'"^-,.
DICOIO]SrA.RIO
DE
iaiam iM^aiii.
DICCIONARIO
BOTNICA BMSILEmA
ou
COMPENDIO
DOS VEGETAES DO BRASIL, TANTO INDGENAS COMO ACCLIMADOS
REVISTA POR UMA COMMISSO DA SOCIEDADE VELLOSIANA, E APPROVADA PELA FACULDADE
DE MEDICINA DA CORTE.
CONTENDO :
uma descripo scientifica de cada fanailia a que pertencem,
e outra vulgar ao alcance de qualquer intelligencia, seu emprego e
differentes denominaes nas diversas provincias do Imprio,
as propriedades medicas e venenosas,
sua utilidade nas artes, industrias, economia domestica
e na veterinria
COORDENADO E REDIGIDO
em grande parte sobre os manuscriptos do Dr. Arruda Camar
POR
de odlmud
lodamni m ^meiaa (o/tnfo
Pharmaceutico pela Escola especial de Pharmacia de Paris.
e mandado imprimir por seu irmo
O BACHAREL ZEFERINO D'ALMEIDA PINTO.
RIO DE JANEIRO.
Typographia Pekseveuanoa. rua do Hospcio u. 91.
1873.
LIBRARY
NEW YORK
^OTANICAL
GARDEN
/M t-
DIAS PALAVRAS AO LEITOR.
3>iO*-
Tomando o encargo de mandar imprimir o Diccionario de Botnica.
Brasileira, que em manuscripto deixou o seu compendiador, tivemos em vista,
alm da considerao de ser elle um irmo que muito prezvamos, prestar ao
paiz um pequeno mas importante servio, tornando conhecida uma parte dos
trabalhos do fallecido Dr. Arruda Camar.
sabido o quanto esse illustre finado escreveu sobre diversos ramos
da sciencia natural, assim como qual o destino que teve a maior parte de
seus escriptos. Aquella, porm, que tinha relao com a botnica foi, talvez
que reservada pela Providencia, longos annos depois de sua morte, objecto de
uma transaco efectuada por um de seus herdeiros; e d'alii que vem o
Diccionario de Botnica Brasileira.
Empregando os maiores esforos para sua impresso, lutando com mui-
tas e srias diRculdades, que constantemente surgiam por espao de mais de
um anno, -nos summamente agradvel o dever de declararmos que encon-
tramos apoio tanto da parte do Governo Imperial, como de vrios cidados,
e mais ainda d'essa congregao, respeitvel pelas illustraes que contm,
conhecida n'esta cidade com a denominao de Sociedade Vellosiana.
D'ella obtivemos o auxilio mais importante que podamos esperar. A
i'eviso d'esse trabalho, que einbora procedente de outro de incontestvel m-
rito, soffrendo alterao na f(5rma e no fundo por mos que no eram de
mestre, tornava-se uma necessidade indeclinvel, como foi desde logo reco-
nhecida.
O desempenho de to rdua, como enfadonha tarefa, com a dedicao
e desinteresse>que s o amor sciencia podia inspirar, encontramos na So-
ciedade Vellosiana. Uma commisso de cinco membros, que a nosso pedido
A
VI
ella nomeioii, tomou a si esse encargo que desempenhou com promptido
tanto mais louvvel, quanto c certo, que vrios e importantes trabalhos pe-
savam sobre cada um de seus membros, sendo para notar-se que dous,
d'entre elles, levaram a sua dedicao ainda alm da nossa espeetativa,
porquanto obsequiosamente acceitaram a incumbncia de rever as provas, e
corrigir os erros tjpographicos.
Os Srs. Drs. Agostinho Jos de Souza Lima e Joaquim Monteiro Ca-
minho, este lente da cadeira de botnica da Escola de Medicina d'esta
corte, e aquelle lente oppositor da mesma escola, prestaram sciencia, a cujo
estudo se dedicaram, com as suas luzes e vastos conhecimentos, um servio
valiosssimo.
Publicando em seguida o attestado que passou a commisso da Socie-
dade Vellosiana, e as cartas que aquelles illustrados lentes da nossa escola de
medicina nos dirigiram, pedimos-lhes para que acceitem os votos sinceros da
nossa profunda gratido.
Liai travamos estas linhas, quando um novo e imprevisto incidente
veio ainda, e por ultimo, augmentar a serie das difficuldades com que lutamos.
Para a commisso que tem de representar o paiz na prxima exposio
internacional de Vienna d' ustria, foi nomeado o Dr. Joaquim Monteiro Ca-
minlio, que, partindo no vapor de 27 do mez passado, no poude por isso
concluir a colleco dos erros typographicos.
No estado adiantado da impresso, no nos permittindo circumstancias
de ordens diversas, o addiamento, por semelhanta motivo, de sua concluso,
tomamos a deliberao de encerral-a com as corrigendas que se notam no fim,
pedindo ao leitor intelligente a necessria desculpa.
Rio de Janeiro, 2 de Abril de 1873.
%^mo d' (yhndda kPinm.
DECLARAC] DA COliiSSlO DA SOCIEDADE lELLCSlAfA.
-o-o>^00-
Ns, abaixo assignados, meoibros da commisso encarrega-
da pela Sociedade Yellosiana de corrigir o maniiscriplo intitula-
do Diccionaro de Botnica Brasileira, compendiado pelo pharmaceu-
tico Almeida Pinto, declaramos que se acha quasi terminada a
tarefa que nos foi commettida, e qae muito no sero de extra-
nhar as imperfeies de que se houver por ventura de resentir,
ao saliir do prelo a obra do Sr. Almeida Pinto, visto ser esta a
sua primeira edico.
Sala etc, 23 de Novembro de 1872.
Ladislau Neto.
Dr. J. J. Pizarro.
Dr. a. J de Souza Lima.
Dr. J. M. Caminho.
Dr. Rasiiz Galvo.
CARTA DO SR. M. J. M.
ooi^oo-
Illm. Sr. Dr. Pinto. Sendo de ha muito reclamado um diccio-
nario de plantas brasileiras, que ao mesmo tempo servisse para os
estudantes consultarem, e para esclarecer principalmente os botnicos
sobre a infinidade de nomes communs ou vulgares dos vegetaes do
paiz, coube no Brasil, n'estes ltimos tempos, ao incansvel e distin-
cto Dr. Nicolo Moreira a g-loria de comear essa patritica tareia.
Seu Diccionario das plantas medicinaes brasileiras ^que, como
elle faz ver, apenas um ensaio, ou melhor a publicao de seus
apontamentos particulures, tem prestado valiosssimos servios ; e ainda
mais til seria, se elle tivesse podido por si prprio verificar tudo,
e expurg-al-o de faltas alheias sua vontade.
O Dr. Peckolt emprehendeu um bello trabalho sobre as plantas
alimentares brasileiras , que ser de grande valor quando terminado.
O Diccionario de plantas brasileiras^ (que tambm se occupa das
estrangeiras cultivadas entre ns), e que acaba de ser publicado
por V. S., , sem duvida, uma obra digna de encmios; porque n'ella
se acham principalmente os trabalhos, que eram julgados perdidos,
do Dr. Arruda Camar, nome venerado pelos poucos botnicos bra-
sileiros que temos.
Alm d'isso v-se quanto tempo e trabalhos custou ao seu auctor,
para colleccionar t3,o grande numero de nomes e propriedades de ve-
getaes teis, principalmente das provncias septentrionaes do Imprio,
alm dos citados por Arruda Camar.
Como Q SLicceder nas primeiras edies, esta no poude ser
completamente purificada de erros, que entretanto, podero ser cor-
rectos pouco a pouco.
Muitos nomes scientificos que dera aquelle illustre pernambuca-
no no so conhecidos pelos clssicos, e, portanto, no esto acceitos;
o que devido falta de publicidade.
Alg-uns eng-anos ha tambm acerca de nomes vulgares e outros,
porm que no tiram o mrito da obra.
Bera avisado andou V. S. quando recorreu Sociedade Vellosia-
na, oriente das sciencias naturaes no Brasil, afim de nomear uma
commisso revisora para este trabalho, porque, elle merece muitissi-
mo do publico.
Para que se podesse conseg'uir mais do que isso, era mister que
aquella commisso fosse, com tempo bastante, percorrer as diversas
provincias.
Apraza Deus que, como V. S., outros mais procurem archivar
os poucos e esparsos trabalhos de nossos sbios, que no existem
mais.
Seja-me licito aqui render um culto de admirao e respeito em
nome da Botnica brasileira memoria do venerando naturalista
Dr. Custodio Alves Serro, que acaba de fallecer, e quem teria
V. S. certamente de ouvir a sentena d'este diccionario, com aquella
singeleza, verdade, independncia e profundeza que eram o apanag"io
d'aquelle vulto, que morreu quasi esquecido em sua pobre cabana
na Gvea.
Espe)'o fazer publicar o que for encontrado, e me for confiado,
das produces filhas dos estudos seus. Continue V. S. pesquizar,
e poderemos talvez encontrar mais trabalhos do Dr. Arruda Camar;
com o que, V. S. eng-randece tambm a nossa ptria.
A g-randeza de um paiz no consiste perante a moderna civili-
zao na extensa rea de que formado, nem nos milhes de homens
que a povoam ; porm no numero de seus sbios nos diFerentes ramos
de conhecimentos humanos.
Rio de Janeiro, 26 de Maro de 1873.
f. (sil. ^aminko.
CAUTA BC SL BR. MLk LISiA.
-oOj=S:Jo-o-
lilm. Sr. cheio do maior prazer que tenho occasio de feli'
citar-lhe em publico, pelo louvvel empenho, com que V. S., affrontando
tantas difficuldades, conseg-uio realizar a publicao do Diccionario
DE Botnica Brasileira ; obra confeccionada pelo finado pharmaceutico
Joaquim de Almeida Pinto, de Pernambuco, com o auxilio dos impor-
tantes manuscriptos do illustre phytolog-ista brasileiro Dr. Arruda
Camar, cujos trabalhos at agora inditos, e por assim dizer igno-
rados ou esquecidos, so uma verdadeira preciosidade, julg-ada per-
dida para a sciencia. A parte notvel que tem os escriptos d'aquelle
venerando naturalista n'este Diccionario. constitue o seu maior titulo
de merecimento, e pelo qual mais se recommenda a sua leitura a
todos quantos prezam e cultivam o estudo de botnica.
A utilidade e importncia pois d'esta obra, no pde ser posta
em duvida, nem precisa ser demonstrada, bastando para isso dizer-se
que ella n'este g-enero o livro mais completo que ora possuimo s
apezar de alg-umas ligeiras faltas e lacunas, que ainda ahi se no^
tam, mas que podero ser correctas e preenchidas em edies ulte-
riores.
Os esforos por V. S. empregados para levar a efeito a impresso
d'esta obra esto acima de todo o elogio, e o tornam credor da
estima publica.
Acceite portanto V. S. os parabns de quem se assigna,
Seu attento venerador e amigo.
Rio de Janeiro, 31 de Marco de 1873.
MUI HERICA
l>^i^la^ ii ^EMIWIili
o. D. C.
SiMtw ^ SUwtieiia ^intio.
AOS MEUS COMPROVINGIANOS.
O desejo, que sempre tive, e j por mais de unaa vez tenho manifestado,
de tornar-me til nossa sempre esforada e bella provincia, me impellio
a emprahender o diflicil e espinhoso trabalho, que hoje tenho a honra d
offerecer-vos.
Aproveitando a ideia e algum material deixado pelo nosso finado com-
provinciano o muito illustrado Dr. Arruda Gamara, organizei o presente
DICCIONARIO DE BOTNICA BRASILEIRA - que vos dedico; esperando a coadjuvao, com
que seiTCipre soubestes animar aquelles que se aadigam pelo engrandecimento
da ptria coinvum.
|on(iuim bc %\mth\ |1into;
INTRODUCO.
Dando luz o presente Diccionario de Botnica Brasileira,
temos por fim vulgarisar quanto for possvel o conhecimento das
plantas medicinaes indgenas e acclimadas no Brasil , despertar o
amor pelas cousas ptrias, e commemorar o nome de um dos per-
nambucanos que mais trabalharam n'esse sentido o illustre finado
Dr. Arruda Camar.
A vegetao no Brasil das mais admirveis. Nos campos,
nas montanhas, nas mais elevadas serras, nos areies das prprias
costas, nas ilhas, por entre rochedos alcantilados, por toda a parte
emfim ostenta-se ella vigorosa e em quasi constante primavera.
A Flora Brasileira talvez a mais rica do mundo pela abun-
dncia e variedade de espcies muito importantes , das quaes mais
de doze mil j sao conhecidas.
Para a construco naval e civil acham-se nas mattas do Brasil
as melhores madeiras ; para a marceneria as mais finas e bellas que
conhece a industria.
Para a construco naval temos : Peroba , Genipapo , Oiticica ,
Cicopira-ass, Po d'arco, Maaranduba, Cedro, Louro de cheiro, Po-
ferro, Jaqueira, etc, etc.
Para a construco civil ; Guararba, Gerimum, Genipapinlio,
Oiticica, Po-carga, Po-pombo, etc.
Para a marceneria : Vinhatico, Po-setim, Jacarand, Gonalo
Alves, Condur, etc.
Para a tinturaria: Po-Brasil, Tatajuba, Campeche, Po terras
grandes, Po terras pequenos, Anil, Uruc, etc.
XVIII
Quanto aos fios e fibras, que substituam o linho, .levemos ao
distincto Dr. Arruda Camar uma memoria, em que mostrou que, com
as folhas dos Ananazeiros manso e bravo, Coroat, Aning-a, Carra-
picho, com as Palmeiras e com a estopa extrahida da Embira, assim
como com outras plantas, se podia perfeitamente substituir o linho.
Alm d'isto nascem expontaneamente nas nossas mattas, e em
grande abundncia, arvores que distillam precioso leite, por meio de
incises feitas nos troncos ou hastes; por exemplo: as seringnieiras,
de que se tira a borracha, as mang-abeiras, a maarandubeira, de
que se extrahe a g-utta-percha : arvore prodig"iosa, que viria a ser
uma das principaes riquezas d'este Imprio, se o g-overno a mandasse
desde j cultivar em nossos vastos terrenos.
A Carnaba a arvore maravilhosa ! A arvore para tudo ! Pode
o homem somente com ella fazer a sua habitao, mobilial a, illu-
minal-a ; extrahir delia assucar, lcool e sal ; com ella ainda
alimentar seu gado e creaes midas. Nenhuma outra producao
vegetal foi dotada pela natureza de tantas e to apreciveis qua-
lidades ! A Carnab . tem j hoje mais de quarenta usos e appli"
caes diSferentes, e pode dizer-se que ainda no se acha explorada
e applicada a tudo o que possivel prestar-se. ils Myristicas que pro-
duzem sebo vegetal ; o caco, a baunilha e outros muitos vegeaes, cujos
productos so de reconhecida e vasta utilidade para os usos da vida,
formam objecto de extenso e importante commercio.
O Brasil possua uma immensa e variada riqueza de plantas
medicinaes nas paragens mais remotas dos seus sertes. No se em-
pregam geralmente contra os effeitos das dentadas dos reptis seno
veg-etaes indgenas.
D' entre os mais estimados e de que o povo faz uso frequente,
em numerosas applicaes, apontaremos os seguintes : Batata, (gomma e
resina), Caferana, Carba, Fedegoso, Guaran, Ipecacuanha branca e
preta, Jurubeba, Mata-pasto, Mulung, Paracary, Salsaparrilha, Vel-
lame e diversas qualidades de Quina. Os mais preciosos blsamos,
uma grande variedade de plantas resinosas, oleosas e leitosas, como
o Angico, Andirba, Copahiba, etc.
Ha tambm nas mattas virgens, nas capoeiras, nos campos e
nas costas abundncia de arvores e plantas, que do variados e sa-
borosos fructos.
Mas para que tamanhos e to numerosos thesouros sejam conve-
nientemente conhecidos e aproveitados, seno arrancados a uma pr-
xima e inevitvel destruio, convm quanto antes que se providencie
a respeito do aniquilamento das mattas, onde se consomem tantos ve-
XIX
g-etaes destinados sem duvida a uma profcua applicao na industria
futura do paiz, assim como no menos urgente attender desde j
creaao de escolas agricolas, nas principaes provincias, devendo
n'essas escolas ensinar-se a agricultura theorica e pratica, afim de
que os agricultores percam a pssima rotina, a que esto acostu-
mados, e que se habilitem a tirar maiores vantag-ens d'esta to rica
e prodigiosa vegetao.
E' necessrio todo o cuidado na conservao das mattas do
Po Brasil, e estender a sua plantao a uma grande escala.
E' mister repetirem-se constantemente os plantios; escolherem-se
sementes de algodo, de canna, ch, caf e quina, e de muitas outras
arvores, como se praticava nos tempos em que ramos colonos, e de
que ainda hoje to bons resultados colhemos. Facilmente se faria hoje
este servio por meio dos navios de guerra, que nas suas viagens
de instruco podiam trazer excellentes mudas de sementes ; pois
o nosso solo abraa qualquer planta extica.
Na compilao d'esta obra tivemos de consultar as dos Srs.
Martins, St. Hilaire, Dr. Moreira, Chernoviz, Dr. Ladislo Netto e outros.
Terminando esta breve e incorrecta introduco, declaramos,
para evitar duvidas, que todo o nosso trabalho consiste simplesmente
na ampliao e, em muitos pontos, correco da obra indita, deixada
pelo finado e illusfcre Dr. Arruda Camar, na qual trabalhamos ha
bastantes annos.
A obra do Dr. Arruda Camar precisava de uma melhor re-
daco, os seus artigos eram incompletos, deficientes, obscuros e sem
ordem. D'ahi sahio o presente Diccionario ; e julgue-se por elle da
difi!culdade e esforos da nossa empreza.
No vai esta obra illustrada com maior numero de desenhos,
representando mais algumas arvores e arbustos, em razo das diffi-
culdades que encontramos para photographal-os, sendo devidos os
originaes das poucas estampas, que illustram o Diccionario de
Botnica Brasileira, ao talento e actividade do nosso distincto pho-
tographo o Illm. Sr. Joo Ferreira Villela, bem como ao Illm. Sr. Joa-
quim Francisco Bastos, que graciosamenta se presto l a dar-nos um
grande numero de cpias, habilmente desenhadas a lpis.
A ambos damos publico testemunho de nossa gratido.
DA
BOT^NIOi^ BRA.SILEIE^.
ABA
ABA
AlweacSjii $aBaaas'<5SI<>, Bromclia
Anans Z., Ananassa sativa^ Lind. Var.
fyramidalis urea ^ Dony. Fam. das Bro-
Meliaccas. Esta variedade de ahacaclii
tem o frueto pyramidal e de cr ama-
rella; eneontram-se matizes vermellios.
A parte carnosa do frueto no to boa,
e o eixo central tem mais resistncia.
AJaeae3tti Sriaaco. Var. pyrami-
alis alba, 3IiU. Fam. idem. A p-
tria do ahacachi , sem duvida, a mesma
do Anauaz., isto , as regies quentes do
globo, como a sia, Africa e America
Meredional. Em todo o Brasil conhe-
cido debaixo do mesmo nome.
uma planta herbcea, de cultura de-
licada e de forma particular; folhas
serriadas, mucronadas, radicass, lanceo-
ladas e coriaceas. Do centro delias brota
uma haste, e apresenta uma reunio de
flores, agg-regadas em verticillio, de or-:
gos bem desenvolvidos e cores purpu-
rinas e bellas, e cuja associao d nas-
cimento ao frueto, o qual varia de 2 a
3 Vi decimetros de extenso.
O ahacacJn de uma frma pyramidal,
coroado de um ramalhete de folhas, o
qual a haste, que o sustinha no estado
de lr; sua cr varia de branco, roxo, es-
vcrdinhado, amarello, amarcUado e ver-
melho. A sua superfcie tuberculosa,
acompanhando symetricamente umas es-
camas palheosas, signaes das flores pre-
tritas ; o frueto forma uma baga carnosa,
de substancia branca, macia e aquosa,
3
ABA
ABA
de Riilor doce acidulado, muitissiino
agradvel, de aroma activo c delicioso:
cortada a casca, deixa ver umas ves-
culas, i^ue so 03 fragmentos dos rgos
floraes.
Esta planta semelhante ao ananaz,
da qual variedade, ditferc na forma do
fructo e no sabor, que melhor; quanto
ao mais ha pouca diterenca. Depois de
descascado o abacachi, parte-se ein ro-
dellas, e ha (|uem lhe ajunte vinho.
Segundo o botnico Richard, o aa-
cachi a melhor fructa conhecida.
Depois da provncia do Amazonas, Per-
nambuco a que mais a cultiva, espe-
cialmente na cidade de Goyanna, o pri-
meiro lugar que a adquirio, pelos esforos
do nosso fallecido naturalista Dr. Arruda
Camar.
Na Europa cultivam quatro variedades
d'esta fructa.
Caracteres da famlia. As brome-
liaceas so plantas das regies quentes
do globo, cujas folhas, muitas vezes reu-
nidas na base do caule, alongadas, es-
treitas, espessas, inteiriadas, dentiadas
e espinhosas nas margens, fazem lem-
brar at certo ponto as Liliaceas.
As flores formam espigas escamosas,
cachos ramosos, que terminam em glo-
bos juntos, em cujos cachos ellas se
acham as vezes de tal sorte juntas, que
acabam por adherir umas s outras.
O seu clice tubuloso, adherente ao
ovrio, repartido em cima em seis di-
vises dispostas em duas ordens, trs
das quaes interiores so maiores e em
forma de ptalas.
O ovrio tem trs lojas , provido
de um estylete e de um estigma de trs
divises agudas.
O fructo geralmente uma baga tri-
locular, coroado pelos lobos do clice.
A planta mais til d'esta familia o
Ananaz^ cujas bagas unidas formam um
syncarpo, ovoide-agudo , elegantemente
imbricado na superfcie, cheio de uma
substancia carnosa acidula , aromtica
e doce , que o colloca no numero dos
fruetos de mesa mais estimados.
Aliaeachi roxo. Yar. 'pyramida'
lis violada macrocariia, Doinj. Fairis
idem. A fructa mais volumosa, tem
s vezes 4 Vi decimetros de comprimento,
cercada de muitos gamos ('olhos) ; o
eixo central to tenro quanto a parte
carnosa da fructa.
Aliacaclii Ic tingir. Bilhergia
tinctoria, Marl. Fam. idem. uma
planta da ordem dos caroats, que for-
nece uma tinta amarella, empregada na
tinturaria.
Altaeacli vePBiscllto. Yar. py-
ramidalis rubra., Dony. Fam. idem.
Esta outra variedade cujos fruetos tem-
se modificado. Todos elles so comes-
tveis, sendo o branco o mais estimado
pela sua doura e delicadeza da polpa.
Come- se em talhadas no estado natural
com assucar ou com vinho , fazendo-se
tambm d'elle um doce de muito apreo.
Com o sueco faz-se uma limonada agra-
dvel , e que pela fermentao produz
um vinho fortificante e agradabilssimo.
As folhas fornecem fios txteis que no
commercio europeu matria de algum
consummo; entre ns j foi ensaiada essa
industria pelo fallecido naturalista Dr.
Arruda Camar.
Abacate. Laiinis fersea^ Linn.
Persea gratissif/ia., Gaertner. Fam. das
Laiirineas. Planta cultivada de ha muito
no Par, Maranho, e hoje em varias pro-
vncias do Imprio. Alguns escriptores
do-n'a como oriunda da America Me-
ridional ; sua ptria porm, a Prsia.
um arbusto de mediana altura, ra-
moso, casca parda, folhas oblongas, al-
ternas, luzidias, e um tanto estreitas,
de cr verde pallida ; suas flores nascem
em feixes nas axilhas das folhas : so
amarelladas e quasi sem cheiro ; o fructo
abacate de 1 a Yy^ decimetro de compri-
mento mais ou menos, de figura py-
riforme, e de cr verde amarellada, na
maturidade.
O tegumento externo membranoso;
tnue e luzente ; a massa um pouco
espessa, macia, aquosa, esverdinhada,
ABA
ABA
3
de pouco sabor. Tem uma semente grande
no centro e coberto por uma membrana
parda, contendo uma amndoa carnosa e
compacta.
A massa, desfeita com assucar, ad-
quire um excellente sabor, e o mesmo
succede quando se lhe ajunta limo ,
vinho ou sal. O lenho branco e molle.
A casca pode dar fios prprios para a
cordoaria.
Propriedades medicas. Pode ser em-
pregada com vantagem contra a dj^sen-
teria em clvsteres : ;4 de um caroo
sufficiente para dois pequenos clysteres.
A amndoa diz-se ter propriedades
aphrodisiacas tomada na dose de 4 grani-
mos trs vezes por dia : no prudente
porm usar-se d'estes meios, que so
prejudiciaes em virtude da grande quan-
tidade de tanino que contm.
Caracteres da famlia. Esta fam-
lia, posto que pouco avultada, uma
das mais interessantes por causa do
grande numero de productos aromticos
que fornece pharmacia, economia do-
mestica e s artes.
Ella comprehende arvores ou arbustos,
de folhas alternas, algumas vezes appa-
rentemente oppostas, de ordinrio espes-
sas, firmes, persistentes, aromticas e
pontuadas; estipulas nullas; flores her-
maphroditas, monoicas, pertencentes a
dicia, ou polygamas ; periantho cali-
cinal gamosepalo de quatro ou seis divi-
ses imbricadas; disco carnoso unido
no fundo doperianthio; persistente, aug-
mentando muitas vezes com o fructo ;
estamesperigynicos, inseridos em varias
ordens na margem do disco, em numero
qudruplo, triplo, duplo ou igual as di-
vises do envoltrio; os filetes so livres,
os interiores providos na base de duas
glndulas pedicelladas, que so estames
rudimentares; as antheras so unidas,
de duas a quatro lojas que se abrem
debaixo para cima por meio de vlvulas ;
ovrio livre, formado de trs foliolos
soldados, unilocular, no contendo mais
que um ovulo pendente.
O fructo uma baga monospermica
acompanhada na base pela parte interna
do perianthio que persiste.
A semente invertida, coberta por um
perisperma, de liilo transversal, de raphe
dirigindo-se obliquamente para o tubr-
culo situado na extremidade opposta.
Ella encerra um embryo sem peris-
perma, orthotropo ; composto de duas
grandes cotyledones carnosas e oleosas ;
a radicula muito curta, retrahida, e
sobreposta ao germe.
A familia das Laurineas comprehende
hoje mais de quarenta gneros, a maior
parte dos quaes foi primitivamente com-
prehendidas no gnero laiirus: taes so,
por exemplo , os gneros Sassafras ,
Ocotea^ Nectandra, Persea^ Cimiamoraum^
Camjora.
A!$a:erck. V. Giiager.
Alfarento-teitio. Mimosa cochlia-
carfus, Goiies. Fam. das Leguminosas.
Esta arvore vegeta no Rio de Janeiro,
oriunda do paiz ; seu porte semelhante
ao de um Ingazeiro., suas propriedades
anlogas as do Barhatimo. A dose de 8
grammas para 450 grammas d'agua fer-
vendo.
Caracteres da famlia. Familia
muito natural, na qual esto reunidas
plantas herbceas , arbustos e arvores
muitas vezes de dimenses collossaes.
Suas folhas so alternas, compostas,
algumas vezes compostas, e n'este caso
raras vezes os foliolos se mostram, e s
fica o peciolo que se dilata, e forma uma
espcie de folha simples. Na base de
cada uma d'ellas, existem duas estipulas
muitas vezes persistentes.
As flores ofterecem uma inflorescencia
muito variada : geralmente so herma-
phroditas.
O seu clice muitas vezes um pouco
tubuloso, de cinco dentes desiguaes, ou-
tras vezes de cinco divises mais ou me-
nos profundas e desiguaes. Mo exterior
do clice encontra-se uma ou mais brac-
teas^ou as vezes um invlucro em forma
de clice.
A corolla, que algumas vezes falta, com-
ABI
ABO
pe-se de cinco ptalas, {roralmcntc dos-
igfuaes, das quaes uma superior, maior,
que involve as outras e que se denomiua
estandarte, duas lateraes, cliamadas azas,
e duas inferiores, mais ou menos solda-
das, formando a caroui; outras vezes
a coroUa formada de cinco ptalas
iguaes.
Os estamos so p^eralmente em numero
de dez, algumas vezes mais numerosos.
As mais das vezes seus filetes so diadel-
phos, raras vezes monadelplios ou inteira-
mente livres, perigynicos ou hypog-inicos.
O ovrio mais ou menos agudo na
baze : em geral alongado inequilatero,
de uma s loja, contendo um ou mais
vulos unidos na sutura interna.
O estylete um pouco lateral, muitas
vezes recurvado, terminado por um es-
tigma simples.
O fructo vagem ou legume.
As sementes so geralmente desprovi-
das d'endo3perma.
Aliil J-SiaaajASay. V. Jataliy.
Alie^iSi. Licor oleoso que, segundo
Pison, exsuda de uma Cecropia, perten-
cente tribu das Artocarpeas , (fructa de
po.) Goza da propriedade de apressar a
cicatrisao das feridas.
A<!}io, p3aa'ysop3iiy53iaaii. Caimi-
to, Linn. Acras Caind^Ruiz. Fam. das
Sapoaceas. Arbusto do paiz, das Anti-
lhas e de Cayena, onde recebe este nome;
o fructo de G centmetros de compri-
mento; de ordinrio arredondado, oblon-
go, amarello e ponteagudo ; a casca fina,
dura e viscosa, contem uma massa vis-
cosa e branca, e caroos arredondados,
que so escuros e lisos; come-se a fructa
que de gosto agradvel. Os Abios cul-
tivados so melhores o maiores do que
os silvestres. Segundo Mart. Lncuna,
Caimilo Lahatia reticulala.
Os fructos dizem ser empregados nas
afeces pulmonares.
Caracteres da famlia. Clice in-
ferior, no adherente ao ovrio, dividido
superiormente em quatro, cinco ou oito
lobos imbricados, persistentes; algumas
vezes acompanhado de escamas excerio-
res; corolla hypoginica, gamopetala regu-
lar, dividida em tantos li3bos quantos
tem o clice.
Estames de filamentos desiguaes, in-
clusos no tubo da corolla, umas vezes
em numero duplo dos lobos frteis ; ou-
tras vezes em numero igual e oppostos
aos lobos, porm separados por linguetas
alternas que representam outros tantos
filetes de estames estreis.
O ovrio supero com varias lojas,
contendo cada um a um ovulo fixo na
parte superior ou inferior do angulo
central.
As sementes so cobertas de um tegu-
mento quasi sseo, excepto no hylo ou
umbigo que inferior ou lateral; as vezes
muito grandes.
O perisperma carnoso ou oleoso, al-
gumas vezes nullo. As Sapotaceas so
arvores ou arbustos de sueco lcteo, cujas
folhas so alternas, inteiras, coriaceas,
penninerviadas, curtamente pecioladas,
privadas de estipulas.
Existem e so cultivadas muitas d'ellas
nos paizes intertropicaes, quer pela ma-
deira, que em geral muito dura, quer
pelos fructos succulentos, que so muito
estimados, ou pelas sementes oleosas, ou
pelo sueco lcteo, que fornece uma es-
pcie de borracha.
A1Ojoa'a I'sas-ia4. Lagenaria.
Fam. das Cucurhitaceas . Planta origi-
naria da Azia, cultivada em todo o Brasil,
herbcea e o fructo varia em compri-
mento de K a 1 metro.
uma planta de caule regoado, pellos
hispidos, folhas quasi redondas, paten-
tes, de um verde claro , cobertas de pellos
speros ; flores de', pednculos longos,
sem cheiro, corolla campanulada, com
cinco lobos ; monoicas ou dioicas ; o
fructo de er verde, ainda quando ma-
duro. Seu tegumento externo crus-
tceo, mas no rigido; tem internamente
uma massa branca, aquosa, inspida e
frouxa, deixando um espao no centro
do fructo, o qual occupado por muitas
sementes mais ou menos brancas.
ABO
ABO
Este fnicto usado para doce e para
cozinhar-?e com a carne, como verdura.
Quanto s suas propriedades medici-
naes, refrigerante e antiphlogistica :
applica-se em talhadas a polpa sobre a
parte inflammada.
Caracteres da famlia. Grandes
plantas herbceas, muitas vezes volveis,
cobertas de pellos curtos e muito speros.
Suas folhas so alternas, pecioladas,
com divises mais ou menos em forma de
lobos. Suas estipulas que so simplices
ou ramosas, nascem ao lado dos peciolos.
As flores so em geral uni-sexuaes e
monoicas ; mui raramente hermaphrodi-
tas.
O clice gamosepalo : as flores fmeas
of'erecem um tubo globuloso adherente
ao ovrio infero. Sua extremidade, mais
ou menos campanulada e de cinco lobos,
c confundida e intimamente soldada com
a corolla, e d'ella s se distingue no
pice dos lobos.
A corolla formada de cinco ptalas
reunidas entre si no meio da extremi-
dade calicinal, representando assim uma
corolla gamopetala.
Os estamos, em numero de cinco, teem
seus filetes monadelphos ou reunidos em
trs feixes, dous formados cada um de
dous estames, e o terceiro de um s.
As antheras so uniloculares, lineares,
atravessadas em forma de zn collocado
horisontalmente , cujos ramos fossem
muito approximados. Nas flores fmeas,
a extremidade do ovrio, que supero
acha-se coroado por um disco epigynico.
O estylete espesso, curto , terminado
por trs estigmas espessos e muitas ve-
zes bilobados : este ovrio de uma s
loja nos dous gneros ^cyo e Gronovia;
contm um s ovulo pendente ; mas em
geral oierece trs trophospermas parie-
taes, triangulares, muito densos, con-
tguos uns aos outros por seus lados ;
preenchendo assim toda a cavidade do
ovrio, e dando inverso aos vulos no
seu ponto de origem sobre as membranas
do ovrio.
O fructo carnoso e umbilicado no pice,
uma peponide (abbora).
As sementes no fructo maduro pare-
cem espalhadas no meio de um tecido
cellular filamentoso ou carnoso.
O tegumento prprio assas denso e
cobre iramediatamente um grande em-
bryo homotropo desprovido de end es-
perma.
As propriedades dafamilia das Cucur-
hetaceas so alimentares e purgativas.
Altobora amarella. V. Gerim.
A$tofioi'a carEieira. V. Cabao
amargoso.
Ab oliora eliil a . Variedade da aho-
hora Mciiina.
Aisobora Gerni.
V. Gerim.
Abbora do ntato. Nome com
que geralmente so conhecidas muitas
Cucurbitaceas, bem como Taiuya, Guar-
dio, etc.
Abbora do wxsktn . Trianosi^er-
ma fcifolia^ Mari. Fam. das Cucurbi-
taceas. A raiz um poderoso drstico
empregado nas hydropesias e derrama-
mentos.
D-se em p na dose de 6 decigrammos
a 1 % gramma e em cozimento na de 4
grammas d' agua.
Sendo a raiz fresca, duplica-se a dose.
Abbora do mato de Goyaz.
Racemosa, Mamo. Fam. idem. Esta
planta, pequena e rasteira, tem as pro-
priedades purgativas da Trianosperma.
Synon Trianosperraa glandulosa (Mart.) e
Bryonia glandulosa (Poepig.)
Abbora do inato Se UliMas.
Wilbrandia drstica, Mart. Fam. idem.
Esta espcie tambm goza das mesmas
propriedades.
Abbora ntenicia. Cucurbita
pefo, Linn. Cucurbita mxima, Duch.
o mesmo Gerim ; mas uma variedade
monstruosa. Tem os mesmos usos, porm
mais insipida.
G
ABR
ABR
Abobor iii08:Maij|^M. Variedade
da abbora menina.
Abbora porqueira. outra
variedade nas mesmas condies.
Aboboreira. Segundo Persotme
Cucurita 2)otiro ^ Cucurh. maxiraa^ Ducli.
As folhas frescas, pisadas e applicadas
sobre as queimaduras so um excellente
remdio.
As flores do um sueco vantajoso nas
otites (inflammao de ouvido) , sobre-
tudo das crianas ; o fructo comes-
tvel, quer cozido com a carne , quer
em doce.
As sementes de algumas espcies, prin-
cipalmente do Gerim , torradas, so an-
thelminticas, e feitas em emulso so
Titeis na ischuria (retenso de urinas).
Abrie. Armeniaca vulgaris, La-
marTi . Prunus armeniaca^ Linn . Fam .
das Rosceas. Planta natural da Ar-
mnia; arvore mdia, de flores brancas,
os fructos so carnosos indeliiscentes de
9 a 12 centmetros de dimetro, redondos,
amarellos, comestveis quando maduros,
aromticos, mas no de agradvel cheiro;
o epicarpo pouco espesso, um tanto
pelludo e com um sulco lateral ; a massa
um tanto secca e amarella, envolve uma
noz.
Cultiva-se esta planta nas provncias
do Sul do Imprio.
Caracteres da famlia. Grande fa-
mlia composta de vegetaes herbceos,
de arbustos, ou arvores, attingindo gran-
des dimenses.
Suas folhas so alternas, simplices ou
compostas, acompanhadas na baze de
duas estipulas persistentes, algumas ve-
zes soldadas com o peciolo.
As flores offerecem dife rentes modos
de inflorescencia; compem-se de um
clice gamosepalo, de quatro ou cinco di-
vises, algumas vezes acompanhado ex-
teriormente de uma espcie de invlucro
ou caliculo, que faz corpo com o clice,
de modo que este parece ter oito ou dez
lobos .
A coroUa, que algumas vezes falta,
composta de quatro ou cinco ptalas re-
gularmente dispostas.
Os estames em geral so em grande
numero e distinctos.
O pistillo apresenta varias modiflca-
es ; umas vezes formado de uma ou
de mais carpellas inteiramente livres e
distinctos, collocadas num clice tubu-
loso ; outras vezes essas carpellas esto
reunidas pelo lado exterior com o clice;
ora esto assim soldadas, no s com o
clice, mas entre si; ora esto reunidas
n'uma espcie de capitulo dentro de um
receptculo ou gynophoro. Cada iima
d'essas carpellas unilocular e contem
um, dous ou maior numero de vulos,
cuja posio muito varivel.
O estylete sempre mais ou menos la-
teral, e o estigma simples.
O fructo extremamente polymorpho :
umas vezes uma verdadeira noz; ou-
tras vezes um pomo ; ora constitudo
por um ou mais akenos, ora por uma ou
mais capsulas dehiscentes, ora formando
um capitulo sobre um gynophoro que
torna-se carnudo.
As sementes teem seu embryo homo-
tropo, desprovido de endosperma.
Abrie do Par. Mammea ame-
ricana, Linn. Fam. das QuUiferas. Ar-
vore natural do Amazonas, das Antilhas
e do Mxico.
uma arvore de folhas oppostas e
grandes, com os peciolos vermelhos e
nervuras transversaes ; suas flores so
solitrias ou oppostas 2 a 2; so um
tanto grandes, e as ptalas tm muitas
nervuras principalmente no centro ; o
fructo carnoso e drupaceo interna-
mente, com quatro sementes : come-se
e ha trs espcies d'este gnero.
O sueco leitoso do caule e do fructo,
misturado com agua e sal, til nas
picadas de insectos e nas ulceras.
O fructo bem maduro agradvel, e
a amndoa anthelmintica.
Caracteres da famlia. Esta fa-
mlia compe-se de arvores ou arbustos,
algumas vezes parasitas, e cheios de
ACA
ACA
suecos prprios, amarellos e resinosos.
Suas folhas, oppostas, so coriaceas e
persistentes.
Suas flores dispostas em cachos axi-
lares, ou em paniculos terminaes, so
hermaphroditas ou unisexuaes e poly-
gamicas.
Seu clice persistente, formado de
duas a seis sepalas redondas, muitas ve-
zes coloridas.
A corolla composta de quatro a dez
ptalas: os estames muito numerosos,
raras vezes em numero definido, livres :
o ovrio simples terminado por um es-
tjlete curto, que falta algumas vezes e
que traz um estigma discoide e raiado ou
de vrios lobos.
O fructo ora capsular, ora carnoso
ou drupaceo, abrindo-se algumas vezes
em vlvulas , cujas extremidades, ge-
ralmente reintrantes, se fixam em uma
placenta nica, ou em varias placentas
espessas.
As sementes compe-se de um embryo
homotropo sem endosperma.
Absutliio. Y. Losna.
Aliiitiia. V. Butim.
Aeajaiba. V. Cajueiro.
Acaju-ciea. aresina do Cajueiro,
empregada no Norte pelos encadernado-
res, como excel lente preservativo contra
os insectos.
Propriedades medicas. Emprega-se
contra a hemoptysis e mais afeces que
reclamam substancias gommosas e leve-
mente adstringentes.
Acajiirania. Fam. das Legumi-
nosas. E' uma planta do Par, por este
nome conhecida.
A casca amarga e de cheiro nau-
seante.
Acap. Andira Auhlciii. uma
arvore sylvestre do Par, cujo lenho
negro mas algumas vezes com veios
brancos ; essa madeira muito dura ;
comparam-na em rigidez ao Po-ferro ,
tanto na marcineria como na construc-
o; empregada em vigas para casas e
em outros misteres.
Applicaes jiedicinaes. A casca
adstringente, segundo informaes que
temos.
Acai*i^o1>a . Hydrocohjle umlellata.,
Linn. Hydr. honariensis ., Lamark.
Fam. das Omhelli feras . O sueco desta
planta quando fresco em dose forte
emtico , e em pequena aperitivo e
diurtico.
O seu cheiro agradvel e o sabor um
tanto acre : a raiz um poderoso desobs-
truente das vsceras abdominaes ; a agua
destillada d'esta planta empregada
contra as sardas.
Aeataya. V. Herxa de Mcho.
Acay ou CJ!. Spondias venu-
losas, Mar. Fam. das Terebinhaceas .
A casca de seus ramos novos empre-
gada contra as ulceras da garganta, e
contra as diarrhas e blenorrhas ure-
traes e palpebraes.
Os caroos pisados, na dose de 4 gram-
mas para 400 grammas de agua, em cozi-
mento, so teis leucorrha.
A|'aiVo. Crocus., saicus, Linn.
Fam. das Iredaceas. Esta planta natu-
ral das ndias Orientaes e do Meio-dia da
Europa. Arbusto de quasi um metro de
altura, folhas roixeadas e compridas; a
flor e seus tegumentos so amarellos,
purpurinos, e avermelhados. Quando
secca tem grande consummo na Europa
para a tinturaria ; desprende de seus r-
fos uma tinta amarella e um leo vo-
latil. Pode cultivar-se no Brasil,
Na arte culinria e nas confeitarias
costuma-se empregar o aafro para dar
uma cor agradvel a muitas iguarias e
confeies.
Propriedades medicas. O aafro
empregado com muito proveito nas
epilepsias e ainda como emmenogogo e
8
ACA
ACA
anti-spasmodico. A rniz bom diurtico
e diprestivo. Em dse forte ]>rodu7, em-
briaguez, somnolcncia c dclirio. D-so
em infuso na dsc de uma prramma para
450 rramrnas d'ap-ua, e em p de uma a
duas crrauimas; em tintura de uma a
quatro fyrammas e cm xarope de 15 a ;10
frrammas.
Caracteres da famlia . Vetretacs
herbceos de bulbo carnoso , providos
de folhas alternas, planas, eusiformes,
muitas vezes disticas ; flores envoltas em
espathas; periantliio tubuloso de seis di-
vises profundas , dispostas em duas
ordens ; tros estamos livres ou monadel-
soluvel tanto n'a,rua como no lcool ;
mas solvel nos alcalis donde o precipi-
tam os atidos.
A semente oleosa e violentamente
purf^ativa, convindo notar-se que no
exerce esta aco sobre os papa^raios, e
esta a razo porque lhe chamam gro
d( papagaio. Sua ptria o Oriente e
Meio-dia da luiropa.
vege-
Caracteres da famlia . Os
taes comprehendidos n'esta familia apre-
sentam mui grandes relaes com as
Labiadas. Assim, o caule e os ramos,
quando so herbceos, so geralmente
quadrangulares ; suas folhas oppostas.
phos; oppostos s divises externas do I algumas vezes verticilladas, raras vezes
perianthio e ligados na base ; ovrio in-
fero com trs lojas multiovuladas; stylete
simijles terminado por trs estigmas em
forma de cornetas chatas, de margens
franjadas, tomando muitas vezes uma
apparencia petaloide ; fructo capsular de
trs lojas, com trs vlvulas septiferas.
Melasantlms tiuctorms. Fam. das Ver-
lenaceas. Arbusto de tronco esbranqui-
ado, ramoso e quadrangular nas partes
superiores ; folhas oppostas, pequenas,
ovaes e speras ; flores brancas, laci-
niadas nos bordos da corolla ; arom-
ticas,
O fructo uma capsula com duas se-
mentes chatas. Seccam-se os tubos das
corollas, e depois de reduzidos a p,
serve este para dar a cr amarella aos
guisados.
Esta planta extica, e cultiva.se ha
muito no Brasil.
.Sobre esta aafroeira havia-se crido
entre ns que fosse o Carthamus tinctorius^
que o aafro haHardo do Egypto, mas
nem ha semelhana nos caracteres da
nossa planta com o gnero Carthamus,
que pertence familia das Compostas,
nem na fcies da planta.
O Aafro ho.stardo planta herbcea;
a flor tem com efteito o tubo da corolla
avermelhado ou alaranjado. Dous prin-
cpios immediatos compe esta cr, o
amarello solvel n'agua , e o vermelho
alternas, umas vezes simples e inteiras
ou talhadas, outras vezes compostas.
Suas flores so completas, muitas vezes
irregulares; o clice tubuloso, persis-
tente, de divises iguaes ou desiguaes;
a corolla inserida no receptculo tu-
buloso, de extremidade quadri ou quin-
quefida, as mais das vezes bilabiada.
Os estames acham-se inseridos no tu-
bo da corolla, as mais das vezes em nu-
mero de quatro didynamos.
Ovrio livre contendo ordinariamente
quatro vulos, em uma, duas ou trs lo-
jas; estylete nico terminado por um
estigma simples ou bifido , obliquo ou
unilateral de duas lojas uni-ovuladas.
O fructo uma baga coberta de polpa
succulenta, contendo um caroo de duas
ou quatro lojas muitas vezes monos-
permas .
A semente compe-se, alm do tegu-
mento prprio, de um endosperma muito
delicado que encobre um em^bryo recto
de radicula infera.
AeafiVofira ela \^\^\Jt. Curama
longa, L7in. Fam. das Amomaceas.
Planta da ndia, de raiz bolbosa, esse
bolbo grande, oblongo palmado, de cr
alaranjado no interior; folhas longas,
flores brancas com mesclas amarelladas.
Caracteres da famlia. As Amo-
maceas so plantas vivazes, de um as-
ACO
ACO
9
pecto inteiramente particular, que as
approxima um pouco das Orchidaceas : a
raiz muitas vezes tuberosa e carnosa ;
as folhas simples so terminadas na sua
base por uma bainlia inteira ou fendida,
algumas vezes munida de ligula.
As flores raramente solitrias , so
acompanhadas de bracteas bastante lar-
gas, e formam em geral espigas espessas
ou paniculas.
O clice duplo ; o exterior, algumas
vezes tubuloso e mais curto, de trs
divises iguaes; o interior tem seu limbo
duplo, as trs divises externas so em
geral iguaes; das trs internas, uma
maior e dissemelhante e forma uma es-
pcie de labello ; as duas lateraes so
mais pequenas, e muitas vezes quasi
abortadas.
Ha um s estame, cujo filete muitas
vezes dilatado e como ptaloide. A an-
thera de duas lojas, algumas vezes
separadas e distinctas ; o ovrio de trs
lojas polvspermicas, o estylete simples
terminado por um estigma concavo e em
forma de taa.
Na base do estylete acha-se um tubr-
culo bilobado, que pode ser considerado
como formado de dois estames abortados.
O fructo uma capsula de trs lojas,
abrindo-se em trs vlvulas, cada uma
das quaes traz uma diviso no meio da
face interna.
As sementes algumas vezes acompa-
nhadas de um arillo, se compem de
um embrvo cylindrico situado em um
endosperina farinceo, e tendo a radicula
voltada para o hilo.
A*5B*3'oem dst lecris iti ibIb-
geesift. V. Uriic. E por aquelle nome
conhecida na Bahia.
Apite. V. Ca Tigu.
Aoisi ettvalloa. Lv.hea grandi-
flora^ Mart. e Zucc. Fam. das Tiliaceas.
Arvore agreste. conhecida em Minas
Geraes e noRio de Janeiro por este nome,
tem grande altura, follias um tanto gran-
des, obovaes e claras: flores grandes,
brancas ou rosadas.
O fructo lenhoso, redondo, oblongo,
compartido em cinco lojas, com sementes
aladas.
A madeira d'esta arvore empregada
no Rio de Janeiro para fazer coronhas
de espingardas e palmilha para calado.
Florece em Fevereiro.
Propriedades medicas. empregada
em frices contra os tumores arthriticos,
e em clysteres combate a diarrha.
Caracteres da famlia. So arvores
ou arbustos, um pequeno numero, plan-
tas herbceas. Tem folhas alternas, sim-
ples , acompanhadas na base de duas
estipulas frngeis.
As flores so axiliares, pedunculadas,
solitrias, ou diversamente grupadas.
O clice formado de quatro a cinco
sepalas, approximadas, de preflorescen-
cia valvular; a corolla tem igual nume-
ro de ptalas, que faltam raramente, e
so muitas vezes glandulosas em sua
base.
Os estames so em grande numero,
soltos e com antheras biloculares. Acha-
se muitas vezes em frente de cada ptala
uma glndula pedicellada.
O ovrio apresenta de duas a dez lojas,
contendo cada uma diversos vulos li-
gados por duas ordens seu angulo
interno.
O estylete simples, terminado por
um estigma lobuloso.
O fructo uma capsula de varias lo-
jas, contendo diversas sementes, e al-
gumas vezes indehiscente, ou um ncleo
carnoso monospermico por aborto.
As sementes contm um embryo ver-
tical, ou algum tanto curvo em um en-
dosperme carnoso.
Ai ftvallos. Luheo. panicu-
laU. Mart. c Zucc Fam. Idem. Arvore
silvestre de Minas-Geraes e das margens
do Rio de S. Francisco. de mediana al-
tura , com a folhagem aloirada, folhas
ovaes; as flores em cachos, menores que
as da precedente, so de cr rosada, ou
branca.
A casca d'esta espcie empregada
4
IO
AGR
AGR
nos sertes para cortir couros. Florcce
em Fevereiro.
Propkied.vdes medicas. adstrin-
gente e emprejjado nas liemorrliagias cm
banhos, injeces e em clysteres contra
a dysenteria.
A^'ola ea%'ilIos brancos. V.
Ivatingi.
Aucena. Amarjjllis princeps, Yel.
Farn. das Amarillidaceas . umair
graciosa, originaria do Brasil.
Caracteres da famlia. Planta de
raiz bulbifera ou fibrosa, de folhas radi-
caes, de flores solitrias, as mais das
vezes mui grandes ou dispostas em ser-
tulas, ou nmbrellas simplices envolvidas
antes da anthese em espalhas membra-
nosas.
O invlucro gamosepalo tubuloso,
adherente pela base ao ovrio, com seis
divises iguaes ou desiguaes.
Os estames em numero de seis, tem os
filetes soltos ou reunidos por meio de
uma membrana.
O ovrio de trs lojas ; o estylete
simples, e o estigma de trs lbulos.
O fructo uma capsula de trs lojas
e de trs vlvulas septiferas ; algumas
vezes uma baga que por aborto s con-
tm de uma a trs sementes. Estas, que
off'erecem com bastante frequncia um
apndice carnoso ou caruncula cellulosa,
contm em um endosperma carnoso um
embryo cylindrico e homotropo.
Agoniada. Plumeria lancifolia ^
Willd. Fam.das Afocynaceas . uma
arvore importante das provncias do sul,
muito usada, principalmente como em-
menagogo e anti-febril.
As;oiiteg;9ie|e.
V. Araruta.
Airio. Sisymbriur. Nasturtium,
Linn. Ofjicinale^ Duch. Fam. das Cru-
ciferas. Herva cultivada, natural da
Europa, geralmente conhecida por tal
nome no Brasil ; d em terrenos hmidos.
V\ uma pequena e ihdicada planta, cujo
caule se estende flor da terra, as folhas
so serriadas, e na parte superior mais
largas. Tem nas summidades floresinhas
brancas, midas, que do em resultado
umas pequenas siliquas; desprende na-
turalmente suas sementes miudissimas
de cr castanha. Usa-se em salada.
Propriedades medicas. E' estimu-
lante e aconselhado nas aff'eces scor-
buticas e molstias de pelle em tisana,
(8 grammas para 450 grammas d'agua,
trs vezes ao dia) , e o xarope sobretudo
usado pela medicina popular; nas afec-
es do figado e pulmonares ehronicas, e
ainda contra a prpria phtysica; na dose
de quatro a seis colheres por dia. Contm
notvel proporo de iodo.
Caracteres da famlia. uma das
mais naturaes do reino vegetal, composta
de plantas herbceas ou algumas vezes
subfructescentes, e que pela maior parte
so oriundas da Europa.
As folhas so alternas, simples ou
mais ou menos profundamente cortadas.
As flores dispostas em espigas ou ca-
chos simplices ou paniculados.
O clice formado de quatro sepalas
frgeis, duas das quaes so algumas
vezes concavas em sua base.
A corolla se compe de quatro ptalas
unguiculadas oppostas em cruz, d'onde
lhe vem o nome de Cruciferas.
Os estames em numero de seis so
tetradynamos, isto , quatro maiores ,
approximados dois a dois, e dois mais
curtos e oppostos. Na base dos estames
existem duas ou quatro glndulas.
O ovrio mais ou menos alongado,
com duas lojas separadas por uma falsa
diviso. Cada loja contm um ou diver-
sos vulos unidos ao bordo da diviso
membranosa, que no mais que um
prolongamento dos dois trophospermas
suturaes.
O estylete curto ou quasi nulio, e
parece uma continuao da separao;
elle termina em um estigma bilobado.
O fructo uma siliqua ou uma silicula
AGR
AGU
11
de forma varivel, indeliiscente, ou que
se abre por duas vlvulas.
As sementes esto pegadas em cada
lado da separao. O embryo imme-
diatamente coberto pelo te(?umento pr-
prio, e mais ou menos curvo sobre si
mesmo.
Ag-rio tio P**p;. Spilantlies ole-
racea, Linn. Fam. das Comi^ostas. Esta
planta, indigena do Par, cultivada na
Europa de ha muito, debaixo do nome de
Agrio do Par ou do Brasil. Elle her-
bceo de folhas oppostas, flores em pe-
quenos captulos, amarellas e muito
midas.
Propriedades medicas. excitante,
antiscorbutico, (infuso, 8 grammas para
450 grammas d'ag-ua). No Par emprega-
se como alimento, cozinhado e mesmo
cr. (Fig. 1.)
Caracteres da famlia. Plantas her-
bceas, jpor excepo, arbreas; flores em
captulos; receptculo plano ou cnico,
ou mais ou menos espherico, sempre
carnoso, guarnecido de diverso modo
pela sua parte externa.
Clice gamosepalo, adherente: o limbo
do clice, chamado papus, umas vezes
nu lio ou reduzido a um bordo marginal,
outras vezes escarioso, dentiado ou loba-
do, outras, e muito mais frequentemente,
transformado em sedas ou pellos quer
simples quer ramosos, ou plumosos,
dispostos n'uma ou mais series.
Corolla inserida na parte superior do
tubo do clice, gamopetala, dividida em
cinco e menos vezes em trs, quatro ou
dois lbulos ; mas cada lbulo com duas
nervuras quasi marginaes que parecem
augmentar o numero das divises da
corolla: cinco estames, raras vezes abor-
tados nas flores femeninas; filetes alter-
nando com os lobos da corolla, soldados
com ella na base, ordinariamente livres
entre si, articulados comtudo na parte
superior por uma espcie de connectivo;
antheras soldadas entre si fazendo uma
espcie de tubo dentro do qual passa o
estigma, ovrio com um s ovulo, es-
tilete simples nas flores masculinas, di"
vidido em dous lbulos ; nas flores fe-
mininas e nas hermaphrod itas glndulas
estigmaticas (verdadeiros estigmas) si-
tuadas em duas series na parte superior
dos lbulos dos estyletes; pellos collecto-
res em vrios sentidos no alto do esty-
lete das flores hermaphroditas.
O fructo um akenio terminado pelo
papus.
A^iiai. uma arvore, da qual se
acredita provir o blsamo chamado Ca-
boreira, Caboreiba ou Cabureiciba.
As:ua|i. Villarsia nympheoides .
Fam. das Ni/mpheaceas. Herva que nada
sobre as aguas; folhas redondas e o fructo
capsular.
As flores d'esta planta so brancas e
aromticas.
Os fructos so comestveis.
Propriedades medicas. Os banhos
feitos com o cosimento d'esta planta so
anti-hemorrhoidaros. E' tambm ana-
phrodisiaca.
Caracteres da famlia. Hervas com
folhas oppostas, inteiras e sem estipulas;
corolla regular, ordinariamente com cin-
co divises como o clice: preflorao im-
bricada; estames cinco, alternos com as
divises da corolla; ovrio livre, estilete
inteiro ou fendido em dois; estigma sim-
ples ou bilobado ; fructo capsular, unilo-
cular, parecendo algumas vezes bilocular
pela approximao dos bordos das vlvu-
las que se dobram.
Agruap. Nijmphea Nehimbo., Spl.
Nelumhium speciosum., WiUd. Fam.
das Nymieaceas . uma espcie aqu-
tica, vegeta em Santa Cruz e nos pn-
tanos de seus arrabaldes ; suas flores
brancas, seu fructo uma noz.
Propriedades medicas. As folhas sSo
mui empregadas nas erysipelas e no
chamado formigueiro.
Caracteres da famlia. Grandes c
IS
AGU
AHO
bellas plantas que fluctuam superfcie
(las afTuas, c cuja haste forma uma raiz
rastpjanto subterrnea.
As folhas alternas inteiras so cordi-
formes ou orbiculares, sustentadas por
mui compridos peciolos.
As flores so muito crandes, solitrias
e sustentadas por cojnpridissimos pe-
dnculos cylindricos.
O clice formado de um numero va-
rivel, e alpuiias vezes frrandissimo de
sepalas dispostas em varias ordens, de
maneira a representar de algrum modo
xim clice e uma corolla polypetalos.
Os estames so numerosissimos, in-
sertos em diversas ordens abaixo do
ovrio, ou sobre a membrana externa,
que se acha assim coberta pelos estames
e pelas sepalas interiores, que no so
provavelmente mais que estames trans-
formados, o que prova a dilatao gra-
dual dos filamentos, medida que se
observam mais exteriormente.
As antheras so introrsas e de duas
lojas lineares.
O ovrio livre e sessil, dividido in-
teriormente em varias lojas por separa-
es membranosas, sobre as pelliculas
das quaes esto inseridos numerosos
vulos pendentes. O pice do ovrio
cercado de tantos estigmas radiados
quantas lojas tem o ovrio. A reunio
d'estes estigmas forma uma espcie de
disco que circumda o ovrio.
O fructo indehiscente e carnoso in-
teriormente, com varias lojas polysper-
micas.
As sementes tem um tegumento espes-
so algumas vezes desenvolvido em forma
de retculo, contendo iim grosso endos-
perma farinceo ; embryo irregular-
mente globuloso ou napiforme, cuja ra-
dicula est voltada para o hilo.
As BB a,2tfts i 8B aaB a-ss . Tiaridium
medicumi Pison. Hdcotropium indicumi
Linn. Fam. das Borragitieas. Esta
herva, do porte da Crista de gallo, na-
tural da ndia e congnere do Fedegoso
de Pernambuco.
Propriedades medicas. E' um bom
abstergente e modilicntivo das ulceras;
tambm 6 applicada nas queimaduras.
Ag:iiara|toiiila. V. Gervo ou
Orffevo.
\^uva f|iiia. Solaniim olerarcum,
Diviial. Fam. das Solanacras. Tambm
conhecida esta planta por Jeqiiirioba.
Podemos confrontar, mais ou menos,
esta planta com a Juniheha.
Propriedades medicas. E' calmante,
applicada sobre as feridas das pernas
e as radias do bico do seio.
Ai^ias^i <iiBiya-H'u, Solamim
pterocauhim, Dun. Fam. Idem. Planta
congnere da precedente.
Propriedades medicas. E' emoliente,
anodyna e diurtica, applicada em ca-
taplasmas til nas retenes de uri-
nas ; os fructos so teis contra as dores
de dentes.
A^siaiLma. V. Periparoha.
Agr^Kllia do BsmSlo. CUtoria linea-
ris. Fam. das Leguminosas. E' conhe-
cida por este nome nas Alagoas, uma
planta herbcea, trepadeira que alas-
tra ; vegeta pelas capoeiras ; tem o caule
cylindrico, delgado, as folhas em trinos,
ovaes ; as flores brancas, com macula
roixa, imitando uma borboleta ; d uma
vagem estreita e recta, de cr escura,
e que termina em ponta aguada
At-ssig;ssc|i)0 li. Tlialla genicu-
tata, Linn. Fam. dos Amomaceas. Esta
planta do porte do Mer e outras de
igual gnero. A raiz come-se assada.
Propriedades medicas. Pisada em-
prega-se em emplastro, como modifica-
tiva das ulceras.
Ai oia ai. C-rJ-m Ahouai, Linn.
Fam. das Aporgnaceas.Av\ove do Brasil,
de folhas leitosas, fructos redondos ou
trigonos : as nozes d"esta planta servem
AHO
ALC
13
de ornar os cintures que os nossos in-
dgenas trazem, e agitadas fazem gran-
de ruido.
Propriedades medicas. O sueco lei-
toso d'esta planta um forte veneno,
como tambm o de sua congnere Cer-
iera Tkecetia [Linn.) Em dose pequena
produz vmitos ; deitando-se no rio
envenena os peixes.
Caracteres da famlia. As Apocj-
naceas apresentam um aspecto muito
variado. So plantas herbceas, arbusti-
vas ou arvores muito altas, e geral-
mente leitosas.
As follias so simples, oppostas, e
inteiras ; as ires axilares ou termi-
naes, solitrias ou diversamente reu-
nidas. Em cada uma acha-se um clice
gamosepalo, da cinco divises ; uma co-
rolla gamopetala, regular, de uma forma
muito variada, oferecendo s vezes cinco
appendices petaloides , cncavos, que
nascem da garganta da crolla, e se
unem em parte com os estames.
Estes, em numero de cinco, so ora
livres, ora reunidos pelos filetes e pelas
antheras, e formam uma espcie de tubo
que cobre o pistillo e se pega muitas
vezes no pice com o estigma.
As antheras so de duas lojas e o
pollen que encerram pulverulento
n'aquellas cujos estames so livres, e
de massas solidas n'aquellas em que os
estames so unidos; cada massa poUinica
terminada em sua extremidade, por uma
glndula, que se liga com a da massa
pollinica ao lado da qual est collocada.
Dois ovrios livres, applicados sobre
um disco hypogynico, presos pelo lado in-
terno ou somente pelo cimo ; cada um
oferece uma loja que contm um grande
numero de vulos situados em sua su-
tura interna.
Os dois estyletes se soldam s vezes
em um s, e terminam em um estigma
mais ou menos descoide, outras vezes
cylindrico e truncado.
O fructo um foUiculo simples ou
duplo ; raramente 6 carnoso e indes-
hiscente.
As sementes, unidas a um trophos-
perma suturai, so nuas ou cercadas
de um penacho sedoso; ellas contm em
um endosperma carnoso ou crneo ura
embryo recto.
A|i9ii. V. 3Iachaxera.
Ajuilsapla. V. Jahetaint.
AI3:^a*a. Cauna ai/fficslifolia, Zvm.
Fcon. dos Amomaceas. Planta que
tem rhysoma ; seu caule se eleva a uns
2 metros, as folhas largas, como as da
bananeiras so amplexi-caides, flores em
cachos grandes e bonitas; o fructo de
trs gomos, eriado de pontas speras;
sementes pretas esphericas.
As folhas so empregadas como vul-
nerarias, d'onde lhe vem o nome de
Herva dos feridos^ pelo qual vulgar-
mente conhecida.
Os pretos comem a raiz d'esta planta,
diz-se ser maturativa que faz suppurar
tumores. Segundo Pison o nome de
Aliara pertence ao Imheri.
AScifiz SJi*iva>. V. Boi gordo.
Aleaiaa di E9ia"0]jB:-4. Glycir-
rliiza (jlabra^ Linn. e S})1. Fam. das Le-
guminosas E' um arbusto europeo,
cujas folhas so dispostas em palmas
ovaes, d flores que so cr de rosa
roixeada, em cachos; seu fructo uma
baga oblonga comprimida, contendo trs
ou seis sementes: deita uma raiz cylin-
drica, ennegrecida e amarella por den-
tro, tem sabor adocicado.
Propriedades medicas. E' emoli iente
e diurtico, empregado nas molstias
inflammatorias. Internamente em in-
fuso, (10 grammas para 1030 ditas
d'agua.
Aleaiiz Se S. Paulo e Mi-
BS&s. PirioadriOj diilsis., Mart. Fam.
idem. Tem as virtudes do Alcauz
vulgar.
Alcaaz lii terra. QUjcirrMza
14
ALE
ALE
americana. Fam. icm. Esta ospccie
do paiz, mas s ve^rcta espontaneamente
nas Catingas ou nos sertes.
E' um arbusto de 2 a 3 metros de
elevario, mais ou menos ; o tronco en-
grrossa at 12 centmetros mais ou
menos de dimetro, a casca esbran-
quiada, os ramos como articulados de
distancia em distancia, as folhas em
palmas pequenas, o fructo uma
vagem. A raiz c semelhante ao da
Europa no aspecto, cr e gosto. (Fig. 2j.
Propriedades medicas. Idem.
Aleasiforeirt. Croi07t jjericipes,
Si. Hilairc. Croton antysyphiliicus.,
Mart. Fam. das Eiqjhorbiaceas. Arvore
de Minas Geraes.
Propriedades medicas. E' empre-
gada como diurtica, antisyphilitica, e
contra as mordeduras de cobra.
As folhas seccas e pulverisadas pocm-
se nas feridas e as fazem cicatrizar, e
a cataplasma feita das folhas frescas
de proveito nos bubes e tumores bran-
cos.
Alcofiioco. Bowdichia major.,
Mart. Fam. das Legumitiosas. Ar-
vore do paiz, de folhagem mida e de
flores azuladas, tem por fructo um le-
gume com duas ou mais sementes.
Propriedades medicas. A casca
d'esta arvore um pouco amarga e
adstringente, empregada no rheuma-
tismo syphilitico e nas hydropesias.
Alecrint lim^vo.Jlgpericum la-
xiisculum, St. Hil. Fam. das Hyperi-
caceas. Planta agreste do Brasil, co-
nhecida em S. Paulo, Minas Geraes e
Eio Grande do Sul pelo mesmo nome.
E' uma planta de flores em cachos
dispostos nas summidades dos ramos,
de folhas ensiformes.
Propriedades medicas. Emprega-se
contra as mordeduras das cobras, o
cosimento d'estas folhas.
Caracteres da famlia. Plantas
herbceas, arbustos ou arvores muitas
vezes resinosas cheios de glndulas
transparentes, tendo folhas oppostas,
rarssimas vezes alternas, simples, flores
axillares outerminaes, diversamente gru-
padas.
O clice de quatro ou cinco divises
mui profundas, um pouco desiguaes ;
a corolla se compe de quatro a cinco
ptalas, enroladas cm espiral antes de
sua evoluo.
Os estames so muito numerosos,
reunidos em vrios feixes pela base
dos filetes, algumas vezes monadelphos
ou livres.
O ovrio livre, globuloso, sobreposto
por diversos estyletes, s vezes unidos
e soldados em um s : oferece tantas
lojas polyspermicas quantos estyletes.
O fructo uma capsula, ou uma baga
de lojas polyspermicas. No primeiro caso,
ella se abre em tantas vlvulas, adhe-
rentes por suas extremidades dos re-
partimentos, quantas lojas tem.
As sementes numerosssimas e mui
pequenas, contm um embryo homo-
tropo sem endosperma.
Alcfrian lo CttBjio, Lantana
microjihglla, Mart. Fam. das Verhcna-
cias. Esta planta, do porte do Camar,
empregada nos mesmos casos em que
empregado o Ch de Frade.
Alcerint tle jarflBat. Rosmari-
nus officinalis Linii. Fam. das Lahiadas.
Planta indgena da Europa, acclimada
ha muito no Brasil; cresce de 1 a 2
metros em terreno apropriado ; suas
hastes so lenhosas, as folhas estreitas,
com as bordas voltadas para dentro,
verde-escuras e approximadas.
As flores axillares e pequenas, cr de
lyrio, e labiadas : os fructos so peque-
nas capsulas.
Esta planta aromtica medicinal.
Ella presta-se a perfurmar roupas ,
quartos e habitaes empestadas de
miasmas malficos ; serve nos defuma-
dores domsticos, e como ornamento dos
altares, etc, etc.
ALE
ALE
IS
Propriedades medicas. E' excitante,
aromtico e applicado em frices; o
seu leo empreg-ado em varias prepa-
raes pharmaceuticas : entra na com-
posio do vinagre dos sete ladres,
da agua da Rainha da Hungria e da
Agua de Colnia, etc.
Caracteres da famlia. As Lahiaas
formam uma das famlias mais na-
turaes do reino vegetal ; so plantas
herbceas ou arbustivas, cujo caule
quadrangular, com folhas simples e op-
postas.
As flores so grupadas nas axillas das
folhas, em espigas ou cachos ramosos.
O clice gamospalo, tubuloso, de
cinco dentes desiguaes.
A corolla gamopetala, tubulosa e ir-
regular, bilabiada.
Os estames so em numero de quatro
e didynamos ; s vezes os dois mais
curtos abortam.
O ovrio, applicado sobre um disco
hypogynico, profundamente quadrilo-
bado, muito deprimido no centro, d'onde
nasce um estylete simples ao qual se so-
brepe um estigma bifldo; cortado trans-
versalmente, o ovrio oferece quatro
lojas contendo cada uma d'ellas um
ovulo erecto.
O fructo se compe de quatro akenios
monospermicos encerrados no interior
do clice que persistente.
A semente contm um endosperma
carnoso, algumas vezes muito delgado.
Alecrim lo matto. Baccharis
sylveslris. Fam. das Compostas.
Propriedades medicas. Esta planta
aromtica e uzada em banhos como
excitante, nos rheumatismos, e nos
catarrhos, em infuso.
Alecrin la praia le Pernam-
buco. ScMnus arenaria. Fam. das
Cyperaceas . Pequena planta que vegeta
nas areias da praia, eleva seu caule
a 2 K decimetros : muito ornada de
folhas estreitas, luzentes, em cujas
pontas tem um aculeo picante ; d
as flores em uma espiga densa e branca'
seus fructos so pequeas caryopses. Flo-
rece no vero e conserva-se sempre vi-
oso.
Propriedades medicas. E' recom-
mendada a infuso em banhos contra
as aff'eces rheumaticas.
Caracteres da famlia. Vegetaes
herbceos crescendo em geral nos lu-
gares hmidos, e margem das aguas.
O caule ordinariamente triangular,
com alguns ns ou sem elles.
As folhas so invaginantes, e a bainha
inteira e no fendida, as mais das
vezes guarnecidas no orifcio de uma
orlazinha membranosa chamada ligula.
As flores formam espiguetas escamo-
sas, compostas de um numero varivel
de flores ; cada flor consta de uma
s escama, na axilla da qual geral-
mente se acham trs estames, um pis-
tillo formado de um ovrio unilocular
e monospermico, terminado por um es-
tylete simples em sua base, trazendo
em geral trs estigmas filiformes e
felpudos.
Os estames tem o filete capillar ; a
anthera terminada em ponta no pice
cume, bifido somente na base.
O fructo um akenio globuloso com-
primido ou triangular.
O embryo pequeno, collocado em
direco base d'um endosperma fari-
nceo que o cobre por uma membrana
muito delgada.
Alecrim da praia ( de Santa Ca-
tharina). Polygala. Fam. das Poly-
galaceas. Esta planta diff'ere da de
Pernambuco, porm a mesma do Rio
de Janeiro.
Herva de 3 a 6 decimetros de altura,
folhas estreitas, carnosas, de cor verde
azulado ; a inflorescencia se faz no fas-
tgio do caule.
Vegeta beira mar ; o fructo tem a
forma de um corao.
Propriedades medicas. Raizes e fo-
lhas amargas, tnicas e adstringentes.
16
ALE
ALE
Caracteres da famlia. Plnntas
herbceas, ou arbustivas, de foUius al-
ternas, simples e inteiras, de flores soli-
trias, axillares ou em espip^as. Cada
uma se compe de um clice de qua-
tro a cinco spalas, imbricadas lateral-
mente antes do desabrochar da lr, e
duas das quaes, algumas vezes mais
internas, so petaloides e coloridas.
A corolla formada de duas a cinco
ptalas, umas vezes distinctas outras
vezes reunidas por meio dos filetes esta-
minaes, que formam um tubo fendido
de um lado.
Os estames, greralmente em numero de
oito, so monadelphos ; seu androphoro
dividido superiormente em duas pha-
langes, cada uma com quatro antheras
unilocalares, e abrindo-se em geral pelo
pice. Mui raras vezes os estames so
em numero de dois a quatro, e livres.
O ovrio as vezes acompanhado em
sua base de um disco hypogynico e uni-
lateral, ou formado de dois appendices
lateraes e laminosos ; oferece dois, mui
raramente um s ovulo.
O estylete comprido, ordinariamente
curvo, com estigma concavo, bilobado
ou unilateral.
O fructo uma capsula ou uma drupa.
No primeiro caso, de duas lojas
monospermicas, e se abre em duas vl-
vulas septifras ; no segundo caso,
unilocular, monospermico e indehiscente.
As sementes so pendentes, geral-
mente acompanhadas de uma espcie de
caruncula ou de arillo de forma variada.
O embryo ora collocado em um
endosperma carnoso , e ora desprovido
de endosperma.
AleerBBi ele S. Jts. Portulaca
lanuginosa. Faw. das Portulacaceas.
Herva pequena, conhecida por este nome
em Alagoas.
E' rasteira, com folhas midas, carno-
sas, dispostas em cruz ; as flores so
rixas, pequenas e caducas.
O fructo uma capsula polysfermica
e a planta serve de ornamento nos jar-
dins.
Foi achada no telhado da igreja de
S. Jos da Coroa Grande de Pernam-
buco, d'onde se origina seu nome segun-
do a voz popular.
Caracteres da famlia. Plantas her-
bceas, raras vezes arbustivas , tendo
folhas oppostas, algumas vezes alter-
nas, espessas e carnosas, sem estipulas;
flores geralmente terminaes.
O clice em geral formado de duas
sepalas mais ou menos soldadas tor-
nando-se elle por isso tubulado na base.
A corolla se compe de cinco ptalas
livres, ou ligeiramente unidas entre si.
Os estames so do mesmo numero que
as ptalas inseridos em sua base, e lhes
so oppostos ; raramente so mais nu-
merosos.
O ovrio livre ou quasi semi-in-
fero, com uma s loja, contendo um
numero varivel de vulos, nascendo
immediatamente do fundo da loja, ou
presos a um trophosperma central.
O estylete simples terminado por
trs ou cinco estigmas filiformes.
O fructo uma capsula unilocular,
encerrando trs ou varias sementes, e
abrindo-se quer em trs, quer em duas
vlvulas sobrepostas.
As sementes debaixo de seu tegu-
mento prprio, incluem um embryo
cylindrico que enrolado em um en-
dosperma farinceo.
Aleepiai dsi epa'i ou Se Ta-
! 3c a*o. DicMptera, aromtica. Fam.
das Aca^htliaceas . E' um arbustosinho
que vegeta nos taboleiros e nas Ca-
tingas.
E' de pouca elevao, tem o caule
delgado , cylindrico ; folhas pequenas,
crespas, aromticas, ovaes, em feixes e
pelludas ; flores axillares; folhas , pe-
quenas semelhana das do alecrim
de jardim; o fructo uma pequena
capsula.
Propriedades medicas. E' aromti-
ca ; applicada no rheumatismo, em ba-
nhos.
Caracteres de famlia. So hervas
ALF
ALF
17
ou arbustos, de olhas oppostas, de
flores dispostas em espigas, acompanha-
das de bracteas em sua base.
O clice gamospalo, de quatro ou
cinco divises, regulares ou irregulares.
A corolla gamopetala, irregular,
ordinariamente bilabiada, os estames
em numero de dois ou quatro, so di-
dynamos.
O ovrio de duas lojas que contem
dois ou maior numero de vulos ; elle
applicado sobre um disco liypogynico
annullar.
O estylete simples, terminado em
estigma bilobado.
O fructo uma capsula de duas
lojas, algumas vezes monospermicos,
abrindo-se com elasticidade em duas
vlvulas, que levam comsigo cada uma
metade do septo.
As sementes so em gjral sustenta-
das por um podosperma filiforme e
seu embryo, collocado immediatamente
debaixo do tegumento prprio, des-
provido de endosperma e tem geral-
mente a radicula voltada para o lado
do hiio.
AX^-Aec . Lactuca sativa ^ Linn .
Fam. das Co/rti;ote.y. Planta herbcea,
annual, cuja caule ergue-se com folhas
grandes de verde claro obovaes e oblon-
gas ; as fli-es so amarelladas e em
cachos, e formo um capitulo de pel-
los macios e brancos, que voo com o
vento .
Esta planta, cuja ptria ignoro, cul-
tivada em todas as hortas, sendo do
mais trivial conhecimento entre ns.
Propriedades medicas. A agua da
alface frequentemente usadar na me-
dicina como antispasmodico.
Alfaee le eortSeipo. Herva
Benta.
AIfx'aca rava.
110 Par.
-E' a Jahorani
Al&avaca cio eaiinjio.- OmKM?i
incatmecens, Mart.Fam. das LaUadas.
Propriedades medicas. E' sudorifica,
aromtica e empregada nos mesmos ca-
sos do Jaborandi. Faz-se com ella um
xarope bom para o tratamento da coque-
luche na dose de 30 a 40 grammas por
dia.
As folhas fritas em leo e postas nas
verilhas e sobre o pbis, so teis na is-
churia. (Fig. 3.)
Alfavaca e ettelvo. Occinmn
incanum. Occimim fluminense. Vell. Fam.
das LaUadas. Esta planta por este
nome conhecida em Pernambuco, e na
Bahia por Santa Maria. Sua altura re-
gula de 6 a 8 decimetros ; folhas oppos-
tas ovaes e serriadas ; flores em espigas
densas, pequenas, brancas, tocadas de
roixo ; o fructo uma pequena capsula
preta.
Applicam-n'a raramente como adubo.
Propriedades medicas. E' arom-
tica, emprega-se em banhos nos rheu-
matismos.
As sementes applicadas aos olhos, que
tem argueiros, attrahem-nos a si, e faci-
litam a extraco.
Alfavaca de cobra. Monnieria
iri folia AuU. Fam. das Ruaceas.
Esta herva em Pernambuco conhecida
por este nome, mas em outras partes do
Brasil por Jaborandi.
Pequena herva ramosa, suas folhas
trifolioladas, florinhas brancas, midas,
formam um froco de folhinhas no cimo,
um tanto pelludas, e tem aroma, quando
submettidas a compresso.
O fructo uma capsulasinha palheosa.
Propriedaees medicas. A raiz alm
de outros prstimos muito til, na dia-
betis; emprega-se o decocto como sudo-
rfico e diurtico. Tambm aproveita
nas inflamaes de olhos.
Caracteres da famlia. Grande
familia composta de arvores," de ar-
bustos ou de plantas herbceas tendo
folhas oppostas ou alternas commum-
mente cheias de pontos translcidos,
com ou sem estipulas ; flores geral-
5
IS
ALF
ALG
mente hermnpliroditas; mui raras vezes
unisexuaes ; xim clice de, trs a cinco
spnla?, unidas pela base ; corolla de
cinco ptalas, algumas vezes soldadas,
raramente nulla.
Cinco ou dez estames, alguns dos
quaes abortam s vezes c oferecem for-
mas variadas.
O ovrio compe-se de trs a cinco
carpellas, e formando outras tantas ares-
tas mais ou menos salientes.
Cada loja contm quasi sempre dois,
raramente um s, ou grande numero de
vulos inseridos em seu angulo inter-
no, e n'elle formando duas ordens.
Os estyletes so livres ou soldados.
Essas carpellas acham-se em geral ap-
plicadas sobre um disco hypoginico
mais ou menos saliente, e algumas
vezes formam por sua reunio, um
ovrio gynobasico, cujo estylete parece
nascer de uma depresso muito pro-
funda e central.
O fructo ora simples, formando
uma capsula, que se abre em tantas
vlvulas septiferas, quantas lojas tem,
ora, e as mais das vezes, separa-se
em outras tantas cocas ou carpellas,
quasi constantemente monospermicas ,
indehiscentes e as vezes ligeiramente
carnosas ou seccas, e abrindo-se em
duas vlvulas incompletas.
As sementes cujo tegumento prprio
muitas vezes crustceo, se compem
de um endosperma carnoso ou de con-
sistncia crnea, contando um embryo
de radicula superior, raras vezes virada
para o liilo que lateral ; em alguns
casos o embryo desprovido de
endosperma.
Propriedades medicas. Com o sueco
d'ella curam-sc bclidas da crnea; a de-
coo das folhas serve para modificar as
dores de dentes.
AHazeita tia Kiipopa. Zrttvm-
ida spicata. Linn.Fam. 2Vto/i. Planta
cultivada no Brasil, natural do Meio Dia
da Europa, mas conhecida geralmente
entre ns.
E' uma herva de caule estriado, mui
esgalhado ; as flores arrumadas em cir-
cules, e violceas amarellas ; toda a plan-
ta 6 aromtica ; a folhagem mida e os
frutinhos so a semelhana do cuminho
com o qual tem affinidade familiar.
Ella contm um leo voltil, muito
usado nas perfumarias.
Propriedades medicas. E' excitan-
te, empregada principalmente em ba-
nhos.
azestiss. cia teps* oii do
Biatto. HosluTidia Alfazema. Far.
das Lahiadas. E' um sub arbustosinho
esgalhado, de caule quadrado; vegeta
no s nos mattos, como tambm nos ta-
boleiros e nas vargeas ; folhas aromti-
cas, midas e oppostas; flores em ca-
chos formando uma espiga pyramidal,
abastecida de pevides palheosas e miu-
dissimas, de cr roixo violeta; o fructo
excessivamente pequeno.
Propriedades medicas. Serve para
banhos aromticos.
Alfavaca syl%'esi*e. Occimum
sylvestre. Fani. das Lahiadas. V. Al-
favaca de cheiro.
Aliazcina le ea^toclo. Hys-
sojnis crijspainjlla. Fam. das Lahiadas.
E' um dos nomes porque no norte das
Alagoas esta planta conhecida. Tam-
bm a chamam Samhait.
E' um arbusto que cresce at 2 metros,
pouco mais ou '.nenos.
Alga. Algoe. Fam. das nyro])liytas.
As algas so plantas que crescem
ordinariamente nos lugares hmidos,
sobre tudo nas aguas doce e salgada.
Algumas so compostas de vesiculas
isoladas, constituindo cada uma um in-
dividuo isolado e completo. Outras apre-
sentam-se debaixo da forma de utriculos
reunidos, enfiados como as contas de um
rosrio, e encerradas n'uma espcie de
membrana gelatiniforme amorpha.
Outras ainda so filamentos simples
ou ramosos, contnuos ou articulados,
ltegos variados na forma, consistncia
ALG
ALG
19
e cr ou expanses membranosas j
simples, jlobadas.
Algumas tm na base uma espcie de
p ramificado como uma raiz, outras
apresentam rgos repartidos por imi
caule simples ou ramificado, com folhas
alternas. Todas as algas so formadas
de utriculos.
Os rgos da reproduco so varia-
dos ; oi'a so pouco distinctos e consti-
tudos por corpsculos reproductores,
ora os esporulos so contidos nos espo-
ridios, espcies de utriculos reunidos em
grande numero em conceptaculos ocos ou
salientes .
Os esporulos de certas algas quando
sahem dos esporidios, executam movi-
mentos rpidos e variados ; a transi-
o da serie animal que acaba nos infu-
sorios, em que se observam movimen-
tos anlogos, para a serie vegetal, que
comea com estas plantas.
A ordem das algas era antigamente
dividida em duas tribus ; uma d'ellas
formada pelas algas, que crescem na
agua salgada e que se denominam fu-
cus, ou varechs : a outra formada pelas
que vegetam n'agua doce e chamadas
confervas.
A alga vesiculosa, bodelha, sargao ou
botilho vesiculoso ou carvalinho do
mar [Fucus vesimlosus.) Esta planta adhe-
re aos rochedos por um curto pedculo,
que se alarga em uma fronde plana, for-
quilhosa com nervuras dorsaes, provida
de vesculas distribudas por par.
Todas as algas contem em seus tecidos
soda e iodo; aproveitam-se por isso para
d'ellas extrahir estas substancias. As
que o mar arroja em abundncia so-
bre a terra, empregam-se em adubar
as terras.
Algumas espcies so vermfugas, ou-
tras so applicadas nas escrophulas, ou-
tras em que existe vim principio nu-
tritivo, servem de alimento. As confer-
vas que vegetam n'aguadce no tm
applicao conhecida.
Algodo. Qossyphim, Linn. Fam.
das Malcaceas. As folhas so alter-
nas, pecioladas , cordiformes , palmati-
nerviadas, tri ou quinquelobadas, sendo
os lobos gvfflos.
As flores so grandes, vistosas em
forma de taa de cinco lbulos, e no-
tveis por sua corolla de bella cr
amarella ou avermelhada.
Os fructos que vulgarmente so cha-
mados mas , tem a forma de uma
capsula ovide de vrtice ponteagudo,
abrindo-se ao termo de seu amadure-
cimento em 3 ou 4 valvas ( depis-
cencia loculicida) ; cada fructo divi-
dido interiormente em 3 ou 4 compar-
timentos (lojas) por outras tantas fo-
lhetas fseptos), e cada compartimento
ou loja contem 3 a 7 sementes pretas,
ovides, envolvidas por um froco de
filamentos, mais ou menos longos, mui
finos, de cr branca ou arruivascada.
Estes frocos de filamentos tm por
origem uma formao de pellos, ema-
nados do episperma ou tegumento pr-
prio da semente, e constituem a sub-
stancia txtil conhecida pelo nome de
algodo.
O algodo esta poro filamentosa
da semente do algodoeiro ; de todas as
substancias vegetaes de utilidade para
a industria, o algodo incontesta-
velmente o que occupa primeiro lugar.
Se o trigo faz a base da alimen-
tao dos animaes, o algodo faz a
base do trajar.
O algodoeiro c cultivado em todo o
Brasil ; o de Pernambuco era o mais
estimado nas fabricas de Inglaterra, e
mais paizes manufactureiros, no s
pela sua qualidade, finura e tenaci-
dade dos fios, como principalmente pelo
lustre e brilho que possua.
Estes predicados lhe davam muito
merecimento, e valor superior a todos
os algodes importados.
Concorreram para o descrdito d'este
nosso producto os agricultores, pois s
attenderam quantidade na produco
e desprezaram a principal condio : a
qualidade. D'isto resultou o deixar de
ser procurado nos mercados de seu con-
sumo e ser vendido por inferior preo.
Outras occurrencias se deram para
que o algodo do Brasil degenerasse:
o
ALG
ALG
a exportao annunl dos Estados Uni-
dos, que foi enorme em consequncia
de vender-se alli o algodo por preo
muito mais haixo do que o do Brasil,
que chegou a vender-se a 5;9000 IG
kilgr.
Os ltimos acontecimentos dos Es-
tados Unidos paralysaram por alguns
annos as considerveis remessas que
d'alli se faziam de algodo para os
mercados d'Europa ; o do Brasil encon-
trou, pois, novamente um preo extra-
ordinrio, visto como chegou a vender-
se por 32^000 16 kilgr.
O algodo de Pernambuco tem sido
apreciado por sua boa qualidade e
de esperar que brevemente tenhamos de
concorrer sem desvantagem de espcie
alguma nos mercados d'Europa, e isto
porque os nossos agricultores tratam
de aperfeioar todos os dias a cultura e
os processos de preparao e o acondi-
cionamento de seu producto.
Cumpre ao nosso governo concorrer
quanto estiver a seu alcance para a
abertura de boas estradas que facilitem
03 transportes d'este producto, porque
os terrenos apropriados ao plantio do
algodo de Pernambuco distam muitas
dezenas de lguas da cidade do Recife.
Os algodoeiros so geralmente ar-
bustos mais ou menos altos e podem
distinguir-se em duas classes extremas
quanto altura, isto em algodoeiros
arborescentes e em algodoeiros her-
bceos.
A historia botnica dos algodoeiros
apezar dos excellentes trabalhos de Par-
latore ainda no completamente co-
nhecida, podendo fazer-se em geral a
mesma observao relativamente aos
outros vegetaes iiteis submettidos a uma
longa e cuidadosa cultura.
No se conhecem com toda a preciso
as diferentes espcies de algodoeiros
actualmente cultivados em muitos pai-
zes, nem to pouco de modo exacto o
paiz natal de cada espcie ou varie-
dade; pde-se dizer em geral que este
vegetal cresce naturalmente nos paizes
quentes ; mas conseguiram acclima-lo
em muitos paizes temperados, de modo
que a distribuio geographica do algo-
doeiro hoje muito extensa.
No somente elle cresce nos paizes
tropicacs de ambos os hemispherios,
como tambm em regies onde a tem-
peratura desce abaixo de 13 a U". Reau-
mur ou GO a 84" Ealir.
Todavia ha certos paizes onde as cir-
cumstancias climticas temperando os
rigores do inverno, permittem a cultura
do algodoeiro, como acontece naCrima.
O limite da vegetao do algodoeiro
na Europa o 45 de latitude norte,
e como se sabe, elle cultivado em
alguns pontos da Hespanha, e da Si-
clia, etc.
Na sia cultivam-no at Astracam,
na China, e no Japo at 41 de la-
titude norte ; na America do Norte
at uma latitude norte igvial, e na
parte meridional do continente ameri-
cano at 30 de latitude sul no lito-
ral oriental, e at 33 nas costas
occidentaes.
As diversas espcies de algodoeiros
esto distribudas em toda a sia, no
Cabo da Boa-Esperana no Senegal,
nas costas de Guin, na Abyssinia, nas
margens do Niger, do Gambia e do
Zembere, em Serra Leoa e nas Ilhas
do Cabo Verde, na Syria, no Egypto,
em torno do Mediterrneo, na Hespa-
nha, na Siclia, no Brasil, na Colum-
bia, nas Guyannas, Antilhas, em muitos
Estados da Unio Norte Americana,
taes como Virgnia, Luisiana, Ger-
gia, as Carolinas, Alabama, Mariland,
Delaware, e finalmente nas ilhas do
Oceano Indico,
O continente e as ilhas da sia
podem ser considerados como a ptria
do maior numero de espcies e va-
riedades do gnero Gossypium.
A China, as Grandes ndias, o im-
prio do Mogol, os reinos de Siam e
Pegu, Bengala, etc, ainda produzem
hoje immensas quantidades de algodo.
O algodoeiro cresce igualmente na
Prsia, Arbia, Syria, Palestina , sia
menor, Anatlia, Alepo, Smyrna, etc.
Sabe-se com toda a certeza que o
algodoeiro foi cultivado desde tempos
ALG
ALG
SI
immemoriaes na Prsia, na Arbia e
no Egypto.
Herdoto diz que os habitantes da
ndia j de muitos sculos faziam uso
dos tecidos de algodo.
Arriano confirma a narrao do pae
da historia e menciona o nome indico
do algodoeiro, que Taka.
No tempo de Strabo, isto , quatro
sculos e meio depois de Herdoto, o
algodoeiro j era cultivado na entrada
do Golpho Prsico.
Meio sculo mais tarde, Plinio nos
diz que esta planta, denominada gossy-
pion ou xylon, era conhecida no alto
Egypto e na Arbia; Theophrasto
citava entre as produces da ilha de
Taylor, no Golpho Prsico, uma planta
que pela sua descripo o prprio
algodoeiro.
Se os gregos e os romanos no se
apropriaram de uma planta preciosa
que encontraram nos paizes conquis-
tados pelas suas armas, isso foi de-
vido a que esses povos pouco indus-
triosos e pouco versados nas sciencias
naturaes, desdenharam enriquecer os
seus respectivos paizes com uma pro-
duco que lhes oferecia a via do
commercio, ou por pensarem que o
algodoeiro sendo uma planta extica,
no era susceptvel de ser cultivado
em climas menos quentes do que aque-
les onde o acharam.
Os rabes, pelo contrario, com menos
gosto da litteratura e das bellas artes,
excederam aos gregos na arte agricola,
e pelo menos, igualaram aos romanos.
Como quer que seja, os monumentos
da historia, os factos e as provas ainda
existentes attestam que esses povos ,
hoje to atrazados, melhoraram a cul-
tura na Europa, e introduziram em toda
a parte, aonde chegaram, muitas pro-
duces exticas at ento desconhe-
cidas.
O commercio dos tecidos de algodo
remonta igualmente a epocha mui an-
tiga.
Arriano no seu 'priplo do marxle Ery-
thra, refere que os rabes traziam al-
godo da ndia at Adulea no mar Ver-
melho ; que Baygara (hoje Baroche) era
o centro desse commercio.
Masalia (Masulipatum) possuia ento,
segundo esse autor, as mais afamadas
fabricas e as casas de Bengala goza-
vam ento da mesma reputao que hoje.
Foi somente no principio da ra
christ que o commercio dos tecidos de
algodo se estendeu do Oriente para a
Grcia e o Imprio Romano.
No decimo terceiro sculo o Turkes-
tan, fazia com a Crima e a Rssia um
commercio activo em tecidos d'algodo,
e na Armnia se fabricaram esses te-
cidos , cuja matria prima vinha da
Prsia.
O algodoeiro foi introduzido na China
pouco mais ou menos em 1368, epocha
da invaso trtara, no obstante a viva
opposio dos operrios da l e da seda.
Deve-se invaso musulmana a cul-
tura do algodoeiro na Africa, e a fa-
bricao dos tecidos de algodo.
Sabe-se que no decimo terceiro sculo
existiam florescentes fabricas de tecidos
de algodo em Fez e Marrocos , e que
no fim do decimo sexto se importaram
em Londres vrios artefactos de algo-
do fabricados em Benin.
Finalmente as fazendas de algodo
que servem para vestir as naes da
Africa central so fabricadas alli mesmo.
No obstante as asseres contrarias,
se dermos credito ao historiador Solis,
os habitantes da America j usavam de
fazendas de algodo antes da conquista,
e elle cita os presentes enviados ao Rei
de Hespanha, mantos, lenos, tape-
tes, etc, de algodo.
Parece que em alguns pontos do Brasil,
essa industria j era conhecida muito
anteriormente descoberta.
A introduco do algodoeiro na Eu-
ropa remonta ao nono sculo , e sua
cultura foi devida invaso dos sarra-
cenos na Hespanha. Os primeiros al-
godoeiros que se viram na Europa, fo-
ram cultivados nas planicies de Valn-
cia. Crdova, Sevilha e Granada foram
celebres pelas suas fabricas de algodo
no decimo quarto sculo, e Barcelona
j era conhecida no commercio como
ALG
ALG
exportadora de fazendas de algodo
desde o decimo terceiro.
Os mouros no somente introduzi-
ram a cultura d'cssa iitil planta, como
ensinaram os meios de fabricar os
seus diversos prod netos entre os quaes
o do papel de algodo, cuja fabrica-
o elles haviam aprendido em Samar-
canda na stimo sculo.
No decimo quarto j se fabricavam
tecidos de algodo na Itlia, e pen-
sa-se que foi na mesma epocha que
os turcos importaram essa arte na
Albimia e na Macednia.
Veneza e Milo exerceram essa in-
dustria e foram celebres pela fabrica-
o de fazendas mui solidas com o
algodo importado da Syria e da sia
Menor.
Um pouco mais tarde a industria
da fabricao dos tecidos do algodo se
introduzio na Blgica, que em breve se
tornou o emprio d'essa industria e
manteve durante quasi trs sculos a
supremacia commercial.
No comeo do decimo quarto sculo
os venezianos e os genovezes levaram
para Inglaterra alguns fardos de algo-
do, cujo nico emprego no principio
foi o de fazer tecidos. Em 1430 alguns
teceles dos condados de Chester e de
Lancaster comearam a fabricar fus-
toes imitao dos de Flandres e de
Bristol e comearam a importar algo-
do do Levante.
Henrique VIII e Eduardo VI favore-
ceram essa industria, e no meado do
decimo stimo sculo havia em todas
as parochias teares de algodo afim de
occuparem os agricultores durante o
inverno.
No reinado de George III, a indus-
tria do algodo j occupava quarenta
mil pessoas e produzia quinze milhes
de crusados.
A fabricao dos tecidos de algodo
sempre altamente favorecida pelo go-
verno, e sempre em progressivo aper-
feioamento, e que apresentava em 1701
uma exportao de fazendas apenas no
valor de pouco mais ou menos milho
e meio, trs annos depois elevada a mais
de cinco milhes, subio em 1833 a qua-
si 500 millies e occupava os braos
de perto de dois milhes de indiv-
duos.
Em 1786 os Estados Unidos recebe-
ram pela primeira vez e cultivaram
na Gergia o algodoeiro de Bahama
de longas sedas, a que deram o nome
de algodoeiro de ilhas [Sea Island.)
A nova planta prosperou de tal modo
em diversos estados da Unio Americana
que de 170,600 libras exportadas para
Inglaterra em 1791, se elevou em 1839
a 300 milhes de libras. Os tecidos de
algodo fabricados nos Estados da Unio
produziram em 1833 mais de doze mi-
lhes de cruzados.
Tem-se feito muitos ensaios na Eu-
ropa para introduzir a cultura do al-
godo, mas, si exceptuarmos a Hespanha
e a Sicilia, esses ensaios no surtiram
efeito, pelo menos em ponto grande.
No aconteceu o mesmo com a fabrica-
o dos tecidos de algodo, porque essa
industria commum, e mais ou menos
prospera em todas as naes do velho
mundo.
A Frana o segundo paiz da Europa
na ordem da produco do algodo.
Ena 1668 Marseille importou do Le-
vante 400,000 libras de algodo em rama,
e 1,400,000 libras de algodo fiado. Em
1750 a importao foi sete vezes maior.
Muitas cidades so manufactureiras de
tecidos de algodo ; suas fabricas oc-
cupam de 800 a 900,000 pessoas, subindo
o seu valor a mais de 170,000 milhes
de francos.
A industria do algodo hoje se pra-
tica em todas as naes europas, prin-
cipalmente na Blgica, Suissa AUemanha
e Inglaterra.
Os botnicos consideram os diversos
algodoeiros , cultivados ou silvestres ,
como simples variedades de pequeno
numero de espcies ; nem todos esto
porm de accordo quanto ao numero
certo das espcies.
Assim Linneo menciona 5 espcies.
Lamarck 8; de Candolle 13; ao passo
que Rohr admitte 29 , e o Dr. Royle s-
ALG
ALG
SS3
mente 4. Citaremos aqui, unicamente,
as espcies mais importantes:
1." o algodoeiro herbceo ou de Malta
{Gossypium lierhacewm).
2." o algodoeiro arbreo ou arborescente
(Gossypium arboreum).
3. o algodoeiro da ndia [Gossypium in-
dicum).
4." o algodoeiro felpudo (Gossypium Mr-
sutum] .
5. o algodoeiro religioso ou de trs pon-
tas (Gossypiim religiosum) .
6. o algodoeiro folha de videira (Gos-
Sjfimn vitifoliuni) .
Algodo manufacturado. Seria pa-
ra desejar que se encontrassem em
nossa provincia fabricas de tecidos de
algodo, de todos os estabelecimentos
fabris os de maior utilidade e vanta-
gem para o eommercio e agricultura.
J houve aqui uma que infelizmente suc-
cumbio por ter fallecido o seu proprie-
trio ; tentou-se ainda levar a efifeito
outra fabrica de tecidos, mas aterraram
por tal forma os poucos espiritos em-
preliendores, que no teve lugar a asso-
ciao nem de um seitil, de sorte que
nenhuma fabrica temos de fiao ; cons-
ta, porm, que nos sertes da provincia
existem alguns pequenos teares que fa-
bricam diminuta quantidade de tecidos,
os quaes alli mesmo so consumidos, pois
que s exportam d'essas localidades redes
lisas e lavradas.
Em Alagoas e Bahia fabricam o tecido
do algodo, que exportam para as de
mais provncias do Imprio.
O caroo do algodo excessivamente
oleoso, e a industria tem-se aproveitado
d'elle para obter um leo muito prprio
para luz, fabrico de sabes e uso de ma-
chinas, e que tambm empregado na
medicina. O processo de extraco d'este
leo anlogo ao que se pratica com a
mamona.
Propriedades e usos do algodo.
Nas imm.ensas produces do reino ve-
getal, talvez no se encontre uma s que
se possa comparar com o algodoeiro
quanto utilidade.
O homem tem apropriado s suas ne-
cessidades um grande numero de arvo-
res, de arbustos, de plantas alimenticias
ou de ornamento ; existe porm um nu-
mero mui limitado de vegetaes que lhe
forneam matrias para cobrir a sua
nudez. Entre estes, o algodoeiro sem
contestao, o primeiro.
O cnhamo, o linho e outras plantas
txteis lhe fornecem na verdade grandes
recursos para vestir-se e para o exerc-
cio de muitas artes. Mas a casca gom-
mosa d'estas plantas exige, para se trans-
formar em fios teciveis, muitas e diversas
preparaes longas e penosas.
A cultura da seda reclama grandes
cuidados, e muitas manipulaes, para
se converter o seu producto em matria
tecivel. Entretanto o algodo offerece
ao homem uma matria j preparada
pelas mos da natureza e prompta a
transformar-se em tecidos finssimos ou
grosseiros, vontade.
quasi ocioso enumerar a variedade
de tecidos que se fabricam com o algo-
do, porque todos sabem o que so
cassas , fils , morins , panninhos, chi-
tas, madapoles, fustes, veludos, bel-
butinas, pannos ordinrios ou gros-
seiros , linhas , rendas, meias, bons,
etc, etc.
Misturando-o com cnhamo, linho,
l e mesmo pellos dos animaes, fabri-
ca-se uma grande variedade de teci-
dos. Os fabricantes de vellas de sebo,
cera, spermacete, stearina, etc, empre-
gam-no em forma de pavio.
Nas lmpadas domesticas o algodo
empregado tecido de um modo particular
e sem costuras; os alfaiates usam d'elle
em forma de pastas, etc. Admira-se a
finura e a belleza dos pannos e tecidos de
algodo que o eommercio traz da ndia.
Todos conhecem as soberbas chitas,
com as quaes as da Europa no podem
competir. A excellencia d'esses tecidos
attesta a excellencia das preparaes,
quaesquer que ellas sejam, que os fa-
bricantes indianos do ao algodo, e que
ainda no poderam ser imitados pelos
fabricantes dos paizes os mais indus-
triosos.
4
ALG
ALG
As fimosns cassas do Dccara so te-
cidas com ios to delicados, que sete
dobras ou sete pannos no so suffi-
cientes para cobrir a nudez de uma mu-
lher.
De que prrossura devem ser os fios
d'essa cassa, quando at na Europa,
onde no se trabalha n'este gnero com
tanta perfeio, consep:ue-se reduzir os
fios grossura do cabello o mais fino,
de maneira que 500 grammas de algodo
podem dar 162,500 varas de compri-
mento, quasi 21 lguas?!
Do algodo amarello, que se cultiva
principalmente na China e em Siam,
que se fabrica a verdadeira ganga da
ndia.
Da synopse que acima fizemos se con-
clue, quanto os mercados Europeus, que
os Estados Unidos produzem os mais
estimados algodes de longa e curta
seda; segue-se o Egypto, aGuyanaeo
Brasil, comeando por Pernambuco e Pa-
rahyba.
Os algodes de longa seda servem para
confeccionar os tecidos mais finos ; os
de seda curta para os tecidos de finura
mediana ou grosseiros.
O Brasil fornece algodo de longa
seda mui estimado, que se emprega de
ordinrio nos tecidos de valor medocre
que exigem solidez e boas cores.
Os algodes de longa seda da ndia
so prprios para a fabricao dos te-
cidos mais finos; e servem-se dos de
curta seda estes paizes para fabricar
tecidos grosseiros e obras de sirgueiros.
Os algodes de longa seda do Le-
vante tem iguaes empregos, assim como
os de curta seda.
O algodo exportado no anno finan-
ceiro de 1869 a 1870 foi de 639 fardos
e 101,734 saccas com 7,901:298 kilo-
grammos, pagando 362;834P18 de im-
postos.
A importao dos tecidos e outras
manufacturas de algodes pagou de di-
reitos na alfandega d'esta provncia no
mesmo anno financeiro a importncia
de 10,154:927$731 pela forma seguinte :
Gr-Bretanha, 9,461 :783jS!731.
Franca, 631:765?520.
Blgica, 575^(994.
Cidades Hansoaticas, 20:7995434.
Portugal, 4080g884.
Estados-Unidos, 27:115)?167.
Portos do Imprio, 8:807j?00l.
Total 10,154: 927 j?731.
Propriedades medicas. O algodo
emprega-se no curativo das queima-
duras, feridas e erysipelas.
A decoco das folhas e das flores
procurada para dores de dentes, e nas
inflammaes por ellascausadas,na razo
de 16 grammas para 500 grammas
d'agua.
As sementes contuzas so com van-
tagem applicadas sobre os tumores, e
nos abscessos como maturativo, na dose
de 8 grammas.
A infuso das sementes em 500
grammas d'agua, tomada trs vezes ao
dia, muito usada na dysmenorrha.
A raiz diurtica; 16 grammas para
500 grammas d'agua, trs vezes ao dia.
Caracteres da famlia. Esta fam-
lia encerra ao mesmo tempo plantas
herbceas, arbustos e mesmo arvores
de folhas simples, alternas; munidas
de duas estipulas na base.
As flores so solitrias ou diversa-
mente unidas, formando espcies de
espigas.
O clice muitas vezes acompa-
nhado exteriormente de um caliculo
formado de folhinhas variveis em nu-
mero, e diversamente unidas. O clice
gamosepalo com trs ou cinco den-
tes approximados em forma de valvas
antes de desabrochar.
A corolla se compe geralmente de
cinco ptalas alternas com os dentes
do clice, contorneadas em forma de
espiral antes de sua produco, mui-
tas vezes soldadas na base por meio
dos filetes estaminaes, de maneira, que
a corolla cahe como uma s pea e
simula uma corolla gamopetala.
Os estames so geralmente mui nu-
merosos, raramente no mesmo numero
ou em numero duplo das ptalas.
Seus filetes so monadelphos, as an-
ALG
ALG
SS
theras reniformes e constantemente
nniloculares.
O pistillo se compe de varias car-
pellas, ora verticilladas roda d'um
eixo central e mais ou menos soldadas,
ora reunidas numa espcie de capi-
tulo ; essas carpellas so uniloculares,
contendo um, dois ou maior numero
das sementes presas ao seu angulo
interno.
Os estyletes so distinctos ou mais
ou menos unidos, terminados cada um
por um estigma simples.
O fructo apresenta as mesmas mo-
dificaes que os rgos elementares,
quero dizer, que estes esto ora reuni-
dos circularmente roda de um eixo
material, ora agrupados em capitulo,
ora formando por sua solda uma
capsula plurilocular, que se abre em
tantas valvas quantas lojas mono ou
polyspermicas encerra; outras vezes as
carpellas se abrem somente pelo seu
lado interno.
Os gros cujo tegumento prprio
algumas vezes coberto de pellos fel-
pudos, compem-se de um embryo
recto geralmente sem endosperma, ten-
do os cotyledones membranosos do-
brados sobre si mesmos.
AIrolo fios Baixos Suas se-
mentes tm um lado plano, e outro
convexo, e so pretas; ^ l de ba
qualidade, fina e de fio comprido.
Als:o1o s!Pvo. HiUscis iifur-
catus, Will. e Cavan. Fam. as 3Ialva-
ceas. Planta brasileira, do Par, com
o aspecto de quiabeiro, de folhas al-
ternas recortadas; tem espinhos e
flores um tanto grandes, o fructo
uma capsula polyspermica.
Algodo do Brasil. Difere do
algodo felpudo por formarem as se-
mentes uma pyramide mais curta e
mais larga.
Esta espcie cultivada no Brasil, no
ha nem na Guiana, e nem nas Anti-
lhas.
Aljcoilo de Car<lia^eiia.
Distinguem-se duas espcies, de pequenos
frocos, e de grandes ou grossos frocos.
Alg;odo de corao. A semen-
te pequena, coberta de pello curto ; a
l muito fina e muito alva.
Algodo feli^vk.o.Gossyjdum hir-
sutum, Linn. e Cavan.Fam. das Mal-
m-m. Este algodo procede de uma
planta herbcea de % a 1 metro , oriunda
da America Meridional.
Esta espcie se distingue das outras
por seu caule herbceo annuo ou bisan-
nuo ; ramoso, semelhante ao do outro;
as flores amarellas e o fructo d um
capulho que sahe fora da capsula pen-
dendo com um comprimento de 24 cen-
tmetros.
Algodo de folha vermelha.
As sementes so bem cobertas de l,
tem as folhas, os peciolos e as nervuras
das folhas de um vivo vermelho ; a l
muitssimo fina.
Algodo indiano. Sementes
pretas lisas e venosas.
E muito fina a l d'esta espcie, mais
ainda que a da Guyana ; tambm muito
alva.
Algodo da UIartiniea. co-
roado de verde. D o pello, que se acha
sobre a ponta do gro, fresco e verde; o
fio fino, alvo e estimado.
Algodo do mato. Cochlosper-
mum strigoswn. Fani. das Terns tremia-
ceas. um arbusto agreste e indgena,
conhecido por este nome em Pernam-
buco.
E de 2 a 4 % metros de alto, e no porte
assemelha-se ao algodoeiro manso.
Seu caule pouco ramoso e mui ver-
tical ; nodoso e castanho.
As folhas longamente pecioladas so
palmadas, recortadas em cinco pontas,
de verde paleaeco e duras.
As flores em pequenos feixes, so gran-
des, de um bonito amarello cr degemma
6
6
ALG
ALG
d'ovo com forma circular, com um feixe
de tletes amarellos no meio, sem cheiro.
O fructo uma capsula ovide, pa-
leacea, dividida por dentro, c contendo
uma iioro de sementes envoltas em
uma l loura, macia, imitando a seda.
Caracteres da famlia. Arvores ou
arbustos de folhas alternas, sem estipu-
las, muitas vezes coriaceas e persistentes;
de flores algumas vezes grandissimas,
axillares ou terminaes, tendo um clice
formado de cinco sepalas concavas
desiguaes e imbricadas ; uma corolla
composta de cinco ptalas s vezes
soldadas em sua base, e formando uma
corolla gamopetala ; estames numero-
sos muitas vezes reunidos pela base
de seus filetes e ligados com a co-
rolla .
O ovrio livre, sessil, muito ge-
ralmente applicado em um disco hy-
pogynico ; elle dividido em duas
a cinco lojas, contendo cada uma dois
ou maior numero de vulos pendentes
no angulo interno de cada septo.
O numero dos estyletes o mesmo
que o das lojas ; termina cada um por
um estigma simples.
O fructo offerece de duas a cinco
lojas; elle ora coriceo , indehis-
cente, um tanto carnoso interiormente,
outras vezes capsular, abrindo-se por
meio de outras tantas valvas.
As sementes, muitas vezes em nu-
mero de duas somente em cada loja,
tem seu embryo n ou coberto de
um endosperma carnoso frequentes
vezes muito delgado.
Algodo iMussuliua. Ha qua-
tro variedades.
Alliotio niussiilina de Re-
mire. A l grossa e de branco
sujo ou trigueiro.
Algodo ntui^siilioia de semen-
tes grossas ou grandes ; o fio duro
e branco.
Algodo niiissuliiia verane-
llio. O fio fino e encarnado.
Al|odo iiiiissailina da Trin-
daide. O fio c extramente fino, e
de grande alvura.
Algodo de Porto Kieo. A
semente 6 disposta em pyramide ,
alongada e estreita, como a da Guya-
na, tendo demais ser toda coberta de
pello .
Algodo deS. DoBitiiigoii, Co-
roado. A semente oblonga, pouco
densa de pello, l muito fina e muito
alva.
Algodo de S. Tlioinax. Tem a
semente semelhante aos precedentes;
muito estimado, porque sua l muito
fina, alva e mui compridos os fios.
D uma s colheita no anno e cerca de
90 a lO grammas de l.
Algodo de iSaio lranco. Se-
mente lisa, preta, quasi globosa. Rene
de mais as seguintes qualidades : alvu-
ra brilhante, finura, comprimento de fio
e elasticidade. extremamente procu-
rado.
D duas colheitas por anuo, e cerca de
180 grammas de l em cada colheita.
Algodo de !iani e^eiaro e co-
roado. de cr de nankim pallida,
seu fio fino e elstico ; a cultura no
extensa, porque fornece apenas por anno
90 grammas de l por colheita.
Ha outro d'esta mesma espcie, cuja
l amarellada, fina, forte e elstica.
Algodo de Siai li^o, tri-
gueiro. A l muito fina, de cr de
nankin. D por colheita, de l limpa,
cerca de 90 grammas.
Algodo Sorcl vertle. O gro
duro, preto e spero, a l tem partes
verdes, e alguns fios claros semeados se
prolongam do casulo. boa variedade.
D por colheita, de l limpa, cerca de
120 grammas.
Algodo Sorcl ^ersnellio.
ALH
ALH
S7
Confundem-no nas Antilhas como outro;
mas elle distingue-se do precedente pela
cr do caule e por serem as folhas verme-
lhas.
D duas colheitas j)or anno ; a hl
fina e alva, produz em terreno secco e
saibronoso cerca de 210 a 240 grammas.
Allao. Allium sathwn, Linn. Fam.
das Liliaceas. Herva cultivada natural
do meio dia da Europa; cresce natural-
mente na Itlia e na Siclia ; conhecida
por todo o Brasil, e talvez por todo o
Orbe; de pequeno porte, suas folhas
estreitas e planas arrumam-se em molho
na face da terra, deita um caule, na
summidade da qual brotam as flrinhas
"brancas quasi sem cheiro, reunidas em
umbrella; tem no centro o rudimento de
casulosinhos em que se contm as se-
mentinhas pretas ; a raiz d'essa planta
um bulbo, isto , um corpo ovide
composto de partes, (gomos) cuja reu-
nio compe a esphera dita; cada parte
dividida naturalmente por uma tnica
peliculosa e roixa, e a massa do centro
compacta, aquosa, de imi cheiro acti-
vssimo ; revestem-lhe geralmente o ex-
terior uma ou duas membranas delgadas,
finas e brancas.
O alho na economia domestica tem
emprego commum como adubo.
Propriedades medicas. Appl iado
externamente produz uma nflammao
na pelle seguida de ampolas e ulce-
raes ; mstura-se s vezes com cata-
plasmas maturitvas e com sinapismos
para tornal-os mais fortes.
Internamente empregado como ver-
mfugo, recommendado na febre n-
termittente, aras e pedras na bexiga,
escorbuto, cholera e hydropsas.
D-se internamente em dose de duas
a oito grammas em ch, caldos ou
comido cru com po, etc. Externa-
mente administra-se em clysteres co-
sido com leite ou s com agua, contra
as ascardes.
Caracteres da famlia. Plantas de
raiz bulbfera ou fibrosa.
As folhas algumas vezes todas ra-
diosas, so lisas, ou cylindricas e con-
cavas, ou espessas e carnosas. O caule
em geral n; raras vezes tem fo-
lhas.
As flores so ora solitrias e term-
naes, ora em forma de espigas sim-
ples ou cachos ramosos ou sertulas;
so as vezes acompanhadas de uma
espatha que as envolve ' antes do seu
desabotoamento.
O clice colorido e petalide, cons-
titudo por seis spalas distinctas ou
unidas pela sua base, e formando s
vezes um clice tubuloso.
Estas seis sepalas so dispostas em
duas ordens, sendo trs interiores e
trs exteriores.
Os estames em numero de seis, in-
seridos na base das spalas quando
estas so distinctas, ou no alto do
tubo quando ellas so soldadas.
O ovrio de trs lojas, e offerece
trs lados salientes; cada uma d'ellas
contm um numero varivel de vulos
apegados ao angulo interno e dis-
postos em duas sries.
O estylete simples ou nuUo, ter-
minado em um estigma trilobado.
O fructo uma capsula de trs lojas
que se abre em trs valvas septi-
feras no meio de sua face interna.
As sementes so cobertas de um te-
gumento ora preto e crustceo, ora
simplesmente membranoso.
O endosperma carnoso, e encerra
um embryo cylindrico, cuja radicula
est voltada para o hilo ; raramente
este embryo curvo sobre si mesmo.
Aaito grosso die Hcsiiassla.
Allium Scorooprasiim , Linn. Fam.
2^(?w. Planta de Hespanha, cultivada
no paiz ; parece-se com o alho maior ;
as folhas planas, o bulbo maior tam-
bm.
Allio do mato tio eainio.
Maric paludosa., Wild. Cijmra palu-
dosa, Aubl. Familia das Iridaceas.
Tambm chamam Coqueirinho ou alho de
Camjnna em Pernambuco e Alagoas.
28
ALM
ALM
agreste ; nasce com mais frequncia
nos higares charcosos e liumidos.
Herva de 2 % dccimetros de altura
pouco mais ou menos ; sahe da terra
em molho de trs ou quatro folhas as-
cendentes, sulcadas longitudinalmente
e estreitas ; do meio d'essas folhas
sahem uns pequenos caules ou pe-
dnculos, dos quaes brota uma flor
azul, em frn>a de globos, com trs
azas, tendo no fundo um casulo follia-
ceo contendo gros pardos ou pretos ;
no tem aroma ; a raiz como uma
cebolinha, de casca parda, e o miolo
compacto, aromtico, amarello.
Propriedades medicas. Esta planta
empregada contra as escrophulas in-
terna e externamente e tambm contra
as gonorrhas.
Alleluia. 3IiMnia drstica. Fam.
das Compostas. Herva agreste conhe-
cida em Pernambuco por este nome e
nas Alagoas por Camar.
herbcea, cresce de '/ a 1 me-
tro mais ou menos ; suas folhas oppos-
tas, ovaes, crespas, bonitas e aromti-
cas ; as flores em cachos nas pontas
dos ramos so como pequenas belotas
de roixo lyrio ; so muitas florinhas
reunidas em um receptculo commum.
O fructo uma pequena baga co-
berta de pellos palheosos.
Ptopriedades medicas. purgativa
e emmenagoga : sua aco sobre o tero
muito violenta, na dose de 16 gram-
mas para 500 grammas d'agua.
Alntecej^o. a resina da Id-
ear ih a.
Alniece|E:ueiro. Hedwigea balsa-
mifera , Swartz Bursera gumifera ,
Linn,. Fam, das Terehinthaceas . Esta
arvore cresce at a altura de 10 a 14
metros ; vegeta no interior das provn-
cias de Minas Geraes, Bahia, Pernam-
buco, Par e Amazonas.
Pelas incises que se praticam na
sua casca deixa emanar uma substan-
cia resinosa, liquida, transparente,
acre, amarellada, a qual quando se
expe ao ar, se solidifica sob a forma
de stalactitcs de uma cr branco-ama-
rellada, a que do o nome de Incenso
brasileiro.
Esta preciosa resina, diz o professor
Martins, muitas vezes empregada nas
igrejas, em lugar de incenso.
Tambm costumam servir-se d'ella na
preparao de emplastros, como acon-
tece na Europa com o elemi.
Damos a esta resina o nome de In-
censo brasileiro, por ter ella as mesmas
applicaes, que o verdadeiro incenso ou
olibano^ o qual pode ser por ella subs-
titudo em relao ao Brasil.
Propriedades medicas . Emprega-se
interiormente, em emulso ou pilulas,
no tractamento das molstias dos r-
gos da respirao, em que o uso dos
medicamentos balsmicos pode apro-
veitar.
Caracteres da famlia . Arvores
ou arbustos muitas vezes lactescentes
ou resinosos, tendo folhas alternas ge-
ralmente compostas , sem estipulas ;
flores hermaphroditas ou unisexuaes,
pequenas , e em geral dispostas em
cachos ; cada uma d'ella3 apresenta um
clice de trs a cinco sepalas, algu-
mas vezes soldadas pela base, e com o
ovrio, que infero.
A corolla, que falta s vezes, com-
pe-se de um numero de ptalas igual,
aos lobos do clice, regular.
Os estames so commummente de
numero igual, rarissimas vezes duplo
ou qudruplo do das ptalas ; no pri-
meiro caso, elles alternam com as p-
talas.
O pistillo se compe de trs a cinco
carpellas, ora distinctas, ora mais ou
menos unidas entre si, cercadas em sua
base de um disco perigynico e annular;
algumas vezes varias carpellas abortam,
e d'ellas s resta uma, da qual nascem
diversos estyletes- cada carpella de
uma s loja contendo ora um ovulo
situado no pice d'um podosperma fi-
ALM
AMA
S9
liforme, que nasce no fundo da loja,
ora um ovulo deitado, ora dois vulos
deitados ou collateraes.
Os fructos so seccos ou drupaeeos,
contendo ordinariamente uma s se-
mente : esta encerra um embryo des-
provido de endosperma.
AlBBteee^ueiro da beira cl
rio. uma planta que tem virtudes
anti-rheumaticas, e 6 applicada contra
as ulceras.
AlBiieee||:iieiro liravo. Amyris
silvaticus. Fam. das Terehmthaceas.
Arvore resinosa ; folhas alternas, pin-
nadas, impares ; difere essa espcie da
subsequente, em serem menores as fo-
lhas, e o fructo no ser vermelho.
AltiBec?j,-eiro Bititaiso tias Ala-
g:oas. Elaphrium Alagoense. Fam.
idem. Arvore selvtica do Brasil e co-
nhecida nas Alagoas pelo nome acima.
ramosa, folhas distribudas em pal-
mas oppostas e lustrosas, de verde fixo,
flores midas de cr verde esbranquia-
da; a flor estrellada, o fructo pequeno,
rolio subtriangular, com dois caroos
dentro, envoltos em uma massa que se
come.
Esta arvore verte de todas as suas
partes um sueco resinoso, de cheiro
activo ; o sueco do lenho coagula-se e
torna-se resina aromtica.
Propriedades medicas. empregada
no curativo das ulceras, e applicada em
pachos s fontes contra a cephalalgia.
ASsBcecieiro iB&angio tie Per-
iiaitBl)]BCo . Amyris ariibrosijaca ,
WilL Amyris pernamhiicensis , Arr. C.
Fmn. Idem. uma arvore muito se-
melhante precedente; suas folhas em
palmas ovaes e pequenas , tem pouco
brilho ; as flores em cachos e esverdi-
nhadas ; o fructo uma capsula oval,
vermelha, com uma s semente.
Nas Alagoas chamada Almecegiieiro
vermeUio.
AltlBea do Brasil. V. Malvaisco
das Malvaceas.
Alvaeaiia. Planta herbcea de
caule roxeado, de pouca altura, at %
metro, formando um circulo ; as folhas
cordiformes, quasi de 24 centmetros,
repicadas, sem lustre, e de peciolos ma-
culados, alternas; as flores so em feixes
quasi sesseis ; semelham bogaris, na
forma e no cheiro, -porm so menores
e de aroma desagradvel.
A corolla de lobos redondos e im-
bricados , tem um pequeno tubo, branca
com matizes de cr de carne, e zonas
rosadas ; nunca vimos os fructos.
AB!iBuaisa-1>esta. Eucalyptus fer-
mginosa. Fam. das Myrtaceas. Arbusto
agreste por este nome conhecido nas
Alagoas.
um vegetal ramoso desde a base,
de folhagem densa, e altura mediana;
suas folhas so quasi redondas, espes-
sas, oppostas e cobertas de uma lanugem
vermelha no extremo dos ramos, as flo-
res brancas, pequenas como rosinhas, e
em cachos, com algum cheiro ; seus
fructos abortam quasi todos.
Este arbusto primeira vista parece
coberto de ferrugem.
Caracteres da famlia. Arvores ou
arbustos com folhas pontuadas ou glan-
dulosas; flores amarellas ou brancas.
Clice tubuloso com quatro ou cinco
lbulos ; ptalas em numero igual s di-
vises do clice, raras vezes nullas.
Estames em numero duplo, ou ml-
tiplo do das ptalas, inseridos na parte
superior do tubo.
Filetes livres, ou monadelphos, recur-
vados para o centro : carpellas cinco,
raras vezes seis ou quatro, ou menos
ainda, soldadas entre si e com o clice :
estyletes e estigmas soldados : fructo va-
rivel.
Abbbuis.b. Fam. das Afocynaceas .
Planta do paiz c que das incises do
caule e ramos exsuda um sueco leitoso
e branco; a casca levemente amarga,
30
AMA
AME
as folhas cansam prurido no corpo, quan-
do se lhos toca.
Aniai*(^IIo. Omphalobium liUuosuni.
Fam. das Legiiuinosas. Arvore das
mais importantes do Imprio, c natural
das provncias do Norte, especialmente
do Par at Alag-as.
um vegetal bonito, colossal, folha-
gem mida disposta em palmas ; flores
aromticas, em graijdes cachos verticil-
lados, so como pequenos jasmins de um
branco amarellado; d um fructo que
uma vagem pequena, rolia, parda, com
dois ou trs gros vermelhos de cr viva.
Esta arvore uma das mais ricas pro-
duces do solo brasileiro.
Como madeira de construco naval ,
pelo governo do Brasil prohibido o
seu corte sem prvia licena da authori-
dade competente ; e tambm madeira
de construco urbana, e ptima para
marceneria.
de muita durao, no sofre com a
aco do ar ; perde a cr amarella com
o tempo, mas aplainada revive; a ma-
deira da raiz ainda mais bella que
a do tronco, porque oferece o traado
dos mais bonitos veios, e substituo
completamente o mogno.
Aii&arelEo flr fie lgo(9il.
Fam. idem. outra espcie de ama-
rello, cuja madeira de uma cr clara,
mas que facilmente desbota, conhe-
cido dos marceneiros por este nome-
AiBtarello o vBBlaatico. F.
Viatico.
AntarySIis. Amaryllis formosissi-
ma, Liun. Fam. das AmarylUdaceas .
Esta planta natural da America Aus-
tral, mas cultiva-se no Brasil.
Herva de bulbo na raiz, folhas ras-
teiras planas; a flor labiada, de cr
vermelha purpurina aveludada.
Chamam na Europa Lis ou Croix de
Saint Jacqtes^ Lyrio ou Cruz de S. Ja-
come.
Ha o Lyrio de Guernesey Amaryllis
sarmiemis., Linn. e o Lyrio da China
amarollo Amar. aiirca., ctc. O fructo
uma capsula.
Aiitliaiiva iiiRii$<a. Potiroiima ce-
cropice folia., Marl. Fam. das Urti-
caceas. E uma arvore que vegeta no
Amazonas. O seu fructo acido, doce
e mucilaginoso, de sabor aprecivel.
Ha d'olla duas espcies: Poiiroima acii-
mhiala., Mart. e Poiirouma licolor.
Aanliaiiva de vinlto. T'. Am-
batcva mansa.
Aeii. uma parasita do Par
e supponho que o mesmo Tmb de
Pernambuco.
Diz-se que essa planta d as cordas
com que se amarram os feixes de sal-
saparrilha ; suas folhas e o cip pro-
duzem um prurido extraordinrio nos
lbios, quando se pe em contacto com
elles.
Aeaaltira. V. Pindaliiha ou Emhira.
Abss!s9i. F. Imhiseiro ott Imb.
AsaStaia-esaaljo. Aristolochia la-
biosa, Mart. Fam. das AristolocMaceas.
Planta do aspecto do milhomens. Trs
espcies d'ella encontrou Martins : Aris-
tolocJiea rur/teci folia, Aris. theriaca e
Arist. antiliysterica.
Assieixa prea. Prunus paranaen-
sis. Farii. das ftosaceas. uma plan-
ta semelhante Ameixeira da Europa.
Prunus domestica. O fructo preto,
acido e refrigerante.
Anaeixeira ti era*. Ximenia
america?ia, Linn. Fam. das Olacineas.
Esta planta indgena, mas cresce
tambm nas Antilhas ; nas provncias
do Sul conhecida por este mesmo
nome. O fructo de um aroma muito
agradvel.
Arbusto espinhoso de folhas pequenas,
quas redondas, com espinhos na base ;
as flores em forma de roseta, pelludas
e amarelladas ; seu fructo, quando ma--
AME
AME
31
duro de 3 a 6 centmetros de com-
primento, mais ou menos redondo e
cylindrico ; o exterior pelliculoso, ama-
rello, lustroso, e dentro a massa
molle e tem um s caroo.
A de Minas Geraes difere um pouco
nas folhas e na florao. Come-se a
amndoa do caroo.
Caracteres da famlia. Esta pe-
quena familia, formada a custa das
Auranciaceas.
Compe-se de vegetaes lenhosos de
folhas simples, alternas, pecioladas,
6 sem estipulas ; flores pequeninas,
axillares ou terminaes.
Estas oferecem um clice pequeno,
famospalo, persistente, inteiro ou
denteado, tendo muitas vezes muito
crescimento e tornando-se carnoso.
A corolla formada de trs a cinco
ptalas coriaceas, sesseis, valvulares,
soltas ou soldadas pela base.
Estas ptalas so reunidas muitas ve-
zes duas a duas, s separadas no pice.
Os estames geralmente em numero
de dez, alguns dos quaes abortam s
vezes e tem a forma de filamentos
estreis.
Estes estames so immcdiatamente hy-
pogynicos ou sustentados pelas ptalas.
O ovrio livre, imilocular, con-
tendo em geral trez vulos pendentes
do pice de um trophospherma cen-
tral e levantado.
O estylete simples, terminado em
um estigma pequeno e tribolado.
O fructo drupceo, indehiscente,
frequentes vezes coberto pelo clice car-
noso, e contendo uma s semente.
ternas lanceoladas com flores solitrias
ou oppostas, seu fructo uma noz
oval carnosa por fora ; dentro ha outra
nz porosa, deprimida, com uma amn-
doa de cr loura, de casca pellicu-
losa ; branca, oleosa, saborosa, e as
suas amndoas vo s nossas mesas
como boa fructa.
Elias tem um gosto agradvel, doce,
mas no tem cheiro.
O leo contido n'ellas extrahe-se por
meio de expresso.
Propriedades medicas. So nutrien-
tes, emollientes e calmantes, empre-
gadas nas afeces do tubo digestivo,
vias urinarias e rgos respiratrios, nas
inflammaes , espasmos, hemoirtyses ,
gonorrhas , pedras , e catarrhos da
bexiga, etc.
Ordinariamente como amendoada ou
emulso, serve de vehiculo a outros
remdios.
ABBBeaadoa. (da Iiadia). Termi-
nalia [catappa?) Linn. Fam. das Com-
hretaceas. A amendoeira uma ar-
vore oriunda das ndias Orientaes,
elevada e elegante ; tronco vertical,
ramos ou galhos dispostos em vrios
verticillos em umbrella de distancia
em distancia; as folhas ovaes, s ve-
zes obvaes, reflexas, coriaceas, e um
tanto grandes ; as flores em espigas
longas, so midas, maneira de es-
trelinhas; o fructo uma noz, no in-
terior de 3 a 6 centmetros, em forma
de corao por fora tem um tegu-
mento carnoso, roixo, e um pouco
molle ; dentro quasi lenhosa, divi-
Esta se compe de um grosso en- dindo-se em quatro ou cinco loculos
dosperma, carnoso, no qual est con
tido um embryosinho bazilar e homo-
tropo .
Ameiiloia (<laEtii*0|ia). Amy-
(jdalus commmiis^ Linn. Fam. das Ro-
sceas. A fructa que o Brasil importa
com o nome de Amndoa da Europa,
originada de Argel, Mauritnia, c do
meio-dia da Europa.
A planta uma arvore de folhas al-
ou lojas, aonde encerra as sementes.
No boa ao paladar.
Pernambuco talvez fosse a primeira
provncia que a adquirio. Na capital
serve de ornamento nas praas e ruas
da cidade.
Caracteres da famlia. So arvo-
res , arbustos ou fructices , de folhas
oppostas ou alternas, inteiras e sem
estipulas, e com flores hermaphroditas
3S
AMO
AMO
ou polypramns, diversamente dispostas
em espifas axillares ou terminaes.
O clice adlierente pela base com
O ovrio, que infero. Seu limbo,
muitas vezes tubuloso, de quatro ou
cinco divises, e articulado com o pice
do ovrio.
A corolla falta em vrios gneros,
ou se compe de quatro a cinco pta-
las inseridas entre os dentes do clice.
O numero dos estames em geral
duplo das divises calicinaes : entre-
tanto este numero no rigorosa-
mente determinado.
O ovrio de uma s loja contendo
de dois a quatro vulos pendentes de
seu pice.
O estylete mais ou menos compri-
do, terminado em estigma simples.
O fructo constantemente unilocu-
lar, monospermico (por aborto) e inde-
hiscente.
A semente, que pendente, se com-
pe de um episperma que cobre imme-
diatamente o embrjo, e de ordin-
rio uma samara.
AiBteiBdoim. F. Mendohi ou Man-
oU.
AiiiiBfiiiiu. F. Algodoeiro.
AinoiB^el)i. Panicim sincatum^
Linn. Fariudas Graminapeas. Esta plan-
ta das chamadas Capins e congnere
do Capim de planta. Panicum maximum.
Propriedades medicas. emoliente
til contra dores e tenesmos. empre-
gada em banhos, e em decocto inter-
namente.
Amor crescido. Portulacca pi-
losa, Linn. Fam. das Portulacacceas .
uma plantasinha do Par, de caule
molle e torta; as folhas alternas e
finas ; flores purpurinas e pequenas.
O fructo uma capsula pequena.
Propriedades medicas. O sueco
empregado nas inflammaes erysipe-
latosas. Contem muita mucilagem.
Anuor tio Iioaiacns. Hihiscus
mutahilis, Linn. Fam. das Malvaceas.
E originaria da ndia esta planta,
cultivada no Brasil como ornamento.
um arbustosinho, cujo caule sobe
at 2 ou 3 centimetros ; esgalha pouco,
nodoso, e o tronco esbranquiado ;
folhas alternas, sub-cordiformes, an-
gulosas e de um verde desmaiado ;
flores grandes, sem cheiro, de corolla
roscea simples, com os estames for-
mando uma columna no centro.
Depois de meio dia esta flor de cr
de rosa passa a ficar vermelha, sendo
de manh branca; ao meio dia torna
a cr de rosa, e a tarde vermelha ;
d'esta volubilidade que lhe deram o
nome que tem ; mas no sabe-se de
que sexo foi quem a baptisou.
Amor perfeito. Viola incolor,
Linn. Fam. das Violariaceas. uma
planta das mais elegantes da Europa,
em cujo solo nasce espontaneamente;
tambm cultivada nos jardins , apezar
de ser prpria d'aquella regio ; alguma
espcie entre ellas occupa um distincto
lugar nos nossos jardins pela belleza
da flor.
So flores um tanto grandes de cr
violeta , (purpurina) roixa e no centro
amarella e bordada de branco ; tem por
fructo uma capsula pequena.
A principio as folhas so redondas
e depois crescendo ficam compridas ,
com as bordas repicadas.
Esta planta conhecida por violeta
de trs cores ou Herva da Trindade.
Propriedades medicas. usado
como depurativo; a raiz emtica na dose
de duas grammas para 180 grammas de
agua. E' peitoral.
Caracteres da famlia. Hervas ou
fructices de folhas alternas, mui raras
vezes oppostas , munidas de duas es-
tipulas persistentes.
As flores so axillares, pedunculadas.
O clice compe-se de cinco spalas
livres, ou ligeiramente unidas entre si
na base, que se prolonga algumas vezes
AMO
AMO
33
abaixo do ponto de unio, e que so
iguaes ou desiguaes.
A corolla se compe de cinco ptalas
desiguaes, das quaes a inferior se pro-
longa na base em um esporo mais ou
menos alongado; mui raramente a co-
rolla formada de cinco ptalas regu-
lares.
Os estames, em numero de cinco, so
quasi sesseis, approximados ou cont-
guos lateralmente entre si, de dois
loculos, introrsos ; os dois que so col-
locados em direco da ptala inferior
oflferecem bem frequentes vezes um ap-
pendice curvo que nasce de sua parte
dorsal, e se prolonga pelo esporo.
O ovrio globuloso, unilocular, con-
tendo grande numero de vulos ligados
a trs trophospermas parietaes.
O estylete simples, um tanto ge-
niculado na base, entumecido para a
parte superior, que se termina em um
estigma um pouco lateral, e offerecen-
do uma pequena depresso semi-eir-
cular.
O fructo uma capsula unilocular,
abrindo-se em trs valvas, das quaes
cada uma tem um tiopliosperma no
meio da face interna.
As sementes contm um embryo erecto
em um endosperma carnoso.
A.Bura. Morus rubra^ Lmn.
Fam. das XJrticaceas. Fructo ao-reste
indgena do paiz , proveniente da amo-
reira ; arvore media, copada, folhas
oblongas, escuras nas extremidades dos
ramos, reunidas e cotonosas ; flores de
aspecto irregular, em cachos ou em es-
pigas, que se compem de muitas flori-
nhas, com visos de sementes, e dahi
desenvolve-se o fructo ; sendo cada um
composto de uma pellicula roixa (exter-
namente) e flna; dentro uma massa
aquosa, com um ou mais gros; sua
peripheria apresenta algumas proemi-
nncias escamosas, cada uma corres-
pondente a uma semente que envolve
um carocinho f fructo aggregado) cuja
superfcie exterior roixa.
Ha outra branca, por consequncia duas
espcies. Seu sabor acre-doce. v.Vt
Esta arvore uma das que alimentam
o bicho da seda.
Caracteres da famlia. Plantas her-
bceas, arbustos ou grandes arvores al-
gumas vezes lactescentes, de folhas al-
ternas, em geral munidas de estipulas,
tendo flores unisexuaes, mui raras vezes
hermaphroditas, solitrias ou diversa-
mente grupadas, e formando amentilhos
ou reunidas em um invlucro carnoso,
plano ou pyriforme e fechado.
Nas flores masculinas acha-se um c-
lice formado de quatro a cinco sepalas,
ou uma simples escama, no fundo da
qual ellas esto collocadas.
O ovrio livre, de uma s loja, com
um s ovulo pendente, e tendo por cima
quer dois longos estigmas sesseis, quer
um s estigma sustentado por um estylete
mais ou menos longo.
O fructo se compe sempre de um ak-
nio crustceo envolvido pelo clice que
algumas vezes torna-se carnoso ; outras
vezes, o invlucro que encerrava as flores
fmeas, cresce e se desenvolve como na
figueira, na dorstenia, etc.
A semente alm de seu tegumento
prprio, consta de um embryo geral-
mente curvo, muitas vezes encerrado no
interior de um endosperma carnoso, mais
ou menos delgado.
Amoreira la silva. Ruhis bra-
siUensis, MaH. Fam. das Rosceas.
Os fructos gozam das mesmas proprie-
dades que as amoras.
Propriedader medicas. Tomado em
jejum diz-se que aproveita nas dysente-
rias.
Amores. Smithia dormiens ; Smi-
thia sensitiva., AU. Fam. das Legumi-
7iosas. Sub-arbustosinho, ou mesmo
lierva agreste, indgena, e por este
nome conhecida nas Alagoas.
Tem o caule fraco, e to fraco que
ordinariamente se deita sobre outras
plantas ; folhas compostas de pequenos
bliolos .
Flores pequenas quasi solitrias, e
amarellas, de corolla papilionacea.
7
4
ANA
AND
O fructo 6 nma vapem pequena, es-
treita, de bordas onduladas ; as semen-
tes so como as de feijo ; escura
a vagem, e pega-se roupa como car-
rapicho.
Analii. Potalea rcsinifera, Marl.
Fam. das Gentianaceas. E' oriunda
do Par e Rio Negro ; planta resinosa
e amargosa.
Propriedades medicas. O cosimento
das folhas um anti-ophtalmico e re-
solutivo.
Anaiiaz de a^eillta. Bromelia
miiricata, Arr. Cam. Bromelia araias,
Linn. Fam. das Bromeliaceas . Esta
planta indigena semelhante ao Ananaz.
Differe porm ; em lugar das bracteas
em forma de escamas , que tem o
Ananaz manso e o fructo dividido em
bagas distinctas como aquelle, este
tem espinhos pungentes de 6 a 12 cen-
timetros de comprimento, de forma que
preciso muito geito para pegal-o.
Ananaz niaiB^eo. Ananassa sa-
liva., Marl. Bromelia., Ananaz., Lnm.
Fam. idem. Planta indigena do Brasil
e tambm dos paizes quentes da sia,
segundo alguns naturalistas.
Os caracteres d'esta bella planta, mui
semelhante ao AbacacM., que acima fi-
cou descripto vulgar e botanicamente,
no necessitam ser apresentados aqui.
Mostraremos somente as" differenas
mais sensveis que por ventura exis-
tam entre as duas plantas.
O Ananaz differe do AbacacM em ser
um pouco cylindrico, de extremidades
iguaes, sem forma cnica; a cr varia
nas espcies ; a parte carnosa da
fructa mais spera, menos doce, e no
centro o eixo fibroso ; produz menos
renovos que o AbacacM.
Na Europa cultiva-se em grande
escala nas estufas.
Propriedades medicas. O Ananaz
quando maduro empregado como
diurtico e emmenagogo ; e quando
verde como desobstruente e epispasti-
co; pde promover o aborto; segundo
Tvabat o sueco do Ananaz, unido ao leo
de amndoas doces, um bom car-
minativo.
XwAvk-vkfiH- . Anda Gomesii, Anda
brasiliensis , Joahmesia princeps., Vell.
Alenluriles brasiliensis.[?)Fam. das Eu-
phorbiaceas. A esta arvore tambm
chamam Purga do Gentio.
E' arvore agreste, alta, de folhas em
palmas reunidas na ponta dos ramos;
flores em cachos, umas quasi roixas e
outras amarelladas.
O fructo uma capsula de 9 a 12 cen-
timetros de dimetro, redonda, muito
dura, com duas fossetas no pice e uma
na base ; off"erece duas cavidades, dentro
de cada uma das quaes se aloja uma
semente ovide, de 3 centmetros ou
mais : a amndoa oleosa ; tem um te-
gumento pouco espesso semi-corneo ; a
casca venenosa.
Os pescadores indios embebedam com
este fructo os peixes dos rios e tan-
ques.
Propriedades medicas . Internamen-
te se emprega como purgante ; para isto
do-se duas a trs- amndoas, ou com
ellas se prepara uma amendoada; do
leo, oito a vinte e quatro gottas.
Caracteres da famlia. As Euphor-
biaceas so hervas, fructices ou arvores
grandssimas que crescem em geral em
todas as regies do globo; a maior
parte contm um sueco lcteo e muito
irritante.
As folhas commummente alternas, al-
gumas vezes so oppostas, acompanhadas
de estipulas ou no.
As flores so unisexuaes, geralmente
mui pequenas, e oferecem uma inflores-
cencia muito variada.
O clice gamosepalo, de trs, quatro,
cinco ou seis divises profundas, muni-
das interiormente de appendices esca-
mosos e glandulosos.
A corolla falta no maior numero dos
gneros, ou se compe de ptalas ora
distinctas, ora reunidas ; mas esta corolla
AND
AND
3S
no parece formada seno de estames
abortados e estreis.
Nas flores masculinas conta-se um nu-
mero bastante grande de estames.
Mais raramente este numero limi-
tado, ou mesmo cada estame por ser con-
siderado como uma flor masculina (como
se admitte para o gnero Euphorbia) ;
estes estames so livres ou monadelplios.
As flores femininas se compem de um
ovrio livre, sessil ou estipitado, s vezes
acompanhado de um disco hvpoginico.
O ovrio em geral de trs lojas, cada
uma contendo um ou dois vulos sus-
pensos.
Do pice do ovrio nascem trs estyg-
mas, s vezes sesseis e alongados.
O fructo secco ou ligeiramente car-
noso; compe-se de tantas coccas con-
tendo uma ou duas -sementes, quantas
lojas ha no fructo : estas coccas que so
sseas interiormente, se abrem pelo seu
angulo interno e so elsticas ; ellas se
apoiam por seu angulo interno sobre uma
columella central, que muitas vezes per-
siste depois da disperso das sementes.
Estas que so crustceas exteriormen-
te, e apresentam uma pequena caruncula
carnosa na visinhana do ponto de in-
sero, offerecem um endosperma car-
noso no qual est encerrado um embryo
axil e homotropo.
Aiiclaea. V. Capim anaca.
ABtlya-ajBst ou Iiilayia-ass.
Attalea compacta, Mart., Hiimh.^e Bomp.
Fam das Palmeiras . PaJmeira doNorte
do Brasil, conhecida dos habitantes das
regies Amasonicas por Palma almendron,
que quer dizer Amendoeira.
uma palmeira pequena, de folhas se-
melhantes s de mais suas congneres.
O fructo, que d em cachos, fibroso,
com trs ncleos dentro.
Dizem ser semelhante ao Dend; os
indigenas fazem muito uso tambm do
caroo, e at o comem.
Caracteres da famlia. Grande e
bella familia, to notvel pelo porte dos
vegetaes que a compem, como pela or-
ganisao interior de suas diversas par
tes
As palmeiras so de ordinrio grandes
arvores de estipite (espique) cylindrico e
n, coroado em seu pice de um pena-
cho de folhas grandssimas, pecioladas,
persistentes, pinnadas ou compostas de
um numero mais ou menos considervel
de foliolos de forma variada. As flores
so hermaphroditas ou frequentssimas
vezes unisexuaes, dioicas ou polygamas,
formando amentilho, ou um grande ca-
cho, envolvido antes do seu desabrochar
em uma espatha coriacea e s vezes le-
nhosa.
O periantho de seis divises, trs
das quaes internas e trs externas, de
maneira a simular clice e corolla.
Os estames so em numero de seis,
raramente de trs.
O pistillo simples ou formado pela
reunio de trs carpellas distinctas ou
unidas.
Cada carpella off'erece uma s semente.
Tem um estylete terminado por um
estigma mais ou menos alongado.
O fructo as mais das vezes uma
drupa carnosa ou fibrosa, contendo um
caroo sseo muito duro, de uma ou
trs lojas monospermicas.
A semente, alm do seu tegumento
prprio, se compe de um endosperma
carnoso ou cartilaginoso, of'erecendo
algumas vezes uma cavidade central
ou lateral.
O embryo pequenino, cylindrico,
posto horisontalmente em uma pequena
depresso lateral do endosperma.
Aiidira ailsaiarilta. F. Umari.
Antlirababajari. F. Angelim.
Andirolia. Carapa guyanensis,
A%)l. Persoonia, giiareoides, Willd.
Fam. das Meliaceas. Arvores silves-
tres do Brasil, especialmente do Par,
hoje cultivadas em todo o Imprio.
Seu porte o elevado e gracioso ; a
madeira molle.
Folhas compostas de preciolo longo.
As flores so terminaes nos ramos,
G
AND
ANG
(sete ou dez) engastadas em um pe-
dnculo commum : so como angli-
cas amarellas ; de mo cheiro ; outras
so vermelhas e algumas esverdinha-
das.
O fructo d em caixos pequenos ;
uma nz de 15 a 18 centmetros, ro-
lia, renibrme, no pice aguda, e tendo
uma sutura de metade de seu tamanho
na parte convexa ; o tegumento com-
ponente espesso, crneo, de cr ru-
bra viva quando o fructo est maduro,
dentro de uma pellicula purpurina e
rugosa ; d quatro a cinco sementes
ellipticas quasi rolias cinzentas, pre-
sas a essa sutura ; ellas tm um corpo
esbranquiado e frouxo, e aps uma
massa dura, e castanha ; no centro
est a amndoa, branca, e muito oleosa;
esta amndoa comem-n'a mas pur-
gativa quando se excede a conta.
No Par fazem azeite d'esta amn-
doa, que passa por um dos melhores
combustveis, e lhe do muito uso.
Propriedades medicas. Sua casca
muito amarga, e emprega-se em co-
simento como febrfugo e anthelmin-
tico, foito grammas para duzentas
grammas d'agua) .
Externamente o mesmo cosimento
serve para loes nas ulceras.
O leo muito usado quando fresco
em frices contra as inchaes cau-
sadas pelas erysipelas.
Caracteres da famlia. Arvores ou
arbustos de folhas alternas sem estipu-
las, simplices ou compostas ; de flores
quer solitrias e axillares, quer diver-
samente grupadas em espigas ou em
cachos, tendo um clice gamospalo, de
quatro ou cinco divises mais ou menos
profundas.
Uma corolla de quatro a cinco ptalas
valvares.
Estames geralmente em numero du-
plo do das ptalas, raras vezes do mes-
mo numero ou de numero mais consi-
dervel.
Estes estames so sempre monadel-
phos, e seus filetes formam um tubo que
traz as antheras ora no pice, ora na
face interna.
O ovrio insere-se n'um disco hypogy -
nico e annular ; ofterece quatro a cinco
lojas, contendo geralmente dois vulos
collateraes e sobrepostos.
O estylete simples, terminado em um
estigma mais ou menos profundamente
dividido em quatro a cinco lobos.
O fructo , ora secco, ora capsular, c
abre-se em quatro a cinco valvas septi-
feras ; umas vezes carnoso e polposo,
e outras vezes unilocular por aborto.
A semente contm um embryo, al-
gumas vezes envolvido por um endos-
perma delgado ou carnoso, que falta em
outros gneros.
Anloi*ilia. V. TongaTonga.
Aiidreiiiie. V. Camar de cavallo
ou Malmequer grande.
Angrelica [de jardim). Anglica Ar-
changelica^ Litm. e Spl. Fam. das Um-
helliferas. Bella planta da Europa accli-
mada no nosso solo desde tempos im-
memoriaes; herbcea, folhas compridas,
decompostas e estreitas.
As flores desabrocham em um caule
tubuloso, d'onde saem em grupos, as
flores so brancas, corpulentas, de bordos
lancinados e cheiro agradabilssimo.
O seu fructo uma capsula ordinria.
Propriedades medicas. A raiz de
sabor amargo e acre ; usada como t-
nico, sudorfico^ estomachico ; tambm
anti-scorbutica e anti-scrophulosa.
Como excitante, se administra em in-
fuso na dose de 16 grammas para 500
grammas d' agua.
Caracteres da famlia. Uma das
famlias mais naturaes do reino vegetal.
As Umhelliferas so vegetaes herb-
ceos, raras vezes subfructescentes, cujo
caule frequentemente co.
As folhas alternas, invaginantes na
base , geralmente compostas , de um
grandssimo numero de segmentos ou
de foliolos.
ANG
ANG
37
As flores, sempre pequenssimas, bran-
cas ou amarellas, so dispostas em um-
brellas; s vezes acliam-se na base da
umbrella foliolosinhos cuja reunio cons-
tltue o invlucro, e chamam-se invo-
lucellos quando so collocados na base
das umbellulas.
Cada flor se compe de um clice
adherente ao ovrio, que infero, e
cujo limbo inteiro ou apenas den-
teado ; de uma corolla formada de cinco
ptalas mais ou. menos patentes ; de
cinco estames epigynicos alternos com
as ptalas; de um ovrio de duas lojas
contendo cada uma um ovulto deitado,
coroado no pice por um disco epygi-
nico e bilobado ; de dois estjletes, ter-
minado cada um d'elles em um es-
tigmasinho simples.
O fructo um diakenio de forma va-
riadissima, separando-se quando araa-
duresce em dois akenios monospermicos
reunidos entre si por uma columella-
sinlia filiforme.
A semente deitada e contm dentro
de um endosperma bastante grosso um
pequenssimo embryo axil.
Angreliea aiiansa. Guettarda
Anglica^ Mart. Canthium fehrifugtim .
Fam. das Ruhiaceas. Arbusto agreste,
indgena do paiz, habitante do litoral.
de mediana altura, ramoso, po duro,
casca escura, folhas oppostas ovaes e
duras.
Flores em cachos, como anglicas pe-
quenas, amarellas, com algum cheiro.
O fructo uma drupa globosa, pe-
quena, coroada por uma cristasinha cir-
cular no pice, e branca quando madura;
dentro tem duas sementes ; o corpo do
fructo molle, doce, aquoso, e come-
se.
A raiz muito dura e acastanhada.
Propriedades medicas. A raiz um
dos melhores tnicos e febrfugos da
nossa matria medica ; por occasies da
epidemia da febre amarella, a medicina
popular lanou mo d'ella com muita
vantagem, na dose de 10 grammas para
500 grammas d'agua.
Caracteres da famlia. Acham-se
n'esta familia plantas herbceas arbus-
tos e arvores de grandssima altura.
As folhas so oppostas ou verticil-
ladas ; no primeiro caso, ellas ofere-
cem de cada lado uma estypula intra-
peciolar, que muitas vezes se une com
os lados do peciolo, e forma uma
espcie de bainha.
As flores so axillares ou terminaes,
algumas reunidas em capitulo.
O clice adherente pela base com o
ovrio infero, tem o limbo inteiro ou
dividido em quatro ou cinco lobos
mais ou menos profundos e persisten-
tes.
A corolla gamoptala, regular, e
pigynica, de quatro ou cinco lobos.
Os estames so em numero igual ao
dos lobos da corolla e alternos com
elles.
O ovrio infero, terminado por um
estylete simples ou bifido.
Este ovrio apresenta duas, quatro,
cinco ou maior numero de lojas, cada
uma das quaes contm um ou vrios
vulos erectos ou presos ao angulo
interno das lojas.
O fructo muito varivel. Ora com-
pe-se de duas pequenas capsulas mo-
nospermicas e indehiscentes ; ora
carnoso, e encerra dois ncleos mo-
nospermicos ; em certos gneros, uma
capsula de duas, ou mais lojas que
se abrem por outras tantas valvas, ou
um fructo carnoso e indehiscente. Este
fructo sempre coroado no pice pelo
limbo calicinal.
As sementes algumas vezes aladas e
membranosas na beira, contm em um
endosperma duro e carnoso, um em-
bryo axil e recto, ou s vezes collo-
cado de travs relativamente do hilo.
Aisg:elica lo mato. Gentiana
rubra. Fam. das Gentianaceas. Esta
planta natural do paiz, conhecida
em Minas Geraes por este nome.
A raiz mui amarga e um tanto
aromtica.
No Brasil pde substituir a Genciana,
da Europa.
38
ANG
ANG
Aii$;'*^l'i<^**- Aristolochia glandulosa.
AristolocMa trilohata, Willd. Fam. das
ristolochiaceas. Esta planta tem rece-
bido diversos nomes botnicos, e co-
nhecida em Pernambuco pelo nome
dado acima.
uma planta silvestre e trepadeira.
Tem o caule rolio e escuro.
Folhas trilobadas, tambm escuras.
As flores exquisitas, parecem um
jarrinho.
O fructo uma capsula que tem seis
faces ou ngulos, f vulgo gommosj e
dentro muitas sementes.
A raiz tuberosa, rugosa, escura e
de cheiro um tanto activo.
Quasi todas as plantas d'este g-
nero tm mais ou menos as mesmas
propriedades.
Propriedades medicas. A raiz
um poderoso antidoto contra as mor-
deduras das cobras, e muito empre-
gada pela medicina popular contras as
febres intermittentes e perniciosas, na
dose de 16 grammas para 500 gram-
mas d'agua.
Caracteres da famlia. Familia
composta dos dois gneros : Aristolo-
cMa e Azarum.
So plantas herbceas ou fructescen-
tes volveis de folhas alternas e in-
teiras, flores axillares.
O clice regular, de trs divises
valvares, ou irregular, tubuloso, e for-
mando uma linguta ou lbio de for-
mas muito variadas.
Os estames so, em numero de dez
ou doze, inseridos no ovrio, ora livres
6 distinctos, ora unidos intimamente
com o estylete e o estigma, e for-
mando assim uma espcie de mamillo
posto no ajDice do ovrio.
Na partes lateraes, este mamillo
traz as seis antheras que so bilocu-
lares, e no cimo termina em seis l-
bulos que podem ser considerados como
estigmas.
O fructo uma capsula, ou uma
baga de trs ou seis lojas, contendo
.cada uma d'ellas um grandssimo nu-
mero de sementes, encerrando um pe-
queno embryo collocado em um endos-
perma carnoso,
ABa|;;eliiii siiiiiar^foso. Geofjroea
vermfuga, St. Hil. Andira anthetmin-
tica, Marl. Fam. das Legimiinosas.
Arvore oriunda do paiz ; vegeta nas pro-
ximidades do litoral.
copada, de folhagem bonita e lus-
trosa.
As flores em densos cachos, so roi-
xas, de quasi nenhum aroma ; parecem
borboletinhas.
O fructo que um legume drupaceo
verde, ainda quando maduro, asseme-
Iha-se a uma manguinha ; tem um ca-
roo grande relativamente ao fructo ;
a amndoa branca e amarga: o caroo
viscoso.
A madeira d'esta arvore procurada
para as obras internas de construco
urbana e especialmente para assoalhos
e portas; bastante porosa, amarga,
e absorve muita tinta. (Sald. da Gama).
Propriedades medicas. O p do An-
gelim tomado na dose de 5 decigrammas
a 1 Ki gramma com leite considerado
como um excellente vermfugo, em maior
dose obra como drstico enrgico.
Ang-eliiift coco. V. Urarema.
Aiagreliiit tloce. Skolemora per-
namhtcensis .1 Arr. C. Andira vermifuga,
Mart . Fam . das Leguminosas . Arvore
indgena do paiz, a qual no fcil
achar-se nas proximidades do litoral
como a outra, que at se encontra nas ca-
poeiras. Esta espcie s se encontra
nas mattas virgens.
O tronco d'esta arvore inerme, ra-
mos com casca grossa, folhas oppostas.
foliolos ellipticos ; glabros por cima.
As nervuras da face inferior dos fo-
liolos so cr de ferrugem e avelludadas.
As flores paniculadas, e os clices roi-
xos escuros e lanuginosos.
O fructo uma drupa oval com uma
amndoa quasi de 3 centmetros de com-
primento, branco quando fresco, e ama-
ANG
ANG
39
rellado quando scco, de sabor amargo e
acre.
Propriedades medicas. As sementes
so anthelminticas, e teis no curativo
das ulceras ; mas devem ser empregadas
com cautela e com muita prudncia, por
que dadas em alta dose podem causar a
morte,
Internamente 3 decigrammas ?l l %
gramma do p para os menores de trs
a dez annos, em meia chicara de leite,
adoado com assucar.
AnieIiBi pedra. Andira s^ecta-
Mlis^ Sala. Fam. idem. Arvore do
paiz, vegeta nas provncias do sul do
Imprio.
As folhas so compostas, imparipe-
nadas, o peciolo commum um tanto
convexo, expesso, flexvel, coberto de
pellos de pouco mais de 15 centme-
tros de comprimento, poucas vezes
glabro e canaliculado.
Os peciolos parciaes so rgidos e
extremamente curtos.
Os foliolos em numero de onze ou
treze para cada folha so sempre op-
postos com um terminal no maior nu-
mero de casos.
A forma dominante a elliptica,
raras vezes so obovaes, mas sempre
coriaceos, lustrosos e speros no dorso ;
pelludos e de um verde menos intenso ;
a manifesta salincia das nervuras na
pagina inferior de cada foliolo contri-
bue eficazmente para que esta super-
fcie seja rude ao tacto.
Flores rosadas, de cinco dentes, dos
quaes trs so iguaes e mais distinctos,
e dois menores agudos e apenas per-
ceptveis ; a superfcie externa d'este
rgo semeada de pellos inclinados
e deitados longitudinalmente, que com-
municam-lhe um brilho assetinado.
O fructo uma vagem ou drupa,
indehiscente emconospermica ; encerra
uma polpa branca no comestvel.
No interior d'esta massa existe uma
semente (amndoa) que luzidia e
carnosa.
A madeira emprega-se em algumas
obras externas e em todas as internas.
(Fig. 4).
Aitg:eliiii Rosa. Peraltea Ery-
tliryyiofoUu, Sald. Fam. idem.
Esta arvore habita nas provncias do
sul do Imprio : conhecida nos mu-
nicpios de Campos e S. Fidelis por
Folha larga, no municpio neutro por
Mangol e Angelim o-osa, e na Parahyba
do Sul por Catago.
Eleva-se a prumo, depois decresce
tornando-se um pouco curvo.
As folhas so compostas, tiifolioladas
e imparipennadas, os foliolos em nu-
mero de trs cada folha, so vistosos;
dois oppostos e um terminal, de forma
oval e cr verde pouco intensa, so
esbranquiados no dorso onde as nervu-
ras so mais salientes, e pde-se observar
a disposio regular das nervuras
px*incipaes.
As flores so arroxeadas, em panicula
pouco regular.
Clice escuro, amarellado, irregular,
um pouco bojudo na base com cinco
divises desiguaes ; dois dentes so re-
flexos e correspondem maior ptala
da corolla.
Corolla arroxeada e papilionacea, o
estandarte reflexo, ligeiramente un-
guiculado, dobrado transversalmente,
emarginado, inteiro, branco do meio
para a base, esverdinhado no centro,
e violceo em dois teros, da sua su-
perfcie ; o angulo reintrante do pice
tem o seu vrtice no ponto em que
comea a mancha esverdinhada do
limbo da ptala.
As duas azas so igualmente colo-
ridas, obovaes e sustentadas por um
pequeno unguiculo, de alguma consis-
tncia, curvo e lateral.
Pistyllo simples, ovrio livre, depri-
mido um tanto luzidio ; estyllete curvo
e em estigma linear; uma loja e qua-
tro vulos .
O fructo um legume de 24 cent-
metros de comprimento, e de 4 cent-
metros de largura.
As sementes so em numero de trs,
unidas placenta, cada uma por um
40
ANG
ANI
curto podosperma, so curvas, anatro-
pas, e a micropyla corresponde ao lado
concavo.
A amndoa carnosa, adocicada e
comestivel ; e encerra um embryo epis-
permico, cujas cotyledones so planas
e feculentas .
A madeira vermelha, leve, visivel-
mente porosa, de tecido pouco con-
sistente e de um aroma agradvel. E
empregada nas obras internas. (Fig. 5.)
ABig:ieo. Piptadenia colubrina, Bth.
Accia virginalis^ Pohl. Accia An-
ffico, Mart, Fam. idem. Arvore syl-
vestre, originaria do paiz, e habitante
das proximidades das catingas.
Indubitavelmente uma dasbellas ar-
vores que ornam as selvas brasileiras ;
seu porte elevado, tem uma casca par-
da, e folhagem mida, em palminhas ;
ramagem bem disposta, com innume-
ras flores brancas, globosas, pequenas,
e com algum cheiro.
Seus fructos so pequenas vagens
chatas, pardas, de sementes pequeninas.
O Angico do numero das arvores
que perdem as folhas, quasi sempre
entre o outono e o inverno ; os ramos
ficam em completa nudez.
considerada como uma das ma-
deiras melhores de construcco, em-
prega-se ordinariamente para esteios
no s nas obras expostas ao ar, mas
tambm nas internas, na confeco de
navios, e moveis, etc, etc.
Propriedades medicas. A casca do
Angico amarga e adstringente, o
seu cosimento empregado em banhos
contra as leucorrhas, inchaes das
pernas, ulceras, etc.
A tintura feita com as folhas um re-
mdio enrgico nas contuses, talhos, e
dizem que nas commoes cerebraes.
A gomma muito usada e applica-se
nos casos em que costuma-se empre-
gar a gomma arbica, j fazendo-se
solues analepticas, e j trazendo-se
na boca, nas molstias de peito e em
geral contra todos os soffrimentos das
vias respiratrias. (Fig. 6.)
Aiigieo tle Minas. PithecolloUim
gummiferum. Fam. idem.
Propriedades medicas. As mesmas
acima mencionadas.
Angirolva. V. Andiroha ou Gen-
diroha.
Angiiay. Mirospermum, guarani-
cicum. Fam. idem. V. Cahoreha.
Ait@:iiria. F. Melancia.
An ^ ti atura. Evodia febrfuga.
a Larangeira do mato da Bahia e de Ser-
gipe.
Anlan;aBia. V. Aninga-jpari.
Anal fresador. Cissus iinctoria.
Mart. Fam. das Ampelidaceas . usado
na tinturaria; resiste aco dos al-
calis.
Acha-se nas montanhas e plancies
dos sertes.
Anilera cia Inaia. Indigofera
Anil., Li.m.., Sf. e Lamcli. Fam. das Legu-
minosas. Planta originaria das ndias
Orientaes, naturalisada nas Antilhas e
no Brasil.
uma planta herbcea s^iblenhosa,
ramosa, de cr verde esbranquiada e
pelluda.
As folhas so em palmas, de figura
elliptica e compridas.
As flores em cachinhos, midas, ver-
melhas, misturadas de verde.
Os fructos so vagens um tanto cylin-
dricas, curvadas; acabam por uma ponta
aguda ; semente como a do feijo.
Esta planta tem o principio corante
azul, do qual se extrahe o anil do com-
mercio.
Anilei psift le Pmanalmo.
Indigofera pernamlucensis. Fam. idem.
Contam-se 27 espcies de arbustos que
do imia substancia vulgarmente conhe-
cida com o nome de Anil.
A maior parte indgena e prpria dos
climas intertropicaes.
ANI
ANI
41
A situao topograpliica do Brasil
tal que o Anil d natural e espontanea-
mente.
Foi o Anil j um ramo importante de
exportao no Brasil ; a plantao e fa-
brico d'esta substancia corante fez gran-
dssimos progressos em varias provn-
cias, e com especialidade na de Pernam-
buco, no lugar de Beberibe, e na do Rio
de Janeiro, e nas visinhancas de Cabo-
Frio ; e se este ramo de industria to pro-
veitoso e til veio a decair, no deu a
isso occasio nem a m qualidade das
anileiras indgenas do Brasil, nem a des-
peza proveniente da colheita das folhas
e fabrico do Anil em pasta; mas sim a
desgraada e mal entendida cobia dos
lavradores e fabricantes, que, para lhe
augmentarem o pezo lhe juntavam subs-
tancias estranhas diversas, falsificao
que redundou em detrimento d'elles e em
menoscabo do Anil do Brasil,
Conhecem-se em Pernambuco duas es-
pcies d'esta planta que passamos a des-
crever.
Subarbustosinho de 1 % a 2 K. metros,
no mximo; folhas em palmas de um
verde desbotado e embaciado ; flores dis-
postas em cachinhos pyramidaes, pe-
quenas, de cr amarella ou encarnada.
Os fructos pegados em feixes peque-
nos, so vagens de 3 centmetros, ro-
lias curvadas, ponteagudas, com se-
mentes como o feijo.
Eis-aqui a primeira espcie; porm
na segunda d-se o seguinte : baixa,
os ramos so angulosos em sua sum-
midade.
As folhas alternas pinnadns de qua-
tro a seis pares, impares, subovaes,
mucronadas.
Estipulas na base dos pednculos
communs .
Flores de clice campanulado, de
cinco dentes pouco pelludos, estan-
darte revirado para cima, oval, oblongo,
estirado, de cr encarnada do pice
para o centro, azas oblongas auricu-
ladas, vermelhas, carinas de duas p-
talas na base, fendidas no pice, uni-
das em capuz, de bordas vermelhas.
Nove estamos em duas phalanges,
antheras com duas lojas, de 1 a 8.
Estylete recto, e estigma subcapitado.
Estas plantas tem o principio co-
rante azul, nos seus tecidos, que desen-
volve na macerao com ou sem tri-
turao.
Anal dos iiofires.
matto.
V. Amida do
Anima ntenilseca. Maranla aqu-
tica. Fam. das Marantaceas. um.a
planta paraense, do porte das peque-
nas bananeiras, quasi sempre de flores
brilhantes.
AniBig:a. Arum Lenifenm^ Arr.
Cam. Fam. das Araceas. Arbusto
de 2 a 3 metros de comprimento de 6
a 9 centmetros de dimetro, direito
cylindrico, de cr verde acinzentado,
marcado de cicatrizes deixadas pelas
folhas que tem cabido, a substancia
esponjosa, sumarenta, molle.
]S"esta substancia se acham nume-
rosas fibras longitudinaes, compridas,
grossas como a crina da cauda dos
cavallos brancos.
As folhas tem um pouco mais de 36
centmetros de comprimento, e a mesma
largura na base.
Peciolos amplexicaules de % metro
de comprimento, accumulados desde a
base at o meio onde o canal acaba
em um appendice de 6 a 9 centme-
tros; o resto cylindrico.
Flores axillares e solitrias.
Clice e a espatha mais longa, que o
espadice, tem quasi 36 centmetros de
comprimento.
Estames numerosos.
Pericarpo, vrios bagos na base do
espadice.
Esta planta encontra-se em Pernam-
buco abundantemente nos pntanos ,
dos quaes muitos esto quasi cobertos
d'ella.
A substancia do caule da planta
esponjosa e cheia de um tecido acido
que reage sobre os metaes; os cam-
ponezes se servem d'elle para limpar
8
48
ANl
APE
facas, canos de espingardas, e qualquer
metal em estado de oxidao.
O nosso illustrado comprovinciano ,
Dr. Arruda Camar, extraliio d'ellc bom
cordame que o dotado de uma gran-
dssima forca ; as fibras teciveis esto
postas longitudinalmente na polpa, e
n'ella no esto fortementes pegadas ;
separam-se com facilidade pelas opera-
es do debulho e da lavagem.
PROPmEDADES MEDICAS. O succo d'esta
planta acre e empregado como mon-
dificativo das ulceras atonicas.
Usa-se em cataplasmas macliucando-
se as folhas.
O cosimento feito com 30 grammas
de folhas para 500 grammas d'agua em
banhos ou fomentaes til nas dores
rheumaticas ; 3 decigrammas a 1 1/2
gramma de raiz de Atiinga secca tem
dado bons resultados no hydrothorax.
AsBBiga l'a|::ua. Calattim Sfi-
nescens. Fam. idem. Planta de aspe-
cto semelhante ao Tmhoro, ou Taioba.
Propriedades medicas. As folhas
d'esta planta so com proveito appli-
cadas nas ulceras grangrenosas ; as
sementes cosidas ou assadas, comem-se.
Aiiis;a-il>a. V. Aninga.
AniiiM:a-|>ag*i. Melastoma parvi-
flora, Lamck. Couciuea. (?) Fam.das Me-
lastomaceas. Arbustosinho de folhas op-
postas, ellipticas, flores cr de rosa e
que tem por fructo uma capsula de
muitas sementes midas.
Propriedades medicas, As folhas
seccas e pulverisadas so teis no cu-
rativo das ulceras ; tambm frescas e
pisadas applicam-se para o mesmo
fim.
Caracteres da famlia. As Melas-
tomaceas so grandes arvores, arbus-
tos , fructices ou plantas herbceas ,
tendo folhas oppostas, simples, muni-
das geralmente de trs a cinco, e mesmo
at de onze nervuras basilares, donde
parte um grandssimo numero de outras
nervuras transversaes e parallelas muito
approximadas.
As flores, algumas vezes mui grandes,
oferecem de alguma maneira todos os
modos de inflorescencia.
O clice gamosepalo, mais ou menos
adherente ao ovrio, que infero ou
semi-infero.
Seu limbo as vezes inteiro ou den-
teado, ou emflm de quatro ou cinco di-
vises mais ou menos profundas; rars-
simas vezes elle forma uma espcie de
capsula ou operculo.
A corolla se compe de quatro a cinco
ptalas.
Os estames so em numero duplo das
ptalas.
Suas antheras apresentam as formas
mais variadas e mais singulares, e se
abrem no pice por um orifcio ou poro
commun s duas lojas.
O ovrio algumas vezes livre, fre-
quentssimas vezes adherente ao clice;
elle of'erece de trs a oito lojas cada
uma contendo um grandssimo numero
de ovulas.
O pice do ovrio muitas vezes co-
berto de um disco epigynico.
O estylete e o estigma so simples.
O fructo ora secco, ora carnoso, ofe-
recendo o mesmo numero de lojas que
o ovrio ; fica indehiscente, ou se abre
em outras tantas valvas septiferas no
meio da face interna.
As sementes so reniformes e contm
um embryo levantado ou ligeiramente
curvo ; mas sem endosperma.
Aiin^a-iiva. PMloenrou arho-
recens. Fam. das Araceas.
Propriedades medicas. As mesmas
que as da Aninga.
Anua VitvUx. Cayaponea globoza.
em Minas a purga de Carij.
Aperta Ruo. Pifer aduncum,
Vell.Fam. das Piperaceas.
AKA
ARA
43
Propriedades MEDICAS, Como ads-
tringente muito empregado em banhos.
Internamente obra tambm como
desobstruente.
Apog-itag:oai*a. EsemhecMa in-
ter media ^ Mart. Fam. das Rutaceas.
S. Paulo.
Propriedades medicas. A casca
d'esta planta anti-febril-
Aposteineira. Furnera fostida.
Fam. das Tumeraceas. Esta espcie
do Maranho.
Propriedades medicas. empre-
gada para apressar a suppurao dos
tumores.
Apotiacoraoa Fam. das Eu^phor-
biaceas. uma planta do Par.
Ha duas espcies.
Propriedades medicas. Uma em-
pregada na tosse aecca, outra nas in-
flammaes de olhos.
Apoya ? a PsycTiotria emtica no
Espirito Santo.
Apuy. FicHs. Fam,. das Urticaceas.
Planta do Par.
Propriedades medicas. O sueco lei-
toso e as folhas so empregadas como
calmante.
Arai. Psidmm Ara, Psydium po-
miferum, Linn. Fam. das Myrtaceas.
Na Bahia este ara chamado Ara-
mirim.
E em todo o Imprio conhecida esta
fructa, e existe em todo o seu terreno
com este mesmo nome.
Provm de um arbusto mdio, de
casca liza, esbranquiada, folhas oppos-
tas ovaes, quasi redondas, grossas, um
tanto pelludas, com cheiro quando com-
primidas.
As flores so reunidas em pequeno
numero brancas, com algum cheiro ;
e como uma rosap equenasingela com
um feixe de filetes, brancos no centro
no p da flor ha um engrossamento;
verde com o cimo dividido em cinco
1 aminas ; ahi se desenvolve o fructo
que oval, amarello quando maduro,
coroado de cinco palhetinhas, contendo
muitos gros reniformes, envoltos em
uma polpa acre-doee.
O Ara til nas artes, onde os
grelos servem para a preparao de
tintas. Com elle faz-se gela , doce ,
aguardente e licores.
Propriedades medicas. Na medicina
popular empregam-se as cascas, as
summidades e tambm as folhas como
poderoso adstringente na dose de 16
grammas para 500 grammas d' agua.
Ara bravo. Angofora pseiido-
carpa. Fam. idem. um arbusto de
nosso paiz, de caule liso esbranquiado,
folhas oppostas ; flores em espigas ;
corolla branca de quatro ptalas ; es-
tames numerosos ; antheras de duas
lojas redondas ; estyletes simplices.
O fructo, baga ovide trilocular, mo-
nospermica, contm muitos gros re-
niformes com polpa doce.
A madeira d'esse arbusto procurada
para encaibramento de nossas casas, e
para estacas de cercas; eilas so do-
tadas de uma durao enorme.
As variedades de Aras produzem
fructos comestveis, insignes pela sua
matria saccharina e pela unio da
mucilagem com o principio adstrin-
gente, o que os torna nutritivos e
corroborantes dos intestinos.
Ara do rasn|io. Psydiim me-
diterraneufii. Far. idem. um ara-
aseiro que em Sergipe tem este nome,
e nas Alagoas o de Ara do mato e tam-
bm Cumati, designao porque tambm
o conhecem em Pernambuco. Para o
sul de Sergipe do-lhe o mesmo no-
me.
O arbusto mais elevado que o Ara
mirim ; no mais o mesmo excepto a
fructa, que menor, mais doce e de cr
44
ARA
ARA
pallida; verde amarellada; suas flores
so brancas e cheirosas ; folhas midas.
Ara cago. Psydmm. Fam.
idem. Fructo agreste e tambm culti-
vado na Bahia por tal nome, e em Per-
nambuco comprehendido na espcie de
Ara ass, porque elle semelhante a
este, diferindo somente em ter a base
mais despontada e ser menor.
Todos os Aras possuem a propriedade
de ser mais ou menos adstringentes.
Ara dasai Catinga. Psyium^
Fam. idem. Esta espcie, indgena,
tambm semelhante precedente, mas
distingue-se porque o fructo quando ma-
duro, torna-se amarello cr de gemma
d'ovo; as folhas midas e lanceoladas,
o fructo muito doce.
Ara Coiigonlia do campo.
Psydiuu suaveolens^ St. Hil. Fam. idem.
outra espcie de Ara que d nas
mattas de Minas Geraes, com o nome de
Congonha do campo f?) ; differena-se em
ter as folhas mais longas que o ordinrio.
As flores so solitrias e cheirosas.
O fructo pequeno, como o do Ara
mirim., at menor.
Tem unicamente trs sementes dentro.
A cr do fructo amarella.
Ara gtia. F. Goiala.
Ara lo iiiatto. F. Ara do
Campo.
Ara mirim. F. Ara.
Ara de Alanas Geraes.
Psydium alhidurn.. St. Hil. Fam. idem.
C. idem. Esta espcie nasce em
S. Joo d'El-Rei, em Minas; tem as
folhas mais pelludas, ellipticas ovaes,
e reviradas.
As flores so solitrias, e os fructos
ovaes, esbranquiados, pelludos.
Fructifica em Maro e Junho.
Ara de Illnas Geraes. Psy-
dium, incanescens , Mart. Fam. idem.
esfoutra espcie do mesmo lugar
S. Joo d'El-Rei.
um arbusto de folhas oppostas
como as outras, ovaes, reviradas, quasi
sem peciolo.
O fructo quando novo obovoide.
Flores no vimos.
Ara de Alinas Geraes. Py-
dium microcarpum., St. Hil. Fam. idem.
Esfoutra espcie do mesmo lugar
acima dito, um arbusto mui seme-
lhante ao precedente.
O fructo globoso, de gosto agrad-
vel ; de cr verde, ainda quando ma-
duro.
Segundo St. Hilaire maior que os
outros.
Ara de Minas Geraes. Psy-
dium cuneatum., St. Hil. Fam. idem.
Este Ara do mesmo lugar que os
outros, e d'elles pouco differe ; suas
folhas porm so mais oblongas, e o
fructo pyriforme, liso e de gosto agra-
dvel .
Ara de pedra. Psydium oli-
gospermum, Mart. Fam. idem. Este
Ara., assim chamado na Bahia,
semelhantssimo no arbusto do Ara-
mirim ou ordinrio ; mas o fructo ordi-
nariamente mais redondo, e com a
superfcie ondulada, muitas vezes com
um ponto lateral preto, indicando putre-
faco ; tem um caroo grande, ondu-
lado ; oferece pouca polpa, mas essa
mais doce que a do ordinrio.
Ara da praia. Psydium litto-
rale., Raddi. Fam. idem. Arbusto de
Minas.
Este Ara muito semelhante ao
Ara ordinrio.
Vegeta na cidade de Mariana, em
Minas Geraes, e S. Paulo.
Ara de S. Vsknlo. Psydium,
multiflorum. St. Hil. Fam. idem.
Esta espcie cresce na provncia de
S. Paulo.
um arbusto de folhas ellipticas,
ARA
ARA
4S
pubescentes ; flores em cachos ; fructo
no examinado.
Ara-rania. arvore que nasce
pelas margens dos rios, no Par; suas
raizes servem de alimento s tarta-
rugas.
AraziMlio do mato. Dama
fragrans. Fam. das Melastomaceas.
um arbusto elegante, e indgena do
paiz, conhecido nas Alagoas por este
nome.
ramoso, casca fina, folhas ovaes,
lisas e oppostas.
Flores em feixes, por todas as par-
tes da planta, as quaes so brancas e
mui cheirosas.
O fructo uma baga globosa, coberta
de uma pellicula e contm dentro
uma polpa aquosa, com muitos grosi-
nhos na parte central.
Come-se esta polpa, que boa.
Quando est florida, esta planta
derrama pelas suas visinhanas um
bello aroma.
AraitziiEio ou\.va^\ tio anato.
Psydium. Fam. idem. um ar-
busto, ou arvoreta, conhecida em Per-
nambuco por tal nome.
A sua casca cinzenta lisa, a fo-
lhagem mida, as flores pequenas e
brancas .
A madeira dura, excellente para
estacas, esteios, carvo, e lenha.
Aracui. V. Arari. E o nome
que se d ao Angelim em varias pro-
vncias.
AraraiiiBi. F. Curatatina.
Arapabaca. F. Lomhrigueira.
Arapiraca. uma arvore de
Sergipe, de lenho indestructivel .
Arapoca aiiiarella ou Giira-
taiapoca. Gali-^ea dicioma. Fam.
das Rutaceas. Arvore que vegeta nas
provncias do sul do Imprio.
Suas folhas so simples e alternas,
vistosas e de forma varivel ou inde-
terminada, oblongas, algumas obovaes
oblongas, e um tanto coriaceas.
As flores de grandeza regular.
O fructo uma pequena capsula co-
riacea, com cinco depresses e cinco
lojas.
A madeira branca, com um ligeiro
brilho assetinado, e o tecido frouxo,
o seu emprego muito limitado ;
apenas procurado como elemento as-
sas secundrio em algumas obras in-
ternas, que no exigem maior solidez,
ou que so creadas para satisfazer ne-
cessidades de momento. (Fig. 1.)
Arariba. F. Raivinha.
Araroba. Fam. das Leguminosas.
O p d'esta planta muito usado
na arte de tinturaria, e o mesmo p
empregado nas molstias herpeticas,
friccionando-se a pelle.
Araruta. Maranta arundinacea ,
Li/m. e Willd. Fam. das Maraiitaceas .
uma herva oriunda do paiz, conhecida
em todo o Imprio por tal nome.
A Araruta (farinha) uma fcula extra-
hida das raizes d'esta planta.
As folhas da planta so estreitas,
oblongas , engastadas n'um pequeno
caule.
As flores brancas, semelhana de
borboletinhas.
O fructo uma capsula com alguns
gros.
, como j dissemos, da raiz, que se
extrahe a fcula, a Araruta do commer-
cio prpria para uso dos doentes, conva-
lescentes, etc.
Tambm presta-se para engommar a
roupa.
Araticiaiit ap ou do mato.
Anona silvatica, St. Hil. Fam. das Ano-
naceas. Arvoreta silvestre; seu nome
quasi geral.
Tem o po branco e a casca escura,
folhas alternas grandes e ellipticas.
Flores carnosas, desmaiadas, como a
flor do Araticmn j}anan e outros.
46
ARA
ARA
O fructo lima baga globulosa, cuja
superfcie composta de escamas acha-
tadas, molles, de cr verde, amarellado
na maturidade ; dentro composto de
bagos de massa branca, com um caroo
cada uma ; muito boa ao paladar.
A casca d excellente corda, cuja du-
rao admirvel.
Propriedades medicas. As folhas e
fructos do Aratzcum so bechicos: 2gram-
mas do fructo fervido em 250 grammas
d'agua tomado s chicaras, um excel-
lente remdio na diarrhae dysenteria.
Usam-se tambm em clysteres, e ap-
plicam-se as folhas sobre o ventre.
As folhas pisadas e misturadas com
leo so maturativas.
Dos fructos se pode extrahir vinho.
Caracteres da famlia. As Anona-
ceas so arvores ou arbustos de folhas
alternas simples, desprovidas ' de esti-
pulas, caracter que as distingue sobre
tudo das Magnoliaceas.
As flores ordinariamente axillares, so
algumas vezes terminaes.
O clice persistente de trs divises
profvmdas. A corolla formada de seis
ptalas dispostas em duas ordens.
Os estames so muito numerosos, for-
mando varias fileiras.
Os filetes curtos, e as antheras quasi
sesseis.
As carpellas, em geral, em grande nu-
mero reunidas no centro da flor, so ora
distinctas, ora soldadas entre si ; cada
uma d'ellas oferece somente uma loja
que contem um, ou diversos vulos li-
gados sua sutura interna e formando
muitas vezes duas fileiras longitudi-
naes.
Estas carpellas constituem outros
tantos fructos distinctos (raras vezes
um s em consequncia de abortarem
os outros ; s vezes elles se pegam
todos entre si, e formam uma espcie
de cone carnoso e escamoso.
As sementes tm seu tegumento for-
mado de duas laminas.
O endosperma, em forma de chifre
profundamente sulcado, contendo um
pequeno embryo recto, collocado na
base do perisperma.
Araticunt l'ara. Anona are-
naria. Fam. idem. E uma espcie
semelhante s outras ; arbusto ramo-
so ; casca lisa, esbranquiada, folhas
grossas oblongas : d flores caulinares
como as das outras espcies j des-
criptas.
O fructo tem as proeminncias da
casca, pouco sensveis.
As sementes so pretas, o eixo cen-
tral occupa grande espao.
Do po fazem-se arcos de barril, e
da casca cordas.
Araticiiiii do lirejo. V. Ara-
ticwm panan ou do rio.
AratieiB lo canapo. Anona
cornifolia., St. Hil. Fam. idem. Esta
espcie vegeta nos sertes do Rio de
S. Francisco, S. Paulo, Minas Ge-
raes, etc.
Semelhante s suas congneres, tem
comtudo, as flores um tanto pelludas.
O fructo escamoso, globoso ou
oval.
Tambm conhecida esta espcie por
Araticum das Caatingas.
Ars^tieiBiii cag;o. Anona furfu-
racea, St. Hil. Fam. idem. O tronco
d'esta espcie esgalha quasi sempre,
desde a base formando uma touceira.
As folhas oblongas, cobrem-se mui-
tas vezes de uma poeira esbranquiada
e tem mo cheiro.
A flor e o fucto nas mesmas con-
dies ; mas as sementes so amarei-
las.
A amndoa, pisada com aguardente,
mata os piolhos da cabea ; o cheiro
da fructa bom.
Tambm d corda e madeira para
arcos de barril.
Araiieiiii iiaisan. Anona paliS'
ris, Linn. Fam. Idem. Esta esp-
cie cresce nos paes e brejos. E' ra-
mosa ; as folhas menores do que as j
citadas ; e as flores tambm.
ARC
ARG
4f
O fructo uma baga ; tem sementes
de um vermelho escuro, e no se come.
A raiz tem o lenho frouxo, serve de
cortia, muito porosa, ptima para
afiadores de navalhas, para rolhas, etc.
Araticiini ponli. Anona Marc-
gravii, Mart. Fam. Idem. Este Arati-
cvm tem as mesmas qualidades do
Araticum do mato^ cultivado.
i%rafticiiii& cio rio. Anona syi-
nescens, Mart Fam. Idem. Tem as
mesmas propriedades dos outros ; mas
seu fructo mais empregado em cata-
plasmas para limpar as ilceras, e ama-
durecer os abscessos.
As sementes em. p, combatem a
ptiriasis infantilis, isto , o Mclio su-
Xierficial., polvilhando-se a parte afec-
tada.
Araticiiiit (le Santa Catlaari-
na. RoUinia salicifolia. Fam. Idem.
Tem os caractersticos das outras
espcies.
ArcaiBaan. Bigno7iia ecMnata., Jacq.
e Swart. Fam. das Bignoniaceas. Ar-
busto natural do paiz, por este nome
nas Alagoas conhecido, e tambm por
Arraia do mato.
uma planta trepadeira, que sobe
galgando as mais altas arvores.
Os caules so lenhosos ; seus ramos
so cruzados ; folhas brilhantes e ovaes.
As flores de cr rsea viva.
O fructo uma capsula lenhosa de
quasi 24 centmetros de comprimento,
e 10 centmetros de largura, de cr
parda, ssea ; a sua superflcie eriada,
de protuberncias cnicas agudas ; den-
tro forma uma pellicula branca asse-
tinada, com uma diviso no centro e
cheia de muitas sementes cercadas de
azas membranosas.
uma das bellezas do campo este
arbusto ; porque do alto dos cimos das-
arvores pendem seus festes de flores
cr de rosa com seus exquisitos fructos.
Caracteres da famlia. So arvo-
res, arbustos, ou rarssimas vezes plan-
tas herbceas, cujo caule muitas
\ezes sarmentoso; guarnecido de ga-
vinhas.
As folhas ordinariamente oppostas
ou ternadas, so raramente alternas,
as mais das vezes compostas.
As flores, que so terminaes ou axil-
lares, diversamente grupadas.
Tem um clice gamosepalo, frequen-
tes vezes persistente e de cinco lobos.
Uma corolla gamopetala, mais ou
menos irregular e de cinco divises.
Frequentssimas vezes quatro esta-
mes didynamos, acompanhados de um
filete estril, que o indicio de um
quinto estame abortado ; em alguns g-
neros, os cinco estames so iguaes ou
dois somente so frteis.
O ovrio sustentado por um disco
hypoginico apresenta uma ou duas lojas
contendo ordinariamente vrios vu-
los.
O estylete simples termina por um
estigma bfido.
O fructo uma capsula de uma
duas lojas, que se abre por duas val-
vas oppostas ou parallelas ao caule;
raras vezes o fructo carnoso, ou duro
e indehiscente.
As sementes, muitas vezes cercadas
de uma aza membranosa em todo o
seu contorno, encerram debaixo do te-
gumento prprio um embryo erecto,
desprovido de endosperma.
Argemouia. Argemotie mexicana.
Linn. Fam. das Pa^paveraceas. uma
planta herbcea, natural do Mxico e
do Brasil, cujo porte semelhantssimo
ao nosso Cardo-Santo de Pernambuco.
Propriedades medicas. Os nossos
indgenas, empregam as folhas da Ar-
gemonia no curativo das ulceras, sobre-
tudo syphiliticas.
O leo considerado purgativo como
o de rcino, bastando trinta gottas
para o efeito cathartico, que se ma-
nifesta cinco horas depois da ingesto
do remdio.
O sueco antiherpetico, e o cosi-
48
ARG
ARO
meuto das sementes c empregado con-
tra a queda dos cabellos.
Caracteres da famlia. Plantas her-
bceas ou ainda raras vezes subarbus-
tos, de folhas alternas, simples, mais
ou menos profundamente recortadas,
cheias em geral de um sueco lcteo
branco ou amarellado.
As lres so solitrias ou dispostas
em cimas, ou em cachos ramosos.
O clice formado de duas, rars-
simas vezes de trs, sepalas concavas
e fragilissimas.
A corolla, que falta algumas vezes,
se compe de quatro, mui raramente
de seis ptalas singelas, comprimidas
e enrugadas antes do seu desabrochar.
Os estames, em grandssimo nume-
ro, so livres.
O ovrio ovide ou globuloso, ou
estreito e tambm linear, d'uma s
loja, contendo grandssimo numero de
vulos unidos trophospermos salien-
tes sobre a forma de ptalas ou falsas
divises.
O estylete, curtssimo ou pouco dis-
tincto , termina em tantos estigmas
quantos trophospermas.
O fructo uma capsula ovide co-
roada pelo estigma, ou abrindo-se em
poros simples abaixo do estigma; s
vezes alongada em forma de siliqua
abrindo-se por duas valvas, ou rasgan-
do-se transversalmente por articulaes.
As sementes, ordinariamente peque-
nssimas, se compem de um tegumento
prprio, trazendo s vezes uma espcie
de carunculasinha carnosa , de endos-
perma igualmente carnoso, no qual est
collocado um pequenino embryo cy-
lindrico.
Argueiro. Arvore da altura de
uma oliveira, c uma das mais lindas
do Brasil.
espinhosa ; seu fructo uma vagem
contendo umas sementes escarlates, ou
manchadas, empregados pelos indgenas
em objectos de ornato como braceletes,
etc.
Arlcor oii roqueiro dicort.
Cocos coroiala, Marl. Fam. das Pal-
meiras. uma palmeira indgena do
paiz, muito frequente nas provncias
da Bahia e Alagoas : tem tambm o
nome de Dicori e Nicori.
E' de porte mdio, o tronco eriado
de fragmentos das velhas folhas, no
alto com o molho de folhas de eixo
comprido, e os foliolos dispostos em
dois sentidos e azulados ; as flores em
cachos, como o geral das palmeiras ;
os fructos so de 3 a 6 centmetros,
ovides, com escamas na base, cr
amarella, quando maduro ; no centro
um caroo duro; a polpa saborosa,
e sua amndoa d bom azeite.
Arnacasi. F. Junta de cara.
Ariiolta. F. Uruc.
Aroeira. Schinus aroeira, Vell.
Fam. das Terehentaceas .
Propriedades medicas . A casca
d'esta arvore adstringente e empre-
gada pelos pescadores para fortalecer
os fios das redes.
O estracto pode supprir o cato.
D-se o extracto em plulas, e a
casca em cosimento (4 grammas para
500 grammas d'agua.)
De suas folhas frescas se pde pre-
parar uma agua distillada prpria para
o toucador.
Tambm tida esta planta por anti-
febril.
Arocii'it lo cas|fio. Astronium
graveolens, Jacq. Fam. das Terebentha-
ceas. uma arvore resinosa, de fo-
lhas compostas: vegeta no Alto-Ama-
zonas: suas flores encarnadas e seus
fructos redondos, formando uma es-
trella.
Derrama um sueco glutinoso, incolor,
anlogo ao da Terebenthina.
A madeira pesadssima e industruc-
tivel.
Propriedades medicas. Tem as mes-
mas virtude da Aroeira acima descripta.
ARO
ARR
49
Aroeira d Capoeira. Schinus
meleoides, VelLFam. das Tereiuthaceas.
A casca serve para tingir.
Os fructos e folhas so muito arom-
ticos.
Aroeira da mata. ScJmms Ar-
oira, Limi. Fam. das Terehinthaceas.
Arvore colossal e importantssima, na-
tural do paiz ; seu tronco resinoso e
aromtico, engrossa e cresce muito ;
folhas distribudas em palmas ; as fl-
Ihas em cachos midos, de sexos se-
parados.
O fructo pequeno, globoso e mo-
nospermico.
O lenho d'esta arvore de uma ri-
gidez frrea; enterrada tem uma dura-
o admirvel, empregada nas cons-
truces e edificaes campestres; tem-se
achado em edifcios seculares a Aroeira
ainda perfeitssima.
Propriedades medidas. A entrecasca
empregada nas diarrhas.
Aroeira de Miiwk^. ScMtiiis mu.
crouulatus. Mari. Fam. Idem. Esta
planta de Minas Geraes est nas con-
dies das mencionadas.
Propriedades medicas. O cosimento
das folhas tambm serve para usos do-
msticos medicinaes, e da entrecasca
faz-se applicao nas hrnias ingui-
naes, com proveito, mormente se so
recentes.
Aroeira do Rio de Janeiro.
Schinus terehenhifolius, Raddi. Fam.
Idem. Diocia Decandria., Linn. Arvore
mediana, do Rio, semelhante s j
descriptas, e provavelmente com as
mesmas propriedades.
Arraia do mato. V. Arcuiian.
Arrebenta caiallo.- F. Melan-
cia da "praia.
Arrependido. i^w. das Rham-
naceas. Por este nome conhecido
em Alagoas um arbusto agreste, na-
tural do paiz ; inclinam-se uns sobre
outros e so iexiveis.
O lenho esbranquiado e sulcado
longitudinalmente ; tem o uso do sip-
po, e muito semelhante a este.
Aroeira da praia. Pistacia Len-
ticus, Linn. Fam. das Terehinthaceas.
Esta arvore, to aclimada entre ns, to-
davia natural da Barbaria e das proxi-
midades do Mediterrneo.
uma arvore de porte pequeno, sem-
pre verde e revestida de sua folhagem,
que disposta em palmetas.
Todas as suas partes so resinosas,
principalmente a casca ; flores em ca-
chos, miudinhas, esverdinhadas.
Os fructos so como gros de chumbo
grosso, vermelhos e como machucados:
dentro tem uma semente.
Habita no litoral do Brasil.
resina, que escorre do tronco, entre
ns nenhum uso damos, pelo pequeno
apreo que se d em nosso paiz s ri-
quezas naturaes d'este abenoado solo ;
mas na Europa o producto de suas con-
gneres o mstique, o terebintho do
commercio, muito empregado.
Arringa-ila. Caladium arboreS'
cens, Linn. Fam. das Aroideas. Esta
planta semelhante ao Tinhoro., porm
mais elevada.
' natural da ndia.
Propriedades medicas . Arbusto
muito acre. Suas folhas so emprega-
das em cataplasmas resolutivas.
Sua raiz fornece uma substancia amyg-
lacea.
O cosimento d'este vegatal feito em
ourina empregado nas dores articu-
lares.
Arroz. Oryza sativa., Linn. Fam.
das Gramiueas. O gnero Onjza com-
prehende s quatro espcies, mas sub-
divididas em grande numero de varie-
dades.
I D'e3tas quatro espcies somente uma
e que se cultiva para alimentao do
homem ; mas que comprehende muitas
variedades.
Descaux classifica o Arroz., cultivado
9
so
ARR
ARR
em dilicrcutcs regies do globo, cm
seis variedades botnicas, que podem
ser consideradas como outras tantas ra-
as, nas quaes se incluem natural-
mente todas as subvaricdadcs distinctas
na cultura, e cujo numero tal, que
Lechenault de Latourt menciona trinta
cultivadas nas visinlianas de Pondi-
cliery; Qlleme^ cita vinte e uma, cul-
tivadas em Mysore.
As variedades, por structura externa,
podem dividir-se em duas classes :
Arroz harhado [oryza sativa)^ q Arroz sem
barha [oryza mutica).
Entre as variedades barbadas Des-
vaiix menciona como mais notveis a
Oryza, scUica imhcscens, cultivada na
Itlia, a Oryza rulribarlis ^ cultivada na
America Septentrional ; a Oryza S. 3ar-
giiaia, cultivada na ndia , e a Oryza
elongaa, cultivada no Brasil.
Entre as no barbadas distinguem- se
a Oryza muiica enuata, cultivada na
Itlia e a Oryza sargJioiea, cultivada
na ndia.
Quanto s cores, em ambas as classes
se encontram o Arroz branco, amarello,
cr de rosa, vermelho, trigueiro, etc.
O celebre Poivre introduzio na liba de
Frana a cultura de uma variedade de
Arroz iranco da Coehincliina, cultivvel
nos terrenos seccos, a que se deu o nome
de Arroz 'perenue ou de Arroz da monlanlia.
Mas esta espcie, que requer, como as
outras, um terreno liumido, no exige
todavia a submerso, como as esjiecies
geralmente conhecidas; basta que na
localidade as chuvas sejam regulares, ou
que se possam irrigar artificialmente os
arrozaes, no exigindo a sua cultura seno
terrenos anlogos aos dos outros cereaes.
Esta espcie divide-se em duas varie-
dades : uma longa e outra redonda.
A primeira tem imia pellicula verme-
lha, que communica uma parte de sua
cr ao gro, sem todavia communicar-lhe
mo gosto.
A segunda produz sobre as montanhas
e collinas, mas somente nos paizes onde
as chuvas so regulares e abundantes .
Fallaremos adiante d'esta variedade.
As variedades mais estimveis da n-
dia so as denominadas heuapcli e yuti-
dali.
O Arroz imperiat, cultivado na China,
parece ser o mais tcmporo de todos,
porque exige para amadurecer menos a
tera parte do tempo do que as outras
variedades de Arroz.
No Japo existe uma variedade de gro
mui pequeno e mui branco, que dizem
ser a melhor espcie conhecida.
O trigo por excellencia, o trigo Sarra-
ceno, o centeio, a aveia, o milho, a man-
dioca, o Arroz^ e pde-se accrescentar, as
batatas, so as principaes plantas ali-
mentares o po do gnero humano.
O Arroz sustenta talvez mais das duas
teras partes das raa humana aisse-
minadas em todos os pontos do globo, e
povos ha que quasi exclusivamente se
nutrem com Arroz, ou pelo menos que
com elle formam a base principal da
alimentao, taes como os Chins, a maior
parte dos habitantes da ndia, do Ja-
po, etc.
Durante muito tempo considerou-se o
Arroz como planta originaria da ndia ou
da China, mas sabe-se agora que em di-
versos pontos da America e da Africa
existem variedades de Arroz indigona, no
estado selvagem, susceptvel de melho-
rar muito pela cultura.
Pouco a pouco a cultura d'este cei"eal
se propagou no somente nas regies
tropicaes, como tambm em muitos paizes
temperados, na Hespanha, na Itlia, em
Frana e ultimamente em Portugal e at
em algumas partes da Allemanha ; pde-
se dizer que ella prospera nas regies
do Sul das quatro partes do mundo.
Sabe-se que a cultura do Arroz na Ame-
rica Septentrional, que apenas comeou
no fim do decimo stimo sculo, tomou
um immenso desenvolvimento.
Os estados da Carolina do Sul e do
Norte, da Unio Americana cultivam par-
ticularmente uma variedade considerada
como de qualidade superior a todas as
outras, excepto a do Japo que acima
mencionamos.
O Arroz uma planta annual, cujo
caule uma vergontea fina, de quatro
decimetros a um metro, revestidas de fo-
ARR
A RR
lhas longas abarcantes e estreitinha^,
de verde mui lindo ; na epocha prpria
sahe um cacho, com ilres nas summida-
des,que parecem umas pevides; formam-
se os fructos que so cariopses, cobertos
de um envoltrio paleaceo, de forma ellyp-
tica, sulcado longitudinalmente ; dentro
ha uma semente branca, rica de uma
substancia amjlacsn, que a parte usada
como comestvel em todo o mundo.
No Imprio do Brasil, nos terrenos
baixos, nas margens dos seus rios, e na
costa maritiQa e sobretudo nas provn-
cias do Maranho e Amazonas, cultivam
o Arroz, e exportam em grande quanti-
dade.
O Arroz cada dia se torna mais impor-
tante como artigo de consumo, tanto por
seu uso alimentcio, como por erapregar-
se na produceo da gomma, usado ou
para alimento ou outros fins domsticos.
Usa-se na Europa o Arroz para d'elle se
extrahir o amido. A gomma muiio usa-
da para imbuir fazendas de linho e de
algodo, e preparal-as para servir depois
de lavadas.
Para este fim se faz immenso consumo
de amido, e o Arroz uma das substan-
cias mais extensamente empregadas para
d'elle se extrahir este principio.
Propriedades medicas. emolliente,
frequentemente empregado nas inlam-
maes do tubo digestivo, e em cata-
plasmas, contra as inflammaes, abces-
sos, etc.
Caracteres da famlia. Plantas her-
bceas, annuaes ou vivazes, raras ve-
zes subfructescentes, de apparencia toda
particular e muito earacteristica, tendo
um caule geralmente istuloso, oFere-
cendo de distancia em distancia ns
cheios, d'onde partem folhas alternas
e invaginantes.
Esta bainha que pode ser conside-
rada como um peciolo alargado, fen-
dida em todo o seu comprimento, e
apresenta em seu ponto de junco
com a folha uma espcie de collo mem-
branoso, ou formado de pellos, que se
chama collura ou ligula.
As flores so dispostas em espigas
ou em paniculas mais ou menos ra-
mosas. Estas flores so ou solitrias,
ou reunidas, varias juntamente, for-
mando gruposinhos que tem o nome
de espiguetas.
Na base das espiguetas ou das flores
solitrias, acham-se duas escamas : uma
externa, outra interna formando a le-
picena; raramente a escama interna
falta e a lepicena univalvular.
Cada flor se compe de duas outras
escamas formando a gluma, de esta-
mes geralmente em numero de trs,
s vezes menos, raras vezes mais.
Os filetes so capillares.
As antheras bifldas em suas duas
extremidades.
Pistillo formado por um ovrio uniflo-
cular, monospermico, marcado por um
sulco longitudinal em um dos seus
lados, por dois estjletes, e dois es-
tigmas pillosos e glandulosos; rars-
simas vezes o estylete simples ou
bifurcado na parte superior.
Fora do ovrio na face opposta ao
sulco observa-se em um grande nu-
mero de gneros duas pequenas pa-
lhetas de forma variada que consti-
tuem a glumella.
O fructo uma cariopse, mui pou-
cas vezes um akenio liso ou envol-
vido nas valvas da gluma, que se des-
prende e cahe com elle.
O embryo tem uma forma discoide,
e applicado na parte inferior d'um
endosperma farinceo.
Aa*POz <Bo laiato. Oryza subulata,
Mart. Fam. idem. uma espcie de
Arroz, que vegeta expontaneamente no
Par e nas Alagoas; d um gro mais
grado e menos saboroso, porm tem as
mesmas propriedades, do Arroz commum.
Arroz tio mato las Alaj^as.
V. Taquari de cavallo.
Arroz Sjlvcstre. F. A7'roz do
raatto.
Arr^ita rte Campina . ndigo-
ss
ARR
ART
fero campinaria. Fam. das Leguminosas.
Esta espcie indgena, que nasce no
solo pernambucano e em outras provn-
cias, a que tem o nome em Pernam-
buco de Arnila da Campina; pois ha
xmui confuso n'este nome : a de S. Paulo
no esta; a do Rio de Janeiro, tam-
bm no, segundo a classificao da
Flora do Brasil.
Quanto de Pernambuco uma herva
rasteira; ergue as pontas dos ramos,
vestidas de folhas dispostas em palmi-
nhas, iguaes s da Arruda da Europa,
de cr verde- azulada, e cobertas de la-
nugem, flrinhas rouxas em cachos abas-
tecidos ; d fructos em cachinhos ; so
vagens rolias, pequeninas, com duas
valvas e com duas ou trs sementes
semelhana do feijo.
Propriedades medicas. muito aza-
da na dose de 30 grammas para 500
grammas d'agua trs vezes ao dia nas
gonorrheas e retenes de ourinas, e em
banhos nos ataques hemorrhoidaes e
nas inflammaes das vias urinarias.
Ai*!t*siftr: 1e Ci>at3>ini' do Rio
de tjaiiearo. V. Carrapicho de beio
de hoi.
Arruda 1 Casnpo, ou de
S. PaBlo. Hypericum teretiusculum,
St. Hil. Fam. das Hypericaceas . Esta
planta herbcea nasce naturalmente no
Brasil e recebe o nome acima em
S. Paulo.
de ramos ascendentes; nas partes
superiores de quatro goramos ou faces,
folhas pequenas, compridas ; flores em
cachos.
O fructo uma capsula de forma al-
longada.
ArrutSa da Europa. Rua gra-
veolens, Linn. e Sp. Fam. das Rutaceas.
Vegetal cultivado no Brasil. natural
da Europa; se bem que acclimada ha
muitos annos esta planta entre ns,
com tudo nos nega a sua florescncia,
que raras vezes se observa.
nm subarbustosinho elegante, at
1 metro e 12 centmetros de altura,
pouco mais, ramoso, suas folhas dis-
postas em palmas, midas; todas as
suas partes so de um verde azulado.
As flores que se renem om cachos,
so amarellas e pequenas; todas as
partes da planta derramam um cheiro
mui activo mas pouco agradvel.
Os fructos so pequenas bagas de
cinco cocas ou lojas.
Propriedades medicas. estimu-
lante, anthelmintico, emmenagogo, em-
pregado na amenhorrea , chlorose , e
hysterismo.
Internamente 4 grammas para 400
grammas d'agua, para infuso.
Arruda do mato. Pelocarpus
officinalis, Ahl. Fam. idem. uma
planta que recebe este nome no Ma-
ranho.
Propriedades medicas. emprega-
da como excitante em banhos.
Arruda do aitato ou Anil dos
S>o1)re@. Indigofera similerula. Fam.
das Leguminosas. um arbusto peque-
no de Pernambuco ; seu compxnmento
de 1 K a 2 metros, esgalha pouco;
de cr acinzentada ; folhas dispostas em
palmas, midas, de verde azulado, mui
semelhantes primeira vista com a
Arruda extica ; as flores em cachos miu-
dinhos.
O fructo uma pequena vagem de
poucos centmetros de extenso, rolia,
curva, com poucas sementes, seme-
lhana do feijo.
O principio corante d'esta em maior
proporo.
Propriedades medicas. O cosimento
feito do sueco d'esta planta empre-
gado contra o veneno das cobras , e
aproveita nas dores de dentes.
Artlkeiiiia. Artemizia viilgaris.
Linn. e Lamch. Fam. das Compostas.
Herva natural da Europa e acclimada
nos nossos jardins; uma planta quasi
AEV
ARV
S3
rasteira entre ns, pois no eleva seus
ramos a mais de 12 ou 24 centmetros
do cho.
Ornada de folhas recortadas, e ele-
gantes ; a parte inferior esbranquiada
e pubescente.
As flores em cachos, que s vezes
so grandes ; botesinhos amarellos, co-
roados de palhetinhasfoliaceas, brancas,
com cheiro activo.
Os fructos so pequenas bagas pretas.
Esta planta serve de ornamento de
jardins, e como tal a apreciam.
Propriedades medicas. emmena-
gogo e anti-hysterico.
Internamente 10 grammas para 1000
grammas d'agua, em infuso.
Arvore lo Allio. Ccrdana al-
liodora^ R. Fam . das Borragineas.
uma arvore alta, oriunda do Peru,
Chile e do Brasil ; suas folhas alter-
nas oblongas e ovaes ; as flores em
cachos.
Esta planta exhala um cheiro de
alho mui pronunciado ; as formigas
gostam de comer suas folhas, princi-
palmente uma certa espcie de formiga
mida.
Propriedades medicas. usada
em banhos como estimulantes.
Arvore fie Cera. Myrica ceri-
fera^ Linn. Fam. das Marantaceas.
Esta arvore vegeta nos Estados Unidos
da America em abundncia.
de pequena altura, tem a casca
acinzentada, as folhas alternas e lan-
ceoladas.
As flores em espigas cobertas de
escamas, so de sexos separados
O fructo ^ redondo, do tamanho de
uma pimenta do reino (pimenta da
ndia) .
Fervem em agua os fructos, e com
uma espumadeira tiram a cera d
agua ; coagula-se essa cera que fica
de cr esverdeada, depois torna-se
consistente e amarella, e com ella
fabricam-se vellas, que exhalam um
cheiro mui agradvel durante a com-
busto .
Ai^vore Ia l. V. Barriguda.
Arvore le Pralna. Choriziaspe-
cosa, Si. Hil. Farti. das Bombaceas.
uma arvore agreste, conhecida no
Eio de Janeiro, Minas Geraes e suas
visinhanas.
de porte alto ; folhas digitadas.
Suas flores so um tanto grandes,
brancas, com muitos filetes no centro.
O fructo uma capsula, cujas se-
mentes so envoltas em uma espcie de
l, da qual se usa para encher col-
ches e travesseiros.
Caracteres da faiilia. So arvo-
res ou arbustos, originrios dos paizes
intertropicaes, de folhas alternas, sim-
ples ou digitadas, munidas na base
de duas estipulas persistentes.
O clice algumas vezes acompanhado
exteriormente de algumas bracteas,
gamosepalo, de cinco divises imbri-
cadas antes do seu desabrochar, outras
vezes inteiro.
A corolla, que falta s vezes, se
compe de cinco ptalas regulares.
Os estamos, em numero de cinco,
dez, quinze ou mais, so monadelphos
e formam superiormente cineo feixes,
que trazem, cada um d'elles, uma ou
varias antheras, uniloculares.
O ovrio formado de cinco carpel-
las, ora distinctas, ora ligadas entre
si, e terminadas cnda uma em um es-
tylete e um estigma ; algumas vezes
se soldam em um s.
Os fructos so em geral capsulas de
cinco cocas polyspermicas, abrindo-se
em cinco valvas, ou so coriaceas,
carnosas interiormente, e ficam inde-
hiscentes.
As sementes, muitas vezes cercadas
de pellos ou de penugem, tem algu-
mas vezes um endosperma carnoso,
cobrindo um embryo cujos lobulcs so
lisos ou com asperesas.
O endosperma falta s vezes.
ASS
AVA
- Arvore lo iiajiel. V. Po faixei.
Arvore tSe gio. F. Friicla po.
Arvore ia pureza. Yucca glo-
riosa., Linn. Fan. das Liliaceas. Ar-
busto extico, aeclimado no Brasil. das
Amricas Meridional e Septentrional.
Cresce no Canad e no Peru. Assim
a chamam em Pernambuco.
E' ornamento de jardins, tem o aspecto
do npsso Coroat., folhas radicaes grossas
e grandes, em forma de espadas agudas ;
eleva-se no centro um caule escamoso
e verde, lanando do meio d'essa tou-
ceira, uma haste que termina em ponta,
e d inflorescencia em forma de espiga,
sendo as flores de cr branca e ele-
gantes.
Arvore triste. F. Aafroeira.,
Asss4'w. Hiira crcpitans, Linn. e
Lamli. Hura brasilietisis . Fam. das
Eu])]i07']jiaceas . Esta planta natural
do paiz ; vegeta espontaneamente pelas
Cayennas, Mxico e Antilhas, no Par
e Amazonas.
uma arvore collossal, de folhas
subcordiformes, ovaes, igual e miuda-
mente denteadas.
Flores masculinas, dispostas em
amento oblongo, femininas e solitrias.
O fructo uma capsula, lenhosa,
multicocca, com uma s semente em
cada loja.
Do tronco d'esta arvore escorre por
incises um sueco leitoso, branco e
acre.
este leite que se acredita ser um
remdio cfflcaz, para a cura da ele-
phantiasis dos gregos ; mas das expe-
rincias e observaes feitas tanto no
Par como nas demais provncias, e
ainda na Europa, o leite do Assac per-
deu esta reputao ; oxal que assim
no acontecesse.
Os ndios empregam este leite como
vermfugo, e tambm serve para em-
briagar os peixes. (Fig. 8.)
Astaliy. Euterpe ediis, Mart.
Fam. das Palmeiras. Hexanria Tri-
gijnia, Linn . Monadelphia . Esta pal-
meira^ a que no Maranho chamo Jus-
sara., natural do paiz especialmente
das provncias do Norte.
de mediana altura ; seu tronco (stipej
fino e erecto sustenta no pice o leque
de suas folhas como as demais palmeiras.
Deita para os lados uns cachos, dos
quaes pendem pequenos fructos, ma-
neira de azeitonas.
So de 3 centmetros ou pouco mais ;
ovaes ou redondos, de cr roixa escura
quando maduros, com uma pellcula fina
exterior ligada a uma massa pouco es-
pessa da mesma cr, e um caroo no
centro, duro ; logo depois da polpa ha
um tegumento fibroso antes do caroo.
No Par os Caboclos fazem um vinho
d'este fructo e reputam-no bom.
Havia esta palmeira no Jardim Bot-
nico de Olinda.
Assa-2>eixe Boliemeria caudata.
Fam. das Urticaceas. uma herva de
folhas oppostas e ovaes.
Flores em longas espigas.
oriunda da America Meridional.
Propriedades medicas. emprega-
da em banhos contra as hemorrhoidas,
e como diurtica na dose de 2 grammas
para 500 grammas d'agua, em cozimento.
Assa-gieixe. V. Piti caf.
Assueewa . V. Aicena.
At*!i. Begnia, Eyncs. Arnm,
St. Hil Fam. das Begoniaceas . D'esta
planta os Botocudos apreciam muito as
razes assadas, porque tem o gosto da
Machaxera.
AvariSBo. Mimosa tmgniscati .,
Linn. e Pison. Fan. das Leguminosas.
Propriedades medicas. A casca
amarga e dessecativa; empregam-na
contra as ulceras antigas, cancro, e
internamente nas affecces febris, na
dose de 8 grammas para 500 grammas
d'agua, em infuso.
AVE
AYA
o
A.\sity. V. Milho grosso.
Avessea lrasilieise. Adiantlmm
Hsoionim, Willd. Fam.dos Fetos ^trih
das Polypodeaceas. Este vegetal do
Eio de Janeiro; tem as mesmas vir-
tudes da Cainllaria.
Ha d'elle muitas espcies. Na Bahia
se empregam as espcies dos gneros
Acrosticum. Acros. Calornelamis^ Acros^
aureitn; hoje chamadas pelos botan-
nieos Gynogrmmm calomelatios., e Gy-
nogrmmim stfit^rea.
Caracteres da famlia. Plantas her-
bceas e vivazes, tornando-se algumas
vezes arborescentes nas regies tropi-
caes, e elevando-se ento maneira
das palmeiras.
As folhas (frondes) so ora simples,
ora mais ou menos profundamente re-
cortadas, pinnatifidas ou recompostas.
Estas frondes oierecem um caracter
commum; o de serem enroladas ou
envolutadas, no momento em que co-
meam a desenvolver-se.
Os rgos da fructiicao esto or-
dinariamente situados na pagina infe-
rior das folhas, ao longo das nervu-
ras ou na sua extremidade.
Os esporulos so contidos em espcies
de capsulasinhas ovides ou deprimi-
das, sesseis ou estipitadas, cercadas
algumas vezes de um burlete em forma
de annel elstico ; outras vezes, ellas
se abrem por uma fenda longitudinal,
ou se despedaando irregularmente.
Estas capsulas, grupando-se, formam
montesinhos que se chamam soros, e
que so cobertos ou de escamas, cuja
forma muito variada, ou pela mesma
beira da fronde, diversamente enros-
cada em forma de escamas orbiculares,
reniformes, sesseis ou estipuladas.
No gnero Peris^ as capsulas esto
postas debaixo da beira retorcida das
folhas, a qual forma uma linha no
interrompida.
Nas espcies de Adianto ellas cons-
tituem placasinhas salientes e isoladas,
por causa da extremidade dobrada das
folhas.
Em certos gneros, so isoladas ; em
outros, grupam-se e formam linhas
mais ou menos allongadas.
Os soros comeam a desenvolver-se
debaixo da epiderme, a qual levantam
de maneira a ficarem cobertas por ella.
Chama-se induzio poro de epider-
me que serve assim de invlucro aos
soros.
Em alguns fetos como as Osmondeas,
e as OpMoglcsseas., etc, os rgos da fru-
ctiicao so dispostos em cachos ou em
espigas .
AvesBca la terra. Polypodiim
aurezcm, Willd. Fam. idem. Do este
nome em Alagoas e em Pernambuco a
uma planta trepadeira, cujo caule
coberto de pellos densos, macios, casta-
nhos ou louros esbranquiados.
AvenquiilGa. AcJirosiicum calo-
melanus. Fmn. idem. peitoral esta
planta.
AyaiiaBia. Ex'i[)atoriii,m. Ayapana.
Veut. c Linn. Fam. das Comjjostas.
Planta do Brasil de caule ascendente,
quasi lenhosa na base, ramos rolios, fo-
lhas oppostas, quasi rentes, lanceoladas,
trinerviadas e accuminadas, quasi in-
teiras e glabras ; flores em capitules, for-
mando corymbos.
Propriedades medicas. A planta
amarga, aromtica e diaphoretica; con-
siderada na medicina popular como bom
remdio contra a mordedura de cobra.
Na ndia, para onde foi levada, em-
pregada contra a cholera-morbus.
Internamente, o sueco expresso recente
da planta, tomado s colheres, como
sudorfico; usa-se a infuso na dose de 8
a 16 grammas para 500 grammas d'agua,
e bebe-se s chicaras.
Externamente a planta contuza pe-se
sobre a mordedura da cobra; o sueco ex-
presso empregado para limpar feridas
antigas.
Ayaiiaiaa cotoisosa. Eupliorlia
cotinifolea, Linn. Fam. das Euphorhia-
S6
AZA
AZE
ceas. Subarbusto do Brasil ; suas folhas
so oppostas.
Propriedades MEDICAS. usada em
cataplasmas contra os condylomas sy-
philiticos.
O sueco um forte veneno com que os
ndios do Rio Negro embebem as settas.
Tambm serve para embriagar os
peixes.
Aypiii. V. Mandioca.
Ayri ou Coqueiro. Ayri, Astro-
caryum Ayri^ Mart. e Mayer. Fam. das
Palmeiras. uma palmeira do norte
do Brasil , cujo tronco eriado de
muitos espinhos.
D fructos que so bagas orbiculares
carnosas, com o coco (vulgarmente cha-
mado) sseo, como o de quasi todas as
palmeiras.
Os indgenas usam dos espinhos d'essa
palmeira como de pregos.
Aza (le morce:o , de follia
grande . Bossiaca unijugata. Fam.
das Leguminosas. Monadelphia. Decan-
dria., Linn. Arbusto agreste por este
nome conhecido nas Alagoas,
Suas vergonteas frgeis inclinam-se
sobre os outros vegetaes.
Flores em cachos, pequenas.
O fructo uma vagem de quasi 24
centmetros de comprimento, lisa, po-
lyspermica.
As sementes acham-se unidas a um
corpo glanduloso.
Aza de inoreeg:o de folha
mi 11 da. Fam. das Rubiaceas. E'
um arbusto do paiz, (trepadeira ou por
outra cip).
O caule quadrangular , as folhas
oppostas, ellipticas, luzidias, pequenas
e coriaceas.
As flores so reunidas em feixes es-
phericos ou hemisphericos, com um p
tubuloso campanulado.
O fructo uma baga vermelha, oval,
coroada de fragmentos da lr.
Sementes achatadas.
Azeda. Rumex aceloza, Limi.
Fam. das Polygonaceas. Esta herva
cultivada nas provncias do Sul.
Suas folhas so umas radicaes outras
caulinares e abarcantes.
Flores pequenas.
As folhas comem-se.
Propriedades medicas. As folhas
empregam-se em medicina para facili-
tar a aco dos medicamentos purga-
tivos; neutralisa o efifeito das substan-
cias acres.
Caracteres da famlia. Plantas
herbceas, raras vezes subfructescentes,
de folhas alternas, nvaginantes na base
ou adherentes a uma bainha membra-
nosa e estipular, enroladas pela parte
inferior sobre a sua nervura mediana
quando novas.
Flores algumas vezes unsexuaes, dis-
postas em espigas cylindricas ou em
cachos termnaes.
Clice gamosepalo, offerecendo de qua-
tro a seis segmentos, s vezes dispostos
em duas ordens e imbricados antes de
sua evoluo.
Estames de quatro a nove, livres e com
antheras abrindo-se longitudinalmente.
Ovrio livre , unilocular, oferecendo
um s ovulo erecto.
O fructo frequentes vezes triangular,
secco e indehiscente, algumas vezes
coberto pelo clice que persiste.
A semente contm, em um endosperma
farinceo, s vezes mui delgado, um em-
bryo deitado e outras vezes unilateral.
Aze1iiilia do brejo, Bignonia
acida.; Yell. Bignonia ulme folia., Linn.
Fam das Bignoniaceas . Esta planta
da famlia e do mesmo gnero da Caroha
e Carobinha de Pernambuco.
Ha ainda as espcies seguintes: Big-
nonia bidenada, Raddi. Beg. sangunea.,
idem. Big. cucullata, Willd. Big. hir-
tella, Link. Big. undulata, Otto. Big.
platatii folia.
Propriedades medicas O sueco
acidulo refrigerante e antiscorbutico ; e
AZE
AZO
57
empregado nos catarrhos da bexiga e nas
dysenterias.
Tambm a planta fresca cozida co-
mestivel.
Azeitona da lerra. Cuphea n-
tida. Fam. das Zythrareas. ^sU es-
pcie vegeta no nosso solo, d'onde
indigena ; conhecem-na em Pernambuco
e Alagoas por este nome.
um pequeno arbusto que cresce at
2 metros, pouco ramoso; ramos erectos,
casca parda-escura.
Folhas alternas, ovaes, ura tanto alon-
gadas e coriaceas.
Flores em espigas, quasi sem cheiro,
de cr de rosa viva, so como rosinhas
simples, com ura p tubuloso; do meio
d'ellas sahem seis filetes longos.
O fructo parece-se com uraa azeitona ;
uraa baga de 3 centiraetros, oval, cuja
pellicula externa fina ; liga-se a uraa
massa aquosa, roixa-escura como a pel-
licula, e no centro tem ura caroo unido
a esta raassa, a qual se come, posto que
no seja muito saborosa.
Ha outra espcie a que chamara brava ;
differe apenas pela fructa que mais
oval, oblonga ; e por ter coberta a sua pe-
riferia de pello curto e spero, que ao
menor contacto solta-se; tambm se
come.
Ambas tingem os lbios de roixo; seu
sabor acidulo e pouco doce.
Caracteres da famlia. Hervas ou
arbustos de folhas oppostas ou alternas,
de fires axillares ou terminaes.
Um clice garaosepalo, tubuloso ou
urceolado, denteado no pice.
A corolla de quatro a seis ptalas, alter-
nas com as divises do clice, e inseridas
na parte superior do tubo.
A corolla falta em alguns gneros.
Os estames so em numero igual ou
duplo do das ptalas, rarissimas vezes
em nuraero indefinido.
O ovrio livre, siraples, de varias
lojas, contendo cada uraa d'ellas grande
nuraero de vulos.
O estylete siraples, terrainado em um
estigma ordinariamente capitoso.
O fructo uma capsula, coberta pelo
clice, que persistente, de uma ou va-
rias lojas, contendo sementes unidas ao
angulo interno.
Estas sementes se compem de um em-
bryo desprovido de endosperraa.
AzouiTue dos pobre. Panax
quinquefolium, Linn.Fam.das Araliaceas.
Esta planta tambm do territrio do
Brasil, bera corao da America do Norte.
de caule herbceo cora cinco folhas
era palmas, inseridas nas pontas de pe-
ciolos comrauns.
Suas flores pequenas, era cachos um-
bellados, so de sexos diversos.
O fructo redondo e achatado, com dois
caroos dentro.
Caracteres da famlia. As Aralia-
ceas constituem um grupo pouco dis-
tincto das Urabelliferas.
So vegetaes herbceos, ou algumas
vezes arvores elevadissiraas.
As flores, igualmente pequeninas, so
.dispostas em urabrellas simplices ou em
umbrellas paniculadas.
O clice do mesrao raodo adherente e
denteado.
A corolla, forraada de cinco a seis p-
talas.
O ovrio apresenta de duas a seis lojas
monospermicas, e tera outros tantos es-
tyletes, que terrainam em estigmas sim-
plices.
O fructo ora carnoso e indehiscente,
ora secco, e separando-se em tantas
cocas ou lojas monosperraicas quantas
lojas ha no ovrio.
10
BAB
BAC
Buii. T'. Coqidnho.
Baba l Itoi Sc CaM8|iia.
Acharia hahaa, Fam. das Mahaceas.
Herva agreste .que vegeta pelas cam-
pinas, reptante, de caule fino, roixo,
pelludo.
Folhas alternas, obliquamente cor-
diformes, pubescentes, nos bordos re-
cortadas.
Flores solitrias, amarellas, grandes
como rosas simples, com o centro
purpurino escuro, e sem cheiro.
O fructo uma capsula cnica e
coberta de pellos, que se divide em
cinco compartimentos, cada um com
uma semente.
Esta planta tem este nome em Ala-
goas ; tambm do-lhe em Pernambuco
o de Coraosinlio .
Propriedades medicas. muits-
simo mucilaginosa, e empregada nas
diarrhas de sangue e hemorrhoidas.
Balia de boi (coqidnjw) . Cocos
gommosa, Mart. Fam. das Palmeiras-
E uma palmeira baixa, do paiz.
_ Seu espique pequeno e cheio de
cicatrizes que indicam o ponto d'in-
sero das folhas.
O vwcto Baia ?e 02 uma baga
de seis centmetros, oval, com esca-
mas na base, de cr amarella, coberta
de uma granulao preta; a polpa
amarella, mucilaginosa ; tem bom sabor.
A amndoa do caroo come-se.
mucilaginosa e gommosa.
Seu caule coberto de espinhos, e
a madeira negra.
Os fructos so bagas, de polpa doce,
de muito bom sabor, e passa por
um dos melhores cocos ; mesmo scccos
so mui apreciados.
Baeaba. Ocnocar^us hacaha, Mart.
Fam. das Palmeiras. Esta palmeira
do Par, elegante; seu tronco ele-
va-se a vinte e tantos metros.
As folhas reunidas em um feixe
terminal.
As palmas so rectas.
Os fructos so em cachos, de trs
centmetros de grandeza, ellipticos,
roixos quando maduros, e listrados de
branco.
A massa tambm roixa, e adhere
aos veios brancos.
O caroo coberto de fibras lisas,
flexveis, come-se, e os indgenas fazem
com elle uma bebida.
O fructo da Bacaha mucilagnoso,
e, quando maduro, os indos usam
d'elle como seu nico alimento.
Quando se cosnha este fructo elle
deixa um sedimento que secco ao sol
torna-se durssimo.
Este sedimento serve de recurso aos
indos para o tempo de fome, porque
amollecido com agua, forma um ali-
mento nutritivo.
Ha duas espcies d'esta palmeira.
Babor. F. Bamhor.
Baliosa. F. Herva babosa.
Babuailta ou Cocf^Befo Babai-
nlta. Guilielma insignis, Mart.
Fam. das Palmeiras. i. uma paJ-
meira da Bahia.
Baeaisiare. uma planta ape-
ritiva, desobstruente ; tambm appli-
ca-se externamente.
Baeac. F. Abacate.
Baccliarstla ou Baccbanfa.
BaccJiars brasiliana, LinneSpl- Fam>
das Compostas. Falamos de uma das
espcies do Brasil.
Planta herbcea, de caule quadrado,
folhas ovaes, obtusas, um pouco ve-
nenosas, speras e sesseis.
BAC
BAC
Flores em cachos, alternas, grandes
e de dois sexos.
A fructinlia coroada por uma es-
pcie de penacho simples.
ISaef3anris;a3i]ie]iii(Eiaiia.
Tem as mesmas propriedades da ante-
cedente.
BaccltariH aB*t enlata. Bac-
charis articulado. Ba ccMris articutatn.
Fam. das Coupostas. uma erva amar-
gosa, resinosa e aromtica : ella suc-
cedanea da Los7ia.
Propriedades medicas. empre-
gada contra a dyspepsia, debilidade
intestinal, ou mesmo geral,- e anemia
consecutiva perda de sangue.
Administra-se em plulas com o ama-
rello da casca de laranja.
Baco]>ari do Campo. Cahjpso
campestris, St. Hil. Gijnandria ononan-
ria, Linn. Fam. das Hippocraticeas.
-^Arbusto que vegeta nas plagas de
S. Paulo e Goyaz.
ramoso, de casca lisa, folhas m-
dias e oblongas.
Flores em cachos.
Fructo carnoso, globoso, com um ca-
roo dentro; raramente dois ou trs.
Floresce em Agosto, e d as fructas
em Setembro e Fevereiro.
Caracteres da famlia. Fructices
ou arbustos geralmente glabros e sar-
mentosos, trazendo folhas oppostas,
simplices coriaceas, inteiras ou den-
teadas.
Flores pequenas, axillares, fascicu-
ladas, ou em forma de corymbos.
O clice persistente, de cinco di-
vises.
A corolla se compe de cinco pta-
las iguaes.
Os estames so em geral em numero
de trs, raramente de quatro ou cinco,
tendo os filetes reunidos pela base; e
formando um androphoro tubuloso.
O ovrio trigono de trs lojas,
contendo cada uma quatro vulos in-
seridos no seu angulo interno.
O estylete simples terminado em
um ou trs estigmas.
O fructo ora capsular de trs n-
gulos membranosos, ora carnoso.
Cada loja contm commumente quatro
sementes.
Estas tm um embryo erecto, des-
provido de endosperma.
Bacopari cie d\\ioe\vs. Fam.
das Gutti feras. Arbusto romano; ve-
geta nas Alagoas, onde lhe do este
nome.
Folhas oppostas, oblongas.
Flores de cr branca.
D um fructo semelhana de um
ovo de galinha ; uma parte coroada
pelos restos do antigo tegumento floral,
tornando-se a outra parte baa, de cr
amarella barrenta.
O pericarpo spero, grosso, coriaceo,
de espessura de % centmetro; dentro
branco e com duas lojas contendo uma
poro de sementes redondas, com uma
parte convexa e outra plana, de subs-
tancia crnea semi-transparente pare-
cendo cera branca; ellas so envoltas
em polpa amarella, doce e comestvel,
porm um pouco enjoativa.
Baeoparl la iiiatta. Fam.
idem. Fructa agreste conhecida nas
provncias de S. Paulo , Rio de Ja-
neiro, Minas, Pernambuco, Par e Ala-
goas.
proveniente de uma arvore Baco-
pariseiro; tem folhas regulares, e flores
brancas.
O fructo do tamanho de 3 a 12
centmetros, de forma oblonga arredon-
dada, cr amarella de gemma d'ovo^ na
maturidade, compe-se de um corpo car-
noso no interior, esbranquiado, com
trs caroos pretos, cobertos de uma
substancia albuminosa e doce.
Come-se uma e outra cousa.
Tem um sueco leitoso, que queima os
lbios.
Os de Capoeira, dferem pouco, so-
mente em ser menores , e menos abun-
dante de sueco leto.-o.
f;o
BAG
BAM
Kaeoro. V. Apoiiacoa.
Bacnry. MoronoMa coccocmea, Auhh
Syflinonia glohuUfera^ Linn. filho.
Fam. das Guttiferas. Arvore alta, lac-
tifera, das mattas do Maranho e Par,
aonde conhecida por este nome.
O tronco grosso, de folhas regulares.
As flores brancas ou vermelhas, no
pequenas, semelhana de um copo.
O fructo de 12 centmetros de grandeza,
redondo oval, de casca amarellada, grossa
e spera; os caroos dentro em numero
de trs a cinco, que so propriamente
convexos de um lado e plano de outro ;
so de um amarello fusco.
Esses caroos esto entre pevides
molles e brancas, que no fazem parte
d'elles.
A massa de sabor acre-doce; d
excellente doce, que passa n'aquellas
provncias por um dos melhores; do
caroo extrahe-se um bom azeite para
luz.
Ha outra espcie que differe da supra
por ter o fructo mais oblongo, porm
menor.
Baeory nteinbeca. Arvore que
cresce nas margens dos rios e nos
lugares hmidos.
Os fructos so azedos, mas os ndios
no os regeitam.
Baeuri. Plaionia insignis^ Mart.
O mesmo Bacuri.
Bariiripari. V. Bacuripari ou
Bacuri.
B afta rei ra. V. Carrapateira.
Ba{s;a da praia. Coccoloia iivi-
fera, Linn. e Spl. Fam. dasPolygalaceas.
Arvore alta da America Meridional, de
folhas grandes cordiformes, e flores em
cachos grandes, pendentes, pequenas,
e avermelhadas.
Os fructos ovaes e vermelhos, cidos,
comestveis, e carnosos ; comem-se com
assucar ; tambm se pde preparar com
elles um vinho.
Propriedades medicas. Os fructos
fornecem um extracto adstringente que
p(3de empregar-se nas diarrheas e leu-
corrheas.
Bafiiflha. F. Baunilha.
Blsamo ou coral. Curcas mul-
tifida, Endl. Fam. das Ewphorhiaceas .
A seiva da arvore passa por vulne-
raria; as sementes, descascadas e seccas,
fornecem um leo purgativo, que em-
prega-se na dose de 4 at 8 gottas,
sem possuir a qualidade corrosiva do
leo de croton.
BalsantOy p de perdiz. V.
Herva mular.
Bambo. 7. Melancia da praia.
Bambor. Solanurii papilosum.
Fam. das Solaneas. Chamam-lhe tam-
bm Bamhor ou Laranginha do matto^
nas Alagoas e Pernambuco.
uma fructinha agreste e indgena
proveniente de um arbusto elegante, de
casca alvadia e lisa.
Folhas grandes, luzidas, ovaes e ob-
longas.
Flores como estrellas esverdinhadas.
O fructo de 3 a 6 centmetros de
grandeza, e de forma cnica ; o peri-
carpo amarello-esverdeado , eriado
de protuberncias flexveis ; dentro ha
uma polpa aquosa, amarella, semeada
de muitos gros renformes, como que
dividida em quatro alojamentos ; essa
polpa se come, e muito boa ao pa-
ladar.
Baseiib. Guada angustifolia^ Kaunt.
Bambusa gtiada., fftimb. e Bonp. Fam.
das Gramneas. Os Bambus so plantas
das regies quentes : sua ptria mais
lata a sia ; mas nem por isso deixa
de possuil-os a regio equatorial ; o
nosso Amazonas, e algumas das pro-
vncias do sul possuem-nos ; entre essas
espcies que ornam aquelle abenoado
terreno ha tambm os Bambus (Guada.)
BAM
BAN
61
de um porte arbreo, e pode cha-
mar-se o Gigante das Gramneas.
Seu caule toma as propores de um
tronco de altura immensa, com um di-
metro de mais de 12 centmetros, apre-
sentando ns de distancia em distan-
cia, maneira de taboca; co ou tu -
buloso e ramoso.
As folhas, grandes em proporo,
so palmas.
As flores em cachos grandes, cujos
fructos so carnosos segundo a orga-
nisao das Gramneas.
Dos ns que existem no tronco d'estas
Gramneas se extrae um licor gommoso
e doce, que se acha concretado na cavi-
dade do tubo e que conhecido pelo
nome de Tahaxr.
Mas s na sia aonde este licor
celebre por lhe attribuirem maravi-
lhosas propriedades.
Os nossos indigenas no Par servem-
se dos gommos do Bamh para guardar
lquidos, pondo-lhes uma tampa, servin-
do-lhes de potes para agua e outros mis-
teres.
No Rio de Janeiro as escadas de mo
para as armaes dos templos so feitas
do Bamh porque ficam muito altas e
pesam menos do que as de outra qual-
quer madeira.
Bainb Ia lutlia. Bambusa arun-
diiiacea., Rhecd. e Bump. Fam. idem.
Ha Bar/ibs cultivados entre ns que so
adquiridos da ndia, sua origem, d'onde
passaram ao nosso paiz.
E' um arbusto de caules em touceira
com o porte do Taquari; mas sua fo-
lhagem no de um verde claro como
o d'este, sim de um verde escuro no
embaciado, porm com a superfcie
lisa.
Cada planta de per si forma um grupo
tal, que parece uma reunio de muitas
plantadas no mesmo lugar.
O caule como est descripto no
Guada.
As folhas oblongas e lanceoladas, abra-
am o caule.
As flores dispostas em ramos esga-
lhados, parecem sementinhas, como so
as de todas as Gramneas., em que con-
fundem-se as flores com os fructos.
Na sia, ptria por excellencia dos
Bamhs, vem-se grandes extenses de
terrenos cobertos de Bambus., que com
os ventos se agitam uns sobre outros
de tal maneira, e cujo estrpito to
forte, que muitas vezes assusta aos vian-
dantes ; at asseveram pessoas de cri-
trio que j tem pegado fogo pelo des-
envolvimento do calor, quando a frico
chega a certo gro.
E' d'estes caules que os chins e
outros asiticos fabricam tantos objectos
d'arte, curiosos e de valor.
Da pellicula da casca fabrica-se o
papel da China.
As folhas envolvem as caixas que nos
conduz o ch da ndia.
Os gommos servem de vasos, benga-
las, conductores, lanas, flechas, pennas
de escrever e para construco de casas
e moveis.
Entre os chinezes as venezianas so
feitas de Bambus.
Os caadores apoderam-se de um pe-
dao que tenha o n no centro, de um
lado introduzem a plvora, e do outro o
chumbo.
Finalmente presta-se a ser fendida em
tiras para fazer-se esteiras, balaios, ces-
tos, etc, e nos navios utilisa-se para
vergas, cabos, etc.
Com as fibras fazem-se mechas para
vellas .
A dureza do Bambu tal que os indios
quando querem fogo, batem dois peda-
os de bambus um no outro, immediata-
mente produz innumeras faiscas,e appro-
ximando-se um pedao de papel este
incendeia-se immediatamente.
Do n de seu caule tira-se um assucar
branco chamado tabaxir ; pela fermenta-
o d um licor conhecido por Am^.
Bananeira an. Hexandra mo-
uoecia., Lnn. Mnsa [Nana). Fam. das
Musaceas. D'esta espcie de vegetaes
alguns so originrios da ndia, e cre-
mos que outros so do Equador, e por
consequncia do Par.
So plantas reconhecidas pelos natu-
tS
BAN
BAN
ralistas como os fjigantes das plantas
herbceas ; cora effeito, cilas tem um
bolbo maior ou menor, como raiz ; v-sc
elevar-se d'elle um caule de dois a quatro
metros pouco mais ou menos de altura,
e de dimetro proporcional ; seu tecido
de fibras do malhas largas, composto de
cellulas, e todo aquoso ; no pice abre- se
um feixe, de folhas longas, de dois
metros pouco mais ou menos, ellipti-
cas, oblongas, no centro percorridas
por um corpo da natureza do caule,
que a elle se prende, e que a ner-
vura mediana, continuao do peciolo ;
o limbo da folha membranoso; rom-
pe-se em tiras pelos ventos, e de um
verde bonito; sua parte inferior reves-
tida de um p cinzento esbranquiado.
No tempo da fructificao, deita uma
vergontea do centro das folhas, da qual
sahe um cacho com os rudimentos das
fructinhas em grupos distinctos ; na
parte superior cada fructinha tem no
seu pice uma flor, que fecundada pe-
las outras, vai-se desenvolvendo pro-
gressivamente; o mesmo acontece a
todas as fructas do cacho.
Na parte superior do cacho prolon-
ga-se o eixo n, formando um aggre-
gado de membranas carnosas, roixas,
compondo um corpo cnico, liso.
Cada dia levanta-se um envoltrio
d'ess8S, e deixa ver um grupo deflo-
res a que chamam favos, e que vo
operando as importantes funces da
fecundao .
, Estas flores tm um nctar io, que
produz uma substancia liquida, albu-
minosa, doce e agradvel.
Acabada a serie d'essa funco, esto
os fructos desenvolvidos com vrios
tamanhos, como havemos de notar.
Este de que falamos tem de com-
primento 24 centmetros, e de forma
subtriangular ; apresenta um pequeno
umbigo no pice, e uma cr amarella
na maturidade ; aromtica.
A casca um tanto grossa, flexvel,
internamente cheia de fibras longitu-
dinaes, que desprendem-se ; une-se a
uma massa compacta, tenra, doce e
agradvel.
No centro d'essa existem trcs divi-
ses distinctas, mas adherentes mesma
massa, na qual se divisa sementes miu-
dissimas, inseridas nos ngulos d'essa
cruzeta.
Esta espcie de bananeira, porm,
a de estatura mais pequena, que cresce
at dois metros de alto. As folhas
novas arroixadas, e as fructas quasi
vermelhas quando novas, so depois
avermelhadas ; o sabor no dos me-
lhores.
As bananeiras so espcies ou exem-
plos gigantes das plantas herbceas,
de um porte elegante, inteiramente
particular, que lhes do as largas fo-
lhas de um bello verde-claro.
Todas as bananeiras habitam os pai-
zes tropicaes dos dois mundos, ellas
gostam dos lugares baixos e hmidos
e das margens dos regatos ; tambm
ordinariamente em semelhantes lo-
calidades que se plantam bananeiras.
A importncia das bananeiras as tem
feito notar em todas as idades, e ellas
parecem ter sido cultivadas desde a
origem das sociedades.
Assim ns as vemos dar lugar a
uma serie de fabulas e de conjectu-
ras.
Certos escri^tores professaram que era
a bananeira um d'esses vegetaes que for-
mava a arvore com a qual o primeiro
homem se cobrio de sua nudez, e que
esse enorme cacho (de uvas) trazido a
Moyss, da terra promettida, no era
outra cousa mais que o cacho de uma
bananeira.
O Olans e Celsius designam os fructos
d'est3 vegetal como sendo a famosa Dou-
claim da Escriptura Santa.
Theophrasto e Plnio faliam das bana-
neiras.
Avicense^ Seripio e Phages fazem d'ella
um grande elogio; singulares supersti-
es reinaram e existem ainda a respeito
do seu fructo.
Bernanlvii de St. Pirre diz: que os
portuguezes que chegaram primeiro s
ndias Orientaes, no a cortavam jamais
pelo meio, porque julgavam vr no in-
terior uma espcie de cruz, no lugar que
BAN
BAN
63
occupam os restos das cavidades ova-
ricas.
Refere-se que na Grcia o povo supers-
ticioso est persuadido de que a bana-
neira se abate sobre aquelle que lhe ar-
rebatar o fructo antes da maturidade.
As bananeiras so cultivadas em abun-
dncia nas trs partes do globo, por onde
passam as linlias tropicaes; e no Brasil
pde-se dizer que no ha lugar nenhum
que no as produza, e com muita abun-
dncia as differentes qualidades.
Os seus caules encerram mucilagem
e amido.
Os egypcios do-nas aos elephantes
nas ndias, assim como aos carneiros e
s vaccas.
As ibras que ellas contm servem
para fazer tecidos ou cordagem.
Os naturaes de certas ilhas, princi-
palmente das Philippinas, e os habi-
tantes das ndias Orientaes, d'ella fazem
diversos estojos que elles tem debaixo
d'agua.
As folhas das bananeiras so empre-
gadas para cobrir as cabanas ; alguns
selvagens se vestem d' ellas, outros se
servem d'ellas como espcie de esteiras
para descanarem.
Suas nervuras fornecem tambm fios
de que se fazem tecidos, assim como
cordagem e redes.
Os fructos da bananeira come-se de
mil maneiras ; na America, na Africa
e nas ndias elles alimentam certas
classes da populao.
Em algumas Antilhas os habitantes
nutrem-se com elles, e realmente por
todo o Brasil a fructa da sobremesa.
Pisando-as obtem-se uma espcie de
po muito nutritivo, e que se conserva
por muito tempo.
Na Granada reduz-se esses fructas a
farinha, que se embarca como proviso
nos navios ; pde-se obter d'ellas uma
bebida agradvel.
. Em summa, as bananeiras prestam
immensos servios ao homem.
Humberto^ sbio agricultor de Mas-
careigne, e Hmiholdt apreciaram as
vantagens que pode oferecer a cultura
d'estas plantas.
Este ultimo calculou que um terreno
de 100 metros quadrados pode for-
necer mais de 4,000 bananeiras, e que
a produco da bananeira est para a
do trigo como 133 est para 1, e para
a da batata como 44 est para 1.
Na Europa um meio hectare de ter-
reno no basta para alimentao de
dois indivduos, ao passo que esse
mesmo terreno sustenta cincoenta, sendo
plantado de bananeiras.
Propriedades medicas. A seiva das
baneiras empregada como adstrin-
gente.
O seu fructo, quando maduro, pei-
toral, emolliente e nutritivo.
Misturado com azeite de dend
supurativo para os tumores.
Caracteres da famlia. Plantas
herbceas ou vivaces , despi'ovidas de
caules, ou algumas vezes munidas de
um bulbo em forma de caule.
Folhas longamente pecioladas, abar-
cantes pela base, muito inteiras.
Flores grandssimas , muitas vezes
matizadas das cores mais vivas , reu-
nidas em grande numero, e encerradas
em espathas.
"O clice irregular, colorido, peta-
loide, adherente pela base com o ovrio.
O limbo de seis divises, trs das
quaes exteriores e trs interiores. (No
gnero Musa, cinco das divises so
externas e formam de alguma sorte um
lbio superior; uma s interna e
constituo o lbio inferior).
Os estames, em numero de seis, so
inseridos na parte interna das divises
calicinaes.
As antheras so lineares, introrsas,
de duas lojas, e sobrepostas em geral
um appendice membranoso, colorido,
petaloide, que a terminao do filete.
O ovrio infero de trs lojas, con-
tendo cada uma d'ellas um grande nu-
mero de vulos inseridos no angulo
interno.
No gnero Heliconia., no ha mais
que um s ovulo em cada loja.
O estylete simples se termina em um
64
BAN
BAN
estigma algumas vezes concavo , mas
rarssimas vezes de trs lobos.
O fructo uma capsula de trs lojas
polyspermicas, de trs valvas, trazendo
cada uma um septo no meio da sua
face interna; ou um fructo carnoso e in-
dehiscente.
As sementes, algumas vezes colloca-
das em um podosperma, e cercadas d e
pellos dispostos circularmente, se com-
pi5em de um tegumento s vezes crust-
ceo, e de um endosperma farinceo, con-
tendo um embryo axillo, allongado e
direito.
Bananeira de bico verde.
Musa bicolor. Fam. idem. Esta quali-
dade de bananeira s difere da prece-
dente no cacho ser menor, e os fructos
tambm menores : mas o arbusto como
o ordinrio d'ellas ; semelhantssima a
de S. Thom., com a differena de ser
menor 8 centmetros, e ter o umbigo
verde, e o corpo do fructo amarello ;
o que lhe d um realce encantador.
O gosto como o da de S. Thom.
A estructura e descripo botnica das
diferentes espcies de bananeiras so
como as j feitas da bananeira ana,
com as diferenas que as narraes
vulgares exprimem.
fastidiosa, de cr amarella alaranjada
forte.
Cumpre dizer que no caule das ba-
naneiras, os tegumentos mais exterio-
res seccam e rompem-se longitudinal-
mente, e servem de corda ; bem como
as folhas seccas servem de enchimento
de cochins, almofadas, etc, e para
calar vidros e impedir de se quebrarem
no transporte, etc.
Bananeira comprida. V. Ba-
naneira da terra.
Bananeira ciira. F. Bananeira
de S. Thom.
Bananeira ma. Musa. Fam.
Iderii. esta bananeira semelhants-
sima a de ,S'. Thom., mas o fructo
mais rolio, de 24 centmetros de com-
primento ; no mostra quasi as ares-
tas dos trs ngulos.
A casca mais fina e lisa, e a massa
mais macia e de bello -paladar; mesmo
mais saudvel e agradvel que as do-
mais.
Bananeira brava . Heliconia
bravia. Fam. Idem. uma bananei-
rinha indgena, chamada assim nas
Alagoas e Pernambuco.
* Esta espcie, semelhante bananeira
do matto, differe em suas folhas serem
mais agglomeradas nas divises, no
fructo ser em forma de pra ou oval,
e ter mais sementes.
Bananes^a de Madagscar.
Urania Ravenalia. Madagascarienses.
Foir. Musacea U. Urania. A copiosa
seiva que escorre, quando se corta as
nervuras das folhas d'esta bella bana-
neira, fornece aos viajantes uma ex-
cellente bebida; por isso tem-se-lhe
dado o nome Arvore dos viajantes.
As sementes so nutritivas e fari-
nceas.
O invlucro (massa) da semente d
um excellente sebo vegetal.
A planta cresce muito bem no
Brasil, e merece ser cultivada em
grande escala, por causa de sua utili-
Baaaaueira de Cayenna. ilf^o; 1 dade. Chamamos para isso a atteno
Fam. Idem. Nas mesmas condies dos nossos agricultores,
das outras plantas acha-se esta ; o ve-
getod
e mui semelhante ao da bana-
neira comprida, em virtude dos pecio-
los e folhas serem mais luzidas, o ca-
cho grande, os fructos do tamanho de
21 centmetros, ora mais ora menos.
A polpa da fructa mais dura e mais
Bananeira do Maranltao.
Musa. Fam. Idem. O fructo d'esta
bananeira de casca roxa, e grande.
Bananeira do mato. Heliconia
sijlvestris. Fam. 7/. Esta bananeira
BAN
BAN
6;
brava indgena, conhecida em Alagoas
e Pernambuco por este nome.
Tem um caule quasi rente , com
folhas semelhantes das espcies acima
mencionadas, porm menores que todo
o vegetal.
Ter de um a dois metros de alto ; do
centro das folhas sahe uma haste ou pe-
dnculo, composto de escamas vermeUias,
chatas, de figura elliptica, abrindo nas
bordas, successivamente, flores quasi da
mesma estructura.
O fructo uma bagasinha carnosa,
oval, trigona com trs gros dentro. No
se come.
Bastaueira do mato. Camia
brasiliensis, Limi. Fam. das Amoma-
ceas. Planta que indgena, com bulbo
na raiz, folhas grandes, flores em ca-
chos amarellos e vermelhos ; parece uma
bananelrinha.
Esta planta d tinta vermelha; das
sementes fazem-se contas para rosrios.
Propriedades medicas. A raiz diu-
rtica e antiblennorhagica.
Das folhas pisadas e cozinhadas faz-se
uma cataplasma emolliente.
Bananeira meia pataca.
Musa. Fam. idem. E' uma bana-
neira rara hoje em Pernambuco, onde
lhe do este nome.
E' alta, e seu cacho tem 1 metro e 12
centmetros de comprido; preciso o
esforo de dois homens para o carre-
gar.
O fructo grande.
Bananeira de morcg;o. In-
dgena e silvestre ; conhecida no Rio de
Janeiro e S. Paulo por este nome.
E' producto de um arbusto, que d
uma espiga estreita, mas de 18 cent-
metros de comprimento; amarellada,
com um eixo no centro, e tem periferia
cheia de fructinhas semelhana de
grosinhos, que estando maduros, in-
cham.
Produz uma espcie de gelatina, que
boa de chupar-se.
Os morcegos gosto muito d'essa fruta
d'onde lhe vem o nome.
Bananeira de oiro. Musa.
Fam. Id^m. Cls. Idem. E' uma ba-
naneira que cresce multo como a bana-
neira prata ; o fructo liso e cheio, de
21 centmetros de comprimento.
A casca por fora roixa com man-
chas rosadas.
A massa ou polpa por dentro de
um amarello cr de gemma d'vo ; solta
os filamentos no descascar.
O sabor assemelha-se ao da banana
da terra ou comprida.
Bananeira de i)a|iag,-aio. Ca-
meraria Jasminifora. Fam. das Ai^ocy-'
neas. Arvore agreste, natural do paiz,
chamada assim em Alagoas.
E' de bello porte ; tronco esbranquia-
do, leitoso e de grandes dimenses.
Suas folhas obovaes, oblongas, gros-
sas, grandes e lustrosas.
Suas flores so brancas, em cachos nas
pontas dos ramos, tendo cheiro activo,
e suave ; seus frutos, de 1 a 2 deci-
metros, so em forma de fuso capsular,
cheios de sementes dentro, envoltas em
uma camada de fios sedosos, brilhantes;
tudo isto lhe d realce.
leitosa em todas as suas partes.
Do peciolo da folha exsuda um leite
copioso.
Bananeira girata. Musa ar-
gntea. Fam. Idem. Esta bananeira
tem o porte da bananeira da terra, ou
comprida, mas o fructo muito mais pe-
queno que a da terra ; regula com a de
S. Thom.
A sua polpa alva, d'onde parece vir-
Ihe o nome que recebeu ; o seu formato
triangular e bem distincto.
O seu sabor agradvel ; tem a casca
grossa.
mui susceptvel de degenerar,
junto eom outras espcies de seu g-
nero.
Bananeira sanibur. Musa
Angulosa., Fam. Idem. Esta espe-
11
66
BAN
BAR
cie de bananeira semelhante a An,
sendo mais elevada.
Seus frutos so de 24 centmetros e
mais; a mais grossa das de seu gnero,
tendo os ngulos mui salient9s.
A cr da polpa de um amarello es-
curo , no muito saborosa.
curti. Musa paraisiaca^ Linn. Fcim.
idem. Esta banana ha tempos passa-
dos, assim como a comprida ou da terra
era uma das mais communs, ou para
melhor dizer, a mais conhecida e vulgar
em Pernambuco, porque a de Cayenna
pouco apparecia no mercado,- entretanto
hoje est um pouco escassa, tomando o
seu antigo lugar a banana prata. Ella
quasi lisa, um pouco grossa, cheirosa e
saborosa ; tem as folhas mais agudas, e
o fructo mais macio que a da terra ou
cor/iprida.
Esta banana, como todas, nem s se
come crua, como cozida, verde ou de vez,
isto , quasi madura, com peixe salgado,
com mel, em doce secco, ou de calda, ou
mesmo secca ao sol.
Ella contribue muito como alimento
nas fabricas ou engenhos de assucar e
outras fazendas ruraes.
O cacho d'esta bananeira s d trs
pencas de bananas.
Propriedades medicas . As folhas
so empregadas em banhos na urticaria,
nos engorgitamentos dos testculos e in-
chaes chronicas das pernas.
A seiva misturada com agua til nas
aphtas das crianas.
BasaaaEes* &!> Taii. Fam. das
3Iiisaceas, Lvrm. Esta bananeira tem o
dorso das folhas cr de violeta, e a casca
da fructa quasi preta.
l>a'B9lt. Mnsa sapientium., Linn. Fa^n.
idem. Esta a que se chama na Bahia
bananeira da terra impropriamente.
Tem os caracteres da precedente, ele-
vando porm o seu porte a maior altura.
Rompem-se muito as suas folhas.
I O cacho grande, o fructo cresce at
36 centmetros, tem os ngulos salien-
tes; curva-se mais e mancha-se muito
de preto, na maturidade.
A casca a mais grossa; a massa
mais compacta que na de S. Thom, mais
resistente ao tacto, e a que melhor se
torna quando assada ou cozida : tem
todos os mais usos das outras.
Esta a espcie que os povos antigos
julgavam ser o pomo do Paraizo, que
Ado comeu.
ISas-aSMB. Arvore do Brasil, cuja
madeira estimvel, para construco e
vrios prstimos.
lls5E*sfet?aBaa ou GisairawiBsa.-r-il/-
lanoxilon Brana. Fam. das Legumino-
sas. uma das arvores que ennobrecem
a vegetao do Brasil ; a Baraliuna co-
nhesida nas diversas provncias do Im-
prio como tal ou Guaraima.
Nas Alagoas mais conhecida por
Maria Preta da Matta.
E' arvore colossal, muito copada, sua
folhagem, mida e lusida, destribui-
da por palmas.
Suas flores, em cachos, so amarel-
las, e d uma vagem comprida como a
de feijo.
Esta arvore tem o interior (cerne) roxo
escuro, e durssimo, e tanto serve para
utenslios de marceneria , como para
quaesquer outras obras de machinas de
engenho, vehiculos e construco ur-
bana.
A importncia da Baraliuna notvel
pela durao secular que tem, mesmo
embebida na humidade da terra.
Fornece uma tinta rubra-fusca.
ISaa^lis fite ftode. Cactaria pallens.
Fam. das Qramineas. E' uma esp-
cie de capim cujas hastes so sulcadas
longitudinalmente , as folhas mui es-
treitas em feixes, e as flores em grupos.
Propriedades medicas. E' aperiente
e diluente; usa-se tanto interna como
externamente, e neste caso applica-se
em cataplasmas sobre a regio do fgado.
BAR
BAR
67
Ba risa tle bode le PernaBi-
liiteo. Fam. das Cyperaceas. E' uma
espcie de capim indigena, cuja vergon-
tea recta, sem ns e sem folhas, cheia
de uma matria esponjosa.
E' muito elstica : tem no pice do
caule um feixe de folhas, onde ha um
aggregado de palhetinhas que envolvem
as flores.
E' mui procurada para gaiolas de
pssaros.
Nas Alagoas a Barha de Bode outra
espcie ; no cresce tanto e serve de
pasto.
Bapfia le Boi. Remirca mariti-
rm^ AiM. Fam. das Cyperaceas. E'
uma espcie de capim de caule ras-
teiro, nodoso, com ramos que elevam-
se, nos quaes tem feixes de folhas mui
estreitinhas e duras.
As flores tem a estructura da dos
capins; vegeta nas praias.
Ella foi achada pela primeira vez na
Guyenna por Aullet.
Propriedades medicas. E' sudorfica
e diurtica.
Bai!*ba ele VelSao. Tillandsia us-
neoides^ Linn. Fam. das Bromeliaceas.
E' uma plalita do paiz, parasita.
Cresce sobre troncos, e d filamentos.
E' mui aproveitada para ninhos de
aves, e pode servir para confeco de
cordas.
Propriedades medicas. Esta planta
pisada e misturada com um pouco de
banha fresca, constitue um bom un-
guento anti-hemorrhoidal, topicamente
applicado.
Como adstringente o povo emprega a
planta em saquinhos nas hrnias, col-
locando-os e mantendo-os sobre o an-
nel inguinal.
Bar1as de barata. {Jsjo Bio de
Janeiro chagas.)
Propriedades medicas. No Norte se
faz uso d'esta planta em cosimento
contra as anginas tonsillares, e dores
de dentes.
A infuso das fiores purgativa.
A raiz anti-febril, prpria para
combater as febres ters.
I5?B*Iiasco. Budleja hrasiliensis,
Swart. Buddleia australis.^ Tell. Fam.
das Escrophulareas. um arbusto da
America Meridional ou somente do
Brasil ; de caules erectos, folhas peque-
nas, ovaes, oppostas, flores em cachos,
amarellas, em forma de angelicasinhas,
tendo por fructo uma capsula, com va-
rias sementes dentro.
Propriedades medicas . Mucilagi-
nosa e levemente amarga, esta planta
empregada nas affeces peitoraes.
Os clysteres de Barhasco ou os banhos
feitos de seu cosimento so anti-he-
morrhoidaes.
Raiz ou folhas, 4 grammas para 500
grammas, de infuso.
Bi^s>batBio. Mimosa virginaUs,
Arr. Cam. Stryplmoeudroi. Barhati-
mo., Mart. Accia virgimdis, Phol.
Fam. das Leguminosas. uma das
mais bellas arvores indgenas.
elevada, de casca spera, folhagem
em palminhas midas ; as flores dis-
persas pelos ramos, nas axillas e pon-
tos terminaes, so reunies de flori-
nhas delicadas, formando frocos que pa-
recem bolotas ; o fructo uma vagem
deprimida; sementes semelhana de
gros de feijo. (Fig. 9.)
Propriedades medicas. Esta planta
gosa de uma grande reputao.
frequentemente usada nos casos
que exigem os tnicos ou adstringentes ;
taes como gonorrhas, hemoptisis, ato-
nia, ophtalmias chronicas, e af^eces
scorbuticas.
Barrigrsida . Bombax ventricosa,
Arr. Cam. Fam. das Bomlaceas.
Arvore agreste do paiz, vegeta no cen-
tro, raramente no littoral ; hoje porem
raro encontrar-se em qualquer matta.
8
BA.T
BAT
A arvore grande ; seu tronco tem
no meio um bojo similhanto ao da
Macaibeira.
Suas folhas em forma de palmas, so
cinco a sete foUietns dispostas no pice
do peciolo commum.
As iores so brancas, no pequenas ;
o fructo um casulo membranoso.
Do tronco d'c3ta arvore se fazem pi-
rogas, e d'ellas se servem os Botocu-
dos para preparar pedaos de po, que
introduzem nos beios e nas orelhas.
O fructo uma espcie de pepino,
que quando se abre deixa ver uma como
que bellissima l de cr branca, que
se emprega em enchimento de traves-
seiros e colches.
I>iirrig,-U8li% lo serCo. V. Em-
hiraanha.
Barck. Dipterix pteropiis, Mart.
Fam. das Leguminosas. uma arvore
das provncias centraes do Brazil, do
gnero do Cumaru.
uma espcie cujas sementes tem
muita anologia e tem os mesmos usos
quasi como o Cumaru.
Ba8soi*ia.. Buddlcja connoAa., Mart.
ePisson. Fam. das Escrophularitieas.
uma planta herbcea com as mesmas
propriedades do Barhasco.
iiUa . Tipeiava. Buddleja australis.
Fam. Idem. Herva semelhante prece-
dente, cujas flores e folhas costumam-se
empregar em cosimentos, e em clysteres
nos sofrimentos hemorrhoidarios.
Bitttiat-.s oii Coffueiro Batan.
Oenocarpus Batayi, Mart. Fam. das
Palmeiras. indigena esta planta das
regies do Alto Amazonas, entretanto o
Par a sua especial ptria.
Ella semelhante Bacaba, com as
mesmas dimenses, d um fructo tam-
bm semelhante, pouco mais ou menos,
de cr avermelhada na maturidade.
Come-se, e faz-se uma bebida a que
do o nome de vinho.
Batata. Convolridus Batata, Linn.
Fam. das Convolmdaceas. Esta serve
como typo das batatas.
Planta indigena da America Meridio-
nal, e da ndia, vivaz ; isto , que vai
sempre reproduzindo-se por ficarem ra-
zes na terra.
E herbcea, e alastra-se pelo solo ;
lactifera.
Tem folhas alternas, e os caules, que
so rasteiros, enrazam no cho em di-
versos pontos, e ahi brotam tuberas,
que so as batatas.
As folhas so cordiformes.
A flor como uma campana roxa.
O fructo uma capsula ovide, com
quatro sementes.
As tuberas so de todos os tamanhos
e fi-mas ; sua casca uma membrana
fina, da cr da prpria massa interna,
que frouxa, um tanto leitosa, fresca,
doce, e de bom sabor.
Come-se cosida, e assada ; d'ella
tambm se faz doce.
A casca as vezes arroxeiada, e a
massa branca.
Caracteres de famlia. Plantas her-
bceas ou subfructescentes, muitas vezes
volveis e trepadeiras, tendo folhas al-
ternas, simplices, ou mais ou menos
profundamente lobadas.
Flores axillares ou terminaes.
O clice gamospalo, persistente, de
cinco divises.
A corolla gamopetala, regular, igual-
mente de cinco lobos crespos, ou cinco
estames inseridos no tubo da corolla.
O ovrio simples e livre, sustentado
por um disco hypogynico ; elle ofe-
rece de duas a quatro lojas, contendo
pequeno numero de vulos.
O estylete simples ou duplo.
O fructo uma capsula, oflTei^ecendo
de uma a quatro lojas, contendo ordi-
nariamente uma ou duas sementes, in-
seridas na base dos septos ; ella se
abre em duas ou quatro valvas, cujas
bordas so applicadas sobre as divises
que ficam no seu lugar; mui raras
vezes a capsula conserva-se fechada,
BAT
BAT
50
ou abre-se em duas valvas sobre-
postas.
O embryo, cujos cotyledones ou lo-
bxilos so machucados, enrolado sobre
si mesmo, e collocado no centro de
um endosperma molle e como que
mucilaginoso.
Bi(al aaiiarella o(t GeriBcti.
Convolvtihis. Fam. das Convolvula-
ceas. Espcie semelhante preceden-
te; porm seu tecido ou substancia
amarello, com as mesmas propriedades.
Tambm a chamam Batata, Gerimum.
lR'AttAti\ porao magoado.
Convolvulus. Fam. Idem. seme-
lhante outra, mas a pellicula exte-
rior roixa, a massa branca, e no
centro forma uma substancia roixa.
. Por este nome conhecida nas Ala-
goas.
Batata isig-Seza. Solammi txero-
sum, Linu. Fam. das Solanaceas. Esta
planta, originaria da America Septen-
trional, o vegetal mais precioso que
a Europa tem tirado do novo mundo ;
e l muito cultivado.
o producto de uma erva, de porte
pequeno, esgalhada, ramos erectos, fo-
lhas lobadas, e flores esbranquiadas.
Na raiz formam-se fibras, que se tor-
nam em tuberas redondas, de cr aloi-
rada, pellicula fina e superficie lisa,
contendo algumas depresses redondas ;
a massa loira e de bom sabor.
Os pontos deprimidos ou cicatrizes
da superficie, so os pontos por onde
rebentam os grelos.
Suas tuberas, extremamente ricas de
amido, so o alimento do rico e do
pobre ; ella tambm cultivada em
todo o Brasil.
O amido extrahido das batatas, a
que do o nome de fcula, mistu-
rado em grande escala com a farinha
de trigo.
Batata Bo aar. Ipomcea mar-
tima. Fam. das Co7icolvulaceas. o
mesmo que a Salsa da praia.
Propriedades medicas. As folhas,
as flores, e as bagas so sedativas,
narcticas, teis nas nevralgias e rheu-
matismos.
Emprega-se tambm nos cntarrhos
chronicos,
O tubrculo emolliente e analep-
tico; raspado ou triturado serve para
cataplasma, que se applica sobre as
queimaduras.
O p bem secco applica-se sobre as
ligeiras escoriaes, e no intertrigo das
crianas.
A batata um poderoso antiscorbu-
tico, quer crua quer cosinhada ; sendo
crua, melhor.
Bttata le |>iBi*;a. Convolvuhis
operculalus, Gom. Piptostegia Gomesii
Mart. Fam. das Convolvulaceas. Planta
herbcea do Brasil, caule trepador sem
gavinhas, quadrangular, de ngulos
membranosos.
Folhas ovaes, um pouco angulosas,
inteiras, um pouco acuminadas, obtu-
sas, mucronadas, molles, quintipenni-
nerveas, na base formando um angulo re-
intrante, verde escuras na face superior,
e esbranquiadas na inferior.
Flores solitrias, pedunculadas, de
pednculos axillares.
Corolla infundibuliforme e amarel-
la.
Fructo capsular, raiz tuberosa fusi-
forme, de 36 centimetros mais ou me-
nos de comprimento, laetescente, con-
tendo na raiz uma resina que bastante
purgativa, conhecida pelo nome de
Resina de Batata.
A fcula, que contm a raiz conhe-
cida pelo nome de Gomma de Batata.,
tem a cr branca acinzentada.
ordinariamente um medicamento
incerto, pelo que sempre convm usar-se
da resina purificada.
Propriedades medicas. Essa batata
conhecida no Rio de Janeiro pelo nome
de Raiz de Jetiaic, usada como
purgativa.
Internamente a gomma,de2decigram-
mas a 1 grammae7 decigrammas,e a re-
O
BAT
BAT
sina de 1 gramma a 2 grammas e 2 deci-
fframmas.
ISittfat 2;iiii9i;it. Convolvulus edi-
lis, Linn e Tumh. Fam. das Convol-
vulaceas. Esta planta, introdnzida ha
poucos annos no Brasil, 6 natural do
Japo .
uma lierva de %. metro de altura,
estendendo o seu caule com folhas
divididas em trs lobos ou lacinias,
e peciolos compridos.
As flores so roixas, como as das
outras batatas.
O fructo uma pequena capsula, a
tubera tem semelhana com a da ba-
tata propriamente dita ; a casca porm
mais amarellada, e a massa mais en-
xuta e saborosa. alimentcia.
Bat;atii Se a^aa&aa ou Iia^saii&v
fai'iaa!asa. Fam. Dioscoraceas . Nas
Alagoas conhecida esta batata por
este nome.
uma planta trepadeira de folhas
ovaes, coriaceas, de trs lobos.
As flires no observadas; oferece
pelos ramos uns tubrculos escuros, de
12 centmetros de comprimento, de
forma angulosa, com a superflcie um
pouco cheia de protuberncias.
Se bem que a casca seja lisa , ofe-
rece tambm na raiz umas tuberas de
casca grossa, cheia de radiculas ca-
pillares, que tem chegado a 4 ^ kilo-
grammos de peso ; acha-se uma massa
branca, e farincea ; depois de cosi-
da , enxuto, doce e muito boa para
comei'-se.
D esses tubrculos acima referidos,
que representam bolbos reniformes ,
de cr parda-acinzentada, verrugosos, e
que x-ei^roduzem a espcie.
S:-:ita4n. 5*o-X3a. Co7ivolmilus.
Fam. das Couvoloidaceas. Esta espcie
como a primeira batata, a branca.
A difterena consiste em no crescer
muito ou tanto, e em que a casca e a
massa so roixas.
das melhores ao paladar, e excel-
lente para doce, mas muito rara, e diz-se
que a que mais flatulncia produz.
Itid^utiiBlB. V. Contra-herva.
ISatc-testa. V. Camap.
BafJBij^-it. Eugenia durssima . -r-
Fam. das Mijrtaceas. Arbusto de me-
diana proporo ; tronco liso e madeira
mui dura; do paiz, conhecido em
Pernambuco e Alagoas por este nome.
As folhas so midas, oppostas.
As flores de cr branca e com cheiro.
O fructo pequeno, ovide de cr
roixa na maturidade, coroado por qua-
tro palhetinhas foliaceas no pice.
Depois da pellicula externa tem uma
polpa aquosa, acredoce, agradvel, da
mesma cr do fructo ; e um caroo, no
centro, esbranquiado.
A madeira d'este arbusto presti-
mosa, muito dura e avermelhada, muito
apropriada para esteios e outras obras
d'esta natureza.
Os fructos so temperantes, segundo
aflirmam.
BaBpuat i^isivo. GompMa ca-
duca. Fam. das Ochiaceas. Arbusto
mdio, de porte bonito, mormente na
epocha da florao ; vegeta no littoral.
ramoso, de folhas meio compri-
das, luzentes.
As flores so, em cachos grandes^
amarellas e fragrantes.
Os fructos so uma espcie de tu-
brculos vermelhos, reunidos por gru-
pos, de cinco vulos, erectos, como
encravados em um disco, cujo corpo
tambm vermelho e suculento.
Dentro de cada coca d'estas ha uma
semente que muito oleosa.
Este leo tem usos medicinaes, assim
como tem o BatiptU manso.
Caracteres da famlia. Vegetaes
ligneos, mui glabros em todas as suas
partes, tendo folhas alternas, munidas
de duas estipulas na base; flores pe-
dunculadas, rarssimas vezes solit-
rias, as mais das vezes dispostas em
cachos ramosos.
BAU
BAU
Os pednculos so articulados no
meio de sua extenso.
Elias tem um clice de cinco divi-
ses profundas, imbricadas lateralmente
antes de seu desenvolvimento.
Uma corolla de cinco a dez ptalas
patentes, e imbricadas na epocha da
jSporao.
Os estames variam de cinco a dez e
mesmo mais, tendo os filetes livres,
inseridos, assim como as ptalas, abaixo
de um disco liypofyynico salientissimo,
onde est implantado o ovrio.
Este deprimido no centro, e pa-
rece formado de vrios pistillos dis-
tinctos, collocados em redor de um
estylete central, que parece nascer im-
mediatamente do disco. O estylete
simples, e sustenta no pice um nu-
mero varivel de lobos stigmatiferos.
O fructo se compe das lojas do ovrio,
que se separam umas das outras e que
formam outras tantas carpellas dru-
paceas, sustentadas pelo disco ou gy-
nobasio, que cresceu.
Estas carpellas, algumas das quaes
abortam s vezes, so unilocullares, mo-
nospermicas e indeliiscentes; ellas pare-
cem, de algum modo, articuladas sobre
o gynobasio do qual se separam facil-
mente.
A semente encerra um grosso embryo
erecto desprovido de endosperma.
Btft tpM iBistfiB^o . Gomphia Jabo-
tainlA^ Limi. e Will. Fam. idem.
um arbusto semelhante ao precedente, e
com o qual quasi se confunde.
Propriedades medicas. O seu leo
applicado nas dores rheumaticas, ery-
sipelas, feridas do tero e outras ulceras.
usado tambm na arte culinria.
BuaaBBuliBa , Yanilla aromtica ,
Swart. Fam. das Orchidaceas . Efi-
endron vanilla, Linn. Planta herbcea
das ndias Orientaes.
Cresce tambm no Mxico, no Pcr, na
Colmbia, na Guyenna e nas provncias
do Norte do Brasil ; mas no Par onde
mais abunda.
Ella sarmentosa e trepadeira, tem os
caules verdes, cylindricos, nodosos, da
grossura de um dedo, munidos de ga-
vinhas ou antes raizes adventcias, que
se implantam na casca das arvores vi-
sinhas, e servem tanto para alimental-a
como para sustental-a, visto que a planta
continua a vegetar depois de separada
da terra.
Folhas rentes , alternas , distantes ,
ovaes-oblongas, agudas, lisas, um pouco
espessas, com nervuras longitudinaes.
Flores dispostas, no pice dos ramos,
em cachos axillares pedunculados ; o pe-
riantho ou envoltrio dos rgos sexuaes,
de um verde amarellado por fora, bran-
co interiormente,' formado de seis se-
palas.
O fructo uma capsula carnosa, verde
a principio e depois de cr roixa escura,
comprida e siliquosa.
Sementes numerosas, pretas, globu-
losas, repletas de um sueco roixo, espes-
so e balsmico.
Colhe-se o fructo antes de estar ma-
duro, para evitar que se rache, e deixe
escorrer o sueco que contm ; faz-se sec-
car sombra, cobi-e-se com uma camada
de azeite ; emflm fazem-se molhos com
50 ou 100 capsulas, e mettem-se em cai-
xinhas de folhas.
No commercio ha trs espcies :
1.* Bannillia legitima^ do compri-
mento de 16 a 20 centmetros, da gros-
sura de 7 a 9 milmetros, enrugada e
sulcada no sentido do seu comprimento,
mais estreita nas extremidades, e cur-
vada na base; um pouco molle e viscosa,
de cr roixa escura; cheiro forte, agra-
dvel.
Conservada n'um lugar secco, e n'um
vaso que no seja hermeticamente fe-
chada, esta baunilha se cobre de cris-
taes de acido benzico;- a mais esti-
mada.
2.=^ Baunilha bastarda^ mais curta,
mais delgada, mais secca, de cr me-
nos carregada ; c menos aromtica e
no effloroce.
A ^.^ espcie, chamada Baunilho, tem
vagens de 14 a 19 centmetros de com-
primento, ede 11 a 21 millimetros de lar-
9
BAU
BAX
gura ; mui escura, quasi preta, molle,
viscosa, de cheiro forte e menos agra-
dvel que a das duas primeiras esp-
cies, e parece ter ultrapassado o seu
ponto de maduresa ; julgam alguns que
no fornecida pelo mesmo vegetal.
Propriedades medicas. um dos
excitantes mais agradveis da matria
medica.
aphrodisiaca, emmenagoga, e diu-
rtica.
muito usada, sobre tudo pelo seu
aroma na composio do chocolate.
Internamente d-se o p na dose de
15 gros at 1 oitava.
Tintura de 4 a 8 grammas, em uma
poo.
Xarope, 16 a 32 grammas.
Caracteres da famlia. Plantas vi-
vazes, algumas vezes parasitas, tendo
lima raiz composta de fibras simples e cy-
lindricas, muitas vezes acompanhada de
iim ou de dois tubrculos carnosos, ovi-
des ou globulosos, inteiros ou digitados.
As folhas so sempre simples, alternas,
invaginantes.
As flores muitas vezes grandssimas e
de uma forma particular, so solitrias,
fasciculadas, maneira de espigas ou pa-
nicula.
O clice de seis divises profundas,
trs das quaes interiores e trs exteriores.
Estas, frequentissiinas vezes seme-
lhantes entre si, esto vista ou aproxi-
madas umas das outras na parte supe-
rior da flor, onde formam uma espcie de
capacete (clix galeatus).
Das trs divises internas duas so la-
teraes, superiores, e semelhantes entre si:
uma inferior, d'uma figura toda parti-
cular, e traz o nome de labello ou aven-
tal.
Elle apresenta s vezes em sua base um
prolongamento concavo chamado esporo
(labellum calcaratum).
Do centro da flor se eleva no pice do
ovrio uma espcie de columella deno-
minada gymnostemio, que formada pelo
estylete e pelos filetes estaminaes solda-
dos, e que traz na face anterior e supe-
rior uma depresso glandulosa que o
estigma, e no pice uma anthera de duas
lojas, abrindo-se quer por uma sutura
longitudinal, quer por um operculo que
forma toda a parte superior d'clla.
O pollen contido em cada loja est
reunido em uma ou varias massas, tendo
a mesma f(5rma que a cavidade que as en-
cerra.
No pice do gymnostemio sobre as
partes lateraes da anthera, acham-se dois
tuberculosinlios, que so dois estames
abortados , e que se chamam estami-
nodios.
Estes dois estames so pelo contrario,
desenvolvidos no gnero Cypripenm;
ao passo que o do meio aborta.
O fructo uma capsula unilocular, con-
tendo grande numero de sementes pe-
queninas, inseridas em trez trophosper-
mas parietaes, salientes e bifurcados do
lado interno.
Estas sementes tem o tegumento ex-
terior formado de uma redezinha ligeira,
e se compem de um endosperma, no qual
existe um pequenino embryo axillar e
homotropo.
BaiinilSBit (Ia Blta.
palmarnm. Fam. idem.
Vanilla
Propriedades medicas. Applica-se
nas febres adynamicas e nas nevrozes.
BiQiinlIia. l9va\s,.GijmMium Va-
nilla. Fam. idem. Hervaou pequeno
subarbusto, parasita, volvel, de caule
cylindrico; vegeta exclusivamtnte sobre
as palmeiras de Aricory.
uma planta verde sempre, de fo-
lhas carnosas, duras e lanceoladas.
As flores amarellas e grandes, sem
cheiro, em pencas.
O fructo uma espcie de vagem,
tendo dentro uma substancia branca,
esponjosa ; contendo muitas sementes
pequenas e pretas, cuja substancia in-
terna se emprega contra os pannos ou
ephelides da ctis, com feliz resultado.
Bi^xiutia ou Coiieiro Ba-
xiiff)a. Sriartea ventricosa., Mart.
BEI
BEI
"73
Fam. das Palmaceas. O friicto co-
mestvel.
Ha mais trs espcies : Iriartea exor-
rJieza^ Iriartea eltoidea, Iriartea seli-
gera.
Bayuciir. E uma planta her-
bcea do Rio Grande do Sul, que tem
um bulbo, que passa por especifico
contra as hydropesias.
Beijo lo anato. PMseolus ruiriis.
Fam. das Leguminosas. Herva indi-
gena, conhecida por este nome nas
Alagoas.
E uma trepadeira, de caule fino,
folhas ternadas, de figura elliptica e
estreitas.
Flores como a do feijo, porm de
cr vermelho-rubra.
O fructo uma vagem estreitssima,
cujas sementes assemelham-se s do
feijo; so rajadas de cinzento.
Beijo de ina. Cosmos hipina-
tns^ Cav. Fam. das Compostas. Flor
de jardim, extica, natural do Mxico.
Herva que chega at 1 %. metro de
altura.
Folhas em forma de palmas, com
as flores no cimo dos ramos ; formam
um circulo de laminazinhas rosadas,
que tem no centro o aggregado de
florinhas amarellas.
D um fructo preto, de fignra pyri-
forme, tendo por cima dois aguilhesi-
nhos.
Propriedades medicas. Usado con-
tra a ictercia, e aflfeces biliosas.
Beijo de palma. F. Velhdo.
Beijoeiro. V. Estoraque.
BeijoBiu. Laurus Benzoin., L7in.
StyraB Benzoin., Rich. Farii. das Styra-
caceas. E uma arvore que d com
abundncia na parte Meridional de
Sumatra, de Java e no reino de Syo ;
tambm se encontra nos sertes do
Brasil.
Suas folhas so alternas, ovaes, chei-
rosas, como tambm a madeira.
Flores amarellas.
Os fructos so bagas vermelhas, que
se tornam escuras com o tempo ; o
sueco resinoso e balsmico corre por
incises, que praticam n'arvore.
Este sueco branco, mas pelo con-
tacto do ar se solidifica e se torna es-
curo.
O Beijoim que nos trazem os serta-
nejos muito mal preparado, e por
essa razo se vende por preo muito
inferior ao que nos fornece o estran-
geiro.
O Beijoim queima-se nas igrejas, lan-
ado nas brasas, misturado com o in-
censo.
Propriedades medicas. Emprega-se
como estimulante nas bronchites, as-
thma, atonia de rgos digestivos.
O Beijoim entra na composio do
Blsamo catliolico muito usado nas con-
tuzes, quedas e cortaduras.
Na preparao do leite virginal, em-
pregado como objecto de toucador.
Em loes nas manchas da pelle,
sardas, etc.
Caracteres da famlia. Esta fa-
mlia encerra arvores ou arbustos de
folhas alternas, sem estipulas, de flores
axillares, algumas vezes terminaes.
O clice livre ou adherente ao ov-
rio infero.
O limbo inteiro ou dividido.
A corolla gamopelata, regular. Os
estames, cujo numero varia de 6 a 10,
so livres, ou monadelphos pela base.
O ovrio, ora supero, ora infero, tem
ordinariamente quatro lojas, separadas
por divises membranosas e delgads-
simas ; cada uma d'estas lojas contm
commumente quatro vulos inseridos
no angulo interno da loja, dois erectos
e dois deitados.
O estylete simples, terminado em
um estygma pequeno e singelo.
O fructo ligeiramente carnoso ; con-
tm d'um a quatro caroos sseos, e
mais ou menos irregulares.
12
*94
BEL
BEQ
A semente formada, alm do tegu-
mento prprio, d'um endosperina car-
noso, que encerra um embrvo cyliu-
drico; tendo a mesma direco que a
semente-
ISelcBroeia. Portnlacca oleracea^
Linn. Fam. das Portulacaceas . Esta
herva originaria de ambos os liemis-
pherios, e conhecida em todo o Imprio
do Brasil.
de pequeno porte, quasi rasteira;
ergue seus ramos de 24 a 48 centme-
tros, seus caules so carnosos e succu-
lentos.
As folhas oppostas, ovaes e tambm
succulentas.
As flores, reunidas nas axillas das fo-
lhas e no pice dos ramos, so ama-
rellas.
O fructo uma capsula pequena, c-
nica, que se abre por uma espcie de
tampa, cheia de sementes mui pequenas,
pretas e luzidias.
A Beldroega, planta muito til ; serve
de sallada, etc, e faz parte dos ca-
rurus, etc. Ha duas espcies : Portulaca
radicans, Mart. e Portulaca jiatens, Vell.
Propriedades medicas. Suas folhas,
applicadas sobre as ulceras, obram como
detersivas ; cosidas formam um appo-
sito ante-hemorrhoidal.
Seu decocto diurtico e lactifero.
O sueco anti-ophtalmico, e as se-
mentes anthelminticas ; administra-se
em forma de xarope, para este fim.
BeSota da ioISaa decotada.
Liairis inciza. Fam. das Compostas.
Delicada plantinha herbcea e sylves-
tre; do-lhe este nome nas Alagoas.
uma erva de 4 a 6 % decime-
tros, de caules sulcados e roixeados.
As folhas fendidas em lacineas.
As flores em cachos no pice dos
ramos, formando como um jarrinho
foliaceo, e tendo no seu centro uma
reunio de florinhas quasi imperceptveis
e roixas.
Bclota da l'iaa iaateira. Lia-
tris spatuUfoUa. Fam. Idem. uma
espcie semelhante precedente.
Esta porm tem as foUias em figura
de esptula, e a face inferior da folha
esbranquiada ; em tudo o mais
como a precedente.
It'?BiiE9tefiiiei[*. Caletidula officina-
lis, Linn. e Si). Fam. das Comj^ostas.
Erva cultivada entre ns e oriunda da
Europa, que em alguns lugares cha-
mam Malmequer e em outros Saudade.
uma planta quasi rasteira ; ergue
porm a summidade dos ramos, e tem as
folhas um tanto grossas nas pontas
dos ramos.
As flores so constitudas pela reu-
nio de muitas linguetinhas estreitas
reguadas, dispostas em um recept-
culo commum, formando como que uma
rosa branca ou amarella.
D'esta cr so as mais lindas ; tem
um cheiro um tanto pronunciado se-
melhante ao da Macella.
Propriedades medicas. usada nas
afeces nervosas e hystericas.
Beaao le Deus. Ahutilon escu-
lenum, St. Hil. Fam. das Malvaceas.
Subarbusto das provncias do Sul do
Imprio, por este nome conhecido.
agreste ; suas folhas so um tanto
pelludas e cordiformes.
As flores como rosas purpreas.
As flores so colhidas pelos habitantes
d'esses lugares, e at os fructos ainda
verdes, porque se prestam a ser comidos
com carne.
BeiJie eSaea-oso. Pii)er aroma-
ticum. Fam. das Piperaceas. Esta
planta indgena e conhecida em Per-
nambuco por este nome.
um subarbustinho pouco esgalhado;
seu caule de distancia em distancia of-
ferece um n.
As folhas conservam-se sempre verdes
em todo o tempo ; so ovaes e tem um
pequeno prolongamento, semelhana
de um esporo, na base.
As flores so engastadas em uns cor-
BER
BER
VS
pos semelhantes ao sabugo do milho,
rolios e esbranquiados.
A planta aromtica.
Propriedades medicas. sedativa,
e por isso sua decoco empregada em
banhos contra o rheumatismo.
Ber^asaiot. Citrus Limetta.
Farn. das Airanciaceas . A arvore tem
os ramos espinhosos, folhas grandes ,
ovaes, arredondadas, sustentadas porpe-
ciolos longos e alados.
Os fructos so pequenos, arredonda-
dos, um tanto mamillosos no pice ; a
casca dos fructos delgada, de um ama-
rello dourado, lisa, cheia de um leo
essencial suave e picante, que muito
procurado na arte da perfumaria.
Ber^usnoa Se JsiimIb. Li-
oietta vidgaris. Fam. das Auranliaceas.
Chama-se assim em Pernambuco a
uma herva extica, cultivada em jardins,
delicada, quasi rasteira, de folhas op-
postas, pequenas, semi-redondas, leve-
mente serreadas ; de cheiro activo e agra-
dvel ; nunca floresce em Pernambuco.
Serve de ornamento de jardins.
Berijeaa. Solanum melongenw ,
Linn. Solau. macrocarpimi , Maeg .
Fau. das Solanaceas. Esta planta
originaria da America Meridional.
herbcea, sobe a 1 ou 1 % metro de al-
tura ; succulenta, de folhas alternas
roxeadas, oblongas e pendentes.
Flores esverdinhadas a maneira de es-
trellas.
O fructo oblongo, arroixeado, de su-
perfcie lisa e brilhante.
A substancia interna aquosa, com
quatro reparties cheias de sementes
chatas ; so pouco distinctos os septos.
A Beringela come-sc preparada de toda
a maneira.
Tambm faz activar a secreo uri-
naria, e til contra as aras da be-
xiga.
Bea'iri. V. Marin.
Berfallia. Bazelta rtibra. Fam.
das AtriMceas. Esta planta origi-
naria de Malabar, introduzida em nosso
paiz, e conhecida por este nome at
as provncias do Sul.
um vegetal herbceo, trepador,
enlaa-se nas cercas e latadas ; seus
ramos so molles succullentos ; as fo-
lhas ovaes.
Suas flores parecem antes botes.
As fructinhas so esphericas, roxas,
molles ao tacto, com uma pellicula fina,
cheias de um sueco aquoso, colorido em
roixo forte.
Este sueco combinado com o acido de
limo fica rubro, mas a cr no per-
siste.
comestvel ; ha duas espcies, branca
e amarella.
Applica-se como emollente e refri-
gerante.
Caracteres da famlia . Plantas
herbceas ou ligneas, de folhas alter-
nas ou oppostas, sem estipulas.
Suas flores so pequenas, algumas
vezes unisexuaes, dispostas quer em
cachos ramosos , quer grupados no
fundo das folhas.
O clice gamospalo, s vezes tubu-
loso na base, de trs, quatro ou cinco
lobos mais ou menos profundos, per-
sistentes.
Os estames variam de um a cinco ;
so inseridos, ou na base do clice,
ou debaixo do ovrio; estes estames so
oppostos aos lbulos do clice.
O ovrio livre, unilocular, monos-
permico, contem um s ovulo erecto e
sustentado algumas vezes por um po-
dosperma mais ou menos comprido e
tnue.
O estylete, que raramente simples,
de duas, trs ou quatro divises, termi-
nadas cada uma em um estigma sovelado.
O fructo um akenio ou umabagasi-
nha.
A semente se compe, alm do tegu-
mento prprio, d'um embryo cylindrico,
tnue e curvo sobre um endosperma fa-
rinceo ou enrolado em espiral, e varias
vezes sem endosperma.
'76
BIC
BIC
ISotoiira. Belonica hrasiliensis
Fam. das Lahiadas. Pequeno siiliarhusto
conhecido no sertuo por este nomo, donde
sem duvida, parece ser natural.
E' semelhante, com pouca diferena,
ao gnero Betonica, da Europa, [Betonica
officmalis^ Litm).
Seu caule traz de ordinrio poucas fo-
lhas, e estas ovaes, denteadas, com cheiro;
munidas de peciolos longos c finos.
As flores reunidas em capitulo globu-
loso, sustentado por um pednculo com-
prido, so tubulosas, abrem-se em dois
lbios recortados, de cr piirpurea, roixa.
Ofructo hispido, e n'elle acham-se as
sementinhas pardas , Insidias , pyrifor-
mes.
Bef re. V. Betys.
Beys. Piper encalyptifolium. Fam.
das Piperaceas. Arbustinho de ramos
nodosos e folhas lanceoladas, largas.
Flores em espcies de espigas, como o
Malvaisco.
Vegeta no Amazonas.
Propriedades medicas. O cosimento
d'esta planta, isto das suas folhas e da
raiz, um excellente calmante contra as
clicas flatulentas.
Bico de Pa|>ag:aio. EupTiorhiain-
cartiata. Fam. das Euplwrhiaceas. Plan-
ta extica, conhecida em Pernambuco e
Bahia por este nome.
Este arbusto de uma elegncia not-
vel pelo brilho de suas bracteas purpu-
rinas.
Serve de ornamento dejardim.
Bicorii Fructo agreste do Par,
de 6 centimetros de dimetro, redondo,
de cr alaranj ada ; casca tnue e frgil.
Dentro encerra uma massa branca,
aquosa , muito doce, na qual existem
muitos caroos redondos e vermelhos.
Bieuilta. Myristica officinalis.
Fam. das Myrsticaceas. Arvore que ve-
geta nas provncias do Sul do Imprio.
Suas folhas so simples, alternas, lan-
ceoladas, oblongas e inseridas com toda
a regularidade nas duas faces oppostas
dos ramos.
As flores so unisexuaes, dioicas.
A organisao do fructo 6 to cu-
riosa, que merece uma dcscripo mi-
nuciosa.
Assemelha-sc a uma drup;^., indehis-
cente, bivalve, e de forma ellyptica ; o
periearpo torna-se coriaceo, e encerra
na sua nica cavidade vima semente
envolvida por um arillo, (massa car-
nosa contendo uma substancia oleosa
conhecida por leo de Bicuiha}^ e cuja
superfcie acha-se revestida de uma
membrana vermelha assetinada, toda
recortada, e, em alguns fructos, divi-
dida em lacinias.
O episperma mais coriaceo do que
membranoso, e o embryo endosper-
mico.
Segundo o sbio botnico Martins.,
se a Myristica officinalis., que faz objecto
d'esta descripo, fosse cultivada con-
venientemente, o seu fructo poderia ser
equiparado ao da Myristica moscTiata ou
aroraatca., originaria das Molucas.
A madeira da Bicuiba branca, em-
pregada em vigamentos e assoalhos ;
a frouxido do seu tecido torna-a im-
prpria para certas obras.
Dando-se golpes sobre seu tronco,
escorre um liquido extremamente fluido,
cr de sangue.
A trasformao da cr vermelha que
se observa logo que se expe ao con-
tacto do ar, pode ser explicada pela
aco oxidante do mesmo ar. (Fig. 10.)
Propriedades medicas. applicada
contra as dores rheumaticas, e os tu-
mores arthriticos, e considerado como
efficaz nas clicas e dyspepsias.
Caracteres da famlia. Arvores to-
das exticas e crescendo debaixo dos
trpicos, tendo folhas alternas, no
ponctuadas, inteiras.
Flores dioicas, axillares ou terminaes,
diversamente dispostas.
O clice, gamospalo, de trez divi-
ses valvares.
BIC
BOA
t7
Nas flores machos, se acham de trs
a doze estames monadelphos, cujas
antheras approximadas, e muitas vezes
soldadas, se abrem por um sulco lon-
gitudinal.
Nas fli'es fmeas, o ovrio livre,
de uma s loja, contendo um s ovulo
erecto, e anatropo ; mui poucas vezes
ha duas.
O estylete curtissimo, terminado
em um estigma lobado.
O fructo uma espcie de baga cap-
sular, abrindo-se por duas valvas.
A semente coberta por um falso
arillo carnoso, dividido em grande nu-
mero de filamentos.
O endosperma crneo e durssimo,
marmreo, contendo na sua base um
pequenino embryo erecto.
Esta familia tem por typo a Mosca-
deira (Myristica).
distincta das Lauraceas pelo clice
de trs divises ; pelos estames mo-
nadelphos, abrindo-se por um sulco
longitudinal ; pela semente erecta, ari-
Ihada, pelo embryo pequenino, encer-
rado n'um endosperma duro e mar-
mreo.
Alguns authores approximam esta
familia das Anonaceas ^ entre as Pohj-
fetaleas. Mas uma affinidade que
parece pouco real; s existe a se-
mente que oferece, com efeito, alguma
analogia entre estas duas famlias, no
mais to diferentes.
Biciiiba ou Bequba. Myns-
tica seUfera, Larnck. Fam. das Lau-
raceas. E uma arvore alta natural
dos terrenos do Equador ; tambm d
na Bahia.
Suas folhas so alternas, oblongas e
cobertas inferiormente de um pello
avermelhado.
As flores em cachos, miudissimas e
avermelhadas .
O fructo globuloso, de 4 a G centi-
mstros, quasi secco, de duas valvas
com uma ou duas sementes, que so
envoltas em uma matria sebacea.
Serve para fazer velas esta matria,
que se colhe do tronco por incises.
Biliiubi. Averrhoa Bilimhi^ Linn.
Fam. das Oxalidaceas. Bonito ar-
busto originrio da ndia.
Seu tronco tem a grossura de 12 cen-
tmetros de dimetro.
Suas folhas, de verde gaio, dispos-
tas em palmas.
As flores em cachos ou feixes dis-
tribudas, so cr de rosa ; nascem
nas axillas e continuidade dos ramos.
Tem por fructo uma baga de 9 a
12 centmetros, de figura oval-oblonga,
afinando para as extremidades, de cr
verde pallida, mesmo na maturidade,
e coberta por uma pellicula fina ; o
interior occupado por uma polpa
aquosa, bastante acida, quasi trans-
parente ; contem duas sementes elly-
pticas, deprimidas e esbranquiadas.
O fructo acido agradvel, refri-
gerante e usado em limonadas.
E tambm applicada para tirar n-
doas de fazendas, nas tinturarias.
Bilfos. Cartoleta speciota^ Arr. C.
Fam. das Liliaceas. uma planta
do serto, classificada pelo Dr. Arruda
Camar.
Tem um bolbo que se come no
serto.
Suas flores so vermelhas e mui
bellas.
Ha outras dififerentes espcies.
Bribi. Anona. Fam. das Ano-
naceas. Fructo do Par e do Mara-
nho onde tem este nome.
uma espcie de Pinha ; provm de
um arbusto ; que pela structura de seu
fructo se assemelha muito s Anonas.
Esse fructo de 12 centmetros mais
ou menos, figura cnica, superficie com-
posta de escamas bem como a Piiha.
Internamente a massa branca, re-
sultado da reunio de muitos bagos,
cada qual com um caroo preto, el-
lyptico, luzidio.
Diz-se que no tem mo gosto ; e
bem anloga Pviha ou a fructa da
Conde a.
Boas iBoites. Vinca rsea, Linn.
58
BOG
BOM
Fam. us A^pocynaceas . A Boas noites
c oriunda do Malabar c Madagscar.
Nas Alagoas assim como em Per-
nambuco conhecida por este nomo.
uma herva to aclimada no pai/,
que j no se cultiva ; nasce por toda
a parte, nas proximidades das habi-
taes, etc.
E ramosa, o caule e os pcciolos das
folhas purpurinos.
As folhas oppostas, obovaes, lustrosas.
As flores oferecem um tubo verde,
e o limbo de cr roixa ou branca,
dividido em cinco lacinias planas ; seu
cheiro desagradvel,
O fructo representa duas capsulasinhas.
Ha outra espcie que de flor branca,
e que chamam Bons Dias; tem o caule
tambm branco.
O decocto applicado nas dores de
dentes,
do SiS. V. Bonina de Pernambuco.
Bo^tri. Mogorinm samhax^ Humh.
e Bomp. Ny dantes samhax, Linn Jas-
minium samhaxj Spl. Fam. das Jas-
minaccas. planta originaria da ndia,
cultivada e muito conhecida no nosso
paiz, como uma das flores mais bellas e
de mais delicado aroma.
O Bogari um subarbustinho muito
esgalhado , de folhas sempre verdes ,
crespas, ternadas.
A flor semelhante a uma rosa pe-
quenina e branca, de excellente cheiro.
O fructo ordinariamente aborta.
ornamento dos jardins; mas seu
decocto empregado contra a ictericia.
Caracteres da famlia. Esta familia
se compe de arbustos ou mesmo de
grandes arvores, de folhas oppostas, ra-
ramente alternas, simplices ou pinnu-
ladas.
As flores so hermaphroditas, exce-
pto no gnero Ornus (freixo) onde ellas
so polygamas.
O clice gamospalo, turbinado
na parte inferior.
A corolla gamoptala, muitas ve-
zes tubulosa, de quatro ou cinco l-
bulos, algumas vezes assas profundos
para que a corolla parea polyptela,
[Omm CUomanthiis) ; falta s vezes de
todo .
Os cstames so em numero de dois.
O ovrio de duas lojas, contendo
cada uma dois vulos suspensos,
O cstyletc simples termina em um
estygma bilobado.
O fructo ora uma capsula de uma
ou duas lojas, indehiscentes, ou abrin-
do-se em duas valvas, ora carnoso
e encerra um ncleo sseo,
O tegumento prprio da semente
delgado ou carnoso ; o endosperma
carnoso ou duro ; contem um embryo,
tendo a mesma direco que a semente.
Boi g:orlo. Cssia rugosa, Vogel.
Cssia friicticosa., 3Ians. Fam. das
Leguminosas. Esta planta de Minas
Geraes e tem as mesmas virtudes da
Mangerioha de Pernambuco.
Segundo Manso purga na dose de
16 grammas, e d boa tinta amarella.
Herva de folhas ovaes, lanceoladas,
acuminadas, oblongas, em quatro pa-
res, ramos glabros, glndula aguda e
oblonga entre os foliolos.
Flores como nas outras espcies do
mesmo gnero.
Fructo tambm legume.
Existem duas espcies : Cssia splen-
dida., Vogel. Cssia loivigata., Vogel e
Will. Decandria Monogynta., Linn.
Bolsa, de pastos*.
Preguia.
V. Brao de
Bosni iiosne liravo. Batiput bra-
vo. E' a planta que nas Alagoas chamam
Batiput bravo., e a que em Pernambuco
do este nome.
Foi j descri pt a.
BoBBfi stOBBte veP65eii'o. Eloso-,
dendron cauliflorum. Farii. das Rliamna-
ceas. Arvore silvestre do Brazil, conhe-
cida nas Alagoas e em Pernambuco.
E' alta ; a casca avermelhada interna-
mente.
BON
BOR
^9
As folhas quasi redondas, succulentas.
As flores em cachinhos, no s brotam
nos lugares ordinrios, como nas expan-
ses dos ramos; so como estrellinlias
amarellas.
O fructo uma capsula em forma de
pio, tendo um ncleo no centro, coberto
de polpa branca.
A madeira d'esta arvore applicada
em diversos usos.
BoEBiMsa. 'Nyctago Jiortensis^ Juss.
Mirabilis^ dicliotoma^ Litm. Fam. das
Nyctagaceas. E' planta natural do Peru,
do Mxico e da ndia.
Tem diversos nomes pelas provncias
do Imprio.
Em Pernambuco e Bahia tem o nome
de Bonina ; no Par e no Maranho o de
Boas noites^ em S. Paulo, Rio de Janeiro
e Minas o de Maravilha.
E' uma planta herbcea, seu caule apre
senta ns de distancia em distancia.
Folhas oppostas, lanceoladas, molles-
Flores associadas em receptculo fo-
liaceo, tendo no centro uma semente oval
angulosa, e no pice uma flor de tubo
longo, que abre como um funil ; sahem
do tubo filetes. Esta flor abre-se de noite,
e fecha-se pela nianh.
Raiz de 24 a 30 centmetros de compri-
mento, e 6 de dimetro, irregularmente
arredondada, fuziforme, roixa escura por
fora, branca por dentro ; gosto acre, sem
cheiro.
O fructo torna-se preto, rugoso, angu-
loso ; dentro a amndoa farincea.
Propriedades medicas . Adminis-
trada internamente a raiz purgativa
na dose de 2 a 4 grammas em p; em
extracto bastam 30 a 60 centigrammas.
Caracteres da famlia. As Nycta-
gaceas so plantas herbceas, arbustos ou
mesmo arvores, cujas folhas so simples,
as mais das vezes oppostas, s vezes al-
ternas.
As flores axillares ou terminaes, mui-
tas vezes reunidas em certo numero em
um invlucro commum, ou tendo cada
uma um invlucro prprio e caliciforme.
Seu clice gamosepalo , colorido?
muitas vezes tubuloso, intumescido na
parte inferior, que frequentes vezes
mais espessa, e persistente depois da
queda da parte superior.
O limbo mais ou menos dividido
em lbulos enrugados.
Os estames variam de 5 a 10, e so
inseridos na borda superior d'uma es-
pcie de disco hypogynico, muitas vezes
em forma de cpula.
O ovrio de uma s loja, contendo
um ovulo erecto.
O estylete e o estigma so simples.
O fructo uma cariopse, coberta em
parte pelo disco e base do clice, que
so crustceos, e formam uma espcie
de pericarpo accessorio.
O verdadeiro pericarpo delgado
adherente ao tegumento prprio da se-
mente ; esta se compe de um embryo
inclinado sobre si mesmo, tendo a ra-
dicula curva sobre a face de um dos
cotyledones, e abraando assim o en-
dosperma que fica central.
Bo'l5ffiaetsa. uma flor a que em
Pernambuco se d este nome.
Ha branca e amarella, e i^roducto de
uma planta, cujo caule cresce de 46
centmetros a 1 metro, contendo as
folhas cm ordem symetrica, alternada-
mente.
Os peciolos d'essas folhas so como
bainhas, que abraam o caule ; ellas
so de 2 % decimetros, lanceoladas,
oblongas, membranosas, de cr verde
pallida.
ISofsS 1 vellais. Mimosa vaga
Linn . Fam . das Leg mninosas . Arvo-
reta do paiz ; seu tronco tem uma es-
pcie de casca, que um corpo espon-
joso, branco e rugoso, que se desprende
em certo tempo.
As folhas so em palmas distribudas
nos ramos.
As flores em pequenos feixes ou ca-
chos, que parecem molhos de retrz
formando bolotas, cujos fios so em
parte brancos e em partes roixos.
O fructo uma vagem chata de 12
so
BOR
BOR
centmetros e mais, com poucas sementes,
e essas como as do feijo.
O lenho d'esta arvore fraco e branco.
Ha outra espcie, e c a que se segue.
Bordo tie \'ellfta. Mimosa^ Linn.
Polygamia monoecia, Linn. Fam. das
Leguminosas. Arvore indigena do paiz ;
de altura mediana, tronco pardo, sem
cortie.
Folhas alternas.
Flores grandes, porm em pequenos
cachos, formando um tubo pequeno, com
um molho de filetes aloirados ou es-
verdinhados.
O fructo uma vagem de % deci-
nietro de comprimento, larga, mem-
branosa, com os lugares das sementes
salientes ; estas so ellipticas e alva-
dias. A vagem parece pergaminho.
Borclosiiilio. Fam. das Apocg-
naceas. um sip que em Sergipe
tem este nome, e em Pernambuco
conhecido por Stimauma.
Planta ti'epadeira, lactifera; seu caule
coberto de uma substancia, esponjosa,
branca, e os ramos de pellos curtos.
As folhas cordiformes, grossas, pellu-
das, pecioladas e ojipostas.
As flores, reunidas em feixe nas axil-
las das folhas, so maneira de es-
trellas, resinosas ao tacto.
O fructo germinado, irrigado de
aculeos molles herbceos, e muito lei-
toso ; dentro existem muitas sementes
cobertas de pello branco, macio e alvo.
este pello serve para encher colches,
travesseiros, etc.
BoiMlosiiiSfio 9Bs Ala^us.
Oiticica de Pernambneo.
Boror. Veneno com que os ind-
genas do Brasil hervam suas frechas.
extrahido de razes de certas plantas, que
nascem em lagos e pntanos.
Sua preparao mui perigosa, e por
este motivo sempre uma velha quem
d'ella se encarrega.
Alguns authores acreditam ser o Boror
o Curare hoje conhecido, e que Humholdt
suppz sor um Strgcknos.
O sal e o assucar so tomados como
nicos, posto que fracos, antdotos do
Boror.
Boi*riis*aia. Gomma elstica , ou
seringa em rama. Siphonia elstica.
Fam. das Eiphorhiaceas . Os vegetaes
que produzem a Borracha so bastante
numerosos, e pertencem s famlias das
Eu2)horiaceas ^ Arocarpaceas , Aptocyna-
ceas^ e Loheliaceas .
De todos os vegetaes o que fornece
maior quantidade de Borracha a Se-
ring%ieira , que cresce abundantemente
em estado silvestre nas provncias do
Amazonas e Par.
Encontra-se em menor escala no Ma-
ranho, e apparece em pequena quanti-
dade no Cear e Rio Grande do Norte.
Chega a ter n'essas provncias 9 a 18
metros de altura, de 2 a 2 */^ de grossura;
acha-se com preferencia nos lugares ala-
gadios.
As outras arvores da mesma famlia,
que fornecem a borracha so : Siphonia,
rhytidocarpa, Mart. Siphonia hrasilien-
sis, Wlld. Siphonia luea, Spruce.
Sii^honia hrevifolia, Spruce.
Todas habitam nas provncias do Ama-
zonas e Par.
Na famlia das Artomr^mcmacham-se :
Ficus anthelmintica, Mar. ; vulgo Coa-
jinguva- (Rio Negro do Brasil) ; Ficus
doliaria., Mart. ; vulgo Gamelleira ou
Figueira branca ou Irava (Rio, S. Paulo,
Minas.)
Na famlia das Apocynaceas encon-
tra-se a SeMuva, Plumeria phagedenica^
Mart. (Amazonas) ; a Tiborna Plumeria
drstica., Mart. (Minas, Bahia Pernam-
buco) ; a Sorveira^ Collojjhoi^a utilis,
Mart. (Par, Rio Negro) ; a Mangabeira,
Hancornia speciosa, (Pernambuco, Rio
Grande do Norte).
Na famlia das Loheliaceas a Lobelia.,
Kunt. Nova Granada. fV. Seringueira) .
Borraiceift cliiiitaroiia. Echi-
um flantaginewn. Fa^n. das Borragaceas.
Planta do Rio Grande do Sul e de
Montevideo.
BOT
BRE
81
Propriedades medicas. As folhas
so emollientes ; sua infuso emprega-se
internamente ou em banhos, 8 grammas
para 500 grammas d'agua fervendo,
em certos casos.
Caracteres da famlia. As Borraga-
ceas so em geral hervas, arbustos ou
mesmo algumas vezes arvores elevadas,
de folhas alternas, geminadas, cobertas,
assim como o caule, de pellos mui
speros.
As flores formam espigas unilateraes,
voltadas ou curvas em forma de cajado,
muitas vezes reunidas e formando uma
espcie de panicula.
O clice gamosepalo, regular, per-
sistente e de cinco lobos.
A corolla gamoptala, regular, de
cinco lobos, ella offerece, em certo nu-
mero de gneros, perto da fauce, cinco
appendices salientes, que so ocos no
interior, e que se abrem exteriormente
em sua base.
Os cinco estames so inseridos no alto
do tubo da corolla, e alternam com os
appendices, quando elles existem.
O ovrio, assentado sobre um disco
hypogynico, annular e sinuoso, pro-
fundamente quadrilobado, de quatro lojas
monospermicas , muito deprimidas no
centro.
O estylete nasce d'esta depi-esso, e
termina em um estigma de dois lobos.
O fructo se compe de quatro carpellas
monospermicas ; mui raramente estas
carpellas se soldam, e formam um fructo
carnoso ou secco,deduas ou quatro lojas;
s vezes sseo, ou unilocular, por
aborto.
As sementes tem o embryo voltado,
em um endosperma carnoso mui del-
gado, e que mesmo algumas vezes no
existe.
ISorsiIeo. Fam. das Urticeas.
uma planta, cujo fructo vermelho.
VSoto le oiB*o. Fam. das Com-
postas. uma flor amarella, imi-
tao de ui ,'' malmequer, porm muito
menor e mais regular.
Suas ptalas , sobre o receptculo
verde, formam na parte superior um
circulo de palhetas, amarellas, tendo
no centro como um acolchoado de flo-
rinhas, tambm amarellas ; no tem
cheiro.
planta de 24 a 48 centmetros de
altura, de folhas ovaes, e prpria dos
jardins.
Boto le prata. Fam. das Com-
postas. outra planta igual ao boto
de oiro ; mas a flor d'esta branca.
Brao de Preguia. Solanum
cermmm, Vell. Fam. das Solanaceas.
uma planta do Sul que vegeta no
Rio de Janeiro, na Parahyba e em Mi-
nas-Geraes.
Propriedades medicas. empre-
gada como sudorfica e diurtica nas
sarnas, syphilis, gonorrhas, etc. ; em-
prega-se para isso o cosimento das fo-
lhas e flores.
Externamente se applica em banhos
contra as ulceras.
Braslleto. V. Po Brasil.
Brelo caruru. V.
melho.
Bredo ver-
Brdo maeto ou raltaa.
Amaranthus viridis, Willd. e Sp. Fam.
das Amaranthaceas . Herva do paiz, que
conhecida em Pernambuco por este
nome.
de pouca altura, caule herbceo,
folhas ovaes, embaadas, oferecendo no
pice dos ramos, um prolongamento fo-
liaceo semelhana de pluma, que so
as florinhas imperceptveis, ahi encra-
vadas, com sementinhas Insidias e pre-
tas.
Este Brdo tem o uso dos demais Br-
dos, mas no to estimado como os
outros.
Tambm o chamam Caruru e Brdo
rabaa.
Propriedades medicas. empregado
13
8S
BRE
BRI
contra a anazarca, internamente, e em
banhos.
Serve de alimento.
Brilo niajrjfoiics. Talinum
Jam, Gomes, Talinum crenatum , Ruiz
etPav. Fam. das PortiUacaceas . Herva
natural da America Austral, recebe di-
versos nomes, segundo as provindas.
No Par Caruru; na Bahia, Serg-ipe
e no norte do Espirito-Santo, Lngua de
Vacca; no Rio de Janeiro, Maria Gomes ;
e Beno de Deus no Maranho, S. Paulo
6 Minas-Geraes.
uma herva de % a 1 metro de altura;
ramos succulentos, e folhas carnosas,
oppostas.
Flores em pequenos cachos, de um
vivo e elegante roixo, como uma peque-
na rosa.
Seu frueto como uma pequena ca-
psula, cheia de grosinhos pretos, lus-
trosos.
Come-se esta herva de diversas ma-
neiras.
E' refrigerante e mucilaginosa.
BreSo tic iiieiro. V. Lngua de
Sapo.
Brlo itanaoraefio. V. Veludo.
Brtlo Etirrixi. Far,i. das Ama-
ranthaceas. E' em Alagoas que lhe do
este nome ; em Pernambuco chamam
Mandah.
E' uma herva do paiz, rasteira ; caule
verde, manchado de roixo, succulento,
com folhas oppostas, quasi redondas.
Flores pequenas, e reunidas em forma
de cone paleaceo ; sementinhas pre-
tas.
E' refrigerante, e serve de pasto ao
gado vaccum.
Brdo le porco ou Uerva tos-
to. Boerliama hirsuta, Lnn. Fam.
das Nyciagaceas. Esta planta a Herva
tosto do Rio de Janeiro ; tambm a
chamam nas Alagoas e Bahia Pega
pinto, em Sergipe Papo de peru, e assim
por diante.
Herva que alastra e ergue os ramos
bifurcados, cheios de ns.
Folhas oppostas, quasi redondas e
succul lentas.
As florinhas, umas roixas, outras
brancas, em forma de coifa.
A raiz tem uma tuberasinha, que
antdoto do veneno das cobras.
Propriedades medicas. empregada
como diurtica e desobstruente nas mo-
lstias do fgado.
Internamente 8 grammas para HOO
graminas d'agoa, em cosimento.
Brslo vcraaiellao. Phytolacca
caruru. Fam. das Phytolaccas. Her-
va silvestre que se acha nas mattas
e nas capoeiras.
tambm chamada Brdo caruru nas
Alagoas e em Pernambuco.
Cresce de 1 a 1 X> metro e esgalha ;
vergonteas roixas, elegantes ; folhas
tambm roixeadas e pespontadas.
Flores em espigas, semelhantes ro-
sinhas, com um corpo arredondado, no
centro achatado.
N'este rgo central esto as sementes.
Esta herva come-se de diversas ma-
neiras.
BriBo de veado. V. Bucho de
veado.
Briasco tle Saltoiau. Pitheco-
lohium avaremotemo, Mart. Fam. das
Leguminosas. Tem esta arvore do Bra-
sil os mesmos prstimos do Angico.
Brinco de visETa. V. Tange-
tange.
Brjalia ow Coqueiro Bri-
jaba. Astrocarium Ajri, Mart.
Far . das Palmaceas. uma palmeira
da Bahia, conhecida pelo nome de
Ayri.
Os fructos apodrecem aos milhares
no matto, e poderiam ser aproveitados
para a preparao] de um excellente
sebo vegetal.
BRO
BUC
83
Brio de eituilanfe. V. Barbas
de Barata. (Robinia).
Brocos. Brassica Botrytis cymosa^
Dotiy. Far/i. das Crxiciferas. Espcie
de couve flor da Europa.
Cultiva-se no Rio de Janeiro, em S.
Paulo e mais provincias do Sul, onde
quasi toda a hortalia europea d
abundantemente .
uma couve como a que todos co-
nhecem.
Differe porm nas folhas, que so
maiores e crespas, isto , como machu-
cadas ; e mesmo nas cores, pois que
d'estas conhecem-se muitas variedades ;
ha brancas, roixas, de cr mais ou
menos carregada, avermelhadas, ama-
relladas e verdes, etc.
Alm do uso que se faz d'esta hor-
talia, ella presta-se a conservas, o
que lhe d ainda mais apreo.
Broma lirasiea oti Mata eane-
iia. Yerhascwiii. Fam. das Serophula-
viaceas. Herva pequena delicada que
chamam em Pernambuco Mata canna
e nas Alagoas Broma.
um pouco rasteira; de caule qua-
drangular.
Folhas quasi redondas e pequeninas.
Flor branca, abrindo-se em dois l-
bios.
Propriedades medicas. um em-
tico e drstico forte; e tambm serve
como emmenagogo.
Caracteres da famlia. Hervas ou
arbustos, de folhas muitas vezes op-
postas, algumas vezes alternas, simples,
de flores dispostas em espigas ou em
cachos terminaes.
O clice gamospalo, persistente,
de quatro ou cinco divises desiguaes :
a corolla gamoptala, irregular, de
dois lbios e muitas vezes personada.
Os estames, em numero de dois a
quatro, so didynamos.
O ovrio, applicado sobre um disco
l^ypogyiiico, de duas lojas polys-
permicas.
O estylete simples, terminado em
um estigma bilobado.
O fructo uma capsula bilocular,
cujo modo de dehiscencia muito
varivel.
Ora ella se abre por meio de orif-
cios no pice, ora por meio de placas
irregulares, ora por meio de duas ou
quatro valvas, cada uma das quaes
traz comsigo metade do septo no meio
da face interna, ora por valvas oppos-
tas ao septo que fica inteiro.
As sementes contem sob o tegumento
prprio uma amndoa composta de um
endosperma carnoso, que encerra um
embryo erecto cylindrico, tendo a
radicula voltada para o hilo, ou op-
posta este ponto de insero.
Broaiia roixa. Verbascimi. Fam.
das SeropMlariaceas. outra espcie
que habita nas Alagoas e em Pernam-
buco .
Sua diferena no sensvel aos
olhos vulgares ; differe por ter as folhas
cordiformes, as flores roixas e caule
percorrido nos quatro lados por uma
espcie de babado ; o fructo abre-se
em quatro cocas recortadas.
Biiclia.
V. Cabaeznho.
Buclia. Luffapiirgans, Mart. Fam.
das CtcrctiMtaceas. Esta planta uma
espcie de Cabacinho ; seu extracto pde
substitutir ao da Coloqtiintda.
Propriedades medicas. empre-
gada nas hydropisias, e ophtalmias.
Na dose de 12 grammas cathar-
tica; em dose mais elevada em-
tica.
Ha ainda a Mormodica Lv.-jfa., Vell.
Biielia los pauli^tas. Bucha,
tle caador. Momordica o^erculata,
Lin^ii. Fam. das Cnrcubtaceas. esta,
que pelo seu nome mostra ser de
S. Paulo ; uma espcie de Melo de
S. Caetano mas dif"ere d'elle em algu-
mas cousas.
84
BUG
BUR
Propriedades MEDICAS. O fructo
empregado contra a anazarca, chlo-
rose, amenorrlia, e afeces hepticas.
Submette-se o fructo a decoco por
espao de doze horas, e agita-se at
fazer espuma.
A dose de uma colher, de meia
em meia hora, at fazer vomitar ou
evacuar.
O extracto d-sc na dose de 15
centigrammas.
Bueliin&ita. Momordica fnrgans,
Mart. Fam. das Cucurhitaces. Esta
planta congnere da Bucha dos pau-
listas.
Tem o fructo muito menor que ella;
tem mais acrimonia, e obra em menor
dose ; 15 centigrammas do extracto j
uma forte dose.
83ut'3io de veilo. Amaioua cryp-
iocarpa. Faju. das Buhiaceas. Arvore
silvestre, conhecida nas Alagoas por
este nome.
de porte mediano, folhas um tanto
compridas, oppostas, e lustrosas.
Flores semelhana de Angelicasi-
nlias amarellas.
O fructo tem sido pouco estudado.
B:a|2;i'9 ou Iliba ele SSit^o.
Comreim Bugio, Si. Hil. Fam. das
Comhreiaceas . Arbusto conhecido nas
Alagoas por este nome.
agreste, trepador, vegeta prximo
s margens do rio, mui frondoso.
Suas folhas so ovaes um pouco
grandes e lustrosas.
As flores diXo em grandes cachos,
miudinhas, brancas e mui cheirosas.
O fructo parece uma azeitona pe-
quena; mui abortiva.
A pellicula externa, que a casca,
um pouco spera ; e a polpa, que
acinzentada, acidula e no tem bom
sabor.
Propriedades medicas. um po-
deroso anti-syphilitico, mas princi-
palmente usado para as sarnas, e afec-
es cutneas chronicas.
Burareiia. Arvore do paiz,
prpria para construco.
B ur iiliciit ou Giiaraitlaein
utoieisitt. Chrysoiyllum Buranhem,
Riedel. Fam. das Sapotaceas . uma
arvore alta, indgena do Brasil, de casca
lisa, de folhas oblongas, e tamanho re-
gular,
O fructo pequeno, semelhana de
uma azeitona.
Sua madeira d boas traves e outros
objectos d'arte.
A casca de cr vermelha escura ; tem
sabor doce a principio, e depois amargo
e um pouco adstringente ; quando fresca
contm um sueco leitoso.
O extracto se offerece em pedaos de
tamanho varivel, de cr roixa escura
quasi preta, e fractura luzente ; solvel
em agua, de sabor adocicado a prin-
cpio, e depois amargo e algum tanto
acre. (Fig. 11.)
Propriedades medicas. aconse-
lhado como adstringente e tnico- in-
ternamente, nos catarrhos chronicos, he-
moptyse, diarrha e blenorrhagias; e
externamente nas ulceras cutneas, ra-
chas do anus, ophtalmias purulentas,
etc.
A decoco se prepara com 32 gram-
mas da casca e 500 grammas d'agua.
empregada em banhos, e pde ser-
vir com vantagem contra as inchaes
consecutivas s erisypellas.
Bitvit. Manritia vinifera, Mart.
Fam. das Palmaceas. natural do paiz
esta insigne palmeira , conhecida nas
provncias do Norte por Buriti, e na
Bahia tambm por Bury.
a mais alta das palmeiras do paiz.
O tronco sem espinhos, tem um
bello leque de folhas no pice.
O lacho do fructo tem a forma de
um cone escamoso, como o do pinheiro
da Europa.
O fructo mede at 12 centmetros de
comprimento, de forma redonda, cr
amarella de gemma d'ovo, tegumento
membranoso com a superfcie ouriada
BUR
BUT
ss
como que de escamas unidas umas s
outras .
Depois d'esta parte externa ha uma
polpa amarella, oleosa e doce; depois
d'esta um corpo mais duro, pouco es-
pesso, amarello; e, unido este, um
caroo que no seu seio contm uma
amndoa comestivel.
Esta palmeira abundante no Par,
Maranho, Cear e Bahia.
Em tempos de calamidade o povo
erra pelas mattas procura destes
fructos para mitigar a fome; mas o
uso quotidiano e muito prolongado
d'elles, determina uma amarellido na
ctis.
O grelo come -se como o do Palmito
{Areca oleracea.)
Ha entretanto mais duas palmeiras nas
Guyanas e no Amazonas : uma, MauHtia
flexuosa, Litm., queda um sueco extra-
hido dos seus tecidos, que embebeda, e
de que faz-se vinho.
Uma segunda espcie d'este gnero
de que Mli Humboldt, [Mauritia aculeata),
Kunt, differe por ter espinhos, sendo na-
tural do mesmo paiz.
As folhas do Bimii tm muitas appli-
caes.
O fructo comicstivel ; e o tronco
fornece pela inciso um sueco vinhoso
excellente.
Buriti bravo. Mauritia armata.
Cocos amleata^ Willd. Fam. das Pal-
maceas. Esta ps^lmeira, semelhante
antecedente, differe d'ella em que seu
tronco e as folhas so armadas de
espinhos.
Tambm a chamam Coqueiro Bw'iti
bravo.
Btirr leiteira. T^am. das Eu-
phoriaceas. Arbusto que vegeta na Ilha
de Fernando de Noronha, em todas
as localidades d'ella. de porte re-
gular.
Seus ramos tem um desenvolvimento
extraordinrio.
As folhas so verde-escuras, lustro-
sas, alternas, com peciolos purpurinos,
estreitos e succulentos.
Durante o vero, e antes de sua m-
xima intensidade, esta arvore despe-se
inteiramente, e s por occasio das
primeiras aguas do inverno comea
sua rebentao, tornando-rse novamente
verde e viosa como d'antes.
Esta arvore destingue-se particular-
mente por sua originalidade.
A passagem de um viandante a sota-
vento, diz-se, ainda que com poucos
visos de verdade, sufficiente para
produzir nelle assaduras nos ante-braos
e pernas, ainda mesmos cobertos.
Os pobres animaes que se approxi-
mam da dita arvore, queimam-se a
tal ponto, que as partes atacadas ja-
mais criam cabello.
Uma gota de sua seiva basta para
determinar uma ferida semelhante
que produziria o fogo.
A madeira nem para lenha serve,
visto que seu fumo ataca a vista d'a-
quelles, que a empregam como com-
bustvel.
Bur seteira. V. Po de leite ou
Ti.
^^' Butiin. '!'Coccilus cuieracens , St.
Hil. Fam. das Menis^ermaceas. Ar-
busto natural do paiz ; sua ptria
porm S. Paulo e Minas Geraes.
ramoso ; as folhas abrem-se como
palmas, e os peciolos so compridos.
Propriedades medicas. A raiz
desobstruente, diurtica, emmenagoga e
febrfuga.
Emprega-se principalmente nas hy-
dropisias, suppresso de lochios, mens-
truao difficil e acompanhada de dores,
clicas uterinas depois do parto, e febres
intermitentes.
Caracteres da famlia. Esta fam-
lia se compe de arbustos sarmentosos
e trepadores, cujas folhas, alternas, so
geralmente simples, raras vezes com-
postas.
As flores so pequenas, unisexuaes e
as mais das vezes dioicas.
O clice compe-se de varias spalas
86
CAA
CAA
dispostas em trs, e formando diversas
ordens.
Succede o mesmo com a corolla, que
falta algumas vezes.
Os estames so monadelphos ou livres,
do mesmo numero, duplo, ou triplo.
O ovrio de uma s loja, contendo
um ou mais vulos ; muitas vezes estes
so em g-rande numero, soltos ou sol-
dados polo lado interno.
Os fructos so espcies de drupas mo-
nospermicas, obliquas, e como que re-
niformes, e eompi-idas.
A semente que elles contm se compe
de um embryo curvo sobre si mesmo,
e geralmente desprovido de endosperma.
Butiaa. CocaUus flati'pliylla , St.
RU. Fam. das Menispermaceas. Esta
outra espcie vegeta no paiz , e cresce
nas mesmas provncias acima ditas.
DiFere nas folhas, que so grandes e
cordiformes, e tem as mesmas virtudes
medicinaes da antecedente.
Buliia lo cufvo. Maximiliana
regia., Mart. e Willd. Bacchiaimignis.,
Mart. e Luce. Fam. Idem. Cochlos-
permmi insigne. St. Hil. Arvore agres-
te, natural de Minas-Geraes, cujas flores
so coriaceas, em forma de palma, e
alternas.
Suas flores em cachos so grandes,
e amarellas , e o fructo capsular.
Propriedades medicas. A raiz d'esta
arvore applicada em cosimento contra
as dores internas, com especialidade as
que so resultantes de quedas e outros
accidentes.
Tambm til contra os abcessos j
formados.
Butaia BisBKa. Coccuhis filipen-
dula, Mart. Fam. das Menispermaceas .
Vegeta como a precedente congnere;
tem as mesmas propriedades d'ella.
Ha duas qualidades de Butua ; uma
tem a raiz grossa na base e dura ;
a que acabamos de indicar ; a outra
delgada, lisa e branda , conhecida em
Minas-Geraes e no Espirito-Santo por
Cijaroho e Parreira hrava.
Propriedades medicas. E' empre-
gada a raiz contra as mordeduras de
cobras, na dose de 3 grammas para 500
grammas d'agLia.
G.
Caa. Palavra que na lingua de
nossos indgenas signiflca Herva, mas
que se applica particularmente ao Matte
do Paraguay.
Vegetal que n'aquelles lugares da
America tem o mesmo uso que o ch
da ndia entre ns.
Caa. Polanum tabaciforme ^ Vell.
Fam. das Solanaccas. Nome de uma
planta indgena do paiz. Caa entra na
composio de varias outras palavras,
com que designam os indgenas outras
plantas, como se ver adiante.
Caa-apia. F. Contra-hcrva.
Caa-ass. MalpigMa rsea, La-
cerd. Fam. das Malpigliiaceas. Planta
que serve para tingir os fios das re-
des dos pescadores.
!;kix-'Atsysk,. Vandellia diffusa, Linn.
e Lamcli. Fam. das Scrophulariaceas.
Herva pequena, delicada, de folhas
ovaes, oppostas, tendo por fructo uma
pequena capsula, com muitas sementes.
Propriedades medicas. EUa amar-
CAA
CAA
89
ga, e empregada como purgativo, e
diurtico. til nas febres intermit-
tentes, e inflammaes chrouicas do
fgado.
taja. uma planta brasileira, que
mereceu a attenco das academias eu-
-ropas, por se achar n'ella a proprie-
<iade de, misturada com o senne em
partes iguaes, tirar-lhe o mo gosto,
sem destruir a sua aco purgativa.
Reinou essa ideia por muito tempo
desde o principio ou fins do sculo
XVIII, mas depois acharam a mesma
propriedade em uma planta europa.
Scroplmlaria aqutica, que substituio a
Qaa-cua.
Perdeu portanto o Brasil um bom
ramo de commercio.
Cait-cliira. Oldenlatidia corym-
bosa, Linn. Fam,. das Ruhiaceas. Esta
planta conhecida nas provncias do
Sul, como oriunda do paiz.
O caule herbceo e quadrangular.
As folhas oppostas, lanceoladas, du-
ras e esbranquiadas por baixo.
Suas flores em feixes, so como pe-
quenas Anglicas^ tendo por fructo uma
capsula pequena, que se assemelha com
a da Vassourinha .
E planta de tinturaria.
Caa-cliir. Indigofera domingen-
sis, S'P'eng. Indig^ hrasiliensis . Fam.
das Leguminosas. Planta herbcea,
semelhante ^?z7^w'a j descripta, com
quatro pares de foliolos nas folhas.
Vegeta em S. Domingos e no Brasil.
Ciia-eica oit Caa tia. Eu-
fhorhia caintata., Lamack. Eupliorhia
fihifera., Linn. Fam. das Ewphor-
iaceas. Planta herbcea de clix erecto.
Folhas serreadas, ovaes, oblongas, e
flores agglomeradas.
Propriedades MEDICAS. muito pre-
conisada como antdoto do veneno das
cobras, e das viboras sobre tudo.
Pisada e applicada fresca sobre a
ferida da mordedura no s suavisa
as dores, como, diz-se, neutralisa o
veneno.
Internamente se d em p, suspenso
em qualquer liquido.
Caa-co. V. Sensitiva.
Caa*cua. V. Yqueiaga.
Caa-cuis a folha do atte
ainda na prefoliao.
Caa-etintay. uma Syngeriesia
cujas folhas cosinhadas so emprega-
das contra as sarnas.
Caa-|li tiara. So as folhas per-
feitamente abertas do ch do Paraguay
(Matt).
Caa-guiguye. V. Aninga i)ari.
Caaguiyuyo-to. uma Melas-
toma ou Rhexia da qual se come o
fructo .
Caa-jaiidinap.
V. Loco.
Caa-menibeca . Pohjgata faraen-
sis, Castro. Fam. das Polygalaceas.
Planta oriunda do Par.
Propriedades medicas . E' refrige-
rante e anti-hemorrhoidal. D-se em in-
fuso na dose de 8 grammas para 500
grammas d'agua.
Cta-niena e Caa-Bueiii. E' a
mesma planta em boto .
Caa-opia. Vismia giijanensis., Pers.
Hy-pericum gujane^ise., Aubl. Fam. das
Hypericaceas .Est?i arvore sem duvida
a mesma descripta, n'este dicciona-
rio sob o nome de Lacre.
E' um arbusto elegante, de folhas
oppostas, ovaes, aloiradas.
Flores em cachos de cr branca ama-
rellado.
O fructo espherico, e abandona por
incises nelle praticadas, um sueco
88
CAA
CAB
avermelhado, {jommoso ; drstico na
dose de 1 a2 deciprrammas.
D-se cm uma emulso de amndoas.
Ha diversas espcies.
Can-peba. Ha trs ou quatro es-
pcies que recebem o nome Caa 'peha, e
que entretanto so plantas bem dife-
rentes entre si.
Uma d'ellas a Parreira do matto;
outra t o Malvaisco ; outra uma es-
pcie do gnero Anglica, e outra final-
mente um sip semelhante ao Raho
de Rato. Vejam-se estas plantas.
Caa-pefia. V. tambm Malvaisco
de Pernambuco.
Caa-peba, tio l\orte. Cissam-
felos Caapba, Linn. Fam. das Menis-
permaceas. Planta que vegeta nas re-
gies do Norte, como em S. Domingos
e nas regies Amazonicas.
uma trepadeira, de folhas alter-
nas suborbiculares, cordiformes, meio
pelludas , com os peciolos dispostos
em sete linhas ou divises longitudi-
naes.
As flores femininas so longamente
pedunculadas.
O fructo e a flor como os da pre-
cedente.
Caa-peba, do Sul ou Herva de
niossa Seiltora, ou Cip de co-
bra. Cissar/ipelos glaberrima, St. ffil.
Fam. das Menispermaceas . Esta planta
do Rio de Janeiro, Minas-Geraes, e
de outras provindas do Imprio.
uma trepadeira, de folhas redon-
das, quasi sesseis.
As flores em cachos so maneira
de campana, recortadas na margem.
Propriedades medicas. EUa sudo-
rifica, aromtica e estomactica.
A infuso da raiz bebida pela ma-
nh antiasthmatica.
Caa-poinanga. V. Loco ou Quei-
madeira.
Tambm com este nome os indios
designam duas plantas : uma d'ellas
semelhante na apparencia a nossa Ar^
ruda de campina; a outra ainda inde-
terminada.
Caa-pon^^a. Debaixo d'este nome
existem trs plantas do paiz, que se
come maneira da Beldroega.
Uma parece a Gomphrena vermicU'
lata as outras, variedades de uma es-
pcie de Mimosa.
Caa-poij^a. PMloxerus vermicu-
latus., Smart. [Cremos). E a mesma
Gotiiphrena., Fam. das Amaranthaceas.
Caa-ro!ioa. 7. Jatob.
Caa-taia. F. Herva de bicho.
Caa-tin^ua. V. Catigua.
Caa-vourana. Solanum arbores-
cens, Vell. Fa)n. das Solanaceas. Esta
planta vegeta no Cabo-Frio e em Piauhy.
Produz uma qualidade de anil supe-
rior.
Propriedades medicas. empre-
gada em banhos, na morpha.
Cabaeiibo. Momordica bucha.
Dermofhylla pendallina. Mans. e S. Paio.
Fam. das Cticurbiaceas. Esta planta
indgena tem o nome de Cabacinko,
nas provncias do Cear e Pernambuco ;
na das Alagoas chama-se Cabao de
bucha., e na de Sergipe e Minas-Geraes
conhecida por Bucha.
Raiz ramosa e fibrosa.
Caule herbceo, prostrado e fistuloso,
de comprimento varivel, e grossura
de uma penna.
Folhas cordiformes, guarnecidas de
speros pellos.
Flores pequenas, de cr amarella.
Fructo ovide ou oblongo, secco,
envolvido em uma s pea ou car-
pella, formada pelo tubo que na ma-
dureza passa do verde ao amarello
escuro, guarnecido de grossos espi-
nhos; esta parte que constitue o
epicarpo.
CAB
CB
S
O mesocarpo, immediato a este,
composto de xim tecido fibroso, reti-
forme, que se estende at o interior,
onde termina por uma camada mais
compacta (endocarpo), que forma as
paredes de trs cavidades, contendo
cada uma no seu centro iim trophos-
perma, e sendo o centro dos trs tro-
phospermas occupado pelas sementes.
PROPRIEDADAS MEDICAS. O fructo do
cabacinho aconselhado nas hydro-
pisias.
Applica-se vulprarmente esta planta
em forma de clysteres ; para isso faz-se
um macerado da quarta parte de um
fructo, em agua, por espao de dez
horas, coa-se, e depois bate-se com um
rodzio at fazer espuma, separa-se
esta, e repete-se a mesma operao
por mais duas vezes; esta dose para
adulto.
Para uso interno prepara-se um licor
com quatro fructos privadtfs de se-
mentes, e lanados em uma garrafa
de aguardente de 21.
Pe-se em digesto por espao de 24
48 horas, e depois faz-se o doente
tomar, na dose de 90 120 grammas
por dia.
O clyster obra como violento drs-
tico, cujo eeito acompanhado de
muitas djes.
O licor occasiona as mesmas dores,
com vomitDS e dejeces alvinas.
um medicamento que exige muita
cautela err. sua applicao.
Ca?)aeiiBlto do Par/i. Colocyn-
ihis 'paraer.sis. Fam. das Cucurbitaceas .
Semelhinte em quasi tudo aos ou-
tros e con as mesmas propriedades.
Coloc(Kiint1iit1a! la!;! illias do
Arcli pelado do Oriente. o Cu-
cimis colocyntMs^ Lhm.
Prcriedades medicas. O Cahac7iho
depirativo, empregado contra os dar-
thros.
As coses so, da raiz secca 4 gram-
mas; tas sementes de duas at quatro.
Usa-se tambm da infuso da polpa,
feita com a metade de um fructo.
Caliao OH Cabao de collo.
Cucurhita lagenaria^ Lt?m. Cucurb. leu-
cantTies, Duch. Fam. Idem. Espcie
originaria do piz, bem conhecida de
todos.
O Cabao proveniente de uma planta,
que se estende ao nivel do cho, e
agarra-se aos corpos visinhos, ou na
falta alastra pelo cho.
O caule cylindrico, coberto de pellos
duros, que ferem a mo de quem os toca.
As folhas, de peciolos longos e tu-
bulosos, so quasi redondas, ou for-
mam chanfraduras, e dividem-se em
trs ou cinco lobos ; so quasi sempre
de um verde esbranquiado, manchadas
e baas.
As flores so ordinariamente brancas
sem cheiro e grandes ; so de sexos
separados ; umas como simplesmente
uma campana, outras na base d'essa
campana.
Tem o fructo em estado rudimental,
espherico, de grandeza varivel ; na
parte inferior do bojo oferece um
collo pelo qual sustentado.
O exterior do fructo verde claro,
espesso e de natureza crustcea ; den-
tro encontra-se uma massa aquosa,
quasi frouxa, mui amarga e branca,
cheia de gros chatos, ellipticos e in-
seridos em filamentos.
Os habitantes do centro excavam o
interior d'este fructo, para fazer uso
d'elle como vaso de guardar lquidos,
fa rinha ou gros (cuias) ,
Nas Alagoas chamam Cabao marimba.
Elle muitas vezes no apresenta
collo, e tem uma forma arredondada
semelhana- de uma abbora ; justa-
mente este que cultivam.
Tambm tem virtudes medicas, e
quasi todas as espcies tem um cheiro
enjoativo, e um pouco almscarado.
Cabao grrogroj. Cucurbita ovi-
de Fam- idem. E do paiz e agreste.
Tem este nome nas Alagoas e em
Pernambuco.
14
9U
CAB
CAB
E uma planta como os outros Ca-
baceiros.
As folhas so quasi redondas.
As flores amarellas.
. O fructo, porm, de 6 a 12 cen-
tmetros ; sua configurao exacta-
mente ovide, e no seu interior como
se observam nas congneres.
Propriedades medicas. A medicina
vulgar emprega o fructo e as folhas nas
hydropisias, em clysteres. E' um pur-
gante violento.
CitbA^'o Biii*iiiil>a. V. Cabao
de CO lio .
Ca9>ao de iiolvora. CucnrhUa
pulvis. Fam. Idem. Semelhante
espcie precedente ; mas a flor branca,
e o fructo anlogo ao do Cabao
grogoj.
O d'este i^orm apresenta um collo
estreitado abaixo do bojo ou engrossa-
mento, e muitas vezes esse collo faz
outro menor que fica sobreposto.
Costumam extrahir-lhe o miolo para
servirem-se d'elle como polvarinho.
Ca^ia^** ** serto. Ciicurbita.
Fam. Idem. Vegeta nos nossos ser-
tes uma espcie de Cabao monstro,
cujos caracteres so os mesmos que
os dos precedentes, tendo porm um
fructo monstruoso, cuja casca for-
mada de um tecido crneo, espesso,
quasi sseo.
Quando preparado serve de vaso para
diversos misteres domsticos.
Os caadores costumam fazer uns bu-
racos n'estes cabaos, e usam d'elles
maneira de mascara para observarem
as caas do rio ; mas para isso deitam-
nos sobre a agua por muito tempo at
ellas se acostumarem primeiro, e alcan-
ado isto, entram ento no rio , enfiam
n'ellas a cabea, vo-se chegando a ellas
e agarram-nas pelos ps. Apanham-as
assim vivas , e sem emprego de arma
de fogo.
Os vasos chamados combucas podem
conter muitas vezes 12 a 15 litros d'agua.
Cabc^*. de Frade. Villarsianym-
flmoides., Brow c D. C. Fam. das Qen-
cianaceas. V,' uma planta bonita que
fluctua nas aguas.
Suas folhas so redondas, de peciolos
compridos.
As flores, de um bello amarello cr
de enxofre.
O fructo d'esta planta, que comes-
tvel, amylaceo.
Ella uma espcie da que chamam
Gol])lio ou Gigoga.
Cabea de ne|;;rOy ou de niole-
<|ie. Fam. das Ciicurbitaceas. E' uma
planta trepadeira agreste do Brasil ,
conhecida como tal em Pernambuco e
Parahyba.
Ella abunda no serto.
E' um arbusto trepador , de folhas
e flores tricortadas.
Na extremidade da raiz brota um bolbo
mais ou menos desenvolvido., de aspecto
rugoso, pardo claro, de forma varivel.
Quando partido v-se que compe-se
de uma substancia compacta , rgida ,
hmida, da qual se extrahe uma f-
cula mu.i amargosa.
Esta batata desconhecida na me-
dicina; apenas alguns curiosos conhe-
cem as virtudes medicas que ella possue,
e fazem uso internamente e en clysteres.
Seu ef'eito vomitivo e purgativo em
certa dose.
Podemos asseverar que im impor-
tante vegetal, que o paiz ]X)ssue.
Tambm lhe do o nome de Tejuco
e Cabea de moleqite.
Ha duas espcies, uma preta e outra
I branca; a preta distingue-se pelo caule
escuro.
Propriedades MEDICAS. E um po-
deroso anti-syphilitico , anti-scropliu-
loso, anti-dyarrheico, e anti-febr.l.
No tempo da afflictiva epidemia do
cholera morbus, raro foi o doente tra-
tado com este remdio que succumbisse.
A dose do p uma colher de sopa
toda,s as manhs.
A tinctura tambm muito usada
nos casos da menstruao difcil.
CAB
CAB
91
Caheudo ou Coqueiro cabe-
udo. Cocos capitata. Fam. das Pal-
maceas. E' uma palmeira de Minas-
Geraes.
Cabea de Cutia. Myriaspora
fubescens. Fam. das Melastomaceas.
Arvore mediana do paiz que nas Ala-
goas tem este nome.
A casca esbranquiada.
As folhas oppostas, grandes, ellypti-
cas, pelludas na face inferior, e aver-
melhadas ou roixeadas, bem como as
pontas dos ramos.
As lres, em cachos cruzados, so pel-
ludas.
Os frnctos so redondinhos, de 1 %
centmetros, coroados de pellos sedosos
fe roixos.
Quando maduros, o tegumento ex-
terno membranoso ; interiormente a
massa aquosa, trigueira, e cheia de
miudissimos gros.
O lenho no dos melhores, porm
serve para estacas, e combustvel.
Calbello de iiegi^ro. Eritroxylon
camies Ire, St. Ilill. Fam. das Erytro-
xyleas. um arbusto de Minas Ge-
raes.
Suas flores, em feixes ou em cachos,
acham-se agglomeradas nas axillas das
folhas e dos ramos.
O seu lenho e a casca da raiz, fer-
vidos em agua, constituem um pur-
gante.
Caracteres da famlia. Arvores ou
arbustos de folhas alternas, ou oppos-
tas, geralmente glabras, munidas de
estipulas axillares.
As flores so pequenas, pediculladas,
tendo um clice persistente de 5 divi-
ses profundas.
Uma corolla de cinco ptalas sesseis,
e munidas interiormente de uma esca-
masinha.
Os estames em numero de dez, tem
os filetes dilatados na base, unidos
entre si e monadelphos interiormente,
de ordinrio persistentes. O ovrio
unilocular, contendo um s ovulo pen-
dente ; ou ento elle de trs lojas, das
quaes duas so vazias.
Do ovrio nascem trs estyletes, ora
distinctos, ora unidos quasi at ao
pice.
O fructo uma drupa monosper-
mica, indehiscente, ou dehiscente.
A semente em um endosperma duro
e crneo, encerra um embryo axillar
e homotropo.
Calielluda. Eugenia tomentosa.
Fam. das Myrlaceas. Arbusto cujos
fructos so assucarados e refrigerantes.
Caliiiia. F. Jacarand cahiuna.
Cabo de aeo. Myricaria va-
siliensis. Farn. das Tamaricineas .
Esta arvore, conhecida nas Alagoas por
este nome, de um lenho muito duro ;
ramosa, de casca parda, e folhagem
mida, como a dos espinheiros.
As flores, em espigas ramosas, so
de estructura ordinria, esverdinhadas
e no grandes.
O fructo como uma pequena vagem.
A madeira empregada na marcine-
ria, por ser de longa durao ; prefe-
rem-na para cabos de instrumentos
agrcolas.
Caracteres da famlia. Sub arbus-
tos ou arbustos, tendo folhas em geral
pequeninas, e invaginantes.
Flores igualmente pequenas, munidas
de bracteas, e dispostas em espigas
simples, cuja reunio constitue algumas
vezes uma panicula.
O clice de quatro ou cinco di-
vises profundas, raramente forma um
tubo na parte inferior ; suas divises
so imbricadas lateralmente.
A corolla se compe de 4 ou 5 p-
talas persistentes.
Os estames em numero de 5 a 10,
raras vezes de 4, so monadelphos pela
base .
O ovrio triangular, algumas vezes
cercado na base de um disco perigy-
nico.
Elle unilocular, oferecendo trs tro-
93
CAB
CAB
phospermas parietaes, com grande nu-
mero de vulos ascendentes.
O estylete simples ou tripartido.
O fructo uma capsula triangular,
de uma s(3 loja, contendo um grande
niimcro de sementes, inseridas no meio
da face interna das trs valvas, que for-
mam a capsula.
O embryo erecto, orthotropo, des-
provido de endosperma.
Cabo de inacItHclo. uma ar-
vore agreste que recebe este nome em
Pernambuco, e que parece ser o Caho de
faco das Alagoas.
Caltoafan de capoeira. Cupa-
nia vernaUs, St. Hil. Fam. das Sa-
findaceas. Arbusto indgena, que cresce
nas capoeiras.
Seu caule reguado, e quadrangular.
As folhas impares, compostas, alter-
nas, oblongas, grandes, ovaes, brilhan-
tes, e revestidas de pello macio infe-
riormente.
As flores em pequenos cachos, de for-
ma ordinria e de cr branca escura.
O fructo uma noz coriacea, em forma
de pio, que abre em trs valvas.
Contm trs sementes pretas, envoltas
em uma substancia, que cobre metade
do seu corpo.
Floresce em Setembro.
Propriedades medicas. A casca em-
prega-se na asthma e na tosse convulsa.
Caracteres da famlia. Familia
composta de grandes arvores ou ar-
bustos, algumas vezes de plantas herb-
ceas e volveis.
Folhas alternas e geralmente impari-
pinnuladas, munidas as vezes de ga-
vinhas e de estipulas frgeis.
O clice, de 4 a 5 sepalas livres ou
ligeiramente soldadas pela base, um
pouco obliquo e desigual na base.
A coroUa, que falta algumas vezes,
formada em geral de 4 a 5 ptalas,
ora lisas, ora glandulosas, para a parte
mdia, onde ellas oferecem varias vezes
uma lamina petaloide.
Os cstames, cm numero duplo do das
ptalas, so livres e applicados sobro
um disco hypogynico, plano, lobulado,
que guarnece todo o fundo da flor.
O ovrio, algumas vezes excntrico,
ae trs lojas, contendo em geral dois
vulos sobre postos, e inseridos no an-
gulo interno de cada loja.
O estylete, simples na base, tri-
fido no pice, e termina em trs es-
tigmas.
O fructo uma capsula, s vezes
vesiculosa de 1, 2 ou 3 lojas, contendo
cada uma d'ellas uma s semente, e
abrindo-se em trs valvas.
As sementes se compe de um grande
embryo, tendo a radicula curva sobre
os cotyledones ; desprovido de endos-
perma, e s vezes enrolado em forma
de hlice.
Cahoatan de leite. Mauria lac-
lifera. Fam. das TereMnthaceas. Ar-
vore ou arbusto leitoso, conhecido nas
Alagoas por este nome : natural do
paiz.
Bello arbusto de aspecto aloirado;
casca parda, acastanhada.
Folhas dispostas em palmas, ovaes,
oblongas e aloiradas.
Flores, em cachos pyramidaes, mi-
das, brancas, tintas de amarello.
Fructo pequeno, de 3 centmetros, e
ovide.
Sua parte extrema coriacea, e parda;
a interna, viscosa e contendo uma se-
mente parda.
No comestvel.
Cattgreraiia cabralea. Cange-
rana. Fam. das Meliaceas. Foi em
memoria de Pedro Alves Cabral que
se deu tal nome a esta arvore.
A madeira notvel pela sua bel-
leza, de cr vermelha arroxeada, e ad-
quada s obras internas e ao ar.
Cabuj^t. o Caroa de rede em
alguns lugares da America Meridio-
nal.
Cab^iraia. V. Caiuraia cabureiha.
CAC
CAC
93
Cabui'eil>a . Myrocarpus fastigia-
ttis, Fr. Aliem. Fam. das Legumi-
nosas. uma das nossas importantes
arvores.
excellente madeira de construco ;
exsuda uma resina, de activissimo
aroma, mui empregada, e conhecida pelo
nome de Cahiireicica, .
Cit^xireiciea. a resina forne-
cida pela madeira acima.
Cac.o ou Cac-.oseiro. Theo-
hroma caceio.^ Linn. Fam. das Byttne-
riaceas. Arvore indgena das pro-
vindas do norte do Brasil, sobretudo
do Par e Amazonas, e tambm da
Nova Granada.
Tronco erecto, de 3 % metros de al-
tura.
Flores alternas, grandes, oblongas,
com a base cordiforme e ligeiramente
obliqua, tendo a face superior de uma
bella cr verde, e a inferior esbran-
quiada, apresentando sete nervuras,
partindo todas da base.
Flores, em pednculos solitrios, si-
tuados um pouco acima da axilla das
folhas, formando cachos.
Corollas de 5 ptalas de cr verme-
lha escura.
Fructo, noz oval, de 18 a 24 cent-
metros de comprimento, com 5 sulcos,
superfcie desigual, sericea, e 5 lojas
contendo grande numero de sementes.
Alm d'estas espcies de cacoseiros,
ha outros que mais ou menos se asse-
melham, e cujas sementes tem o mes-
mo emprego.
O caco serve especialmente para o
fabrico do chocolate, que sendo um bom
alimento, ajuntando-se certas substan-
cias medicinaes, toma o nome de cho-
colate de musgo, de ferro, de salepo,
de araruta, etc.
Tambm entra na composio de pre-
parados analepticos, como so o Raca-
hout, Palamud, Thehroma.
Tambm se extrahe d'elle uma mat-
ria, a que do o nome de manteiga de
caco .
emolliente ; emprega-se interna-
mente nas bronchites, e externamente
para curar as rachas dos beios, e do
bico dos peitos e do anus. (Fig. 12.)
Caracteres da famlia. Arvores ou
arbustos, de folhas alternas, simples,
munidas de duas estipulas oppostas.
Flores dispostas em cachos mais ou
menos ramosos, axillares, ou oppostos
s folhas.
O clice n, ou acompanhado de um
caliculo, e formado de 5 sepalas mais
ou menos ligadas pela base, e valvulares.
A corolla de 5 ptalas lisas, enrola-
das em espiral antes de seu desabro-
char, mais ou menos concavas e irre-
gulares ; estas ptalas faltam algumas
vezes.
Os estames , do mesmo numero , de
numero duplo ou mltiplo do das p-
talas, so em geral monadelphos, e o
tubo que elles formam por sua reunio
apresenta muitas vezes appendices pe-
taloides, collocados entre os estames an-
theriferos; estes appendices so outros
tantos estames abortados.
As antheras so constantemente de 2
lojas.
As carpellas em numero de 3 5 s j
mais ou menos completamente unidas.
Cada loja encerra dois ou trs vulos
ascendentes, ou um maior numei'o, in-
seridos no angulo interno da loja.
Os estyletes ficam livres, ou so mais
ou menos adherentes entre si.
O fructo em geral uma capsula
globulosa, acompanhada pelo clice, de
3 ou 5 lojas , abrindo-se em outras
tantas valvas, que frequentes vezes apre-
sentam o septo no meio de sua face
interna.
As sementes offerecem , em um en~
dosperma carnoso, um embryo erecto.
Cucoseiro Stravo. Theolroma
gnianensis,
Wild. Fam. Idem. Este
arbusto habita nos lugares charcosos da
Guyana.
Difere do precedente em ter a folha
recortada em de redor, e em ser o fructo
aloirado e piloso. Segundo Aubl. Caco
silvestris .
94
CAF
CAF
Ca<*1ia1>. uma espcie de Cardo
que alguns tomam i>ov Jaracali.
CcIbI>oii. E' a resina fornecida
pelo Po de ])orco.
Caeliiiii. Tambm em alguns lu-
gares significa Borracha.
CacliiBii. Sapium iUcifolmm., Willd.
Fam. das Eioplioj-Maceas. E' uma ar-
vore leitosa da America, com fructos
pequenos.
Trs amndoas bastam para um pur-
gante.
Capl&i iibIio . Trichofiliorum , Cachim-
ho. Fam. das Cyperaceas. Esta planta
tem o aspecto de um capim.
E' natural do paiz, e conhecida por
este nome nas provncias das Alagoas
e Pernambuco.
Ella forma uma touceira como o
capim, de folhas estreitas, dispostas
na superfcie da terra.
Do centro ergue-se imi pendo trian-
gular, e nasce um aggregado de flores
brancas, cheirosas, pequenas, verticil-
ladas.
Esta espcie cresce beira dos ca-
minhos.
Caeulage. 7. Quitoco.
Cate oti Cafezeir. Coffea ara-
hica, Linn. Fam. das Rubiaceas. Ar-
busto originrio da Arbia, cultivado
em todo o Brasil, e em outros paizes
intertropicaes.
Elle de 2 a 3 metros de altura,
frondoso.
Folhas verde-escuras, oppostas, lus-
trosas, de forma ellyptica, e pon-
tudas.
Flores em feixes nas axillas das fo-
lhas, e pelos ramos, brancas como o
jasmim, e com cheiro.
O fructo de 1 %. centmetro, oval,
vermelho, com uma casca coriacea,
tendo na parte interior uma substan-
cia albumnosa branca e doce ; envolve
um caroo, que se divide em dois he-
misphcrios ; este caroo o crneo, c
tem um sulco na parte plana.
E' esta semente que d toda a im-
portncia ao Cafezeiro.
O gnero Co/fea encerra mais de 23
variedades ou espcies, das quaes uma
faz hoje a base da riqueza do Brasil,
que o Cafezeiro arahico.
As primeiras provncias que o cul-
tivaram, foram o Maranho e Par ;
passou ao depois ser cultivado no
Rio de Janeiro, d'onde exportam-o em
grande escala para os mercados da
Europa e Estados-Unidos da America
do Norte.
O nosso caf occupa um dos pri-
meiros lugares em muitos d'esses mer-
cados, porm se se empregasse no
Brasil maior cuidado, na sua prepa-
rao e cultura, o consumo do caf
seria muito maior.
O mais bem tratado muito procu-
rado, e vende-se por maior preo como
acontece com os cafs dos outros pai-
zes, por exemplo o de Moka e o de
Bourbon.
Propriedades medicas. E' til con-
tra a debilidabe do estmago, dando-
Ihe fora e augmentando a energia
prpria ; ajuda a digesto, accelera a
circulao do sangue, faz allvar ou
desapparecer as clicas flatulentas.
E' um poderoso tnico e febrifugoJ
O uso do caf dissipa a preguia e
a languidez, proveniente do excesso de
trabalho, ou do abuso de prazeres ve-
nreos e de bebidas alcolicas.
A medicina popular o emprega con-
tra as dores violentas de cabea.
A medicina ofRcial o emprega na
asthma, na coqueluche, catarrhos chro-
nicos, gotta, amenorrha, tosse con-
vulsa.
E' tido como um poderoso remdio
para combater os effeitos do envene-
namento pelo pio e pelos outros nar-
cticos.
Internamente : Infuso de caf tor-
rado, 30 grammas para 250 grammas
d'agua fervendo.
Caf verde] no torrado [em. p, uma
CAG
CAI
9!
duas grammas, de hora em hora,
durante a apyrexia.
Decoco : 30 grammas em 3T5 gram-
mas d'agua. Meio clix de meia em
meia hora.
Caf do Biintto. Gxmnera simi-
lia coffea. Fam. das Araliaceas. Ar-
busto agreste e indigena, por este
nome conhecido nas Alagoas.
E' pouco esgalhado ; o tronco esbran-
quiado.
As folhas pallidas e oblongas.
As flores, reunidas em feixes espi-
gados, parecem pevides brancas.
O fructo vermelho e d pelo caule;
oval obconico.
Caiei*an Jacar-ar , Jacamar.
Qnassia do Par. Tacliia giiyatiensis^
AuM. Fam. das Gendanaceas. Arbusto
do Brasil (Amazonas), de 2 metros de
altura, caule quadrangular.
Folhas oppostas, oblongas, acumina-
das na base, e flores amarellas.
Raiz lenhosa, coberta de uma casca
delgada e branca, semelhante no exte-
rior a da quassia.
O lenho tenro , esbranquiado e
radiado, de sabor muito amargo.
Propriedades medicas. A raiz e o
lenho so muito empregados como tnicos
e febrfugos nas febres intermittentes.
P, 130 centigrammas.
Infuso, 4 grammas para 250 grammas
d'agua.
Tintura, 4 a 8 grammas.
Ca^aiteiva. Eugenia dysenterica.^
D. C.Fam. das Myrlaceas.MyrUis
dyse^iterica., Mart. Planta conhecida em
Minas-Geraes por este nome.
E' um arbusto de ramos tortuosos;
casca lisa; folhas ovaes e lustrosas.
Flores um pouco grandes e brancas,
como as flores da goiabeira.
Fructo globoso , coroado dos restos
floraes, e amarello quando maduro.
A substancia externa uma massa
compacta, espessa e aquosa, envolven-
do um caroo pardo no centro.
Propriedades medicas. Os fructos
so assucarados, adstringentes , e ap-
plicados como anti-dysentericos.
CaleatiBis^a. V. Piassava.
Caiaeia. V. Caacica.
Caiais ou Cociiieiro eaiaii.
Elaiis melanococca , Gcetr. Fam. das
Palmaceas. E' uma palmeira do Par
e do Rio Negro , que mais ou menos
apresenta o typo do Dendeseiro,
Ella fornece bom leo.
Caiaiana. V. Cainca do Brasil.
CaiBca do Braj^il. CMococca an-
guifiiga , Mart. CMococca racemosa ,
Htimb. , Bomp. e Kimt. Fam. das Rw-
hiaceas. Esta planta , conhecida em
alguns pontos do Imprio por Cainca,
indigena, e muita semelhana tem com
a de Raiz preta.
Tem suas folhas oppostas e as flores
em cachos.
O fructo uma capsula um tanto
comprida , com um ncleo sseo for-
mado por dois caroos (F. 13.)
Propriedades medicas. Esta planta
goza da virtude de ser muito diur-
tica; emprega-se a sua raiz.
A casca amarga, um tanto adstrin-
gente ; o impulso da raiz tem um cheiro
nauseante; diurtico e purgativo, e
d-se em doses pequenas; em doses
maiores produz vmitos contnuos.
E' empregada nas hydropisias, apo-
plexias, demncia, rheumatismo, sy-
philis, e tambm contra amenorrha'
Caireissik. Hydrocotyle Iriflora.
Fam. das Umhelliferas. Planta herb-
cea (da famlia que pertence o Coentro).
Ella aperitiva.
Cait. Canna aurantiaca, Rose.
Fam. das Amomaceas . Planta do Bra-
sil semelhante ao Merit,.
Propriedades medicas. O cosimento
96
CAI
CAI
da raiz calmante e empregado nas
gonorrheas ; pisada a raiz, serve para
cataplasma sobre os abcessos.
Ha varias espcies d'este gnero.
Caiiiia-a. Lobelia viscosa.
Fam. das Loheliaceas. Herva conhe-
cida por este nome nas Alagoas.
agreste e de altura media.
Seu caule apresenta ns de distan-
cia em distancia, e pllos no pice
dos ramos.
viscosa, de folhas oblongas e
grandes.
A flor cnica com dois lbios, de
cr encarnada carmesim.
O fructo uma capsula comprimida.
Caracteres da famlia. As Lohelia-
ceas so ordinariamente plantas her-
bceas eu subfructescentes, cheias cm
geral de um sueco branco e amargo.
As folhas so alternas, raras vezes
oppostas.
As flores formam espigas, (thjrsos,)
ou so approximadas em forma de ca-
ptulos.
Elias oferecem um clice gamos-
palo, de 4, 5 ou 8 divises persisten-
tes, e uma corolla gamopetala regular
ou irregular, tendo o limbo dividido
em tantos lbulos quantas divises
existem no clice, algumas vezes como
que bilabiada, de preflorao valvar.
Os estames, em numero de cinco,
so alternos com os lobos da corol-
la.
Suas antheras so livres ou appro-
ximadas semelhana de um tubo.
O ovrio infero ou semi-infero, de
duas ou mais lojas polyspermicas.
O estylete simples, terminado em
estigma lobulado, s vezes revestido de
pellos.
O fructo uma capsula coroada
pelo limbo do clice, de duas ou mais
lojas, abrindo-se ou por meio de ori-
fcios que se formam na parte supe-
rior ; ou por meio de valvas incom-
pletas, e que trazem comsigo uma
parte dos septos.
As sementes, pequeninas e numero-
sssimas, encerram n'um endosperma
carnoso um embrio axillo e erecto.
Caiiila lirava. Ce7iironia crispa-
phylla. Fam. das Melastomaceas .
Esta planta conhecida na Bahia pelo
nome de Cayuia.
de porte elegante, pequena, e de
caule pilloso, assim como as folhas ;
porm estas so macias.
Os pellos so roixos, e cobrem a
planta de tal maneira, que ella toma
um aspecto arroixeado.
As folhas um pouco grandes, e as
flores brancas.
O fructo oval , e roixo de 1 % cen-
tmetros ; contendo no interior uma
polpa aquosa, acre, e pequenos gros.
Caiuiu mansa. Centronia tinc-
toria . Fam . das Melatomaceas . E um
arbusto elegante, natural do paiz, que,
tanto em Alagoas como em Pernambuco,
conhecido por este nome; primeira
vista representa a ortiga.
Apresenta caules, folhas, e os rgos
da fructificao cobertas de pellos ; esses
pellos so alguma cousa arroxeados.
As folhas ovaes, meio grandes.
As florinhas em cachos, brancas e como
que postas sobre umas jarrinhas, que so
os clices.
O fructo de 1 % centmetros, redon-
do, roixo, com uma casca fina : contem
uma pequena polpa aquosa, escura, e
semeada de sementinhas ; chupa-se esta
polpa, que acre-doce.
Esta planta empregada na tinturaria,
porque produz uma tinta roixa ou preta.
CaiiBa la laiaa. Gra/fenriedia
macrophylla. Fam. das Melastomaceas.
Tambm agreste esta espcie, e s
se acha nas mattas ; do-lhe este nome
nas Alagoas.
um arbusto de casca parda clara.
Folhas grandes, no brilhantes, com
as divises parallelas.
Flores em cachos pequenos e brancas.
Todos os rgos da fructificao so
cobertos de pellos e arroxeados.
O fructo globoso, com a dimenso de
CAI
CAI
99
3 centmetros, semelhante ao precedente,
de massa aquosa.
Caiuia vermelha ou s:raiitle.
Calycogonium punctatum . Fam. das Me-
lastomaceas . uma arvore semi-lenho-
sa, que em Pernambuco tem este nome.
Seu caule cylindrico, e pelludo.
As folhas oppostas, muito cobertas
de pellos vermelhos e macios.
Flores em cachos, brancas, com todos
os seus rgos pelludos.
O fructo uma pequena baga, de menos
de 1 %. centmetros, globosa, com muitas
sementes.
Esta planta, indgena do Brasil, de
porte elegante, parece a Caiuia, hrava das
Alagoas, mas notam-se-lhe algumas dif-
ferenas.
Propriedades medicas. um pode-
roso ant-syphilitico, applcado nas ul-
ceras e cancros venreos.
Cai ui iilia . Dic}iorisand7'ii elegans.
Fam. das Commelinaceas Planta agres-
te, natural do paiz, assim chamada nas
Alagoas.
um arbusto elegante que merece ser
cultivado nos jardins.
Seu porte de 1 a 2 metros.
O caule e ramos so herbceos ; as fo-
lhas carnosas, em figura de esptula, e
abarcantes.
As flores em cachos so de um roixo
purpurino vivo, formando trs azas azues
de cr intensa.
O fructo uma capsula trigona, com
alguns caroos pretos, redondos, dispos-
tos em duas ordens em cada comparti-
mento, e por consequncia formando seis
ordens.
Caracteres da faaiilia. Famlia
formada dos gneros Commelina e Trades-
caritia, antes collocadas nas Juncaceas^ e
de alguns outros novos que lhes foram
reunidos.
As flores tm um clice de seis divi-
.ses profundas, dispostas em duas or-
dens : trs exteriores que so verdes e
calcinaes, trs interiores coloridas e pe-
taloides.
Os estames em numero de seis, rara-
mente menos, so livres e hypogynicos.
A anthera tem suas duas lojas apar-
tadas por um connectivo muito desen-
volvido.
O ovrio oflferece trs lojas oppostas
s trs sepalas externas, cada uma con-
tendo pequeno numero de vulos ortho-
tropos, inseridos no angulo interno ; elle
tem por cima um estylete que termina
em um estigma simples.
O fructo uma capsula globulosa,
de trs ngulos, comprimida, e de trs
lojas , abrindo-se por trs valvas , que
trazem cada uma um septo no meio da
face interna.
As sementes taras vezes so mais de
duas em cada loja.
O embryo, em forma de pio, op-
posto ao hilo, por consequncia anti-
tropo, e situado em uma cavidadesinha,
de um endosperma duro e carnoso.
As plantas que compem esta familia
so herbceas, annuaes ou vivazes.
A raiz fibrosa ou formada de tubr-
culos carnosos.
As folhas alternas, simples ou invagi-
nantes.
As flores lisas ou envolvidas em uma
espatha foliacea.
Esta familia se distingue: 1., das
Juncaceas pelo porte, pelo clice, cujas
trs spalas interiores so coloridas ; pela
forma do embryo ; 2., das Restiaceas,
igualmente pelo clice, pela structura
da capsula de lojas dispermicas, e sobre-
tudo pelo porte que bem diferente.
Caixa eolpp oii caixa cobre.
Cactus. Fam. das Nopaleas oa Cac-
taceas. Arbusto de serto do Brasil.
E uma arvore mediana de 2 a 3 me-
tros de altura pouco mais ou menos,
esgalhada na summidade dos ramos,
formando umbrellas de distancia em
distancia ; sem folhas.
As flores so brancas, semelhana
de Anglicas.
O fructo mede 9 centmetros pouco
mais ou menos, globuloso, achatado,
de cr roixa, casca grossa, por dentro
escarnada, contendo uma massa mUe
15
8
CAJ
CAJ
e doce, cheia de sementinhas pretas.
Come-se essa massa, que passa por
boa.
Cajairo oii Cwjjaseiro. Spon-
(lias lutea, Linn. Fam. das Anacar
iaceas. Em Pernambuco e varias pro-
vncias do Brasil conhecida por este
nome, no Par por Tapiriha^ e por
Acaj em outras provncias.
O Cajaeiro uma arvore oriunda do
paiz, elegante por seu porte gigan-
tesco e sua folhagem disposta syme-
tricamente.
Precede epiderme do seu tronco
uma casca de um tecido fibroso, ru-
goso, saliente, de natureza meio cor-
tiosa, que mui procurada para
pequenas obras de esculptura.
Suas flores, em cachos, so pequenas
e brancas, e nada tm de notvel.
O fructo uma baga amarella de
6 centmetros de comprimento, arre-
dondada, achatada na base ; tem uma
pellicula externa fina e lisa, uma polpa
pouco espessa, molle, acida e pouco
doce, e interiormente um caroo que
grande, branco, suberoso, e enru-
gado.
Come-se essa massa, que no to
boa ao paladar como ao olfacto, pelo
aroma que tem.
Costumam fazer do caj um xaroj^e
prprio para limonadas, gelas e doce.
Poucos annos ha que foram desco-
bertas nas razes d'essa bella arvore
tuberas de vrios tamanhos, cuja subs-
tancia comestvel, porm ainda no
se tem feito experincias a respeito.
Propriedades medicas. O caroo do
caj um enrgico diurtico, e deve
ser tomado em doses moderadas.
A casca adstringente.
O fructo acido e refrigerante muito
empregado na hypertrophia do cora-
o, contra as diarrhas, blenorrhas,
anginas atonicas, e ulceras do collo
do tero e vagina.
Cajaniur. Solanura saponaceum,
Dun. Fam. das Solanaceas. uma
planta e congnere da Junibeba. Passa
por desobstruente e depurativa.
Cajnty. E um arbusto de casca
grossa, com as folhas semelhantes s
do Louro.
D um fructo amarello, de sabor e
cheiro agradveis, e que preso
extremidade do ramo por um pedn-
culo comprido.
Cajeraitu. Cabralia cajerana, Mart.
TrirJiilia cajerana, Vell. Fam. das
Meliaceas. Arvore indgena e vegeta
no littoral.
conhecida no Rio Grande do Norte
por Cajerana., de casca jjarda, e ramos
pelludos nas pontas.
As folhas dispostas em palmas, so
duras e sem brilho, e parecem-se pri-
meira vista com as da Aroeira da praia.
Suas flores em cachos so como pe-
quenas Anglicas , esverdnhadas, co-
bertas de lanugem, e de agradvel
cheiro.
A fructa muda depois que cresce, e
parece uma jacasinha*de 6 9 cent-
metros; oval; a superfcie cheia de
proeminncias, como na jaca, emquanto
verde ; dentro ha uma massa amarella
pegajosa, e varias sementes achatadas e
angulosas dispostas transversalmente.
Come-se, mas no de sabor delicado.
Ca| 031 CajieiB*. Anacardim
occidentale^ Linn. Cassuvim por/imife-
rum, Lamck. Fam. das Anacardiaceas .
uma arvore importante das Antilhas e
do Brasil, que vegeta no littoral.
copada, no se eleva muito, mas
estende bem seus ramos; a folhagem
pouco densa.
Suas folhas so simples, ovaes, co-
riaceas, de cr verds amarellada.
As flores em cachos pyramidaes.
Clice campanulado, com cinco di-
vises.
Corolla de cinco ptalas, grandes ;
5 ou 6 estames., antheras oblongas, ou
arredondadas.
Tem cheiro ; umas so cr de rosa,
outras amarelladas.
CAJ
CAJ
99
O fructo uma noz, reniforme, que o
vulgo chama castanha; coberta por dois
invlucros, de consistncia crustcea,
de cr acinzentada; d um sueco oleoso,
muito custico, que se usa na medi-
cina popular, em applicaes externas,
para abrir fontes.
A amndoa assada saborosa ; e o-
berta com assucar se prepara em con-
feitos, que tem melhor sabor do que
as amndoas doces.
Attribue-se-lhe a singular proprie-
dade de exaltar as faculdades intel-
lectuaes, e de desenvolver a memoria;
aphrodisiaca.
O receptculo carnoso, e no outra
cousa seno o desenvolvimento do pe-
dnculo floral, ao que o vulgo chama
cajiti.
oval ou redondo, de cr branca,
amarella ou vermelha; de consistncia
molle, formado por um tecido carnoso
e fibroso, cheio de um sueco adstrin-
gente, que saboreado com praser na
estao calmosa, em limonadas refri-
gerantes.
Do sueco prepara-se vinho e vinagre,
e do tecido excellente doce.
A madeira usada na arte de mar-
cinaria.
Fructifica uma s vez no anno, no
ver,o.
Propriedades medicas . O sueco do
caju excitante, adstringente e diu-
rtico, usado como anti-syphilitico.
A mesma arvore d uma resina muito
abundante, que se pde empregar em
vez da gomma arbica.
A casca do tronco adstringente, e
usa-se em banhos nas inchaes das
pernas.
Cftjsk le Angola. Fam. das Eu-
phorhiaceas . uma arvore cultivada
no Brasil, e assim chamada em Per-
nambuco .
Com eflfeito, primeira vista sup-
pe-se um Cajueiro.
Ella copada, de folhas ovaes, a
semelhana das do nosso cajueiro, e
tambm coriaceas.
As flores so pequenas.
O fructo uma capsula com a forma
de um figo, carnoso, com 4 sementes
cr de rosa, apresentando manchas
mais escuras, e quatro lojas, contendo
cada loja uma d'estas sementes ; s
vezes aborta.
A semente coberta de um corpo
cartilaginoso amarellado.
E' drstica, e at venenosa quando
se administra em alta dose.
C'.a38B Saiitasis%. Anacardmm occi-
dentale. Fam. das Anacardiaceas . E'
uma espcie que se assemelha muito
precedente.
Seus fructos regulam a dimenso de
24 centmetros ; encontram-se em pe-
queno numero, e so em geral muito
doces.
Em Pernambuco estes fructos so
bons, mas em algumas provncias so
de m qualidade, como na do Rio
Grande do Norte.
O fructo do Cajueiro., na primeira
phase de seu desenvolvimento, recebe
vulgarmente o nome de Maturi., e 6om
elle preparam um guizado mui agra-
dvel.
Cajaiciro lipavo. TridiosjiermuM
liclien. Fam. das Flacurtianeas . Ar-
vore media, oriunda dos lugares agres-
tes, isto , vegeta nos taboleiros e
terras ridas do Brasil.
E' uma pequena arvore, de ramos mui
tortuosos, casca escura fendida, esta-
ladia, spera, mui parecida com a do
Cajueiro manso ; porm to spera que
serve de lixa aos marcineiros e tarta-
rugueiros.
As folhas so seccas, onduladas e
baas .
As flores em cachos, so cheirosas.
Os fructos SO capsulasinhas speras,
de forma navicular, contendo 4 semen-
tes cobertas por um arillo branco na
sua metade, e envoltas em uma subs-
tancia vermelha, um pouco viscosa.
Na Bahia e em Sergipe conhecida
por Samhaia; em Pernambuco e Ala-
goas por Cajueiro Iravo.
1(0
CAJ
CAL
Caracteres da famlia. So plantas
de folhas alternas, simplices, inteiras,
algumas vezes coriaceas, persistentes e
desprovidas de estipulas, muitas vezes
marcadas de pontos ou linlias trans-
parentes.
Suas flores so pedunculadas e- axil-
lares, frequentemente unixesuaes e di-
oicas, outras vezes liermaphroditas.
O clice formado de 3 a 7 se-
palas distinctas, ou ligeiramente sol-
dadas pela base.
A corolla, que falta s vezes, se
compe de 5 ou 7 ptalas, alternando
com as sepalas.
Os estames, em numero definido ou
indefinido, tem os filetes livres ; as an-
theras so de 2 lojas.
Estes estames so, assim como a co-
rolla, inseridos no mbito de um disco
annullar, que falta raramente.
O ovrio sessil ou estipitado, glo-
buloso, ora de uma s loja, encerrando
grande numero de vulos, inseridos em
trophospermas parietaes, cujo numero
o mesmo que o dos estigmas, ou
dos lobos de estigma, ora de numero
varivel de lojas, pelo prolongamento
dos trophospermas e sua reunio no
centro do ovrio.
O fructo unilocular ou plurilocular,
indehiscente ou dehiscente.
As valvas trazem cada uma d'ellas
um trophosperma, ou um septo no meio
da face interna.
Em geral o tegumento exterior da
semente carnoso e arilliiforme.
O embryo, homotropo e erecto, est
coUocado no centro de um endosperma
carnoso.
Caju Io caaupo. F. CajuU ou
Cajuim.
CaJ la aitata. Fam. Idem.
uma fructa agreste, de 3 a 6 centme-
tros ; redonda, oval, tendo exteriormente
na parte inferior um envoltrio carnoso,
da forma de um copo.
EUa uma noz parda, ovide, que
assemelha-se a um vaso com tampa;
tem cheiro nauseante.
Os veados comem -a muito.
Cremos que pertence propriamente
ao gnero Cassuciim e no ao mesmo
gnero Anacardium.
CajiiSt. Anacardium humile, Mart.
Fam. das Anacardiaceas. Este cajueiro
natural do paiz agreste e vegeta em
algumas provncias, especialmente em
Sergipe, aonde abunda nas mattas e
pelas catingas ; no arvore nem pro-
priamente arbusto ; subarbusto de 3
4 metros de altura, no mais semelhante
ao cajueiro ordinrio.
D, porm, um caju muito pequeno,
de 3 a 6 centmetros, que raramente
se come, por ter um azedume intole-
rvel.
Cajuliy ou Cajjiia oii Ca|
lo alto. E' um cajueiro pequeno,
como pequeno arbusto agreste que ve-
geta no Maranho e no Par, onde o
chamam Qaj do matto.
E' semelhante ao outro Cajuhij; dif-
fere, porm, em ter a fructa mais re-
donda e pequena, com a castanha
encravada no pice.
E* muito doce.
Calanio aromtico. E'
S. Paulo o Junco de cohra.
em
CaEas le velha. F. Verbasco.
CaluBiiba brasileira. Simaba
colmnba, Ried. Fam,. das Butaceas.
Esta planta um arbusto que vegeta nos
nossos sertes e no Amazonas at o Pa-
raguay.
EUa apresenta folhas alternas, pin-
nadas ou digitadas, e at simplices.
Suas flores so brancas, em cachos.
Seus ramos esverdinhados, amarellos
ou rosados, exhalam algum cheiro.
Ha mais uma espcie, Sirnaha humi-
lis, Ried.
Propriedades medicas. tnica e
febrfuga.
Calumiil ou Alalieia le Ito-
CAM
CAM
fOt
niein. Mimosa. Fam. das Legumino-
sas. E' subarbusto indgena que tem
a mesma propriedade da Sensitiva ou
MaKcia e mulher: de contrahir suas fo-
lhas pelo contacto dos corpos estranhos.
Em Pernarmbuco do-lhe o nome de
Malicia de homem., e nas Alagoas de Ca-
lumbi. '
Cresce pelas vrzeas, e eleva-se al-
tura de 1 K metro pouco mais ou me-
nos ; tem o caule cylindrico, com espi-
nhos.
Folhas em palmas e miudinhas como
na outra; as flores tambm, mas a fruta
uma vagem recta, e no enroscada
como na Sensitiva ou Malicia de mulher.
Calii9ig:a. Simaha ferrugitiosa., St.
Hil. Fam. das Leguminosas. E' uma
arvore de folhas imparipinnadas, e fo-
liolos ellypticos.
Flores em panicula composta, sub-
sesseis, com bractcas curtas.
A casca e a raiz d'esta planta contem
principio extractivo amargo.
Propriedades Medicas. E' empre-
gada em p ou em cosimento interna-
mente nas dyspepsias, febres ters, hy-
dropisias ; e tambm contra o prolapso
do recto, em clysteres.
Cantarias*! verinellio oie tte ea-
runelto. Caraipa pjramidata. Fam.
das Ternstroemiaceas . O Camaari uma
madeira conhecida em Pernambuco e
outras provncias por este nome.
E' uma das mais bellas arvores do
paiz.
E' alta, de forma pyramidal, folha-
gem densa, folhas ovaes e regulares.
As flores em cachos so como jas-
mins, brancas, e com as pontas tor-
cidas.
O fructo uma capsula de trs
valvas, com algumas sementes.
O Camaari vermelho uma madeira
de construco ; seu cerne pardo ou
castanho, mas muda de cr.
Empi-ega-se em traves, frexaes, por-j
t^es, e serve para taboado.
D uma resina combustvel, quej
produz boa luz. Esta resina, esfregada
nos ps, preserva dos bichos chamados
de p.
Ha outra espcie que o Camaari
branco.
Canta|iti. Physallis eduUs. Fam.
das Polanaceas. Esta planta tambm
em Pernambuco conhecida por a-
tetesta .
E' indgena, e d em quasi todas as
provncias do Imprio.
E' esgolhada, de cr verde palha,
folhas ovaes, arredondadas e de mar-
gens sinuosas.
As flores cinzentas, franzidas,
O fructo , depois de desenvolvido,
offerece o envoltrio da base da antiga
flor, que forma como que um casulo
cnico anguloso, onde aquelle se acha
encerrado .
Os meninos brincam com essa fruc-
tnha, batendo, depois de sopral-a, na
testa ; d um estalo, se arrebentar o
envoltrio que est cheio de ar.
Come-se, mas inspida.
Propriedades medicas. E' diurtico
e calmante, empregado na dysuria; seu
cosimento utl nos catarrhos, seus
caules so depurativos, e os fructos
desobstruentes.
O cosimento applicado internamente
tambm utl nos rheumatsmos chro-
nicos e nas afeces da pelle, assim
como empingens etc.
O sueco applica-se na dose de GO a
90 grammas.
O extracto na de 50 a 100 cent-
grammas e o p na de 4 grammas.
Caiar. V. Camar de chumbo.
Cainar-|eS>a . V. Mentrasto.
Cantar-^lfo. V. Po Pereira.
CaBtttai*-. de loi. Chrysocoma pa-
rallelinervia. Fam. das Compostas. E'
um arbusto sem-herbaceo, e por tal
nome conhecido ein Alagoas.
Suas folhas lanceoladas, oppostas e
urz
CAM
CAM
de verde desmaiado ; esmagadas desen-
volvem cheiro ; so baas, tem flores
brancas, em cachinhos.
Os fruetos so pequenos, contendo
sementes coroadas de um feixe de
penugem branca.
O gado vaccum gosta muito d'este
vegetal.
CainttriV branco.
de campina.
V. Cravi?iho
Camar de Capoeira. Verbena
quarialata. Fam,- das Comjwsias. Tam-
bm chamam a esta planta nas Ala-
goas Mucamba.
um arbustosinho agreste e natural
do paiz, cujo caule alado nos quatro
ngulos, como um babadinho foliaceo.
As folhas, o caule e os ramos so
de cr verde azulada eu esbranquiada.
As flores so brancas e midas.
D um fructo, cujas sementinhas so
pretas e ornadas de duas pontas.
Propriedades medicas. Usa-se seu
cosimento, internamente e em clysteres,
em pequenas doses, na cura dos catarrhos
com tendncia a asthma.
Caiuar de Cavallo. V. Mal-
mequer gratide.
Camar te eliumTio. Lantana
spiuosa, Linn Fam. das Verhenaceas.
Pelo nome de Camar esta planta co-
nhecida em todas as provncias, e por
Camar de chnmo no serto.
E' um arbustosinho engraado, a que
no se d a importncia devida, por-
que muito commum.
Seu caule ramifica-se desde a raiz,
formando muitos galhos cruzados, que
formam mouta; tem pequenos espinhos
nos ramos.
Suas folhas ovaes, recortadas em roda
so baas, speras, e com cheiro an-
logo ao da Herva cidreira.
As flores, dispostas em capitulo, ora
vermelhas, ora amarelladas.
D um fructo globuloso, do tamanho e
da cr de um bago ou gro de chumbo
de espingarda.
Tem uma pellicula flna, que cobre uma
massa moUe quasi liquida cr de chumbo,
com uma semente no centro, que tem
toda a analogia com o chumbo bastardo.
Esta planta, segundo um autor euro-
po, tem as propriedades da Herva ci-
dreira.
Entre ns uma das plantas que go-
so de virtudes therapeutieas, e presta-
se varias applicaes medicas.
Martins apresentou sete espcies de
Lantana Camar aculeata, involucrata.,
Linn. Brasiliensis ., Sellowiana ., Link.
Pseudothea, St. Hil. Microphyla
Mart.
Camar do Rio G3*anle do
Sul. Lantana zelloniana., Link. - Di-
dijnamia Angyospermia^ Linn. Fam. das
Verhenaceas. E' planta congnere do
Camar de chumbo.
Mais ou menos suas virtudes so
iguaes s do precedente.
Camar-tiiiifa. Lantatia iuvolu-
crata^Linn. Fam. das Verhenaceas. E'
uma planta mais ou menos igual ao
Camar de chumbo.
Tem, porem, as folhasternadas,e aro-
mtica.
Propriedades medicas. Sua infuso
proveitosa nos catarrhos. O sueco
das folhas misturado com assucar branco
empregado mui frequentemente em
Pernambuco nas molstias dos pulmes.
Cam ar am baia. Jussicea scahra.,
Willd. Fam. das Onagrariaceas.
u ma planta herbcea, muito coberta
de pellos.
Usa-se na tinturaria.
Camaras nlio. Lantana camar.,
Linn. Fam. das Verhenaceas. um
subarbusto, conhecido por este nome em
Pernambuco.
Seus caules fo rmam soqueira, e as ver-
gonteas cruzadas inclinam-se sobre os
outros vegetaes.
No mais semelhantissima ao Camar
de chumbo, com excepo das flores que
CAM
CAM
loa
so de cr de lyrio ou violeta ; no tem
espinhos.
Goza das mesmas propriedades do
outro.
Tambm o chamam Camar branco.
Caariii1tas. Eupathormm l-
bum^ WilM e Zm. Fam. das Compostas.
uma planta da America Meridional,
de caule erecto, folhas lanceola, das flo-
res alvas em cachos.
As sementes so febrfugas.
Cambu. Schums rhoifolhis ., Mart.
Fam. dasTerehinthaceas. uma esp-
cie de Aroeira., e tem os mesmos usos
que ella.
Cainlioini ou Caiiiliui. Euge-
nia tenella., D.C. Myrtus tenella, Mart.
Far. das Myrtaceas. Fructinha do
paiz, conhecida por este nome em Per-
nambuco, Bahia, Alagoas, S. Paulo e
Minas Geraes.
Provem de um arbusto, de tronco ra-
moso e liso, ramos verticaes, folhas pe-
quenas, estreitas e lustrosas.
As flores, em feixes, abundantssimas,
occupam todos os pontos da axilla das
folhas e ramos ; so brancas e chei-
rosas.
O fructo globuloso, de 1 1/2 3
centmetros de dimetro, coroado pelos
fragmentos do clice, de cr roixa, ou
vermelha escura, quando maduro.
Seu tegumento externo membranoso,
lusente, unido uma polpa escura,
aquosa com pouco tecido fibroso.
E' doce, com um resaibo adstringente.
Tem no centro uma semente esphe-
rica, dividida em duas partes.
Floresce no Sul, em Janeiro e Feve-
reiro, e em Pernambuco, em Abril e
Maio.
Cambraia ou IIIeI|it*es. Mal-
figkia ilicifolia.1 Mil. Fam. das Mal-
fighiaceas. Arbusto da America Meri-
dional, que serve de ornamento de
jardim.
Sua altura regula de 2 metros e 64
centmetros 4 metros e 40 centmetros.
Caule fraco, cr de castanha.
Folhas alternas, de cr verde pal-
lida, fuscas e ovaes.
Flores em cachos, nas extremidades
dos ramos, de linda cr de rosa.
O fructo redondo, e contem seis
sementes, dispostas circularmente.
No tem cheiro esta flor.
Cambuc. Exigenia edulis Cam-
huc . Fam . das Myrtaceas . Fructa
dos sertes de Pernambuco, do Rio de
Janeiro e de Minas Geraes.
O Cambuc o fructo do Cambucaseiro.
Tem seis a nove centmetros mais ou
menos, de forma redonda, e amarello
cr de gemma de ovo .
Tem a superfcie lisa e lustrosa, casca
fina, ligada a uma massa gelatinosa, es-
pessa e molle, encerrando um ncleo ou
semente redonda, oblonga de cr roixa,
um pouco oleosa.
O cambuc doce e agradvel.
O caroo que encerra adstringente,
e a polpa to salutar e innocente, que
se d aos enfermos.
Usa-se como refrigerante.
Cambuliy. Eugenia crenata.
Fam. das Myrtaceas. No ser a Eu-
genia cremdata de Willd e o Myrtus
cremilatns de Swart ?
Camelo. V. Capim coco.
CsintitainUsS.Convallariamajalis,
Linn.Fam. das Asparagaceas ouBorra-
gaceas.Vlfini- da Europa aclimada em
nosso solo para jardins.
Herva vivaz, e que tem raiz bulbi-
fera.
Suas folhas so radicaes, seme-
lhana do Ananazeiro e dos Capins-aihs.
Nasce do centro das folhas um pe-
dnculo n, onde se desenvolvem as
flores de cr branca, reunidas em uma
espiga ; occupando um s lado da in-
sero, so brancas ou rosadas, e com
cheiro.
Ha trs espcies que florescem em
Maio, e so mui cultivadas nos jardins
lO-l
CAM
CAN
Caiiis>aaiilla. Coutaria^caMfanilla^
D. C.Fam. das Ruhiaceas.kx\ovQ que
vegeta no Amazonas.
Tem as folhas ovaes, as flores brancas,
e um fructo oval, comprimido.
Caiipcflieiro. Eematoxylum^cam-
pecManum^ Linn. Fam. das Leguminosas.
Esta arvore do Mxico, mas tratamos
d'ella aqui, por ser crivei que tambm
exista nas regies do norte do Brasil.
O Campecheiro uma arvore de boa
altura.
Sua folhagem brilhante disposta
em palminhas symetricas dispostas.
Suas flores^ em cachos, so amarellas,
e fragrantes.
O fructo uma vagem comprimida,
contendo dois ou trs gros.
A madeira do Campecheiro 6 ama-
rella externamente, e no mago roixa
ou escura.
Todos sabemos que o Campeche
empregado na tinturaria, para tingir
de preto os tecidos ; mas elle tambm
usado na medicina, como adstringente,
contra as diarrhas chronicas, e he-
morrhagias .
Caiiipli o rei r . Zaurus camphora,
Linn. Rich. Fam. das Lauraceas.
Arvore indgena da China e do Japo.
Aclimada no Brasil, no extincto Jar-
dim Botnico da cidade de Olinda, e
tambm nos jardins do Rio de Janeiro.
Arvore bastante alta, tronco recto,
dividido na parte superior.
Ramos glabros, de um verde amarel-
lado , c frequentemente avermelhados.
Folhas alternas, com peciolo curto,
ellypticas ou ovaes, acuminadas, in-
teiras, glabras, um pouco luzentes por
cima, e coriaceas.
Flores em corymbos longamente pe-
dunculados.
Fructo do tamanho de uma hervi-
Iha, ovide, luzente, de cr purprea
denegrida quando maduro.
Extraco da camphora. Dividem-se
em achas o tronco, a raiz e os ramos
da Camphoreira, e distillam-se a brando
calor n'um alambique, cujo capitel
atravessado por cordes de palha de
arroz.
A Camphora adhere palha de arroz,
ahi se deposita com uma cr cin-
zenta, e assim transportada para
a Europa com o nome de Camphora
brtita .
Para a purificar, sublima-se banho
d'areia em um matraz, cuja abobada
tem uma abertura; porisso que a
Camphora se apresenta com a forma
de pes concavo-convexos, furados no
centro .
Propriedades medicas. A Camphora,
goza de aco excitante, e anti-pas-
modica.
E' aconselhada internamente em
grande numero de molstias, taes como
o typho, as erysipelas, a febre puer-
peral, a pneumonia, a bronchite, as
aff'eces rheumaticas, gotosas, e ner-
vosas, as convulses, etc.
Externamente nas torcedeiras, con-
tuses, etc. ; finalmente a Camphora
empregada contra os envenenamentos
pelos narcticos .
E' reputada anti-septica. Serve para
preservar os objectos da economia do-
mestica, taes como roupas, moveis,
etc, da aco destruidora dos insectos
damninhos ; em virtude de sua pro-
priedade anti-septica que usa-se nas
febres ptridas, etc.
CaiiauBtbaya. Cactus phyllanthns,
Vetl. Fam. das Cactaceas. Arbusto
congnere dos Mandacarus, cujo fructo
tem o sueco doce, mucilaginoso e re-
frigerante.
Propriedades medicas. Emprega.se
nas febres gstricas e biliosas.
Canapoaiga. V. Mangue branco.
Candeia. Vernonia 7iora;boracensis .,
Wild. Fam. das Compostas. Planta
da America do Norte, cultivada nos
jardins do Brasil.
herbcea, de l a 2 metros ; de
altura.
CAN
CAN
105
Suas folhas so lanceoladas e com-
pridas.
As flores, em cachos, purpurinas e bo-
nitas.
Ha muitas espcies.
ir
Candeia. Lychonophora, Mart.
Fam. Idem. Arbusto natural do paiz,
de caule tortuoso.
Seu lenho, quando secco, queimando-
se d uma luz clara, sem fumaa, e
dispensa o azeite no serto.
Um tio de fogo d'esta madeira, preso
parede, allumia como um archote.
Can1ei das Alagoas. CJiryso-
holanus ardentis. Fam. das Chrysohola-
neas. Arvore conhecida nas Alagoas, e
indgena do paiz.
Suas folhas ovaes so quasi redondas
no pice, e coriaceas.
As flores, excessivamente midas em
cachos difuzos, e de cor branca.
O fructo mui pequeno.
Esta arvore d tambm nas regies do
Sul.
O lenho quando queimado arde como
um facho sem se apagar:
CandiciB-o. V. Candeia.
Catideia. Cladonia sangunea, Mart.
Fam. das Liche?iaceas . E' uma planta
das mais importantes do reino vegetal.
Umas arrojadas pelo mar vm dar s
costas martimas ; outras desenvolvem-
se em terra com diferentes caracteres,
6, quasi sempre parasitas, tem cores vi-
vas e brilhantes.
O Candeia triturado com agua e assu-
car ptimo contra as aphtas das crean-
as.
Em S. Paulo e Minas tingem-se os
cestos e as esteiras com o sueco d'esta
planta.
Ha varias espcies.
Nos lugares arenosos e nas restingas
do Rio de Janeiro encontram-se as esp-
cies Cladonia pixidata e Clad. perfoliata.
Caiiella &\\ CaneSIeira. Lau-
rus cinnamomum, Linn. e Spl. Fam. das
Lauraceas. E* uma arvore do Ceylo,
porm acclimada nas Antilhas, na Guy-
anna, no Brasil (sobretudo nas provn-
cias do Norte), de 6 a 7 metros de al-
tura, medindo o tronco 30 a 40 cent-
metros de dimetro.
Folhas irregularmente oppostas, cur-
tamente pecioladas, ellypticas ou ovaes,
lanceoladas, inteiras, pontudas, lisas,
verdes por cima, acinzentadas por baixo,
coriaceas, com trs nervuras, raras ve-
zes cinco, longitudinaes, bem marcadas
com um grande numero de veios trans-
versaes.
Flores amarelladas, pequenas, dispos-
tas em paniculas terminaes.
A Canella de Ceylo apresenta-se em
cascas delgadas papyraceas, enroladas
em tubos da grossura de um dedo, e do
comprimento de 50 centmetros ; s
vezes estes tubos so m-ais pequenos, li-
sos, de cor amarella avermelhada ou
fulva.
Sua fractura irregular.
A Canella tem cheiro e sabor agrad-
veis ; a principio doce, depois acre e
urente.
Extrahe-se a Canella das arvores que
tenham pelo menos cinco annos.
Cortam-se os ramos, tira-se a epider-
me, separa-se a cascado ramo, e pe-se
seccar ; ento que as cascas se enro-
lam sobre si mesmas como apparecem no
commercio.
O leo essencial de Canella ordinaria-
mente nos vem da ndia. (Fig. 14.)
Propriedades medicas. Estimulante
e tnica, empregada nas digestes len-
tas, vmitos nervosos, febres adynami-
cas, escorbuto, escrophulas e leucorrhea.
Internamente : P, 6 12decigrammas
4 grammas para 400 grammas d'agua
fervendo.
Agoa distilladn, 30 60 grammas em
uma poo,
Tintura, 2 4 grammas.
leo essencial, 3 6 gottr.s.
Canella liatallia. Grande arvore
que vegeta nas provncias do sul do Im-
prio.
16
lOt
CAN
CAN
O sen tronco de grossura maior do
que o de qualquer das outras Catiellas.
Os falqueij adores lutam com grande
difficuldade para derribal-a.
A madeira de inferior qualidade, de
aspecto ligeiramente assetinado, e cr
branca suja,
Caiiell branca. Winfneriana
canella, Linn. Canella alha, Swart.
Fam. das Meliaceas. Arvore que cresce
no Amasonas e nas Antilhas.
Suas folhas so obovaes e coriaceas.
Suas flores azues.
O fructo uma baga.
Sua madeira, com quanto seja prpria
para construco, de qualidade inferior.
Propriedades medicas. Pode ser ap-
plicada como tnica e ebrifuga.
Canella de cltero. Oreodaphie
0'pifera, Mart. Fam. das Lauraceas.
Planta qne cresce no Rio Negro,
Propriedades medicas. Distilla esta
arvore um leo aromtico, que se em-
prega nas contracturas dos membros,nos
rheumatismos,etc.,emfrices ou em for-
ma de unguento.
Canella de ema. Yellosia mar-
tima. Fam. das Hoemodoraceas ., Polya-
delfliia icosandria., Linn. Esta planta
serve para tapamento das paredes das
casas, nos lugares aonde no se encontra
barro para tijolo, e tambm serve para
combustvel em razo de ser muito oleosa
ou resinosa.
E' do porte mais u menos de algumas
Yuccas., como tambm a Arvore ou Vella
de pureza., etc.
Suas folhas so longas e largas.
O caule elevado.
As flores, no pice dos ramos, so soli-
trias, bonitas, grandes, brancas, ama-
rellas e cr de lyrio.
O fructo escamoso ou coberto de as-
peresas.
Vegeta no paiz.
Canella de ema do Rio de
J ane iro. Barhacenia . Fam . Idem
Este gnero muito prximo do Vel-
losia.
Seus caracteres so os seguintes :
Clice gamospalo, quinquelobado,
inchado, coberto de pllos glandulosos.
Seis ptalas e seis estames ; de file-
tes largos, superiormente denteados, e
apoiando as antheras lateralmente.
O ovrio com um estylete e um es-
tigma.
O fructo uma capsula alongada trival-
ve, e polysmermica.
pouco conhecida ainda esta planta.
Canella de ema do aerto.
Costtis. Fam. das Amomoceas. Arbusto
agreste, natural do paiz, vegeta nos
terrenos ridos, pedregulhosos, ete.
Sua altura regula de 110 a 132 cen-
tmetros.
O caule pouco esgalhado, com arti-
culaes.
As folhas grandes, reunidas na su-
midade dos ramos.
As flores em espigas, de escamas
imbricadas, e vermelhas.
O fructo uma bagasinha.
O caule desta planta semi-herbaceo
e fibroso.
Os sertanejos preparam e fazem d'ella
esteiras, e coxins prprios para can-
galhas.
Canella limo. Bella arvore; o
lenho de um amarello pallido, um
tanto ondeado, assetinado, e de um
tecido frouxo.
E' aproveitado, se bem que em algu-
mas obras internas.
Na medicina domestica cosinha-se a
casca, d-se a beber para combater
dores de peito.
Canella do matto. Linaria aro-
mtica., Arr. Cam.Fam. das Scrophula-
riaceas. Ests. planta oriunda de Per-
nambuco.
aromtica, e d boa madeira.
Canella do matto . C>*o/o macu-
latum. Fam. das Euphorbiaceas.^ Esta
CAN
CAN
lO^S
arvore agreste conhecida no serto
das Alagoas por este nome.
Tem ura aspecto particular e engra-
ado.
A casca maculada de branco.
Os raraos so frgeis, as pontas
louras.
As folhas tem a pagina inferior co-
berta de uma penugem esbranqu^iada;
so ovaes.
As flores so em cachos, e' pubes-
centes.
O frueto uma capsula de seis coc-
cas orbicular, coriacea, tomentosa, con-
tendo trs sementes; de trs valvas que
se abrem, apresentando as trs semen-
tes ovides, envoltas no arillo; a amn-
doa oleosa.
O lenho d'esta arvore branco e
fraco.
Floresce uma s vez no anno: em
Fevereiro e Maro.
Caiiella preta. Agatliophijllum
aromaticum^ Linn. Fam. das Laura-
ceas. Arvore cuja madeira serve para
construco.
Caiiella preta. NectandramolUs,
Nies. Laurus atra, Vell. Fam. das
Lauraceas.
Propriedades medicas. As folhas
d'esta planta passam por diurticas, car-
minativas e emmenagogas.
Caiiella fedorenta ou tetiila.
uma bella arvore, que seria muito
estimada se no exhalasse um cheiro
to desagradvel e repugnante.
Todavia este inconveniente desappa-
rece ou diminue com o tempo, e a ma-
deira pode ser empregada em taboas de
forro e soalho.
Sua cr mais clara, e no possue
o brilho particular das outras canellas.
em geral imprpria para as obras
expostas ao ar.
Canella e veado. Fam. das
Euphorhiaceas Arvore pouco elevada,
copada, pouco espessa.
As extremidades dos ramos corres-
pondem metade da altura da arvore.
Folhas terminaes, agglomeradas nas
partes extremas dos seus peciolos.
As flores so unisexuaes, monoicas,
imperfeitas, e pequenas.
As flores masculinas occupam as par-
tes mais elevadas, e maior extenso
dos pednculos.
As do sexo feminino so constante-
mente em numero de trs, e esto si-
tuadas inferiormente.
O frueto uma capsula tricoca, re-
sultante da unio feita na tera parte
do dorso das folhas carpellares, de
sorte que a sua superfcie apresenta
trs ngulos fortemente reintrantes.
As linhas que representam as sutu-
ras dorsaes, que so as nervuras prin-
cipaes das primitivas folhas, so bem
visveis; estas so triloculares.
Cada loja contm uma semente, cujo
episperma membranoso, e de aspecto
vitreo.
A amndoa, cujo embryo est en-
volvido por um endosperma, branca.
t
Canella de veado brava ou
Piti eate. Casearia similia coffea.
Far. das Samidaceas .
Arbusto agreste e natural do paiz,
que vegeta no littoral, e conhecido em
Pernambuco por esses nomes.
baixo e bem esgalhado.
Folhas ovaes, lanceoladas, oblongas
e lustrosas.
Flores brancas, midas, em feixes,
nas axillas das folhas, e na extenso
do caule.
O frueto uma bagasinha, como
uma azeitona, que abre-se por si, mos-
trando trs sementes vermelhas ; roixo
por fora.
Algumas pessoas comem-n'o.
Esta planta floresce em Janeiro e
Fevereiro.
Tambm chamam-n'a Assa-peixe., em
Sergipe.
Canella de veado mansa dasi
Ala^as. Eugenia muUcauUs. Fam.
das Myrtaceas. Este arbusto, que ve-
fOS
CAN
CAN
geta pelas capoeiras do Brasil, co-
uhecido nas AJagas e em Pernam-
buco por este nome.
Cresce mais ou menos at 4 metros.
Seus caies se multiplicam da base
da planta, formando touceiras.
A casca fina, lisa e desprende-se
naturalmente em laminas. E' de cr de
canella avermelhada.
As folhas so oppostas, ovaes, pe-
quenas e lustrosas.
As flores brancas, em cachos, com
algum cheiro.
O fructo uma bagaoval, arredondada,
de 2 centmetros de dimetro o com
fragmentos dos envoltrios floraes no
pice, tendo quando maduro a cr
roixa avermelhada, e a casca mem-
branosa, unida a uma polpa trigueira,
aquosa e acre-doce.
Tem um e algumas vezes dois ca-
roos no centro, e da mesma cr.
O lenho d'este arbusto tem muita
flexibilidade ; porisso os meninos tiram
d'elle vergonteas para apanhar pssaros.
Caitelllnlia. V. Casca preciosa.
Caninana le Minas. CMococca
densifoUa^ Mart. Fam. das RuMaceas.
Planta oriunda de Minas Geraes.
uma trepadeira, de folhas ovaes
e flores brancas e aromticas.
Propriedades medicas. A raiz d'esta
planta drstica, e diurtica ; empre-
gada nas hydropisias e opilaes.
D-se na dose de 1 a 2 grammas do
extracto, e de 4 grammas do p.
Sua infuso feita na proporo de
15 a 20 grammas para 225 grammas d'a-
gua.
Caniia tle a^^siicar. Saccliarum
officinarum^ Liuti. Aruno saccUarifera^
Pison. Fam. das Graninaceas . A Camia
de assucar, Saccharum officinarum de
Linno, Saccharopharum de Necker, per-
tence familia das Graminaceas de
Kunt, e a Triandra digynea de Linn.
O seu caule cylindrico e articulado.
As folhas nascem da circumferencia
dos ns, formando uma bainha, que en-
volve ou todo ou parte do merithalo su-
perior.
As flores se agrupam em uma florescn-
cia composta sobre um caule, a que cha-
mamos flexa, da qual procedem gradu-
almente outros caules, em roda dos quaes
ficam dispostas em paniculas, simulando
uma espiga.
O fructo contem uma semente oblonga,
envolta pelas valvas, ou invlucros flo-
raes.
Da raiz fibrosa se elevam os caules ar-
ticulados, guarnecidos de 40 ou 50 ns,
mais ou menos approximados, conforme
o desenvolvimento da planta.
Folhas abarcantes na sua base, com o
comprimento de 1 K metro e largura de
de 3 a 6 centmetros, com suas nervu-
ras longitudinaes.
Esta planta importante, pois d'ella
se extrahe a substancia to conhecida
com o nome de assucar, hoje matria
de primeira necessidade para quasi
todos os povos da terra.
A canna de assucar passa por ser
originaria das ndias Orientaes ; pelo
menos at agora no se tem provado
de modo evidente que esta planta se
tenha encontrado ab origene em outros
pontos do globo.
Os antigos conheciam o assucar?
Esta questo pde ser resolvida facil-
mente, consultando-se os auctores gre-
gos e latinos, onde se acharo consi-
gnados os nomes de Mel de canna, Sal
de canna e tambm algumas vezes de
Saccliarum .
Mas, pela maneira porque estes auc-
tores se exprimem, v-se que conheceram
o assucar, no crystalisado nem refi-
nado, mas em xarope ou no estado a
que entre' ns se d o nome de rapa-
dura .
O illustre Humboldt presume que
desde mui remota antiguidade, os Chins
cultivavam a Canna, e conheciam o
modo de purificar o seu sueco, e de
crystalisal-o .
Os etymologistas querem que a pa-
lavra Saccharum ou assucar venha do
termo Sanscrito Scharkara, cousa doce.
CAN
CAN
109
Os persas chamam ao assucar Sckaka,
e os ndios Suckur.
Os egypcios, em eras remotas, se-
nhores do commercio da ndia, foram
substituidos pelos habitantes de Tyro e
de Sidon ; mas depois da conquista
de Alexandre, e da creao da cidade
que tem seu nome (Alexandria), que
abrio nova via de commercio pelo mar
Vermelho e pelo Nilo, os egypcios e
gregos se apoderaram de novo do com-
mercio do Oriente.
O Egypto continuou a ser o emprio do
commercio do Oriente, durante o imp-
rio grego deBysancio, assim como depois
que Constantinopla se converteu em ca-
pital do Imprio musulmano ; esta a
razo porque o mar Vermelho continuou
a ser o caminho ordinrio d'esse com-
mercio.
Sabe-se que durante muitos sculos,
os italianos, principalmentie os venezia-
nos fizeram o commercio quasi exclusivo
de Alexandria, e ero os monopolistas
dos gneros da ndia, consumidos em
toda a Europa.
Este estado de cousas durou at a
descoberta da passagem pelo Cabo da
Boa Esperana.
Esta resenha era necessria para in-
dicar o modo porque se fazia o com-
mercio do assucar com a Europa, como
tambm a maneira pela qual a cul-
tura da Canna foi conhecida, e mais
tarde transportada para outros lugares.
O primeiro nome que teve o assucar
foi o de Sal indiano^ entretanto esse
nome d uma falsa ida de sua origem
porque no era a ndia, propriamente
tal, que o produzia n'aquella epocha,
mas sim o Arthipelago indico, isto ,
o que hoje se chama Indo-China.
Foi somente no fim do XIII sculo
que a Canna passou para a Arbia.
Os prprios habitantes d'alm Gan-
ges no a conheciam, mas sabendo
que o assucar se extrahia de uma es-
pcie de junco, procuraram extrahil-o
de uma espcie de bambu, chamado
Mambi^Q denominaram ao sueco d'esse
bambu Sacchar-mamb, e mais tarde
Taaxir.
Os rabes deram o nome de Zuccar athes-
ser ao sueco concreto de uma nova planta
da familia das Apocynaceas^ cujas quali-
dades eram anlogas s do Sal indiano.
Avicennes faz meno de trs quali-
dades de assucar: o Z%icar arundinenm
ou sal indiano; o Zuccar mamb ou assu-
car da Prsia ; o Zucar athesser ou assu-
car arbico.
Marco Paulo, que em 1250 percorreu a
Tartaria, a parte meridional da China
e a pennsula do Ganges, menciona o
assucar entre os productos de Bengala.
Ormuz era, n'aquella poca emprio
do commercio do assucar, e parece ter
sido d'essa cidade que partiram as plan-
tas de Canna, que em breve tempo se
propagaram na Arbia, no Egypto, na
Nbia e na Ethiopia.
Em 1497, Vasco da Gama faz meno
do grande commercio de assucar e de do-
ces, que ento se fazia no reino de Cali-
cut.
Pedro Alves Cabral nota a mesma cou-
sa em Cambaya em 1500.
Eduardo Barbosa, que escreveu em 1515,
diz que em Bathecala, na costa de Co-
romandel, se fabricava mnito assucar,
branco e bom, mas em p, porque os ha-
bitantes o no sabiam reduzir a pes.
Sabe-se com certeza que em 1805 as ci-
dades de Danar e de Zibir, na Arbia Fe-
liz, faziam considervel commercio de
assucar, e que Dangola, cidade impor-
tante da Nbia, servia igualmente de
emprio a todo o commercio de assu-
car do paiz.
N'aquella poca Thebas fabricava muito
assucar, assim como Marrocos.
Giovani Lioni diz ter examinado em
Darotte, no Egypto, uma immensa fa-
brica de assucar, semelhante a um cas-
tello, onde haviam prensas, grandes cal-
deiras e numeroso pessoal de traba-
lhadores.
Nos ltimos annos do XII sculo os
cruzados encontraram cannaviaes nas
plancies da Phenica, e foram elles os
primeiros que introduziram a Canna
na Europa, porm o assucar j era
desde muito tempo antes ahi usado
nas casas dos prncipes, dos ricos.
lio
CAN
CAN
Entre os manuscriptos da bibliotheca
imperial de Paris, existem : uma conta
datada de 1333, onde figura uma par-
cella do custo de certa poro de as-
sucar branco para uso do Delpliim
Umbert ; um Decreto real de 1353, re-
giilarisando o commercio do assucar ;
e finalmente poesias de Eustquio
Deschamps, morto em 1428, em que o
poeta menciona o assucar como um dos
mais caros artigos de despezas das
famlias .
Legrand d'Assissi, diz que no XV
sculo, a cultura da Canna tornou- se
uma espcie de mania geral.
Beaujeu, que escreveu em 1550, diz
que ella era mui cultivada na Provena
e no Languedoc.
Alguns auctores querem que a Camia
fosse introduzida na Syria, em Chipre,
e na Sicilia no XIV sculo ; mas o
Sr. Dr. Freire Allemo apoiando-se em
um diploma ou acto de doao feito
por Guilherme II rei da Sicilia a um
mosteiro de Benedictinos, diz que, no
ultimo quartel do XII sculo, j exis-
tiam engenhos de moer Canna na Si-
cilia,
Como quer que seja parece certo,
como conclue o mesmo Dr. Freire Al-
lemo, que ao fechar do XIV sculo
era conhecida esta planta em todo o
mbito do Mediterrneo, desde as praias
da sia at Tanger na Africa, e Gra-
nada na Europa.
Descoberta a ilha da Madeira em
1420, o celebre infante D. Henrique
promoveu de todos os modos a cultura
da Canna, que ahi prosperou, assim
como nas Canrias.
A opinio geralmente adoptada
que esse prncipe mandara vir da Si-
cilia as primeiras mudas de Canna
que se plantaram na ilha da Madeira,
assim como mestres e apparelhos de
fabricar assucar.
Esta opinio unicamente fundada
no que escreveu o historiador Joo de
Barros. O Sr. Dr. Freire Allemo hesita
em adoptal-a.
Que o infante mandou buscar Si-
cilia mestres de moendas e de assucar
nada mais natural, diz elle, por ser
um dos lugares onde, n'aquelle tempo,
melhor se entendia d'aquelle mister;
as cannas^ porm, elle tinha quasi em
casa, visto que, at o estreito de Gi-
braltar (e quem sabe se fora d'elle) j
eram conhecidas e cultivadas.
A Hespanha seguio o exemplo de
Portugal, introduzindo essa preciosa
cultura nas Canrias, e depois na pr-
pria Hespanha.
A Canna de assucar naturalisou-se
nos reinos de Andaluzia, de Valena,
de Granada, Murcia, etc, e a Hespa-
nha hoje o nico paiz da Europa,
onde se cultiva a Canna de assucar.
No XVII sculo, Alexandria, Chypre,
Rhodes, etc, j no forneciam assucar
ao commercio ; porm, em 1815 ainda
estes paizes abasteciam a vrios mer-
cados da Europa, e a respeito da
Fi-ana escrevia n'este mesma anno
Charles Etienne :
Os assucares mais estimados so
os que nos fornecem a Hespanha,
Alexandria, as ilhas de Malta, de
Rhodes, de Chypre e de Cnndia.
Elles nos chegam d'esses diversos
paizes molhados em forma de pes gran-
des, mas os que nos vem de Valena
so menores.
O assucar de Malta mais duro,
porm no to branco, ainda que elle
seja brilhante e transparente.
Finalmente o assucar no outra
cousa mais do que o sueco de um can-
nio, que se espreme por meio de uma
pedra ou de um moinho, que depois
se embranquece fazendo-o cosinhar por
trs ou quatro vezes, e se deita em
moldes onde elle endurece.
Parece que em 1520 os portuguezes
introduziram a cultura da Canna nas
ilhas do Cabo Verde.
A pequena ilha de S. Tliom poucos
annos depois j contava sessenta en-
genhos, e os auctores contemporneos
avaliavam a sua produco em quatro
milhes de libras.
Em 1506 Pedro de Etiena ou de
Atiena levou plantas de Canna para
Hespaniola (depois S. Domingos, hoje
CAN
CAN
11
Haiti) que Christovo Colombo acabava
de descobrir.
Miguel Balestro foi o primeiro que
conseguio inventar um apparellio para
espremer-lhe o sueco por meio de moen
das, e Gonalo de Vellosa tambm foi
O primeiro qne conseguio fabricar as-
sucar.
A industria da fabricao do assucar
prosperou de modo, que os palcios de
Madrid e Toledo, fundados por Carlos V,
foram construdos com o producto dos
direitos de entrada do assucar de S. Do-
mingos.
Esta cultura, propagada em diferen-
tes pontos do continente americano,
adquirio muita importncia no Brasil.
Foi em consequncia d'essa impor-
tncia, que os portuguezes exerceram
uma espcie de monoplio no abaste-
cimento da Europa, durante o fim do
XVI sculo.
Lisboa deveu a esse trafico, reunido
ao commercio da ndia, a epoclia de
seu maior explendor. ^
Diversas causas concorreram para
remover este manancial de riqueza.
Portugal cabio sob o dominio da
Hespanha, e os estabelecimentos das
outras naes da Europa, faltando-lhes
consumidores para o tabaco e outros
productos, comearam a fabricar assu-
car em grande escala, e fizeram to
terrvel concurrencia, que o preo bai-
xou de modo a diminuir considera-
velmente a produco.
At ento na verdade a cultura da
Canna se tinha conservado nas grandes
Antilhas sujeita aos hespanhoes, porm
com to pouca importncia que, quando
em 1656 os inglezes se assenhorearam
da Jamaica, no encontraram alli mais
de trs engenhos.
Em Barbadas principiou-se a expor-
tar assucar em 1646, e os habitantes
se mostraram to activos, que trinta
annos depois elles exportaram perto
de sessenta mil toneladas.
A exportao da Jamaica cresceu
proporcionalmente ,
Entretanto em ambas estas ilhas,]
at 1641, apenas se cultivava tabaco,
gengibre e algodo .
Algumas plantas de Canna, que seus
habitantes mandaram buscar ao Brasil
n'esse anno, foram cultivadas com to fe-
lizes resultados, que o assucar exportado
excedia em 1770 s necessidades do con-
sumo da Gr Bretanha.
O commercio das Antilhas foi nos pri-
meiros tempos franco para todas as na-
es.
Essas paragens ero principalmente
visitadas pelos hollandezes, cuja mara-
vilhosa actividade os faz correr para
qualquer parte, onde ha algum lucro
aproveitar.
Em consequncia da barateza de seus
fretes, de sua probidade e pontualidade,
os hollandezes obtinham a preferencia
dos transportes, mesmo dos negociantes
inglezes.
O commercio passava insensivelmente
para as suas mos, com excluso das ou-
tras potencias martimas.
A declinao da sua navegao e com-
mercio, e certas questes politicas irri-
tantes, deram origem na Inglaterra ao
famoso acto de navegao, posto em vigor
no 1." de dezembro de 1651, cujas estipu-
laes geraes ero inteiramente dirigidas
contra a nao hollandeza.
Em 1654 Cromwel terminou os actos
de hostilidade, a que deu origem o acto
de navegao, por meio de um tratado,
sem todavia o derogar.
Em 1660 esse acto foi renovado e con-
firmado por Carlos II. Muitos publicistas
o consiaeraram como a causa principal
do augmento do poderio inglez, politica
e commercialmente.
No aqui lugar de discutir essa ques-
to, que alis parece decidida pela mo-
derna derogao d'esse famoso acto de
navegao, e da promulgao do trafico
livre.
Esse systema prohibitivo, que durou
por to longos annos , foi imitado
por todas as naes da Europa ; porm
no obstante uma legislao severa,
que assegurava a cada metrpole o
commercio de suas colnias, a pro-
lis
CAN
CAN
duco do assucar se desenvolveu
cada vez mais.
As colnias seguiram a fortuna de
suas respectivas mes ptrias, e foram
successivamente chamadas a tomar
uma parte mais ou menos conside-
rvel no abastecimento geral.
Faltam documentos a respeito do es-
tado do commercio em diversas epoclias.
Sabe-se em geral que a produco
da ilha da Madeira, das Canrias e
de S. Thom fez aFrouxar o da Si-
clia, do Egypto e da Arbia.
Mais tarde a cultura das colnias
hespanholas, das ilhas, e da terra firme,
reduzio a da Andaluzia.
O Brasil, finalmente, tornou-se o
centro principal da produco do as-
sucar, e at ao meado do XVII sculo,
esteve de posse do abastecimento, por
intermdio de Lisboa, de todos os
mercados da Europa, at que a con-
currencia das outras colnias produc-
toras conseguisse rivalisar com elle
nos paizes consumidores.
Porem, por meio de suas diversas
fortunas o Brasil ficou sempre sendo
um dos pontos mais importantes de
produco.
O preo do assucar do Brasil em
160 era muito alto, e regulava de 240
a 280 rs. a libra, o que equivale hoje
a 640 ou 100 rs., a sua exportao
orava n'essa epocha entre 120 a 150
milhes de libras.
A concurrencia das Antilhas produ-
zio uma baixa gradual nos preos.
Em 1728 a prosperidade das colnias
inglezas havia reduzido a 32 ou 33
schillings o preo do quintal do as-
sucar, quando anteriormente os mer-
cados inglezes s o obtinham dos
portuguezes a 4 ou 5 libras esterlinas.
No obstante esta concurrencia o
Brasil ainda exportou, em 1736, 80 mi-
lhes de libras, contra 170 milhes de
libras de todas as outras possesses
europas, nas ilhas e no continente da
America.
N'essa epocha as colnias hollande-
zas eram as rivaes do Brasil, na pro-
duco do assucar.
De 1726 a 1727 S Domingos co-
meou a fazer peso nos mercados do
mundo, exportando, por exemplo, em
1767, 114 milhes de libras tanto
branco como mascavo, quantidade que
se elevou em 179-), anno em que teve
lugar a desastrosa revoluo, que poz
essa ilha debaixo da dominao da
raa negra, a 164 milhes de libras.
Em 1775, a Martinica, Bourbon, Gua-
delupe e Cayenna elevaram a sua pro-
duco a 44 milhes de libras. As trs
ilhas augmentaram constantemente em
produco, mesmo custa do caf.
A cu.ltura nas Barbadas e na Jamaica
augmentou consideravelmente depois
da introduco dos escravos africanos,
que comeou em 1641.
A importncia crescente da produco
do assucar foi tal que, em 1685, pri-
meiro anno do reinado de Jacques II,
o parlamento estabeleceu um imposto
especial sobre o assucar e o tabaco
d'essas ilhas, e esse imposto rendeu
mais de 200 milhes de cruzados.
Foi somente no anno de 1760 que
as colnias de Cuba e de Porto Eico
deram grande extenso cultura e
fabricao do assucar.
At ento as colnias hespanholas
no forneciam assucar, seno o neces-
srio para o consummo dos paizes su-
jeitos ao mesmo dominio na Europa
e America.
No triennio de 1775 a 1778 calcu-
lava-se o movimento commercial em
590 milhes de libras de assucar, no
fallando no consumo local, nem no com-
mercio estabelecido entre as colnias
da mesma nao.
Na epocha da revoluo franceza este
estado de cousas experimentou algumas
mudanas .
A guerra da independncia dos Es-
tados Unidos perturbou no principio a
produco em diversos pontos ; mas os
annos de paz decorridos depois dos
tratados de 1783 deram novo impulso
produco, principalmente nas pos-
sesses francezas, de sorte que em
1783 a Franca se achava em attitude
de dominar os mercados da Europa ;
CAN
CAN
91
calcula-se em 210 milhes de libras o
assucar branco e mascavo introduzido
nos diversos mercados pelas colnias
francezas .
Durante o longo periodo de guerra
entre as naes europas, de 1'792
1815, a produco, o consumo e o com-
mercio do assucar soffreram alternati-
vas extraordinrias.
A sorte da guerra fez cahir em po-
der dos inglezes uma grande parte das
colnias francezas productoras de as-
sucar, e em razo da situao e estado
do continente europeu, as outras col-
nias no tinham seno os seus pr-
prios mercados para consumirem a sua
produco.
A nica nao que ento podia com-
merciar livremente eram os Estados-
Unidos; de 1801 1802 os seus nego-
ciantes importaram 108 milhes de li-
bras de assucar, dos quaes 46 milhes
ficaram para consumo e 62 milhes
foram exportados .
Mas este commereio quasi que se
limitava s colnias francezas fora do
jugo da Inglaterra, e accidentalmente
era prohibido aos americanos expor-
tarem em troca de suas madeiras e
peixes salgados mais de 6,000 barricas
de assucar , pouco mais ou menos 7
milhes de libras.
Essa concesso to restricta e to fa-
vorvel para os prprios colonos foi
derogada em 1806, e desde ento todos
os assucares foram mandados directa-
mente para a Inglaterra.
Em 1807 o abarrotamento dos merca-
dos inglezes deu origem a uma terrvel
crise ; os preos do assucar desceram
muito, e isso no meio de uma guerra
que encarecia os fretes, os seguros, e
diminua muito o numero dos merca-
dos.
Entre 1813 e 1814 a subida dos preos
se manifestou em consequncia, das vi-
etorias dos alliados, e da esperana de
uma paz prxima.
Na paz de 1815 a restituio de uma
parte das colnias conquistadas, a baixa
dos fretes e seguros, causaram novas
reduces nos preos dos assucares ;
reduces que se elevaram ao mximo
de 1830 1831.
Dessa epocha em diante os preos
tem soffrido diversas oscillaes depen-
dentes das circumstancias ordinrias.
As ultimas guerras da Crima e Itlia
pouco mfluiram sobre o commereio d'este
gnero; todavia nota-se um augmento
de preos, que certamente devido
escassez de produco ou a um grande
augmento no consumo, no obstante o
augmento da cultura da beterraba.
Os primeiros que refinaram o assu-
car na Europa foram os venezianos.
Primeiramente elles empregaram o
methodo chinez, e venderam o assucar
no estado de Candi; mais tarde elles
adoptaram o methodo dos rabes, que
foram os descobridores do processo de
clarificar, por meio de cal e de potassa,
e os inventores das formas cnicas.
Desde ento se estabeleceram refina-
rias em toda a Europa, e a arte de refi-
nar assucar foi em progresso crescente
em quanto que os preos diminuram.
O assucar comeou a ser um artigo de
geral consumo.
A profisso de refinador foi ennobre-
cida em muitos pontos da Europa, prin-
cipalmente em Frana ; e as fabricas se
constituram e se substituram como es-
pcies de feudos.
A opinio mais geral e a que parece
melhor motivada, , como j se disse,
de que a Canna indgena das regies
d'alm Ganges, d'onde sahio e se es-
palhou por todos os lugares onde hoje
cultivada.
Todavia alguns auctores pretendem
que ella foi encontrada indgena no
Haiti , em Madagscar, nas costas do
Coromandel e do Malabar, em Ceylo,
em Bengala, no Peru, em Sio, em Ma-
nilha, Japo, Java, Costa Oriental da
Africa e mesmo em vrios pontos do
Continente americano.
Sabe-se que Cook encontrou grandes
cannaviaes em Otahiti ou Taiti na epocha
de sua primeira viagem.
D'onde veio a Canna para essa ilha?
Pode perguntar-se. Mas d'onde veio a
raa humana que a povoa?
17
114
CAN
CAN
Se por emigrao da sia, como se
deve crer, os emifrr-mtes deveriam tor
trazido comsigo alg:ii^j:ias plantas teis,
e entre ellas a Canna de assucar, que
de fcil transporte. O Sr. Dr. Freire Al-
lemo discute na memoria citada a
questo :
Se a Canna foi encontrada indgena no
Brasil, na epoclia de sua descoberta.
Para isso elle consultou todos os do-
cumentos histricos, que pde encontrar,
comparou-o, e de todo esse exame ti-
rou as seguintes concluses, que logi-
camente se podem adoptar.
Para o Brasil o mais provvel que
ella viesse de So Thom, onde geral-
mente se refaziam os navios que nave-
gavam para a ndia e para o Brasil, e
onde a industria assucareira havia to-
mado to grande desenvolvimento que
o professor Domingos Vandelli assevera
haver alli sessenta engenhos em 1492.
O facto que por toda a parte a se-
mente da Canna chegou muito antes de
cuidar-se em preparar o assucar, e por
quasi toda a parte teve tambm sorte
igual a dos outros vegetaes, que, condu-
zidos por particulares descuidosos , no
deixo documentos nem de si nem de
seus introductores.
No o mesmo com o estabelecimento
de fabricas ou engenhos ; so factos no-
tveis, que, com os nomes de seus fun-
dadores gravam-se na memoria do povo
e se perpetuam em escripturas publicas.
Bougainville, na sua viagem roda
do mundo, em 1768, trouxe mudas de
Canna indgena de Otahiti ou Taiti, que
depois foram enviadas para as ilhas de
Frana e Bourbon, e d'esta ultima para
a Guyanna Franceza, onde ella conhe-
cida com o nome de Canna de Botirhon.
De Cayenna ella foi transportada para
o Brasil, onde se lhe deu o nome de
Camia de Cayetma. A primeira provncia
que a recebeu foi a do Par, no tempo
do Governador Francisco de Souza Cou-
tinho., entre os annos de 1790 e 1793.
O navegante inglez Bligh introduzio
esta espcie nas colnias de sua nao.
Segundo as informaes colhidas pelo
Dr. Freire Allemo, ella chegou
Bahia cm 1810, e foi primeiramente
plantada no engenho da praia perten-
cente Manoel de Lima 1'ereira.
Da Bahia passou para o Rio de Ja-
neiro, trazida ou mandada buscar pelo
fallceidd Marquez de Barbacena, e os
primeiros engenhos que a cultivaram
foram os do Bang e Gericin, na
freguezia do Campo-grande, dos quaes
era proprietria ento a fallccida D.
Anna de Castro. Isto teve lugar em
1811.
No obstante estas informaes repu-
tadas fidedignas o autor cita as me-
morias do padre Luiz Gonalves dos
Santos, onde se diz que em 1810 o
brigadeiro Manoel Marques, governador
interino da colnia de Guyanna, ento
occupada pelos portuguezes, enviara
para a Corte, Par e Pernambuco
grande numero de plantas de Canna
de Otahiti cultivada n'aquella colnia,
e que essas cannas cultivadas no jardim
botnico de Pernambuco, foram depois
distribudas pelos lavradores.
Esta variedade fez desapparecer dos
cannaviaes e dos engenhos a Canna
denominada creoula ; todavia esta con-
tinuou a cultivar-se para alimentao
do gado e para vender-se nas cidades,
por ser prefervel para estes mysteres
Cayenna.
A cultura d'esta ultima variedade
comeou ha cerca de setenta annos
nas colnias francezas, e a pouco mais
de quarenta no Brasil. A espcie verde,
que a geralmente cultivada entre
ns, comeou a alguns annos a tor-
nar-se dura, render pouco assucar, e
finalmente foi accommettida de uma
enfermidade, de tal modo grave, que
em muitos lugares, sobretudo na pro-
vncia do Rio de Janeiro foi foroso
recorrer outra vez j desJDrezada
Catma creoula.
Prestando a devida atteno a este
deplorvel estado de cousas o governo
imperial resolveu mandar uma expe-
dio Ilha de Bourbon ou da Reu-
nio, buscar novas plantas afim de re-
generar a cultura em' decadncia.
N'essa ilha, assim como na de Mau-
CAN
CAN
lis
ricia, a degenerao da Canna de Ota-
hiti seguio a mesma marcha que aqui,
e o governo colonial, logo que a pre-
sentio, mandou buscar plantas vrios
lugares da sia e da Oceania.
Hermann Herbot, intelligente jardi-
neiro allemo, foi o encarregado da
misso de ir buscar as novas plantas
Bourbon.
Elle partio do porto do Rio de Ja-
neiro em Setembro de 1857, e voltou em
Maio de 1858, trazendo, alem de varias
outras plantas, inclusive mudas e se-
mentes do excellente caf de Bourbon,
trs variedades de Canna, saber : uma
verde de Penang ; uma cr de rosa
com o nome de Canna Diard ou de
Batavia, e finalmente uma vermelha
arroxeada.
Tendo vindo essas mudas no poro
de um navio, como lastro, chegaram
em tal estado, depois de um embarque
de mais de setenta dias, que foi ne-
cessrio plantal-as immediatamento ; o
que se fez na chcara da rua da Lapa
n. 88, e no supradito Jardim Botnico
afim de se distriburem quando tives-
sem tomado o devido crescimento.
A primeira foi feita em 1859 no mez
de Abril, e a segunda em Maro de 1860.
A degenerao das duas espcies de
Canna de assucar at agora cultivadas
no Brasil demonstra ainda uma vez a
necessidade de renovar em certos pe-
rodos as sementes das plantas exticas;
porque parece provado que da cultura
prolongada da mesma espcie nascem
as degeneraes e as molstias que ata-
cam os vegetaes.
Todo o systema agrcola nacional deve
ter em vista colher tudo quanto existe
de melhor em todas as partes do mundo,
tanto do que novo como do que
vulgar.
No primeiro caso augmentar-se-ha a
riqueza vegetal do paiz e talvez a ri-
queza publica; no segundo, pde-se obter
variedades, que melhor prosperem no
paiz ou ao menos em certas localidades.
Caracteres da espcie. uma planta
que prostra pelo solo parte de seu cau-
le, que representa um colmo, como nas
outras Graminaceas ; o caule tem de
altura trs a quatro metros, e no so
igualmente doces em toda sua extenso;
a parte culminante o muito menos
que o resto, e por esta razo que o
costumam cortar antes da colheita, para
servir de estaca.
Espiguetas bifloraes, pelludas at a
base.
A flor inferior unicamente uma pa-
lheta; a superior hermaphrodita.
Trs estames ; ovrio sessil, liso ; dois
estyletes terminaes, compridos; estigmas
plumosos.
a planta mais bella da familia das
Graminaceas.
At nos ltimos tempos forneceu o
assucar consumido no mundo inteiro,
bem que hoje esta produco seja par-
tilhada com a da Beterraba.
At a epocha da revoluo franceza
o assucar de Canna no tinha rivaes
nos mercados consumidores.
A guerra martima, os bloqueios, a
ala enorme de todas as mercadorias
eoloniaes, a perda para a Frana de
quasi todas as suas colnias fizeram pro-
curar os meios de supprir a falta quasi
absoluta de um gnero de consumo geral
como o assucar.
Fizeram-se ento muitas tentativas e
ensaios sobre todas as matrias capazes
de dar assucar abundante e barato.
Tentou-se de novo a cultura da Canna,
na Provena, porm nunca se pde obter
assucar cristallizado ; recorreu-se ento
uva, ao gro de milho e ao seu caule,
ao shorgo, castanha, cenoura, etc,
porm debalde.
Em 1747 Margraff, chimico de Ber-
lim, tinha feito conhecer a possibili-
dade de obter verdadeiro assucar do
sueco da beterraba; mas elle se con-
tentou em demonstrar que se podia
ajuntar um novo producto analyse
vegetal, e que o assucar no perten-
cia exclusivamente Canna.
Em 1797 Achard, outro chimico prus-
siano, annunciou ter descoberto pro-
cessos, por meio dos quaes se podia
tirar da beterraba branca uma quan-
114
CAN
CAN
tidude de assucur bastante consider-
vel, para pagar as despezas da cul-
tura c do fabrico, vrndeudo-sc o novo
assucar por preo mdico.
Estabcleceram-se ento algumas fa-
bricas, mas que no poderam susten-
tar-se ; c como o preo do assucar ia
augmentando consideravelmente ponto
de vender-se por trs francos ou 1$200
ris cada libra, considerou-se ento a
beterraba como incapaz de produzir
nenhum resultado til, e a atteno
se dirigio para o assacar da uva.
O governo de Napole,o, em luta con-
tra 'quasi toda a Europa, por assim
dizer, bloqueado pelas esquadras in-
glezas, multiplicou as promessas e as
recompensas, aim de crear a indus-
tria saccharina.
Os chimicos Proust e Fugues foram
largamente premiados por haverem des-
coberto o assucar da uva; mas esse
assucar no tendo apresentado as van-
tagens que se esperavam, por decreto
de 15 de Janeiro de 1812, foram esta-
belecidas cinco escolas de cliimica, para
ensinarem a fabricao do assucar de
beterraba, alm de quatro fabricas nor-
maes d'esse assucar,
Chaptal, a quem a industria deve
tanto, conseguio melhorar um pouco
os processos de fabricao, e, fora
de favores de todo o gnero, a cul-
tura da beterraba e a extraco do
seu assucar tomaram em breve not-
vel desenvolvimento.
Porm os desastres da Rssia, a in-
vaso dos alliados, e a suspenso do
bloqueio continental, no obstante os
favores anteriormente concedidos e em
concurrencia com os assacares das co-
lnias, que ento innundaram os mer-
cados francezes, fizeram o de beterraba
no sustentar-se , e quasi todas as
fabricas succumbiram.
Em 1822 esta industria pareceu rea-
nimar-se, mas a difficuldade de reunir
os conhecimentos do agricultor e do
fabricante, que igualmente o grande
embarao da industria do assucar de
Canna^ causou a ruina de grande pai"te
dos novos estabelecimentos.
Em 182) operaram-se grandes mu-
danas nos diversos metliodos de fa-
bricao; o modo de cristalisao lenta
e regular foi quasi geralmente aban-
donado i)elo processo de cristalisao
confusa e rpida, e o uso do vapor
foi adoptado pela evaporao e o co-
si mento.
Os filtros Taylor e Dumont foram
inventados, assim como o emprego do
carvo animal.
Desde ento o desenvolvimento foi
to rpido que em 1836 j se contavam
em Frana trezentas e setenta e uma
fabricas, e o governo julgando a in-
dustria bem firmada tratou de impor-
Ihe um tributo, alliviando ao mesmo
tempo o do assucar colonial.
Em 1837 existiam seiscentas fabricas
em actividade, que extrahiam mais de
noventa milhes de libras de assucar.
Na Allemanha, a primeira fabrica
de assucar de beterraba foi estabele-
cida pelo chimico Achard, de que acima
falamos, debaixo da proteco do rei
da Prssia.
Esta fabrica no apresentou resul-
tados notveis, porque os apparelhos
eram to imperfeitos, e a purificao
do assucar to incompleta que apenas
se obtinha de 2 a 3 por cento de
assucar cristaljsavel.
Mais tarde, por meio dos aperfeioa-
mentos j mencionados conseguio-se
elevar essa porcentagem de quatro at
cinco, o que, junto aos favores de que
os governos allemes foram prdigos,
como os de Frana, fez com que essa
industria comeasse a prosperar e a
vulgarisar-se em toda a Allemanha.
Os aperfeioamentos introduzidos por
Weinreich, Kodneios e sobretudo por
Zier, a possibilidade de extrahir-se de
seis a oito por cento de assucar, isto
, de obter-se, de cem quintaes de
beterrabas seis a oito quintaes de as-
sucar, ainda mais concorreu para isso.
Se a beterraba contem, como se pre-
tende, de dez a doze por cento de
assucar, e conseguir-se extrahir toda
esta quantidade, segando o calculo do
Dr. Schmidt, bastar uma superfcie
CAN
CAN
IfS
quadrada de uma lgua de lado para
fornecer beterrabas em quantidade
suRciente para dar todo o assucar, que
requer o consumo da Allemanba.
A cultura da beterraba ganha ter-
reno todos os dias, e se propaga por
toda parte.
A Frana, a Allemanha, a Rssia,
a Itlia, e os Estados Unidos fazem
os maiores esforos para fixar esta
industria.
N'estes ltimos annos tm-se inven-
tado numerosas machinas, descoberto
novos processos, e at novas inaterias
saccharinas.
O assucar de Canna tem a temer um
novo rival, assim como o da prpria
beterraba. Referimo-nos ao assucar de
fcula, descoberta devida ao chimico
Kirchoff, e que j se explora em grande
escala nas fabricas de Mr. Mollerat.
No entraramos n'estes pormenores
sobre a beterraba se, em primeiro lu-
gar, no quizessemos chamar a atten-
o dos agricultores e da adminis-
trao para esse terrvel rival de uma
das nossas mais importantes industrias
e fontes de riqueza; e, em segundo
lugar, para fazer sentir a necessidade
urgentssima de adoptar-se quanto an-
tes methodos mais racionaes de cultura,
e todos os apparelhos e processos
usados na fabricao do assucar de
beterraba.
Quando pensamos que a beterraba.
que se acha em condies menos fa-
vorveis do que a Canna, e que contem
quasi metade do assucar encerrado
n'esta, d, pelos melhoramentos intro-
duzidos na Europa n'esta industria,
mais assucar (quasi o dobro) do que
a Canna , estamos certos que tudo que
concorrer para augmento final d'esta
industria entre ns, merecer a pena
ser tida em considerao.
A provncia de Pernambuco possue
mais de mil fazendas de assucar ou
fabricas de fazer assucar. A industria
aSsucareira devia achar-se em estado
de prosperidade ; mas infelizmente assim
no acontece.
No Brasil inteiro, e sobre tudo em
Pernambuco, a agricultura sente um
grande embarao em seu desenvolvi-
mento, que a falta de viao e de
boas estradas.
Ha poucos annos a linha frrea de
S. Francisco atravessava mattas vir-
gens, hoje esses lugares esto occu-
pados por excellentes engenhos, e os
habitantes vo lucrando os benficos
efeitos d'esta grandiosa obra do pro-
gresso.
Ordinariamente os nossos lavradores
luctam com os maiores embaraos fi-
nanceiros, e muitas vezes para evital-os
lanam mo de sacrifcios muito pe-
sados, e dos quaes difficilmente conse-
guem o resultado que desejam; visto
como s encontram capites com a
usura de 18 a 24 %, e esses capita-
lisados.
Parece-nos que o nosso governo de-
via compenetrar-se d'estas verdades, e
tratar de melhorar a sorte dos nossos
agricultores e sobre tudo dos fabri-
cantes de assucar ; porque esses con-
correm muito para a riqueza do paiz.
Com a creao de estabelecimentos
de credito se remediariam muitos males,
que presentemente afliigem a agricul-
tura.
D'este modo muitos dos nossos agri-
cultores deixariam de esgotar suas for-
as vitaes, de ver aniquilar todos os
seus recursos absorvidos pelos fabu-
losos juros capitalisados de trs em
trs mezes.
Estamos vendo constantemente os ef-
feitos desastrosos d'essa negligencia dos
nossos governos, que, embebidos na po-
litica official, vem com indiferena o
numero de fabricantes de assucar q\ie
todos os dias desapparecem, que per-
dem seus escravos, as suas terras, os
seus utenslios, tudo vendendo emfim em
praa publica; e isso no basta para pa-
gar ao usurrio desoito vinte e quatro
por cento dos juros capitalizados de trs
em trs mezes, do emprstimo feito ao
pobre agricultor.
De todos os agricultores do Brasil os
que se entregam a industria assucareira
so os que mais soffrem estes males.
lis
CAN
CAN
N'esta provncia, o ein todas as mais
do Impo ri o, o fabrico do assucar est
geralinciitc cm atiazo.
Desde o plantio da Canna at a cla-
rificao do assucar os processos so im-
perfeitos.
Existe nas provncias uma ou outra
fazenda de assucar, a que chamamos
engenho, e que apresenta alguns me-
lhoramentos, quer quanto construeo
de suas moendas mais aperfeioadas,
quer quanto ao fabrico do assucar, parte
essencial; mas so ainda em numero
to insignificante e to limitado que
no exercem influencia alguma sobre a
grande massa da produco.
A mecnica agrcola entre ns no
passa de uma novidade ; preciso vul-
garisar-se os seus apparelhos na cul-
tura da Canna e nas plantaes.
A fora motriz do vapor apenas
conhecida em algumas fazendas de
assucar ; devem ser destribuidos esses
aparelhos pelos agricultores, afim de
realizarem-se os prodgios de sua
applicao.
A sciencia da engenharia, que entre
ns no actua nos limites das obras
publicas sob o mando offical, deve ser
convertida em poderoso instrumento
de dessecao de pntanos, abrimento
de valias, encanamento de rios, collo-
cao de apparelhos etc.
Devem crear-se estabelecimentos de
nstruco agrcola pelas provncias,
e ser abandonadas as enxadas e os an-
tigos arados, para darem lugar char-
rua typica do immortal Dombasle e
6 suas congneres ; introduzam-se nas
nossas fazendas outros instrumentos
prestadios, como so o rolo do Hoos-
kill, as grades de Valcour, os sacha-
dores cavallo etc. Alargar-se-ho as
plantaes e melhoraro os processos
da cultura.
No admira que sem os melhora-
mentos reclamados, a produco do
assucar na provncia no seja em quan-
tidade correspondente ao elemento
saccharino de que dispe no fabrico e
a sua qualidade seja inferior a que se
devia esperar.
Isto explica a pequena poro de as-*
sucar de primeira ({ualidade que ex-
porta esta provncia.
E de admirar que, sendo o Brasil
todo agrcola, no exista ainda em todo
o imprio uma s ecola do agricul-
tura que ensine e habilite os agricul-
tores influencia do nosso clima, em
relao s leis da vegetao e aos prin-
cpios da theoria e pratica da agri-
cultura.
A creao de uma escola seria de im-
mensa utilidade.
Os conhecimentos da veterinria tam-
bm seriam de grande vantagem para o
engrandecimento da agricultura do
nosso paiz.
Por tradico histrica, por gratido
nacional, tanto como por interesse, de-
vemos empregar todos os esforos para
salvar uma industria em que se achara
empregados to considerveis capites.
A cultura da Canna o mais antigo
ramo da agricultura do paiz, e a ella
que devemos os primeiros elementos de
prosperidade material e de civilisao.
Os senhores de engenho constituram
sempre o corpo da nobreza, a verdadeira
aristocracia do Brasil; e at ha poucos
annos elles eram os nicos que procu-
raram dar boa educao a seus descen-
dentes.
A esse illustrado procedimento, apoia-
do por suas riquezas que devemos todas
as notabilidades que temos tido na ad-
ministrao, na magistratura, nas ar-
mas e nas letras.
Nossas cidades foram fundadas com
os lucros do assucar, em uma palavra,
tudo quanto possumos de melhor de-
vido cultura da Canna, a esse doce
princpio que para ns tem sido to ma-
ravilhoso como a lmpada de Aladino.
Lance o nosso governo vistas patri-
ticas para a classe agrcola, que entre
ns definha de dia para dia, e ter uma
gloriosa parte no futuro engrandecimen-
to d'estas abenoadas plagas brasileiras.
No exigimos para ns desde j os
immensos melhoramentos que n'este
mais importante ramo da riqueza dos
Estados tm alcanado a velha Europa.
CAN
CAN
11
No se passa, num dia, do mais
completo atrazo ao mais elevado gro
de perfeio; mas, ao menos, que se
no d lugar a que nos possam dizer,
que fechamos systematicamente os olhos
do espirito s grandiosas idas de
progresso, que l por fora circulam.
Depois das breves reflexes que aca-
bamos de fazer, no deixaremos de
tocar na grande, na magna questo,
que actualmente se agita em nosso
paiz.
Queremos fallar da substituio do
escravo pelo trabalhador livre; da subs-
tituio d'aquelle, que, sem gosto e s
obrigado pelo agitar do ltego, revolve
a teri-a, que amaldioa, pelo colono
feliz, que v das bagas do suor, que
cahem no solo, brotar a sua felicidade
no futuro.
A emancipafo da escravatura, sem
o desenvolvimento agrcola, sem grande
augmento de colonisao, uma ver-
dadeira calamidade.
O escravo hoje, livre amanh, jul-
ga-se dispensado do trabalho, que
elle havia-se acostumado a considerar
como um mal resultante do seu penoso
estado.
D'ahi a perturbao da ordem social,
o latro*cinio, o assassinato etc. , como
no ha muito tempo se observou nos
Estados Unidos, assombrosa nacionali-
dade que, graas enorme affluencia
do estrangeiro s suas plagas, pde
resistir ao tremendo abalo de uma me-
dida to violenta, como a de alforriar
de uma s vez doze milhes de escravos!
Attenda pois o governo colonisao,
concedendo. amplas garantias ao estran-
geiro que entre ns vier domiciliar-se, fa-
cultando-lhe o livre e desembaraado
desenvolvimento de sua actividade ,
protegendo a industria, animando todas
as tentativas do engenho inspirado no
progresso humano.
Feito isto, no duvidamos augurar ao
nosso Brasil um futuro, no mui re-
moto, de grandeza e explendor.
Reformem-se as instituies, que de
reforma necessitam, e seremos um povo
soberano.
Variedades da canna de assucar :
A palavra Canna d-se vulgarmente
a todas as plantas, cujo caule nodoso,
com intervallos chamados gommos ,
cujas folhas gramiueadas formo uma
espcie de bainha na sua base, como
a Canna de Cayenna. E' a mesma des-
cripta anteriormente.
A Canna creoula no cresce nem en-
grossa tanto como a de Cayenna, mas
mais doce ; seu principio saccharino
mais abundante, isto , de sabor
mais franco ; a cr externa mais
verde; cobre-se de um p acinzentado
ao redor dos ns, donde nascem raizes
muitas vezes.
Productos do sueco da canna de
ASsuCAR. De todos os vegetaes, ne-
nhum ha, que seja to rico em pro-
ductos, os quaes tenham maior numero
de usos e mais vasto consumo, do que
a Canna e assucar.
Produz o assucar branco e masca-
vado ; esta substancia tempera muitas
das nossas bebidas, e tem grande im-
portncia na confeitaria ; o prprio sue-
co da Canna fcaldo) uma bebida deli-
ciosa.
Produz melaos de um gosto agra-
dvel .
O sueco da Canna, e o residuo da fa-
bricao do assucar, fermentado e sub-
mettido distillao, produz aguarden-
te, cachaa, lcool, rhum, vinho e vina-
gre, productos que tem grande emprego
no uso domestico e na industria.
Propriedades medicas. O assucar
crystaliza em prismas de 6 faces, com
as extremidades diedricas ; n'este estado
chamam-lhe assucar candi, e usado
como peitoral.
Em p usa-se como coUyrio secco,
s ou unido a outros corpos
O assucar uma substancia de uso
muito vulgar na medicina contra as
irritaes, sobretudo do apparelho res-
piratrio; um emoUicnte agradvel,
de que nos servimos todos os dias.
Com o assucar prepara-se um grande
numero de medicamentos ; taes so as
io
CAN
CAN
conservas , geleas , pastilhas e os xa-
ropes.
O bajj;aoo da canna considerado como
um poderoso desinfectante : basta para
isso collocar-se em diversos pontos, vi-
ciados por miasmas, urna poro d'este
bagao ; dentro de poucas horas neutra-
liza-se o principio mrbido, e torna-se o
lugar saudvel, exhalando o cheiro par-
ticular do bagao.
O assucar exportado no anno finan-
ceiro de 1869 a 1870 foi 743,969 saccos e
229,051 barricas, pesando tudo 79.010,903
kilogrammas, e tendo pago de direitos a
quantia de 483,546^30.
CaiBiia frava. Anthoxanthium
gigans. Fam. das Graminaceas. uma
planta indgena mui parecida com a
Canna de assucar ; mas esta estende ou
prostra uma parte de seu caule para er-
guer-se depois ; e aquella toda vertical,
pouco mais ou menos de 2 metros e 64
centmetros.
No forma touceira como a outra; tem
o colmo cheio de ns, de distancia em
distancia, mais ino e menos compri-
do.
A casca mais dura e verde, e o te-
cido interior mais compacto e seco.
As folhas so semelhantes s da Canna
de assucar.
Brota da sumidade uma vergontea da
mesma natureza do caule, mas sem ns,
e que traz em cima um cacho pendente,
de muitos ramos cheios de florinhas,
maneira de palhetinhas; umas so es-
branquiadas, e outras de um cinzento
rouxeado, parecendo-se com uma coma
pendente.
Cortam esta parte da planta, levam-na
em feixes ao mercado, onde vendida
para difPerentes usos, sendo mui pro-
curada pelos meninos, que enfeitam
esses filamentos com fitas , deitam-lhe
rdeas, e chamam-lhe cavallo de flexa.
Cavalgam e brincam, montando sobre
a parte nua da flexa.
Esta flexa serve de rgua aos pin-
tores ; mui usada no Rio de Janeiro
para esse fim; serve para bater l, e
tem outros misteres.
Canna do brejo. Costus spicatust
Swart. Alpifda spicata, Jacq. Fam.
das Amomaceas . V\'Ani'. herbcea do
paiz e da ndia.
Tem a raiz tuberosa, c, nos paizes
estrangeiros, cultivada nos jardins.
O seu caule herbceo.
As folhas alternas oblongas.
As flores so em espigas terminaes
Propriedades medicas. A raiz da
Canna do brejo empregada em cosi-
mento nas gonorrhas e leucorrhas ;
mastigando-se passa por bom anti-sy-
philitico ; d-se uma duas colheres
do sueco por dia, ou o cosimento das
folhas, s chicaras.
Canna tio lirejo roixa. Cosus
spiralis ou Alpinia spiralis. Fam,. das
Amomaceas. outra espcie do mesmo
gnero.
Canna fijattila Io irejo. Cfl-WM
nana. Fam. das leguminosas. E' um
arbusto ramoso, e de forma achapada.
Tem as folhas em palmas, com quasi
24 centmetros de extenso, semiovaes,
sem brilho.
As flores formam como uma espiga
pyramidal ; so amarellas, reuifidas em
grande numero, e sem cheiro.
O fructo uma vagem, de mais de
24 centmetros, chata, parda, foleacea,
dividida em muitas lojas ou loculos
transversaes, contendo sementes.
Vegeta nos brejos ou nas suas visi-
nhanas. {Fig. 15.)
Ci^nna fistula, Ia matta. Cs-
sia falcaa brasiliana. Fam. Idem. Ar-
vore alta.
As folhas so compostas, paripenna-
das; o peciolo primrio longo, del-
gado, curvo, pubescente e canaliculado.
Os peciolos secundrios so rudimen-
tarios ; os foliolos numerosos, dispostos
por pares e membranosos.
Inflorescencia em racimo, flores com-
pletas, vistosas, acompanhadas na sua
base de trs ou quatro pequenas brac-
te as.
CAN
CAP
131
O fructo uma enorme vagem.
As sementes so pequenas, e acham-
se envolvidas por uma massa polposa
cuja aco purgativa.
A sua madeira pouco usada em
consequncia de sua manifesta poro-
sidade, e da frouxido do tecido.
Cstniia de niapaco. Costus Pi-
sonis. Lynd. Fam. das momaceas, Lmn.
O sueco do seu caule mucilagi-
noso, acidulo e refrigerante.
empregado nas dores nephriticas,
e nas gonorrhas.
Os indgenas comem as folhas novas.
CiisaaB tar osaiA . Caladimn segui-
nem., Linn. Fam. das Aroideas. Planta
do gnero da Aninga.
O sueco d'esta espcie to cus-
tico, que 8 grammas bastam para en-
venenar.
Forma sobre a roupa manchas inde-
lveis.
Caracteres da famlia. Plantas vi-
vazes, de raiz ordinariamente tube-
rosa.
Folhas quasi sempre radicaes, e
alternas.
As flores dispostas em espadices,
cercadas em geral de uma espatha de
forma varivel ; unisexuaes, monoicas,
desprovidas de invlucros floraes, ou
hermaphrodtas e rodeadas de um c-
lice de quatro, cinco ou seis divi-
ses.
No primeiro caso os pistillos occu-
pam geralmente a parte inferior do
espadice ; deve ser considerado cada
um como uma flor fmea, e os esta-
mos como outras tantas flores mascu-
linas; raras vezes os estames e os
pistillos so misturados.
No segundo caso as flores, em vez
de serem consideradas como flores her-
maphrodtas, podem serdescriptas como
uma reunio de flores unisexuaes ;
assim cada estame e sua escama cons-
tituem uma flor masculina, e o pistillo
central uma flor fmea.
O ovrio tem em geral uma s loja
ou compartimento, contendo alguns
vulos inseridos na sua parede inferior,
ou ento trs lojas.
O estigma algumas vezes sessil
mas raramente sustentado por um es-
tylete curto.
O fructo uma baga ou mais rara-
mente uma capsula, que algumas ve-
zes monospermica por aborto das
outras sementes.
Estas se compem alm de um te-
gumento prprio, d'um endosperma
carnoso, no qual est collocado um
embryo cylindrico e erecto.
Cifiiopy. {Arvore do Canopy.)
MelUcocca Mjuga^ Jacq. Fam,. das Sa-
pindaceas. Arvore cujo fructo re-
commendavel pelo bom sabor acido e
vinhoso, e por sua amndoa agradvel.
Canudo amargoso. V. Vo Pe-
reira.
Caiiido de eaelRfiit!!(o.
de cachimho.
V. Pao
Caniidi de |iiri;a. Rauwolvia
canescens . Fam . das Apocynaceas . Ar-
busto de folhas oppostas e flores em
cachos. I
E' emtico.
CaiBKenze. V. Vassoureiro.
Caaopitiigra.
Bahia.
E a Coerana da
Caoiiin. E uma bebida feita de
milho cozido, posto na agua, deixando
fermentar por trs ou mais dias.
Caparoa. Jussiema caparosa., St.
Hil. Fam. das Onagrariaceas . Esta
planta, oriunda do paiz, conhecida nas
provncias do Sul e no Rio de S, Fran-
cisco por Caparosa.
um arbusto elegante, de folhas al-
longadas e flores de mediano tamanho,
corolla cruciforme, amarella, sem chei-
ro, clice pyriforme.
O fructo uma espcie de capsula em
18
CAP
CAP
forma de peo, com uma coroasinha no
pice, e quasi angulosa; contm muitas
sementinhas.
Os habitantes do interior do paiz fa-
zem tinta de escrever d'esta fructinha.
Floresce em Maio.
Caracteres da famlia. Vef^etaes
herbceos, raramente fructescentefe, tra-
zendo folhas simples, oppostas ou dis-
persas, e flores terminaes ou axillares,
O clice adherente ao ovrio infero.
O limbo de quatro ou cinco lbulos,
de preflorao valvar.
A corolla formada de quatro a cinco
ptalas incumbentes lateralmente, e tor-
cidas em espiral antes do completo
desabrochar; esta corolla falta raras
vezes.
Os estames so em numero igual ou
duplo , algumas vezes menor do das
ptalas; e inseridos no tubo do clice.
O ovrio infero oferece de quatro a
cinco lojas , contendo grande numero
de vulos inseridos no angulo interno.
O estylete simples, e o estigma
ora simples, ora de quatro a cinco l-
bulos.
O fructo uma baga indehiscente,
ou uma capsula de quatro ou cinco
lojas, no contendo cada uma d'ellas
muitas vezes seno um pequeno numero
de sementes , e abrindo-se por outras
tantas ..valvas, cada uma das quaes traz
um dos septos no meio da face interna.
As sementes oferecem um tegumento
prprio, em geral formado de duas fo-
lhinhas, e cobrindo immediatamente um
embryo homotropo, e desprovido de
endosperma.
Capba. Pper macrophyllum, Swartz.
Fam. das Piperaceas . uma planta
do paiz, conhecida por tal em Alagoas,
Pernambuco e Bahia.
um arbusto semi-lenhoso, cujo caule
apresenta ns de distancia em distan-
cia.
As folhas so cordiformes, grandes,
e cheirosas quando so comprimidas.
As flores so encravadas n'uma es-
piguinha rolia, similhante a uma pe-
quena espiga de milho, ou um pequeno
sabugo; parece-se muito com o Mal-
vaisco de Pernambuco, difterindo na
grandeza das folhas, e em ter consis-
tncia mais branda.
Propriedades medicas. O decocto
da raiz d'esta planta empregado em
banhos contra opilaes, hydropisias, e
molstias uterinas; as folhas so deso-
bstruentes, e a casca peitoral.
Caperioba branca. Chcenoi)0-
dium Jiircinum. Fam. das Chenopodiaceas .
Esta planta usada como um an-
thelmintico.
Capicliiaii^ui. Crolon. Fam. das
Enphorbiaceas . V\-VL^ de S. Paulo.
cathartica.
Cafiioba. V. Pimenta d' agua.
Capina au (das Alagoas). Cyrto-
fogon alperrimum. Fam. das Qramineas.
Esta espcie de Capim-au conhe-
cida naa Alagoas por este nome ; forma
touceira, tem folhas radicaes, em forma
de espadas, estreitas, bordas enrosca-
das e armadas de serrilhas escariosas.
O caule que parte do centro fino,
alto, meio achatado, sem ns ; flores
em cachos nas extremidades d'este.
como as demais Gramneas, mas
torna-se bem visvel por suas sementes
ou seus fructos.
Os cavallos no o comem, havendo
outros capins.
Floresce em Maro e Abril.
Capim aM (de Pernambuco). Ca-
ladium irasiliense. Fam. das Cyperaceas.
Em Pernambuco do este nome a
uma espcie de capim de folhas estrei-
tas e radicaes, com serrilha em redor
formando bainha.
Suas folhas so de cr verde azula-
da; deita uma vergontea trigona, a qual
floi'esce no pice, formando um aggre-
gado de bracteas bastante foleaceas ,
que encerram as florinhas to peque-
CAP
CAP
1S3
nas que quasi no se observam ; so
de cr amarella esverdinhada.
As vergonteas, batidas e preparadas,
do um fio, de que os caiadores fazem
brochas para caiar.
Estes caules parecem junco, e cres-
cem em todo o terreno.
Propriedades medicas. A raiz em-
pregada contra a tosse e o catarrho pul-
monar.
Capiit d'as:ua ou Taquary
d'a^a. Panicum acuum. Fam. das
Gramneas. E' um capim aqutico,
conhecido nas Alagoas por este nome ;
vegeta nas bordas dos rios e brejos.
Eleva pouco suas vergonteas, que,
semelhantes s dos capins, so finas
e nodosas.
As folhas so como as das ou-
tras Gramneas., perm menores e lan-
ceoladas, de 12 centmetros de com-
primento, macias, escuras, sem pllos,
excepto na bainha da folha, (parte que
abraa o caule).
As flores so em cachinhos, no
muito densos, com raminhos articula-
dos, erectos, ascendentes.
Grosinhos redondos, de amarello
cr de gemma d'ovo, com um ponto
roixo no pice.
bom alimento para os cavallos,
porem mui prejudicial ao sangue,
quando fazem uso quotidiano d'elle.
Chamam-no tambm Capim d'agua
em Pernambuco.
Ha um capim que alastra nos lugares
em que se queima ou se limpa.
D tambm uma espcie de folhas
em touceira, estreitas, de verde bonito,
luzente, e as flores sulcadas longitudi-
nalmente.
Capin aniarg:oso. Pappojjho-
rum amargoswm. Fam. das Gramtieas.
Por este nome conhece-se nas Ala-
goas um capim de vergonteas, como o
Capim de planta^ porm sendo ellas
mais lisas e finas, e tendo as folhas tam-
bm mais lisas e um pouco sulcadas.
A florao se faz em um caule cuja
summidade fornece espigas de 9 12
centmetros de comprimento, mui rec-
tas e verticaes; no se curvam, e ahi
se encontram as espiguetas encaixa-
das.
O gado gosta d'elle.
Caiiini aiidac. uma espcie
de capim.
Capim de Ansrola. Panicum
spectabile., Nec. Panicum guineense., Mart.
Fam. das Gramneas. Este capim
natural de Angola, e foi transportado
para o Brasil ha muito tempo ; hoje
j to raro, que em poucos lugares
visto.
Cresce de 1 metro e 22 centmetros
at 1 metro e 62 centmetros.
O caule nodoso, liso e mesmo lus-
troso, e maculado.
As flores so em cachos que se cur-
vam no cimo do caule com graa.
As sementinhas luzentes parecem
gros de arroz, e so manchadas de
vermelho na cr amarellada de seus
tecidos.
D em pequenas touceiras.
Os cavallos no o comem pelo amar-
gor.
Em Sergipe chamam-no MaraMra.
Capim atana. Gastridium verti-
cllatum. Fam. . das Grartiineas. um
capim cujos caules crescem alguma
cousa, com as folhas semelhantes as do
Capim de 'planta., lisas, e com pellos nos
peciolos.
A florao em espigas vertieilladas,
isto , circulando o eixo da florao ;
ellas so como as demais de seu gnero,
tanto nos fructos como nas sementes.
este o nome porque este capim
conhecido nas Alagoas.
Capim balida. Paspalam aquati-
ctim. Fam. das Gramneas. um
capim que vegeta na superfcie das
aguas doces e misturadas, e que em
Alagoas tem este nome.
Tem o aspecto do Capim de planta;
mas seus caules so reptantes, deitam
1S4
CAP
CAP
razes dos ns, que existem em toda
sua extenso.
As bainhas das folhas so roixas e
ventricosas,miudas, espontadas, roacias.
As flores so midas e em cachinhos
pouco salientes nas axillas das folhas ;
so achatadas e esverdinhadas.
O gado gosta muito d'esta planta,
que mui nutriente.
Capini licti^ml. Hordeii7n bra-
siliens^. Fam. das Gramneas. Co-
nhecem nas Alagoas por este nome
um capim mui semelhante ao de planla,
porm mais pilloso nas bainhas das fo-
lhas ; apezar d'isso macio.
Vegeta formando soqueira pouco
densa ; as folhas so lanceoladas e
moUes.
As flores no caule, que articulado
e nodoso.
As flores, em espigas caudadas,em ver-
ticillo, compostas de pevides redondas,
com longos prolongamentos, que se pe-
gani roupa pela aspereza que tem.
Os cavallos no o comem.
Ci%|)ii! de bncl (verdadeiro).
Avena sponjosa. Fam. das Gramneas.
E' uma espcie que forma moita pouco
densa, conhecida em Alagoas por tal
nome ; os caules so um pouco grossos,
succulentos e articulados.
Na summidade d um pendo roixo
acinzentado, cheio de ramificaes co-
bertas de pevidinhas redondas, armadas
de espinhos, porm macios; como so
todas as partes d'esta planta.
No interior do caule acha-se um corpo
esponjoso desenvolvido ebranco,que ser-
ve de bucha de espingarda aos caadores.
O gado gosta d'este capim.
Ha outra espcie maior e esbranqui-
ada.
A florao no pice do caule ; ha, em
um eixo, um froco circular composto de
botesinhos, armados de finas agulhas
macias, de cr verde esbranquiada.
Tambm serve de alimento ao gado.
Capins ealielludo. V. Capim de
pico.
Caiiini OMinelIo. V Loco.
Capni caiiella ile ema. Saccha-
rum dssusum. Fam. das Gramneas.
Este capim, que recebe este nome nas
Alagoas, tem seu caule nodoso, com-
pacto, liso, e maculado de roixo.
As folhas so como no geral das Gra-
mneas; tem dentilaos.
As flores so como um froco de pello
macio em redor do caxile, branco e
longo.
E' excellente para enchimento de tra-
vesseiros, colches, etc.
CagsBfti eatins;. Gramen odora-
um.Fam. das Gramneas. E' uma es-
pcie de capim que vegeta no Eio do
Janeiro e Rio de S. Francisco.
Capim le cSteifO. Perotis fra-
gans. Fam. das Gramneas. Este capim
mui parecido com o de planta, porm
mais amarellado, e com o caule me-
nor.
A florao em cacho, de cr roixa.
E' conhecido nas Alagoas por este
noiue ; e com eff'eito, passando-se pelo
lugar em que houver alguma;,leira d'elle,
sente -se logo o seu aroma, que um
pouco agradvel.
O gado come-o, mas s quando no
encontra outro.
Capim lie coco ou cantello.
Anthoxanhnm palmeira. Fam. das Gra-
mneas. E' este o nome pelo qual
conhecido nas Alagoas ; tem o porte de
uma palmeira pequena, de um talhe en-
graado.
Apresenta suas folhas (com peciolos
roixos) em feixes; e, de certa distan-
cia para cima, a lamina das folhas so
ovaes, oblongas, de pregas longitudi-
naes.
Sahem do centro pendes, nos quaes
brotam as flores, com muitas pevides.
Os animaes no comem este capim.
Csupim etTfl\.Melacrans strel-
latur. Fam. das Cyperaceas. t. por
tal nome conhecido nas Alagoas e Per-
nambuco : rasteiro.
CAP
CAP
IS
c
o caule pequenino eleva-se apenas
a 24 centmetros mais ou menos, tendo
na superfcie da terra um feixe de fo-
lhas cruzadas e estreitas, e no vrtice
um pendo.
Tem umas folhetas cruzadas, em cuja
base existe uma pinta branca que forma
uma estrella perfeita ; no centro d'esta
estrella esto as flores em uma es-
piga, formando um cone de cr parda-
Esta plantinha que s tem vida no
litoral, e nunca nos sertes, cr-se que
mata o gado, que de l vem.
Ci>iii lf-a.. Saccharum glarum.
Fam. dm Gramneas. Esta espcie,
de porte pequeno, meio lisa, tem este
nome nas Alagoas.
Suas folhas so em touceiras pe-
quenas.
Os caules, articulados e compactos,
e os eixos das flores so finos.
As flores esto no pice dispostas em
cachos, so cobertas de pellos macios,
brancos e louros, e entremeadas de se-
mentinhas ; curvam-se para a terra como
pendo.
Este capim excellente para enchi-
mento de colches, travesseiros, etc.
Ca|iiiei de to^o. Cinna castanea.
Fam. das Gramneas. E' uma espcie
que vegeta mais pelas catingas, conhe-
cida nas Alagoas por este nome.
O caule fino, e de juntas nodosas.
As folhas so macias, e sem armas.
Deita do caule um penacho delgado,
com pequenas varetinhas um pouco
vermelhas e articuladas, semelhan ^
de um pincel louro nas pontas.
As flrinhas so engastadas em uns
estojos occultos.
CaiiMiii e Fp. Lui. V. Capim
mellado .
Capian geiglPe de lJiaTO.
Paspalum faciculatum. Fam. das Gra-
mneas. E' uma espcie semelhante
abaixo descripta.
As raizes so embastecidas seme-
lhana de tuberas.
As folhas brotam feixes eni diverros
pontos ; o nome que aqui lhe damos
o mesmo pelo qual conhecido nas
Alagoas.
Ca|iiaii geigiSre rasteiro.
Paspalum pastum. Fam. das Gramneas.
Este capim, que o pasto mais geral
dos animaes herbvoros, conhecido nas
Alagoas e Pernambuco por este nome.
Alastra seus caules pelo cho, os
quaes s vezes esto enterrados, emit-
tindo, de distancia em distancia, ra-
minhos revestidos de folhas, como as
demais Gramneas.
As d'este so lanceoladas, de um
verde gaio, com suas flores em cachi-
nhos pequenos e agglomerados.
E' estimado como um dos melhores
pastos.
Caiiiiii svstmm. Paspalum com-
pressim, Linn. Fam. das Gramneas.
E' conhecido este capim em toda a
parte como o mais geral ; invade todos
os terrenos, no deixando vegetar quasi
outra espcie.
EUe acha-se nas ruas, mesmo das
cidades populosas ; rasteiro e alastra
com seus caules deitados.
Tem as floresinhas em cachos cruza-
dos, e as folhas semelhana do Ale-
crim.
E' difficil extinguil-o. O gado come-o.
Capin iwo de sagio. Paspa-
lum cruciflorimi. Fam. das Gramneas.
Este capimzinho assim denominado
em Pernambuco.
Sua altura de 22 centmetros pouco
mais ou menos, vegeta em touceiri-
nhas ; suas folhas estreitinhas , e
semelhana das dos outros capins ; lana
um caule' fino at 22 centmetros ; no
pice forma uma cruzeta, e de um
s lado agglomerada de flrinhas,
dispostas em duas ou mais ordens.
Torna-se mui distincto por esta par-
ticularidade.
E' um dos bons alimentos dos her-
bvoros .
f6
CAP
CA
Capim titilhan braneo. Pa-
nicum vcrticillatuM^ Linn. Fam. das
Gramneas. Este capim conhecido
em Alagoas e Pernambuco por este
nome.
E' composto de folhas largas, relati-
vamente aos outros capins.
Tem as vergonteas finas, articuladas;
deita um cachinho semelhana do
arroz, em ponto diminuto ; as flrinhas
so s de um lado.
E' um dos melhores pastos.
Ha outra espcie semelhantissima, que
difere por ter o caule e os cachos arroi-
xeados; chamam-se milhaft vermelha.
Ambos estes capins fazem dar o san-
gue nos cavallos , porm o segundo
na opinio dos sertanejos, mais effi-
caz.
Em Sergipe conhecido por Capitinga.
Capim mimoso. Fam. Iderji.
E' uma espcie de capim que vegeta
nos sertes ; elle que forma a base
da alimentao dos animaes de todas
as classes no centro, mormente do
Norte.
Elle como as outras Gramneas^ tendo
muita semelhana com o Arroz.
Deita porm um cacho delgado e
menor; cresce at quasi a altura de
um e meio metro.
Suas folhas so estreitas e articu-
ladas, e o caule fino, quasi formando
zig-zag.
Capii orvtelho. Paniciim rosa-
linum. Fam. idem. Este capim co-
nhecido em Alagoas e Pernambuco por
este nome, e em Sergipe por Guarda-
sereno.
Elle forma touceira pouco densa ; tem
o caule cheio de pellos.
As folhas lanceoladas, estreitas e um
pouco speras.
A vergontea da florao forma como
uma pyramide, cuja ramificao cheia
de botes verdes e ovides, que lhe do
muita graa.
Este capim recebe o orvalho da noite,
e pela manh seus rgos esto gotte-
jando agua (ou cheios d' agua), de sorte
que sendo agitado abandona um liqui-
do, que s vezes molha um homem.
O gado no lhe d importncia.
Capim papuaii. Oropetium trans-
versale. Fam. idem. Euma grammaou
capiai, conhecido por tal nome nas Ala-
goas.
Tem vergonteas pequenas e esgalha-
das; folhas ordinrias, como as das suas
congneres, as quaes so lisas e macias.
O caule mais delgado, e chato no
pice, e ahi oferece duas espigas hori-
sontalmente dispostas, cheias de semen-
tinhas redondas e chatas.
O gado de todas as classes o come.
Capim peita. segundo uns o
Sap e segundo outros um Andropogon.
Capim p le ^allinha. Senele-
ria galUnacea. Fam. Idem. Este capim
parece geral no Brasil.
Forma pequena soqueira; e tem caule
fino, nodoso e lustroso.
As folhas so estreitinhas; o pendo
das flores divide- se no pice em quatro
ramos.
Um pouco abaixo apresentam elles
as flrinhas, que so dispostas de um
s lado.
Com eff'eito tem grande semelhana
com o p de gallinha.
Este capim no um bom pasto; s
tem virtudes medicas : elle diurtico, e
empregado contra os catarrhos; suspende
os fluxos de sangue, e das ourinas.
Capim le pico ou cabellndo.
Tnariaptmgens. Fam. Idem. Esta es-
pcie de capim forma moita ou tou-
ceira.
conhecido nas Alagoas por tal nome.
D poucas vergonteas, e estas articu-
ladas.
As folhas so lisas, e as bainhas eri-
adas de pellos duros e horisontaes, que
espetam.
As flores se acham nas gummidades
do caule ; este uma vergontea de dois
pal4tnos, intermeiado de folhas raiadas,
de vergontinhas, e de pevides foleaceas
CAP
GAP
tS-
que lhe do um engraado aspecto, for-
mando como uma cauda grossa.
E' regeitado dos herbvoros, talvez
pela aspereza.
Capim fie jilaaita. Panicum ma-
ximum^ Jacq. Fam. Idem. Esta espcie
de capim, a que chamam Capim de planta.,
entre ns, natural de Guin ; passa
pela forragem melhor, por que a sua
propagao a mais abundante.
EUe cultivado em toda a America.
Na Europa procuraram todos os meios
de cultival-o, e o conseguiram ; entre ns
tambm elle objecto de grande cultura,
e quasi que forma a base do sustento dos
nossos cavallos, mormente os de estri-
baria.
E' um capim de caule nodoso, de 1 a 2
metros de altura ; deita parte do caule
no cho.
As folhas so lanceoladas, estreitas e
macias, com pellos brandos.
D cachos de fiorinhas arroxeadas no
pice.
Planta-se de estaca, e cresce admira-
velmente.
Propriedades medicas. E' empre-
gado como antispasmodico, na dose de 8
grammas para 250 grammas d'agua fer-
vendo.
Capim pulsa. Sacchanmi plumo-
sum. Parti. idem. E' conhecido por
este nome nas Alagoas e Pernambuco.
E' um capim de folhas estreitinhas,
em feixes, sobre o rez do cho, emittin-
do umas vergonteas finas, das quaes
se um cacho de flores em frocos, de
pellos macios, maneira de l, entre os
quaes se notam as sementinhas.
Este capim mui susceptvel de seccar.
Fazem grande uso de seu pello como
i para enchimento de travesseiros, col-
ches, etc
Capnt piiba (de Pernambuco).
E' outra espcie.
Capim piiia (do Sul). V. P de
galUnha.
Cfipim rei. V. Maririo.
Capim c ro|*a. Spartina hos-
tensis. Fam. idem. Este capim co-
nhecido nas Alagoas e em Pernam-
buco, , pelo interior ou serto, o que
abastece as estribarias.
Seus caules so finos e delgados.
As folhas estreitas, pelludas e um
tanto speras.
A vergontea das flores mui delgada
e rolia.
As flores agglomeradas em cachi-
nhos.
Este capim nasce com abundncia
pelas roadas : muito procu.rado, no
s para no desfalcar nas estrebarias
o de planta, como porque do que
se servem mais os almocreves para
seus animaes.
Capim ta<iiiaB*iHinlBO. naihe-
rum xhmhrale. Fam. idem. Esta Qra-
minacea., assim conhecida nas Alagoas,
tem o caule tambm nodoso, liso e
fino.
Folhas pequenas, lanceoladas e ho-
risontaes.
Os peciolos em bainhas.
As flores em cachos pyramidaes, mui
pequenas.
Os ramos delgadssimos.
Ha outras espcies parecidas com
esta.
Vegeta nas mattas e capoeiras de-
baixo de arvores, sempre sombra.
O gado come-o.
Capito. Hydrocotyle timlellata ,
Linn. Fam. das Umbelli feras. Tam-
bm conhecida esta planta por Ca-
pito de cavallo comer., porque serve de
pasto aos animaes.
E' uma herva rasteira com raizes de
distancia em distancia, peciolos suc-
culentos e compridos, sendo as folhas
redondas, fendidas na base, e molles.
As flores tem um pednculo com-
prido, e formam no pice um cacho
como umbrella, de florinhas midas,
de cr roxa pallida, com sementinhas
verdes, achatadas e redondas.
13S
CAP
CAR
Propriedades medicas. E' um excel-
lente remdio contra a elephantiasis
dos rabes, erysipellas, elephantiasis
dos Gregos, aTeces tuberculosas da
pelle, afeces sylphiliticas, e escro-
fulosas ; rheumatismos etc.
Capito tio itttto. Cayaponia
glohoza. Fam. idem. Esta planta em
Minas Geraes e no districto dos dia-
mantes denominada Ch de pedestre.
Acha-se nos rochedos quartzozos da
serra de Cadonga.
E' um arbusto muito uzado, em lu-
gar do verdadeiro ch.
As folhas d'este arbusto exhalam um
cheiro agradvel, e, postas de infuso,
formam uma bebida ligeiramente esti-
mulante, mas de sabor muito agra-
dvel.
pois um vegetal sobre que o nosso
governo devia dirigir sua atteno, a
fim de ser melhor conhecido.
Citpito (le PefiiitBubiico.
Hydrocotyle pernamhucensis . Fam. idem.
Esta herva, conhecida em Pernam-
buco por tal nome, vegeta ao p das
aguas .
Seu caule, que subterrneo, apre-
senta peciolos longos, que vem acima
da superfcie d'agua ou da terra.
Tem as folhas em figura de rim,
redondas e lisas.
As flores em cachos, como armao
de chapo de sol, brancas amarelladas.
O fructo uma pequena capsula
achatada, com dois carocinhos tambm
chatos.
Propriedades medicas. Usa-se in-
ternamente no rheumatismo chronico,
8 grammas para 50J grammas (ragua,
e externamente em banhos, feitos com
este cosimento.
Capto-^uallao. Ximenia penfmi-
dra. Fam. das Olacineas. Arbusto
conhecido por este nome em Pernam-
buco; vegeta nas mattas ou capoeiras.
D em mouta, e cahe sobre os ou-
tros vegetaes, porque seus galhos so
finos.
Sua casca esbranquiada, com
folhas oppostas, ellipticas e pequenas ;
tem prolongamentos no tronco em cru-
zeta, formando espinhos.
As flores tem pednculo curto, e re-
presentam uma espcie de capitulo ; so
miudinhas e esverdinhadas.
O fructo ovide, e menor que uma
azeitona; contem uma semente.
Esta planta foi uma das que fizeram
parte da medicina domestica no tracta-
mento do cholera em 1856, em Per-
nambuco.
Ca^i^^^**- V. Capim milham.
Ca|i%ara. Aristolochia fastidiosa.
Fam. das Aristolochias. Pequeno ar-
busto trepador, conhecido nas Alagoas
por este nome.
E' uma planta que alastra com o as-
pecto do maracuj, de folhas ellipticas,
lustrosas e coriaceas.
As flores, em cachos e irregulares,
tem um aspecto estranho ; so carno-
sas, de cr amarella barrenta, ou de
gemma de ovo, e cheiro nauseabundo;
so semi-giaudulosas.
D este pequeno arbusto um fructo
com trs azas; este fructo capsular,
e encerra em si algumas sementes.
Capoeipat Srauca. V. Brao de
Preguia.
Ca|>K*eiva. V. Cabureiba.
Car. Doscorea hrasiliensis, Willd.
Fam. das Dioscoraceas . O Car
uma tubera geral no paiz, natural do
Par.
Ella provem de uma planta trepa-
deira, cujas folhas so cordiformes,
lizas, de um verde roixeado.
Suas flores so em cachos, midas
e esverdinhadas.
O fructo uma capsula.
A raiz produz uma batata, ora maior
ora menor, de forma oblonga, arre-
dondada e rolia.
CAR
Sua casca membranosa, parda, s-
pera, com pequenos prolongamentos dis-
seminados.
A massa compacta, branca, aquosa,
de sabor um tanto acre-adocicado, e
macia.
Come-se o car cozido, mas presta-se
a outros misteres, bem como extrac-
o de fcula; pde substituir a fari-
nha ou o po.
Tambm cliama-se Inhame da terra
Ha outra espcie. Dioscorea triloba.
Vell.
Caracteres da famlia. As Diosco-
raceas quasi sempre so plantas sar-
mentosas e trepadeiras.
Suas folhas so alternas ou algumas
vezes oppostas, de nervuras irregular-
mente ramificadas.
As flores so hermaphroditas ou uni-
sexuaes.
Tem ovrio infero, e adherente a um
clice, cujo limbo dividido em seis
lbulos.
Os estames, em numero de seis, so
livres ou raras vezes monadelphos, de
antheras introrsas.
O ovrio de trs lojas, contendo cada
uma dois ou mais vulos, ora ascenden-
tes, ora voltados.
O fructo uma capsula delgada e com-
primida, ou uma baga globulosa, al-
gumas vezes alongada , coroada pelo
limbo calicinal, e apresentando de uma
a trs lojas.
As sementes contm um embryo col-
locado perto do hilo, no centro de um
endosperma, quasi crneo.
Esta pequena familia foi estabelecida
pelo Sr. Roberto Brown para cbllocar os
gneros da famlia das Asparagaceas de
Jussieu, que tem ovrio infero. Taes so
as Dioscoraceas: Tamus, Rajama, Flug-
gea^ etc, ete.
iai'4cla<?a'a. V. Herva 3Ionra.
CrtPwg-aajitn. V. Gravata.
um arbusto de Ser-
CAR
1S|>
gipe.
Caraip ou Carip-earaip.
Fam. das Legmi7iosas. k.vvoTQ silvestre
do Par.
E' de porte grande.
Sua madeira presta-se s obras de
carpintaria.
A cinza desta arvore indispensvel
n aquella provncia para o fabrico do
objectos ou utensis de barro.
Misturam-n'a com o barro, porque d
a este a necessria consistncia para
no rachar no fogo.
Carajurtk do Par/. Alstrcemeria
peregrina, Willd. Fam. das LUiaceas.
Planta herbcea de caule recto, e fo-
lhas deitadas.
Suas flores so muito elegantes.
Vegeta no Peru; e seu nome significa
soberba pela sua formosura.
Caramfola. itvn-^Oj! Carambola,
Linn.Fam. das TereUnthaceas. ^^i^
arbusto, natural da ndia, no muito
vulgar no paiz.
Uma das primeiras provncias que o
adquerio foi a de Pernambuco, que o
teve no extincto Jardim Botnico de
Olinda.
E' uma elegante planta, ramalhuda,
de folhagem em palmas.
As folhas de forma oval oblonga.
Suas flores, em cachos de um elegante
colorido purpurino, so em forma de
Anglica, e midas.
O fructo de 9 a 12 centmetros,
de figura oval, terminado, em ponta
em ambas as extremidades.
Sua superficie angulosa, tendo as
arestas dos ngulos salientes; o seu
exterior coberto de uma pellicula
fina e diaphana, encerrando uma polpa
aquosa, esverdinhada, acida, com se-
mentes ellipticas, de cheiro activo.
O fructo da cr da polpa; as se-
mentes so esbranquiadas, e no ex-
cedem de trs.
Propriedades medicas. excellente
refrigerante, calmante e febrfugo. Serve
para xaropes, limonadas, etc.
[ Cssasiss. Amgris Carana, Hvmi.
19
flSO
CAR
CAR
Fam. idem. uma arvore do porte
mais ou menos da Almecegueira.
das regies Amazonicas, e do M-
xico.
Propriedades medicas. A resina, que
negra, leve e luzida, empregada
nos catarrhos pulmonares, e substitue
perfeitamente ao Elemi.
zracGcBaEay. Copernica cerifera., Mart.
Fam. das Palmaceas. Palmeira do
paiz, que s cresce nos lugares pan-
tanosos, e tem um lenho muito duro.
Cafsap. Xtjlocarpis Crap, Scli-
rb. Fam. das Meliaccas. E' uma ar-
vore que vegeta no Amazonas e na
Guyanna.
Tem a casca amarella e muito amar-
gosa.
As folhas dispostas em palmas ; fo-
liolos lanceolados.
As flores em cachos, e de sexos se-
parados.
O fructo grande, globuloso como
um coco descascado, oferecendo quatro
resaltos , que devidem- se em quatro
valvas.
Seu tegumento externo coriaceo ;
depois d'elle ha um corpo lenhoso, em
cujo seio se encontra uma poro de
caroos semi-osseos, angulosos e uni-
dos uns aos outros, tendo a amndoa
muito oleosa , da qual se extrahe um
quinto de leo.
; E' empregado em diversos usos do-
.mesticos, e tem a preciosa qualidade
de afugentar os insectos.
A casca do Carap empregada pelos
ndios para combater as febres , com
bom resultado.
Cts*sBteB*atBt. Licania timisia.
Fam. das Chrysohalaneas ou Romceas.
E' uma planta dos territrios do Ama-
zonas e da Guyana. Tem os mesmos
usos do Gajer.
Ci*a)|tia. Dorstenia arilifolia .^
Lamk. Fam . das Urticaceas. Esta J
planta semelhante a Conra-herta.) e
tem os mesmos uzos que ella.
Cai*apitaitt. Alstroemei'ia pulchel-
la, Liiin. Carlotea., formosssima, Arr.
Cam. Fan. das Liliaceas. E' uma
planta herbcea do paiz, que nasce no
Pianc na serra do Jabre ; semelhante
ao p .W%cena.
Suas flores so em pendes como
Anglicas vermelhas ; d espcies de
tuberas na raiz, que se comem, e
passam por boas.
Carclstsnonto. Amomum Carda-
momim, Linn. Fam. das Amomaceas.
Planta da ndia Oriental cultivada em
nossos jardins, conhecida em Pernam-
buco pelo nome de Agua de Colnia.,
pela analogia do cheiro.
E' um arbusto herbceo, cujos cau-
les so nodosos, cobertos das bainhas
das folhas, que os abraam, e formam
como touceira.
Lana um talo que. floresce, apre-
sentando uma espiga pyramidal, com-
posta de botes ovaes, sobrepostos a
um tecido brilhante, rosado, rubro nas
extremidades ; cada um d'es3es botes,
uma futura flor que, abrindo -se,
de uma s pea, amarella, riscada e
bonita, com um prolongamento no
centro.
Estas flores abrem-se successiva-
mente.
O fructo uma vagem de trs lojas.
Todas as partes d'esta lilanta so
cheirosas.
Propriedades medicas. Excitante
empregado nas clicas flatulentas, em
p, na dose de 3 decigrammas at 1
gramma.
Cardo. Cactus triangularis, L7m.
Fam. das Cactaceas. Recebem o
nome de Cardo muitas plantas ; esta
vegeta beira-mar, quasi rasteira.
Sua ramificao esgalhada at 48 cen-
tmetros de altura ; de um porte
particular.
verde, succulenta, e guarnecida
CAR
CAR
13
de espinhos, que fazem as vezes de
folhas .
Seu caule herbceo e de forma
angulosa.
As flores, que brotam pelo caule,
so grandes como rosas de muitas
ptalas estreitas, e de cores muito
lindas.
Cardo santo. Argemone mexi-
cana^ Linn. Fam. das Papaveraceas.
Este vegetal, que parece ser natural
do paiz, indgena do Mxico ; no
obstante acclima-se em nosso solo.
uma planta de Kj a 1 metro de
altura .
As folhas so rentes, com o limbo re-
cortado, todas cheias de espinhos agudos,
e maculados de branco.
Suas flores so amarellas como uma
rosa simples, sem cheiro, tendo no cen-
tro uma columna verde, foliacea, coroada
por uma glndula avermelhada, e cer-
cada de filetes.
O seu fructo uma capsula que se
rompe superiormente, e lana uma por-
o de sementinhas pretas e redondas,
que parecem gros de plvora.
As mais partes d'esta planta exsudam
um sueco amarello e nauseabundo.
Propriedades medicas. O decocto
d'esta planta empregado com proveito
nas dores de dentes, fluxes de rosto, e
pleurisias ; as sementes, mui oleosas,
teem propriedade emtica; so applica-
das aos asthrnaticos, com bom resultado.
Seu sueco, amarello e nauseante, nar-
ctico, e usado sobre os bubes e ulceras
syphiliticas para acalmar as dores. Tam-
bm sedativo, e til nas obstrues das
vsceras abdominaes.
As flores so somniferas, e as sementes
anti-asthmaticas.
CariiaaiViei pa. Arrudaria cerifera.
Fam. das Palmaceas. O primeiro na-
turalista que fez a descripo da Car-
naubeira foi o distincto e celebre bot-
nico Dr. Arruda Camar, e por esta razo
tem sido dado a essa palmeira o nome
de. Arrudaria Cerifera.
Dez annos depois, e s ento, que
outro distincto e celebre botnico Mr.
Martins tambm creou um nome para
a Carnaubeira, a que chamou Copernica
cerifera.
Tendo sido o Dr. Arruda Camar o
primeiro que descreveu essa palmeira,
deve-se-lhe conservar o nome de Arru-
daria.
E' natural do norte do Brasil, e prin-
cipalmente das provncias do Rio Grande
do Norte e Cear.
Flores monoicas, numerosssimas, ex-
tremamente pequenas, hermaphroditas,
sustentadas por um appendice collo-
cado nas axillas das folhas, e envol-
vido n'uma espatha delgada.
Espadice de 1 metro e 30 centme-
tros a 1 metro e 50 centmetros de
comprimento, repartindo-se em 3 rami-
flcacs, das quaes cada diviso e sub-
diviso munida d'uma espatha par-
cial cylindrica, que as encerra,
Espatha da forma de um cartucho,
secca e membranosa, d'onde partem as
divises para formar uma panicula.
A terceira subdiviso se ramifica em
varias espigas flexveis, alternas, e com-
posta de diversos ramalhetes de quatro
flores cada um.
A flor consta de dois clices: um
exterior, verde, formado por trs fo-
liolos de pouca extenso ; outro inte-
rior, de cr varivel, em forma de co-
rolla, contendo um tubo curto infundi-
buliforme (em forma de funil), com trs
divises na extremidade, e alternando
com as do clice exterior.
A corolla, membranosa e secca, des-
viando-se facilmente do clice exterior,
traz os rgos da reproduco, que
contm seis estames muito frgeis e
curtssimos, ligados dois a dois.
No fundo d'este tubo ha um ovrio re-
dondo, terminado por um estyletetenuis-
simo e muito curto, e acaba em um es-
tigma nico e ligeiramente entumecido.
O fructo d'esta palmeira redondo
e do tamanho de uma avel. cr de
azeitona no comeo de sua maturidade,
e azul violeta, quasi preto, quando est
maduro.
1355
CAE
CAR
rodea lo d'uma polpa doce pouco
abundante, e coberto de um epiearpio
vtreo muito lustroso .
O caroo contm no interior uma
amndoa, que lhe 6 adherente.
O caroo assim como a polpa for-
nece um alimento muito sadio, procu-
rado pelos naturaes do paiz.
Quando os fructos chefiam a certo
gro de maturidade, torram-se e pi-
sam-se ; o p que assim se obtm
da cr do caf, tem um cheiro agra-
dvel, e lembra o da fava do cafeseiro.
N'este estado, o caroo da Caruattba
produz uma bebida que, misturada
com o leite, saudvel e nutritiva,
sem ser muito agTadavel ao paladar.
O espique, completamente cylindrico
e direito, attinge at IG metros de
altura, e uma grossura que varia
entre 30 a 50 centmetros de circum-
ferencia.
EUe finaliza por uma touca de folhas
dispostas de maneira que formam uma
figura oval perfeita, o que torna esta
palmeira uma das mais bellas arvores
de sua espcie.
Os restos dos peciolos das folhas
que cahem, guarnecem o tero infe-
rior do caule, no qual formam seis ou
oito espores regulares.
O resto do tronco, desembaraado
de todo o peciolo, naturalmente liso,
conservando apenas as marcas de in-
sero dos peciolos.
A parte su.perior do espique contem
uma substancia medular, parenchyma-
tosa d'onde nascem as folhas.
Esta parte terminal (palmito, ou couve
palmito) produz um alimento delicado
e muito substancial.
Ao destacarem-se da extremidade do
espique as folhas, em numero de seis
a oito, crescem perpendicularmente
unidas todas por uma resina, que as
conserva apertadssima.
Os peciolos ficam separados, mas as
folhas reunem-se no alto , e formam
assim um corpo oblongo delicado, em
seguimento ao caule.
Estas folhas abrem e se expandem
debaixo da presso de um novo grupo
cnico central que ser por sua vex
alargado por terceiro grupo e a&sim por
diante.
Estes grupos de folhas abrindo-se
formam ao redor da palmeira uma serie
continuada de leques, dos quaes os mais
velhos se abatem em direco ao tronco.
O interior dos novos grupos de folhas
amarello claro, n'este ponto de seu
desenvolvimento.
D'e3tas folhas retira-se uma matria
secca, pulverulenta, cor de cinza, qu
cobre sua pagina interior, e exliala uni
cheiro particular, delicado e agradvel.
Esta matria a cera vegetal. Ella
se destaca das folhas ao menor abalo,
quando estas comeam a abrir; mas
logo que o leque est estendido, o mesmo
movimento produzido pelo vento suf-
ficiente para fazer desapparecer este p.
As folhas que tem atingido todo o
seu desenvolvimento pendem em roda
do caule em forma de chapo de sol ;
ellas so ento de um verde claro , e
seccam antes de cahir : depois so cr
de palha.
Os peciolos, ordinariamente de 1 me-
tro e 30 centmetros, sofrem as mesmas
mudanas de cr que as folhas ; mas
a parte que se liga ao tronco de cr
vermelha, e apresenta o aspecto pouco
mais ou menos da extremidade larga
de um antigo taco de bilhar; na ex-
tremidade livre, a partir dos 2 teros
de sua altui"a, elles so guarnecidos
de duas ordens de espinhos negros,
fortssimos, achatados, e encurvados a
maneira de arpo afiado, semelhante
a essa espcie de lana chata , guar-
necida de pontas de ambos os lados,
que se estende alm da bocca do peixe
chamado serra.
Como todas as palmeiras, a Car-
naueira no tem raiz mestra para fi-
xar-se na terra ; prende-se a esta por
meio de raizes numerosssimas, dis-
postas horisontalmeute em roda da ex-
tremidade inferior do tronco.
Estas raizes se estendem a grandes
distancias, porm penetram pouco pro-
fundamente na terra; tem a cr e
grossura da raiz da salsaparrilha.
CAR
CAR
1S
Esta palmeira cresce algumas vezes
nos terrenos areientos ; mais geralmente
nos terrenos salinos denegridos, de se-
dimento, completamente nivelados pela
oecupao das aguas, em epoclia mais
ou menos afastada.
Os valles, as margens dos rios e das
lagoas so os lugares que lhe con-
vm.
Nunca se encontra a Carnaubeira nas
alturas, nem ainda nas ondulaes ca-
suaes de terrenos.
Ella evita igualmente a visinliana de
outros vegetaes de grande altura; pelo
que no se v, em planices de Carnau-
beira^ alm d'esta palmeira, mais do que
grupos de arbustos dispostos em de-
(dives naturaes.
As aguas da chuva, em consequncia
da disposio do terreno em superfcie
plana, amontoam camadas de caroos de
carnaba de distancia em distancia, e
rom elles cobrem s vezes grandes ex-
tenses de terreno.
As tenras plantas brotam assim to
juntas que formam um bosque impe-
netrvel.
Assim, esta maneira de crescer em
phalange, como os dardos de que os
peciolos so guarnecidos, parecem ter
por fim a proteco mutua das plantas
novas contra os ataques das numerosas
espcies de animaes to vidos do pal-
mito, e que as destruiriam infallivel-
inente sem esta solicitude da natureza.
Este modo de crescimento das tenras
Carnaubeira tem comtudo o inconve-
niente de impedir o prompto desenvol-
vimento da planta.
Esta palmeira gosta dos lugares seccos
ou ao menos dos terrenos que ficam em
secco na maior parte do anno, posto
que sugeitos a serem regados por inun-
daes peridicas; ella resiste perfei-
tamente s invases prolongadas das
aguas, com tanto que no cubram in-
teiramente a parte inferior do tronco.
Ento forma-se em roda do p uma
espcie de orla produzida pelas raizes,
e destinada a elevar o terreno, e a ga-
rantir assim o caule d'uma demasiada
infiltrao da humidade.
E' o que se observa nos lugares que
experimentam grandes inundaes, taes
como certas partes do lugar chamado
Carit^ da comarca do Crato no Cear,
e principalmente nas margens do lago
Parnagu, no Piauhy.
Este lago, d'uma extenso de 25
kilometros pouco mais ou menos, foi
formado por uma depresso de terreno
em fins do ultimo sculo.
Antes do abalo que deu nascimento
a esta colleco d'aguas, o valle de
Parnagu estava coberto de uma flo-
resta de Carnaxibeiras.
Via-se ainda, ha alguns annos, em
certas partes pouco profundas, alguns
troncos do mesmo vegetal cercados de
raizes.
As palmeiras, cujo tronco no foi
totalmente coberto pelas aguas, pu-
deram resistir com o soccorro da orla
de que acabo de fallar.
A Carnaiibeira apresenta outro phe-
nomeno ainda mais digno d'observao :
que a secca a mais prolongada, con-
vm perfeitamente ao seu crescimento,
e desenvolvimento no Cear, e lugares
circumvisinhos, onde no chove nunca
durante seis mezes no anno, isto
durante a estao chamada vero pelos
naturaes do paiz : a Carnaubeira exhibe
um poder vegetativo dos mais vigoro-
sos, justamente n'esta estao quente
e privada d'agua.
No tempo da secca a maior parte das
arvores, arbustos e sub-arbustos despo-
jam-se das folhas ; as Gramineas seco
e so levadas pelo vento; a terra das
plancies argilosas, perdendo a humi-
dade, abre fendas de perto de 20 cent-
metros de profundidade.
No meio d'esta scena tristonha, seme-
lhante que oflferecem os invernos nas
zonas temperadas, vm-se florestas im-
mensas de Carnauheras em prospera ve-
getao.
A extraco da cera da Carnaba est
calculada , nas duas provncias , em
3.560,000 kilogrammas ; parte d'esta cera
consome-se na fabricao das vellas, e
outra parte exportada para as demais
provncias do Imprio.
i:i4
CAR
CAR
No nos consta que esta cera tenha
grande extraco na Europa ; porem no
Imprio geralmente usada na illumi-
nao domestica.
Depois da extraco da cera aprovei-
tara-se as palhas para fabricao de cha-
pos, esteiras, vassouras, capachos, e
cordas, conhecidas pelos indgenas por
iicum ou tucum de Carnaba.
As mesmas folhas prestam-se ao fa-
brico do papel, e seria uma grande fonte
de riqueza se se aproveitassem esses
montes de folhas , que ordinarimente
so queimadas depois da extraco
da cera.
A madeira conservando-se sombra,
ou empregada em esteios, duradoura
e incorruptvel.
Na maior parte das construces do
Rio Grande do Norte e Cear, no se
emprega outra madeira seno a da
Carnauieira. Tambm se presta para
certas obras de marceneria, para ben-
galas, etc, etc,
muito dura, e d'um amarello ver-
melho, com veios pretos, susceptvel
d'um bello polido ; oferece manchas
pretas, que produzem bello efeito.
Propriedades medicas. As raizes
so usadas nas afeces cutneas, e
nos accidentes syphiliticos, na dose de
30 grammas para 500 grammas d'agua,
em cosimento.
CarBiiiiciila. Gnilandina spitio-
sissima. Fam. das Leguminosas.
um arbusto do paiz, que no tem mais
de 1 metro de elevao, conhecido era
Pernambuco por este nome.
Seus caules formam touceira.
Todas as suas partes so eriadas
de espinhos cerrados, tornando quasi
impenetrvel a entrada na sua tou-
ceira.
As folhas so ellipticas, dispostas em
palmas, e cheias de espinhos.
As flores, em cachos pequenos, tam-
bm com espinhos, so amarellas, com
cheiro suave, e de cr desbotada.
O fructo uma vagem quasi re-
donda, um pouco deprimida, de cr
de castanha, e to eriada de espinhos,
que custa pegar-se n'ella ; abre-se na-
turalmente em duas valvas coriaceas,
contendo duas sementes lisas, arredon-
dadas, ovaes, um tanto deprimidas, de
cr cinzenta esverdinhada , e muito
duras.
So empregadas como desobstruentes
das vsceras abdominaes.
Esta espcie vegeta no littoral, e
gosta da beira-mar.
Caro ou Caroat. Bromelia
vanegata., Arr. Cam. Fam. das Bro-
meliaceas. planta herbcea, habi-
tante dos sertes das provncias do
Norte, e por esse nome conhecida.
No tem caule ; um molho de fo-
lhas ensiformes, de 1 a 2 metros de
comprimento, bordas reviradas, cilia-
das, lanando do centro uma vergon-
tea de 66 a 88 centmetros, da qual
brotam flores em cachos, de um azul
purpurino ; tendo por fructo uma baga
oval, medindo 27 e % millimetros, a
qual encerra algumas sementes.
A ptria d'esta planta o valle de
S. Francisco at o Cear, onde espe-
cialmente floresce.
Fornece bom linho, segundo o Dr. Ar-
ruda Camar.
Car oba. Bignonia brasiliana, Lamk.
Jacarand brasiliana., Personn. Hor-
delestris syphilitica^ Arr. Cam. Bigno-
nia Copaia , Auble Fam. das Bigno-
niaceas. Arbusto trepador, de folhas
ou galhos oppostos.
As folhas so em palmas oblongas.
As flores em cachos, amarellas, e cam-
panuladas, simulando cornetas.
O fructo uma vagem pequena, con-
tendo gros achatados.
A casca d'este vegetal , e de outros
da mesma famlia, contem um princpio
amargo, e adstringente.
Propriedades medicas. As folhas
da Caroba empregam-se contra as bou-
bas, a syphils, as escrophulas, quer se
manifestem por hereditariedade , quer
sejam adquiridas, especialmente contra
as aff'ecces cutneas chronicas.
CAR
CAR
13S
Faz parte da celebre massa antibou-
batica de Joo Alves Carneiro.
Internamente 8 grammas para 875
grammas d'agua, em decoco.
. Caro9>a lraiica. Sparratosperma
lithontriplimm, Mart. Bignonia leucan-
ta , Vell. Fam. idem. Esta planta ,
congnere das carobas , tem a mesma
virtude depurativa, diurtica e lithon-
triptica.
Propriedades medicas. E' um re-
mdio prodigioso, usado desde remotas
eras pelos ndios do Brasil como o ver-
dadeiro purificador do sangue, nas af-
feces diathesicas.
Caroba de lr verde. Cy-
histax anti-syphilijica, Mart. Bignonia
qninquefolia, Vell. Fam. idem.
Propriedades medicas. Esta Caroba
um anti-syphilitico ; mas empre-
gada tambm na reteno das ourinas,
e nas hydropisias.
Fazem-se loes, nas ulceras syplii-
liticas, com o cosimento de suas folhas.
O infuso se prepara na proporo de
4 grammas para 500 grammas d'agua.
Caroba guyra. Bignonia pur-
gans. Fam. idem. Esta espcie de
Caroba, segundo Eidel, tem a raiz
purgativa, e muito usada no alto
Amazonas.
Caroba da niiiida. Hordelestris
undulata., Arr. Cam. Fam. idem.
A este arbusto tambm chamam Caro-
binha, oa Casco de cavallo.
Caroba (outra espcie). Jacarand
p'0cera, Spreng. Fam. idem.
Propriedades medicas. Esfoutra
espcie de Caroba tambm anti-
syphilitica.
Suas folhas so empregadas contra
a syphilis, em cosimento.
Applica-se tambm sobre as ulceras
syphiliticas, polvilhando-as cora o seu
p.
Caroba paiilistaii. Jacarand
exiphylla. Fam. idem. Tem os mes-
mos usos do Jacarand procera; todas
estas Carobas tem mais ou menos as
mesmas virtudes, e so, alm de anti-
syphiliticas, diurticas e purgativas.
Carola aia. Andenanhera pavonia,
Linn. Fam. das Leguminosas. Arvore
da ndia cultivada no Brasil.
uma frondosa arvore, de folhas em
palmas midas.
Flores brancas e pequeninas.
O fructo uma vagem comprida,
contendo sementes redondas e verme-
lha.s, que parecem vidradas.
As folhas so antirheumaticas, e as
sementes comem-se cosidas.
Os chins ou os ndios das Mololucas
fazem com elles enfeites e ornamentos
de pescoo.
Esta planta tambm tem o nome de
Conors.
Carqueja aiiiarg:osa. Baccharis
triptera., D. CCacalia amara, e C. decur-
rens, Vell. Fam. das Compostas. Esta
espcie de planta vegeta no Rio de Ja-
neiro, em b. Paulo, no Rio-Grande do
Sul, e em Minas.
Propriedades medicas. um tnico
e anti-febril muito empregado; d-se
nas dyspepsias e diarrhas, em cosi-
mento adoado com o xarope de casca
de laranja.
O infuso se prepara com 12 grammas
da planta para 459 grammas d'agua.
O extracto d-se na dose de 2 grammas.
E' tambm til nas obstruces do
fgado.
Carcfiieja loee. Baccharis Gav-
dichaudiana, D. C. Cacalia , sessilis,
Vell. Fam. idem. Estti espcie vi-
sinha da outra, e torna-se recommen-
davel pelas suas propriedades tnicas
e anti-febris.
E' muito usada na arte veterinria
contra as molstias chronicas.
Cnvrupato. Carrapateiro , ou
ff36
CAR
CAR
flainnxta. Richms communis, Linn. e
Spl. Fam. das EupJiorbiaceas. E' um
arbusto agreste, originrio da ndia e
da Africa, segundo dizem os autores.
Cultivam-no no Brasil , onde co-
nhecido por um e outro nome, dos quaes
o primeiro o de um insecto do paiz,
que se agarra aos animaes e aos ho-
mens, causando grande incommodo.
O Carrapato cresce at 4, 5 metros e
mais; esgalhado, seu tronco no-
doso e oco.
O lenho brando e alvo.
As folhas em forma de palmas , ou
circulo dividido em lacinas, e com pe-
ciolo fistuloso.
As flores, em cachos rolios, so ou
parecem feixes de filetes reunidos.
O fructo uma noz redonda achatada,
de gommos, apresentando um tegumento
herbceo exterior, e trs lojas cnicas,
em cada uma das quaes se aloja uma
semente quasi oval, brilhante, cinzenta
6 coroada por um corpo carnoso.
A amndoa d'esta semente mui oleosa.
Os fructos estalam quando maduros, e
lanam as sementes por terra.
donde se extrahe o leo de rcino
da Pharmacia.
Ha quatro espcies de sementes de
rcino, a saber: pequena, grande, ver-
melha e branca; da pequena que se
extrahe maior quantidade de leo.
Propriedades medicas. As folhas do
Carrapateiro so tidas como emollentes,
e seu cozimento empregado contra os
tumores, em banhos. O leo, que d'elle
se extrahe, o leo de rcino, muito usado
internamente na dose de 30 a 60 gram-
mas, como purgativo.
Cpri|eiro uiolle. Ricimis.
Fam. idem uma espcie seme-
lhante ao Carrapateiro grande, tendo s
a differena de ser o tecido exterior da
semente tnue, de sorte que facilmente
com um palito se atravessa a sua amn-
doa; por isso que a populao pobre
do serto enfia uma poro de sementes
successivamente em um ponteiro, e ac-
cendendo-o serve-se d'elle como vella.
conhecido em Pernambuco por esse
mesmo nome.
CnrrKpieliiiilao. Urena sinuata,
Linn. Fam. das Mahaceas. Monadel-
pMa Polyandria, Linn. Esta espcie
oriunda do paiz um arbustinho que
vegeta francamente pelas bordas dos
caminhos, ruas mais desertas e qun-
taes.
esgalhado, cresce pouco, at 1 a 2
metros, ou pouco mais.
As folhas so meio lobadas,e mui ba-
as.
As flores so de cr de rosa viva, e bo-
nitas, mas sem cheiro.
O fructo secco, quasi como o quiabo,
porm menor, e abre-se da mesma forma;
tem sementes verdes, redondas, acha-
tadas.
Tambm o chamam Quiabo bravo, e nas
Alagoas Carrapicho.
uma das espcies que do matria
prima para cordoaria.
As folhas usam-se contra tosse, em
infuso.
CaB*Fai>ifIto. Urena sinuaa, Arr.
Cam. Fam. das Mahaceas. E' conhe-
cida em Pernambuco por este nome ; no
Rio de Janeiro, Minas e S. Paulo, pelo
de Guaxima.
A casca dessa planta separa-se facil-
mente, deixando-amacerar durante quin-
ze dias.
D'ella se faz corda, que emprega-se
em diversos uzos.
CarrapieSto d'aiullia. Coreo-
psis tricornea. Fam das Compostas.
Esta espcie, conhecida por este nome
em Pernambuco, no Par, e talvez nas
mais provncias do Norte, uma ele-
gante herva que cresce nos quintaes e
matos adjacentes.
Sua altura chega at 8S centmetros
pouco mais ou menos.
Seu caule, ora esverdinhado, ora ro-
xeado, esgalhado, com folhas recor-
tadas em forma de pequenas palmas.
As flores, amarellas e midas, tero
um pequeno clice verde, bordado de
CAR
CAR
137
Iblhinas amarcllas em redor, com um
aggregado de outras folhinhas no centro.
Tem pouco cheiro.
O fructo uma pequena capsula
comprimida e preta, tendo no pice
trs aguilhes, que se apegam roupa.
E' dolorosa a sua picada.
Propriedades medicas Esta planta
passa por um infallivel remdio para a
ictercia; usa-se interna e externamente.
Carrapiclio beio tie boi.
Desmodium diureticum. Fain. das Legu-
minosas. Herva agreste oriunda do
paiz, e conhecida em Pernambuco por
tal nome.
Alastra levantando a parte superior
dos ramos, que so castanhos ; com fo-
lhas compostas de 3 foliolos ovaes.
As flores so roixas, e em caixinhos,
que parecem pequenas borboletas.
O fructo uma vagem pequena com-
prida, recta d'um lado, e d'outro for-
mando salincias e depresses.
Em cada diviso encerram-se uns
grosinhos.
Toda a planta tem um pello mui
curto.
O fructo adhere roupa, e mesmo
ao corpo dos animaes ; agarra-se por
exemplo, aos bois, mormente nos beios,
quando aquelles pastam.
Esta herva applicada domestica-
mente nas gonorrhas.
Na Bahia conhecida por Papo de
Peru.
Cetri*apiebo de eaSt*ala. Tri-
%mfeta semitriloba. Fam. das Tiliaceas.
Planta do paiz de folhas alternas, de
base oval, trilobada, e flores amarellas.
O fructo uma capsula redonda, es-
quinada, com espcies de espinhos.
O decoto empregado em injeces
contra as gonorrhas.
Dos ramos tira-se uma filaa, de que
se fazem cestinhas, etc.
Ha ainda : Triumfeta eriocarpa, St.
Hil. Triumfeta lappua, Vill Triwm-
feta sepitim, St. Hil. Triumfea hete-
rophi/lla., Lamk.
Carrasco. Cambessederia, umbeli-
cata. Fam. das Melastomaceas. Ar-
busto agreste, que abunda nas provn-
cias do norte do Brasil, e borda as
estradas.
por- este nome conhecido nas Ala-
goas, e no interior.
uma planta de porte mediano,
ramosa.
Caule coberto de pennugem esbran-
quiada.
Folhas ovaes, lustrosas, de verde es-
curo por cima, e esbranquiadas na
parte inferior.
Os pednculos regulares.
Flores brancas e pequenas.
Os fructos como pequenos glbulos
arroxeados, com uma polpa, envol-
vendo sementes midas.
Toda a planta cobre-se de um pello
macio e louro, que esconde s vezes
os rgos da fructificao.
Caruru. V, Bredo Ca^-ur, e tam-
bm Bredo macUo.
Caruru azedo.
V. V7iagreira.
Cariirti da matta o^i verine-
llao. Amaranthus melanchoUcus ., Linn.
Fam. das Amaranthaceas . Herva
conhecida nas Alagoas por este nome.
agreste, de folhas oblongas, inse-
ridas em um caule pequeno, suecu-
lenta, com os peciolos longos, e in-
feriormente roxos
Brota sobre o pednculo um boto
herbceo quadrangular, alado, que tem
no centro uma reunio de muitas flo-
res miudissimas, como tambm so as
sementinhas.
Caruto. Genipa caruto, Kunth.
Fam. das Rubiaceas. O Caruto como
um Jenipapeiro ordinrio, que d no ter-
ritrio de Cayenna e no Rio Negro.
indgena do paiz; suas folhas so
grandes, ovaes, obtusas, Insidias por
cima, um tanto speras por baixo.
O fructo d uma tinta, com que os
ndios tingem o corpo, principalmente
o rosto.
flSH
CAS
CAS
O poyo de Carthagena chama-lhe Estas sementes teem o embryo erecto
Xagu.
Ca^ira aniai^jL^osa do Alwra-
iilio. V. Guereroha de remo.
Caset d' Anta. Drymis Winteri.
Fam. das MagnoUaceas. Arvore silves-
tre de Minas Geraes, e S. Paulo.
Suas folhas so grandes, ovaes, suc-
culentas, e aggregadas nos ramos.
As flores so igualmente grandes.
EUa floresce em Fevereiro e Setembro.
Os habitantes d'aquenas provncias
empregam a sua casca como estimu-
lante e tnico.
Caracteres da famlia. Esta fa-
mlia composta de grandes e bellas
arvores, ou de arbustos elegantes, ador-
nados de lindas folhas alternas, quasi
sempre coriaceas e persistentes , pro-
vidas na base de estipulas foliaceas.
As flores espalham um suave perfu-
me; so quasi sempre muito grandes
e geralmente axillares.
O clice se compe de trs a seis
sepalas frgeis.
As ptalas variam de trs a vinte e
sete, formando alguns verticillos.
Os estames, mui numerosos e livres,
so dispostos em diversas ordens e li-
gados ao receptculo , que sustem as
ptalas.
Os pistillos numerosos, ora reunidos
circularmente, e sobre uma nica ordem
no centro da flor , ora formando um
capitulo mais ou menos dilatado.
Esses pistillos so compostos de um
ovrio unilocular, contendo um ou mais
vulos, de um estylete apenas distincto
e de um estigma simples.
Os fructos so carpellas seccas ou
carnosas, reunidas circularmente sob a
forma de uma estrella, ou dispostas em
captulos, e algumas vezes todas ligadas
entre si.
Cada carpella indehiscente, ou se
abre por uma sutura longitudinal ; e
as sementes so algumas vezes sus-
tentadas por um trophosperma suturai
e filiforme, que pende para fora quando
o fructo se abre.
em um endosperma carnoso.
Casca doc*e. Andradea dulcis.
Fam. idem. Planta do Par.
Caea de laraiajeiru da terra
Evoia febrfuga. Fam. das Rutaceas.
Esta arvore natural de Minas-Geraes.
E' amarga, tnica, febrfuga.
Aconselha-se como succedanea da
Quina.
Casca para tudo. Cinamoden-
dron axillare, Mart. Fam. das Laura-
ceas. A casca d'esta planta, amarga,
natural do Brasil, onde existem duas
espcies, que passamos a descrever.
Al.'* espcie do Para-tudo tem a casca
larga pouco arqueada, da grossura de 5
millimetros, no comprehendendo a ca-
mada cortiosa.
Ella leve, quebradia e granulosa,
de um amarello cr de laranja ; a parte
interior coberta de uma pellcula fina
e esbranquiada.
A camada cortosa da grossura de
2 a 3 millimetros, profundamente gre-
tada, e facilmente se separa do lber,
exteriormente cinzenta, e interiormente
de cr verde amarellada ; parece for-
mada de camadas concntricas, nume-
rosas e mui ligadas.
A casca de um sabor amargo.
A segunda espcie do Para-tudo tem
a casca larga, mais composta que a
da precedente, da grossura de 1 mil-
limetros quando muito, quebradia ;
um pouco avermelhada e granulosa,
excepto a parte interna que formada
de algumas laminas finas, muito fibro-
sas e de uma cr cinzenta escura.
A camada cortiosa da grossura
de 2 millimetros, adherente ao lber,
rugosa e gretada, de textura seme-
lhante da cortia, e tendo como ella
as fibras perpendiculares s do lber.
Esta casca de sabor extremamente
amargo .
Propriedades medicas. E' empre-
gado o Para-tudo contra o fastio, de-
CAS
CAS
13S
bilidade geral, diarrha, febres inter-
mittentes, mordeduras de cobras, etc.
Internamente, 8 grammas para 90
grammas d'agua, em cosimento.
Casca gireciosa. Mespilodaplme
fretiosa^ Mart. Cryptocarea fretiosa.
Fam. das La%raceas. Esta planta
abundantssima no Rio-lNegro.
Sua casca aromtica e excitante.
Propriedades medicas. E' empre-
gada na asthenia nervosa por abuso
dos prazeres venreos, nas dores sy-
philiticas das articulaes, e nos ca-
tar rhos chronicos.
D-se em infuso, e cosimento, inter-
namente e em banhos.
Ca^carrilSia. Croton Cascarrilla^
Linn. Fam. das Euphorbiaceas. E' um
arbusto oriundo do Peru, do Paraguay
e do Brasil ; tem pequeno porte,
muito esgalhado e esbranquiado.
Seus ramos e folhas so cobertos de
pello macio e estrellado, sendo as folhas
lanceoladas e pequenas.
As flores, em espigas, midas e es-
verdinhadas. O fructo de trs quinas,
e trez caroos.
A casca d'este vegetal objecto de
commercio para a Europa : ella tem
cheiro activo e resinosa : d'ella se
extrahe um leo voltil de cheiro suave.
Suas propriedades so comparadas s
da Quina ; tnica e obra como esti-
mulante enrgico.
Casca cri III a falsa. V. Qvna do
Rio de Janeiro.
Casaco de eavallo . Barharier
ondulatus. Planta de Pernambuco em-
pregada contra as bobas.
Ca9i<|iiiii3io. uma planta in-
dgena, que d uma fructa redonda de
55 millimetros de comprimento, de cr
amarella, quando madura, e semeada
de pontinhos translcidos.
tenaz, tem cheiro activo, e contem
dentro uma massa amarella, esponjosa
e aquosa, com um caroo oval no centro.
Cassatiii^a de esplnlio. Y.
Catota de esi^inlio.
Cassatin;a niania. Solanum
anilatum. Fam . das Solanaceas. Ar-
busto silvestre conhecido nas Alagoas
por este nome.
Suas folhas so em forma de mouta,
e cahem umas sobre as outras; ellas
so cobertas de um pello macio e branco
de cr verde azulada, estreitas e midas.
As flores em cachinhos e de cr
roxa clara.
D um fructo de 27 a 28 millime-
tros de comprimento, redondo, esver-
dinhado, coberto de pello, e que con-
tem muitas sementes pequenas envoltas
em uma massa aquosa.
No se come,
Castanha do Par ou do Ma-
ranho. Bertholletia excelsa., Eumh.
e Bomi). Fam. das Myrtaceas. Arvore
gigantesca e habitante do Par e do
Maranho, de tronco erecto, cylindrico,
elevando-se a mais de 32 metros de al-
tura, alcanando um dimetro de '/4 a 1
metro e mais.
Ramos muito compridos, com as ex-
tremidades vergadas para baixo, muito
foliosos.
Folhas alternas, grandes, curtamente
pecioladas, oblongas e quasi coriaceas,
inteiras; face superior de bella cr ver-
de, e inferior esbranquiada, e apresen-
tando nervuras ou veios transversaes.
O fructo uma noz espherica, do tama-
nho da cabea de uma criana, e ainda
maior; verde, lisa e quadrilocular, con-
tendo muitas sementes.
Sarcocarpo fino; peri carpo muito so-
lido cheio de sulcos ram osos, e com seis
linhas de espessura.
Sementes fixas a um trophosperma
central pela extremida de inferior, sendo-
cada uma envolvida por dois perisper-
mas: um exterior rugoso, cr de ca-
nella clara, formado de duas laminas
de consistncia lenhosa, e outro inte-
rior, mais fino que o precedente, e tam-
bm formado de duas laminas tran.spa-
rentes, estreitamente unidas.
fl40
CAT
CAT
Amndoa oblong:a, trianp:ular, de an-
^ulos obtusos ; 6 branca tendo muita
analogia com as amndoas da Europa.
Estas amndoas s-Sg excellentes para
comer-se, e de sabor exquisito; podem
perfeitamente substituir as amndoas
loces.
Ca^ra cia iiiatta. Arvore do paiz.
Catiiij^^a tic iiiaeatM l>i*Mva.
Stizolohium pungens. Fam. das Legnrai-
nosas. Arbusto trepador, aggreste, co-
nhecido por este nome em Alagoas e Per-
nambuco.
Seus caules trepam sobre outras plan-
tas.
As folhas trifolioladas,subangulosas e
pillosas.
As flores em feixes, de roxo escuro azu-
lado, como a flor do feijo, e sem cheiro.
O fructo uma vagem rolia, e achata-
da de um lado, coberta de pellos longos,
bastos e picantes, que produzem dr
como a de queimadura, na pelle ; encerra
sementes como gros do feijo, mas com
o ponto de insero mais dilatado.
CatSiig:a Siraiiea. Senharia iin-
ctorium, Arr. Cam. Fam. das legumi-
nosas. Arbusto que abunda em Per-
nambuco, na Parahyba e no Cear.
As folhas e a casca tm um cheiro
agradvel, que se assemelha ao do Cravo
da ndia.
Ella se acha com abundncia nos ser-
tes.
Produz pela ebuUio uma tinta de
cr amarella, muito usada na arte da
tinturaria.
Propriedades medicas. O decocto
empregam-no para curar as sarnas, em
loes.
Calina de iiiaeac Buasisa.
Dyphisa flava. Fam. idem. - Arbusto
trepador natural do paiz, que em qual-
quer matto se encontra.
E' conhecido em Alagoas, Pernam-
buco e Sergipe por este nome; tam-
bm o chamam Fava brava.
Caule delgado ; folhas trifolioladas,
e semi-angulosas na forma, cobertas
do lima espcie de coto.
Flores, reunidas em espigas, so quasi
azues, midas, e tm algum aroma.
O fructo uma vagem cliata, de 66
a 88 centimetros de comprimento, es-
treita e vinculosa ; as bordas so semi-
recortadas, de cr parda, e as sementes
so castanhas como as do feijo.
Esta planta trepa pelas outras ; u
cosimento d'ella applicado em ba-
nhos aos animaes atacados de piolhos.
Catiitj^a de iiiiilatu. Lxicas
martinicensis., Bentli. Stachys fluminensis,
Vell. Stachys recta. Fam. das Labiadas.
E' um arbusto de folhas cordiformes, e
flores amarellas.
Propriedades medicas. Elle em-
pregado como anti-hysterico, e nas dores
arthriticas.
O cozimento applica-se em banhos
como anti-rheumatico.
As flores so carminativas ; d-se em
infuso.
dtints^\ 5 laea. Elosagnus ca-
tinga. Fa7n. das Tliymeleaceas . Arvore
silvestre conhecida por este nome nas
Alagoas.
Suas folhas so oppostas no ponto de
insero; tem um aroma enjoativo.
Suas flores so semelhantes a pequenos
botes, cujo fructo menor que um ara
ordinrio, encerrando 2 ou 3 sementes
de tamanho regular.
Caracteres da famlia. Arbustos,
raramente plantas herbceas, de folhas
alternas ou oppostas, inteiras, tendo as-
flores terminaes ou axillares em forma
de sertulas, de espigas solitrias, ou reu-
nidas no centro das folhas.
O clice geralmente colorido e petn-
loide, mais ou menos tubuloso, de quatro
ou cinco sepalas embricadas antes de
desabrochar.
Os estames geralmente em numero de
oito, dispostos em duas ordens, ou de
quatro, ou simplesmente de dois, so in-
CAT
CAT
144
seridos, e em geral sesseis, nu parede
interna do clice.
O ovrio unilocular, e contm um
s ovulo pendente.
O estylete simples, terminado em
um estigma igualmente simples.
O fructo uma espcie de no/ ligeira-
mente carnosa por fora.
O embrj^o, que voltado como a se-
mente, est contido em um endosperma
carnoso e delgado, e tem a radicula su-
perior.
Os gneros principaes d'estH famlia
so Daphne, Stellera, Passerina, Pimelea,
etc . As Daphnaceas formam um pequeno
grupo muito natural . que differe das
Eleagneas pelo ovulo pendente, e no
erecto, e, das Santalaceas, pelo ovrio
livre e uniovulado.
Catiiag: tle jioreo. V. Cip ca-
tiiiga de porco.
Catiii^iaa ou CatiiKsia. Tri-
chilia catigua., St. Hil. Fam. das Me-
liaceas. E' uma arvore silves-tre que
cresce em Minas Geraes.
E' de grande altura.
Suas folhas so dispostas em palmas.
As flores, amarellas, em cachos.
O fructo capsular.
O lenho d'esta arvore avermelha-
do.
Ha trs espcies : florescem em Abril.
Cat n; a ei i*a . Coesalpinia . Fam.
das Leguminosas. E' uma planta do
paiz, da qual se extrahe uma bella tinta
amarella.
Catiiig;iieit*a I>a*av. Croton.
Fam. das Euphorbiaceas. Esta espcie
tambm d uma tinta amarella, digna
de ser utilisada na tinturaria.
Crttoj. V. Herva de Santa Maria
ou, Caapeba.
Catol Rhapis paramidata. Farn.
das Palmoxeas. E' uma palmeira, de
altura mediana, de 31 a 33 metros
pouco mais ou menos.
Seu caule quasi lizo, de 2 a 3
centmetros de dimetro, mais fino na
base e mais grosso no alto.
O ramalhete das folhas toma direc-
o vertical, e estas so de cr azu-
lada.
D cachos de flores, compridos, as
vezes de mais de um metro.
E' como grande numero de palmei-
ras, de cr amarella barrenta, com
aspecto de flor de cera.
O fructo de (50 millimetros de
dimetro, ovide, de casca parda, tendo
no pice um ponto agudo.
Na base ha uma roseta de escamas.
Essa casca do fructo de cr ama-
rella no interior, e encerra uma massa
da mesma cr, polposa , um tanto
aquosa e oleosa ; a parte que se
come,
Encontra-se dentro um caroo sseo,
contendo uma amndoa branca, muito
oleosa e de gosto agradvel.
O leo d'esta amndoa no s ex-
cellente para usos culinrios como
para luz.
Na provncia das Alagoas, onde mais
abunda esta palmeira, a pobreza no
tempo da fructa faz excurses nas mattas
para colhel-a.
Catota. Solanum calota. Fam. da^s
Solanaceas. Esta planta sylvestre co-
nhecida nas Alagoas e em Pernambuco
por este nome.
um arbusto baixo, de 2 a 2 '/^ me-
tros de altura pouco mais ou menos,
de poucas folhas, marchetadas no seu
limbo, aloiradas, e com a orla cavada.
As flores, semelhana das da Juru-
beba, porm mais escuras e maiores.
O fructo, tambm como o da Junibeba^
mas do tamanho de um limo grande.
Caota l es|iiHho. Solammi pi-
per. Fam. /</??/2. Esta outra espcie
muito semelhante precedente, dife-
riudo apenas em que esta se enrola sobre
os outros vegetaes, e todas as partes da
planta esto cobertas de pellos hispi-
dos, longos e loiros, pelo que custa a
pegar-se n'ella; produz na pelle sensa-
o de queimadura.
i4
CEB
CEB
Caiiassi. Threkelia hracleata.
Fam. (las Chcnopoeaceas. Esta arvore
oriunda do paiz de porte pequeno.
Seus ramos, como formados de arti-
culaes nas pontas, so acinzentados
e. fistulosos.
As folhas em figura de lana, e al-
ternas.
A-S flores do em espigas intermeadas
de escamas membranosas.
O fructo uma pequena noz, com
uma ou outra semente dentro.
Caxaporr lo g,-eiito. Termi-
iialia argetitea^ Mart. Fam. das Cotnbre-
taceas. Arvore do Brasil ; vegeta em
Minas-Geraes.
Tem um porte muito bonito, e flores
pm pequeninos cachos.
D um fructo semelhana de uma
noz.
Esta arvore produz tambm uma gom-
ma resina, semelhante a gomma gutta ;
purgativa na dose de 6 decigrammas,
dada em emulso ou em plulas.
Caxiin. Sapium ilicifoUum, Willd.
Fam. das EuphorMaceas. O Caxim
uma arvore do paiz, que tem espinhos
e folhas ovaes. '
Suas flores, em cachos, ou em espi-
gas, so de sexos separados, e midas.
A fructa uma capsula de 3 gom-
mos e 3 lojas com sementes redondas.
Cayaponia. V. Purga do gentio.
CebiBBira l>ranea. V. Secupira.
Cebigtsra lo campo.
pira.
V. Secv,-
Apresenta-se como um feixe de folhas
estreitas, compridas, flstulosas, na su-
perflcie da terra.
D um pendo, em que se notam flo-
res brancas e pequenas.
O fructo muito pequeno.
Na base da reunio das folhas existe
um bolbo, que a cebola, de que fa-
zemos uso.
Este bolbo redondo compe-se de
duas membranas de cr de castanha
avermelhada, delgadssimas e friveis,
seguindo-se depois uma substancia
branca, aquosa, espessa e transparente,
disposta em varias camadas concn-
tricas, que se separam com facilidade.
de sabor acido, doce e picante.
Celola eeeft. AmaryUs hella-
dona., Linn. Fam. das Amaryllidaceas .
Esta planta, indgena do Brasil agreste
e cultivada, conhecida nas Alagoas
por Celola do matto.
herbcea; suas folhas, nascidas da
superfcie da terra, so de um verde
desmaiado, em figura de lamina de es-
pada, porm longas e reviradas.
Deita um pendo do centro, que d
flores grandes, em forma de funil, com
seis recortes ou pontas, de cr vermelha
pallida, sem cheiro.
No centro existem seis estames longos.
O fructo uma capsula com trs
cotnpartimentos, nos quaes se acha
uma poro de sementinhas.
Esta planta como a Aucena na
forma da flor e porte ; tem na base uma
raiz semelhante cebola, porm mais
allongada ; a tnica esbranquiada,
o sabor pouco picante. (Fig. 16.)
Cr?>i|ira Ia niatta. V. Secupira.
CelsoJa. Allium cepa, Linn. Fam.
das Liliaceas . Esta planta, cuja verda-
deira ptria se ignora, muito culti-
vada, e usada em toda parte.
Veio-nos da Europa e um dos pri-
meiros ingredientes da arte culinria,
Tambm no Brasil se cultiva, nas pro-
vncias do Sul.
Propriedades medicas. Usa-se o
bulbo em xarope nas afeces pulmo-
nares, na bronehite, e sobretudo na
asthma.
vomitiva e expectorante.
Caracteres de famlia. Plantas de
raiz bulbifera ou fibrosa, de folhas ra-
dicaes, de flores muitas vezes gran-
dssimas, solitrias, ou dispostas era
sertulas ou umbrellas simples, envol-
CEB
CEG
f43
vidas, antes, do seu desabrochar, em
espathas scariosas.
O calise gamosepalo , tubuloso,
adherente pela base ao ovrio, de seis
divises iguaes ou desiguaes.
Os estames, em numero de seis, tm
seus filetes livres, ou reunidos por
meio de uma membrana. ''
O ovrio de trs lojas, contendo
cada uma grande numero de vulos
anatropos .
O estylete simples, e o estigma
trilobado.
O fructo uma capsula de trs lojas,
e de trs valvas septiferas ; algumas
vezes uma baga que, por aborto, s
encerra uma ou trs sementes.
Estas, que offerecem frequentes vezes
uma caruncula cellulosa , apresentam
em um endosperma carnoso um embryo
cylindrico e homotropo, mais curto que
a semente.
Roberto Brown dividiu a familia das
^arciseas de Jussieu em duas orden^
naturaes : as Hemerocallideas, onde elle
collocou os gneros de ovrio livre, e
as AmarylUeas, que so as verdadei-
ras Nardsseas de ovrio infero.
O mesmo celebre botnico tambm
retirou das Narcisseas de Jussieu os g-
neros Eypoxis e Ctirculigo, dos quaes fez
um grupo sob o nome de Hypoxideas,
que nos parece pouco diferente, das
verdadeiras Amaryllideas.
Richard reunio s HemerocalUdeas
3 familia das Liliaceas.
CeFsoSa cio EnsaStc. Veja-se Ce-
lol cecera.
CcboEisilio o CebolBBtIia.
Allivm scJioenoprasum^ Linn. Fam. das
Liliaceas. Esta planta oriunda da
sia na Sibria, cultivada desde mul-
os annos em nossas hortas, e de usos
geral.
Cresce de 4 a 6 e )4 decimetros.
Tem um bolbo na base das folhas,
pequeno como o do Alho; d'ahi sahem
as folhas estreitas, istulosas, dirigid-as
verticalmente; formam um pendo seme-
lhante ao Alho^ onde se notam fiorinha;
brancas reunidas; d'estas geram-se as
fructinhas, que contm sementes pretas
muito midas.
O bolbo como o da Cebola^ em
ponto pequeno; as tnicas que o re-
vestem so brancas , ou roixas em
outra variedade da mesma espcie ;
as camadas que o compe so for-
madas de membranas finas.
Ambas as qualidades so desobs-
truentes, porm prefere-se a branca.
Cebolinlo do Cainito. V. Alho
de campina.
Cetlpo. Cedrela brasiliensis. Adr.
Jus. e St. Hil. Fam. das Meliaceas.
Entra na ordem das plantas impor-
tantes do Brasil.
Esta arvore, muito aromtica, foi
observada por St. Hil. e Adr. Jus.
E' de folhas distribudas em palmas,
oblongas, com flores em cachos pvra-
midaes, brancas e grandes.
Os fructos parecem primeira vista
pitombas.
O lenho do Cedro exhala muito cheiro,
e quando se corta uma d'estas arvores,
aroma se espalha a alguma distan-
cia.
A madeira parda, no offerece veios,
e porosa.
Ella presta-se marcenaria, escul-
ptura , construco naval, etc, etc.
E' uma das madeiras de corte prohi-
bido pelo governo.
Propriedades medicas. A casca
adstringente e emtica.
Cejfa ollao. Asclepias umbellata ,
Flor. Fliim. Fam. das Asclepiadaceas.
Esta herva conhecida nas Alagoas
por este nome, e por Saudade ou Ca-
mar bravo em Pernambuco.
E' uma herva elegante, de altura at
1 metro pouco mais ou menos, leitosa
em todas as suas partes.
As folhas so lanceoladas, agudas e
molles.
As flores reunidas, formando como
uma umbrella ou chapo de sol : umas
144
CEN
CEV
vermelhas , outras amarellas , c sem
cheiro.
Seu fructo uma capsula fusiforme,
paliacea e geminada, contendo muitas
sementes involtas em um feixe de pellos
macios e brilhantes , como seda , ou
sementes coroadas de plumas ; d'esta
maneira , estas sementes voam com
muita facilidade, logo que o fructo se
abre.
O leite empregado contra as dores
de dentes.
E' venenosa.
Ci?iitaiiiri iimiiilea*,. Callo-
fismoj perfoliatum^ Mart. Fam. das Gen-
cianaceas. Esta planta vegeta em Minas ;
herbcea.
A raiz amarga, e empregada como
tnica e estomachica.
Ha outra espcie : Callopisma amplexi-
folium, com as mesmas propriedades.
CeBSieio. Secale cereale, Linn. e
Bichr. Fam. das Gramnaceas. Planta
herbcea, que cresce naturalmente na
sia Menor, cultivada na Europa, e j
hoje no Brasil.
E' uma espcie de capim, cujas es-
pigas so densas, com uns espores nas
espiguetas.
Do gro faz-se farinha , porm que
um pouco pesada, e por isso s pro-
. pria para estmagos robustos.
Propriedades medicas. A cataplas-
ma da farinha de centeio emoUiente
e resolutiva. .,
Cfsati-i egaoa'3o. Secale cor-
nutum, Linn. Fam. tem. Esta espcie
da Europa, e cliama-se assim porque
atacada de cravagem, de uma subs-
tancia que se desenvolve entre as valvas,
no lugar da semente.
E' um corpo comprido e arqueado, cy-
lindrico e bojudo, violceo, de sabor ar-
dente e cheiro particular desagradvel.
Pro>rii;dades medicas. O centeio
esporado um agente podei"oso para pro-
mover as contraces uterinas, e um dos
mais poderosos hemostaticos vegetaes
que se conhecem ; usado interna ou
externamente.
D'elle se extrahe uma substancia, que
se emprega muitas vezes de preferencia
nos mesmos casos : a ergotina.
Cereibft. V. Mangue branco.
Ce5*e^>sina. V. Mangue amarello.
Cei*eitiii|a. V. Mangue amarello.
Cereja le SoESaas^ le gBeeeg,'0.
Cerasus fersici folia., Loisel. Fam. .dax
Rosceas. Arvore pequena da America,
de folhas oblongas ; flores em cachos e
brancas.
Cultiva-se no paiz.
Seu fructo globuloso, vermelho, liso,
com um caroo dentro (espcie de noz),
carnoso e acido.
Cerejeira Se isiia^ii'. Melothria
pe)idtila, Linn. Fam. das CuciirbiSaceas.
Planta herbcea, trepadeira e de folhas
recortadas.
As flores so solitrias.
Os fructos pequenos, so bagas alon-
gadas com muitas sementes.
Propriedades medicas. Esses fruc-
tos so purgativos ; a dose para um adulto
a metade de um d'elles ; e para ani-
maes, como cavallos, etc, do-se trs a
quatro fructos.
Ceri. Avicennia servida. Fam. das
Verhenaceas . E' uma arvore ou arbusto
que vegeta nos pntanos e beira mar.
As folhas so oppostas, com flores for-
mando uma espcie de corneta.
O fructo uma capsula.
As folhas so adstringentes, e empre-
gadas para tingir e curtir couros.
Cevada. Hordeum mgare., Linn. e
Richr. Fam. das Graminaceas , Esta
espcie a mais abundantemente culti-
vada.
At hoje no se sabe positivamente a
ptria da Cevada.
A farinha nutritiva como todos sa-
CHA
CHA
4S
bem, o cozimento dos gros refrigerante;
ella que constitue a base da cerveja.
Cevada !nt. Hordeum dixti-
cho?i, Nees. Fava idem. Tem as mes-
mas propriedades da precedente.
Ciit le IVaIe. Lantana fseudo-
Ihea., St. Hil. Fam. das Verbeuaceas.
Esta espcie vegeta em Minas Geraes.
Pde-se fazer uma ida d'esta planta
pouco mais ou menos pela planta Ca-
mar.
Propriedades medicas. empregada
como excitante nas affeces catarrhaes,
e nos rlieumatismos.
liik. Casea)'ea Ungua., St. Hil. Fam.
das Samydaceas. Arbusto do Brasil,
conhecido por este nome na provncia
de S. Paulo e por Lngua de fi^ na de
Minas Geraes.
Tem folhas lanceoladas.
Flores pequenas em feixes nas axillas
das folhas.
O fructo pequeno, carnoso com um
caroo.
Floresce em Agosto e Setembro.
Propriedades medicas. empregada
em cosimento contra as febres malignas,
e molstias inflammatorias.
Caracteres da famlia. Arbustos
todos exticos, que crescem nas re-
gies mais quentes do globo, apresen-
tando folhas alternas, dsticas, simples,
presistentes, o mais das vezes com duas
estipulas na base.
As flores so axillares, solitrias ou
em grupos.
Tem um clix formado por cinco, e,
mais raras vezes, trs a sete sepalas,
reunidas todas em sua base, e formando
algumas vezes um tubo mais ou menos
-o
longo
divises mais ou
coloridas em sua
O limbo oferece
menos profundas e
face interna.
A coroUa falta constantemente.
Os estames so em numero igual,
duplo, triplo ou qudruplo do das di-
vises calicinaes, na base das quaes
so inseridos ; so monadelphos, com
quanto alguns d'entre elles sejam as
vezes estreis e reduzidos a seu filete
que se torna plano e felpudo.
O ovrio livre, de uma s loja,
contendo um grande numero de vulos,
inseridos em trs ou cinco trophos-
permas parietaes.
O estylete simples, terminado por
estigma capitulado ou lobulado.
O fructo uma capsula unilocular,
abrindo-se em trs ou cinco valvas, que
trazem no meio de sua face interna,
as sementes, envolvidas em uma polpa
mais ou menos abundante, e colorida.
Estas sementes oferecem um endos-
perma carnoso, no qual existe um em-
bryo mui pequeno heterotropo; isto ,
tendo sua radicula opposta ao hilo, ou
ponto de insero da semente.
Cla tia It^iUn.Thea suiensis, Noh.
Fam. das Ternstrmmiaceas.E oriunda
da China e.sta excel lente planta, cujo
apreo e importncia geral nos paizes
cultos, onde o Ch da hidia tem-se tor-
nado uma bebida quasi commum.
Elle um pequeno arbusto, e.sgalha-
do, de caule escuro.
Folhas oblongas, de verde escuro, e
alternas.
As flores so brancas, semelhana
de rosas e com leve cheiro, sendo dis-
postas em trinos, ou binadas.
O fructo uma capsula de trs cocas
redondas, cada uma com um caroo.
O Ch, na sua terra natal, cresce at
a altura de 9 metros, entretanto entre
ns um arbustinho de 1 >^ a 2 metros
quando muito.
Propriedades medicas. E' excitante
poderoso, sudorfico, diurtico, adstrin-
gente e estomachico; activa as faculda-
des intellectuaes.
CI2 ssiate. llex. Ihesatia., Mart.
Fam. das Celastrineas. Arbusto das pro-
vncias do Sul, como Rio Grande e seus
arredores.
31
146
CHA
CHA
As folhas usam-sc como o Ch da
Jndia ; so iim tanto excitantes e dia-
phoreticas.
C5iAlc j9ee8estfi*e. V. Ch de frade
em Minas.
Cts d trR*a. Fam. das Portula-
caceas. Esta planta nasce no Maranho.
E' uma espcie de Beldroega, mais ou
menos.
Propriedades medicas. E' emprega-
da nas molstias nervosas, debilidade
de estmago e dysmenorrha.
Buddleja quinqiienaria. Fam. das Scro-
fhulariaceas . Esta espcie conhecida
nas Alagoas e em Pernambuco por este
nome, persuadido o povo que o ver-
dadeiro Ch da ndia; por isso tanto
n'aquella provncia como n'esta, fazem
uso das folhas como ch, nfhaiulo-o
bom ao paladar.
E' uma herva que f3rma moutas, de
caule herbceo, e de cr de purpura.
As folhas estreitas lustrosas, recor-
tadas, de cr escura.
As flores pequenas, brancas, seme-
lhana da flor do Cafezeiro.
O fructo uma capsula oval, oblonga,
contendo grosinhos, que por si mesmo
se espalham na terra.
Resiste todo o vero sempre em ver-
dura.
Propriedades medicas. Faz-se uso
em medicina como anodyno (calmante) .
CltagsiS aaaisiSas. Trojyccolmn fen-
taphyllmn, Lamh. Fam. das Tropoeola-
ceas. E' uma planta trepadeira cresce
em Montevideo, e no Rio-Grande do
Sul.
E' planta prpria para jardim.
Propriedades medicas. Esta bella
trepadeira gosa de virtudes anti-scorbu-
ticas.
ClBa;ueipa. V. Barhas de ba-
rata.
Cbaisalisia^. Carica digitata, Auhl.
Fam. das rapayaccas. Esta arvore,
que tem pouco mais ou menos o porte
do Mamociro, vegeta s bordas do
Amazonas.
Consta que suas emanaes so to
mortaes como d'aquella arvore da Ame-
rica Equinoxial, conhecida por 3an-
cenilla javanesis ?
Drosera tuherosa. Fam. das Drosera-
ceas. E' uma erva agreste do Brasil,
que invade todos os teiTenos, geral-
mente conhecida por Chanana em Per-
nambuco, Parahyba e Cear.
E' de 22 centmetros de altura pouco
mais ou menos.
Esgalha quasi rasteiramente, tendo
umas tuberasinhas na raiz.
As flores grandes, amarelladas, apre-
sentando umas manchas roixas na
base e meio das ptalas, em cujo cen-
tro se v um froco de filetes.
O fructo uma capsula pequena, c-
nica, contendo muitos gros em forma
de pequenas castanhas.
Propridades medica. A Chanana
muito medicinal ; sua batata se applica
contra a dysenteria.
Caracteres da famlia. Plantas
herbceas, annuaes ou viraces, rara-
mente subfructescentes, tendo folhas
alternas, muitas vezes munidas de pel-
los glandulosos, pedicellados, dispostas
em cruz antes d seu desenvolvimento.
O clice gamosepalo, de cinco di-
vises profundas, ou de cinco sepalas
distinctas, e de estivao imbricada.
A corolla de cinco ptalas planas e
regulares .
Os estames, em numero de cinco
algumas vezes de dez ou de vinte, al-
ternam com as ptalas, quando ellas
so do mesmo numero que estes l-
timos.
Antheras extrorsas, e livres; s ve-
zes se acham, em face de cada ptala,
appendices de forma variada.
Estes estames so geralmente peri-
gynicos e no hypogynieos, como se tem
dito at o presente.
CHI
CHU
t^^S
O ovrio de uma s loja, raras vezes
de duas ou trs ; no primeiro caso con-
tem grande numero de vulos anatro-
pos ou orthotropos, unidos a trs
ou cinco trophospermas parietaes, sim-
plices ou bifidos ; no segundo caso, os
septos parecem formados pelos tro-
phospermas salientes em forma de la-
minas, e que si encontram e se unem
no centro do ovrio.
Os estigmas, geralmente do mesmo
numero dos trophospermas ou das lojas,
so sesseis e radiosos, ou sustentados
por estyletes muitas vezes bipartidos.
O fructo uma capsula de uma ou
varias lojas abrindo-se somente pela
metade superior em trs , quatro ou
cinco vlvulas no meio da face interna
de um dos trophospermas.
As sementes, muitas vezes cobertas
de um tecido cellular frouxo, contem
um embryo erecto, quasi cjdindrico,
no interior de um endosperma del-
gado,'que falta algumas vezes.
Cltero. V. Salsa.
ClticSft. Stercvia cMch^ Si. Hl.
Mo7ietia curiosa , Vell. Fam. das
Bytineriaceas. Arbusto indgena, co-
nhecido por este nome no Rio de Ja-
neiro e Goyaz.
Suas folhas so cordiformes.
As flores em cachos, e arruivadas.
O fructo d uma amndoa, que os
habitantes d'estes lugares comem, e
passa por boa.
As folhas so resolventes de tumo-
res, etc.
ClbieSt^i 8o I\oi*te. StercuUa
laseantha, Mart. Fam. idem. E' uma
planta que se assemelha ao Chich do
Sul; habita o Piauhy e Maranho.
Clfticoa'ia. Soichis oleraceis., Linn.
Fam. das Compostas. Herva culti-
vada na Europa, d'onde oriunda ;
tambm cultivada no Brasil.
Sua cultura antiqussima , porm
pouco conhecida, principalmente nas
provncias do Norte.
E' uma herva cujas folhas nascem
do collo da raiz, imitando a couve, e as
quaes fecham as folhas no centro se-
melhana do repolho.
Essas folhas, que se fecham so es-
branquiadas.
As flores amarellas.
Fornece um sueco leitoso toda a planta.
Come-se cosida com carne de vacca
as folhas e as razes.
No Par ha uma herva aromtica que
tem este nome.
Como medicinal aperitiva ; mas hoje
est desusada.
CEiicoa-ia, brava. V. Serralha.
Claieora Paa^. E' uma her-
va aromtica.
Cliida. E' uma bebida de caboclos,
extrahida da mandioca.
CSailesase o Cof|ieia*o Clt-
IcEasc /(5(? spectabilis, Kimt. Fam.
das Palmaceas. E' uma palmeira do
Amazonas e do Chile.
Os fructos so drupas ; e com elles fa-
zem aguardente.
CBaB<|?8ex.ifisae. Cacftts ijeruvianus ,
Ztnti. Fo/ii. das Kopaleas. E' um ar-
busto natural da America Meridional,
cujo tronco verde, herbceo, anguloso
de alto a abaixo, succulento, e cheio de
espinhos que parecem ser as folhas ;
estas so fasciculadas.
Nascem as flores pelo tronco ; sc gran-
des, brancas, misturadas de rseo, com
uma coma no centro, amarella.
O fructo oval ou redondo, de cr ru-
bra, succulento, tendo dentro uma massa
da mesma cr, succulenta, acida, cheia
de sementes pretas e midas.
O sueco extrahido de seu tronco en-
rouquece a quem o bebe, e mui diu-
rtico.
Clieipa . Gustavia speciosa. Piri-
gara spiciosa, Humh. e Bomp. Fam. das
Myrtaceas. Arbusto das rsgies ama-
I zonicas, onde lhe do este nome.
148
CID
CIN
Suas folhas so oblongas, lanceoladas,
membranosas e coriaceas.
As flores p-randes.
O Vucto d'este arbusto, quem o come,
fica com a pelle alourada; mas, sem
nenhum remdio, depois de 24 ou 28
horas, torna ao seu natural.
Citlri*a oii Citl*;. Citrus li-
monium cUratiim, Rss. Fam. das Au~
rautiaceas. Arbusto indigeno da sia,
cultivado no Brasil.
A Cidra a fructa da Cidreira, que no
Maranho chamam Turanja.
E' um arbusto do porte de uma limeira,
com espinhos nos galhos, folhas elljp-
ticas, com pouco aroma.
As flores so brancas, e com cheiro as-
semelhando-se ao da flor da Larangeira.
O fructo um pomo de grandeza de ;")
a 10 millimetros de dimetro, redondo
com a configurao de uma laranja, mas
com uma superfieie tuberculosa, e as ve-
sculas grossas.
Dentro acha- se uma substancia branca,
vosiculosa, compacta, contendo semen-
tes como os da laranja; a massa muito
secca.
Da fructa preparam-se bellos doces ,
empregados como peitoral, refrigerante
e tnico.
Caracteres da famlia. Arvores ou
arbustos muito glabros, algumas vezes
espinhosos, com folhas alternas e arti-
culadas, simplices, ou mais frequente-
mente pinnuladas, munidas de glndulas
vesiculosas, cheias de um leo voltil
transparente.
Flores odorferas, geralmente termi-
uaes.
Seu clice gamosepalo, persistente,
de trs ou cinco divises mais ou menos
profundas.
Sua corolla, de trs a cinco ptalas
sesseis, livres ou ligeiramente soldadas
entre si.
Os estames, algumas vezes em numero
igual ao das ptalas, outras vezes duplo
ou mltiplo d'este, so livres, ou di-
versamente reunidos entre si por seus
filetes, e reunidos abaixo de um disco
''JPOgynico, sobre que est coUocado o
ovrio.
Este globuloso, de varias lojas,
contendo um s ovulo suspenso, ou
maior numero, ligados ao angulo in-
terno da loja.
O estylete, algumas vezes muito curto
e muito espesso, sempre simples,
terminado por um estigma, simples ou
lobulado.
O fructo em geral carnoso, inte-
riormente separado em diversas lojas
por divises muito delgadas, contendo
uma ou mais sementes inseridas em
seu angulo interno, e geralmente pen-
dentes.
Exteriormente o pericarpo espesso ;
indehiscente, cheio de vesculas, con-
tendo leo voltil.
As sementes encerram ujn ou algu-
mas vezes mais embryes sem endos-
perma.
Cida'i!l2i. Verbena triphjlla. Fam.
das verhenaceas. Pequeno arbusto na-
tural do Rio de Janeiro.
Folhas verticilladas, ternas ou qua-
ternas, lanceoladas, agudas nas duas
extremidades, exhalando cheiro de li-
mo quando esfregada.
Flores dispostas em espigas axilla-
res, ou em pannicula terminal.
Propriedades medicas. E' estimu-
lante, empregado em infuso contra
as indigestes, 3 a 4 folhas para uma
chicara d'agua fervendo.
Cisiass&osto. F. Jasmiiieiro de Ca-
yanna.
Cisiee) iullans. D-se este nome
tambm ao Taruman.
Propriedades MEDICAS. As folhas so
diurticas, e empregadas em cozimento
ou em infuso, em banhos, nas dores
rheumaticas e osteocopas.
Ciiid;;' capei:. VaUesia ti/ictorial,
Brnnet. Far. das A;pocynaceas. Esta
planta da serra do Araripe; d
uma tinta cr de rosa mui bella se-
gundo Mr. Brunet.
CIP
CIP
149
Das sementes se extrahe sofrvel sa-
bo.
Ciparabo E' uma espcie de Bu-
iua de raiz delgada, lisa e branda, qne
se encontra nas provncias do Espirito-
Santo e Minas Geraes.
Ci|i d' ai li o. Bignonia alUacea^
Swart. Fam. das Bignoneaceas E' nni
arbusto indgena do paiz, conhecido
por este nome nas Alagoas e em Per-
nambuco.
E' uma planta trepadeira, de folhas
opposta.s, unidas entre si,e luzidias.
O caule da planta quebradio.
As flores, em pequenos grupos, so
como trombetas, cr de rosa roxeada.
O fructo uma vagem.
Cip tfallo. Seguiera alliacea ^
Mart. Fam.. das Phyolacaceas. Tem as
mesmas propriedades do Ibirarema.
Cip amarra de ;^'i{fanfe. Do-
lichos odorifenis. Fain. das Legumino-
sas. Nas provncias de Pernambuco e
Alagoas tambm conhecido por Ca-
nella de Urih.
E' um arbusto trepador, mui frequente
nas bordas dos caminhos e das vrzeas.
E' um pouco elegante pelas suas flores
em cachos, de um roixo vivo, que torna
os campos de aspecto agradvel
Elle estende-se sobre os arbustos as-
cendentes, e relvas.
Suas folhas so ternadas ( seme-
lhana das do feijo).
As flores, em cachos , roixas, e com
suave cheiro.
O fructo uma vagem de 1 a 2 mil-
limetros de largura , com bordas le-
vantadas, gros poucos redondos, com-
pridos, e acinzentados.
Cip aauarra de ^Iqig. Argi-
pkila corymlosa. Fam. das Verhenaceas .
Arbusto silvestre, conhecido nas Ala-
goas por este nome ; em Pernambuco
tem o de Mofxmho de Capoeira.
Planta trepadeira de caule esbranqui-
ado, folhas ovaes, grossas, oppostas e
luzidias.
Flores midas, amarelladas, em ca-
chos.
O fructo redondo, de 1 millimetro,
amarello na maturidade, adherente ao
clice, internamente sseo, dividido em
quatro compartimentos, e em cada um
uma semente.
Este cip em perfeita maturidade
muito forte para amarrar.
Cip arco <l'Bfsipcsa oii ur-
pentba. Galphima officinalis. Fam.
das Maljnghiaceas . Este arbusto sil-
vestre, e conhecem-no por este nome mas
Alagoas.
Seu caule um pouco flexvel.
E' uma trepadeira de folhas oppostas,
lustrosas, ovaes e pequ.enas.
Flores em densos cachos, amarellas,
sem cheiro.
Fructo de 1 millimetro, redondo,, com
trs caroos dentro; come-se, e con-
siderado como bom.
Do caule d'esta planta fazem arco da^
urupemas, donde lhe vem o nome.
Cip branco d'areo. CoUeia
sarmeutO,a alba. Fam. das Rliamnaceas.
Arbustinho trepador, agreste e do
paiz; vegeta e tem este nome nas
Alagoas.
Seus ramos tem os espinhos oppo*-'-
tos.
As folhas so lanceoladas e oppos-
tas.
A casca esbranquiada.
As fli-es reunidas em pequenos gru-
pos e brancas.
Os fructos no se desenvolvem na
maior parte.
Ci|'^ EcraEseo Ee cerea. CoUetia
sarmentosa Mea.Fam. das Rhamnaceas.
Esta espcie semelhantssima pre-
cedente ; difl'ere d'ella pelo caule pardo-
castanho, e pelas flores amarellas.
Cip branco de Pc'5*>aBbfico.
Coccoloba litioralis. Fam. das Poly-
gonaceas. agreste e indjgena ; ve-
geta nas proximidades da beira-mar,
e recebe este nome em Pernambuco.
iO
CIP
CIP
uma trepadeira de folhas regula-
res, ovaes, chanfradas na base.
Flores grandes em cachos, como es-
pigas esbranquiadas, no regulares.
Os fructos so glbulos pequenos, que
encerram sementes.
Cip IIji*i4mco ile rcio. Bignonia
vulgoA'is. Fam. das Bignoneaceas. Ar-
busto do paiz, que se encontra em
qualquer parte do matto, conhecido por
este nome nas Alagoas e tambm em
Pernambuco .
trepador ; tem o caule um pouco
esbranquiado, com regos bem dis-
tinctos, que lhe do muito realce.
As folhas se cruzam, e so oppostas,
ovaes e luzidias.
As flores, como cornetas, com as
bordas recortadas, so roxas, claras ou
rosadas.
O fructo uma vagem de 2 '/> de-
cimetros, larga, com sementes dispostas
symetricamente e aladas.
Do caule fazem-se chibatas e at
bengalas.
Tem .0 uso dos cips.
CyiJ> Sc cRUoelo. Telracera vo-
luhilis, Linn. Fam. das Dilleniaceas.
Planta conhecida por este nome no
Rio de Janeiro e em Minas Geraes.
uma trepadeira.
Propried.vdes medicas. Suas folhas
so purgativas, tomadas em infuzo ;
e resolutivas, empregadas em banhos.
Caracteres da famlia. Arvores ou
arbustos todos exticos, sarmentosos,
tendo folhas alternas, rarssimas vezes
oppostas, sem estipulas, muitas vezes
abarcantes na base.
Flores solitrias ou em cachos, algu-
mas vezes oppostas s folhas.
O clice gamosepalo, persistente,
de cinco divises profundas, e imbri-
cadas lateralmente.
A coroUa ordinariamente de cinco
ptalas.
Os estames, numerosissimos, dispos-
tos em varias ordens, so livres, algu-
mas vezes unilateraes ou disposto.s em
diversos feixes.
As carpellas variam de duas a doze,
geralmente distinctas ; so s vezes
soldadas em vima s.
O ovrio unilocular, contendo dois
ou vrios vulos anatropos, unidos
parte inferior do angulo interno, e
erectos.
Os estyletes so simplices, e termi-
nados cada um em um estigma igual-
mente simples.
Os fructos so distinctos e soldados,
carnosos ou seccos, e indehiscentes.
As sementes, muitssimas vezes acom-
panhadas de um arilho carnoso e cu-
puliforme, tem um tegumento crust-
ceo, cobrindo um endosperma carnoso,
no qual est um embryo pequenino,
erecto, homotropo, collocado na base.
Cig Be ealoelo fa^s^Dis* ou
le regs, . eaiocfSo. Bignonia
prolixa. Far. das Bignoniaccas . Esta
espcie mui anloga Bignonia allia-
cea., differindo apenas mui jouco na
forma das folhas; porem tem as laminas
salpicadas nos dois lados.
Tem os mesmos uzos.
Cg!* CiaEaaiclIsa cSc Jaensi. SaUi-
cia coriimhosa Fam . das Hij^iwcrati-
ceas. Arbusto silvestre, que nas Alagoas
tem este nome.
E trepador ; seu caule avermelhado
e spero.
As folhas so oppostas, speras, es-
curas e ovaes .
As flores, em cachos mui grandes, so
esverdinhadas, sem cheiro.
O fructo mnimo, trigono, e com se-
mentes.
Este cip muito frgil, e porisso
no fazem uzo delle.
Cigi Se Casoeira. Fam. das
Bignoniaccas. Este cip assim co-
nhecido nas Alagoas.
Tem a propriedade de enrolar-se so-
bre as outras plantas de sua classe.
Seu caule cylindrico, e tem gavinhas.
Os peciolos das folhas se cruzam, e
CIP
CIP
ISl
em cada extremidade tem duas folhas,
cada xima sobre um peciolo prprio.
As folhas so lustrosas e carnosas.
As flores roixas, brilhantes, em fei-
xes, t em forma de corneta.
D um fructo como vagem, tendo se-
mentes membranosas, com azas.
Este Cip quebradio.
Cip'^ te csiPkio.Davilla nigoza,
Roiz. Dav. BrasiliMia^ D. C. Fam.
das Dilleniaceas. EstB. planta, que
indgena, tem tambm o nome de Cip
de Caboclo, e em S. Paulo, Minas Ge-
raes e Rio de Janeiro o de Samhaihi-
nlia.
E' um Cip, cujos ramos so guar-
necidos de pellos speros.
Folhas grandes, oblongas, serreadas
superiormente, lisas e speras, com pel-
los pelo meio.
Flores em cachos.
O fructo capsular.
Propriedades medicas. As folhas
so empregadas nas orchites blennor-
rhagicas, ou devidas a outra qualquer
causa.
Applica-se em fomentaas e fumi-
gaes.
" Elle purgativo na dose de 2 grara-
mas da raiz em p.
C|y> te esAvil . Fam. das Ros-
ceas. Sob este nome, e sob o de
cip de SamhaiUnlia, designam-se em
varias provncias do Brasil dois cips
sarmentosos, um dos quaes o Da-
villa rujosa de Pairei, ou Davilla bra-
siliana de DecandoUe, outra o Da-
villa elliptica d'Aug: Saint Hilaire.
Propriedades medicas. Estas duas
plantas se tornam notveis pelo seu
sabor adstringente muito pronunciado ;
ellas so por consequncia, tnicas,
muito usadas em fomentaes e em
lavagens nas ulceras atonicas.
Cip.J Qi\vi\z\r9. Edites suherosa.
Far. das Apocynaceas. Planta tre-
padeira, quasi sempre de flores gran-
des e brilhantes, tendo por fructo uma
ou duas capsulas, cujas sementes esto
envolvidas em pellos macios.
Propriedades medicas. E' hemosta-
tico til nas hemoptyses, e sobretudo
nas hemorrhagias uterinas.
Cip catiiig le Paea. Eleag-
mis Mspermum. Fam. das EUagineas.
Arbusto silvestre, trepador, de folhas
oppostas, oblongas, luzentes, sem re-
cortes.
As flores so em feixes, nas axillas
das folhas.
O fructo, no bem observado, pe-
queno; parece ter duas cavidades in-
ternas, com uma ou duas sementes.
Caracteres da famlia. Arvores ou
arbustos de folhas alternas, ou oppos-
tas, sem estipulas e inteiras.
Suas flores so dioicas ou hermaphro-
ditas ; as masculinas algumas vezes
dispostas em forma de casulos.
O clice gamosepalo, tubuloso ;
seu limbo inteiro, ou de duas ou
quatro divises.
Os estames, em numero de trs a
oito, so introrsos, quasi sesseis so-
bre a separao interna do clice.
Nas flores fmeas, o tubo do clice
cobre immediatamente o ovrio, mas
sem a elle adherir.
A entrada do tubo as vezes em
parte tapada por um disco diversa-
mente lobulado.
O ovrio livre, unilocular, contendo
um s ovulo ascendente, pedicellado e
anatropo.
O estylete curto.
O estigma simples e allongado.
O fructo um akenio crustceo,
coberto pelo clice, que se torna car-
noso.
A semente contem, em um endos-
perma delgadssimo, um embryo que
tem a mesma direco que esta.
Cii C44tsa|i;a rtc Porco. Fam.
idem. Este vegetal indgena assim
chamado nas Alagoas, mas pouco co-
nhecido.
159
CIP
CIP
xim arbusto que forma touceiras, de
caule flexvel.
As folhas, so grandes, oblongas, ver-
de-escuras.
As flores, brancas, miudinhas, seme-
lhana de pequenos botes
O fructo pequeno, e com duas pon-
tas no pice ; achatado de um lado,
branco, e com uma semente.
Cifi clBiimlio. Cuscuta ameri-
cana. Linn. Cuscuta umhellata., Knnt
Fam. das Cotivolvulaceas . Herva do
Brasil descripta por Linno, e at en-
to desconhecida.
Mais tarde outros naturalistas acha-
ram outras espcies : Ctisciita oorata^
Raiz e Pavon: Cusc. corymhosa., etc.
Todas so oriundas do Brasil.
uma planta que vive a custa de ou-
tra.
Seus caules finos e volveis ganham
qualquer vegetal visinho, separam-se da
raiz e ficam vivendo custa d'aquelle
de que se apoderaram.
Compe-se de vergonteas lisas, finas,
esverdinhadas ou amarellas, sem fo-
lhas, com feixes de flores pequenas e
arredondadas, brancas ou trigueiras.
O fructo uma pequena capsula.
Propriedades medicas. Esta planta
parasita applicada secca e pu,lverisada
sobre as feridas para abreviar a cica-
trisao, o sueco appreciado como
anti-catarrhal e anti-hemoptoico; tam-
bm se d em gargarejos nas anginas.
Ci|> te co!>a'. V. Caapea.
Cip; leeo?>*a. V. de N. Senhora.
Cip corrells*. WFlor de Veado.
Cp: eciap ?a*iBco. Paulli-
nia curiirif,^ Linn. Fam. das Sapindaceas.
Arbustinho trepador, de caule esverdi-
nhado, conhecido nas Alagoas e em
Pernambuco por tal nome.
As folhas so em palmas.
As flores, em cachos, peqn^nas e
brancas.
Elle tem prolongamentos, com que se
agarra s outras plantas.
O fructo uma capsula obconica, sub-
trigona, vermelha rubra, com trs val-
vas, que se abrem e deixam apparecer
trs sementes ovaes, metade cobertas de
um corpo branco e fofo.
Algumas pessoas comem este fructo.
Cip erieap vermelho. Paul-
linia pinnata., Linn Fam. idem. Este
cip, conhecido nas Alagoas e em
Pernambuco.
E' um cip como o precedente.
Encontra-se em qualquer capoeira
perto das cidades.
As folhas so em cachos, brancas e
midas.
Tem a mesma organisao do pre-
cedente.
Serve para amarrar cercas.
Cip eria. Chiococca anffuicida,
Mart. Fam. das Rubiaceas. Esta planta
oriunda de S. Paulo, trepadeira e
tem as mesmas propriedades da Raiz
preta .
Propriedades medicas. Macsram-se
dois pugillos em uma msdida de aguar-
dente, adoa-se, e d-se uma chicara
trs vezes por dia, nos envenenamentos
por mordeduras de cobras.
Cipt cie etiaittanai. Eupliorhia
pTOSfliorea., Mart. Fam. das Enpliorlia-
ceas. Este interessante arbusto vegeta
na Bahia.
E' mui espinhoso, e por isso serve
para cercas.
Seus ramos entrelaados no deixam
penetrar animaes nas plantaes.
Cortando-se um galho exsuda um
sueco branco, que na obscuridade reluz
como fogo ; sacodindo-se com elle faz
rastilho luminoso. Este sueco sobre a
pelle causa grande prurido.
A picada dos espinhos produz botes
vesiculosos na pelle dos animaas.
Propriedades medicas. Seu-, ramos
novos so applicalo^ nas ulceras e
ca'"bunculos.
CIP
CIp
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Cip fururii. EcUtes^ Mart.
Fam. das Apocynaceas. Esta planta
do Par.
Differe da de Pernambuco, que de
outra famlia.
Uns a chamam Curuap^ mas o de
Pernambuco Cruap.
Propriedades medicas. excellente
aperitivo, usado nas obstruces das
vsceras abdominaes.
O sueco leitoso empregado topica-
mente sobre os tumores.
Cigi eiu. Smilax papyracea^ Roiz.
Fam. das Smilaceas. Esta planta
congnere da Salsaparrillia., e tem as
mesmas virtudes d'ella.
CipT tSe es-atla. Cattlotref.iis ma-
crostacliyus., Raddi. Baiimia radiata.
Vell. Fam. das. Leguminosas. Esta
planta trepadeira, possue propriedades
adstringentes e mucilnginosas.
Ha outra espcie, Bauliinici microsta-
cliyiis., Raddi, e Bauliinia tomentosa., Vell.
do Rio de Janeiro.
Ci| cSe g:ota. Cissiis pidcTierrima,
Vell. Fatn. das mpelideas. Tambm
esta planta trepadeira, e cresce no
Rio de Janeiro.
E' anti-rheumatica.
Cip jKiiyp. Bi(jno7iia guyra.^
Ried. Fam. das Bujnoniaceas. Esta
planta quasi como as Carohas., etc.
D'ella porm frequentemente appli-
cada a raiz como purgativa.
Cip aeica. Cacalia qxiadri([.ora.,
Vell. Fam. das Compostas. Herva mais
011 menos do aspecto do 3IetUrusto.
Vegeta no Rio de Janeiro, onde re-
cebe este nome.
E' aromtica.
Cip<; de BBii. Philodeidron Imh,
Mart. Fam. das Aroideas.
Propriedades medica. As folhas
frescas so empregadas nas ulceras; a
decoco do caule e das folhas ap-
plicada no rheumatismo c nfi orchite,
em banhos.
Da raiz se tiram fios teciveis,
Cip de inipigreiu. Stadinania
depressa. Fam. das Sapindaceas.
Arbusto silvestre, que por este nome
conhecido nas Alagoas.
Tem o caule flexvel, que se enlaa
sobre os outros vegetaes.
Suas folhas so ovaes oblongas.
As flores em cachos, brancas trigueiras.
O fructo obconico, cor de barro,
em forma de pio, de consistncia cr-
nea ; o pericapo tem um caroo pardo
centro, envolto em uma substancia es-
pessa e branca.
Propriedades medicas. Este fru-
cto empregado na cura de impigens ;
para isto pisam-n'a e a applicam sobre
a parte doente ; tambm empregam a
decoco nos mesmos casos.
Cip de fabot-.i. E^ a Fava de
Santo Ignacio do Par e da BaMa.
Cip japicfig:a de eerea.
Fam. das Sapindaceas. E um arbusto
indgena e trepador, com filetes que
se agarram s plantas prximas.
As folhas so lustrosas, semelhana
de palmas recortadas.
As flores brancas, em cachos.
Os fructos vermelhos na. maturidade,
abrem-se e deixam apparecer uma fse-
semente envolta em substancia branca,
mas que despida d'esse envoltrio,
verde.
Cip de jtiBita. D uma fructa
que faz ngulos de um e outro lado,
como contas de rosrio.
Cip tie iiiaiBBibtk. Esta planta
rastei-a ; vegeta nas praias.
Tem as mesmas propriedades da Ca-
rola.
Cip ManaeB ASves. Axantes
fasciciilata. Fam. das Rtihiaceas. Esta
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CIP
CIP
planta indgena; do-llie este nome
nas Alagoas.
\\m arbustinlio trepador, de caule
delgado, com as summidades revesti-
das de pellos.
Folhas ovaes, oppostas, esbranquia-
das na parte inferior e macias.
Flores nas axillas das folhas, que
so como estrellas brancas, com seus
pequenos tubos.
O fructo uma baga cnica, pe-
quena e coberta, de pellos macios e
brancos.
Cig ES&o le Sa^i*. Cissus co-
ralinus. Fam. das Ampehaceas.
Planta trepadeira que tem este nome
nas Alagoas.
Ella elegante e prpria para jar-
dim.
Seu caule herbceo e molle.
Suas folhas so como palmas, lu-
zentes .
As flores, reunidas em forma de pal-
mas, inseridas de um s lado, de cr
rubra brilhante.
Todos os rgos da fructificao do-
Ihe vim bello realce.
Os fructos so bagas redondas, roixas
com um ou dois caroos no centro;
assemelham-se uvas .
Caracteres da famlia. Sub-arbus-
tos ou arbustos enroscantes, sarmen-
tosos, e munidos de gavinhas oppostas
s folhas.
Estas so alternas, pecioladas, sim-
ples ou digitadas, munidas na base
de duas estipulas.
As flores so dispostas em cachos,
oppostos s folhas.
O clice curtssimo, muitas vezes in-
teiro, qunsi plano.
A corolla de cinco ptalas valvula-
res, algumas vezes coherentes entre si
pela parte superior, e erguendo-se to-
das imidas em forma de coma.
Os estames, em numero de cinco,
so direitos, livres e oj)postos s p-
talas .
O ovrio applicado sobre um disco
hypogynico, annular e lobulado no con-
torno ; elle ofterece constantemente duas
lojas, contendo cada uma dois vulos
erectos e anatropos.
O estylete, que 6 espesso e curts-
simo, termina em um estigma apenas
bilobulado.
O fructo uma baga globulosa, en-
cerrando d'uma a quatro sementes ere-
ctas, tendo seu episperma espesso, o .
endosperma crneo, mais ou menos pro-
fundamente sulcado, e contendo na sua
base um embryosinho erecto e ortho-
tropo.
Esta pequena familia composta dos
gneros Vitex, Cissus, Ampelojisis e Lea,
muito distincta por suas folhas mu-
nidas d'estipulas, pelas gavinhas oppos-
tas s folhas, pelos estames oppostos
s ptalas, e pela estructura do fructo
e da semente.
A opposio dos estames s ptalas
um dos seus caracteres mais salientes.
No gnero Zeca estes estames so
monadelphos, e entre cada um d'elles
se acha um appendice representando
um estame abortado. Ha pois nas Ait-
2)eUdaceas dez estames, cinco dos quaes
normaes ; isto , os que so alternos
com as ptalas, abortam, sendo so-
mente representados pelo disco, etc,
subsistem apenas os que so oppostos s
ptalas.
Ci|p&