV 



tendem a desapparecer de todo, e jà desappareceram 
em parte da linguagem popular. Muitas das dissonali- 
cias e variedades phoneticas sao antes apparentes : pro- 
vém da orthographia emancipada ou da errada repre- 
senta9ao na escrita'. 



Nao quero dizer com isto que seja muito facil, longe 
da localidade, o estudo perfeito do dialetto em todas as 
suas particularìdades so com a leitura dos livros e perio- 
dicos, que dififerem muito da falla ordinaria. Antes de 
tudo, uma grande parte d'esses livros foi escrita com o 
originai portugués à vista, o qual de subsidio transfor- 
mou-se em modélo (comò nas traducgóes da Biblia), ou 
pelos que conheciam o portugués puro ou tinham con- 
lacto com os que o fallavam; d'onde resultaram muitas 
infiltra9Ses propositadas ou inconscientes. 

Depois, muitos auctores ingleses apanharam o som 
de viva voz, e, sem estarem ao corrente da orthogra- 
phia propria, reproduziram-no pela phonetica inglesa, 
bem complicada e muito diversa, e nisto mesmo nao 
seguiram norma certa e invariavel. 

Alem disto, algumas das obras estao in<;adas de 
erros typographicos, nem sempre facihnente discemi- 
veis, que occasionam grande confusao e perplexidade. 

Emfim, o convivio com outras linguas — e todos os 
burghers fallam mais de uma — deu logar, comò era 



I A orthographia do crìoulo nSo é exclusivamente etymologìca 
nem sonica; é um mixto, um tanto incoherente, de ambos. Sigo-a 
tal qual é adoptada na ilha. 



XXV 



naturai, à multa importa^ao exotica. Nao é em geral 
diffidi descortinar, pelo menos negativamente, a origem 
estrangeira dos termos adoptados, sem o conhecimento 
dos respectivos idiomas. Mas sem esse conhecimento, 
nSo limitado so ao diccionarìo, nao se póde explicar 
com acerto muitas das particularidades grammaticaes 
«m que se reflectem os idiotismos indigenas. Ainda ha 
alguns vocabulos vernaculos introduzidos que conser- 
vam, comò o inglés, a sua pronuncia especial, que nao 
se póde reproduzir pelo alphabeto portugués. 



O crioulo de Ceylao apresenta muitos tra^os com- 
muns aos outros dialectos congeneres da India — e 
ha-os nao poucos — e, postoque emmenor escala, até 
aos de Macau e Cabo Verde. Em toda a parte reinam 
OS mesmos archaismos portugueses emquanto às pala- 
vras, fórmas e significacoes; os mesmos termos orien- 
taes aportuguesados ; as mesmas locu^es portuguesas 
indianizadas; os mesmos vocabulos estrangeiros intro- 
duzidos'. 

Pelo que diz respeito à phonologia, em que se accen- 
tua mais a influencia vernacula, observam-se tambem 
varios pontos de contacto. Nao ha vogaes surdas ou 
mudas, ainda que se conserve a orthographia origina- 
ria; sao todas abertas ou fechadas. /? e r, e talvez eh, 
estao jà completamente orientalizados, e Ih, nh e x vao 



» Vid. a Lexicologia. 



XXVI 



desapparecendo ou substituindo-se por outros phone- 
mas apropriados à indole vernacula. E geral a tendencia 
para attenuar as vogaes oraes, para condensar os diton- 
gos, para eliminar as nasalacoes, para supprìmir as vo- 
gaes iniciaes independentes, para evitar o concurso de 
vogaes simples e para reduzir os esdruxulos. 

Emquanto à morphologia, nota-se igualmente a mesma 
analogia. O artigo definido tem pouquissimo uso; o adje- 
ctivo é invariavel; o pronome possessivo reconhece so 
a fórma feminina; o verbo està reduzido ao infinito e 
aos participios; os tempps periphrasticos sao formados 
identicamente. 

Finalmente, tambem a syntaxe ofiFerece muitos elos 
que prendem entre si os crioulos indianos. O sujeito é 
sempre claro; o adjectivo predicativo é invariavel; nao 
ha verbos reciprocos; os reflexivos teem pouco uso; o 
indicativo suppre muitas vezes o conjunctivo; o objecto 
directo e indirecto dos pronomes é expresso pelo caso 
recto, à excep^ao de mi e ti; o complemento restrictivo 
ou possessivo segue a ordem inversa, corno em latim; 
OS outros circumstanciaes perdem em muitos casos as 
suas preposicoes'. 



Todavia, cada dialecto tem a sua differenza especifica, 
a sua physionomia caracteristica, derivada da evolu^ao 
independente e da influencia do meio em que vive. Mas 



» O tratamento tambem é o mesmo em toda a parte: vós e 
vossé ou voce. 



XXVII 



nao é possivel proceder a um estudo comparativo satis- 
factorio com os limitados recursos que até hoje estao 
à disposi^ao do dialectologo. Os breves especimes de 
um crìoulo, que nem sempre o retratam fielmente, 
por serem manìpulados por pessoas incompetentes, 
servirlo so para dar urna ideia vaga e generica da 
sua estructura, mas nao o caracterizarao em todas as 
nuances, nem o dififerenciarao por completo dos outros 
dialectos congeneres. 

Fallando em geral, o indo-portugués de Ceylao appro- 
xima-se muito do de Cochim, que Ihe fica mais perto; 
distingue-se, porém, por ser mais regular e uniforme, 
ter menos fórmas verbaes petrìficadas e nao admittir 
muitas palavras do malayàlam (lingua malabarìca). 

O dialecto de Mangalor, enxertado no konkani e 
muito circumscripto, està infestado de numerosos an- 
glicismos, a ponto de adoptar o genitivo inglés, e tem 
de commum com o de Diu, que é quasi o mesmo dos 
norteiros, a tendencia a apocopar vogaes atonas. 

Este ultimo, implantado no marattia e no guzerate, 
resente-se da influencia do portugués puro, conserva 
o futuro em had e fórma o plural por reduplicarlo, 
comò OS crioulos de Macau e de Singapura. E alem 
d'isto fallado com tanta rapidez e com entoa^ao tao 
peculiar, que se torna quasi um arcano aos estranhos 
pouco praticos'. 



1 Conta-se que tendo um europeu ìdo visitar um individuo de 
Bombaim, as fìlhas, que o receberam na ausencia do pae, disse- 
ram a este, quando voltou, que tinha vindo um portugués, que 
fallava tao mal a lingua, que nada Ihe entenderam, nem elle dava 
signaes de as perceber. 



XXVIII 

Nào noto nenhum caracteristico importante nos espe 
cimes do criouio de Singapura, a nao ser o frequente 
uso da preposi^ao com antes do regimen directo e indi 
recto. 

O de Calcutta, onde uns cìncoenta annos atraz o 
missionario exercicia o seu ministerìo èm portugués, 
vae sendo de todo supplantado pelo inglés, e nao apre- 
senta nenhuns tracos especiaes, talvez por nao ter estado 
completamente isolado. Com o conhecimento do indo- 
portugués que tive em Ceylao, conversava perfeitamente 
com as poucas pessoas que o usavam, algumas das quacs 
jà morreram. 



O meu presente traballio nao é, portanto, um tratado 
critico e comparativo de todos os ramos do indo-portu- 
gués, se bem que faga occasionalmente ligeiras referen- 
cias, pela maior parte analogicas, a diversos crioulos e 
dialectos que vieram ao meu conhecimento. Seria um 
traballio de largo folego, para o qual nao tenho actual- 
mente nem dados precisos, nem competencia sufficiente. 
E tao sómente uma monographia, mal limada e talvez 
pouco methodica, do portugués corrupto, tal qual eu o 
fallava e ouvia fallar na cidade de Colombo, <}uando fui 
vigario geral e superior da missao portuguesa de Ceylao. 

Mas jà là vae para treze annos que larguei a ilha, e 
nao me importei mais com o seu portugués basso, que 
havia estudado superficialmente so para os fìns praticos 
de occasiao no curto espa^o de menos de um anno, 
sem nunca imaginar que nisto podia haver alguma utilf- 
dade scientifica. 



XXIX 



Nao era pois de esperar que distrahido por varias 
outras occupa^Ses, que exigiam o estudo de novas lin- 
guas, reproduzisse agora com fidelidade e seguran^a 
todas as particularidades grammaticaes e lexicas da 
linguagem fallada. Preferi ser deficiente em alguns 
pontos de somenos importancia, a firn de nao deturpar 
o dialecto com attribui^Óes suppositìcias. 

Seria muito interessante para aphOologia seguir /^art 
passu a evolu^ao do crioulo em todas as suas grada- 
^oes, se houvesse um criterio seguro. A ordem chro- 
noiogica dàs produccoes litterarias, todas do actual se- 
culo e algumas esgotadas, nao representa^ a nao ser 
nas linbas geraes, a ordem das phases diaiectaes, ou 
pela natureza do assumpto^ ou pela influencia extema, 
òu por falta de cabal conhecimento. Noto, por isso, 
occasionalmente, o que é de tendencia moderna e o 
que me pareceu antigo, a julgar pelas publica^oes. 

Tive principalmente em mira apurar e classificar o 
melhor que pude, numerosos phenomenos phoneticos 
e morphologicos que contribuissem para dar um con- 
ceito claro e preciso do crioulo. Nao me derive, porém, 
em OS analysar meudamente e investigar a sua razao 
de ser. As succintas observa^oes que fa^o teem so o 
valor de insinuacào ou suggestao, e deixam margem 
à correccao. 

Divido o traballìo em tres partes : na primeira trato 
da grammatica; na segunda fallo da litteratura, e na 
terceira dou o vocabulario. Reproduzo em appendice 
OS meus sermoes e horailias. 



PARTE I 



GRAMMATICA 



PHONOLOGIA 



O crioulo de Geylao segue, em grande escala, o prò 
cesso da evolu^ao ou decadencia phonetica, commum a 
quasi todos os dialectos analogos, quando abandonados 
a si proprios e sem grande influxo simultaneo ou super- 
veniente da lingua-mae. 

Essa evolucao procede, na presente materia, de qua- 
tto causas principaes : pronuncia^ao indistincta, difficul- 
dade de articulacao, celerìdade na enunciacao e ac^ao 
de linguas estranhas. 

Nao se observa, porém, invariavelmente em todos os 
casos identicos, a applicando d'estes principios, attento 
o caracter um tanto indefinido e fluctuante do dialecto. 
Muitos phonemas portugueses da mesma natureza as- 
sumem fórmas diversas, às vezes sem razao plausivel. 
Para nao induzir o leitor em erradas correlacoes de 
regra e excep^ao ou de prìoridade e posterioridade, 
apresento-as, em geral, comò phenomenos independen- 
tes, sem subordina^ao. 

A coincidencìa phonetica com as fórmas archaicas e 
populares ou dialectaes do reino póde ser devida ou à 
conserva^ao e importa^ao ou a identidade do processo 
evolutivo. 

A orthographia do indo-portugués, notavelmente in- 
fluenciada pela do inglés, necessita de regras especiaes, 
que, em rigor, nao dizem respeito a phonologia. 



O vocabularìo supprirà em parte qualquer deficiencia 
que houver, e esclareceré melhor o assumpto. 



L_VOGAES 

S !.• ORAES SIMPLES 
A 

A atono mediai e final attenua-se em e, especial 
e indifferentemente no fim dos substantivos {è aberto 
atono) : gerèfan, causèdor, verdèdeiro, avéna = abanar, 
sepèrà = separar; cabécè, certé\è, ròste. 

A atono mediai attenua-se em f, particularmente antes 
de palatal : trì^é; espilhd, apinhd, compinhd = acompa- 
nhar, gafinhoto, aminhào^. 

A atono mediai e final muda-se em o, mórmente no 
fim dos substantivos: chomà^, govd = gabar, copa^ (por 
dissimila^ao), covodo^ (por assimilaqao) ; evangelista, prò- 
pheto, psalmisto, cambrado s» camarada (por serem do 
sexo masculino); causo, doutrino, cóusus (p. us.) = 
cousas. Chóma = chamamento, tem o por a tonico, por 
ser derivado do verbo chomd. Em ntulvado = malvado, 
mudan^a de a em u. 

Apherese de a é muito commum em polysyllabos 
(mais de duas syllabas): 'bafd, *judd, yùda, 'luguéra 
=« aluguer, 'pedrid = apedrejar. 

Syncope de a atono entre m t r, com a intercala^ao 
de b: cambra, cdmber = camara, cambrado = cama- 
rada, cambrào = camarao*. 



" AminhaOy port. pop. no Norte. 
a Chomar, port. pop. 

3 Port. pop.; lat. cubitus. * 

4 Està altera9So é commum aos crioulos indianos. Vid. o Voca- 
bularìo^ ss. vv. — Camara > *cam*ra > cambra > camber, Can- 
iigas de 1871 teem camrados. 



Syncope de a atono em alguns polysyllabos: desem- 
p'rd = desamparar, sap'ieiro, emper'dor, \omb'ria, 
fór'dè = fora de. Em pal'pra (p. us.) ou pdVver = pa- 
lavra, suppressao de a tonico. 

Apocope de a atono, precedido de r: agor\ cosser* = 
coceira; pólper' = polvora, temper', pésper' (esdruxu- 
los). Tambem lingùs ss lingidfa e boutique (pron. bau* 
tic) = botica. 

Prothese de a atono em atarde, anoute (originaria- 
mente: a tarde, a noute)\ acd, ala ou alld, avod^; adió- 
to = douto. 

Epenthese de a tonico em ba^aara = bazar (influenda 
do inglés?) e maas = mais (por compensando pela queda 
de i). Tambem ntds. Em destrutafoo e eleiagao, a atono. 

Paragoge de a atono depois da liquida da syllaba to- 
nica: anela, anjola = anzol, papela; cornerà, ba^aara, 
luguera, lugara. Cfr. L e R. 



E atono inidal desenvolve-se em a em ard =: errar, 
(influencia de r); ortalSo s» hortela, alfante »= elephante 
(influencia de / ou por assimila^ao)', ambassador =» em- 
baixador (influencia da nasal ou do inglSs). 

E mediai e final, em geral atono, desenvolve-se em a: 
padds = peda^o^, sociadade, bunaca =3 boneca, battd 
=» bater, escolhd e=> escolher, custóma => costvmt^fdfa 
=a face; bebardo = bcberrao, sard = serrar, darté = 
derreter^, alagre, mulhdra (p. us.) = mulher, estrala, 
prato = preto, pentra (mais us. pénter). 



I Vid. o Vocabularioi 

> Ali/ante, pop. no continente. 

3 Pada^, port. pop. 

4 cO ^ (atono) antes de r muda-se frequentemente em a na Un- 
guagem popular em todo o pafs». J. Leite de VasconceUos, Diale- 
ctos alemtejanos, n. 



E atono mediai attenua-se em f, particularmente hos 
verbos da 2.^ conjugaqao (por dissimila^ao): piscós = 
pescoso, pinhor, dìspididè, piquin = pequeno, fichd; 
criscé, padicé, Clarice = esclarecer, pidé = pedir. 

E final, tonico nos verbos da 2.* conjugacao e atono 
surdo nos nomes, attenua-se em 1; desci = descer, 
trimi = tremer; péci = peixe, savódi = saude, lùmi^ 
levi ^ parti, mésiriK 

E atono final muda-se em o em alguns nomes: 
custunto = costume, bailo*; prinspo = principe, re- 
beldo, bastanto, restanto, solemno, simplo = simple: 
simples^. 

E atono inicial e mediai muda-se em u, por assimi- 
laqao ou por oqtro motivo: uscundé = esconder; escruve 
= escrever, furùgè = ferrugem, murguiacào = mer- 
gulha^ao (mergulho, immersao), sumana\ 

E tonico fechado mediai desenvolve-se em ei na 
pronùncia emphatica, com a subjunctiva attenuada: 
déido, méìdo, praiéiro, cométra, desétjo (d*onde de- 
seijd)\ sétja, igréìja, invétja (de séja, igréja, invéjd)^. 
Em seite = sete e sinceiro = sincero, mudanga de é 
aberto. 

Syncope de e atono em polysyllabos, particularmente 
depois de r: susdé = succeder, boftid == bofetear, 
cajTld = acafelar^ al' fante = elephante, beb'rdo = be- 
berrao, misericordia; mer'céj offer'cé, par'cé. 

Apocope de e em marmar = marmore e aquéL 



I A iotiza9ao do e surdo é commum a quasi todos os crìoulos 
portugueses, ainda que nem sempre seja representada na escrìpta. 
O facto dà-se tambem frequentemente no continente. 

a Pop. no continente. 

3 Para fìcarem, por assim dizer, mais masculinos? Cfr. prenha 
por prenhe. Bastante, no dialecto de Cochim. 

4 Pop. no continente. Em Cochim : suman. 

5 Cfr. J. Leite de Vasconcellos, Dialectos alenttejanos, vn. 

6 Commum a todos os ramos do indo-portugués. 



E tonico final representa -se por ee cm fee = fé", e 
por et em pei = pé*. 

/ 

/ mediai desenvolve-se em e aberto em déptda^, 
memo, mèmóso, prèmeiro, quènhao, mar'vèlhóso, miVrè- 
corata, minièròso, de minte = mentir. 

/ mediai ditonga-se em ei em pein = pin': vinho 
(talvez por influencia do ingl. wine), leido = lido, min- 
teira = mentirà (tambem us.) e oleipéra = oliveira 
(tambem olipéra). Em sùppodo = subito, o por /,• tam- 
bem sùppudo. Correspondencia de ut a u tm lingùs =3= 
lìngiii^a. 

/ tonico final muda-se frequentemente em e nos ver- 
bos da 3.* conjugacao: /wjj^, mede, sintè =;=/sentiri Em 
destHbud = distribuir, confundà = confundir, e des- 
trtipà (atravez de destrupé) = destruir, a por /. 

Apherese de 1 lem 'nocente = innocente e 'gréfa (p. 
US.) = igreja. 

Syncope de 1 atono: cap'tdo, sub'tomente = subita- 
mente, ùr'pis = ourives, diretto, mint'roso, prins'po. 

Epenthese de 1 em pirginidade, dipinidade, trini- 
dade. Influencia do inglés. 

Paragoge de 1 depois da vogai tonica: pei = pé, 
comei = come: comer, dai = da: dar. 



O atono mediai sòa a, por influencia de r, em ama- 
roso, sabaroso. Em estdmo = estomago e sinhdrè = 
senhora^, a mudan<;a é de o tonico. 



» Port. arch. 

2 Pei, tambem no Alemtejo e no Algarve, sem ser ditongo 
(pe-i). Pee nos A^ores. 

3 Port. arch. Vid. Elucidano de Viterbo. 

4 Vid. o Vocabulario, ss. vv. 



8 



O atono final transforma-se muitas vezes em a nos 
substantivos: ólha, ódia^ copa «= copo, castella. 

O atono mediai muda-se em e, antes de liquida, em 
conseld, esmeleiro, alvercd = alvoro^ar, entemd = en- 
tomar, supertd = supportar, dnkera = anchora. 

O final toma-se i em cuspi, prósmi = proximo e ar- 
tilhdri «= artilheiro. Tambem : prìnteté, prìméco = pro- 
metter, promessa. 

O surdo mediai e final attenua-se em fi; buttilo, fiigd 
= afogar, mué ou mud = moer, enfurcd = enforcar; 
noipu, bum = burro'. Tambem paslùr = pastor. 

O final, quando nao degenera eoi u, é ligeiramente 
fechado e representa-se de ordinario por oe (influenda 
do inglés, comò em toe, foé) : dgóe (de dgo) = agua, 
Aitóe c=i oito, tórtóe = torto. 

O inicial e mediai desenvolve-se em 6u em ouletroy 
gourdo, mourdé, troupefd, boutiqueiro, courajo (mais 
US. corajó) «= coragem*, e em favour e discourteiia 
(provavelmente por influencia do inglés). 

Apherese de o atono, junto com a consoante muda, 
em 'casido = occasiao e 'cupd' ou 'coi^d == occupar, 
e seus derìvados. 

Syncope de o atono em anc'rd =» anchorar, alperfd 
a» alvoroqar, per*la^, pólv'er (de polp'ra, comò em Co- 
chim), f resterò = forasteiro, mafat'ria = malfeitorìa, 
goldice =7 gulodice. Tambem mèdia =^ meio-dia. 

Apocope de o atono: padds\ piscós\ plan\ piquin', 
clar'j dsper^, candeldr == candelabro. 

Paragoge de o surdo em algoso, pra^eiro. Mas nùo 
= nu. 



I Està altera^So, que se nota tambem em varìos outros diale 
ctos, póde-se dizer que é mais graphica que phonetica. O alpha 
bete indiano nio conhece vogaes surdas, alem do a breve. 

» Cft.^Trouco {mm tròco), coubro (cóbro)»: J. Leite de Vascon 
cellos, Dialectos beirSes, i. 

^ Dialectal no continente. 



u 

U desenvolve-se em o: regola = regular, costà == 
custar, roido = vuxào^ pdrpora = purpura; nò (tambcm 
nùò) = nu, alcónha, cusidma = costume, tintóre = 
ventura^ córto = curto, saóde ou savódi = saude. 

U muda-se cm a em pdrpora^ em e em murmerd = 
murmurar, em i em inrttoso, comminhào, machicd =s 
machucar e intrudigao = introduccao, e em ou em 
coi//?^ = occupar, coupagào e sot/i^ (p. us.) = subir. 

Syncope de u atono (antes de liquida): wigli= engu- 
lir, mist'rd = misturar, vint'roso = venturoso, discip'lo, 
tabernacolo. 

§ 2.* DITONGOS ORAES 

AIyAU 

AI tonico mediai condensa-se em a, muito longo, 
por compensando, em mds (pronunciado e escripto às 
vczes maas) e namds = nao mais'. Mas lei = lai: laia. 

AI atono mediai està representado por è longo em 
trlfSo e trèdor = trai^ao, traidor*. 

i4f/ atono mediai reduz-se a o em restord e restora- 
(do. Influencia do inglés to restore. 

i4£/ tonico final simplifica-se em a em lacrd = lacrau. 

EI,EU 

EI mediai tonico ou atono condensa-se em e aberto 
e longo, particularmente antes de sibilante: detta =» 
deitar, quèmd = queimar, peto = peito, mSo = meio; 
flticero, fSfdo, pesi ou peci = peixe^. 



I Mas, dialectal no continente. 

3 Port arch. : treifSo, treidar. NSo ha os ditongos ae, ao, 
3 Em Singapura, Macau e Cabo Verde: et = é outNo Alem- 
tejo, na Extremadura, no Algarve : et » e. 



IO 



EI mediai tonico muda-se em a, entre palatal e li- 
quida, em conselhdro = conselheiro e artilhàri = ar- 
tilheiro. 

EI atono mediai attenua-se em / em poucos vocabu- 
los: bijd = beijar, quinta (ao lado de quèmd). Fica a em 
mafatria = malfeitoria. 

EI tonico mediai transforma-se às vezes em ie antes 
de r (com i subtil e e fechado): chiéro (ao lado de che- 
ro)^ entìèro (ao lado de enteiró)^ premtéro (ao lado de 
p^èmeiró), paroltéro^. 

EU perde u em chapé = chapeu^, Eropa e eropeu. 



01, OU, UI 

01 attenua-se em ó em dispós = depois 3. 

OU inicial e mediai condensa-se em o, sempre longo 
e geralmente aberto: opi = ouvir, ótre, dós, dòdo, do- 
dice, poco, morrò = mouro, cossi =» couce*. 

OU, nao sendo condensado, pronuncia-se óu: càusa, 
dóudo, dóus. 

OU atono reduz-se a w em ùrpis = ourives e ruba 
= roubar, e seus derivados. Em ciìsa (p, us.) = cousa, 
mudanca de ou tonico 5. Em rexinol^ = rouxinol, mu- 
danca de ou em e. 

UI desenvolve-se emphaticamente em oi: loitd = 
luitar (port. arch.), luctar, moito, coidd, coidado. 



1 Cfr. J. Leite de Vasconcellos, Dialectos alemtejanos, xn. 

2 Tambem nos crioulos de Diu e de Cabo Verde. Cfr. nxapé 
boxo»: J. Leite de Vasconcellos, Dialectos alemtejanos, viu. 

3 Despos, port. arch. 

4 Em Macau e Cabo Verde : om =» ó. «O ditongo ou condensa- 
se em 6, segundo os habitos da phonetica do Sul». J. Leite de 
Vasconcellos, Dialectos alemtejanos, ix. 

^ Tambem em Macau e Cabo Verde. 
6 Vulgar no continente (reixinol). 



II 

§ S.* NASAES 
/, É, l O, Ù 

A desenvolve-se em ào^: Ido, manhào, palmiào = 
pela manha, ortalào = hortela*. Exceptua-se irmàna = 
irma, para se nao confundìr com itynào, que póde atte- 
nuar-se em irman ou irmà^. 

À attenua-se em e em christendade, desempard, que- 
brenta, leventd (mais us, lantd). 

È mediai desenvolve-se em a em santa = sentar*, 
sandé = accender, prandè = aprender, tandd = atten- 
der, palante, examplo, consciancia, experianga = expe- 
riencia. 

Apherese de e: 'lamia = enlamiar, 'magiircé = em- 
magrecer, 'sanguentà = ensanguentar, 'tarrd = enter- 
rar, 'tristicido = entristecido, fraquecé = enfraquecer. 

È attenua-se às vezes em f ; inchd = encher, impé 
= empé: estar em pé, sirìté = sentir, intindé = en- 
tender, minte = mentir, pintóre = ventura. 

Desnasalamento de e final; home ou AoW, òrde ou 
órdi, ónte, ónti ou ónta, nùpè, imajo, corajo, vir\è (ao 
lado de pirgimy. 

ì inicial desenvolve-se frequentemente em e: emper- 
dar, empenetris = imperatriz, enfernoy encenso, enteiro, 
enténcia == intencao. Tambem prens'po e sem = sim^. 



« Pop. no Norte do reino. 
a Hortelao, em Góa. 

3 «Macgregor e Randolf amos deus irmansn. (San Clear), 

4 Tambem nos crioulos de Mangalor e de Macau. 

5 «Nao ha syllabas nasaes atonas fìnaes, em geral, por ex.: 
birge, biage, home». J. Leite de Vasconcellos, Dialectos trasmon- 
tanos, 

6 Pronuncia-se, excepcionalmente, sei, para se differen^ar de 
lem ou sen (= sem), que se pronuncia se. Cfr. J. Leite de Vascon- 
cellos, Dialectos alemtejanos, vin. 



12 



O muda-se em u em \umbd ou jumba = zombar e 
escundé = esconder; e vice-versa em nonca ou nonco = 
nunca, onta = untar' e triomphd = triumphar. 

Desnasalamento de vogai mediai: maceb = mancebo, 
masvinho = mancebinho, magabado = amancebado 
(por amancebamento)y macao = mansao, mercacia = 
mercancia; tegan = tencao, sereiào = semrazao^; mo- 
cao = moiK^ao; mudana = mundana, mutura = mon- 
ture, nuco ou mica = nunca. Tambem se diz confesso 
= confissao, religio ou relé^i = religiao. 

Nasaes peculiares: enimingo^ frominga^^ mundado^=^ 
mudado, ensompado = ensopado (influencia da nasal 
antecedente) ; ym/f/a = jejuar, jinjunagdo = jejum^; 
messangeiro, passangeiro^. 

Factos avulsos: caringuejo = caranguejo^, unguli ou 
ungli == engulir, espangarda = espingarda, boventade 
ou bovantade = boa vontade, cum = com (mais us.), 
redundo = redondo, rumpé = romper, ettguento = 
unguento 7, segunte = seguinte. 



AI, AO 

Desnasalamento de di em mai = mae^. 
AO tende modernamente a attenuar-se em a: man, 
pan, re^an (pron. ma, pd, reia)^. 



1 Ontar, nalguns dialecios de Portugal. 
» Tambem no dialecto de Góa. 

3 Em Cabo Verde : furminga, 

4 Jinjum, dialecto de Macau. Jénhum, jenhuar, em Góa. 
^ Talvez por influencia do ìngl. messenger, passenger, 

6 Tambem em Cochim. 

7 Inguento, pop. no continente. 

^ Por analogia com pai ou por conservando da fórma antiga. 
Tambem em Macau e no dialecto mirandSs. 

9 No dialecto de Mangalor ao = om: resom, currafom. Em 
Cabo Verde tambem. Ma, no Minho. 



i3 



ÀO desnasala-se em nué ou nuvé = num i: nao é, 
namàs = nào mais, nddè »» nao ha de, nemtsté = nao 
é mister. Cfr. quinha = quinhao, ben fa =: ben^ao'. 

S 4.* CONCORRENCIA DE VOGAES 

AIA, AIO 

Cae o a atono de aia em alfiato = alfaiate e lai 
ou lei (mais us.) = laia, eoo tonico de aio em gdilo 
= gaiola (tambem us.). 

E A, EIA 

E A final dos esdruxulos attenua-se em èi/émè, vdr\è 
(a par de vdrii). Tambem améfas =— amea^as, e mes- 
sd = ameacar. 

E A ou EIA final, com é ou ei tonico^ reduz-se a ia: 
aldia, codia, aria = areia. Meias (= méas) assume a 
fórma de tnés, e correias, a de córes. 

IA,IE,IO 

IA final dos esdruxulos tem o a apocopado: audénci, 
mimóri, istori = historia, comèdi ou comédè. Tambem 
caresti e alle gì* t^. 

lE mediai, com e tonico, perde o /; audénci, pacénci, 
conscencia, obedencia. Mas piadade, piadoso^\ tambem 
pidoso (p. US.). 

IO mediai de syllabas atonas ou com o tonico tem o 
I syncopado: prisoneiro, moleira = mioleira; relijoso 
= religioso, desvaloso = desvalioso. 



1 Em Cochim : quinho, bensa. 

2 Escreve-se às vezes allegre, pela influencia do adjectivo. 

3 Port. arch. e pop. 



H 



IO final tem o o apocopado: pam; pedi tori, própi = 
proprio, alntdri, vigdri, remédi ou remédè. Exceptuam- 
se: palaco, homicido, sacrifico, refujo e orloio = relo- 
gio. Cae io em topa:{ = topazio. 

IO final ditonga-se em riu = rio e friu = frio'. 

OA, UÀ 

OA mediai atono reduz-se a o em povocdo = po- 
voaijao, Tambem povecào. Mas trovada, trovado ou 
trupado -^ trovoada. Cfr. GUA. 

IL— CONSOANTES 

§ I.» SIMPLES 

CL) GUTTURAES 

c 

e toma-se g em gamela = camela, e em glaricé 
^= Clarice: esclarecer. 

C palatizase em ranchd = arrancar (mais us. ranca)^ 
ronchd = roncar, e richo, richomente = nco^ ricamente*. 



G muda- se em e em cotta (p. us.) = gotta, alqu- 
ma = alguma, bdtica = batega (gamella)^; consecrd = 
consagrar, equal = eguaH. 

G palatiza-se, junto com o / antecedente, em Ih em 
alhum (d onde alum) e alhuma = algum e alguma. 

G conserva o som guttural antes de e e / dialectaes: 
page (pron. paghe) = paga, resgetd = resgatar, Idgir 
(pron. Idghir) ^= lagrima, mildgir = milagre. 



I Tambera em Mangalor. Em Góa : ri, fri, 
i Talvez por ìnfluencia do ingl. rich. 

3 Bàtica, em todo o indo-portugu8s. 

4 Infliiencìa do ingl. to consecrate, equal f 



i5 

b) Palataes: 

CH 

CH é explosiva palata! surda em todos os crioulos 
portugueses, corno o é tambem no alphabeto indiano; 
soa, por tanto, corno eh castelhano': cAaw (pron. tchave 
e nao xavé)^ chéro (pron. tchéró). 

Na emphase ouve-se distinctamente um / attenuado 
antes de eh mediai, e é tambem escrìpto: at-ehd == achar, 
fit<hà =Jìehà: fecbar* 



X intervocalico torna-se sibilante (= s, ss ou f), e 
supprime-se o i antecedente*: basso = baixo, eassdo ==^ 
caixao; dessd =5 deixar, quéssa ou qùesa = queixa, péei 
ou pési = peixe; prósimo ou prosmo = proximo. Tam- 
bem w^o/re = enxofre. Mas examplo. 



Na pronuncia emphatica, desenvolve-se um d antes 
de j, corno / antes de eh, em ad-Judd (mais us. judd) 
e ad-juntd (mais us. juntd). 

J (g palatal) mediai muda-se era jj; reléii= religiao, 
orlo:^o == relogio, vir:{em ou v/rj^è = virgem (tambem 
US.), pripilé:{ia = privilegio, viiid = vigiar, e seus de- 
rivados. Cfr. Z. 

Syncope de j seguido de a tonico e precedido de e, 
que se attenua em /; festid = festejar, gottid = gotte- 
jar, subid = sobejar, pedrid = apedrejar, desid (d'onde 
desio) = desejar. Em bandé/a = bandeja,^ ou 1 semi- 
vocalico pory postonico. 



> «Tambem se podia dizer que o som de eh do Norte està pro- 
ximo do do e italiano antes de ^ e 1». J. Leite de Vasconcellos, 
Dialectos interamnenses, ix. 

2 Tambem em Macau e Singapura. 



i6 

A / corresponde Ih em deselho = desejo. Em estra- 
nheiro =» estrangeiro, houve assimiia^ào dey a nasal 
precedente. 

LH 

LH tende a representar-se por /;, phonema indigena 
approximado: filjo, que se pronuncia ^/-^o (ao lado de 
filhó)^ oljo (ao lado de ólha\ iljarga, cavaljeroK 

LH da syllaba final attenua-se emy (pronùncia negli- 
gente): cujéra = colher, mujà = muiher, ajo = albo, 
ojos = olhos, travajo, mortajo, dàji (às vezes dàhi) = 
dà-lhe: batcr'. 

LH da syllaba tonica mediai e final despalatiza-se 
em conseleirOyfilinho; tuli = tolher, bada = batalhar, 
alum (p. US.) t= alhum: algum^. Tambem quadrila. 

LH da syllaba tonica final muda-se em i, que ab- 
sorve de ordinario a vogai antecedente: mei^guid (de 
onde mergùiafdo) = mergulhar, oyd = olhar, ga\id 
e=i agasalhar, travid = trabalhar, mortid = amorta- 
Ihar, concid = aconselhar, cepid = cepilhar, enibrid = 
embrulhar. Tambem marvia = maravilha, marcioso = 
maravilhoso. 

LH da syllaba final postonica, precedido de a, re- 
duz-se, junto com a vogai seguinte, a i em travai = 
traballio e orvai ou oravai = orvalho. 

e) Dentaes: 

T 

Mudan^a de f em rf em vande = avante, sùppodo 
ou sùppudo = subito, e em e em bacld = batalhar, e 
seus derivados. 



> O j tem o valor do/ ingl. em y©^. Tambem em hollandSs Ij 
corresponde a //r, comò : bataljon = batalhSo, kadrielje = qua- 
drilha. A phona^So de Ih, nh e rr, é, em geral, refractaria é glotte 
indiana. 

2 Em Cabo Verde: Ih =/ 

3 Em Macau e Singapura Ih reduz-se, em regra, a /. 



>7 



'Epenthese de / em pastro = passare e lastra = 
la^o', e syncope em ansque = antes que. 



Syncope de d em avogado^, lapid == lapidar e poi 
ou poé = pòdi ou podé: poder. 

D toma-se n em nona = dona (por assimilacao)^, 
e / em suste = swstf^; succeder. 

S, <: 

S mediai sóa ;{ antes das sonoras: mesmo (pron. 
mé^mo e nao ntejmo)^ resma (pron. ré^ma). 

S final nunca tem o som de x ou y, é sempre sibi- 
lante em todo o indo-portugués. 

S intervocalico, representativo graphico de f ou ss, 
conserva o som sibilante : serpiso (pron. serpico), pasd 
(pron. passd\ pési = peixe. 

Apocope de s em simple ou simplo = simples^, 
leste == lestes, por serem adjectivos. 

Depois de s em syllaba atona final cae a vogai se- 
guinte: lingùs = linguica, piscós = pescoso, cangds 
= cancaco, fds = facil. Tambem frés = fresco e 
lés = licao. 

(7 gutturaliza-se em vencd t pencador (atravez de 
pencd) = vencer e vencedor. 



1 Passano > ^pas'ro > pastro, corno cambra. Pastro, tambem 
em Macau. 

2 Port. arch. 

3 Tambem nos crioulos de Gochim e de Singapura. O sr. Gon- 
calves Vianna (Les vocables maìais empruntés au portugais) tira 
nona de senhora, 

4 Tambem em Macau. Cfr. J. Leite de Vasconcellos, Dialectos 
beiróes, v. 



i8 



Z muda-se em p em produce, traduce, herecia = he- 
resia e hypocricia, e em j em anjóla == anzol, t jumba 
= zombar. Cae em faé (p. us.) = fazer. 

d) Labiaes: 

P 

P substitue-se por f em soffra = soprar. 
Vocaliza^ao de p em u em bautismo = baptismo, 
Bautista = Baptista*. 



Apherese de f em ementd = fomentar, e seus deri- 
vados. 



B intervocalico pretonico troca-se por v em muitas 
palavras*: gavd = gabar, capd = acabar, avelho = abe- 
Iha, cavelo, travalho, liverdade (de livre\ tnasvinho = 
mancebinho. 

B postonico vocaliza-se em u (atravez de p ou w\ 
que se ditonga com a vogai antecedente, sendo pre- 
viamente supprimida a vogai seguinte: béudo = be- 
bedo^, sdudo = sabbado, macéo = mancebo, adiu 
= adibe (tambem adivu). Em amos (geralmente com 
dós = dous) = ambos, o b foi assimilado a nasal an- 
tecedente*. 

B muda-se em p em sùppodo e suppodomente = su- 
bito e subitamente 5. 



I Port. arch. e dialectal. 

3 Tambem na Beira e no Minho. 

3 Bebado ou bebedo > beydo (em Macau) > '^bevdo > beudo, 
Cfr. indo-port. déuda, de dévida (tambem us.) «■ divida. 

4 Pop. no continente em proelise. Cfr. tamem noutros crìoulos. 

5 Port. arch. : supitOy supit amente. 



19 



Syncope de b em candeldr ou candelér = cande- 
labro. 

Epenthese de b entre m e r: cambra, cambrado, cam- 
brdo, numbroK 



V tem o som orientai ou o de ji^ inglés. É semivc 
no alphabeto indiano. 

V troca-se por b: bibora, barre, bassóra, brimelho, 
escrabo, boltid = voltear, combersan = conversarlo*. 

V intervocativo transforma-se em g* em tiogo = novo, 
ogo = ovo e agud = avoar^ ; em u, com a suppressao 
da vogai seguinte, em brau = bravo, deuda = dévida: 
divida, e em m em dddimo = dadiva. Em comidd = 
convidar (mais us.), v foi absorvido pela nasal. 

Epenthese de v (= w) entre duas vogaes, sendo uma 
d'ellas labial (o ou w)*: dovénsè = doen^a, cor óve, la- 
dropifa, savódi (ao lado de saode\ cruveldade, ruvind, 
perdovd. Parece que é por influencia indigena 5. 

Apherese de v em aria = variar, e seus derivados, 
e syncope em revold = revolver. 



« Cfr. combrOy port. pop^ por cómoro. Tambem noutras lin- 
guas, comò number em ingles, chambre em francés, àmbrotoi em 
grego. Vid. Max MUller, Lectures on the science of language, voi. ii, 
lect. VII. 

2 No dialecto de Cabo Verde é sempre b. A troca de v por b 
dà-se tambem noutras linguas. Lembra-me ter lido numa antiga 
inscrìp^ao tumular na basilica dos Doze Apostolos em Roma : 
bibat in Domino^ por vivai in Domino. Em Bengala pronuncia-se 
todo o V do sanskrìto comò b. *V has no distinct sound in Ben- 
gali». J. Browne, A Bàngàli Primer, 

3 Cfr. guerra de werra. «Em lougor de S. Gonsalo. Em lougor 
de S. Salvador». J. Leite àcV ^sconctììo^^ Tradig6es populares de 
Portugal, 

4 Muito frequente no dialecto de Diu. 

5 Possebé ou possibé = possuir, deve ter passado atravez de 
possuwéy comò deìtruvè = destruir. Vid. o Vocabulario. 



20 



e) Liquidasi 

L inicial muda-se em n em nimito = limite, nintità 
= limitar e nimitafSo. Por assimilala©. Cfr. A^. 

L mediai troca-se por r em pranta e ingrésK Em 
ramo = lamina, / inicial. 

L final da syllaba tonica desenvolve-se em nova syl- 
laba: anela, anjóla = anzol, papéla ou papélè^. 

L palatiza-se em cabelho = cabello, capalhet^ia = 
cavallaria e grifo = grillo. 

Epenthese de / em oljo = hoje (mais us. hofo), mei- 
goà = megod: ameigar (mitigar) e santildade (p. us.) = 
santidade. 



R inicial sóa comò em francés, multo mais brando 
que no continente^: rosa (nao rrosa ou rhosa)^ rato (nao 
rrato), 

Syncope de r: bàrbaro = barbaro, entp^ustd = em- 
prestar, ti'so = urso, própi = proprio. 

Apocope de r em todos os verbos, excepto ser: amd 
= amar,/a:je = fazer, parti = partir. Mas lés = ler: 
influencia de lés = li^ao. 

Suarabacti (M|^f?h) de r em caravdo, oravai = or- 
valho, melhor amente, stiperemo, laderan = ladrao, ire- 
mao, heridd, (p. us.) = herdar, irigui(p, us.J = erguer4. 

R troca-se por / em albre = arvore, pelegì^ino (por 
dissimila9ao) e plaga = praga^. 



I Port. arch. Tambem em Cebo Verde. Ingres nas linguas 
indianas. 

a Paragoge de e surdo ou i, de encosto à liquida final, é fre- 
quente na linguagem popular de Portugal. 

3 Em todos OS crioulos. É semivogal no alphabeto indiano. Cft*. V, 

4 Cfr. marafim, carapentéro, no dialecto alemteiano. 

5 Cfr. ital. pellegrino, fr. pèlerin, ingl. pilgrim. Em plaga houve 
talvez influencia do ingl. piagne» 



21 



Vibra^ao de r da syllaba final: agórrè =3 agora, 
fórre = fora, caìTO = caro, wo/to = moiro, querré 
e seus derivados. Tambem batTato e corrente = qua- 
renta. 

Metathese de r, mórmente na syllaba final : orlo^^o = 
relogio, abersd = abra^ar, pej^truvd = perturbar, rfrò- 
w^ ou dìmmé^, madergd = madrugar, mdrgii = ma- 
gro, louvro = louvor (mais us.), doutro (p. us.) = 
doutor; sdéer, center^ vidor, milàgir (= milàghir), 
postar = pastro: passaro. Tambem balmagado = ba- 
langado. 

R final da syllaba tonica recebe a ou o para apoio: 
mdra, vagdra, cornerà, lugdra (d'onde lugdrè\ tnih 
Ihéra; pra:(eiro; mdrtjnro (syllaba atona)*. 

R intervocalico da syllaba postonica regeita a vogai 
final: agor, dar, mdrmor, pelour. Civ. S. 

Epenthese de r em lastro = la^o. Por intermedio 
de ^lasto^. Tambem espertal ou espertel = hospital. 

f) Nasaes: 

NH 

Desapparecimento de nh em nium ou nehum = ne- 
nhum^, amido = aminhdo: amanha, palmiào == pela 
manha, e reduc^ao a n em manecé = amanhecer, ptn' 
= vinho, con'cé = conhecer^. Tambem communiao. 



1 Drumir é pop. no continente. A metathese altera és vezes 
a vogai junta. Bremelho (=» vermelho) tem os seguintes cambian- 
tes : brimelho, brimalho, brimejo, brumelho. 

2 No Porto : nutre, nwlhere. Vid. J. Leite de Vasconcellos, Dia- 
lectas alemtejanos, ne 

3 Cfr. nastro, mastro, estrella, em portugués. 

4 Spretél no Alemtejo. FernSo Lopes tem espritai. 

^ Tambem póde ser por conserva^So da pronùncia antiga. 

6 O it de viit e con'ce e o m de com'fd (come^ar) sSo nasaes 
litteraes, dentai e labial, respectivamente, e nSo puras nasaes. 
Con'cer, tambem no continente; em mirandSs coincer. 



22 



NH é diversamente tratado nas seguintes palavras: 
espingo = espinho, ganjd = ganhar, gdjo (tambetn 
ganjo) = ganho'. 

N 

N troca-se por / em lumia = nomear. Por dissimi- 
la^ao*. 

M 

Epenthese de m em lumàr ou lumdra = luar, lua 
e lumado = aluado^. 

Supprimem-se commummente na escripta as consoan- 
tes mudas: acind = assignar, sinal, cativo, sono, ceptro, 
nacemento, sutiL 

% 2 .• DOBRADAS 

RR 

RR simplifica-se frequentemente^: bariga, baro, fero 
= ferro, arós = arroz, ariba = arriba, mard = amar- 
rar, sard = serrar, darti = derreter. 

SS 

SS representativo de x resente-se de ordinario na 
pronuncia: cassao (pron. cas-sdo) = caixao, basso (pron. 
baS'So) = abaixo, pussd (pron. pus-sd) = puxar. Tam- 



I NJ é phonema indiano approximado de nh, Cfr. LH. 

a LomeoTy port. arch. e pop. Cfr. lembrar de netnbrar, arch. 
Pheaomeno analogo se dà entre nimbu sanskrito e limù persa, 
d*onde limao por laimùn arabe. 

3 Nos cantos populares do fìrazil occorre luma. «O m desen- 
volveu-se da resonancia nasal da vogai antecedente». Adolpho 
Coelho. iMna > lUa (arch.) > luma, corno urna < Sia < una. 
•A fórma antiga, e ainda popolar, do continente é iSta, (iat. luna) . 
Tambem assim se diz no Brazil, cujos AA. às vezes escrevem luma 
(i. é, lum-a)». J. Leite de Vasconcellos. — Emquanto a Ceylao, po- 
rém, nao ha nenhuma dùvida qua existe m labial. 

4 Tambem em Macau e Cabo Verde. 



23 



htm fessdo (pron. fes-saó) = fei^ao. Compensagao pelo 
ditongo simplificado. 

TT 

TT dialectal (nao etymologico) intensifica o som, 
corno em italiano, detta (pron. det-td) = deitar, batta 
(pron. bat'td) = bater. 

m. — SYLLABAS 

A 

Apherese de syllaba a junto com o primeiro membro 
da consoante dobrada: sam/^ = accender, jparc^ = appa- 
recer, sis/^ = assistir, /<jnrfa = attender; ranca = arran- 
car, rastd = arrastar, riscd = arriscar, rependé = arre- 
pender, riha = arriba. 

ARIO 

ARIO final dos esdruxulos muda-se em atro em con- 
trairo = contrario, rosairo = rosario, luminairo = lumi- 
nano (luminaria)'. 

(;a 

Intercala-se i em fa final atono: differéncia, preséncta, 
senténcia, justicia^. Pelo contrario, eArperianpa = expe- 
riencia, consciettfa (às vezes) = consciencia, importanca 
= importancia. 

ES 

Apherese de es em claricé = esclarecer, popitd = 
espevitar, gavertd = esgaravatar. 

ES inicial muda-se, por emphase, em is: istado, is- 
pera, isquicé = esquecer^. 



I «Diz-se, comò é frequente no povo, armairo (= armario), 
bigairo (= vigario)». J. Leite de Vasconcellos, Dialectos interam- 
nenses, iv. 

a Cfr. differentia, praesentia, etc, em latim. 

3 Dà-se analogo phenomeno no continente. 



H 



GUA, GEM 

GUA pretonico attenua-se em ga: gardd^= guar- 
dar, gardecé = agradecer', litigar eira = linguareiro, 
Tambem lingerero (pron. linghet^èró). 

GUA postonico degenera em go: ago = agua, légo 
= legua, litigo = lingua. Tambem iàbo = tàbua. 

GEM (=> je)y prqcedido de a, degenera em ajo, 
atravez degagé: cor ajo (tambem coràgè\ imajo, bebé- 
rajo = beberragem. Mas passai = passagem, come 
trapai de travalho. 

QUA, QUE 

QUA e QUE attenuam-se em ca em cattdè ou catt' 
= quando, catito = quanto^; cabrado (pronùncia negli- 
gente.) «=> quebrado. Mas quoretitè ou corrente = qua- 
renta. Escreve-se tambem késsa = queixa, kokeira = 
coqueiro. 

RA, RE, RO 

RA, RE t RO atonos finaes, precedidos de consoante 
na syllaba, mudam-se em er e or, sobretudo na lingua- 
gem colloquiai: cótiter == contra, paldvet* = palavra, 
sótnber = sombra; dlbir = dlbre: arvore, dtiter == 
entre; qudtor = quatro, pdstor =s pastro: passaro. 

RE inicial atono muda-se em ra antes de labial: ra- 
pica = repicar, ra^tid = refinar, rabetttd = rebentar, 
rattiucé = remo^ar, ratnédi = remedio. 

Syncope de re atono, precedido de r: car'gd = car- 
regar, car'td = acarretar, dar'té = derreter. 

Reduc^ao do numero de syllabas, conservando-se uma 
ou mais lettras: prutttd =^ perguntar, susdé ou suste = 



I Tambem em alguns outros crìoulos. Port arch. 
a Gardecer, port. arch. 
3 Tambem no continente. 



25 



succeder, contrià = contrariar, tirnia =« tyrannia, pas- 
tempo = passatempo, fas = faci!. 

Apherese de syllaba atona: 'linho == filhinho, *sinho 
= visinho, 'dito = bemdito, Urahido = distrahido, 
'piche = azeviche. 

Syncope de syllaba atona nos polysyllabos : aVfada 
=s almofada, atra'mento = atrevimento, conper'sdo = 
conversacao, thesou'ria = thesouraria, per'detromente =* 
verdadeiramente. 

Apocope de syllaba atona : cachor = cachorro, can' 
= quando, man' = manda, Idgri = lagrima, Jres = 
fresco, lampo = lampada, esmeral ^ esmeralda, tem- 
pèsta = tempestade, ramo = lamina. 

IV.— ACCENTO E QUANTIDADE 

§ !.• ACCENTO 

Conserva-se em regra o accento tonico da lingua-mae. 
Excep^oes: idóla = idolo, ségel = sigillo, tempèsta ?= 
tempestade, loupro = louvor, doutro = doutor. 

Nao sao marcadas com signaes orthographicos as 
palavras agudas e esdruxulas, nem mesmo para evitar 
a ambiguidade: prunta: (priìnta =) pergunta, (pruntd 
=) perguntar; pruffia: {pruffia =) porfia, {pruffid =) 
porfiar ; mar a: {mar a =) mar, {mar a =) amarrar; nuve: 
{nuvé =) nao é, {nùvè «=») nuvem; recia: {recia =) re- 
ceio, {recia ==) recear. Exceptuam-se geralmente: so 
(tambem soe), fé (tambem fee\ ere (= ere)'. 

O accento tonico de e fechado toma-se aberto antes 
de jj, p* e o final: fraqué^a, riqué^a, tristé\a, mésmo, 
cabéfa; chéo = chéo (cheio), féo = féo (feio), mèo = 
mèo (meio). 



1 O Primeiro Catechismo e Alhumas Devo^àas accentuam algu- 
mas palavras. 

2 Tambem em Cabo Verde. 



26 



O accento tonico de o aberto é fechado em àtóri = 
historia e mimóri = memoriai 

Os monosyllabos de, ne, te, lo, teem a vogai aberta. 

Ha tendencia para reduzir as palavras esdruxuias a 
graves: ago = agua, tabo = tàbua, albre = arvore, 
féme = femea, màrtnor ou marma = marmore, ro- 
sairo = rosario, familha = familia, deuda = divida, 
vésper = vespera, estèrno = estomago, topa:{ == topa- 
zio, ramo = lamina. 

Esdruxulos novos: péstta = peste, póssia = posse', 
órphano = orfao, religio = religiao, attènda = atten- 
^ao, etiiéncia ^= intencao, differéncia, justicia, sobérvia 
= soberba; coméria < comeira < conterà < corner 
(subst.) 

§ 2.* QUANTIDADE 

Ha alongamento, por compensacao, da vogai do di- 
tongo simplificado : mas = mais, basso ^ baixo, dòdo 
= doudo, dòdice ^ doudice, drèto = direito. 

As vogaes tonicas sao, em regra, mais longas que 
em Portugal: cabècè, coitàdo,fe (escripto tambem /èe), 
so (escripto tambem soe)^ nuo (o de referto) = nu. 



As palavras adoptadas do inglés conservam a sua pro- 
nuncia peculiar : mile (pron. wai7), coffee (pron, kófi)^ cake 
(pron. kék\ meeting {^totì. mifing)^ fashion (pron. féxon). 

O mesmo acontece com alguns vocabulos indianos 
nao completamente aportuguesados: cuda (pron. kùda\ 
tortil (pron. /aj;<//). 

A tendencia actual é, em summa, attenuar: o a atono 
final em è grave, o e surdo em ?, o o surdo em ti, et 
em S, ou em o, ia e io finaes do esdruxulo em i, uà do 
esdruxulo em o surdo, do em a. 



I Bàstia, clàssia, no Alemtejo. Cfr. scadia = escada: J. Leite 
de Vasconcellos, Dialectos interamnenses, in. 



II 

MORPHOLOGIA 



A morphologia do indo-portugués de Ceylao ofFerece 
elementos interessantissimos para o estudo da dialecto- 
logia colonial, assim pela grande copia e variedade de 
materiaes que ministra, corno pelos muitos pontos de 
contacio que apresenta com quasi todos os crìoulos por- 
tugueses regularmente organizados. 

A surprehendente analogia morphologica que existe 
entre os numerosos e distantes dialectos, nao proveiu, 
evidentemente, de mero accidente, nem de communica- 
qao ou de influencia directa, mas dimanou da unidade 
de orìgem, e do processo commum, dirigido pelas leìs 
physio-psychologicas da linguagem. Os dialectos fo- 
ram-se desenvolvendo por vitalidade propria, indepen- 
dentemente uns dos outros e, com o decurso do tempo, 
produziram identicos resultados, nao so em varias partes 
da India, mas tambem na China e em Africa. 

Cumpre, porém, extremar entre os diversos mate- 
riaes, que nem todos teem o mesmo valor linguistico. 
Uns, por serem antigos, posto que nao passem do pre- 
sente seculo, nao representam o dialecto actual. Outros 
pretendem estabelecer uma composicao, uma ponte de 
passagem entre o portugués alto e o portugués baixo, 
dando em resultado uma miscellanea hybrida, que nao 
é nem uma nem outra cousa, nem obedece a nenhum 



28 



criterio'. Nota-se, finalmente, em alguns tal negligencia 
e diversidade de fórmas, que nào podenì deduzir-se ne- 
nhumas regras fixas. 

A simplicidade, que rejeita todas as complicacóes 
grammaticaes que nao digam respeito a inteliigencia da 
linguagem^ a regularidade, que elimina tudo o que se 
afigure anomalo; a economia, que cerceia tudo quanto 
pareca superfluo: taes sao as leis dialectaes que actuam 
principalmente na morphologia do crioulo de Ceylao. 

E necessario, alem d'isto^ ter em vista a influencia 
do meio em que vive, em contacto com a lingua inglesa 
e com a vernacula, que, sensim stne sensu, modificam 
notavelmente a sua estructura. 

L — SUBSTANTIVO 

Os substantivos abstractos derivados de verbos sao, 
em regra, formados do infinito, sem alteracao da vogai 
final: convertagdo (conversao) de converta, crucificagao 
(crucifixao) de crucificd, gabacdo (gabo) de gabà, lavra- 
cao (lavoira) de lavrd, paridura (parto) de pari, dupt- 
dade (dùvida) de duvidd. 

Ha tendencia para formar substantivos verbaes em 
-anca : cuidanca (cuidado), duvidanca (duvida), livranca 
(livramento), duranfa (duraqao), moranga (morada). 

Substantivos derivados regularmente dos adjectivos 
(subst. abstractos) e dos verbos (subst. de agente) :^e/- 
dade (fidelidade) de fiel^ capa\dade (capacidade) de ca- 
pa\^, feudade (fealdade) de feu (feio); pintador (pintor) 
de pinta, furtador (ladrao) de fiirtd. 

Ha muitos substantivos novos, provenientes de pre- 
fìxos negativos, por analogia: dissaude, falta de saude. 



« Vid. Schuchardt, Kreolische Studien^ ii, p. 14. 
3 Fieldade e capa^dade talvez sejam do portugu8s. O Elucidarlo 
de Viterbo tem o prìmeiro. 



29 



enfermidade; desemportacào, falta de importancia, des* 
cuido; deslimpeia^ fatta de limpeza, immundicia ; immu- 
danca, falta de mudanqa, imtnutabilidade. 

§ i.o NUMERO 

Em regra, os substantivos formam o plural com o 
accrescentamento de um s: animals, reptils, pàos, co- 
racàoSy peccadors. 

Exceptuam-se : 

a) Os nomes terminados em m, que se muda às ve- 
zes em n, sem alteracào phonetica, comò na lingua-mae: 
bens, pìrgens, dons; 

b) Alguns terminados em /, aos quaes se accrescenta es 
ou is: viales ou malis, reptiles. Tambem sinhóris, a par 
de senhors. 

Sao invariaveis : 

a) Os que no singular terminam em s ou ;[: més = 
mez e mezes, ve\ = vez e vezes^ Exceptuam-se: deos 
e ca//;{, que fazem deoses e cali:{es; 

b) Os que sao precedidos de numeraes^ (algumas ve- 
zes): tres parte, dous conselho, quinte ano, quatro qui- 
nhdo, quatro canto. 

c) Os que sao empregados comò adjectivos: si^o ho- 
mes = homens prudentes. « Quando ybrca ventos dai» 
= quando fortes ventos sopram. (O Bruffador), «Quando 
OS Apostolos linha vida e tinha pregoà» = quando os 
apostolos eram vivos (viviam) e prégavam. (Bautismo). 

O plural depae e màe conjunctos (lat. parentes) nao 
é paes, mas sim pai mai ou pai e mai. Tambem filhos 



J «Mils-vez» = milhares de vezes. (Bautismo). «Tres annos e 
seis mez» = tres annos e seis mezes. (Novo Testamento de i852). 

2 O mesmo no dialecto de Cochim. Cfr. «mil cor», «tres sertao-», 
no Dialecto brasileiro (J. Leite de Vasconcellos). «The cardinal 
adjeciive requires its noun to be in the singular, as panas awuru- 
ddha, fifty years». C. Alwis, The Sinhalese Handbook, 



3o 



filhas ou fifes: fìlhos em geral, comprehendendo tam- 
bem filhas ^ 

§ 2.» GENERO 

Nao teem genero grammatical os objectos inanìma- 
dos; ou, por outra: sao neutros os nomes que nao desi- 
gnam o sexo. 

, Os substantivos terminados em ^dor fazem o femi- 

ninoem -rfeira: mercadorj tnercadeira; servidor, servi- 
detra; consei'vador, conservadeira. Ha porém pecca- 
dora e empet*adora == imperatriz. 

Irmào faz irmana. 

Os nomes abstractos usados corno concretos sao, por 
assim dizer, communs de dois: amiiade = amigo, ami- 
ga; inimi\ade = inimigo, inimiga. 

Epicenos peculiares: vaca = vacca, boi; vaquinha = 
vitella, bezerro; cabra = cabra, cabrao; gatnela = ca- 
mela, camelo. tO sangue de pacas e de cabras, e cin- ' 
zas de bum paquinha* = o sangue dos toiros e bodes, 
e a cinza da bezerra. (Nopo Testamento de i852). 

Especifica-se o sexo, quando e preciso, com o auxilio 
de macho tfémè: macho crianca, fémè crianca. 

§ 3.0 GRAUS DE SIGNIFICAgÀO 

Nao ha augmentativos organicos. Exceptua-se cas- 
sao = caixao, empregado jà sem no^ao de augmenta- 
tivo. 

Os deminutìvos sao pouco usados: Jilhinho, liprinho, 
pastrinho (passarinho), masptnho = mancebinho. 

Deminutivos peculiares : paquinha = vitella, bezerro, 
cachonnho = cachorro. Cachor significa cao, comò em 



I Nas linguas indigenas: mae pae, JUha filho. «Casa de sua/^at 
mai", «Tinha o obrìga^ao de o pai e mai», (Bautismo), «Filhos, 
obedicé per vossaspai e mai.» (Novo Testamento de i852). 



3i 



muitos outros crioalos. «Toma cuidade vossotros de 
cachors9 = guardae-vos dos caes. (Novo Testamento 
de i852). 

IL — ADJECTIVO 

Alem dos adjectivos empregados corno substantivos, 
e vice-versa, ha muitos outros que se formam com o 
accrescentamento de -oso ao thema : varioso = vario, 
serioso == serio, mellijluoso = mellifluo, imploso = im- 
pio, allegroso = alegre*. 

Adjectivos especiaes, provenìentes de prefixos nega- 
tivos: deslimpo = sujo, immundo; disvalioso = sem 
valor, invalido; discompetido = inconveniente; disleve- 
dado = nao levedado, asmo ; desfiel = infiel ; dis fimi- 
toso = infructuoso. 

Adjectivos peculiares: assilei (assim laia) = tal, si- 
milhante ; astanto (assim tanto) = tanto; pé-solto = des- 
calco; nau-quebrado = nàufrago; pouco idade = moco, 
juvenil; cedo = infantil, prematuro: cedo impressàos = 
impressoes de infancia; mal = mau: mal home = mau 
homem. 

§ !.• NUMERO E GENERO 

Os adjectivos em regra sao invariaveis, nao teem ne- 
nhuma distinccao formai de numero nem de genero, co- 
rno a nao teem em singalés nem em inglés; empregam-se 
geralmente na fórma masculina em todos os crioulos: 
bom cousas, espantoso obras, vàopalavras, espiritos des- 
limpo. 

Os adjectivos substantivados, ou empregados sem o 
substantivo claro, teem porém plural: virados = erros, 
presos = carceres, boms = bons, mais = maus, bema- 
venturado o esterils = bemaventuradas as estereis, per^ 
recebé per assileis = para receber aos taes, bastantos 



1 Cfr. cainhoso = cainho, no dialecto de Cochim. 



32 



de nós = muitos de nós. Tambem : nós mesmos, vós mes- 
mos, si mesmos. 

Adjectivos usados na fórma feminina e singular : mar- 
ga = amargo, esquerda ' (com ou sem mào)^ portu- 
gìiesa (com ou sem lingua: né lingua portugue\a), pro- 
pria (depois do pronome pessoal: nós propria). ^Versos 
sagradap = versos sagrados. 

O adjectivo pario tem a anomalia de ser usado na 
flexao feminina plural, e, raras vezes, namasculina: «Né 
varias partes». {Cantigas de iSgS). «Né variasìugarsi». 
«Agora tem varias dons». «Doente com varias sorte 
de malesi. «Né varios modos»; <Lvarios lavamentos.» 
(Novo Testameìito de i852). Mas varioso (= vario) segue 
a regra geral. 

§ 2.0 GRAUS DE SIGNIFICAgAO 

Nào ha superlativos absolutos em -issimo; os super- 
lativos relativos sao pouco usados. 

Os comparativos e superlativos latinos irregulares sao 
desconhecidos, excepto melhor e peior : mais boni, muito 
bom; mais grande, muito gi^ande. «Per dà mas grande 
béncas». (Bautismo). «Lo ser o mais gi^andei^. {Novo 
Testamento de i852). 

Melhor, quasi sempre, e peior, muitas vezes, reque- 
rem mais para a comparacao: mais melhor, maispeior^. 
«Fim mais melhor tem per vós» = vós tendes um firn 
melhor. (O Bruffador). «Anno per anno eu té fica mais 
peior». (Bautismo). 

Melhor e peior sao tambem substituidos pelos com- 
parativos regulares: «Lo tem mais bom» = sera me- 
lhor. (Bautismo). «Ellotros té fazé hum bom home mal 



1 Mas diretto é sempre masculino; «Senta né minha mao direito, 
e né minha mao esquerda». «Huma né mao direito e ouiro né es- 
querda». (Novo Testamento de i852). 

2 FernSo Lopes tem mais peior. Cfr. mais maior : J. Leite de 
Vasconcellos, Dialeclos estremenhos^ i. 



33 



[mau], e hum mal home mais mah. (O Bruffador). 
tSete outro espiritos mais mal do que elle». {Novo Tes- 
tamettto de i852). 

Àdjectivo diminutivo empregado comò primitivo: pe- 
quinino = pequeno'. Pequin é muitas vezes substan- 
tivo, e significa menino. 



III. — NOME NUMERAL 

Os niimeraes de de\aseis a de^anove sao: deseis (pron. 
de-seis), de-sete, de\óito, de\nope. 

Os numeraes correspondentes a cem, duientos, tre- 
\entos e quinhentos, sao : cento ou centa, dous cento, tres 
cento, cinco cento. ^Quatro cent a annos». (Bautismo). 
tCinco cento irmaos». (Nopo Testamento de i852). 

Diz-se, & imitacao do inglés: do:{e cento, quator^^e 
cento. tQuatorie cento annos depois de Christot == mil 
e quatrocentos annos depois de Christo. (Bautismo). 
Tambem: t/o cento cincoenta annos» = mil e cin- 
coenta annos. (Roma). 

Nao se emprega a conjuncqao e entre os numeraes : 
quarenta quatro, cento cincoenta seis. e Hum mil otto 
cento noventa huma [annos] tem contado com o tem- 
pos de eternidade». (O Britffador). tNe ero [era] hum 
mil quator cento vintila. (San Clear). e Hum mil dous 
cento sessenta dias». {Novo Testamento de i852). 

Mil é substantivo, tem ambos os numeros, e recebe a 
preposiqao de antes do substantivo immediatamente pos- 
posto: hum mil de homes = mil homens; mils de ru- 
pias = mìlhares de rupias ; mil de mils = milhares de 
milhares; oito mils seis cento pessaos = oito mil seiscen- 
tas pessoas; ellotros quem jd come tinha perto quatro 
mils = OS que comeram eram perto de quatro mil. 



« Tambem em Cochim. 



34 



Junta-se um s ao cardinal que representa o numero 
reduplicativo: cEllotros ja santa ne companhas de centos 
e dnquentosi^ = assentaram-se repartidos de cento em 
cento e de cincoenta em cincoenta. (Now Testamento 
de i852). 

Os cardinaes substituem os ordinaes com a preposi- 
^ao de anteposta ao substantivo: tres e quatro de gè- 
rafoo = terceira e quarta gefaqao; né tre\ de capitulo = 
no terceiro capitulo; até per o deseis de perso = até o 
decimo sexto verso. 

Os numeraes ordinaes de dez para cima terminam 
em 'imo: de^^imo, on:{imo, do^imo, tre\imo, quator\imo. 
Tambem quator\éno e seisto ou sestomo. 

Dous ou dós (dois) faz segando e dou\eiro ou do^eiro^ 
e tres, terceiro ou tre\eiro. 

Os numeraes proporcionaes sao formados com auxilio 
de dobrado ou de quinhao mais: dós-dobrado =s duplo; 
tresdobrado = triplo ; hum cento quinhao mais «= cen- 
tuplo. 

IV.— ARTICO 

§ I.» DEFINIDO 

O artigo definido o emprega-se geralmente para am- 
bos OS generos e numeros, comò o ingl. the: o mulher, 
o casas, o terras^. 

Este artigo é multo menos usado do que na lingua- 
mae^. Nunca acompanha os nomes proprios nem ospro- 
nomes possessivos. 



I Cfr. o fr. deuxième, 

3 Apparece usado, nao raramente, o artigo os no plural para 
ambos os generos : os visias, os cousaSy os gentes, de os ilhas; e 
bem assim o feminino singular nas Cantigas de 1871: «i4 voz de 
salva9ao»; •a for^a de alma»; «a Jesus' santo cru2» = a santa cruz 
de Jesus. 

3 Tambem nos outros crìoulos. 



35 



Nao ha, em regra, contracqao do artigo e da prepo- 
sigao: de o = do\ analogicamente diz-se ne o = no. 
Diz-se tambem, sem crase, de elle, de ali. 

§ 2.« INDEFINIDO 

O artigo indefinido hum (= um) applica-se a ambos 
OS generos, e nao tem plural: hum mulher, hum vo\, 
hum carta. 

Mas assume a fórma feminina, quando é seguido da 
preposicao de ou nao antecede immediatamente o sub- 
stantivo: huma de estes = um d'estes; huma tem uossa 
etistnador = um é o vosso mestre; lo trahi huma per 
outro = trahirà um ao outro; huma tra\ de huma = um 
apoz outro. 

V. — PRONOME 

S i.o FESSO AL 

Sujeitos; eti, tu, elle, ella; nós, nossotrvs, póSy posso- 
tros^ elles, ellas^ ellotros^. Nossotros, vossotros e elio- 
tros sao preferidos. 

Regimens: mi, ti, elle, ella; aquél (para os objectos 
inanimados); nós, nossotros, pós, possotros^ ellotros. 

Si vae quasi sempre acompanhado de mésmo: si-més- 
mo. So se usa quando é totalmente indispensavel. 

Sao desconhecidas as fórmas commigo, comtigo, com- 
sigo, comnosco, composco, Ihe, Ihes; bem comò os pro- 
nomes o, a, os, a$, que sao suppridos por aquél, aquéls 
ou este, estes, quando ha necessidade. tCom 5/ mesmo 
per mora» = para morar comsigo mesmo. (Cantigas 
de 1893). cBastanto amizades quem tinha com nós o 



I «Si ellotros quer prende album cousa, desse ellotros inculca 
com suas marìdos» = se alias quizerem apprender alguma coisa, 
perguntem a seus marìdos. {Novo Testamento de i852). 



36 



passado anno» =: muitos dos amigos que estavam com- 
nosco no anno passado. (O Bruffadory. 

O pronome pessoal, seguido de sita, equivale ao res- 
pectivo possessivo: Eu sua vida = a minha vida. tEu 
nunca busca possotros sua, senao vossotros mesmos» = 
eu nao busquei o vosso, senao a vós. (Novo Testamento 
de i852)». 

Vós é o tratamento communi para a 2,* pessoa do 
singular; possotros, para mais de um interlocutor. Fos- 
sas é de muito' respeito para ambos os sexos. Tu é bi- 
blico e poetico. Vussé apparece so no Novo Testamento 
de 1826. fOh Sir, jà falla Tom [ao padre], vós assi 
té papié videque vossas nuvé bum carpinteiro. Nunca 
vossas intindé». (O Bruffador), 

Omp, mooy (pron. mò-òi) e nona (= tio, tia, dona) 
sao usados comò pronomina reverentiae. 

% 2.0 POSSESSIVO 

Os pronomes possessivos sao commummente usados 
na sua flexao feminina singular, comò em quasi todos 
OS crioulos: minha Deos, sua pai, tua irmàos, nossa de- 
pedor^. 

Occorrem frequentemente na poesia as fórmas mascu* 
linas, até com os substantivos femininos, sem razao que 
se saiba: 

Meu vida, sangue, eu te dà 

Ne Teu verdade per gostà; 

Faze su^'de Teu conselho, 

Teu vontade seja feito. 

Par^ido Tua bondade; 

Teu bondade tem meu querer. 
Qmiig^t, ed. 1893. 

« Sobre o emprego de eu corno complemento vid. a Syntaxe, 
m, 3. 

2 Vid. a Syntaxe, n. 

3 O sr. Schuchardt attrìbue isto a ser a fórma feminina mais 
ampia. 



\ 



3? 



Teem de ordinario o plural, ainda com o substan- 
tivo singular, quando representanì mais de urna pes- 
soa (corno o fr. leur ou o ingl. their)^: suas Deos; 
possas serptdors, nossas paga; ellotros jd larga suas 
rede, 

Elide-se muitas vezes o a de sua eni proelise conso- 
nantica^: Su' sangue. tSalvador-sw cruz» = a cruz do 
Salvador. {Cantigas de 187 1). 

S 3.^ DEMONSTRATIVO 

O pronome aquél, seguido de substantivo masculino 
ou feminino, é invariavel. Mas accrescenta-se-lhe um s, 
quando designa pluralidade e nào antecede nenhum 
substantivo. Neste caso substitue elles e ellas (nao 
sendo pessoas) e os, as e Ihes: considera lirios de o 
campo, que modo (corno) aquéls té criscé, aquéls nunca 
trabalhd. 

Antes do relativo, porém, prefere-se elle ou ella a 
aqueV: tE elle quem jà santa sobre aquél tinha bum ba- 
. lanca né sua mao» = e aquelle que estava assentado 
sobre elle, tinha uma balanqa na sua mao. aElle per 
quem tem entendimento» = «aquelle que tem entendi- 
mento. (Novo Testamento de 1862). 

Nao ha isto e aquillo. 

§ 4.0 RELATIVO E INTERROGATIVO 

Quem substitue o relativo que, se se refere à pessoa : 
de ella quem tinha o mulher de Urias = da que fora 
mulher de Urias. 



1 Tambem em Cabo Verde. 

2 Tambem nos outros ramos do indo-portugués. 

3 Talvez por ìnfluencia do ingl. he who, she who. 



38 



Quetn sua ou su significa de quem e cujo (desusado)^: 
quem su imajo tem este? == de quem é està imagem? 
Hum home quem sua nome tinha = um homem cujo 
nome era^. 

§ 5.« INDEFINIDO 

Nao ha o pronome substantivo tudo. Tudos empre- 
ga-se as vezes por todos: ^Tudos, oh desse dà louvor». 
{Cantigas de 1871). 

Alhuma suppre alguem^. 

Alhum (algum) assume a flexao feminina, comò hu 
ma, em identicas circumstancias, e tem o plural: si 
alhuma (alguem) quer segui; si alhuma (alguem) té olhd; 
alhumas (aiguns) té falla; alhumas de o escribas. Mas : 
«alhums de nós». (O Bruffador). 

Ambos ou amos vae de ordinario seguido de dous, 
e emprega-se frequentemente na significacao do ingl. 
both: amos dous homes e mulhers = assim homens, 
comò mulheres; amos de justos e de injustos = as- 
sim dos justos, comò dos injustos; ambos nossa lugar 
e nacao = assim o nosso logar, comò a nossa na^ao. 
«Eu l'ama Ti ambos né vida, morte» = amar-te-hei as- 
sim na vida, corno na morte. (O Bruffador). 

Cada hum é considerado comò adjectivo e usado, 
comò o inglès every, por todo distributivo (lat. omnis) : 
tCada hum justo home podé alembrà» = todo o ho- 
mem justo pode lembrar. (O Bruffador). tCada hum 
albre que nunca dà bom fruita». (Novo Testamento de 
i852). 

Quemseja e queseja estao por quemquer e qualquer. 



« Tambem em Singapura. 

2 Quem, corno regimen, tem o artigo definido no Novo Testa- 
mento de 1826: «Per o quem os ceos miste recebé». «O prìncipe 
de vida o quem Deos jé resuscita». 

3 Apparece até alguems (= aiguns, substantivado) no refendo 
livro. 



39 

VI. — VERBO 

§ !.• FÓRMA TYPIGA 

Os verbos estao reduzidos, no dialecto de Ceylao, 
corno em quasi todos os crioulos portugueses, ao in- 
finito % à excep^ao dos participios e das fórmas petrifi- 
cadas dos irregulares. 

O r do infinito é apocopado em todos os crioulos, con- 
servando-se o accento predominante: ama = amar, in- 
tindé = entender, parti = partir^. ExcepcSes: ser^, 
tem = ter; ddlhi, dàhi, dàji (mais us.) = dar, na acce- 
P9ao de bater; lés, le\ ou leis = ler; vai == ir*. Tam^ 
bem, raras vezes: dai, fai, cornei, por dà, fa\é, comé^. 

Os verbos substantivados conservam ore teem o 
plurali fa\er%, pivers solio, dar-tomars, papiar de mal 
(murmura^ao), morder de dentes (stridor dentium). 

Alguns verbos da 2.* conjugacao, especialmente os 
que em portugués terminam em -ter e -per, teem um 
a no fim (i.* conj.): batta = bater, converta = conver- 
ter, commetta = commetter-, mova = mover, resolvd 
= resolver; mud = moer, escolhd = escolher. 

Alguns verbos da 2.* conjugacao terminam em / (3.* 
conj.): /riw/= tremer, desci = descer, suffri = soffrer. 

Muitos da 3,* conjugacao terminam em é (2.* conj.); 
sinté = sentir, pidé = pedir, lu\è = luzir, produce = 
produzir. 



I Tambem no de Curacào. 

a Nào ha o verbo por; mas ha posto em certas phrases : posto 
de injuelhos, 

3 Està excep^ao é commum a todos os dialectos crioulos. 

4 Commum. 

5 Vi (= vir) vae quasi sempre seguido de tem : vitem,jà vitem, 
là vitem. Explica-se a redundancia pela exiguidade do verbo : vi « 
wi, quasi 1. A mesma razSo justifìca a conserva^So do r de ser, 
Em lès houve influencia do subst. lès = li^ao. 



40 



§ 2.0 PARTICIPIOS 

Os participios da i.* e 3/ conjugacao sao regulares: 
ama: amando, amado; parti: parttndo, partido. 

O participio do presente da 2/ conjugaqao é, em 
regra, identico ao da 3.% talvez por analogia com o 
do passado: intindé: intindindo, tntindtdo. 

O participio do passado de uns poucos verbos da mes- 
ma conjugacao termina em -edo (modernamente quasi 
desusado) : fa^edo, sabedo, recibedo, possibedo (possui- 
do), comedo K 

Sao desconhecidos muitos dos participios irregulares, 
comò: escripto, entregue, dito, morto {dt matar\pago. 
Diz-se porém: morto (de morrer)^ aberto, cuberto, des- 
cuberto; feito^ desfeito ao lado de fa\ido^ desfa\ido, 

Os participios do presente sao pouco usados na sua 
propria significacao; prefere-se em seu logar o presente 
do indicativo. Mas teem muitos usos diversos. Vid. a 
Stntaxe, ni, 4. 

Muitos dos participios sao empregados corno adjecti- 
vos: errando = errante, crendo = crente, rogatido => 
supplicante, Ramando = flammejante; contentado = 
contente, desobedecido = desobediente ; agradado = 
agrada vel. 

§ 3.» FÓRMAS INORGANICAS 

Todos OS tempos e modos dos verbos regulares sao 
formados periphrasticamente com o infinito ou participio 
e com OS verbos ou adverbios auxiliares, sem distinc- 
qao de numeros e de pessoas. 

Té designa o presente positivo do indicativo; jd, o 
perfeito; tinha, com o infinito, o imperfeito; tinha, com 



« Tambem em Cabo Verde. 



4i 



o participio do passado, o mais que perfeito; lo, o fu- 
turo do indicativo e do conjunctivo; lodia^ o.condicio- 
nal, e o imperfeito do conjunctivo; deixànós e pamos-nós^ 
a i/ pessoa do plural do imperativo, sendo a 2.* do sin- 
gular e plural expressa pelo mesmo infinito; desse, o 
presente do conjunctivo'. 

Nào, sem ou com nunca anteposto, ou nuda posposto, 
denota o presente negativo; nunca, o perfeito; nuda, o 
futuro; nadia, o condicional. 

Té, em alguns crioulos tà ou tà^, é corrupcao de 
està ou sta > /a > té: té ama = està a amar: ama. 

Jà naturalmente foi adoptado para o passado rya ama 
== amou^. 

Ttnha, com o participio, é a conservacào do mais 
que perfeito portugués: tinha amado = tinha amado: 
amara. 

Tinha, com o infinito, para representar o imperfeito, 
que antes se confundia com o mais que perfeito, é uma 
particuiaridade moderna, originada da nova significa- 
^ao do verbo ter (= ser, estar, haver): tinha ama = 
estava a amar: amava. 

Lo é a primeira syllaba de logo, que apparece nesta 
fórma nos dialectos de Macau e de Malaca : lo ama = 
logo ama: amara, ha de amar^. 

Lodia é composto de lo (= logo) e dia, abreviatura 
de depia ou deveria: lodia ama = devia amar: amarla. 



1 Vamos, para a i.* pessoa do plural, quando o contexto o ad- 
initta: «Vamos nós pruntà com nós mesmo» = pergun temo- nos a 
nós mesmos. (O Bruffador). 

2 Em Mangalor geralmente tó, de sto = estou. Na Guiné na 
designa o presente e f a o futuro. No dialecto de Cura9éo, tà. «O 
verbo star, comò tem muito uso, póde reduzir-se a tar, facto muilo 
corrente no Sul, mesmo em Lisboa e na gente eulta». J. Leite de 
Vasconcellos, Dialectos alemtejanos, xi. 

3 No dialecto de Diu jd se junta ao perfeito organico da 3.« 
pessoa do singuiar: eujà comeu, eujdfei^, 

4 Lóy tambem no crioulo de Gora^ào. 



42 



Desse é = deixe: desse ama = deixe amar: ame. 

Nunca, comò jd, julgou-se particula adaptada para 
denotar o preterito negativo: nunca amd = nao amou'. 

Nada, às vezes nadè cu nandè, é corrupcao de nào 
ha de: nada amd = nao ha de amar: nao amare'. 

Nadia, tambem natidia^ é composto de nào e dia^ 
segundo membro de lodia: tiadia amd =^ nao devia 
amar: nao amarìa. 

Observa^oes: 

I.* Unem-se com alguns verbos monosyllabicos as 
particulas jd e lo: jafoi, jadd, lavi, loiem, laser; bem 
assim wob, com os verbos tem, podè, querce e miste: 
nomtem, numpodé, ninquet^é, nemistà. 

2/ Separam-se às vezes a particula e o infinito por 
outra paiavra, sem razao plausivel: te nós suste = 
nós té suste; tanto té ellotros soffri = tanto ellotros té 
soffri. 

3/ Apparece algumas vezes jd com nunca: e Elle 
nunca ja reposta» = nao respondeu. {Novo Testa- 
mento de 1826). ^Nunca jd vai» = nao foi. (Bau- 
tismo). 

4.* Nao é raro omittir-se na poesia a particula do 
tempo, quando o contexto o permitta: cDize isti con- 
dì» = diz este conde. {Rey de Gris). tO Rey de Scot- 
land bemfeto sabe» = orei da Escocia sabe multo bem. 
(San Clear). 

5.* Decomposicao de lodia e nadia: «Ella lo dia cho- 
rà» = ella deveria chorar. «Eu nao dia fazé» = eu nao 
devia fazer: nao farla. (O Bruffador). 



I Cfr. J. Leite de Vasconcellos, Dialecios cdgannos, m, e Diale- 
ctos alemtejanoSy vni e ix. 

3 No dialecto de Macau nadi. Nadè e nandk (« nao ha de) de- 
vem ser fórmas prìmitivas, que se confundiram, pela approxima^ao 
phonetica, com o nada substantìvo. No Porto: onde = hSo de. 
Vid. J. Leite de Vasconcellos, Dialectos interamnenses, ix. 



43 



§ 4-** PARADIGMAS DOS VERBOS REGULARES 
a) VOZ ACnVA.-CONJUGA9AO POSITIVA 

Indicativo 

Presente.-^ £*« té amà^ tu té ama, elle ou ella té 
antày nossotros té ama, vossotros té amd^ ellotros té ama: 
eu amo, tu amas, etc. 

Imperfeito. — Eu tinha ama: eu amava. 

Perfeito. — Eu fa ama: eu amei, tenho amado. 

Mais que perfeito. — Eu tinha amado: eu tinha ama- 
do, amara. 

Futuro. — Eu lo ama: eu amarei, hei de acnar. 

G>NDiciONAL. — Eu lodia ama: eu deveria amar, ama- 
rìa, havia de amar. 

Imperativo. — Ama: ama tu, amae vós; vamos-nós ou 
deixà-nós ama: amemos. 

CONJUNCTIVO 

Presente. — Que eu ama, eu desse ama, que eu podé 
ama: eu ame'. 

Imperfeito e Perfeito. — Que eu tinha ou lodia ama: 
eu amasse ou tenha amado. 

Futuro. — Eu lo ama: eu amar. 

Infinito. — Ama: amar. 

Participio presente. — Amando. 

Participio passado. — Amado. 

OBSERVAfOES *. 

I.* Assim se conjugam todos os verbos transitivos e 
intransitivos. 

2.* Aiguns verbos, alem dos irregulares, nao recebem 
a particula do presente : eu nistà = eu necessito (tam- 



« «Desse elle fica crucificado» = crttcifigatur, (Novo Testamento 
de i852). 



44 



bem: eu necessitava, era necessario que eu); eu querré 
= eu quero. 

3.* O verbo podé serve muitas vezes de auxiliar para 
o conjunctivo: que eu podé anta, que eu podia amdK 
«Que pode vay bem com ti, e que tu pode vive muito 
tempo» = para que te va bem, e vivas muito ternpo. 
«Que elle podia servi per mi» = para que me servisse. 
{Novo Testamento de i852). 

b) VOZ ACTrVA.-CONJUGA(;:AO NEGATIVA 

Indicativo 

Presente. — Eu nao ama, tu nào ama, elle nào ama, 
etc: eu nao amo, etc. 

Imperfeito. — Eu nuntinha ama: eu nao amava. 

Perfeito. — £w nunca ama: eu nao amei. 

Mais que perfeito. — Eu nuntinha amado: eu nao ti- 
nha amado. 

Futuro. — Eu nada ama: eu nao amarei. 

CoNDicioNAL. — Eu nadta ama: eu nao amaria. 

Imperativo. — Nao ama: nao ames, nao ameis. 

Conjunctivo 

Presente. — Que eu nao ama, desse eu nào ama: eu 
nao ame. 

Imperfeito. — Que eu nadia ou numtinha ama: eu nao 
amasse. 

PERFErro. — Que eu nunca ama ou nuntinha amado: eu 
nao tenha amado. 

Futuro. — Eu nada ama: eu nao amar. 

Observacoes : 

I.* Nunca e nada (substantivo) simultaneamente, ou 
separadamente com outra negativa que nao se refira ao 



« Talvez por influencia do ingl. mqy love, might love. 



45 



tempo, denotam o presente : fiunca paté nada = nao vale 
nada. Ninguem de nós nunca vive pei-" si mesmo, e nin- 
guem nunca morré per si mesmo. 

2/ Se for necessario dizer nunca com o perfcito e 
com o futuro, exprime-se por nehum tempo, para se 
evitar a repeticao no primeiro caso, e para nao se con- 
fundir com o presente no segundo: nehum home ne- 
hum tempo nunca papià comò este home = nenhum 
homem nunca fallou com este homem. Nós nehum tempo 
nunca olhd assilei cóusas = nunca vìmos similhantes 
coisas. Elle quem té vi per mi nehum tempo nadajicd 
fome; e elle quem té conjid né mi nehum tempo nada 
Jicd secura. 

e) VOZ PASSrVA 

Presente. — Eu tem amado, nuntem amado: eu sou 
amado, nao sou amado. 

Imperfetto. — Eu tinha amado, nuntinha amado: eu 
era amado, nao era amado. 

Perfefto. — Eu foi (p. US.) ou tinha amado ou, me- 
Ihor, eu jd fica amado; nuntinha amado qm nunca fica 
amado: fui amado, nao fui amado. 

Futuro. — Eu lo tem amado ou, melhor, loser ama- 
do; nada tem amado ou nada ser amado: serei amado, 
nao serei amado. 

CoNDiaoNAL. — Eu lodia tem ou ser amado; nadia tem 
ou ser amado: eu seria amado, nao seria amado. 

Infinito. — Tem ou ser amado: ser amado. 

Participio presente. — Tendo ou sendo amado: sendo 
amado. 

Participio passado. — Desusado. 

OeSERVAfOES: 

I.* Nota-se predilec(;ào pelo verbo ^ca comò auxiliar 
dos passi vos: té fica feitOyjd fica feito, lo fica feito: é 
feito, foi feito, sera feito. cEu lo tem muito deseijo que 
este fica traduzidoi = terei muito desejo (desejaria 
muito) de que isto seja traduzido. {OBruffador\ e Desse 



46 



vossas pide tórias ^ca teito sabido per Deosi = sejam 
vossas petic6es sabidas de Deus. {Novo Test, de i852). 

2.* Prefere se ser para o futuro, condicional, infinito 
e participio do presente (p. us.). 

3.* Occorre urna e outra vez jà ser por fbi: «Por 
orde de Rey ji ser transportadoi = por ordem do rei 
foi deportado. {San Clear). 

4.* As vozes dii'Sey fa^-se^ etc, sao passivadas ou acti- 
vadas, corno em inglés : teni papiado, temfeito, ou gen- 
tes té papié, genies téfa\é^. 

% 5.*» VERBOS REFLEXIVOS E RECIPROCOS 

Os verbos reflexivos assumem em geral a fórma in- 
transitiva : elloirosjà alegrà = elles se alegraram. Elle 
jd rependé = arrependeu-se. 

Se for necessario accentuar a accao reflexa dos verbos 
ordinariamente transitivos, p6e-se depois do verbo o 
regimen dos respectivo pronome, seguido de mésmo e 
antecedidd geralmente de per: eu té ama mi-mésmo ou 
per mi-mésmo = eu me amo; elle jd matd si-mésmo = 
elle se matou. 

Os pronomes nao servem para representar a accao 
reciproca ; tem de se empregar huma per outro ou huma 
e outro (infl. do inglés): ttossotros téamd huma per outro 
ou huma e outro = nós nos amamos; ellotrosjd engeitd 
huma per outro = elles se insultaram. 

§ 6.*» VERBOS AUXILIARES 
a) TEM « Ser, Estar, Havcr 

Presente. — Eu tem, nuntem: eu sou, nao sou. 
Imperfeito e Mais que perfeito. — Eu tinha, nuntinha: 
eu era, nao era; fora, nao fora. 



I Gentes é geralmente usado no plural. 



47 



Perfeito. — Eujà tetity nunca tem: eu fui, nao fui. 
Futuro. — Eu In tem, nada tem: eu serei, nao serei. 
CoNDiciONAL. — Eu lodiu tem, nadia tem: eu seria, 
nao seria. 
Imperativo. — Desusado. 
Participio presente. — Tendo: sendo. 
Participio passado.^— Desusado. 

Observa^obs : 

i .* Tinha, antecedido de verbo no presente, indica o 
imperfeito, e acompanhado de lo, toma-se condicional: 
€iNompodé tinha* == nao podia ser, nao podia ha ver. 
€Nué que este lo tinha o modo?* = nao é que seria este 
o modo? (Bautismo). ^Ella lo tinha so, si nuvé hum vi^i- 
riho* =s ella estaria so, se nao fora um visinho. (O Bruf- 
fadory. 

2.* Para o verbo tem representar a significacao do 
port. ter, p6e-se o sujeito em regimen indiretto com a 
preposi^ao per, antes do verbo, e o objecto em sujeito, 
depois do verbo: per mi tem hum livro (est mthi liber) 
=8 tenho um livro. Si per mi nuntem amor, eu nuntem 
nada (si charitatem non habuero, nihil sum) = se nao 
tenho caridade, nao sou nada. 

3.* Essa construccao, que tem parallelo no latim, e 
um reflexo das linguas indianas, que, incluindo até o 
sanskrito, exprimem por ser ou haper toda a idèa de 
posse. Nao é raro ouvir as creanqas de Gda dizerem : 
a mim tem, traduzindo litteralmente a phrase konkani 
-màkà àsà. 

4.* Per é substituido por né, se tiver o sentido do 
Jocativo, e por perto ou com, se denotar companhia, se- 
gundo o estylo orientai : Né ti tem hum demonio = ha 
em ti um demonio: tens um demonio. Perto mi tem 



I Mistia tinha quer dizer : era mister (que) estivesse, devia 



estar. 



48 



quorenta padagos de prata. Com ti tem (tu tens) o pa- 
lavra de vida eterno, 

5.* A dupla significaqao de ter, a antiga de posse e 
a moderna de existencia ou estado, occasionou a adje- 
ctivagao de muitos substantivos corno: fonte, secura 
(sede), forca, fraque\a. 

6.* Ha, porém, alguns passós em que o verbo ter 
parece conservar a sua sìgnifìcaqao primitiva, sem al- 
teracao syntactica' : Mas Deos tinha piadadeper elle = 
mas Deos tinha piedade d'elle (porém Deus d'elle se 
apiedou). Nós nuntem confianga né o carne = nós nao 
temos confianca (nao confìamos) na carne. Quem aqueU 
bora tinha quatro annos = que tinha entao quatro 
annos. Tendo dous olhos; tendo dous pés. 

7.* Para o verbo tem significar haver, antep6e-se-lhe 
o adverbio alla (= là), corno there em inglès e ^ em 
frances : alla tem = ha. ^Alld nontem lugar né ceos» 
= nao ha logar nos céos. (O Bruffador). 

b) SER 

O verbo ser, nao obstante estar supplantado por ter, 
nao desappareceu de todo do dialecto: conserva ainda 
algumas fórmas, e é elle o preferido em certos casos. 
Taes sao: 

a) Nué ou nuvé: nao sou, nao és, etc. Mais usado na 
3.* pessoa do singular. 

b) Ero: eu era, etc. So na poesia e em raros casos. 

e) Poi (raras vezesjd ser): eu fui, etc. Com o parti- 
cipio passivo: ^1 chomado^foi amado, foi govado^. Oc- 
corre mais na poesia que na prosa*, na linguagem col- 
loquiai é pouquissimo usado. E multo corrente a seguinte 
phrase: que foi = por que foi que, para que é que. 



I Analogo phenomeno se dà tambem no crìoulo de Cochim. 
3 Em Cochim, na linguagem litteraria. Cfr. Schuchardt, Kreo- 
lische Studien, n. 



49 



d) Lo ser: serei, etc. Preferido a lo tem^ e usado tam- 
bem corno auxiliar. 

e) Nada ser: nao serei, etc. Usado egualmente corno 
tem. 

f) Seja ou seija: se, sède; eu seja, etc. Usado ex- 
clusivainente no imperativo e preferido no conjunctivo 
sem ser auxiliar. 

g) Si/or, si/ora: se for, se fora, se fosse. Pouco 
usados, mais nas phrases: sifor possivel, si/ora po$- 
sivel. 

h) Sendo. Usado egualmente corno tendo. 

OBSERVA90ES : 

I.* Ser tambem se emprega corno imperativo, con- 
forme a regra geral: tSer adorado de todosi = se 
adorado por todos. {Cantigas de 1893). 

2.* O verbo ser apparece usado comò finito sem ne- 
nhuma particula: tOs reys de este mundo tem leste 
per toma, mas nao ser leste per dai = os reis d'este 
mundo sao promptos para tomar, mas nao sao prom- 
ptos para dar. tO escuridade de anoute ser passa- 
do» => passou-se a escuridade da noite. e Né ceos vós 
ser descan^ado» = vós descancareis nos céos. cQue 
hum sayao que vossotros nao ser1^ = que pena que 
nao sejaes. (O Bruffador). 



S ?.• VERBOS ANOMALOS 

Denomino verbos anomalos os que apresentam uma 
ou mais fórmas organicas ou irregulares. Taes sao os 
seguintes: 

a) PODÉ ^ PoDER 

Presente. — Podi ou poi, numpódi: posso, nao pos- 
so, etc. Ha tambem podé, numpodé, e sao mais usados. 
Imperfeito. — Podia, numpodia. 
C0NDIC10NA.L. — Ijì podia : poderia (ou pudesse). 



5o 



t) QUERÉ ou qVERRÉ « Qi 



Presente. — Quer: quero, etc. Tambcm querré sem 
té no presente. Ninquer: nao quero, etc. 

Imperfeito. — Queria ou querria, ninqueria. 

Futuro. — Lóquer: quererei, etc. Pouco usado, pre- 
ferido lo querré K 

e) MISTE « Sbr Mitmt, Devbr 

Imperfeito. — Mistia, nemistia: era mister que eu, eu 
devia, etc. 

Nao tem participios. 

« Vós mistedia olhà • = vós devieis ver (era necessa- 
rio que visseis). (O Bruffador). • 

rf;Kyl/ouVAY-lR 

Perfeito. — jàfoi: foi, foste, etc* 
Presente do conjunctivo. — Vamos. Auxiliar. 

ej DEIXÀ ou DESSÀ « Dbixar 

Presente do conjunctivo — Desse: deixe. Auxiliar. 

Observa^oes: 

I.* Os verbos podé, querré e miste nao admittem té 
no presente. 



J Vid. querer, quis^er e querrendoniente no Vocabulario. 
. 2 Foi,fóra,for nio se empregam promiscuamente na dupla ac- 
cep^eo de ser e de ir. Jàfoi é sempre o preterito perfeito de ir, nao 
so no dialecto de Ceylào, mas tambem no de Cochim, comò é 
claro dos especimes publicados pelo sr. Schuchardt, que, todavia, 
ve ahi um tempo do ser («Von ser fìndet sich nicht nur das Praete- 
rìtum jafoiy wo das ja abundirt.»): Eu jafoi por Aracudi, Ante 
tarde jafoi dos manchu. Sinhor bispo jafoi per encontra. Tudo ja- 
foi por lugar de Light House (pharol). Governo com su gente ja- 
foi por Madrasta. Elle jafoi por servi. Quando o velho jafoi. 



5i 



2.* Alem das anomalias jà notadas, ha umas poucas 
fórmas estereotypadas, pela maior parte usadas na 
poesia: ade = ha de; vm = vem (imperativo); javi- 
rati =a vieram ; man' ou mande =3 mande ; està (està 
gopemadOf està combersado). Encontram-se tambem as 
seguintes phrases: fai conta = faze ou fazei conta*; 
destar == deixe estar; tem basta ou baste «=■ basta*. 
lO tempo passado de nossa vida tem basta per nós» 
= basta-nos o tempo passado da vida. (Nopo Testa- 
mento de i852). 

3.* Ha na poesia vestigios: aj do imperfeito organico 
em pè, às vezes com a signifìca^ao do infinito: curavi, 
repost ave (respondia); b) da 2.* pessoa do plural do 
imperativo da i.* conJuga(;ao: loupai, cantai, olhai, ju- 
dai^; e) da i.^ pessoa do plural do presente da mesma 
conjuga^ao: louvamos, allegramos. 



VII. — PREPOSigAO 

Né (de na, usado em alguns crioulos) està por em: né 
casa, né tentagào. Em occorre em certas phrases auto- 
maticas: em verdade, em vào, em fa\, em laste: emfim^ 
por ultimo. 

De substitue desde e por (instrumentai e locativo): de 
sua pouco idade = desde a infancia. Tinha enganado 



1 9 Fai (por/jf)». J. Leite de Vasconcellos, Dialectos trasmon- 
tanoSy I. 

3 Basta talvez esteja ^ov bastante : •Tinha contado basta» ■■ jul- 
gava-se sufficiente. (Bautismo), «Basta per assilei huma tem o 
castigo» = bastante ao tal é o castigo. {Novo Testamento de i85a). 
Bastanto significa muito, muitos. 
3 «Ó minha alma, tu iouvai 
E per o Senhor adorai». 
«Louvai nós [louvemos] a Jesus.» 
{Caniigas, de 1871). 



52 



de sabios = tinha sido enganado pelos sabios (magos). 
Jd parti per sua terra de outro hum caminho = parti- 
ram para o seu pafs por um outro caminho. 

Per (de pera ou para, pouco usado) abrange tambecn 
a preposigao a: buscd per o minino. Lo da per ti. Dà 
sabé per mi = dae-me a saber'. 

Vide suppre por, por causa (prò, propter): vide ti =» 
por ti, por tua causa. Vide hum revolta = por causa 
de urna revolta*. 

Tocando e redundo estao por tocante e ao redor de : 
tocando este ponta, redundo elle. 

^5t = assim, corno preposi^ao, significa cerca, perto: 
tSahindo assi per terceiro hora» = sahindo petto da 
bora terceira. {Novo Testamento de i852). 



Vili. — ADVERBIO 

Os adverbios sao formados dos adjectivos màsculi- 
nos, por serem invariaveis nesta fórma: direitomenie, 
seguradomente, clarmente. 

Temos adverbios dos ordinaes: do:{eiromente, tre^ei- 
romente, quartomente, quintomente, seistomente. 

Nao é raro formarem-se adverbios dos substantivos, 
particularmente se estes tiverem significando adjectiva: 
cuidadomente = cuidadosamente, boventademente = de 



« As Cantigas de 1871 teem a: •A \ì cu chomé». •A mi per 
supporta.» «Mostra bondade a teu servidor». 

3 O sr. Schuchardt observa : «Dieselben, welche nada fUr nade 
schreiben, schreiben vide, ^wegen', fùr vida {=^por rida de, wie in 
gleichem Sinne/H^r amor de angewandt wird)». Kreol. Studien, n. 
Encontra-se tambem vida nesta accep^So : «Trabalhando vosso- 
tros juntameAte com ora^ao vida nós» (prò nobis). (Novo Testa- 
mento de 1852). «Este tem minha corpo que tem dado vida vos- 
sotros» (prò vobis). «Feo historìa de hum menina, quem vida [pro- 
pter quam] hum bunito macéo [mancebo] jà fiigé de sua casa». 
(O Bruffador), 



53 



boa vontade, anxiamente = anciosamente; ciiomente = 
prudentemente, forcameitie = formosamente. 

De abundd (abundar) se faz abùndamente = abun- 
dantemente; de quet^endo, querendomente = volunta- 
riamente; de sempre, sempremente = eternamente; de 
cedo, cedomenie {cedo é tambem adjectivo); de tanto, 
tantomente: mais tantomente = outro tanto ^ 

Quilai (que laia) e qtiemodo estao por comò, assim 
comò: quilai hum luminairo = comò um relampago. 
Quemodo nós lo podé fa\e aquél? = comò o podere- 
mos fazer? 

Sutfida = sua vida, significa : durante a vida, por 
toda a vida: cEu suvida nunca busca per ellei = nSo 
o procurei durante a (minha) vida. (O Bruffador). 

Lugarmesmo està por no mesmo logar, e namds (= 
nao mais) por semente. 

Pódeser ou pódiser é usado adverbialmente por tal- 
ve:^: pódeser eu lo mora com vossotros = talvez eu mo- 
rarei com vosco ^. 

Os adverbios comparativos melhor e peior admittem 
a particula mais, do mesmo modo comò quando sao 
adjectivos^. 

O adverbio nào, quando proclitico, toma diversas fór- 
mas: nan, nom ou non^, num (numpodé), nun (nuntinha), 
nin (uinquer), nu (nué, nuvé), ne {nemisté), ni {nimistà), 
n (nada, nade = nao ha de) 5. 

De nunca temos nonco, noco, nuca, nucu. 



i No dialecto de Macau : logomente, 

3 Tambem no dialecto de Cochim. Cfr. peut-étre em francés. 

3 Cfr. tambem : «Ainda que mais tanto que eu té ama per vos- 
sotros, mais menos eu tem amado» => ainda que amando-vos eu 
mais, seja menos amado. {Novo Testamento de iSSi). 

4 Port. arch. 

5 Cfr. J. Leite de Vasconcellos, Dialectos interamnenses, m: 
«Nem é mister». «Num téins», «nu qeiras», e Dialectos extreme- 
nkos, i; «Nà vàs», «nà quero». 



54 



K.-CONJUNCgAO 

A conjuncgao que substitue quasi sempre para que : 
que podiajìcà feito = para que se cumprìsse. 

Quehora, que tempo estao por quando. 

Vidèque significa: pisto que,porque; e Ptdèaquél: visto 
isso, por isso, por tanto. 

Comtodo =a comtudo, vae sempre antecedido de mas: 
mascomtodo. ^Mas comtodo eu nao tem vergonhadoj» = 
porém nao me envcrgonho. {Novo Test, de iSSa). 



IH 
SYNTAXE 



A syntaxe do crioulo ceylonense nao differe muito da 
syntaxe portuguesa; nao é, porém, tao complicada. 

A sua grande simplicidade provém assim da necessi- 
dade de clareza, corno da invariabilidade dos verbos 
e dos adjectivos. 

Muitas das particularìdades morphologicas deman- 
dam regras s)mtacticas especiaes. 

Ha varios idiotismos, que sao antes excrescencias, 
introduzidas, as ùiais das vezes, de linguas estranhas, 
as quaes so na Phraseologia é que se podem individual- 
mente estudar. 

I. — SUJEITO E PREDIO ADO 

O sujeito precede em regra o verbo, e e quasi sem- 
pre claro na prosa, ainda que seja da i/ ou da 2.^ pes- 
soa : Eu té sabé eu que lófa\é = sei o que bei de fazer. 

O agente da passiva é sempre expresso pela prepo- 
si<;3o de (generaliza^ao da construcgao portuguesa): 
Nuntinha curado de ninguem = nao era curado por 
ninguem. 

O predicado adjectivo é invariavelmente masculino e 
singular: Todo peccados e blasphemias lo ser perdoado. 
«O noiva masque tinha bum pouco trigueiro jà pàrcé 



allegre e bunitOM = a noiva, se bem que era um pouco 
trigueira, parecia alegre e bonita. (O Bruffador). 

Os pronomes possessivos sao usados, em geral, na 
fórma feminina e teem plural, se se referem ao nome 
plural: Este buco tem minha = este livro é meu. Este 
cabaias tem possas = esses casacos sao vossos. 

Posp6e-se muitas vezes ao sujeito o predicado rela- 
tivo e interrogativo (influencia indigena'): Elle que qtierré 
tem =a o que elle quer é. Elle que mal jà fa\é? = que 
mal fez elle? fi Lucy que jà falla tinha verdade» = o que 
Lucia disse era verdade. (O Bruffador). Este quem? 
= quem é este?* 

O apposto resolve-se commummente em proposi^ao, 
ou alias requer o artigo definido: Maria quem tem fi- 
Iha de Anna =3 Maria, que é filha de Anna: Maria, filha 
de Anna. Deos o Pai. Herodes o rey. Isaias o propheto. 

As particulas dos verbos precedem o sujeito nas ora- 
coes interrogativas, à imita^ao do ingles: Té Deos sabé 
todo cousas? (does God know everything?) = sabe Deus 
todas as cousas? Lo elle chomd per ftossotros? (mll he 
cali US?) = chamar-nos-ha elle? Là elle andd? = irà elle? 

Mas se o interrogativo que seguir o sujeito, a parti- 
cula antepoe-se immediatamente ao verbo: Vós que té 
fa^é? =■ que fazeis ? 

Usa-se frequentemente o indicativo pelo conjunctivo: 
Pregafàojd comegd ansque eujdfoi=^ o sermao come- 
cou antes que eu chegasse. Masque pós tem hum obreiro 
= ainda que vós sejais operarlo. 

Emprega-se o futuro pelo presente do conjunctivo, 
quando nao se trata estrìctamente do tempo actual: 
Ora que possotros nada entra né tentando = orae para 
que nao entreìs (para nào cahirdes) em tentacao. Que 



i Tambem no dlalecto de Góa. 

2 SO nesta phrase vejo o verbo subentendido, o que é multo 
frequente no dìalecto de Mangalor, por influencia do concanf. 



\ 



nada parcé per gentes = para que nao se pare<;a com 
a gente. Que cadahum laser achado fiel = para que 
cada um se ache fìei. 

O infinito que segue o finito é, de ordinario, prece- 
dido da preposi^ao per: Parcé per tem per elle: parece 
ter elle, Tem mal per fa\é graga com peccado: é mau 
brincar com o peccado. Non tem bom per ri: nao é 
bom rir-se'. 

Nistd e impé se usam em geral no presente, ainda 
em rela^ao ao passado: cJà toma bum pouco mais do 
que nistà^ = tomou lun pouco mais do que era neces- 
sario (mais do que devia), e Assi comò eu impé» = as- 
nim que eu estava em pé. tO gentes quem impé perto 
Christo ja olhà sua trìstéza» = a gente que estava perto 
de Christo, viu a sua tristeza. (O Bruffador). 

Muitos verbos intransitivos sao empregados corno 
transitivos, e os reflexivos assumem a forma intransi- 
tiva : Confid minha palavra. Ellotros jd alegrd. 



II. — COMPLEMENTO 

Os complementos directos e indirectos seguem em 
regra o verbo, sem mesmo se exceptuarem os prono- 
mes*: Eu lo dd per ti == dar- te-bei. Si tu lo cahi de 
bruco e adord per mi = se cahires de bru^os e me ado- 
rares^, 

O regimen directo, muitas vezes, e o indirecto, sem- 
pre, sao precedidos da proposi^aojp^r, comò nos exem- 
plos supra. ^Saudd per ellotros quem té amd per nàs 



I Talv^z por influencia do ingl. tOy que acompanha todos os 
verbos infinitos. 

3 Tambem nos dialectos de Cochim e de Mangalor. 

3 Nos crioulos de Mangalor e de Diu nfio é raro antepor-se, 
na linguagem espontanea, o objecto ao verbo, por influencia indi- 
gena. Tambem em G6a. 



58 



né o fé. {Novo Testamento de i852). t Té entregà per 
POS per o $àpir9 ss entrega-vos ao carcereiro. {Novo 
Testamento de 1826). 

No concurso, o regimen directo antep5e-se, sem prepo- 
sicao, ao indirecto: Eujd dà aquél per elle = dei-lh'o'. 

O pronome regimen é às vezes anteposto a prepo- 
si^ao para ou pera do verbo que a rege*: Elle para 
entregà = para o entregar. Elle pera mata = para o 
matar. Nós pera tormenta = para nos atormentar. 

O complemento possessivo òu determinativo (geniti- 
vo) forma-se, de ordinario, exprimindo-se primeiro o 
objecto possuido, depois o pronome sua e emfim o 
possuidor : Peter sua filho (Petri filius) = o filho de 
Fedro. Ella sua falsa esperanca = a falsa esperanqa 
d'ella (a sua falsa esperanca). Vossotros sua gloriagào 
= a jactancia de vós (a vossa jactancia). Eu sua vida 
== a vida de mim (a minha vida)^. 

Esse phenomeno, que se toma mais sìngular nos pro- 
nomes e qùe se dà tambem em alguns outros ramos do 
indo-portugués e no crioulo de Macau, so se póde ex- 
plicar pela ìnfluencia das linguas indigenas. O genitivo 
do pronome pessoal é ao mesmo tempo o pronome pos- 
sessivo nos pràkritos, comò em singalés : magé (pron, 
magué) = de mim, meu; em concani: tàcho = d'elle, 
seu. Tomou-se sua com signal do genitivo*, na falta de 
casos, e juntou-se nao so aos substantivos, mas ainda 



1 Alguns verbos rcgem com em vez de per, para exprimirem o 
objecto indirecto ; Pruntà com eUe, Pidé com eUe* Conta com mi 
=3 conta-me. Tambem és vezes: eu tepide o\x pruntà de vós, corno 
em ingl. : / ask of you, 

2 Particularmente no f^ovo Test, de 1826. 

3 Cfr. as phrases do dialecto de Singapura : Eu sua corpo tem 
sujo, Jà mata eu seu cavallo. Em Cabo-Verde : di-meu, di-nós, etc. 

4 Em Ceylao a preposÌ9ao de é mais usada na signifìca^ao de 
por e desde : De outro hum caminho = por outro caminho. Jà falla 
de o propheta = disse pelo propheta (per prophetam). De minino 
idade = desde a infancia. 



59 

aos pronomes sujeitos da i.* e 2.* pessoa, para se accen- 
tuar melhor a ideia de posse ou de determinaqao'. 

Numa mesma phrase occorre sua corno possessivo 
normal e corno partìcula do genitivo: «Per sua tanta 
sua casa3 = para a casa de sua tia. (O Bruffador). 

Apparece jà na poesia a fórma do genitivo inglés: 
n Espirito' s Santo dom» =f: o dom do Espirito Santo. 
«Com Jesu'^s grande dors» =» com as grandes dòres de 
Jesus. {Cantigas de 1871). 

Empregam-se frequentemente os possessìvos femini- 
nos pelos pronomes pessoaes antes das preposiqoes 
perio, Junto, juntado, trds (atras), segundo a construc- 
gao orientai: Sua perio = perto d'elle. Minha juntado 
= junto de mim: commigo^. 

As preposi^Óes perio, junto, redondo (= à roda de), 
diante, basso (= debaixo), nem sempre requerem de: 
Perto mi^=s perto de mim. Redondo elle = à sua roda. 
Diante sua pés. Basso chào = debaixo da terra. 



1 O dialecto de Mangalor, porém, parece que seguìu processo 
diverso : adoptou o 5 do genitivo inglés corno substituto do cho 
ou fo do concanf, no qual està enxertado, e generalizou-o nao 
so a todos OS nomes, mas até és preposi^oes e ao proprio su (seu, 
sua): Riu's banco; hombri's olho*s casco. Riu's dentro; Vusse's fi- 
Iha's perto (com vossa filha: idiotismo concanf); meja's riha, Su's 
paixoens; su's lija superficie. Su's nao pode ser o plural de su, 
corno entende o sr. Schuchardt; esté por elle sua {= d*elle) dos 
outros crioulos, e tem o seu paraUelo em Bofs [vós-su: de vós, 
vosso; s com som dobrado). Usa-se para intensificar o sentido ou 
para evitar ambiguidade. ' 

2 Tambem nos crìoulos de Cochim, de Mangalor e de Singa- 
pura. As referidas preposÌ96es sao, na maior parte dos pràkritos, 
substantivos inflexos, pospostos ao genitivo das palavras que os 
regem. A fórma basica, geralmente feminina, dos possessivos sub- 
stitue o genitivo dos pronomes pessoaes, comò em concanf : maje 
Idgim a na minha contiguidade : perto de mim; commigo. Em sin- 
galés, porém, o genitivo do pronome, indeclinavel, suppre o res- 
pectivo possessivo. 



6o 



Posp6e-se às vezes a preposiqao, particularmente na 
poesia: Aquélper depois = depois d'isto, Aqud fórdè = 
excepto isto. Dms throno diante = deante do throno de 
Deus. 

Omittem-se em muitos casos as preposicdes com os 
complementos de logar. Hum cidade [na] borda de o 
mar. Jà foi [para] sua piagem. Miuha ntulher non ti- 
nha [nao estava em] casa. 

Ha muitos substanti vos que dispensam as preposi- 
coes de regencia depois ou antes de si. Taes sao os 
principaes: 

Padaz (= pedaco): Paddi coke = pedaco de bolo. 
Paddi s^^do = pedalo de sabao. Padd^ a\ul fitè = 
pedaco de fita azul. 

CopA (= copo, por «chavena», «chicarai): Hum bom 
copa coffee = urna boa chicara de café. Aque tem hum 
sabroso copa tea == aqui està urna saborosa chavena 
de chà. 

VìDOR (= vidro, por «copo de vinho»):Firfor vinho = 
copo de vinho. Vidor whisky = copo de whisky. 

BoTTLE (= garrafa) Bottle vinho = garrafa de vinho. 

Par: Par boots = par de botas: Tres par més = 
tres pares de meias. 

Hum pouco: Hum pouco whisky = um pouco de 
whisky. Construccao ingleza : a little whisky. 

Casa (antes de si) Festa casa = casa de festa. Bailo 
casa = casa de baile. Morte casa =^ casa de morte. 
Minha mulher non tinha casa = mìnha mulher nao es- 
tava em casa. 



Ili— PARTICULARIDADES DE DIVERSOS 
ELEMENTOS DO DISCURSO 

§ i.« NOMES 

Alguns substantivos abstractos sao empregados ex- 
elusiva ou simultaneamente comò concretos : ami:{ade = 



6i 



amigo; inimi^ade = inimizade e inimigo; idade = velho 
(tambem adjectivo == idoso) ; certe^a == certeza e certo. 

Varios substantivos teem tambem a significacao dos 
respectivos adjectìvos: fame = fome e faminto; secu- 
ra = sede e sedente: tO pobre fome soldado» = o 
pobre soldado faminto. e Quando ^/^f a ventos dai» = 
quando fones ventos sopram. (O Bruffador). # Quando 
OS Apostolos tinha vida e tinha pregoà» = quando os 
Apostolos eram vivos (viviam) e prega vam.(-B^w/iswo). 
fSuas cartas tem peso e poderoso» = as suas cartas 
sao graves e fortes. {Novo Testamento de i852). 

Adjectivos substantivados : campai = campo; preso 
= prisao (carcere); virado = erro, desproposito ('tam- 
bem = torto, louco) ; pefonhoto = animai pe<;onhento. 

Os adjectivos antecedem commummente o substan- 
tivo que qualificam, nao porém tanto comò em inglés e 
nas linguas indianas: cGeral orde»; corigìnal peccado»; 
tvirado lembranqa» = pensamento errado. (Bautismo). 
cDivino bencao»; csurdo home». (0 Bruffador). 

% !.• ARTICO 

CoUoca-se o artigo defìnido depois do adjectivo en- 
tetro e antes do relativo qtiem = o qual; enteiro odia; 
enteiro o cidade; enteiro o mundo. cPar o quem os ceos 
miste recebé». «O principe de vida o quem Deos jà re- 
suscita». (Nom Testamento de 1826). 

Pospoe-se muitas vczes o artigo hum ao adjectivo, 
ao possessivo e ao interrogativo: Tinha [era] bom e 
capai hum menina. Tinha [havia] grande hum calma. 
e Certamente lo mista tem hum multo burro hum home 
quem lo falla» = certamente deverà ser um homem 
muito estupido quem disser. (Bautismo), Minha hum 
palavra = urna minha palavra'. Que hum vergonha! 



1 Influencia indigena. Magé ek vachanaya : singalés. Majetn ek 
uttar: concani. 



62 



= que vergonha. Que hum doudice? = que doudi- 
ce? Que hum sqyào! = que pena!' 

§ 3.0 PRONOMES 

Usa-se euj se bem que raras vezes, no complemento 
circumstancial*: Tem paciencia cotti eu. cFazé novo tié 
eu hum direìto espirito» = renovai em mim um espi- 
rito recto. (O Bruffador), tPer mostra respeito per el- 
lotros quem tem sober eu* = mostrar respeito aos meus 
superiores. (O CcUhecisntó). # Dos filhos de eu = meus 
dois filhos». (Ourson). 

Elle, ella substituem o pronome aquelle, aquella antes 
do relativo que, comò o inglés he: Ella quem tinha o 
mulher de Urias» = aquella que era a mulher de Urias. 
{Novo Testamento de i852). 

Nittguem e tiehum nao sao sufficientes para negati- 
var a oracSo sem o auxilio de outra negacao: Nittguem 
tiào nega = ninguem nega; ninguem nunca nega = 
ninguem negou; ninguem nada nega = ninguem ne- 
gare: Ninguem de nós nuntem assi dodo = nenhum 
de nós é tao doido. Nehum ladrào nao ser alla = ne- 
nhum ladrao haverà alli^. 

§ 4.» PARTICIPIOS 

Emprega-se o participio do presente pelo infinito, à 
imitacao do inglés: cQuebrantadocom viziando* = que- 
brantado pelo velar. Negligando salva^ao» = o descui- 
dar da salvarlo. (O Bt^uffador), e Né louvando e ser- 
vindo per Deos» = em louvar e servir a Deus. cNé 
preparatuio hum comeira» = em preparar um jantar. 



I Construc^ao inglesa : What a shame 1 what a foolishness ! 

3 Tambem em Macau. Nos cantos populares do Brazil dà -se 
egualmente este phenomeno. Nao se ve, porém, no indo-portugués 
o uso dos pronomes regimens em vez de pronomes sujeitos. 

3 Este phenomeno é frequente em portugués antigo. 



63 



(O Catechismo)^. tMourdindo de dentes» = o morder 
de dentes (Novo Test, de 1826). 

Apparece tambem com attributivo, pela mesma ra- 
zao: Hum pei^doando Deos {a forgiving God) = um 
Deus perdoador cu que perdoa. Salpando nome = nome 
Salvador ou que salva. Conjìadors suffrindo = fieis que 
soffrem. 

§ 5.» PREPOSI(;OES 

Conforme rege a preposicao de ou per antes do sub- 
stantivo: Conforme de suas obras. Conforme de tua 
palavra. Conforme per o Evangelho. 

Lingo (= lìngua) requer frequentemente a preposicao 
de antes do adjectivo qualificativo: Lingo de Chinglà = 
lingua singalesa; lingo de greco = lingua grega. 

O cardinal usado pelo ordinai é seguido tambem da 
preposicao de: Tres de capitulo = terceiro capitulo. 
Cinco de parte = quinta parte. «Desde bora de seis ti- 
nha escuridade sobre todo o terra até bora de nope.3 
{Novo Testamento de i852). 

As preposicoes despois e até pedem o verbo no finito: 
Depois de fé jà vi = depois da fé vir. Até o mundo té 
dura ==^ até (emquanto) o mundo durar. Até sua ma- 
rido té vive = até seu marido viver. 

Apparecem pelo e pela, posto que raramente, em lo- 
gar de por: Pelo teu grandùrè; pelo o Espirito de Deos; 
pela ella; pela Pedro; pela Deos. 

§ 6.» CONJUNCgÓES 

Ha casos em que se omitte a conjunccao que da ora- 

qao incidente: Tem certo miste vi = é certo que deve 

vir. Mistia tinha = era mister que tivesse; devia ter. 

Supprime-se algumas vezes a conjunccao copulativa 

• entre dois verbos de significacao quasi reduplicativa 



Fernao Lopes diz: sem sabendo, serti levando intenfdo. 



64 



(influencia das linguas indigenas): Jd passa andd, pas- 
sou-se, foi-se. cEu jà burd tird todo vossas peccados» =a 
eu borrei (apaguei) e tirei todos os vossos peccados. 
cElla nompode corré-passid corno nós» = ella nao pode 
correr e passear corno nós. (O Brujffador). 



IV — COMPOSTOS 

Faz-se multo uso^ sobretudo na poesia, de compos- 
tos de varias especies, o que e pela maìor parte devido 
à influencia do inglès. Eis alguns especimes : 

Determinativos: Preso-casa = casa de prisao. Bar- 
ro-casa = casa de barro. Casa-lugdria = aluguel da 
casa. Barro corpo = corpo de barro; beberajo chaps = 
lojas de bebidas. Conta'papeI=papeì de conta. Ouro-co- 
roa = coroa de ouro. Péstia-flecks = manch^s da peste. 
AnJ0'a:{as = azas dos anjos. Bible-nomes = nomes da 
Biblia. Neve-branque\a = brancura de neve. Aquella 
terra gentes = a gente d'aquella terra. Porta-rua (sem 
inversao dos membros) = porta da rua. 

Qualificati vos: Avo-pai = avo paterno; avo-mai = 
avo materno. Securachao = terra arida. Tyranno-vida 
=3 Vida tyranna. Anjo cuidador = anjo da guarda. 
Fonie-crfstal = fonte crystallina. Pé-solto = descal9o. 
Meninotempo = tempo infantil: infancia. Primo-ferida 
= primeira ferida. Advocat-Senhor = Senhor (que é) 
advogado. Nau-quebrado = nàufrago. 

LocATivos: Anno dia =» no primeiro dia do anno. 
Hharga-ferido = na ferida do lado. Caminho-terra = 
caminho por terra. De-ceos-Visitador = visitador (vindo) 
dos céos. 

Causativos: Dor-quebrado = quebrantado pela dor. 

G)PULATivos: Mulherjìfies = mulher e filhos. Pai- 
mai = pae e mae (paes). Man-pei = mao e pé (maos 
e pés). Casa-porta = casa e porta (negocios domesti- 
cos, governo da casa). Faiofa^endas = fato (alfaia) e 



65 



fazendas. Penasdor = penas e dòres. Fome-secura = 
fome e sede. Trabalho-servico» = trabaiho e servi(;o. 
Adverbiaes: Fóra-banda = exteriormente. Dentro- 
banda = interiormente. DentrO'Po:^ = voz interior. 
Dentro-ceos = céos intemos. Vindo-dentro = entrada. 
Anierméo = intermedio, interposto. PertO'Pi\inho =■ 
vizinho proximo. Perto-parente = parente proximo. 
JuntO'herdeiro = coherdeiro. JufUado-rogos = ora^Se» 
communs. Diante-casa = casa defronte. Tra^-parte = 
parte trazeira. Cahidas-per-tra^^ = recahidas, reinci- 
dencias. Fórdè-sentido = dementado. 



\ 



IV 
LEXICOLOGIA 



Se bem que estejam expendidas no Vocabulario todas 
as peculiarìdades grammaticaes e ideologicas e indicada 
a etymologia das palavras heterogeneas e desfiguradas, 
julgo conveniente dar aqui umas no0es geraes e sue* 
cintas sobre a formacào do lexicon indo-portugués. 

O dialecto de Ceylao representa na sua essencia a 
lingua portuguesa dos seculos xvi e xvii, corno era fal- 
lada pelos portugueses durante a conquista e a domi- 
nando da ilha. 

Assim vemos alguns vocabulos que representam os 
que hoje sao antiquados ou pouco usados em Portugal, 
corno: adem, antos, bàtica, bouttqueiro, envisté, gafo^ 
papid, papiafào, paieca, sombreiro, bota, corno, fede. 

Temos tambem muitas fórmas archaicas, corno: acd, 
cdembrà, altmdade, antre, avod, bendifdo, cambiador, 
compdnha, cotitino, contrairo, correif So, fremoso, fruita, 
grandura, herdanca, inalino, pera, piadade, plenidao, 
re\ào, trefào. 

Ha egualmente varias accep^oes antiquadas, comò: 
chumaco por ttravesseiro», falld por «dizen, officina, 
por «imprensa», pinchd por cexpulsar com violencia», 
pivenda por e modo de viver». 

Os conquistadores adaptaram nomes portugueses a 
ob^tos diversos, por analogia, comò: bago ao lobulo 
de jaca, castanha à sua semente, bagulho a semente de 



68 



tamarindeiro, caria (= carie) à formiga branca, ^go à 
banana, pera a goiaba, rosa ao cravo de Tunis ou de 
defuncto'. 

Apropriaram-se tambem de muitos termos indigenas, 
pertencentes a urna ou mais linguas, e generalizaram-nos 
a todos OS ramos do indo-portugués. Taes sao de entre 
muitos, alem dos de moedas, pesos e medidas: achar, 
apa, araca, bambù, batte, ba:{aar, cabaia, cairo, caldo 
(bilha), canja, caril^, chela, chiado (astuto), chita, chu- 
name (ou chunambo)^ copra, fota, fula, gudao^^jagra, 
mate* (barro), maynato, ola, rota (bengala), saguate, 
sura, toca-boca^. 

Alguns idiomas indigenas, nomeadamente o singales, 
o tamul e o hindustani, contribuiram com o seu conti- 
gente, posto que minguado, para o lexicon do crioulo, 
comò: aio (interj.), bodrimo, cacada, chabuco, china- 
patd:{, chipi, chulo (archote), chumd, cuda, cudo, culi, 
goma, lichim, manduco, meron, patta, papus, péti, ra- 
bana, sastra, saydo, supo, tappai, tone, tortil, patti. 

Houve, alem d'isto, infìltra^oes das linguas dos do- 
minadores posteriores. O hollandes nao deixou muitos 
vestigios no dialecto; ainda assim temos: ambal, artaple, 
drtei, baas, bérger (burgher), biade, dace, drek, estopo. 



I Tagetes erecta, Lìnn. 

3 Corti (dial. Cochim, con) vem de kadhi (konkani, maratha, 
guzerata) ou de kali (maléyalain, tamul), d'onde o ingl. curry. 

3 Alguns lexlcolc^os portugueses derìvam gudao do ingl. go- 
down, « Godown, n (corruption of Malay gàdong\ warehouse (East 
Jndies)»: Webster's Dictionary, 

4 Em mate (» terra, barro, e nao «matto») nSo ha mudan9a de 
o em e, comò suppde o sr. Schuchardt (Krecl. Stud,, m), mas sim 
do I longo prakrìtico em e surdo : mate = màti, sansk. Hlrl^hl» 

5 «Todos OS nomes que virdes, que nao sam portuguezes, sam 
malavares; assi comò tetre, chuna, que he cai, maynato, que he 
lavador de roupa, patamar, que he caminheiro, e outros muitos». 
Garcia da Otta. Patmarim significa hoje barco de vela de dois ou 
tres mastros. 



N 



J9_ 

flau, Jlek, folmac, hamcoon^ hoc, jiifrau, lodo (sonda), 
moojr, omp, plot, rat, régel, tac, trap, sdpier, slénger, 
stdiicy tante, vdndelar, van\, vénkeU 

O inglès, pelo contrario, continua na sua invasao per- 
sistente, e supplanta muitas palavras genuinas ou com- 
pete com ellas parallelamente. Notarei em particular: ad- 
dress, acceptd, armi, baby, band, bank, bankroot, basin, 
beer^ bible, bill, blanket, boat, boat, botile, box, buco, 
coke, cap, chap, club, coffee, concert, copy, court, cover, 
dandy, deck, disk, drop, eameste, engineer, glass, gotvn, 
grammarj grog, hender, ice,jam, laste, letter, lord, ma- 
dam, map, matches, meeting, mile, notice, office, officer, 
paun, pension, pili, pipe, poter, railtpay, repentà, rule, 
sir, sleck, stamp, suspicio, tax^ tea, train, waggon, waist- 
coat, mne^. 

Ha tambem palavras portuguesas com termina;des 
inglesas, comò: continuai, internai, terrestrial, euro- 
peano; afflictd, constructà correda, pr evala, proposd, 
protectd. E vice-versa: estavel (= stable, subst.), pas- 
savel, requirivel, generalmente, lastemente, richomente, 
contendo, distresso, extento, suspigan, testimonio. 

Os nomes proprios (nao os appelUdos) sao commum- 
mente ingleses: Peter, John, Stephen, Henry, Alice, 
Jane, Lucy, Mary^, Ceylon, Kandy. 

Sao tambem geralmente ingleses os nomes dos mezes: 
January, March, October. 

Ha finalmente varias palavras cuja fonte nao pude ave- 
riguar satisfactoriamente, comò: abld, dmper, bangid^ 
chisto, codi, der, flenx, laviacào, muduco, pamperlao, 



I Quasi todas estas palavras conservam a pronùncia inglesa. 
Cfr. tambem : Novas-papela (newspaper) = jornal, parte-possui- 
dar {share-holder) = accionista, sohrepassà (surpass) = ezceder, 
complemento {compliment) = cumprimento, stretto (suhject) «= 
assumpto. 

3 Sallo, Challo, Katho, Ango sao fórmas hypocoristicas de: 
Salvador, Charles, Catharìne, Angelina. 



70 



pompón'a oupampòria, póuchi ou pùchiy quindi^ refenga, 
sàriants, trusamento, ùnti ou óumt. 

Alguns vocabulos portugueses ficaram deformados 
com o andar do tempo, corno: albre (arvore), bacia (ba- 
talhar), bruffd (borrifar), córes (correias), gavertd (es- 
gravatar), istàmu (estomago), pastro (passaro), pruntd 
(perguntar), suste (succeder), alfada (almofada), carta 
(acarretar), contrid (contrariar), conversdo (conversa- 
mmo), lantd (leantar), nistd (necessitar), sùppodo ou sùp- 
pudo (subito). 

Muitas anomalias dos derivados foram supprìmidas, 
com o fim de apparentemente os normalizar com os 
themas, comò: capa^^dade (capacidade) de capa^, cantra- 
di\ào (contradiqao) de contradt:{é, duvidade (duvida) de 
duvidd, escrevedo (escripto) de escrevé^ favor d (favorecer) 
de favor ^ feli\idade (felicidade) de fdi\y feudade (feal- 
dade) àtfeu (ftio)^ feldade (fidelidade) dtjiel, fartela 
(fortaleza) de forte^ frieudade (frialdade) de frio, pari- 
dura (parto) de pari, permanescente (permanente) de 
permanecé, pintador (pintor) de pinta, idolateiro (idola- 
tra) de idóla (idolo), trocamento (troca) de trocd. 

Grande numero de verbos sao derivados de themas 
errados, corno: atramentd (atrever-se) de atramente, 
cinturd (cingir), de cintura, circumcisd (circumcidar) de 
circumcisao, institutd (instituir) de imtituto, intercessd 
(interceder) de intercessdo,jinjùa (jejum) dtjinjud, presd 
(prender) de preso, repostd (responder) de reposta, sup- 
/eressi (supprimir) de suppressao, transgressd (transgre- 
dir) de transgressào. E vice-versa: bén:^a (ben^ao) de 
ben:{d (benzer), recia (receio) de recid. 

Formaram-se tambem alguns derivados novos, comò : 
asperd (tornar-se aspero) de aspero, de:{imd (pagar dizi- 
mos) de dé!{inu)s (de rfejj), doenfd fadoentar-se) de doenga, 
familhado (o que tem familia) de familha, furtador 
(ladrao) de furto, perfeitd (fazer perfeito, aperfei^oar, 
cumprir) de perfeito, riqueiro (rico) de rique:{a, par- 
:{eiro (dono de varzea) de var\e. 



7» 

Os prefìxos negativos -m e -des sao prepostos por 
analogia, em contraven^ao ao uso legitimo, corno: des- 
emportd = nao se importar, deslimpo = sujo, desvalid 
= nao dar valor, discerto = incerto, discompetido = 
inconveniente, disjiel = infiel, disgerado = nao gerado, 
ingenito, dismué = digerir, disprovd = provar contra, 
refutar, disreparitdo = indiviso, disconvertido = nao 
convenido, impenitente, dissaude = falta de saude, 
incommodo, immudatifa = falta de mudan^a, mcin- 
cero = fingido. 

Pela alteracao phonetica confùndiram-se algumas dic- 
9oes diversas, corno: ara = arar (desus.) e errar, arco = 
arco e arca, brafo == braco e braca, ftmdà = fundar e 
afiindar, nada = nada e nao ha de, oljo = olho e hoje, 
paga = pagar e apagar, parcé = parecer e apparecer, 
penta = ponta e ponto, sarado = cerrado (denso) e ser- 
rado, sarà = sarar (quasi desconhecido) e serrar, sem 
= sem e sim, tromento = tormento e tormenta. 

A homonymia, proveniente de pronuncia incorrecta, 
alterou algumas palavras, comò: querrè, tquerer», para 
nao se confundir com ere (pron. quasi keré)\pap, tpa- 
pa», para nao se confundir com papà; e supprimiu algu- 
mas outras, para evitar equivocos, comò: cavar (substi- 
tuido por gapeì^tà == esgaravatar) por causa de capa = 
cabà: acabar; amos == donos, por causa de amos = 
ambos. 

A etymologia popular produziu tambem o mesmo 
effeìto em algumas locucoes, comò: agorague (de azor- 
rague) = acougue, lastro = la^o, semprieiemo ou sem- 
preterno = sempiterno. Póde talvez haver etymologia 
popular tambem em Santo Mai de Igreija == Santa 
Madre Igreja. 

Algumas palavras perderam a sua significando primi- 
tiva e tomaram-se meras particulas, corno: desse, jà, 
nunca^ vamos nós, deixà-nós. 

Varios synonymos desappareceram no struggle for 
life, cedendo o logar aos mais poderosos, comò: animo 



72 



(sentido), calor {quentura\ convir, dever (mistà)^ despir 
{desvesti)j pertencer (compelé)^ encontrar (ascertd)^ firn 
{cabo\ construir, fabricar (concerta)^ estar, haver (/em), 
por (bota, gardà)^ procurar {busca), futuro {que tem per 
W), ser {tem, em muitos casos), ser necessario (nistd)^ 
principiar (comsd)^ prohibir (tuli = tolher), restituir 
(retornd)^ rasgar (rompa = romper), ver (olhd)y voltar 
(retomd, pira). 

Termos genericos ou explicitos substituiram os parti- 
culares, comò: corpo morto = cadaver, obreiro de co- 
bre = caldeireiro, ensinador = mestre (que significa, 
vulgarmente, medico), falla = rezar, matagào = ho- 
micidio, matador = homicida, assassino, matador de 
pai == parricida, matador de mai = matricida, napio 
de fumo •-= vapor, papiagào né ouvido = mexerico, pegà 
forfa = deter, reter, peguenino sino = campainha, que- 
brd = partir, violar, santa com injuvejo = ajoelhar, 
seccura = sède. 

Alguns vocabulos portugueses perderam uma ou mais 
das suas accepcoes, comò: terra, a de ebarro» ; meio 
(ad).), a de €metade>;^jr/i, a de tquebrar». 

Muitas palavras genuinas sao usadas em accep^ao di- 
versa da originaria, comò brUjffa (borrifar) = semear, 
busca = paga, calfào = cal^as, coitado = pobre, con 
certa = fabricar, construir, copo ou copa = ta^a, cha- 
vena, enculcà = perguntar, inquirir, engeità = blas- 
phemar, gavertà (esgravatar) = cavar, lembrd =3 pen- 
sar, julgar, luminairo = relampago, mestre = medico, 
mudana, solteira = meretriz, toma(eidv.) = outra vez, 
tra\eiro = ultimo, venetta = genio, temperamento, vi- 
dro = copo de vinho, pingd = apoquentar, vexar. 

Muitas outras sao ampliadas na sua significando, por 
economia, comò: amor =3 amor e caridade (que é mais 
usado no sentido de esmola), antos = entao e pois, ca- 
cho = cacho e espiga, cartd (acarretar) = dar, produ- 
zir (flores, fructos), deitar (raizes, ramos), compdnha = 
companhia e multidao, turba, favor = favor e graqa 



73 

divina, nimiià == limitar e determinar, designar, no- 
mear, paca = vacca e boi, vaquinha = vitella e bezerro, 
vidor = vidro e copo. 

Ha muitas dic^es correctas ao lado das corruptas ou 
estrangeiras, sendo estas as preferidas, comò: arre- 
pendè, arrependimento ou rependé, rependimento e re- 
pente, repentacào; hatalhd, batdlha, e hacld, hacladura; 
cantava e cdmer, cambra ou càmber^ cor e color ou clor; 
' deseijà e desia; dar e dolor ^; impressado e drek; levantd 
e lanid; macula tjleck; notai e Christmas, nu e no ou 
nùo: tribulafào e trublagdo ou troublagao; vermelho e 
brimelho ou brimejo. 

Foram simplificadas varias locu^oes compost as, con- 
servando-lhes a significando primitiva, comò: boventade 
= boa vontade, despóde = despois de, fórda ou fórdè 
= fora de (excepto), nada ou woié ou «anrfe = nao ha 
de (symbolo do futuro negativo), nué ou nuvé = nao é, 
palmiao = pela manha, periba =s para riba, acima, 
quéde = que é de? 

Reduziram-se alguns compostos com alterando ideo- 
logica e morphologica, comò: anoite = a notte: noite; 
atarde = a tarde: tarde; dedia = de dia: dia; tmpé = 
em pé: estar em pé « > lat. staré)\ miste = mister: 
ser mister, dever, suvida = sua vida : durante a vida. 

Formaram-se muitos compostos novos com significa- 
<;ao nova, comò: assilei = assim laia: similhante, tal; 
estelei = este laia (d'està laia): tal; quilai, quilei ou qui- 
tte = que laia: comò, assim comò; astanto = assim 
tanto: tanto; quetanto = que tanto: quanto; aquel-' 
hot^a = aquella hora: entao; que hora, que tempo: 
quando; quemodo: comò; mais diante ou mais dian- 
tado: passado; mal-prestado: insolente; nau-quebrado: 
nàufrago^ pé'Solto: descaìqo \ pódeser: tahtz^ junto-her- 
deiro: cohtrdeiro \ junto-obrador: cooperador. 



Color e dolor podem ser porr. arch. Vid. o Vocabulario. 



k 



N 



PARTE II 



LITTERATURA 



BIBLIOGRAPHIA 



D'entre todos os crioulos portugueses, o de Ceylao é 
o unico que se glorfa de possuìr urna lìtteratura assaz 
consideravei sobre varìados assumptos, em produc^6es 
originaes ou em traducc6es, devidas pela maior parte 
aos missionarìos wesleyanos. 

É porém quasi impossivel dar noticia completa de 
todas as obras publicadas na ilha, e julgar do merito 
litterarìo de cada uma d^ellas, sobretudo das mais anti- 
gas, que sao conhecidas so pelos seus titulos, e que alias 
serìam de grande importancia para o estudo historico 
da evolu<;ao do dialecto. O e caria» (formiga branca), o 
limitado numero de exemplares, o interesse momenta- 
neo, as publicagoes posteriores no mesmo genero, o des- 
leixo em coUeccionar e as diversas phases pelas quaes 
teria passado a linguagem, devem ter sido as prìncipaes 
causas do seu desapparecimento. 



O sr. Adolpho Coelho deu no seu primeìro artigo 
sobre tOs dialectos romanos ou neo-latinos na Africa, 
Asia e Americait, a seguinte nota bibliographica das 
publica^oes em dialecto portugués de Ceylao ou rela- 
tivos a elle, de que até entao teve noticia, indicando 
com o signal f as que nao possuia nem havia visto. 



78 



Bautismo: sua subjectos e modo de sua administrafdo. Parte prì- 
meiro: Tocando o bautismo de nocentes. Colombo: impressado ne 
officia de Missao Wesleyano. 1869, 44 p. in- 12. 

Bom novas, N.* i5. March. 1869. p. 57-60. Colombo: prìnted at 
the Wesleyan Mission Press. É um numero de um pequeno perio- 
dico religioso. 

Cantigas por adora^ao publico em lingoa portugueifa de Cey- 
lon. De Robert Newestead, missionario wesleyano. Terceiro vez 
impressado. Colombo, impressado ne officina Wesleyana. 1823. 8.<* 
22-4 pp. (de index). 

t Compendium (A) of the Ceyion-portuguese language by W. 
B. Fox. Colombo. 1859. 

Cru^ (A) de Christo, Colombo : Impressado ne officio de A* H. 
Petersom 1839. ^^ PP- ' ^ Intrudi f do acha-se subscripta por J. A. C. 
No nosso exemplar acha-se o nome manuscripto por inteiro: John 
Arnold Chrìstophelaz. 

t Dictionary (A) in the Singhalese, Portuguese and English 
languages, Second edition, enlarged. By W. B. Fox, Wesleyan 
Missionary. (Publìcado em 1820). 

Fórma (A) da orafSo publico e admimstra^ao dos Sacramentos, 
conforme ao uso da Igreja Inglaterra, Tradujido, por o missao, em 
lingua portugue^f de Ceylon. Pelo Robert Newstead, missionario 
Wesleyano. Em Colombo: Impressado na officina Wesleyano. 1820. 
44 pp. 

t Grammatical {A) Arrangement on the method o/leaming the 
corrupted portuguese as spoken in India, by Berrenger : Sec. edit. 
Colombo, 181 1. Indicarlo do sig. Teza no artìgo alludido infra. 

Morte de paraiso. Em o nome de o Jesus cruci ficado, (xiv ora- 
96es). Impressado ne Officio de Baptiste Missionarios,Kandy. 32 pp. 

Hum caminho per inferno. Fottia avulsa, i p. 

Hum catecismo per o ensino de criances ne principio de reli^e, 
e hum curto catecismo de o nomis ne escritura. Colombo: impres- 
sado ne officio de Wesleyanos. 1837. 12 pp. 

Indoportoghese. E. Teza. 8.*», 10 pp. Estratto dal Periodico : — 
Studi Filologici, Storici e Bibliografici II Propugnatore. Voi. v. É o 
primeiro estudo scientifico sobre este dialecto. 

t Instructions for children. By the late Rev. John Wesley, A. M. 
of the University of Oxford. In portuguese and english. (Publicado 
antes de 1820). 

Meditagàos e oracaos (sic) sober differenti subjectos e por diffe^ 
renti casiaos. J. Campbell, Printer, Hulfisdorp Press. 5o pp. 4." peq. 



I Ha um exemplar na Bibliotheca de Evora. 



79 



Novo (O) Testamento de Nossa Senhor e Salvador Jesus Ckristo, 
tradupdo ne indo-portugueja. Colombo, officina de MissSo Wes- 
leyano, i852. 8.« 

Oragdos, Dej Mandamentos, O sermào riha do montanha. i6 pp. 

P salterio (O), ou Psalmos de David y corno apontado a ler nas 
igrejas. Tradupdo em lingoa portuguesfa de Ceylony e publicado 
por a Sociedade Bibita de Colombo. A Colombo : impressado na 
officina Wesleyano. 1821. 8.®, 102 pp. 

The singhalese Traci Society y n.® 6, i856. O Serpente de Co- 
bre, 8 pp. No firn aclia-se a indica^ao : Preco bum challi de-cobre, 
huma ou senao oito fanam bum cento. 

Vbf de verdade, (Pequeno periodico religioso mensal; temos 
alguns numeros desde i de outubro de 1870, em que come^ou a 
publicar-se, a té Janeiro de 1873. Sem logar de impressSo). 4 pp. 
cada numero. 

Vocabìdary (A) tn the Ceylon Portuguese, and English Langua» 
geSy with a series of Familiar Phrases. By John Callaway, Wes- 
leyan Missionary. Colombo : Printed at the Wesleyan Missìon 
Press. 1820. Prìce six fanams. 44 pp. in i2.<» 

No seu terceiro artigo accrescenta mais o seguinte: 

Cantigasper adorando publica em lingua portugueja de Ceylao^ 
de Robert Newstead. Communica-nos o sign. E. Teza que possue 
urna outra edÌ9So do mesmo anno de 1823 «segunda vez impres- 
sada», in 12.°, 223 pp.i. 

Em Thomberg, Voyages au Japon (Paris, 1796), u, 256, cita-se : 
«Os psalmos David. Colomb in 8.» Les Pseaumes sont notes pour 
l'usage des Indiens. La dernière édition est de 1778». Resta du- 
ri da, comò me observa o sign. E. Teza, se se irata de um texto 
em portuguez puro ou em indo-portuguez. 

O livro de oragào commum e administragao de os sacramentos 
e outros ritos e ceremonias de a igreja conforme de o uso de a igreja 
de Inglaterray juntamente com o psalterio dos psalmos de David. 
Tradu^ido em lingoa de indo-portuguej. Impressado ne a officina 
de G. Elberton & J. Henderson, 1826, 8.« 

Em additamento a està lista, dou aqui a nota das 
outras publica(;des de que eu tenho conhecimento: 



I «Em a nossa primeira noticia o numero das paginas d'esse 
livro saiu errado: leia-se 212 em vez de 22.» 



8o 



O Novo Testamento de Nosso Senhor e Salvador Je- 
sus Christo, tradu:{ido em indO'portugiie\a. Londres, 
impressado na officina de J. Telling^ Chelsea. 1826. 8.^' 

Bom Nopas. N.^ 24, December 1869. p. 93-96. Co- 
lombo: printed at the Wesleyan Mission Press. 

Cantigas per adorando publico, em lingua porttigueia 
de Ceflon. De Robert Newstead, missionario wesleyano. 
1871. i6.% 3o4 pp. 

O Bruffador. Wesleyan Mission Press, Colombo. 
Periodico religioso mensal de 4 pp. in 4.® O primeiro 
numero é de juiho de i883 e o ultimo que possuo é 
de Janeiro de 1895*. 

Hum curto ensino em doutrina christào, traduzido 
e compilado por J. W. Comes. Columbo, 1884. 16.®, 
3o pp.3 

Alhumas devocaos per o santo tempo de quaresma. 
Traduzido por J. W. Comes. Columbo: impressado 
por John E. Holmes. i885. i2.% 66 pp. 

Traz o imprimatur do vigarìo apostolico, Kotahenae, 
die ig.^ Oct. 1884, e na capa dà a seguirne informando: 

O Publicador d'este Uvro te sabe que hum bom e completo li- 
vro de devo^Sos na lingua Portuguez, corno tem usada n*esta Ilha, 
tem huma cousa muito necessaria. Assi hum iivro elle pode ofife- 



I Ha um exemplar na Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

3 « Mais do que des annos ja passa despois de nos ja come9a per 
impressa este papella. O primeiro Bruffador tinha impressado July 
i883. Ne aquel tempo, bastantos ja faDa, que o Bruffador nao dura 
muito tempos. Alhumas ja ri fallando, que tem em vSo per gasta 
dinheiro, ou per toma travalho, com hum lingoa que prestado nSo 
ser intindido. Mas inde o Bruffiidor te continua, e lingoa Portuguez 
tem inda papiado. Nos tem determinado com o juda de Deos per 
continua este papella, e te confìa que nossa leitors tambem lo juda 
per nos» O Bruffador, July, 1894. 

3 «Nós te recommendé este piquinino Iivro per o uso dos 

fìeis baixo de nossa administra9ao, comò huma obra que provavel- 
mente lo prova proveitoso ^tt €\\oXTOs.»'m Christopher Bonjean, 
O. M. I. Bispo de Medea, Vigario-apostolico de Columbo. 



\ 



8i 



rece; e elle tem leste pera leva, em prìmeiro, o gasto que lo tem 
nestade pera prepara e dreck aquel Mas elle nun pode cometa a 
obra, sem. elle te fica certo que eUe na6 sufBì perdl^ao de dìnheiro, 
quando em ultimo seus livros naÒ fica vendido. Por isto, ellotros 
quem te deseja pera possebe assi hum livró, tem pedido pera aviza 
per o publicador seus nomes, o quantos copies ellotros lo toma. 
Se OS nomes que lo fica mandado lo tem sufficiente pera dà co- 
rage per elle, elle aquelhora lo toma em mao a obra que elle te 
promete. Os Reverendos Padres de missaos quem te alembra que 
$dhums de suas congrega9aos té nista assi hum livro, com respeito 
tem pedido pera toma noticia d'està informa9ao, e pera dà aquella 
juda que ellotros pode, si ellotros te alembra que a obra pfometida 
te merce sua boa vontade. » John E. Holmes, 

Meditacdos sabre as sette Palavras, que nesso Senhor 
ja falla de a Madeira de Cru\: corno tem usado em Seista 
feiras Mator ne a Igreja de Sào Philipo Neri ne Oustat 
em Columbo. Traducido por J. W. Comes. Impressado 
no Offi^o de t Columbian Pressi^. Colombo, 1892. 22 pp. 
in 8.** 

Istori de Rey de Gris e Mestri Douhan. Traducido de 
ingres e marado per versos, por J. A. Jansz. Culumbo. 
Impressado per Holmes e filjo, gS, rua de Urvis. 1889. 
Preso 25 cents. 17 pp. in 8.^ 

Cantigas per publico odor aedo, em lingua portugue^a 
de Ceylon. Hum novo translafdo de o hymnos escolhido 
de o colleccào de Reverendo Joào Wesley, per qual tem 
juntado cantigas e louvors per servicos missionario e 
outro cantigas traudicido per primeiro ve^. Colombo: 
impressado ne oflBcio wesleyano. 1893. 16.®, 383 pp. 
(entrando o tcontendo», o indice e erros de impressao). 

No prefacio diz-se: 

Este collec^io de cantigas tem preparado conforme per o pe- 
ditorì de o membros de o Conselho Wesleyano, que tem chomado 
ne lingoa de Ingrez aCommitee 0/ Review». Olhando que o livro 
de cantigas escolhido de o Reverendo Robert Newstead tinha per 
fica impressado torna; e que o livrìnho preparado prìmeiromente 
per fica usado de o membros de o Igreja Wesleyano ne Kandi non 
pode fica achado ; este conselho de padres ja resolva que hum novo 
livro mista fica preparado, e miste consiste de ambos dous de este 

6 



82 



collec^aos e de assiiei outro cantigas que ne presente te enrìquice 
o adora^So de Christaos ne o differente Igrejas Reformado ne va- 
rìas partes de o mundo. 

Voi ^^ verdade. Os numeros que eu tenho sao: 12, 
Nov. 1895, i6.% 4 pp.; 14, August 1896, 4 pp.; i5, 
December 1896, 8 pp. e capa; 16, June 1897, ^ PP- 
People's Printing Press, Galle. 

O Primeiro catechismo. Colombo: impressado ne of- 
ficio wesleyano, 1896. 3o pp. in 16.*^ 

Roma: sua poder: sua grande:{a. 20 de Aprii 1897. 
Bazaara Novo Igreija. io pp. in 8.° 

O Corner de alma ou oracans catholicas, por J. A. 
Jansz, revisto e augmentado por Rev. Padre C. E. Fon- 
seka. Colombo: impressado ne Officio de Examinar de 
Ceylon per Publicador, Alexandre Martinho Holmes. 
1897. vm, 296- IX pp. in 16.^ 

O prefacio da primeira edi^ao (1866) observa: 

Ala tem bastante livros de orasans ne lingua Portuguez, mais 
as palavras tem assi alta, que dez namas de hum cento pessons te 
emende, due ellotros te les, e muito pouco te acha proveito de 

aqueUes Travalhando astante que pode iste livro ja fica com- 

pilado com as palavras usada ne iste Ilha, que todos pode emende, 
e acha proveito par suas almas. 

E o da segunda accrescenta: 

' Muito Cadiolicas quem tem disiado pera falla orasan em Por- 
tuguez ja pedi muito vez pera prepara um livro de rogos. 

A auctorìdade ecclesiastica recommenda a primeira 
edicao «per todo os Christans de nosso Vigariado». 

Bniffador. Publicado cada quinte dias hum ve\. Co- 
lombo: sabbado, 5 de marco 1898. Voi. i, N.^ i. 4 pp. 
in 4.^ gr. 

O artigo-programma diz: 

Nos te publica iste novo papela de novas em lingua Portuguez 
pera satisfozer muito pessans quem te usa iste lingua. Ala tem ran- 



\ 



83 



cho de gentes quem num poi les ne Ingrez e Chingla. Muito pes- 
sans enter ellotros te passa sua horas de descan^o brincando cartas 
o passiando o outro pastempo que noco vaia nada. . . Aquei vide 
para satisfaze todo pessons de iste classe de gentes nos tem disiado 
pera publica dous vezes ne mez este papela de novas em lingua 
Portugueza corno usada em este Ilha de Ceilan. Per este lingua 
corno usada enter nos ala num tem hum grammar, aquel vide nosso 
stylo de escreve lo tem conforme per a usante enter nos. Per iste 
usance tambem ala nontem un rule o regular. Mas lo travia astanto 
que pode pera guarda hum sorte de uniformidade. . . 

Tocando nosso nome • O fìruffador » nos tem obrìgado pera gar- 
deqe o Rev. Senhor Willenburg. O Senhor tinha publicando hum 
papela de novas com mesmo nome, mas vide album cousa elle 
)a discontinua aquel. Nos ja faze applica^an pera recebe o nome de 
«Bruffador» per nosso nova papela. 

O volume i (marco de 1898 a abril de 1899) dà um 
index alphabetico dos artigos em 6 paginas, contém 
alguns supplementos e muitos annuncios', e insere va- 
rias htstorias, corno Histori de Paulo e Virginia, em 
verso, Historia de Sandan, em verso, Historia de hum 
rei e sua tecelan, Historia de Ventura, Historia de hum 
pedreiro quem ja servi per rei Saloman, Historia de 
oito beringela, 

O n.® 2 annuncia: Paixan de nosso Senhor Jesus 
Christo, ne uersos. «Manuscrito de iste livro tem ne 
man de nossa Senhor Axcebispo pera approvai; que 
presta te fica retomado eu lo publica». Creio que até 
hoje nao foi publicado. 

E o n.^ 6 publica a seguinte noticia: Historia de Gas- 
par de Figuera. «Si iste historia tem ne possessan de 
quem seja, eu lo tem muito obrigado per aquel Senhor 
ou Senhora si lo faze aquel favor per manda aquel per 
me per publicaqan». 

Istori de Ourson e Falenteyn. Continuado de laste. 
2do. parti. Preso dous fanams. 20 pp. in 8.** Sem anno. 



I Este livro e o precedente chegaram-me d mSo depois de estar 
no prelo a primeira parte d'este trabalho. 



84 



Abre com a noticia: 



Esti Istori loser continuado atte cebo cada ves, dous cento versos 
io fìca dado fora per dous fanams. 

Ne velho Istori, ala tem i5oo versos namas, e aquel nuve intero 
Istori, mas esti huroa qui agorra querre drek, tem perto cinco mil 
versos, esti tem inteiro Istori: e tem bom confìanse qui todos lo 
compra per aquel piquenino preso, e les cum diselho ne casian 
quando tem cansado com ober, enfedado com travalhos, ou, en- 
tristisido com trobelasan de esti mundo, e assi &ze isquice todo 
esti travalhos, e pasa alum horas ne pastempo. 

Assi presta qui esti Istori ja cava drek, inde bum Istori choroado 
•Istori de San Clear de os ilhas», lo fìca publicado. Esti tem bonito 
e novo bum Istori, e tem perto cinco mÙ versos. 

E conclue com a informasan: 

Istori de Ourson e Falenteyn, foi publicado ne partis, de 200 
verso cade huma, e loser continuado atte cabo. Hum nimitado conta 
namas loser empressado, videaquel, ellotros quem te disia per se* 
gura esti istori, miste manda ordis ne tempo accompanhado cum 
valla. Preso, 12 V2 cents hum parti. Si de tappai 2 cents mas. Podi 
fìca achado de John E. Holmes, N.^ 95, Rua de Urvis, Culumbu. 

Istori de San Clear de Ilja de Bara. 8 pp. in 8,® 
Incompleto. 

Cantigas per dia de Paixao. 3 pp. in 12.® Sem anno 
nem logar da impressao. 

Vesper de Pentecoste, Pentecoste. Trinidade. Orafoo 
per Plagu. 2 p. destacadas (78 e 86) de um livro, 
provavelmente calendario da missao protestante, parte 
em inglés e parte em indo-portugués. 

Dizem-me que o jornal The Independent Catholic traz 
uma seccao portuguesa. Sei tambem de urna Istori de 
Vicenti Mercador, de que recebi alguns versos copiados, 
por favor de um amigoS os quaes levaram descaminho 
na minha papelada. 



I O sr. Pedro Antonio Cotta, chantre da sé de G6a, a cu)a 
obsequiosidade devo uma parte dos materiaes. 



I 



85 



O sr. Leite de Va§concellos Jeu me a seguinte nota 
de mais dois livros da Bibliotheca de Evora: 

A escada per ceos. A selection of prayers for morning 
and evening devotion from the hook of common prayer 
of the church, by S. N. Colombo 1873. 

Estorrie de Joseph, s. 1. n. d. Sao 1:681 quadrasi 

* 
* * 

A maìor diflìculdade que se offerece ao estudo critico 
do crioulo de Ceylào, feito pelos livros, consiste na grande 
divergencia dos textos, nos quaes em balde se procura 
urna physionomia commum, e na perplexidade que d'ahi 
se origina em escolher bs que sirvam de norma segura'. 

Nem se póde explicar o phenomenq unicamente pelas 
dìfferenqas do tempo e do logar. A principal razao està, 
corno sei de experiencia, na propensao, quasi irresistivel, 
que sente quem jà sabe o portugués puro, ou o aprende 
e se guia pelos livros portugueses a iim de se inteirar do 
cportuguez basso» (broken Portuguese), de o approximar 
do seu prototypo, eliminando de proposito ou inconscien- 
temente as divergencias, tidas corno excrescencias de 
nenhuma utilidade pratica. 

Observaram-se pois, em harmonia com este processo, 
OS lineamentos mais pronunciados, com uma certa elas- 
ticidade, e as formulas mais importantes. jà consagradas 
pelo uso geral, e enxertaram-se varios elementos da lin- 
guamae, distoantes do fallar ordinario, a titulo de aper- 
feicoamento do dialecto, ou de linguagem eulta. 

De outro lado, a ignorancia do portugués e o conheci- 
mento pouco aprofundado do indoportugués occasiona- 



1 Vid. no primeiro artigo do sr. Adolpho Coelho as noticias, 
extrahidas de The Bible of Every Land, com rela^ào às traduc- 
0es do Antigo e Novo Testamento em indo-portugués. 

3 A està diflìculdade se referem os srs. A. Coelho e Schuchardt. 



86 



ram, da parte dos missionarios ingleses, a infiltracao de 
vocabulos e termina^óes perfeitamente dispensaveis, mas 
tambem facilmente intelligìveis, e, o que é peor, de con- 
struccoes da sua lingua, tao diversa da portuguesa, tras- 
ladando às vezes o originai de verbo ad verbum, na falsa 
presumpcao de que a vernaculidade lexica correspon- 
deria a correccao syntactica. 

Para especificar. A versao do Novo Testamento feita 
por Newstead em 1826 — o mais antigo livro que pude 
ter à mao — destaca-se notavelmente de todas as publica- 
^oes posteriores ; confrontando-o com a outra versao de 
1862, vé-se que ha entre ellas enorme dififerenga*. Sera 
o resultado dos progressos do dialecto? Estariam com 
effeito em uso commum no principio do seculo as fle- 
xoes dos artigos, dos possessivos e dos adjectivos attri- 
buti vos e predicativos? Seria entao vivo o demonstra- 
tivo isto por este e vigoraria a fórma feminina com o 
adverbio em mente, corno juntamente por funtomente? 
Dir-se-hia na realidade formoso por fremoso, affojado, 
por fogado, offéracào por offerto, planche por pianta, 
mais velho por grande, mais novo por pequeno?* Con- 
servar-se-hiam estereotypadas as fórmas verbaes come- 
mos, alegramos, olhamos? Nào é admissivel. O auctor 
deve ter conhecido a lingua lusitana e tomado por guia 
alguma traduccao portuguesa^, attribuindo as peculia- 
ridades dialectaes à incorreccao da linguagem vulgar^. 



1 Cfr. a Anthologia. 

2 Nuncajà parece ser da epocha. 

3 Muito provavelmente, corno resulla do confronto, a de JoSo 
Ferreira de Almeida, ministro pregador do Santo Evangelho em 
Batavia. Os exemplares que a Bibliotheca Nacional tem, sSo das 
edd. de 1681 e 1712. Mas Lord Stanley {The three voyages of Vasco 
da Gama) cita outra de Londres, 18 19, e reproduz, sob o titulo de 
Bible of Colombo, i833, uma parte do cap. ni do Genesis, que se 
conforma muito mais com a versao de i852 que com a de 1826. 

4 «Das Bestreben, die portugiesische Schreibung beizubehalten, 
herrscht z. B. in der Uebersetzung des Neuen Testamentes von 1826 



87 



A versao de i852, que me serviu de norma na minha 
prégacao, póde-se dizer que representa o crioulo littera- 
rio actual, nao tendo havido necessidade^ desde entao 
para cà, de nova edicao modificada, por nao deixar nada 
à desejar sob qualquer aspecto que se encare. Tudo ahi 
é methodico e uniforme (talvez demasiado), comò con- 
vem a uma obra da sua natureza, e pautado pelas regras 
geraes da grammatica^ sem quasi nenhuma variacao ou 
excep^ao. Os artigos e os adjectivos sao sempre invaria- 
veis, OS possessi vos teem so a fórma feminìna; a syntaxe 
é imeiramente dialectal; o lexico, multo vernaculo; a 
influencia do inglés, quasi imperceptiveP. 

Os opusculos de J. W. Gomes, sao de pouca impor- 
tanza linguistica: a sua linguagem é a adaptacao do 
portugués genuino à physionomia actual do crioulo nos 
seus tracos mais salientes, e ab mesmo tempo indispen- 
saveis para a intelligencia do contexto. 

O Corner da alma pertence ao mesmo genero e labora 
nos mesmos defeitos, sem embargo da sua protestacao 
de ser «conforme a lingua usada ne iste Ilha». Emprega, 
alem d'isto, muitas fórmas italianas. 

Nao admirarà pois que o Padre Mosso e a Ave Maria 
sejam em portugués puro, e se encontrem phrases comò 
estas: contemplamos n'este m/sterio, ti rogamos, tende 
misericordia^ livrae-ttós, perdoae-nós, rogae a Jesus por 
nós, comò era no principio, etc. O seu principal valor 
philologico, portanto, consiste nos caracteres negativos 
que apresenta, e que se podem tomar comò seguros e 
imprescindiveis. 



bis zu einera ungebUhrlichen Grada vor. Wo man vor der Ueberlie- 
ferun^ abgeht, thut man wiederum oft nur halbe Schrìtte, und so 
begegnen uns viele Formen, welche weder echt portugiesisch, noch 
echt kreolisch sind». Schuchardt, Kreol. Stud., ii. 

I Diziam-me na ilha que havia muita cousa nesta versSo que nao 
se entendia. Mas isto deve attrìbuir-se, em grande parte, ao assum- 
pto e nao à linguagem. 



88 



O Catechismo protestante deixa tambem muito a de- 
sejar emquanto à vernaculidade dialectal e a correccào 
orthographica. 

De todos OS textos o Bruffador é, sem duvida, o que 
goza de maior auctorìdade com relacao ao estudo do 
crioulo genuino em todos os seus estylos, e ministra em 
especial numerosos especimes da linguagem popular. 
O periodico contava muitos annos de vida, tinha larga 
circulacao e era patrocinado por todas as camadas da 
sociedade». O seu redactor, Rev. P. R. Willemburg, 
póde, a justo titulo, gloriar-se de ter sido o mais assiduo 
e devotado cultor do crioulo. Tem, alem d'isso, a vanta- 
gem de nao conhecer bem o portugués; deixa-se porém 
influenciar uma e outra vez pela syntaxe inglesa. Muitas 
das varìantes grammaticaes que se notam no seu jomal, 
vigoram realmente no indo-portugués. Pena é que tenha 
suspendido a sua publica^ao, e nao se possa obter a 
completa colleccao d'este thesaurus dialecti, 

Nao se póde afiBrmar outro tanto em abono do seu 
novo homonymo, que Ihe fica muito inferior no esmero 
da redaccao e na vernaculidade dialectal, e que sob pre- 
texto de que e per este lingua comò usado enter nos ala 
nun tem bum grammar». dà largas ao hybridismo le- 
xical e grammatical, de todo destoante da falla popular. 
Transparece em quasi todas as paginas o empenho de 
cultivar e apurar, a seu modo, o crioulo, e de o appro- 
ximar do seu prototypo, para o que emprega um sem 
numero de neologismos, muitas vezes acompanhados de 
definicoes, explicacoes ou correspondencias^ 



I «Laste mez 400 de este papel tinha impressado. 365 jà fìca 
mandado per nossa leitors quem te mora ne differente partes de 
este Uba». August, 1891. Nas listas dos bemfeitores fìguram nòmes 
corno estes : Mr. Sproul, Jurianz, Faber, Schryver, Armstrong, Ja- 
cobs, Wonteriz, Francke, Paté, Blacker, Fry, Dr. Solomons. 

3 Eis alguns exemplos: «Extemamente (de fora); internamente 
(de dentro) ; despeda^ar (aquel tem par quebra em peda^os) ; na- 



89 



Està tambem no caso de ser recommendado o Bau- 
tismo, que é livro de polemica com os anabaptistas 
sobre o baptismo de crean^as. Traz numerosos idiotis- 
mos dialectaes, e segue urna orthographia approximada- 
mente sonica, nem sempre coherente. Ha uma ou outra 
phrase que nao é vernacula; o que se explica por corner, 
comò declara, muitos passos traduzidos do inglés. 

As outras pubUcac6es em prosa sao de pouca impor- 
tancia para o estudo do crìoulo. 

As Cantigas de Robert Newstead, compostas em va- 
rios metros indicados no principio de cada cantiga (can- 
tico)', labora nos mesmos defeitos da sua traducqao do 
Novo Testamento, necessitando, comò està, uma edicao 
refundìda, que, embora um pouco mais crioulizada, nao 
póde servir de auctoridade, por motivos obvios^. 

As Istoris de Rey de Gris, de Ourson e de San Clear 
teem, pelo contrario, menos sabor inglés e mais cor lo- 
caly e bem podem passar corno modelos da poesia pro- 
fana, accommodada a intelligencia e ao paladar da ge- 



tureza humaha (aquel tem gentes); brutaldadc (que quere dizer 
obras de brutos animals) ; for^a militar (que quere dizer forfa guer- 
rioso) ; exercito (que quere dizer soldados de guerra); aquel alian^a^ 
confedera^an, liga ou juntamento; proprietario (dono de casa ou 
horta) ; amor proprio (aquel tem o principal [principio] de cada 
humper se Deospar todos); anticipado (aquel tem per sabe cou- 
sas que tem per succede antes que aquel lo succede); caracter 
(aquel tem informa9an dos costumes de huma pessoa ou de hum 
na^an); pera impressa (drek) ; encademador (bookbinder)\ durante 
(during); garrafas (bottals); milhas (miles); livros (bookos); es- 
criptor (writer); codigo (code); felizamente (happily); conta-se 
(it is reported); propostas (proposals); bill (esento de divida); 
dysenteria (torcemento) ; protec9an (sombrai) ; parrochianos (aquel 
tem gentes de missan). 

1 Por exemplo: S. M., L. M., C. M., P. M., 6-8% 2-6's & 4-7's, 
io*s & ii's, 6 lines 8*s. 

2 Està edicao tem a mais o defeito de empregar as fórmas 
masculina e feminina dos possessivos a arbitrio do auctor, sem 
nenhuma observancia das leis da concordancia. 



90 



neralidade dos burghers. Teem tambem a vantagem, 
especialmente a prìmeira, de se desprenderem da ortho- 
graphia historìca, para se cingirem mais à sonica. 

* * 

Das publicac6es sobre o crioulo de Ceylao conhe^o o 
Indo-portoghese do sr, E.Teza' e os artigos do sr. Adol- 
pho Coelho, jà citados. 

O estudo do douto professor de Pisa, alem de ser 
muito succinto e omittir a phonologia, é baseado unica- 
mente na traduccao do Kovo Testamento de 1826, Nao 
admira^ portanto, que, a par de observa^Ses justas e 
induccoes correctas, contenha graves inexactidóes, que 
se evitariam certamente com outròs textos, mais moder- 
nos, a vista ^. 

O sr. Adolpho Coelho limitou-se so à parte historica 
e bibliographica, sem poder até agora superar as diffi- 
culdades para a publicacao do seu Estudo sobre a gram- 
matica e o vocabulario do indo-portugue^, promettido 
em 1880. E, porém, muito para desejar que o erudito 
e perspicaz glottologo nao desista do seu proposito. Da 
minha parte, ponho à sua disposi^ao o presente tra- 
ballio e OS poucos materiaes que tenho em meu poder, 
se Ihe forem de algum proveito. 



' O livreiro Luzac, de Londres, obteve-me o exemplar que o 
auctor offereceu ao Dr. R. Rost. Cedi-o, com ouu^as pnblica9oes 
em indo-portugues, ao sr. Leite de Vasconcellos, que tambem se 
occupa dos nossos crìoulos. 

2 «Nulla ho a dire della fonologia: perchè se le parole non 
sono scrìtte sempre corno usa in Portogallo, nessuna lettera manca 
né se ne aggiungono di nuove. Dico scrivere e lettere, non parlare 
né soni : sapendo bene che dove sieno, come saranno, nelle bocche 
dei coloni differenze sensibili a* portoghesi, non possiamo noi appu- 
rarlo in un libro». 



II 

ANTHOLOGIA 



Como se viu na Bibliographia, o crioulo de Ceylao 
nao tem, corno os outros, mingua de textos. Reproduzo, 
porém, aqui so uns poucos, para amostra; e escolho de 
preferencia as versóes da Biblia, nao por melhor repre- 
sentarem a genuina linguagem popular ou litteraria, mas 
por darem ensejo à analyse critica, se bem que imper- 
feita*, da evolu^ao do dialecto, e ao estudo comparativo 
de alguns ramos do indo-portugués. 

Emquanto à parabola do filho prodigo, que o sr. Schu- 
chardt deseja ver traduzida em todos os crioulos portu- 
gucses, alem das duas versoes no indo-portugués ceylo- 
nense e mais duas copiadas dos seus opusculos, dou uma 
outra sob a denominacao de crioulo do Norie. 

O crioulo do Norte ou o portugués dos norteiros, 
comò é conhecido em Góa, tem uma àrea bem vasta — 
Bombaim e seus arredores, Bagaim, Chaul, etc. — e suas 
differencas locaes, algumas assaz importantes. O amigo* 
que me enviou a versao, nao precisou a sua posi^ao 
geographica. 



> Digo imper/eita, porque a versao de 1826 e a de i885 (extra- 
hida de Alhumas Devogàos) nao podem cabalmente servir, corno 
jà està observado, de termos de compara^ao. 

2 O sr. dr. Gaetano Fernandes, de Bombaim. 



92 



Versao portuguesa, de Joào Fer- 
reira d'Almeida, 1681, 1712. 

1. E aconteceo que corno Jesus teve 
acabado todas estas palavFas^ disse a 
seus discipulos : 

2. Bera sabeis, que daqui a doìs dias 
he a Pàschoa, e o Filho do homem sera 
entregue para ser crucificado. 

3. Entonces os Principes dos Sacer- 
dotes, e os Escrìbas, e os Anciaos do 
povo se ajuntéraò na sala do summo 
Pontifìce, o qual se chamava Caiphas. 

4. E tiverao conselho para por engano 
prender a Jesus^ e matalo. 

5. E dizìao : nao ja em dia de festa, 
porque se nao faca alvoro^o no povo. 

6. E estando Jesus em Bethania, em 
casa de Simaò o leproso. 

7. Veio a elle hu§ mulher com hum 
vaso de alabastro de unguento de grande 
pre^o e derramoulho sobre a cabe9a, 
estando elle assentado [a mesa], 

8. O que vendo seus discipulos, indi- 
gnaraòse, dizendo: de que serve està 
perdÌ9a6 ? 

9. Porque este unguento se podia ven- 
der por muito, e darse o dinheiro a os 
pobres. 

10. E entendendoo Jesus, disselhes: 
Porque molestaes a està mulher, que 
me fez hua boa obra ? 

11. Porque a os pobres sempre com 
vosco OS tereis; porem a my, nSo me 
tereis sempre. 



ETiRGELHO DE 

(GAP. 

Versao indo-portuguesa, da mis- 
sào wesleyana, 1826. 

1. E tinha assi, que quando Jesus ja 
caba estas todos palavras, elle ja falla 
per seus discipulos, 

2. Vossotros te sabe que despois dous 
dias tem a Pascoa, e o Filho de Homem 
lo ser entregado pera ser crucificado. 

3. Aquelhora tinha ajuntado os pri- 
meiros Sacerdotes, e os Escribas, e os 
Anciaos de o povo, ne sala de o pria- 
cipal Sacerdote, quem tinha chomado 
Caiaphas, 

4. E ja consulta puntamente, que ello- 
tros com engano pode toma Jesus, e 
mata per elle, 

5. Mas ellotros ja falla, Nao ne o dia 
de festa, que nunca suste hum alvoro90 
entre o povo. 

6. E Jesus quando tinha ne Bethania, 
ne a casa de Simao o Leproso. 

7. Ja vi per elle huS mulher com hum 
vaso de alabastro de unguento de grande 
pre^o, e ja vasa aquel sobre sua cabe^a, 
comò que elle ja santa ne mesa. 

8. E olhando isto, seus discipulos ti- 
nha com indigna^ao, fallando, Pera que 
te servi està perdicaó? 

9. Parque este unguento podia ser 
vendido por muito, e dado per os po- 
bres. 

10. E Jesus entendindo isto^ ja fiedla 
per ellotros, Parque vossotros te mo- 
lesta per a mulher ? parque ella par mi 
ja faze hua boa obra. 

1 1. Parque os pobres sempre tem com 
vossotros; mas eu com vossotros sem- 
pre nao tem. 



q3 



S. lATTHEDS 

XXVI) 

Versao tndoportuguesa, da mis- 
sdo tpesleyana, i852. 

1 . E ja vi per sucede quando Jesus ja 
caba todo este fallars, elle ja falla per 
sua discipulos. 

2. Vossotros te sabe que despois de 
dous dias tem o pascoa, e o Filho de 
home lo ser entregado per fica cruci- 
fìcado. 

3. Aquelhora tinha juntado per huraa 
o principal sacerdotes, e o escribas, e o 
anciSos de o povo, ne o sala de o prin- 
cipal sacerdote quem tinha chomado 
Caiaphas. 

4. E ja toma conselho per pega per 
Jesus com sutileza e mata per elle. 

5. Mas ellotros ja falla : Nad ne o dia 
de festa que nada sucede hum alvoro^o 
antre o povo 

6. E quando Jesus tinha ne Bethania, 
ne o casa de Simad o Leproso, 

7. Hum mulher ja vi sua perto tendo 
hum vaso de alabastro de unguento de 
grande valla, e ja vasa aquel sobre sua 
cabe^a, quando elle tinha santado ne 
mesa. 

8. E olhando este, sua discipulos ja 
fica irado fallando, Parque este esper- 
dÌ9ao? 

9. Videque este unguento podia ser 
vendido per muito, e o dinheiro dado 
per o pobres. 

10. Jesus entendindo este ja falla per 
ellotros, Parque vossotros te molesta 
per o mulher? videque ella ja faze per 
mi hum bom obra. 

11. Parque o pobres per vossotros 
tem sempre; mas eu nao tem sempre 
com vossotros. 



Versao indo-portuguesa, de J. W. 
Comes, j885. 

1. N'aquel tempo, Jesus ja falla per 
seus discipulos : 

2. Vossotros te sabe que depois de 
dous dias lo tem a Pascoa, e o filho de 
Homem lo ser entregado pera ser cru- 
cifìcado. 

3. Aquelhora tinha congregados os 
primeiros sacerdotes e os anciaos do 
povo, na sala do principal sacerdote, 
quem tinha chomado Caiphas; 

4. e ellotros ja consulta juntamente 
que com engano ellotros lo podia pega 
Jesus, e mata per elle. 

5. Mas ellotros ja falla: Nao no dia 
de festa, ou ali lo pode sucede hum alvo- 
ro^o entre o povo. 

6. E quando Jesus tinha em Bethania 
na casa de Simao o Leproso, 

7. ali ja vi per elle huma mulher, com 
hum vaso de alabastro de precioso un- 
guento, e ja vaza aquel sobre sua cabe^a, 
quando que elle tinha em meza. 

8. E OS discipulos olhando isto, tinha 
com indignando, fallando: Parque tem 
està perdi^ao ^ 

9. Porque isto lo podia ser vendido 
per muito, e o dinheiro dado per os 
pobres. 

10. E Jesus conhecendo isto, ja falla 
per ellotros: Parque vossotros te mo- 
lesta està mulher? porque ella ja faze 
huma bòa obra sobre mi : 

11. porque os pobres sempre tem 
com vossotros; mas eu com vossotros 
sempre na5 tem. 



94 



12. Porque derramando ella este un- 
guento sobre raeu corpo, por [prepara- 
gao] de minha sepultura o fez. 

i3. £m verdade vos digo, que aonde 
quer que este Evangeiho em todo o 
mundo for prégado, [ali] tambera o que 
està fez sera dito pera sua memoria. 

14. Entonces bum dos doze, que se 
cbamava Judas o Iscariota, se foi a os 
Principes dos Sacerdotes. 

i5. E disselhes: Que me quereis dar 
e eu volo entregarei ? e elles Ihe assi- 
nalérao trinta [moedas] de prata. 

16. E desd*entonces buscava oportu- 
nidade para o entregar. 



12. Parque vazando este unguento so- 
bre meu corpo, ella ja faze aquel per meu 
enterramento. 

i3. Em verdade eu te fella per vosso- 
tros, onde seja que ne o enteiro mundo 
que este Evangeiho lo fìca predicado, 
isto tambem, que està mulher ja faze, 
lo ser fallado em memoria de ella. 

14. Aquelhora huma de os doze dis- 
cipulos, chomado Judas Iscariota, ja foi, 
per OS pnmeiros Sacerdotes, 

i5. E ja falla, Vossotros que lo da par 
mi, e eu lo entrega elle per vossotros ? 
e ellotros ja accorda com elle per trinta 
de dinheiros de prata. 

16. E d*aquel tempo elle )a busca bua 
cassiao elle pera entrega. 



1. E vinda a manhaa entréraò em 
conselho todos os Principes dos Sacer- 
dotes, e Anciaos do povo, con tra Jesus, 
para o matarem. 

2. E levàrao o amarrado e entregà- 
ra5 o a "Poncio Pilatos, o Presidente. 

3. Entonces Judas, o que o avia en- 
tregado, vendo que )à estava condenado, 
tomou, arrependido, as trinta [moedas] 
de prata a os Principes dos Sacerdotes, 
e a OS Anciaos. 

4. Dizendo : Pequei, entregando o san- 
gue innocente. Porem elles disserao ; que 
se nos dà a nos? viralo tu. 

5. E lan^ando as [moedas] de prata 
no Tempio, partiose, e foi, e enforcouse. 

6. E OS Principes dos Sacerdotes, to- 
rnando as [moedas] de prata, disserao : 
nSo he licito lan9alas na arca da esmola, 
porque pre^o de sangue he. 



(GAP. 

1 . Quando tinha manhaa, todos os pri- 
meiros Sacerdotes, e Anciaos de o povo 
ja toma conselho contra Jesus elle para 
mata: 

2. E quando ellotros ja marra per elle, 
ellotros ja leva, e ja entrega per elle per 
Pontio Pilatos o Governador. 

3. Aquelhora Judas, quem ja entrega 
per elle, quando elle ja olha que elle 
tinha condenado, ja arrepende, e ja trize 
torna os trinta dinheiros de prata per 
OS primeiros Sacerdotes, e Anciaos. 

4. Fallando, Eu ja pecca, em quanto 
que eu ja trahi o innocente sangue. E 
ellotros ja falla, Aquel per nos que tem ? 
Vosse olha per aquel 

5. E pinchando ne o tempio os dinhei- 
ros de prata, elle ja parte, e sahindo ja 
enforca per si mesmo. 

6. E OS primeiros Sacerdotes tomando 
OS dinheiros de prata, ja falla, Nao tem 
direito estes pera bota ne o thesouro, 
por rezao tem o pre9o de sangue. 



95 



12. Vìdeque, vazando este unguento 
sobre minha corpo, ella ja faze aquel 
per minha enterramento. 

i3. Per verdade eu te falla per vosso- 
tros, Onde seja ne enteìro o mondo este 
evangelho lo fìca pregoado, este tambem, 
que este mulher ja faze, lo ser fallado ne 
memoria de ella. 

14. Aquelhora huma de o doze, cho- 
mado Judas Iscariota, ja foi per o prin- 
cipal sacerdotes. 

i5. E ja falla, Vossotros que lo da per 
mi, e eu lo entrega elle per vossotros ? 
e ellotros ja accorda com elle per trinta 
dinheiros de prata; 

16. E d'aquel tempo elle ja busca ca- 
siao per entrega per elle. 



12. Porque ella, vazando este un- 
guento sobre meu corpo, ja faze aquel 
por meu enterramente. 

i3. Em verdade, eu te falla per vosso- 
tros, onde seja em todo o mundo que 
este Evangelho lo ser predicado, aquel 
tambem que ella ja faze, lo ser fallado 
per huma memoria d'ella. 

14. Aquelhora ja foi hum dos doze 
discipulos, quem tinha chomado Judas 
Iscariota, per os primeiros sacerdotes, 

i5. e ja falla per ellotros: Vossotros 
que lo dà per mi, e eu lo entrega elle 
per vossotros? E ellotros ja nimìta per 
elle trinta dinheiros de prata. 

16. E d'aquel tempo ella ja busca cas- 
silo pera trahi Jesus. 



XXVIl) 

1. Depois de fica manhaa todo o prin- 
cipal sacerdotes, e o anciaos de o povo 
ja toma conselho contra Jesus per mata 
per elle 

2. E despois que ellotros ja mara per 
elle, ellotros ja leva, e ja entrega per elle 
per Poncio Pilato, o govemador. 

3. Aquelhora quando Judas, quem ja 
trahi per elle ja olha que elle tinha con- 
denado, elle ja arrepende, e ja trize torna 
o trinta dinheiros de prata per o prin- 
cipal sacerdotes e os anciaos. 

4. Fallando, Eu ja pecca, trahindo o 
sangue innocente. E ellotros ja falla, 
Per nós que importa? olha tu per aquel. 

5. E pinchando ne o tempio o dinhei- 
ros de o prata, elle ja parti, e ja foi e ja 
enforca si mesmo. 

6. E o principal sacerdotes tomando 
o dinheiros de prata, ja falla, Nun tem 
direito per bota aquels ne o thesouria, 
videque tem o pre90 de sangue. 



1. E vinda a manha, todos os primei- 
ros sacerdotes e os anciaos do povo, ja 
guarda hum conselho contra Jesus, que 
ellotros lo podia entrega elle per morte. 

2. E ellotros ja trize per elle marrado, 
e ja entrega elle per Poncio Pilatos, o 
govemador. 

3. Aquelhora Judas quem ja trahi per 
elle, olhando que elle tinha condenado, 
arrependindo elle mesmo, ja trize toma 
OS trinta dinheiros de prata per os pri- 
meiros sacerdotes e anciaos, 

4. fallando: E ja pecca, trahindo o 
sangue innocente. Mas ellotros ja falla : 
Aquel per nós que tem? vos olha per 
aquel. 

5. E lan^ando no tempio os dinheiros 
de prata, elle ja parti; e ja foi, e ja en- 
forca elle mesmo com hum lastro. 

6. Mas OS primeiros sacerdotes to- 
mando OS dinheiros de prata, ja falla: 
Nao tem direito pera bota aquelles no 
cofre de ofTer^os, porque aquel tem o 
pre^o de sangue. 



96 



7* Mas tendo conselho, compràrao 
com ellas o campo do oìeiro, para se- 
pultura dos estrangeiros. 



7. E ellotros tornando conselho, ja 
compra com aquelles o varze de o 
Oleiro, onde pera enterra os estranhei- 
ros. 



8. Pelo que foi aquelle campo cha- 
mado, campo de sangue até o dia de 
hoje. 

9. Entonces se cumprìo o que foi dito 
pelo Propheta Jeremias, que disse : e 
tomàraò as trinta [moedas] de prata, 
pre^o do apre9ado, que foi apre^ado 
pelos fìlhos de Israel. 

10. E derao as pera comprar o campo 
do oleiro, comò me ordenou o Senhor. 

11. E Jesus esteve deante do Presi- 
dente, e o Presidente Ihe perguntou, 
dizendo: es tu o Rey dos Judeus/ e 
Jesus Ihe disse : tu o dizes. 

12. E sendo acusado pelos Principes 
dos Sacerdotes e pelos Anciaós, nada 
respondeu. 

i3. Pilatos entonces Ihe disse: nao 
ouves quantas [cousas] testifìcao con- 
tra ty? 

14. E naò Ihe respondeu nem hua 
palavra, de maneira que o Presidente 
se maravilhava muito. 

1 5. E no dia da festa costumava o 
Presidente soltar hum preso a o povo, 
qualquer que quisessem. 

16. E tinha entonces hum preso affa* 
mado, que se dizia Barabbas. 



8. Poristo aquel varze tinha chomado, 
O varze de sangue, até o dia de hoje. 

9. Aquelhora tinha feito aquel que 
tinha papiado de Jeremias o Propheta, 
fallando, E ellotros ja toma os trinta 
dinheiros de prata, o pre^o de elle quem 
tinha apre9ado, quem ellotros de os 
fìlhos de Israel ja apre9a; 

10. E ja da aquelles por o varze de o 
Oleiro, corno o Senhor ja nimita per mi. 

1 1. E Jesus ja impe diante de o gover- 
nador, e o govemador ja pergunta com 
elle, fallando, Tem vosse o Rey de os 
Judeos ? E Jesus ja falla per elle, Vosse 
te falla. 

12. E quando elle tinha accusado de 
OS primeiros Sacerdotes e Anciaós, elle 
nunca ja reposta nada. 

i3. Aquelhora Pilatos ja falla per elle, 
Nunca ouvi vosse que muitas cousas ello- 
tros te testefìca contra vosse ? 

14. E elle nunca ja reposta per elle, 
nehua palavra; assi que o govemador 
tinha muito espantado. 

i5. E ne aquel festa o govemador 
tinha customado pera solta hum prìso- 
neiro per o povo, quem ellotros tinha 
desejado. 

16. E aquelhora tinha per ellotros 
hum prisoneiro bem conhecido, cho- 
mado Barabbas. 



97 



7. E ellotros tornando conselho, ja 
compra com aquels o varzi de Ouleiro, 
per taira estranheiros. 



8. Poristb aquel varzi tem chomado, 
varzi de sangue, ate este dia. 

9. Aquelbora tinha feito aquel que 
tinha papiado de Jeremias o propheta, 
fallando, E ellotros ja toma o trinta 
dinheiros de prata, o pre90 de elle quem 
tinha valiado, per quem ellotros de o 
filhos de Israel ja valia, 

10. E ja da aquel per o varzi de Ou- 
leiro, comò o Senhor ja ordina per im. 

1 1. E Jesus ja impe diante de o gover- 
nador; e o govemador ja prunta com 
elle, fallando : Tem tu o rey de o Ju- 
deus? E Jesus ja falla per elle, Tu te 
falla. 

12. E quando elle tinha accusado de 
o principal sacerdotes e anciaÓs, elle 
nunca reposta nada. 

i3. Aquelhora Pilatos ja falla per elle, 
Nunca ouvi tu que tanto cousas ellotros 
te testimunha contra ti? 

14. E elle nunca reposta per elle to- 
cando nehum cousa ; assi que o gover- 
nador tinha muito espantado. 

i5. E ne aquel festa o govemador 
tinha customado per da liberdade per 
hum prisoneiro, quem seja que o povo 
querìa. 

16. E aquelhora tinha per ellotros 
hum prisoneiro bem conhecido, cho- 
mado Barabbas. 



7. E despois que ellotros ja consulta 
juntamente, ellotros ja compra com 
aquelles a varze do oleiro, pera tem 
hum lugar de enterramento per os es- 
trangeiros. 

8. Por isto, aquel varze tinha cho- 
mada Haceldamaf aquel tem, a varze 
de sangue, até hoje. 

9. Aquelhora tinha feito aquel que 
tinha papiado de Jeremias o propheta, 
fallando: E ellotros ja toma os trinta 
dinheiros de prata, o pre^o d'elle quem 
tinha valiado, quem os filhos de Israel 
ja valia; 

10. e ellotros ja de aquelles per a 
varze do oleiro, comò o Senhor ja ni- 
mita per mi. 

11. E Jesus ja impé diante do gover- 
nador, e o govemador ja pergunta com 
elle, fallando : Tem Vos o Rei dos Ju- 
deos? Jesus ja falla per elle: Vos te falla 
aquel: 

12. E quando elle tinha accusado 
dos primeiros sacerdotes e anciSos, 
elle nunco ja repostà nada. 

i3. Aquelhora Pilatos ja fedla per 
elle: Nunco ouvi vos quantos testi- 
munhos ellotros te falla contra vos? 

14. E elle nunca ja reposta per ne* 
nhuma palavra; assi que o govemador ja 
espanté grandemente. 

i5. E no dia solemne, o govemador 
tinha customado pera solta hum priso- 
neiro per o povo, quem ellotros querria. 

16. E aquelhora tinha per elle hum 
prisoneiro bem conhecido, quem tinha 
chomado Barabbas. 



98 



Versào de Almeida Versdo wesL, 1826 



Um homem tinha dous 
fìlhos. 

E disse o mais mo^o del- 
les a seu pae : Pae, déme a 
parte da fazenda que [me] 
pertence, e elle Ihes repar- 
tio a fazenda. 



E depois de nao muitos 
dias, ajuntando o fìlho mais 
mo90 tudo, partiose a hua 
terra muy longe, e ali des* 
perdi^ou sua fazenda, vi- 
vendo disolutamente. 

E desque ja* teve tudo 
desperdÌ9ado veio hua 
grande fome n'aquella ter- 
ra, e come90u a padecer 
necessidade. 

E foi, e achegouse a hum 
dos cidadaos d'aquella ter- 
ra; o qual o mandou a sua 
quinta, a apascentar os 
porcos. 

E desejava encher seu 
ventre das mondaduras 
que comiao os porcos, e 
ninguem Ihas dava. 

E tornando em si disse : 
Quantos jomaleiros de 
meu pae tem abundancia 
de pam, e eu aqui peremo 
de fome. 



Per hum certo homem 
tinha dous fìlhos. 

E o mais mo^o d*elles 
ja falla per o pai. Pai, da 
par mim a quinhao de a 
fazenda que par mi te com- 
pete. E elle ja reparti per 
ellotros seus bens. 

E nao muitos dias des- 
pois, o fìlho mais mo^o 
ajuntando tudo, ja parti 
per hua terra longe e ali 
ja desperdica sua feizenda 
vivendo dissolutamente. 



E quando d'elle tinha 
gastado tudo, hua grande 
fome ja sucede n'aquella 
terra ; e elle ja cometa per 
padece necessidade. 

E elle ja foi e ja ajunta 
si-mesmo per hum de os 
cidadaos d'aquella terra; 
e elle ja manda per elle 
per sua varzes pera pastia 
OS porcos. 

E elle tinha desejado 
pera enche seu barriga de 
OS mundaduras que os pof*- 
cos ja come: e ninguem 
nunca ja da per elle. 

E tornando em si mes- 
mo, elleja falla, Quantos 
jomaleiros de meu pai tem 
abundancia de pa5, e eu te 
perece de fome! 



PARABOLA DO 

(S. LUCAS, 

Versao wesL, i852 

Per hum certo home ti- 
nha dous fìlhos: 

E o mais pequenino de 
elles ja falla per sua pai, 
Pai da per mi o quinha5 
de o fazendos que per mi 
te compete. E elle ja re- 
parti per ellott^s sua fa- 
zendo. 

E nao muito dias des- 
pois, o fìlho pequenino jun- 
tando todo, ja parti per 
hum longe terra; e ali ja 
gasta sua fazendos vivendo 
soltomente. 



E despois d'elle ja gasta 
todo, tinha hum forte ca- 
ristia n'aquel terra; e elle 
ja cometa per suffri neces- 
sidade. 

E elle ja foi e ja junta 
si-mesmo per hum cidada5 
de aquel terra; e elle ja 
manda elle per sua varzis 
per pasta porcos. 

E elle tinha desejado per 
enchi sua barriga coro o 
fruitas que o porcos ja 
come: e ninguem nunca 
da per elle. 

E alembrando né si- 
mesmo elle ja falla. Per 
que tanto servidors de mi- 
nha pai tem pa5 em abun- 
dancia, mas eu aqui te 
morre de fome ! 



99 



FILHO PRODIGO 

GAP. XV) 

Crioulo de Mangalor Crioulo de Diu 



Um certo homi tinha 
dois filh : 

E pequinino d*elloutro 
ja falla por su papa : papa, 
da minh fisucend^s por^om 
que te cahi por mi. E elle 
ja dividi entre elles su's 
por^om. 

E nuaca passa multo di, 
o filho pequinin ja junta 
tud junt, ja foi longe nu 
tim terr distanti, e alli ja 
desperdi^a su fazend com 
vid me. 

E despois de gasta elle 
tudo, ja vi n'aquelle terr 
grandi caresti e elle ja 
principia per fica nu falt. 

EUe ja foi e fica com um 
d*aquelle terr's cidadom, 
elle ja manda per elle nu 
su varj par cria pere. 



E elle mais antes tinha 
enche su barrig com case 
que porc tinh come : e ne- 
nhum home ja da per elle. 

E ja volta per si mesm, 
elle ja falla: quant paga- 
ment's servidor minh pa- 
pa's casa fica fart com pom, 
é eu aqui tu morre com 
fomel 



Um homm tinh doiz filh: 

J^ fieillou por su pai aquel 
mais piquin, que da-cà su 
quiaó que ta pertencé a 
eli. E eli jà repartiu por 
tud doiz filh tud quant 
tinh. 

Depois de passe algum 
tempo fèz um imbrui de 
tud su fat aquéll rapaz pi- 
ci uin e jà foi fiicà n*um terr 
bastant lonj e estranh e ali 
ja deu cab de tud, fazend 
munt estraga^ao. 

\\ depois de ter dad cab 
de tud, sucedeu vi n'aquéll 
terr grand caristi e IH 
prinspiou ter pricizaò. 

Jà sahiu d'ali e jà fìcou 
com um homem d'aquéll 
terr. Mais est jà mandou 
por aquéll por um quintal 
d'eli par toma cuidad de 
sua cria^aó de porc pare. 

Nest lugar tinh busca èli 
inché su barrig com comer 
d'aquèll porc porc, mais 
ninguem na tinh dà. 

Até qui jà pensou e jà 
fallou : na caz de mim pai 
té bastant criad qui té munt 
comér e eu aqui tà morré 
foml 



Crioulo do Norie 

Um cert hom tinh doi 
filh: 

O pequen ji fallou por 
su pai : Pai, dà par mim 
mim heran^. Su pai ja deu 
par eli su heran^. 



Depois d*algum di o pe- 
quen filh juntand tud que 
tinh pertecend par eli, jà 
foi fór da terr, e ali des- 
pendeu tud su dinheir no 
comer, beber, etc. 

Depois d'eli despender 
tud, ali ji cahiu um fort 
fom n'aquell terr, e eli ji 
ficou bem pobr. 

Entao eli jà foi e ji ficou 
serv num caz d*um rich 
hom d'aquell terr. E eli ji 
mandou no su vargem pu 
dà comer pu porc. 

Tant er fom d'aquell ra- 
paz, que eli até havi de co- 
mem comer do porc. 



Mas eli pensand em si 
mesm ji fallou : Quant serv 
no caz do meu pai tem 
bastant pu comem e bebé, 
e aqui eu tà morrend com 
foml 



lOO 



Levantarme hei, e irme 
hei a meu pae, e dirihe 
hei: Pae, contra o ceo, e 
perante ty pequei. 

Ja nao sou dìgno de ser 
chamado teu fìiho : fazeme 
corno a hum de teus jor- 
naleiros. 

E levantandose, hia a seu 
pae. E corno ainda esti- 
vesse de longe, vio o seu 
pae, e moveuse de intima 
compaixaó ; e correndo 
para elle, derribouse sobre 
seu pescoso e beijou o. 

E o fìlho Ihe disse : Pae, 
contra o ceo, e perante ty 
pequei; ja nao sou digno 
de ser chamado teu fìlho. 

Mas o pae disse a seus 
servos: Tirae o principal 
yestido, e vesti o, e ponde 
anel em sua mao, e ^apa* 
tos em seus pés. 

E trazei o bezerro gordo, 
e matae o; e comamos e 
alegremo nos. 

Porque este meu fìlho 
morto era, e reviveo; ti- 
nham perdido, e he achado. 
E come<^araose a alegrar. 

E seu fìlho o mais vdho 
estava no campo; o qual 
comò velo, e chegou perto 
da casa, ouvio a musica, e 
as dan^as. 

E chamando a hum dos 
servos, perguntoulhe, que 
era aquillo? 



Eu lo irgue e lo anda 
per meu pai, e per elle lo 
falla. Pai eu ja pecca con- 
tra ceos e deante de ti. 

E mais nao tem digno 
pera ser chomado teu fìlho: 
faze par me comò hum de 
teus jornaleiros. 

E elle irguindo, ja foi per 
seu pai. E quando ainda 
elle tinha de longe, seu 
pai ja olha par elle, e ja 
senti grande compaixaó, e 
correndo, ja cahi sobre seu 
pescoso, e ja beija per elle. 

E o fìlho ja falla per elle. 
Pai eu ja pecca contra ceos 
e diante de ti, e mais nao 
tem digno pera ser cho- 
mado teu fìlho. 

Mas o pai ja falla per 
seus servidors, Trize aqui 
o melhor vestido, e vesti 
per elle; e bota hum anela 
em sua mao, e sapatos em 
OS pés; 

E trize aqui o vaccinha 
gourda, e mata; e come- 
mos, e alegramos nos. 

Videque este meu fìlho 
tinha morto, e toma tem 
vida; elle tinha perdido, e 
tem achado. E ellotros ja 
cometa pera alegra. 

E seu fìlho mais velho 
tinha ne o varze : e corno 
que elle ja vi e ja chega 
per a casa, elle ja ouvi o 
musico e as dan^as. 

E chomando huma de os 
serVldors, elle ja enculca 
que tinha isto ? 



Eu lo irgui e lo anda 
perto minha pai, e lo falla 
per elle. Pai, eu ja pecca 
contra ceos, e diante de ti. 

Eu nuntem digno per ser 
chomado tua fìiho mais: 
faze per mi comò huma de 
tua servidors. 

E elle irguindo ja foi 
perto sua pai. E quando 
ainda elle tinha longe, sua 
pai ja olha per elle, e ja 
senti grande piadade, e 
currendo, ja cahi sobre 
sua piscos, e ja beija per 
elle. 

E o fìlho ja falla per elle, 
Pai, eu ja pecca contra 
ceos, e diante de ti, e nun 
tem mais per longe digno 
per ser chomado tua fìlho. 

Mas o pai ja falla per 
sua servidors, Trize aque o 
mais bom vestido e faze 
vesti per elle; e bota hum 
anela ne sua dedo e sapa- 
tos ne sua pés; 

E trize aqui o vaquinha 
engordado e mata; e va- 
mos come e folga. 

Parque este minha fìlho 
tinha morto, e toma tem 
vivo; elle tinha perdido, e 
tem achado. E ellotros ja 
cometa per folga. 

Agora sua fìlho grande 
tinha ne o varzi: e corno 
elle vindo ja chega perto 
o casa, elle ja ouvi o mu- 
sico e o bailos. 

E chomando huma de 
o servidors, ella ja inculca 
que querdize este cousas? 



lOI 



Eu lo levante, e Io vai 
com minh papa e falla por 
elle : Papa, eu ja pecca con- 
tra ceu e Vussé's diante. 

Eu nu tem merece por 
fica chamado Vussé's fìlh; 
faze por mim corno um 
voss pagament's servidor. 

E levanta elle, ja vi pa- 
pa's pert. E quand elle tinh 
bastante longe, su papa ja 
olha per elle e ja move com 
compaixom e ja corre por 
elle, ja cahi nu su pisco^o 
e ja bija por elle. 

E o fìlh ja falla por elle : 
Papa, eu ja pecca contra 
ceu e Vussé*s diante: eu- 
mi tem merece agora por 
fìca chamado Vussé's fìlh. 

E o papa ja falla per su 
servidor: Prest trize for 
primeiro sorte's vestiment 
e bata aquelle por elle, e 
bata um anel nu su dedo 
e sapat nu su pé. 

E trize aqui gord va- 
quinh e mata aquelle, e 
xios miste come e fìca di- 
vertido. 

Porqui este minh fìlh 
era mort e ja vi por vida 
outra vez; ja perdido era 
e ja acha. E elles ja prin- 
cipia fica alegre. 

Agora su irmom grandi 
tinh nu varj, e quand elle 
ja vi e chega perto pur 
casa elle ja ouvi music e 
dan^a. 

E elle ja chama um su 
servidor, e ja purgunta 
que cousa este te entende. 



Eu had lavante e had vai 
busca par mim pai e had 
falle: Pai, eu jé peccou 
contr Céo e diant de ós. 

Jé na ta mercé nom de 
su fìlh: fazé de mim comò 
de ós criad criad. . 

Elle jé levantou e jé foi 
buscé su pai. E quand tinh 
ind lonj, su pai olhou par 
eli e jé fìcou com pen qui 
jé correu e butou mao na 
su gargant par abrade e jé 
bijou. 

E su fìlh jé fallou : Pai, 
eu jé peccou contr Céo e 
diant de ós, jé na té mercé 
nom de ós fìlh. 

Entao jé fallou su pai 
par su criad : Tire de press 
su melhor róp e de vesti 
par eli e buté um anel na 
su déd e sapat na su pé. 

Traze tamém um va- 
quinh gord e mate par 
nós come e par nós regale: 

Parqui est minh fìlh er 
mòrt e agor jé fìcou viv: 
tinh perdid e jé achou. E 
tud jé comecou fazé ban- 
quét. 

E su fìlh mais grand tinh 
andad na camp e quand 
veo e chegou pert de su 
caz, jé ouvio muzi^ e cant. 

E jé chamou um criad e 
jé perguntou qui couz er 
aquéll. 



Eu ha ergui, had ir perto 
do meu pai e ha falle : Pai, 
eu ji pecou contra ceu e 
contr vosce. 

Eu n'é digno que vosce 
consideré par mim com' 
vosce fìlho: dixi fìca par 
mim no caz com' um serv. 

Entao eli ji erguiu e jé 
foi pert do su pai. Su pai 
ji olhou par elle de long e 
tinh su grand compaixao^ 
e eli ji correu ond tinh su 
fìlho, cahiu sobre su pes- 
coso e ji beijou par elle. 

Mas su fìlh ji fallou : Pai, 
eu ji pecou contra ceu e 
contra vosce e n*é dign do 
nom' do fìlho. 

O pai ji fallou par su 
serv : Trazé logo o primeir 
vestiment e puza sobr eli, 
trazé anel e puza no su 
dedo e sapat no su pé. 

Trazé aqui um gordo bi- 
zeir e mata, e bom (vamos) 
nós come bebé e fìca alegr. 

Parqui est mim fìlh par 
quem eu tinh consider 
comò mort, ji fìcou viv 
outra vez : eli er perdid e 
j achou. 

Agor su grand fìlho tinh 
no vargem, e quand eli ja 
véu pert do caz, elle ji ou- 
viu mus e dan9. 

He ji gritou por um serv 
do caz e ji perguntou qui 
coiz tinh no caz. 



102 



E elle Ihe disse : Teu ir- 
ma6 he vindo; e teu pae 
matou o bezerro gordo, 
porque o recuperou sao. 



Entonces elle se ano- 
jou, e nSo queria entrar. 
O pae entonces, saindo, 
rogavalhe. 

Mas respondendo elle, 
disse a o pae: Eisaqui 
tantos annos ha que te 
sirvo, e nunca traspassei 
teu mandamento, e nunca 
me deste hum cabrìto, pa- 
raque com meus amigos 
me alegrasse. 



Mas em vindo este teu 
fìlho, que com mundanas, 
desperdi^ou tua fazenda^ 
Ihe mataste o bezerro 
gordo. 

Elle entonces Ihe disse : 
Filho^ tu sempre estàs co- 
migo, e todas minhas cou- 
sas tuas sa5. 

Mas alegramos e folgar- 
nos era necessario; porque 
este teu irmaò morto era, 
e reviveo; e tinhase per- 
dido, e he achado. 



E elle ja falla per elle, 
vosso irmao )a vi tem; e 
vosso pai ja mata a vacci- 
nha gourda, videque elle ja 
recebe per elie em bom 
saude. 

E elle, tinha irado, e nada 
entra: Videaquel seu pai 
ja sahi, e ja roga com elle 
fera entra, 

E elle repostando ja 
falla per seu pai, Olha, 
estes tantos annos eu ja 
servi per ti, nem eu ne- 
nhum tempo nunca tras- 
passa teu mandamento; e 
ainda nenhum tempo tu 
nunca ja da par mi aie 
hum cabrilo, que eu pode 
alegra com meusamizades. 

Mas este teu fìlho quem 
ja desperdi^a tua fazenda 
com mudanas quando ja 
vi, tu j a mata per elle o 
vaccinha gourdo. 

E elle ja falla per elle, 
Filho, vosse sempre tem 
com mi, e todas minhas 
cousas tem vossas. 

Tinha competido que 
nos ja fìca alegrados, e ja 
folga: videque este vosso 
irmao tinha mòrto, e toma 
tem vida; e tinha perdido, 
e tem achado. 



E elle ja falla per elle, 
tua irmao ja vi tem, e tua 
pai ja mata o vaquinha 
engordado, videque elle ja 
recebe per elle com saude. 

E elle ja fìca irado, e 
ninqueria anda dentro : vi- 
deaquel sua pai ja vi fora 
e ja roga manda vi dentro. 

E elle repostando ja falla 
per sua pai, Olha, astante 
annos eu ja servi per ti, 
nem eu nehum tempo 
nunca quebra tua manda- 
mento: e ainda nehiim 
tempo tu nunca da per 
mi hum cabrìto, que eu 
pode folga com minha 
amizades : 

Mas assi presta que este 
tua fìlho ja vi, quem ja 
mina tua fazendos com 
mudanas, tu ja mata o 
vaquinha engordado per 
elle. 

E o pai ja falla per elle, 
Filho, tu sempre tem com 
mi, e todo que tem per m% 
tem tua. 

Tinha justo que nos mis- 
tia alegra e folga; videque 
este tua irmao tinha morto, 
e te vive toma; e elle tinha 
perdido, e tem achado. 



io3 



Elle )a falla por ^elle: 
Vossé's irmom )a vi e Vos- 
sé*s papa ja mata vaquinh 
gord porque elle ja rece- 
besse vid par elle salvo. 

Elle ja fica raivoso e ni 
querìa entra dentro. Su 
papa porisso ja vi fora, 
principia roga por elle. 

E elle ja respondendo ja 
falla por su papa : Olha por 
tantos annos eu to servi e 
nunc quebra Vussé's man- 
damenti e assim tendo, 
Vussé nun ja da par mi 
cabritinho par fica alegre 
com minti aroigo's junto. 



E criad jé fallou : Jé veo 
ós irmao, e ós pai ja man- 
dou mata um vaquinh par- 
qui eli jé chegou com saud. 



Elle entao jà fìcou zan- 
gad e naó queri entré. Mais 
su pai jà sahiu e jà rogou 
par eli par entra. 

Mais eli jà deu est re- 
post par su pai : Jà passou 
bastant ann que eu ta servi 
sem nunc deixà de respetà 
ós mandament e ós nunc 
par mi na deu um cabrit 
par eu regala com mim 
amig; 



O serv ji fallou par eli : 
Vosce irmào jàv8u,e vosce 
pai tem matado um gord 
bizeiro, parqui eli ji voi- 
tou salv. 

Este fìlho ouvind est, ji 
fìcou zangad e ni queri en- 
tra dentr do caz. Su pai por 
iss jà veu fór e commen^ou 
faze su cuxamat. 

Mas eli ji respondeu por 
su pai : Pai, eu tant temp tà 
servind por vosce e sempr 
ji obedeceu por vosce, mas 
vosce nunc jà deu aind um 
pequen cabrite par faze 
fest com mim amigo. 



Mas assim logo que Vus- 
sé's fìlho ja vi que tinh 
engulido su fazend com 
balhadeir, Vussé ja mata 
por elle gord vaquinh. 

Mas elle falla por elle: 
Filho, Boz tem sempre 
commigo, e tudo que eu 
tem he vossu. 

Mas este era justo que 
nos fica alegra e contente 
por este vossu irmom que 
era morto e ja vi com vid 
outra vez, elle ja perdido 
era e ja acha. 



Mais log que véo est ós 
fìlh que jà gastou tud quant 
tinh com mulher mulher 
de ma vid, log jà mandou 
mata cabrit gord. 

EntaÓ su pai jà fallou: 
Filh, ós sempr tem junt de 
mim e tud de mim é de ós : 

Er preciz fìize banquét e 
fun^aò parqui est ós irmao 
tinh morrid e agor jà fìcou 
viv; tinh perdid e achou. 



Mas logo que vosce fìlho 
ji voltou, que ji despendeu 
tud vosce dinheir, vosce 
ji matou a respeito d'eli 
um gord bizeir. 

Mas o pai ji respondeu : 
Filh, ós sempre tem co- 
migo, e tud que eu tem é 
par ós. 

Aind er prop que nós 
dev fica content por que 
est ós irmSo nós jà tinh 
considerad com' mort e 
ji fìcou outra vez viv; eli 
jà tinh perdid, mas ji en- 
controu outra vez. 



104 
BADTISIO DE SEM DE FHILIPPI E SUATAMILIi' 

{BAUSTISMO, 1^69, P. 3i) 

Né mundoso cóusas, locando sua dà-tomar com gen- 
tes, nós nadè ascertà hum Baptist né enteiro o mundo, 
quem lo argomenta corno o Bàptists té argumentà to- 
cando baustismo. Assilei burdade nadè fazé iscuro suas 
sintidos, si ellotros quer recadà hum soma de dinheiro 
sóber hum accordan9a que suas devidors jà entra com 
ellotros. Nós té sabé que quando hum devidor té entra 
né hum accordan^a com hum pessaó, de quem elle té 
toma dinheiro per dévida, elle té andà perto hum Notà- 
ris, e té fazé escruvé hum obrigà^è, e elle té assinà 
aquél obrigà^è, e té bota sua chàpè né aquél, comò hum 
sipal que elle tem hum devidor. Agora nós todos té sabé 
que o fefies de aquél devidor tem marado né aquél 
accordan^a. Ellotros non podé fica livrado de aquél 
accordan9a fallando que ellotros tinha nocentes quando 
suas pai jà entra né aquél accordan9a, e que ellotros 
nompodia intindé nehum cóusa tocando aquél accor- 
dan^a. Nós té sabé que alla non tem hum Baptist quem 
lo fica sem recadà sua dinheiro, vide iste lei resaos. 
O herdanca de o fefies lo andà per satisfazé o dévida 
de suas pais, vide que o lei té recadà o accordan^a de 
o pai, comò accordanca de suas fefies, e né o vistas de 
o lei o priméco de o pai, tem o primèvo de todo sua 
herdeiros, masque ellotros lo pòdi tinha nocentes quando 
aquél accordanca tinha escrevido. E nué que Deos té 
usa iste mésmo figura quando elle jà primeté per fica 
hum Deos per Abrahao e suas gera^aos? Sem; Deos 
jà falla que elle té entra né hum accordanca. tEu lo 
establicé minha accordanca ànter mi e ti e tua semente 
despois de ti né suas geracaos per hum sempiterno accor- 



I Neste excerpto e nos seguintes accentuo as palavras que 
poderìam causar ambìguidade phonetica. 



io5 



dan^a» (Geiiesis, xvii, 7). O chàpè, ou senao ségel, de 
iste accordanca tinha circumcisao. E si o nocentes jà 
fica marado per iste accordatila, si o fé de o pai, e o 
primevo de o pai, tinha contado corno o fé, e o primevo 
de sua pequininos, que hum espantoso burdade té go- 
verna per ellotros quem té falla que o fefies de Chris- 
taos nompódi fica marado com o primécos e o accor- 
danca de suas pais. 

Nós tem obrigado torna e tóma né vadoso modos per 
repostà iste argumento de Bàptists que nocentes nun 
pòdi confié, videque vira onde nós querré, o mésmo 
argumento tem trizido tóma e tóma. Flenx comò gri- 
jos, ellotros té salta de muduco per muduco, de hum 
parte de o escripturas per outro hum parte, e assi té 
travalhà per escapà de sua travalhos. Repostà per sua 
argumentos né hum lugar, e ellotros té descruvé de alla, 
per fica parcido né outro hum lugar, com o mésmo 
argumento per qual hum réposta tinha mais diante 
dado. Tem muito leve certomente per argumentà né 
aquél modo, mas hum gente podé argumentà assi per 
cabo de o mundo. Iste tem o modo né qual Dr. Carson 
(hum famado autor ànter o Bàptists) té argumentà. Elle 
primeiro vez té fica determinado per confià que o modo 
né qual elle té distrin^à o orde de Christo per sua dis- 
cipulos tocando bautismo, tem o dreito modo, e que 
todo outro Christaos, que tanto séja prendido ellotros 
tem, té intindé aquél orde virado, e despois elle té falla, 
t Aque eu té impé fortificado, e té atramentà o aguedéza 
de mundo e inferno per fazé redà par mi de iste lugar». 
Nós nunca sabé que poders té competè per inferno, mas 
certomente alla nontem nehum poders né iste mundo 
que podé convince 9 sintido de alhum gente quem tem 
determinado per nunca fica convincido*. 

* Nós jà ovi de hum famado bebrao, quem retornando né o atarde 
de o tavemo, tinha slenger né o ruas de hum castella né iste terra, 
e parando cada dez ou doze staps que elle jé tome, jé falla; «Go- 
venunent sòe Engineers disquel! Caminho todo cava concerta 



io6 



tórtoe, nehum gente nompódi marche dreitollU Pobre home! 
Elle jà nistà claridade per sua vistas, e firméza per sua pés ! Todo 
o caminhos tinha tórtoe videque sua cabé^a notinha dreito. O 
mésmo miseravel istado pode tem o istado de elle quem té fica 
beudo com hum doutrino, e quem té falle que todo outro cami- 
nhos tem tórtoe fórdè aquél né qual elle té marche. Desse nós 
amìzades quem té falle que sua bautismo namais tem dreito 
toma cuidadel 

ROGO DE SEHHOR, CRÉDO, E DEZ HARDilEHTOS 

(O PRIMEIRO CATECHISMO, 1896, P. i3) 

1. Desse eu ouvi vós recitando O Rogo de Senhor. 
Pai nossè qui tem ne Céos sanctìficado séja Tua 

Nome. Tua reyno desse vi. Tua vontade séja feito ne 
mundo, assi corno ne céos. Nossè pao de cada dia dà 
per nós hójo. E perdoà per nós nossè peccados assi 
corno nós té perdoà per ellotros quem té fazé mal per 
nós. E nós nào desse cahi ne tente^ao; mas livrà nós 
de mal : Videque Tua tem o reyno, e poder, e o gloria 
per sempre e sempre. Amen. 

2. Repetir o articulos de vossa fé. 

Eu té confià ne Deos o Pai todo poderoso, Creador 
de céos e mundo: Eu té confià tambem, ne Jesus 
Christo nóssa Senhor, so filho de Deos o Pai, quem 
tinha concebido de poder de o Santo Espirito, nacido 
de Virzem Maria, Ja padecé baso de Pontio Pilato, tinha 
crucificado morto, e tarrado; Elle ja discé per inferno; 
ne o terceiro dia. Elle ja irgui de morte, Elle ja subi 
per céos; e té santa ne mao dreito de Deos o Pai todo 
poderoso, de onde Elle lo vi per julgà todo viventes e 
mortos. Eu té confià tambem ne o Santo espirito, o 
Santo igreja universal, o communi^ao de santos ; o per- 
da6 de peccados; o resurrei^ao de o corpo; e o vida 
etemo. Amen. 

3. Que tem o dez mandamentos ? 

O mésmo que Deos ja papià ne o vinte de capitulo 
de o bùku de Exodus, fallando. 



107 



1. Eu tem Jehovah vossè Deos; vós nemisté toma 
nehum outro deoses fórdè mi. 

2. Vós nemisté fazé per vós mésmo album cortado 
imajo, nem o fei^ao de album cóusa que tem riha ne 
céos, nem basso ne terra, nem ne ago: vós nemisté 
bassa vós mésmo per aquéls, nem adora per aquéls; 
vide que Eu Jebovab vossè Deos tem bum zeloso Deos, 
visitando o peccados de o pais sóber o filbos per o tres 
e quatro de gera^aó de ellotros quem té burscé per mi; 
e mostrando misericordia per mils de ellotros quem té 
ama per mi, e té guarda minba mandamentos. * 

3. Vós nemisté lumia o Nome de o Senbor vossè 
Deos ne vao; vide que Jebovab nadè larga disculpado 
per elle quem té lumia Sua Nome ne vao. 

4. Lembrà o dia De Sabbado per guarda aquél Santo: 
seis dias vós miste obrà e fazé todo vossè servilo: mas 
o setimo dia tem o Sabbado de Jebovab, vossè Deos: 
ne aquél dia vós nemisté fazé nebum óbra nem vós 
mésmo, nem vossè filbo, nem vossè servidor, nem vossè 
servideira, nem vossè animals, nem o estranbeiro que 
tem dentro de vossè pórtas; vide que ne seis dias Jebo- 
vab ja forma céos, e mundo, e mar, e todo cousas que 
tem ne aquéls, e ja descansà ne o setimo dia: poristo 
Jebovab ja benzé o setimo dia, e ja sanctificà aquél. 

5. Honrà per vossè pai e per vossè mai, que vossè 
dias podé ser muito ne o terra que Jebovab vossè Deos 
té dà per vós. 

6. Vós nemisté mata. 

7. Vós nemisté fazé adultéria. 

8. Vós nemisté furtà. 

9. Vós nemisté dà falso testimunbo contra vossè 
prósmi. 

10. Vós nemisté cubica o casa de vossè prósmi, nem 
sua mulber, nem sua servidor, nem sua servideira, nem 
sua vaca, nem sua bum, nem nebum cousa que té com- 
petè per vossè prósmi. 



io8 
HiTAL SUA PASSAI 

(O BRUFFADOR, JANUARY, iSqS) 

Alice non tinha multo bunito, mas tinha bom, e capaz 
bum minina. Ella tinha cazado perto dés annos. Peter, 
sua mando, tinha bum grande dandy, mas tinha bum 
pregue^oso, e ja ama beberajo. Elle tinha bum sapa- 
teiro, podé cusà fór^a, bunito sapatos si queria, mas 
vide sua pregue^è ja desemportà sua remedè. Alla tinha 
inde bum féo culpa, elle non tinha muito honestè. Pobre 
Alice nonco confìà, quando cambrados )a de sabé ans- 
que ella ja cazà, que Peter tinha bum desemportado 
ma9éo. Como bastante meninas, ella tambem ja con- 
sola simésmo fallando: e Elle tem certo per muda, assi 
presta que ja cazà. Eu te sabé que elle te ama per mi; 
minha bum palavra lo cura sua desemporta^ao e beu- 
di^e». Ah, vaó confian^a! Si bum macéo ansque caza- 
mento non tem vergonha per bebé e per tem desem- 
portado, alla tem muito pouco confianca que elle lo ser 
mundado despois. Tem verdade que cazamento te muda 
per alhumas, mas que poucos tem ellotros! Se huma te 
para bom, um centa tem mal. Alla nao tem astanto 
triste, troublado, pobre mulhers ne este terra si meni- 
nas tem pouco mais cizo e nao fica prestado per cazà. 
Bastantos te lembrà, que tem bum grande vergonha 
per tem sem cazà. Ellotros nao emportà com quem te 
cazà; quem querré quem te vi ne o fessaó de bum 
home; sem, assi comò bum velha ja falla, teste tempo 
meninas lo cazà até com diabo, si elle lo fica parcido 
comò bum bunito, dandy macéo». Mas desse cada bum 
menina lembrà, que tanto ellotros lo tem per soffre 
despois. Alice tinha o so filha de bum respeitado pai e 
mai. Ellotros ja dà per ella bom prenda; ja guarda per 
ella muito comfortable; ella tinha muito allagre e con- 
tentado ansque ja cazà. Sua tristéza, pobréza, troubla- 
^ao, e mino ja comecà despois de casamento. Hum 



I09 



pouco dias ansque Natal, nós ja foi per visita per ella. 
Oh, si sua mai podé olhà ella sua estado quilie ella lo 
dia chora. Ne hum quintal càmber, hum escuro, sujo 
lugar, Alice e sua sinco crian9as tinha fica. Hum crianga 
tinha doente com febre. Alla non tinha hum cama; nao, 
sóber o sujo, frio chao ne hum esteira ella tinha dromé. 
Alla non tinha nehum servidor, Alice tinha per sisté o 
doente crianca, tinha per muà témper, per cusinhà &: 
Ella ja parcé muito triste e troublado. Natal tinha vi, 
e que podé ella fazé? NaÓ ella sua criancas tambem 
deseijà per viste hum nove chapé, hum novo gown, e 
per come hum padàz cake? Sem, o criancas ja cometa 
per chorà fallando: Mamà, papà te cusà sapatos per 
todos, mas nós te andà pé-solto. Olhà, outro criancas 
ja cava compra chapés, mas per nós nontem nadè, &•: 
oh, quelle os lagres ja comecà per vazà de ella sua 
olhos! Ella ja fica baffado com tristéza. Justo aquèlhora 
sua marido ja vi casa. Ella ja comecà per conta sua 
triste historia; mas elle tinha assi*beudo que elle tinha 
comò hum surdo home. Assi presta que ja cava come, 
elle ja cahi ne o chao comò hum vaca morto, e ja cometa 
per ronchà assi fórca, que o pobre doente crianca ja fica 
cordado, e ja grità fallando: tMamà, eu tem alver^ado; 
olhà quelle ellotros te sarà tabos per concerta hum cas- 
sa6 &»: Ouvindo este palavras o mai ja fica mais triste. 
Ella ja irgué e presta ja mujà o testa de o crianca, e ja 
fazé dromé per ella. Assi presta que ja pegà sonno, e 
o febre ja branda ella ja entregà o crianga per hum 
pouco bora per hum visinho, e ella ja foi fora. O baas 
de o vénkel onde Peter tinha servf tinha muito piadade 
hum home. Alice ja sabé este, videaquél ella ja foi e ja 
pidé de elle Rs. 20 [20 rupias], e ja pidé hum rupia per 
ser tirado cada sumana de Peter sua paga. Tomando este 
denheiro, ella ja foi per o chap, ja compra tres barato 
chapés, bunito mostra de chitas, tres par més, e per o 
.doente nocente hum bunito bunaca. Tomando todo este 
•ella ja vi casa. Assi presta que o criancas ja olhà o novo 



no 



fatos, ellotros ja cornerà per salta e per canta, Natal, 
ja vi, Natal ja vi». Este grìto ja fazé corda o doente 
crianca. Quando o bunito bunaca ja fica dado, ella ja 
esque^é sua doenca e "ja santa e ja comecà 'per brìncà. 
Peter agor ja irgué; elle nonpodè intende quelie sua 
mulher sùppodo ja fica assi richo. Alice tinha obrigado 
per falla o verdade, assi corno ella tinha papié, o grande 
gottas de lagres ja vazà. Olhando este Peter tambem ja 
fica triste, mas sua trìstéza tinha per hum pouco horas; 
assi presta que elle ja foi, e ja encontrà sua cambrados, 
elle ja esque^é o pobréza e troubla^ao de sua triste 
mulher. 

OIZUIFITE" 

(O BRUFFADOR, JANUARY, 1884) 

Henry. Hum bom entrego de o novo anno per vós 
John. Eu tem sayao que nós nonpodia fica encontrado 
ne Natal dia. Onde tem Jane, eu quer vanz per ella? 

John. Nós tem muito allegre per encontrà per vosso- 
tros. Aque tem Jane; olhà, que allegre ella tem! 

Jane. Hum bom entrego de novo anno per vós Henry. 
Eu tem per gardi^é per Deos e tambem per vós, videque 
John minha mando tem assi bom agora. Nossa Janeiro 
ja cume^à ne o dia quando John ja vi casa com o padàz 
azul ne sua cabai. Te vos olha aquél novo mésa, aquél 
novo cadéras, e este novo gown, e o novo vistido de o 
c;riancas? 't'odo este ja fica comprado de o dinheiro que 
John ja segufA despois de elle ja larga beberajo. 

Henry. Sem, eu te olhà que alla tem hum grande 
mudance ne pste cas^. Maisdiante este casa tinha vazip 
mas agora vossotros tem comfortable. Vinho tem hum 
mal fogo. Oh! quanto casas ja fica ruinado de este fogo. 
Eu te pidé de vós, per vesti este padàz azul fitè. 



I A fìta azul é a insignia dos membros da sociedade de tempe- 
ranza ou abstinencia total de bebidas embriagàntes. 



II I 



Jane. Que dodice Henry, fémès nao bebé. 

Henry. Nao bebé ! Lastè sumane Challo sua filha ja 
morré. Ango, e Justina ja vi per lava o corpo morto. 
Este dous pes3a6s aquel dia que fazé comédè vos mis- 
tedia olhà. Perto 33 cents sua vinho ellotros ja bebé. 

John. Si fémès nao bebé quilie 33 cents sua vinho ja 
fica cavado? Eu nontem deseijo per falla segrédès de 
minha casa; mas vós te sabè Jane, quilie maisdiante 
quando eu te fazé trizé vinho, vós tambem te andà tràs 
de almàrì, e te dai hum pequenino grog. 

Jane. Prestado dà per mi tambem aquél padàz fitè. 
John nonpodé gardà sua boca calado. Eu mais nao dà 
casiào per elle per falla minha culpas. 

John. Que foi Jane, ja vós fica raiva ? Perdoà per mi, 
eu ja falla cousa que ja fica sustido. 

Henry. Tem baste; marido, mulher nun tem bom 
per fica raiva. Nós tem muito fome, vamos nós santa 
per cumé. 

John. Dà ouvidof nósquem te batté porta? Enculcà 
que elle querré? 

Henry. Oh! tem nossa cambrado Kolàs. Olhà, sua 
calsad tem lamiado; anno dia elle ja cahi ne cano. 

Kolds. Hum bom entrego de anno novo. Amizades, 
este que dodice ne assilie hum dia per visti azul fite? 
Jane, minha filha, vós tambem te viste azul? olhà, que 
allegre eu tem? Onte anoite impé inde eu nuco andà 
casa. Vinho, Brandy, Sura, Jin, Whisky, Wine e Ma- 
lackponse, todo tem ne minha istàmu. Oh! que allegre 
eu tem. Trizé hum rabanè, vamos nós canta e baila. 
Amizades, ranchà e pinchà aquél azul fite. Padre lo 
perdoà si nós ne assilei hum dia lo fica beudo. Vi, John, 
fazé trizé hum bottle vinho, vamos nós cume^à per toma 
prazeiro. 

John. Inde te vós pidé per bebé? olhà, vossa istado! 
até este crian<;es te ri olhando vossa dodice. 

Kolds. Quem tem dòdo? Vós, nao eu, olhà, que alle- 
gre eu tem! Quédè rabanè, vamos nos baila? 



112 



Henry. Fica calado Kolàs, vós nao achà beberajo ne 
este Ingar. Cuméra tem leste, lo vós santa com nós per 
ciuné? 

Kolàs. Minha maos te tremé, bum pouco vinho namais 
dà per mi. 

Henry. Na6. Nossa maos tambem ja tremé ; mas agora 
olhà que soade nós tem. Pidé com Deos per judà per 
vós. Elle lo dà fór^a e poder. Ansque nós te santa ne 
o mesa, Jane lo prega este azul fite ne vossa cabai. 

Kolàs. Nao desse Jane vi minha perto; comò bum 
velho pipe minba corpo te fede com o fedor de bebe- 
rajo. Eu lo a^inà este dia gràndis quando cava. 

Jane. Nuvé nada Kolàs masque vós te fede com vi- 
nho. Deos lo judà per vós, olhà que bunito hum padàz 
fite tem ne minha maó. Vi, e este criancè quem vós 
muito te ama lo prega aquéls ne vossa cabai. 

Kolàs. Eu lo cahi posto de injuelho quando minha 
pequenino anjo lo prega este fite. Este criancè te fazé 
lembrà per mi de minha nocente quem laste anno ja 
morré. Sem, minha Charlotte tinha justo comò ella. 
Pobre filha, si ella tinha com vida que allegre ella lodia 
fica per olhà este fite ne minha cabai! Lucy, vi agora 
e com vossa pequenino dedos prega este fite. Eu te 
prìmetà com o ]ùda de Deos per nao bebé. 

Henry. Vamos nós limpà nossa lagrimas e agora gar- 
dicindo per Deos nós lo santa per cumé. 

(O BRUFFADOR, OCTOBER, 1892) 

Johannes. Que foi Omp: Sallo que vossas te parcé 
assi triste? Nunco vós dai hum vidor vinho? 

5. Para caladè singh: Johannes, quilei podé bebé, 
quando non tem nada per come? 

J. O pastro despois de fugi nonca valle nadé per fichà 
gaiola, assi que te valle agora per ser triste, quando vós 
ja cava fica ruinado de beberajo? 

S. Ah, beberajo, beberajo, sempre etemo gentes te 
culpa per beberajo. Olhà, eu ja foi per o t Friend-in- 



ii3 



need-Society» meeting, alla tambem este tinha o com- 
ber^aÓ, 

7. Que bum vergonha que nossa gentes tem obri- 
gado per andà per pidé esmolla de este So^iadade! Si 
nossa gentes tem mais cizo, e cuidadè, ellotros lo se- 
gurà bum quinhao de suas busca, aquelhora quando 
fica doente, ou fica idade, nao nisté per de bum peti- 
tion per o Sociadade. 

S. Ab, nós lei pobre, fraco gentes quilie podè juntà 
dinbeiro. 

J. Te vós olbà este pequinino frominga? Vamos nós 
andà perto elle e considera sua obras. Fromingas tem 
multo fraco, ellotros tem justo comò nós fraco obreiros, 
ainda ellotros te prepara em ?edo, ne verao seu pao. 
O Bible te ensinà per nós per roga fallando, to pa6 
nossa de cada dia dà per nós hoje». E te ensinà tam- 
bem per f busca cóusas bonestè diante todos», e per 
toma cuidadè de sua casas, t especialmente de sua pro- 
prio familba». 

5. Quelle podé bum dous per dobrado velbo agora 
servi e juntà denbeiro? 

J. Sem, agora tem multo tarde! Nossa gentes cadliora 
te esperà até que te fica tarde. Hum pessaS quando fica 
doente nao fazé cbomà per o padre até que fica multo 
tarde. 

S. Que podé nós coitado gentes fazé? 

y. Si nós namais lo fazé que nós podé, aquelbora alla 
na6 tem astanto pobréza ne o terra. Quando nós tem 
fórga e pouco-idade, aquelbora nós nistà come9à per 
segurà denbeiro que nós lo nistà quando fica doente ou 
idade. ' 

S. Nossa gentes sua maos tem multo cumprido, ello- 
tros nonpodé segurà denbeiro. 

/. Aquél podé tem verdade; mas nao o Saving's Bank 
toma cuidadè de nossa denbeiro? Parque, alla tem o 
Post Office tambem que tem leste per toma cuidadè 
até de o mais pequenino soma de denbeiro. 

8 



14 



S. Per que Banks nonpodé nós botta denheiro si 
namais per nós tem denheiro? Ah, nós tem muito 
multo coitado. 

/. Ah, aque te vi hum ma<;éo; laste domingo sua 
segundo pregao tinha avisado. Vamos nós falla folgà 
muito. Folgà muito Adrian, nós tem allegre per ouvi 
que vós prestado tem per cazà. 

A. Que folgà muito per mi? Quando o padre tinha 
lés o pregao ne minha barìga ja sandé hum grande 
fogo! 

S. Que Adrian, que te vi més tem vossa festa, e inde 
nonca vós fica livrado de purgatorio? 

A. Nehum alma na6 sahi de o fogo de purgatorio 
sem dinheiro, assi que festa sem hum cent ne meu 
maó? 

J. Ah, omp Sallo, agora nós te olhà o burdade de 
nossa gentes. Aque tem hum macéo, elle ja cava papià 
cazamento, mas agora elle te corre passià comò hum 
dòdo home sem dinheiro. Ah, Adrian andà e nemistà 
escundà nehum causa de vossa noiva, falla per ella o 
verdade, e pidé de ella per tem pacencià. Vós tem 
namais 22 annos, e ella mdè non tem 19. Que caza- 
mento per assilie pouco idade gentes? 

S. Oh, aque te vi inde hum velho cambrado! Hum 
bom entrago de Natal per vós Mary. 

M. Que castigo omp: Sallo inde onde tem Natal? 
Olhà nehum novo fatos non tem aberto. Assi presta 
que o chap te abri aquelhora te comecà minha Natal. 

J. Te vós sabé que este anno fatos lo tem muito 
carro? 

M. Eu nao emportà nada, eu te toma todo cóusas 
per dévida. Minha pai e mai ja custumà per mi per 
viste cada anno novo vistemcntos, minha mando si non 
podé dà per mi que eu querré parque aquélhora ja elle 
cazà com mi. 

J. Naó, nao Mary, nao papià assi. Olhà o Dr. sua 
Bill non tem inde pagado; alla tem inde bastanto outros 



ii5 



quem suas Bills mista ser pagado; paga e fica livrado 
de este dévid^^, si denheiro te subià, aquelhora andà 
per o chap, e fica determinado este Natal per na6 usa 
beberajo e per na6 fica divida. 

(0 BRUFFADOR, MARCH, 1893) 

Henry. Ah, Johannes, que sadde e bunito vós te 
parcé; ninguem na5 falla que vós tem assi idade, vós 
te parcé mais pouco idade doque alhum macéos. De 
onde vós te vi? Olhà, que bunito tem vossa vestido! 
E vossa jufirau tambem te parcé bunito: eu tem ^erto 
que vossotros ja foi per hmn festa. Ah, este velho mos- 
tra de vestimento tem multo mais bom per fémès doque 
o novo, presente mostra. Te vós olhà per aquél menina 
quem te marche ne o rua. Olhà, que lei ella te travia 
per par^é comò hum macho. Hum cap ne sua cabé^a, 
hum coUar e dace ne sua pis^ds, hum cwaistcoat» e 
hum curto cabai, hum saya estreito, apartado, chapado 
per o corpo, hum bastaó ne sua mao. Ah, Johannes, o 
mundo te vira baixo per riha. Nunca vós lembrà que 
tem feo per os fémès assi per ser vestido? 

J. Sem, e aquél tem contra o santo livro. Ouvi que 
S. Paulo te falla: i Tim: ii. 9. Ne o mésmo modo tam- 
bem, que o mulhers lo vesti trajo honesto, com vergonha 
e modestia. 

H. Vamos fazé para este comber^ao, eu tem desijo 
per ouvi hum pouco tocando o festa. Canto vidors ja 
vós toma, e canto bailos ja vós baila? 

/. Ne o festa casa eu nunca olhà nehum vidórs, fórdè 
aquels que tinha ne o janella. 

H. Que, Johannes, quelie podé gentes festià sem be- 
berajo, e bailo? 

/. Si vós tinha alla vós lodia olhà que allegre todos 
tinha. O noivo, e sua gentes, e noiva e sua pai e mai, 
e amizades, e outros quem ja vi per o festa, e até os 
padres, todos tinha membros de o sociadade que na6 
bebé. 



ii6 



H. Mas eu cadhor ja lembrà, que hum noivo e noiva, 
e outros quem nad bebé, tem permitado ne o festa, ou 
anno casa, per usa hum pouco wine. 

J. Na6, nao, tem ne assilei lugars que nós mista fica 
mais cuidadè; aquel fórdè lembré que tanto beberajo 
te custà? Eu te sabé hum pessaó quem ja fica dévida 
Rs. aoo [200 rupias] per dà cazà sua filha. Nuvé este 
hum grande peccado? Quehora lo nos prende per naS 
fica devidors per ninguem senao per ama huma per 
outro. R. XIII. 8. 

H. Quilie ja o noiva parcé? 

J. Ah, vós tem mais corioso doque hum fémè tocando 
vestimentos. O noiva masque tinha hum pouco trigueiro, 
ja parcé muito allegre e bunito. Ella su vestimento tinha 
plain e elegante. Ella nunca parcé comò alhum noivas, 
comò hum bunaca que ser vestido per ser admirado, 
nao, ella nunca nistà nehum falso aljofre, sua sincero 
e generoso rosto tinha basta per fazé par^é per ella 
bunito; e bemventurado, tinha aquel magéo quem ja 
impé pcrto comò sua mando. 



CARTI&A 873 [C. H.] 

{CANTIGAS, 1871) 

1 Per nosso santo Redemptor 
Quem nós todos juntà; 
Louvà com coracaSs d'amor 
Por aquel, oh louvà! 

2 Por confian^a glorioso 
Nós todos té busca, 

E aquel bom caminho 
Jesus té ordina. 



Em Jesus' nome nós todos 
Cad'hora accorda, 
.Sim! com o nome de Jesus 
Nós todos tem huma. 

Nós todos mesmo t'allegra 
Com paz celestìal; 
Hum paz que mundo na6 achà, 
Hum paz spiritual. 

E, oh! si nosso communha6 
Tem assi bom aqui, 
Até ne terra, que ben^a6, 
Ne ceos lo suste! 



CAHTIGi 274 [L. H.] 

{CANTIGAS, 1871) 

1 Todos quem mora ne mundo 
Louvai o Creador alto 

E teu nome, Salvador, 
Seja louvado com amor. 

2 Etemo teus bems, Senhor, 
Etemo tem teu amor; 
Teus loùvores lo subi; 
Per todo etemidade! 

CAHTIM 37 [C. H.] 

{CANTIGAS, 1893) 

I Oh Deos nossa Judador 
É nossa EspVan^a; 
De tromentos o Livrador 
E nossa moran^a. 



ii8 

Sombrai de Tcu throno basso 
Tem nossa segVan^a; 
Basta per nos tem teu bra?o, — 
Hum certo defensa. 

Ansque montes basso de ceos 
Ne orde ja irgui, 
Tu tinha o eterno Deos, — 
O mesmo per sempre. 

Hum mìì de annos tem per Ti 
Como hum atarde, 
Como vizia d'anoite 
Ansque o sol irgui. 

O Deos nossa Judador 
E nossa EspVanga, 
Fica Tu nossa Livrador, 
E nossa moran^a. 

CARTIGi 69 [S. H.] 

{CANTIGAS, 1893) 

1 De fé nós té sabS 
S'este barro-corpo, 
Este tabernaclo, dis^é 
Per ser desfayido; 
Hum casa tem per nós 
Sem ma6s con^ertado, 
Firme comò amor de Deos, 
Aquel tem segVado. 

2 De Deos absente, nós 
Te gemme ne corpo, 

Té dezià per andà per ceos 
E sahi de mal mundo. 



'^9 

Jesus ouvi rogos 
Fé, per parler muda; 
Com celesdal vestidos 
De lume nós trajà. 

Desse nós Ti vesti, 

Ne santidade cheo 

Tcu roste per olhà irgui, — 

Rosto de iuz, sem veo. 

Ne Tua favor nós 

Com gloria coroà; — 

Com triompha discé de ceos 

Nossas almas toma. 



PiSSADO TEIPOS 

(0 BRUFFADOR, FEBRUARY, 1894) 

Oh, se aquels tóma lo vi, 
Os dias ansque eu ja vesti dò; 
Quando piquins tinha per mi, 
Aquelhora eu nonco senti so. 

Grande tinha meu pastempo, 
Nehum cóusa nonco faltà; 
Mas agór eu tem muito so, 
Meu piquins de mi ja andà. 

Oh, si OS dias torna lo vi, 
Quaiìd' piquin maòs me lo pegà, 
E do^e gragas eu ouvi, 
De crìan^as quem eu ama. 

Agór eu tem so, coitado, 
Meu pézo tem muito grande. 
Oh Deos de ceos, meu Pai amado. 
Per mi sinté piadade. 



I20 



Meu piquins non tem perdido, 
Masque de o mundo ja vai, 
Tóma lo ser asccrtado 
Ne ceos juntado lo morai. 

ISTORI DE RET DE 6RIS E HESTRI DOUBiR 

(1889) 



Ne terra de Persia 
Zouman chomado, 
De um leproso rey 
Està govemado. 



Syriano e Hebreos 
Persiano e Arabie, 
Turco e Latin 
Tambem Ungo de Grìk. 



Inteiro sua corpo 
Cum léper e gafo, 
Elle té travia 
Per fica curado. 



Bastanto mestns 
Molto ja travia, 
Per o leproso rey 
Nompódi cura. 



Todo isti lingos 
Elle tem sabido, 
Javi ja chegà 
Isti homi prendido. 

8 

De dovensè de rey 
Elli ja ouvi, 
Seu nehum resta 
Per palaso javi 



Bem capàs um mestrì 
Ne terra ja chegà 
Elli sua nomi 
Douban té chomà. 



Per grandis de palaso 
Jadà per sabé, 
Logo leva per elli 
Diante de rey. 



IO 



Elli foi um homi 
Um grandi prendido, 
Bastanto lingos 
Elli tem sabido. 



Fazé curtesia 
Ja fica impido 
Té pidi cum rey 
Mande dà ouvido. 



121 



II 



Eu ja achà per ouvi 
Meu rey majestado, 
De vossè dovensè 
Vos quer ser curado. 

12 

Qui bastanto mestris 
Bem travajo ja tome, 
Urna de ellotros 
Qui nompódi cura. 

i3 

Sì vós majestado 
Panni lo recibé, 
Lo curàvè parvós 
Eu té prìmité. 



^7 
Fazé curtesia 
De palaso ja redà, 
Ja foi sua cazè 
E ja prepara. 

i8 
Cum um padàs pau 
Um martellò ja fazé 
Ja quindi aquelli 
Misinha ja inché. 

21 

Um bolè de pau 
Tambem ja fazé, 
Tornando isti dós 
Sua junto ja trìzé. 



14 
Sem dà alum dor 
E misinha sen onta 
Meu rey majestado 
Eu parvós lo cura. 



Palmian moito sedo 
Vós miste andà, 
Pera aquel plein 
Qui bolè té brincà. 



i5 
Repostàvè rey 
Moito contentado 
Si vós ade cura 
Lo page eu dobrado. 



28 
Vossè man e corpo 
Atte bemfeto té suvà, 
Cum isti martellè 
Bolè mis brincé. 



16 
Repostàvè mestri 
Panni vós ouvi, 
Eu lo andà cazè 
E aminhan lovi. 



29 
Alla tem misinha 
Ne martellè b&tado 
Ne corpo lo entra 
Candè tem suvado. 



122 



40 

Elli sua corpo 
Tinha assi Hmpo 
Qui assi um dovensè 
Nuca achà nium tempo. 



53 
Per isti mestri 
Ja fazé vistf, 
Cum ouro pedria 
Mantel te luzf. 



41 
Ja visti bemfeto 
Logo mesmo ja andà, 
Ja subi ne treato 
E elli ja santa. 



54 
Dez mil ducats 
Um sagovati jadà 
Dispós isti mestri 
Elli ja andà. 



42 
Todo sua sinhorìs 
Tinha ala santado, 
Como oyà per rey 
Rea ispentado. 



56 
Rey sua condi grandi 
Poi um grandi cobisoso, 
Quilie bastanto gentes 
Per dinheiro um goloso. 



5o 
Ja tira coméra 
Ne mezè ja santa, 
Per mestri Douban 
Rey té gazià. 



67 

Dizé isti condi 
Ouvi minha rey, 
Tem pirigoso per confià 
Per uma qui nan con'cé. 



5i 
Perto de rey 
Elli tem santado 
Té come bebé 
Moito allegrado. 

52 

Ja cava coméra 
De mezè ja irgui, 
Um mantel de ouro 
Rey ja trizé vi. 



70 
Elli tem um tredor 
Eu quilie té lembrà, 
Cad' hora ne palaso 
Per elli eu oyà. 

71 
Quem sabé qui lotem 
Ne elli sua lembrancè, 
Lo poi mata per rey! 
Per sua bonancè. 



123 



84 
Nuvé cum cnvejo 
Eu qui té falà. 
Per sigurà vossè vide 
Qui eu té travia. 

85 
Um sùpodo morti 
Vós lo recibé 
De ondi lovi pancadè 
Vós nandè sabé. 

86 
EUi foi um ispion 
Qui fica mandado, 
De inemingos de vós 
Rey per ser matado. 

87 

Rey nuvé um homi 
Prendido per falà, 
Os palàvers de condi 
Elli ja confià. 

88 
Condi sua tredice 
Elle nompodia pegà, 
Ne lastro de condi 
Isti rey ja apinhà. 

92 
Mande corta sua piscos 
Vós logo ordina, 
Assi meu sinhor 
Vós lo escapà. 



102 
Pruntàvè Douban 
Meu rey majestado, 
Qui tem minha culpa 
Per fica matado. 

io3 
Repostàvè rey 
Eu ja achà per ouvi, 
Per tira minha vide 
Vós aqui qui javi. 

104 
Ansqui minha vide 
De vós lo ser tirado, 
Eu per Iscapà 
Vós lo ser matado! 

io5 
Algoso de rey 
Tinha ala impido, 
Ordina per elli 
Man' fazé sua sirviso. 

106 
Tiràvè cabécè! 
De aquel cruel corpo, 
Eu miste oyà 
Qui elli lotem morto. 

193 
J. tem meu nomi 
A. tem embriado, 
J. tem meu alcunha 
De eu ja ser marado'. 



I J. A. Janz, nome do auctor. 



124 



ISTORI DE OURSOR E FiLEHTETR 



219 
Que terra que sangue, 
T3è quem vós senhora, 
De quem vós jerado, 
Falà vós agorrè. 

2io 
Olivi mercador, 
De todo riquéze, 
Hum sangue de rey, 
Eu foi hum prinsese. 

221 
De el rey Pepeyn, 
Eu irman piquenino, 
Ouvf mercador, 
Cum sinco sintido. 



227 
Elle sua palàver, 
Emperdor ja confià. 
Ne mesmo momento^ 
Parme fazé pinchà. 

228 
Do sua palaso, 
Ja fazé corre, 
Ne mato deserto, 
Meu vide per perde. 

243 
Jatem moito tezo, 
Minha dor de parto. 
Leva Blandemey, 
Parme ne hum mato. 



222 
Eu ja foi cazado 
Cum emperdor Àlexandro, 
De iste tredor, 
Olhà foi redado. 

223 

Como hum judeo, 
Javi cum affesan, 
Per tira meu honra, 
Sen tenta meu nasan. 

226 
Cum todo mintira, 
Ja fazé tredise, 
Ay aquel tredor, 
Cum sua chidise. 



244 
Desse vós panne, 
Garda ne iste mato. 
Busca trizé hum jude, 
Hum jude de parto. 

258 
Iste Bellesante, 
Ja cai de injevelho. 
Ne aria quente, 
Ja pare dós filhos. 

266 
Hum uso de mato, 
Cum raive bravese, 
Ven baso de àlbir. 
Onde tem prinsese. 



125 



269 
Salta iste uso, 
Pcgar hum crianse, 
Levi ne sua cove, 
Cum que seguranse. 

277 
Iste Bellesante, 
Cum que hum suspiro, 
Andà trés de uso, 
Cum que hum pirigo. 

278 
Quando ella jafoi, 
Ne mèo de o mato. 
Cum sua fraquéze, 
Ella cai per morto. 

283 
De milagre de Deos, 
Uso per iste filho, 
Té gardà cria, 
Ànter inimingos. 

290 
Quando rey Pepeyn, 
Ven ne tal caminho, 
Olhar hum crìanse, 
Ne mato de ispinho. 

295 
Toma caveljero, 
OuvI minha orde, 
Leva iste crìanse^ 
Perto nosse padre. 



296 
Dizià cum padre, 
Logo manda bautizà, 
Dreito sua nome, 
Falenteyn falà chomà. 

322 

Assi limpo hum caste, 
Agorre foi sujado, 
De aquel tredora. 
Ne mato sarado. 

323 
Ouvi Blandemey, 
De irman agorre, 
Si atchà ne meu viste, 
Lo mata per tredora. 

393 
Amos iste dós', 
Jafoi ne hum barco, 
Terra per terra. 
Té fazé viajo. 

39* 
Subé ne hum nau; 
Nau de mercasia. 
Té fazé viajo, 
Sen nehum resia. 

395 
Iste nau grande. 
Ne hum terra chegado. 
Nome de aquel terra^ 
Purtugal chomado. 



Bellesante e Blandemey. 



126 



398 
Ala ne aqud terra, 
Mora hum gigante, 
Elle olhà nau, 
Javi per diante. 

Javi per diante, 
Sua dreto per toma. 
Elle sua nome, 
Faraos té chomà. 

4o3 
Pera Bellesante, 
Iste rey ja leva, 
Per elle sua mulher. 
Per ella ja entregà. 



410 
Iste uso de mato, 
Cria dando leite, 
Que grande milàgir, 
Iste pera gentis. 

416 
Videque per elle. 
Uso té cria, 
Todo terra gentes, 
Ourson té chomà. 

417 
Aquel terra gentes, 
Vi cad' hora per cesa, 
Que Ourson ne mato. 
Per todos té mata. 



418 
Iste mercador. 
Per Bellesante que judé. 
Ne mato deserto, 
Cum tredor que briga. 

ISTORI DE m CLEAR DE ILJi DE BARA 



Querré com'sà 
Bonito hum istori, 
Quem ade ouvi 
Garda ne mimori. 



De Vergonha de mundo 
E todo géntis ànter, 
Ja pinchawe hum filho 
De sua mesmo vénter. 



Vide tirano hum mai 
Qui tanto ja sufifri, 
Pequinino hum vergonha 
Ella per cuòri. 



Isti foi cumaso 
De isti istori, 
Sinhare Sinhoris 
Garda ne mim6ri. 



127 



Ànsqui de cum'sà 
San Clear sua paso, 
Tres quàtor palàvers 
Miste ser fallado. 



i3 
Rey James primero 
ElU foì chomado, 
Scotlant o terra 
De elli govemado. 



8 
Quem compra isti boco 
Lés cum allegrìa, 
Nimistà empustà 
Masgui per bum dia. 



H 
Ne ero bum mil 
Quàtor cento vinti, 
Isti qui suste 
Ànter todo gènti. 



Seja empustà 
Per drécker tem perdisan, 
Qui drec todo bocos 
Lotém ne sua man. 



i5 
Ne bum certo ilja 
Bara foi chomado, 
Té morrà San Clear 
Cum sua cambrados. 



IO 



Preso tem barato 
Tem levi per compra, 
Tem pedir bum favor 
Per nuca empustà. 



i6 
Per ordi de Rey 
Ja ser transportado 
Per ilja de Bara 
San Clear mas cambrados. 



II 



Cum isti confiance 
Fazéran comeso. 
Assi tem fallado 
Ne iste suceso. 



ii5 



San Clear mas outros 
Està combersado. 



12 



Ala tem bum terra 
Scotlant cbomado. 
De bum certo Rey 
Està govemado. 



ii6 
Dizé de Bourg 
Huma de cambrados, 
Lotem moito bom 
Si nós lotém cazados. 



128 



117 
Isti San Clear 
Logo ja dizé, 
Nihum Mulheras 
Aqui ninquerré! 



123 

Per huma de vossotros 
Si nuntinhe hum mai, 
Nuca ama per ninguem 
Parmi vós falai! 



ii8 
Todo pesinhotos 
Trizé vi aqui 
Nómi de mulheras 
Eu ninquerré ouvi. 



124 
Dizé San Ciear 
Sua clor mudado, 
Parmi tinha hum mai 
Mas hum grandi tirano. 



"9 
Tigirs mas cóbers 
E diabos trizé! 
Mulheras namàs 
Aqui ninquerré!! 



125 

Ella tinha hum tigir! 
Parmf queria mata, 
Ne tenro idadi 
Panni ja pinchà. 



120 



Si aqui tem mulheras 
Nós nan pòdi pasà ! 
Todo nosse segrédi 
Forre lo andà! 



126 
Inde atte agorrè 
Si pòdi fazé, 
O cruel mulhera 
Meu piscós lo trussé. 



121 



Lo gotià sangui 
Cum briga abaio! 
Aquel nan tem baste 
Lo fica matado. 



127 
Como outro dódos 
Per huma ja ama, 
Ja sigui astanto 
Atte parmi ja nega. 



122 



Uma de cambrados 
Per elle ja repostà, 
Ouvi San Clear 
Desse eu pruntà. 



128 
Ja boté hum pesonha 
Ne meu corasan, 
Cruel hum mulhera 
t>e intero creasan. 



129 



MiXIMiS E PROVERBIOS 

O tempo de necessidade tem o tempo per conhecé 
amizade. 

Comprido divida faz curto vida. 

Rei torto, rezao morto. 

Todo que té luzé, nuvé diamante. 

Unidade tem fórca. 

Exemplo té papié mais fór^a doque palavras. 

Muito somno té fazé fraco o vista. 

Quando o cora(;ao tem direito, os bei^os nan podè 
erra. 

Amaroso palavras sem obra tem comò o casca sem 
miolo. 

Elle quem té emportà o corpo namais, lo perde o 
corpo mais alma. 

O mais lustrar o lumàr, ò mais os cachors té ladra, 

O pastro depois de fugi, nonca vale nada per fichà 
gaida. 

Pai de hum ladran, quem té consente per ladervi^a^ 
nan condinà per sua filho de ladervi^a. 

Descuidoso mais e pais tem o ruina de suas creancés. 

Elle quem té temè per Deos, nan temè per ninguem* 

Elle quem té supporta todo sua traballio com corajo, 
tem hum valioso pessan. 

Hum pessan de bom caracter tem mais respeitado 
doque hum home de riquéza. 

Hum limpo coracao tem mais precioso doque ouro* 

Si vós tem com ladran, elle lo furtà vossa fatos; si 
vós tem com peccador, elle lo furtà vossa virtudes. 

Sem tem espinhos nontem fulas de ròsa; assilei sem 
tem trabalho nuntem ganho. 

Nós té bebé misinha nuvé per achà sabor, mas per 
achà saóde. 

O beberajo tem mais grande hum mal doque doen^a^ 

Vinho jà engulf mas gentes doque màra. 



i3o 



Bom vinho té ruinà saco [bolsa], mas slec vinho té 
ruinà estamo. 

Beberajo tem diabo sua caminho per home, e home 
sua caminho per diabo. 

Goloso sua estamo té rompa sua saco. 

Jogo tem hum curto caminho per ruina^an. 

Elle quem té jugà, té roubà elle mesmo. 

PreguÌ9a tem raizè de todo mal. 

Preguica tem mai de pobréza. 

Pregui^a tem sepulchro de vivente home. 

Dinheiro tem hum bom servidor, mas tem hum piri- 
goso mestre. 

Mais bom per andà dromi sem come doque per irgué, 
quando manhecé, né dévida. 

Ala nuntem mais peior hum ladran doque hum mal 
livro. 

Mal palavras té corta mais fundo doque espada. 

Pai mai su viver tem hum examplo per criancès. 

Si sai té perde sua sabor, 

Sabor tóma nao recebé. 

CANCOES POPULiRES 

Cambran té salta 
Mais alto doque serra, 
Sujo né cabéca 
Querré fazé guerra. 

Amor sua valia quem podé falla? 
Mais precioso doque diamante, 
Muito mais bonito doque prata, 
Quem achà amor, nao sinté triste. 

Aqui né este càmber té baila 
Menina galante. 
Sua fremesura per olhà 
Vale diamante. 



PARTE III 



VOCABULARIO 



ABREVIATURAS 

{Baut.) = Bautùmo. (Br. i) » O Bruffador, \.^ periodico. (Br. 2)^0 Brufa- 
dor, 2.* periodico. Beng. «= bengali. 

(C. A.) = O Corner de Alma. Cab. = caboverdeano. Can. >= canarcs ou canari. 
{Cant.) 1= Cantigas, ed. de iSgS. (C. de N.) «= Cantigas, ed. de Newstead. (Chr. de 
Bisn.) -= Chronica dot Reis de Bisnaga, publicada pelo sr. David Lopes. Coch. ^s 
cochinense ou de Cochim. {Coli, de Band.) » CoUec^do de Bando», por F. N. Xa- 
vier. Comm. B comroum a todos os ramoa do indo-portugues. Cont. »= continente. 

Deriv. -= derìvado. Div. «= divense ou de Din. Drav. ib dravidico (tamul, malaya- 
lam, canari, telegu, tnlu). 

Ethiop. Or. «= Eihiopia Orientai. Elucid, -= Eluddario de Viterbo. 

Form. nM>d. *= fórma moderna. 

Gare. B Garda da Orta. Gain, ib guinéenae ou da Gniné. Guz. » guzerate ou 
^jrati. 

Hind. B bindustani. 

Konk. = konkani ou concani. 

Mac. «= maca(sta ou de Macau. Mal. ^ malaquense ou de Malaca. Mail. ■* ma- 
layalam oa lingua, do Malabar. Mang. » mangalorense ou de Mangalor. Mar. « ma- 
ratha ou maràthi. 

Norm. «ss normal. Nort. « norteiro ou do Norte. (N. T.) *= O Novo Testamento, 
ed. de 1826. 

(Ourson) — Istori de Ourson e de Falenieyn. 

Prak. ■» pràkrito (konkani, maratha, guzerate, bengali, dngalés, bindustani, etc.) 

{R. de G.) = Istori de Bey de Gris. 

Sansk. « sanskrito. (5. C.) = Istori de San Oear. Singl. «r singalés. Slngp. — 
•ingapurense ou de Singapura. 

T. == tambem. Tarn. = umul. Tel. «=» telegu ou telìnga. Tul. ■» tulu. 

{V. de V.) = Voi àe Verdade. 



OBSERVAgOES 

I. O VoCABULARio contém t2o semente as palavras que ou n&o sSo de orìgem por- 
tuguesa, ou pela sua pronuncia ou 8ignìfica(£o differem do portuguès actual. 

U. Os vocabulos e as fórmas que me pareceu nfio serem crioulos ou pelo menos 
correntes, vfio referidos à sua fonte. 

in. Como a Imprensa Nacional nfio possue typos proprio* dos alphabetos india- 
noe, alem dos devanàgricos, tamues e arabes, dou em devanàgri as palavras das ou- 
tras lingnas, indicando na romaniza^fio qualquer peculiaridade que haja. 

IV. Na translittera^fio sigo o systema do meu Diccionario konkani-portugués, que 
é o de William Jones, geralmente adoptado pelos orientalistas. 



Abago, abaixo. P. us. V. 

BASSO. 

AbergÀ, abersÀ, abiirgà 
{Br. 2), abra^ar. 

Abnroó. Mais us. bnroó. 

AblÀ, soar; atroar; entoar; 
proclamar. — Do port. abaiar? 

Aboroldo. P. us. V. borcido. 

Absenga (b pron.), ausen-- 
cia. — Ingl. absence. 

Absente, ausente. — Ingl. 
absent. 

Abundamente, abundante- 
mente. — De abundà. 

Abysso (C. A,\ abysmo. — 
Ital. abisso. Ingl. abyss. 

Aoék, cà. — Port. arch. Elu- 
dè.: acó e aqó. Cfr. ala. 

Aooeptà {p pron.), acceitar. 
Aooeptag&o, ^ acceita^ao. Ao- 
oeptavel, acceitavel.— Ingl. to 
accept, etc. 

Aoooinplnli& (ant.). V. com- 

PINHA. 

Accorda, accordar; fazerbem 
ao estomago. 

Aooordadomente, accorde- 
mente, em harmonia. — De 
accordado. 

Aooordanga, aooordancò, 
accordo ; unanimidade ; pa- 
cto. — Deriv. norm. de accorda. 
Cfr. cuidanga, duvidanga. 



Aoento, assenso, consèn- 
so. — Ingl. assent. 

Acerto, casualidade, acaso. 
Per acerto, por acaso. 

Aobar (subs.)^ conserva de 
fructos em vinagre ou em agua 
e sai. «E fazem delle (do ana- 
cardo) quando é verde conserva 
com sai pera corner (a que cha- 
mao qua achar)». Gare. Comm. 

T. dial. mac. Do pers. jL^' 

(àchàr)^ por hind. T. em sing., 
hindi, mar., malaio, etc. 

Agoragne, a90ugue. — Por 
equivocammo com ajorrague 
(desus.)? 

Addréss, endere^o; mensa- 
gem de congratulammo, sauda- 
9ao por escripto. Comm. — 
Ingl. 

Ade, adem, pato. Comm. 
Dial. mac. — Port. arch. na 
signif. 

Ade (poet.), ha de, hei de, etc. 
P. US. Cfr. ero. 

AdéOy adeus. S apocopado, 
por se considerar a locumao 
simples e singular. Cfr. simple, 

Adióto (5. C), douto. 

Adivu, adiu, adio, adóo, 
adibe, adive ; chacal ; raposa. 
Cfr. brau. 



i36 



A^judà, ajudar. Mais us. 
judà, CÌT,fitchà, 

Admiral, almirante. — Ingl. 

Adultórla, adnlterag&o, 
adulterio. Cfr. mystéria; cui* 
dagao. 

Adulterioso, adulteiroso, 
adultero. Cfr. alegroso, im- 
piosOf mundoso. 

Advooat, advogado. P. us. 
V, AVOCADO. — Ingl. advocate, 

Advogador (C. de N.), 
advogado. 

Affajado (N. T.), afogado. 

V. FUGA. 

Affegaa, affeÌ9ao. 

Aifliot&, afBigir. Affliotado, 
afflicto. — Ingl. io afflict. 

Ago (fórm. mod.), agoe, 
(p. US., pron. àgò)^ agua (t. us.). 
Ago: dial. coch., mac, cab. Cfr. 
lingOy lego, 

Agór, agorra, agòrrò, 
agora (ant.). Agor: dial. mang., 
div. Cfr. carro; forre. 

AgradadOy agradavel. Cfr. 
desobedecido, perfeitado. 

Aga&, agnva, voar. Aguà: 
dial. mac. — Por avoà^ q. v. Cfr. 
nògo, ago, 

Aindò, aìnda. Mais us. inde. 

Aio (pron. ai^), ah ! oh 1 — 

Singl. tlRl^l (({y'iyà). Em Ma- 
cau: aia. 

AJo, alho. Cfr. ojo. 

A1&, all&, là; alli. Dial. cab. 
Ala: port. arch. 

Albre, Àlbri, Àlbir (fórm. 
mod.), arvore. Altre: dial. 
cab. Dial. mac. àryi. Arare, 
arte e arve (e alvoredo): dia- 
lectaes no continente. — Albo- 
re: port. arch. 



Aideano, aldeSo.T. em Góa. 
Cfr. capitano. 

Aldia, aldeia. Cfr. aria^ 
cadia. 

Alegrado, alegre. Cfr. agra- 
dado. 

Alegroso, alegre! Cfr. se- 
rioso, varioso, 

AlembrÀ, lembrar, lembrar- 
se. Dial. div. — Port. arch. e 
pop. alembrar. Alembragào 
{N. 71), lembran9a (mais us.). 

Alfada, almofada. — Por al- 
m'/ada (assimil.). 

AlfÀndago, alfandega. 

Alfante, elephante. — No 
continente : ali/ante. 

Alflato, alfaiate. Alfiate: 
dial. de Mahé. 

Algoso, algoz.Paragoge de o. 
Cfr. pra^^eiro. 

Algnems (TV. 71), alguns. V, 

ALHUMAS. 

Alhìiin, aluin (p. us.), algum. 
AUmma, alguem, algum de. 
AUmmas, algumas pessoas, 
alguns de. Alkurnhoras, por 
algum tempo. Alhumhoras. . . 
alhumhoras . . . , ora . . . ora . . . 

Allagr&, allagriÀ (Br. 2), 
alegrar, alegrar-se. AUagre, 
allagroso, allegrioso (Br. 2), 
alegre. Allagria, alegrìa. — Infl. 
das linguaes na mudan^a de e 
em a. 

Allegri, alegria (t. us.). Cfr. 
coristi. 

Almàri, almario, armario. 
Cfr. peditóri, remédi. 

Almazein, armazem. — Port. 
arch. e pop. Mais us. gudao. 

Almóga, almo^o. 

Alqomas, algumas. P. us. V, 

ALHUM. 



i37 



AltiTidade, altivez. — Port. 
arch. 

Altunado, aluado. Mais us. 
lumado, 

AInmin&, illuminar. 

Alverg&o {Cant.)^ aversao. 

Alvors&y alversÀ, alvoro- 
^ar. AlvorogSo (deriv. norm.), 
alvro^ {Br. i), alvoro90. 

Amanh&o, aminhào, 

amiSo, amiam (p. us.)) ama- 
nha. Dial. div. aminhd. Ama- 
nhaOf aminhSo: pop. no Minho 
e no Porto. Cfr. palmiSo^ Ida. 

Amaroso, ameroso (p. us.), 
amoro {Br. 2), amoroso. — Infl. 
de r. Cfr. sabaroso. Amaroso- 
mente, amorosamente. 

Ambal, bigorna. — Holl. aan- 
beeld. 

Ambassador, embaixador. 
T. embassador, 

Amégas, amea9as. V. messa. 

Amigan, ambi^ao. Ass. do b. 
à nasal precedente. Cfr. amos. 

Amijade, amizade; amigo. 
Cfr. immi!fade, secura, 

Amos (t. US.), ambos. — Port. 
arch. e pop. em próclise («amos 
de dois», «amordois»). 

Àmper, dmper dmper, cérca 
de, quasi. — Etym. ine. 

Ampér (Cant.)j amparo. 

Amportà {Br. 2), amparar. 

Andà, andavo (poet.), an- 
dar; ir. Substitue vai. 

Anela, anel. Dial. de Mahé, 
mac. Cfr. papela. 

Ànima, animo. Cfr. almóga. 

Anjo-cliusmos, turmas de 
anjos. AnjO'Cuidador, anjo da 
guarda. Anj<h/allas, fallas an- 
gelicas. Anjo-rostOy rosto de 
anjo. 



Anjóla, anzol. — Port. arch. 
amfolo. 

Ankerà, anobrà, anor&, an- 
chorar. 

Anno-casa, casa em que se 
feste) a o dia de annos. ^nrao- 
dia, primeiro dia do anno. 

Anonte, noite. — De d noute. 
Cfr. atarde, dedia. 

Anciado, ancioso. Cfr. ale- 
grado, contentado. 

Ansque, antes que ; antes de. 

Antiphono, antiphona. 

Antos, entSo, pois. Dial. 
coch. Dial. deCora^éo: anto.—- 
Do port. arch. entonces. Anto- 
ces: dial. trasmont. 

Antre, ànter (fórm. mod.), 
entre. Antremettó, entremets 
ter. Antretanto, entretanto. 
Ànter-meo, entremeio. — An- 
tre: port. arch. e pop. 

Ansiamente, anciosamente. 
Cfr. /orbamente. 

Apertamente, apartamen- 
to, aperto, afflic^So. — Aperta- 
mento: port. arch. 

Apinli&, apanhar. T. panhÀ. 
Cfr. accompinhà. 

Applicando, applicagan, re- 
qiierimento, representa^So. — 
Ingl. application. • 

Approvai, approvasse. — 
Ingl. 

Aprii, abril. — Ingl. 

Aqnól, aquelle, aquillo; o. 
Aqnelhora (/-A), aquella bora: 
entao. Dial. coch. Aquelvidè, 
por causa d'aquillo: por isso, 
por tanto. V. vide. 

Ar&, arra (ant.), errar. Ar- 
rendo, errante. A por infl. do r, 
conservado por excep^So. Cfr. 
maràj sarà. 



i38 



Arco, arco; arca. Cfr. brago, 
ponto. 

Aria, areia. Dial. mac. Cfr. 
aldia, cadia. 

AriÀ, variar. Ariado, va- 
riado, vario. Ariagào, varia- 
9ao. 

Ariba, arriba (port. pop.) 
Mais US. riha. 

Armi, exercito. — Ingl. army, 

AromatizÀrs (Br, 2), aro- 
mas. — Verbo substantivado. 

Aròs, arroz. Aro^: Chr. de 
Bisn. 

Artaple, batata. — HolLaar- 
dappel, 

Àrteì (p. US.), forte, robus- 
to. — Holl. hartig. 

Articolo, artigo. — Do ingl. 
aritele f 

Artifi^, artificio. Cfr. pa- 
lago, sacrifico, 

Artilhàris {Br. i), artilhei- 
ros. — Port. arch. artelharya. 
Cfr. conseìharo. 

Ascertà, encontrar, achar. 

Àsper, aspero. Cfr. vésper, 
témper, AsperÀ, tomar-se as- 
pero, esbravejar. Asperdade, 
aspereza. Cfr. aliividade, dim- 
dade. 

Assi, assim; tao. Dial. cab. — 
Port. arch. Assilai, assilei 
(mais US.), assilie (pron. assi- 
lai; adj,\ tal, similhante. Assi- 
lai: dial. mac. — De ^5:51 e laia, 
Assitanto, astanto (mais us.), 
tanto. Assim por tao: dial. 
mang. 



Assino, assignatura. — Do 
verbo assind. Cfr. ruino. 

Assofraa, a^afrao. Asso- 
ftrà, a9afroar. 

Atà, até (t. US.).— Port. arch. 

Atarde, tarde. — De a tarde. 
Cfr. anoutey dedia. 

AtoliÀ, achar (mais us.). Dial. 
mac. Cfr. fitchà. 

Ató, isto é. — Abrev. de 
aquel tem (t. us.). 

Atramento, atrevimento. 
Atramente, atreverse. 

Atrevimentà (Comes), atre- 
ver- se. — De atrevimento. 

Atténcia, attóncò, atten- 
da©. — Infl. do ingl. attention? 
Cfr. intenda. 

Attermesan (5. C), alter- 
, ca9ao ? 

Andónoi, audiencia. Cfr. pa- 
cenci, comedi. 

Audia (Can/.), audacia ? 

Aogast (prón. ógost)^ agos- 
to. — Ingl. 

Avantagem {N. T.), vanta- 
gem. — Port. arch. 

Avelho, abelha. 

Aven&, abanar. 

AvoÀ, voar. — Port. arch. e 
pop. 

Avogado, advogado. — Port. 
arch. 

Ava-mai, avo materno. Avo- 
pai, avo paterno. Cfr. pae-tio, 
m3e~tia, no dial. de Gòa. 

Azéte, asdete (Br. 1), azeite. 
Azeitero, asdetero (Br. i), 
azeiteiro. Azeitero: Dial. mac. 



i39 



Baas (pron. bas)^ patrao. — 
Holl. 

B&baro, barbaro. Cfr. uso. 

Baby (pron. bébi), crean9a 
de peito, «bébé». Baby irmao, 
o irmao «bébé». — Ingl. 

Baol&, batalhar. Baclador, 
batalhador. Baoladnra, baoal- 
dnra, (p. us.), batalha, com- 
bate. — Por intermèdio de 
*bat'là. 

Baf&, abafan Dial. mac. 

Bailo, baile. — Port. pop. 
Bailo-casa, casa de baile. 

Baiso {g, p. us.), baso (f), 
basso (mais us.), baixo. Bas- 
so, baixar, abaixar. Bassóza, 
baixeza. Basso : dial. singp., de 
S. Thomé. Dial. mac. bago. 

Balanga, balan9a; balan90. 

BalmagadOybalangado; agi- 
tado. 

Balmo, balsamo. — Ingl. 
balm. 

Band (pron. bend)^ banda 
de musica. — Ingl. 

Banda-dentro, por banda de 
dentro, internamente. Banda- 
/ora, por fora, extemamente. 
Dial. mac. : subst. 

Bandéré, bandeira. 

Bandeja, bandeja. 

Bangio, dormitar, toscane- 
jar. — Do holl. paaijen. 

Bank (pron. benk)j banco 
commercial. — Ingl. 

Bankroot (pron. benkrut)^ 
fallido. — Ingl. bankrupt, 

Banths (Cant.)^ la^os, pri- 
sóes. — Ingl. e holl. band, 

Bariga, barriga. 



Baro, bÀru, barro, terra. 
Baro: dial. cab. Baro-casa, 
casa de barro. 

Barrato, barato. Cfr. carro. 

Barrò, varrer. Barido, var- 
rido. Dial. mac. bare. 

Bàsin, bacia; prato. —Jngl. 

Bassóra, vassoira. Dial. 
mac. 

Bastanto, bastante ; muito. 
Dial. coch. Cfr. restanto. 

B&tioa, batega (ant.); bacia; 
gamella. Comm. (t. em Gòa). 
Cfr. Elucid,, s. v. batega, 

Batrai {Br, i ), bateria. 

Batta, bater. 

Battalbo (Conf.), batalha. 

V. BACLÀ. 

Batte, arroz com casca. 
Comm. — Can. «J^ (batta)^ 
konk. e mar. HTrT {pMt). 

Bautismo, baptismo. Bau- 
tizÀ, baptizar. Comm. — Port. 
arch. e pop. 

Bautista, Baptista. Comm.- 
Port. pop. 

Bai, bay, bahia; porto 
(desus.). — Do holl. baaie? 

Bazar, bazaara (fórm. 
mod., aa. do ingl.), mercado, 
pra9a. «jB^fdir quer dizer lugar 
d'onde se vendem as cousas». 
Gare. Con^. — Pers.jiju (ba^ 
fir), indianizado. 

Beberajo, beberai, bebera- 
gem; bebida. Beberajo chaps, 
lojas de bebidas. Cfr. imajo, 
corajo e passai, 

Bebenu), bebarEo,bebrìlo, 
beberrSo. 



140 



Bebers, beberes; bebidas. 
Us. so no pi. Cfr. comers. 

Bé^o, bei90. 

Beer (pron. biar)^ cerveja. — 
Ingl. 

Bemfeito, bemfeto {adv.\ 
bem feito; muito bem; digna- 
mente. Dial. mac. e mal. bem 
fèto. 

Bemfeitos (C. M), bene- 
ficios. 

Benga, benoò, ben(^ao. Ben- 
dai dial. coch., mac. 

Bendigào, ben^ao. — Port. 
arch. ? 

Benefioagan (C ^4.), bene- 
ficio. 

Benigdade, benignidade. 
Cfr. alfada, 

Benzó, benzà, benzer, aben- 
9oar. Bénza, bónzo, ben^So. 

Berger (^m), burguez: «eu- 
rasiano», descendente do euro- 
pea. — HoII. burger. 

Beryl, berylio. Cfr. esmeral. 

Bendo, bebado. Bendice, 
bebedice. Dial. mac. bebdo, — 

Singl. %«rj (bébdu)^ konk. 

^«(^1 (bebdo). Cfr. macéo. 

Bible (pron. baibot)^ biblia. 
Bible-nomes, nomes da biblia. — 
Ingl. 

Bibora, vibora. 

BiJÀ, beijar. Dial. mang., div. 

BilUard, bilhar. — Ingl. J5i7. 
liard'Càmber, sala de bilhar. 

Bill, papel de conta. — Ingl. 

Bisiga, bexiga. * 

Bispada, bispado. 

Biada, biade, foiba de pa- 
pel; pagina. — HoU. blad, 

Blanket, cobertor da ca- 
ma. — Ingl. 



Blaspbemagan (Br. 2), blas- 
phemia. 

Blasphemoso, blasphemo. 
Cfr. alegrosOy imploso. 

Bòa (Comes), boa. — Port. 
arch. 

Boat (pron. bòt)^ bote, bar- 
co. — Ingl. 

Bobra, abobora. Dial. nort. — 

Konk. HNdbl (bhobló)^ mar. 
^rX3S[ (bhomplà), 

Booadò, bocado. 

Bodrìmo, fada, duende. — 

Singl. gJìr^r^HÌòll (bodiri- 
movo. 

Boffetado (N. T.), bofe- 
teado. 

Boftià, bnftiÀ, bofetear. 
Bofbada, bofetada. 

BoltiÀ, voltear. 

Bom, bom : bem (subst,). 

Bonancò, bonan^a; bon- 
dade. 

Bonino, bonina. 

Boote (pron. buts)^ botas. — 
Ingl. 

Bordè, borda. 

Bordià, bordar. 

Boireoido, aborrecido. Dial. 
mac. borecido, P. us. Cfr. 
burcé. 

Bota, botar, por, metter. 
Muito US. 

Botle, botel, bottai {Br. 
2), garrafa. Botte: dial. mac. 

Singl. sTinri (botale')^ konk. 
«TrrT ou «TTfr^ {batl ou boti). 
Boitle-vinho, garrafa de vi- 
nho. — Ingl. botile ou port. bo- 

telhaf s||ìh1 {bàtli, mar., 
guz.) é certamente inglés. 



141 



Boutique (pron. boutic)^ bo- 
tica (phannacia) ; loja. — Botica 
na segunda accep. port. arch. 
Comm. (t. em Macau e Góa). 

Bontlqueiroy botìcarìo; lo- 
gista. — Botìqueiro: port. arch. 
Comm. 

Boventade, bovantade, 
boa vontade. Boventade- 
mente, de boa vontade. 

Box (pron. bocs)^ caixa (t. 
US.: cassa), — Ingl. 

Branoék, branquear. — De 
branco. 

Brando, abrandar. Dial. 
mac.) cab. 

Brandy (pron. brandi)^ co- 
gnac. — Ingl. 

Branquóza, brancura. 

BraOy brau, bravo; feroz, 
cniel. Cfr. «arra tei de crao» 
[cravo]. Coli, de Band. 

BrayiÀ, bramar, clamar. — 
De brauf 

Braz&, abrazar. 



Bremelho, brlmelho, bri- 
malho, brimejo, vermelho, 
Dial. cab. brumèjo. Burmelho, 
brumelho: dialectal no cont. 

Brino'-de-fogo, fogo de 
vista. 

Bùrdar {Br. i), bolo.— Holl. 
broedertje. 

BruffÀ, borrifar; semestr 
(desus.). Bmffador, semeador. 
BruffetmentOy aspersao; se- 
meadura. 

Bruso (f ), bru90s. 

Buoo, btiku, livro. Dial. sin- 
gap. — Ingl. book. . 

Bunaoa, boneca. 

BunitOy bonito. Dial. coch. 

Burà, borrar; riscar, apagar. 

Burcé, burQÀ, abhorrecer. 
Dial. mac. burecé. 

Burdade, burrice; ignoran- 
eia. 

Bum, burro. 

Busca, pagamento, proven- 
tos. 



Oab&, acabar. T. cava. Dial. 
coch., de Mahé, singp., cab., 
guin. Cabar: dial. braz.; t. em 

konk. on^llJ (kabàr). 

Oabai, cabaja, ouobai, «ca- 
bala», tunica, capote; casaco. 
«Cabala de damasco rico e 
dino». Lusiad. Comm. {ca- 
bala). -^Pers.-Aràb. Li, india- 
nizado. ^ 

Cabéga, cabegó, cabe9a. 
Cabé^a : dial. cab. 

Gabelho, cabello (mais us.). 

Cabrado (Br. i). quebrado. 



Oagaria, ca^ada. 

Oaoada, gargalhada. Comm. 

Dial. mac— Do konk. ohlchl^ 

(kàkàd)! Sansk. ^f^ (kakh, v.). 

Talvez corr. de cachlnada. 

CachOy cacho ; espiga (desus.). 

Caobór, cachorro; cao. Oa- 
cborinho, cachorro. Cachor: 
dial. singp., mac, cab. 

Gadabora, oadora, oadbor, 
cada bora : sempre, incessante- 
mente. Cada sempre, todo o 
sempre. Cadhum, cada um. 

Cado, cada (t. us.). 



142 



Oad0&, encadear. 

Cadéra, cadeira. Dial. mac-. 

Cadia, cadeìa. Dial. mang. 
Cfr. aria, aldia. 

GaflÀ, acafelar. CaflaQ&o, 
acafeladura. Comm. T. era Góa 
(caflar), 

Cafrana, cafra, preta. 
' CahidaS'per-traìfy recahidas, 
reincidencias. 

Caix (J5r. 2), caixa. V. cassa. 

Calao, bilha de barro ou 
cobre. «Quebra o calaao, que 
he hQa pancia». Chr, de Bisn. 
«Venderem vinho a calóes». 
Coli, de Band, Comm.— Singl. 

chHil {kalaya), konk. ondbtD 
(kalsó)^ sansk. ahHHI (kalaàa), 

Oàlis, calix. Calizes, cali- 
ces. 

Calmo, calma. 

Calqoinlia, calcanhar. 

Calsào, cal^as. Comm. Dial. 
mac. carfari. T. em singl. 

cfìlritlH (kalisan)y konk. 

chlffN^ìòl ou cRFHfar (kài- 

sàthv ou kalsàmv). 

Calvàri, Calvario. Cfr. al- 
mari, vigàri. 

Cambiador, cambista. — 
Port. arch. cambador. 

Cambra, cambre, c&mber 
(fórm. mod.), camara (p. us.), 
quarto. Cambra: dial. mang. — 
Port. pop. 

CambrUo, camarSo. Comm. 
(dial. coch., mang. cambrom; 
dial. mac. cambrdm), T. em 
GÒa. 

Cam*rado (p. us.), oam- 
brado, camarada, compa- 
nheiro. Cfr. prophetOy escribo. 



Campai, campo, planicie. — 
Do port. adj. Ha tambem um 
logar chamado campai em 
Pangim. 

Can', candò, quando. Dial. 
coch. 

CanàlM {Br. 2), canalha. 

Cang&8, can9a9o. 

CÀnoer, cancro. — Port. 
arch. ou ingl. 

Candeoera, caa'oera (Br. 1), 
candieiro. 

Candelàr, oaadelór, cande- 
labro. 

Candia, candela. Dial. mac. 
Cfr. arioy cadia. 

Canto, quanto. Dial. cab. — 
Port. arch. e pop. 

Cap (pron. kép\ chapeu de 
senhoras; bonet. — Ingl. 

Capàs, capaz (t. us.). Capa- 
sddade, capazdade, capaci- 
dade. 

Capital (Baut.)y capitulo. 

Cap tao, capitano (Br. 2), 
capitao. 

CaravUo, carvSo. Svara- 
bhakti. Cfr. oravai. 

Careiro, oararo {Br. 2), 
carreira; curso. 

Carg&, carregar. Dial. mac. 

Cargagao, carrega^ao, car- 
regamento. 

Cari, caril. «Fazem comeres 
das aves e cames (a que cha- 

mam caril) » . Gare. — Prak. cfJFT 

(kadhf)y e drav. {dSpI kart). 

Cariò, formiga branca. 
Comm. — Do port. carie? 

Caridavel (Br. 2), cari- 
doso. 

Caringrtiejo, caranguejo. 
Dial. coch. 



143 



Oaristia, oaristi, oarres- 
tia, carestia. Caristi: dial. div. 
Dial. mang. carestL Cfr. allegri. 

Garretò, oareta, oaretò, 
carreta; carruagem. 

Oarro, caro. Cfr. barrato. 

OartÀ, acarretar; deitar 
(raizes, ramos); produzìr (flo- 
res, frucios). Dial. mac. Cfr. 
cargày darti. 

Carta-mesa, mesa de cartas 
de jogo. 

Cartèy carta (mais us.). 

Casa-lugària, aluguel da 
casa. Casa-porta, casa e porta : 
governo da casa, negocios do- 
mesticos. — Infl. indigena. 

Casiào, oassi&o, occasiSo. 
Cfr. cupaqao. 

Gassa, caixa. GassSo, 
caixao. 

Gastella, castellò, castello. 

Gastlga^o (C ^4.), castigo. 

Gativeira, captiva. 

Gatividade, captiveiro. Cfr. 
duvidade, sobredade, 

Gatétrr, catarrho. Cfr. jpe/owr. 

Gansoy causa. Gansedor, 
causador. 

Gavà. V. CABÀ. Dial. mac. 
Gavador, acabador, consum- 
mador. Gavertà por cavar. 

Gavalheria, cavallaria. 

Gavente, acabando. 

Gaveljéro, cavalheiro. Cfr. 
filjo, iljarga. 

Gavelo, oavelho, cabello. 

Gavemo, caverna. 

Gaza (Br. a), queixa. V. 

QUBSSA. 

Gendé {N. T.), accender. V. 

SANDÉ. 

Cento, oenta, cento, cem 
(desus.). Dial. coch. 



Gents, centimos (moeda). — 
Ingl. 

Geremonio, cerimonia. 

Certéja, oertózé, certeza ; 
certo. Mais us. nesta accep^So. 

Ghabnoo, ohabnoa, chico- 
te, azorrague. Chabuco: dial. 
mac — Pers. oXL». (chàbuk). 
T. nos pràkritos. Gliabuo&, 
chicotar. 

Gbsdo, chale. 

Gban, chao. 

Ghap, loja. — Ingl. shop. T. 
em singl. 

Gh&pò, chapa (t. us.); sello. 

Ghapó, chapeu. Dial. div., 
de Mahé, cab. 

Gbart, carta, mappa. — Ingl. 

Ghela, e chela»., regatas. 
Comm. — Sansk. ^FT (chela). 

Gbéo, chcio. Dial. mac. Cfr. 
féo, mèo. 

Ghéro, oMero, chiesto, 
cliisto, cheiro. Gbisto, chei- 
roso, odoroso. 

Ghiado, astuto, ladino, mali- 
cioso. Gbeadloe, cbediga, 
ohldlga, cbidice, astucia, tre- 
dice. Chedice-lingua, lingua 
fraudulenta. — Konk. ^JJ^ 
(chyàd\ mar. ^^ (chhadmt), 
sansk. ^f^FT (chhadmin). 

Gbina-patéiz, foguete de 
ar. — De China e .^j-cj (patas\ 
maialo. 

Gbin^léi, singales. — Sansk. 

Ghipi, concha. Dice. Con- 
temp. diz: «Chipo, ostra que 
dà o aljo^Bir*. — Tam. e mail. 
Slùl9 {chippi)y konk. e mar. 
ftfrft {simpf). 



144 



Oliita, fazenda de algodao 
estampada a córes. Comm. 
T. em indo-ingles (chintff). 

Do hind. JUi^:^ chhint.—Em 

konk. tT^tI (chii)y sing. f^ 

{chitta)y mar. ^77 (chhìt). 

Oliooarréa, olioqueria, cho- 
carnee. 

Ohoméi, chamar. Dial. mac, 
cab. Chóma, chamamento ; vo- 
ca<?5o. — Port. pop. chomar ou 
chumar. 

Ohorrà (Br. i), churà, cho- 
rar. Cfr. virrà. 

Ohóve {Br, 2), chuva. 

Christendade, christan- 
dade. 

Christmas, Natal (t. us.).— 
Ingl. 

Ohuohadas {Br, i), golpes 
(fìg.). Ohuoliado, ralado, re- 
mordido. «Tinha chuchado» 
{compuncti sunt, Act. 37. 11, 
Dissecabantur, v, 33). A^. T. de 
i852. 

Ohnlo, archote, facho. — 
Singl. f^TFfNra' {chilokhuva), 

Chuméi, sem motivo, sem 
proposito. Dial. mang. — Tarn. 
QrUblhl {chummà). 

ChiunaQO, travesseiro, almo- 
fada. Comm. — Port. arch. 

Chxinambo, caì.Chuname em 
Góa e outras partes. T. em indo- 
ingles {chunam). — Tam., mail. 

o o 

&r^V6t(^V^LbH {chunnàmbu); 
prak. ^FH" ou t^HI {chuno ou 
chunà): sansk. ^T!| {chùrna). 
«Chuna, que he cai». Gare. 

Ghiismo, chusma; sequito, 
comitiva. 



Cinqno, oinquò, cinco (mais 
US.). Oinquento, cincoenta (t. 
US.). Cinquo: port. arch. 

Cintura, cintura; cinto, cin- 
turfioi Ointur&y cingir. 

Cirouinoi8&, oiroumoià, cir- 
cumcidar.Giroumoido, circum- 
cidado. De circumcisao ou do 
ingl. to circumcise, 
■ Cijo, siso; prudencia; aviso, 
conselho; assisado, sabio, pru- 
dente. Clzomente, sensata > 
mente, prudentemente. 

Olar, claro. Olarmente» ca- 
ramente. Cfr. desempar, 

Olaricé, esclarecer. 

Oóber (fórm. mod.), cobra. 

CobiQO, cobi^a. 

Coffee (pron. kófi)^ café. — 
Ingl. 

Ooidà, cuidar (mais us.). 
Coidado, cuidado. 

Qoità, agoitar. 

Coitado, pobre, mendigo. 
Comm. 

Golleigao, coUec^ao. — Port. 
arch. 

Color, clor, cor (t. us.). — 
Color: port. arch. Talvez infl. 
do ingl. 

Colnmno, columna. 

Còma (p. US.), comò (p. us.), 
comò. Coma: dial. coch. — 
Port. arch. 

Comarado {Br. 2). V. cam- 

BRADO. 

Combersan (fórm. mod.). 

V, CONVERSAO. 

Comòga, comedo. 

Comodi, comodò, comedia. 
Cfr. istori, mimòri. 

Comòra, comòrò, oomero 
(Br. 2), comeira, comòria, 
comida. Cfr. podèra; lugaria. 



145 



Cornerà, comeres. Us. so no 
pi. Cir.fallars. 

Comfortable, confortati- 
vo. — Ingl. 

Comidét, convidar. Comida- 
gào, convite. , 

Commenda, encommendar, 
recommendar. 

Commetta, comité (Comes), 
commetter. Cfr. perverta. 

Commónda, ordem, man- 
dado. — Ingl. command. 

ComminhSo, oommonifto 
p. US.), communhao. 

Commnnigà (Comes), com- 
mungar. — Infl. do ingl. to com- 
municate, 

Oomp&nlia, oompinha (me- 
nos US.), companhia ; multidao, 
turba. CompanhÀ, oompinha, 
acompanhar. Oompanhamen- 
to, oompanliimento, compi- 
nliamento, acompanhamento. 
Compìnbador, acompanha- 
dor. — Compànha: dial. mac; 
port. arch., marìtimo e dia- 
lectal. 

Companhério (N. T.\ oom- 
pinheiro, companheiro. Mais 
US. cambrado. 

Compania (Br. 2), compa- 
nhia militar. — Despalat. por 
infl. do ingl. company. 

Competo, oompetÀ (p. us.), 
competir ; convir ; pertencer 
(desus.). Compendo, conve- 
niente, justo, proprio. Compe- 
tidomente, competidamente. 

Complemento (Br, 2), cum- 
primento. — Infl. do ingl. com- 
pliment. 

Compridao (p. us.), oom- 
perdSo, oompramento (Br. i ), 
comprimento. — De comprido. 



Comtodo, comtudo. 

Com*8à. V. cum'sa. 

Con*oé, conhecer. Elucid,: 
conecer, conocer, cunucer. 

Cónoert, concerto musi- 
cal. — Ingl. 

Concerta, concertar; fabri- 
car, construir, formar. 

Concerta (N. T,\ concerto, 
pacto. 

ConoiÀ, conselhar (ant.), to- 
mar conselho, consultar, deli- 
berar. 

Condinà, condemnar. Con- 
dinagiU), condemna^ao (t. us.). 

Confessào, confesso (mais 
US.). Confesso: dialectal no 
cont. Cfr. professào; bén^a, 
relijio. 

Confiador, fiel ; christao. 
Confladeira, fiel. Cfr. merca- 
deira. 

Confidenza, confìan9a (mais 
US.). — Ingl. confidence. 

Confina, confìm. Cfr. irma' 
na, capitano. 

Confórma, conforme (mais 

US.). 

Confonda, confundir. 

Confosado , confasadoso , 
confuso. — De confusao ou do 
ingl. confused, 

Consoianoia, consoenoia, 
consciencia (t. us.). 

ConsecrÀ, consagrar. Con- 
seoragiU), consagra9ao, sa- 
gra^ao. — Infl. do ingl. to con- 
sacrate. 

Consola, consolar. Con- 
selagào, oonsalagào, con- 
solando. Conseledor, conso- 
lador. 

Conseljo, conselho. Conse- 
Iharo {Br, i), oonselhóro, con- 



146 



seleiro, conselheiro. Cfr. Jiljo, 
oljo; artilhàris. 

Oonsónte {N, T.\ consenso, 
accordo. — Ingl. consent, 

Conseqnences, consequen- 
cias. — Infl. do ingl.? 

Oonsistà, consistlr. 
.Constrangà {N. 7".), con- 
stranger (desus.). 

Constmotado (Br. 2), con- 
struido. — Ingl. constructed, 

Oonstima, consump9ao, ti- 
sica. Cfr. confesso, bénja, 

Conta-papel, papel de conta. 
Mais US. bill. 

Contendo, conteudo. — Do 
ingl. contents. 

Contentado, contente. Cfr. 
alegrado. 

Gónter (fórm. mod.), contra. 

Oontino, contiiiaal» conti- 
nuo. Oontinnalmente, conti- 
nuamente. — Contino: port. 
arch. e dial. Continuai: ingl. 

ContradiziU), oontradiza, 
contradic^So. — De contradi^^è. 
Contradizente, contradictor. 
Us. pelo padre Almeida. 

Oontrairo, contrario. — 
Port. arch. 

Gontri&y contrariar, contra- 
dizer. GontriaQ&o, contradic- 
cSo; discussao, debate. 

OonyerslU), conversa9ao. — 
De conversa + So, Cfr. decla- 
r3o, 

Gonyertà» converter. Gon- 
yertagào, convertesan (C A), 
conversSo. Cfr. perverta, 

GonyidagSo, convite. V, co- 
mica. Cfr. cuidagao, 

Gonvlngà, convencer. 

Gópa, copò (p. US.), copo; 
chicara, chavena. Copa-tea, 



chavena de che. — Infl. do ingl. 
na signif. Cope, copi: dial. no 
cont. 

Gopaz. V. CAPÀs. 

Gopra, miolo do cóco secco. 

Comm.— Prak., do sansk. ^IqT 

(kharpara), «Desque elles [co- 
quos = cócos] perdem a casca, 
fìcam secos em peda^os e cha- 
mam-lhes copra». Gare. «Este 
tniolo de coco depois de secco 
e avellado, se chama copra». 
Ethiop. Or. 

Gopy, copia, esemplar. — 
Ingl. 

Goragè, corajo (mais us.), 
oourajo» coragem. Gorage- 
mente, corajosamentè. Cfr. 
imajo, viajo; boventademente, 

Gordà, cordlà (C. de N.), 
accordar. Dial. mac. 

Gordò, corda (t. us.). 

Góres, correias. 

Goresmo, quaresma. 

Goroy&» coroar. Goroyò, co- 
rea. Cfr. perdeva. 

GorreotÀ, corrigà (C. A,\ 
corrigir. — Ingl. to correct, 

GorreiQiU), correc^So. — 
Port. arch. 

Gorrentè, onrrento, qua- 
renta. 

Gormptido, corrupto. Cfr. 
confusado, 

Gòrto, curto. Cfr. sórdo: 
Dial. beiróes, v. 

Gósse, couce. Gossip, cou- 
cear; recalcitrar. 

Gossér, coceira. 

Go8t&, custar. 

Gotta, gotta (t. us.). 

Gonpà. V, CUPA. 

Gonrago, coura9a. 



147 



Court (pron. c<5r/), córte, 
tribunal. Comm.— Court: ingl. 

Oónsus (p. US.), cousès (p. 
US.), cousas. Dial. mac. casu. 

Cover, capa do livro. — Ingl. 

CoYodo, coyido {N. T.), 
covado. — Covodo: pori. pop. 
Azurara tem covedo. 

Creditory credor. — Ingl. 

Crem (Br. 2), cren — Con- 
trac, de creio em. 

CrescentÀ, orlsoentÀ, ac- 
crescentar; augmentar (desus.). 
Cresoentemento, oresoento 
(mais US.), accrescentamento. 
Crescente: dial. mac. 

Criangè, orienta, crean- 
za. — Crienga: port. pop. 

Criminal, criminoso. — 
Do ingl.? 

CriBOé, orisé, crescer. 

Craciflgà (C i4.), cruci6car. 

Cmyeldade, crueldade (t. 
US.). Cfr. corovè. 

Cubico, cubigo, cobi^a. 
T. cobigo, 

Cuda (pron. kùda)^ cudo, ni- 
nho; gaiola; alcofa, cesto. — 

Singl. cR^, cnv^q ou cRTST 
{kùdéy kùdava ou kùdaya\ tam. 
dSoL® {kùdu). 

Cuidade, cuidag&o, oui- 
danga, cuidancè, cuidado (t. 
US.). Cuidadomente, cuida- 
demente, cuidadosamente. — 
Cuidagdo: port. arch. 



Ct^éra, colhér. Cfr. travajo; 
màray vagàra. 

Cule, culi, jomaleiro, ma- 
riola. Comm. Dial. mac.T. indo- 
ingl. (coo(^). — Sing. ^rf^T- 
oni>6| (kulikdraya)^ tam. 
dh.C^{U:^€Xr (kùliyàl)^ konk. 
^rft, *H*I^ {kuliy kulkàr). 

Culpador, culpado. 

Cum, com (mais us.). 

Cumaso (5. C), comedo. 
Mais US. coméga. 

Ouméra. V. coMéiu. 

OumperdlU). V. comperdao. 

Cum'sÀ, come^ar. Cum 'sa- 
vò (poet.), come9ava. Dial. 
cab. cumgd, 

Cun'sé. V. C0N*cÉ. 

CUObai. V. CABAI. 

Cupa, occupar. Cupagào, 
occupa9So. Cfr. CMsido, 

Cura (Br. i), correr. 

Curaly curral. 

Curavo (poet.), curava; cu- 
rar. 

Curry, caril. — Nota9ao ingl. 

V. CARf. 

Curtà, encurtar. 

Curtezia, cortezia. 

CuBét, coser. 

Ctisa {Br, i), cousa. Dial. 
mac. Cfr. cusas em Viterbo. 

Cùspi, cóspi (p. US.), òuspo. 
Cuspi: dial. mac. Cfr. prósmi. 

CuBtùma, custumo, cos- 
tume. CuBtomà, costumar. 



Daoe, gravata. — Holl. das. 
Détdimo, dadiva. P. us. V, 

SACCATE. 



Dàllii, dàlji, d&hi, dàji, dar 
em, bater, espanca r. Dahido, 
espancado. Dial. coch. dàìi. 



148 



Danét, causar damno, damni- 
fìcar. Danag&o, damnifìca9ào. 
Dial. cab. — Port. arch. damnar, 

Danafio&y damnifìcar. Dana- 
ficagao, damnifìca^ao. 

Dandy, «dandy», janota. — 
Ingl. 

Darté, dertó (C i4.), derre- 
ter. Con*, norm. Cfr. carta. 

Dar-tomars, dares e toma- 
res : trato, correspondencia. 

De, de; desde; por. 

Deoémber, dezembro. — 
Ingl. 

De<eos-visitador, visitador 
vindo do céo. 

Deck, coberta do navio. — 
Ingl. 

Deolarào, declara^ao (t. us.). 

Dedia, dia (t. us.). Cfr. atar- 
de, impé. 

Defénoia, defenoè, defensa, 
defesa. 

Deido (fórni, mod.), dedo. 
Cfr. deseijo, meido. 

Dei2&, dessà (mais us.), 
deixar. Deixà nós fa^èy fa^a- 
mos. Dial. mac. de(;à. Cfr. 
vamos. 

Demòni (Br. 2), demonio. 
Cfr. aimàri, vigóri. 

Denheiro, dinheiro (t. us.). 

Déntor, dentro (mais us.). 

Dentro (subs.), o interior, 
fundo. Dentro-vo^, voz interior. 

Deos-bénza (Br. i), ben^So 
de Deus. 

Dér (adv.), continuamente, 
sempre; frequentemente. — Do 
holl. gedurig? 

Dorema, derramar. 

Desaapar&, desesperar. 

Descargà, descarregar. Cfr. 
£argà. 



Desoi, descer. 

Desolorét, descolorar. Cfr. 
clor. 

Descompetido, inconve- 
niente. Descompetidomente, 
inconvenientemente. 

Descontentadoy descontente. 
Cfr. contentado. 

Desorayó, desomi (V. de 
F.), descorré (Br. i), escorre- 
gar, resvalar; metter-se. 

Desonidagào, descnidanoò, 
descuido. Cfr. cuidagao, cui- 
dance. 

Deseijo, deselho, desejo. 
Deseijó., desejar. Cfr. meido. 

DesembarQ€tn (Br. 2), des- 
embarque. 

Desempéx, desemp'ragdo 
(Cant.)y desamparo. Desem- 
parà, desemprà, desamparar. 
Azurara tem desemparar. 

Desfamà, desafamar. 

Desfazedo, desfazido (mais 
US.), desfeito (t. us.). Cfr./a^edo. 

DesfrnitOBo, infruttuoso. 
Cfr. discerto. 

Desgardeoé, desagradecer. 
Desgradeoido , desgarde- 
cido, desagradecido ; ingrato 
(p. US.). Desgardeoimento, 
desagradecimento ; ingrati- 
dào. — De gradecé. 

DesgostO'Vida, vida de des- 
gostos. 

Deshonestade (N. T.), des- 
honestidade. 

Desiò., disia, dizià, desejar. 
Desio, disio, desejo. Cfr. fes- 
tiày subià. 

DesimportÀ, desemportà, 
nSo se importar, desprezar, 
desattender, desleixar. Des- 
emportado, negligente, des- 



149 



cuidoso. DesemportanQa , 
desemportagEo, desleixo, 
descuido. 

Deslimpo, sujo, immundo. 
Cfr. disrepartido. Deslimpéza, 
immundicia, contaminagao. 
Defllimpà, sujar, manchar. 

Desmaréi, desamarrar. Cfr. 
mard. 

DesmaslaQ&o, demasia. 

Desobedenola, dosobedien- 
eia. Cfr. cotiscencia. 

Despadagéi, despeda^ar. 
Cfr. padds, 

DesparanQa, desesperan^a. 

Despareoó, deaparoé (mais 
US.), desapparecer.» Dispar- 
oido, desapparecido; invisivel. 
Cfr. parecè. 

Despòde, depois de. 

Despois, depois. — Port. 
pop. 

Despossessà, desapossar. 
Cfr. possessd. 

Desprazó. {Br. i ), desprezar. 

Desprendldo, desappren- 
dido; indouto, illitterato. Cfr. 
prende. 

Desprovà, reprovar; provar 
contra, refutar. 

Desproyeitoso, inutil (de- 
sus.). — De desproveito. 

Dessero, dessij& (Cath.). 

V. DESIA. 

Destribnà, distribuir. Des- 
tribuagào, destribUQ&o, dis- 
tribui^ao. 

Destmvó, destraivé, des- 
truvà {Br, i), destruir (t. us.). 
Destmiagào, destmivigào, 
destmogào, destrui^ao. 

Desvai, deixe ir, deixe estar. 
ContraccSo de desse (deixe) e 
vai (ir). 



Desvaloso. V. desvauoso. 

Dettò., deitar. Dial. cab. detd. 
Dial. alemtej. déiér. 

Dévida, dénda (p. us.), 
diendò (5. C), divida. Devi- 
dor, diyidor (p. us.), devedor. 
Dévida: em Viterbo; lat. debi- 
tum, 

Devotado, devoto. — Ingl. 
devoted. 

Devotamos (poet.), dedica- 
mos, offerecemos. — Ingl. to 
devote. 

Dézimo, decimo. Cfr. owfi- 
mo, dofimo. Dézimos» dizimos. 
Deziméi, pagar dizimo. — Port. 
arch. dipmar. 

Desf-mil-mil (Cant.)^ dez mi- 
Ihóes. 

Dezoitè, dezoito (mais us.). 

Dia, devia, deveria. Cfr. lodiaj 
nadia. 

Diabolei, da laia do diabo: 
diabolico. I>e diabo e lei (laia). 
Cfr. vichelei. 

Diàoona, diaconiza. 

Diamante-jnblee, jubileu de 
diamante. — Ingl. diamond- 
jublee. 

Diantà, adeantar; preceder. 

Diante-casa, casa fronteira. 

Differénoia, differenza. Cfr. 
defenciay justicia. 

Dinbéro, dinheiro (t. us.). 

Dinte (p. US.), deante^ 
adeante. 

Direotéi, dirigir. Cfr. cor- 
rectd. — Ingl. to direct. 

Disacoordanoè, desaccordo. 
Cfr. accordancè. 

Desapprovado, reprobo. 

Disoó, descer. T. desci. 

Discende, descer. — Port. 
arch. descender. 



i5o 



Disoerto, incerto. Cfr. dis- 
fiely desfruitoso, 

Disoete, dezasete. 

Disoiplo, dìscipulo. Cfr. ta- 
bemaclo, 

Disoonfiador, infìel. Dis- 
oonfiadeira, infìel. Cfr. con- 
fiadeira, mercadeira. 

Disoonsalado, desconso- 
lado. 

Disoontentomento, discon- 
tentamento. 

DiBconyertido, nao conver- 
tido. Cfr. desimportado. 

Disoonrtezia ( V. de V,)y des- 
cortezia. 

Disemperado, desampara- 

do. V. DESBMPARA. 

Disfayegào (Cj«/.), des- 
fazimento. — De dis e faé 
(fazer). 

Disflel, disfleldado (C. de 
N.), infìel. Disflelmente, in* 
credulamente. Disfleldade, in- 
fìdelidade. Cfr. desfruitoso. 

DisgeradOy nao gerado, in- 
genito (no sentido theologico). 

Disgosio, desgosto; desgos- 
toso, desgostado. 

Dish, travessa, prato. — Ingl. 

Dishonorà (Br, i), deshon- 
rar. — Ingl. to dishonour, Dls- 
honravel (Br, 2), deshonra- 
do. — Ingl. dishonorable. 

Disia. V, DESIA. 

Disleyedado, asmo. 

Dismercé, desmerecer. Dis» 
meroiinento, desmerecimento. 
Cfr. mercè. 

Dismissiu), despedida. — 
Ingl. dismission, 

Dismué {Br. 2), digerir. 

Desobdeciinento (Baut.).V. 

DESOBEDENCU. 



Disobedeoido, desobedien- 
te. Cfr. descontentado. 

DisperdicÀ, desperdÌ9ar. 

Dispidé, despedir. Dispi- 
didò, despedida. 

Dispòs (p. US.), depois. Dial. 
cab. — Port. are. despos, despus, 

Disprazeiro, desprazer. Cfr. 
pra^eiro. 

Dispntag&o, desputa. Cfr. 
cuidagdoy mudagao. 

Disregnlado, desregrado. 

Disrepartido, indiviso. Cfr. 
desimportado. 

Disrezoado, desarrazoado. 

Dissilim, gergelim. 

Dissande (511^5/. e adj.\ falta 
de saude; doente, incommo- 
dado. Cfr. deslimpeja, immu- 
danga. 

DistranQÀ» destrin^ar; tra- 
tar ; interpretar. Distranga- 
dor, destrin^ador; interprete. 
Distrando, destrin^a; inter- 
preta^ao (desus.). 

Distresso (p. us.), affìic- 
^ao. — Ingl. distress. 

Disyalia {adj.\ invalido, 
nullo. Disyalia, nao dar valor. 
Disyalioso, sem valor. 

Dito (Can/.), bemdito. Cfr. 
linho, sinho. 

Diyinidade, divindade. Cfr. 
trinidade. — Infl. do ingl.? 

Diyudo (C. A.). V. dévida. 

Dizido, dito. P. US. V. falla. 

Dooéro, doceiro. 

Dóotor, medico. — Ingl. 

Dòdo, doido. Dodioe, don- 
diga, dodigo (p. US.), doidice, 
loucura (desus.); louco, tolo. 
Dodado, adoidado. 

DoengÀ, adoentar-se. — I>e 
doenga. 



i5i 



Dolor, dór (mais us.). — Port. 
arch. Talvez infl. do ingl. Cfr. 
color. 

Dominilo {N, 71), dominio. 

Dor-quebrado, quebrantado 
pela dor. 

DóB, dous (t. US.)) dois. Dial. 
coch. Dial. mac. e cab. dòs. 

Dousdobrado^ dobrado, du- 
plo. 

Dontrino, doutrina. 

Dontro (p. us.)) doutor. 

Dovencé, doen^a (t us.). 
Doventi, doente (t. us.). 
/Dó'vestido, vestido de dò. 

Dozeiro, douzeiro, segundo 
(mais us.). Dozeiromente, em 
segundo logar. Cfr. francSs 
deuxième. 

DózlmOy duodecimo. Cfr. 
déjimo, ónfimo. 



Drek, dreàk, impresso. — 
Holl. dreck. 

Dróoker, impressor. — Holl. 
drukker. 

Dreito, dreto, direito. Dre- 
to: dial. mac. — Vulg. no con- 
tinente. 

Dromi, dromé, dmmé, dor- 
mir. Dial. mac. dromi, — Port. 
pop. drumir, 

DromiQÀ, adormecer. 

Drop, gotta. — Ingl. 

Dùcats, ducados. — Ingl. 

Dtiki, duque. Dnkesò, du- 
queza. 

Dnranga, dura9ao. Cfr. mo- 
ranfOf cuidanga. 

Dnyidade, dnyidanga, du- 
vida. — Deriv. norm. de duvidà, 

Dnvidando, duvidoso, in- 
certo. Cfr. errando. 



E 



Eamestè, serio, fervoroso. 
Eamestemente, ardentemen- 
te. Eamestidade, ardor, fer- 
vor. — Ingl. eamest. 

Effeotnal, efficaz.— Ingl. 

Effeotns {Br. 2), effeitos. — 
Infl. do ingl. effect. 

Egualagao, eguala^ao; egual- 
dade. 

Egroalado, egual, simi- 
Ihante. Cfr. agradado, conten- 
tado. Egualadomente, egual- 
mente. 

Eleiagào (N. T.), elei<?ao. 

EUotros, ellotres (p. us.), 
elles. Ellotres: dial. div.; diaJ. 
nort. elot; dial. mac. ilótro. 

Embassada, embaixada. 
Embassador, embaixador. 



Embrià, embrulhar. Dial. 
div. imbrui. Cfr. travia, oyà. 

Emende, emendo, emenda- 
gào, emenda. 

Ementà, fomentar. Emen- 
dador, fomentador. 4 

Emperador, emperdor, im- 
perador. Emperadora, empe- 
netris (OMr5on), imperatriz. — 
Emperador: port. arch. 

Empressado. V. impres- 

SADO« 

Empnstà, emprestar. 

Encenso, incenso. 

Enchi, encher. 

Enoiroà (Caw/.), cercar. — 
Infl. do ingl. encirclef 

Enoontrag^o (Br. 2), reu- 
niao, assemblèa. Mais us. meet- 



l52 



ing. Enoontramento» en- 
contro. — Deriv. norm. de en- 
conirà, 

Encuicà, inquirir (desus.) ; 
perguntar; buscar. Enonloa- 
gao, inquiri^So, ìndaga^ao. 

Endemoniado, endominia- 
do, endemoninado (p. us.), 
en dem o n tn hado. — Port. arch. 
demoni^rdù. 

Enfante, infante. — Port. 
arch. 

Enfedà, enfadar. Enfeda- 
mento, tìnfedagào, enfada- 
menco, enfado. 

Enfemo, inferno. 

Enfor^ado, esfor^ado. 

Engàna (p. us.), engana- 
gao, engano. 

Efìgeità, blasphemar, inju- 
rìar. 

Engine er (pron. en*jiniar)^ 
engenheiro. — Ingl. 

EtLglanterra, Inglaterra.— 
Iiifl. do ingl. England, 

Engrato, ingrato. Dial. aleni- 
ti}. P- US. V. DESGARDECIDO. 

Enguento, unguento. — No 
continente: inguento. 

Enimigo, enimingo, ene- 
Piningo. V^ iNiMiNGO. 

Enjoellio. V. injoelho. En- 
joelhà (Br. i), ajoelhar. 

Enjtiatioia (/?. de G.), in- 
justi^ja* 

Enltunlnà, enltunià, illu- 
minar. 

Enrodià, rodear. 

Ensinador^ mestre. V. mestre, 

Eneofre, enxofre. 

Ensombrado, apoderado, 
possuido. 

Ensompado, ensopado. 

Enteiro, inteiro. 



Enténoia. V, intencia. — 
Port. arch. entenfom. 

Entarrà. V. tarra. 

Énter {Br, 2), entre. 

Entermento» enterramento. 

Entemày en tornar. Por as- 
simila^ao. 

Entrado, entrada (t. us.). 

Entragà, entregar. En- 
trego, entrago, entrega; en- 
trada. 

Entranga, entrada. Cfr. mo- 
ran^a e ingl. entrance. 

Entrlsticido, entrìstecido ; 
triste. 

Envéjà, enyejè, envéjo, en- 
veijo, inveja. 

Envisté, vestir. Dial. coch.— 
Port. arch. envestir. 

Epistolo, epistola. 

Equal (Br, 1), egual. Dial. 
nort. Eqnaladomente {Br. i), 
egualmente. — Infl. do ingl. 
equal, 

Erd&yè (poet.), herdar. 

Erdéro, herdeiro. • 

Ero (poet.), era (verbo). 

Ero, órru (Br, 2), era (subs.). 

Eropa, Europa. 

Errando, errante. Cfr. lu- 
ifindo. 

Escola-mestre, mestre de es- 
chola, professor. — Ingl. school- 
master. 

Escolhó., escolher. Esoolha- 
g&o, escolha. 

Esoribo, escriba. Cfr. prò- 
pheto. 

Esornvó, escrever. Esorivi- 
do, escari vido, escripto. Cfr. 
uscundé, uscuridan. 

Esouljido (C, i4.), escolhido, 
Cfr. espaljado. 

Esonmo, escuma. 



i53 



Esonndéy esconder. T. us- 
cundé. 

Esonrdào, escuridao. T. us- 
curidan, 

Esouso, escusa. 

Esfìriagào, esfriamento ; 
frescura. Esfriado, fresco, 
refrigerante. 

Esmeleiro, esmoleiro. 

Esmeràl, , esmeralda. Cfr. 
beryl 

Eispaljà (p. US.), espelhà, 
espilhà, espalhar. Cfr. tra- 
valjày oljà; apinhà. 

Espangarda, espingarda. 

EspantaQ&o, espanto; ad- 
mirarlo. 

Espantavel, espantoso. 

Espanto, espanto; prodigio, 
portento. 

Eaperanoò, esperan9a. 

EsperdlQà esperdicé, es- 
perdegà, esperdecé, desper- 
di^ar. EsperdlQào, desperdi- 
cio. T. perdigdo. 

Esperito {Br. i), espirìto. 

Espertétl (p. us.), espertél, 
hospital. Dial. alemtej. spretéL 
F. Lopes: esprital, 

Espinhéro, espinheiro. 

Espingo (Br. i), espinho 
(mais US.). 

Esponsado, esposado. 

Espregà (N. T.), espalhar, 
lan^ar (semente). — De espar- 
^ir? 

Esprimentà, * experimentar. 

Esprimentagào, experìmen- 
ta^ao. 

Esqnerda (adj, e subst,)^ 
esquerdo; mào esquerda. Us. 
so na fórm. fem. Cfr. màrga, 

Establloé, establiQéi, està- 
belecer. 



Estamo, estàmn, estómo 
(p. US.), estomago. DiaL mac. 
stamego. — Port. arch. e pop. 
estamago. 

EstÀvel (C. i4.), estreba- 
ria. — Do ingl. statle, 

Este, este ; esse (desus.) ; isto, 
isso. Estelei (este e ìaia)^ simi- 
Ihante, tal. 

Estelagem, estalagem. 

Estindé, extender. Esten- 
diQào, extensao; dilata9ao. 

Estopo, alpendre. — HolL 
stolp, coberta, tampa. 

Estranheiro, estrangeiro. — 
Infl. de estranho, 

Estràla, estrella. Cfr. prato. 

Eternai, etemo. — Infl. do 
ingl. Cfr. continuai. 

Etiqna (Br. 2), ethica. 

EUf eu ; me. Dial. mac. 

Enropeano, europeu. — Infl. 
do ingl. etiropean. 

Evangelio, evangelho (t. us.) 

Evangelisto, * evangelista. 
Cfr. prophetOy escribo. 

Ezaminagào, exame; inter- 
rogatorio. 

Examplo, exemplo. 

Ezcelency (Br. i), excellen- 
cia. — Ingl. excellency. 

Ezoóssa, excesso. Cfr. odia, 
ólha. 

Ezircio (Br. 2), exercicio. 
Cfr. conversào. 

EzpeotaQào, esperan^a. — 
Ingl. expectation. 

Ezperianga, experiencia. 

Eztensivomente, extensa- 
mente. — Do ingl. extensively, 

Eztento, extensao. — Ingl. 
extent. 

Extravaganty extravagan- 
te.— Infl. do ingl.? 



i54 



Fétbre (Br, 2), febre. 

Faoa, face. 

Paé (p. US.), fazer. 

Fallét, dizer; rezar. Comm. 
Dial. mac, cab. — Port. arch. 
na !.• signif. Cfr. papià. 

Fallars, fallas, palavras, 
dìtos. 

Falsento, falso (mais us.). 

Falsodade, falsidade. — De 
falso, 

Faltanga, falta. Cfr. duvi- 
danga, moranga, 

Famado, afamado, famo- 
so. — Do/ama, 

Pàmea (Br. 2). V. fémè. 

Famìlha (mais us.), familjò, 
familia (t. us.). Famìlha: dial. 
coch. mac, alemtej. Familha- 
oraQaOy ora^ao da familia. — 
Ingl. family prayer. Fami- 
Ihado, o que tem familia. 

Fas, facil. Cfr. frés. 

Fashion (pron. féxon)^ mo- 
da. — Ingl. 

Favorà, favorecer. — De fa- 
vor, Favorado, favoravel. Cfr. 
agradado, contentado, Fayo- 
roso, de graca. FavoroBO- 
mente, por favor. 

Favour, favor (mais us.). — 
Infl. do ingl. ? 

Fàze (subsL)y feito. 

FazedOy fazido» feito. 

Fazendo, fazenda. 

Feal (Br, 2). V, fial. 

Fóbruary, fevereiro. — Ingl. 

Fee, fé (t. us.). — Port. arch. 

Feirróro (Br. 1), ferreiro. 

Felizamente (Br. 2), feliz- 
mente. 



Felizidade, felicidade. 

Femò, femea. Dial. alemtej. 
e algarv. fema. Feme-crianfa, 
creanza do sexo feminino. 
Feme-Drs.y senhoras medicas. 

Feo, feuy feio. Fendade» 
fealdade. Cfr. chéq, 

FeriU), ferrao. 

Ferido, fenda. 

Fero, ferro. Dial. mac. 

Ferraro, ferreiro. 

FesB&o, fei^So. 

Feste, festa. 

Festià, festejar. Cfr. subià, 
pedrià. 

Fetlceria, feiti^aria. 

FetiQo, feiti^o. Fetioéro, 
feiticeiro. Dial. mang., mac. 
fiti(o. Dial. mac. e csb.feticéro. 

Fèto, feito. 

Fiado, junta de bois. 

Fial, fìel (mais us.). 

Fica, ficar; ser. 

Fich&, fechar. Dial. mac, 
cab. Dialectal no cont. 

Fioticioso, falso, fingido. — 
Ingl. fictitious. 

Fieldade, fìdelidade. — De 
fìel. — Port. arch. 

Fifes flfies, fófes, iifeis, 
flfi, fìlhos de ambos os sexos. 
Dial. div., nort. Phenomeno iso- 
lado, talvez importado. 

Figas (N. r.), figos. 

Figo, banana. Comm. Dial. 
mac. «Tambem ha estcs figuos 
em Guiné, chamam Ihe bana- 
nas». Gare Cfr. Paradiesfeige^ 
em allemSo. 

Fìlho-de-mo^a, filho da es- 
crava. 



i55 



Fi^o, fìlho (mais us.). 

Firmemento (C. il.), firma- 
mento. 

Firmidade (Br, 2), fìrmeza. 

Fisgà, fixar. — Por equivo- 
ca^ao. 

Fitoh&, fechar. Mais MS.fichà, 
Cfr. atchà, 

Fitè, fita. 

Fiamma, chamma (desus.). 
Dial. coch. Em port. é poet. 
Flammando, fiammante, fiam- 
mejante. Cfr. arrando, 

Flaa, fraco, fragil, debil. — 
HoW, flaauw. 

Flek, mancha, nodoa. — 
Holl. vlek, 

Flenz (BauU), voluvel. 

Florioó, florescer. Florioe- 
mento, florescimento. Cfr. Cla- 
rice. 

Foga, afogar.T./M^i. 

Fólga, folego. 

Folgag^o, folgan9a, folga. 

Folho (Br. 1), folha. 

Folmcu), agente. — Holl. voi- 
magt. 

Fome^ fome; famìnto. Cfr. 
secura, forfa, 

Fonte-crysial (Can/.), fonte 
crystalina. 

Fontena, fonte (maisus.). — 
Infl. do vci^, fountain. 

Fóra-banda, exteriormente, 
extemamente. 

Forga, forcò (p. us.), for^a; 
forte. Forgamente, forgado- 
mente (Br. i ), é for9a. 

Fordè, fórda, fora de; ex- 
cepto, senao, sem. Fordaqne, 
sem que. Fordesintido, fora 
de siso, dementado. 

Fórea, fória, ferrugem. P. 

US. V, FURUGE. 



Forno, forno. 

Forre, fora. Cfr. agorrè, 

Fortelezé, fortaleza. 

Fortóza, fortaleza. Deferte 
+ eja. 

Fortifica^So, confirma^ao. 

Fraqnecé, enfraquecer. 

Fraqnéza, fraqueza; enfer- 
midade; fraco. 

Frechador, frecheiro. 

Fremoso, formoso. Fremo- 
sura, fremésnra, fremesora 
(p. US.), fremasora (p. us.), 
formosura. Dial. mac. e port. 
aTch./ermoso. Azurara tem fre- 
moso, fremosura. 

Frés, frez, fresco. Cfr. fas, 

Friendade, frialdade. ~ De 
friu. 

Friu, frio. Cfr. riu. 

Frominga, f^mminga, for- 
miga. Dial. cab. furminga. Cfr. 
frumento^ dial. alemtej. Cfr. 
inimingOf ensompado. 

Fronte^ fronteiro. Fronte- 
casa, fronte-po^o, 

Frosteiro, frostóro, foras- 
teiro. 

Fruita, fructa. Frtdto, fru- 
cto. FmitOBo, fructuoso. — 
Port. arch. e dialectal. 

Fmtofeira (C. il.), fructi- 
fera. 

FagÀ, afogar. Dial. mac. 

Fugé, fugir. 

Fnla, ftilò, fior. Comm. 

Prak. TUffT (phùl)^ sansk. TpPT 

(phidl = desabrochar). Dial. 
mac. = rosa, violeta. Us. por 
Gare, em ambas as fórmas. 
«Muytas fullas, que sao rosas». 
Chr. de Bisn. 
Fuma, fumo. 



i56 



FnndÀy afundar, mergulhar. 
Fundemento, fundamento. 
Fnndéza, fondura, fundo. 
Fortador, ladrilo (mais 
US.). — Deriv. norm. de furtà. 



Fnrtóza (Br. 2), furto. V. 

LADRO V19A. 

Forugè, fùmja, ferrugem. 
Dial. mac. feruji, Fnmigento, 
ferrugento. 



a 



Gtiflnlioto, gafanhoto. 

Gafo, gafa, gafeira. 

Gaguea^iU), gagueira. Cfr. 
cuidagao, blasphema^an. 

G&ilo, gaiola (t. us.). 

G^jo (p. US.), ganjo, ganho 
(t. US.). Ganjà, ganhar. 

Galjardè, galhardo. Cfr. 
iljarga, caveljéro. 

Guznela, camela; camelo. 

Garda, guardar. Gardamen- 
to, guarda, observancia. Gar- 
da: mac, singp., cab. — Car- 
dar: port. arch. 

Gardeoé, gardioé (mais us.), 
gruardioé (p. us.), agradecer. 
Gardeoimento, gardioemen- 
to, gardismento (p. us.), agra- 
decimento. Gardioidomente, 
com agradecimentos. Gardecé: 
dial. mac. — Agardecer, garde- 
cer: port. arch. 

Gavà, govéi, gabar. Ga- 
vagào, gabos. Cfr. cava; fol- 
ga^ao, 

Ga verta, esgravatar; cavar, 
excavar. Dial. mac. 

Gaytarios, gaiteiros (t. us.). 

Gazià, agasalhar, hospedar. 
Gusdagào, gasalhado, hospe- 
dagem. Cfr. embrià, travia. 

G^medores («susperos», 
Br, i), gemebundos. 

Gemeduras, gemidos. Cfr. 
paridura. 



Genera (C. ^.), gerar.— Ital. 
generare. 

Generalmente, geralmen- 
te. — Infl. do ingl. generally. 

Gentigo {Br. 2), gentio. 

Gtoresan, gera^ào. 

Giffirou {Br, 2). V, jufrau. 

Glass, copo. — Ingl. 

GloriaglU), gloria (t. us.); 
glorifìca^ao. 

Gk)ldioe, goldiga (Cant.)^ 
gulodice. GoldiQ&, appetecer. 
• Goldice: t. do Indo-portu- 
guez», diz Moraes. 

Goma, esterco. — Singl. '^t^ 
(goma). 

Gotià, gottejar. Cfr. subià^ 
festià, 

Gonrdo, gordo. Cfr. fa- 
votar. 

Govemamento, governo ; 
principado. 

Governo, governador; prin- 
cipe. Dial. coch., mac. 

Gown (pron. gaun\ casa- 
co. — Ingl. 

Gracè, gr&cia (p. us.), gra(^a 
(t. US.). Mais MS. favor ^ovgraga 
divina. 

Grado (N. T. de i852), 
grau. — Infl. do ingl. gradef 
Lat. gradus. 

Grammar, grammatica. — 
Ingl. grammer. 

Ghran, grao (subst.). 



i57 



Grande j grande; velho, mais 
velho. Comm. — Infl. indig. Cfr. 
pequino. Grandes, s. m. pi., 
antepassados. — Infl. indig. 

Grandomente, grandamen- 
te, grandeitiente. 

Grandézò, gn^andnra, gran- 
dorè, grandeza. — Grandura: 
port. arch. 

Oreja, igreja (mais us.). 
Gre^^a : dial. mac. cab. — Beng. 

frrf^lTT igirijà)^ hindi fìl^sll 
(girjà)^ hind. U.^ (girjà). 

Gryo (Baut.\ grillo. 

GMk, grego. — Ingl. Greek, 

Qrog, *grog» (copo de vi- 
nho). Comm. — Ingl. 

Gabemador (N. T.), gover- 
nador. V, governo. 



Gndào, «gudao», armazem. 
•Sera recolhido nos GudÓes da 
Alfandega», Coli, de Band, 
Comm. T. em Góa e Mac. e 
em indo-ingl. (godown), — Do 

maialo f^^ ig^àong), «Go- 

dóng: apotheca mercium*». 
Haex. Swettenham ( Vocabu- 
lary o/the English and Malay 
LanguageSf s. v. Storehouse) 
diz que é port. Us. na fórma 
aportuguesada ero singl., konk., 

mar., hind. UlQUl {giddim- 
gi) em tei. 

Gtierrè, guerra (t. us.). 
Gnerrà, guerrear. Ghierra- 
dor, guerreador. Gnerrioso, 
guerreiro. 



Hansooon, luva. ~ Holl. 
handshoen, 

HarpOy harpa. 

Hénder, obstar, impedir. — 
Ingl. to hinder. 

Herdanga, heran^a. Dial. 
mac, cab. — Port. arch. e dial. 

Heregia, hereoia, heresia. 
Herejia: na Ethiop. Or, 

Heretioo, heréjo, herege.-.- 
Infl. do ingl. em her etico, 

Heridà (N. T.), herdar (mais 

US.). 

Histórò (Br, i), historia. V. 

ISTORI. 

Hoo (p. US.), estribaria, pos- 
silga. — Holl. hok, 

Hojo, hòjoe, hoje. V. oljo. 

Holiday (pron. holidei)^ dia 
santo, feriado. — Ingl. 



Hómbra, hombro. Cfr. ólha. 

Home, homi, homem. Dial. 
mac. — Port. pop. 

Homloido, homicidlo. Mais 
US. maianga, matagao. 

Honestè, honesto. Hones- 
temente, honestamente. 

Hononrado, honerado (5. 
C), honrado. — Ingl. honoured, 

Honoravel, honrado, no- 
bre. — Ingl. honourable, 

Horté, horta. Hortalào, 
hortolào, hortelao. 

Hna (N, r.), huma. — Port. 
arch. 

Htlmè (5. C), huma. 

Hnmildo, humilde. Hnmil- 
deza, humildade. Cfr. basiamo, 
restanto. 

Hnmiliag&o, humilha9ao. 



i58 



Hypooritioo, adj, (Br, 2), 
hypocrita. 



HjrpooritOy hypocrita. Cfr. 
evangelista. 



Ice (pron. aif), gelo.— Ingl. 

Idade^ idade; idoso. 

Idola, idolo. Idolateiro» 
idoloteiro (N. T. de iSSi), 
idolatra. 

HhargaferidOf fendo na 
ilharga. 

Ilja, ilha (t. US.). 

Iljarga, ilharga. 

ImajOy imagem. Cfr. corajo, 
passajo, viajo. 

ImmudMiga, falta de mu- 
dan9a; immutabilidade. 

Impé, estar em pé (stare). — 
De em e pé. Cfr. dedia^ e port. 
apear. Impedo (N.T.)^ impido» 
estando em pé. Impé: dlal. 
coch. 

Imploso, impio. Cfr. ale- 
groso, varioso. 

Importado, importante. Cfr. 
contentado, alegrado. Impor- 
tadomente, com importan- 
cia, insistentemente, diligente- 
mente. 

Importanza, importancia. 

Impressa, imprimir. Im- 
pressado, impresso. Impres- 
sador, impressor. — De impres- 
sdo ou do ingl. to impress. 

Imporidade, impureza. Cfr. 
puridade. 

Inohà (p. US.). V. enchi. In- 
ohido, enchido (t. us.); cheio. 

Inoónsa. V, encenso. Incen- 
seiro, incenserò, incensano. 

Incredivel, incrivel. — Infl. 
do ingl. incrediblef 



Indo, inda. 

Indolgéncè, indulgencia. 

Inflrmidade (C. i4.), enfer- 
midade. — hai. infirmità. 

Ingrratidade (C i4.), ingra- 
tidao. 

Inimingro, inemingo, ini- 
migo. 

]^ezpressavel, inexprimi- 
vel, ineffavel. 

Infirnitoso, infructifero. T. 
desfruitoso. — De fruitoso. 

Ingres, inglés. Dial. cab. — 
Port. arch. 

Inimizade, inimizade; ini- 
migo. Cfr. ami^ade. 

Injoelho, làjiyellio, i^je- 
vejo, li^jivejo, joelho. Injoe- 
llios (^^v.), em joelhos, ajoe- 
Ihado. — De em -^joelho. Cfr. 
impé. 

Insincero, falto de sinceri- 
dade, fingido. Cfr. deslimpo. 

Instànda {Baut.)^ exem- 
plo. — Ingl. instance. 

Institntà, instituir. — Ingl. 
to institute. 

InstmigEo, instruc^ao. — 
Port. arch. 

Intènda, intónoi, inten^ao: 
T. enfemria. — Port. arch. = 
demanda, pleito. 

Intercessa, interceder. — De 
intercessSo. 

Intergridade (Br. i), inte- 
gridade. 

Internai, intemo. Cfr. eter- 
nai. — Ingl. 



ibg 



Intindéy entender. Intlnde- 
mento, entendimento. Cfr. 
Dia/, alemtej,, x, il 

IntmdlQào, introduc^ao. 

Inveljo. V, BNVKuo. 

Irgm, irigrui (p. us.), erguer- 
se. Irgui: dial. mac. 

IremiU) (p. us.), irmSo. Cfr. 
caravao, oravai. 

IròBy iras (t. us.). 

Irm&na, irroS. Cfr. confina, 

Isoapà, escapar. 

Isoóohi, guia, batedor. — 
Ingl. scout, 

Isoreturas {Baut.)^ escri- 
pturas. 



Ismola, esmola (t. us.). 
Ispadò, espada. 
Ispento. V, ESPANTO. 
Isperà, esperar (t. us.). 
Ispilhà, espalhar. T. espilhà, 
iBpilhaQ&o, espalhamento. 
Ispinlio, espinho (t. us.). 
Ispirito, espirito (mais us.). 
Isqnioé, esquecer. 
Istado, estado (mais us.). 
iBtànrn. V, ESTAMu. 

iBtelei. V, ESTELEI. 

Isti, este (mais us.) ; isto. 
Istindó, extender. 
Istori, historia. Cfr. mimóri, 
comedi. 



Jéi, )à. Partic, do preL perf, 
Comm. Dial. mac. Dial. nort. 
és yezesji. 

Jad&we {R. de G.), deu. 

J&fioà, era, foi. Comm. 

Ja^ra, «jagra», assucar bru- 
to. «E a este [assucar de pal- 
meira] se chama na India iagra». 
Ethiop. Or. Comm.T. ero indo- 
ingl- U^gg^ryJ^^gryJagghe- 
0^> jaggory). — 9v2k, flion^ 
ou 5n«f7r {sàkar ou hàkar)^ 
etc, sansk. mcfiJ I (èarkara), 

J^an, conserva de fructas. — 
Ingl. 

Jannary, Janeiro. — Ingl. 

Jar {Br. 2), jarda. 

Jarès, jarros. 

Jétsper, jaspe. ' Jàsper-ntar, 
mar de jàspe. 

Javi, javitem, veiu. 

Javiran (poet.), vieram. 

Jin (pr.jVn), genebra. — Ingl. 



Jinjila, jinùa (p. us.),yin/t/- 
nagàOf jejum. Jisjnà, jejuar. 
Jinjum: dial. mac. 

Jomado, jornada. 

Jnbilee, jubileu. — Ingl. 

Jndà, Jndè, JndanQa, ajuda. 
Jnd&, jadai (poet.), ajudar. 
Jndador, jadedor, ajudador; 
cooperador. Judà: dial. mac. 

Judge (pron. jadj\ juiz. — 
Ingl. 

JnfraQ, mulher, dama. — 
\\o\\,jufyrouw, 

JnlgagEo, julgamento, juizo. 

Jnlgador, juiz. — De julgà. 

July (pron. julai\ julho. — 
Ingl. 

Jumba, zombar. Jnmbador, 
zombador. T. ifumbà. 

Jnne (pron.^tww), junho. 

Jontagao, ajuntamento. 

Jtmtado, por junto, junta- 
mente. Dial. mac. Juntado-ro- 
gos, ora^Ses communs. 



i6o 



JuntO'herdeirOy coherdeiro. 
Junto-obrador, cooperador ; 
cumplice. Junto-peditórts, pe- 
ditorios communs. Junto-ser- 
vidor, collega no servilo. 

Jùrar, jurado. — Infl. do 
ingl. y«ror. 



Jnstàr, ajustar. Jnstado, 
ajustado, adaptado. Justa- 
xnento, ajustamento. 

Jostioia, j Ustica. Cfr. diffe- 
rencia, presencia, 

Jnsto (adv.)y justamente, 
exactamente. 



Kesàr. V, QUESSA. 



Kokeira, coqueiro. 



Labóra (C, A,), labor. 

Laoerdo, lacerado, aleijado. 

Laorà, lacrau, escorpiao. 

Laderan, ladrao (t. us.). Cfr. 
iremdo, 

Ladinha, ladaìnha. 

Ladroviga, ladraviga, la- 
dravioò, ladrivioò, ladenri- 
sa, ladroice. 

Lag&rò (p. US.). V, lugàra. 

Làgri, ìhgìT (gu)^ lagrima. 
Ldgri: dìal. mang., mac. La- 
gre: dial. de Mahé. 

Lambranga, lembran9a. 

Lamia, enlamear. 

Lamp (pron. lemp)^ lampa- 
da. — Ingl. 

Lampo, lampada. Lampa: 
dial. nort. 

Lantà, levantar (p. us.). Dìal. 
S. Tbomé. 

Lantemo, lanterna. 

Lào, là. Cfr. manhdo, — Pop. 
no Minbo. 

Lapià, lapidar, apedrejar. 
Mais US. pedrià, 

Largado, excepto. 



lavoira. — Cfr. 



Lasta, lastè, ultimo (de- 
sus.). Em laste, ne laste, emfim. 
Lastemente, ultimamente. — 
Ingl. last, at iast. 

Lastimo, lastima. 

Lastro, l&stor (Br, i), la^o. 
Cfr. pastro e port. nastro, mas- 
tro, estrella. 

Laviag&o, adularlo. — Do 
boli, vleijirijf 

Lavragào, 
cuida^ào. 

Lo (Br, 2), lei. 

Légo, leagou (p. us.), le- 
gua. — Cfr. Ungo, ago, 

Legrislatà, legislar. — Ingl. 
to legislate, 

Lei {adv.\ comò. — De lata. 
Mais US. em compostos : assilei, 
quelei 

Leido (Br. i), lido. 

Lc^jado, aleijado. 

Lembrà, lembrar (mais us. 
alambrà)] pensar (desus.), re- 
flectir; parecer. Lembranga, 
lembranoò, lembran^a; pen- 
samento (p. US.), ideia. Comm. 



i6i 



Lóper, leprosa (C. A,)y le- 
pra. Cfr. sómber, cótifer, 

Los, lez, leis, (p. US.), ler. 
s o\is[ por excep^ao. 

LéBy li^So. Cfr, fas,fr€S, 

Leste, lestes, prompto. Les- 
texnente, lestamente. 

Lète, leite. 

Lettor (pron. létar\ lèttera, 
lettra; carta. — Ingl. letter. 

Levadara, fermento. 

Leve, leve; facO. 

Levedafoo, levedado, leve- 
da^So; fermento. 

Leventà (Br. i ), levantar. V. 
lantà. 

Lioliim, plano, nivelado. Mal. 

l^ (lìchin). 

Limita, limito, lìmite. Mais 
US. nimita, 

Lingareiro, lingerero (gu)^ 
linguareiro; diffamador, de- 
tractor. 

Lingo, lingua. DiaL div., mac. 
Cfr. lego. 

Ling^ergao, lingersan 
{gu)y lingaa^an (Br. 2), diffa- 
ma^ao, detrac^So, calumnia. 

Linhos (Br. i), fìlhinhos (das 
aves). Cfr. sinhoy vichelei. 

Liverdade, livradade 

(Br. 2), liberdade (t. us.). — 
De livre. 



Livraaga, livranoè, livra- 
Qào, livramento; liberta^So. 

L6, logo : peonie, do fut. posi- 
tivo, Lodia, logo devia : partic. 
do cond. positivo. Dial. coch., 
mang., mac, de Cora^éo. 

Lodo, sonda, prumo. — Holl. 
lood. 

Logarmósmo, no mesmo 
logar. 

Loiros, cueiros.— Port. arch. 
culeiros (do lat. culus)ì 

Loità, luctar. Loitamento, 
loitanga, lucta; briga. — Luy- 
tar: port. arch.; luitar: no 
Minho. 

Loser, serei, seràs, etc. 

Lonvro, louvor (mais us.). 

LovÀ, louvar (mais uS.). 

Lngr^a, lagÀrò, Ingr^uria 
(Br. 1), logar (t. us.). Lugar- 
gosto, logar gostoso. 

Lngóra (gu), aluguer. 

Lnma (Br. 2), lua. 

Lnméir, InmÀra (mais us.), 
Inmarò, luar; lua (desus.). Ln- 
mado, aluado, lunatico. 

LumiÀ, nomear, mencio- 
nar. — Lomear: port. arch. 

Lnmin&rio, luminairo, la* 
m'nario, relampago; raio. — 
Do port. luminaria. 

Lnzé, luzir. Lnzindo, lu- 
zente. 



Maas, mais. Mais us. mas. 

Magio, mansao. Cfr. mo^So. 

Macóo, mancebo. > * ma- 
cebo (dial. de Mahé) > *macewo 
(ou massavOf q. v.) > '^macéiv 
> macéo. Cfr. beudo. 



MacliioÀ machucar. 

Machine (pron. mexin)j ma- 
china. — Ingl. 

Macho-criancè, crean9a do 
sexo masculino ; menino. 

MÀdam, madama.» Ingl. 



1Ò2 



MadergÀy madrugar. Cfr. 
abersà. 

Mademà, madornar, mo- 
dorrar. 

Mafatria, malfeitorìa. 

Magovà, magnv&y maguar. 
Cfr. ruvinàf perdeva, 

Maguroé, emmagrecer. 

Mai, màe. Dial. de Mahé, cab. 
T. em mirandés. 

Mainato, maynato, lava- 
deiro. t^Maynato, que he la- 
vador de roupa». Gare. «E 
maynatos que sao hom^es que 
lavSo roupa». Chron, de Bisn, 

Comm. — Konk. ^boidb (ma- 
dhval, fem. madhvan)^ can. ^- 
Iv^Gidb (madivala)^ tul. 'w^ 
{maddele)y tam. OJéWTijg^OT' 
{vannàn). 

Maisdiante, antes (tempo). 

Maisqne, masqae, (mais 
US.), por mais que, ainda que, 
mas se. Dial. mac. masqui, que, 
segundo o sr. Marques Pereira, 
vem do malaio. Mas David 
Haex (Dictionarium Malaico- 
Latinum et Latino-Malaicum) 
diz o contrario: ^Quanvis ita 
sit: mas que. Quanto magis: 
quanto mas». 

Majestado, majestade. 

Major, maior. Mais us. mais 
grande. 

Mal, mal; mau (desus.). 

Maldigansa {Br. 2), maledi- 
cencia. 

MaldiQoa, maldigàr, amai- 
di^oar. 

Malfetor, malfeitor. 

Malino, maligno. — Port. 
arch. 



Mal-prestado, insolente. 
Dial. mac. = desleixado. 

Malnsanoia, mau uso, abuso 
(desus.). 

Mamma, ma, mamS. — Ingl. 

Man (fórm. mod.), mao. 

Man' (poet.), mande. 

Mandemento, mandamento. 

Manduco, ra. Dial. mac. — 
Prak., sansk. ^TOJ«Ff {mandu- 

si 

Ara), tam. iJbOPSlQ>^Ù:> man- 
dugam, 

Màngrue, manga. — Mail. 
^rtlTT (màmgày 

Maifli&o, manhS. Dial. coch. 
Cfr. amanhao, palmido. 

Mantle (pron. ntent'l)^ m&n- 
tei, manto. — Ingl. mantle. 

Manhecó, maneoé, ama- 
nhecer. Cfr. con'cé. 

Manéja (Br, 2), manejador, 
administrador, gerente. — Ingl. 
manager. 

Mao-em-mSo, de mSos da- 
das. — Ingl. hand in hand. 

Map (pron. mép)^ mappa. — 
Ingl. 

Mara, marra, amarrar ; com- 
por; fabricar. Marado (adj.)^ 
composto (livro) ; (subst.) amar- 
rado,feixe.'Maradura, amarra. 
Mara: dial. mac. 

M&ra, marò, mar. Cfr. lu- 
gara, cujéra. 

March, mar9o.--Ingl. 

Marcilo, amarello.Dial. nort. 

Méirga, amargo. Us. na fórm. 
feminina. T. subs.: nehum 
màrga = nenhuma amargura. 
Margòra, amargura. Margo- 
80, amargoso. 

M&rg^, magro. 



i63 



Màrmor, marmar, mar- 
more. 

Martellò, martól, martello. 

M&rtyro, martyr (t. us.). Cfr. 
pra^eiro, 

Marvia, maravilha; traves- 
sura, manha. Marvloso, mara- 
vilhoso. 

Marvilha, maravilha; ma- 
ravìlhoso. Marvìlhà, maravi- 
Ihar-se. 

Méta, mais (t. us.). Dial. coch., 
mac, cab. Dialectal no cont. 
Magante, mais antes: antes, 
ha tempo. Masoomtudo, com- 
tudo, porém (desus.). Masdian- 
te, antes (tempo passado). 
Masqne. V, maisque. 

Masabado (f), mancebia, 
amancebamento. 

Maslins {N.T.), malsins. Por 
matathese. 

Massa, amassar; machucar, 
pisar. 

Massavo (Br. 2). K macéo. 

Mastri (C. A.). V, méstri. 

Masvinho, mancebinho. > 
^mansbinho > *masbinho > 
masvinho. Cfr. macéo, 

Matafdo, homicidio. Matan- 
ga, homicidio; matadoiro. 

Matohes, phosphoros. — 
Ingl. 

Mate, barro, terra vegetai. 
Comm. T. em Macau e Góa : 

Prak. ^irlì (mi/i), sansk, 

Hffl*l (mrittikd). 

Matinlia, sar^a. — De matto, 

Mattress (pron. métres\ 
colchao. — Ingl. 

May (pron. mèi\ maio. -^ 
Ingl. 

Mede, medir. Cfr. pidè. 



Media, meio-dia. — Dial. 
alemtej. 

Meeting (pron. miting)^ reu- 
niao. Comm. — Ingl. 

Megoàr, melgoàr, ameigar; 
mitigar. Megoador, mitigador. 

Meido (fórm. mod.), medo. 
Cfr. deido. 

Melhoramente, melhor- 
mente. 

MellifluoBo, mellifluo. Cfr. 
varioso, serioso. 

Memo, mimo. Memoso, mi- 
moso. 

Mento, mentir. 

Mèo, meio. Dial. mac. Cfr. 
chéo, féo. 

Meroacia, mercancia. Cfr. 
mudana. 

Mercadeira, mercadora. Cfr. 
servideira. 

Mercé, merecer. Dial. div. 
Mercemento, meroimento, 
mericemento, merecimento. — 
Mercety mercimento : port. pop. 

Mereoó (Br, 2), merce. 

Meritòria, merito. 

Merón, veado, cervo. Konk. 

^^ (merùìh), sansk. 7JJ[ 

(mriga). Ethiop. Or,: merù. 
Mès, mels, mez. 
Mós, meias. 
Méssa, mesa (mais us.). £m 

singl. TH (mése). 

Messa, amea^ar. — Port. 
arch. amegar. 

Messangeiro, massen- 
gelro (p. us.), massangeiro, 
messageiro. Massangeiro : dial. 
nort.— Infl. do ingl. messenger ? 
Cfr. pflssangeiro. 

Mestre, méstri, mestre ; me- 
dico, especialmente hervana- 



164 



rio. Dial. mac. Cfr. ensinador, 
dóctor. 

Aietade, metal {Br. 2)^ me- 
tade; meio (adj,). 

MetlLodistOy methodista. Cfr. 
escribo, evangelisto. 

Milagrrtoso (C A), mila- 
groso. Cfr. guerrioso, 

Mile (pron. mail\ milha. — 
Ingl. 

MiUtàxlo (Br. 2), militar. 

KillionB, milhóes. — Ingl. 

MilBy mil; milhares. 

Mimòri, memoria. DiaL 
mang.) mac. mèmori. Cfr. istori, 

MinguaoSOy mingua. 

Minha, minhò, meu (p. us.), 
minha. 

Ministeiro (N, T,)^ minis- 
terio. 

Ministra^U), ministerio. — 
Deriv, reg, 

Hintó, mentir. Minteira, 
mentirà (t. us.). Minteroso, 
mintroso, mentiroso. 

Minuito (Br, 2), minuto. — 
Infì. do ingl. minuit. 

Mira, myrrha. 

Mie (poet.). Abr. de miste. 

Misaravel, misravel, mise- 
ravel. 

Misinlia, mezinha, remedio 
em geral. Dial. mac. e port. 
pop. na signif. 

Misricordia, misreoordia 
(Cant.)^ misericordia. Misri- 
oordiosoy misericordioso. 

Miste, mistÀ, é mister; con- 
vem, deve. Mistia, era mister; 
devia. Mlstexn (poet.), é mister 
ser. Miste: dial. coch., mang., 
mac. 

Mistràr, misturar. 

MoQa, serva, escrava. 



Mo^&Oy mon^ao, esta^ao. 
Cfr. magdo, •Mon^am ou mon- 
9S0 designava geralmente o 
vento dominante em perìodos 
determinados, mas a palavra 
arabe mansim, da qual se derì- 
vou, significava propriamente 
esta^So». Conde de Ficalho em 
nota a Gare. 

MofinÀy amofìnar-se. 

Molto» multo (mais us.). 

Molelra, mioleira. Cfr. pri- 
soneiro. 

M0I9À, amolgar. 

Mo^À, molhar. Cfr. espaljd, 

Mo^a, mi^À» mulher (t us.). 

Mónster, monstro. — Ingl. 
ou por metathese. 

Montanho, montanha (t. 

US.). 

M007 (pron. móf), tia.— Holl. 
moei. 

Moradò, morado, morando, 
moranga, moradura, morada. 
Cfr. duvidanga, cuidanga, 

MorrÀ, morar. Cfr. chorrà, 
virrà. 

Morrendo, moribundo. — 
Infl. do ingl. 

Morrò, moiro. Dial. mac. 
moro, 

Mort%]o, mortalha. Cfr. tra- 
vajo, ojo. 

Mortià, amortalhar. Cfr. em- 
briày travia. 

Mostarde, mostarda. 

Mourdé, morder (t. us.). 
Monrdindo (N, T.), o morder. 

Mova, mover. 

Mné, mu&, moer. 

Mudana, mundana: mere- 
triz. Cfr. mercacia, 

Mnd&noè, mndag&o, mu- 
dan^a. Cfr. cuidafdo. 



i65 



Mudano, mundano. 
Madooo {Baut, $2)...? 

M^jÀ, V, MOLJÀ. 

Mulliéira (5. C), mulher. 
Cfr. mira. 

Mulher-fìfieSy mulher e fìlhos. 
V, fìfies. 

Malvado (Br. i), malvado. 

Mondado (p. us.), mudado. 

Mondoso, mundano. Cfr. 
cdegrosoy impioso. 

Murdó, mardÀ, morder. V, 

MOUROÉ. 

MurgniÀ, mergulhar. Mar- 



9aia9&o, mergulho ; immersao. 

Cfr. EMBRIA. 

Marindo. V. morrendo. 

Marmerà, murmurar. 

Mannera9ào, murmura<;ao. 

Marre, morrer. Dial. mac. 
mure. 

Musicante, musico. 

Musioo, musica. 

Mustrà, mostrar. 

Mutùra, monturo. Cfr. ino- 
fSo, mudano, 

MjBtória^ mysterio. Cfr. 
adultéria. 



N 



Naoemento, nascimento. — 
De noce, Dial. algarv. 

Nada, nada; nenhum (t. us.). 

Nada, nadò, nandò, nSo 
ha de. Partic, do fuU neg, 
Nadia, nSo devia; nSo havia 
de. Partic. do cond. neg. Dial. 
mac. nadi, Nào ha de > '^nS-a- 
de > *na-a-de > nade. Nào- 
hao de > ^nS-à-de > nande. 

Namais, namàs, semente, 
unicamente. Namds : dial. 
mac. — De ndo mais > *nd 
mais > namais > namàs. 
«Onde estava com cincoenta 
nSo mais». F. Lopes. 

Nan (fórm. mod.), nao. 

Natal'dia, dia do Natal. 

Nau-quebrado, nàufrago. 

Naviga, navegar. 

Né, em (p. us.). Dial. coch., 
mac, cab. na, Dial. mang. nu. 

Neoestade, (p. us.). V. nis- 

TADE. 

Negliga, negligenciar.— Infl. 
do ingl. to neglectf 



Negóoia, negocio. 

Nehum, nihuin, nium, ne- 
hum. Nehum: dial. coch. Dial. 
cab. neun ou niùn. — Port. pop. 

Nomiate, nemistéi, nimisté 
(p. US.), numistó, nao é mister, 
nSo se deve. Dial. mac. na- 
misté, — De nao miste ^ *na 
miste > nemisté, 

Nórva, nervo. 

Nigrinha, {V. de V.),- ne- 
grinha. 

Nimito, nimita, limite. Ni- 
mità, limitar; determinar, or- 
denar; nomear, designar; de- 
cidir, sentenciar. Nimitag^o, 
limitacao; determinasse. — Por 
assimil. Elucid.: limitado = de- 
clarado, estabelecido, ordenado. 

Nin^uer, nSo quero, nao 
queres, etc. Ninqueria, nao 
queria. Dial. mang. niquer, 

Nistà, necessitar; ser neces- 
sario. Nistade, necessidade. 

Nò, nuó, nu. Padre Almeida 
tem WMO. 



i66 



Nóber (fórm. mod.), nobre. 

Nobilidade, {Br, 2), jiobre- 
za. — Ingl. nobility, 

Nobréza, nobreza; nobre. 

Nooente, nooenti, inno- 
cente. 

Nogo (Br. I ), novo. Cfr. ogo, 
avoà. 

Noivn, noivo. 

NómbeV, numero. — Do ingl. 
number ou de numbro^ conio 
sómber, 

Nompodó, nompòdi, nào 
póde. Nompodia, nao podia. 

Nona, dona; senhora res- 
peitavel; avo. Dial. coch., de 
Mahé, div., singp. T. em ma- 
laio. — Por assimil. 

Nonha (Br, 2), virgem, sol- 
teira. Dim. de nona ou do dial. 
mac. nhonha. 

Notice (pron. nòtis\ aviso. — 
higl. 

Nonca, nonoo, nuca, nuca 
(fórm. mod.). V, nunca. — JVii- 
ca: dial. coch. Elucid.: nonca, 
nonco. 



Nono, avo. Dial. cab. dono, 
Nossò, nossa (mais us.). 
Nossotros, nós outros; nós 

(p. US.). 

Not&ris, notario, label- 
liao. — Holl. 

Novas-papella, jomal, pe- 
riodico. — Ingl. newS'paper, 

Novémber, novembre. — 
Ingl. 

Nóves, novas (t. us.). Dial. 
coch. 

Nóvis (C, A), nuvem. 

Nuó^ nave, na& (p. us.), nSo 
sou, etc. — De ndo é. No Minho 
num e, 

Nom, nnn, nao. Nampodó, 
nnnipòdi, nao póde. Nnmpo- 
dia, nao podia. Nnntem, n§o 
tem; nao sou. Nnntinlia, nao 
era. — Num : vulg. no cont. 

Nombro, numero. Dial. mac. 
T. no cont. 

Nunca, nonco, nunca. T. 
partic. do per/, neg, Dial. mac. 

Nuvè, nuvem. Dial. mac. No 
Minho : nuve, nube. 



O, ou (t US.). 

Obedlcé, obdecé, obedecer 
(t. US.). Obdioindo, obede- 
cendo. Obedecencia, obede- 
cimento, obediencia. 

Obrè, óber (fórm. mod.), 
obra. 

Obragào, opera^ao. — Deriv. 
reg. de obrà. 

Obraro (Br. 2), obreiro. Cfr. 
ferraro. 

Obrigacò (Br. i), obrìga- 
«jao. 



Occidente^ occidente; Occi- 
dental. 

Octóber, outubro. — Ingl. 

odia, odio. 

Offènda, offensa. Cfr. defén- 
eia, justicia. 

Offercó, offerecer. Offerd- 
mento (p. us.), offeragEo (N, 
71), offerta, offerto (mais us.), 
offerecimento, offerta. 

Office (pron. ójìs\ officina, 
repartÌ9So. — Ingl. 

Officer, officiai. — Ingl. 



.67 



Officina, oflioio, ofiloia, of- 
figo, imprensa, typographia. 
Officina : port. arch. Nos outros 
infl. do ingl. office, 

Ogo, ovo. Cfr. nogo. 

Oitórè (5. C), oito horas.— 
Por crase. 

OUiÀ, oljà (fórm. mod.), ojk 
(p. US.), olhar (transitivo), ver 
(desus.) ; eis (desus.). Dial. mac. 
o/d — Olha, oljo, ojo (p. US.), 
olho. Dial. cab., guin. ojo, 

0^0 (fórm. mod.), hoje. Mais 

US. iLOjO. 

ómber, hombro. Cfr. càm- 
ber, sómber, 

Omórls (Cant,)^ humores. 

Oxnp, ompi, tio. — Holl. oom? 

Onta, untar. — Omar: dial. 
alemtej. 

Onte, ónti, ónta, hontem. 
Onte: dial. coch. Dial. singp. 
hónti. 

Onzimo, undecimo. Cfr. de- 
cimo. 

Oppressa (N, 7".), oppri- 
mir. — Ingl. to oppress. 

Oratòria, oratorio. 



Orde, ordì, ordem. — Port. 
pop. 

Ordina, ordenar. Ordinan- 
oias (BauQy ordenancjas. — 
Ordinar: port. arch. 

Oriente, oriente ; orientai. 

Orlozo, relogio. T. em 
singl. — Dial. alemtej. r'olojo, 

Orphano, orfao. — Infl. do 
ingl. orphanf Cfr. capitano, 

OrtalEo. V. hortalao. 

OrteliU), hortela. 

Orvai, orava!, orvalho. 
Dial. div. vuruvalh. Cfr. cara» 
vao, travai. 

Otro, outrò (p. us.), outro 
(t. US.). Otro: dial. mac. 

Oudisido (5. C), obedecido. 

Onleiro, oleiro (t. us.). 

Oara, óru, ouro (t. us.). 
Ouro-anjo, anjo de ouro. Ouro- 
coroa^ corda de ouro. 

Óurvis (C. A.). V, LRvis. 

Ouvida, ovido, ovida, ou- 
vido. Ovi, ouvir (mais us.). 
Ovi: dial. coch- 

OveUio, ovelha. 

óxigen, oxigenio. — Ingl. 



Paoenoia, paoénci, pa- 
oiónoi (p. US.), paciencia; pa- 
ciente. Pacencia: dial. mac, 
cab. Cfr. audénci, 

PadaQO, pad&s, padaz, pe- 
dalo. Padago: port. pop. Cfr. 
faSyfres. Padàs-pau, pedaco de 
pau. 

Padecemento, padecimen- 
to. — De padecé -{- mento. 

Padioé, padecer (t. us.). Pa- 
dicemento, padecimento. 



Paga, apagar. Dial. mang., 
de Mahé. 

Pagò igu)^ paga (mais us.). 

Palaso (f ), palacio. 

Pal&ver, pédver, «p&lvra 
{Baut.)y palavra (t. us.). Cfr. 
ober, iagir. 

Palavrado, apalavrado, des- 
posado. 

PalmiiU), pela manha; ma- 
nha. De palmiào, desde a ma- 
nha. Dial. cab. palmanha. Cfr. 



i68 



amiao, Palmiao-estrella, es- 
trella da manha, estrella de 
alva. 

Palmo, palmo; palma. 

Pamperlào, altìvo. 

Pampória, pampóri. V. pom- 
PÒRI. Pampòria: em Mo^am- 
bique. 

Pan (fórm. mod.), pao. — 
Port. arch. pam. 

PanoÀdò, panoado, pan- 
cada. 

PanhÀ, apanhar. Comm. 
Dial. mac, cab. Dial. beirSo: 
panhar. 

Panooma {Br. 2), panno 
cru. 

Pap, papa. 

Pap agaia, papagaio. 

Papella, papélò, papel; jor- 
nal. efr. anela. 

Papier, fallar. Papiag&o, 
falla. Papiador, fallador. 
Comm. Dial. cab., de Cora- 
^ào. — Do port. papear, Cfr. 
falla. 

Papua, cal9ado, sapato. — 

Pers. ^jjb (pàposh). 

Par, para. Dial. div., nort. 
Mais US. per. 

Para, parar ; permanecer ; 
morar. 

ParÀbel, parabola. 

Parade (pron. paréd)^ pa- 
rada militar. — Ingl. 

Paradiso, paraiso (t. us.). — 
Ingl. paradise. Ital. 

Pargaria, parcerìa. 

Parò, parìr. Paridnra, parto 

(t. US.). 

Pareoé, paroé, parecer, 
apparecer. Pareoer, paroer, 
apparencia, figura. Pareto, 



apparila©, vis3o. Pareoexnen- 
to, parcexnento, parioixnen- 
to, apparecimento, apparencia. 
Dial. algarv. parcer. 

Parentelha, parentela. 

Parentes, paes. — Infl. do 
ingl. 

Parentesoa, parentesco. 

Parol (Br. 2), parola. 

Paroliero, paroleiro. 

Parpora, purpura. 

Parqne, parqui (p. us.), por - 
que. 

ParrÀ, parar (mais us.). 

P&rtei (p. US.), parte. 

Parte -possuidory accionis- 
ta. — Infl. do ingl. share-holder. 
Cfr. noyas'papella. 

PasÀ (f), passar. Passagè, 
passajo, pasajo, passai, 
passei (Br. 2), passagem, 
passo, caso; trato. Passa, 
passado, ex. : passa sabbado. 

Pascenoia. V. pacencia. 

Pasco, pas'choa (t. us.). 

Paschoa-tempOy tempo pas- 
chal. 

Passangeiro, passageiro.— 
Infl. do ingl. passanger. Cfr. 
messangeiro. 

Passante, passado. Cfr. ca- 
venie, 

Passavel, soffrivel, tolera- 
vel. — Ingl. passable. 

Pasteàr, pastar; apascentar. 

Pastempo, passatempo. 

Pastro, pÀstor (Br. i ), pas- 
sare; ave (desus.). Pastrinlio, 
pasterinho, pastronélò, pas- 
sarinho. Pastro: dial. mac. Cfr. 
lastro. Passaro > ^passVo > 
pastro. 

Pastro (N, T.), pastùr 
(fórm. mod.), pastor (t. us.). 



i6g 



Pateoa, melancia. Comm. — 
Port. arch., do arab. ^Jbj . 

PatrlarohOy patriarcha. Cfr. 
evangelista, psalmisto. 
Patta, atado, embrulho. — 

Singl. uldfH^ (pottaniyà), 

Patui, libra. — Ingl. pound. 

Pavi, pavio. Pavìtà, espe- 
vitar. 

Pód, pósi, peixe. Péci: dial. 
mac. 

PeQonhoto, animai pe^o- 
nhehto. 

Póoora (C i4.), ovelha. — 
Ital. 

Pèder (5. C), pedra. 

Pederia, pedria, pedraria. 

Peditória, peditóri, pide- 
tórta, peditorio. V, piatóri. 
Cfr. odia; almàri, 

PedrejÀ, pedreyà, pedrià 
(mais US.), apedrejar. Cit.fes- 
tid, subià, 

Pegadoy affectado de doen9a. 

Pógados, pégadas. 

Pei, pé (t. US.). EHalectal no 
cont 

Pelegrino, peregrino. — Por 
dissimil. Cfr. frane, pélerin. 

PóU, peUe. 

Pelo (ant.), por. 

Pelour, pelouro. Cfr. dar. 

Penerà, peneirar. 

PónóB, p&nós (p. US.), penas 
(mais US.). 

Penetenti {Br, i), penitente. 

Pension (pron. pénshon)^ 
pensSo. — Ingl. * 

Peqainino, pequeno. Dial. 
coch., mang. V. piquin. 

Peqnino, pequeno; mais 
novo (infl. indig.). 



Per, pera, però (5. C), 
para, ao. — Pera: port. arch. 
e pop. no Norte. 

Percaaso, por causa. 

PerdÀ (Br. i), perder. 

Perdegio, perdÌ9ao (t. us). 

Perdovàr, perdoar. Cfr. des- 
tmvéf ruvina. 

PerfeitÀ, fazer perfeito, 
aperfei^oar; cumprir. Perfei- 
tado, perfeito. — De perfeito. 

Periba, para rìba, acima. 

Perigrenegào, peregrina- 
rlo. 

Perla, perola. — Port. pop. 

Permaneoente, permanen- 
te. — De permanecé, 

Permittà, permittir. 

Persegrnai^ {N. T.), per- 
seguÌ9ao. 

Persaaidir (N. T.), persua- 
dir. 

Pertravà, perturbar. Mais 
US. troublà. 

Perverta, perverter. Cfr. 
converta, commetta, 

Pesadora (C ^4.), peso. 

Pó-solto (adj,)y descal^o. 

Pessòa (N.T, de i852), pes- 
son, pessEo, pessan, pessoa. 
Dial. coch. pesso. 

Póstia, peste. Cfr. póssia. 

Pete, poti, cesto, canas- 

tra. — Singl. C^f^^ {pettij^a)y 

sansk. qj" (pela). 

Petition (pron. {peti$hon\ 
peti^ao, requerimento. — Ingl. 

Poto, peito. Dial. mac. cab., 
alemtej. péto. 

Pózo, peso; pesado. 

Piadade, piedade. Piadoso, 
pidoso {Br. i), piedoso.— Pw- 
dade, piadoso: port. arch. 



170 



Piatória, piatoli, pedito- 
rio. 

Pidé, pedir (t. us.)- Dìal. mac. 
pidL 

PiU, pilula. — Ingl. 

Pilgrrima (Br. i), peregri- 
no. — Ingl. pilgrim, 

Piziohà, lan9ar, expulsar 
com violencia. Dial. mang., 
-nort., mac. — Pinchar : port. 
ant. No Eirazil : apinchar, 

Pindurét, pendurar. Pin- 
drado (Cath.)^ pendurado. Cfr. 
' Dial, alemtej,^ ix, 11. 

Plnhor, penhor. Dial. mang. 

Pintador, pintor. — Deriv. 
reg. de pinta. 

Pipe (pron. paip)y pipa 
{Br, 2), cachimbo. Comtn. — 
Ingl. pipe, 

Piqnin, pequeno; fìlhinho. 

Pirigo, perigo. PirigÀ, pe- 
rigar. DiaL mac. Piregoso 
(Br. i), perigoso. 

Piscòs, pescoso. Cfr. canfds, 
Dìal. mang., alemtej. piscofo, 

Pisinhoto (S, C), peqo- 
nhento. 

Pi9tòl, pistola. 

Plaga, plaga, praga. 

Plain (pron. plein)^ plano, 
simples. — Ingl. 

Pian, plano. 

Plànohè {N. r.), phtnta. 

Planétè, pianeta. 

Piat {Br. i)j plano, lizo. — 
IlolL 

Plein, planiciù, pianura. — 
Ingl. pìain. 

Plenàri, plenario. Cfr. al- 
mari. 

P leni dào , p 1 en il ude . — Pa- 
LÌre Almeida. 

Ploi, ruga. — Holl pìooi. 



Póbir (C. /!.), pobre. 

Pòco, pouco. Cfr. dódOy atro, 

Podóra {V, de F.), poder. 
Cfr. lumàra, lugàra. 

Pódeser, pódiser, talvez. 
Dial. coch. Cfr. frane, peut-étre, 

Podrioé, apodrecer. Podre- 
cido, apodrecido. 

Po*e (poet.), poi (Br. 2), 
poder. 

Pólver, polvora. Cfr. palver, 

Polvito, rapè. Polvito-boce- 
ta, caixa de rapè, tabaqueira. 

Pompòria, pompòri, pom- 
pa, alarde, fausto. 

Pontà, apontar. 

Ponto, ponte, ponto; ponta. 

Porcadade, porcaria. Cfr. 
burdade, 

Poristo, por isto, por isso. 

Porta-rua, porta da rua. 

Portugue^a, lingua portu- 
guesa. 

Possebé, possibé, pos- 
snibé (Br. 2), possuir. > ^pos- 
suvé (comò destruvé) > *pos- 
subé > possebé (por assimil.) 
> possibé (por dissim.). 

Possessà, possuir. — De 
possessao (us. por posse) ou 
infl. do ingl. io possess, 

Póssia, posse. Cfr. pestia. 

Poter (pron. pótar)^ cerveja 
preta. — Ingl. porter, 

Pouobes, póuchis, troca.— 
\yepolilhaf 

Ponco-idade, mo^o. 

Póvès (fórm. mod.), povos. 

PovoqSo, povesan (fórm. 
mod.), povoa^ao. 

Praino (TV. T.), plano, chSo. 

Prandò (Br. i). V. prendo. 

Pranta, pianta. Dial. cab. — 
Port. arch. e pop. 



171 



Prato {Br, i), preto. 

Prazero, prazeiro (mais 
US.), prazer. Cfr. lumàra, pò- 
dera, 

PredioÀ, pregar. Predica- 
gSo, préga<jao. — Port. arch. 

FregagaO'horas, tempo do 
sermSo. 

Pregoà, apregoar; pre- 
gar. — Pregoar : port. arch. 
Preguador, prégador. 

Pregnòcè, pregui^a; pregui- 
90SO. 

Premeiro, primeiro (t. us.). 
No Porta Dial. mac. premerò. 

Premesso, primeigo, pri- 
mevo, promessa, promissSo, 
voto (desus.). 

Prende, prenda, prandé, 
aprender. Prendo, prènda, 
instruc^ao. Prende; dial. div., 
mac, de Mahé. 

Prónha, prenhe, gravida. 

Prensa, prenso, imprensa. 

Preperà, preparar. 

Presa, prender. Presado, 
preso. Preso, prisao, carcere. 
Preso-casa, prisao. — Do adj. 
preso. 

Presénoia, presénoi, pre- 
senta. Cfr. sentencia, justicia ; 
comèdi. 

Preso, prezo, pre^o.— Port. 
arch. 

Prèsta (adj. = prestes), 
prestamente, preste, pres- 
tornente, prestado (adj. = 
apressado), prestadomente, 
prestò (R. de G.), prestemente, 
depressa, logo (p. us.). Presta 
(V. deV.)y apressar-se. Prèsta, 
prestado, prestade, pres- 
tanza (C. i4.), pressa; preci- 
pitacao, inconsidera^ao. 



Preténoia.. preiexto. — Ingl. 
pretence. 

Provala, prevalecer; gras- 
sar. Prevalénoia (Br. 2), pre- 
valagao (V. de F.), predomi- 
nio, ascendente. — Ingl. to pre- 
vali, prevaìency. 

Prlmaoia, primazia, prima- 
do. — Infl. do ingl. primacy? 

Primóro (fórm. mod.), pri- 
meiro. 

Primeté, primité, primità, 
prometter. Premitido, prò- 
mettido. 

Primo (poet.), primeiro. Pri- 
mo-ferido (Cant.\ primeira fe- 
nda. 

Prinoézè, prìnceza. 

Principal, principal; prin- 
cipio. 

Principalidado (N. T. de 
i852), princìpado. 

Prinspo, prenspo, principe. 

Prisoneiro, prisioneiro. Cfr. 
moleira. 

Pristò, prestes. 

Privilózia, privilézè, pri- 
vilegio. Cfr. relé^è. 

Prodozé (Br. i), produco, 
produzir. 

Profess&o, profissao. — De 
professa. Cfr. confessao. 

Profondura, profundidade. 
Cir.fundura. 

Prophecià, prophetizar (t. 
US.). — De prophecia. 

Propheto, propheta. Cfr. 
psalmisto, evangelisto. 

Própi, proprio (mais us.). 
Dial. mac. Dial. nort. prop. 
Dial. a^or. propio. 

Propesa, propor. — Ingl. to 
propose. 

Propòsal, proposta. — Ingl. 



172 



Prósimo, prózimo, pros- 
ino, prósmi, proximo. 

Prostrata (C, A.)^ pros- 
trar. — Ingl. to prostrate. 

ProteotÀ, proteger (mais 
US.). — Ingl. to protect. Cfr. 
acceptà, 

Provóita, proveito (t. us.). 
Proveitàr, pruveità, aprovei- 
tar. ProveitagàOy aproveita- 
mento, proveito. Provetta: dial. 
mac. 

Pmflla, profia (ant.), por- 
fìa. ProffiÀ, porfiar, disputar. 
Pmffiador, porfìador. 

Prugrfùita, prùnta (mais us.), 
prùntò, pronto (Br. 2), per- 
gunta. PrnguntÀ, pronta 
(mais US.), perguntar. Pru- 



gunta: dial. cab., alemtej. — 
Pregunta: port. arch. 

Prova, pronvà (p. us.), 
provar. 

Psalmisto, psàlmista. Cfr. 
propheto, 

Poblioador, editor. 

PoQÀ, posar, puchar; attra- 
hir. Dial. mac. 

Pùohi, bicho, verme. Cfr. 
pouches, 

Ponhà, apunhar, dar punha- 
das, esmurrar. 

Poridade, pureza. — Port. 
arch. Cfr. altividade, duvi- 
dade. 

Porifioando, purificante. 
Cfr. arrando, lupndo, 

Porìsmo (C A.)y purissimo. 



Q 



Qoadrilla, quadrilha. 

Qoartomente, em quarto 
logar. Cfr. do^oiromente, 

Qoétrtrimo (Br, 2), quarto. 

Qo&tor, quatro (t. us.). 

Qoebrentà, quebrantar (t. 
US.). Qoebrentagiu), quebran- 
tamento. 

Qoódò, qoadò (Br. 2), que 
é de? — Port. pop. Cade no 
Bramii. Cfr. cartié: dialectal no 
cont. 

Qoeliora, quando, no tempo 
em que. Queboraaeja, jé- 
mais. DiaK coch. e mac. quiora. 
Dial. singp. que ora. Dial. guin. 
kel*ora. 

Qoelal, Qoilai» qollei (mais 
US.), qnUle (pron. quilai)^ l^oly 
(proti, quelau p. us.), corno, 
assim corno. Quel ai ^ qttilai: 



comnr.. T. dial. mac. ^— De que 
e laia. Cfr. asstlei, estelei. 

Quem, quem; que (pessoa). 
Quem suy cujo. 

Qoemà, qoimà, queimar. 
Quemà : dial. mac, singp. Qoe- 
xnadora, queimadura. 

Qoemodo, comò, assim 
comò. 

Qoenhào, qoinha, quinhào 
(t. US.). Dial. coch. quinho. Dial. 
div. quiào, 

Qoentà, aquentar, aquecer. 
Quentura, quentura ; calor (de- 
sus.). Quentà: dial. mac. 

Qoerré, querer. T. quer. 
Qoerrendo, voluntarìo. Qoe- 
rendomente, qoerandomen- 
te, voluDtarìamente. Qoizer, 
o que se quizer (subs,: alhum 
qui^er). Qoerer, qoeria, qoer- 



173 



ria, volÌ9ao, vontade. De que- 
rcTy por querer, voluntariamen- 
te. Querioso, desejoso, avido. 

Qnóssa, qaesa, queixa ; ac- 
cusa^ao. Qnessà, queixar-se. 
Qnessador, accusador. 

Quetanto, qutanto (p. us.), 
quanto. 



Qnifoi, porque foi? 

Quindó, quindi, fender; ca- 
var. — Do hoU. kenen t 

Qninhador, quinhoeiro. 

Quintoxnente, em quinto 
logar. 

Qaorenta, quarenta. No Mi- 
nho : corenta. 



Rabana, rabémò, «rabana». 
Comm.— Maialo ^jljj {rabàna)^ 

konk. J s|H (ramban), 

Rabentà, rebentar, arreben- 
tar. Dial. mac. 

RaflnÀ, refìnar, depurar. 

Rai (Br. 2), montar a ca- 
vallo. — Do boli, ophrengen. 

Raiva, raivò, raibò (p. us.), 
raiva ; raivoso, irado, zangado. 
Cfr. saude. 

Ramódi. V. rkméoi. Dial. 
mac. 

Ramesindo (5. C), reme- 
chendo. 

Ramo, ramo y lamina (quadro 
emmoldurado). 

Ramnoé, remo9ar. 

Ranca, ranche (p. us.), ar- 
rancar. Ranca: dial. mac. Cfr. 
rastà; ronchd. 

Rancho, rancho; manada, re- 
banho (desus.). 

RapicÀ, repicar. 

Raspadura, escoria. 

RastÀ, arrastar. 

RastiÀ, rast^ar, rastejar. 

Ràtei, arratel. 

Ratinba, foguete. 

Rebeldo, rebelde. Cfr. res- 
tanto, bastanto. 



Rebellador, rebelde, rebél- 
lao. — Deriv. reg. de rebelld, 

Rebelloso, rebelde. Cfr. im- 
ploso, 

Reoadà, arrecadar; desumir. 

Reoia, receio. Reoià, recear. 

RecompencAo, recompen- 
sar. — Deriv. reg. de recom- 
pensd, Cfr. cuidafao, 

Reda, arredar. 

Redimo, redemó, redimir, 
remir (desus.). 

Rednndo, arredor, de roda. 

Refenda, refenoia, vingan- 
^a. RefenoiOBO, vingativo. — 
Do boli, wreken (verb.)} 

Ref^sca^fto, refresca- 

mento. 

Refrigeiro, refrigerio. Re- 
duc. do esdr. 

Ref^jo, refugio. 

Reg&obi {Br. i), regate, 
riacho. 

Régel (gu)^ regra, linlia. — 
Holl. 

Régiment, regimento. — 
Ingl. 

Registrammo, registro. — 
Deriv. reg. de registra. 

Regna {Br, 2), reinar.— 
Ital. regnare, * 

Regola, regular. 



174 



Rejeot&, rejeitar. — Ingl. lo 
reject. Cfr. protectà. 

Rejeitamento, rejeÌ9ao. 

Reiyào, religio, reliji 
{Bn 2), relizè, relózi (fórm. 
mod.), religiào. Helijbso, reli- 
gioso. Dial. mac. 

Remédi, remédò, remedio; 
meio de vida, officio, mister 
(signif. port. arch.). Remédi: 
dial. coch. Reduc. do esdr. Cfr. 
almàri. 

Rempido, rompido, roto. 

Renda, arrendar. Ren4,aro, 
rendeiro. Infl. de r. Cfr. obraro, 
ferraro, 

Repagà, recompensar. — 
Infl. do ingi. repay? Em port. 
sign. pagar segunda vez, pagar 
generosamente. 

Repàrio, reparo, resguar- 
do. — Port. arch. repairo. 

RepartigiU), divisao, scisao. 

Rependé, arrepender-se. 
Rependimento, arrependi- 
mento. 

Repentà, arrepender-se. 
Repentag&o, arrependimen- 
to. — Ingl. to repent. 

Repostà, responder. Re- 
post&vò (poet.), respondia. — 
De repósta. 

Reprendé, reprehender. 

ReprensiU), reprehensSo. — 
Port. arch. 

Reprovà, reprovar, repre- 
hender; amea^ar. Cfr. desprovd. 

Reptiles, reptils, reptfs. 

Reqnedà, arrecadar ; reque- 
rer. .Requedagào, arrecada- 
9S0. — Requedar em F. Lopes. 

Reqnéza, riqueza (mais us.). 

Reqnirivel, preciso. — Ingl. 
requirable. 



Resgueto, resgate. Rea- 
guetà, resgatar. 

Resià. V. RÉci.\. 

ResolvÀ, resolver. 

Respeitado, respeitavel. Cfr. 
agradado, 

Respéto, respeito (t. us.). 

Resplandente, resplando- 
80, resplendente, resplande- 
cente. 

Responsibilidade {Br. i), 
responsabilidade. 
- Restanto , restante. Cfr. bas- 
tanto, rebeldo. 

Resterei, restaurar ; insti- 
tuir. RestoraQào, restaura- 
<^ao. — Infl. do ingl. to restore. 

Retomà, retomar; restituir 
(desus.). Retóma, retomo. 
Dial. coch. 

Revereno {Br. 2), reverendo. 

Rezinol, rouxinol. Reixinol: 
vulg. no cont. 

Rezao, rezan (fórm. mod.), 
razao. Rezonavel, razoavel. 
Rejdo: dial. coch., mac. Reifan : 
dial. cab. — Re^ao: port. arch. 
e pop. 

Revolà, revolver. 

Rheumatism, rheumatismo. 

Rlba, ribò, arriba, em cima, 
sobre. Dial. singp., mac. Dial. 
mang. rib. 

Riobo, riqneiro (p. us.), rico 
(p. US.). Dial. nort. ricA. — Infl. 
do ingl. rich. 

Risoà, arriscar. Dial. mac. 

Ria, rio. Dial. mang. 

Rodià, rodear. 

Roga, rogo (t. us.), prece. 

Rei do, ruido. Cfr. coidado. 

Róla, rolo. 

Romper, romper. 

Ronobàr, roncar. Cfr. ranchà. 



k 



175 



Bondaddy ruindade, impre- 
ca9ao. Us. t. corno v. em C. A, : 
Jà rondadef = rogaste pragas ? 
Rondai (C. A), rogar pragas. . 
Rondade: dial. mac. 

Rosairo, rosario. Cfr. re- 
frigeiro. 

Roste, rosto (t. us.). 

Rota, rotim (Calamus ro- 
tang) ; bengala. Comm. T. em 
Góa; em indo-ingl. (raitan), — 

Malaio ij^jj (rótan), «Cordas 

grossas de rotas (que sao feitas 
de humas varas que se muyto 
brandam)>i. Gare. *Rotin; ro- 
tangy roseau des Indes, canne 



faite de la tige du rotin; du 
roalay roidn». Aug. Scheler 
(Diciion. d*étymologie fran- 
faise), Rotados, golpes de 
rota, chìbatadas. 

RubÀ, roubar. Rnbador, 
roubador. RnbaQào, roubo. 
Dial. mac. 

Rndela, rodela. 

Ruino, ravìna, nivlnaQao, 
ruina. RninÀ, ruvlnÀ, arruinar. 
Cfr. savode, perdovà, 

Rule (pron. n//), regra. — 
Ingl. 

Rompe, romper. 

Rnva, rua (mais us.). Cfr. 
coróya. 



a 



Saberoso, sabaroso, sa- 
broso (fórm. mod.), saboroso. 
Cfr. amaroso. 

SacOy sacco; algibeira.T. em 
singl. 

Saoriflso (f ), sacrifìcio. Cfr. 
palaso. 

Sagoate, sa§rovate (mais 
US.), «saguate», presente, mimo. 
Comm. T. em Góa. — Konk. 
HnraTrT (sàguvat\ do sansk. 

vi 

^l^lrl (svagata)^ acolhimento, 

recepi^ao. 

Sabinbo, sahida. 

Saluta, saudar. Salntagào, 
sauda^ào. — Infl. do ingl. to 
sedute, salutation. 

Sandó, sandÀ, accender. 
Sandé: dial. mac. Dial. cab. 
cendé, 

San^entÀ, san^antÀ, 
ensanguentar, sangrar. 



SantÀ, sentar-se. Dial. mang., 
de Mahé, mac. Dial. cab. sintà. 

Santildade (Br. i), santi- 
dade. 

SÀpier, séper (N. T.), so- 
pir (Baut.)y parcereiro; meiri- 
nho. — Holl. cipier. 

Sapteiro, sapateiro. 

SarÀ, serrar. Sarrar: no 
cont. Cfr. ara, 

Sarado, cerrado. Dial. 
mang., mac. 

Sariants,. quadrilheiros. 

Sastra, buena-dicha. — 
Sansk. 5TT^ (iàstra)^ sciencia. 

Satisfazido, satisfeito. 

Satisfeitomente, satisfacto- 
riamente. 

SaudCy saode, savòdi (fórm. 
mod.), saude; sao, sadio. Cfr. 
fonie, secura. 

Saudigào {N, 7".), sauda^ao. 
Cfr. saluta^ao. 



176 



Sando, sando-dia, sabbado. 
Cfr. bendo. 

SayaOy sayéa (fórm. mod.), 
tristeza; trìste, sentido. Dial. 
mac. saian. — Malaio A^L^ 
[sàyang), ^ 

Secado, secco; paralytico. 

Seota, seoto, seita. — Ingl. 
sect, 

Secura, seccura; sede (de- 
sus.); sedente. Secura-chSoy a 
aridez da terra. 

Sedomente, cedo, mais cedo, 
em tempo. Cfr. sempremente, 
tantomente. 

Ségo), sigillo; sello. 

Segredò, segródi, segradò 
(p. US.), segredo; secreto. Se- 
gredomente, em segredo, se- 
cretamente. 

Segnedor, seguidor. 

Seguente, segnnte, se- 
guirne. 

Seguiador (iV.T.), seguidor. 

Segnindo (Cath)^ seguiate. 

Segoradoiaente, segura- 
mente. 

Seisenta, sessenta. 

Seisto, sexto. 

Seite, sete (mais us.). 

Sója, seiiJa, seja; sède. 

Sem^ sem; sim. Dial. coch. 

SemalhanQa (Br, 1), seme- 
Ihanoò, similhan^a. 

Semano {Br. 2). V, sumana. 

Sementria, sementeira. 

Sempetemo, sempretemo, 
sempietemo, sempiterno. 

Sempremente, eternamen- 
te. Cfr. cedomente, e dial. mac. 
logomente. 

Ben, sem. 

Senan (fórm. mod.), senSo. 

Senhoris (Baut)^ senhor. 



Sentenoia, sentenza. Cfr. 
presencia,justicia, 

Seperà, separar. Sepera- 
<fio, separai^ao (t. us.). 

SepiÀ, cepilhar. Cfr. embrià, 

Sepultoro, sepultura. 

Séra, serra (peixe). 

Seraphs, seraphins. — Ingl. 

Serezan, semrazao. 

Serioso, serio. Cfr. variosOj 
imploso, 

Servideira, servidora. Cfr. 
confiadeira, mercadeira, 

Sés, seis (mais us.). Dial. 
mac. 

Sesterno, sexto. V. seisto. 

Seve, sebe. Cfr. avelha, 

Signifloao {Br. i), significa- 
cao. Cfr. declarao. 

Signier (p. us.), seguidor. 

Silente, silencioso, calado. 
Silentemente, silenciosamen- 
• te. — Ingl. silent. Em port. é 
poet. V. Dice. Contemp. 

SimiÀ, semear. Mais us. 
truffa. 

Simple, simplo, simples. 
Dial. mac. Dialectal no cont. 

Sinoeiro, sincero. 

Sinooventò, cincoenta. 

Sinh&rò, senhora. Dial. div. 
senhàra. Dial. cab. sinhara, 
nhàra. 

Sinlio, vizinho. Cfr. linho. 

Sintó, sentir. Sintemento, 
sentimento. Dial. coch. Cfr. 
minte. 

Sintido, sentido; senso. 

Siome, ciume. 

Slr (pr. sar)y senhor. — Ingl. 

Sirvidor, servidor, creado 
(desus.). 

Slso (p. US.). V. cao. 

Sisté, assist ir. 



177 



Slaok, aleo (Br. 2), laxo, 
frouxo ; fraco. — IngL 

Slenger (Baut)^ camba- 
lear. — Holl. dingeren. 

Sobei' (poet.)) sobejo. C£r. 
passai, 

Sobérria, soberba (t. us.). 

Sobrano, soberano. 

Sobredade, soberdade, so- 
brado. 

SobrepassÀ» soberpassà, 
exceder (desus.). — Infl. do ingl. 
surpass. 

Sòbri, sóber (fórm. mod.), 
sobre (t. us.). Cfr. ànter, center. 

Sooiadade, sociedade. 

Sooiado, associado. 

SocorÀ, soccorrer. Soooro, 
soccorro. 

SoffrÀ, soprar, assoprar. 

Sogeito, assumpto. — Infl. 
do ingl. subject, 

SoitÀ. F. 9orrA. 

Sol-ori8, eclipse do sol. — 
Pop. no cont. 

SolenmOy solemne. Cfr. bas- 
tanto, restante, 

Solioitidào, solicitude. Cfr. 
plenidao, 

Solteira, meretrìz. Dial. cab. 
Chr, de Bisn, emprega no 
mesmo sentido. 

Sombrai, sombralho (Br, 
2), casebre, choupana; abrìgo, 
protec9So. — Do port. som- 
brela? 

Sombré, sómber, sombra. 
Cfr. d^er, palàver, 

Sombreiro, snmberaro {Br, 
2), guarda-sol, guarda-chuva. 
Comm. — Hesp. e port. arch. 
«Digo que cetri quer dizer som- 
breiro, e alguns Ihe chamam 
chatri»* Gare. 



Sometido (Br, 2), submet- 
tido. 

Sonento, somnolento. 

Stai, manjadoira; estreba- 
ria. T. em singl. — Ingl. stali. 
Port. arch. stalla, 

Stamp (pron. stemp\ estam« 
pilha, sello. — Ingl. 

Staps, passos, pègadas. — 
Ingl. steps. 

Su, seu (p. US.), sua (t. us.). 
Comm. 

Subdo, Btibdn. V. sOppooo. 

Snbé, Bonbé (p. us.), subir. 

SublÀ, sobejar. Cfr. desià^ 
festià, 

Snl^eoto, sujeito ; assum- 
pto. — Ingl. subject, 

Subtomente, subitamente. 

Sùcar, assucar. 

SnfCri, soffrer. Suffirador, 
soffredor. Suffri: dial. coch. 

St^aza (Br, 2), sugidade. 

Sì^Of sujo; sugidade. 

Sumana, snmanò, semana. 
Dial. coch. suman, — Sumana: 
port. pop. 

Suo (C A), seu. Cfr. tuo, — 
hai. 

Stiperemo (Br, i ), supremo. 
Cfr. caravdo, 

Snpo, ciranda. — Prak. H^T 

(sùp)^ sansk. ^^ (stirpa), 

SnpportÀ, snpertÀ (p. us.), 
sustentar, manter. — Ingl. to 
support. 

Sùppodo, sùppndo, subito, 
repentino. Snppodomente, su- 
bitamente, logo. — Port. arch. 
sùpito, supitamente. 

Supporto, auxilio, apoio. — 
Ingl. support, 

Snppressà, supprimir. — De 



178 



suppressào ou do ingl. to sup- 
press. 

Snsaso (pron. sufafo; Br, 2), 
successo. 

SnsoedÀ (Br. 1), susdé, 
suste, sostò (Br. 2), succeder. 



Snspiok), snspi^an (Br, 2), 
suspeita. — Ingl. suspicione 

Sospira, suspiro. 

SnvÀ, suar. Cfr. perdovà. 

Sarida (adv.\ por toda a 
vida. — De 514 e vida. 



Tabe (Br. 2), tambem. 

Tabemaolo, tabemaculo. 
Cfr. disciplo. 

Tabe, taboa. Dial. mac. tabu. 
Cfr. Ungo, lego. 

Tao, tak, pianta, herva. — 
Holl. tac, ramo. 

Talbi, atalhar, repellir. 

TandÀ, tender, attender, 
pretender. 

TangÀ, tanger. Tanjador, 
tangedor, tocador (desus.). 

Tanta, tia. — Holl. tante. 

Tantohora, tanto tempo. 

Tapp&l, correlo. — Hind. 

JL? (tappai). 

Tatdancè, tardanza. 

TarrÀ, tarÀ, enterrar. Cfr. 
morrà. Entarrar no Alemtejo. 

Tavemo, taverna. 

Tax (pron. tecs\ imposto, 
contribuiamo. Comm. — Ingl. 

Té, partic. do pres. posit. do 
ind, Corr. de està (desus.), com 
infl. talvez de tem. Dial. coch. 
Dial. div. e mac. tà. Dial. mang. 
té. Dial. cab. e de Cora^éo : td. 

Tea (pron. ti)y che. — Ingl. 
Tea- colher, colher de chà. 

Telegramo, telegramma. 

Telhada, telhado. 

Tem, ter, ser, estar, haver. 
Comm. 



Temaro (Br. 2), temer. 

Tembom, està bem, bem. 

Tómper, tèmpera; tempero. 

Tempèsta, tempestade (t. 
US.). Talvez infl. do ingl. tem- 
pest. 

Tend, tenda ; tabemaculo. 

Tenro, temo. Por equivoca - 
9S0. 

Tente^ào, tenta^ao. 

Terano (Br. 2), tyranno. 

Teroeiromente, em terceiro 
legar. Cfr. quartomente. 

Terirel, terrivel (t. us.). 

Terrestrial, terrestre. — 
Infl. do ingl. 

TesÀ, tomar-se teso, intenso. 
Cfr. asperà, negliga. 

Tesan (f), ten^ao, inten^ao. 

Testimonio (C. A.\ teste- 
munho. — Ital. 

Thesónra (Cant.\ thesanto 
(Br. 1), thesouro. ThesonrÀ, 
enthesourar. Thesonria, the- 
souraria. 

Tioé, tisai, tecer. 

Tifin, «lunch». Comm. Dial. 
mac. — Indo- ingl. tiffin. «A Pro- 
vincial English word», diz 
Webster. «Persian tafan»^ diz 
Withworth (An Anglo-Indian 
Dictionary). 

Tigir (gu)y tigre. 

Tinhè (K ieK),tinha. 



179 



Timia, tyrannìa. 

Tirrà (Br. i ), tirar. Cfr. virrà, 
parrà, 

Tooa-booa (subst.)^ acepipe 
que se come com o arroz para 
despertar o appetite. Comra. — 
Traduc^ao da locucao indiana. 
Em konk. diz-se: tomdàk là- 
vumchem = o que é para se 
applicar ou tocar à bocca. 

TooandOy toquando (p. us.), 
tocante, a respeito de, sobre. 

TodOy todo ; tudo. — Port. 
arch. «A todo o que diziam». 
F. Lopes. 

Todopodero (A^. T.), todo 
poderoso. 

Tone, barco. T. em Góa 
(ione ou tona). — Mail, e tam. 

Q^Tmfl (tòni). 

TopétZy topazio. 
Torcemento (Br. 2). V. tru- 

SAMENTO. 

Tormentador, verdugo. 
Tóma (adv.\ outra vez, de 
novo. 
Tortil (pron. tortU)^ ber^o. — 

Singl. fftfZTBT {totillau tam. 

Q&)\lCi^Qi^ (tottil). 

Tomo (5. C), torre. 

Tosò (55), tossir. 

Trabi^jÀ. V, travaua. 

Traduce, traduzir. Cfr. pro- 
duce. 

Trahido {Br. i), distrahido. 
Cfr. dito. 

Train (pron. /reiw), com- 
boio. — Ingl. 

TransgressÀ, transgredir. 
TraBsgressador, transgres- 
sor. — De transgressao ou infl. 
do ingl. to transgress. 



Transportado, deporta- 
do. — Ingl. transported. 

Trap, degrau. — HoU. 

TrapÀ, trepar. 

TravezÀ (Br. i ). V. travkssà. 

Traj-cahidOy recaido. Tras- 
porta, porta trazeira. 

Travelho (p. us.), travajo, 
traval, travia (Br. i), traba- 
Ibo. TravalhÀ (p. us.), tra- 
vasa, travejÀ, travelià (C. 
A.)^ travia, trabalhar. 

Traseiro, ultinu). Cfr. lasta. 

Treato, tbeatro (dial. mac.) ; 
throno. 

Tregào, tresEo, tresan, 
trai^ao. — Treigào : port. arch. 

TrediQa, traidioe (Br. 2), 
trapa9a, fraude. — Do port. 
tredof 

Treidor, tredor, traidor. — 
Tredor: port. arch. 

Trómè (C. iV.), tremor. 

Tremedura, tremor; terre- 
moto. 

TrevessÀ, atravessar, impe- 
dir. Trevessado, trevesado, 
arrevezado; depravado. Tre- 
vesso, trevego, travessa, 
encruzilhada ; impedimento, 
obstaculo. 

TrezeirOy trezéro, terceiro. 
Trezeiromente, terceiramen- 
te. — De tres + «Vo. 

TribulÀ» atribular. Mais us. 
troublà. 

Trimi, tremer. 

Trinidade, trindade. Cfr. 
virginidade. 

Trintè, trinta (t. us.). 

Triómpha, trìumpho.Triom- 
phÀ, triumphanTriomphantOy 
triumphante. 

Tristézè, tristeza (t. us.). 



i8o 



Tristloido, entristeddo ; 
triste. 

Trizé, trizÀ, treizó (p. us.)) 
trazer. Dial. mang. iri^é ou 
/riifé. Dial. mac. treffé. 

Troada, tmada, trovada, 
trovado, truvado, trovoada; 
trovao. 

Trova, travÀ, trovejar. — 
De trovada, fruvado, 

Trobellado (S. C), tribu- 
lado, turvado. 

Trooamento» troca. 

Trooido, torcido. — Port. 
pop. Cfr. truce, 

Trombeto, tmmbeté, trom- 
beta. 

Tromenta, tromóntè, tro- 
mento, tormenta ; tormento. 

Tropefo, tronpego, trope90 ; 
escandalo. TropegÀ, tronpe- 
9à, trope<jar; escandalizar-se. 



TronbalÀ, troubelà, trou- 
baUia (N. T,, por confusSo 
com trabalharf)y tronblà, tru- 
blà (fórm. mod.), atrìbular ; tur- 
bar, perturbar. Trobellado (5. 
C), atrìbulado, turvado. Tron- 
blagtOy trablagto, tmbela- 
san (fórm. mod.), trobalha- 
san (p. US.), trìbula9So; turba- 
9S0, perturbai^So. 

Trouble (Br. 1), perturba- 
9S0. — Ingl. 

Tmoador , trocador ; ban- 
queiro. 

Tmoéy tmssó, torcer, flar. 
Dial. alemtej. trocen 

Tmsamento, dysenteria. 

Tndos, todos. — J?/i/ciVf . 

Tali, tolher, impedir; pro- 
hibir (desus.); tirar. 

Tuo (C. i4.), teu. — Ital. 

Tatana, tutano. 



Umi, zizania. 
Ungià (N, r.), ungir. 
Unguli, migli, engulir. 
Urvls, ourives. 
Usanoia, usanoò, usanza, 
uso (desus.). 



Uscnndó (fórm. mod.), es- 
conder. Cfr. escundè, 

Usouro, obscuro, escuro. 
Usonridan, escuridao. 

Uso (f), urso. — Port. arch. 
osso, hesp. oso. 



Vaca, vacca; boi. Cfr. ga- 
mela, 

Vaoudade, vacuidade. 

Vadade (V, de V,)^ vai- 
dade. 

Vagàra, vagar, devagar. Etti 
vagata, devagar. Cfr. luttiara, 
cofttera. 



Vai, ir. Comm. Dial. mac. 

Valante, valente (mais us.). 

VallÀ, avallar. 

Vanda, banda (t. us.). Dial. 
mac. 

Vande, avante. 

Vandel, vandelar, erran- 
te, vagabundo. Vand'lar-vida 



i8i 



(Con/.)) Vida errante. — Holl. 
wandelaar, 

Vanz, cumprìmentar, sau- 
dar. — Holl. wenschen, 

Vaqninha, vaooinlia (N. T.), 
vitella; bezerro. Dial. mang., 
div. — De vacca. 

Varioso, vario. Cfr. serioso, 
impioso, 

Vapzè, vàpzi (fórm. mod.), 
varzea. Varrei dial. mac. Dial. 
mang. varj. Varzeiro, vaxjei- 
ro» dono ou cultivador da var- 
zea. Comm. 

Vatti (pron. va/f), atpafate. — 

Singl. G|^6| {vattiya). 

Ven (poet.), vem. 

VenQa (ant.), vencÀ, vencer. 
Venoador, vencedor. 

Vein, vinho. T. em singl. — 
Infl. do ingl. wine. V. vin. Vein: 
vinho da Europa; vinho: o da 
terra. 

Venettè, vaaetta, vanetté, 
veneta; genio, temperamento. 

Vónkel, vénkal, loja, offi- 
cina. — Holl. vinkel, 

Ventra, vénter, ventre. 

Verdedeiro, verdadeiro (t. 
US.). Verdeiromente, verda- 
deiramente (t. us.). 

Verdente (Cant,)^ verdejan- 
te. — Ingl. verdant, 

Vergonhado, envergonha- 
do. Vergonhadomente, ver- 
gonhosamente. 

Vósper, vespera. Cfr. asper. 

Vestimento, vestido, roupa. 
Dial. coch. 

Veyo, véo. 

Vlagè, Yiajo, viagera. Via- 
góro, viageiro. Viagéro: Dial. 
mac. Cfr. home, corajo. 



Vichelei, comò azeviche. — 
De azeviche com apherese de 
a^e e lei (laia). Cfr. diabolei. 

Vida (p. US.), vide, por causa, 
virtude, amor de. Vidòaqttél, 
pela qual razao; por isso, por 
tanto. Vidòqne, yidèqnól, pois, 
pois que, porque, visto que. — 
De Vida? 

Vidó (p. US.), ver. F. olha. 

Vldo (p. US.), vindo. 

Vidor, vidro (t. us.): copo 
de vinho. T. em singl. 

Vigàrl, vigario. Cfr. almàriy 
Calvàri. 

Vigli, vigilia. 

Vin* (ant.), vinho. Dial. cab. 
C'r. vein, 

Vindo, vinda (t. us.). Vindo- 
dentroy entrada. 

Vingà, vingar; vexar, apo- 
quentar; enfadar.T. em konk. 
na ultima accep^ao e o subst. 
vingaqao. 

Vintórè, ventura (mais us.). 
Vinteroso, yintroso, ventu- 
roso. 

Vio, vivo. Cfr. brao^ 

Virado, varìado, louco ; tor- 
to; falta, erro; absurdo. Vira- 
domente, ao revez, mal. 

Virgim, virzem, yirzò, vir- 
gem (t. US.). Virgem-venire, 
ventre da virgem. 

Virginidade, virgindade. 
Cfr. divinidade. 

Virrà (Br. i), virar. Cfr. 
tirràj parrà. 

Virtloso, virtuoso (t. us.). 

Viste, vista (t. US.). 

Viste, vista (Br. 2), vestir 
(t. US.). Vistementé, viste- 
mento, vlstido, vestido, trajo 
(desus.). 



l82 



Viyenda, modo de viver. — 
Port. arch. 

Vizia, vigia. Vizia, vigiar. 

Viziador, vigia, guarda. 

ViziaQÌU>, vigilia, véla; ci- 
lada. 

Voltià, voltar. 



Vonda (Br. 2). V. vanda. 
Dial. de Mahé. 

Vossas, vocemecé (honori- 
fico). 

Vossé (p. US.), vosso. Mais 
US. rossa. 

Vossotros, vós outros, vós. 



W 



Waggon, «wagon». — Ingl. 
Waistcoat, collete. — Ingl. 
Wine, vinho europea. — Ingl. 



ZambÀ, zombar. Zombe- 
rias, zombrias, zomb&rios, 

zombar! as. 



PHRiSEOLOGIA 



Agora mais per longe (Br. i), agora per despois, d'ora avante, 
d'aqui em deante. 

Agora quatto dias, ha quatro dias. 

Alhum horas (Br, 2), por acaso, talvez. 

Alhums té guarda pinhor sua joyas (Br, i), algumas (mulheres) 
empenham suas joias. 

Ambos nossa lugar e na^So (N. T. de i852), assim o nosso logar, 
corno a nossa na^ao. — Constr. ingl. 

Amos de o justos e de o irijustos, assim dos justos, corno dos 
injustos. 

Animai de quatro pés, quadrupede. 

Anjo de Deus quem su eu tem (N. T. de i852), anjo de Deus 
cujo sou. 

Anno per anno, cada anno. 

Aquél bay num tinha basta bom per para né inverno (N, T. de 
i852), aquelle porto nao era accommodado para invernar. 

Aquél horas né minha boca que jàvi palavras eu jà falla (Br, 2), 
eu disse as palavras que entao me occorreram à bocca. 

Aquél per despois^ depois d*isto. 

Aquél tem, isto é. Aquél tem amos dous machos e/emès (Baut.\ 
isto quer dizer que assim os homens corno as mulheres. 

Aquella terra gentes, a gente d'aquella terra. 



i83 



Assi conto eu impè (Br. i ), assim que eu eslava em pé. 

Assi para j'j annos, cerca de doze annos. 

Assi presta que iste istori jd cava drek (Ourson)^ logo que se 
acabar de publicar està historia. 

Bacin capa, jarro da bacia de lavar. 

Bastanto suas virado, muitas das suas faltas. 

Bestas males (N. 7*.), bestas mas. 

Bota né rosiOy lan^ar em rosto. 

Brando brando, paulatiaamente, pouco a pouco. 

Cad'hum pouco hora (Br, i ), a cada momento. 

Cahi né lembranfa, coki né sintido, occorrer à mente. 

Cahi posto, postrar-se. Cahi posto de vossè ir^elhos, ajoe- 
Ihae-vos. 

Cantigas supplementos (C. de N.), canticos supplementares. 

Cava (Jd — ) papià casamento (Br, i), acabou de fallar de casa- 
mento. 

Caventèfalld este palavras, acabando de dizer estas palavras. 

Cedo impressaos, impressoes da infancia. Cedo corresponde, 
neste caso, ao ingl. early (impressions). 

Certomente lo mista tem hum muito buro hum home quem là 
falla (Baut,)^ certamente deverà ser um homem muito estupido 
quem disser. 

Cinco cento, quinhentos. 

Com eu, (p. US.), commigo. Tem paciencia com eu (N. T.). 

Com mi, commigo. Com ti, comtigo. 

Com Jesus' grande dors (C, de N.), com as grandes dores de 
Jesus. 

Como Circumcisao tinha de velho (Baut.)^ corno a circumcisao 
era outr'ora. 

Corpo morto, cadaver. 

Crendo multidao, multidao crente. 

Dar de gardecimentos (Br. i), ac^ao de gra^as. 

De ella sua olhos, dos olhos d'ella. De refere-se a olhos. 

De sua pouco idade, desde a sua infancia. 

Deos' throno diante (C. de N.), deante do throno de Deus. 

Desejos doudigos (N. TI), desejos loucos. 

Desse tua dinheiro vay com ti per perdifao (N, T, de i852), teu 
dinheiro va comtigo para perdi^So. 

De!f cento cincoventè anos, mil e cincoenta annos. 

De:f mil cénta, milhào. 

Dia em dia, dia a dia. 

Dia per dia eu té fica mais e mais dévida, dia a dia fico mais e 
mais endividado. 

Dia segundo, dia seguinte. 



i84 



Discrui per dentro, introduzir-se. 
Domingo dia, dia domingo. 
Dous centOy duzentos. 

Dous pessaos hum pancado per nadèficà raivè (Br, i), para nao 
se zangarem duas pessoas de urna pancada (ao mesmo tempo). 
Doje annos idade, da ìdade de doze annos. 
Elle pera mata, para o matar. 
Elle qui pidiy o que elle pede. 

Elle sua trai; té segui (Br. 2), segue atraz d'elle. — Infl. indig. 
Elle tem certo per muda, é certo que elle ha de mudar. — Const. 
ingl. 
Em cedo, em tempo. 

Em Jesus' nome (C de N.), em nome de Jesus. 
Enteiro sua corpo, o seu inteiro corpo. 

O escuridade de anoite ser passado (Br. i ), passou-se a escu- 
rìdade da noite. 
Espirito* s santo dom (C de N.), o dom do Espirito Santo. 
Estawè morado (5. C), estava morando. 
Este dous pessaos aquél dia que/ajé comédè, vós mistedia olhà 
{Br. i), vós devieis ver a comedia (far^a) que essas duas pessoas 
faziam naquelle dia. 
Este que dodicef Que loucura é essa? 
Este quemf Quem é este ? 

£^14 l'ama ti ambos né vida, morte, amar-te-hei assim na vida, 
comò na morte. 
Eu nunca nao sabé vós que té falla, n3o sei o que dizeis. 
Eu que ca^à dia impè inde tem doente {Br. i), estou doente 
desde o dia que casei, apesar de estar em pé. 
Eu té lembrd nao, penso que nao. 
Eu tepide de vós, pe^o-vos. 

Eu tem per gardicé, tenho de agradecer. — Const. ingl. I am to 
thank. 
Eu tem sete annos casado, tenho sete annos de casado. 
Exemplo té papià mais forila do que palavra {Br. 1), exemplo 
falla mais forte do que as palavras. 
Fai conta, faze conta. 
Falla chomà, dizei que chame. 
Faiféfeito, cumprir. 
Faifé lèste, apromptar, preparar. 
Fa\é nós per bebé, fazei que bebamos 
Fa^é tropegà, escandalizar. 

Fa^imento de agradecimentos {N. T.\ ac^So de gra^as. 
Fica feito, acontecer, realizar-se. 
Fica medo, ficar com medo, ter medo. 



i85 



Fica papiado conira, ser contradito. 

Filho grande, fiilho mais velho. — Ini), indig. 

Fordè de Bautismo, excepto por baptismo. 

Forma né eu hum cara f do limpo, efa^é novo ne eu hum dreito 
espirito (Br, i), formae em mim um cora^So limpo, e renovae em 
mim um espirìto recto. 

Gatinha té onda, anda de g^tinhas. 

Gageando lingoas, linguas gaguejantes, balbuciantes. 

Gente morto, V, corpo morto. Dial. mac. 

Gentes dentro e /óra de o casa, a gente que estava dentro e fora 
da casa. 

O gentes quem impé perto Christo, a gente que estava perto de 
Christo. 

Hofnens doudi^os, homens loucos. 

Hum dous per dobrado velho, um duas vezes velho, ou um velho 
por dois. 

Hum macéo perto morte (V. de F.), um mancebo que està para 
morrer. Melhor se diz : perto per morré. 

Hum mei'horas, meia bora. 

Hum mil de annos, mil annos. 

Hum padaj cake, um pedalo de bolo. 

Humperdoando Deos, um Deus que perdoa. — Ingl. a/orgiving 
God. 

Hum pouco hora despois, poucos minutos depois. 

Hum pouco idade pessdo, um joven. 

Hum pouco tempo tnais diante, ha pouco tempo. 

Hum sorte misinha, uma sorte (especie) de mezinha. 

Huma tras huma (5. C), um atraz do outro. 

Idade gentes, gente idosa, velhos. 

Igreja Occidente, igreja occidental. Igreja Oriente, igreja orientai. 

Irmdo grande, irmao mais velho. 

Jà cai de injivelho, cahiu de joelhos. 

Jà cava come, acabou de comer. 

Jà fica dedia, amanheceu. 

Jàfoifomèper dromi, foi dormir em fome, deitou-se sem comer. 

Jà vira o mundo basso per riha, amotinaram a gente. 

Jesus' bom favor busca (C, de N.), procurae as boas gra^as de 
Jesus. 

Juntado per huma, por junto, conjunctamente. 

Kokeira sua ola, a ola do coqueiro. 

Lamentando almas, almas que lamentam. 

Ungo de Greco (Baut.)^ lingua grega. Ungo de Portuguej^ 
lingua portuguesa. 

Lingoa de Ingre^f, lingua inglesa. 



i86 



Lo dà rendè a vinha, arrendere a vinha. 
Lo tem que elle té fede, deve estar a feder. 
Lume de dedia, luz do dia. 
Mais anies, d'antes, no tempo passado. 

Mais bonty mas bom, melhor. Mais grande, maior, mais velho. 
Mais escuro que tem anoite, mais lucente, e glorioso tem o manhdo, 
quanto mais escura é a noite, tanto mais luzente e gloriosa é a 
manha. 

O mais grande irmdo jà falla per sua mulher : Minha piquin 
irmdo non tem baste fór^*a, o irmSo mais velho disse à sua mulher : 
O meu irmao mais novo nao é assaz forte. — Infl. indig. 

O mais lustrar o lumar o mais té os cachors ladra (Br. i), quanto 
mais brìlha a lua, tanto mais ladram os caes. 

Mais mal, peior. Mais adiantado, passado, preterito. Mais parte, 
a maior parte. Mais per longe, mais longe, mais ao deante. Mais 
tantomente, outro tanto. 

Màis parte todo gentes; o mais de parte de gentes, a maior parte 
da gente. 

Mais tanto que eu té ama per vossotros, mais menas eu tem 
amado, quanto mais vos amo, tanto menos sou eu amado. 
Mal venetta, mau genio. 
Man pei, mao e pé. 
Manda fome^ mandar em fome. 

Marido, mulher nun tem bom per fica raivè (Br. i), nSo é bom 
que o marido e a mulher se zanguem entre si. 

Matador de gente, homicida. Matador de mai, matricida. Mata- 
dor de pai, parricida. 
Meio de anoite, meia noite. 
Metade morto, meio morto. 
Mils de rupias, milhares de rupias. 
Minha juntado, commigo. 
Mistia tinha, devia estar. 
Mistia tinha basta, devia bastar, ser sufficiente. 
Muito grande mercé, muito obrigado. 
Muito grandéìfa hum home, um homem de muita grandeza. 
Muito tempo per despois, depois de muito tempo. 
Muito tempo mais diante, ha muito tempo. 
O mundo té vira basso per riba, in verte- se o mundo. 
Nào ninguem non tem largado (Cant,)y ninguem é exckiido. 
NSo per hum morte casa, mas per hnm festa casa, nSo para uma 
casa de morte, mas para uma casa de festa. 
Natal e Janeiro dia, o dia do natal e o primeiro de Janeiro. 
Navio defumOy vapor. 
Né curio dias, em breve, cedo. 



i87 



Né diante, em presenta. Né diante casa, na casa que fica 
defronte. 

Né hum quintal càmber, no quarto de um quintal. 

Né oito de dia, no oitavo dia. 

Né quàtor de lugar, no quarto logar. 

Né tra^ parte, na parte trazeira. 

Nem carte recado (Ourson)^ nem carta nem recado (verbal). 

Ninguem nehutn tempo nunca olhà per Deos (N. T. de i852), 
ninguem jémais viu a Deus. 

Nobréìfa sangue, sangue nobre. 

Nós lei pobre, fraco gentes {Br. i ), gente pobre e fraca corno nós. 

Nós ninguem nào esquecé o 3 de May, iSSi (Br. i), nenhum de 
nós se esquece do dia 3 de maio de i88i. 

Nós nonco nistà torna em tóma per cahi né o mesmo peccado, 
nunca devemos recahir no nìesmo peccado. 

Nós quem té batté porta? (Br, i), quem bate à nossa porta .^ 

Nossa Guiador nós tem certo lo vencà (Cant.)^ estamos certos 
que o nosso guiador ha de vencer. 

Nossa menino tempo, nossa infancia. 

Nossa fé amor (C. de N.), nossa fé e caridade. 

Nué que este lo tinha o modo? Nao é que este seria o modo? 

Nunca vós dai hum yidor vinhof NSo tomastes um copo de vinho .'* 

Obreiro de co^re, caldeireiro. 

Offerto quimado, holocausto. 

Olhà o diante casa sua visinho {Br. i), olhae para o visinho da 
casa de fronte. 

Onde vós lo ascartd mais bom amisfadesf Onde achareis melho- 
res amigos? 

Ónta media, hontem ao meio dia. 

Orelhas comichas, comichao de orelhas. 

Ouvi que fórga ella tose, ouvi com que forerà ella tosse. 

Padaj a^uljitè, peda90 de fita azul. 

Paga cum bom, pagar de boas. 

Palavra de Greco, palavra grega. 

Papiagao né ouvido, mexerico. 

Para contra, oppor-se, contrariar. 

Parque, aquelhora, mista nós cadahora santa meyo de cimjfa? 
Poisque entao devemos sentarmo-nos sempre no meio da cinza.'* 

Passa me3[, mez passado. 

Pegà fórga, pegar com for^a; deter. 

Pequenino sino, campainha. 

Per ellotros nehum outro beberajo non tinha assi sabaroso, assi 
saode e assi valioso corno este, nao tinham outra bebida tao sabo • 
rosa, tao sadia e tao valiosa corno està. 



i88 



Perlo de^ annos, ha perto de dez annos. Perto seis de horaSy 
quasi seis horas. 

Perto mi tem quorenta padagos de prata^ tenho commigo qua- 
renta pe9as de prata. 

Perto quem té nós andà? A quem recorremos nós? — Contr. 
ìndig. 

Piquin femè crianga, pequena creanza. 

Pócus dias mais dinte, poucos dias depois. 

Podè nué namais, nao so póde. 

Posto de injuelhoSy pesto de joelhos, ajoelhado. 

Potico idade, infancia, mocidade. 

Professando Christaos, os que se professam christaos. 

Prunià prunias, fazer perguntas. 

Pruntès vós hotày fazeis perguntas. 

Pussà raif, deitar raiz. 

Quando forga ventos dai (Br, i), quando sopram fortes ventos. 

Quatorje cento, mil quatrocentos. — IngL fourieen hundred. 

Que fot jà Deos forma home (Cath.)ì Porque é que Deus creou 
o hotnem? 

Que foi ndo Deos tira (Cath.)l Porque é que Deus nao tira .^ 

Que io ser numpodé falla, si chuva non cahi prèsta {Br, 2), nao 
se póde dizer o que sera, se nao chover logo. 

Que masque mils de chusmos vi, que embora venham milhares 
de multìdoes. 

Que querré masque vi, o que quer que venha (aconte^a). 

Que seja que, tudo o que, tudo quanto. 

Que sorte home elle tinha, que especie de homem era elle. 

Que tanto fato fa^endas, quanto fato e quantas fazendas. 

Que té vi méSj no mez que vem. 

Que tem per pÌj futuro. 

Que tem re^an para esiefca assi? Que razao ha para isto assim 
ser? 

Quem iodià arma tregSo per elle, o que o havia de trahir. 

Quem querré quem té vi né ofessao de hum home (Br. i), o que 
querem é quc^m apparece na figura de um homem. 

Quem té leSf elle desse intende, entenda quem le (^1 legit, 
inteìììgaty 

Quem tetn hum cousa per falla per ti, que tem que tè dizer uma 
cousa. 

Quem tinha dévida per mi, que me devia. 

Qui té nós intendi de este palavrasf O que entendemos nós por 
csias palavras? 

Ribè de cavallo, montado a cavallo. 

Rùdeado de mi, em roda de mim. 



i89 



Rogando animo (C. de N.), alma supplicante. 

Rogo de Senhor, ora^ao dominical. 

Ronchà assiforgaf roncar com tanta for^a. 

Rs. So tem mstade {Br. i ), 5o rupias sao necessarias. 

Sacerdote grande, summo sacerdote. 

Jà sai caminho terra, poz-se a caminho por terra. 

Salvando nome (C. de N.), nome salutifero. — Ingl. saving nome. 

Sangue de real (Ourson)^ sangue' real. 

Santa com injuvelho, ajoelhar. 

Santo Espirito, Espiato Santo. — Infl do ingl. 

Seijafé né Deos (Br. i tende fé em Deus. 

Seis annos idade Cath,\ da idade de seis annos. 

Seis ve^ impressado, sexta edi^ao. 

Seja vos cala (N, T.), calae-vos. 

Sem até femès agor té prende quilie per cura, sim, até as mu- 
Iheres aprendem agora a curar (medicina). 

Sem conhecindo, sem conhecer. 

Servilo de o casa-porta, servilo domestico. Cfr. casa-porta. 

Si assi hum lembran^a, se um tal pensamento. 

Si ellotros queria marchà tanto miles, se elles quizessem andar 
tantas milhas. 

Si tu podi guarda né tua sintido enteiro o Bible (Br. i ), se tu 
retiveres na memoria a inteira biblia. 

Sinharè sinhoris, senhoras e senhores. 

Sua pai su rosto, o rosto de seu pae. 

Sua traj, atraz d'elle. 

Té continua até per o deseis de verso (Baut.)^ continua ao decimo 
sexto verso. 

Tem basta que ouvi, basta o que ouvi. 

Tem certo miste vi, é certo que deve vir. 

Tem center, oppor-se, ser de opiniao contraria. 

Tem malperfa^é graga com peccado (Br.)^ é mau brincar com 
o peccado. 

Tem nós banda de Christof Estamos nós do lado de Cbristo? 

Tem vide este re^fao, é por està razSo. 

Tem vido, é vindo, veiu. 

Temperancè juntamento (Br i), reuniao da sociedade de teni- 
peran9a. 

Tenhopiadade (Ourson)^ tenha piedade. 

Terra-borda-de-ceos, este (Cant.)^ està terra é a borda dos 
céus. 

Teu messando ira (Cant.)^ tua ira que amea9a. 

Tiffin mesa non tinha leste (Br. i), o «lunch» nao estava prompto 
na mesa. 



IQO 



Tinha anda passante né deserto (V. deV.)^ estava passeando no 
deserto. 

Tinha morto quatro dias (Cqth,\ havia quatro dias que tinha 
fallecido. 

Tinha muito piadade hum home, era um homem muito piedoso. 

Tinha quentà simismo, aquecia-se. 

Travalho passajosy passagens difficuliosas. 

Tremedura de chao, terremoto. 

Tres cento, tresentos. 

Tres par més, tres pares de meias. 

Tu quem té fa\é de ti mesmof Quem aflìrmas tu ser? 

Vaidade lembran^a (Baut\ pensamento de vaidade. 

Vagàra em vagàra, lentamente, pouco a pouco. 

Vamos vai, vamos. 

Videquel suas famado beberajo tinha bom coffee (Br. i), visto 
que um bom café era a sua bebida favorita. 

Vin doce, mosto. 

Vivente Deos, Deus vivo. 

Vivers solto, vida desbragada, dissolu^ao, dissipacao. 

Vossa alma ser deleite com a gordura (Br. i), deleite-se a vossa 
alma com a gordura. 



APPENDICE 



DISCURSOS SACROS 



PREFACIO 



Cheguei a Colombo em i5 de malo de 1886, e no 
dia 19 tornei posse dos cargos de vigario geral da mis- 
sao portuguesa e de parocho da egre j a de Nossa Se- 
nhora da Boa Morte. Poucos dias depois fiz a minha 
primeìra homilia no portugués de Ceylao, e tive a satis- 
farà© de ouvir a alguns parochianos que me tinham 
perfeitamente percebido; poisque receava que, ou pela 
linguagem ou pela declamacao, nao me fizesse sufficien- 
temente entender. 

Prosegui depois a pregar no dialecto em varios dias 
festivos até ao primeiro de Janeiro do anno seguirne — 
dia em que foi abolida a missao. 

O processo que seguia de ordinario, especialmente 
no principio, é o seguirne: lia o evangelho do dia, e 
às vezes alguns capitulos, na versao do Novo Testa- 
mento de i856; escolhia um ponto qualquer e o expen- 
dia em urna foiba inteira de papel, consultando muitas 
vezes o padre Pedro Antonio Cotta (hoje chantre da 
sé de Góa), que estava encarregado do logar e me fazìa 
posteriormente amavel companhia. Repetia, em alguns 
casos, o que havia escripto, ao sacristao (cargo impor- 
tante), que conhecia muitas linguas e fallava multo bem 
o crioulo; e elle me indicava qualquer phrase que per- 
tencesse ao portugués alto e o modo de a ageitar ao 
portugués basso. Decorava na manha assim comò tinha 
escripto, e assim declamava fielmente. 



194 



Eis o motivo porque escrevi os despretenciosos dis- 
cursos que agora reproduzo, com Hgeiras altera^oes na 
fórma, conforme a ordem corno os proferi, so com a 
mira de ministrar ao dialectologos urna amostra do 
indo-portugués neste genero. Conservei-os até agora 
corno urna cousa curiosa e comò uma recordacao da 
rainha missao na Taprobana. 

Longe de mim, porém, a presumpcao de os apre- 
sentar corno modelo do puro crioulo; nem isto era de 
esperar. Nao faltarao algumas locu^oes, algumas con- 
struccóes que nao sejam genuina?; mas o contexto as 
tornava facilmente intelligiveis aos ouvintes. 

Entre as fórmas dialectaes e portuguesas, igualmente 
usadas, pre feria muitas vezes as ultimas; porque dese- 
java aportugiiesar o crioulo, e até projectava fondar 
uma escoi a de portugués, se fosse conservada a missao. 



D0MIN6A DENTRO Di OITAYi Di ASCEHSiO 
Sobre a Imitaf io de Cbristo 

Et vos testimonium perhibebitis. 
«E vossotros tambem lo dà testìmunho». 
Joan., XV, 17. 

Né evangelho de hojo, amada irmaos, Nossa Senhor 
Jesus Christo assi té papié per sua Apostolos: «Cando 
o Consolador lo tem vindo, quem eu lo manda per vos- 
sotros de o Pai, o Espirito de verdade, quem té pro- 
cede de o Pai, elle lo dà testimunho tocando mi. E vos- 
sotros tambem lo dà testimunho, vidèque de o comèdo 
vossotros tinha com mi. Este cóusas eu jà falla per vos- 
sotros, que vossotros nao troupe^à». 

Este mésmo cousas nós miste lembrà Jesus Christo 
té falla per nossotros per dà hum bom testimunho to- 
cando elle; vidèque nós tambem tem banhado com o 
precioso Sangue de nossa Salvador e tem alimentado 
com sua sagrado Corpo, e comò tem escrivido de hum 
grande santo, hum home quem té falla que elle tem 
hum christao e nao vive conforme de o lei e o exemplo 
de Christo, este assi hum home té fazé hum grande 
offencia e injuria per Nossa Senhor, quem nehum tempo 
numtem contentado com o palavras, mas elle querré 
maisque todo ótro cóusa nossa cora^aos, mas cora^aos 
enteiromente puro e limpo, sem nehum macula nem 
deslimpeza de peccado, vidèque o peccado e o pecca- 
dor tem enemingo de Deos e filho de demonio. 



196 



Vidèaquél si per nossotros tem sinceiro vontade per 
recebé o Espirito Santo, corno né velho tempo o Apos- 
tolos jà recebé, e si per nossotros tem querìa per andà 
bum dia per recebé né o reyno de céos o premio que 
o Filho de Deos jà primetté per sua seguidors, nosso- 
tros tem obrìgado per da per elle bum bom tesdmunho 
com nossa fazers e obras né todo o tempos e né todo 
o lugaras. 

Mas vossotros lo pruntà: tQuemodo miste dà testi- 
munho per nossa Redemptor»? E o mésmo Jesus Christo 
té repostà. fallando: cEu jà dà per vossotros bum esem- 
plo, que vossotros fazé, assi corno eu jà fazé». Mas que 
exemplo elle jà dà per nossotros? Elle jà ensinà né todo 
sua vida terrestrial per fiigi o peccado e per pratica o 
virtude e bom obras. 

I. E primeiramente, elle, Deos comò tinha e o mésmo 
santidade, nùcu commetà nehum peccado, ou seja mor- 
tai ou seja venial. Poristo elle tinha pruntando per o 
judeos: tQuem ànter vossotros lo accusa per mi de 
peccado? E ninguem nùcu podé repostà, vidèque elle 
sempre té abhorrecé per o peccado. 

Mas nossotros té lembrà que o peccado nuntem nada, 
que o peccado tem bum mal multo leve e pequinino. 
Mas comtodo assi nué; o peccado tem bum mal multo 
grande, so verdadeiro mal, bum mal supremo, abso- 
luto, incomprebensivel, infinito. Commetindo bum pec- 
cado, assi tem escrìvido de o propbeta Isàias, bum bome 
té fazé bum sociedade com o enfemo, té desobedecé 
por Deos, té desprezà per Deos, té revoltà center Deos, 
e comò té falla S. Paulo, té crucificà per Jesus Cbristo. 
Com bum peccado bum pesson té quebrà o mandamen- 
tos de nossa Salvador, té massa basso pés elle sua San- 
gue, té regeità elle sua meritos, elle sua premios, e todo 
o bem que té vi de Deos. 

Vide bum peccado de soberba, bum compànba de o 
anjos jà fica pincbado né enfemo. Vide bum peccado 
de desobedencia, nossa primeiro pai mai jà foi lan^ado 



197 



fora de o paraiso. Vide peccados de deshonestidade, 
Deos jà manda hum diluvio universal e jà mata todo 
gera^ao humano, salvando o santo Noe e sua familha 
namais. E vide similhante peccados, Deos jà destruvé 
enteiromente Sodoma, Gomorrha e mais tres cidades» 

E si o peccado tem pequinino hum maldade, antos 
que nistade tinha per o Filho de Deos per descindé de 
o céos, per toma nossa miseravel natureza, per padecé 
fome e secura, per suffri insultos e blasphemias, per 
travaljà per tempo de trinta e dous annos e per morré 
lastemente né hum cruz com hum morte afifrontoso e 
tormentado, quilei hum malfeitor, ànter dós ladraos? 
Este té mustrà bemfeito que o peccado tem hum grande 
maldade, e que hum christao peccador tem hum ene- 
mingo desgardecido de nossa Salvador, quem astante 
té ama e té busca per salva per nossotros, travasando 
com todo modo per tuli o peccado de o mundo. Poristo 
elle jà dessà o sacramentos né sua Santo Mai de Igreija, 
que nossotros nao cahi né peccado, e tendo cahido per 
disgraca, torna nós podé lantà prestadomente com elle 
sua graca e favor, e ser sua amizades. 

Vidèaquél, que hora nossotros tem tentado de o diabo, 
de o carne e de o mundo, nós miste alembrà presto- 
mente todo este cóusas, e miste pedi e supplica com o 
coragao humildo e repentado o protecgào e juda de 
Deos. E si percaso nossotros jà cahi né peccado, nos- 
sotros miste fazé subitomente hum confesso sinceiro e 
enchido com dor e margura de o coracao, e toma o 
Santissimo Corpo de nossa Redemptor, quem tem hum 
judanga e remédi per todo o nistades e dovencas de 
nossa alma. 

IL Segundomente, per dà hum testimunho por Nossa 
Senhor, nós tem obrigado per segui elle sua exemplo, 
praticando o virtudes e bom obras que elle jà pratica; 
vidèque este tem o herdanca que elle jà dessà per nos- 
sotros per ser sua imajo e verdadeiro discipulos. Poristo 
elle mésmo té ensinà fallando: cNué cada huma quem 



198 



té falla per mi, Senhor, Senhor, que lo entra né o reyno 
de céos, mas elle quem té fazé o vontade de minha Pai. 
E quem seja que té ouvi este minha palavras e nùcu 
fazé o mésmo, elle lo ser egualado per hum home dòdo, 
quem jà concerta sua casa sóber o aria. E o chuva jà 
cahi, e o cheia jà vi, e o vento jà suflfrà, e jà dàji sóber 
aquél casa, e aquél jà cahi, e grande tinha sua cahida. 
Cada hum albre que nùcu dà bom fruita, lo tem cortado 
e pinchado né fogo». E assi tem escrividó de S. Paulo: 
aNué ouvidors de o lei quem tem justo diante de Deos; 
mas o obradors de o lei lo ser justificado. E o Apostolo 
S. Jacobo assi té falla: «Minha irmàos, si hum home 
té falla que per elle tem fé, e nuntem obras, que pro- 
veito lo ser de aquél ? Podé assilei fé salva per elle ? Si 
hum irmào ou irmana tem nò e nuntem o comer de 
cada dia, e huma de vossotros lo falla per ellotros: Andà 
em paz, séja quente e enchido, e nùcu dà còusas que 
tem nistade per o corpo, que lo proveità de aquel ? Assi 
tambem fé, nao tendo obras, né si-mésmo tem morto. 
Parque, comò o corpo sem o espirito tem morto, assi 
tambem fé sem obras tem morto». 

Todo este còusas té mustrà clarmente que per vive 
conforme de o lei de Christo e per ganhà o salva^ao, 
nuntem basta per falla com boca: Eu tem hum christao, 
eu té ama per Deos sòber todo o còusas; porque assi 
tambem o judeos tinha papià, fallando: «Per nòs tem 
Abrahao per nossa Pai»; mas nem todo ellotros jà salva. 
Poristo miste pruvà com bom obras e com o exercicio 
de virtudes, que verdadeiromente Deos té mora né nossa 
cora^ao e que nossotros té gardà fielmente elle sua 
mandamentos. 

Sem duvidanca, tinha basta per nossa redempcao que 
o Filho de Deos tinha sacrifica sua corpo per nossa 
causo, e nuntinha nehum nistade per dà exemplo. Mas 
comtodo per fazé lichim per nossotros o caminho de o 
céos, elle nao so ensinà, mas tambem jà mustrà fazindo 
aquél còusas que tinha ensinà. Elle jà ensinà per ama 



J99 

per o enimingos, e elle mésmo jà pedi né o cruz per 
o Pai per elle sua algosos. Elle jà ensinà per perdoà 
per o injurias e offencias, e elle mésmo jà perdoà multo 
grande peccadors. Elle jà ensinà per pratica o caridade 
e misericordia, e elle jà pratica este mésmo né todo 
sua vida per hum mil modos, fazindo muito milagres 
e tomando bastanto incommodos. Assi elle jà ensinà 
com sua palavra e exemplo per ser humildo, casto, 
brando, paciente e per possibé ótro virtudes. 

Vidèaquél vossotros tambem fazé assi mésmo, e vos- 
sotros lo ser elle sua verdadeiro discipulos e lo fica feliz 
e venturoso. Assi seja. 

DOMIHGA I DEPOIS DE PEHTECOSTES 
Sobre a SS. Trindade 

Euntes docete omnes gentes, baptijantes eos in 
nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sanati. 

«Ande vossotros e ensinà per todo na9aos, bau- 
tizando per ellotros né nome de o Pai, e de 
o Filho, e de o Espirito Santo». 

Math., XXVIII, 19. 

Né este dia, amada irmaos, o Santo Mai de Igreija 
té fazé festa de o grande mysterio de SS. Trindade: 
mysterio este que tem o funda9ao e alicerce de nossa 
santo religio, vidèquél si nossotros nùcu reconhecé e 
ere per este mysterio de SS. Trindade, nossotros num- 
podè entindé e esplanà o mysterios de nossa Redemp^ao 
e de Encama^ao de o Filho de Deos. Poristo né evan- 
gelio de hoje Nossa Senhor Jesus Christo papiando com 
sua discipulos té falla: «Todo poder tem dado per mi 
né céos e né terra. Vidèaquél andà vossotros e ensinà 
per todo na^aos de este mundo, bautizando per ellotros 
né nome de o Pai, e de o Filho e de o Espirito Santo. 
Ensinando per ellotros per observà e gardà fielmente 
todo cóusas queseja que eu jà ordina per vossotros; e 



200 



olhà, eu sempre tem com vossotros até o cabo de o 
mundo». 

Este té entindé que nossotros tem obrigado per ere 
com todo firméza, sem duvidanca, todo aquél verda- 
des que Nossa Senhor té ensinà per mèo de sua dis- 
cipulos e ministros, e especialmente que nossotros tem 
obrigado per eredità e ser bautizado né nome de SS. 
Trindade, que quer dizé, que té existé bum so Deos 
né o natureza, virtude e operacaos; que né mésmo té 
existé tres pessons distincto, eterno, egualmente per- 
feito; que o Filho tem gerado de o Pai desde etemi- 
dade, e que o Espirito Santo tem procedido de o Pai 
e de o Filho, egualmente de todo o eternidade. Assi tem 
ensinado de Deos, quem nùcu nao arra, nem podé en- 
ganà, vidèque Deos tem o mésmo verdade. E si nosso- 
tros té acceptà e eredità aquél eóusas que ótro homes 
té falla per nossotros, com mais grande fórca e rezao, 
assi tem escrevido de S. Joao, nós miste ere e confià 
né eóusas que Deos té manifesta per nossotros. 

Vidèaquél vamos nós considera hoje tocando o amor 
de Deos Pai per nossotros né nossa crea^ao, o amor 
de Deos Filho né nossa redempcao e o amor de Deos 
Espirito Santo né nossa santifica^ao. 

I. E primeiramente, Deos Pai jà ama per nossotros 
né nossa crea^ao ansque todo ótro creaturas. Nossa pais 
e ótro homes jà ama per nossotros despois que. nós jà 
nasce, despois que ellotros jà con'eé per nós; mas Deos 
jà ama per nossotros antes de nossa existencla, antes de 
existencia de nossa pais, antes de creacao de o mundo. 
E que tanto tempo antes? Nué hum cento annos, nué 
hum mil de annos, mas desde eternidade, desdeque Deos 
tem Deos, vidèque elle sempre jà lembrà per crea per 
nossotros ànter astanto ótro homes que elle podia crea. 
Assi Deos jà escolhà e jà ama per nossotros desde eter- 
nidade, e per nosso causo elle jà fazé este mundo e todo 
eóusas bunito e proveitado que tem né aquél, per ma- 
nifesta este modo sua grande amor per nossotros e per 



201 



alembrà que nossotros tem obrigado per mustrà nossa 
gardecimento per nossa Creador e Pai. Poristo S. Au- 
gustinho papiando com Deos assi tinha falla: tO céo e 
o terra e todo ótro cóusas té falla per mi per ama per 
vós». E S. Maria Magdalena de Pazi, tocando com o 
mao né bum fula ou fruita, assi tinha costuma per pa- 
pié: «Minha Deos jà lembrà desde eternidade per fazé 
este fula, este fruita, que eu podé ama per elle». 

E que tempo, vide o peccado de nossa primeiro pai 
mai, o céos tinba fichado per nós e nós tinha condinado 
per o enferno, Deos Pai jà manda per sua amado e so 
Filho né mundo per nossa causo, que elle morrendo né 
bum Cruz podia livrà per nossotros de o captividade de 
o diabo e per leva per nossotros per o reyno celestial. 

E olbà o especial favor que Deos jà mustrà chomando 
per nossotros né verdadeiro religio, que tem o religio 
catbolico, e alembrà que elle jà dà este grande beneficio 
de verdadeiro fé, e ótro favors e gra^as espiritual, mas- 
que elle tinha sabé que nossotros lodia fazé mal usància 
commetindo peccados e offendindo bastanto vez per elle. 

II. Segundomente, vamos nós considera o amor de 
Deos Filho né nossa redempcao. Vossotros té sabé bem- 
feito que nuntem mais grande amor do que per sacrifica 
nossa Vida per amizades. Mas o Filho de Deos, Deos 
verdadeiro e infinitomente perfeito, jà fazé muito mais 
per nossotros, quem tinha elle sua enimingos e servi- 
dors rebeldo e desgardecido; vidèquél olhando per nossa 
meseria e ruina^ào, elle jà discende de o céos né terra 
e fica feito comò huma de nossotros; e vivendo ànter 
homes hum vida humildo e basso e enchido com priva- 
9aos e nistades, elle jà fazé todo sorte de beneficios e 
favors, e despois jà morré né hum cruz ànter dós ladraos 
com hum grande criminal per causo de nossa amor! 

Qui cóusa mais podia elle fazé despois que elle jà 
sacrifica né este modo per sua vida e despois que elle 
jà dà sua sagrado Corpo per nossa comeira e beberajo? 
Poristo S. Joao té falla que assi nós té con'cé o amor 



202 



de Deos, vidèque elle jà da sua vida per nós. E S. Paulo 
té crescente que o amor de Jesus Christo té fazé fór^a, 
té rastà per nós que nós té ama per elle. 

III. Terceiramente, deixà-nós lembrà o amor de o 
Espirito Santo né nossa santifica^ao, que tem hum cóusa 
mais precioso, proveitado e bunito né este vida, vidèque 
per mèo de ella nossotros podé alcanna o gloria de céos, 
que tem nossa principal cabo. E o Espirito Santo tem 
dado per nossotros, per mora né nossa alma e per 
quebnà nossa coracaos com o fogo de santo amor. E 
assi elle tinha discido sóber o Apostolos né fórma e 
figura de linguas de fogo. E este sagrado fogo jà dà 
fór9a e capazdade per santos per pratica grande virtu- 
des, per fazé obras espantoso per causo de Deos, per 
ama per sua enimingos, per busca humildade, per des- 
prezà honras e riquézas de este mundo, per abrada final- 
mente com allagria per padecementos, afflicelo e morte. 

Deixà-nós alembrà tambem que todo o lumes, inspi- 
ra^àos, divino chomas, todo o bom obras que nossotros 
té fazé, todo nossa actos de contrÌ9ao, de confian^a né 
divino misericordia, de caridade, de resigna^ào: todo 
este cóusas tem o favors e beneficios de o Espirito 
Santo, quem té travaljà cada sempre per nossa salva- 
cào e per nossa verdadeiro felizidade. 

Agora vossotros jà olhà quetanto todo tres pessons 
de SS.Trindade té ama per nós e que tanto té travaljà 
per nossa amor. E vossotros té sabè bemfeito que o 
amor nuntem pagado fórdè amor. Per repagà o amor 
que hum home tem per nossotros, nós miste ama per 
elle. Assi mésmo, corno tem escrevido de S. Bernardo, 
quando Deos té ama per nós, elle ninquer ótro cóusa 
mais doque ser amado de nós. Poristo S. Joào té falla: 
«Vidèaquél deixà-nós ama per Deos, por que Deos jà 
ama primeiro per nossotros». 

Mas quem té ama verdadeiromente per Deos? Nué 
todo o pesson quem té falla com boca: eu té ama per 
Deos; mas comò tem ensinado de nossa Salvador, aquél 



203 



home quem té observà e gardà fielmente per elle sua 
mandamentos, justo assilei hum home té ama per elle 
verdadeiromente. Vfdèaquél vamos nós ama este modo 
per nossa Deos, praticando o virtudes e fugindo o pec- 
cado. E assi nossotros lo ser feliz e venturoso per 
sempre. 

DOMIHGA Y DEPOIS DE PEHTECOSTES 
Sobre o peccado mortai 

Qui dixerit fratri suo, fatue, reus erit gehennae 

ignis. 
"Quemseja que lo falla per sua irmao, vós dòdo, 

lo ser né perlgo de o fogo de enfemo». 

Math., Y, 33. 

Bastanto homes tem né mundo quem té entendé que 
o peccado mortai nuntem hum grande mal, hum grande 
offenda, e poristo ellotros té commetà todo sorte de mal- 
dades e té quebrà todo o mandamentos de Deos ; e com- 
todo ellotros té eredità que hum dia ellotros lo entra né 
o reyno de ceos. Mas este nué verdade, este tem virado; 
vidèque Nossa Senhor Jesus Christo né evangelho de 
este domingo té ensinà que aquel home quem té falla 
per ótro home com desprezo e raiva : vós tem hum dòdo, 
estelei home lo ser né perigo de padecé etemomente o 
tromentos de o fogo de enferno: Qui dixerit fratri suo, 
fatue, reus erit gehennae ignis. Este palavras té mustrà 
clarmente que hum peccado grave, seja que de pensa- 
mento, ou de lingua ou de obra, tem basta per nos- 
sotros per ser condinado per aquél terrivel castigo que 
Deos jà prepara per sua enimingos. 

E este cóusas nummisté nehum modo espantà per 
nossotros, si nossotros Io considera importadomente que 
cóusa tem hum peccado mortai. Hum peccado mortai, 
conforme tem ensinado de S. Augustinho e S.Thomaz, 
tem hum viola^ao e quebramento de lei eterno, hum 



204 



offenda que hum creatura té fazé per sua Senhor, hum 
injusto rebelliao que hum home té lantà contra sua rey, 
quem tem Deos, per sujeità e obedecè per hum tyranno 
cruel, quem tem o demonio. Quemseja que té commetà 
hum peccado mortai, elle té fazé hum mal, que tem 
unico verdadeiro mal, hum mal astanto grave, que nos- 
sotros numpodé con 'ce enteiromente per sua gravidade. 
Commetindo hum peccado, o home té fazé hum socie- 
dade com o enferno, assi té papià o propheta Isàias, té 
desobedecé per Deos, té insulta per Deos e comò té 
falla S. Paulo, torna té crucificà per Jesus Christo. 

Vidèaquél, sendo este hum verdade, té fica dar que 
Deos té odia e abhorrecé per o peccado, e astanto' té 
odia e detesta per o peccado, que *tanto elle té ama 
per si-mésmo; porque o amor com que Deos té ama 
per si-mésmo, tem o rezao e o medida de elle sua odio 
e abhorcimento per o peccado. E primeiromente, que 
modo Deos té ama per si com hum amor etemo sem 
nehum nimitacao de tempo, e nùcu fica hum minuto 
sem ama per si-mésmo; este mésmo modo elle té abhor- 
recé per o peccado com odio etemo, e nao para hum 
minuto, hum segundo, sem odia per o culpa. Segundo- 
mente, quilei Deos té ama per si-mésmo com hum amor 
astanto necessario, que per elle sempre tem nistade per 
ama sem para nehum tempo; assi elle té odia per o pec- 
cado com odio necessario e elle numpodé dessà per odia. 
Terceiromente, quilei Deos té ama per si-mésmo com 
amor infinito e numpodé amd com mais fórca, este 
mésmo modo elle té abhorrecé per o peccado com odio 
infinito e numpodé odia mais. 

Assi tem ensinado de o doutors de Santo Mai de 
Igreja, e o sagrado Escriptura tem enchido com exem- 
plos que té mustà clarmente o odio que Deos tem per 
o peccado. 

Cando Lucifer, o mais bunito ànter o anjos, jà re- 
bellà cónter Deos com soberba e né sua rebelliao jà 
rastà com si terceiro parte de anjos, Deos, irritado com 



205 



este atramento, jà lan^à né hum instante per ellotros 
né o enferao. E cando Adao e Eva jà pecca per deso- 
bedencia, Deos jà priva subitomente per ellotros de o 
santidade e gra^a e jà bota fora de o paraiso de deli- 
cias. Assi tambem Deos jà castiga com eterno morte 
per Caino, quem tinha matado per sua irmao, e jà fuga 
né aguas de diluvio per o humano gera9ao vide o pec- 
cados dé'Xarne, e jà fazé per cahi chuva de fogo sóber 
Sodoma e ótro cidades de Pentapole. Cento e mil ótro 
castigos té parcé né Bible que Deos jà manda né pena 
de o delictos e maldades de homes. 

E este cóusas que jà suste per aquél ótros, miste 
servi per nossa ensinamento e bom vida, vidèque si 
nossotros tendo commetido astanto peccados e malda- 
des, Deos nùcu manda sóber nós huma de aquél ter- 
rivel castigos, nossotros nummisté lembrà que Deos 
jà muda; Deos nùcu muda, sempre tem mésmo; mas 
miste sabé que tanto elle té esperà com paciencia, as- 
tanto mais forte e rigoroso lo ser nossa julga^ao. Si 
nossotros té dessà per passa agorra, sem carta fruito, 
este tempo que elle té concede né sua grande meseri- 
cordia per nossa repenta^ao e rependimento, depois lo 
vi o tempo de elle sua justi9a, o tempo per toma conta 
de nossa fazers e obras. E si aquelhora elle lo achà 
algum macula ou deslimpeza de peccado mortai né 
nossa consciencia, nossotros certo lo fica perdido sem- 
premente. 

Vidèaquél deixà-nós travaljà cando tem tempo bom 
e proveitado; deixà-nós travaljà cando tem dedia; par- 
que despois lo vi anoute, e nós nada podé travaljà to- 
cando nossa salva^ao, mas miste parcé diante de o tri- 
bunal de Deos julgador, oflfendido com nossa culpas. 



206 

DOIIRGi YI DEPOIS DE PEMTECOSTES 
Sobre a esmola 

Misereor super turbam, quia eccejam triduo 
sustinent me, nec habent quid manducent. 

«Eu tem piadade per o multidSo, vidèque 
agorra tem tres dias que ellotros tem com 
mi, e nuntem nada per come». 

Marc., vui, a. 

O evangelho de este dia, amada irmaos, té falla to- 
cando o grande e espantoso milagre que Nossa Senhor 
Jesus Christo jà fazé né deserto e que tem chomado o 
multiplicagào de paos. Elle tinha piadade per o multi- 
dao, vidèque ellotros tinha fome, e com sete paos e 
album pequinino pécis namais elle jà dà per come per 
ellotros, quem tinha perto cinco mils; e ellotros Jà fica 
enchido e jàfoi sua casa. E de o padàs que tinha su- 
biado jà fica juntado sete pétis. 

Este tem hum exemplo que Nossa Senhor té dà per 
nossotros e que té ensinà que nós tem obrigado per so- 
corà e per judà per nossa prosmos; que nós tem obri- 
gado per dà esmola per hum pesson quem tem nistade; 
que nós tem obrigado per dà per come per quem tem 
fome, per dà per bebé per quem tem secura, per vesti 
per quem tem nò, per visita per o doentes, per conselà 
per o tristes e per pratica todo o sorte de obras mise- 
ricordioso. 

Vossotros té sabé bemfeito que Deos podia fazé richo 
todo homes ou fazé pobre todo homes. Mas elle jà fazé 
alhumas richo, alhumas pobre vide o proveito e avan- 
tajo assi de richos, comò de pobres: de richos, que ello- 
tros podé dà esmola e exercé caridade, e assi ganhà 
multo fruito e mercimento, e alcan9à o perdao de sua 
peccados. E Deos jà fazé pobres e coitados, que ello- 
tros podé ser humildo e brando e pratica virtudes les- 



207 



temente, e assi ganhà hum grande premio né céos, des- 
pois que ellotros jà suffri priva9aos e miserias per pòco 
tempo né este mundo. 

Mas Deos jà dà mandamento per richos per socorà 
e judà per o pobres né ellotros sua nistades. Nossa Sal- 
vador té ordina, fallando: «Dà esmolas de muito cóusas 
que tem per vossotros, e todo cóusas tem limpo per 
vossotros». E S. Joao assi té declarà: «Per quemseja 
que tem o bens de este mundo, e té olhà que sua irmào 
té suffri nistade, e ainda té fichà per elle o entranhas 
de sua piadade, quilei podé o amor de Deos mora né 
elle? Si hum home té falla: Eu té ama per Deos, e té 
abhorrecé per sua irmao, elle tem hum mentroso, vi- 
dèque elle quem nùcu ama per sua irmao, quem elle 
té olhà, quilei podé elle ama per Deos, quem elle nùcu 
olhà? E este tem o mandamento que Deos té dà per 
nossotros, que elle quem té ama per Deos, miste ama 
per sua irmao tambem. Mas nunimisté ama né palavra 
nem né Ungo; este nuntem proveitado; mas miste ama 
né obra e né verdade». 

Né este modo per quemseja que tem muito fazendo, 
elle tem obrigado per dà muito per o pobres, e per 
quemseja que tem pòco, elle tem obrigado per socorà 
comforme elle podé, per aquél pesson quem tem mas 
pobre do que elle. E aquél home quem assi lo fazé, 
Deos lo paga per elle cento vez mais, Deos lo fazé mais 
feliz e venturoso per elle, e lo perdovà per elle sua pec- 
cados. Cando o richo té andà coupado com sua riquézas 
e fazendos e té lembrà pòco né sua alma e né sua sal- 
varlo, aquélhora o pobres per quem elle té dà esmola, 
té pedi e ora per elle, e o oracao de pobre tem muito 
agradado per Deos. 

Ne o velho tempo tinha hum rey chamado Nabucho- 
donozor. Este rey despois que elle jà commetà bastanto 
maldades e mafatrias, tinha vontade per fazé peniten- 
cia. Aquélhora o prophetà Daniel assi jà falla per elle: 
«Minha rey e senhor, Deos tem muito irado contra vòs. 



208 



e elle té prepara grande castigos per vós; poristo ouvi 
minha conselho, e limpà vossa peccados e iniquìdades 
fazindo esmolas e obras de misericordia •. 

E aquél santo home quem tinha Tobias, dando bom 
ensinamento per sua filho, assi tinha papià per elle: 
«Minha amada filho, hum quinhao de vossa fazendo dà 
per esmola, e si vós té olhà per hum pobre, nao vira 
vossa rosto né ótro banda sem Judà per elle; e si vós 
lo fazé este modo que eu jà falla per vós, vós lo ganhà 
hum grande thesouro né dia de necessidade». 

E este dia de necessidade tem o dia de julga^ao, vi- 
dèque né este dia o Filho de Deos lo falla per aquél 
homes quem lo ser né su mao esquerda: «Sahi de mi 
maldicoados per o fogo eterno preparado per o diabo; 
porque eu tinha fome, e vossotros nùcu dà par mi per 
come ; eu tinha secura, e vossotros nùcu dà par mi per 
bebé; eu tinha nò, e vossotros nùcu dà par mi per vesti:» 
Aquilhora ellotros lo pruntà per elle: «Senhor, quehora 
nós jà olhà per vós fome ou secura ou nò, e nùcu dà 
per come, ou per bebé, ou per vesti per vós?» Aqui- 
lhora elle lo repostà, fallando: «Astanto que vossotros 
nùcu fazé este cóusas per minha pobres, vossotros nùcu 
fazé aquél par mi». 

Este palavras té mustrà clarmente, amada irmaos, 
que o esmola que nossotros té dà per o pobres, nosso- 
tros té dà tambem per nossa Redemptor, quem té pedi 
per nós com boca de o pobres e coitados; e si nossotros 
nada dà esmola per ellotros, nossotros lo fazé hum 
grande offencia per nossa Senhor. 

Vidèaquél si nossotros ninquer ouvi este sentencia 
de condinacao, deixà-nós fazé caridade e misericordia, 
deixà-nós ama per nossa prosmo com bom obras. E si 
assi nós lo fazé, nós lo ouvi aquél palavras que nossa 
julgador lo falla per homes quem lo ser né su mao 
dreito: «Eu tinha fome, e vossotros jà dà par mi per 
come; eu tinha secura, e vossotros jà dà par mi per 
bebé; eu tinha nò, e vossotros jà dà vestido par mi. 



209 

Poristo vi bemdìtos de minha Pai, recebé o reyno de 
céo preparado per vossotros; porque aquél cóusas que 
vossotros jà fazé per pobres, vós jà fazé aquéls par mi». 
Assi seja. 

DURASTE i HOYEHi DE ROSSA SEHHORA DA BOA lORTE 

Sobre a imitarlo de Maria Santissima 

Speculum sine macula Dei majestatis, et 

imago bonitatis illius, 
«Espelho sem macula de o majestade de 

Deos e imajo de eUe sua bondade». 
Sip., vu, 26. 

Ànter muito nomes com que o Santo Mai de Igreja^ 
quem iem nossa ensinadeira quem nunca ard, té chomà 
per Maria SS., alla tem bum nome — espelho de justi^ia: 
Speculum justitiae; que quer dizé: espelho de todo o vir- 
tudes. Conforme tem escrevido né o livro de propheta 
Malachias, Deos namàs tem o sol de justicia; mas com- 
todo, sendo que Virgem Maria tem enchido com gra^a e 
favors mais doque todo ótro creatura, ainda mais puro, 
e sendo que ella té communicà per nossotros sua vir- 
tudes, ella tambem tem chomado de o Igreija espelho 
de justicia. E assi hum Santo Padre papiando de Vir- 
gem Maria, té declarà que ella tem bum imajo muito 
perfeito de o sol divino; e ótro hum santo home, quem 
linha grande devoto de este Rainha de os anjos, té 
choma per ella hum vivente imajo de o Creador de 
céos e de terra. Santo Thomaz, quem tinha hum grande 
doutor, té falla tocando o grandeza de Virgem SS., que 
Deos jà concerta per si-mésmo hum espelho mais bri- 
Ihante doque todo ótros, e quem sua puridade tem as- 
tanto grande, que fórdè Deos, nós numpodé ascertà 
ótro mais bunito; e este espelho tem Virgem Maria. E 
S. Bernardo, ótro doutor, té falla que Deos jà fazé per 
ella hum imajo de toda sua perfeÌ9aos. Assi, doms de 



2IO 



lodo o virtudes e gra^as tem dado per Maria SS. sem 
nehum nimita^ao. O Espirito Santo tem communicado 
per ella inteiromente; e de este plenidao tem espitual- 
mente alimentado e fortificado todo pesson quem querré 
carta sua fruito. 

Vidèaquél, si nossotros té desia que nossa coracaos 
seja sandido com verdadeiro piadade per este purissimo 
Virgem; si nossotros té desia per achà ella sua protec- 
^ao e judan^a né todo nossa nistades; si nossotros té 
desia per gozà e possibé ella sua compànha né o reyno 
de céos, nós miste travaljà per con' ce e imita per ella 
sua virtudes né nossa vida. 

Bunito hum cóusa tem per offercé per Maria SS. 
nossa coracaos e per mustrà per ella nossa affecto; 
bunito hum cousa tem per allegra com o grandéza e 
dignidade de este Virgem Immaculada; bunito hum 
cóusa tem per invoca per sua santo nome; mas com- 
todo si nuntem juntado per todo este o imita^ao de ella 
sua virtudes, nossa devo^ào e piadade lo ser vao e des- 
fruitoso. Assi té ensinà S. Augustinho, fallando que si 
hum pesson quem té dd louvors e honras com boca, 
sem nùcu imita per ella sua virtudes e bom calidades, 
este assi hum pesson tem hum fingidor ou enganador. 

Poristo olhando per este espelho, que tem Virgem 
Maria, vamos nós prende com ella comò o servidor 
nistà obedecé, comò o soberbo nistd ser humildo, e o 
deslimpo e deshonesto nistà vive castomente. .Né este 
espelho o momo lo prende per achà o santo quen- 
tura que miste concebé né sua espirito; o home irado 
lo prende per achà o brandura per adorna sua coracao ; 
o home impioso ou malvado lo prende o piadade que 
miste pratica; o enganador lo prende o justicia que 
miste observà; finalmente cada huma lo achà hum ca- 
minho per vive santomente, per alcancà o celestial feli- 
zidade, seguindo per o exemplo de Virgem Maria. 

Deos ensinando per Moisés o modo per concerta 
o vasos per o tabernaclo, seguidomente jà crescentà: 



211 



«Olhà imponadomente e fazé conforme per o model 
que tinha mustrado per ti né o montanha». Que modo 
Deos jà falla per Moisés, assi mésmo nós miste lem- 
brà que Deos té falla per nossotros, mostrando sua 
Mae per nossa model, porque, comò té ensinà S. Am- 
brosio, Nossa Senhora tem o regra de vida per o 
christaos. 

E quilei per o povo hebreu, quem sahindo de Egypto 
tinha andà caminho de deserto, tinha hum columno de 
nùvè dedia e hum columno de fogo de anoute, per mus- 
trà caminho per ellotros, este mésmo modo Maria SS. 
tem hum columno de nùvè luminoso per o povo christao 
né peregrina^ao de este mundo. 

Vidèaquél miste considera importadomente quemodo 
e que tempo principalmente nossotros tem obrigado per 
imita per Virgem Maria. Tocando este ponto, assi tem 
escrivido de hum grande doutor. Si percaso té suste 
que vossotros tem tentado cónter o castidade, olhà pres- 
tomente per o imajo de Maria SS., e certomente lo 
nasce né vossas espirito o estima9ao que este Rainha 
de o virgems tinha per o virginidade. Si percaso té 
suste que vossotros tem tentado de o fraquézas né 
cousas contrairo, olhà subitomente per o imajo de Ma- 
ria SS., e presto vossotros lo fica alembrado de este 
grande Rainha de o martyrs, quem impido perto o 
Cruz com perfeito resignacao tinha conformado com o 
vontade de Deos, e ella lo dà per vossotros hum forte 
consola^ao. Si vossotros tem tentado né o fé ou né o 
firméza né mèo de persegui^aos e calamidades de este 
Vida triste e penado, olha prestadomente per o imajo 
de Maria SS., e vossotros lo fica alembrado quilei este 
Rainha de o Apostolos tinha conforta com su presencia, 
doutrino e bom exemplo per o primeiro christaos, e 
mésmo modo ella lo conforta e dà fór^a per vossotros 
né vossas afflicaos e padecementos. Finalmente, si pu- 
caso vossotros tem enrodiado com todo o nistades e 
tristézas de o alma, olhà lestemente per o imajo de 



212 



Maria SS., e toma hum resolucao per fazé todo o cou- 
sas que ella jà fazé, per imita ella sua humildade, man- 
sidào, paciencia, castidade e todo ótro virtudes. 

Este tem, minha irmaos, o modo per imita e segui 
per nossa Mai Virgem Immaculada. E si vossotros assi 
lo fazé, podé fica certéza que vossotros lo achà hum 
grande premio e muito proveito; vidèque assi té falla 
o Mai de Deos: «Quemseja que lo achà par mi, este 
lo achà o vida e lo alcancà o salvacao de o Senhor». 
Este té intindé qui quemseja que té ouvi per Virgem 
Maria e segui per ella su exemplo, aquél Io achà hum 
vida enchido com graca e doms né este valle de làgris, 
e lo alcanna né outro mundo hum gloria que nada cabà. 
Assi seja. 



DOIIHGA TIII DEPOIS DE PEHTECOSTES 

Sobre Nossa Senhora da Boa Morte 

Redde rationem villicationis tuae;jam 
enim non poteris villicare, 

«De hum conta de tua servi^os; por- 
que tu mais nada ser dispenseiro». 

Lue, XVI, 2.. 

Amos nossa razao e o doutrino catholico, amada Ir- 
maos, té ensinà que despois de o vida de este mundo, 
que té cabà prestomente, nós lo achà hum outro vida, 
que lo dura sempremente: hum vida de etemo gloria 
per bom homes, e hum vida de etemo condina^ao per 
homes quem tem peccadors. Que tempo o alma de hum 
pesson té fica separado de elle sua corpo, aquél mésmo 
hora Deos té parcé e santa né sua tribunal; elle té 
chomà per este alma e té pedi conta de todo sua vida. 
Redde rationem villicationis tuae: dà hum conta de tua 
servico; vidèque agora nué tempo de misericordia e de 
piadade, o misericordia jà cabà per ti ; agora tem tempo 



2l3 



de minha justicia e de rigoroso julga9ao : jam enim tion 
poteris pillicare. E o julgador lo examinà importado- 
mente o consciencia de este pesson e lo pruntà per elle 
que fruito elle ja carta de todo o tempo, de sua gra9a, 
de sua sacramentos, de requézas e honras, e de ótro 
doras e favors que elle jà concede per aquél né todo 
sua vida. E si elle lo achà hum macula, hum deslim- 
péza de peccado mortai, elle lo condinà certomente per 
aquél per padicé e sufFri tromentos né compànha de 
o diabo, e assi elle lo papià per sua ministros: «Mara 
per elle, maos e pés, toma elle daqui e lan^à per elle 
né uscuridade de fora; ala lo tem pranto e morder de 
dentes». 

Mas si Deos, nossa julgador, nada ascertà nehum 
peccado né aquél alma, elle lo falla per ella: «Tu tem 
minha amizade, tu jà gardà minha lei e doutrino né 
mundo; vi agora recebé o reyno de céos, que eu jà 
fazé leste per ti. 

Vidèaquél, amada irmaos, qui cousa miste fazé per 
alcancà hum bom sentencia né nossa favor e per ganhà 
o céos? Vossotros té sabé bemfeito que miste ascertà 
hum bom morte. Aquél home quem jà fazé hum vida 
todo santo e mortificado e conforme de o mandamentos 
de Deos per bastanto annos, si aquelhora de morte elle 
té cahf né hum peccado mortai namais, elle lo fica eter- 
nomente ruvinado. Mas ótro huma quem jà commetà 
bastanto peccados e oflfencias contra Deos, si aquelhora 
de morte elle té concebé hum verdadeiro dor e té re- 
pendè de sua peccados, elle lo ser herdeiro de gloria 
celestial. Assi vossotros té olhà que morte tem hum 
cóusa de grande importanza, e que nossotros miste tra- 
valjà cuidadomente per alcanzà hum bom morte. Mas 
que modo per nós podé tem hum bom morte, sem grande 
judanca e defencia, sem huma grande e poderoso pro- 
tector? Olhà, minha irmaos, que Deos jà dà per nos- 
sotros este protector, quem tem Nossa Senhora de Boa 
Morte. 



214 



Vidèaquél vamos nós considera né este dia, que tem 
consagrado per o festa de este Senhora, primeiromente 
que per nós tem grande nistade de jùda né bora de 
morte, e segundomente que Maria SS. té dà este jùda 
e proteccao per sua devotos. 

Amada irmaos, todo nós lo morré certomente hum 
dia. Nuntem ala hum pesson astante dòdo quem té lem- 
brà que elle nada morré. Lo vi bum dia, e né este dia 
nós lo ser obrigado per dessà nossa casa, nossa riqué- 
zas, nossa bonras, per abandonà nossa parentes e nossa 
amizades, per larga este mundo com todo sua bunitézas 
e vaidades. Mas cando este morte lo vi, aquél nós nao 
sabé, aquél tem bum segredo de Deos. Hum pequenino 
dovensè, bum febre, bum quebramento de nervo, bum 
cabida tem basta per ranca nossa vida. E que tanto 
bomes quem tem saude, té morré subitomente né bum 
péstia, né bum tremedura de terra, né bum naufragio? 
E o mésmo nossa Salvador té falla que né bum bora 
que nossotros nùcu lembrà, elle lo vi per toma nossa 
conta e fazé nossa julga^ao. 

Agorra deixà-nós lembrà né nossa espirito bum bome 
estendido né sua cama de dor e pena, de onde elle nada 
irgui, vidèque elle sua doenca tem grave e mortai. Elle 
tinba bum bome bemfeito concertado, bunito, copaz, 
cizo, ricbo, muito bonrado e estimado. Mas agorra que 
té suste? Elle sua corpo tem bastanto fraquéza, todo 
sua membros tem muito afBictado, elle sua doenca té 
fica muito téso e penado, elle sua cabéga tem cabido 
né bum bando, elle sua rosto tem murcbado, elle sua 
olbos tem mèo aberto, elle sua bei<;os tem marello, 
elle sua respiragao tem muito difficultado, elle sua pulso 
tem muito fraco; elle nuntem copaz per mova sua corpo 
de bum bando per ótro; elle nao consce o gentes quem 
té vi per visita per elle, elle numpodé ungli coméria, 
elle numpodé papià muito. Os méstris té falla que elle 
nada fica curado, que o bora de elle sua morte tem 
perto. 



2l6 



Mas ainda mais grande tem o doenca de elle sua alma 
quem té fica todo troublado e temeroso. Elle sua enten- 
dimento tem uscuro; elle sua memoria tem virado; elle 
sua vontade nuntem fór^a. Si elle té lan^à sua olhas 
né su vida mais diantado, elle té olhd clarmente o ma- 
tancas que elle jà commetd, o ruba9aos e ladrovi^as 
que elle jà fazé, o peccados féo que elle jà pratica, e 
todo ótro sorte de peccados e ofifencias cónter Deos, 
cónter o prosmo e cónter si-mesmo; e elle té fica com 
grande meido e tremedura. Si elle té olhà per que tem 
per VI, elle té sinté sua perto sua terrivel julga^ao e 
pódeser elle sua condina9ào, e elle nao sabé que lem- 
brd, que falla, que fazé ; parque aquél tempo *elle tem 
quilei bum home quem jà cahi né màra troublado ou né 
bum fomalha de fogo ardente. O diabo, quem, comò 
té falla S. Fedro, té enrodià per nossotros per ungli 
durante nossa vida, aquèlhora de morte té travaljà com 
mais fórca e importanza; elle té chomà ótro sua cam- 
brados, e todos juntado té fazé bum grande bacladura 
cónter éste home, quem nuntem forte per resistè per 
ellotros sua tentacàos, vidèque elle sua espirito e corpo 
tem muito fraquéza. Aquèlhora elle té fica meido e es- 
pentado, e elle té falla né sua cora^ao: Oh! eu tem bum 
home desventuroso e coitado! Eu jà perde o tempo de 
minha vida, e agora nuntem mais tempo par mi per 
alcancà o perdao de minha peccados, que tem muito 
grande. Deos tem muito irado per causo de minha cul- 
pas e iniquidades, e agor miste larga per o mundo e 
parti per eternidade; e eu nao sabé si eu lo ser salvado 
ou condinado. Quem tem capaz per socorà e per judà 
par mi né este minha afflic^ao e miseria? Quem tem 
capaz per dà consola^ao per minha espirito troublado 
e per socegà e branda o ira de Deos? 

Assi minha irmaos, o bora de morte tem bum tempo 
de grande meido e perturbarlo. Si aquèlhora nós lo 
podè ascertà bum protector, bum intercessor muito po- 
deroso, nós lo cabà felizmente nossa vida né graca e 



21Ò 



favor de o Senhor, e nós lo ser venturoso per sempre. 
Vidèaquél vamos nós agor olhà quilei Nossa Senhora 
de Boa Morte té judà e protegè per sua verdadeiro ser- 
vidors. 

Vossotros té sabé bemfeito que o morte tem o efifeito 
de o peccado que nossas pai mai Adao e Eva jà com- 
metà né paraiso, que todo o home quem té nasce com 
peccado originai, miste tem basso o lei de morte. Mas 
Maria SS. nuntinha nehum macula de peccado, ella 
tinha immaculado né sua ConceÌ9ao; poristo té parcé 
dreito que ella nadia morré. Mas comtodo Deos querria 
que Virgem Maria tinha similhante per ella sua Filho, 
e que modo sua Filho tinha morrido, assi mesmo tinha 
justo per ella per morré. Mais hum rezao tem que Deos 
jà querré dà hum model e exemplo de santo e feliz hum 
morte per homes justo. E verdadeiromente, que tanto 
venturoso, santo e agradado tinha ella sua morte! 

Depois que ella sua Filho jà subì per céos, ella jà 
para né mundo per sisté per o discipulos, per conselà 
per ellotros né sua persegui^aos, e per conforta per 
travaljà per o gloria de Deos e salvacao de almas. Mas 
ella sua cora^ao tinha né céos; vidèque, comò té falla 
nossa Redemptor, onde tem nossa thesouro, ala tem 
nossa coracao, e Jesus tinha o thesouro de Nossa Se- 
nhora. Poristo ella cadahora tinha desia per andà per 
mora com sua Filho né céos; e cando o anjo Gabrid 
jà vitem per avisà per ella em nome de Deos que ella 
sua morte tinha perto, ella jà fica allagrado e chéo de 
contentamento. 

Aquèlhora o apostolos, quem tinha juntado per sisté 
per ella sua morte, com grande pranto jà falla per ella: 
Virgem SS., antos vós querré larga por nossotrosPVós 
nao alembrà que vós tem nossa mai? Atà agorra vós 
tinhà nossas guiador né duvidan<;as, nossas confortador 
né troublamentos, nossas fór^a né perseguicaos, e vós 
querré larga per nossotros, querré dessà per nossotros 
sem vossa jùda e proteccào né mèo de astanto enemin- 



217 



gos e de astante guerras e bacladuras? Nao, assi num- 
tem justo; dessà-vós para com nossotros ou leva per 
nossotros com vós. E ella jà repostà: Nao, minha 
filhos, assi nué o vontade de Deos; vossotros miste 
para ainde né mundo, e eu miste parti. Mas eu nada 
larga per vossotros, eu té andà per judà e protegé per 
vossotros com mais fórca e effeito né presencia de mi- 
nha Filho; e tóma nós lo ascertà hum dia né paraiso 
celestial per nùcu ser separado. 

Aquèlhora córos de anjos jà descindé né sua morada, 
e né mèo de ellotros tinha sua amada Filho Jesus, quem 
jà comidà per ella per andà ser coroado Rainha de céos 
e Mai de misericordia e Senhora de Boa Morte; e bu- 
nito e melodioso hum cantiga jà ouvi né sua càmber e 
jà parcé hum lume muito brilhante. Né este tempo ella 
sua limpo e santo alma jà larga per o mundo e jà avoà 
comò hum pomba sem macula per santa né throno de 
eterno gloria, de onde, que modo ella jà sisté per o 
morte de sua Filho né Calvàri, assi mésmo ella té sisté 
e conforta e conselà per sua devotos né hora de morte. 
Né ella su presencia o diabos té larga per o home que 
tem per morré, e té fugi longequilei uscuridade té fiigi 
de lume; vidèque, comò té falla S. Joao, ella tem co- 
berto com o sol, o lumàra tem basso sua pés, e hum 
corova de doze estrellas tem né sua cabé^a. Aquèlhora 
aquél home té fica conselado né sua espirito, e com o 
cora^ao gardecido elle té pruntà né si-mésmo: tQuem 
tem este mulher quem té parcé né minha càmber, qui- 
lei o estrella de manhao, fremoso comò o lumàra, esco- 
Ihido comò o sol, terrivel quilei o exercito concertado 
per guerra?» E o Mai de Deos té repostà per elle: «Eu 
tem vossa mai, a Senhora de Boa Morte. Vós jà invoca 
muito vez per minha nome e protecgao né vossa vi da; 
vós jà fazé sinceiromente minha devo^ao; por isto eu 
jà vi correndo per dà fór^a e conforto per vós, e per 
judà per bem morré. Vi, minha filho, nao fica temeroso 
e trublado; larga per este valle de làgris, e vi per re- 



2l8 



cebé né minha compànha o premio de vossa vertudes 
e bom fazers. 

Hum vez per castiga peccados de o povo hebreu né 
deserto, Deos jà manda serpentes de fogo, que jà mourdé 
per muito gentes e jà mata muito pessons ; poristo o he- 
breus tinha repentado, e ellotros jà andà per pedi per 
Moisés per fazé piatória. Aquèlhora Moisés jà ora per 
Deos, e Deos jà ordina per concerta hum serpente de 
bronze e per colloca diante de povo; e todo o pesson 
mordido de o serpente de fogo, quem tinha olhado per 
o serpente de bronze, elle jà fica subitomente curado 
e saude. Este mésmo modo quemseja que lo olhà per 
Nossa Senhora da Boa Morte e té invoca ella sua santo 
nome, elle lo fica curado de su doencas espiritual, elle 
lo vencà sua enemingos e lo alcanna hum bom morte. 

Vidèaquél deixà-nós fazé hum sinceiro e verdadeiro 
devocao de Senhora da Boa Morte durante todo nossa 
vida, deixà-nós mustrà per bom obras que nós tem ella 
sua filhos, e ella lo mustrà que tem nossa amada mai; 
ella lo judà e socorà per nós né nossa nistades e afflic- 
caos, e principalmente né bora de nossa morte; e cando 
Deos lo vi per fazé nossa julga9ao, ella lo falla per elle 
que nossotros tem sua servidors, e ella lo leva per nos- 
sotros per gozà o gloria de céos per todo etemidade. 
Assi seja. 

DOIIKGA XI DEPOIS DE PEHTECOSTES 
Sobre a Haledicencia 

Solutum est vinculum linguae ejus, 
et loquebatur recte, 

«E o maradura de sua lingua tinha 
soltado, e elle jà papià dreito». 
Marc, VII, 35. 

Né evangelho de este domingo o evangelisto S. Mar- 
cos té papià tocando o milagre que Nossa Senhor Jesus 



219 

Christo jà fazé curando per hum home surdo quem tinha 
papié mais diante com gaguea^ao, e poristo elle té conta 
que subtomente sua orelhas tinha aberto, e o maradura 
de sua lingo tinha soltado, e elle jà papié dreito. 

Este home tinha hum desventuroso, parque nuntinha 
capaz per papià dreito. Mas nossotros tem desventu- 
roso, parque nossotros tem capaz per papià, vidèque 
si nossotros tinha mudo sem podé papià, nossotros lo- 
dia evita astanto peccados que nossotros té fazé com 
nossa lingo, que Deos jà dà per nossotros per nossa 
proveito e per falla bom cóusas, mas de que per nossa 
malicia nossotros té fazé mal usancia com murmeracao 
cónter o bom nome e honra de nossa prosmo, e com 
palavras sujo e deslimpo. Per este causo bastanto ho- 
mes té fica condinado per o castigo eterno. 

E certomente murmeracao tem hum peccado muito 
commum e ordinario e sua perdao tem muito difficul- 
tado. Deixà-nós poristo considera tocando este dous 
pontos. 

I. Primeiromente, murmeracao tem hum peccado as- 
tanto commum e frequentado, que quasi todo homes 
té cahi né aquél, e alhumas té cahi muito vez durante 
hum dia. Vidèaquél o apostolo S. Jacobo té falla: tSi 
album home nùcu tropecà né palavras, elle tem per- 
feito e tambem poderoso per governa* enteiro o corpo. 
Olhà nós té bota freios né bocas de os cavallos per 
fazé obedecé per nós, e assi nós té vira sua inteiro 
corpo; olha tambem o naus, ainda que aquéls tem 
grande, e tem levado de forte ventos, comtodo aquéls 
tem governado de hum muito pequinino leme, per onde 
seja que o governador té querré. Assi tambem o lingo 
tem hum pequinino membro, e té gloria de grande cóu- 
sas. Olhà que grande mato hum pòco fogo té queimà. 
E o lingo tem hum fogo, hum mundo de iniquidade; o 
lingo té fazé deslimpo enteiro o corpo, e té infiamma 
o roda de nossa naturéza, e tem simésmo inflammado 
de o fogo de enferno. Ninguem numpodé fazé manso 



220 



o Ungo: aquél tem hum mal que numpodé governa, e 
tem enchido com pe^onha mortai». Assi té falla S. Ja- 
cobo tocando o calidades de lingo, e o doutor de Igreja 
Santo Thomaz té ensinà que per causo de o vicio de 
murmera^ao todo o gera^ào humano tem né perigo de 
perde sua alma. 

Per nossotros tem vergonha, tem meido de Deus per 
furtà, per fica irado, per maltratà e per commetà ótro 
sorte de iniquidades. Mas nossotros nao fica com meido 
ou com vergonha per papià cónter o fama e o honra de 
nossa prosmo, per ruba aquél cóusas que tem mais me- 
Ihor do que o bems e o riquézas, e este cóusa tem o 
bom nome. E nossotros nùcu lembrà que quilei nosso- 
tros té querré que ótro homes nao papià cónter nossa 
bom nome e fama, que ellotros nao disfama per nosso- 
tros; nossotros tambem miste fazé o mésmo per ello- 
tros, e que nuntem basta per falla com boca: eu té 
ama per minha prosmo comò mi mésmo. 

E tem bastanto modos per fazé este peccado de mur- 
meracao, per papià mal de o prosmo. Hum modo mais 
culpado tem per calumnià, per falsomente imputa de- 
feitos per ótro, per falla que elle tem hum malvado, 
hum ladrao, hum deslimpo, hum enganador, cando elle 
nùcu commetà nehum de este peccados, cando per elle 
nuntem nehum de este defeitos. O segundo modo tem 
per crescentà e fazé grande o pequinino peccados e 
faltancas de ótro pesson, per falla, per exemplo, que 
elle tem hum grande ladrao, hum grande mentroso, 
multo soberbo, multo avarento, multo envejoso e ótro 
cóusas semelhante, cando verdadeiromente elle tem pòco 
soberbo, pòco avarento, pòco envejoso. Ótro modo mais 
ordinario per papià mal cónter o prosmo tem per de- 
clarà e manifesta per ótro homes elle sua vicios e de- 
_Ìeitos que tinha occultado e segredè, ou que tinha sa- 
^.^'^'^ bido de pòco pessons namàs. Assi né multo modos e 
^ maneiras nós podé fazé offencia e injuria per nossa 

prosmos com nossa lingo. Poristo o Espirito Santo té 




221 



ensinà que quemsejà que nùcu trope^à né palavra, elle 
tem hum home perfeito e santo. 

IL Agorra vamos nós considera que tanto difBcultado 
tem per alcanna o perdao de o peccado de murmera9ao 
cónter o bom nome de nossa prosmo. Per intindé este 
bemfeito, miste sabé que tem certo calidade de pecca- 
dos que nada ser perdoado, si nós nada fazé dreito re- 
tórna ou si nós nada satisfazé o prejuiso e ruina^ao que 
nós jà causa injustomente per ótro. Assi, aquél quem 
jà furtà ou ruba hum cóusa, elle nada alcanna o perdao 
de sua peccados, si elle nada retomà aquél cóusa per 
sua dono. Vidèaquél S. Augustinho té falla que hum 
peccado per fica perdoado miste dà per sua senhor o 
cóusa tirado. 

Olhà, minha irmaos, que o murmera9ao tem mais 
grande do que ladrovice, vidèque o bom nome e fama 
tem muito mais melhor e precioso doque todo requézas 
de o mundo juntado. Si nossotros té furtà hum cóusa, 
nossotros podé retomà aquél per sua senhor; si nosso- 
tros té causa prejuiso ou ruina^ao per ótro, nós podé 
paga sua preso com dinheiro; mas nuntem leve per re- 
tomà e restituà per ótro o fama e o honra que nós jà 
mbà com nossa linguer9ao. Hum pano branco despois 
que jà fica feito preto, si nós tóma querré fazé branco e 
té lava bastanto vez, per aquél nada tem aquél branquéza 
que tinha mais diantado. Hum ferida, hum chaga podé 
fica curado, mas sua sinal sempre lo permanecé. Assi 
mésmo té suste tocando o feridas e chagas que nosso- 
tros fazé né bom nome de nossa prosmo, fallando que 
elle jà pratica hum maldade que elle nùcu pratica, ou 
manifestando e publicando elle sua defeitos e vicios que 
tinha occultado e segredo. 

Si nossotros jà falla falsomente que alhuma jà com- 
metà hum peccado que elle nùcu commetà, nossotros 
tem obrigado per falla clarmente que este nuntem ver- 
dade, que nossotros jà falla hum mentirà. Mas si nos- 
sotros jà manifesta e revelà aquél culpa que alhuma ver- 



222 



dadeiromente jà fazé, mas tinha uscundido, nossotros 
numpodé levemente retomà, fallando que elle nùcu faze 
assilei culpa; vidèque per assi falla tem hum mentirà. 
E o peccado ou defeito que nossotros jà falla per dós 
ou quatro pessons, ellotros té falla per mais pessons, 
e este pessons té falla per mais ótros, e este modo todo 
gentes té fica sabendo, e nossotros tem o causo de este 
ruina^ao, que depois nós numpodé retomà e reparà. 
Poristo o Espirito Santo té declard que o lingareiros e 
o murmeradors tem inimizades de Deos, e que ellotros 
nada possebé o reyno de céos. 

Vidèaquél vamos nós travaljà importadomente per 
evita o peccados de lingo, que tem astanto frequen- 
tado né mundo; deixà-nos lembrà primeiromente si 
aquél cóusas que nossotros querré falla, tem justo e 
proveitado, e depois falla sem offendè per Deos nem 
per o prosmo. E si nós assi lo fazé, nós lo ser perfei- 
tado e santo, comò té declarà o Espirito Santo: Qui 
in verbo non offendi!, hic perfectus est vir. Assi seja. 



D0MIN6A XIY DEPOIS DE PENTEGOSTES 
Sobre a importancia d« salvarlo 

Quaerìte primum regnum Dei, et justitiam 
ejus, et haec omnia adjicientur vobis. 

«Busca primeiro o reyno de Deos e elle sua 

justicia e todo este cóusas lo ser crescen- 

tado per vossotros». 

Math., VI, 36. 

Nossa Senhor Jesus Christo té papià tocando hum 
grande verdade, que tem o salvala© de nossa almas; 
elle té falla que ninguem numpodé servi per dous se- 
nhors, porque elle lo abhorrecé per huma e lo ama per 
ótro; e poristo elle té exhortà per nossotros per busca 
primeiromente o reyno de Deos e per fazé elle sua santo 
vontade, e elle té primetté que todo ótro cóusas lo ser 



223 



crescentado per nossotros. Vidèaquél vamos nós consi- 
dera tocando este ponto, que tem de grande péso e pro- 
veito e que bastanto homes pòco te lembrà e considera. 

Primeiromente, nós miste alembrà que Deos jà crea 
per nossotros nao per ama e gosd o mundo, mas per 
travalhà per elle sua gloria e per nossa salva^ào, per 
gardà elle sua mandamentos, per vencà o tenta^àos, 
per evita o peccado, que tem o morte de alma, e per 
cumpri todo nossa obriga^àos. Per este causo elle té 
conserva per nossotros né mundo e té dà sua gra^a e 
doms, e per este mésmo causo elle jà manda sua Filho 
per ranca per nós de o maos de demonio e per mustrà 
o caminho de céos. 

Dous senhors tem per nossotros: hum tem Deos e 
ótro tem o demonio. Quem seja que té fazé o vontade 
de Deos, gardando sua mandamentos e vivendo santo- 
mente, este té servi per Deos; e quemseja que té fazé 
o vontade de demonio, quebrando mandamentos e vi- 
vendo malvadomente e conforme de o paixaos, este té 
servi per demonio. E que paga té dà Deos per sua ser- 
vidors? Elle té dà o paz e socego de consciencia né este 
mundo, e despois de morte o gloria eterno né céos, onde 
nós nada sinté fome ou secura, quentura ou frio, mas 
sempre lo ser allagrado e chéo de contentamento sem 
nehum troublamento nem affliccao. E que paga o demo- 
nio té dà per sua servidors ? Elle té dà hum pequinino 
prazeiro, hum pequinino contentamento, cando nosso- 
tros té commetà album peccado, mas logo despois elle 
té dà o remorso de consciencia, que tem hum grande 
doen^a de alma né este mundo, e despois de morte o 
castigo de enferno, que nada cabà, e onde nós lo pa- 
decé todo calidade de penas e tromentos né nossa alma 
e corpo. 

Acà tem os dous senhors, sua servi^os e sua paga, 
e nós miste escolhà huma ànter ellotros; parque, comò 
té falla nossa Salvador, nossotros numpodé servi per 
ellotros àmos, vfdèque aquél cóusas que Deos té or- 



224 



dina per fazé, o demonio té ordina per nao fazé, e 
aquél cóusas que o demonio té ordina per fazé, Deos 
té ordina per nao fazé. Mas infeiizmente bast^nto ho- 
mes tem né mundo quem té lembrà que bum bom cóusa 
tem per ama e servi per Deos e per demonio junto- 
mente; ellotros té fazé bom obras e tambem mal obras; 
ellotros té ouvi missa, nao come carne né sextas-feiras 
e né sabbados, nao furtà, nao dà falso testemunho e 
té pratica algum fazers de virtude, mas tambem ello- 
tros té fazé linguer^ao, té travaljà né dias santo, té pa- 
pià palavras deslimpo, té guarda né cabe^a lembran^as 
deshonesto, té sinté enveja porque ótro home tem mais 
grande, e té commetà ótro sorte de iniquidades. Este 
modo ellotros té busca per servi per dous senhors; mas 
o Filho de Deos té ensinà que ninguem numpodè servi 
per dous senhors. Assilei homes podé contenta per de- 
monio, mas numpodé contenta per Deos, quem querré 
todo nossa alma e todo nossa corafao. 

Todo cóusas que nossotros té possebé, tem dado de 
Deos ; e né todo tempo e lugara e com todo nossa fór^a 
miste ama, louvà, servi e dà gardecimento per Deos. Per 
nossotros nuntem dous almas, huma per dà per Deos 
e ótro per dà per demonio, per nossotros tem hum alma 
namais ; nossotros numpodé andà per céos e per enfemo 
juntomente; mas miste escolhà per huma de este dous 
cóusas e dous senhors. Si nossotros lo escolhà per 
Deos, nós lo ser elle sua filhos e herdeiros de paraiso. 
Si nossotros lo escolhà per demonio, nós lo ser elle sua 
cambrados né enferno per todo o etemidade. Antos nos- 
sotros lo busca per servi per Deos e per tratà de nossa 
salva^ao; mas aquelhora nada ser tempo, e nossa pranto 
e làgris nada servi, e aquelhora nossotros lo falla: Que 
tanto lodia proveità per mi, si né tempo que tinha per 
mi né mundo, eu tinha travaljado per carta fruito de 
tempo e gra^a que Deos jà concedè per mi per sua mi- 
sericordia; si tinha querrido servi per Deos namais, per 
fazé sua santo vontade e per ganhà o salvarlo de mi- 



225 



nha alma? Mas eu jà querré fazé vontade de minha 
corpo, jà querré agradà per mundo e servi per demo- 
nio, e nùcu lembrà que ninguem nuntem copaz per 
servi per dous senhors; e agorra todo jà fica ruvinado 
per mi. 

Assi, minha irmaos, vossotros té olhà que o salvarlo 
de nossa alma tem hum negocio muito grande e impor- 
tado, e que né su presencia riquézas, honras e todo ótro 
cóusas nao vale nada e té cabà prestomente quilei o 
vento e o ftimo, e que grande hum dodice tem per ru- 
vinà o alma, que Deos jà resgatà com sua Sangue e té 
sustentà com sua Corpo, vide hum leve interesse, hum 
pequinino allagria e prazeiro ou queseja que ótro mo- 
tivo disvalioso de este mundo. Poristo Jesus Christo té 
pruntà: «Que tem hum home proveitado, si elle té ga- 
nhà inteiro o mundo e té perde sua mésmo alma; ou 
que lo dà hum home né troco per sua alma?» E hum 
rey de Hespanha, cando elle tinha perto per morré, 
tinha falla: «Que tanto melhor tinha per mi, si né lu- 
gara de ser hum rey, eu tinha vivido né deserto fazindo 
hum vida penitente e mortificado; parque agorra lodia 
larga per o mundo com menos meido e desgosto!» E 
este mésmo modo lo falla né sua alma né hora de morte 
quemseja que jà lembrà muito pòco né su salva^ao ou 
nùcu travaljà dreitomente per ganhà o céos. 

Vidèaquél deixà-nós considera importadomente né 
nossa espirito, que nossotros num tem copaz per servi 
per dous senhors, per Deos e per demonio; que nosso- 
tros tem né mundo nao per come, per bebé, per vesti 
e per fazé nossa queria, mas per ganhà o felizidade 
etemo, praticando virtudes, vivendo conforme de o man- 
damentos e marchando per o caminho estreito de peni- 
tencia e mortificacao, vencando tentacaos, fugindo cas- 
siaos e perigos de peccado. Deixà-nós busca, quilei bom 
catholicos, né primeiro lugara o gloria de Deos e fazé 
sua santo vontade, e despois todo ótro cóusas lo ser 
crescentado per nossotros; vidèque elle tem nossa Pai 

i5 



22t> 



amaroso, quem té toma bastante cuidado per nossa fe- 
lizidade e per judà e per socorà per nossotros né nossa 
nistades. Assi seja. 

DOMINGi XY DEPOIS DE PENTECOSTES 

Sobre a Horte 

Et ecce defunctus efferebatur filius unicus 

matris suae. 
«E ellotros tinha leva hum home morto, 

quem tinha o so fìlho de sua mai». 
Lue., vn, 12. 

Né evangelho de este dia, amada irmaos, S. Lucas 
té papià tocando o milagre que Nossa Senhor jà fazé 
né cidade de Naim, dando vida per hum macéo, quem 
tinha o so filho de sua mai viuva, e quem ellotros tinha 
leva per tarrà né cemiterio. Jesus Christo jà sinté pia- 
dade sóber o viuva, quem tinha muito triste e afiBictado, 
e elle jà falla: cMacéo, eu té falla per ti: irgui». E elle 
quem tinha morto, irguindo jà andà e jà cum'^à per 
papià, e Jesus jà entregà elle per sua mai. 

Este mésmo modo lo suste per cada huma de nosso- 
tros: nossotros tambem lo morré hum dia, e tóma nós 
lo fica vivente né ótro mundo, per recebé o paga de 
nossa fazers e obras. Mas cada huma de nossotros nada 
fica contentado e allagre quilei tinha allagrado aquél 
gentes quem jà olhà per este macéo resuscitado; par- 
que muitos tem chomado e pócos tem escolhido e o 
caminho de céos tem estreito e enchido com espinhos, 
e o porta tem muito pequinino, e pòco pessofts té entra 
per aquél per possibé o eterno gloria; e mais grande 
parte de homes lo ser resuscitado per hum vida de 
penas e tromentos, vfdèque nùcu lembrà justomente 
que tinha nistade per morré, e nùcu prepara per as- 
certà hum bom morte, mas jà andà enteiromente cou- 
pado né cousas de mundo, né honras, riquézas e ótro 



227 



vaidades, que té cabà prestomente; poristo ellotros lo 
desia aquelhora de morte que ellotros nadfa ser resus- 
citado. 

Assi, amada irmaos, per ganhà o reyno de céos, nos- 
sotros miste travaljà per achà hum bom morte. Mas 
comò nós podé achà hum bom morte? Per alcanna hum 
bom morte nós té nistà sempre lembrà importadomente 
que cóusa o morte tem, que modo ella té suste e que 
sua effeitos tem; vidèque assi nossotros lo ser copaz 
per evita todo o peccados e per fazé hum verdadeiro 
penitencia de o peccados que nossotros jà commetà, 
comò tem ensinaTdo de o Esperito Santo: e Né todo tua 
obras e fazers alembrà tua morte, e tu nada pecca per 
sempre». Este té intindé que quemseja que gardà o 
lembran9a de morte né sua cabe^a, elle té abhorrecé 
per o peccado e té fugì longe de cassiaos e perigos de 
peccado. E o grande Doytor quem tem S. Augustinho 
té falla tocando este ponto, que nuntem nada mais bom 
e copaz per livrà per nossotros de peccado doque hum 
continuai lembran^a de morte. E este tem hum verdade 
muito dar; vidèque aquél home quem té alembrà né 
sua morte, si elle lo fica tentado per commetà alhum 
peccado, e vossotros té sabé bemfeito que o mundo tem 
enchido com tenta^aos, elle lo papià este modo com si- 
mesmo: «Eu miste morré hum dia, e este dia podé ser 
hoje, parque o morte nao fazé differencia ànter velhos 
e macéos, ànter richos e pobres, ànter homes quem 
tem saude e homes quem tem dessaude, o morte té 
visita né todo o idades, né todo o tempo, né todo o 
logaras, e nehum pesson té escapà de morte sua espada; 
e si verdadeiromente eu lo morré hoje, que cóusa lo 
ser feito de mi per todo o etemidade? Que fruito eu lo 
carta, que paga eu lo recebé per este peccado? Que 
dodice nué per pirigà per minha salva9ao vide hum 
pequinino, breve prazeiro e satisfacao? Parque cahi né 
tentacao, si per sua causo podé ser que eu lo fica con- 
dinado per padicé etemomente né enfemo?» Assi elle 



228 



té papià, e té alcanna fór^a per resiste per tenta^aos 
de demonio, de carne e de mundo, e per permanecé 
né graga e favor de o Senhor. 

Mas si percaso elle jà commetà album peccado, elle 
tambem té papià este modo: «Eu tem agorra inimizade 
de Deos e servidor de demonio, eu jà perde o direto 
per andà per céos; Deos nùcu declarà per mi que tanto 
tempo eu 16 vive; e si né este minha miseravel estado 
o morte lo vi sóber mi, eu lo ser per sempre ruvinado. 
Cando eu té padecé album doen^a né corpo, eu nao 
gardà sua curativo per ótro tempo, fallando que ama- 
nbào eu* lo podé fazé, ótro dia eu lo' podé fazé aquél, 
mas eu té toma lestemente o misinba per meido que 
despois eu nada ser curado. Mas minba alma tem mais 
melhor doque o corpo, e eu miste ser mais cuidoso per 
busca sua saude, que eu jà perde vide o peccado, par- 
que despois pódeser nada lo jem tempo. Deixà-mi por- 
isto fazé agorra mésmo sua curativo com bum bom 
confesso; deixà-mi fica com dor, fazé penitencia e al- 
cancà o perdào sem mais tarda; deixà-mi prepara per 
bem morré, parque o espada de morte tem sempre só- 
ber minha cabéija». Assi elle té papià, assi elle té fazé, 
e assi elle té vive santomente e té ascertà bum bom 
morte. 

Este modo vossotros té olhà, amada irmàos, que o 
lembran^a e considera^ao de morte tem muito fruitoso 
e proveitado, vidèque per su causo nossotros tem co- 
paz per evita facilmente o peccados que tem per vi e 
per alcanna o perdao de peccados mais diantado sem 
para né perigo de eterno condinacao. 

S. Francisco Borgea tinha grande bum hdme, elle 
tinba duque de Candia, governador de bum provincia 
de Hespanba e tinba mora né o palaso de o rey Carlos 
Quinto, quem tinba muito poderoso. Ne elle sua tempo 
jà morré o rainba Isabel, quem tinba muito bunito e 
fremoso, e elle jà accompinbà ella su corpo morto per 
tarrà; e cando tinba impé né igreija, elle jà olbà per 



220 



aquél corpo morto que tinha aquelhora féo, desfigurado, 
murchado, borrendo e com mal cheiro, elle ja fica todo 
commovido e troublado, e jd papià com si-mésmo: «Acd 
tem o rainha Isabel, quem tinha mais diante astanto bu- 
nito e fremoso; agorra quem tem copaz per con'cé per 
ella? Acà tem que modo té caba o grandézas e vaidades 
de cste mundo. Eu tambem lo morré bum dia e lo chega 
per este estado; deixà-mi poristo andd servi per Rey 
de o reys, quem tem Deos; deixd-mi anda lembrd e 
considera né minha morte; deixà-mi andd prepara per 
bem morré e per alcanna o eterno felicidade». Assi elle 
jà papià, e jd larga o mundo e marchà per bum con- 
vento per fazé penitencia e prepararlo per bum bom 
morte e depois jà fica feito grande bum santo. 

Assi mésmo cando nossotros té olbà morto algum 
nossa parente, ou cambrado, ou amizade ou con'cido, 
nossotros tambem miste alembrà que este mésmo cóusa 
lo suste per nossotros, e pódeser mais prèsta doque nós 
té lembrà. Cando nossotros té andd dromi, cando nos- 
sotros té come, cando nossotros té travaljà, cando nos- 
sotros té papià; finalmente, né todo tempo nossotros 
miste gardà no$sa morte sempre presente né espirito. 
Si nossotros assi lo fazé, Deos per sua misericordia lo 
dà per nós bum bom morte, e depois de morte o pre- 
mio de nossa fazers né céos; porque o Espirito Santo 
jà primetté aquél, e assi jà suste per muito homes mais 
diantado. Assi seja. 



/ 



DONINGi XYII DEPOIS DE PENTEGOSTES 
Sobre o Rosario 



Beatus venter qui te portavit. 
«Benzido tem o ventre que jd pari per ti». 

Lue, XI, 27. 

Né este domingo o Santo Mai de Igreija té celebra 
festa tocando Nossa Senhora de Rosario, e té chomà 



23o 



per sua filhos per honra e invoca per este Rainha de 
céos e de terra com o devo^ao de Rosario, que tem 
muito glorioso per ella e muito proveitado per nossotros 
principalmente né este mez de octóber, que tem dedi- 
cado per fazé este santo e fruitoso devocao. 

E o Santo Padre Leao XIII té exhortà e comidà per 
todo o catholicos per falla o terco de Rosario de Nossa 
Senhora né Igreija, per pedi ella su protec^ao e jùda né 
nistades de tempo presente, que tem muito grande, e 
per este causo elle té concedè benignomente bastanto 
indulgencias, que si nossotros agorra té desprezà, des- 
pois lo vi hum tempo, cando nossotros lo fica repentado 
sem fruito. 

Vamos nós poristo considera hum poco tocando este 
ponto. 

Cando o herejes quem tinha chomado albigenses, ti- 
nha persegui per o Igreija e jà fazé bastanto ruvinacao, 
S. Domingos, quem tinha vive né aquél tempo, tinha 
muito entristecido e afflictado, e né sua ora9aos elle ti- 
nha pedi continualmente per Virgem SS. per mustrà 
que modo e mèo tinha per evita aquél ruvinacao e 
dano, per dà firméza né fé per christaos e per excità 
per ellotros per fazé hum vida santo e devoto. E o 
Mai de Deos jà declarà per elle que tinha ella sua von- 
tade per establicé o santo Rosario quilei o mèo mais 
dreito, justo e seguro per alcancà ella sua favors e pro- 
tec^ao. 

Logo seguidomente S. Domingos jà andà pregoà este 
devocao per todo o parte, e todo o catholicos jà acceptà 
per aquél e muito Pàpas jà approva per aquél. Bastanto 
hereticos jà travalhà com todo su fór^a per tuli per este 
santo devocao; mas aquél jà fica sempre mais crescen- 
tado, e agorra tem hum devocao mais commum e ordi- 
nario, praticado né todo lugaras de o verdadeiro servi- 
dors de este Mai de misericordia; agorra tem quilei hum 
sinal de soldados de Virgem Maria; vidèque per mèo de 
Rosario o mundo jà alcancà e té continua per alcanna 



23 I 



bastante favors e gra^as. Que tanto pessons nùcu achà 
per sua mèo fór^a e fortidao per fazé bum santo vida 
e per bacia cónter o ìnùnizades de alma? Que tanto 
pessons nùcu ascertà per sua mèo bum bom morte e 
nùcu fica salvado. 

Mas per con'cé melhoramente e mais bemfeito o pro- 
veito e fruito de este devo^ao, vamos nós olhà que cóusa 
tem o Rosario. O Rosario, comò vossotros tè sabé, tem 
concertado de Pai Mosso, e Ape Maria e Gloria. E onde 
nossotros tem copaz per ascertà bum ora^ao astanto va- 
lioso e proveitado quilei o Pai Nosso? O mèsmo Jesus 
Christo tem o fazedor de este ora^ao, que elle jà ensinà 
per sua discipulos quilei o mais melbor modo per bonrà 
e glorifica per Deos e per alcancà elle su proteccao e 
judanca né nossa nistades espiritual e temporal. Assi 
corno nossotros numpodé ser mais cizo doque Deos, 
quem tem infinitomente perfeito, mèsmo modo nosso- 
tros numpodé ascertà ou inventa bum oracao mais me- 
lbor doque aquèl que o mèsmo Deos jà concerta, e onde 
tem juntado né pòco palavras muito cóusas. 

Ape Maria tambem tem bum oracao muito precioso 
e muito dreito e justo per bonrà per Nossa Senbora. 
Que tempo o arcbanjo Gabriel jà vitem per annuncia 
que ella lo ser Mai de Deos, elle jà falla per ella. «Ave, 
cbeia de graca, o Senbor be comtigo». E cando ella jà 
andà per visita per sua prima Isabel, este santo mulber 
jà falla per ella: «Benta és tu entre as mulberes, e 
bemto bé o fruito do teu ventre». E o Santo Mai de 
Igreija jà crescentà este palavras: «Santa Maria, Mai 
de Deos, etc». Assi vossotros tè olbà que o arcbanjo 
Gabriel, Santa Isabel e o Igreija catbolica tem o faze- 
dors de Ape Maria. 

E cando nossotros té falla Gloria, nossotros tè alem- 
brà e tè invoca o SS. Trinidade, quem tem o principal 
mysterio e fundacao de nossa religio. 

Né Rosario nossotros tambem té medita, e contempla 
o mysterios de o vida de Nossa Senbor Jesus Cbristo. 



232 



E quilei elle sua morte tem o principio e fonte de nossa 
vida espiritual, assi mésmo o medita^ao e lembran^a de 
elle sua vida, que elle jà sacrifica per nossa causo, tem 
forte e sabaroso bum corner de nossa espirito; e aquél 
pessons quem jà medita continualmente com verdadeiro 
affecto per este mysterios, ellotros jà fica muito perfei- 
tado e grande santos. 

Assi, minha irmàos, vossotros té olhà que o Rosario 
ou o ter^o, que tem terceiro parte de Rosario, tem qui- 
lei bum grinalda onde tem juntado fulas e boninos mais 
bunito e fremoso, e com bum cbeiro suave e agradado, 
e nada nuntem mais agradado perVirgem Maria doque 
este grinalda que nossotros té concerta per ella com 
fulas de nossa alma. 

E tambem nada nuntem mais proveitado e fruitoso 
per achà sua jùda e protec^ào per nossotros doque este 
santo Rosario, que tem quilei bum poderoso arma per 
bacia e combatà cónter nossa enimingos espiritual, per 
resiste e vencà o tenta^aos. Né tempo mais diantado, 
cando o Igreija catbolica tinha perseguido e afflictado 
de inimizades, e particularmente de o turcos, quem jà 
busca per conquista per Europa e per massa e cabà o 
religio de Christo, o Igreija jà fazé usancia de este arma 
mais doque de ótro armas, e jà alcancà muito victorias, 
e o Papa per fazimento de gardecimento per Maria SS. 
per aquél favors, jà nimità este festa de Nossa Senhora 
de Rosario, per su lembran9a. 

Mas agorra tambem o Igreija tem grandemente ba- 
clado e troublado né varioso modos. Poristo o Santo 
Padre Leao XIII jà ordina per dedica o mez de octóber 
per honra e louvor de Nossa Senhora, per falla o ter^o 
de Rosario né todo o igreijas de mundo catholico, e jà 
crescentà mais indulgencias per excità per o christaos 
per fazé este ora^ao. Assi elle té concedè bum indul- 
gencia de sete annos e sete quarentenas per cada vez 
per quemseja que té sistè per o ter^o né igreija; elle 
té concedè bum indulgenza plenaria per aquél pesson 



233 



quem confessando e commungando té guarda este de- 
vo^ao per dez dias per menos, e mais hum indulgencia 
plenaria per quemseja que té confessa e commungà né 
dia de festa, que tem hoje, ou né algum ótro dia atà 
seguente domingo, e té pedi per Deos e per su Mai SS., 
conforme de o inténcia de Santo Padre, que té entendé, 
per paz, liberdade e exalta^ao de Santo Mai de Igreija, 
per estendi^ao de fé catholico, per extinc^ao de heresias 
e schismas, per concordia ànter o principes christaos, 
per converta^ào de peccadors e per saude de Pap. 

Vidèaquél vamos nós carta fruito de este tempo, va- 
mos nós fazé este santo devo^ao, que tem astanto agra- 
dado per Virgem Maria, vamos nós pedi per nistades de 
Santo Mai de Igreija, conforme de o inténcia de Summo 
Pontifice, quem tem bastanto afiBictado e perseguido; 
e aquél Mai amaroso e chéo de piadade, quemodo Jà 
judà e defendé per Igreija né tempo mais diante, assi 
tambem io fazé agorra; vidèque ella tem copaz per 
fazé aquél, parque tem Mai de Deos, e ella querré 
fazé aquél, parque tem nossa Mai, e per nossotros 
nuntem mais nome per invoca despois de o nome de 
Jesus doque o nome de Virgem Maria. 

D0NIR6A XIX DEPOIS DE PERTECOSTES 
Sobre a difficuldade de salvafio 

Multi enim sunt vacati, pauci vero electi. 

«Muitos tem chomado, mas pócos tem 

escolhido». 

Math., xxn, 14. 

Né evangelho de este domingo, amada irmaos, Nossa 
Senhor Jesus Christo té papià tocando hum verdade, 
que miste fazé meido per nossotros: elle té falla que 
muitos tem chomado, mas pócos tem escolhido. Este 
té intindé que mésmo ànter o christaos bastanto homes 
lo andà per enferno, e pòco pessons lo andà per céos. 



234 



Quilei né tempo que Deos jà manda o diluvio uni- 
versa!, todo o homes quem aquelhora tinha né mundo, 
jà morré, e oito pessons namais, quem tinha famiiha 
de Noè, jà fica saivado; que tempo Deos jà manda hum 
fogo de céos sóber o cidades de Sodoma e Gomorrha e 
jà queimà todo o gentes quem tinha ala, e Lot, quem 
tinha sobrinho de Abrahao, com pòco pessons de su 
famiiha jà escapà e fica livrado de este fogo devorador; 
quilei ànter mais de seiscentos mil judeos quem jà sahi 
e andà fora de servidao de Egypto, so dós homes, Jo- 
sué e Caleb, namais jà entra né terra de preme9o; este 
mésmo modo té suste per christaos e catholicos. Assi 
té falla S. Fedro e S. Paulo, assi té falla Santo Padres 
e Doutors de Santo Mai de Igreija, e mais doque todos 
assi té falla o Filho de Deos. E este tem hum verdade 
que nossotros miste considera importadomente, si nos- 
sotros té desia per salva per nossa almas. 

Parque té suste que multo homes tem chomado e 
pòco pessons té fica saivado? Deos tem Pai de todo 
nossotros, elle jà cria per todo homes per andà possibé 
o felizidade né reyno de céos, e per este causo elle jà 
manda né mundo sua so Filho; Jesus Christo jà nasce 
né presepio, jà padecé e suffri grandemente, jà deremà 
todo sua sangue, jà morré né hum cruz ànter dós la- 
dràos, per salva per todo o gera^ao de Adao; elle jà 
establicé sua Igreija e jà dessà méos de salvafào per 
quemseja que querré; elle jà nimità sua apostolos per 
predica sua doutrino né todo mundo e per converta todo 
o gentes per su santo religio. Per que causo, per que 
motivo té suste que chomando Deos todo o filhos de 
Adào per recebé o premio de eterno gloria, pòco pes- 
sons namais té andà per o paraiso celestial? Sabé par- 
que? Nué parque Deos ninquer salva per todo o homes, 
mas parque bastanto homes tem né mundo quem nao 
travaljà comò tem dreito e justo per ganhà o reyno de 
céos; parque bastanto homes tem quilei bestas, per 
quem nuntem cizo; multo christaos tem christaos de 



233 



nome namais, nuntem verdadeiro christàos; ellotros té 
toma o nome de Deos né su boca, e o demonio tem né 
sua cora^ao, ellotros té fazé pòco bem, mas té fazé 
multo mal. Vidèque verdadeiro christào^'tem aquél pes- 
son quem té segui per ensinamento e exemplo de nossa 
Salvador, quem té gardà todo elle sua mandamentos e 
té fugf o peccado, quem té mortifica sua paixaos, quem 
té fazé mais cuida^ao de sua alma doque de sua corpo. 
E nossotros quilei té marchà ? Que modo té vive astanto 
christàos quem tem né mundo? Que modo ellotros té 
observà o religio e té ama per Deos e per o prosmo? 

Todo nossotros té desia per alcanna nossa salva^ao; 
nuntem bum home astanto malvado quem ninquer andà 
per céos, vidèque céos tem multo bunito bum cóusa; 
mas nuntem basta ser catholicos, miste fazé bom obras, 
parque o fé sem obras tem bum fé morto; nuntem 
basta per ouvi o lei e o pregoa^ao, mas miste gardà e 
pratica o lei; nuntem basta per falla per Deos: «Se- 
nhor, Senhor», per entra né reyno de céos, mas tem 
nistade per fazé e observà sua santo vontade. Si per 
nossotros tem bum sinceiro queria per salva per nossa 
alma, nossotros té nistà marchà per aquél estreito ca-, 
minho que jà mustrà o Filho de Deos; nossotros miste 
busca per entra per aquél porta córto que tem; nosso- 
tros miste fazé fór^a sóber nós mésmo; nossotros miste 
ser limpo e puro quilei o sol, bunito e fremoso quilei o 
lumara, nossa cora^ao milsté fica quilei bum fornalha 
de fogo com o amor de Deos. 

Hum albre que tem velho, per que bando té cahi? 
Té cahi per aquél bando onde tem inclinado. Agorra 
olhà per que bando vossotros tem inclinado. Si vosso- 
tros tem inclinado per o bando de enferno, vossotros lo 
andà per enferno. Si vossotros tem inclinado per o bando 
de céos, vossotros lo andà per céos. Quemseja que té 
marchà basso, elle numpodé chegà riba; quemseja que té 
marchà per occidente, elle numpodé chegà per oriente. 
Todo o albre que nao carta bom fruito, lo ser cortado 



236 



e pinchado né fogo. Quemseja que tem amizade de de- 
monio, nuntem herdeiro de céos. 

Ouvi o paràbel que tem fallado né evangelio de este 
dia. Hum certo rey jà fazé hum casamento per sua fi- 
Iho, e jà chomà muito gentes e o palaso tinha enchido 
com comidados; aquelhora o rey jà entra per olhà per 
o comidados, e elle jà olhà ala hum home quem nun- 
tinha vestido com o vestido de casamento, e o rey jà 
falla per elle: «Amizade, quilei tu jà entra acà sem 
o vestido de casamento?» E elle tinha sem respostà. 
Aquelhora o rey jà falla per o servidors: «Marra per 
elle, maos e pés, e lan^à per elle né uscuridade de fora; 
ala lo tem pranto e morder de dentes». 

Qui cóusa vossotros té intindé per este paràbel? O 
home rey tem Deos Pai; o filho do rey tem Jesus 
Christo, quem su esposa tem o Santo Mai de Igreija; 
o comidados tem todo o homes, quem Deos té chomà, 
mas nem todos té entra né su Igrtija; o vestido de casa- 
mento tem o gra^a divino, que tem quilei hum vestido de 
nossa alma. Este gra^a nossotros té recebé né sacramen- 
tos e nossotros té perde quehora nossotros té commetà 
album peccado mortai. O home quem jà entra sem aquél 
vestido tem o peccador; o servidors tem o anjos, e o 
lugara onde jà fica pinchado aquél home, tem o enferno. 

Que modo aquél rey jà papià per este home per quem 
nuntinha o vestido de casamento, assi mésmo Deos lo 
falla per o peccador né tempo de sua julgacao: «Marra 
per elle, maos e pés, e lan^à per elle né uscuridade de 
fora; ali lo tem pranto e morder de dentes». 

Vidèaquél, amada Irmaos, dekà-nós considera serio- 
somente tocando nossa salva^ao, deixà-nós alembrà, si 
nossotros ninquer ouvi aquél terrivel senténcia de con- 
dìna^ao, que muitos tem chomado e pócos namàs tem 
escolhido, deixà-nós travaljà per entra né numero de 
escolhidos, ganhando aquél vestido de casamento, que 
tem o gra^a de o Senhor, e conservando com cuidanca 
este gra^a atà o bora de morte. Assi seja. 



237 

DOIUGA n DEPOIS DE PENTECOSTES 

Sobre a Fé 

Credidit ipse et domus ejus tota, 
oE elle mésmo jé ere com todo sua casa«. 

Joan., IV, 53. 

Né evangelho de este domingo, amada irmaos, S. Joao 
té papié tocando hum milagre que Nossa Senhor jà fazé 
né cidade de Galilea, curando per hum filho de hum 
home honrado, quem tinha perto per morré. Este home 
jà andà encontrà per Jesus, quem jà falla per elle: 
«Andà, tua filho tem com vida». E elle jà confià o pa- 
lavra que Jesus jà falla per elle, e jàfoi sua caminho; 
e cando jà sabé que sua filho tinha ficado curado aquél 
mésmo hora que o Filho de Deos jà falla, elle jà ere 
com todo su familha. Credidit ipse et domus ejus tota. 

Este home tinha muito feliz, parque elle jà alcanna 
saude per sua filho, e jà alcancà hum favor mais valioso 
e perfeitado, que tem o fé né doutrino de Jesus Christo. 
, Mas nossotros tambem tem muito feliz e venturoso, 
parque nós té possibé o verdadeiro fé, que Deos jà en- 
sinà per ganhà o reino de céos, e nós té compete per 
verdadeiro igreija que elle jà establicè, e que tem o 
santo Igreija catholica romana. Mas comtodo bastanto 
christaos tem quem num gardà este fé e num carta 
sua fruito, comò miste fazé. Ellotros nao alembrà que 
o fé tem hum thesouro mais bunito e precioso que nos- 
sotros té podé ascertà né este mundo, e que miste fazé 
sua grande cuidanca, parque o ìnimizades de nossa alma 
té travaljà per ruba este thesouro. Vidèaquél deixà-nós 
considera muito importadomente tocando este ponto. 

E primeiromente, aquél pesson té possibé fé quem 
té ere e té entendé que tem verdade todo aquél cóusas 
que Deos té ensinà per mèo de sua igreija. Deos num- 
podé enganà e numpodé fica enganado; elle tem mais 



238 



cizo e té sabé mais verdades doque nossotros; elle tem 
infinitomente perfeito, elle numpodé papié mintira. E si 
nós té eredità aquél cóusas que té falla ótre homes, 
quem té fica enganado e té minti bastante vez, com 
mais fórca nós tem obrigado per eredità todo aquél 
verdades que Deos per sua bondade e misericordia té 
manifesta per nossotros. E S. Joao té falla: «Si nós 
té recebé o testimunho de gentes, o testimunho de Deos 
tem mais grande: Si testimonium hominum accipimus, 
testimonium Dei maius est» Vossotros nùcu olhà Roma 
ou Portugal, mas vossotros té sabé bemfeito que este 
terras té existé; vossotros nunca olhà o Pap ou o rai- 
nha de Englanterra, mas vossotros té eredità que ello- 
tros té existé; e parque? Parque o gentes assi té falla. 
Este mésmo modo, cando Deos té falla que elle lo dà 
eéos per bom pessons e lo condinà per castigo de en- 
femo homes malvado; que tem hum Santissima Trin- 
dade; que Jesus Christo tem Filho de Deos; que todo 
homes té nasce com peccado originai ; cando elle té en- 
sinà todo ótro verdades de nossa doutrino, nós mista 
ere sem duvidan^a, vfdèquél quemseja que nao ere ou 
té duvidà, elle té fazé hum grande oflFencia per Deos. 
E quilei aquél pesson quem té ere, lo fica salvado, assi 
mésmo aquél pesson quem nao ere lo ser condinado. 
Quemodo o alma té dà vida per nossa corpo e que- 
hora o alma té fica separado de corpo, o home té morré, 
assi tambem o fé té dà vida per nossa alma, e quehora 
o fé nuntem né alma, o alma tem quilei morto; vidèa- 
quél o Espirito Santo té falla que o home justo té vive 
de o fé. O fé tem o funda^ao e alicerce de todo ótro 
virtudes. Si nossotros lo ranca o pedra que tem o fun- 
da?ao de hum casa, todo ótro pedras lo cahi, e o casa 
lo vi basso; este mésmo modo si nossotros lo ranca o 
fé de nossa alma, todo ótro virtudes lo cahi e lo fica 
sem fór^a e mercimento. Si nossotros té corta o ramos 
de hum albre, e si per este albre tem hum bom, forte 
e vigoroso raiz, o albre té carta mais ramos; mas si o 



239 



raiz tem secado e podre, o albre numpodé carta mais 
ramos e frùitos; e assi nao servi per mais nehum cóusa 
que per corta e pinchà né fogo. Este mésmo modo té 
suste tocando o fé: si per nossotros tem fé, nossotros 
lo podé alcanna prestomente ótro virtudes e o perdao 
de nossa peccados mais diantado; mas si o fé té faltd 
per nossotros, todo ótro virtudes nada ser proveitado 
per nossotros, e nada podé servi per ganhà o céos. Mas 
si alhuma té possibé bum fé vivo e verdadeiro, elle podé 
vencà o mundo, elle podé alcanna bum grande premio. 
iPer mèo de fé muito bomes jà conquista reinos, assi 
té falla S. Paulo, jà alcan9à primecos, jà tapà o boca 
de liaos, jà paga o fortidao de fogo, jà escapà de o fio 
de espada, de fraquéza tinba feito fórca. Per mèo de 
fé Abel jà oflFercé per Deos bum mais exceliente sa- 
crifiso doque Cairn, e jà fica declarado santo e justo. 
Per mèo de fé Noè jà fica avisado de Deos e jà pre- 
para bum arca per salva9ao de sua familia. Per mèo 
de fé Abrabao, quem tinba velbo, jà alcanna bum filbo; 
e per mèo de fé jà fica grande Moisès, David, Samuel 
e ótro santos de antigo Testamento». 

E Jesus Cbristo, ansque concedè sua favors, ansque 
fazé curas e ótro milàgirs, quasi sempre tinba falla per 
gentes per ere e confià. E elle sua apostolos e discipu- 
los jà fazé astanto milàgirs, jà pratica obras espentoso, 
parque ellotros sua fé tinba ardente e fervoroso, e ello- 
tros sua vida tinba conforme de sua fé: ellotros nùcu 
ere bum cóusa e jà fazé ótro cóusa; e vidèquél ellotros 
sua fé tinba forte e firme, ellotros jà sacrifica sua vida 
per causo de religio e jà fazé muito cóusas que té parcé 
impossivel, vidèquél todo cóusas tem possivel per bum 
pesson quem té ere. 

E martyrs, confessors, virgems e todo santos e santas 
jà pratica virtudes, jà gardà mandamentos, jà vencà ten- 
ta^aos e jà alcanna o reyno de céos per causo de fé. 
O apostolo S. Joao té falla que o Victoria que té vencà 
o mundo e sua enganacaos tem o nossa fé. E S. Pedro 



240 



té crescentà que ànter todo armas o fé tem hum arma 
mais melhor cónter o demonio, quem té rodià per nos- 
sotros buscando per quem elle podé ungli. E S. Paulo 
té ensinà que o fé tem quilei hum escudo, hum rudela 
per nossa defencia cónter todo sorte bacladuras de ini- 
mingos de nossa almas. 

Assi vossotros té olhà que o fé tem hum dadiva, hum 
thesouro mais valioso e bunito que nós podé ascertà né 
este mundo, e que quemseja que nao possibé este the- 
souro, ou té perde vide negacaos ou duvidan^as, ou té 
deixà fica rubado per queseja causo, assilei hum home 
tem mais miseravel e ruvinado, vidèquel o porta de céos 
lo fica fichado per elle, e o enferno lo ser sua casa per 
todo eternidade. 

Nós todos té desia vive sempre mais tempo né mundo; 
per este causo nós té travaljà per juntà riquézas e logrà 
honras e dignidades, nós té deremà o suor de nossa 
rosto, nós té andà de hum terra per ótro; ainda hum 
velho de setenta ou oitenta annos té querré vive mais 
annos; ainda hum dòdo té busca per conserva sua vida. 
Mas o santos jà entendé que o fé tinha mais melhor 
doque todo bems de mundo; ellotros ja larga su riqué- 
zas, su honras, su familha, jà padecè e ja morré per 
causo de fé, e né mèo de sua afiliccaos e tromentos, 
ellotros jà fica contentado, e su penès jà parcé alla- 
grias per ellotros. 

Poristo deixà nós dà gardecimento per Deos, quem 
jà concede per nossotros o virtude de verdadeiro fé ca- 
tholica; deixà-nós segui per o exemplo de santo homes; 
deixà-nós vive conforme de nossa santo religio; deixà- 
nós fica leste per perde todo nossa cóusas e mésmo 
nossa vidas, si tem nistade, per gardà fielmente nossa 
fé. E si vossotros assi lo fazé, vossotros lo fica conten- 
tado né este mundo e despois de morte vossotros lo 
alcanna o premio de vossa fé, que tem o salvacao de 
alma. Assi seja. 



241 

DOIIMGA XXII DEPOIS DE PENTECOSTES 
Sobre a alma 

Cujus est imago haecf 
«Quem su imajo tem este?» 
Math., zzo, 30. 

Né evangelho de este domingo S. Matheus té papià 
tocando hum tenta^ao que hum sorte de homes cho- 
mado herodianos jà andé fazé per Nossa Senhor Jesus 
Christo. Ellotros jà pruntà per elle, si tinha dreito per 
dà tributo per Cesar ou nao. Mas Jesus jà entendé su 
malicia e jà falla: cMustrà per mi o dinheiro de trì- 
buto». E ellotros jà trizé per elle hum dinheiro; e elle jà 
pruntà: e Quem su imajo e inscrìp^ao tem este?» Ello- 
tros jà repostà: cDe Cesari. Aquelhora elle jà falla per 
ellotros: Dà per Cesar o cóusas de Cesar, e per Deos 
o cóusas de Deos. 

Este mésmo modo eu podé pruntà hoje tocando nossa 
alma per astantos christaos quem nao fazé nehum cui- 
dan^a de su alma: Quem su imajo e figura tem este 
alma: Cujus est imago haec? Nué de hum animai, de 
hum principe ou rey de mundo; nué de album ótro cria- 
tura; mas tem hum imajo e similhan^a de Deos, Crìa- 
dor de céos e de terra. Deos jà concerta o home con- 
forme elle su imajo e fessao. Vidèaquél que vergonha, 
que maldade nué per muda este bunito imajo e valioso 
retrato que tem de Deos, né imajo e figura de demo- 
nio ? E assi nossotros té fazé quehora nossotros té com- 
metà peccados e té deixà perde per o santo favor e 
graga de Deos. Poristo vamos-nós considera primeiro- 
mente que nossa alma tem multo bunito e valioso, e 
segundomente que ella tem hum namais e que nada 
cabà. 

I. Si vossotros, amada irmaos, té querré intindé que 
tanto bunito tem nossa alma, vossotros nummisté com- 

16 



242 



para per ella com o cóusas de mundo, parque o bunitéza 
de todo este cóusas juntado numpodé fica egualado per 
o bunitéza e fremosura de hum alma; mas vossotros 
miste, assi té falla S. Bernardino de Sena, intindé que 
tanto bunito e perfeitado tem Deos, quem jà cria per 
ella conforme elle su imajo e similhan^a. Mas quem 
tem copaz per alcancà né su espirito e per compre- 
bende que tanto bom e perfeito tem Deos? Deos tem 
infinitomente bom, bello e perfeitado per sua naturéza 
e essencia; todo bunitézas e fremosuras que nossotros 
té olhà né mundo e que nossotros té podé lembrà né 
nosso entendemento, tem quilei hum sómber muito pe- 
quinino né presencia de bunitéza e perfei^àos de Deos. 
Astanto bunito tem Deos, que si nossotros tinha podé 
olhà per elle hum minuto namais, quilei elle tem né 
si-mésmo com todo sua gloria e majcstado, nossotros 
lodia fica quilei santos né céos. Astanto bunito tem 
Deos, que si elle tinha parcido hum dia né enfemo 
quilei elle tem né si-mésmo, aquél horrivel enferno lo- 
dia fica quelei hum paraiso. Poristo, quemodo nosso- 
tros nuntem copaz per intindé o bunitéza e perfeicaos 
de Deos, assi mésmo nossotros nuntem copaz per in- 
tindé, comò té falla o mésmo S. Bernardino, que tanto 
bunito e fremoso tem nossa alma. 

Despois, nossa alma quemodo tem muito bunito, 
mésmo modo tem muito valioso, e nossotros numpodé 
paga sua preso com todo riquézas e bems de mundo. 
Si nossotros té compra hum cóusa per cento rupias e 
ótro cóusa per hum mil de rupias, este cóusa que nos- 
sotros jà compra per mil rupias tem mais valioso e esti- 
mado. Agorra deixà-nós olhà quem jà compra nossa 
alma, quemodo jà compra e que tanto preso jà dà. O 
Filho de Deos, soberano Senhor de todo cóusas, jà 
compra, jà resgatà nossa almas de catividade de de- 
monio, assi té falla S. Fedro, nao com oura e prata, 
nao com terra, nem mar, nem mundo, mas com su 
infinitomente valioso sangue, que elle jà deremà atà 



243 



ultimo gotta né meo de penès e tromentos. Assi nossa 
alma tem astanto caro e valioso quilei o vida de Filho 
de Deos. 

E olhà que tanto o demonio té travaljà, qua tanto 
incommodo té toma, que tanto méos té empregà per 
panhà hum alma né sua catividade. Hum dia elle jà 
leva per Jesus per hum montanha, e jà mustrà todo 
cóusas bunito, richo e agradado que tinha né mundo, 
e assi jd falla per elle: «Si vós té dà per mi vossa alma, 
eu lo dà per vós todo este cóusas que vós té olhà». Este 
modo elle jà dà sabé que hum alma tem mais valioso 
e estimado doque todo ótro cóusas de mundo. 

E nossotros que estima^ao té fazé de nossa alma? 
Quemodo nossotros té cuidà per gardà puro e limpo 
este imajo e espélho de Deos? Quemodo nossotros té 
defendé este thesouro cónter nossa ladraos? Hum pes- 
son quem té commetà peccado, nao ama per su alma, 
parque o peccado tem quilei hum serpente que té morde 
per nossa alma e té bota sua veneno né ella. O rey 
David té falla que hum home quem té fazé hum mal- 
dade, elle té odia per su alma; que quemseja que té 
fazé hum peccado, elle tem enemingo de su alma. 

IL Vamos nós agorra considera segundomente que 
hum peccador nué namàs té fazé hum grande offenda 
per Deos, mas tambem té causa hum grande ruina^ao 
per si-mésmo; vidèquél quemseja que té perde sua alma, 
elle té perde todo: sua Deos, sua felicidade de céos e 
sua corpo mésmo; porque si o alma lo andà per en- 
ferno, o corpo numpodé andà per céos. Si per nosso- 
tros tinha dós almas, perdindo huma, nossotros podla 
salva ótra. Mas per nossotros tem hum alma namais; 
e si nossotros té perde este per causo de nossa pecca- 
dos, todo cóusas tem perdido per nossotros, e aquè- 
Ihora nossa riquézas, honras e ótro bems de mundo 
nada servi per nossotros. E si nossa alma lo fica per- 
dido hum vez namais, ella lo fica perdido sempre e 
eiernomente ; parque o fé té ensinà que o alma nada 



244 



morré, nada cabà, mas lo vive sempre, ou né céos ou 
né enferno. Mas né céos lo entra aquél almas namais 
quem tem imajo e retrato de Deos; e aquél almas quem 
tem imajo e figura de demonio, lo fica condinado per 
suffri todo calidade de penès e tromentos sem nada 
cabà. Poristo nossa Salvador té pruntà: «Que cóusa 
tem proveitado per hum home, si elle té ganhà todo 
mundo, mas té perde sua alma?» Que lo proveità per 
hum home, que fruito elle lo carta de todo sua riqué- 
zas, honras, allagrias, pastempos, si elle té perde su so 
alma? Nada, vidèquél o enferno lo ser sua morada per 
todo eternidade. 

Mas comtodo, si vivendo conforme de o mandamen- 
tos de Deos, nossotros lo alcanna o salva^ao de nossa 
almas, aquelhora nossa. pobréza e miseria, nossa des- 
prézos, tribula^aos e suffrimentos de este vida lo servi 
per nossa proveito e consolacao, per crescente nossa 
gloria e felizidade né reyno de céos. 

Si este tem verdade, si nossa alma tem hum the- 
souro astanto bunito e precioso, quemodo té suste que 
jtstanto hòmes té vendè aquél per demonio per hum 
pequinino preso, per hum leve prazero e satisfa^ao, que 
té cabà prestomente. Quemodo té suste que astanto 
homes té travaljà com todo sua fórca per causo de sua 
corpo, per busca sua saude e bondade, e té desprezà 
e descuidà per sua alma, quem tem mais melhor doque 
o corpo? Sabé parque? Parque, assi té falla o Escri- 
ptura Sagrado, o numero de dódos tem infinito; este 
té emende que mais grande parte de homes tem dó- 
dos, e pòco homes tem verdadeiromente cizo. 

Mas nossotros nummisté segui per o exemplo de dó- 
dos e virados, nossotros miste segui per o ensinamen- 
tos de Nossa Senhor Jesus Christo, quem tem nossa 
guiador e quem té falla per nossotros: «Busca primei- 
romente o reyno de Deos e sua gloria, e todo ótro 
cóusas lo ser crescentado per vossotros». Nós miste 
alembrà que nossa alma tem muito bunito e valioso, 



245 



que ella tem hum namais e que nada morré ; e poristo 
nós miste ama, estima e honrà este thesouro mais do- 
que todo ótro cóusas, mais doque nossa proprio vida; 
vidèquél si Deos jà cria per nossotros e té conserva 
atà hoje, nué per ótro cabo, mas per alcanna o salva- 
^ao de nossa alma; e o Espirito Santo té falla per nos- 
sotros per gardà o alma com muito cuidan^a e cautela 
cónter todo inimizades. Si nossotros assi lo fazé, nós 
lo alcanna socego e tranquillidade de consciencia né 
este vida, e despois de morte o gloria eterna né reyno 
de céos. Assi seja. 

DOllNGA III DO ADYENTO 

Sobre o$ melos da saiYaf io 

Dirigile viam Domini. 
«Fazé dreito o caminho de o Senhor». 
Joan , I, 23. 

Todo homes té desia per fica salvado e per possibé 
o gloria de o reyno celestial. Mas per ganhà o céos tem 
nistade per andà né caminho dreito que té leva per o 
eterno gloria; e este caminho tem o gardamento de 
mandamentos de Deos. Poristo né evangelho de este 
dia S. Joao Bautista té grità, corno jà falla o propheta 
Isàias: cFazé dreito o caminho de o Senhor: Dirigite 
viam Domini. Mas per andà cada sempre né caminho 
de o Senhor, sem vira né hum bando nem né ótro, 
miste fazé usancia de justo e proprio méos. Este méos 
tem: i.® per desconfià de nós mésmos; 2.® per confià 
né Deos e 3.® per bacia e vencà o tenta^aos.Vidèaquél 
deixà-nós considera tocando este tres pontos. 

I. Primeiromente, nós miste desconfià de nós raésmo. 
O apostolo S. Paulo té falla: e Com meido e tremedura 
travaljà né vossa salva^ao». Per alcan9à o etemo gloria 
né céos, nós té nistà sempre per trimi e fica meido, e 



246 



desconfia de nossa fór^a, parque sem judan<;a de divino 
gra^a e favor nossotros numpodé fazé nehum cóusa to- 
cando nossa salvacao, corno tem ensinado de Nossa Se- 
nhor Jesus Christo: «Sem mi vós numpodé fazé nadai». 
E S. Paulo té crescentà que nossotros numtem mésmo 
copaz per lembrà bum bom idea, bum bom pensamento 
sem jùda e socoro de Deos. Vidèaquél muito miseravel 
tem o bome quem té gardà confian^a né sì-mésmo per 
marcbà né caminbo de o Senbor e per ganba o salva- 
cao de sua alma. 

Olbà que cóusa jd suste per S. Fedro, quem jà con- 
fià né si-mésmo. Jesus Cbristo jà falla per elle: «Este 
anoute ansque o gallo lo canta, tu lo nega per mi tres 
vez»: Mas S. Fedro jà confià né sua fór^a e boventade, 
e jà repostà: «Masque eu lo deve per morré com ti, eu 
nada nega per ti», E despois que jà fica feito? Aquél 
mésmo anoute que tempo nossa Salvador tinba agar- 
rado de o judeos e levado per casa de Caiphaz, S. Fe- 
dro, quem tinba ala, jà fica pruntado sì tinba disciplo 
de Jesus Nazareno, e elle jà fica todo encbido com 
meido, e jà nega tres vez per sua Senbor e Deos, e jà 
jurà que nùcu con'cé per elle. Olbà tambem que vide 
faltanqa de bumildade per o rey David, elle jà cabi né 
peccado; poristo despois de sua peccado elle tinba falla: 
«Ansque eu tinba bumilbado, eu jà offendè per Deos. 

E o Espirito Santo té ensinà que benzido tem o 
bome quem té fica sempre meido tocando sua salvacao ; 
vidèquél quebora elle nao gardà confian^à né sua for^a 
e capazdade, elle busca per evita cassiaos perigoso, elle 
té pedi bastanto vez jùda de Deos, e assi sua alma té 
fica livrado de peccado. Mas o bome quem nuntem 
meido e té confià né si-mésmo, elle té corre lestemente 
per o perigo de pecca, elle pòco vez té falla oracao per 
Deos, e assi elle té cabi né peccado. Né este mundo de 
tenta^aos nossotros sempre tem né perigo de commetà 
todo sorte iniquidades e peccados, si Deos nao sustentà 
e nao dà fórca per nossotros. Foristo nós miste cadabora 



247 

pedi per elle per gardà per nossotros basso sua mao e 
per judà per nós né nossa nistades, troublacaos e perigos. 

IL Segundo mèo per andà dreito né caminho de o 
Senhor tem o confian^a né Deos. Si vossotros ja cahi 
né desgraga de offende per Deos e de ser condinado 
per enferno; si o demonio té falla per vossotros que 
vossotros nummisté confià né Deos, parque vossotros 
tem grande peccadors, vossotros nummisté fica deses- 
perado, vidèquél o desesperacao tem grande hum pec- 
cado. Si vossas peccados tem astanto quilei o estrellas 
de firmamento; si vossas peccados tem astanto quilei 
o aria que tem né bordè de màra; si vossas peccados 
tem astanto quilei o folhas de albres que tem né mundo, 
vossotros nummisté larga vossas esperan^a, vossotros 
rtiisté sempre confià né bondade e misricordia de Deos, 
quem tem nossa pai amaroso, quem té fazé grande cui- 
da^ao de nós, e té desia muito per salva per todos nos- 
sotros, quem tem sua filhos. Vossotros tem obrigado per 
alembrà que nehum pesson nùcu confià né Deos e jà 
fica ruvinado; vossotros tem obrigado per fazé repen- 
ta^ao e penitencia de vossa peccados mais diantado e 
per forma hum firme proposito e inténcia per nao pecca 
mais; vós tem obrigado per larga per vós mésmo né 
mao de Deos, e per fica seguro que Deos lo sinté pia- 
dade e compaixao per vossotros e lo salva per vosso- 
tros de enfemo. «Lan?à tua cuidan^a sóber Deos, assi 
té falla David, e elle lo sustentà e gardà per ti». 

Ouvi que cóusa té falla o propheta Isàias: «Aquel pes- 
sons que té confià né o Senhor, ellotros lo ganhà novo 
fór9as, ellotros lo tem azas quilei aguias, ellotros lo 
corre e nada fica can^ado, ellotros lo marchà e nada 
fica fraquéza». 

Quehora o demonio té tenta per vossotros, papiando 
que tem muito difficultado per para né gra^a e favor de 
Deos, e que tem mais melhor per perde vossa confianca, 
vossotros miste repostà, quilei té falla S. Paulo: «Eu 
tem copaz per fazé todo cóusas né aquél quem té con- 



248 



fortd par mi. Eu numpodé fazé nada per mi mésmo, 
mas eu té esperà e confìà né Deos, que per mèo de 
sua gra^a e juda eu lo podé fazé todo cóusas». 

III. O terceiro mèo tem o bacladura cónter o tenta- 
caos. O santo Job té falla que o vida de home né mundo 
tem quilei hum contino guerra. E este guerra nuvé com 
inimizades de nossa corpo, mas com inimizades de nossa 
alma, comò té dedarà S. Fedro, que o diabo, quilei hum 
liao bramindo, té andà de redor buscando per quem elle 
podé ungli; per quem miste resistè firme né o fé. 

Este tem hum verdade que Deos podé livrà per nós 
de tenta^aos, si nossotros té recorré per elle e pedi su 
jùda. Mas multo vez Deos querré que nossotros tambem 
té travaljà de nossa bando per bacia e vencà o tenta- 
^aos; elle querré que nossotros té roga e supplica per 
sua jùda e favor; que nossotros té cahi posto de inju- 
velhos né sua presencia; que nossotros té gemè e chorà; 
que nossotros té mortifica nossa corpo; que nossotros 
té fugi o cassiàos peccaminoso, si nossotros nao desia 
per cahi né lastro de o diabo. 

Dekà-nós cadahora alembrà aquel palavras de Sa- 
grado Escriptura: «Estreito tem o porta, e apertado o 
caminho que té leva per vida, e pócos tem quem té entra 
né aquéU. Este té intindé que quemseja que tem hum 
sinceiro e verdadeiro vontade per alcanna o salva^ao de 
sua alma, elle miste larga per o grande e lichim cami- 
nho de allagria e contentamentos, que té leva per ruino 
e perdi^ao e miste segui per o caminho estreito de ora- 
<;ao, penitencia e mortifica^ao, que té leva per o gloria 
de céos. O caminho de céo^ tem enchido com espinhos 
e marguras, e quemseja que ninquer marche per este 
caminho, elle tem hum culpador, elle tem hum matador 
de sua alma, elle numpodé fica salvado. 

Olhà quemodo o santos jà travaljà per salva su almas, 
que mortificacàos jà fazé, que afflicaos e tromentos jà 
padecé; e deixà-nós alembrà que nossotros tambem 
miste fazé este mésmo modo; vidèque nuntem dós 



H9 



caminhos per andà per céos, tem hum caminho namaìs; 
e este caminho tem per desconfìà né nós mésmo, per 
esperà e confià né bondade de Deos, per evita e fugi o 
tenta^aos, per gardà o mandamentos, per recebé o sa- 
cramentos, per segui o exemplo de Jesus Christo, quem 
tem nossa Senhor e ensinador. 

Vidèaquél sì vossotros té desia per salva per vossas 
aimas e per fica santos, toma hum firme resolu^ao per 
entragà per vós mésmo né mao de Deos, fazé usancia 
de aquél méos que eu jà mustrà; né hum palavra, fazé 
drcito o caminho de o Senhor, e o Senhor lo dà per 
vossotros su gra^a né este vida, e despois de morte o 
premio de vida eterno né reyno de céos, onde vós lo 
canta sua gloria né compànha de anjos e santos, e lo 
ser etemomente feliz e venturoso. Assi seja. 

SOBRE HATAL 

Transeamus usque ad Bethlehem, et videamus. 
«Vamos nós andé atà per Bethlehem e olhà». 

Lue, II, i5. 

Dezenove seculos mais diantado, minha amada ir- 
màos, né 25 de decémber, né mèo anoute, hum anjo 
de o Senhor, todo brilhante e fremoso, jà discé de 
céos sóber o cidade de Bethlehem, e jà parcé per o 
pastors quem tinha ala viziando sua ranchos, e assi 
jà falla per ellotros: cEu té trizé per vossotros bom 
nóves de grande ailagria, que io ser per todo gentes: 
que hoje per vossotros tem nascido né o cidade de Da- 
vid hum Salvador, quem tem Christo o Senhor. E este 
lo ser hum sinal per vossotros : vossotros lo ascertà per 
o crian^a embrìado né loiros, deitado né hum manja- 
dourat. E subitomente tinha com o anjo hum compà- 
nha de o exercito celestial, louvando per Deos e fal- 
lando: «Gloria per Deos né altissimo, e né terra paz 
per gentes de bora vontade». Aquél pastors elhando e 



25o 



ouvindo este cóusas, jà fica todo maravilhado e com 
espanto, e jà falla huma per ótro: «Vamos nós agorra 
andà atd per Bethlehem e olhd este cóusas que jà 
suste ».• 

Este mésmo modo, amada irmaos, o Santo Mai de 
Igreija té falla hoje per nossotros: «Deixà-nós andà, 
christaos, atà per Bethlehem, e olhà com ólhas de fé 
que menino tem este e parque elle jà nasce este modo. 
Transeamus usque ad Bethlehem, et uideamus, 

Estelei que jà nasce, tem o segundo pesson de SS. 
Trindade, o Riho de Deos Padre, o Criador de céos 
e de terra, o Senhor de o senhors e o Rey de o reys. 
E per causo de nossa amor elle jà nasce né hum man- 
jadoura quilei hum pobre e coitado, per fazé nossa re- 
demp^ao e per dà per nossotros hum bom ensinamento. 
Vidèaquél todo cóusas que tem né mundo, comò té 
falla S. Joao apostolo, tem o cubica de o carne, cubica 
de o olhos e grandéza de vida. Este té ìntindé, que pri- 
meiromente nós té busca per contenta nossa corpo com 
méos justo e injusto, que segundomente nós té travaljà 
com todo nossa fórga e podéra per alcancà riquézas, 
ainda com méos falso, e que terceiromente nós té fica 
enchido e soberbo de nossa honra e grandéza. 

Mas olhà quemodo o Menino Jesus desde sua nas- 
cemento té ensinà per nós per mortifica nossa corpo, 
per nao deixà todo nossa cora^ào né riquézas, e per 
fica humilde e brando. 

I. Primeiromente, o Menino Jesus tem puro e limpo, 
né sua alma nuntem nehum deslimpéza de peccado; 
per elle nuntem nistade per fazé mortifica^ao e peni- 
tencia e per sufifri priva^àos e faltan^as. Mas comtodo 
elle té nasce né hum estreito curai, né que sua fendas 
té suffrà dentro hum vento frio e nuvens de orvalho; 
que sua chao tem enchido com humidade e tem cuberto 
de sujidade. Elle té nasce né hum manjadoura né mèo 
de dós animals, que com sua respiracao té dà quen- 
tura per elle. Rompido loiros té cubri sua corpo, e elle 



25l 



té dromi sóber palha massado basso pés de bestas, 
que té fazé coceir e té feri per sua brando membros. 
Sua Mai té olhà per elle sua nistades, e té fica com- 
movido e lastimado, e té falla com si-mésmo: Este 
tem o Senhor de céos e de terra, e té parcé né mundo 
quilei pobre coitado, par quem todo cóusas tem faltado. 
E elle té chorà e trimf, e té padecé nistades e faltancas 
de todo calidade. 

Assi elle té fazé; e nós? nossotros quemodo té pro- 
cede? Nossotros té fica can^ado, nós té fica bórrecìdo, 
nossotros té perde pacencia per travaljà e sufFri afflic- 
^aos e faltancas, per falla ora^aos, per ouvi o palavra 
de Deos, per recebé o sacramentos, per gardà jinjums; 
nossotros té desia per contenta per nossa paixaos cónter 
o mandamentos de Deos. Mas nossotros nao alembrà 
que o mundo tem enganador, que nossa verdadeiro 
felizidade tem né céos, e que si nossotros nom fazé 
penitencia e mortificacao, nossotros lo fica ruvinado 
sempremente. 

IL Segundomente, este menino tem Rey de o reys e 
dominador de o dominadors; elle podia nasce né mèo 
de riquézas e cómforts, elle podia nasce de bum grande 
rainha. Mas onde tem sua palaso, sua majestado, sua 
córte, sua servidors, sua vestimentos de perlas e aljo- 
fres, sua alfada de damasco, sua cama dourado com 
cortinas de porpora? Per elle nontem lugàra né casas 
de todo aquél cidade. Hum curai sujo tem sua palaso, 
palha massado de ranchos tem sua majestado, animals 
tem sua servidors, pastors tem sua córte, velho e rom- 
pido panos tem sua vestimento, sujo chao tem sua tor- 
til, e carpinteiro sua mulher tem sua Mai. 

Acà tem o estado de Filho de Deos, de Criador de 
céos e de terra. Mas nossotros té fica encantado com 
riquézas, nossotros té dessà né aquél todo nossa lem- 
branca e todo nossa coragao; nossotros té lembrà que 
per nós nuntem nistade de Deos; nossotros té desprezà 
per sua santo lei; nossotros té busca per Juntà riquézas 



2b2 



com ladrovi^as, com mal artes e engana^aos; nossotros 
nao paga nossa dévidas. Mas nossotros nùcu nao alem- 
brà que este modo nossotros té fazé leste lenha per 
fogo de enfemo; nossotros nao lembrà que o peccado 
nadè ser perdoado, si nós nadè retomà per sua senhor 
o cóusas que nós jà furtà; nossotros nao lembrà que o 
Sagrado Escriptura té ensinà que si nossotros lo ascertà 
e alcanna riquézas, nossotros nummisté dessà né aquél 
nossa cora^ào. 

III. Terceiromente, bum Deos infinitomente perfei- 
tado, quem sua presencia té fazé trimi e fica meido 
pero cherubims e seraphims ; quem sua palavra enteiro 
o mundo té obedecé, per causo de bum criatura, quem 
tem bome desgardecido e soberbo, elle té bassa e bu- 
milià astanto que té toma nossa miseravel naturéza. 
E elle nao fica contentado com este, elle té nasce de 
bum pobre Virgem, né manjadoura de animals, né mèo 
anoute; elle té dromi sóber bum pòco de palba. 

Tem nós, amada irmaos, tem nós capaz per lembrà 
mais grande bumildade? Mas nossotros té fica encbido 
com soberba e altividade, nós té fazè grande pomporia, 
si per nossotros tem album cizo, si nossotros té prende 
album cóusa^ si nossotros té alcanna album bonra e 
dignidade, si nossotros té juntà album dinbeiro. Aquèl- 
bora nossotros nao respeità per nehum pesson, nosso- 
tros té lembrà que todo ótros tem mais basso do que 
nossotros, que nossotros tem quilei Deos. Mas com- 
todo nossotros nao considera que aquél Lucifer tam- 
bem tinba lembrà per ser ugualado e semelbante per 
Deos; mas que jà suste? Nossa Salvador té falla que 
elle jà olbà per elle per cahf né enferno quilei bum 
luminairo. 

Verdadeiromente, amada irmaos, o dia de boje tem 
de grande festa e allagria. Mas per servi este allagrìa 
per gloria de Deos e per nossa proveito, nossotros nistà 
sigui per o exemplo de Menino Jesus, vidèquél elle tem 
bum espelbo per emenda nossa defeitos. Nós miste fica 



2D:> 



alimpado de peccado, e assi entra quilei santos né novo 
anno. Si vossotros assi Io fazé, vossas allagrìa lo ser 
verdadeiro allagria né este mundo e despois Io ser per- 
feitado né céos. Assi seja. 

SOBBE A CIBCUICISiO 

Postquam consummati sunt dies octo, ut circum- 
cideretur puer^ vocatum est nomen ejus Jesus. 

«E cando outo dias tinha passado per o circum- 
cisao de o menino, sua nome tinha chomado 
Jesus». 

Lue, U«2I. 

Né dia de hoje o Santo Mai de Igreija té fazé lem- 
branca de circumcisao de Nossa Senhor Jesus Christo. 
Circumcisao tinha hum cerimonio de antigo Testamento, 
que Deos jà ordina per gardà per Abrahao e todo sua 
gera^ao, quilei hum sinal de povo de Deos. Todo crianca 
macho tinha obrigado per fica circumcidado outo dias 
despois de sua nascemento. 

Nossa Salvador numtinha obrigado per gardà este 
lei, vidèquél ella su author tinha elle. Mas nossa Se- 
nhor jà querré fazé este cerimonio, quilei ótro meninos 
judéos, per dà hum bom ensinamento per nossotros, per 
mustrà per nós com sua exemplo, qui si nossotros té 
disia per tem sua verdadeiro disciplos, nossotros miste 
gardà fielmente o mandamentos de nossa santo religio, 
per cumpri o obriga^aos de nossa estado e per alcanna 
o perdao de nossa peccados per meo de mortificacaos 
e padecementos. 

Mas nossotros, amada irmaos, nossotros quemodo té 
recebé e observà sua ensinamentos ? Nossotros té tra- 
valjà com todo méos per offendè per Deos e per que- 
brà sua mandamentos ; e si nossotros té fazé hum bom 
e doloroso confesso, torna nossotros té cahi né mésmo 
peccados on né ótros mais peior, e assi nós té fica sem- 
pre peccadors e enemingos de Deos. E si né este estado 



254 



o morte lo vi sóber nós, aquelhora nós lo ser certo- 
mente condinado'' per o castigo de enferao. 

Olhà que mais hum anno jà cabà e hoje té cum'sa 
bum novo anno, e considera que tanto pessons jà morré 
né anno que jàfoi, quem nùcu iembrà que ellotros lodia 
morré astanto prestomente, e intindé que tambem este 
novo anno podé ser trazeiro per vossotros; vidèquél o 
morte nào fazé differencia ànter velhos e macéos, ànter 
richos e pobres, ànter home quem tem saude e home 
quem tem dissaude; aquél té visita per todo sorte de 
pessons. 

Este tem hum verdade que nós tudos té sabé bem- 
feito, que o experencia té ensinà todo o dias, que nósso- 
tros té olhà com nossa proprio óihas ; mas nossotros nao 
fazé nossa vida conforme de este verdade, nossotros 
nao prepara per bem morré, nossotros té perde né ótro 
cóusas o tempo que Deos té concedè per nossotros né 
sua infinito misericordia. Este numtem proveitado, este 
tem virado ; vidèquél nossotros numpodé ascertà né este 
mundo ótro cóusa mais melhor doque o tempo, parque 
si nossotros lo fazé bom usancia de tempo, nossotros 
lo ser santo e venturoso né céos ; e si nossotros Io fazé 
mal usancia, nossotros lo tem ardindo né flama de en- 
ferno, onde nossotros lo chorà aquelhora e lo falla: «Si 
eu lodia achà hum sumana, hum dia, hum bora namais, 
eu podia fazé repentacao de minha peccados e fica sal- 
vado; mas este sumana, este dia, este bora eu nada 
achà, vidèque o tempo jà cabà per mi, e eu miste sufFri 
castigo acà per todo etemidade.» 

Olhà, minha amada irmaos, que Deos té concedè per 
nossotros hum grande favor, que elle nùcu concedè per 
multo ótro homes: elle jà mustrà per nossotros este 
novo anno. Vidèaquél nossotros miste gardicé per elle 
per todo benificios espiritual e temporal que nossotros 
jà recebé né anno que jà cabà, e si nossotros té alem- 
brà que nós jà offendè per elle, nossotros miste alimpà 
nossa consciencia com hum bom confesso, nossotros 



2D3 



misié emenda nossa defeitos mais diantado, e quilei 
novo homes eritrà né novo anno; nossotros miste toma 
hum resolu^ao per fazé hum vida santo conforme de 
o lei de Deos e per pedi elle sua graca e favor bas- 
tanto vez ; nossotros miste considera ansque fazé album 
cóusa, si aquél tem proveitado per nossa alma, ou si 
aquél nuntem bum causo de ruinacao per nossa alma; 
e mais do que todo nossotros miste lembrà né nossa 
morte, parque, comò té falla o Espirito Santo, o lem- 
branca de morte tem muito proveitado per evita per 
o peccados. 

Este tem o modo per passa santomente o novo anno; 
£ si vossotros assi lo fazé, vossotros lo fica verdadeiro- 
mente feliz; e este eu té desia per vós tudos com todo 
minha cora^ao. Assi seja. 



INDICE 



Dedicatoria v 

Preambulo vii 

Intkoduccào XIM 

PARTE I 
GRAMMATICA 

I. Phonologia 3 

I. Vogaes: 

Oraes simples 4 

Ditongos oraes 9 

Nasaes 11 

Concorrencia de vogaes^ i3 

II. Consoantes: 

Simples 14 

Dobradas 22 

III. Syllabas 23 

IV. Accento e quantidade : 

Accento 25 

Quantidade 26 

II. MoRPHOLOGiA 27 

I. Substantivo 28 

Numero 29 

Genero 3o 

Graus de signifìca^ao. ... ! 3o 

II. Adjectivo 3 1 

Numero e genero 3 1 

Graus de significa^ao 32 

III. Nome numerai 33 



258 



IV. Artigo: 

Definido. 84 

Indefinido .^ 35 

V. Pronome: 

Pessoal 35 

Possessivo 36 

Demonstrativo 37 

Relativo e interrogativo 37 

Indefinido 38 

VI. Verbo: 

Fórma typica 39 

Participios 40 

Fórmas inorganicas 40 

Paradigmas dos verbos regulares 43 

a) Voz activa. — Conjuga^ao positiva 43 

b) Voz activa. — Conjuga<;ao negativa 44 

e) Voz passiva 45 

Verbos reflexivos e reciprocos 46 

Verbos auxiliares 46 

Verbos anomalos 49 

VII. Preposi^ao 5 1 

Vili. Adverbio 52 

IX. Conjunc^So 54 

III. Syntaxe 55 

I. Sujeito e predicado 55 

II. Complemento 57 

III. Particularìdades de diversos elementos do discurso : 

Nomes 60 

Artigo 61 

Pronomes 62 

Participios 62 

Preposi^oes 63 

Conjunc^oes 63 

IV. Compostos 64 

IV. Lexicologia 67 

PARTE n 
LITTERATURA 

I. BmUOGRAPHIA 77 

II. Anthologia 91 

Evangelho de S. Matheus 92 

Parabola do Filho Prodigo 98 



259 



O Bautìsmo de o Sepir de Philippi e Sua Familia 104 

O rogo de Senhor, o Crédo, e o Dez Mandamentos ... 106 

Natal sua passai 108 

O Azul Fite I IO 

Cantiga 273 1 16 

Cantiga 274 117 

Cantiga 3y 117 

Cantiga 59 118 

Passado Tempos 119 

Istori de Rey de Gris e Mestri Douban 120 

Istori de Ourson e Falenteyn 124 

Istori de San Clear de Ilja de Bara 1 26 

Maximas e proverbios 129 

Can^òes populares i3o 

PARTE ni 
VOCABULARIO 

Abreviaturas i33 

Vocabulario i35 

Phraseologia 182 

APPENDICE 
DISCURSOS SACROS 

Prefacio 193 

Sobre a Imita9ao de Christo 195 

Sobre a SS. Trindade 199 

Sobre o peccado mortai 2o3 

Sobre a esroola 206 

Sobre a Imita^ao de Maria Santissima 209 

Sobre Nossa Senhora da Boa Morte 212 

Sobre a maledicencia 218 

Sobre a importancia da salva^ao 222 

Sobre a morte 226 

Sobre o Rosario 229 

Sobre a diflìcxildade de salva^ao 233 

Sobre a fé 237 

Sobre a alma 241 

Sobre os meios de salvacSo 245 

Sobre o Natal 249 

Sobre a Circumcisao 253 



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ieaboa de imprlmir-se 

Aos 3i dias do mez de Julho do anno 
MDCCGC 

NOS PRKLOS DA 

Imprensa Nacional de Lisboa 

PARA A 

COMMISSÀO EXECUTIVA 

DO 

CENTENARIO DA INDIA 



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