(navigation image)
Home American Libraries | Canadian Libraries | Universal Library | Community Texts | Project Gutenberg | Children's Library | Biodiversity Heritage Library | Additional Collections
Search: Advanced Search
Anonymous User (login or join us)
Upload
See other formats

Full text of "Diccionario bibliographico brazileiro pelo doutor Augusto Victorino Alves Sacramento Blake .."

Google 



This is a digital copy of a book that was prcscrvod for gcncrations on library shclvcs bcforc it was carcfully scannod by Google as part of a projcct 

to make the world's books discoverablc online. 

It has survived long enough for the copyright to expire and the book to enter the public domain. A public domain book is one that was never subject 

to copyright or whose legal copyright term has expired. Whether a book is in the public domain may vary country to country. Public domain books 

are our gateways to the past, representing a wealth of history, cultuie and knowledge that's often difficult to discover. 

Marks, notations and other maiginalia present in the original volume will appear in this file - a reminder of this book's long journcy from the 

publisher to a library and finally to you. 

Usage guidelines 

Google is proud to partner with libraries to digitize public domain materiais and make them widely accessible. Public domain books belong to the 
public and we are merely their custodians. Nevertheless, this work is expensive, so in order to keep providing this resource, we have taken steps to 
prcvcnt abuse by commcrcial parties, including placing technical restrictions on automatcd qucrying. 
We also ask that you: 

+ Make non-commercial use of the files We designed Google Book Search for use by individuais, and we request that you use these files for 
personal, non-commercial purposes. 

+ Refrainfivm automated querying Do nol send aulomated queries of any sort to Google's system: If you are conducting research on machinc 
translation, optical character recognition or other áreas where access to a laige amount of text is helpful, please contact us. We encouragc the 
use of public domain materiais for these purposes and may be able to help. 

+ A/íJí/iííJí/i íJíírí&Hííon The Google "watermark" you see on each file is essential for informingpcoplcabout this projcct andhclping them find 
additional materiais through Google Book Search. Please do not remove it. 

+ Keep it legal Whatever your use, remember that you are lesponsible for ensuring that what you are doing is legal. Do not assume that just 
because we believe a book is in the public domain for users in the United States, that the work is also in the public domain for users in other 
countries. Whether a book is still in copyright varies from country to country, and we can'l offer guidance on whether any specific use of 
any specific book is allowed. Please do not assume that a book's appearance in Google Book Search mcans it can bc used in any manner 
anywhere in the world. Copyright infringement liabili^ can be quite seveie. 

About Google Book Search 

Googlc's mission is to organize the world's information and to make it univcrsally accessible and uscful. Google Book Search hclps rcadcrs 
discover the world's books while hclping authors and publishers reach new audiences. You can search through the full icxi of this book on the web 

at |http : //books . google . com/| 



Google 



Esta é uma cópia digital de um livro que foi preservado por gerações em prateleiras de bibliotecas até ser cuidadosamente digitalizado 

pelo Google, como parte de um projeto que visa disponibilizar livros do mundo todo na Internet. 

O livro sobreviveu tempo suficiente para que os direitos autorais expirassem e ele se tornasse então parte do domínio público. Um livro 

de domínio público é aquele que nunca esteve sujeito a direitos autorais ou cujos direitos autorais expiraram. A condição de domínio 

público de um livro pode variar de país para país. Os livros de domínio público são as nossas portas de acesso ao passado e representam 

uma grande riqueza histórica, cultural e de conhecimentos, normalmente difíceis de serem descobertos. 

As marcas, observações e outras notas nas margens do volume original aparecerão neste arquivo um reflexo da longa jornada pela qual 

o livro passou: do editor à biblioteca, e finalmente até você. 



Diretrizes de uso 

O Google se orgulha de realizar parcerias com bibliotecas para digitalizar materiais de domínio púbUco e torná-los amplamente acessíveis. 
Os livros de domínio público pertencem ao público, e nós meramente os preservamos. No entanto, esse trabalho é dispendioso; sendo 
assim, para continuar a oferecer este recurso, formulamos algumas etapas visando evitar o abuso por partes comerciais, incluindo o 
estabelecimento de restrições técnicas nas consultas automatizadas. 
Pedimos que você: 

• Faça somente uso não comercial dos arquivos. 

A Pesquisa de Livros do Google foi projetada p;ira o uso individuíil, e nós solicitamos que você use estes arquivos para fins 
pessoais e não comerciais. 

• Evite consultas automatizadas. 

Não envie consultas automatizadas de qualquer espécie ao sistema do Google. Se você estiver realizando pesquisas sobre tradução 
automática, reconhecimento ótico de caracteres ou outras áreas para as quEus o acesso a uma grande quantidade de texto for útil, 
entre em contato conosco. Incentivamos o uso de materiais de domínio público para esses fins e talvez possamos ajudar. 

• Mantenha a atribuição. 

A "marca dágua" que você vê em cada um dos arquivos 6 essencial para informar aa pessoas sobre este projoto c ajudá-las a 
encontrar outros materiais através da Pesquisa de Livros do Google. Não a remova. 

• Mantenha os padrões legais. 

Independentemente do que você usar, tenha em mente que é responsável por garantir que o que está fazendo esteja dentro da lei. 
Não presuma que, só porque acreditamos que um livro é de domínio público para os usuários dos Estados Unidos, a obra será de 
domínio público para usuários de outros países. A condição dos direitos autorais de um livro varia de país para pais, e nós não 
podemos oferecer orientação sobre a permissão ou não de determinado uso de um livro em específico. Lembramos que o fato de 
o livro aparecer na Pesquisa de Livros do Google não significa que ele pode ser usado de qualquer maneira em qualquer lugar do 
mundo. As consequências pela violação de direitos autorais podem ser graves. 

Sobre a Pesquisa de Livros do Google 

A missão do Google é organizar as informações de todo o mundo c torná-las úteis e acessíveis. A Pesquisa de Livros do Google ajuda 
os leitores a descobrir livros do mundo todo ao m esmo tempo em que ajuda os autores e editores a alcançar novos públicos. Você pode 
pesquisar o texto integral deste livro na web, em |http : //books . google . com/| 



■S/^ L. 100S, BoCé-^J . 



HARVARD COLLEGE 
LIBRARY 



FROM THE FUNDOP 

CHARLES MINOT 

CLASS OF 1828 



1 



$ 



/ 






. * A. » 



J 






\^'jti.'^' é 



i 



'O 



DICCIONARIO 



BIBLI0G6ÂPHIC0 BRÂZILEIBO 



PELO DOUTOR 



Jliipslo lãictorino Jlfops Sneromento iJfui 



e 



NATURAL DA BAHIA 



SEXTO VOLUME 



yxw«^fcww>J 



RIO DE JANEIRO 



1900 



7? fc y -A a. i ?i ' ^. ' c 




^]lu^Y<^ 



\\ 



Ho appendice a este volume, além das correcções, e accrescimos, se 
\ incluem alguns artigos novos, que s&o dos seguintes autores : 



Maneio Caetano Ribeiro. 

Manfredo Alves de Lima. 

Manuel Augusto de Alvarenga. 

Manuel Benicio. 

Manuel Bernardo Calmon du Pin e Almeida. 

Manuel Buarque de Macedo, 2o. 

Manuel Dantas. 

Manuel Esperidiôo da Costa Marques. 

Manuel Félix de Alvarenga e Silva. 

Manuel Gomes de Mattos. 

Manuel José da Costa, Barão das Mercês. 

Manuel José Gomes de Freitas. 

Manuel Martins Gomes. 

Manuel de Meirelles Pereira Guedes. 

Manuel Pereira Teixeira. 

Manuel Rodrigues da Silva. 

Manuel Segundo Wanderley. 

Manuel da Silva Rosa, 2o. 

Mário Franco Vaz. 

Mário Pinto de Souza. 

Matheus da Cunha Telles. 

Frei Miguel de S. Carlos. 

Miguel Couto dos Santos. 

Moysés Marcondes de Araújo. 

Narciso José de Moraes. 

Narciso do Prado Carvalho. 

Nestor Dias. 

Nilo Moreira Guerra, 



II 



^ 



Nuno Lossio. 

Octacilio Aureliano Camêllo de Albuquerque 

Olavo Eloy Pessoa da Silva. 

Oscar Frederico de Souza. 

Oscar Guanabarâo. 

Oscar Guanabarino. 

Oswaldo Poggi de Figueiredo. 

Paulo José Pereira de Almeida Torres. 



I 



DlCCIOimO BIBLIOGRAPHiCO BRAZILEIRO 



M 



Malaquias Avivares dos Santos — Filho do major José 
Alvares dos Santos o dona Leonor Joaquina de S. José, nasceu na ci- 
dade da Bahia a 3 de novembro de 1816 e folleceu a 25 de novembro 
de 1856. Cirurgião approvado pelocollegio medico-cirurgico e doutor em 
medicina pela faculdade da Bahia, apresentoa-se em concurso a uma 
cadeira de substituto da secção de sciencias accessorias dessa &culdade 
no mesmo anno, em que recebeu o annei do doutorado, só conseguindo 
a nomeação depois de outro concurso em 1841, passando em 1855 
por occasião da reforma das faculdades medicas, a lente cathedratico, 
de medicina legal. Foi elle o primeiro que no Brazil fez ensaio da luz 
eléctrica na noite de 1 de julho de 1855, illuminando de uma das janellas 
da faculdade de medicina a praça do Conde d'Eu, onde se acha este 
estabelecimento, por occasião de passarem incorporados para a Lapinha 
06 hatalhOes patrióticos para os festejos do dia 2 de julho. Era cavalleiro 
da ordem de Christo, membro do conselho de salubridade, sócio do 
antigo Instituto histórico bahiano, eiimio philologo e litterato. 
Gozando sempre do respeito e considerações de seus discípulos, assim 
como de seus collegas da congregação, discutia com aquelles em 
associações de lettras, como a sociedade Instructiva, fundada em sua 
província e composta, quasi em sua totalidade, de estudantes de pre- 
paratórios e de medicina, e escreveu : 

— O estudo da physica^ quer experimental, quer analytica, ô es- 
sencial à instrucção medica, these apresentada e sustentada a 23 de 
agosto de 1839 para obter o grão de doutor em medicina. Bahia, 1839, 
36 paga in-4o. 

419 Vol. VI — 1 



2 MA. 

^ Dissertação sobre os caraotaros dos três reinos da natureza, 
apresentada e sustentada no dia 14 de outubro de 1839 no concurso 
para a cadeira de substituto da secção das sciencias accessorias. Bahia, 
1839, 15 pags. in-4o. 

— Quaes as applicaçôes das sciencias accessorias ao estudo e pratica 
da medicina em geral e da therapeutica em particular: these apre- 
sentada e sustentada no dia 1 de julho de 1841 para o logar de sub- 
stituto da secção accessoria. Bahia, 1841, 42 pags. in-4o. 

— Memoria histórica dos acontecimentos notáveis de 1854, apre- 
sentada á faculdade de medicina da Bahia. Bahia, 1855 — O autor faz 
uma anaiyse do estudo da medicina desde sua instituição, assignalando 
suas diiferentes phases. E* a primeira memoria histórica da faculdade 
da Bahia. 

— Epidemia de cholera-morbus. Instrucções sanitárias populares 
para o caso de manifestar-se aquella epidemia entre nós. Bahia, 1855, 
8 pags. in-4°. 

— Conselhos aos proprietários de fazendas ruraes ( acerca do tra- 
tamento do cholera-morbus). Bahia, 1855, 8 pags. in-4'> — Este eo 
precedente escripto são assignados também pelos outros dons membros 
da commissão de hygiene publica. ( Veja-se Manoel Ladislau Aranha 
Dantas.) Ha» além disto, vários discursos introductorios ao estudo de 
chimioa medica e princípios elementares de mineralogia, publicados 
em opúsculos e trabalhos em revistas, como: 

— Responsabilidade medica : lição do curso de medicina legal -^ 
publicado no Prisma^ serie 2% 1855, pag. 245 e segs. e nos Annaes 
Brasilienses de Medicina^ tomo 14, 1860-1861, pag. 77 e segs. 

— O doutor Francisco de Paula Araújo e Almeid a( biographia )— 
No ArchiiDo Medico Brazileiro^ tomo 4°, 1847-1848, pags. 44 a 47 e no 
Athenêo, da Bahia, 1849-1850, pags. 138 a 140 e 156 a 158. O dr. Ma- 
laquias foi quem redigiu: 

— O Mosaico : periódico mensal da Sociedade Instructiva da Bahia. 
Bfl^ia, 1845 a 1847, 2 vols. o primeiro ln-4'' e o segundo in-fol. de 
duas columnas, de 16 pags. cada numero. Em todos os números deste 
periódico ha escriptos seus, em alguns números mais de um, e destes 
citarei: 

— Instrxtcção publica — no8 1 ® e 2° volumes. 

— Mineração na Bahia — nos 1* e 2" volumes. 

— Sciencias moraesi traducção áo^Ecko du Mond «Siavaní » — no 
n. 5 do 2» volume. 

-«- Instituição dos surdos-mudos — n. 8% idem. 
•^ Os curandeiros'^ no mesmo numero, idem. 



MA- 3 

— Fabrico do assucar — no n.'9®, idem. 

— As pei-olas -^ noB ns. 9, 13, 15 e 16, idem. 

— O fogo santhelmo'- no n. 10, idem. 

Malaquias António Gronçalves — Filho do co- 
ronel Domingos José Gonçalves e dona Torquata da Cunha e Silva 
Gonçalves, nasceu no Brejo, Maranhão, pelo anno de 1845 e é doutor 
em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, perante a qual apre- 
sentou-se depois em concurso a um logar de lente substituto. Serviu, 
quando estudava, como interno da clinica medica e cirúrgica da 
faculdade e como alumuo pensionista do hospital da corte ; foi membro 
do Instituto académico, do Instituto cirúrgico de observação e do 
Athenêo medico. Escreveu: 

— Do diagnostico e tratamento das moléstias do oriâcio esquerdo 
do coração ; Da digitalis e suas preparações pharmaceuticas ; Hyper- 
trophia do coração ; Hemorrhagia pela acupressura: these apresentada, 
etc., e sustentada na augusta presença de S. M. o Imperador a 30 de 
novembro de 1868. Rio de Janeiro, 1868, 162 pags. in-á*». 

— Da influencia do traumatismo sobre o organismo: these apre- 
sentada á faculdade de medicina, etc, para o concurso a um logar de 
lente substituto da secção de sciencias cirúrgicas. Rio de Janeiro, 1881, 
in-4« gr. Redigiu: 

— Revista do Athenêo medico. Rio do Janeiro, 1867, in-4« — e col- 
laborou para revistas medicas com trabalhos, como: 

— Osteo-sarcoma do maxillar superior iliroito ; reducção completa 
deste osso por meio de serras de cadeia ; cura — No Movimento Medico^ 
1876, pag. 41 e segs. 

— Esmagamento do braço direito com fractura comminutiva do 
humerus em grande extensão ; desarticulação scapulo-humeral ; cura 
— Na Gazeta Medica da Bahia, tomo 6°, 1872-1873, pag. 57 e segs, 

Malaq.uias JTosé Netto — Natural da Bahia e nascido 
pelo anno 1815, foi pharmaceutico pela faculdade medico-cirurgica desta 
província, em cuja capital exeixseu sua profissão. Passando depois a 
estabelecer-se no Rio Grande do Sul, ahi falleceu. Escreveu: 

— O livro das gentes : primeiro eusaio^do medicina para o curativo 
e regeneração dos doentes servindo do manual instructivo ao povo, à 
Dobi^eza, e ao clero para o âm de evitar-se os males e perigos das 
grandes quantidades dos romedios pharmacologicos da medicina de 
médicos, curando-se das moléstias pelos meios mais profícuos e inuo- 
centos. Reimpresso pelo pharmaceutico, etc. Rio de Janeiro, 1854, in-4^ 



MaIvího da Silva Reis — Negociante da praça do Rio 
de Janeiro* coronel commandante do primeiro corpo de cavallaria da 
guarda nacional, commendador da ordem da Rosa, commendador da 
ordem de Chrlsto de Portugal e da ordem de S. Gregório Magno, de 
Roma, escreveu: 

— Proposta apresentada ao Corpo legislativo pelo Dr. Honório 
Augusto Ribeiro e commendador Malvino da Silva Reis para a creag&o 
de um banco de credito real, etc. Rio de Janeiro, 1880, in-8^. 

— Situação económica do Brazil. Exposição apresentada à com- 
missão especial, nomeada pela commissão commercial desta praça a 2 
de maio de 1884. Rio de Janeiro, 1884, in-8". 

-^ O Brazil politico, industrial, agrícola e commercial. Rio de Ja- 
neiro, 1884, in-8o — O autor, expondo com toda circumspecção e clareza 
as condições politicas, iodustriaes, agrícolas e commerciaes do Brazil» 
tem por âm fazer o paiz conhecido no estrangeiro e promover a 
acquisiçSo de braços úteis ao seu desenvolvimento. Este trabalho foi 
traduzido em inglez, quando se tratava da emigração chineza para o 
Brazil. 

Mamecie Jomé Oomes da, SilvA ^ Natural da pro- 
vincia de S. Paulo, falleceu no Rio de Janeiro em setembro de 1864, 
sendo presbytero do habito de S. Pedro, doutor em direito pela facul- 
dade de sua proviDcia e professor de latim no curso annexo á mesma 
faculdade. Dedicou-se à tribuna sagrada e cultivou desde criança a 
musica, assim como seu collega e contemporâneo o padre Fortunato 
Gonçalves Pereira de Andrade, de quem distinguiu-se pelo estylo alegre 
e vivaz, contrario ao deste, que era melancólico e terno. Foi deputado 
provincial e escreveu nessa arte muitas peças profanas, para comedias 
e vaudevilles, árias, contradanças, etc. e sacras, como ladainhas, missas» 
antífonas, etc. — De seus sermões conheço apenas: 

— Oração fúnebre que por occasião das exéquias do... brigadeiro 
Raphael Tobias de Aguiar, na igreja da ordem 3'' de N. S. do 
Carmo da cidade de S. Paulo, recitou, etc. S. Paulo, 1857, 19 pags. 
in-8*. 

^ Oração fúnebre que nas exéquias feitas ao exm. sr. dr. Ga- 
briel Josó Rodrigues dos Santos recitou, etc. S. Paulo, 1858, 19 pags. 
in-8«. 

— Oração fúnebre nas exéquias feitas na igreja do GoUegio da 
cidade de S. Paulo no dia 20 de fevereiro de 1862 em suffragio da alma 
de S. M. o Sr. D. Pedro Y e de seus augustos irmãos — No opúsculo 
« Tributo de saudade, etc. }» 






MA. o 

— Thdses e dissertação^ feitas e apresentadas em virtude do 
art. 128 do regulamento complementar dos estatutos da Faculdade de 
Direito de S. Paulo. S. Paulo, 1860, 26 pags. in-8« — Ponto da dis- 
sertação: Direito romano. Da accessão e suas espécies em geral e par- 
ticnlannente da edificatio. 

— Theses para o concurso, etc. S. Paulo, 1861, 12 pags. in-8<». 

— Dissertação feita e apresentada, etc. S. Paulo, 1861, 20 pags. 
in-8« — Ponto: Os interdictos possessórios, effeitos da posse, são di- 
reitos reaes ou pessoaes ? 

— Theses e dissertação^ feitas e apresentadas, etc. S. Paulo, 
18fô, 36 pags. in-8<> — Ponto da dissertação: Seguindo ao rapto 
o casamento, devem ser ai li via dos da pena os mandatários e 
cúmplices ? 

— Dissertação que apresentou para obter o grào de doutor, etc. 
S. Paulo, 1878, 18 pags. in-8« — Versa ella sobre o ponto: Poderá o 
bispo em sua diocese suspender um sacerdote do exercido de suas 
funcções administrativamente, sem as formalidades do juizo ? 

MAnoel A.dlieiua.x- d.e Oliveira — Natural da pro- 
vinda do Rio Grande do Sul, ahi falleceu muito moço. Foi um bonito 
talento que — diz um seu admirador — como a flor, desabrochou para 
morrer no dia seguinte. Escreveu : 

— O homem do bracelete de ouro : romance traduzido do francez . 

Pelotas (?) 1865, in-8». 

Mlanoel ^ffonso da, Silva Xjima — Natural do Rio 
de Janeiro, onde falleceu pelo anno de 1870, foi typographo e teve 
uma offlcina typographica na corte. Exerceu cargos de eleição popular 
e de condança do governo na freguezia de S. José, foi presidente da 
associação Nacional de artistas da corte e presidente honorário da so- 
dedade Typographica âaminense. Escreveu : 

— Poesias que por diversas occasiões compoz. Rio de Janeiro, 
1849, in-8». 

— Saudação a SS. MM. II. por oocasiao de seu feliz regresso a 
esta corte. Rio de Janeiro, 1860, 17 pags. in-8o — E' dividida em 
dnco contos e em 42 oitavas de verso hendecasyllabo. 

— A independência do Brazil : drama em quatro actos, com- 
posto por um fluminense e approvado pelo conservatório dramático. 
Rio de Janeiro, 1862, 82 pags. in-8° — E' em verso heróico. 

— THumpho do Brazil sobre o déspota do Paraguay : poema. Rio 
de Janeuro, 1868,43 pags. in-S». 



6 M^A. 

Manoel de i%.ll>uquei*que Xjimci — Filho do pri- 
meiro tenente de artilharia Josó Severino de Albuquerque Uma, 
nasceu no Rio de Janeiro a 21 de agosto de 1858. Começou em 1873 
o curso de engenharia na escola central, que deixou para dedicar-se à 
marinha, de cuja escola fez o curso, sendo promovido a guarda-marinha 
em novembro de 1877. Fez a respectiva viagem de instrucção e outras 
no serviço da armada, e ó actualmente capitão- tenente do quadro ex- 
tranumerario da armada e lente substituto da escola naval. Escreveu: 

— Tratado pratico de navegação, contendo os typos de todos os 
cálculos usados a bordo, com formulas, construcçoes graphicas, regras, 
explicações, conclusões, modo de fazer-se uso das taboas, natações, etc. 
Organisado pelo 2° tenente da armada, etc, precedido de um parecer 
do conselho de instrucção da escola de marinha. Rio de Janeiro, 1883- 
1884 — Este livro foi publicado em fascículos, sahindo o primeiro em 9 
de janeiro de 1883, o segundo em julho deste an no e os últimos em 1884. 

Manoel de A-lmeida Miaciel — Natural da Bahia e 
nascido entre os dous primeiros quartéis do século 18<*, ahi falleceu, 
sendo cónego mestre-escola da cathedral metropolitaua e pregador 
applaudido. Creio que apenas publicou o seu 

•^ Sermão em acção de graças pelos felizes desposorios dos sere- 
níssimos Senhores D. José e D. Maria Francisca Beuedicta, príncipes 
da Beira, pregado na Soda Bahia a 15 de agosto de 1777. Lisboa, 
1777, 18 pags. in-4^ 

Manoel Avivares Teixeira — Ignoro o logar de seu 
nascimento ; sei apenas que foi brazileiro, presbytero secular, que 
viveu do século passado ao actual e que escreveu : 

— Tratado ou idôa geral de todo território da freguezia de Man- 
garatiba e de seus indígenas e habitantes. Anno de 1810 — Nunca 
foi publicado, mas o autographo, de 40 paginas, pertence à Biblio- 
theca do Rio de Janeiro . 

Manoel A-lvairo de Souza íSá \^ianna — Filho 
do commendador Josó Rodrigues Sá Vianna, nasceu no Maranhão a 
14 de agosto de 1860, ó bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela 
faculdade de S. Paulo, advogado na capital federal, membro do In- 
stituto da ordem dos advogados brazileiros e foi oorganisador da expo- 
sição de trabalhos jurídicos de 1894. Escreveu : 

— O Americano. Proprietários e redactores* Cyro de Azevedo e Sá 
Vianna. S. Paulo, 1881, in-fol. 



^ 



— Esboços críticos da faculdade de direito de S. Paulo em 1879. 
Rio de Janeiro, 1880, 123 pa^. ln-8" — O autor concluo promettendo 
dar em março de 1881 < uma detalhada resenha do anno de 1880 ». 
Nunca porém a vi. 

« Instituto da ordem dos advogados brazileiros. Clucoenta annos 
de existência. Memoria lida na sessão soiemne oommemorativa doBO** 
anniversario da fundação do Instituto, etc. Rio de Janeiro, 1894, 
69pags. in-4'>. 

— Catalogo da exposição de trabalhos j uridicos, realizada pelo In- 
stituto da ordem dos advogados brazileiros a 7 de setembro de 1894, 
50^ anniversario de sua fundação, etc. Rio de Janeiro, 1894, VI-220 
pags. in-4«» — Tem escripto nessa associação vários relatórios, como o 

— Eelatorio dos trabalhos e occurrencias do Instituto da ordem dos 
advogados brazileiros, etc. Rio de Janeiro, 1897, in-4** — de seus tra- 
balhos forenses citarei : 

— Aggravo interposto ao Supremo Tribunal Federal no processo 
decorrido no juizo seccional do Rio Grande do Sul entre partes a viuva 
de Miguel Teixeira de Carvalho e Francisco Pereira de Macedo Ck)Sta. 
Rio de Janeiro, 1895, in-4o. 

3!k[anoel A.lves de A^iraujo — Natural da provinda, 
hoje estado do Paraná e bacharel em direito pela faculdade de 
S. Paulo, representou sua provinciana assembléa geral legislativa em 
duas legislaturas e presidiu a província no anno da inauguração da 
Republica. Escreveu : 

— Provinda do Paraná. Rio de Janeiro, 1872, 56 pags. in-4<> — 
E' um histórico da eleição do Paraná. 

— Província do Paraná. Colonisação. Confirmação do discurso 
sobre o orçamento da agricultura, pronunciado em abril de 1879. Rio 
de Janeiro, 1879, 78 pags. in-8«. 

— Orçamento do ministério da agricultura : discurso proferido na 
sessão da camará dos deputados de 23 de junho de 1882, 62 pags. 
in-8o peq. 

— Orçamento do ministério da agricultura, commercio e obras 
publicas: discurso pronunciado na sessão de 1 de agosto de 1882« 3" 
discussão. Rio de Janeiro, 1882, 43 pags. in-8^ peq. 

Mainoel AA-vem 3i*a.neo, 2^ Visconde de Caravellas — • 
Rlhode João Alves Branco e dona Anna Joaquina de S. Silvestre 
Branco, nasceu na cidade da Bahia a 7 de junho de 1797 e falleceu em 
Nitheroy a 13 de julho de 1855, sendo bacharel em leis pela univer- 



8 IBãJL 

sidade de Coimbra, senador do império, conselheiro de estado, do con- 
selho de sua magestade o Imperador e offlcial da ordem do Grazeiro. 
Antes de estudar leis, fez o curso de sciencias naturaes e o de mathe- 
maticas a qne só faltou o quarto anno ou a aula de astronomia ; depois 
foi nomeado juiz de fora do Santo Amaro, da Bahia, donde foi remo- 
Tido para a cidade do Rio de Janeiro. Antes de ser senador, foi eleito 
deputado & segunda legislatura, apresentando vários projectos sobre 
o poder judiciário e o systema eleitoral com incompatibilidade dos 
juizes e sobre a plena liberdade de consciência e a federaçfio monar- 
chica e exerceu o cargo de contador geral do thesouro, elaborando 
regulamentos de contabilidade e as primeiras instrucções para a es- 
cripturação por partidas dobradas. Deixando o cargo para occupar 
as pastas de ministro da justiça e dos estrangeiros, ílrmou nesta 
com o ministro inglez Fez ajustes para repressão do tratíco de afri- 
canos ; depois occupou as pastas da fazenda e do império em 1837, 
sendo instado peio regente Feijó para assumir a regência, ao que re- 
cusou-se ; da fazenda em 1839 e em 1844; da fazeoda e do império em 
1847 no gabinete por elle organisado. Foi um dos maiores estadistas 
e oradores do Brazil ; « a par de sua sabedoria, de sua eloquência, de 
sua grande pratica administrativa e de sua grandiosa intelligeucia 
resplandeciam a pureza dos costumes, a integridade, honra, desinteresse 
inexcedivel, doçura de caracter, modéstia e raras virtudes » — disse 
o dr. J. M. de Macedo. Foi também distiucto poeta e escreveu 
vários : 

— Relatórios dos ministérios da justiça, dos estrangeiros, da fa- 
zenda e do império, de 1835 a 1845. 

— Jnstrucções para a escripturaçSo por partidas dobradas. Rio de 
Janeiro, ia-8o. 

— Discurso pronunciado na camará dos deputados na sessão de 18 
de maio (de 1832). Rio de Janeiro, 1832, in-8^ 

— A falia do throno de 1850, seguida da analyse desse 
discurso e dos discursos do senador Manoel Alves Branco, pro- 
feridos no senado na discussão do voto de graças. Rio de Janeiro, 
1850. 

— Memoria sobre o Rio da Prata. Rio de Janeiro, 26 de janeiro 
de 1836— A Bibliotheca nacional possue uma cópia de 12 pags. De 
suas poesias poucas viram a luz, oomo : 

— A Liberdade: ode '^ lio Parnaso brazileiro de J. M. P. da 
Silva, tomo 2% pags. 180 a 188 e depois no Florilégio da poesia brazi- 
leira. 

Ode ao dia 2 de julho, etc. — No mesmo livro. 



MA. 9 

— A primavera : ode — No dito Iítto, pags. 188 a 192 e na Ifí- 
fierva Brazileira^ vol. Is n, 2, 1843 — Começa esta ode com os se- 
guintes Tersos : 

Primavera gentil, ethereo mimo 
Do seio dessa nuvem resplendente 
Ao lado da harmonia baixa & terra. 
Mal qae apontaste, abotoaram flores 
Mil ariadas em matiz, em cheiro. 
Ck)m teu almo calor afervorada 
Resurge do lethargo a natureza 
E vem beber nas virações a vida. 
Amor, as brancae azas desferindo, 
D'oaro franjadas, incançavel vôa 
Pelo manso, azulado firmamento ; 
No templo omnipotente do Universo 
Innocentes mysterios solemnisa. 

— A proclamação da constituição portugueza em 24 de agosto de 
1820 — Nesta mesma revista, vol. 1% n. 3, pags. 82 a 86. 

l^Aiioel A.lires ^bl Oosta, Barreto — Natural da 
Bahia e nascido peio anno de 1770, foi cirurgião da real camará de 
d« Joio VI, cirurgião-mór honorário do reino e lente da cadeira de 
operações e arte obstetrícia da academia medico-cirurgica do Rio de 
Janeiro, cadeira creada por decreto de 26 de abril de 1813, por no- 
meação do mesmo principe d. João VI, aquém elle acompanhou em sua 
volta a Portugal em 1821. Seu nome vem mencionado pelo dr. Canto 
e Mello G. Mascarenhas no Ensaio de bibliographia medica do Rio 
de Janeiro antes da creação da escola de medicina. Foi cavalleiro da 
ordem de Christo e escreveu : 

— Ensaio sobre as fracturas. Lisboa, 1797, 83 pags. in-8<». 

— Curso completo de cirurgia theorica e pratica de Benjamin 
Bell; traduzido, etc. 9 e adornado com estampas. Lisboa, 1801-1811, 6 
Yols. in-4° — Neste trabalho collaborou Francisco Josó de Paula, com 
quem Costa Barreto escreveu antes : 

— Aphorismos sobre as hemorrhagias uterinas e convulsões puer- 
peraes por Thomaz Deman, M. D. Traduzidos em vulgar, etc, e re- 
impressos por ordem do Principe regente, n. s., para uso das es- 
colas medico-cirurgicas, novamente reguladas no Brazil. Rio deJa- 



10 MA 

neiíio, 1813, 4Q pags. in-8<» «^ Houve uma edigâo aniarior 4e Lisboa, 
1797, ln-8« — BBcreveu mais : 

— Apkofismoi sobre a applicagão e uso do fórceps e yeotis, e lobre 
os partos preternaturaes, partos acompanhados de hemorrhagia e 
convalsões por Thomaz Deman, M. D. Traduzidos em vulgar, re- 
impressos, etc. Rio de Janeiro, 1814,76 pags, in-8«. 

Manoel Avives Ouerra. — Sei apenas que ô brazileiro 
e que escreveu : 

— Noticia sobre a cultura dos arrozaes no reino da Itália, Turim, 
1895, in-8». 

Manoel A.lT-es IH aeliado •— Natural de Sergipe, fal- 
leceu na cidade de Maracajú a 22 de fevereiro de 1897. Foi poeta e de- 
pois de haver sido professor primário, passou a servir no func- 
cionalismo publico como empregado da secretaria do governo e 
escreveu : 

— Hores da infância; poesias. Aracaju, 1883, in-8». 



Bfanoel A.lT^es da Sil^ra -— Natural de Angra dos Reis, 
provincia do Rio de Janeiro, nasceu em 1793 e falleceu na corte a 31 de 
dezembro de 1863, presbytero secular, cónego e pregador da capella 
imperial, professor de latim do seminário de S. Joaquim e cavalleiro da 
ordem de Christo. Distincto orador e poeta, mas de excessiva modéstia, 
só consta que de suas producções publicasse: 

— Gemidos e suspiros do Brazil á sentidissima morto da senhora 
D. Maria II, rainha de Portugal, dedicados ao seu augusto irmão, 
o Sr. D. Pedro II, Imperador do Brazil. Rio de Janeiro, 1854, 
in-8o — Ck>ntôm varias poesias, começando por um soneto, como dedi- 
catória. 

— O Sete de Setembro e a Independência do Brazil : poema heróico 
dedicado aos brazileiros. Rio de Janeiro, 1861, 51 pags. in-4<» — E' em 
três cantos e em oitavas. 

— Oração sagrada que em acçSo de graças pelo feliz restabele- 
cimento de S. M. Imperial o Sr. D. Pedro II, recitou, etc. Rio de Ja- 
neiro, 1833, 12 pags. in-4\ 

Manoel Alves XoJ ai — Filho de Francisco Alves Tojal 
e dona Maria Angélica do Sacramento, nascido em Alagoas, falleceu no 
Paraguay a 21 de julho de 1867. Doutor em medicina pela faculdade 
do Rio de Janeiro, foi, durante o curso, interno de clinica medica da 



MA. 11 

mesma facaldade e interno do hospital da Misericórdia. Era membro 
da Academia imperial de medicina e escreveu : 

— Do ar atmosphetico^ sua composição e modo de analysar. Da 
temperatura animal no estado pathologico e physiologico. Quaes os 
casos que reclamam a operação da catarata e qual o melhor methodo 
de a praticar; Diagnostico das fracturas : these apresentada á facul- 
dade de medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1857, in-4° gr. 

— Breves considerações sobre o cholera em Paris em 18Ô5-186Ô, 
lidas á Academia imperial de medicina em sessão de 26 de novembro 
de 1866 — Nos Annaes da Academia, tomo 33°, pag. 347. 

— Diagnostico e tratamento das fracturas — Idem, tomo 27% pa^ 
167. 



^g' 



Afa.noel do Andi*acle de Figueiredo — Filho do 
governador da capitania do Espirito Santo António Mendes de Figuei- 
redo e dona Maria Coelho, e natural da dita capitania, falleceu em 
Lisboa a 4 de julho de 1735 com 70 annos de idade. Foi insigne pro- 
fessor de calligraphia nesta cidade, tendo por discípulos os íllhos dos 
homens nobres do logar, e escreveu : 

— Nota escola para aprender a ler, escrever e contar, offerecida 
à augusta magestade o senhor D. João V, etc. Lisboa, ( 1722 ), XXlV-156 
pags. in-fol. com o retrato do autor e 46 estampas gravadas a buril — 
Houve segunda edição sem data. O livro foi muito elogiado, até pelos 
que publicaram igual trabalho. Contém elle diversos abecedarios de 
lettras de diversos caracteres, ornadas de mimosos labyrinthos e até 
formadas de troncos do arvores engenhosamente combinados. 

BíCoiiioel A^ndré da< Roclxo; — Filho de Manoel Andrô 
da Rocha e nascido no Rio Grande do Norte a 20 de março de 1860, é 
bacharel em direito pela faculdade do Recife. Seguiu a carreira da ma- 
gistratura e , já juiz de direito, escreveu : 

— Casamento civil, Recapitulação em ordem alphabetica do decreto 
n. 181 de 24 de janeiro de 1890 e das demais disposições que se segui- 
ram; acompanhada do texto da legislação em vigor e do formulário 
annotado de alguns actos relativos ao casamento civil. Rio de Janeiro, 
1890, in-40. 

Frei Manoel A^ngeio de A^lmeida — Natural da 
Bahia e nascido em 1697, sendo carmelita professo no convento da ci- 
dade de S. Salvador, onde leccionou sciencias severas, foi eleito para o 
capitulo geral, celebrado em Roma em 1725 e pelo geral íbi-lhe con- 



12 



ferido o gvéiO de doutor em theologia. Servia o cargo de secretario da 
província e depois o de provincial. Era reputado como grande orador 
sagrado ; mas de seus sermões apenas pablicou : 

— Sermão de acç&o de graças a N. S. da Victoria em satisfação de 
um voto, que lhe fez por um beneficio alcançado pela dita senhora, na 
sua santa igreja da Victoria da cidade de Elvas. Madrid, 1733. 

— Sermão nas exéquias do Exm. Revm. Sr. D. José Fialho, bispo 
que foi de Pernambuco, arcebispo da Bahia e bispo da Guarda ; cele- 
bradas com toda magnificência na igreja de Olinda. Lisboa, 1742. 

« Declamação moral na occasiSo da rogativa que fez a venerável 
ordem terceira do Carmo da Babia por occasião da grande secca que 
sentia a mesma cidade desde 1734 até 1735. Lisboa, 1736. 

Manoel Aoitonio A^fPan&o dos Reis — Filho de 
Manoel de Oliveira Reis e natural do Rio Grande do Sul, ahi fal- 
lecen a 2 de maio de 1898, doutor em medicina pela faculdade 
da Babia, tendo na do Rio de Janeiro começado o respectivo curso. 
Exercia o cargo de chefe de saúde do porto e escreveu: 

^ Feridas penetrantes do abdómen e seu tratamento: tbese apre- 
sentada à Faculdade de Medicina da Babia, etc. Bahia, 1886, in-4<». 

— A tuberculose e os meios de combatel-a. Rio Grande do Sul, 
1897, in-8<» ^ O autor tinha outros trabalhos a publicar, como se 
condue da seguinte declaração do editor: <Si nos sahirmos sem 
prejuízo deste pequeno ensaio, editaremos novos opúsculos sobre a 
syphilis, a anemia, a escrófula, o rachitismo, as moléstias in- 
fecciosas, etc, em preparo nas mãos do mesmo autor.» 

— Palestra hygienica : serie de artigos publicados no Diário do 
Rio Grande do Sul . Na cidade de seu nascimento fundou e redigiu: 

— O Rio Grande do Sul, 

Manoel A.ii.toii.io de A.liii.eid.et — Filho de Manoel 
de Almeida e dona Josephina Maria de Almeida, nasceu na cidade 
do Rio de Janeiro a 17 de novembro de 1830 e falleceu no nau- 
flragio do vapor Hermes, nas pedras dos mares de Macahé, a 
28 de novembro de 1861. Privado dos bens da fortuna, quiz de- 
dicar-se â arte de desenho e fez neste sentido algans estudos ; mas 
abandonou-os para estudar medicina na faculdade da corte, na 
qual recebeu o gráo de doutor em 1855. Exerceu um logar na 
secretaria dos negócios da fazenda, depois o de administrador da 
typographia nacional e o de director da opera nacional. Tão hábil 
prosador quanto poeta distincto, dotado de talento robusto, teria 



M.A. 13 

enriquecido nossa litteratara, si a morte não nol-o roubasse tão 
cedo. Era membro da sociedade Propagadora das bellas artes. Foi um 
dos últimos redactores do Correio Mercantil da corte e escreveu: 

— These apresentada à faculdade de medicina, etc. Rio de Janeiro, 
1855, in-4<^ — Trata: l.° A moléstia vulgarmente chamada opilagão 
será a chlorose ? Suas causas e tratamento ? 2.^ Da cicuta considerada 
pliarmacologica e therapeuticamente. 3.<> Será mais conveniente que 
o escrivão, ou que o próprio medico escreva seu relatório sobre 
corpo de delicto ou outro qualquer assumpto medico-legal ? Quaes 
as regras qae devem presidir á confecção de um relatório? 

— Gondicar ou o amor de christão por Luiz Friedel ; tra^- 
duzido do francez — Na Tribuna Caiholica^ tomo 2«, 1851, ns. 25 
a 27, 29 a 32, 34 a 38, 40, 41, 47 o 48. O traductor começava 
o curso medico. 

— Memorias de um sargento de milícias por um brazileiro. Rio 
de Janeiro, 1854-1855, 2 vols. in-S*» — Teve 2* edição em 1862 
na Bibliotheca brazileira de Q. Bocayuva; 3* em 1876, precedida 
de uma noticia do autor e da obra por F. L. Bethencourt da 
Silva» e 4* em 1898 pel^ casa Domingos de Magalhães* B' um dos mais 
bellos livros, que eu conheço, escriptos na língua portugueza. 

— O rei dos mendigos: romance histórico de Paulo Feval; 
traduzido. Rio de Janeiro, 1861, 6 vols. in-8^. 

i — Dous amores: drama lyrico em três actos: poesia (imi- 

tação do italiano de Piave ) p^lo doutor Manoel António de Al- 
meida; musica da Ck)ndessa Raphaela de Rozwadowski. Rio de 
Janeiro, 1861, 60 pags. in-I2° — Foi escripto no empenho de des- 
envolver o amor pela opera nacional. Collaborou nos Ha)'pejos poéticos^ 
DO Cruaracinga e no Guaraciaòa^ e também no Correio Mercantil^ onde 
escreveu de 1854 a 1S56 vários trabalhos importantes na secção intitu- 
lada Revista bibliographica^ e na secção denominada Paginas menores 
os seguintes: 

— A philosophia da voz : O nome ; O rio ; As flores e os 
perfumes ; As muletas de Xisto V ; Uma historia triste ~ e também 
as poesias: Notas sem eco ; Amor de criança, de que são estes versos: 

Aquelle amor foi a crença 
Mais doce de minha vida... 
Tive outras depois... Nenhuma 
Chorarei de ver perdida, 
Bmquanto dure a lembrança 
D'aquelle amor de criança. 



14 



Manoel i^ntenio A.lvajres de A.zevedo — Filho 
do doutor Igaacio Manoel Alvares de Azevedo e dona Maria 
Luiza Silveira da Motta Azevedo ( qae foi nascida em Goyaz e n§D 
em Portugal como se lé no Diccionario Encyclopedico da lingua por* 
tugaeza e ultimamente no Jornal da Bahia de 25 de abril de 1894 ), 
nasceu na cidade de S. Paulo a 12 de setembro de 1831 e falleceu na 
corte a 25 de abril de 1852. Bacharel em lettras pelo collegio 
de Pedro U, matricuIou*se na faculdade de direito de sua pro- 
víncia, onde apenas concluiu o quarto anno do curso com admirável 
intelligencia. Cultivando a litteratura com o mais fervoroso ardor, 
conhecendo os melhores livros* quer antigos, quer modernos e sempre 
perseguido por uma idéa triste — de que morreria no quinto anno do 
curso — foi com eíFeito affectado de uma tuberculose que em menos 
de dous mezes o levou ao tumulo, antes de receber o grào académico. 
Gomo Junqueira Freire, teve em criança uma moléstia gravíssima, 
que deixou*lhe na physionomia o stígma do soffrimento ; como Jun- 
queira Freire demonstrou notável desenvolvimento do espirito, ao 
passo que o physico enfraquecia ; como Junqueira Freire foi poeta 
inspirado; seguiu a escola de Byron, de H. Heine e de Musset ; 
suas obras, poróm, só foram publicadas depois de sua morte em varias 
edições, que são: 

— Obras de Manoel António Alvares de Azevedo. Rio de Janeiro, 
1853-1855, 2 vols., 47-206 e 363 pags. in-8« — Consta o primeiro 
volume de duas partes : Lyra dos vinte annos e Poesias diversas, 
precedidas de uma noticia do autor pelo doutor Domingos Jacy 
Monteiro ; o segundo do escriptos em prosa e a poesia Pedro Ivo, que 
foi reimpressa no Archivo Pittoresco de Portugal, tomo 2^' e em 
outros periódicos do Brazil. Pelas relações de amizade e também 
de aíBnidade com a fomilia do autor se prestara o doutor Jacy Mon- 
teiro a coordenar e publicar essas obras. Em 1861, porém, o pae de 
Alvares de Azo vedo vendeu ao editor Garnier o direito de pro- 
priedade das mesmas obras com as copias de outras que o doutor 
Jacy Monteiro reservara para rever e dar em nova edição. O 
mesmo editor com isto publicou: 

— Obras, etc. precedidas de um discurso biographico e aceres- 
contadas de notas pelo Sr. doutor Jacy Monteiro, edição accrescen^ 
tada com as obras inéditas e com um appendico, contunde discursos, 
poesias e artigos feitos por occasião da morte do autor. Paris, 1862, 
3 vols., 335, 370 e 329 pags. in-8'' — O primeiro volume tem por 
titulo Poesias y o segundo de Prosa e o terceiro de Obras inéditas, 
contendo: Lyra dos vinte annos ( continuação ), o Poema do fimie e 



MÃ. 15 

AppeDdice. Arôvitôofoi mà^eos^ erros abundam. Demais o. doutor I 

Jacy iião chegara a rever e corrigir a parte inédita ; mas apenas os ar- { 

tigos, poeBiafl e discursos por occaflião da morte do autor. A accei- | 

tacão desta nova edição foi tal, que ella esgotou-se logo, e Oarnier ! 

mandou reimprimil-a em Paris, em três volumes, mas em formato 
menor. Foi esta a terceira edição; houve quÀrta sob o titulo 
gerai de « Brasília, Bibliotheca nacional dos melhores autores, au** 
tigos e modernos», isto é: 

— Obras^ etc. precedidas de um juizo eritieo dos escriptores na- 
eienaes e estrangeiros e de uma noticia sobre o autor e suas 
obras por J. Norberto de Souza e SilVa. Quarta edição, inteirar 
tteúte reformada, augmentada e oi*nada com o retrato do autor. 
Rk>de Janoirò, 1873, 3 vols., 370, 356© 418 pags. in-8» — O que o 
editor fez foi dar melhor classificação às obras, dando no 1^ vol., 
depois da introducção e peças elegíacas sobre o poeta, suas poesias 
diversas e o poema do frade; no 2% A Lyra dos vinte annos, 
que sahiu dividida na edição precedente; no 3^, Obras em prosa. 

— Discurso recitado no dia 1 1 de agosto de 1849 na sessão aca- 
démica commemoradoí^ do anniversario dacreação dos ^wv&cé ju- 
rídicos do Brazil. Rio de Janeiro, 1840, 10 pags* in-4^ 

— A noite n'i taioema: contos fantásticos, acompanhados da biogra- 
pbia do autor por J. M. de Macedo. Lisboa, 1878, VI-Bô pags. in-8^ 

— O Cofuie Lopo .* poema inédito. Rio de Janeiro, 1887 — Neste 
anno vi annunciar-se pelo livreiro Serafim J. Alves que ia entrar no 
prelo uma edfção especial da Noite na taverna, já publicada nas 
obras de Alvares de Azeredo, assim como: 

— . D. Diniz ou a Bengaleida: poema. 

— Os jesuítas de casaca e estola : versos — Alvares de Azevedo 
fez parte da redacção dos 

— Ensaios Literários, jornal académico á^ S. Paulo, de 1848 
a 1850. 

MAnoel António A.lvaireB de .À.K&ve<lo, 2<*-^ 
Conhecido por Alvares de Azevedo Sobrinho e filho do dr. Joaquim 
Ignacio Alvares de Azevedo e dona Maria Luiza Carneiro de Azovedo, 
nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 25 de julho de 1870, e ó actual- 
mente oíflcial da secretaria do senado federal. Cultiva a poesia e 
escreveu: 

— Vigília das armas : poesias. Rio de Janeiro, 1889, in-8«. 

— Boas festas: poesias. Ouro-Prelo, 1894, 96 pags. in-8' — Este 
Utro está em seganda edição. E' uma coUecção de poesias, das 



y 



16 

qaaes algumas j& tinham sido antes publicadas. Ha algumas avulsas, 
como: 

— Versos a um pae — > No Almanak da Gazeta de Noticias para 1897, 
pags. 87 6 seg. 

— O novo governo da Republica. Noticia sobre o presidente | 
Dr« Prudente Joeô de Moraes Barros e do vice-presidente Dr. Manoel 
Victorino Pereira. Rio de Janeiro — Foi escripto em coUaboraçSo com 
Feliciano J. Neves Gonzaga. 

— Revista de costumes da terra da goyabada. Campos, 189Ô, in-8^ \ 
— Teve segunda edição em Campos, 1897. Esta revista foi escripta em ' 
collaboração com Azevedo Cruz e representada cincoenta vezes no | 
theatro S. Salvador, de Campos. Alvares de Azevedo oollaborou de 1889 

a 1892 para os periódicos No^dades^ Cidade do Rio e O Paix e redigiu 
como chefe : 

* A Republica. Campos, 1892 * Foi redactor dos debates da Ca- 
mará em 1893 e fez parte da redaccSo da 

* Gazeta da Tarde. Rio de Janeiro, 1897. 

MAnoel A.]itoii.io Bi-aume -* Pilho de João António 
Braume e nascido no Rio de Janeiro peloanno de 1854, bacharel em di- 
reito pela fiiculdade de S. Paulo, seguiu a carreira da magistratura 
e, sendo Juiz de direito, escreveu : 

» Provimento geral, lido pelo juiz de direito, etc, em 10 de julho 
de 1895 por oocasião de encerrar a audiência geral de correição. Rio 
de Janeiro ( ? ) 1895, 38 pags in-8<^ — O autor depois de historiar os 
trabalhos de sua comarca e as occurrencias mais notáveis, expõe vicios 
e irregularidades que encontrou nos serviços de sua jurisdicção e instruo 
08 serventuários acerca dos mesmos serviços. 

B£a.]ioel A^ntonio Oorreia* da. Oamaira» — Filho 
do marechal Bento Correia da Camará, ainda vivia em 1848. Seguiu a 
carreira de seu pae, na qual subiu a coronel, serviu no exercito, fez a 
campanha da Rússia, percorreu quasi toda a Ásia e esteve no Para- 
guay, onde cultivou a amizade do presidente Francia. Escreveu: 

— Correspondência ncrca, interceptada a um emissário secreto da 
Sublime Porta, residente na corte do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 
1822, 88 pags. in-4o — Esta publicação foi feita em fascículos, que o 
autor promettia continuar ; mas âcou no 4<>, datado de 26 de maio. 

lULAnoel Ajitoxiio I>uAz>te de A^asevedo — Filho 
do dr. Manoel Duarte Moreira, e irmão do dr. Manoel Duarte Moreira de 



MA. 17 

Azevedo, deqaem occupar-me-hei neste volume, nasceu em Itaboraby, 
Rio de Janeiro, a 16 de janeiro de 1831. Bacharel pelo coUegio 
Pedro II e doutor em direito pela faculdade de S. Paulo, ó professor 
jubilado desta faculdade, agraciado com o titulo de conselbo do Im- 
perador d. Pedro II, eximio advogado, gran-cruz da ordem de Sant*Anna« 
de primeira classe da Rússia e da ordem da Conceição de Villa Viçosa, 
de Portugal. Exerceu cargo de magistratura, presidiu as provindas 
do PJauby e do Geará, o fez parte do gabinete de 7 de março 
de 1871, organisado pelo Visconde do Rio Branco, occupando a prin- 
cipio a pasta da marinha e depois da justiça. Distincto jurisconsulto, 
oradorle poeta, collaborou para vários periódicos litterarios desde es- 
tudante, 6 depois para folhas politicas, como o Diário de S, Paulo e a 
Situação. Escreveu: 

— Dissertação e theses, etc, para obter o gráo de doutor. S. Paulo, 
1859, in-4o— Nunca as pude ver. 

-*- Theses que para o concurso a uma cadeira vaga da faculdade 
de S. Paulo, apresentou, etc. S, Paulo, 1862, ínA^. 

— Dissertação que para o concurso a uma cadeira vaga da 
&cnldade de S. Paulo apresentou, etc. S. Paulo. 1862, 28 pags. 
in-40 — O ponto ô: No casamento por dote e arrhas, sem mais 
declaração a respeito dos bens, communicam-se [os adquiridos? 

— Memoria histórica dos acontecimentos notáveis da faculdade 
de direito de S. Paulo. Rio de Janeiro, 1865, in-4« gr. 

^Discurso recitado no dia 11 de agosto de 1849nases8So aca- 
démica, commemorativa da creação dos cursos jurídicos do Bradl. Rio 
de Janeiro, 1849, 10 pags. in-4<>. 

— Banco de credito predial urbano. Considerações geraes sobre o 
credito real pelo presidente do mesmo. Rio de Janeiro, 1892,35 pags. 
m-4». 

-^ Discurso com que o dr. etc, presidente do instituto jurídico de 
9. Paulo, abriu a sessão de installação do mesmo instituto no dia 1 1 de 
agosto de 1864, anniversario da installação dos cursos jurídicos. S. Paulo, 
1865, 10 pags. in-4». 

-« Orçamento do ministério da Justiça. Discurso proferido na sessão 
de 8 de agosto de 1874 (na camará dos deputados ). Rio de Ja- 
neiro, 1874, 50 pags. in-4<'. Versa sobre assumptos da pasta da 
lázenda, que o autor administrava. — Como estes ha publicados outros 
discursos d'este autor. 

— Elemento servil : discurso proferido na camará dos deputados, 
etc. — No livro < Discussão da reforma do estado servil, etc. », parte 1% 

Vol. VI 



18 MA. 

pag. 81. Ckmio ministro de estado escreveu relatórios e trabalhos de 
que citarei: 

» Decreto n. 4720, de 22 de abril de 1871, alterauido o regala- 
mento da Escola de Marinha. Rio de Janeiro, 1871, in-S^». 

— Decreto n. 2432, de 6 de agosto de 1873, creando mais sete re- 
laçOes no Império e regulamentos expedidos para sua execução. Rio de 
Janeiro, 1874, in-8«. 

— Decreto n. 5737, de 2 de setembro de 1874, alterando o rega* 
amento das custas judiciarias. Rio de Janeiro, 1874, in-8^. 

— Reffulamento dos tribunaes do commercio. Rio de Janeiro 
1875, in-8<^ — Tenho À vista suas poesias: 

— Maria^ Sonhos : dous sonetos — no Brazil Contemporâneo, de 2 
de outubro de 1887. 

Ma^noel António Farinlia», Conde de Souzel — Offlcial 
general da armada, íalleceu a 27 de maio de 1842 nesta cidade. Jà 
dirigia a pastados negócios da marinha desde 22 de abril de !821, 
quando foi organisado o primeiro ministério braziieiro, formado por 
José Bonifácio a 16 do janeiro de 1822 e continuou neste cargo. 
Escreveu : 

— Instrucções relativas ao código penal e do processo para a ma- 
rinha militar do Império do Brazil. Rio de Janeiro, 1836, llQpags. in-4° 
— Assignam também este trabalbo Miguel Josó de Oliveira Pinto e Fraa- 
cisco Bibiano de Castro, fazendo parte com o Conde deSouzel da 
commíssão militar, nomeada a 3 de dezembro de 1833. Antes escreveu 
com os mesmos: 

— Trabalhos relativos ás ordenanças à marinha militar do Império 
do Brazil, apresentados a 23 de junho de 1834. 

Manoel A^ntonio Ferreim Académico — Na- 
tural da cidade de Valença, província da Bahia, falleceu no Rio de Ja^ 
neiro, só, abandonado e pobre n*uma casa, onde se achava soíTrendo de 
uma entero-colite e onde um vizinho caridoso, que ia diariamente 
prestar-llie algunísoccorros, encontrou-o já morto a 22 de maio de 1889. 
Era presby tero secular ecapellão do exercito, tendo estudado com muitos 
sacriâcios no seminário de S. Paulo, e tendo antes disto foito parte do 
curso de direito. Escreveu: 

— Ondulações sonoras sem introducção, nem rocommendaçáo ai* 
guma: poesias. Rio de Janeiro ( ? ), 1887. 

*- Sermão da Resurreição^ pregado, etc. Bahia, 1872. 

— Refutação das doutrinas positivistas de M. Gulhin : traducção* 



MA. 10 

BiaiUoel A.ntonio Ferireiíra da Silva — Ignoro o 
logar de seu nascimento e o mais que lhe dizrepeito. Sei apenas que 
escreveu: 

— Bosquejos poéticos ou oollecção de poesias sobre yarlos assumptos. «/ 
Rio de Janeiro, 1846, XII-219 pags. in-8\ 

Manoel j^ntonio da Fonseca Oo^ta* Marquez da 
Gávea — Filho do tenente-coronel Manoel António da Fonseca Costa« 
nasceu no Rio de Janeiro a 24 de abril de 1803 e folleceu a 13 de junho 
de 1890, marechal do exercito e conselheiro de guerra. Era agraciado 
com as honras de fidalgo cayalleiro da casa imperial, gentil-homem da 
imperial camará, gran-cruz da ordem de S. Bento de Aviz e da do 
Cruzeiro, oommendador da de Ghristo e da ordem portugueza da Ck)n- 
ceição de Villa- Viçosa e condecorado com a medalha da divisão coope« 
radora da Boa*Ordem. Escreveu: 

— Projecto do regulamento para a disciplina e serviço interno doa 
corpos de oavallaria do Império do Brazil em quartéis fixos. Rio de 
Janeiro, 1874, in-4<». 

Manoel A.ntonio Xueite I>ux*ães — Vivia em 1866 
em Angra dos Reis, estado do Rio de Janeiro, donde o supponhQ natural, 
ahi exercia o cargo de substituto da subdelegada de policia. Escreveu : 

— Carlos : drama original em quatro actos. Angra dos Reis, 1865, '' 
116 pags. in-8« — Este drama foi representado pela primeira vez no 
Oymnasio angrense. 

Manoel A.ntonio I^opeis Ooellio — Vivia na villa 
de Itagaahy, província do Rio de Janeiro, e onde estabelecera sua re- 
sidência em 1806, sendo capitão de milicias e depois major da guarda 
nacional, negociante e lavrador. Serviu também cargos de eleição po- 
pular, como o de presidente da camará municipal, e era juiz de paz 
quando escreveu: 

— Exposição dos acontecimentos que tiveram logar na villa de 
Itaguahy sob o partido republiqueiro. Rio de Janeiro, 1838, 64 pags. in-8°. 

Manoel A^ntonio Major — Pilho do cidadão porluguez 
Miguel Manoel António Major, nasceu na cidade do Rio de Janeiro o 
falleoeu pelo anno de 1874 com 35 annos de idade pouco mais ou menos « 
Escreveu: 

*— Cosmo Utterario. Rio de Janeiro, 1864, in-fol. peq.— . E* uma 
publicação periódica de que, parece-me, só sahiram dezoito números^ 



ao nãJL 

Teve também parte na redaoQão da 

— Leitura para todos : pablicaç&o mensal. Rio de Janeiro, 18699 
in-8^ — Teve, como o precedente, poaca vida, e foi escripta também 
por Pires de Almeida, Leitão Júnior e outros. 

* Uma physionomia dê artista : Fartado Coelho. Rio de Janeiro^ 
18**. 

— Jot/de Alencar : tragos biographicos e critica — No Guaranyy 
folha illostrada e litteraria. Rio de Janeiro, 1871, ns. 5 e 10. 

Manoel A^ntonio Marques de Faria — Filho de 
Francisco Manoel de Faria, nasceu na Bahia a 21 de janeiro de 1835 e 
falleoeu na cidade do Rio de Janeiro a 23 de janeiro de 1893, doutor 
em medicina pela faculdade de sua pátria e clinico homcsopatha nesta 
cidade. Escreveu: 

— A syp?Ulis será sempre a mesma em todos os seus períodos e 
em suas diversas manifestações ? Herança. Apreciação dos meios em- 
pregados na cura dos polypos dos órgãos sexuaes da mulher. Como re- 
conhecer-se si uma criança nasceu viva ? These apresentada & facul- 
dade de medicina da Bahia para obter o gráo de doutor, etc. Bahia, 
1857, in-4* gr. 

— Syuema de Hahnemann. Rio de Janeiro, 1870, in-4<>. 

— Medicina therapeutica homoeopathica. Rio de Janeiro. ... 

Manoel A^ntonio Martins Pereira — Natural, 
segundo penso, de Pernambuco ; faltam-me noticias a seu respeito. 
Escreveu: 

— Breve noticia chorographica do império do Brazil em 1854. Per- 
nambuco, 1855, in-8^, 

Manoel A^ntonio de Mattos — Faltam-me noticias a 
seu respeito. Só sei que escreveu: 

^ Encyclopedia das artes: collecção de 1.318 processos industriaes, 
formulas e receitas de fácil applicação para uso dos artistas e das fa- 
mílias, compilados, etc. Obra revista por um chimico da capital. Bahia. . . 

Manoel A.ntonio de Oliveira — Nascido no Rio 
Grande do Norte pelo anno de 1827, ahi falleceu, em Apodi, em feve- 
reiro de 1885, sendo bacharel em direito pela [faculdade de Olinda. 
Escreveu: 

— Aíemoria ou noticia histórica da creação da villa de Apodi na 
provinda do Rio Grande do Norte «- NSo me consta que fosse impressai 



ItflA. 21 

mas o autographo de 13 às. in-foL existe na Bibliotheea nacional da 
capital federal. 

Manoel j^^Lntonio da Paixão — Presbytero secular e 
Incharei em cânones pela universidade de Coimbra — eis o que apenas 
pude saber a seu respeito. Escreveu: 

^ Oração fúnebre por oocasião das solemnidades que os portn- 
guezes estabelecidos no Maranhão andaram preparando para fazer as 
exéquias de sua defunta rainha, a Senhora D. Maria 11. S. Luiz, 1854» 
lôpags. in-4^. 

Ma^noel i%.ntonio Pereix^a — Só o conheço pelo se- 
guinte trabalho que escreveu: 

'^ O braço de Deus: romance original brazileiro. Rio de Ja- 
neiro, 1869, in-S"». 

Manoel António Plmexita Bueno— Filho do 

Marquez de S. Vicente, doutor José António Pimenta Bueno, jà con- 
templado neste livro, nasceu em S. Paulo a 17 de abril de 1828. E' 
commendador da ordem da Rosa, da de Christo e da ordem portugueza 
da Conceição de Villa-Viçosa, fidalgo da real casa deS. M« Fidelíssima 
e, dedicando-se ao commercio, foi gerente da « Amason Steam Navega- 
tlon » e fez parte da commissão administrativa da massa fallida do 
Barão de Mauà & Comp. Escreveu: 

— Industria eostraciwa. A borracha: considerações* Rio de Ja- 
neiro, 1882, 22 pags. in-fol . * Em referenciaaeste trabalho foi publicado 
no Pará um opúsculo com o titulo < Breves reflexões do Diário do 
Gr/UhPara às considerações do Sr. commendador M. A. Pimenta 
Baeno sobre a industria da borracha». Pará, 1882. 

— Questão Mauà & Comp. Documentos e artigos que elucidam a 
matéria. Pará, 1875, 52 pags. in-4\ 

•» Copia do requerimento apresentado ao Governo Imperial pela 
Cknnpanliia < Amason Steam Navegation » e do offldo dirigido à presi« 
deocia do Pará pelo gerente da mesma companhia. Rio de Janeiro, 
1877, iu.4<». 

Manoel A.ntonio Rodri^ixea Xox-res — Filho do 
senador Joaquim José Rodrigues Torres, Visconde de Itaborahy e da 
Viscondessa do mesmo titulo, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 13 
dd junho de 1846 e falleceu a 4 de abril de 1886. Bacharel em lettras 
pelo collegio Pedro II e bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela 



22 

faculdade do Recife, foi por muitas vezes eleito deputado & assembléa 
de sua provinda natal, foi ahi fazendeiro e escreveu: 

— A administração conservadora e o manifesto de 16 de abril da 
1878. Rio de Janeiro, 1878, 163pags. in-8°. 

— Discurso pronauciado na sessão de 31 de outubro de 1849 ( na 
assembléa provincial ) nx sogunda discussão do orçamento provincial. 
Rio de Janeiro, 1879, íd-4®. 

— Relatório apresentado & assembléa geral dos accionistas do 
banco predial no dia 30 de abril de 1877. Rio de Janeiro, 1877, 20 pags. 
in-fol. —Era o autor presidente do banco, e, como este, ha outros tra- 
balhos seus. 

Manoel A^ntonlo dos Santos Ril>eliTO — Natural 
do Espirito Santo, ahi falleceu em outubro de 1870. Era presbytero 
secular e vigário de Nova Almeida e foi muitas vezes deputado pro- 
vincial. E' o autor da 

— Noticia histórica da viila de Nova Almeida, que em 1883 foi 
publicada por Eduardo do Mello Ck)utinho Mercier, qne lhe addicionou 
alguns documentos eztrahidos da camará municipal desta villa, o 
antes publicada por seu tio José Maria Mercier que foi fâmulo do autor. 
( Yeja-se no supplemento do 4^ volume deste livro, pag. 525 e também 
o vol. 2% pag. 253.) 

Manoel A.ntonio da Silvai 1« — Presbytero 8e«> 
eular, &lleceu no Rio de Janeiro, oouego da capella imperial. 
Escreveu: 

— Sermão em acção de graças pela reintegração da antiga dy- 
nastia dos Bourbous no throno da França e suas prosperas conse- 
quências, pregado na villa de Paraty em 3 de junho de 1814. Rio de 
Janeiro, 1815, 16 pags. in-4<^. 

'^ A S, A. Imperial, a Prinoeza D. Francisca Carolina e ao 
Príncipe de Joinville por occasião de sen consorcio e próxima partida. 
Rio de Janeiro, 1843, in-8<* •* Creio que são delle os 

— Bosquejos poéticos : coUecção de poesias sobre diversos as-< 
Bumptos. Rio de Janeiro. 

Manoel António da Silva, 2^ — Portnguez de 
nascimento e brazileiro pela constituição do Império, falleceu na 
cidade da Bahia, em avançada idade, pelo melado do século 
actual, sendo coronel do estado-maior de primeira classe, offlcial 
da ordem do Cruzeiro e cavalleiro dâ ordem da Rosa. Servia 



MA. 23 

como major no oorpo de miiicias de Santo Amaro na Bahia e ulti- 
mamente como commandante superior da guarda nacional da capital . 
Escreveu: 

— A restauração da Bahia em 1625, ou a expulsão dos hoUan- v/ 
dezes: drama offerecido ao illm. sr. tenente-coronel Ignacío Accioli de 
Cerqueira e Silva, administrador do theatro publico da Bahia, para ser 
representado no mesmo theatro no dia 2 de julho de 1837. Bahia, 1837, 

55 pags. in-8^ — Ha ahi como personagens alguns vultos da época, 
como D. Francisco de Moura Rolim, pernambucano e general do 
exercito restaurador ; João Quif, general hoUandez ; Henrique Moniz 
Barreto, alferes septuagenário; Francisco Padilha, capitão e sua 
mulher, D. Maríanna Padilha, da Bahia, etc. 

Ma^noel António da* Silvai Sex-va — Natural da 
Bahia e ahi fallecido no meio do presente século, foi proprietário de 
noia officina typographica, onde muito bons livros deu á estampa. Foi 
antes disto professor de primeiras lettras no seminário de S. [Joaquim 
debsa provinda e escreveu: 

— Gazeta da Bahia. Bahia, 1830 a 1836, in-fol. — E' uma folha 
que teve vários collaboradores. 

— Exposição das razões que reclamam o tratado de commeroio 
entre o Brazil e Portugal, seguida de varias peças concernentes 
ao mesmo objecto, offerecidas à illustrissima associação do com«* 
mercío desta capital da Bahia pelo editor, etc. Bahia, 1843, 59 pags. 
in-40. 

BiAnoel i%.ntonio Vital de Oliveira — Filho de 
António Vital de Oliveira e dona Joanna Florinda Gusmão Lobo Vital, 
nasceu na cidade do Recife a 28 de setembro de 1828, segundo seus 
assentamentos do praça, e falleceu no combate de Gurupaity, na cam- 
panha do Paraguay, a 2 de fevereiro de 1867, sendo seus ossos tras« 
ladados para sua provinda. Fez o curso da academia de marinha que 
concluiu em 1845 ; fez diversas viagens transatlânticas . e exerceu 
varias commissões scientidcas, como a de reconhecer e estimar o 
computo dos prejuízos que tiveram os proprietários e interessados nos 
cascos, apparelhos e carregamento dos navios aprezados pelo almirante 
in^lez Warren a titulo de represália, e determinar os pontos de taes 
aprezamentos para saber-se si o foram nas aguas do Império. Era ca- 
pitão de fragata da armada, oiflcial da ordem da Rosa, cavalleiro da 
de S. Bento de Aviz e de Ghristo, commendador da mesma ordem de 
Portugal, cavalleiro da ordem franceza da Legião de Honra, e da 






24 MjHl 

ordem italiana de S. Maurício e S. Lazaro, e sócio do Instituto histó- 
rico 6 geographico brasileiro. Escreveu: 

— Descripção da costa do Brazil, de Pitimbú a S. Bento e de 
todas as barras, portos e rios do littoral da provinda de Pernambuco, 
seguida de um roteiro para se demandar nas mesmas barras, 
acompanhando a planta geral das costas. Recife, 1855, 81 pags. 
in-8». 

— Roteiro da costa do Brazil, do rio Mossorô ao rio S. Francisco 
do Norte. Rio de Janeiro, 1864, 290 pags. in-8» — Foi concluída a pu- 
blicação depois de sua morte. 

— EoMime do mappa do Amazonas, levantado pela commissão de 
demarcação de limites com o Peru. Pará, 1865, in-4o gr.— E' também 
assignado por G. S. de CapanemaeH. L. dos Santos Verneck — Ha 
varias plantas e cartas deste autor, como: 

— Carta reduzida das Rocas, levantada em 1858. Lith. do Arehivo 
militar» 

— Reconhecimento da^pedra do Hermes na enseada deMacahô, etc. 
1862. Lith. do Instituto artístico. 

— Reconhecimento da barra e porto de Cabo Frio. 1862. Lith. do 
Instituto artístico. 

— Cartas da costa do Brazil entre o rio Mossorô e o S. Francisco 
do norte, levantadas por ordem do governo imperial, etc. nos annos 
de 1857-1859. Rio de Janeiro. Lith. de Ed. Rensburg, 1862 — São 
cinco cartas e foram tão apreciados seus trabalhos, que foram copiados, 
alguns, pelo celebre mr. E. Muchez e reproduzidos em Pariz e na In* 
glaterra. 

Manoel António Xa'T'ieir — Fáltam-me noticias a seu 
respeito ; sei apenas que vivia no Maranhão pela época da indepen- 
dência do Brazil e que escreveu : 

— Memoria sobre o decadente estado da lavoura e commercio da 
província do Maranhão e outros ramos públicos, obstando a prospe- 
ridade e augmento, de que ó susceptível, escripta em 1822 — O original 
mannscrípto foi offerecido ao Instituto histórico , por um sócio desta 
corporação em 1867. 

Manoel A^plirodisio d.a Sll-va — Filho de José 
Joaquim da Silva e nascido em Santa Catharina pelo anno de 1845, 
falleceu em Porto Alegre a 23 de abril de 1891 no cargo de lente sub- 
stituto da escola militar. Com o curso de engenharia militar, servindo 
na arma de infantaria, foi transferido para o corpo de estado- 



MA. 25 

maior de 1* classe. Também.- servia no oorpo policial da cArte. 
Escreveu : 

— Compendio de orthographia. Porto Alegre, 1885, in-d''. 

Mianoel A.arão de Oliveira Oampos — Filho do 
capitão José Matheus Coimbra Campos e dona Francisca Joaquina de 
Oliveira Campos, nasceu em Afogados de Ingazeira» estado de Pernam- 
buco, a 11 de janeiro de 1873. Intelligencia robusta, ainda muito 
Joven dedicou-se ás lettras, jà em seu gabinetOi jà em assoda^Oes 
especlaes, como o Grémio Tobias Barreto de que foi presidente o 
outros do paiz e ao mesmo tempo ao jornalismo, em que fundou 
e redigia : 

— Jornal do Domingo. Recife, 1893 — Redigiu com outros : 

— A Vanguarda. Recife, 1895 — Esta e o precedente são perio- */ 
dicos Ittlèrarios. 

— Diário de Pernambuco. Recife, 1895 — Escreveu : 

— Intimas ( poesias ). Recife, 189J^ — Foi sua estréa na litte- • 
ratura. 

— Notas pessimistas. Recife, 1894 — Em coUaboragão com E. P. /^ 
Santos. 

— Discurso pronunciado na inauguração do Núcleo dramático per- 
nambucano, no theatro Santa Isabel. 

— A adultera : romance aliado ét escola naturalista. Bahia, 1897 
— Terminando este livro, diz o autor : < Este romance que foi es- 
cripto ha quatro annos, ô o primeiro de uma trilogia, a qual, só po- 
derá ser bem comprehendida depois de serem publicados o Sonho e 
Anjo e Martyr. > 

— Magda ( romance ). Recife, 1898, 294 pags. in-S"». / 

Ufanoel de A^raujo Oastiro Ramall&o •— Filho de 
Hippolito de Araújo Castro Ramalho e dona Leonidia Joaquina da 
Silva Araújo, nasceu na cidade de Jaguarão, Rio Grande do Sul, a 31 
de agosto de 1832. Pharmaceutico pela faculdade de medicina do 
Rio de Janeiro, estabeleceu-se na província de seu nascimento 
com bem montada pharmacia e laboratório chimico ; na instituição, 
porém, da Inspectoria geral de hygiene entrou para esta repartição, 
onde serviu muitos annos e por ultimo estabeleceu pharmacia em 
Paqnetá. Gollaborou desde sua formatura para vários jornaes do Rio 
Grande do Sul, com artigos sobre sciencias e lettras que eram assignados 
com os pfleudonymos Nemo e Philotechnista, ou com as lettras C R. 
Sio de taes artigos a : 



26 MA. 

— Revista identifica: serie — publicada na Reforma^ de Porto* 
Alegre, começando a 10 de Junho de 1859. Fundoa e redigia: 

— Gazeta Rio Grandense : publicação mensal, destinada ts artes, 
Bciencia, industria, agricultura e commercio. Propriedade e redacção 
do pharmaceutico, etc. Porto-Alegre, 1873-1873, in-4o _ Sahiu o pri- 
meiro numero em dezembro de 1872 e no anno seguinte mais dous, de 
40 paginas cada um. 

— O Oceano : gazeta semanal, propriedade e redacção, etc. Porto- 
Alegre, 1883-1884, in-fol. de cinco oolumnas. Escreveu mais : 

» Synopses de zoologia ou estudo geral dos animaes com appli- 
ca^ & medicina, k pharmacia e â agricultura. Primeira parte. Porto 
Alegre, 1882, XV-695 pags., in-8'' — E' aparte descriptiva e que 
constituo um repertório variadíssimo de noções sobre o reino animal. 

— Tratado de agricultura de CJolumella : traducção — Foi publi- 
cado no Jornal O Oceano e creio que separadamente. Em 1888 tinUa Ra- 
malho entre mãos um trabalho com o titulo : 

— Tratado de Pharmacia — > que não foi publicado. 

MAnoel de A.raujo da Ounlia* A.l-varengra — 

Filho do doutor Francisco de Paula Alvarenga, nasceu em Minas Geraes 
em 1850 e falleceu no Rio de Janeiro a 4 de dezembro de 1888. Doutor 
em medicina pela faculdade desta cidade, exercia a clinica na cidade do 
Pomba, onde exerceu cargos de eleição e de confiança do governo, 
como o de supplente de juiz municipal e o de vereador e presidente da 
camará municipal. Escreveu : 

i*- Apoplexia cerebral ; Atmosphera ; Diagnostico diíferencial dos 
tumores do escroto ; Vaccinação e revaccinação : these apresentada k 
faculdade de medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1873, 
84 pags. in'4<> — O dr. Alvarenga tinha a publicar : 

— Estudos acerca da morphéa — • aos quaes se dera, coUigindo 
muitos dados e observações. E' provável que sejam publicados por 
alguém da família do autor. 

Manoel de ^x-aujo Porto A-legr^C)» Barão de Santo 
y^ Angelo — Chamado antes da independência do Brazil Manoel José de 

Araújo, nasceu na cidade do Rio Pardo, província do Rio Grande do 
Sul, a 29 de novembro de 1806 e falleceu a 29 de dezembro de 1879 em 
Lisboa» onde servia o cargo de cônsul geral do Império, sendo grande 
dignitário da ordem da Rosa, cavalleiro da de Ghristo, commendador 
da ordem hespanhola de Carlos III ; professor jubilado de architectura 
da escola militar ; ex- professor de pintura histórica da Academia de 



MA 27 

bell&fl-artes e seu director a reformador ; soolo honorário do Instituto 
bistorico e geographico brazileiro, onde exerceu cargos importantes, 
como o de orador por espago de quatorze annos ; membro do antigo 
Instituto histórico da Bahia, do Instituto histórico da França, da so- 
ciedade das Bellas-artes e bellas lettras, e da Sociedade polytechnica 
de Paris, do Instituto nacional de Washington, da Academia real das 
sciencias e da Academia de bellas-artes de Lisboa, da Arcádia de Roma 
e de varias associações litterarias do Brazil. Muito joven, estudando 
preparatórios em sua província, demonstrou sua inclinaçfto pelas 
sciencias naturaes e tanto que organisou para si um estreito gabinete 
de historia natural. Em 1826, vindo para a corte, decidido a matricular- 
se na Academia militar, como esta estivesse em ferias, frequentou a 
Acadenoia de bellas-artes com applicação tal, que na primeira expo- 
sição obteve prémios de pintura e de architectura e, assim começando, 
tornou-se, na carreira que abraçou, um vulto venerando. Foi em 1831 
á França, com seu mestre Debret, aperfeiçoar seus estudos, viajando 
atô 1837 pela Bélgica, Itália, Suissa, Inglaterra e Portugal, a prin- 
cipio soffrendo privações, que foram minoradas com o auxilio 
prestado por um amigo e depois com uma subvenção concedida pelo 
governo imperial. Foi um dos fundadores do Conservatório dramático 
e da Academia da opera lyrica e exerceu o cargo de cônsul geral do 
Brazil na Prússia desde 1859, antes de exercer esse cargo em Portugal. 
Cultivou com esmero a poesia e manejava a penna na prosa com a 
mesma elegância e mestria com que empunhava o pincel de artista. 
Escreveu : 

— Canto genethliaco ao faustissimo dia 23 de fevereiro de 1845. »^ 
Rio de Janeiro, 1845, in-4<' * E' consagrado ao nascimento do princips 

D. AfTonso. 

— A destruição das fiorestds : braziliana em três cantos. Rio >/ 
de Janeiro, 1846, ín-8« — 2» edição na Bibliotheca brazileira, 
1862. 

— O corcovado: braziliana. Rio de Janeiro, 1847, 48pags. in-8«. , 
S-ío composições admiráveis que exaltam o duplo talento do pintor e 

do poeta, como disse o conselheiro Olegário. 

— -Brait7ian<w; poesias. Vienna, 1863, in-8<». 

— C59Íaw&o; poema. Rio de Janeiro, 1866, 2 vols. in-8*— Foram 
publicados alguns cantos no Guanabara em 1851 e na Revista Brazileira, 
mas então não estava o poema concluído. Muitos consideram ser esta 
a melhor obra do autor. 

— A noite de S, João : Opera lyrica, posta em musica pelo maestro 
Glovani — Creio que não foi publicada. 



28 



Mik 



— O prestigio da lei : drama lyrico em três actos. Rio de Janeiro, 
1859, 84 pags. m-12<* — Foi posto em masica pelo maestro Francisco 
Manoel da Silva. 

— Angélica e Firmino: drama em quatro actos. Rio de Janeiro, 
1848, in 80. 

— A estatua amazonica : comedia archeologica, dedicada ao Illm. 
Sr. Manoel Ferreira Lagos, em 1848. Rio de Janeiro, 1851, 86 pags. 
in-4* com uma est. — O autor ridicularisa o procedimento ingrato de 
certos viajantes europeus que em paga de finezas e favores dos brazi- 
leirofl, sabem do Brazil deprimindo-os e escrevendo um amontoado de 
falsidades, como fez o Conde Gastelnau que levou para a Franga uma 
pedra mal lavrada que encontrou no Rio Negro, e ezpoz no Louvre, 
dando-lhe o titulo de estatua do tempo das Amazonas brazileiras ! 

— O espião de Bonaparte: comedia, inédita. 

— O sapateiro politicão : comedia, inédita. 

— Dinheiro é sai*de : comedia, inédita. 

— Discurso recitado pelo orador do Instituto histórico e geogra* 
phico brasileiro no enterro do conselheiro Josó Joaquim da Rocha. 
Rio de Janeiro, 1848, 7 pags. in-8^. 

— Estatutos do Atheneo artístico. Rio de Janeiro, 1859, 12 pags. 
in-4*— Assigna-os como presidente, seguindo-o outros. 

— Discurso proferido por parte do Instituto histórico à beira do 
tumulo do senador Francisco de Paula e Souza— Na Revista do 
Instituto, tomo 15% pags. 239 a 241. 

— Discurso proferido por occasião de dar-se á sepultura o cadáver 
do padre mestre Fr. Francisco de Monte-Alverne — Idem, tomo 21^, 
pags. 499 a 501. 

•— Estudos sobre o Brazil Meridional, considerado em suas relações 
physicas, acompanhados de um bosquejo sobre a colonisacão e livre 
emigraçSo por Waldemar Schutz. Leipzig, 1865. 

— Relatório sobre as bellas-artes — Acha-se annexo ao < Relatório 
sobre a exposição universal de 1867 pelo secretario da commissão 
braizleira Júlio Constâncio de Villeneuve », Paris, 1868. (Yeja-seeste 
autor. ) 

— Relatório da commissão que representou o império do Brazil na 
exposição universal de Yienna d'Austria em 1873. Rio de Janeiro, 
1874, 41 pags. in-40. 

— Informações sobre a posição commercial dos productos do Braúl 
em Portugal — Vem no livro « Informações sobre a posição dos pro- 
ductos do Brazil nas praças estrangeiras >. Rio de Janeiro, 1875, de 
pags. 109 a 162, com varias tabeliãs. 



— Os voluntários da pátria : drama em três actos. Lisboa, 1877, 
m-8* — Foi sua ultima obrae é pouco conhecida. Porto Alegre redigiu 
as seguintes reyistas : 

^ Nitheroy : revista brazileira, Sdencias, lettras e artes. Paris, 
1836, in-8^— De seus escriptos nesta revista, em que teve por com- 
panheiros Domingos José Qonoalves de Magalhães, Francisco de Salles 
Torres Homem e Eugénio Monglave, citarei : 

— Idéa sobre a musica — no n. 1% pags. 160 a 183. E 

— Contornos de Nápoles : fragmentos das notaslde viagem de um 
artista — no n. 2<», pags. 161 a 215, sendo prosa até a pag. 186 e dahi 
em deante o poema « A voz da natureza >. 

— A ;^m(í«fMa Jfa^ica : periódico plastico-phílosophico. Rio de 
Janeiro, 1844-1845, in*4^ 

— Guanabara : revista mensal, artística, scientiflca e litteraria, 
redigida por uma associação de litteratos. Rio de Janeiro, 1849-1856, 
3 vols. in-4^ — Foram seus companheiros de redacção António Gonçalves 
Dias e Joaquim Manoel de Macedo. Entre seus trabalhos nesta revista 
estão : 

^ Academia de bellas-artes. A exposição publica de 1849^ No 
tomo l^ pags. 69 a 77. 

— O Marquez: de Maricá-^ No mesmo tomo, pags. 316 a 319— 
Co] laborou em muitas revistas de scienciase lettras, das quaes mencio- 
narei os seguintes escriptos : 

" A igreja* da Santa Cruz dos Militares — No Ostensor^ tomo 1°, 
Kio de Janeiro, 1845-1846, pags. 241 e segs. 

— Epithalamio^ offerecido ao meu prezado amigo Domingos José 
Gonçalves de Magalhães no dia de seu casamento com a Illma. Sra, D. 
Janaana Pinto Ribeiro de Magalhães a 16 de outubro de 1847 — Na 
Chronica Litteraria^ n. 10, 1848, pags. 75 a 78. 

— Festns imperiaes ^ á chegada de S. M. a Imperatriz— Na 
Minerva Bratileira, tomo l'', pags. 23 a 26. 

— Fragmentos de viagem áe um artista brazileiro — Architectura— 
Idem, pags. 71 a 76. 

— Exposição publica. Academia de bel las-art es. — Idem, pags. 116 
a 121, 148 a 154 e 308 a 311. 

— j^rajtVtana, dedicada ao Illm. Sr. Ignacio Dias Paes Leme — 
Jdem, pags. 301 a 305, reproduzida em folhinhas de Eduardo e Henrique 
Laemmert ( Folhinha patriótica brazileira para 1852 ), com a data de 
Fazenda de S. "Pedro, na Serra de SanfAnna, 30 de janeiro de 1844. 

— Brasiliana ao consorcio da sereníssima princeza imperial, a 
senhora D. Januaria, etc. — Idem, tomo 2% pag8« 433 e 434. 



âO MA 

— O Voador: braziliana a Bartholomeu Lourenço de Gusmão — 
Idem, pags. 656 a 659. 

-^ Uma palavra éíCercsL do artigo do Sr. ChaTagnes» ia ti talado 
€0 Brazil em 1844»— Idem, pags. 711 a 719. 

— A igreja parocMal de N. S. da Candelária — Idem, tomo 3% 
pags. 29 a 31 e 60 a 62 com ama estampa. 

— A estatua equestre do Sr. D. Pedro I — Na Revista Braxileira^ 
tomo 2% 1859, pags. 37 e segs. com ama estampa. 

— O giquitibd da serra de Santa Braziliana— Idem, | tomo l\ 
pags. 407 a 417. 

— A musica sagrada no Brazil — No Iris^ tomo 1% pags. 47 e 
seguintes. 

— Cartes sobre a Itália — Na Nova Minerva^ tomo 1^^, serie 2"« 
pags. 138 e seguintes. 

— Biographia de Luiz Pedreira do Conto Ferraz. Biograpliia de 
Francisco de Lima e Silva— Na Galeria dos brazileiros illustres, 
tomo 1^. 

— Memoria sobre a antiga escola de pintura fluminense — Na 
Revista Trimensal do Instituto, tomo 3^, pags. 547 a 557 da 2^ edição. 

— Discurso recitado na sessão commemoratiTa da perda do príncipe 
imperial D. Affonso — Idem, tomo 11°, e também na «Oblação do 
Instituto histórico e geographico brazileiro à memoria de seu presidente 
honorário, o Sr. D. Affonso, etc. », pags. 7 a 12. 

— Iconographia brazileira— Idem, tomo 19% pags. 349 a 354. 

— Apontamentos sobre a vida e obras do padre José Maurício 
Nunes Garcia e de Valentim da Fonseca e Silva— Idem, tomo 19<», 
pags. 354 a 378. 

— Ha ainda nesta revista muitos discursos e biographias, como 
ha vários trabalhos em outras. Quanto a seus quadros, citarei apenas : 

— 5. M. I, o Sr. D, Pedro /, dando o decreto de reforma ao 
director da escola de medicina a 9 de setembro de 1826— Ao redor 
do principe estão retratados o ministro do império, Visconde de 
S. Leopoldo e os professores da escola. Está na faculdado de medicina 
esse quadro, qqe basta para justiílcar a fama de seu autor. 

Manoel A.i*]ui]idLo OordLeiro Oua>rAnái— Filho 
de Theodoro Cordeiro Guaraná e dona Andrelina Moniz de Menezes 
Guaraná, nasceu na cidade de S. Christovão, Sergipe, a 4 de agosto de 
1848. Bacharel em direito pela faculdade do Recife, exerceu em sua 
pátria os cargos de promotor publico, procurador flscal do thesouro 
provincialy juiz de direito, chefe de polida, e juiz dos casamentos. Foi 



MA. SI 

secretario do governo nas antigas provindas do Piauhy e Ceara e 
naqnella foi depois juiz de direito. Na primeira organisa^o judiciaria 
do estado do Espirito Santo occupou uma cadeira de desembargador da 
extincta relação e hoje em disponibilidade, advoga na capital federal. 
Foi deputado provincial por Sergipe em um biennio ; é sócio do Instituto 
archeologico e geographico pernambucano e condecorado com o busto 
do Libertador Simão Bolivar da Venezuela. E' o auxiliar, que tenho 
encontrado, na elaboraçfto do 

— Diccionario bibliographico brazileiro — A elle devo o melhora- 
mento que apresenta este livro do 3^ vol. em deante. No jornalismo 
oollaborou na Imprensei, do Piauhy, no Cearense j do Ceará e bem 
assim no Liberdade e no Jornal de Sergipe, subscrevendo muitos dos 
seus escriptos, com o pseudonymo de Harmodius. Redigiu: 

— O Democrata, Aracaju, 1881-1882— Escreveu: 

— - Vocabulário geographico dos nomes indígenas do estado de 
Sergipe com as suas explicações etymologicas — Este trabalho se acha 
inédito; seu autor, porém, me permittiu que o visse. 

— Memorial. Acção de indemnisação. RazOes ânaes, etc. Rio de 
Janeiro, 1893, 38 pags. in-4». 

— Appellação commercial n. 986. Dissolução e liquidação de firma. 
Petição e razões dos appeilados, etc. Rio de Janeiro, 1895, 27 pags. in-4<». 

IMCanoel de A.rruda Oamara; -— Filho de Francisco de 
Arruda Camará e dona Maria Saraiva da Silva, nasceu em 1752 na 
villa de Pombal, hoje da província da Parahyba e então da capitania 
de Pernambuco, e em Pernambuco falleceu em 1810. Religioso carme- 
lítano, professo em 1783 com o nome de frei Manoel do Coração de 
Jesas, depois de cursar as aulas de sua ordem, foi com a necessária 
licença a Portugal e matriculou-se no curso de medicina da Universidade 
de Coimbra, o qual foi obrigado a interromper em meio com as per- 
segnições, que soíTriam os estudantes considerados como sympathicos ás 
doutrinas da revolução franceza, e então foi concluir o dito curso em 
Montpellier, onde recebeu o grão de doutor. Obtendo da cúria romana 
o breve de secularisação e voltando ao Brazil, foi nomeado em sua pas- 
sageni por Portugal para acompanhar como naturalista o Dr. Josó 
Bonifácio de Andrada e Silva em sua excursão scientiâca pela Europa< 
ao que recusou-se. Deu-se em Pernambuco ao exercicio da medicina, e 
exerceu commissões do governo, quer nessa provinda, quer na da Bahia 
como grande naturalista que era, adoecendo de grave enfermidade de 
que morreu nas investigações a que se dava por legares paludosos. 
Como botânico pensa Warnhagem que elle disputou a palma a frei 



32 MA. 

José Mariano da GoncdiQâo Velloso, seu amigo, e Saint-Hilaire per- 
petuou seu nome, creando o género Árrudea na família das gutti feras. 
Era membro da academia das sciencias de Lisboa, da de Montpellier, 
e da sociedade de agricultura de Paris, e escreveu: 

— Aviso ao lavradores sobre a supposta fermentação de qualquer 
qualidade de grãos ou pevides para augmento da colheita. Lisboa, 
1792, 29 pags. in-4<>. 

— Memoria sobre a cultura dos algodoeiros e sobre o methodo de 
escolher e ensaccar o algodão, em que se propõem alguns planos novos 
para seu melhoramento. Lisboa, 1799, 91 pags. in-4», com estampas 
e um mappa— Foi escripta em 1797, esahiu depois, em 1813, em vários 
números do Patriota» 

-^ Memoria sobre o algodão de Pernambuco. Lisboa, 1810, in-4s 

— Memoria sobre as plantas de que se pôde fazer a baunilha no 
Brazil— Nas Memorias da Academia real das sciencias de Lisboa, 
vol. 4% 1814, pags. 83 a 93. 

— Discurso sobre a utilidade da instituição de jardins nas prin- 
oipaes provindas do Brazil, offerecido ao príncipe regente, etc. Rio de 
Janeiro, 1810, 52 pags. in-S*» — Foi depois publicado no Auxiliador da 
Industria Nacional^ 1840. 

•* Dissertação sobre as plantas do Brazil que podem dar linhos, 
próprios para muitos usos da sociedade e supprir a falta de cânhamo, 
etc. Rio de Janeiro, 1810, 49 pags. in-8<»— Reproduzido na dita re- 
vista, 1841. Ha alguns escriptos botânicos de Arruda Gamara no 
Archivo Medico Brasileiro e diz Pereira da Gosta no Diccionario 
biographico de pernambucanos illustres que elle deixou inéditos: 

^ Flora pernambucana, com estampas — Dessa obra confessa A. de 
Almeida Pinto haver-se utilisado quando escreveu seu diccionario de bo- 
tânica. E* uma obra de utilidade immensa, e lamentavelmente x>erdida 
com a morte do autor. Era ella enriquecida de desenhos coloridos, 
devidos ao pincel do infeliz padre João Ribeiro de Mello Montenegro. 

•^ Tratado de agricultura, 

— Traducção da obra de Lavoisier. 
-^ Tratado de lógica. 

— Insectologia ou collecção de desenhos de insectos -^ Finalmente 
na exposição de historia pátria de 1880, viram-se delle: 

^- Álbum de estampas com 119 folhas representando plantas, pin- 
tadas a aquarella, algumas desenhadas a lápis, e a maior parte de- 
senhada a nankim por Arruda Gamara, frei José da Gosta Azevedo, e 
principalmente pelo padre João Ribeiro Montenegro. Sem data e sem 



MA. 33 

texto — £ essas estampas eram para uma obra, inédita de Ar- 
ruda Gamara, a Flora, sem duvida. Pertenço o Álbum ao Museu 
Nacional . 

— Estampas ( 82 ) representando assumptos de historia natural 
( pela maior parte insectos, peixes e pássaros): desenhos or^ginaes a 
lápis, nankim e aquarellapor Arruda Camará. Da Bibliotheoa Nacional. 
Sem data. 

M!axioel Ayres do Oasal — A naturalidade deste 
autor não está quanto a mim, provada, e por isso não devo omittír 
seu uome neste livro. Uns o consideram nascido em Portu|>al e até na 
villa do Pedregão, em 1754 ; outros como Pereira da Silva, que o 
inclue nos seus « varões illustres do Brazil » o julgam brazileiro, e até 
ha quem com o Dr. Mello Moraes 1<*, lhe dê por berço a villa, hoje 
cidade da Cachoeira, na Bahia. O que é certo é que elle falleceu em 
Portugal, para onde foi do Brazil com D. João VI em 1821, dando-se 
seu fallecimento, pouco depois dessa época, e depois de longos sof- 
frimentos de affecções nervosas. Presbytero secular do grão priorado 
do Crato, estudou com decidido afan as cousas do Brazil e es- 
creveu : 

— Ccrographii brasilici ou relação historico-geographica do reino 
do Brazil, composta por um presbytero secular do Grão-Priorado do 
Crato, e dedicada a S. M. Fidelíssima, etc. Rio de Janeiro, MDCCCXYII. 
Com licença e privilegio real, dous tomos, 432 e 483 pags. iu-4<^ — Esta 
obra em que o autor demonstra os conhecimentos que tinlia da vasta 
região de que se occupa, foi escripta no Rio de Janeiro e sabe-se que 
elle em Lisboa aperfeiçoou-a e fez-lhe accrescimos para dar segunda 
edição depois de novos estudos e de algumas despezas. B com effeito, 
depois de sua morte, fizoram-se algumas edições, sondo uma de 1833 e 
outra de 1845 com uma planta da província do Rio de Janeiro, ambas 
do Rio de Janeiro. Nenhuma dessas ultimas edições, porém, contém 
accrescimos e rectificações que o autor tinha a dar na segunda 
edição que projectava fazer, as quaes desappareceram depois de seu 
fallecimento. No catalogo da bibliotheca da escola polytechnica vejo 
mencionada esta obra impressa em 1830. Delia finalmente publicou-se: 

-* Introducção da geographia brasílica, da parte que trata da 
Bahia composta por um presbytero, etc. e mandado imprimir para in- 
trucção da mocidade bahiense por um professor da mesma. Bahia, 182Ô 
in-4.** ( Veja-se Ignacio Aprigio da Fonseca Galvão. ) 

— Notice sur les capitainies de Pará et Solimões au Bresil — Noa 
Nouveaux Annales des Voyages, tomo 9®, 1821. 

Vol. VI - 3 



34 MA. 

Manoel Baltb.a.zcii7 Pereira I>iég'uo0 — Filho 
de Manoel Balthazar Pereira Díógues e nascido em Alagoas a 29 do 
outubro de ISJ."), ó bacharel cm liireito pela faculdade do Recife, advo- 
gado e director litterario do collegio Bom Jesus, de Maceió. Escreveu: 

— Liberdade de ensino: confereacla feita na noite de 6 de agosto 
de 1882. Maceió, 1882, 8 pags. in-fol. de daaâoolumnas. 

— A descoberta da America: conferencia, etc. Maceió, 1883. 

— A descoberta do Brazil: conferencia, etc. Maceió, 1883. 

— Proposições da língua portugueza. ( Orações ) Maceió •... 

— * Manoel !Oarl>oza. de A.riiujo — Filho de José 
Vicente de Araújo, nasceu na cidade da Estancia, em Sergipe, no 
anno de 1832, e falleceu em Pernambuco a 21 de setembro de 1894, 
bacharel em direito pela faculdade do Recife. Nesta cidade dirigiu um 
collegio de educação e antes de estudar direito tinha sido professor em 
sua pátria. Escreveu: 

— Elementos de gvsimmeíiicsí da lingoa latina, llecife... 

Mianoel de Barros Barreto — Pilho do com- 
mendador Ignacio de Barros Barreto e dona Anna Maria Cavalcanti de 
Albuquerque Barreto, e irmão do conselheiro Francisco do Rego Barros 
Barreto e do Dr. Ignacio de Barros Barreto, mencionados neste livro, 
nasceu em Pernambuco e ahi falleceu. Engenheiro pela escola de « arts 
et manufactures » de Paris, serviu em sua provinda vários cargos 
e escreveu: 

'^Memoria sobre o melhoramento do porto de Pernambuco. Recife, 
1865, 30 pags. in-8'»— Seguem a este trabalho : 

— Projecto da doca do porto de Pernambuco. Recife, 1865. 

— . Planta da cidade do Recife. Recife, 1865 — Ha trabalhos 
em cargos que exerceu, como o 

— Relatório da estrada de ferro do Recife a S. Francisco na pro- 
Tincia de Pernambuco. Rio de Janeiro, 1875, in-fol. 

Manoel Beaicio Fonteaelli — Filho de Felippe 
Benicio Fontenelli e dona Anna Alves Fontenelii, nasceu na cidade do 
Brejo, no Maranhão, a 25 de dezembro de 1828 e falleceu a 6 de julho 
de 1895 na cidade de S. José d'Alem Parahyba, em Minas Geraes. 
Começou seus esluiios n^) semiuario de S. Luiz e dahi, com a intenção de 
e&tudar também direito, passou-se para o seminário de Olinda ; mas 
não se conformando < sua humildade perante Deus com a exageração da 
doutrina Catholica da infallibilidadc do papa >, deixoa este seminário. 



M.A 35 

dedlcando-se somente á faculdade de direito, onde recebeu o grau de 
bacharel em 1849. Nunca pretendeu logares da magistratura ; repre- 
sentou sua província natal na camará dos deputados; foi somente 
adFOgado, um distincto e honesto advogado e também poeta. Escreveu: 

— ^'atmopolis: poema. Rio de Janeiro, 1877, 322 pags. in-8®. ^ 

— O porvir: poema. Rio de Janeiro, 1877, in-8». ^ 

— Scenas de sangue: poemeto a propósito do assassinato e suicídio 
dados na praça do mercado de Nltheroy a 31 de outubro. Rio de Janeiro, 
1884, in-8« peq. — Com Ricardo Barboza: 

— Recreios poéticos . Rio de Janeiro, 1855. in-4° 

— O dia do Supremo Juizo. O consummatum est : odes— não sei 
onde foram publicadas ; sei, porém, que com ellas o autor revela 
aeos sentimentos religiosos e patenteia a verdade, a santidade, a bel- 
leza, a efUcacia, a utilidade do christianismo e esses grandes principies 
de ordem que, como ensina a religião, constituem para o homem a ver- 
dadeira necessidade de seu espirito, a única esperança de sua vida 
mundana. Fontenelli deixou inéditos: 

— O poema da tarde, 

— Boa noite: poema". 

— Promethêo: poema. 

— I>ido: poema dramático. 

— Carmes: collecçao de poesias — Occupava-se, finalmente, quando 
falleceu» com a traducçao da Ilíada e de outras obras de Horácio e de 
Laxnartine. 

3J[£Liioel Ba«ma1>é Monteiro Saénoi — Pilho do 
tenente-coronel António Ladislau Monteiro Baéna, nasceu na cidade de 
Belém, capital do Pará, e ahi, depois de alguns estudos de humanidades, 
dedicoa-«e ao funccionalismo publico, aposentando^se, depois da procla-* 
mação da Republica, no logar de director geral da secretaria do go- 
Terno. ET sócio do Instituto histórico egeographico brazileiro e escreveu: 

— índice alphabetica da legislação provincial do Pará de 1854 até 
1880, comprehendendo os actos e decisões do governo da província até 
1879 inclusive. Pará, 1880. 

— - índice alphibetico da legislação da província do Pará de 1880 a 
14 de novembro de 1889. Belém, 1896. 

índice alphabetico da legislação do estado do Pará desde 15 de 

Dovembrode 1889 até 1893. Pará, 1894. 

-» Informações sobre as comarcas da provinda do Pará, organisadas 
em virtude de aviso-circular do Ministério da Justiça de 20 de se- 
temlm) de 1883. Pará, 1885. 



36 MA. 

|« — Relatório apresentado ao governador do estado do Pará p«lo 

[ secretario, etc. Belém, 1896 — Este relatório serviu de base á men- 

í 

sagem que o mesmo governador dirigiu ao Congresso estadual. 

— Relição dos governadores, dos capitães-generaes e jantas 
governativas de 1804 a 1824, inclusive a junta revolucionaria republi- 
cana de 30 de abril deste anno — Inédita. 

— Relição dos presidentes do Pará de 1824 até 1889 — Inédita. 

— Relação dos governadores do Pará no dominio da Republica 
— Inédita. 

Manoel Baseilio Furtado^ Natural de Minas Geraes, 
doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro e auxiliar do 
Museu do Rio de Janeiro. Escreveu: 

— These apresentada e sustentada perante a faculdade de medicina 
do Rio de Janeiro para obter o grau de doutor em medicina. Rio de 
Janeiro, 1857, in-4« — Não pude ainda vel-a. 

— i Itinerário da freguezia do Senhor Bom Jesus de Itabapoana à 
gruta das Minas do Castello, na província do Espirito Santo. 

Manoel I3ernardes Pereira da Veigr^^» Barão de 
Jacutinga, filho do l^' cirurgião da armada Félix Bernardes Pereira 
da Veiga o dona Izabel Joaquina Rosa, nasceu no Rio de Janeiro a 25 
de dezembro de 1766 e falleceu a 13 de dezembro de 1837, bacharel em 
philosophia e doutor em medicina pela universidade de Coimbra, me- 
dico da real camará e physico-môr da casa da rainha d. Maria I*, do 
consalho do rei d. João VI, e comraendador da ordem de Christo. Foi 
encarregado e desempenbou varias commissões e escreveu varias 

— Memorias sobre a organisação de hospitaos, sobre os progressos 
da agriculturr, etc. — ^das quaes não posso por agora dar noticia. 

Manoel Bernardino Bolívar — Filho de Manoel 
Bernardino dos Santos e dona Maria Joaquina do Sacramento, nasceu 
na cidade da Cachoeira, província da Bahia, em 1829 e falleceu a 14 de 
Junho de 1895. Doutor em medicina pela faculdade desta provinda, 
serviu no corpo de saúde do exercito dosde 30 de janeiro de 1855 atoo 
começo da guerra do Paraguay, pedindo e obtendo sua reforma no posto 
de segundo cirurgião. Escreveu: 

— Discursos no solemne acto do encerramento do curso de ana- 
tomia geral e descriptiva, recitados e dedicados ao professor da respe- 
ctiva cadeira por Francisco Rodrigues da Silva e Manoel Bernardino 
Bolivar. Bahia, 1850, 9 pags. in'4' 



1°. 



1 



MA. 37 

'^ Alei da prancha e da chibata perante a medicina, these apre- 
sentada á faculdade de medicina da Bahia,'1853, in-4®. 

— Homenagem necrologica em o dia 24 de setembro de 1859, an- 
niversario do lamentável passamento do Sr. D. Pedro I, fundador do 
Império do Brazil, por occasião da missa fúnebre que na egreja de 
S. Francisco mandou solemnemente celebrar pela memoria do mesmo 
augusto senhor a sociedade Vinte e Quatro de setembro. Bahia, 1859, 
23 pags. ÍQ-4<» — Publicou muitas poesias em revist.iSy como: 

— A tristeza delia ; O trahldo ; Canto ao Dous de Julho; A pureza 
delia ; O ramilhete — Nos Cantos Brazileiros, Bahia, 1850, pags. 64 a 
67, 89 a 94, 132 a 137, 264 e 274 a 276 

— A cruz^ a coruja e a sepultura — No Almanak do Dr. César 
Marques, tomo 2% 1862, pags. 62 a 67. 

Manoel Bonira*oio da Oosta; — Filho de Victorio 
José da Coáta, nasceu na capital da Bahia a 7 de outubro de 1848 e ô 
doutor em medicina pela faculdade dessa capital. Habilitado pelo con- 
selho de instrucção publica, leccionou philosophia e rhetorica durante 
o curso medico, depois de doutorado, leccionou como professor livre na 
laculdade de medicina anatomia e operações dentarias,duas matérias 
da secção cirúrgica a que sempre se dedicou. Mais tarde, abandonando 
o magistério, tornou- se especialista de odontologia, moléstias da boca, 
garganta e ouvidos o offereceu-se áquella faculdade para ahi montar, a 
expeosass uas, um modesto gabinete de odontologia, onde desse um curso 
§rratuito dessa especialidade, sendo finalmente convidado e passando a 
fôger a cadeira de clinica odontológica, creada nas faculdades me- 
dicas da Republica em 1890. Escreveu: 

— Considerações etiológicas sobre a febre amarei la ; Do chloral e do 
chloroformio nos seus effeitos therapeuticos ; Composição chi mica do ar 
atmospherico ; Da operação^cesariana: these, etc. para obter o grau 
de doutor em medicina. Bahia, 1879, 87 pags. in-4« gr. 

— Estudo da dentição, seu desenvolvimento em relação ás diversas 
idades. Bahia, 1887. 

— União dentaria: revista especial de cirurgia, prothese dentaria 
e moléstias da boca. Bahia, 1883. 

— Da belladona e hydrolato de louro-cereja nas aflfecções do la- 
iryngo: trabalho apresentado e lido no congresso de medicina e cirurgia 
da Bahia. 

Manoel Borg-es I*ereirad.e Oéa— Natural da Bahia, 
Yivia no século 17^ Era reconhecido e reputado como muito douto em 



38 MA. 

historia, qaer sagrada, [qaer profana. Cultivou lambem a poesia 
e escreveu : 

— Exposição do Anjo do Apocalypse — Inédita, na bibliotheca real 
de Lisboa. O que mais constituo o mérito desta obra é achar-se ella 
comprehendida no 4^ tomo do Summario da bibliotheca luzitana de 
Bento Farinha, tomo que comprebende apenas as obras selectas. Nella 
procura o autor demonstrar que o verdadeiro encoberto é el-rei 
D. João V. 

Manoel OotelHo de Oliveira. — Filho do capitão 
de infantaria António Alvares de Oliveira, nasceu na Bahia em 1636 
e falleceu a 5 de janeiro de 1711. Era íidalgo da casa real, formado em 
jurisprudência na universidade de Coimbra, sendo contemporâneo do 
celebre Gregório de Mattos, e capitão-mór de ordenanças. Dedicou-se 
& advocacia, adquirindo nessa proâssão uma bella nomeada e foi ve- 
reador da camará. Distincto litterato e poeta, notável talento, co- 
nhecia varias linguas e escreveu: 

— Musica do Parnaso^ dividida em quatro coros de rimas, por- 
tuguezaSy castelhanas, italianas e latinas com seu descante cómico, 
reduzido em duas comedias. Lisboa, 1705, 302 pags. in-S"» — Nessa 
grande coUecção de poesias ha muitas descripções de cousas do paiz, e 
particularmente da Bahia, algumas lindissimas, sendo por isso consi- 
derado por Fernandes Pinheiro o patriarcha da poesia brazileira. De- 
mais, seus versos ] não se resentem tanto do gongorismo dominante 
nos poetas da época ; são em linguagem pura, clássica, harmoniosa. 
As duas comedias que se acham neste livro são : 

— Hay amigo para amigo — e 

— Amor, enganos e zelos * Ha algumas composições suas em col- 
leoçQes, como: 

— Sobre os males originados pelo ouro : canção — no Mosaico 
poético de Emilio Adet e J. Norberto, pags. 17 e 18. A esta seguem-se 
outras composições de Botelho de Oliveira, sendo a ultima a ode : 

— A 'ilha de Maré — também publicada na Revista do Instituto 
histórico e geographico da Bahia, tomo 1% 1894, pags. 139 a 147. 

Manoel Braz Mlax-tins Moscoso — Natural da 
Bahia e nascido nos últimos annos do século 18°, foi proprietário e 
morador na ilha de Itaparica, deu-se ao cultivo das lettras e 
escreveu ; 

— A pescx das baleias na ilha de Itaparica, 1845 — Este interes- 
sante trabalho, em que se dà noticia do modo por que se fàz a pesca 



MA. 39 

da baleia e dos grandes perigos, a qae se expõem os pescadores deste 
cetáceo, foi publicado no Mosaico, periódico da sociedade Instru- 
ctiva da Bahia, volume 2<», pags. 203 e 243. 

IJklaiioel Buarque de Miaeedo — Filho de Manoel 
Boarque de Macedo Lima e dona Lourença Buarque de Macedo Lima, 
nasceu na cidade do Recife a 1 de março de 1837 e falleoeu a 29 de 
agosto de 1881 em S. João d'El-rei, Minas Geraes, quando como ministro 
da agricultara ia com o Imperador assistir á inauguração da estrada 
de ferro do Oeste nesta província, sendo acommettido de uma 
con<^estão pulmonar, consecutiva a um resfriamento que teve na vés- 
pera da viagem. Era bacharel em matliematicas pela escola central 
e doutor em sciencias juridicas e administrativas pela universidade de 
Braxellas, do conselho de sua magestade o Imperador, membro e 
-vice-presidente do Instituto polytechnico brazileiro, membro do 
Instituto dos engenheiros civis de Londres, oom^nendador da ordem da 
Rosa, da ordem f rance za da Legião de honra, da ordem romana de 
S . Maurício e S . Lazaro e da ordem portugueza da Conceição de 
Yilla Viçosa, e deputado por sua província. Serviu após sua formatura 
como addido de P classe à legação imperial da França ; foi engenheiro 
ajudante da estrada de ferro D. Pedro II ; engenheiro fiscal da do 
Recife à S. Francisco, de 1860 a 1873 e desta data em diante, chefe da 
directoria das obras publicas da respectiva secretaria de estado. O Im- 
perador assistiu seus últimos momentos, e, tomado de justo pezar, dis- 
pensou todos os festejos que estavam preparados e recolheu-se ao pa- 
lácio onde estava hospedado, sem receber nesse dia nem as pessoas 
que iam oomprimental-o. Macedo escreveu: 

— Relatório da commissão nomeada para examinar os trabalhos e 
serviços dos esgotos da cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1875, 
20 pags. in-S'' — Assigam também o Barão de Lavradio, e o enge- 
nheiro A. P. de Mello Barreto. 

— Relatório sobre o abastecimento d*agua acidado do Rio de Janeiro. 
Rio de Janeiro, 1875, 33 pags. in-8<> — Assigna também o Dr. A. de 
Paula Freitas. 

— Reposição das obras publicas, em 1875. Rio de Janeiro, 
1876. 

— O império do BrazU na exposição universal de 1876 em Phy- 
ladelphia. Rio de Janeiro, 1876. 

— O Ministério da agricultura, còmmercio e obras publicas e o 
abastecimento d*agua à cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1877^ 
159 paga. in-8^ 



40 M^ 

'-' Auxilio d lavoura: discurso pronunciado na sessão da camará 
dos deputados em 27 de agosto de 1879. Rio de Janeiro, 1879, in-4''. 

— Acta da sessão de inauguração da exposição de Pernambuco de 
1872 e catalogo dos proiuctos e^rpostos. Pernambaco, 1872, 12 pags. in- 
S^ e mais 56 pags. do catalogo -^ Era o Dr. Macedo secretario da 
commissão. 

— Relatório da commissSo directora da exposição provincial de 
Pernambuco de 1872. Pernambuco, 1873,62 pags. in-8«— Seguem-se 
tabeliãs demonstrativas e a proposta para a distribuição dos pré- 
mios, etc. 

— Parecer do chefe da directoria das obras publicas sobre as pro- 
postas apresentadas para a construcção das obras do prolongamento 
da estrada de ferro de Pernambuco — Na Revista do Instituto polyte^ 
chnico brazileiro, tomo 8«, 1877, pags. 153 a 257. 

Manoel Oa.eta.uo de A.liiieida ej%cll>u<iuerque 

-— Filho do tenente-coronei Francisco António de Almeida e dona 
Josephina Francisca de Mello e Albuquerque e pae de Francisco de 
Paula de Almeida e Albuquerque, commemorado neste livro, nasceu 
na cidade do Recifeja 11 de novembro de 1753 e falleceu a 11 |de ja- 
neiro de 1834. Preparado com os estudos possíveis naquelJa época em 
sua pátria, foi capitão do regimento miliciano dos nobres e nomeado 
successor de seu pae no offlcio de escrivão dos defuntos e ausentes, 
capellas e resíduos, offlcio que mais tarde passou a ser vitalício. Foi 
um dos mais exaltados patriotas de 1817, por cujo motivo esteve preso 
até 1821, sendo destituido do seu offlcio. Cultivou com esmero a poesia 
e a musica e escreveu: 

— Poesias: coUecção de sonetos, decimas, lyras, odes, epitalamios 
e um dithyrambo — que o autor tinha prompto para publicar ; mas 
ficaram inéditos e atô se teem pardido. Poucas de taes poesias foram 
oolleccionadas pelo commendador António Joaquim de Mello e fazem 
parte do l'' volume de suas « Biographias de alguns poetas e homens 
illustres de Pernambuco > ( Vede este autor ) . São duas lyras, quatro 
sonetos, uma anacreontica e duas decimas. 

— DUhyrambo em dialogo de 1° e 2« tenor ao Marquez de Inham- 
bupe, escripto em 1788^0 commendador Mello possuiu uma copia que 
perdeu ecita delle alguns versos. Possuiu também copiadas seguintes 
obras: 

— Tragedia em verso e sobro o assassínio do administrador do 
vinculo do Monteiro, Francisco Ck)elho Valcaçar, escriptaem 1813. O 
autor para não ficar patente o facto que commemora nessa tragedia 



MA. 41 

amplia o disfarça a verdade histórica com verosimilhanças poéticas, 
nomes e local suppostos. 

— A justiça da ilha dos Lagartos: farça — delia existem varias 
copias, assim como da Oração universal do cbristianismo— que o autor 
escrevea antes de espirar eé a seguinte decima: 

Dae-me, Deus I fó, esperança, 
Caridade e humildade, 
Nas penas conformidade, 
Contrioção, perseverança, 
Si tanto meu rogo alcança 
E na vossa graça existo, 
O que supplico, além disto 
£* para os Alhos de Adão 
Graça egual, pois todos sáo 
Meus irmãos em Jesos Christo. 

No catalogo da exposição de geographia sul-amerlcana, realisada 
pela sociedade de Geographia do Rio do Janeiro em 1889, vejo com o 
nome de Manoel Caetano de Almeida Albuquerque a seguinto obra 
qne não me parece deste autor: 

— Breve noticia dos estabelecimentos diamantinos de Serro-Frio, 
actual estado de suaadministração e melhoramentos de que ô susceptí- 
vel. Rio de Janeiro, 1825, 13 pags. in- foi. 

Hsfanoel Oaetano de OouT^eia» — Filho de Manoel 
Caetano de Gouveia e nascido noC^arà em 1824, falleceu a 26 de junho 
de 1852. Era doutor em mathematicas pela antiga academia militar, 
1® tenente deengenheiros e cavalleiro da ordem de Christo, tendo estu- 
dado humanidades no collegio dos nobres, em Portugal, e gosando da 
estima, quer de seus mestres, quer de seus condiscípulos. Escreveu: 

— O valor d^afjua considerada motor: these para doutorado em ma- 
tbematicas. Rio de Janeiro, 1848, VI-27 pags. in-4« — Li que deixara 
alguns trabalhos inéditos e que redigira: 

— A Época, Ceará (?) 18. . — Nunca vi essa publicação. 

manoel Oaetaiio Hoarea — Nascido em Portugal, 
falleceu brazileiro na cidade do Recife a 10 de março de 1857, sendo 
bacharel em direito pela universidade de Coimbra e exercendo a ad- 
vocacia naquellalcidade. Escreveu: 

— Repertório jurídico. Pernambuco, 1855, 1» volume — Não me 
consta que continuasse a publicação deste livro, talvez por causa 
do subsequente fallecimento do autor. 



42 MA. 

Manoel Oaetano Vellozo — Natural da província 
da Parahyba, onde falleceu, era presbytero do habito de S. Pedro, e 
professor de rhetorica. Escreveu: 

— Licções de rhetorica recopiladas dos originaesde J. F. Perrarde 
E. Ponelle, vertidas do francez. Parahyba, 1849. in-8®. 

Mianoel de Oampos SíIt-q — Braztleiro, não sei si nato 
ou naturalisado, vivia em âns de 1826 e escreveu: 

— Descripção do rio Paraná — Foi publicada na Revista do Instituto 
histórico, tomo 2% 1840, pags. 306 a 313 e constada cinco capitules que 
são: Descripção do rio — Povoações, rios e pontos mais conhecidos da 
margem occidental do dito rio — Povoações rios e pontos mais conhecidos 
na margem oriental do dito rio. Passos do Paraná na margem 
oriental para a occidental — Reflexões sobre a navegação deste rio 
e o melhor meio de ser occupado pelas forças na vaes de S. M. I. 
para proteger qualquer expedição commercial. 

M^anoel Oan.d.id.0 da r&oc]i.a A.ii.drade — Filho de 
Euzebio Francisco de Andrade e dona Anna Joaquina de Andrade, e 
pae do dr. Euzebio Francisco de Andrade, mencionado neste livro ; 
nasceu na capital do Rio Grande do Sul a 11 de março de 1835 e fal- 
leceu na cidade de Maceió a 15 de outubro de 1895. Agrimensor pela 
antiga escola central, tendo servido na armada, de que pediu demissão, 
achaudo-se no posto de segundo tenente, exerceu muitas e importantes 
commissões de engenharia no Maranhão, Pará, Amazonas e Alagoas 
principalmente, onde residiu muitos annos. Era membro do Instituto 
archeologico e geographico alagoano, fundador do extincto Lyceu de 
artes e offlcios, etc. Escreveu: 

— Ahnanah do estado de Alagoas para o anno de 1896. Maceió, 
1895 ^ Este livro contém, além de muitas informações úteis, uma 
noticia geographica da antiga província, hoje estado de Alagoas. 

Manoel do Oanto e Oa^^tro Miascaireiíli.as 
Valdez — Filho do vice-almirante Francisco José do Canto e Castro 
Mascarenhas e nascido na cidade do Rio de Janeiro a 18 de abril de 
1819 ; ainda na infância foi com sua familia para Portugal, onde cursou 
o coUegio dos nobres, e serviu no fanccionalismo publico, exercendo o 
logar de offlcial do Tribunal de contas, etc. Era fidalgo cavalleiro da 
casa real e escreveu : 

— Diccionario liespanol português. Lisboa, 1864-1866, 3 vols. 
in-4^ 



M^ 43 

— Arte orthographica da lingna portngneza, etc,, com uma 
carta do Ck>nselheiL*o D. José de Lacerda. Lisboa, 1875, 144 pags. 

— Projectos financeiros : serie de artigos publicados no Jornal do 
Commerdo de Lisboa em agosto de 1868. 

Manoel Oa^x-doso da, Oostai IL4o1>o — Filho de Ignacio 
António da Costa Lobo e nascido em S. Ciiristovão, Sergipe, a 26 
de setembro de 1836, falleceu na cidade do Rio de Janeiro a IO de ou- 
tubro de 1890, doutor em medicina pela faculdade da Bahia, cirurgião- 
TCíòv de brigada do corpo de saúde de exercito, cavalleiro das ordens de 
S. Bento de Ayíz e de Christo, official da ordem da Rosa, condecorado 
com as medalhas da campanha de Paysandú e da campanha do Pa- 
raguay, membro honorário da academia nacional de medicina, etc. 
Havia chegado de Matto-Grosso doente pouco antes de fallecer. 
Escreveu : 

— Ha na doutrina allopathica algum systema de medicação que 
possa apoiar a doutrina homoeopathica ? Será o carnicão nos furúnculos 
6 antrazes tecido cellular gangrenado ou, antes, o producto de uma se- 
creção pseudo-membranosa ? Descripção, acção physiologica e therapeu- 
tica da belladona. Qual o meio mais proâcuo e certo para distinguir uma 
mancha espermatica de outra que com ella tenha semelhança : these 
apresentada, etc., para receber o grau de doutor em medicina. Bahia, 
1861, 54 pags. in-4<^ grande. 

— La hematocele vaginal e seu tratamento : memoria apresentada 
À Academia imperial de medicina — Nos Annaes brazilienses de medicinay 
vol. 46«, 1880-1881, pags. 116 e seguintes. 

— La electrolise nos estreitamentos da urethra: parecer sobre uma 
memoria do Dr. H. Monat — Idem, vol. 48°, 1882-1883, pags. 175 e 
seguintes. 

— Hérnias: parecer sobre os trabalhos do Dr. Thyri sobre as hér- 
nias— Idem, pags. 189 e seguintes. 

— Quinina em injecções hypodermicas nas febres paludosas : 
parecer sobre a memoria do Dr. Aureliano. Garcia sobre o bromhydrato 
de quinina — Idem, pags. 354 e segs. Ainda nesta revista ha trabalhos 
seus, como : 

— Historia da medicina. Progressos da medicina hespanhola no sé- 
culo XVI — No mesmo volume. 

}|£a«iioel OeLvlgé Ba^x-a^una., 1°— Natural da Bahia e 
parente do immortal IVei Bastos, commemorado neste livro ( veja-se 



44 3IJL 

frei Francisco Xavier de Santa Rita Bastos Baraúna), nascea no ultimo 
quartel de século IS'* e falleceu pelo melado do seguinte. Foi agricultor 
na cidade de Nazaretb, de sua província natal, offlcial da guarda 
nacional e desvelado cultor da poesia. Não fez coUecção de suas com- 
posições ; publicou apenas : 

— A noite do Castello : poema. Bahia, 18. . —Nunca pude vel-o. 

— O atheu : ode — No Crepúsculo^ periódico instructivo e moral 
da sociedade Instituto litterario da Bahia, tomo 1% pag. 82. 

— As delicias de um pae — Idem, tomo 2«, pa/?. 27. 

— Sapho: cantata — Idem, no mesmo tomo, pag. 103. Me consta 
que publicou um drama e outros trabalhos. 

MAuoel CcLVí^é Sa«ira>una.9 2* — Filho do precedente e 
tio de dona Maria Augusta daSilvaOuimarães.de que adiante tratarei, 
nasceu na capital da Bahia pelo anno de 1823 e, sendo doutor em me- 
dicina pela faculdade dessa cidade, falleceu poucos annos depois de 
formado, aspirando os vapores de um cafó envenenado que examinava 
na cidade de Nazareth, da então provinda de seu nascimento. Foi 
distincto cultor das lottras amenas, mas não chegou a colleccionar 
seus escriptos. Gonsta-me que tratava disso para dal-os â publicidade 
quando o surprohendeu a morte. São de sua penna : 

— Considerações sobre a prenhez extra-uterina : these apresentada 
e publicamente sustentada perante a faculdade de medicina da Bahia 
a 26 de novembro do 1845. Bahia, 1845, in-4» gr. — De seus traballios 
publicados em revistas citarei : 

— Parto prematuro artificial — No Crepúsculo ^ tomo 2**, 1846. 
pags. 113 a 115. 

— Brove noticia sobre a vida de Nazareth — Na Revista Americana, 
Bahia, tomo 1®, 1848, pags. 420 e seguintes. 

— Eugenia: novella bahiana — No Crepúsculo^ tomo 3\ 1846, pags, 
10 e 28. 

— - Júlia: novella bahiana — Na mesma revista e no mesmo tomo, 
pags. 47, 60 e 75. 

— Habitação do campo, A piassaveira. A esperança. A velhice. Im- 
piedade — Idem, tomo 1% pag. 13, e tomo 2*, pags. 17, 37, 53 e 100. 
São trabalhos em prosa. 

— O mal-me-quer. Gratidão filial. A saudade. O suicídio. A sole- 
dade (improviso). A innocencia (aLolia). O inverno. Saudade e 
homenagem à memoria do brazileiro honrado, o eximio patriota, o pro • 
fundo litterato A. C. R. de Andrada Machado e Silva. O desterrado. 



MA. 45 

Pátria : poesias — Idem, tomo 1<», pags. 11, 131 e 178 ; tomo 2«, pags. 
40, 122, 134, 147 e 170; tomo 3«, pags. 19 e 56. 

— Amor, desprezo e desengano. Meu amor. A mulher. A volúvel: 
poesias — No At?ienêo, Bahia, 1849, pags. 28, 69, 191 e 192. 

Manoel Carneiro de A.lmelda Albuquerque 

— Filho do senador Francisco de Paula de Almeida Albuquerque e 
nascido em Pernambuco, apenas o conheço pelo seguinte trabalho seu, 
que depois de sua morte foi publicado por seu pae: 

— Esboço histórico poiitico das principaes divisões da Europa, ex- 
trahido por F. de P. de A. A. sobre os primeiros apontamentos de 
seu filho Manoel Carneiro de Almeida e Albuquerque. Barid, 1854, 
XI-262 pags. in.8°. 

llfanoel OarnelrodeOi^mpos — Natural da Bahia. 
Nada mais pude saber a seu respeito sinâo que escreveu, ha mais de 
<!incoenta annos : 

— PHno sobre o meio de restabelecer o credito do papel em cir- 
culação o facilitarão Governo o pagamento da divida ao Banco, ofere- 
cido á Assembléa gerai legislativa. Rio de Janeiro, 1831 — Nao o vi im- 
presso; mas o original de 27 íls. ou 54 pags. in*fol., pertencente a 
dona Joanna T. de Carvalho, esteve na exposição de historia do Brazil 
de 1880. 

IMEunoel Oa.rneiro da. Roclra. — Filho do major Ni- 
colau Carneiro da Rocha o dona Anna Soares Carneiro da Rocha, 
nasceu na cidade da Bahia a 25 de março de 1833 e falleceu no Rio de 
Janeiro a 10 de julho de 1894, vice-almirante reformado da armada, 
official da ordem da Rosa, cavalleiro da do Cruzeiro e da de S. Bento 
de Aviz, condecorado com as medalhas da esquadra em operações no 
Rio da Prata em 1852, da campanha do Paraguay, de Mérito, etc. Foi 
um dos fundadores, a 23 de fevereiro de 1881, do directório militar 
composto de oíllciaes damarinha e do exercito com o fim de se unirem, 
tanto na corte como nas províncias, para elegerem deputados que 
possam no parlamento oppor-se a medidas que iam sendo abraçadas 
com tendência a anniquilar as duas classes. Escreveu : 

— Arsenaes de marinha do Brazil. Rio de Janeiro, 1881 —Neste 
livro, com o estudo dos arsenaes do Império, se apontam seus defeitos, 
al^ns dos quaes pelo deputado José Ferreira Cantão, referindo-se com 
elogio ao mesmo livro, foram trazidos À discussão no parlamento 
nacional, digcutindo-se o orçamento da marinha em sessão de 21 de 



46 M^ 

abril de 1882 — Teve segaada edição na Bahia, 1882, fóita pelofl em- 
pregados do arsenal de marinha desta cidade, e também no periódico 
O Cruzeiro. 

— Projecto de regulamento geral para o serviço de praticagem doe 
portos e rios navegáveis do Império, apresentado ao Conselho Naval 
pelo membro effectivoy etc« •— Não o vi impresso. 

Ma^noel de Oa^rvo^llio Paes de A.ndx-a.de9 l^ — 

Filho de Manoel deCarvalho Paes de Andrade e dona Catharina Eugenia 
Ferreira Maciel Gouvin, nasceu em Pernambaco, entre os annos de 
1774 e 1778, a 21 de dezembro, e falleceu no Rio de Janeiro a 18 de 
junho de 1855, sendo senador pela provinda da Parahyba e coronel de 
legião daguarJa nacional. Foi o presidente do novo conselho, eleito 
pelo povo pernambucano depois que a junta do Governo retirou-se do 
poder em dezembro de 1823, persistindo na presidência ainda depois 
da nomeação imperial de Francisco Paes Barreto* e foi quem nesse 
cargo, a 2 de julho de 1824, proclamou a Confederação do Equador. 
Noticia completa de sua vida encontra-se no Diccionario de pornam- 
bncanos celebres de F. Â. Pereira da Costa. Escreveu : 

— Analyse do projecto do governo para as provindas confederadas 
eque as deve reger em nome da soberania nacional das mesmas pro- 
vindas. Rio de Janeiro, 1824, 8 pags. in-fol.— Pareoe-me que ha delle um 

— Projecto de Constituição para as provindas confederadas . 

Ma;iioel de Oarvallio Paes de ^^^ndi-aide, 2<»— 
Neto do precedente e filho de João de Carvalho Paes de Andrade, nasceu 
em Pernambuco e ahi falleceu muito moço, a 1 de novembro de 1867, 
sendo escrivão do juizo do commercio do Recife. Foi hábil poeta e 
escreveu: 
^ -^ Flores singelas : primeiros cantos. Pernambuco, 1861, XXX- 

174 pags. in-8°— Precede o livro um juizo critico pelo dr. António 
Rangel Torres Bandeira, e outro pelo dr. Manoel Pereira de Moraes 
Pinheiro. Vejo annunciado deste autor: 

— Flores pallidas: segnnáos csãiios. Pernambuco, 1865, in-8"— 
No fim do volume se encontra um juizo critico de Tobias Barreto. 

Manooi Oax^valljLO I^ereira, de Sa— Natural do 
Rio de Janeiro, nascido no primeiro quartel do século actual e ha 
muitos annos fallecido, exerceu a homc3opathia, foi â Europa, demo- 
rando-se mais em Londres, de onde regressou à pátria graduado doutor 
em medicina. Era membro do real CoUegio de medicina dessa cidade, 



MA. 47 

da sociedade Auxiliadora da industria nacional do Rio de Janeiro, e 
escreveu: 

— Memoria sobre a prenhez e considerações geraes sobre a mulher 
pejada e o recem-nascido. Rio de Janeiro, 1854, 56 pags. in-S''. 

' Considerações sobre O cholera-morbus, oíferecidas ao Illm. Sr. 
dr. José Pereira Rego. Rio de Janeiro, 1855, 60 pags. in-S*" peq. 

Manoel Oavaloutnte Ferreira de Mello — 

Filho de Manoel Cavalcanti Ferreira de Mello e dona Maria Josepha 
de Cavalcanti Mello, nasceu na comarca de Guarabira, do actual estado 
da Parahyba, a 5 de fevereiro de 1861 e é bacharel em direito pela 
faculdade do Recife. Antes de sua formatura exerceu em sua província 
o cargo de promotor publico, e depois os de juiz municipal, secretario do 
governo, chefe de policia e lente de mathematica e álgebra do lyceu 
parahybano. Em 1890, nomeado juiz de direito desse estado, foi 
aproveitado na organisaçâo judiciaria do estado do Rio de Janeiro, 
cabendo-lhe por nomeação a comarca de Mangaratiba ; mas, dissolvida 
posteriormente a magistratura, de que fazia parte, foi posto em disponi- 
bilidale e em seguida aposentado pelo decreto de 25 de julho de 1895, 
passando a ser advogado e jornalista na capital federal. Escreveu: 

— Galanteios de um baile. Contos litterarios. Recife, lb80, in-8°. v^ 

— Discursos proferidos pelo orador do Instituto Litterario Olin- 
dense, publicado pelos coUegas de anuo. Recife, 1880, 60 pags. in-4o. 

~ Reforma dos generaes ou inconstitucionalidade do decreto de 7 
de abril de 1892. Rio de Janeiro, 1892, in-8^ 

« Justiça federal. Commentario acompanhado do formurlario à 
lei n. 221, de 20 de setembro de 1894. Rio de Janeiro, 1895, in-8o, 

— Lesões de direitos individuaes. Acções de nullidade no direito 
fleccional. Rio de Janeiro, 1895, 55 pags. in-8'' — São allegações 
finaes na acção de nullidade proposta no juizo seccional contra a União 
Federal em favor do capitão de fragata Lima Barros, capitão-tenente 
Sidney Schiefler e outros — Como jornalista collaborou na Gazeta d.t 
Parahybx e redigiu: 

— O Liberal Parahybano : Parahyba. . . 

— EsPido da Parahyba. Parahyba, 1889. .. 

— Cidade do Rio ( secção jurídica ). Rio de Janeiro, 1891. 

— Rio de Janeiro ( jornal de feição monarchista). Rio de Janeiro, 
1895. D ste ultimo foi redactor e proprietário. 

Ulituool Clementino Ocirneiro da Cunlia — 

Natural da antiga provinda da Parahyba e nascido pelo anuo de 1825, 



48 yíA. 

sendo bacharel om direito pela faculdade de Olinda, exerceu cargos de 
magistratura, aposentando^seno de juiz de direito ; administrou a pro- 
víncia do Amazonas e a de Pernambuco, por onde foi eleito depatado 
á aisembléa geral e falleceu a 5 de fevereiro de 1800, Além de 

— Relatórios — nos cargos de administração e outros trabalhos de 
que não posso agora dar noticia, escreveu: 

— Reflewões sobre o fundamento da divisão do poder legislativo 
em duas camarás — Foram publicadas, quando o autor cursava a facul- 
dade de direito, no PoZtmi^tco, periódico do Instituto litterario olia- 
dense, 1846, vol. l^ ns. 1 e 2, abrangendo nove columnas in-fol. 

Manoel Olenientino de Oliveira Ii^soorel-^ 

Filho de José Bernardes de Oliveira e nascido em Pernambuco a 1 1 de 
novembro de 1875i sendo doutor em direito pela faculdade do Recife, e 
professor na mesma faculdade, d'ahi se passou para a de S. Paulo» 
onde é um dos mais distinctos lentes. Escreveu: 

•* Código penil brasileiro, contendo leis, decretos, decisões dos 
tribunaes, avisos do governo, calculo das penas, ílgurados todos os 
casos e um indice alphabetico. 2'> ^ edição. S. ;Paulo, 1893, XXVIlI-287 
pags. in-4« —Redigiu ainda estudante, com seu coUega Henrique 
Capitulino Pereira de Mello ( veja-se este nome ): 

— O £')i5ato: periódico scientifico e litterario. Recife, 1875-1876, 
in-4« — e escreveu a 

— Carta-prefacio do opusculo « O fuzilado de 1824, Fr. Joaquim 
do Amor Divino Caneca, do mesmo seu collega ». 

Manoel Ooelbo de A^lmeida— Filho de Custodio 
José Coelho de Almeida e natural do Rio de Janeiro, ó bacharel em 
direitOt formado em 1865 pela faculdade de S. Paulo e deu-se à advo-* 
cacia. Escreveu: 

— O homem e a tida-^ E' um trabalho philosophico, em estylo 
attrahente, romântico, em vários capitules. Foi publicado em sete nú- 
meros da revista a Lux. 

Manoel CJoellio O intra ^Natural de Pernambuco e of- 
ficial da marinha brazileira, íoi reformado muito meço no posto de 
segundo- tenente e ainda vivia em 18G0. Escreveu: 

— Arte de navegar ou taboas de longitude para corrigir os eíTeitos 
da paralaxe e reí^acção nas distancias observadas entre o sol e a lua 
por Isaac C. Hearte. Traduzido do inglez em linguagem vulgar, etc. 
Rio de Janeiro, 1836, 39 pags. in-4®— Foi um dos redactores de 



MJL 49 

— A Carranca : periódico moral-satyrico-comico. Recife, 1845- 1847, ^ 
in-4«. ' 

Ma^noel Ooellxo <ln« Roeli.a. — Natural do Rio Qrande 
do Sal, é todo dedicafJo à litteratura. Não obtive resposta de umacir- 
eiilar que lhe dirigi, pedindo apontamentos para esta noticia— o que, 
haannosjánão fazia, para não mais ferir a modéstia dos escriptores 
brazileiros. Dou, pois, noticia só dos seus trabalhos que conheço: 

— As memorias de Judas por F. Patrucelli de la Gattina, vertidas 
para a língua poilugueza. Rio de Janeiro, 1886, 451 pags. in-8<> — 
Este romance, escripto por um dos chefes do radicalismo italiano, foi 
publicado em França e na lingua fianceza, porque não foi permittida 
sua publicação na Itália. 

— Metaphysica do amor: Esboço sobre as mulheres ; Pensamentos 
6 fragmentos, de Arthur Schopenhauer. Traducção. Rio de Ja- 
neiro, 1887, 74 pags. in-8®— Segunda edição, revista e aoorescentada 
com um appsndice sobre a pederastia, do mesmo autor. Rio de 
Janeiro, 1891. 

-* As mentiras contencionaes da nossa ci vi lisação por Max Nordan, 
obra traduzida. Rio de Janeiro, 1887, 383 pags. in-8<> — Segunda 
edição, 1889, 492 pags. in-8° com 3 de notas. 

-* Classificação das sciencias por Herbert Spencer, traducção. Rio 
de Janeiro, 1889, 120 pags. in-8^ 

— Lei e causa do progresso. A utilidade do anthropomorphismo 
por Herbert Spencer. Traducção. Rio de Janeiro, 102 pags. in-8o. 

— Moléstia do seculoy por Max Nordau, traducção. Rio de Janeiro, 
2 vols. in-8». 

^ Paracfoxo« de Max Nordau. Traducção. Rio de Janeiro, 1896, 
264 pags. in-8«— Houve uma edição anterior. 

^Paradom da eguoldade^ por Paulo Lafflte. Traducção. Rio de 
Janeiro, in-8°. 

— Comedia do sentimentalismo: romance por Max Nordau. Rio 
de Janeiro, 183 pags. in-8<>. 

* A capellinha : costumes campestres, por Alphonse Daudet. Tra« 
dacção» Rio de Janeiro, 1896, 408 pags. iu-8°» Foi publicada esta 
traducção em S. Paulo no mesmo anno. 

^ O homem conforme a sciencia. Para onde vamos ? pelo Dr. Luiz 
Buchner. Traducção. Rio de Janeiro, in-8^. 

— l^a^m«mo5 de philosophia positiva, por E. Liltré. LogiCct de 
A. Baio. Traducção. Rio de Janeiro, in-8\ 

Vol. VI - 4 



to MA 

-^ Vafie-inecvtti dos gaarda-lirfos e negociantes, Contendo um 
tratado de escripturação mercantil por syatema moderno e de BímplM 
comprehensão ; arithmetica commercial com modelos e cálculos sim- 
plificados; tabeliãs de câmbios e dirisores fixos, etc. Contém também 
uma pirte pratica com informações de uso diário na vida commercial. 
Obra compilada por M. C. da Rocha. Rio de Janeiro, 1694| 
in-8«. 

— Manual pratico de correspondência franceza o portugueza, con- 
tendo o modelo de correspondência sobre os mais vnriados assumptos 
commerciaes, circulares, pedidos de mercadoria e de dinheiro, avisos 
de romessa, etc. Rio de Janeiro. 

^ Deve e haver : romance de Gustavo Freytag, traduzido doallemão. 
Rio de Janeiro, 1899, 3 vols. in-S'' — fi' um romance de costumes bur- 
guezea, cuja acção se passa na esphera commercial dos principaes per- 
sonagens. 

Manoel OoK*nelioMoreirii—Filiio de Joaquim António 
Moreira* naseeu no Rio de Janeiro a 14 de fevereiro de 1853 e aqui 
falleceu a 26 de dezembro de 1888. Foi empregado ua contadoria da 
marinha e escreveu: 

^ A Cru3 doPicú: romance— Nos Ensaios litterarios, collocçâo de 
trabalhos da sociedade deste titulo. Rio de Janeiro, 1877, pags. 9 a 31. 
No jornal Tiratkntcs^ que se publicava annualmente em commcnioração 
do martyr mineiro, encontram-se trabalhos seus. 

MfLUoel Oorreia Oaroia— Filho do negociante por- 
tuguez Manoel Correia Garcia e dona Leonor Joaquina Garcia e nascido 
na Bahia no annò de 1816, falleceu na mesma cidade a 24 de fevereiro 
de 1890, sendo doutor em phiiosophia pela universidade de Tubin- 
guen, do reino de Wurtemberg, advogado na dita cidade, professor 
emeritoda escola normal e commendador da ordem portugueza da 
Conceição da Villa Viçosa por serviços gratuitos prestados como advo- 
gado areal sociedade portugueza Dezeseis de Setembro, Preparado com 
todos os estudos de humanidades c varias línguas, querendo o governo 
provincial estabelecer uma escola normal, foi escolhido, depois do re- 
spectivo concurso, para ir á Europa estudar os methodos de estabele- 
cimentos dessa ordem, send>D cm sua volta um dos fundadores do da 
Bahia, onde foi lente por espaço de 21 annos. Representou a provinda 
emsuaassembléa nos bienníos de 1870-187 1 e 1876-1877 ; foi um dos sócios 
fundadores do antigo Instituto histórico da Bahia e eleito seu gecre*- 



UÁ. Ri 

iarioá 3 de maio de 1856, e tàmbeiu sócio instituidor da sociedade Phi« 
losophica. Eácreveu: 

— Ideias de um motiarchista constitucional. Bahia, 1851, 185 pftgS. 
ia-4<»— E' um trabalho de direito publico constitucional, em que o autor 
apresenta os males das revoluções tramadas pela impaciência dos que 
querem tudo atropellar para obter-se a maior somma de liberdade, e 
busca provar que o melhor governo é o monarchíco constitucional re- 
presentativo. 

^ A pena de morte : memotidi, \iáA na sociedade Philosophica da 
Bahia em sessão publica de agosto de 1842, quando ahi se diiicutia a 
these: « A socieiade tem o direito de punir ?Ê*--llie dado esse direito 
até o de servir-se da pena de morte, ou ella deve usar daquelles 
aconselhados por Mr. Lucas e outros philantropos ? > Bahia, 1864, 27 
pags. in-8°— Foi antes publicada no periódico Commercio, da Bahia, 
de 28 de setembro de 1842 e agora publicada em opúsculo « por ver ( diz 
o autor ) em 1863 no Diário da Bahia alguém annunciar-se como o 
primeiro que se oppuzera à pena de morto no Brazil ». Deste assumpto 
ooeupou-se elle em sua these inaugural para obter o grau de doutor 
em philosophia, sobre a 

— Philosophia do direito criminal-' escripta em latim e que nunca 
pude ler, mas sei que ahi occupa-se dafpena de morte sob o ponto de 
vista inhumano, anti-christao, que n&o corrige, antes corrompe a socie* 
dade, decidindo-se pelas prisões penitenciarias. O dr. Corrêa Qarcia 
ooUaborou desde 1842 até seu fallecimeoto para varias folhas e revistaa 
da Bahia ; redigiu o 

— Correio Mercantil: jornal politico, commercial e litterario. 
Bahia, 1846 a 1849. in-íbl.— Este jornal começou em 1838. Foi tombem 
cheUsdos redactores do 

— Periódico do Instituto histórico da Bahia. Bahia, 1863-1864| 
in-4»— O V numero sahiu á luz a 1 de outubro doquelle anno, e ahi pu- 
blicou o dr. Garcia: 

^ Discurso neerologieo em honra do dr. Agrário de Souza Me- 
nezes— No numero 4, de pags. 51 a 60: 

— Memoria sobre os germens de civilisaçâo que deixaram os je* 
suitas no Brâzil e especialmente na Bahia— No n. 6. Ha mais trabalh03 
seas que foram presentes ao mesmo Instituto, como: 

— A gvcrr.a í/<i independência, da Buhta— A primeira parte foi lida, 
mas nunca puSUcida. Conslame qie o autor preparava a segunda 
parte para imprimir toda a obra. 

— Discurso hiographico recita lo na solomne ses -ao ( do Instituto 
histórico da Bahia ) em commemoravão do sábio e virtuoso varão, o 



52 



MA 



Ezino. d Revmo. Sr. Marquez de Santa Cruz, etc. — No livro € Dis- 
cursos biographicos recitados na sessão magna de 2 de abril de 1863 em 
commemoração do Exmo. e Reymo. Sr. D. Romualdo Autonio de 
Seixas, etc. Bahia« 1863* de pags. 5 a 36. 

Manoel C-orrêa de I^iina»^ Natural da provinciada 
Parahyba, ahi fuileceu a 16 de novembro de 1863. Bacharel em scien- 
cias sociaes e jurídicas pela faculdade de Olinda, seguiu a carreira da 
Qiagistratura, sendo juiz de direito no Marauhão. Escreveu: 

— Protinventos proferidos em correição pelo Juis de direito da co- 
marca do Brejo no anno de 1860 ; mandados imprimir por R. Alves 
de Carvalho. Maranhão ( som data ), 59 pags. in-4<'. 

]|£a.noel da. Oostu* ^ Nascido em Abrantes, Portugal, pelo 
anno de 1775, veiu para o Rio de Janeiro em 1811, aqui adheriu à in- 
dependência e aqui fallcceu cidadão brasileiro a 31 de agosto de 1823. 
Era pintor e arohitecto e escreveu: 

— Descripção das allegorias pintadas no tecto do leal paço de 
Queluz, novamente reformado por ordem do general em chefe c'o exer- 
cito ílrancez na ocoasião em que esperava em Portugal o seu Impe- 
rador. Lisboa, 1808, 17 pags. in-4". 

— Programma alíegorico do quadro que vou expor no tecto da 
sala de S. M. o nosso magnânimo Imperador, D. Pedro de Alcântara, 
defebsor perpetuo deste grande império do Brasil, no paço desta ci- 
dade imperial do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 182'2, 2 âs. in-folio. 



]Mín.iioel dii; Oosta, HonoiTAto — Filho de António 
Francisco Honorato e dona Rosa Eugenia Benedicto Franco, nasceu uá 
cidade do Recife, capital de Pernambuco, a 1 de janeiro de 1838 e fbl- 
leceu no Rio de Janeiro a 7 de agosto de 1891, bacharel em sciencias 
sociaes e jurídicas pela faculdade daquella cidade,, cónego honorário da 
Cithedral e vigário da fi eguezia da Gloria desta cidade, protonotario 
cul instar participintium^ prelado domestico de sua santidade, capellão 
capitão honoitiriodo exercito, commendador da ordem de Ghristo de Por- 
tugal e da ordem do Santo Sepulchro, condecorado com a medalha da 
campanha do Paraguay, sócio do Instituto histórico e geographico brasi- 
leiro, do Instituto histórico de Pernambuco, do de Alagoas, do de Goyana, 
etc. Desprotegido da fortuna, leccionava parlicularmonte preparatórios, 
jà em collegios, jà em casas particulares, emquanto cursava as aulas da 
faculdade de direito, onde formou-se em 1863, e as do seminário epis- 
copal, recebendo ordens do presbyterato em 1864. OíTererendo-se para 



MA. 63 

servir na campanha do Paraguay em princípios de 1865, e voltando 
ao Brasil» doente, ao cabo de dous annos, serviu no asylo dos inválidos 
da pátria e depois na guarnição da corte. Achava-se nesse serviço 
qaando, em 1874, foi nomeado vigário da freguezia da Candelária, 
de onde passou, em 1876, à da Gloria. Generoso e caritativo, deu disto 
muitas provas como na prestação de seus serviços gratuitos no hos- 
pital fundado em 1873 para tratamento da febre amarella no con- 
vento de Santo António ; no offerecimento de sua côngrua em 1875 em 
beneficio da instrucção publica ; no que fez em 1876 para leccionar 
doutrina christa gratuitamente nas escolas publicas da Gloria ; no que 
fez em 1877 da quantia de cem mil róis para as victimas da secca, 
abrindo ao mesmo tempo para esse fim uma subscripção que subiu a 
três contos de réis, que enviou em varias parcellas ao bispo do Ceará 
e ao governador do bispado de Olinda. Frequentou, emflm, a tribuna 
sagra-la ; era versado nas sciencias ecclesiasticas e em varias linguas. 
Escreveu: 

— Á cm-ôa seraphici. Pernambuco, 1856, in-8^ — E' sua estréa 
quando contava apenas 18 annos. 

— Folhinhis catholicas, chronologicas e históricas para os annos 
de 1859 a 1865. Pernambuco, 7 volumes, 176, 128, 128, XX-246, XLVllI, 
20:^ 6 177 pags. in-16*. 

— iSynop^tf de eloquência e poética nacional. Pernambuco, 1861, v 
128 pags. in-8* — Nova edição. Rio de Janeiro, 1870, 130 pags. iu-8« 
com um quadro synthetico. Terceira edição addicionada com as noções 
de critica litteraria, extrahidas de vários autores, etc. Rio de Janeiro, 
1876,268 pags. in-8^ e flnalmonte quarta edição com o titulo: 

-* Compendio de rhetorica e eloquência nacional, consideravel- 
mente augmentado e adaptado ao programma do Imperial coUegio 
Pedro 11. Rio de Janeiro, 1879, in-8<* — Foi adoptado para uso deste 
collegio por aviso de 22 de setembro desse anno. 

— > Maria Santíssima, a Heroina por eicellencia, ou Novo mez ma- 
riano. PernambucD, 1861, 128 pags. in-8'*— Este livro foi approvado 
por todo episcopado brasileiro e teve mais três edições no Rio de Ja- 
neiro, sendo a seguuda de 1871, XVI-30.4 pags. com uma estampa; a 
terceira de 1879 e a ultima, consideravelmente correcta e augmentada, 
de 1890, com 486 pags. ia-8\ 

— Liecionario topographico, estatístico e histórico da província 
de Pernambuco. Recife, 1863, 194 pags. in-S"". 

— O clero hrazileiro (considerações históricas). Peroambuco, 
lp63, in-8% 



64 MA 

-* Nona Senhora do Bom Conselho : memoria histórica « Pernam* 
hiico, 1864« 58 paga. xn-X^ — Este livro foi distribuído gratuitamente 
no dia da missa nova do autor ua solemniJade da mesma Seuhora. 

^ Defesa dos religiosos capuchinhos. Pernambuco, 1865 — Não 
posso garantir a yeracidade do titulo deste ultimo trabalho e de outros, 
porque não pude vel-os ; guio-me por uma relação impressa das obnur 
do autor. 

-^ Allocuçõo ua tribuna sagrada, etc.i no dia 22 de junho de 1865, 
no aoto da bençSo e entrega da bandeira ao 2* corpo de voluntários da 
pátria de Pernambuco. ( Sem rosto e sem data, mas do Recife, 1865. ) 
10 paga. in-lE^». 

^ Os capellães do exercito brasileiro. Rio de Janeiro, 1867 •« B^ 
um dos escriptos que não pude ver. O Dr. Honorato sobre este as* 
sumpto escreveu mais: 

— Ligeiras considerações sobre a repartição ecclesiastica do exer« 
cito. Rio de Janeiro, 1872, 23 pags. ln-4<» — Esto tralalho, apresentado 
ao governo o distribuido pelas repartições militares, serviu de base à 
reforma de 1874 ou à creação do corpo ecclesiastico do exercito. 

— O Sr, Bispo do Peruambuco e o general Abreu Lima. Questão 
de sepultura ecclesiastica. Rio de Janeiro, 1869, in-8\ 

— Descripção iopogvdk^\úc9L áa ilha do Bom Jesus e do asylo dos 
Inválidos da pátria. Rio de Janeiro, 1869, 136 paga. íd-4° gr. com o 
desenho do dito asylo — Em appeudice a esta obra acham-se a Alio* 
cução jà mencionada, de 22 de junho de 1865, e a que foi recitada na 
occasião em que benzeu a bandeira do l** batalhão de guardas na- 
cionaes, a 28 de setembro de 1865 — e em seguida: 

— Esboço histórico e topographico da cidade de Corrienles ( pro- 
vinda argentina), acompanhado da planta da mesma cidade. Rio de 
Janeiro, 1869,45 pngs. in-4'' gr. — Foi offerecido o manuscripto ao 
Instituto histórico. 

— A Cimara municipal do Recife e a questão dos toques de sino 
das igrejas. Rio de Janeiro, 1871, in-8«. 

— Defesa do Sr. Bispo do Rio de Janeiro na questão de suspensão 
de um padre de sua diocese. Rio de Janeiro, 1872. 

— O Sr. Bispj do Rio Grande do Sul e a assembléa da mesma 
provinda. Rio de Janeiro, 1873, 75 pags. in-4'» — Refere-se ao pedido 
que fez o bispo a essa assembléa de um auxilio pecuniário para manu- 
tenção do culto catholico e que foi negado. 

— O partido catholico. Rio de Janeiro, 1875. 

— Synopse da grammatica ingleza, extrahida de diversos autores. 
Rio de Janeiro, 1875, 80 pags. in-8« — Deste livro enviou o autor 500 



MA B5 

exemplares ao ministro do Império, 500 ás presidências de províncias 
e 800 às escolas publicas e particulares do município neutro. Pare- 
ce-me que ha uma edição de 1889. 

^^ Memoria histórica da igreja matriz deN. S. da Candelária desta 
corte. Rio de Jineiro, 187ô, in-4<> ^Esta memoria foi lida no Instituto 
histórico em 1875 e foi também publicada na respectiva rerista, tomo 
39, pags. 5 a 9ô da parte I<^. 

•^ Discurso pronunciado n« augusta presença de S. M. o Impe- 
rador, na solennidade de disbribuioão de prémios e coliação do gráo 
de bacharel em lettras no collegio de Pedro II a 21 de fevereiro de 
1879. Rio de Janeiro, 1879, 11 pags. in-4^ 

— These para o concurso ao logar de substituto da cadeira de rhe- 
torica, poética e litteratura nacional do Imperial collegio de Pedro II. 
Rio de Janeiro, 1879, 97 pags. ín-4** gr.— Ocoupa-se dos seguintes 
pontos: Poema épico; Colombo ; Os Tymbiras ; Poesias lyrica»; Ber- 
nardo Guimarães ; Fagundes Varella. 

— O decreto de 7 de janeiro. Rio do Janeiro, 1890 — Refero-se á 
separação da igreja do estado. 

— A religião no exercito. Rio de Janeiro, 1890 — Refere-se á ne- 
cessidade e utilidade do culto religioso no exercito. Em apontamentos, 
que conservo, vejo que o Dr. Honorato oíTereceu ao governo imperial» 
em 1876,200 exemplares de um: 

— * Tratado de hygiene da escola-*- para serem distribuídos gra- 
taitamente. Penso que o autor desse tratado é monsenlior Honorato. 
No Catalogo, finalmente, da livraria académica da casa Qarraux, de 
S. Paulo, vejo á pag. 159 por M. da C. Honorato: 

— Honra -e trabalho ou 'Joannlnha: livro do leitura corrente, 
especialmente destinado ás escolas primarias de meninas. Coimbra, 

ill-l2^ 

>£anoel da; Oiinli.a« de j^zeredo Ooutinlio 
ISouza CHioliorro — Natural do Rio de Janeiro e fiillecido a 
13 de abril de 1839, era bacharel em direito pela universidade de 
Coimbra, fidalgo cavalheiro da oasa imperial, commendador da ordem de 
Ghristo, sócio do Instituto histórico e geographico brasileiro, etc. Foi co- 
ronel de Ci\> aliaria milioiana, secretario do governo da capitania de 
8. Paulo, de onde passou ao cargo de juiz de íôra de Taubaté. Neste 
exercício, conseguindo o apoio das camarás de Taubaté e do Pinda- 
roonbaogabft, representou a D. Pedro I para que assumiSEie o poder 



50 M.-V 

absoluto e chegou mesmo a proclamar esse regimeu no tormo de sua 
JariadioQão. E^^creveu: 

— Infor/ntçâo sobre os limites da proviacia de S. Paulo com as 
suas limitfophes, dada ao Marquez de Alegrete, Luiz Telles da Silva, 
sendo goveraador e capitão-geaeral da mesma província. S. Paulo, 
145 pags. in-8<> — Hjl uma edi^o do Rio de Janeiro, 1846, in-8'. 

— Memoria em que se mostra o estado ecoaomico, militar e po- 
litico da capitania geral de S. Paulo, quando de sou governo tomou 
posse a 8 de dezembro de 1814 o Illm. e Exm. Sr. D. Francisco de Assis 
Mascarenhas, Ccnde de Palma, etc. com annotagOes históricas e addita- 
mentos, pelos quaes se mostra em esboço o estado da mesma capitania 
no governo do sobredito Sr. Conde — Na Regista do Instituto tomo 
36, 1873, pagj. 197 a 267 da parte V. E* seguida do mappa da nova 
navegação do rio Mogy-Guassú desde a freguezia do mesmo nome até 
o arraial de Aniouns, descoberto por João Caetano da Silra no anno 
de 1817. 

Manoel dii. Ounliti, Fig^ueiredo — FilliO de Josô 
Bento da Cunha Figueiredo, l*" ( Visconde do Bom Conselho) e nascido 
em Pernambuco em 1836, falleceu na capital do Coará a 26 de junho de 
1872. Depois de ter servido o cargo de amanuense da secretaria da 
justiça matriculou«se no curso de direito da faculdade de S. Paulo, 
indo concluil-o na do Recife, onde recebeu o gráo de bacharel. No- 
meado juiz municipal da capital do Ceará e logo delegado de policia, 
incorreu no desagrado de certa influencia politica n'um processo por 
crime de injurias impressèis, foi nccusado e então escreveu: 

— O Bachirel Manoel da Cunha Figueiredo, juiz municipal e de 
orphãos do termo da Fortaleza ao publico. Ceará, 1864, 178 pags. ia•4^ 

Manoel dfi. Ounlm Oa^lv&o — Nascido na cidade de 
Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, a 27 de setembro de 1822, 
falleceu em maio de 1872. Bacharel em lettras pala universidade de 
Paris, para onde seguira depois de fazer os estudos primários na Bahia, 
e doutorem mathomaticas pela antiga escola militar do Rio de Janeiro, 
sendo o primeiro que aqui sustentou these para obter esse gráo, serviu 
no corpo de engenheiros ató o posto de capitão e exerceu oommissOes 
civis como a de membro da commissão de engenheiros da corte e a de 
engenheiro di cimara municipal. Deixando o exercito, foi nomeado 
chefe da directoria das obras publicas e navegação, na creação da se* 
cretaria de estado dos negócios da agricultura, commei*cio e obras 
publicas, para a qual cooperou escrevendo em yarjos órgãos da im^^ 



j 



MA. 57 

prensa diária sobre sua DecdS8icla'le, e administrou a província de 
Sergipe. Era do conselho de Sua Magestade o Imperador, commendador 
da ordem da Rosa, sooio do Instituto Sergipano de agricultura, da So- 
ciedade auxiliadora da industria nacional e de outras, quer nacionaes, 
quer estrangeiras, e escreveu: 

^ Dissertação sobre o systema planet^io, apresentada à Escola 
militar do Rio de Janeiro e sastentada perante Sua Magestade o Impe* 
rador em 6 de abril de 1848. Rio de Janeiro, 1848, 32 pags. in-4« gr. 
com figuras. 

— Projecto de organisaç&o de um ministério das obras publicas, 
apropriado para o Brasil, offerecido a Sua Magestade o Imperador em 
1854 e ooUecção de artigos sustentando a necessidade da creação de se- 
melhante ministério. Rio de Janeiro, 1858, 172 ptogs. in-8'^. 

^ Apcntamentos sobre os trabalhos de salubridade e utilidade pu- 
blica do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1859, 216 pags. in-8« — Es- 
tudasse ahi a distribuição das aguas, os serviços de esgoto, limpeza e 
calçamento da cidade, banhos públicos e muitos outros assumptos de 
hygiene pnblica e particular. 

— Viagem imperial à provinda de Sergipe em janeiro de 1860, 
mandada publicar pelo doutor Manoel da Cunha Galvão, presidente da 
província. Bahia, 1860, 163 pags. in-4''. 

— Relatório apresentado ao Governo Imperial polo director da di- 
Teceria das obras publicas e navegação. Rio de Janeiro, 1863, in-4«, 
com mappa geographico. 

— Idéas nacionaes de economia politici, em que se mostram as dlffe- 
rentes industrias que havia no Brasil, avultando em grande escala a 
navegação de longo curso, a oonstrucção naval, etc. Rio de Janeiro, 1865, 
140 pags. in-8<». 

— Apontamentos sobre o melhoramento do porto de Pernambuco 
pelo conselheiro Manoel da Cunha Galvão e proposta para levnl-o a 
effeito pelos Srs. Barão de Mauá, conselheiros Manoel da Cunha Galvão 
e doutor Joaquim Francisco Alves Branco Muniz Barreto. Rio de Ja« 
neiro, 1867, 40 pags. in-fol. com nm mappa. 

-« Melhoramento do porto d) Pernambuco. Rio de Janeiro, 1868, 
55 pags. in-fol.— E' assignado pelos mesmos. 

— Melhoramento dos portos do Brâsil. Rio de Janeiro, 1869, 

213 pags. in-S^ 

— Apontamentos sobre telegraphos. Rio de Janeiro, 1869, 15 pags. 

in-4%de 2 columnas. 

— Noticia sobre as estradas de ferro do Brasil. Rio de Janeiro, 
1869, 478 pa(pi. Ín-8% 



58 MA 

^ Offloioi sobre a bitola estreita nas estradas de ferro* Rio de Ja« 
neirOi 1871, 21 pags. in'4\ 

— Relatório apresentado pelo conselheiro, eto. sobre os trabalhos 
de sua commissão a Londres. Rio de Janeiro, 1871, in-4«. 

— Proposta dos Srs. Barão de Mauá, conselheiro Manoel Oalv&o e 
J. F. A< B. Muniz Barreto para o melhoramento do porto de Pernam- 
buco e estabelecimento das docas. Pernambuco, 1671, in-4<>. 

— Parecer da secç&o de agricultura da Sociedade auxiliadora da 
industria nacional sobro o projecto e instrucções acerca da acqaisiQão 
de sementes e plantas. Rio de Janeiro, 1863 — Assignao também A. F. 
Collia e F. L. C. Burlamaqui. Hamaisdous relatórios, apresentados 
À assemblóa provincial de Sergipe em 1859 e 1860. 

Manoel Curvello de Mendonça-^ Pilho de António 
Oarvello de Mendonça e dona Birbara Muniz Telles de Menezes, nasceu 
em Sergipe a 29 de Julho de 1870 e é bacharel em direito pala faculdade 
do Recife, forma Io om 1892. Fixando residência na Capital Peileral, 
foi nomeado chefe de secção da intendência municipal e logo depois, na 
installação do Instituto commeiclal, lente de direito mercantil e eco- 
nomia politica, acoumulaudo o cargo de director do mesmo instituto. 
Nesta capital foi cojTespondentc de algumas folhai de Sergipe e quando 
estudante coUaborou em outras, como o Liranjeirense e o Republicano^ 
de 1888 a 1889. Fez parte da redacção, por essa época, do Brasileiro^ 
e do Incentivo^ periódicos de pequeno formato, de Aracaju, e dos se*» 
guintes: 

'^.Era Nom: órgão catholioo. Recife, 1890-1892. 

— O Progresso Edueidor: revista de ensino. Rio de Janeiro, 1894. 

— Revista do Instituto didáctico. Rio de Janeiro, 1895-1896 — E' 
uma revista redigida pelos professores desse instituto. Esorereu: 

— Sergipe republicano: estudo critico e histórico. Rio do Jmeiro, 
189Ô, KX«-179pags. in-8« peq. Diz o autor na capa deste livro que 
tom a publicar: 

— Estudos históricos e litterarios , 

— A instrueção no Brazil. 

Mo/Ooel Dendê Bua— Natural da Bahia. lornoro a época 
do seu nascimento e o seu óbito, que foi na capital antes de 1850. Era 
presbytoro secular, cónego e vigário da freguezlada Conceição da Praia, 
cavalleiro da ordem de Chiisto e condecorado com a medalha da cam* 
panha da independência do Brazil, para a qual cooperou eflioazmente, 
senlo um dos membros eleitos na Cachoeira a 6 de setembro de 182S 



MA 50 

para o goTerfio proviforio da Bahia e expulsão das forças lazitanas 
oommaníladafl pelo general Madeira. Usou ató então do nome de Ma- 
noelJoeéde Freitas e foi professor de lógica e das línguas latina, fran* 
oezaein^leza* Escreveu: 

-» Nova grammatica portugueza, dedicada á felicidade o augmento 
da nação portuguesa, seleeta dos melhores autores. Rio de Janeiro, 
1810, in«4<' — Houve outra edição de Liverpcol, 1812, in-8".No3 Annaos 
da Imprensa Nacional do Rio de Janeiro de 1808 a 1822 não vejo, en-' 
tretanto, mencionado este livro, mas só o 

-^ Compendio de grammatica iugleza e portugaeza para uso da 
mocidade adiantada nas primeiras lettras. Rio de Janeiro, 1820, 
liOpags. in*4". 

-^ Leitura instrnotiva e recreativa ou idéas sentimentaes sobre a 
faculdade do entendimento, chamada gosto, etc., oxtrahida livremente 
doioglez. Liverpool, 1813, 81 pngs. ia-8''. 

£^x** >Xa/]ioel do r>esteri*o — Naseeu na cidade da Bahia 
em 1652 e, sendo religioso fraucíàcano, falleceuno convento de Macacú* 
provinoia do Rio de Janeiro, a 26 de maio de 1706. Foi lente de theo- 
ogia e custodio da província soraphica da Immaoalada Conceição. Varão 
IrespeitadOf tanto por suas virtudes, como por sua illustração, notável 
pbilosopho e orador sagrado, a seus sermões tecem elogios Barbosa Ma- 
chado e Frei Apollinario da Conceição. Aquelle e também Martinho 
Aílònso de Mendonça, em seu Summario da bibliotheca luzítana, asse« 
veram que escreveu: 

— Tratado de philosophia ecclesiastica. Dous vols. in-fol. — que 
nonea foram publicados e conservam-se na livraria do convento do Rio 
de Janeiro* 

— Ser /nôes vários — também inéditos, na mesma livraria. 

Ma^uoel I>ias de IPintt — Si nao é natural do Maranhão* 
ahi residiu. Só o conheço pelo seu 

— Facilimo methodo theorico e pratioo do jogo da espada, ensinado 
em pouc^kf lições. Maranhão, 1842,61 pags. in-8\ 

I^Iaiàoel I>ÍA» de Xoledo^ Filho do capitão André 
Dias de Aguiar e dona Genoveva da Luz Cardoso, nasceu em Arari- 
^•goaba, hoje cidade de Porto- Feliz, da província de S. Paulo, a 23 de 
abril de 1802 e falieceu a 3 de março de 1874, sen^lo doutorem direito 
^ela faculdade de S. Paulo, lente jubilado da mesma faculdade, director 
a casa de cor recção da capital da provinçia, do conselho do Imperador, 



60 M.4l 

oíYlcialda ordem da Rosa, etc. Em 1833, a]K>za rdoepçSo do grão de 
doutor, foi nomeado lente substituto, pouco depois lente oathedratioo 
de direito eclesiástico, mais tarde transferido para a cadeira de 
direito criminal. Foi deputalo áassembléa provincial em varias legis- 
laturas e á geral na tei*ceira, assim como na qnar^n-an^ substituição ao 
Marquez de MonfAlegre, por ser este escolhido senador do Império, 
e na legislatura dissolvida de 1842. Presidiu a provinda de Minai 
Qeraes em 1836 e antes disto fez parte do consolho do governo de 
S. Paulo. Escreveu: 

-*- Theses para reseber o grào de doutor em direito. S. Paulo, 
1833. 

— Elementos do processo civil, precedidos de instrucçOes para os 
juizes munidpaes, com annotoções remissivas o explicativas acompa- 
nhadas da legislação brasileira novíssima sobre a matéria. S. Paulo, 
1850, 129 pags. in-S" ^ Esta trabalho foi feito pelo generalJosô Arouche 
de Toledo Rendon, director da academia de S. Paulo desde a fundação 
desta em 1828 até 1833 ; as annotações e publicações são do conselheiro 
Toledo. ( Veja-se aquelle nome. ) 

— Lições académicas sobre artigos do Ck)digo Crimiual, dedicadas 
em tributo de alta consideração e particular aifecto ao sábio preceptor 
o lilmo. e Exmo. Sr. Dr. João José Ferreira de Aguiar, por Manoel 
Jinuario Bezerra Montenegro. Recife, 18ò0,4ô0 pags. in-8<' — Parece a 
quem ler esse titulo que a obra é de Montenegro. Este apenas fez uma 
compilação. Na 2* edição a que Montenegro ngunta algumas dispo- 
siçõds legislativas e decisões do govornot é que se declara o autor. 
Esta edição tem por titulo: Ligões académicas, etc. conforme foram 
explicadas na faculdade de direito de S« Paulo pelo conselheiro 
dr. Manoel Dias de Toledo, segunda edição mais correcta com alterações 
o modiflcações, pelo bacharel, etc. Ilio de Janeiro, 1878, 692 pags. 
in-8<» — Ha ainda do conselheiro Toledo trabalhos de menor fôlego, 
como o 

— Discurso recitado no dia 6 de novembro de 1828 antes de fazer 
o acto de seu primeiro anno jurídico — o qual se acha publicado na 
Aurora Fluminense u . 125, de 3 de dezembro do dito aono, e também 
diversos 

— Relatórios como director da Penitenciaria de S. Paulo — nos 
quaes enoontram-se considerações sobre diversos systemas e regimens 
de prisão. No de 1871, por exemplo, o autor contesta que o systema 
de Auburn tenha produzido a regeneração dos pacientes, bem que 
nos brasileiros principalmente se observem submissão á autoridade, 
paciência e resígucação no cumprimento da pena. 



M^\. 61 

Manoel Domingos de Oapvallio — Natural da 
Babía e alii professor do gymnasio da capital. Nada mais posso dizer 
a seu respeito, senão que escreveu: 

— Elementos de grammatica para uso dos aiumno^ do Qymnasio 
bahiano. Bahia, 1863, 4G pags. in-8'. 

miciiioel r>uarle Moreira, de A.zeT-edo —Filho \^ 
do doutor MaDoel Duarte Moreira e dona Maria Dulce Cheru bina do 
ÂzoTodo, e irmão de Manoel António Duarte de Azevedo, de quem 
occupei-me ha pouco, nasceu na villa de Itaborahy do Rio de Janeiro, a 
7 de julho de 1832. Bacharel em lettras pelo coUegio Pedro 11 e 
doutorem medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, exerceu commis- 
sOes e cargos do dominio da medicina, como o de medico adjunto do 
corpo policial da corte gratuitamente até junho de 1863, época em que 
foi nomeado profesãorde historia antiga e m<.derna daquelle coUegio, 
mediante o respectivo concurso, passando depois a professor de historia 
universal do internato do mesmo coUegio. £' membro do Instituto his- 
tórico e geographico brasileiro, do Instituto archeologico e geogra- 
phico pernambucano, do Instituto histórico de Qoyanna, do Instituto 
académico, do Retiro littorario e da sociedade Propagadora das bellas- 
artes do Rio de Janeiro. Fez parte do Conselho director da instrncção 
primaria e secundaria do município neutro e escreveu: 

— Da respiraçãj nos vegetaes e de sua iuâuencia na atmosphera; 
Yims e peçonhas ; Das lesões das funcções digestivas determinadas por 
gesiação ; Raiva ou hydrophobia : tbese apresentada á Faculdaie de 
medicina do Rio de Janeiro e sustentada em 26 de novembro de 1858. 
Rio de Janeiro, 1858, in-á*" grande. 

— Romances de Moreira de Azovedo: A arca da íamilia. Amor de / 
mãe. Por um triz. Hio de Janeiro, 1860, 84 p.igs. in-8«. 

— Honrd e ciúme: romance. Rio de Janeiro 1860, 93 pags. in-S*». ^ 

— Magdalena : romance publicado na Marmota o nas Folhinhas • 
de A. Qonçalvos Guimarães, ]8:0 -^ Nestas folhinhas publicou ainda: 

~ O senhor meu tio: comedia em um acto. 

— Pequeno panorama ou descripçao dos principaes edifícios do Jlio 
de Janeiro. Rio de Janeiro, 1861-1867,5 vols. 330, 386, 338, 332 e 
273png3. in-8^ 

— Compendio de historia antiga. Rio de Janeiro, 1864, 147 pigs. 
in-4« — Este compendio tem varias edições com augmento; a quinta é 
de 1883, lV-299 pags in-8% 

— Ensaios biographicos : Rio do Janeiro, 1861, 67 pag. in-4'* — São ^ 
15 esboços de brasileiros illustres. 



k 



&2 MA. 

•— Lourenço de Uen'hnça: episoiio dos tempos coloniaes. Hio de 
Janeiro, 186S, 253 pags. in-8'>. 

— Mosaico brasileiro 01 collecçao de ditoSi respostas, pensameotos, 
epigrammas, poesias, anecdotas, curiosidadca e factos históricos de bra« 
sileiros C3lebres. Paris, 1869, VI -209 pags. ia-8«. 

— Os Franciízes no Rio de Janeiro: romance histórico. Rio de Ja- 
neiro, 1870, 190 pags. in-8^ 

— Rio da Prata e Paraguay : Quadros guerreiros. Rio de Janeiro, 
1871, VIll-200 pags. 5n-8« — Rafere-se o autor a factos gloriosos paia 
os brasileiros nas duas campanhas, de 1851 cootra o dictador Rosas e 
de 1805 contra o de?pota do Paraguay. 

— Criminosos celebres : episódios históricos. Rio de Janeiro, 1872, 
261 pags. in-S*^ — Refere-se o autor aos criminosos Pedro Hespanhol, 
Vasco de Moraes e aos saltsaAores da ilha da Caqueirada. 

•* CtcWojv/adés: noticias e variedades históricas brasileiras. Rio de 
Janeiro, 1873, 214 pags. in-8^ 

— - Homens do passado: chronica dos séculos XVIII e XIK. Rio de 
Janeiro, 1875, 227 pags. in-8». 

— O Rio de Janeiro^ sua historia, monumentos, homens notáveis, 
usos e curiosidades. Rio de Janeiro, 1877, 2 vols. iu-8\ 

— Apontamentos históricos. Rio de Janeiro, 1881, 464 pags. in 8^. 
•^ Os partidos políticos u) Brasil. Noticia histórica escripta em ho« 

menagem à Exposição de historia do Brasil em 1881 , 07 pags. in-4** gr, 
( autographo ) — Não vi impresso esse trabalho. 

— Historia pátria. O Brasil de 1831 a 1840. Rio de Janeiro, 1884, 
434 pags. in-8' com os retratos de Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, 
Marquez de Garavellas, Marquez de Monte- Alegre, Jo«ao Braulio Muniz, 
Francisco de Lima e Silva, Diogo António Feijó c Marquez de Olinia. 

— Musapopulir. Rio de Janeiro, 1884, 48 pags. in-lO^ — E* uma 
coUecçâo de cantigas do povo, 

— Rio da Prata e Paraguay : quulros guerreiros. Rio de Janeiro, 
1890, in-8^ — Contém a de33ripção das principaes batalhas feridas pelo 
exercito brasileiro dosde Monte-Caseros até Aquidaban. 

— No tempo do rei : conto histórico. Rio de Janeiro, 1809, 196 
pags. in-8« — Em revistas tem esoriptos, como : 

— Origem e desenvolvimento da imprensa no Rio de Janeiro — 
Na Revista do Instituto histori'30, to no 28^ parlo 2\ pags. 169 a 224. 

— Os túmulos de um chustro — Idem, tomo 29\ p:igá. 255 a 308. 

— A Faculdade do medicina do Rio de Janeiro — Idem, tomo 30», 
pags. 39; a 418. 

— O dia 9 de janeiro de 1822 — liem, tomo 31% pag. 33. 



I 
j 



— A Constituição do Brasil: noticia histórica — iJeni, tomo 32^, 
pags. 71 a 11^. 

«— O combate da ilha do Cabrita -^ Idem, tomo 33*, pags. 5 a 20. 

— Sedição militar ua illia das Cobras em 1831 — Idem, tomo 
34«,pag8. 276 a 292. 

— Os tiros no theatro: motim popular no Rio de Janeiro — Idem, 
tomo 3ô<>, pags. 349 a 3õ8. 

— Sedição militar de julho de 1831 no Rio de Janeiro — Idem, 
temo 37% page. 179 a 190. 

— Motim politico a 3 de abril de 1832 no Rio de Janeiro •— Idem, 
no mesmo tomo, pags. 367 a 381. 

— Motim politico de 17 de abril de 1832 — Idem, tomo 38<», pags. 
127 a 141. 

— Motim politico de dezembro do 1833 — Idem, tomo 39% pags. 
25 a 49. 

— O dia 30 de jullio de 1832 — Idem, tomo 41% pags. 227 a 235. 

— Declaração da maioridade do Imperador em 1840 — Idem, tomo 
42, pags. 5 a 37. 

— Sabimda da Bahia — Uem, tomo 47°, pags. 283 a 304. Em re- 
sposta a este trabalho escreveu o autor deste livro uma memoria pu- 
blicada na Reoista do Instituto, tomo 48% pag. 243, outro no tomo 50°, 
pag. 177 e uma terceira no tomo 60°, pag. 46, todas na 2-^ parle da Re^ 
vista do Instituto, como são os trabalhos do dr. Moreira de Azevedo. 

— Belémi topographia pátria — Na Pr tmawrt, tomo 1% pags. 
17 e seguintes. 

— S. Luiz: topographia pátria * Idem, pags. 25 e seguintes. 

— A revoliição de Pernambuco em 1817 e a província de Alagoas: 
memoria offerecida ao Instituto alagoano — creio que publicada em 
sna Revista. O dr. Moreira de Azevedo, finalmente, collaborou para pe- 
riódicos Gomo a Pátria, a Marmota, o Espelfio, o Conservador e o 
Jornal das Famílias 6 foi o colleccionador das poesias de Paula Brito, 
publicando: 

*-- Poesias de Francisco de Paula Brito, col leccionadas pUo dr. Mo« 
reira de Azevedo, com a biographia do autor, pelo mesmo doutor 
escripta. Rio de Janeiro, 1863, 37-212 pags. iu-8^ 

Blaiioel lOfiieslo cio Oiimpos L* o r to— Filho de 
Manoel Jcsó ilo C 'i.i;)os Porto e nascido no Rio de Janeiro a 8 de julho 
de 1856| foi um do^s mais esforçados batalhadores pela emancipação do 
elemento escravo, pertencendo a varias associações para esse ílm, como 
o Club Abolicionista da escravidão, de que foi secretario, e o Club Abo- 



6i ^lA. 

licionista do Riachuelo, de que foi presidente, Dedícou-se também & 
historia pátria e foi redactor do Diário do Congresso. Bacreven: 

— Legislação civil. Rio de Janeiro, 1888 — G' ama compilação 
de tudo quanto ha relativamente á extincç&o do elemento servil desde a 
fundaçio do Império, estendendo seus estudos aos Estados Unidos» à 
Portugal e À Hespanha. 

— Historia dos dez dias — E* umv historia de tudo quanto se 
publicou relativamente à lei de 13 de maio de 1886, no norte e sul do 
Império e nas Republicas do Prata. O mauuscripto foi prefaciado 
pelo dr. Affonso Celso Filho, e entregue ao conselheiro João Alfredo, 
ministro do Império. 

— Apontamentos para a Republica dos Estados Unidos do Brasil. 
Rio de Janeiro, 1890, 1020 pags. 10-8", com duas gravuras: a da bandeira 
e a das armas da Republica — - E' um livro onde o historiador futuro 
poderá encontrar valioscs subsídios acerca dos acontecimentos desse 
período. 

— Histórico e Índice alphabetico dos oradores — Nos Annaes do 
Senado, volume de 5 de Junho a 15 de julho de 1891. E' um excel- 
lente trabalho. 



]^ln.noel £]rnesto <le Sousea Fi^ctnçai — Nascido 
na Bahia a 30 de junho de 1831, ahi falleceu na cidade de Santo Amaro 
a 24 de dezembro de 1879, sendo capitão de fragata da armada, refor* 
mado, cavalleiroda ordem de S. Bento de Aviz e da do Cruzeiro o 
condecorado com a medalha da campanba do Paraguay. Fez o curso 
da academia de marinha com praça de aspirante em fevereiro 
de 1844 e representou sua província na decima sexta legislatura 
geral. Escreveu: 

— Relatório sobre a navegação dos rios Jequitinhonha, Pardo, 
Puzim, Una e de Contas — publicado com o Relatório do presidente 
da Bahia, dr. Manoel Pinto de Souza Dantas. Bahia, 1866. 

— Carta da costa do Brazil entre os parallelos 15^ e 16^, compre- 
hendendo uma parte da província da Bahia, etc. Bahia, Lith. Jourdan, 
1866. 0'»,386 X 0",Ô36. 

^ Esboço de uma parte do rio Paraguay, comprehendendo as for- 
tificações de Curupaity e Humaytá, com o movimento da esquadra bra- 
sileira no dia 12 de agosto de 1867. Traçado por indicies à vista e 
por informações do pratico Etchbarne, etc. 0™,4898 x O" ,661 — O 
original, a aquarella, pertencia ao Imperador D. Pedro II, e e&téve na 
exposição de historia pátria de 1880. 



MA. 65 

Ma^noel iEIuf i*a;SÍo de A zevedo Ma^rq^ues ~ Pilho 
do teneate-coranel Jo quim Roberto da Silva Marques e dona Maria 
Cândida de Azevedo Marques, nasceu em S. Paulo e ahi falieceu a 29 de 
agosto de 1882. Era major reformado da guarda nicional e escrivão 
do juizo de orphâosda capital de S. Paulo. Escreveu: 

— Apontamentos históricos, geographicos, biographicos, estatís- 
ticos e noticiosos da provinda de S. Paulo, seguidos da chronologia 
dos acontecimentos mais notáveis desde a fundação da capitania de 
S. Vicente até o anno de 1876. Rio de Janeiro, 1879, 2 vols. de 222- 
296 pags. in-fol. de duas columnas. Este livro foi pelo autor 
offerecido em manuscripto ao Imperador e por S. M. offerecido ao In- 
stituto histórico e geograpbico brasileiro, que o mandou imprimir, 
dando metade da edição à viuva do autor. 

— Um punhado de noticias — No Almaaak de S, Paulo, anno l^ 
1876, pags. 114 a 123. 

'^ Glossário de palavras indígenas — Idem, anno 2^ em 1877, 
pags. 57 a 61. 

]M[a,iioel Euí^aBio Oorreia; — Filho do tenente-coronel 
Manoel Francisco Correia e dona Maria de Assumpção Correia, nasceu 
ua cidade de Paranagià da antiga comarca de Gurytiba, de S. Paulo, 
depois província e ho.J3 estado do Paraná, a 16 de agosto de 1839, e 
falieceu em Pernambuco, no cargo de presidente desta província, a 4 de 
fevereiro de 1888. Bicharei em direito pela faculdade de S. Paulo, 
tendo feito os três primeiros auuos do curso na do Recife, foi nomeado 
em 1871 e serviu o cai go do clieíe de policia de Santa Catliarina, ad- 
vogou muitos annos ei i Gurytiba e foi em varias legísslaturas deputado, 
tanto á assemblea provincial como à geral. Escreveu: 

— Discursos profe 'idos na ultima sessão da 15* legislatura da 
as^mblèa provincial d^ Paraná. Gurytiba, 1879, in-4°. 

— Casimento civií : artigos publicados na Gazeia Paranaense. 
Gurytiba, 1884, 71 pi.gi. iu.4». 

— /«ííi/fcflpíío da j.dmiuistração conservadora: artigos publicados 
na Gaãeta Paranaense, Gurytiba, 1884, in-4<». 

>Xti,iioel £3iietU;q[uio Ba,rl>oau. de Oliveixra; — 

Nasceu pelo anno de 1821 na cidade da Bahia, em cuja faculdade 
recebeu em 1845 o grào de doutor om medicina e falieceu poucos annos 
depois de sua formatura. Escreveu: 

— Proposições sobre diflferentes ramos da sciencia medica: these 
apresentada e publicamente sustentada, etc. Bahia, 1845, in-4o. 

Vol. VI - 5 



66 MA. 

•» Thereiai drdma em cinco actos. TraducçSo do original francez 
de Alexandre Damas. Bahia, 1848, ia*8«. 

Manoel £vax*isto Oardoso — Não pude obter no- 
ticias a seu respeito, nem quanto á sua naturalidade: ó brasileiro e 
escreveu: 

— O poema do amor em sete cantos. Rio de Janeiro, 1878, 225 
pags. in-8<» — Os cantos teem por titulo: 1.^ Amor e perdigão. 2.° Mãe e 
filho. 3.® Mãe e pae. 4.<» O casamento. 5.^ A desposada, d."" Espinhos e 
flores. 7.« IllQsões e realidades. 

3Iaiioel I<^eliciano Perel ra de Carval]io<— Pilho 

do major José Pereira de (Carvalho e dona Thereza Nepomucena de 
Carvalho, nascido no Rio de Janeiro a 9 de junho de 1806, aqui íálleceu 
a 11 de novembro do 1867, em consoquencia de moléstias adquiridas 
na campanha do Paraguay, de onde voltara gravemente doente u 6 de 
agosto deste anno o onie confirmou, dirigindo o serviço de saúde mi- 
litar, o conceito que Jà gozava, de ser o Yelpeau brasileiro. Formado 
pela antiga escola medico-cirurgica, doutor em medicina e professor 
da Faculdade de medicina desde abril de 1833, só interrompendo o ma- 
gistério para servir nessa campanha e exercer o cargo de iospector 
geral dos hospitaes militares da província do Rio Grande do Sal, de 
1842 a 1845, por occasião da fatal guerra civil. Pótle-se dizer que foi 
nm brasileiro que só viveu para sua pátria e qae pela pátria morreu. 
Foi o primeiro operador que no Império, a 18 de fevereiro de 1848, fez 
a applicação do novo apparelho do celebre Soubeiran, com o flm de 
poapar dores á seus operados, e tratava, antes de ir para o Paraguay, 
da instituição de um monte- pio medico brasileiro. Ainda estudante foi 
cirurgião da brigada de artilharia montada e do corpo de veteranas, 
cargo de que pediu exoneração em 1838. Era brigadeiro graduado, 
cirurgião-mór do exercito e chefe do corpo de saúde, do conselho de 
S« M. o Imperador, primeiro cirurgião do hospital da Misericórdia, 
membro titular da imperial Acadeniia de medicina, grande dignitário 
da ordem da Rosa, cavalleiro da de S. Bento de Aviz e da de Christo, etc. 
Sua vasta clinica e os trabalhos dos cargos que desempenhou não lhe 
deixavam espaço para escrever ; delle ha apenas alguns escriptos em 
revistas, e 

-^ Theses (para O doutorado e para concurso) — * as quaes nunca 
pude ver e 



Mik 67 

— Lição oral de clinica externa, publioada pelos alamnos de cli- 
nica extorna. Rio de Janeiro, 1835, 35 pags. in-4« * Daquellea esoriptos 
mencionarei: 

— Apontamentos offerecidos à imperial Academia de medicina 
para a organisação dos Estatutos de uma sociedade oonstituida por 
médicos, cirurgiões e pharmaceuticos residentes no município da corte, 
1849 — Na Gazeta dos Hospitaes^ tomo 1% 1850-1851, pngs. 124 eaegs. 

— Projecto de resposta â Consulta do Governo acerca da origem das 
enfermidades que affligem os aprendizes menores do Arsenal de guerra 

— Nos Annaes Brasilienses de medicina^ 185M852, pag. 206. Com os 
drs. De*Simoni, F. de P. Menezes e J. A. de Moura. 

— Discursos ( dous ) recitados na imperial Academia de medicina, 
como presidente da mesma academia, nas sessões anniversarias, etc. 

— Na Revista da Academia, tomos 25®, pag. 78, e 26®, pags. 67, 
84 e segs. 

— Discursos ( dous ) sobre a observação do sr. dr. Carron de Villard, 
relativa a um caso de estreitamento do intestino recto por elle ope- 
rado, sendo a operação seguida de morte-* Idem, 1858-1859, em seguida 
â observação, pag. 107. 

— Carta respondendo aos drs. V. C. de F. Sabóia e F. J. T. da 
Costa, que se declararam em divergência acerca do procedimento do 
cinirgião em um caso de ferida consideravelmente contusa e do cura- 
tivo das feridas contusas, expostos pelo dr. M. Feliciano, etc. * Na 
Gaveta Medica do Rio de Janeiro, 1864, pags. 6e segs. O escripto do 
dr. Sabóia vem nos Annaes Brasilienses deste anno, pag. 204. Muitos 
e importantes casos da clinica do dr. M. Feliciano foram publicados 
por seus discípulos e admiradores, desde as 

^ Operações praticadas no hospital da S. C. da Misericórdia nos 
ires primeiros mezes de 1836— os quaes se acham na Revista Medica 
Fluminense, tomo 2«, pags. 226 a 237, 270 a 276, 301 a 316 e 330 a 337. 

Manoel Feliciano Ril>eix*o I>iniz — Irmão de 
Prospero Ribeiro Diniz, de quem occupar-me-hei, nasceu na capital da 
Bahia, e ahi falleceu em 1843, três annos depois de chegado da Europa, 
doutor em medicina pela faculdade de Montpellier. Era bibliothecario 
da Faculdade de medicina de sua pátria e falleceu quasi sem ter tempo 
de colleccionar uma enorme livraria que trouxe da Europa, de obras 
raras e, portanto, sem ter tempo de dar a lume suas obras, pois as 
tinha inéditas, tanto em prosa como em verso. Suas poesias dariam 
bem dous grossos volumes in-8<'. Ainda mancebo, na Bahia, eu as vi, 
enchendo um sacco, de que era depositário o dr. Francisco Muniz 



68 MA 

Barreto de Aragão, o delias foram publicadas no periódico Mosaico 
da Bahia: 

— A impostura: satyra, precedida de uma dedicatória em verso ao 
dr. Silvestre Piutieiro Ferreira. Paris, outabro de 1834 — No Musaico, 
da Bahia, tomo 2», 1845, pags. 82, 98, 115, 126 e segs. Gompõe-sa 
de 684 versos octosyllabos rimados com muitas notas. Nesta satyra 
o autor fustiga todas as classes sociaes, começando pelos governos e 
pela religião, com as seguintes estrophes: 

Vejo Róis, Príncipes vejo 

Que se dizem pães do povo, 

rada dia p*ra vexai -o 

Forjando um capricho novo. 

Do grande fazem pequeno, 

O que ó vil nobre nomeani ^ 

Na terra, jã viciosa, 

Inda mais vicios semeam 

E dizem que o mando deites 

Tem no céo origem pura. 

O que ó isto, meus amigos, 
Se isto não ó Impostura? 

Philangio brada que o povo 

Deve só livre reinar ; 

Sceptro» coroas não pôde 

Nem pintados aturar. 

Clama iguaes todos, requer 

Livre toda a opinião. 

Eis do mando, arte ou acaso, 

Lhe mette a vara na mão, 

E aos que não pensam com elle 

Dá morte ou masmorra dura. 

 quantos Neros não prestas 
De Bruto a raasc*ra, Impostura ? 

No occulto conâssionario 
Repimpado na cadeira, 
Frei Melindre ouve as fraquezas 
De dona Herminia Cidreira ; 
Enxuga o rosto a iutervallos 



MA. 69 

Em perfamada cambraia 
O fradepio, e o rabo do olho 
Voltando ao lado da saia 
Tira a caixa, onde da sua 
Salomite brilha a alvura ; 

E ák coDselhos austeros. . . 

Ató ali, Impostura!!! 

« Chata-Karparam : idylio sanskripto, traduzido em francez por 
M. de Ghezy, do francez em prosa portagueza pelo dr. José da Fon- 
seca, 6 desta paraphraseado ou ampliado em versos, etc. Em Paris, 1832 
«- No mesmo tomo, pags. 211, 222 e seguintes. Na citada revista pu- 
blicou o dr. Diniz mais dous sonetos e dous epigrammas aos Políticos 
de botica. 

B£anoel Ferna/iidesi dai OunKa. Oraça. .— Pilho 
de José Fernandes e dooa Fraucisca Fernandes, nasceu na fregnezia da 
Oraça, distrícto de Braga, em Portugal, a ô de fevereiro de 1824. 
Estudou no seminário de Braga com a intenção de ordenar-se presby- 
tero e roceber as ordens menores ; mas, faltando-lhe a edade para 
receber as outras, veio para o Brasil, onde dedicou-se ao magistério, 
leccionando latim e outras matérias particularmente e naturalisou-se 
brasileiro. Dirigiu de 1849 a 1877 o Lyceu commercial, fundado por 
Jorge Gracie em 1845 e descansa hoje das lides a que se entregara, 
mas sempre na convivência dos livros, que elle chama seus melhores 
amigos. Escreveu: 

^ Compendio de grammatica latina. Rio de Janeiro, 1847, in-8* 
— Teve segunda edição em 1864 com notáveis melhoramentos. 

— Elementos áQgv9kmm^i\QSL portugueza, colligidos para uso de seus 
alamnos. Rio de Janeiro, 1857, in-8o. 

3^f anoel Fernaudesi ^laclxado — Filho de João Fer- 
nandes Machado e dona Fausta Carolina de Yasconcellos, nasceu na 
< Idade do Rio de Janeiro a 21 dô agosto de 1852. Depois de estudar em 
ooilegíos desta cidade, prestando na instrucção publica alguns exames e 
de cursar o primeiro anno do Instituto commercial, passou a servir no 
cunccionalismo publico da repartição da guerra, começando pelo logar 
de amanuense do commando geral de artilharia, exercendo actual- 
mente o de primeiro offlcial da secretaria de estado. Exerce também 
ha cerca de vinte annos as funcçOes de escripturario do Lyceu de 



70 B£i%. 

artes e officios, e ô capitão bonorario do exercito. Cultiva as lettras 
amenas e escreveu: 

— - Não posso viver assim: comedia em um acto. Rio de Janeiro, 
1870, 16 pags. in-8^ 

— Ciúmes de nm velbo; comedia em um acto. Rio de Janeiro, 
1885, 19 pags. in-8«. 

— PaUidas flores*, poesias. Rio de Janeiro, 44 pags. in-8*. Tem 
collaborado para alguns periódicos desta capital e de S. Paulo com 
excellentes artigos, quer em prosa, quer em verso, usando em alguns 
do pseadonymo de Alipio Moreno. Destes trabalhos, que poderiam dar 
dous bons volumes, citarei: 

^ Luctas d*alma: poemeto. 

— Rusgas de um Ambrósio: conto. 

— Orlando: conto — Sei que tem trabalhos inéditos, como este: 

— Chá sem assucar: inter vallo cómico — Tem ainda trabalhos pu- 
blicados em revistas, como: 

— A perjura: poesia. 

— O calouro: poema satyrico de costumes. 

31axioel F^erraz de Oa/xnpoa íSa;llee — Filho de 
Francisco de Paula Salles e dona Anna Cândida Salles, nasceu na ci" 
dade de Campinas, em S. Paulo, a 13 de fevereiro de 1841. Bacharel 
em direito pela faculdade deste estado, foi durante a Monarchia depu- 
tado provincial em varias legislaturas, revelando suas ideias repu- 
blicanas com toda franqueza e, proclamada a Republica, foi o primeiro 
cidadão que dirigiu a pasta dos negócios da justiça e o segundo presi- 
dente civil dos Estados Unidos do Brazil. Já tendo feito uma viagem 
à Europa antes do novo regimen, fez segunda depois de sua eleição a 
este cargo, relacionando-se ali com vários chefes de estado. Qambetta 
brasileiro, como o chamou um seu admirador, em vista de sua 
eloquência e suas ideias demociDiticas, fui sempre dedicado ao jorna- 
lismo e redigiu: 

— A Razão: órgão académico. S. Paulo, 1862 —Teve por compa- 
nheiros nessa folha os bacharéis Francisco de Paula Belfort Duarte e 
Quirino dos Santos e outros. Collaborou para outros da imprensa 
periódica, como dL Gazeta de Campinas e dk Província de S, Paulo e 
escreveu: 

— O espirito de iniciativa em Campinas — no Almanak de 
S. Paulo de 1879, pags.l a 12. 

— Discurso proferido na discussão do projecto de ornamento em 
sessão de 11 de junho de 1885. S. Paulo, 1885. 






MA 71 

— Ho^nmagem a Francisco Quirino dos Santos* Apontamentos bio- 
grapbicos com prefacio, etc. Campinas, 1887, 40 page. in-4% com o 
retrato do blograpbado. 

^ Discurso proferido na sessSo de 24 do Janeiro sobre o emprego 
da força publica na apprebensSo de escravos fugidos —No livro € Os 
deputados republicanos na Âsàembléa provincial de S. Paulo na sessfio 
de 1888 >, pags.71 a 110. 

— Discurso respondendo ao Sr» António Prado, na sessão de 
31 de janeiro — Idem, pags. 113 a 154. 

— Discurso sobre politica em geral, na sessSo de 27 de fevereiro 
-* Idem, pags. 333 a 380. 

— Discurso na discussão sobre orçamento, politica geral, na sessão 
de 24 de fevereiro — Idem, pags. 271 a 830. 

— Discurso sobre o mesmo assumpto, na sessão de 27 de fevereiro 

— Idem, pags. 333 a 380. Neste discurso responde o autor aos depu- 
tados liberaes e aos conservadores. Ha ainda outros discursos seus. 

— Cxrtas da Europa. Rio de Janeiro, 1894, 287 pags. in-12^ 

— Foram antes pablicados em S« Paulo. E* um importante trabalho 
escripto depois de sua primeira viagem k Europa. 

— Casamento civil. Registro civil. Rio de Janeiro, 1890, 42*5-30 
pags. in-8<>— E' a lei em vigor sobre o casamento civil, que elaborou 
quando ministro da justiça. 

— Código civil dos Estados Unidos do Brasil, promulgado por de* 
creto n. 847, de 11 de outubro de 1890. Rio de Janeiro, 1891, 78 pags. 
ln-8*. 

— Manifesto lido no banquete politico realisado no dia 31 de ou- 
tubro no salão do theatro S. José, etc. S. Paulo, 1898, 37 pags in-12*. 

— Manifesto Jnaugural de etc. presidente eleito para o quatriennio 
de 1898 a 1902, 15 de novembro de 1898. Rio de Janeiro, 1898,23 pags. 
in-4». 

Manoel Ferreira» de A^raujo Oulmoirães — - 

Pilho de Manoel Ferreira de Araújo e dona Maria do Coração de Jesus, 
nB£oea na cidade da Bahia a 5 de março de 1777 e falleceu a 24 de 
outubro de 1838 em consequência des offrimentos oriundos da condem- 
oação de seu filho, o major Innocencio Eustachio Ferreira de Araújo, 
por comprometter-se na revolução de 7 de novembro de 1837. Habili- 
tando-se em Lisboa para cursar mathematicas na Universidade de 
Coimbra, o exame de latim, feito perante a cpmmissão geral do exame 
6 censura de livros, foi tal, que uma cadeira dessa língua lhe foi offere« 
dda. Não podendo entrar na Universidade por falta de meios, fez o curso 
da academia de marinha, onde teve logo um logar de lente substituto ; 



72 



regeu varias cadeiras e obteve depois o titulo de professor honorário. 
Veiu para a Bahia em 1805, acompanhando o Conde da Ponte, oom 
quem morou. Sendo 1<> tenente da armada, passou-se para a corte, e 
aqui por influencia do Conde de Linhares foi transferido para o corpo 
de engenheiros como capitão e nomeado lente de nossa academia de 
marinha, da qual por certos desgostos pediu e obteve transferencia 
para a academia militar em sua ftindação no anno de 1812. Subiu 
sucoessivamente aos postos superiores ató o de bi igadeiro, em que re- 
formou-se em 1830 e, sendo dispensado ao mesmo tempo dos cargos, que 
exercia, de deputado das juntas da academia militar e de director da 
imprensa régia, estabeleceu sua residência na provincia de seu nasci- 
mento, e ainda ahi foi nomeado e occupou, a instancias do governo 
provincial, cm 1834, o logar de lente da cadeira de geometria e mecâ- 
nica applicada áus artes, anneza ao arsenal de marinha. Acompanhou 
D. Pedro à Bahia cm 1826 ; foi um dos brasileiros que mais fizeram pela 
independência do paiz ; foi por esta provincia eleito deputado á cons- 
tituinte brasileira, e â assembléa provincial na primeira legislatura. 
Cultivou também a poesia; era commendador da ordem de S. Bento 
de Aviz, e cavalleiro da do Cruzeiro em sua instituição. Escreveu: 

— Curso elementar e completo de mathem.iticas pui*as, ordenado 
por La-Caille, augmentado por Marie e illustrado por Theveneau, 
traduzido do francez. Lisboa, 1800, in-4% com 1^ ests.— Esta obra foi 
pelo traductor enviada, quando ia elle cursar o segundo anno da aca- 
demia de marinha, ao ministro D. Rodrigo de Souza Coutinho, que a 
mandou à academia para que informasse acerca de seu merecimento, 
da utilidade de sua applicação em vulgar, e foi ella approvada oom 
elogio. 

— Explictção da formação e uso das taboas logarithmicas pelo 
abbade Marie, traduzida em portuguez. Lisboa, 1800, in-8«. 

-* Tratado elementar da analyse mathematioa por J. A. J. 
Cousin; traduzido do firancez. Lisboa, 1802, in-4<^. 

— Elementos de geometria por A. M. Legendre, traduzidos do 
francez e dedicados ao Príncipe regente, etc. Rio de Janeiro, 1809, 370 
pags. in-B"" com 13 ests.— Foi feita a traducção para a academia de 
marinha do Rio de Janeiro. 

— Elementos de álgebra por Eduardo Euler, por ordem de sua alteza 
real o Príncipe regente, etc. postos em linguagem para uso dos alumnos 
da academia militar desta corte. Tomo primeiro. Rio de Janeiro, 1809, 
372 pags. in-8o — Não consta que sahisse á lume outro tomo. 

— Tratado de trigonomeiri i por A. M. Legendre. Rio de Ja- 
neiro, 1809, 123 pags. in-B'» com 1 estampa. 



MA 73 

-* Variação dos triângulos esphericos para uso da academia real 
militar. Rio de Janeiro, 1812, 12 pags. in-S^. 

— Complemento dos elementos de álgebra de Lacroix, postos em 
linguagem para uso dos alumnosda roal academia militar desta cdrte. 
Rio de Janeiro, 1813, 380 pags, in-S"— Na prefaoção do traductor de- 
clara-se que este livro vem substituir o 2^ tomo dos Elementos de 
álgebra de Euler para a analyse indeterminada, cujas theorias se 
acham no P tomo desta obra. 

-i- Elementos de astronomia para .uso dos alumnos da academia 
real militar, ordenados, etc. Rio de Janeiro, 1814, 278 pags. com 4 es- 
tampas. 

— Elementos de geodesia para uso dos discípulos da academia real 
militar desta corte, ordenados, etc. Rio de Janeiro, 1815, 301 pags. 
in-S"* com ô estampas. 

— Tratado elementar de trigonometria rectilínea e espherica e da 
applicação da álgebra à geometria por Lacroix: traducçSo portugueza* 
Rio de Janeiro, 1821, in-8<». 

— Geometria e mecânica dos offlcios e das bellas-artes: curso 
normal para uso dos artistas e obreiros, dos contra-mestres e mestres 
de otficinas e fabricas, pelo Barão Carlos Dupin, traduzido do francez. 
Babia, 1835, in-8<^ —Foi traduzido para a aula annexa ao arsenal de 
marinha da Bahia e, muito tempo depois da morte do traductor, era 
o compendio ahi seguido. 

— Discurso recitado na abertura solemne da aula de geometria e 
mecânica applicada às artes, a 2 de fevereiro de 1835, perante o presi- 
dente e mais autoridades da província. Bahia, 1835, in-8<*. 

— Narração da solenne abertura da imperial acs^emia militar, 
em presença de Suas Magestades Imperiaes, no dia 9 de março de 1825. 
Rio de Janeiro, 1825, 16 pags. in-4°— Contém também um discurso 
do dr. A. J. do Amaral. 

— Um cidadão do Rio de Janeiro à divisSo auxiliadora do exercito 
de Portugal, em que se refutam as gratuitas accusações do chamado 
Manifesto da mesma divisão. Rio de Janeiro, 1822 — E* um avulso que 
produziu grande sensação contra os portuguezes, e diz-se que o com* 
mandante da divisão, o general George de Avilez, dera ordem para que 
assassinassem o autor. 

— A cilumnia desmascarada. Rio de Janeiro, 1825, in-fol. — E* 
uma justificação por accusarem-no de ser elle o autor de uma publi- 
cação feita no Espectador de 25 de outubro. 



74 MA. 

«- Defesa de seu filho, o major [nnocencio Eustachio Ferreira de 
Araújo perante o conselho de guerra, eto. Bahia, 1838— B' um dis- 
curso em que vé-se erudic&o, Jurisprudência, estylo ameno, nubreza de 
sentimentos; é o coração que se derrama em aíToetos ; é um pae advo- 
gado que desafia a sensibilidade de homens e de Juises ; ô o homem en* 
canecido no serviço do paiz que appelia para seu passado e para seu 
nome presente afim de dispor em pró do caro filho a benevolência 
geral. Defesx brilhante que arrancou lagrimas a todos qneaou- 
viram. Do tribunal gahiu elle doente e nunca mais teve saúde desJe 
que soube da condemnação do filho. 

— Epitalamio aos desposorios do Exmo. Sr. D. Fernando António 
de Almeida. Lisboa, 1805, in-8». 

— Ode pela restauração do Porto, offerecida a Sua Alteza Real. 
Rio de Janeiro, 1809, 7 pags. in-4o. 

— Testemunho de saudade ^e\dk lamentável morte do Illm. Exm. 
Sr. Conde da Ponte, do conselho de S. A. R. etc. Rio de Janeiro, 
1809, 44 pags. in-4« — Em verso. 

— Epieedio ao Illm. Exm. Sr. D. Rodrigo de Souza Coutinho, 
Conde de Linhares, etc. Rio de Janeiro, 1812, 8 pags. in-4'*— Teve 
outra edição em Lisboa no mesmo anno, e fui também publicado no /n- 
testigador portuguez^ tomo 4'', pags. 54 e segs. e ainda no Musaieo 
poético ^ pags. 48 e seguintes. 

— Prospecto do Patriota, Rio de Janeiro, 1812, 2 pags in»fol.— Re- 
íere-se ao primeiro jornal litterario do Rio de Janeiro, que elle fundoa 
e redigiu. Deixou, em summa, Araújo Guimarães a Gazeta do Rio de 
Janeiro, escrevendo: 

— Defesa áo coronel Manoel Ferreira de Araújo Guimarães contra 
QS accusaçQes que na Gazeta n. 76 se publicaram. Rio de Janeiro, 1821, 
8 pags. in-fol.— E então fundou e redigiu: 

— O Espelho. Rio de Janeiro 1821-1823, in-fol. de 2 ools.— Tinha 
por fim bater os luzitanos e o fez por forma tal, que o padre Ignacio 
José de Macedo disse na Edade de Ouro que essa folha fazia mais 
damno aos luzitanos, do que um exercito de dez mil homens. Co« 
meçou a redigir depois 

— O Diário do Senado, Rio de Janeiro, 1826 — mas deixou-o depois 
de alguns números sem receber remuneração alguma, por se lhe 
querer taxar o trabalho, f icto que causou, como disse o Visconde de 
Cayrú, o silencio da confusão. 

— O Patriota : jornal litterario, politico, mercantil, etc. Rio de Ja- 
neiro, 1813-1814, 3 vols. in-8<> — Ahi escreveram muitos e dístinotos 



1 



MA 75 

littôratos da época. Da sua penna ha poesias assignadas por Elmano 
Bahiense e artigos em prosa, como o 

— Exíime de algumas passagens de um moderno viajante do Brasil 
e refutação de seus erros mais grosseiros, por um brazileiro— No tomo 
2^, u. 3, pags. 68 a 78, e n. 6, pags. 66 a 77. Findou o jornal com o 

— índice geral do Patriota Rio de Janeiro, 1819, 13 pags. in-8o — 
E ao mesmo tempo que fundava esta revista, assumia a redacção da 

— Gazeta do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1808 a 1822, in-4<» a 
princípio, e depois in-fol. peq.— Foi também a primeira folha desse 
género no Rio de Janeiro, cujo primeiro numero sahiu a 10 de se- 
tembro de 1808 e publicaya*se duas vezes por semana. Seu primeiro 
redactor foi frei Tiburcio José da Rocha, efflcial da Secretaria dos es- 
trangeiros, que occupou o cargo até 1812. Araújo Quimarães, redi* 
gindoa dahi em diante com diversos melhoramentos, foi obrigado a 
deixal-a em 1821, visto que era uma folha offlcial, por causados mo« 
Yimentos politicos desse anuo. 

IMCanoel F'eri*eira da Oa.iii.a>ira/ Bittencourt 

e Sã — Nascido em Itacambirussú, comarca do Serro Frio, em 
Minas Geraes, no anno de 1762, falleceu na Bahia a 13 de dezembro de 
1835, sendo bacharel em leis e em philosophia, formado nas respe- 
ctivas faculdades da universidade de Coimbra, senador do Império por 
sua província, membro da Academia real das sciencias de Lisboa, da 
de Stockolmo e da de historia natural de Edimburgo, da sociedade 
Auxiliadora da industria nacional do Rio de Janeiro e presidente da 
Sociedade de agricultura, commercio e industria da Bahia. Frequen- 
tando aquellas faculdades ao mesmo tempo que José Bonifiicio e tendo 
apresentado á academia de Lisboa uma memoria que foi muito 
applaudida, partiu de Portugal com o âm de visitar as sociedades 
seientiâcas e os homens illustres da Europa e também de estudar as 
minas dos diversos paizes. Começou essa commissão pela França, onde 
esteve dous annos e frequentou a chimica deFourcroy ; passou a Frey- 
berg, onde assistiu o curso mineralógico de Wernor, o percorreu suo- 
cessivamente, se iliustrando, a Allemanha, a Bobemia, a Hungria, 
Suécia e Noruega, ^ depois a Escossia, a Irlanda, a Inglaterra, e dahi 
em diante só se occupou da sciencia, e prestou servigos à sua pátria, 
que podem ver-se na noticia que delle publicou o dr. Sigaud no tomo 
4^ da Revista do Instituto histórico, pag. 515. Foi intendente geral das 
minas de diamante em sua pátria e inspector das minas do Tijuco, 
Víila Rica e outras ; foi deputado á constituinte brasileira e, dissolvida 



76 MA 

esta, senador. Escreveu yarias memorias que foram publicadas pela 
Academia das sciencias de Lisboa, como: 

— Observações feitas por ordem da real Academia de Lisboa 
acerca do carvão de pedra da fireguezía da Carvoeira. Setemt)ro, 17d8 
— Nas Memorias Económicas, tomo 2*^, pags. 285 a 294. Foi o sea 
primeiro trabalho apresentado. 

— Ensaio de descripção physica e económica da comarca de llhéos^ 
na America. Lisboa, 1789 íd-4<* * Sahiu também nas Memorias Eco- 
nomicas, tomo P, pags. 304 a 350. 

— Dissertação sobre as plantas do Brazil qae podem dar llnbo. 
Lisboa, 1810, in-4o. 

— Memoria mineralógica do terrcDo mineiro da comarca de Saijará 
^ Manuscripto offerecido ao* Instituto histórico pelo dr. Jeronymo 
Máximo Nogueira Penido, 

— Memoria de observações pbysico-economicas acerca da extracção 
do ouro das minas do Brazil * Inédita. Talvez seja o 

— Tratado de mineralogia no Brazil — que se diz ter ficado, como 
outros trabalhos, inéditos e em poder da íkmilia do autor. Finalmente, 
sabe-se que elle publicou na AUemanha uma 

— Memoria sobre as minas de cliumbo e de prata e sobro a fundição 
de ferro por meio de diminuta porção de combustivel e por um novo 
processo — escripta em francez. Ha ainda de sua penna: 

» Resposta dada à Gamara da cidade da Bahia, a qual consultou 
a Manoel Ferreira da Camará sobre differentes quesitos que lhe foram 
feitos por parte do Governador em consequência de ordem que para 
isso tivera de S. A. R. no anno de 1807 — Está em manuscripto no 
archivo da Secretaria dos negocies exteriores. 

— Sociedade de agricultura, commercio e industria da província da 
Bahia. 1* sessão a 10 de março de 1832. Discursos do presidente Manoel 
Ferreira da Camará Bittencourt e Sá e do secretario, etc. 

MiaiLoel Feireira, Freire — Portuguez por nasci- 
mento, í^lleceu na capital do Maranhão, cidadão brasileiro, por haver 
adherido à constituição do Império. Era professor particular da língua 
portugueza e da latina e também poeta. Escreveu: 

— Cartas de Calypso, Telemaco, Eucharis e Mentor, escriptas ori- 
ginalmente sobre o romance histórico do Arcebispo Fenelon. Maranhão, 
1847, ln-8*— São em verso. 

— O cântico da^ av^í : poema em dous cantos. S. Luiz, 1855, 
56 pags. in-8®— Depois do poema, que é em verso hendecasyllabo, sei- 
guem-se outras poesias. 



MA 77 

3J[a.iioel Ferreira Oaroia Redondo — Pilho de 
Manoel Ferreira de Souza Redondo o dona Francisca Carolina Garcia 
Redondo, nasceu da cidade do Rio de Janeiro a 7 de janeiro de 1854. 
Engenheiro e bacharel em sciencias physicas e mathematicas pela es- 
cola polytechnica, frequentou antes a universidade de Coimbra por 
algum tempo, sendo companheiro dos notáveis poetas e litteratos 
portugueses e brasileiros João Penha, Gonçalves Crespo, Bernardino 
Machado, Guerra Junqueiro, Cândido de Figueiredo e outros. Em fins 
do 1878, nomeado engenheiro fiscal das obras da alfandega de Santos, 
passou-se para esta cidade, onílc residiu até 1884, passando dahi a re- 
sidir na capital de S. Paulo. Sua vida tem sido desde seus primeiros 
estudos, uma dedicação firme e perseverante ás lettras e ao jorna- 
lismo. E' assim que em Portugal, cursando humanidades, collaborou 
no « Novo almanak luzo-brasileiro de lembranças» e fundou: 

O Pereghrino: periódico litterario. Coimbra 1870— Neste periódico, 
que a princípíoToi quinzenal e depois semanal, teve por companheiros 
de redacção Augusto Bittencourt e Sérgio de Castro. No Rio de Janeiro, 
para onde regressou em 1872, collaborou na Republica Qta sua primeira 
phase, quando redigida por Salvador de Mendonça, e na segunda phase 
em 1878 ; na Idéd, periódico litterario ( 1873 ); no Mosquito^ sema- 
nário humoristico ( 1878 ) ; no Jornal do Commercio, onde escreveu 
folhetins do género dos de França Júnior ( 1877 e 1878 ) ; no Repórter ^ 
onde também publicou folhetins semanaes e outros trabalhos e na Re- 
vistt de Engenharia. Fundou com seus collegas da escola polyte- 
chnica Augusto Fomm e Francisco Picanço da Costa: 

— O J ^c ào Académico : publicação academico-litteraria. Rio de 
Janeiro, 1872, in-fol., e o 

— Centro Académico. Rio de Janeiro, 1872, in-fol.— Na cidade de 
Santos collaborou no Diário de Santos e redigiu: 

— A Evolução: semanário que fundou com outros, e o 

— Diário do Commercio . Santos, 1884, in- foi.— Esta folha foi 
fundada por Sérgio Pimenta e ahi publicou elle muitos trabalhos sci- 
entificos e litterarios. Na Capital deS. Paulo collaborou no Diário Po- 
pular^ para o qual dirigiu de Santos artigos sob o pseudonymo de 
Cabrion e Pipelet e onde sustentou uma polemica sobre o cães de Santos ; 
no Cfjrreio Paulistano ; no Estado de S. Paulo que redigiu durante a 
revolta de 6 de setembro de 1893, combatendo contra ella ; collaborou 
finalmente com mais ou menos assiduidade desde 1887 no Correio Pau- 
listano^ e no Correio Mercantil, onde publicou artigos scientificos e litte- 
rarios e de interesse local ; na Ga^^^a deNotidasy na Semana ( 1893-1894), 
obtendo ahi o premiode prosa com o conto O caso do abbade ; na Revista 



V 



78 AIA 

LitterariadeS. Paulo, n^ Gazeta de Campinis^ no Correio Amparaense, 
DO Pão, do Ceará, e u*0 PaU, do Rio de Janeiro, para o qual dirigia 
desde 1894 semanalmente a Chronica Paulistana, e redigiu o citado 
Correio Paulistano áe 1895 em diante. Escreveu os seguintes traballios: 
— - O desfecho de um desafio. Rio de Janeiro, 1877, in-8°~ £' assL- 
gnado por « um plebeu ». 

— Breve noticia sobre a fisibrica de productos cerâmicos de Santa 
Cruz, sita na iiha do Governador. Rio de Janeiro, 1880, 29 pags. in-8* 
•—Foi antes publicada na Revista de Engenhiria. 

— ArmínAoí; contos ligeiros. Santos, 1882, 208 pags. in-8<» peq. — 
^ Compõe-se de oito romanceies, publicados antes no Diário de Santos, 

— O attentado da rua S. Leopoldo. Cartas ao Diário dê Santos por 
\j Garcia Redondo, João Guerra, Carlos Âffonseca e Pciula e Silva. Santos, 

1882, 266 pags. in-8« pe 9.— Foi publicixdo antes com o titulo € Um 
crime í ». E* um romance no género da Croix, de Bernis. 

— Afano: drama levacTo á scenaem7de dezembro de 1882 por 
occasião da estréa da Companhia Recreio Dramático e inauguração do 
theatro Guarany em Santos — Nunca o vi publicado, assim como os 
deus seguintes: 

— O dedo de Deus : comedia em dous actos, representada no 
theatro particular de Friburgo em 1883. 

— O urso branco: comedia em um acto, oscripta em 1884— Não 
sei onde foi representada. 

— Relatório sobre o cães de Santos, apresentado ao governo da 
provinda de S. Paulo para justificar o seu projecto de cães para o porto 
desta cidaie em novembro de 1884, e acceito pelo mesmo governo em 
1885 — E' um trabalho de mais de 300 paginas. 

— Geometria para operários — E' um trabalho volumoso, escripto 
em 1879. 

— Descripção do município de Santos, comarca do mesmo nome— 
Também não vi impresso, vi apenas o nutographo de 12 pags. in-fol. 
na exposição de historia pátria de 1880, e escripto em resposta ao 
questionário da Bibliotheca nacional do Rio de Janeiro. 

— Cães. de S mtos : artigos publicados no Diário do Conunercio de 
Santos. Santos, 1881, duas series: a primeira de 21 pags. in-fol. de 
duas columnas, e a segunda de 18 pags. iu-á^" grande. 

— > Ferro'Vií Pinhalense. Estudos deflnitivos do Espirito-Santo do 
Pinhal e Mogy-Guassú. Relatório apresentado aos concessionários. 
S. Panlo, 1887, 71 pags. {n-40, com a planta dos Estudos da liniia, 
escala de 1:20,000. 



MA 7^ 

— Companhia Carris de Ferro de SanfAnna. Incorporadores, etc. 
Estados definitivos. S. Panlo, 1888, 23 pags. iu-4^ 

— - Esgotos da cidade de Santos. Memoria descriptiva do projecto 
organisado pelos engenheiros, etc. e apresentada ao concessionário Sil« 
Tino Alves Corrêa. S. Paulo, 1889, 25 pags. in-4^ 

— Compinhia Cantareira de esgotos. Esclarecimentos e informações 
fornecidos ao Exm. Presidente da Provinda, General Couto de Ma- 
galhães, pelo engenheiro fiscal. S. Pâulo, 1889, 45 pags. in-4<>. 

— Sm prol da lavoura^ serie de artigos publicados n'0 Paiz e re« 
produzidos no Correio de S. Paulo. S. Paulo, 1895, 45 pags. in-4° 
— Houve segunda edição augmentada com artigos do dr. Luiz Pe- 
reira Barreto e outros sobre o emprego dos adubos ohimicos, feita peio 
governo de S. Paulo para distribuição gratuita. S. Paulo. 1895,82 
pags. in-4<>« 

— Perfil biographicj do Dr. Bernardino de Campos por um con- 
temporaneo. S. Paulo, 1895, 118 pags. in-8«, com o retrato do biogra- 
phado. 

— Caricias : viagem pelo terreno da ternura. Botânica amorosa. 

Rio de Janeiro, 1895, 244 pags. in-8'>, com o retrato do autor, 

— A choupana de rosas. S. Paulo, 1897, 200 pags. in-8"- 

— Botânica elementar^ iilustrada com 348 estampas, intercaladas 
no texto, obra approvada em primeira edição pelo conselho superior 
da instrucção de S. Paulo. S. Paulo, 1898, 111-4-389 pags. in-8«— E* es- 
cripta com Rodolpho Theophilo ( veja-se este nome ). Tem a publicar: 

— Uma revolução agrícola: traduzida de Emílio Goutier. 

— Novos contos, 

— Boín humor e Tida airada. Paginas alegres. 

— Historias para crianças, 

Ma^noel ITerreira X^a^os -^ Nascido na cidade do Rio 
de Janeiro no anno de 1816, faileceu a 23 do outubro do 1871. Tendo 
feito todo o curso medico nesta cidade com distincçao, nilo quiz, entre- 
tanto, sustentar these para receber o gráo de doutor, quando possuia 
lazes e facilidade para compor qualqujr trabalho pira esse ílm. Era 
primeiro oíUcial da Secretaria de estado dos negócios estran;?eiros, di- 
rector da secção zoológica do Museu nacional, dignitário da ordem da 
Rosa, cavalleiro da de Chrísto, da ordem portugueza de S. Thiago, da 
ordem franceza de Legião de Honra e da imperial ordem turca de Med- 
Jidiô da 3"^ classe, oOOlcial da Instrucção publica da França, membro do 
Instituto histórico e geographioo brasileiro, onde occupou o cargo de se- 
cretario perpetuo e, pela reforma dos estatutos acabando a porpetui- 



80 



M^A 



dade desse cargo, foi eleito seu 3<* vice-presidente. Foi commissario bra- 
sileiro na primeira exposição universal de Paris, e fez parto da com- 
missáo scientifica de exploração ao norte do Império como chefe da 
secção de loologia. Severo cumpridor do dever, misturava com sea des- 
empenho—como disse o dr. J. M, de Macedo— o atticismo de seu 
espirito sempre em irupçôes de epigrammsis que faziam rir a todos e 
de que elle era o primeiro a rir, principalmente quando a si próprio 
não poupava. Escreveu: 

* Memoria sobre o descobrimento da America no século X por 
Carlos Christiano Rafn, secretario da sociedade real dos antiquários do 
norte, traduzida em portuguez. Rio de Janeiro, 1840, iu-8° — Nada 
pôde melhor comprovar o mérito desta obra do que a traducc&o que 
teve em varias linguafl, sendo em inglez por Bartletten, em New-York; 
em ailemão por Stralsund ; em francez por Xavier Marmier ; em hol* 
landez por Montanus Hettema; em italiano por Jacomo Graberg; em 
polaco por J. K. Trojanski. 

— Analyse da viagem de Gastelnau pelo interior do Brasil— Esta 
obra foi lida no Instituto histórico em todas as sessões de 1855 e ai* 
gumasde 1856. € O Sr. Lagos— disse o autor do relatório dos tra- 
balhos sociaes apresentado na sessão solemno de 1855 — não se con- 
tentou com um simples e breve juízo, contrario ou laudativo ao mérito 
da obra sujeita â sua fina e profunda critica, não: acompanha passo a 
passo o viajante francez através de nossas províncias por elle visitadas, 
dá-lhe a mão sempre que o vê tropeçar e isso acontece muitas vezes ; 
aponta-lhe um a. um os erros numerosos que commette ; marca-lhe os 
factos que inventa ; prova-lhe o conhecimento antigo que temos de al- 
gumas de suas pretendidas descobertas, vinga-nos da maledicência e 
com um sopro vigoroso de potente lógica desfaz as creações imaginarias 
que o Conde de Castelnau quer fazer correr mundo com foros de rea- 
lidade. Faz mais ainda: logo que depara com uma falsa apreciação 
do caracter, da indole dos brasileiros, fere-o com um epigramma pene- 
trante e adequado e appellando p.ira os viajantes e historiadores es- 
trangeiros que teem escripto acerca do Brasil, compara a observação 
maligna com o juizo imparcial e generoso de grandes homens, como o 
respeitável Humboldt, Saint-Hilaire, Ferdinand Denis e alguns outros 
que nos fazemj ustiça ; emdm, com indizível graça chamando também 
a coutas a cohorte de improvisadores de viagens e dos Chavagoes de 
todos os tempos, mostra, desfilando em extravagante revista, a mul- 
tidão de absurdos, de incongruências e contradicções e não poucas 
vezes de immerecidas injurias, com que desfiguram e calumniam o 



31 A 81 

Brasil homens qae escondem o que vêem, que improvisam o que não 
existe e que escrevem, invocando a musa da mentira». 

* E^to^ts^ortcodopadre-mestrefrei José Mariano da Ck)nceÍQão 
Velloso — Na revista do lostitato, tomo 2S 1840, pags. 596 a 614 da 
2* edição. 

-r Trabalhos da commissOo scientiflca de exploração. Introducção 
1 a III partes. Rio de Janeiro, 3 vols. in-4% com estampas — E* de sua 
penna a parte zoológica. Yega-se Francisco Freire Allemão e Guilherme 
Schiich de Capanema. Lagos, voltando dessa oommissão, leu um longo 
trabalho perante o Institato, constante de 

— Observações^ de costumes, de preconceitos, de usos, de festas po* 
palarest e até de palavras especialíssimas e de signlâcacâo exclusiva 
da população menos civilisada do Ceará — e, creio, tudo perdeu-se para 
o Instituto, ao menos, porque o autor não entregou o volumoso 
manuscripto depois da leitura. 

>la.noel Ferreira de Hiemos — Natural da Bahia, ô 
nascido provavelmente no século do descobrimento do Brazil, foi al- 
feres de mar e guerra e ainda vivia em 1615, quando escreveu: 

-^Brasilida: poema da restauração da Bahia em 1625— Este 
poema nunca foi impresso, nem sei onde existe actualmente. Delle dão 
noticia Bento Farinha no seu Summario da bibliotheca portugueza e 
Joaé Carlos Pinto de Souza na sua Bibliotheca histórica de Portugal e 
do Ultramar, edição de 1801, o lambem o autor da Bibliographia bra- 
sílica publicada na Folhinha biographica brasileira de Laemmert para 
1863. 

3Xainoel Ferreira Moutinlio— Natural da antiga 
província, hoje estado deMatto Grosso, é autor dos seguintes trabalhos: 

— Noticia sobre a província de Matto Grosso, seguida de um Ro- 
teiro de sua viagem, da Capital á S. Paulo. S. Paulo, 1869, 362 pags. 
in-4o oom estampas e com o retrato do] autor. B* offerecido este livro a 
seu irmão António Ferreira Moutinho. 

— Itinerário da viagem de Cuyabá à S. Paulo. S. Paulo, 1869, 
fô pags. in-4«. 



3Xaxioel Ferre ir et IN eves — Natural da Bahia e dis-* 
tíncto poeta que vivia no meiado do século 18<*. Não posso dar mais 
notícia a seu respeito, senão que escreveu: 

— Compendio do peregrino na America, em que se trata de 
vários discursos espirituosos e moraes, com muitas advertências e do- 

Vol. VI - 6 






82 3Í/L 

cumentos, contra os abusos qa e sd acham introdazldos na milícia 
diabólica do Estado do Brasil. Offerecido a N. S. da Victoria, Rainha 
do muado. Lisboa, 1760, íq-4<*. 

Ma^noel Ferreijra. !Nol>ire — Filho de Manoel Ferreira 
Nobre e nascido na pro^incia do Rio Grande do Norte, fitUecen no 
principio do anno de 1889. Pertencia à familia do vigário de Pombal 
na provinda da Parahyba, o padre José Ferreira Nobre, um dos sacer- 
dotes compromettídos na revolução de 1817 ; exercia um emprego no 
fonocionalismo publico, e escreveu: 

— Breve noticia sobre a proviocia do Rio Grande do Norte ; baseada 
em leis, informações e fsustos consignados na historia antiga e moderna. 
Victoria, 1877, 208 pags. in-4\ 

Ma^noel Figrueirôa de Faria; — Filho de Manoel 
Figueirôa e dona Thereza Figueirôa de Faria, nasceu em Pernambuco 
em dezembro de 1801 e íalleceu a 1 de agosto de 1866, major reformado 
de milícias, commendador da ordem da Rosa e cavalleiro da de Christo^ 
membro fundador do Instituto arcbeologico pernambucano e de outras 
associações de lettras. Orphão de pae e sem fortuna, entrou para o se- 
minário de Olinda e deixando-o por fi^ilta de recursos, entrou para o 
oommercio como caixeiro, obteve ser proprietário de uma pequena 
casa' commercial, e depois da typographia do Diário de Pernambuco 
em 1830. Desde essa época dedlcou-se todo ao jornalismo e por occasião 
de commoções politicas e em quadras afflictivas surgia sempre como 
um génio bemfazejo. Escreveu: 

— Ensaios estatisticos da mortalidade das quatro freguesias do 
Recife de l de março de 1851 a 1 de março de 1855. Recife, 185Ô, in-8«. 

— Màppa estatístico do cholera-morbus na fregnezia do Pào-d'AlhOy 
de 18 de janeiro a 30 de abril de 1856. Recife, 1856— Figueirôa de 
Faria foi um dos decanos da imprensa pernambucana e o fundador do 

^ Diário de Pernambtico. Pernambuco, 1828 — Esta folha ainda 
se publica sob a redacção de outros, 

Manoel Florêncio do £i«pirito Santo— Natural 
da Bahia, ahi falleceu a 18 de julho de 1806. Dedicando-se ao magis- 
tério da instrucção primaria, foi professor da freguesia da rua do 
Passo, na capital, ejubilandose, fundou o ooliegio Florêncio. Escreveu: 

'^ Grammatica da língua portugueza. Bahia.. ••• 

« Compendio do 07stema métrico. Bahia*. 



>• . • • 



i 

MA. 83 < 



1 



>Xa,iioel Florêncio F*ereira; — Natural da província, 
hoje estado da Bahia, presbytero secular, foi lente do seminário archi- 
episcopal e escreveu: 

— Compendio de theologia dogmática, opgaiúsa io das Instituições 
theologicaa do padre Domingos Schram, vertido para o vulgar e man- 
dado imprimir para uso do seminário archiepiscopal desta província 
da Bahia. Bahia, 1847, in-á"». 

Ma>noel da Fonseca — Natural de S. Paulo, viveu além 
do meiado do século IS^'. Jesuita, fez no Brasil os estudos e recebeu 
ordens 'de presbytero. Escreveu: 

— Yida do venerando padre Belchior de Pontes, da companhia de 
Jesus da província do Brasil. Lisboa, 1752, 290 pags. in-4<» — Este livro 
tem maior valor pelas noticias históricas e politicas que contém, sendo 
talvez por isso que foi ordenada a sua suppressão por edital da mesa 
censória de 10 de junho de 1761 . De taes noticias se publicaram: 

— Lewintamento em Minas Geraes no anuo de 1708. Relação do 
levantamento que iiouve em Minas Geraes no anno de 1720, gover- 
nando o Ck>nde de Assumar, d. Pedro de Almeida, capítulos 33 e 38 
* Na Revista do Instituto histórico e geographico brasileiro, tomo S^", 
1841, pags. 261 a 281. Houve outro padre e escriptor de igual nome, 
portuguez, que viveu um século antes. 

Jlanoel d.a Fonseca Medeiroa — Natural de Per- 
nambuco e ahi negociante ou empregado no commercio* escreveu: 

— Noções de partidas dobradas. Recife. 1864, in-8<'. 

IMCanoel F*x*anoisoo A.lipio — Nasceu na cidade de 
Campos no actual estado do Rio de Janeiro, onde foi agricultor, e fal- 
leoeu em Cordeiros, no mesmo estado, a 13 de fevereiro de 1899. Poeta e 
jornalista, era também engenheiro pratico, tendo trabalhado na explo- 
ração da estrada de ferro de Carangola e escreveu: 

— Aruj e sombras: versos. Rio de Janeiro, 1884 — Ardente 
abolicionista, destinou o producto deste seu trabalho á emancipação 
dos escravos. Foi um dos redactores do 

— Voto Livre. Gantagallo — e coUaborou nas seguintes folhas: Gfa- 
teia de FriburgOj Gazeta de Cordeiros e Sentinella, órgão republicano 
de Friburgo. 

Manoel Firanclisco do JBem — Natural de Piratinim, 
provinda do Rio Grande do Sul. teve a grande desventura de cegar 



V 



/ 



84 Ma%. 

ao saliif das Taxas iaraatis, € ainda quando ^ como elie muito bem 
o diz — seus olhosde oreança não podiam vero que avistavam». 
Poeta e poeta de inspiração, publico i uma coUecção do suas poesias 
com o titulo: 

— Li/ra da noite. Pelotas, 1874 — Ha segunda edição deste livro, 
feito também em Pelotas, com um profacio do distincto jornalista rio- 
grandenso Ignacio Ferreira de Vasconcellos. 

>Iti,noel 1'^i-u.uoisco Oori*clai — Filho do commendador 
Manoel Francisco Correia e dona Francisca Pereira Correia, nasceu a 1 
de novembro de 1831 na cidade de Paranaguá, então pertencente a 
S. Paulo 6 boje ao Paraná, é bacharel em lettras pelo antigo collegio 
Pedro 11 e bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo ; agraciado 
com o titulo de conselho do Imperador D. Pedro II, grã-cruz da ordem 
da Conceição da Vilia Viçosa e da de Christo de Portugal, da ordem de 
Carlos III da llespanha, da ordem da Coroa de Ferro da Áustria e da 
de SanVAnna da Rússia; sócio do Instituto histórico e geographico 
brasileiro, fundador da Sociedade de geographia do Rio de Janeiro, etc. 
Dosdc sua formatara exerceu sempre empregos o cargos de confiança do 
governOt começando pelo de 2? oHScial da secretaria da fazenda, d'ahi 
passando logo a l» offlcial e neste orgo transferido para a secretaria 
do Império, depois â da Justiça. Foi secretario do governo do Rio de 
Janeiro ; offlcial de gabinete de mais de um mioi^tro da estado ; presi- 
dente de proviDcia, coQselheiro de estado extraordinário, deputado e 
senador pel-\ província do Paraná e ministro dos negócios estrangeiros 
no gabinete de 7 de março de 1871. Darante o governo do marechal 
Floriano serviu o cargo de chefe da directoria geral do tribunal 
de contas, em que foi aposentado. Como chefe da directoria geral 
de estatistíca, dirigia o primeiro recenseamento da população do 
Império. São de sua iniciativa as conferencia? populares da escola da 
Gloria, installadas a 23 de novembro de 1873, a Associação promotora 
da instrucção de meninos, installada a 1 de janeiro de 1874, a pri- 
meira escola normal da capital do Império, a 25 de março deste 
anno, etc. Escreveu, além de outros trabalhos offlciaes: 

— Compilação e annotaçlo das consultas do conselho de Estado, 
referentes aos negócios ecclesiasticos, etc. Rio de Janeiro, 1869, in-4^ 

— Helatorioe traballios estatísticos í^presentados ao Illm. e Exm. 
Sr. Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira, ministro e secretario 
de estado dos negócios do Império, pelo director geral, etc. Rio de Ja- 
neiro, 1874, in-4\ 



^lA. 85 

-V Missão do general Bartholomeu Mitre, enviado extmordinario 
e ministro plenipotenciário da Republica Argentina: Discurso pronun- 
ciado, etc, na sessão de 12 de agosto de 1873. Rio de Janeiro, 1873, 93 
pags, in-8« — Sobre este assumpto escreveu ainda: 

— Missão especial do general argentino D. Bartholomeu Mitre ao 
Brasil em 1872. Negociação confidencial — Na Revista do Instituto 
histórico, tomo 60, parle 1% pags. 1 a 74. E' um trabalho lido em sessão 
do Instituto. 

— Discurso proferido ao inaugurar a escola na praça D. Pedro 1, 
Rio de Janeiro, 1882, in-8\ 

— Reluorio da Associação humanitária paranaense, apresentado á 
assembléa geral dos associados. Rio de Janeiro, 1887, in-8^ 

— Discurso proferido na solemnidade da coUação do grào de bacha- 
réis em sciencias jurídicas e sociaes em 26 de janeiro de 1896 na Fa* 
euldade livre do Rio de Janeiro, 1890, in-S*». 

— Memoria apresentada ao Instituto histórico e geographico brasi- 
leiro em 10 de outubro de 1890 para ser lida depois da morte do Im- 
perador, o Sr, D. Pedro II — Na Revista do Instituto, tomo 55 
parte 2", pags. 71 a 93. < O que constitue o singular merecimento desta 
memoria ( diz a commissão que a reviu ) são as notas feitas pelo faU 
lecido Imperador, o Sr. D. Pedro II, a diversos trechos do livro de 
B. Pressensó Les Origines. Depois foi traduzida em francez pelo Dr. J. 
Oaldino Pimentel com o ílm de ser apresentada ao Instituto de França 
de que D. Pedro era sócio. 

— Sjque de Assumpção e Luque, attribuido ao exercito brazileiro. 
Refutação — Na dita Revista^ tomo 59, parte 1% pags. 369 a 393. 

— Conferencias^ e outros trabalhos. Rio de Janeiro, 1885, XX-330 
pags. in-4^ com o' retrato do autor — Algumas dessas conferencias 
foram publicadas antes em opúsculo. 

— Trabalhos do conselheiro Manoel Francisco Correia, I Rio de Ja- 
neiro, 1897, 107 pags. in ■ 8*^ — Depois de um discurso na ses^o do 

, Instituto de 4 de março de 1892 em commemoração ao íallecimento do 

I Imperador D. Pedro II ede um trabalho com o titulo A Família impe- 

riil, se acha sua memoria < Trucidação do Barão do Serro Azul cora 
i mais cinco companheiros de mar ty rio no histórico kilometro 65 da es- 

traria de ferro de Paranaguá à Corityba >. 

— Trabalhos do Conselheiro, etc. 2* vol. Rio de Janeiro, 1899, 
185 pags. in-8»— Foram publicados no quinto anniversario da truci- 
dação de seu irmão no governo dos dous chefes militares Ewerton 
9uadros e Pires Ferreira e no ultin^o capitulo se sacham documentos 



MA. 



que provam a injastioa do monstruoio at tentado •— Tenho noticia 
do seguinte trabalho seu, creio que do tempo de estudante: 

— Apr^tada Gloria. S. Paulo... 

I^lanoel Franoiaoo Dias da Silva — Filho de 
Manoel Francisco Dias da Silva e dona Igaacia Gertrudes de Oliveira e 
Silva, nasceu em Nitheroy a 28 de janeiro de 1840. Completou sua pri- 
meira instrucçílo aos 9 annos de idade, encetou a carreira commercial 
oomo caixeiro om estabelecimento de seu pae, e depois noutros estabe. 
lecimeatos da corto, percorrendo algumas províncias do Império e 
também dando-se à leitura de livros bons, principalmente de assumptos 
agrícolas. Depois, obtendo carta de professor primário, fundou om 
internato que foi obrigado a transferir ao cabo de seis annos por mo- 
léstia grave, o a deixar a corte, para ser professor em Ailgra dos Reis. 
Voltando depois a esta ca pi tal, fundou a importante typograpbia Carioca 
e dedioou-se todo às lettras, fundando o Instituto polymatico brazileiíH) 
e concorrendo para a fundação de outros estabelecimentos iguaes ; mas 
enfermidade cruel ainda veio feril-o fatalmente, roubando-lhe a vista 
e,como si nâo fosse bastante tão grande infortúnio, elle viu em poucos 
momentos sua typograpbia reduzida a cinzas por fatal incêndio, e des- 
apparecer tudo quanto possuia, o fructo de afanoso trabalho. Tanta 
adversidade, porém, parece que lhe dava força, não somente para re- 
sistir a tão dolorosos golpes, mas para emprehender e levar ao termino 
tantos e tão variados trabalhos que deu & luz, faltando-lhe a luz para 
isso. Admira tanta força de vontade, tanta actividade num cogo l 
Bem disse o Jornal do Commercio: < Este extraordinário cego é o typo 
dos homens, que affligidos por tão cruel enfermidade, continuam úteis 
a 81 e á sociedade.» Foi o fundador do Instituto polymatico brazileiro, de 
que foi secretario perpetuo, e pertence a varias associações litte- 
rarias. Escreveu: 

— O Club Goiipan :comedia[em 1 acto. Rio de Janeiro, 1868, in-4«. 

— O empremrio ambulante: soena cómica. Rio de Janeiro, 1872, 
in-8" — Faz parte da coUecçãp do theatro moderno luzo-brasileiro- 

— O amante das harmonias: scena cómica. Rio de Janeiro, 1872, 
in-8« — Idem. 

— A noite de natal: drama de costumes portuguezes em quatro actos. 
Rio de Janeiro, 1874, in-S^. 

— Flor do martyrio: romance. Rio de Janeiro, 1881, in-8*. 

— Contos ao luar. Rio de Janeiro, in-8o. 

— A lei de Deus: lendas baseadas pelo decálogo. Rio de Janeiro 
( sem data ), 300 pags. in>8« com gravuras — Este livro teve seis edições 



i 



MA. 87 

e foi approvado pelos bispos do GearÃ, Maranhão e Gayabà e adoptado 
pelo conselho da instrucção publica do Rio de Janeiro e do Paraná para 
uso de suas escolas. 

— Expositor portuguez ou rudimentos de ensino da lingua materna, 
adaptado à instruoção primaria do Brasil. Rio de Janeiro — Teve 
varias ediçOes, sendo a quarta de 200 pags. com 50 gravuras. Foi 
adoptada pelo conselho de instrucção publica de Pernambuco, etc. 

— Encyclopedia popular de leituras úteis para o povo e escolas pri- 
marias. Rio de Janeiro, iQ•8^ com gravuras — Teve outras edigões e a 
terceira, sem data, tem 202 pags. 

— Syllabario iUmtrado. Rio de Janeiro — Este livrinho foi adop- 
tado em grande parte do Império. 

— O viticultor brazileiro : cultura da videira 6 o fabrico de vinho 
no Brasil, precedido de um vocabulário technico e ornado de 26 gra-» 
Taras. Rio de Janeiro, 1888, 224 pags. in-4o. 

— Registro civil. Regulamento do registro civil de nascimentos, 
casamentos e óbitos* precedido de um Índice remissivo e annotado, eto. 
Rio de Janeiro, 1888, 46 pags. in-4^ 

— Guia do cidadão brasileiro. A lei e regulamento do recruta- 
mento para o serviço militar no Brasil ; precedido do histórico de sua 
origem e discussão, do jaizo da imprensa fluminense e annotado, etc. 
Rio de Janeiro ( sem data ), 68 pags. in-8«. 

^'Novo diccionario humorístico de homonymos da lingua portugueza. 

— Diccionario biographico de brasileiros illustres nas lettras, artes, 
politica» philanfropia, guerra, diplomacia, industria, sciencias e cari- 
dade, de 1500 até os nossos dias, etc. Rio de 'Janeiro, 1871, 192 pags. 
6 mais quatro de indice. 

— > Galeria de brasileiros illiÂstres* Resumo biographico de brasi" 
leiros illustres nas artes e lettras, commercio e industria, philantro- 
pia e caridade. Primeira parte. Rio de Janeiro, 1877, in-8«. 

— Ga&fne<0 de Sete de março. O Sr. Ck>nse]heiro Junqueira : perfil 
biographico, etc. Rio de Janeiro, 1875, 16 pags. inA^ com retrato. 

— Gabinete de Sete de março. O Conselheiro J. F. da Costa Pereira: 
perfil biographico, etc. Rio de Janeiro, 1875, 14 pags. in-4<*, com re- 
trato. 

— i Gabinete de Sete de março. O Conselheiro João AlA'edo Corroa de 
Oliveira : períil histórico e biographico. Rio de Janeiro, 1876,32 pags. 
in-4«com retrato. 

— Perfil biographico do Dr. Laurindo — No livro que publicou 
com o titulo «Poesias do Dr. Laurindo ». Rio de Janeiro, 1877, de pags. 
3 a 17. 



8Ô T^íA. 

— Pdntheon Nacional. Saldanha Marinho : esboço biographico* 
Rio de Janeiro, 1878, 224 pags. in-4«, com retrato. 

— Peregrino de Menezes : perfil biographico. Rio de Janeiro» 
1885, 31 pags. in-8'. 

— Almanah popular do Rio de Janeiro, para 1878. Rio de Janeiro, 
1878, 185-32-14-50 pags. in-8<» e mais XI de índice— Pelo menos foi pu- 
blicado mais um anno, em 1879. 

— índice Commercidl do Almanak popalar. Relaçfio nominal das 
casas commerciaes, advogados, médicos e mais habitantes da Corte. 
Rio de Janeiro, 1878, 289 pags. in-8\ 

— Historia chorographica do Brasil, precedida de um resumo 
geographico da America. Rio de Janeiro, 1883, in-8<f— Esta edição foi 
apenas de 500 exemplares. Houve segunda edigão correcta e augmen- 
tada no mesmo logar e anno. Dias da Silva, emfim, publicou algumas 
poesias, collab3rou para alguns jornaes do Rio de Janeiro, e redigiu : 

— Jornal do Agricultor, Princípios pratioos de economia rural. 
Publicação mensal. Rio de Janeiro 1879 a 1889 iu-4<> de duas columnas. 

Esta publicação sustentou-se por espaço de 1 annos e foi onde 
Dias da Silva mais demonstrou sua admirável actividade . Acompanhou 
esta publicação o 

— Almanah do «Jornal do Agricultor »• Rio de Janeiro. .. 

Ma^noel Francisco Ferreira Oorréa — Filho 
do doutor Francisco Ferreira Corrêa e nascido a 25 de outubro de 1862 
no Paraná, é bacharel em sciencias physicas e mathematicas pela escola 
polytechnica e escreveu: 

— Noticia sobre o estado do Paraná, publicada por ordem dó 
governo do estado para a exposição universal colombiana de Chicago . 
Curitiba, 1893, 61 pags. in-4<*, com algumas tabeliãs e um mappa da 
zona cólon isada. 

— Mappa do estado do Paraná. Rio de Janeiro, 1897. 

Manoel Francisco da Silveira Freitas — Pal- 

tam-me noticias a seu respeito, constando-me apenas que é natural do 
Rio de Jan3iro. Escreveu: 

— Pio IX. Rio de Janeiro, 1870, in-8'». 

— Revelações. Rio de Janeiro, 1870, 97 pags. in-4% sem folha de 
rosto — São também offerecidas a Pio IX. 

Manoel Freire A^llemao— Pilho de João Freire AllemSo 
9 dona Feliciana Angélica do Espirito Santo e irmão do dr. Pranoisoo 



i 



MA. 89 

Freire AUemão, de quem me occupei neste livro, nasceu no Rio de Ja- 
neiro, foi aqai graduado doutor em medicina e falleceu a 14 de maio de 
1863. Escreveu: 

— A contractibilidade orgânica e a contractibiiidade do tecido, mani* 
festada no utero durante a gestação, serão uma e a mesma cousa ou 
propriedades differentes ? Estudo das doutrinas physiologícas sobre o 
movimento ; Do mercúrio e suas preparações em relação ás escolas an- 
tigas e modernas ; Medicação contra-estimulante: these apresentada^ 
etc. e sustentada em 27 de novembro de 1856. Rio de Janeiro, 1856, 
in-4« gr. — Escreveu com o dito seu irmão : 

— Trabalhos da Commissão scientiflca de exploração. Rio de Ja- 
neiro, 3 volã. in-4<» com estampas. (Francisco Freire Allemão. ) 

— Noticia sobre as moléstias endémicas do Crato (Ceará) extra- 
hida de apontamentos inéditos — No Progresso Mcdiç:>, tomo 1<>, pags. 
247 e seguintes. 

— Clima e moléstias endémicas de Ipiabas: noticia extrahida de 
apontamentos inéditos —Idem, pags. 189 e seguintes. 

— Matéria medica brasileira — Na G ixeta Medica do Rio de Ja« 
neiro, 1862 e 1863. 

Manoel de Freitas Hla^alliâes — Filho de João de 
Freitas Magalhães e dona Ánna da Encarnação Magalhães, nasceu na 
capitania, depois província e hoje estado do Espirito Santo, no anno 
de 1787 e falleceu cónego a 15 de outubro de 1843 nesta capita], vindo 
da vlUa de Itaboraby, província do Rio de Janeiro, de cuja igreja era 
parocho collado. Presbytero do habito de S. Pedro, pronunciou-se 
calorosamente pela independência do Brasil, mas na maçonaria, que 
nessa época occupava-se de politica, foi um defonsor dos portuguezes 
liberaes que haviam procurado o Brasil. Representou a província do 
Rio de Janeiro em sua primeira legislatura provincial e sua provinda 
natal na 5* legislatura geral, tendo o seu supplente um voto apenas, 
supplente este, o conselheiro J. Lopes da Silva Couto, que se recusou 
a tomar assento depois de seu fallecimento. Foi um sacerdote de exces- 
siva caridade e escreveu: 

— Sonetos feitos e recitados nas noites de 22, 23 e 24 de setembro 
na respeitável presença de SS. AA. RR. Rio de Janeiro, 1822, 9 pags. 
in-4«. 

— Oração que a pedido do Reverendo Vigário Francisco Xavier 
Pina fez no dia 26 de outubro de 1828 na junta parochial de S. João 
de Itafcorahy^ Rio de Janeiro, 1828, |4 pags. in-4'*^ 



M MA. 

— Oração que na solemne acçlo de graças, que rendeu ao Altís- 
simo a venerável ordem 3« de N. S, da ConceiçSo e Boa Morte pelo 
restabelecimento de S. M. o Sr. D. Pedro I, celebrada no dia 24 de 
janeiro de 1830, recitou, etc. Rio de Janeiro, 1830, 23 pags. in-4^. 

-^ BrasiMrosl (Proclamação.) Rio de Janeiro, 1831^ 1 â.in-i"*. 

MAubel da Gama ILiobo ^ Natural da província, hoje 
estado do Par&, nasceu pelo anno de 1835, e falleceu a 7 de junho de 
1883 a bordo do paquete Orenoqtie na altura de Corunha, em viagem 
para o Brasil, sendo seu cadáver conduzido para Lisboa, onde íoi sepul- 
tado. Doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, começando 
na da Bahia o respectivo curso, serviu no corpo de saúde da armada 
algum tempo e partiu depois para a Europa afim de consagrar-se à 
ophthalmologia, especialidade que até então não havia sido exercida 
por brasileiro algum, e de que o Brasil só tivera, por pouco tempo, o 
oculista francez Carrondu Yillard. Praticando comos primeiros 
especialistas da Europa, principalmente da Allemanha e vindo estabe- 
lecer-se no Rio de Janeiro, em pouco tempo obteve a mais elevada e 
merecida reputação pela habilidade com que praticava as mais deli- 
cadas operações desse ramo da cirurgia. Em 1872 voltou á Europa e 
ahi, na Allemanha principalmente, além de continuar a fazer estudos 
sobre ophthalmologia, entregou-se a pacientes trabalhos de histologia 
sob a direcção dos professores Wirchow e Stricker. Usou da palavra 
no congresso celebrado em Londres nos dias 1, 2 e 3 de agosto desse 
anno e perante as maiores notabilidades de medicina e cirurgia pro- 
nunciou-se dando noticia de descobertas na ophthalmologia por seu 
sábio mestre Helmholtz. Na Europa emfim e na America do Norte foi 
elevado à altura de celebridade europea. Applicou-se também ao es- 
tudo da febre amarella, que foi o objecto que o preoccupou muito n*uma 
viagem feita ultimamente aos Estados Unidos. Bra membro titular da 
Imperial Academia de medicina do Rio de Janeiro e de outras asso- 
ciações scientiílcas estrangeiras e escreveu: 

— Morte real ouapparente : enterramentos precipitados. Das boubas, 
causajg, signaes, diagnostico, prognostico e tratamento ; males secundá- 
rios que delias se derivam. Tetanos traumáticos. Elephantiasis do es- 
croto: these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1858, ín-4<*. 

— Lições sobre ophthalmologia^ professadas em Berlim na clinica de 
Von Graefe pelo Sr. Schweigger, traduzidas, etc. Rio de Janeiro, 1858, 
124 pags. in«4<>, com 4 estampas. 

— Lições de Welis sobre as moléstias internas do olho, como vistas 
pelo ophthalmoscoplo, traduzidas, etc. Riode Janeiro, 1876, 77 pags. in-8«. 



/ 



-* Etudes sur la flòvre jaune de 1873 et 1874. Rio de Janeiro, 1876, 
31 paga. in-4<* com I est. — Esta obra foi também publicada em inglez 
e elogiada nfto só no Império como foi pelo dr. J. Baptista de Lacerda, 
como na Europa e nos Estados xjoidos, da America do Norte, sendo 
considerada um valioso contingente para o estudo dessa affecQão. 

— The Sioamps and tha Yellow Feoer, with médium, minimum 
and maximum Thermometric, Barometric, and Hygrometric and dire- 
ction of wends of the city of Rio de Janeiro during 20 years. New- 
York, 18S1, 58 pags. in-8<> com duas estampas. 

— Thermomeiria^ hygrometria e barometria e estudos sobre a 
febre amarei la desde 1851 até 1876— Original in-fol. na Bib. Na- 
cional. Em revistas medicas ha grande numero de trabalhos deste 
autor, dos quaes mencionarei: 

— * Ophthilmia dos recem-nascidos — Na Gazeta Medica, do Rio de 
Janeiro, 1862, pags. 137 esegs. 

— Factos cUnieos de moléstias dos olhos — Idem, 1862 e 1863. 

— Paralysia de d9 par ; acção pbysiologica do grande e pequeno 
oblíquo — Idem, 1863, pag. 206 e segs. 

— Memoria sobre a hygiene de alguns vasos de guerra brasileiros, 
estacionados no Rio da Prata, e moléstias abi observadas — Idem» 1864, 
pags. 110 e 125. 

— Memoria sobre a amaurose julgada pela oculistica moderna — 
Nos Annaes Brasilienses de Medicina, tomo 15<», 1863-1864, pags. 
299 esegs. 

— Observações sobre alguns pontos de oculistica, lidas, etc— Idem, 
no mesmo tomo, pags. 139 e segs. 

— Da ophthalmià eatarrhal, desenvolvida no arsenal de guerra da 
corte — Idem, tomo 16% 1864-1865, pags. 37 e segs. 

— La iridesis — Idem no mesmo tomo, pag. 67 e segs. 

— Observação sobre um caso de iritis sjjphilitica — Idem, pags. 
80 e segs. 

— Da «y»u^tf t« frrí//^n^0 ou crystaes de cholesterina — Idem, idem 
pags. 93 esegs. 

— Da ophthalmià brasiliana ^ Idem, tomo 17», 1865-1866, pags. 
10 e segs. 

^ O iodureto de potássio produzirá metastase para a iris e cho« 
roide? Considerado, eto.— Idem, idem, pags. 50 e seguintes. 

— Do iodureto de potássio nas affecçôes oculares, quando ligadas 
à syphilis terciária — Idem, idem, pags. 55 e seguintes. 

— Observação de um caso de iridectomia e iridesis — Idem, pags. 
103 e seguintes. 



V 



02 MA. 

"^ Do emprego da iridesis na catarata central e nas opacidades 
da oornea : oommanicação, etc.— Idem, pags. 19C a seguiates. 

— Da fistula da córnea, complicada de amollecimento do globo 
ocular 6 conservação da vista — Idem, pags. 201 e segaintes. 

— Da ophthalmia purulenta dos recem-noscidos e sou tratamento 

— Idem, pags. 259 e seguintes. 

— Da corelysia — Idem, pags. 441 e seguintes. 

— Observações de casos de ophthalmia — Idem, tomo 18% 186Ô- 

1867, pags. 101 o seguintes. 

— Observações sobre casos de fistula da córnea — Idem, pags. 
471 e segaintes. 

— Observação acerca de um tumor lacrimal, complicado com carie 
da apophyse montante do maxillar superior — Idem, tomo 19% 1867- 

1868, pags. 277 e seguintes. 

— Fibroma extra^muscular da cavidade orbitaria esquerda, núcleo 
ósseo, exorbilismo, perJa da vista. Extirpação do tumor, vista recupe- 
rada — Idem, tomo 21% 1869-1870, pags. 175 e seguintes. 

— Liberdade dos estudos. Liberdade do ensino — Idem, tomo 21\ 
1875-1876, pags. l e 33. 

— Como são e como deveriam ser os estudos medico-cirurgicos no 
Brasil — Mem, pags. 37 e seguintes. 

— A medicina no Rio de Janeiro -* Idem, pags. 121, 185 e se- 
guintes. 

— Estudos sobre a ophthalmometria — Na Revista Medica do Rio de 
Janeiro, 1873, tomo 1% ns. 1, 2 e 3 — Nunca me constou que odr. Gama 
Lobo fosse poeta ; vejo, porém, num catalogo de livros de Garuier um 
livro com o titulo : 

— Diversas poesias . l<,io de Janeiro — Talvez sejam composições 
dos tempos de estudante. 

3£aiioel OodoíVeclo de A.leneastiro A.ufcra.u. 

— Filho do oonselheiro Pedro Autran da Matta Albuquerque de quem 
terei de tratar, e dona Júlia Carolina de Alencastro Autran, nasceu na 
cidade do Recife, capital de Pernambuco, a 3 de janeiro de 1848. Ba- 
charel em direito pela faculdade desta cidade, formado em 1869, foi 
logo nomeado supplente do juizo de orpliãos e depois exerceu vários 
cargos, como o de secretario do governo, lente dd rhetorica [e poética, 
e director da instrucção publica na província do Espirito Santo, juiz 
municipal e de orphiios em Itaguahy, província do Rio de Janeiro, 
juiz de direito de Monte Alegre, no Pará, juiz de casamentos no Es* 
pirito Santo e actualmente exerça a advocacia na capital federal ^ 



31A 93 

Deu-se desde estudante ao cultivo das lettras amenas e, depois de 
graduado em direito, com actividade excessiva ao estudo da jurispru- 
dência, não só escrevendo trabalhos só de sua lavra, como revendo, 
corrigindo e augmentnndo de accordo com as reformas e estudos pos- 
teriores grande numero de trabalhos de jurisconsultos e de publicistas 
brasileiros. Deu-se também ao jornalismo, collaborando para o Diário 
dePernambuco^ O Espirito^Sanlense, o Paiz, do Maranhão, o Jornal, do 
Ceará, ereJíglu: 

— O Mont^Alegrense, MonfAlegre, 1883, in-fol.— Abi, além de 
artigos de interesse geral, ha muitos de litteratura de sua lavra. 
Escreveu: 

— S . Vicente de Paula : poemeto em verso solto dedicado a seu pae • ^ 
Recife, 1866, 12 pags. in-4\ 

•» A Marselhesa : traducçao, verso a vergo, com uma noticia sobre 
Rouget de L'ísle. Recife, 1868, 16 pags. in-4«. 

-> O escravo: poesia recitada n'um saráo litterario musical — No 
opúsculo « Deus, pátria e libjrda^le >, de Misael Ferreira Penna. 

— CjLntos ephemeros: poesias de 1866-1869. Recife, 1871, 80 pags. ^ 
in-4«. 

— A lei judiciaria de 20 de setembro de 1871, regulada, conve- 
nientemente annotada e seguida do um indice alphabetico e expli- 
cativo. Rio de Janeiro, 18*8, 152 pags. in-4*. 

— D,i fiança criminal ou compilação das leis, decretos e avisos a 
respeito, em forma de tratado simples e methodico para facilidade do 
estudo, reguida de um novo formulário. Rio de Janeiro, 1879, 96 pags. 
in-4^ 

— Do habeas- corpus e seu recurso ou compilação das disposições 
legaes, decisões do governo a respeito, etc. Rio de Janeiro, 1879, 109 
pags. ín-4o. 

— Novo regulamento para a cobrança do imposto do sello, a que se 
ri3fere o decreto n. 7540, de 15 de outubro de 1879, annotado e precedido 
de um snmmario remissivo ao dito regulamento. Rio de Janeiro, 
1880, es pags. in-4\ 

— Consultor civil ou formulário de toJas as acções civis de Carlos 
António Cordeiro, contendo em appendice muitas notas correspondentes 
a cada um de seus paragraphos, com o novo formulário de acções 
summarias e summarissimas e execuções respectivas, segundo a no- 
yissima reforma judiciaria. Rio de Janeiro, 1880, 540 pags. in«4o e mais 
128 de appendice. 



Q4 MA. 

-* Consultor commercial [ou formulário das aoções oommerciaes, 
contendo em appendice muitas notas de aocordo com a reforma e leis 
posteriormente promulgadas. Rio de Janeiro, 1880, 452pag3. in-4'' e 
mais 68 do appendice. 

— Consultor criminal ou formulário das acções crimes, contendo 
em appendice muitas notas a respeito, e bem assim um formulário da 
inquéritos policiaes e do processo de execuções de sentenças criminaes. 
Rio de Janeiro, 1880, 524 pags. in>4<* e lí&ais 67 de appendice. 

— - Consultor orphanologico, contendo em appendice muitas notas, 
as conYençoes consulares em yigor e os regulamentos para a arreca- 
dação de bens de defuntos e ausentes, vagos, do evento, e para a 
arrecadação do imposto de transmissão de propriedade, convenien- 
temente annotados. Rio de Janeiro, 1880, 228 pags. in-4* emais 167 de 
appendice. 

•* Código do processo criminal de primeira instancia, convenien- 
tement3 annotadocom as leis e decisões vigentes, promulgadas até o 
presente e seguido da lei de 3 de dezembro de 1841 e do regulamento 
n. 120, de 31 de janeiro de 1842. Rio de Janeiro, 1881, 445-Ynpags. 
in-4<». 

— Director dos Juizes de paz do Dr. Carlos António Cordeiro, con* 
tendo em appendice multas notas a respeito da nova lei da locação de 
serviços, annotada. Rio de Janeiro, 1881, 375 pags. in-4^ e mais 60 da 
appendice. 

* Manual do Cidadão : Constituição politica do Império do Brasil* 
seguida do acto addicional, da lei de sua interpretação e das outras qua 
lhe t&o referentes, e connnentada para uso das faculdades de direito 
e instrucção popular. Rio de Janeiro, 1881, 314 pags. in-B^. 

— DireiíopMòWco, positivo e brasileiro, do conselheiro Dr. Pedro 
Autran da Matta Albuquerque, melhorado pelo autor e annotada para 
uso das escolas de instrucção primaria. Rio de Janeiro, 1882, 154 pags» 
in-8% 

— Repertório da legislação servil de Vidal, seguida da lei e regu- 
lamentos respectivos, convenientemente annotado com formulado» 
Rio de Janeii*o, 1883, 2 tomos com 372 pags. in-8\ 

— Código das leis e regulamentos orphanologicos, de Suzano, me- 
Ihorado, annotado e posto de accordo com a legislação vigente. Rio da 
Janeiro, 1884, 247 pags. in-4*. 

— Curso de direito hypothecario brasileiro ou compilação do qua 
mais convém saber-se sobre tão importante mataria, seguido de modelos 
para requerimentos, etc, pelo Dr. Joaquim J. P. da Silva Ramos, re« 



r 



MA. 95 

Tista, corrigida e melhorada sobre a segunda edição do Dr. Macedo 
Soares. Rio de Janeiro, 1885, 312 pags. in-4<>. 

— Lei da reforma eleitoral do Império do Brasil, com as instrucções 
e actos expedidos pelo governo para sua execução, etc. acompanhada 
do formulário para os actos do alistamento dos eleitores e de grande 
cópia de circulares e avisos dos ministérios da justioa, império, esclare- 
cendo e resolyendo pontos duvidosos. Quinta edição completamente al- 
terada e muito melhorada. Rio de Janeiro, 1887,2yols. in-4° com muitas 
tabeliãs — Gomprehende o l^ volume dssta obra o decreto n. 3029 de 
9 de janeiro de 1881, reformando a legislação eleitoral; idem n. 8213 
de 13 de agosto de 1881, regulando a execução da lei eleitoral ; idem 
DS. 8100 a 8119, de 21 de maio de 1881, creando os districtos eleitoraes 
e em appendice o decreto n. 3122, de 7 de outubro de 1882, alterando 
algumas disposições da lei eleitoral. O 2^ volume comprehende um 
completo formulário para o processo das eleições em geral e para os 
actos do alistamento dos eleitores, seguido de decisões do governo a 
respeito da lei eleitoral e seu regulamento, assim como vários modelos 
e tabeliãs. 

— Do registro ciml de nascimentos, casamentos e óbitos, segundo 
o regulamento mandado observar pelo decreto de 7 de março de 1888. 
Rio de Janeiro, 1888. 

— Manual do direito civil para uso do povo por L. M. Vidal. Se« 
gunda edição correcta e augmentada. Rio de Janeiro, 1888, in-8°. 

— iVofo roteiro dos orphãos ou guia pratico do processo orphano- 
logico no Brasil, fundamentada sua legislação respectiva e illustrada 
pela lição dos praxistas, contendo muitas disposições novas e arestos 
dos tribunaes até o presente, com o formulário de todos os processos. 
Segunda edição, augmentada, corrigida, anuotada, etc. Rio de Janeiro 
(sem data). 

— « Roteiro dos delegados e subdelegados de policia, ou coUecção 
dos actos, attribuições e deveres destas autoridades, fundamentado na 
legislação competente e na pratica estabelecida, composto para uso 
doe mesmos juizes, por J. M. Pereira de Vasconcellos. Sétima edição 
novamente revista e accrescentada sobre a quarta, do bacharel Miguel 
Thomaz Pessoa. Rio de Janeiro, ln-8^. 

— Roteiro dos officiaes de justiça ou manual de suas attribuições 
e deveres, com formulário para todos os actos judiciários que tem de 
executar. Rio de Janeiro, 1890, in-S". 

— Novissitno assessor forense. IV. Novo roteiro dos orphãos por um 
juiz de direito* 2' edição. Rio de Janeiro ( sem data ), in-8^. 



90 31 .V. 

— Mmual de justiça federal ou compilação das leis de sua orga- 
Disaçâo e das que lhe são referentes, anooladas, etc. Rio de Ja&eiro, 
1892, 242 pags. in-8\ 

— Bancos e sociedades anoDymas ou consolidação das leis e rogu* 
lamentos respectivos segundo o decreto n. 434, de 4 de julliode 1891, coo- 
venien temente aunotado, etc. 4'* edição correeta e annotada. Rio de 
Janeiro, 1892, 216 pags. in-8<>. 

— Constituição da Republica dos Estados Unidos do Brasil, anno- 
tada para uso das faculdades de direito e escolas normaes, etc. Rio 
de Janeiro, 1892, in.8\ 

— Do casamento civil segundo o decreto n. 181, de 24 de janeiro 
de 1890, annotado, e seguido do respectivo formulário, eto. Rio de 
Janeiro, 1892, in-8« — Teve segunda oJição em 1894. Neste livro se 
encontram todas as disposições, legaes e judiciarias sobre esse acto, e 
seus effeitos jurídicos. Um excelleu te formulário o torna ainda mais 
pratico. 

— Guta eleitoral, contendo na sua integra a lei n. 35 de 27 de 
janeiro de 1892, convenientemente annotada e seguida de formulários 
para todos os actos do alistamento e das eleições. Rio de Janeiro, 
1892, iH'^. 

— Código penal dos Estados Unitlos do Brasil, annotado segundo a 
legihl ição vigente para uso dos juizes o jurados, com a graduação das 
penas. Rio de Janeiro, 1892, in-8« — Ha segunda edição corrigida. 

— Das fallencias e seu processo segundo o decreto n. 917, de ou- 
tubro de 1890, annotado de accordo com a legislação vigente. Rio de 
Janeiro, 1892, in 8° ^ Ha segunda edição, correcta e augmentada, 
de 1895. 

Mietnoel Ooaies Avivares — Nascido na cidade da Bahia, 
como parece, nos últimos aunos do século 17<>, cultivou as lettras e 
tinha bastante conhecimento di lingua castelhana, como demonstrou 
nas seguintes obras de sua peuua: 

— Nova philosophi i da natureza do homem, não conhecida nem 
alcançada dos grandes philosophos antigos, a qual melhora a vida e 
saúde humana; composta por dona Oliva Sabuco de Nantes Barreira e 
traduzida do castelhano em portuguoz. Lisboa, 1734, XXlV-510 pags. 
in-'4». 

— Enganos de mulheres e deíenganos de homens; divididos em 
quatro discursos históricos, políticos e moraes, por D. Miguel de Corte 
Real. Traduzidos e dedicados ao illustrissimo arcebispo da Bahiat 



J 



MA 97 

D. Luiz Alvares de Figueiredo. Lisboa, 17...— Burbosa Machado teve 
comsigo o original , 

Manoel Oomea de Oliveira. — Sei apenas que nasceu 
no Brasil e que apresentou ao Governo, ainda na monarchia: 

— Os Burgos agrícolas. Rio de Janeiro, 1886 — E' ura opúsculo em 
que se apresentam as bases c o plano de um projecto de immigração, 
de que o autor occupou-se na imprensa da côrle. - 

Manoel Oonçalvea dct Oosta/ — Natural de S. João 
dft Barra, Rio do Janeiro, o poeta — escreveu: 

— Minhas filhis : poesias. Rio de Janeiro, 1883, in-S*» — Nunca ^ 
vi este livro. 



IVfanoel Hilai-io 1*1 re« Ferrão — Filho do tibellião 
José Pires Garcia, nasceu na cidale do Rio de Janeiro a 13 de janeiro 
de 1829, e.falleceu a 29 de setembro de 1885. Tendo foito o curso de 
pbarmacia o obtendo carta pela faculdade da curte em 1848, foi encarre- 
gado de orgaoisar o serviço pharmaceutico da santa casa do Miseri- 
córdia e estabelecou-se depois, fundando uma pbarmacia de sociedade 
com um irmão seu, renunciando por isso um emprego que obtivera no 
thesouro, a qual, porém, deixou pouco tempo depois para substituir o 
tabellião Fialho era seu impedimento. Cinco annos mais tarde, em 1856, 
exerceu as funcções de gerente da companhia da estrada de ferro da 
Maná á Petrópolis, logar que também deixou para servir ode confe- 
rente da alfandega. Finalmente, resignou este logar por ter pedido e 
ler nomeado serventuário dos offlcios de escrivão de opphãos e de tabel- 
lião do nolaái, os quaes exerceu até 1877, data em que obteve ser substi- 
tuido durante sua vida por se achar impossibilitado, por moléstia, de 
continuar em exercido. Era cavalleiro da ordem da Rosa, cultivou a 
iitteralura amena, sendo dotado do palavra fluente o castigada — e es- 
creveu : 

— Guia pratica ou formulário do tabellião de notas no Brasil. Rio 
do Janeiro, 1870, 369 pags. ia-8». 

— Coração e génio. Lição conjugal em três actos : drama original v 
áò costumes brabileiros. Rio de Janeiro, 28-106 pags. in-S*". Na intro- 
ducQão ao leitor ó que está a data de 1876 — P. Ferrão fui um dos re- 
dactores da 

— Revisíd Phannaceiuica ; jornal da S( ciedado Pharmaccutica bra- 
sileira. Rio de Janeiro, 1851 a 1857, 5 vols. in-4*— ^Com os dri. 
Joaquim Marcos de Almeida Rego, Esoquiel Corrêa dos Santos, Fran- 

Vol. VI - 7 



1 



98 MA. 

cisco L. (b Oliveira Araújo e Ernesto Fredorioo dos Santos. E dentre so 
traballios, que ahi publicou, merece especial monção o seguinte: 

— Considerações áeorca do p^ri^^o resultante da posse e uso abu- 
sivo de algumas formulas magistraes, antigas, sam a sancção do me- 
dico — No vol. 1®, pags. 60 e segs. E deixou inéditos: 

— Mentor testa mentario — livro de mérito, segundo ouvi de pessoa 
competente. 

^ Poesias varias, 1 vol. 

]VJ[f&iiool HomeiUL du t^ilveiíui Jílspiuolfx —> Na- 
tural do Maranhão, st^gundo me consta, escroveu: 

— Thercza de yeubourg e Carlos StvíIíu: novella histórica. Ma- 
ranhão, 1800, in-8^ Em seguida e no mesmo volume: 

. — Paulo e Cincinito. Maranhão,'! 866, in-8° peq. 

3Xa,nool Igrnaoio do jVnclrado ^outo UfAior 
l?iiito Ooelho, Barão e depois Marquez de Itanhaem —Filho do 
brigadeiro Ignacio de Andrada Souto Maior Rendou e dona An- 
tónia Joaquina de Atalryde Portugal, nasceu na freguezia de Mara- 
picú, província do Rio de Janeiro, a 5 de maio d.í 1782 e falleceu a 17 
de agosto de 1867, sendo senador pela província de Minas, gentil- 
homem da imperial camará, grá-cruz da ordem de Christo, da ordem 
fpanceza da Legião de honra, da orlem napolitana de S. Januário, da 
ordem sardv de S. Maurício eS. Lazaro. Coube-lhe a honra de servir 
de alferes-mór na coroação e sugração do primeiro Imperailor, e no ju- 
ramento da constituição politica do Império ; mais tarde honra maior 
lhe coube: a de representar o rei d. Fernando, do Portugal, no bapti- 
aado da princeza imperial, dona Isabel, em 1846, e em 1833 foi no. 
meado pela regência tutor do Imperador d. Pedro II ede suas augustas 
irmãs em substituição a José Bonifácio de Andrada e Silva. Esse hon* 
roso cargo obrigou-o a escrever alguns trabalhos, como: 

— Contas dadas á assembléa legislativa pelo Marquez ile Itanhaem, 
encarregado da tutela do S. M. I. e de suas augustas irmãs; prece- 
didas de um relatório explicativo. 1834. Rio do Janeiro, 1834, 43 paga. 
in-fol. còm 13 mappas. 

— Reflexões para servirem de esclarecimento ao parecer da illustre 
commisáão de contas, oílerecidas á camará dos senhores deputados. 
Rio de Janeiro, ls:Jõ, 12 pags. in-f^l. 

— Contas dadas á aSiCmblóa legislativa ; precedidas de relatórios 
explicativos dos annos tlnanceiros da casa imperial. 1834 a 1840. 
Rio de Janeiro, 1835-1840, in-fol. 



J 



M-Al 99 

Manoel Ig^naoio Brieio •— Natural do Ccarà, falleceu 
a 17 de novembro do 1877, sea<lo coronel do estalo-miior de primeira 
classe, baoharol em mathematicas, oavilleiro da orvlem de S. Bento de 
Aviz e da de CUristo. Fez o curso da academia de mí\rinha e serviu na 
armada desde 1830, data de sua promogão a guarda-mariuha, até 25 
de junho de 1847, data do sua passagem para o exercito. Foi muitos 
annos director do ais mal do guerra de Pernambuco e depois director 
das obras militares nessa provinda ; serviu também no Rio Grande do 
Sul, no Maranhão, no Pará o no Amazonas -como commandante das 
armas. Escreveu: 

— Analyse do julgamento do sr. inspector da thesouraria de 
fazenda do Maranhão, Francisco Emigdio Soares. Maranhão, 1845,97 
pags. in-S" — Trata-se de factos relativos â apprehensão do brigue- 
escuna Fere-fogo^ senlo o autor 1® tenente da arraaia e commandante 
do brigue-escuna Nictheroy, 

]ira,noel Ig'naoio de Oarvo/llio l^lendonço; — 

Filho do doutor Manoel Ignacio de Carvalho Mendonça, de Pernam- 
buco, nasceu em Santa Luzia, Minas Geraes, a 2 do dezembro de 1859. 
Depois de ter cnrsa<lo a escola de minas até o terceiro anno em que 
deixou-a por lhe ser prejudicial á saúde o clima do Ouro Preto, encetou 
o curso de direito da faouldide de S. Paulo, onde recebeu o grào de 
bacharelem 1881. Em seguida entrou na carreira da magistratura 
como juiz municipal do Rio Bonito, termo do Rio de Janeiro, foi depois 
advogado em Cantagallo, e hoje ó juiz seccional no estado do Paraná. 
Escreveu: 

— Cartt a S. M. o Sr. D. Pedro II por Santeri^e. S. Paulo, 1879, 
30 pags. in-8°. 

— Esboço de philosophia positivista: serie de artigos publicados na 
Tribuna Liberal de S. Paulo. S. Paulo, 1880. 

— Prompiuario das leis federaes, contendo toda a legislação da Re- 
publica dos EstadosUnidos do Brasil, desde 15 de novembro de 1889. 
Curityba, 1890, in-8o— E' apenas o P volume. 

— O poder judiciário no Brasil. A necessidale praticado nossa 
posição judiciaria.. Curityba, 18'JU, in-8o. 

— A intervenção o a doutrina Monroe. Curityba, 18'JG, in-8® — E' 
um opúsculo om que o autor trata de pi*ov.ir a lo^^itlin idade do prin- 
cipio do Monroe — Consta qu.3 tom inéditos: 

— S. Paulo, funda^lor do catholicismo — livro em que se propõe 
mostrar que uãoíbi Jesus Christo o fundador do catholicismo. 



100 MA 

— Estudo sobre a arte em gei^al e apreciação de algans poetad an- 
tigos sob o ponto de yista da doutrina positivista ^ Quando estudante 
fez parte da redacção das revistas: 

— A Republica: orgão do Club republicano académico. S. Paulo, 
1879, in-fol.* Esta folha começou antes sob a [redacção do dr. Manhães 
de Campos e outros e viveu até 1881 . 

— A União Académica: periódico quinzenal. S. Paulo, 1879, in-fol. 
peq. 

Manoel Igrnii/Oio éíix Sil^-a. A.lva.renerO' *— Fil^o de 
Ignacio da Silva Alvarenga, nasceu não em Villa Rica, hoje Ouro-Preto, 
como querem uns, mas cm S. João d*£l-rei, Minas Qeraes, de 1749 
e falleceu no Rio.de Janeiro a 1 de novembro de 181 4, sem duvida com 
muito menos idade, do quo a que deu-lhe o cónego J . da Cunha Bar- 
bosa quando disse que elle tinha vivido perto de oitenta aunos. Formado 
em direito pela universidade de Coimbra, esteve algum tempo em 
Lisboa, onde foi muito obsequiado e gozou da câtima das pessoas gradas 
pelas suas bellas qualidades. Voltando à pátria com a patente de 
capitão-mór de milicias dos homens pardos de sua comarca, nhi esta- 
beleoau-se como advogado e ao mesmo tempo ensinando gratuitamente 
rhetorica a seu^ jovens patrícios. Pouco tempo depois estabeleceu 
sua residência no Rio de Janeiro por ter sido nomeado professar régio 
de rhetorica e postiça nesta cidade, onie deixou discípulos, como 
Rodovalho, Monto Alverne, S. Carlos, o citado Cunha Barbosa e outros 
que certamente honraram o mestre. Associado a seu conterrâneo e amigo 
José Dazilio dv Gama que acatava de chegar de Portugal, com o apoio 
do bispo d. José Castello- Branco o a prctecvão do vice-rei d. Luiz 
de Vasconcellos que o prezava e couvidava-o para seus saràos, fundou 
uma sociedado litteraria, modelada pela Ar^^adia do Roma, á que se 
agruparam as mais brilhantes intelligencias da época e eâsa sociedade 
prometi ia bel los fruetoa quando, sondo Luiz do Vasconcellos substituído 
no governo pelo famigerado Conde de Rezende, um dcs mais ferozes per- 
seguidores das lettras brazileií^as, mandou dissolver a academia e 
prender seus mais notáveis membros e Alvarenga gemeu mais de dous 
annos nos cárceres da ilha das Cobras, sem lhe formarem culpa por 
falta de base para isso e tcu-lo por seu severo juiz o desembargador 
portuguez A. Diniz da Cruz e Silva, o celebre autor do Hyssopo. Re- 
cobrando afinal a Uberdade, e restituído à sua cadeira de rhetorica, 
de tal forma bo achava aggravada sua saude.com os horrores da prisão, 
que a sua vida foi de então em doante um encadeamento de dores ; o 
homem que attrahia pelos seus discursos facetos, eruditos, e por suas 



M k 101 

excelientes poeáias, férteis de imaiginiçâo e do colori<lo pátrio, ou p-lo 
ddsombaraço egosto, com que no circulo de amigos taugia uma rabeoa, 
exercício a que se dera desde criança, guiado por seu pai que era mu*- 
sico, nada mais foi do que sombria e taciturna âgura do soffrimento. 
Foi um do3 primeiros poetas do Brasil e exerceu: 

— O desertor das lettras: poema heroi-comico . Coimbra, 1774, 71 
pags. iQ-8^— Houve outra edição sem declaração dologar e data. B' um 
poema em cinco cantos, em verso hendecasyllabo solto, em bonra do 
Marquez d« Pombal por occasmo da reforma da universidade de Coim- 
bra e mnnlado imprimir pslo Mtrquez contra a vontade do autor 
porque este não o tinha ainda de todo corrigido. 

— No dii da collocação da estatua equestre d'el-rei nosso senhor, 
d. José I : ode (sem declaração do logar e data, parecendo-me ser de 
Lisboa, 1775), 7 pags. ia-4<> — Foi reimpressa no Patriota, tomo 2», n. 3. 

— Âo sempre augusto e fidelíssimo rei de Portugal, o sr. d. José 
I, no diadacoUosaçaode sua real estatua equestre: epistola (sem asde- 
claraç(5es de logar e data ) , mas de Lisboa, 1 775, 9 pags . in-i<> — Foi reim- 
pressa no Parnaso Brasileira de Januário da Cunha Barbosa, fascículo 2°. 

— O desertor das lettras: po^ma heroi-comico ( sem logar, nem 
data ) mas do Rio de Janeiro, 16 pags. in-12. 

— Poema erótico. Lisboa, 1799, in-8<». 

— O templo de Neptuno: poesia por Alcindo Palmireno, arcada 
ultramarino. Lisbôi, 1777, 7 pags. in"'4° — E* feita pela acclamação 
da rainha d. Maria I ao throno de Portugal e foi reproduzida no 
mesmo Parnaso Brasileiro ^ fascículo 3** o na Coiiecção das poesias in- 
éditas dos melhores autores pprtuguezes,- tomo l"^. Lisboa, 1809. 

-^Apotheose poética do lll">' e Ex™' Sr. Luiz de Vasconcellos e Souza: 
canção offerecida no dia 10 de outubro de 1785. Lisboa, 1785, 9 pags. 
in-8*— Acha-set\mbem noutras collecções e no Patriota, tomo 2», u. 2. 

— Glaura: poema erótico. 1798, 248 pags. in-8« — Teve segunda 
edição em Lisboa, 1801. Nas bellas poesias deste livro aoham-se deli- 
cadas imagens da pátria do autor. 

— As artes: poema que a sociedade Li Iteraria do Rio de Janeiro 
consagrou aos annos de S. M. F. a senhora d. Maria 1. Lisboa, 1821, 13 
pag:s. in-S'— Antes publicado no Paírhta, tomo 1% n. 6 e na citada 
Coiiecção de poesias inéditas, etc., tomo 2* ; depois no Mosaico poético ^ 
poesias brasileiras, etc. Rio de Janeiro, 1844. 

-^ Odes de Anachreonte : traducção — Inéditas. Esta obra foi a 
ultima do poeta; delia se occupava elle nos últimos dias de vida, e se 
diz que desapparecera no dia de seu ontorro o manuscripto prompto 
para ser dado á luz. 



102 MA 

— O&raspoeítcaí do Manoel I^nncio da Silva Alvarenga (Alcino 
Palmireno ), colligidas, annotadas e precedidas de juízos críticos dos es- 
criptores nacionaes e cstraní?eiroá e de uma notioia nobre o autor e suas 
obras e ncora punhadas do documentos liistoriccs por J. Norberto de 
Souza e Silva. Pariz, 1864, 2 tomos, 347 e 315 pags. ln-8**— Tiveram 
ainda uma edição com o titulo: 

— Ohms completts do Manoel Ignacio da Silva Alvarenga, etc.^ 
Além destas poesias, outras devem t-^r escapado ao in'*ansavel cultor 
das lettras, coUeccionador das obras poéticas de Alvarenga, e mencio- 
narei as seguintes, publicadas em colleccões ou revistas, embora estejam 
comprehendidas no presente volume. 

— Sati/ra aos uicíos — No Patriota ^ tomo 1", n. 4, pags. lie seguintes. 

— Aos felicíssimos annos da sereníssima senhora d. Carlota Joa- 
quina, princeza do Brassil ( imitação da ode ia"* de Horácio): ode — 
Idem, tomo 2°, n. 1, pags. 38 a 40. 

— Canção aos annos da fidelíssima rainha, a senhora d. Maria I 
em 1797 — Idem, n. 3, paps. 52 e Sí^ííuintes. 

— O canto dos pastores: eglog^a. Lisljoa, 1780, 7 pags. in-4o— Idem 
n, 5, pags. 43 a 47. 

— Ao Governador de Miftas Geraes: oitavas — No Jornal Poético^ 
de Lisboa, 1812. 

— A gruta americana — E' uma poesia dirigida do Brasil a José 
Basílio da Oama em Lisboa. No Parnasi Brasileiro^ fascículo !•, pags. 
22 e seguintes; no Musaico poético, poesias brasileiras, etc. publicadas 
sob os auspícios de uma sociedade no Rio do Janeiro, 1844 ; na 
Eevista trimensal do Instituto, tomo 3°, paga. 344 a 346. 

:— Epistola sobre o poema «Declamação trafrica» de José Basílio da 
Gama. Thesnu e Ariadne: heroido ( Duas poesias).— No citado Par- 
naso^ fasciculo 2®, pags. 9 c 12. 

— Ode recitada em 1788 na presença do vice-rei Luiz de Vascon- 
cellos e Ode á mocidade portugueza por occasião da reforma da Uni- 
versidade de Coimbra em 1772 — Idem, fasciculo 4», pags. 18 e 28. Esta 
legunda vem também no Parnaso Brasileiro de J. M. P. da Silva, 
tomo 1«, pags. 136 a 139. Nos dous Parnasos citados em summa se achara 
poesias de Alvarenga, assim como no Florilegioy de Varnhagem, tomo 1*»» 
pags. 302 a 338, etc. 

I\J[aiiool Tíçiiíxolo Xiíioex^clai de ilizeveclo — Inten- 
dente do munioipio do Rio Grande do Sul e natural deste estado, escreveu: 

— A lei do orçamento do município do Rio Grande: analyse 
dos orçamentos ostadoaes de 1896 a 1897. Rio Grande, 1899. 



MA 103 

Afa^noel X^na.cio Soo/rc» —'Nascido naciiade da Bahia, 
ahl ordenou-se presbytero secular, foi cónego e vigário collado da villa 
de S. Filippo. Foi também deputado provincial no regimen monaiv 
Chico e estimado orador sagrado, escrevendo vários panegyricos e 
sermOes, de que citarei: 

— Sermão da dominga do advento, pregado na cathedral da Bahia, 
Bahia, 1856. 

— Oração fúnebre do arcebispo D. Manoel Joaquim da Silveira, por 
occasião das exéquias, mandadas celebrar pplo vigário capitular Mon- 
genhor Carlos Amour no primeiro anui versar lo do falleci mento do 
mesmo arcebispo. Bahia, 1875. 

— Sermão no solemn») Te-Beum por occasião das festas do dia 2 de 
julho, commemorativas da entrada do exercito pacificador na Bahia 
em 1823. Bahia, 1880^ Creio que nestas festas foi mais de uma vec 
orador. 

M!n;Xioel Xg-nacio Soareis) Li sl>oa — Vivia no Rio 
de Janeiro na primeira metade do século actual, possuindo conhe- 
cimentos variados sem, comtudo, ser graduado em faculdade alguma. 
Consta-me que deu-S9 ao commercio e que exerceu por algum tempo 
o logar de thesoureiro do almoxarifado da casa imperial ou cousa se- 
melhante. Escreveu: 

— Elementos de geographia astronómica, politica e physica. Rio 
de Janeiro, 1830, 65 pags. ÍQ-8° e um mappa. 

— Satyras de Horácio: traducção. Rio de Janeiro, 1834, 112 pags. 
in-8® — Nunca vi taes obras e penso que esta traducção é em prosa. 

M!a/Xiuel IldefV>iiRo de Sou asa X^lmo; — Filho de 
Luiz Correia Lima, foi nascido no Piauhy a 3 de outubro de 1832 e 
faileeeu na cidade do Santo Amaro, na Bahia, a 19 de janeiro de 1897. 
Sendo bacharel pela faculdade do Recife, seguiu a carreira da magis- 
tratura e como juiz de direito, escreveu: 

— Refutação ao Manifesto dodr. Gabriel Luiz Pereira, ex-gover- 
nador do Piauby, pelo juiz de direito, etc. Rio de Janeiro ( ? ), 1892. 

Mianoel <Jn.ciiit}).o IVo^ueira» da. Oama, Marquez 
de Baependy — Filho de Nic )Liu António Nogueira e dona Anna Joa- 
quina de Almeida Gama, nasceu em S. João d'Iíl-Rei, provincia de 
Minas Geraes, a 8 de sotombro do 1765 e fallocou no Rio de Janeiro a 
15 de fevereiro de 1847, sendo bacharel em mathematicas pela uni- 
versidade de Coimbra ; marechal de campo reformado ; do consellio 



104 ysA. 

do Imperador e fllalfço travai loiro do sua imporial casa; conse- 
llieiro do cstvdo ; sanador do Império ; grã-cruz da orilom da 
Rosn, digaatario da do Cruzeiro e commendador da de S. Beato 
de Aviz. Depois de concluído o curso d 3 mathematicas, sendo pre« 
miado om todos os exames e lutindo co:n penosas diíTlouldades, 
cursoa osdous primeiros annos da facuMade de raedicin), não conti- 
nuando por ger nom^^ado em novembro de 1791 lente substituto 
do mathomaticis da real academia de marinha do Lisboa, onde 
leccionou ató 1801. Promovido a P tonenle de marinha em 1793, 
cinco annos depois era capitão de fragata, sendo transferido para o 
orpo de en^fenheiros em 1803. Foi deput-^do à constituinte brasileira 
pelo Rio de Janeiro, depois senador por sua província ' occupando 
no senado a cadeira da presidência cm 1838. Fez parte do gabinete de 
17 de junho de 1823, occupando a pasta da fazenda, e retírando-se 
em novembro por ciusa da dissolução da assem bléa, occu{)oii a 
mesma pasta no do 21 de jan^ro de 1826 e ainda no de janairo de 
1826 a janeiro de 1827, e ainla no gabinete de 5 de abril de 1831 qui 
retirou-se com a abdicação do primeiro luiperador, a quem foi muito 
dedicado. At^ essa época exerceu varins commissões e cargos impor- 
tantes, como 80 pòle ver no Anno biographico do dr. J. M. de Ma- 
cedo, e na Biographia escripta pelo dr. Justiniano J. da llocha em 
1851. Escreveu: 

— Memoria sobre o loureiro cio«imomo, vulgo canelleira de Ceylâo, 
Lisboa, 1797, 3S paqs. in-8^ com uma est. 

— Theoria das funcções analyticas que contém os principies do 
calculo diíl^rencial por Mr. LaGrange. Traduzi-lo. Lisboa, 1798, in-4*. 

— Reflexões sobre a metapbysica do calculo infiuitesimal, por 
Carnot, traduzidas do francez. Lisboa, .1798, in-4« com uma est. 

— Ensnio sobro a tliooria das correntes o rios, que contêm os 
meios mais simples do obstar aos seus estragos, de estreitai; o seu leito 
e fa''ilitar a sua navegação, etc, pir Favre ; seguido das indagações da 
mais vaijtijosa constnicção dos diques por Mrs. Bossuet e Vialet, e 
terminado p-}lo tratado pratico da meilida das aguas correntes e uso 
da taboa parabólica do P. Regi. Lis')oa, 1800, in-4'* com 16 ests. 

— Memoria sobre a abáoluta necessidade quo ha do nitroiras na- 
cionaes para a independência e defesa dos estados, com a descripção 
da origem, estado e vantagem da real nitreira artificial de Braço de 
Prata. Lisboa, 1803,73 pags. in-4«. 

— Cultura da granza ou ruiva dos tintureiros, por ordem de Sua 
Alteza Real, o Príncipe regente, nosso senhor, oxtrahida dos melhores 
escriptos que se tem publicado. Lisboa, 1803, 44 pags. iu-S". 



J 



31 A. 105 

— Be/l<:xões sobie a neoessidaJe e meios de se fazer a divida pu- 
blica, por um cidadão constitucional, (lio de Janeiro, 1822, 28pags. 

— Coniinuição das meditações do cidadão constituciopai a bem de 
saa pátria, servindo dead litameato as Reflexões publicadas sobre a ne- 
oassidado e meios de se pagar a divida publica. Rio de Janeiro, 1822, 
22pags. in-4<>. 

^Eouposição sobre o estado da fazenda publica. Rio de Janeiro* 
1823, 1 folh. peq. 82 pags. in-fol. 

— Rehtorio dos trabalhos do conselho da sociedade Defensora da 
ladependencia Nacional da villa de Valença, desde sua installação 
publica no dia 17 de novembro do 1831, até o dia 15 de agosto corrente 
de 1832. Rio do Janeiro, 1832, 22 pags. in-8*. Nogueira da Gama foi 
um dos assignatarios do 

— Projecto de constituição para o Império do Brasil ; organisado 
no conselho de ostido sobre as bases apresentadas por S. M. I. o Sr. 
D. Pedro I. Rio de Janeiro, 1823, 46 pags. in-S»* — Houve varias edi- 
ções. 

Ma.iioel «foiciíitlio Pltilieiro — Nascido no estado do 
Rio de Janeiro a 30 de outubro de 1853, com praça de aspirante a guarda- 
marinha e'n 1871, fez o curso da escola naval e é capitão de fragata da 
armada. Escreveu : 

— Narratiois brisileiras. Rio de Janeiro, 1884, Jn-8*' — Foi publi- 
cado 05te trabalho sob o pseudonymo de Galpa. 

Manoel •Jn.olntlío do Sampnio e 31eIlo — Na« 

tural da Bahia e nascido em 1774, bacharel em direito pela univer- 
sidade de Coimbra, demorou-sa depois de sua formatura por alguns 
annos em Poitugil e foi professor régio de philosophln na cidade de 
Lamego. De volta â pátria, dedicou-se á lavoura, sendo proprietário 
de engenho no termo da villa, hoje cidade da Cachoeira. Escreveu : 

— Xovo methoio de fazer o assucar ou reforma geral e económica 
dos engenhos do Brasil, em utilidade particular e publica. Bahia, 1816, 
104 pags. in-4« com seis ests. 

Manoel «Taieome Ilezei*]:"ii« do Meneases — Na- 
tural dí Pernambuco vivia no primeiro trimestre do século actual . 
Era presliytero do habito de S. Pedro e publicou : 

— A gratidão pernambucana ao seu bemfeitor, o Exm. e Revm. 
Sr. D. Josó Joaquim da Cunha de Azevedo Coutinho, bispo do Elvas 



106 MíIl 

em outro tompo de Pernambnco. etc. O. C. D. os sócios da Academia 
pernambucana e os alumnos <\o semanário olindcnse. Lisboa, 215 pa^fs. 
m-4« — Contôm o livro poesias em portuiru^^z eom latim e escriptos em 
prosa de varias pessoas, em cujo numero entra o autor da publicação. 

Manoel Januário Rezer-ra Montenegr^o — 

Pilho do capitão Manoel Januário Bezerra e natural da cidade de Ma- 
ceió, capital de Alagoas, é bacharel em direito pela faculdade do Re- 
cife, tendo foilo pirte do curso na de S. Paulo. Seguiu a carreira da 
magistratura o escreveu : 

— Exposição que o estudante Manoel Januário Bezerra Monte- 
negro faz sobre seu acto do 3° anno, prestado na faculda ie do direito 
da imperial cidade de S. Paulo. Maceió, 1859. 

— Lições académicas sobre artigos do Código criminal, dedicadas 
em tributo de alta consideração e particular affecto, ao III™-», e Ex«». 
Sr. Conselheiro João José Ferreira de Aguiar. Recife, 1860, 400 pjgs. 
in-S** — E' uma compilação das lições do professor da faculdade de 
S. Paulo, conselheiro Manoel Dias de Tole lo, ( voja-s 3 esto nome ) como 
confessa o compilador no frontis[»icio da segunda edição que deu no Rio 
de Janeiro, 1878, 692 pags. in-8^ com o accrescimo de algumas dispo- 
sições legislativas e decisões do governo. 

— Refutação da pastoral do Bi^po de Pernambuco sobre a exoom- 
munhão imposta aos maçons. Recife, 1873, 80 pags. in-8«. 

— Crime de injurias. Estudo analy tico, theorico, comparativo e pra- 
tico dos arts. 230 e 239 do Código criminal. Recife, 1875, in-8\ 

MAUoel •Teronimo Ferrei rn — Natural da Bahia, 
abi nasceu em 1808 e falleceu a 20 de novembro de 1887. Irmão da ce- 
lebre dona Anna Nery, a mãd dos hrazileiros na guerra do Paraguay 
e do coronel Joaquim Maurício Ferreira, commandante de um bata- 
lhão patriótico na mesma guerra, milittm nesta campanha, com- 
mandaudo um batalhão, também de patriotas voluntários; militou» 
na sua mocidade, na campanha da Independência da Babia; foi presi- 
dente da sociedade dos veteranos dpssa campanha, e escreveu: 

— Discurso proferido no salão da Praça doCommercio no dia 23 de 
novembro de 1874, por occasião da inauguração do monumento comme- 
morativo dos triumphos das armas l)rasi leiras na campanha do Para- 
guay pelo tenonte-corouel, etc. Bahia, 1875, 11 pags. in-8'», 

Manoel Jesnino Ferreirn — Filho de João (3onsalves 
Ferreira e dona Francisca Barbosa Ferreira, nasceu na cidade da 



MA 107 

Bahia a 3 de janeiro de 1833 e falleoeu no Rio de Janeiro, a 4 de ou- 
tubro de 1884. Formado em sciencias sociaes e jaridicas pela faculdade 
do Recife em 1854, serviu em sua província os cargos de promotor 
publico e delegado de policia nos três annos d'ahi decorri-ii^s, daudo-se 
alôm disso ao jornalismo. Transferindo sua resiJencia para a corte, foi 
nomeado offlcial da secretaria da Justiça, de onde passou em 1861 para 
a do Império como chefe de secção interino dos negócios ecciesiasticos, 
passando depois a sub-director e mais tarde a director. Durante seu 
exercício na secretaria do Império foi á Bahia revestido do cargo de 
secretario do governo, e antes de fallecer foi á Europa em busca de 
allivio a soflfrimentos physieos, de que nunca se restabeleceu completa- 
mente. Era sócio do Instituto histórico e geographico brasileiro e 
escreveu: 

— Regimento de custas judiciarias, approvado pelo decreto n, 1569 
de 3 de março de 1855, augmentado com as decisões do governo. Rio 
de Janeiro, 1864, 120 pags. in-8\ 

— Promptuario eleitoral: compilação alphabetica e chronologica 
das leis, decretos e avisos sobre matéria de eleições, comprehendendo 
as disposições desole a constituição ílo Império até o presente. Rio de 
Janeiro, 1866, VII-520 pags. in-8° — Houve segunda edição em 1870. 

— A Provinda da Bahia: apontamentos. Publicação offlcial. Rio 
de Janeiro, 1875, 136 pags. in-4° — Este trabalho figurou na exposição 
de Philadelphia, e deu a seu autor ingresso no Instituto histórico. 

— Templo de Guido^ de Mon tosquiou, traduzido em verso por- 
tuguez. Bahia, 1873, 45 pags in-8° com uma estampa. 

— Construcçâo de docas e outros melhoramentos no porto da Bahia, 
Rio de Janeiro, 1871, 109 pags. in-4o _£» escripto com seu irmão 
Francisco Ignacio Ferreira. 

— Conferencias Uuerarias. Discurso proferido na reunião de 12 
de abril de 1874. Primeira conferencia. Rio de Janeiro, 1874, 14 pags. 
in-4^ 

— Questão anglo-brasileira: drama — nunca o vi. 

— Antes quebrar que torcer: drama orig-inal brasileiro em três 
actos. Rio de Janeiro, 1863, 132 pags in-4\ 

— O bispo martyr: poesia — no livro « Festa litteraria » por o^ca- 
sião de fundar-se no Rio do Janeiro a Associação dos homens de lettras 
do Brasil. Rio de Janeiro, 1883, pags. 57 a 70. 

— A divirta c^rneiia: pooma de Dante, traduzido em verso por- 
tuguez — Inédita. Vi vários trechos desta traducção cm verso heiide- 
casyllabo solto, de muita belleza e naturalidade. O autor deixou ainda 
trabalhos inéditos, de que mostrou-me um 



V 



1 



108 M .^ 

— Pouna oousagiwdo à momoria de sua flllia, !lna'ia na priaiaveta 
(la vida ; um volume de 

* Versos — que elle tencionava dar à estampa por occasião do 
anniversirio natalício do sua esposa, a quem são oíTerecidos — emuítoi 
apontamentos para o 

— /)tcctonario histórico e p:eographico da província da Bahia quQ 
elle tencionava escrever. Do suas poesias, entretanto, foram publi- 
cadas algumas, avulsas, e me consta que também o foram dons li- 
vrinhosde leitura para uso de seus filhos, os qoaes nSo pude ver. 
No jornalismo ha o 

— Diário di Bahia. Bahia, 1855-1857, in-fol.— Esta folha, fan- 
dadae redigida porM. Jcsuiao eseu cunhado o doutor Demétrio Cyriaco 
Tourinho, passou em 1858 a ser redigida pelo dr. José Joaquim L%ii- 
dalpho da Rocha Medrado ; em 1860 tornou ao citado doutor Demétrio ; 
em 1868 a uma socieda le anonyma do partido liberal, etc«— Manoel 
Jdsuino redigiu ainda o 

— Diirio official. Rio de Janeiro, 1866* 

Manoel do «Jesus Horf enolano Xavier — Na- 
tural de Minas Geraes, me parece, e talvez o mesmo padre Manoel 
Xavier de quem occupar-me-hei adiante, ahi vivia na época de nossa 
independência e depois. Kra poeta e escreveu: 

— A' plausível entrada de suas Magestades Imperiaes na leal cidade 
de Marianna no dia 20 de fevereiro de 1831 — E' uma composição em 
verso heróico, que vem na Revist i do Instituto Historic^^, tomo 59% parte 
1», pags. 365 ar 369, na «Viagem de D. Pedro I a Minas Geraes em 1830 
el83I». 

Manoel «Joaqfiiiin de A.l>i*eu— Nascido, segundo consta, 
no Brazil, foi militar e, tendo a patente de capitão, exercia o car^o de 
ajudante da praça de Macapá, na margem esquerda do rio Amazonas, 
hoje vilia da comarca de Santarém, no Pará — e escreveu: 

■^ Diário -roteiro da diligencia de que foi encarregado em 1791 pelo 
governador o capitão-genoral do Estado — Sahiu publicado na Revista 
do Instituto, tomo 11% pags. 366 a 400. 

— Diario-roteiro do arraial do Pesqueiro de Araguary até o rio 
Oyapok — I lem, tomo 12% pags. 96 a 105. E' o resultado de outra 
diligencia ordenha cm 1794. 

M!aiioel «loaquim. de A^lnieida Ooel lio •* Nascido 

na cidade do Dasterro, capital de Santa Cathaiina, na mesma cidade 



j 



r 
i 



L 



MA 109 

falleceu, tendo exercido os cargos de membro substituto do conselho 
director da instrucgão publica, de secretario da camará municipal e 
deputado à assembléa provincial. Era também major da guarda na- 
cional — e escreveu: 

— Memorias históricas da província de Santa Catharina. Santa Ca* 
tharina, 1856, 224 pags. in-40 — Teve segunda edição no mesmo logar 
em 1877. 

— Descripçâo succiata de algumas madeiras mais conhecidas no 
môrcado da cidade do Desterro. Santa Catharina, 1849, íq-12=* — E' 
oííerecidoa Clemente António Gonçalves, presidente da camará muni- 
cipal. 

•» Memoria histórica do extincto regimento de infantaria de linha 
da província de Santa Catharina. Desterro, 1853, iu-4^ — Foi também 
publicada no Auxiliador da Industria Nacional, vol. de 1851-1852, 
56 pags. in-á" com duas plantas: a da povoaçção de S. Francisco de 
Borja em 1816 e a da povoação de S. Carlos em 1818. 

— Diographia dos Srs. coronel Fernando da Gama Lobo Coelho e 
seu filho ©brigadeiro José da Gama Lobo d'Eça. Rio do Janeiro, 18"39, 
in-4». 

• 3Xa;iioel «Toaquim do A^inairal Oiii*g^el — Nascido 
a 8 de setembro de 1797 na cidade de S. Paulo, ahi falleceu a 15 de 
novembro de 1864, sendo presbytero secular, doutor cm direito, pro- 
fessor jubilado e director da faculdade dessa província, do conselho de 
sua magestade o Imperador, commeudador da ordem de Christo e sócio 
do Instituto histórico e geographico brasileiro. Ordenado em 1807 com 
dispensa da autoridade da igreja, por não ter completado a idade legal, foi 
em 1820 nomeado lente da cadeira de historia ecclesiastica, servindo ao 
mesmo tempo de substituto da do exegética, o no anno seguinte exami- 
nador gynodal do bispxdo. Foi um dos primeiros matriculados na fun- 
dação daquella faculdade, recebendo o grão do bacharel em 1832 e o de 
doutor no anno S':'guinte; mas antes de obter este grào foi nomeado a 
1 de fevereiro de 1833 lente substituto interino e apenas obtido, fez-ee 
effectiva a mesma nomeação a 7 de outubro, passando logo depois de 
três mezes, em janeiro de 1834, a lente cathedratico de direito natural 
o das gentes, que leccionou atô sua aposentadoria em 1858, tendo sor- 
vido o cargo de director, primeiramente por interinidade, depois elTe» 
etivamentede 1857 atô sua morte. Foi um dos paulistas que mais se 
distinguiram, promovendo a independência de sua pátria, creando assim 
«lesafleições, sendo por isso comprehendido om devassas. Foi deputado 
á terceira o á quinta legislaturas geraes, collaborando para o projecto 



r 



1 



110 1MLA. 

do código coramercial. Na fjuaiiia<le de \^ vice-presidente, administrou 
mais de uma vez sua província nutjil. Tarabera soffreu desgostos por 
acompanhar seu c<»nterraueo e amigo o padre Feijó na sustentação 
da abolição do celibato clerical, e^quivando-se, por Ciiusa disso, por 
muito tompo das funcções ecclesiastic is. Fui tão grande na tribnua sa- 
grada cleric il como na profana — e escreveu: 

— Analyse da resposta do Exm. Arcebispo da Bahia sobre a questão 
da dispensa do celibato clerical peilida pelo conselho geral de S. Paulo. 
Rio de Janeiro, 1834, 41 pags. in-8". Essa obra foi contestada pelo có- 
nego Luiz Gonçalves dos Santos (voj.i-se este autor) com o seu «Exame 
orthodoxo que convence de má fô, do erro e de scisma a Analyse da 
Resposta do Exm. e Rvm. Sr. arcebispo da Bahia. Uio de Janeiro, 
183Õ » e então publicou o doutor Amaral Gurgel as 

— Reflexões sobre a Analyse da refutação do Exm. Sr. Arcebispo 
da Bahia, feita a respeito da questão da dispensa do celibato.... pe- 
dida pelo conselho geral de S. Paulo. Rio de Janeiro, 1837, 53 pags. 
in-8®/— Entendia o conselho que a assembléa geral e o próprio bispo 
de S. Paulo podiam abrogar a lei do celibato no caso de recusado 
papa. 

— Memoria apologética endereçada a Sua Magestade o Imperador. 
Rio de Janeiro, 1824, iu-fol.— Acha-se também no livro do conselheiro 
Olegário Herculano de Aquino e Castro ( veja-se este nome) «O conse- 
lheiro Manoel Joaquim do Amaral Gurgel: elogio histórico, Rio de 
Janeiro, 1871 », pags. 59 a 66. 

— Noticia hiographica do general José Arouche de Toledo Rendon, 
S. Paulo, 1843 — Foi publicada também na Revista do Instituto, 
tomo 5% pags. 522 a 256. 

— Cithecismo histórico da doutrina christã, do abbade Fleury, 
traducção. S. Paulo, 1840, 51 pags. in-y\ 

— Cathecismo de Bossuet: traducção offerecida para uso das es- 
colas primarias à Assembléa provincial de S. Paulo —Foi publicado 
a expensas da província. 

— Eliezer e Naphtaly: poema sentimental de Florian, traducção. 
Rio de Janeiro, 1833, 48 pags. in-8°. 

— Sonho, de Marco Aurélio: traducção — No jornal Academia^ 
S. Paulo, 1856. 

— Oração fúnebre ^ov Oícasião das exequiis feitas ao Revni. 
Sr. qadre Díduo António Feijó na ()^a\^ja ilo Convento do Carmo, em 
S. Paulo, a 15 do uovymbro de 184o. S. Paulo, 1843, 12 pags. ia -8° — 
Foi recitado pelo padre Pedro Gomes de Camargo, mas me alUrma 
pessoa competente que é do padre Amaral Gurgel. 



i 



M^ 111 

— Biographici do padre Guilherme Pompeu de Almeida — in- 
édita. Ha ainda vários sermões sous que auuca foram publicados e rela*- 
tórios de aljortura da Assembléa proviucial, como vice-presidente da 
provincia. Na imprensa redigiu: 

— O Observador. S. Paulo, 1840-1843, in-fol. 

Mo^noel «Ioaq.uim de 13ulliões Oias —Nasceu 
em Angra dos Reis, província do Rio de Janeiro, a 6 de fevereiro 
de 1828, e ahi falleceu a 19 de novembro de 1859, advogado provi- 
sionado pela relação da corte, teuente-coronel commandaute do 29<> ba- 
talhão da guarda nacional, e cavalleiro da ordem de Christo. Era muito 
appiicado às lettras, zeloso de seus deveres e activo. Escreveu: 

— A guardi nacional ou repertório explicativo e remissivo, por 
ordem alphabetica, da legislação actualmente em vigor, concernente À 
guarda nacional do império do Brasil, llio de Janeiro, 1859, 348 pags. 
in-8» — Este livro, além de tudo quanto se refere ao assumpto, 
contóm um appendice com 19 modelos de todas as actas, relações, listas, 
mappas, etc., conforme a lei eos regulamentos posteriores. Teve se- 
gunda edição, posthuma, em 1863, accrescentada por um oíficial da 
guaixla nacional. 

Manoel •foa^iu.im Oava;lea»xite de A.lt>u.- 
querque — Filho de Manoel Joaquim Cavalcante e nascido no 
actual estado do Ceará pelo anno de 1845, falleceu a 3 de abril de 
1892'na vilia de luhamuns do mesmo estado. Graduado bacharel em 
direito peia Êicnldade do Recife, exerceu cargos de magistratura e 
sendo juiz municipal e de orphãos, escreveu: 

^ O Bacharel Manoel Joaquim Cavalcante de Albuquerque, jUiz 
municipal e de orphãos do termo de S. Bernardo das Russas, á S. M. 
Imperial, á seus coUegas e ao publico. Fortaleza, 1870, 63 pags. in-8o 
— Trata o autor da perseguição politica, de que foi victima. 

Ma^noel «XoAq,uiii]. I^^e mandes Bari:*x*os — Filho 
de José Fernandes Ciiaves e dona Thereza de Jesus Barros Leite, 
nasceu na actual cidade do Penedo, provincia de Alagoas, a 17 
de março de 1802 e falleceu na Bahia, victima do traiçoeiro puahal de 
miserável sicário, a 2 de outubro de 1840, sendo doutor em acioncias 
pbj-sicas pela fiiculdade de Píiriz, doutor em medicina pela universi- 
dade l«» Sí.a-burgo, bacharel em lettras, bacharel em sciencias e licen- 
ciado pji i academia de Montpellier, sócio da sociedade Philomatica 
de Pariz, da sociedade Philotechnioa de Castelnaudary, da sociedade 



[ 



112 MA 

das scieivolas, agricultura d artos dos departamentoi do Baixo-Rheuo, 
da sociedade de Historia natural de Moatpellier, da socielade Au- 
xiliadora da iadustria nacional e da sociedade de Instrucçxo elementar 
do Rio de Janoiro. Preiidiu a província do Sergipe como seu vice-preii- 
dente o representou saa província natal n\ terceira legi^iatura geral. 
Em Montpellier conquistou a amizalo do sábio Barruel, director 
dos trabalhos chimlccs da universidade, que encarregou-o das mais 
difflceia operações physicas e chimlcas, que elle desempenhou com pasmo 
^eral. Trabalhou no laboratório de Gay-Lussac com applaaso dos 
mais entendidos e já yantajosamente conhecido, foi escolhido para 
membro da commissão de lentes, organisada de ordem (!o governo 
francez, para analysar as minas da Alta-Gasconha e as do Palatioado, 
gendo depois elogiado pelo mesmo governo. No tratado de chimíca do 
professor Orflia se acha seu nome citado como autoridade na matéria, 
como foi também citado por outros sábios. Percorreu os principies 
paizes da Europa e escreveu varias memorias sobre vários raraes da 
historia natural e outros trabalhos, pola maior parte ainda inéditos, de 
que sinto não dar completa noticia. Além dos dons inéditos seguintes 
escreveu: 

— Conrs oinplet de physique ^ Promplo para entrar no prelo, foi 
guardado para ser arapliaio com notas relativas ao Bjrasii, e effecti- 
vãmente escreveu o autor depois: 

— Supplement à premiôre partia de mon Cours de physiqtte, 
In-fol. 

— De Vixnolyse comparative des os de di verses classes â'animaux: 
these prcsontée et publiquement sou ténue à la facuUé dessc^eacesá 
Paris ( Universilé cie France ), lo 5 fevrier 1827, et precedée d 'une es- 
quLSâo de rhi^toire de la chímie et do quelquos considera tions sur 
rulilité de celte scíence en general et pour le Brésil en parliculier. 
Paris, 1827, iii-4». 

— Dissertation sor la meteorologio : these presentéo et publique- 
ment soutenue, etc. le 12 fevrier 1827. Paris, 1827, iu-4''. 

— De Vaction de Vair sur Thomme: dissertation preseníée et 
soutenue à la Faculto de medécine de Strasburg le jeudi 28 aoút 1825 
à midi pour obtfnir lo gmde de docteur en medécine. Slrasbour^,. 1828, 
in-4''. *. • 

— Estatutos da sociedade de Instruoçao elementar. Rio de Janeiro, 
1831. 

— Falia cora que abriu a 2* sossão ordinária da legistatura prc-* 
viocial do Sergipe, como vici3*pr(skleirte da provinca. S. Chriátovão, 
1836. 



MA 113 

— Memoria sobre a mina de carvão de pedra de Gamaragibo, nas 
Alagoas. Alagoas, 1840 — Na exposição de historia pátria de 1881 foram 
apresentados p3lo dr. Martinho de Freitas os seguintes inéditos do 
dr. Barros : 

— • Discurso sobre a utilidade da chimica, sua influencia sobre a 
clTilisaçfto, etc. 

•* Meinoria sobre a extracção da platina, de que occupou-se na 
Europa. 

— Aponta^Ybentos de lições de physica em Montpellier e na Sor- 
bona, comprehendendo 41 liçõas. 

^ Lições de álgebra. 

^ Sciencias em geral, arvore de todos os eonliecimentos humanos 
^ E* um plano de trabalho. 

— Tramux chimiques que j'aurai h faire lorsque j'aui*ai temps. 

— Trabalhos diversos de c"himica e physica a fòzer no Brazil. 

-^ Chimica applicada ao commerclo. Experiências a fazer — As 
ires ultimas indicações sSo apenas de notas que aqui dou para de- 
monstrar quanto se applicava o autor às sciencias naturaes. 

Ma^noel Joaquim I^emai].de0 Seiras — Filho de 
José Fernandes Eiras e natural da cidade do Recife, capital da pro- 
Yiocia de Pernambuco, onde nasceu a 14 de abril de 1828, falleceu no 
Rio de Janeiro a 29 de julho de 1889. Doutor em medicina pela fa- 
culdade desta cidade, aqui estabeleceu-se, fundando uma casa de saúde 
que dirigiu por espaço de quasi trinta annos. Dedioou-se ultimamente 
com a maior applicação ao estudo das moléstias meutaes e exerceu 
cargos de eleição popular, como o de vereador da camará municipal. 
Escreveu: 

— Da medicina legil relativamente á gravidez e ao parto ; Da cir- 
culaç&o do sangue no homem ; O darthro roedor será de uma natureza 
sui generis ou será uma degeneração syphilitica careinomatosa ? these 
apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1850, 49 pags. in«4° gr. 

— Melhoramento do actual matadouro, projecto do actual mata- 
douro. Rio de Janeiro, 1872, in-8<>. 

— í/ma wíi^^ôm a Poços de Caldas: reflexões e notas. Rio de Ja- 
neiro, 1884, 58 pags. in-8\ 

li;! anoel Joa<iuiiii Henriques cie r^aiva — Nas- 
cido em Castello Branco, Portugal, a 23 de dezembro de 1752, falleceu 
oa Bahia a 10 de março de 1829 no goso dos direitos de cidadão brasi- 
leiro pela constituição do império, sendo professor de matéria medica e 

Vol. VI - 8 



114 



MA 



t» 



pbarmacia da academia medicocirurgi^ dosta proviacia. Bra doutor 
em medicina pela uuLversidade de Coimbra, medico da real camará, 
80CÍ0 da Academia das sociencías de Stoctcolmo» da Academia de medi- 
ciua de Madrid, da sociedade Económica de Harlem e de outras, teado-o. 
sido tombem da Academia real das scieacias de Lisboa, da qaal re- 
tirou-se em 1787 por desgostos que o feriram nessa corporação. Sarria 
os cargos de lente da faculdade de philosophia naquella u Diversidade, 
leccionando depois na cadeira de pbarmacia em Lisboa ; de deputado da 
janta do proto-medicato ; de censor régio da mesA do desembargo do 
paço e de medico da real camará, quando, por parecer aífeiçoado ao 
governo francez por ocoasião da invasão de sua p \tria pelas forças do 
general Junot, foi preso, exautorado de toios os cargos o respe- 
ctivas bonras por sentença de 24 de março de 1809 e condemnadoa de- 
gredo no ultramar. Por decreto, porém, de 6 de fevereiro de 1818 foi 
reintegrado nas honras de que o destituirá a dita sentença e em 18*20 
removido para o collegio medico-cirurgico da Bahia, onde tinha esta- 
belecido sua residência. Foi um dos mais illustrados médicos de sua 
época. Escreveu: 

— * Dissertatio medica de actione vesicantium in corpus vivum ia 
apborismcs digesta, etc. Appeudix de usu vesioaloram, Madrid, 1776, 
in.8\ 

— Directório para saber o modo e o tempo de administrar o alka- 
lino volátil fluido nas asphyxias ou mortes apparentes, nos afogados, 
nas apoplexias, nas mordeduras deviboras, de lacraus e outros insectos, 
etc. Lisboa, 1782, in-8*. 

— • Elementos de chimica e pharmacia relativamente á medicina, 
às artes e ao commercio. Lisboa, 1786, ia-S*" — Diz-se que esta obra 
íoi originalmente escripta em latim e depois traduzida em portuguez 
por outra pessoa. Não me parece crivei a segunda parte. 

— Pharmacopéa lisbonense ou collecção dos simplices, preparações 
e composições mais efflcazes e de maior uso. Lisboa, 1785, in-8^ — Se^ 
gunda edição mais augmentada e corrigida. Lisboa, 1802, in-8<*. 

— Methodo novo e fácil de applicar o mercúrio nas enfermidades 
venéreas com uma hypothese nova da acção do mesmo mercúrio nas 
vias salivares pelo dr. José Jacob Plenck, traduzido do latim em por- 
tuguez. Lisboa, 1785, in-8°. 

— Instituições de cirurgia tbeorica e pratica que comprehendem 
aphysiologiae a pathologia geral e particular, oxtrahidas do Compendio 
das instituições de cirurgia e de outras obras do dr. José Jacob Pienok, e 
notavelmente accrescentadas. Lisboa, 178õ, 2 tomos iu-8^ — Segunda 
edição, Lisboa, 1804, 2 tomos de 362 e 324 pags. iu-8°. 



lia 



t«.H^M?T'T ^"^ «•/'«•««■''««fc* ^«nereas do dr. José Jacob Plenck 

^TJV:^ZT''"^ "'""^^^ ^ accrescentarefn; 
venéreas T^^^ ' Prmc.paes methodos de curar as doenças 

^n^ze joglez. L.sboa. 1786. in-s- - Seganda ediçJo; 1805. XXIV. 



AWw «o povo sobre as asphyxias ou mortes apparentes e sobro os 
^:ZTL rr ""^ "'"'"''"• "^ ™^^^ -cem-nascidtr 

CêLS^td/st^erir « P<"- 

Lisboa. 1786, iaS. °''""'"«^' ?«««»• «'«««a-', canos, prisSes. etc. 

i^nnru.^ííro.T;^':';^ fo^ "'™"" •"""" ^°"^°™« ° '»«»''<^'> "« 

Lisb^.?7S;Tn.fT'^" '"''''' '°°''°™'° '"^*"*«^'^ ''"' ««'PO»- 
LisJ, fi^MnS""''" '""^^^^ ^°"'''-- -"-''o de -. Brls^n. 

Li.bí.ííStx;;^'"''^^*''"''^"^-'»^ "-«'«^o do soopoii. 

iUW.n^t-lK"''"'" peixes conforme o methodo de Gouan. 

com 7«nln '" "" '^''.'' "*" ''^"'**' *" symptomas das pessoas envenenadas 

Ttc IZZ TT'""' """^ '^"*^'^' ~'""^<'' ^•^^'^«'e' -bre. chumbo. 
»«:• e dos meios de as soccorrer, Lisboa, 1787, in-8«. 

-. A«í,o ao pow. ou summario do3 preceitos mais importantes, con- 
«n««tosacnaçaoda8 crianças, de dlfferentes proflssOes e offlcios. 
a« alimentos e bebidas, ao ar, ao exercício, ao somno, aos vestidos, à 

882*TT * "'"^'^' '"' *^°'*^"'' ^ P***^' et»- Lisboa. 1787. 



1 



116 MA 



— Amo ao |)ooo acerca do sua saade por mr. Tissot, tradazido 
em portugueze accrescentado com notas, illustraçOes e um tratado daa 
enfermidades mais frequentes de que n&o tratou mr. Tissot na referida 
obra. Lisboa, 1786, 3 tomos ia-8«— Segunda edição, 1796 ; teroeirt, 
1816, todas de Lisboa, in-S^, O tomo 3^ ò original. 

— Memoria chimico-^agronomtca sobre quaes s&o os meios mais 
convenientes de supprir a falta de estrumes nos legares onde ó difflcil 
hayel«os, etc.^ Acha-se nas Memorias de agricultura» premiadas pela 
Academia real das sciencias de Lisboa em 1787, tomo 1*. 

. MedicinjL dotnestica ou tratado de prevenir e ourar as eofarml- 
dades com o regimento e medicamentos simples, escripto em inglês 
pele dr. Guilherme Buchan, traduzido em portuguez com varias notas 
e observações concernentes ao clima de Portugal e do Brasil, como 
receituário correspondente e um appendice sobre os hospitaes navaes, 
etc. Lisboa, 1788, 4 tomos in-8° — Houve mais três edições até 1841, 
todas em 4 tomos. 

— Observações praticas sobre a tisica pulmonar, escriptas em inglei 
pelo dr. Samuel FoariSimmons, traduzidas em latim pelo dr. Van- 
Zandiche, e em portuguez accrescentâdas com notas e observações, etc. 
Lisboa, 1789, in-8\ 

— Methodo de restituir a vida às pessoas apparentemente mortas 
por afogamento ou suíTocação, recommendado pela sociedade hutna* 
nitaria de Londres, e descripção e ílgura do respirador de Mudge com 
a maneira de usar delle, etc. Lisboa, 1790, in-8<* — £* uma traduccio. 

— Memorias de historia natural, de chi mica, agricultura, artes e 
medicina, lidas na Academia real das sciencias. Tomo P. Lisboa, 1790, 
366 pags. in-4° com o retrato o relação das obras do autor no fim. 
Contôm o livro dezeseis memorias. Não consta que se publicasse outro 
tomo. 

— Methodo seguro e fácil de curar o gallico por J. J« Gardone, 
traduzido em vulgar para servir de supplementoao Avisoao povo» 
do dr. Tissot e À Doutrina das enfermidauies venéreas, do dr. Plenck. 
Lisboa, 1791, 79 pags. in-8". 

— Curso de medicina theorica e pratica, destinado para os ci- 
rurgiões que andam embarcados ou que não estudaram nas universi- 
dades. Lisboa, 1792, in-S*^ ^ E' o tomo \^ e único publicado, contendo 
um tratado de physiologia, 

— Exposição dos mcio^ chimicos de purificar o ar das embarcações, 
isto é» de destruir as partículas malignas que resistem aos meios me* 
caniços e de oonliecer a existência das partículas malignas na atmo- 
sphera, Lisboa» 1798, in-8\ 



í 



i 

i 



J^A. 117 

'— Chapê da pratica medico-browniana oa conhdcímonto do estado 
egthenicoe asthenico predominante nas enfôrmidades, polo dr. Weikard, 
Ifasladado em italiano pelo dr. Luís Frank, em, hespanhol com um 
oompendiodo tlieoria browniaua pelo dr. d. Vicente MitjavilU e Fi- 
Eonel, e em linguagem com algumas notas. Lisboa, 1800 a 1807, 4 
tomos in-S"» 

— Divisão da* enfermidades, feita segundo os princípios do systema 
de Brown, ou nosologia browniana pelo dr. V. L. Brera, trasladada 
em hespanhol oom um discurso preliminar sobre a nosologia, pelo 
dr. V. Mitjavillae Físonel, e em portuguez com algumas notas, etc. 
Lisboa, 1800, iCi-8». 

^ Memoria em que se prova que as feridas de pelouro ou de armas 
de fogo são por si innocentes e simples a sua cura ; por d. Paulo An- 
tooio Ibarrola; tirada do castelhano em linguagem e augmoutada ooni 
algumas notas, etc. Lisboa, 1800, in-8<^« 

— Novo, fácil 6 simples meihodo de curar as feridas de pelouro, etc. 
Lisboa, 1801, in-8o. 

-* Philosophia chimica ou verdades ftmdamentaes da chimica mo- 
derna, dispostas em ordem por A. F. Fourcroy, tiradas do íranoez em 
linguagem e accrescontadas de notss e de axiomas apanhador dos úl- 
timos descobrimentos. Lisboa, 1801 — Segunda edição, Rio de Janeiro, 
1616, 238 pags. in-4\ Creio que é esta edição que InQOceDoio dá, por 
equivoco, como feita em Lisboa em 1816, bem que haja alguma modi- 
âeação no titulo. 

<— Preservativo dxs bexigas e de seus terríveis estragos ou historia 
da origem e descobrimento da vaccina e de seus eífeitos ou symptomas 
edo meihodo do fazer a vaccinação, etc. Lisboa, 1801, ia-8<^ com 
estampas ~ Segunda edição, Lisboa, I80Ô, 44 pags. com estampas. 

— Tratado histórico e pratico das chagas, precedido de um ensaio 
sobre a direocfio e oura cirúrgica da indammação, suppuração e gangrena, 
por Benjamin Bell, traduzido da quarta edição ingleza e augmentado 
com muitas notas e illustraçOes. Lisboa, 1802. 

— Compendio das enfermidades venéreas, pelo dr. J. F» Frilz, 
traduzido e accreicentado com notas, etc. Lisboa, 1802. 

— Noticií dos mappas synopticos de chimica para servirem de re- 
sumo &8 limões dadas sobre esta sciencia nas esoolasde Pariz, por A, F* 
Fourcroy, vertiias em linguagem e [accrescontadas, etc. Lisboa, 
1802. 

-« Reflexões ^obre a communicação das enfermidades contagiosas 
por mar e sobre as quarentenas que se fazem em alguns paizes. 
Lisboa, 1803, in-8«. 



118 Mik 

-~ Bosquejo sobre a physiolngia ou flciencia dos phenomenos do corpo 
humano no estado de saúde. Lisboa, 1803, iu-S". 

— Pharmacopea nxval ou colleccão dos medicamentos simples e 
compostos que cumpre haver nas boticas dos navios, ctc. Lisboa, 1807, 
in-8». 

^ Ensaio sobre a nova douti*ina de Brown em forma de carta por 
M. Rizo, de Constantinopla, vertido em linguagem. Lisboa, 1807, 
in-8«. 

— - Fundamentos botânicos de Carlos Linneu, que expõem em forma 
de apborismof a theoria da sciencia botânica, vertidos do 'latim em 
portuguez, illustrados e augmentados. Lisboa, 1807. 

— Da febre e sua cara em geral ou novo e seguro metbodo de 
curar facilmente per meio dos aoldos mineraes todas as espécies de 
febres, pelo dr. Reich, triíduzido do allem&o em francez pelo dr. Marc 
e do francez para o portuguez com annotações' etc. Bahia, 1814, 190 
pigs. in-8*. 

— Memoria sobre a encephalocelle. Babia, 1815, in-8<». 

— Memoria sobre a excellencia, virtudes e uso medicinal da ver- 
dadeira agua de Inglaterra da invençfKo do dr. J. de Castro Soares, 
actualmente preparada por José Joaquim de Castro. Bahia, 1814, in-S^ 
—Segunda edição, Lisboa, 1816, 59 pags. 

— Prospecto de um systema de medicina simplicíssimo ou illos- 
trac&o e conflrmaçfto da nova doutrina medica de Brown, pelo dr. 
Weikard, traduzido do allemão em italiano pelo dr. J. Frank. Te- 
ceira impressão oom os accrescimos da segunda allem& e com as novas 
annotaçOes do dr. Frank, tirada na linguagem desta nova impressdLo 
e ampliada com outras annotações, por, etc. Bahia, 1816, 3 vols. in-8^. 

— Mantial de medicina e cirurgia pratica, funiado sobre o sys- 
tema de Brown, pelo dr. Weikard, traducçSo livre da 2^ edi^^o 
allemS em italiano pelo dr. Brera e tiraia em linguagem com an* 
notaçOes. Lisboa, 1818, 4 tomos in-8<». 

'^ Liccionario de botânica. Bahia, 1819. 

— Os uUimos momentosas Maria Thereza, imperatriz de Allemanha, 
traduzidos do francez. Lisboa, 1785, in-8<» —Ha provavelmente outros 
escriptos de que não tenbo noticia ; ha [vários de penna alheia, publi« 
cados com annotações, ou accresoimos pelo dr. Henrique de Paiva 
e escriptos de sua penna ine iitos, como 

— Extracto e traducçõ3s de medicina, chimica e pharmacia. 

— Catalogo das plantas medicinaes brasileiras com breves des- 
cripçOes das mesmas e seus usos médicos. 

— Alguns rudimentos de um dispensatório brasileiro. 



r 






i 



M.-V 1 19 

— Extrdcíos de diversos autores, de uma historia natural brasi- 
leira — Eâtes escriptos foram offerecidos ao Instituto histórico pelo 
dr. Emílio Maia, e pelo Instituto offerecidos à sociedade pharroa- 
ceutica a 6 de marQO de 185Ô. O dr. Henrique de Paiva era ílnaN 
mente o principal redactor do 

— Jornal Encyclopedico — pelo anuo de 1788 e seguintes. 

BlAnoel «Joaquim Mael&a/do — Nascido em Minas 
Geraes a 2 de dezembro de 1863, ahl começou o curso do seminário 
episcopal com o âm de seguir o estado ecclesiastico, mas depois voio 
para o Rio de Janeiro e matriculou-se na escola militar. Tem o curso de 
artilharia e ó capitão de cavallaria, tendo sido um dos implicados 
nos movimentos de 1803. Foi governador do Santa Catharina e 
escreveu: 

— Manifesto ou exposição histórica do governo de Santa Catharina 
desde 1891 até 1894. Desterro, 1897 ; são noticias de factos anteriores 
e do tempo da revolta. 

BdCAiioei •Toa.quim da. IMCsLe dos Ilioiíieiis — Por- 
tugnez de nascimento, vivia no Rio de Janeiro e continuou, sem 
que se nusentasse do Brasil, por occasião da independência. Inuocencio da 
Silva» dando noticia dâ primeira das obras abaixo mencionadas, o suppõe 
brasileiro. Sendo religioso da ordem dos menores observantes da pro- 
vinda do Algarve, foi obrigado, em consequência da guerra da Penín- 
sula» a emigrar para a Inglaterra. Depois de passar ahl muitos 
trabalhos, veio para o Rio de Janeiro, e aqui, carecendo dos meios de 
subsistência e sabendo que na capitania do Ceará faltavam bons 
eoclesiasticos, resolveu ir a essa capitania, onde foi encarregado da 
missão de uma aldeia de Índios, miserável, paupérrima, que todos 
evitavam e que, sob sua administração, veio a florescer ao cabo de 
três annos e até a despertar a cobiça de quem procurou substituil-o com 
o fito de aprovei tar-se dos trabalhos dos indios. Então retirou-se para 
o Rio de Janeiro e escreveu: 

— Academia philosopMca das artes e das sciencias que ensina os 
prlooipios dos conhecimentos humanos ou as noções geraes de todas as 
artes, de todas as scienclase todos os oíHcios úteis ao bem commum da 
sociedade. Para fazer conhecer á mocidade o mundo que habitam, a 
terra que os sustenta, as artes que soccorrem as suas necessidades, os 
oílleios dos diversos estados que podem abraçar, em uma palavra, para 
ftizer o homem cidadão e bom vassallo, etc. etc. Rio de Janeiro, 1817, 
5 tomos de 387, 360, 350, 360 e 240 pags. in-8«. 



120 MA 

— O oampoiíeji da provinda da E:»tr6madarai servo do pae de fa- 
mília, chamando os convidados para a celebracilo das bodas do cordeiro 
e do sacrificio perpetuo no fim do mundo e no principio da eternidade. 
Rio de Janeiro, 1823, XXyi-481 pags. in-8^ 

— Ensaio politico, histórico e cbronologico para servir de intro- 
ducção ao Melhoramento dos estados do reino unido de Portugal, do 
Brasil e Algarves, ofTerecido ao maito alto, ao muito poderoso e 
soberano rei,osr. d. Jo&o VI. Anno de 1816^0 manuscripto de 
214 pags* iQ-fol. pertence ao In&tituto histórico; mas delle foram 
publicados na Revista, tomo 19°, pags. 477 a 508, extractos de 
immediato interesse à historia do Brasil. Esta obra não foi impressa 
por lhe ser negada a licença em 1816. 

Ma<noel «Joaq^uim. Muriroiros — Doutor em medicina, 
vivia no Rio de Janeiro do século 18*^ ao 19^ e é mencionado na parte da 
these do dr. F. J. de Canto e Mello Castro Mascarenhas < Ensaio de 
bibiiographia medica do Rio de Janeiro, anterior & fundação da escola 
de Medicina » como brasileiro. Escreveu: 

— Programtna que em 1798 a camará do Rio de Janeiro apresentou 
a vários médicos, relativo à salubridade da cidade. Resposta que ao 
mesmo programma deu, etc.— O dr. Canto e Mello refere-se a obras 
Impressas* mas nunca vi este traballio impresso. 

Manoel «Joaquim, de Menezes —Filho do primeiro 
tenente da armada António Rodrigo de Menezes e dona Violante Es« 
colastica de Menezes, nasceu no Rio de Janeiro a 8 de dezembro de 1789 a 
fálleceu a 5 de maio de 1872, sendo formado pela antiga escola medico- 
cirurgica.dessa cidade, tenente«ooronel cirurgião-môr reformadodo corpo 
de saúde do exercito, offlcial da ordem da Rosa, cavalleiro das de Christo, 
do Cruzeiro e de S. Bento de Aviz e condecorado com a medalha da 
divisão cooperadora da Boa Ordem. Ainda estudante, não havendo 
naquella escola lentes substitutoi e, portanto, examinadores, e man- 
dando o governo que fossem para este ílm escolhidos três alumuos de 
maior applicaçâo, foi elle nomeado examinador com seus collegas Do- 
mingos Ribeiro dos Guimarães Peixoto e Francisco Gomes da Silva. 
Serviu no exercito, começando por ajudaote de cirurgia do 2^ regimento 
de infintaria de linha em 1803 ; foi encarregado de enfermarias e hos« 
pitaoâ em Pernambuco em 1817 e 1824, e nas campanhas do Sul desta 
época em diante, e faz parte do club secreto em que se resolveram e 
prepararam-se medidas tendentes à independência do Brasil, ao qual 



MA. 121 

também pertencia o principo d. Pedro, depois primeiro imperador do 
Brasil. Escreveu: 

— Etboço histórico da maçonaria no Brasil, seguido do Manifesto 
do G. O. do Brasil a todos os GG.-. 00.'. LL.*. RR.", e MM.*, de 
todo mundo, por J. B. de Anlrada, etc. Rio de Janeiro, 1848, 20pag3* 
in-S». 

— Exposição histórica da maçonaria no Brasil, particular- 
mente na provincia do Rio de Janeiro, em relação com a indepen- 
dência e integridade do Império. Rio de Janeiro, 1857, 67 pags. 

Tl-8». 

— Meinoria acercados successos políticos occorridosem Pernambuco 
de 1817 a 1824 ~ Foi pelo autor entregue ao fallecido dr. Mello Moraes 
para fazer parte da cborograpbia bistorlca do Brasil. 

^Uêmorix sobre as campanhas do sul de 1824 a 1829 — Ficou 
incompleta e inédita. 

Manoel «Joaquim de Miranda Regro — Filho do 
capitão de milícias Josô Joaquim do Rego e dona Auna Joaquina de 
Hiranda, nasceu no Rio de Janeiro a 27 de agosto de 1811 e falleceu 
em Pariz a 2 de abril de 1853» sendo monsenhor da santa Basílica e ca* 
marista secreto do papa Gregório XVI, doutor em theologia peia uni- 
Tersidade de Sapiência, vigário coUado da freguezia de SanfAnna da 
oôrte, e cavalleiro da ordem de Christo. Começando seus estudos no 
seminário de S. José, foi concluil-os na congregação de S. Vicente de 
Paula em Caraça, á qual dliou-se, sendo ordenado pelo bispo de Ane- 
nmria* Foi reitor do seminário de Congonhas, em Minas Geraes, e 
lente de philosophia do seminário de Jacuecanga, em Angra dos Reis, 
por pouco tempo por secularisar->se logo. Além de sua 

— These para obleY o grau de doutor, a qual foi geralmente elo- 
giada pelos theologos de Roma e até pelo santo padre, que conoedeu-lhe 
as honras mencionadas, escreveu : 

— Lições elementares de lógica e metaphyslca, ofTerecidas a S. M. 
I. o Sr. D. Pedro II. Rio de Janeiro, 1839, 82 pags. in-4°. 

— Noticia histórica da vlda.de santa Presciliina, virgem martyr. 
Rio de Janeiro, 1846, in-12\ 

— A religião : periolico religioso e politico (na parte em que a 
politica e as instituições pátrias tiverem relação com a religião, com a 
moral e com o ehristianismo). Redactores: monsenhor Dr. Manoel 
Joaquim de Miranda Rego e o reverendo Dr* Patrício Moniz. Rio do 



122 ^íA. 

Janeiro, 1848-1850, 3 vols. in-4'' —Neste periódico se acham vários 
trabalhos seus, como: 

— Liscurs-i que fez nas eleições parochiaes de Sant*Anna no dia 6 
de agosto de 1850 — No tomo 2», n. 6. 

— As philosophias modernas — No tomo 3", ns. 4 e 5. 

Manoel •Toa.qLuim cio P^asei mento ^ilT-ai — Filho 
de Leonídio Félix da Silva e dona Barbara Carolina de Souza e Silva, ó 
natural do Rio de Janeiro e nasciio a 10 de fevereiro de 1837. Entrou 
muito meço para a secretaria de estado dos negócios da gaerra com o 
logar de amanuense e ahi serviu sempre, sendo actualmente chefe de 
secção e tenente-coronol honorário. E' um empregado distinctissimOi 
oíBcial da ordem da Rosa e cavalleiro da de Christo. Escreveu : 

— Synopses da legislação brasileira, cujo conhecimento interessa 
aos empregados do Ministério da Guerra, compilada da legislação im- 
pressa, do expediente dos diversos ministérios, df>s ordens do dia do 
exercito e das diffcrentes obras publicadas no Bi^asil e em Portugal 
até 1874. Rio de Janeiro, 1874-1875, 2 vols. de 665 e 566 pags. in-4« 
— Teve segunda edição, abrangendo datas até 1878. Rio de Janeiro, 
1879, três vols. de 472, 438 e 472 pags. in-4« — Esta publicação con- 
tinuou, sahindo o ô» volume relativamente a 189N1896. Rio de 
Janeiro. 1879. 

— Stjnopsê da legislação brasileira, etc, de 1879-1884. Rio de Ja- 
neiro, 1885, in-4« — Esta publicação continuou, sahindo o 6® volume re- 
lativamente a 1891-1S96. Rio de Janeiro, 1879. 

— Consultas do Conselho de Estado sobre negocio? relativos ao 
Ministério d;i Guerra, de 1842 a 1866. Rio de Janeiro, 1884, in-4» — 
Esta obra foi começada pelo Dr. Cândido Pereira Monteiro (veja^e 
este nome). 

— Consultas do Conselho de Estado sobre ' negócios relativos ao 
Ministério da Guerra, colligidas e annotadas, etc, e publicadas por ordem 
do governo. 1867-1872. Rio de Janeiro, 1885,583 pags. in-4«. 

— Consultas do Conselho de Estado sobre negócios relativos ao 
Ministério da Guerra, etc. 1873-1877-Rio de Janeiro, 1887, 539 pags. 
5n-4« 

— Consultas do Conselho de Estado sobre negocies relativos ao 
Minist^Brio da Guerra, etc. 1878-1886. Rio de Janeiro, 1887, 582 pagf , 
in-4<>. 

IMCaxioel «Toaciuini I^ardal — Falleceu, sendo offlcial u 
perior do corpo de engenheiros, pelo melado do presente século ou 



>I.V 123 

pouoo antes. Serviu muitos ânuos o cargo do engenheiro inspector da 
ftbrtca de pólvora e escreveu : 

^ Exposição sobre as duas fabricas de pólvora nacionaes : a que 
se extinguiu, ha pouco, na Lagoa de ílodrigo de Freitas o a que se está 
acabando abaixo da serra da E^trolla. Rio de Janeiro, 1833, in-4o-^ 
Antes levantou o 

— Esboço do projecto da nova fabrica de pólvora no terreno esco- 
lhido e examinado nas fazendas da Cordoaria e Mandioca, abaixo da 
serra da Estrella, attendendo a todas as particularidades com que se 
devem estabelecer semelhantes fabricas, 1829 — Ácha-se no Archivo 
militar. 

Manoel «Jodqalin Pinto Pctooa — Natural da Bahia, 
em cuja capitil falleceu a 27 de agosto de 18Ô4, sendo brigadeiro 
reformado do exercito, oflicial da ordem do Cruzeiro, cavalleiro das 
ordens da Rosa e de S. Bento de Avlz e condecorado com a medalha 
da campanha da independência, na Bahia ; foi em varias legislaturas 
deputado à assombléa geral e escreveu : 

— Correspondência official do quartel -mestre general, pelo tenente- 
ooronel Manoel Joaquim Pinto Pacca no acampamento de Pirajâ durante 
o ataque da cidale pelas tropas da legalidade nos memoráveis dias 13, 
14, 15 e 16 de março de 1838. Bahia, 1838, 28 pa.q^s. in-4'' — Refere-se 
aos últimos dias da revoluç&o de 7 de novembro, a Sabinada. 

— Exposição — que offereceâ consideração da assembléa geral. Rio 
de Janeiro, 1856, 14 pags. in-4\ 

^ Matto Grosso por Curitiba e Tibagy. Itinerário da viagem que 
fez ao Baixo Paraguay por ordem do Exm. Sr« Marquez de Caxias, etc., 
acompanhado das observações que lhe são concernentes — Na 
Revista do Instituto histórico, tomo 28, 1805, parte 1*, pags. 32 e 
seguintes. 

]Mía.noel «Joaq^uim Rilbeiro, 1» — Natural da Bahia, 
formado em direito pela universidalo de Coimbra, seguiu a carreira 
da magistratura até o cargo de ouvidor e foi o primeiro membro da 
janta a que o governador e capitão-general de Matto Grosso, Caetano 
Pinto de Miranda Montenegro, entregou o governo da mesma capitania 
a 15 de agosto de 1803. Escreveu: 

— Reflexões sobre os estabelecimentos littorarios das universidades 
cora applicação especial a!b novo império brasiliense. Londres, 1822, 
32 pags. in-4<> — Foi feita esta publicação sob o pseudonymo de Qeorge 
Dieckson. 



124 MA. 

Manoel «Joaquiiu. Ribeiro, 2^ — Nascido em Minas 
Geraes no século XVIII, e por isso mencionado por Warnhagem no seu 
Florilégio da poesia brasileira, ah! falleceu depois da independência. 
Era presbytero secalar, professor jubilado de pliilosophia na dita pro- 
vinda e cavai leiro da ordem de Ctiristo. Era orador sagrado e também 
poeta e escreveu: 

— O&raí poeíícat que debaixo dos auspicios do lUm. e Eim. Sr. 
Bernardo José do Lorena, Conde de Sarzedas, ex-governador da capi- 
tania de Minas Qeraes» manda ao publico, eto. Lisboa, 1805, 109 pags* 
in-8*>. 

— Obras postiças que debaixo dos auspicios da lllma. e Exma. Sra. 
D. Maria Magdalena Leite de Oliveira, maada ao publico, etc. Tomo 2% 
Lisboa, 1806, 141 pags. in-8«. 

— Oração que na igreja de N. S. do Carmo de Villa Rica aos 23 
de setembro do corrente anno de 18?2, presente o collegio eleitoral e 
numeroso concurso da nobreza e povo, recitou, etc. Rio de Janeiro, 
1822, 10 pags. in-4*. 

— Oração que no solemne applauso consagrado pelo senado de 
Villa Rica & aoclamação de Sua Magestade Imperial e Constitucional o 
Sr. D. Pedro de Alcântara recitou no templo de N. S. do Carmo. Rio 
de Janeiro, 1823, 14 pags. in-4<» — Ha avulsas algumas poesias deste 
autor, como: 

— Ode pindarica aos annos do lUm. e Ezm. Sr. D. Francisco de 
Assis Mascarenhas, Conde da Palma, etc. — No Pdtriott, do Rio de Ja- 
neiro, tomo 2% 1813, n. 6, pags. 13 a 18. 

— Ode pindarica a Sua Alteza Reil, etc.^ liem, tomo 3% 1814, n. 1. 

— A' feliz e venturosa chegada de Suas . Magestades Imperiaes à 
esta imperial cidade de Ouro Preto em o sempre memorável dia 22 de 
fevereiro de 1831: Ode -^ Na viagem do Imperador D. Peiro I á Minas 
Qeraes em 1830 e 1831. Acha-se na RevisLi do Instituto histórico, 
tomo 59% parte 1% pags. 371 a 373. 

Manoel «Joaquim Saraiva — Filho de António Joaquim 
Saraiva e dona Maria Joaquina Saraiva, nasceu na cidade da Bahia a 4 de 
novembro de 1840 e ahí falleceu a 22 de janeiro de 1899. Doutor em 
medicina pela faculdade desta cida^ie, era lente cathedratico da mesma 
faculilade, primeiro cirurgião reformado do corpo de saúde da ar- 
mada, oíQcial da ordem da Rosa, cavalleiro da do Cruzeiro e da de 
Christo, condecorado com a medalha da campanha do Paraguay, a 
medalha commemorativa do forçamento de Humaytá, a medalha do 



Ma. 125 

Riachuelo, ô a do governo argentino pela acçSo de 25 de maio. 
Escreveu: 

— Como obra o sulfato de quinino nas febres intermittentes ; 
Effeitos da privagSLo dos sentimentos do amor e da amizade ; Haverá 
casoSf em que o medico possa afflrmar que houve envenenamento pelo 
arsénico a despeito da existência natural daquelle corpo na terra que 
cerca o cadáver antes da exhumação ? Tratamento dos kistos do ovário* 
these que sustentou para obter o grau de doutor em medicina. Bahia, 
1864, in-4». 

— > Qmes são os melhores meios therapeuticos de combater o beri- 
béri: these de concurso a um dos legares de oppositor á secção de 
sciencias medicas, etc. Bahia, 1871, 3 âs., 41 pags. in-4^. 

— Qual o papel que representam as diversas substancias alimen- 
tares nos phenomenos íntimos da nutrição: these apresentada em con- 
curso à um logar de oppositor da secção medica. Bahia, 1872, in-4<> gr. 

— Pii-exias: these de concurso à cadeira de pathologia geral, etc. 
Bahia, 1874, 10 âs., 72 pags., 10 ils. in-4o gr. com uma estampa. 

— - Discurso proferido por occasião de tomar posse da cadeira de 
bygiene da faculdade de medicina da Bahia. Bahia, 1883, 20 pags. 
in-8«. 

— Memoria histórica dos acontecimentos notáveis, occorridos na 
faculdade de medicina da Bahia no anno do 1885. Bahia, 1886,49 pags. 

— Memoria apresentada ao 3^ Congresso de medicina e cirurgia 
sobre esgotos na capital da Bahia. Bahia, 1890, in-4^ — CoUaborou na 
Gazeta Medica da Bahia, escrevendo: 

— Observações sobre algumas formas de moléstias palustres — No 
vol. de 1868-1869, pags. 147 e seguintes. 

^ Ensaio de estudos — No dito vol., pag. 200 e no seguinte, pags. 
4, 28 e seguintes. 

— Breves considerições sobre a dysenteria, assentadas sobre alguns 
factos clínicos obaorvados no hospital de marinha da Bahia * No vol. 
4S 1869-1870, pags. 172 e seguintes. 

— A reforma da instrucção publica e a Gazeta Medica da Bahii -« 
No vol. XXIII, 1891-1892, pags. 166 e seguintes. 

•^ Esgotos na capital da Bahia: memoria apresentada ao Congresso 
medico brasileiro — No dito toI., pag. 214 e no de 1892-1893, paga. 295 
e seguintes. 

— Projecto de regulamento dos serviços de hygiene e assistência 
publica para o estado da Bahia -^ Neste voK, P^^s* 504 e seguinies. 



126 MA. 

Manoel «Toa/qaiin <la Silva. — Filho de Joaquim Le- 
andro da Silva e doa i Baroardina Antouia de Senna, nasceu em Angra 
dos Reis ( provinda do Rio de Janeiro ) a 6 de janeiro de 1818 e fallecea 
em Rezende a 19 de outubro de 1888. Doutor em medicina pela facul- 
dade da corte, foi o primeiro director do lyceu da ciJade de Angra dos 
Reis ; foi secretario do govorno e deputado provincial, e também depu- 
tado geral. Depois de exercer a clinica, dedicou-se eiclusivamente à 
^avoura. Escreveu: 

— Bosquejo sobre génio medica^philosophico de Hippocrates: these 
apresentada á faculdade de medicina do Rio de Janeiro aâm de obter o 
grau de doutor. Rio de Janeiro, 1840, in-4'>. 

— O Fluminense, Nitheroy, 1848-1849, in foi.— íi' uma p.iblicaçSo 
periódica que nada tem com a do mesmo titulo, de 1864. Mais tarde 
escreveu para o Correio Mercantil ao lado de Joaquim Francisco, José 
de Assis» Paranhos, Octaviano e outros. 

Manoel «Toaq.uiiii cia Silva Bx-a^a — Nascido em 
S. Paulo em 1858, ahi falleceu em 1888. Sei apenas que foi estudante 
do curso aunexo & faculJado de direito de sua provinda, hoje estado, 
exímio poeta repentista e também jornalista. De suas composições 
apenas sei que se publicaram: 

— Poesias de Manoel Joaquim da Silva Bwga. S. Paulo, 1889 — E' 
uma collecção feita e publicada depois de sua morte por seu amigo o 
dr.^Eduardo Chaves. Na imprensa lutou muito em favor da abolição 
do elemento escravo, coUaborou pira vários jornaes e redigiu: 

— O 2)i5cíptt/o ; jornal académico. S. Paulo. 

— A Onda. S. Paulo. 

— A Reacção. S. Paulo. 

— O Trabalho. S. Paulo. 

— A Liicta. S. Paulo. 

— Sonhos da mocidade: poesias. S. Paulo, 1879, in-8<>. 

Manoel «Joaquim da (Silva Oulmarâes, l*' — 

Pilho do alferes Manoel Joaquim da Silva. Guimarães, nasceu na Bahia 
a 12 de fevereiro de 1826 e fòlleceu no Rio de Janeiro a 28 de agosto 
de 1876. Presbytero secular e capelláo da repartição ecclesiastica do 
exercito desde 1853, achava-se em exercício no Rio de Janeiro quando, 
— segundo me íoi afflrmado por pessoa muito competente, foi nomeado 
cónego da capella imperial um distincto sacerdote de Minas Geraes de 
egual nome que solicitara esse titulo, e que teve de perdel-o, porque 
quando procurou-o, já estava passado ao capellão militar — fiicto este, 



31 A. 127 

que levon-o a assignar-se Manoel da Silva Guímarãos Araxá ( veja-se 
este nome). Escreveu: 

— Oração fúnebre do Exm. e Revm. Sp. D. Manoel do Monte 
Rodrigues de Araújo, etc. por oocasi&o das exéquias que houve na capella 
imperial, mandadas fazer pelo lilm. e Revm. cabido da santa cathedral 
e referida capella com assistência de SS. MM. Imperiaes. Rio de 
Janeiro, 18Ô3, 19 pags. in-8^ 

Manoel «Joa>q[uiiii ú,i\ Silva O-uimit/râes, 2^ ~ 

Veja-se Manoel da Silva Guimarães Araxá. 

Manoel «Toa.q.uiui <ia« Silva Porto •» Natural pro- 
vavelmente da cidade do seu appeliido» diz Innocencio da Silva, e que 
pelos annos de 1816 e seguintes se achava no Rio de Janeiro, trafi- 
cando no oommercio de lettras. Embora fosse mais tarde para Portugal, 
como parece, adheriu eatô cantou a independência dò Brasil. Em 1822 
ora elle estabelecido no Rio de Janeiro com uma offlcina typographica, 
associado a Felisardo Joaquim da Silva Moraes. Escreveu: 

— Phsdra : tragedia de Racine, traduzida verso a veitio. Rio de 
Janeiro, 1816,74 pags. in-8<> — Segunda edição, mais correcta, oíFe- 
recida ao Sr. José de Carvalho Ribeiro. Rio de Janeiro, 1821, 91 pags. 

.in-4«. 

— Elogio dirigido à amizade e esplendida companhia que se 
janta no engenho de Salvaterra. Rio de Janeiro, 1816, 7 pags. in-4<»— 
Sahíu depois publicado no Investigador Portuguez^ tomo 16% pags. 434 
a 438. 

— Elogio por occosião do faustoso o glorioso successo das armas 
portaguezas contra os insurgentes de Pernambuco, composto e oíTe- 
recido ao muito alto e muito poderoso senhor D. João VI ; etc. Rio de 
Janeiro, 1817, 7 pags. ln-4<> ^ Sahiu também no dito periódico, 
tomo 21». 

— > Hymnos constitucionaes , Rio de Janeiro, 1821,8 pags. in-4<^ — 
São quatro hymnos á constituição portugueza, assigaados por iniciaes 
do autor, de Estanislau Cardoso e José Pedro Fernandes. 

— Indepmdencia ou morrer (hymoo). Rio de Janeiro, 1822, 1 fl. 
in-fol.— Começa assim: 

A's armas, Brasilea gente ! 
Bradaram honra e dever. 
E V06SA divisa seja 
Independência ou morrer. 



128 MA 

— Elogios para reoitar-se no theatro de S. João no aoniiFersario 
da acciamação e da independência do Brasil. Rio de Janeiro, 1823, 
in•8^ 

— Gastronomia ou OS prazeres da mesa: poema em quatro canio8« 
composto em francês por mr. Berchaux e traduzido em verso por- 
tuguez. Coimbra, 1842, 164 pags. in-S*. 

— Encyclopedii industrial ou arte de ganhar a vida, escripta em 
francez por mr. Mossô e traduzida em portuguez, etc. Porto, 18í2. 

^ Methodo fácil de escripturar os liyi\>s por partidas simplioes e 
dobradas, comprehendendo a maneira de fazer a escripturaçfto pcv meio 
de um só registro, por M. Edmond Legrange ; traduzido em portuguez, 
adaptado ao systema métrico decimal de pesos e medidas, e seguido 
de um Appendice compreliendendo: Correspondência de pesos e medidas 
métricas ; yalor e denominação das moedas estrangeiras e suas re«> 
ducções aos diíTerentes câmbios, etc. OíTerecido aos portuguezes e aos 
brasileiros que se dedicam ao oommercio. 4* edigão. Creio que todas as 
edições são do Rio de Janeiro. Uma que yi e que nSo tinba data, era 
do Rio de Janeiro, de XI-267pags. in-8\ 

!>• Manoel «Tonquiiu da, (Silveira» Conde de S. S.U 
vadore 18^ Arcebispo da Bahia — Filho de António Joaquim da SiU 
veira e dona Maria Rosa da ConceiçSo, nasceu na cidade do Rio da 
Janeiro a 11 de abril de 1807 e falleceu na Bahia a 23 de junho de 1874« 
Muito pobre, occupaya na camará ecelesiastica modestíssimo emprego 
que lhe dava o necessário para estudar, até que recebeu as ordens de 
presbytero, e então foi nomeado lente de theologia e depois reitor do 
seminário episcopal, onde realizou algumas reformas; foi examinador 
sy nodal, cónego da capella imperial, secretario do cabido e inspector da 
mesma capella, onde também promoveu grandes melhoramentos, e foi 
o capellão da esquadra mandada pelo governo imperial, à receber sua 
magestade a Imperatriz, em Nápoles, d*onde, com licença da mesma 
senhora, foi à Roma. Facto notável: reconhecido como um dos orna- 
mentos do clero brasileiro, quer por sua illnstração, quer por suas yir<^ 
tudes, apresentou-se à dous concursos para vigararias: a primeira ves 
para a freguezia da Candelária em 1834, a segunda para a de Santa Rita 
em 1836, sem que obtivesse a nomeação desejada; entretanto sem o es* 
penar, por decreto de 15 de maio de 1851 ô nomeado bispo do Maranhão 
e nessa diocese foi surprehendido com o decreto de 5 de janeiro de 
1861, elegendo-o arcebispo da Bahia, em substituição a d. Romualdo, o 
Marquez de Santa Cruz, de quem foi digno successor. Teve a honra de 
ser o ministro celebrante dos oonsorcios das duas princezas, dona Isabel 



MA. !29 

e dona Leopoldina, sendo para esse fim nomeado vice-oapellão-mór. Era 
do conselho do Imperador D. Pedro II commeodador da ordem de 
Christo, offlcial da do Cruzeiro, sócio do antigo Instituto histórico da 
Bahia e do Instituto histórico e geographico brazileiro e escreveu: 

— Bulias pontifícias j cartas regias, alvarás e provisOes episcopaes, 
por que foi erecta a santa egreja cathedral, e capella imperial do Rio 
de Janeiro e se lhe concederam os privilégios de que goza. Colligidas do 
mandado do Illm. e Rvm. cabido pelo seu secretario, etc.— e dadas à 
luz, pelo rev. cónego Januário da Cunha Barboza. Rio de Janeiro, 
1844, 111 pags. in-4«. 

— Oração recitada na abertura das aulas do seminário episcopal do 
S . José do Rio de Janeiro no dia 8 de março de 1841 . Rio de Janeiro, 
1841, 24 pags. in-4o. 

— Itinerário da viagem que fez â Nápoles na qualidade de capellão 
da camará de S. M. a Imperatriz a bordo da fragata Constituição 
— Na Minerva Brasileira, tomo 1°, 1843, pags. 99 a 102, 163 a 168, 
204 a 208, 231 a 238, e 263 a 267. 

— Representação dirigida â Sua Magestade o Imperador acerca do 
projecto do governo sobre o casamento civil. S. Luiz, 1859, in-8o. 

— Carta pastoral saudando e dirigindo algumas exhortaQões aos 
seus diocesanos. Rio de Janeiro, 1852, 65 pags. in-4o. 

— Carta pastoral annuDciando o novo jubilêo concedido pelo santo 
padre, Pio IX, pelas lettras encyclicas de 21 de novembro de 1851. 
Maranhão, 1851, 2« in-8^ 

— Carta pastoral recommendando aos Srs. parochos a execução da 
lostruccão pastoral do Bxm. e Rvm. bispo do Rio de Janeiro, etc, de 
janeiro de 1844, contendo as principaes regras, que elles devem guardar 
antes e na occasião de solemnisar os matrimónios. Maranhão, 1853, 
,in-8<». 

— Carta pastoral annunciando o jubilêo concedido pelo SS. P. Pio 
IX pelas lettras encyclicas de 1° de agosto de 1854. 4" Maranhão, 1855, 
in-S». 

— Carta pastoral ordenando que se façam preces publicas afim de 
que mereçamos alcançar de Deus o livrar-nos dos flagellos da peste e 
epidemia que ainda reinam e dos que nos ameçam. S* Maranhão, 
1855, in-4». 

— Carta pastoral ordenando que se façam preces publicas nos dias 
4, 5 e 6 do mez de janeiro do anno de 1857, para que Deus se compadeça 
de nós e nos dô um inverno regular e uma boa colheita e por sua mi- 
sericórdia nos conceda paz e concórdia e a remissão de nossos peccados, 
etc. Maranhão, 1857, in-4<'. 

Vol. VI — 9 



130 



M.A 



— Carta pastoral dando conhecimento & diocese das lettras apostó- 
licas de sua santidade o papa Pio IX sobre a deâniçSu) dogmática da 
Immaculada Conoeição da Purissima Virgem Maria» Mãe de Deus, 
7* Maranhão, 1857, in-4o. 

— Carta pastoral dando conhecimento á diocese da allocacâo de sua 
santidade o papa Pio IX no consultório secreto de 26 de setembro de 
1859 e mandando &zer novamente preces, aâm de obter de Deus o 
beneficio da paz. 10^ Maranhão, 1860, in-8^ — São todas estas pastoraes 
escriptas como bispo do Maranhão. As que se seguem são escriptas 
no arcebispado da Bahia: 

— Carta pastoral dirigindo algumas exhortaçOes aos seus dioosBanos. 
Bahia, 1862, 111 pags. in-4«. 

-• Carta ptasoral premunindo os seus diocesanos oontra as mnti- 
]mfim e adulterações da Biblia, traduzida em português pelo padre Joio 
Pereira A. de Almeida, oontra es folhetos e liTrinhos oontra a religião, 
que oom a mesma Biblia se tem (espalhado nesta cidade» e oontra 
alguns erros que se .tem publicado no paiz. Bahia* 1862, 78 pags. 
in-8«. 

«• Otriã pastoral annnnciando ojubilôo concedido pela suasantidade 
o papa Pio IX pelas lettras encyelioas de 8 de dezembro de 1864, 
Bahia, 1865, 57 pags. in-g». 

— Carta pastoral premunindo seus diocesanos contra os erros per- 
niciosos do spiritismo. Bahia, 1867, 25 pags. ln-8«. 

•* Caria pastoral mandando Ikzer as preces recommendadas pelo 
nosso santissimo padre Pio IX em sua encyclica de 17 de outubro de 
1867. Bahia, 1868, 19 pags. in-8«. 

— Carta pastoral annnnciando a indulgenda plenária em íl&rma 
de jubilêo, concedida pelo nosso santissimo padre Pio IX pelas lettras 
apostólicas de 11 de abril de 1869 por oooasião do Concilio ecuménico» 
Bahia, 1869, 25 pags. in-8*. 

•«» Cartapastoral publicando O breve de sua santidade o papa Pio IX« 
de 28 de maio de 1873. Bahia, 1873, 17 pags. in-8\ 

-» Pastoraes do,.. Arcebispo da Bahia e do. . . Bispo do Pará, con- 
demnando os erros da maçonaria. Bahia, 1873, 55 pags, in-8<>— Ha, além 
das designadas, outras pastoraes que não pude ver. 

— Discurso abrindo a sessão especial (do Instituto liistorico da 
Bahia ) de 22 de novembro de 1863, em commemoracãodo Exm. e Revm • 
Sr. Ck)nde de Irajà, bispo do Rio de Janeiro, e do Dr . Agrário de Souza 
Menezes — No Periódico do Instituto histórico da Bahia, Rio de Janeiro* 
de 1864. 



MAL 131 

Manoel «Toaquim. de fSiq[aeiira Re^ro — Natural do 
Rio de Janeiro e irmão, talvez, do antigo tachygrapho Jc^o Baptista de 
Siqueira Rego, fallecido na ppovincia de Alagôaa, era estudante de pre- 
paratórios docollegio do padre Marcellino Pinto Ribeiro Duarte, quando 
escreveu: 

— Descripção biographo-neerologioa do patriota Manoel de Aguiar 
Brand&o, offerecida ao patriotismo dos heróicos fluminenses, etc. Rio de 
Janeiro, 1831, 14 pags. 10-4°. 

Manoel «Toaquinide ISouza Brito * Filho do doutor 
Manoel Joaquim de Souza Brito e dona Justina Maria de Magalhães 
Brito, nasceu na cidade da Bahia a 26 de outubro de 1860. Tendo feito 
o curso de humanidades no oollegio Pedro II, fez depois o da âiouldade 
de medicina, em que doutorou-seem 1888 ; mas, tendo decidida vocação 
para as sciencias mathematicas desde seus primeiros annos, oocupou-se 
em leccionar em coUegios e casas particulares. Em 1891 ratrou em 
concurso para a cadeira de arithmetica ê álgebra do Lyoeu provincial, 
sendo classiâcado em primeiro logar e nomeado lente. Neste lyceu» 
que com o advento da Republica, passou a chamar-se Instituto of9cial 
de ensino secundário, e, na ultima reforma da instrucção secundaria, 
Gymnasio da Bahia, leccionou elle, alóm deis matérias de sua cadeira, 
phy^ca e chimica interinamente por dous annos, linguistica, gram- 
matica geral e comparada por espaço de seis mezes e por ultimo passou 
para a cadeira de calculo, geometria descriptiva e aoalytica. 
B' aocio fundador do Instituto geographico da Bahia e escreveu: 

— Sêffredo profissional: these apresentada, etc. para obter o grau 
de doutor em medicina. Bahia, 1888, in-4'' grande. 

— Génese primitiva e elementar do numero: these apresentada e 
sustentada no Lyceu provincial para o concurso à cadeira de arithe- 
tnetica e álgebra. Bahia, 1891, 50 pags. in-4o. 

— Castro Alves, Bahia, 50 psigs. in-8<>. ^ 

— A bicharia : scena cómica por Zé da Venta, offerecida ao distincto 
amador J. de Castro. Bahia, 1898, 4 pags. in-8<'. 

— O trabalho : poesia recitada por A. Freire no Polytheama Bahlano 
ao terminar o festival infantil em beneficio do Lyceu Salesiano do Sal- 
vador a 7 de julho de 1898. Bahia, 1898, 1 íl. in-fol. de 2 columnas. 

— Ao bi-centenario do Padre António Vieira: poesia — No livro 
« Homenagem do Instituto geographico e histórico bahiano » ao grande 
e ISstmoso orador, etc., pags. 197 a SOO. O dr. S. Brito tem publicado 
poesias e artigos litterarios no Correio de Noticias^ no Trabalho^ no 
Jornal de Noticias^ Diário de Noticias^ Bahia e outros Jornaes e pe-> 



132 



riodicos litterarios da Bahia, com o pseudonymo de Bento Marila. Destes 
trabalhos citarei: 

— Cantarolando : secção diária liumoristica de trezentas poesias, 
no Republicano — e 

— Anthologia bahiana : estado bibliographico de poetas bahianos 
desde o século 17<^ até o presente na Renascença e na Revista do Ins- 
tituto geographico e histórico bahiano^ Tem redigido com outros o 
Republicano, jornal politico, o Livro^ jomai litterario, e a 

— Renascença: revista litteraria. Bahia, 1894-1805, in*fl. de 
8 pags. e daas columnas, sahindo o primeiro numero a 27 de setembro 
daquelle anno, e o ultimo a 30 de setembro deste — Para o theatro tem 
escripto Tarias obras, principalmente no género cómico, como 

— Treze dê Maio: drama em três actos. 

— A Barmeza e o Capitão Dynamite: dialogo cómico. 

— Rabugens de vovó: comedia em um acto. 

— Travessuras de Jucá: comedia em um acto. 

— Estudantes em ferias: domedia em um acto. 

— - A noite de S» João: comedia em três actos — Estão inéditas 
estas composições, mas jà levadas â scena na Bahia. Tem, finalmente, 
alguns contos, inéditos e publicados, como 

— « O tio Joaquim : conto, que ganhou o primeiro premio no concurso 
do Pantheon. 



Mia^noel «Joaquim VallAdãO"— Filho de José Gonçalves 
Valladão e dona Dina Emília Valladão, nasceu na cidade do Rio de Ja- 
neiro a 28 de março de 1860 e aqui, depois de estudar preparatórios no 
mosteiro deS. Bento, dedicou-se ao oommercio. Escreveu: 

— Sonhos dê louco : drama em três actos. Rio de Janeiro — Foi edi» 
tado peio Club do Riacbuelo, onde foi levado á scena varias vezes. 

— O pai da escrava : comedia-drama em um acto. Rio de Janeiro, 
18S1, 29 pags. in-12«. 

-* O modelo vioo :'drama em cinco actos. Rio de Janeiro, 188.. ' « 
100 pags. in-8<^ — E' escripto com João Ferreira Marques. 

^ O Senhor Páo Brazil, corretor de namorados: comedia em dons 
actos. 1880 — Foi representada no Rio de Janeiro. 

— Pinto Leitão ijc Comp. : comedia em um acto — Idem. 

— A fidalguia na côrttí: romance. 

— A nobreza envergonhad i . 1878. 

— Gravetos realistas : coutos. Rio de Janeiro, 31 pags. in-8*^ — Colia- 
borou para algumas folhas desta cidade e redigiu: 

— O Ver galho : Rio de Janeiro. 



133 



— Tiotac — São, esta e a precedente, dfias publicações ephe- 
meras. 

Manoel jroi*g'e Domingrues da. Silva* — Não o 

coDhdço; 8ó sei que foi estudante, mas não sei de que instituto ou fa- 
culdade. Escreveu: 

— As tribulações de um estudante, scena cómica. Rio de Janeiro, 
1984. 

Ma/iioel Joir^e Rod.x*ig*ues~B' o mesmo Jorge Ro- 
drigues, mencionado no volume 4\ pag. 264, cujo artigo contém in- 
exactidões e saliiu incompleto. — Filho do conselheiro António Joaquim 
Rodrigues e dona Rita da Costa Rodrigues, nasceu na Yictoria, capital do 
Espirito Santo, a 29 de maio de 1 862 e falleceu na mesma cidade a 19 de 
agosto de 1886. Aos 14 annos revelou-se poeta inspirado e 
mavioso e deu-se logo á imprensa, publicando seus primeiros versos 
em ama folha que redigiu com outro em Taubaté. Com um irmão seu 
íundou um collegio de educação em S. José do Rio Preto, município 
de Juiz de Fora, mas em consequência de grave moléstia de sua esposa, foi 
obrigado a abandonal-o, passando à cidade de S. João d'El-Rei , e ahi deu-se 
ainda ao magistério, leccionando inglez. Sempre nas lides do jornalismo 
e todo entregue à estudos aturados de gabinete, oontrahiu uma tuber- 
culose que o levou ã província, hoje estado do Espirito Santo, onde fal- 
leceu. Além de grande numero de poesias, que publicou em periódicos, 
assim como contos, romancetos e phantasias, escreveu: 

-^Fugitiwja: poesias. S. João d'El-Rei, 1883, in-8<». 

^ Manhãs de estio : poesias. Victoria, 1886, in-8» — E* seu se- 
gando livro de versos. As ultimas provas foram corrigidas com a ar- 
dente febre da traiçoeira moléstia que levou ao tumulo o autor. De- 
pois de uma folha que redigiu com Sérvulo Gonçalves, onde publicou 
seus primeiros versos, redigiu: 

— Gazeta de Taubaté. Taubaté, 188... in-fol. peq. 

— Pkarol. Juiz de Fora, 188... in-fol.— Esta folha viveu muitos 
annos e conceituada. Creio que Jorge Rodrigues substituiu na re- 
dacção G. C. Dupin. 

— Gazeta de Juiz de Fora. Juiz de Fora, 188.. . in-fol. 

— O Arauto de Minas. Hebdomadario politico, instructivo e noti- 
cioso. S. João d'El-Rei, 188. . . in-fol.— Foi também redactor desta folha 
Severiano Nunes Cardoso de Rezende. 

— O Domingo: jornal litterario. S. João d'El-Rei, 1886, in-4« — 
Esta revist» foi fundada em collaboraçao com J. Braga. Jorge Ro- 



ix- 



\ 



IM MA. 

drigMg foi ootlabondor d» otttrcNi joriia«8 de Tanbaté, 6 tMiibem do 
Domingo, periódico de Portugal. No8 seus últimos dias de vida, na ci« 
dade da Victorla, onde Í5ra procurar allivio à moléstia^ escrevia elle 
para o EspMU> Santmu e para a Pro^ncia. 

M aAoel JoAé il^lves Barl>oiBa — Naiaral da Bahia 
e naaeido a 10 de deaembro de 1845, é ooDira-almiimate da armada, ca- 
ralleiro das ordens do Cruzeiro, de Ghristo, da Rosa e de S. Bento 
de Aviz, e condecorado com as medalhas da campanha de Paysandú^ 
do combate de Riachuelo e ék campa&ha do Paragoay • €k)n pra^ de 
aspirante a guarda-marinha fez o curso da respectiva eeoola e depois 
de bons servigos no corpo da armada, passou a 26 de abril de lêQO 
para o oorpo de engenh^ros navaes, do qual foi nomeado chelb e in- 
spector geral. Oocupou o posto de ministro da marinha no primeiro go^ 
verno civil da Republica, e escreveu: 

« Mêkitorio descriptivo da cidade de Corumbá depois de evacuada 
seta ddade pelas forças jMraguayas em janeiro de 1869 -* N8o o vi 
impresso, mas delle dá noticia o capitfto* tenente Garces Palha, que o 
oonsidera um trabalho exeellente e minucioso, nas suas Bphemerides 
navaes, pag. IO* 

— Plano de reforma da administração navah Rio de Janeiro, 1807, 
62 pags« in-4««-^ Vem annexo ao Rdatorio por este oífioial apresentado 
ao presidente da Republica, dr. Prudente de Moraes. 

Manoel «José de Araújo — Filho de António José de 
Araújo Lima e nascido na Bahia a 15 de abril de 1851, é doutor em 
medicina pela faculdade desse estado, da qual é lente de physiologia, 
e escreveu: 

-* TTieôtia dos ruidos do coração; Tétano traumático e seu trata* 
mento; Diagnostico differencial entre a febre amarella e a febre 
biliosa dos palies quentes; Pôde considerar-se herdeiro legitimo o lllho 
de uma viuva, nascido dez mezes depois da morte do marido? these 
apresentada, etc. para obter o grau de doutor em medicina. Bahia, 
1872, 52 pags. in*4« gr. 

~ Condições pathogenicas da ataxia locomotriz progressiva, dia- 
gnostico e tratamento: these do concurso para um lo^ar de substituto 
da secçfto de sciencias medicas. Bahia, 1882, 14-85-12 pags. in-4«. 

Manoel «Toaé do Boiufim » Filho de Paulino José 
do Bomflm e nascido em Aracaju, capital de Sergipe, a 8 de agosto 
de 1868, é doutor em medicina pela íhculdade do Rio de Janeiro, tendo 



r 



\ 



BCA. 1% 

começado o oorso na Bahia« e director do extincto Pedagogium» Esh 
creveu: 

— Das nephrites : Ihese apresentada & faculdade de medicina do 
Rio de Janeiro para obter o grau de doutor. Rio de Janeiro, 1890, 
in-4«. 

« Praticai da língua portugueza. Livro de composição para o 
curso completo das escolas primarias, approyadoe adoptado pelo con- 
selho superior da instrncção publica da capital federal. Rio de 
Janeiro, 1899, V-356 paga. in-8o. ( Veja-sfl oiavo dos ^ Guimarães 
Bilac. ) 

€ Os autores assentaram o plano de uma serie de 9 livros de edu- 
cação litteraria^ três de elocução e vocabulário, três de leitura e três 
de composição, dividindo cada matéria em três Q,ursos ^ elementar, 
médio e complementar. 

O Yoltíme que tenho presente comprehende, como já se tia, o 
curik) complementarMe composição. » 

O dr. Bomflm foi um dos redactores da revista mensal: 

m 

— O Pedagogium, Riojde Janeiro, 1897. Sabiram apenas 5 iiUmeroS, 
de julho ã novembro. 

Manoel «José de Oampos Poirto — Filho do nego- 
ciante da praça do Rio de Janeiro Manoel José de Campos Porto e pai 
do dr. Manoel Ernesto de Campos Porto, Jã mencionado neste livro, 
nasceu nesta cidade a 2 de junho de 1830, e muito moço entrou para a 
secretaria de estado dos negócios do Império, hoje dos negócios doin- 

I terior, onde serve ainda. B* commendador da ordem de Ohristo, offlcial 

da ordem da Rosa e escreveu: 

I '-'Repertório da legislação ecclesiasttca desde 1500 até 1874. Rio 

de Janeiro, 187S, in-8*. 

— * Repertório da legislação sobre a instrncção publica no Brasil '^ 
Este trabalho està ineditOf mas annunoiadajÀ sua publicação. 

Maiioel «XoiBé Oardotto ^ Pilho de Manoel José Cardoso, 

bacharel em leis e também em cânones pela mniversidade de Coimbra, 

sendo advogado nos auditórios da corte, foi nomeado em 1829 juiz de 

L fora da Fortaleza, capital do actual estado do Ceará. Escreveu: 

— A'5wa Magestade o Imperador em applauso a seu venturoso 
natal O. D. C, etc. Rio de Janeiro, 1829, in-4<» — E' umacollecção de 
sonetos. De seus trabalhos na advocacia nota-se: 

— Defesa apresentada no conselho da guerra a que respondeu 
Joaquim Manoel de Oliveira Figueiredo. Rio de Janeiro, 1830. 



i 



136 MA. 

Manoel José Oherém —Filho de José Cherém e dona 
Rosa Maria de Avellar, nasoeu no Rio de Janeiro a 16 de junho de 1729, 
carsoa as aulas de jurisprudência cosarea da universidade de Ck>imbra, 
cultivou a poesia e escreveu, além de outros trabalhos talvez: 

— Oblação métrica b^ preclarissima senhora d. Michaella Yenáncia 
de Castro, sendo dignamente eleita abbadessa do convento de Casta- 
nheiro, Coimbra. 1753, in-4o. 

— Tributo delphico aos felicissimos desposorios do doutor António 
Lopes da Costa, meritíssimo conselheiro ultramarino. Coimbra ( sem 
data ) , in-4<^. 

Mti.noel «José Hlatrella — Natural da Bahia e nascido 
no ultimo quartel do século 18^ ahi falleceu em avançada iiade. An- 
tigo cirurgião do hospital da Misericórdia, quando o cirurgiã(y-môr do 
reino, dr. José Correia Picanço ( ride estç autor >, teve ordem de es- 
colher quem ensinasse do dito hospital, especialmente cirurgia e obste- 
trícia, foi elle escolhido para i&so com seu collega José Soares de 
Castro. Nesse exercido lutaram os dous cirurgiões com muitos em- 
baraços, até que pela carta régia de 29 de dezembro de 1815 creoii-se 
o collegio medico-cirurgico, que começou a funocionar no anno se- 
guinte, com cinco cadeiras. Escreveu : 

— Brp9riencia$ physiologicas sobre a vida e sobre a morte, por 
Bichat. Traduzido da 3^' edição de 1805. Bahia, 1816, in-8«. 

Manoel «Josó da. IL^apa Xranooso — Filtio de Manoel 
José da Lapa Trancoso e nascido na província do Rio de Janeiro, falleceu 
na cidade de S. Paulo a 17 de abril de 1804. Era bacharel em direito 
pela faculdade dessa cidade e leccionou philosophia, rhetorica e depois 
historia do Brazil no curso annezo à mesma faculdade. Esci-eveu : 

— Reminiscências da vida académica. S. Paulo, 1881, in-d^. 

» Pontos de philosophia orgauisados segundo o actual programma 
de exames das faculdades do Império. S. Paulo, 1879, in-8**. 

Manoel «José cie Medeiros ^ Não sei si foi brasileiro 
nato ou por adherir à constituição do Império ; viveu no Maranhão e 
ahi e escreveu : . . r^tj 

— Lei de substitiiiç/To da moeda de cobre. Carestia de géneros alimen- 
tícios. Plano proposto para a fundação de uma associação com o fim de 
remediar esses males. Maranhão, 1838-1842,27 publicações in-foi. for- 
mando um volume. 



MJIl 137 

]M[a«iioel «Tose de Menezes Pra;<io — Filho de Fran- 
cisco de Bari*os Prado e dona Maria Feliciana de Menezes Serra, nasceu 
no município do Rosário do Cattete, em Sergipe, a 6 de fevereiro de 1844 
e ftiileoeu no Rio de Janeiro a 1 de março do 1897. Bacharel em di- 
reito pela faculdade do Recife, representou em três legislaturas a 
província, hoje estado de seu nascimento, e depois na primeira legisla- 
tora ordinária do regimen republicano. Presidiu as províncias do 
Espirito Santo e do Piauhy e depois de exercer o cargo de secretario 
da Associação promojora da instrucção com sede nesta capital, 
passou a ser seu presidente desde 1893 até seu falleci mento. 
Escreveu : 

— Orçamento da agricultura : discurso proferido na sessão de 22 de 
junho de 1871. Rio de Janeiro, 1871,21 pags. in-4<>. 

— Creação de um banco da lavoura : discurso pronunciado na 
aessão de 20 de dezembro de 1872. Rio de Janeiro, 1872, 15 pags. 
in-8«. 

— Relatório apresentado na installaç&o da Assembléa provincial 
do Espirito Santo na sessão de 15 de outubro de 187Ô. Victoria, 1876, 
in-4^ 

— Relatório com que o presidente da província do Piauhy passou 
a administração ao dr. António Jansen de Mattos Pereira no dia 7 de 
novembro de 1886. Theresina, 1886, iu-4''. 

— Relatório lido na assembléa geral da Associação promotora da 
instrucção a 24 de dezembro de 1873 -« Acha-se publicado no livro 
das actas das sessões da Associação promotora da instrucção. Rio de 
Janeiro, 1894, pags. 129 c seguintes. 

Manoel José <le Oliveira», P— Offlcial do corpo de 
engenheiros, falleceu depois de 1840 no posto de tenente-coronel, tendo 
exercido no Rio de Janeiro varias commissOes e exercido cargos, como 
o de director do ensino mutuo. Escreveu: 

— Exposição da planta da Casa de correcção, extrahida dos de- 
senhos e reflexões publicados em 1826 pela commissão da Sociedade 
ingleza para melhoramento das prisões correccionaes e apropriada ao 
terreno em que se está construindo na província do Rio de Janeiro, 
peta Commissão inspectora do andamento e melhor direcção dos tra- 
balhos. Rio de Janeiro, 1834, 11 pags. in-4<> — Assignada taml}em por 
Thomé Joaquim Torres e Estevão Alves de Magalhães. Vi delle pu- 
blicados: 

— Discursos maçónicos ( tres^ e orações fúnebres ( duas ) reci- 
tados em lojas maçónicas. Rio de Janeiro, 



IM 



MAAoel ^OBé de Oli^etrat ft^ — Filho do teneiito- 
coronel Manoel Joeé de Olireira, a quem aeabode re/erir-mo, nasceu no 
Rio de Janeiro a 27 de agosto de 1828 e foUeoeu a 26 de noYembro de 
1888* Era bacharel em lettrae peio collegio Pedro II, doutor em medi- 
cina pela facQldade desta cidade^ oirurgi&o-mór de diriBio do corpo de 
saade doeiwcito e membro titular da imperial Academia de medicina. 
Serritt na campanha contra o goremo do Paraguay e tSo importanieg 
íbram seus serTiçoe que, marchando para essa campanha no posto de 
primeiro cinirgião« capitão» íbi logo nomeado cirurgião-mór de brigada 
em commiBSfto, eobteTe8ucoessiTamente,o oíBcialato, aoommenda e a 
dignitaria da ordem da Rosa, alóm do habito da ordem do Crozeiro e 
da medalha dessa campanha. Era também condecorado com a medalha 
da companha de Paysandú, e caralleiro da ordem de S« Bento de Atíz« 
Bscrerea: 

-^ Que phenomenos se passam no pericarpo na época da dissemi* 
naçSo ? Que acções, tanto chimicas, como vitaes, teem logar darante a 
ItermihaQSo de uma semente ? Da pelvicnetria. Do estanho^ seus ef- 
fbilos phySiologicos e therapeuticos; these apresentada á Facttldade 
de medicina. Rio de Janeiro, 1852, in^"" gr. 

— Contribuições para o estudo das moléstias da guaruiçSo da 
Ciôrte: memoria apresentada e lida perante a Academia imperial de 
medicina. Rio de Janeiro. 1883, 77 paga. in-8<» — Acha-se também 
este trabalho nos Annaes Brasilienses de Medicina, tomo 35°, pags. 
35 a 110. 

— Hospitaes miUíares — publicados nos mesmos Anuaes, tomo 39*^ 
pags. 5 a 28, depois da morte do autor. 

— Apontamentos para o estado das moléstias infécciosasi sob o 
ponto de tista fermentativo e parasitário — Idem, tomo 32% pag8< 215 
e Segs. -" Nesta revista deu o autor & publicidade outros oasos notáveis 
de sua clUiica. 



M «tnoel klo&é de Oli-reira; Basto ^^ Brasileiro^ 
eomo se declara elle» e natural, aóque parece, do Pará. Escreveu: 

— Roteiro tia cidade de Santa Maria de Belém do* Qrao-Parà pelo 
rio Tocantins atíima até Porto Real do Pontal, da capitania de Qoyaz, etc. 
Rio de Janeiro, 1811, 19 pags. in-8o gx». __ poi feito este roteiro de 
íbvereiro a março de 1810 até o Rio de Janeiro. 

— Roteiro das capitanias do Pará, Maranhão, Piauhy, Pernam- 
buco e Bahia pelos seus caminhos e rios centraes, 1819 ^ Acha-se na Re- 
vista do Instituto, tomo 1% pags. 527 a 539. 



ia» 

MAnael «Tosé Pereira, 1«— NSo tenho noticias mas. 
Coíiheço-o apenas como autm* de um trabalho, isto ô: 

— Viagem à província do Espirito Santo -^ que fei mencionado 
pelo dr* Cândido Mendes de Almeida como ama das obres que o 
auxiliaram no seu grande Atlas do Império do Brasil « publicado 
em 1868. 

lia^AOel «Tené P^reií^a, l^^ ^ Filho de Manoel Joeé Pereira 
e dona Anna Maria de Jesus, naScéu na cidade do Riõ de Janeiro a 
19 de novembro de 1839. Ck>m praça no exercito em 1866^ séWiu na 
arma de artilharia e é general de divisfio reformado depois dos mais 
relevantes serviços, quer na pas« quer na guerra, peles quaes, além de 
honrosos elogios que constam de sua brilhante fó de officio* é efflcial 
da ordeâi da Rosa e da de S. Bento de Avie, cavalleiro da ordem do 
Cmseiro, condecorado com a medalha da campanha contra o Paraguay 
e com a medalha de mérito à bravura militar. S* bacharel em iBcieneias 
^yefcas e ttath^naticas e engenheiro geographo pela ewela central. 
Escreveu: 

— Plano de defesa do território da provinda de iSkHó Gix>sSo 
oom as sondagens do rio Paraguay. Rio de Janeiro, 188S. 

— Projecto sobre penitenciarias militares. Rio de Janeiro, 1885 -^ 
Sstes trabalhos, parece-me, não foram publioadosi mas se conservam 
no archivo da secretaria dos negócios da guerra. 

manoel Josó Pereira» Fra^zeLo — Filho de Pdaoeno 
António Pereira e dona Maria Angélica de Gusmão,'.nasoeu no Rio de 
Janeiro a 13 de junho de 1836, e é prdéssor de matbematioas e philo* 
sophia racional e moral, approvado pelo conselho director da instrucção 
pablica e professor jubilado da instrucção primaria depois de 22 annos 
de magistério. Com destino ao estado eoclesiastioo, fes o curso do se- 
minário de S. Josó, sendo ordenado m minoribue. Faltando-lhe dous 
annos para completar a ordenação, estudou na antiga escola militar o 
curso de mathematicas puras, inclusive, e calculo differenciale integral, 
e também scienoias naturaes. Com taes habilitações leccionou em vários 
ooliógios varias matérias até que em 1863 entrou para o magistério 
primário. Na proclamação da republica achava-se elle com assento no 
Conselho da instrucção publica, de onde sahiu para ir à Buropa estudar 
a organlsação do ensino publico. Escreveu: 

-^ Nõ^õèi de geographia do brasil para uso da mocidade brast* 
I6lra. Rio d9 Janeifoi 1863» 108 pags. in-Sf*. 



140 MA. 

-^ Instrucção publica. Manifesto dos professores públicos da in- 
stracçâo primaria. Rio de Janeiro, 1871, 21 pags. in-8*— Versa sobre 
melhoramentos da classe. 

— OrganisaçSo das bibiiothecas e museus escolares e pedagógicos. 
Caixas económicas escolares. 14 pags. in-fol.* No livro cÀctas e pa- 
receres do Ck>ngresso de instracção do Rio de Janeiro». Rio de Janeiro, 
1884. 

— Afemoria sobre 08 exercícios de analy se do Sr. Gyrillo Dil6^ 
mando da Silveira — No periódico A Escola de 23 de junho de 1878. 

— Cartai do professor da roça: artigos relativos â instracçSo 
publica da corte, publicados no Constitucional de março e abril dd 
1863. Rio de Janeiro, 1864, 44 pags. in-8^ 

~ Educação civica: conferencia feita na Bscola normal superior de 
Saint Cloud a 27 de maio de 1892— Esta conferencia foi escripta em 
Arancez, traduzida em portuguez e publicada na Gazeta de Noticias do 
Rio de Janeiro, começando a 18 de julho de 1892. 

— O ensino primário na Itália, Suissa, Bélgica e França. Relatório 
apresentado à Directoria geral da insM*ucção publica primaria da 
Capital Federal. Rio de Janeiro, 1892. 

— Uma lagrima de saudade á memoria do inspector geral da in- 
struoção publica da corte o conselheiro Euzebio de Queiroz Coutinho 
Matto0o da Camará: discurso pronunciado, etc, pelo orador por parte 
dos professores públicos da instrucgSo primaria por occasião da missa, 
etc. Rio de Janeiro, 1871, 13 pags. in-8«. 

— Collecção de provérbios da lingua portugueza, approva'ia polo 
conselho de instrucçSU) publica da corte para uso das escolas primarias. 
Rio de Janeiro. •• 

-^ Rudiynentos de arithmetica. Taboada — Jà tem oito ediçõeB, 
sendo a ultima de 1890. Rio de Janeiro. 

— PostiUas de arithmetica approvadas pelo conselho de instruoção 
publica. Rio de Janeiro, 1863, in-8® — Este livro, reduzido a compendio 
para uso dos seus discípulos e approvado pelo conselho superior de 
instrucção publica da corte, tevejsegunda edição em 1865, e terceira em 
1869, com 130 pags. in-8\ 

— Postulas de grammatica portugueza. Rio de Janeiro* 1874, 103 
pags. in-80. 

Manoel Josó I*ereix»a da Silva Velhio— Na- 
tural de Abrantes, Portugal, onde nasceu em março de 1801, e brasi- 
leiro pela constituição do Império, falleceu no Rio de Janeiro em 1861 
ou 1862. Hábil tachygrapho, não só exerceu sua arte desde a assembl^ 



J 



M-A 141 

constituinte em 1823« como leccionou-a particularmente e foi encar- 
regado da aula de tachygraphia de Taylor. Escreveu : 

— Appendice d tachygraphia de Taylor ou novo systema do 
aprender esta arte sem mestre, com applicacao das vogaes na escripta 
e de outros melhoramentos. Rio de Janeiro, 1844, 82 pags. in-8«^ com 
duas estampas. 

— Systema do ensino da arte de tachygraphia extrahiJo do Appen- 
dice e seguido na aula de M. J. P« S. Rio de Janeiro, 1850| 8 pags. 
iii-8». 

^ Nova tachygraphia deáicAáíL^olllin. e Exm. Sr. monsenhor 
José António Marinho. Rio de Janeiro ( sem data ), 48 pags. in-4<>. 

— Diálogos tachygraphicos ou systema de escrever tão depressa 
como se falia. Lisboa, reimpresso na Typ. Imperial ( mas no Rio de 
Janeiro, Typ. Laemmert ), 1857, 62 pags. in-8<^ com uma estampa. 

— - Nova tachygraphia ou a arte de Taylor simplificada e ampliada 
com os signaes das vogaes, offerecida â mocidade brasileira. Segunda 
edigão correcta e augmentada para aprender-se sem mestre. Primeira 
parte. Rio de Janeiro, 1857, 104 pags. in-8<' com duas estampas — Oc- 
corre que, apezar da declaração de ser primeira parte, aqui se acham 
as quatro partes de que se compõe a obra. 

^ Complemento â segunda edição da Nova tachygraphia. Rio de 
Janeiro, 1858, 32 pags . in-8o com uma estampa— Ainda sobre o es- 
tado da tachygraphia no Brasil, escreveu elle um artigo na Revista 
F*opular do Rio de Janeiro. 

Manoel «José Pix*es cia. Sil^a Ponte» — Natural 
de Minas Geraes, e ahl proprietário de uma fazenda no termo da antiga 
villa de Santa Barbara, ahi falleceu em 1850 com avançada idade. 
Naturalista e litterato, serviu muitos annos o cargo de guarda-mór 
das minas e outros, como o de presidente da província do Espirito Santo, 
para que foi nomeado por carta de 25 de setembro de 1832, demorando- 
se nesse exercício até 5 de maio de 1835. Foi deputado à segunda le- 
gislatura da assembléa provincial mineira, sócio do Instituto histórico e 
geographico brasileiro e deixou inéditos vários trabalhos ethnographicos 
e outros publicados na Revista do mesmo Instituto, tomos 1^ e 6% 
sendo o mais importante de seus escriptos os seguintes: 

— Historia do Brasil de Roberto Southey, traduzido do inglez 
— E* trabalho diverso do que escreveu depois o dr. Luiz Joaquim do 
Oliveira Castro — de quem já occupei-me. 

— Memorias históricas da provinda de Minas Geraes, desde seu 
descobrimento até a chegada da corte portugueza ao Rio de JOiUeiro 



142 MA 

— Um amigo oa parente do autor, o Sr. Cesário Aagasto da Qama, se 
propuabaa publicar esta obra em 1851, mas nSo me consta que o fizesse. 

--' Emtraetoi de uma Tiagem & província do Espirito Santo ^ Na 
Eêoista do Instituto histórico e geographioo brasileiro, tomo l\ pags, 
345 e seguintes. 

— CÓllecção de memorias archivadas peia Gamara da villa de 
Sabarà — Idem, tomo 6% pags. 269 a 291 . 

~ Sel$cção de provisões, ordens e instracções da junta militar 
da conquista e cívilisaç&o dos indios da província de Minas Qeraes — 
O manuscripto in-fol. datado de 1825, se acha na bibiiotheca do Gabi- 
nete portuguez de leitura. 

«* CdUcçãú de memorias arobivadas pela camará da villa de Sa* 
barà, oompilada, eia. -p-Na mesma Rêeistck^ tomo 6% pags. 269 a 291. 

-* Dof algodões^ do fumo, batata ingleza e amendoim ( vide a R, 
dolnst. 1^6o)• 

Manoel «Tofté Rllielro da, Oiinha, -« Filho de Bta- 
noel José Ribeiro da Cunha e nascido no Maranhio, a 18 de fevereiro 
de 1850, fez todo o curso medico e recebeu o grau de doutor pela facul- 
dade de medidni^ da Bahia, tendo sido sempre um dlstinoto alumno 
deesa faculdade. Foi deputado geral pelo Maranhão, e escreveu: 

— Coíorammoí; Qual o melhor tratamento da hypoemia intertro* 
padl? Espasmos traumáticos e tetanos ; pôde ser considerado legitimo o 
filho de uma viuva, nascido dez mezes depois da morte de seu marido ? 
these inaugural, apresentada, etc. Bahia, 1874, fe pags. in-4« gr. 

— Observações de clinica sobre a pathologiado beribéri, por António 
José Pereira da Silva Arai^jo e Manoel José Ribeiro da Cunha, estu- 
dantes do 6^ anno de medicina. Bahia, 1874, XVI — 204 pags. in-4<>. 

•— Natureza e pathogenia do beribéri. Maranhão. 1874, in-4<» — 
Foi publicado na Revista que se segue, em resposta ao Dr. Pedro 
Francisco da Costa Alvarenga, redactor da G.izeta Medica de 
Lisboa: 

•« Movimento Medico : publicação mensal sob sua direcção* Anno P, 
1876, in-4° ^ Esta publicação não passou do 3^ folheto ou di^ numero. 

— iVbto sobre a esclerose diffusa dos centros nervosos. S. Luiz, 
1882, 52 pags. in-8«. 

ACanoel «Tofté da Silva Ba«toa — Natm^ da cidade 
do Rio Grande do Sul, nasceu a 12 de abril de 1825 e í^lleceu a 15 de 



j 



MA 143 

novembro de 18Ô1. Falleoendo no yigor da moeidade, offereee-noi uma 
prova de quanto os naturaes do Estado sol-rio-grandenae teem notável 
tendência para a li itera tura dramática. De suas compo8Íç()eB tenho 
noticia das seguintes: 

— O castello de Opplieim ou o tribanal secreto: drama. Rio Grande. 
*- O testamento falso: drama, 

— O huco do Ceará: drama. 

— Os brilhantes de minha mulher: drama. 

— O bravo de Cáceres: drama. 

— A Madrasta: drama. 

— Os Jíomens de honra: drama. 

— Os dous gémeos; comedia. 

— > Quem f^fia mata caça: comedia. 

— O soldado Martinho: comedia -<• O meu illostrado obsequioso 
informante nao me diz si estes trabalhos foram pablicados. Sei quQ 
o primeiro foi, porque o vejo mencionado entre os livros da bibliotheca 
do gabinete de leitura da cidade do Rio Grande do Sul. Tenho informa- 
çfto de que ó deste autor: 

— A condessa de Âzola: drama em cineo actos e oito quadros. 

Bftanoel Jamô da íSilva Ouaual>ar a* — Pro&ssor 
pubUco da instrucQSo primaria na oidade de Petrópolis, hoje capital do 
estado do Rio de Janeiro, escreveu: 

— Lições das cousas. Rio de Janeiro, 1881, in-8« *E* um livro 
didáctico. 

Manoel «Tose de iSiqaeira Mendes — Filho do 
major Francisco José de Siqueira Mendes e dona Maria do Carmo Brito 
Mendes, nasceu na cidade Cametà, Pará, a 6 de setembro de 1825 e 
âJleoeu na capital do Ceará a 5 da maio de 189^, quando ahi buscava 
allivio a soffrimentos physicos. Presbytero secular, ordenado pelo bispo 
D. José Affonso de Moraes Torres, foi logo nomeado seu secretario e 
pouco depois cónego da Sé paraense. Foi lente de latim do Lyceu de 
Belém» lente de theologia do seminário episcopal e fundou o collegio 
Santa Crus, que passou a ser collegio paraense, na capital, e em Camet& 
outro collegio com aquelle titulo. Foi deputado provincial por varias 
vezes, deputado geral o senador do Império e administrou sua província 
por três vezes, como vice-presidente. A priocipio militou sob as fileiras 
do partido liberal, sustentando como influencia legitima o conselheiro 
Bernardo de Souza Franco em sua candidatura á camará vitalícia ; de- 



144 IMLA. 

pois, passando para as fileiras contrarias, foi delias chefe e contrahiu 
inimigos que Jamais deixaram de aggredil-o. Escreveu: 

— Questão de tribunos e nacionalidades: collecção de artigos pu- 
blicados, etc. Pará, 1875, 34 pags. de duas cols. in-4<». 

— Discurso proferido na sessão ( da assembléa geral ) de 22 de 
agosto de 1877, sustentando a prorogaçâo do contracto sobre a nave- 
gação do rio Amazonas e seus afluentes. Rio de Janeiro, 1877, 
31 pagf . in-80. 

— Refutação da contestação feita pelo bacharel Demétrio Bezerra 
da Rocha Moraes à eleição do cónego Manoel Josó de Siqueira Mendes 
Rio de Janeiro, 1885, 60 pags. in-8<^ pequeno. 

MAnoel «Tose SoAx-es — Natural de Minas Qeraes, e nas- 
cido a 1 de marco de 1829, falleceu na cidade do Rio de Janeiro, a 12 de 
setembro de 1893, yictima de um accesso de loucura que o levou ao 
suicídio, sendo negociante nesta cidade, director do Banco do commercio, 
membro do conselho fiscal da companhia de saneamento do Rio de 
Janeiro e commendador da ordem da Rosa. Depois de haver repre- 
sentado Minas Geraes na 18** e na I9> legislaturas geraes, foi pela Coroa 
escolhido senador do Império em 1888, militando sempre no partido 
conservador. Escreveu: 

— Banco do Commercio^ sua iniciação, fundação e installação, e 
narrai das princi pães occurrencias. Outubro, 10-1875. Rio de Janeiro, 
1875, 93 pags. 10-4"* — Teve segunda edição no mesmo anno na typo- 
graphia de Nunes Pinto & Companhia. 

— Discurso pronunciado na Camará dos senhores deputados na 
sessão de 14 de setembro de 1882. Rio de Janeiro, 1882, 55 pags. in-12« 
— Versa sobre assumptos do ministério da agricultura. 

IMCanoel «To«é de Souza Firança — Natural de Santa 
Catharina, falleceu na cidade do Rio de Janeiro a 8 de fevereiro de 
1856. Formado em direito e advogado nesta cidade, foi deputado pelo 
Rio de Janeiro á constituinte brasileira, á primeira legislatura e em 
outras ; foi ministro da justiça no primeiro gabinete depois da abdicação 
de D. Pedro I, de 7 de abril de 1831, e antes no de 19 de março ; pre- 
sidiu a província do Rio de Janeiro, de 22 de agosto de 1840 a l de 
dezembro do anno seguinte. Escreveu: 

— Retrospecto dos erros da administração do Brasil desde sua con- 
ducta como causa principal do atrazo de sua prosperidade politica, por 
um brasileiro. Nitheroy, 1848, in-8«. 



MA I4S 

M!aniioI «Tustiniano dé Seiscas-^ Sobrinho do arce- 
bispo d. Romiialdo A. de Seixas e nascido no Par&, sendo presbytero 
secular e vigário de Andirà, no actual estado do Amazonas, foi 
nomeado professor e regea a cadeira de língua indígena, creada pelo 
bispo d. José Aífonso de Moraes Torres. Paliava correctamente essa 
língua e escreveu: 

-* Vocabulário da liogna indígena geral para uso do Seminário 
episcopal do Pará, oíferecido e dedicado ao Exm. o Revm. Sr. D. Josô 
Affonsode Moraes Torres, bispo da diocese paraense, etc. Pará, 1853, 
XVI, 68 pags.in-8». 

— Compendio de doutrina cbrístã em lingua tupi — 'O capitulo 
preliminar deste livro foi pelo cónego Francisco Bernardino de Souza 
reproduzido na sua obra « Gommissão do Madeira, Pará e Amazonas », 
parte 2*, pag. 92 e segs. 

JUanuel «Juvenal — Natural deS. Paulo. Nada mais sei 
a seu respeito, senão que redigiu um periódico com o titulo: 

— Astrea. S. Paulo, 1886 (?) e escreveu: 

— Posturas municipies da Capital para os serviços de amas de 
leite ede criados. S. Paulo, 1886, in-8^ 

Manuel ILiadislau ^ranba Dantas — Filbo de 
Policarpo José de Santa Rita Dantas e dona Maria Roza Aranha 
Dantas, nasceu na cidade de S. Christovão, província de Sergipe, a 
27 de junho de 1810 e falloceu na Bahia a 4 de novembro de 1875, 
sendo professor jubilado da faculd.ide de medicina desta província 
depois de mais de quarenta annos de exercício, do conselho de sua mages- 
tade o Imperador, membro honorário da imperial Academia de medi- 
cina, sócio do Instituto histórico e geographioo brasileiro e do antigo 
Instituto histórico da Bahia, commendador da ordem da Roza e da 
de Ghristo. Formado em cirurgia pela antiga esoola-cirurgica no anno 
de 1832, e nomeado no anno seguinte lente substituto dessa escola, 
foi-lhe conferido em 1835 o gráo de doutor em virtude de resolução 
da assembléa legislativa, que mandou conferir esse titulo aos lentes 
que o não tivessem. No mesmo anno em que entrou para o magis- 
tério havia elle obtido por concurso a nomeação do professor de phi- 
losophia da capital de Sergipe, e já na velhice, foi um dos lentes da 
faculdade de medicina que oíTereceu-se para servir na campanha do 
Paraguay, naufragando em sua ida para essa campanha na praia de 
Santa Rosa, do estado Oriental do Uruguay ; voltou, porém, ao império 
depois dos combates de Curuzú e Curupaity, por dissabores que cau- 

Vol. VI — 10 



1 



14d M.A. 

soa-lhe o commandaDtc das forças brasileiras em Montevideo, para 
onde Ínvia sido removido na qualidade de primeiro medico do nosso 
hospital, nesta cidade estabelecido. Foi membro do conselho da ia- 
strucçao pablica, membro e presidente da commissão de hygiene pu- 
blica, notável philologo, e escreveu: 

— As feridas enwnenadas: these apresentada e sustentada, ete. 
por occasião do concurso para a cadeira de pathologia externa. Bahia, 
1837, 18 pags. iu-4^ gr.— Foi seu competidor o dr. Francisco Sabino 
Alvares da Rocha Vieira, o vulto mais notável da revolução de 7 de 
novembro deste anno. ( Vide este nome. ) 

— Curso de patJiologia externa professado na faculdade de medi« 
cina da Bahia no anno do 1847. Bahia, 1847, 455 pags. in-8^^ O autor 
tinha prompta a entrar no prelo uma secunda edição deste livro, com 
muito accrescimo, quando falleccu. 

— Memoria histórica dos acontecimentos notáveis do anno de 1855 
apresentada à faculdade de medicina da Bahia no dia l'' de março de 
1856, etc. Bahia, 1856, 16 pags. in-4o. 

— Epidemia de cholera-morbus. InstrucçQes sanitárias popu- 
lares para o caso de manifestar-se aquella epidemia entre nós. Bahia, 

1855, 8 pags. in«4o — Ássignam também os drs. Malaquias Alvares dos 
Santos e Felisberto A. da S. Horta. 

— Conselhos dkos proprietários de fazendhis ruraes(para o trata- 
mento do cholera-morbus ). Bahia, 1855, 8 pags. in-8^ — Idem. 

— Relatório da commissão de hygiene publica da provinda da 
Bahia sobre o estado sanitário da província no anno de 1855. Bahia, 

1856, in-8'>. 

— 2>íscMr5o proferido, etc, snpprindo as vezes do vice-director 
depois da collaçao do grào do doutor em medicina em 30 de novembro 
de 1872 — Na Gazeta Medica da Bahia, tomo C% pags. 119 o 
seguintes. 

— Discurso proferido, etc. a 6 de dezembro de 1873 na fliculdade de 
medicina por occasião de conferir o grào de doutor em medicina aos 
que então terminaram o seu curso medico — Na dita Revista, tomo 7«, 
pags. 129 e seguintes — Tem ainda trabalhos em revistas, como: 

— O veneno das cobras — No Crepúsculo^ da Bahia, tomo 3«, 
1816-1847, pags. 38 e seguintes. 

>£a,nuel I^il>ei*a.to Siiteneourt — Nascido a 30 de 
outubro de 1869 em Santa Cathariua, e tendo feito o cui*so da escola mi- 
litar do Rio de Janeiro, serviu na armado artilharia do exercito 



í 



r 



MA 147 

sendo 2^ teDente, e dahi passou para o \^ batalhão de eDgenheiros. 
Escreveu: 

— Tratado maihemuico, theorico, pratico, philosophico e histó- 
rico com um juizo critico do illustrado leote Dp. Licínio Cardoso — O 
Dr. Licinio, bem que note alguns senões, reconhece sua grande utili- 
dade no estudo a que ó destinado o livro. 

— Lições de geometria algébrica, redigida por Samuel de Oli- 
veira ( veja-se este autor ) e Li barato Bittencourt, de accordo com as 
notas tomadas na primeira cadeira do primeiro anno do curso superior 
de guerra. Rio de Janeiro, 1892 ^ Sahiu em fascículos de 32 pags. 
ln-4« — Foi um dos redactores da revista 

— O Soldado: vevisia, militar scientiflca e litteraria da Escola 
militar da Capital Federal. Rio de Janeiro, 1894, in-4^ 

Mlanuel XaiixkCL de A.x*aujo — Natural da província, boje 
estado do Ceará» ahi falleceu com 54 aunos de idade, sendo presbytero 
secular e vigário collado da freguezia de S* Pedro de Ibiapina e penso 
que dedicou-se também ao magistério. Escreveu: 

— Instrucção moral da infância, dedicada & mocidade saboelrense 
pelo.., ex-vigario da freguezia do Saboeiro, de Nossa Senhora da Pu- 
rificação. Fortaleza, 1886, 146 pags. in-8\ 

^Xanuel Hjolbo de Mlr-a^nda IXeiii*ic]Lues — Filho 
do sargento-mór António Borges da Fonseca, naseeu na antiga pro* 
vincia da Parahyba, e falleceu a 25 de abril de 1856 no Recife. Como 
um dos compromettidos na revolução de 1817 foi preso e remettido para 
os cárceres da Bahia. Restituído á pátria e á família em 1821, regres- 
sou para a Parahyba, que administrou por duas, vezes como vice-pre« 
sidente, sendo eleito em 1842 deputado à assembléa geral pela mesma 
província. Tendo-se retirado em 1841 para Pernambuco, ahi occupou o 
lugar de contador da contadoria de marinha, passando por eztincção 
deste a ser addido & thesouraria de fazenda. Presidiu as províncias do 
Rio Grande do Norte e Alagoas. Eleitos em 1838 os deputados por sua 
provineia, escreveu: 

— Representação que á camará dos senhores deputados dirigem 
Manoel Lobo de Miranda Henriques, Frederico de Almeida e Albu- 
querque e António Borges da Fonseca, deputados eleitos pela província 
da Parahyba. Rio de Janeiro, 1838, 12 pags. in-4<». 

3Xa,niiel ILiOpes de Octr-ralbo Ramos ^ Filho 
de António Lopes de Carvalho Sobrinho e nascido na cidade da Ca- 



L 



148 



MA 



choeira, Bahia, a 10 de agosto de 1865, é bacharel em direito pela fa- 
culdade do Recife e distíncto poeta. Tem exercido desde o regimen 
imperial cargos de magistratura Da proviacia, hoje estado de Goyaz, 
em cuja capital é juiz de direito. Escreveu: 

— jP/orei poetieai: Recife, 1883, 100 pags. in-8« — SSo seus 
primeiros escriptos de estadante. 

j — Altareê de Azevedo: drama. Recife, 1884, iD-8* «- Foi repre- 

sentado na capital de Pernambuco. 

— Ooyania: poema épico, Goyaz, 1886, in-8« — Este poema tem 
por assumpto o descobrimento de Goyaz ; contém oito mil versos divididos 
em vinte cantos em oitava rithmados, foi pelo autor doado por escri- 
ptura publica áqaelle estaJo e por ordem do governo foi dado à 
publicação. E' seu principal protogonista o celebre Anhanguera, oa 
Bartholomeu Bueno da Silva. 

— Os Génios: poema. Goyaz, 1896, in-8« — O autor faz o elogio 
dos génios nas sciencias, na litteratura e nas artes e, na intruducção, 
refere-se ao materialismo, que, negando sys tematicamente a exis* 
tencia de Deus, conduz o homem ao egoísmo, ao desalento, á mais 
acerba desesperança e não poucas vezes ao suicídio. Tem inéditos: 

— Epopéa brasilia: poema sobre a guerra do Brazil contra o Pa- 
raguay, 

-^ Os réprobos: poema em tercetost 

Sdranuel ILiopea Macliado -— Natural de Pernambuco 
e ahi &llectdo, foi um homem de grande intelligencia, bem que de 
rudimentar instruoção. Escreveu: 

— O í4 de abril de 1832 em Pernambuco — Refere-se este escri- 
pto ao movimento revolucionário, que se denominou Abrilada, 
Foi publicado na Remsti do Instituto archeologico e geographico 
pernambucano, e creio que em volume. 



Ma.xiuel ILiope» Peee^aeiro — Nascido na cidade de 
Campos, Rio de Janeiro, pelo anno de 1803, falleceu em Paquetâ, a 30 
de outubro de 1888. Assentou praça no exercito a 19 de julho de 1822 
e foi promovido ao primeiro posto de oíficial do infantaria, em cuja 
arma serviu sempre até 12 de outubro de 1875. Era brigadeiro re« 
formado por decreto de 4 de maio de 1870, oílicial da ordem da Rosa, 
cavalleiro da de S. Bento de Aviz e da de Cliristo, condecorado com 
a medalha da divisão cooperadora da boa ordem em Pernambuco 
em 1624, com a medalha da campanha do Uruguay do 1851 a 1852, 



MIA. 149 

eòm a da campanha de Paysandú e a da campanha do Paragnay, 
sendo as três ultimas com passador de ouro. Escreveu: 

-^Combate de 2 de novembro de 1866. Rio de Janeiro, 1870, 
T7 pags. in-S*», cora vários documentos. 

Manuel ILíUíse A.1 vagires de Oai*va,ll%o — Natural 
da cidade da Bahia, doator em medicina pela universidade de Ck)imbra, 
medico da real camará e do conselho de dom João IV, veio para o 
Brazil em 1807 com a real familia e aqui foi nomeado, a 23 de feve- 
reiro de 1812, director dos estudos médicos e cirúrgicos da corte e es- 
tado do Brasil com as honras de physico-mór do reino. Apresentou 
ao governo um plano de estudos de cirurgia que foi approvado por 
decreto de l de abril de 1813, e mais tarde foi nomeado lente substi- 
tuto das cadeiras de cirurgia da academia do Rio de Janeiro, pare- 
cendo-me que faileceu antes de 1825, por não achar-se seu nome no 
Almanak deste anno. Caracter nobre, probo e ao mesmo tempo al- 
tivo 6 franco, nunca recebeu ordenado dos cargos que exerceu ^ 
diz-se que uma vez o príncipe sentindo fortes dores de dente, elle 
depois de lhe examinar a bocca, assim fallou-lhe: Vossa alteza se des« 
cuida ás vezes de limpar os dentes, e é disso que provécn as dores que 
sente. Escreveu: 

-^Plmo dos estudos de cirurgia. Rio de Janeiro, 1813, 6 pags. 
in-fol.— ET precedido do decreto mandando servir de estatutos 
ao curso de cirurgia do hospital da Misericórdia desta cidade, o qual 
fica elevado a cinco annos do frequência. 

— Bibliotheca escolhida e rasoada da matéria medica ou repertório 
dogmático dos melhores remédios que a experiência clinica tem confir- 
mado — Não sei si foi publicado ; ô porém certo que o autor offereoeu 
o authographo & bibliotheca publica da Bahia, assim como o da 

— Summa da excellente obra medica intitulada « Medicinee praxes 
systema > . 

Manuel Hiiiiz <le A.zeve<lo A.i*auJo -— Filho de 
António de Araújo Pimenta e dona Ignez de Azevedo Araigo, nasceu 
na cidade de Estancia, Sergipe, a 24 de novembro de 1838 e faileceu 
em Aracaju a 21 de outubro de 1883, affectado de alienação mental 
resultante de haver perdido um filho asphixiado por submersão. Ba- 
charel em sciencias sociaes e juridicas pela faculdade do Recife, foi 
promotor publico e juiz muDÍcipal em Itabaiana; advogou em Laran- 
jeiras e, passando á capital de Sergipe, foi director da bibliotheca da 
assemblóa, edo asylo das orphans de N. S. da Pureza; director do 



150 ]M[i%. 

curso nocturno e ahí professor gratuito de historia do Brasil ; director 
geral da iostrucção publica e deputado provincial em varias legis- 
laturas. Transferindo sua residência para a Bahia, estabeleceu-so 
como advogado ; serviu o cargo de oílicial-maior da secretiria da 
assembléa, e foi encarregado pelo presidente da província de rever o 
regulamento da instrucção publica cm commissão com os drs. Luiz 
Alvares dos Santos e Pedro Branl^. Foi sócio fundador e presidente 
da sociedade Propagadora da instrucção, de Sergipe ; sócio e também 
fundador da sociedade emancipadora Vinte e cinco de março. Deu-se 
ao Jornalismo, e nelle fundou e redigiu: 

— O Conservador : orgâo do partido conservador. Aracaju, 1868- 
1869, in-foK— Esta folha continuou sob a redacção dos bacharéis José 
L. Coelho e Campos, A. Dias de Fínna Júnior e B. Pinto Lobão. 

^Jornal de Aracaju, Aracaju, 1870 a 1874, in- foi.— Escreveu: 

— O CZtfro e o Sr. deputado Pedro Luiz na camará temporária. 
Maceió, 1864, 39 pags. de duas columnas in-4^ — Este trabalho é da- 
tado de Itabaiana 16 de julho deste anno e offerecido ao arcebispo 
dom Manoel da Silveira. 

— Discurso proferido perante a associação Propagadora da 1q-< 
sfrucção. Aracaju, 1872 — Neste discurso se encontram muitas conside- 
rações sobre organisação da instrucção publica no Brasil. 

— Reforma da Instrucção publica. Aracaju, 1872 — Foi escripto 
por autorisação do governo provincial. Essa reforma crêa a escola 
normal e o Athenôo sergipano. Foi a reforma do regulamento feito 
pelo doutor Guilherme Pereira Rebello. Ha deste autor varias 

— Conferencias — publicadas em folhas do dia. Tem alguns dis- 
cursos proferidos na assembléa provincial, publicados em opúsculos. 
E deixou inéditos: 

— Analyse do Código criminal brasileiro, comparado com os das 
nações cultas. 

— Instrucção publica — Diz-me pessoa, que o viu, que é um tra- 
balho de muito mérito. 

M^O/Uuel ILiuiz Fer-uai^cles da* Roclxa. — * Nascido 
no Rio de Janeiro em 1815, ahi falleceu a 11 de janeiro de 1861. Era 
segundo escripturario da directoria geral de contabilidade do the- 
souro nacional em 1859, como consta do Almanak administrativo, 
mercantil e industrial de Eduardo e Henrique Laemmert. Escreveu: 

•^Esperança ou uma historia de todos os dias: romiince offerecido 
a Eduardo Villas-Boas. Rio de Janeiro, 1854, ln-8\ 



j 



r 



MA. 151 

-^Ishella: romance original brasileiro. Rio de Janeiro, 1870, in-8®. 
-^ Augusto e Olympia: romance original brasileiro. Rio de Janeiro, 
1863, 72 pags. XIII, in.8\ 

— Confissões de uma freira: manuscripto achado. Rio de Janeiro, 
1870, 57 pags. in-4«. 

iMa^nuel IL<uiae <la \^eig'ft — Não sei onde nasceu ; mas 
sei qae viveu em Portugal, esteve na Inglaterra; que em 1809 veio 
para o Brasil e aqui falleceu cidadão brasileiro, em Pernambuco, de- 
pois da independência. Quanto ao mais, sei que era versado no direito 
mercantil e no que diz respeito ao commorcio, como demonstroa nas 
obras que escreveu e que passo a expdr: 

— Escola mercantil sobre o comraercio, assim antigo, como moderno 
entre as nações mercantis dos velhos continentes. Lisboa, 1803, XVI- 
506 pags. in-4«— Este livro teve segunda edição correcta eaugmentada 
em Lisboa, 1819, seguindo-se a ella por causa de muitos erros qae con- 
tinha, a 

— Carta instructiva^ que o autor da Escola mercantil escreveu de 
Pernambuco ao editor da mesma obi*a, residente em Lisboa. Lisboa, 
1820, 8 pags. in-4°. 

— Reflexões criticas sobre a obra de Josô da Silva Lisboa, intitu- 
lada < PriQcipios de direito mercantil », feitas por um homem da mesma 
profissão... Lisboa, 1803,24 pags. in-4o •— Penso que esta publicação 
continuou. 

— Analyse do3 factos praticados na Inglaterra, relativa ás proprie- 
dades portDgnezaa de negociantes residentes em Portugal e no Brasil. 
Londres. 1808, 111-44 pags. in-4«. 

— Nor)o methodo para as partidas dobradas para uso daquelles 
qae não tiverem frequenta-lo a aula do Commercio. Lisboa, XVI-109- 
110 pags. in-4<* — Sei que Manuel Luiz da Veiga publicou mais: 

— Systema de educação 

— Retrato da formosura 

Mantiel de Macedo, \^ — Filho do desembargador Cosme 
Rangel e dona Joanna Cavalcanti, nasceu em Olinda, Pernambuco, 
no anno de 1603 e falleceu em um naufrágio nos mares de Angola no 
annode 1645. Dominicano professo no convento de S. Domingos de 
Lisboa, da ordem dos pregadores, ahi fez seus estU'los, recebeu ordens 
de presbytero e depois foi graduado doutor em theologia. Foi capellão 
e pregador da Duqueza de Man tua, d. Margarida d' Áustria e soffreu 
perseguições e até um exilio para as índias, de Lisboa onde se achava. 



i 



160 ^LA. 

quando foi Portugal libertado do domiDio da Hespanha, por causa de 
suas relaçõeg com altoi porsonagens e ministros haspanhóds; mas, 
sendo reconhecido innoconte o cliamado a Lisboa, morreu em sua volta, 
como ficou dito, longe da pátria, quando ia gosar da liberdade. Foi 
distincto pregadora escreveu varias obras, mas só consta que publicasse: 

— Politica religiosa y carta de un padre à un hijo. Saragoça 
1633-^ Esta obra foi traduzida em portuguez por frei Manuel de Uma 
da ordem de Santo Agostinho. Sâo instrucções de religião de um pai a 
um filho, preparando-o para o estado ecciesiastico. 

]|£a,]iuel de Macedo 9 2<^ — ou Mauuel de Ma- 
cedo Pereirti; de Vusooncellos ^ Filho de Manuel Fe^ 
reira de Sande e dona Maria Jacintha de Macedo e VasconcelloSi 
nasceu na nova Colónia do Sacramento a 5 de maio de 1726 e falleceuem 
extrema pobreza em Portugal a 14 de novembro de 1790, segundo Bal- 
thasar Lisboa. Entrando para a congregação do oratório de S, Filippe 
Nery em Lisboa a 2 de fevereiro de 1747, ahi recebeu ordens sacras, fez 
seus estudos e leccionou humanidades no real hospício de N. S. das 
Necessidades, attrahindo seus ouvintes por tal forma que o próprio rei 
foi mais de uma vez ouvil-o. Daquella congregação sahiu em 1760, 
quando foram perseguidos alguns padres porcahiremno desagrado do 
Marquez de Pombal. Na tribuna sagrada era o que se devia esperar: 
seus sermões eram escutados com geral applauso, e o rei d. Josó, que 
fora seu amigo, dizia delle: «O padre Macedo é muito feio ; mas no 
púlpito ató me parece bonito. » Cultivou lambem a poesia, e escreveu: 

— Elogio do padre Francisco Pedroso, da congregação do Oratório 
deS. Filippe Nery. Lisboa, 1752, in-4'». 

^ Elogio de João Pereira, presbytero da cougregação do Oratório 
de S. Filippe Nery. Lisboa, 1755, 21 pags. in-4''. 

— Elogio fúnebre que nas exéquias consagradas pelos irmãos da 
irmandade do SS. Sacramento da írcguezia da Pena, ã memoria de 
Fernando Martins Freire de Andrade eCastro, recitou no dia 24 dejulho 
de 1771. Lisboa, 1771, 21 paga. in-4\ 

— Oração gratulato)'ia, pela continuação da vida do III'"* e Ex"» 
Sr. Conde de Cairás. Lisboa, 1769, 33 pags. ln-8\ 

— Oollocando^se a estatua equestre do augustissimo rei D. Josó, o 
Magnânimo, no dia felicissimo de sdus annos: ode. ( Lisboa 1775 ) 
3 paga. in-fol. 

— Panegyrico que ao muito alto, muito poderoso rei fidelíssimo, 
Sr. D. Pedro III, consagra no dia de seus annos, etc. Lisboa, 1777, 16 
pags. in-4% 



163 



-*- Orações sacras^ dedicadas ao muito ezcel lente príncipe, o 
sr.d. Francisco de Lemos Faria, bispo-^onde de Arganil. Lisboa, 1785, 
1787, 1788, 3 tomos 237, 210, 316 pags. in-8* — Nessa coliecção se 
acha o panegyrico precedente e o elogio fúnebre. 

— i Sermão verdadeiro no desaggravo do Sacramento, pregado na 
presença de suas majestades e altezas na real capellade N. S. d' Ajuda 
em 1779. Dado â luz por Simão Torrisão Coelho. Lisboa, 1791, 20 
pags. in-8° — De suas poesias foram publicadas três, a saber: 

~ Ode a cantora italiana Zamperini ; Satyra em resposta ao 
Dr. Domingos Monteiro ; Epistola ao Dr. António Diniz da Costa e 
Silva — Foram impressos no tomo 4° das poesias do mesmo Diniz, sendo 
a ultima seguida da resposta deste, e mais tarde no Ramalhete de Por- 
togaU pags. 315, 321 e 346. 

Manuel IIIa.elia.clo de 01iveix*a — Filho de outro de 
igual nome, nasceu no Rio de Janeiro a 20 de marco de 1802, ô enge- 
nheiro civil, fundador e director do Externato polytechnico, do 
collegio João de Deus e escreveu: 

— Exercidos de álgebra superior. Rio de Janeiro, 1886. 

Fr« Manuel da* Mad.i*e de Deus — Nascido na ci- 
dade da Bahia no anno de 1724, vivia em 1761, sendo religioso fran- 
ciscano, professo no convento de Iguassú, em " Pernambuco, a 5 de 
maio de 1745. Neste convento fez seus primeiros estudos, sendo pro- 
hibido por moléstia de dar*se a outros, superiores. Cultivou a 
poesia e escreveu: 

— Summa triunfal da nova e grande celebridade do glorioso e in- 
victo martyr, o beato Gonçalo Garcia, pelos homens pardos de Per- 
nambuco, dedicado ao Sr. capitão José Rebello de Vasconcellos pelo seu 
autor Soterio da Silva Ribeiro, com uma collecçâo de vários folguedos e 
danças e a oração panegyrica que recitou o padre Frei António de 
Santa Maria Jaboatão na igreja do Sacramento de Pernambuco no dia 
1 de maio de 1745. Lisboa, 1753, Xni-164 pags. in-4\ Lisboa, 1753, 
in-4« —Publicado sob o pseudonymo de Soterio da Silva Ribeiro. 

— Corrimento aos Emblemas ou Emprezas de Alciato, ornado de 
todo género de erudição poética, histórica e ainda sagrada sobre os 
assumptos das mesmas emprezas — Inédito, in-fol. 

Pr. Manuel da 31adx*e de I>euâ Bulliôes «— 

Filho do capitão Manuel da Costa Campos e dona Maria de Bulhões, 
nasceu qa cidade da Bahia a 6 de novembro de 1663 e falleceu no 



154 ]!^£^ 

aQDo de 1738, carmelita professo no convento desta cidade a 8 do 
setembro de 1689, depois de ter sido alferes de infantaria. Foi fidalgo 
cavalleiro da casa real, mestre em artes, doutor em theolo^a, 
examinador synodal do arcebispado e lente jubilado de theologia 
sagrada. Foi em sua ordem prior e definidor geral, e representoa-a 
no capitulo celebrado em Roma em 1695. Foi orador applaudido e es- 
creveu: 

— Sermão fúnebre nas exéquias de Roque da Costa Barreto, go- 
vernador que foi do Brasil. Lisboa, 1699, 22 pags. in-4<>. 

-» Sermão da Soledade de Nossa Senhora, pregado na Sô da Bahia 
a 25 de março de 1701. Lisboa, 1702, in^''. 

— Sermão da Soledade^ prôgado na cathedral da Bahia em 13 
de abril de 1702. Lisboa, 1703, in-4». 

— Sermão da Soledade, pregado na Só da Bahia no anno de 1708, 
Lisboa, 1709, iu-4«. 

— Sermão de Nossa Senhora da Ajuda, pregado na sua igreja na 
cidade da Bahia. Lisboa, 1704, in-4''. 

— Sermão em acção de graças pela saúde d'el-rei, nosso senhor, 
pregado na Sé da Bahia, em 24 de maio de 1705. Lisboa, 1706, 22 
pags. in-4\ 

— Sermão do primeiro Synodo diocesano que se celebrou no 
Brasil pelo illustrissimo Sr. d. Sebastião Monteiro, arcebispo da 
Bahia, a 12 de junho de 1707. Lisboa 1709, in-4o. 

— Sermão de Santa Theresa, pregado no Convento do Carmo da 
Bahia. Lisboa, 1711, in-4». 

— Sermão de S. Félix Cantalicio no hospício de N. S. da Piedade 
dos Capuchinhos da Bahia. Lisboa, 1717, in-4<». 

-^Sermão do Principe Apostolo S. Pedro na abertura de seu novo 
templo na cidade da Bahia. Lisboa, 1717, in-4<>. 

^Sermão na festividade de Nossa Senhora da Barraquinha. Lisboa, 
1728, in-4«. 

— Oração concionatoria nas exéquias da Illustrissima Sra. dona Ma- 
rianna de Alencastro, mãi do Exm. Sr. Vasco Fernandes Cezar de 
Menezes, Conde de Sabugosa e capitão general do Estado do Brasil. 
Lisboa, 1732, in-4«>. 

— Sermões em varias solem nidades de Maria Santíssima, mãi de 
Deus o Senhora nossa, pregados na cidade da Bahia. Lisboa Occi- i 
dental, 1737, 427 pags. in-4\ 

— Sermões vários, oíTerecidos ao lllustri^imo e Reverendíssimo 
Sr. d. José Fialho, Bispo de Pernambuco. Lisboa Occidental, 1739, 
388 pags. in-40— Este livro foi publicado com a declaração de 



j 



MA. 165 

tomo 2% assim como o precedento oom a de tomo l^', mas sob mesmo 
título de Sermões vários. 

Manuel d.e IHagpa/lhães Oouto — Filho de João de 
Magalhães Couto e doua Genoveva Maria de Magalhães, nasceu a 23 de 
agosto de 1839 na cidade de Bananal em S. Paulo. Formado em 
direito na escola de Pariz, tendo antes frequentado a faculdade de sua 
província, cujo curso interrompeu, voltou ao Brasil em 1863, fixando 
a sua residência nesta capital, onde se tem dedicado exclusivamente 
ao magistério; foi director do Instituto dos surdos-mudos e nelle 
professor de arithmetica e álgebra, professor de francez da escola 
industrial da sociedade Auxiliadora da industria nacional, professor 
livre de ensino primário e secundário ; lente substituto de francez no 
coUegio Pedro II, nomeado depois cathedratico do internato, já então 
denominado Gymnasio nacional. Escreveu: 

^ Lições de arithmetica organisadas para os alumnos do Instituto 
dos surdos-mudos. Rio de Janeiro, 1869, in-12®. 

— Diccionario francês grammatical, inédito — O autor, sei, projecta 
uma viagem à Europa, com o principal fim de ahi dal-o â pu- 
blicidade. 

Manuel Mo/iria. Saliiaxia. — Natural da provinda, hoje 
estado da Bahia e filho de um abastado fazendeiro da mesma província, 
engenheiro íbrmado não sei por que academia, exerceu algumas com- 
missões de sua profissão e escreveu: 

— Memoria justificativa do projecto de estrada de ferro da Bahia 
a Sergipe desde a povoação do Timbó ató a cidade de Própria, á 
margem do rio de S. Francisco. Rio de Janeiro, 1882, iu-á» — Creio 
que houve uma edição de 1888. Acompanha este livro a 

~ Carta da provinda de Sergipe, mostrando o caminho de ferro 
projectado por M. M. Bahiana. Rio de Janeiro, lith. de Moreira, 
Maximino & Comp. 1882. 

Alanuel Mai-ia de CairvalHo — Filho de José Maria 
de Carvalho, nasceu em Pernambuco a 7 de julho de 1849, ô engenheiro 
geographo e sendo ajudante da Inspectoria geral de terras e colonisação 
do Rio Grande do Sul escreveu: 

— Relatório sobre o serviço de immigraçao e colonisação da pro- 
TÍncia do Rio Grande do Sul, apresentado â S. Ex. o Sr. Conselheiro 
António da Silva Prado, etc. Rio de Janeiro, 188G. 



IM UCA. 

Manuel Mai-la de Moraes Valle — - Pilho do bri- 
gadeiro MaDoel Joaquim do Valle e dona Maria Jos^ de Moraes 
Valle, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 24 de novembro de 1824 
e fállecen a 15 de maio de 188Ô. Doutor em medicina pela faculdade 
dessa cidade, foi nomeado substituto da secção medica a 4 de janho 
de 1852, lente cathedratico de pharmacia a 8 de junho do mesmo anno, 
transferido em 1859 para a cadeira de chfmica mineral e mineralogia 
e Jubilado em 1883, tendo exercido por vezes o cargo de director da 
mesma faculdade. Era do conselho do Imperador, commendador da 
ordem de Christo, membro honorário da Academia imperial de me- 
dicina, presidente honorário do Instituto pharmaceutico e sócio da 
sociedade Auxiliadora da industria nacional. Escreveu: 

— Algumas considerações sobre a mendicidade no Rio de Janeiro: 
these apresentada & faculdade do medicina do Rio de Janeiro, c susten- 
tada em 7 de dezembro de 1816. Rio de Janeiro,1184ô, 38 pags. in-4\ 

— Elementos de philosophia: compendio apropriado à nova forma 
de exames da Escola de medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 
1851, 2 vols., 221-183 pags. in-8o — - Contém o l^ psyohologia e lógica, 
o 2« theodlcéa moral e historia da philosophia. 

— Philosophia popular de Victor Cousin, seguida da primeira 
parte da Profissão de fé do vigário saboyano, de Rousseau: traducção. 
Rio de Janeiro, 1849, 96 pags. in-12». 

-^Alguma» considerações sobre a estructura, irritabilidade e 
principio activo dos nervos eocephalo-rachidianos em geral e sobre as 
funcções do nervo espinhal ou accessorio de Wiliis: theso, eto. por 
ocoasião do concurso ao lugar vago de lente substituto da secçSo de 
soiencias medicas. Rio de Janeiro, 1852, 59 pags. in-4<*. 

— Considerações geraes sobre pharmacia theorico-pratica: opúsculo 
offorecido e dedicado a Sua Magestade o Imperador e destinado a 
servir de guia aos alumnos de pharmacia na primeira parte do reapectivo 
curso. Rio de Janeiro, 1856, 263 pags. iu-4<>. 

— Fasciculo de direcções indispensáveis para os exercícios práticos 
do estudante de chimica mineral. Rio de Janeiro, 186... ^Segunda 
edição, revista e augmentada. Rio de Janeiro, 1867, 72 pags. itt-8<*. 

— Noções elementares de chimica medica, apresentadas em har- 
monia com as doutrinas chimicas modernas e redigidas de modo a 
poderem servir aos alumnos de chimica mineral das faculdades de me- 
dicina do Império. Rio de Janeiro, 1873, dous vols. in-4'^com figuras 
intercalladas no texto. 

— Noções de chimica gerdl, destinadas a servir de prolegomenos 
ao estudo da chimica especial. Rio de Janeiro, 1881, 236 pags. )n-4 



0^ 



I 



ifA. 15"^ 

— Breve ins(rucção para a analyse qualitativa das substaneiag mi- 
neraes e para a peaquiza dos venenos mais eommnns o o exame medico- 
legai do sangue, pelos drs. Moraes Valle e Borges da Costa. Rio de 
Janeiro, 1882, 208 pags. in-8«. 

— Discurso pronunciado no acto solemne da oollaçSo do gráo de 
doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro perante Suas 
Magestades Imperíaes, no dia 29 de dezembro de 1880. Rio de Janeiro, 

^ 1880, 11 pags. in-8« — Ha outros discursos seus e artigos em revistas, 

como: 

— Umd explicação d i vida : sua idóa philosophica — Foi publi- 
cada na Voz da Juventude^ Rio de Janeiro, e reproduzida no Athenêo^ 
da Bahia, pags. 181 a 183. 

Manuel Maria Pires Oaldas -• Filho de Firmino 
Pires Caldas ê nascido na cidade da Bahia a %% de outubro de 1818, 
sendo doutor em medicina pela faculdade deste estado e muito distincto 
operador, apreseutoa-se em concurso a um lugar de oppositor da secção 
cirúrgica e escreveu: 

•* Constatações medico-legaes sobre o aborto: these apresentada e 
sustentada, etc, aos 24 de novembro de 1840. Bahia, 1840, Vni-28 
I pags. in«4« gr. 

^0 que é que caracterisa a diathese purulenta e que theoria 
k . poderá melhor explical-a: these para o concurso de oppositor da secçilo 
cirúrgica da faculdade de medicina da Bahia, etc. Bahia, 1856, in-4* gr. 
^ Publicou vários trabalhos na Gazeti Medica da Bxhia^ como 

— Elephancia do escroto: operação — no tomo \^, 1866-1867, pags. 
208, 245 e seguintes. 

^ Hospital de caridade: serviço de clinica Cirúrgica a cargo do 
Dr. M. M. Pires Caldas —Idem, pags. 153, 177, 185 e 198. 

— Breves considerações sobre o tratamento das coarctações ure- 
thraes e particularmente sobre a urethrotomia urethral — Idem, 1868- 
1869, pags. 37 a 49. 

— Extracção de um calculo vesical volumoso pela talha prerectal 
«Idem, idem, pags. 253 a 265. 

— Anus genital congénito: operação aos 7 mezes de idade, tomo 
15^ 1881-1882, pags. 445 e seguintes. 

— Talha hypogastrica por um calculo volumoso, morte — No vol. 9«, 
anno de 1887, pags. 262 e segs. 

— Cathetcrismo retrogrado da talha hypogastrica em um caso de 
estreitamento urethral impenetrável. Operação praticada com re- 
sultado satisfactorio —Idem, vol. de 1894-1895, pags. 193 e seguintes « 



i 



158 M.A 

MiAnuel I^Carques Brandão — Natarai da Bahiat 
yiyia no principio do século XI K. Presbytero secular e cónego da só 
metropolitana, foi ahi provi5or e vigário capitular. Foi om sacerdote 
illustrado e deixou inéditos vários trabalhos de valor sobre 

— hireito ecclesiastico brasileiro — segundo o autor da Biographia 
brasileira que se acha annexa t Folhinha biographica brasileira de 
Laemmert para 1863. 

manuel Martins Bonilba — Filho do tenente refor- 
mado de milicias Manuel Martins Bonilha e dona Maria Dias do Amaral, 
nasceu na cidade de Porto Feliz, S. Paulo, pelo annode 1820 e falleceu 
a 7 de abril de 1809 na cidade de Porto-Aiegre, Rio Grande do Sul. 
Doutor em medicina pela universidade de Giessen, Grão-Ducado de 
Hesse, visitou vários estados da Europa, alguns lugares da Africa e 
percorreu quasi todos os estados da America. Prestou serviços na cam- 
panha contra o Paraguay como chef 3 do serviço de saúde das forças do 
Estado Oriental do Cruguay, era condecorado com a medalha comme- 
morativa deste estado, e cavalleiro da ordem da Rosa. Escreveu: 

-» Apreciações geraes sobre o estado moral e material da força naval 
brasileira no Rio da Prata e mappa estatístico dos doentes tratados na 
casa de saúde da marinha brasileira em Montevideo, etc. Montevideo, 
1864, 70pag8. in-8°. 

^Apuntes sobre un caso clinico de obliteraciou vaginal, causada 
por cicatrizacion viciosa de los grandes lábios y no obstante este 
obstáculo huboconcepeion. Chile, 1873, iu-8''. 

— Discurso histórico sobre el primier grito de la indepeodencia en 
México. Hermoselo, 1881, 8 paga. in-4<'. 

— A febre amarella em Santos e na Limeira. S, Paulo, 1892, 
in-8^ 

— Genealogia dos Martins Bonilha, Toledo Piza e Amaral Gurgel. 
Rio de Janeiro, 1893, 57 pags. in-8^ 

— A America Meridional e Septentrional — E' uma obra inédita 
em 8 volumes, diz o autor. O autor veio em 1892 a S. Paulo pedir ao 
congresso desse estado a subvenção precisa para publical-a e não a 
obteve. Apenas publicou 

— Prefacio d'\ America Meridional e Septentrional. Rio de Ja^ 
neiro, 1892. 

]M[anuel 3Xax* tinis cia Oosta Ox*uz — Filho do dr. 
Custodio Josó da Costa Cruz e nascido em Minas Geraes pelo anno vie 



r 



IMCA. 159 

1870, é bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, e escreveu : 

— Sonetose Quadrai: S. Paulo, 1888, 59 pags. in-8** peq. — Cursava ^ 
o autor o primeiro auno de direito. 

— Noções sobre a hypotheca, comprehendendo a hypotheca sobre 
immoveis sob o regimen Torrens. S. Paulo, 1892, ia-8» — Era ainda o 
autor estudante, e dividiu o seu trabalho em três partes, afim de faci- 
litar a sua accessibilidade e tornal-o de fácil pratica : na primeira fez 

t um esboço a largos traços do direito pignoraticio. A segunda parte que 

é a mais interessante e importante do seu trabalho, occupa-se não só 
do histórico desse direito entre nós, desde os tempos mais remotos, como 
da sua phase actual, e das condições em que elle está instituído entre 
nós. A terceira parte compõe-se das leis que regem a matéria. 

ma^nuel Ma^irtins d.o Oouto Reis— Natural de Santos, 
S. Paulo, e oriundo de nobre família, falleceu depois de 1825, porque 
no Almanak deste anno ainda vem seu nome. Com o curso de mathema- 
ticas serviu no presidio de Iguatemy em 1774 e em todas as campanhas 
do Rio Grande do Sul atô o posto de coronel. Por determinação do go- 
vernador Conde de Rezende examinou a fazenda de Santa Cruz e todos 
os estabelecimentos, informando acerca de seu adiantamento ou atrasos , 
sendo depois administrador dessa fazenda — Foi membro do Conselho 
I da procuradoria da provinda em 1822, e deputado por S. Paulo na 

\ constituinte brasileira, como supplente do deputado Nicolau Pereira de 

f Campos Vergueiro. Falleceu teneute-general e escreveu: 

— Memorias de Santa Cruz : seu estabelecimento e economia primi- 
^ tiva ; seus successos mais notáveis, continuados do tempo da extincção 

dos denominados jesuítas, seus fundadores, até o anno de 1804 — Sahiu 
publicado na Revista do Instituto, tomo 5% pags. 154 a 199, da 2"^ 
edição. A bibliotheca nacional possuo uma cópia de 66 âs. com duas 
cartas geographicas. 

— Memoria acerca dos meios de facilitar e ampliar a civilisação 
dos indígenas que habitam as margens do rio Parahyba do Sul e seus 
confluentes, e do expediente mais racional para tentar o [estabele- 
cimento de uma navegação pelo mesmo rio e do modo mais próprio de 
arranjar serrarias, corte e fabrico de madeiras a coberto da invasão 

^ dos indígenas — O original de 12 fls. existe na bibliotheca nacional, 

! datado da Fazenda de Santa Cruz, 10 de fevereiro do 1799. ^ 

— Informação acerca dos brejos de S. João Grande e de S. João 
Pequeno da real fazenda de Santa Cruz — O archivo militar possuo 
duas cópias, uma de 3 íls. e outra de 5 pags« in-fol., assim como al- 
gumas cartas topographicas inéditas do mesmo autor. 



L 



1 



160 MA. 

Manuel Ma.x*tln« Xorires — Pilho de António Martins 
Torres, nasoea na antiga província do Rio de Janeiro, fez o curso da 
faculdade de direito de S. Paulo e, ten<io seguido a carreira da ma« 
gistratara, apo«enton-8e como juiz de direito. No regimen republicano 
tem sido yice-presidente de seu estado, presidente da camará mnni- 
cipal de Nitheroy, deputado estadual mais de uma vez, cargo qud 
também exerceu no regimen monarchico. Escreveu: 

— Regulamenio do sello e imposto de transmissão de propriedade, 
completamente annotado — Rio de Janeiro. 

— Reforma hypothecaria ; Lei n. 1237, de 24 de outubro de I8Ô4, e 
decreto n. 3453, de 2Ô de abril de 1865, annotados, etc. Rio de Janeiro, 
1876, 424 pags. in-8\ 

Manuel cia Matta ]L<eite de A^iraujo — Filho de 
Jofto Evangelista Leite de Araújo e natural do Rio de Janeiro, fallecea 
na cidade de S. Paulo a 3 de julho de 1892, doutor em medicina pela 
faculdade do Rio de Janeiro, formado em 1873. Escreveu, segundo me 
informam, diversos trabalhos; só conheço, porém: 

— Da vaccitiação e revaccinaçSo ; Hygrometria ; Acupressura ; Da 
dôr: these apresentada à faculdade de medicina do Rio de Janeiro, 
1873, 123 pags. e 2 fls. in-4» gr. 

AJCanuel Maui-ieio Rebouças — Filho de Gaspar 
Pereira Rebouças e dona Rita Basilia dos Santos e irmão de António 
Pereira Rebouças P, nasceu na villa de Maragogipe, província da 
Bahia, em 1799 e falleceu a 19 de maio de 1866, sendo professor jubi- 
lado da faculdade de medicina, do conselho de Sua Magestade o Impe- 
rador, membro do Instituto histórico e geographico brasileiro, cavallelro 
da ordem do Cruzeiro, condecorado com a medalha da campanha da 
Independência, etc. Apenas tendo estudado latim, muito criança, por 
obediência a seu pai, entrou como escrevente para o cartório de um 
notário publico, e nesse exercício continuou muitos annos, quando, 
sendo já escrevente juramentado, rompeu nessa província, em fevereiro 
de 1822, a guerra gloriosa da independência a que seguiu-se a solem- 
níssima acclamaçâo na villa da Cachoeira a 25 de junho deste anno, e, 
depois de muitas pelejas, a expulsão da tropa luzitana que guarnecia 
a Bahia, a 2 de julho de 18i3. Pronunciado o movimento político, 
Rebouças, seu citado irraâo e muitos outros jovens patriotas flzeram-so 
logo soldados voluntários. Assistiu a muitos combates, como o da abor- 
dagem de uma canhoneira luzitana, realizado debaixo de vivo fogo e 
em desesperada lula, nas trevas da noite e terminando ao romi)er do 



r 



M^ 161 

dia seguinte com a rendição da canhoneira, do seu commandante e dos 
que ainda viviam. Incumbi a-se de emprezas as mais ousadas, como a 
de ir, commandando uma flotilha de frágeis canoas o atravessando 
debaixo de metralha d) vario3 navios do inimigo, arrecadar grande 
quantidade de barris de pólvora ingleza, guardados na ilha acfjacente á 
Barra Falsa. ( Yeja-se o Anuo biographico do dr. Macedo, tomo 2S 
pags. 239 a 244.) Fiada a luta, apresentou-se candidato a um logar de 
f ustiça e não obtendo a carta de provimento, resolveu ir á Europa, 
estudar medicina. B, fazendo os mais estupendos esforços, porque lhe 
fitltavam os meios pecuniários e até os preparatórios necessários, foi à 
França e dalii regressou, poucos ânuos depois, bacharel em lettras 
bacharel em sciencias e doutor em medicina ! Em 1832, com a reforma 
dos estudos médicos e ci*ea^o das escolas de medicina, foi nomeado 
lente de botânica e de elementos de zoologia da escola da Bahia por 
concurrencia a essa cadeira. Escreveu: 

— Disiêrtation sur les inhumations en générale, leurs resultais 
fachoux lorsqu'on les pratique dans les eglises et dans Tenceinte des 
villes, et des moyens de remédier par les cemitiòres extra-murs ; thése 
presentée et soutenue à la, Faculte de Medecine de Paris, ete. Pariz, 
1831, 02 pags. in-4'» — Esta dissertação foi pelo autor traduzida em 
portuguez o publicada na Bahia, onde se faziam os enterramentos nas 
igrejas. 

— Da eholerx-moTbus. Bahia, 1833, in-8« — E' um trabalho com o 
flm de demonstrar a probabilidade de transmittir-se ao Brasil a cho- 
lera-morbns, vinda da Europn, através do Atlântico. 

— Tratado sobre a educação domestica e publica em harmonia 
com a ordem do desenvolvimento orgânico dos sexos desde a gestação 
até a emancipação civil e politica. Bahia, 1859, 348 pags. in-8'. 

— Estudo dos meios mais consentâneos a prevenir nos sertões da 
Bahia o âagello das seccas e por cnusa delias a repetição dos estragos 
que os devastavam. Bahia, 18G0, in-S'' — Ha alguns artigos seus em 
revistas, como: 

— Animação ao talento — No Crepúsculo, periódico litterario da 
Bahia, tomo 1°, 1845, pags. 144 a 147. 

— Sobre a epidemia reinante ( denominada folha em 1847 ) — No Ar- 
chivo Medico Brasileiro, tomo S*", pags. 135 a 137 e antes disso no Guay- 
curú, da Bahia, 1847 — II i, finalmente uma volumosa obra, cujo as- 
sumpto ignoro, escripta pelo conselheiro (lebouças duranto a moléstia 
de que succnmbiu, obra que foi sujeita á apreciação do Dr. Francisco de 
Paula Cândido, quando se suppunha o autor soíTrcndo das faculdades 
mentaes, e a respeito da qual disse o mesmo doutor que < a lera coma 

Vol. VI -. 11 



1C2 



UJL 



mais Tiva satlsfiicSo t>or nfto encontrar nella razOes para sosfieiiar a 
alienação mental dé seu autor »• Supponho que Paula Cândido, ainigo 6 
condiscípulo de Rebouças, levou essa obra para França para imprimil-a, 
e foi perdida com sua morte em Pariz em 1805. 



Mtinuel Mondei da. Ounlia Azevedo — PilUode 
José Manoel Mendes de Azeredo e dona Maria Plácida da ConoeiçSo 
Mendes, nasceu em Pernambuco a 2 de dezembro de 1797 e íklieoeii á 
13 de jullio de 1858. Doutor em direito e em cânones pala universidade 
de Bolonha* voltando á pátria foi nomeado guarda-mór da alilindega 
do Recife, e não acceitando a nom3ação, servia vários cargos de magis- 
tratura, começando pelo de Juiz municipal e de orphaos da comarca áo 
Rio Formoso em 1835, aposentando-se com as honras de desembai*- 
gador em 1853. Começou o curso de direito na universidade deCk}imbra, 
onde nfto o continuou por fechar-se essa universidade em coitíie^ 
quencta das commoções politicas de então. Foi deputado por doa pro- 
vinda à 5", 6" e 7» legislaturas e adquiriu a reputação de graíide orador, 
como j& tinha a de grande Jurisconsulto; mas sem pretenç9es« sem 
vaidade, sem ambições, renunciou não só honras, mas também oozti- 
missòes elevadas, como a de presidente do Maranhão e a de ministro dà 
Justiça no gabinete organisado pelo Marquez do Paranã ; apenas já nds 
últimos annos de sua vida» em 1855, deu-se ao alto magistério come 
lente cathedratico da faculJadede direito do Recife. Foi, me parece» o 
primeiro brasileiro honrado pela Santa Sé com o titulo de pregador 
evangélico por tratar em luminosos discursos da rehabilitaçSo dos cott« 
ventos e dos direitos dos frades. Escreveu: 

— Conducta dos governos da Europa nas suas relações exteriores, 
jfazendo applicação particular à actual questão portagueza, etc. Rio de 
Janeiro, 1834, 50 pags. in-8<>. 

— Risõei de appellição interposta pelo Dr. Filippe Lopes Netto da 
decisão do jury para a relação do districto, com observações sobre o 
accordão que conârmou a decisão appellada. Rio de Janeiro, I850,in-8<^. 

— O código penal do Império do Brasil com observações sobre alguns 
de seus artigos. Recife, 1851, in-8''. 

— Obserroiçòes sobre vários artigos do Código do processo criminal 
e outros da lei de 3 de dezembro de 1841. Pernambuco, 1852, 326 pags. 
in-8«. 

— Discurso que por occasiáo da abertura da cadeira de direito ro» 
mano da Faculdade de Direito desta cidade recitou, etc. Pernambuco, 
1^5, 16 pags. in*8<> — Segundo affirma Pereira da Ckrata em seu Dicoio- 
nario biographico de Pernambucanos celebres, escrevia o Dr. Cunha 



I^lA 163 

Azevedo, qaando o surprehenden a morte, ama obra qaé vioha reformar 
as instituições de Waldeck, que serviam de compendio às fiiculdades de 
direito, obra que se compunha de dous volumes em portuguez e em 
latim. Deixou também algumas poesias. 

A£a.iiuel Mendes ]?ei:*eira. de Vatfooncellos — 

Presbytero secular e vigário collado da freguezia de Catas Altas, db 
actuai estado de Minas Geraes, de onde o supponho natural. Escreveu; 
» Noções úteis do fabricante de vinho. Rio de Janeiro, 1884 — O 
ániòr depois de tratar dò fabrico do vinho e de vários processos para 
isso, indicando as differenças que taes processos trazem ao vinho, pre- 
vine o fdibricante acerca de algumas praticas que estragam essa bebida. 

Manuel Meaelio Pinto — Filho de António Domingos 
Pinto, natural de Pernambuco e nascido pelo anno de 1853, é bacharel 
em direito pela faculdade do Recife e escreveu: 

-* jLourc<«5 por Emílio Zola. Versão brasileira. •• dons volumes 
in-8*. 

Manuel Meaelu,!» ' de r^ealo — Filho de Miguel Josó 
Bernardino LeSo^ nasceu na Bahia a 25 de dezembro de 1799 e fal- 
lecen no Rio de Janeiro a 11 de junho de 1878, sendo ministro do su« 
premo tribunal de justiça, fidalgo ca vali eiró da casa imperial, com* 
mendador da ordem da Rosa e da de Ghristo. Tomou assento na 3"^ 
legislatura, de 1834 a 1837, como deputado por Alagoas, supplente 
do deputado António Pinto Ghichorro da Gama, também eleito por 
Ifinas Geraes ; escreveu: 

^ Projecto (U lei para o melhoramento do meio circulante no 
Brasil : exposto, desenvolvido e offerecido aos proprietários de terras 
e classes industriaes. Rio de Janeiro, 1834, 24 pags. in-S*». 

Frei Hfsbnuel do Mionte Oa;i*naello — Nasceu, 
si me não engano, em Pernambuco pelo meiado do século XVIII e 
allí recebeu o habito da ordem dos carmelitas; foi em 1782 lente de 
philo0Dpkia e de theologia na dita ordem, pi*esidente das conferencias 
dos casos de consciência, dednidor, procurador provincial e pro* 
curador geral na corte portugueza. Segundo assevera Balthazar da 
Silva Lisboa em sens Annaes do Rio de Janeiro, tomo 7% pag. 190, 
escreveu: 

— Taboas impressas como diccionario de contas feitas para se 
aeiíar oom facilidade os resultados pedidos de quaesquer números que 



164 



MA. 



nio S0 topam nas taboas logArithmas — Nanca vi, aem ouvi mais 
fallar-ge neasa obra. 

— Paraphrases e tradueções de diyei'sos bymnos e psalmos — Nao 
conheço igaalmente essa obra qae, aíllrma o mesmo aator, ó escripta 
oom maito gosto e erudição. Ha deste autor um 

— iSofi^o dedicado ao bispo de Pernambuco, d. Pr. Diogo de Jesus 
Jardim e um 

— Cântico dedicado a Nossa Senhora da Ponha. 



!>• Manuel do Monte Roclrig^iiea de Araújo, 

Conde de Irajà e 9« Bispo do Rio de Janeiro — Filho de João Ro- 
drigues de Araújo e dona Catharina Ferreira de Araújo, nasceu em 
Pernambuco a 17 de março de 1796 e falleceu no Rio de Janeiro a U 
de junho de 1863, prelado assistente do solío pontificio; capellão-môr 
e do conselho de Sua Magestade o Imperador ; membro da Academia 
daa sciencias e artes de Roma, da sociedade dos Antiquários do norte, 
do Instituto histórico e geographico brasileiro, do Instituto histórico 
da Bahia, e de outras associações scientiílcas nacíonaes e estrangeiras, 
grande dignitário da ordem da Rosa, commendador da de Gbristo e 
grã-crui das ordens de S. Januário e de Francisco I de Nápoles. 
Ordenado presbytero secular, leccionou theologia no seminário epis- 
copal de Olinda e, quando se abriram as faculdades de direito, foi um 
dos primeiros matriculados na de sua província, que o elegeu deputado 
á 3* legislatura, sendo depois pelo Rio de Janeiro eleito á 6* legisla- 
tura. Apresentado bispo do Rio de Janeiro a 10 de fevereiro de 1839 
e confirmado a 13 de dezembro do dito anno, foi quem sagrou e deu 
as bênçãos nupciaesao Imparador D. Pedro I[ e quem baptisou os 
filhos do mesmo soberano. Como disse F. M. Raposo de Almeida, 
«era uma triplico gloria: para a igreja, para o BL*azil e para 
as lettras; era padre de yocaçao, cidadão virtuoso, politico sin« 
cero, sábio illustre, prelado exemplar, christão severo comsigo e 
indulgente com os outros». Das raras virtudes de que foi dotado, a 
caridade era a que elle mais praticava: muitas famílias recebiam delle 
uma mesada e muitos jovens recebiam delle o auxilio pecuniário 
para se instruírem; seu palácio era o refugio da inrligencia. Por 
occasião da epidemia da febre amarella de 1850 e da epidemia do 
cholera-morbus de 1855, sahia muitas vezes a animar os pobres, le- 
vando-lhes o obulo da caridade, e na segunda destas epidemias chegou 
a esmolar pelo commercio da corte para a pobrez^x ! Escreveu: 

* Compendio de theologia moral para uso do seminário de Olinda. 
Pernambuco, 1837, dous tomos de 407-468 pags. in-S*» — Teve esta 



MA 165 

obra seganda e terceira ediçOes no Brasil e mais duas em Portugal, 
a saber: seguada edição, revista, correcta e augmentada pelo autor, 
actual bispo do Rio de Janeiro. Accresceram nesta edição a liturgia 
de cada um dos sacramentos, um appendice sobre o estudo religioso, 
varias decisões pontiflcias recentes sobre a usura, e uma tabeliã ou 
Índice razoado de todas as matérias contidas no compendio. Rio de 
Janeiro, 1846-1847, três tomos de 306, 307 e 286 pags. ia-8». Ter- 
ceira edição, revista, correcta e additada pelo autor. Rio de Janeiro, 
1843, três tomos de 384 pags. e mais 33 das definições contidas no 
Yolame ; 376 pags. e mais 35 do catalogo, 236 e mais 33 do catalogo 
e 107 do Índice razoado. A quarta e quinta edições ou primeira e se« 
gnnda de Portugal, são ambas do Porto: aquella de 1853 ou 1854 e 
esta de 1858 em dous tomos e, si me não engano, já vi uma terceira 
edição em dous vols. também do Porto, 1863, melhorada e reformada 
por António Roberto Jorge. A não haver, portanto, equivoco de mi- 
nha parte, teve esta obra seis edições. Desde sua primeira publi- 
ca^ foi ella adoptada em todos os seminários do Império e geral- 
mente elogiada, e com effeito, sendo o autor considerado por muitos 
homens doutos como eximio theologo, si não estava ella na mesma 
plana dos tratados de thoologia de Gousset e de Perrone, é sem du- 
vida o que havia de mais conformidade com os nossos costumes. O 
autor, entretanto, instruira-se, como todos os padres da época» nas 
theologias de Lugdeneuse e Montpellier, eivadas de jansenismo, que 
entre as heresias condemnadas é considerado um veneno subtil que 
invade, sem sentir-se, a doutrina. Resultou disto que, sendo a primeira 
edição de seu compendio examinada em Roma, nelle descobriram-se 
erros de doutrina janseuista, e então, segundo se disse, foi o represen- 
tante da corte de Roma no Brasil incumbido pelo Papa de Aizer-lhe 
sentir os erros em que cahira, e elle dócil como era, justiflcando-se, 
os corrigiu nas edições successivas. Por decreto dá Congrega^ do 
lodioe de .20 de junho de 1869 foi esto livro condemnado, assim como os 

— Elcinentos de direito eoclesiastico publico e particular em relação 
à disciplina geral da igreja e com applicação aos usos da igreja do 
Brasil. Rio de Janeiro, 1857, 1858 e 1859, três tomos, 534, 586 e 271 
pags. in-8« — O tomo 1° está sob o titulo Das pessoas ecclesiasticas ; o 
2^ Das cousas ecclesiasticas ; o 3** Dos juizes ecciesiasticos, etc. 

— Memoria sobre o direito de primazia do soberano pontiflce ro- 
mano quanto á confirmação e instituição canónica de todos os bispos* 
traduzida do francez. Rio de Janeiro, 1837, in-8^ — Este escripto, pu- 
blicado sob o anonymo, me afUrmam ser de sua penna. 



16Ô MA. 

— Opúsculo Bobre a qaestão que tivera o Bzm. arcebispo da Bailia 
metropolitano do Brasil, D. Romualdo António de Seixas, com o Mspo 
eapellfto-mór do Rio de Janeiro a respeito do ministro, a qaem com- 
petia fazer a cerimonia da benção e coroação de S. M. o Imperador do 
Brasil. Rio de Janeiro, 1841, 108 pags. in-4^ — O Imperador resolveu 
a qaestão em fovor do arcebispo, primaz do Império, e oomqaaato os 
dous contendores estivessem convencidos de seu direito, nem aquelle 
demonstroa o menor signal de orgulho pela prefisrenela, nem este o 
menor resaibo de desgosto, o antes offereceu-se logo para assistir à 
oerimonia. É que os combatentes eram dous ministros ricos de saber e 
de virtudes, dous ministros do D^us de paz, de amor. 

— Car^a pistoraí saudando e dirigindo algumas admoestações aos 
seus diocesanos. Rio de Janeiro, 1840, 83 pags. in-8<*. 

— Pastoral estabelecendo as regras que se devem guardar acerca 
da exposição do SS. Sacramento. Rio de Janeiro, 1840, 15 pags. íd-8*. 

— Sobre a chrisma. Rio de Janeiro, 1842, 8 pags. in-8° — E' uma 
circular aos parochos da diocese. 

^ Carta pastoral recom mondando a obra da propagação da fé. 
Rio de Janeiro, 1843, 27 pags. in-8^ 

— Instrucção pistoral contendo as principaes regras que os RR* 
parocbos devem guardar antes e na occasião de solemnisar os matri- 
mónios. Rio de Janeiro, 1844, 45 pags. ln-8^ 

— Carta pastoral declarando pertencer ao bispado do Rio de Ja- 
neiro o sertão de Garangola na fregoezia de Santo António dos Guarulboe 
no município de Campos. Rio de Janeiro, 1845, 14 pags» in-8^. 

*- Carta pastoral contendo providencias Acerca do estado da igrc^ja 
do Rio Grande do Sul depois da pacificação desta proyincia ( n. 21 ). 
Rio de Janeiro, 1845, 49 pags. in-S^". 

^ Mmdamènto por occasião e em reparação do desaoato feito à 
Imagem de Jesus morto na igreja da Cruz desta corte, no dia 29 de 
julho do corrente anno. Rio de Janeiro, 1845, ia'8« •— Esta pastoral 
foi logo reproduzida num opúsculo que foi publicado sobre a triste 
occurrencia, o qual teve três edições successivas sob o titulo : « O cas- 
tigo de Deus no anno de 1845 », com uma estampa. A terceira edição 
ô de 1846. 

— Carta pastoral annuncie^do a presença do sagrado corpo da 
virgem e martyr Santa Presciliana nesta corte, vindo de Roma ( n. 27). 
Rio de Janeiro, 1846, 18 pags. in-8^ 

— Carta pastoral por occasião de um sermão pregado em Petró- 
polis no dia da festa do apostolo S. Pedro em 29 de junho deste anno. 



j 



MA. 167 

Trata da tolerância cbrisift ( n. 28 ). Rio de Janeiro, 1846, 28 pagt • 
ln-8«, 

-« Mandamento publicando o jubileu por oocasi&o do exaltamento 
do 88. P. Pio IK (n. 30 ). Rio de Janeiro, 1847, 21 pags. iQ-8^ 

«- Caria pastoral avisando os RR. parochos e pregadores desta 
eapital para combaterem em soas pregações o sulcidio, combatendo as 
falsas doutrinas qae em geral prodasem este crime. Rio de Janeiro, 
1849, 13 page. iQ-8«. 

-»> MàndametUo publicando um jubileu extraordinário, concedido 
pelo SS. P. Pio IX. Rio de Janeiro, 1852, 16 pags. in-8\ 

— Carta pastoral rdcommeadando a observância do domingo e de 
outros dias de guarda nesta diocese ( n. 38 ). Rio de Janeiro, 1852, 15 
pags. in-8^. 

— Caria pastoral publicando uma indulgência plenária om forma 
de jubileu por occasião da definição do dogma da ConceiQSo Imma- 
eulada da Santíssima Virgem Maria. Rio de Janeiro, 1856, 16 pags. 
iQ.go ^ Como se evidencia da numeraçSLo de algumas pastoraes, 
existem muitas outras. N&o dou noticia, senão de um terço, quando 
muito, delias. Na Tribuna OathoHea^ revista de religião, re^ligida pelo 
cónego J. C. Fernandes Pinheiro, ha vários esoriptos do Conde delrajá, 
como o 

— àianiiamento^ pnblioando o Jubileu do anno santo ( 1850 ) ns. 3, 
4e5. 

}|£ai&uel cie Moraes — Filho de Francisco Velho e 
dona Anna de Moraes, nasceu na villa , hoje cidade de S« Paulo, a 4 de de- 
zembro de 1586 e foUeceu em Lisboa em 1651 . Tomando a roupeta dos 
Jesuítas, fez na companhia seus estudos e recebeu as . ordens sacras ; 
masi deixando o Brasil, foi & Europa, e em Amsterdam abjurou a re- 
ligião oatholiea para abraçar o calvínismo e, tomado de violenta pai* 
zão, casou-se com uma hollandeza. Chegada essa noticia ao tribunal 
da inquisição de Lisboa, foi relaxado em estatua no auto de fó de 16 
de abril de 1642. Três annos depois» saudades da pátria o levaram a 
Toltar ao Brasil ; mas em sua passagem por Portugal foi preso e re- 
mettido aoe cárceres daquelle tribunal, de onde só obteve liberdade 
depois de mostrar-se arrependido de seus erros e abjurar a seita que 
seguia. Não chegou, porómi a ver sua pátria, morreu quando à ella 
voltava com maior cabedal de conhecimentos adquiridos na Buropa. 
Bsoreveu: 

— Prognostico y resposta a una pergunta de un cabalero muy 
ilustre sobre las cosas de Portugal. Liedem, 1641, in-4o— B' dedicado 



/ 



168 



a Tristão de Meadonça Furtado, embaixador de el-rei D. João lY de 
Portugal nos estados da Holianda, eem favor daacclamaçilodo mesmo 
rei» e foi contestado por D. João de Garanuelo. Ahise intitula o padre 
Moraes theologo histórico da iUustrissima companhia das índias 
Orientaes. 

— Memorias históricas sobre Portugal e o Brazil— Consta-me 
apenas que essa obra foi publicada em Amsterdam e que ahi escreveu 
também uma excelleuto 

— Historia da America — que nunca foi publicada, mas foi vista por 
João de Lnet, que muito a elogia, e confessa ter delia extrahido para 
seu Novus orbis noticias bastante importantes, que também d& em 
sua Historia da índia Occidental. 

— Dictionarium nominum et vorborum linguae brasiliensis maxime 
communis— Vem na «Historia reram naturalis Brasilios» porMaro^ 
gravio. Na edição, porém, de 1648 não vem por ordem alphabetica, como 
a edição de 1658 * Houve, mo parece, mais dous padres com o nome de 
Manoel de Moraes: um, que em 1558 escreveu sobre a índia Portu- 
gueza ; outro, que esteve em Pernambuco durante o doftiinio hoUandez 
e justamente quando esse a quem me retiro achava-se em Amsterdam 
ou nas masmorras do santo officio. 

IMEaiiiuel dai Moita. Monteiro Hiopeei — Pilho de 
Jeronymo Monteiro Lopes e nascido em Pernambuco a 1 1 de janeiro de 
1867, é bacharel em direito pola faculdade do Recife, formado em 1889 
e advogado na cidade do Rio de Janeiro. Escreveu: 

— A dama de sangue: romance. Recife, 1890, dous vols. in-8* — 
Fez-se a publicação em fascículos. 

« 

Mianuel do N'a.soiiiieiito Oa^stro e (Silva ^ Pilho 
do capitão-mór José de Castro e Silva e dona Joanna María Bezerra, 
nasceu em Aracaty, provinda do Ceará, a 25 de desembro de 1788 e 
falleceu na corte a23 de outubro de 184Ô. Com dezenove annos de idade 
era solicitador dos feitos e execução da fazenda na vil la boje cidade 
de seu nascimento e depois exerceu successi vãmente os cargos de tabel- 
lião do publico, judicial e notas e escrivão do crime e eivei na villa 
do Crato ; escrivão da camará, orphãos e almotaceria de Aracaty ; 
inspector do algodão na capital de sua província ; offlcial-maior e secre- 
tario interino do goveroaJor Manosl Ignacio de Sampuo ; membro da 
commissão consultiva junto ao governo, etc. Foi presidente da província 
do Rio Grande do Norte, deputado ás cortes portuguezas em 1821 ; 
deputado á assembl^a geral nas quatro primeiras legislaturas de 18M 



J 



M/k 169 

a 1841 ; ministro da fazenda desdô 7 de outubro de 1834 ató 16 de 
maio de 1837, e era senador do Império, membro do Institutos 
histórico 6 geographico brasileiro e da Sociedade auxiliadora da in- 
dustria nacional, e cavalleiro das ordens da Rosa, do Cruzeiro e de 
Ctiritito. Escreveu: 

— Guia do novo mantial dos collectores e dos collectados. Rio de 
Janeiro, 429 pags. in-8<^. 

— Preciso dos successos que occasionaram o grande acontecimento 
do fkustoso dia 7 de abril, etc. Rio de Janeiro, 1831, 3 pags. in-foh 
( Yeja^se José Marti niano de Alencar, 1<^.) 

— Manifesto que ao respeitável publico offerece o ex-presidente 
da província do Rio Qrande do Norte e deputado pela província do 
Cear&, etc. em abono de sua bem provada conducta e para conheci- 
monto da calumniosa couta que delie deu o ex-goveruaior pela lei 
António da Rocha Bezerra. Rio de Janeiro, 1826,27 pags. in-fol. 
pequeno. 

— Easposição ao respeitável publico. Rio de Janeiro, 1827, 21 
pags. in-fol. 

^ Refutação de um artigo inserto na Astréa n. 96, de 10 de fe- 
vereiro de 1827. Rio de Janeiro, 1827, 4 pags. iu-fol.— Estes três 
escriptos versam sobre politica, e sobre o mesmo assumpto publi- 
cou-se: 

-* Reflexões sobre dous impressos que deu á luz o ex-presidente 
da província do Rio Grande do Norte, deputado do Ceará, Manoel do 
Nascimento Castro o Silva, em abono de sua illibada conducta contra 
o calumníador António da Ro3ha Bezerra. Reimpresso na typ. nac. 
do 'Ceará, 1828, in-fol. 

Manuel do IVasoi mento da F^onseoa Oalvão 

— Pilho do brigadeiro José António da Fons3C.i Gal Vcão e dona Marianna 
Clementina de Vasconcellos Galvão e irmão do Visconde de Mara- 
caji^ ( veja-se Rufino EnôAS Gustavo Galvão ), nasceu em Sergipe e 
bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, seguiu a carreira da 
migi^ratura. Sdndo desembargador da relação de Pernambuco, con- 
tiaaou no regimen republicano a servir na mesma relação, hoje Supe- 
rior tribunal de justiça, de que ó presidente. Foi deputado por Santa 
C^tbarina e administrou Sergipe. Escreveu: 

— Notas ffeographicas e históricas sobro a La q:u na desde sua fun- 
dação até 1750. Desterro, 1881, 56 pags. in-4'»— Houve segunda edição 
em 1884, também no Desterro. Além deste trabalho tem escripto 
yarios relatórios . 



170 MJL 

Bf Anael do Naftoimento MaobadloPortella^ 1^ 

«- Pilho de Joaquim Machado Portella • dona Joanoa Joaquina Machado 
Pires Ferreira, nasoou em Pernambuco a 25 de dezembro de 1833 e &.Í- 
leeeu no Rio de Janeiro a 9 de dezembro de 1895, doutor pela facul- 
dade do Recife, professor Jubilado da mesma faculdade, lente e director 
da faculdade livre de scieneías juridicas e sociaes do Rio de Janeiro, 
agraciado com o titalo de conselho do Imperador D. Pedro 11, membro 
e presidente do Instituto da ordem dos . advogados brasileiros, oom- 
mendadcr da ordem da Rosa e da de Chr isto, tanto do Brasil como de 
Portuf^al, e officiai da ordem da Ck>rôa ds Itália. Foi por veses deputado 
provincial, deputado geral na decima oitava, decima nona e vigésima 
legislaturas e foi votado em primeiro logar numa lista triplico para 
senador. Exerceu o cargo de ministro do Império no gabinete de 20 de 
agosto de 1885, administrou sua província natal por mais de uma vei 
como seu primeiro vice-presidente e administrou depais as de Minas 
Geraes e da Bahia. Militando sempre no tempo do Império sob a ban- 
deira do partido conservador, depois da proclamaçlSo da Republica reti- 
rou-se da politica para dedicar-se & advocacia e ao magistério somente. 
O dr. Machado Portella, finalmente, pertencia a varias associações, 
como o Instituto archeologico pernambucano, a Sodedade propagadora 
da Instruccfto, de que foi presidente, a Sociedade auxiliadora da agri- 
cultura, de que também foi presidente, a imperial Sociedade dos ar- 
tistas mecânicos ê liberaeSf de que foi director, e outras. Escreveu: 
— * Dissertação e thêsês^ etc. para obter o gr&o de doutor em di- 
reito. Pernambuco, 1856, in-4*. 

— Dissertação e theses^ etc. para o concurso ao logar de lente sub- 
stituto, etc. Pernambuco, 1857, in-4«-* N&o pude ver esse trabalho, 
nem o precedente. 

— > Fheuldadê dê direito do Recife. Memoria historica-academica do 
anno de 1869, lida perante a con^regaçfto. Rio de Janeiro, 1870, in-4«« 

— Discurso proferido na abertura da Exposição de prodnotos agrí- 
colas a 2 de dezembro de 1873 -- Na Exposição dos produotos natnraes 
agrícolas, promovida pela Sociedade patriótica Doze de setembro. Re- 
cife, 1877, de pags. 5 a 20. 

^ Eooposição provincial de Pernambuco, inaugurada em 4 de julho 
de 1875 na cidade do Recife. Recife, 1878, 64 pags. tn-S^" — Contém o 
opúsculo discursos do conselheiro Portella como presidente da com« 
missão directora, relatórios e actos por elle assignados, etc. 

— Eleição de Pernambuco : ezposi^ que sobre o processo eleitoral 
da provinda de Pernambuco apresentou á primeira oommlssSo de iii« 
querito. Rio de Janeiro, 1878, 44 pags. in-8\ 



171 

— Efeiífões dê Pernambuco: discursos proferidos na Camará dos 
deputados. Rio de Janeiro, 1879, 146 pags. ia-S**. 

— Primeiro districto de Pernambuco. Debate oral perante a pri- 
meira commissfto de inquérito. Rio de Janeiro, 1885, 04 pags. in-8* 
pequeno* 

— Orçamento do Império; discursos pronunciados no Senado. Rio 
de jfaneiro» 1887 ^ Era o autor então ministro do Império. 

Ma«uiiel do IVaseimento Ma.eIi.ado Poi^tello;, ^^ 

— Filho do precedente, nasceu em Pernambuco a 24 de dezembro de 
1850 e falleceu no Rio de Janeiro a 20 de dezembro de 1894, bacharel 
em direito pela faculdade do Recife e em seguida doutor. Foi iente cathe- 
dratíco da mesma faculdade, tendo-se apresentado quatro vezes para 
lente substituto e tendo nessa faculdade aberto um curso das matérias 
do {Vimeiro anno. Foi em 1893 designado pela oongrogação dos lentes 
para a commiMão encarregada de estudar e dar parecer acerca do pro- 
jecto do código civil do dr. António Coelho Rodrigues. Advogou na 
oidade do Recife, era sócio do Instituto archeologico e gepgraphico 
pernambucano, da Sociedade propagadora da instracção publica, do 
Lyoeu de Artes e Offlciog e escreveu: 

— Bissertação e theses que apresenta á Faculdade de direito do Re- 
cite a fim de obter o gráo de doutor. Recife, 1885, in'-4<^ — Nunca pude 
Ter este eseripto, nem os seguintes: 

— Dissertação e theses qne apresenta á Faculdade de direito do Re- 
cife em concurso a uma cadeira de lente substituto. Recife. 

-^ Alei que regula a successão do estrangeiro. Recife. 

^ A legislação hypothecaria e operações de credito. Recife. 

Manuel ISo^ueira Viotti — Filho de Domingos No- 
gueira Viotti e nascido na cidade da Campanha, em Minas Geraes, é 
bacharel em direito pela Faculdade de S. Paulo, e ahi advogado. Es- 
creveu: 

— Fhroâs: poesias. Rio de Janeiro, 1893, In-»» — E' o redactor 
ohele e fundador do 

— Arehivo lUmtrado. S. Paulo, 1899. 

l^fanuel IN unes A.f A>iiso de Birito — Filho de Ma- 
suei Nunes de Figueiredo e dona Luisa Francisca de Brito, nasceu na 
Bahia a 27 de agosto de 1834» ahi fez o curso da Faculdade de medicina 



^ 



V 



172 3MA. 

ô recebau o gráo de doutor em ISoS, e em agosto de 18Ô0 Mieceu na 
ilha da Madeira. Escreveu: 

— Regras praticas sobre o emprego da anesthesia na therapeotica 
cirúrgica ; Que circumstancias concorrem para o apparecimento da 
febre amarella na Babia em certa o determinada época doannolA 
albuminúria que apparece durante a prenhez, dependerá da mesma 
causa, que a que sobrevem na escarlatioa e na cholera-morbus? Ck>mo 
reconhecer-se que houve aborto em um caso medico-legal ? These 
apresentada, etc. para obter o gráo de doutor em medicina. Bahia, 
1858, VI-34 paga. in-4'» gr. 

* Discurso recitado no acto do doutoramento em nome dos collegas 
doutorandos de 185S na Faculdade de medicina da Bahia. Bahia, 1858, 
1^ pags. in-S". 

Manuel Odorioo Mendes — Filho do capitâo-mór Fran- 
cisco Raymundo da Cunha e doua Maria Raymunda Correia deF&ria« 
nasceu na cidade de S. Luiz do Maranhão a 24 de janeiro de 1799 6 
íklleceu em Londres, num vagão de caminho de ferro, com um acceaso 
de asthma complicado de lesão cardíaca a 17 de agosto de 1864. Com o 
deaignio de forma r-se em medicina dirigiu-se a Coimbra, onde fez todo 
o curso de philosophia, interrompendo seus estudos e voltando á pátria 
em 184^4 com a noticia dos acont3ci mentos aqui realizados. Dedioou-se 
então á politica e foi eleito deputado pelo Maranhão nas duas primeiras 
legislaturas, sendo seu nome, em vista da attitude que tomara na ca- 
mará, lembrado em 1831 pelos directores da situação para fazer parte 
da regência do Império, e foi depois, pela provinda de Minas, eleito 
deputado á (.> legislatura, dnda a qual retirou-se da politica o estabe- 
leceu residência na liluropa. Serviu o cargo de inspector da thesouraria 
provincial do Rio de Janeiro, cargo em que foi aposentado, o foi um 
grande patriota sem outras ambições além das que fossem pelo bem da 
pátria e dotado de excessiva modéstia. Com Evaristo da Veiga foi ítm- 
dador e o presidente da sociedade Defensora da liberdade e indepen- 
dência nacional, fundada a 19 de maio de 1831, da qual aquelle foi o 
secretario. Era versado n\ lingua grega e em outras e notarei poeta, 
sendo para lammtar se que se entregasse quasi exclusivamente a 
traducções, l)em quede primores, traducções-molelos, só para poetas 
de sua ordem, e abandonasse aspropria^j inspirações. Era commendador 
da ordem de Christo ; membro do Instituto histórico e geographico 
brasileiro, da sociedade Amante da instrucção, da de Instrucção ele- 
mentar e da Academia de bellas artes do Rio de Janeiro, da Academia 



i 



MA. i73 

real das scienciaa de Lisboa e,6m tempo de estudante, da sociedade dos 
Amigos das lettras de Coimbra. Escreveu: 

— Merope: tragedia de Volti^ire, traduzida em portuguez. Rio de 
Janeiro, 1 831, 86 pags. in-8«. 

— Tancredo: tragedia de Voltaire, traduzida em portuguez. Rio 
de Janeiro, 1838, 185 pags. in-8<» com o texto ao lado. 

— Eneida brasileira ou traducção poética da epopéa de Virgílio 
Maro. Pariz, 1854, 392 pags. in-8'' com annotações. 

*- Virgílio brasileiro ou traducção do poeta latino. Pariz, 1858, 800 
pags. 10-8*» — Contém este livro a obra precedente em segunda edição 
correct-a e aperfeiçoada e com desenvolvidas annotações, sendo prece- 
dida da Bucólica e das Georgicas, quer estas, quer aquella, seguidas de 
notas. Esta traducção das obras do poeta latino ô geralmente reconhe- 
cida como a primeira na lingua vernácula. 

— Tliada: poema de Homero, em verso portuguez. Rio de Janeiro, 
1871, 312 pags. in-8* — E* uma publicação posthuma, e consta-me que 
Odorioo Mendes também deixou inédita: 

— Odysséa: poema de Homero, traducção em verso portuguez — 
Suas producçOes poéticas originaes foram raras. Delias conheço: 

— Hymno á tarde. Rio de Janeiro, 1832 — Foi sua estréa esse 
'«canto admirável, cheio de doçura,, de enlevo, de suave melancolia ede 
irerdade que terá de atravessar os séculos, conservado pelo mais puro 
gosto». Vem reproduzido na Minerxa Brasileirx^ tomo 1% pag. 367; 
no Parnaso Btasileiro^ de J. M. Pereira da Silva, tomo 2% pags. 214 a 
226, com o canto O meu retiro, as duas odes A um preso e A morte e 
um soneto; no Parnaso Maranhense^ ps^s. 210 a 216, com uma ode e 
um soneto, etc. Outras poesias, emíim, se acham em collecções ou em 
revistas. Em prosa publicou os dous escriptos seguintes: 

— Opúsculo acerca do Palmeirim de Inglaterra, de seu autoi-, no qual 
se prova haver sido a referida obra composta originalmente em por- 
tuguez. Lisboa, 1860, 79 pags. in-8'' — E' um trabalho acuraflo e ju- 
dicioso, de gloria para a lilteratura portugueza, e que não foi contes- 
tado. 

— Falia na sessão de 7 de abril por occasião do requerimento do 
Sr. Carneiro da Cunha para que a reunião dos representantes da nação 
proclamasse ao povo, mostrando as razões, em que se estriba a mudança 
politica, tão felizmente operada. Rio de Janeiro, 1831, 1 fl. in-fol.— 
No jornalismo collaborou para varias folhas e redigiu: 

— O Argos da Lei. Maranhão, 1825 — Começou a 2 de janeiro. 

— O Constitucional. Maranhão, 1830-1835— Com F. Sotero dos Reis. 



It4 

— O Eomem e a America: jornal da sociedade Defensora e inde* 
pendência nacional. Rio de Janeiro, 1831, in-fol peq. — Ê* um Jornal 
de propaganda com o espirito de liberdade justa, legal e adversa às 
violências, às'sediç06S e ao despotismo militar. 

— ii Liga Americana: jornal politico. Rio de Janeiro, 1839-1840, 
in-fol.— Com Aureliano de Souza Oliveira Coutinho. 

Manuel de Oliveirai ILiiitia. — Filho de Luiz de Oliveira 
Lima e dona Maria Benedicta de Miranda Lima, nasceu na cidade do 
Recife em fô de dezembro de 18ô7. Pez toda a sua educação litteraria 
em Lisboa^ onde completou o carso superior de lettras em 1887, tendo 
obtido distiocção nas cadeiras de lltteratura antiga e litteratura mo- 
derna. De 1884 a 1885 seguiu também o curso de diplomacia na torre 
do Tombo, flnlo o qual dedicou-se ao jornalismo e viagens. Em 1890 
foi nomeado segundo secretario da legação do Brasil em Lisboa, sendo 
depois transferido para Berlim ; é lembro correspondente do Instituto 
archeologico e geographico de Pernambuco, membro da Academia 
brasileira, secretario da sociedade de Beneficência brasileira em Por- 
tugal e condecorado pelo governo portuguez com o habito de S. Thiago. 
Redigiu: 

— O Correio do Brasil: revista mensal, politica e litteraria. 
Lisboa, 1886- 1887 — CoUaborou em jornaes portuguezes, como o 
Repórter em 1885 e na Revista de Portugal^ onde publicou : 

— Evolução da littenitura brasileira — no vol. P, de 27 paga."— 
Collaborou também no Jornal do Recife^ onde publicou : 

— Impressões de viagem — Nos ns. 862 e segs. de 1887, n. 10 e 
outros de 1888 e n. 7 de 1889. 

— Ethnographia brasileira — Nos ns. 193, 198, 242 e 287 de 1887, 
e escreveu : 

^ Sete annos de Republica no Brasil. Leipzig, 1895 — A pro- 
pósito deste trabalho publicou o escriptor Meieíros e Albuquerque 
outro com igual titulo na Revista Brasileira do Rio de Janeiro, 
1896. 

— Pernambuco^ seu desenvolvimento histórico. Pariz, 1892 — Foi 
escripto em Lisboa, mas publica io em Pariz por occasião de uma 
viagem do autor a esta capital. Teve nova edição em Leipzig, 1894, 
VIlI-329 pwigs. in-80. O professor Ferreira Deusdado, de Lisboa, fez um 
elogio a esta obra, quo foi transcripto no Jornal do Recife ^ de 22 de 
janeiro de 1895, e em data de 27 de novembro de 1894 foi publicado 
um outro elogio, que termina com estas palavras : «Exhumandodo 
cemitério do passado, fiel, a origem de sua pátria, estudou-a, corpo* 



t- 

rÍ8oa-a e apresentou-a à luz da publicidade, mostrando a inâuencia doa 
séculos, da raça e do caracter sobre o seu desenvolvimento. G' uma obra 
indispensável a todo brasileiro e muito principalmente a todo o per- 
nambucano. Seria de muita vantagem [)ara o nosso educamento íntel- 
lectual e civico que a iustrucgão publica examinasse o trabalho de Oli- 
veira Lima para adoptal-o em suas escolas. » 

— Beehfard — Na Revista Brasileira de 15 de novombro . 
de 1859. 

— Memorias de Barras — Idem » de 1 de dezembro de 1855. 

— António José^ o Judeu ^ Iedm« de fevereiro de 1895. 

— A sociedade nos Estados Unidos — Idem, vol. 10<> de 1897. 

— O catholicismo nos Estados Unidos — Na mesma Revista^ v(^ 
lume de 1899 — Tenho lembrança de ter visto, não me|lembro onde, o 
trabalho seu: 

— A liiteratura nos tempos coloniaes. 

.Manuel de Oliveira Paii-vct — Nascido- na cidade da 
Fortaleza, capital do Ceará, á 11^ dé Julho de I86l, ahi falleoeu a 29 
de setembro de 1892. Depois de ter escudado no seminário do Grato, 
éin sua província, matriculou-se na Escola Militar do Rio de Janeiro, 
cc^o curso foi obrigado a deixar sendo dispensado do serviço militar 
-pov causa de soffrimentos physicos. Voltando ao GearÀ em 1883, de- 
dicou-se k imprensa e muito particularmente & causa da aboliçfto do 
elemento escravo, sendo, com a proclamação da Republica, nomeado 
secretario do governo do estado de seu nascimento, e depois, com a 
reforma da secretaria, primeiro offlcial. Bscrevea : 

— Tal filha^ tal esposo : romancete — Na Cruiadij Jornal J dos 
moços da Escola militar. 

— Zabelinha ou Tacha Maldita: poemeto de propaganda abolicio- y 
Dista offerecido á memoria de Luiz Gama. Ceará, Í883, 40 pags. in-8'*. 

— YiHte e cinco de março. Fortaleza, 1884, 25 pags. in-8°— E' v 
um pamphleto impresso por conta de 20 republicanos, diyidido em 
duas partes, o sonho e a visão, em versos alexandrinos, tendo por 
assumpto a emancipação da escravidão e os festejos desse dia. 

— A afilhada : romance — publicado em folhetim no Libera 
t€uhr. O autor ia edital-o com alguns retoques em volume, quando 
&liecdU. 

— Sons de viola : sonetos — publicados no Libertador» São pe- 
quMios quadros da vida bucólica. Neste jornal publicou ainda va^* 



/ 



176 MA. 

rios artigos em prosa sob o pseudonymo de Gil Bort. E de collabo- 
ração com João Lopes e AntoDio MartiDs escreveu : 

— A semana por Pery & Comp : clironica dos sabbados — Com os 
dous citados, e com Juvenal Galbno, José Carlos, Virgílio Brigidoe 
outros fundou e redigiu : 

-* A Quinzena : Fortaleza, 1888 ^ E' a melhore mais duradoura 
revistS quéleve o Ceará. Nella escreveu Oliveira Paiva : 

— A corda sensivel — O velho vovô — O ar do vento — Ave Maria 
— A paixão — De preto e de vermelho — A melhor cartada, etc. 

— 2). Guidinha do Poço: romance— publicado Xi9> Rewsta Bra- 
sileira, tomo 17«, Rio de Janeiro, 1899. 

Manuel <le Oliveira. Ramos — Ignoro as particula- 
ridades que lhe são relativas, parecendo«me que é negociante. 
Escreven : 

-^Solução à crise financeira. Rio de Janeiro, 1898— Para a 
solução da crise financeira considera o autor necessária a estabilidade 
da moeda e indica o novo systema de transacções sob a base do ouro. 

JMlaiiuel Oljnmpio Rodrig^ues cia Oostt»; — Na- 

tarai da Bahia e formado pelo internato normal dessa província, ftd' 
lecea na Capital Federal a 12 de junho de 1891, exercendo o eargo de 
professor de portaguez, arithmetica e geographia, que occupava, havia 
quasi vinte annos, do Oymnasio nacional, antigo ooUegio Pedro U. 
Vocação decidida pelo magistério, antes de vir para o Rio de Janeiro 
foi em sua província professor livre de varias matérias e professor do 
Oymnasio bahiano. Também foi um dos professor«.'S da Escola normal 
da corte, instai lada no edifício do Conservatório do musica a 25 de 
março de 1874. Escreveu: 

— Grammaticfi portuguezi. destinada ao primeiro anno do imperial 
Collegio Pedro 11, apresentada ao conselbo director da instrucção 
publica e adoptada nas oscolas publicas pelo Governo imperial. Rio de 
Janeiro.,. — Ha segunda edição, feita por Seraphim Alves, sem data^ 
6 terceira feita em 1887. 

— Noções de arithmetica e do systema métrico decimal para uso 
das escolas: compendio composto por animação e sob as vistas do Exm. 
Sr. commendador Abílio César Borges e mandado imprimir pelo mesmo 
para fazer parte de uma collecção de livros escolare?, approvad»! e adop- 
tada pelo Governo imperial para o collegio Pedro II o para as aulas pu- 
blicas do município neutro, etc. Rio de Janeiro...— Ha sogunHa edição de 
1877; terceira, feita em-Antuerpía, sem data e quarta postliuma, íeita 
em 1895, revista pelo Dr. J. Abilio Borges. 



MA. 177 

— Conferencia pedagógica feita em sessão da Sociedade Atheneo 
pedagógico. Rio de Janeiro, sam data, 24 pa^^s. iQ-4^ 

— Classificação das escolaB priraurias e disciplinas que devem ser 
ensinadas. Material escolar, 10 pags. in-fol .« Vem no livro «Actas e 
pareceres do Congresso de instrucção do Rio de Janeiro, 1884 ». 

— Escolas ambulantes — Na Escola, 1878, pags. 139 e 371. 

Manuel Paolieco ILieao — Ignoro sua naturalidade ; 
só me consta qua foi brazileiro e nasceu pelo ultimo quartel do século 
18«, e que escreveu : 

— Instrucções ou condições que se podem adoptar nos contractos 
de seguro para uso e instrucção dos que se destinarem às praticas 
do commercio exportativo. Ofiferecidas ao príncipe nosso senhor. 
Lisboa, 1814, 69 pags. in-8<^ — Este livro teve segunda edigao no Rio 
de Janeiro, 1815, YIIi-74 pags. in-8<^ augmentado com um tratado sobre 
as avarias. 

Manuel Ii^aeli.eeo da Silva — Filho do doutor Manuel 
Pacheco da Silva e natural do Rio de Janeiro, dedicou-se desde muito 
joven ao magistério, leccionou inglez no Lyceu de artes e offlcios, e foi 
nomeado depois do respectivo concurso lente de portuguez e historia 
litteraria do imperial CoUegio Pedro II, hoje Gymnasio nacional. Es- 
creveu: 

— Novo methodo facll e pratico para aprender a lingua ingleza 
por Graesaer segundo os principies de F. Ahn, modificado e adaptado á 
lingua portugueza Rio de Janeiro — Teve segunda edição correcta 
e ampliada com as regras de orthographia da língua ingleza. Rio do 
Janeiro, 1876, in-8". Houve outra edição. 

— Estudo da lingua vernácula. Phonologia. Rio de Janeiro, 1877, 
in-8*>. 

^ GrammaticcL litteraria da lingua portugueza. Rio de Janeiro, 
1878 ~ Com uma introducção sobre a origem, formação e desenvolvi^ 
mento da mesma lingua. Esta grammatioa teve segunda edição com 
mais um volume que se achava inédito. Rio de Janeiro, 1883. 

— Diccionario etymologico da lingua portugueza — Foi annunciado, 
em 1877 a 400 róis cada um fascículo de 32 paginas, logo que houvesse 
assignatura com que fazar-se a impressão. 

— Noções de grammatica portugueza. Rio de Janeiro, 1887 — A 
publicação foi feita em fasciculos e em collaboracâo com o professor 
Lameira de Andrade. Teve segunda edição completamente refundida 
em 1894. Na primeira o livro foi escripto em forma de pontos, conforme 

Vol. VI — 12 



I7d MA. 

os programmas de exames. Na segnnda iob a forma moderna, baseada 
na historia e na comparaç&o, e accrescentada da Byntaxe. 

— Noções de analysd grammatical, phonetica, etymologica e syn- 
taxica. Rio de Janeiro — E' escripto com o professor Boscoli e teye 
mais de uma edição. 

•— Diecionario grammatical« contendo em resumo todas as matérias 
referentes ao estudo comparativo da liogua portugneza, por João Ri- 
beiro. Segunda edição revista e augmentada de novos artigos. Rio de 
Janeiro. 

•* O collegio Pedro II, seu passado, presente e futuro. Rio de Ja- 
neiro, 1880, in-8«. 

^ Syntcigce. Estudo a fundo da physiologia e génese da liDgaa. 
Rio de Janeiro — - Nirnca vi este iiyro. 

— Promptuario do esoriptor portaguez... 

Manuel Paulixio de A^ssumpção — Deu-se ao ma- 
gistério da instrucção primaria no Rio de Janeiro, é professor aposentado 
de calligraphia e desenho da escola normal e escreveu: 

— Lições á infaucia, baseadas nos principios physiologicos da lia- 
guagem articulada para aprender a ler sem solettrar. Rio de Janeiro, 
1882, 80 pags. in-8<> pequeno. 

— Lições à infância: novo methodo de leitura, etc, approvado pelo 
conselho de instrucção publica de Pernambuco. Rio de Janeiro — Teve 
segunda edição em 1888, 75 pags. in-8<> peq. e teve approvação da 
inspectoria da instrucção publica da provinda do Rio de Janeiro. 

Maiiuel Paulo de Mello !Oarx*et4> — Doutor em 
sciencias politicas e administrativas e sooio correspondente da sociedade 
de geographia de Bordeaux, moço âdalgo com exercido da casa do 
Imperador D. Pedro II e official da ordem da Rosa« sendo primeiro 
offlcial da secretaria do senado durante a monarchia, serviu de director 
gerai da mesma secretaria. Escreveu: 

"- Vayages et etudes, Les Blancs du Bresil: La colonisation par la 
raoe blanche ; les forets vierges et le Farwest, religion, politique, 
progrès et avenir de ce pays, etc, precedo d'une lettre a Mr. Emiie 
de Lavaleye. Rio de Janeiro, 1881, 152 pags. in-8*. 

M:a,nuel Pedro Mouteix^o Xapaj óz — - Filho do 
coronel Francisco António Monteiro Tapajoz, e irmão do dr. Torquato 
Xavier Monteiro Tapajoz, de quem adiante oocupar-me-hei, nasceu no 



\ 



MA. 179 

actaal estado do Amazonas a 21 de abril de 1857, é engenheiro pela 
escola polytechnica, e escreveu: 

— A fronteira do snl do Amazonas. Qaestão de limites clara e me« 
thodioamente exposta sobre o litigio entre os estados do Amazonas 
e de Matto Grosso. Rio de Janeiro, 1898, in-4<> — • « E* nm esplendido 
estado geographico, em que o autor conârma, respondendo ao dr. Luiz 
Adolpho Corrêa da Costa, tudo quanto escreveu seu finado irmão o 
distincto publicista e geographo dr. Torquato Tapajós, sobre a Ama- 
zónia». E* a reimpressão de uma serie de artigos antes publicados no 
Jornal do Commercio, 

]M[a,iiuel Pedlro Soa,x*es — Presbytero secular, si não 
nasceu no Maranhão, ahi vivia em 1841 e era estimado orador sagrado. 
Escreveu: 

— Oração gratuhitoria, recitada no dia 14 do setembro de 1841 na 
cathedral de S. Luiz do Maranhão no solemne Te-Deum que fez 
celebrar o dr. João de Miranda, presidente desta província, por motivo 
da coroação e sagração de S. M. I. o Sr. d. Pedro II. Maranhão, 1841, 
15 pags. in-4\ 

Afaniiel Peixoto de Il«a,cer€la TTerneclc — Filho 
do Barão do Paty do Alferes e da Baroneza do mesmo titulo, nasceu na 
fireguezia deste nome, provinda do Rio de Janeiro, a 17 de junho de 
1830 e falleceu a 22 de março de 1808, recolhido á vida privada desde 
a inauguração da republica. Bacharel em direito pela faculdade do 
Recife, dotado de talento brilhante, de uma família nobre e abastada, 
occupou saliente posição na politica da província, sem cousa alguma 
ambicionar, mas recusando a presidência de três das mais importantes 
províncias, e a pasta dos negócios da agricultura ; foi eleito deputado 
provincial em muitas legislaturas e á geral uma vez. Quando foi le- 
vantada a grave questão da libertação, escreveu sobre os 

— Interesses da lavoura: serie de artigos no Jornal do Commercio 
— São artigos brilhantes que causaram sensação. Neste jornal escreveu 
ainda sobre 

— Emigração chineza, alimentação publica, imposto territorial, 
industria pastoril, commercio de leite na Capital Federal. Escreveu 
mais: 

— Questão grave: artigos a propósito do Sr. deputado Joaquim 
Nabuco, fixando prazo fatal á existência do elemento servil, publicados 
no Jornal do Commercio. Rio de Janeiro, 1880, in-8<»— Neste trabalho' 
assigna-se o autor O Vassourense . 



MA. 181 

cacia ; foi nomeado lente de geographiae historia do Oymnasio pernam- 
bucano, tendo-se apresentado para isso a dons concursos e foi eleito 
deputado á assembléa provincial na legislatura que terminou no anno 
de seu fallecimento. Era cavalleiro da ordem da Rosa, sócio corre- 
spondente do Instituto archeologico e geographico, e honorário do Ga- 
binete portuga ez de Pernambuco. Bscreveu: 

— Elementos de geographia universal, geral do Brazil e especial 
f de Pernambuco, para a infância escolar da província de Pemam- 

bnoo, de conformidade com o programma da lei n. 1143, art. 33, 
§ 7% que rego a instrucçâo da proviocia. Recife, 1875, 173 pags. 
in-I2<> * No fim do livro acha-se uma allocução do professor de 
geographia do gymnasio, por oocasião do encerramento de sua aula 
a 31 de outubro de 1874 e deste livro houve mais edições, sendo a 
ultima de 1878 com 106 pags. in-S"». 

— Memento de cosmographia. Recife... — Nunca vi este trabalho; 
aelle, porém, se refere o dr. Francisco Jacintho de Sampaio, dando 
noticia do autor. 

-« O atlas elementar de geographia do Sr. professor J. E. da 
Silva Lisboa. Pernambuco, 1877. 

— Plano de organisaçSo do estudo theorico e pratico de agricul- 
tura na provinda de Pernambuco: projecto apresentado à Assemblóa 
provincial na sessão de 17 de março de 1880 e sustontado na sessão 

*^ de 13 de abril, eto. Recife, 1880, 54 pags. in-8^ 

^ Discurso lido em commemoração ao assentamento da primeira 
pedra do Hospício dos alienados de Pernambuco — Na colleoção de 
discursos e poesias recitados por occasião, etc. Recife, 1875, pags. 29 
e segs. O citado dr. P. J. Sampaio diz que elle deixou inéditos: 

^ Compendio de geographia da província de Pernambuco e 

— Compendio para o ensino de geographia •* Ainda estudante da 
Faculdade de direito escreveu: 

— Txtayra^ Alfredo e contos populares. Pernambuco, 1857, 120 
pags. in-8''. E a pedido do dr. Nascimento Feitosa fez parte da redacção 

do Jornal 

— O Liberal', jornal politico e litterario. Pernambuco — Bsta 
folha começou a pnblicar-se em 1845; para sua collaboração entrara 
Moraes Pinheiro em 1856 e depois para a redacção. 

IMEanixel I»oi*eira Pinto Bravo — Filho de Manuel 
Pereira Bravo e dona Marcelina Pinto Bravo, nasceu na villa do Porto 
das CaixaSf no estado do Rio de Janeiro, a 18 de janeiro de 1849 e fal- 
lôceu no Rio de Janeiro a 2 de abril do 1895, sendo çontra-almirante 



l 



lio do Instituto hiftorico e fw>- 

aosA, caralleiro d» de Cbrúto 

zam a 3iâdalli& da campaolia 

logo quõ deixou os baocoa da 

iiistructor de hyJrogrupbia 

i-ucf&o, Fossado a cadeira da 

a da Escola de aprsoJiue-ma- 

jcceveu: 

t parto; iiistoria da marinlui 

a. iD-8°. 

parte; historia da Davegatâo, 

guerra. Tra-lutido de F. A. 
I prologo do traductor. 

Nascido aa Bahia a 12 de do- 
icas, capitio de fragata ho- 
ipo^aphia e liydrograpliia da 
horlca a astronomia da Escola 
jmica do mlnislarlo da agri- 
mlieiros do Brasil, tem ainda 
imo do imperial otiger?atorto. 
liro, olc. De seus trabalhos 

lucdas singulares das equaoOaa 
— tbese apreientada á Escola 

a^itronomica do Ministério da 
minação das diff;rencas do la- 
irvatorfo astronómico do Rio 

. , ,.__it ObserTatorioe chefe da com- 

miasão astronómica do Ministério da agricultara. Itlo de JaDriro, 1877, 
1 10 pags. in-í". 

— O cêo na latitude de 23 gPfios sul. Mappa circular rotatório. 
Rio de Janeiro. Lith. ds Paulo Robin & Conip., 18S7. 

]Ua.iiuel Pereira da Silva — Filho do coronel Ray- 

muiido Pdieira da Siivii, nasceu a 16 de agosto de 1816 na cidade de 
Oeiras, no Piauby, onde falleceu em novembro de 1855, sendo bacharel 
era Bciencias soJÍaes e jurídicas pela Faculdade de S.Paulo, formado 
em 1812 a tendo começado o curso em Olinda. Pessoa de toda compa- 



MA. 183 

tencia me informa ser de sua penna, com a collaboração de Francisco 
Ignacio de Carvalho Moreira, depois Barão do Penedo, a obra raríssima 
abaixo mencionada: 

— A cam^íeida ou a congregação dos lentes de Olinda: poema herói- .^' 
oomico-satyrico. Obra posthuma do Delai-Lama do Japão. S. Paulo, 
1839, 35pags. in-12° ^ B* offerecido ao padre Miguel do Sacramento 
Lopes Gama ( veja-se este nome ), que tinha sido director interino da 
faculdade e é um dos mais feridos pela satyra. 

]|£aixuel Pessoa^ da. Silva — Da familia do brigadeiro 
Josó Eloy Pessoa da Silva, jà mencionado neste livro, nasceu a 19 de 
março de 1819, na cidade da Bahia, onde falleceu ainda moço« 
Desde muito joven entrou para o funccionalismo publico de sua pro- 
víncia com a nomeação de amanuense da thesouraria e pouco depois 
com a de official dessa repartição. Serviu depois o cargo de secretario 
da repartição de engenheiros e antes de tudo isso, por occasião da re- 
volução de 7 de novembro de 1837, fez parte de um dos corpos orga- 
nlsados no Recôncavo pelo governo provisório para restabelecimento 
da ordem publica, tendo o posto de alferes. Foi sócio da Sociedade phi- 
losophica e de outras na dita província ; redigiu ou oollaborou para 
varias folhas politicas como o Cascavel e o Sargento, pequeno periódico 
de opposição ao presidente Francisco Gonçalves Martins, depois Barão e 
Visconde de S. Lourenço, e escreveu, alôm de muitas e bellissimas 
poesias patrióticas por occasião de festejos nacionaes ou por outros 
motivos, muitas sob a inspiração do momento, o seguinte: 

— O vinte nove de setembro ou a escapula do diabo: poema-heroi- 
comico-satyro. Bahia, 1849, 81 pags. in-S^ com o retrato do autor — 
Tem o poema por assumpto a politica inaugurada nesta data pela 
ascenção ao poder, em 1848, do partido conservador, a que o autor era 
adverso e por causa de certas allusões, como na descripção da viagem 
que fez da Bahia um cónego casado^ chamado cónego Castanha, acom« 
panbando a fixmilia do presidente nomeado para suffooar a revolução 
praieira, o cónego J. Cajueiro de Campos, que com effeito para ahi 
seguira com a familia do dr. Manuel Vieira Tosta, depois Barão, Vis- 
conde e Marquez de Muritiba, tentou contra o autor um processo crime, 
que não foi avante. 

— A caridade : poema heróico em seis cantos. Bahia, 1855, 219 pags. • 
in-4». 

— O Marquez de Paraná : poema ( em dez cantos )• Bahia, 1859, 
260 pags. in-8<> gr. e mais 18 pags. de frontispício, dedicatória ao 
Imperador D. Pedro II, etc. 



184 



MiÉL 



V 



^ Lyra e fel. O banco e os ratos. O Soares no dique: poema sa« 
tyrico. Bahia, 1869, 167 pags. in-8'' gr. — R^fere-se esse poema a um 
roubo em certo banco da provinda e a t^tos subsequentes. 

— Rimas innoeeiues» Bahia, 186..., in-8<*. 

— Discurso qne recitou por ordem do presidente da Sociedade phi- 
losophica— No volume < Honras e saudades á cara memoria do exímio, 
sábio bahiano Francisco Agostinho Gomes, etc. » ( Vide Ernesto Frederico 
Pires de Figueiredo Camargo). 

— - Elegia ao infausto e saudosíssimo passamento da senhora pria- 
ceza D. Leopoldina, Duqueza de Saxe, occorrido prematuramente em 
Vienna d* Áustria; oflérecida a seus inconsoláveis e saadosissimoi 
pães, etc. Bahia, 1871, 12 pags. in-4«. 

— A laurea do tumulo : poesia ao fina-lo Dr. Guilherme Pereira 
Rebello. Bahia, 1874, in-4«. 



l^anuel Pinto Icemos — Ignoro as circumstancias pea- 
soees que lho são relativas. Fazia, talvez, parte da Camará municipal 
de Campos quando escreveu: 

— Descripção feita das exéquias mandadas celebrar no dia 3 de 
abril na matriz da villa de Campos pela Gamara da dita villa em 
suffragioda alma da 1* Imperatriz. Rio de janeiro, 1827, in-folio. 

Manuel Pinto IVevets — Nfto o conheço. Sei apenas 
que ô poeta pelo seguinte livro que escreveu: 

— Rosas do ermo: poesias. S. JoSoda Barra, 1887, in-S**. 

Ma*nuel Pinto Rlt>eiro Pereira de tSa.nipalo 

~ Nascido na capital do Espirito Santo e falleoido no Rio de Janeiro a 
27 de setembro de 1857, era formado em direito pela Universidade de 
Coimbra, foi miuistro do Supremo tribunal de justiça e deputado pelo 
Espirito Santo naAssembléa constituinte de 1823. Escreveu: 

— Verdades sem rebuço. Rio do Janeiro, 1822, 21 pags. in-4«. 
Versa este trabalho sobre acontecimentos políticos da época e tem a 
data de 10 de março de 1822. 



llfa*nuel Pinto da R ocIlo; — Filho de Manuel Pinto 
da Rocha e dona Carolina da Costa Rocha, e nascido na Bahia a 5 de 
fevereiro de 1863, ahi falleceu a 17 de outubro de 1893. Fez o curso 
da Escola naval, com praça de aspirante a guarda-marinha em 1882 



M^ 185 

e tinha o posto de primeiro tenente na ápoca de seu fallecimento. Era 
poeta e escreveu: 

— Flores avulsas: poesias. Rio de Janeiro, 1882. 

Ma*iiiiel JPinto Torres IVeves — Filho de outro de 
Igual nome* nasceu no Rio de Janeiro a 30 de agosto de 1852, é enge- 
nheiro civil, e sendo inspector geral da companhia de vias férreas e 
ânviaes, escreveu: 

-^ De Matto Grosso ao littoral de S. Paulo. 18^,61 pags. in-8« 
com um mappa. 

IMCa^nuel <le Queiroas ]M[a.tto»o Rit>eliro -» Filho 
do senador Euzebio de Queiroz Coutinho Mattoso da Gamara, nascido 
no Rio de Janeiro pelo anno de 1840, ô bacharel em lettras pelo antigo 
ooUegio Pedro II, bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, se- 
nador federal e vice-presidente do senado, tendo sido antes deputado 
provincial pelo Rio de Janeiro ; escreveu: 

— Apontamentos sobre a vida do conselheiro Euzebio de Queiroz 
Ck>utinho Mattoso da Gamara. Rio de Janeiro» 1885, 76 pags. in-4''. 

HlajEiuel Raiinofii da. Oostai — Filho de Manuel Ramos 
daCkistae dona Josephina Ramos da Costa, nasceu na cidade do Rio do 
Janeiro a 9 de setembro de 1849 e falleceu a 11 de junho de 1872. Áos 
oito annos de idade começou sua desventura, porque viu-se orphâo de 
pae 6 de mãe. Amparado, porém, por uma alma generosa que a elle e 
a dons irmãos seus tratava como a íllhos, estudou humanidades e, se* 
guindo para S. Paulo, matriculou-se no primeiro anno decurso juridico 
em 1871, mas no fim desse anno voltando à corte, foi acommettido de 
uma tuberculose que deu-lhe cabo da existência. Dedicado às lettras, 
deixou escriptos que foram publicados pelo professor Josó de Abreu 
Amaral e sâo: 

— Oscillaçôes : poesias. Rio de Janeiro, 1873, in-8» — Até a pag. 123 
deste volume só poesias se acham, que Amaral declara « dar ao publico 
e à posteridade taes quaes lh'as entregara o autor». D*ahi em diante 
se acham: 

— A noite de S. João ; A praia ; Em sonhos: romancete em treg 
partes, assim intituladas. 

— Romance de um escravo. S. Paulo, 1871. 

— Deus e Angela. S. Paulo, 1871 • 

— Yisio. S. Paulo, 1871. 
" Dous crepúsculos * 



V 






186 



M a;nuel <io Regro Bax*]ro« de Souxa Hie&o — 

Filho de Manuel do Rego Barros e dona Anna Frederica Cavalcanti do 
Rego Barros, naseea em Pernambuco a 7 de junho de 1840, e ahi fiil- 
lecea, no Recife, a 31 de julho de 1882. Foi bacharel em direito pela Fa- 
culdade desta cidade, doutorem ambos os direitos pela universidade de 
leoa, âdalgo cavalleiro da casa imperial, cavalleiro da ordem da Rosa 
e da ordem do Santo Sepulchro de Jerusaiôm* Foi também deputado 
provincial em varias legislaturas, presidiu as províncias do Piauhy e 
de Santa Catharina. Escreveu: 

— Elementos de geographia, compilados de diversos autores. Recife, 
1858-1859, dous vols. in-S*" — O segundo volume trata da geographia 
astronómica como se declara no íim, onde ha algumas paginas em ad- 
ditamento ao primeiro. Frequentava o autor então a Faculdade do 
Recife. 

— Genealogia da família Souza Leão por ***. Recife, 1881, 54 
pags. in-8«. 



D, Manuel do Regro Medeiros, 18* Bispo de Olinda ~ 
Filho de Manuel do Rego Medeiros e dona Marianna do Rego da Luz 
e irmão do dr. António Manuel de Medeiros, jà mencionado neste livro, 
naaceu em Aracaty, provinda do Geara, a 21 de setembro de 1830 e 
fiBilleceu em Maceió a 16 de setembro de 1866. Ordenado presbytero 
secular em junho de 1853 em Olinda, onde estudara os preparatórios 
para o estado ecclesiastico, foi instado pelo bispo d. João da Purifi- 
cação Marques Perdigão para ahi reger uma cadeira no seminário, 
mas voltou ã sua província em 1854, serviu algum tempo como capellão 
do exercito ; leccionou humanidades na cidade da Fortaleza, e foi um 
dos fundadores do colleglo dos orphãos, depois entregue e mantido pela 
provinda, sendo elle lente de doutrina christã. Foi depois secretario 
do bispo do Pará, d. António de Macedo Costa ; d*alú passou â França 
onde fez alguns estudos no seminário de S. Sulpicio ; visitou em se- 
guida quasi toda a Europa, a Ásia e parte da Africa e, voltando de Je- 
rusalém, fixou sua residência em Roma e recebeu na academia de sa- 
piência o grÃo de doutor em ambos os direitos. Dispunha-se a partir, 
como missionário para o Japão, quando foi surprehendido pelo decreto de 
5 de abril de 1865, nomeando-o bispo de Olinda, honra que só acceitoa 
por instancias de Pio iX, que o tinha em grande estima. Sagrado em 
Roma a 12 de novembro, entrou em sua diocese a 12 de jaoeiro do 
anno seguinte de 1866. Foi de um desinteresse e de uma caridade ex- 
cessiva ; tudo o que ganhava repartia pelos pobres ; grave, mas de 
caracter expansivo e alegre, demonstrava particular predilecção pelas 



1B7 



crianças. Conhecia varias línguas e também avtes liberaes, como a 
musica e o desenho. Escreveu: 

— Impressões de vixgem aos Santos legares — Foram escriptas em 
França e publicadas em joraaes francezes. Nunca pade vel-as. No 
curto periodo de oito mezes de sua administraç&o episcopal só me consta 
que publicasse: 

^ Carta pastoral ao cabido, clero e ao povo do sua diocese para 
saudal-os, avisal-os de sua preconisação e inteiral-os do dia em que 
oonta consagrar-se e de sua próxima partida para o meio delles. Recife, 
1865, 14 pags. in-4^ 

— Carta pastoral que dirige ao clero e aos âeis de sua diocese no 
dia de sua posse solemne, etc. Recife, 1866, 60 pags. in-4«. 

Miaiàuel Rilbeiro de almeida— Filho do importante 
íkzendeiro Manuel Ribeiro de Almeida, nsisceu em MaricÀ, no actual es- 
tado do Rio de Janeiro, íéz parte do curso jurídico de S. Paulo, e exer- 
cia o cargo de chefe de secção da secretaria da instrucção publica do 
dito estado, então província. Escreveu: 

— Sylhbario ou primeiro livro de leitura, premiado pelo Governo 
imperial, etc. Rio de Janeiro, 1883 — Sahiu a decima terceira edição 
em 1893. 

— Liberdade do ensino. Rio de Janeiro, 1868, 17 pags. in-8®. 

— Escola Normal primaria. Rio de Janeiro, 1869, 94 pags. in-8^ 

— Compendio de systema métrico decimal dd pesos e medidas, para 
uso das escolas. Rio de Janoiro. Fez-se terceira edição em 1883 e 
quarta no anno seguinte. 

^ Curso elementar de arithmetica e de calculo mental, para uso 
das escolas. Rio de Janeiro, 1880, in-8<*. 

— Curso elementar da lingua portugu^za. Parte 1*. Curso prepa- 
ratório. Livro do professor. Rio de Janeiro, 1882, in-S*» — E' um curso 
original que se recommenda pela facilidade do ensino, dando poucas 
regras e muitos exercícios práticos. 

Manuel Ribeiro da, Silva ]L<is1boa — Natural da 
Bahia, falleceu ferido por misero assassino a 1 1 de abril de 1838 na pro- 
víncia do Rio Grande do Norte, onde se achava administrando a mesma 
província. Já havia presidido antes a provinda de Sergipe e era formado 
em direito pela Academia de Olinda em 1833. Escreveu: 

— Memoria sobre a reforma que convém applicar ao jury do Brasil. 
Bahia, 1836, in-4% 



188 M>k 

IMCAiiuel Rod.rig^iies de Azevedo — Conhecido por 
Mannel Cabra e nascido em Pernambuco peloanno de 1700, alii fallecen 
na cidade do Recife. Na idade de 14 annos, perdendo seu pae, qae era 
sapateiro, e sendo obrigado a sustentar sua mae e duas irmSs, abraçoa 
a profissão paterna. Fazia versos com muita facilidade e era, por Isso, 
convidado para jantares, festas e reuniOes, mesmo de famílias da melbor 
sociedade. Algumas de suas poesias foram publicadas; outras ficaram 
inéditas. A pedido do presidente de Pernambuco escreveu: 

— Sonetos ( quatro) — que foram impressos e affixados no cata- 
faloo levantado por occasião das exéquias da primeira Imperatriz do 
Brazil, d. Leopoldina, em 1827. Dous destes sonetos se acham nas <Kz- 
cavações », de Francisco Pacifico do Amaral. ( Veja-se este nome. ) 

Ma^nuel Rodx-i^ues On>r*iieiro — Nascido no Rio de 
Janeiro a 15 de dezembro de 1845, apenas collaborou para algumas 
publicações periódicas desta cidade, como 

— O Heraclito: jornal sisudo e semanal. Rio de Janeiro, 1867. 

— O Mosquito: semanário illustrado. Rio de Janeiro, 1869. 

— Gazeta dê Noticias. Rio de Janeiro, 1875. 

— Diário Popular. Rio de Janeiro, 1877. 

— A Folha Nova, Rio de Janeiro, 1882, — Escreveu: 

— Cinco semanas em balão por Júlio Verne. Traducção. Rio de 
Janeiro, 1873, 284 pags. in-8«. 



Ma^nuel Rodri^ue» Oorrêfi; de ILia;ee]rda. — Filho 
de Manuel Rodrigues de Lacerda e dona Isabel Dias de Almeida, 
nasceu em Olinda, Pernambuco, no anno de 1719. Sendo mestre em 
artes, doutor em direito canónico e em theologia pela Universidade de 
Coimbra, exerceu o cargo de secretario do Bispo de Leiria, d. Álvaro 
de Abranches. A applicação ás sciencias severas não impediu-ihe a cul- 
tura das lettras amenas, sendo muito perito na poesia — diz Barbosa 
Machado — em que com elegância summa e admirável enthusiasmo 
compoz: 

— Genethliaco ou natalício augurado da senhora D. Maria do 
Carmo e Noronha, filha primogénita do senhor D. Álvaro de Noronha, 
etc. Lisboa, 1741, in-4'' — Consta de 74 oitavas. 

Manuel Rodi-igru-es da; Oo(Sita« — Nascido pelo anno 
de 1754, na freguezia de Carijós, comarca de S. João d'El-Rei, em 
Minas Geraes,falleceu em Barbacena em avançada idade, a 19 de janeiro 
de 1840, sendo presbytero secular, cónego da capella^. imperial, sócio do 



j 



r 



Tã.A. 189 

Instituto histórico e geographico brasileiro, cayalleiro da ordem do 
Cruzeiro edadeChristo. Comprommettido na consplraçfLo mineira de 
1789, valeu-lhe seu estado sacerdotal para não soífrer pena maior do 
que a de ser mandado para Lisboa em 1792, estar preso ua fortaleza de 
S. João da Barra quatro annos e só obter liberdade ao cabo do dez. Em 
Lisboa occupou-se do estudo de fabricas e industrias, e no Brasil não só 
estabeleceu uma fabrica de tecidos, como também fez plantações de 
vinhas e oliveiras, emprezas que abortaram à falta do auxilio do go- 
verno, tendo igual sorte um projecto que apresentou ao Conde de Li- 
nhares para melhoramento de estradas, navegação de rios e povoação 
dos sertões de Minas. Foi deputado á Constituinte brasileira e á pri- 
meira legislatura, não acceitando o segundo mandado por causa de seu 
estado valetudinário. Teve entretanto a honra de hospedar em 1830 o 
primeiro Imperador e sua augusta esposa em uma fazenda que possuía 
em sua província natal. Escreveu: 

— A Sua Alteza o Príncipe regente constitucional, defensor per- 
petuo do Brasil. Rio de Janeiro, 1822, 16 pags. 1n<'4<>, versa sobre 
assumptos da época. 

— Oração em acção de graças pelo feliz e desejado nascimento de 
S. A. I. Sr. D. Pedro de Alcântara, recitada na matriz da viila de 
Barbaoeuano dia 22 de janeiro deste anuo. Rio de Janeiro, 1826, 16 
paga. in-8®. 

— Memoria sobre a catechese dos Índios, composta e dirigida ao 
Illm. e Revm. Sr. I** secretario do Instituto histórico e geographico 
brasileiro, 14 pags. in-fol. Inédita. 

— Memoria acerca das ruinas que se dizem existir entre os sertões 
da Bahia— Foi também enviada ao Instituto, lida na sessão de 3 de 
maio e deliberada na seguinte sessão de 21 de maio de 1841 sua publi- 
cação na Revista Trimensal, 

— Tratado da ctiZíurado pecegueiro. Lisboa, 1801,VII-136 pags. 
in-S^' com 16 estampas. 

IMTanuel Rodrigruea OarineiíTo Pessoa., Visconde 
de Itabaiana — Natural de Portugal e brasileiro pela constituição do Im- 
pério, falleoeu a 23 de janeiro de 1846, sendo ministro plenipotenciário 
do Brasil junto á corte do rei das Duas Sicilias, grã-cruz da ordem do 
Cruzeiro e commendador da de Christo. Subiu á cupola da grandeza 
por seu merecimento e era o decano dos diplomatas brasileiros, sendo 
nomeado em 1822 por Josô Bonifácio nosso ministro plenipotenciário na 
França. Contribuiu muito com sua prudência, perspicácia e tino para 



loa MA. 

firmar no throno de Portugal a senhora D. Maria II, e reconhecendo 
isso, a mesma senhora concedea-lhe uma pensão annuaL Escreveu: 

— Exposição fiel sobre a negociação do empréstimo que o Império 
do Brasil ha contrahido em Londres e sobre as vantagens delle resul- 
tantes. Londres, 1827, 90 pags. in-4<>. 

— Resposta dada ao relatório da commissão creada pela lei de 4 de 
dezembro de 1830, oíferecida á assembléa legislativa do Brasil. Rio de 
Janeiro, 1832, 124 pags. in-S** seguidas de vários documentos. 

Manuel Rodrigruas «Tardim. — Natural de ViIla«*Boa« 
hoje cidade de Ooyaz e capital da província deste nome, falleceu no 
anno de 1835. Era presbytero secular; foi eleito deputado ás cortes por- 
tuguezas em 1821 pela proviucia de Minas, sem ter alli tomado assento, 
e por sua província natal, de que foi procurador geral, além de repre- 
sental-a como supplentenas duas ultimas sessões daseguuda legislatura 
brasileira, o foi eleito deputado à terceira, que não concluiu. Escreveu: 

-^ Oração fúnebre que, por oocasi&o das exéquias celebradas em 
memoria da Ulma. e Exma. Sra. Ck)ndessa deObidos, D. Helena Maria 
Josepha Xavier de Lima, em Yilla Rica, no dia 10 de março de 1814, 
recitou, etc. Rio de Janeiro, 1814, 18 pags. in-4^ 

— Oração que na solemne acção de graças pelo faustoso nascimento 
da princeza imperial, a senhora D. Francisca, no dia 28 de agosto de 
1824, recitou, etc. Ouro-Preto, 1824, 10 pags. in-4^ 

Mannel I?odrl^ues Xjeite Oiticica* — Filho de Ma- 
nuel Rodrigues da Gosta e dona Rosa Maria Leite Sampaio, nasceu a 
8 dedezembro de 1822 na villa de Anadia, província de Alagoas, e falleceu 
numa fazenda, quepossuia na mesma província, a 18 de maio de 1884. 
Bra doutor em medicinapela &culdadedoRio de Janeiro, commendador 
da ordem da Rosa. Escreveu: 

— Dissertação inaugural sobre o regimen alimentar do homem no 
estado de saúde, que íoi apresentada, etc. e sustentada em 12 de de- 
zembro de 1844. Rio de Janeiro, 1844, 40 pags. in-4o. 

^ Cultura da eanna e fabrico do assucar: relatório apresentado & 
presidência da província de Alagoas. Maceió, 1856, in^*". 

Manuel It>o<irig>iies cie Bfassena » Natural de Ca« 
taguazes, Blinas Geraes. Escreveu: 

— Pkilologiai serie de escriptos publicados no Cruzeiro em 1881 «— 
O IS*», que tem por titulo « Emprego do pronome reflexivo se com verbos 
aoUeetivos », vem no numero 297, de 27 de outubro de 1881. 



IkftA. 191 

MAUuel Rodrigues Netto — Nataral de Olinda^ pro- 
víncia de Pernamboco, onde vivia no primeiro quartel do secalo l^^y 
era presby taro secular, e muito estimado por seu saber e virtudes. In- 
dignado com a rebellião dos Mascates, de 1710, e mais ainda com oa sa- 
crílegos atrevimentos, como diz o padre J. Dias Martins, com que o 
traidor Camarão e sua caíila ameaçavam o bispo D. Manuel Alves da 
CkMta, seu amigo, offereceu-se para lhes intimara sentença de excom- 
mnnbão contra elles fulminada pelo dita bispo e para isso íbi ató Ipo- 
joca e publicou-a, apesar de ameaçado de morte pelas avançadas de Ca- 
marão. Consta ser de sua penna: 

— Guerra cMl ou sedição de Pernambuco. Exemplo memorável 
aos vindouros. Primeira parte, 1^ pags. in-8* — Foi impressa sob esse 
titulo na Revista do Instituto histórico e geographico do Brasil, 3* serie, 
n. 9, 1 de fevereiro de 1853, e constitue o 1« numero da mesma revista 
de 1853. Só trata da rebellião dos Mascates. 

Ma^nuel Rodrig-ues de Oliveira» l^ — Natural de 
Portugal, falleceu brasileiro, pela independência do Império, a ^5 de 
outubro de 1826, no Maranhão, onde se estabelecera em 1804. Era 
bacharel em medicina pela universidade de Coimbra e mui distincto 
clinico, tendo aqui exercido os cargos de commissaiúo delegado do 
physioo-mór e o de cirurgião-mór do reino. Escreveu: 

--^ Folha medicinal do Maranhão.» Maranhão, 182^^ Sahio o 1*^ 
numero a 11 do março, promettendo o dr. Oliveira t definir e de- 
screver cada uma das principaes moléstias desta provincia, que mais a 
afflígiam e despovoavam, e indicar o methodo curativo » e nada disso 
fez até o dia 10 de junho, em que sahio o ultimo numero, lá'*. Em 
critica a esta publicação redigiu o padre José Gonçalves Ferreira da 
CruzTesinho ( veja-se este nome ) a Palmatória semanal. •« 

Manuel Rodiri^ues de Ollveixra, 2P — Natural da 
Bahia, major da guarda nacional. Escreveu: 

— Novos indieios da existência de uma antiga povoação aban- 
donada no interior da provincia da Bahia: noticia communicada ao 
Instituto histórico, etc. — Se acha na Revista Trimensaíy tomo 10^, 
pags. 363 a 373. 

— Memoria sobre objectos encontrados que corroboram a suppo- 
sição da existência de uma antiga povoação abandonada no interior 
da provincia da Bahia — Foi ofiíerecido o manuscripto ao Instituto 
histórico a 20 de setembro de 1848. 



V 



192 -MiA. 

Manuel Rodrigrues Passos — Nataral de Pernam- 
buco e guarda da bibliotheca provincial; nepse exercício escreveu: 

— Catalogo d03 livros pertencentes á bibliotheca da província de 
Pernambuco, coordenado, etc. Recife, 1854, 109 pags. in-4'>« 

Ma.iiuel Rodi*i§^ues Peijcoto — Filho do coronel 
Germano Rodrigues Peixoto e dona Maria Josepba da Silva Peixoto, 
nasceu em Campos, actual estado do Rio de Janeiro, a 1 de agosto de 
1843. Bacharel em direito pela Faculdade de S. Paulo, advogou na 
cidade de seu nascimento, foi deputado provincial em varias legis- 
laturas e deputado geral pelo Rio de Janeiro em uma legislatura. 
Collaborou para o Monitor Campista e outras folhas. Escreveu: 

— ColonisaçOo. Rio de Janeiro, 188Ô, 40 pags. ia-8« — E' uma 
oolleccão de escriptos que publicou no Monitor Campista e que foram 
reproduzidos na G.neta de Noticias. Neste trabalho o autor condemna 
a colonisaç&o asiática e considera a nacional, por ora, irrealizável no 
Brasil, parecendo-lhe superior a indígena. 

— A crise do assucar e a transformação do trabullio. Rio de Ja- 
neiro, 1885, in-8*, 

— A lavoura em Campos e a baixa do assucar. Campos, 1874, 
48 pags. in-8\ 

— A questão religiosa e a máxima de Cavour « Nunca vi este 
trabalho, nem o que se segue. 

— A republica ou a monarchia por Elgoesto. 

— Discursos pronunciados nis sessões de 18 de abril, 2 de agosto, 
lie 15 de setembro de 1882. Rio de Janeiro, 1882, 75 pags. in-8^ 
Versam sobre o lyceu de Campos, a escola agrícola, o porto de S. João 
da Barra e sobre o orçamento da receita. 

— Orçamento do Ministério da agricultura: discurso pronunciado 
na sessão de 9 de maio de 1884. Rio de Janeiro, 1884, in-8^ 

— A interpellação ao Sr. ministro da Agricultura: discurso pro- 
ferido na sessão de 22 de maio de 1888. Rio de Janeiro, 1888, in-8<>. 

— Discursos parlamentares, proferidos na sessão do corrente anno. 
Rio de Janeiro, 1888, in-8<» — O dr. Rodrigues Peixoto collaborou no 
Monitor Campista o na Luxy onde publicou poesias, como 

'^ Itaperunai recordação de um amigo: poesia traduzida do 
francez, oíferecida ao dr. Francisco Portella por A. Brelhel, E re- 
digiu : 

— O Futuroi órgão do partido liberal # Campos. 



MA. 193 

Manuel Rosentlno de Souza — Filho de José Qomes 
de Souza e dona Justiaa de Soaza, uasceu na cidade de Itaparica, 
Bahia, a 30 de agosto de 1864 e alli falieceu a 3 de outubro de 1897. 
Depois de alguns estudos de preparatórios dedicou-se à carreira com- 
mercial e foi sócio e orador do Club caixeirense da Bahia ; no governo, 
poróm, do doutor Virgílio Damásio foi nomeado offlcial da secretaria 
da camará dos deputados, logar que exerceu com proficiência até a 
época do seu failecimeuto. Foi desvelado cultor das musai e também 
jornalista, coUaborando no Jornal de Noticias^ no Diário de Noticias e 
Qaseta de Noticias da Bahia, e depois na redacção dos seguintes jomaes: 

— Diário do Povo. Bahia... 

— Hepublica Federal. Bahia... -* Escreveu: 

— Sonetos e sonatis: versos ( 1885-1887 ). Bahia, 1887, 156 pags. y^ 
íq.80 — ^Q 59 composições. 

— Lyra bohemia: secção humorística da Gazeta de Noticias ^ Com 
pseudonymo de Fanfistu, publicou elle uma serie de poesias, em que 
revelou-se o mais engraçado humorista de seu tempo na Bahia. Ha 
em vários jornaes poesias suas, tanto originaes como traduzidas ou 
paraphraseadas do francez. Destas ó maito celebre o 

— Coup de tampon^ de Coupée, que elle publicou com o titulo de 
choque dos trens — Vi publicado na Bahia depois de sua morte: 

— Contrastes — na Hevisti Popular da Bahia, anno 1% n. 3. E' 
uma poesia que deixa conhecer o talento robusto, o estro sublime do 
autor. Deixou inédito um livro de versos sem titulo. 

Manuel Salbiuo Baptista — Nascido a 30 de dezembro 
de 1868 na serra Teixeira, estado da Parahyba, era oíficial da secre- 
taria do interior do Geará, em cuja capital falieceu a 16 de agosto de 
1899. Membro da sociedade litteraria Padaria espiritual da Forta- 
leza, era dado à poesia e à imprensa, havendo coUaborado assiduamente 
nos jornaes do Pará e Ceará. Escreveu: 

— Flocos: versos. Ceará, 1894. ^ 

— Vagas: versoB. Ceará, 1896 — Redigiu: 

— Provinda do Pará: diário. Belém, 1899. 

Ikf anuel Said A.IÍ Ida — Nascido na cidade de Petrópolis 
a 21 de outubro de 1861, é professor por concurso da cadeira de 
allemâo do Oyranasio nacional e da Escola militar. Em 1895 foi à 
Europa, commissionado pelo governo, para estudar a organisação do 

Vol. VI — 13 



194 M.A 

ensino secundário o particularmente o das linguas vivas, em que é 
assaz versado. Escreveu: 

— Nova grammatxca allomã. RÍo de Janeiro, 1894, in-8<*, 

— Primeiras noções do graminatica franceza pelo Dr. Carlos Pio* 
etz, vertidas do allenião e adaptadas & língua portugueza. Rio de Ja- 
neiro, 1894, iu-8» — Ha segunda edição de 1896. 

— Primeiras fiações sobre as sciencias naturaes de Th. Wuxley, 
traduzidas e adaptadas ao portuguez. Rio de Janeiro, in-8<>. 

— Methodologia e ensino — Na Revista do Pedagogium de maio 
de 1896. 

*— Relatório apresentado ao Ministério da justiça e negócios in- 
teriores sobre o ensino secundário na Europa. Rio de Janeiro, 189t5, 
in-8». 

— Ensino moderno das linguas vivas, The english estndent ( o es- 
tudante de inglez ). Metliodo pratico, natural do estudo da língua 
ingleza, com a iniciação no conhecimento dos usos, costumes e 
historia dos paizes onde se falia o inglez, pelo professor Bmilio 
Hansknecht, director da XII escola do Berlim, obra traduzida e 
adaptada ao portuguez. Rio de Janeiro, 1898, in-8^ 

•* Nova selecta franceza do Dr. Carlos Kuhn, com 35 illustraçOes, 
uma carta da França, uma vista e uma planta de Paris, acompanhados 
de notas explicativas, etc. Rio de Janeiro, 1899. 

— Verbos sem sujeito — Na Revista Brasileira, 

— A accentuação — Idem» 

— A collocição dos pronomes pessoaes na linguagem corrente — 
Idem. 

— Questões orthegraj-hlcas — Idem. Este autor tem outros artigos 
de critica litteraria e de linguistica no Novidades e no Jornal do Brasil» 

!>• F*]*. 31a*nuel cie Haiita. Oatlictriíiet, Bispo de 
S. Paulo de Loanda — Filho de António Cavalcante de Albuquerque e 
dona Isabel de Góes, nasceu em Olinda entre os deus últimos quartéis 
do século 17% segundo parece, e falleceu em S. Paulo de Loanda em 
1737. Carmelita professo no convento do Olinda, gozando de distincta 
reputação, tanto por suas virtudes, como por sua erudição nas cousas 
sagradas, foi nomeado provisor do bispado de Pernambuco e como tal 
regendo o mesmo bispado por occasião da guerra dos mascates, co- 
operou efflcazmente para o restabelecimento da ordem, quer na tribuna 
quer nas providencias que tomou, sendo que n^uma grande solemnidade 
feita à Nossa Senhora do O', invocada pelo povo para afastar da pátria 
os males que a opprimiam, pregou verdadeiramente inspirado em todas 



3ÍA. 195 

a8noT6Qas. Soffreu dos revoltosos calumnias de que afinal triampliou. 
Deixando o bispado com a volta do reapectivo prelado, fbi a Portugal, 
onde exerceu o cargo de examinador synodal da diocese de Angra ; 
depois o de provisor da de Angola e Congo, e flaalmente foi nomeado 
bispo de Angola a 20 de maio de 1720, sagrado a 14 de julho do 
mesmo annoe fazendo em seguida sua entrada solemne na cidade epis- 
copal de S. Paulo de Loanda. De seus sermões e de outros escriptos 
apenas posso citar: 

— Suave harmonia sobre as cinco vozes ou palavras de Nossa Se* 
shora^ Desta obra, que nunca foi impressa, faz menção frei Manuel 
de Sà nas Memorias históricas dos escriptores carmelitas da província 
de Portugal, cap. 72, pag. 368. 

— Infonnações sobre as missOes do Congo — Acha-se na Historia 
do Congo, do Visconde de Paiva Manso. Foi escripta essa obra em vista 
de uma queixa formulada pelos capuchinhos contra os padres de 
taes missões, que são pelo autor defendidos enérgica e vigorosamente, 
E* um trabalho do fôlego, extenso. 

Fr. HXanuel de fSanta. Catlin^rlnn. Furtnxio — 

Pilho de Francisco Gonçalves Furtado o dona Emi lia Laura Furtado, 
nasceu em Jequié, termo de Taperoà, na proviocia da Bahia, a 30 de 
geiembro de 1835 e falleceu na cidade do Ilio de Janeiro a 9 de abril 
de 1896. Monge benedictino, professo no mosteiro de S. Sebastião da 
eidade da Bahia a 5 de outubro de 1851, tendo estado sete mezes como 
pupillo ató completar a idade precisa para a profissão, passou ao mos- 
teiro de Nossa Senhora de Monte Serra te do Rio de Janeiro, onde fez o 
cnrso de humanidades e o de theologia, e ordonou-se em 1858. Na 
instituição do externato gratuito deste mosteiro fni nomeado lente 
de latim, cargo que desempenhou durante 36 annos. Foi ahi sub-prior 
e mordomo ; depois abbade em S. Paulo e por ultimo abbade no Rio 
de Janeiro. Erudição profunda nas lettras sagradas, probidade o lha- 
neza em todos os actos, pliysionomia sympathica, trato ameno e bon- 
dade excessiva, angariava a estima, o respeito e a admiração dos que 
o conheciam. Era o primeiro orador sagrado da Capital Federal e 
talvez do Brasil. Deixou inéditos seus 

— Sermões e orações ( poroccasião de festividades religiosas, fúne- 
bres, etc. )— Vi, ha muito, autographos que impressos não dariam 
menos de cinco bons volumes. Só sei que se publicaram: 

— t)raí?í7o/t*ne&re nas solemnes exéquias do papa Pio IX, cele- 
bradas no Rio de Janeiro em 13 de maio de 1878 — * Foi publicada no 
Apostolo ^ 



196 



— Oração fúnebre nas ezaquias de D. Pedro V, rei de Portugal, 
celebradas na igreja de S. Francisco de Paula * Publicada no Diário 
do RU) de Janeiro pela Sociedade portugueza de beneficência, que 
conferiu ao autor o titulo de sócio bemfeitor. 

— Oração fúnebre nas solemnes exéquias celebradas pela Asso- 
ciação catholicaem memoria do arcebispo da Bahia, D. Manuel Joaquim 
da Silveira, Conde de S. Salvador, em 1874 — Não sei onde foi publi- 
cada; só sei que foi muito applaudida por toda corporação e por nota- 
bilidades littorarias, e que valeu-lhe o titulo de pregador imperial. 

Fr. Mu^nuel cie Santa. AI airia Ita.pariea — 

Nascido na villa de Itaparica da provinda da Bahia, do anno de 1704, 
falleceu, segundo calculo, depois de 1768. Professou no convento de 
Iguarâssú da ordem seraphica de S. Francisco, com 16 annos de idade, 
a2dejulhode 1720, íez nessa ordem todos os seus estudos e exerceu 
o ministério da predica, segundo se exprimiu Jaboatao no seu Orbd 
seraphico, «ajustado às regras da arte e leis do Evangelho». Foi 
destro cultivador das dores do Parnaso, diz ainda este autor, e € dos 
fructos de seu trabalho se poderiam ter colhido alguns volumes si 
assim como se acham por particulares mãos se ajuntassem em um 
corpo ». De suas obras se conhecem: 

— Eustachidas: poema sacro tragi -cómico — em que se contém a 
vida de Santo Eustachio, martyr, chamado antes Plácido, e de sua 
mulher e filhos, por um anonymo, natural da ilha de Itaparica, 
termo da cidade da Bahia ; dado ã luz por um devoto do mesmo 
Santo, ( sem logar e anno da publicação, que foi em Lisboa pelo anuo 
de 1769 ) 132 pags. in-4« — Este poema foi attribuido, como o suppoz á 
principio o Visconde de Porto Seguro e com elle J. M« da Costa e 
Silva, ao padre Francisco de Souza, de quem fiz menção neste livro. 
Com a publicação, porém, da parte segunda do Orbe seraphico ficou 
demonstrado quem ora seu autor. E' ura livro d3 grande mérito na 
opinião de homens i Ilustres que o leram, e consta de seis cantos em 
oitava rima, dos quaes foram alguns trechos reproduzidos no 
Florilégio da poesia branlcira, tomo 1°, pags. 151 a 181, ô nesta 
transíTipção á pa^;-. 152, que aquelle Visconde diz sor o Eui- 
tachidas do padre Francisco de Souza ; mas logo na introducçáo, 
esccipta e impressa depois, declara elle ter certeza de que seu 
verdadeiro autor era frei Santa Maria Itaparica. 

— Descrijição da ilha de Itaparica: conto heróico, extrahido do 
poema sacro Eustachidas. Bahia, 1841, in-8<> — Foi editor deste 
poema o coronel Ignacio Accioli do Cerqueira e Silva, já por mim 



BfA. 197 

oommemorado neste díccionario e, como vô-se, foi antes publicado 
com o precedente em Lisboa. 

— Epigramma latino á morte do fidelíssimo rei D. João V— Acha-se 
na < Relação panegyrica das exéquias, etc. » 

— Canção fúnebre â morte d'el-rei D. João V— Idem e no Afo 
saicopoetico de Kmilio Adet e J. Norberto, pag. 26. 

— Sobre as voses tristes dos sinos , Ao fúnebre estrondo da arti- 
lharia. A' sentida morte d'el-Rei: sonetos — Idem, três sonetos. 

— Manifesto das grandes festas que se fizeram na Capital da Para- 
hyba aos faustissimos casamentos dos Principes de Portugal e Cas- 
tella, dedicado, etc.: canto heróico e panegyrico em oitavas — Acha- 
va-se prompto a entrar no prelo em 1768. 

X>. Manuel dos Santos Pereira — Filho de Manuol 
dos Santos Pereira e dona Maria Lulza dos Santos Pereira, nasceu na 
cidade de Santo Amaro, Bahia, a 12 de marçp de 1827. Ck)m o curso 
respectivo do seminário archiepiscopal, recebeu as ordens do pposbytero 
em 1853 e desde então dedicou- se todo â religião. Foi visitador do ar- 
cebispado em 1856, e depois professor de latim do seminário ; cónego, 
primeiramente honorário e mais tardo prebendado, examinador sy- 
nodal, vigário geral, desembargador da relação ecclesiastica, prelado 
domestico do pontifico Pio IX, arcediago e depois chantre da cathedral 
de sua província, e de 1879 a 1891, oocupou por mais de uma vez, o 
cargo de vigário capitular. Preconisado bispo de Eucarpia na Phrygia 
e auxiliar do arcebispo d. António de Macedo Costa pelo Papa 
Leão XIXI em 1890, foi, no mesmo anno, sagrado e em 1893 preconisado 
bispo de Olinda, recebendo as bulias de confirmação e tomando posso 
por procuração, a 20 de dezembro do mesmo anno. E' prelado assistente 
ao sólio pontificioe conde romano. Sinto não ter podido até agora 
obter uma nota de seus trabalhos, mas apenas dos seguintes: 

— Carta de monsenhor, vigário capitular da Archidiocese da Bahia 
aos reverendíssimos paroctios da mesma Archidiocese sobre a restau- 
ração de alguns pontos da disciplina ecclesiastica. Bahia, 1880, lôpags. 
in-4». 

— Carta pastoral sobre a restauração dos estudos ecclesiasticos 
nesta Archidiocese. Bahia, 1880, 16 pags. in-4<'. 

— Mandamento do monsenlior, etc., para a quaresma do corrente 
anno de 1881. Bahia, 1881, 35 pags. in-4<>. 

— Carta pastoral ao clero e fieis da Archidiocese da Bahia, oom- 
muuicando as oocurrencias dadas e que foi acceita pelo Pontífice a re- 



108 BXilu 

nuncia pedidapelo arcebispo Conde de Moate Paschoal, e aconselhando 
firmeza na fô catholica. Bahia, 1890, in-4^ 

— Leituras veligiosM . Revista catholica e semanal. Bahia, 1899. 

Mctnuel da Silva Capi^trctno — Natural da Bahia. 
Nada sei a seu respeito, senão que escreveu: 

— Exposição das occurrencias havidas na eleiçío de jaizes de paz 
e vereadores do termo de Itapicurú de Cima a 27 de fevereiro do cor- 
rente anno. Bahia, 1870, 36 pags. in«4^. 

Manuel cia S^ilva Ouimarãea A^raxá ^ Filho da 
João Joaquim da Silva Gulmarãe?, 3"* deste livro, e irmão de Bernardo 
José da Silva Guimarães e de Joaquim C.ietano da Silva Guimarães, 
lambem neste livro contemplados, nasceu na cidade de Ouro Preto em 
1821 e faliec3u no Rio de Janeiro a 12 de julho de 1870, gozando de 
geral estima» presbytero secular tendo por algum tempo parochiado a 
Ijreguezia de Santo Angelo, no Rio Grande do Sul. Chama va-se Maooel 
Joaquim da Silva Guimarães o sendo nomeado cónego da Capella 
imperial, quando se achava no Rio de Janeiro um capellão do exercito 
com egual nome, este apressou-se em tirar o respectivo titulo, facto 
^ue levou o agraciado a assignar-se como acima se acha. Foi deputado 
^ decima legislatura da assembléa provincial mineira e escreveu 
gande numero de 

— Poesias — que nunca foram coUeccionadas, só se conhecendo: 

— O Ipét rei das florestas: poesia — publicada nas Harmonias 
brasileiras do dr. António Joaquim de Macedo Soares, pags. 27 a 33. 

— Saudades de minha aldeia: idyll lo «encantador em versos primo- 
rosos, sufflcientes para dar- lhe reputação de poeta » na expressão do 
erudito autordas Ephemerides mineiras. Ha muitos annos tratou-se da 
publicação das obras poéticas do padre Guimarães Araxà, das de seu 
pai e de seu irmão Bernardo, mas ainda não se realizou isso. 

Manuel da* Silva Mafr^a* — Filho do commendador 
Marcos António da Silva Mafra e dona Maria Rita da Conceição Mafra, 
nasceu na capital de Santa Gatharina a 12 de outubro de 1831. 
Bacharelem sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo, 
depois de feito o seu quatriennio de magistratura em sua província, 
alli occupou os cargos de director da instrucção publica e de delegado 
da extincta repartição das terras publicas e colonisação, sendo por 
diversas vezes eleito deputado provincial. Nomeado juiz de direito, 
ejperceu este cargo successi vãmente em Pernambuco, Paraná, onde 



199 



também foi chefe de policia, Minas e Nictheroy, e dahi foi removido 
para a vara da provedoria nesta capital, em cujo cargo se acliava, 
quando foi proclamada a republica. Creado o tribunal civil e criminal 
no districto federal, foi um dos magistrados aproveitados para consti- 
tuil-o, conforme a lei da sua organisação, sendo eleito por seus coUegas 
presidente do mesmo tribunal, e como juiz delle aposentou«se. Pre- 
sidiu a provinda do Espirito Santo, e nas legislaturas de 1881 a 1884 e 
de 1885, representou, como deputado gera)» a sua provfncia natal, tendo 
sido ministro da justiça no gabinete de 21 de janeiro de 1882. E' ad« 
vogado e escreveu: 

— Jurisprudência dos Tribunaes, compilada dos accordãos dos 
tribunaes superiores, publicados desde 1841 . Rio de Janeiro, 1868, 
3 vols. in-8*. 

— Novo Formulário dos termos dos processos, de inquérito policial, 
de formação de culpa e julgamento perante o jury, conforme a re- 
forma judiciaria feita pela lei n. 2033, de 20 de setembro de 1871 e re- 
spectivo regulamento, e annotado com as decisões dos tribunaes, etc. 
Rio de Janeiro, 1877, in-4*. 

-^ Repertório ou índice Álpbabetico da lei de alistamento militar, 
annotado. Rio de Janeiro, 1875» iu-8<^. 

— Promptuario das Leis de Manumissão ou índice Alphabetioo 
das Disposições da lei n. 2040, de 28 de setembro de 1871, Regulamentos 
ns. 4835, de 1 de dezembro de 1872, 4860, de 8 de março de 1872, 6341, 
de 20 de setembro de 1876, annotados com avisos do Ministério da 
Agricultura, Commercio e Obras Publicas e com a jurisprudência do 
Conselho de Estado, das Relações e Supremo Tribunal de Justiça. Rio 
de Janeiro, 1877, in-8'\ 

~ Repertório ou índice Alpkibetico da nova organisação da jus- 
tiça do Districto Federal ( Dec. n. 1030, de 14 de novembro de 1890 ) ex- 
pondo o systema da organisação, a nomenclatura dos novos juizes e 
tribunaes e as respectivas competências. Rio de Janeiro, 1891, in-4<|. 

^ Discursos pronunciados nas sessões de 31 de março e 4 de maio 
de 1882, como deputado e ministro, no Senado e na Camará. Rio de 
Janeiro, 1882, in-8o. 

— Discurso proferido na sessão de 1 de setembro de 1884 pelo de- 
putado, etc. Rio de Janeiro, 1884, in-8** — O autor, encarregado pelo 
estadode Santa Catbarina de estudara questão de limites como estado 
do Paraná, escreveu e acha-se no prelo da Imprensa nacional: 

— *• Exposição historico-juridica por parte de Santa Catbarina 
sobre a questão de limites com o estado do Paraná, submettida, por 
accordo de ambos os estados, á decisão arbitral. In-8<^ — Deste trabalho. 



200 MA. 

ô parte a publicação feita no Jornal dt? Commercio de 12 de agosto de 
1899, sob o titalo «Um capitulo de historia pátria ( 1534 a 1765). 
Creaçâo das Capitanias do Rio de Janeiro, Minas Geraes, S. Paulo, 
Santa Catharina« Matto Grosso e Rio Grande do Sul». 

Manuel <la Silva Pereira •- Natural da Bahia, onde 
nasceu, segundo calculo, pelo anno de 1816, foi major do corpo de enge- 
nheiros, reformado por decreto de 26 de setembro de 1866, e fiiUeoeuna 
capital de sua província a 14 de agosto de 1868. Foz o curso completo 
da antiga academia militar e serviu sempre no mencionado corpo desde 
1839, data de sua promoção a segundo«tenente, em 2 de dezembro. 
Foi um militar brioso e intelligente, e desempenhou varias commissOes 
do gOTerno imperial com honra e zelo. Escreveu: 

— Elementos de arithmetica. Bahia, 1852, 385 pags. in-8*— Teve 
sdguuda ediçSo na Bahia em 1861, e creio que outra. 

— Elementos de geographia e astronomia: compendio offcrecido e 
dedicado ao lUm. Sr. Dr. Abílio Cezar Borges. Bahia, 1860, yiII-228 
pags. in-8«. 

— Elementos de álgebra. Bahia, 1868, in-8«. 

— O espiritismo: carta dirigida ao Sr. Luiz Olympio Telles de Me- 
neses, em resposta k que o dito senhor dirigiu ao Exm. e Revm. Ar- 
cebispo da Bahia, D. Manuel Joaquim da Silveira. Bahia, 1867, in-4'' — 
( Veja<se aquelle nome e Juliano José de Miranda ) . 

— Planta da ponte que se ha de edificar sobre o rio Jaguaripe aâm 
de communicar a cidade de Nazareth com a povoação da Conceiçio« 
Bahia, 19 de abril de 1851 — O original está no Archivo militar. 

— Desenho linear ou noções de geometria: compendio apropriado 
às escolas primarias e approvado pelo Conselho superior de instrucçao 

publica da Bahia. Bahia — Ha deste livro mais de uma edição 

e com accrescimos. Creio ser uma delias, a seguinte: 

— Noções de geometria para comprehensão do desenho linear: 
compendio apropriado às aulas primarias, etc. especialmente offere^ 
eido ao Illm. Sr. Dr. Abilio Cezar Borges. Bahia, 1862, 42 pags. \nA2f*. 

— Relatório sobre a navegabilidade do rio Paraguassú ( província 
da Bahia). Bahia.... in-8*'. 

Manuel da Sil^a Romão — Filho de José da Silva 
Romão e dona Gertrudes Zeferina Romão, e nascido a 8 de setembro 
de 1831, na Bahia, íálleceu na freguezia de Mendes, província do Rio de 
Janeiro, no anno de 1878 ou 1879. Doutor em medicina e sócio do Con- 



MA. 201 

servatorio dramático daquelia província, entrou para o corpo de saúde 
da armada no anuo immediato & sua formatura, 1860 ; foi transferido 
para o do exercito a seu pedido, e militou na campanha do Paraguay, 
sendo reformado no posto que tinha, de Z^ cirurgião tenente em 1867. 
Eacrevea: 

— Tártaro emético: emprego, effeltos physiologicos e therapeuticos ; 
Terminações da iDflammaoão ; Existirão proiromos de moléstias ? Po- 
der-se-ha em geral ou excepcionalmente aOlrmar que houve estupro ? 
tUese apresentada, etc. Bahia, 1859, in-4o. 

— Opúsculo sobre a moral com relação aos conhecimentos médicos 
instructlYO e distractiTO. Rio de Janeiro, 1873, 38pags. in-8'». 

Mlanuel dai S|,lva Rosa. — Natural do Rio de Janeiro 
6 íkllecido a 15 de maio de 1793, era presbytero secular, amigo e 
muito estimado do bispo d. António do Desterro e musico distincto. 
Era notável por seu espirito ascético e só o padre José Maurício, que 
surgiu após elle, lhe fazia frente ; fora este não teve competidor em 
sua época. Ck)mpoz muitas 

— Operas sagradas^ altamente apreciadas por tolos os art'stas e 
amadores 0a musica do sanctuario, algumas das quaes, parece-me, 
ainia hoje se executam. Eutre suas composições, nota-se a celebre 

— Musica da paixão de Jesus Christo — executada psla primeira 
Tez na capalla real do Rio de Janeiro, e depois no convento de Santo 
António. 

3£aiiuel da/ Silveix*a; Rodrigrues» — Vivia no Rio de 
Janeiro em 1833 e era doutor em medicina, medico da imperial ca- 
mará e lente do 4<^ anno da antiga Academia módico -cirúrgica. Es- 
creveu: 

— Memoria sobre as a^juas hydro-sul furadas, quentes ou não ; 
sobre a agua virtuosa ou acidula da provinda de Minas Geraes, in- 
dnidos seus usos médicos, externos ou internos. Rio de Janeiro, 1833, 
23 pags. in*4<>— Foi reimpressa no Archivo medico brasileiro, tomo 4°, 
1847-1848. 

Maniiel Boai^es da» SilTa Bezerra — Pilho do 
tanente-coronel António Bezerra de Menezes e dona Fabiana de Jesus 
Maria Bezerra e irmão do doutor Adolpho Bezerra de Menezes, já men- 
cionado neste livro, nasceu no Riacho do Sangue ( Ceará ) em agosto 
de 1810 e falleceu na cidade da Fortaleza a 29 de novembro de 1888, 
bacharel em direito pela faculdade do Recife e cavalleiro da ordem de 



202 MA. 

Christo. Foi deputado provincial e geral p«lo Ceará, deu-se ao magis- 
tério, foi membro do Conselho da instrucção publica e escreveu: 

— Compendio de grammatica pbilosophica do lyceu provincial. 
Ceará, 1861, IV-128 pags. in-8\ 

— Compendio de graramalica da língua nacional. Fortaleza, 1877, 
80 pags. in-8*>. 

Manuel <lo Souza Oarcia — Filho de José de Souza 
Garcia, nasceu na cidade do Recife, capital de Pernambuco, a 8 de 
março de 1829 e bacharel em direito pela faculdade de Olinda, foi pro- 
motor publico no Recife, secretario da policia no Ceará e depois de 
proclamada a Republica, foi nomeado desembargador da Relação desse 
estado. Escreveu: 

— O triumpho das armas brasileiras: poesias. Ceará, 1870, in-4« 
— São escriptas por occasião da guerra com o Paraguay. 

Manuel do Souza, Mag'alliâe8 — Filho do doutor An- 
tónio de Souza Magalhães e dona Maria Josô de Jesus, nasceu na 
cidade de Olinda, em Pernambuco, sendo baptisado a 19 de novembro 
de 1744 e falleceu a 11 de novembro de 1800. Presbytero secular, orde- 
nado em 1778, depois de haver se dedicado ao magistério como pro- 
fessor de latim, dosdo 1768, foi nomeado capellão do presidio de 
Fernando de Noronha, em outubro de 1780. Foi pregador muito 
applaudido em sua época e cultivou as lettras amenas, com particula- 
ridade a poesia. De suas obras nada foi publicado em sua vida ; depois, 
porém, publicaram-se: 

— Três cânticos á N. S. da Penha ; um hymno á N. S. do Carmo; 
quatro sonetos, duas glosas e dezesete decimas, offerecidas ao gover- 
nador D. Thomai José de Mello — nas < Biographias de alguns poetas 
e homens illustres de Pernambuco » por António Joaquim de Mello, 
Pernambuco, 1856 e 1859, 2 vols. Ura dos cânticos á N. S. da Penha, 
composto quando o autor tinha apenas 18 annos de idade, ainda hoje é 
cantado nas novenas que em honra da Virgem celebram-se em Pernam- 
buco e, referindo-se a esses versos, nota o citado A. J. de Mello a 
elevação dos pensamentos, a gravidade, a doçura e harmonia de todas 
as expressões. 

— Soneto ao natalício da rainha D. Maria I — na c Memoria his- 
tórica e biographica do clero Pernambucano > pelo padre Lino de Monte 
Carmello. Recife, 1857. Sabe-seque o padre Magalhães escreveu: 

— O monte de mirra^ obra que se achara na offlcina de Galhardo, 
em Lisboa, para ser impressa, segundo declara o autor em seu testa- 



MA. 203 

mento, feito dous dias antes de fallecer, assim como que entregara ao 
pa^Ire Manuel José de Qóes, para dar*se ao prelo em Lisboa, uma: 

— Traducçâo das Noites Clementinas — cujo flm sellgnom. 

]^f alunei de (Souzoi e tSilvo; — Nascido em Portugal e 
brasileiro por adherir á independência, ou nascido eni Santa Catharina, 
Tivea muitos annos e falleceu com avançada idade na cidade do Des- 
terro, antiga capital daquella provinda, hoje estado. Foi poeta, mas 
de Boas composições só oonheço: 

— Ao muito alto e muito poderoso Sr. D. Pedro II, Imperador do 
Brasil. Santa Catharina, 1845. 

JMÍaiiiiiel rra^vo/ires da. Silva, — Nasceu na villa de Gui- 
marães, no Maranhão* a 22 de julho de 1829, e ó presbytero secular, 
bacharel em theologia pela universidade de Coimbra, lente de theo- 
logia dogmática do seminário de sua pátria, examinador synodal, co- 
nago magistral e arcediago^da Só maranhense. Escreveu: 

— Bianual êcclesiisUco ou coUecção de formulas para q uaiquer 
pessoa, ecolesiastica ou secular, poder regular- se nos negócios que 
tiver a tratar no fôro gracioso ou livre e contencioso da egreja, acom- 
panhado de cadastros dos diversos processos, regulamentos, portarias 
de faculdades, regimento de custas para o fôro gracioso da egreja, ta- 
beliãs dos emolumentos parochiaes, e nota dos documentos e outros 
papeis sujeitos ao sello nacional, e seguida de uma synopse chronologica 
dos alvarás, leis, decretos, assentos, provisões, resoluções e avisos do 
Qovemo, tendentes a ampliar e regular o direito ecolesiastico da egreja 
brasileira, assim como algumas bulias e varias disposições da Santa Sé, 
que, lhe sendo peculiares, constituem as suas liberdades, etc. S. Luiz, 
1860» 517 pags. in-4'> -* Este livro teve segunda edição correcta e 
augmoBtada, S. Luis, 1870, XI-491 pags. in-4<'. 

— Parecer sobre O projecto de lei da Camará dos Deputados, que re- 
voga o art. 2<^ e seus paragraphos, do decreto n. 1911 de 20 de março 
de 1853, emittido em virtude do offlcio circular de 1 de outubro de 
1866, expedido pelolllm. e Exm. Sr. Bispo diocesano, D. Frei Luiz da 
CoQceição Saraiva. S. Luiz, 1867, 20 pags. in-8». 

— Oração recitada nas exéquias de S. M. F. d, Maria II, Rainha 
de Portugal, que, na egreja cathedral fizeram celebrar os Illms. Sn. 
více-Gonsul da nação portugueza e mais portuguezes residentes nesta 
cidade. Ponta Delgada, 1854, 16 pags. in-4<' — Foi antes publicado no 
livro « Exéquias, que pela infausta e sentida morte de S. M. F., a 



204 M^ 

senhora D. Maria II, fizeram celebrar os portugaezes residentes na ci« 
dade do Maranhão. Maranhão, 1854, 40 paga. in-S^". 

— Oração fúnebre recitada no dia I de junho de 1858 por occasião 
das solemnes exéquias, que em sufTragio da alma do fallecido presi- 
dente desta província, o Exm. Dr. Eduardo Olympio Machado, mandou 
cdlebrar a Província agradecida— Vem no livro « Descripção das ex- 
équias que o vice-presidente da província, dr. João Pedro Dias Vieií^a, 
mandou celebrar, etc. » 

— Sermão recitado no dia 8 de dezembro de 1858 perante o Bxm. e 
Revm. Sr. D. Manuel Joaquim da Silveira, por occasião da proclamação 
do dogma da Immaculada Conceição nesta diocese. S. Luiz, 1857, 18 
pags. in-4^ ^ O cónego Tavares da Silva redigiu: 

— O Christianismo : semanário religioso. Maranhão, 1854-1855, in-fl. 
•— com frei Vicente de Jesus. Tem publicado diversos escriptos em 
revistas scientificas, alguns dos quaes tem sido reproduzidos naEuropa» 
tem ainda publicado outros trabalhos esermOes, e tem outros inéditos. 

Manuel rTaT^ares de Siqueira, e fS4 — Natural* 
segundo me consta, de Minas Geraes, formando-se em direito na uni- 
versidade de Coimbra, entrou na carreira da magistratura com o oai^o 
de Juiz de fora na villa do Redondo, em Portugal, e dahi passou ao 
Brasil como ouvidor da comarca de Paranaguá. Foi em 1752 um dos 
fundadores e secretários da Academia dos selectos do Rio de Janeiro, 
e escreveu: 

-« Júbiloi dl America na gloriosa exaltação do lllm. e Exm. Sr. 
Gomes Freire de Andrade, do Conselho de Sua Magestade, governador 
e capitão general das capitanias do Rio de Janeiro, Minas Geraes e 
S. Paulo, ao posto e emprego de mestre de campo-general e primeiro 
commissario da commissão de demarcação dos domínios meridlonaes 
americanos, entre as duas coroas fidelíssima e cathollca: colleoção das 
obras da Academia dos selectos que na cidade do Rio de Janeiro se ce- 
lebrou om obsequio e applauso do dito Exm. heróe, dedicada e offe-- 
recidaao Sr. José António Freire de Andrade. Lisboa, 1754, 443 pags. 
in-40 _ Compõe-se o livro de trabalhos em prosa e em verso. 

Manuel rTelles Pereira, da Rosa — Natural da 
província de Alagoas, onde fdlleceu, era capitão-mór de milícias e 
gozava de notável influencia. Escreveu : 

— Explicação analytica de um artigo inserto no Diário de 1 de abril 
de 18^ pelo p. Francisco Munlz Tavares, enviado em commissão & 



MA. 205 

proYJncia das Alagoas. Rio de Janeiro, 1826, 7 pags. in-fol.— Versa 
sobre questões politicas. 

HJCAiiuel rFelles éícL Silva^ Xjolt>o — Natural da Bahia, 
falleceu em Coroatò, Maranhão, a I do fevereiro de 1855. Sendo coronel 
de milícias, reformado por decreto imperial no posto de brigadeiro, 
por outro decreto de 1 1 de julho de 1841, assignado por José Cle- 
mente Pereira, foi cassado o de sua reforma com a promoção. Foi 
quem substituiu o presidente desta província ( vide Manuel Ignacio 
dos Santos Freire e Bruce ) deposto por lord Ck)chrano a 25 de de- 
zembro de 1824 ; representou-a na primeira legislatura ordinária e 
escreveu : 

— A calumnià desmascarada. Rio de Janeiro, 1828,9 pags. [in-fol. 
^E* uma defesa por accusaçOes que lhe foram feitas pelo presidente do 
Maranhão, Pedro José da Costa Barros. 

Mariiuel rriieodoro de Araújo A.zaiiil>uja ^ 

Filho do capitão Manuel de AraujoOomese dona Anna Felícia do Figuei- 
redo Araújo, nasceu no Rio de Janeiro a 4 de junho de 1780 e falleceu 
a 27 de julho de 1859. Serviu no exercito desde a idade de 14 annos^ 
atô o posto de coronel, cooperou para a independência e acclamação do 
primeiro Imperador, á frente do regimento que commandava na cidade 
do Rio de Janeiro, e prestou ainda outros serviços ao paiz, como o de 
presidente da província de S. Paulo. Era cavalleiro da ordem de Christo, 
e viveu muitos annos em Pariz, sondo sua casa o ponto de reunião 
dos brasileiros. Escreveu : 

— Memoria sobre o matadouro. Rio de Janeiro, 1830. 

— Memoria sobre mercados públicos. Rio de Janeiro, 1830. 

— Memoria sobre |a limpeza da ;cidade. Rio de Janeiro, 1830— 
Foram oferecidas estas três memorias á Camará municipal, que 
as acceitou com agrado e agradeceu. Creio, poróm, que se conservam 
inéditas. 

IMCAiiuel Xlioma^z A.lves IVoffiielra — Natural 
do Rio de Janeiro, bacharel pelo collegio Pedro II, doutorem philo- 
sophia, formado na Ailemanha, polyglotta, leccionou naquelle collegio 
allemão e grego» senio hoje lente jubilado e residente na Europa. 
Escreveu : 

— Bemerkunger íiber die letzten Ercignisse in den La Plala Stuaten, 
etc. Rio de Janeiro, 1865, in*4o. 



206 MA. 

— De Americanarum gentium origine illastranda commenUrium 
scripsit, etc. Rio de Janeiro, 1865, 10 paga. in-4«. 

— Considerações sobre os acontecimentos do Rio da Prata, Rio de 
Janeiro, 18fô, iQ-8^ ^ E' escripto em allem&o. 

^ O governo e o povo : factos económicos da' actualidade, por Bois* 
guillebert ( seu pseudonymo). Rio de Janeiro, 1877, 66 pags. in-d". 

-^ Alei do orçamento e estado do direito financeiro. Rio de Janeiro, 
1878, 53 pags. in-S"" — com o mesmo ps )udonymo. 

— Compendio de historia malerna. Rio de Janeiro, 1868| in-8*. 

— Compendio degoographia e corographia do Brasil, acompanhado 
de três mappas e de um indice alphabetico. Leipzig, 18S9, Yin-234 
pags. in-8«. 

— Noções de corographia do Brasil. Leipzig, 1873. iu-8o — K' uma 
traducção para o ailemão, do livro do dr. J. M. de Macedo. 

— Reminiscências da campanha de 1827 contra Buenos- Ayres, p^o 
coronel A. A. F. Sewelok, traduzidos do allemão — Na Revista Tri- 
mensal do Instituto histórico, tomo 34% 1874, pags. 399 a 462. 

— A guerra da tríplice alliança ( Império do Brasil, Republica Ar- 
gentina e Republica Oriental do Uruguay ) contra o governo do Pa- 
raguaj ( 1864-1870) com cartas e planos traduzidos do allemão, por 
Manoel Thomaz Alvos Nogueira e annotados por José Maria da Silva 
Paranhos. Rio de Janeiro, 1875-1876, 2 vols. de 571 e 664 pags. 
in-4«. 

-^ Greda- Allemanhax Homero — Missiva litteraria, endereçada ao 
illustre latinista brasileiro, dr. Lucindo Pereira Passos. Rio de Ja- 
neiro, 1871, in-8«. 

— Organisação do ensino secundário para o sexo feminino. 8 pags. 
in-fol. — No livro «Notas e pareceres do Congresso de instrucção ». 
Rio de Janeiro, 1884. 

— Conspiração do Tiraflentes : episodio da moderna historia bra- 
sileira. Rio do Janeiro, 1867, in-8* — Este trabalho também foi publi- 
cado na lingua allemã. 

Mnuuel Tboiíiaz I^iiito l?aoca— Natural da Bahia, 
nasceu a 7 de março de 1831 e falleceu a 17 de novembro de 1876, nesta 
capital. Bacharel em sciencias sociaes e júri dicas pela feiculdado do 
Recife, escreveu: 

— A providencia; drama em cinco actos. S. Paulo, 1869, in-8<>* 

>Ifi;nuel de Valladilo Pimentel, Barão de Petró- 
polis — Nascido a 4 de março do 1802, em Macaci\, no Rio de Janeiro, 



MA. 201 

aqui lalleceu a 30 de novembro de 1882, formado em medicioa pela 
antiga escola medico-cirurgica ; professor jubilado da faculdade de 
medicina e seu director ; ^grande do Império ; oíBciaJ-mór da casa im- 
perial ; medico honorário do Imperador d. Pedro II e especial da Prin- 
ceza D. Izabel ; membro da Academia imperial, hoje Academia nacional 
de medicina, do lustituto histórico e geographico brasileiro e de outras 
associações scientificas ; oommendador da ordem da Rosa e cavalleiro 
da de Christo, eto. Destinado por seus pais para o estado clerical, ti« 
yeram elles de ceder á vontade de seu âlbo, que nenhuma vocação 
tinha para esse estado. Antes, porém, de estudar medicina, começou o 
curso de mathematicas na antiga escola militar. Distincta notabilidade 
medicado creaior, na phrase do oralor do Instituto histórico, de nossa 
clinica que elle soube elevar pelo ensino, pela pratica, pela consulta, 
pelos conselhos, palas admiráveis caras, pelamyriade,emfim, do modos 
de que dispõe uma profissão tão importante, quando é servida por uma 
intelligencia brilhante e sólidos estudos, poderia ter-nos deixado 
valiosíssimos trabalhos, mas só escreveu: 

— These sobre a origem, natureza e desenvolvimento dos tu- 
bérculos pulmonares, apresentada etc. ao concurso á cadeira do clinica 
medica. Rio de Janeiro, 1833, in-4" gr. 

— Mcmorit histórica dos acontecimentos notáveis de 1855 a 1856, 
apresentada á congregação dos lentes da Faculdade de Medicina. Rio 
de Janeiro, 1856, in-4^ gr. 

— Observação sobre um caso de perfuração ulc3rosa de uma das 
válvulas sigmoideas e da origem da aorta noiponto correspondente, com 
derramamento na cavidade do pericárdio; apresentada o lida na So- 
ciedade de Medicina desta corte na sessão de agosto de 1833, acom- 
panhando a peça pathologica respectiva — Na Revista Medica Flu- 
minense, tomo 1°, n. 3, pag. 27, e n. 4, pags. 19 e segs. 

— Relatório sobre a memoria do Sr. Saulnier de Pierre-Levée, 
acerca das fabres de Matto-Grosso. Lido em 26 de abril de 1834 — Na 
dita Revista e no mesmo tomo, n. 5, pags. 14 e segs. 

— Relação dos doentes tratados no hospital de N. S. do Livra- 
mento, segundo os sexos, idades, nacionalidades, proQssões e marcha 
da epidemia ( de febre amarella ) nos mezes de março, abril e maio do 
corrente anno ( 1850)-^ Nos Annaes Brasilienses de Medicina, vol. de 
1850-1851, pags. 80 e 104 e segs. Concluo com a descripção dos cara- 
cteres anatómicos e nosologicos, a natureza e tratamento dessa epidemia. 

— Carta relativa ás febres da villa de Macacú — Sei deste trabalho 
por ler o « Parecer da commissão de salubridade geral sobre a Carta do 
Sr. Manoel do Valladão Pimentel, relativa ás febresda villa de Macacii, 



206 BCA. 

remettido ao Qoverno em 13 do corrente ( 1832 ). Pablicado no Semanário 
de Saúde pablica, tomo !<", pags. 152 e sega. 

Manuel Vaz Pinto — Natural, segundo penso, do Rio 
Grande do Sul, escreveu: 

— Apreciação de um discurso do Sr. Dr. Bittencourt, proferido na 
Assemblôa Provincial do Rio Grande do Sul, a 27 de dezembro de 1866. 
Rio Grande, 1867, 15 pags. in-8<> — B* uma analyse do discurso do 
deputado Josó Bernardino da Cunha Bittencourt Acerca de um manda- 
meuto do bispo diocesano, expedido para acidado do Rio Pardo, sobre 
enterramentos. 



]l!la.nuel de VASconoellos de Souza» Bckliiaina 

— Natural da Babia, cavalleiro da ordem do Cruzeiro, sócio e fun- 
dador da sociedaie de agricultura, commercio e industria, da mesma 
provinda, era ahí proprietário de um engenho de assucar na comarca 
de Santo Amaro. Escreveu: 

— Memoria acerca do novo systema de manufacturar o assucar 
em caldeiras quadradas, offerecida k sociedade de agricultura» com- 
mercio e industria, da província da Bahia, etc. Bahia, 1834, 12 pags. in-4S 
com 2 est.— Foi Impressa por deliberaglto dessa sociedade e reproduzida 
no AíÂxiliador da Industria. 

]!^a.nuel Victorino JPereira— Filho do exímio artista 
marceneiro Victorino José Pereira, nascau na cidade da Bahia a 30 
de janeiro de 1853, deu-se & profissão de seu pai, mas pouco depois, 
sentindo inclinação para as letCras, abandonou essa profissão e seguiu 
o curso de medicina, em que foi gra^iuado em 1876, sendo no anno se- 
guinte nomeado lente substituto da faculdade da Bahia e pouco depois 
lente cathedratico, dando-se por occasião desse concurso um facto 
virgem na faculdade: um voto de louvor, assignado por toda a congre- 
gação e lavrado na acta dos trabalhos, em attenção ao valor das 
provas exhibidas. Fei o representante de sua provinoia ao congresso 
politico celebrado na corte em 1888 ; foi o primeiro governador da 
Bahia, depois deacclamada a Republica ; eleito senador federai em 1892, 
pela renuncia do senador Saraiva, e vice-* presidente da Republica na 
eleição do primeiro governo civil. Fez, depois de entrar para o corpo 
docente da faculdade de medicina, uma viagem á Europa, onde visitou 
os mais notáveis cursos médicos de Vienna, Berlim, Londres, Itália, 
Sulssa e França. Escreveu: 

— Moléstias parasitarias mais frequentes nos climas intertropicaes ; 
Diagnostico e tratamento do beriljeri ; Do galvanoplastioo e suas ap- 



MA. 209 

plicaçOes ; Da espécie linmaDa: these para o doatorâmento em medicina. 
Bahia, 1876, 13 íls. 468 pags. in-é^" gr. 

— Álcoois polyatomicos: these de concurso à uma das vagas de- 
lente substituto da secção de sciencias accessorias. Bahia, 1877, 3 íls. 
276 pags. in-4°, gr. 

— Discurso proferido no acto de tomar posse da segunda cadeira 
de clinica cirúrgica, na Faculdade de Medicina da Bahia. Bahia, 1883, 
15 pags. in-4<'« 

— Discurso lido na inauguração do gabinete de anatomia e phy* 
siología pathologica edo horto botânico da Faculdade de Medicina da 
Bahia. Bahia, 1882, in-4^ 

— Discurso proferido no acto da oollação do gráo aos douto- 
randos, em 1884, 20 pags. in-4'* — Estes três discursos foram também 
publicados na Gazeta Medica. 

— Discurso proferido na inauguração do monumento Paterson em 
13 de dezembro de 1886. Bahia, 1887, in-4o — Se acha com mais dous 
discursos, dos drs. Silva Lima e A. Pacifico Pereira. 

— Saneamento do Riode Janeiro: relatório apresentado ao Prefeito 
rnanicipal pelos Drs. Manuel Victorino Pereira e Nuno de Andrade, 
presidente e relator da commissão, etc. Rio de Janeiro, 1896, in-4<>. 

— O Instituto Benjamim Constant ; breve noticia, etc. Rio de Ja- 
neiro, 1896, iD-4^ 

— Relatório do Presidente do Senado Federal para ser apresen- 
tado na sessão ordinária de 1895. Rio de Janeiro, 1895, in-fot. com 
ADuexos -— Na Gazeta Medica ha aiada muitos trabalhos seus, como: 

— Cíujreomania : parecer da commissão medica, nomeada pela Ga- 
mara Monicipal, acerca da moléstia que ultimamente appareoeu em 
Itapagipe e que se tem propagado por toda a cidade — No volume de 
1882-1883, pags. 445 e segs. E' escripto com outros* 

^ Algumas palavras proferidas junto á sepultura do conselheiro 
Antonio Januário de Faria — 1883-1884, pags. 155 e seguintes* 

— Hygiene das escolas — 1890, 4» serie, vol. T^ pags. 293 e 
seguintes. 

— Discurso pronunciado por occasião da manifestação feita ao 
ocnselheiro Aranha Dantas — 1873-1874, pags. 308 e segs. 

-* A filaria de Medina, transportada para a America pelos negros 
africanos. Provas de sua indemicidade na provineia da Bahia e de 
sua introduoçãõ no corpo humano pelo estômago — Finalmente re- 
digiu, ainda estudante: 

— O Norte Académico: periódico da faculdade de medicina dai 
Bâbia, Publicação quinzenal, Bahia, 1875, ns. 1 a 4, 68 pags. in-4<». 

Vol, VI — 14 



210 MiA. 

Manuel Vieijru cia Fonseca — Filho de Manuel 
Vieira da Fonseca e dona Rosa Laura Vieira, nasceu na então villa de 
Maricá, província, hoje estado do Rio de Janeiro, no anno de 1832. 
Doutor em medicina pela faculdade da corte, estabeleceu residência 
em Nitheroy e escreveu: 

— Tratar da amputação em geral e especialmente das vantagens 
e inconvenientes dos methodos operatórios, por que pôde ser prati- 
cada ; Elephantiasis dos árabes, suas causas e seu tratamento ; De- 
terminar si uma ferida foi feita durante a vida ou depois da morte, 
mostrando a importnncia desta questão. Qual deve ser o procedimento 
do medico no exame medico-legal das feridas: the^e para o doutorado 
em medicino, apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1855, X-40 pags. in- 
4^ gr. 

— Manual áo banhista ou estudo sobre os banhos de mar. Rio de 
Janeiro, 1876, 42 pags. in-4oJ— Este livro encerra preceitos by- 
gienicos e cautelas relativamente aos banhos de mar. 

— Relatório apresentado á Camará Municipal de Passos (Minas 
Geroes) sobre uma nova fonte de aguas mineraes.Rio de Janeiro, 1876, 
18 pags. in-4^ 

— Estudo sobre a agua potável e económica, com applicação á 
capital da província do Rio de Janeiro. Nitheroy, 1881, 32 pags. in-4'' 
— Este trabalho, que c offerecido ao conselheiro Pedro Luiz Pereira 
de Souza, divide-se em duas partes: na 1°, se trata da agua, seus ca- 
racteres physicos, suas propriedades chimicas, matérias que contém 
a agua, classificação, de agua potável, agua da chuva, de neve e gelo, 
dos rios, de fontes, dos diíTerontes poços, dos lagos, de cisternas e de 
tanques, processos analj ticos da agua, etc; na 2^* parte se foz o estudo 
necessário à applicação das aguas á Nitheroy. 



uelVieix-a Tosta, Marquez de Muritiba — Flhode 
Manuel Vieira Tosta e dona Joanna Maria da Natividade Tosta, nasceu 
na Caclioeira, Bahia, a 12 de julho de 1807 e falleceu na cidade do Rio 
de Janeiro a 22 de feven^iro de 1896. Bacharel em direito pela facul- 
dade de S. Paulo, exerceu cargos de magistratura, foi deputado e se- 
uailor do Império pela província de seu nascimento, administrou as pro- 
vindas de Sergipe, Pernambuco e Rio Grande do Sul, foi ministro da 
marinha em mais de um gabinete, da justiça e da guerra, membro do 
conselho de estado, do conselho do Imperador d. Pedro II, grande do 
Império, dignitário das ordens do Cruzeiro e da Rosa e oommeudador 
da ordem de Chribto. Foi um dos caracteres mais probos de sua época 



MA. 211 

e escreveu muitos trabalhos em vários orgaos da imprensa politica, 
muitos relatórios e outros trabalhos na vida administrativa, como os 
doas seguintes: 

— Proposta da repartição dos negócios da Marinha, apresentada 
à Assemblôa geral na 1* sessão da oitava legislatura pelo ministro, etc. 
Rio de Janeiro, 1850, in-4\ 

— Proposta da repartição dos negócios da Marinha, apresentada á 
Âssenibléa geral na 2"^ sessão da oitava legislatura pelo ministro, etc. 
Rio de Janeiro, 1850, etc— De trabalhos de outro género conheço: 

— Promoção de tenentes e capitães de infantaria e cavallaria do 
exercito. Razões de recurso para o conselho de estado. Secção de 
guerra e marinha. Relator o conselheiro Visconde de Muritiba, 
Recorrente Sérgio Tertuliano Castello Branco. Rio de Janeiro, 1880, 
7pag8. in-4°. 

— Pirecer sobre o projecto de Ordenança geral da armada, tra- 
balho autographo dos mais importantes, com que concordou inteira- 
mente o Visconde de Abaeto — Na sua longa vida parlamentar produziu 
importantes discursos, sendo dignos de menção os 

— Discursos pronunciados nas sessões de 1, 5, 19 e 22 de 
fevereiro do 1850, relativos à sua administração presidencial em 
Pernambuco. 



X^a^ier — Nascido em Minas Geraes, ainda no 
século passado, viveu e fallecea na cidade de Tamanduá. Presbytero 
secular e distincto poeta 4: era um espirito superior, talhado para 
illustrar com as fulgurações diamantinas de seu estro poético, 
potente e vigoroso, a nossa pobre e malfadada litteratura, podendo 
fechar com o padre Silvestre de Carvalho, de saudosa memoria, 
e com o padre Corroa de Almeida o glorioso triangulo da satyra 
proviaoiana» disse o distincto mineiro, dr. Ernesto Corrêa. O seu 
íbrte era a satyra, a máxima, o pensamento, continua este. Vi- 
brava com pulso rijo e vigoroso a satyra, com a energia aspérrima 
do látego de Juvenal e enfronhava a máxima e o pensamento n'uma 
simples quadrinha com tanta habilidade, que taes producções po- 
deriam aer subscriptas por La-Rochefoucauld ou pelo Visconde 
de Araxà. Nada publicou em sua vida; deixou inéditas grande 
cópia de 

— Poesias — que, segundo diz o citado dr. Ernesto Corrêa, 
< quando a critica recolher os documentos para traçar a historia da 
poesia nacional, ha de por certo enthesourar, como gemmas ines- 



213 



MíIl 



timayels.» A' noticia qae o dr. Brnesto Corroa dà doste poeta, 
segaeHM: 

— Carta ao cidadão Luiz José de Cerqueira, escrivão de orphâofl 
de^ Tamandaà — S£o quatro oitavas glosadas, a que se seguem: 

— Per^n^as— ou as seguintes quadras 

Borboleta, por que pousas, ' 

Aqui, ali, aoolà ? 

— Para mostrar que no mando 
Em nada constância ha. 

Mariposa, por que causa 

Te queimas na luzem vão?... 

— Para mostrar quanto é forte 
A cegueira da paixão. 

Ma^roelliuo A.iitoixio|r>atra. — Nascido nafreguezia, 
depois villa, do Ribairao» da província de Santa Catharína, a 24 da 
junho de 1808» falleceu a 13 de julho de 1864, na cidade do 
Desterro, onde exercia o cargo de promotor publico e era professor 
jubilado da instrucção primaria. Foi deputado provincial em viárias 
legislaturas, e um dos fundadores da sociedade Litteraria, tnstaUada 
em setembro de 1862. Publicou muitas poesias no Iris^ periódico 
de ;>eligião, bellas-artes, etc.,doRio de Janeiro, em 1849, asando 
do pseudonymo de Inhato-mirim e também em vários jornsies, 
como o Correio Catharinense e o Mensageiro^ de 1852 a 1857, e mais 

— A assembléa das aves : poemeto em quatro cantos, dedicado aos 
verdadeiros amigos do Exm. Sr. conselheiro Jeronymo Francisco 
Coelho. Rio de Janeiro, 1847, in-8«. 



marcellino António de Mello A^Hbiiqueir^fae 
Pitta. — Natural da Bahia e doutor em medicina pela faeol^ 
dade desta cidade, ahi falleceu a 27 de janeiro de 1864. Foi um 
hábil clinico e um dos installadores da Academia de seiencias me- 
dicas de sua pátria. Escreveu: 

— These apreserdada, etc, para obter o gráo de doutor em 
medicina. Bahia, in-4° — Nunca pude ver este trabalho. Foi coi* 
labor ador do Archivo Medico Brasileiro e entre vários trabalhes 
ahi publicou: 

— Parecer sobre o assacú, apresentado e approvado pela Aca- 
demia de seiencias medicas da Bahia, acompanhado de diversos 



MA. 213 

documentos, provando que o assacú é um meio que offerece es- 
peranças de vir a ser vantajoso na cura da morphéa, assim como 
em muitas enfermidades, por contagio.^ No tomo 4% 1847-1848, 
pags. 274 a 279, deixando de ser publicados os documentos por 
serem muito extensos, como declara a redacção desta revista. 

-^ Qual a razão do progresso da pbthisica na Bahia — Idem, 
idem, pags 263 e seguintes. 

— A Academia de scieneias medicas da Bahia — Idem, idem, pags. 
189 e seguintes. 

MaiToellino Augusto ILiima. Ba;X*a«ta. — Nascido na 
cidade de Alcântara, do Maranhão, a Sde junho de 1849, falleceu na 
cidade de Soure, do Pará, a 14 de janeiro de 1897. Entrando para o 
corpo de fazenda da armada a 23 de maio de 1874 e deixando a vida 
do mar, entrou como chefe de secção para a secretaria do governo do 
Pará e exerceu ainda nessa província o cargo de director de uma co- 
lónia. Esteve algum tempo no Paragnay e ahi cultivou a lingua gua- 
rany por forma tal, que não só a fallava perfeitamente, como nella 
compoz multas poesias. Foi poeta e também jornalista, redigindo 

—v A Espermça : periódico litterario, Maranhão, 18... 

— Diário de Noticias, Belém ^ 18... — Terminou esta publicação em 
dezembro de 1894, e tanto delia, como da precedente, foi Barata redactor 
e tam1}em proprietário. 

B£ax*cellino da. Cte^ma Ooelluo — Filho do doutor Ja- 
ciotho José Ck>elho e dona Engracia Carolina Ooelho, e irmão do doutor 
Érico Marinho da Qama Coelho, mencionado no 2^ volume deste livro, 
nasceu em Cabo Frio, na então provinda do Rio de Janeiro, a G de abril 
de 1853. Bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, foi eleito 
deputado provincial nos biennios de 1882 a 1885 ; no regimen republicano 
íòi eleito deputado à constituinte do estado de seu nascimento, e ft 
seguinte legislatura, deixando o logar por haver sido nomeado procu- 
rador geral do mesmo estado, cargo de que, pouco depois, passou a uma 
eommlisão de que o encarregou o governador, de consolidar a legislação 
do Estado. Foi advogado em S. Fidelis e exerce esta profissão actual- 
mente ( 1899 ) na capital federal. Escreveu: 

^- Consolidação daa leis do prooesso criminal do eetado do Rio de 
Janeiro. Rio de Janeiro, 1895, iu-8<^ — E' um trabalho de mérito pela 
concisão, pela ordem com que se tratam os diíferentes assumptos e 
pelo nexo lógico desses assumptos. Divide-se em 10 títulos, que são 
subdivididos em capítulos e títulos. 



\ 



214 



'MA. 



^ Consolidação das leis do processo civil do eslado do Rio de Ja- 
neiro. Rio de Janeiro, 1895, dous vols. in-8" — Como no precedente 
traballio, o autor observou os princípios que regem a matéria, a 
systematisaQão de toda a doutrina e de todos os preceitos, o espirito 
de mdthodo, tudo de accordo com a legislação moderna, etc. A matéria 
do 2» volume é toda oommentada, sendo reproduzidas as opiniões auto- 
risadas de A. Teixeira de Freitas e de outros. 

— AddUamentos à Consolidação das leis do processo civil do estado 
do Rio de Janeiro. Rio de JaneÍL'o, 1897, in-8<» — Estes additamentos 
são reclamados pela promulgação da lei n.287, de 14 de março de 1896, 
que alterou em diversos pontos a lei n. 41 A, de 7 de março de 1893 
em que se baseava a Consolidação, etc. 

— Novos additivos à Consolidação das leis do processo do estado 
do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1899, in-8<'. 

— Projecto de Código de policia municipal da cidade do Rio de 
Janeiro. Rio de Janeiro, 1898, in-8"' — Neste trabalho o autor repro- 
duz em notas toda a legislação de 1838 a 1898. Tem inéditos: 

— Juttiça federal — O governo da União em 1897, de posse 
deste trabalho, modelou 'por elle o decreto do 5 de novembro 
de 1898. 

— Do Habeas'Corpus no Brasil. Sua dednição. Origem da expres- 
são, da ordem e da instituição. Su^ historia na Inglaterra. O bill de 
Carlos II. O Judiciary Act. Disposições dos Eistados Unidos da America. 
No Brasil, disposições, seu processo, Jurisprudência dos tribunaes no 
Brasil, na Inglaterra o na America do Norte. 




Mia^iToellino ILopes de ^ouza — Filho do tenente-co* 
ronel Evaristo António Lopas de Souza e dona Mathilde Izabel Lopes 
de Souza, nnsceu em Belém, capital do Pará, a 4 de julho de 1857 e 
falleceu no liospicio dos alienados do Rio de Janeiro a 27 de outubro 
de 1886. Depois de concluir o segundo anno de direito da faculdade do 
Recife, foi passar as ferias com sua família, no Pará, e ahi, visitando a 
sepultura de sua mãi, foi subitamente acommettido de uma alienação 
mental. Cultivou a poesia, mas deixou inéditas suas composições, 
exceptuando as publicadas na Aurora Litteraria, na Republica das 
Lettras e outros periódicos do Pará. Delias posso mencionar 

— Meditação — publicada na Provinda do Pará, 

— Ainda virgem ^prostituta e já cadáver — Idem. 

— Um soneto — Idem . 



MA. 215 

]MCaii*oellino I?aolxeco do A.iua.ra.1 — Natural de 
Pernambuco, ahi fallecea, presbytero secular e cónego penitenciário da 
Sé de Olinda. Foi um sacerdote iliustrado e virtuoso, e escreveu: 

— Compendio de tUeologia moral, elaborado sobre o plano do 
Rev. Padre Gury. Recife, 1888-1890, 3 vols. in-8'> gr. 

]MLa.i*oelliiio I*iixto JE^ibeiro Duarte — Filho de 
i9 Marcellino Pinto Ribeiro Pereira e nascido na villa da Serra, província 

do Espirito Santo, falleceu a 7 de junho de 1860 em avançada idade, na 
cidade de Nitheroy, sendo presbytero secular, vigário collado da ft*e- 
guezia de S. Lourenço desta cidade, e cavalleíro da ordem da Rosa e 
da de Christo. Foi deputado por sua província na quarta legislatura 
geral eem varias legislaturas proviuciaes e exerceu o magistério como 
lente de latim da villa da Victoria, hoje capital do Espirito Santo, por 
nomeação de 9 de dezembro de 1815. Cultivou também a poesia, e es- 
creveu : 

— jDtfía^árratJoou justificação politica que perante os bons cidadãos 
e verdadeiros constitucionaes da villa da Victoria contra o pseudo-con- 
stitucional partido de poucos facciosos faz, etc. Rio de Janeiro, 1822. 

» Elementos de grammatica philosophica latina: compendio no- 
víssimo que, segundo os verdadeiros principies da grammatica universal, 
compoz para uso de seus alumnos. Rio d(3 Janeiro, 1828, in-8^ 
e^ — Oração sagrada que por occasião do solemne Te-Deum^ oflfe- 
recido, em acção de gradas à recordação da feliz independência do Brasil, 
recitou, etc. Rio de Janeiro, 1830, 12 pags. in-4°. 

— Oração sagrada por occasião do solemne Te-Deum que o leal e 
heróico povo do Rio de Janeiro fez cantar na igreja matriz de Santa 
Ânna em a tarde de 16 de janeiro do 1830, em acção de graças pela 
instalação da primeira camará municipal electiva. Riu de Janeiro, 1830, 
12 pags. in-4'*. 

— Oração eucharistica que no solemne Te-Deum em acção de graças 
pelo faustoso reconhecimento da maioridade de sua magestade imperial 
o senhor D. Pedro II e sua gloriosa exaltação ao throno do Brasil, re- 
citou na egrejamatriz da cidade de Nitheroy no dia 16 de agosto de 1840, 
Rio de Janeiro, 1840, 15 pags. in-8». 

— Ada de 27 do outubro de 1828 do collegio eleitoral da cidade da 
Victoria e sua analyse. Victoria, 1829, 5 pags. in-4'\ 

— Derrota de uma viagem feita para o Rio de Janeiro era 1817 — 
PnhlicsiásL no Jardim Poético áe J , M. Pereira de Vasconcellos, tomo 
1*> pags. 39 a 63. E* em verso. 



V 



£15 Mi^ 

— Ode a seQS bons patrioios e amigos por occasiâo de sua chegada 
â cidade da Victopia, om 1850 — Idem, pags. 95 a 98. Na serie ou 
tomo 2^" acham-se ain<la estas poesias : Ode a D. João VI ; Retrato ; Lyras 
( duos ) ; Epistolas ( duas ) ; Glozas — O padro Ribeiro foi um politico 
exaltado, seudo por isso perseguido. GoUaboroa nas folhas da época 
que pugnavam pelo partido Curamurú, e escreveu uma comedia contra 
o cónego Januário da Cunha Barboza, assim como alguns avulsos contra 
03 membros do partido contrario. 

Ma.z*eollo IL<ol>ato de Oti^stiro — Natural do Pará, 
falleoeu em 1879 ou 1880, doutor em medicina pela íkculdade do Rio 
de Janeiro. Escreveu: 

— Do emprego dos meios anesthesico? na pratica dos partos; De- 
terminar si um recem-nascido é ou não viável, tanto no caso de ser 
natural, como de ser monstruosa sua organisaçâo ; Da placenta im- 
plantada no collodo útero ; Elephantíasis dos Gregos, saas causas a 
tratamento: these apresentada à faculdade de medicina do Rio de Ja- 
neiro, etc. Rio de Janeiro, 1855, 39 pags. in-4'» gr. 

— Relatório acerca do estado sanitário da villa de Barcellose Monra, 
acompanhado de breves reflexões sobre o caracter o causas das febres 
ahi reinantes, seu tratamento e medidas hygienicas, para subir à pre- 
sença do 111™» e Ex™° Sr. Dr. Manuel Gomes Corrêa de Miranda, 
1<» vice-presidente do Amasonas,etc. Rio de Janeiro, 1856, 12 pags. in-4». 

3Xn;i*oia,iio Oonçalvcs cia Roclxa — Filho de Mar- 
ciano Gonçalves da Rocha o nascido em Pernambuco a 27 de setembro 
de 1842, é bacharel em direito pela fiiculdade do Reoife e advogado, 
tendo antes servido na magistratura. Cultiva a poesia e escreveu: 

— Cantos da alvorada: poesias. Pernambuco, 1869, 285 pags. 
íq.S^' — Divide-se o volume em três partes: Miragens, Cânticos, 
Poema. 

— Naya, Poema dramático. Recife.... 

Marciano Henrique de A.raujo — Natural de 
Minas Geraes e tenente da guarda nacional, escreveu: 

— D escripção do mu nioi pio e cidade de Itapeciriea, província de 
Minas Geraes — Este trabalho se acha manuscriplo na Hibliothec.\ Na- 
cional, a que foi enviado pela Gamara Municipal dessa cidade em res- 
posta ao Questionário da mesma Bibliotheca para a exposição de historia, 
de 1881 . 



[ 






MA. 217 

Af a.x*oio FilnpHiano ^ery — Filho do major Silvério 
José Ndry e nascido no Amazonas, ô doutor em medicina pela facul- 
dadedo Rio de Janeiro, forraalo em 1890, e da qual ô lente substituto. 
Escreveu: 

— Da influencia exercida pelas moléstias do apparelho circulatório 
quanto ao desenvolvimento das moléstias mentaes e destas sobre 
aqaellas: these apresentada, etc. para obter o grào de doutor em me- 
dicina. Rio de Janeiro, 1890, in-4^. 

— Contribuição i^dLveL o estudo da therapeutica do beribori. Rio 
de Janeiro, 1899, in-S^. 

— Incubos e íwoomôw — Na Revista Brazileira do 1895, tomo 
6Spag8. 155 a 161. 

— A exienuação nervosa — Idem, de 1897, tomo 9^, pags. 304 a 
312. 

— Os raios X na medicina — Idem, idem, idem, pags. 151 a 158, 

— Villegiatura — Idem de 1898, tomo 13", pngs. OÔ a 71. 

Ma,i*oÍoiiÍllo Ole^ni*io Rodrigues Va as —Na- 
tural da Bahia e nascido a 24 de janeiro do 1854, ó \^ tenente oom- 
missario da armada. Servindo o cargo de secretario da capitania do 
porto do Maranhão, escreveu: 

— Narcia: tributo de saudade, etc. S. Luiz, 1882, in-8». 

Maroolino de Miouira e iliHbiiquerque — Nascido 
na Bahia a 21 de novembro de 1838 « bacharel em direito pela facul- 
dade do Recife, representou sua então província, quer na assembléa 
provincial^ quer na geral mais de uma vez, e exerceu o cargo de in- 
spector geral da inspectoria de terras ecolonisação. Prestou relevantes 
serviços na campanha contra o Paraguay pelos quaes obteve as honras 
de coronel do exercito e a nomeação para xim logar de tabellião de 
notas desta capital ; íbi membro da sociedade contra a escravidão, e é 
eommendador da ordem da Rosa. Escreveu: 

— Elemento servil: discursos pronunciados na camará dos depu- 
tados nas sessões de 4 de setembro e 12 de novembro de 1880. Bahia, 
1881, 45pags. in-8«. 

Ufareolino Rodrigues da;Oosta— Filhodotenente« 
coronel António Rodrigues da Costa, nasceu a 14 de dezembro de 1819 
no Rio de Janeiro e ahi falleceu a 16 de agosto de 1887, major refor- 
mado do corpo de engenheiros, bacharel em mathematicas e cavalleiro 
da ordem de S» Bento de Aviz. OâScial de merecimento, foi chefe do 



218 



MA. 



segundo districto das obras publicas da provincia do Rio de Janeiro, 
serviu algum tempo junto ao ministério da agricultura, desempenhou 
outras commissõ3S, e escreveu : 

* Planta da Fazenda do Grystal, antiga propriedade de António 
José da Silva Guimarães, nos arrabaldes da cidade de Porto Alegre, 
confeccionada por ordem de S. Ex. o Sr. General Conde de Caxias, etc, 
para esclarecimento da compra que se pretende fazer de uma parte 
delia para estabelecimento de um collegio de educação. Levantada e 
desenhada, etc. em 1845, 0'*,416x0™,563 — O original a nquarella per- 
tencia ao Imperador d. Pedro II. 

— Gommissão de exploração. Interesses materiaes das comarcas 
do Sul. Planta dos rios Cachoeim, SanfAnoa, Fundão, Almada, 
Itaype e Lagoa, levantada pelo \^ tenente do corpo de engenheiros, 
etc. 1852 -^ Debaixo do mesmo titulo de commissão exploradora 
publicou-se mais: 

— Planta da villa de Ilbéos, levantada, etc, 1852. 

— Planta da cidade de Nazareth, levantada, etc, 1852. 

— Planta da cidade de Valença, levantada, etc, 1852. 

— Planta da villa de Olivença, levantada, etc, 1852. 

^ Planta da villa de S. Josédo Rio de Contas, levantada, etc, 1852« 

— Planta da imperial villa da Victoria, levantada, etc, 1852. 

— Planta da villa de Belmonte, levantada, etc, 1852. 



Mo/Poos António de ^r>»>ujo e ^l>reii. Barão 
de Itajubâ — Filho do Visconde de igual titulo e de uma dama 
de Hamburgo, nasceu na Allemanha, onde seu pae estava servindo 
como diplomata, e falleceu em Berlim a 3 de novembro de 1897, sendo 
ministro do Brazil junto á côrtc do Imperador Guilherme II. Muito 
moço, em 1866, foi admittido a servir na secretaria dos negócios estran- 
geiros, entrando neste mesmo anno para a diplomacia como addido â 
nossa legação na Rússia, de onde foi removido para a França e promo- 
vido a outros legares, até que em 1890 foi classificado como enviado 
extraordinário e ministro plenipotenciário de 1* classe. Trabalhador 
infatigável e instruído, fallava perfeitamente o portuguez, o franoez, 
o allemão e o inglez; era moço lldalgo, do conbelho do Imperador 
d. Pedro II, grã- cruz da ordem da Rosa, commendador da Legião de 
Honra do França, oíScial da ordem da Casa Ernestina de íáaxe e de 
D. Pedro de Oldemburgo, cavalleiro da ordem da Águia Vermelha da 
Prússia e do Danebrog da Dinamarca. Escreveu: 

— Congràs internationale de la protection de Tenfance. Documenta 
relatifs au Brôsil, presentes au Congrès par M. le chevalier d' Araújo, 



Tã.A. 219 

chargô d'aífaires du Brésil, dôlégué da gouvernement imperial. Pariz, 
1883, 51 pags. iQ-4^ 

Bfaroos iíLiitoiíio Bi:-ioio, Barão de Jaguarary — 
Nascido na capital do Maranhão a 24 de dezembro de 1800, e pae de 
Manuel Ignacio Bricio, de quem jÀ me occupei, viveu muitos annos 
no Pará, onde falleceu a 11 de agosto de 1871, seodo brigadeiro 
reformado do exercito, commendador da ordem de Aviz e da ordem 
militar napolitana de S. Jorge, offlciai da ordem da Rosa e cavalleiro 
da do Cruzeiro. Já reformado, serviu muito tempo como presidente do 
conselho administrativo para o fornecimento de viveres ao arsenal de 
guerra do Pará e foi ahi commandante superior da guarda nacional da 
capital • Foi um dos membros do governo provisório, organisado no 
Ceará a 3 de novembro de 1821, deputado á primeira legislatura 
geral dessa província e depois pelo Pará. Escreveu: 

— Relatório da commissão da exposição agrícola e industrial da 
província do Grão-Pará no anno de 1861. Pará, 1861, 79 pags. íq-8<> — 
Assiguam também os outros membros da commissão, em seguida a elle, 
que era presidente delia. 

ISLAvcam António de Maoedo — Filho de António de 
Macedo Pimentel, nasceu na villa de Jaicôs, comarca de Oeiras e pro- 
víncia do Piauhy, no meio de uma tribu de Índios semi-selvagens a 18 
de junho de 1808 e falleceu a 15 de dezembro de 1872 em Stuttgard, 
capital de Wurtemberg. Bacharel emsciencias sociaes e jurídicas pela 
academia de Olinda, foi á França com o tim de engajar uma companhia 
de operários mecânicos e ahi applícou-se ao estudo das sciencias natu- 
raes, da chímica principalmente, sob a direcção de Dumas e Pouíllet. 
Voltando á pátria, exerceu cargos de magistratura até o de jniz de di- 
reito, em que se aposentou ; presidiu sua província natal ; represdntou-a 
na sétima legislatura geral e foi por varias vezos deputado á assembléa 
do Ceará. Encarregado pelo governo dessa província de explorar suas ílo. 
restas virgens e formar uma collecçâo mineralógica e zoológica, adoeceu 
gravemente, obtendo por isso uma modesta pensão e, tornando á Eu- 
ropa em busca de remédio para seus soflfrimentos, fez excursões scienti- 
ficas por vários paízes, visitou por duas vezes o Oriente, desceu o Danúbio 
ató o mar Negro e suIjíu o Nilo até a Nubla, occupando-se com mais de- 
dicação de investigações ethnologicas. Exerceu a advocacia no Ceará e 
foi um dos coUaboradores do grande Diccio nario de Larousse. Escreveu: 

— Pelerinage aux Lieux-saints, suivi d' une excursion dans la 
Baase-Egypte, en Syrle et à Constantlnople. Paris, 1867, in-8«. 



V 



220 m:a 

— Noticê sur le palmier Carnahube. Paris, 1867, 46 pags. in-8». 

— O enigma commercial do café de Moka, patenteado na exposiçfio 
de Pariz de 1867: Consi^leraçõas sobre esse ramo importante da agri- 
cultura brasileira, seguidas de um artigo sobre o tabaco da Bahia, por 
Francisco A. de Warnhagem. Rio de Janeiro, 1868, 48 pags. in-8«. 

— Observações sobre as seccas do Ceará e meios de augmentar o 
volume das aguas nas correntes do Cariry. Stuttgard, 1871, 104 pags. 
in-8<*, com um raappa —Ha segunda edição, do Rio de Janeiro, 1878, 
78 pags. in-8<» com um mappa topographico. Nesta obra, pela qual se 
aprecia a cópia de conhecimentos do autor, faz esta allusSo a outros 
trabalhos seus, inéditos. 

— Mappa topographico da comarca do Crato, província do Ceará, 
indicando a possibilidade de um canal, tirado do rio S. Francisco 
no logar da Boa Vista, para communicar com o rio Jaguaribe pelo 
riacho dos Porcos e rio Salgado, e figurando a planta de uma entrada 
para o Icó e a tapagem do boqueirão no rio Salgado. Rio de Janeiro, 
Lith. do Archivo militar, 1848 — Este mappa serviu para a carta 
topographica do Ceará levantada em 1866 por A. J. Brazil. Acerca do 
Ceará ha em revistas outros escriptos seus, como: 

— Descripção dos terrenos carboniferos da cornarei do Crato. 1855 
— Nos traballios da Sociedade Vellosiana, pags. 23 a 27, no Diário de 
Pernambuco e na Revista trimensal do Instituto do Ceará, tomo 13*, 
1899, pags. 107 a 113. 

]M[cix*coa A-ntonlo IMontoiro— Natura! de Minas Oeraes, 
vivia na época da independência do Brasil, sendo presbytero secular 
e vigário capitular da diocese de Marianna. Escreveu: 

— Tabeliã da povoação geral, nascidos, e mortos no'bispado de Ma- 
rianna, etc. 1818— Este trabalho se conserva inédito, in-fol. na Biblio- 
theca fluminense. Presumo ser este autor o senador por Minas padre 
Marcos António Monteiro de Barros, fallecido a 16 de dezembro de 1852, 

Marcos A^ntonio l^ortugr^^^* Nascido em Lisboa a 
24 de março de 17Ô2, falleceu no Rio de Janeiro, cidadão brasileiro por 
ter adherido á independência do Brasil, a 17 de fevereiro de 1830, exer- 
cendo o cargo de director do theatro S.João. Distincto musico, foi 
em 1784 a Madrid com o cxntor italiano Borzclli ; d*ahi passou à 
Itália, tornando a Lisboa em 1790. Desejando, porém, mais aperíei- 
çoar-se em sua arte, em 1792 tornou à Itália, onde se cantaram varias 
operas suas com gorai applauso ; dahi foi á Allemanha e finalmente 
veiu para o Rio de Janeiro em 1811, onde com o grande musico bra^ 



r 



sileiro padre José Mauricio, fez o encanto da corte de d. JoAo VI« eomo 
Jâ havia feito em yariafl cidades da Europa, com admlraçio doa pro- 
fessores. Bm sua pátria de nascimento foi director da musica da ea- 
peila real o da grande orchestra do theatro S. Carlos e foi mestre dos 
príncipes filhos de d. João VI. Sinto não poder dar uma notioia com- 
pletado suas producQões sacras e profanas. Um eseriptor que deile se 
oocapou dà-lhe apenas: 

— Operas sacras — oito. 

— Operas burlescas — seis. 

— Farças em nm acto ^ sete. Ha, porém, delle muitas outras 
composições. Sei que escreveu: 

— Zaira, 

— n trionfo de Clclia. 

— Zolema c Selino . 

— Merope, 

— Fernando in Messieo, 

— // Duca des Foix. 

•* Ginevra de Scozzia— E que se pnblicaram no Rio de Janeiros 
-— Augúrio de felicita, serenata per muzica da eseguier nel real 
palazzo dei Rio di Gianeiro per celebraro 1' augustissimo sposalizio dei 
sereníssimo signore d. Pietro de Alcântara, principe reali di tre regni 
uniti, de Portugal, Brasile, Algarve, Duca de Braganza, con la serenís- 
sima signora d . Carolina Giuzeppa Leopoldina, Arcbiduchessa d'Au8- 
tria, oraprincipessa reale, etc. Rio de Gianeiro, 1817, 2 fls., 40 pags. 
in'8o — A musica e a poesia são de Marcos, sendo de Metastasio a 
maior parte dos versos. 

— By^nno da Independência. Poesia de Evaristo Xavier da Veiga. 
Nova edição. Rio de Janeiro, 1877 — com uma noticia Iiistorica. No 
catalogo das musicas da capella imperial, examinadas e coUeccionadas 
por J. J. Maciel, acham-se delle: 

— Missas — dez. • 

— Bymnos — seis. 

— Matinas — > sete. 

— Psalmos — trinta. 

— Cânticos — três, somman do tudo 56 peças. 

Afaroos iViitoxiio do ^ouza., li** Bispo do Maranhio -• 
Nasceu na cidade da Bahia a 10 de fevereiro de 1771 e falleceu no Ma- 
ranhão a 29 de novembro de 1812, sendo do conselho de sua magestade 
o Imperador, commendador da ordem de Christo e dignitário da ordem 
da Rosa. Presbytero secular e vigário em sua província, íbi deputado 



222 IMA. 

á assembléa constituinte portugueza em 1821 e na legislatura brasi- 
leira de 1826 a 1829. Foi vigário da fjreguezia da Victoria na capital da 
Bahia, por muitos annos examinador synodal e secret vrio do governo 
provincial. Na constituinte portugueza defendeu com todo vigor os in- 
teresses da egreja e do estado, e a liberdade da imprensa religiosa e tra- 
balhou para que fosse sustentado o foro ecclesiastico, s3ndo exaltado 
partidário da iadepondencia do Brasil. Foi o primeiro bispo de nomeação 
do fundador da monarchia brasileira. Eleito bispo do Maranhão a 12 de 
outubro de 1826econârmadoa25dejuahode 1827, íoi no Rio de Janeiro 
sagrado a 28 de outubro deste anno. Em sua diocese, que foi por olle 
dotada de vários melhoramentos, foi por vezes eleito deputado provin- 
cial, occu pando a cadeira da presidência da assembléa. De uma caridade 
excessiva, ia muitas vezes procurar a indigência, onde sabia que a en- 
contraria, e levar com a esmola o conforto do espirito ; e não m^nos 
vezes, ouvindo ã noite o toque dos sinos para levar-se o Viatico a mori- 
bundo, ia ellem?smo leval-o, deixando a esmola si o doente era pobre. 
Antes de morrer mandou repartir pelos indigentes, a quem sempre 
soccorreu, a quantia de cinco mil cruzados. Falia va e escrevia perfei- 
tamente em latim e escreveu vários sermões, que penso terem âcado 
inéditos, sendo desse numero o 

^ iSerm^To das exéquias do papa Leão XII, pregado em presença 
de s. m. o senhor d. Pedro 1 e de toda sua corte no Rio de Janeiro 
— São mais de sua penna : 

— D. Marcos António de Sousa, bispo do Maranhão, etc. A todo 
venerável clero secular e raríssimos diocesanos saúde, paz e benção. 
Rio de Janeiro, 1827, 20 pags. in-4° — E* datado de 8 de dezembro. 

— Menwria sobre a capitania de Sergipe, sua fundação, população, 
productos e melhoramentos de que é capaz. Anno de 1808. Aracaju, 
1878, 53 pags. in-4o — E' uma publicação posthuma, feita por A. J. F. 
de Barros. 

Mai*eoa de Oasti*o — ( Pseudonymo de Alberto Ferreira 
Ramos, ) filho de António Ferreira Ramos e dona Carolina Silveira 
Ramos, nasceu a 14 de novembro do 1871 na cidade de Pelotas, Rio 
Grande do Sul. Aos 13 annos de idade partiu a para Suissa, onde fez os 
seus primeiros estudos, e tendo voltado para o Brasil, formou-se em 
sciencias jurídicas e sociaes pela faculdade de S.Paulo. Desde os 
bancos académicos escreve para a imprensa, faz parte da redacção do 
Jornal do Commercio desta capital, o escreveu: 

— Poemas do mar do Norte de H. Heine: traducção em prosa ri- 
mada. Rio de Janeiro, 1895 — Uma prova do mérito deste trabalho 



J 



í 



MA. 223 

consiste no juízo lisonjeiro que na imprensa do dia escreveu o dr. £a- 
napio Deiró sobre elle. Teve 2^ edição em 1896, estando ambas esgotadas. 

— Versos prohibidos. Rio de Janeiro, 1898, 76 pags. in-16°. 

Ma.]^eogi IVeville — Francez por nascimento, mas cidadão 
brasileiro, falleceu no Rio de Janeiro a 5 de novembro de 1889. Pres- 
bytero secular, ordenado nesta diocese, e capellão de N. S. da Cande- 
lária, foi professor de inglez na escola naval desde 1 de julho de 1858 ; 
leccionou esta lingua muitos annos na escola normal o foi mestre de sua 
alteza a Princeza Imperial e do sua augusta irmã a Duqueza de Saxe. 
Escraveu : 

— Selected Passages oí prose and Poetry. Rio de Janeiro, 1884, ia-8'*. 

— Selected passages of prose and poetry from Lingard, Macau) y, 
Daniel Foe and Milton, designed asa text-bork for tho examinations in 
english, before tlie boards of public instruction in the brasilian empire. 
4th. edition augmented and corrected by M. Neville. Rio de Janeiro, 
1882, in-8<> — Teve parte na redacção da 

— Opinião Liberal, Rio de Janeiro, 1866 a 1870, in-fol.— Com José 
Leandro de Godoy Vasconcellos. 

MarX-eos de OlÍT-eirct A.rru<la< — Filho de Marcos de 
Oliveira Arruda e nascido em S. Paulo a 15 de novembro de 1844, é doutor 
em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro e serviu muito tempo o 
cargo de inspector de hygiene publica no esta'lo de seu nascimento. 
Escreveu : 

— Ba thisica pulmonar tuberculosa, seu tratamento propbylatico e 
medicamentoso e causas de sua frequência no Rio de Janeiro; Signaes 
tirados do habito externo ; Morte real e morte apparente ; Tracheo- 
tomia: these, etc. sustentada a 3 de dezembro de 1866, 5 íis.-60 pags. 
in-4« gr. 

— Memorial das necessidades hygienicas da província de S. Paulo, 
apresentado à Exma. Assemblóa proviucial para ser convertido em 
projecto de lei e sustentado em defesa dos roaes interesses da saúde 
publica da mesma província. S. Paulo, 1888, 25 pags. in-4<'. 

— Inspectoria de hygiene do S. Paulo. S. Paulo, 1888, in-8*. 

Maireoa Pereira de í!>a.lle» •— Natural da provinda do 
Pará, abi falleceu a 6 de novembro de 1860, sendo doutor em sciencias 
physicas e mathematicas pola antiga academia militar e cavalleiro da 
ordem da Rosa. Com praça no exercito, serviu no corpo de engenheiros 
ató o posto de major, no qual reformou-se em 1857 ; depois exerceu no 



224 



MA. 



Paf& o cargo de deleg^ado do inspector geral da RMdiçio de terras pu- 
blicas. Escreveu além de sna those inaugura) : 

— Descripçâo e roteiro da viagem do vapor Marajá desde a ca|'ital 
do Pará até a cidade da Barra, capital da província do Amazonas. Rio 
de Janeiro, 1353, ia-4« — Acompanlia o Relatório do ministro do im- 
pério, conselheiro Francisco Gonçalves Martins, depois Barão e 
Visconde de S. Lourenço. A P parte tem 27 pags. seguidas de 3 
mappas demonstrativos ; a 2*, ou o Roteiro, 18 pags. de numeração 
separada. 

r>. Maria emolia; de Queiroz — Natural de Per- 
nambuco, de intelligencia brilhante c cultivada, tomou parte muito 
activa na propaganda em favor da abolição do elemento servil e se 
occupou de assumptos tendentes ao engrandecimento de sua pátria em 
conferencias publicas em vários pontos do estado de seu nascimento. 
Collalx)rou para vários órgãos da imprensa do dia, principalmente para 
o Diário de Pernambuco. Escreveu : 

— Conferencias feitas por occasião da propaganda abolicionista. 
Recife^ 1885 — Além destas só tenho noticia da 

*^ Conferencia celebrtd* na cidade da Vietoria áo estado de Per- 
nambuco, em 23 de março deste anno ( 1890 ) e diversos juizes da iifr* 
prensa. Recife, 1890 » Uma folha de Pernambuco assim se exprime, 
noticiando esta conferencia : « Da leitura do dito opnsculo faeil è ool- 
ligir que a Sra. Queiroz aos dotes de oradora reúne uma moitalidade 
vigorosa e bem cultivada. Os parallelos históricos, a comparação do 
systemas políticos de governo, analyses de theorias pbilosophicas e 
abstrusas, tudo se enfeixa na breve allocução a que nos referimos n'uin 
desdobrar de imagens bellissimas e moldada em linguagem tersa e oor. 
recta. Ao contemplar a ingente campanha iniciada pela Exma. Sra. 
D. Maria Amélia do Queiroz, pois a presente conferencia forma parte 
de uma serie que a talentosa brasileira realizou em diversas cidades do 
Pernambuco, onde teve o berço, sente-se quão grandioso papel est^ 
ainda reservado entre nós & mulher que souber vencer os prejuízo» 
populares e constituir-se elemento de ensino salutar o de propaganda 
tanto mais eflíicaz quanto aos predicados do espirito allia os encantos 
naturaes do seu sexo. > 



D. Maria A^ngrelica; Rilbeiro —Nascida na cidadã 
de Paraty, província do Rio de Janeiro, a 5 de dezembro de 1829 e M- 
lecida a 9 de abril de 1880, foi casada com o pintor seenographo JoSo 



/ 



J 



f 

V 



l^Uk. 225 

Caetano Ribeiro, soçia honorária da sociedade Ensaios litterarios e es- 
críptora dramática. Escreveu: 

— Cancros soctaes : drama original em cinco actos. Rio de Janeiro, ^ 
18ÔÕ, XVM23pags. in-8<>— Foi representado em 1865 no tlieatro Gym* 
nasie dramático pela companhia de L. C. Fartado Coelho, com applanso. 

— Rssurreição do primo BasUio : comedia por um calouro. Rio de 
Janeiro, 1878. 

•— Um dix de opulência : comedia em dous actos * Foi publicada 
no livro Ensaios litterarios^ collecção de trabalhos da sociedade deste 
titulo. Rio de Janeiro, 1877, pags. 174 a 221. 

^ Gabriella : drama em quatro actos, representado no mencionado ^ 
theatro pela companhia de J. P. do Amarai em 18Ô8 -> Inédito. 

— Opinião publica : drama em cinco actos, representado no theatro 
S. Luiz pela companhia de Emilia Adelaide em 1879 •* Idem. Sou in- 
formado por pessoa de particular amizade de D. Maria Ribeiro que de 
sua penna ainda existem inéditos : 

— Os anjos do sacrifício : drama em cinco actos. 

— As proezas do Firmino : comedia em três actos. 

— A cesta da tia Pulcheria: comedia. 

— Ouro, sciencia, poesia e arte : comedia, 
~ Deus, pátria e honra : drama em efotylo quinhentista referente 

à época de D. Sancho I. 

!>• M:aria JLugrustar ]Liope« de 1S& -^ Faltam«me no* 
ticias a seu respeito, só sei que muito joven escreveu : 

— Á familia africana ou a escrava convertida : romance traduzido 
do francez. Rio de Janeiro, 1852, in-8». 

!>• MAricL A.u^usta; da @il va> Oaiiiia.râ;ei^ — 

Filha do doutor José da Silva Gomes e dona Maria Augusta Carigé Go- 
mes e sobrinha do doutor Manoel Carigé Baraúna, de quem occupei-me 
neste volume, nasceu na cidadd de Nazareth, da Bahia, a 4 de Janeiro 
de 1851, e falleceu a 1 de janeiro de 1873, sendo casada com o doutor 
hoje também fallecido João Baptista Guimarães Cerne, a 22 de fevereiro 
de 1872, e portanto sem ter gozado um anno as delicias do consorcio. 
Era versada nas linguas ingleza e franceza, na geographia, na historia, 
6 em mathematicas, e cultivou a poesia, o desenho de paizagem e a 
musica, tocando admiravelmente piano. Suas poesias foram publicadas 
depois de'3Ua morte com o titulo: 

— Musa dos vinte annos: poesias, etc. Bahia, 1896, IM68 pags. 
in-8« peq. — Estas poesias são coUecctonadas por um irmão da autora, 

Vol. VI — 15 



/ 
/ 



226 M^A, 

o qnal declara que tôo prodaoçôes dos dezoito aono e que sSo publi- 
ca-las « sem a menor alteraç&o e como ella as escraveu > , em grande 
parte de improviso ; são precedidas de noticias biographicas da joven 
poetiza por seu primo Eduardo Garigó. A primeira estrophe da p3esia 
intitulada 

^ O que serei A' Guimarães Cerne, pags. 41 e 42 — d. Maria 
Augusta compozt lendo o livro Favos e travos^ do que foi depois seu 
noivo e seu esposo. Fechando o livro, ella fixou a vista no espaço, 
suspirou meianoolicamente e disse: 

€ Sim, dou-te o paraíso. . . nos meus sonhos 

De louca phantasia ; 
Dou-te os risos de amor, dou-te o perfume 

Que m!n'alma inebria ; 
Serei a flor que amenise os teus espinhos, 

Serei tua Maria.» 

Estrophe a que juntou mais tarde outras, dando-lhe titulo, dedi- 
catória e uma epigrapho de Garrett. 

r>. Maria BarTbara Xavier — Natural de Minas 
Geraes, onde foi casada com António Xavier da Silva, falleceu em 
Onro-Preto a 26 de dezembro de 1860, victima de profunda saudade, 
motivada pela morte de um filhinho. Entre varias poesias que deixou 
inéditas, segundo uma noticia do Sr. Horácio de Carvalho no Diário 
Popular j acha-se: 

— Filho /... soneto allusivo ao golpe que lhe dera a morte^ 
como foi publicado com aquella noticia e reproduzido n*0 Paiz da corte 
de 22 de agosto de 1886. Cada verso doâte soneto transpira sentimento 
e dôr em toda sua sublimidade e como só pôde experimentados o co- 
ração da mulher que é mãe. Oxalá que ainda sejam dados à luz os 
versos de dona Maria Barbara. 

X>. 3J[ai:*ia Benedicta Clamara de Boi^xnaiiii 

— Filha de Patrício Augusto da Camará Lima e dona Maria Luiza 
Bormann de Lima, nasceu em Porto- Alegre a 25 de novembro de 1853, 
foi casada com o doutor José Bernardino Bormann, seu tio, de quem 
já occupei-me, e falleceu na cidade do Rio de Janeiro a 23 de julho de 
1895. Dedicou-se às lettras, começando aos quatorze annos » escrever 
trabalhos que inutilisou depois por lhe parecer que nenhum mérito 
tinham. Collaborou para vários periódicos, como 



r 



\ 



MA. 227 

-'O Sorriso: joraal scieatiflco, litterario e recreativo. Rio v^ 
de Janeiro 188Ò-1881, in-4">; O Crujteiro, 1882; 9k Gazeia da Tarde<, 
1883-1884 e outros, usando do pseudonymo de Delia. Escreveu em 
volume: 

— Aurélia : romance original. Rio de Janeiro, 1883, 89 pags. in-8* ^ ' 
— Foi publicado com o pseadonymo, de que usou sempre, de Delia, 
primeiramente na Gazeta da Tarde. 

— Uma victima; Duas irmãs; Magdalena: romances. Rio de Ja- ^ 
neiro, 1884, 372 pags. in-8'' — O primeiro destes romances vae até a 
pag. 145 ; o segundo segue dahi até a pag. 236 e o terceiro até o fim 

do livro. O romance Uma mctima foi antes publicado na referida Gazeta, 
onde também a aatora deu á estampa Tarios contos e follietins. Ma- 
gdalena teve sua primeira edição em 1880 no periódico hebdomadario 
Syrriso. 

— Z^jòia ; romance. Rio de Janeiro, 1890, in-8°. 

— Celeste: scenas da vida fluminense. Rio de Janeiro, 1893, in-8«. / 

— Angelina: romance. Rio de Janeiro, 1894, in-8«. y 

— A estatua de neve : romance — publicado n'0 Pai:: em dezembro 
de 1890. 

£>. Bfa^ria Benedicta. de Oliveira Bai*l>osa. — 

Nascida na Republica Argentina, foi brasileira por casar-se com o te- 
nente-coronel reformado do exercito, commendador José Thomaz de Oli- 
veira Barbosa, que serviu depois o cargo do adjunto da Directoria de 
numismática, e artes liberaes do Musôo nacional, e por muito tempo 
o de bflicial-maior do Archivo publico. Cultivou as lettras e es- 
creveu: 

— Zaira Americana, Mostra as immensas vantagens que a socie- 
dade inteira obtém na illustração, virtudes e perfeita educação da 
muliíer, como mãe o esposa do homem. Esta obra encerra bellezas que 
a ferâo apreciar por todos aquellos que se dedicam ao culto das lettras ; 
Delia acha-se uma coUecção de preciosos pensamentos e algumas in- 
spirações poéticas da autora. Rio de Janeiro, 1852, 315 pags. in-8''— 
E* esta a transcripção fiel do frontispicio do livro. 

D. ]M[ai*ia Oe2Berx*a. — Natural de Pernambuco e mimosa 
cultora das musas, tem escrlpto muitos trabalhos, de que pu- 
blicou: 

— Flores das selvas : poesias com uma carta prefacio de Manoel ,^ ' 
Aarfio. Recife, 1896, iu-8\ 



228 Mik 

I>. Maria* Oaiidida. <le F'lg'ueijreclo Santoei — 

Natural de Pernainbuco^e professora de calligraphia e desenho da 69- 
oola normal do Recife, cultivou também a poesia e escreveu : 

— ^/«m^nfos de calligraphia. Recife, 1893, íd-8'' — Este trabalho 
jfoi apresentido ao Conselho litterario e pelo mesmo Conselho appro- 
yado em conferencia de 17 de agosto de 1892. Suas 

-» Poesias — se acham publicadas em jornaes de Pernambucoy o 
inéditas. Nunca fez delias coUecção. 

.D. Maria do Oarmo de Mello Re^o — Natural 
do Rio Grande do Sul o esposa do general de divisão do exercito Fran* 
cisoo Raphael do Mello Rego, escreveu : 

— Lembranças de Matto Qrosso. Rio de ianeiro, 1897, in-8« — E* 
um Urro em que a autora descreve uma viagem que fez a Matto Grosso. 

— Guido. Rio de Janeiro (?) — Nunca o vi, mais é < a curta historia 
de Guido, uma creança genial ; é a historia do pequeno ox-selvagem 
Piududo, que encontrou nova mãe amantissima e apaixonada ; ó uma 
interessante historia narrada por aquella senhora, o que forma o li- 
vrinho que nos foi remettido e perante o qual emmudecomos para ex- 
ternar Juízo critico, porque não se critica uma obra que é a revelação 
da tristeza infinda de quem vive ainda governada pelo pedaço da pró- 
pria alma que se volatilisou e pertence á vida do subjectivismo I » 
Apreciando essas paginas de dor^ diz o Sr. V. de Taunay: € Para que 
palavrando recommendações a cousas singelas e pungentes ? Como 
analysar, aliás, e encarecer sentimento tão profundo e tão beHamente 
expresso no desalinho da dor ? » 

I>. Maria do Carmo Seue de Andrade -^ Nascida 
em Silveiras, S. Paulo, depois de 1850, dotada de intelligencia bri- 
lhante, mas modesta, tendo respirado o ar da vida entre as flores 
do campo e haurindo«lbes nos cálices mimosos a natureza, tomou-se 
inspirada poetisa e escreveu : 

— O Canto da Cysne : poesias. Rio de Janeiro, 1880, 80 pags. in-8% 
com o retrato da autora, precedendo-o uma introducção por Olympio 
Catão — A primeira composição deste livro termina assim : 

Si em trevas, errante, de cardos cercada, 
Recordo-me o nada que sou, que serei. 
Meus louros cabellos arranco no ancoio 
E versos odeio que ha pouco adorei... 
Si vago nos campos aos beijos da brisa, 



r 



r 






*\ 



L 



MA. 229 

Si eil fora poetisa, murmuro gemendo, 

Que cândidos lyrios, que poética relva, 

Meu Deus I nesta selva se goza morrendo U., 

Que aguardo na terra ? Jamais inspirada 

A idéa cauçada deixou de lutar... 

Seria nas vagas ditosa uma ondina 

Si Sapho divina pudesse imitar. 

I>. Maria Oarolinai Bittencourt Ribeiro — 

Filha de JoSo Caetano Ribeiro e dona Maria Angélica Ribeiro, de quem fiz 
menção neste livro, nasceu no Rio de Janeiro a 4 de fevereiro de 1859, 
6 escreveu : 

— Trabalhos em prosa — na America, Rio de Janeiro, 1879. 

— Trabalhos em prosa e em rerso — No Atirador Franco, Rio de 
Janeiro, 1881 — > Possuia uma nota destes trabalhos extrahida das duas 
revistas, e perdi-a. 

£>• Maria Oiara Villneiia dia Ouulua— E' uma dis- 
tincta poetisa brasileira, que esteve de passeio na Capital Federal com 
sen pae em setembro de 1890. Escreveu: 

— Pyrilampos : poesias.. Rio de Janeiro, 1890, in-8<> — Em se- / 
gaida, no mesmo volume, seeucontra: 

— Rumorejys : poesias de D. Presciliana Duarte, sua amiga o 
patrícia. Este livro é prefaciado por outra senhora também poetisa. 



!>• Mearia Oiemenoia da SilT^eira 

Natural da Bahia, vivia pela época de nossa independência : ó só o que 
&ei a seu respeito. B' talvez íllha do marechal de campo António Manoel 
da Silveira Sampaio, já mencionado no 1^" tomo deste livro. Escreveu : 

— Versos heróicos que pelo motivo da gloriosa acclamação do pri- 
meiro Imperador Constitucional do Brasil compoz, recitou, etc. Rio de 
Janeiro, 1823, 8 pags. in-4o — Não vi esses versos. 

— Poesii autographa — Na relação dos manuscriptos e impressos 
oíTerecldos pelo oíficial da bibliotheca publica da Bahia João de Brito e re- 
luettida, etc, para a exposição da historia pátria da bibliotheca da Corte. 

!>• JMLarla Dias da Silva -^ Não a conheço. Pelo appel- 
lido, parece da familia do illustrado e operoso litterato cego Manoel 
Francisco Dias da Silva. Escreveu : 

— Thesouro da mãe de familia. Rio de Janeiro, 1889 — E* uma 
oollecção de conselhos, e de receitas compiladas de vários autores, de 
Qlilidade para as mães de familia. 



^ 



230 

I>. Maria Duloe — Não a conheço senão pela seguinto 
publicação de sua penn\: 

— Historietas para as crianças — Foram publicadas em folhetins da 
Gazeti da Tarde. Rio de Janeiro, 1881, in-S^. 

I>. Ma;i*ia ElixEL de X^aoerdct Valente Moniz 
de j^x-ag^âiO — Filha do capitão António dos Santos Valente e dona 
Eliza Augusta de Lacerda Valente, e casada com o doutor Egas Moniz i 
Barreto de Aragão, de quem occupar-me-hei, nasceu na cidade da ^ 
Bahia a 17 de dezembro de 1874. Espirito artístico superior, educada em 
Lisboa, onde residiu desde 1879 a 1891, tendo ahi feito todos os prepa- 
ratórios eprestando exames na escola Maria Piae no Lyoôo central dessa 
cidade, fez o curso completo de piano, musica e harmonia no real Con- 
servatório onde obteve nove distincções, além das do curso de prepara 
torio3. E\ talvez, a primeira pianista brasileira. As summidades 
artísticas, que a teem ouvido na Bahia e no Rio de Janeiro, tocem-lhe os 
mais enthusiasticos elogios. Tenho à vista as palavras que a ella dirigia 
oeximio violinista e regente portuguez, Moreira de Sá: < Uma das me 
ihores, recordações que levo da Bahia foi o prazer de ouvir a Exma. 

Sra. D. Maria Eliza de Lacerda Valente Com quanto tivesse o 

gosto de a ouvir só no b"" nocturno de Cbopin e na Campanella de Liszto, 
estas duas peças tão diversas de caracter foram suíllcientes para aqui- 
latar as suas esplendidas qualidades de pianista: som macio, plástico, 
elástico e vibrante, mecanismo seguro, preciso e de grande nitidez, 
notável maleabilidade e sobretudo penetrante intuição artística, eis, 
o mais concisamente poo^ivel, a impressão que me ficou e que me per- 
suade que esta senhora possue um espirito superior.» Escreveu: 

— - Ecude sur la musique au Brèsii — Na Revt4e Internacionale de 
Paris, vol. 14«. 

— Chopin e sua musica: serie de artigos -* na Revista Popular, 
publicação mensal. Bahia, 1897 a 1898, começando no n. 2 pag. 19. 

— Esboço critico sobre a partitura Alphion do professor Domenech, 
director do Conservatório de musica da Bahia -— Na chronica artística 
do Diário de Noticias da Bahia, em agosto de 1898. 

— Polemica critico-musical; serie de artigos publicados no Diário 
da Bahia em junho de 1898—0 contendor era um maestro estrangeiro 
que sahiu vencido e esses artigos attrahlram a attenção do publico. 
Entre suas composições musicaes se acham: 

— Zrpha : polka. 

— Elsa e Almerinda: valsa. 

— Esther: valsa. 



MA. 



231 



FblTiade Álbum. 

Rév4rie. 

Romance sem palavras. 

Barcarolla. 



X>. Jlfai*iet Ellza de Miranda Oka^es — Filha de 
Francisco de Paula de Miranda Chayes e sobrinha do doutor João An- 
tunes de Azevedo Chaves, mencionado neste livro, nasceu na cidade da 
Bahia peio anno de 1830, íoi casada com o doator Polycarpo Araponga 
e falleceu no Rio Grande do Sul. Mimosa poetiza, nanoa colleccionou 
seus versos ; publicou em revistas alguns como o 

— Soneto — de que o terceiro e ultimo verso dos tercetos inspiraram 
rarios poetas para glozarem outros sonetos. Bis os tercetos: 

Mas inda nesse estado, em que lutando 
Vivo contra o furor de iníqua sorte, 
Hei-de, martyr de amor, morrer te amando, 

Embora em premio desse amor tão forte 

Me vão sensivelmente definhando 

O pranto, a queixa, a solidão e a morte. 

T>. Maria JSmilia ILieal ^ Não obtive noticia acerca 
desta escriptora, mas só dos dous trabalhos seguintes: 

— Pequena historia sagrada para a infância por J. L. C. Renaudin, 
premiada para a instrucção elementar. Traducção. Rio de Janeiro -^ 
Sei que teve mais duas edições, ornadas com gmvuras. 

— Rudimentos de historia universal. Traducgão. Rio de Janeiro. 

D. IMCaria Feliclana de Oli-veira — Não posso dar 
noticia Bua ; só sei que é brasileira e que escreveu: 

— Martha: ensaio de novella positivista com um prefacio de Josó 
Feliciano. Rio de Janeiro, 1899. 



V 



!>• afaria Felippa 3Jazf ma da França -- Não a 

conheço senão pelo seguinte trabalho que escreveu, pelo qual a au- 
tora demonstra ter tomado parte na politica da época: 

— Memoria offerecida âs senhoras brasileiras. Rio de Janeiro, 18?6, 
4 pags. in-íol.— E' contra José de Araújo Roso, o primeiro presidente 
que teve o Pará. ( Yeja-se este nome.) 



V 



/ 



232 Mi%. 

I>. Ma.i*ia l^^irmina dos Reis «- Pilha da João Pedro 
Esteves e dona Leonor Felippa dos Reis, nasceu na cidade de S. Luiz 
do Maranlião a 11 de outubro de 1825. Dedicando-se ao magistério, 
regeu a cadeira de primeiras lettras de S. José de Guimarães desde 
agosto de 1847 até março de 1881, quando foi aposentada. Em 1880 
ÍUndou uma aula mixta em Maçarico, termo de Guimarães, cujo ensino 
era gratuito para quasi todos os alumnos, e por isso foi a professora 
obrigada a suspendel-a depois de dous aunos e meio. Cultivou a poesia, 
e tanto em verso, como em prosa escreveu algumas obras, de que as 
mais conhecidas são: 

^ — Cantos á beira-mar : poesias . S . Luiz 

u' ^ Úrsula i romance. S. Luiz. . . . 

» A escrava : romance. S. Luiz.... 

I>. Miaria Fira. uci soa Pedreira Ferreira — 

Filha do doutor Manuel Jesuino Ferreira, já commemorado neste livro 
e dona Umbelina Corrêa Pedreira Ferreira, nasceu na cidade do 
Rio de Janeiro a 23 de janeiro de 1858 e escreveu aos Uannosde 
idade: 

— Deveres dos meninos por Th. Barrau. Traducçao, dedicada ao 
Exm. Sr. Conselheiro Luiz António Pereira Franco. Bahia, 1873, 
in-8'' «- Este livro foi publicado sob o cryptonymo Uma joven fiumi^ 
nense e foi incluído no catalogo dos bons livros, que a província da 
Bahia distribuia gratuitamente aos alumnos de suas escolas. 

!>• Maria OuÍlli.ei*xiiiiia Hioureiro do An.^ 
dlrade — Natural de Minas Geraes e illustrada educadora, fundou 
ha muitos annos um collegio para meninas, que dirige, e onde não Boa- 
mente se ensinam as matérias da instrucQão primaria, como também 
varias línguas, disciplinares da instrucção superior. Este collegio 
funccionou na rua do Riachuelo e hoje está na do Cattete. Es- 
creveu: 

^Resumo da historia do Brasil para uso das escolas primarias. 
Boston, 1888, 231 pags. ln-8^ com 22 estampas coloridas — Ha outras 
edições, sendo uma de 1895. Este livro é modelado polo do professor 
W. Pockeis, não só com a noticia dos factos, como também com a 
dos vultos que nelles figuram. 

D. >laria Xlelena Oamara de A.nclra<lo 

I*in to — Natural do Rio de Janeiro e casada com o conselheiro 



MwA. «38 

£du&rdo de Andrade Pinto, já fallecidOy teye uma edaoação aprimo- 
rada, cultivou a poesia e escreveu: 

— Violetas. Rio de Janeiro, 1887, in-8® — E' um livro do poesias, ^ 
com um prefacio pelo conselheiro F. Octaviano d' A. Rosa. 

« 

!>• Maria» Josó de A.iiclrade — Flllia de Joaquim 
José de Andrade e dona Clara do Espirito Santo Andrade, nasceu na 
cidade de Campos, do actual estado do Rio de Janeiro, a 10 de ou- 
tubro de 1835, e nesta cidade dirige, lia muitos annos, um coUegio 
de educação primaria o secundaria. Desde muito Joveu applicou-se 
à escripturaçao mercantil e ao estudo de varias Itnguas para auxiliar 
seu pae que era negociante. Cultivou também as lettras^amenas» e 
collaborando para vários periódicos, publicou muitas 

— Poesias e folhetins, origiaaes e traduzidos — rios quaes assi- 
gnava-se ordinariamente com o pseudonymo arcaiico de Leucata 
Olympia. 

I>. Mairiai «Xoseplia Ba,rx*eto — Nascida em Viamílo, 
província do Rio Grande do Sul, abi casou-se, sendo o seii marido 
carcereiro da cadeia de Porto Alegre. Poetiza e repentista muito 
feliz, recitando uma poesia no tlieatro, em certo espectáculo, a essa 
poesia, que era improvisada, seguiu-se uma luta de versos também 
improvisados entre a autora e outro poeta, como diz o doutor César 
Marques em seu Almanak de 1867. Escreveu muitos 

« Elogios dramáticos e poesias varias — que nunca foram publi- 
cadas, e entro estas a seguinte: 

— Âos 55 annos do Sr. D. João VI: soneto — Foi publicado no dito 
Almanak, pag. 41 . 

T>m MctiriO/ «Tosepliina Matkilde Duroolxex* — 

Nascida na França a 9 de janeiro de 1808, falleceu no Rio de Janeiro 
a 25 de dezembro de 1893, parteira pela faculdade de medicina desta 
cidade, parteira da âuada imperatriz D. Thereza Cbristina e da 
princeza, também finada, D. Leopoldina, membro da Academia im- 
perial de medicina e da associação Promotora da instrucção. Exerceu 
por dilatados annos sua proâssão com honra e desvelo e praticou 
sempre a caridade como recommenda o Evangelho, sem ostentação, 
sem que a mão que dá seja vista pela outra mão. Escreveu: 

— Idéat a condemnar a respeito da emancipação. Rio de Janeiro, 
1871, 21 pags. ln-4». 




234 MA. 

— Considerações sobre a cliaica obstétrica. Rio de Janeiro, 1877» 
in-4«. 

•^ O centeio e a ergotíDa. Rio de Janeiro. • • • 

— ^ Reflexões sobre a eclampsia e as convulsões dos rooem-nascidoe. 
Rio de Janeiro, 1883, 65 pags. in-4'' — Ck>llaborou activamente nos 
Annaes da Academia imperial de medicina, publicando entre m altos 
trabalhos os seguintes: 

— Resumo estatístico da clinica de partos de M"' Duroclier desde 
o mez de novembro de 1834 ató novembro de 1848 — No vol. de 1847- 
1848, pag. 270 e seguintes, 

— Deee ou não haver parteiras ? — No vol. de 1870-1871, pags. 256, 
289, 329 e seguintes. 

— 2)0 emprego do centeio espigado nos partos — Idem, pag. 93. 

— Medicina legal à vol d'oiseau em relaç&o aos corpos de delicio 

— No dito vol. pags. 107 a 120. 

— Do emprego abusivo do chloroformio nos partos physiologicos 

— No vol. de 1877-1878, pags. 142 e seguintes. 

— Acção abortiva do sulphato de quinino — No vol. de 1873-1874, 
pags. 428-452. 

— Um caso de contracções tetânicas do útero do 7^ para o 8* 
mez de gravidez — No vol. de 188M882, pags. 63 e seguintes. 

— Considerações sobre os abcessos que atacam o systema mus- 
cular durante o puerperio — No vol. de 1883-1884, pags. 251 e se- 
guintes. 

!>• Maria; «Juoá/ Mox-eira Hjiina — Filha de António 
Scipiao da Silva Jucá de quem me occupei no vol. 1», e dona Anna 
Maria Guerra Jucá, nasceu em Maceió, capital de Alagoas, no auno 
de 1867 e ahi falleceu a 3 de abril de 1895, casada, ainda não havia 
dous annos, com o engenheiro Enéas Moreira da Silva Lima. Tendo 
estudado, tanto no lycêo, como na escola normal dessa cidade, onde 
fez briliiantes exames, revelou gosto pelo estudo, conhecimento de 
obras moderuas sobre diversas matérias e até aptidão para as ma- 
thematicas. Foi poetisa de um lyrismo encantador. Talento inve* 
javel, deixou dous volumes de composições suas, manuscriptos, qua 
seu marido em viagem para o Maranhão levou com a idôa de dar 
ahi à publicidade o que julgasse melhor, mas um delles foi perdido 
num caixão de livros que por descuido deixou a bordo e nunca foi 



MA. 235 

sDoontrado. Maitos trabalhos seus, porém, quer em prosa, quer em 
yerso, foram publicados na imprensa de Maceió, dos quaes são: 

— As flores d' alma. A meu prezado pae, achando-se na cidade 
do Pão de Assucar — No Gutemberg, 1886. E' uma poesia que ter- 
míDa patenteando as três flores de sua alma, assim: 

A primeira ô de alvura não sonhada... 
Tudo que ó santo abriga, immaculada, 

Sua corolla immensa. 
Quando transborda o cálix da amargura, 
Minh'alma n'uma precs se depura, 

Cresce a rosa da Crença. 

Quando por mim em lagrimas banhada 
De minha mãe a face descorada 

Eu cinjo ao coração. 
Divina, casta, cérulo, amorosa, 
Nas:e em meu ssio a flor mais odorosa, 

A flor da GrJtidão, 

E quando as illusões são dissipadas 
E as rosas dos amores desfolhadas 

Em triste soledade, 
Consoladora, olente, doce e calma 
Inda uma flor deabrocha na minh'alma, 

O lyrio da Saudade I 

-^ Carlota Corday: soneto — Também no Gutemberg, 1889 — 
D. Maria Jucá deixou finalmente diversas traducções de Victor Hugo e 
outras do írancez, que revelam seu apurado gosto e perfeito conhe<- 
cimento desta língua. 

I>* Mai:*ia* JLàwixa, Duarte — Filha do capitão José 
Vieira Sampaio e dona Capitulina Clotildes Alves Vieira, nasceu na 
villa da Palmeira dos índios, Alagoas, a 15 de abril de 1863, e é 
casada com João Francisco Duarte, mencionado no 3® tomo deste livro, 
tendo«o sido em primeiras núpcias com António de Almeida Romariz, 
de quem enviuvou com 20 annos de idade. Cursou varias aulas no 
lycôo de Maceió, em que obteve distincta approvação, com o intuito 
de matricular-se em uma das faculdades do paiz, o que não realizou 



S36 MA. 

por circumstanciai imprevistas. Ferida por dolorosos golpes e des« 
protegida da fortuna, fundou um collegio para moDina?» o Athenôo 
alagoano, no qual ensinou, não só lettras e artes, como o que con- 
cerne â educação domestica. Fundou e redigiu; 

— Reoista Alagoana. Maceió, 1887 » E* uma gazeta litteraria 
e scieutiâca, de senhoras, dedicada particularmente á mulher bra- 
sileira, sua emancipação, futuro, etc. Só viveu seis meses. Escreveu 
depois: 

— A/twana/i Jitterario alagoano das senhoras. Maceió, 1888, in-8* 
— Não sei si foi publicado mais de um anno. O que sei é que ô a 
primeira producção deste género por senhora brasileira. 

F>. 3£ai*iUi Xuuiza cie Oliveix-a A^ri^udix — Nascida 
em Bananal, Rio de Janeiro, a 6 do março de 1804 e casada com seu 
primo o Dr. João Braz de Oliveira Arruda mencionado no vol. 3**, teve 
uma educação esmerada, sendo versada em varias línguas o toca pri- 
morosamente piano. Alma compassiva e caridosa, promoveu, ella só, 
com grande esforço um concerto musical em Barra Mansa em boneficio 
do hospital de caridade. Tem algumas traducções inéditas e também 
composições musicaes. Escreveu: 

— - A Rabbiaua por Paulo Keyse: traducção do allemão. Bananal, 
1880, in-8\ 

I>. M£i.z*ia Simões — Natural do Pará, e joveu cultora da 
poesia. De suaa numerosas composições publicou: 

— Lyrios d'alma: versos. Belém, 1893, in-8® — São 58 composições 
prefaciadas pelo poetada «Musaamericana>, Juvenal Tavares. Sobre 
este livro escreveu o erudito Dr. Eunapio Deiróno folhetim do Jornal 
do Commercio de 15 de junho de 1897. 

Mariano cie A.zevedo Itapura -- Filho do capitão 
de mar e guerra António Mariano de Azevedo, Jâ mencionado neste 
livro, e dona Rosalina do Vai de Azevedo, nasceu a 22 de setembro de 
1864 em S. Paulo, na colónia militar de Itapura, fundada por seu pae, 
e falleceu nesta capital a 17de fevereiro de 1889, sendo segundo tenente 
da armada. Concluindo em 1885 o curso da escola naval, foi em 
viagem de instruoção aos Estados-Unidos e em sua volta fez parte da 
força naval estacionada em Montevideo, onde por occasião do incên- 
dio de um navio austríaco, soocorrendo> tripolação desse navio, por- 



i 



M:A. 237 

tou-se de modo a merecer elogios da imprensa platina e do governo 
imperial a medalha humanitária. Escreveu: 

— Á batalha natal do Riachiielo. Rio de Janeiro, 1885 -* Era o 
autor estudante quando publicou esta obi*a« 

^ Apontamentos e impressões de viagem de um guarda- marinha» 
Rio de Janeiro, 1888 » Refere-se a viagem aos Estados-Unidos. 

•* Ephemerides navaes — B' um volume inédito, de muito mereci- 
mento, segundo me afflrma pessoa competente. 



Henrique de Araújo —Natural da pro- 
víncia, hoje estado de Minas Geraes, é somente o que sei a seu respeito. 
Escreveu: 

— Memorias sobre o municipio de Tamanduá, província de Minas 
Qeraes, organisadas e descriptas, etc., e olTerõcidas á bibliotheca na- 
cional para figurar na sua exposição de historia e geographia do Brasil. 
S. João d'El-Rei, 1881, 16 pags. in-4«. 

Mariano «Toaé do A.iiiaral — Natural da Bahia, e pae 
do desembargador Joaquim José do Amaral, falleceu no Rio de Janeiro 
peloannode 1835. Era bacharel em philosophia e em medicina pela uni- 
versidade de Coimbra, medico da imperial camará, lente do coUegio 
medico-cirurgioo, depois academia medico-cirurgica desta cidade, etc. 
Escreveu : 

— Discurso por occaslão da primeira abertura da cadeira de ma- 
téria medica o medicina pratica da academia medico-cirurgica desta 
corte, feito e recitado, etc. em o dia 20 de junho de 1821. Rio de Janeiro, 
1821, 12 pags. in.4\ 

Mariano «Tose Oabral — Penso (^uo é natural do Ma- 
ranhão. Teve a idéa de instituir no Rio de Janeiro uma publicação com 
o titulo de Bibliotheca romântica, constando, como esse titulo indica, de 
romances, originaes ou traduzidos e escreveu: 

— Os ciúmes de uma rainha: romance por D. Torquato Tarrago, 
traducção. Rio de Janeiro, 1872, in-8'» — Foi publicado este romance 
em nove fascículos que jRizem parte da collecção da Bibliotheca român- 
tica. 

— Valereuse: romance por Júlio Sandeau. Traducção, Rio de Ja- 
neiro, 1861, in-8«. 

— A maçonaria e o jesuitismo. Publicação de una maçoa catholico, 
apostólico romano, da Loja Silencio^ do valle dos Benedictinos. Rio de 
Janeiro, 1872, 135 pags. in-S*». 



1 



238 

Ma^riano «José Pereii*a. éícL l^^onseoa, Marquez d6 
Maricá^ Filho de Domingos Pereira da Fonseca e dona Thereza Maria 
de Jeflas, nascea no Rio de Janeiro a 18 de maio de 1773 e faileoeu a 16 
de setemiJro de 1848, senador pela provincia do Rio de Janeiro, conse- 
lheiro de estado, do conselho de sua magestade o Imperador, grã-crus 
da ordem do Cruzeiro, oavalleiro da de Christo, sócio do Instituto histó- 
rico e geographico brasileiro e bacharel em mathematicas o em philo- 
sophia pela universidade de Coimbra. Apenas formado em Coimbra, em 
1793, a dolorosa noticia da morte de seu pae, que ora negociante, trouxe-o 
ao Brasil, onde o aguardavam novos desgostos. Abraçando a profissão 
de seu pae, entrou para a academia scientiíioa, fundada por Manuel 
Ignacio da Silva Alvarenga sob os auspícios do governador Marquez de 
Lavradio, e por esse crime, quando o famigerado Conde de Rezende 
dissolveu violentamente a academia, foi preso e esteve dous annos, sete 
mezes e quinze dias encarcerado por ordem ddste déspota. Occnpou 
legares importantes, de 1802 a 1822, como os de membro da junta do 
commercio, censor régio da imprensa, administrador thesoureiro da 
fabrica de pólvora, creada a 8 de maio de 1808 na Lagoa de Rodrigo de 
Freitas, e um dos administradores da imprensa régia, creada namesmt 
data. Foi um dos collaboradores da Constituição do Império deaccordo 
com as bases dadas por D. Pedro I ; ministro da fazenda desde a dh- 
soluçaoda constituinte, novembro de 1823, até 23 de novembro de 18S5; 
e um dos membros oom que foi inaugurado o senado. Foi grande philo- 
sopho, profundo moralista e também poeta. Escreveu: 

— Máximas^ pensamentos e reflexões do Marquez de Maricá, otc. Rio 
de Janeiro, 1837, 1839 e 1841, ia-8» — E' uma publicação feita em três 
partes, distribuída gratuitamente e geralirienteapplauJida pela imprensa 
que considerou o autor um outro La Rochefoucauld. Fez-se depois uma 
edição com o titulo de Collecção completa das máximas, etc, no Rio de 
Janeiro, 1843, com o retrato e fnc-simile do Marquez. 

— Novas reflexões^ máximas c pensamentos do Marquez de Maricá. 
Rio de Janeiro, 1844, 133 pags. in-8\ 

— Novas máximas, pensamentos e reflexões ^ etc. Rio de Janeiro, 
1846, 128 pags. in-8\ 

— Ultimas maximás.pensamentose reflexões, etc. Rio de Janeiro, 1849, 
56 pags. in-8''— Eitas ultimas, publicadas depois da morte do autor, 
são uma reproducção doporiodico íris, tomo 1'», redigido pelo conse- 
lheiro Castilho, a quem as havia o autor dado. Todas as producções 
mencionadas sahiram a lume ainda com o titulo: 

— Collecção completa das máximas, pensamentos e reflexões do 
Marquez de Maricá: edição revista e emendada pelo autor, augmentada 



i 



f 



f 



I 



MA. 239 



oom as máximas, pensamentos e reâexões pablicadas em 1844 ^ \^^^%. 
com as ultimas máximas, pensamentos e reflexões. Rio de Janeiro; 18^0,^^ 
in-8^ — No anno de 186U, foi era Paris feita uma edição era tudo seme- 
lhante a esta, mais nítida, com o retrato e fjrC-simile do autor, termi- 
nando com o epitapbio por clle escripto para sua sepultura, nesta qua- 
drinha: 

Aqui jaz o corpo apenas 
Do Marquez de Maricá 
Quem quizer saber-lhe a alma 
Em seus livros achará. 

Finalmente em 1896 fez-se a ultima publicação deste livro, no Rio de 
Janeiro, com 404 pags. in-8% com o retrato e facsimile. Neste fac-simile 
leem-se as seguintes máximas: < A herança dos sábios tora mais ex- 
tensão e perpetuidade do que a dos ricos ; comprehende o género 
huraano e alcança a mais remota posteridade. » « O nosso espirito não 
se retira inteiramente deste mundo, quando deixamos nelle o fructo 
de nossos pensamentos e cogitações. » — As máximas do Marquez de 
Maricá são adoptadas pelo governo para as versões francezas, iuglezas 
e allemãs nos exames de preparatórios. O Marquez eraílm -col- 
laborou no 

— Projecto de Constituição para o Império do Brasil, organisado 
pelo Conselho de Estado, sob as bases apresentadas por S. M. o Impe- 
rador o Sr. D. Pedro I. Rio de Janeiro, 1823, 46 pags. in-4*' — (Ve- 
ja- se Clemente Ferreira França. ) De suas composições poéticas nunca 
se rez collecção ; ha algumas postas em musica \e\o padre Josô Maurício 
Nunca Garcia, de quem j occupei-me. 

MAria^uo I^rooopio Ferreií-a Lag'e — Natural 
de Barbacena, província de Minas Geraes, e fallocido a 14 de fevereiro 
de 1872, foi negociante na corte e proprietário rural em sua província, 
que o elegeu deputado h 11" legislatura de 1861 a 1863 e & 14» de 1869 
a 1872. Foi director presidente da Companhia União e Industria, e 
depois director da estrada de ferro D. Pedro II e a olle se deve o es- 
tabelecimento da primeira escola agrícola em Juiz de Fora. Era digni- 
tário da ordem da Rosa, commendador da de Christo e offlcial da 
ordem francezada Legião de Honra, membro da sociedade Auxiliadora 
da industria nacional, etc. Escreveu: 

^ Animaes domésticos : Relatório da exposição universal de 1867 
— Acha-se no Relatório redigido pelo secretario da exposição bra- 
sileira, Júlio Constâncio de Villeneuve. Paris, 1868. 



VY^trt 



240 



M^ 



— Prolongamento da estrada de ferro D. Pedro II. InformaçOes 
prestadas á assembléa geral legislativa. Rio de Janeiro, 1870, \QSt 
pags. in-4<». 

— Relatório apresentaio á assembléa gorai da Companhia União 
e Industria em 23 de Junho de 1861. Rio de Janeiro, 1864, in-4'* — Era 
o autor o director gerente da companhia. 

— Estrada de ferro de D, Pedro //. Relatório do anno de 1870 
apresentado ao Illm, Exm. Sr... Ministro e Secretario de Estado dos 
Negócios da Agricultura, Commercio e Obras publicas. Rio de Janeiro, 
1871,in-fol. 



Mariano de Sauta Roza de Utiiiia — Filho do 
Bar&o de Itaparica, António Teixeira de Freitas, e da Baroneza do 
mesmo titulo, dona Roza de Lima Teixeira, nasceu na cidade da Bahia 
no anno de 1824 e falleceu no de 1853. Chamado antes Mariano Tei- 
xeira de Freitas, foi por seu irmSo mais velho e seu tutor ( a quem 
nio convinha entregar-lhe a legitima de seus pães, já fallecidos)i 
constrangido a tomar o habito dos benedictinos e professar no mosteiro 
daquella cidade. Sem vocação alguma para esse estado, pedia 
e obteve breve de secularisação, e recebeu então as ordens do presby- 
terato. Foi irmão dodistincto advogado, de quem ílz menção, Augusto 
Teixeira de Freitas, 1^ e, como este, talento robusto e de uma acti-* 
vidade excessiva. Alma compassiva, bemfazeja, nobre, nunca negou-se 
a beneficio algum e muitas vezes via>se sem um real na algibeira. 
O arcebispo D. Romualdo dcdicou-lho affectuosa estima e contribuiu 
para que elle alcançasse aquella graça do summo pontifica. Eleito, 
depois do respectivo concurso, vigário da igreja de S. José da Barra 
de Sento Sé, nos sertões de sua província natal, morreu repentioa** 
mente, constando que fora envenenado. Escreveu muitos sermões ou 
antes improvisava-os, mas não consta que publicasse algum. No mesmo 
dia de sua primeira missa, n*uma festividade celebrada no convento 
da Lapa, da Bahia, pregou no Te-Deum á tarde com geral applauso. 
Sãodesua penna: 

— O génio da Ckriêtianismo por Chateaubriand : traducção. Parte 
1», Bahia, 1845, in*8« -* Não continuou. 

• — As sombras de Descartes, Cousin, Kant e Jouífroy: traducção. 
Bahia, 1846, in-8». 

— Ensaio sobre a constituição divina da egreja, offereoido aos 
chrlstãos, como preservativo nas actuaes circumstancias por um vigário 
geral: traduzido do ft-ancez. Bahia, 1817, in-8«. 



w 



MA. 24 1 



-^Espirito da biblia ou mora.í universal eh rista pelo abbade A. 
Martini: traducção. Bahia^ 1847, in-8\ 

— O amante assassino : romance. Babia, 1846, iD-8^ — Este ro^ 
maDce a propósito do assassinato da infeliz Júlia Fetal por J. E. da 
Silva Lisboa publicou-se sob o anonymo. 

— Ensaio da historia áo christianismo. Mudanças trazidas pelo chris- 
tianismo na sorte e condição da mulher — No Mosiico^ periódico 

» mensal da sociedade Instructiva da Bahia, tomo 2^, pags. 170 e 248 
e segs. Neste periódico ha mais de sua penna: 

— O ítíícídto — No mesmo tomo, pags. 107 a 110. 

— Os túmulos -^ "So mesmo tomo, pags. 255 a 257. 

— Moral religiosa : A esperança: traducção — Idem, pags. 268 
a 269. 

— Rienzi : historia da idade módia 1309 — Idem pags. 276 a 279. 

— Escolhei amigos — IfJem, pags. 283-a 285. 

--^ A ordem benedictina — Idem, tomo 3% pags. 5 a 8 — Só foi 
publicado o primeiro capitulo, ficando os demais inéditos, por ser 
suspenso este periódico. 

— O chamado do céo: romancete verídico — No Athenêo^ periódico 
scientifioo e litterario dos estudantes da Faculdade de medicina da 
Bahia, 1849, pags. 29 a 31 . 

— O legado da hora extrema: romancete ^ Idem, pags. 188 a 191. 

— Amores de uma creatura sem dentes — Idem, pags. 229 
\ a 231. 

— As lagrimas — Na Revista Universal Brasileira : Rio de Janeiro, 
1848 — Só foi publicada a primeira parte ou os doas primeiros capitules, 
por ser suspenso este periódico. 

— Os últimos momentos do soldado catholico — Na Tribuna Ca^ 
tholiea do Rio de Janeiro, n. 24. 

— A imprensa catholica no Brasil — Na Religião, periódico religioso 
6 politico do Rio de Janeiro, tomo 1% 1848. 

— A força da oração: facto histórico —Idem, tomo 3% 1850. 

— A confissão — Os amores da mulher — A irmã de caridade — O 
enterro de uma donzella christã — A mulher perante a antiguidade 
— Historia moderna da Igreja — Pio Nono e Napoleão ( traducção ) — 
Na Chronica Litteraria, Rio de Janeiro, 1848-1850, pags. 97, 113, 137, 
161, 173 6 180 e segs. O padre Mariano escreveu ainda na imprensa 
do dia da Bahia e redigiu: 

— O Romancista : periódico de instrucçâo e recreio para as sonhoras 
bahianas. Bahia, 1846, in-8<> — Sahia em livretes, de que apenas foram 
publicados 24, todos da penna de seu redactor. 

Vol. VI — 16 



242 MA. 

» 

-> O Noticiador catholico: peiiodieo consagrado aos interesses da 
religião sob os auspicios do Arcebispo D. Romualdo. Bahia, 1848-1850, 
in-fol.— Este periódico se pablicava orna' vez por semana a quasi todc^ 
08 números eram da penna de seu redactor, que escrevia com a maior 
ílMsilldadee sem fazer correcções. O padre Mariano traduziu para 
o portagaez am ilirro grosso sobre clinica homoeopathiea, que foi 
publicado na Bahia com o nome de am homopatha ftancez. Quem 
escreye estas linhas o via muitas yezes nesse trabalho em agra- 
dável palestra, alegre, sem consultar o dioclonario, sem deseuido 
algum. 

Mário de A.rtasrâo — Pseudonymo de António da 
Costa Corrêa Leite, alho de António da Costa Corrêa L^te, o 
nascido na cidade do Rio Qrande do Sul a 10 de dezembro de 1866, co- 
meçou sua educação na Allemantia, mas não pôde conclnil-a, porque 
seu pae, ao cabo de três annos, o fez voltar & pátria para empregal-o 
no commercio. Não houve razões, nem supplicas á que seu pae cedesss 
para dispensal-o da vida commeroial, e por isso deixou elle as van- 
tagens, que lhe proporcionava a enorme fortuna paterna, para viver 
do seu trabalho. Esteve em Pernambuco, depois no Rio de Janeiro e 
d^aqui voltou ao Rio Grande, só dedicando-se â imprensa, âs lettras, 
pugnando, ainda depois da proclamaçSio da republica, peias idéas da 
monarchia. Achaudo-se no Rio de Janeiro por occasião da mudança 
do regimen politico, âel às suas crenças, não quiz collaborar em di- 
versas folhas, para que foi convidado, quando toias, com excepção da 
TribuM Liberal, destruída pelos partidários do governo provisório, 
tinham em massa adherido à Republica. E' membro da Academia 
litteraria de França e de outra^s associações de lettras, collaborou na 
Tribuna Liberal citada, com o bacharel Carlos de Laet, em 1890, e 
depois no Correio Mercantil de Pelotas, e no Echo do Sul, Jornal que 
foi suspenso a 1 de abril de 1894 e para cuja i^edacção foi por vezes 
convidado. Redigiu o 

* Rio Grande do Sul ( orgam Sim política ), 1891 — Para cbeíe da 
redacção desse jornal foi elle c(m vidado por seus proprietários, mas 
deixou-o logo, porque estes queriam, contra sua oonscienciai que elie 
defendesse a attitude da autoridade policial que d^saoatara a um seu 
coUega. Fundou e redigiu: 

— A Actualidade (iorndil monarchico), Rio Grande, 189^1893 — 
Começou a 1 de setembro de 1892 e terminou a 24 de setembro de 1893, 
quando os successos políticos desse estado lhe ameaçavam a liberdade. 



MA. 243 

obrigando-o a refugiar-se durante oito mezes no Consulado ingiez. 
Mário d*Artagão é inspirado poeta e escreveu: 

— As infernaes: poesias. Recife, 1888, in-fol.— Foi este livro que 
abriu-lhe as portas da Academia litterariade França. 

— Psalierio : poesias. Rio Grande, 1894, in-8» — Deste mimoso livro 
destaca-se a bella poesia « Buena Dioha», que é uma amarga allusão 
ao facto de ser sua carreira cortada pela inflexibilidade paterna, Bm 
1895 tinha elle a publicar : 

•^ Crepe: poema sociológico. 

— Darwinismo e Deismo — - obra, cujo titulo indica o elevado 
assumpto de que se trata. 

M Ario Oodcrane de AJencax-— Filho do doutor José 
Martioiano de Alencar « o segundo deste nome commemorado neste 
livro, nasceu no Rio de Janeiro, a 30 de Janeiro de 187j^ é bacharel em 
lettras pelo collegio Pedro II e em soiencias sociaes pela faculdade 
livre deeta capital, offlcial da secretaria da Justiça e negócios Inte*- 
riores. V poeta e escreveu: 

* Lagrimas. Rio de Janeiro, 1888 — são os primeiros versos do 
autor, que, joven e dotado dd talento, como demonstram esses versos 
correctos e graciosos, preferiu a rotina antiga dos poetas chorõei. 
quando deveria rir e folgar. 

ICfirio dia I^a-riaESBAi:*! ^ Pseudonymo de Francisco 
Maniz Barreto de Aragão, alho do commendador Egas Momz Bar- 
reto de Aragão e dona Maria Luiza Gade de Massarellos Moniz de 
Aragão, nasceu na cidade da Bahia a 18 de Junho de 1846. Fez sua edu- 
cação litteraria na AUemanha, onde teve como professor de preparató- 
rios o celebre Fernando Kock, professor contractado de hebraico e lin- 
guas do Imperador d. Pedro II Ahi graduado doutor em direito pela 
ani¥ersidade de Heidelberg, voltou à Bahia, foi deputado provincial e 
ooUaborou com muitos contos humorísticos e vários trabalhos no Diário 
de Noíieias^ no Diário da Bahia e no Jornal de Noticias. Collaborou na 
revicta litteraria Renascença e no Monitor^ onde escreveu por muitos 



V 



•* Correspondência de Berlim — Sscreveu mais: 
'— De re fenebri: ( these para o doutorado em direito )• Heidelberg, 
1867, 64 pags. in-4o — fim latim. 

— > Das Verfassung — Wesen in Brasilien. Bahia, 1873, 80 pags. 
iQ.go.. Ern allemão. A* este trabalho, que é offerecido ao Barão de 
Cotegipe, foi o autor levado pelo modo injusto e altamente extranhave 



sJ 



244 MA. 

por que o Brasil tem sido sempre aquilatado na Europa pela ignorância 
de uus, pela má vontade ou má fó de outros, e pelo afinco com que nos 
últimos annos alguns indivíduos teem procurado rebaixal-o diante do 
mundo civilisndo. 

— Desabafos hwnoristicos , O Sr. Jucundino: conto offereeido 
ao corpo académico de sua terra. Bahia, 1889, in-S^^ Seguem mais 
cinco contos, a saber 

— II Que Santo António ! 

— III Frei Presciliano, 

— IV O Cónego Rufino. 

—' \ As decepções do Sr. Almeida. 

— VI A' braços com uma rainha — Tem trabalhos em revistas, 
como 

— A mulher através do século: resumo de uma conferencia espe- 
cialmente escripta para a Renascença — Na Renascença^ revista lit- 
teraria da Bahia, ns. 5, 6 e 7. 

AI a.i*tiiii ^íTonso Bairlboza. da, Silva. — Bacharel 
em sciencias physicas e mathematicas pela universidade de Pariz. Es- 
creveu : 

— Chave da chimica ou novo methodo para estudar esta sciencia. 
Rio de Janeiro (?) in-8\ 

^lairtim Vi*aiiciiioo Ribeiz*o de ^ndirada., 1* — 

Filho do coronel Bonifácio José de Andrada e dona Maria Barbara da 
Silva, e irmão de António Carlos e de José Bonifácio de Andrada e 
Silva, já mencionados neste livro, nasceu em Santos no anno de 1775 
e falleceu a 23 de fevereiro de 1844. Era formado em mathematica 
pela universidade de Coimbra. Tendo acompanhado em 1820 aquelle seu 
irmão ( que no anno antecedente voltara de Portugal) a uma excursão 
montanistica por parte da província de S. Paulo para determinar 
seus terrenos auríferos; serviu em 1821, como secretario do governo 
provisório, de queelle era vice-presidente; occupou a pasta da fazenda 
no primeiro ministério do primeiro reinado, do qual foi o dito seu irmão 
o organisador; foi, como elle, eleito deputado â constituinte brasileira, 
bem que por outra província, a do Rio de Janeiro ; foi com elle depor- 
tado para Europa em 1823. Voltando do exilioem 1828, foi ainda preso 
na ilha das Cobras e, sahindo da prisão, neste mesmo anno foi eleito 
por Minas Geraes deputado á 2' legislatura, e mais tarde por S. Paulo 
â 4* legislatura. Occupou também a pasta da fazenda no primeiro mi- 
nistério do segundo reinado, de 24 de julho do 1840. Era do conselho 
de sua magestade o Imperador, membro do Instituto histórico e geo- 



MiA. 245 

^raphioo brasileiro, cavalleiro da ordem de Christo, homem de reco- 
nhecida probidade e de costumes severos. Escreveu: 

— Manual de mineralogia ou esboço do reino mineral, disposto se« 
gunáo a analyse de mr. Forbern Bergman, etc. ; traduzido por Martim 
Francisco Ribeiro de Andrada e publicado por ivei José Mariano da 
Conceição Yellozo. Lisboa. 1799-1800, 2 tomos in-4<'. 

— Tr€Uado sobre o cmhamo^ composto em francez por mr. Morcan- 
dier, traduzido em portuguez, etc. Lisboa, 1799, 97 pags. in-8<*« 

— i Diarto de uma viagem mineralógica pela provinda de S. Paulo 
no anno de 1805 ^ Na Revista do Instituto, tomo 9^, 1847, pags. 527 a 
548 e antes na Gazeta Official deste anno, não sendo concluído porque c o 
restante do Diário ou foi distrahido ou consumido» como diz a redacção 
deeta folha. Difficilmente ponde a mesma redacção coordenar esse tra- 
balho, escripto em fragmentos de papel e com a lettra já gasta pelo 
tempo, constando de notas que o autor fazia no decurso da viagem, 
sem as ter corrigido. Não se deve, portanto, procurar nesse trabalho 
mérito litterario, pois que seu mérito esta na perspicácia e na exa- 
ctidão das observações. 

— Ame^^ique meridionale. Voyage mineralogique dans la provi uce 
de Salnt Paul, du Bresil — Duas partes n'um vol. in-8<> — Extrahido do 
Journal des Voyages^ 1827, e reimpresso na BuUetin das sciences natu. 
relles, 1829, e por ultimo em appendice á traducção feita por José 
Bonifácio da < geologia elementar applicada à agricultura, com um 
diocionario dostermos geológicos » de Nereo Boubôe, em 1846. ( Veja se 
José Bonifácio de Andrada e Silva, 1^. ) A viagem de que se trata é 
de 1820 pelos dous Irmãos e o escripto é feito por ambos. 

— Jornaes das viagens pela capitania de S. Paulo, de Martim 
Francisco Ribeiro de Andrada, estipendiado como iuspector das minas e 
maltas e naturalista da mesma capitania em 1803 e 1804 — E* uma 
cópia do original que possuia o Visconde de Porto Seguro. Está 
inédito no Instituto histórico. 

— Falia que dirigiu aos negociantes e capitalistas desta praça, re- 
lativa ao empréstimo de quatrocentos contos de róis para urgências do 
Estado do Rio de Janeiro ( 1822 ), 2 fls. in-fol.— Seguem-se as Con- 
dições do empréstimo. 

— Dwcwrso pronunciado depois do Relatório do.... ministro da 
justiça ( na Camará dos deputados ). Rio do JaneTo, 1832, in-4\ 

— Discurso pronunciado na Camará dos deputados na sessão de 12 
de maio de 1832. Rio de Janeiro, 1832, in-4". 



2« MA. 

— Re$posH dftdã em sessfio de 15 de in^io por oooatifio de um pa* 
recer da mesa, e discurso pronunciado no mesmo dia, discutlado o roto 
de graças. Rio de Janeiro, 1832, in-4^ 

«-i Diiourso pronunciado na camará dos deputados na sessão de 
17 de maio, continuando a discusafto do voto de graças. Rio de Janeiro, 
1832, in-4<». 

^ Discurso pronunciado na camará dos deputados na sesslo de 19 
de maio. Rio de Janeiro, 1832, in-4«. 

^ Refutação da defesa do sr. Joaquim Bstanislau Barbosa. Rio de 
Janeiro, 1829 — E* um opúsculo anonymo, attribuido a este autor e 
também a seus irmãos. 

— Memoria sobre a estatistlca ou analyse dos rerdadeiros prln« 
ciplos desla sciencia, e sua applicaçfto â. riqueza, forças e poder do 
Brasil — O manuscrípto de 85 fols. pertence ao Instituto histórico. 

— Cartas Andradinas. Nos Annaes da Bibliotheca N£Uiional do Rio 
de Janeiro, vol. XIV, pags. 51 à 69. 1890. 



Mairtim l^z*a,noisoo Ri1>eii:*o de A-ndrada, 2» — 

Pilho do precedente e dona Qabriella Frederica de Andrada e irmão 
de Josô Bonifácio de Andrada e Silva, 2<», naseeu em Muoldan, arra- 
balde de Bordeauz, na França, durante o etilio de seu pae, a 10 de 
Junho de 1825 e falleceu em S. Paulo a 2 de março do 1886. Formado 
em soiencias sociaes e Jurídicas pela faculdade dessa cidade em 1845, 
recebeu o gvko de doutor cm 1856, foi nomeado lente substituto da 
dita faculdade em 1854 e mais tarde oathedratico. Foi deputado por 
varias vezes desde 1848 á assembléa da província de S. Paulo quo 
elle representou na camará temporária na 9* legislatura como sup* 
plente, e como deputado eloito nas 11^, 12'*, 13^ legislaturas e nas da 
ultima situução liberal de 1878 em diante; entrou numa lista 
saxtupla para senador do Império ; fez parte do gabinete de 3 de agosto 
de 1866, occupando primeiramente a pasta dos negócios estrangeiros, 
e depois a da Justiça, e foi, depois disto, nomeado membro do conselho 
de estado. Era do conselho de sua magestade o Imperador, grande 11 1* 
terá to e escreveu muitas poesias em tempos de estudante e ainda depois 
de formado ; mas quebrou as oordas de sua lyra, entrando para o corpo 
docente da faculdade de direito. Dessa época em diante deu-se à po- 
litica e ao jornalismo. Publicou: 

— Lagrimas e sorrisos: poesias. S. Paulo, 1847, in-8® — Foi tão 
pequena a edição deste livro, que, segundo me consta, o autor não 
possuía um exemplar delia. 



MA 247 

— Januário Garcia, o setd orelhns : drama em ires actos e cinco 
quadros. S. Paulo, 1849, in-4^ 

— Diicurso proferido na assembléa legislativa provincial na sessão 
do dia 20 de março de 1865 por occasiâo da discassão do projecto de 
força policial. S. Paulo, 1865, 40 pags. ia-8<^ — Quanto á imprensa 
periódica, collaboron em diversas folhas de S, Paulo e redigiu: 

— O Nacionali periódico politico. S. Paulo. 
«» Imprensa Paulista, S. Paulo. 

MlAirtiiii Fjranoisoo Ril>eiro dle AndrardLa» 3o 

— Filho do precedente e dona Anna Bemvinda Bueno de Andradat 
nasceu na cidade de S. Paulo a U de fevereiro de 1853. Logo depois de 
formado em direito em 1875, dedicou-se & advocacia na cidade da Li- 
meira ; foi deputado provincial em 1877 e por duas vezes eleito à 
assembiéa geral ; esteve na presidência do Espirito Santo em 1882, 
sendo em seguida condecorado com a commenda da Rosa, que delicadei- 
mente recusou. Em 1885 desligou-se do partido liberal a que per- 
t6noia;feza propaganda da separação de S. Paulo, escrevendo no 
2}iario Popular cerca de tresentos artigos sobre este assumpto. A re- 
publica o encontrou advogando em Santos, sendo seu nome o mais 
Totado da lista de senadores para a constituinte do estado de S. Paulo. 
Occopoa depois o logar de secretario da fazenda do estado e foi um 
dos presos durante a revolução contra o governo do marechal Flo- 
riano. Escreveu: 

— Os precursores da Independência. 1° volume. S. Paulo, 1874, 
137 pags. in-8° — Não continuou a publicação. 

— Discurso pronunciado na Assembléa provincial de S. Paulo por 
occasiâo da discussão da fixação de força publica e do orçamento pro- 
vincial. S. Paulo, 1879, 65 pags. in-80. 

— Propaganda separatista, S. Paulo independente, S. Paulo, 1887. 

— Carta^-carêta. S. Paulo, 1888— Não vi este trabalho, mas »ei 
que é um escripto politico, agradabilíssimo, de provocar e entreter o 
riso com aguçadas pilhérias, de que o autor se revelou de uma fertili- 
dade admirável. 

— Discurso pronunciado em Santos em 14 de maio de 1889 por 
occasiâo da sessão inaugural da Associação protectora da infância des- 
valida. Santos, 1889, in-8« — CoUaborou no Correio Paulistano e Diário 
Popular de S. Paulo ; na Cidade do Rio, Correio da Tarde e Gazeta da 
Tarde do Rio de Janeiro e redigiu: 

— Imprensa Académica, S. Paulo, 1871, 



248 M.A. 

— Crença : órgão repablicaao ( de que foi redactor chefe ). S. Paulo, 
1873. 

— O Provinciano. S. Paulo — Com sea irmão Bueno de Andrada 
e Theophilo Dias. 

Itfairtiiu Oonçalves Oomide — Natural da proTiocia, 
hoje estado de S. Paulo, em cuja faculdade recebeu em 1834 o grào de 
bacharel em sciencias sociaes e juridicaa, falleoeu, tendo sido offlcial da 
secretaria da thesouraria de S. Paulo, juiz manicipal, advogado, depu- 
tado proYíocial, promotor publico da comarca de Campinas e também 
da de Mogy-mirim, em cujo exercício escreveu: 

— Discurso de abertura da primeira sessão do jury na vilia de 
Mogy-mirim. S- Paulo, 1836, 7 pags. in-4». 

M:a.x*tiiili.o A.l'va.x-es dia iSilva Oampos — Filho do 
coronel Martinho Alvares da Silva e dona Isabel Jacintha de Oliveira 
Campos, nasceu a 21 de novembro de 1816 em Pitanguy, província de 
Minas QeraeSt e falleceu em Caxambu a 29 de março de 1887. Doutor 
em medicina pela faculdade da Corte, do conselho de sua magestade o 
Imperador, offlcial da ordem da Rosa, conselheiro de estado e cavai- 
leiro da de Christo, foi por varias vezes deputado, quer pelo Rio de Ja- 
neiro, de que foi presidente, quer por sua província e escolhido senador 
em 1882, sendo neste mesmo anno incumbido de organisar o gabinete 
de 21 de janeiro, encarregando-se da pasta da fazenda. Escreveu: 

— Observações de tetanos procedidas de considerações sobre esta 
moléstia : these que foi sustentada em 20 de dezembro de 1838. Rio 
de Janeiro, 1838, 87 pags. in-4o. 

— Creação da província de S. Francisco: discursos proferidos na 
camará dos Srs. deputados nas sessões de 10, 20 e 29 de maio de 1873. 
Rio de Janeiro, 1873, VII-55 pags. in-4« — Ha ainda relatórios seus, 
oomo 

— Relatório apresentado á Assembléa legislativa provincial do 
Rio de Janeiro na 2" sessão da 23« legislatura em 8 de agosto de 1881 
pelo presidente, etc. Rio de Janeiro, 1881, in-4«>. 

— Exposição com que pi\ssou a administração (da província do 
Rio de Janeiro) ao 1» vice- presidente a 13 de dezembro de 1881. Rio 
de Janeiro, 1882, in-4'' — o discursos, como o 

— Discurso pronunciado na sessão de 24 de janeiro de 1882 na ca- 
mará dos deputados. Rio de Janeiro, 1882, 23 pags. in-12^ 



249 



IM[a»i«tiiili.o A.^eliii.o da. íSilva. Prado ~ Filho do 
doutor Martinho da Silva Prado e nascido em S. Paulo, é bacharel em 
seiencias sociaes e jurídicas, formado em 18Ô6 pela faculdade de sua 
província e ahi foi muitas vezes deputado provincial, militando nas 
fileiras do partido republicano. Escreveu na imprensa diária, politica, 
vários trabalhos, e alóm disso discursos parlamentares de que conheço: 

^ Projecto sobre immígração: discurso (justificando o mesmo pro- 
jecto ) na sessão da Assemblôa provincial de S. Paulo de 17 de janeiro 
de 1888 — No livro « Os deputados republicanos na Assembléa pro- 
vincial de S. Paulo », sessão de 1888, pags. 15 a 33. 

— > Projecto sobre immigração: discurso ( defendendo o mesmo 
projecto) na sessão de 19 de janeiro de 1888 — Idem, pags. 37 a 68. 

— Convocação de uma constituinte: discurso pronunciado na sessão 
de 8 de maio de 1888, justificando um requerimento sobre a convocação 
de uma constituinte — Idem, pags. 489 a 530. 

IMCax-tinlxo Oai-los de A.]:*jruda« Botellxo — Filho 
do Conde do Pinhal, e nascido em S. Paulo, ahi cursou a faculdade de 
direito, completando depois sua educação em viagens que emprehendeu ; 
ô um fino sportman^ i^esidente actualmente em Paríz, onde fundou e 
redigiu a 

— Revista Moderna. Pariz, 1897-1899 — £* uma esplendida publi- 
cai^o que está no terceiro anno ( 1899 ) e de cuja redacção fazem parte 
pennas da ordem da de Eça de Queiroz. 



MctrtinlLO OesaiX- da, 6il^eix*ai 0-a.i*oez —Filho do 
desembargador Manoel de Freitas Garcez e dona Clara Júlia da Silveira 
Garcez, nasceu em Larangeiras, Sergipe, a 30 de novembro de 1850. 
Bacharel em direito pela faculdade do Recife, foi logo nomeado pro« 
motor publico em sua pátria e deputado provincial em varias legis- 
laturas ; foi juiz municipal do Lagarto e depois sendo removido para 
Juiz de Fora, em Minas Geraes, concluído o quatriennio, abandonou a 
magistratura e deu-se à advocacia ; eleito governador do estado de seu 
nascimento, tomou posse do cargo a 26 de outubro de 1896. Redigiu: 

-— A Cidade do Rio, Rio de Janeiro» 1891 — Fundou e redigiu: 

— Correio da Tarde, Rio de Janeiro, 1894-1895 — e escreveu : 

— Nullidades dos actos jurídicos. Rio de Janeiro, 1896, 278 pags. 
iu-8« — Este livro obteve o premio do Instituto da ordem dos advogados 
brazileiros e mereceu da imprensa os maiores e bem merecidos en- 
cómios* 



260 



MA 



— Èientagem dirigida & Aflsembléa legislativa ( da 8argipa ) pelo 
presidente do estado. Araoajá, 1897, in-4o. 

BfiartinliLO de Freitas OuimAr&e« -• Nataral de 
Marianna, Minas Oeraes, e nascido pelo meiado do secalo 16®, foi preá- 
bytero secular, vigário do Iníiocionaâo, grande orador sagrado e dia- 
tincto poeta. Ck>aiproniottendo<«e oaooosplragSo mineira da Tiradentes, 
nada Boffreo« porque logrou iiiadir a policia em suas perseguiçCta* 
Deixou inéditas: 

— Poesias diversas^ que nao se sabe onde param, assim como 

— Orações sagradas e sermões que prógou em festividades. 

Max-tlnlio de FreitaA Vieira, de Mello— Pilho 
de JoSo da Rocha Vieira de Mello, nasoeu em Sergipe a 1 de abril de 
1844 e falleceu na capital federal a 23 de abril de 1897, bacharel em 
direito pela faculdade do Recife e sub-direotor dos correios, serrindo o 
cargo de director geral. Serviu o cargo de juiz municipal em Campos, 
Valença e nesta capital e depois advogou na cidade da Parahyba e 
representou sua provinda na decima quinta legislatura geral. Pro» 
nunciou-se com fervor pela abolicfto do elemento escravo e para isto 
fundou e redigiu: 

— O Tempo. Valença, 187*, in-foL— Este periódico pouca dnraçio 
teve por causa da fbrte opposiçio que lhe fizeram os fazendeiros do 
logar. Neiie publicou: 

•* Educação dos ingénuos: serie de artigos de propaganda — No 
serviço postal deixou vários e importantes tral>alhos como o 

— Regulamento dos correios, approvado pelo governo federal em 
1891. Rio de Janeiro, 1691— Penso que é a melhor e a mais completa 
lei postal de nossa legislação. 

Martinlxo de MesiqLUitai — Pilho de Gaspar Dias de 
Mesquita e irmSo de Salvador de Mesquita, de quem farei mençlo no 
logar competente, nasoeu na cidade do Rio de Janeiro em 1633 e fez 
seus estudos em Roma, onde recebeu, na academia de sapiência, o grào 
de doutor m utroque jure^ e onde morou com o cardeel António 
Barberini, a ciga amizade e favores mostrou-se sempre reooahecido. 
Foi também particular amigo do padre António Vioira. Cultivou 
também a poesia -» e escreveu : 

— Centuvlrale propugnaculum condusionum canonico-dvilium sub 
auspiciis eminentissimi et reverendissimi principis Antonil Barberini, 
Episcopis Tusculanis S. R. E. Cardinalls camerarii, magni Francis» 



MA 251 

elyemoflinarii, utriusque regii ordiois commendatorís, carminibas 
erectum. Rornse, 1662, 100 pags. in-fol.— Em verso heróico. 

• — tela gratiarum^ sive eminentissimi principis Antonii Barberiai. 
S. R. E. cardinalifl vita heróico metro. Romae, 1665, in-4®. 

— Estreum fulmen ia Batavorum ciassem a Jove Gallico Ludo- 
vico XIV, Galiiarum rege iovictivissimo juculatum. Tanti fulminis 
administro illustrissimo et excellentissimo comité Joanae de fistrees 
ejQsdem regis ia teto occidentale oceano pro Architalasso ad insulam 
Tabaco In America Meridionale, etc. heróico reditam carmine. Romss, 
leefT, in-fol. 

— JRelatione deli'Ambasciata extraordinária d^obediensa intlata 
dei serenissimo prineipe suoessore, governatore e regente di regni dl 
Portugallo e degli Algarbi etc. a la sanita de nostro signori, papa Gle« 
xotínie X, prestata dei illustrissimo et excellentissimo signore d. Fran- 
C88C0 di Souza, etc. Roma, 1670, in-4'' -— Ha ainda de sua penna a 

— Vida do venerável padre António da Conceição, cónego da 
congregação do Evangelista — qne nunca foi publicada e a 

— Elegia em applauso do sermão das Chagas de S. Francisco. 
Lisboa, 1673, in-4o — Diz Barbosa Machado que consta de 27 dísticos e 
eahia no principio deste sermão, sem dizer de quem éo sermão. O 
nome de Martinho de Mesquita, diz ainda o grande bibliographo, foi 
por d. Francisco Manuel iucluido no prologo de suas obras clássicas 
entre os homens i ilustres da corte de Roma. 

Martinlio Rodrig-ues de Souza — Filho de Ignacio 
Rodrigues de Souza, nasceu na antiga provinda do Ceara. Depois de 
exercer o magistério na cidade da Fortaleza, e em seguida ter um es- 
criptorio de advocacia, de ter sido deputado provincial em varias le- 
gislaturas e ter estudado o primeiro anuo de direito na faculdade do 
Recife, sendo eleito deputado à constituinte da Republica, fez o curso 
da faculdade livre de direito do Rio de Janeiro, ondo recebeu o grão de 
bacharel em 1894. Escreveu : 

— Assemblêi provincial do Ceará. Discurso proferido na sessão de 
6 de setembro de 1882, 30 pags. de duas columnas in-4« -^ Foi um dos 
redactores do periódico 

— ONoríei diário da tarde* politico. Fortaleza, 189M803, in-fol. 
( Veja-se Justiniano Serpa ). 

MArtiniciíio Mendes Pe rei ira — Filho de Vicente da 
Silva Pereira e dona Anna Raymunda Furtado de Mendonça Pereira, 
nasceu no município de Anajatuba, comarca de Itapicurú-mirim do 



252 m:a. 

Maranhão, a 16 de outubro de 1836, e íalleoen na cidade do Rio de Ja- 
neiro a 29 de setembro de 1893. Bacharel em direito pela faculdade do 
Recife, formado em 1859, exerceu o cargo de promotor publioo em 
varias comarcas de sua provinda, até que em 1874 foi nomeado juiz de 
direito de Jaicóá na do Piauby. Neste logar, porém, foi victima de ca- 
lumnias e injustiças taes que foi declarado avulso, e ainda depois, em 
1881, aposentado, quando em exercício na comarca do Brejo de Ana- 
purús, do Maranhão. Era ofllciai da ordem da Rosca, e escreveu: 

— Nheengcuu: collecção de artigos sobre a língua tupi e dos pri- 
mitivos povos do Brasil, publicados no Diário do Maranhão -* E^ um 
estudo comparativo. 

— Grammatica luso-latina ( etymologia ) comparada com a de 
outras lioguas. Maranhão, 1886, 

— Cartas á S. M. o Imperador do Brasil, o Sr. D. Pedro II, sobre 
a reorganisação judiciaria por Numa. 1* serie. Maranhão, 1879* 
138 pags. in-4». 

— A Lei: revista de legislação brasileira. Maranhão, 1880, iQ-4« 
gr.— Sei que deixou inéditos: 

— Os patifes da politica: romance. 

— Fil?ios sem mãi: romance. 

MArtinus U.oye>r — Nascido em 1825 na Dinamarca e ftlho 
de pais dinamarquezes, veio com 7 annos de idade para o Maranhão, 
e ahi falleceu brasileiro naturalisado em 1881. Vindo para a companhia 
de uma tia, casada com o desembargador Sabino e senhora de grande 
illustração, com ella aprendeu varias matérias de humanidades e a 
fáilar quatro línguas, continuando depois por gosto e com excessivos 
esforços a estudar outras matérias e a applicar-se ás lettras, sendo 
animado pelo distincto litterato maranhense João Francisco Lisboa, 
seu amigo, que lhe reconhecera seu raro talento e grande inclinação 
ao estudo. Applicou-se á vida mercantil como guarda-livros e estreou 
como escriptor publicando em jornaes de sua época vários 

— Trabalhos económicos — em artigos que depois compendiou 
dando-os à publicidade em volume especial. Escreveu ainda: 

— ^'«ftiíio sobre as instituições de credito real. Maranhão, 1853, 
in-8». 

m 

-* O imposto considerado à luz dos princípios económicos. Ma- 
ranhão, 1876, in-8°. 

-* Estudos de economia politica. Maranhão, 1877, in-8''. 



MA. 253 

— Democracia e socialismo: estudo politico e económico. Maranhão, 
1879, in-80. 

— LHmpot SPíkVis, 1880, in-8». 

I>. Mary Oard. — Creio que é um pseudonymo. A única no- 
ticia que delia tenho é a de ser uma escriptora brasileira. Só a conheço 
pelo seguinte trabalho eeu: 

-- A helUza^ sua conservação, prescripções aconselhadas, seguidas 
das formulas mais adequadas. Rio de Janeiro, 1895, in-8<>. 

IMCatlxeus ^Ives de ^ndra^de — Filho de Francisco 
Alyes de Andrade e dona Joanna Maria de Andrade, nasceu na cidade 
do Rio de Janeiro a 27 de julho de 1832 eMleceu a 3 de julho de 1871, 
golpeando a artéria carótida com um instrumento de sua proâssâo por 
julgar ferida sua vasta, justa e brilhante reputação scientiíica. Acha- 
vam-se vagas doas cadeiras na faculdade de medicina da corte: a de 
partos, já destinada a um moço que tinha muita protecção, e a de 
clinica cirúrgica, em que ninguém competiria com M. de Andrade. 
Indo esta primeiro a concurso e apresentando-se a esse concurso um 
candidato que iria também ao outro, e então seria com certeza o es- 
colhido, era preciso que este fosse o escolhido na de cirurgia e então 
foi posta em pratica a traição mais vil por um lente, em quem M. de 
Andrade tinha a mais plena confiança e que poude illudir a boa fé do 
moço sincero e leal. Era doutor em medicina pela faculdade do Rio 
de Janeiro, e nella oppositor da secção cirúrgica, e doutor em cirurgia 
pela faculdade de Pariz ; era um dos mais distinctos operadores desta 
capita], uma das glorias da cirurgia brasileira, e foi um dos médicos 
que no começo da campanha contra o Paraguay para lâ seguiram, 
graduado com as honras de cirurgião-mór de brigada. Sua morte foi 
geralmente sentida nesta capita], e os estudantes de medicina acompa- 
nharam a pé o ítinebre sahimento até o largo da Lapa, tomaram luto 
por quinze dias e mandaram celebrar uma missa com libera-me no 
trigésimo dia. Morreu quando, segundo escreveu uma hábil penna, 
«vida folgada, alegre e tranquilla passava na capital do Império no 
seio de sua familia que tanto o idolatrava e de uma selecta reunião 
de amigos esclarecidos que tanto o prezavam, nogoso de uma repu- 
tação extensa, e de uma nomeada brilhante, bem joven ainda, apon- 
tado como uma das glorias da cirurgia brasileira». Escreveu: 

— Z>oj caracteres physicos e chim ices das principaes preparações 
de ferro, empregadas na medicina ; Das membranas ; Da acupunctura 



254 MA. 

6 idus effeitofl : these apresentada á faculdade de medicina, etc. Rio de 
Janeiro, 1854, in-4«. 

— Essai sur le traiternent des fistules vesíco-vaginaleg par le pro- 
cedo americaine, modifié par M. Bozeman : these pour le doctorat en 
chirurgie, etc. Pariz, 1860, 64 paga. in-4« com estampas no texto — 
Sobre este ponto escreveu ainda : 

— Algumas palavras sobre a cura das fistulas vesiflO-vaginaes p»la 
operaçlKo americana, seguida de uma observaiçio« etc. -—Na Gaieta M^ 
dica do Rio de Janeiro, 1862, pags, 44 e seguintes, 

— - Los polypos naso-pharyngianos : these, etc. para o concurso a 
um legar de oppositor da s()oção cirúrgica. Rio de Janeiro* 1861, in-4«. 

» Das hérnias estranguladas : these, etc. para o concurso & cadeira 
de clinica cirúrgica. Rio de Janeiro, 1871, in-4'»^ Esta these íbi a causa 
da morte do dr. Matheus de Andrade. Alguém tinha o máximo in- 
teresse de coUocar na cadeira de clinica cirúrgica o competidor deste 
para arredal-o de outra que ia a concurso e devia ser dada eomú A^ 
rança ; mas sua alta influéneia era impotente para isso, porque Matheos 
de Andrade, além de ser uma notabilidade, tinha serriços de campanha. 
Então procura-o, e por todos os modos o persuade a nfio se occupar com 
o concurso e principalmente com a these. Basta va-lhe ler e escrever o 
que sobre o assumpto acabava de ser escripto por autor estrangeiro; 
fornece-lho o escripto e também ao competidor que, oomo se devia es- 
perar,denunciou um plagio da parte de quem — sabem-no todos — po- 
deria escrever, não somente these, mas tratados sobre sciendas ciror- 
gicas. 

— Gazeta Medica do Rio de Janeiro. Redactores os drs. Matheus de 
Andrade, Pinheiro Guimarães, Souza Costa e Torres Homem. Rio de 
Janeiro, 1862-1864, in-4«. 

MatlieuB da Ounlxa — Natural do Rio Qrande do Sul, 
bacharel em lettras pelo collegio Pedro II e bacharel em scienciai 
physicas e mathematicas pela Escola central, foi conferente da alfan- 
dega do Rio de Janeiro, e escreveu : 

— Industria agrícola. Relatório da Exposição de 1861 ** Aéhêrm 
no relatório geral desta exposição, publicado pelo secretario da com- 
missão, dr. António José de Souza Rego. Rio de Janeiro. ( Veja^seeste 
nome .) 

— Catalogo da segunda exposição nacional de 1866. Rio de Janeiro, 
1866, 721 pags. in-4% com o dr. Raphael Archanjo Galvão Filho. 



^ 



j 



255 



F*r. Matl&eus <la JEQuoamaçêLo Pina'— Pilho de 
Domingos Alvares Píqa e dona Francisca Fernandes, nafloeu na ci- 
dade do Rio de Janeiro a 23 de agosto de 1687 onde« poucos dias de- 
pois, foi baptisado na freguezia da Candelária. Monge benedictino, cuja 
cognla recebeu a 3 de março de 1703 no mosteiro da mesma cidade, ahi 
leccionou sciencias e exerceu o cargo de abbade por duas vezes, sendo 
também eleito abbade geral do Brasil. Foi grande theologo e grande 
orador evangélico. Esoraveu t 

~ Defensio purissimse et integerrimse doctrin» Sanctsa Matrls 
Ecclesiffi per sanctissimum dominum nostrum dementem, Deo provi- 
dente, papam XI, divinitus inspiratse in constltutione Unlgenitus ad- 
versus errores Paschasii Quesnel ab eodem sanctissimo domino dam-* 
natos, in cnjus constitutionis defensionem propositiones Quesnel in 
próprio sensu ab auctore intento explicantur: earundem proposi- 
tíottum errores detegnntur, eorumque fundamenta refelluntur et ca- 
thollca doctrina supremi oraculi eccleslse militantis in terris pro- 
pugnantur. Olisipone, 1729 ; in-fol . 

— Sermão do seraphico patriarcba S. Francisco, pregado na tarde 
do dia em que se celebrou o seu transito da igreja militante para a 
igreja triumphante e seus religiosos o trasladaram do convento da Ba- 
hia da igreja velha para a nova do mesmo convento, em 4 de outubro 
de 1713. Lisboa, 1715, in-4». 

— Sermão nas exéquias dôM. R. P. frei José da Natividade, monge 
de S. Bento na provinda do Brasil, etc. ; pregado em 10 de abril de 
1714. Lisboa, 1719, in-4o. 

^Sermão do grande prophoia e mais que grande patriarcba 
Santo Elias no seu convento do Carmo do Rio de Janeiro no anno de 
1719. Lisboa, 1721, in-4^ 

— Sermão em as exéquias do lilm. e Revm. Sr. d. Francisoo de 
S. Jeronymo, depois de geral duas vezes da sagrada oongregagão do 
evangelista, digníssimo bispo do Rio de Janeiro aos 13 de março de 
i721.LUboa, \72Z,'m'i\ 

— Sermão nas exéquias d'6l-Rei fldelissimo, D. Jofto V, que o se- 
nado da eamara da cidade do Rio de Janeiro íl^z celebrar na só da 
mesma cidade em 12 de fevereiro de 1751 • Lisboa, 1751 • 

•<» Viridario owinffeUeo em que as flores das virtudes se iliustram 
eom discursos moraes e os (hictos da santidade se exornam com pane. 
g^ricoe em vários sermOes. Partes 1*, 2* e 3*. Lisboa, 1730, 1735, 1747, 
trei vols* 

— Thoologia dogmática e esoholastica — Inédita. 



256 MA. 

Matlieus de MagrAlliâes — Não o conheço; mas coq- 
templo-o neste livro porque soube que era brasileiro. Bscreveu: 

— O Senhor Thomaz e a Senhora Monioa: comedia em um acto. 
Rio de Janeiro, 1876, in-8". 

— Papae, Mamãe, Nené: romance de Gustavo Dros, traduzido da 
Tb" edição franoeza. Rio de Janeiro, 1876, in-8<>. 

— O romance da Duqueza: historia parifiiense por Arsene Hous-* 
saye. Rio de Janeiro. 

Miaibeus 'Va^lente do Oouto — Filho de António Diniz 
do Couto Valente e dona Margarida Josepha da Fonseca, nasoeu na 
praça de Macapá na embocadura do Amazonas, então capitania, e depois 
província do Pará, a 19 de novembro de 1770 e falieceu a 3 de dezembro 
de 1848 em Lisboa, onde se achava por occasião da independência do 
Brasil e continuou em serviço do^reino. Era doutor em medicina e ba- 
charel em mathematicas pela universidade de Coimbra, cavalleiro 
fidalgo da casa real, conselheiro de estado, coronel do corpo de enge- 
nheiros, lente jubilado tia academia de marinha, director do laboratório 
da mesma academia, censor da mesa do desembargo do paço para a 
censura de livros, commendador da ordem de S. Bento de Aviz, membro 
da academia real das sciencias, da sociedade real marítima, militar e 
geograpbica e da sociedade de sciencias medicas de Lisboa. Com alguns 
estudos de humanidades, em virtude de uma ordem do intendente geral 
de policia da corte e do reino, Diogo Ignacio de Pina Manique, e em 
attenção â falta de médicos na capitania do Pará, para que fossem 
mandados a Portugal para estudar medicina a expensas do estado dons 
moços do mais reconhecido talento e de boa conducta, foi elle um dos 
escolhidos e partiu para Coimbra, matriculando-se no curso medico. O 
mesmo intendente, tendo noticia de seu génio mathematico, mandou 
propor-lhe si queria, sem abandonar esse curso, graduar-se na facul- 
dade de mathematicas, que lho ministraria os meios. EUe acceiton o 
offerecimento e assim recebeu o primeiro grão em 1795 e o segundo em 
1796. Sem pedil-o, foi logo nomeado segundo tenente da armada, onde 
teve mais tarde ama promoção e passou para o corpo de engenheiros ; 
obteve a graduação de partidista do observatório real da marinha, de 
que foi mais tarde director; matriculou-se na aula de architectura 
naval, e foi nomeado lente substituto da academia de marinha e depois 
cathedratico e exerceu muitas e honrosas commissões com geral ap« 
plauso. Reformado, ânalmente, no posto de coronel de engenheiros, foi 
deputado geral, conselheiro de estado, membro da academia real das 




MA. 267 

sciencias de Lisboa, membro da sociedade de sciencias medicas, etc. Es- 
creveu : 

— Tratado de trigonometria rectilínea e espherica. Lisboa, 1803, 
in-4<» — Segunda edição, 1819; terceira edição, 1825, 50 pa^. in*4«com 
ama estampa. Este livro serviu por muitos annos de compendio na aca- 
demia de marinha e também na polytecbnica. 

~ Principioã de óptica^ applicados à constrncçao dos instrumentei 
astronómicos para uso dos alumnos que frequentam o observatório da 
marinha. Lisboa, 1836, 108 pags. in*4<> com 6 ests. 

— Astronomia spherica e náutica. Lisboa, 1839, 365 pags. in-4<» com 
7 ests. ^ Esta e a obra precedente foram impressas pela Academia real 
das sciencias e também serviram de compendio na escola polytechnica 
o na escola naval. 

— Breve exposição do systema métrico decimal. Lisboa, 1820, in-8* 
— Foi escripta com approvaçSo da commissão dos pesos e medidas, de 
que p autor fazia parte e publicada sob o anonymo. 

— Explicação e uso das taboas comprehendidas na Collecção das 
taboadas perpetuas astronómicas para uso da navegação portugueza, 
mandadas compilar pela real Academia das sciencias de Lisboa. 
Lisboa. • . • in-8« — Também sob o anonymo. 

— - In%trueçòes e regras praticas^ derivadas da theoria da con- 
stnicção naval, relativas à construcção, carregação e manobra do 
naTio ^ Nas Memorias da Academia real das sciencias, tomo 3^, parte 
2». Foi escripto quando o autor frequentou a aula de astronomia 
naval e serviu depois de compendio na Academia dos guardas-ms^ 
linha. 

— Cálculos das notações ( 2« parte ) — Nas mesmas Memorias, e no 
dito tomo 8 parte. A 1" parte é de outra penna. 

— Breve ensaio sobre a deducção philosophica das operações aN 
gebricas— Idem* 

* Memoria em solução ao programma: « Ck)mparação das for- 
mulas tanto finitas, como de variações finitas e inflnitesimas dos tri- 
angules espbericos e rectllineos, afim de mostrar até que gr&o de appro- 
ximação se podem uns tomar pelos outros, por meio do exame analytioo 
dos erros que resultara da approximação. > — Idem. Esta memoria foi 
apresentada muito antes do prazo marcado para o concurso pela Aca^- 
demia real das sciencias, á qual acabava o autor de ser admittido, e 
foi-lhe dado o premio offerecido, uma medalha de ouro. 

— Memoria em soluto ao programma: « Mostrar, tanto pelo cal- 
culo, como pela observação, a influencia do erro, que pôde resultar 
nos ângulos horários do sol e da lua, de se não attender á figura da 

Yol. VI - 17 



258 MA. 

terra )^— Nas ditas Memorias, tomo 8^ parte 1', pags, 213 a 2E2. Foi 
também apre^entaJa antes <lo prazo marcado. 

— Resposta oxx parecer sobre a arqueação dos navios — Nas ditas 
Memorias, tomo P e parte 2\ da segunda serie, pags. 1 a 13. 

— Memorii sobre os principios em que se deve fundar qualquer 
methodo do calcular a longitude geographiea de um logar — Uenii 
tomo 2^ parte 1" da mesma serie, pags. 301 a 31Ô. Estava a memoria 
no prólo, quando o autor falleceu. 

— Princípios de halistica em que se trata do movimento dos pro- 
jootis no vácuo-*- Este e os seguintes escriptos (Içaram inéditos em 
poder do dr. António Diniz do Couto Valente, fílho do autor. 

— Como se tem resolvido o problema que diz respeito á pressão 
que um fluido excita sobre as paredes de um vaso, quando corre pelo 
interior dello. 

— AdditameAtos ás Lições elementares de astronomia, geometria 
e pbysica do abbade La Gaille, impressas em 17Ô1. 

-— Kesoluçãt do problema da doutrina exposti no § 34 do Calpulo 
diferencial de liezout, que é o seguinte: « Dada a equação de uma curva, 
achar-lhe os asymptotas reclilineas. » 

— Memoria sobro as primeiras noções de geometria e sobre nlgnni 
piincipios adoptados nos Demoustrações desta sciencia *- Foi lida na 
sessão da Academia real das sciencias de 11 de julho de 1814. 

— Analysc critica de alguns Tratados de trigonometria spherioa. 
Anno de 1815. 

— Exposição do methodo directo das íiuxòeâ. 

— Memoria em que se pretende achar uma formula geral de que 
se possa deduzir, como um caso particular, a formula geral do th- 
nomio. 

•— Princípios de stenographia plaua e orthogonal. 

— Algumas reflexões á Memoria dosr. F. de B. Garção Stooklef, 
relativa ao desenvolvimento das fuucções em serie. 

— Algumas reflexões sobre a Geometria de Carnot, impressa em 
Parizem 1803. 

— Algumas reflexões a respeito de certas Memorias que vêem nos 
Annaes de Mathematica ( de Gergoune). 

« Memoria sobre a ap[>roxi mação das formulas de precessão dos 
equinócios, em quo se pretende esclarecer uma questão problemática 
suscitada por mr. Delambre, bobre o desprezo que se faz (nas for- 
mulas de precessão auuua ) dos termos provenientes da variação da 
obliquidade da ecliptica ^ O autor faz ver por uma anal y se ou calculo 
aatronooiico que o celebre astrónomo não avaliou bem a variação da 



1 



► 



MA. 259 

obiiquiclado da ecliptica quando assoverou que devia entrar na for- 
mula da precessão anuua de uma estreita em asoensão recta e decli- 
nação, ele. Sujeita ao jaizo da sociedade real de astronomia de Londres 
e, por esta sociedade, enviada á uma commissSo para dar seu parecer, 
a commissão llmitou-so a ler em resumo a memoria em uma reunião 
do conselho. A sociedade exigiu então uma investigação mais ampla, 
o a commissão, passados mezes, leu n'outra reunião o mesmo resumo. 
Este resumo acha-se impresso no Jioyal Astronomical Society^ vol. 4*^, 
novembro de 1836. 

— Notas á segunda parte do livro Arte de navegar, em que 
le ensinam as regras praticas e os modos de cartear e de gra* 
duar a balestilha por via de números, e muitos problemas úteis 
à navegação; e Roteiro das viagens e costas marítimas de Guiné, 
Ângo!a, Brasil, índias e ilhas occidentaes e orientaes, novamente 
emendada, e accrescentadas muitas derrotas. Por Manoel Pimentel. 
Usboa, 1819. Ha ainda trabalhos seus, sendo alguns por con"< 
cluir-se, vários pareceres sobre consultas do governo, escriptos phi- 
losophicos, sobre litteratura, e também algumas poesias, de que dá 
noticia Francisco Recreio no « Elogio necroiogico, que em sessão litte- 
raria de 9 de maio de 1849 pronunciou na Academia real das sciencias 
de Lisljoa». Lisboa, 1849, in-8^. 



MAtlàlasi A.3rres Ramoís da. Silva d^HSça» Filho 
de Josó Ramos da Silva e dona Catharina d*Horta, nasceu na capi*- 
tania, depois província e hoje estado de S. Paulo, a 27 de março de 1705. 
Sendo mestre em artes pela universidade de Ck)imbra e tendo ahi fre- 
quentado o curso de jurisprudência cesárea, foi á França, onde formou-se 
em direito civil e canónico e fez estudos de mathematicas e sciencias phy- 
bicDs. Conhecia o hebraico e outras linguas ; era cavalleiro professo da 
oídem de Cbristo, e provedor da Casa da moeda de Lisboa. Escreveu: 

— Reflexões sobre a vaidade dos homens ou discursos moraes sobre 
08 effeitos da vaidade. Lisboa, 1752, in-4<> ^ Houve mais edições em 
Lisboa, isto é: a segunda em 1761, a terceira em 1778 e a quarta, 
oorrecta e augmentada com uma carta do mesmo autor sobre a for- 

I tuna, em 1786, com 369 pags. in-8». 

I — Philosophia nacionalis et via ad Carapum Sophiae, seu phisiae 

subterrânea?, manusc. in-4'>. 

-* Leitres Bohemienses. Amsterdam) 1759. 

— Discours panegyriques sur la vie et actions de Joseph Ramos da 
Silva — Creio que nunca foi impresso. 



260 



MíIl 



— Problema de architeotara civil, a saber: Por que os edificios an- 
tigofl teem mais duração o resistem mais ao tremor de terra do que os 
modernos. Lisboa, 1770, duas partes, 250 e 391 pags. in-8<» — Hoav* 
outra edição de 1777-1778. São ambas posthamas. 



MartfaiiaA Josó doa Santos Oa»rvall&o -— Natoral 

da Bahia e nascido a 24 de fevereiro de 1851, dedioou-se ao commercio 
e & poesia, oondemnando em suas produoções a religião catholica, a 
instituição de irmãs da Caridade, e a monarchia. Foi socío e vice-pre- 
sidente da sociedade Ensaios litterarios. ií^screveu: 

«* Noáoa fatal. Rio de Janeiro, 1872, 16 pags. in*8« «- Referem à 
escravidão, então tolerada no Brasil. 

-^ Irmãs de caridade. Rio de Janeiro, 1880, in*S« — E' contra as 
Irmãs de caridade. 
X ^ — Linha rscta. Rio de Janeiro, 1883, ia-8<> — B' nma ooUeo^de 

poesias. O Jornal, dando delias noticias, diz perfeitamente bem, qoe 
estes versos € são como a trombeta do Juiso final, chamando a eontatr 
Deus, a Monarchia, as Irmãs de Caridade, a mesma Morte: Con- 
demnamo9-te, ó ave de rapina. 

Si ô fácil oondemnar ã morte, outro tanto não se dirá da execução 
da sentença. » 
\,^ ^ — Rhtfthmos 1875-1880. Rio de Janeiro ( sem data ) in-8« — Contém 

seis poesias. 
""« — Trovas modernas. Rio de Janeiro, 1884, in-12. 

V — Riel: poema americano. Rio de Janeiro, 1886, ia-8<» — Este poe- 

ma ô o primeiro de uma serie que o autor diz ter para publicar. 
Além disto tem elle publicado poesias em varias folhas e revistas do 
Rio de Janeiro, como o Estandarte^ onde publicou: a Escola republi- 
cana eos Nihilistas ; o Combate^ onde publicou: Ode á D. Maria Ri- 
beiro; A Gajseta do Norte ^ onde deu à lume Rebate, collecção de so- 
netos; o Diário do Rio de Janeiro, onde deu à estampa: Voltaire, 
poesia por oocasião do centenário do poeta, e 

— O Atirador Franco* Rio de Janeiro, 1881, in-fol. peq. de duas 
colunmas, de que foi um dos redactores» e onde publicou: 

— John Broum: poesia que ocoupa três columnas. 

Matliias «José rreixeirai * Professor de musica vocal 
do collegio de Pedro II e da escola iudnstrial para ensino gratuito, 
para adultos, nacionaes e estrangeiros, cavalleiro da ordem da Rosa, 
etc. Escreveu: 

— Elementos de musica. Rio do Janeiro, 18.. 



f 






3XA. 261 

— Compendio elomenlar de musica. Rio de Janeiro, 1882 —Este 
compendio é extrabido da obra precedente para mais facilidade do 
ensino da matéria. E* dividido em pequenas lições com exercício de 
escripta musical. 

— Compendio elementar de musica para as classes namerosas do 
Gollegio de Pedro II, do asylo das orph&s da imperial sociedade Amante 
da instrncção e das aulas primarias. Rio de Janeiro, 1889. 

Matli.laisi Mox-eix-a» Saxupaiio — Filho de Francisoo 
Moreira Sampaio, que foi avô do doutor Francisco Moreira Sampaio, 
j& mencionado neste livro, nasceu na cidade da Bahia em 1816 e íkllecen 
a 25 de janeiro de 1875, doufer em medicina e lente cathedratico de 
obstetrícia na faculdade da mesma cidade. Era agraciado com o titulo 
de conselho do Imperador D. Pedro II e escreveu: 

— T?ieíe sobre as feridas por arma de fogo, apresentada e sus- 
tentada perante a foculdade de medicina da Bahia em 12 de dezembro 
de 1838, in-4% gr. 

— Lesões orgânicas das artérias: these apresentada, etc, por oc- 
casião do concurso para o logar de substituto da secção cirúrgica. 
Bahia, 1843, in-4«, gr. 

— Discurso recitado na aula de partos em o dia 22 de março de 
1856. Bahia, 1855, in-4°. 

— Memoria histórica dos acontecimentos notáveis do anuo de 1867, 
apresentada â lacnldade de medicina da Bahia em 2 de março de 1868. 
(Sem dedaraçio do logar e sem data. ) 20 paga. in-fol. 

^ Caso de distocia : monstruosidade por inclusSo— *Na Oazeta 
Medica da Bahia, 1871-1872, pag. 62, oom uma estampa. 

Maiirioio da Oosta Campos — Sei apenas que em 
1802 era capitão de fragata e servia em Gôa, e que depois passou a 
servir no Brasil, aqui continuando até depois da independência, como 
se demonstra pelo seguinte trabalho que escreveu: 

— Vocabulário marujo ou conhecimento de todos os cabos neces- 
sários ao navio, de seu poliame ede todos os termos mamjaes e de alguns 
de construcção naval eartilheria. Rio de Janeiro, 1823, 107pags. in-4^ 

Maxixrioio Oiracelio Cardoso ^ Filho de Bricio Oai^ 
doso, e nascido a 9 de agosto de 1872 na província, hoje estado de 
Sergipe, ó académico de direito, tendo sido antes alumno da escola 
militar do CearÀ, e depoisladvogado provisionado e um[do0 redactores 
do periódico 



262 MA. 

— A Republica. Fortaleza — O primeiro niimoro sahiu a d de 
abril de 1892, sondo órgão da sociedaJe € Ceará libertador». Es- 
creveu: 

— A bordo do cruzador NictJieroy — Não vi este trabalho, mu 
sei que é uma historia dos factos occorridos na esquadra do governo 
do marechal Floriano, a quem o autor servia. 

M^auricio de Queiroz ~ Natural do Pernambaco, me 
parece, ahi escreveu: 

— Janota: sortes e versos. Recife, 18W,in-8«, 

# 
MazK Flelu»0— Filho de Henrique Fleiuss, fundador da an- 
tiga Semana Illusirada, e dona Maria Carolina Ribeiro Fieiusâ, nascea 
a 2 de outubro de 1868 ua cidade do Rio de Janeiro. Ahi fez todo o 
curso de humanidades e tendo frequentado a academia deS. Paulo 
até o terceiro anno, não completou o seu tirocinio académico por doente; 
foi empregado do correio de S. Paulo e é actualmeute segundo offl- 
dal da Directoria geral dos correios. De 1806 a 1898 foi redactor dos 
debates do Seitado e quando residiu em S. Paulo foi um dos redactores 
da Provinda de jS. Paulo sob a direcção do dr. Rangel Pestana e col- 
laborou no Correio Paulistano e uo Nacional de Santos. Escreveu: 

— Ferias : anthologia. Rio de Janeiro, 1897, in-8* — Este livro 
foi adoptado em quasi todos os estados. 

— Elementos de historia contemporânea — No prelo. F^ditores 
LAemmert & Comp. Redigiu mais: 

— A semana: revista. Rio de Janeiro, 1893 a 1895 — Foi com 
Valentim Magalhães um dos directores e proprietários. Pi-esentemeate 
(1899) redige: 

— Rua do Ouvidor. Rio de Janeiro, 1898 — E' uma folha hebdoma- 
daria de propriedade de Serpa Júnior. Tenho noticia de que este autor 
esto a concluir a 

— Historia da America latina. 

Ma.xiiiiin.uo António de Icemos — Natural da pro< 
▼incia de Minas Geraes, ondo nasceu a 10 de janeiro de 1886, e fd- 
lecido no Rio de Janeiro a 12 de agosto do 18S0, era doutor em medi- 
cina ()ela faculdade desta cidade, cavalleiro da ordem da Rosa, sócio do 
Instituto histórico o geographico lirasileiro, do Instituto homoeopathico, 
da sociedale Gallicana de Paris, ctc. Foi lente da antiga escola bo« 






MA. , 263 

mooopathica do Rio de Janeiro e sorviu como addi^lo d ) primeira classe 
da legação brasileira em França. Escreveu: 

— Considerações geraes sobre o rlieumatismo articular agudo, ede 
sua coincidência com a endocardite e pericardite: Ihese que foi apresen- 
tada à ^\ouldade de medicina do Rio (ie Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 
1838, 20 paga. in•4^ 

— O medico das creanças ou conselhos às mães sobre a hygíene e 
tratamento homoeopathico de seus íllhos pelos drs. Américo Hipolyto 
Ewerton de Almeida ( veja-se este nome)e Maximiano António do 
Lemos. Rio de Janeiro, 1860, 524 paga. in-12o. 

MaximicLUo A-ntonio da. ISilvcà X^eite — Nascido 
no ultimo quartel do século 18% falleceu no Rio de Janeiro a 29 de 
agosto de 1844. Estudou na antiga academia militar e, sendo capitão 
do 3<^ batalhão da brigada de marinha, foi nomeado lente de mathe- 
maticas da academia de marinha a 16 de dezembro do 1822. Mais 
tarde, a 26 de abril de 1824, foi transferido para a cadeira de arti« 
Uiaria, sendo jubilado a 18 de janeiro de 1844. Escreveu : 

— Arte de balística naval^ demonstrada e outros conhecimentos 
sobre a artilh^^ria e mais armas em uso a bordo dos navios de gueiTa: 
compendio para a academia doa guardas-mariuha. Rio de Janeiro, 
1840,in-8\ 

— Memoria sobre o cometa visto em março de 1843 do Rio de Ja- 
neiro, dirigida ao Instituto histórico e geographico brasileiro — Na 
Revista do mesmo Instituto, tomo 5% pags. 219 a 226. 

Maximiano X^opes M!aclia.do — Filho do Manoel 
Lopes Machado, nasceu a 7 de agosto de 1821 na província, hoje estado 
da Parahyba, e falleceu no Recife a 11 do fevereiro de 1895. Bacharel 
em sciencias sociaea e juridicas pela academia de Olinda, foi gempre 
de uma actividade excessiva e estudioso; advogava na edade avançada, 
como nos annos da mocidade ; era sócio do Instituto archeologico per- 
nambucano, representou Pernambuco na sua ass^mblôa provincial, 
e escreveu: 

— A Parahyhi e o Atlas do dr. Cândido Mendes do Almeida. 
Pernambuco, 1871, 63 pags. iu-S** com uma carta, isto ô: 

— Carta geographica da província da Parahyba do Norle. Li th, 
de O. e U. Peregrino, 1871,0'»,169x0"', 414. 

— O Foguete. Pernambuco, . . — E' uma publicação periódica, cujo 
titulo deixa ver o que era ella. Vi um numero, em que conservo a 



2Ô4 



MA. 



lembrança de ter lido, como epi^raphe, estes deus versos de oatra 
folha de Pernambuco: 



N&o tenhas, minha masa, medo delles, 
Vae tocando de rijo, fogo nelles t 

Maximiano Marqtueis de Oa>irval]i.o <— Filho de 
José Marques de Carvalho e dona Francisca Antónia de OliTeira, 
nasceu em Campos, actual estado do Rio de Janeiro, a 27 de janeiro de 
1820 e falleceu em Lisboa a 4 de agosto de 1896. Cursou humanidades 
no seminário de S. José, onde como lente cathedratico de philosophia, 
depois da JubilaçSo do grande frei Francisco de Monte Alveme, lec- 
cionou por espaço de 28 annos, e doutor em medicina pela faculdade 
do Rio de Janeiro, foi à Europa com o fim de aperfeiçoar seus conh^ 
cimentos médicos e philosophicos. Abraçando o systema hooKBopathico, 
fbi director da escola homoeopathica desta cidade e, com o auxilio de 
alguns cavalheiros, o fundador da enfermaria de N. S. da Conoei^. 
Era cavalheiro da ordem da Rosa, sócio do Instituto histórico egech 
graphioo brasileiro, do Instituto hannemaniano do Brasil, da sociedade 
Auxiliadora da industria nacional, etc. Escreveu: 

— Dos primeiros ensaios áà intelligencia humana: these apre- 
sentada á secretaria de estado dos negócios do Império em um con- 
curso publico de philosophia racional e moral no dia 9 de julho 
de 1846. Rio de Janeiro, 1846, 12 pags. in-4». 

— Considerações sobre a phtisica e o methodo mais conveniente 
de a tratar : these apresentada à faculdade de medicina do Rio de 
Janeiro a 9 de dezembro de 1846. Rio de Janeiro, 1846, 32 pags. in-4«. 

— Relatório apresentado ao conselho de saúde dos exércitos sobre 
o serviço medlco-cirurgico nos hospitaes da Crimôa durante a cam- 
panha do Oriente de 1854 a 1856. Paris, 1856, 

— Tratamento homceopathico da cholera-morbus. Clinica da enfer^ 
maria de N. S. da Conceição. Rio de Janeiro, 1856, 99 pags. in-4«. 

— Quelques considerations sur la flèvre jaune, moyens prophila- 
tiques de cette maladie, etc. Paris, 1857, 12 pags. in-4o. 

— Manu il de symptomatologia e therapeutica homooopathica, tra- 
duzido de Jahr , annotado, augmentado e dedicado ao lUm. e Exm. Sr. 
Marechal Duque de Saldanha. Rio de Janeiro, 1859, 544 pags. in-8« e 
mais 28 de uma introducção sobre a homoeopathia no Brasil. 

— Viagem de um módico com algumas reflexões philosophicaâ: 
serie de cartas escriptas em Paris, publicadas no Jornal do Commercio 



MA. 265 

do Rio do Janeiro desde julho de 1856 até outubro de 1857 o con- 
tinuadas de julho do 1859 até maio de 1860. 

— Memoria sobre o fluido electrico-dynamico, applicado ás cidades 
para as fazer saudáveis o florescentes. Rio de Janeiro, 1874, 25 pags. 
in-4«- 

— Apreciações das causas pbysicas das seocas do Ceará e outras 
provindas limitrophes. Rio de Janeiro, 1877, 12 pags. in-4o. 

— * Paihogenia da febre amarella e a inoculação prophilatica-ma- 
ximiana. ( Sem folha de rosto, mas do Rio de Janeiro, 1884. ) 31 
pags. in-4". 

— Terremotos no Rio de Janeiro. Conductores electro-telluricos, 
dedazidos dos para-raios de Franklin. ( Sem folha de rosto, mas 
do Rio de Janeiro, 1886.) 11 pags. in-4*> — O dr. Maximiano redigiu: 

* Jornal da Academia medico-homoBopathica do Brasil. Rio de 
Janeiro, 1848-1849, 2 vols. in-4*>. Foi um dos redactores do 

— Brasil: jornal scientiílco, litterario e artístico. Rio de Janeiro, 
1864' 1866, in foi. — E ha trabalhos seus em revistas, como 

^ Da propagação e cultura do chá na provinda de S. Paulo — 
No Auxiliador da Industria Nacional n. 4, de setembro de 1849. 

— Considerações geraes sobre a industria fò.bril e manufactureira 
no Brasil — Inéditas. O autographo, de 39 âs., pertence ao Instituto 
histórico. 

BCaociíuiaiio <le Souza* Bueno — Filho de Án«« 
salmo Bueno Freire, nasceu no Rio de Janeiro pelo anno de 1840, e 
ahi íàllecen a 16 de fevereiro de 1882, sendo formado em direito pela 
&culdade de S. Paulo em 1862 e advogado em Itapemirim no Es- 
pirlto-Santo. Escreveu: 

^ J^tudos históricos^ VoTSi,ra publicados nos Ensaios litterarios 
do Culto à scienciat 

— Guia dos ofítciaes de justiça pelo bacharel, etc, com modelos 
de certidões, intimações, penhoras, etc. Rio de Janeiro, 1870, in-8<». 

MAximiiio cie A.iTa«iiJo Mlaoiel -^ Filho de João 
Paulo dos Santos e dona Maria Clara Santos de Araújo Maciel, 
nasceu na villa do Rozario, Sergipe, a 20 de abril de 1865. Comos 
preparatórios feitos no Athenôo sergipense e tendo frequentado a 
faculdade de S. Paulo, matriculou-se e recebeu o gráo de bacharel 
em sciencias jurídicas e sociaes em uma das faculdades livres do 
Rio de Janeiro, E' professor do coUegio militar, tem sido por varias 



200 



MA 



vezes examinador da Instracçao publica e cursa actualmente o quarto 
anno da faculdade do mi^dicina. Escreveu: 

— Grammdtica analytica. Rio de Janeiro, 1887, in-S*^. 

— PhUologia portugueza. Rio de Janeiro, 1889, in-8*. 

-* Grammatica deflcriptiva baseada nas doutrinas modernas, sa- 
tisfazendo as condições do programma do preparatórios: obra adoptada 
110 Gymnasio nacional, Escola militar, Collegio militar. Escola naval, 
etc. Rio de Janeiro, 1896, in-8". 

— Syntliesc da lingaa portugueza — Na Revisía pedagógica. 

— Theorit da palavm eis — Na dita Revista. Tem ainda alguns 
artigos nos jornaes desta capital, referentes à pliilologia e collaborou 
no Dia e no Debite sob o pseudonymo de Horatius Placcus. 

Máximo Xnuocencio I^urta;do de Mendonça. 

~ Chefe aposentado do laboratório chimico da casa da mocia e nascido 
no Rio de Janeiro, ô offlcial da ordem da Rosa. Escreveu: 

— Ensaios de ouro e de prata, com um appendice sobre ensaios 
de nickel. Rio de Janeiro, 1890. 

— Aguas potaoeis para o abastecimento da cidade do Rio de Ja- 
neiro. Rio de Janeiro, 1877. 

— Techn')logia ádk Ofíicintk de fundiçfto; vocabulário technico da 
casa da moeda ; regras de liga. Rio de Janeiro, 1S92. 

.MelcKioi- Oarneiro de Mendonça» Franco 

— Natural da província de Minas Geraes, que representou na undé- 
cima legislatura de 1861 a 1864, foi cônsul do Brasil em Liverpool e 
antes disto na Republica Oriental do Uraguay e fallecea em Paris 
a 19 de abril de 1875. Escreveu: 

•* Cabris do Cachemira, Angora e Alpaca e seas dmgeneres. 
Rio de Janeiro, 1874, in-4« — O Governo imperial, apreciando eato 
trabalho, mandou-o publicar no Diário Official e tirar certo numero 
de exemplares para o autor. 

— Informição sobre a posição commercial dos productos do Brasil 
em Liverpool — Se acha no livro € Informações sobre a posição com- 
mercial dos productos do Brasil nas praças estrangeiras. Rio de 
Janeiro, 1875 », pags. 94 a 106. 



JHetliodio Romano de j\.ll>ii<][iioi*q^ue Ma- 
ra.nli.uo — Natural de Pernambuco, cultivou a poesia e escreveu: 

— Episódios da revolução de 1817. Os patriotas : poema dra- 
matioo. Poroambuco, 1854. 



ME 267 

M!eton da IF^rAneo, Alencar — Filho do Aalonio da 
Franca Alencar e dona Praxedes da Franca Alencar, nasceu na capital do 
Ceará a 7 de setembro de 1843 e ahi falleceu a 21 de fevereiro de 1893.- 
Doutor em medicina pela faculdade do Rio do Janeiro, foi cirurgião 
do exercito contra o governo do Paraguay e condecorado com a me- 
dalha commcmorativa desta campanha, deputado por sua província 
á decima oitava legislatura geral. Era medico da Santa Casa da Mi- 
sericórdia da Fortaleza e sócio, desde estudante de medieina, de al- 
gamas associações de lettras e de beneficência. Escreveu: 

— Dos ferimentos da urethra ; Em que consiste a affecção conhecida 
com o nome de tumor branco e em que condições se deve praticar a 
amputação ; Da indicação e contra-indicação da digitalis no tratamento 
das moléstias do apparelho respiratório e circulatório; Do crime de 
abandono e exposição do feto : these apresentada, etc. Rio de Janeiro 
1870,4 íis., 47 pags. in-4« gr. 

— . Cardio-therapia, Fortaleza, 1889, 100 pags. in-8<>. 

— A menor das enfermarias de cirurgia do hospital da Santa Casa 
da Misericórdia dosta capital ou a enfermaria S» João de Dens, por um 
irmão. Fortaleza, 1891, 59 pags. in-8° — E* uma noticia histórica, hy- 
gienijca e de casos clinicos. Tem em revista trabalhos como 

•— Effeito abortivo da herva de Santa Maria^ Mastruz. 
— - Superfetação ; sua possibilidade: memoria — Nos Annaes da 
academia de medicina, 1889, n. de julho a setembro, paga. 83 a 102. 

IMCI^uel A.lves l^eitoza — Nascido no estado de Alagoas, 
reside ha annos no de S. Paulo, em cuja capital dirige, segundo sou 
informado, um estabelecimento de instruoção particular. Escreveu: 

— Os ires estados: esboço positivista. Rio de Janeiro, 1878, in-8®. 

— Grammaiica das escolas, dedicada á província de S. Paulo, 
sobre o plano do Pierre Larousse. Campinas, 1882 — Esta grammatica 
teve duas edições. 

— A volta da exposição: notas e impressões. Campinas, 1886, 123 
pagg. in-8*. 

l^li^uel A.iitonio Heredia de ISa. — Filho de António 
Lino Heredia e dona Maria do Carmo Moreira de Sá, nasceu a 4 de março 
de 1823 na cidade do Rio de Janeiro e falleceu em Campos a 10 de de- 
zembro do 1879, doutor em medicina pela faculdade daquella cidade. 
Foi lente de rhetorica e poética do lyceu de Campos, e ahi chefe politico, 
jornalista e clinico popular, tendo sido eleito deputado provincial em 
mais de uma legislatura. Em sua clinica salvou muitos doentes de 



268 



MI 



hydrophobia com nm curativo que empregavam os antigos gregos. Es- 
creveu: 

— Algumas y^eflexôes sobre a copula, onanismo e prostituição do Rio 
de Janeiro: these apresentada e sustentada, etc.,al9de dezembro 
de 1845. Rio de Janeiro, 1845, 24 pags. in-4''. 

— Gazeta dê Campos, Annos I a IV. Campo8« 1872-1875, 4 vols. 
in-íol. 

— - Altorada Campista > Campos 



Migruel A^ntonio da, tSIlva— Pilho de Miguel António 
da Silva e nascido uo Rio de Janeiro a 4 de agosto de 1832, faliecen a 
30 de maio de 1879. Era doutor em mathematicas pela antiga aca- 
demia militar, lente cathedratico do segundo anno do curso de seiencias 
naturaes na Escola polytechnica ; do conselho de sua magestade o Im- 
perador ; commendador da ordem da Rosa, cavalieiro da ordem de 
S. Bento de Aviz, dade Chriato e da ordem austríaca de Francisco 
José ; sócio do Instituto historioo e goographleo brasileiro, do imperial 
Instituto de agricultura, do Instituto brasileiro de seieneias naturaei, 
do Instituto polytechnico brasileiro, do Club polytechnioo de que 
também era presidente, do asylo da velhice desvalida, etc.-— Serviu no 
oorpo de engenheiros, tendo assentado praça em março de 1848, quando 
entrou na academia ; foi à Europa mais de uma vez «n oommissfto do 
governo imperial, como a de engenheiro dos telegraphos eléctricos da 
linba de Petrópolis, á disposição do Ministério da justiça em 1659 e 
depois do Ministério da agricultura, commercioe obras publicas. Eb« 
creven, além de theses de mathematicas que não pude ver: 

— Breves estudos sobre óptica com especial mençllo dos mais im- 
portantes trabalhos que estabeleceram a opto-chimica. Prodromos de 
um melhor considerado estudo sobre photologia. Rio de Janeiro, 1863, 
147 pags. in-4« com 1 est. 

— Memoria sobre os balões aerostaticos. Rio de Janeiro, 1586— 
Sahiu na Bibliotheca brasileira, tomo 1, 1865, pags. 216 a 224, com 
modiâcaçao de titulo. 

— Tentativa de organisação de uma carta geológica do Brasil : 
memoria. Rio de Janeiro, 1866 — Idem, pags. 336 a 355, etc. 

— Historia natural popular dos animaes, precedida das indispen- 
sáveis noções de physi elogia e de anatomia dos dilferentes grupos zoo- 
lógicos. Rio de Janeiro, 1867, in-8« — E* um grosso volume, em que 
também coUaborou o Dr. A. de Paula Freitas. 



MI 269 

^ Transmissão telonamyoa : memoria lida no instituto poiytech- 
nico brasileiro, na sessão de 22 de outabrode 18Ô7. Rio de Janeiro, 1867, 
7 pags. in-fol. com est. 

— O meteorographo do padre Saocbi, director do observatório as- 
tronómico de Roma: memoria lida na sessão de 19 de novembro de 

1867. Rio de Janeiro, 1867, 9.pags. in-fol. 

— Productos mineraes e metallurgicos i relatório da exposição oni* 
versai de 1867 — Ánnexo ao relatório sobre a dita exposição pelo se- 
cretario da commissão brasileira, Júlio Constâncio de Yilleneuve. Paris, 

1868, 2 vols. in-8». 

-« Moléstia da eanna de assucar : pareceres da oommissão especial 
( do Instituto fluminense de agricaltara ), 1870. Rio de Janeiro, 1870, 
15 pags. in-S^" — São três pareceres, dous do Visconde de Barbaoena 
e um do Dr* Pedro Gordilho Paes Leme. 

«^ Serie de artigos 6 fragmentos de uma excursão archeologica 
pela Qrã-Bretanba em 1869 — Creio que, depois de publicetdos na Ga-^ 
zeta de Noticias^ da corte, íoram em volume especial em 1872. 

— Estitdos sobre a exposi<^ nacional do 1873. Rio de Janeiro, 
1873, 32 pags. in-8^ 

— Ligeiras considerações sobre a exposição nacional de 1873. Rio 
de Janeiro, 1873, 50 pags. in-S». 

^ Memoria sobre o sisinometro. Rio de Janeiro, 1873, II pags. 
ia-8<' com est. 

^ Ágriculturai estudos agrícolas. Rio de Janeiro, 1877, 32 pags. 
in->8«— Devia continuar a publicação. 

— Conferencia public^^ feita no pa^ da Camará Municipal da ci- 
dade do S. Paulo na noite de 10 de julho de 1877, por ocoasião da inau- 
guração da estrada de ferro S. Paulo e Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 
1877, 13 pags. in-8\ 

— Dto^ramma ou corte ideal figurativo da crosta terrestre com 
indicação graphica de todos os terrenos e effeitos plutonicos, neptu- 
nianos e de origem orgânica que contribuíram para o relevo actual da 
saperâde da terra (texto e mappa) — Esta obra estava em 1876 
prompta para entrar no prôlo. O dr. Silva, em sessão do Instituto bis. 
torico, de fí\ de julho deste anno, communicando que tencionava im- 
primil-a na Europa, para onde estava de partida, pediu primeiro ao 
Instituto para offerecer-lhe a mesma obra, que disse elle destinar para 
U80 dos alumnos da Escola polytechnica. O dr. Silva redigiu: 

— Revista agricola do Imperial instituto fluminense de agricultura, 
publicada trimensalmente. Rio de Janeiro, 1869 a 1879 — Â publicação 
estava no W vol. e continuou sob a redacção do dr. Nicolau J. Moreira. 



270 MI 

MifiT^iel ^rclxanjo Oal^vcio — Pilho do alferes José 
Lopos Galvão e dona Josepha ^Maria de Jesus Galvão, nasceu na villa 
de Goyaninha, Rio Grande do Norte, a 17 do fevereiro de 1821. Eotrou 
para o funccionalismo da fazenda de sua província em 1841 e dahi 
passou mais tarde a contador da thesouraria de Sergipe. Passando em 
1849 para o Rio Grande do Sul, serviu o cargo de cBcriv&o da alfandega 
da cidade do Rio Grande, depois os de secretario e deputado da jaata 
do commercio, e o de chefe de secção da thesouraria geral . Removido 
para o thesouro nacional como primeiro official, foi depois chefe de 
secção, contador, inspector da caixa da amortisação o por ultimo di- 
rector do tribunal de contas em que se aposentou. Na campanha do 
Paraguay organisou e dirigiu a repartição flscal e pagadoria da 
marinha, encarregado de quanto se referia ao pagamento e fiscalisação 
das despezas, supprimento de fundos e remessa de material para os 
navios da esquadra, hospitaes e mais estabelecimentos da armada em 
operação, sendo condecorado com a respectiva medalha eom passador 
de ouro. Foi do antigo Instituto litterario da Bahia, da sociedade Au- 
xiliadora da industria nacional, da sociedade Auxiliadora das artesa 
da Propagadora das bellas-artes e ó do Instituto histórico e geographico 
brasileiro. Escreveu : 

— Ditima da chancellaria : Reflexões sobre a historia e legis* 
lação desta renda e sua arrecadação até 1855-1856 e legislação que 
regula a sua applicação e percepção. Rio de Janeiro^ 1858, 51 pags. 
in-4^ 

— Relação dos cidadãos que tomaram parte no governo do Brasil no 
período de março de 1808 a 15 de novembro de 1889. Rio de JaneirOf 
1894, 149 pags. in-4«»gr.— E' dividido este livro em duas partes : Go- 
verno central e Governo nas províncias. 

M:i£ruel jíkrelxAUjo ILiins de A.ll>uq[ue]Tqae ^ 

Filho de João Lins de Albuquerque e dona Geracina Galvão Lins do 
Albuquerque, nasceu na cidade do Natal, Rio Grande do Norte, a 12 de 
julho de 1847 e falleceu na do Rio de Janeiro a 24 de setembro de 1886. 
Matriculando-se na escola militar, abandonou pouco depois a carreira 
das armas, para dedicar-se ao Jornalismo, collaborando para alguns pe- 
riodioos litterarios e com mais assiduidade para o Mequetrefe. Cultivou 
a poesia e escreveu : 

— Filhas das sombras : poesias. Rio do Janeiro, 1873, 126 pags. 
in-8» — Deixou inédita uma coUecçâo de 

— Poesias divet-sas — que foram confiadas a um amigo que pro- 
mettia dal-as á publicidade, o que não realisou. 



F 



MI 271 

IVXi^iiol ^Vrohanjo Ilibei r o de Oastro Oa- 
iiia.i*gro -* Nascido om S. Paulo, a 26 de jaueiro de 1801, falloceu a 
7 de julho de 1872, sendo presbytero secular, bacharel e doutor era di- 
reito pela faculdade da província, hoje estado, de seu nascimento, e ca- 
valleíro da ordem da Rosa. Em 1834, anno de seu doutorado, foi no- 
meado inspector de fuzenda da dita província, depois advogou em Itú 
e mais tardo em Campinas. Escreveu : 

— Dissertação Q thesespara obter o grào de doutor, etc, S. Paulo, 
1834, iu-4« — Nunca as vi. 

— Deus^ meu consolo : Devoções catholicas o Manual do missa 
para a mocidade de ambos os sexos, por Ghristovam Schimid, vigário 
capitular da Sè episcopal de Ausburgo. Traduzido do allemão. Rio do 
Janeiro, 1860, in-8*>. 

Migruel .^i*cl]Laiijo de SanfA^nna — Filho do capitão 
João Josó de SanfAnna e[^dona Luiza da Costa SanfAnna e irmão do 
dr. João José de SanVAnna, de quem fiz menção no tomo 3<>, nasceu na 
cidade de Paracatú, Minas Geraes, a 9 de dezembro de 1853. Doutor 
em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, estabelecou-se na cidade 
de Barra Mansa, onde exerceu cargos de confiança do governo, foi de- 
legado de hygiene e cirurgião da guarda nacional . Fez depois uma ex- 
cursão pela Europa, visitando os primeiros estabelecimentos médicos 
da França e da Áustria, e fazendo em Vlenna com os professores Po- 
litzer, Byng e Schnitzler, cuja amizade e estima cultivou, o curso de 
moléstias da garganta, do nariz e ouvidos, especialidade a que se de- 
dicou, tornando ao Brasil, e em que prima. E' membro da Academia 
nacional de medicina e escreveu: 

— Do diagnostico diíTerenclal das moléstias agudas da medulla es«> 
pinhal ; Hygrometria ; Do trombo vulgo-vaginal ; Do jaborandy, sua 
acção physiologica e therapeutica : these apresentada, etc. e sustentada 
na presença de S. M. o Imperador, obtendo a nota de approvado com 
distincção. Rio de Janeiro, 1877, 125 pags. in-4« gr. 

— Tratamento e génese dos vómitos durante a gravidez : memoria 
apresentada à Academia imperial de medicina do Rio de Janeiro. Rio 
de Janeiro, X- 35 pags. in-4« — Sahiu ainda nos Aunaes da mesma 
Academia, tomo 34, 1882-1883, pags. 114 a 142. 

— Relatório apresentado ao inspector do hygiene da provinda do 
Rio do Janeiro, 1886 — Foi publicado como annexo ao relatório do 
inspector geral do hygiene. 



272 MI 

^ A epidemia de febre amarella em Barra Mansa, em 1886. €om- 
muuicação feita á Academia imperial de medicina do Rk) de Janeiro -* 
Nos referidos Annaes, 1888-1889, paga. 107 a 116. 

— Notas sobre a propagação da febre amarella — Idem, tomo 63, 
1899, pags. 108 e seguintes. 

Miguel A.ug'usto de Oliveira. — Filho de Francisco 
António de Oliveira, depois Barão de Beberibe, e nascido na proYincia 
de Pernambuco* Escreveu : 

^ Arte de fumar^ ou o cachimbo, ou o charuto : poema em tree 
cantos de Barthelemy, traduzido em versos por tuguezes. Sèvres, 1845, 
86 pags. in-^". 

Milgruel de Azevedo Firelxo — Natural do Maranhão, 
falleceu a 18 de fevereiro de 1889 na cidade do Rio de Janeiro, Era 
primeiro escripturario do Thesouro nacional, servindo o cargo de 60- 
criviLo da thesouraria geral, capitão honorário do exercito, cavalleiro 
da ordem de Chrlsto e condecorado com a medalha da campanha do 
Paraguay . Exerceu varias commissões de fazenda, sendo uma delias a 
que consta do seguinte livro, que escreveu : 

— Relatório sobre a tomada de contas das deíspezas feitas oom as 
victimas da secca da província do Ceará, apresentado a S« Ez. o Sr. 
conselheiro José António Saraiva, eto« Rio de Janeiro, 1884, 152 pags. 
in-S"» gr. — E' um trabalho, acompanhado de documentos que com- 
provam as grandes e deploráveis depredações que em tão calamitosa 
crise se deram. 

Miguel Bernairdo Vieií^a de Ajuorlm — Filho 
do doutor José dos Anjos Vieira de Amorim, e nascido em PernambTico 
a 21 de outubro de 1839, graduou-se bacharel em direito pela faculdade 
de sua província, que representou na assembléa provincial ; seguiu a 
carreira da magistratura, aposentando-se no cargo de juiz de direito, 
e escreveu : 

^ Esboço biographico do Dr. José dos Anjos Vieira de Amorim, 
advogado da cidade do Recife, por seu filho, o bacharel Miguel Be^ 
nardo Vieira de Amorim. Recife, 1878^ 22 pags. in-8*'. 

— Compi^pâfo das leis provinciaes do Espirito Santo. Victoria, 1883 
— Deste trabalho, que abrange as datas de 1835 a 1883, foi o autor 
encarregado pelo governo da província, quando ahi exercia o cargo 
de JHíz de direito. 



j 



f 



MI 273 

Miguel Oalmon Menezes de Macedo — Filho 
de Joaquim Teixeira de Macedo, 1», e dona Francisca de Assis Me- 
nezes de Macedo, nasceu a 29 de maio de 1829 na cidade do Kio de 
Janeiro. Entrando para o funccionalismo publico em 1848 como pra- 
ticante da Alfandega desta cidade, chegou gradualmente a chefe de 
secção, logar em que se aposentou depois de quarenta annos de 
serviços ; foi presidente da reunião dos expositores nacionaes, the* 
soureirodo Banco dos operários e sócio da sociedade Auxiliadora da 
industria nacional. Escreveu : 

— Parecer da Secção de colonisação e estatiatioa da sociedade Au- 
ziliadora, etc., sobre a questão : < Si convém ao Brazil a importação 
de colonos chins.» Rio de Janeiro, 1870, 15 pags. in-8<^ — Assignam-o 
também Ignaoioda Cunha Galvão e outros. 

— Parecer da secção, etc, sobre a questão : «Qnaesos meios apro* 
prlados e convenientes para obter o grande desideratum social da ex- 
tincção da escravatura entre nós.» Rio de Janeiro, 1871, 11 pags. in<8» 
— com os mesmos acima. 

— > Sociedade Auxiliadora da industria nacional. Discurso pronun- 
ciado na sessão de 30 de dezembro de 1870 ( Questão dos chins ). Rio 
de Janeiro, 1871, 13 pags. in-8<». 

— Origem da Companhia de Jesus ( Kxcerpto do Papa-Negro ) — 
No Boletim do Grande Oriente do Brazil, n. 10 do 17<» anno, pags. 
375 a 379, e n. 12, pags. 402 a 409. 

— Suspensão da Companhia de Jesus ( Ezoerpto do Papa-Negro por 
Brnesto Bensabat ) — No mesmo Boletim, n. 1, do 18"» anno, paga* 
5 a 8, e em outros números. 

— Relatório^ como membro de uma das commissdes para informar 
quaes os inconvenientes a evitar-se e medidas a adoptaiHse na Con- 
solidação das leis das alfandegas do Império. Rio de Janeiro, Junho de 
1874. 

Miguel Calmon du Pin e ^Ixneida.^ Marquez 
de Abrantes — Filho de José Gabriel Calmou e Almeida e dona 
Maria Germana de Souza Magalhães, nasceu na vitla, hoje cidade 
de Santo Amaro, na Bahia, a 22 de dezembro de 1796 e falleceu no 
Rio de Janeiro a 5 de outubro de 18Ô5, sendo bacharel em leis pela uni- 
versidade de Coimbra ; veador do sua magestade a Imperatriz ; do con- 
selho de sua magestade o Imperador ; conaelheiro de estado ; senador 
pela província do Ceara ; commendador da ordem de Christo ; grande di- 
gnitário da ordem da Rosa ; grã-cruz da ordem do Cruzeiro, da ordem 
belga de S. Leopoldo, da ordem constantiniana das Duas Siciliai, da 

Vol. VI ^ 18 



274 MI 

ordem italiana de S. Maurício o S. Lazaro, da ordem hespanhoiade 
Carlos III eda ordem portagueza da Conceição de Vilia Viçosa; membro 
honorário da Academia imperial de bellas-artes ; sócio do Instituto hisi; 
torico e geographico brasileiro e do antigo Instituto histórico bahiano ; 
sócio fundador da Academia de musica e opera nacional ; presidente 
da sociedade Auxiliadora da industria nacional e do Instituto flu- 
minense de agricultura ; provedor da Santa casa de Misericórdia, 
etc. Formado em 1821, recusou um cargo de magistratura em Por- 
tugal e chegando á pátria, quando a capital da Hahia se achava occupada 
pelas forças luzitanas em armas, dirigiu-se para o Recôncavo e fez 
part e do conselho interino do governo que proclamava a indepen- 
dência. Representou esta provinda na constituinte brasileira e nas 
quatro primeiras legislaturas até ser eleito senador ; occupou a pasta 
da fazenda nos gabinetes de 20 de novembro de 1827, de 19 de se- 
tembro de 1837 e de 23 de março de 1841 a janeiro de 1843 ; oocupou a 
pasta de estrangeiros no gabinete de 4 de dezembro do 1829 e no de 
30 de maio de 1862, sustentando com dignidade e energia os direitos e 
a honra do Brasil perante a ousadia do ministro inglez Christie. 
Desempenhou alta missão diplomática junto aos governos da Ingla- 
terra e da França em 1844, já tendo antes feito duas viagens à Buropa. 
Foi um dos maiores oradores do Brasil ; possuia todos os dotes: < fi- 
gura sympathica, nobreza de gestos, voz agradável e insinuante, 
dicção apurada, fluência, graça, atticismo e delicadeza no discurso. 
Si não dominava o auditório pela maior força da dialéctica, oontínba-o 
suspenso pelo encanto de sua palavra fácil, sonora e elegante», pelo 
que dava- lhe a imprensa o appellido de canário. Escraveu: 

— Relatório dos trabalhos do conselho interino do govorno da pro- 
víncia da Bahia em prol da regência e império do Sr. D. Pedro e da 
independência politica do Brasil. Bjthia, 1823, 24 pags. íq-4'». 

— Resposta justificada á declaração ítanca que fez o general La- 
batut de sua conducta emquanto commaudou o exercito imperial e 
pacificador da província da Bahia. Bahia, 1824, 53 pags. in-8ocom um 
mappa. 

— Cartas politicas de Americus. Londres, 1825, 2 vols. in-8<>— - 
Innocencio da Silva diz que estas cartas, publicadas antes no Padre 
Amaro, ou sovella politica, jornal redigido por Joaquim Ferreira de 
Freitas, eram attribuidas a José Joaquim Ferreira de Moura, e também 
por outros a Miguol Calmon. Eu, porém, inclino-me a acreditar que 
sejam da penna deste, porque Calmon, logo que f jí dissolvida a nossa 
Constituinte, partiu para a Europa e esteve com Joa]uim Ferreim de 
Freitas em Londres, onde se public:iva o Paire Amaro desde 1820. Em 



MI 275 

1825, qaando foi eleito deputado à primeira legislatura, aiuda se 
achava elle na Earopa. Demais, Ferreira de P^reitas era muito dedicado 
a D. Pedro I, que até dinheiro deu-Uie por vezes, e Miguel Calmou era 
igualmeute dedicado ao priucipo e tauto que, sabendo na Europa, onde 
Ee achava em nova excursão, dos tristes acontecimentos de 1831, voltou 
logo ao Império e nas tumultuosas sdssões de 1832 e 1833 fez parte da 
opposiQão e bateu brilhantemente a situação com sua palavra elo- 
quente. A assignatura de Americus pirece também indicar escriptor 
brasileiro, ou da America. 

— Ensiio sobre o fabrico do assucar, oílerecido á Sociedade de 
agricultura, commercioe industria da provinda da Bahia. Bahi^, 1834, 
in-8*. 

— Memoria sobre a cultura do tabaco, oíTerecida á Sociedade de 
agricultura, oommercio e industria da Bahia. B;jkliia, 1835, 41 pags. 
ln-8«. 

— Memoria sobre o estabelecimento de uma companhia de colo* 
nisação nesta província. Bahia, 1835, in-8'\ 

— Documentos com que instruiu o seu Relatório o Ministro da Fa- 
zenda, etc., na sessão de 1828. Rio de Janeiro, 1828, in-4o. 

— Memoria sobre os meios de promover a colonisação do Brasil. 
Berlim, 1846, 64 pags. in-S». 

— A missão especial do Visconde de Abrantes, de outubro de 1844 
a outubro de 1846. Rio de Janeiro, 1853, 2 vols. 333 e 488 pags. in-8<> 
— A missão tinha por objecto na corte de Berlim a negociação de um 
tratado de commercio, vários estudos relativos ao systema de adminis- 
tração, a instrucçãa publica, a organisação militar e outros na Prússia 
o em outros estados da Europa ; e perante as cortes de Londres e de Paris, 
a politica ambiciosa do dictador Rosas relativamente ás republicas do 
Prata e do Paraguay. 

— Terras deoolutas e colonisação: discurso proferido na sessão 
do Senado de 3 de agosto de 1850, etc.-* No Auxiliador da Industria 
Nacional^ 1850, pags. 81 a 104. 

— > Qual a origem da cultura e commercio do anil entre nóse 
quaes as causas do seu progresso ou da sua decadência: programma 
desenvolvido na sessão do Instituto histórico de 21 de novembro 
de 1851 — Na Revista Trimensxl, tomo 15«, 1852. pags. 42 a 60. 

— Díicur^o recitado pelo Sob.*. G.'. M,*. O.'. Com.», da 
Ord. * . Maç. * . no Brasil, na sessão do G. * . O. * • em o dia 16 do mez 
de abril de 1S61 . Rio de Janeiro, 1861 , 4 pags. in-4o. 

— Estatutos do imperial Instituto fluminense de agricultura. Rio 
de Janeiro, 1860, 12 pags. in-4<'. Assigna-os como presidente do In- 



276 Rn 

stituto, seguindo-o outros. Ha do Marquez de Abrantes vários relA- 
torios apresentados à assombléa legislativa como ministro de estado 
e relativamente a um deJles: 

— Falias sustentando o orçamento do Ministério a seu cargo (da 
Fazenda) nas sessões da camará dos Srs. deputados de 21 e 28 de 
agosto do corrente anno. Rio de Janeiro, 1829,39 pags. in-4o. 

Migruel Oalmon <lu Pin e A.liiieida., 2"^ -— Filho de 
Manoel Bernardo Calmon e sobrinho do precedente, nasceu na Bahia 
no anno de 1842 efalleceu no Rio Grande do Sul a 30 de dezembro de 
1886, bacharel em direito pela faculdade deS. Paulo e membro da 
sociedade Auxiliadora da industria nacional. Seguiu a carreira da 
magistratura, onde exercia o cargo de desembargador, e presidiu a 
provinda do CearÀ. Escreveu: 

— Colonisação chineza : discurso pronunciado na sociedade Auxi- 
liadora da industria nacional na sessão de 30 de dezembro do 1870. Rio 
de Janeiro, 1871, 23 pags. in-4». 

— Provimento geral do enoerr<imento da correição feita pelo juiz 
de direito da camará de Guaratinguetá em 1880. Rio de Janeiro, 1881, 
58 pags. in-8'. 

— Relatório com que passou a administração da província do Ceará 
ao Sr. desembargador Joaquim da Oost\ B^^rraias. Fortaleza, 1880, 
in-4*». 

MIg-uel Oalmon du Pln IL<isl>oa* — Filho do mi^or 
reformado João António Lisboa e dnna Anna Joaquina du Pin Calmon, 
parente e aOlhado de Miguel C\lmon du Pin e Almeida, 1°, nasceu a 
24 de junho de 1842 om Linhares, estado do Espirito Santo. Capitão re- 
formado e coronel honorário do exercito, ô condecorado com as medalhas 
da campanha do Paraguay, do combate naval de Riachuelo, a argentina 
dos vencedores em Corrientes, a oriental e argentina do Paraguay; 
cavalleiro de S. Bento de Aviz, de Christo e da Rosa. Foi empregado 
na secção do material do 3° districto e actualmente na repartição do 
estado-maior do exercito. Escreveu: 

— Memorias da campanha do Paraguay. Rio de Janeiro, 1884-1885 
— - Fez esta publicação por fasciculos, que formam o primeiro volume 
da obra, estando ainda inédito o restante. Pará, 1888, 143 pags. com 
4 estampas. 

IVIig^uel Oailo^eras — Filho de João Baptista Calogeras e 
\ ae de João Pandiá Calof^eras, Jos quaes já occupoi-me neste livro, e 



v^ 



M:I 277 

nascido no actual estado do Rio de Janeiro, fez estudos mathematicos e 
tem servido na directoria de companhias de transporte, como a com- 
panliia Ferro-carril Carioca e Rio de Janeico, e a Companhia Estrada 
de Perro Macahé e Campos ; escreveu: 

* Refutação ao memorando do Dr. Bezerra de Menezes e ana- 
lyse dafl contas de encampação da Estrada de feiTO Macahé e Campos. 
Rio de Janeiro, 18789-227 pags. in-4<> * Com o dr. Miguei da Silva 
Vieira Braga, presidente da directoria. 

Mi^ael Ga»x*doeio — Filho de Tristão Cardoso Nunes e 
dona Salvelina Maximila Cardoso Nunes, e nascido na cidade do Serro, 
em Minas Geraes, a 12 de abril de 1850, ô professor de musica da escola 
Normal e do Institato Benjamin Constant do Rio de Janeiro. Es- 
creveu : 

^ Orammatica musical. Rio de Jaueiro, 1886, in-8*» — Foi ad- ^ 
optada pelo Conselho superior da Instrncção publica de Minas Geraes e 
desta capital. 

— Compendio mjiB\cB\. Rio de Janeiro, 1887, in-8'*. 
^ Divitão r^thinada^ methodo pratico para leitara musical. Rio 

de Janeifo, 1890, in-8°. i 

^ Methodologia elementar do musica. Rio de Janeiro, 1895, in-8<* — 
Divide-se o livro em duas partes: na primeira se trata drcamstancia- 
damente da tbeoria da musica; na segunda, do systema por que deve 
8er encetado o estudo da musica, servindo de base para a Justa orien- 
tação dos tempos simples e compostos, assim como para a orientação 
dos intervalloB naturaes. 

miguei CSugr^x^io da. Silvai ]M[a.soareiiliLafii ^Na 

tarai de Sabarà, província de Minas Geraes, ahi falleceu , ainda moço, 
depois de solfrer três annos de alienação mental • Foi presby tero se- 
ealar, distincto pregador e poeta. Quando estudante, taes foram sua in- 
telligeocia e applicação, que o intendente geral do ouro, Joãp Fernandes 
Vianna, tomou-o sob sua protecção e em sua casa adquiriu elle completo 
conhecimento em bellas-lettras latinas, portuguezas, francezas e italia* 
nas. Deixou multas traducções em verso de poetas latinos, assim como 
de Corneile, Racine, Voltiúre, Ariosto, Tasso e Metastasio, as quaes 
inutilisou, segundo diz-se, em sua loucura. De seus escriptos só oo- 
nheço: 

— Sequencia da missa de defuntos, paraphraseada — Acha-se no 
Parnaso brasileiro^ do oonego Januário da Cunha Barbosa, n. 7, 
pag8« 56 a 63, em vinte decimas rimadas. Tenho também noticia do seu 



278 



MI 



— Sermão por occasiio do nascimento do príncipe d. António, 
nas grandes festas que se celebraram em Sabarà, etc. ~ Não sei 
si foi publicado ; só sei que grangeou-llie a reputação de grande 
orador. 



Mlgruel Fernandes Vieira» — Filho de Francisoo Fer. 
nandes Vieira, depois Visconde do Icó, nasceu no Oearà a 13 de Janeiro 
de 1816 e falleceu no Rio de Janeiro a 6 de agosto de 1862. Sendo Jml* 
charel em sciencias sociaes e jurídicas formado pela academia de 
Olinda em 1837, seguiu a carreira da magistratura, foi por varias vezes 
deputado por sua província e, eleito depois senador, bavia tomado posse 
de sua cadeira a 31 de maio do mesmo anno em que falleceu. Foi 
fundador do 

— Pedro II. Ceará, 1841, in-fol.» Esta folha começou como órgão 
do partido dos caranguejos, depois partido conservador, em opposiçio 
ao \inte e Três de Julho, órgão do partido .dos chimangos, depois par- 
tido liberal c viveu ató a republica. Fernandes Vieira foi um dos au- 
tores do 

— Manifesto que os deputados eleitos pela província do Ceará 
Ikzem aos habitantes desta província por occasião da injusta decisão 
que os expelliu da representação nacional. Rio de Janeiro, 1845, 173 
paga. iu«12<». ( Veja-se André Bastos de Oliveira.) 

Hf i^uel cLe Frias Vtisconcellos — Filho do tenente- 
coronel Joaquim de Frias Vasconcellos, nasceu no Rio de Janeiro a 15 
de outubro de 1805 e falleceu a 25 de maio de 1859, brigadeiro do exer- 
cito, presidente da commissãode melhoramentos do material do exer- 
cito, commendador da ordem da Rosa, cavallelro da do Cruzeiro e con- 
decorado com a medalha de ouro da campanha oriental do Urngaay de 
1851 . Com praça em 1823, em IS2S era major graduado do corpo de 
engenheiros, e major eífectivo no anno seguinte. Cursou & academia 
militar comdistincção tal, que dentro em poucos aunos serviu como 
lente na mesma academia. A elle coube a missão de ir ao paço de 
S. Christovão em nome do povo e da tropa, reunidos no campo da Ae- 
clamação a 7 de abril de 1831, peJir ao Imperador, d. Pedro I, a rein- 
tegração do ministério demittido, tendo de soa magostade a resposta 
digna do grande soberano: que abdicava a coroa e sahlria do Império. 
Compromettendo-se no movimento politico de 3 de abril de 1832 oomo 
um dos mais eosaltados do partido que tinha esse titulo, foi obrigado a 
emigrar para os Estados Unidos onde asteve dousannos. Foi depois dl- 



MI 279 

rector do arsenal de gaerra da corte, director das obras militares e 
inspector das obras publicas. Escreveu: 

— Memoria sobre o gaz illuminante, extrahidodo carvão de pedra 
e matérias gordurosas. Rio de Jaueiro, 1847, 26 pags, in-8« com 
plantas e mappas demonstrativos. 

— Regimento interno provisório para a directoria da companhia 
edificadora Doze de agosto e regulamento para a companhia de ope- 
rários, organisados pelo presidente da mesma companhia, etc. Rio de 
Janeiro, 1857, 23 pags. in-4o, 

— Relação das madiiras ( brasileiras ) de coustrucção de obra branca 
— O original com sua assignatura, in-fol., está no Archivo militar. 

^ Planta chorograjphica do logar de Caldas do Sul do rio Cubatâo e 
seus arredores. Lithographada no Archivo militar, 1843. 0"*,3424- 
+0% 287. 

— - Mappa topographico da villa de S. Gabriel com seus arredores e 
fortidcac(!fes tragadas pelo major, etc, sendo a fortificaçiLo pelo mesmo 
projectada e começada em 1843. Idem. 

Miguel I^haoIo doa Santos F*reijc*e e Biruce 

— - De origem escosseza, era porém natural do Maranhão, tendo sido 
educado na Inglaterra. Achando-se no cargo de presidente da junta 
provisória administrativa da sua provincia, ahi deu o Juramento do 
projecto de constituição brasileira a 14 de maio de 1824 ; soffreu, porôm, 
neste cargo accusações e foi deposto pelo almirante Cochrane a 25 de 
dezembro deste anno e enviado com outros a 4 de janeiro seguinte para«o 
Rio de Janeiro, onde so justificou. Falleceu pelo anno de 1834 e es- 
creveu: 

* Defesa de Miguel Ignacio dos Santos Freire e Bruce^ que foi 
presidente de duas juntas provisórias independentes na provincia do 
Maranhão e presidente da mesma provincia. Maranhão, 1826, 60 pags. 
in-fol.— A accusação de que Bruce defendeu-se e foi absolvido pelo tri- 
bunal da casa de supplicação, o denuncia de tentar o estabelecimento 
do governo republicano no Maranhão. Podem ser consultados sobre 
isso os trabalhos do catalogo da exposição de historia pátria do Rio de 
Janeiro, de ns. 7239 a 7262, e particularmente os de Domingos Cada- 
villa Velloso Cascavel, seu principal perseguidor. 

Miguel «Toa^quim Rit>eiro de Oa*i:*va.lI].o — Filho 
de Miguel Joaquim Ribeiro de Carvalho, nasceu no Rio de Janeiro a 7 
de fevereiro de 1849. Bacharel em sciencias sociaes e juridicis pela fa- 
culdade de S. Paulo, tendo cursado na do Recife os três primeiros 



280 MX 

annos, foi juiz municipal do termo de Cantagallo, secretario interiao 
do governo do estado do Rio de Janeiro em 1891 e vice-presidente do 
mesmo estado, onde ô chefe politico. E' sócio do Instituto histórico e 
geographico brasileiro. Escreveu : 

~ Organisação republicana do Estado do Rio de Janeiro. Rio de 
Janeiro, 1899. 

M.igrviel «José Oox*x*êa; — Filho de Miguel Josô Ck)rrâa e 
natural do ParanÀ, onde applicou-se a negócios forenses, escreveu: 

— Assessor portátil, ou arte de requerer era juizo. Curitiba — 
Ck)ntém uma collecção de formulas para requerer em juizo sobre va- 
riados assumptos. 

Mig-uel José RodrigXLeis Vieira — Nascido em Sa.- 
maiões, termo da villa de Chaves, em Portugal, a 12 de julho de 1820, 
na idade de 18 annos veiu para o Brasil que adoptou por pátria, tendo 
aqui feito alguns estudos e dedicando-se á carreira commercial. Es- 
creveu : 

— O guarda' livros brasileiro ou arte de escripturação mercantil, 
apropriada ao commercio do Brasil. Rio de Janeiro, 1856, 4 opúsculos 
ou 4 partes, de 96, 40, 13e36 pags. in-fol.-Y Na primeira parte trata-se 
do livro Borrador ; na segunda do Diário, com um modelo de escriptu- 
ração ; na terceira do Recopilador ; na quarta do Razão. 

' 31ig:uel roemos » Filho do primeiro tenente da armada 
Miguel Carlos Corrêa Lemos, nasceu em Nitheroy a 25 de novembro 
de 1854. Todo dedicado às doutrinas de Augusto Com te, só para ellas 
vive, abandonando cargos, como o de secretario da bibliotheca nacional. 
Matriculou-se em 1876 na escola central com seu amigo e companheiro 
de propaganda positivista Raymundo Teixeira Mendes (vide este nome) 
e com este abandonou a escola depois de alguns mezos. Escreveu: 

— Geometria analytica de Augusto Comte. Traducção portugneza 
de Miguel Lemos e Raymundo Teixeira Mendes. Rio de Janeiro, 1875. 

— Luiz de Camões, Apreciação positivista em língua íhtnceza, do 
papel histórico de Portugal e da vida e obras do poeta. Paris, 1880» 
283 pags. in-120. 

— Augusto Comte e o positivismo. Historia da vida e da doutrma do 
positivismo. Rio de Janeiro, 1881. 

— O fundador da religião da umanidade. Conferencia realisada em 
oommemoração do 24^ anniversario de Augusto Comte. Rio de Jauelroi 
188K 



MI 281 

— Relatório aDnual enviado ao director supremo do positivismo 
em Pariz por Mig^nel Lemos, director provisório e presidente perpetuo 
da sociedade positivista do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1882, 164 
pags. in-8<*. 

— Terceiro centenário de Santa Thereza, Commemoração summaria 
de sua vida e méritos. Rio de Janeiro, 1882, in-8<>. 

— A direcção do positivismo no Brasil. Carta ao dr. Joaquim Ri- 
beiro de Mendonça em resposta a uns artigos publicados em um jornal 
de S. Paulo. Rio de Janeiro, 1884, 4 pags. in-4<>. 

— O positivismo e a escravidão moderna: trechos extrahidos das 
obras de Augusto Gomte, seguidos de documentos positivistas relativos 
à questão da escravidão no Brasil e precedidos de uma introducçao por 
M. Lemos. Rio de Janeiro, 1884, 16 pags. in-8^ 

— O projecto de casamento civil. Carta À S. Ex. o Sr. Ministro do 
Império. Rio de Janeiro, 1884, 15 pags. in-8'> —2» edição, 1887. 

» Positivisme et Lafittisme : rôponse á la protestation Laâttiene 
centre la circulaire collective du centre positiviste bresilien. Rio de Ja- 
neiro, 1884, 156 pags. in-8«. 

— O Kalendario positivista, seguido da bibliotheca positivista e 
precedido de indicações geraes sobre o positivismo, escripto em inglez 
por Henry Edgar e traduzido, etc. Rio de Janeiro, 1885, 91 pags. in-12». 

— Lettre k Mr. le Dr. Audiffrant. Rio de Janeiro, 1886. 

— Vapostolat positiviste au Bresil. Rapport pour Tannée 1884, 1885, 
1886, 1887. Rio de Janeiro, 1885 a 1888, 4 opúsculos. 

— Centro positivista, A liberdade espiritual e o exercício da medi- 
cina. Rio de Janeiro, 1887. 

-^ A obrigatoriedade e o novo projecto de reforma de instrucção 
publica. Rio de Janeiro, 1887 — com Raymundo T. Mendes. 

— A liberdade espiritual e a organisação do trabalho. Rio de Ja- 
neiro, 1888 — com Raymundo T. Mendes. 

— Catecismo positivista de Augusto Comte, traduzido, etc. Rio de 
Janeiro* 1888, in-8''. 

— Ortografia positivista : nota avulsa & tradussão do Catecismo 
positivista de Augusto Conte. Rio de Janeiro, 1888, 15-47 pags. in-8'*. 

— A repressão legal da ociosidade. Rio de Janeiro, 1888. 

— Religião da umanidade. O apostolado positivista no Brasil. Nova 
circular dirigida aos cooperadores do subsidio positivista brasileiro. 
Anno de 1889. Rio de Janeiro, 1891, 90 pags. incluídas as dos Annexos. 

-^ Reetification necessaire, concernant Fapplication actuelle du 
precepte qui prescrit aux prôtres positi vistes de renoncer á toat heri- 
tage, etc. Rio de Janeiro, 1890. 



282 



MI 



— Exame do projecto do constituição, apresentado pelo Governo . 
Programnna das conferencias realisadas por R. Teixeira Mendes. Rio 
de Janeiro, 1890. 

— Representação enviada ao congresso nacional, propondo modi- 
ficações ao projecto de constituição, apresentado pelo congresso, etc. 
Rio de Janeiro, 1890. 

— Le positivisme et l*£ooledeLe Fiay. L*article c Augusto Com te» 
de la Grande Encyclopedie. Rio de Janeiro, 1891. 

— Apostolado positivista. Os o miiterios serão focos de infecção ? 
Resumo da questão sob o ponto hyglcnico pelo dr. J. P. Robioet. 
Tradncção. Rio de Janeiro, 1893, 15 pa^. in-8\ 

— Bases de uma constituição politica, dictatorial federal para a 
Republica brasileira. Rio de Janeiro, séie da associação) positivista 
(sem data). ITpags. in-l2®. 

— A politica positiva e a grande nataralisação. Rio de Ja- 
neiro, 1889, in-8\ 

— Modificação ao projecto de Constituição. Rio de Janeiro, 1890, 
in-8«. 

— Ódios académicos. Apreciação do artigo do Sr. Bertrand, pu- 
blicado na Revista dos Dous Mundos contra Augusto Ck)mte. Rio de 
Janeiro 1897. 

— Noticia sobre a vida e os escriptos de Daniel Encontre por 
Juielerat. Traducção. Rio de Janeiro, 1898, in-12\ 

— Epitome da vida e dos escriptos de Augusto Gomte por J. Loa- 
champs. Rio de Janeiro, 1898, in-12^ — Quando matriculou-se na es- 
cola central escreveu com R. Teixeira Mendes: 

— Chronica do Império: revista quinzenal por Fabrício e Etho. 
philo. Rio de Janeiro, 1876, in-8<» peq.^ Sahiram apenas quatro nú- 
meros. São trabalhos apaixonados contra a igreja e o throno, etc. 



Miguel I^ino de Mora.eei — Militar, era e:n 1825 ma« 
rechal de campo do exercito brasileiro e em 1828, presidinlo a pro- 
víncia de Goyaz, escreveu: 

— > Noticia circumstanciada da fabrica de fiação e tecelagem da 
cidade de Goyaz, estabelecida pela provisão da Junta do Commercio 
de 25 de julho de 1818 ^ B* um offlcio datado de 27 de julho de 1828, 
de 8 pags., pertencente à bibliotheca nacional e que esteve na expo. 
sição de historia de 1880, acompanhado de vários documentos, a 
saber: laventario das pessoas e utensílios da fabrica de fiação e tece- 
lagem ; Relato dos materiaes que vieram da Corte para a construcção 
da fabrica, etc. ; Despeza que se tem feito com a fabrica desde 4 de ja- 



MI £83 

neiro de 1819 até 31 de maio de 1828 ; Deliberaçio da Janta da fazenda 
publica de Goyaz de 21 de junho de 1828. 

IMLigruel XjuIz T^eixeira; — Filho de Simão de Abreu 
Teixeira e dona Antónia Luiza de Barros, nasceu na freguezia de 
S. Qonçalo davilla, hoje cidade da Cachoeira, província da Bahia, a 
8 de setembro de 1716. Bacharel e mestre em artes pelo collegio dos 
jesuitas da Bahia, foi ordenado presbytero secular e depois, passando-se 
para Coimbra, ahi fez o curso de direito c.\nonico em que foi graduado 
doutor. Foi provisor e vigado geral do Algarve ; dístincto pregador 
e poeta. Aos dezoito annos de i Jade, segundo afflrma Barbosa Machado, 
escreveu o seguinte poema latino, distribuído em doze livros: 

— O triump?io de Ctiristo, senhor nosso, alcançado do peccado e da 
morte — Este poema ó ornado com sentenças dos santos padres e 
noticias da historia sagrada e profana. Escreveu depois: 

— Patriarchon metricum^ cui argumentum suspeditat áurea fe« 
licitas, prestantissima magniâcentia et pietas óptima serenissimi, an- 
gus tissimi dominiJoannis V., regis Lusitanise et Algarbiorum, etc. 
Conimbricae, 1747, in-4<^ ^ Consta de 214 dísticos latinos, terminando 
por uma ode saphica, tendo &s margens sabias annotações. 

— > lUustrissimo et sapíentissimo domino D. Michaeli Lúcio de 
Portugali magnas canonum theses propugnanti: poema. Conimbrica), 
1747, in-fol.— -Comtém 14 dísticos latinos, terminando por um epi- 
gramma ao Conde de Vimioso, padrinho do auto de doutoramento de 
seu írmãc D. Miguel Lúcio de Portugal. 

— Oração fúnebre nas exéquias que à magestade fidelíssima do 
muito alto e poderoso rei e senhor D. João Y celebrou a cathedral de 
Faro em 29 de agosto de 1750. Lisboa, 1751, in-4^. 

« Poema elegíaco e pathetico ò. Paixão de Chrísto e â Soledade de 
sua mãe santíssima — Inédito. 

Miguel TMLsLirla, «Ia.rdini — Fillio de João Gonçalves 
Jardim e dona Águeda Victorina Jardim, nasceu a 2 de dezembro 
de 1841 na ilha Graciosa do Arcbipelago dos Açores. Começou na illiaTer- 
ceira sua educação litteraria, qne não chegou a concluir, porque teve de 
Tír em 1856 para o Brasil, onde ã força de acurado estudo e muita 
perseverança conseguiu entrar para o magistério, jã naturalisado ci- 
dadão brasileiro. Depois de ter occupado o modesto logar de carteiro 
do correio geral desta capital, fez o curso completo da escola normal da 
província do Rio de Janeiro, foi nomeado professor eíTectivo* e como tal 
prestou serviços à instrucção publica, jubilando-se em 1881, quando 



V 



284 MI 

regia a cadeira primaria de S. Domingos, em Nitheroy. Desta época 
em deante collaborou para o Fluminense de Nitheroy e para O Pais^ 
onde por multo tempo deu oonta dos trabalhos da Assembléa l^is« 
Utiva na secQão sob a epigraphe « Assembléa Fiaminense », até a 
transferencia desta corporação para Petrópolis. E' livreiro em Ni- 
theroy e escreveu: 

— Taboada métrica, adoptada pela instrucção publica da Bahia. 1869. 
Foi o seu primeiro trabalho e está na 6' edição. 

— Arithmetica elementar. 1871, in-16* A. E* dos seus trabalhos o 
mais procurado, tendo chegado já â 12* edição. 

— Tabellt métrica commerciaL 1874 — Publicada em cartões 
grandes para escriptorios e casas de negocio. 

— Cathecismo escolar. 1878, in-16<*. Está na 3^ edição, esgotada. 

— Exercícios de contar. Lisboa, 1879, in-16«. 

— Cathecismo da doutrina christã. Rio de Janeiro, 1880, 1* edição 
in-16<*, adaptado às escolas normaes. 

— Arithmetiea elementar ( l® anuo), in-16». 

— Arithmetiea elementar ( 2^» anno ). Rio de Janeiro, 1899.— Estes 
dous livrinhos representam o d^^sdobramento da primeira arithmetiea 
do autor. 

Mig^uel Ma^ria. Hiifilboa, Barão de Japurá -^ Filho do 
conselheiro José António Lisboa, de quem Jà me occupei, e nascido na 
cidade do Rio de Janeiro a 2Z de nxaio de 1809, falleceu a 8 de abril de 
1881 em Lisboa no exercício do cargo de ministro plenipotenciário 
nesta corte, sendo mestre em artes pela universidade de Edimburgo ; 
do conselho de sua magestade o Imperador ; veador de sua magestade 
a Imperatriz ; membro do Instituto histórico e geograpbico brasileiro^ 
da Academia archeologica da Bélgica, da real Academia hespanhola, da 
Associação dos artistas de Coimbra, da Associação de geographia e da 
Sociedade dos architectos de Lisboa ; grande dignitário da ordem da 
Rosa ; commendador da de Christo ; grã -cruz da ordem portuguesa de 
Ghristo e da ordem da Conceição da Villa Viçosa e grã-cruz da ordem 
Ernestina do ducado da Saxonia. Entrou na carreira diplomática aos 
dezoito annos de idade, em 1828, como addido â legação de Londres e 
d*ahi passou suecessi vãmente a secretario de legação em 1831 ; a encar- 
regado de negócios interino em 1835 ; a eguai cargo no Chile em 
1838 e na Venezuela em 1842, sendo exonerado em 1847 para servir 
na secretaria dos negócios estrangeiros ; a ministro residente na Boli* 
via em 1851, indo d'ahi em missão especial á Venezuela, Equador e Nova 
Granada ; a ministro plenipotenciário no Peru em 1855, nos Estados- 



MI 285 

Unidos em 1859, na Bélgica em 1865 e em Portugal, donde não sahiu 
mais, em 1869. Escreveu: 

— Romances históricos ( em verso ) por um brasileiro. Pariz, 1843, 
132 pags. ia-8'* ^ São quatro: Egas Mouiz, Juizo de Salomão, Batalha 
de Guararapes, Ypíranga. D'elles ha nova edicàoj correcta, augmen- 
tada e seguida de algumas poesias soltas. Bruxellas, 1866, oom o re- 
trato do Imperador, a quem é oíTerecida. 

^ Relação de uma viagem á Venezuela, Nova Granada e Equador. 
Bruxellas, 1866, 389 pags. in-S"*, com varias estampas e mappas geo- 
graphicos — O autor offereceu esta obra ao lastituto histórico, mas 
não foi impressa em sua Revista, porque além de ser muito extensa e 
exigir lithographia ou gravura dos mappas e estampas, não tinha 
relação, sinão indirecta, com a historia e geographia do Brosit. O 
Instituto histórico possue o autographo de 180 fls. 

— Congrés archeologiqme international, organisé par Tacademie 
d'archéolQgie de Belgique de ooncert avec la societé fl^ançaise d'ar* 
cheologie. Ouverture le 25 aôut 1867. Anvers, 1869— Foi escrlpta 
por oocasião de seu autor representar o governo imperial nesse con- 
greoBO. 

— Tradítcção do capitulo undécimo da vida politica de mr, Jorge 
Canning, composta pelo seu secretario particular Augusto Grauville 
Stappletton — Publicada na Revista do Instituto histórico, tomo 23^' 
pags. 241 a 343, sendo do B\tS,o de GayriU as Notas de paga. 331 em 
diante. 

— Memoria sobre os limites entre o Império e a Guyana franceza. 
Lisboa, 1849 — A bfbliotheca nacional possue uma cópia de 59 íla. com 
três mappas geographicos, feitos á bico de penna, um dos quaes tem 
este titulo: 

— Guyane Prançaifle 0"*,230x0'",351. E' o terceiro. 

— Resposta do sr. dr. Ramon Aczarate a Miguel Maria Lisboa, 
encarregado de negócios do Brazil no Ohlle, relativa À navegação por 
barcos a vapor nos rios Ueayale, Apurimac e Beni ; traduzida do 
hespanhol. ( Vide Diogo Soares da Silva de Bivar. ) 

IMIigruel 'Mnvísb de IVoronlia, Feital — Irmão do 
dr. José Maria de Noronha Feital, de quem já occupei-me,Inasceu no Rio 
de Janeiro em 1824 e fallecen em Paquetà a 6 de setembrode 1885. Ba- 
charel em sclencias physicas e mathematicas pela antiga Academia mi- 
litar, serviu na arma de artilharia até o posto de primeiro tenente, em 
que reformou-se ; deu-se depois ao magistério livre de lingnas e scien- 



28Ô MI 

cias ; foi deputado à assembléa provincial e cayalleiro da ordem da 
Rosa. Escfeveu: 

» Poesia, O. D. C. á Âug. ' . e Resp. ' . Loj • * . Segredo e Amizade 
por occasifto de oeiebrar-se a posse de suas dignidades em 31 de jalho 
de 1847. ( Sem rosto, mas do Rio de Janeiro, 1847) 3 p^igs. íq-4'* gr« 

Miguel Mairtlns da Silva* — Natural de S. Paulo e 
vigário de Quaratinguetà, foi um dos sacerdotes brasileiros mais eru- 
ditos em scieucias theologicas, assumpto, em cuja conveitKição seduzia, 
arrebatava. Só sei que escreveu: 

— A confissão : artigos publicados no Monitor Paulistx em 1880 e 
depois em opúsculo. 

Migruel :Noel ]Va.6ioeiites Burnier — Filho de M 
guel Noel Burnier, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 9 de julho de 
1848 e falleceu a 29 de Julho de 1884, bacharel em scienoias physicas e 
mathematicas e engenheiro civil pela escola polytechnica, onde fo 
sempre um dos primeiros estudantes. Serviu como engenheiro .auxi^ 
liar do prolongamento da estrada de ferro D. Pedro II ; fez parte 
do congresso das estradas de ferro do Brasil, occupando-se particular- 
mente das questões relativas ás tarifas das vias férreas, soaas privi* 
legiadas e garantia de juros, e exercia, havia seis mezes apenas, o 
cargo de director d'aqueúa estrada quando falleceu. Escreveu: 

— Prolongamento da estrada de ferro D. Pedro II. Os trabalhos de 
Carandahy e Itabira e o dr. José Eubank da Gamara. Rio de Janeiro, 
1882 in-8« — E' uma reproducçáo de escriptos publicados no Jornal do 
Commercio, 

Migruel de Oliveira Oouto — Filho de Francisco de 
Oliveira Couto e dona Maria Rosa do Espiríto Santo, nasceu a 1 de 
maio de 1864 no Rio de Janeiro ; é doutor em medicina e lente sub- 
stituto da faculdade em que se graduou, a do Rio de Janeiro, membro 
da Academia nacional de medicina, da Sociedade de medicina e cirurgia 
e medico do hospital de Misericórdia. Escreveu: 

— Da etiologia parasitaria em relação ás moléstias infecciosas 
Proposições ( três sobre cada uma das cadeiras da faculdade ): thes 
apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 30 de se- 
tembro de 1885 para ser sustentada, etc. Rio, 1885, 88 pags. in-S"*. 

— Dos espasmos nas aífecções dos centix)s nervosos: these de con| 
curso, elo. Rio de Janeiro, 1898, in-4«. 



J 



MI 287 

* Da gangrena na febre amarella. Rio de Janeiro, 1896, 24 paga. 
in-S». 

— O pneumogastrico na inflaenza. Rio de Janeiro, 1898, in-8''. 

— CotUribuição para o estudo das desordens fanccionaes do pneu- 
mogastrico na influenza.— Nos Annaes Brasilienses da Academia de 
Medicina, tomo 63, 1898, pags. 31 â 83. 

Mig^uel Pereira» cie Oliveira Mieirelles — Filho 
do coronel Pedro Maria Xavier de Oliveira Meirelles e dona Rita 
Cândida Barreto Meirelles, nasceu na cidade de Pelotas, província doRio 
Grande do- Sul, a 3 de setembro de 1830 e fallecea a 11 de dezembro 
de 1872. Cultivou a litteraiura dramática com vantagem e escreveu: 

— A mulher do artista: drama — Ignoro si foi imprenso porque o 
cavalheiro que deu-me estas indicações, nada dlsse-me a esse respeito. 

— A baroneza da Tijuca: drama — Idem. 

— Um homem do século: drama — Idom. 

— Sem titulo: drama —Idem. 

Miguel iRil>eiro I.iiall>oai — Filho do Barão de Japurá, 
Miguel Maria Lisboa, de quem acabo de occupar-me, e da Baroneza 
do mesmo titulo, dona Maria Isabel de Andrade Lisboa, nasceu no Rio 
de Janeiro a 11 de julho de 1847. Fidalgo cavai leiro da casa imperial, 
Gom o eurso da Escola naval, serviu na marinha, militando em toda 
campanha do Paraguay e exercendo commissOes importantes, como a 
de membro da directoria de artilheria, reformou-se tendo o pstoo de 
capitão de fragata, mas com as lionras de capitão de mar o guerra. 
Membro do Instituto polytechnico, de que foi secretario, cavalleiro da 
ordem da Rosa o da do Cruzeiro, condecorado com a medalha da ren- 
dição de Uruguayana, com a da passagem de Humaytá ea da campanha 
citada; escreveu: 

— Viagens pelo Amazonas — Foram publicadas: na Eevista do 
Instituto polytechnico, tomo 8^", pags. 137 e seguintes e depois em vo- 
lume especial. 

«- O aproveitamento do lixo da cidade do Rio de Janeiro na agri- 
cultura e n'outras industrias. Rio de Janeiro, 1889 — O autor desen- 
volveu antes este assumpto perante o Instituto polytechnico. 

BCi^uel do Sacramento I^opes d-ama — Filho do 
dr. João Lopes Cardoso Machado, do quem jc\ me occupei, e dona 
Anua Bernarda do Sacramento Lopes Gama e irmão de Caetano Maria 
Lopes Gama, também comníemorado neste livro, nasceu no Recife 



s. 



I. 



288 MI 

a 29 de setembro de 1791 e ahi falleceu a 9 de dezembro de 1852. 
MoDge benedictino do mosteiro de Olinda, concluindo o noviciado no 
mosteiro da Bahia, onde recebeu ordens sacras e leccionou como lento 
substituto, voltou depois àproTincia natal, em cujo seminário leccionou 
rhetorica, passando depois a leccion:)r essa matéria no coUeg^o das 
artes, sendo jubilado em 1839. Neste anno, tendo de sobrecarregar-se de 
sua família, pediu e obteve breve de secularisação. Nomeado depois 
Yice-director da íkcUldade de direito do Olinda, foi professor de elo- 
quência nacional e litteratura no lyceu do Recife, passaudo mais 
tarde para a cadeira de lingua nacional e por ultimo para a de 
rhetorica, em que era eximio. Foi director do mesmo lyceu e director 
geral dos estudos ; representou a província de Alagoas na sexta 
legislatura, tendo sido deputado â assembléa de Pernambuco por variai 
vezes* Orando philosopho e moralista, distincto orador sagrado, pos- 
suindo todos os dotes da tribuna, era cónego honorário e pregador da 
capella imperial, commendador da ordem de Christo, e membro do In- 
stituto histórico e geographico brasileiro. Escreveu: 

— Oração que no dia 8 de dezembro de 1822, da acclamação do 
sr. d. Pedro I, Imperador do Brasil, na matriz do Corpo Santo recitou, 
ete. Rio de Janeiro, 1823, Upags. in-4<*. 

» Memoria sobre quaes são os meios de ftindar a moral de um povo, 
traduzida do francez, do Conde de Destutt de Tracy. Pernambuco, 1831 • 

— A Columneida: poema heroi-comico em quatro cantos. Pernam- 
buco, 1832 — E' de assumpto politico, e em allusão ao partido da Co- 
lumna. Em resposta escreveu o padre José Marinho Falcão Padilha o 
poema Migueleidi, que nunca foi impresso e consta que seu autor quei- 
mara antes de morrer. Da Columneida faz menção o dr« J. Franklin 
da S. Távora no escripto < Obras de frei Canec i », na Regista Brasileira^ 
tomo 8% 1881, pag. 471. 

— Princípios geraes de economia politica e industrial em forma 
de conversações, por P. H. Suzanue. Traducção. Pernambuco, 1837. 

— Refutação completa da pestilencial doutrina do interesse, pro- 
palada por Hobbes, Holbach, Helvécio, Diderot, J. Bentham e outros 
philosophos sensualistaa e materialistas, ou introduoção aos principies 
de direito politico de Honório Torombert. Traduoção. Pernambuco, 
1837. 

— "^A religião christã demonstrada pela conversão e apostolado de 
S« Paulo por Lyttleton. Traducção. Pernambuco, 1839. 

— Novo curso de philosophia i^digldo segundo o novo programma 
pnra o bacharel em lettras. Traducção do francez, de E. Oeruzez. Per- 
nambuco, 1840 — E* 8eg4inda edição. 



I 



Ml 289 

— A jpharpeUida on principio, meio e fim das fEIbas de Jerusalém, 
com seus visos de poema. Peroamtaco, 1841 •* Foi pablicada sob o 
anonymo. 

— Código Criminal pratico da semi-republíca do Passamão, na Ocea- 
nia, orgarrisado segtíndo os princípios do pro}ecto da ConstitniçSo re- 
pablico-demagogfca do dr. Marche-marcbe. Pernambuco, 1841 — 
Também sob o anonymo. 

— Lições de eloquência nacional. Rio de Janeiro, 1846^, 2 vols. in-8<* 
-i- Segunda ediçSo, Pernambuco, 1851 ; terceira. Rio de Janeiro, 1864, 
todas em 2 vols. Foi compendio de saa aula. 

— Observações criticas sobreo romance do sr. Bugenio Sue o < Judeu 
Errante 1^, Pernambuco, 1850,94 pags. in-8». 

— Vma lição académica sobre a pena de morte, ditada na univer- 
sidade de Piza a 16 de março de 1836 pelo ftimoso professor Carmignani. 
Traduzido do original italiano, etc. Pernambuco, 1850, 95 písigs. in-8o. 

— Dos deveres dos homens: discurso dirigido a um mancebo. Tra- 
duzido do italiano, de Silvio Pellico. Pernambuco, 1852. 

— Economia da vida humma por Roberto Dodsley. Traducção; 
Recife, 1862 — E' segunda edição posthuma. 

-» Selecta clássica para leitura e anal y se grammatical nas escolas 
de instrucçSo elementar e para analyse oratória e poética nas aulas de 
rhetorica ( Segunda edição posthuma). Pernambuco, 1866 — Houve 
mais edlçQes, sendo uma delias a seguinte: 

— Selecta classicai obra approvada pelo governo da provinciá para 
leitura, etc, ordenada pelo padre Miguel do S. Lopes Gama, expur- 
gada e accrescentada pelo padre Ignacio Francisco dos Santos, e nesta 
quinta edição, annotada por H. C. Taylor, professor da escola normal. 
Recife, 1879, 448 pags. in-8« — Lopes Gama redigiu: 

— Diário do Governo, Pernambuco, 1823 - 1825 — Nomeado pela 
junta provisória da província em 1823 director deste jornal, e para 
director da typograpbia nacional em 1824, pediu no anno seguinte 
exoneração deste cargo. 

— O Carapuceiro; periódico sempre moral e sòper acddens poli- 
tico. I^ernambuco, 1832 ( 7 de abril ) a 1847, in-4<' de duas columnas. 
Publicava-se duas vezes por semana com a seguinte épigraphe: 

« Hunc servare modum nostri novere libellí 

Parcere pcrsonis, diceíe de vitiis. » 

Marçal, liv. IO, Ep. 33, seguida da traducção em verso: 
« Guardarei nesta foíba as regras boas. 

Que ô dos viòios fallar, não das pessoas. » 

^ Vol. VI - 19 



290 MI 

Toda esta folha, quasi, é da penna de sea redaotor ; só per accidens 
algum artigo era publicado de outra penna. Muitos artigos foram re- 
produ£ido3 em outros Jornaes e revistas do Império, tão applaudidos 
eram elles. Para dar uma ideia de seu estylo vou citar ao acaso um 
trecho da primeira pagina do primeiro numero de 1837, relativo &s 
modas das senhoras: « As mangas dos vestidos que até agora levavam 
quasi tanto panno como o próprio vestido e tinham o molde de um estô- 
mago de boi, as mangas dos vestidos que eram umas vassouras varre- 
doras o chupadoras de quanto molho vinha á mesa, hoje ( bem hajam os 
caprichos da moda) passaram ao extremo opposto. Hoje são justaa ao 
braço como as jaquetas ; mas, como assim só flcariam mui decompostas 
as taes mangai ealém disso ser^auma intriga para as senhoras que tem 
braoinhos de lagartixa, deram em as enfeitar de tal arte, que parecem 
velas de baptisado rico, que vão cheias de matames, estofados, crespos, 
etc. » Ha muitos escriptos de Lopes Qama, em prosa e em verso, em va* 
rios jornaes, como: 

— Littcratura: serie de artigos —publicados no Diário de Per^ 
nambuco de 8 de junho a 17 de setembro de 1836. 

— TraducçOo da 7* meditação de Lamar tine « Bonaparte». No 
mesmo jornal de 11 de outubro de 1841. 

— O philosopho provinciano na corte á seu compadre na provinda: 
(serie dos artigos) — Na 3/armo/a Fluminense, 1852. Trata-se dos 
usos, costumes, civilisação, litteratura, etc, do Rio de Janeiro. 
Nesta folha publicou um trabalho em prosa com o titulo € A 
mulher e o seu caracter » e varias poesias sob o pseudonymo O 
Solitário. 

— O mal considerável da maior parte dos romances: ( artigos) — 
No Correio Mercantil do Rio de Janeiro, 1859, de 12 de janeiro até 
fevereiro. Ha ainda muitos trabalhos deste autor, como se vê destas 
linhas do erudito cónego Lino de Monte-Carmello dando o devidoapreço 
aos seus escriptos: < O periódico Carapuceiro, a Gaxeta Constitucionais 
as Observações sobre o romance Judêo errante, suas producções poé- 
ticas ao Divino e entre estas — a Supplioa perante a imagem de Jesus* 
Christo, o cântico ao coração de Maria e^outras, perpetuam sua 
gloria. » 

Fr. Miigruel de 6. Fra^ncisco — Natural da cidade 
do Rio de Janeiro e nascido, parece-me, entre os dous últimos quartéis 
do século 17^», foi religioso da ordem seráfica dos franciscanos, professo 
no convento da dita cidade, onde por duas vezes foi provincial. Viajou 



r 



h 



MI 291 

pela Hespanha e Portugal e veia a fallecer em sua pátria no anuo de 
1734. Escreveu: 

— Relação do3 santuários e imagens de Maria Santíssima de todo 
bispado do Rio de Janeiro— Inédita. Fr. Agostinho de Santa Maria 
no sen Santuário Mariano refere-se varias vezes a esta obra, princi-* 
palmente no tomo 10^ pags. 78 e 231. 

Migruel da Silva, I*er eira, — Filho de Virgílio da 
Silva Pereira, nascen em S. Paulo a 2 de julho de 1871, é bacharel em 
lettras pelo Gymnasio nacional, doutor em medicíDa pela faculdade do 
Rio de Janeiro, formado em 1896, assistente da cadeira de clinica 
propedêutica na mesma faculdade e medico da Associação dos empre- 
gados muncipaes. Escreveu: 

— Hematologia tropical, ensaio clinico: these apresentada & facul- 
dade de medicina do Rio de Janeiro a 1 de outubro de 1896 para ser 
sustentada, etc. Rio de Janeiro, 1896, 135 pags. in-4o. 

— Questão' scientiftca a propósito da anemia tropical. Rio de Ja- 
neiro...— com o dr. Almeida de Magalhães. A este propósito publica 
ama folha desta capital: «Em 1890 o dr. Miguel Pereira publicou 
nm ensaio clinico, intitulado Hematologia Tropical. O trabalho foi ge- 
ralmente louvado pelo pequeníssimo numero dos que se podem entre 
nós considerar competentes em questões d'essa natureza experimental. 
O dr. Álvaro Paulino entendeu, no emtanto, fazer alguns reparos, al- 
gumas contestações. Pelo autor, -então ausente, respondeu o dr. 
Almeida Magalhães. E entre elle e o redactor das Conversas Medicas 
travou-se uma polemica scientiâca. Ao publicar agora em volume os 
artigos d'aquella secção, o dr. Álvaro Paulino reproduziu apenas os 
seus, sem dar igualmente o do seu contradictor. B' contra isto que 
protestam os drs. Magalhães e Miguel Pereira, que no folheto, 
que acabam de fazer sahir, reproduzem a seguir tanto os artigos seus, 
como os do dr. Álvaro Paulino. » 

— Sobre um caso indiagnosticavel. Ansurisma sacciforme da 
porção descendente do arco aórtico: communicação feita à Academia 
nacional de medicina na sessão de 1 de setembro de 1898. 

— Memoria sobre um caso de paralysia labio-glosso*1aryfigea* 
Rio] de Janeiro, 1899— Este trabalho foi publicado antes no Brasil 
Medico, 

2l£l^ael de Souza, fiorgreei I^eal Oastello 

Aira^xieo — Filho do coronel Livio Lopes Castello Branco e Silva, 
am dos chefes da revolução dos Balaios, de dezembro de 1838, de quem 



\ 



292 Ml 

já me occapei, e dona Barbara Maria de Jesus Castello Branco, nascea 
a 15 de junho de 1836 na villa de Santo António de Campo Maior, no 
Piauliy, e na cidade de Tlieresina íalleceu a 22 de abril de 1887, pri« 
vado da vista e até dos movimentos, em estado martyrisante e penoso. 
Jà em sua adolescência íncommodos de saúde o privaram de proseguir 
nos estados que encetara em Pernambuco. Serviu no íunccionalismo 
publico e ítindou o collegio Nossa Senhora das Dores. Espirito inves- 
tigador e tenaz, deú-se ao estudo da historia e da vida dos alhos 
Alais illustres de sua pátria. Escreveu: 

— ApontimerUos biographieos de alguns piauhyenses illustres e 
de outras pessoas notáveis que occuparanEi cargos de importância na 
provinda do Piauhy. !■ serie. Theresina, 1878, 174 pags. in-8«. 

— Apontamentos para a synopse da província do P)atflry. There- 
sina. 

— Guta dos argumentadores nas escolas primaria,^ ou nova ta- 
bòa;âa para os meninos que frequentam ais escolas dê primeiras lettras: 
pròducçSo de nm piaohyense. Nova edíçSo correcta ó augmèntada* 
f heresina, 32 pags. in-S®. 

•— Manual do Quarda nacional, contendo a lei de 10 de setembro 
de 1873 e o regulamento de 21 de março de 1874. Theresina. 

^ Novissima reforma eleitoral. Decretou. 3029 de 9 de jan^ò 
de 1881. Theresina, 50 pags. in-8°. 

-» A reparação de nma clamorosa injustiça. A demts^ ê rein- 
tegração do procurador fiscal do theiíouro provincial do Piauhy, Mígctel 
de Souza Borges Leal Castello Branco. Theresina, I8â3í,* 26 pájfs. 
in*8«. 

— Almanak piauhyense para o anno de 1879, contendo um formu- 
lário para 03 processos que devem correr perante os juizes de paz. 
Theresina, in-8o. 

— - Almanak piauhyense para o auBO de 1880 oointei»io atf aCtrh- 
buições para a boa execução da l^i bypotheoaríA e respectivo ilegal»- 
mento e um grande uamero de doctunentos Mfltericoff rètetrvcá & pro- 
víncia do Piauhy. Theresina, in-8^. 

— Almanak plauhyense para o anno de 1881, contendo o íto^O 
systema métrico decimal e muitos apontamentos para a chrouica piaa* 
byense. Theresióa, in-8<»< 

-^ Almanak piauhy 3 nse pdiVÁ o anno de 1883, contendo, aíémi de 
otrtías íítibíicaçOes, a descíipçSo dá cidade de Theresina, a relação no* 



MI 293 

■ 

xuinal do eleitorado do Piauhy, continuação da clironica piauhyense^ etc. 
Theresina, íq-8^— Castello Branco redigiu: 

— Revista Mensal: pi;ibUcaç&o dedicada ao commerciQ4ÍLa provinoia 
do Piahuy. Theresina, 18741879, in-4». 

Migruel de SouMk ]Ml|&Uo e ^lv|m — Filbo d^ Aq- 
toiÚQ de So^za Mello e Alvim, seniior dos morgado$ d0 Maia, Cadaval 
e Pain)^ e doua Maria Barbara da Silva nasceu em Portugal a 
9 de lú^TQO de 1784 e falleceu eldadâo brasileiro pela conslituiçio dp 
Império a 8 de outubro de 18Ô6. Bm Portugal C99 o curso da %cad^aua 
de jjAarjnba e servia na armada até 1807| anno em que veiu para o 
Brasil. Reformado no elevado posto de chefe de esquadra, prestou ainda 
muitos e relevantes serviços i pátria adoptiva, tendo sido ministro da 
marinha em 1828 e presidente de Santa Catbarina e 8, Paulo. Tinha 
profundos conhecimentos das sciencias mathematicas e da historia, era 
versado em varias linguas ; cultivou a poesia desde muito joven ; era 
conselheiro de estado, grande dignitário da ordem da Rosa, commen- 
dador da deS. Bentp de Aviz e das or4ens portuguezas da Conceição 
de Yilla-Yiçosa, e de Santiago da Torre e Espada ; sócio do Instituto 
histórico e geographico brasil wo, etc. Deixou grande somma de 

— Poesias inéditas, de que sua familia ô depositaria, e public^a, 
talve^E «pmente^ 

— Ode pindariea aos faustissimos recentes successos de Portugal, 
oflieredda ao priocipe regente, etc. Rio de Janeiro, 1811, 8 pags. in-4« 
— A dedicatória é datada da Bahia 11 de julho de 1811* 

Migr^^ ^e GDeive e JLirg^ollo^ Pilho do tenente- 
coronel Miguel de Teive e ArgoUo, um dos bravos que combateram 
contra as forças do general Madeira nos campos do Pirajà para nossa 
independência, e dona Maria Murta de Argolio Pina e Mello, e des- 
cendente da nobilíssima e antiga familia Arguello, da Hespanha, nasceu 
]ia cidade da Bahia a 10 de maio de 1851. Engenheiro civil pelo In- 
stituto polytechnioo Rensselaer, do estado de New York, onde obteve 
honras e demonstrações de apreço, de volta ao Brasil tem sido encar- 
regado de numerosas e importantes commissOes de engenharia, desde a 
estrada de ferro Sorocabana de S. Paulo, do norte ao sul do Brasil, mere- 
cendo em taes serviços applausos e elogios do próprio governo do es- 
tado. E' engenheiro director da estrada de ferro do S. Francisco, co- 
ronel hotiorario do exercito, commandante superior da guarda nacional, 
eommendador da ordem da Rosa, membro da sociedade Americana de 
engenheiros civis, do Instituto de engenheiros de Londres, da Asso- 



204 MI 

ciação de Graduados do Instituto polytechnico Renssdlaer, do club de 
eDgenharia do Rio de Janeiro, do Instítato polytechnico da Bahia, do 
Instituto geograpliico e histórico eda Associaç&o commereial dameema 
cidade. Escreveu: 

^ Formulário do engenheiro: resumo do8 prinçipaes conheci- 
mentos do engenheiro architecto e mechanico, etc. Rio de Janeiro, 1875, 
232 pags. in-S*" — em forma de carteira, Síio conhecimentos extra- 
hidos dos melhores autores, como Weisbach, Ranlcine, Regnaolt, 
Layoisier, Hodkinson, etc, o compendiados pela experiência do «ntor, 
segundo as applicaçOes especiaes em nosso paiz. 

~~ Viação férrea áoNoTie de Minas. Rio de Janeiro, 1878,39 pags. 
in-4». 

— Caciern^ra de campo. Rio de Janeiro, 1878, in-8« — E* um tra- 
balho instructivo sobre ferro-vias. 

— Memoria descriptiva sobre a estrada de ferro Bahia o Minas. 
Rio de Janeiro, 1883, 207 pags. in-8«. 

— Informação sobre o arrendamento das estradas de ferro, per- 
tencentes k União. Resposta á, consulta que lhe foi dirigida, etc. Bahia, 
1896, 96 pags. in*8<» — £' um luminoso trabalho apresentado ao go- 
verno federal contra o arrendamento de taes vias de communicacao e 
transportes. 

-~ Refutação feita em artigos publicados no Jornal do Commercio 
de 15, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25 e 27 de dezembro de 1885 e de 
5 e 6 de Janeiro de 1886, do parecer do engenheiro chefe do prolonga- 
mento da estrada de ferro D. Pedro 11 sobre a reducçfio da bitola desiê 
prolongamento. Bahia, 1889, 98 pags. in-8\ 

— Relatório do anno de 1891 do prolongamento da estrada de ferro 
da Bahia. Bahia, 1892, 105 pags. in-4o. 

— Regulamento interno e instrucçOes para os empregados da es- 
trada de ferro da Bahia ao S. Francisco. Bahia, 1893, 450 pags. iu-S*. 

— Insti^ucções regulamentares e tarifas do prolongamento da 
estrada de ferro da Bahia. 25 pags. in-8<>. 

.— Resposta ao questionário da 5^ seoQão do Congresso internacional 
dos caminhos de ferro. Rio de Janeiro, 1896, 70 pags. in-8«. 

— Estrada de ferro de S. Francisco. Relatório do anno de 1897, 
apresentado ao Exm. Sr. Ministro da Industria, Viação e Obras Pu- 
blicas, publicado com o art. 128 do regulamento approvado pelo 
decreto n. 2334 de 31 de agosto de 1896. Bahia, 1898, 178 pags. e um 
appendice de XXIK pags. in-fol. e muitos mappas. 

— > Estrada da ferro de S. Francisco. Relatório do anno de 1898, 
apresentado, etc. Bahia, 1899, 158 pags. in-4\ 



i 



MI 295 

— Plania cadastral da cidade do Rio de Janeiro até os limites da 
demarcação feita em 1830 sob a direcção da commissSo nomeada em 12 
de novembro de 1878 pelo Ministério da Fazenda. 

— Mtppa do Estado da Bahia. 

Migruel T?eijcetrcà da Silva. Sai^mento — Nascido 
na oapital do Espirito Santo e ahi professor jubilado da instraoQão pri« 
inaria, foi deputado provincial, e falleoeu a 21 de abril de 1892. Es- 
creveu: 

^ Compendio do systema métrico. Yictoria, 186*. 

~ Licções de orthographia nacional. Victoria, 1871. 

Mig^uel Xli.oiiia.aE Pessoa; ~ Nascido na província do 
Espirito Santo em 1840, falleceu a 19 de dezembro de 1876 em Itajahy, 
província de Santa Cátharina, onde exercia o cargo de juiz municipal, 
sendo bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de São 
Paulo. Foi um talento robusto e tinha uma memoria tão admirável, 
que repetia paginas inteiras de qualquer livro que uma vez houvesse 
lido e citava leis, decretos, avisos e factos escriptos indicando os nú- 
meros, datas, capítulos, artigos, paragraphose paginas respectivas. 
Escreveu: 

— Manwil do elemento sercily contendo a legislação respectiva, 
numerosas notas e formulários para as causas de liberdade, de verifi- 
cação do abandono do escravo, o processo do arbitramento, etc. Rio de 
Janeiro, 1875, 474 pags. in-8». 

-~ Biographia de Josô Marcellino Pereira de Vasconcellos. Rio de 
Janeiro, 43 pags. in-8'* — E' uma reproduoção do Espirito Santense de 
janeiro deste anno. Das obras do fecundo J. M. Pereira de Vascon- 
cellos fez o dr. Pessoa algumas edições posthumas, sendo: 

.— Nova, guia theorica e pratica dos juizes municipaes e de orphãos 
ou compendio, etc., de J. M. P. de Vasconcellos ; 3^ edição, melhorada 
e consideravelmente augmentada de conformidade com a novíssima 
legislação, por Miguel Thomaz Pessoa. Rio de Janeiro, 2 tomos n*um 
vol. de 98Ô pags. in-8*. 

— Roteiro dos delegados e subdelegados de policia, etc., por J. M. P. 
de Va83onc3llos, 5* edição, novamente revista e accrescentada sobre a 
quarta por Miguel Thomaz PessAa. Rio de Janeiro, in-8«. 

— Código criminal do Império do Brasil, annotado, etc, 3« edição 
rdvista, annotada e augmentada com a legislação respectiva até o pre- 
mai» pelo bacharel Miguel Thomaz Pessoa. Rio de Janeiro, 202 pags. 
)n-8* — Est^ livro foi em 1847 publicado por Josino do Nascimento e 



296 MI 

Silva ; foi dada a 2' edição era 1857 com açcrescimo por J. MateelliDo 
Pereira de Yasconcellos ; depois, noya edicao augmentada e com p cal- 
culo das penas em {odos os grào9 em 1862 com 384 pags. ia-S^". Por- 
tanto a edição de Miguel Pessoa yem a ser a 4' ( Veja-se Josino do 
Nascimento e Silva). O major Basillo de Carvalho Daemon na sua His- 
toria ctironologica ()a p^ovipoia do Espirito Sapto, pag. 43?, |di; que o 
dr. PessOa escreveu mais obr^, copo: 

— Roteiro das relações 

— Formulário dos trabalhos das juntas parochiaes e municipaes — 
que é provavelmente uma edição posthuma do cita<lo Pereira de Vascon- 
cellos. Diz mais que elle tinha um trabalho intitulado Coc^t^o ctot7; 
que coUaborou no Repertório das leis e regulamentos provinciaes, de 
que este autor foi encarregado pela presidência do Espirito Santo e que 
emflm, tinha bastante adiantados os apontamentos da Historia da pro- 
víncia, os quaes não sabe como foram parar ãs mãos do dr. Cezar 
Marques que faz delia menção em seu Diccionario histórico e geogra- 
phico do Espirito Santo. 

4 

Migruel Vieira l^erreira —Filho do tenente-coronel 

Fernando Luiz Ferreira e irmão de Luiz Vieira Ferreir.i, já mencionados 

• « • 

neste livro, nasceu na cidade de S. Luiz, capital do Maranhão, a 10 de 
dezembro de 1837 e falleceu na cidade do Rio de Janeiro a 20 dê se- 
tembrode 1895, doutor em sciencias physicAs e mathematiças pela es- 
cola central, coronel honorário do exercito e pastor daegreja evan- 
gélica brasileira. Com jJraça no exercito e snido segundo tenente do 
corpo de engenheiros, serviu no laboratório astronómico da corte e na 
commissão de limites com o Perú, e deixando a carreira militar foi pro- 
prietário e dirií2:iu' na província de seu nascimento a fabrica a vapor 
de tijolos de Itapecurahíba, quo pouco depois deixou por não ser feliz 
nesta empreza. Fez parte de algumas associações de sciencias e lettras, 
foi um dos signatários do manifesto republicano de 1870 e escreveu: 

— Ensaios sobre a philosophia natural ou estudos cosmologlcos. 
Rio de Janeiro, 18Ô1, 83 pags. in-S*' com uma estampa. 

— Dados os mommentos de Júpiter e de Saturno ou de outro qual- 
quer systema dual de planetas, ou a Terra e seu satellite, determinara 
curva que é o logar geométrico dos pontos egual mente attrahidos dos 
dous planetas e discutira natureza desta curva. Imaginando depois um 
ponto material sujeito, ir descreveUa e determinar as circumstancias 
de seu movimento. Examinar quaes as vantagens ou inconvenientes 
chimicos de Gerhardt sobre o systema ordinariamente seguido: theso 



j 



9fl 207 

apresentada ao Conselbo de instrucção i^ Escola Central, etc. ^\o de 
Jaji.eiro, 1862, m-4o. 

— A questão anglo-prasileira . Opúsculo, etc* Bio de Janeiro, 1863, 
58 pags. in-S^ — Rofere-ae 4 Quentão Chris.tie. 

* Companhia de navegaçSo a vapor do Maranhão. Honra ao tra- 
balho i MaranbSo, 1865, 1 â. iofol.— s:ra o autor njefis^ occji^iãoo 
gerente da companhia. 

— Reflexões acerca do progresso material da prpyinci^ do Mara- 
nhão. MarpkUhSo, 1866, 140 pags. in-á^" — Divide-se o liyro em duas 
partes; na primeira se fazem considerações sobre o trabalho e difflcul- 
dades qae se oppoem á industria ; na segunda sobre o que se tem 
feito para promover nosso progresso material . 

— A passagem do rio Paraná. A coramissão de engenheiros do 
primeiro corpo do exercito na campanha do Paraguay. 

— Manifesto republicano de 1870, seguido de alguqsf aponta- 
mentos. 

— Escol í d^ povo. Cursos livres. Conferencias feitas pelo dr. etc. 
Rio de Janeiro, 1873, 2 partes ou volumes — Na primeira se ac)ia o dis- 
curso pronunciado na abertura da escola do povo. 

— Estudo sobre a exposição nacional de 1873. Rio de Janeiro, 1873, 
32 pags. in-12\ 

— Do futuro dos povos catholicos no Brasil. Estudo de economia 
social por Emílio Laveleye, traduzido do francez, etc. Rio de Janeiro, 
187Õ, 53 pags. in-4«. 

~ Profissão de fó dos velhos catholicos na AUemanha, elucidada 
na carta pastoral. Vertida em portuguez, etc. Rio de Janeiro, in-4^. 

— Discurso proferido a 20 do janeiro de 1890, por occasião da 
reunião de maranhenses convocados» etc. para tratarem de interesses 
do Estado do Maranhão. ( Rio de Janeiro, 1890 ) 8 pags. in'8^ 

— Liberdade de consciência e o Christo no jury. Querella contra 
o juiz promotor que funccionara na 4^ sessão ordinária do jury desta 
capital. Rio de Janeiro, 1891 . 

— Liberdade de consciência. O Christo no jury. Rio de Janeiro, 
1891 — Neste opúsculo e no precedente, o autor como pastor da 
egreja evangélica brasileira requisita que seja retirada da sala do 
jury a imagem de Cliristo cruciâcado, que ahi sempre existiu. Ainda 
sobre este assumpto publicou vários artigos no Jornal do Commercio, 
Com effdito, tudo se poz em pratica para conseguir esse resultado, até 
o acto de vandalismo contra a imagem de Christo na Intendência mu- 
nicipal em março de 1891, facto que foi censurado por toda população 
desta capital sem distincção de crenças* 



2d8 MI 

— Diccionario geographico elementar, contendo explicações sobre 
todos os legares mencionados no No70 Testamento por B. O. Gooper. 
Vertido para o portuguez, etc. Rio de Janeiro. 

O dr. Vieira Ferreira escreveu em revistas algans trabalhos 
como: 

— Ijavoura do Maranhão — Na Revista Popular. Rio de Janeiro, 
tomo 12% 1861, pags. 140 e sogs.^ Redigiu com seu pae e com seas 
irmãos Luiz e Joaquim Vieira Ferreira : 

» O Artista : jornal dedicado à industria e principalmente ás 
artes.. Marantião, 1867-1868, in-fol. — Foi nm dos redactores do 

— Liberal. Maranhfto, 1863, com o dr. António Jansen de Mattos 
Pereira — O 1<* numero sahiu a 1 de setembro — Redigiu mais: 

— A Republica, Propriedade do Club republicano. Rio de Janeiro, 
1870-1874, 8 vols. in-fol. -* Terminou esta publicação a 15 de feve- 
reiro deste ultimo anno. 

IMCisael Feri*eiirai Penna. « Nasceu em Minas Geraes 
pelo anuo de 1850 e faileceu no Rio de Janeiro a 18 de outubro de 
1881, estrangulando-se com um baraço de corda presa a uma tra^e do 
quarto de banho da casa em que residia, por haver desapparecido o 
caixa de seu estabelecimento commercial, levando avultadas sommas, 
e em consequência disto ter de sobrevir uma fallencia deshonesta, à 
qual preferia a morte, como lê-se n*uma carta que elle deixara á Po- 
licia. Bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, foi deputado & 
assemblóa provincial do Espirito Santo nas duas legislaturas de 1872 a 
1875. Nesta província fez sua primeira educação litteraria e esteve na 
casa commercial de seu pae antes de seguir o curso e depois serviu 
cargos de magistratura, sendo mais tarde advogado nos auditórios da 
corte. Escreveu : 

— O presente e o fMíuro da província do Espirito Santo: conferencia 
celebrada no edifício das escolas da Gloria, do Rio de Janeiro, em o 
dia 12 de novembro de 1874. Rio de Janeiro, 1875, a4 pags. in-8«. 

— Historia da província do Espirito Santo. Rio de Janeiro, 1878, 
140 pags. in-8' e mais 73 de um appendice — Esta obra, que ó offe- 
recida ao Imperador, divide-se em duas partes : a primeira] [compre- 
hende a épooa dos donatários, de 1534 a 1718 ; a segunda a dos capl- 
tSes-móres e governadores, de 1718 a 182^. O Appendice oontém 
documentos históricos. 

— Promptuario alphabetico da reforma judiciaria, organisado com 
todos os avisos do governo, lei9 respectivas e formularmos das acçõaf 



i 



j 



IMÍXJ 299 

eiveis dessa reforma. Rio de Janeiro, 1880, in-S'' — Divide-se em daas 
partes : expositiva e pratica. 

— O quadro negro. . . Rio de Janeiro (?)...— Nâo pude ver este 
trabalho. Sdi, entretanto, que ó um opúsculo de critica e que em res- 
posta escreveu Francisco Rodrigues Barcellos Freire nm poema com 
o titulo Quadro escuro. Ck)lIaborou no periódico € A Academia de 
S, Paulo, órgão dos estudantes de S. Paulo > e no Estandarte^ do 
Espirito Santo, com artigos de jurisprudência e economia politica. 

Misael da; iSilveira A.iuara/1 — Filho de Caetano da 
Silveira Amaral, nasceu na antiga provinda de Alagoas a lô de de- 
zembro de 1819; era bacharel em sciencias jurídicas e sociaes e tendo 
seguido a magistratura, falleceu no Rio Grande do Sul pelo anno de 
1875. Cui*sava o i^ anno juridIco*no Recife, quando escreveu: 

— Sepultura ecclesiastiea: serie de artigos •— publicados na Op»- 
niõo Nacional de Pernambuco a propósito de ser negada ao general 
Jisé Igaacio de Abreu e Lima sepultura em terreno sagrado. Sahiu o 
primeiro artigo em 14 de abril e o ultimo a 28 de maio de 18Ô9. 

— A tfigutWpAd — Na mesma folha, ns. da 21 a 23 de julho 
d 3 1869. 

Modesto de Faria Bello — Nascido na cidade de For* 
migatcm Min\s Geraes, a 4 de agosto de 1834, formou-se em enge*« 
nbaria civil na antiga esoDla central do Rio de Janeiro, foi deputado 
provincial e engenheiro da provinda. Escreveu : 

^ Quadro das distancias entre as sedes dos municipios de Minas- 
Oeraes. Ouro Preto, 1864, 36 pags. in-fol. 

Miodesto de Paiva — Natural de Minas Geraes, creio 
que de S. João d'El-Rei, onde reside, é poeta e escreveu : 

— Noiteu de insomnia : poesias. Rio de Janeiro, 1892, in-8« — E' ^ 
precedido este livro de uma noticia biographica do autor por Lafay- 
ette de Toledo. 

Muoio Firanlcllii. — Natural da Bahia — E' somente o 
que sei a seu respeito. Applica-se ao estudo das fontes d3 riquessa de 
sua pátria e escreveu : 

— Brews ctmsiderações sobre ocommerolo e a industria do Brasil. 
Bahia, 1879, in-4». 



300 MU 

Muoio Sooevola. I^opes rTeixeiíra — PI|ho do te< 

nente-ooronel de engenheiros Manoel Lopes Teixeira e dona Maria José 
de Sampaio Ribeiro Teixeira, nascea a 13 de setembro de 1858 jem Porto 
Alegre, caj[>ital do Rio Grande do Sul. Dlstincto litterato, inspirado 
poeta e antigo jornali3ta> bastante tem contribuido pai*a o enriqueci- 
mento das lettras brasileiras com a publicação de trabalhos de sabido 
valor, muitos dos qaaes com três e quatpo ediç5es já esgotadas. Algumas 
de soas obras foram vertidas para o francez, castelhano, ioglez e itj^Uipjo 
e actualmente a casa Garnier está fazendo em Pariz ama edição com- 
pleta dos se,us livros. Gomo funpcionario publico, foi secretario da 
presidência do ^pirito-Santo em 1880 e, annos depois, cônsul geral do 
Brasil nos Estados- Unidos de Venezuela, cargo que abandonou assim 
q.ue teve noticia da proclamação do actual regimen politico ; pois, 
embora em todos os seus trabalhos litterarios tivesse cantado o ijiteal 
republicano, era amigo particular do Imperador Pedro II, em ci^o pa- 
lácio residira, como hospede, de 1885 a 1888, querendo por este modo 
dar um publico testemunho de gratidão ao seu desventurado protector. 
Regressando ao Brasil em 1890, foi eleito presidente do Banco Brasi- 
leiro, permaneceu no Rio Grande do Sul durante toda a revoluçM 
federalista, transferindo sua residência para a Bahia em 1896, onde foi 
director da redacção dos debates da assembléa estadoal. Em Ana da 
1899 voltou de novo para o Rio de Janeiro, de cuja imprensa continua 
a sor um dos mais esforçados lutadores. E' oondeoorado com áirarsaa 
ordens nacionaes e estrangeiras, eommendador da ordem do libertador 
Simão Bolívar, membro de vários institutos scientiâcos e littecarios de 
differentes paizes e sócio titular do Lyceu de artes e offloíOB do Rio de 
Janeiro. Escreveu: 

— Vozes tremulis: versos dos quinze annos. Porto AljBgre, 1873, 
212 pags. 

— VioUtas; poesias lyricas. Porto Alegre, 1875, 200 pags. la-8" — 
Teve segunda edição em 1876. 

— Sombras e clarões ; versos dos vinte annos. Porto Alegre, 1877, 
296 pags. in-8«. 

— Flor de um dia: drama em verso, traduzido de Camprodom, em 
três actos e um prologo. Rio de Janeiro, 1879. 

— O inferno politico : poema em sete cantos. Rio de Janeiro, 1880. 

— Novos ideaes : poesias. Rio de Janeiro, 1880, 310 pags. in-8'. 
Tem segunda edição de 1891 , 1 vol. de 439 pags.,e terceira do mesmo 
anno, todas esgotadas. 

— Cérebro e coração: poema em doze cantos. Rio de Janeiro, 
1880, in-8% 



j 



MtJ 301 

— Fausto e Mirgaridãj imitação de Goethe : poema dramático em 
14 scenas. Porto Alegre, 1878. Teve seganda edição em Í881 ; terceira 
em 1883 e qaarta em 1891, todas do Rio de Janeiro. 

— Calàbar : poema brazileiro, publicado na Revista do Parihenon 
Litterario, Rio de Janeiro, 188*. 

^ O que Sé não pôde dizer: drama em três actoâ de Echegaray, 
traduzido, elc,'^'í^9, Gazeta Universal de 12 de outubro de 1884 em 
diante. 

» 

•* Prismas e Vibrações : versos. Rio de Janeiro, 1882, in-8^. 

— Hugonianas : collecção de poesias de Victor Hugo» traduzidas 
por Tarios autores uacionaes e precedidas da biographia do meâtre, 
por, etc. Rio de Janeiro, 1885, in-8''. Neste fnesmo anno foi tirada 
segunda edição. 

— Poesias e Poemas. Rio de Janeiro, 1888, 256 ^ags. rn-8*^ com o 
retrato do anior. Teve segnnda edição neste mesmo anno. 

— O tribuno-rei i poema heroi-comico — E* uma satyrá contra 
alto personagem do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 1880. Teve se* 
^unda edição em 1881 de Pelotas e terceira em 1883 também dé Porto 
Alegre. 

— O Girafa i satyra. Porto-AIegre, 189o; I voL de 12Ô pags. 

— Lous edifícios: poesia. Rio de Janeiro, 1886, in-8<* — E' offere- 
cida ao seu amigo Bethencourt da Silva. 

— João Caetano : poesia expressamente escripta para ser recitada 
pela eximia actriz brasileira D. Clementina Julieta dos Santos no grande 
festival á memoria do actor brasileiro. Rio de Janeiro, 1885, 7 pags. 
in-8». 

— Contos em cantos : lendas e poemas, Porto-Alegre, 1889. 

— Intermédio lyrico : poema de H. Heine, publicado na Gazeta da 
Noite. Rio de Janeiro, 1879. 

— Os Minuanos: poema selvagem. Pelotas, 1882. 

^-Eymno da pacificação do Rio Grande do Sal. Ao benemérito 
general Galvão de Queiroz — No Jornal do Brasil de 25 de dezembro 
de 1895, posto em musica pelo Dr. Cardoso de Menezes. 

— Poetas do Brasil. Porto-Alegre, 1895. São seis volumes, dos 
qaaes apenas está publicado este primeiro. 

— A revolução do Rio Grande do Sul. Porto-Alegre, 1895. 

— Memorias do passado : paginas intimas. Viotoria, 1881. 

— A eanôa da escravidão: satyra politica. Rio de Janeiro. Teve 
quatro edições, todas de 1883. 

— O sobrinho pelo tio: comedia em três actos, publicada em 
folhetins no Rio Grandense, Porto-Alegre, 1878. 



1/" 



302 MU 

"^ » Uma paixão: drama em cinco actos. Victoria^ 1882. 

— O Farrapo: drama histórico em oiooo actoB, levado & scena no 
theatro S. Pedro de Porto-Alegre em 1876. 

— O filho do banqueiro: drama em cinco actos, representado oo 
\ theatro S. Pddro de Porto*Alegre em 1876. 

— Un auo en Venezuela: prosa. Caracas, 1889, 1 vol. de 562 pags. 

— Semblansas Venezolanas. Caracas, 1889, 1 yoI. de 126 pags. 

— La administracion dei doctor Juan Pablo Rojas Paul. Caracas, 
1889, 1 vol. de 120 pags. 

— Brasiletias y Lusitanas: poesias. Caracas, 1889, 1 vol. de 280 
pags. 

— Celajet : poesias. Caracas, 1889, 1 vol. de 498 pags. 

-^ Montalvo: drama em três actos representado no theatro Poly- 
/ theama da Bahia em 1898. 

— Rimas de Montal^o: versos humoristicos. Biliia, 1897, 1 vol. do 
150 pags. 

« Cfiimica conjugal: comedia em verso. Bahia, 1897. 

— Trophéos: poesias. No prelo. 

— CapricTws de mulher: poema chinez. No prelo. 

— Brasas e cinzas: últimos versos. Jaeáito. 

V ^ Vera-Cruz: poema da descoberta do Brasil. Inédito —Como 
jornalista escreveu folhetins no 

— Jornal do Commercio. Rio de Janeiro, 1880-1882. Fandoa e re- 
digiu: 

— Revista Liiteraria. Rio de Janeiro, 1884. 

— Revista do Novo Mundo. Rio de Janeiro, 1890-1891. Redigiu: 

— Cinzeiro. Rio de Janeiro, 1882-1883. 

— Familia Maçónica. Porto-Alegre, 1894-1895. 

— Mercantil. Porto-Alegre. 1895. 

— Bahia. Bahia, 1896. 

-— Cidade do Bem: revista de sciencia, lettras e artes, orgio da 
Villa Operaria de Luiz Tarquinio. Bahia, 1899. 



w 






IVA 303 



N 



!Nctl>or GairneixTo Bezerra. OctT-alcante — 

Filho de José Joaquim Bezerra Cavalcante e irmão do antigo deputado 
pelo Rio Grande do Norte, o doutor Amaro Carneiro Bezerra Caval- 
cante, e nascido em Pernambuco a 22 de agosto de 18E7, falleoeu a 15 
de setembro de 1883, sendo bacharel em sciencias sociaes e jurídicas, 
formado em 1852 pela academia de Olinda, advogado no foro do Re- 
cife, etc. Escreveu: 

— A regeneração e a reforma. Recife, 1866, 117 pags. in-4». 

— Direito eleitoral moderno. Systema proporcional, sua applicação 
por gráos e reivindicação de sua autoria. Pernambuco, 1872, 198 pags. 
ÍQ.40 . Creio que ó a mesma obra de que apenas tenho noticia por um 
amigo que já é dos mortos, isto é : 

— Systema proporcional por gráos sobre a eleição. Recife, 1872 — 
Sobre esse assumpto fez o autor constante estudo, dirigindo ao senado 
na legislatura de 1880 em forma de petição um projecto de reforma 
eleitoral e publicando mais : 

— Reforma eleitoral : serie de artigos — que foram publicados na 
Gazeta de Noticias em 1880, no8 quaes se propõe que as minorias 
tenham assento na representação nacional. 

!>• INai^oiasa jf^malia dle Oampos — Filha de Joa- 
quim Jayme de Campos e dona Narciza Ignacia de Campos, nasceu na 
cidade de S. João da Barra, Rio de Janeiro, a 3 de abril de 1852. Fez 
sua educação litteraria com seu pae, que se dera ao magistério por 
occasuU) de sahir de Minas Oeraes, sua pátria, em consequência de po- 
litica. Intelligencia brilhante, deo-se desde sua infância ao cultivo 
das lettras e particularmente da poesia. B' sócia honorária da antiga 
sociedade Ensaios litterarios, cuja directoria lhe offereceu um livro 
em branco para que dona Narciza ahi escrevesse uma poesia sua 
e oocupa uma cadeira de instrucção primaria nesta capital. Es- 
creveu : 

-^Nebulosas. Rio de Janeiro, 1872, in-8® — E* um volume de 
versos, em que transpareça e se admira, não só a delicadeza do senti- 
mento, como também o génio, o gosto com que cultiva a poesia. O 
Jornal Novo Mundo^ dando deste livro noticia no tomo 3^, pag. 92, faz 
menção das composições de títulos Amarguras, Sadness e Itatyaia. 



304 IS^V 

•* i4* sociedade Ensaios litterarios. Rio de Janeiro, 1874 — B'a 
poesia que foi escripta no livro a que me referi. 

— O romance da mulher que amou, pela princeza de. . . , commen- 
tado por Arsòae Houssaye: versão, etc. Rio de Janeiro, 1877, 239 
pags. in-8^. 

-^ Nelumbiai lenda asiática — No periódico a Lm, de Campos, 
1874. 

— Miragem : poesia de oitenta versos octosyllabos — No Ec^o 
Americano de 29 de março de 1872, pag. 405. 

— A mulher do século XIK ( trabalho em prosa ) — No Democra- 
thema commemorativo do Lyceu de artes e oíllcíos. Rio de Jtfneiro^ 
1882, pags. 31 a 35. 

1>. No/rclsa Vf liar — Sinto nSo poder dar noticias suas, 
porque só a conheço pelo seu trabalho, que ntinca vi: 

— Legenda do tempo colonial pela independência do Ypiranga, 
Rio de Janeiro, 1859, in-8°. 

Narciíâo :^lgrticrasi on ]VarcIi80 A^atoniioi Fl- 
g^ueras Olrlbal — Filho de António Figueras e dona Glaudioa 
Figueras, nasceu em Qerona, na Hespanha, a 27 de outubro de 1854» 
é cidadSo brasileiro naturalisado em 1883. Bacharel em bellas lettras 
e professor de calligrapbia da escola Normal desta capital. Foi director 
e fundador do l*' coUegio modelo — Instituto artístico ^ e professor 
de outros estabelecimentos. Escreveu: 

— Tratado theorico-pratico de calligrapbia moderna. Rio de Ja- 
neiro 1898.— Este trabalho foi recebido pela imprensa com os mais 
lisongeiros conceitos. O Jornal do BraHl de 7 de março de 1898, tra- 
tando minuciosamente deste livro, afflrma que sobre o assumpto ô a 
obra mais completa, que até hoje se tem publicado. 

— Resumo pedagógico elementar do tratado theorico-prático de 
calligrapbia moderna. Rio de Janeiro, 1898, in-4\ 

— Desenho linear de figura e calligraphia. Rio de Janeiro — 
Este ultimo tem sido publicado em cadernos que attingem ao numero 
de 611.000 exemplares em nove edições I 

Narciso «Tose da Ckxsta '— Filho do cirurgião«mór 
Joaquim Josó da Gosta, nSo sei onde nasceu, nem tenho a seu respeito 
outra noticia, senão que foi poeta. De suas poesias só conheço as que 
se seguem, publicadas no < Mosaico poético, poesias brasileiras» antigas 



NE 305 

e modernas, acompanhadas de notas, etc. » por Emilio Adet e Joaqaím 
Norberto : 

— Aos manes de mea pai» o Sr. cirurgião*mór Joaquim Josô da 
GoBta — pag. 58. 

— A' Ul."^ Sr\ D. Francis3a Luiza Soares : ode — pags. 131 e 

— A minha estrella: ode — pags. 145 e 14Ô. 

— Ao meuamigoj o Sr. Luiz Ferreira de Abreu: ode-» pags. 161 
e 16?. 

Nelson Ooelli.o de S^nna — Filho do cirurgiâo-mór, 
major Cândido José de Senna e nascido na cidade do Serro, Minas Geraes, 
a 11 de outubro de 1876, é graduado pela escola normal de Diamantina, 
bacharel em direito pela faculdade livre de Ouro-Preto, professor do 
gymuasio mineiro, e advogado. Desde muito joven deu-se aos estados 
da historia pátria, assignando-se na imprensa do dia com o pseudonymo 
de Pelayo Serrano e escreveu: 

— Memoria histórica e descri ptiva da cidade e município do 
Serro. Ouro-Preto, 1895, in-S"» — Termina este trabalho com uma re- 
lação dos homens mais notáveis deste município. 

— Paginas tímidas : contos e narrativas. Ouro«Preto, 1896, 170 
pags. in-S** "- Destes escriptos alguns foram publicados em S. Paulo. 

— Ephemerides mineiras — Foram publicadas no jornal Estado de 
Minas ^ de janeiro de 1896 em diante e na Revista do Archivo Publico 
Mineiro áe 1898. 

— Discurso pronunciado na festa civica de 7 de setembro. Ouro- 
Preto, 1896, in-8*^ — Contava o autor 17 annos quando fundou e 
redigiu: 

— O Aprendiz. Diamantina, 1893 — Depois fundou e redigiu: 

— A Academia. Ouro Preto, 1897 — Gollaborou no Archiw Publico 
Mineiro e em varias folhas. 

Nelson cie 'Vasconoellos e almeida ^ Nascido 
no Piauhy a 19 de setembro de 1862, é primeiro tenente da armada, 
bacharel em sctencias physicas e mathematicas, engenheiro civil e geo* 
grapho, lente da escola naval e, como tal, cnpitão-tcneute honorário 
d professor do collegio militar. Fez o curso de marinha que concluiu 
em 1861, sendo então promovido a guarda-marinha. Foi eleito deputado 
ao congresso constituinte pelo Piauhy, e escreveu : 

— A nova capital da Republica dos Estados Unidos do Brasil : 
memoria apresentada ao poder executivo da União. Rio de Janeiro, 

Vol. VI -. so 



306 NXC 

1891 ^ E' um trabalho methodico e importante, emqae o autor estada 
o logar que deve ser escolhido para a nova capital ; a sua zona interior 
e o que a constituo ; a sona do norte ; as desTantagens da parte sol do 
planalto central ; o que deve ter em vista a commissâo nomeada para 
estudar, o local, correspondendo a escolha a todos os requisitos exigidos ; 
as condições hygienicas do locai ; os meios práticos de levar a effeito 
o commettimento ; o que seja preciso fazer o estado para obter o aa- 
zilio da iniciativa particalar. Ha ainda deste autor : 

— These para o concurso & cadeira de lente — que nunca vi. 

Ne»tor ^ug^uBito Morooines So]rl>a. » Filho do 
capitão Vicente António Rodrigues Borba e dona Joanna Hilária Moro- 
cines Borba, nasoou pelo anno da 1846 na oapital do Paraná, onde 
falleoeu em novembro do 1877. Capit&o honorário do exercito, fes a 
campanha do Paraguay ató o combate de 24 de maio, no qual foi gra- 
Temente forido, tendo sido mais de uma vez promovido por actos de 
bravura. Era agrimensor e por ultimo 2« tabellião de notai de Curi- 
tiba. Ck>mo touriste fez uma viagem de exploração ao salto do Qabyra ou 
Sete Quedas e escreveu: 

* A Província do Paraná. Caminhos de ferro para MattoOrosso 
e Bolivia. Salto do Gahyra. Rio de Janeiro, 1876, in-4« — Contém: 
« Observações de traçados > por Francisco António Monteiro Tourinho ; 
€ Caminhos de ferro interoceanicos pela província do Paraná. Si- 
nopse > polo engenheiro André Rebouças ; c Descripção da viagem ás 
Sete quedas » pelo capitão Nestor Borba ; e < Sxcursí&o ao Salto do 
Gkthyra >, pelo engenheiro André Rebouças. 

•— Eíocursãoào Salto doGahyraou Sete quedas. Rio de Janeiro, 
1877, 54 pags. in-8o. 

Nestor Pereira de Oaistro—^ Filho de Felfppe Pereira 
de Castro, nasceu na cidade de Antonina, estado do Paraná, a 18 de 
maio de 1866. Tem occupado nesse estado diversos cargos do funccio* 
nalismo publico e é jornalista. Escreveu: 

-♦ Brindes : coUecçSo de contos auteriormonto publicados em di- 
versos jornaes. Curitiba, 1899, in-8° — Redige a 

— Oazeta do Paraná. Curitiba, 1898. 

Nestor Victor dos ISa^ntos — Pilho de Joaquim Mo- 
reira dos Santos e dona Maria Francisca Mendonça dos Santos, nasceu 
a 12 de abril de 18G8 na cidade de Paranaguá, estado do Paraná. 
Feita a sua educação na cidade natal, cedo entregou-se ás lides das 



2VI 307 

lettras, escrevendo para a impreus», quer em prosa, quer em verso. 
S* vice-Jirector do internato do Oymnasio nacional, primeiro secre- 
tario do Centro Paranaense nesta capital, e escreveu: 

— Signoí : contos. Rio de Janeiro, 1897— € São trechos enfeixados ^y 
de arte escripta, desuníformes no assumpto, e uniformes na espécie », 

diz a Gazela de Noticiai, annunciando o livro. 

— Amigo; : romance. Rio de Janeiro, 1898 — Foi publicado no ^ 
Debate e me consta que terá do sahir em livro. 

— Crtiz c *S'oM.ja ; monographia. Rio de Janeiro, 1899 — E' um v 
estudo sobre o poeta catharinense João da Cruz e Souza^ prematu* 
ramente roui)ado ás lettras pátrias. Redigiu : 

— Dkírio do Paraná, Curitiba, 1890 — Collabora nas revistas 
Tera^Cruz, Rio de Janeiro, 1899 e Pallium, Curitiba, 1899. 

N^ieodemos «Toblm — Natural da provinda, hoje estado 
de Alagoas, deu-se ao magistério e foi sócio do extincto Instituto ar- 
cheologico e geo^rapliico alagoano ; escreveu : 

— Aponiamcntoí históricos da freguezia do Limoeiro : memoria 
oílerecida ao Instituto archeologico e geographico alagoano em 1881. 

— Historia da Anadia. Maceió, 1882. 

Nicolau Badariotti -» Italiano de nascimento, si nao ó 
brasileiro por naturalisaçâo, fez parte da expedição que explorou as 
riquezas naturaes do norte de Matto Grosso, empreza de que encar* 
regou-se o Banco Rio o Matto Grosso e escreveu : 

— Exploração de Matto Grosso, S. Paulo, 1899 — O autor demonstra 
que colheu as mais numerosas informações e na sua obra, além de 
muitos factos que refere, vem interessantes descripçOes, nas três partes 
om que se divide o livro. « Ao autor mereceu especial attenção a tribu 
dos Parecis, de cuja lingua, costumes, vestuários, idéas, tradições re* 
llgiosas e industriaes dá detalhada noticia. Ha além disso no trabalho 
quadros demonstrativos da difTerençji entre as prinoipaes línguas in- 
dígenas da America Meridional, especialmente do Brasil, e um esboço 
geographico dessa viagem de exploração. E' um curioso trabalho, digno 
de ser apreciado e que mostra a importância dot região explorada. 

Micolau A.iitoiiio Nog^ueira* Valle da Ganaa, 

Víáconde de Nogueira da Gima — Filho do coronel José Ignacio No- 
gueira daOamaedona Francisca Maria Yalle de Abreu e Mello, nasceu 
em Minas Geraes a 13 de setembro de 180^ e falloceu na cidade de Na-^ 
zareth, Bahia, a 18 de outubro de 1897, Era cavalieiro fidalgo da 



308 PiC 

casa imperial, gentil-homem, mordomo, guarda-joias e porteiro da 
extincta camará imperial, doconsellio do Imperador d. Fedro II, ca- 
valleiro da ordem de Clirísto e offlcial da ordem da Rosa, grã-cruz dos 
ordens de N. S. da OoncoiçSode Villa Viçoia de Portugal, de SanfAnna 
da Rússia, e de Francisco Josó da Áustria; membro do Instituto histórico 
e goographico brasileiro, do imperial Instituto de agricultura, da as- 
sociação brasileira do Acclimaçfto, etc. Dedicação sincera a d. Pedro !I« 
agilidade e Tigor pouco communs em sua idade avançada, com a queda 
desse soberano foi que começou a decahir, a enrelhecer. Escreveu: 

— Genealogia das famílias Botelho, Arruda, Sampaio, Horta, Paes 
Leme, Gama e Yillas-Boas até seus actuaes descendentes, oonforme a 
nobillarchia do Conde D, Pedro, a nobiliarchia portugaeza do desem* 
bargador Villas-Boas, as Memorias d'£I-Rei D. João I por José Soares da 
Silva, as Memorias dos grandes de Portugal por D. António de Souza, 
a Historia insulana par António Cordeiro, as Memorias do Fr. Gaspar 
da Mtulre de Deus, as Memorias de Pedro Taques de Almeida Paes Leme, 
e diversos outros documentos antigos e posteriores, noticias de alguns 
descendentes dessas famílias. Rio de Janeiro, 1859, 188 pags. in-4<> — 
E' uma obra rara por ter sido muito limitada a edição, com a qual des- 
pendeu o autor alguns contos de réis. 

— Minhas memoriai. Rio de Janeiro, 1803, 196 pags. in-8^. 

jVieolaii. James Tollstadius — Nataral da Suécia, 
mas cidadão brasileiro, falleceudo avançada edadenx cidade do Rio 
de Janeiro a 20 de outubro do 1899. Bacharel em lettras, professor de 
varias scieucias pelo conselho superior da iustrucção publica de Lisboa 
e pela directoria geral da iustrucção primaria e secundaria da corto, no 
Brasil, aqui dirigiu, ha muitos annos, um collegio e deu-se ao magistério. 
Era cavalleiro da ordem de Christo por estes serviços e escreveu: 

— Methodo OlienJoríT; systema pratico e theoríco de aprender a 
ler, escrever e fallar com toda a perfeição a língua em cincoenta llçôes, 
conforme o methodo de Ollendor/f. Rio de Janeiro —Este livro teve 
yarías edições de que só vi a terceira, cui Jadosamento revista, muito 
melhorada e consideravelmente augmcntada. 

Pr* Nicolau der «Tesus Maria «Tose — Pilho de 
Francisco Paes Sarmento e dona Maria Francf^ Coelho e ii'\scido no 
Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, falleceíi^ ^ ^^ n^aio de 1734 
no convento dos carmelitas do Recife, para onde s^^colhera e pro- 
fessou de ida'le provecta, em 1724. Chamandose Nidtf^ ^^^ Sar- 
mento, foi presbytero secular, doutor om cânones pelaJ^^^^^s^^*^^® 



\ 

\ 
Á 



NI 309 

de Coimbra e o primeiro deUo da só de Olinda, tendo servido os cai*gos 
de provisor, vigário geral e visitador do bispado. Ck)ntristado pelas 
iojarias atiradas pelos mascates na campanha de 1712 contra seu 
prelado, formou com outros collegas seus um batalMo contra os ditos 
mascates, do qual foi elle coronel commandante. Com este batalhão e 
com as medidas que propoz e foram executadas, obrou por tal forma e 
por tal forma constituiu-se o terror de seus adversários, que, perdida a 
causa que abraçara, foi alvo de todas as perseguições e calumnias^como 
Be pôde ver no Diccionario de pernambucanos illustres e na Memoria 
histórica do clero pernambucano de Moute Carmello Luna. Desta cam. 
panba deixou : 

— Historia da guerra dos mascates, 1 volume — Neste livro acha-se 
appenso um vigoroso manifesto do autor ; não foi, porém, continuada 
a historia. 

Nicolau «Toaqiiim HdEo relva— Filho de Nicolau Joaquim 
Moreira e dona Carlota Maria Gonçalves Moreira e niscido na cidade 
do Rio do Janeiro a 10 de jmeiro de 1824, ahi falleceu a 12 de se- 
tembro do 1894, doutor em medicina pela faculdade desta cidade ; 
agraciado com o titulo do conselho do Imperador ; commendador da 
ordem da Rosa e cavalleiro da de Christo ; sócio, presidente e re- 
dactor da Revista da sociedade auxiliadora da industria nacional ; sócio 
do Instituto histórico e geographico brasileiro, da Academia nacional 
de medicina, da sociedade pharmacentica brasileira, do Atheneu medico, 
da sociedade de geograplna, do instituto fluminense de agricultura, da 
aociediide de acclimação, do comicio agrícola da Itália, da sociedade 
do sciencias naturaes do México, etc. Exerceu vários cargos, como o 
de cirurgião do hospital militar ; membro da commissão brasileira na 
exposição internacional de Philadelphia de 1876; director da secção de 
^otanica e sub-director do museu nacional ; director do jardim botânico 
Q presidente da intendência da capital federal. Escreveu: 

-^Breves considerações sobre a febre esC(\rlatina: these apresentada 
oic. e sustentada em 4 de dezembro de 1847. Rio de Janeiro, 1847, 
31 pags. in-40 grande. 

— Manuil do tmtamento dos porcos, publicado por ordem da socie- 
dade Auxiliadora da industria nacional. Extrahido dos melhores au- 
tores. Rio de Janeiro, 1860, 40 pags. in-4'». 

— Minual do pastor ou iustrucçao pratica para criação e tratamento 
da raça merino, com a exposição de suas enfermidades, estudo sobre a 
lã, etc, por Daniel Paes Menloza: obra posthuma, publicada por Pedro 
Lastarria & Comp. Traduzida por ordem e a expensas da sociedad^ 



310 NI 

Auxiliadora da industria nacional do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro 
1866, 141 pags. in-8' com estampas. 

— A moral ó a base da verdadeira civilisaçSo ; alteraç5es patho 
lógicas provenientes da falta de desenvolvimento do elemento moral: 
discurso que na sessão solemne da Academia imperial de medicina foi 
pronunciado perante S. M. o Imperador. Rio de Janeiro, 1861, 2 fls., 
31 pags. in-4^ 

•^ Liccionario das plantas medicioaes brasileiras, contendo o nome 
da planta, seu género, espécie, familia e o botânico que a classiíioou; 
o logar onde ó mais commura, as virtudes que se lhe attribuem eas 
classes o formas de sua applicação. Rio de Janeiro, 1862, 144 pags. 
in-4«. 

— Supplemento ao Diccionario das plantas medicinaes brasileiras. 
Rio de Janeiro, 1871, 3 íls. 57 pags, in-4'». 

— Rápidas considerações sobre o maravilhoso, o charlatanismo e o 
exercioo illegal da medicina e da pharmacia. Discurso que em sessão 
solemne da Academia imperial de medicina em 30 de junho de 1862, foi 
pronunciado perante S. M. o Imperador. Rio de Janeiro, 1862, 16 pags. 
in.8*. 

— Elogio historio de António Américo de Urzédo, pronunciado per- 
ante S. M. o Imperador na seSdão solemne da Academia imperial da 
medicina, elo. Rio de Janeiro, 1863, 19 pags. in-4^. 

— Elogio histórico do GonselUelro dr. Francisco de Paula Cândido, 
pronunciado perante S. M. o Imperador na Sessão solemne d^ Aofidemia, 
etc. Rio de Janeiro, 1864, 24 pags. in-4o. 

-* Elogios históricos dos académicos Joaquim Vieira da Silva e Souza, 
Ezequiel Correia dos Santos, Francisco José Teixeira da Costa e José 
Maria Chaves, pronunciado? perante S. M. o Imperador na sessão so- 
lemne da Academia, etc. Rio do Janeiro, 1865, 18 pags. in-4« — Estes 
e os dous Elogios precedentes pronunciou o autor como orador da Aca- 
demia imperial de medicina. 

— Elogio histórico pronunciado por occasião da inauguração do busto 
do Conselheiro Frederico Leopoldo César Burlamaque, etc. Rio de Ja- 

.neiro, 1866, 24 pags. in-4o. 

— Relatório da commissão especial, nomeada pela Academia imperial 
de medicina para interpor seu parecer sobre a memoria do dr, José 
Luiz da Costa: O que seja a saúde ? O que seja a moléstia? Rio de 
Janeiro, 1866, 38 pags. in-S» — Foi o relator. 

-^Relatório medico-legal -^ E^txmô de sanidade, feito pelos peritos 
da justiça na pessoa do dr, Jpsé Mariano daSilva em 13 de abril 



3Vr 311 

de 18d7, 15 pags. iD-4«— B' assignado também pelos dm. João Ba- 
ptista dos Santos e Agostinho José de Souza Lima. 

•i- Considerações geraes sobre o suicídio: discurso pronunciado na 
sessão soiemne da Academia imperial de medicina, celebrada no paço 
da cidade, etc. Rio de Janeiro, 1867, 15 pags. in-4<» — Com titulo igual 
jÀ havia o autor publicado uma memoria nos Annaes Brasiliensesáe 
Medicina, 1860-1861, paginas. 30 a 54. 

— ' Manual de chimica agricola, publicado a expensas da sociedade 
Auxiliadora da industria nacional. Rio de Janeiro, 1867, XIV-271 
pags. in-4°. 

— i Discurso pronunciado em nome da Academia imperial de medi- 
cina na sessão anniversaria do Instituto dos bacharéis em lettras, em 2 
de julho do 1868. Rio de Janeiro, 1868, 10 pags. in-4\ 

— i)wa5 palavras sobre a educação moral da mulher : discurso 
pronunciado perante S. M. o Imperador na sessão solemne da Aca- 
demia imperial de medicina, etc. Rio de Janeiro, 1868, 14 pags. in-4<»— 
Sahiu antes nos Annaes Brasilienses de Medicina, 1852-1853, pag. 96. 

— Q^Hâto ethnica anthropologica » O cruzam'ínto das raças acarreta 
a degradação intellectual e moral do producto hybrido resultante ? 
Resumo da memoria apresentada à Academia imperial de medicina e 
relatolrio. Rio de Janeiro, 1868, 31 pags. itx-i^ — Sahiu na mesma re* 
Tista, 1853-1854, pags. 353, 382 e 395. 

— flffxcaqia da viccina : resposta a seus detractores. Rio de Ja- 
neiro, 1869, 21 pags. in-4» — E também na Gazeta Medica do Rio de 
Janeiro, 1862, págs. 112, 124 e 137. 

— Asoherania do povoe o direito divino. Rio de Janeiro, 18G9, 
10-4». 

— Questão : Convirá ao Brasil a importação de colonos clilns ? 
Discurso pronunciado na sessão da sociedade Auxiliadora da industria 
nacional de 12 de agosto de 1870. Rio de Janeiro, 1870, 32 pags. in-8" 
— E' contra a importação. 

— Questão : Convirá ao Brasil a importação de colonos chins ? Dis- 
curso pronunciado na sessão de 17 de novembro de 1870, discutindo o 
parecer da secção de colonisação e estatística. Rio de Janeiro, 1870, 52 
pags. in-8''. 

— Vocabulário das arvores brasileiras que podem fornecer madeira 
para eonstruoções civis, navaes e maroeneria, seguido de um Índice 
botânico de algumas plantas do Paraguay» Rio de Janeiro, 1870, 63 
pags. in-4''. 



312 NI 

— Algumas ideias sobra a relação entre as epidemiafl e as eptzootias : 
memoria lida perante a Academia imperial de medicina. Rio de Ja* 
nairo, 1871, 10 pags. in-4o. 

— Considerações sobre a industria agricola no Chile. Rio de 
Janeiro, 1872, in-8«. 

— Noticia sobre a agricultura no Brasil. Rio de Janeiro, 1873, 53 
pajs. in-4* » Foi escripta a convite da commissão da Exposição na- 
cional de 1872. 

— Breves considerações sobre a historia e cultura do cafeeiro e con- 
sumo de seu prôducto. Rio de Janeiro, 1873, 107 pags. in-4% a que se se- 
guem 66 tabeliãs. 

— Indicações agricolas para os emigrantes que se dirigirem ao Brasil, 
traduzidas para o inglez, publicadas e distribuídas gratuitamente. 
Rio de Janeiro, 1875, 123 pags. in-4'' com o retrato do autor. 

— Relatório sobre a immlgraç&o nos Estados Unidos da America, 
apresentado ao Exm. Sr. Ministro da agricultura, commercio e obras 
publicas, etc. Rio de Janeiro, 1877, 166 pags. in«4o com 14 estampas 
— Bra o autor membro da commissfio brasileira da ezposiçio interna* 
cional de Phfladelphia. 

— DescripçOo do asylo agricola da fazenda do Macuco. Rio de Ja- 
neiro, 1884, 7 pags. in-8'* — O Dr. Nicolau Moreira tem ainda outros 
escriptos em avulso e nos Annae t Brasi/ienses de Medicina, e ainda 
mais no 

— Auxiliador dd Industria Nacional : periódico da sociedade Au- 
xiliadora da industria nacional, que se publicou no Rio de Janeiro de 
1833 a 1894 e de que foi elle o redactor de muitos annos, até seu falle« 
cimento. 

Pf loola^u MidosI — Nascido na cidade do Rio de Janeiro em 
1838, aqui falleceu a 1 de setembro de 1889, sendo sub-director da 
terceira directoria da secretaria do Império, commendador da ordem 
da Rosa, oavalleiro da de S. Qregorio Magno de Roma, offleial da aca- 
demia de França e condecorado com a medalha de 3* classe do busto de 
Simão Bolivar. Foi o fundador e director da 

— Reoista Brasileira. Rio de Janeiro, 1879 a 1881, 10 tomos in-4% 
de 6^4, 522, 544, 437, 523, 503, 474, 530, 526 e 496 pags. — Começou a 
publicação a 1 de Junho daquelle anno e terminou a 15 de dezembro 
deste, sendo feita a 1 e 15 de cada mez. Foi uma das mais interessantes 
revistas da capital do Império e da America do Sul. 



NX 313 

^ioolitu Pepoira; de Oampos Verg-ueiro, !• — 

Nascido em Valporto, termo da cidade de Bragança, cm Portugal, a 
20 de dezembro de 1778, fallecea no Rio de Janeiro a 17 de setembro 
de 1839. Bacharelem leis peia Universidade de Coimbra, veio logo 
para o Brasil, sua patria^adoptiva, em 1803 e como ad70gado estabe- 
leoeu-se em S. Paulo» retirando-se mais tarde para uma fazenda sua 
(Ibicaba) onde iniciou o trabalho livre pelo colono europeu. Repre* 
sentou esta província nas cortes portuguezas em 1822, na constituinte 
bra:»lleira em 1823, e na primeira legislatura, e foi eleito senador por 
Minas Geraes em 1828. Occupou a pasta do Império e interinamente a 
da Fazenda em 1832, e a da Justiça em 1847 ; foi um dos membros da 
regência provisória depois da abdicação de D. Pedro I ; dirigiu o curso 
de direito de S. Paulo de 1837 a 1842, tendo sido um dos membros do 
primeiro governo dessa provinda. Foi um dos mais esforçados obreiros 
da independência do Império, tendo nas cortes portuguezas, como 
membro da commissão politica do Brasil, apresentado seu voto em 
separado, que foi tenazmente combatido e considerado como a procla- 
ma^ mais enérgica dessa independência e tendo depois recusado soa 
assignatura à constituição portngueza. Accusado como um dos chefes 
da revolução de 1842, foi pelo Senado julgada improcedente a accusaçSo. 
Em do conselho de sua magestade o Imperador, gentil-homem hono- 
rário da imperial camará ; grã-cruz da ordem do Cruzeiro, membro do 
Instituto histórico e geographico brasileiro e escreveu: 

^Memoria histórica sobre a fundação da fabrica de ferro de São 
João de Ipanema na província de S. Paulo. Lisboa, 1822, 148 pags. 
in-4^ em duas numerações — Houve nova edição em Lisboa, 1858, feita 
pelo bacharel Frederico Augusto Pereira de Moraes, sob o titulo de 
Subsidies para a historia do Ipanema, sendo a memoria e seu appendice 
seguidos de um Additamento, contendo mappas e documentos inéditos 
em dous volumes. 

— Resposta dada ao Senado pelo senador, etc, sobre a pronuncia 
de oabeça de rebeilião, contra elle proferida pelo chefe de policia 
da província de S. Paulo, J. A. G. de Menezes, no processo de 
revolta a 17 de maio de 1842. Rio de Janeiro, 1843, 37 pags. 
in-8». 

N^ioolau PerelrA de Oa^mpos Vergueiro, 2^ — 

Neto do precedente e filho de Nicolau Pereira de Campos Vergueiro e 
dona Águeda de Faro Vergueiro, nasceu em S. Paulo. Doutor em 
medicina pela Universidade de Berlim, frequentou na Allemanha os 



\ 



314 NI 

cursios da Von-Langembeck, Traub e os espeoiaes de Stock, Sorhotten, 
Scbmitzlen e outros, aates de voltar á pátria. Escreveu: 

«- Applioaçãoáe iohalações como therapeutica nas anginas diphtd* 
rloas e cronp depois de praticada a tracheotomia: tliese, etc. , para obter 
o grho de doutor em medicina. Berlim, 1875, in-4« — Esta tbese íbi 
muito elogiada por uma revista medioa &llem&, a Medicinesch center 

— Das operações dos polypos laryngeanos: tbese apresentada i 
Pacnldade de Medicina do Rio de Janeiro para verificação de seu titulo. 
Rio de Janeiro, 1876, in-4'> — Foi approvada com distincçâo por esta 
faculdade. 

Nioolau Rodrigues do« Santos França 
ILieite, 1<^ ^ Filbo do capitão João Roirigues dos Santos Frauça e 
Leite e dona Izabel Maria e Leite, nascido a 7 de abril de 1803 
no Piancó, provinda da Parahyba, falleceu no Rio de Janeiro a 
6 dejulbode 1867. Doutor em sciencias sociaes e jurídicas pela Aca- 
demia de Olinda, foi sempre um dos mais leaes e desinteressados 
membros do partido liberal, cujas reuniões se faziam muitas vezes 
na cbacara da Floresta, de sua propriedade, na rua da Ajuda, e 
ondci além da outras combinações politicas, formou-se o plano, que 
não foi realizado, do golpe de Estado de 23 de julbo de 1832. De- 
putado por sua província & legislatura dissolvida de 1842, foi a 3 de 
julho deste anno um dos seis deportados p:ira Portugal, por causa dos 
movimentos poiitfcos de S. Paulo e Minas Geraes ; mas, voltando 
ao Império, foi ainda eleito deputado ã sexta e sétima legislaturas. 
Dedicou-se a emprezas úteis o particularmente k colonisação, per- 
dendo parte de sua fortuna em uma colónia que fundou na provinda 
do Espirito Santo, e passando ahi pela dôr de ver um filho assassi- 
nado pelos Índios. Era membro do Instituto histórico e geograpbico 
brasileiro e escreveu: 

— Formulário para uso dos juizes de paz do Império do Brasil* 
Rio de Janeiro, 1834, \iiS\ 

— Circular dirigida ao oorpo eleitoral do 3^ distrioto da provinda 
do Rio de Janeiro. Nitheroy, 1863, 14 pags. in-8\ 

— • Oomiderações politicas sobre a eonstitulQão do Império do Br&sil. 
Rio de Janeiro, 1872, 310 pags* iaS* — E* uma^ publioaç&o posihuma 
feita por seu filho, da qual o Imperador .D. Pedro 11 possuía o 
origiiial* 



3VI 315 

3Vieola*u. Rodrigues éiom tantos Fx-a^nça 
ILielte, 2* — Filho do precedente, nasceu na cidade do Rio de Ja- 
neiro no anno de 1837 e falleceu era S. Paulo a 21 de maio de 1885. 
Engenheiro formado pela antiga escola Central, exerceu varias com 
missões na provinda do Cearà e na de S. Paulo, onde serviu o cargo 
de engenheiro fiscal da estrada de ferro Sorocabana. Foi nm dos 
fundadores e presidente do Instituto polytechnico desta ultima pro< 
viaciae escreveu: 

— Da mulher, S. Paulo, 1873 — Nunca vi este livro. 

-^ Conferencia Bohve a educação publica. S. Paulo, 1874, in«8* 
peq. 

— Conferência sobre o progresso material na província de S, Paulo. 
Rio de Janeiro, 1874. 

— DcX educação, S. Paulo, 1880, dous vols. io-8« peq.— Este 
livro foi publicado sob o titulo < Bibllotheca útil » e o autor, antes 
de entrar no estudo da educação publica, faz o histq^ico dè varias 
phases da evolução por que passou a humanidade procurando provar 
certas asserções relativas a educação, concluindo, como positivista 
que era, que o positivismo é o maia sublime systema philosophicô mo- 
derno. O Dr. França Leite foi constante collaborador da Revista do 
Instituto Polytechnico de S. Paulo. No 2* volume publicou elle: 

— O progresso intellectual da pi*ovincia do S. Paulo, pags. 11 
a 19. 

^Parecer sobre os planos de esgoto da cidade de S. Paulo, 
pags. 31 a 46. 

— Memoria descriptiva da estrada do ferro de Santos a Jundiahy, 
pags. 55 a 63. 

INioolau Verguefr»o Lecoq —Engenheiro civil pela 
universidade de Gand e nascido, me parece, no Rio de Janeiro, escreveu: 

^- Estrada de ferro de Carolina & Birra do Corda, estado do Ma« 
ranhSo. Relatório dos estudos preliminares, apresentado ao Ulmo. Sr. 
Henry Airlic, gerente da projectada empreza. S» Luiz do Maranhão, 
1890,21 pags. in-8^ 

Xy. INisia Floreista Bx*asilelra A^u^usta— Filha 
áè Dionysio Gonçalves Pinto e irmã do bachatel Joaquim Pinto Brasil» 
Já fallecido, nasceu n\ Floresta, povoação da provinda do Rio Grande 
do Norte, a 12 de outubro de 1810 e falleoeu a 20 de maio de 1885 em 
Ruão, cidade da França onde residia ultimamente. Cnltivando com es* 
mero as lettras, desde muito moça deu-se ao exercido de educadora de 



31Ô 



3SI 



meniuM, tanto no Brasil, como em Portugal, deixando difieipnlas qae 
lhe fazem honra. Desde 1854 habitava a Europa, onde tinha vUitado 
Yarios paizes. Escrevea: 

— Direito das mulheres e iqjustica dos homens, por Miss Godvin ; 
traduzido do franoez. Recife, 1832, in-S"»— Segunda edic&o, Porto- 
Alegre, 1833. 

— Conselhos a minha filha. Rio de Janeiro, 184S, 32 paga. in-8* — 
Teve segunda ediçSo no Rio de Janeiro, 1845, 39 pags. in-8^ aecrescen- 
tada de quarenta pensamentos em verso e mais as seguintes em ita- 
liano e em francez: 

— Consigli a mia figlia. Firenzi, 1858, 56 pag3. in-8" — Os deus 
jornaes italianos, VEtá Presente^ de Veueza, de 14 de agosto, e L7«> 
parziale Fiorentino, de Florença, de 26 de outubro do mesmo anno, 
occupam-se deste livro, elogiando ató a pericia da autora na lingoa, 
para que a vertera, e o bispo de Mandovi mandou reimprimir essa tra- 
ducção em 1859 para uso das escol ts. A edição íhkuceza é: 

— Conseils à ma filie, traduits de Titalien par B. D. B. Fiorence, 
1859, 51 pags. in 8«. 

— Daciz ou a joven completa: historieta offerecida a suas educandas. 
Rio de Janeiro, 1847, 15 pags. iu-8<». 

— A lagrimi de um Caheté^ por Tellezilla. Rio de Janeiro, 1849, 
39 pags. in-8<^ — São poesias por occasião da revolução em Per- 
nambuco. 

— Dedicação de uma amiga ( romance histórico ) por B. A. Ni. 
theroy, 1850, 2 tomos de 158 e 100 pags. in-8'*. 

— Opúsculo humanitário por B. A. Rio de Janeiro, 1853, 168 pags. 
in-12<» — E* uma reproducção do periódico O Liberal^ de artigos desti- 
nados à educação do sexo feminino. 

~ /tmeratre d*uQ voyage en Allemagne por Mme. Floresta A. 
Brasileira. Paris, 1857, 215 pags. in-8« •* Dirigindo-se à seu irmão diz 
a autora neste livro: « Ce pays du sentiinent et de philosophie merite 
d*étre parcouru et analysé par toi, ó mon cher Bresil. Viensy un jou^ 
avec toute cette richesse d'intelligence que ta modestie voiie dans une 
aociété, oú le pedantismo et les zeros sans merite réel savent mieux, qu^ 
les genies, se faire Jour.» 

-* Scintille d^un anima braziliana, di Floresta Augusta Brasileira. 
Firenzi, 1859, 85 pags. ln*8'>. 

— Trois ans en Italie. Paris, 18 •• 



r 



NTT 317 

— Le Bresil. Paris» 1871 iQ-4o. A autora publicou outros volumes, 
de que não posso actualmente dar noticia, e em revistas^ além de 
poesias sob diversas assignaturas ou sob o anonymo, publicou: 

— Paginas de uma vida obscura ; Um passeio ao aqueducto da 
Carioca ; o Pranto tilial— no Brasil lUustrado^ revista do Rio de Janeiro, 
1854. Deixou inéditas as: 

* Inspirações maternas: poesias. 

— Memorias de minlia vida. 

— Viagens na Itália, Sicília e Orecía: 1858-1859. 

P^^iiraldo Teixeira* Bra.^a — Irmão de JoSo Evangelista 
e de Libero Teixeira Braga, neste livro jà mencionados, nasceu ha pro- 
viocin, hoje estado do Paran&, onde dedicou-se ao magistério, fundando 
am collegio na cidade de Curitiba. D3u-so também á imprensa, mas 
acha-se hoje impossibilitado de cultivar seu talento, em consequência 
de moléstia que o privou da razão. Escreveu: 

— Diccion irio geograpliico, histórico, blographico e descriptivo do 
Paraná. Este trabalho ainda se conserva inédito por causa do estado 
do seu autor, que redigiu: 

— Revista áo PeiT9ínéí: periódico litterario. Curitiba, 1887— Sahiu 
o primeiro numero em outubro e seus esoriptos são armados com o pseu- 
donymo de Jacand, 

Nolasco Ferreira— Natural da Bahia, onde vivia no 
beculo decimo oitavo. Escreveu: 

— Parnaso americano— A noto que guardava sobre este autor está 
incompleta. Nclla, porém, vejo «Vide Annos académicos de P. Povoas, 
1870, pag. 38 ». 

IXominato «losé de Souza X^ima — Natural 4e 
Minas Geraes e. bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, é ne- 
gociante commissario de café na cidade do Rio de Janeiro. Escreveu: 

— AfemoWa; sobre a industria, data ecriação das ovelhas no Brasil. 
Rio de Janeiro, 1892. 

INfuno A.lvax*e8 Pereira e Souza — Nascido no Ma« 
ranhão a 12 de agosto de 1833, estudou na antiga escola militar, hoje 
escola central do Rio de Janeiro, ena de applicação e serviu como ofn- 
ciai na arma de artilharia, depois engenheiro civil, foi chefe de secção 
da secretaria dos negocies da agricultura, commercio e obras publicas 
e exerceu commissOes, como a de chefe da íiscalisaç&o da companhia 



i 



318 isru 

de esgotos. Distiacto litterato, applicou-se <i educação da mocidade e 
egcreyeu: 

— O menino endiabrado. Rio de Janeiro, 1870, in-lô" — Constituo 
o primeiro volume da Bibliotheca infaDtil. 

— Folhas soltas: Rio de Janeiro, 1860, 128 paga. in-12% precedido 
deum juizo critico pelo dr. A. Cândido Tavares Bastos, e contém 19 
escriptos em prosa — Nunca os vi ; mas, segundo li no Diccionario bi- 
bliographico portuguoz, «pelas ideias e sentimentos e pelo colorido do 
estylo e da dicção correspondem a outros tantos pequenos contos 
lyricos e elegíacos ». 

— -Primeiro livro da infanda ou exercicios de leitura e lições de 
moral para uso das escolas primarias, pelo Coaselholro De Lapallisse. 
Trdducção seguida de um compendio de civilidade. Rio de Janeiro, 1875, 
íq.S» — E* precedido de um Syllabario ou compendio de leitura ele- 
mentar, que lhe serve de introducçâo, pelo dr. José Maria Velho da 
Silva. 

— Primeiro livro da adolescência ou compenilio de leitura e li- 
ções de moral para uso das escolas primarias, pelo conselheiro De La- 
pallisse, seguido da « Scieucia do bom homem Ricardo». Tradacçao. Rio 
de Janeiro, 1878, in-8<* — £* um complemento do precedente. 

— Arithmetica de Vovô, ou historia de dous meninos vendedora 
de maças, por João Macó. Editores: Nuno Álvares e Ernesto Possolo. 
Rio de Janoiro, 1874, in-8<* — O íácto de ser a intelligencia das creanças 
violentada para comprehender as regras abstractas de arithmetica para 
depois resolver problemas, levou o autor a crear um modo de ensinar 
arithmetica por meio de conversação sobre objecto agradável. 

* Contos de Christovão Schmid, próprios para creanças: cem 
contos traduzidos, etc. Rio de Janeiro. 1873, in-8^ — Já vi oitava edição. 

-» Instrucção e recreio, compendio de conhecimentos úteis, con- 
tendo noções claras e concisas sobre assumptos que todos devem saber» 
tratando dos sentidos e da percepção dos objectos da astronomia, da 
terra, geographia physica, dos elementos liquides e íluidos, da physica, 
geologia, etc. Rio de Janeiro, 1831, in-S» com muitas estampas no texto. 

-^ Compendio dos conhecimentos úteis por Boichat, traduzidos, etc. 
Rio de Janeiro, 1881, in-S» ^ E' um livro semelliante ao precedente 
pelos assumptos de que trata. 

-* A mulher /or/«, conferencias dedicadas ás senhoras porLandríot, 
arcebispo de Reims, traducção. Rio do Janeiro, in'8^ Foi publicada em 
uma revista ou collecção. 

-^ O que cim^m as mulheres: romance traduzido. Rio de Janeiro, 
1880, in-8\ 



NXJ 319 

— Eistoria de um bocadinho do pão, por Mace. Rio do Janeiro, 1873, 
in-8<». 

— Os servidores do estômago, continuação da Historia de um boca* 
dinhp de pão. Traducção da decima edição, franceza. Rio de Janeiro, 
1878, in-8«. 

^ano Ferx^eira de Andrade — Pilho de Camillo 
Ferreira de Andrade, natural do Rio de Janeiro e nascido a 27 de julho 
de 1851, ô doutor em mediciua pela faculdade desta cidade, professor 
da mesma faculdade, do conselho do Imperador d. Pedro II, inspector 
geral da saúde dos portos, membro da academia imperial, hoje aca- 
demia nacional de medicina, etc. Escreveu: 

— Do diagnostico e tratamento das nevroses em geral ; Chloral ; 
Polypos naso-pharingeanos ; Ataxia muscular progressiva: these apre- 
sentada à Faculdade de Medicina do Riode Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 
1875, 4 fls. 154 pags. in-4o gr. 

« Physiologia dos epithelios : these apresentada à Faculdade de 
Medicina do Rio de Janeiro para o concurso a um logar de substituto 
da secção medica. Rio de Janeiro, 1877, 2 íls. 76 pags. in-4<' gr. 

— Memoria histórica dos acontecimentos mais notáveis, occor- 
ridos na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1879 « Bem que 
approvada pela congregação, esta memoria não foi publicada. 

— Faculdade de medicina do Rio de Janeiro: Sessão solemne de 
30 de novembro de 1881. Discurso proferido em nome da congregação 
na augusta presença de S. M. o Imperador. Rio de Janeiro, 1882, 45 
pags. in-8\ 

— Da natureza Q do diagnostico da alienaç^ mental— HosÁnnaes 
Brasilienses de Medicina, tomo 31% 1879-1880, pags. 136, 311 e 488, e 
tomo 32% 18801881, pags. 18, 141 o 255. Collaborando na Revista 
Medica t escreveu entre outros artigos: 

— Das condições pathologicas da anuria e do valor de seus 
Symptomas na prognose das febres graves — Idem, 1877, pags. 17, 33, 
49, 72e81. 

— Das allucinações . 1877, pags. 59, 67, 89 e 103- 

IVuno MairqLues Pereira; — Nasceu em Gayrú, boja 
Tilla da província da Bahia, em 1652 e falleceu em Lisboa a 9 de de. 
Eembro de 1718. Era presbytero do habito de S. Pedro, distincto 
theologo e muito versado nas soienoias philosophicas. Escreveu: 

«*- Compendio narrativo do peregrino da America, em que se tratam 
vários discursos espirituaes e moraea com muitas advertências e do* 



320 OO 

camentoB contra 08 abusos que se acham iotroduzidos pela milícia 
diabólica no estado do Brasil. Lisboa, 171 8J— Nunca vi essa edição, mas 
d& nolicia delia o dr. J. M. de Macedo no seu anno biographico, tomo 
3% pag. 521. Houve outras edições depois da morte do autor, sendo 
uma de 1728, de XLVI-475 pags. in-4<' ; outra de 1760, também in4« 
e, segundo informaram-me, houve uma, que deve ser a segunda, de 1724« 
Este livro é oiferecido a Nossa Senhora da Victoria, rainha do mundo, 
eto., e nelle se acham notJcias muito curiosas e importantes do Brasil. 



O 



Ooiaoilio A^ristides Oa.ina.rA — Filbo do capitão 
de artilharia do exercito Francisco José Camará e dona Maria Roberta 
Camará, nasceu ua cidade da Bahia a 18 de julho de 1837 e falleceu em 
Pelotas, Rio Grande do Sul, a 20 de janeiro de 1892. Doutor em medi- 
cina pela faculdade de sua província natal, serviu durante cerca de 
dez annos no corpo de saúde da armada, do qual obteve depois demissão, 
eetabelecendo-se na provinda do Rio Grande do Sul. Viajou por grande 
parte da Europa, era versado em varias linguas européas, como a íran- 
ceza, italiana, allemá, ingleza e hespanholae, dotado de génio musical- 
sem ter tido nunca mestre, tocava piano desde estudante e ordinaria- 
mente só executava peças de sua composição, que são em grande nu- 
mero. Vi-o executar algumas peças ao piano e ao mesmo tempo no 
harmonium, serviado-se de cada uma das mãos para cada um desses 
instrumentos com admirável destreza. Escreveu: 

— Qual o melhor meio áe cura da phtisica pulmonar ; Etheres, 
sua acção physiologica e therapeutíca ; Apreciação dos meios operatórios 
empregados na cura dos cálculos urinários ; COmo estabelecer viveiros 
para certas espécies de peixes ; these apresentada, etc., afim de obter o 
gráo de doutor em medicina. Bahia, 1858, in-4<^« 

— Valor estratégico da cidade de Pelotas ; novo plano geral de 
defesa da província do Rio Grande do Sul ; vantagens agricolc-com- 
merciaesque delle resultam. Pelotas, 1887 —Da suas oomposiçOes 
musicaes estão publicadas algumas, como: 

— Pateada no alpendre : quadrilha de contradansas — E* sua pri- 
meira composição do tempo de estudante. Cada contradansa tem um 
titulo adequado á musica, que é extraordinariamente expressiva. 

— Saudades do Paraguassu : polka » Consta-me que ha um tra- 
balho deste autor, oiferecido ao Visconde de Porto-Alegre por occasião 
da Tictoria das armas brasileiras contra a republica do Paraguay. 



OO 321 

Ootavia»no Bsselin -~ Nataral de Gayaz, seguia o Ainc- 
cionaligmo publico na repartiç^ de fasenda, foi iaspeotor da tbesou- 
raria de Sergipe, e se aposentou como chefe de seoçãk) da alfandega. 
Quando esteve na thesouraria de S. Paulo, frequentou a faculdade de 
direito» mas nao continuou o curso. Escreveu: 

— O auxUiar da tarifo das Alfandegas. Rio de Janeiro 1894, in-8<* 
-* B' uma compilação das disposições esparsas relativamente às tarifas 
e á arrecadação de impostos. 

Octaviano Hudson — Filho do antigo presidente da junta 
de corretores da cidade do Rio de Janeiro, George Hudsou, nasceu nesta 
cidade a 6 de junho de 1837 e falleceu a 12 de fevereiro de 1886. No- 
ticiando a morte desse homem, que entrou na vida social pela modesta 
posição de typographo na typographia nacional e reiacionou-se depois 
com homens dos mais alto coUocados na corte, disse O Paiz de 13 de 
fevereiro de 1886 : « Foi compositor typographo, foi pedagogo, foi poeta, 
foi politico, foi jornalista, trabalhando sempre em humilde esphera^ 
mas sempre impulsado pela febre da propaganda em favor de tudo que 
lhe parecia nobre e generoso.» Foi no irresistível impulso dessa febre 
que elle chegou-se aos primeiros vultos do Rio de Janeiro. Para a in- 
fância desvalida elle não pedia só ; esmolava. Escreveu: 

•^ P^ro America. Descripção do quadro da batalha do Campo 
Grao^d. Rio de Janeiro, 1871, 16 pags. in-8^ 

— MetJiodo dê leitura offereoido à infância e ao povo. 1* edição; 
500 exemplares, mandado imprimir por conta de uma subscripção po^ 
pular, promovida na província de S. Paulo. Distribuiç^ gratuita. São . 
Paulo, 1875, in-I2<» — Seguiram-se outras ediçOes, como 

— Methodo Hudson, offerecido á infanda e ao povo. Rio de Ja-" 
neiro, 1876; 40 pags. in-8<» — Livro para as escolas da instrucção pri- 
maria, fbi acolhido com applauso tal, que no mesmo anno fizeram-se 
mais duas edições. A primeira edição foi feita & expensas do grande 
Orlenteunldo do Brasil ; as outrns por algumas lojas maçónicas e por 
cavalheiros amigos das lettras, sendo gratuitamente distribuídos quinze 
mil exemplares. 

—• Pere^nna^ ; poesias cora um juizo critico por Fagundes Va* n 
relia. Rio de Janeiro, 188^ ^ E* de sua penna a 

— Musa do povo — Com este titulo publicou diariamente, por es* 
paço de alguns annos, no Jomxldo Commercio da corte, uma oomposição 
poetico-sat yrlca, mas sempre sob um ponto de vista proveitoso. 

Vol. VI - 8t 



1 



322 OO 

Oota^viano Afonias Ba.x*reto— Pilho de Luiz Gaetaoo 
Mooiz Barreto e dona Aana Rita de Menezes Barbalbo Moniz Barreto, 
nasceu na provincia, lioje estado da Bahia, por cuja faculdade de me- 
dicina ó graduado doutor. Exerce o cargo de secretario do interior, 
Justiça e instruoçfto da Bahia, e escreveu: 

— Valar diagnostico dos signaes fornecidos pela auscultação: these 
apresentada e sustentada, etc. para receber o gráo de doutor em medi- 
cina. Bahia, 1883 , 46 pags. in-4«. 

— Manifesto lido perante o Conselho municipal de Santo Amaro, 
Estado da Bahia. Bahia, 1891^'— E' sustentando adiffusão da instmccão 
como o meio mais effloaz de engrandedmento dos Estados, começando 
peio ensino primário obrigatório. 

Octa.via.iio «lerToledo— Fillio do capitão António Au« 
gusto de Toledo, e irmão de Laíàyette de Toledo, de quem jà me 
oocupei, nasceu a 20 de dezembro de 1863 em Araxá, Minas Qeraes, 
e ahi falleceu a 23 de setembro de 1894. Dedicou-se ao commercio e 
também ás lettras, coliaborando para vários periódicos de Minas e Ibi 
sócio do Instituto histórico e geographico brazileiro. Escreveu: 

— Noticia histórica e geographica do Araxá. 

Octávio E28teve0 Otto^i — Filho do doutor Manuel 
Esteves Ottoni, nasceu na colónia do Mucury, Minas Geraes, pelo anno 
de 1855 e falleceu na cidade do Rio de Janeiro a 7 de julho de 1894, 
doutor em medicina*pela faculdade desta cidade, deputado ao con- 
gresso mineiro, de que foi presidente, e eleito deputado ao congresso 
federal. Escreveu: 

— Diagnostico differencial das affeoções coxo-femuraes ; Bntosoa- 
rios do homem ; Alterações pathologicas da placenta ; Do jaborandy; 
sua acção physiologica e therapeutica: these apresentada á faculdade 
de medicina do Rio de Janeiro, etc., para otber o gráo de doutor em 
medicina. Rio de Janeiro, 1878, in-*4<» gr. 

— O assassinato do Dr. Manoel Esteves Ottoni: memoria por seu 
illho, eto. Rio de Janeiro, 1876, Zi pags. in-4«. 

Oota.vio Mendes ~ Filho de Manuel Francisco Mendes, 
nasceu em Campinas, S. Paulo, e na faculdade deste estado bacha- 
relou-se em direito em 1889. Foi juiz em Sorocaba de 1892 a 1894, 
estabeleoeu-se depois como advogado e é deputado ao congresso 
paulista. Escreveu: 

— Da tentativa ^T Puglia: traducçâo. S. Paulo (?>• 



OD 323 

— Legitima defesa por Fiorctti: Iraduc^ão. S. Paulo* 189!, ia-8«. 

— Nova eicola penal por Lioy: traducçao. S. Paulo ( ? ). 

— Prolegomenos ao estudo do direito repressivo por F. Puglia: 
IradueçSo. S. Paulo, 1891, in-8«. 

— Reforma da administração local: discurso pronuaclado na ca. 
marados deputados ua sessão do 7 de julho de 1897. S. Paulo, 1897, 
in-8». 

!>• Odilia* Ma]rq.ixes da. Silva.— Nascida no Rio Grande 
do Sul, cultivou as lettras, e escreveu : 

— Discurso pronunciado na sessão fúnebre, celebrada em honra â 
memoria do sempre lembrado Visconde do Rio Branco no dia 30 de 
novembro de 1880 no templo da benemérita loja União Constante — 
Foi publicado no periódico O Artista de 17 de dezembro de 1880. 

Odorioo Oetavio Odiloa — Filho de dona Rosa Maria 
do Nascimento, nasceu na Bahia, onde se formou em medicina em 1862, 
jà então lente de geographia e sócio do primitivo Instituto histórico 
da Bahia. Dedicou-se sempre ao magistério, ô poeta, sócio fundador do 
novo Instituto geographico e histórico da Bahia, e escreveu: 

— Qual a medicação que mais convém na febre typhica ? Qual 
o melhor apparelho nas fracturas do fémur ? Haverá clasaiílcação 
de ferimentos que possa casar convenientemente a lei com os 
factos ? These apresentada á Faculdade de Medicina da Bahia, etc. 
Bahia, 1862, in-4o gr. 

— Elementos de geographia moderna ; 3* edição. Bahia, 1895, 117 
pags., in-8^ 

Olavo Fjreire da [Silva — Filho de Feliciano Freire da 
Silva e dona Júlia Malheiros Freire, nasceu no Rio de Janeiro a 10 de 
maio de 1869. Fez o curso de humanidades no coUegio Menezes Vieira 
e foi sempre dedicado amigo desse grande educador da mocidade ; foi es • 
tuiante da escola polytechnica até o segundo anno, professor da escola 
normal desta capital em 1889 e de 1890 em diante, da casa de S. Josô 
e conservador do extincto Pedagogium. Escreveu: 

— > Methodo para o ensino de desenho elementar, destinado à primeira 
classe das escolas primarias de accordo com o respectivo programma offl- 
cial. Rio de Janeiro, 1892, in-8<>~Gomp0e-8edesete fascículos e é um tra- 
balho adaptado ã infância, precedido de uma explicação aos professores 
— Ha deste livro uma 2* edição de 1896. 



324 

— Noçõps olementares de geometria pralica, escriptas do accordo 
oom o programma das escolas publicas da capital federal. Rto de Ja- 
neiro, 1895, in-8<* — E^te livro tem um prefacio do dr. Meneses Vieira 
e foi approvado e premiado pelo Consellio de instracç&o publica, Jà 
houve deile 2"" edíçSlo. 

— Curso de calligraphia. Rio de Janeiro, 1890, in-d*" ^ B* empeis 
fascículos e destinado ás classes primarias de P e 2^ gr&os. 

— Chorographia do Brasil (curso superior ). Antigamente pnbli- | 
cada oom o titulo de Q^ographick das Propifidas do BrasH, oonteado | 
uma carta geographica de cada Estado do Brasil desenhada por Olavo ! 
Freire^ texto pelo dr. Moreira Pinto, obra poremiada pelo jury da ex- 
posiçSo pedagógica, 4^^ edigão, muito augmentada. Adoptada na escola 
normal da capital federal, no gymnasio nacional, na escola normal do 
estado do Rio de Janeiro, na de S. Paulo, etc. 1 grande volume. 

«- Annuario do ensino. !<> anno. Paris, 1 vol.— Com o dr. Me- j 

neaei Vieira. De mappaa tem: 

— Mappa dofl distriotos escolares urbanoe da capital federal. Rio 
de Janeiro, 1899— Foi mandado para a exposição de Chioago. 

-^ Ifappa do Brasil. Paris, 1894, 1 ú. 

^ Mappa do districto federal. Paris, 1894, 1 íl. 

«. Planispherio. Paris, 1894, 1 fl. 

— > Ifappdgeral de todos os Pedagogiurns do mundo — Achasse no i 
Pedagogium desta capital. 

Olavo de feirei tas Martlixs-* Oriundo de família pobre, 
naseeu a 18 de junho de 1874 na villa de S. Francisco de Sergipe do 
Ck)nde, da Bahia. Applicado desde tonra idade ao estudo de nossa his- 
toria o litteratura, estabeleceu na capital da Bahia uma pequena livra- 
ria, donde, a par do desejo de instruir-se, pudesse ao mesmo (empo 
tirar os meios para sua subsistência. Foi depois agente de varias 
companhias da sua província e do Rio de Janeiro e um dos fundadores 
do Instituto geographico e histórico da Bahia, em cuja capital íhlleeea 
a 11 de outubro de 1897. Escreveu: 

-i- Apontamentos sobre Frei Henrique de Coimbra, o virtuoso fran- 
ciscano que celebrou a primeira missa no Brasil — - Este trabalho foi | 
publicado em fevereiro de 189Ô no Correio de Noticias da Bahia, e 
transcripto na Revista do Instituto Oeographieo e Histórico da Bahia 
em dezembro de 1896. 

— Oiíarfro dos Bispos e Arcebispos da Archidiooese da Bahia» Bíihia, 
outubro de 1894. 



J 



325 



-«-> Biographia de todos 00 Bispos do Brasil — obra inédita qaasi oou- 
claida, qnando o autor falleoeu e da qual j& tem sido publicadas aN 
gumas biographias. 

Olavo dod OuIiiiai*eLe0 Bilao -^ Filho do doutor Braz 
Martins dos Guimarães Bilac e nascido no Rio de Janeiro a 16 de de- 
zembro de 1865, fez o curso da faculdade de medicina desta cidade até 
o quinto anno ; abandonando esta faculdade, matriculou-se na de di-^ 
reito de S.Paulo, que também abandonou. Viotima do estado de sitio, 
esteve preso durante cinco mezes na fortaleza da Lage por ocoasiSo da 
revolta contra o governo do marechal Floriano Peixoto. Foi offioial- 
maior da secretaria do interior do estado do Rio de Janeiro no governo 
do dr. Portella e é membro da Academia de lettras. Talento robusto, 
ê tSLo distincto poeta, como prosador, tem collaborado para muitos pe« 
riodicos e revistas e redigiu: 

^ O Combate. Rio de Janeiro, 1892 •* É uma folha contraria à 
administração do presidente da Republica. Teve por companheiro 
Pardal Mallet. 

— A Cigarra', jornal illustrado» Rio de Janeiro, 1895, in-fol. peq* 
•^A Brwcai jornal illuatrado. Rio de Janeiro, 1898— Escreveu: 

— Poesias. S. Paulo, 1888, 250 pags. in-8^ / 

— Chronicas e novellas. 1893-1894. Rio de Janeiro, 1894, 300 y 
pags. in-B^ — São quatorze composições. 

— A terra fluminense por Olavo Bilac e Coelho Netto — Sujeita ao 
jnizo do Conselho da instrucção publica do estado do Rio 'de Janeiro, e 
por elle approvado, foi determinada sua publicação em fevereiro de 
1898. 

— • Sagres: poemeto recitado na sessão magna da grande Commisaão 
portuguesa do Centenário da índia no Oabinete portuguez de leitura a 
80 de maio de 1898. 

-* Pratioa da lingua portugueza: livro de compotíção para o curso 
complementar das escolas primarias ; approvado e adoptado polo oon- 
selho superior da instrucção publica da capital federal. Rio de Janeiro, 
1899, V-»356 pags. in-S^" — São dous volumes: o segundo intitulasse 
Livro de leitura» 

Olavo «José Rodi^igues Pimenta» — Natural da 
Bahia e nascido pelo anuo de 1810, ahi falleceu, sendo escrivão priva^- 
tivo do juizo do commercio. Foi pai do doutor Altino Rodrigues Pi- 






326 OIL. 

menta, mencionado neste livro e também follecido na Bahia, ocenpando 
o cargo de Juiz de orphSos, a 29 de agosto de 1891 . Escreveu: 

— Guia maritima^ accommodada ao Código commercial brasileiro. 
Bahia, 1870, in-4«. 

— Áppendice da Gaia marítima, accommodvla ao Código com« 
mercial brasileiro. Bahia, 1871, in-4*. 

— O noivado de smgue: drama. Bahia, 1846, in-8«. 

Olegário TXerculciiio de A.qiiliio e Oa,9tro — 

Filho do major Thomaz de Aquino e Castro, nasceu na oidade de Sl^ 
Paulo a 30 de março de 1828. Bacharel e depois doutor em direito pela 
faculdade dessa província, hoje estado, seguiu a carreira da magistra- 
tura, occupando diversos cargos desde o de promotor publico em 1849 
até o de ministro do Supremo tribunal de justiça em 1886. Nomeado 
para o Supremo Tribunal Federal, por oecasiioda installaçfio do mesmo 
tribunal, foi delle yice-presidente no regimen da Republica e é hoje 
presidente. Representou sua província na assemblóa geral em duas 
legislaturas e presidiu a de Minns Geraes. Agraciado com o titulo de 
conselho do Imperador d. Pedro II, foi conselheiro de estarlo oxtrao^ 
dinario, yeador de S. M. a Imperatriz e gentiUhomem da imperial 
camará. E' grft-cruz da ordem de Christo do Brasil e da de N. S. da 
Conceição de Villa Viçosa de Portugal, sócio benemérito e presidente 
do Instituto histórico e geographico brasileiro, sócio da sociedade de 
Geographia do Rio de Janeiro, do Athenêo de Lima, do Instituto 
geographico argentino e de outras associações de lettras. Escreveu: 

— These para o grào de doutor em direito, etc. S. Paulo, 1849. 

— Regulamento para as cadeias o casas de prisão da província de 
Goyaz. Goyaz, 1856. 

— Formulário sobre a marcha dos processos policiaes. Goyaz, 
1857— Segunda edição, S. Paulo, 1857, 20 pags. in-8«. 

— Pratica dína correiçOes: commentario ao regulamento de 2 de 
outubro de 1851. Rio de Janeiro, 1862, 561 pags. in-S"". 

-— Elogio histórico do Conselheiro Manoel Joaquim do Amaral Gar- 
gel, e noticia dos successos politico? relativos k proclama^ da iude- 
pendencia. Rio de Janeiro, 1871, 164 pags. in-8*. 

— Parecer sobre negócios da Santa Casa da Misericórdia de São 
Paulo. S. Paulo, 1874. 

— Fallenciás de sooiedades anonymas. Rio de Janeiro, 1878. 

— Discurso proferido na Camará dos deputados por occasiSo de ser 
discutido o Toto de graças. Rio de Janeiro, 1879, 81 pags. in-S^*. 



327 



— Discurso proferido na sesafto magna do Instituto historioo e geo- 
graphico brasileiro, contendo o elogio de 17 sócios falleoidos no anoo 
de 1880. Rio de Janeiro, 1881, 15pags. in-8^ 

— Reforma ináiciSLvm. Projectos e exposição dos motivos. Rio de 
Janeiro, 1873, 78pag8. in-8^ 

* Rekttario com que foi passada a administração da província de 
Minas Geraes ao vice-presidente a 13 de abril de 1885. Ouro Preto, 
1885, 56 pags. iD-4^ 

— Programma para o desenvolvimento da parte do projeoto do 
Godigo civil brasileiro, relativa ao direito das cousas. Rio de Janeiro, 
1888. 

— Discurso proferido a 31 de outubro de 1889 na sessão solemne do 
Instituto histórico e geographico brasileiro em honra da offlcialidade 
do encouragado chileno Almirante Cochrane. Rio de Janeiro, 1889, 27 
pags. in-8<». 

— Discurso proferido a 4 de março de 1892 perante o Instituto his- 
tórico na sessão commemorativa do íSEillecimento do Sr. d. Pedro II. Rio 
de Janeiro, 1892, 19 pags. in-8«. 

— Discurso proferido como presidente do Instituto histórico na 
sessão magna anniversaria de 1892. Rio de Janeiro, 1893, 10 pags. in-8». 

— O Instituto histórico e geographico brasileiro desde a sua fun- 
dação até hoje : memoria apresentada ao Sr. Ministro da Justiça e 
negócios interiores pelo presidente, etc. Rio de Janeiro, 1897, 33 pags. 
in-4^ — No Catalogo da exposição de trabalhos jurídicos, realizada pelo 
Instituto da ordem dos advogados brasileiros a 7 de setembro de 1894 
faz-se menção, sob o nome deste autor, do seguinte 

— Projecto do Código civil e noticia dos trabalhos da Commissão 
nomeada pelo Qoverno a 1 1 de julho de 1889, etc. — Ha deste autor 
diversos trabalhos jurídicos e litterarios, publicados uas revistas O Di^ 
reUú^ de cuja redacção faz parte desde 1873, Gazeta Juridica, Revista 
trimensal do Instituto histórico e vários artigos sobre política, admi- 
nistração, etc, em jornaes. 

Oliverio cie r>eii9 Vieira — Filho do tenente-coronel 
Joaquim Pedro Vieira e dona Ubaldina da Fontoura Vieira, nasceu 
na cidade de S. Qabriel, Rio Grande do Sul, a 15 de outubro de 1861. 
Como praça do voluntário no exercito, começou a servir no segundo 
regimento de cwailaria com dezeseis annos de edade, sendo hoje te- 
nente desta arma. De grande applicação ás lattras, muito cedo começou 
a escrever e publicar trabalhos de valor, coroo: 

— O militar arregimentado. Rio de Janeiro, 1886, 450 pogs. in-8«. 



1 



338 OL 

-^ O apontador mUitar. Rio Grande do Sul, 1888, 317 paga. iQ-8'- 
Estas dnas obras fortim poblicadas sendo o autor cadete. 

— Supplemento do Militar arregimentado. Rio de Janeiro» 1896, 2 
Tois. de 1,445 paga.— Contém esta obra tudo quanto ha oooorrldo, 
modifloando, alterandoí ou accrescentando a legislação, ordens e ía« 
8trucc(5es technicas relativas ao serviço de guerra. 

— O exame praticai <^llecç9ío e indicação das instrucçOes e regula- 
mentos, etc. necessários para resolver-se as questões constantes do 
programma para os exames geraes dos oíflciaes, officiaes inferiores e 
cadetes das armas de infánteria, cavallaria e artiiheria, organisado pela 
Congrega^ da Escola militar da capital federal para os postos de 
alferes e 2<» tenente, capitão e major em gdral, de aocordo com a lei 
n. 39 A, de 30 de janeiro de 1892, artigo XXV, que exige para as premo- 
ç5es dos officiaes do exercito, emquanto não for decretada uma lei geral 
de promoções, os exames práticos de que tratam os arts. S8 e 29 
( pag, XXVI ) do regulamento de 23 de março de 1651. Rio de Janeiro, 
1893, 4 Yols. in-4®, a saber: 

\^ vol. Exame pratico para o posto de alferes de infánteria e cavai* 
laria. XXXVI — 519 pags. 

2° Yol. Exame pratico para 2» tenente da arma de artiiheria* 
Numeração seguida atô a pag. 989. 

3^^ parte. Exame pratico para o posto de capitão em geral* Idem 
até pag. 14G1. 

4^ parte. Exame pratico para o posto de major em geral-^ Idem 
até a pag. 2177. 

Olivio ao Bairros — Pseudonymo de Affonso Arinos 
de Mello Franco, filho do dr. Virgílio Martins de Mello Franco, na- 
tural de Minas Oeraei e bacharel em sciencias jurídicas e sociaes pela 
Acuidade de S« Paulo, onde se graduou em 18S9, desde muito moço 
dodloou*ie & imprensa e é distincto advogado. Escreveu t 

i* Oi Jagunços : novella sertaneja, escripta expressamente para 
o Oommoreio de S. Paulo e publicada por esta Iblha. S, PaulO| 1897, 2 
Tols. in-8<> com o retrato de António Conselheiro. 

— Sertão: livro de contos. Rio de Janeiro, 1898, in-8\ 

Ol^rmpio de ^xra,iijo — Natural de Minas Geraes, é 
apenas o que sei a seu respeito. Escreveu: 

— Aquarellas: contos. Rio de Janeiro, 1893, 235 pags. in-8<» — E' 
uma serie de contos singelos, como singela ó a vida da roça, eecriptos 
com naturalidade e graça. 



Oru 329 

Olj^mpio cie BairoelloM — Li que falieoera em firu« 
xellas a 28 de agosto de 1883, atirando-se n'uin canal em momento de 
loucura. Era poeta, litterato e escreveu: 

— Peregrinos: versos. Rio de Janeiro, 1874, 90 pags. in-4«. -^ 

— Juítrez: drama histórico com um prologo» oinoo actos e três i/^ 
quadros, acompanhado de notas sobre a revolução mexicana. Rio da 
Janehro, 1877, in-4*». 

Olímpio Douald da Ounlia Pediroaa — Filho 
do oapitão Raymundo da Cunha Pedrosa e dona Maria José dos Pra- 
zeres Pedrosa, nasceu na província da Parahyba a 7 de julho de 18G7 e 
bacharel em direito pela faculdade de Recife, seguiu a carreira da ma- 
gistratura, ondeoccupa um logar;dejuiz de direito. Cultiva com esmero 
a' poesia e tem de suas producções muitas Jà publicadas em periódicos e 
revistas. Colleccionadas publicou: 

— Crep\Meulares: poesias. Recife, 1886, — com um prefacio do / 
dr. Âlcedo de Marrocos e uma carta do dr. Tobias Barreto, que aprecia 

e applaudea estréa do joven poeta. Entre as poesias deste livro são 
notáveis a» que teem por titulo: Minha mãe, O camponez e Fertet opus^ 

Ol^rmpio Oatlio — Professor pela Escola normal de 
S. Paulo. Sei que cultivou a poesia e que publicou algumas compo- 
sições deste género. Escreveu: 

— O negro-, drama em um prologo, três actos e um epilogo. Rio / 
de Janeiro, sem data, 101 pags. in-8^. 

— Reforma á2k instrucção publica no Estado de S. Paulo. Rio de 
Janeiro, 1891, ln-8<>— Foi um dos redatftoresda 

— Gazeta de Lorena: Lorena, 188*, in-fol. peq. 

Olímpio Hluzelbio de A.rx*oxellas Oalv&o- 

Filho de José Bernardo de Arroxellas Qalvão e nasoido a 28 de janeiro 
de 18 tô na cidade de Maceió, capital de Alagoas, ahi fiillecea a 4 de 
mar^o de 1882 no exercioio do cargo de Juiz de direito da comarca de 
Porto Calvo, da mesma provinda, que representou na 15» legislatura 
gerah Era bacharel em sclenoias sociaes e jurídicas pela faculdade do 
Recife esooio ftindador do Instituto archeologico e geographico ala* 
goaao. Escreveu: 

-^Compilação á£iS leis provinciaes das Alagoas de 1835 a 1872, com- 
prehendendo os actos administrativos e legislação subsidiaria e seguida 
de am repertório alphabetico das matérias contidas na Compilação* 
Maceió, 1870 a 1874, 7 vora. in-4o— O 6» vol. desta obra ô datado de 



^ 



330 



1872, e o ultimo é um Appendioe. No 1* teve o dr. Arrozellas GalrSo 
a cooperação do empregado da secretaria do governo Tiborcio Vale- 
riano de Araújo. 

— Assembléa legislativa provincial das Alagoas, contendo os 
nomea dos deputados das dezoito legislaturas de 1835 a 1871, as mesas 
e os trabalhos ou occurrencias principaes de cada assembléa, com as 
datas de suas iostallações, adiamentos e prorogaç9es e nomes dos pre- 
sidentes que as installaram. Maceió, 1871, in-4o. 

— Viagem do dr. José Bento da Cunha Figueiredo Júnior, pre- 
sidente das Alagoas, pelo rio S. Francisco até o porto de Piranhas. 
Maceió, 1869, 9 pags. m-Á? obl. com vistas photographadas — E' es- 
cripto com o dr. J. A. de Magalhães Bastos. 

~~ Viagem do dr. José Bento da Cunha Figueiredo Júnior, etc. aci- 
dado de S. Miguel e villa de Cururipe. Maceió, 1869, 3 pags. iD-4< 
obl. com vistas photographicas. 

— Viagem do dr. José Bento da Cunha Figueiredo às comarcas de 
Camaragibe e Porto-Calvo. Maceió, 1869, 17 pags. in-4« oom vistas 
photographicas. 

— Viagem do rio S. Francisco. Visita do dr. José Bento da 
Cunha Figueiredo ãs comarcas de Penedo e Matta-Grande de 11 a 2S 
de julho de 1869. Maceió, 1869, 11 pags. in-4o obl. com vistas photo- 
graphicas. 

— Visita do dr. José Bento da Cunha Figueiredo ás comarcas da Im- 
peratriz, Anadia e Atalaia. Maceió, 1870,6 pags. in-4''obl. com 
vistas photographicas. 

— Poç .'. de Archr. recitada na Aug.*. Loj.'. Cap.*. Virtudee 
Bondade ao Ord.-. de Maceió oq^ Sess.*. Mag.*. de Inic*. do Neoph.'. 
B. H. G. a 27 de outubro de 1869, E. V. Maceió, 1869, 21 pags. in-4\ 

— Quadros administrativos da proviucia dns Alagoas — Ineditos.de 
7 fls. oflferecidos ao Instituto histórico— O autor foi um dos reda- 
ctores da 

— Revista do Instituto archeologico e geographico alagoano. 
Maceió, 1870-1884, in-8« — Até este anno esta publicação formou dons 
volumes, e da penna do dr. Arroxellas Galvão distinguem- se: 

— Memoria sobro os conselhos geraes da provinda das Alagoas. 
1829 a 1833. Apontamentos — No tomo 2o, pags. 73 a 82 e 105 a 122. 

— Succinta exposição do municipio e villa de Porto Calvo — No 
tomo 2«, pags. 173 a 186 e 215 a 232. Não sei si é trabalho diverso da 

— Memoria descriptiva e histórica do municipio de Porto-Calvo, 
organisada por incumbência da camará municipal da referida cidade ^ 
O original de 86 pags. in-fol. pertence á Blbliotheca nacional da corte, 



331 

a quem foi offerecido oomo resposta ao questionário por oocasião da 
exposição de historia pátria de 1880. 

— Memorial alagoano^ contendo as ephemerides da província das 
Alagoas, de 1633 a 1880, coordenado, eto.— Foi seu ultimo trabalho, tra- 
balho de grande merecimento, doado ao Instituto alagoano. Ha ainda 
escriptos de Arroxellas Galvão, como: 

— Alagoas : Limites, figura, extensão, clima e fundação das Ala- 
goas. Riqueza mineralógica das Alagoas. Aldeia de indios nas Alagoas. 
Producç()es vegetaes nas Alagoas. Engenhos e fabrico de assucar nas 
Alagoas. PÃO brazil. O presidente Silva Neves. Curiosidades e cele- 
bridades históricas. Poço da Caldeira. Ainda o poço da Caldeira. Pal- 
meiras. Batalha e cerco do Porto Calvo. Naufrágio e martyrio do 
P bispo do Brasil. Calabar ( 1632 a 1635 )— No Almanak de lem- 
branças brasileiras do dr. César A. Marques para 1867, pags. 12 a 14, 
39 a 41, 56 a 58, 62 e 63, 74 a 76, 121 a 123, 150 e 160, 182 a 184, 
211 a 213, 243 a 245, 249 a 262, 273 a 275, 287 a 289, 314 a 316 e 
353 a 356 — Redigiu ainda: 

^ O Mercantil. Maceió, 1862. 

OlT^npio Oalvão — Não conheço este autor, mas apenas 
86a trabalho: 

— O Guilherme: conto. Rio de Janeiro, 1895 » E* uma edição y 
feita para brinde aos assignantes da Revista Moderna. 

Ol^rn&pio Oiffexxigr <ie Niemeyer — Filho do co- 
ronel de engenheiros Conrado Jacob de Niemeyer 1<^, e irmão de Con- 
rado Jacob de Niemeyer 29, ambos mencionados neste livro, e dona 
Olympia Giffenig de Niemeyer, nasceu a 7 de março de 1844 na cidade 
da Bahia e ô bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo e doutor em 
sciencias pela universidade de Leipzig. Exerceu cargos de magistratura 
DO Espirito Santo e Minas Geraes ; foi director geral de instrucção 
pablica úo Espirito Santo, secretario da policia em S. Paulo e secre- 
tario do governo no Amazonas. E' lente cathedratico da faculdade 
livre de direito do Rio de Janeiro e advogado. Escreveu: 

— Lógica jurídica. Original francez. Paris, 1875, in-8« — J. B. 
Dnvergier considerou este trabalho «obra de um espirito recto e 
flrme» de um legista iniciado nos arcanos da sciencia ». 

— Estudos eriminaes sobre o direito policial. Rio de Janeiro, 1876 — 
Bste trabalho ó dividido em duas partes: primeira. Crimes policiaes ; 
segunda. Processo policial. 



33^ OL 

— Da influencia do direito rontano em matopia do u3ufructo nas 
legislações sul-americanas. ( Eoi allem5o|) Vlonna d' Áustria, 1878, in-S*. 

— Á analyse infinitesimal^ no seu metliodo, apreciável à demoQ- 
stração da existência de Deus : desenvolvimento da doutrina de Santo 
Anselmo. Rio de Janeiro, 1890» in-8^ 

— As corporações de mdo-morta e o imposto predial excepcional. 
Rio de Janeiro, 1896. 

— Protesto apresentado a 6 de setembro de 1873 e neste mesmo 1 
dia remettido à commlssão do obras publicas da camará dos deputados 
sobre o arrazamento do morro do Castello, com a collaboraçSo do 
marechal Conrado Jacob de Niemeyer. 

>-> Domínio doj religiosos benediciinos e posse da illia do Gove^ 
nador. Rio do Janeiro, 1899, in-8<». 

Olynxpio José Olxavantea — Filho do commendador 
Anacleto José Chavantes e dona Maria Pastora Alves Chavantee, 
nasceu na cidade de Laranjeiras, Sergipe, a 4 de maio de 1838, e falleceu 
na capital federal a 20 de setembro de 1897. Com praça de aspirante 
fez o curso da escola naval e serviu na armada até o posto de P te- 
nente, em que foi reformado em 1868. Professor de apparelhos e ma« 
nobras desta escola, com as honras de capitão de fragata, e por decreto 
do governo provisório da Republica com as de capitão de mar e guerra, i 

foi jubilado em 1890. Era cavalleiro da ordem da Rosa e tinha a 
medalha do Riaohuelo, e da oampanha do Paraguay, quer do Brasil, 
quer da Republica Argentina, e a Cruz do Mérito naval da Hespanha» 
Escreveu : 

— Compendio de apparelhos dos navios para uso dos alumnos da Es- 
cola de Marinha, publicado e adoptado pelo governo imperial, e lllustra* 
do com 263 estampas intercaladas no texto. Rio de Janeiro, 1881, in-8^, 

Olympio Ijeite Olxermont — Filho de António La- 
oerda Ohermont e dona Catharina Leite de Miranda, é natural do 
Par&, tem o curso de engenharia feito em Paris, ó engenheiro municipal 
e ajudante da oommiisão de saneamento da capital desse estado e es- 
creveu: 

— Casas para proletários: breve estudo pelo dr., etc. Pará, 1890 
^ B' um trabalho de mérito pela importância do assumpto e pelos 
conhecimentos que o autor revelou. 

-— A cre^nação : estudo offerecido ao Exm» senador António José de 
Lemos, intendente municipal, e dr. Henrique Américo de Santa Rosa, 



OIL. 333 

chefe da oommi^ão do saQ3amento de Belóm -*- N'A Província do Pará 
de 21 de dezembro de 1899 a 22 de Janeiro de 1900. 

Ol^^mpio d.o Nieiueyer — Pilho do marechal Gonrado 
Jacob de Niemeyer, 2<*, e dona Maria Luisa Menna Barreto do Nie- 
meyer, nasceu na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sal, pelo anno de 
1859, é official da Directoria geral de instrução na capital federal e 
quando esteve no Amazonas escreveu: 

— Os Índios Chrichanàs. Rio de Janeiro, 1885 — E' uma ooUecção 
de artigos publicados sobre o congraça monto dessa tribu que habita as 
margens do Jauapery no Amazonas, congraçamento alcançado pelo 
naturalista brasileiro João Barbosa Rodrigues ( vcja-se este nome ) * O 
autor se pronuncia contra as violências inílígidas na catechese dos 
Índios. 

Olympio !Pereira da IIIa,tta — Natural da Bahia; 
escreveu: 

— Noticia biographica de músicos e pintores nacionaes do principio 
do século. Bahia 

Olympio I^inlieiro da Silva — Segundo me parece, 
ô natural da cidade de Rezende, estado do Rio de Janeiro, e ahi resi- 
dente; escreveu: 

— Pela laiíourji, Rezende, 1898, in-S*» — E' uma reproducçâo de 
artigos que publicara antes no Tymburibá da cidade de Rezende e que 
continuaram a sahir em 1899 n'0 Domingo da mesma cidade. 

OlyutUo «José Meira — Filhq de Josô Bento Meira de 
VascoQcellos, nasceu na província da Parahyba a 7 de junho de 1829. 
Bacharel em direito pela faculdade do Recife, seguiu a carreira da ma- 
gistratura, onde, sendo juiz de direito, foi declarado avulso. Em 1861 
foi chefe de policia do Pará e administrou essa provinda como vice-pre- 
sidente. Depois, em 1863, administrou o Rio Grande do Norte, onde re- 
side. Escreveu: 

— Castalia brasileira : poesias selectas de autores brasileiros, an- v 
tigos e modernos. Pernambuco, 1850, in-d<» — Cursava então o autor o 
quinto anno de direito* Sei que o dr. Olyntho escreveu ainda: 

— Questão grave. Pará, 1861 — E* um opúsculo em que o autor 
analysa um aviso do governo, referente a um acto seu. 

— Sobre a magistratura — Mais de um opúsculo. 

— Sobre a agricultura -« Idem* Nunca pude ver esses trabalhos. 



1 



334 



Ol^ntlio Rod]:*ig'ues Dantas — Pilho de Gemioiaao 
Uodrígaes Dantas» nasceu na cidade de Itabaiana, em Sergipe, a 23 de 
agosto de 1861. Feito o curso de humanidades no Athenôo sergipense, 
cursou a faculdade de medicina da Bahia, vindo concluir esse curso e 
receber o grÀo de doutor na do Rio de Janeiro. Exerceu depois o ma- 
gistério, leccionando naquelle Athenôo, clinicou em Aracaju e em 
Santos, cidade de S. Paulo, e foi em Sergipe um dos propagandistas do 
systema republicano no jornal O Republioano, de Laraz^jeiras, trans- 
ferido depois para a capitai. Escreveu: 

— Da influencia que exercem as moléstias do coração sobre o fí- 
gado e reciprocamente deste orgáo sobre o centro circulatório: these 
apresentada á faculdade de medicina, etc. Rio de Janeiro, 1885, 59 pags. 
in-40. 

— F^re amarella — No Brasil Medico, 1894, pags. 193 a 5201. 

— Febre amarella^ typhica ou malária ?— Idem, idem, pags. 241 
a 247 — Este trabalho foi também publicado em opúsculo. 

— Traços epidemiológicos da febre amarella. Rio de Janeiro, 18^ 
— B* este livro o resultado de suas observações na epidemia de 1895 
em Santos. A primeira parte do livro ó uma investigação da génese das 
epidemias dessa febre em Santos. Dahi passa o autor a estudar a 
evolução annual desse mal na capital federal e em Santos, apresen- 
tando copiosos dados estatísticos, quer com relação ao desenvolvimeato 
da febre, quer com relação aos casos particularisados. 

Oplando da Fonseoa Bang^el — Filho de Feliciano 
da Fonseca Rangel e nascido em Cordeiros, município de Nitheroy, a 
29 de fevereiro de I8681 é pharmaceutico pela faculdade de medicina do 
Rio de Janeiro, membro titular da Academia nacional de medicina, 
membro da sociedade de medicina e cirurgia da mesma cidade e da 
sociedade de igual titulo de Nitheroy. Escreveu: 

•^ A nozáe kola na therapeutica: memoria apresentada á Aca- 
demia nacional de medicina. Rio de Janeiro, 1895, in-8« •— Foi publi- 
cada no mesmo anno nos Annaes desta academia. 

— Gatoco/ crystallisado : communicação feita ã Academia nacional 
de medicina — publicada nos respectivos boletins. 

— Phosphatos alcoólicos de sódio e potássio: communioação, etc.— 
Nos mesmos boletins. 

~~ Ujso da kola fresca e secca: communicação, etc— Nos Annaes 
da Academia, 1897. . 



335 



^ Doitso áo arsdnico, como praventiTO da febre amarella ^pj^lr^ 
catlo na parte editorial do Jornal do Commercio e da Ga^ciu ae Noticias^ 
em fevereiro de 1892. Bste autor tem ç|. publicar: 

— Estudo histórico, oompoçiyão chimica, aoção physiologica e the- 
cap<^ntica da cascara sagrada. 

Ojrlando IMCartin.» Xeixeira; — Filho do doutor Josô 
MartlDS Teixeira e dona Joanna Viegas Teixeira, nasceu em S. João da 
Boa Vista, S. Paulo, a 27 de agosto de 1875. Foi empregado da Prefei- 
tara municipal eéguarda-livros. Poeta e jornalista, tem collaborado 
paradiversos jornaes desta capital, foi secretario da Gazeta da Tarde^ e 
babil oomediographo ; escreveu: 

— Pão-pão^ queijo-queijo : comedla-revista em 3 actos e 12 quadros 
com Demétrio de Toledo, representada no theatro Lucinda a 28 de 
janeiro de 1896. 

— O serralho de Nabor : opereta buffa em 3 actos e 5 quadros, com 
Eduardo Victorino e Demétrio de Toledo, representada no theatro Va- 
riedades em 1898. 

— A boceta de Fulffurina : magica em 3 actos e 16 quadros, com 
Edaardo Victorino. 

— O herdeiro do throno : opereta bufTa de Valabrògues. Traducção 
com Arthur de Azevedo, representada no theatro Recreio Dramático. 

— Os ires padres : traducç&o em portuguez de um quadro da tra- 
gedia Torquemada de Victor Hugo, repertório do actor Dias Braga. 

— A borboleta de ouro: magica em 3 actos e 17 quadros, com Mo-* 
reira Sampaio, representada no theatro Apollo. 

— A bexigosa: drama em 5 actos. Traducção. 

— GigóUtte : drama em um prologo e 5 actos. Traducção, represen. 
tado no theatro Apollo. 

— Esther : libretto para uma opera do maestro Assis Pacheco. 

— Bébé^Lúlú : comedia de costumes, original, em 3 actos, escripta 
para ser representada no theatro Lucinda. 

— Diplomacia : alta eomedia em 1 acto, representada em beneficio 
da viuva Fabregas. 

— ?••.: comedia em 1 acto, original, representada no theatro 
SanfAnna. 

-^ A familia Fourchambauldt : comedia em 5 actos. Traducção, re- 
presentada nos Estados. 

— O deputado de Bombignac: comedia em 3 actos, idem, idem. 

— Íi8j rua Pigale: comedia em 3 actos, idem, idem. 

-* Fechado aos domingos : gainete em 1 acto, original, idem. 



y 



334 



Ol^ntlxo Ro<lx-ig'ues Dantas — Filho de Geminiaoo 
grande numer(Hsw nasceu na cidade de Itabaiana, em Sergipe, a 23 de 

— Contra as crdarifaTriíWfRjjj^a" idades no Athenôo sergipense, 

gnciuir esse carso e 

Orozimbo i^Llves Bra^noo Montas Ba.irirbl'BCr 

— Filho de António Moniz Alves Branco e dona Carlota Josepliina 
Alves Branco Moniz Barreto e nascido na cidade do Rio de Janeiro 
a 19 de abril de 1831, ô capitSo-tenente reformado da armada, e offlcial 
da ordem da Rosa. Escrevea: 

— Biographia do sr. Almirante Jeronymo Francisco Gonçalves, 
assignalando os feitos militares que na guerra do Paraguay prestoa 
este illustre militar, sem esquecer os bons serviços que na paz deu ao 
seu paiz. Rio de Janeiro, 1897, in-8<^ com o retrato do biographado* 

Oftoar A.d.olplio dLe Bulliões Ribeiro <— Filho 
do Tcommendador Francisco Manoel de BulhOes Ribeiro e dona Maria 
Cândida Cardoso de Bulhões Ribeiro, nasceu no Rio de Janeiro em 
1845 e ffilleceu a 1 de novembro de 1898, bacharel em lettras pelo 
antigo collegio Pedro II, doutor em medicina pela faculdade do Rio de 
Janeiro, lente da mesma faculdade, e membro da Academia nacional de 
medicina. Ainda estudante de medicina prestou serviços ao Brasil, 
como cirurgiãq na esquadra em operaçOes, pelo que obteve as honras 
de primeiro cirurgi^Io, e apenas doutorado foi & Europa aperfeiçoar 
seus estudos oirurgicoa, seguindo em Yienna a clinica do distincto 
professor Billorth, e em Berlim acompanhando a clinicados professoras 
Bardeleijon o Lam^^cmdek, visitando por ultimo os princi pães hospitaes 
de Londres, de Paris o da Itália. Fez parto da commissão brasileira 
na exposição de Yienna d* Áustria, de 1873. Era oííioial da ordem da 
Rosa, cavalleiroda imperial ordem austríaca de Francisco Josó, con- 
deoorado com a medalha da campanha do Paraguay, membro de varias 
as^jociações de lettras e scienclas e sócio fundador do Instituto dos 
bacharéis om lettras. Escreveu: 

— Vrethrotomia ; Diagnostico differencial das moléstias do coração ; 
Qual o melhor meio de tratamentopara a oura radical das hydrocelles; 
Meteorologia ; Magnetismo terrestre: these apresentada, etc. e susten* 
tada em 30 de novembro de 1870. Rio de Janeiro, de 1870, 3 fls.,-44 
pags. in-4^ grande. 

» Bos differentea methodos e processos que tendem a diminuir o 
domínio do bisturi: these de concurso a um logar de substituto da 
secção cirúrgica. Rio de Janeiro, 1881, 107 paga. in-4\ 



335 

— Do uso do arsénico, como preventivo da febre amarella — pc^^li? 
cado na parte editorial do Jornal do Commercioe da Gq^f^gf^m» Este 
em fevereiro de 1892. Bste autor tem a pu(íjj§|0- (jo o-overno. 

«• ^fiMÍo histórico, com po<i> "'7 - '■ 
.;^^,. . r— -^ o«i*VTw sanitário em tempo de guerra. Rela- 
tório que apresentou ao então ministro e secretario de estado dos 
negócios da guerra. Conselheiro J. J. de Oliveira Junqueira, por 
quem foi incumbido do estudo do mesmo serviço, etc. — Este trabalho 
ó acompanhado de bellns estampas photographicas. 

— Assumptos de interesse nacional. A Grux Vermelha e as estradai 
de ferro do Rio Grande do SuU Rio de Janeiro, 1888. 

— Retdtorío sobre a questão medico-legal Castro Malta, eto.— Ve- 
ja-se Cândido Barata Ribeiro. 

'^ Serviços sanitários no E^i£^o de S. Paulo. Rio de Janeiro, 
1898. 

^ Um n&vo nrethrotomo. Rio de Janeiro, 1895, 12 pags. in-8^ 
com ama estampa. 

«- Uma modi/tcaçiío no revulsor Le Fort — No Brasil Mmlico^ 
1887, tomo 4«, serie 1% pags. 11 e seguintes. 

—' Serviço medico no tempo do guorra; ambulância e transporte de 
feridos — No Brasil Medico j 1890, em varioâ ntimeros. Nesta revista 
publicou ainda outros escriptos. 

-* Cheiloplasiica por transplantação, rhinoplastica pelo methodo 
Indiano e aranoplastica pelo processo de Langembeck, praticadas no 
mesmo individuo e reclamadas por extensas perdas de substancia, pro- 
venientes do causas traumáticas. Resultado completo — No Archivo 
do medicina, cirurgia o pharmacia do Rio do Janeiro, 1880, n. 2, pag. 1 
com três gravuras. 

^ frequência dós cálculos vesicaos no Brasil ; resultados operados 
pelo professor, etc. Rio de Janeiro, 1888, in-8^. 

Ofiíeai» €l*A.lva— Pseudonymo de António dos Reis Car- 
talhOy alho de Vicente Ferreira de Carvalho e dona Libania dos 
Reis Carvalho, nasceu a 10 de abril de 1874 na capital do Maranhão. 
Pez 08 seus estudos preparatórios no seminário e lyccu daquella cidade 
e antes de terminados fbi nomeado praticante da thesouraria de fa-< 
zendada referida provinda, sendo hoje tetx^eiro escripturarioda Alfan- 
degai da capital federal ; dedica-se também ao ensino particular das 

mathemattefti e f^iienta a BBcola polytechnioa. Poeta • jornalista, 

voi. VI — ;es 

\ 

\ 



L 



338 



tem coUaborado para revistas e jornaes do Maranhão e do Rio de Janeiro 
e escreveu: 

— Prelúdios: livro de versos, em grande parte jà publicados nos 
jornaes sob o mencionado pseudonymo. Inédito. 

— Átrave» da sciencia: serie de artigos — no Debate. Rio de Ja- 
neiro, 1898. 

•^Senhora: drama extrahido do romance de José de Alencar, do 
mesmo titulo, de ooUaboraçáo com Marinho Aranha — Não está im- 
presso, mas jÀ foi representado a 26 de março de 1896 no theatro Sfio 
Luiz da capital do Maranhão — Fundou com outros a 

— Philornathia: revista litteraria, scientiflca e philosophica. Mara* 
nhão, 1895-1896, in-8'' gr,, de 3 ools. e 8 pags.^ Tem ainda inéditos: 

— Ensaios scientiílcos: dissertação sobre mathematica elementar, 
physica e chímica. Estão em grande parte publicados em jornaes. 

— Polygraphia: artigos de critica, também publicados em jornaes. 
^ O calculo arithnetioo de Pierre Laíltte: tradacção autorisada 

pelo autor. 

OscAi* de ^iraujo — Filho de António d'Arvile Araijgo 
e dona Elvira Ribeiro de Araújo, nasceu no Rio de Janeiro a ^ de 
março de 1860. Teodo-se habilitado para cursar a escola polytechnioa 
do Rio de Janeiro, resolveu depois estudar medicina em Paris, onde fez 
parte do curso ao mesmo tempo que mantinha uma aula gratuita de 
mathematicas. E' sócio do Instituto internacional de sociologia em 
Paris, onde reside, e onde foi externo dos hospitaes e secretario da le- 
gação brasileira. Gomo jornalista collaborou no Brésil e Revista Occi- 
dental de Paris, foi correspondente do Século e do Diário de Noticias de 
Lisboa e, depois da proclamação da Republica no Brasil veio ao Rio de 
Janeiro como correspondente do Temps. Escreveu: 

^ ndée rôpublicaine au Brósil. Paris, 1893, 153 paga. in-8*. 

— Le Mouvement BOcM au Brésil de 1890 a 1896. Paris, 1896, io-8 
— B* a continuação da obra precedente. 

•* Le Fondateur de la Rópublique Brésilienne. Paris, 189*. 

— Un apôtre de la Republique au Brósil. Paris, 189*. 

— - Considerações geraes sobre os cemitérios do Rio de Janeiro. 
Paris, ( sem data ) in-8<'. 

Osoair i^ta^liba. <la» Motta. A^nkCLvali — Filho de Fran- 
cisco José Vaz do Amaral e nascido em S. Paulo, falleceu a 21 de janeiro 
de 1894, estudante do terceiro anno da faculdade de direito. Talento 
brilhante, collaborou para vários periódicos com artigos, quer em prosa, 



j 



os 339 

quer em verso. Nunci fez collecção de seus versos. Sei que tinha eutre 
mãos, quando falleceu, um 

— Romance de costumes brasileiros — onde, diz pessoa competente 
que o viu, se aprecia o espirito observador do autor, seu coração emi- 
nentemente piíilauthropico e a naturalidade da narração. 

Oseair Franklin Reid.nei* do A.uia.i-cil — Filho 
do Barão e Baronesa de Gani ndé, nasceu a 7 de agosto de 1864 no Geará. 
Bacharel em lettras pelo antigo collegio Pedro II, fez o curso de me- 
dicina até o quarto anno, muito joven entrou para a imprensa e cul- 
tivou a poesia. Abraçando a carreira diplomática, foi secretario da 
legação brasileira em diversos paizes da America, tendo sido removido 
neste mesmo caracter em 1897 dos Estados Unidos para Paris« onde 
falleceu a 29 de setembro de 1899. CoUaborou em diversos jornaes 
desta capitou, entre os quaes o Diário de Noticias, fallava varias 
línguas vivas, e escreveu: 

— Helena: versos. Rio de Janeiro, 1882, iu-8*' — Foi o seu livro de V 
estréa, publicado aos 17 annos, que teve segunda edição em 1884. 

— Horácio: poema. Rio de Janeiro, 1883, in-8°. v 

— Norival: poema. Rio de Janeiro, 1883, in-8». 

Oscar da. Oama — Natural de Minas Geraas, cultiva a 
poesia e escreveu: 

— Ltêores: versos. Juiz de Fora, 1892 — Este volume ô prefaciado 
por Augusto de Lima e nitidamente impresso. 



Osoax* Tueal — Filho do commendador Jaolntho Leal de 
Vasconoellos, e nascido no Rio de Janeiro em 1862, começou sua edu- 
cação litteraria em Portugal, pátria de seu pae, num collegio em 
Funchal, vindo depois para o Brasil. Desde 1881 se dedicou ã viagens 
e tem visitado quasi todo o Brasil, as republicas da Bolivia, do Para- 
gnay, do Uragnay e Argentina, bem como o norte da Europa e algu- 
mas regiões africanas. B' formado em cirurgia dentaria, tem feito parte 
da redacção de algumas revistas portuguezas, pertence a varias socie- 
dades scientificas e redigiu: 

— A Madrugada: revista noticiosa, critica, litteraria, biographica 
e bibliographica • Lisboa, 1894-1896, in-fol. de 3 oolumnas » Escreveu: 

— Viagem ás terras goyanas: Brasil central. Desenhos do autor. 
Lisboa, 1892, 255 pags. com uma carta do sul de Goyáz e varias es- 
tampas. 



L 



V — 



340 



— Viagem ao ceutro do Brasil com um prefacio por L. Carqolejii, 
cora estampas. 

» Viagem á um paiz de selvagens. Lisboa, 1895— E' uma descripçio 
de usos o costumes de localidades que percorreu e episódios de suas 
viagens pelo Tocantins, com desenhos e gravuras. 

— Do Tejo a Paris. Lisboa, 1894— São descri pçõesi e impressões de 
uma viagem da capital portugueza à da França. 

— O Amazonas: conferencia realisada na sociedade de Geographia 
de Lisboa. Lisboa 1894— Ahi descreve o autor as bellezas naturaes o 
costumes do Amazonas ; dá noticias do Pará e da vida dos indígenas, 
particularmente dos Gocamàs, apresentando collares, contas, pennas e 
outros objectos que os indígenas trocam por productos europeus, asam 
oomo pulseiras, turbantes e outros objectos com que se ataviam. 

— Mulher galante: romance. LfsY)ôa, 1899. 

— Brasileiros celebres. Esboço biographico do padre Ulysses de 
Peonaforte. Lisboa, 1895— E* o primeiro de uma serie de perfis biogra- 
phicos que tinha a publicar. 

— O Manoel de Soiza: historia ligeif a. Lisboa, 1898, in-8* — Mesta 
livro encontro noticias das seguintes obras deste autor, antes publicadas: 

— Flores de abril: versos . 

— A filha do miserável: novella. 

— Palomita: opareta. 

— í/m conto do sertão. 

-í- A questê[t> do abbade. Discursos i 

— Contos do meu tempo, com estampai. 

— Flores de maio: versos feitos à la Diable. 

— As regiões de terra e agua: Conferencia fl»itè na Sooiedade da 
Qeographia do Rio de Janeiro em 21 de outubro de 1892^ Na Rerista 
da itiesnia Sociedade, tomo IX. 

— A linguagem dos Cocam<\s. Apontamentos grammatieaes» 
^ Opaí^teiro : norella naturalista**-^ Jã em segunda edição. 

— ^elit: amores de uma brasileira: romance reproduzido em fo- 
lhetins hd Diário do Maranhão, etc. 

— Um marinheiro do soculo XV: romance histórico, escrlpto de 
collaboração com Cyriaco de Nóbrega. 

Osoa.r de lHac^eclo íSockreei -^ Filho do doutor António 
Joaquim de Macedo Soares, de quem jà tratei, e nascido em Saqua- 
remai no actual estado do Rio de Janeiro^ a 15 de setembro de 1863^ 
é bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo. Apenas formado 
em direito, foi promotor publico em Itú, e depois secretario da preaU 



j 



os 311 

dencia de Alagoas, e sendo em seguida nomeado parc^ igual cargo no 
Ceará, renuncioa-o, estabelecendo-se então como advogado na oi- 
dade do Rio de Janeiro. £* distincto jornalista desde estudante, 
G por causa de forte opposição ao governo do dr. Francisco Portella, 
quando redigia o Rio de Janeiro, foi perseguido horrivelmente, esca- 
pando de ser morto por uma bala que varou-lhe o chapôo de um 
a outro lado. Desta tentativa fez-se inquérito, mas o delegado dq 
X>olicia, dr. Barros Barreto, mandou archival-o, deixando impunes 
os autores do attentado. Foi deputado ao Congresso constituinte e 
ainda depois pelo Rio- de Janeiro, e escreveu: 

— Manual do curador geral dos orphaos ou consolidação de todas 
as leis, decretos, avisos, regulamentos e mais disposições do processo, 
relativas áquelles funccignarios. Rio de Janeiro, 13^0, in-8\ 

— Casamento civil* Commentario e annotações ao decreto n. 181 ^ 
de 14 de janeiro de 1890. Rio de Janeiro, 1890, in-8<>. 

— Do ca$amento civil segundo ^ legislação brasileira. Rio de Ja^ 
neiro, 1896, in-8<^ -r- O autor compendiou toda nossa legislação sobre 
o assumpto, annotando cada um de seus artigos — Teve 8^gunda 
edição refundida com as resoluções e decretos regulamentares expe- 
didos depois da lei do casamento, etc. 

— O Consultor civil. Rio de Janeiro, 1897, in-8« — O autor 
adaptou este livro ao novo direito substitutivo e processual e ein 
appendice oíferece as principaes leis da Republica que mais substan- 
cialmente alteraram a legislação anterior. 

— Consultor Commercial acerca de todas as acções con)i)|erçiaes 
com os modelos de todas as petições, despachos, termos, cpotas, 
alloga<}oes, embargos, sentenças, todos os termos do processo pelo 
dr. Carlos António Cordeiro. Nova edição refundida de accordo copi 
a legislação promulgada depois de 15 de novembro de 1889, con« 
tendo o processo das falLenoias segundo o decreto de outubf*o de 1890, 
etc. Rio de Janeiro, 1897, in-8'> — Jornalista ppr Índole, collaborou 
para vários jornaes e revistas, foi correspondente de outros, e redigiu: 

— O Nove de Setembro. S. Paulo. 

— A Ordem* 6. Paulo. 

— O Constitucional. S. Paulo. 

— Revista Académica, S. Paulo. 

^Cbrreio Paulistano: órgão do partido leonservador. S. Paulo. 

— Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1890 — Foi nesta folha, de que 
era redactor e proprietário de sociedade com Fonaaca Portella, que 
eUe, por oppòr-«e é, administração do dr. F. Portella, adquiriu nniitos 
otttos e ea<»pou milagrosamente da ser morto. 



342 



Osotti- Nerval d.e Qouvêa, ^ Filho do doator Jofio 
Joaquim de Gouvêaedona Maria Augasta de Gouvêa, nascea na cidade 
do Rio de Janeiro a 15 de setembro de 1856. Bacharel em sciencias 
physicas e mathematicas e engenheiro civil pela escola polytechnica, 
doutor pela mesma escolai doutor em medicina pela faculdade desta 
cidade, e ainda bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela facul- 
dade livre de sciencias sociaes e jurídicas, obtendo em ties corsos, 
si Dão em todas as matérias, em quasi todas, approvação com dis- 
tincção, ó lente substituto desta faculdade, de direito, lente do Ojoi- 
nasio nacional, lente da escola polytechnfca, professor do Gymnasío 
Brasileiro, estabelecimento por elle fundado em 1898 com outros profes- 
sores de escolas superiores, dando á instrucção secundaria modelo para o 
sexo feminino e ainda exei*ce com solicitude, com caridade evangélica, 
a clinica pelo systema de Hahnemann. Exerceu ainda vários cargos, 
como o de membro do Conselho da iustrucQ&o publica municipal, de 
delegado da esicola de minas de Ouro Preto ao conselho superior da 
instrucção publica, onde defendeu as prerogativas das escolas livres, 
etc. Intelligencia robusta e cultivada, e actividade excessiva, é am 
dos brasileiros mais illustrados que conheço, e um cidaRião útil á seu 
paiz. Escreveu: 

— Familia das euphorbiaceas: these de concurso á cadeira de his- 
toria natural do Coliegio Pedro II. Rio do Janeiro, 1878 — Tendo 
por competidores dous distinctos médicos que prestaram serviços na 
campanha do Paraguay, foi por isso preterido por elles. 

— Rochas plutonicas do Brasil: these apresentada em concurso 
da escola polytechnica à secção de botanici, zoologia, mineralogia 
e geologia. Rio de Janeiro, 1880, in«4o — O autor foi classificado 
em primeiro logar e proposto pela congregação para lente de mine- 
ralogia e geologia. 

— Classificações em zoologia: theso de concurso Àvaga de sub- 
stituto de physica, chimica e historia natural do Coliegio Pedro IL 
Rio de Janeiro, 1882, in-4<». 

— Dupla refracção: these de concurso para o logar de leote 
de physica o chimica do Internato do Gymnasio Nacional. Rio de 
Janeiro, 1883, in-é*". 

— Recepiibilidade mórbida: these apresentada e sustentada per- 
ante a Faculdade de medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 
1889, in-4<» — Em proposições, nesta these sob o titulo « Classificação 
de mineraes > apresenta o autor um trabalho todo original. 

— Nosto meio económico. Rio de Janeiro, 1898, in-8** — E* um 
trabalho em que o autor apresenta medidas de reconstituição eco* 



j 



343 

nomica. O dr. Nerval de Goavêa, tem, íiaalmeDte, prompto à entrar 
no prelo: 

— Lições de physioa, de ohimica, de mineralogia e de geologia. 

Oseax- Pa;raiXilios }PederiieiiTa.s — Filho do doutor 
Manoel Velloso Paranhos Pederneiras e dona Isabel Paranhos Pe- 
derneiras, nasceu na província, hoje estado do Rio Grande do Sul, a 12 
de juQho de 1860 e falleceu no Rio de Janeiro a 26 cie agosto de 1890, 
bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade deS. Paulo eum 
dos redactores do Jornal do Commercio^ trabalhando ao lado de seu pae. 
Foi poeta e comediographo muito applaudido e, antes de entrar para a 
redacção da citada folha, coUaborou para a Folha Nova e para o Diário 
de Noticias, Escreveu: 

— Historiophobia, Lições de historia universal por Carlos d*Este. 
Rio de Janeiro, 1880, in-4^— £* uma satyra em verso, allusiva a pessoas 
e a factos contemporâneos. 

— A corte e>n ceroulas: scenas alegres. Rio de Janeiro, 1883, 118 y 
pags. in-S** — São escriptosâ imitação dos folhetins de França Júnior 

a quem o autor, ds vezes, na opinião de Valentim Magalhães, leva 
vantagem • 

— Saudação ao publico: poesia escripta para ser recitada pelo 
actor Dias Braga no centenário da revista O Bendegó-^ Na publicação 
O Bendegô^ jornal commemorativo, etc. Rio de Janeiro, 1889. 

— Brasileiros e Chilenos: paginas da liistoria antiga, média e con- 
temporânea de Justo Abel Rozales. Versão— No livro « Chile e Brazil 
sessão do Instituto histórico e geographico brasileiro » Rio de Janeiro, 
1889, pags. 95 a 210 — B' uma reproducção do Jornal do Commercio^ 
de Junho e julho deste anno. 

— Martyr: romance de A. D'Gnnery: traducção. Rio de Janeiro, 
1886. 

— Cargas sem consignação. 1« volume. Rio de Janeiro, 1890 — ^ 
São biographias instantâneas dos artistas mais notáveis do Rio de 
Janeiro em espirituosos versos. O 2<* voiume achava-se prompto para 
entrar no prelo, quando falleceu o autor. De suas composições para 
theatro, quasi todas inéditas, citarei: 

^» O Zè Caipora: peça cómica dos successos do Rio de Janeiro em 
1886, em um prologo e três actos, divididos em oito quadros e apotheose, 
representado pela primeira vez com gi*ande successo no theatro Prín- 
cipe Imperial a 29 de janeiro de 1887. Rio de Janeiro, 1887, 132 pags. 
in-S». 



344 



-« LUCÚÍ3; geena cómica . Rio de Jaoeiro, 1888, in-8<>-- Foi rdprc- 
sentada muitas vezes no th@atro Recreio dramático pelo actor Castro, 

— Boulêvard da imprensa"- E* ama de suas operas de eetréa que 
ello escrevia nos bonds, nos cafés, em palestras, etc. 

-* O chapéo alio: comedia de Júlio de Gastiaes, traduzida piu^ o 
portuguez. Rio de Janeiro, 1886, 1 vol. 

-«• O chapèo alto: pega em trds actos de Vital Aza, accommodada 
aos eostomes barlescos — Representada no tbeatro Variedades em jonbo 
de 1888. 

— O Bendegá : opera escripta oom Figueiredo Coimbra *-• Foi le- 
vada À scena no Rio de Janeiro . 

-^ Ba noite para o dia ( De la nocbe a Ia mánana ) : soubo cómico 
lyricoem dous actos e onzo qua<iros, tradu/.ido do bespanbol « Re- 
presentado pela primeira vez a 5 de fevei^eiro de 1890 no tbeatro 
Recreio dramático, com musica de Cueva e Valverde e outros. 

— Virgolina : revista de semestre, escripta com Figueiredo Coimbra 
— Pederneiras tencionava publicar em volume, quando falleceu: 

-^ O fructo prohibido : YB,uáQY\l\e em três actos — Representado 
pela primeira vez e depois da morte do autor, a 11 de agosto de 1891, 
no tbeatro Variedades. 

-* Cocará e Bicoquet: comedia em três actos de Hyppolito Raymond 
e Bucberoo, traduzida para o portuguez — Foi levada à scena em re- 
cita de estróa no tbeatro Recreio dramático a 25 de Junbo de 1888. 

Oscar Varacly — Filbo do doutor Carlos Varady e dona 
Carolina Varady, nasceu no Rio do Janeiro a 25 de novembro de 1861 
e ó bacbarel em direito pela faculdade de S. Paulo, formado em 1883. 
Entrando logo nas lides da politica, onde figurou com brilho, foi 
deputado à assembléa provincial em varias legislaturas; afastando-se 
temporariamente da actividade politica, entregou-se com dedicação â 
lavoura e á industria. E' advogado nesta capital e escreveu: 

— Questões Agrícolas, Orçamento provincial. Colonisação e im- 
inigra^ cbineza: discurso pronunciado na Assetaiblóa, etc. em 27 de 
novembro de 1888, 45 pags. in-I6\ 

— Questões agrícolas. Immigraçào cbineza ( 3" discussão do orça- 
mento). Discurso pronunciado, etc, naseseíío de 23 de janeiro de 1888. 
Rio de Janeiro, 1888, 73 pags. in-16° — Alguns de seus discursos 
parlamentares foram publicados pela sociedade de immigração. 

Osvaldo Oonçalves CXmx — Filbo do doutor Bento 
Gonçalves Cruz, pe^scou no estado de S. Paulo e formou-se em 



J 



345 



medioma em 18<)2 na faculdade do Hio de Janeiro ; é dirôotor do labora- 
tório da microbiologia a anatomia patliologioa da Policlioica e depois de 
ter completado seus estudos medioos na Bupopa, foi eleito membro da 
Academia nacional de medicina* Escreveu: 

-^ Á vehiculação microbiana pelas aguas: theso dividida em três 
partes: I Agna e os micróbios. II Propbylaxia contra a infecção pelas 
aguafl. Ill Bxposição dos processos empregados na realisaglU) das expe* 
rlenolas! these para obter o gráo de doutor, com três proposições sobre 
cada cadeira* Rio de Janeiro, 1891, 152 pags. in**8<» -^ Entre os variog 
trabalhos de sua lavra, feitos em laboratórios da Europa, flguram: 

*- La rêoherohe du sperme par la réaction de Plorenoe... 

"^ Estudes sur la reohercbe de rempoisonnemeut par le gaz 
d'éclairage.... 

— EUude$ toxicologiques sur la ricine, .. 

— Les alteraiionã bistologiques dans rempoisonnement par la ridue. 
«* Gabinete de microscopia e microbiologia clinicas do dr. etc. 

Rio de Janeiro, 1900, 19 pags. in-16o-«*E* uma noticia do gabinete 
montado pelo autor. 

Ofl^wcildo de Menexe« ou X>Íouisio «losó Oa-- 
'^rald de Menease» — Pilho da Fernando José de Menezes e 
dona Feliciana Perpetua da Oosta Menezes, nasceu a 9 de outubro de 
1864 no logar Cova da Onça da província do llio de Janeiro. Pharma* 
oautico pela faculdade de medicina desta capital, estabeleceu-se na es- 
tação do Engenho de Dentro, onde gosa de geral estima, e se tem dedi- 
cado ao estado da botânica. Muitos preparados homoBopathicos tem elle 
realisado em seu laboratório, como a aurantini odorata^ o aquaticum 
sativum, a globiflora rubra^ e outros, todos de plantas indígenas. 
Pandou om 1892 olyceu popular de Inhaúma de que ó director, foi 
eollaborador d'0 Pdú, do Terceiro Districto e de outros periódicos, e 
escreveu: 

— Pobreeinhas: poesias ly ricas. Rio de Janeiro, 1889, 127 pags. 
in-8*». 

-— Embrulhadas: comedia em quatro actos. 1893. 

•^ A vingança do filho: drama em cinco actos e seis quadros. 1896. 

— Apanhados: comedia de costumes, em prosa e verso, em três 
actos. 1897. 

•— A cosinheira Maria; eomedia em um acto. 1897 — Estas peças não 
eatfto impressas, mas Já foram representadas em theatros particulares» 
mereeendo applausos, principalmente a primeira, Embrulhadas, 

•- Perseguição e justiça: romance — Inédito. 



346 OT 

Otto JS. XJ. TVuolieireir — Orlando de pães aliemte e 
hoUandezes, nasceu na cidade do Porto a 7 de julho de 1820 e falleeeo 
na Bahia a 7 de maio de 1873. Doutor em medicina pela aoiversidade 
de Tubingue no reino de Wurtemberg, foi algum tempo íacuUativo do 
hospital de S. Bartholomeu em Londi^es, d'onde pasaou á Lisboa e de 
Lisboa á Bahia, onde Armou sua residência em 1847 ; naturalisou-se 
cidadão brasileiro e exerceu a clinica com lisonjeira nomeada até seu 
fallecimento, e também com aíFdctuosa estima de toia a corporação 
medica. Foi do Instituto histórico da Bahia e de outras associações de 
lettras. Escreveu : 

— Noções rudimentaes de physica em perguntas e respostas. Bahia, 
1849, 103 pags. in-8<' — Collaborou na Gazeia Medica desta cidade, e 
nesta revista publicou: 

— Sobre a moléstia vulgarmente denominada oppilação ou cansado 
— No tomo 1% 1866-1867, pags. 27, 39, 52, 0;í e seguintes. 

— Sobre o modo de conhecer as cobras venenosas — No mesmo 
tomo, pags. 193 e segs. com uma estampa. Esta memoria foi traduzida 
e publicada na Europa. 

* Sobre as causas da crescida frequência da tisica no Brazii e 
especialmente na Bahia — No tomo 2"", pags. 265 e 3*» pags. 28 e segs. 
Esta memoria foi traduzida em francez pelo dr. Mericourt e publicada 
nos Archives de Medecine Navale^ tomo \Q^ e também na Gazeiie Medicdk 
de Paris, tomo 24*". 

— Anchylostomos duodenaes — No tomo 2°, pags. 150 e 229 e no 
3% pags. 98, 170, 182 e 198 e seguintes. 

— Sobre a hematúria no Brazil — No tomo 4», pags. 39, 49, 61, 
73 e 85, eO*", pags. 453 e segs. Foi traduzida pelo citado dr. Mericourt 
e inserta nos citados Archi'oes^ tomo 13, com excepção da ultima parte. 

— Sobre a chlorose das mulheres — no tomo 6", pags. 137 e segs.— 
Sobre esta affecção, publicou depois um trabalho na Gazette Medicaleàe 
Paris. 

— Estudo do homem — No Mosaico (ia Bahia, tomo 1®, n. 3, de 
setembro de 1845, pags. 45 a 48. 

— Algumas observações sobre a fauna brasileira — Na Revista 
do extíncto Instituto histórico da Bahia, em vários números de 18(>3 
e 1864. 

Otto Fensela^u — Nascido em Gumbinuen, cidade da Prússia, 
vindo para o Brasil era 1879, natural isou-se brasileiro em 1883 e esta* 
beleceu-se em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, como chi- 
mico industrial» Cultor da poesia e litterato, tom traduzido para o 



OV 347 

portaguez diversos trabalhos em prosa e em verso, o escripto oatros 
em alLemão, e tem collaborado para vários joroaes. Conheço da sua 
penoa: 

— Grusse aus Sudbrasilien ( Saudades do Sul Brasil) Berlin, 1889, 

in-8«. 

— Herman Wagner. Porto Alegre, 1887, íq-8«— Teve duas edições. 

Ovídio li^erreira da SUva — Filho de Ovidio Fer- 
reira da Silva e nascido em Pernambuco a 8 de agosto de 1866, é ba- 
charel em direito pela faculdade do Recife, advogado na capital do 
Pará e escreveu: 

— Eseravonetas: poesias. Belém, 1898, in-8« — Foi redactor secre- v 
tario do periódico 

— O Pará. Belém, 1899. 

Ovidio da Oania l^olt>o » Filho do coronel João Ba- 
ptista Pereira Lobo e dona Maria Thomazia Nunes da Gama Lobo, nasceu 
na cidade do Recife a 29 do setembro de 1836, e falleceu na capital do 
Maranhão a 19 de setembro de 1871, bacharel em direito pela fi\culdade 
daquella oidade, formado em 1858. Nomeado poucos dias depois de sua 
formatura, promotor publico do Recife, interinamente, passou em Ja- 
neiro do anno seguinte a delegado de policia, cargo que também deixou 
ao cabo de poucos dias por haver sido nomeado secretario do Governo 
do GearÀ. Dahi foi removido a 27 de agosto do mesmo anno, 1859, 
para igual cargo no Maranhão, onde conservou-se até sua morte, ge- 
ralmente sentida, principalmente pelos empregados da secretaria do 
Governo, que já lhe tendo feito a oíTerta de um retrato a óleo, pe- 
diram permissão a sua familia para fazerem o funeral. Foi nesta pro- 
víncia quem mais excitou pela imprensa o patriótico enthusiasmo em 
desaffronta da honra na guerra cruenta do Paraguay e o principal 
fundador da associação emancipadora Vinte e Oito de Julho. Collaborou 
desde estudante em vários periódicos, como a Aurora Pernambucana, 
O Progresso, folha catholica, O Atheneo pernambucano e o Ensaio 
philosophioo, ã cuja associação pertencia ; redigiu outros, como o 

— O Publieador Maranhense: jornal do commercio, administração, 
lavoura e industria — que antes delis era publicado e continuou depois 
de sua morte ; e escreveu: 

— O somno por A. Charma: traducção. Pernambuco, 1854, in-8". 

— Metaphysica da sciencia das leis penaes por Luiz Zuppeta: tra- 
ducção. Recife, 1856 — São duas publicações do tempo de estudante. 

— 05 JesttiícM perante a historia. Maranhão, 1860, 280 pags, in-8o. 



^ 



348 OV 

— índice alphahctico das leis, deerotos, avisos e consultas do Con 
86lho de Sstado sobro as assemblóas provinciacs. Maranhão, I86I 

in-8°. 

** índice alphabetieo das leis, decrotos e avisos relativofl à íqcodi 
patibilldadc na accumulacão de cargos e empregos públicos. Maranhão 
1862, 95 pags. ln-8^ 

~ Direitos e deveres dos estrangeiros no Brasil. Maranhão, 1861 
in-8^ — O autor põe os estrangeiros, que procuram o Brasil, ao facto 
de todas as regalias que elles vem encontrar e também dos deveres a 
que ficam sujeitos pela legislação do paiz. 

» Discurso pronunciado por occasião da oollação do grão de ba- 
charel em direito — Na Aurora Pernambucana de 15 de novembro de 
1858. 

OTidio «JoêLo Paulo de Ancl^f^de — Natural de 
Minas Geraes, commendador da orlem da Rosa, foi deputado á assem- 
bléa de sua província, onde exerceu cargos de confiança, presidiu a 
província do Maranhão de 1883 e 1884 e escreveu: 

— Arithmetica elementar para uso das escolas do primeiro gráo e 
adoptada pela inipectoria geral de instrucção publica de Minas Geraes, 
^ edição. Rio de Janeiro, 1680, in-8° — > Só vi esta adição, feita por Se» 
raflm José Alves, a qual contém as primeiras noçQes de arithmetioa 
até fracçOes, números complexos e systema métrico. 

Ovidio Saraiva, de Oarvalho e ISilva — Natural 
da cntâo vil la da Parnahyba,da capitania, depois província e hoje estado 
doPiauhy e nascido no ultimo quartel do século XVIH, feUeceu dasem* 
bargador aposentado da relação do Rio de Janeiro a 1 1 de janeiro de 
1852, na villa, hoje cidade do Pirahy. Sendo estudante da universidade 
do Coimbra, fez parte do batalhão académico, formado por ocoasi&o de 
ser Portugal invadido pelas forças francezas, e sendo bacharel em leis, 
formado em 1811, e oppositor aos legares de lettras, foi nomeado juic 
de fora de Marianna e exerceu outros cargos, e por í!m a advocacia. 
Cultivou a poesia e escreveu : 

— Poemas que ao lUm. Sr. Manoel Paes de Aragão Trigoso, vica- 
reitor da universidade de Coimbra, d. o. c.,etc. Coimbra, 1808, 208 pags. 
in-8^ — Contíim este livro 65 sonetos, 13 odes, 6 anacreonticas e duas 
epistolas e outras poesias e trechos descriptivos. Creio que houve outra 
odjção em Lisboa. 



j 



OV 349 

— Odii pindarica o cougratulatoria ao Príncipe, à Pátria e á Aca- 
demia pela restauração do governo legitimo. Coimbra, 1808, 14 pags. 
in-8'>. 

— Considerações sobre a legislação civil e criminal do Imporio do 
Braflil, causas motrizes de sua má administração e meios adequados a 
sanal-a, seguidos de um novo projecto de administração da Justiça cri- 
minai e civil, e ânalmente do Código do processo com a compendiação 
das datas de todas as leis, resoluções, decretos, avisos e portarias que 
lhe dizem respeito e que se teem publicado depois de sua apparição e 
adornado de notas, etc. Rio de Janeiro, 1837, 2 tomos in-4<>— Este livro 
é offerecido à assembléa geral legislativa. 

— Defesa de João Guilherme Ilactclif, 10 às. in-foL— E' o originai e 
60 acha no Summario á que mandou proceder o desembargador e cor- 
regedor do crime da Corte, em observância ao decreto de 10 de fevereiro 
de 1824, summario que foi apresentado na exposição de historia de 1880 
pór dona Joanna F. de Ciirvalho. Oprocasso com a defesa foi publicado 
em 1872 por um illustre brasileiro, que se occultou sob o pseudonymo 
de Esqairós e foi reeditado em 1889 no Rio do Janeiro. 

— > A's saudosas cinzas do sr. Jofto do Canto Mello, Visconde de 
Castro... elegia oírerecida à sua... prezada âlha» a sra. Marquoza 
de Santos. Rio de Janeiro, 1826, in-folio. 

— O Amigo do Rei e da Nação. Rio de Janeiro, 1821 ^ E* uma pu- 
blicação periódica, politica, que pouco vlvôu. 

— O pranto americano que a S. A. R. o Príncipe regente em honra 
das caríssimas e nunca bem pranteadas cinzas do sereníssimo sr. in- 
fante d. Pedro Carlos de Bourbon, almirante genordl junto â real 
pessoa, consagra, etc. Rio de Janeiro, 1812, 13 pags. in-12'» — E' uma 
composição poética em que são interlocutores Jove, a Noite e o rio Ama- 
zonas. 

— iVarrapofo das marchas feitas pelo corpo militar académico desdo 
21 de março, em que sahiu de Coiml^ra, até 12 de maio, sua entrada 
no Porto^ Coimbra, 1809, 25 pags. in-4°. 

— O patriotismo académico^ consagrado ao illm. poxm. sr. d. João 
de Almeida de Mello e Castro, quinto Conde das Galveas, etc. Rio de 
Jaueirot 1812, 183 pags. in-4° — E* o trabalho precedente muito am- 
pliado com os feitos do corpo militar académico» etc. 

— ^eríH'de5 de Olympiae Herculano, jovens brasileiros, oii o tri- 
uQipho conjugal. Rio de Janeiro, 1840, in-8'*. 

— Ao grande e heróico Sete de Abril de 1831, hymno oíTerecido aos 
brasileiros por um patrício nato. Rio de Janeiro, 1831, 1 f). in-folio. 



350 



P 



Pacifico du; Fonseca; — E* como assigna os seus tra- 
balhos, mas se chama José Pacifico da Fonseca, filho de Joaquim Donato 
da Fonseca e dona Graciana Florisbeiki Dnarteda Fonseca, nascido a 27 
de agosto de 1856 na cidade de Ubá, antiga provincia de Minas Geraes. 
Foi professor, por concurso, de latim e francez na cidade do seu nasci- 
mento, director de vários collegios em Minas e do Auglo-Braslleiro 
nesta capital, onde por diversas vezes examinou na instrucç&o publica. 
Lecciona as mesmas disciplinas no lyceu de Campos, é vice-direotor 
do mesmo lyceu e da escola normal ; é sócio benemérito, professor e 
membro do conselho da associação dos empregados do commercio de 
Campos. Escreveu: 

— Novo methodo da syntaxologia franceza em recopiiaç&o syno- 
ptica, resumida. Campos, 1892,46 pags. in-S**— E' dividido em dez 
licções e contém novidades que não se notam nos livros recommen- 
dados pelo conselho da instrucção publica. Tem publicado vários tra- 
balhos em prosa e verso em jornaes de Minas, Campos e desta capital, 
e é um dos redactores do 

— Diário do Commercio. Campos, 1899. 

Pampliilo Manuel Freire de Oa,irva,lli.o — 

Filho dcPamphilo Manuel Freire de Carvalho e dona Josepha Maria 
Freire de Carvalho, nasceu na Bahia a 15 de março de 1835 e fialleceu 
na cidade de Itaqui no Rio Grande do Sul, a 28 de junho de 1881, sendo 
doutor em medicina pela faculdade de sui pátria, cirurgião de di- 
visão, capitão-tenente da armada, cavalieiro das ordens da Rosa, 
de Christo e de S. Bento de Aviz ; condecorado com a medalha da 
campanha oriental de 1865 e com a da campanha do Paraguay. Co- 
meçou a servir no corpo de saúde do exercito, de que passou para o da 
armada . Escreveu : 

— Quaes são as principaes causas da frequência da tisica entre 
nós ? Deve ser banida dos recursos da arte a operação cesariana ? Qual 
das theorias da digestão a que parece mais razoável e em que razões 
se baseará este juizo ? Dado o cadáver do um recem-nascido, dizer si 
nasceu vivo ou morto: tbese apresentada a 13 de abril de 1856, efcc, 
Bahia, 1856, in-4» gr. 

— Breves considerações sobro a hygiene dos hospitaes, apresentadas 
pelo cirurgião de divisão da armada, etc. Rio de Janeiro, 1880, 142 pags. 



^ 



351 



in-4S com estampas ^ Este livro é offerecido aos consolheiros Josó 
Ferreira de Moura, Eduardo de Andrade Pinto e Luiz António Pereira 
Franco. 

— Qtiaes as causas de salubridade óu insalubridade dos navios 
encouraçados ( resposta a um quesito do chefe de saúde da armada para 
se estabelecer um parallelo entre estes navios e os de madeira ) 

— No livro « Historia medico-cirurgica da esquadra brasileira nas cam. 
panhas do Uruguay e Paraguay», de 1864-1869, pags. 477 a 484. 

Parsooal Berna;i*diiio ILiopes de IMCattos^ 

Vivia na época da independência do Império na provincia de Minas 
Geraes, sendo presbytero secular e lente de grammatica latina na ci- 
dade de MariauDa. Escreveu: 

^ Oração académica que no dia da abertura de sua aula, na cidade 
de Marianna, em presença das prioci pães pessoas delia recitou, etc. 
Rio de Janeiro, 1821, 11 pags. in-4o » O autor usa da orthographia 
phonica, escrevendo orasão e ainda assim diz no âm deste escripto: A 
ortografia aqui seguida não foi com a eizasão d'o manuscrito em razão 
da falta de tipo competente. » 

I?a,trfcio u!%.n.toiiio de Sepul^^eda» iE]T^ei*a<x*d 

— Filho de Raymundo Máximo de Miranda Everard, nasceu a 23 de 
julho de 1802 em Lisboa e falleceu a 22 de abril de 1876 no Rio de Ja- 
neiro, sendo offlcial general do exercito, reformado no posto de briga- 
deiro graduado a 21 de abril de 1871, offícial da ordem da Rosa, caval- 
leiro da de Aviz ecommendador da de Christo. Fez todo o curso da an- 
tiga escola militar e serviu sempre no imperial corpo de engenheiros de 
que foi coinmandante geral interinamente, tendo num só anno as 
duas primeiras promoções: a de segundo tenente a 6 de fevereiro e de 
piimeiro tenente a 4 de junho de 1828. Grande parte da sua carreira 
militar foi feita em Santa Catharina, onde exerceu varias commissões 
de sua especialidade, das quaes deixou muitos 

— Relatórios^ orçamentos, plantas e desenhos— Foi por muitosannos 
director das obras militares da corte e fortalezas, e escreveu: 

— Illusão e desengano: máximas e pensamentos de um velho de 
Santa Cruz. Rio de Janeiro, 1859, 133 pags. in-fol. 

— Memoria descriptiva das fortificações da provincia do Santa Ca- 
tharina, 1841 — O autographo de 4 fols. in-fol. acha-se no archivo 
militar. 

* JLfemoria descriptiva de todos os próprios nacionaes do ministério 
da guerra, na provincia do Rio Grande e o estado em que se achavam 



352 • 



I»^V 



em novembro de 1855— O autographo de 8 íls. iD*fol. acha-sc no 
mesmo archivo. Ha do general Everard varias cartas, como: 

— Caria da província de Matto-Grosso e parte das confrontantes 
e estados limitrophes, começada a construir pelo tenente-coronel Ghrís- 
tiano Pereira de Azeredo Coutinho e oapitfto Umbelino Alberto do 
Campo Limpo, continuada, augmentadae concluída pelo coronel Pa* 
tricio António de Sepúlveda Everard, major Vicente António de Oli- 
veira e capitão José Joaquim de Lima *e Silva. Lith. do arehivo 
militar, 0°*,773X0™,604. 



Patrício Muui2 — Fillio de Francisco Jofto Maniz e 
nascido na cidade do Funchal, na ilha da Madeira, a 2 de abril de 
1820, falleceu cidadão brasileiro no Rio do Janeiro depois do anuo 
de 1871. Vindo para o Brasil com sua fkmilia na idade de oito annos, 
aqui começou sua educação litterarla, que Ibl ôonoluir na Europa, 
graduando-se bacharel em direito pela faculdade de Paris e doutor 
em theologia pela universidade de Roma, onde foi ordenado prosbytero 
secular. Foi vigário de N. S. da Conceição de Angra dos Reis, no 
actual estado do Rio de Janeiro, professor de historia sagrada no 
seminário de S. Josó da antiga corte, árcade romano com o nome de 
Clemcnis Messeide, membro do Instituto episcop&l religioso, d& socie- 
dade Ensaio philosophlco do Rio de Janeiro, etc. Escreveu: 

— Meditações nocturnas: poesias offerecidas por amor de Nosso 
Senhor Jesus Christo á sociedade de Instrucção gratuita. Rio de Ja- 
neiro, 1838, in-8«. 

— Composições poéticas offorecidas á meu muito querido pai 
Francisco João Muniz. Rio de Janeiro, 1839, 9G pags. ín-8". 

— * Chronicas religiosas — no Íris, periódico do religião, bellas- 
artes, scienciasi lettraSi historia, poesias, romances e variedades, etc. 
•^Redigido por Josó Feliciano de Castilho Barreto e Noronha. Rio de 
Janeiro, 1848-1849. . 

— Theoria da afflrmnção pura. Rio de Janeiro, 1863, in-fl». 

— Eeffcxões sobre a carta do Sr. Alexandre Herculano. Rio de 
Janeiro, 1860, 70 pags. in-S» -^ Refere-se a carta sobre o oasamento 
civil, publicada no Jornal do Oommertió de Lisboa de 1 dê dezembro 
de 1865 e no anno seguinte em avulso, dando motivo a vários 
opúsculos, memorias e artigos em Jornaes. ( Veja-se Innoceneio da 
Silva, tomo 9% pag. 182. ) 

— Exéquias do Sr. D. Miguel de Bragança no Rio de Janeiro* 
Rio de Janeiro, 1857, in-8". 




353 



— Sermões (três) pregados na fosta de Sant*Anua om sua 
egrejft, nos annos de 1848, 1849 e 1850 — São sermões que fornecem 
um corpo de doutrina oatbolioa a respeito da mulher nas diversas 
posições sociaes. 

— Sermão Sobre á piedade de Nossa Senhora, prôgttdo tia egreja 
de Santa Oruí dos Milítãfòs do Rio de Janeiro 6m presença de 
6S. MM. II. Rio de Janeiro, 1860, 26 pags. ln-8«. 

— Oração fúnebre de S. M. F. el-Rei D. Pédro V. reciíada nas 
exéquias que fizeram celebrar 03 portnguezes da freguezia de 
SanfAnua do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1862, 21 pags. in-8<> — 
Redigia: 

^ A Religião: periódico religioso e politico. Rio de Janeiro, 1848* 
Ifôl, 3 volumes 10-4°— Este periódico, reáigiu com o padre dr. Manuel 
Joaquim de Miranda Rego e depois: 

•* A Tribuna catholica. Riodè Janeiro, 1851-1853 -^ Foi prin* 
dpal Mlactor dèste periódico o cónego Joaquim Caetano Fernandes 
Pinheiro, áé qtiem J& occupei-me. 



Fr. r*atricio cie is^auta Bfaria — Filho do cirur- 
giio^mór Francisco Loare&ço Rodf^igues e dona Mtiria Alvares e 
irmão de Bartholomsu Loureaço de GttSmfto, o voador, do Alexandre 
de Qusmâo, do padre Ignacio Rodrigues e de frei Jofto Alvares de 
Santa Maria, mencionados neste livro, nasceu em Santos, no anno de 
1090 e falleceu depeis do meiado do secQlo IS''. Muito joven, vestiu o 
burel de S. Francisco, eiá cuja ordem professou e recebeu as sagradas 
ordens. Estudou o curso de theologia, em que fbrmou-se, na Ausul- 
dade de Pisa; dahi passott & Ásia, por onde viajou, visitando também 
Jèfiisalém.- Além de diversas 

— Obras de controvérsia religiosa, que deixou inedictas e so es- 
fraviaram provavelmente, esôreveu: 

— Mel de petra SS. Sepulchri Domiai Nostri, etc. Lisboa, 1742. 

— * Elânchus ceremoniarum terr» sauotse, in quo non solum Ritus 
totl eeclesias communes onncieantur, imo et particulares, qui san- 
ctoariornm gratia per frates minores peraguntur. Olysipone, 1757, 
in-4'. 

Paulino <ie A^lmeida Brito -- Filho de Paulino de 
Almeida* fiascM naentAo provinda do Amazonas a 9 de abril de 1859, 
e formado em direito pela faculdade do Recife, exerce o magistério 

Vol. VI — 83 



354 



publico na capital do Pará, como lente da escola normal, e é advogado. 
Escreveu : 

— Noites em claro. Pará, 1888, in-8»— Sob o titulo de Tentativas 
litterarias publicou mais os dous seguintes trabalhos: 

^ O homem das serenatas: romance. 
-* Por causa de uma loucura: romance — Nunca os vi. 
<* Grammatica primaria. Pará, 1899 « Foi mandada adoptar nas 
escolas da instrucção publica do estado — Redige : 

— O Anjo do lari revista. Belém, 1899 — com dona Esmeralda 
Cervantes. 

Paulino Oil dACk>sta. Brandão— Pilho deManael 
Balbino da Costa BrandSo e nascido na Bahia pelo anno de 1850, abi 
falleceu na cidade da Cachoeira a 18 de junho de 1881. Bra doator 
em medicina pela faculdade de sua província e escreveu: 

— Da influencia da syphilis sobre a marcha da prenhez ; Morte 
súbita durante o parto e immediatamente depois delle ; Do emprego 
das preparações narcóticas na clinica das moléstias syphiliticas ; Com 
reconhecer-se que houve aborto em um oaso medico-legal ? these que 
sustenta, etc. para doutorar-se em medicina. .. Bahia, 187E, in-4 
gr. — Foi um dos redactores do 

— Horisonte: periódico republicano. Bahia, 1872 — Publicou em 
jornaes e deixou inéditas muitas 

— Poesias -^ ricas de inspirações. 

PaiUlino «José Soares de Souasa^ 1"» — Visconde dd 
Uruguay *- Filho do physico-mór dr. José António Soares de Soaza 
e dona Antónia Magdalena Soares de Souza, nasceu em Paris a 4 
de outubro de 1807 e falleceu no Rio de Janeiro a 15 de Julho de 1866. 
Do Maranhão, onde fez sua primeira educaç&o, foi á Coimbra, em cuja 
universidade cursou as aulas de direito, atójo quarto anno somente, por 
se fechar a universidade em consequência da revolução miguelista. 
Vindo então cursar o quinto anno e formando-se em S. Paulo, entrou 
na carreira da magistratura com o logar de juiz municipal dessa ci- 
dade, donde passou á corte como juiz de direito. Foi deputado pelo 
Rio de Janeiro em varias legislaturas, desde 1837, senador do Império 
em 1849 ; ministro de estado por cinco vezes, occupando em dous ga^ 
binetes a pasta da justiça e nos outros a de estrangeiros ; encarregado 
de missão especial na França, relativamente à questão de limites com 
a Guyana e estreou na politica do paiz, administrando esta província 
em 1836. Era grande do Império ; do conselho de sua magestade o 




1*^ 355 

Imperador ; conselheiro de estado ; sócio do Instituto histórico e geo- 
graphico o da sociedade Auxiliadora da industria nacional, do Instituto 
histórico do Rio da Prata, da Academia britannica de sciencias, artes e 
industria, da academia tiberina de Roma, da sociedade zoológica de 
acclimação de Pariz e da sociedade Animadora das sciencias, lettras e 
artes de Dunkerque ; oíficial da ordem do Cruzairo, grâ-cruz da ordem 
da Rosa, da ordem napolitana de Sc Januário, da ordem portugueza 
de Christo, da ordem austríaca da Ck)rôa de Ferro e da ordem dina- 
marquezade Dandbrog. Bscroveu: 

^ Código do processo criminal de primeira instancia para o Im- 
pério do Brazil com annotaçOes, nas quaes se notam os artigos que 
<bram revogados, ampliados ou alterados ; seguido da disposic&o pro- 
visória acerca da administração da justiça civil e da lei de 13 de 
dezembro de 1841, que reforma o mesmo código. Rio de Janeiro, 1642. 

^ Projecto do Código criminal pôr uma commissão composta do 
VlBoonde doUruguaj, João P. dos Santos Barretto e M. Felisardo de 
Souza e Mello. Rio de Janeiro, 1861, in-4<». 

— Administração local. Projecto apresentado à camará dos Srs. 
deputados na sessão de 19 de julho de 1869 pelo ministro do Império. 
Rio de Janeiro, 1869, in-8«. 

^ Tratado jurídico das pessoas honradas, escripto segundo a legis- 
lação vigente à morte de el-rei d. João VI. Lisboa, 1851, in-8<». 

— Ensaio sobre o direito administrativo com referencia ao estado 
e instituições peculiares do Brasil. Rio de Janeiro, 1862, 2 vols. in-8<'. 

— > Estudos praiicos sobre a administração das províncias do Brasil. 
Rio de Janeiro, 1865, 2 vols. in-8« » O autor tencionava continuar a 
escrever sobre esse assumpto quando falleceu. 

— Discursos proferidos na camará dos srs. deputados nas sessões 
áo23 de janeiro e 7 de fevereiro de 1843. Rio de Janeiro, 1843, 54 
pags. in*8<». 

— > Três discursos do ministro dos negócios estrangeiros. Rio de 
Janeiro, 1852, 108 pags* in«4^ ~ Foram proferidos, um na camará dos 
deputados e dous no senado. 

— Resposta ao Marquez de Olinda sobre um projecto para melhor 
organisar as administrações provinciaes. Rio de Janeiro, 1858, in-4o. 

-^ Irimif^^ com a Qnyana franceza: protocollo sobre a respectiva 
negociação em 1856— Foi impresso em annexo ao relatório do mi- 
nistério dos estrangeiros, de 1857. Representava o Visconde de Uruguay 
o Brasil, e mr. U. de Butenval ii França. 



i 
i 

I 



356 



— Relatório áo presidente da província do Rio do Janeiro na abor- 
tara da 2*^ sessão da 2* legislatura da assembléa provincialf acompanhado 
do orçamento para a receita e despeza de 1839 a 1840. 2* edição. 
Nitheroy, 1851^ ia-8^ 

•^ Relatório da repartido dos negócios da Justiça* apreaentado á 
assdtnblôa geral legislativa, eto. Rio de Janeiro, 1841 è 1843, 2 yols* 
in-8«. 

•* Relatório da repartiçlo doa negócios estrangeirou, apresentado, 
ete. Rid de Janeiro, 1850 a 1853, 4 vols. in-4^ 

PAUlIno J'amé Soares d.e Sousa, 2^ — Filiio do pre- 
(seilôuto e nascido em Itaboraliy, Rio de Janeiro, a 21 de abril de 1834 
e bftclmrel em direito pela faoaidade de S. Panlo^ fea nma excur^ 
por Pariz e Londres accompanhando seu pai na missão de qne 
era este encarregado. Foi deputado provincial e geral em varias 
legislaturas do Império e por ultimo senador e occupou no gabinete 
de lô de julho de 1868 a pasta dos negócios do império. Era do 
conselho do Imperador D. Pedro II, membro do conselho de estado, 
cavalleiro da oi^dem turca do Medjidié. Actualmente é director da 
companhia brasileira Torrens e provedor da santa casa da Misericórdia. 
Bscreveu, além do relatório da pasta que occupou: 

•^ Questão banôar (ui discurso proferido na camará dos Srt* de^ 
putados na sessão de 2 de julho de 1859. Rio de Janeiro, 1859, 12 pags. 

-^ Proposta do governo para operações de credito é emissão do 
papel-nideda: discursos proferidos na camará dos deputados. Rio de 
Janeiro, 1867, 32 pags., in*fol« de duas oolumnas. 

-^ Aprepoitaúo governo relativa ao elemento servil t discurso 
[írot^Mdo na áessão de 23 de agosto de 1871. Rio de Janeiro, 1871» 
62 pags. in-S». 

^ DièeitíSão do orçamento do ministério do Império: disearsos 
prof^fidos do á^tlado naâ sessões de 26, 29 e 81 de agosto 6 l de se^ 
tembro de 1870. Rio de Janeiro, 1870, in-fol. 

— Interpretação do acto addicional e parecer áú,t comtíii§s9ea re- 
unidas das assembléas^rovinciaese de coastlttti^ífb 6 |lod6r8S dà estmá^a 
dos Srs. deputados, apresentado eni SdSSãCif dè Ib de 98tt$tlfW) de 1870 
sobre ò projecto do lei de interpretação do aóto a1dit5tbi)àl, offeí^idò 
t)6lo ôtc, miniátro do império. Rio de JitiSiM; I879,- iii-8\ 

— Reforma eleitoral: projecto apresentado à camará dos Srs. de- 
putados na sessão de 22 de julho de 1870. Rio de Janeiro, 1870, in-4'». 



357 



— Instrucçãú publica: projecto apresentado à oamara dos Srs. de- 
putados em sessfio de 6 de agosto de 1870. Rio de Janeiro, 1870,24 pags. 
in-4^. 

— Discursos que em defesa das prerogativas da camará dos de- 
putados proferiu nas sessões de 4 e 7 de agosto de 1873. Rio de Ja- 
neiro* 1873. 

— Administração local: projecto apresentado á camará dos depu- 
tados em 1869 pelo ministro do Império, etc. Rio de Janeiro, 1887 — B' 
uma seganda ediçfto da proposta do projecto, com vários projectes 
apresentados ao parlamento, em appendlce. 

PauIího Mai»tius Pa^olieoo — Pilho de Joflo Raphael 
Leite Pacheco e dona Bulalia Martins Pacheco, nasceu no Rio de 
Janeiro a 2 de agosto de 1844. Começando sua educaçSo litteraria na 
academia de marinha e tendo feito parte do curso da escola polytechnica, 
serviu na secretaria de estado dos negócios da fazenda ; mas, com 
tendência para o magistério e exercendo-o particularmente, foi pro- 
fessor por concurso de cailigraphia e desenho linear do Instituto com- 
mercial, donde passou, por extincçSo deste, para a escola normal em 
sua creagfto. Restabelecendo-se no regimen republicano aquelie insti- 
tuto, tornou á sua antiga cadeira em que se conserva. Foi também 
professor de desenho do antigo collegio Pedro II, hoje gymnasio 
nacional. Foi um dos fundadores da escola normal livre, etc. Esereveu: 

— Elementos de desenho linear, organisados sob os trabalhos dos 
melhores autores. Rio de Janeiro, 1881, in-8<' — Este livro teve segunda 
edição no anno seguinte, de 1882, e foi adoptado pelos primeiros col- 
legios e estabelecimentos de instrucçSo. 

-* Desenho linear com applicação á industria e & architectura. Rio 
de Janeiro, 1881, in-8o. 

— Af&t(m calligraphico. Rio de Janeiro, 1887, in-8» — Teve se- 
gunda edição em 1888. 

— Algumas lições de cailigraphia, dadas aos alumnos da escola 
Donnai. Rio de Janeiro (sem data), in-4o. 

— Breve noticia sobre a escola normal do Rio de Janeiro. Rio de 
Janeiro, 1895, 30 pags. in'4<> — Servia ent&o o autor eomo secretario 
da mesma escola. 

$>pLu}iiiLo T^oflTu^ira Borirí^s 4ct Pof^«eopi -r FHho 
da pranqiscp Xavier lfogu0ira e naspjdo na ci4a49 d^ Fort^líW, c^c* 
pitai do (^arÀ, a ^ de fevi^veirp de 1841, fazendo o curso dq diraitp 
dn faouldade ãp R^ife, ahi repebeu o gr4o df bo^h^fe) en^ 180^, p)\ 




358 

promotor publico, mas, dedicando-se ao magistério, foi por longos annos 
lente do lycôo litterario de sua província. Administrou essa província 
como seu vice-presidente, foi deputado provincial em vários biennios 
e geral na decima quint i legislatura. E' sócio do Instituto histórico 
e geographico brasileiro, sócio e fundador do Instituto histórico do 
Ceará, etc. Escreveu vários trabalhos, dos quaes só posso dar: 

— Presidentes do Ceará desde a independência do Império <— Na 
Constituição^ folha politica, commercial e noticiosa do Ceará, 1883- 
1881 — Na Revista do Instituto histórico e geographico brasileiro e 
na Revista de Instituto histórico do Ceará, tomo 4"*, pag. 43 e tomos 
seguintes. O dr. G. Stndart na sua historia do Ceará, publicada em 
1884, chama de parcial o dr. Paulino Nogueira por só achar < phrases 
encomiásticas, palavras de elogio para os presidentes do credo ooQser- 
vador e azedume para os seus adversários » e entáo faz algumas 
rectidcações a esse trabalho. 

— Vocabulário indígena em uso no Ceará — Foi offerecido ao 
Instituto histórico o manuscripto de 413 pags. como titulo à sua 
admissão no Instituto com a 

— Execução de Pinto Ma ieira perante a historia — Foi publicada 
na Revista trimensal do Instituto, tomo 50% pags. 125 a 212. 

Pa/ixlo A.nton.io do \^alle— Filho de Luiz António do 
Yalle Quaresma e dona Maria Lourença Coitinho do Valle, nasceu na 
província de S. Paulo a 25 de Janeiro de 1824 e falleceu a 9 de outubro 
de 1886, sendo bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade 
de sua província, formado em 1848, graduado doutor em 1860 e lente 
de rhetorica do curso annexo á mesma faculdade, no qual também lec- 
cionou mathematicas . Cultivou as lettras amenas e compoz yaríos 
dramas e muitas poesias de que nunca publicou coUecQão, apezar de 
reunil-as em 1852 á instancia de alguns amigos para dal-as ao prelo. 
Alóm de um 

— Compendio de rhetorica — que escreveu e nunca foi impresso, e 
de outras obras, talvez, ha delle o seguinte: 

— Theses para obter o gráo de doutor. S. Paulo, 1860, 10 pags. 
in-8°. ! 



— Dissertação para obter o gráo de doutor. S. Paulo, 1860, 14 pags. 
íq.80— o ponto é este: A divisão das pessoas em nobres de diversas 
jerarchias e plebeos, consagrada pelo direito civil portuguez, das Or- 
denações, subsiste entre nòs ? No caso afflrmativo, quaes as leis que a 
adoptaram ? B as isenções e privilégios, ^de que gosam os nobres, sSo 






359 



justificadas pela publica utilidade e conciliáveis com o art. 179, §§ 13 
e 16 da constituiçílo do Império ? 

— Amador Bueno: drama histórico — Não foi publicado ; sei que 
foi a estréa do dr. Valle nesse género de litteratura, em 1842, escripto 
muito antes de F. A. de Varnhagem escrever seu drama épico, his- 
torioo-americano com o mesmo titulo, publicado em Lisboa em 1847, 

— Caetaninho ou o tempo colonial : drama historico-brasileiro em 
três actos. S. Paulo, 1849, 87 pags. in*8^— Foi antes representado, a 

2 de outubro de 1848, no theatro dessa cidade. . 

-~ O eapUOo Leme ou a palavra de honra: drama em três actos. \^^ 
S. Paulo, 1851, 88 pags. in-8''. 

— Ensaios dramáticos: Caetaninho ou o tempo colonial ; o Capitão ^ 
Leme ou a palavra de honra; As Feiras de Pilatos. S. Paulo. .. . 

— O mundo k parte : drama em três actos. S. Paulo, 1858, VIH- ^ 
75 pags. in-8®. 

— i Historia da Independência. As testemunhas do Ypiranga. São 
Paulo, 1854, 7 pags. in-8». 

— Legenda do Ypiranga. fragmento histórico. S. Paulo, 1874, 
in-8\ 

— Saudades e consolações : poesias de Paulo António de Valle» e 
Balthazar da Silva Carneiro. Santos, 1861, in-4*. 

— Pa«^ (50 académico paulistano: coUecção e produoções de aca- / 
demicos da Academia de S. Paulo desde sua fundação atô o preaente* 
Fsarte !•• S. Paulo, 1881, in-4o -^ São poesias de académicos com as 
noticias foiographicas dos autores, e introducção pelo dr. Couto de Ma- 
galhães. Este, em sua Revista da Academia, impressa em S. Paulo, 
1859, dá o fragmento de uma poesia do dr. Paulo do Valle e menciona 
outra poesia deste, isto ô: 

— A Ave^Maria na Parnahyba, pags. 293 a 296 — O dr. Paulo 
Valle, finalmente, se occapava desde 1862 de um trabalho de fôlego 
que nos teria legado, si a morte o não roubasse tão cedo ; ô esse trabalho a 

— J9íí5f oría do Ypiranga ou historia politica de 1822-1823 — de 
que publicou em periódicos alguns trechos. CoUaborou finalmente para 
vários jornaes e redigiu : 

— O Meteoro. S. Paulo 

Paulo Oaivaloa^nte Pessoa <ie Xjaoerda — Filho 
de Carlos Ribeiro Pereira de Lacerda e dona Joaquina Cavalcante 



360 



Pessoa de Laoerda, nasceu uo actual estado da Parahyba, a^ de agosto 
de 1854, é doutor em medicina pela faculdade da Baliia, medioo legiMa 
da policia da capital federal e capitão honorário do exercito. Pes o curso 
m^ioq D0. BaUia até o quarto anno o yeio concluil-o ao Kio do Janeiro, 
sendo da turma de doutoraudos que d^qui foi & Bahia receber o grio 
em 1B80. EscreTeu: 

— Das caías de expoâtos. Haverá conveniência em mant«r-8e o 
uso das rodas ? Valor dft docimaaia pulmonsM^ tm invastigacôes 
medicorlegaes. Placenta, seu desapvolyimento. Febre amai:ella : 
these apresentada & faculdade de medioiaa do Rio de J^oeiro» 4efendidi| 
e approvadaqom distincção em 10 de janeiro de 1890 pen^Qte a fiaculdade 
de medicina da Bahia. Rio de Janeiro, 1879, 1Q9 pags^ iOi-4®. 

— Projecta de eonstituigão para o Bstado da Parabybj^ do Norte* 
S. Paulo, 1890, in-B*" «^ Na introducçSp do livro, o autor mostn^-se 
coptrarlo ao governo dictatorial e pugna pela necessidade urgente de 
um governo constituido pela sancção das urnas populares- 

— Confetti políticos. S. Paulo, 1895, in-8^ — Refere-se o autor á 
ipolitica do Brasil a partir do dia 15 de novembro de 1889 e foz api^- 
ciaçdes Eobre alguns factos. 

— Relatório da oommlssão geographica e geológica do estado de 
S. Paulo. Ensaio para uma synonymia dos nomes populares das plantas 
ndigenas deste estado por Alberto Lofgren — Nunca vi este esorfpto. 
Na imprensa periódica redigiu : 

— O Monitor. Parahyba 

— Jornal da Parahyba, Parahyba. . . . 

Pa^ulo Oirne IMEaict— Natural do Rio de Janeiro e natfcido 
a 28 de Janeiro de 18ôO, ó engenheiro, professor da escola poi^technifsa 
6 escreveu: 

^ Estradas (}e ferro, obras de arte e orçt^mentos. Rio de janeiro, 
1898 — Contém este livro grande numero de importantes plantas e 
traçados e um vocabulário completo dos termos techniços usados egn 
estéreo tom ia. 

Paulo Eir6 — Nascido pelo anno de 1838 em Santo Amaro, 
pequena povoação nos subúrbios da capital de S. Paulo, &ll6ceu no 
hospício de alienados de suc^y província, em maio de 1871. Depdsde 
ter frequentado a (aculdaie de direito de S. Paulo até o segundo anno, 
entrou para o semanário episcopal, onde permaneceu alguns mezes. 



361 

apenas, por causa da aífecçSo mental, do qae veio a fallecer. 
Escreveti: 

— Sangue limpoi drama. S. Paulo, 1855 — Este desventurado moço 
foi poeta de bella inspiraçSo ; mas suas poesias ficaram esparsas e 
quasi todas inéditas. Delias ri as seguintes: 

— Indianna. A' minhn. afilhada; soneto— Louco '^Estancias d minha 
tnãê -— Derradeiro voto: soneto —A barra de Santos — Beijo de mãe *- 
A* uma creança — Volta d Deus — O Peregrino Estas composições 
estão publicadas nos A Imana ks de 8. Paulo de J. M. Lisboa, atoo 
anno de 1681, mas as duas ultimas no Almanali popular brasileiro de 
Pelotas para 1900. Creio que ellas fozem parte dos três livros de 
poesias inéditas sob as epigraphes: 

— Primícias poéticas, 

— Tetéas, 

— Lyra e mocidade, 

Pa>ulo E^yd.io de Oliveira, Oarvallio — Nas- 
cido em S. Paulo a 22 de setembro de 1844 e bacharel em sciencias 
soclaei e Jurídicas pela faculdade dessa província, formado em 1865, é 
advogado e foi eleito senador estadoal em 1898. Escreveu: 

— Banco de credito real de S. Paulo, S. Paulo 1898, in-8*— E' uma 
segunda edição de uma serie de artigos com este titulo publicados no 
Oorreio Paulistano . 

— Do estudo da sociologia como base do estudo de direito. Rio de 
Janeiro, 1898, in-8°. 

— Do conceito scientiflco das leis sociológicas, S. Paulo, 1898, 
238 pags. in-8^ — E* um trabalho sobre sociologia que assaz se recom- 
menda, não só por sua nova systematisação, como também pela pessoa 
qae o escreveu. 

Paulo IJ^errand. — Nascido na França a 15 do agosto de 
1855, íklieeeu a 18 de Julho de 1895, brasileiro, casado com uma senhora 
de distinota família de Ouro Preto e conceituado professor da escola de 
MíQM desta cidade. Era formado em seieucias physlcas e mathematicas 
e escreveu: 

— VOr a Minas Geraes. Ouro Preto (?) dous volumes — Nfio vi 
esta obra ; dá noticia delia o autor das Ephemerides mineiras, aceres- 
oentando que ha deste autor árcprca do 

— Mineralogia, exploraçQes indu5tri*es, e ostros assumptos pe» 
caliares a seus estudos proUs^ionaes, trabalhos publicados em livros, 
opúsculos e revistas sclentificas ^acionaos estrangeiras. 



V 



^i 



362 



Paulo J'€>mé <le I^JLello <le ^ssevedo e Brito — 

Natural da Bahia o nascido no anno de 1779, falldcea do Rio de Ja- 
neiro a 25 de setembro de 1848. Era bacharel em direito pela ani- 
veraidade de Coimbra, senador do Império pela província do Rio 
Grande do Norte por escolha de 13 de setembro de 1845, veador de 
sua magestade a Imperatriz e commendador da ordem de Ghristo . 
Foi o yice-presidente da primeira junta provisória do governo de soa 
província na eleição de 10 de fevereiro de 1821 ; administroa depois a 
mesma província e representou-a na 3* legislatura geral de 1834 a 
1837. Foi poeta applaudido e elogiado por vultos da altura de Filinto 
Elysio, mas de excessiva modéstia. Delle disse o doutor Macedo: « In- 
telligencia feliz e brilhante, homem de merecimento distincto, litterato 
e poeta estimado pelos seus contemporâneos, applaudido e altamente 
elogiado por elles, com lisonjeiro e animador horisonte aberto em su- 
perior gráo administrativo e na mais elevada posição, no senado do 
Império, ou por desidia reprehensivel, ou por modéstia excessiva, ou 
por systema adoptado de abstenção e de concentrada vida qae foi no- 
civa à gloria da pátria — fraca e incompletíssima lembrança deixou 
de seu nome que direitos tinha a perpetuar-se esplendido. Foi no 
seu tempo grande homem que condemnou-se a afflgurar-se pequeno 
na memoria dos povos». Do pouco, que publicou, mencionarei: 

— Elogio poético ao ill."** e ex."» sr. Conde dos Arcos — Acha-se 
na « Relação das festas 4ue ao ill.*"^ e ex."^"*. sr. d. Marcos de Noronha 
e Brito, Conde dos Arcos, etc. deram os subscriptores da praça do oom- 
mercio aos 6 de setembro de 1817 ». Bahia, 1817, 64 pags. in-4«. 

— Epithilamio seguido de três elogios. Rio de Janeiro, 1844, 
51 pags» in-8* — No epilhalamio celebra o autor o consorcio do Impe- 
rador d. Pedro II, e nos elogios os anniversarios de seus augustos 
pa avô. 

— Epistola ^ No Paraíso luzitano tomo 5®, 

^Ode Saphica^ escripta em 1797— No Guanabara ^ tomo 1% n. 1, 
dezembro de 1849, pag. 35. 

— Epistola. OJcirio — No Parnaso brasileiro de J, M. Pereira 
da Silva, tomo 2% 1845, pags. 227 a 236. 

'^Gíoza ao mote d ido por d . Pedro I : 

« Em linda marinha concha 
Vai Neptuno mui taful 
De calças pretas estreitas 
E sobrecasaca azul»* 



r 



363 



Vi pablicadas as quatro decimas desta gloza, oa nos Clássicos e ro- 
mânticos de F. Muniz Barreto, ou num volume do doutor Bonifácio 
de Abreu. Quer este, quer aquelle glozaram o mesmo mote. 

— Carta de um membro da patriótica junta do governo provisório 
da província da Bahia, com um appendice. Lisboa, 1822, 76 paga. in-4<>. 

— Requerimento que à augusta assembléa geral legislativa do 
Império do Brasil levou, queixandose do procedimento arbitrário e 
illegal, havido com elle no collegio eleitoral desta cidade ( Bahia ) 
e que serve de justitlcação de seu comportamento civico que seus 
emnlos pretendem manchar. Bahia, 1828, 50 pags. in-4<> — Foi publi- 
cado por um sobrinho do autor. 

Paulo «José Migruel de Brito — Creio que nasceu 
em Santa Gatharina, só ofconheço pelo^seguinte trabalho seu: 

— Memoria politica sobre a capitania de Santa Gatharina, escripta 
no Rio de Janeiro no anno de 1816. Lisboa, 1829, in-4o. 

Paulo «José Pereira — Filho de Cândido Pereira do 
Nascimento, nasceu na cidado do Rio de Janeiro a 22 de novembro 
de 1822. Com praça no exercito em 1842 e reformado no posto de co- 
ronel do corpo do engenheiros em 1878, faileceu no Rio de Janeiro a 6 
de maio de 1893. Servia como official technicona repartição do quartel- 
mestre general e era cavalleiro da ordem de S. Bento de Aviz e con- 
decorado com a medalha da campanha do P^aguay. Escreveu: 

— Immigração e colonisação: Proposta apresentada ao governo 
imperial para a incorporação da imperial companhia colonisadora 
Pedro II. Rio de Janeiro, 1872, 48 pags. in-4* — Precede este trabalho 
o contracto celebrado entre o governo imperial e o bacharel Bento 
José da Costa para introducção e estabelecimento, no norte do Império, 
de immigrantes e colonos europeus, extrahido do Diário c^o Rio de 
Janeiro n. 31Q, de 20 de novembro de 1871. 

— Fortificação e quartel de Caçapava. Noticia ou exposição do 
major, etc. em 1852. Porto Alegre, 31 de (março de 1852.— O auto- 
grapho de 9 folhs. in-fol. pertence ao Archivo militar. 

— Elementos de historia militar do Brasil, colligidos pelo tenente- 
coronel, etc— O autographo de 8 quadernos in-foU pertence ao Insti- 
tuto histórico e geographioo brasileiro. 

Paulo ]ilax'<][uei3 de Oliveiíra — Filho de Paulo 
Marques de Oliveira e dona Antónia Bernardina de Oliveira, nasceu 
na cidade de Pelotas, do Rio Grande do Sul, a 13 de outubro de 1857 



364 

e fallecea no Rio de Janeiro em 1884, com 27 acfnos incompletos» Muito 
joven, entregou-se ao commercio das muzas, publicando yarias poesias 
que eram lidas com applausos, dedicou-sc com ardor ás lettras e es- 
creveu : 

-«T ^lysa : romance. Eio de Janeiro, 1880, in-8^ 

— Ywdrí$iro$ myst$rio9 do Rio de Janeiro : ly^fQano^ I^Milfiiro. 
Rio de Janeiro» 18Q0, in*89. 

— Vénus ovt o dinheiro : romance brasileiro. Pelotas, Í88S, 175 
pags. in-8^ — - Foi publicado antes, em vida do autor, no Onze de Julho 
de Pelotas, em folhetim nos mezes de setembro, outubro e novembro 
de 1881, e agora é precedido de uma noticia do mesmo autor, eseripta 
por Francisco de Paula Pires, de quem j& fiz menção, e de um juizo 
critico pelo jornalista Albino Costa, publicado no Jomai daquella cidade 
por occasiilo de uma polemica relativa ao mérito do romance. 

— A canalha : romiance — Picou inédito na bibliotheca publica de 
Pelotas à que o autor o doara para dal-o à publicidade com todo o pro- 
ductoda venda. 

-* Por causa de um chapéQ de sol : comedia levada & scapa QO 
tbeatro de Pelotas, a (7 de dezembro de 1881 -* Não me consta qos 
fosse publicada, assim como outras peças para theatrb que^ segando 
estou loformadQ, escreveu no filo de Janeiro e apraseutoa ao CqQ8e^ 
vatorio dramático. Fez parte da redacção dos seguintes periódicos : 

— Tribuna Litteraria. Pelotas... 

— Reifiiia da Booiedade Phenix Litteraria. Rio de Janeiro, 1878 — 
1879, in-4». 

— Tribuna do Commercio : órgão da colónia portugueza no Brasil. 
Rio de Janeiro, 1880, in-fol. 

r^Aulo Pinto A.i:|to Rang^el * Filho de José An? 
tonio Marques, nasceu a 12 de setembro de 1844 na então província 
de S. Paulo. Com praça em 1864, fez o curso das armas de arti- 
lharia e infantaria e reformou-sa em 1885 no posto de capitão, tendo 
feito a campanha do Paraguay. E' cavalleiro da ordem da Rosae 
condecorado com a medalha de prata — Constância e Valor — conce- 
dida aos que combateram em Matto Grosso e com a argentina da mesma 
campanha. Escreveu: 

«- Consifieraçõffs ^pbre a orgaQim;ãQ d^ f^vJí\^, de ipf|^ptari# em 
batalhões de oito e mais companhias e corpos de qoiatro. S. P^qIq^ 
138|, íp-8»— E'escr}pto cpm A. Q. 4a Silví> Bqeftp. 



J 



366 



I?a.ulo Porto- Alegro — Filho de Manuel de Araújo 
Porto-Alegre, Bário de Santo Angelo, de quem já me occupei, nascido 
no Rio de Janeiro a 24 de julho de 1842, começou síia educado lítte- 
raria no collegio Pedro II, de onde passou à faculdade de philosophia 
da universidade de Berlim, ahi frequentando os curâoâ de sciencias 
nataraes dos mais notáveis professores; matrioulou-se depois na 
universidade de lieidelberg, onde praticou a endiometria e outros 
estudos chimicos sob a direcção e como auxiliar dos trabalhos no 
laboratório do eminente chimico e physico Roberto Bunsen. Nomeado 
em 1877 vice-cousul do Brasil ein Lisboa, em 1879 passou a occupar o 
logéir de cônsul pot enfermidade e Subsequente falieeim^lito âò encar- 
regiíâo do consulado gefal. fi' metnbro hohoi^itrio do circulo consular 
da Bélgica, da academia africana de tdf im, da academia das Sciondias 
de h\Êhcá e dê outras associaçoei de seiencias e letlras,- e escreveu: 

— Do acido carbónico, sua influencia e applioaçOefl nas artes^ na 
industria e ná dôiencia ^ Bste traoalho serviu-lhe de titulo para ser 
membt^ dit academia das seiencias de Lisboa. 

— Monographia do café : historia, cultura e producção. Lisboa, 
1867, iii*8« ^ B' |[ofin»rooido ao Imperador d. Pedro II. Tenho aponta- 
médios de ser este livro publicado em Lisboa, 1879, 541 pags. in-8° e é 
deÁi^ data b eiempl^f do Senado. 

- > -^ Dacinutsia pratiéã, originalmente escripta em allemâo e bojo 
tiudu2idft para o portu^ez. 

^ Ouia parft a anàlyse mineral quantitativa^ 

-« Manual de Sidero teohn ia. 
; — A siderofechnia na exposição universal de 1867, em Pariz. 

— O cacdUéUro, sila origem e oultura no Brasil^ colónias earopeas 
e continente átdoricatid — Estas obras tinha o autoi* promptas para 
publicar, ha annos ; não as vi porém impressas. 

Ptfiitlo fSalles — E* um brasileiro de quem não pude obtor 
noticia alguma. Sei apenas que, de oaracter pouco expansivo, reser- 
vado, viveu algum tempo no Rio de Janeiro, pelo menos em quanto 
pablicon algumas obras, na casa Garnier. Escreveu : 

•^ A cultura das abelhas : tratado pratico e completo de agricultura, 
contendo regrai e conselhos sobre todos os conhecimentos necessários 
à cuUdradas abelhas^ seu tratamento, aproveitamento do mel, da cera, 
etc. Rio de Janeiroj 1886, in-S*. 

— Mnnual do gallinhelro : arte de melhorar o tratar das gallinbas e 
mais aves domesticas, contendo regras e consellios sobre o cruzamento 
das raças, e descripção, construcçâo e hygiene do gallinheiro, moléstias 



n 



366 



6 sen tratamento, etc. Rio de Janeiro, 1887, in-S"* com gravuras e um 
tratado sobre os pombos. 

— Tratado completo sobre o porco, sua origem e utilidade, raçax, 
criação e engorda pelos systemas modernos, e seu tratamento ; se- 
guido da criação dos coelhos edos diíTerentes modos de accommodar a 
carne aos paladares mais delicados e de noticias sobre a anta, a ca- 
pivara, a paca, a cotia e o porquinho da índia ; acompanhado do 
charqueteiro nacional ou arte de fazer numerosos preparados e con* 
servas da carne de porco, taes como o presunto, salsichas, mnroella, 
lingua e queixo de porco, salames, etc. Rio de Janeiro, 1887, in-8<*« 

— O jardineiro brasileiro : livro próprio para as pessoas que qui- 
serem ter noções de agricultura. Rio de Janeiro*. . com graToras » 
Esse livro teve sexta edição em 1895, 397 pags. in-8^ 

— Cozinheiro nacional. Pariz ( sem data, mas de 1899 ), 498 pags. 
in-8®. Quinta edição melhorada. 

— Doceiro nacional. Pariz (sem data, mas de 1899), 339 pags. 
in-8''. Sétima edição melhorada e ornada com numerosas estampas. 

Fr* Paulo de Santa. Oatliarina — Filho de dom 
Feiippe de Moura e dona Genebra Cavalcante, nasceu em Olinda no 
anno de 1609 e folleceu a 3 de fevereiro de 1693. Chamado no sé- 
culo Paulo de Moura, casou-se na idade de 20 annos com sua prima 
dona Brites de Mello, que falleoeu deus annos depois, deixando uma 
filha que foi bisavó do Marquez de Pombal. Ao golpe profundíssimo 
que soffreu o esposo, procurou elle allivio na religião do Calvário, 
professando na ordem Seraphica de S. Francisco a 19 de fevereiro de 
1632. Em Lisboa, para onde se havia retirado, foi pouco depois eleito 
guardião e em 1662 provincial. Foi um sacerdote de raras virtudes e 
de seus sermões só publicou: 

— Sermão das chagas de Christo, pregado no mosteiro de Lorvão 
a 23 de outubro de 1661. Coimbra, 1662, in-4'' -* Este sermão foi de 
novo impresso em Coimbra, 1671 • 

Paulo Xheotoxiio lliax*q.iie0 — Filho de Proeopio Theo- 
tonio Marques, nasceu na Bahia a 10 de janeiro de 1845 e ahi falleoeu 
na cidade da Cachoeira a 23 de março de 1880. Doutor em medicina 
pela foculdade da então província de seu nascimento, foi assíduo col- 
laborador da imprensa académica de seu tempo e escreveu: 

~ Os Epicurianos ou a ultima noite. Bahia, 1869, in-8^ — Era o 
autor estudante. 



367 

— Influencia do celibato sobro a saúde do homem ; Vinhos medi-* 
oinaes; Asphyxia dos recem-nascidos, suas causas» formas, diagnoslico 
e tratamento; Acclimação: these apresentada, etc, para obter o gráo 
de doutor em medicina. Bahia. 1870, ia-4<> gr. 

Pa^usillppo da» Fonseca; — E' um autor novo que não 
conheço, senão pela noticia, que li na imprensa do dia, da seguinte 
obra sua: 

— Contos para crianças. Rio de Janeiro, 1900 — E* seu segundo 
ensaio, diz essa imprensa. 

I>. Pediro I do Sirasil e IV de Portugal e 

antes disto Duque de Bragança— Filho do rei d. João VI, de Portugal, 
6 da rainha dona Carlota Joaquina, nasceu no paço de Queluz, em 
Lisboa, a 12 de outubro de 1798, e ahi falleceu a 24 de setembro de 
1834, no mesmo paço e no mesmo aposento. Vindo para o Brasil em 
1807 com toda a real familia portugueza por causa dos movimentos 
políticos da Europa e regressando sua familia, aqui Hcou como regente, 
sempre lutando pelo engrandecimento do Brasil que elle amava como 
sua pátria. Já fazia parte da conspiração de Gonçalves Lodo, J. da 
Cunha Barbosa e outros para nossa independência em vista dos decretos 
das cortes portuguezas, absurdos, retrógrados e affrontosos para os 
brasileiros e da insolência e audácia da divisão auxiliadora sob. o com« 
mando de Jorge de Avillez e da do general Madeira na Bahia, quando 
foi a S. Paulo com o íim. de acalmar manifestações contrarias à sua 
acclamação de defensor perpetuo do Brasil, feita pelo senado da Camará 
do Rio de Janeiro. AUi na margem do Ypiranga, a 7 de abril de 1822, 
recebeanovos despachos de Portugal ; parando os leu e tão vehcmente- 
meoto impressionado íicou, que, levantando o braço direito e tirando 
o chapéo, soltou com o mais enérgico enthusiasmo o brado < Indepen- 
dência ou morte» que do Amazonas ao Prata repercutiu. Aoc) amado 
a 12 de outubro Imperador constitucional e defensor perpetuo do BrasiU 
foi solemnemente sagrado e coroado a 1 de dezembro do mesmo anno, 
sendo installada a assembléa constituinte a 3 de maio do anno seguinte. 
Desde esse momento, si ainda mais era possível, elle dedicou-se á sua 
pátria adoptiva. Já na regência lutou com sérios embaraços e os venceu. 
E' assim que, achando-se em lastimoso estado o thesouro e o banco do 
Brasil, elle reduziu sua mesada a pouco mais de um couto de réis, dimi- 
nuiu quatrocentos contos nas despezas da ucharia e cedeu o paço da 
cidade para as secretarias dos ministérios e para varias repartições que 
funccionavam em casas alugadas. Muito mais avançou o Brasil nos dez 



V 



368 



aonosde seu reinado, do que nos ires séculos anteriores. £' poasíTel 
que d. Pedro I tivesse erros, mas tinha também grandes virtudes. 
Para dissolução da constituinte e do primeiro ministério, cujo mi- 
nistro da guerra n*um de seus primeiros actos offendera a susceptibi- 
lidade nacional, favorecendo no exercito o elemento portugaez» elie 
teve de certo razão. A creação do conselho de estado após aquella dis- 
solução, prova que o Imperador não queria o poder absoluto. Sua ab- 
dicação ao throno do Brasil, porque se recusava elle a reinte^ar um 
ministério demittido, declarando ser isso contra sua honra e contra a 
constituição e concluindo « antes abdicar, antes a morte », foi ainda 
um acto que revela seu amor ao Brasil, porque isso traria a guerra 
civil, o derramamento de sangue brasileiro. Essa abdicação elle es- 
creveu chorando, e chorando disse ao mensageiro: « Aqui tem a miuha 
abdicação, estimo que sejam felizes. Eu me retiro para a Europa e 
deixo um paiz que tanto amei e ainda amo.» Nomeando tutor para 
seus filhos, sahiu do Rio de Janeiro a 13 de abril de 1831. 

Permitta-se-me reproduzir aqui estas palavras do senador J« S* 
de Faria Lobato por essa occasião: c Com um fico pelo Brasil perdeu 
elle uma boa parte de seu património, deu-nos uma independenma que 
não custou derramamento de sangue, nem os maiores saoriâcloe, deu* 
nos uma constituição a mais liberal e uma dynastia da mais pura 
raça do mundo. Com um vou elle ainda assignala o seu amor verdadeira- 
mente paternal para o Brasilj porque outra não é a causa que move este 
príncipe magnânimo a abandonar a ultima parte de seu património, 
senão o não empregar medidas de repressão e derramar o sangue de 
seus súbditos. Senhores, ó mister corrermos ã não, onde se aclia o 
sr. d. Pedro I e llie padirmos respeitosamente que revogue a sua 
resolução de abandonar o Brasil* » 

Sm Portugal fea d. Pedro prodigios de valor. Em combate contra 
seu irmão d. Miguel, regenerou a monarchia, outorgando aos por- 
tugueses uma oonstitulção livre e collocou no throno sua filha d. Maria 
da Gloria, em quem j& havia abdicado a coroa depois de aoelamado rei 
por morte de seu pae, e de conce.ler amnistia plena a todos os crimes 
politioos. D. Pedro não tinha, ócerto, aillustração compatível com a 
sua elevada posição, porque sua educação litteraria foi descurada de seu 
pae e doe ministros ; mas tinha discernimento reflectido e tino admi- 
nistrativo, foi leal e generoso, humano e compassivo, altivo e corajoso 
e cultivou a musica, o que é uma prova de bom coração. Bicreveii um 
grande numero de proclamações e manifestos, de que citarei alguns: 

i^ EeiJbiiavu$$ do Brasil ( proclamação do príncipe regente ). Rio de 
Janeiro, 1821, 1 fi. in-folío. 



I 



369 

— D. Pedro aos ílaminenses ( idem). Rio de Janeiro, 1821, 1 fl. 
iníolio. 

— Amigos Bahianos (idem). Rio de Janeiro, 1822, 1 fl, in-folio. 

— Ao exercito brasileiro ( idem). Rio de Janeiro, 1 fl. in-fol.— CJo- 
meça assim: «Soldados! uma noYa expedição de soldados luzitanoB 
acaba de chegar à Bahia. » 

— Brasileiros e amigos ! ( idem ). Rio de Janeiro, 1822, 1 fl. in-folio 
— Começa assim: « Nossa Pátria está ameaçada por facções. » 

^ O Principe regente do reino do Brasil á divisão auxiliadora de 
Portagal: proclamação. Rio de Janeiro, 1822, in-folio* 

— Aos habitantes do Rio de Janeiro ( idem ). Rio de Janeiro, 1822, 
in-folio. 

— Soldados áe todo exercito ( i<lem ).Rio de Janeiro, 1822, in-folio. 

— Aos habitantes e tropas da capital e províncias do Brasil em .17 
de janeiro de 1822. Rio de Janeiro, 1822, in-folio. 

— Habitantes do Brasil: proclamação. Rio de Janeiro, 1822, in- 
folio — Começa assim: <0 governo constitucional que se não guia pela 
opinião publica ou que a ignora, torna-se o flagello da humanidade.» 

— Aos portuguezes: proclamação. Rio de Janeiro, 1822, in-folio. 

— Aos brasileiros fora da pátria. Rio de Janeiro, 1823, in-folio. 

— Proclamação ( de 10 de junho de 1824 ). Rio de Janeiro, 1824, 
|n-folio. 

— Proclamação exhortando os brasileiros à defesa da pátria contra 
os ataques de Portugal. Rio de Janeiro, 1824, in-folio. 

^ Proclamação lida no campo de SanfAnua no dia 6 de abril de 
1831 — Não a vi impressa, mas vi o seu original no Instituto histórico. 

— Proclamação de 8 de setembro de 1822. Rio de Janeiro, 1822» 
in-folio. 

» Manifesto de S. A. R., o principe regente constitucional e de- 
fensor perpetuo do reino do Brasil aos povos deste reino. Rio de Ja- 
neiro, 1822, 4 pags. in-fol. de duascolumnas. 

— Manifesto do principe regente do Brasil aos governos e naçOes 
amigas ( de 6 de agosto de 1822). Rio de Janeiro, 1822, 8 pags. in-folio 
— Foi também escripto em francez e publicado no Rio de Janeiro no 

mesmo anno. 

— Manifesto de S. M. o Imperador aos brasileiros (de 16 de no- 
vembro de 1823 ). Rio de Janeiro, 1823, 2 pags. in-8». 

— Illusires e dignos procuradores. Rio de Janeiro, 1822, in-fol.— 
B' a declaração de que Sua Magestade íicaria no Brasil. 

— Falia de S. M. I. aos soldados do exercito pela entrega das 
bandeiras. Rio de Janeiro, 18S2, in-folio. 

Vol. VI - 24 



370 

— Cartai e mais peças offlciaes, dirigidas a S. M. o Sr. D. João Yl 
pelo príncipe real, etc, Lisboa, 1822, dous opúsculos de 17 e 24 pags. 
iQ.go ^0 primeiro foi dirigido às Cortes em »essão de 28 da setembro 
deste anno. Além destaa estiveram na ExposiçSo de historia pátria de 
1880 as ires seguintes publicaç^Hes: 

— Cartas o documentos dirigidos a S. M. o Sr. D. João VI pelo 
príncipe real, ete. com as datas de 19 e 22 de Junho deste anno e que 
foram presentes éis Cortes da naçSo portugueza em 26 de agosto. 
Lisboa, 1822, 56 paga. in-4<'. 

— Cartai e mais peças officiaes, dirigidas a 8. M. o Sr. D. JoSo VI 
pelo principe real e juntamente os offlcios que o general commandante 
da força expedicionária, existente no Rio de Janeiro, tinha dirigido ao 
Governo. Lisboa, 1822, 72 pags. ln-4« — As cartas de D. Pedro la 
D. João VI tiveram segunda edição, precedendo a «Correspondência 
official das províncias do Brasil durante a legislatura das cortes eon- 
stituintes de Portugal nos annos de 1821-1822. Segunda edição. Lislxxi, 
1872, in*. 

— Correspondance de D. Pedro, Premier Empereur, etc. durant let 
troubles da Bresil, traduite sur les lettres originales, precedóe de la 
vie de cet Empereur et suivie de pièoes Justificativos par Eugenede 
Monglave. Paris, 1827, in-4o. 

^ Resposta. do S. M. ao discurso congratulatorio da deputação da 
Assembléa geral constituinte e legislativa no muito glorioso anniver- 
sario da independência do Brasil. Rio de Janeiro, 1823, in-folio. 

— Carta constitucional da monarchia portugueza, decretada e dada 
pelo rei de Portugal e Algarves, D. Pedro, Imperador do Brasil, aos 
29 de abril de 1826. Rio de Janeiro, 1826, in-8«. 

— Ultimo balanço ou budget do Sr. D. Pedro de Alcântara, ex« 
Imperador do Brasil, dirigido à Illma. Regência ( 10 de abril de 1831 ), 
7 pags. in-8« ~ Foi esoripto e dirigido da nâo Warspite. 

— Testamento de S. M. o Sr. D. Pedro, Duque de Bragança, 
acompanhado de diversos documentos. Rio de Janeiro, 1836, 16 pags. 
in-8«. 

— Carta posthuma de D. Pedro, Duque de Bragança, aos brasileiro* 
remettida pelo Dr. T... Rio de Janeiro, 1835, 14 pags. in-4* — 
Foi remettida pelo Dr. João Fernandes Tavares, de quemme occupei. 
Esta carta tem por pigraphe eo verso de Virgílio « Est dulce, moriens 
reminiscitur Argos > assim paiaphrasoado: 

« E no lance da morto in Ja conserva 

A lembrança da pátria que amou tanto. » 



J 




I 

l 



371 



Esta carta foi reprodazida na Revista Popular, tomo lô'', pags. 193 
a 200 e pareoe-me que teve outra edição. D. Pedro I nanca se teve 
em conta de poeta, porém escreveu algumas poesias, e de improviso, 
das qnaes citarei: ^ 

— Soneto escripto no Rio Grande do Sul, ao receber a noticia do 
íklleelmento de sua esposa a Imperatriz D. Maria Leopoldina, a 11 de 
dezembro de 1826. O Marquez de Qnlxeramobim possuia delle o original 
do pnnho de D. Pedro. Só o vi publicado no « Almanak de lembranças 
brasileiras » do Dr. C. A. Marques, S. Luiz, 1861, pag. 65. Gomeca 
assim: 

Deus eterno porque me arrebataste 
A minha muito amada Imperatriz ? 
Tua diviaa bondade assim o quiz... 
E assim meu coração dilaceraste. 

Ahi aprecia-se ao menos o sentimentalismo e o espirito religioso* 
hoje banidos da poesia moderna, e entende-se o autor, ao contrario de 
alguns poetas da geração actual, qtie só elles entendem o que escrevem. 

— Cálckêia improvisada no dia 7 de setembro de 1822, depois do 
brado «Independência ou morte », servindo-lhe este de mote * Acha-se 
na Memoria sobre a declaração da independência pelo major F. do C. 
Castro 6 Mello, no Elogio histórico do conselheiro Manoel Joaquim do 
Amaral Gurgel pelo conselheiro O. H. d 'y\ quino e Castro, etc. 

— Traducção do drama Guilherme Tell, feita por D. Pedro I, 
— cujo autographo ou pelo menos fragmentos a Bibliotheca nacional 
possuo, oíferecido pelo dr. Pardal Mallet, que também lhe offereceu o 
seguinte livro, por onde se apreciam o caracter e os serviços do fun- 
dador da independência e da monarchia brasileira: 

— Pedro /e suas gloriosas acções, tanto nos dous primeiros annos 
do seu regimen no Brasil, como no acto da sua abdicação, e depois delia, 
ou Memorias para servirem à historia do mesmo Império, onde se 
mostram por factos, documentos e escrlptos tanto nacionaes como es- 
trangeiros, não só os relevantes serviços que o mesmo senhor prestou 
à tdk^or da independência, liberdade e prosperidade deste paiz nos 
referidos dous annos, como a magnanimidade, desinteresse, heroismo 
e coragem que Sua Magestade Imperial tem desenvolvido depois da 
sua abdicação. Por. •• Original, sem data, in-fol. de 124-117 pags. 

Não sei quem foi o autor deste trabalho ; só sei que era brasileiro. 



APPENDICE 



M 



Malviuo dai Silva« Reis, pag. 4 — Nasoeu na cidade 
de Campos» do Rio de Janeiro, a 19 de março de 1842, e escreveu mais: 

— Considerações politicas. Circular e manifesto-agradecimento, 
dirigidos ao corpo eleitoral da corte e provinda do Rio de Janeiro. Rio 
de Janeiro, 1887, in-8^'— Refere-se & apresentação de seu nome para 
deputado á camará legislativa. 

— Agonia do povo e funeraes da Republica — serie de artigos 
publicados no Jornal do Commereio de outubro a novembro de 1899, 
sendo o ultimo a 14 deste mez. Procura o autor demonstrar o regresso 
6 abatimento do Brasil depois da queda da monarchia. Este trabalho foi 
publicado depois em opúsculo. 

* ManA-edo il^lves de IL<iina — Presbytero secular e 
cónego da Sé da Bahia, donde o supponho natural, é membro do 
Instituto geographico e histórico deste estado e escreveu, alóm de 
outros trabalhos talvez: 

— O catholicismo victorioso nos âns do século XIX ; beatiflcaçSo 
do venerável irmão Diogo de Cadix. Bahia, 1895. 

* MAnclo Oaetano I^il>eiro — Natural do Pará, prés* 
bytero seeular e doutor em theologia, parochiou mais de uma freguezia 
no estado de seu nascimento, onde ó actualmente cónego e cura da ca« 



374 APPENDICE 

thedral. Foi deputado & assembléa geral Da ultima legislatura do 
Império, e escreveu vario« sermCes, de.quo só vi: 

— Oração fúnebre. Das solemnes exéquias de S. M. o Imperador 
do Brazil, celebradas Da lgreja*matriz de SanfADua. Belôm, 189^ 
in-8» — Escreveu mais. 

— Serie de artigos com refereocia ao livro c CreDças e opiaiOes > 
dodr. Uuro Sodré. Belém, 1898. 

Manuel Avivar o de Souza Sã Vianna» pag. 6 — 
iDiciou sua vida publica como advogado em S. Paulo oade exereeu 
também o logaur de promotor de capellas e resíduos; fui secretario do 
goveruo da antiga província de Saata Catharina, director geral da 
instrucção publica, reitor do Instituto litterario e normal, e neste in- 
stituto professor de philosophia; foi juiz municipal em Minas Oeraes; 
vindo para o Rio de Janeiro estabeleceuse como advogado, foi dele- 
gado de policia por duas vezes ; ó professor catbedratico de fallencias 
da faculdade livre de sciencias Jurídicas e sociaes, membro honorário 
da Associação dos advogados de Lisboa e eorrespondente do Instituto 
dos advogados de S. Paulo — Sua obra « Instituto da ordem dos advo* 
gados brasileiros. Gincoenta annos de existenela» mereceu elogios do 
dr. Alexandre Ck)rsi, professor da universidade de Piza, do dr. B. Lo- 
rena, professor da universidade de Buenos- Ayres e de KageiUo Pin« 
cherli, jurisconsulto e advogado em Verona, 

Manuel A.lves de ^i-aujo, pag. 7^PUhodeHyp« 
polltd José Alves, nasoen a 19 de março de 1836 na cidade d6 Mor* 
retes, do FaranA. Foi ministro da agricultura no gabineta de 
SI de janeiro de 1882 e o penúltimo presidente da mmiarohta em 
Pernambuco. 

Manuel iLlve« Sranco, Visconde de Caravellas, ^af . f 
— Na exposição de historia pátria de 1881 íbi apresôntado destô autor 
um volume com o titulo: 

— Collecção de poesias minhas, escriptas em 18^7 — inéditas e 
enviadas da Babia pelo seu presidente. 

Manuel ilLntonio Fex^reira i^oadevaloo, pag* 18 
«* Fikileeeu a tt de maio de 1889 no Rio de Janeiro. 



APPBNDICB 375 

Manuel dê i%.raoJo Porio«i%.le£rx*o, BarSo dê 
Santo ÁDgelo, pag. 26 — Ainda ha oscriptos sôqs, como: 

— Relatório sobre a inseri pçSo da Gávea, mandada examinar pelo 
lostituto histórico e goographico brasileiro — Na Reviíta deste In- 
stitQto, tomo I<>, pags. 98 a 103 com uma folha do desenho da mesma 
inscripcão. Este trabalho ô também assignado pelo cónego Janoario da 
Cunha Barbosa e ( como testemanha ) por Josó Rodrigues Monteiro. 

— Carão genethliaco ao faustissimo dia 23 de fevereiro de 1845, 
dedicado a Sua Magestade Imperial o Sr. D. Pedro II •— Na Minerva 
Brasileira^ volume 3°, pags. 141 a 150. 

— O caçador: brasiliana dedicada ao Illm. Sr. Santiago Nunes 
Ribeiro-^ Na mesma lievista^ volume 1<>, pags. 333 e segs. 

^ Manuel A-ug^usto de ^Ivaren^a— Filho de Thomô 
de Alvarenga e nascido em S. Paulo, bacharel em direito pela faouldade 
deste estado, ahi exerce a advocacia e escreveu: 

— Consolidação da lei das hypothecas. S, Paulo, 1899, in-8<^ gr.-* 
B* proprietário e um dos redactores da 

— Revista Jurídica: revista mensal de legislação, doutrina e 
jurisprudência do Estado de S. Paulo— Começou a publicação em 
Janeiro de 1895. 

"■ Manuel Beuioio *- Filho do tenente-ooronel Laudelino 
Manoel de Azevedo, nasceu na villa de Vertentes de Taqoaretinga, 
Pernambuco, a 23 de agosto de 1861. Matriculando-se no primeiro 
anno da faouldade de direito de sua província, deixou este curso para 
encetar o da esoola militar do Rio de Janeiro. Não proseguindo também 
nesta escola, foi professor na província, hoje estado do Rio de Janeiro, 
onde ô actualmente tabellião de notas. Esteve no Sul durante a 
revolta da esquadra contra o governo do marechal Floriano, como em- 
pregado do periódico O Tempo, e depois em Canudos como correspon- 
dente do Jornal do Commercio nos movimentos contra António Con- 
Bol beiro e sua gente. Escreveu: 

— Scena de sangue: poemeto a propósito do assassinato e suicídio, 
dados na praça do mercado deNitheroy a 21 de outubro. Rio de Janeiro» 
18d4, ln-8° — Tem a assignatura também de Ricardo Barbosa. 

^ O rei dos jagunços: chronioa de costumes e de guerra. Rio de 
Janeiro» 1899, in-8<^ — Ref(9rd«se o autor aos notáveis acontecimentos, 
de que foram theatro os sertões da Bahia em 1897, ali onde o celebre 
fanático António Ck}n86lheiro» acompanhado de numeroso bando de 



376 APPENDICE 

valentes [dertanejos,* offereoea tenaz resistência contra aa forças do 
governo da Republica. 

~ Origem da designação de alguns vocábulos e logares de Ni- 
theroy * No Fluminense em outubro de 1899. 

— Jomaes nitheroyeoses^ No Fluminense de 29 de outubro ede 
3 de dezembro de 1899. E* a enumeração dos jomaes publicados em 
Nítheroy desde 1829 a 1892 ^ Sei que este autor escreveu mais: 

— Os aventureiros: drama. 

-«- O bicho: comedia— não vi estes dois trabalhos. 

MAnuel Benioio Foutenelle, pag. 34 — O livro 
Scena de sangue^ escripto com Ricardo Barbosa, não pertence a este 
autor, mas ao precedente. 

* Manuel Sernapclo Oalmon du Pin e J^l- 
meida, — Filho do contra-almirante António Calmou da Pin e Al- 
meida e dona Maria dos Prazeres de Góes Calmon, nasceu na capital da 
Bahia a 5 de Junho de 1876 e ahi falleceu a 28 de novembro de 1897, 
tendo concluído o curso medico e em vésperas de receber o grão d« 
doutor pela faculdade da mesma capital. Dotado de bella inteliigencla, 
foi um dos mais distinctos alumuos desta faculdade, onde serviu o 
cargo de interno de clinica medica desde o seu quarto anuo do earso. 
Tinha escripto para sua these inaugural um ezceliente estudo de 
criminologia social, que foi depois publicado com o titulo 

— Degenerados criminosos: Bahia, 1898, 130 pags. in-4^ — se- 
guidas de um Índice bibliographico e de um quadro estatístico da Peni- 
tenciaria da Bahia, de 1861 a 1897. Este trabalho é dividido em quatro 
capítulos, a saber: I O conceito da degeneração ; II As causas da dege« 
neração na Bahia; III A degeneração e a criminalidade ; IV As prisOes 
na Bahia. Durante o anno de 1896 collaborou no periódico A Bahia^ 
onde publicou, entre outros trabalhos, os seguintes estudos críticos: 

— Litteratura franceza. 

— Paulo Bourget, 
— - Catule Mendes, 

— Emilio Zola — todos com o pseudonymo de Nip. 

* Manuel Buarque de Miaeedo, Z^ — Filho de Ma- 
nuel Buarque de Macedo, de quem me occupei neste volume, nascea a 
19 de abril de 1803 em Pernambuco, ó engenheiro civil pela escola 
polyteolmica e escreveu: 

'^Navegação nacional. Rio de Janeiro, 1895, ia-S^, 



APPENBICE 377 

Manuel Garisre Baraúna, pag. 44 — FaUeoeu a 9 de 
fevereiro de 1851 . 

Manuel de Oarvallio Paes d.e Andrade, 2s 

pag. 46 — EscriY&o do oommercio no Recife, foi deputado provinoiaU 
condecorado com o habito da Rosa, e faileoea ainda moço em Caruaru, 
Pernambuco, em novembro de 1869, e n&o em 1867. 

Manuel Oarvallio Pereira de Sá, pag. 46 — Fal* 
lecea a 23 de julho de 1861 na cidade de Arôas em S. Paulo. 

Manuel Goellio da Roelia, pag. 49 ^ Filho de 
Manoel Coelho da Rocha e dona Joanna Baptista da Rocha, nasceu, não 
no Rio Qrande do Sul, mas no Rio de Janeiro a 30 de março de 1824 e 
aqui falleceua27dejulhode 1899. Serviu como guarda-livros na 
cidade de seu nascimento, depois na província do Rio Grande do Sul, 
onde também exerceu um logar na alílandega, e foi professor publico 
de inglez. Por âm, tornando ao Rio de Janeiro, exerceu aquella pro- 
fissão em vários estabelecimentos bancários e associações anonymas. 
Escreveu, além das obras mencionadas: 

— Degeneração de Max Nordau (traducção), 1° livro contendo: 
P, Crepúsculo dos povos ; 2% Symptomas ; 3% Diagnostico ; 4% Etio- 
logia. 

— Degeneração de Max Nordau ( traducçSo), 2'>.livro: O Mysticismo, 
comprehendendo: í**, Psychologia do mysticismo; 2°, Os Prera- 
phaelitas. Ha mais3<>e4<^ livros da Degeneração^ publicados em vo- 
lumes especiaes. 

— Manual de pyrotechaia moderna, ou arte de fasser todas as 
sortes de fogos de artifícios, por F. di Maio ; ornado com 115 figui*as. 
Traiucção, etc. Segunda edição, augmentada com muitas receitas novas 
de fogos japonezes e processos de fabricar balões ou machinaSt etc. 
Rio de Janeiro, 1897, in-S"*. 

— Prestidigitação moderna: collecção de sortes de physica diver- 
tida, sortes de escamotagem, sortes de cartas, magia branca, expe- 
riência do espiritismo simulado, etc. Traducção e compilação, etc., com 
estampes. Rio de Janeiro, 1899, Ín-8«. 

— Degeneração de Max Nordau ( traducção ), í^ livro: O Egotismo, 
comprehendendo: 1<», Psychologia do Egotismo; 2«, Parnaiianoi e dia. 
bolioos; 3<^, Decadentes e Estheticos. Rio de Janeiro, 1900. B' sua ultima 
obra* que sahia & lume depois de sua morte. 



378 APPENDICE 

Cumpre rectificar uma de suas obras, isto é: 

— O homem conforme a sciencia: traducção do Luiz Biichner, ete. 
E* em três volumes: 1«, Donde vimos? 2«, O que somos? 3«, Para onde 
vamos f Rio de Janeiro, 1899 — Finalmente, seu livro « Mentiras con- 
vencionaes » tere oito edigOes. 

Manuel da OanHa Oalv&o, pag. 50 <- Falleeetl no 

Rio de Janeiro a 27 de março de 1872. 

* Manuel I>antati — FilUo de José Corrêa Dantas e dona 
Maria Rosa Dantas, nasceu na cidade de S. Christovam, antiga capital 
de Sergipe, a 15 de abril de 1851^, o Mleceu na Bahia a 20 de Janeiro 
de 1893» Doutor em medicina pela faculdade desse estado, serviu al- 
gum tempo no corpo de saúde do exercito e depois íbi nomeado lente da 
clinica propedêutica da mesma faculdade. Estabelecido o regimen re- 
publicano* foi eleito deputado á Constituinte babiana e escreveu: 

«- Do emprego das emissOes sanguíneas nas pneumonias. Theoria 
da osteogenia e da regeneração do osso: Das observações tbermo* 
métricas no estudo da tbisioa pulmonar. Como reoonhecer*se q[ue 
houve aborto num caso medico«legal ? these, etc, para receber o grào 
de doutor em medicina, Bahia, 1873, 28 pags. in-4'. Ainda estudante 
fundou e redigiu: 

— Ensaios: revista quinzenal. Bahia, 1870. Sahiu o primeiro 
numero em abril deste anno, tendo por companheiros na redacção Fre- 
derico Silva, Alfredo Pompilio e Paula QulmarSes. 

Manuel r>iaa de Xoledo, pag. 59 — Fallecau a 6 de 
marco de 1874, e não a 3. 

^ Manuel Xí^speridlâo da Ooata Marqueei — 

E* natural da antiga província, hoje estado de Matto Grosso, que elle 
representou na assemblôa geral na ultima legislatura da MonarchiA. 
Formado em mathematicas e engenheiro em serviço no actual estado 
do Matto Grosso. Escreveu: 

— Rêlaiorio sobre vias de oommunioaçSo na regito occidental d6 
Matto-Grosso, e exploração dos rios Jaurú, Aguapehy, Guapor6 « 
Alegre. 

Manuel XCustaquio 8arl>o«a de 01iireira.« 

pag. 65 — Falleceu a 2 de setembro de 1861 na oapltal da Bahia, 



APPKNDICS 379 

Manuel Kelielano Pereira de Carvallào, 

pftg« 66 -• Foi o primeiro medico que do Rio de Janeiro fes ftpp)ioaç9o 
do DOTO agente deflooberto pelo chimico Sonbeiran, o obloroformio. A 
•He ooube a gloria de haver por aquelle meio poupado dores aoi en- 
Armoa aubmeitidoi a § raves operaçõds cirurgioas» Ainda ba trabalhoa 
aeua em revíetaf » eono: 

— Dum palavras em resposta aos artigos da Gazeta doi THbunoêt 
8ob a rabrica %. Nova forma de apreoiar os ferimentos do peito com 
offoBsa dnvidosa das entranhas »— No Arebivo Medico Brasileiro» 
tomo 3«, 184Ô4847, pag8« 71 e segs.*- Foi com outros ooUegas da 
escola de medicina da corte autor das 

-* Emendas para o projecto de Estatutos para a Escola de Medicina 
do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1837« in»8\ 

• * Manuel Félix de AArvaretngwb e I9ilva — Nas- 
oido em imubA, Minas OeraeSf a5 de janeiro de 18£5f falleoeu em Casa- 
Branca, 8. Paulo, a 7 de mar^o de 1888. Exerceu algnns cargos pu- 
bileosem sua provinda, ôomo o de tabelliSo interino de Itajubà e lambem 
d« promotor publico de Batataes em 8. Paulo* Escreveu: 

«M Cabo Verde* 8. Paulo, 1879, 2Z pags. in-8*. 

-* Cidade de Caia Branca: manifesto. S. Paulo, 1883, 4 pags. 
in-4» gr. » 

— A Haerttfertfto de Oasa-Branoa* 8« PaiilOi«.« 17 pags* ln*8» — 
Poi proprietário e redactor do periódico 

«• O Munteipiot orgio dedicado aos interesses deste município. 
Casê^Braneai 188Sp'1887 -* Sahiii o [^ primeiro numero a 98 de maio 
d*aquelle anno e o ultimo em junho deste. 

Manuel Ferreiíra Oaroia Redondo, pag. 77 ^ 
Esorevea ultimamente: 

— Moléstias e bichos: comedia em um acto, representada pela pri* 
meira vez por amadores no palco do club « Commeroio », de S . Paulo, 
no sarau musical e artístico, promovido pelo autor e realisado na noite 
de 26 de janeiro de 1899. S. Paulo, 1899, 62 psgs. in-8<' peq. ^ 

Manuel f^erreira Iliagros, pag. 79 — Este autor deixou 
mais de trezentos manuscriptos inéditos que foram comprados & sua 
vinva em março de 1873. 

Manuel IPerretra Nol>re, pag. 82 — Filho do tenente 
do exercito Manoel Ferreira Nobre e dona Ignacia de Almeida Nobret 



380 ÂPPENDICE 

nasceu na capital do Rio Grandd do Norte em 1833, e falleoea na ci- 
dade de S. Jo8Ó de Mípibd do mesmo estado. Ahi foi oiâcial-maior da 
secretaria do gOYerao, bibliotbecario da biblíotheca publica e depatado 
provincial, tendo seguido em 1867 ou 1868 para a guerra do Parsgoay 
•orno offlcial de um batalhio de voluntários. Redigiu e oollaboroa para 
diversos jornaes politioos e litterarios e consta que deixou vários tra- 
balhos inéditos. 

Mianuel ■«'ranoisoo ^lipio, pag. 83 -« Era agrimensor 
titulado. Este autor ó o mesmo Francisco Alipio, mencionaio no vol. 
segundo, pag. 386. 

M!a;iiu.el Fra.iicifsoo Oorrela, pag. 84 ~ A praia ia 
Gloria: romance, foi com effeito escripto para uma revista litteraría, 
quando o autor cursava a faculdade de S. Paulo, sendo depois abl publi- 
cado em volume e creio que teve aluda uma edição no Rio de Janeiro. 

Escreveu mais: 

«-« Occupação da ilha da Trindade pela Inglaterra, e restitui^ 
ao Brasil: leitura feita em sessão do Instituto histórico e geogia- 
phico brasileiro. Na Regista do Instituto, volume 59, parte 2*, 
pags. 5 a 25. 



3£a.nuel l*^ranoiaoo Dias da. í^ilva, pag. 86 — Es- 
cspou-me a menção do seguinte trabalho seu: 

— Ourso do economia domestica: thesouro da mãi de familia oa 
conselhos e receitas úteis na vida domestica. Rio de Janeiro* . . . 

ACanuel da Oama ILiol>o, pag. 90 — * Além do que fiooa 
mencionado, escreveu: 

* Ophthalmia brasiliana » Nos Annaes Brasilienses de Medieina, 
tomo XXX, pags. 16 e seguintes. 

— Parecer sobre a memoria do dr. Atalibade Gomensoro relativa- 
mente à operação da catarata pelo novo processo Graeíe, da catarata — 
Idem, tomo XXXIV, pags. 178 e seguintes. 

— Moléstias inieviidiS do globo do olho, vistas pelo ophthalmoscopio 
— Idem, tomo XXXIX, pag. 473 e tomo XL, pags. 35, 108, 244 • 
seguintes. 

^ Manuel Oonaes de Mattos — Pilho de Francisco 
Gomes de Mattos e nascido no Ceará a 8 de março de 1841, ó bacha- 



APPENDICE 381 

r^l em direito pela facaldade do Recife, formado em 1862, deputado 
federal por Peroambaoo à quarta leg^islatura, ez «senador estadoal 
a escroTen: 

« Discurso pronunciado no segundo congresso agrícola, etc. Per« 
nambuco, 1884, 14 pags. in-8o. 

Manuel Ig^nacio Bricio, pag. 99 — Filho de 
liiarcos António Bricio, depois Barão de Jaguarary, a quem j& me re- 
feri neste volume, e dona Maria Quitéria Bricio, nasceu na cidade da 
Fortaleza, capital do C6ará, a 8 de feyereirode 1814. 

Manuel Ig^no/Olo de ILiaceircIa. A-zevedo, pag. 
102 — Seu nome é Manuel Ignacio de lAcerda Werneck e devia ser 
collocado antes do precedente. Filho de José Ignacio de Souza Werneck, 
e nascido no Paty do Alferes, Rio de Janeiro, a 15 de agosto de 1853, 
depois de cursar humanidades no Brasil e em Lisboa, fazia o curso de 
engenharia civil na universidade de Oand, Bélgica, e não concluindo 
por[molestía, foi engenheiro geographo pdla escola polytechnica do 
Rio de Janeiro. Foi engenheiro da estrada de ferro de Porto-AIegre à 
Uniguayana, e foi intendente municipal na cidade do Rio Grande do 
Sul, onde falieceu a 9 de outubro de 1899. 

Manuel «Tesulno ■«'erreira, pag. 106 -« De sua tra- 
ducçSo da Divina oomedia, que não chegou a ser publicada, sahiram 
fragmentos na Revista Brasileira, primeiro anno, tomo 1^, pags. 445 
a 452. Aos seus trabalhos accrescente-se: 

* A Virgindade & noiva: traducção de um soneto de Tommazo 
Crudell — Na RevisH Brasileira, terceiro anno, tomo X, 1881, 
pag. 169. Este soneto é precedido do original de T. Grudeli e 
de outras tradncçôes por António Pitanga, J. P. Xavier Pinheiro, 
Manuel Benicio Fontenelle e J. P. Machado Portella. 

Manuel Joaquim Marreiros, pag. 120 «Conhece 
mais o seguinte trabalho seu: 

— Moléstias e epidemias do Rio de Janeiro, 1798 « Nos Annaes 
Brasilienses de Medicina, tomo XIV, pags. 97 e seguintes. 

* Manuel José da Oosta, Barão das Mercas — Filho 
de, Bento José da Costa, nasceu em Pernambuco, onde falieceu, sendo 
chefe politico, agricultor adiantado, oommendador das ordens de Christo 



1 



u 



Sd2 APPBMDiCB 

é Rosft. Pec A sua «dueaoSo ba Europa 6|fAllA7A o ttèãcez • o iogfeij 
Esereveu: 

— Eleição ádkfregn&iidLádk Ipojuca. Pernambuoo, 1863, GSp«^«« 
ln-8«. 

* Manuel José Oômes de Fjreit^s ^ FUlio da^ 
de Freitas S. Thiago e dona Ignacia Gomes de Freitas, nasceu a 23 de 
abril de 1811 no município de Piratialm. aotiga proyiAÇia 4p Rio 
Qraiujbe do Sol, e ahi íiaUeoeu a 1? de igiaio d^ 1884» Dq limilad«i íQi- 
flirnoQSo, w« dotado de íatelligeacia, ezefceu oo logar do 9ea paaoip 
mento diversos cargoii de eloiçlk) popular, foi diDpatado piovlociali tí- 
cC^presidente da província, offlcial da ordem da Rosa, sodo effectivoda 
Sociedade Amiliadora da Induj^tria Nacional e membro correspondente 
do lustjituto Histórico da Província de S. Pedro. Nos últimos anooi 
de sua existência foi atacado de uma amaurose, qtue o privou coinple« 
tawente da vista. Bsoreveu: 

— ApQntaméntoê doi factos directos ou rejativoi da historia do 
BrasíK 

-* Lista de batalhas dasde 758 ânuos antes de Josus-Christo. Eitei 
dous trabalbo$ foram publicados i^m folUetins no Diário do Rio Gronà^ 
ppr wn seu amigo. Deiacou inéditos: 

— Bosquejo das Nações e personagens uotareís dft Ustorja aai* 
versai e pátria em ordem alphabetica, comprehendendo as províncias 
do Brasil. Seis volumes. 

— Apontamentos históricos e geographícos da provincia do Rio 
Grande do SuU 

Manuel HuBíãiMU^n Ara#iI|A I>aiMUMi# pag* 145- 
Aninando seus discípulos, opUaborou para revistas aicadeaiicagi^ ewp e 
Crêpuêcuhf onde esci*evAu: 

— Necfissid^ dos exercidos religiosos para dasenvolver a para 
armar o sentimento r^ligjkMio: iraduccão de Devay-^ No vofu#e 1% 
1845, pags. 33 a 37. 

— O suicídio — Na mesma revista e no mesmo volume, pags.. 172 
a 175. E também para o Musaico com a 

— Lição de pathologia externa, feita na Faculdade de Medicioa 
da Bahia nodia 25 de junho de 1845, etc.— No tomo 1% pags. 3 a 6. 

Ma^nuel L.opes de Oarvallio Ramos, pag. 147— 
O seu poema Goyania^ apezar de estar escripto na capa «GoTas» 
189Ô » , foi impresso neste mesmo anno, e n&o em 1889, na cidade do 
Porto, como se verifica na segunda folha e na ultima do mesmo tivro* 






APPBNDtCE 383 

Maiiuel de Magalhães Oouto, pag. 155 <« Falldceu 
nesta capital a 23 de março de 1900. 

* Manuel Martins d-omes — Nascido no aetaal estado 
de Alagoas e fazendo seus estudos de humanidades na cidade da Bahia 
e na do Recife, dedicoa^^se ao magistério e eoilaborou assiduamente no 
periódico 

— O Orbe. Maeeiót la-fol.— Bsta publioaçfto eome^ii a 12 de 
maio de 1879 e nella publicou não só artigos políticos, como poesias. 

— Yozes d'alma: versos. Maceió» 1887, in-8\ 

* Manuel de Meirellea Peixeira Ouedesi — Nas* 

eido em Villa-Rica, capital de Minas Qeraes, a 8 de outubro de 1739, 
íalleceu em Eiras, Portugal. Sendo eremita cal^o da ordem dos gra- 
cianos, passou depois a presbytero secular e foi professor de historia 
eoclesiastica do seminário episcopal de Eivas. Escreveu; 

» 

<*• Oraçàé deliberativa, que recitou na abertura das lições de his« 
toria «cèlesiastica no coUegto episcopal de Elvas, Lisboa, 1787, 46 pags. 

•* OraçSo deliberativa recitada no còllegfo episcopal de Eivas. 
Lisboa, 1788, in-8°. 

MAnuel de Oliveira ILiinia, pag. 174 — Primeiro se« 
«retario éa legação brai^leira em Washington, foi removido para 
Londres, onde presentemente se acha. Escreveu mais: 

— Nos Estados-Unidos^ impressões politicas esodaes. Leipzig, 1899 
524 pags. hi-8^— E' um livro composto em sua maior parte de trabalhos 
neditos, contendo entretanto alguns artigos J& publicados na Re^sta 
Brasileira^ aos qnaes nos referimos. Nelle, o autor annuncia como 
concluídos mais dois trabalhos seus sob os títulos: 

— Manual dos Estados-Unidos do Brasil. 

— Elogio histórico de Francisco Adolpho Warnhagem, para ser 
lido na Academia Brasileira. 

Manuel Paelieco da l^ilva, pag. 177 ^ Nascido no 
anno de 1843, falleceu a 27 de fevereiro de 1900 nesta capital. Bacharel 
em bellas lettras, foi oíScial da secretaria do antigo Ministério de es- 
trangeiros. Poucos conheciam, como elle, a língua portugueza, e além 
da sua Grammatica histórica da lingua portugueza ( e não Qrammatioa 
lltteraria como foi impresso ) recebida com applausos pelos mais emi- 



384 APPENDICE 

nentes lexicographos de Portagal, e dos outros trabalhos j^ mencionadcM, 
escreveu ainda em revistas os seguintes: 

— A propósito de algumas theses aventuradas pelo Sr. Th. Braga 
nas suas « Producções litterarias » — Na Retista Brazileira^ tomo 1*, 
pags. 116a 124 e tomo ^ ( primeiro anno ), pags. 497 a 513. 

— Gyõertion Breiz Izel ^ Na dita Rewta^ tomo 3* ( primeiro anno ), 
pags. 154 a 159. 

•* O dialecto brasileiro — Idem, tomo 5<^ ( segundo anno ), pags. 487 
a 495. Deixou inéditos: 

— Semântica. 

» Diccionario analógico. 

-* Diccionario ctymologico da lingua portugueza. 

Manuel Paulo de Mello Barreto, pag. 178 * Sob 
o pseudonymo de Elmano Elmo, escreveu mais: 

— A Grécia Heróica: Rio de Janeiro, 1899— Este autor es- 
creveu de Vassouras, promettendo remetter informações mais completas 
a seu respeito, que infelizmente nSo recebi. Vapor sua conta, pois, 
qualquer inexactidão que porventura possa ser encontrada na noticia 
que dei sobre sua pessoa. 

Manuel Pedro Soares, pag. 179'* Nascido na cidade de 
Alcântara, no Maranhão, cónego prebendado, chantre da cathedral 
desde 1841 e lente de theologia moral no seminário da capital de sua 
província. Creio que foi este autor que falleceu em Pernambuco, em 
abril de 1871 . 

■ 

* Manuel Pereira rFeixeira — Não o conheço. Me pa- 
dece que foi cirurgião, sendo certo que foi sócio effectivo da antiga 
sociedade de Medicina de Pernambuco e que viveu nesta província no 
primeiro quartel do século 19» e que escreveu: 

— Jlfemoria sobre as causas prováveis da frequência da hydrooele 
nesta cidade ( do Recife ), modo de as remir ou minorar, e melhor 
forma de curar a dita enfermidade ; contendo a historiada moléstia na 
mesma cidade desde trinta annos a esta parte — Foi publicada nos 
Annaes de Medicina Pernambucanos, e depois no Archivo Medico Bra- 
sileiro, tomo 4\ 1847-1848, pags. 178 a 183. 

Manuel Ril>eiro de almeida, pag. 187— Nasceu a 
21 de fevereiro de 1830, na fazenda do Lagarto, município de Maricá, na 



APPENDICE 3d5 

província, hoJ3 estado do Rio de Jaueiro, ô falleceu em Nitheroy a 13 
de dezembro de 1892* Bacliarel em Idttras pelo antigo coliegio Pedro 11, 
cursou a faculdade de direito de S. Paulo até o quarto anno, foi de- 
putado em diversas legislaturas á assembléa da província do Rio de 
Janeiro e ahi exerceu o cargo de director da laslrucçSo publica, em que 
foi aposentado depois de proclamada a Republica. O seu Syllábario teve 
vigésima terceira edição em 1898, e o Compendio de systema métrico 
decimal teve sexta edição em 1895. 

^ Manuel Rodrigruea da; Sil va< — Nascido na Bahia 
pelo anno de 1800 e ahi fallecido, foi pae do dr. Francisco Rodrigues 
da Silva, commemorado neste livro, pharmaceutioo pela escola de me- 
dicina de sua província e preparador de chimioa medica. Emcommissão 
com os drs. Eduardo Ferreira França e Ignacio Moreira do Passo, 
escreveu: 

— Parecer da oommissão que, em virtude da lei provincial da 
Assembléa da Bahia, fora nomeada para examinar as aguais mineraes 
da cidade de Itapicurú, comarca da mesma província, e resultado por 
ella apresentado ao Exm. Sr. Presidente depois das indagações feitas 
nas fontes thermaes. Bahia, 1843 -* Este trabalho foi tambsm publicado 
no Archivo Medico Brasileiro, tomo 2^, pags. 124, 145 e seguintes. 
Tem trabalhos em revistas, como 

— Os melhores desinfectantes— Nos Annaes Brasilienses de Me- 
dicina, tomo IX, pags. 9 e seguintes. 

13« IMIa^nuel dos Santos Pereira;— Bispo de Olinda, 
pag. 197, Falleceu na capital da Bahia a 25 de abril de 1900.— Sua 
ultima pastoral na diocese de Olinda ô a seguinte: 

— Oarta pastoral a propósito da solemne homenagem a Jesus 
Christo, nosso redemptor e a seu vigário na terra, no âm do século XIX 

começo do século XX. Recife, 1900. 

* Manuel Segundo TVanderley — Filho do dr. Luiz 
Carlos Lins Wanderley, de quem já me occupei, e dona Francisca 
Carolina Lins Wanderley, é natural do Rio Grande do Norte e nas* 
eido pelo anno de 18Ô4, formado em medicina pela faculdade da Bahia. 
Po3ta e jornalista desde os tempos acidemicos, dedica-se ao ma- 
gistério o á clinica na capital (lo seu estado. Escreveu: 

— Febres perniciosas e três proposigões sobre cada uma cadeira do 

curso meJico: these apresentada á faculdade de medicina da Bahia para 

ser sustentada, etc. Bahia, 1885, 65 pags. in-8<'. 

Voi. VI - ar> 



! 386 APPENDICE 



— Carias do Beasa a seu primo Piroca 11. Bahia, 1883, ia-B'. 
-^ E' uma oollecçâo de folhetins publicados na Gazeta da Tarde da 
Bnhia. 

— ^1/^er/o ou a gloria do arlhta: drama representado a 20 de 
novembro de 1899 no theatro da sociedade dramática « Segando 
Wanderley » na capital do Rio Grande do Norte — B' coUaborador da 

— A Republica: órgão do partido republicano federal. Nata], 1899. 

* Mu^nuel da (Clivai Uosa., 2<^ ~ Filho de Manuel da Silva 
Rosa e nascido a 10 de Junho de 1840, na cidade de S« GhristoYam, an- 
tiga capital de Sergipe. Com praça no exercito, em 1858, fez a cam- 
panha do Paraguay e foi reformado no posto de general de Brigada 
em 1891. E' oíTlcial da ordem de S. Bento de Aviz, condecorado com a 
medalha de mérito militar e as medalhas commemorativas da citada 
campanha, quer do Brasil, quer da Argentina. Proclamada a republieat 
foi eleito senador federal por seu estado. Escreveu: 

— Compendio elementar do systema métrico decimal, compilado 
etc. S. Paulo, 1882, 25 pags. in-8°, com oito tabeliãs comparativas. 

l^Xfxnucl do 'Va.lla.dsLD Pimentel, pag. 206 — Conheço 
mais os seguintes trabalhos seus: 

— Febre amarella no Rio de Janeiro— Nos Annaes Brasilienses de 
Medicina, tomo XVIII, pags. 80, 104, 135 e seguintes 

— Parecer ^ubre a memoria do dr. Marinho sobre o hospital 
militar— Na mesma revista, tomo XIX, pags. 101 e seguintes. 

Mareio Fila.pliiíxno lVei*y, pag. 217 — Nasceu a 10 de 
março de 1865. Escreveu mais: 

— Suggestão curativa: com odr. Henrique de Sâ. Rio de Janeiro, 
1900. 

X>. Mtxria Joseplxlna MiatliildLe Du.rocli.er, 

pag. 233 — Ck)n8taute collaboradora dos Annaes Bnsilienses de Me- 
dicina, ahi publicou mais: 

— Inspecção das amas de leite— No tomo XXX, pags. 205 e 
seguintes. 

— O centeio espigado e a ergotina — No tomo XXXI, pags. 48, 104 
e seguintes. 

— AcçOo abortiva do sulphatode quinino — No tomo XXX IX, pags. 
428, 452 e seguintes. 



>á 



APPENDICE ^87 

— Abcesso do systema vascular no estado puerpôral.— No tomo 
XLIK, pags. 227 e seguintes. 

— Chloral — No tomo XXVII, paga. 19, 72 e seguintes. 

— Resumo estatístico da clinica de partos de Mme. Durocher 
desde o moz de novembro de 1834 até novembro de 1848— Archivo 
Medico Brasileiro, tomo 4% 1834-1848, pags. 270 a 273. 

* Ma.x*lo Firanoo Vaas — Filho do dr. Tito Rodrigues Vaz 
e dona Mathilde Eugenia Franco Vaz, nasceu na capital da Bahia a 6 de 
março de 1879. Tendo frequentado o Gollegio Militar durante três 
annos, ahi fez os exames ílnaes de algumas matérias com a idéa de 
requentar a Escola Polytechnica, o que náo realizou por lhe ftiltarem 
os recursos. Por esta clrcumstancia, aproveitando sua pronunciada 
vocação para a imprensa, muito moço resolveu abraçar esta carreira, 
sendo actualmente um dos reporters do Jornal do Commercio. Suas 
poesias teem sido publicadas n'0 Debate^ Qazetx de Noticias e n*0 Pait 
desta capital, no Diário da Bahia e Jornal da Noticias da Bahia. Era 
sua uma chronica que sabia às segundas-feiras na Gazeta de Noticias^ 
eom o titulo Bilhetes, em forma epistolar, assignada— França Valle. 
Tem publicado também alguns contos humoristicos com o pseudonymo 
de Frota Velasco. Fundou e redigiu: 

— A Mocidade: pequeno hebdoraadario. Rio de Janeiro, 1895. Fo- 
ram apenas publicados seis números deste jornalzinho. Redigiu: 

— A Tribuna: folha de propriedade de Alcindo Guanabara. Rio 
de Janeiro, 1899. Escreveu: 

-^Sêdedeouro: romancete. Bahia, 1898— O próprio autor reconhece 
que este seu ensaio litterario representa um producto infantil, escripto 
sem a precisa meditação. 

— Sonetistas brasileiros: serie de artigos n'0 Paiz de 1899 * Estes 
artigos mereceram lisonjeiras referencias de pessoas competentes no 
assumpto. 

^ Mário Pinto de Souza — Filho de Fernando Aleixo 
Pinto de Souza e dona Eulina Sayão Vellozo Pinto de Souza, nasceu na 
cidade do Rio de Janeiro, a 12 de agosto de 1882. Tendo frequentado o 
Gymnasio nacional até o quinto anno, completou os seus estudos pre- 
paratórios na instrucção publica e hoje cursa a faculdade livre de sci- 
eocias jurídicas e sociaes do Rio de Janeiro, Escreveu: 

— íntimos: versos. Rio de Janeiro, 1889, 136 pags. in-12. / 

— Heróicos e Alexandrinos: versos. Inéditos. 



I 

I 



388 APPENDlCli 

* Matl&eud <la Oixnlia. 1?elleâ — Filho de João da 
Canha Telles e dona Maria Firmina da Canha Telles* nasceu a 23 de 
janeiro de 1864» na cidade Jo Rio de Janeiro. Depois de feitos seus es- 
tados regulares, entrou para a imprensa como typographo, iQgar qae 
deixoa para ser ajudante do inspector das mattas marítimas nesta ca- 
pital. Escreveu: 

— Caras conliecidas ( biographías rápidas ). Rio de Janeiro, 1889, 
^ 62 pags. ia-8* peq. 

— Quinquilharias; verso e prosa. Jundlahy ( S. Paulo ) 1897, 176 
V fàgs. iu-80 — Neste livro o autor acompanha o seu nome do pseado- 

nymo M. Pellado, de que usa na imprensa. Gollaboroa no 

— Híunicipio de Jundiahy. Jundlahy, 1898*1899. 

Mat]i.ias «losé dos í&a.i&toe OArvallio, pag. 260 

-* Além dos trabalhos mencionados publicou ainda em revistas 
varias poesias, oomo 

^ TircHientes (21 de abril): poesia — Na Re^iita Brasileira, 
anno terceiro, tomo decimo, pags. 74 a 78. 

— Reflexões i poesia — Na mesma Rwi$ta e no mesmo tomo, 
pags. 393 a 399. Nesta revista se acha também saa poesia John 
Brown, auno segando, tomo sétimo, pags. 393 a 399. 

MAzimia.iio A^ntonlo da SilT-a ILielte, pag. 263 
-- Escreveu ainda o seguinte trabalho e talvez outros: 

— Memoria sobre o eclypse do sol, de 15 de março de 1839 — Foi 
publicada na Reoista do Instituto histórico e geographico brasileiro, 
tomo 1^, 1839, pags. 68 e segs. 

Migruel António da. Silva, pag. 268 — Entre suas 
obras, deixei de incluir: 

— Chave da chiinica ou novo methodo para aprender esta sciencia. 
Rio de Janeiro, in-8o 

Miguel Oalmoii du Pln. e A-imeida l\ Marquez 
de Abrantes, pag. 273 — Foi também sócio da Sociedade litteraria do 
Rio de Janeiro, para cuja organisação foi um dos autores dos 

— Estatutos á^ Sociedade litteraria do Rio de Janeiro — O Instituto 
histórico e geographico ))rasileiro possue o autographo relativo a esto 
trabalho, assíguado por outros sócios, como o doutor Emiiio Joaquim 
da Silva Maia, Pedro de Alcântara Bellegarde, o bispo de Anemuria, 



APPENDICE 389 

Francisco Gô Acaiaba de Montezuma, depois Vlscondede Jequitinhonha, 
Joaqaim Gonçalves Ledo, Visconde de S. Leopoldo, Diogo Soares da 
Silva de Bivar e outros. 

Mlg>uel de Frias VaAoouoellos, pag. 278 — 
Tem ainda trabalhos cscriptos em cargos de administração qae oceupon 
e dentre elles: 

^ FaUa dirigida à Assembléa legislativa da provinda do Pará na 
segunda sessão da undécima logislatura peloEzm. Sr., etc.,em 1 de 
outubro de 1859. Pará, 1859, in-4^ 

* Fr. Miguel de S. Oarlod — Natural da Bahia e re- 
ligioso franciscano, professo uo convento de sua província, só sei pelo 
almanak de 1872 que era elle então examinador sy nodal da diocese, e 
commissario da Ordem terceira de S. Francisco. Distincto orador sa- 
grado, delle apenas conheço o seguinte: 

— Sermão do Senhor Bom Jesus da Porta, pregado no convento 
das UrsuJinas de N. S. das Mercês a 2 de maio de 1880. 

■ 

* Migruel Oouto doa (tantos — Escriptor que nSo co- 
nheçOy mas somente o seguinte trabalho seu entre os livros da bibllo- 
theca do Imperador d. Pedro II, enviados para a bibliotheca do In* 
stituto histórico: 

— Informições apresentadas ao jary da Exposição nacional. Rio 
de Janeiro, 1886, in-8^ 

Allg^uel Icemos, pag. 280— A seus escriptos accrescem: 

— Primeiros ensaios positivistas: A philosophia do desespero. As 
três philosophias. Augusto Comte e o positivismo. Rio de Janeiro, in-8^ 

— 4í!P*^^ *os conservadores por Augusto Conte: traducção. Rio 
de Janeiro, 1900.— O vernáculo ó escripto num mixto de ortographia 
etymologica e phonetica . 

Mliflael F^errelra Penna, pag. 298 — Filho do mogor 
Misael Ferreira de Paiva e dona Mathilde Carolina de Jesus, nasceu 
a 23 de março de 1848, em S. António do Amparo, Minas-Geraes, e 
falleceu a 19, e não a 18 de outubro de 1881. Foi promotor publico 
na Ylctoria e juiz municipal no Cachoeiro do Itapemirim. O seu ul-* 
timo trabalho não se intitula Quadro Negro^ mas 

— O Livro Negro, Victoria, 1874, 32 pags. in-8* — • O autor tomou 



390 APPENDICE 

neste livro o psendonymo de Philemon e publicou a primeira série 
somente. 

"* IMLoymém Marcoudés de i^rauj o ^ Nataral do 
Paraná, gradaoa-se em medicina não sei em que faculdade ; talvez em 
Portugal, onde esteve algum tempo. Achando-se em Paris, em 1881, 
tomou parte no Congresso internacional de medicina, em Londres» como 
adjunto do dr. Barão de Theresopolis. Escreveu: 

-« Formulário therapeutioo e magistral. Lisboa, 1888, in-8<» — S* 
organisado por ordem alphabetica das moléstias. 



N 



* IVareiaEO «losé de Mora.es ^ Não pude obter noticias 
deste autor ; eô o conheço por este trabalb.o seu: 

— Flores históricas: diccioaario das alluzôes aos factos e aos ditos 
memoráveis que se encontram nos escriptores. Rio de Janeiro. . . 

* Xareizo do Pirado Oax-vallio — Natural da Bahia 

> 

e nascido a 21 de março de I8Ô5, fez o curso da escola da marinha, é 
prmeiro tenente da armada e lente substituto da escola naval. Escreveu: 

^ Penetração dos projectis em o meio resistente solido » Balística 
e artilharia.— Manobra e evoluções navaes.— Machinas a vapor.— 
Historia naval e Uictica.— Astronomia e navegação: these de concurso 
a um legar de lente de balística e artilharia do curso de historia naval 
do Brasil. Rio de Janeiro, 1893, 99 pags. in-4^ — O primeiro pontoe 
desenvolvido em dissertação com introducção, em quinze capítulos ; os 
outros são escriptos em proposições. Esperei até entrar no pró lo este 
artigo, por noticia mais completa deste autor e de outros trabalhos, 
porque sei que ha deli 3 vários escriptos na Revista Marítima. 

Gestor A^u^usto Morocines Dox*l>a, pag. 306 — 
Seu trabalho c Excursão ao Salto do Quayra ou Sete-quedas », teve 
segunda edição na Revistado Instituto histórico e geographioo brasileiro, 
tomo 61% parte primeira, 1898, pags. 65 a 74, acompanhada de notas 
e considerações pelo engenheiro Andrô Rebouças, desta ã pag. 85. 



APPENDICE 391 

* IVestoir l>Ias— Autor de quem debalde procurei noticias; 
sei apenas que é brasileiro e que escre7eu: 

— Apontamentos blographicos para a historia das campanhas do 
Uruguay e do Paraguay desde MDCGCLXIV. Rio de Janeiro, 1866, in-40. 

Nestox* Victor dotsi Santos, pag. 306 ^ Escreveu mais: 

— A* Crur e Souza, Poemeto no ultimo anniversario de sua morte. \/^ 
Rio de Janeiro, 1900 ^ São cincoenta quadras cm versos alexan- 
drinos. Seu romance Amigos_]^ub\iceiáo no Debate foi impresso em 
volume no Rio de Janeiro, 1900, in-8'. 

IVioolau Mldosi, pag. 312 — Por engano foi mencionado 
este autor no terceiro vol. com o nome de Henrique Midosi. 

* ]N'ilo Moireix-a Ouerra. « Filho do capitão de mar .e 
guerra José Moreira Guerra e dona Maria da Gloria Guerra, nasoeu a 
28 de dezembro de 1873 na cidade do AracDjú, capital do estado de Ser- 
gipe. Encetou os seus estudos na Escola Militar, onde fez o cursa de 
mathematica e astronomia, e o de agrimensura na Escola Polyteohnica. 
Sendo praça de 1888, foi promovido em 1894 a alferes por serviços 
prestados à republica. Cursou a escola de BoUas- Artes, onde se aper- 
feiçoou em architectura e pintura. Em 1898 foi eleito deputado à 
assemblòa do seu estado. Estreou na imprensa como collaboraior do 
jornal O Rio Grande de Porto- Alegre em 1892, tendo em seguida col- 
laborado n'0 Paiz e Tribuna desta capital, no Diário de Noticias da 
Bahia, no Estado de Sergipe e Noticia de Aracaju. Escreveu: 

— Rabiscos: contos. Aracaju, 1898, 150 pags. in-80 peq. ^ 

— Pelas Lettras: serie de artigos sobre instruoção publica e im- 
prensa. M*0 Estado de Sergipe. Aracaju, 1898. 

— > Lição de honra t Carta Negra, Coração de soldado, Psychologia 
das mascaras: serie de artigos de estudos psychologicos. N'0 Paiz. Rio 
de Janeiro, 1900.— Na primeira phase da Tribuna encontratn-se vários 
contos do autor sob os titules: Pedro Vaqueiro, Noviça, Ernesto, Tio 
Cbeté. 

INuno ilLlvares Pereira e Sousea^ pag. 317— 
A' seus escriptos accresce: 

-^Eygiene da habitação— Na Revista do3 Constructoros, 1886, 
Anno l^ pag. 49 e seguintes. 



392 APPENDICE 

^ Nuno I^oBsio — Só conheci com este nome o dr. Nano 
Eugénio de Lossio e Seilbitz, ha poucos annos fallecido, de quem não 
supponho serem os trabalhos seguintes, mas de pessoa de sua familla 
natural do Rio de Janeiro. 

— Mãe e marlyr ou os martyrios de uma espo&a. Rio de Janeiro, 
in-8°., com estampas. 

— Martyres do coração ou a prostituição no Rio de Janeiro: ro- 
mance histórico. Rio de Janeiro, 189.2, com estampas. 



O 



* Octa^^ilio A.ureliaiio Oamello de Albu- 
qiierciue— Fillio de João Áurellano Gamello de Albaquerqnei 
nasceu a 21 de março de 1874, no estado da Parahyba, ó estudante da 
medicina o interno de clinica propedêutica na faculdade do Rio de 
Janoiro. Escreveu: 

— Fim do mundo: drama de costumes nitheroyenses — Não sei si 
está impresso ; sei porém, que foi levado em scena, em 1899, no tlie&tro 
de Nitheroy. 

Octávio ICstcves Ottoni, pag. 322 —Nasceu a 7 de 
março de 1856. 

* Olavo Eloy Pesifloa da Silva — Da família do cc* 
ronel dr. José Eloy Pessoa da Silva e de Manuel Pessoa da Silva, men- 
cionados neste livro, e nascido na Bahia, escreveu: 

— InstTucções para o contador de gaz, vulgarmente reconhecido 
como regulador ou registro. Bahia, 1880, in-8^ 



* Osoair Frederico de Souza — Filho de João Baptista 
Alves de Souza e dona Delmira de Souza, natural da cidade do 
Rio de Janeiro, e nascido a 6 de março do 1870, é doutor em 
medicina pela faculdade desta cidade e professor da mesma faculdade, 
Escreveu: 



; 



APPENDICE 393 

— Embryogenia geral dos vertebrados: these apresentada, eto. 
para obler o gráo de doutor em mediciaa. Rio de Janeiro, 1891, 
in-4«. 

— Factores da evolução: these de concurso para'o logar de lente 
substituto da segunda secção da Faculdade de Medicina do Rio de Ja- 
neiro, etc. Rio de Janeiro, 1895, in-4° — O dr. Oscar de Souza col la- 
borou com vários trabalhos para o Annuarlo medico, redigido pelo 
dr. Carlos Costa. 

Oscar da Oama, pag. 339 — Oscar Nogueira da Gama, 
filho do major Ignacio Ernesto da Gama e dona Joanna Miranda da 
Gama, nasceu em Juiz de Fora, Minas, a 22 de maio de 1870 e ahi fal- 
leceu a 24 de abril de 1900. Como jornalista, fez parte da redacção de 
vários jornaes que se editaram em Juiz de Fora e coUaborou em todos 
com pbantasias lilterarias, chronicas, grande numero de poesias, ora 
firmadas por suas iniciaes, ora por pseudonyrao. CoUaborou egualmonte 
n' O Paiz e na Semana em sua segunda phase e no Diário Ii^ercantil de 
S. Paulo, de que foi também redactor em 1889. Alôm do seu livro 
de estréa ^ Luares i^ escreveu mais: 

— Juiz de Fora fora de juizo: revista representada com applauso 
em 1897. 

— Fhra rubra; no prélo. 

— Helianihosi inédito. Ultimamente redigia cora Corroa de 
Azevedo a 

— Cigarra: Juiz de Fora, 1900. 

* Oseax" Ouanatiarâo — Parece-me queô um pseudo- 
nymo de jornalista do Rio de Janeiro. Esperei ter noticias suas até 
entrar no prélo este artigo. Escreveu: 

— A opera < Fosca » de Carlos Gomes. Rio de Janeiro, 1880, 28 
pags. in-4° de duas columnas^ Este trabalho foi publicado antes 
em folhetins na Gazeta da Tarde e, como este, ha outros escriptos seus 
na imprensa do dia. 

^ Ofloar Ouaiial>airino — Filho de Joaquim Norberto 
de Souza Silva, de quem já me occupei, e dona Maria Thereza 
de Souza Silva, nasceu em Nitheroy a ?9 de novembro de 1851. E' 



3W APPENDICE 

fanoclonario publico naquella cidade, professor de piano e Joroalista. 
Escreveu: 

— O Profeisor de piano: Rio de Janeiro, 1881 — E' uma reunião de 
artigos escriptos para a Revista Musical^ contendo conselhos de grande 
utilidade para os amadores da arte. Tem em elaboraç&o o 

— Diceionario enoyclapedico musical — Este interessante trabalho 

jà conta oitenta mil termos, comprehendendo todos os assumptos que se j 

prendem aos principios de musica ; a parte physiologica do larynge e do \ 
ouvido ; a biographía dos músicos brasileiros e artigos qae se rehicionam 
com a musica pbysica e physiologica. Tem sido coUaborador do 

— O Pais desde a sua fundação. Neste jornal ô sua a parte rela- 
tiva d critica sobre beilas-artes. 

Oscar cie Macedo Soares, pag. 340 — Escreveu mais: 

— Consultor Criminal de Cordeiro: ediçSo completamente refun- 
dida de accordo com a legislação promulgada depois de 15 de no- 
vembro de 1889. Rio Janeiro, 1900, 627 pags. 

Os-^valdo Oonçalves Cruas, pag. 344— Nasceu a 5 de 
agosto de 1872. 

^ OftTvaldo Pog'@'i de Flg^uelredo — Filho do doutor 
João Francisco Poggi de Figueiredo e dona Amélia Duarte Poggi de Fi- 
gueiredo, nasceu a 3 de jaueiro de 1875 na cidade dâ Victoria, capital 
do Espirito Santo. A sua educação litteraria foi feita nas diversas 
capitães» em que seu pae tem exercido cargos de magistratura, e 
presentemente ( 1900 ) cursa o quinto anno da f iculdade de direito 
livre do Rio de Janeiro. Escreveu: 

— Rebentos: versos. Por to- Alegre, 1899, 96 pags. inl2«. 

* Taça de fel: contos e novellas. Porto-Alegre, 1900, 106 pags. 
in-ia«. Tem redigido : 

— Meteoro: jornal. Porto-Alegre, 1899. 

— Revista Académica: órgão dos estudantes da faculdade de di- 
reito. Rio de Janeiro, 1899 — Tem coUaborado nos seguintes jornaes: 
Yolcão: Manãos, 1892-1893; Gazeta da Tarde: Porto-Alegre 1894; 
Fluminense: Nitheroy, 1897-1893; Estado do Espirito Santo: Victoria, 
1898-1899; LeHras e Artes: revista Porto-Alegre, 1899 ; Reforma: Porto- 
Alegre, 1899; Republica: Porto-Alegre, 1899. 



APPENDICE 3ÍÍ5 

Ovi<lIo FenreixTCii Ua Silva, pag. 347 — E' membro da 
Miua Litteraria, sooiedade de lettras do Pará, e depatado estadoal. Es- 
creveu mais: 

— Maria Luiza: romance. Pará, 1900. y 



P 



Paulino cie ilLlmeida Brito, pag. 353*— E* membro 
da Academia Paraen&e e professor interino de esthetica da musica do 
conservatório Carlos Gomes, na capital do Pará. Escreveu mais: 

— O homem das serenatas: romance — Foi suaestrea na litteratura \/ 
romântica. 

— Contos,,. ^ 

— Cantos AmazonicosK poesias. Belém, 1900. >/ 

Paulino «José Soaires de (Souza P, Visconde 
de Urugnay, pag. 354 — * A terceira das obras mencionadas com o 
titulo «Administração local: Projecto apresentado á Camará dos 
senhores Deputados na sessão de 19 de julho de 1869 > não pertence a 
este autor, mas a seu fllho, de igual nome, de quem me occupo em 
seguida e que também foi ministro de Estado e deu segunda edição 
dessa obra. 

* Paulo «Tose Pereira de A.ln&eida Xorres — 

Fillio do conselheiro José Carlos Pereira de Almeida Torres, Visconde 
de Macahé e da Viscondessa do mesmo titulo, nasceu no Rio de Janeiro 
a 15 de maio de 1838, e bacharel em sciencias soclaes e juridicas pela 
faculdade de S. Paulo, dedicou-se ao funccionalismo publico da pro- 
víncia, onde tbi procurador fiscal, director da fazenda e dirigiu a mesma 
provinda como seu primeiro vice-presidente. Exerce desde 1890 o cargo 
de offlcial do registro geral e das liypothecas do segundo districto da 
capital federal • Escreveu trabalhos no exercício de taes cargos, como: 

— Exposição, com que o Dr. . ., P vice-presidente da província do 
Rio de Janeiro passou a administração da proviocia ao Exm. Sr. Dr, Ber- 
nardo Avelino Gavião Peixoto a 16 de março de 1882. Rio de Janeiro, 
1882, in.4\ 

— Relatório apresentado á Presidência da provinda do Rio de Ja- 
neiro pelo director da fozenda da mesma província, eto. Rio de Janeiro, 
1885, in-4«. 



396 APPENDICE 

I>. Pedro X do Brasil e IV de Portugal, 

P'c\g. 367 —Como já disse, caltiroa a musica d deixou varias compo- 
sic^s, seudo uma destas o 

— Hymno á independência do Brasil, posto em musica para canto 
e grande orchestra por D. Pedro I, — em um volume de encadernação 
rica — E* a primeira das peças da « Relação dos autographos e origi* 
nãos do Instituto tiistorico e geographioo brasileiro feita peio \^ secretario 
Dr. Manuel Duarte Moreira de Azevedo», publicada na Revista Tri- 
mensal do mesmo Instituto, tomo 47« parte 2*", pags« 505 a 552. 



O presente appendico foi muito mais extenso, do que os dos 
volumes precedentes em consequência de se haverem extraviado, 
por occasião da moléstia repentina e grave, de que fui affectado, 
muitas notas e apontamentos que cu tinha sobre minha mesa de 
trabalho, para serem incluidos no logar competente, dos quaea 
parte perdeu-se e parte foi encontrada depois da composição dos 
respectivos artigos. 



RESPOSTA INDISPENSÁVEL 



Já no ultimo quartel da vida, curtindo dores desde que, 
em outubro de 1898, fui affectado de moléstia gravíssima de 
que fui desenganado por cinco médicos, quasi sem vista e, 
por isso podendo, a custo compor apenas os artigos que me 
faltam para este livro, sou obrigado a responder á censuras, de 
que tenho noticia por amigos meus, feitas a esse livro, por um 
individuo emigrado là do Amazonas ou do Pará para esta 
Capital, trazendo em sua bagagem enorme proa de sabença, que 
valeu-lhe um bom emprego, e sempre enfesado, de ferula em 
punho, á laia de mestre*escola de aldeia, achando ruim tudo 
quanto não é por si ou pelos que o rodeiam escripto. 

Vou expor cada uma censura de per si, e em seguida dar a 
respectiva resposta. 

Primeira censura: O sábio censor, querendo escrever a 
biographia de António de Castro Alves e procurando para isso o 
meu humilde livro, achou que eu tinha sido deficiente na no- 
ticia, que dei do joven e laureado poeta bahiano. 

A isso respondo que meu livro não é biographico, mas bi- 
bliographico, e que nelle só dou noticias biographicas que bastem 
para que a todo tempo não se confunda o escriptor, de quem 
trato, com outro, que porventura appareça, de iguç^l nome. Ver* 



308 RESPOSTA INDISPENSÁVEL 

dade é que, sempre que posso, tratando de vultos notáveis me 
estendo mais na noticia delles, e isso fiz, referindo-me a esse 
poeta, que hoje, com os estudos que tenho feito, considero o 
primeiro poeta brazileiro do século XIX — com a devida vénia 
do sábio censor. Portanto nem meu livro foi deficiente t^i^sq 
artigo. 

Segunda censura : Disse o sadio censor que eu deixara de 
occupar-me de autores brazileiros, de que, entretanto, Innocencio 
da Silva se occupara em seu Diccionario. 

Confesso que desanimei completamente quando disto soube, 
senti-me abatido, porque li todo o trabalho do erudito e operoso 
bibliographo portuguez e estava convicto de não me haver es- 
capado autor algum, brazileiro, de que elle tivesse tratado. 
Depois, afinal, soube que o saòio censor se havia referido á 
algumas de milhares de theses inauguraes apresentadas ás Fa- 
culdades brazileiras, cujos autores nada mais escreveram. Si 
o saòio censor tivesse lido a introducção de meu livro, como 
lhe cumpria, para fazer uma critica leal ao meu humilde livro, 
teria lido no tomo i o, pagina XXII, linha 6, o seguinte: «Entre 
as (obras) que me pareceu que devia excluir, estão algumas dé 
autores conhecidos : são, por exemplo, as theses inauguraes, 
de que só faço menção quando seu autor tiver publicado qualquer 
outro escripto, os relatórios, etc.» Assim resolvi, porque uma 
these inaugural é um trabalho obrigatório, é uma prova do ultimo 
exame académico. Talvez o saòio censor nem calcule quantos 
volumes teria eu de escrever só com trabalhos desta ordem, e 
dando a biographia de cada um autor como entende elle que 
devo dar. 

Terceira censura: Alterei o titulo de algumas obras, diz 
o sábio censor. 



RESPOSTA INDISPENSÁVEL 399 

Confesso com a franqueza e lealdade, que me são ha- 
bituaeSy que alterei o titulo de algumas obras de modo a 
deixar patente o assumpto de que se trata, para facilidade 
de quem procure taes assumptos — e de outras obras, talvez, 
porque só por esta forma poderia dar delias noticia. No pri- 
meiro caso estãO as theses inauguraes académicas, em cujos 
titulos nunca se observou ordem ou regularidade, E' assim 
que uns as intitulam «These apresentada e sustentada per- 
ante a Faculdade, etc. », sem declarar para que fim, nem do 
que se trata; outros dão-lhe o titulo de «These apresentada 
á Faculdade, etc, pelo Dr,,,. » quando taes escriptos são 
apresentados só por estudantes que se propõem com ellas a 
obter o gráo de doutor, e assim com outras declarações, sem 
entretanto declararem sobre o que escrevem. Pareceu-me, pois, 
conveniente e mais acertado dar noticia destes trabalhos, come- 
çando pelos pontos de que tratam e, depois, o íim para que são 
apresentados. No segundo caso estão obras, muitas vezes de alto 
valor, que li, mas que não pude ver quando tive de noticial-as. 
Commigo mesmo deu-se este facto: Em 1861, exercendo eu os 
cargos de inspector de saúde publica e de inspector de saúde 
do porto em Alagoas, escrevi, por ordem do Presidente da pro- 
vincia, um trabalho habilitando a população a usar dos meios 
preventivos e curativos do cholera^morbus, que então apparecera ao 
norte das Alagoas, trabalho que escrevi e foi distribuído por toda 
província, e de que não possuía eu um só exemplar. Não me lem- 
brava o titulo (ipsis ver bis ) deste livro, e então, querendo delle dar 
noticia, escrevi: « Conselhos contra o cholera-morbus epidemico. 
Maceió, etc. » Pergunto eu aos homens sensatos : desde que dei 
um titulo do que continha o livro, não satisfiz o meu empenho? De- 
veria deixar de dar noticia do livro, neste caso? Penso que não. 



400 R.5SP0STA IXDISPEXSAVfiL 

Quarta censura: «Dei de outros autores brazileiros menor 
numero de obras, do que deu o citado bibliographo portuguez» 
— diz o sábio censor, citando para proval-o o nome do dr, Joa- 
quim Manoel de Macedo ! 

Convido o leitor benévolo a compulsar aquelle diccionario 
e supplemento, e verá que ahi se mencionam trinta e quatro 
obras do dr. Macedo, ao passo que pelo meu livro são mencio- 
nadas sessenta e duas ! I Isso não demonstra somente o em- 
penho, a gana de achar defeitos no meu humilde livro, demonstra 
a facilidade, com que se falta á verdade manifesta. 

Dada essa explicação ás pessoas que porventura lerem meu 
livro, declaro que pôde o meu sábio censor, d'ora em diante, 
escrever o que muito bem lhe aprouver ou mandar escrever 
contra meu livro e até mesmo contra mim, porque não lhe 
responderei mais. Tenho muita cousa importante, útil de 
que minha idade e sobretudo a moléstia me inhibam de oc* 
cupar-me. 

Não foi essa, porém, a primeira accusação injusta que soffri. 
Por occasião de sahir á lume o segundo volume deste livro, que 
dei ao prelo quando já nem mais pensava nisto, como declaro 
na respectiva introducção, um individuo, a quem debalde me 
dirigi, pedindo para isso os apontamentos relativos á sua pessoa, 
censurou-me por não haver eu dado melhoramento algum á esse 
volume e por ignorar o titulo de obras á que me referi, citando, 
como única prova dessa ignorância, o facto de ser publicado 
com o titulo de Chapelada^ em vez de ChapeUida^ o poema 
heróe-comico-satyrico de Carlos Augusto de Sá. Esse critico, 
porém, tinha contas a ajustar comigo, porque, á falta de noti- 
cias biographicas a seu respeito, eu disse o que sabia, e entre 
isso, que havia tido uma loja de livros de sociedade com 






RESPOSTA INDISPENSÁVEL 401 

outro á rua de S. José, onde eu mesmo lhe havia comprado 
um livro, e penso que isso o magcou. 

Comecei a escrever minha defesa ou resposta a essa 
censura; mas, lembrei-me que eu não tinha imprensa gratuita, 
como o meu censor que era então jornalista, nem podia despender 
dinheiro com polemicas, que talvez se seguissem, e então, como 
houvesse nesse dia sessão do Instituto histórico e geographico 
brazileiro, a que já pertencia, e considerando essa a primeira 
associação de historia do Brasil, apresentei perante o mesmo 
Instituto minha justificação, depois de ler a accusação. A se- 
gunda accusação de ser publicado Chapelada em vez de Cha' 
peleiãa, provei com o autographo, que ainda possuia, marcado 
com as dedadas de tinta do compositor, que nada mais houvera 
do que um erro de composição, que me passara despercebido, 
como outros que passarão agora, que, além da moléstia de que 
soffro desde 1898, soíTro de uma catarata, e as provas deste 
livro são corrigidas por uma filha minha. 

Nem eu podia ignorar o titulo desse poema, porque o pos- 
suia e possuo ainda ; assim, como sabia a causa, por que foi elle 
escripto e ainda mais sabia que foi escripto em Nicteroy e 
em Nicteroy foi copiado por letra estranha e trazido por pessoa 
estranha á typographia da corte, onde foi impresso. 



tt-Ok 



Ainda uma palavra ao meu indulgente leitor. Nunca, to- 
mando sobre meus hombros a empreza de escrever este livro, 
tive a pretenção de escrever um trabalho completo, porque tra- 
balho completo dessa ordem não é para ser feito por um homem 
só, por maior que seja o seu cabedal de conhecimentos, e por 



402 



RESPOSTA INDISPENSÁVEL 



mais vigorosa e robusta que seja sua saúde, e nem é com 
uma só edição que se obterá. Nem meu sábio censor 
seria capaz de dal-o, com toda a sua proa de sabença» Medi bem 
minhas forças antes de escrever a bibliographia pátria, sobre que o 
Brasil era talvez o único paiz que — no seu estado de adianta- 
mento ^ ainda não possuía um livro ; mas « além de que eu 
precisava de uma distracção séria, acurada, quando metti mãos 
á empreza* nutria a firme convicção de que, tratando de um livro, 
onde se registrassem as obras de tantos brazileiros illustres desde 
os tempos coloniaes até hoje, muitos dos quaes deixaram obras 
de alto valor sem que entretanto sejam seus nomes conhe* 
eidos ; de um livro, onde se puzessem em relevo os méritos 
litterarios de brasileiros disiinctos nos diversos ramos doa co- 
nhecimentos humanos, nenhum brasileiro que preze as lettras 
deixaria de contribiur com seu obulo, com os esclarecimentos 
relativos a si ou a outros patrícios para um commettimento, 
que — si dá a quem o toma a gloria do trabalho, dá também 
ao paiz a gloria de perpetuar a memoria de tantas illustrações Já 
cabidas, ou que vão tombando na valia obscura do esquecimento, 
e aos estudiosos, a conveniência de acharem num só livro o 
que a custo poderão encontrar esparso. £ foi nisso que en- 
ganei-me. » 

Vi-me no mais completo abandono dos homens que podiam 
e deveriam auxiliar-me nessa empreza e, o que é mais sensivel, 
soífrendo injustiças, calumnias de indivíduos que não conheço 
e de quem aliás me occupei, honrando-os, sem que se dignassem 
de dar- me para isso qualquer noticia a seu respeito! 

Vi-me só e somente, estudando dia e noite e escrevendo 
até o meu quarto volume, que foi quando, achei um auxiliar 
distincto e dedicado. 



RESPOSTA INDISPENSÁVEL 403 

Não podia, portanto, escrevendo este livro, nutrir a idéa 
de merecer louvores de meus compatriotas ; só buscava a dis- 
tracção de que carecia então. Não podia, com o abandono e 
GB desgostos que sobre mim pesavam, nutrir a idéa de dar á 
minha pátria um livro, como o de Barboza Machado, de Bento 
Farinha e de Innocencio da Silva. Apezar, .porém, desse aban- 
dono e dos desgostos que me acabrunhavam, eu vejo. que, 
escrevendo só, acerca de um paiz novo, vastíssimo, sem bi- 
bliographia, meu pobre livro vale alguma cousa. 

Ninguém mais do que eu reconhece a illustração, os es- 
forços que empregou Innocencio da Silva para dotar as lettras 
portuguezas de um livro como o seu Diccionario, mas — aparte 
a modéstia,— quando reflicto nas vantagens que teve o erudito e 
incansável bibliographo portuguez e reflicto nas condições em 
que me achei, desde que me aventurei a escrever a bibliographia 
brasileira, confesso que tenho orgulho do que escrevi. 

E' assim que o bibliog^rapho portuguez escreveu sobre um 
paiz velho, muito menor que o Brasil, achando grande parte de 
sua bibliographia já escripta por habeia pennas, como a dos 
escriptores a quem acabo de referir-me, o abbade Barboza Ma- 
chado e Bento Farinha — emquanto que eu escrevia sobre um 
paiz novo, vastíssimo, de cuja bibliographia nenhum filho seu 
ainda se havia occupado. 

O bibliographo portuguez occupou-se de autores portuguezes 
e de autores de todo mundo que publicaram trabalhos em 
portuguez ! emquanto que eu escrevi só e somente de brazileiros, 
natos ou naturalisados. 

O bibliographo portuguez deu noticia de tudo quanto teve 
conhecimento, escripto na língua portugueza, mesmo sem de- 
claração do autor ou sem conhecel-o, assim como de muitas 



404 RESPOSTA INDISPENSÁVEL 

memorias, manifestos, estatutos, de publicações avulsas, emfim 
sem autor e até de retratos, emquanto que eu só dei noticia 
de obras de que conhecia os autores ; deixando de parte muitas 
obras, por não conhecer seus autores, e ainda muitas de que 
conhecia os autores, como Theses inauguraes, pelas razões 
dadas na introducção do primeiro volume. 

O bibliographo portuguez escreveu sempre auxiliado por 
muitos litteratos portuguezes de elevada posição e também por 
muitos brazileiros, tendo sempre correspondentes em todas as 
provindas brazileiras que lhe enviavam noticias e até livros que 
se publicavam no Brazil, ^ emquanto que eu tive a negação 
completa de qualquer auxilio ; tive o desprezo ( não tenho 
vergonha de dizel-o, porque isso me não humilha) dos homens 
de lettras, a quem me dirigi, como declaro na introducção do 
primeiro volume de meu livro, e ainda hoje não tenho em 
algum dos actuaes estados do Brazil uma pessoa que me com- 
munique a publicação de trabalhos litterarios; só tenho tido 
accusações injustas e até calumnias de indivíduos que nunca 
contribuíram com uma palavra para este livro, como o individuo 
a quem respondo. 

O bibliographo portuguez, segundo me affirma pessoa muito 
competente, teve durante seu excellente trabalho litterario dis- 
pensa da repartição á que pertencia, e um amanuense para 
auxiliai -o, dado pelo seu Governo, — emquanto que eu, do meu 
segundo volume em diante, exercia, pela necessidade^ um em- 
prego, de que me occupava durante todo dia, até em dias 



1 o humilde ftutor dostas Unhfts nada menos do dons amigos teve que lhe pediram apomtft- 
mentos para o Diccionario de Innocencio da Silva, um da Bahia o outro do Rio de Janeiro, o 
distincto litterato Guilherme C* Bellog&rde, que nflo deixou-o sinAo depois do levar-Ihe sua 
thess inaugural e um volume de seqs estudos militares t 



RESPOSTA INDISPENSÁVEL 405 

santificados, só tendo para esse trabalho as noites, impossi- 
bilitado de frequentar as bibliot becas desta cidade, das quaes 
muitas nem conheço e nesse emprego contrahi a moléstia de 
que estive a expirar e de que tornei-me invalidado para qualquer 
trabalho physico desde outubro de 1898. 

O bibliographo portuguez, segundo me consta, teve assi- 
gnantes para seu livro em todo o Brazil . Aqui na capital federal 
conheço mais homens que possuam esse livro, do que são os 
subscriptores que tenho ; emquanto que eu, em ultima analyse, 
nunca tive occasião de mandar, nem me foi pedido um único 
volume de meu livro para as províncias ou estados do Ama- 
zonas, do Pará, do Maranhão, do Piauhy, do Rio Grande do 
Norte, da Parahyba, de Sergipe, do Espirito Santo, do Rio de 
Janeiro, do Paraná, de Goyaz e de Matto-Grosso ! ! 

E nessa desigualdade de condições em que me achei sempre, 
relativamente ao illustrado bibliographo portuguez, admira que 
meu pobre livro (não contando com o supplemento) não se 
conclua com menos volumes ( sete ) do que o do illustrado 
bibliographo portuguez. — Quanto ao supplemento, si tiver forças 
para fazel-o, creio que ainda não ficará deste bibliographo 
muito distante, porque só para o primeiro volume supplementar 
eu tenho em ordem, para entrar no prelo, matéria para um vo- 
lume mais grosso do que o primeiro dado* 

(br. Sacramento (Blake. 



^ 



DICCIONARIO 



BIBLIOmPHIGO BBÂZILEIBO 



PELO DOUTOR 



Jlngngto Víctorino Jlfoeg Sacramenlo ^fafii 



NATURAL DA BAHIA 



SÉTIMO VOLUME 



^MMMMW^fc 



RIO DE JANEIRO 



1902 



r. p 



I 



No appendice a este volumej além das correcções e 
accresclmos, se incluem alguns artigos novos, que sfio 
•dos seguintes autores : 

Pedro António de Oliveira Ribeiro. 
Pedro Celso Lima Verde, 
Pergentino Saraiva de Araújo Galvfio. 
Quintino da Cunha. 
Raymundo Nonato de Brito. 
Raymundo Perdigfio de Oliveira. 
Rodrigo Bretãs de Andrade. 
Rodrigo de Seixas Brandão. 
Sylvio Pellico Portella. 
Thiago Ribas. 
Ttiomaz António Espiuca. 
Thomaz Pompeu Lopes Ferreira. 
D. Vera A. C. Saeser. 



DICCIOiRIO BieLIOGlUPHICO BRIIZILEIRO 



p 



X>. Pedro II9 Xmpei-adox* do Brazil — Filbo do 
precedente e da archi-duqueza d'Austria dona Leopoldina, nasceu no 
Rio de Janeiro a 2 de dezembro de 1825 e falieceu em modesto hotel 
em Pariz a 5 de dezembro dè 1891, exilado em consequência da pro- 
clamação da Republica. Succedeu a seu pae no throno por abdicação 
deste a 7 de abril de 1831, e declarado maior, assumiu o governo a 23 
de julho de 1840, sendo coroado e sagrado a 18 de junho do anno se- 
guinte. Educado por conspícuos preceptores, intelligencia brilhante 
o dedicação arme ao estudo, foi o mais illustrado chefe de estado de 
seu tempo, como reconhecem os primeiros sábios da Europa, com os 
quaes sempre procurou relacionar-se e não menos de dous sobe- 
ranos poderia neste momento citar, que em crises diâdceis lhe pe- 
diram conselhos, e sempre com seus conselhos se sahiram bem. Foi 
um monarcha que nunca teve validos, como disse O Paiz^ referindo-se 
à confiança e estima que d. Pedro votava ao Visconde de Bom Retiro: 
« Quem tiver de escrever a historia deste reinado terá de attestar, 
para ser justo, que nolle não houve validos e que jamais a intimidade 
do Imperador foi empregada como recurso para fins politicos ou para 
influir extra-constitucionalmente na direcção do governo do Estado.» 
Foi o brazileiro que mais estremeceu seu caro Brazil^ como elle o 



•Coutinua(.ào doVol. VI. 
4346 Vol. VII — 1 



2 



chamava, e basta, para isso comprovar, um facto: que no priocipio 
da guerra contra o Farap^uay apresentava elle o aspecto de um mo- 
cetão (brte do menos de 40 aonos, e ao terminar esta lata, o de um 
ancião de mais de 60. B a prova de que só a gloria de seu BroiU o 
preoccupava está na recusa que fez ao levantamento de uma estatua 
em reconhecimento á sua patriótica firmeza na sustentação da luta, 
pedindo que o producto da subscripção para isso, fosse applicado â 
creação de escolas. Não foi isso somente porque o Imperador fosse por 
Índole avesso às manifestações ruidosas de enthusiastica popularidade. 
Foi o brazileiro que só viveu para o bem, pira o engrandecimento 
de sua pátria^ só vantajosamente conhecida na Europa depois de sua 
primeira viagem ahi feita, merecendo-lha a instrucção publica, du- 
rante toda sua vida, particular solicitude e trazendo-lhe elle sempre 
proflcuas reformas de suas viagens, mesmo na moléstia ; nem houve 
no Império idóa de melhoramonto, de progresso, de oivilisação que dío 
fosse devida á iniciativa, ou à esforços seus. Foi um príncipe alheio is 
ostentações e vaidades communs na realeza, e é assim que na Europa 



se apresentava com o nome, simplesmente, de D. Pedro de Alcântara; 
que tiniia satisíiição em ver-se rodeado do povo ; que nas situações 
tristes, como a epidemia do cholera-morbus no Rio de Janeiro visitava 
à noite as enfermarias dos cholericos com o ministro do Império ; que 
no logar de seu palácio, onde recebia os grandes, recebia os pobres às 
vezes descalços ou cobertos do andrajos, que vinham pedir-lhe uma 
esmola. Foi o soberano mais desinteressado, de cora^ mais bem fo^ 
mado, de caridade mais evangélica, e ô assim que uma grande parte 
de sua dotação era consumida em pensÕ3S a famílias até de servidores 
do estado, em esmolas, em donativos a associações pias de que era as- 
sociado ou protector. Permitta-se-me transcrever aqui um trecho do 
Diário da Manhã de Campos, n. 122, de 22 de novembro de 1889: «O 
Imperador deposto, o Sr. D. Pedro de Alcântara, fossem quaes fo^m 
os erros, os desvarios de seus ministros na ganância do poder, era 
de um coração extremamente bondoso, de uma piedade verdadeiramente 
christã. Obedecendo a estes sentimentos, o Sr. D. Pedro de Âleantara 
satisfazia a muitas necessidades da pobreza envergonhada, conce- 
dendo-lhe pensões e exercendo a alta caridade de preceito evangélico. 
Quando a dor explodia, quando a lagrima vinha quente e repassada 
do queixumes, quando a miséria se lhe apresentava no pallido sem- 
blante doorphão desamparado, o Sr» D. Pedro tinha o carinho para os 
míseros, tinha o consolo para a dor que estalava o coração da viuva, 
o consolo que estancava a lagrima da desdita, que fazia transparecer 
no semblante dos amargurados esse sorriso de gratidão que sóe traos- 



parecer na physionomia das almas gratas. Com toda rasão di&ia Glad- 
stone.» A monarchia no brazil sob o governo de D. Pedro II ô, na 
realidade, uma democracia coroada. > * D. Pedro — lê-se na Ency- 
clopedia das Encyclopedias, tomo 1^ 1882, png. 531— tem pugnado 
com entranhado amor pela independência e prosperidade de seu im- 
pério, possue uma erudição vastíssima, mantém relações com todos os 
escriptores e artistas notáveis do mundo ; tem viajado muito« sem que 
em paiz algum onde haja estado se mostrasse jamais alheio a tudo 
que abi possa haver de grande pela historia ou pela arte. Entre os 
actuaes soberanos occupa um logar distincto. » Alma pura, em seu 
exílio nunca se lhe ouviu uma ligeira phrase de amargura, nunca uma 
queixa ou recriminação, e incapaz de um acto menos digno, não podia 
admittir que em sua deposição houvesse traição da parte de alguns 
personagens, como aliás circumstaccias inexplicáveis autorisam a des- 
confiar. « Nâo sei deânir, dizia elle, traição consciente e premeditada, 
não. Trahir affignra-se-me cousa muito difficil, deve exigir extra- 
ordinário esforço. E trata-se, demais, de homens com honrosos prece- 
dentes e serviços ao paiz. » E esse homem, que governou o Brazil 
por mais de meio século, cuja monarchia foi uma verdadeira demo* 
cracia coroada; cuji vida podia ser admirada como um bello exemplo 
de virtudes civicas que fazem a honra da raça humana e nobilitam 
seu xMtiz* expirou pobre, num hotel secundário, quasi em frente a 
um sumptuoso hotel, onde á fidalga se banqueteava um presidente 
deposto de pequena republica ; expirou só, privado do consolo de 
aifeições sinceras ; mas, como disse o dr. P. Deiró, € cercado de cordiaes 
sympathias dos povos que imaginavam nelle o typo admirável das idéas, 
das crenças e das aspirações da democracia moderna, venerado pelas 
grandes intelligencias que illuminam o século, estimado nas famílias 
monarchicas como um dos seus mais nobres e illustres representantes »• 
Quaado morreu, a imprensa do mundo inteiro deu-lhe unanime 
consagração como grande vulto do século. « Sahira fora dos quadros dá 
historia nacional para ser coliocado ao lado das grandes âguras hu- 
manas entre os cooperadores do progresso coUectivo do homem », disse 
o Cotnmercio de S, Paulo de 5 de dezembro de 1897. D. Pedro era ver- 
sado em varias sciencias e particularmente na astronomia ; conhecia 
muitas línguas, inclusive o hebraico e o sanskrito. Não tinha, poróm, 
tempo para escrever e delle só conheço alguns trabalhos e varias poe« 
sias, pela maior p\rte improvi&adas, e de que deixou grande copia. 
Bis o que conheço : 

— Quadra improvisada em sua visita á cidade de Itú, S. Paulo, a 
25 de maio de 1846, na camará municipal desta cidade e que foi logo 



glosada pelo padre Francisco da Paula Camargo e por Marlim Francisco 
Ribeiro de Aadrada, 2». 

— SoMio À morte do priucipe D. Affonso — Ei8 o soneto 

Póie o artista pintar a imagem morta 
Da mulher por quem dera a própria vida ; 
A' esposa que a ventura vê perdida 
Casto e saudoso beijo ainda conforta ; 

m 

A imitar-lhe os exomplos nos exhorta 
O amigo na extrema despedida. • . 
Mas dizer o que sente a alma partida 
Do pae a quem, oh Deus ! tua espada corta 

A âor do seu futuro, o alho amado, 
Quem o pôde, senhor, si mesmo o teu 
Só morrendo livrou-nos do peccado ? 

Si a terra á voz do Golgotha tremeu 
E o sangue do cordeiro immaculado 
Ató o próprio cóo ennegreceu ? I 

Foi ultimamente publicado na < Homenagem do Instituto histórico 
ogeographico brazileiro», etc. em commemoração do fallecimento do 
autor, pags. 29 e30. 

-^Poesia esoripta no álbum de uma dama do paQO em dezembro de 
1852 — Não sei si foi publicada no Império ; sei, porôm, que o foi na obra 
do padre Fletcher < O Brazil e os brasileiros » e depois vertida para o 
^nglez por Mr. D. Batís, de Philadelphia, precedida de uma noticia lan 
datoria da poesia. 

— Lamentações de um escravo : — poesia escripta em casteltiano 
por Wellis Silva. Traduzida por D. Pedro II e inserta no opúsculo de 
Abel Regales, intitulado «Brazileirose Chilenos», foi publicada no /ornai 
do Commercio de 20 de julho de 1888, o depois no discurso proferido no 
Instituto histórico pelo conselhoiro Olegário na festa aos Chilenos com 
a declaração de ser do Imperador. 

— A penna : poesia traduzida do hespanhol — publicada na Tribuna 
Liberal de 2 de dezembro de 1888 . 

— - Traducção de um texto hebraico uas línguas franoeza e íéli- 
brina por o3casião das festas do Centenário da annexaçâo do Venaissino 
á França — Foi offerecida ao Instituto histórico pelo Conde de Motta 
Maia em nome do traductor. 

— Versos da Araucania, de AUonso Urcilla: traducção — Foram ex- 
postos num quadro, na festa aos offlciaes do encouraçado chileno Almi- 
rante Cochrane a 31 de outubro de 1889. 



r 



-^ Poêsiu originaes e traducçío de S. M. o Sr. D. Pedro II ( Ho- 
menagem de seus netos ). Petrópolis, 1889, 106 pags. in-4' — A edi^ 
deste llvpo foi muito limitada ; nem elle foi exposto à venda^ 

— Poesies hebraico-proyençales du Ritual israelile contadin, 
tradaites et transcriptes par S. M. D. Pedro II, de Alcântara, Empe- 
reur du Brésil. Avignon, 1891, XIII — ÔOpags. in-S* — Este livro ex- 
citou a curiosidade das pessoas que se interessam pela língua dos fe- 
libres^ 

A Sonetos do exilio, recolhidos por um brazileiro. Pariz, 1898, 27 
pags. in-8^— E' uma pequena collecção de sonetos escriptos no exilio 
mas de sonetos lindos, perfeitos, pelos quaes se conhece quanto o soffri- 
mento acrisolou o estro poético de D. Pedro II. Aqui transcrevo am, 
com o titulo A' Imperatriz, que foi com certeza improvisado, porque 
foi achado cscripto a lápis nas margens de um jornal portuguez, só dif- 
ficilmente podendo ser lido. Eil-o : 

Corda que esiala em harpa mal tangida. 
Assim te vaes, ó doce companheira, 
Da fortuna e do exilio verdadeira 
Metade de minh'alma entristecida ! 

De augusto, régio tronco hastea partida 
E transplantada á terra brazileira, 
Lá te fizeste a sombra hospitaleira, 
Em que todo infortúnio a&hou guarida I 

Feriu-te a ingratidão no seu delírio, 
Gahiste e eu íleo só neste abandono. 
De teu sepulchro vacillante cyrio. 

Gomo foste feliz ! Dorme o teu somno. . . 
Mãe Jo povo, acabou-se o teu martyrio ! 
Filha de reis, ganhaste um grande ihrono I 

Kesta coliecç&o de sonetos se acha fam com o titulo Terra do Srazil 
G^ripfo pelo Imperador « familiarisádo com a idelá dà morte, ^ue Miá 
nio lhe turbara a magestatica serenidade do est)irito, qtiaiidò iiiandoú 
vir do Brazil dm caixòtinho dê terra pára ãer collocàdâ em sett 
sepulchro ». — Ha ainda trabalhos seus, como: 

— Proclimação de S. M. etc. Uruguayana, 19 de setembro ié 1665* 
e Orderh do diá 35'' do general David Canavarro — Com ò flin de Justi- 
ftcar este general. 

— Limites do Brazil— Na Revista Trímensal do Instituto histórico, 
tomo 24, 1861, pags. 113 a 160. Este trabalho foi oíTerecldo aò Instituto 
por P. Pedro II, sem dizer que era de sua penna. 



^ 



6 I>LG 

— Impressões de viagem ao Kgypto, Palestina e outros legares — 
Não as vi impressas, mas sei que foram lidas pelo autor durante 
alguns dias no paço de Petrópolis perante os semanários Marquez de 
Tamandaré, Barão de S. Pelix, Conselheiro Olegário e outros, em 
março de 1881 e eram escriptas em dous pequenos velames. 

— Notas sobro a língua tupy — Foram publicaw^las na grande obra 
de Lavassôur que corre impressa em avulso na parte que se refere 
ao Brazil. D. Pedro II tinha por habito fdizer em obras philosophica?, 
instructivas, que lia, annotações ou rectiflcação de factos. Deste gé- 
nero de escriptos seus conheço : 

— Annoiações á ni:)gpaphia do Conselheiro Francisco Josó Furta-Jo 
pelo Conscllniro Ti' o Franco de Almeida — O volume a n notado per- 
tencia ao Visconde de Sapucahy e nelle escreveu o Imperidor « Es- 
clarecimentos sobre diversos factos, até hoje mal sabidos ou mal ex- 
plicados, com relação á nossa historia politica, revelando a ponderosa 
e discreta opposição do Chefe do Estado, muitas vezes contrariada 
pela deliberação autorisada dos responsáveis do poder ». 

— Notas ao livro € Les origines » de E. de Pressencé, 2* edição — 
Este livro foi apresentado ao Instituto histórico com uma memoria 
pelo conselheiro Manuel Francisco Correia a 10 de outubro de 1890 
para depois da morte do Imperador ser tudo lido, e foi logo encerrado 
na Área do sigillo, D*ahi tirado na sessão de 8 de abril de 1892, foi 
a memoria publicada no Jornal do Commercio de 10, II e 12 deste mez. 
A commissão de estatutos e de redacção da Revista tri mensal disse 
na informação: c E' mais uma prova do elevado critério e sabedoria 
do nosso augusto protector, de saudosa memoria. » 

— Notas ao livro « Soixante ans de souvenirs» de Ernest Legonvé. 
Este livro foi dado pelo Imperador â um amigo que o conserva oom 
grande estimação. 

— Annoiações ao livro « Perfiles y Miniatures » de D. Martim Garcia 
Merou, enviado extraordinário e ministro plenipotenciário da Repu- 
blica Argentina no Perá. Foi o ultimo trabalho de D. Pedro II que 
leu o livro annotando-o na segunda quinzena de agosto de 1891, 
quatro mezes apenas antes de seu fallecimento. Neste anuo, no exílio, 
escreveu elle 

— Fé de offido, Cannes, 23 de abril de 1891 « Foi reproduzido 
este trabalho no Jornal do Commercio de 28 de maio deste anno. 
Começa assim: « Creio em Deus. Fez-me a reflexão sempre coDci- 
liar as suas qualidades indultas: Previdência, Omnipotência, Mise- 
ricórdia. Possuo o sentimento religioso, innato no homem e des- 



r 



periado pela oontemplaoâo da natureza >. BT um escripto que deve 
ser lido por todos os brazileiros. 

Pedro ^íTonso Fvcbnoo, Barão de Pedro Affonso 
— Filho de Pedro Affonso de Carvalho e dona Luiza Helena de 
Carvalho e nascido no Rio de Janeiro a 21 de fevereiro de 1845, é doutor 
em medicina pela faculdade desta cidade, professor da mesma facal- 
dade, doutor em medicina pela faculdade de Pariz, director do Insti- 
tuto vaccinico municipal, oííicial da ordem da Rosa, ele. Escreveu: 

— Ideias geraes sobre os estreitameotos da urethra ; Do'cholera- 
morbos ; Da atmosphera ; Parallelo dos diversos methodos empre- 
gados para o tratamento da hydrocele. Thesa apresentada â Facul- 
dade de medicina do Rio de Janeiro e sustentada a 6 de dezembro 
de 1869. Rio de Janeiro, 1869, in-4' gr. 

— Faculte de medecine de Paris. Thcse pour le doctorat en me- 
decine, presentéeet soutenue le 25 aôut de 1871. Point de dissertation: 
De la divulsion appliquôe à la guerrisson des retriciscements de 
Turethre. Paris, 1871, 3 fls. 75 pags. in-4<» gr. 

— Ensaio de um trabalho sobre o gabinete anatómico pathologioo 
do hospital da Misericórdia da Corte. Rio de Janeiro, 1869, 48 pags. 
in-4«. 

— Extirpação do intestino recto. Rio de Janeiro, 1878 — E* es- 
cripto por occasião de uma polemica scientifica entre o dr. Pedro 
AÍTonso e o dr. José Pereira Guimarães, motivada por um facto 
clinico desta natureza, polemica de que se occupou a imprensa do 
dia 6 a classe medica do Rio de Janeiro. 

— Yariola e vaccinas. Da vaccinacão animal no Brazil. Rio de 
Janeiro, 1888, 104 pags. ín-8'*. Tem alguns traballios em revista, como: 

— Operação de um kisto sarcoma da face e pescoQO, praticada, 
etc. — No Archivo do mediciua, cirurgia e pharraacia do Rio de Ja- 
neiro> n. 1, pag. 3 e seguintes com três gravuras. 

Pedro ilLg;'aplo de A^quino — Filho de Thomaz José 
dd Aquino e nascido na Bahia pelo anno de 1864, é doutor em 
medicina pela faculdade desta cidade. Exerceu a clinica em Ca- 
mapnam no Rio Grande do Sul e depois em varias cidades de S. Paulo. 
Escreveu: 

— These apresentada e sustentada perante a Faculdade de me- 
dicina da Bahia, etc. Bahia, 1885, in*4<> — Não pude ver esta these. 

— Notas hygienicas : serie de artigos publicados no Oeste de 
8. Paulo. 1890. 



8 



— Relatório da Intendência municipal de Casa Branca. Santos, 
1890, 35 pags. in-4\ 

t^e<li«o <le A^loantara/ Belloj^a j*clò — ^iíhò dò ca- 
pitão Cândido Norberto Jorge Bollegarde, o commandante do destaca- 
mento de artilharia c[ue acompianhou a real fainilía de Portada! ao 
Brazll em 1807, e de dona Maria Antónia de Niemeyer Bellegardò e 
irmão de Henrique Luiz de Niemeyer Bellegarde, j& por mltá men- 
cionado nesta obra, nasceu precocemente nessa viagem, já nas aguas 
do Brazil, por occasião de uma tormenta qae encliera de susto sàa mãe, 
a 3 de dezembro, e fallecen no Rio de Janeiro a 12 de fevereiro de 1864. 
Era doutor em mathematicas, marechal de campo, lente jabilado dá 
escola militar, vogal do conselho supremo militar, do conselho de sua 
magestade o Imperador, veador de sua magestade a Imperatriz, sócio 
fundador do Instituto histórico e geographico brazileiro, da sociedade 
dos Antiquários do Norte e outras associações de lettras, commendador 
da ordem de S. Bento doAvizecavalleirodaordemdaRosa.com 
três annos de edade assentou praça no exercito por mandado do 
príncipe D. Pedro, depois Imperador, que na occasião de seu náaci- 
mento declarara querer leval-o á pia baptismal, como fez, sendo com 
o assentamento de praça concedida a dispensa da menoridade para a 
percepção do soldo e contagem do tempo de serviço. Matriculado na 
escola militar em 1821, o obtendo por concurso o posto de segundo 
tenente em 1823, completou o curso no de capitão, passando depois 
para o corpo de engenheiros. Com aquella promoção foi-lhe dada a 
nomeação de lente de mathemática e de fortificação em Angola. Em 
1834 foi nomeado por concurso lente substituto dá escola militar do 
Rio de Janeiro, pouco depois eathedratico e seu director. Também foi 
lente e director da escola de architectos da provinciá do Rio de Ja- 
neiro, para cuja fundado concorreu. Desempenhou uma commiasão 
especial no Paraguay de 1848 a 1851 ; foi director do arsenal de guerra 
da corte em 1852 ; ministro da guerra era 1853 e da agricultura em 1863 
e neste mesmo anno eleito deputado & assemblèa geral, onde não 
chegou a tomar assento. Escreveu: 

— Noticia histórica, politica, citil e natural do Império do Brazil 
em 1833. Rio de Janeiro, 1833, 39 pags. in-4» com uhimappa estatístico 
do Império — E' uma publicação anonyma. 

^ Tnstrucções para medições stereometricas e areometricas, man- 
dadas observar nas alfandegas do Império pior portaria de 12 de 
outubro de 1835. Rio de Jnneiro, 1835, 10 pags. in-fcl. com 2 
tabeliãs. 



J 



r 



— Compendio de raathematicas elementares p<ara uso (U osco! i rle 
architectos medidores da província do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 

1838, 128 pags. in-8" com 6 ests. — Comprehendo erii resumo os prin- 
cípios de arithmetica, álgebra, geometria elementar, geometria ana- 
Jytica, desenho geométrico e meteorologia. Teve seganda edição em 
1842 e nova edigão correcta e augmentada em 1848, 186 pags. in-8<^ 
com 6 ests. 

— Compendio de mecânica elementar e applicada. Rio de Janeiro, 

1839, 116 pags. in-8'>, com 4 ests. — - Comprehende: Estática, Dinâ- 
mica, Hydraulica, Pneumática, Machinas e Resistência das construcções. 
A parte de Estática e dinâmica foi reimpressa no Rio de Janeiro, 1858, 
49 pags. in-8% cotn 2 ests. 

— Compendio de topographia para uso de arcliitoctos medidores da 
província do Rio de Janeiro, 1839, 61 pags. in-8°, com 3 ests. 

— Noções de geometria descriptiva para uso da escola de archi- 
tectos medidores, etc. Rio de Janeiro, 1840, 27 pags. in-8ocom2 ests. 

— Introducçâo cKorographica à Historia do Brazil. Rio de Janeiro, 

1840, 40 pags. in-8^ com 1 mappa estat. 

— Noções elementares do direito das gentes para uso dos alumnos 
da escola militar. Rio de Janeiro, 1845, 92 pags. in-8«. 

— Estatística pratica. Rio de Janeiro, 1845, iil-8*. 

— Compendio áe architectura civil e hydraulica. Rio de Janeiro, 
1848, 315 pags. in-8<> com 2 osts. 

— Noções ^ noY\x^ taboas de balistica pratica. Rio de Janeiro, 
1858, 27 pags. in-8^ seguidas de 7 taboas e 1 est. 

— Encanamento das aguas potáveis para a cidade do Recife, de 
Pernambuco: memoria e projecto organlsados e offerecidos á compa- 
nhia do Biboribe pelos engenheiros Cotírado Jacob de Nlemeyer e Pedro 
de Alcântara Bellegarde. Rio de Janeiro, 1841, 28 pags. in-8« — A 
este trabalho acompatiha a 

— Planta e nivelamento entre a nascença do Rio da Prata e a ci- 
dade do Recife, de Pernambuco ; para servir ao plano do encanamento 
das aguaâ da cidade, contêiido igualmente os mais próximos terrenos e 
vertentes do norte do Capibaribe. 1841, 0° 292 x 0"^ 485. 

— Carta chorographica da provinda do Rio de Janeiro, man- 
dada levantar por decreto da assembléa provincial de 30 de outubro 
dé 1857 e pelo presi lente da província, conselheiro António Nicolau 
Tolentino, etc. 1858-1861. Rio de Janeiro, 4 lis. de O™, 563 XO"», 91Ò 
— O", 563 X Ò», 873 — O"', 700 X 0°», 910 — O"™, 700 X 0°*, 873. 

— Limites do sul do Império com o Estado Oriental do Uruguay . 
Espoi^ição do proseguimento e conclusão dos trabalhos geodésicos e to- 



10 



pogripbicos, emprehendidos pai*a a respectiva demarcação — E* nm 
escripto official e foi publicado com o Relatório do míaisterio dos es- 
trangeiros de 1861 . 

— Discurso na abertura da academia militar -* Faz parte da «Nar- 
ração da 8)lemne abertura da imperial academia militar em o anno 
de 1837». 

— Elogio histórico do marecbal Raymuado José da Canha Mattos — 
Na Revista do Instituto histórico, tomo 1», pags. 283 a 290. 

— Elogio histórico do major Henrique Luiz de Niemeyer Bel- 
legarde — Mem, pags. 290 a 298. 

— Elogio histórico do consjlheiro Balthazar da Silva Lisboa — 
Mem, tomo 2% pags. 590 a 593 — Escreveu os três elogios acima como 
orador do Instituto. 

— Apontamentos sobre a província do Rio Grande do Sul e a repu- 
blica do Paraguay, datados da Assumpção 13 de maio de 1849 — A bi- 
bliotheca nacional possue umv cópia de 19 âs. Do Paraguay dá-se a 
descripção geral, seu systcma administrativo, estado militar e estado 
politico. 

— Esboço de um diccionario biographico, geographico, histórico e 
noticioso relativo aos homens e cousas do Brazil, em via de orgnni- 
sação — A mesma bibliotheca possue 13 quadernos in-fol. Ha deste 
autor, finalmente, varias cartas lithographaias inéditas, sendo al- 
gumas de coUabo ração com o coronel Conrado Jacob de Niemeyer 
( veja-se este nomo ) ; escriptos em revistas de que foi coUaborador, 
como a Minerva Brazileira^ de cuja parte astronómica e meteorológica 
encarregou-se, e a seguinte, que com J. M. Pereira da Silva e Josino 
do Nascimento e Silva, fundou e dirigiu: 

— Revisti nacional e estrangeira : escolha de artigos originaes e 
traduzidos por uma associaçlo de litteratos brazileiros. Rio de Janeiro, 
1839-1841, 5 vols. in-8<» — Tem ainda trabalhos geographicos oomo: 

* Reconhecimento do caminho desde Triumpho atô a Missão 
de S. Luiz, comprehendendo uma parte do curso do rio Uruguay, pro- 
yincia do Rio Grande de S. Pedro. Archivo militar, 1849, O"*, 437 
X O"», 307 — E' feito com o engenheiro A. P. de Carvalho Borges. 

*- Carta geral da fronteira do Brazil com o Estado Oriental do 
Uruguay, levantada pela Commissão de limites sob a direcção do ge- 
neral Barão de Caçapava e do brigadeiro P. A. Bellegarde nos annos 
de 1855 a 1862, 4 íls. 

~ Estatutos da Sociedade Litteraria do Rio de Janeiro — de que o 
Instituto histórico e geographico brazileiro possue o autographo as- 
signado também pelo dr. Emilio Joaquim da Silva Maia, Diogo 



11 



Soares da Silva de Bivar, Joaquim Gonçalves Leio e Francisco Qê 
Acaiaba de Montezuma. 

PedLiro de A.loauta.rA ILjifiit>oa« — Natural do Rio de 
Janeiro, aqai falleeeu a 7 de janeiro de 1885 na idade, pouco mais ou 
menos, de sessenta anãos, sendo bacliarel em lettras pelo collegio 
Pedro II ; engenheiro chimicopela escola central de Pariz ; professor de 
mathematica, jubilado, da escola normal da província do Rio de Janeiro, 
sócio da sociedade Auxiliadora da industria nacional, da sociedade 
Animadora da instrucção, da França, etc. Com verdadeira deiicação 
para o mngisterio, nunca deixou de exercel-o também como professor 
livre. Serviu algum tempo como addido de primeira classe na legação 
imperial de Pariz, e frequentou nesta cidade a escola de artes emanu. 
facturas. E&creveu : 

— Geometria elementar pelo methodo infinitesimal. Rio de Janeiro, 
1862, 99 pags. in-S^" com 105 fígs. 

— Noções de geometria elementar : compendio adoptado para as es- 
colas normaes do Rio de Janeiro e Pernambuco. Rio de Janeiro, 1867« 
81 paga. in-8* com figs. — Ha uma edição de 1872. 

— Systema métrico decimaly considerado em suas applicações. Rio de 
Janeiro, 1861, 15 pags. in-4o— Fez-se logo 2* edição com o titulo: 

— Systema métrico decimal, apropriado á instrucçâo primaria. Rio 
de Janeiro, 1862, 24 pags. in-8o com 6 tabeliãs e 8 íigs. 

— Arithmetica elementar, adoptada para a instrucçâo primaria da pro' 
vincia do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1871, 147 pags. in-12» — 
Teve 2» edição. 

— Note sur la raoe noire et Ia i*ace mulatre au Brésil — Nos Nou- 
veaux Annales des Voyages, 5"' série, 1847, vol. 2«. 

— Enseignement et credit agricole au Bresil. Extrait de la Revue 
Espagnole, portugaise, bresilienne etespano-americaine. Sceaux, 1857, 
14 pags. in-8<'. 

— Plano financeiro para aorganisação de uma sociedade industrial 
agrícola no Brazil. Pariz, 1856, 8 pags. in-4<'. 

•— Algumas ideias sobre a agricultura no Brazil. Rio de Janeiro, 
1859, 8 pags. in-4'* gr. — Vejo no Catalogo geral da livraria Garnier, 
1897, pag. 77, as três seguintes obras sob o nome deste autor, talvez 
por engano : 

— Liwo feiticeiro das senhoras ou novíssimo oráculo das donas e 
donzellas, contendo 70 perguntas e 1.120 respostas de fazer pasmar pelo 
soa acerto, etc., in-8''. 



12 

— O livro necessário : tnanual caseiro, in.l2«. 

— O livro dos sonhos, no qual se encontra sna expHcaçilo ao alcance 
de qualquer pessoa, ia-12'^. 

I^Oílro do Alcântara IVabuco de j%.ra.ajo — 

Filho do conselheiro José Paulo do Pi^^ueirôa Nabuoo de ArAujo, nas- 
ceu na cidade do Rio de Janeiro a 19 de outubro de 1859 e na faculdade 
de medicina desta cidade fez todo o curso e recebeu o grào de doutor em 
medicina. Era sócio do Gymnasio académico e escreveu : 

— A medicação dosimetrica e a dosimetria. Rio de Janeiro, 187* 
in-8>. 

— A medicina dosimetrica apresentada aos estudantes de medicina 
pelo estudante, etc. Rio de Janoiro, 1879, 00 pags. in-8«. 

— A cura do maniaco: scena cómica. Rio de Janeiro, 1883, in-8*— 
Este trabalho foi escripto em 1879 e só em 1883 publicado para ser o seu 
producto applicado ao património da sociedade libertadora acaiemicá da 
^ftculdade de medicina. Todos estes trabalhos são do tempo de estudante. 

— Alienação mental : prelecções feitaá na escola publica da 
Gloria. Rio de Janeiro, 1883, 35 pags.l,in-8*. 

— Suicidio : these apresentada ao Gymnasio académico pelo socto, 
etc. Rio de Janeiro, 1883, 161 pags. in-8\ 

— Loucura puerperal ; Condições do estupro ; Diagnostico da com- 
moção e da contusão cerebral ; Do diagnostico e tratamento das adheren- 
cias do pericárdio : these apresentada á Faculdade de medicina do 
Rio de Janeiro para obter o grào de doutor em medicina. Rio de Ja- 
neiro, 1883, 4íls. 132 pag. in-4» gr. — Tem, pareoe-me, outros tra- 
balhos, mesmo em periódicos, como 

— A dosimetria e o Dr. José de Góes; serie de artigos publicados 
na Gazeta de Noticias em 1880. 

— Clinica psychiatrica. Caso de parai ysia geral, terminada por 
morte por entero-colite: observação colhida no hospital de D. Pedro lí 
— Na Gazeta dos Hospiiaes, 1883, pags. 193 e 224e segs. 

Pedro de A-lmeida. Mãgrcílli&es — Filho do doutor 
João Paulo de Almeida Magalhães e dona Lucília Eugenia Têlreira de 
Magalhães, nasceu em Vassouras, Rio de Janeiro, a 27 de novembro ãtà 
1864. Doutor em medicina pela faculdade dosta capital, é na mesntk 
faculdade assistente de clinica propedêutica e escreveu: 

— Das amyotrophias de origem poripherica: thèse apresentada à 
Faculdade de medicina do Rio de Janeiro, etc, afim de òbtfer o grâò de 
doutor em medicina, etc. Rio de Janeiro, 1887, 142 págs. ih-4<>. 



13 

— Os ruídos de sopro cardíaco no decurso da arterio-esclerose ge- 
noralisada. Rio de Janeiro, 1895, 131 pags. in-8\ 

— Estenose e insafficiencias mitraes de origem endocardicas, sys- 
tolia hepathica ( com o dr. Sylvio Moniz ) — No BrazU Medico, 1892, 
anno 6% pags. 111 e segs. 

— Sobre um c iso de myelite chronica, autero lateral, assestada na 
região dorsal inferior ( com o mesmo dr. Sylvio Moniz ) — Na dita Re- 
Tísta e aano, pag. 119 e sogs. 

— Moléstia de Hongdson: insuúlciencia aórtica e dilatação da aorta. 
Atheromageneralisada. Nephrite intersticial ( com o mesmo coUega ) 
— Na dita Revista e anno, pag. 205 e segs. 

— Aneurisma sacciforme da carótida primitiva esquerda ( com o 
mesmo ooUega ) — Na dita Revista e anno, pag. 237 e segs. 

— Dai perturbações cardíacas no beribéri — No Brazil Medico, 
1892, anno 7\ pags. 209-225-241-249-254-261-269. 

— Da dor epigastrica na arterio-esclerose generalisada — Na mesma 
Revista, 1893, anno S"", pag. 143 e segs. Ha nesta Revista ainda outros 
trabalhos deste autor. 

I^ediro A-morico de Figueiredo e Mello — Nas- 
cido na província da Parahyba a 23 de abril de 1843 e vindo para o Rio 
de Janeiro em 1854, depois de lutar com grandes difflculdades, sendo a 
principal delias a opposição de seu pae, com o flm de matricular-se na 
Academia de bellas-artes, teve logo entra-la no coUegio de Pedro II por 
ordem do Imperador, que desde logo se constituiu seu protector. Depois 
de estudar ahi varias linguas e sciencias, passou para aquella academia, 
então dirigida pelo exímio artista e litterato Manoel de Araújo Porto- 
Aíegre, depois Barão de Santo Angelo, e ahi taes triumphos alcançou, 
que ao cabo de três annos havia obtido quinze medalhas de mérito e 
ama menção honrosa. Dominado da ambição de saber, de gloria, com 
licença do Imperador partiu para o Havre em 1859, matriculando-se 
logo na academia de bellas-artes e na faculdade de sciencias de Sor- 
bonne. Havia já feito uma excursão por Pariz, Londres e Bruxellas 
quando, a chamado do Imperador, que se lembrara delle para professor 
de orna cadeira de nossa academia, veiu ao Brazil e obteve, depois de 
concurso, a cadeira de desenho, que leccionou por pouco tempo por voltar 
á Itália. E' doutor em sciencias naturaes pela universidade livre de Bru- 
i^ellas, lente jubilado da cadeira de historia das artes, esthetica e archeo- 
logia da academia de • bellas-artes do Rio de Janeiro, dignitário da 
ordem da Rosa, grão-cavalleiro da ordem romana do Santo Sepulchro, 
c$kyalleiro da ordem da Coroa da Allemanha, lente adjunto da univer- 



14 Í^K 

sidade de Bruxellas o membro de varias associações. Foi deputado ao 
primeiro congresso republicano federal pelo estado de seu nascimento 
e escreveu: 

— La reforme de TAcademie de beaux-artfl, de Paris. Pariz, 1862. 

— La science et les systemes: questions d^hlstoire et de pbilo- 
sophie naturelle. Bruxelles, 1869 — E' sua these para obter o gráo de 
doutor eín sciencias naturaes. Nella combate o autor o positivismo de 
Gomte, o empirismo de Bacon, o criticismo de Kant e o philosophismo 
de Cabanis. Teve duas edições seguidas. 

— Hypothese relativa à causa do phenomeno cliamado luz zodiacai: 
Bruxellas, 1869, in-B^". 

— Memoria sobre a conjugação do spirogyra quioina. Bruxellas, 
1869. 

— Discursos proferidos na Academia de bellas-artes do Rio de Ja- 
neiro, e outros. Florença, 1882, in-8^ — Tiveram segunda edição em Flo- 
rença, 1888, 163 pags. iu-4«. 

— O Holocausto^ romance philosophlco de caracter e costumes. Flo- 
rença, 1882, in-8«. 

— Amor de espozo: narrativa histórica — Florença, 1882, in-S^*. 
~ Estudos philosophicos sobre as bellas-artes na antiguidade, 2* 

edição. Florença, 1882, in-8''. 

— De Tenseignement libre des sciences naturelles, 4* edição. Flo- 
rença, 1882, in-8\ 

— O brado do Ypiranga e a proclamação da independência do 
Brazil. Algumas palavras acerca do facto histórico e do quadro que o 
representa. Florença, 1888, 43 pags. Jn-4*. 

— O plagio : estudos — E' uma serie de artigos publicados Q*0 Paii, 
de 26 de junho de 1890 e seguintes. 

— Ducur^o^ parlamentares, 1891-1892. Rio de Janeiro, 1893, 48 
pags. in-4o de duas columnas. 

— Curso de esthetica, professado na Academia de bellas-artes do 
Rio de Janeiro — inédito. 

— Refutação à Vida de Jesus, por Ernesto Renan — Inédita. 

— • O foragido: romance com o retrato e a biographia do autor por 
J. M. Cardoso de Oliveira. Rio de Janeiro, 1900, in-S*". São muitos e 
admiráveis os quadros do distincto artista brazileiro. 

]?edro A^ntonio Feri*eira Victnna — Filho de 
João António Ferreira Vianna e dona Senhorinha da Silveira Vianna, 
nasceu no Rio de Janeiro a 24 de fevereiro de 1838, é bacharel em direito 



15 



pela faculdade de S. Paulo, advogado e membro do Instituto da ordem 
dos advogados brazileiros, e escreveu : 

— A voz do povo e a voz da razão. S. Paulo, 1859, ia-4'» — Era o 
autor estudante de direito. 

— A crise commercial no Rio de Janeiro em 18Ô4. Rio de Janeiro, 
18Ô4, in-8". 

— Reflexões sobre a politica americana. Rio de Janeiro, 1867, in-4<'. 

— Conferencia radical^ 3" sessão. Discurso proferido sobre a abolição 
da Quarda Nacional. Rio de Janeiro, 1869, iu-4<» — Esta conferencia 
foi por encano classidcuda entre os trabalhos de seu irmão, António 
Ferreira Vianna. ( Vide este nome. ) 

— Consolidação das disposiçOes legislativas e regulamentares do 
processo criminal. Rio de Janeiro, 1876, 380-188 pags. in-8<^. 

— Processo commercial administrativo. Rio de Janeiro 1877, 91-52- 
13- IV in-8«. 

— A situação do Brazil: serie de artigos publicados na Republica. 
Rio de Janeiro 1877, in-8<». 

— Economia politica, estradas de ferro, alfandega, tarifas e bancos. 
Rio de Janeiro, 1884 — B' um trabalho publicado por ordem do governo. 
Foi um dos redactores da 

— Republica. Rio de Janeiro, 1870-1874. 

Pedro A^ntonlo de Mello — Não pude obter noticia a 
seu respeito e só conheço o seguinte escripto seu: 

— Democracia opportunista. Rio de Janeiro ( ? ), 1888, 219 pags. 
in-8^ 

Pedro A.ntouio de Miranda * Nascido no Rio Grande 
do Sul em 1835 e, se me não engano, ahi professor da instrucção pri- 
maria, falleceu em Pelotas a 24 de fevereiro de 1900, e escreveu: 

» Synopse grammatical — trabalho que nunca pude ver. 

Pedro uâLntouio de Oliveira Botellio — Filho de 
António Thomaz de Oliveira Botelho e dona Anna Joaquina de Queiroz 
Botelho e irmão do doutor Joaquim António de Oliveira Botelho, já 
neste livro commemorado, nasceu na Bahia em 1822, foi doutor em me- 
dicioa pela faculdade da Bahia e ahi falleceu em novembro de 1872. Es- 
creveu: 

— T?ieses medico-philosophicas, apresentadas e publicamente sus- 
tentadas perante a Faculdade de medicina da Bahia em o dia 26 de no- 
Tembro de 1846. Bahia, 1846, in-4<> gr. 



16 



— Ba$e de um projecto de iostrucção primaria e secimdaria da 
proviDcia da Bahia, que offerece ao IIP'' e Ex"'^ Sr. Presidente, etc. 
Bahia, 1861, 39 pags. in-8* — O Dr. Botelho publiooa alguns trabalhos 
em revistas, como: 

-* Os progressos da medicina — No Crepúsculo^ periódico do insti-> 
tuto litterario da Bahia, volume 3", 1846, pags. 57 a 59. 

— Phr enologia * Na mesma Revista, volume l"*, pags. 3a5 e 19a23. 

Pedz*o de A.raujo Hiimai, Viscondei depois Marquez 
de Olinda * Filho de Manoel de Araújo Lima e dona Anna Teixeira 
Cavalcanti, nasceu em Pernambuco a 22 de dezembro de 1793 e fal* 
leceu no Rio de Janeiro a 7 de junho de 1870, doutor em canooes pela 
universidade de Ck>imbra, senador do Império, do conselho de sua ma- 
gestade o Imperador, conselheiro de estado, sócio fundador do In* 
stituto histórico e geographico braziieiro, oíQcial da ordem do Cru« 
zeiro, grã-cruz da ordem de Ciiristo e das ordens franceza da LegiSo 
de Honra, turca de Medjidié, sarda de S. Maurício e S. Lazaro, 
húngara de Santo Estevam e mexicana de N* S. de Guadalupe. Apenas 
formado* voltando á pátria, exerceu a magistratura, e foi deputado 
ás cortes portuguezas, e também á constituinte brazileira, e a outras 
legislaturas. Escolhido senador a 5 de setembro de 1837 pelo regente 
Feijó e logo nomeado ministro do Império, retirando-se aquelle do 
poder, assumiu a regência do Império a 19 do dito mez, cargo que 
occupou até a maioridade de d. Pedro 11. Foi oito vezes ministro, 
influindo consideravelmente nos destinos da pátria, symbolisando 
durante sua longa vida publica o respeito e a obediência ao poder 
legal do governo. Escreveu muitos relatórios como ministro, foi um 
dos autores do 

— Projecto de Constituirão para o Império do Brazil ( Veja-se An- 
tónio Carlos Ribeiro de Andrada Machado ) ^ De seus discursos parla- 
men tares publicou : 

— Discurso em resposta ao sr. senador Pompeo na sessão de 4 de 
agosto de 1864 ( Rio de Janeiro, 1864 ), 8 pags. in-4« gr. de duas co- 
lumnas, sem folha de rosto — Além disso só conheço de sua penna o 
seguinte: 

— Rio de Janeiro, Ministério dos negócios do Imporio, Repartição 
geral das terras publicas em 10 de abril de 1858 : Explicação dada pelo 
Marquez de Olinda, presidente do conselho de ministros, ao Visconde 
de Maranguape, ministro dos negócios estrangeiros, sobre a nota que 
a este dirigia o governo federal da Suissa, tratando da emigração 
suissa em geral, e especialmente dos colonos do senador Vergueiro. 



<2 17 



Rio de Jaueiro, 1859, 15 pags. in-8'' — Nâo lera frontespicio ; tem 
annexa, in-fol. a Relação dos colonos entrados para a colónia do Se- 
nador Vergueiro desde sua fundação e que saliiram com saldo a favor, 
conforme a lista aprc^sentada pelo empresário. — Ha ainda alguns dis- 
cursos seus publicados em coUecções como a de titulo 

— Discursos diversos, proferidos no parlamento pelos senadores e 
deputados, 13 vols. iu-S^^— Na bibliotheca da marinha. 

— Relatório apresentado á Assembléa geral legislativa pelo mi- 
nistro do Império, etc. Rio do Janeiro, 1858, in-i° — Como este ha 
outros relatórios deste autor. 

I?ocliTO do ^VtJxH/ido JLol>o Moscovo — Nascido na 
c^i pitai da Buhia a 6 de jullio de 1822 e doutor em medicina pela fa- 
culdade desta capital, falleceu a 25 de dezembro de 1897 no Recife, 
onde áe havia estabelecido, e onde exerceu vários cargos como o de 
director do hospital de d. Pedro II, inspector de saúdo publica, etc. 
Sorvira antes no corpo de saúde do exercito. Escreveu: 

— Proposições sobre as feridas por armas de fogo : these apre- 
sentada â Faculdade de medicina da Bahia, etc. Bahia, 1844, 2 íls., 
7 pags. in-4<> gr. 

— Tratamento homceopathico, pres3rvativo e curativo do cholera 
epidemico : Instrucções ao povo, a quem pôde servir de guia na falta de 
medico, pelos drs. Charge o Jabr. Traduzido do francez. Recife, 1855, 
160 pags. in-8«. 

— Diccionarto dos termos de medicina, cirurgia, chimica, ana- 
tomia, etc. Recife, 1853, in-8''.- 

— Opúsculo contendo a observação do um tumor intra- ventral, 
parecendo kisto do ovário esquerdo, operação da gastrotomia, extracção 
de um volumoso kisto solido, implantado sobre a parte superior do útero 
entre os dous ovários e cura em oito dias. Recife, 1877, 29 pags. iu-8^ 

— Relatório que apresentou ao Illm. e Exm. Sr. Presidente de 
Pernambuco em 27 de novembro de 1878 o Inspector de Saúde pu- 
blica, etc. Recife, 1879, in-fol. 

— Parecer acerca da moléstia que se tem desenvolvido nascannas 
dos engenhos da comarca do Cabo e suas proximidades na província de 
Pernambuco, apresentado, etc, âcommissão nomeada pelo Presidente 
da Pi\)vincia. Recife, 1881, in-4o gr. — Sahiu em Annexo no Relatório 
do Ministério da Agricultura, 2" vol. 

I^edro i%.ug^utíto Oarnoiro ILiOâsii; — Filho de José 
Podre Lessa e nascido em Minas Geraes a 25 de setembro de 1860, é 

Vol. Vlí - 8 



18 



1*J^: 



doutor em direito peia faculdado de S. Paulo e Unte da mesma facul- 
dade. Escreveu: 

— Theses e disFertação apresentadas á Faculdade de direilo ds 
S. Paulo para o concurso a uma vaga de lente substituto da mesma 
Faculdade. S. Paulo, 1887, ln-4«. 

— Memoria histórica académica da Faculdade de direito de 
S. Paulo, anuo de 1888. S. Paulo, 1889, in-4\ 

— Interpretação dos arts. 34 n. 23, 63 e 65 n. 2 da Constituição 
federal. S. Paulo, 1899, in-8«— Sob este titulo reuniu o autor em um 
volume de 110 paginas alguns artigos de polemica, em que se trata 
das seguintes questões : A nova phase da doutrina e das leis do pro- 
cesso brazileiro, e da comp3tencia do ensino e a competência do Estado 
para legislar sobre o processo das justiças locaes. O dr. Carneiro Lessa 
redigiu, quando estudante de direito: 

— O Federalista : periódico republicano. Redactores Alberto Salles, 
Pedro Lessa e Alcides Lima. S. Paulo, 1880, in-8<» peq. 



Pedro A.u§^usto Cromes Oardim — Filho do 
maestro portuguez commendador João Pedro Gomes Cardim e de dona 
Áurea Amélia Monclaro, nasceu em Porto Alegre, capital do Rio 
Grande do Sul, a 16 de setembro de 1864. Iodo com seus pães para 
Portugal na idade de IO annos, estudou humanidades no lycéo do 
Porto e depois percorreu varias cidades da Europa em viagem de 
instrucçSo e recreio. Voltando ao Brazil fez om S. Paulo o curso de 
direito, em que foi graduado bacharel e deu-se À advocacia. Ahi foi 
eleito deputado ao Congresso estadoal e posteriormente vereador da 
Camará municipal da capital, onde serviu com applauso o logar de 
intendente das obrat» publicas. Distincto jornalista e litterato, cul- 
tivou com especial predilecção a litteratura dramática, que enriqueceu 
com os seguintes trabalhos: 

— O baronato : opera cómica em trcs actos. 
^ O primeiro cliente: comedia em um acto. 

— A til : comedia em dous actos. 

— Da Monarch^n á RepuMica : vaudeville, S. Paulo, 1896, in-8«. 

— A conspiração: comedia em um acto. 

— Uma prova de consideração: comedia em um acto. 

— A Metamorphose : comedia em um acto. 

— A Madrasta: comodia-drama em três actos. 

— O honesto: drama em cinco actos. 

— Os loiros: comedia em três actos, em collaboração com o 
Dr. José Pisa. Algumas destas peças foram representadas nos theatros 



^: 19 



de S. Paulo, da Capital Felerâl e da B:)hin, merecendo francos 
elogios da imprensa c do publico. Não sei si foram todas publicadas ; 
algumas foram, como a comedia < Da Monarclúa â Republica». Quanto 
ao jornalismo, estreou como partidário da abolição do elemento escravo 
fundando e redij^indo com António Bento e outros: 

— A Onda: órgão de propaganda abolicionista. S. Paulo, 188* — 
Dahi passou a coUaborar na Província de S. Paulo, hoje Estado de 
S. Paulo, escrevendo : 

— Riso$ e reflexões ilsecção diária — Redigiu depois o 

-•^ Diário de Noticias, S. Paulo, 1889 — Foi desta folha redactor e^- 
director-chefe. Proclamada a Republica redigiu ' 

— A Reacção. S. Paulo, 1890. 

— O Autono^nista, S. Paulo, 1890. 

— A Opinião Nacional. S. Paulo — com o Dr. Américo Bra- 
slliense. 

I>. Pedro A.ug^uato IL<uiz Ma^ria; Miguel 
O-fxlbriel Rapliael Oonzaga -^ Filho do Duque de Saxe, 
D* Luiz Augusto Maria Eudes de Coburgo e Gotha o da princeza bra- 
zileira, dona Leopoldina^ Duqueza de Saxe, e neto do Imperador 
D. Pedro II do Braz 11, nasceu no Rio de Janeiro a 19 de março de 
1866. Grã-cruz [da ordem do Cruzeiro, grã-cruz da ordem franceza 
da Legião de Honra, da ordem Ernestina da Casa ducal de Saxe, e 
cia ordem de Leopoldo da Bélgica, formado em bellas-lettras pelo 
collegio Pedro II, em mathematicas, e em sciencias naturaes, appli- 
cou-se particularmente ao estudo da mineralogia, tornando-se um 
dos primeiros mineralogistas brazlleiros. Possuia bellas e magnificas 
coUecções mineralógicas e escreveu : 

— Presence de Talbite en christaux, aiusi que de Tapalite et la 
gcheclite dans les íilons auríferos de Morro- Velho, proviuce de Minas 
Qeraes ( Brésil ). Pariz, infol.,^sem data e sem folha ou frontispício, 
mas de 1887. 

— Conferencia feita a 7 de novembro ultimo ( 1888 ) no Instituto 
Polytechnico brazileiro sobre a mineralogia, geologia e industria mi- 
neira no Brazil. Rio de Janeiro, 1889 — Foi feita a publicação em fas • 
ciculos. O primeiro destes contém a introducção da Conferencia o o 

projecto de Guia mineralógico, geológico e mineiro. 

— Quadro synoptico da classiflcação dos feldspathos organisado de 
conformidade com as theorias modernas. Rio de Janeiro, 1889 — * Este 
trabalho foi impresso a pedido do Dr. André Rebouças com o intuito 



20 i^ií: 

do servir para uso dos alumnos do curso do construcção da escola 
poly toei) nica. 

— Breves con$idernrrjcs subro mineralogia, geologia o industria 
do IJrazil. Projecto do consiílidavao dorf trabalhos rolitiv^s a esto 
atísuaipto. Confoiencia realizada no Instituto polytochuico brazileiro 
a 7 de novembro do Ks^s, P parte, 2" fascículo, 2-' edição. Rio de 
Janeiro, 1889, 28 pa^^^s. in-8' — Escreve uma folha do Rio de Janeiro: 
« Esto 2' íasciculo traz outro titulo quo deíine melhor o assumi>to: Ajion- 
lamentos sobre mineries do Brazil — Ensaio de estatística e (/eogrjphia 
mineralógica. Como tra))allio sciontifico é uma bella promessa, quo 
revela o quanto S. A. Si3 tem dcdiciído aos estudos do scioncias 
uaturaes. Ahi são consideradas as seguintes espécies ítiineraes : 
acordoaio, aogiriua e achmito, alabandina, albito, alúmen, alunogonio, 
amphybolios, ampbigenio, analcimo, anathasio, andalusito, anglosito, 
annabergito, anthosiJorito, anthracito, antimonio, apatito, apophyHilo, 
aragonito, argillas, arsenopyrito, a^bolanea o as[)halto. Enti-etauto 
o autor declara muito modestamente em nota: « Não pretende esta 
resumida onumcração de mtneraes ser completa. Nada mais é do quo 
base de futura publicagão, quo obrigar<à a muitos annos de aturado 
trabalho. » Felizmente não lho faltam nem talentos nem meios de 
levar avante o seu importante trabalho.» 

— Separat^Abdruck au9 den mineralogischen und petrograpkis- 
Khen Mittheiltmfjen herai(sgegeben von G. Tácherniak, Wion, Alfred 
Hòlder ( Druck von Gotlieb Gistel Sc C, in Wien s. d., in-8« de 13 
pags. num. de 451-4G7, com uma ostampa fora do texto e figs. inter- 
caladas. Contém: Dom Pedro Augvsto v m Sachsen-Coburg: Deitrage sur 
Mincralogie vind Petrographie Brasili^ns. Nesfoutro traVialho s5o 
estudados alguns mineraos existentes na província de Minas Geraes 
( no Morro Velho, em Caldas e Diamantina), na do líio de Janeiro ( em 
Petrópolis ) ô nesta cidade (pedndra da Saudado, Estrada Velha da 
Tijuca o pedreira do Condo d*Eu, nas Laranjeiras ) — Sei que d. Pedro 
Augusto tinha entre mãos trabalhos do mais alto fôlego quando Ibi 
banido do Brazil ; que leu na sessão solemne do Instituto histórico em 
homenagem á nação chilena a 31 do outubro de 1889 um trabalho 
sobre 

— Minis do Estado íloChilo — o qual passava a limpo para enviar 
ao Instituto, quando ae deu seu l)animento era consequeueia da pro- 
clamação da Republica e da queda da Monarchia ; e que sob o titulo 

— Christallographia — leu na Academia de sciencias de Pariz um 
trabalho que foi muito npplaudidu. 



i 



i 



21 



Pedro j^ug'usto IVolaf^oo Pereira, da Guuli.a 

— Filho do major Pedro Nolasco Pereira da Cunha, nasceu no Rio de 
Janeiro em 1784 e falloceu depois de 1845 i^eformado no posto do briga- 
deiro. Era major commçindante de cavallaria oní Campos, quando 
com os majores António Aureliano llolão, com mandante dos caçadores, 
e Miguel Joaquim Prestes, do regimento namoro 12, escreveu: 

— Carta e mais papeis annexos, remettidos dos Campos de Qoyta- 
cazes ao Sr. redactor pretérito da Gazeta^ os quaes por circumstanoias 
occurrentcs não puderam entrar naquolia folha o, por isso, se impri- 
miram agora em papel separado, que será cKsttibuido gratuitamente, 
etc. (Sem data e logar da impressão, mas do Rio de Janeiro, 1821 ), 4 
pags. in^fol.-^ Os papeis são três proclamações aos soldados dos assi- 
giiatarios e a carta é datada de 17 do julho. 

— O respeitável publico e particularmente a classe militar brazi- 
líense devem ser informados do mais execrando despotismo, que acaba 
de praticar o commandante militar dos Campos dos Goytacazes J. M. 
de Moraes contra o sargento-mór Miguel Joaquim Prestes do 12° regi- 
mento de infanteria, de 2-^ linha, estacionado na villa de S. Salvador 
desta província. ( Rio de Janeiro, 1822 ) 3 pags. in. foi.— E* também 
assignado este escripto pelos majores António Aureliano Rolão e Mi- 
guel Joaquim Prestes. 

Pedro A.ug-usto Tavares — Fillio de Pedro Augusto 
Tavares e dona Rita Gonçalves da Silva Tavares, nasceu em Campos, 
então província do Rio do Janoiro, a 30 de agosto de 1858. Bacharel 
em direito pela ft^culdade do S. Paulo, foi governador do estado do 
Maranhão, o vice-presidente no do Rio de Janeiro ; advogou na cidado 
de seu nascimento e actualmente advoga na Capital Federal. Escreveu: 

— O crime do Parquo. Dofesi do denunciado aspirante José 
Soixas Souto-Maior, pelo seu advogado, etc. Rio de Janeiro, 1898, 19 
pags. in-4" grande, de duas columnas — Jornalista desde estudante, foi 
um dos redactores da 

— Província de S. Paulo — Fundou e redigiu: 

— O Amigo do Povo .-jornal republicano. Rio de Janeiro, 1877, in- 
fol. — Do n. 6 em diante chamou-se 

— A Republica. Rio de Janeiro, 1877-1878, ia-fol. 

— A Republica» Campos, 1890-1895, in-fol. 

l*e<lro ilLutrau da, Matla, o Albuquerque, 1® — 

Filho de Pedro Autran da Matta e Albuquerque e dona Gertrudes 
Maria da Matta, nasceu na Bahia a 1 de fevereiro do 1805 e falleceu 



n 



22 ¥»ií: 

no Rio de Janeiro a 31 de outubro de 1881, sendo doutor em direito 
pela faculdade de Aix, formado em 1827 ; lente de economia palitiea 
da faculdade de direito do Recife, jubilado depois do mais de quarenta 
annos de magistério, lento da mesma matéria no Instituto cominercial 
da corte e de religião na escola normal ; do conselho de sua majes- 
tade o Imperador ; commendador da ordem da Rosa e cavalleiro da de 
Ghristo. Nesta faculdade, que elli por vezes dirigiu, teve occasião de 
professar quasi todas as disciplinas desde 1829, sempre attrahindo a 
mais alta consideração dos professores, sempre gozando da veneração 
de seus alumnos, jà por s«a illustragão o virtudes, já pelas maneiras 
urbauas e delicadas com que tratava a todos. Escreveu: 

— Elementos de economia politica por S. Mill, trasladados em 
portuguez. Bahia, 1833, in-8». 

— Elementos de direito natural privado de Francisco Nobre Zeiller, 
traduzidos em pcrtua^uez. Pernambuco, 1834, in-8'' — Segunda edição, 
1852, 110 pags. in-8^ 

— Elementos de direito natural privado. Pernambuco, 1848, 180 
pags. in-8° » E' obra diversa da precedente ; é original. 

— Elementos de direito publico, geral e particular. Pernambaoo, 
1848, 180 pags. in-8* — Segunda edição, 1854. 

— Elementos de direito das gentes. Pernambuco, 1851, 100 pa^. 
in-80. 

^ Elementos de direito publico universal. Pernambuco, 1857, 
112 pags. in-8«. 

^ Elementos de economia politica. Pernambuco, 1844, 390 pags. 
in-8«. 

— Novos elementos CíÇi economia politica. Pernambuco, 1851, 198 
pags. in-8o. 

— PreídcpôM de economia politica. Recife, 1859, SO^pags. in-8*. 
Segunda edição melhorada. Paris, 1862, 240 pags. in-S». 

— Jíant^/ de economia politica. Rio de Janeiro, 1874, in-S"* — Se- 
gunda edição quasi toda reformada, 1880, 310 pags. in-8''. 

•» Cathecismo de economia politica para uso das escolas normaes 
do Império» Rio de Janeiro, 1880, in-8°. 

— O poder temporal do papa, considerado em relação ao direito, 
à historia, á politica e ã religião. Recife, 1862, in-S*" — E' em apoio da 
doutrina pontifícia. 

— Reflexões sobre o systema eleitoral. Recife, 1862, in-8« — Creio 
que ô a mesma obra seguinte: 

— Eleição directa — No livro « Reforma eleitoral. Eleição directa: 
collecção de artigos dos drs. José Joaquim de Moraes Sarmento, José 



António de Figueiredo, Pedro Autran da Mattn e Albuquerque, João 
Silveira de Souza e Aotonio Vicente do Nascimento Feitosa >. (Veja-se 
António Herculano de Souza Bandeira. ) 

— Jestis Chrisio e a critica moderna pelo padre Félix: Traducçâo 
do francez. Recife.. •-* Ha terceira ediQão do Rio de Janeiro, 1868, 
in-8*. 

— Manual ^Q philosophia, extrahido de differentes autores. Per- 
nambuco, 1874, in-8. 

« Philosophia do direito privado para uso das faculdades de direito 
das escolas normaes e de to^las as pessoas que quizerem ter conheci- 
mento do direito privado. Rio de Janeiro, 1881, in-8'» — Na Revista 
do Instituto archeologico pernambucano, n. 39, de 1891, roferindo-se 
á typographia de Pinheiro Faria e Comp., de 01in«la, lê-se: Di 
typographia de OlinHa ainda restim uma traducçao dos elementos de 
economia politica de S. Mi 11, traducçao íranoeza confrontada com o 
original inglez do dr. i\ A. da Matta Albuquerque, ete., o 

— Elogio da loucura por Erasmo: traducçao, etc— E ainda ha 
outros trabalhos seus em revistas c jornaes, como 

— Apologia do c.itholicismo e dos soberanos pontífices (3regorio 
XVI e Pio IX. — Vi este trabalho, mas não me recordo onde. 

— Socialismo : artigos publicados na União em discusEâo politico- 
philosophica com o professor António Pedro de Figueiredo ( vide este 
nome ) e que saliiram também no Diário de Pernambuco e na Imprensa 
em 1852 — O dr. Aqtran col laborou no Jornal do Domingo^ revista de 
litteratura, historia, viagens e poesias, publicada sob a principal 
redacção de José de Vasconcellos, de 1858 a 1859, o redigiu: 

— O catholicOf sob os auspicies de S. Ex. Rev. D. Francisco Car- 
doso Ayres. Recife, 1863-1872, in-fol:o: 

Pe<ii*o ilLtitran da; >la.tti:i; e A.ll3uqu.erque, 2^ 

— Filhodo precedente e de dona Francisca de Amorim Filgueiras Autran, 
nasceu na cidade do Recife, Pernambucx), a 5 de outubro de 1829 e 
Ihllecea no Rio de Janeiro a 15 de novembro de 1886, sendo doutor em 
medicina pela faculdade da Bahia, medico legista privativo da policia 
da corte, membro titular da imperial Academia de medicina, caval- 
leiro da ordem da Rosa e condecorado com a medalha da campanha 
contra o governo do Paraguay. Prestou nesta campanha relevantes 
serviços como primeiro cirurgião da armada e continuou a prestal-os 
ainda por alguns annos. Na província da Bahia, ainda estudante da 
fa/culdade, foi cirurgião do 6^ batalhão de caçadores da guarda na- 



24 F»K 

cional e na de Sergipe, onde clinicon, serviu o cargo de inspector de 
hygiene e foi deputado. Escreveu: 

— Proposições sobre o magnetismo animal: tliese para 96r 
sustentada, etc. Bahia, 1854, in'4''gr. 

— Novo urethrotomo, aprosonta«lo á Academia imporia! do medi- 
cina. Rio de Janeiro, 1867, SOpags. íq-8". 

— Esboço histórico da urethrotomia e dos urethrotomos empre- 
gados atô o presente, apresentado á Academia imperial de medicina. 
Rio da Janeiro, 1867. 

— Esboço histórico da discussão da Academia imperial do medicina 
acerca do regulamento dos módicos veriflcadores de óbitos. Rio de 
Janoiro, 1866, 31 pags. in-4*»— Publicou algumas poesias, como 

— O canto do índio ^ Na Revista Popular, tomo 6", pags. 324 e se- 
guintes. Foi, na ordem chronologica, o nono rodactor dos Annaes Bra- 
zilienses de Medicina, e nesta revista publicou vários trabalhos, como 

— A Cellula nos productos pathologicos — No tomo XXVIII, 
pags. 32 e seguintes. E redigiu mais: 

— O Observador Medico o cirúrgico. Campos, 1800, in-fol. 

— Revista medico-cirurgica. 1® anno. Rio de Janeiro, 1862, in-8* gr. 

I*e<iiro de Azevedo Houzn Netto — Pilho de 
Pedro de Azevedo Souza Netto e natural de Minas Qeraes, é pharma- 
ceutico pela faculdade do Rio de Janeiro, formado em 1872 o escreveu: 

— Pontos de rhetorica o poética, redigidos segundo o ultimo pro- 
gramma para os exames do preparatórios. Rio do Janoiro ( sem data). 
Houve outra ediçíio, creio que om 1881, feita por Seraphim Alves. 

I?odro Rsindoirn do Ooiivoa — Piliio de Luiz Ban- 
deira de Gouvôa, nnscido no Rio do Janeiro a 29 do junho do 1821, fal- 
leceu a 11 de agosto de 1874, Hacharol em mathematica pela antiga 
escola militar, viajou pela Europa, do ondo voltou graduado doutor em 
medicina e, depois de verificar seu titulo na faculdade da Bahia, exer- 
ceu a clinica na cidade de seu nascimento. Gompromettcu-se na 
revolução de Minas Geraos de 1842e foi deputado á assemblôa desta 
provinda. Escreveu: 

— Breves considerações sobre o regimeu alimentar das crianças 
nos primeiros tempos de sua existência: these sustentada no dia 12 de 
novembro de 1859 para verificação de seu titulo. Bahia, 1859, in-4». 

— Ao povo brazileiro — Kstatua do Tlradentes. Subscripçao po- 
pular. Rio do Janeiro, 1872, 26 pags. in-8* — Parece-me que publicou 
ainda no anno seguinte outro opúsculo com o titulo « Estatua de 



25 



Tiradenteâ » còm o intuito de vor levantada essa estatua — Colla- 
borou no Itxcolomy Aq Oúro-Preto, 1843-1845. 

r*o<lro de Kixi-ros Oava.lca.ii ti do /kllm- 
c|^iierc|uo — Filho do P(*dro Aloxandrino do Barros Cavalcanti 
do Albuquerque, nascido a 6 de maio de lfcí39 em Pernambuco, ahi fez 
o curso e recebeu o gráo de bacliarel Oxii direito. Exerceu durante 
a monarchia cargos públicos, como o de presidente do Rio Grande 
do Norte. Escreveu: 

^- Cartas monarchicas , Rio de Janeiro, 1895 — E' uma serio de 
escriptos publicados na imprensa diária do Rio de Janoiro e de S. Paulo 
fí<im um prefacio do dr. Joaquim Nabuco. Pensa o autor que a « so- 
lução do problema politico do Brazil depende só da condição de que 
somente a Monarchia é capaz de salvar a nossa pátria da morte que a 
Republica lhe preparou ». 

— A candesst Dagmar : drama em quatro actos — Está ainda in- 
édito, como talvez outros trabalhos ]seus; mas acerca delle o distincto 
littorato dr.Eunapio Deiró fez minucioso estudo em folhetim do Jornal 
do Brazil de 3 de abril de 1898. 

Pedro Beiíjaiinin de Ocrqueira I^ima — Filho 
de Pedro Cerqueira Lima e dona Marianna Carolina Cerquoira Lima, 
nasceu na Bahia a 31 de março do 1841, abraçou a classe da armada, 
fazendo o curso da academia de marinha, o é almirante graduado re- 
formado, official da ordem da Rosa, cavalloiro da do S. Bento de Aviz, 
condecorado com a medalha da campanha do Uruguay do 1865 e com 
da campanha do Paraguay. Plscroveu: 

— Estítdo sobro artilharia cora diversas taboUas de alcance do 
distancia, de baterias, do alcances de canhões, otc. Rio de Janoiro, 1870, 
VlII-50 pags. in-S*" com 13 mappas e desenhos. 

— Annuncio hydrographico sobre novos pharóos do Canadá e banco 
no canal dos Passis ( Bermudas ) na bahia da Concepcion, Chile. 
Traduzido do francoz. Rio de Janoiro, 1873, 28 pags. in-8". 

— Noticia da Junta do Commorcio de Londres sobre a exigência 
de certos certificados, feita pelo governo columbiano e sobre a aber- 
tura dos estreitos dos Dardanellos, do Bosphoro. Traducção do inglez, 
etc. Rio de Janeiro, in-S**. 

r^edro Bernairdino de 3roiira, — Fillio de Joaquim 
Meruardino de Moura e dona Rosa Luiza do Viterbo Moura, e irmão 
lie Carlos Bernardino do Moura, nasceu no Rio do Janeiro a 1 de aí^osto 



26 



de 1828 e falleoea no Rio Grande do Sal no aaao de L8S0. Foi o jorDalista 
que por mais tempo, sam um dia de descanso, lutou na imprensa ; 
vinte e sete annos bateu-se, desfechando o aparando golpes sucoes- 
SÍ70S. Em 1848, estudando o secundo anno da antt<?a escola militar 
com praça de cadete do V batallião de artilliaria, por envolver-se em 
politica, foi preso e enviado para a província de S. Pedro do Sal, e ahi 
obteve sua baixa do serviço do exercito no fim do anno de 1853, depois 
de ter militado na campanha contra o dictador Rosas. Então, com de- 
cidida vocação para o jornalismo, já tendo se empenhado em grande 
luta pela imprensa, com o Diário do Rio Grande^ qae combatia atroz- 
mente a administração do presidente Sinimbu, creou e radigiu: 

— O Jagí4arense, Jaguarão, 1855, iu-fol. — Creio que foi a primeira 
folha que se publicou na villa, hoje cidade de Jaguarão. O primeiro 
numero sahiu a 7 de setembro n*uma typographia de seu redactor. 
A esta folha succodeu por mudança de titulo o 

— Eoho do Sul : órgão politico, commercial e instructivo. Jagaarão 
e Rio Grande, 1856 a 1880, iu-fol.— Foi publicado em Jaguarão ató 
fins de setembro de 1858. De outubro em deante foi publicado na d' 
dade do Rio Grande, para ondo se transferira seu redactor e proprie- 
tário. 

Pedro Betim. Peies lL<euie — De antiga e distiacta 
familiado Rio de Janeiro, onde nasceu, e ha muito residente na Europa, 
é engenheiro civil e oífioial da ordem da Rosa, e escreveu: 

— Officio e relatório da Commissão brazi leira e outros documentos 
relativos ao Congresso de estradas de ferro internacional, reunido em 
Washington. Rio de Janeiro, 1891 — Este trabalho foi apresentado ao 
Ministro da agr