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Full text of "Diccionario de botanica brasileira; ou, Compendio dos vegetaes do Brasil, tanto indigenas como acclimados;"

'"^-,. 



DICOIO]SrA.RIO 



DE 



iaiam iM^aiii. 



DICCIONARIO 



BOTNICA BMSILEmA 

ou 

COMPENDIO 

DOS VEGETAES DO BRASIL, TANTO INDGENAS COMO ACCLIMADOS 

REVISTA POR UMA COMMISSO DA SOCIEDADE VELLOSIANA, E APPROVADA PELA FACULDADE 

DE MEDICINA DA CORTE. 



CONTENDO : 

uma descripo scientifica de cada fanailia a que pertencem, 

e outra vulgar ao alcance de qualquer intelligencia, seu emprego e 

differentes denominaes nas diversas provincias do Imprio, 

as propriedades medicas e venenosas, 

sua utilidade nas artes, industrias, economia domestica 

e na veterinria 

COORDENADO E REDIGIDO 

em grande parte sobre os manuscriptos do Dr. Arruda Camar 

POR 



de odlmud 



lodamni m ^meiaa (o/tnfo 

Pharmaceutico pela Escola especial de Pharmacia de Paris. 

e mandado imprimir por seu irmo 

O BACHAREL ZEFERINO D'ALMEIDA PINTO. 



RIO DE JANEIRO. 

Typographia Pekseveuanoa. rua do Hospcio u. 91. 
1873. 



LIBRARY 
NEW YORK 
^OTANICAL 

GARDEN 



/M t- 



DIAS PALAVRAS AO LEITOR. 



3>iO*- 



Tomando o encargo de mandar imprimir o Diccionario de Botnica. 
Brasileira, que em manuscripto deixou o seu compendiador, tivemos em vista, 
alm da considerao de ser elle um irmo que muito prezvamos, prestar ao 
paiz um pequeno mas importante servio, tornando conhecida uma parte dos 
trabalhos do fallecido Dr. Arruda Camar. 

sabido o quanto esse illustre finado escreveu sobre diversos ramos 
da sciencia natural, assim como qual o destino que teve a maior parte de 
seus escriptos. Aquella, porm, que tinha relao com a botnica foi, talvez 
que reservada pela Providencia, longos annos depois de sua morte, objecto de 
uma transaco efectuada por um de seus herdeiros; e d'alii que vem o 
Diccionario de Botnica Brasileira. 

Empregando os maiores esforos para sua impresso, lutando com mui- 
tas e srias diRculdades, que constantemente surgiam por espao de mais de 
um anno, -nos summamente agradvel o dever de declararmos que encon- 
tramos apoio tanto da parte do Governo Imperial, como de vrios cidados, 
e mais ainda d'essa congregao, respeitvel pelas illustraes que contm, 
conhecida n'esta cidade com a denominao de Sociedade Vellosiana. 

D'ella obtivemos o auxilio mais importante que podamos esperar. A 
i'eviso d'esse trabalho, que einbora procedente de outro de incontestvel m- 
rito, soffrendo alterao na f(5rma e no fundo por mos que no eram de 
mestre, tornava-se uma necessidade indeclinvel, como foi desde logo reco- 
nhecida. 

O desempenho de to rdua, como enfadonha tarefa, com a dedicao 
e desinteresse>que s o amor sciencia podia inspirar, encontramos na So- 
ciedade Vellosiana. Uma commisso de cinco membros, que a nosso pedido 

A 



VI 



ella nomeioii, tomou a si esse encargo que desempenhou com promptido 
tanto mais louvvel, quanto c certo, que vrios e importantes trabalhos pe- 
savam sobre cada um de seus membros, sendo para notar-se que dous, 
d'entre elles, levaram a sua dedicao ainda alm da nossa espeetativa, 
porquanto obsequiosamente acceitaram a incumbncia de rever as provas, e 
corrigir os erros tjpographicos. 

Os Srs. Drs. Agostinho Jos de Souza Lima e Joaquim Monteiro Ca- 
minho, este lente da cadeira de botnica da Escola de Medicina d'esta 
corte, e aquelle lente oppositor da mesma escola, prestaram sciencia, a cujo 
estudo se dedicaram, com as suas luzes e vastos conhecimentos, um servio 
valiosssimo. 

Publicando em seguida o attestado que passou a commisso da Socie- 
dade Vellosiana, e as cartas que aquelles illustrados lentes da nossa escola de 
medicina nos dirigiram, pedimos-lhes para que acceitem os votos sinceros da 
nossa profunda gratido. 



Liai travamos estas linhas, quando um novo e imprevisto incidente 
veio ainda, e por ultimo, augmentar a serie das difficuldades com que lutamos. 

Para a commisso que tem de representar o paiz na prxima exposio 
internacional de Vienna d' ustria, foi nomeado o Dr. Joaquim Monteiro Ca- 
minlio, que, partindo no vapor de 27 do mez passado, no poude por isso 
concluir a colleco dos erros typographicos. 

No estado adiantado da impresso, no nos permittindo circumstancias 
de ordens diversas, o addiamento, por semelhanta motivo, de sua concluso, 
tomamos a deliberao de encerral-a com as corrigendas que se notam no fim, 
pedindo ao leitor intelligente a necessria desculpa. 

Rio de Janeiro, 2 de Abril de 1873. 



%^mo d' (yhndda kPinm. 



DECLARAC] DA COliiSSlO DA SOCIEDADE lELLCSlAfA. 



-o-o>^00- 



Ns, abaixo assignados, meoibros da commisso encarrega- 
da pela Sociedade Yellosiana de corrigir o maniiscriplo intitula- 
do Diccionaro de Botnica Brasileira, compendiado pelo pharmaceu- 
tico Almeida Pinto, declaramos que se acha quasi terminada a 
tarefa que nos foi commettida, e qae muito no sero de extra- 
nhar as imperfeies de que se houver por ventura de resentir, 
ao saliir do prelo a obra do Sr. Almeida Pinto, visto ser esta a 
sua primeira edico. 

Sala etc, 23 de Novembro de 1872. 



Ladislau Neto. 
Dr. J. J. Pizarro. 
Dr. a. J de Souza Lima. 
Dr. J. M. Caminho. 
Dr. Rasiiz Galvo. 



CARTA DO SR. M. J. M. 



ooi^oo- 



Illm. Sr. Dr. Pinto. Sendo de ha muito reclamado um diccio- 
nario de plantas brasileiras, que ao mesmo tempo servisse para os 
estudantes consultarem, e para esclarecer principalmente os botnicos 
sobre a infinidade de nomes communs ou vulgares dos vegetaes do 
paiz, coube no Brasil, n'estes ltimos tempos, ao incansvel e distin- 
cto Dr. Nicolo Moreira a g-loria de comear essa patritica tareia. 

Seu Diccionario das plantas medicinaes brasileiras ^que, como 
elle faz ver, apenas um ensaio, ou melhor a publicao de seus 
apontamentos particulures, tem prestado valiosssimos servios ; e ainda 
mais til seria, se elle tivesse podido por si prprio verificar tudo, 
e expurg-al-o de faltas alheias sua vontade. 

O Dr. Peckolt emprehendeu um bello trabalho sobre as plantas 
alimentares brasileiras , que ser de grande valor quando terminado. 

O Diccionario de plantas brasileiras^ (que tambm se occupa das 
estrangeiras cultivadas entre ns), e que acaba de ser publicado 
por V. S., , sem duvida, uma obra digna de encmios; porque n'ella 
se acham principalmente os trabalhos, que eram julgados perdidos, 
do Dr. Arruda Camar, nome venerado pelos poucos botnicos bra- 
sileiros que temos. 

Alm d'isso v-se quanto tempo e trabalhos custou ao seu auctor, 
para colleccionar t3,o grande numero de nomes e propriedades de ve- 
getaes teis, principalmente das provncias septentrionaes do Imprio, 
alm dos citados por Arruda Camar. 



Como Q SLicceder nas primeiras edies, esta no poude ser 
completamente purificada de erros, que entretanto, podero ser cor- 
rectos pouco a pouco. 

Muitos nomes scientificos que dera aquelle illustre pernambuca- 
no no so conhecidos pelos clssicos, e, portanto, no esto acceitos; 
o que devido falta de publicidade. 

Alg-uns eng-anos ha tambm acerca de nomes vulgares e outros, 
porm que no tiram o mrito da obra. 

Bera avisado andou V. S. quando recorreu Sociedade Vellosia- 
na, oriente das sciencias naturaes no Brasil, afim de nomear uma 
commisso revisora para este trabalho, porque, elle merece muitissi- 
mo do publico. 

Para que se podesse conseg'uir mais do que isso, era mister que 
aquella commisso fosse, com tempo bastante, percorrer as diversas 
provincias. 

Apraza Deus que, como V. S., outros mais procurem archivar 
os poucos e esparsos trabalhos de nossos sbios, que no existem 
mais. 

Seja-me licito aqui render um culto de admirao e respeito em 
nome da Botnica brasileira memoria do venerando naturalista 
Dr. Custodio Alves Serro, que acaba de fallecer, e quem teria 
V. S. certamente de ouvir a sentena d'este diccionario, com aquella 
singeleza, verdade, independncia e profundeza que eram o apanag"io 
d'aquelle vulto, que morreu quasi esquecido em sua pobre cabana 
na Gvea. 

Espe)'o fazer publicar o que for encontrado, e me for confiado, 
das produces filhas dos estudos seus. Continue V. S. pesquizar, 
e poderemos talvez encontrar mais trabalhos do Dr. Arruda Camar; 
com o que, V. S. eng-randece tambm a nossa ptria. 

A g-randeza de um paiz no consiste perante a moderna civili- 
zao na extensa rea de que formado, nem nos milhes de homens 
que a povoam ; porm no numero de seus sbios nos diFerentes ramos 
de conhecimentos humanos. 

Rio de Janeiro, 26 de Maro de 1873. 



f. (sil. ^aminko. 



CAUTA BC SL BR. MLk LISiA. 



-oOj=S:Jo-o- 



lilm. Sr. cheio do maior prazer que tenho occasio de feli' 
citar-lhe em publico, pelo louvvel empenho, com que V. S., affrontando 
tantas difficuldades, conseg-uio realizar a publicao do Diccionario 
DE Botnica Brasileira ; obra confeccionada pelo finado pharmaceutico 
Joaquim de Almeida Pinto, de Pernambuco, com o auxilio dos impor- 
tantes manuscriptos do illustre phytolog-ista brasileiro Dr. Arruda 
Camar, cujos trabalhos at agora inditos, e por assim dizer igno- 
rados ou esquecidos, so uma verdadeira preciosidade, julg-ada per- 
dida para a sciencia. A parte notvel que tem os escriptos d'aquelle 
venerando naturalista n'este Diccionario. constitue o seu maior titulo 
de merecimento, e pelo qual mais se recommenda a sua leitura a 
todos quantos prezam e cultivam o estudo de botnica. 

A utilidade e importncia pois d'esta obra, no pde ser posta 
em duvida, nem precisa ser demonstrada, bastando para isso dizer-se 
que ella n'este g-enero o livro mais completo que ora possuimo s 
apezar de alg-umas ligeiras faltas e lacunas, que ainda ahi se no^ 
tam, mas que podero ser correctas e preenchidas em edies ulte- 
riores. 

Os esforos por V. S. empregados para levar a efeito a impresso 
d'esta obra esto acima de todo o elogio, e o tornam credor da 
estima publica. 

Acceite portanto V. S. os parabns de quem se assigna, 

Seu attento venerador e amigo. 



Rio de Janeiro, 31 de Marco de 1873. 



MUI HERICA 



l>^i^la^ ii ^EMIWIili 



o. D. C. 



SiMtw ^ SUwtieiia ^intio. 



AOS MEUS COMPROVINGIANOS. 



O desejo, que sempre tive, e j por mais de unaa vez tenho manifestado, 
de tornar-me til nossa sempre esforada e bella provincia, me impellio 
a emprahender o diflicil e espinhoso trabalho, que hoje tenho a honra d 
offerecer-vos. 

Aproveitando a ideia e algum material deixado pelo nosso finado com- 
provinciano o muito illustrado Dr. Arruda Gamara, organizei o presente 
DICCIONARIO DE BOTNICA BRASILEIRA - que vos dedico; esperando a coadjuvao, com 
que seiTCipre soubestes animar aquelles que se aadigam pelo engrandecimento 
da ptria coinvum. 



|on(iuim bc %\mth\ |1into; 



INTRODUCO. 



Dando luz o presente Diccionario de Botnica Brasileira, 
temos por fim vulgarisar quanto for possvel o conhecimento das 
plantas medicinaes indgenas e acclimadas no Brasil , despertar o 
amor pelas cousas ptrias, e commemorar o nome de um dos per- 
nambucanos que mais trabalharam n'esse sentido o illustre finado 
Dr. Arruda Camar. 

A vegetao no Brasil das mais admirveis. Nos campos, 
nas montanhas, nas mais elevadas serras, nos areies das prprias 
costas, nas ilhas, por entre rochedos alcantilados, por toda a parte 
emfim ostenta-se ella vigorosa e em quasi constante primavera. 

A Flora Brasileira talvez a mais rica do mundo pela abun- 
dncia e variedade de espcies muito importantes , das quaes mais 
de doze mil j sao conhecidas. 

Para a construco naval e civil acham-se nas mattas do Brasil 
as melhores madeiras ; para a marceneria as mais finas e bellas que 
conhece a industria. 

Para a construco naval temos : Peroba , Genipapo , Oiticica , 
Cicopira-ass, Po d'arco, Maaranduba, Cedro, Louro de cheiro, Po- 
ferro, Jaqueira, etc, etc. 

Para a construco civil ; Guararba, Gerimum, Genipapinlio, 
Oiticica, Po-carga, Po-pombo, etc. 

Para a marceneria : Vinhatico, Po-setim, Jacarand, Gonalo 
Alves, Condur, etc. 

Para a tinturaria: Po-Brasil, Tatajuba, Campeche, Po terras 
grandes, Po terras pequenos, Anil, Uruc, etc. 



XVIII 

Quanto aos fios e fibras, que substituam o linho, .levemos ao 
distincto Dr. Arruda Camar uma memoria, em que mostrou que, com 
as folhas dos Ananazeiros manso e bravo, Coroat, Aning-a, Carra- 
picho, com as Palmeiras e com a estopa extrahida da Embira, assim 
como com outras plantas, se podia perfeitamente substituir o linho. 

Alm d'isto nascem expontaneamente nas nossas mattas, e em 
grande abundncia, arvores que distillam precioso leite, por meio de 
incises feitas nos troncos ou hastes; por exemplo: as seringnieiras, 
de que se tira a borracha, as mang-abeiras, a maarandubeira, de 
que se extrahe a g-utta-percha : arvore prodig"iosa, que viria a ser 
uma das principaes riquezas d'este Imprio, se o g-overno a mandasse 
desde j cultivar em nossos vastos terrenos. 

A Carnaba a arvore maravilhosa ! A arvore para tudo ! Pode 
o homem somente com ella fazer a sua habitao, mobilial a, illu- 
minal-a ; extrahir delia assucar, lcool e sal ; com ella ainda 
alimentar seu gado e creaes midas. Nenhuma outra producao 
vegetal foi dotada pela natureza de tantas e to apreciveis qua- 
lidades ! A Carnab . tem j hoje mais de quarenta usos e appli" 
caes diSferentes, e pode dizer-se que ainda no se acha explorada 
e applicada a tudo o que possivel prestar-se. ils Myristicas que pro- 
duzem sebo vegetal ; o caco, a baunilha e outros muitos vegeaes, cujos 
productos so de reconhecida e vasta utilidade para os usos da vida, 
formam objecto de extenso e importante commercio. 

O Brasil possua uma immensa e variada riqueza de plantas 
medicinaes nas paragens mais remotas dos seus sertes. No se em- 
pregam geralmente contra os effeitos das dentadas dos reptis seno 
veg-etaes indgenas. 

D' entre os mais estimados e de que o povo faz uso frequente, 
em numerosas applicaes, apontaremos os seguintes : Batata, (gomma e 
resina), Caferana, Carba, Fedegoso, Guaran, Ipecacuanha branca e 
preta, Jurubeba, Mata-pasto, Mulung, Paracary, Salsaparrilha, Vel- 
lame e diversas qualidades de Quina. Os mais preciosos blsamos, 
uma grande variedade de plantas resinosas, oleosas e leitosas, como 
o Angico, Andirba, Copahiba, etc. 

Ha tambm nas mattas virgens, nas capoeiras, nos campos e 
nas costas abundncia de arvores e plantas, que do variados e sa- 
borosos fructos. 

Mas para que tamanhos e to numerosos thesouros sejam conve- 
nientemente conhecidos e aproveitados, seno arrancados a uma pr- 
xima e inevitvel destruio, convm quanto antes que se providencie 
a respeito do aniquilamento das mattas, onde se consomem tantos ve- 



XIX 

g-etaes destinados sem duvida a uma profcua applicao na industria 
futura do paiz, assim como no menos urgente attender desde j 
creaao de escolas agricolas, nas principaes provincias, devendo 
n'essas escolas ensinar-se a agricultura theorica e pratica, afim de 
que os agricultores percam a pssima rotina, a que esto acostu- 
mados, e que se habilitem a tirar maiores vantag-ens d'esta to rica 
e prodigiosa vegetao. 

E' necessrio todo o cuidado na conservao das mattas do 
Po Brasil, e estender a sua plantao a uma grande escala. 

E' mister repetirem-se constantemente os plantios; escolherem-se 
sementes de algodo, de canna, ch, caf e quina, e de muitas outras 
arvores, como se praticava nos tempos em que ramos colonos, e de 
que ainda hoje to bons resultados colhemos. Facilmente se faria hoje 
este servio por meio dos navios de guerra, que nas suas viagens 
de instruco podiam trazer excellentes mudas de sementes ; pois 
o nosso solo abraa qualquer planta extica. 

Na compilao d'esta obra tivemos de consultar as dos Srs. 
Martins, St. Hilaire, Dr. Moreira, Chernoviz, Dr. Ladislo Netto e outros. 

Terminando esta breve e incorrecta introduco, declaramos, 
para evitar duvidas, que todo o nosso trabalho consiste simplesmente 
na ampliao e, em muitos pontos, correco da obra indita, deixada 
pelo finado e illusfcre Dr. Arruda Camar, na qual trabalhamos ha 
bastantes annos. 

A obra do Dr. Arruda Camar precisava de uma melhor re- 
daco, os seus artigos eram incompletos, deficientes, obscuros e sem 
ordem. D'ahi sahio o presente Diccionario ; e julgue-se por elle da 
difi!culdade e esforos da nossa empreza. 

No vai esta obra illustrada com maior numero de desenhos, 
representando mais algumas arvores e arbustos, em razo das diffi- 
culdades que encontramos para photographal-os, sendo devidos os 
originaes das poucas estampas, que illustram o Diccionario de 
Botnica Brasileira, ao talento e actividade do nosso distincto pho- 
tographo o Illm. Sr. Joo Ferreira Villela, bem como ao Illm. Sr. Joa- 
quim Francisco Bastos, que graciosamenta se presto l a dar-nos um 
grande numero de cpias, habilmente desenhadas a lpis. 

A ambos damos publico testemunho de nossa gratido. 



DA 



BOT^NIOi^ BRA.SILEIE^. 



ABA 



ABA 



AlweacSjii $aBaaas'<5SI<>, Bromclia 
Anans Z., Ananassa sativa^ Lind. Var. 
fyramidalis urea ^ Dony. Fam. das Bro- 
Meliaccas. Esta variedade de ahacaclii 
tem o frueto pyramidal e de cr ama- 
rella; eneontram-se matizes vermellios. 
A parte carnosa do frueto no to boa, 
e o eixo central tem mais resistncia. 

AJaeae3tti Sriaaco. Var. pyrami- 
alis alba, 3IiU. Fam. idem. A p- 
tria do ahacachi , sem duvida, a mesma 
do Anauaz., isto , as regies quentes do 
globo, como a sia, Africa e America 
Meredional. Em todo o Brasil conhe- 
cido debaixo do mesmo nome. 

uma planta herbcea, de cultura de- 
licada e de forma particular; folhas 



serriadas, mucronadas, radicass, lanceo- 
ladas e coriaceas. Do centro delias brota 
uma haste, e apresenta uma reunio de 
flores, agg-regadas em verticillio, de or-: 
gos bem desenvolvidos e cores purpu- 
rinas e bellas, e cuja associao d nas- 
cimento ao frueto, o qual varia de 2 a 
3 Vi decimetros de extenso. 

O ahacacJn de uma frma pyramidal, 
coroado de um ramalhete de folhas, o 
qual a haste, que o sustinha no estado 
de lr; sua cr varia de branco, roxo, es- 
vcrdinhado, amarello, amarcUado e ver- 
melho. A sua superfcie tuberculosa, 
acompanhando symetricamente umas es- 
camas palheosas, signaes das flores pre- 
tritas ; o frueto forma uma baga carnosa, 
de substancia branca, macia e aquosa, 

3 



ABA 



ABA 



de Riilor doce acidulado, muitissiino 
agradvel, de aroma activo c delicioso: 
cortada a casca, deixa ver umas ves- 
culas, i^ue so 03 fragmentos dos rgos 
floraes. 

Esta planta semelhante ao ananaz, 
da qual variedade, ditferc na forma do 
fructo e no sabor, que melhor; quanto 
ao mais ha pouca diterenca. Depois de 
descascado o abacachi, parte-se ein ro- 
dellas, e ha (|uem lhe ajunte vinho. 

Segundo o botnico Richard, o aa- 
cachi a melhor fructa conhecida. 

Depois da provncia do Amazonas, Per- 
nambuco a que mais a cultiva, espe- 
cialmente na cidade de Goyanna, o pri- 
meiro lugar que a adquirio, pelos esforos 
do nosso fallecido naturalista Dr. Arruda 
Camar. 

Na Europa cultivam quatro variedades 
d'esta fructa. 

Caracteres da famlia. As brome- 
liaceas so plantas das regies quentes 
do globo, cujas folhas, muitas vezes reu- 
nidas na base do caule, alongadas, es- 
treitas, espessas, inteiriadas, dentiadas 
e espinhosas nas margens, fazem lem- 
brar at certo ponto as Liliaceas. 

As flores formam espigas escamosas, 
cachos ramosos, que terminam em glo- 
bos juntos, em cujos cachos ellas se 
acham as vezes de tal sorte juntas, que 
acabam por adherir umas s outras. 

O seu clice tubuloso, adherente ao 
ovrio, repartido em cima em seis di- 
vises dispostas em duas ordens, trs 
das quaes interiores so maiores e em 
forma de ptalas. 

O ovrio tem trs lojas , provido 
de um estylete e de um estigma de trs 
divises agudas. 

O fructo geralmente uma baga tri- 
locular, coroado pelos lobos do clice. 

A planta mais til d'esta familia o 
Ananaz^ cujas bagas unidas formam um 
syncarpo, ovoide-agudo , elegantemente 
imbricado na superfcie, cheio de uma 
substancia carnosa acidula , aromtica 
e doce , que o colloca no numero dos 
fruetos de mesa mais estimados. 



Aliaeachi roxo. Yar. 'pyramida' 
lis violada macrocariia, Doinj. Fairis 
idem. A fructa mais volumosa, tem 
s vezes 4 Vi decimetros de comprimento, 
cercada de muitos gamos ('olhos) ; o 
eixo central to tenro quanto a parte 
carnosa da fructa. 

Aliacaclii Ic tingir. Bilhergia 
tinctoria, Marl. Fam. idem. uma 
planta da ordem dos caroats, que for- 
nece uma tinta amarella, empregada na 
tinturaria. 

Altaeacli vePBiscllto. Yar. py- 
ramidalis rubra., Dony. Fam. idem. 
Esta outra variedade cujos fruetos tem- 
se modificado. Todos elles so comes- 
tveis, sendo o branco o mais estimado 
pela sua doura e delicadeza da polpa. 
Come- se em talhadas no estado natural 
com assucar ou com vinho , fazendo-se 
tambm d'elle um doce de muito apreo. 

Com o sueco faz-se uma limonada agra- 
dvel , e que pela fermentao produz 
um vinho fortificante e agradabilssimo. 

As folhas fornecem fios txteis que no 
commercio europeu matria de algum 
consummo; entre ns j foi ensaiada essa 
industria pelo fallecido naturalista Dr. 
Arruda Camar. 

Abacate. Laiinis fersea^ Linn. 
Persea gratissif/ia., Gaertner. Fam. das 
Laiirineas. Planta cultivada de ha muito 
no Par, Maranho, e hoje em varias pro- 
vncias do Imprio. Alguns escriptores 
do-n'a como oriunda da America Me- 
ridional ; sua ptria porm, a Prsia. 

um arbusto de mediana altura, ra- 
moso, casca parda, folhas oblongas, al- 
ternas, luzidias, e um tanto estreitas, 
de cr verde pallida ; suas flores nascem 
em feixes nas axilhas das folhas : so 
amarelladas e quasi sem cheiro ; o fructo 
abacate de 1 a Yy^ decimetro de compri- 
mento mais ou menos, de figura py- 
riforme, e de cr verde amarellada, na 
maturidade. 

O tegumento externo membranoso; 
tnue e luzente ; a massa um pouco 
espessa, macia, aquosa, esverdinhada, 



ABA 



ABA 



3 



de pouco sabor. Tem uma semente grande 
no centro e coberto por uma membrana 
parda, contendo uma amndoa carnosa e 
compacta. 

A massa, desfeita com assucar, ad- 
quire um excellente sabor, e o mesmo 
succede quando se lhe ajunta limo , 
vinho ou sal. O lenho branco e molle. 
A casca pode dar fios prprios para a 
cordoaria. 

Propriedades medicas. Pode ser em- 
pregada com vantagem contra a dj^sen- 
teria em clvsteres : ;4 de um caroo 
sufficiente para dois pequenos clysteres. 

A amndoa diz-se ter propriedades 
aphrodisiacas tomada na dose de 4 grani- 
mos trs vezes por dia : no prudente 
porm usar-se d'estes meios, que so 
prejudiciaes em virtude da grande quan- 
tidade de tanino que contm. 

Caracteres da famlia. Esta fam- 
lia, posto que pouco avultada, uma 
das mais interessantes por causa do 
grande numero de productos aromticos 
que fornece pharmacia, economia do- 
mestica e s artes. 

Ella comprehende arvores ou arbustos, 
de folhas alternas, algumas vezes appa- 
rentemente oppostas, de ordinrio espes- 
sas, firmes, persistentes, aromticas e 
pontuadas; estipulas nullas; flores her- 
maphroditas, monoicas, pertencentes a 
dicia, ou polygamas ; periantho cali- 
cinal gamosepalo de quatro ou seis divi- 
ses imbricadas; disco carnoso unido 
no fundo doperianthio; persistente, aug- 
mentando muitas vezes com o fructo ; 
estamesperigynicos, inseridos em varias 
ordens na margem do disco, em numero 
qudruplo, triplo, duplo ou igual as di- 
vises do envoltrio; os filetes so livres, 
os interiores providos na base de duas 
glndulas pedicelladas, que so estames 
rudimentares; as antheras so unidas, 
de duas a quatro lojas que se abrem 
debaixo para cima por meio de vlvulas ; 
ovrio livre, formado de trs foliolos 
soldados, unilocular, no contendo mais 
que um ovulo pendente. 

O fructo uma baga monospermica 



acompanhada na base pela parte interna 
do perianthio que persiste. 

A semente invertida, coberta por um 
perisperma, de liilo transversal, de raphe 
dirigindo-se obliquamente para o tubr- 
culo situado na extremidade opposta. 
Ella encerra um embryo sem peris- 
perma, orthotropo ; composto de duas 
grandes cotyledones carnosas e oleosas ; 
a radicula muito curta, retrahida, e 
sobreposta ao germe. 

A familia das Laurineas comprehende 
hoje mais de quarenta gneros, a maior 
parte dos quaes foi primitivamente com- 
prehendidas no gnero laiirus: taes so, 
por exemplo , os gneros Sassafras , 
Ocotea^ Nectandra, Persea^ Cimiamoraum^ 
Camjora. 

A!$a:erck. V. Giiager. 

Alfarento-teitio. Mimosa cochlia- 
carfus, Goiies. Fam. das Leguminosas. 
Esta arvore vegeta no Rio de Janeiro, 
oriunda do paiz ; seu porte semelhante 
ao de um Ingazeiro., suas propriedades 
anlogas as do Barhatimo. A dose de 8 
grammas para 450 grammas d'agua fer- 
vendo. 

Caracteres da famlia. Familia 
muito natural, na qual esto reunidas 
plantas herbceas , arbustos e arvores 
muitas vezes de dimenses collossaes. 

Suas folhas so alternas, compostas, 
algumas vezes compostas, e n'este caso 
raras vezes os foliolos se mostram, e s 
fica o peciolo que se dilata, e forma uma 
espcie de folha simples. Na base de 
cada uma d'ellas, existem duas estipulas 
muitas vezes persistentes. 

As flores ofterecem uma inflorescencia 
muito variada : geralmente so herma- 
phroditas. 

O seu clice muitas vezes um pouco 
tubuloso, de cinco dentes desiguaes, ou- 
tras vezes de cinco divises mais ou me- 
nos profundas e desiguaes. Mo exterior 
do clice encontra-se uma ou mais brac- 
teas^ou as vezes um invlucro em forma 
de clice. 

A corolla, que algumas vezes falta, com- 



ABI 



ABO 



pe-se de cinco ptalas, {roralmcntc dos- 
igfuaes, das quaes uma superior, maior, 
que involve as outras e que se denomiua 
estandarte, duas lateraes, cliamadas azas, 
e duas inferiores, mais ou menos solda- 
das, formando a caroui; outras vezes 
a coroUa formada de cinco ptalas 
iguaes. 

Os estamos so p^eralmente em numero 
de dez, algumas vezes mais numerosos. 
As mais das vezes seus filetes so diadel- 
phos, raras vezes monadelplios ou inteira- 
mente livres, perigynicos ou hypog-inicos. 

O ovrio mais ou menos agudo na 
baze : em geral alongado inequilatero, 
de uma s loja, contendo um ou mais 
vulos unidos na sutura interna. 

O estylete um pouco lateral, muitas 
vezes recurvado, terminado por um es- 
tigma simples. 

O fructo vagem ou legume. 

As sementes so geralmente desprovi- 
das d'endo3perma. 

Aliil J-SiaaajASay. V. Jataliy. 

Alie^iSi. Licor oleoso que, segundo 
Pison, exsuda de uma Cecropia, perten- 
cente tribu das Artocarpeas , (fructa de 
po.) Goza da propriedade de apressar a 
cicatrisao das feridas. 

A<!}io, p3aa'ysop3iiy53iaaii. Caimi- 
to, Linn. Acras Caind^Ruiz. Fam. das 
Sapoaceas. Arbusto do paiz, das Anti- 
lhas e de Cayena, onde recebe este nome; 
o fructo de G centmetros de compri- 
mento; de ordinrio arredondado, oblon- 
go, amarello e ponteagudo ; a casca fina, 
dura e viscosa, contem uma massa vis- 
cosa e branca, e caroos arredondados, 
que so escuros e lisos; come-se a fructa 
que de gosto agradvel. Os Abios cul- 
tivados so melhores o maiores do que 
os silvestres. Segundo Mart. Lncuna, 
Caimilo Lahatia reticulala. 

Os fructos dizem ser empregados nas 
afeces pulmonares. 

Caracteres da famlia. Clice in- 
ferior, no adherente ao ovrio, dividido 
superiormente em quatro, cinco ou oito 



lobos imbricados, persistentes; algumas 
vezes acompanhado de escamas excerio- 
res; corolla hypoginica, gamopetala regu- 
lar, dividida em tantos li3bos quantos 
tem o clice. 

Estames de filamentos desiguaes, in- 
clusos no tubo da corolla, umas vezes 
em numero duplo dos lobos frteis ; ou- 
tras vezes em numero igual e oppostos 
aos lobos, porm separados por linguetas 
alternas que representam outros tantos 
filetes de estames estreis. 

O ovrio supero com varias lojas, 
contendo cada um a um ovulo fixo na 
parte superior ou inferior do angulo 
central. 

As sementes so cobertas de um tegu- 
mento quasi sseo, excepto no hylo ou 
umbigo que inferior ou lateral; as vezes 
muito grandes. 

O perisperma carnoso ou oleoso, al- 
gumas vezes nullo. As Sapotaceas so 
arvores ou arbustos de sueco lcteo, cujas 
folhas so alternas, inteiras, coriaceas, 
penninerviadas, curtamente pecioladas, 
privadas de estipulas. 

Existem e so cultivadas muitas d'ellas 
nos paizes intertropicaes, quer pela ma- 
deira, que em geral muito dura, quer 
pelos fructos succulentos, que so muito 
estimados, ou pelas sementes oleosas, ou 
pelo sueco lcteo, que fornece uma es- 
pcie de borracha. 

A1Ojoa'a I'sas-ia4. Lagenaria. 
Fam. das Cucurhitaceas . Planta origi- 
naria da Azia, cultivada em todo o Brasil, 
herbcea e o fructo varia em compri- 
mento de K a 1 metro. 

uma planta de caule regoado, pellos 
hispidos, folhas quasi redondas, paten- 
tes, de um verde claro , cobertas de pellos 
speros ; flores de', pednculos longos, 
sem cheiro, corolla campanulada, com 
cinco lobos ; monoicas ou dioicas ; o 
fructo de er verde, ainda quando ma- 
duro. Seu tegumento externo crus- 
tceo, mas no rigido; tem internamente 
uma massa branca, aquosa, inspida e 
frouxa, deixando um espao no centro 
do fructo, o qual occupado por muitas 
sementes mais ou menos brancas. 



ABO 



ABO 



Este fnicto usado para doce e para 
cozinhar-?e com a carne, como verdura. 

Quanto s suas propriedades medici- 
naes, refrigerante e antiphlogistica : 
applica-se em talhadas a polpa sobre a 
parte inflammada. 

Caracteres da famlia. Grandes 
plantas herbceas, muitas vezes volveis, 
cobertas de pellos curtos e muito speros. 

Suas folhas so alternas, pecioladas, 
com divises mais ou menos em forma de 
lobos. Suas estipulas que so simplices 
ou ramosas, nascem ao lado dos peciolos. 

As flores so em geral uni-sexuaes e 
monoicas ; mui raramente hermaphrodi- 
tas. 

O clice gamosepalo : as flores fmeas 
of'erecem um tubo globuloso adherente 
ao ovrio infero. Sua extremidade, mais 
ou menos campanulada e de cinco lobos, 
c confundida e intimamente soldada com 
a corolla, e d'ella s se distingue no 
pice dos lobos. 

A corolla formada de cinco ptalas 
reunidas entre si no meio da extremi- 
dade calicinal, representando assim uma 
corolla gamopetala. 

Os estamos, em numero de cinco, teem 
seus filetes monadelphos ou reunidos em 
trs feixes, dous formados cada um de 
dous estames, e o terceiro de um s. 

As antheras so uniloculares, lineares, 
atravessadas em forma de zn collocado 
horisontalmente , cujos ramos fossem 
muito approximados. Nas flores fmeas, 
a extremidade do ovrio, que supero 
acha-se coroado por um disco epigynico. 

O estylete espesso, curto , terminado 
por trs estigmas espessos e muitas ve- 
zes bilobados : este ovrio de uma s 
loja nos dous gneros ^cyo e Gronovia; 
contm um s ovulo pendente ; mas em 
geral oierece trs trophospermas parie- 
taes, triangulares, muito densos, con- 
tguos uns aos outros por seus lados ; 
preenchendo assim toda a cavidade do 
ovrio, e dando inverso aos vulos no 
seu ponto de origem sobre as membranas 
do ovrio. 

O fructo carnoso e umbilicado no pice, 
uma peponide (abbora). 



As sementes no fructo maduro pare- 
cem espalhadas no meio de um tecido 
cellular filamentoso ou carnoso. 

O tegumento prprio assas denso e 
cobre iramediatamente um grande em- 
bryo homotropo desprovido de end es- 
perma. 

As propriedades dafamilia das Cucur- 
hetaceas so alimentares e purgativas. 

Altobora amarella. V. Gerim. 

A$tofioi'a carEieira. V. Cabao 
amargoso. 

Ab oliora eliil a . Variedade da aho- 
hora Mciiina. 



Aisobora Gerni. 



V. Gerim. 



Abbora do ntato. Nome com 
que geralmente so conhecidas muitas 
Cucurbitaceas, bem como Taiuya, Guar- 
dio, etc. 

Abbora do wxsktn . Trianosi^er- 
ma fcifolia^ Mari. Fam. das Cucurbi- 
taceas. A raiz um poderoso drstico 
empregado nas hydropesias e derrama- 
mentos. 

D-se em p na dose de 6 decigrammos 
a 1 % gramma e em cozimento na de 4 
grammas d' agua. 

Sendo a raiz fresca, duplica-se a dose. 

Abbora do mato de Goyaz. 

Racemosa, Mamo. Fam. idem. Esta 
planta, pequena e rasteira, tem as pro- 
priedades purgativas da Trianosperma. 
Synon Trianosperraa glandulosa (Mart.) e 
Bryonia glandulosa (Poepig.) 

Abbora do inato Se UliMas. 

Wilbrandia drstica, Mart. Fam. idem. 
Esta espcie tambm goza das mesmas 
propriedades. 

Abbora ntenicia. Cucurbita 
pefo, Linn. Cucurbita mxima, Duch. 
o mesmo Gerim ; mas uma variedade 
monstruosa. Tem os mesmos usos, porm 
mais insipida. 



G 



ABR 



ABR 



Abobor iii08:Maij|^M. Variedade 
da abbora menina. 

Abbora porqueira. outra 
variedade nas mesmas condies. 

Aboboreira. Segundo Persotme 
Cucurita 2)otiro ^ Cucurh. maxiraa^ Ducli. 
As folhas frescas, pisadas e applicadas 
sobre as queimaduras so um excellente 
remdio. 

As flores do um sueco vantajoso nas 
otites (inflammao de ouvido) , sobre- 
tudo das crianas ; o fructo comes- 
tvel, quer cozido com a carne , quer 
em doce. 

As sementes de algumas espcies, prin- 
cipalmente do Gerim , torradas, so an- 
thelminticas, e feitas em emulso so 
Titeis na ischuria (retenso de urinas). 

Abrie. Armeniaca vulgaris, La- 
marTi . Prunus armeniaca^ Linn . Fam . 
das Rosceas. Planta natural da Ar- 
mnia; arvore mdia, de flores brancas, 
os fructos so carnosos indeliiscentes de 
9 a 12 centmetros de dimetro, redondos, 
amarellos, comestveis quando maduros, 
aromticos, mas no de agradvel cheiro; 
o epicarpo pouco espesso, um tanto 
pelludo e com um sulco lateral ; a massa 
um tanto secca e amarella, envolve uma 
noz. 

Cultiva-se esta planta nas provncias 
do Sul do Imprio. 

Caracteres da famlia. Grande fa- 
mlia composta de vegetaes herbceos, 
de arbustos, ou arvores, attingindo gran- 
des dimenses. 

Suas folhas so alternas, simplices ou 
compostas, acompanhadas na baze de 
duas estipulas persistentes, algumas ve- 
zes soldadas com o peciolo. 

As flores offerecem dife rentes modos 
de inflorescencia; compem-se de um 
clice gamosepalo, de quatro ou cinco di- 
vises, algumas vezes acompanhado ex- 
teriormente de uma espcie de invlucro 
ou caliculo, que faz corpo com o clice, 
de modo que este parece ter oito ou dez 
lobos . 



A coroUa, que algumas vezes falta, 
composta de quatro ou cinco ptalas re- 
gularmente dispostas. 

Os estames em geral so em grande 
numero e distinctos. 

O pistillo apresenta varias modiflca- 
es ; umas vezes formado de uma ou 
de mais carpellas inteiramente livres e 
distinctos, collocadas num clice tubu- 
loso ; outras vezes essas carpellas esto 
reunidas pelo lado exterior com o clice; 
ora esto assim soldadas, no s com o 
clice, mas entre si; ora esto reunidas 
n'uma espcie de capitulo dentro de um 
receptculo ou gynophoro. Cada iima 
d'essas carpellas unilocular e contem 
um, dous ou maior numero de vulos, 
cuja posio muito varivel. 

O estylete sempre mais ou menos la- 
teral, e o estigma simples. 

O fructo extremamente polymorpho : 
umas vezes uma verdadeira noz; ou- 
tras vezes um pomo ; ora constitudo 
por um ou mais akenos, ora por uma ou 
mais capsulas dehiscentes, ora formando 
um capitulo sobre um gynophoro que 
torna-se carnudo. 

As sementes teem seu embryo homo- 
tropo, desprovido de endosperma. 

Abrie do Par. Mammea ame- 
ricana, Linn. Fam. das QuUiferas. Ar- 
vore natural do Amazonas, das Antilhas 
e do Mxico. 

uma arvore de folhas oppostas e 
grandes, com os peciolos vermelhos e 
nervuras transversaes ; suas flores so 
solitrias ou oppostas 2 a 2; so um 
tanto grandes, e as ptalas tm muitas 
nervuras principalmente no centro ; o 
fructo carnoso e drupaceo interna- 
mente, com quatro sementes : come-se 
e ha trs espcies d'este gnero. 

O sueco leitoso do caule e do fructo, 
misturado com agua e sal, til nas 
picadas de insectos e nas ulceras. 

O fructo bem maduro agradvel, e 
a amndoa anthelmintica. 

Caracteres da famlia. Esta fa- 
mlia compe-se de arvores ou arbustos, 
algumas vezes parasitas, e cheios de 



ACA 



ACA 



suecos prprios, amarellos e resinosos. 

Suas folhas, oppostas, so coriaceas e 
persistentes. 

Suas flores dispostas em cachos axi- 
lares, ou em paniculos terminaes, so 
hermaphroditas ou unisexuaes e poly- 



gamicas. 

Seu clice persistente, formado de 
duas a seis sepalas redondas, muitas ve- 
zes coloridas. 

A corolla composta de quatro a dez 
ptalas: os estames muito numerosos, 
raras vezes em numero definido, livres : 
o ovrio simples terminado por um es- 
tjlete curto, que falta algumas vezes e 
que traz um estigma discoide e raiado ou 
de vrios lobos. 

O fructo ora capsular, ora carnoso 
ou drupaceo, abrindo-se algumas vezes 
em vlvulas , cujas extremidades, ge- 
ralmente reintrantes, se fixam em uma 
placenta nica, ou em varias placentas 
espessas. 

As sementes compe-se de um embryo 
homotropo sem endosperma. 

Absutliio. Y. Losna. 

Aliiitiia. V. Butim. 

Aeajaiba. V. Cajueiro. 

Acaju-ciea. aresina do Cajueiro, 
empregada no Norte pelos encadernado- 
res, como excel lente preservativo contra 
os insectos. 

Propriedades medicas. Emprega-se 
contra a hemoptysis e mais afeces que 
reclamam substancias gommosas e leve- 
mente adstringentes. 

Acajiirania. Fam. das Legumi- 
nosas. E' uma planta do Par, por este 
nome conhecida. 

A casca amarga e de cheiro nau- 
seante. 

Acap. Andira Auhlciii. uma 
arvore sylvestre do Par, cujo lenho 
negro mas algumas vezes com veios 
brancos ; essa madeira muito dura ; 



comparam-na em rigidez ao Po-ferro , 
tanto na marcineria como na construc- 
o; empregada em vigas para casas e 
em outros misteres. 

Applicaes jiedicinaes. A casca 
adstringente, segundo informaes que 
temos. 

Acai*i^o1>a . Hydrocohjle umlellata., 
Linn. Hydr. honariensis ., Lamark. 
Fam. das Omhelli feras . O sueco desta 
planta quando fresco em dose forte 
emtico , e em pequena aperitivo e 
diurtico. 

O seu cheiro agradvel e o sabor um 
tanto acre : a raiz um poderoso desobs- 
truente das vsceras abdominaes ; a agua 
destillada d'esta planta empregada 
contra as sardas. 

Aeataya. V. Herxa de Mcho. 

Acay ou CJ!. Spondias venu- 
losas, Mar. Fam. das Terebinhaceas . 
A casca de seus ramos novos empre- 
gada contra as ulceras da garganta, e 
contra as diarrhas e blenorrhas ure- 
traes e palpebraes. 

Os caroos pisados, na dose de 4 gram- 
mas para 400 grammas de agua, em cozi- 
mento, so teis leucorrha. 

A|'aiVo. Crocus., saicus, Linn. 
Fam. das Iredaceas. Esta planta natu- 
ral das ndias Orientaes e do Meio-dia da 
Europa. Arbusto de quasi um metro de 
altura, folhas roixeadas e compridas; a 
flor e seus tegumentos so amarellos, 
purpurinos, e avermelhados. Quando 
secca tem grande consummo na Europa 
para a tinturaria ; desprende de seus r- 
fos uma tinta amarella e um leo vo- 
latil. Pode cultivar-se no Brasil, 

Na arte culinria e nas confeitarias 
costuma-se empregar o aafro para dar 
uma cor agradvel a muitas iguarias e 
confeies. 

Propriedades medicas. O aafro 
empregado com muito proveito nas 
epilepsias e ainda como emmenogogo e 



8 



ACA 



ACA 



anti-spasmodico. A rniz bom diurtico 
e diprestivo. Em dse forte ]>rodu7, em- 
briaguez, somnolcncia c dclirio. D-so 
em infuso na dsc de uma prramma para 
450 rramrnas d'ap-ua, e em p de uma a 
duas crrauimas; em tintura de uma a 
quatro fyrammas e cm xarope de 15 a ;10 
frrammas. 

Caracteres da famlia . Vetretacs 
herbceos de bulbo carnoso , providos 
de folhas alternas, planas, eusiformes, 
muitas vezes disticas ; flores envoltas em 
espathas; periantliio tubuloso de seis di- 
vises profundas , dispostas em duas 
ordens ; tros estamos livres ou monadel- 



soluvel tanto n'a,rua como no lcool ; 
mas solvel nos alcalis donde o precipi- 
tam os atidos. 

A semente oleosa e violentamente 
purf^ativa, convindo notar-se que no 
exerce esta aco sobre os papa^raios, e 
esta a razo porque lhe chamam gro 
d( papagaio. Sua ptria o Oriente e 
Meio-dia da luiropa. 



vege- 



Caracteres da famlia . Os 
taes comprehendidos n'esta familia apre- 
sentam mui grandes relaes com as 
Labiadas. Assim, o caule e os ramos, 
quando so herbceos, so geralmente 
quadrangulares ; suas folhas oppostas. 



phos; oppostos s divises externas do I algumas vezes verticilladas, raras vezes 



perianthio e ligados na base ; ovrio in- 
fero com trs lojas multiovuladas; stylete 
simijles terminado por trs estigmas em 
forma de cornetas chatas, de margens 
franjadas, tomando muitas vezes uma 
apparencia petaloide ; fructo capsular de 
trs lojas, com trs vlvulas septiferas. 

Melasantlms tiuctorms. Fam. das Ver- 
lenaceas. Arbusto de tronco esbranqui- 
ado, ramoso e quadrangular nas partes 
superiores ; folhas oppostas, pequenas, 
ovaes e speras ; flores brancas, laci- 
niadas nos bordos da corolla ; arom- 
ticas, 

O fructo uma capsula com duas se- 
mentes chatas. Seccam-se os tubos das 
corollas, e depois de reduzidos a p, 
serve este para dar a cr amarella aos 
guisados. 

Esta planta extica, e cultiva.se ha 
muito no Brasil. 

.Sobre esta aafroeira havia-se crido 
entre ns que fosse o Carthamus tinctorius^ 
que o aafro haHardo do Egypto, mas 
nem ha semelhana nos caracteres da 
nossa planta com o gnero Carthamus, 
que pertence familia das Compostas, 
nem na fcies da planta. 

O Aafro ho.stardo planta herbcea; 
a flor tem com efteito o tubo da corolla 
avermelhado ou alaranjado. Dous prin- 
cpios immediatos compe esta cr, o 
amarello solvel n'agua , e o vermelho 



alternas, umas vezes simples e inteiras 
ou talhadas, outras vezes compostas. 

Suas flores so completas, muitas vezes 
irregulares; o clice tubuloso, persis- 
tente, de divises iguaes ou desiguaes; 
a corolla inserida no receptculo tu- 
buloso, de extremidade quadri ou quin- 
quefida, as mais das vezes bilabiada. 

Os estames acham-se inseridos no tu- 
bo da corolla, as mais das vezes em nu- 
mero de quatro didynamos. 

Ovrio livre contendo ordinariamente 
quatro vulos, em uma, duas ou trs lo- 
jas; estylete nico terminado por um 
estigma simples ou bifido , obliquo ou 
unilateral de duas lojas uni-ovuladas. 

O fructo uma baga coberta de polpa 
succulenta, contendo um caroo de duas 
ou quatro lojas muitas vezes monos- 
permas . 

A semente compe-se, alm do tegu- 
mento prprio, de um endosperma muito 
delicado que encobre um em^bryo recto 
de radicula infera. 

AeafiVofira ela \^\^\Jt. Curama 
longa, L7in. Fam. das Amomaceas. 
Planta da ndia, de raiz bolbosa, esse 
bolbo grande, oblongo palmado, de cr 
alaranjado no interior; folhas longas, 
flores brancas com mesclas amarelladas. 

Caracteres da famlia. As Amo- 
maceas so plantas vivazes, de um as- 



ACO 



ACO 



9 



pecto inteiramente particular, que as 
approxima um pouco das Orchidaceas : a 
raiz muitas vezes tuberosa e carnosa ; 
as folhas simples so terminadas na sua 
base por uma bainlia inteira ou fendida, 
algumas vezes munida de ligula. 

As flores raramente solitrias , so 
acompanhadas de bracteas bastante lar- 
gas, e formam em geral espigas espessas 
ou paniculas. 

O clice duplo ; o exterior, algumas 
vezes tubuloso e mais curto, de trs 
divises iguaes; o interior tem seu limbo 
duplo, as trs divises externas so em 
geral iguaes; das trs internas, uma 
maior e dissemelhante e forma uma es- 
pcie de labello ; as duas lateraes so 
mais pequenas, e muitas vezes quasi 
abortadas. 

Ha um s estame, cujo filete muitas 
vezes dilatado e como ptaloide. A an- 
thera de duas lojas, algumas vezes 
separadas e distinctas ; o ovrio de trs 
lojas polvspermicas, o estylete simples 
terminado por um estigma concavo e em 
forma de taa. 

Na base do estylete acha-se um tubr- 
culo bilobado, que pode ser considerado 
como formado de dois estames abortados. 

O fructo uma capsula de trs lojas, 
abrindo-se em trs vlvulas, cada uma 
das quaes traz uma diviso no meio da 
face interna. 

As sementes algumas vezes acompa- 
nhadas de um arillo, se compem de 
um embrvo cylindrico situado em um 
endosperina farinceo, e tendo a radicula 
voltada para o hilo. 

A*5B*3'oem dst lecris iti ibIb- 
geesift. V. Uriic. E por aquelle nome 
conhecida na Bahia. 

Apite. V. Ca Tigu. 

Aoisi ettvalloa. Lv.hea grandi- 
flora^ Mart. e Zucc. Fam. das Tiliaceas. 
Arvore agreste. conhecida em Minas 
Geraes e noRio de Janeiro por este nome, 
tem grande altura, follias um tanto gran- 
des, obovaes e claras: flores grandes, 
brancas ou rosadas. 



O fructo lenhoso, redondo, oblongo, 
compartido em cinco lojas, com sementes 
aladas. 

A madeira d'esta arvore empregada 
no Rio de Janeiro para fazer coronhas 
de espingardas e palmilha para calado. 
Florece em Fevereiro. 

Propriedades medicas. empregada 
em frices contra os tumores arthriticos, 
e em clysteres combate a diarrha. 

Caracteres da famlia. So arvores 
ou arbustos, um pequeno numero, plan- 
tas herbceas. Tem folhas alternas, sim- 
ples , acompanhadas na base de duas 
estipulas frngeis. 

As flores so axiliares, pedunculadas, 
solitrias, ou diversamente grupadas. 

O clice formado de quatro a cinco 
sepalas, approximadas, de preflorescen- 
cia valvular; a corolla tem igual nume- 
ro de ptalas, que faltam raramente, e 
so muitas vezes glandulosas em sua 
base. 

Os estames so em grande numero, 
soltos e com antheras biloculares. Acha- 
se muitas vezes em frente de cada ptala 
uma glndula pedicellada. 

O ovrio apresenta de duas a dez lojas, 
contendo cada uma diversos vulos li- 
gados por duas ordens seu angulo 
interno. 

O estylete simples, terminado por 
um estigma lobuloso. 

O fructo uma capsula de varias lo- 
jas, contendo diversas sementes, e al- 
gumas vezes indehiscente, ou um ncleo 
carnoso monospermico por aborto. 

As sementes contm um embryo ver- 
tical, ou algum tanto curvo em um en- 
dosperme carnoso. 

Ai ftvallos. Luheo. panicu- 
laU. Mart. c Zucc Fam. Idem. Arvore 
silvestre de Minas-Geraes e das margens 
do Rio de S. Francisco. de mediana al- 
tura , com a folhagem aloirada, folhas 
ovaes; as flores em cachos, menores que 
as da precedente, so de cr rosada, ou 
branca. 

A casca d'esta espcie empregada 

4 



IO 



AGR 



AGR 



nos sertes para cortir couros. Florcce 
em Fevereiro. 

Propkied.vdes medicas. adstrin- 
gente e emprejjado nas liemorrliagias cm 
banhos, injeces e em clysteres contra 
a dysenteria. 

A^'ola ea%'ilIos brancos. V. 

Ivatingi. 

Aucena. Amarjjllis princeps, Yel. 
Farn. das Amarillidaceas . umair 
graciosa, originaria do Brasil. 

Caracteres da famlia. Planta de 
raiz bulbifera ou fibrosa, de folhas radi- 
caes, de flores solitrias, as mais das 
vezes mui grandes ou dispostas em ser- 
tulas, ou nmbrellas simplices envolvidas 
antes da anthese em espalhas membra- 
nosas. 

O invlucro gamosepalo tubuloso, 
adherente pela base ao ovrio, com seis 
divises iguaes ou desiguaes. 

Os estames em numero de seis, tem os 
filetes soltos ou reunidos por meio de 
uma membrana. 

O ovrio de trs lojas ; o estylete 
simples, e o estigma de trs lbulos. 

O fructo uma capsula de trs lojas 
e de trs vlvulas septiferas ; algumas 
vezes uma baga que por aborto s con- 
tm de uma a trs sementes. Estas, que 
off'erecem com bastante frequncia um 
apndice carnoso ou caruncula cellulosa, 
contm em um endosperma carnoso um 
embryo cylindrico e homotropo. 

Agoniada. Plumeria lancifolia ^ 
Willd. Fam.das Afocynaceas . uma 
arvore importante das provncias do sul, 
muito usada, principalmente como em- 
menagogo e anti-febril. 



As;oiiteg;9ie|e. 



V. Araruta. 



Airio. Sisymbriur. Nasturtium, 
Linn. Ofjicinale^ Duch. Fam. das Cru- 
ciferas. Herva cultivada, natural da 
Europa, geralmente conhecida por tal 
nome no Brasil ; d em terrenos hmidos. 



V\ uma pequena e ihdicada planta, cujo 
caule se estende flor da terra, as folhas 
so serriadas, e na parte superior mais 
largas. Tem nas summidades floresinhas 
brancas, midas, que do em resultado 
umas pequenas siliquas; desprende na- 
turalmente suas sementes miudissimas 
de cr castanha. Usa-se em salada. 

Propriedades medicas. E' estimu- 
lante e aconselhado nas aff'eces scor- 
buticas e molstias de pelle em tisana, 
(8 grammas para 450 grammas d'agua, 
trs vezes ao dia) , e o xarope sobretudo 
usado pela medicina popular; nas afec- 
es do figado e pulmonares ehronicas, e 
ainda contra a prpria phtysica; na dose 
de quatro a seis colheres por dia. Contm 
notvel proporo de iodo. 

Caracteres da famlia. uma das 
mais naturaes do reino vegetal, composta 
de plantas herbceas ou algumas vezes 
subfructescentes, e que pela maior parte 
so oriundas da Europa. 

As folhas so alternas, simples ou 
mais ou menos profundamente cortadas. 

As flores dispostas em espigas ou ca- 
chos simplices ou paniculados. 

O clice formado de quatro sepalas 
frgeis, duas das quaes so algumas 
vezes concavas em sua base. 

A corolla se compe de quatro ptalas 
unguiculadas oppostas em cruz, d'onde 
lhe vem o nome de Cruciferas. 

Os estames em numero de seis so 
tetradynamos, isto , quatro maiores , 
approximados dois a dois, e dois mais 
curtos e oppostos. Na base dos estames 
existem duas ou quatro glndulas. 

O ovrio mais ou menos alongado, 
com duas lojas separadas por uma falsa 
diviso. Cada loja contm um ou diver- 
sos vulos unidos ao bordo da diviso 
membranosa, que no mais que um 
prolongamento dos dois trophospermas 
suturaes. 

O estylete curto ou quasi nulio, e 
parece uma continuao da separao; 
elle termina em um estigma bilobado. 

O fructo uma siliqua ou uma silicula 



AGR 



AGU 



11 



de forma varivel, indeliiscente, ou que 
se abre por duas vlvulas. 

As sementes esto pegadas em cada 
lado da separao. O embryo imme- 
diatamente coberto pelo te(?umento pr- 
prio, e mais ou menos curvo sobre si 
mesmo. 

Ag-rio tio P**p;. Spilantlies ole- 
racea, Linn. Fam. das Comi^ostas. Esta 
planta, indigena do Par, cultivada na 
Europa de ha muito, debaixo do nome de 
Agrio do Par ou do Brasil. Elle her- 
bceo de folhas oppostas, flores em pe- 
quenos captulos, amarellas e muito 
midas. 

Propriedades medicas. excitante, 
antiscorbutico, (infuso, 8 grammas para 
450 grammas d'ag-ua). No Par emprega- 
se como alimento, cozinhado e mesmo 
cr. (Fig. 1.) 

Caracteres da famlia. Plantas her- 
bceas, jpor excepo, arbreas; flores em 
captulos; receptculo plano ou cnico, 
ou mais ou menos espherico, sempre 
carnoso, guarnecido de diverso modo 
pela sua parte externa. 

Clice gamosepalo, adherente: o limbo 
do clice, chamado papus, umas vezes 
nu lio ou reduzido a um bordo marginal, 
outras vezes escarioso, dentiado ou loba- 
do, outras, e muito mais frequentemente, 
transformado em sedas ou pellos quer 
simples quer ramosos, ou plumosos, 
dispostos n'uma ou mais series. 

Corolla inserida na parte superior do 
tubo do clice, gamopetala, dividida em 
cinco e menos vezes em trs, quatro ou 
dois lbulos ; mas cada lbulo com duas 
nervuras quasi marginaes que parecem 
augmentar o numero das divises da 
corolla: cinco estames, raras vezes abor- 
tados nas flores femeninas; filetes alter- 
nando com os lobos da corolla, soldados 
com ella na base, ordinariamente livres 
entre si, articulados comtudo na parte 
superior por uma espcie de connectivo; 
antheras soldadas entre si fazendo uma 
espcie de tubo dentro do qual passa o 
estigma, ovrio com um s ovulo, es- 



tilete simples nas flores masculinas, di" 
vidido em dous lbulos ; nas flores fe- 
mininas e nas hermaphrod itas glndulas 
estigmaticas (verdadeiros estigmas) si- 
tuadas em duas series na parte superior 
dos lbulos dos estyletes; pellos collecto- 
res em vrios sentidos no alto do esty- 
lete das flores hermaphroditas. 

O fructo um akenio terminado pelo 
papus. 

A^iiai. uma arvore, da qual se 
acredita provir o blsamo chamado Ca- 
boreira, Caboreiba ou Cabureiciba. 

As:ua|i. Villarsia nympheoides . 
Fam. das Ni/mpheaceas. Herva que nada 
sobre as aguas; folhas redondas e o fructo 
capsular. 

As flores d'esta planta so brancas e 
aromticas. 

Os fructos so comestveis. 

Propriedades medicas. Os banhos 
feitos com o cosimento d'esta planta so 
anti-hemorrhoidaros. E' tambm ana- 
phrodisiaca. 

Caracteres da famlia. Hervas com 
folhas oppostas, inteiras e sem estipulas; 
corolla regular, ordinariamente com cin- 
co divises como o clice: preflorao im- 
bricada; estames cinco, alternos com as 
divises da corolla; ovrio livre, estilete 
inteiro ou fendido em dois; estigma sim- 
ples ou bilobado ; fructo capsular, unilo- 
cular, parecendo algumas vezes bilocular 
pela approximao dos bordos das vlvu- 
las que se dobram. 

Agruap. Nijmphea Nehimbo., Spl. 
Nelumhium speciosum., WiUd. Fam. 
das Nymieaceas . uma espcie aqu- 
tica, vegeta em Santa Cruz e nos pn- 
tanos de seus arrabaldes ; suas flores 
brancas, seu fructo uma noz. 

Propriedades medicas. As folhas sSo 
mui empregadas nas erysipelas e no 
chamado formigueiro. 

Caracteres da famlia. Grandes c 



IS 



AGU 



AHO 



bellas plantas que fluctuam superfcie 
(las afTuas, c cuja haste forma uma raiz 
rastpjanto subterrnea. 

As folhas alternas inteiras so cordi- 
formes ou orbiculares, sustentadas por 
mui compridos peciolos. 

As flores so muito crandes, solitrias 
e sustentadas por cojnpridissimos pe- 
dnculos cylindricos. 

O clice formado de um numero va- 
rivel, e alpuiias vezes frrandissimo de 
sepalas dispostas em varias ordens, de 
maneira a representar de algrum modo 
xim clice e uma corolla polypetalos. 

Os estames so numerosissimos, in- 
sertos em diversas ordens abaixo do 
ovrio, ou sobre a membrana externa, 
que se acha assim coberta pelos estames 
e pelas sepalas interiores, que no so 
provavelmente mais que estames trans- 
formados, o que prova a dilatao gra- 
dual dos filamentos, medida que se 
observam mais exteriormente. 

As antheras so introrsas e de duas 
lojas lineares. 

O ovrio livre e sessil, dividido in- 
teriormente em varias lojas por separa- 
es membranosas, sobre as pelliculas 
das quaes esto inseridos numerosos 
vulos pendentes. O pice do ovrio 
cercado de tantos estigmas radiados 
quantas lojas tem o ovrio. A reunio 
d'estes estigmas forma uma espcie de 
disco que circumda o ovrio. 

O fructo indehiscente e carnoso in- 
teriormente, com varias lojas polysper- 
micas. 

As sementes tem um tegumento espes- 
so algumas vezes desenvolvido em forma 
de retculo, contendo iim grosso endos- 
perma farinceo ; embryo irregular- 
mente globuloso ou napiforme, cuja ra- 
dicula est voltada para o hilo. 

As BB a,2tfts i 8B aaB a-ss . Tiaridium 
medicumi Pison. Hdcotropium indicumi 
Linn. Fam. das Borragitieas. Esta 
herva, do porte da Crista de gallo, na- 
tural da ndia e congnere do Fedegoso 
de Pernambuco. 

Propriedades medicas. E' um bom 



abstergente e modilicntivo das ulceras; 
tambm 6 applicada nas queimaduras. 

Ag:iiara|toiiila. V. Gervo ou 
Orffevo. 

\^uva f|iiia. Solaniim olerarcum, 
Diviial. Fam. das Solanacras. Tambm 
conhecida esta planta por Jeqiiirioba. 
Podemos confrontar, mais ou menos, 
esta planta com a Juniheha. 

Propriedades medicas. E' calmante, 
applicada sobre as feridas das pernas 
e as radias do bico do seio. 

Ai^ias^i <iiBiya-H'u, Solamim 
pterocauhim, Dun. Fam. Idem. Planta 
congnere da precedente. 

Propriedades medicas. E' emoliente, 
anodyna e diurtica, applicada em ca- 
taplasmas til nas retenes de uri- 
nas ; os fructos so teis contra as dores 
de dentes. 

A^siaiLma. V. Periparoha. 

Agr^Kllia do BsmSlo. CUtoria linea- 
ris. Fam. das Leguminosas. E' conhe- 
cida por este nome nas Alagoas, uma 
planta herbcea, trepadeira que alas- 
tra ; vegeta pelas capoeiras ; tem o caule 
cylindrico, delgado, as folhas em trinos, 
ovaes ; as flores brancas, com macula 
roixa, imitando uma borboleta ; d uma 
vagem estreita e recta, de cr escura, 
e que termina em ponta aguada 

At-ssig;ssc|i)0 li. Tlialla genicu- 
tata, Linn. Fam. dos Amomaceas. Esta 
planta do porte do Mer e outras de 
igual gnero. A raiz come-se assada. 

Propriedades medicas. Pisada em- 
prega-se em emplastro, como modifica- 
tiva das ulceras. 

Ai oia ai. C-rJ-m Ahouai, Linn. 
Fam. das Aporgnaceas.Av\ove do Brasil, 
de folhas leitosas, fructos redondos ou 
trigonos : as nozes d"esta planta servem 



AHO 



ALC 



13 



de ornar os cintures que os nossos in- 
dgenas trazem, e agitadas fazem gran- 
de ruido. 

Propriedades medicas. O sueco lei- 
toso d'esta planta um forte veneno, 
como tambm o de sua congnere Cer- 
iera Tkecetia [Linn.) Em dose pequena 
produz vmitos ; deitando-se no rio 
envenena os peixes. 

Caracteres da famlia. As Apocj- 
naceas apresentam um aspecto muito 
variado. So plantas herbceas, arbusti- 
vas ou arvores muito altas, e geral- 
mente leitosas. 

As follias so simples, oppostas, e 
inteiras ; as ires axilares ou termi- 
naes, solitrias ou diversamente reu- 
nidas. Em cada uma acha-se um clice 
gamosepalo, da cinco divises ; uma co- 
rolla gamopetala, regular, de uma forma 
muito variada, oferecendo s vezes cinco 
appendices petaloides , cncavos, que 
nascem da garganta da crolla, e se 
unem em parte com os estames. 

Estes, em numero de cinco, so ora 
livres, ora reunidos pelos filetes e pelas 
antheras, e formam uma espcie de tubo 
que cobre o pistillo e se pega muitas 
vezes no pice com o estigma. 

As antheras so de duas lojas e o 
pollen que encerram pulverulento 
n'aquellas cujos estames so livres, e 
de massas solidas n'aquellas em que os 
estames so unidos; cada massa poUinica 
terminada em sua extremidade, por uma 
glndula, que se liga com a da massa 
pollinica ao lado da qual est collocada. 

Dois ovrios livres, applicados sobre 
um disco hypogynico, presos pelo lado in- 
terno ou somente pelo cimo ; cada um 
oferece uma loja que contm um grande 
numero de vulos situados em sua su- 
tura interna. 

Os dois estyletes se soldam s vezes 
em um s, e terminam em um estigma 
mais ou menos descoide, outras vezes 
cylindrico e truncado. 

O fructo um foUiculo simples ou 
duplo ; raramente 6 carnoso e indes- 
hiscente. 



As sementes, unidas a um trophos- 
perma suturai, so nuas ou cercadas 
de um penacho sedoso; ellas contm em 
um endosperma carnoso ou crneo ura 
embryo recto. 

A|i9ii. V. 3Iachaxera. 

Ajuilsapla. V. Jahetaint. 

AI3:^a*a. Cauna ai/fficslifolia, Zvm. 
Fcon. dos Amomaceas. Planta que 
tem rhysoma ; seu caule se eleva a uns 
2 metros, as folhas largas, como as da 
bananeiras so amplexi-caides, flores em 
cachos grandes e bonitas; o fructo de 
trs gomos, eriado de pontas speras; 
sementes pretas esphericas. 

As folhas so empregadas como vul- 
nerarias, d'onde lhe vem o nome de 
Herva dos feridos^ pelo qual vulgar- 
mente conhecida. 

Os pretos comem a raiz d'esta planta, 
diz-se ser maturativa que faz suppurar 
tumores. Segundo Pison o nome de 
Aliara pertence ao Imheri. 

AScifiz SJi*iva>. V. Boi gordo. 

Aleaiaa di E9ia"0]jB:-4. Glycir- 
rliiza (jlabra^ Linn. e S})1. Fam. das Le- 
guminosas E' um arbusto europeo, 
cujas folhas so dispostas em palmas 
ovaes, d flores que so cr de rosa 
roixeada, em cachos; seu fructo uma 
baga oblonga comprimida, contendo trs 
ou seis sementes: deita uma raiz cylin- 
drica, ennegrecida e amarella por den- 
tro, tem sabor adocicado. 

Propriedades medicas. E' emoli iente 
e diurtico, empregado nas molstias 
inflammatorias. Internamente em in- 
fuso, (10 grammas para 1030 ditas 
d'agua. 

Aleaiiz Se S. Paulo e Mi- 

BS&s. PirioadriOj diilsis., Mart. Fam. 
idem. Tem as virtudes do Alcauz 
vulgar. 

Alcaaz lii terra. QUjcirrMza 



14 



ALE 



ALE 



americana. Fam. icm. Esta ospccie 
do paiz, mas s ve^rcta espontaneamente 
nas Catingas ou nos sertes. 

E' um arbusto de 2 a 3 metros de 
elevario, mais ou menos ; o tronco en- 
grrossa at 12 centmetros mais ou 
menos de dimetro, a casca esbran- 
quiada, os ramos como articulados de 
distancia em distancia, as folhas em 
palmas pequenas, o fructo uma 
vagem. A raiz c semelhante ao da 
Europa no aspecto, cr e gosto. (Fig. 2j. 

Propriedades medicas. Idem. 

Aleasiforeirt. Croi07t jjericipes, 
Si. Hilairc. Croton antysyphiliicus., 
Mart. Fam. das Eiqjhorbiaceas. Arvore 
de Minas Geraes. 

Propriedades medicas. E' empre- 
gada como diurtica, antisyphilitica, e 
contra as mordeduras de cobra. 

As folhas seccas e pulverisadas pocm- 
se nas feridas e as fazem cicatrizar, e 
a cataplasma feita das folhas frescas 
de proveito nos bubes e tumores bran- 
cos. 

Alcofiioco. Bowdichia major., 
Mart. Fam. das Legumitiosas. Ar- 
vore do paiz, de folhagem mida e de 
flores azuladas, tem por fructo um le- 
gume com duas ou mais sementes. 

Propriedades medicas. A casca 
d'esta arvore um pouco amarga e 
adstringente, empregada no rheuma- 
tismo syphilitico e nas hydropesias. 

Alecrint lim^vo.Jlgpericum la- 
xiisculum, St. Hil. Fam. das Hyperi- 
caceas. Planta agreste do Brasil, co- 
nhecida em S. Paulo, Minas Geraes e 
Eio Grande do Sul pelo mesmo nome. 

E' uma planta de flores em cachos 
dispostos nas summidades dos ramos, 
de folhas ensiformes. 

Propriedades medicas. Emprega-se 
contra as mordeduras das cobras, o 
cosimento d'estas folhas. 



Caracteres da famlia. Plantas 
herbceas, arbustos ou arvores muitas 
vezes resinosas cheios de glndulas 
transparentes, tendo folhas oppostas, 
rarssimas vezes alternas, simples, flores 
axillares outerminaes, diversamente gru- 
padas. 

O clice de quatro ou cinco divises 
mui profundas, um pouco desiguaes ; 
a corolla se compe de quatro a cinco 
ptalas, enroladas cm espiral antes de 
sua evoluo. 

Os estames so muito numerosos, 
reunidos em vrios feixes pela base 
dos filetes, algumas vezes monadelphos 
ou livres. 

O ovrio livre, globuloso, sobreposto 
por diversos estyletes, s vezes unidos 
e soldados em um s : oferece tantas 
lojas polyspermicas quantos estyletes. 

O fructo uma capsula, ou uma baga 
de lojas polyspermicas. No primeiro caso, 
ella se abre em tantas vlvulas, adhe- 
rentes por suas extremidades dos re- 
partimentos, quantas lojas tem. 

As sementes numerosssimas e mui 
pequenas, contm um embryo homo- 
tropo sem endosperma. 

Alcfrian lo CttBjio, Lantana 
microjihglla, Mart. Fam. das Verhcna- 
cias. Esta planta, do porte do Camar, 
empregada nos mesmos casos em que 
empregado o Ch de Frade. 

Alcerint tle jarflBat. Rosmari- 
nus officinalis Linii. Fam. das Lahiadas. 
Planta indgena da Europa, acclimada 
ha muito no Brasil; cresce de 1 a 2 
metros em terreno apropriado ; suas 
hastes so lenhosas, as folhas estreitas, 
com as bordas voltadas para dentro, 
verde-escuras e approximadas. 

As flores axillares e pequenas, cr de 
lyrio, e labiadas : os fructos so peque- 
nas capsulas. 

Esta planta aromtica medicinal. 
Ella presta-se a perfurmar roupas , 
quartos e habitaes empestadas de 
miasmas malficos ; serve nos defuma- 
dores domsticos, e como ornamento dos 
altares, etc, etc. 



ALE 



ALE 



IS 



Propriedades medicas. E' excitante, 
aromtico e applicado em frices; o 
seu leo empreg-ado em varias prepa- 
raes pharmaceuticas : entra na com- 
posio do vinagre dos sete ladres, 
da agua da Rainha da Hungria e da 
Agua de Colnia, etc. 

Caracteres da famlia. As Lahiaas 
formam uma das famlias mais na- 
turaes do reino vegetal ; so plantas 
herbceas ou arbustivas, cujo caule 
quadrangular, com folhas simples e op- 
postas. 

As flores so grupadas nas axillas das 
folhas, em espigas ou cachos ramosos. 

O clice gamospalo, tubuloso, de 
cinco dentes desiguaes. 

A corolla gamopetala, tubulosa e ir- 
regular, bilabiada. 

Os estames so em numero de quatro 
e didynamos ; s vezes os dois mais 
curtos abortam. 

O ovrio, applicado sobre um disco 
hypogynico, profundamente quadrilo- 
bado, muito deprimido no centro, d'onde 
nasce um estylete simples ao qual se so- 
brepe um estigma bifldo; cortado trans- 
versalmente, o ovrio oferece quatro 
lojas contendo cada uma d'ellas um 
ovulo erecto. 

O fructo se compe de quatro akenios 
monospermicos encerrados no interior 
do clice que persistente. 

A semente contm um endosperma 
carnoso, algumas vezes muito delgado. 

Alecrim lo matto. Baccharis 
sylveslris. Fam. das Compostas. 

Propriedades medicas. Esta planta 
aromtica e uzada em banhos como 
excitante, nos rheumatismos, e nos 
catarrhos, em infuso. 

Alecrin la praia le Pernam- 
buco. ScMnus arenaria. Fam. das 
Cyperaceas . Pequena planta que vegeta 
nas areias da praia, eleva seu caule 
a 2 K decimetros : muito ornada de 
folhas estreitas, luzentes, em cujas 
pontas tem um aculeo picante ; d 



as flores em uma espiga densa e branca' 
seus fructos so pequeas caryopses. Flo- 
rece no vero e conserva-se sempre vi- 
oso. 

Propriedades medicas. E' recom- 
mendada a infuso em banhos contra 
as aff'eces rheumaticas. 

Caracteres da famlia. Vegetaes 
herbceos crescendo em geral nos lu- 
gares hmidos, e margem das aguas. 

O caule ordinariamente triangular, 
com alguns ns ou sem elles. 

As folhas so invaginantes, e a bainha 
inteira e no fendida, as mais das 
vezes guarnecidas no orifcio de uma 
orlazinha membranosa chamada ligula. 

As flores formam espiguetas escamo- 
sas, compostas de um numero varivel 
de flores ; cada flor consta de uma 
s escama, na axilla da qual geral- 
mente se acham trs estames, um pis- 
tillo formado de um ovrio unilocular 
e monospermico, terminado por um es- 
tylete simples em sua base, trazendo 
em geral trs estigmas filiformes e 
felpudos. 

Os estames tem o filete capillar ; a 
anthera terminada em ponta no pice 
cume, bifido somente na base. 

O fructo um akenio globuloso com- 
primido ou triangular. 

O embryo pequeno, collocado em 
direco base d'um endosperma fari- 
nceo que o cobre por uma membrana 
muito delgada. 

Alecrim da praia ( de Santa Ca- 
tharina). Polygala. Fam. das Poly- 
galaceas. Esta planta diff'ere da de 
Pernambuco, porm a mesma do Rio 
de Janeiro. 

Herva de 3 a 6 decimetros de altura, 
folhas estreitas, carnosas, de cor verde 
azulado ; a inflorescencia se faz no fas- 
tgio do caule. 

Vegeta beira mar ; o fructo tem a 
forma de um corao. 

Propriedades medicas. Raizes e fo- 
lhas amargas, tnicas e adstringentes. 



16 



ALE 



ALE 



Caracteres da famlia. Plnntas 
herbceas, ou arbustivas, de foUius al- 
ternas, simples e inteiras, de flores soli- 
trias, axillares ou em espip^as. Cada 
uma se compe de um clice de qua- 
tro a cinco spalas, imbricadas lateral- 
mente antes do desabrochar da lr, e 
duas das quaes, algumas vezes mais 
internas, so petaloides e coloridas. 

A corolla formada de duas a cinco 
ptalas, umas vezes distinctas outras 
vezes reunidas por meio dos filetes esta- 
minaes, que formam um tubo fendido 
de um lado. 

Os estames, greralmente em numero de 
oito, so monadelphos ; seu androphoro 
dividido superiormente em duas pha- 
langes, cada uma com quatro antheras 
unilocalares, e abrindo-se em geral pelo 
pice. Mui raras vezes os estames so 
em numero de dois a quatro, e livres. 

O ovrio as vezes acompanhado em 
sua base de um disco hypogynico e uni- 
lateral, ou formado de dois appendices 
lateraes e laminosos ; oferece dois, mui 
raramente um s ovulo. 

O estylete comprido, ordinariamente 
curvo, com estigma concavo, bilobado 
ou unilateral. 

O fructo uma capsula ou uma drupa. 
No primeiro caso, de duas lojas 
monospermicas, e se abre em duas vl- 
vulas septifras ; no segundo caso, 
unilocular, monospermico e indehiscente. 

As sementes so pendentes, geral- 
mente acompanhadas de uma espcie de 
caruncula ou de arillo de forma variada. 

O embryo ora collocado em um 
endosperma carnoso , e ora desprovido 
de endosperma. 

AleerBBi ele S. Jts. Portulaca 
lanuginosa. Faw. das Portulacaceas. 
Herva pequena, conhecida por este nome 
em Alagoas. 

E' rasteira, com folhas midas, carno- 
sas, dispostas em cruz ; as flores so 
rixas, pequenas e caducas. 

O fructo uma capsula polysfermica 
e a planta serve de ornamento nos jar- 
dins. 

Foi achada no telhado da igreja de 



S. Jos da Coroa Grande de Pernam- 
buco, d'onde se origina seu nome segun- 
do a voz popular. 

Caracteres da famlia. Plantas her- 
bceas, raras vezes arbustivas , tendo 
folhas oppostas, algumas vezes alter- 
nas, espessas e carnosas, sem estipulas; 
flores geralmente terminaes. 

O clice em geral formado de duas 
sepalas mais ou menos soldadas tor- 
nando-se elle por isso tubulado na base. 

A corolla se compe de cinco ptalas 
livres, ou ligeiramente unidas entre si. 

Os estames so do mesmo numero que 
as ptalas inseridos em sua base, e lhes 
so oppostos ; raramente so mais nu- 
merosos. 

O ovrio livre ou quasi semi-in- 
fero, com uma s loja, contendo um 
numero varivel de vulos, nascendo 
immediatamente do fundo da loja, ou 
presos a um trophosperma central. 

O estylete simples terminado por 
trs ou cinco estigmas filiformes. 

O fructo uma capsula unilocular, 
encerrando trs ou varias sementes, e 
abrindo-se quer em trs, quer em duas 
vlvulas sobrepostas. 

As sementes debaixo de seu tegu- 
mento prprio, incluem um embryo 
cylindrico que enrolado em um en- 
dosperma farinceo. 

Aleepiai dsi epa'i ou Se Ta- 
! 3c a*o. DicMptera, aromtica. Fam. 
das Aca^htliaceas . E' um arbustosinho 
que vegeta nos taboleiros e nas Ca- 
tingas. 

E' de pouca elevao, tem o caule 
delgado , cylindrico ; folhas pequenas, 
crespas, aromticas, ovaes, em feixes e 
pelludas ; flores axillares; folhas , pe- 
quenas semelhana das do alecrim 
de jardim; o fructo uma pequena 
capsula. 

Propriedades medicas. E' aromti- 
ca ; applicada no rheumatismo, em ba- 
nhos. 

Caracteres de famlia. So hervas 



ALF 



ALF 



17 



ou arbustos, de olhas oppostas, de 
flores dispostas em espigas, acompanha- 
das de bracteas em sua base. 

O clice gamospalo, de quatro ou 
cinco divises, regulares ou irregulares. 

A corolla gamopetala, irregular, 
ordinariamente bilabiada, os estames 
em numero de dois ou quatro, so di- 
dynamos. 

O ovrio de duas lojas que contem 
dois ou maior numero de vulos ; elle 
applicado sobre um disco liypogynico 
annullar. 

O estylete simples, terminado em 
estigma bilobado. 

O fructo uma capsula de duas 
lojas, algumas vezes monospermicos, 
abrindo-se com elasticidade em duas 
vlvulas, que levam comsigo cada uma 
metade do septo. 

As sementes so em gjral sustenta- 
das por um podosperma filiforme e 
seu embryo, collocado immediatamente 
debaixo do tegumento prprio, des- 
provido de endosperma e tem geral- 
mente a radicula voltada para o lado 
do hiio. 

AX^-Aec . Lactuca sativa ^ Linn . 
Fam. das Co/rti;ote.y. Planta herbcea, 
annual, cuja caule ergue-se com folhas 
grandes de verde claro obovaes e oblon- 
gas ; as fli-es so amarelladas e em 
cachos, e formo um capitulo de pel- 
los macios e brancos, que voo com o 
vento . 

Esta planta, cuja ptria ignoro, cul- 
tivada em todas as hortas, sendo do 
mais trivial conhecimento entre ns. 

Propriedades medicas. A agua da 
alface frequentemente usadar na me- 
dicina como antispasmodico. 

Alfaee le eortSeipo. Herva 
Benta. 



AIfx'aca rava. 

110 Par. 



-E' a Jahorani 



Al&avaca cio eaiinjio.- OmKM?i 
incatmecens, Mart.Fam. das LaUadas. 



Propriedades medicas. E' sudorifica, 
aromtica e empregada nos mesmos ca- 
sos do Jaborandi. Faz-se com ella um 
xarope bom para o tratamento da coque- 
luche na dose de 30 a 40 grammas por 
dia. 

As folhas fritas em leo e postas nas 
verilhas e sobre o pbis, so teis na is- 
churia. (Fig. 3.) 

Alfavaca e ettelvo. Occinmn 
incanum. Occimim fluminense. Vell. Fam. 
das LaUadas. Esta planta por este 
nome conhecida em Pernambuco, e na 
Bahia por Santa Maria. Sua altura re- 
gula de 6 a 8 decimetros ; folhas oppos- 
tas ovaes e serriadas ; flores em espigas 
densas, pequenas, brancas, tocadas de 
roixo ; o fructo uma pequena capsula 
preta. 

Applicam-n'a raramente como adubo. 

Propriedades medicas. E' arom- 
tica, emprega-se em banhos nos rheu- 
matismos. 

As sementes applicadas aos olhos, que 
tem argueiros, attrahem-nos a si, e faci- 
litam a extraco. 

Alfavaca de cobra. Monnieria 
iri folia AuU. Fam. das Ruaceas. 
Esta herva em Pernambuco conhecida 
por este nome, mas em outras partes do 
Brasil por Jaborandi. 

Pequena herva ramosa, suas folhas 
trifolioladas, florinhas brancas, midas, 
formam um froco de folhinhas no cimo, 
um tanto pelludas, e tem aroma, quando 
submettidas a compresso. 

O fructo uma capsulasinha palheosa. 

Propriedaees medicas. A raiz alm 
de outros prstimos muito til, na dia- 
betis; emprega-se o decocto como sudo- 
rfico e diurtico. Tambm aproveita 
nas inflamaes de olhos. 

Caracteres da famlia. Grande 
familia composta de arvores," de ar- 
bustos ou de plantas herbceas tendo 
folhas oppostas ou alternas commum- 
mente cheias de pontos translcidos, 
com ou sem estipulas ; flores geral- 

5 



IS 



ALF 



ALG 



mente hermnpliroditas; mui raras vezes 
unisexuaes ; xim clice de, trs a cinco 
spnla?, unidas pela base ; corolla de 
cinco ptalas, algumas vezes soldadas, 
raramente nulla. 

Cinco ou dez estames, alguns dos 
quaes abortam s vezes c oferecem for- 
mas variadas. 

O ovrio compe-se de trs a cinco 
carpellas, e formando outras tantas ares- 
tas mais ou menos salientes. 

Cada loja contm quasi sempre dois, 
raramente um s, ou grande numero de 
vulos inseridos em seu angulo inter- 
no, e n'elle formando duas ordens. 

Os estyletes so livres ou soldados. 
Essas carpellas acham-se em geral ap- 
plicadas sobre um disco hypoginico 
mais ou menos saliente, e algumas 
vezes formam por sua reunio, um 
ovrio gynobasico, cujo estylete parece 
nascer de uma depresso muito pro- 
funda e central. 

O fructo ora simples, formando 
uma capsula, que se abre em tantas 
vlvulas septiferas, quantas lojas tem, 
ora, e as mais das vezes, separa-se 
em outras tantas cocas ou carpellas, 
quasi constantemente monospermicas , 
indehiscentes e as vezes ligeiramente 
carnosas ou seccas, e abrindo-se em 
duas vlvulas incompletas. 

As sementes cujo tegumento prprio 
muitas vezes crustceo, se compem 
de um endosperma carnoso ou de con- 
sistncia crnea, contando um embryo 
de radicula superior, raras vezes virada 
para o liilo que lateral ; em alguns 
casos o embryo desprovido de 
endosperma. 



Propriedades medicas. Com o sueco 
d'ella curam-sc bclidas da crnea; a de- 
coo das folhas serve para modificar as 
dores de dentes. 

AHazeita tia Kiipopa. Zrttvm- 
ida spicata. Linn.Fam. 2Vto/i. Planta 
cultivada no Brasil, natural do Meio Dia 
da Europa, mas conhecida geralmente 
entre ns. 

E' uma herva de caule estriado, mui 
esgalhado ; as flores arrumadas em cir- 
cules, e violceas amarellas ; toda a plan- 
ta 6 aromtica ; a folhagem mida e os 
frutinhos so a semelhana do cuminho 
com o qual tem affinidade familiar. 

Ella contm um leo voltil, muito 
usado nas perfumarias. 

Propriedades medicas. E' excitan- 
te, empregada principalmente em ba- 
nhos. 



azestiss. cia teps* oii do 

Biatto. HosluTidia Alfazema. Far. 
das Lahiadas. E' um sub arbustosinho 
esgalhado, de caule quadrado; vegeta 
no s nos mattos, como tambm nos ta- 
boleiros e nas vargeas ; folhas aromti- 
cas, midas e oppostas; flores em ca- 
chos formando uma espiga pyramidal, 
abastecida de pevides palheosas e miu- 
dissimas, de cr roixo violeta; o fructo 
excessivamente pequeno. 

Propriedades medicas. Serve para 
banhos aromticos. 



Alfavaca syl%'esi*e. Occimum 
sylvestre. Fani. das Lahiadas. V. Al- 
favaca de cheiro. 

Aliazcina le ea^toclo. Hys- 
sojnis crijspainjlla. Fam. das Lahiadas. 
E' um dos nomes porque no norte das 
Alagoas esta planta conhecida. Tam- 
bm a chamam Samhait. 

E' um arbusto que cresce at 2 metros, 
pouco mais ou '.nenos. 



Alga. Algoe. Fam. das nyro])liytas. 
As algas so plantas que crescem 
ordinariamente nos lugares hmidos, 
sobre tudo nas aguas doce e salgada. 

Algumas so compostas de vesiculas 
isoladas, constituindo cada uma um in- 
dividuo isolado e completo. Outras apre- 
sentam-se debaixo da forma de utriculos 
reunidos, enfiados como as contas de um 
rosrio, e encerradas n'uma espcie de 
membrana gelatiniforme amorpha. 

Outras ainda so filamentos simples 
ou ramosos, contnuos ou articulados, 
ltegos variados na forma, consistncia 



ALG 



ALG 



19 



e cr ou expanses membranosas j 
simples, jlobadas. 

Algumas tm na base uma espcie de 
p ramificado como uma raiz, outras 
apresentam rgos repartidos por imi 
caule simples ou ramificado, com folhas 
alternas. Todas as algas so formadas 
de utriculos. 

Os rgos da reproduco so varia- 
dos ; oi'a so pouco distinctos e consti- 
tudos por corpsculos reproductores, 
ora os esporulos so contidos nos espo- 
ridios, espcies de utriculos reunidos em 
grande numero em conceptaculos ocos ou 
salientes . 

Os esporulos de certas algas quando 
sahem dos esporidios, executam movi- 
mentos rpidos e variados ; a transi- 
o da serie animal que acaba nos infu- 
sorios, em que se observam movimen- 
tos anlogos, para a serie vegetal, que 
comea com estas plantas. 

A ordem das algas era antigamente 
dividida em duas tribus ; uma d'ellas 
formada pelas algas, que crescem na 
agua salgada e que se denominam fu- 
cus, ou varechs : a outra formada pelas 
que vegetam n'agua doce e chamadas 
confervas. 

A alga vesiculosa, bodelha, sargao ou 
botilho vesiculoso ou carvalinho do 
mar [Fucus vesimlosus.) Esta planta adhe- 
re aos rochedos por um curto pedculo, 
que se alarga em uma fronde plana, for- 
quilhosa com nervuras dorsaes, provida 
de vesculas distribudas por par. 

Todas as algas contem em seus tecidos 
soda e iodo; aproveitam-se por isso para 
d'ellas extrahir estas substancias. As 
que o mar arroja em abundncia so- 
bre a terra, empregam-se em adubar 
as terras. 

Algumas espcies so vermfugas, ou- 
tras so applicadas nas escrophulas, ou- 
tras em que existe vim principio nu- 
tritivo, servem de alimento. As confer- 
vas que vegetam n'aguadce no tm 
applicao conhecida. 

Algodo. Qossyphim, Linn. Fam. 
das Malcaceas. As folhas so alter- 
nas, pecioladas , cordiformes , palmati- 



nerviadas, tri ou quinquelobadas, sendo 
os lobos gvfflos. 

As flores so grandes, vistosas em 
forma de taa de cinco lbulos, e no- 
tveis por sua corolla de bella cr 
amarella ou avermelhada. 

Os fructos que vulgarmente so cha- 
mados mas , tem a forma de uma 
capsula ovide de vrtice ponteagudo, 
abrindo-se ao termo de seu amadure- 
cimento em 3 ou 4 valvas ( depis- 
cencia loculicida) ; cada fructo divi- 
dido interiormente em 3 ou 4 compar- 
timentos (lojas) por outras tantas fo- 
lhetas fseptos), e cada compartimento 
ou loja contem 3 a 7 sementes pretas, 
ovides, envolvidas por um froco de 
filamentos, mais ou menos longos, mui 
finos, de cr branca ou arruivascada. 
Estes frocos de filamentos tm por 
origem uma formao de pellos, ema- 
nados do episperma ou tegumento pr- 
prio da semente, e constituem a sub- 
stancia txtil conhecida pelo nome de 
algodo. 

O algodo esta poro filamentosa 
da semente do algodoeiro ; de todas as 
substancias vegetaes de utilidade para 
a industria, o algodo incontesta- 
velmente o que occupa primeiro lugar. 
Se o trigo faz a base da alimen- 
tao dos animaes, o algodo faz a 
base do trajar. 

O algodoeiro c cultivado em todo o 
Brasil ; o de Pernambuco era o mais 
estimado nas fabricas de Inglaterra, e 
mais paizes manufactureiros, no s 
pela sua qualidade, finura e tenaci- 
dade dos fios, como principalmente pelo 
lustre e brilho que possua. 

Estes predicados lhe davam muito 
merecimento, e valor superior a todos 
os algodes importados. 

Concorreram para o descrdito d'este 
nosso producto os agricultores, pois s 
attenderam quantidade na produco 
e desprezaram a principal condio : a 
qualidade. D'isto resultou o deixar de 
ser procurado nos mercados de seu con- 
sumo e ser vendido por inferior preo. 
Outras occurrencias se deram para 
que o algodo do Brasil degenerasse: 



o 



ALG 



ALG 



a exportao annunl dos Estados Uni- 
dos, que foi enorme em consequncia 
de vender-se alli o algodo por preo 
muito mais haixo do que o do Brasil, 
que chegou a vender-se a 5;9000 IG 
kilgr. 

Os ltimos acontecimentos dos Es- 
tados Unidos paralysaram por alguns 
annos as considerveis remessas que 
d'alli se faziam de algodo para os 
mercados d'Europa ; o do Brasil encon- 
trou, pois, novamente um preo extra- 
ordinrio, visto como chegou a vender- 
se por 32^000 16 kilgr. 

O algodo de Pernambuco tem sido 
apreciado por sua boa qualidade e 
de esperar que brevemente tenhamos de 
concorrer sem desvantagem de espcie 
alguma nos mercados d'Europa, e isto 
porque os nossos agricultores tratam 
de aperfeioar todos os dias a cultura e 
os processos de preparao e o acondi- 
cionamento de seu producto. 

Cumpre ao nosso governo concorrer 
quanto estiver a seu alcance para a 
abertura de boas estradas que facilitem 
03 transportes d'este producto, porque 
os terrenos apropriados ao plantio do 
algodo de Pernambuco distam muitas 
dezenas de lguas da cidade do Recife. 

Os algodoeiros so geralmente ar- 
bustos mais ou menos altos e podem 
distinguir-se em duas classes extremas 
quanto altura, isto em algodoeiros 
arborescentes e em algodoeiros her- 
bceos. 

A historia botnica dos algodoeiros 
apezar dos excellentes trabalhos de Par- 
latore ainda no completamente co- 
nhecida, podendo fazer-se em geral a 
mesma observao relativamente aos 
outros vegetaes iiteis submettidos a uma 
longa e cuidadosa cultura. 

No se conhecem com toda a preciso 
as diferentes espcies de algodoeiros 
actualmente cultivados em muitos pai- 
zes, nem to pouco de modo exacto o 
paiz natal de cada espcie ou varie- 
dade; pde-se dizer em geral que este 
vegetal cresce naturalmente nos paizes 
quentes ; mas conseguiram acclima-lo 
em muitos paizes temperados, de modo 



que a distribuio geographica do algo- 
doeiro hoje muito extensa. 

No somente elle cresce nos paizes 
tropicacs de ambos os hemispherios, 
como tambm em regies onde a tem- 
peratura desce abaixo de 13 a U". Reau- 
mur ou GO a 84" Ealir. 

Todavia ha certos paizes onde as cir- 
cumstancias climticas temperando os 
rigores do inverno, permittem a cultura 
do algodoeiro, como acontece naCrima. 

O limite da vegetao do algodoeiro 
na Europa o 45 de latitude norte, 
e como se sabe, elle cultivado em 
alguns pontos da Hespanha, e da Si- 
clia, etc. 

Na sia cultivam-no at Astracam, 
na China, e no Japo at 41 de la- 
titude norte ; na America do Norte 
at uma latitude norte igvial, e na 
parte meridional do continente ameri- 
cano at 30 de latitude sul no lito- 
ral oriental, e at 33 nas costas 
occidentaes. 

As diversas espcies de algodoeiros 
esto distribudas em toda a sia, no 
Cabo da Boa-Esperana no Senegal, 
nas costas de Guin, na Abyssinia, nas 
margens do Niger, do Gambia e do 
Zembere, em Serra Leoa e nas Ilhas 
do Cabo Verde, na Syria, no Egypto, 
em torno do Mediterrneo, na Hespa- 
nha, na Siclia, no Brasil, na Colum- 
bia, nas Guyannas, Antilhas, em muitos 
Estados da Unio Norte Americana, 
taes como Virgnia, Luisiana, Ger- 
gia, as Carolinas, Alabama, Mariland, 
Delaware, e finalmente nas ilhas do 
Oceano Indico, 

O continente e as ilhas da sia 
podem ser considerados como a ptria 
do maior numero de espcies e va- 
riedades do gnero Gossypium. 

A China, as Grandes ndias, o im- 
prio do Mogol, os reinos de Siam e 
Pegu, Bengala, etc, ainda produzem 
hoje immensas quantidades de algodo. 

O algodoeiro cresce igualmente na 
Prsia, Arbia, Syria, Palestina , sia 
menor, Anatlia, Alepo, Smyrna, etc. 

Sabe-se com toda a certeza que o 
algodoeiro foi cultivado desde tempos 



ALG 



ALG 



SI 



immemoriaes na Prsia, na Arbia e 
no Egypto. 

Herdoto diz que os habitantes da 
ndia j de muitos sculos faziam uso 
dos tecidos de algodo. 

Arriano confirma a narrao do pae 
da historia e menciona o nome indico 
do algodoeiro, que Taka. 

No tempo de Strabo, isto , quatro 
sculos e meio depois de Herdoto, o 
algodoeiro j era cultivado na entrada 
do Golpho Prsico. 

Meio sculo mais tarde, Plinio nos 
diz que esta planta, denominada gossy- 
pion ou xylon, era conhecida no alto 
Egypto e na Arbia; Theophrasto 
citava entre as produces da ilha de 
Taylor, no Golpho Prsico, uma planta 
que pela sua descripo o prprio 
algodoeiro. 

Se os gregos e os romanos no se 
apropriaram de uma planta preciosa 
que encontraram nos paizes conquis- 
tados pelas suas armas, isso foi de- 
vido a que esses povos pouco indus- 
triosos e pouco versados nas sciencias 
naturaes, desdenharam enriquecer os 
seus respectivos paizes com uma pro- 
duco que lhes oferecia a via do 
commercio, ou por pensarem que o 
algodoeiro sendo uma planta extica, 
no era susceptvel de ser cultivado 
em climas menos quentes do que aque- 
les onde o acharam. 

Os rabes, pelo contrario, com menos 
gosto da litteratura e das bellas artes, 
excederam aos gregos na arte agricola, 
e pelo menos, igualaram aos romanos. 

Como quer que seja, os monumentos 
da historia, os factos e as provas ainda 
existentes attestam que esses povos , 
hoje to atrazados, melhoraram a cul- 
tura na Europa, e introduziram em toda 
a parte, aonde chegaram, muitas pro- 
duces exticas at ento desconhe- 
cidas. 

O commercio dos tecidos de algodo 
remonta igualmente a epocha mui an- 
tiga. 

Arriano no seu 'priplo do marxle Ery- 
thra, refere que os rabes traziam al- 
godo da ndia at Adulea no mar Ver- 



melho ; que Baygara (hoje Baroche) era 
o centro desse commercio. 

Masalia (Masulipatum) possuia ento, 
segundo esse autor, as mais afamadas 
fabricas e as casas de Bengala goza- 
vam ento da mesma reputao que hoje. 

Foi somente no principio da ra 
christ que o commercio dos tecidos de 
algodo se estendeu do Oriente para a 
Grcia e o Imprio Romano. 

No decimo terceiro sculo o Turkes- 
tan, fazia com a Crima e a Rssia um 
commercio activo em tecidos d'algodo, 
e na Armnia se fabricaram esses te- 
cidos , cuja matria prima vinha da 
Prsia. 

O algodoeiro foi introduzido na China 
pouco mais ou menos em 1368, epocha 
da invaso trtara, no obstante a viva 
opposio dos operrios da l e da seda. 

Deve-se invaso musulmana a cul- 
tura do algodoeiro na Africa, e a fa- 
bricao dos tecidos de algodo. 

Sabe-se que no decimo terceiro sculo 
existiam florescentes fabricas de tecidos 
de algodo em Fez e Marrocos , e que 
no fim do decimo sexto se importaram 
em Londres vrios artefactos de algo- 
do fabricados em Benin. 

Finalmente as fazendas de algodo 
que servem para vestir as naes da 
Africa central so fabricadas alli mesmo. 

No obstante as asseres contrarias, 
se dermos credito ao historiador Solis, 
os habitantes da America j usavam de 
fazendas de algodo antes da conquista, 
e elle cita os presentes enviados ao Rei 
de Hespanha, mantos, lenos, tape- 
tes, etc, de algodo. 

Parece que em alguns pontos do Brasil, 
essa industria j era conhecida muito 
anteriormente descoberta. 

A introduco do algodoeiro na Eu- 
ropa remonta ao nono sculo , e sua 
cultura foi devida invaso dos sarra- 
cenos na Hespanha. Os primeiros al- 
godoeiros que se viram na Europa, fo- 
ram cultivados nas planicies de Valn- 
cia. Crdova, Sevilha e Granada foram 
celebres pelas suas fabricas de algodo 
no decimo quarto sculo, e Barcelona 
j era conhecida no commercio como 



ALG 



ALG 



exportadora de fazendas de algodo 
desde o decimo terceiro. 

Os mouros no somente introduzi- 
ram a cultura d'cssa iitil planta, como 
ensinaram os meios de fabricar os 
seus diversos prod netos entre os quaes 
o do papel de algodo, cuja fabrica- 
o elles haviam aprendido em Samar- 
canda na stimo sculo. 

No decimo quarto j se fabricavam 
tecidos de algodo na Itlia, e pen- 
sa-se que foi na mesma epocha que 
os turcos importaram essa arte na 
Albimia e na Macednia. 

Veneza e Milo exerceram essa in- 
dustria e foram celebres pela fabrica- 
o de fazendas mui solidas com o 
algodo importado da Syria e da sia 
Menor. 

Um pouco mais tarde a industria 
da fabricao dos tecidos do algodo se 
introduzio na Blgica, que em breve se 
tornou o emprio d'essa industria e 
manteve durante quasi trs sculos a 
supremacia commercial. 

No comeo do decimo quarto sculo 
os venezianos e os genovezes levaram 
para Inglaterra alguns fardos de algo- 
do, cujo nico emprego no principio 
foi o de fazer tecidos. Em 1430 alguns 
teceles dos condados de Chester e de 
Lancaster comearam a fabricar fus- 
toes imitao dos de Flandres e de 
Bristol e comearam a importar algo- 
do do Levante. 

Henrique VIII e Eduardo VI favore- 
ceram essa industria, e no meado do 
decimo stimo sculo havia em todas 
as parochias teares de algodo afim de 
occuparem os agricultores durante o 
inverno. 

No reinado de George III, a indus- 
tria do algodo j occupava quarenta 
mil pessoas e produzia quinze milhes 
de crusados. 

A fabricao dos tecidos de algodo 
sempre altamente favorecida pelo go- 
verno, e sempre em progressivo aper- 
feioamento, e que apresentava em 1701 
uma exportao de fazendas apenas no 
valor de pouco mais ou menos milho 
e meio, trs annos depois elevada a mais 



de cinco milhes, subio em 1833 a qua- 
si 500 millies e occupava os braos 
de perto de dois milhes de indiv- 
duos. 

Em 1786 os Estados Unidos recebe- 
ram pela primeira vez e cultivaram 
na Gergia o algodoeiro de Bahama 
de longas sedas, a que deram o nome 
de algodoeiro de ilhas [Sea Island.) 

A nova planta prosperou de tal modo 
em diversos estados da Unio Americana 
que de 170,600 libras exportadas para 
Inglaterra em 1791, se elevou em 1839 
a 300 milhes de libras. Os tecidos de 
algodo fabricados nos Estados da Unio 
produziram em 1833 mais de doze mi- 
lhes de cruzados. 

Tem-se feito muitos ensaios na Eu- 
ropa para introduzir a cultura do al- 
godo, mas, si exceptuarmos a Hespanha 
e a Sicilia, esses ensaios no surtiram 
efeito, pelo menos em ponto grande. 

No aconteceu o mesmo com a fabrica- 
o dos tecidos de algodo, porque essa 
industria commum, e mais ou menos 
prospera em todas as naes do velho 
mundo. 

A Frana o segundo paiz da Europa 
na ordem da produco do algodo. 

Ena 1668 Marseille importou do Le- 
vante 400,000 libras de algodo em rama, 
e 1,400,000 libras de algodo fiado. Em 
1750 a importao foi sete vezes maior. 
Muitas cidades so manufactureiras de 
tecidos de algodo ; suas fabricas oc- 
cupam de 800 a 900,000 pessoas, subindo 
o seu valor a mais de 170,000 milhes 
de francos. 

A industria do algodo hoje se pra- 
tica em todas as naes europas, prin- 
cipalmente na Blgica, Suissa AUemanha 
e Inglaterra. 

Os botnicos consideram os diversos 
algodoeiros , cultivados ou silvestres , 
como simples variedades de pequeno 
numero de espcies ; nem todos esto 
porm de accordo quanto ao numero 
certo das espcies. 

Assim Linneo menciona 5 espcies. 
Lamarck 8; de Candolle 13; ao passo 
que Rohr admitte 29 , e o Dr. Royle s- 



ALG 



ALG 



SS3 



mente 4. Citaremos aqui, unicamente, 
as espcies mais importantes: 

1." o algodoeiro herbceo ou de Malta 
{Gossypium lierhacewm). 

2." o algodoeiro arbreo ou arborescente 
(Gossypium arboreum). 

3. o algodoeiro da ndia [Gossypium in- 
dicum). 

4." o algodoeiro felpudo (Gossypium Mr- 
sutum] . 

5. o algodoeiro religioso ou de trs pon- 
tas (Gossypiim religiosum) . 

6. o algodoeiro folha de videira (Gos- 
Sjfimn vitifoliuni) . 

Algodo manufacturado. Seria pa- 
ra desejar que se encontrassem em 
nossa provincia fabricas de tecidos de 
algodo, de todos os estabelecimentos 
fabris os de maior utilidade e vanta- 
gem para o eommercio e agricultura. 
J houve aqui uma que infelizmente suc- 
cumbio por ter fallecido o seu proprie- 
trio ; tentou-se ainda levar a efifeito 
outra fabrica de tecidos, mas aterraram 
por tal forma os poucos espiritos em- 
preliendores, que no teve lugar a asso- 
ciao nem de um seitil, de sorte que 
nenhuma fabrica temos de fiao ; cons- 
ta, porm, que nos sertes da provincia 
existem alguns pequenos teares que fa- 
bricam diminuta quantidade de tecidos, 
os quaes alli mesmo so consumidos, pois 
que s exportam d'essas localidades redes 
lisas e lavradas. 

Em Alagoas e Bahia fabricam o tecido 
do algodo, que exportam para as de 
mais provncias do Imprio. 

O caroo do algodo excessivamente 
oleoso, e a industria tem-se aproveitado 
d'elle para obter um leo muito prprio 
para luz, fabrico de sabes e uso de ma- 
chinas, e que tambm empregado na 
medicina. O processo de extraco d'este 
leo anlogo ao que se pratica com a 
mamona. 

Propriedades e usos do algodo. 
Nas imm.ensas produces do reino ve- 
getal, talvez no se encontre uma s que 
se possa comparar com o algodoeiro 
quanto utilidade. 



O homem tem apropriado s suas ne- 
cessidades um grande numero de arvo- 
res, de arbustos, de plantas alimenticias 
ou de ornamento ; existe porm um nu- 
mero mui limitado de vegetaes que lhe 
forneam matrias para cobrir a sua 
nudez. Entre estes, o algodoeiro sem 
contestao, o primeiro. 

O cnhamo, o linho e outras plantas 
txteis lhe fornecem na verdade grandes 
recursos para vestir-se e para o exerc- 
cio de muitas artes. Mas a casca gom- 
mosa d'estas plantas exige, para se trans- 
formar em fios teciveis, muitas e diversas 
preparaes longas e penosas. 

A cultura da seda reclama grandes 
cuidados, e muitas manipulaes, para 
se converter o seu producto em matria 
tecivel. Entretanto o algodo offerece 
ao homem uma matria j preparada 
pelas mos da natureza e prompta a 
transformar-se em tecidos finssimos ou 
grosseiros, vontade. 

quasi ocioso enumerar a variedade 
de tecidos que se fabricam com o algo- 
do, porque todos sabem o que so 
cassas , fils , morins , panninhos, chi- 
tas, madapoles, fustes, veludos, bel- 
butinas, pannos ordinrios ou gros- 
seiros , linhas , rendas, meias, bons, 
etc, etc. 

Misturando-o com cnhamo, linho, 
l e mesmo pellos dos animaes, fabri- 
ca-se uma grande variedade de teci- 
dos. Os fabricantes de vellas de sebo, 
cera, spermacete, stearina, etc, empre- 
gam-no em forma de pavio. 

Nas lmpadas domesticas o algodo 
empregado tecido de um modo particular 
e sem costuras; os alfaiates usam d'elle 
em forma de pastas, etc. Admira-se a 
finura e a belleza dos pannos e tecidos de 
algodo que o eommercio traz da ndia. 

Todos conhecem as soberbas chitas, 
com as quaes as da Europa no podem 
competir. A excellencia d'esses tecidos 
attesta a excellencia das preparaes, 
quaesquer que ellas sejam, que os fa- 
bricantes indianos do ao algodo, e que 
ainda no poderam ser imitados pelos 
fabricantes dos paizes os mais indus- 
triosos. 



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As fimosns cassas do Dccara so te- 
cidas com ios to delicados, que sete 
dobras ou sete pannos no so suffi- 
cientes para cobrir a nudez de uma mu- 
lher. 

De que prrossura devem ser os fios 
d'essa cassa, quando at na Europa, 
onde no se trabalha n'este gnero com 
tanta perfeio, consep:ue-se reduzir os 
fios grossura do cabello o mais fino, 
de maneira que 500 grammas de algodo 
podem dar 162,500 varas de compri- 
mento, quasi 21 lguas?! 

Do algodo amarello, que se cultiva 
principalmente na China e em Siam, 
que se fabrica a verdadeira ganga da 
ndia. 

Da synopse que acima fizemos se con- 
clue, quanto os mercados Europeus, que 
os Estados Unidos produzem os mais 
estimados algodes de longa e curta 
seda; segue-se o Egypto, aGuyanaeo 
Brasil, comeando por Pernambuco e Pa- 
rahyba. 

Os algodes de longa seda servem para 
confeccionar os tecidos mais finos ; os 
de seda curta para os tecidos de finura 
mediana ou grosseiros. 

O Brasil fornece algodo de longa 
seda mui estimado, que se emprega de 
ordinrio nos tecidos de valor medocre 
que exigem solidez e boas cores. 

Os algodes de longa seda da ndia 
so prprios para a fabricao dos te- 
cidos mais finos; e servem-se dos de 
curta seda estes paizes para fabricar 
tecidos grosseiros e obras de sirgueiros. 

Os algodes de longa seda do Le- 
vante tem iguaes empregos, assim como 
os de curta seda. 

O algodo exportado no anno finan- 
ceiro de 1869 a 1870 foi de 639 fardos 
e 101,734 saccas com 7,901:298 kilo- 
grammos, pagando 362;834P18 de im- 
postos. 

A importao dos tecidos e outras 
manufacturas de algodes pagou de di- 
reitos na alfandega d'esta provncia no 
mesmo anno financeiro a importncia 
de 10,154:927$731 pela forma seguinte : 

Gr-Bretanha, 9,461 :783jS!731. 

Franca, 631:765?520. 



Blgica, 575^(994. 
Cidades Hansoaticas, 20:7995434. 
Portugal, 4080g884. 
Estados-Unidos, 27:115)?167. 
Portos do Imprio, 8:807j?00l. 
Total 10,154: 927 j?731. 

Propriedades medicas. O algodo 
emprega-se no curativo das queima- 
duras, feridas e erysipelas. 

A decoco das folhas e das flores 
procurada para dores de dentes, e nas 
inflammaes por ellascausadas,na razo 
de 16 grammas para 500 grammas 
d'agua. 

As sementes contuzas so com van- 
tagem applicadas sobre os tumores, e 
nos abscessos como maturativo, na dose 
de 8 grammas. 

A infuso das sementes em 500 
grammas d'agua, tomada trs vezes ao 
dia, muito usada na dysmenorrha. 

A raiz diurtica; 16 grammas para 
500 grammas d'agua, trs vezes ao dia. 

Caracteres da famlia. Esta fam- 
lia encerra ao mesmo tempo plantas 
herbceas, arbustos e mesmo arvores 
de folhas simples, alternas; munidas 
de duas estipulas na base. 

As flores so solitrias ou diversa- 
mente unidas, formando espcies de 
espigas. 

O clice muitas vezes acompa- 
nhado exteriormente de um caliculo 
formado de folhinhas variveis em nu- 
mero, e diversamente unidas. O clice 
gamosepalo com trs ou cinco den- 
tes approximados em forma de valvas 
antes de desabrochar. 

A corolla se compe geralmente de 
cinco ptalas alternas com os dentes 
do clice, contorneadas em forma de 
espiral antes de sua produco, mui- 
tas vezes soldadas na base por meio 
dos filetes estaminaes, de maneira, que 
a corolla cahe como uma s pea e 
simula uma corolla gamopetala. 

Os estames so geralmente mui nu- 
merosos, raramente no mesmo numero 
ou em numero duplo das ptalas. 

Seus filetes so monadelphos, as an- 



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theras reniformes e constantemente 
nniloculares. 

O pistillo se compe de varias car- 
pellas, ora verticilladas roda d'um 
eixo central e mais ou menos soldadas, 
ora reunidas numa espcie de capi- 
tulo ; essas carpellas so uniloculares, 
contendo um, dois ou maior numero 
das sementes presas ao seu angulo 
interno. 

Os estyletes so distinctos ou mais 
ou menos unidos, terminados cada um 
por um estigma simples. 

O fructo apresenta as mesmas mo- 
dificaes que os rgos elementares, 
quero dizer, que estes esto ora reuni- 
dos circularmente roda de um eixo 
material, ora agrupados em capitulo, 
ora formando por sua solda uma 
capsula plurilocular, que se abre em 
tantas valvas quantas lojas mono ou 
polyspermicas encerra; outras vezes as 
carpellas se abrem somente pelo seu 
lado interno. 

Os gros cujo tegumento prprio 
algumas vezes coberto de pellos fel- 
pudos, compem-se de um embryo 
recto geralmente sem endosperma, ten- 
do os cotyledones membranosos do- 
brados sobre si mesmos. 

AIrolo fios Baixos Suas se- 
mentes tm um lado plano, e outro 
convexo, e so pretas; ^ l de ba 
qualidade, fina e de fio comprido. 

Als:o1o s!Pvo. HiUscis iifur- 
catus, Will. e Cavan. Fam. as 3Ialva- 
ceas. Planta brasileira, do Par, com 
o aspecto de quiabeiro, de folhas al- 
ternas recortadas; tem espinhos e 
flores um tanto grandes, o fructo 
uma capsula polyspermica. 

Algodo do Brasil. Difere do 
algodo felpudo por formarem as se- 
mentes uma pyramide mais curta e 
mais larga. 

Esta espcie cultivada no Brasil, no 
ha nem na Guiana, e nem nas Anti- 
lhas. 



Aljcoilo de Car<lia^eiia. 

Distinguem-se duas espcies, de pequenos 
frocos, e de grandes ou grossos frocos. 

Alg;odo de corao. A semen- 
te pequena, coberta de pello curto ; a 
l muito fina e muito alva. 

Algodo feli^vk.o.Gossyjdum hir- 
sutum, Linn. e Cavan.Fam. das Mal- 
m-m. Este algodo procede de uma 
planta herbcea de % a 1 metro , oriunda 
da America Meridional. 

Esta espcie se distingue das outras 
por seu caule herbceo annuo ou bisan- 
nuo ; ramoso, semelhante ao do outro; 
as flores amarellas e o fructo d um 
capulho que sahe fora da capsula pen- 
dendo com um comprimento de 24 cen- 
tmetros. 

Algodo de folha vermelha. 

As sementes so bem cobertas de l, 
tem as folhas, os peciolos e as nervuras 
das folhas de um vivo vermelho ; a l 
muitssimo fina. 

Algodo indiano. Sementes 
pretas lisas e venosas. 

E muito fina a l d'esta espcie, mais 
ainda que a da Guyana ; tambm muito 
alva. 

Algodo da UIartiniea. co- 
roado de verde. D o pello, que se acha 
sobre a ponta do gro, fresco e verde; o 
fio fino, alvo e estimado. 

Algodo do mato. Cochlosper- 
mum strigoswn. Fani. das Terns tremia- 
ceas. um arbusto agreste e indgena, 
conhecido por este nome em Pernam- 
buco. 

E de 2 a 4 % metros de alto, e no porte 
assemelha-se ao algodoeiro manso. 

Seu caule pouco ramoso e mui ver- 
tical ; nodoso e castanho. 

As folhas longamente pecioladas so 
palmadas, recortadas em cinco pontas, 
de verde paleaeco e duras. 

As flores em pequenos feixes, so gran- 
des, de um bonito amarello cr degemma 

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6 



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d'ovo com forma circular, com um feixe 
de tletes amarellos no meio, sem cheiro. 
O fructo uma capsula ovide, pa- 
leacea, dividida por dentro, c contendo 
uma iioro de sementes envoltas em 
uma l loura, macia, imitando a seda. 

Caracteres da famlia. Arvores ou 
arbustos de folhas alternas, sem estipu- 
las, muitas vezes coriaceas e persistentes; 
de flores algumas vezes grandissimas, 
axillares ou terminaes, tendo um clice 
formado de cinco sepalas concavas 
desiguaes e imbricadas ; uma corolla 
composta de cinco ptalas s vezes 
soldadas em sua base, e formando uma 
corolla gamopetala ; estames numero- 
sos muitas vezes reunidos pela base 
de seus filetes e ligados com a co- 
rolla . 

O ovrio livre, sessil, muito ge- 
ralmente applicado em um disco hy- 
pogynico ; elle dividido em duas 
a cinco lojas, contendo cada uma dois 
ou maior numero de vulos pendentes 
no angulo interno de cada septo. 

O numero dos estyletes o mesmo 
que o das lojas ; termina cada um por 
um estigma simples. 

O fructo offerece de duas a cinco 
lojas; elle ora coriceo , indehis- 
cente, um tanto carnoso interiormente, 
outras vezes capsular, abrindo-se por 
meio de outras tantas valvas. 

As sementes, muitas vezes em nu- 
mero de duas somente em cada loja, 
tem seu embryo n ou coberto de 
um endosperma carnoso frequentes 
vezes muito delgado. 

Algodo iMussuliua. Ha qua- 
tro variedades. 

Alliotio niussiilina de Re- 
mire. A l grossa e de branco 
sujo ou trigueiro. 

Algodo ntui^siilioia de semen- 
tes grossas ou grandes ; o fio duro 
e branco. 

Algodo niiissuliiia verane- 
llio. O fio fino e encarnado. 



Al|odo iiiiissailina da Trin- 
daide. O fio c extramente fino, e 



de grande alvura. 



Algodo de Porto Kieo. A 

semente 6 disposta em pyramide , 
alongada e estreita, como a da Guya- 
na, tendo demais ser toda coberta de 
pello . 

Algodo deS. DoBitiiigoii, Co- 
roado. A semente oblonga, pouco 
densa de pello, l muito fina e muito 
alva. 

Algodo de S. Tlioinax. Tem a 

semente semelhante aos precedentes; 
muito estimado, porque sua l muito 
fina, alva e mui compridos os fios. 

D uma s colheita no anno e cerca de 
90 a lO grammas de l. 

Algodo de iSaio lranco. Se- 
mente lisa, preta, quasi globosa. Rene 
de mais as seguintes qualidades : alvu- 
ra brilhante, finura, comprimento de fio 
e elasticidade. extremamente procu- 
rado. 

D duas colheitas por anuo, e cerca de 
180 grammas de l em cada colheita. 

Algodo de !iani e^eiaro e co- 
roado. de cr de nankim pallida, 
seu fio fino e elstico ; a cultura no 
extensa, porque fornece apenas por anno 
90 grammas de l por colheita. 

Ha outro d'esta mesma espcie, cuja 
l amarellada, fina, forte e elstica. 

Algodo de Siai li^o, tri- 
gueiro. A l muito fina, de cr de 
nankin. D por colheita, de l limpa, 
cerca de 90 grammas. 

Algodo Sorcl vertle. O gro 
duro, preto e spero, a l tem partes 
verdes, e alguns fios claros semeados se 
prolongam do casulo. boa variedade. 

D por colheita, de l limpa, cerca de 
120 grammas. 

Algodo Sorcl ^ersnellio. 



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ALH 



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Confundem-no nas Antilhas como outro; 
mas elle distingue-se do precedente pela 
cr do caule e por serem as folhas verme- 
lhas. 

D duas colheitas j)or anno ; a hl 
fina e alva, produz em terreno secco e 
saibronoso cerca de 210 a 240 grammas. 

Allao. Allium sathwn, Linn. Fam. 
das Liliaceas. Herva cultivada natural 
do meio dia da Europa; cresce natural- 
mente na Itlia e na Siclia ; conhecida 
por todo o Brasil, e talvez por todo o 
Orbe; de pequeno porte, suas folhas 
estreitas e planas arrumam-se em molho 
na face da terra, deita um caule, na 
summidade da qual brotam as flrinhas 
"brancas quasi sem cheiro, reunidas em 
umbrella; tem no centro o rudimento de 
casulosinhos em que se contm as se- 
mentinhas pretas ; a raiz d'essa planta 
um bulbo, isto , um corpo ovide 
composto de partes, (gomos) cuja reu- 
nio compe a esphera dita; cada parte 
dividida naturalmente por uma tnica 
peliculosa e roixa, e a massa do centro 
compacta, aquosa, de imi cheiro acti- 
vssimo ; revestem-lhe geralmente o ex- 
terior uma ou duas membranas delgadas, 
finas e brancas. 

O alho na economia domestica tem 
emprego commum como adubo. 

Propriedades medicas. Appl iado 
externamente produz uma nflammao 
na pelle seguida de ampolas e ulce- 
raes ; mstura-se s vezes com cata- 
plasmas maturitvas e com sinapismos 
para tornal-os mais fortes. 

Internamente empregado como ver- 
mfugo, recommendado na febre n- 
termittente, aras e pedras na bexiga, 
escorbuto, cholera e hydropsas. 

D-se internamente em dose de duas 
a oito grammas em ch, caldos ou 
comido cru com po, etc. Externa- 
mente administra-se em clysteres co- 
sido com leite ou s com agua, contra 
as ascardes. 

Caracteres da famlia. Plantas de 
raiz bulbfera ou fibrosa. 



As folhas algumas vezes todas ra- 
diosas, so lisas, ou cylindricas e con- 
cavas, ou espessas e carnosas. O caule 
em geral n; raras vezes tem fo- 
lhas. 

As flores so ora solitrias e term- 
naes, ora em forma de espigas sim- 
ples ou cachos ramosos ou sertulas; 
so as vezes acompanhadas de uma 
espatha que as envolve ' antes do seu 
desabotoamento. 

O clice colorido e petalide, cons- 
titudo por seis spalas distinctas ou 
unidas pela sua base, e formando s 
vezes um clice tubuloso. 

Estas seis sepalas so dispostas em 
duas ordens, sendo trs interiores e 
trs exteriores. 

Os estames em numero de seis, in- 
seridos na base das spalas quando 
estas so distinctas, ou no alto do 
tubo quando ellas so soldadas. 

O ovrio de trs lojas, e offerece 
trs lados salientes; cada uma d'ellas 
contm um numero varivel de vulos 
apegados ao angulo interno e dis- 
postos em duas sries. 

O estylete simples ou nuUo, ter- 
minado em um estigma trilobado. 

O fructo uma capsula de trs lojas 
que se abre em trs valvas septi- 
feras no meio de sua face interna. 

As sementes so cobertas de um te- 
gumento ora preto e crustceo, ora 
simplesmente membranoso. 

O endosperma carnoso, e encerra 
um embryo cylindrico, cuja radicula 
est voltada para o hilo ; raramente 
este embryo curvo sobre si mesmo. 

Aaito grosso die Hcsiiassla. 

Allium Scorooprasiim , Linn. Fam. 
2^(?w. Planta de Hespanha, cultivada 
no paiz ; parece-se com o alho maior ; 
as folhas planas, o bulbo maior tam- 
bm. 

Allio do mato tio eainio. 

Maric paludosa., Wild. Cijmra palu- 
dosa, Aubl. Familia das Iridaceas. 
Tambm chamam Coqueirinho ou alho de 
Camjnna em Pernambuco e Alagoas. 



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ALM 



ALM 



agreste ; nasce com mais frequncia 
nos higares charcosos e liumidos. 

Herva de 2 % dccimetros de altura 
pouco mais ou menos ; sahe da terra 
em molho de trs ou quatro folhas as- 
cendentes, sulcadas longitudinalmente 
e estreitas ; do meio d'essas folhas 
sahem uns pequenos caules ou pe- 
dnculos, dos quaes brota uma flor 
azul, em frn>a de globos, com trs 
azas, tendo no fundo um casulo follia- 
ceo contendo gros pardos ou pretos ; 
no tem aroma ; a raiz como uma 
cebolinha, de casca parda, e o miolo 
compacto, aromtico, amarello. 

Propriedades medicas. Esta planta 
empregada contra as escrophulas in- 
terna e externamente e tambm contra 
as gonorrhas. 

Alleluia. 3IiMnia drstica. Fam. 
das Compostas. Herva agreste conhe- 
cida em Pernambuco por este nome e 
nas Alagoas por Camar. 

herbcea, cresce de '/ a 1 me- 
tro mais ou menos ; suas folhas oppos- 
tas, ovaes, crespas, bonitas e aromti- 
cas ; as flores em cachos nas pontas 
dos ramos so como pequenas belotas 
de roixo lyrio ; so muitas florinhas 
reunidas em um receptculo commum. 

O fructo uma pequena baga co- 
berta de pellos palheosos. 

Ptopriedades medicas. purgativa 
e emmenagoga : sua aco sobre o tero 
muito violenta, na dose de 16 gram- 
mas para 500 grammas d'agua. 

Alntecej^o. a resina da Id- 
ear ih a. 

Alniece|E:ueiro. Hedwigea balsa- 
mifera , Swartz Bursera gumifera , 
Linn,. Fam, das Terehinthaceas . Esta 
arvore cresce at a altura de 10 a 14 
metros ; vegeta no interior das provn- 
cias de Minas Geraes, Bahia, Pernam- 
buco, Par e Amazonas. 

Pelas incises que se praticam na 
sua casca deixa emanar uma substan- 



cia resinosa, liquida, transparente, 
acre, amarellada, a qual quando se 
expe ao ar, se solidifica sob a forma 
de stalactitcs de uma cr branco-ama- 
rellada, a que do o nome de Incenso 
brasileiro. 

Esta preciosa resina, diz o professor 
Martins, muitas vezes empregada nas 
igrejas, em lugar de incenso. 

Tambm costumam servir-se d'ella na 
preparao de emplastros, como acon- 
tece na Europa com o elemi. 

Damos a esta resina o nome de In- 
censo brasileiro, por ter ella as mesmas 
applicaes, que o verdadeiro incenso ou 
olibano^ o qual pode ser por ella subs- 
titudo em relao ao Brasil. 

Propriedades medicas . Emprega-se 
interiormente, em emulso ou pilulas, 
no tractamento das molstias dos r- 
gos da respirao, em que o uso dos 
medicamentos balsmicos pode apro- 
veitar. 

Caracteres da famlia . Arvores 
ou arbustos muitas vezes lactescentes 
ou resinosos, tendo folhas alternas ge- 
ralmente compostas , sem estipulas ; 
flores hermaphroditas ou unisexuaes, 
pequenas , e em geral dispostas em 
cachos ; cada uma d'ella3 apresenta um 
clice de trs a cinco sepalas, algu- 
mas vezes soldadas pela base, e com o 
ovrio, que infero. 

A corolla, que falta s vezes, com- 
pe-se de um numero de ptalas igual, 
aos lobos do clice, regular. 

Os estames so commummente de 
numero igual, rarissimas vezes duplo 
ou qudruplo do das ptalas ; no pri- 
meiro caso, elles alternam com as p- 
talas. 

O pistillo se compe de trs a cinco 
carpellas, ora distinctas, ora mais ou 
menos unidas entre si, cercadas em sua 
base de um disco perigynico e annular; 
algumas vezes varias carpellas abortam, 
e d'ellas s resta uma, da qual nascem 
diversos estyletes- cada carpella de 
uma s loja contendo ora um ovulo 
situado no pice d'um podosperma fi- 



ALM 



AMA 







S9 



liforme, que nasce no fundo da loja, 
ora um ovulo deitado, ora dois vulos 
deitados ou collateraes. 

Os fructos so seccos ou drupaeeos, 
contendo ordinariamente uma s se- 
mente : esta encerra um embryo des- 
provido de endosperma. 

AlBBteee^ueiro da beira cl 

rio. uma planta que tem virtudes 
anti-rheumaticas, e 6 applicada contra 
as ulceras. 

AlBiieee||:iieiro liravo. Amyris 
silvaticus. Fam. das Terehmthaceas. 
Arvore resinosa ; folhas alternas, pin- 
nadas, impares ; difere essa espcie da 
subsequente, em serem menores as fo- 
lhas, e o fructo no ser vermelho. 

AltiBec?j,-eiro Bititaiso tias Ala- 
g:oas. Elaphrium Alagoense. Fam. 
idem. Arvore selvtica do Brasil e co- 
nhecida nas Alagoas pelo nome acima. 

ramosa, folhas distribudas em pal- 
mas oppostas e lustrosas, de verde fixo, 
flores midas de cr verde esbranquia- 
da; a flor estrellada, o fructo pequeno, 
rolio subtriangular, com dois caroos 
dentro, envoltos em uma massa que se 
come. 

Esta arvore verte de todas as suas 
partes um sueco resinoso, de cheiro 
activo ; o sueco do lenho coagula-se e 
torna-se resina aromtica. 

Propriedades medicas. empregada 
no curativo das ulceras, e applicada em 
pachos s fontes contra a cephalalgia. 

ASsBcecieiro iB&angio tie Per- 
iiaitBl)]BCo . Amyris ariibrosijaca , 
WilL Amyris pernamhiicensis , Arr. C. 
Fmn. Idem. uma arvore muito se- 
melhante precedente; suas folhas em 
palmas ovaes e pequenas , tem pouco 
brilho ; as flores em cachos e esverdi- 
nhadas ; o fructo uma capsula oval, 
vermelha, com uma s semente. 

Nas Alagoas chamada Almecegiieiro 
vermeUio. 



AltlBea do Brasil. V. Malvaisco 
das Malvaceas. 

Alvaeaiia. Planta herbcea de 
caule roxeado, de pouca altura, at % 
metro, formando um circulo ; as folhas 
cordiformes, quasi de 24 centmetros, 
repicadas, sem lustre, e de peciolos ma- 
culados, alternas; as flores so em feixes 
quasi sesseis ; semelham bogaris, na 
forma e no cheiro, -porm so menores 
e de aroma desagradvel. 

A corolla de lobos redondos e im- 
bricados , tem um pequeno tubo, branca 
com matizes de cr de carne, e zonas 
rosadas ; nunca vimos os fructos. 

AB!iBuaisa-1>esta. Eucalyptus fer- 
mginosa. Fam. das Myrtaceas. Arbusto 
agreste por este nome conhecido nas 
Alagoas. 

um vegetal ramoso desde a base, 
de folhagem densa, e altura mediana; 
suas folhas so quasi redondas, espes- 
sas, oppostas e cobertas de uma lanugem 
vermelha no extremo dos ramos, as flo- 
res brancas, pequenas como rosinhas, e 
em cachos, com algum cheiro ; seus 
fructos abortam quasi todos. 

Este arbusto primeira vista parece 
coberto de ferrugem. 

Caracteres da famlia. Arvores ou 
arbustos com folhas pontuadas ou glan- 
dulosas; flores amarellas ou brancas. 

Clice tubuloso com quatro ou cinco 
lbulos ; ptalas em numero igual s di- 
vises do clice, raras vezes nullas. 

Estames em numero duplo, ou ml- 
tiplo do das ptalas, inseridos na parte 
superior do tubo. 

Filetes livres, ou monadelphos, recur- 
vados para o centro : carpellas cinco, 
raras vezes seis ou quatro, ou menos 
ainda, soldadas entre si e com o clice : 
estyletes e estigmas soldados : fructo va- 
rivel. 

Abbbuis.b. Fam. das Afocynaceas . 
Planta do paiz c que das incises do 
caule e ramos exsuda um sueco leitoso 
e branco; a casca levemente amarga, 



30 



AMA 



AME 



as folhas cansam prurido no corpo, quan- 
do se lhos toca. 

Aniai*(^IIo. Omphalobium liUuosuni. 
Fam. das Legiiuinosas. Arvore das 
mais importantes do Imprio, c natural 
das provncias do Norte, especialmente 
do Par at Alag-as. 

um vegetal bonito, colossal, folha- 
gem mida disposta em palmas ; flores 
aromticas, em graijdes cachos verticil- 
lados, so como pequenos jasmins de um 
branco amarellado; d um fructo que 
uma vagem pequena, rolia, parda, com 
dois ou trs gros vermelhos de cr viva. 

Esta arvore uma das mais ricas pro- 
duces do solo brasileiro. 

Como madeira de construco naval , 
pelo governo do Brasil prohibido o 
seu corte sem prvia licena da authori- 
dade competente ; e tambm madeira 
de construco urbana, e ptima para 
marceneria. 

de muita durao, no sofre com a 
aco do ar ; perde a cr amarella com 
o tempo, mas aplainada revive; a ma- 
deira da raiz ainda mais bella que 
a do tronco, porque oferece o traado 
dos mais bonitos veios, e substituo 
completamente o mogno. 

Aii&arelEo flr fie lgo(9il. 

Fam. idem. outra espcie de ama- 
rello, cuja madeira de uma cr clara, 
mas que facilmente desbota, conhe- 
cido dos marceneiros por este nome- 

AiBtarello o vBBlaatico. F. 

Viatico. 

AntarySIis. Amaryllis formosissi- 
ma, Liun. Fam. das AmarylUdaceas . 
Esta planta natural da America Aus- 
tral, mas cultiva-se no Brasil. 

Herva de bulbo na raiz, folhas ras- 
teiras planas; a flor labiada, de cr 
vermelha purpurina aveludada. 

Chamam na Europa Lis ou Croix de 
Saint Jacqtes^ Lyrio ou Cruz de S. Ja- 
come. 

Ha o Lyrio de Guernesey Amaryllis 
sarmiemis., Linn. e o Lyrio da China 



amarollo Amar. aiirca., ctc. O fructo 
uma capsula. 

Aiitliaiiva iiiRii$<a. Potiroiima ce- 
cropice folia., Marl. Fam. das Urti- 
caceas. E uma arvore que vegeta no 
Amazonas. O seu fructo acido, doce 
e mucilaginoso, de sabor aprecivel. 

Ha d'olla duas espcies: Poiiroima acii- 
mhiala., Mart. e Poiirouma licolor. 

Aanliaiiva de vinlto. T'. Am- 

batcva mansa. 

Aeii. uma parasita do Par 
e supponho que o mesmo Tmb de 
Pernambuco. 

Diz-se que essa planta d as cordas 
com que se amarram os feixes de sal- 
saparrilha ; suas folhas e o cip pro- 
duzem um prurido extraordinrio nos 
lbios, quando se pe em contacto com 
elles. 

Aeaaltira. V. Pindaliiha ou Emhira. 

Abss!s9i. F. Imhiseiro ott Imb. 

AsaStaia-esaaljo. Aristolochia la- 
biosa, Mart. Fam. das AristolocMaceas. 
Planta do aspecto do milhomens. Trs 
espcies d'ella encontrou Martins : Aris- 
tolocJiea rur/teci folia, Aris. theriaca e 
Arist. antiliysterica. 

Assieixa prea. Prunus paranaen- 
sis. Farii. das ftosaceas. uma plan- 
ta semelhante Ameixeira da Europa. 
Prunus domestica. O fructo preto, 
acido e refrigerante. 

Anaeixeira ti era*. Ximenia 
america?ia, Linn. Fam. das Olacineas. 
Esta planta indgena, mas cresce 
tambm nas Antilhas ; nas provncias 
do Sul conhecida por este mesmo 
nome. O fructo de um aroma muito 
agradvel. 

Arbusto espinhoso de folhas pequenas, 
quas redondas, com espinhos na base ; 
as flores em forma de roseta, pelludas 
e amarelladas ; seu fructo, quando ma-- 



AME 



AME 



31 



duro de 3 a 6 centmetros de com- 
primento, mais ou menos redondo e 
cylindrico ; o exterior pelliculoso, ama- 
rello, lustroso, e dentro a massa 
molle e tem um s caroo. 

A de Minas Geraes difere um pouco 
nas folhas e na florao. Come-se a 
amndoa do caroo. 

Caracteres da famlia. Esta pe- 
quena familia, formada a custa das 
Auranciaceas. 

Compe-se de vegetaes lenhosos de 
folhas simples, alternas, pecioladas, 
6 sem estipulas ; flores pequeninas, 
axillares ou terminaes. 

Estas oferecem um clice pequeno, 
famospalo, persistente, inteiro ou 
denteado, tendo muitas vezes muito 
crescimento e tornando-se carnoso. 

A corolla formada de trs a cinco 
ptalas coriaceas, sesseis, valvulares, 
soltas ou soldadas pela base. 

Estas ptalas so reunidas muitas ve- 
zes duas a duas, s separadas no pice. 

Os estames geralmente em numero 
de dez, alguns dos quaes abortam s 
vezes e tem a forma de filamentos 
estreis. 

Estes estames so immcdiatamente hy- 
pogynicos ou sustentados pelas ptalas. 

O ovrio livre, imilocular, con- 
tendo em geral trez vulos pendentes 
do pice de um trophospherma cen- 
tral e levantado. 

O estylete simples, terminado em 
um estigma pequeno e tribolado. 

O fructo drupceo, indehiscente, 
frequentes vezes coberto pelo clice car- 
noso, e contendo uma s semente. 



ternas lanceoladas com flores solitrias 
ou oppostas, seu fructo uma noz 
oval carnosa por fora ; dentro ha outra 
nz porosa, deprimida, com uma amn- 
doa de cr loura, de casca pellicu- 
losa ; branca, oleosa, saborosa, e as 
suas amndoas vo s nossas mesas 
como boa fructa. 

Elias tem um gosto agradvel, doce, 
mas no tem cheiro. 

O leo contido n'ellas extrahe-se por 
meio de expresso. 

Propriedades medicas. So nutrien- 
tes, emollientes e calmantes, empre- 
gadas nas afeces do tubo digestivo, 
vias urinarias e rgos respiratrios, nas 
inflammaes , espasmos, hemoirtyses , 
gonorrhas , pedras , e catarrhos da 
bexiga, etc. 

Ordinariamente como amendoada ou 
emulso, serve de vehiculo a outros 
remdios. 

ABBBeaadoa. (da Iiadia). Termi- 
nalia [catappa?) Linn. Fam. das Com- 
hretaceas. A amendoeira uma ar- 
vore oriunda das ndias Orientaes, 
elevada e elegante ; tronco vertical, 
ramos ou galhos dispostos em vrios 
verticillos em umbrella de distancia 
em distancia; as folhas ovaes, s ve- 
zes obvaes, reflexas, coriaceas, e um 
tanto grandes ; as flores em espigas 
longas, so midas, maneira de es- 
trelinhas; o fructo uma noz, no in- 
terior de 3 a 6 centmetros, em forma 
de corao por fora tem um tegu- 
mento carnoso, roixo, e um pouco 
molle ; dentro quasi lenhosa, divi- 



Esta se compe de um grosso en- dindo-se em quatro ou cinco loculos 



dosperma, carnoso, no qual est con 
tido um embryosinho bazilar e homo- 
tropo . 

Ameiiloia (<laEtii*0|ia). Amy- 
(jdalus commmiis^ Linn. Fam. das Ro- 
sceas. A fructa que o Brasil importa 
com o nome de Amndoa da Europa, 
originada de Argel, Mauritnia, c do 
meio-dia da Europa. 

A planta uma arvore de folhas al- 



ou lojas, aonde encerra as sementes. 
No boa ao paladar. 

Pernambuco talvez fosse a primeira 
provncia que a adquirio. Na capital 
serve de ornamento nas praas e ruas 
da cidade. 

Caracteres da famlia. So arvo- 
res , arbustos ou fructices , de folhas 
oppostas ou alternas, inteiras e sem 
estipulas, e com flores hermaphroditas 



3S 



AMO 



AMO 



ou polypramns, diversamente dispostas 
em espifas axillares ou terminaes. 

O clice adlierente pela base com 
O ovrio, que infero. Seu limbo, 
muitas vezes tubuloso, de quatro ou 
cinco divises, e articulado com o pice 
do ovrio. 

A corolla falta em vrios gneros, 
ou se compe de quatro a cinco pta- 
las inseridas entre os dentes do clice. 

O numero dos estames em geral 
duplo das divises calicinaes : entre- 
tanto este numero no rigorosa- 
mente determinado. 

O ovrio de uma s loja contendo 
de dois a quatro vulos pendentes de 
seu pice. 

O estylete mais ou menos compri- 
do, terminado em estigma simples. 

O fructo constantemente unilocu- 
lar, monospermico (por aborto) e inde- 
hiscente. 

A semente, que pendente, se com- 
pe de um episperma que cobre imme- 
diatamente o embrjo, e de ordin- 
rio uma samara. 

AiBteiBdoim. F. Mendohi ou Man- 
oU. 

AiiiiBfiiiiu. F. Algodoeiro. 

AinoiB^el)i. Panicim sincatum^ 
Linn. Fariudas Graminapeas. Esta plan- 
ta das chamadas Capins e congnere 
do Capim de planta. Panicum maximum. 

Propriedades medicas. emoliente 
til contra dores e tenesmos. empre- 
gada em banhos, e em decocto inter- 
namente. 



Amor crescido. Portulacca pi- 
losa, Linn. Fam. das Portulacacceas . 
uma plantasinha do Par, de caule 
molle e torta; as folhas alternas e 
finas ; flores purpurinas e pequenas. 

O fructo uma capsula pequena. 

Propriedades medicas. O sueco 
empregado nas inflammaes erysipe- 
latosas. Contem muita mucilagem. 



Anuor tio Iioaiacns. Hihiscus 
mutahilis, Linn. Fam. das Malvaceas. 
E originaria da ndia esta planta, 
cultivada no Brasil como ornamento. 

um arbustosinho, cujo caule sobe 
at 2 ou 3 centimetros ; esgalha pouco, 
nodoso, e o tronco esbranquiado ; 
folhas alternas, sub-cordiformes, an- 
gulosas e de um verde desmaiado ; 
flores grandes, sem cheiro, de corolla 
roscea simples, com os estames for- 
mando uma columna no centro. 

Depois de meio dia esta flor de cr 
de rosa passa a ficar vermelha, sendo 
de manh branca; ao meio dia torna 
a cr de rosa, e a tarde vermelha ; 
d'esta volubilidade que lhe deram o 
nome que tem ; mas no sabe-se de 
que sexo foi quem a baptisou. 

Amor perfeito. Viola incolor, 
Linn. Fam. das Violariaceas. uma 
planta das mais elegantes da Europa, 
em cujo solo nasce espontaneamente; 
tambm cultivada nos jardins , apezar 
de ser prpria d'aquella regio ; alguma 
espcie entre ellas occupa um distincto 
lugar nos nossos jardins pela belleza 
da flor. 

So flores um tanto grandes de cr 
violeta , (purpurina) roixa e no centro 
amarella e bordada de branco ; tem por 
fructo uma capsula pequena. 

A principio as folhas so redondas 
e depois crescendo ficam compridas , 
com as bordas repicadas. 

Esta planta conhecida por violeta 
de trs cores ou Herva da Trindade. 

Propriedades medicas. usado 
como depurativo; a raiz emtica na dose 
de duas grammas para 180 grammas de 
agua. E' peitoral. 



Caracteres da famlia. Hervas ou 
fructices de folhas alternas, mui raras 
vezes oppostas , munidas de duas es- 
tipulas persistentes. 

As flores so axillares, pedunculadas. 

O clice compe-se de cinco spalas 
livres, ou ligeiramente unidas entre si 
na base, que se prolonga algumas vezes 



AMO 



AMO 



33 



abaixo do ponto de unio, e que so 
iguaes ou desiguaes. 

A corolla se compe de cinco ptalas 
desiguaes, das quaes a inferior se pro- 
longa na base em um esporo mais ou 
menos alongado; mui raramente a co- 
rolla formada de cinco ptalas regu- 
lares. 

Os estames, em numero de cinco, so 
quasi sesseis, approximados ou cont- 
guos lateralmente entre si, de dois 
loculos, introrsos ; os dois que so col- 
locados em direco da ptala inferior 
oflferecem bem frequentes vezes um ap- 
pendice curvo que nasce de sua parte 
dorsal, e se prolonga pelo esporo. 

O ovrio globuloso, unilocular, con- 
tendo grande numero de vulos ligados 
a trs trophospermas parietaes. 

O estylete simples, um tanto ge- 
niculado na base, entumecido para a 
parte superior, que se termina em um 
estigma um pouco lateral, e offerecen- 
do uma pequena depresso semi-eir- 
cular. 

O fructo uma capsula unilocular, 
abrindo-se em trs valvas, das quaes 
cada uma tem um tiopliosperma no 
meio da face interna. 

As sementes contm um embryo erecto 
em um endosperma carnoso. 

A.Bura. Morus rubra^ Lmn. 
Fam. das XJrticaceas. Fructo ao-reste 
indgena do paiz , proveniente da amo- 
reira ; arvore media, copada, folhas 
oblongas, escuras nas extremidades dos 
ramos, reunidas e cotonosas ; flores de 
aspecto irregular, em cachos ou em es- 
pigas, que se compem de muitas flori- 
nhas, com visos de sementes, e dahi 
desenvolve-se o fructo ; sendo cada um 
composto de uma pellicula roixa (exter- 
namente) e flna; dentro uma massa 
aquosa, com um ou mais gros; sua 
peripheria apresenta algumas proemi- 
nncias escamosas, cada uma corres- 
pondente a uma semente que envolve 
um carocinho f fructo aggregado) cuja 
superfcie exterior roixa. 

Ha outra branca, por consequncia duas 
espcies. Seu sabor acre-doce. v.Vt 



Esta arvore uma das que alimentam 
o bicho da seda. 

Caracteres da famlia. Plantas her- 
bceas, arbustos ou grandes arvores al- 
gumas vezes lactescentes, de folhas al- 
ternas, em geral munidas de estipulas, 
tendo flores unisexuaes, mui raras vezes 
hermaphroditas, solitrias ou diversa- 
mente grupadas, e formando amentilhos 
ou reunidas em um invlucro carnoso, 
plano ou pyriforme e fechado. 

Nas flores masculinas acha-se um c- 
lice formado de quatro a cinco sepalas, 
ou uma simples escama, no fundo da 
qual ellas esto collocadas. 

O ovrio livre, de uma s loja, com 
um s ovulo pendente, e tendo por cima 
quer dois longos estigmas sesseis, quer 
um s estigma sustentado por um estylete 
mais ou menos longo. 

O fructo se compe sempre de um ak- 
nio crustceo envolvido pelo clice que 
algumas vezes torna-se carnoso ; outras 
vezes, o invlucro que encerrava as flores 
fmeas, cresce e se desenvolve como na 
figueira, na dorstenia, etc. 

A semente alm de seu tegumento 
prprio, consta de um embryo geral- 
mente curvo, muitas vezes encerrado no 
interior de um endosperma carnoso, mais 
ou menos delgado. 

Amoreira la silva. Ruhis bra- 
siUensis, MaH. Fam. das Rosceas. 
Os fructos gozam das mesmas proprie- 
dades que as amoras. 

Propriedader medicas. Tomado em 
jejum diz-se que aproveita nas dysente- 
rias. 

Amores. Smithia dormiens ; Smi- 
thia sensitiva., AU. Fam. das Legumi- 
7iosas. Sub-arbustosinho, ou mesmo 
lierva agreste, indgena, e por este 
nome conhecida nas Alagoas. 

Tem o caule fraco, e to fraco que 
ordinariamente se deita sobre outras 
plantas ; folhas compostas de pequenos 
bliolos . 

Flores pequenas quasi solitrias, e 
amarellas, de corolla papilionacea. 

7 



4 



ANA 



AND 



O fructo 6 nma vapem pequena, es- 
treita, de bordas onduladas ; as semen- 
tes so como as de feijo ; escura 
a vagem, e pega-se roupa como car- 
rapicho. 

Analii. Potalea rcsinifera, Marl. 
Fam. das Gentianaceas. E' oriunda 
do Par e Rio Negro ; planta resinosa 
e amargosa. 

Propriedades medicas. O cosimento 
das folhas um anti-ophtalmico e re- 
solutivo. 

Anaiiaz de a^eillta. Bromelia 
miiricata, Arr. Cam. Bromelia araias, 
Linn. Fam. das Bromeliaceas . Esta 
planta indigena semelhante ao Ananaz. 

Differe porm ; em lugar das bracteas 
em forma de escamas , que tem o 
Ananaz manso e o fructo dividido em 
bagas distinctas como aquelle, este 
tem espinhos pungentes de 6 a 12 cen- 
timetros de comprimento, de forma que 
preciso muito geito para pegal-o. 

Ananaz niaiB^eo. Ananassa sa- 
liva., Marl. Bromelia., Ananaz., Lnm. 
Fam. idem. Planta indigena do Brasil 
e tambm dos paizes quentes da sia, 
segundo alguns naturalistas. 

Os caracteres d'esta bella planta, mui 
semelhante ao AbacacM., que acima fi- 
cou descripto vulgar e botanicamente, 
no necessitam ser apresentados aqui. 

Mostraremos somente as" differenas 
mais sensveis que por ventura exis- 
tam entre as duas plantas. 

O Ananaz differe do AbacacM em ser 
um pouco cylindrico, de extremidades 
iguaes, sem forma cnica; a cr varia 
nas espcies ; a parte carnosa da 
fructa mais spera, menos doce, e no 
centro o eixo fibroso ; produz menos 
renovos que o AbacacM. 

Na Europa cultiva-se em grande 
escala nas estufas. 

Propriedades medicas. O Ananaz 
quando maduro empregado como 
diurtico e emmenagogo ; e quando 
verde como desobstruente e epispasti- 



co; pde promover o aborto; segundo 
Tvabat o sueco do Ananaz, unido ao leo 
de amndoas doces, um bom car- 
minativo. 

XwAvk-vkfiH- . Anda Gomesii, Anda 
brasiliensis , Joahmesia princeps., Vell. 
Alenluriles brasiliensis.[?)Fam. das Eu- 
phorbiaceas. A esta arvore tambm 
chamam Purga do Gentio. 

E' arvore agreste, alta, de folhas em 
palmas reunidas na ponta dos ramos; 
flores em cachos, umas quasi roixas e 
outras amarelladas. 

O fructo uma capsula de 9 a 12 cen- 
timetros de dimetro, redonda, muito 
dura, com duas fossetas no pice e uma 
na base ; off"erece duas cavidades, dentro 
de cada uma das quaes se aloja uma 
semente ovide, de 3 centmetros ou 
mais : a amndoa oleosa ; tem um te- 
gumento pouco espesso semi-corneo ; a 
casca venenosa. 

Os pescadores indios embebedam com 
este fructo os peixes dos rios e tan- 
ques. 

Propriedades medicas . Internamen- 
te se emprega como purgante ; para isto 
do-se duas a trs- amndoas, ou com 
ellas se prepara uma amendoada; do 
leo, oito a vinte e quatro gottas. 

Caracteres da famlia. As Euphor- 
biaceas so hervas, fructices ou arvores 
grandssimas que crescem em geral em 
todas as regies do globo; a maior 
parte contm um sueco lcteo e muito 
irritante. 

As folhas commummente alternas, al- 
gumas vezes so oppostas, acompanhadas 
de estipulas ou no. 

As flores so unisexuaes, geralmente 
mui pequenas, e oferecem uma inflores- 
cencia muito variada. 

O clice gamosepalo, de trs, quatro, 
cinco ou seis divises profundas, muni- 
das interiormente de appendices esca- 
mosos e glandulosos. 

A corolla falta no maior numero dos 
gneros, ou se compe de ptalas ora 
distinctas, ora reunidas ; mas esta corolla 



AND 



AND 



3S 



no parece formada seno de estames 
abortados e estreis. 

Nas flores masculinas conta-se um nu- 
mero bastante grande de estames. 

Mais raramente este numero limi- 
tado, ou mesmo cada estame por ser con- 
siderado como uma flor masculina (como 
se admitte para o gnero Euphorbia) ; 
estes estames so livres ou monadelplios. 

As flores femininas se compem de um 
ovrio livre, sessil ou estipitado, s vezes 
acompanhado de um disco hvpoginico. 

O ovrio em geral de trs lojas, cada 
uma contendo um ou dois vulos sus- 
pensos. 

Do pice do ovrio nascem trs estyg- 
mas, s vezes sesseis e alongados. 

O fructo secco ou ligeiramente car- 
noso; compe-se de tantas coccas con- 
tendo uma ou duas -sementes, quantas 
lojas ha no fructo : estas coccas que so 
sseas interiormente, se abrem pelo seu 
angulo interno e so elsticas ; ellas se 
apoiam por seu angulo interno sobre uma 
columella central, que muitas vezes per- 
siste depois da disperso das sementes. 

Estas que so crustceas exteriormen- 
te, e apresentam uma pequena caruncula 
carnosa na visinhana do ponto de in- 
sero, offerecem um endosperma car- 
noso no qual est encerrado um embryo 
axil e homotropo. 

Aiiclaea. V. Capim anaca. 

ABtlya-ajBst ou Iiilayia-ass. 

Attalea compacta, Mart., Hiimh.^e Bomp. 
Fam das Palmeiras . PaJmeira doNorte 
do Brasil, conhecida dos habitantes das 
regies Amasonicas por Palma almendron, 
que quer dizer Amendoeira. 

uma palmeira pequena, de folhas se- 
melhantes s de mais suas congneres. 

O fructo, que d em cachos, fibroso, 
com trs ncleos dentro. 

Dizem ser semelhante ao Dend; os 
indigenas fazem muito uso tambm do 
caroo, e at o comem. 

Caracteres da famlia. Grande e 
bella familia, to notvel pelo porte dos 
vegetaes que a compem, como pela or- 



ganisao interior de suas diversas par 
tes 

As palmeiras so de ordinrio grandes 
arvores de estipite (espique) cylindrico e 
n, coroado em seu pice de um pena- 
cho de folhas grandssimas, pecioladas, 
persistentes, pinnadas ou compostas de 
um numero mais ou menos considervel 
de foliolos de forma variada. As flores 
so hermaphroditas ou frequentssimas 
vezes unisexuaes, dioicas ou polygamas, 
formando amentilho, ou um grande ca- 
cho, envolvido antes do seu desabrochar 
em uma espatha coriacea e s vezes le- 
nhosa. 

O periantho de seis divises, trs 
das quaes internas e trs externas, de 
maneira a simular clice e corolla. 

Os estames so em numero de seis, 
raramente de trs. 

O pistillo simples ou formado pela 
reunio de trs carpellas distinctas ou 
unidas. 

Cada carpella off'erece uma s semente. 

Tem um estylete terminado por um 
estigma mais ou menos alongado. 

O fructo as mais das vezes uma 
drupa carnosa ou fibrosa, contendo um 
caroo sseo muito duro, de uma ou 
trs lojas monospermicas. 

A semente, alm do seu tegumento 
prprio, se compe de um endosperma 
carnoso ou cartilaginoso, of'erecendo 
algumas vezes uma cavidade central 
ou lateral. 

O embryo pequenino, cylindrico, 
posto horisontalmente em uma pequena 
depresso lateral do endosperma. 

Aiidira ailsaiarilta. F. Umari. 

Antlirababajari. F. Angelim. 

Andirolia. Carapa guyanensis, 
A%)l. Persoonia, giiareoides, Willd. 
Fam. das Meliaceas. Arvores silves- 
tres do Brasil, especialmente do Par, 
hoje cultivadas em todo o Imprio. 

Seu porte o elevado e gracioso ; a 
madeira molle. 

Folhas compostas de preciolo longo. 

As flores so terminaes nos ramos, 



G 



AND 



ANG 



(sete ou dez) engastadas em um pe- 
dnculo commum : so como angli- 
cas amarellas ; de mo cheiro ; outras 
so vermelhas e algumas esverdinha- 
das. 

O fructo d em caixos pequenos ; 
uma nz de 15 a 18 centmetros, ro- 
lia, renibrme, no pice aguda, e tendo 
uma sutura de metade de seu tamanho 
na parte convexa ; o tegumento com- 
ponente espesso, crneo, de cr ru- 
bra viva quando o fructo est maduro, 
dentro de uma pellicula purpurina e 
rugosa ; d quatro a cinco sementes 
ellipticas quasi rolias cinzentas, pre- 
sas a essa sutura ; ellas tm um corpo 
esbranquiado e frouxo, e aps uma 
massa dura, e castanha ; no centro 
est a amndoa, branca, e muito oleosa; 
esta amndoa comem-n'a mas pur- 
gativa quando se excede a conta. 

No Par fazem azeite d'esta amn- 
doa, que passa por um dos melhores 
combustveis, e lhe do muito uso. 

Propriedades medicas. Sua casca 
muito amarga, e emprega-se em co- 
simento como febrfugo e anthelmin- 
tico, foito grammas para duzentas 
grammas d'agua) . 

Externamente o mesmo cosimento 
serve para loes nas ulceras. 

O leo muito usado quando fresco 
em frices contra as inchaes cau- 
sadas pelas erysipelas. 

Caracteres da famlia. Arvores ou 
arbustos de folhas alternas sem estipu- 
las, simplices ou compostas ; de flores 
quer solitrias e axillares, quer diver- 
samente grupadas em espigas ou em 
cachos, tendo um clice gamospalo, de 
quatro ou cinco divises mais ou menos 
profundas. 

Uma corolla de quatro a cinco ptalas 
valvares. 

Estames geralmente em numero du- 
plo do das ptalas, raras vezes do mes- 
mo numero ou de numero mais consi- 
dervel. 

Estes estames so sempre monadel- 
phos, e seus filetes formam um tubo que 



traz as antheras ora no pice, ora na 
face interna. 

O ovrio insere-se n'um disco hypogy - 
nico e annular ; ofterece quatro a cinco 
lojas, contendo geralmente dois vulos 
collateraes e sobrepostos. 

O estylete simples, terminado em um 
estigma mais ou menos profundamente 
dividido em quatro a cinco lobos. 

O fructo , ora secco, ora capsular, c 
abre-se em quatro a cinco valvas septi- 
feras ; umas vezes carnoso e polposo, 
e outras vezes unilocular por aborto. 

A semente contm um embryo, al- 
gumas vezes envolvido por um endos- 
perma delgado ou carnoso, que falta em 
outros gneros. 

Anloi*ilia. V. TongaTonga. 

Aiidreiiiie. V. Camar de cavallo 
ou Malmequer grande. 

Angrelica [de jardim). Anglica Ar- 
changelica^ Litm. e Spl. Fam. das Um- 
helliferas. Bella planta da Europa accli- 
mada no nosso solo desde tempos im- 
memoriaes; herbcea, folhas compridas, 
decompostas e estreitas. 

As flores desabrocham em um caule 
tubuloso, d'onde saem em grupos, as 
flores so brancas, corpulentas, de bordos 
lancinados e cheiro agradabilssimo. 

O seu fructo uma capsula ordinria. 

Propriedades medicas. A raiz de 
sabor amargo e acre ; usada como t- 
nico, sudorfico^ estomachico ; tambm 
anti-scorbutica e anti-scrophulosa. 

Como excitante, se administra em in- 
fuso na dose de 16 grammas para 500 
grammas d' agua. 

Caracteres da famlia. Uma das 
famlias mais naturaes do reino vegetal. 

As Umhelliferas so vegetaes herb- 
ceos, raras vezes subfructescentes, cujo 
caule frequentemente co. 

As folhas alternas, invaginantes na 
base , geralmente compostas , de um 
grandssimo numero de segmentos ou 
de foliolos. 



ANG 



ANG 



37 



As flores, sempre pequenssimas, bran- 
cas ou amarellas, so dispostas em um- 
brellas; s vezes acliam-se na base da 
umbrella foliolosinhos cuja reunio cons- 
tltue o invlucro, e chamam-se invo- 
lucellos quando so collocados na base 
das umbellulas. 

Cada flor se compe de um clice 
adherente ao ovrio, que infero, e 
cujo limbo inteiro ou apenas den- 
teado ; de uma corolla formada de cinco 
ptalas mais ou. menos patentes ; de 
cinco estames epigynicos alternos com 
as ptalas; de um ovrio de duas lojas 
contendo cada uma um ovulto deitado, 
coroado no pice por um disco epygi- 
nico e bilobado ; de dois estjletes, ter- 
minado cada um d'elles em um es- 
tigmasinho simples. 

O fructo um diakenio de forma va- 
riadissima, separando-se quando araa- 
duresce em dois akenios monospermicos 
reunidos entre si por uma columella- 
sinlia filiforme. 

A semente deitada e contm dentro 
de um endosperma bastante grosso um 
pequenssimo embryo axil. 

Angreliea aiiansa. Guettarda 
Anglica^ Mart. Canthium fehrifugtim . 
Fam. das Ruhiaceas. Arbusto agreste, 
indgena do paiz, habitante do litoral. 

de mediana altura, ramoso, po duro, 
casca escura, folhas oppostas ovaes e 
duras. 

Flores em cachos, como anglicas pe- 
quenas, amarellas, com algum cheiro. 

O fructo uma drupa globosa, pe- 
quena, coroada por uma cristasinha cir- 
cular no pice, e branca quando madura; 
dentro tem duas sementes ; o corpo do 
fructo molle, doce, aquoso, e come- 
se. 

A raiz muito dura e acastanhada. 

Propriedades medicas. A raiz um 
dos melhores tnicos e febrfugos da 
nossa matria medica ; por occasies da 
epidemia da febre amarella, a medicina 
popular lanou mo d'ella com muita 
vantagem, na dose de 10 grammas para 
500 grammas d'agua. 



Caracteres da famlia. Acham-se 
n'esta familia plantas herbceas arbus- 
tos e arvores de grandssima altura. 
As folhas so oppostas ou verticil- 
ladas ; no primeiro caso, ellas ofere- 
cem de cada lado uma estypula intra- 
peciolar, que muitas vezes se une com 
os lados do peciolo, e forma uma 
espcie de bainha. 

As flores so axillares ou terminaes, 
algumas reunidas em capitulo. 

O clice adherente pela base com o 
ovrio infero, tem o limbo inteiro ou 
dividido em quatro ou cinco lobos 
mais ou menos profundos e persisten- 
tes. 

A corolla gamoptala, regular, e 
pigynica, de quatro ou cinco lobos. 

Os estames so em numero igual ao 
dos lobos da corolla e alternos com 
elles. 

O ovrio infero, terminado por um 
estylete simples ou bifido. 

Este ovrio apresenta duas, quatro, 
cinco ou maior numero de lojas, cada 
uma das quaes contm um ou vrios 
vulos erectos ou presos ao angulo 
interno das lojas. 

O fructo muito varivel. Ora com- 
pe-se de duas pequenas capsulas mo- 
nospermicas e indehiscentes ; ora 
carnoso, e encerra dois ncleos mo- 
nospermicos ; em certos gneros, uma 
capsula de duas, ou mais lojas que 
se abrem por outras tantas valvas, ou 
um fructo carnoso e indehiscente. Este 
fructo sempre coroado no pice pelo 
limbo calicinal. 

As sementes algumas vezes aladas e 
membranosas na beira, contm em um 
endosperma duro e carnoso, um em- 
bryo axil e recto, ou s vezes collo- 
cado de travs relativamente do hilo. 

Aisg:elica lo mato. Gentiana 
rubra. Fam. das Gentianaceas. Esta 
planta natural do paiz, conhecida 
em Minas Geraes por este nome. 

A raiz mui amarga e um tanto 
aromtica. 

No Brasil pde substituir a Genciana, 
da Europa. 



38 



ANG 



ANG 



Aii$;'*^l'i<^**- Aristolochia glandulosa. 
AristolocMa trilohata, Willd. Fam. das 
ristolochiaceas. Esta planta tem rece- 
bido diversos nomes botnicos, e co- 
nhecida em Pernambuco pelo nome 
dado acima. 

uma planta silvestre e trepadeira. 

Tem o caule rolio e escuro. 

Folhas trilobadas, tambm escuras. 

As flores exquisitas, parecem um 
jarrinho. 

O fructo uma capsula que tem seis 
faces ou ngulos, f vulgo gommosj e 
dentro muitas sementes. 

A raiz tuberosa, rugosa, escura e 
de cheiro um tanto activo. 

Quasi todas as plantas d'este g- 
nero tm mais ou menos as mesmas 
propriedades. 

Propriedades medicas. A raiz 
um poderoso antidoto contra as mor- 
deduras das cobras, e muito empre- 
gada pela medicina popular contras as 
febres intermittentes e perniciosas, na 
dose de 16 grammas para 500 gram- 
mas d'agua. 

Caracteres da famlia. Familia 
composta dos dois gneros : Aristolo- 
cMa e Azarum. 

So plantas herbceas ou fructescen- 
tes volveis de folhas alternas e in- 
teiras, flores axillares. 

O clice regular, de trs divises 
valvares, ou irregular, tubuloso, e for- 
mando uma linguta ou lbio de for- 
mas muito variadas. 

Os estames so, em numero de dez 
ou doze, inseridos no ovrio, ora livres 
6 distinctos, ora unidos intimamente 
com o estylete e o estigma, e for- 
mando assim uma espcie de mamillo 
posto no ajDice do ovrio. 

Na partes lateraes, este mamillo 
traz as seis antheras que so bilocu- 
lares, e no cimo termina em seis l- 
bulos que podem ser considerados como 
estigmas. 

O fructo uma capsula, ou uma 
baga de trs ou seis lojas, contendo 
.cada uma d'ellas um grandssimo nu- 



mero de sementes, encerrando um pe- 
queno embryo collocado em um endos- 
perma carnoso, 

ABa|;;eliiii siiiiiar^foso. Geofjroea 
vermfuga, St. Hil. Andira anthetmin- 
tica, Marl. Fam. das Legimiinosas. 
Arvore oriunda do paiz ; vegeta nas pro- 
ximidades do litoral. 

copada, de folhagem bonita e lus- 
trosa. 

As flores em densos cachos, so roi- 
xas, de quasi nenhum aroma ; parecem 
borboletinhas. 

O fructo que um legume drupaceo 
verde, ainda quando maduro, asseme- 
Iha-se a uma manguinha ; tem um ca- 
roo grande relativamente ao fructo ; 
a amndoa branca e amarga: o caroo 
viscoso. 

A madeira d'esta arvore procurada 
para as obras internas de construco 
urbana e especialmente para assoalhos 
e portas; bastante porosa, amarga, 
e absorve muita tinta. (Sald. da Gama). 

Propriedades medicas. O p do An- 
gelim tomado na dose de 5 decigrammas 
a 1 Ki gramma com leite considerado 
como um excellente vermfugo, em maior 
dose obra como drstico enrgico. 

Ang-eliiift coco. V. Urarema. 

Aiagreliiit tloce. Skolemora per- 
namhtcensis .1 Arr. C. Andira vermifuga, 
Mart . Fam . das Leguminosas . Arvore 
indgena do paiz, a qual no fcil 
achar-se nas proximidades do litoral 
como a outra, que at se encontra nas ca- 
poeiras. Esta espcie s se encontra 
nas mattas virgens. 

O tronco d'esta arvore inerme, ra- 
mos com casca grossa, folhas oppostas. 
foliolos ellipticos ; glabros por cima. 

As nervuras da face inferior dos fo- 
liolos so cr de ferrugem e avelludadas. 

As flores paniculadas, e os clices roi- 
xos escuros e lanuginosos. 

O fructo uma drupa oval com uma 
amndoa quasi de 3 centmetros de com- 
primento, branco quando fresco, e ama- 



ANG 



ANG 



39 



rellado quando scco, de sabor amargo e 
acre. 

Propriedades medicas. As sementes 
so anthelminticas, e teis no curativo 
das ulceras ; mas devem ser empregadas 
com cautela e com muita prudncia, por 
que dadas em alta dose podem causar a 
morte, 

Internamente 3 decigrammas ?l l % 
gramma do p para os menores de trs 
a dez annos, em meia chicara de leite, 
adoado com assucar. 

AnieIiBi pedra. Andira s^ecta- 
Mlis^ Sala. Fam. idem. Arvore do 
paiz, vegeta nas provncias do sul do 
Imprio. 

As folhas so compostas, imparipe- 
nadas, o peciolo commum um tanto 
convexo, expesso, flexvel, coberto de 
pellos de pouco mais de 15 centme- 
tros de comprimento, poucas vezes 
glabro e canaliculado. 

Os peciolos parciaes so rgidos e 
extremamente curtos. 

Os foliolos em numero de onze ou 
treze para cada folha so sempre op- 
postos com um terminal no maior nu- 
mero de casos. 

A forma dominante a elliptica, 
raras vezes so obovaes, mas sempre 
coriaceos, lustrosos e speros no dorso ; 
pelludos e de um verde menos intenso ; 
a manifesta salincia das nervuras na 
pagina inferior de cada foliolo contri- 
bue eficazmente para que esta super- 
fcie seja rude ao tacto. 

Flores rosadas, de cinco dentes, dos 
quaes trs so iguaes e mais distinctos, 
e dois menores agudos e apenas per- 
ceptveis ; a superfcie externa d'este 
rgo semeada de pellos inclinados 
e deitados longitudinalmente, que com- 
municam-lhe um brilho assetinado. 

O fructo uma vagem ou drupa, 
indehiscente emconospermica ; encerra 
uma polpa branca no comestvel. 

No interior d'esta massa existe uma 
semente (amndoa) que luzidia e 
carnosa. 

A madeira emprega-se em algumas 



obras externas e em todas as internas. 
(Fig. 4). 

Aitg:eliiii Rosa. Peraltea Ery- 
tliryyiofoUu, Sald. Fam. idem. 
Esta arvore habita nas provncias do 
sul do Imprio : conhecida nos mu- 
nicpios de Campos e S. Fidelis por 
Folha larga, no municpio neutro por 
Mangol e Angelim o-osa, e na Parahyba 
do Sul por Catago. 

Eleva-se a prumo, depois decresce 
tornando-se um pouco curvo. 

As folhas so compostas, tiifolioladas 
e imparipennadas, os foliolos em nu- 
mero de trs cada folha, so vistosos; 
dois oppostos e um terminal, de forma 
oval e cr verde pouco intensa, so 
esbranquiados no dorso onde as nervu- 
ras so mais salientes, e pde-se observar 
a disposio regular das nervuras 
px*incipaes. 

As flores so arroxeadas, em panicula 
pouco regular. 

Clice escuro, amarellado, irregular, 
um pouco bojudo na base com cinco 
divises desiguaes ; dois dentes so re- 
flexos e correspondem maior ptala 
da corolla. 

Corolla arroxeada e papilionacea, o 
estandarte reflexo, ligeiramente un- 
guiculado, dobrado transversalmente, 
emarginado, inteiro, branco do meio 
para a base, esverdinhado no centro, 
e violceo em dois teros, da sua su- 
perfcie ; o angulo reintrante do pice 
tem o seu vrtice no ponto em que 
comea a mancha esverdinhada do 
limbo da ptala. 

As duas azas so igualmente colo- 
ridas, obovaes e sustentadas por um 
pequeno unguiculo, de alguma consis- 
tncia, curvo e lateral. 

Pistyllo simples, ovrio livre, depri- 
mido um tanto luzidio ; estyllete curvo 
e em estigma linear; uma loja e qua- 
tro vulos . 

O fructo um legume de 24 cent- 
metros de comprimento, e de 4 cent- 
metros de largura. 

As sementes so em numero de trs, 
unidas placenta, cada uma por um 



40 



ANG 



ANI 



curto podosperma, so curvas, anatro- 
pas, e a micropyla corresponde ao lado 
concavo. 

A amndoa carnosa, adocicada e 
comestivel ; e encerra um embryo epis- 
permico, cujas cotyledones so planas 
e feculentas . 

A madeira vermelha, leve, visivel- 
mente porosa, de tecido pouco con- 
sistente e de um aroma agradvel. E 
empregada nas obras internas. (Fig. 5.) 

ABig:ieo. Piptadenia colubrina, Bth. 
Accia virginalis^ Pohl. Accia An- 
ffico, Mart, Fam. idem. Arvore syl- 
vestre, originaria do paiz, e habitante 
das proximidades das catingas. 

Indubitavelmente uma dasbellas ar- 
vores que ornam as selvas brasileiras ; 
seu porte elevado, tem uma casca par- 
da, e folhagem mida, em palminhas ; 
ramagem bem disposta, com innume- 
ras flores brancas, globosas, pequenas, 
e com algum cheiro. 

Seus fructos so pequenas vagens 
chatas, pardas, de sementes pequeninas. 

O Angico do numero das arvores 
que perdem as folhas, quasi sempre 
entre o outono e o inverno ; os ramos 
ficam em completa nudez. 

considerada como uma das ma- 
deiras melhores de construcco, em- 
prega-se ordinariamente para esteios 
no s nas obras expostas ao ar, mas 
tambm nas internas, na confeco de 
navios, e moveis, etc, etc. 

Propriedades medicas. A casca do 
Angico amarga e adstringente, o 
seu cosimento empregado em banhos 
contra as leucorrhas, inchaes das 
pernas, ulceras, etc. 

A tintura feita com as folhas um re- 
mdio enrgico nas contuses, talhos, e 
dizem que nas commoes cerebraes. 

A gomma muito usada e applica-se 
nos casos em que costuma-se empre- 
gar a gomma arbica, j fazendo-se 
solues analepticas, e j trazendo-se 
na boca, nas molstias de peito e em 
geral contra todos os soffrimentos das 
vias respiratrias. (Fig. 6.) 



Aiigieo tle Minas. PithecolloUim 
gummiferum. Fam. idem. 

Propriedades medicas. As mesmas 
acima mencionadas. 

Angirolva. V. Andiroha ou Gen- 
diroha. 

Angiiay. Mirospermum, guarani- 
cicum. Fam. idem. V. Cahoreha. 

Ait@:iiria. F. Melancia. 

An ^ ti atura. Evodia febrfuga. 
a Larangeira do mato da Bahia e de Ser- 
gipe. 

Anlan;aBia. V. Aninga-jpari. 

Anal fresador. Cissus iinctoria. 
Mart. Fam. das Ampelidaceas . usado 
na tinturaria; resiste aco dos al- 
calis. 

Acha-se nas montanhas e plancies 
dos sertes. 

Anilera cia Inaia. Indigofera 
Anil., Li.m.., Sf. e Lamcli. Fam. das Legu- 
minosas. Planta originaria das ndias 
Orientaes, naturalisada nas Antilhas e 
no Brasil. 

uma planta herbcea s^iblenhosa, 
ramosa, de cr verde esbranquiada e 
pelluda. 

As folhas so em palmas, de figura 
elliptica e compridas. 

As flores em cachinhos, midas, ver- 
melhas, misturadas de verde. 

Os fructos so vagens um tanto cylin- 
dricas, curvadas; acabam por uma ponta 
aguda ; semente como a do feijo. 

Esta planta tem o principio corante 
azul, do qual se extrahe o anil do com- 
mercio. 

Anilei psift le Pmanalmo. 
Indigofera pernamlucensis. Fam. idem. 
Contam-se 27 espcies de arbustos que 
do imia substancia vulgarmente conhe- 
cida com o nome de Anil. 

A maior parte indgena e prpria dos 
climas intertropicaes. 



ANI 



ANI 



41 



A situao topograpliica do Brasil 
tal que o Anil d natural e espontanea- 
mente. 

Foi o Anil j um ramo importante de 
exportao no Brasil ; a plantao e fa- 
brico d'esta substancia corante fez gran- 
dssimos progressos em varias provn- 
cias, e com especialidade na de Pernam- 
buco, no lugar de Beberibe, e na do Rio 
de Janeiro, e nas visinhancas de Cabo- 
Frio ; e se este ramo de industria to pro- 
veitoso e til veio a decair, no deu a 
isso occasio nem a m qualidade das 
anileiras indgenas do Brasil, nem a des- 
peza proveniente da colheita das folhas 
e fabrico do Anil em pasta; mas sim a 
desgraada e mal entendida cobia dos 
lavradores e fabricantes, que, para lhe 
augmentarem o pezo lhe juntavam subs- 
tancias estranhas diversas, falsificao 
que redundou em detrimento d'elles e em 
menoscabo do Anil do Brasil, 

Conhecem-se em Pernambuco duas es- 
pcies d'esta planta que passamos a des- 
crever. 

Subarbustosinho de 1 % a 2 K. metros, 
no mximo; folhas em palmas de um 
verde desbotado e embaciado ; flores dis- 
postas em cachinhos pyramidaes, pe- 
quenas, de cr amarella ou encarnada. 

Os fructos pegados em feixes peque- 
nos, so vagens de 3 centmetros, ro- 
lias curvadas, ponteagudas, com se- 
mentes como o feijo. 

Eis-aqui a primeira espcie; porm 
na segunda d-se o seguinte : baixa, 
os ramos so angulosos em sua sum- 
midade. 

As folhas alternas pinnadns de qua- 
tro a seis pares, impares, subovaes, 
mucronadas. 

Estipulas na base dos pednculos 
communs . 

Flores de clice campanulado, de 
cinco dentes pouco pelludos, estan- 
darte revirado para cima, oval, oblongo, 
estirado, de cr encarnada do pice 
para o centro, azas oblongas auricu- 
ladas, vermelhas, carinas de duas p- 
talas na base, fendidas no pice, uni- 
das em capuz, de bordas vermelhas. 



Nove estamos em duas phalanges, 
antheras com duas lojas, de 1 a 8. 

Estylete recto, e estigma subcapitado. 

Estas plantas tem o principio co- 
rante azul, nos seus tecidos, que desen- 
volve na macerao com ou sem tri- 
turao. 



Anal dos iiofires. 

matto. 



V. Amida do 



Anima ntenilseca. Maranla aqu- 
tica. Fam. das Marantaceas. um.a 
planta paraense, do porte das peque- 
nas bananeiras, quasi sempre de flores 
brilhantes. 

AniBig:a. Arum Lenifenm^ Arr. 
Cam. Fam. das Araceas. Arbusto 
de 2 a 3 metros de comprimento de 6 
a 9 centmetros de dimetro, direito 
cylindrico, de cr verde acinzentado, 
marcado de cicatrizes deixadas pelas 
folhas que tem cabido, a substancia 
esponjosa, sumarenta, molle. 

]S"esta substancia se acham nume- 
rosas fibras longitudinaes, compridas, 
grossas como a crina da cauda dos 
cavallos brancos. 

As folhas tem um pouco mais de 36 
centmetros de comprimento, e a mesma 
largura na base. 

Peciolos amplexicaules de % metro 
de comprimento, accumulados desde a 
base at o meio onde o canal acaba 
em um appendice de 6 a 9 centme- 
tros; o resto cylindrico. 

Flores axillares e solitrias. 

Clice e a espatha mais longa, que o 
espadice, tem quasi 36 centmetros de 
comprimento. 

Estames numerosos. 

Pericarpo, vrios bagos na base do 
espadice. 

Esta planta encontra-se em Pernam- 
buco abundantemente nos pntanos , 
dos quaes muitos esto quasi cobertos 
d'ella. 

A substancia do caule da planta 
esponjosa e cheia de um tecido acido 
que reage sobre os metaes; os cam- 
ponezes se servem d'elle para limpar 

8 



48 



ANl 



APE 



facas, canos de espingardas, e qualquer 
metal em estado de oxidao. 

O nosso illustrado comprovinciano , 
Dr. Arruda Camar, extraliio d'ellc bom 
cordame que o dotado de uma gran- 
dssima forca ; as fibras teciveis esto 
postas longitudinalmente na polpa, e 
n'ella no esto fortementes pegadas ; 
separam-se com facilidade pelas opera- 
es do debulho e da lavagem. 

PROPmEDADES MEDICAS. O succo d'esta 
planta acre e empregado como mon- 
dificativo das ulceras atonicas. 

Usa-se em cataplasmas macliucando- 
se as folhas. 

O cosimento feito com 30 grammas 
de folhas para 500 grammas d'agua em 
banhos ou fomentaes til nas dores 
rheumaticas ; 3 decigrammas a 1 1/2 
gramma de raiz de Atiinga secca tem 
dado bons resultados no hydrothorax. 

AsBBiga l'a|::ua. Calattim Sfi- 
nescens. Fam. idem. Planta de aspe- 
cto semelhante ao Tmhoro, ou Taioba. 

Propriedades medicas. As folhas 
d'esta planta so com proveito appli- 
cadas nas ulceras grangrenosas ; as 
sementes cosidas ou assadas, comem-se. 

Aiiis;a-il>a. V. Aninga. 

AniiiM:a-|>ag*i. Melastoma parvi- 
flora, Lamck. Couciuea. (?) Fam.das Me- 
lastomaceas. Arbustosinho de folhas op- 
postas, ellipticas, flores cr de rosa e 
que tem por fructo uma capsula de 
muitas sementes midas. 

Propriedades medicas, As folhas 
seccas e pulverisadas so teis no cu- 
rativo das ulceras ; tambm frescas e 
pisadas applicam-se para o mesmo 
fim. 

Caracteres da famlia. As Melas- 
tomaceas so grandes arvores, arbus- 
tos , fructices ou plantas herbceas , 
tendo folhas oppostas, simples, muni- 
das geralmente de trs a cinco, e mesmo 



at de onze nervuras basilares, donde 
parte um grandssimo numero de outras 
nervuras transversaes e parallelas muito 
approximadas. 

As flores, algumas vezes mui grandes, 
oferecem de alguma maneira todos os 
modos de inflorescencia. 

O clice gamosepalo, mais ou menos 
adherente ao ovrio, que infero ou 
semi-infero. 

Seu limbo as vezes inteiro ou den- 
teado, ou emflm de quatro ou cinco di- 
vises mais ou menos profundas; rars- 
simas vezes elle forma uma espcie de 
capsula ou operculo. 

A corolla se compe de quatro a cinco 
ptalas. 

Os estames so em numero duplo das 
ptalas. 

Suas antheras apresentam as formas 
mais variadas e mais singulares, e se 
abrem no pice por um orifcio ou poro 
commun s duas lojas. 

O ovrio algumas vezes livre, fre- 
quentssimas vezes adherente ao clice; 
elle of'erece de trs a oito lojas cada 
uma contendo um grandssimo numero 
de ovulas. 

O pice do ovrio muitas vezes co- 
berto de um disco epigynico. 

O estylete e o estigma so simples. 

O fructo ora secco, ora carnoso, ofe- 
recendo o mesmo numero de lojas que 
o ovrio ; fica indehiscente, ou se abre 
em outras tantas valvas septiferas no 
meio da face interna. 

As sementes so reniformes e contm 
um embryo levantado ou ligeiramente 
curvo ; mas sem endosperma. 

Aiin^a-iiva. PMloenrou arho- 
recens. Fam. das Araceas. 

Propriedades medicas. As mesmas 
que as da Aninga. 

Anua VitvUx. Cayaponea globoza. 
em Minas a purga de Carij. 

Aperta Ruo. Pifer aduncum, 
Vell.Fam. das Piperaceas. 



AKA 



ARA 



43 



Propriedades MEDICAS, Como ads- 
tringente muito empregado em banhos. 

Internamente obra tambm como 
desobstruente. 

Apog-itag:oai*a. EsemhecMa in- 
ter media ^ Mart. Fam. das Rutaceas. 
S. Paulo. 

Propriedades medicas. A casca 
d'esta planta anti-febril- 

Aposteineira. Furnera fostida. 
Fam. das Tumeraceas. Esta espcie 
do Maranho. 

Propriedades medicas. empre- 
gada para apressar a suppurao dos 
tumores. 

Apotiacoraoa Fam. das Eu^phor- 
biaceas. uma planta do Par. 
Ha duas espcies. 

Propriedades medicas. Uma em- 
pregada na tosse aecca, outra nas in- 
flammaes de olhos. 

Apoya ? a PsycTiotria emtica no 
Espirito Santo. 

Apuy. FicHs. Fam,. das Urticaceas. 
Planta do Par. 

Propriedades medicas. O sueco lei- 
toso e as folhas so empregadas como 
calmante. 

Arai. Psidmm Ara, Psydium po- 
miferum, Linn. Fam. das Myrtaceas. 
Na Bahia este ara chamado Ara- 
mirim. 

E em todo o Imprio conhecida esta 
fructa, e existe em todo o seu terreno 
com este mesmo nome. 

Provm de um arbusto mdio, de 
casca liza, esbranquiada, folhas oppos- 
tas ovaes, quasi redondas, grossas, um 
tanto pelludas, com cheiro quando com- 
primidas. 

As flores so reunidas em pequeno 
numero brancas, com algum cheiro ; 



e como uma rosap equenasingela com 

um feixe de filetes, brancos no centro 

no p da flor ha um engrossamento; 

verde com o cimo dividido em cinco 

1 aminas ; ahi se desenvolve o fructo 

que oval, amarello quando maduro, 

coroado de cinco palhetinhas, contendo 

muitos gros reniformes, envoltos em 

uma polpa acre-doee. 

O Ara til nas artes, onde os 
grelos servem para a preparao de 
tintas. Com elle faz-se gela , doce , 
aguardente e licores. 

Propriedades medicas. Na medicina 
popular empregam-se as cascas, as 
summidades e tambm as folhas como 
poderoso adstringente na dose de 16 
grammas para 500 grammas d' agua. 

Ara bravo. Angofora pseiido- 
carpa. Fam. idem. um arbusto de 
nosso paiz, de caule liso esbranquiado, 
folhas oppostas ; flores em espigas ; 
corolla branca de quatro ptalas ; es- 
tames numerosos ; antheras de duas 
lojas redondas ; estyletes simplices. 

O fructo, baga ovide trilocular, mo- 
nospermica, contm muitos gros re- 
niformes com polpa doce. 

A madeira d'esse arbusto procurada 
para encaibramento de nossas casas, e 
para estacas de cercas; eilas so do- 
tadas de uma durao enorme. 

As variedades de Aras produzem 
fructos comestveis, insignes pela sua 
matria saccharina e pela unio da 
mucilagem com o principio adstrin- 
gente, o que os torna nutritivos e 
corroborantes dos intestinos. 

Ara do rasn|io. Psydiim me- 
diterraneufii. Far. idem. um ara- 
aseiro que em Sergipe tem este nome, 
e nas Alagoas o de Ara do mato e tam- 
bm Cumati, designao porque tambm 
o conhecem em Pernambuco. Para o 
sul de Sergipe do-lhe o mesmo no- 
me. 

O arbusto mais elevado que o Ara 
mirim ; no mais o mesmo excepto a 
fructa, que menor, mais doce e de cr 



44 



ARA 



ARA 



pallida; verde amarellada; suas flores 
so brancas e cheirosas ; folhas midas. 

Ara cago. Psydmm. Fam. 
idem. Fructo agreste e tambm culti- 
vado na Bahia por tal nome, e em Per- 
nambuco comprehendido na espcie de 
Ara ass, porque elle semelhante a 
este, diferindo somente em ter a base 
mais despontada e ser menor. 

Todos os Aras possuem a propriedade 
de ser mais ou menos adstringentes. 

Ara dasai Catinga. Psyium^ 

Fam. idem. Esta espcie, indgena, 
tambm semelhante precedente, mas 
distingue-se porque o fructo quando ma- 
duro, torna-se amarello cr de gemma 
d'ovo; as folhas midas e lanceoladas, 
o fructo muito doce. 

Ara Coiigonlia do campo. 

Psydiuu suaveolens^ St. Hil. Fam. idem. 

outra espcie de Ara que d nas 
mattas de Minas Geraes, com o nome de 
Congonha do campo f?) ; differena-se em 
ter as folhas mais longas que o ordinrio. 

As flores so solitrias e cheirosas. 
O fructo pequeno, como o do Ara 
mirim., at menor. 

Tem unicamente trs sementes dentro. 
A cr do fructo amarella. 

Ara gtia. F. Goiala. 

Ara lo iiiatto. F. Ara do 
Campo. 

Ara mirim. F. Ara. 

Ara de Alanas Geraes. 

Psydium alhidurn.. St. Hil. Fam. idem. 

C. idem. Esta espcie nasce em 
S. Joo d'El-Rei, em Minas; tem as 
folhas mais pelludas, ellipticas ovaes, 
e reviradas. 

As flores so solitrias, e os fructos 
ovaes, esbranquiados, pelludos. 
Fructifica em Maro e Junho. 

Ara de Illnas Geraes. Psy- 
dium, incanescens , Mart. Fam. idem. 



esfoutra espcie do mesmo lugar 
S. Joo d'El-Rei. 

um arbusto de folhas oppostas 
como as outras, ovaes, reviradas, quasi 
sem peciolo. 

O fructo quando novo obovoide. 

Flores no vimos. 

Ara de Alinas Geraes. Py- 
dium microcarpum., St. Hil. Fam. idem. 
Esfoutra espcie do mesmo lugar 
acima dito, um arbusto mui seme- 
lhante ao precedente. 

O fructo globoso, de gosto agrad- 
vel ; de cr verde, ainda quando ma- 
duro. 

Segundo St. Hilaire maior que os 
outros. 

Ara de Minas Geraes. Psy- 
dium cuneatum., St. Hil. Fam. idem. 
Este Ara do mesmo lugar que os 
outros, e d'elles pouco differe ; suas 
folhas porm so mais oblongas, e o 
fructo pyriforme, liso e de gosto agra- 
dvel . 

Ara de pedra. Psydium oli- 
gospermum, Mart. Fam. idem. Este 
Ara., assim chamado na Bahia, 
semelhantssimo no arbusto do Ara- 
mirim ou ordinrio ; mas o fructo ordi- 
nariamente mais redondo, e com a 
superfcie ondulada, muitas vezes com 
um ponto lateral preto, indicando putre- 
faco ; tem um caroo grande, ondu- 
lado ; oferece pouca polpa, mas essa 
mais doce que a do ordinrio. 

Ara da praia. Psydium litto- 
rale., Raddi. Fam. idem. Arbusto de 
Minas. 

Este Ara muito semelhante ao 
Ara ordinrio. 

Vegeta na cidade de Mariana, em 
Minas Geraes, e S. Paulo. 

Ara de S. Vsknlo. Psydium, 
multiflorum. St. Hil. Fam. idem. 
Esta espcie cresce na provncia de 
S. Paulo. 

um arbusto de folhas ellipticas, 



ARA 



ARA 



4S 



pubescentes ; flores em cachos ; fructo 
no examinado. 

Ara-rania. arvore que nasce 
pelas margens dos rios, no Par; suas 
raizes servem de alimento s tarta- 
rugas. 

AraziMlio do mato. Dama 
fragrans. Fam. das Melastomaceas. 
um arbusto elegante, e indgena do 
paiz, conhecido nas Alagoas por este 
nome. 

ramoso, casca fina, folhas ovaes, 
lisas e oppostas. 

Flores em feixes, por todas as par- 
tes da planta, as quaes so brancas e 
mui cheirosas. 

O fructo uma baga globosa, coberta 
de uma pellicula e contm dentro 
uma polpa aquosa, com muitos grosi- 
nhos na parte central. 

Come-se esta polpa, que boa. 

Quando est florida, esta planta 
derrama pelas suas visinhanas um 
bello aroma. 

AraitziiEio ou\.va^\ tio anato. 

Psydium. Fam. idem. um ar- 
busto, ou arvoreta, conhecida em Per- 
nambuco por tal nome. 

A sua casca cinzenta lisa, a fo- 
lhagem mida, as flores pequenas e 
brancas . 

A madeira dura, excellente para 
estacas, esteios, carvo, e lenha. 

Aracui. V. Arari. E o nome 
que se d ao Angelim em varias pro- 
vncias. 

AraraiiiBi. F. Curatatina. 

Arapabaca. F. Lomhrigueira. 

Arapiraca. uma arvore de 
Sergipe, de lenho indestructivel . 

Arapoca aiiiarella ou Giira- 

taiapoca. Gali-^ea dicioma. Fam. 
das Rutaceas. Arvore que vegeta nas 
provncias do sul do Imprio. 



Suas folhas so simples e alternas, 
vistosas e de forma varivel ou inde- 
terminada, oblongas, algumas obovaes 
oblongas, e um tanto coriaceas. 

As flores de grandeza regular. 

O fructo uma pequena capsula co- 
riacea, com cinco depresses e cinco 
lojas. 

A madeira branca, com um ligeiro 
brilho assetinado, e o tecido frouxo, 
o seu emprego muito limitado ; 
apenas procurado como elemento as- 
sas secundrio em algumas obras in- 
ternas, que no exigem maior solidez, 
ou que so creadas para satisfazer ne- 
cessidades de momento. (Fig. 1.) 

Arariba. F. Raivinha. 

Araroba. Fam. das Leguminosas. 
O p d'esta planta muito usado 
na arte de tinturaria, e o mesmo p 
empregado nas molstias herpeticas, 
friccionando-se a pelle. 

Araruta. Maranta arundinacea , 
Li/m. e Willd. Fam. das Maraiitaceas . 
uma herva oriunda do paiz, conhecida 
em todo o Imprio por tal nome. 

A Araruta (farinha) uma fcula extra- 
hida das raizes d'esta planta. 

As folhas da planta so estreitas, 
oblongas , engastadas n'um pequeno 
caule. 

As flores brancas, semelhana de 
borboletinhas. 

O fructo uma capsula com alguns 
gros. 

, como j dissemos, da raiz, que se 
extrahe a fcula, a Araruta do commer- 
cio prpria para uso dos doentes, conva- 
lescentes, etc. 

Tambm presta-se para engommar a 
roupa. 

Araticiaiit ap ou do mato. 

Anona silvatica, St. Hil. Fam. das Ano- 
naceas. Arvoreta silvestre; seu nome 
quasi geral. 

Tem o po branco e a casca escura, 
folhas alternas grandes e ellipticas. 

Flores carnosas, desmaiadas, como a 
flor do Araticmn j}anan e outros. 



46 



ARA 



ARA 



O fructo lima baga globulosa, cuja 
superfcie composta de escamas acha- 
tadas, molles, de cr verde, amarellado 
na maturidade ; dentro composto de 
bagos de massa branca, com um caroo 
cada uma ; muito boa ao paladar. 

A casca d excellente corda, cuja du- 
rao admirvel. 

Propriedades medicas. As folhas e 
fructos do Aratzcum so bechicos: 2gram- 
mas do fructo fervido em 250 grammas 
d'agua tomado s chicaras, um excel- 
lente remdio na diarrhae dysenteria. 
Usam-se tambm em clysteres, e ap- 
plicam-se as folhas sobre o ventre. 

As folhas pisadas e misturadas com 
leo so maturativas. 

Dos fructos se pode extrahir vinho. 

Caracteres da famlia. As Anona- 
ceas so arvores ou arbustos de folhas 
alternas simples, desprovidas ' de esti- 
pulas, caracter que as distingue sobre 
tudo das Magnoliaceas. 

As flores ordinariamente axillares, so 
algumas vezes terminaes. 

O clice persistente de trs divises 
profvmdas. A corolla formada de seis 
ptalas dispostas em duas ordens. 

Os estames so muito numerosos, for- 
mando varias fileiras. 

Os filetes curtos, e as antheras quasi 
sesseis. 

As carpellas, em geral, em grande nu- 
mero reunidas no centro da flor, so ora 
distinctas, ora soldadas entre si ; cada 
uma d'ellas oferece somente uma loja 
que contem um, ou diversos vulos li- 
gados sua sutura interna e formando 
muitas vezes duas fileiras longitudi- 
naes. 

Estas carpellas constituem outros 
tantos fructos distinctos (raras vezes 
um s em consequncia de abortarem 
os outros ; s vezes elles se pegam 
todos entre si, e formam uma espcie 
de cone carnoso e escamoso. 

As sementes tm seu tegumento for- 
mado de duas laminas. 

O endosperma, em forma de chifre 
profundamente sulcado, contendo um 



pequeno embryo recto, collocado na 
base do perisperma. 

Araticunt l'ara. Anona are- 
naria. Fam. idem. E uma espcie 
semelhante s outras ; arbusto ramo- 
so ; casca lisa, esbranquiada, folhas 
grossas oblongas : d flores caulinares 
como as das outras espcies j des- 
criptas. 

O fructo tem as proeminncias da 
casca, pouco sensveis. 

As sementes so pretas, o eixo cen- 
tral occupa grande espao. 

Do po fazem-se arcos de barril, e 
da casca cordas. 

Araticiiiii do lirejo. V. Ara- 
ticwm panan ou do rio. 

AratieiB lo canapo. Anona 
cornifolia., St. Hil. Fam. idem. Esta 
espcie vegeta nos sertes do Rio de 
S. Francisco, S. Paulo, Minas Ge- 
raes, etc. 

Semelhante s suas congneres, tem 
comtudo, as flores um tanto pelludas. 

O fructo escamoso, globoso ou 
oval. 

Tambm conhecida esta espcie por 
Araticum das Caatingas. 

Ars^tieiBiii cag;o. Anona furfu- 
racea, St. Hil. Fam. idem. O tronco 
d'esta espcie esgalha quasi sempre, 
desde a base formando uma touceira. 

As folhas oblongas, cobrem-se mui- 
tas vezes de uma poeira esbranquiada 
e tem mo cheiro. 

A flor e o fucto nas mesmas con- 
dies ; mas as sementes so amarei- 
las. 

A amndoa, pisada com aguardente, 
mata os piolhos da cabea ; o cheiro 
da fructa bom. 

Tambm d corda e madeira para 
arcos de barril. 

Araiieiiii iiaisan. Anona paliS' 
ris, Linn. Fam. Idem. Esta esp- 
cie cresce nos paes e brejos. E' ra- 
mosa ; as folhas menores do que as j 
citadas ; e as flores tambm. 



ARC 



ARG 



4f 



O fructo uma baga ; tem sementes 
de um vermelho escuro, e no se come. 

A raiz tem o lenho frouxo, serve de 
cortia, muito porosa, ptima para 
afiadores de navalhas, para rolhas, etc. 

Araticiini ponli. Anona Marc- 
gravii, Mart. Fam. Idem. Este Arati- 
cvm tem as mesmas qualidades do 
Araticum do mato^ cultivado. 

i%rafticiiii& cio rio. Anona syi- 
nescens, Mart Fam. Idem. Tem as 
mesmas propriedades dos outros ; mas 
seu fructo mais empregado em cata- 
plasmas para limpar as ilceras, e ama- 
durecer os abscessos. 

As sementes em. p, combatem a 
ptiriasis infantilis, isto , o Mclio su- 
Xierficial., polvilhando-se a parte afec- 
tada. 

Araticiiiit (le Santa Catlaari- 

na. RoUinia salicifolia. Fam. Idem. 
Tem os caractersticos das outras 
espcies. 

ArcaiBaan. Bigno7iia ecMnata., Jacq. 
e Swart. Fam. das Bignoniaceas. Ar- 
busto natural do paiz, por este nome 
nas Alagoas conhecido, e tambm por 
Arraia do mato. 

uma planta trepadeira, que sobe 
galgando as mais altas arvores. 

Os caules so lenhosos ; seus ramos 
so cruzados ; folhas brilhantes e ovaes. 

As flores de cr rsea viva. 

O fructo uma capsula lenhosa de 
quasi 24 centmetros de comprimento, 
e 10 centmetros de largura, de cr 
parda, ssea ; a sua superflcie eriada, 
de protuberncias cnicas agudas ; den- 
tro forma uma pellicula branca asse- 
tinada, com uma diviso no centro e 
cheia de muitas sementes cercadas de 
azas membranosas. 

uma das bellezas do campo este 
arbusto ; porque do alto dos cimos das- 
arvores pendem seus festes de flores 
cr de rosa com seus exquisitos fructos. 

Caracteres da famlia. So arvo- 



res, arbustos, ou rarssimas vezes plan- 
tas herbceas, cujo caule muitas 
\ezes sarmentoso; guarnecido de ga- 
vinhas. 

As folhas ordinariamente oppostas 
ou ternadas, so raramente alternas, 
as mais das vezes compostas. 

As flores, que so terminaes ou axil- 
lares, diversamente grupadas. 

Tem um clice gamosepalo, frequen- 
tes vezes persistente e de cinco lobos. 

Uma corolla gamopetala, mais ou 
menos irregular e de cinco divises. 

Frequentssimas vezes quatro esta- 
mes didynamos, acompanhados de um 
filete estril, que o indicio de um 
quinto estame abortado ; em alguns g- 
neros, os cinco estames so iguaes ou 
dois somente so frteis. 

O ovrio sustentado por um disco 
hypoginico apresenta uma ou duas lojas 
contendo ordinariamente vrios vu- 
los. 

O estylete simples termina por um 
estigma bfido. 

O fructo uma capsula de uma 
duas lojas, que se abre por duas val- 
vas oppostas ou parallelas ao caule; 
raras vezes o fructo carnoso, ou duro 
e indehiscente. 

As sementes, muitas vezes cercadas 
de uma aza membranosa em todo o 
seu contorno, encerram debaixo do te- 
gumento prprio um embryo erecto, 
desprovido de endosperma. 

Argemouia. Argemotie mexicana. 
Linn. Fam. das Pa^paveraceas. uma 
planta herbcea, natural do Mxico e 
do Brasil, cujo porte semelhantssimo 
ao nosso Cardo-Santo de Pernambuco. 

Propriedades medicas. Os nossos 
indgenas, empregam as folhas da Ar- 
gemonia no curativo das ulceras, sobre- 
tudo syphiliticas. 

O leo considerado purgativo como 
o de rcino, bastando trinta gottas 
para o efeito cathartico, que se ma- 
nifesta cinco horas depois da ingesto 
do remdio. 

O sueco antiherpetico, e o cosi- 



48 



ARG 



ARO 



meuto das sementes c empregado con- 
tra a queda dos cabellos. 

Caracteres da famlia. Plantas her- 
bceas ou ainda raras vezes subarbus- 
tos, de folhas alternas, simples, mais 
ou menos profundamente recortadas, 
cheias em geral de um sueco lcteo 
branco ou amarellado. 

As lres so solitrias ou dispostas 
em cimas, ou em cachos ramosos. 

O clice formado de duas, rars- 
simas vezes de trs, sepalas concavas 
e fragilissimas. 

A corolla, que falta algumas vezes, 
se compe de quatro, mui raramente 
de seis ptalas singelas, comprimidas 
e enrugadas antes do seu desabrochar. 

Os estames, em grandssimo nume- 
ro, so livres. 

O ovrio ovide ou globuloso, ou 
estreito e tambm linear, d'uma s 
loja, contendo grandssimo numero de 
vulos unidos trophospermos salien- 
tes sobre a forma de ptalas ou falsas 
divises. 

O estylete, curtssimo ou pouco dis- 
tincto , termina em tantos estigmas 
quantos trophospermas. 

O fructo uma capsula ovide co- 
roada pelo estigma, ou abrindo-se em 
poros simples abaixo do estigma; s 
vezes alongada em forma de siliqua 
abrindo-se por duas valvas, ou rasgan- 
do-se transversalmente por articulaes. 

As sementes, ordinariamente peque- 
nssimas, se compem de um tegumento 
prprio, trazendo s vezes uma espcie 
de carunculasinha carnosa , de endos- 
perma igualmente carnoso, no qual est 
collocado um pequenino embryo cy- 
lindrico. 

Argueiro. Arvore da altura de 
uma oliveira, c uma das mais lindas 
do Brasil. 

espinhosa ; seu fructo uma vagem 
contendo umas sementes escarlates, ou 
manchadas, empregados pelos indgenas 
em objectos de ornato como braceletes, 
etc. 



Arlcor oii roqueiro dicort. 

Cocos coroiala, Marl. Fam. das Pal- 
meiras. uma palmeira indgena do 
paiz, muito frequente nas provncias 
da Bahia e Alagoas : tem tambm o 
nome de Dicori e Nicori. 

E' de porte mdio, o tronco eriado 
de fragmentos das velhas folhas, no 
alto com o molho de folhas de eixo 
comprido, e os foliolos dispostos em 
dois sentidos e azulados ; as flores em 
cachos, como o geral das palmeiras ; 
os fructos so de 3 a 6 centmetros, 
ovides, com escamas na base, cr 
amarella, quando maduro ; no centro 
um caroo duro; a polpa saborosa, 
e sua amndoa d bom azeite. 

Arnacasi. F. Junta de cara. 

Ariiolta. F. Uruc. 

Aroeira. Schinus aroeira, Vell. 
Fam. das Terehentaceas . 

Propriedades medicas . A casca 
d'esta arvore adstringente e empre- 
gada pelos pescadores para fortalecer 
os fios das redes. 

O estracto pode supprir o cato. 

D-se o extracto em plulas, e a 
casca em cosimento (4 grammas para 
500 grammas d'agua.) 

De suas folhas frescas se pde pre- 
parar uma agua distillada prpria para 
o toucador. 

Tambm tida esta planta por anti- 
febril. 

Arocii'it lo cas|fio. Astronium 
graveolens, Jacq. Fam. das Terebentha- 
ceas. uma arvore resinosa, de fo- 
lhas compostas: vegeta no Alto-Ama- 
zonas: suas flores encarnadas e seus 
fructos redondos, formando uma es- 
trella. 

Derrama um sueco glutinoso, incolor, 
anlogo ao da Terebenthina. 

A madeira pesadssima e industruc- 
tivel. 

Propriedades medicas. Tem as mes- 
mas virtude da Aroeira acima descripta. 



ARO 



ARR 



49 



Aroeira d Capoeira. Schinus 
meleoides, VelLFam. das Tereiuthaceas. 
A casca serve para tingir. 

Os fructos e folhas so muito arom- 
ticos. 

Aroeira da mata. ScJmms Ar- 
oira, Limi. Fam. das Terehinthaceas. 
Arvore colossal e importantssima, na- 
tural do paiz ; seu tronco resinoso e 
aromtico, engrossa e cresce muito ; 
folhas distribudas em palmas ; as fl- 
Ihas em cachos midos, de sexos se- 
parados. 

O fructo pequeno, globoso e mo- 
nospermico. 

O lenho d'esta arvore de uma ri- 
gidez frrea; enterrada tem uma dura- 
o admirvel, empregada nas cons- 
truces e edificaes campestres; tem-se 
achado em edifcios seculares a Aroeira 
ainda perfeitssima. 

Propriedades medidas. A entrecasca 
empregada nas diarrhas. 



Aroeira de Miiwk^. ScMtiiis mu. 
crouulatus. Mari. Fam. Idem. Esta 
planta de Minas Geraes est nas con- 
dies das mencionadas. 



Propriedades medicas. O cosimento 
das folhas tambm serve para usos do- 
msticos medicinaes, e da entrecasca 
faz-se applicao nas hrnias ingui- 
naes, com proveito, mormente se so 
recentes. 

Aroeira do Rio de Janeiro. 

Schinus terehenhifolius, Raddi. Fam. 
Idem. Diocia Decandria., Linn. Arvore 
mediana, do Rio, semelhante s j 
descriptas, e provavelmente com as 
mesmas propriedades. 

Arraia do mato. V. Arcuiian. 

Arrebenta caiallo.- F. Melan- 
cia da "praia. 

Arrependido. i^w. das Rham- 
naceas. Por este nome conhecido 
em Alagoas um arbusto agreste, na- 
tural do paiz ; inclinam-se uns sobre 
outros e so iexiveis. 

O lenho esbranquiado e sulcado 
longitudinalmente ; tem o uso do sip- 
po, e muito semelhante a este. 



Aroeira da praia. Pistacia Len- 
ticus, Linn. Fam. das Terehinthaceas. 
Esta arvore, to aclimada entre ns, to- 
davia natural da Barbaria e das proxi- 
midades do Mediterrneo. 

uma arvore de porte pequeno, sem- 
pre verde e revestida de sua folhagem, 
que disposta em palmetas. 

Todas as suas partes so resinosas, 
principalmente a casca ; flores em ca- 
chos, miudinhas, esverdinhadas. 

Os fructos so como gros de chumbo 
grosso, vermelhos e como machucados: 
dentro tem uma semente. 
Habita no litoral do Brasil. 
resina, que escorre do tronco, entre 
ns nenhum uso damos, pelo pequeno 
apreo que se d em nosso paiz s ri- 
quezas naturaes d'este abenoado solo ; 
mas na Europa o producto de suas con- 
gneres o mstique, o terebintho do 
commercio, muito empregado. 



Arringa-ila. Caladium arboreS' 
cens, Linn. Fam. das Aroideas. Esta 
planta semelhante ao Tinhoro., porm 
mais elevada. 

' natural da ndia. 

Propriedades medicas . Arbusto 
muito acre. Suas folhas so emprega- 
das em cataplasmas resolutivas. 

Sua raiz fornece uma substancia amyg- 
lacea. 

O cosimento d'este vegatal feito em 
ourina empregado nas dores articu- 
lares. 

Arroz. Oryza sativa., Linn. Fam. 
das Gramiueas. O gnero Onjza com- 
prehende s quatro espcies, mas sub- 
divididas em grande numero de varie- 
dades. 

I D'e3tas quatro espcies somente uma 

e que se cultiva para alimentao do 

homem ; mas que comprehende muitas 

variedades. 

Descaux classifica o Arroz., cultivado 

9 



so 



ARR 



ARR 



em dilicrcutcs regies do globo, cm 
seis variedades botnicas, que podem 
ser consideradas como outras tantas ra- 
as, nas quaes se incluem natural- 
mente todas as subvaricdadcs distinctas 
na cultura, e cujo numero tal, que 
Lechenault de Latourt menciona trinta 
cultivadas nas visinlianas de Pondi- 
cliery; Qlleme^ cita vinte e uma, cul- 
tivadas em Mysore. 

As variedades, por structura externa, 
podem dividir-se em duas classes : 
Arroz harhado [oryza sativa)^ q Arroz sem 
barha [oryza mutica). 

Entre as variedades barbadas Des- 
vaiix menciona como mais notveis a 
Oryza, scUica imhcscens, cultivada na 
Itlia, a Oryza rulribarlis ^ cultivada na 
America Septentrional ; a Oryza S. 3ar- 
giiaia, cultivada na ndia , e a Oryza 
elongaa, cultivada no Brasil. 

Entre as no barbadas distinguem- se 
a Oryza muiica enuata, cultivada na 
Itlia e a Oryza sargJioiea, cultivada 
na ndia. 

Quanto s cores, em ambas as classes 
se encontram o Arroz branco, amarello, 
cr de rosa, vermelho, trigueiro, etc. 

O celebre Poivre introduzio na liba de 
Frana a cultura de uma variedade de 
Arroz iranco da Coehincliina, cultivvel 
nos terrenos seccos, a que se deu o nome 
de Arroz 'perenue ou de Arroz da monlanlia. 
Mas esta espcie, que requer, como as 
outras, um terreno liumido, no exige 
todavia a submerso, como as esjiecies 
geralmente conhecidas; basta que na 
localidade as chuvas sejam regulares, ou 
que se possam irrigar artificialmente os 
arrozaes, no exigindo a sua cultura seno 
terrenos anlogos aos dos outros cereaes. 
Esta espcie divide-se em duas varie- 
dades : uma longa e outra redonda. 

A primeira tem imia pellicula verme- 
lha, que communica uma parte de sua 
cr ao gro, sem todavia communicar-lhe 
mo gosto. 

A segunda produz sobre as montanhas 
e collinas, mas somente nos paizes onde 
as chuvas so regulares e abundantes . 
Fallaremos adiante d'esta variedade. 
As variedades mais estimveis da n- 



dia so as denominadas heuapcli e yuti- 
dali. 

O Arroz imperiat, cultivado na China, 
parece ser o mais tcmporo de todos, 
porque exige para amadurecer menos a 
tera parte do tempo do que as outras 
variedades de Arroz. 

No Japo existe uma variedade de gro 
mui pequeno e mui branco, que dizem 
ser a melhor espcie conhecida. 

O trigo por excellencia, o trigo Sarra- 
ceno, o centeio, a aveia, o milho, a man- 
dioca, o Arroz^ e pde-se accrescentar, as 
batatas, so as principaes plantas ali- 
mentares o po do gnero humano. 

O Arroz sustenta talvez mais das duas 
teras partes das raa humana aisse- 
minadas em todos os pontos do globo, e 
povos ha que quasi exclusivamente se 
nutrem com Arroz, ou pelo menos que 
com elle formam a base principal da 
alimentao, taes como os Chins, a maior 
parte dos habitantes da ndia, do Ja- 
po, etc. 

Durante muito tempo considerou-se o 
Arroz como planta originaria da ndia ou 
da China, mas sabe-se agora que em di- 
versos pontos da America e da Africa 
existem variedades de Arroz indigona, no 
estado selvagem, susceptvel de melho- 
rar muito pela cultura. 

Pouco a pouco a cultura d'este cei"eal 
se propagou no somente nas regies 
tropicaes, como tambm em muitos paizes 
temperados, na Hespanha, na Itlia, em 
Frana e ultimamente em Portugal e at 
em algumas partes da Allemanha ; pde- 
se dizer que ella prospera nas regies 
do Sul das quatro partes do mundo. 

Sabe-se que a cultura do Arroz na Ame- 
rica Septentrional, que apenas comeou 
no fim do decimo stimo sculo, tomou 
um immenso desenvolvimento. 

Os estados da Carolina do Sul e do 
Norte, da Unio Americana cultivam par- 
ticularmente uma variedade considerada 
como de qualidade superior a todas as 
outras, excepto a do Japo que acima 
mencionamos. 

O Arroz uma planta annual, cujo 
caule uma vergontea fina, de quatro 
decimetros a um metro, revestidas de fo- 



ARR 



A RR 



lhas longas abarcantes e estreitinha^, 
de verde mui lindo ; na epocha prpria 
sahe um cacho, com ilres nas summida- 
des,que parecem umas pevides; formam- 
se os fructos que so cariopses, cobertos 
de um envoltrio paleaceo, de forma ellyp- 
tica, sulcado longitudinalmente ; dentro 
ha uma semente branca, rica de uma 
substancia amjlacsn, que a parte usada 
como comestvel em todo o mundo. 

No Imprio do Brasil, nos terrenos 
baixos, nas margens dos seus rios, e na 
costa maritiQa e sobretudo nas provn- 
cias do Maranho e Amazonas, cultivam 
o Arroz, e exportam em grande quanti- 
dade. 

O Arroz cada dia se torna mais impor- 
tante como artigo de consumo, tanto por 
seu uso alimentcio, como por erapregar- 
se na produceo da gomma, usado ou 
para alimento ou outros fins domsticos. 

Usa-se na Europa o Arroz para d'elle se 
extrahir o amido. A gomma muiio usa- 
da para imbuir fazendas de linho e de 
algodo, e preparal-as para servir depois 
de lavadas. 

Para este fim se faz immenso consumo 
de amido, e o Arroz uma das substan- 
cias mais extensamente empregadas para 
d'elle se extrahir este principio. 

Propriedades medicas. emolliente, 
frequentemente empregado nas inlam- 
maes do tubo digestivo, e em cata- 
plasmas, contra as inflammaes, abces- 
sos, etc. 

Caracteres da famlia. Plantas her- 
bceas, annuaes ou vivazes, raras ve- 
zes subfructescentes, de apparencia toda 
particular e muito earacteristica, tendo 
um caule geralmente istuloso, oFere- 
cendo de distancia em distancia ns 
cheios, d'onde partem folhas alternas 
e invaginantes. 

Esta bainha que pode ser conside- 
rada como um peciolo alargado, fen- 
dida em todo o seu comprimento, e 
apresenta em seu ponto de junco 
com a folha uma espcie de collo mem- 
branoso, ou formado de pellos, que se 
chama collura ou ligula. 



As flores so dispostas em espigas 
ou em paniculas mais ou menos ra- 
mosas. Estas flores so ou solitrias, 
ou reunidas, varias juntamente, for- 
mando gruposinhos que tem o nome 
de espiguetas. 

Na base das espiguetas ou das flores 
solitrias, acham-se duas escamas : uma 
externa, outra interna formando a le- 
picena; raramente a escama interna 
falta e a lepicena univalvular. 

Cada flor se compe de duas outras 
escamas formando a gluma, de esta- 
mes geralmente em numero de trs, 
s vezes menos, raras vezes mais. 

Os filetes so capillares. 

As antheras bifldas em suas duas 
extremidades. 

Pistillo formado por um ovrio uniflo- 
cular, monospermico, marcado por um 
sulco longitudinal em um dos seus 
lados, por dois estjletes, e dois es- 
tigmas pillosos e glandulosos; rars- 
simas vezes o estylete simples ou 
bifurcado na parte superior. 

Fora do ovrio na face opposta ao 
sulco observa-se em um grande nu- 
mero de gneros duas pequenas pa- 
lhetas de forma variada que consti- 
tuem a glumella. 

O fructo uma cariopse, mui pou- 
cas vezes um akenio liso ou envol- 
vido nas valvas da gluma, que se des- 
prende e cahe com elle. 

O embryo tem uma forma discoide, 
e applicado na parte inferior d'um 
endosperma farinceo. 

Aa*POz <Bo laiato. Oryza subulata, 
Mart. Fam. idem. uma espcie de 
Arroz, que vegeta expontaneamente no 
Par e nas Alagoas; d um gro mais 
grado e menos saboroso, porm tem as 
mesmas propriedades, do Arroz commum. 

Arroz tio mato las Alaj^as. 

V. Taquari de cavallo. 

Arroz Sjlvcstre. F. A7'roz do 

raatto. 

Arr^ita rte Campina . ndigo- 



ss 



ARR 



ART 



fero campinaria. Fam. das Leguminosas. 
Esta espcie indgena, que nasce no 
solo pernambucano e em outras provn- 
cias, a que tem o nome em Pernam- 
buco de Arnila da Campina; pois ha 
xmui confuso n'este nome : a de S. Paulo 
no esta; a do Rio de Janeiro, tam- 
bm no, segundo a classificao da 
Flora do Brasil. 

Quanto de Pernambuco uma herva 
rasteira; ergue as pontas dos ramos, 
vestidas de folhas dispostas em palmi- 
nhas, iguaes s da Arruda da Europa, 
de cr verde- azulada, e cobertas de la- 
nugem, flrinhas rouxas em cachos abas- 
tecidos ; d fructos em cachinhos ; so 
vagens rolias, pequeninas, com duas 
valvas e com duas ou trs sementes 
semelhana do feijo. 

Propriedades medicas. muito aza- 
da na dose de 30 grammas para 500 
grammas d'agua trs vezes ao dia nas 
gonorrheas e retenes de ourinas, e em 
banhos nos ataques hemorrhoidaes e 
nas inflammaes das vias urinarias. 

Ai*!t*siftr: 1e Ci>at3>ini' do Rio 
de tjaiiearo. V. Carrapicho de beio 
de hoi. 

Arruda 1 Casnpo, ou de 
S. PaBlo. Hypericum teretiusculum, 
St. Hil. Fam. das Hypericaceas . Esta 
planta herbcea nasce naturalmente no 
Brasil e recebe o nome acima em 
S. Paulo. 

de ramos ascendentes; nas partes 
superiores de quatro goramos ou faces, 
folhas pequenas, compridas ; flores em 
cachos. 

O fructo uma capsula de forma al- 
longada. 

ArrutSa da Europa. Rua gra- 
veolens, Linn. e Sp. Fam. das Rutaceas. 
Vegetal cultivado no Brasil. natural 
da Europa; se bem que acclimada ha 
muitos annos esta planta entre ns, 
com tudo nos nega a sua florescncia, 
que raras vezes se observa. 

nm subarbustosinho elegante, at 



1 metro e 12 centmetros de altura, 
pouco mais, ramoso, suas folhas dis- 
postas em palmas, midas; todas as 
suas partes so de um verde azulado. 

As flores que se renem om cachos, 
so amarellas e pequenas; todas as 
partes da planta derramam um cheiro 
mui activo mas pouco agradvel. 

Os fructos so pequenas bagas de 
cinco cocas ou lojas. 

Propriedades medicas. estimu- 
lante, anthelmintico, emmenagogo, em- 
pregado na amenhorrea , chlorose , e 
hysterismo. 

Internamente 4 grammas para 400 
grammas d'agua, para infuso. 

Arruda do mato. Pelocarpus 
officinalis, Ahl. Fam. idem. uma 
planta que recebe este nome no Ma- 
ranho. 

Propriedades medicas. emprega- 
da como excitante em banhos. 

Arruda do aitato ou Anil dos 
S>o1)re@. Indigofera similerula. Fam. 
das Leguminosas. um arbusto peque- 
no de Pernambuco ; seu compxnmento 
de 1 K a 2 metros, esgalha pouco; 
de cr acinzentada ; folhas dispostas em 
palmas, midas, de verde azulado, mui 
semelhantes primeira vista com a 
Arruda extica ; as flores em cachos miu- 
dinhos. 

O fructo uma pequena vagem de 
poucos centmetros de extenso, rolia, 
curva, com poucas sementes, seme- 
lhana do feijo. 

O principio corante d'esta em maior 
proporo. 

Propriedades medicas. O cosimento 
feito do sueco d'esta planta empre- 
gado contra o veneno das cobras , e 
aproveita nas dores de dentes. 

Artlkeiiiia. Artemizia viilgaris. 
Linn. e Lamch. Fam. das Compostas. 
Herva natural da Europa e acclimada 
nos nossos jardins; uma planta quasi 



AEV 



ARV 



S3 



rasteira entre ns, pois no eleva seus 
ramos a mais de 12 ou 24 centmetros 
do cho. 

Ornada de folhas recortadas, e ele- 
gantes ; a parte inferior esbranquiada 
e pubescente. 

As flores em cachos, que s vezes 
so grandes ; botesinhos amarellos, co- 
roados de palhetinhasfoliaceas, brancas, 
com cheiro activo. 

Os fructos so pequenas bagas pretas. 

Esta planta serve de ornamento de 
jardins, e como tal a apreciam. 

Propriedades medicas. emmena- 
gogo e anti-hysterico. 

Internamente 10 grammas para 1000 
grammas d'agua, em infuso. 

Arvore lo Allio. Ccrdana al- 
liodora^ R. Fam . das Borragineas. 
uma arvore alta, oriunda do Peru, 
Chile e do Brasil ; suas folhas alter- 
nas oblongas e ovaes ; as flores em 
cachos. 

Esta planta exhala um cheiro de 
alho mui pronunciado ; as formigas 
gostam de comer suas folhas, princi- 
palmente uma certa espcie de formiga 
mida. 

Propriedades medicas. usada 
em banhos como estimulantes. 

Arvore fie Cera. Myrica ceri- 
fera^ Linn. Fam. das Marantaceas. 
Esta arvore vegeta nos Estados Unidos 
da America em abundncia. 

de pequena altura, tem a casca 
acinzentada, as folhas alternas e lan- 
ceoladas. 

As flores em espigas cobertas de 
escamas, so de sexos separados 

O fructo ^ redondo, do tamanho de 
uma pimenta do reino (pimenta da 
ndia) . 

Fervem em agua os fructos, e com 
uma espumadeira tiram a cera d 
agua ; coagula-se essa cera que fica 
de cr esverdeada, depois torna-se 
consistente e amarella, e com ella 
fabricam-se vellas, que exhalam um 



cheiro mui agradvel durante a com- 
busto . 

Ai^vore Ia l. V. Barriguda. 

Arvore le Pralna. Choriziaspe- 
cosa, Si. Hil. Farti. das Bombaceas. 
uma arvore agreste, conhecida no 
Eio de Janeiro, Minas Geraes e suas 
visinhanas. 

de porte alto ; folhas digitadas. 

Suas flores so um tanto grandes, 
brancas, com muitos filetes no centro. 

O fructo uma capsula, cujas se- 
mentes so envoltas em uma espcie de 
l, da qual se usa para encher col- 
ches e travesseiros. 

Caracteres da faiilia. So arvo- 
res ou arbustos, originrios dos paizes 
intertropicaes, de folhas alternas, sim- 
ples ou digitadas, munidas na base 
de duas estipulas persistentes. 

O clice algumas vezes acompanhado 
exteriormente de algumas bracteas, 
gamosepalo, de cinco divises imbri- 
cadas antes do seu desabrochar, outras 
vezes inteiro. 

A corolla, que falta s vezes, se 
compe de cinco ptalas regulares. 

Os estamos, em numero de cinco, 
dez, quinze ou mais, so monadelphos 
e formam superiormente cineo feixes, 
que trazem, cada um d'elles, uma ou 
varias antheras, uniloculares. 

O ovrio formado de cinco carpel- 
las, ora distinctas, ora ligadas entre 
si, e terminadas cnda uma em um es- 
tylete e um estigma ; algumas vezes 
se soldam em um s. 

Os fructos so em geral capsulas de 
cinco cocas polyspermicas, abrindo-se 
em cinco valvas, ou so coriaceas, 
carnosas interiormente, e ficam inde- 
hiscentes. 

As sementes, muitas vezes cercadas 
de pellos ou de penugem, tem algu- 
mas vezes um endosperma carnoso, 
cobrindo um embryo cujos lobulcs so 
lisos ou com asperesas. 

O endosperma falta s vezes. 



ASS 



AVA 



- Arvore lo iiajiel. V. Po faixei. 
Arvore tSe gio. F. Friicla po. 

Arvore ia pureza. Yucca glo- 
riosa., Linn. Fan. das Liliaceas. Ar- 
busto extico, aeclimado no Brasil. das 
Amricas Meridional e Septentrional. 
Cresce no Canad e no Peru. Assim 
a chamam em Pernambuco. 

E' ornamento de jardins, tem o aspecto 
do npsso Coroat., folhas radicaes grossas 
e grandes, em forma de espadas agudas ; 
eleva-se no centro um caule escamoso 
e verde, lanando do meio d'essa tou- 
ceira, uma haste que termina em ponta, 
e d inflorescencia em forma de espiga, 
sendo as flores de cr branca e ele- 
gantes. 

Arvore triste. F. Aafroeira., 

Asss4'w. Hiira crcpitans, Linn. e 
Lamli. Hura brasilietisis . Fam. das 
Eu])]i07']jiaceas . Esta planta natural 
do paiz ; vegeta espontaneamente pelas 
Cayennas, Mxico e Antilhas, no Par 
e Amazonas. 

uma arvore collossal, de folhas 
subcordiformes, ovaes, igual e miuda- 
mente denteadas. 

Flores masculinas, dispostas em 
amento oblongo, femininas e solitrias. 

O fructo uma capsula, lenhosa, 
multicocca, com uma s semente em 
cada loja. 

Do tronco d'esta arvore escorre por 
incises um sueco leitoso, branco e 
acre. 

este leite que se acredita ser um 
remdio cfflcaz, para a cura da ele- 
phantiasis dos gregos ; mas das expe- 
rincias e observaes feitas tanto no 
Par como nas demais provncias, e 
ainda na Europa, o leite do Assac per- 
deu esta reputao ; oxal que assim 
no acontecesse. 

Os ndios empregam este leite como 
vermfugo, e tambm serve para em- 
briagar os peixes. (Fig. 8.) 

Astaliy. Euterpe ediis, Mart. 



Fam. das Palmeiras. Hexanria Tri- 
gijnia, Linn . Monadelphia . Esta pal- 
meira^ a que no Maranho chamo Jus- 
sara., natural do paiz especialmente 
das provncias do Norte. 

de mediana altura ; seu tronco (stipej 
fino e erecto sustenta no pice o leque 
de suas folhas como as demais palmeiras. 

Deita para os lados uns cachos, dos 
quaes pendem pequenos fructos, ma- 
neira de azeitonas. 

So de 3 centmetros ou pouco mais ; 
ovaes ou redondos, de cr roixa escura 
quando maduros, com uma pellcula fina 
exterior ligada a uma massa pouco es- 
pessa da mesma cr, e um caroo no 
centro, duro ; logo depois da polpa ha 
um tegumento fibroso antes do caroo. 

No Par os Caboclos fazem um vinho 
d'este fructo e reputam-no bom. 

Havia esta palmeira no Jardim Bot- 
nico de Olinda. 

Assa-2>eixe Boliemeria caudata. 
Fam. das Urticaceas. uma herva de 
folhas oppostas e ovaes. 

Flores em longas espigas. 

oriunda da America Meridional. 

Propriedades medicas. emprega- 
da em banhos contra as hemorrhoidas, 
e como diurtica na dose de 2 grammas 
para 500 grammas d'agua, em cozimento. 

Assa-gieixe. V. Piti caf. 

Assueewa . V. Aicena. 

At*!i. Begnia, Eyncs. Arnm, 
St. Hil Fam. das Begoniaceas . D'esta 
planta os Botocudos apreciam muito as 
razes assadas, porque tem o gosto da 
Machaxera. 

AvariSBo. Mimosa tmgniscati ., 
Linn. e Pison. Fan. das Leguminosas. 

Propriedades medicas. A casca 
amarga e dessecativa; empregam-na 
contra as ulceras antigas, cancro, e 
internamente nas affecces febris, na 
dose de 8 grammas para 500 grammas 
d'agua, em infuso. 



AVE 



AYA 



o 



A.\sity. V. Milho grosso. 

Avessea lrasilieise. Adiantlmm 
Hsoionim, Willd. Fam.dos Fetos ^trih 
das Polypodeaceas. Este vegetal do 
Eio de Janeiro; tem as mesmas vir- 
tudes da Cainllaria. 

Ha d'elle muitas espcies. Na Bahia 
se empregam as espcies dos gneros 
Acrosticum. Acros. Calornelamis^ Acros^ 
aureitn; hoje chamadas pelos botan- 
nieos Gynogrmmm calomelatios., e Gy- 
nogrmmim stfit^rea. 

Caracteres da famlia. Plantas her- 
bceas e vivazes, tornando-se algumas 
vezes arborescentes nas regies tropi- 
caes, e elevando-se ento maneira 
das palmeiras. 

As folhas (frondes) so ora simples, 
ora mais ou menos profundamente re- 
cortadas, pinnatifidas ou recompostas. 
Estas frondes oierecem um caracter 
commum; o de serem enroladas ou 
envolutadas, no momento em que co- 
meam a desenvolver-se. 

Os rgos da fructiicao esto or- 
dinariamente situados na pagina infe- 
rior das folhas, ao longo das nervu- 
ras ou na sua extremidade. 

Os esporulos so contidos em espcies 
de capsulasinhas ovides ou deprimi- 
das, sesseis ou estipitadas, cercadas 
algumas vezes de um burlete em forma 
de annel elstico ; outras vezes, ellas 
se abrem por uma fenda longitudinal, 
ou se despedaando irregularmente. 

Estas capsulas, grupando-se, formam 
montesinhos que se chamam soros, e 
que so cobertos ou de escamas, cuja 
forma muito variada, ou pela mesma 
beira da fronde, diversamente enros- 
cada em forma de escamas orbiculares, 
reniformes, sesseis ou estipuladas. 

No gnero Peris^ as capsulas esto 
postas debaixo da beira retorcida das 
folhas, a qual forma uma linha no 
interrompida. 

Nas espcies de Adianto ellas cons- 
tituem placasinhas salientes e isoladas, 
por causa da extremidade dobrada das 
folhas. 



Em certos gneros, so isoladas ; em 
outros, grupam-se e formam linhas 
mais ou menos allongadas. 

Os soros comeam a desenvolver-se 
debaixo da epiderme, a qual levantam 
de maneira a ficarem cobertas por ella. 

Chama-se induzio poro de epider- 
me que serve assim de invlucro aos 
soros. 

Em alguns fetos como as Osmondeas, 
e as OpMoglcsseas., etc, os rgos da fru- 
ctiicao so dispostos em cachos ou em 
espigas . 

AvesBca la terra. Polypodiim 
aurezcm, Willd. Fam. idem. Do este 
nome em Alagoas e em Pernambuco a 
uma planta trepadeira, cujo caule 
coberto de pellos densos, macios, casta- 
nhos ou louros esbranquiados. 

AvenquiilGa. AcJirosiicum calo- 
melanus. Fmn. idem. peitoral esta 
planta. 

AyaiiaBia. Ex'i[)atoriii,m. Ayapana. 
Veut. c Linn. Fam. das Comjjostas. 
Planta do Brasil de caule ascendente, 
quasi lenhosa na base, ramos rolios, fo- 
lhas oppostas, quasi rentes, lanceoladas, 
trinerviadas e accuminadas, quasi in- 
teiras e glabras ; flores em capitules, for- 
mando corymbos. 

Propriedades medicas. A planta 
amarga, aromtica e diaphoretica; con- 
siderada na medicina popular como bom 
remdio contra a mordedura de cobra. 

Na ndia, para onde foi levada, em- 
pregada contra a cholera-morbus. 

Internamente, o sueco expresso recente 
da planta, tomado s colheres, como 
sudorfico; usa-se a infuso na dose de 8 
a 16 grammas para 500 grammas d'agua, 
e bebe-se s chicaras. 

Externamente a planta contuza pe-se 
sobre a mordedura da cobra; o sueco ex- 
presso empregado para limpar feridas 
antigas. 

Ayaiiaiaa cotoisosa. Eupliorlia 
cotinifolea, Linn. Fam. das Euphorhia- 



S6 



AZA 



AZE 



ceas. Subarbusto do Brasil ; suas folhas 
so oppostas. 

Propriedades MEDICAS. usada em 
cataplasmas contra os condylomas sy- 
philiticos. 

O sueco um forte veneno com que os 
ndios do Rio Negro embebem as settas. 

Tambm serve para embriagar os 
peixes. 

Aypiii. V. Mandioca. 

Ayri ou Coqueiro. Ayri, Astro- 
caryum Ayri^ Mart. e Mayer. Fam. das 
Palmeiras. uma palmeira do norte 
do Brasil , cujo tronco eriado de 
muitos espinhos. 

D fructos que so bagas orbiculares 
carnosas, com o coco (vulgarmente cha- 
mado) sseo, como o de quasi todas as 
palmeiras. 

Os indgenas usam dos espinhos d'essa 
palmeira como de pregos. 

Aza (le morce:o , de follia 
grande . Bossiaca unijugata. Fam. 
das Leguminosas. Monadelphia. Decan- 
dria., Linn. Arbusto agreste por este 
nome conhecido nas Alagoas, 

Suas vergonteas frgeis inclinam-se 
sobre os outros vegetaes. 

Flores em cachos, pequenas. 

O fructo uma vagem de quasi 24 
centmetros de comprimento, lisa, po- 
lyspermica. 

As sementes acham-se unidas a um 
corpo glanduloso. 

Aza de inoreeg:o de folha 

mi 11 da. Fam. das Rubiaceas. E' 
um arbusto do paiz, (trepadeira ou por 
outra cip). 

O caule quadrangular , as folhas 
oppostas, ellipticas, luzidias, pequenas 
e coriaceas. 

As flores so reunidas em feixes es- 
phericos ou hemisphericos, com um p 
tubuloso campanulado. 

O fructo uma baga vermelha, oval, 
coroada de fragmentos da lr. 

Sementes achatadas. 



Azeda. Rumex aceloza, Limi. 
Fam. das Polygonaceas. Esta herva 
cultivada nas provncias do Sul. 

Suas folhas so umas radicaes outras 
caulinares e abarcantes. 

Flores pequenas. 

As folhas comem-se. 

Propriedades medicas. As folhas 
empregam-se em medicina para facili- 
tar a aco dos medicamentos purga- 
tivos; neutralisa o efifeito das substan- 
cias acres. 

Caracteres da famlia. Plantas 
herbceas, raras vezes subfructescentes, 
de folhas alternas, nvaginantes na base 
ou adherentes a uma bainha membra- 
nosa e estipular, enroladas pela parte 
inferior sobre a sua nervura mediana 
quando novas. 

Flores algumas vezes unsexuaes, dis- 
postas em espigas cylindricas ou em 
cachos termnaes. 

Clice gamosepalo, offerecendo de qua- 
tro a seis segmentos, s vezes dispostos 
em duas ordens e imbricados antes de 
sua evoluo. 

Estames de quatro a nove, livres e com 
antheras abrindo-se longitudinalmente. 

Ovrio livre , unilocular, oferecendo 
um s ovulo erecto. 

O fructo frequentes vezes triangular, 
secco e indehiscente, algumas vezes 
coberto pelo clice que persiste. 

A semente contm, em um endosperma 
farinceo, s vezes mui delgado, um em- 
bryo deitado e outras vezes unilateral. 

Aze1iiilia do brejo, Bignonia 

acida.; Yell. Bignonia ulme folia., Linn. 
Fam das Bignoniaceas . Esta planta 
da famlia e do mesmo gnero da Caroha 
e Carobinha de Pernambuco. 

Ha ainda as espcies seguintes: Big- 
nonia bidenada, Raddi. Beg. sangunea., 
idem. Big. cucullata, Willd. Big. hir- 
tella, Link. Big. undulata, Otto. Big. 
platatii folia. 

Propriedades medicas O sueco 
acidulo refrigerante e antiscorbutico ; e 



AZE 



AZO 



57 



empregado nos catarrhos da bexiga e nas 
dysenterias. 
Tambm a planta fresca cozida co- 

mestivel. 

Azeitona da lerra. Cuphea n- 
tida. Fam. das Zythrareas. ^sU es- 
pcie vegeta no nosso solo, d'onde 
indigena ; conhecem-na em Pernambuco 
e Alagoas por este nome. 

um pequeno arbusto que cresce at 
2 metros, pouco ramoso; ramos erectos, 
casca parda-escura. 

Folhas alternas, ovaes, ura tanto alon- 
gadas e coriaceas. 

Flores em espigas, quasi sem cheiro, 
de cr de rosa viva, so como rosinhas 
simples, com ura p tubuloso; do meio 
d'ellas sahem seis filetes longos. 

O fructo parece-se com uraa azeitona ; 
uraa baga de 3 centiraetros, oval, cuja 
pellicula externa fina ; liga-se a uraa 
massa aquosa, roixa-escura como a pel- 
licula, e no centro tem ura caroo unido 
a esta raassa, a qual se come, posto que 
no seja muito saborosa. 

Ha outra espcie a que chamara brava ; 
differe apenas pela fructa que mais 
oval, oblonga ; e por ter coberta a sua pe- 
riferia de pello curto e spero, que ao 
menor contacto solta-se; tambm se 
come. 

Ambas tingem os lbios de roixo; seu 
sabor acidulo e pouco doce. 

Caracteres da famlia. Hervas ou 
arbustos de folhas oppostas ou alternas, 
de fires axillares ou terminaes. 

Um clice garaosepalo, tubuloso ou 
urceolado, denteado no pice. 

A corolla de quatro a seis ptalas, alter- 
nas com as divises do clice, e inseridas 
na parte superior do tubo. 

A corolla falta em alguns gneros. 

Os estames so em numero igual ou 



duplo do das ptalas, rarissimas vezes 
em nuraero indefinido. 

O ovrio livre, siraples, de varias 
lojas, contendo cada uraa d'ellas grande 
nuraero de vulos. 

O estylete siraples, terrainado em um 
estigma ordinariamente capitoso. 

O fructo uma capsula, coberta pelo 
clice, que persistente, de uma ou va- 
rias lojas, contendo sementes unidas ao 
angulo interno. 

Estas sementes se compem de um em- 
bryo desprovido de endosperraa. 

AzouiTue dos pobre. Panax 
quinquefolium, Linn.Fam.das Araliaceas. 
Esta planta tambm do territrio do 
Brasil, bera corao da America do Norte. 

de caule herbceo cora cinco folhas 
era palmas, inseridas nas pontas de pe- 
ciolos comrauns. 

Suas flores pequenas, era cachos um- 
bellados, so de sexos diversos. 

O fructo redondo e achatado, com dois 
caroos dentro. 



Caracteres da famlia. As Aralia- 
ceas constituem um grupo pouco dis- 
tincto das Urabelliferas. 

So vegetaes herbceos, ou algumas 
vezes arvores elevadissiraas. 

As flores, igualmente pequeninas, so 
.dispostas em urabrellas simplices ou em 
umbrellas paniculadas. 

O clice do mesrao raodo adherente e 
denteado. 

A corolla, forraada de cinco a seis p- 
talas. 

O ovrio apresenta de duas a seis lojas 
monospermicas, e tera outros tantos es- 
tyletes, que terrainam em estigmas sim- 
plices. 

O fructo ora carnoso e indehiscente, 
ora secco, e separando-se em tantas 
cocas ou lojas monosperraicas quantas 
lojas ha no ovrio. 



10 



BAB 



BAC 



Buii. T'. Coqidnho. 

Baba l Itoi Sc CaM8|iia. 

Acharia hahaa, Fam. das Mahaceas. 
Herva agreste .que vegeta pelas cam- 
pinas, reptante, de caule fino, roixo, 
pelludo. 

Folhas alternas, obliquamente cor- 
diformes, pubescentes, nos bordos re- 
cortadas. 

Flores solitrias, amarellas, grandes 
como rosas simples, com o centro 
purpurino escuro, e sem cheiro. 

O fructo uma capsula cnica e 
coberta de pellos, que se divide em 
cinco compartimentos, cada um com 
uma semente. 

Esta planta tem este nome em Ala- 
goas ; tambm do-lhe em Pernambuco 
o de Coraosinlio . 

Propriedades medicas. muits- 
simo mucilaginosa, e empregada nas 
diarrhas de sangue e hemorrhoidas. 

Balia de boi (coqidnjw) . Cocos 
gommosa, Mart. Fam. das Palmeiras- 
E uma palmeira baixa, do paiz. 

_ Seu espique pequeno e cheio de 
cicatrizes que indicam o ponto d'in- 
sero das folhas. 

O vwcto Baia ?e 02 uma baga 
de seis centmetros, oval, com esca- 
mas na base, de cr amarella, coberta 
de uma granulao preta; a polpa 
amarella, mucilaginosa ; tem bom sabor. 

A amndoa do caroo come-se. 
mucilaginosa e gommosa. 



Seu caule coberto de espinhos, e 
a madeira negra. 

Os fructos so bagas, de polpa doce, 
de muito bom sabor, e passa por 
um dos melhores cocos ; mesmo scccos 
so mui apreciados. 

Baeaba. Ocnocar^us hacaha, Mart. 
Fam. das Palmeiras. Esta palmeira 
do Par, elegante; seu tronco ele- 
va-se a vinte e tantos metros. 

As folhas reunidas em um feixe 
terminal. 
As palmas so rectas. 
Os fructos so em cachos, de trs 
centmetros de grandeza, ellipticos, 
roixos quando maduros, e listrados de 
branco. 

A massa tambm roixa, e adhere 
aos veios brancos. 

O caroo coberto de fibras lisas, 
flexveis, come-se, e os indgenas fazem 
com elle uma bebida. 

O fructo da Bacaha mucilagnoso, 
e, quando maduro, os indos usam 
d'elle como seu nico alimento. 

Quando se cosnha este fructo elle 
deixa um sedimento que secco ao sol 
torna-se durssimo. 

Este sedimento serve de recurso aos 
indos para o tempo de fome, porque 
amollecido com agua, forma um ali- 
mento nutritivo. 
Ha duas espcies d'esta palmeira. 



Babor. F. Bamhor. 

Baliosa. F. Herva babosa. 

Babuailta ou Cocf^Befo Babai- 
nlta. Guilielma insignis, Mart. 
Fam. das Palmeiras. i. uma paJ- 
meira da Bahia. 



Baeaisiare. uma planta ape- 
ritiva, desobstruente ; tambm appli- 
ca-se externamente. 

Baeac. F. Abacate. 

Baccliarstla ou Baccbanfa. 

BaccJiars brasiliana, LinneSpl- Fam> 
das Compostas. Falamos de uma das 
espcies do Brasil. 

Planta herbcea, de caule quadrado, 
folhas ovaes, obtusas, um pouco ve- 
nenosas, speras e sesseis. 



BAC 



BAC 



Flores em cachos, alternas, grandes 
e de dois sexos. 

A fructinlia coroada por uma es- 
pcie de penacho simples. 

ISaef3anris;a3i]ie]iii(Eiaiia. 

Tem as mesmas propriedades da ante- 
cedente. 

BaccltariH aB*t enlata. Bac- 
charis articulado. Ba ccMris articutatn. 
Fam. das Coupostas. uma erva amar- 
gosa, resinosa e aromtica : ella suc- 
cedanea da Los7ia. 

Propriedades medicas. empre- 
gada contra a dyspepsia, debilidade 
intestinal, ou mesmo geral,- e anemia 
consecutiva perda de sangue. 

Administra-se em plulas com o ama- 
rello da casca de laranja. 

Baco]>ari do Campo. Cahjpso 
campestris, St. Hil. Gijnandria ononan- 
ria, Linn. Fam. das Hippocraticeas. 
-^Arbusto que vegeta nas plagas de 
S. Paulo e Goyaz. 

ramoso, de casca lisa, folhas m- 
dias e oblongas. 

Flores em cachos. 

Fructo carnoso, globoso, com um ca- 
roo dentro; raramente dois ou trs. 

Floresce em Agosto, e d as fructas 
em Setembro e Fevereiro. 

Caracteres da famlia. Fructices 
ou arbustos geralmente glabros e sar- 
mentosos, trazendo folhas oppostas, 
simplices coriaceas, inteiras ou den- 
teadas. 

Flores pequenas, axillares, fascicu- 
ladas, ou em forma de corymbos. 

O clice persistente, de cinco di- 
vises. 

A corolla se compe de cinco pta- 
las iguaes. 

Os estames so em geral em numero 
de trs, raramente de quatro ou cinco, 
tendo os filetes reunidos pela base; e 
formando um androphoro tubuloso. 

O ovrio trigono de trs lojas, 
contendo cada uma quatro vulos in- 
seridos no seu angulo interno. 



O estylete simples terminado em 
um ou trs estigmas. 

O fructo ora capsular de trs n- 
gulos membranosos, ora carnoso. 

Cada loja contm commumente quatro 
sementes. 

Estas tm um embryo erecto, des- 
provido de endosperma. 

Bacopari cie d\\ioe\vs. Fam. 
das Gutti feras. Arbusto romano; ve- 
geta nas Alagoas, onde lhe do este 
nome. 

Folhas oppostas, oblongas. 

Flores de cr branca. 

D um fructo semelhana de um 
ovo de galinha ; uma parte coroada 
pelos restos do antigo tegumento floral, 
tornando-se a outra parte baa, de cr 
amarella barrenta. 

O pericarpo spero, grosso, coriaceo, 
de espessura de % centmetro; dentro 
branco e com duas lojas contendo uma 
poro de sementes redondas, com uma 
parte convexa e outra plana, de subs- 
tancia crnea semi-transparente pare- 
cendo cera branca; ellas so envoltas 
em polpa amarella, doce e comestvel, 
porm um pouco enjoativa. 

Baeoparl la iiiatta. Fam. 
idem. Fructa agreste conhecida nas 
provncias de S. Paulo , Rio de Ja- 
neiro, Minas, Pernambuco, Par e Ala- 
goas. 

proveniente de uma arvore Baco- 
pariseiro; tem folhas regulares, e flores 
brancas. 

O fructo do tamanho de 3 a 12 
centmetros, de forma oblonga arredon- 
dada, cr amarella de gemma d'ovo^ na 
maturidade, compe-se de um corpo car- 
noso no interior, esbranquiado, com 
trs caroos pretos, cobertos de uma 
substancia albuminosa e doce. 

Come-se uma e outra cousa. 

Tem um sueco leitoso, que queima os 
lbios. 

Os de Capoeira, dferem pouco, so- 
mente em ser menores , e menos abun- 
dante de sueco leto.-o. 



f;o 



BAG 



BAM 



Kaeoro. V. Apoiiacoa. 

Bacnry. MoronoMa coccocmea, Auhh 
Syflinonia glohuUfera^ Linn. filho. 
Fam. das Guttiferas. Arvore alta, lac- 
tifera, das mattas do Maranho e Par, 
aonde conhecida por este nome. 

O tronco grosso, de folhas regulares. 

As flores brancas ou vermelhas, no 
pequenas, semelhana de um copo. 

O fructo de 12 centmetros de grandeza, 
redondo oval, de casca amarellada, grossa 
e spera; os caroos dentro em numero 
de trs a cinco, que so propriamente 
convexos de um lado e plano de outro ; 
so de um amarello fusco. 

Esses caroos esto entre pevides 
molles e brancas, que no fazem parte 
d'elles. 

A massa de sabor acre-doce; d 
excellente doce, que passa n'aquellas 
provncias por um dos melhores; do 
caroo extrahe-se um bom azeite para 
luz. 

Ha outra espcie que differe da supra 
por ter o fructo mais oblongo, porm 
menor. 

Baeory nteinbeca. Arvore que 
cresce nas margens dos rios e nos 
lugares hmidos. 

Os fructos so azedos, mas os ndios 
no os regeitam. 

Baeuri. Plaionia insignis^ Mart. 
O mesmo Bacuri. 

Bariiripari. V. Bacuripari ou 

Bacuri. 

B afta rei ra. V. Carrapateira. 

Ba{s;a da praia. Coccoloia iivi- 
fera, Linn. e Spl. Fam. dasPolygalaceas. 
Arvore alta da America Meridional, de 
folhas grandes cordiformes, e flores em 
cachos grandes, pendentes, pequenas, 
e avermelhadas. 

Os fructos ovaes e vermelhos, cidos, 
comestveis, e carnosos ; comem-se com 
assucar ; tambm se pde preparar com 
elles um vinho. 



Propriedades medicas. Os fructos 
fornecem um extracto adstringente que 
p(3de empregar-se nas diarrheas e leu- 
corrheas. 

Bafiiflha. F. Baunilha. 

Blsamo ou coral. Curcas mul- 
tifida, Endl. Fam. das Ewphorhiaceas . 
A seiva da arvore passa por vulne- 
raria; as sementes, descascadas e seccas, 
fornecem um leo purgativo, que em- 
prega-se na dose de 4 at 8 gottas, 
sem possuir a qualidade corrosiva do 
leo de croton. 

BalsantOy p de perdiz. V. 

Herva mular. 

Bambo. 7. Melancia da praia. 

Bambor. Solanurii papilosum. 
Fam. das Solaneas. Chamam-lhe tam- 
bm Bamhor ou Laranginha do matto^ 
nas Alagoas e Pernambuco. 

uma fructinha agreste e indgena 
proveniente de um arbusto elegante, de 
casca alvadia e lisa. 

Folhas grandes, luzidas, ovaes e ob- 
longas. 

Flores como estrellas esverdinhadas. 

O fructo de 3 a 6 centmetros de 
grandeza, e de forma cnica ; o peri- 
carpo amarello-esverdeado , eriado 
de protuberncias flexveis ; dentro ha 
uma polpa aquosa, amarella, semeada 
de muitos gros renformes, como que 
dividida em quatro alojamentos ; essa 
polpa se come, e muito boa ao pa- 
ladar. 

Baseiib. Guada angustifolia^ Kaunt. 
Bambusa gtiada., fftimb. e Bonp. Fam. 
das Gramneas. Os Bambus so plantas 
das regies quentes : sua ptria mais 
lata a sia ; mas nem por isso deixa 
de possuil-os a regio equatorial ; o 
nosso Amazonas, e algumas das pro- 
vncias do sul possuem-nos ; entre essas 
espcies que ornam aquelle abenoado 
terreno ha tambm os Bambus (Guada.) 



BAM 



BAN 



61 



de um porte arbreo, e pode cha- 
mar-se o Gigante das Gramneas. 

Seu caule toma as propores de um 
tronco de altura immensa, com um di- 
metro de mais de 12 centmetros, apre- 
sentando ns de distancia em distan- 
cia, maneira de taboca; co ou tu - 
buloso e ramoso. 

As folhas, grandes em proporo, 
so palmas. 

As flores em cachos grandes, cujos 
fructos so carnosos segundo a orga- 
nisao das Gramneas. 

Dos ns que existem no tronco d'estas 
Gramneas se extrae um licor gommoso 
e doce, que se acha concretado na cavi- 
dade do tubo e que conhecido pelo 
nome de Tahaxr. 

Mas s na sia aonde este licor 
celebre por lhe attribuirem maravi- 
lhosas propriedades. 

Os nossos indigenas no Par servem- 
se dos gommos do Bamh para guardar 
lquidos, pondo-lhes uma tampa, servin- 
do-lhes de potes para agua e outros mis- 
teres. 

No Rio de Janeiro as escadas de mo 
para as armaes dos templos so feitas 
do Bamh porque ficam muito altas e 
pesam menos do que as de outra qual- 
quer madeira. 

Bainb Ia lutlia. Bambusa arun- 
diiiacea., Rhecd. e Bump. Fam. idem. 
Ha Bar/ibs cultivados entre ns que so 
adquiridos da ndia, sua origem, d'onde 
passaram ao nosso paiz. 

E' um arbusto de caules em touceira 
com o porte do Taquari; mas sua fo- 
lhagem no de um verde claro como 
o d'este, sim de um verde escuro no 
embaciado, porm com a superfcie 
lisa. 

Cada planta de per si forma um grupo 
tal, que parece uma reunio de muitas 
plantadas no mesmo lugar. 

O caule como est descripto no 
Guada. 

As folhas oblongas e lanceoladas, abra- 
am o caule. 

As flores dispostas em ramos esga- 
lhados, parecem sementinhas, como so 



as de todas as Gramneas., em que con- 
fundem-se as flores com os fructos. 

Na sia, ptria por excellencia dos 
Bamhs, vem-se grandes extenses de 
terrenos cobertos de Bambus., que com 
os ventos se agitam uns sobre outros 
de tal maneira, e cujo estrpito to 
forte, que muitas vezes assusta aos vian- 
dantes ; at asseveram pessoas de cri- 
trio que j tem pegado fogo pelo des- 
envolvimento do calor, quando a frico 
chega a certo gro. 

E' d'estes caules que os chins e 
outros asiticos fabricam tantos objectos 
d'arte, curiosos e de valor. 

Da pellicula da casca fabrica-se o 
papel da China. 

As folhas envolvem as caixas que nos 
conduz o ch da ndia. 

Os gommos servem de vasos, benga- 
las, conductores, lanas, flechas, pennas 
de escrever e para construco de casas 
e moveis. 

Entre os chinezes as venezianas so 
feitas de Bambus. 

Os caadores apoderam-se de um pe- 
dao que tenha o n no centro, de um 
lado introduzem a plvora, e do outro o 
chumbo. 

Finalmente presta-se a ser fendida em 
tiras para fazer-se esteiras, balaios, ces- 
tos, etc, e nos navios utilisa-se para 
vergas, cabos, etc. 

Com as fibras fazem-se mechas para 
vellas . 

A dureza do Bambu tal que os indios 
quando querem fogo, batem dois peda- 
os de bambus um no outro, immediata- 
mente produz innumeras faiscas,e appro- 
ximando-se um pedao de papel este 
incendeia-se immediatamente. 

Do n de seu caule tira-se um assucar 
branco chamado tabaxir ; pela fermenta- 
o d um licor conhecido por Am^. 

Bananeira an. Hexandra mo- 
uoecia., Lnn. Mnsa [Nana). Fam. das 
Musaceas. D'esta espcie de vegetaes 
alguns so originrios da ndia, e cre- 
mos que outros so do Equador, e por 
consequncia do Par. 

So plantas reconhecidas pelos natu- 



tS 



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ralistas como os fjigantes das plantas 
herbceas ; cora effeito, cilas tem um 
bolbo maior ou menor, como raiz ; v-sc 
elevar-se d'elle um caule de dois a quatro 
metros pouco mais ou menos de altura, 
e de dimetro proporcional ; seu tecido 
de fibras do malhas largas, composto de 
cellulas, e todo aquoso ; no pice abre- se 
um feixe, de folhas longas, de dois 
metros pouco mais ou menos, ellipti- 
cas, oblongas, no centro percorridas 
por um corpo da natureza do caule, 
que a elle se prende, e que a ner- 
vura mediana, continuao do peciolo ; 
o limbo da folha membranoso; rom- 
pe-se em tiras pelos ventos, e de um 
verde bonito; sua parte inferior reves- 
tida de um p cinzento esbranquiado. 

No tempo da fructificao, deita uma 
vergontea do centro das folhas, da qual 
sahe um cacho com os rudimentos das 
fructinhas em grupos distinctos ; na 
parte superior cada fructinha tem no 
seu pice uma flor, que fecundada pe- 
las outras, vai-se desenvolvendo pro- 
gressivamente; o mesmo acontece a 
todas as fructas do cacho. 

Na parte superior do cacho prolon- 
ga-se o eixo n, formando um aggre- 
gado de membranas carnosas, roixas, 
compondo um corpo cnico, liso. 

Cada dia levanta-se um envoltrio 
d'ess8S, e deixa ver um grupo deflo- 
res a que chamam favos, e que vo 
operando as importantes funces da 
fecundao . 

, Estas flores tm um nctar io, que 
produz uma substancia liquida, albu- 
minosa, doce e agradvel. 

Acabada a serie d'essa funco, esto 
os fructos desenvolvidos com vrios 
tamanhos, como havemos de notar. 

Este de que falamos tem de com- 
primento 24 centmetros, e de forma 
subtriangular ; apresenta um pequeno 
umbigo no pice, e uma cr amarella 
na maturidade ; aromtica. 

A casca um tanto grossa, flexvel, 
internamente cheia de fibras longitu- 
dinaes, que desprendem-se ; une-se a 
uma massa compacta, tenra, doce e 
agradvel. 



No centro d'essa existem trcs divi- 
ses distinctas, mas adherentes mesma 
massa, na qual se divisa sementes miu- 
dissimas, inseridas nos ngulos d'essa 
cruzeta. 

Esta espcie de bananeira, porm, 
a de estatura mais pequena, que cresce 
at dois metros de alto. As folhas 
novas arroixadas, e as fructas quasi 
vermelhas quando novas, so depois 
avermelhadas ; o sabor no dos me- 
lhores. 

As bananeiras so espcies ou exem- 
plos gigantes das plantas herbceas, 
de um porte elegante, inteiramente 
particular, que lhes do as largas fo- 
lhas de um bello verde-claro. 

Todas as bananeiras habitam os pai- 
zes tropicaes dos dois mundos, ellas 
gostam dos lugares baixos e hmidos 
e das margens dos regatos ; tambm 
ordinariamente em semelhantes lo- 
calidades que se plantam bananeiras. 

A importncia das bananeiras as tem 
feito notar em todas as idades, e ellas 
parecem ter sido cultivadas desde a 
origem das sociedades. 

Assim ns as vemos dar lugar a 
uma serie de fabulas e de conjectu- 
ras. 

Certos escri^tores professaram que era 
a bananeira um d'esses vegetaes que for- 
mava a arvore com a qual o primeiro 
homem se cobrio de sua nudez, e que 
esse enorme cacho (de uvas) trazido a 
Moyss, da terra promettida, no era 
outra cousa mais que o cacho de uma 
bananeira. 

O Olans e Celsius designam os fructos 
d'est3 vegetal como sendo a famosa Dou- 
claim da Escriptura Santa. 

Theophrasto e Plnio faliam das bana- 
neiras. 

Avicense^ Seripio e Phages fazem d'ella 
um grande elogio; singulares supersti- 
es reinaram e existem ainda a respeito 
do seu fructo. 

Bernanlvii de St. Pirre diz: que os 
portuguezes que chegaram primeiro s 
ndias Orientaes, no a cortavam jamais 
pelo meio, porque julgavam vr no in- 
terior uma espcie de cruz, no lugar que 



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63 



occupam os restos das cavidades ova- 
ricas. 

Refere-se que na Grcia o povo supers- 
ticioso est persuadido de que a bana- 
neira se abate sobre aquelle que lhe ar- 
rebatar o fructo antes da maturidade. 

As bananeiras so cultivadas em abun- 
dncia nas trs partes do globo, por onde 
passam as linlias tropicaes; e no Brasil 
pde-se dizer que no ha lugar nenhum 
que no as produza, e com muita abun- 
dncia as differentes qualidades. 

Os seus caules encerram mucilagem 
e amido. 

Os egypcios do-nas aos elephantes 
nas ndias, assim como aos carneiros e 
s vaccas. 

As ibras que ellas contm servem 
para fazer tecidos ou cordagem. 

Os naturaes de certas ilhas, princi- 
palmente das Philippinas, e os habi- 
tantes das ndias Orientaes, d'ella fazem 
diversos estojos que elles tem debaixo 
d'agua. 

As folhas das bananeiras so empre- 
gadas para cobrir as cabanas ; alguns 
selvagens se vestem d' ellas, outros se 
servem d'ellas como espcie de esteiras 
para descanarem. 

Suas nervuras fornecem tambm fios 
de que se fazem tecidos, assim como 
cordagem e redes. 

Os fructos da bananeira come-se de 
mil maneiras ; na America, na Africa 
e nas ndias elles alimentam certas 
classes da populao. 

Em algumas Antilhas os habitantes 
nutrem-se com elles, e realmente por 
todo o Brasil a fructa da sobremesa. 

Pisando-as obtem-se uma espcie de 
po muito nutritivo, e que se conserva 
por muito tempo. 

Na Granada reduz-se esses fructas a 
farinha, que se embarca como proviso 
nos navios ; pde-se obter d'ellas uma 
bebida agradvel. 

. Em summa, as bananeiras prestam 
immensos servios ao homem. 

Humberto^ sbio agricultor de Mas- 
careigne, e Hmiholdt apreciaram as 
vantagens que pode oferecer a cultura 
d'estas plantas. 



Este ultimo calculou que um terreno 
de 100 metros quadrados pode for- 
necer mais de 4,000 bananeiras, e que 
a produco da bananeira est para a 
do trigo como 133 est para 1, e para 
a da batata como 44 est para 1. 

Na Europa um meio hectare de ter- 
reno no basta para alimentao de 
dois indivduos, ao passo que esse 
mesmo terreno sustenta cincoenta, sendo 
plantado de bananeiras. 

Propriedades medicas. A seiva das 
baneiras empregada como adstrin- 
gente. 

O seu fructo, quando maduro, pei- 
toral, emolliente e nutritivo. 

Misturado com azeite de dend 
supurativo para os tumores. 

Caracteres da famlia. Plantas 
herbceas ou vivaces , despi'ovidas de 
caules, ou algumas vezes munidas de 
um bulbo em forma de caule. 

Folhas longamente pecioladas, abar- 
cantes pela base, muito inteiras. 

Flores grandssimas , muitas vezes 
matizadas das cores mais vivas , reu- 
nidas em grande numero, e encerradas 
em espathas. 

"O clice irregular, colorido, peta- 
loide, adherente pela base com o ovrio. 

O limbo de seis divises, trs das 
quaes exteriores e trs interiores. (No 
gnero Musa, cinco das divises so 
externas e formam de alguma sorte um 
lbio superior; uma s interna e 
constituo o lbio inferior). 

Os estames, em numero de seis, so 
inseridos na parte interna das divises 
calicinaes. 

As antheras so lineares, introrsas, 
de duas lojas, e sobrepostas em geral 
um appendice membranoso, colorido, 
petaloide, que a terminao do filete. 

O ovrio infero de trs lojas, con- 
tendo cada uma d'ellas um grande nu- 
mero de vulos inseridos no angulo 
interno. 

No gnero Heliconia., no ha mais 
que um s ovulo em cada loja. 

O estylete simples se termina em um 



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estigma algumas vezes concavo , mas 
rarssimas vezes de trs lobos. 

O fructo uma capsula de trs lojas 
polyspermicas, de trs valvas, trazendo 
cada uma um septo no meio da sua 
face interna; ou um fructo carnoso e in- 
dehiscente. 

As sementes, algumas vezes colloca- 
das em um podosperma, e cercadas d e 
pellos dispostos circularmente, se com- 
pi5em de um tegumento s vezes crust- 
ceo, e de um endosperma farinceo, con- 
tendo um embryo axillo, allongado e 
direito. 

Bananeira de bico verde. 

Musa bicolor. Fam. idem. Esta quali- 
dade de bananeira s difere da prece- 
dente no cacho ser menor, e os fructos 
tambm menores : mas o arbusto como 
o ordinrio d'ellas ; semelhantssima a 
de S. Thom., com a differena de ser 
menor 8 centmetros, e ter o umbigo 
verde, e o corpo do fructo amarello ; 
o que lhe d um realce encantador. 

O gosto como o da de S. Thom. 

A estructura e descripo botnica das 
diferentes espcies de bananeiras so 
como as j feitas da bananeira ana, 
com as diferenas que as narraes 
vulgares exprimem. 



fastidiosa, de cr amarella alaranjada 
forte. 

Cumpre dizer que no caule das ba- 
naneiras, os tegumentos mais exterio- 
res seccam e rompem-se longitudinal- 
mente, e servem de corda ; bem como 
as folhas seccas servem de enchimento 
de cochins, almofadas, etc, e para 
calar vidros e impedir de se quebrarem 
no transporte, etc. 

Bananeira comprida. V. Ba- 
naneira da terra. 

Bananeira ciira. F. Bananeira 
de S. Thom. 

Bananeira ma. Musa. Fam. 
Iderii. esta bananeira semelhants- 
sima a de ,S'. Thom., mas o fructo 
mais rolio, de 24 centmetros de com- 
primento ; no mostra quasi as ares- 
tas dos trs ngulos. 

A casca mais fina e lisa, e a massa 
mais macia e de bello -paladar; mesmo 
mais saudvel e agradvel que as do- 
mais. 



Bananeira brava . Heliconia 
bravia. Fam. Idem. uma bananei- 
rinha indgena, chamada assim nas 
Alagoas e Pernambuco. 
* Esta espcie, semelhante bananeira 
do matto, differe em suas folhas serem 
mais agglomeradas nas divises, no 
fructo ser em forma de pra ou oval, 
e ter mais sementes. 



Bananes^a de Madagscar. 

Urania Ravenalia. Madagascarienses. 
Foir. Musacea U. Urania. A copiosa 
seiva que escorre, quando se corta as 
nervuras das folhas d'esta bella bana- 
neira, fornece aos viajantes uma ex- 
cellente bebida; por isso tem-se-lhe 
dado o nome Arvore dos viajantes. 
As sementes so nutritivas e fari- 
nceas. 

O invlucro (massa) da semente d 
um excellente sebo vegetal. 

A planta cresce muito bem no 
Brasil, e merece ser cultivada em 
grande escala, por causa de sua utili- 
Baaaaueira de Cayenna. ilf^o; 1 dade. Chamamos para isso a atteno 
Fam. Idem. Nas mesmas condies dos nossos agricultores, 
das outras plantas acha-se esta ; o ve- 
getod 



e mui semelhante ao da bana- 
neira comprida, em virtude dos pecio- 
los e folhas serem mais luzidas, o ca- 
cho grande, os fructos do tamanho de 
21 centmetros, ora mais ora menos. 
A polpa da fructa mais dura e mais 



Bananeira do Maranltao. 

Musa. Fam. Idem. O fructo d'esta 
bananeira de casca roxa, e grande. 

Bananeira do mato. Heliconia 
sijlvestris. Fam. 7/. Esta bananeira 



BAN 



BAN 



6; 



brava indgena, conhecida em Alagoas 
e Pernambuco por este nome. 

Tem um caule quasi rente , com 
folhas semelhantes das espcies acima 
mencionadas, porm menores que todo 
o vegetal. 

Ter de um a dois metros de alto ; do 
centro das folhas sahe uma haste ou pe- 
dnculo, composto de escamas vermeUias, 
chatas, de figura elliptica, abrindo nas 
bordas, successivamente, flores quasi da 
mesma estructura. 

O fructo uma bagasinha carnosa, 
oval, trigona com trs gros dentro. No 
se come. 

Bastaueira do mato. Camia 
brasiliensis, Limi. Fam. das Amoma- 
ceas. Planta que indgena, com bulbo 
na raiz, folhas grandes, flores em ca- 
chos amarellos e vermelhos ; parece uma 
bananelrinha. 

Esta planta d tinta vermelha; das 
sementes fazem-se contas para rosrios. 

Propriedades medicas. A raiz diu- 
rtica e antiblennorhagica. 

Das folhas pisadas e cozinhadas faz-se 
uma cataplasma emolliente. 

Bananeira meia pataca. 

Musa. Fam. idem. E' uma bana- 
neira rara hoje em Pernambuco, onde 
lhe do este nome. 

E' alta, e seu cacho tem 1 metro e 12 
centmetros de comprido; preciso o 
esforo de dois homens para o carre- 
gar. 

O fructo grande. 



Bananeira de morcg;o. In- 
dgena e silvestre ; conhecida no Rio de 
Janeiro e S. Paulo por este nome. 

E' producto de um arbusto, que d 
uma espiga estreita, mas de 18 cent- 
metros de comprimento; amarellada, 
com um eixo no centro, e tem periferia 
cheia de fructinhas semelhana de 
grosinhos, que estando maduros, in- 
cham. 

Produz uma espcie de gelatina, que 
boa de chupar-se. 



Os morcegos gosto muito d'essa fruta 
d'onde lhe vem o nome. 

Bananeira de oiro. Musa. 
Fam. Id^m. Cls. Idem. E' uma ba- 
naneira que cresce multo como a bana- 
neira prata ; o fructo liso e cheio, de 
21 centmetros de comprimento. 

A casca por fora roixa com man- 
chas rosadas. 

A massa ou polpa por dentro de 
um amarello cr de gemma d'vo ; solta 
os filamentos no descascar. 

O sabor assemelha-se ao da banana 
da terra ou comprida. 

Bananeira de i)a|iag,-aio. Ca- 

meraria Jasminifora. Fam. das Ai^ocy-' 
neas. Arvore agreste, natural do paiz, 
chamada assim em Alagoas. 

E' de bello porte ; tronco esbranquia- 
do, leitoso e de grandes dimenses. 

Suas folhas obovaes, oblongas, gros- 
sas, grandes e lustrosas. 

Suas flores so brancas, em cachos nas 
pontas dos ramos, tendo cheiro activo, 
e suave ; seus frutos, de 1 a 2 deci- 
metros, so em forma de fuso capsular, 
cheios de sementes dentro, envoltas em 
uma camada de fios sedosos, brilhantes; 
tudo isto lhe d realce. 

leitosa em todas as suas partes. 

Do peciolo da folha exsuda um leite 
copioso. 

Bananeira girata. Musa ar- 
gntea. Fam. Idem. Esta bananeira 
tem o porte da bananeira da terra, ou 
comprida, mas o fructo muito mais pe- 
queno que a da terra ; regula com a de 
S. Thom. 

A sua polpa alva, d'onde parece vir- 
Ihe o nome que recebeu ; o seu formato 
triangular e bem distincto. 

O seu sabor agradvel ; tem a casca 



grossa. 

mui susceptvel de degenerar, 
junto eom outras espcies de seu g- 
nero. 

Bananeira sanibur. Musa 
Angulosa., Fam. Idem. Esta espe- 

11 



66 



BAN 



BAR 



cie de bananeira semelhante a An, 
sendo mais elevada. 

Seus frutos so de 24 centmetros e 
mais; a mais grossa das de seu gnero, 
tendo os ngulos mui salient9s. 

A cr da polpa de um amarello es- 
curo , no muito saborosa. 

curti. Musa paraisiaca^ Linn. Fcim. 
idem. Esta banana ha tempos passa- 
dos, assim como a comprida ou da terra 
era uma das mais communs, ou para 
melhor dizer, a mais conhecida e vulgar 
em Pernambuco, porque a de Cayenna 
pouco apparecia no mercado,- entretanto 
hoje est um pouco escassa, tomando o 
seu antigo lugar a banana prata. Ella 
quasi lisa, um pouco grossa, cheirosa e 
saborosa ; tem as folhas mais agudas, e 
o fructo mais macio que a da terra ou 
cor/iprida. 

Esta banana, como todas, nem s se 
come crua, como cozida, verde ou de vez, 
isto , quasi madura, com peixe salgado, 
com mel, em doce secco, ou de calda, ou 
mesmo secca ao sol. 

Ella contribue muito como alimento 
nas fabricas ou engenhos de assucar e 
outras fazendas ruraes. 

O cacho d'esta bananeira s d trs 
pencas de bananas. 

Propriedades medicas . As folhas 
so empregadas em banhos na urticaria, 
nos engorgitamentos dos testculos e in- 
chaes chronicas das pernas. 

A seiva misturada com agua til nas 
aphtas das crianas. 

BasaaaEes* &!> Taii. Fam. das 
3Iiisaceas, Lvrm. Esta bananeira tem o 
dorso das folhas cr de violeta, e a casca 
da fructa quasi preta. 

l>a'B9lt. Mnsa sapientium., Linn. Fa^n. 
idem. Esta a que se chama na Bahia 
bananeira da terra impropriamente. 

Tem os caracteres da precedente, ele- 
vando porm o seu porte a maior altura. 

Rompem-se muito as suas folhas. 



I O cacho grande, o fructo cresce at 
36 centmetros, tem os ngulos salien- 
tes; curva-se mais e mancha-se muito 
de preto, na maturidade. 

A casca a mais grossa; a massa 
mais compacta que na de S. Thom, mais 
resistente ao tacto, e a que melhor se 
torna quando assada ou cozida : tem 
todos os mais usos das outras. 

Esta a espcie que os povos antigos 
julgavam ser o pomo do Paraizo, que 
Ado comeu. 

ISas-aSMB. Arvore do Brasil, cuja 
madeira estimvel, para construco e 
vrios prstimos. 

lls5E*sfet?aBaa ou GisairawiBsa.-r-il/- 
lanoxilon Brana. Fam. das Legumino- 
sas. uma das arvores que ennobrecem 
a vegetao do Brasil ; a Baraliuna co- 
nhesida nas diversas provncias do Im- 
prio como tal ou Guaraima. 

Nas Alagoas mais conhecida por 
Maria Preta da Matta. 

E' arvore colossal, muito copada, sua 
folhagem, mida e lusida, destribui- 
da por palmas. 

Suas flores, em cachos, so amarel- 
las, e d uma vagem comprida como a 
de feijo. 

Esta arvore tem o interior (cerne) roxo 
escuro, e durssimo, e tanto serve para 
utenslios de marceneria , como para 
quaesquer outras obras de machinas de 
engenho, vehiculos e construco ur- 
bana. 

A importncia da Baraliuna notvel 
pela durao secular que tem, mesmo 
embebida na humidade da terra. 

Fornece uma tinta rubra-fusca. 

ISaa^lis fite ftode. Cactaria pallens. 
Fam. das Qramineas. E' uma esp- 
cie de capim cujas hastes so sulcadas 
longitudinalmente , as folhas mui es- 
treitas em feixes, e as flores em grupos. 

Propriedades medicas. E' aperiente 
e diluente; usa-se tanto interna como 
externamente, e neste caso applica-se 
em cataplasmas sobre a regio do fgado. 



BAR 



BAR 



67 



Ba risa tle bode le PernaBi- 
liiteo. Fam. das Cyperaceas. E' uma 
espcie de capim indigena, cuja vergon- 
tea recta, sem ns e sem folhas, cheia 
de uma matria esponjosa. 

E' muito elstica : tem no pice do 
caule um feixe de folhas, onde ha um 
aggregado de palhetinhas que envolvem 
as flores. 

E' mui procurada para gaiolas de 
pssaros. 

Nas Alagoas a Barha de Bode outra 
espcie ; no cresce tanto e serve de 
pasto. 

Bapfia le Boi. Remirca mariti- 
rm^ AiM. Fam. das Cyperaceas. E' 
uma espcie de capim de caule ras- 
teiro, nodoso, com ramos que elevam- 
se, nos quaes tem feixes de folhas mui 
estreitinhas e duras. 

As flores tem a estructura da dos 
capins; vegeta nas praias. 

Ella foi achada pela primeira vez na 
Guyenna por Aullet. 

Propriedades medicas. E' sudorfica 
e diurtica. 

Bai!*ba ele VelSao. Tillandsia us- 
neoides^ Linn. Fam. das Bromeliaceas. 
E' uma plalita do paiz, parasita. 

Cresce sobre troncos, e d filamentos. 

E' mui aproveitada para ninhos de 
aves, e pode servir para confeco de 
cordas. 

Propriedades medicas. Esta planta 
pisada e misturada com um pouco de 
banha fresca, constitue um bom un- 
guento anti-hemorrhoidal, topicamente 
applicado. 

Como adstringente o povo emprega a 
planta em saquinhos nas hrnias, col- 
locando-os e mantendo-os sobre o an- 
nel inguinal. 

Bar1as de barata. {Jsjo Bio de 

Janeiro chagas.) 

Propriedades medicas. No Norte se 
faz uso d'esta planta em cosimento 



contra as anginas tonsillares, e dores 
de dentes. 

A infuso das fiores purgativa. 

A raiz anti-febril, prpria para 
combater as febres ters. 

I5?B*Iiasco. Budleja hrasiliensis, 
Swart. Buddleia australis.^ Tell. Fam. 
das Escrophulareas. um arbusto da 
America Meridional ou somente do 
Brasil ; de caules erectos, folhas peque- 
nas, ovaes, oppostas, flores em cachos, 
amarellas, em forma de angelicasinhas, 
tendo por fructo uma capsula, com va- 
rias sementes dentro. 

Propriedades medicas . Mucilagi- 
nosa e levemente amarga, esta planta 
empregada nas affeces peitoraes. 

Os clysteres de Barhasco ou os banhos 
feitos de seu cosimento so anti-he- 
morrhoidaes. 

Raiz ou folhas, 4 grammas para 500 
grammas, de infuso. 

Bi^s>batBio. Mimosa virginaUs, 
Arr. Cam. Stryplmoeudroi. Barhati- 
mo., Mart. Accia virgimdis, Phol. 
Fam. das Leguminosas. uma das 
mais bellas arvores indgenas. 

elevada, de casca spera, folhagem 
em palminhas midas ; as flores dis- 
persas pelos ramos, nas axillas e pon- 
tos terminaes, so reunies de flori- 
nhas delicadas, formando frocos que pa- 
recem bolotas ; o fructo uma vagem 
deprimida; sementes semelhana de 
gros de feijo. (Fig. 9.) 

Propriedades medicas. Esta planta 
gosa de uma grande reputao. 

frequentemente usada nos casos 
que exigem os tnicos ou adstringentes ; 
taes como gonorrhas, hemoptisis, ato- 
nia, ophtalmias chronicas, e af^eces 
scorbuticas. 

Barrigrsida . Bombax ventricosa, 
Arr. Cam. Fam. das Bomlaceas. 
Arvore agreste do paiz, vegeta no cen- 
tro, raramente no littoral ; hoje porem 
raro encontrar-se em qualquer matta. 



8 



BA.T 



BAT 



A arvore grande ; seu tronco tem 
no meio um bojo similhanto ao da 
Macaibeira. 

Suas folhas em forma de palmas, so 
cinco a sete foUietns dispostas no pice 
do peciolo commum. 

As iores so brancas, no pequenas ; 
o fructo um casulo membranoso. 

Do tronco d'c3ta arvore se fazem pi- 
rogas, e d'ellas se servem os Botocu- 
dos para preparar pedaos de po, que 
introduzem nos beios e nas orelhas. 

O fructo uma espcie de pepino, 
que quando se abre deixa ver uma como 
que bellissima l de cr branca, que 
se emprega em enchimento de traves- 
seiros e colches. 

I>iirrig,-U8li% lo serCo. V. Em- 

hiraanha. 

Barck. Dipterix pteropiis, Mart. 
Fam. das Leguminosas. uma arvore 
das provncias centraes do Brazil, do 
gnero do Cumaru. 

uma espcie cujas sementes tem 
muita anologia e tem os mesmos usos 
quasi como o Cumaru. 

Ba8soi*ia.. Buddlcja connoAa., Mart. 
ePisson. Fam. das Escrophularitieas. 
uma planta herbcea com as mesmas 
propriedades do Barhasco. 

iiUa . Tipeiava. Buddleja australis. 
Fam. Idem. Herva semelhante prece- 
dente, cujas flores e folhas costumam-se 
empregar em cosimentos, e em clysteres 
nos sofrimentos hemorrhoidarios. 

Bitttiat-.s oii Coffueiro Batan. 

Oenocarpus Batayi, Mart. Fam. das 
Palmeiras. indigena esta planta das 
regies do Alto Amazonas, entretanto o 
Par a sua especial ptria. 

Ella semelhante Bacaba, com as 
mesmas dimenses, d um fructo tam- 
bm semelhante, pouco mais ou menos, 
de cr avermelhada na maturidade. 

Come-se, e faz-se uma bebida a que 
do o nome de vinho. 



Batata. Convolridus Batata, Linn. 
Fam. das Convolmdaceas. Esta serve 
como typo das batatas. 

Planta indigena da America Meridio- 
nal, e da ndia, vivaz ; isto , que vai 
sempre reproduzindo-se por ficarem ra- 
zes na terra. 

E herbcea, e alastra-se pelo solo ; 
lactifera. 

Tem folhas alternas, e os caules, que 
so rasteiros, enrazam no cho em di- 
versos pontos, e ahi brotam tuberas, 
que so as batatas. 

As folhas so cordiformes. 

A flor como uma campana roxa. 

O fructo uma capsula ovide, com 
quatro sementes. 

As tuberas so de todos os tamanhos 
e fi-mas ; sua casca uma membrana 
fina, da cr da prpria massa interna, 
que frouxa, um tanto leitosa, fresca, 
doce, e de bom sabor. 

Come-se cosida, e assada ; d'ella 
tambm se faz doce. 

A casca as vezes arroxeiada, e a 
massa branca. 

Caracteres de famlia. Plantas her- 
bceas ou subfructescentes, muitas vezes 
volveis e trepadeiras, tendo folhas al- 
ternas, simplices, ou mais ou menos 
profundamente lobadas. 

Flores axillares ou terminaes. 

O clice gamospalo, persistente, de 
cinco divises. 

A corolla gamopetala, regular, igual- 
mente de cinco lobos crespos, ou cinco 
estames inseridos no tubo da corolla. 

O ovrio simples e livre, sustentado 
por um disco hypogynico ; elle ofe- 
rece de duas a quatro lojas, contendo 
pequeno numero de vulos. 

O estylete simples ou duplo. 

O fructo uma capsula, oflTei^ecendo 
de uma a quatro lojas, contendo ordi- 
nariamente uma ou duas sementes, in- 
seridas na base dos septos ; ella se 
abre em duas ou quatro valvas, cujas 
bordas so applicadas sobre as divises 
que ficam no seu lugar; mui raras 
vezes a capsula conserva-se fechada, 



BAT 



BAT 



50 



ou abre-se em duas valvas sobre- 
postas. 

O embryo, cujos cotyledones ou lo- 
bxilos so machucados, enrolado sobre 
si mesmo, e collocado no centro de 
um endosperma molle e como que 
mucilaginoso. 

Bi(al aaiiarella o(t GeriBcti. 

Convolvtihis. Fam. das Convolvula- 
ceas. Espcie semelhante preceden- 
te; porm seu tecido ou substancia 
amarello, com as mesmas propriedades. 
Tambm a chamam Batata, Gerimum. 

lR'AttAti\ porao magoado. 

Convolvulus. Fam. Idem. seme- 
lhante outra, mas a pellicula exte- 
rior roixa, a massa branca, e no 
centro forma uma substancia roixa. 
. Por este nome conhecida nas Ala- 
goas. 

Batata isig-Seza. Solammi txero- 
sum, Linu. Fam. das Solanaceas. Esta 
planta, originaria da America Septen- 
trional, o vegetal mais precioso que 
a Europa tem tirado do novo mundo ; 
e l muito cultivado. 

o producto de uma erva, de porte 
pequeno, esgalhada, ramos erectos, fo- 
lhas lobadas, e flores esbranquiadas. 

Na raiz formam-se fibras, que se tor- 
nam em tuberas redondas, de cr aloi- 
rada, pellicula fina e superficie lisa, 
contendo algumas depresses redondas ; 
a massa loira e de bom sabor. 

Os pontos deprimidos ou cicatrizes 
da superficie, so os pontos por onde 
rebentam os grelos. 

Suas tuberas, extremamente ricas de 
amido, so o alimento do rico e do 
pobre ; ella tambm cultivada em 
todo o Brasil. 

O amido extrahido das batatas, a 
que do o nome de fcula, mistu- 
rado em grande escala com a farinha 
de trigo. 

Batata Bo aar. Ipomcea mar- 
tima. Fam. das Co7icolvulaceas. o 
mesmo que a Salsa da praia. 



Propriedades medicas. As folhas, 
as flores, e as bagas so sedativas, 
narcticas, teis nas nevralgias e rheu- 
matismos. 

Emprega-se tambm nos cntarrhos 
chronicos, 

O tubrculo emolliente e analep- 
tico; raspado ou triturado serve para 
cataplasma, que se applica sobre as 
queimaduras. 

O p bem secco applica-se sobre as 
ligeiras escoriaes, e no intertrigo das 
crianas. 

A batata um poderoso antiscorbu- 
tico, quer crua quer cosinhada ; sendo 
crua, melhor. 

Bttata le |>iBi*;a. Convolvuhis 
operculalus, Gom. Piptostegia Gomesii 
Mart. Fam. das Convolvulaceas. Planta 
herbcea do Brasil, caule trepador sem 
gavinhas, quadrangular, de ngulos 
membranosos. 

Folhas ovaes, um pouco angulosas, 
inteiras, um pouco acuminadas, obtu- 
sas, mucronadas, molles, quintipenni- 
nerveas, na base formando um angulo re- 
intrante, verde escuras na face superior, 
e esbranquiadas na inferior. 

Flores solitrias, pedunculadas, de 
pednculos axillares. 

Corolla infundibuliforme e amarel- 
la. 

Fructo capsular, raiz tuberosa fusi- 
forme, de 36 centimetros mais ou me- 
nos de comprimento, laetescente, con- 
tendo na raiz uma resina que bastante 
purgativa, conhecida pelo nome de 
Resina de Batata. 

A fcula, que contm a raiz conhe- 
cida pelo nome de Gomma de Batata., 
tem a cr branca acinzentada. 

ordinariamente um medicamento 
incerto, pelo que sempre convm usar-se 
da resina purificada. 

Propriedades medicas. Essa batata 
conhecida no Rio de Janeiro pelo nome 
de Raiz de Jetiaic, usada como 
purgativa. 

Internamente a gomma,de2decigram- 
mas a 1 grammae7 decigrammas,e a re- 



O 



BAT 



BAT 



sina de 1 gramma a 2 grammas e 2 deci- 
fframmas. 



ISittfat 2;iiii9i;it. Convolvulus edi- 
lis, Linn e Tumh. Fam. das Convol- 
vulaceas. Esta planta, introdnzida ha 
poucos annos no Brasil, 6 natural do 
Japo . 

uma lierva de %. metro de altura, 
estendendo o seu caule com folhas 
divididas em trs lobos ou lacinias, 
e peciolos compridos. 

As flores so roixas, como as das 
outras batatas. 

O fructo uma pequena capsula, a 
tubera tem semelhana com a da ba- 
tata propriamente dita ; a casca porm 
mais amarellada, e a massa mais en- 
xuta e saborosa. alimentcia. 



Bat;atii Se a^aa&aa ou Iia^saii&v 
fai'iaa!asa. Fam. Dioscoraceas . Nas 
Alagoas conhecida esta batata por 
este nome. 

uma planta trepadeira de folhas 
ovaes, coriaceas, de trs lobos. 

As flires no observadas; oferece 
pelos ramos uns tubrculos escuros, de 
12 centmetros de comprimento, de 
forma angulosa, com a superflcie um 
pouco cheia de protuberncias. 

Se bem que a casca seja lisa , ofe- 
rece tambm na raiz umas tuberas de 
casca grossa, cheia de radiculas ca- 
pillares, que tem chegado a 4 ^ kilo- 
grammos de peso ; acha-se uma massa 
branca, e farincea ; depois de cosi- 
da , enxuto, doce e muito boa para 
comei'-se. 

D esses tubrculos acima referidos, 
que representam bolbos reniformes , 
de cr parda-acinzentada, verrugosos, e 
que x-ei^roduzem a espcie. 

S:-:ita4n. 5*o-X3a. Co7ivolmilus. 
Fam. das Couvoloidaceas. Esta espcie 
como a primeira batata, a branca. 

A difterena consiste em no crescer 
muito ou tanto, e em que a casca e a 
massa so roixas. 

das melhores ao paladar, e excel- 



lente para doce, mas muito rara, e diz-se 
que a que mais flatulncia produz. 

Itid^utiiBlB. V. Contra-herva. 

ISatc-testa. V. Camap. 

BafJBij^-it. Eugenia durssima . -r- 
Fam. das Mijrtaceas. Arbusto de me- 
diana proporo ; tronco liso e madeira 
mui dura; do paiz, conhecido em 
Pernambuco e Alagoas por este nome. 

As folhas so midas, oppostas. 

As flores de cr branca e com cheiro. 

O fructo pequeno, ovide de cr 
roixa na maturidade, coroado por qua- 
tro palhetinhas foliaceas no pice. 

Depois da pellicula externa tem uma 
polpa aquosa, acredoce, agradvel, da 
mesma cr do fructo ; e um caroo, no 
centro, esbranquiado. 

A madeira d'este arbusto presti- 
mosa, muito dura e avermelhada, muito 
apropriada para esteios e outras obras 
d'esta natureza. 

Os fructos so temperantes, segundo 
aflirmam. 



BaBpuat i^isivo. GompMa ca- 
duca. Fam. das Ochiaceas. Arbusto 
mdio, de porte bonito, mormente na 
epocha da florao ; vegeta no littoral. 

ramoso, de folhas meio compri- 
das, luzentes. 

As flores so, em cachos grandes^ 
amarellas e fragrantes. 

Os fructos so uma espcie de tu- 
brculos vermelhos, reunidos por gru- 
pos, de cinco vulos, erectos, como 
encravados em um disco, cujo corpo 
tambm vermelho e suculento. 

Dentro de cada coca d'estas ha uma 
semente que muito oleosa. 

Este leo tem usos medicinaes, assim 
como tem o BatiptU manso. 

Caracteres da famlia. Vegetaes 
ligneos, mui glabros em todas as suas 
partes, tendo folhas alternas, munidas 
de duas estipulas na base; flores pe- 
dunculadas, rarssimas vezes solit- 
rias, as mais das vezes dispostas em 
cachos ramosos. 



BAU 



BAU 



Os pednculos so articulados no 
meio de sua extenso. 

Elias tem um clice de cinco divi- 
ses profundas, imbricadas lateralmente 
antes de seu desenvolvimento. 

Uma corolla de cinco a dez ptalas 
patentes, e imbricadas na epocha da 
jSporao. 

Os estames variam de cinco a dez e 
mesmo mais, tendo os filetes livres, 
inseridos, assim como as ptalas, abaixo 
de um disco liypofyynico salientissimo, 
onde est implantado o ovrio. 

Este deprimido no centro, e pa- 
rece formado de vrios pistillos dis- 
tinctos, collocados em redor de um 
estylete central, que parece nascer im- 
mediatamente do disco. O estylete 
simples, e sustenta no pice um nu- 
mero varivel de lobos stigmatiferos. 

O fructo se compe das lojas do ovrio, 
que se separam umas das outras e que 
formam outras tantas carpellas dru- 
paceas, sustentadas pelo disco ou gy- 
nobasio, que cresceu. 

Estas carpellas, algumas das quaes 
abortam s vezes, so unilocullares, mo- 
nospermicas e indeliiscentes; ellas pare- 
cem, de algum modo, articuladas sobre 
o gynobasio do qual se separam facil- 
mente. 

A semente encerra um grosso embryo 
erecto desprovido de endosperma. 

Btft tpM iBistfiB^o . Gomphia Jabo- 
tainlA^ Limi. e Will. Fam. idem. 
um arbusto semelhante ao precedente, e 
com o qual quasi se confunde. 

Propriedades medicas. O seu leo 
applicado nas dores rheumaticas, ery- 
sipelas, feridas do tero e outras ulceras. 

usado tambm na arte culinria. 

BuaaBBuliBa , Yanilla aromtica , 
Swart. Fam. das Orchidaceas . Efi- 
endron vanilla, Linn. Planta herbcea 
das ndias Orientaes. 

Cresce tambm no Mxico, no Pcr, na 
Colmbia, na Guyenna e nas provncias 
do Norte do Brasil ; mas no Par onde 
mais abunda. 



Ella sarmentosa e trepadeira, tem os 
caules verdes, cylindricos, nodosos, da 
grossura de um dedo, munidos de ga- 
vinhas ou antes raizes adventcias, que 
se implantam na casca das arvores vi- 
sinhas, e servem tanto para alimental-a 
como para sustental-a, visto que a planta 
continua a vegetar depois de separada 
da terra. 

Folhas rentes , alternas , distantes , 
ovaes-oblongas, agudas, lisas, um pouco 
espessas, com nervuras longitudinaes. 

Flores dispostas, no pice dos ramos, 
em cachos axillares pedunculados ; o pe- 
riantho ou envoltrio dos rgos sexuaes, 
de um verde amarellado por fora, bran- 
co interiormente,' formado de seis se- 
palas. 

O fructo uma capsula carnosa, verde 
a principio e depois de cr roixa escura, 
comprida e siliquosa. 

Sementes numerosas, pretas, globu- 
losas, repletas de um sueco roixo, espes- 
so e balsmico. 

Colhe-se o fructo antes de estar ma- 
duro, para evitar que se rache, e deixe 
escorrer o sueco que contm ; faz-se sec- 
car sombra, cobi-e-se com uma camada 
de azeite ; emflm fazem-se molhos com 
50 ou 100 capsulas, e mettem-se em cai- 
xinhas de folhas. 

No commercio ha trs espcies : 

1.* Bannillia legitima^ do compri- 
mento de 16 a 20 centmetros, da gros- 
sura de 7 a 9 milmetros, enrugada e 
sulcada no sentido do seu comprimento, 
mais estreita nas extremidades, e cur- 
vada na base; um pouco molle e viscosa, 
de cr roixa escura; cheiro forte, agra- 
dvel. 

Conservada n'um lugar secco, e n'um 
vaso que no seja hermeticamente fe- 
chada, esta baunilha se cobre de cris- 
taes de acido benzico;- a mais esti- 
mada. 

2.=^ Baunilha bastarda^ mais curta, 
mais delgada, mais secca, de cr me- 
nos carregada ; c menos aromtica e 
no effloroce. 

A ^.^ espcie, chamada Baunilho, tem 
vagens de 14 a 19 centmetros de com- 
primento, ede 11 a 21 millimetros de lar- 



9 



BAU 



BAX 



gura ; mui escura, quasi preta, molle, 
viscosa, de cheiro forte e menos agra- 
dvel que a das duas primeiras esp- 
cies, e parece ter ultrapassado o seu 
ponto de maduresa ; julgam alguns que 
no fornecida pelo mesmo vegetal. 

Propriedades medicas. um dos 
excitantes mais agradveis da matria 
medica. 

aphrodisiaca, emmenagoga, e diu- 
rtica. 

muito usada, sobre tudo pelo seu 
aroma na composio do chocolate. 

Internamente d-se o p na dose de 
15 gros at 1 oitava. 

Tintura de 4 a 8 grammas, em uma 
poo. 

Xarope, 16 a 32 grammas. 

Caracteres da famlia. Plantas vi- 
vazes, algumas vezes parasitas, tendo 
lima raiz composta de fibras simples e cy- 
lindricas, muitas vezes acompanhada de 
iim ou de dois tubrculos carnosos, ovi- 
des ou globulosos, inteiros ou digitados. 

As folhas so sempre simples, alternas, 
invaginantes. 

As flores muitas vezes grandssimas e 
de uma forma particular, so solitrias, 
fasciculadas, maneira de espigas ou pa- 
nicula. 

O clice de seis divises profundas, 
trs das quaes interiores e trs exteriores. 

Estas, frequentissiinas vezes seme- 
lhantes entre si, esto vista ou aproxi- 
madas umas das outras na parte supe- 
rior da flor, onde formam uma espcie de 
capacete (clix galeatus). 

Das trs divises internas duas so la- 
teraes, superiores, e semelhantes entre si: 
uma inferior, d'uma figura toda parti- 
cular, e traz o nome de labello ou aven- 
tal. 

Elle apresenta s vezes em sua base um 
prolongamento concavo chamado esporo 
(labellum calcaratum). 

Do centro da flor se eleva no pice do 
ovrio uma espcie de columella deno- 
minada gymnostemio, que formada pelo 
estylete e pelos filetes estaminaes solda- 
dos, e que traz na face anterior e supe- 



rior uma depresso glandulosa que o 
estigma, e no pice uma anthera de duas 
lojas, abrindo-se quer por uma sutura 
longitudinal, quer por um operculo que 
forma toda a parte superior d'clla. 

O pollen contido em cada loja est 
reunido em uma ou varias massas, tendo 
a mesma f(5rma que a cavidade que as en- 
cerra. 

No pice do gymnostemio sobre as 
partes lateraes da anthera, acham-se dois 
tuberculosinlios, que so dois estames 
abortados , e que se chamam estami- 
nodios. 

Estes dois estames so pelo contrario, 
desenvolvidos no gnero Cypripenm; 
ao passo que o do meio aborta. 

O fructo uma capsula unilocular, con- 
tendo grande numero de sementes pe- 
queninas, inseridas em trez trophosper- 
mas parietaes, salientes e bifurcados do 
lado interno. 

Estas sementes tem o tegumento ex- 
terior formado de uma redezinha ligeira, 
e se compem de um endosperma, no qual 
existe um pequenino embryo axillar e 
homotropo. 



BaiinilSBit (Ia Blta. 

palmarnm. Fam. idem. 



Vanilla 



Propriedades medicas. Applica-se 
nas febres adynamicas e nas nevrozes. 

BiQiinlIia. l9va\s,.GijmMium Va- 
nilla. Fam. idem. Hervaou pequeno 
subarbusto, parasita, volvel, de caule 
cylindrico; vegeta exclusivamtnte sobre 
as palmeiras de Aricory. 

uma planta verde sempre, de fo- 
lhas carnosas, duras e lanceoladas. 

As flores amarellas e grandes, sem 
cheiro, em pencas. 

O fructo uma espcie de vagem, 
tendo dentro uma substancia branca, 
esponjosa ; contendo muitas sementes 
pequenas e pretas, cuja substancia in- 
terna se emprega contra os pannos ou 
ephelides da ctis, com feliz resultado. 

Bi^xiutia ou Coiieiro Ba- 
xiiff)a. Sriartea ventricosa., Mart. 



BEI 



BEI 



"73 



Fam. das Palmaceas. O friicto co- 
mestvel. 

Ha mais trs espcies : Iriartea exor- 
rJieza^ Iriartea eltoidea, Iriartea seli- 
gera. 

Bayuciir. E uma planta her- 
bcea do Rio Grande do Sul, que tem 
um bulbo, que passa por especifico 
contra as hydropesias. 

Beijo lo anato. PMseolus ruiriis. 
Fam. das Leguminosas. Herva indi- 
gena, conhecida por este nome nas 
Alagoas. 

E uma trepadeira, de caule fino, 
folhas ternadas, de figura elliptica e 
estreitas. 

Flores como a do feijo, porm de 
cr vermelho-rubra. 

O fructo uma vagem estreitssima, 
cujas sementes assemelham-se s do 
feijo; so rajadas de cinzento. 

Beijo de ina. Cosmos hipina- 
tns^ Cav. Fam. das Compostas. Flor 
de jardim, extica, natural do Mxico. 

Herva que chega at 1 %. metro de 
altura. 

Folhas em forma de palmas, com 
as flores no cimo dos ramos ; formam 
um circulo de laminazinhas rosadas, 
que tem no centro o aggregado de 
florinhas amarellas. 

D um fructo preto, de fignra pyri- 
forme, tendo por cima dois aguilhesi- 
nhos. 

Propriedades medicas. Usado con- 
tra a ictercia, e aflfeces biliosas. 

Beijo de palma. F. Velhdo. 

Beijoeiro. V. Estoraque. 

BeijoBiu. Laurus Benzoin., L7in. 
StyraB Benzoin., Rich. Farii. das Styra- 
caceas. E uma arvore que d com 
abundncia na parte Meridional de 
Sumatra, de Java e no reino de Syo ; 
tambm se encontra nos sertes do 
Brasil. 



Suas folhas so alternas, ovaes, chei- 
rosas, como tambm a madeira. 

Flores amarellas. 

Os fructos so bagas vermelhas, que 
se tornam escuras com o tempo ; o 
sueco resinoso e balsmico corre por 
incises, que praticam n'arvore. 

Este sueco branco, mas pelo con- 
tacto do ar se solidifica e se torna es- 
curo. 

O Beijoim que nos trazem os serta- 
nejos muito mal preparado, e por 
essa razo se vende por preo muito 
inferior ao que nos fornece o estran- 
geiro. 

O Beijoim queima-se nas igrejas, lan- 
ado nas brasas, misturado com o in- 
censo. 

Propriedades medicas. Emprega-se 
como estimulante nas bronchites, as- 
thma, atonia de rgos digestivos. 

O Beijoim entra na composio do 
Blsamo catliolico muito usado nas con- 
tuzes, quedas e cortaduras. 

Na preparao do leite virginal, em- 
pregado como objecto de toucador. 

Em loes nas manchas da pelle, 
sardas, etc. 

Caracteres da famlia. Esta fa- 
mlia encerra arvores ou arbustos de 
folhas alternas, sem estipulas, de flores 
axillares, algumas vezes terminaes. 

O clice livre ou adherente ao ov- 
rio infero. 

O limbo inteiro ou dividido. 

A corolla gamopelata, regular. Os 
estames, cujo numero varia de 6 a 10, 
so livres, ou monadelphos pela base. 

O ovrio, ora supero, ora infero, tem 
ordinariamente quatro lojas, separadas 
por divises membranosas e delgads- 
simas ; cada uma d'estas lojas contm 
commumente quatro vulos inseridos 
no angulo interno da loja, dois erectos 
e dois deitados. 

O estylete simples, terminado em 
um estygma pequeno e singelo. 

O fructo ligeiramente carnoso ; con- 
tm d'um a quatro caroos sseos, e 
mais ou menos irregulares. 

12 



*94 



BEL 



BEQ 



A semente formada, alm do tegu- 
mento prprio, d'um endosperina car- 
noso, que encerra um embrvo cyliu- 
drico; tendo a mesma direco que a 
semente- 

ISelcBroeia. Portnlacca oleracea^ 
Linn. Fam. das Portulacaceas . Esta 
herva originaria de ambos os liemis- 
pherios, e conhecida em todo o Imprio 
do Brasil. 

de pequeno porte, quasi rasteira; 
ergue seus ramos de 24 a 48 centme- 
tros, seus caules so carnosos e succu- 
lentos. 

As folhas oppostas, ovaes e tambm 
succulentas. 

As flores, reunidas nas axillas das fo- 
lhas e no pice dos ramos, so ama- 
rellas. 

O fructo uma capsula pequena, c- 
nica, que se abre por uma espcie de 
tampa, cheia de sementes mui pequenas, 
pretas e luzidias. 

A Beldroega, planta muito til ; serve 
de sallada, etc, e faz parte dos ca- 
rurus, etc. Ha duas espcies : Portulaca 
radicans, Mart. e Portulaca jiatens, Vell. 

Propriedades medicas. Suas folhas, 
applicadas sobre as ulceras, obram como 
detersivas ; cosidas formam um appo- 
sito ante-hemorrhoidal. 

Seu decocto diurtico e lactifero. 

O sueco anti-ophtalmico, e as se- 
mentes anthelminticas ; administra-se 
em forma de xarope, para este fim. 

BeSota da ioISaa decotada. 
Liairis inciza. Fam. das Compostas. 
Delicada plantinha herbcea e sylves- 
tre; do-lhe este nome nas Alagoas. 

uma erva de 4 a 6 % decime- 
tros, de caules sulcados e roixeados. 

As folhas fendidas em lacineas. 

As flores em cachos no pice dos 

ramos, formando como um jarrinho 

foliaceo, e tendo no seu centro uma 

reunio de florinhas quasi imperceptveis 

e roixas. 

Bclota da l'iaa iaateira. Lia- 



tris spatuUfoUa. Fam. Idem. uma 
espcie semelhante precedente. 

Esta porm tem as foUias em figura 
de esptula, e a face inferior da folha 
esbranquiada ; em tudo o mais 
como a precedente. 

It'?BiiE9tefiiiei[*. Caletidula officina- 
lis, Linn. e Si). Fam. das Comj^ostas. 
Erva cultivada entre ns e oriunda da 
Europa, que em alguns lugares cha- 
mam Malmequer e em outros Saudade. 

uma planta quasi rasteira ; ergue 
porm a summidade dos ramos, e tem as 
folhas um tanto grossas nas pontas 
dos ramos. 

As flores so constitudas pela reu- 
nio de muitas linguetinhas estreitas 
reguadas, dispostas em um recept- 
culo commum, formando como que uma 
rosa branca ou amarella. 

D'esta cr so as mais lindas ; tem 
um cheiro um tanto pronunciado se- 
melhante ao da Macella. 

Propriedades medicas. usada nas 
afeces nervosas e hystericas. 

Beaao le Deus. Ahutilon escu- 
lenum, St. Hil. Fam. das Malvaceas. 
Subarbusto das provncias do Sul do 
Imprio, por este nome conhecido. 

agreste ; suas folhas so um tanto 
pelludas e cordiformes. 

As flores como rosas purpreas. 

As flores so colhidas pelos habitantes 
d'esses lugares, e at os fructos ainda 
verdes, porque se prestam a ser comidos 
com carne. 

BeiJie eSaea-oso. Pii)er aroma- 
ticum. Fam. das Piperaceas. Esta 
planta indgena e conhecida em Per- 
nambuco por este nome. 

um subarbustinho pouco esgalhado; 
seu caule de distancia em distancia of- 
ferece um n. 

As folhas conservam-se sempre verdes 
em todo o tempo ; so ovaes e tem um 
pequeno prolongamento, semelhana 
de um esporo, na base. 

As flores so engastadas em uns cor- 



BER 



BER 



VS 



pos semelhantes ao sabugo do milho, 
rolios e esbranquiados. 
A planta aromtica. 

Propriedades medicas. sedativa, 
e por isso sua decoco empregada em 
banhos contra o rheumatismo. 

Ber^asaiot. Citrus Limetta. 
Farn. das Airanciaceas . A arvore tem 
os ramos espinhosos, folhas grandes , 
ovaes, arredondadas, sustentadas porpe- 
ciolos longos e alados. 

Os fructos so pequenos, arredonda- 
dos, um tanto mamillosos no pice ; a 
casca dos fructos delgada, de um ama- 
rello dourado, lisa, cheia de um leo 
essencial suave e picante, que muito 
procurado na arte da perfumaria. 

Ber^usnoa Se JsiimIb. Li- 

oietta vidgaris. Fam. das Auranliaceas. 
Chama-se assim em Pernambuco a 
uma herva extica, cultivada em jardins, 
delicada, quasi rasteira, de folhas op- 
postas, pequenas, semi-redondas, leve- 
mente serreadas ; de cheiro activo e agra- 
dvel ; nunca floresce em Pernambuco. 
Serve de ornamento de jardins. 

Berijeaa. Solanum melongenw , 
Linn. Solau. macrocarpimi , Maeg . 
Fau. das Solanaceas. Esta planta 
originaria da America Meridional. 
herbcea, sobe a 1 ou 1 % metro de al- 
tura ; succulenta, de folhas alternas 
roxeadas, oblongas e pendentes. 

Flores esverdinhadas a maneira de es- 
trellas. 

O fructo oblongo, arroixeado, de su- 
perfcie lisa e brilhante. 

A substancia interna aquosa, com 
quatro reparties cheias de sementes 
chatas ; so pouco distinctos os septos. 

A Beringela come-sc preparada de toda 
a maneira. 

Tambm faz activar a secreo uri- 
naria, e til contra as aras da be- 
xiga. 

Bea'iri. V. Marin. 



Berfallia. Bazelta rtibra. Fam. 
das AtriMceas. Esta planta origi- 
naria de Malabar, introduzida em nosso 
paiz, e conhecida por este nome at 
as provncias do Sul. 

um vegetal herbceo, trepador, 
enlaa-se nas cercas e latadas ; seus 
ramos so molles succullentos ; as fo- 
lhas ovaes. 

Suas flores parecem antes botes. 

As fructinhas so esphericas, roxas, 
molles ao tacto, com uma pellicula fina, 
cheias de um sueco aquoso, colorido em 
roixo forte. 

Este sueco combinado com o acido de 
limo fica rubro, mas a cr no per- 
siste. 

comestvel ; ha duas espcies, branca 
e amarella. 

Applica-se como emollente e refri- 
gerante. 

Caracteres da famlia . Plantas 
herbceas ou ligneas, de folhas alter- 
nas ou oppostas, sem estipulas. 

Suas flores so pequenas, algumas 
vezes unisexuaes, dispostas quer em 
cachos ramosos , quer grupados no 
fundo das folhas. 

O clice gamospalo, s vezes tubu- 
loso na base, de trs, quatro ou cinco 
lobos mais ou menos profundos, per- 
sistentes. 

Os estames variam de um a cinco ; 
so inseridos, ou na base do clice, 
ou debaixo do ovrio; estes estames so 
oppostos aos lbulos do clice. 

O ovrio livre, unilocular, monos- 
permico, contem um s ovulo erecto e 
sustentado algumas vezes por um po- 
dosperma mais ou menos comprido e 
tnue. 

O estylete, que raramente simples, 
de duas, trs ou quatro divises, termi- 
nadas cada uma em um estigma sovelado. 

O fructo um akenio ou umabagasi- 
nha. 

A semente se compe, alm do tegu- 
mento prprio, d'um embryo cylindrico, 
tnue e curvo sobre um endosperma fa- 
rinceo ou enrolado em espiral, e varias 
vezes sem endosperma. 



'76 



BIC 



BIC 



ISotoiira. Belonica hrasiliensis 
Fam. das Lahiadas. Pequeno siiliarhusto 
conhecido no sertuo por este nomo, donde 
sem duvida, parece ser natural. 

E' semelhante, com pouca diferena, 
ao gnero Betonica, da Europa, [Betonica 
officmalis^ Litm). 

Seu caule traz de ordinrio poucas fo- 
lhas, e estas ovaes, denteadas, com cheiro; 
munidas de peciolos longos c finos. 

As flores reunidas em capitulo globu- 
loso, sustentado por um pednculo com- 
prido, so tubulosas, abrem-se em dois 
lbios recortados, de cr piirpurea, roixa. 

Ofructo hispido, e n'elle acham-se as 
sementinhas pardas , Insidias , pyrifor- 
mes. 

Bef re. V. Betys. 

Beys. Piper encalyptifolium. Fam. 
das Piperaceas. Arbustinho de ramos 
nodosos e folhas lanceoladas, largas. 

Flores em espcies de espigas, como o 
Malvaisco. 

Vegeta no Amazonas. 

Propriedades medicas. O cosimento 
d'esta planta, isto das suas folhas e da 
raiz, um excellente calmante contra as 
clicas flatulentas. 

Bico de Pa|>ag:aio. EupTiorhiain- 
cartiata. Fam. das Euplwrhiaceas. Plan- 
ta extica, conhecida em Pernambuco e 
Bahia por este nome. 

Este arbusto de uma elegncia not- 
vel pelo brilho de suas bracteas purpu- 
rinas. 

Serve de ornamento dejardim. 

Bicorii Fructo agreste do Par, 
de 6 centimetros de dimetro, redondo, 
de cr alaranj ada ; casca tnue e frgil. 

Dentro encerra uma massa branca, 
aquosa , muito doce, na qual existem 
muitos caroos redondos e vermelhos. 

Bieuilta. Myristica officinalis. 
Fam. das Myrsticaceas. Arvore que ve- 
geta nas provncias do Sul do Imprio. 

Suas folhas so simples, alternas, lan- 



ceoladas, oblongas e inseridas com toda 
a regularidade nas duas faces oppostas 
dos ramos. 

As flores so unisexuaes, dioicas. 

A organisao do fructo 6 to cu- 
riosa, que merece uma dcscripo mi- 
nuciosa. 

Assemelha-sc a uma drup;^., indehis- 
cente, bivalve, e de forma ellyptica ; o 
periearpo torna-se coriaceo, e encerra 
na sua nica cavidade vima semente 
envolvida por um arillo, (massa car- 
nosa contendo uma substancia oleosa 
conhecida por leo de Bicuiha}^ e cuja 
superfcie acha-se revestida de uma 
membrana vermelha assetinada, toda 
recortada, e, em alguns fructos, divi- 
dida em lacinias. 

O episperma mais coriaceo do que 
membranoso, e o embryo endosper- 
mico. 

Segundo o sbio botnico Martins., 
se a Myristica officinalis., que faz objecto 
d'esta descripo, fosse cultivada con- 
venientemente, o seu fructo poderia ser 
equiparado ao da Myristica moscTiata ou 
aroraatca., originaria das Molucas. 

A madeira da Bicuiba branca, em- 
pregada em vigamentos e assoalhos ; 
a frouxido do seu tecido torna-a im- 
prpria para certas obras. 

Dando-se golpes sobre seu tronco, 
escorre um liquido extremamente fluido, 
cr de sangue. 

A trasformao da cr vermelha que 
se observa logo que se expe ao con- 
tacto do ar, pode ser explicada pela 
aco oxidante do mesmo ar. (Fig. 10.) 

Propriedades medicas. applicada 
contra as dores rheumaticas, e os tu- 
mores arthriticos, e considerado como 
efficaz nas clicas e dyspepsias. 

Caracteres da famlia. Arvores to- 
das exticas e crescendo debaixo dos 
trpicos, tendo folhas alternas, no 
ponctuadas, inteiras. 

Flores dioicas, axillares ou terminaes, 
diversamente dispostas. 

O clice, gamospalo, de trez divi- 
ses valvares. 



BIC 



BOA 



t7 



Nas flores machos, se acham de trs 
a doze estames monadelphos, cujas 
antheras approximadas, e muitas vezes 
soldadas, se abrem por um sulco lon- 
gitudinal. 

Nas fli'es fmeas, o ovrio livre, 
de uma s loja, contendo um s ovulo 
erecto, e anatropo ; mui poucas vezes 
ha duas. 

O estylete curtissimo, terminado 
em um estigma lobado. 

O fructo uma espcie de baga cap- 
sular, abrindo-se por duas valvas. 

A semente coberta por um falso 
arillo carnoso, dividido em grande nu- 
mero de filamentos. 

O endosperma crneo e durssimo, 
marmreo, contendo na sua base um 
pequenino embryo erecto. 

Esta familia tem por typo a Mosca- 
deira (Myristica). 

distincta das Lauraceas pelo clice 
de trs divises ; pelos estames mo- 
nadelphos, abrindo-se por um sulco 
longitudinal ; pela semente erecta, ari- 
Ihada, pelo embryo pequenino, encer- 
rado n'um endosperma duro e mar- 
mreo. 

Alguns authores approximam esta 
familia das Anonaceas ^ entre as Pohj- 
fetaleas. Mas uma affinidade que 
parece pouco real; s existe a se- 
mente que oferece, com efeito, alguma 
analogia entre estas duas famlias, no 
mais to diferentes. 

Biciiiba ou Bequba. Myns- 
tica seUfera, Larnck. Fam. das Lau- 
raceas. E uma arvore alta natural 
dos terrenos do Equador ; tambm d 
na Bahia. 

Suas folhas so alternas, oblongas e 
cobertas inferiormente de um pello 
avermelhado. 

As flores em cachos, miudissimas e 
avermelhadas . 

O fructo globuloso, de 4 a G centi- 
mstros, quasi secco, de duas valvas 
com uma ou duas sementes, que so 
envoltas em uma matria sebacea. 

Serve para fazer velas esta matria, 
que se colhe do tronco por incises. 



Biliiubi. Averrhoa Bilimhi^ Linn. 

Fam. das Oxalidaceas. Bonito ar- 
busto originrio da ndia. 

Seu tronco tem a grossura de 12 cen- 
tmetros de dimetro. 

Suas folhas, de verde gaio, dispos- 
tas em palmas. 

As flores em cachos ou feixes dis- 
tribudas, so cr de rosa ; nascem 
nas axillas e continuidade dos ramos. 

Tem por fructo uma baga de 9 a 
12 centmetros, de figura oval-oblonga, 
afinando para as extremidades, de cr 
verde pallida, mesmo na maturidade, 
e coberta por uma pellicula fina ; o 
interior occupado por uma polpa 
aquosa, bastante acida, quasi trans- 
parente ; contem duas sementes elly- 
pticas, deprimidas e esbranquiadas. 

O fructo acido agradvel, refri- 
gerante e usado em limonadas. 

E tambm applicada para tirar n- 
doas de fazendas, nas tinturarias. 

Bilfos. Cartoleta speciota^ Arr. C. 

Fam. das Liliaceas. uma planta 
do serto, classificada pelo Dr. Arruda 
Camar. 

Tem um bolbo que se come no 
serto. 

Suas flores so vermelhas e mui 
bellas. 

Ha outras dififerentes espcies. 

Bribi. Anona. Fam. das Ano- 
naceas. Fructo do Par e do Mara- 
nho onde tem este nome. 

uma espcie de Pinha ; provm de 
um arbusto ; que pela structura de seu 
fructo se assemelha muito s Anonas. 

Esse fructo de 12 centmetros mais 
ou menos, figura cnica, superficie com- 
posta de escamas bem como a Piiha. 

Internamente a massa branca, re- 
sultado da reunio de muitos bagos, 
cada qual com um caroo preto, el- 
lyptico, luzidio. 

Diz-se que no tem mo gosto ; e 
bem anloga Pviha ou a fructa da 
Conde a. 

Boas iBoites. Vinca rsea, Linn. 



58 



BOG 



BOM 



Fam. us A^pocynaceas . A Boas noites 
c oriunda do Malabar c Madagscar. 

Nas Alagoas assim como em Per- 
nambuco conhecida por este nomo. 

uma herva to aclimada no pai/, 
que j no se cultiva ; nasce por toda 
a parte, nas proximidades das habi- 
taes, etc. 

E ramosa, o caule e os pcciolos das 
folhas purpurinos. 

As folhas oppostas, obovaes, lustrosas. 

As flores oferecem um tubo verde, 
e o limbo de cr roixa ou branca, 
dividido em cinco lacinias planas ; seu 
cheiro desagradvel, 

O fructo representa duas capsulasinhas. 

Ha outra espcie que de flor branca, 
e que chamam Bons Dias; tem o caule 
tambm branco. 

O decocto applicado nas dores de 
dentes, 

do SiS. V. Bonina de Pernambuco. 

Bo^tri. Mogorinm samhax^ Humh. 
e Bomp. Ny dantes samhax, Linn Jas- 
minium samhaxj Spl. Fam. das Jas- 
minaccas. planta originaria da ndia, 
cultivada e muito conhecida no nosso 
paiz, como uma das flores mais bellas e 
de mais delicado aroma. 

O Bogari um subarbustinho muito 
esgalhado , de folhas sempre verdes , 
crespas, ternadas. 

A flor semelhante a uma rosa pe- 
quenina e branca, de excellente cheiro. 

O fructo ordinariamente aborta. 

ornamento dos jardins; mas seu 
decocto empregado contra a ictericia. 

Caracteres da famlia. Esta familia 
se compe de arbustos ou mesmo de 
grandes arvores, de folhas oppostas, ra- 
ramente alternas, simplices ou pinnu- 
ladas. 

As flores so hermaphroditas, exce- 
pto no gnero Ornus (freixo) onde ellas 
so polygamas. 

O clice gamospalo, turbinado 
na parte inferior. 

A corolla gamoptala, muitas ve- 



zes tubulosa, de quatro ou cinco l- 
bulos, algumas vezes assas profundos 
para que a corolla parea polyptela, 
[Omm CUomanthiis) ; falta s vezes de 
todo . 

Os cstames so em numero de dois. 

O ovrio de duas lojas, contendo 
cada uma dois vulos suspensos, 

O cstyletc simples termina em um 
estygma bilobado. 

O fructo ora uma capsula de uma 
ou duas lojas, indehiscentes, ou abrin- 
do-se em duas valvas, ora carnoso 
e encerra um ncleo sseo, 

O tegumento prprio da semente 
delgado ou carnoso ; o endosperma 
carnoso ou duro ; contem um embryo, 
tendo a mesma direco que a semente. 

Boi g:orlo. Cssia rugosa, Vogel. 
Cssia friicticosa., 3Ians. Fam. das 
Leguminosas. Esta planta de Minas 
Geraes e tem as mesmas virtudes da 
Mangerioha de Pernambuco. 

Segundo Manso purga na dose de 
16 grammas, e d boa tinta amarella. 

Herva de folhas ovaes, lanceoladas, 
acuminadas, oblongas, em quatro pa- 
res, ramos glabros, glndula aguda e 
oblonga entre os foliolos. 

Flores como nas outras espcies do 
mesmo gnero. 

Fructo tambm legume. 

Existem duas espcies : Cssia splen- 
dida., Vogel. Cssia loivigata., Vogel e 
Will. Decandria Monogynta., Linn. 



Bolsa, de pastos*. 

Preguia. 



V. Brao de 



Bosni iiosne liravo. Batiput bra- 
vo. E' a planta que nas Alagoas chamam 
Batiput bravo., e a que em Pernambuco 
do este nome. 

Foi j descri pt a. 

BoBBfi stOBBte veP65eii'o. Eloso-, 
dendron cauliflorum. Farii. das Rliamna- 
ceas. Arvore silvestre do Brazil, conhe- 
cida nas Alagoas e em Pernambuco. 

E' alta ; a casca avermelhada interna- 
mente. 



BON 



BOR 



^9 



As folhas quasi redondas, succulentas. 

As flores em cachinhos, no s brotam 
nos lugares ordinrios, como nas expan- 
ses dos ramos; so como estrellinlias 
amarellas. 

O fructo uma capsula em forma de 
pio, tendo um ncleo no centro, coberto 
de polpa branca. 

A madeira d'esta arvore applicada 
em diversos usos. 

BoEBiMsa. 'Nyctago Jiortensis^ Juss. 
Mirabilis^ dicliotoma^ Litm. Fam. das 
Nyctagaceas. E' planta natural do Peru, 
do Mxico e da ndia. 

Tem diversos nomes pelas provncias 
do Imprio. 

Em Pernambuco e Bahia tem o nome 
de Bonina ; no Par e no Maranho o de 
Boas noites^ em S. Paulo, Rio de Janeiro 
e Minas o de Maravilha. 

E' uma planta herbcea, seu caule apre 
senta ns de distancia em distancia. 

Folhas oppostas, lanceoladas, molles- 

Flores associadas em receptculo fo- 
liaceo, tendo no centro uma semente oval 
angulosa, e no pice uma flor de tubo 
longo, que abre como um funil ; sahem 
do tubo filetes. Esta flor abre-se de noite, 
e fecha-se pela nianh. 

Raiz de 24 a 30 centmetros de compri- 
mento, e 6 de dimetro, irregularmente 
arredondada, fuziforme, roixa escura por 
fora, branca por dentro ; gosto acre, sem 
cheiro. 

O fructo torna-se preto, rugoso, angu- 
loso ; dentro a amndoa farincea. 

Propriedades medicas . Adminis- 
trada internamente a raiz purgativa 
na dose de 2 a 4 grammas em p; em 
extracto bastam 30 a 60 centigrammas. 

Caracteres da famlia. As Nycta- 
gaceas so plantas herbceas, arbustos ou 
mesmo arvores, cujas folhas so simples, 
as mais das vezes oppostas, s vezes al- 
ternas. 

As flores axillares ou terminaes, mui- 
tas vezes reunidas em certo numero em 
um invlucro commum, ou tendo cada 
uma um invlucro prprio e caliciforme. 



Seu clice gamosepalo , colorido? 
muitas vezes tubuloso, intumescido na 
parte inferior, que frequentes vezes 
mais espessa, e persistente depois da 
queda da parte superior. 

O limbo mais ou menos dividido 
em lbulos enrugados. 

Os estames variam de 5 a 10, e so 
inseridos na borda superior d'uma es- 
pcie de disco hypogynico, muitas vezes 
em forma de cpula. 

O ovrio de uma s loja, contendo 
um ovulo erecto. 

O estylete e o estigma so simples. 

O fructo uma cariopse, coberta em 
parte pelo disco e base do clice, que 
so crustceos, e formam uma espcie 
de pericarpo accessorio. 

O verdadeiro pericarpo delgado 
adherente ao tegumento prprio da se- 
mente ; esta se compe de um embryo 
inclinado sobre si mesmo, tendo a ra- 
dicula curva sobre a face de um dos 
cotyledones, e abraando assim o en- 
dosperma que fica central. 

Bo'l5ffiaetsa. uma flor a que em 
Pernambuco se d este nome. 

Ha branca e amarella, e i^roducto de 
uma planta, cujo caule cresce de 46 
centmetros a 1 metro, contendo as 
folhas cm ordem symetrica, alternada- 
mente. 

Os peciolos d'essas folhas so como 
bainhas, que abraam o caule ; ellas 
so de 2 % decimetros, lanceoladas, 
oblongas, membranosas, de cr verde 
pallida. 

ISofsS 1 vellais. Mimosa vaga 
Linn . Fam . das Leg mninosas . Arvo- 
reta do paiz ; seu tronco tem uma es- 
pcie de casca, que um corpo espon- 
joso, branco e rugoso, que se desprende 
em certo tempo. 

As folhas so em palmas distribudas 
nos ramos. 

As flores em pequenos feixes ou ca- 
chos, que parecem molhos de retrz 
formando bolotas, cujos fios so em 
parte brancos e em partes roixos. 

O fructo uma vagem chata de 12 



so 



BOR 



BOR 



centmetros e mais, com poucas sementes, 
e essas como as do feijo. 

O lenho d'esta arvore fraco e branco. 

Ha outra espcie, e c a que se segue. 

Bordo tie \'ellfta. Mimosa^ Linn. 
Polygamia monoecia, Linn. Fam. das 
Leguminosas. Arvore indigena do paiz ; 
de altura mediana, tronco pardo, sem 
cortie. 

Folhas alternas. 

Flores grandes, porm em pequenos 
cachos, formando um tubo pequeno, com 
um molho de filetes aloirados ou es- 
verdinhados. 

O fructo uma vagem de % deci- 
nietro de comprimento, larga, mem- 
branosa, com os lugares das sementes 
salientes ; estas so ellipticas e alva- 
dias. A vagem parece pergaminho. 

Borclosiiilio. Fam. das Apocg- 
naceas. um sip que em Sergipe 
tem este nome, e em Pernambuco 
conhecido por Stimauma. 

Planta ti'epadeira, lactifera; seu caule 
coberto de uma substancia, esponjosa, 
branca, e os ramos de pellos curtos. 

As folhas cordiformes, grossas, pellu- 
das, pecioladas e ojipostas. 

As flores, reunidas em feixe nas axil- 
las das folhas, so maneira de es- 
trellas, resinosas ao tacto. 

O fructo germinado, irrigado de 
aculeos molles herbceos, e muito lei- 
toso ; dentro existem muitas sementes 
cobertas de pello branco, macio e alvo. 
este pello serve para encher colches, 
travesseiros, etc. 

BoiMlosiiiSfio 9Bs Ala^us. 
Oiticica de Pernambneo. 

Boror. Veneno com que os ind- 
genas do Brasil hervam suas frechas. 
extrahido de razes de certas plantas, que 
nascem em lagos e pntanos. 

Sua preparao mui perigosa, e por 
este motivo sempre uma velha quem 
d'ella se encarrega. 

Alguns authores acreditam ser o Boror 
o Curare hoje conhecido, e que Humholdt 
suppz sor um Strgcknos. 



O sal e o assucar so tomados como 
nicos, posto que fracos, antdotos do 
Boror. 

Boi*riis*aia. Gomma elstica , ou 
seringa em rama. Siphonia elstica. 
Fam. das Eiphorhiaceas . Os vegetaes 
que produzem a Borracha so bastante 
numerosos, e pertencem s famlias das 
Eu2)horiaceas ^ Arocarpaceas , Aptocyna- 
ceas^ e Loheliaceas . 

De todos os vegetaes o que fornece 
maior quantidade de Borracha a Se- 
ring%ieira , que cresce abundantemente 
em estado silvestre nas provncias do 
Amazonas e Par. 

Encontra-se em menor escala no Ma- 
ranho, e apparece em pequena quanti- 
dade no Cear e Rio Grande do Norte. 

Chega a ter n'essas provncias 9 a 18 
metros de altura, de 2 a 2 */^ de grossura; 
acha-se com preferencia nos lugares ala- 
gadios. 

As outras arvores da mesma famlia, 
que fornecem a borracha so : Siphonia, 
rhytidocarpa, Mart. Siphonia hrasilien- 
sis, Wlld. Siphonia luea, Spruce. 
Sii^honia hrevifolia, Spruce. 

Todas habitam nas provncias do Ama- 
zonas e Par. 

Na famlia das Artomr^mcmacham-se : 
Ficus anthelmintica, Mar. ; vulgo Coa- 
jinguva- (Rio Negro do Brasil) ; Ficus 
doliaria., Mart. ; vulgo Gamelleira ou 
Figueira branca ou Irava (Rio, S. Paulo, 
Minas.) 

Na famlia das Apocynaceas encon- 
tra-se a SeMuva, Plumeria phagedenica^ 
Mart. (Amazonas) ; a Tiborna Plumeria 
drstica., Mart. (Minas, Bahia Pernam- 
buco) ; a Sorveira^ Collojjhoi^a utilis, 
Mart. (Par, Rio Negro) ; a Mangabeira, 
Hancornia speciosa, (Pernambuco, Rio 
Grande do Norte). 

Na famlia das Loheliaceas a Lobelia., 
Kunt. Nova Granada. fV. Seringueira) . 

Borraiceift cliiiitaroiia. Echi- 
um flantaginewn. Fa^n. das Borragaceas. 
Planta do Rio Grande do Sul e de 
Montevideo. 



BOT 



BRE 



81 



Propriedades medicas. As folhas 
so emollientes ; sua infuso emprega-se 
internamente ou em banhos, 8 grammas 
para 500 grammas d'agua fervendo, 
em certos casos. 

Caracteres da famlia. As Borraga- 
ceas so em geral hervas, arbustos ou 
mesmo algumas vezes arvores elevadas, 
de folhas alternas, geminadas, cobertas, 
assim como o caule, de pellos mui 
speros. 

As flores formam espigas unilateraes, 
voltadas ou curvas em forma de cajado, 
muitas vezes reunidas e formando uma 
espcie de panicula. 

O clice gamosepalo, regular, per- 
sistente e de cinco lobos. 

A corolla gamoptala, regular, de 
cinco lobos, ella offerece, em certo nu- 
mero de gneros, perto da fauce, cinco 
appendices salientes, que so ocos no 
interior, e que se abrem exteriormente 
em sua base. 

Os cinco estames so inseridos no alto 
do tubo da corolla, e alternam com os 
appendices, quando elles existem. 

O ovrio, assentado sobre um disco 
hypogynico, annular e sinuoso, pro- 
fundamente quadrilobado, de quatro lojas 
monospermicas , muito deprimidas no 
centro. 

O estylete nasce d'esta depi-esso, e 
termina em um estigma de dois lobos. 

O fructo se compe de quatro carpellas 
monospermicas ; mui raramente estas 
carpellas se soldam, e formam um fructo 
carnoso ou secco,deduas ou quatro lojas; 
s vezes sseo, ou unilocular, por 
aborto. 

As sementes tem o embryo voltado, 
em um endosperma carnoso mui del- 
gado, e que mesmo algumas vezes no 
existe. 

ISorsiIeo. Fam. das Urticeas. 
uma planta, cujo fructo vermelho. 

VSoto le oiB*o. Fam. das Com- 
postas. uma flor amarella, imi- 
tao de ui ,'' malmequer, porm muito 
menor e mais regular. 



Suas ptalas , sobre o receptculo 
verde, formam na parte superior um 
circulo de palhetas, amarellas, tendo 
no centro como um acolchoado de flo- 
rinhas, tambm amarellas ; no tem 
cheiro. 

planta de 24 a 48 centmetros de 
altura, de folhas ovaes, e prpria dos 
jardins. 

Boto le prata. Fam. das Com- 
postas. outra planta igual ao boto 
de oiro ; mas a flor d'esta branca. 



Brao de Preguia. Solanum 
cermmm, Vell. Fam. das Solanaceas. 
uma planta do Sul que vegeta no 
Rio de Janeiro, na Parahyba e em Mi- 
nas-Geraes. 

Propriedades medicas. empre- 
gada como sudorfica e diurtica nas 
sarnas, syphilis, gonorrhas, etc. ; em- 
prega-se para isso o cosimento das fo- 
lhas e flores. 

Externamente se applica em banhos 
contra as ulceras. 

Braslleto. V. Po Brasil. 



Brelo caruru. V. 

melho. 



Bredo ver- 



Brdo maeto ou raltaa. 

Amaranthus viridis, Willd. e Sp. Fam. 
das Amaranthaceas . Herva do paiz, que 
conhecida em Pernambuco por este 
nome. 

de pouca altura, caule herbceo, 
folhas ovaes, embaadas, oferecendo no 
pice dos ramos, um prolongamento fo- 
liaceo semelhana de pluma, que so 
as florinhas imperceptveis, ahi encra- 
vadas, com sementinhas Insidias e pre- 
tas. 

Este Brdo tem o uso dos demais Br- 
dos, mas no to estimado como os 
outros. 

Tambm o chamam Caruru e Brdo 
rabaa. 

Propriedades medicas. empregado 

13 



8S 



BRE 



BRI 



contra a anazarca, internamente, e em 
banhos. 
Serve de alimento. 

Brilo niajrjfoiics. Talinum 
Jam, Gomes, Talinum crenatum , Ruiz 
etPav. Fam. das PortiUacaceas . Herva 
natural da America Austral, recebe di- 
versos nomes, segundo as provindas. 

No Par Caruru; na Bahia, Serg-ipe 
e no norte do Espirito-Santo, Lngua de 
Vacca; no Rio de Janeiro, Maria Gomes ; 
e Beno de Deus no Maranho, S. Paulo 
6 Minas-Geraes. 

uma herva de % a 1 metro de altura; 
ramos succulentos, e folhas carnosas, 
oppostas. 

Flores em pequenos cachos, de um 
vivo e elegante roixo, como uma peque- 
na rosa. 

Seu frueto como uma pequena ca- 
psula, cheia de grosinhos pretos, lus- 
trosos. 

Come-se esta herva de diversas ma- 
neiras. 

E' refrigerante e mucilaginosa. 

BreSo tic iiieiro. V. Lngua de 
Sapo. 

Brlo itanaoraefio. V. Veludo. 

Brtlo Etirrixi. Far,i. das Ama- 
ranthaceas. E' em Alagoas que lhe do 
este nome ; em Pernambuco chamam 
Mandah. 

E' uma herva do paiz, rasteira ; caule 
verde, manchado de roixo, succulento, 
com folhas oppostas, quasi redondas. 

Flores pequenas, e reunidas em forma 
de cone paleaceo ; sementinhas pre- 
tas. 

E' refrigerante, e serve de pasto ao 
gado vaccum. 

Brdo le porco ou Uerva tos- 
to. Boerliama hirsuta, Lnn. Fam. 
das Nyciagaceas. Esta planta a Herva 
tosto do Rio de Janeiro ; tambm a 
chamam nas Alagoas e Bahia Pega 
pinto, em Sergipe Papo de peru, e assim 
por diante. 



Herva que alastra e ergue os ramos 
bifurcados, cheios de ns. 

Folhas oppostas, quasi redondas e 
succul lentas. 

As florinhas, umas roixas, outras 
brancas, em forma de coifa. 

A raiz tem uma tuberasinha, que 
antdoto do veneno das cobras. 

Propriedades medicas. empregada 
como diurtica e desobstruente nas mo- 
lstias do fgado. 

Internamente 8 grammas para HOO 
graminas d'agoa, em cosimento. 

Brslo vcraaiellao. Phytolacca 
caruru. Fam. das Phytolaccas. Her- 
va silvestre que se acha nas mattas 
e nas capoeiras. 

tambm chamada Brdo caruru nas 
Alagoas e em Pernambuco. 

Cresce de 1 a 1 X> metro e esgalha ; 
vergonteas roixas, elegantes ; folhas 
tambm roixeadas e pespontadas. 

Flores em espigas, semelhantes ro- 
sinhas, com um corpo arredondado, no 
centro achatado. 

N'este rgo central esto as sementes. 
Esta herva come-se de diversas ma- 
neiras. 

BriBo de veado. V. Bucho de 

veado. 

Briasco tle Saltoiau. Pitheco- 
lohium avaremotemo, Mart. Fam. das 
Leguminosas. Tem esta arvore do Bra- 
sil os mesmos prstimos do Angico. 

Brinco de visETa. V. Tange- 
tange. 

Brjalia ow Coqueiro Bri- 
jaba. Astrocarium Ajri, Mart. 
Far . das Palmaceas. uma palmeira 
da Bahia, conhecida pelo nome de 
Ayri. 

Os fructos apodrecem aos milhares 
no matto, e poderiam ser aproveitados 
para a preparao] de um excellente 
sebo vegetal. 



BRO 



BUC 



83 



Brio de eituilanfe. V. Barbas 
de Barata. (Robinia). 

Brocos. Brassica Botrytis cymosa^ 
Dotiy. Far/i. das Crxiciferas. Espcie 
de couve flor da Europa. 

Cultiva-se no Rio de Janeiro, em S. 
Paulo e mais provincias do Sul, onde 
quasi toda a hortalia europea d 
abundantemente . 

uma couve como a que todos co- 
nhecem. 

Differe porm nas folhas, que so 
maiores e crespas, isto , como machu- 
cadas ; e mesmo nas cores, pois que 
d'estas conhecem-se muitas variedades ; 
ha brancas, roixas, de cr mais ou 
menos carregada, avermelhadas, ama- 
relladas e verdes, etc. 

Alm do uso que se faz d'esta hor- 
talia, ella presta-se a conservas, o 
que lhe d ainda mais apreo. 

Broma lirasiea oti Mata eane- 

iia. Yerhascwiii. Fam. das Serophula- 
viaceas. Herva pequena delicada que 
chamam em Pernambuco Mata canna 
e nas Alagoas Broma. 

um pouco rasteira; de caule qua- 
drangular. 

Folhas quasi redondas e pequeninas. 

Flor branca, abrindo-se em dois l- 
bios. 

Propriedades medicas. um em- 
tico e drstico forte; e tambm serve 
como emmenagogo. 

Caracteres da famlia. Hervas ou 
arbustos, de folhas muitas vezes op- 
postas, algumas vezes alternas, simples, 
de flores dispostas em espigas ou em 
cachos terminaes. 

O clice gamospalo, persistente, 
de quatro ou cinco divises desiguaes : 
a corolla gamoptala, irregular, de 
dois lbios e muitas vezes personada. 

Os estames, em numero de dois a 
quatro, so didynamos. 

O ovrio, applicado sobre um disco 
l^ypogyiiico, de duas lojas polys- 
permicas. 



O estylete simples, terminado em 
um estigma bilobado. 

O fructo uma capsula bilocular, 
cujo modo de dehiscencia muito 
varivel. 

Ora ella se abre por meio de orif- 
cios no pice, ora por meio de placas 
irregulares, ora por meio de duas ou 
quatro valvas, cada uma das quaes 
traz comsigo metade do septo no meio 
da face interna, ora por valvas oppos- 
tas ao septo que fica inteiro. 

As sementes contem sob o tegumento 
prprio uma amndoa composta de um 
endosperma carnoso, que encerra um 
embryo erecto cylindrico, tendo a 
radicula voltada para o hilo, ou op- 
posta este ponto de insero. 

Broaiia roixa. Verbascimi. Fam. 
das SeropMlariaceas. outra espcie 
que habita nas Alagoas e em Pernam- 
buco . 

Sua diferena no sensvel aos 
olhos vulgares ; differe por ter as folhas 
cordiformes, as flores roixas e caule 
percorrido nos quatro lados por uma 
espcie de babado ; o fructo abre-se 
em quatro cocas recortadas. 



Biiclia. 



V. Cabaeznho. 



Buclia. Luffapiirgans, Mart. Fam. 
das CtcrctiMtaceas. Esta planta uma 
espcie de Cabacinho ; seu extracto pde 
substitutir ao da Coloqtiintda. 

Propriedades medicas. empre- 
gada nas hydropisias, e ophtalmias. 

Na dose de 12 grammas cathar- 
tica; em dose mais elevada em- 
tica. 

Ha ainda a Mormodica Lv.-jfa., Vell. 

Biielia los pauli^tas. Bucha, 
tle caador. Momordica o^erculata, 
Lin^ii. Fam. das Cnrcubtaceas. esta, 
que pelo seu nome mostra ser de 
S. Paulo ; uma espcie de Melo de 
S. Caetano mas dif"ere d'elle em algu- 
mas cousas. 



84 



BUG 



BUR 



Propriedades MEDICAS. O fructo 
empregado contra a anazarca, chlo- 
rose, amenorrlia, e afeces hepticas. 

Submette-se o fructo a decoco por 
espao de doze horas, e agita-se at 
fazer espuma. 

A dose de uma colher, de meia 
em meia hora, at fazer vomitar ou 
evacuar. 

O extracto d-sc na dose de 15 
centigrammas. 

Bueliin&ita. Momordica fnrgans, 
Mart. Fam. das Cucurhitaces. Esta 
planta congnere da Bucha dos pau- 
listas. 

Tem o fructo muito menor que ella; 
tem mais acrimonia, e obra em menor 
dose ; 15 centigrammas do extracto j 
uma forte dose. 

83ut'3io de veilo. Amaioua cryp- 
iocarpa. Faju. das Buhiaceas. Arvore 
silvestre, conhecida nas Alagoas por 
este nome. 

de porte mediano, folhas um tanto 
compridas, oppostas, e lustrosas. 

Flores semelhana de Angelicasi- 
nlias amarellas. 

O fructo tem sido pouco estudado. 

B:a|2;i'9 ou Iliba ele SSit^o. 
Comreim Bugio, Si. Hil. Fam. das 
Comhreiaceas . Arbusto conhecido nas 
Alagoas por este nome. 

agreste, trepador, vegeta prximo 
s margens do rio, mui frondoso. 

Suas folhas so ovaes um pouco 
grandes e lustrosas. 

As flores diXo em grandes cachos, 
miudinhas, brancas e mui cheirosas. 

O fructo parece uma azeitona pe- 
quena; mui abortiva. 

A pellicula externa, que a casca, 
um pouco spera ; e a polpa, que 
acinzentada, acidula e no tem bom 
sabor. 

Propriedades medicas. um po- 
deroso anti-syphilitico, mas princi- 
palmente usado para as sarnas, e afec- 
es cutneas chronicas. 



Burareiia. Arvore do paiz, 
prpria para construco. 

B ur iiliciit ou Giiaraitlaein 
utoieisitt. Chrysoiyllum Buranhem, 
Riedel. Fam. das Sapotaceas . uma 
arvore alta, indgena do Brasil, de casca 
lisa, de folhas oblongas, e tamanho re- 
gular, 

O fructo pequeno, semelhana de 
uma azeitona. 

Sua madeira d boas traves e outros 
objectos d'arte. 

A casca de cr vermelha escura ; tem 
sabor doce a principio, e depois amargo 
e um pouco adstringente ; quando fresca 
contm um sueco leitoso. 

O extracto se offerece em pedaos de 
tamanho varivel, de cr roixa escura 
quasi preta, e fractura luzente ; solvel 
em agua, de sabor adocicado a prin- 
cpio, e depois amargo e algum tanto 
acre. (Fig. 11.) 

Propriedades medicas. aconse- 
lhado como adstringente e tnico- in- 
ternamente, nos catarrhos chronicos, he- 
moptyse, diarrha e blenorrhagias; e 
externamente nas ulceras cutneas, ra- 
chas do anus, ophtalmias purulentas, 
etc. 

A decoco se prepara com 32 gram- 
mas da casca e 500 grammas d'agua. 

empregada em banhos, e pde ser- 
vir com vantagem contra as inchaes 
consecutivas s erisypellas. 

Bitvit. Manritia vinifera, Mart. 
Fam. das Palmaceas. natural do paiz 
esta insigne palmeira , conhecida nas 
provncias do Norte por Buriti, e na 
Bahia tambm por Bury. 

a mais alta das palmeiras do paiz. 

O tronco sem espinhos, tem um 
bello leque de folhas no pice. 

O lacho do fructo tem a forma de 
um cone escamoso, como o do pinheiro 
da Europa. 

O fructo mede at 12 centmetros de 
comprimento, de forma redonda, cr 
amarella de gemma d'ovo, tegumento 
membranoso com a superfcie ouriada 



BUR 



BUT 



ss 



como que de escamas unidas umas s 
outras . 

Depois d'esta parte externa ha uma 
polpa amarella, oleosa e doce; depois 
d'esta um corpo mais duro, pouco es- 
pesso, amarello; e, unido este, um 
caroo que no seu seio contm uma 
amndoa comestivel. 

Esta palmeira abundante no Par, 
Maranho, Cear e Bahia. 

Em tempos de calamidade o povo 
erra pelas mattas procura destes 
fructos para mitigar a fome; mas o 
uso quotidiano e muito prolongado 
d'elles, determina uma amarellido na 
ctis. 

O grelo come -se como o do Palmito 
{Areca oleracea.) 

Ha entretanto mais duas palmeiras nas 
Guyanas e no Amazonas : uma, MauHtia 
flexuosa, Litm., queda um sueco extra- 
hido dos seus tecidos, que embebeda, e 
de que faz-se vinho. 

Uma segunda espcie d'este gnero 
de que Mli Humboldt, [Mauritia aculeata), 
Kunt, differe por ter espinhos, sendo na- 
tural do mesmo paiz. 

As folhas do Bimii tm muitas appli- 
caes. 

O fructo comicstivel ; e o tronco 
fornece pela inciso um sueco vinhoso 
excellente. 

Buriti bravo. Mauritia armata. 
Cocos amleata^ Willd. Fam. das Pal- 
maceas. Esta ps^lmeira, semelhante 
antecedente, differe d'ella em que seu 
tronco e as folhas so armadas de 
espinhos. 

Tambm a chamam Coqueiro Bw'iti 
bravo. 

Btirr leiteira. T^am. das Eu- 
phoriaceas. Arbusto que vegeta na Ilha 
de Fernando de Noronha, em todas 
as localidades d'ella. de porte re- 
gular. 

Seus ramos tem um desenvolvimento 
extraordinrio. 

As folhas so verde-escuras, lustro- 
sas, alternas, com peciolos purpurinos, 
estreitos e succulentos. 



Durante o vero, e antes de sua m- 
xima intensidade, esta arvore despe-se 
inteiramente, e s por occasio das 
primeiras aguas do inverno comea 
sua rebentao, tornando-rse novamente 
verde e viosa como d'antes. 

Esta arvore destingue-se particular- 
mente por sua originalidade. 

A passagem de um viandante a sota- 
vento, diz-se, ainda que com poucos 
visos de verdade, sufficiente para 
produzir nelle assaduras nos ante-braos 
e pernas, ainda mesmos cobertos. 

Os pobres animaes que se approxi- 
mam da dita arvore, queimam-se a 
tal ponto, que as partes atacadas ja- 
mais criam cabello. 

Uma gota de sua seiva basta para 
determinar uma ferida semelhante 
que produziria o fogo. 

A madeira nem para lenha serve, 
visto que seu fumo ataca a vista d'a- 
quelles, que a empregam como com- 
bustvel. 

Bur seteira. V. Po de leite ou 
Ti. 

^^' Butiin. '!'Coccilus cuieracens , St. 
Hil. Fam. das Menis^ermaceas. Ar- 
busto natural do paiz ; sua ptria 
porm S. Paulo e Minas Geraes. 

ramoso ; as folhas abrem-se como 
palmas, e os peciolos so compridos. 

Propriedades medicas. A raiz 
desobstruente, diurtica, emmenagoga e 
febrfuga. 

Emprega-se principalmente nas hy- 
dropisias, suppresso de lochios, mens- 
truao difficil e acompanhada de dores, 
clicas uterinas depois do parto, e febres 
intermitentes. 

Caracteres da famlia. Esta fam- 
lia se compe de arbustos sarmentosos 
e trepadores, cujas folhas, alternas, so 
geralmente simples, raras vezes com- 
postas. 

As flores so pequenas, unisexuaes e 
as mais das vezes dioicas. 

O clice compe-se de varias spalas 



86 



CAA 



CAA 



dispostas em trs, e formando diversas 
ordens. 

Succede o mesmo com a corolla, que 
falta algumas vezes. 

Os estames so monadelphos ou livres, 
do mesmo numero, duplo, ou triplo. 
O ovrio de uma s loja, contendo 
um ou mais vulos ; muitas vezes estes 
so em g-rande numero, soltos ou sol- 
dados polo lado interno. 

Os fructos so espcies de drupas mo- 
nospermicas, obliquas, e como que re- 
niformes, e eompi-idas. 

A semente que elles contm se compe 
de um embryo curvo sobre si mesmo, 
e geralmente desprovido de endosperma. 

Butiaa. CocaUus flati'pliylla , St. 
RU. Fam. das Menispermaceas. Esta 
outra espcie vegeta no paiz , e cresce 
nas mesmas provncias acima ditas. 

DiFere nas folhas, que so grandes e 
cordiformes, e tem as mesmas virtudes 
medicinaes da antecedente. 

Buliia lo cufvo. Maximiliana 
regia., Mart. e Willd. Bacchiaimignis., 
Mart. e Luce. Fam. Idem. Cochlos- 
permmi insigne. St. Hil. Arvore agres- 



te, natural de Minas-Geraes, cujas flores 
so coriaceas, em forma de palma, e 
alternas. 

Suas flores em cachos so grandes, 
e amarellas , e o fructo capsular. 

Propriedades medicas. A raiz d'esta 
arvore applicada em cosimento contra 
as dores internas, com especialidade as 
que so resultantes de quedas e outros 
accidentes. 

Tambm til contra os abcessos j 
formados. 

Butaia BisBKa. Coccuhis filipen- 
dula, Mart. Fam. das Menispermaceas . 
Vegeta como a precedente congnere; 
tem as mesmas propriedades d'ella. 

Ha duas qualidades de Butua ; uma 
tem a raiz grossa na base e dura ; 
a que acabamos de indicar ; a outra 
delgada, lisa e branda , conhecida em 
Minas-Geraes e no Espirito-Santo por 
Cijaroho e Parreira hrava. 

Propriedades medicas. E' empre- 
gada a raiz contra as mordeduras de 
cobras, na dose de 3 grammas para 500 
grammas d'agLia. 



G. 



Caa. Palavra que na lingua de 
nossos indgenas signiflca Herva, mas 
que se applica particularmente ao Matte 
do Paraguay. 

Vegetal que n'aquelles lugares da 
America tem o mesmo uso que o ch 
da ndia entre ns. 

Caa. Polanum tabaciforme ^ Vell. 
Fam. das Solanaccas. Nome de uma 
planta indgena do paiz. Caa entra na 
composio de varias outras palavras, 
com que designam os indgenas outras 
plantas, como se ver adiante. 



Caa-apia. F. Contra-hcrva. 

Caa-ass. MalpigMa rsea, La- 
cerd. Fam. das Malpigliiaceas. Planta 
que serve para tingir os fios das re- 
des dos pescadores. 

!;kix-'Atsysk,. Vandellia diffusa, Linn. 
e Lamcli. Fam. das Scrophulariaceas. 
Herva pequena, delicada, de folhas 
ovaes, oppostas, tendo por fructo uma 
pequena capsula, com muitas sementes. 

Propriedades medicas. EUa amar- 



CAA 



CAA 



89 



ga, e empregada como purgativo, e 
diurtico. til nas febres intermit- 
tentes, e inflammaes chrouicas do 



fgado. 



taja. uma planta brasileira, que 
mereceu a attenco das academias eu- 
-ropas, por se achar n'ella a proprie- 
<iade de, misturada com o senne em 
partes iguaes, tirar-lhe o mo gosto, 
sem destruir a sua aco purgativa. 
Reinou essa ideia por muito tempo 
desde o principio ou fins do sculo 
XVIII, mas depois acharam a mesma 
propriedade em uma planta europa. 
Scroplmlaria aqutica, que substituio a 
Qaa-cua. 

Perdeu portanto o Brasil um bom 
ramo de commercio. 

Cait-cliira. Oldenlatidia corym- 
bosa, Linn. Fam,. das Ruhiaceas. Esta 
planta conhecida nas provncias do 
Sul, como oriunda do paiz. 

O caule herbceo e quadrangular. 

As folhas oppostas, lanceoladas, du- 
ras e esbranquiadas por baixo. 

Suas flores em feixes, so como pe- 
quenas Anglicas^ tendo por fructo uma 
capsula pequena, que se assemelha com 
a da Vassourinha . 

E planta de tinturaria. 

Caa-cliir. Indigofera domingen- 
sis, S'P'eng. Indig^ hrasiliensis . Fam. 
das Leguminosas. Planta herbcea, 
semelhante ^?z7^w'a j descripta, com 
quatro pares de foliolos nas folhas. 

Vegeta em S. Domingos e no Brasil. 

Ciia-eica oit Caa tia. Eu- 

fhorhia caintata., Lamack. Eupliorhia 
fihifera., Linn. Fam. das Ewphor- 
iaceas. Planta herbcea de clix erecto. 
Folhas serreadas, ovaes, oblongas, e 
flores agglomeradas. 

Propriedades MEDICAS. muito pre- 
conisada como antdoto do veneno das 
cobras, e das viboras sobre tudo. 

Pisada e applicada fresca sobre a 



ferida da mordedura no s suavisa 
as dores, como, diz-se, neutralisa o 
veneno. 

Internamente se d em p, suspenso 
em qualquer liquido. 

Caa-co. V. Sensitiva. 

Caa*cua. V. Yqueiaga. 

Caa-cuis a folha do atte 
ainda na prefoliao. 

Caa-etintay. uma Syngeriesia 
cujas folhas cosinhadas so emprega- 
das contra as sarnas. 

Caa-|li tiara. So as folhas per- 
feitamente abertas do ch do Paraguay 

(Matt). 

Caa-guiguye. V. Aninga i)ari. 

Caaguiyuyo-to. uma Melas- 
toma ou Rhexia da qual se come o 
fructo . 



Caa-jaiidinap. 



V. Loco. 



Caa-menibeca . Pohjgata faraen- 
sis, Castro. Fam. das Polygalaceas. 
Planta oriunda do Par. 

Propriedades medicas . E' refrige- 
rante e anti-hemorrhoidal. D-se em in- 
fuso na dose de 8 grammas para 500 
grammas d'agua. 

Cta-niena e Caa-Bueiii. E' a 

mesma planta em boto . 

Caa-opia. Vismia giijanensis., Pers. 
Hy-pericum gujane^ise., Aubl. Fam. das 
Hypericaceas .Est?i arvore sem duvida 
a mesma descripta, n'este dicciona- 
rio sob o nome de Lacre. 

E' um arbusto elegante, de folhas 
oppostas, ovaes, aloiradas. 

Flores em cachos de cr branca ama- 

rellado. 

O fructo espherico, e abandona por 
incises nelle praticadas, um sueco 



88 



CAA 



CAB 



avermelhado, {jommoso ; drstico na 
dose de 1 a2 deciprrammas. 

D-se cm uma emulso de amndoas. 

Ha diversas espcies. 

Can-peba. Ha trs ou quatro es- 
pcies que recebem o nome Caa 'peha, e 
que entretanto so plantas bem dife- 
rentes entre si. 

Uma d'ellas a Parreira do matto; 
outra t o Malvaisco ; outra uma es- 
pcie do gnero Anglica, e outra final- 
mente um sip semelhante ao Raho 
de Rato. Vejam-se estas plantas. 

Caa-pefia. V. tambm Malvaisco 
de Pernambuco. 

Caa-peba, tio l\orte. Cissam- 
felos Caapba, Linn. Fam. das Menis- 
permaceas. Planta que vegeta nas re- 
gies do Norte, como em S. Domingos 
e nas regies Amazonicas. 

uma trepadeira, de folhas alter- 
nas suborbiculares, cordiformes, meio 
pelludas , com os peciolos dispostos 
em sete linhas ou divises longitudi- 
naes. 

As flores femininas so longamente 
pedunculadas. 

O fructo e a flor como os da pre- 
cedente. 

Caa-peba, do Sul ou Herva de 
niossa Seiltora, ou Cip de co- 
bra. Cissar/ipelos glaberrima, St. ffil. 
Fam. das Menispermaceas . Esta planta 
do Rio de Janeiro, Minas-Geraes, e 
de outras provindas do Imprio. 

uma trepadeira, de folhas redon- 
das, quasi sesseis. 

As flores em cachos so maneira 
de campana, recortadas na margem. 

Propriedades medicas. EUa sudo- 
rifica, aromtica e estomactica. 

A infuso da raiz bebida pela ma- 
nh antiasthmatica. 

Caa-poinanga. V. Loco ou Quei- 
madeira. 
Tambm com este nome os indios 



designam duas plantas : uma d'ellas 
semelhante na apparencia a nossa Ar^ 
ruda de campina; a outra ainda inde- 
terminada. 

Caa-pon^^a. Debaixo d'este nome 
existem trs plantas do paiz, que se 
come maneira da Beldroega. 

Uma parece a Gomphrena vermicU' 
lata as outras, variedades de uma es- 
pcie de Mimosa. 

Caa-poij^a. PMloxerus vermicu- 
latus., Smart. [Cremos). E a mesma 
Gotiiphrena., Fam. das Amaranthaceas. 

Caa-ro!ioa. 7. Jatob. 
Caa-taia. F. Herva de bicho. 
Caa-tin^ua. V. Catigua. 

Caa-vourana. Solanum arbores- 
cens, Vell. Fa)n. das Solanaceas. Esta 
planta vegeta no Cabo-Frio e em Piauhy. 

Produz uma qualidade de anil supe- 
rior. 

Propriedades medicas. empre- 
gada em banhos, na morpha. 

Cabaeiibo. Momordica bucha. 
Dermofhylla pendallina. Mans. e S. Paio. 
Fam. das Cticurbiaceas. Esta planta 
indgena tem o nome de Cabacinko, 
nas provncias do Cear e Pernambuco ; 
na das Alagoas chama-se Cabao de 
bucha., e na de Sergipe e Minas-Geraes 
conhecida por Bucha. 

Raiz ramosa e fibrosa. 

Caule herbceo, prostrado e fistuloso, 
de comprimento varivel, e grossura 
de uma penna. 

Folhas cordiformes, guarnecidas de 
speros pellos. 

Flores pequenas, de cr amarella. 

Fructo ovide ou oblongo, secco, 
envolvido em uma s pea ou car- 
pella, formada pelo tubo que na ma- 
dureza passa do verde ao amarello 
escuro, guarnecido de grossos espi- 
nhos; esta parte que constitue o 
epicarpo. 



CAB 



CB 



S 



O mesocarpo, immediato a este, 
composto de xim tecido fibroso, reti- 
forme, que se estende at o interior, 
onde termina por uma camada mais 
compacta (endocarpo), que forma as 
paredes de trs cavidades, contendo 
cada uma no seu centro iim trophos- 
perma, e sendo o centro dos trs tro- 
phospermas occupado pelas sementes. 

PROPRIEDADAS MEDICAS. O fructo do 

cabacinho aconselhado nas hydro- 
pisias. 

Applica-se vulprarmente esta planta 
em forma de clysteres ; para isso faz-se 
um macerado da quarta parte de um 
fructo, em agua, por espao de dez 
horas, coa-se, e depois bate-se com um 
rodzio at fazer espuma, separa-se 
esta, e repete-se a mesma operao 
por mais duas vezes; esta dose para 
adulto. 

Para uso interno prepara-se um licor 
com quatro fructos privadtfs de se- 
mentes, e lanados em uma garrafa 
de aguardente de 21. 

Pe-se em digesto por espao de 24 
48 horas, e depois faz-se o doente 
tomar, na dose de 90 120 grammas 
por dia. 

O clyster obra como violento drs- 
tico, cujo eeito acompanhado de 
muitas djes. 

O licor occasiona as mesmas dores, 
com vomitDS e dejeces alvinas. 

um medicamento que exige muita 
cautela err. sua applicao. 

Ca?)aeiiBlto do Par/i. Colocyn- 
ihis 'paraer.sis. Fam. das Cucurbitaceas . 
Semelhinte em quasi tudo aos ou- 
tros e con as mesmas propriedades. 

Coloc(Kiint1iit1a! la!;! illias do 
Arcli pelado do Oriente. o Cu- 

cimis colocyntMs^ Lhm. 

Prcriedades medicas. O Cahac7iho 
depirativo, empregado contra os dar- 
thros. 

As coses so, da raiz secca 4 gram- 
mas; tas sementes de duas at quatro. 



Usa-se tambm da infuso da polpa, 
feita com a metade de um fructo. 

Caliao OH Cabao de collo. 

Cucurhita lagenaria^ Lt?m. Cucurb. leu- 
cantTies, Duch. Fam. Idem. Espcie 
originaria do piz, bem conhecida de 
todos. 

O Cabao proveniente de uma planta, 
que se estende ao nivel do cho, e 
agarra-se aos corpos visinhos, ou na 
falta alastra pelo cho. 

O caule cylindrico, coberto de pellos 
duros, que ferem a mo de quem os toca. 

As folhas, de peciolos longos e tu- 
bulosos, so quasi redondas, ou for- 
mam chanfraduras, e dividem-se em 
trs ou cinco lobos ; so quasi sempre 
de um verde esbranquiado, manchadas 
e baas. 

As flores so ordinariamente brancas 
sem cheiro e grandes ; so de sexos 
separados ; umas como simplesmente 
uma campana, outras na base d'essa 
campana. 

Tem o fructo em estado rudimental, 
espherico, de grandeza varivel ; na 
parte inferior do bojo oferece um 
collo pelo qual sustentado. 

O exterior do fructo verde claro, 
espesso e de natureza crustcea ; den- 
tro encontra-se uma massa aquosa, 
quasi frouxa, mui amarga e branca, 
cheia de gros chatos, ellipticos e in- 
seridos em filamentos. 

Os habitantes do centro excavam o 
interior d'este fructo, para fazer uso 
d'elle como vaso de guardar lquidos, 
fa rinha ou gros (cuias) , 

Nas Alagoas chamam Cabao marimba. 

Elle muitas vezes no apresenta 
collo, e tem uma forma arredondada 
semelhana- de uma abbora ; justa- 
mente este que cultivam. 

Tambm tem virtudes medicas, e 
quasi todas as espcies tem um cheiro 
enjoativo, e um pouco almscarado. 

Cabao grrogroj. Cucurbita ovi- 
de Fam- idem. E do paiz e agreste. 

Tem este nome nas Alagoas e em 
Pernambuco. 

14 



9U 



CAB 



CAB 



E uma planta como os outros Ca- 
baceiros. 

As folhas so quasi redondas. 

As flores amarellas. 
. O fructo, porm, de 6 a 12 cen- 
tmetros ; sua configurao exacta- 
mente ovide, e no seu interior como 
se observam nas congneres. 

Propriedades medicas. A medicina 
vulgar emprega o fructo e as folhas nas 
hydropisias, em clysteres. E' um pur- 
gante violento. 

CitbA^'o Biii*iiiil>a. V. Cabao 
de CO lio . 

Ca9>ao de iiolvora. CucnrhUa 
pulvis. Fam. Idem. Semelhante 
espcie precedente ; mas a flor branca, 
e o fructo anlogo ao do Cabao 
grogoj. 

O d'este i^orm apresenta um collo 
estreitado abaixo do bojo ou engrossa- 
mento, e muitas vezes esse collo faz 
outro menor que fica sobreposto. 

Costumam extrahir-lhe o miolo para 
servirem-se d'elle como polvarinho. 

Ca^ia^** ** serto. Ciicurbita. 
Fam. Idem. Vegeta nos nossos ser- 
tes uma espcie de Cabao monstro, 
cujos caracteres so os mesmos que 
os dos precedentes, tendo porm um 
fructo monstruoso, cuja casca for- 
mada de um tecido crneo, espesso, 
quasi sseo. 

Quando preparado serve de vaso para 
diversos misteres domsticos. 

Os caadores costumam fazer uns bu- 
racos n'estes cabaos, e usam d'elles 
maneira de mascara para observarem 
as caas do rio ; mas para isso deitam- 
nos sobre a agua por muito tempo at 
ellas se acostumarem primeiro, e alcan- 
ado isto, entram ento no rio , enfiam 
n'ellas a cabea, vo-se chegando a ellas 
e agarram-nas pelos ps. Apanham-as 
assim vivas , e sem emprego de arma 
de fogo. 

Os vasos chamados combucas podem 
conter muitas vezes 12 a 15 litros d'agua. 



Cabc^*. de Frade. Villarsianym- 
flmoides., Brow c D. C. Fam. das Qen- 
cianaceas. V,' uma planta bonita que 
fluctua nas aguas. 

Suas folhas so redondas, de peciolos 
compridos. 

As flores, de um bello amarello cr 
de enxofre. 

O fructo d'esta planta, que comes- 
tvel, amylaceo. 

Ella uma espcie da que chamam 
Gol])lio ou Gigoga. 

Cabea de ne|;;rOy ou de niole- 
<|ie. Fam. das Ciicurbitaceas. E' uma 
planta trepadeira agreste do Brasil , 
conhecida como tal em Pernambuco e 
Parahyba. 

Ella abunda no serto. 

E' um arbusto trepador , de folhas 
e flores tricortadas. 

Na extremidade da raiz brota um bolbo 
mais ou menos desenvolvido., de aspecto 
rugoso, pardo claro, de forma varivel. 

Quando partido v-se que compe-se 
de uma substancia compacta , rgida , 
hmida, da qual se extrahe uma f- 
cula mu.i amargosa. 

Esta batata desconhecida na me- 
dicina; apenas alguns curiosos conhe- 
cem as virtudes medicas que ella possue, 
e fazem uso internamente e en clysteres. 

Seu ef'eito vomitivo e purgativo em 
certa dose. 

Podemos asseverar que im impor- 
tante vegetal, que o paiz ]X)ssue. 

Tambm lhe do o nome de Tejuco 
e Cabea de moleqite. 

Ha duas espcies, uma preta e outra 
I branca; a preta distingue-se pelo caule 
escuro. 

Propriedades MEDICAS. E um po- 
deroso anti-syphilitico , anti-scropliu- 
loso, anti-dyarrheico, e anti-febr.l. 

No tempo da afflictiva epidemia do 
cholera morbus, raro foi o doente tra- 
tado com este remdio que succumbisse. 

A dose do p uma colher de sopa 
toda,s as manhs. 

A tinctura tambm muito usada 
nos casos da menstruao difcil. 



CAB 



CAB 



91 



Caheudo ou Coqueiro cabe- 
udo. Cocos capitata. Fam. das Pal- 
maceas. E' uma palmeira de Minas- 
Geraes. 

Cabea de Cutia. Myriaspora 
fubescens. Fam. das Melastomaceas. 
Arvore mediana do paiz que nas Ala- 
goas tem este nome. 

A casca esbranquiada. 

As folhas oppostas, grandes, ellypti- 
cas, pelludas na face inferior, e aver- 
melhadas ou roixeadas, bem como as 
pontas dos ramos. 

As lres, em cachos cruzados, so pel- 
ludas. 

Os frnctos so redondinhos, de 1 % 
centmetros, coroados de pellos sedosos 
fe roixos. 

Quando maduros, o tegumento ex- 
terno membranoso ; interiormente a 
massa aquosa, trigueira, e cheia de 
miudissimos gros. 

O lenho no dos melhores, porm 
serve para estacas, e combustvel. 

Calbello de iiegi^ro. Eritroxylon 
camies Ire, St. Ilill. Fam. das Erytro- 
xyleas. um arbusto de Minas Ge- 
raes. 

Suas flores, em feixes ou em cachos, 
acham-se agglomeradas nas axillas das 
folhas e dos ramos. 

O seu lenho e a casca da raiz, fer- 
vidos em agua, constituem um pur- 
gante. 

Caracteres da famlia. Arvores ou 
arbustos de folhas alternas, ou oppos- 
tas, geralmente glabras, munidas de 
estipulas axillares. 

As flores so pequenas, pediculladas, 
tendo um clice persistente de 5 divi- 
ses profundas. 

Uma corolla de cinco ptalas sesseis, 
e munidas interiormente de uma esca- 
masinha. 

Os estames em numero de dez, tem 
os filetes dilatados na base, unidos 
entre si e monadelphos interiormente, 
de ordinrio persistentes. O ovrio 
unilocular, contendo um s ovulo pen- 



dente ; ou ento elle de trs lojas, das 
quaes duas so vazias. 

Do ovrio nascem trs estyletes, ora 
distinctos, ora unidos quasi at ao 
pice. 

O fructo uma drupa monosper- 
mica, indehiscente, ou dehiscente. 

A semente em um endosperma duro 
e crneo, encerra um embryo axillar 
e homotropo. 

Calielluda. Eugenia tomentosa. 
Fam. das Myrlaceas. Arbusto cujos 
fructos so assucarados e refrigerantes. 

Caliiiia. F. Jacarand cahiuna. 

Cabo de aeo. Myricaria va- 
siliensis. Farn. das Tamaricineas . 
Esta arvore, conhecida nas Alagoas por 
este nome, de um lenho muito duro ; 
ramosa, de casca parda, e folhagem 
mida, como a dos espinheiros. 

As flores, em espigas ramosas, so 
de estructura ordinria, esverdinhadas 
e no grandes. 

O fructo como uma pequena vagem. 

A madeira empregada na marcine- 
ria, por ser de longa durao ; prefe- 
rem-na para cabos de instrumentos 
agrcolas. 

Caracteres da famlia. Sub arbus- 
tos ou arbustos, tendo folhas em geral 
pequeninas, e invaginantes. 

Flores igualmente pequenas, munidas 
de bracteas, e dispostas em espigas 
simples, cuja reunio constitue algumas 
vezes uma panicula. 

O clice de quatro ou cinco di- 
vises profundas, raramente forma um 
tubo na parte inferior ; suas divises 
so imbricadas lateralmente. 

A corolla se compe de 4 ou 5 p- 
talas persistentes. 

Os estames em numero de 5 a 10, 
raras vezes de 4, so monadelphos pela 
base . 

O ovrio triangular, algumas vezes 
cercado na base de um disco perigy- 
nico. 

Elle unilocular, oferecendo trs tro- 



93 



CAB 



CAB 



phospermas parietaes, com grande nu- 
mero de vulos ascendentes. 

O estylete simples ou tripartido. 

O fructo uma capsula triangular, 
de uma s(3 loja, contendo um grande 
niimcro de sementes, inseridas no meio 
da face interna das trs valvas, que for- 
mam a capsula. 

O embryo erecto, orthotropo, des- 
provido de endosperma. 

Cabo de inacItHclo. uma ar- 
vore agreste que recebe este nome em 
Pernambuco, e que parece ser o Caho de 
faco das Alagoas. 

Caltoafan de capoeira. Cupa- 
nia vernaUs, St. Hil. Fam. das Sa- 
findaceas. Arbusto indgena, que cresce 
nas capoeiras. 

Seu caule reguado, e quadrangular. 

As folhas impares, compostas, alter- 
nas, oblongas, grandes, ovaes, brilhan- 
tes, e revestidas de pello macio infe- 
riormente. 

As flores em pequenos cachos, de for- 
ma ordinria e de cr branca escura. 

O fructo uma noz coriacea, em forma 
de pio, que abre em trs valvas. 

Contm trs sementes pretas, envoltas 
em uma substancia, que cobre metade 
do seu corpo. 

Floresce em Setembro. 

Propriedades medicas. A casca em- 
prega-se na asthma e na tosse convulsa. 

Caracteres da famlia. Familia 
composta de grandes arvores ou ar- 
bustos, algumas vezes de plantas herb- 
ceas e volveis. 

Folhas alternas e geralmente impari- 
pinnuladas, munidas as vezes de ga- 
vinhas e de estipulas frgeis. 

O clice, de 4 a 5 sepalas livres ou 
ligeiramente soldadas pela base, um 
pouco obliquo e desigual na base. 

A coroUa, que falta algumas vezes, 
formada em geral de 4 a 5 ptalas, 
ora lisas, ora glandulosas, para a parte 
mdia, onde ellas oferecem varias vezes 
uma lamina petaloide. 



Os cstames, cm numero duplo do das 
ptalas, so livres e applicados sobro 
um disco hypogynico, plano, lobulado, 
que guarnece todo o fundo da flor. 

O ovrio, algumas vezes excntrico, 
ae trs lojas, contendo em geral dois 
vulos sobre postos, e inseridos no an- 
gulo interno de cada loja. 

O estylete, simples na base, tri- 
fido no pice, e termina em trs es- 
tigmas. 

O fructo uma capsula, s vezes 
vesiculosa de 1, 2 ou 3 lojas, contendo 
cada uma d'ellas uma s semente, e 
abrindo-se em trs valvas. 

As sementes se compe de um grande 
embryo, tendo a radicula curva sobre 
os cotyledones ; desprovido de endos- 
perma, e s vezes enrolado em forma 
de hlice. 

Cahoatan de leite. Mauria lac- 
lifera. Fam. das TereMnthaceas. Ar- 
vore ou arbusto leitoso, conhecido nas 
Alagoas por este nome : natural do 
paiz. 

Bello arbusto de aspecto aloirado; 
casca parda, acastanhada. 

Folhas dispostas em palmas, ovaes, 
oblongas e aloiradas. 

Flores, em cachos pyramidaes, mi- 
das, brancas, tintas de amarello. 

Fructo pequeno, de 3 centmetros, e 
ovide. 

Sua parte extrema coriacea, e parda; 
a interna, viscosa e contendo uma se- 
mente parda. 

No comestvel. 

Cattgreraiia cabralea. Cange- 
rana. Fam. das Meliaceas. Foi em 
memoria de Pedro Alves Cabral que 
se deu tal nome a esta arvore. 

A madeira notvel pela sua bel- 
leza, de cr vermelha arroxeada, e ad- 
quada s obras internas e ao ar. 

Cabuj^t. o Caroa de rede em 
alguns lugares da America Meridio- 
nal. 

Cab^iraia. V. Caiuraia cabureiha. 



CAC 



CAC 



93 



Cabui'eil>a . Myrocarpus fastigia- 
ttis, Fr. Aliem. Fam. das Legumi- 
nosas. uma das nossas importantes 
arvores. 

excellente madeira de construco ; 
exsuda uma resina, de activissimo 
aroma, mui empregada, e conhecida pelo 
nome de Cahiireicica, . 

Cit^xireiciea. a resina forne- 
cida pela madeira acima. 

Cac.o ou Cac-.oseiro. Theo- 
hroma caceio.^ Linn. Fam. das Byttne- 
riaceas. Arvore indgena das pro- 
vindas do norte do Brasil, sobretudo 
do Par e Amazonas, e tambm da 
Nova Granada. 

Tronco erecto, de 3 % metros de al- 
tura. 

Flores alternas, grandes, oblongas, 
com a base cordiforme e ligeiramente 
obliqua, tendo a face superior de uma 
bella cr verde, e a inferior esbran- 
quiada, apresentando sete nervuras, 
partindo todas da base. 

Flores, em pednculos solitrios, si- 
tuados um pouco acima da axilla das 
folhas, formando cachos. 

Corollas de 5 ptalas de cr verme- 
lha escura. 

Fructo, noz oval, de 18 a 24 cent- 
metros de comprimento, com 5 sulcos, 
superfcie desigual, sericea, e 5 lojas 
contendo grande numero de sementes. 

Alm d'estas espcies de cacoseiros, 
ha outros que mais ou menos se asse- 
melham, e cujas sementes tem o mes- 
mo emprego. 

O caco serve especialmente para o 
fabrico do chocolate, que sendo um bom 
alimento, ajuntando-se certas substan- 
cias medicinaes, toma o nome de cho- 
colate de musgo, de ferro, de salepo, 
de araruta, etc. 

Tambm entra na composio de pre- 
parados analepticos, como so o Raca- 
hout, Palamud, Thehroma. 

Tambm se extrahe d'elle uma mat- 
ria, a que do o nome de manteiga de 
caco . 

emolliente ; emprega-se interna- 



mente nas bronchites, e externamente 
para curar as rachas dos beios, e do 
bico dos peitos e do anus. (Fig. 12.) 

Caracteres da famlia. Arvores ou 
arbustos, de folhas alternas, simples, 
munidas de duas estipulas oppostas. 

Flores dispostas em cachos mais ou 
menos ramosos, axillares, ou oppostos 
s folhas. 

O clice n, ou acompanhado de um 
caliculo, e formado de 5 sepalas mais 
ou menos ligadas pela base, e valvulares. 

A corolla de 5 ptalas lisas, enrola- 
das em espiral antes de seu desabro- 
char, mais ou menos concavas e irre- 
gulares ; estas ptalas faltam algumas 
vezes. 

Os estames , do mesmo numero , de 
numero duplo ou mltiplo do das p- 
talas, so em geral monadelphos, e o 
tubo que elles formam por sua reunio 
apresenta muitas vezes appendices pe- 
taloides, collocados entre os estames an- 
theriferos; estes appendices so outros 
tantos estames abortados. 

As antheras so constantemente de 2 
lojas. 

As carpellas em numero de 3 5 s j 
mais ou menos completamente unidas. 

Cada loja encerra dois ou trs vulos 
ascendentes, ou um maior numei'o, in- 
seridos no angulo interno da loja. 

Os estyletes ficam livres, ou so mais 
ou menos adherentes entre si. 

O fructo em geral uma capsula 
globulosa, acompanhada pelo clice, de 
3 ou 5 lojas , abrindo-se em outras 
tantas valvas, que frequentes vezes apre- 
sentam o septo no meio de sua face 
interna. 

As sementes offerecem , em um en~ 
dosperma carnoso, um embryo erecto. 

Cucoseiro Stravo. Theolroma 



gnianensis, 



Wild. Fam. Idem. Este 



arbusto habita nos lugares charcosos da 
Guyana. 

Difere do precedente em ter a folha 
recortada em de redor, e em ser o fructo 
aloirado e piloso. Segundo Aubl. Caco 
silvestris . 



94 



CAF 



CAF 



Ca<*1ia1>. uma espcie de Cardo 
que alguns tomam i>ov Jaracali. 

CcIbI>oii. E' a resina fornecida 
pelo Po de ])orco. 

Caeliiiii. Tambm em alguns lu- 
gares significa Borracha. 

CacliiBii. Sapium iUcifolmm., Willd. 
Fam. das Eioplioj-Maceas. E' uma ar- 
vore leitosa da America, com fructos 
pequenos. 

Trs amndoas bastam para um pur- 
gante. 

Capl&i iibIio . Trichofiliorum , Cachim- 
ho. Fam. das Cyperaceas. Esta planta 
tem o aspecto de um capim. 

E' natural do paiz, e conhecida por 
este nome nas provncias das Alagoas 
e Pernambuco. 

Ella forma uma touceira como o 
capim, de folhas estreitas, dispostas 
na superfcie da terra. 

Do centro ergue-se imi pendo trian- 
gular, e nasce um aggregado de flores 
brancas, cheirosas, pequenas, verticil- 
ladas. 

Esta espcie cresce beira dos ca- 
minhos. 

Caeulage. 7. Quitoco. 

Cate oti Cafezeir. Coffea ara- 
hica, Linn. Fam. das Rubiaceas. Ar- 
busto originrio da Arbia, cultivado 
em todo o Brasil, e em outros paizes 
intertropicaes. 

Elle de 2 a 3 metros de altura, 
frondoso. 

Folhas verde-escuras, oppostas, lus- 
trosas, de forma ellyptica, e pon- 
tudas. 

Flores em feixes nas axillas das fo- 
lhas, e pelos ramos, brancas como o 
jasmim, e com cheiro. 

O fructo de 1 %. centmetro, oval, 
vermelho, com uma casca coriacea, 
tendo na parte interior uma substan- 
cia albumnosa branca e doce ; envolve 
um caroo, que se divide em dois he- 



misphcrios ; este caroo o crneo, c 
tem um sulco na parte plana. 

E' esta semente que d toda a im- 
portncia ao Cafezeiro. 

O gnero Co/fea encerra mais de 23 
variedades ou espcies, das quaes uma 
faz hoje a base da riqueza do Brasil, 
que o Cafezeiro arahico. 

As primeiras provncias que o cul- 
tivaram, foram o Maranho e Par ; 
passou ao depois ser cultivado no 
Rio de Janeiro, d'onde exportam-o em 
grande escala para os mercados da 
Europa e Estados-Unidos da America 
do Norte. 

O nosso caf occupa um dos pri- 
meiros lugares em muitos d'esses mer- 
cados, porm se se empregasse no 
Brasil maior cuidado, na sua prepa- 
rao e cultura, o consumo do caf 
seria muito maior. 

O mais bem tratado muito procu- 
rado, e vende-se por maior preo como 
acontece com os cafs dos outros pai- 
zes, por exemplo o de Moka e o de 
Bourbon. 

Propriedades medicas. E' til con- 
tra a debilidabe do estmago, dando- 
Ihe fora e augmentando a energia 
prpria ; ajuda a digesto, accelera a 
circulao do sangue, faz allvar ou 
desapparecer as clicas flatulentas. 

E' um poderoso tnico e febrifugoJ 

O uso do caf dissipa a preguia e 
a languidez, proveniente do excesso de 
trabalho, ou do abuso de prazeres ve- 
nreos e de bebidas alcolicas. 

A medicina popular o emprega con- 
tra as dores violentas de cabea. 

A medicina ofRcial o emprega na 
asthma, na coqueluche, catarrhos chro- 
nicos, gotta, amenorrha, tosse con- 
vulsa. 

E' tido como um poderoso remdio 
para combater os effeitos do envene- 
namento pelo pio e pelos outros nar- 
cticos. 

Internamente : Infuso de caf tor- 
rado, 30 grammas para 250 grammas 
d'agua fervendo. 

Caf verde] no torrado [em. p, uma 



CAG 



CAI 



9! 



duas grammas, de hora em hora, 
durante a apyrexia. 

Decoco : 30 grammas em 3T5 gram- 
mas d'agua. Meio clix de meia em 
meia hora. 

Caf do Biintto. Gxmnera simi- 
lia coffea. Fam. das Araliaceas. Ar- 
busto agreste e indigena, por este 
nome conhecido nas Alagoas. 

E' pouco esgalhado ; o tronco esbran- 
quiado. 

As folhas pallidas e oblongas. 

As flores, reunidas em feixes espi- 
gados, parecem pevides brancas. 

O fructo vermelho e d pelo caule; 
oval obconico. 

Caiei*an Jacar-ar , Jacamar. 
Qnassia do Par. Tacliia giiyatiensis^ 
AuM. Fam. das Gendanaceas. Arbusto 
do Brasil (Amazonas), de 2 metros de 
altura, caule quadrangular. 

Folhas oppostas, oblongas, acumina- 
das na base, e flores amarellas. 

Raiz lenhosa, coberta de uma casca 
delgada e branca, semelhante no exte- 
rior a da quassia. 

O lenho tenro , esbranquiado e 
radiado, de sabor muito amargo. 

Propriedades medicas. A raiz e o 
lenho so muito empregados como tnicos 
e febrfugos nas febres intermittentes. 

P, 130 centigrammas. 

Infuso, 4 grammas para 250 grammas 
d'agua. 

Tintura, 4 a 8 grammas. 

Ca^aiteiva. Eugenia dysenterica.^ 
D. C.Fam. das Myrlaceas.MyrUis 
dyse^iterica., Mart. Planta conhecida em 
Minas-Geraes por este nome. 

E' um arbusto de ramos tortuosos; 
casca lisa; folhas ovaes e lustrosas. 

Flores um pouco grandes e brancas, 
como as flores da goiabeira. 

Fructo globoso , coroado dos restos 
floraes, e amarello quando maduro. 

A substancia externa uma massa 
compacta, espessa e aquosa, envolven- 
do um caroo pardo no centro. 



Propriedades medicas. Os fructos 
so assucarados, adstringentes , e ap- 
plicados como anti-dysentericos. 

CaleatiBis^a. V. Piassava. 

Caiaeia. V. Caacica. 

Caiais ou Cociiieiro eaiaii. 

Elaiis melanococca , Gcetr. Fam. das 
Palmaceas. E' uma palmeira do Par 
e do Rio Negro , que mais ou menos 
apresenta o typo do Dendeseiro, 
Ella fornece bom leo. 

Caiaiana. V. Cainca do Brasil. 

CaiBca do Braj^il. CMococca an- 
guifiiga , Mart. CMococca racemosa , 
Htimb. , Bomp. e Kimt. Fam. das Rw- 
hiaceas. Esta planta , conhecida em 
alguns pontos do Imprio por Cainca, 
indigena, e muita semelhana tem com 
a de Raiz preta. 

Tem suas folhas oppostas e as flores 
em cachos. 

O fructo uma capsula um tanto 
comprida , com um ncleo sseo for- 
mado por dois caroos (F. 13.) 

Propriedades medicas. Esta planta 
goza da virtude de ser muito diur- 
tica; emprega-se a sua raiz. 

A casca amarga, um tanto adstrin- 
gente ; o impulso da raiz tem um cheiro 
nauseante; diurtico e purgativo, e 
d-se em doses pequenas; em doses 
maiores produz vmitos contnuos. 

E' empregada nas hydropisias, apo- 
plexias, demncia, rheumatismo, sy- 
philis, e tambm contra amenorrha' 

Caireissik. Hydrocotyle Iriflora. 
Fam. das Umhelliferas. Planta herb- 
cea (da famlia que pertence o Coentro). 

Ella aperitiva. 

Cait. Canna aurantiaca, Rose. 
Fam. das Amomaceas . Planta do Bra- 
sil semelhante ao Merit,. 

Propriedades medicas. O cosimento 



96 



CAI 



CAI 



da raiz calmante e empregado nas 
gonorrheas ; pisada a raiz, serve para 
cataplasma sobre os abcessos. 
Ha varias espcies d'este gnero. 

Caiiiia-a. Lobelia viscosa. 
Fam. das Loheliaceas. Herva conhe- 
cida por este nome nas Alagoas. 

agreste e de altura media. 

Seu caule apresenta ns de distan- 
cia em distancia, e pllos no pice 
dos ramos. 

viscosa, de folhas oblongas e 
grandes. 

A flor cnica com dois lbios, de 
cr encarnada carmesim. 

O fructo uma capsula comprimida. 



Caracteres da famlia. As Lohelia- 
ceas so ordinariamente plantas her- 
bceas eu subfructescentes, cheias cm 
geral de um sueco branco e amargo. 
As folhas so alternas, raras vezes 
oppostas. 

As flores formam espigas, (thjrsos,) 
ou so approximadas em forma de ca- 
ptulos. 

Elias oferecem um clice gamos- 
palo, de 4, 5 ou 8 divises persisten- 
tes, e uma corolla gamopetala regular 
ou irregular, tendo o limbo dividido 
em tantos lbulos quantas divises 
existem no clice, algumas vezes como 
que bilabiada, de preflorao valvar. 
Os estames, em numero de cinco, 
so alternos com os lobos da corol- 
la. 

Suas antheras so livres ou appro- 
ximadas semelhana de um tubo. 

O ovrio infero ou semi-infero, de 
duas ou mais lojas polyspermicas. 

O estylete simples, terminado em 
estigma lobulado, s vezes revestido de 
pellos. 

O fructo uma capsula coroada 
pelo limbo do clice, de duas ou mais 
lojas, abrindo-se ou por meio de ori- 
fcios que se formam na parte supe- 
rior ; ou por meio de valvas incom- 
pletas, e que trazem comsigo uma 
parte dos septos. 
As sementes, pequeninas e numero- 



sssimas, encerram n'um endosperma 
carnoso um embrio axillo e erecto. 

Caiiila lirava. Ce7iironia crispa- 
phylla. Fam. das Melastomaceas . 
Esta planta conhecida na Bahia pelo 
nome de Cayuia. 

de porte elegante, pequena, e de 
caule pilloso, assim como as folhas ; 
porm estas so macias. 

Os pellos so roixos, e cobrem a 
planta de tal maneira, que ella toma 
um aspecto arroixeado. 

As folhas um pouco grandes, e as 
flores brancas. 

O fructo oval , e roixo de 1 % cen- 
tmetros ; contendo no interior uma 
polpa aquosa, acre, e pequenos gros. 



Caiuiu mansa. Centronia tinc- 
toria . Fam . das Melatomaceas . E um 
arbusto elegante, natural do paiz, que, 
tanto em Alagoas como em Pernambuco, 
conhecido por este nome; primeira 
vista representa a ortiga. 

Apresenta caules, folhas, e os rgos 
da fructificao cobertas de pellos ; esses 
pellos so alguma cousa arroxeados. 

As folhas ovaes, meio grandes. 

As florinhas em cachos, brancas e como 
que postas sobre umas jarrinhas, que so 
os clices. 

O fructo de 1 % centmetros, redon- 
do, roixo, com uma casca fina : contem 
uma pequena polpa aquosa, escura, e 
semeada de sementinhas ; chupa-se esta 
polpa, que acre-doce. 

Esta planta empregada na tinturaria, 
porque produz uma tinta roixa ou preta. 

CaiiBa la laiaa. Gra/fenriedia 
macrophylla. Fam. das Melastomaceas. 
Tambm agreste esta espcie, e s 
se acha nas mattas ; do-lhe este nome 
nas Alagoas. 

um arbusto de casca parda clara. 

Folhas grandes, no brilhantes, com 
as divises parallelas. 

Flores em cachos pequenos e brancas. 

Todos os rgos da fructificao so 
cobertos de pellos e arroxeados. 

O fructo globoso, com a dimenso de 



CAI 



CAI 



99 



3 centmetros, semelhante ao precedente, 
de massa aquosa. 

Caiuia vermelha ou s:raiitle. 

Calycogonium punctatum . Fam. das Me- 
lastomaceas . uma arvore semi-lenho- 
sa, que em Pernambuco tem este nome. 

Seu caule cylindrico, e pelludo. 

As folhas oppostas, muito cobertas 
de pellos vermelhos e macios. 

Flores em cachos, brancas, com todos 
os seus rgos pelludos. 

O fructo uma pequena baga, de menos 
de 1 %. centmetros, globosa, com muitas 
sementes. 

Esta planta, indgena do Brasil, de 
porte elegante, parece a Caiuia, hrava das 
Alagoas, mas notam-se-lhe algumas dif- 
ferenas. 

Propriedades medicas. um pode- 
roso ant-syphilitico, applcado nas ul- 
ceras e cancros venreos. 

Cai ui iilia . Dic}iorisand7'ii elegans. 
Fam. das Commelinaceas Planta agres- 
te, natural do paiz, assim chamada nas 
Alagoas. 

um arbusto elegante que merece ser 
cultivado nos jardins. 

Seu porte de 1 a 2 metros. 

O caule e ramos so herbceos ; as fo- 
lhas carnosas, em figura de esptula, e 
abarcantes. 

As flores em cachos so de um roixo 
purpurino vivo, formando trs azas azues 
de cr intensa. 

O fructo uma capsula trigona, com 
alguns caroos pretos, redondos, dispos- 
tos em duas ordens em cada comparti- 
mento, e por consequncia formando seis 
ordens. 

Caracteres da faaiilia. Famlia 
formada dos gneros Commelina e Trades- 
caritia, antes collocadas nas Juncaceas^ e 
de alguns outros novos que lhes foram 
reunidos. 

As flores tm um clice de seis divi- 
.ses profundas, dispostas em duas or- 
dens : trs exteriores que so verdes e 
calcinaes, trs interiores coloridas e pe- 
taloides. 



Os estames em numero de seis, rara- 
mente menos, so livres e hypogynicos. 

A anthera tem suas duas lojas apar- 
tadas por um connectivo muito desen- 
volvido. 

O ovrio oflferece trs lojas oppostas 
s trs sepalas externas, cada uma con- 
tendo pequeno numero de vulos ortho- 
tropos, inseridos no angulo interno ; elle 
tem por cima um estylete que termina 
em um estigma simples. 

O fructo uma capsula globulosa, 
de trs ngulos, comprimida, e de trs 
lojas , abrindo-se por trs valvas , que 
trazem cada uma um septo no meio da 
face interna. 

As sementes taras vezes so mais de 
duas em cada loja. 

O embryo, em forma de pio, op- 
posto ao hilo, por consequncia anti- 
tropo, e situado em uma cavidadesinha, 
de um endosperma duro e carnoso. 

As plantas que compem esta familia 
so herbceas, annuaes ou vivazes. 

A raiz fibrosa ou formada de tubr- 
culos carnosos. 

As folhas alternas, simples ou invagi- 
nantes. 

As flores lisas ou envolvidas em uma 
espatha foliacea. 

Esta familia se distingue: 1., das 
Juncaceas pelo porte, pelo clice, cujas 
trs spalas interiores so coloridas ; pela 
forma do embryo ; 2., das Restiaceas, 
igualmente pelo clice, pela structura 
da capsula de lojas dispermicas, e sobre- 
tudo pelo porte que bem diferente. 

Caixa eolpp oii caixa cobre. 

Cactus. Fam. das Nopaleas oa Cac- 
taceas. Arbusto de serto do Brasil. 

E uma arvore mediana de 2 a 3 me- 
tros de altura pouco mais ou menos, 
esgalhada na summidade dos ramos, 
formando umbrellas de distancia em 
distancia ; sem folhas. 

As flores so brancas, semelhana 
de Anglicas. 

O fructo mede 9 centmetros pouco 
mais ou menos, globuloso, achatado, 
de cr roixa, casca grossa, por dentro 
escarnada, contendo uma massa mUe 

15 



8 



CAJ 



CAJ 



e doce, cheia de sementinhas pretas. 
Come-se essa massa, que passa por 
boa. 

Cajairo oii Cwjjaseiro. Spon- 
(lias lutea, Linn. Fam. das Anacar 
iaceas. Em Pernambuco e varias pro- 
vncias do Brasil conhecida por este 
nome, no Par por Tapiriha^ e por 
Acaj em outras provncias. 

O Cajaeiro uma arvore oriunda do 
paiz, elegante por seu porte gigan- 
tesco e sua folhagem disposta syme- 
tricamente. 

Precede epiderme do seu tronco 
uma casca de um tecido fibroso, ru- 
goso, saliente, de natureza meio cor- 
tiosa, que mui procurada para 
pequenas obras de esculptura. 

Suas flores, em cachos, so pequenas 
e brancas, e nada tm de notvel. 

O fructo uma baga amarella de 
6 centmetros de comprimento, arre- 
dondada, achatada na base ; tem uma 
pellicula externa fina e lisa, uma polpa 
pouco espessa, molle, acida e pouco 
doce, e interiormente um caroo que 
grande, branco, suberoso, e enru- 
gado. 

Come-se essa massa, que no to 
boa ao paladar como ao olfacto, pelo 
aroma que tem. 

Costumam fazer do caj um xaroj^e 
prprio para limonadas, gelas e doce. 

Poucos annos ha que foram desco- 
bertas nas razes d'essa bella arvore 
tuberas de vrios tamanhos, cuja subs- 
tancia comestvel, porm ainda no 
se tem feito experincias a respeito. 

Propriedades medicas. O caroo do 
caj um enrgico diurtico, e deve 
ser tomado em doses moderadas. 

A casca adstringente. 

O fructo acido e refrigerante muito 
empregado na hypertrophia do cora- 
o, contra as diarrhas, blenorrhas, 
anginas atonicas, e ulceras do collo 
do tero e vagina. 

Cajaniur. Solanura saponaceum, 
Dun. Fam. das Solanaceas. uma 



planta e congnere da Junibeba. Passa 
por desobstruente e depurativa. 

Cajnty. E um arbusto de casca 
grossa, com as folhas semelhantes s 
do Louro. 

D um fructo amarello, de sabor e 
cheiro agradveis, e que preso 
extremidade do ramo por um pedn- 
culo comprido. 

Cajeraitu. Cabralia cajerana, Mart. 
TrirJiilia cajerana, Vell. Fam. das 
Meliaceas. Arvore indgena e vegeta 
no littoral. 

conhecida no Rio Grande do Norte 
por Cajerana., de casca jjarda, e ramos 
pelludos nas pontas. 

As folhas dispostas em palmas, so 
duras e sem brilho, e parecem-se pri- 
meira vista com as da Aroeira da praia. 

Suas flores em cachos so como pe- 
quenas Anglicas , esverdnhadas, co- 
bertas de lanugem, e de agradvel 
cheiro. 

A fructa muda depois que cresce, e 
parece uma jacasinha*de 6 9 cent- 
metros; oval; a superfcie cheia de 
proeminncias, como na jaca, emquanto 
verde ; dentro ha uma massa amarella 
pegajosa, e varias sementes achatadas e 
angulosas dispostas transversalmente. 

Come-se, mas no de sabor delicado. 

Ca| 031 CajieiB*. Anacardim 
occidentale^ Linn. Cassuvim por/imife- 
rum, Lamck. Fam. das Anacardiaceas . 
uma arvore importante das Antilhas e 
do Brasil, que vegeta no littoral. 

copada, no se eleva muito, mas 
estende bem seus ramos; a folhagem 
pouco densa. 

Suas folhas so simples, ovaes, co- 
riaceas, de cr verds amarellada. 

As flores em cachos pyramidaes. 

Clice campanulado, com cinco di- 
vises. 

Corolla de cinco ptalas, grandes ; 
5 ou 6 estames., antheras oblongas, ou 
arredondadas. 

Tem cheiro ; umas so cr de rosa, 
outras amarelladas. 



CAJ 



CAJ 



99 



O fructo uma noz, reniforme, que o 
vulgo chama castanha; coberta por dois 
invlucros, de consistncia crustcea, 
de cr acinzentada; d um sueco oleoso, 
muito custico, que se usa na medi- 
cina popular, em applicaes externas, 
para abrir fontes. 

A amndoa assada saborosa ; e o- 
berta com assucar se prepara em con- 
feitos, que tem melhor sabor do que 
as amndoas doces. 

Attribue-se-lhe a singular proprie- 
dade de exaltar as faculdades intel- 
lectuaes, e de desenvolver a memoria; 
aphrodisiaca. 

O receptculo carnoso, e no outra 
cousa seno o desenvolvimento do pe- 
dnculo floral, ao que o vulgo chama 
cajiti. 

oval ou redondo, de cr branca, 
amarella ou vermelha; de consistncia 
molle, formado por um tecido carnoso 
e fibroso, cheio de um sueco adstrin- 
gente, que saboreado com praser na 
estao calmosa, em limonadas refri- 
gerantes. 

Do sueco prepara-se vinho e vinagre, 
e do tecido excellente doce. 

A madeira usada na arte de mar- 
cinaria. 

Fructifica uma s vez no anno, no 
ver,o. 

Propriedades medicas . O sueco do 
caju excitante, adstringente e diu- 
rtico, usado como anti-syphilitico. 

A mesma arvore d uma resina muito 
abundante, que se pde empregar em 
vez da gomma arbica. 

A casca do tronco adstringente, e 
usa-se em banhos nas inchaes das 
pernas. 

Cftjsk le Angola. Fam. das Eu- 
phorhiaceas . uma arvore cultivada 
no Brasil, e assim chamada em Per- 
nambuco . 

Com eflfeito, primeira vista sup- 
pe-se um Cajueiro. 

Ella copada, de folhas ovaes, a 
semelhana das do nosso cajueiro, e 
tambm coriaceas. 



As flores so pequenas. 

O fructo uma capsula com a forma 
de um figo, carnoso, com 4 sementes 
cr de rosa, apresentando manchas 
mais escuras, e quatro lojas, contendo 
cada loja uma d'estas sementes ; s 
vezes aborta. 

A semente coberta de um corpo 
cartilaginoso amarellado. 

E' drstica, e at venenosa quando 
se administra em alta dose. 

C'.a38B Saiitasis%. Anacardmm occi- 
dentale. Fam. das Anacardiaceas . E' 
uma espcie que se assemelha muito 
precedente. 

Seus fructos regulam a dimenso de 
24 centmetros ; encontram-se em pe- 
queno numero, e so em geral muito 
doces. 

Em Pernambuco estes fructos so 
bons, mas em algumas provncias so 
de m qualidade, como na do Rio 
Grande do Norte. 

O fructo do Cajueiro., na primeira 
phase de seu desenvolvimento, recebe 
vulgarmente o nome de Maturi., e 6om 
elle preparam um guizado mui agra- 
dvel. 

Cajaiciro lipavo. TridiosjiermuM 
liclien. Fam. das Flacurtianeas . Ar- 
vore media, oriunda dos lugares agres- 
tes, isto , vegeta nos taboleiros e 
terras ridas do Brasil. 

E' uma pequena arvore, de ramos mui 
tortuosos, casca escura fendida, esta- 
ladia, spera, mui parecida com a do 
Cajueiro manso ; porm to spera que 
serve de lixa aos marcineiros e tarta- 
rugueiros. 

As folhas so seccas, onduladas e 
baas . 

As flores em cachos, so cheirosas. 

Os fructos SO capsulasinhas speras, 
de forma navicular, contendo 4 semen- 
tes cobertas por um arillo branco na 
sua metade, e envoltas em uma subs- 
tancia vermelha, um pouco viscosa. 

Na Bahia e em Sergipe conhecida 
por Samhaia; em Pernambuco e Ala- 
goas por Cajueiro Iravo. 



1(0 



CAJ 



CAL 



Caracteres da famlia. So plantas 
de folhas alternas, simplices, inteiras, 
algumas vezes coriaceas, persistentes e 
desprovidas de estipulas, muitas vezes 
marcadas de pontos ou linlias trans- 
parentes. 

Suas flores so pedunculadas e- axil- 
lares, frequentemente unixesuaes e di- 
oicas, outras vezes liermaphroditas. 

O clice formado de 3 a 7 se- 
palas distinctas, ou ligeiramente sol- 
dadas pela base. 

A corolla, que falta s vezes, se 
compe de 5 ou 7 ptalas, alternando 
com as sepalas. 

Os estames, em numero definido ou 
indefinido, tem os filetes livres ; as an- 
theras so de 2 lojas. 

Estes estames so, assim como a co- 
rolla, inseridos no mbito de um disco 
annullar, que falta raramente. 

O ovrio sessil ou estipitado, glo- 
buloso, ora de uma s loja, encerrando 
grande numero de vulos, inseridos em 
trophospermas parietaes, cujo numero 
o mesmo que o dos estigmas, ou 
dos lobos de estigma, ora de numero 
varivel de lojas, pelo prolongamento 
dos trophospermas e sua reunio no 
centro do ovrio. 

O fructo unilocular ou plurilocular, 
indehiscente ou dehiscente. 

As valvas trazem cada uma d'ellas 
um trophosperma, ou um septo no meio 
da face interna. 

Em geral o tegumento exterior da 
semente carnoso e arilliiforme. 

O embryo, homotropo e erecto, est 
coUocado no centro de um endosperma 
carnoso. 

Caju Io caaupo. F. CajuU ou 
Cajuim. 

CaJ la aitata. Fam. Idem. 
uma fructa agreste, de 3 a 6 centme- 
tros ; redonda, oval, tendo exteriormente 
na parte inferior um envoltrio carnoso, 
da forma de um copo. 

EUa uma noz parda, ovide, que 
assemelha-se a um vaso com tampa; 
tem cheiro nauseante. 



Os veados comem -a muito. 

Cremos que pertence propriamente 
ao gnero Cassuciim e no ao mesmo 
gnero Anacardium. 

CajiiSt. Anacardium humile, Mart. 
Fam. das Anacardiaceas. Este cajueiro 
natural do paiz agreste e vegeta em 
algumas provncias, especialmente em 
Sergipe, aonde abunda nas mattas e 
pelas catingas ; no arvore nem pro- 
priamente arbusto ; subarbusto de 3 
4 metros de altura, no mais semelhante 
ao cajueiro ordinrio. 

D, porm, um caju muito pequeno, 
de 3 a 6 centmetros, que raramente 
se come, por ter um azedume intole- 
rvel. 

Cajuliy ou Cajjiia oii Ca| 
lo alto. E' um cajueiro pequeno, 
como pequeno arbusto agreste que ve- 
geta no Maranho e no Par, onde o 
chamam Qaj do matto. 

E' semelhante ao outro Cajuhij; dif- 
fere, porm, em ter a fructa mais re- 
donda e pequena, com a castanha 
encravada no pice. 

E* muito doce. 



Calanio aromtico. E' 

S. Paulo o Junco de cohra. 



em 



CaEas le velha. F. Verbasco. 

CaluBiiba brasileira. Simaba 
colmnba, Ried. Fam,. das Butaceas. 
Esta planta um arbusto que vegeta nos 
nossos sertes e no Amazonas at o Pa- 
raguay. 

EUa apresenta folhas alternas, pin- 
nadas ou digitadas, e at simplices. 

Suas flores so brancas, em cachos. 

Seus ramos esverdinhados, amarellos 
ou rosados, exhalam algum cheiro. 

Ha mais uma espcie, Sirnaha humi- 
lis, Ried. 

Propriedades medicas. tnica e 
febrfuga. 

Calumiil ou Alalieia le Ito- 



CAM 



CAM 



fOt 



niein. Mimosa. Fam. das Legumino- 
sas. E' subarbusto indgena que tem 
a mesma propriedade da Sensitiva ou 
MaKcia e mulher: de contrahir suas fo- 
lhas pelo contacto dos corpos estranhos. 

Em Pernarmbuco do-lhe o nome de 
Malicia de homem., e nas Alagoas de Ca- 
lumbi. ' 

Cresce pelas vrzeas, e eleva-se al- 
tura de 1 K metro pouco mais ou me- 
nos ; tem o caule cylindrico, com espi- 
nhos. 

Folhas em palmas e miudinhas como 
na outra; as flores tambm, mas a fruta 
uma vagem recta, e no enroscada 
como na Sensitiva ou Malicia de mulher. 

Calii9ig:a. Simaha ferrugitiosa., St. 
Hil. Fam. das Leguminosas. E' uma 
arvore de folhas imparipinnadas, e fo- 
liolos ellypticos. 

Flores em panicula composta, sub- 
sesseis, com bractcas curtas. 

A casca e a raiz d'esta planta contem 
principio extractivo amargo. 

Propriedades Medicas. E' empre- 
gada em p ou em cosimento interna- 
mente nas dyspepsias, febres ters, hy- 
dropisias ; e tambm contra o prolapso 
do recto, em clysteres. 

Cantarias*! verinellio oie tte ea- 

runelto. Caraipa pjramidata. Fam. 
das Ternstroemiaceas . O Camaari uma 
madeira conhecida em Pernambuco e 
outras provncias por este nome. 

E' uma das mais bellas arvores do 
paiz. 

E' alta, de forma pyramidal, folha- 
gem densa, folhas ovaes e regulares. 

As flores em cachos so como jas- 
mins, brancas, e com as pontas tor- 
cidas. 

O fructo uma capsula de trs 
valvas, com algumas sementes. 

O Camaari vermelho uma madeira 
de construco ; seu cerne pardo ou 
castanho, mas muda de cr. 

Empi-ega-se em traves, frexaes, por-j 
t^es, e serve para taboado. 

D uma resina combustvel, quej 



produz boa luz. Esta resina, esfregada 
nos ps, preserva dos bichos chamados 
de p. 
Ha outra espcie que o Camaari 

branco. 

Canta|iti. Physallis eduUs. Fam. 
das Polanaceas. Esta planta tambm 
em Pernambuco conhecida por a- 
tetesta . 

E' indgena, e d em quasi todas as 
provncias do Imprio. 

E' esgolhada, de cr verde palha, 
folhas ovaes, arredondadas e de mar- 
gens sinuosas. 

As flores cinzentas, franzidas, 

O fructo , depois de desenvolvido, 
offerece o envoltrio da base da antiga 
flor, que forma como que um casulo 
cnico anguloso, onde aquelle se acha 
encerrado . 

Os meninos brincam com essa fruc- 
tnha, batendo, depois de sopral-a, na 
testa ; d um estalo, se arrebentar o 
envoltrio que est cheio de ar. 

Come-se, mas inspida. 

Propriedades medicas. E' diurtico 
e calmante, empregado na dysuria; seu 
cosimento utl nos catarrhos, seus 
caules so depurativos, e os fructos 
desobstruentes. 

O cosimento applicado internamente 
tambm utl nos rheumatsmos chro- 
nicos e nas afeces da pelle, assim 
como empingens etc. 

O sueco applica-se na dose de GO a 
90 grammas. 

O extracto na de 50 a 100 cent- 
grammas e o p na de 4 grammas. 

Caiar. V. Camar de chumbo. 

Cainar-|eS>a . V. Mentrasto. 

Cantar-^lfo. V. Po Pereira. 

CaBtttai*-. de loi. Chrysocoma pa- 
rallelinervia. Fam. das Compostas. E' 
um arbusto sem-herbaceo, e por tal 
nome conhecido ein Alagoas. 

Suas folhas lanceoladas, oppostas e 



urz 



CAM 



CAM 



de verde desmaiado ; esmagadas desen- 
volvem cheiro ; so baas, tem flores 
brancas, em cachinhos. 

Os fruetos so pequenos, contendo 
sementes coroadas de um feixe de 
penugem branca. 

O gado vaccum gosta muito d'este 
vegetal. 

CainttriV branco. 

de campina. 



V. Cravi?iho 



Camar de Capoeira. Verbena 
quarialata. Fam,- das Comjwsias. Tam- 
bm chamam a esta planta nas Ala- 
goas Mucamba. 

um arbustosinho agreste e natural 
do paiz, cujo caule alado nos quatro 
ngulos, como um babadinho foliaceo. 

As folhas, o caule e os ramos so 
de cr verde azulada eu esbranquiada. 

As flores so brancas e midas. 

D um fructo, cujas sementinhas so 
pretas e ornadas de duas pontas. 

Propriedades medicas. Usa-se seu 
cosimento, internamente e em clysteres, 
em pequenas doses, na cura dos catarrhos 
com tendncia a asthma. 

Caiuar de Cavallo. V. Mal- 
mequer gratide. 

Camar te eliumTio. Lantana 
spiuosa, Linn Fam. das Verhenaceas. 
Pelo nome de Camar esta planta co- 
nhecida em todas as provncias, e por 
Camar de chnmo no serto. 

E' um arbustosinho engraado, a que 
no se d a importncia devida, por- 
que muito commum. 

Seu caule ramifica-se desde a raiz, 
formando muitos galhos cruzados, que 
formam mouta; tem pequenos espinhos 
nos ramos. 

Suas folhas ovaes, recortadas em roda 
so baas, speras, e com cheiro an- 
logo ao da Herva cidreira. 

As flores, dispostas em capitulo, ora 
vermelhas, ora amarelladas. 

D um fructo globuloso, do tamanho e 
da cr de um bago ou gro de chumbo 
de espingarda. 



Tem uma pellicula flna, que cobre uma 
massa moUe quasi liquida cr de chumbo, 
com uma semente no centro, que tem 
toda a analogia com o chumbo bastardo. 

Esta planta, segundo um autor euro- 
po, tem as propriedades da Herva ci- 
dreira. 

Entre ns uma das plantas que go- 
so de virtudes therapeutieas, e presta- 
se varias applicaes medicas. 

Martins apresentou sete espcies de 
Lantana Camar aculeata, involucrata., 
Linn. Brasiliensis ., Sellowiana ., Link. 
Pseudothea, St. Hil. Microphyla 
Mart. 

Camar do Rio G3*anle do 
Sul. Lantana zelloniana., Link. - Di- 
dijnamia Angyospermia^ Linn. Fam. das 
Verhenaceas. E' planta congnere do 
Camar de chumbo. 

Mais ou menos suas virtudes so 
iguaes s do precedente. 

Camar-tiiiifa. Lantatia iuvolu- 
crata^Linn. Fam. das Verhenaceas. E' 
uma planta mais ou menos igual ao 
Camar de chumbo. 

Tem, porem, as folhasternadas,e aro- 
mtica. 

Propriedades medicas. Sua infuso 
proveitosa nos catarrhos. O sueco 
das folhas misturado com assucar branco 
empregado mui frequentemente em 
Pernambuco nas molstias dos pulmes. 

Cam ar am baia. Jussicea scahra., 
Willd. Fam. das Onagrariaceas. 
u ma planta herbcea, muito coberta 
de pellos. 

Usa-se na tinturaria. 

Camaras nlio. Lantana camar., 
Linn. Fam. das Verhenaceas. um 
subarbusto, conhecido por este nome em 
Pernambuco. 

Seus caules fo rmam soqueira, e as ver- 
gonteas cruzadas inclinam-se sobre os 
outros vegetaes. 

No mais semelhantissima ao Camar 
de chumbo, com excepo das flores que 



CAM 



CAM 



loa 



so de cr de lyrio ou violeta ; no tem 
espinhos. 

Goza das mesmas propriedades do 
outro. 

Tambm o chamam Camar branco. 

Caariii1tas. Eupathormm l- 
bum^ WilM e Zm. Fam. das Compostas. 

uma planta da America Meridional, 
de caule erecto, folhas lanceola, das flo- 
res alvas em cachos. 

As sementes so febrfugas. 

Cambu. Schums rhoifolhis ., Mart. 
Fam. dasTerehinthaceas. uma esp- 
cie de Aroeira., e tem os mesmos usos 
que ella. 

Cainlioini ou Caiiiliui. Euge- 
nia tenella., D.C. Myrtus tenella, Mart. 

Far. das Myrtaceas. Fructinha do 
paiz, conhecida por este nome em Per- 
nambuco, Bahia, Alagoas, S. Paulo e 
Minas Geraes. 

Provem de um arbusto, de tronco ra- 
moso e liso, ramos verticaes, folhas pe- 
quenas, estreitas e lustrosas. 

As flores, em feixes, abundantssimas, 
occupam todos os pontos da axilla das 
folhas e ramos ; so brancas e chei- 
rosas. 

O fructo globuloso, de 1 1/2 3 
centmetros de dimetro, coroado pelos 
fragmentos do clice, de cr roixa, ou 
vermelha escura, quando maduro. 

Seu tegumento externo membranoso, 
lusente, unido uma polpa escura, 
aquosa com pouco tecido fibroso. 

E' doce, com um resaibo adstringente. 

Tem no centro uma semente esphe- 
rica, dividida em duas partes. 

Floresce no Sul, em Janeiro e Feve- 
reiro, e em Pernambuco, em Abril e 
Maio. 

Cambraia ou IIIeI|it*es. Mal- 
figkia ilicifolia.1 Mil. Fam. das Mal- 
fighiaceas. Arbusto da America Meri- 
dional, que serve de ornamento de 
jardim. 

Sua altura regula de 2 metros e 64 
centmetros 4 metros e 40 centmetros. 



Caule fraco, cr de castanha. 

Folhas alternas, de cr verde pal- 
lida, fuscas e ovaes. 

Flores em cachos, nas extremidades 
dos ramos, de linda cr de rosa. 

O fructo redondo, e contem seis 
sementes, dispostas circularmente. 

No tem cheiro esta flor. 

Cambuc. Exigenia edulis Cam- 

huc . Fam . das Myrtaceas . Fructa 
dos sertes de Pernambuco, do Rio de 
Janeiro e de Minas Geraes. 

O Cambuc o fructo do Cambucaseiro. 

Tem seis a nove centmetros mais ou 
menos, de forma redonda, e amarello 
cr de gemma de ovo . 

Tem a superfcie lisa e lustrosa, casca 
fina, ligada a uma massa gelatinosa, es- 
pessa e molle, encerrando um ncleo ou 
semente redonda, oblonga de cr roixa, 
um pouco oleosa. 

O cambuc doce e agradvel. 

O caroo que encerra adstringente, 
e a polpa to salutar e innocente, que 
se d aos enfermos. 

Usa-se como refrigerante. 

Cambuliy. Eugenia crenata. 
Fam. das Myrtaceas. No ser a Eu- 
genia cremdata de Willd e o Myrtus 
cremilatns de Swart ? 

Camelo. V. Capim coco. 

CsintitainUsS.Convallariamajalis, 
Linn.Fam. das Asparagaceas ouBorra- 
gaceas.Vlfini- da Europa aclimada em 
nosso solo para jardins. 

Herva vivaz, e que tem raiz bulbi- 
fera. 

Suas folhas so radicaes, seme- 
lhana do Ananazeiro e dos Capins-aihs. 

Nasce do centro das folhas um pe- 
dnculo n, onde se desenvolvem as 
flores de cr branca, reunidas em uma 
espiga ; occupando um s lado da in- 
sero, so brancas ou rosadas, e com 
cheiro. 

Ha trs espcies que florescem em 
Maio, e so mui cultivadas nos jardins 



lO-l 



CAM 



CAN 



Caiiis>aaiilla. Coutaria^caMfanilla^ 
D. C.Fam. das Ruhiaceas.kx\ovQ que 
vegeta no Amazonas. 

Tem as folhas ovaes, as flores brancas, 
e um fructo oval, comprimido. 

Caiipcflieiro. Eematoxylum^cam- 
pecManum^ Linn. Fam. das Leguminosas. 
Esta arvore do Mxico, mas tratamos 
d'ella aqui, por ser crivei que tambm 
exista nas regies do norte do Brasil. 

O Campecheiro uma arvore de boa 
altura. 

Sua folhagem brilhante disposta 
em palminhas symetricas dispostas. 

Suas flores^ em cachos, so amarellas, 
e fragrantes. 

O fructo uma vagem comprimida, 
contendo dois ou trs gros. 

A madeira do Campecheiro 6 ama- 
rella externamente, e no mago roixa 
ou escura. 

Todos sabemos que o Campeche 
empregado na tinturaria, para tingir 
de preto os tecidos ; mas elle tambm 
usado na medicina, como adstringente, 
contra as diarrhas chronicas, e he- 
morrhagias . 

Caiiipli o rei r . Zaurus camphora, 
Linn. Rich. Fam. das Lauraceas. 
Arvore indgena da China e do Japo. 

Aclimada no Brasil, no extincto Jar- 
dim Botnico da cidade de Olinda, e 
tambm nos jardins do Rio de Janeiro. 

Arvore bastante alta, tronco recto, 
dividido na parte superior. 

Ramos glabros, de um verde amarel- 
lado , c frequentemente avermelhados. 

Folhas alternas, com peciolo curto, 
ellypticas ou ovaes, acuminadas, in- 
teiras, glabras, um pouco luzentes por 
cima, e coriaceas. 

Flores em corymbos longamente pe- 
dunculados. 

Fructo do tamanho de uma hervi- 
Iha, ovide, luzente, de cr purprea 
denegrida quando maduro. 

Extraco da camphora. Dividem-se 
em achas o tronco, a raiz e os ramos 
da Camphoreira, e distillam-se a brando 
calor n'um alambique, cujo capitel 



atravessado por cordes de palha de 
arroz. 

A Camphora adhere palha de arroz, 
ahi se deposita com uma cr cin- 
zenta, e assim transportada para 
a Europa com o nome de Camphora 
brtita . 

Para a purificar, sublima-se banho 
d'areia em um matraz, cuja abobada 
tem uma abertura; porisso que a 
Camphora se apresenta com a forma 
de pes concavo-convexos, furados no 
centro . 

Propriedades medicas. A Camphora, 
goza de aco excitante, e anti-pas- 
modica. 

E' aconselhada internamente em 
grande numero de molstias, taes como 
o typho, as erysipelas, a febre puer- 
peral, a pneumonia, a bronchite, as 
aff'eces rheumaticas, gotosas, e ner- 
vosas, as convulses, etc. 

Externamente nas torcedeiras, con- 
tuses, etc. ; finalmente a Camphora 
empregada contra os envenenamentos 
pelos narcticos . 

E' reputada anti-septica. Serve para 
preservar os objectos da economia do- 
mestica, taes como roupas, moveis, 
etc, da aco destruidora dos insectos 
damninhos ; em virtude de sua pro- 
priedade anti-septica que usa-se nas 
febres ptridas, etc. 

CaiiauBtbaya. Cactus phyllanthns, 
Vetl. Fam. das Cactaceas. Arbusto 
congnere dos Mandacarus, cujo fructo 
tem o sueco doce, mucilaginoso e re- 
frigerante. 

Propriedades medicas. Emprega.se 
nas febres gstricas e biliosas. 

Canapoaiga. V. Mangue branco. 

Candeia. Vernonia 7iora;boracensis ., 
Wild. Fam. das Compostas. Planta 
da America do Norte, cultivada nos 
jardins do Brasil. 

herbcea, de l a 2 metros ; de 
altura. 



CAN 



CAN 



105 



Suas folhas so lanceoladas e com- 
pridas. 

As flores, em cachos, purpurinas e bo- 
nitas. 

Ha muitas espcies. 

ir 

Candeia. Lychonophora, Mart. 
Fam. Idem. Arbusto natural do paiz, 
de caule tortuoso. 

Seu lenho, quando secco, queimando- 
se d uma luz clara, sem fumaa, e 
dispensa o azeite no serto. 

Um tio de fogo d'esta madeira, preso 
parede, allumia como um archote. 

Can1ei das Alagoas. CJiryso- 
holanus ardentis. Fam. das Chrysohola- 
neas. Arvore conhecida nas Alagoas, e 
indgena do paiz. 

Suas folhas ovaes so quasi redondas 
no pice, e coriaceas. 

As flores, excessivamente midas em 
cachos difuzos, e de cor branca. 

O fructo mui pequeno. 

Esta arvore d tambm nas regies do 
Sul. 

O lenho quando queimado arde como 
um facho sem se apagar: 

CandiciB-o. V. Candeia. 

Catideia. Cladonia sangunea, Mart. 
Fam. das Liche?iaceas . E' uma planta 
das mais importantes do reino vegetal. 

Umas arrojadas pelo mar vm dar s 
costas martimas ; outras desenvolvem- 
se em terra com diferentes caracteres, 
6, quasi sempre parasitas, tem cores vi- 
vas e brilhantes. 

O Candeia triturado com agua e assu- 
car ptimo contra as aphtas das crean- 
as. 

Em S. Paulo e Minas tingem-se os 
cestos e as esteiras com o sueco d'esta 
planta. 

Ha varias espcies. 

Nos lugares arenosos e nas restingas 
do Rio de Janeiro encontram-se as esp- 
cies Cladonia pixidata e Clad. perfoliata. 

Caiiella &\\ CaneSIeira. Lau- 
rus cinnamomum, Linn. e Spl. Fam. das 



Lauraceas. E* uma arvore do Ceylo, 
porm acclimada nas Antilhas, na Guy- 
anna, no Brasil (sobretudo nas provn- 
cias do Norte), de 6 a 7 metros de al- 
tura, medindo o tronco 30 a 40 cent- 
metros de dimetro. 

Folhas irregularmente oppostas, cur- 
tamente pecioladas, ellypticas ou ovaes, 
lanceoladas, inteiras, pontudas, lisas, 
verdes por cima, acinzentadas por baixo, 
coriaceas, com trs nervuras, raras ve- 
zes cinco, longitudinaes, bem marcadas 
com um grande numero de veios trans- 
versaes. 

Flores amarelladas, pequenas, dispos- 
tas em paniculas terminaes. 

A Canella de Ceylo apresenta-se em 
cascas delgadas papyraceas, enroladas 
em tubos da grossura de um dedo, e do 
comprimento de 50 centmetros ; s 
vezes estes tubos so m-ais pequenos, li- 
sos, de cor amarella avermelhada ou 
fulva. 

Sua fractura irregular. 

A Canella tem cheiro e sabor agrad- 
veis ; a principio doce, depois acre e 
urente. 

Extrahe-se a Canella das arvores que 
tenham pelo menos cinco annos. 

Cortam-se os ramos, tira-se a epider- 
me, separa-se a cascado ramo, e pe-se 
seccar ; ento que as cascas se enro- 
lam sobre si mesmas como apparecem no 
commercio. 

O leo essencial de Canella ordinaria- 
mente nos vem da ndia. (Fig. 14.) 

Propriedades medicas. Estimulante 
e tnica, empregada nas digestes len- 
tas, vmitos nervosos, febres adynami- 
cas, escorbuto, escrophulas e leucorrhea. 

Internamente : P, 6 12decigrammas 
4 grammas para 400 grammas d'agua 
fervendo. 

Agoa distilladn, 30 60 grammas em 
uma poo, 

Tintura, 2 4 grammas. 

leo essencial, 3 6 gottr.s. 

Canella liatallia. Grande arvore 
que vegeta nas provncias do sul do Im- 
prio. 

16 



lOt 



CAN 



CAN 



O sen tronco de grossura maior do 
que o de qualquer das outras Catiellas. 

Os falqueij adores lutam com grande 
difficuldade para derribal-a. 

A madeira de inferior qualidade, de 
aspecto ligeiramente assetinado, e cr 
branca suja, 

Caiiell branca. Winfneriana 
canella, Linn. Canella alha, Swart. 
Fam. das Meliaceas. Arvore que cresce 
no Amasonas e nas Antilhas. 

Suas folhas so obovaes e coriaceas. 

Suas flores azues. 

O fructo uma baga. 

Sua madeira, com quanto seja prpria 
para construco, de qualidade inferior. 

Propriedades medicas. Pode ser ap- 
plicada como tnica e ebrifuga. 

Canella de cltero. Oreodaphie 
0'pifera, Mart. Fam. das Lauraceas. 
Planta qne cresce no Rio Negro, 

Propriedades medicas. Distilla esta 
arvore um leo aromtico, que se em- 
prega nas contracturas dos membros,nos 
rheumatismos,etc.,emfrices ou em for- 
ma de unguento. 

Canella de ema. Yellosia mar- 
tima. Fam. das Hoemodoraceas ., Polya- 
delfliia icosandria., Linn. Esta planta 
serve para tapamento das paredes das 
casas, nos lugares aonde no se encontra 
barro para tijolo, e tambm serve para 
combustvel em razo de ser muito oleosa 
ou resinosa. 

E' do porte mais u menos de algumas 
Yuccas., como tambm a Arvore ou Vella 
de pureza., etc. 

Suas folhas so longas e largas. 

O caule elevado. 

As flores, no pice dos ramos, so soli- 
trias, bonitas, grandes, brancas, ama- 
rellas e cr de lyrio. 

O fructo escamoso ou coberto de as- 
peresas. 

Vegeta no paiz. 

Canella de ema do Rio de 



J ane iro. Barhacenia . Fam . Idem 
Este gnero muito prximo do Vel- 
losia. 

Seus caracteres so os seguintes : 

Clice gamospalo, quinquelobado, 
inchado, coberto de pllos glandulosos. 

Seis ptalas e seis estames ; de file- 
tes largos, superiormente denteados, e 
apoiando as antheras lateralmente. 

O ovrio com um estylete e um es- 
tigma. 

O fructo uma capsula alongada trival- 
ve, e polysmermica. 

pouco conhecida ainda esta planta. 

Canella de ema do aerto. 

Costtis. Fam. das Amomoceas. Arbusto 
agreste, natural do paiz, vegeta nos 
terrenos ridos, pedregulhosos, ete. 

Sua altura regula de 110 a 132 cen- 
tmetros. 

O caule pouco esgalhado, com arti- 
culaes. 

As folhas grandes, reunidas na su- 
midade dos ramos. 

As flores em espigas, de escamas 
imbricadas, e vermelhas. 

O fructo uma bagasinha. 

O caule desta planta semi-herbaceo 
e fibroso. 

Os sertanejos preparam e fazem d'ella 
esteiras, e coxins prprios para can- 
galhas. 

Canella limo. Bella arvore; o 
lenho de um amarello pallido, um 
tanto ondeado, assetinado, e de um 
tecido frouxo. 

E' aproveitado, se bem que em algu- 
mas obras internas. 

Na medicina domestica cosinha-se a 
casca, d-se a beber para combater 
dores de peito. 

Canella do matto. Linaria aro- 
mtica., Arr. Cam.Fam. das Scrophula- 
riaceas. Ests. planta oriunda de Per- 
nambuco. 

aromtica, e d boa madeira. 

Canella do matto . C>*o/o macu- 
latum. Fam. das Euphorbiaceas.^ Esta 



CAN 



CAN 



lO^S 



arvore agreste conhecida no serto 
das Alagoas por este nome. 

Tem ura aspecto particular e engra- 
ado. 

A casca maculada de branco. 

Os raraos so frgeis, as pontas 
louras. 

As folhas tem a pagina inferior co- 
berta de uma penugem esbranqu^iada; 
so ovaes. 

As flores so em cachos, e' pubes- 
centes. 

O frueto uma capsula de seis coc- 
cas orbicular, coriacea, tomentosa, con- 
tendo trs sementes; de trs valvas que 
se abrem, apresentando as trs semen- 
tes ovides, envoltas no arillo; a amn- 
doa oleosa. 

O lenho d'esta arvore branco e 
fraco. 

Floresce uma s vez no anno: em 
Fevereiro e Maro. 

Caiiella preta. Agatliophijllum 
aromaticum^ Linn. Fam. das Laura- 
ceas. Arvore cuja madeira serve para 
construco. 

Caiiella preta. NectandramolUs, 
Nies. Laurus atra, Vell. Fam. das 
Lauraceas. 

Propriedades medicas. As folhas 
d'esta planta passam por diurticas, car- 
minativas e emmenagogas. 

Caiiella fedorenta ou tetiila. 

uma bella arvore, que seria muito 
estimada se no exhalasse um cheiro 
to desagradvel e repugnante. 

Todavia este inconveniente desappa- 
rece ou diminue com o tempo, e a ma- 
deira pode ser empregada em taboas de 
forro e soalho. 

Sua cr mais clara, e no possue 
o brilho particular das outras canellas. 

em geral imprpria para as obras 
expostas ao ar. 

Canella e veado. Fam. das 
Euphorhiaceas Arvore pouco elevada, 
copada, pouco espessa. 



As extremidades dos ramos corres- 
pondem metade da altura da arvore. 

Folhas terminaes, agglomeradas nas 
partes extremas dos seus peciolos. 

As flores so unisexuaes, monoicas, 
imperfeitas, e pequenas. 

As flores masculinas occupam as par- 
tes mais elevadas, e maior extenso 
dos pednculos. 

As do sexo feminino so constante- 
mente em numero de trs, e esto si- 
tuadas inferiormente. 

O frueto uma capsula tricoca, re- 
sultante da unio feita na tera parte 
do dorso das folhas carpellares, de 
sorte que a sua superfcie apresenta 
trs ngulos fortemente reintrantes. 

As linhas que representam as sutu- 
ras dorsaes, que so as nervuras prin- 
cipaes das primitivas folhas, so bem 
visveis; estas so triloculares. 

Cada loja contm uma semente, cujo 
episperma membranoso, e de aspecto 
vitreo. 

A amndoa, cujo embryo est en- 
volvido por um endosperma, branca. 

t 

Canella de veado brava ou 
Piti eate. Casearia similia coffea. 
Far. das Samidaceas . 

Arbusto agreste e natural do paiz, 
que vegeta no littoral, e conhecido em 
Pernambuco por esses nomes. 

baixo e bem esgalhado. 

Folhas ovaes, lanceoladas, oblongas 
e lustrosas. 

Flores brancas, midas, em feixes, 
nas axillas das folhas, e na extenso 
do caule. 

O frueto uma bagasinha, como 
uma azeitona, que abre-se por si, mos- 
trando trs sementes vermelhas ; roixo 
por fora. 

Algumas pessoas comem-n'o. 

Esta planta floresce em Janeiro e 
Fevereiro. 

Tambm chamam-n'a Assa-peixe., em 
Sergipe. 

Canella de veado mansa dasi 
Ala^as. Eugenia muUcauUs. Fam. 
das Myrtaceas. Este arbusto, que ve- 



fOS 



CAN 



CAN 



geta pelas capoeiras do Brasil, co- 
uhecido nas AJagas e em Pernam- 
buco por este nome. 

Cresce mais ou menos at 4 metros. 

Seus caies se multiplicam da base 
da planta, formando touceiras. 

A casca fina, lisa e desprende-se 
naturalmente em laminas. E' de cr de 
canella avermelhada. 

As folhas so oppostas, ovaes, pe- 
quenas e lustrosas. 

As flores brancas, em cachos, com 
algum cheiro. 

O fructo uma bagaoval, arredondada, 
de 2 centmetros de dimetro o com 
fragmentos dos envoltrios floraes no 
pice, tendo quando maduro a cr 
roixa avermelhada, e a casca mem- 
branosa, unida a uma polpa trigueira, 
aquosa e acre-doce. 

Tem um e algumas vezes dois ca- 
roos no centro, e da mesma cr. 

O lenho d'este arbusto tem muita 
flexibilidade ; porisso os meninos tiram 
d'elle vergonteas para apanhar pssaros. 

Caitelllnlia. V. Casca preciosa. 

Caninana le Minas. CMococca 
densifoUa^ Mart. Fam. das RuMaceas. 
Planta oriunda de Minas Geraes. 

uma trepadeira, de folhas ovaes 
e flores brancas e aromticas. 

Propriedades medicas. A raiz d'esta 
planta drstica, e diurtica ; empre- 
gada nas hydropisias e opilaes. 

D-se na dose de 1 a 2 grammas do 
extracto, e de 4 grammas do p. 

Sua infuso feita na proporo de 
15 a 20 grammas para 225 grammas d'a- 
gua. 

Caniia tle a^^siicar. Saccliarum 
officinarum^ Liuti. Aruno saccUarifera^ 
Pison. Fam. das Graninaceas . A Camia 
de assucar, Saccharum officinarum de 
Linno, Saccharopharum de Necker, per- 
tence familia das Graminaceas de 
Kunt, e a Triandra digynea de Linn. 

O seu caule cylindrico e articulado. 

As folhas nascem da circumferencia 



dos ns, formando uma bainha, que en- 
volve ou todo ou parte do merithalo su- 
perior. 

As flores se agrupam em uma florescn- 
cia composta sobre um caule, a que cha- 
mamos flexa, da qual procedem gradu- 
almente outros caules, em roda dos quaes 
ficam dispostas em paniculas, simulando 
uma espiga. 

O fructo contem uma semente oblonga, 
envolta pelas valvas, ou invlucros flo- 
raes. 

Da raiz fibrosa se elevam os caules ar- 
ticulados, guarnecidos de 40 ou 50 ns, 
mais ou menos approximados, conforme 
o desenvolvimento da planta. 

Folhas abarcantes na sua base, com o 
comprimento de 1 K metro e largura de 
de 3 a 6 centmetros, com suas nervu- 
ras longitudinaes. 

Esta planta importante, pois d'ella 
se extrahe a substancia to conhecida 
com o nome de assucar, hoje matria 
de primeira necessidade para quasi 
todos os povos da terra. 

A canna de assucar passa por ser 
originaria das ndias Orientaes ; pelo 
menos at agora no se tem provado 
de modo evidente que esta planta se 
tenha encontrado ab origene em outros 
pontos do globo. 

Os antigos conheciam o assucar? 
Esta questo pde ser resolvida facil- 
mente, consultando-se os auctores gre- 
gos e latinos, onde se acharo consi- 
gnados os nomes de Mel de canna, Sal 
de canna e tambm algumas vezes de 
Saccliarum . 

Mas, pela maneira porque estes auc- 
tores se exprimem, v-se que conheceram 
o assucar, no crystalisado nem refi- 
nado, mas em xarope ou no estado a 
que entre' ns se d o nome de rapa- 
dura . 

O illustre Humboldt presume que 
desde mui remota antiguidade, os Chins 
cultivavam a Canna, e conheciam o 
modo de purificar o seu sueco, e de 
crystalisal-o . 

Os etymologistas querem que a pa- 
lavra Saccharum ou assucar venha do 
termo Sanscrito Scharkara, cousa doce. 



CAN 



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109 



Os persas chamam ao assucar Sckaka, 
e os ndios Suckur. 

Os egypcios, em eras remotas, se- 
nhores do commercio da ndia, foram 
substituidos pelos habitantes de Tyro e 
de Sidon ; mas depois da conquista 
de Alexandre, e da creao da cidade 
que tem seu nome (Alexandria), que 
abrio nova via de commercio pelo mar 
Vermelho e pelo Nilo, os egypcios e 
gregos se apoderaram de novo do com- 
mercio do Oriente. 

O Egypto continuou a ser o emprio do 
commercio do Oriente, durante o imp- 
rio grego deBysancio, assim como depois 
que Constantinopla se converteu em ca- 
pital do Imprio musulmano ; esta a 
razo porque o mar Vermelho continuou 
a ser o caminho ordinrio d'esse com- 
mercio. 

Sabe-se que durante muitos sculos, 
os italianos, principalmentie os venezia- 
nos fizeram o commercio quasi exclusivo 
de Alexandria, e ero os monopolistas 
dos gneros da ndia, consumidos em 
toda a Europa. 

Este estado de cousas durou at a 
descoberta da passagem pelo Cabo da 
Boa Esperana. 

Esta resenha era necessria para in- 
dicar o modo porque se fazia o com- 
mercio do assucar com a Europa, como 
tambm a maneira pela qual a cul- 
tura da Canna foi conhecida, e mais 
tarde transportada para outros lugares. 
O primeiro nome que teve o assucar 
foi o de Sal indiano^ entretanto esse 
nome d uma falsa ida de sua origem 
porque no era a ndia, propriamente 
tal, que o produzia n'aquella epocha, 
mas sim o Arthipelago indico, isto , 
o que hoje se chama Indo-China. 

Foi somente no fim do XIII sculo 
que a Canna passou para a Arbia. 

Os prprios habitantes d'alm Gan- 
ges no a conheciam, mas sabendo 
que o assucar se extrahia de uma es- 
pcie de junco, procuraram extrahil-o 
de uma espcie de bambu, chamado 
Mambi^Q denominaram ao sueco d'esse 
bambu Sacchar-mamb, e mais tarde 
Taaxir. 



Os rabes deram o nome de Zuccar athes- 
ser ao sueco concreto de uma nova planta 
da familia das Apocynaceas^ cujas quali- 
dades eram anlogas s do Sal indiano. 

Avicennes faz meno de trs quali- 
dades de assucar: o Z%icar arundinenm 
ou sal indiano; o Zuccar mamb ou assu- 
car da Prsia ; o Zucar athesser ou assu- 
car arbico. 

Marco Paulo, que em 1250 percorreu a 
Tartaria, a parte meridional da China 
e a pennsula do Ganges, menciona o 
assucar entre os productos de Bengala. 

Ormuz era, n'aquella poca emprio 
do commercio do assucar, e parece ter 
sido d'essa cidade que partiram as plan- 
tas de Canna, que em breve tempo se 
propagaram na Arbia, no Egypto, na 
Nbia e na Ethiopia. 

Em 1497, Vasco da Gama faz meno 
do grande commercio de assucar e de do- 
ces, que ento se fazia no reino de Cali- 
cut. 

Pedro Alves Cabral nota a mesma cou- 
sa em Cambaya em 1500. 

Eduardo Barbosa, que escreveu em 1515, 
diz que em Bathecala, na costa de Co- 
romandel, se fabricava mnito assucar, 
branco e bom, mas em p, porque os ha- 
bitantes o no sabiam reduzir a pes. 

Sabe-se com certeza que em 1805 as ci- 
dades de Danar e de Zibir, na Arbia Fe- 
liz, faziam considervel commercio de 
assucar, e que Dangola, cidade impor- 
tante da Nbia, servia igualmente de 
emprio a todo o commercio de assu- 
car do paiz. 

N'aquella poca Thebas fabricava muito 
assucar, assim como Marrocos. 

Giovani Lioni diz ter examinado em 
Darotte, no Egypto, uma immensa fa- 
brica de assucar, semelhante a um cas- 
tello, onde haviam prensas, grandes cal- 
deiras e numeroso pessoal de traba- 
lhadores. 

Nos ltimos annos do XII sculo os 
cruzados encontraram cannaviaes nas 
plancies da Phenica, e foram elles os 
primeiros que introduziram a Canna 
na Europa, porm o assucar j era 
desde muito tempo antes ahi usado 
nas casas dos prncipes, dos ricos. 



lio 



CAN 



CAN 



Entre os manuscriptos da bibliotheca 
imperial de Paris, existem : uma conta 
datada de 1333, onde figura uma par- 
cella do custo de certa poro de as- 
sucar branco para uso do Delpliim 
Umbert ; um Decreto real de 1353, re- 
giilarisando o commercio do assucar ; 
e finalmente poesias de Eustquio 
Deschamps, morto em 1428, em que o 
poeta menciona o assucar como um dos 
mais caros artigos de despezas das 
famlias . 

Legrand d'Assissi, diz que no XV 
sculo, a cultura da Canna tornou- se 
uma espcie de mania geral. 

Beaujeu, que escreveu em 1550, diz 
que ella era mui cultivada na Provena 
e no Languedoc. 

Alguns auctores querem que a Camia 
fosse introduzida na Syria, em Chipre, 
e na Sicilia no XIV sculo ; mas o 
Sr. Dr. Freire Allemo apoiando-se em 
um diploma ou acto de doao feito 
por Guilherme II rei da Sicilia a um 
mosteiro de Benedictinos, diz que, no 
ultimo quartel do XII sculo, j exis- 
tiam engenhos de moer Canna na Si- 
cilia, 

Como quer que seja parece certo, 
como conclue o mesmo Dr. Freire Al- 
lemo, que ao fechar do XIV sculo 
era conhecida esta planta em todo o 
mbito do Mediterrneo, desde as praias 
da sia at Tanger na Africa, e Gra- 
nada na Europa. 

Descoberta a ilha da Madeira em 
1420, o celebre infante D. Henrique 
promoveu de todos os modos a cultura 
da Canna, que ahi prosperou, assim 
como nas Canrias. 

A opinio geralmente adoptada 
que esse prncipe mandara vir da Si- 
cilia as primeiras mudas de Canna 
que se plantaram na ilha da Madeira, 
assim como mestres e apparelhos de 
fabricar assucar. 

Esta opinio unicamente fundada 
no que escreveu o historiador Joo de 
Barros. O Sr. Dr. Freire Allemo hesita 
em adoptal-a. 

Que o infante mandou buscar Si- 
cilia mestres de moendas e de assucar 



nada mais natural, diz elle, por ser 
um dos lugares onde, n'aquelle tempo, 
melhor se entendia d'aquelle mister; 
as cannas^ porm, elle tinha quasi em 
casa, visto que, at o estreito de Gi- 
braltar (e quem sabe se fora d'elle) j 
eram conhecidas e cultivadas. 

A Hespanha seguio o exemplo de 
Portugal, introduzindo essa preciosa 
cultura nas Canrias, e depois na pr- 
pria Hespanha. 

A Canna de assucar naturalisou-se 
nos reinos de Andaluzia, de Valena, 
de Granada, Murcia, etc, e a Hespa- 
nha hoje o nico paiz da Europa, 
onde se cultiva a Canna de assucar. 

No XVII sculo, Alexandria, Chypre, 
Rhodes, etc, j no forneciam assucar 
ao commercio ; porm, em 1815 ainda 
estes paizes abasteciam a vrios mer- 
cados da Europa, e a respeito da 
Fi-ana escrevia n'este mesma anno 
Charles Etienne : 

Os assucares mais estimados so 
os que nos fornecem a Hespanha, 
Alexandria, as ilhas de Malta, de 
Rhodes, de Chypre e de Cnndia. 

Elles nos chegam d'esses diversos 
paizes molhados em forma de pes gran- 
des, mas os que nos vem de Valena 
so menores. 

O assucar de Malta mais duro, 
porm no to branco, ainda que elle 
seja brilhante e transparente. 

Finalmente o assucar no outra 
cousa mais do que o sueco de um can- 
nio, que se espreme por meio de uma 
pedra ou de um moinho, que depois 
se embranquece fazendo-o cosinhar por 
trs ou quatro vezes, e se deita em 
moldes onde elle endurece. 

Parece que em 1520 os portuguezes 
introduziram a cultura da Canna nas 
ilhas do Cabo Verde. 

A pequena ilha de S. Tliom poucos 
annos depois j contava sessenta en- 
genhos, e os auctores contemporneos 
avaliavam a sua produco em quatro 
milhes de libras. 

Em 1506 Pedro de Etiena ou de 
Atiena levou plantas de Canna para 
Hespaniola (depois S. Domingos, hoje 



CAN 



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11 



Haiti) que Christovo Colombo acabava 
de descobrir. 

Miguel Balestro foi o primeiro que 
conseguio inventar um apparellio para 
espremer-lhe o sueco por meio de moen 
das, e Gonalo de Vellosa tambm foi 
O primeiro qne conseguio fabricar as- 
sucar. 

A industria da fabricao do assucar 
prosperou de modo, que os palcios de 
Madrid e Toledo, fundados por Carlos V, 
foram construdos com o producto dos 
direitos de entrada do assucar de S. Do- 



mingos. 



Esta cultura, propagada em diferen- 
tes pontos do continente americano, 
adquirio muita importncia no Brasil. 

Foi em consequncia d'essa impor- 
tncia, que os portuguezes exerceram 
uma espcie de monoplio no abaste- 
cimento da Europa, durante o fim do 
XVI sculo. 

Lisboa deveu a esse trafico, reunido 
ao commercio da ndia, a epoclia de 
seu maior explendor. ^ 

Diversas causas concorreram para 
remover este manancial de riqueza. 

Portugal cabio sob o dominio da 
Hespanha, e os estabelecimentos das 
outras naes da Europa, faltando-lhes 
consumidores para o tabaco e outros 
productos, comearam a fabricar assu- 
car em grande escala, e fizeram to 
terrvel concurrencia, que o preo bai- 
xou de modo a diminuir considera- 
velmente a produco. 

At ento na verdade a cultura da 
Canna se tinha conservado nas grandes 
Antilhas sujeita aos hespanhoes, porm 
com to pouca importncia que, quando 
em 1656 os inglezes se assenhorearam 
da Jamaica, no encontraram alli mais 
de trs engenhos. 

Em Barbadas principiou-se a expor- 
tar assucar em 1646, e os habitantes 
se mostraram to activos, que trinta 
annos depois elles exportaram perto 
de sessenta mil toneladas. 

A exportao da Jamaica cresceu 
proporcionalmente , 

Entretanto em ambas estas ilhas,] 



at 1641, apenas se cultivava tabaco, 
gengibre e algodo . 

Algumas plantas de Canna, que seus 
habitantes mandaram buscar ao Brasil 
n'esse anno, foram cultivadas com to fe- 
lizes resultados, que o assucar exportado 
excedia em 1770 s necessidades do con- 
sumo da Gr Bretanha. 

O commercio das Antilhas foi nos pri- 
meiros tempos franco para todas as na- 
es. 

Essas paragens ero principalmente 
visitadas pelos hollandezes, cuja mara- 
vilhosa actividade os faz correr para 
qualquer parte, onde ha algum lucro 
aproveitar. 

Em consequncia da barateza de seus 
fretes, de sua probidade e pontualidade, 
os hollandezes obtinham a preferencia 
dos transportes, mesmo dos negociantes 
inglezes. 

O commercio passava insensivelmente 
para as suas mos, com excluso das ou- 
tras potencias martimas. 

A declinao da sua navegao e com- 
mercio, e certas questes politicas irri- 
tantes, deram origem na Inglaterra ao 
famoso acto de navegao, posto em vigor 
no 1." de dezembro de 1651, cujas estipu- 
laes geraes ero inteiramente dirigidas 
contra a nao hollandeza. 

Em 1654 Cromwel terminou os actos 
de hostilidade, a que deu origem o acto 
de navegao, por meio de um tratado, 
sem todavia o derogar. 

Em 1660 esse acto foi renovado e con- 
firmado por Carlos II. Muitos publicistas 
o consiaeraram como a causa principal 
do augmento do poderio inglez, politica 
e commercialmente. 

No aqui lugar de discutir essa ques- 
to, que alis parece decidida pela mo- 
derna derogao d'esse famoso acto de 
navegao, e da promulgao do trafico 
livre. 

Esse systema prohibitivo, que durou 
por to longos annos , foi imitado 
por todas as naes da Europa ; porm 
no obstante uma legislao severa, 
que assegurava a cada metrpole o 
commercio de suas colnias, a pro- 



lis 



CAN 



CAN 



duco do assucar se desenvolveu 
cada vez mais. 

As colnias seguiram a fortuna de 
suas respectivas mes ptrias, e foram 
successivamente chamadas a tomar 
uma parte mais ou menos conside- 
rvel no abastecimento geral. 

Faltam documentos a respeito do es- 
tado do commercio em diversas epoclias. 

Sabe-se em geral que a produco 
da ilha da Madeira, das Canrias e 
de S. Thom fez aFrouxar o da Si- 
clia, do Egypto e da Arbia. 

Mais tarde a cultura das colnias 
hespanholas, das ilhas, e da terra firme, 
reduzio a da Andaluzia. 

O Brasil, finalmente, tornou-se o 
centro principal da produco do as- 
sucar, e at ao meado do XVII sculo, 
esteve de posse do abastecimento, por 
intermdio de Lisboa, de todos os 
mercados da Europa, at que a con- 
currencia das outras colnias produc- 
toras conseguisse rivalisar com elle 
nos paizes consumidores. 

Porem, por meio de suas diversas 
fortunas o Brasil ficou sempre sendo 
um dos pontos mais importantes de 
produco. 

O preo do assucar do Brasil em 
160 era muito alto, e regulava de 240 
a 280 rs. a libra, o que equivale hoje 
a 640 ou 100 rs., a sua exportao 
orava n'essa epocha entre 120 a 150 
milhes de libras. 

A concurrencia das Antilhas produ- 
zio uma baixa gradual nos preos. 

Em 1728 a prosperidade das colnias 
inglezas havia reduzido a 32 ou 33 
schillings o preo do quintal do as- 
sucar, quando anteriormente os mer- 
cados inglezes s o obtinham dos 
portuguezes a 4 ou 5 libras esterlinas. 

No obstante esta concurrencia o 
Brasil ainda exportou, em 1736, 80 mi- 
lhes de libras, contra 170 milhes de 
libras de todas as outras possesses 
europas, nas ilhas e no continente da 
America. 

N'essa epocha as colnias hollande- 
zas eram as rivaes do Brasil, na pro- 
duco do assucar. 



De 1726 a 1727 S Domingos co- 
meou a fazer peso nos mercados do 
mundo, exportando, por exemplo, em 
1767, 114 milhes de libras tanto 
branco como mascavo, quantidade que 
se elevou em 179-), anno em que teve 
lugar a desastrosa revoluo, que poz 
essa ilha debaixo da dominao da 
raa negra, a 164 milhes de libras. 

Em 1775, a Martinica, Bourbon, Gua- 
delupe e Cayenna elevaram a sua pro- 
duco a 44 milhes de libras. As trs 
ilhas augmentaram constantemente em 
produco, mesmo custa do caf. 

A cu.ltura nas Barbadas e na Jamaica 
augmentou consideravelmente depois 
da introduco dos escravos africanos, 
que comeou em 1641. 

A importncia crescente da produco 
do assucar foi tal que, em 1685, pri- 
meiro anno do reinado de Jacques II, 
o parlamento estabeleceu um imposto 
especial sobre o assucar e o tabaco 
d'essas ilhas, e esse imposto rendeu 
mais de 200 milhes de cruzados. 

Foi somente no anno de 1760 que 
as colnias de Cuba e de Porto Eico 
deram grande extenso cultura e 
fabricao do assucar. 

At ento as colnias hespanholas 
no forneciam assucar, seno o neces- 
srio para o consummo dos paizes su- 
jeitos ao mesmo dominio na Europa 
e America. 

No triennio de 1775 a 1778 calcu- 
lava-se o movimento commercial em 
590 milhes de libras de assucar, no 
fallando no consumo local, nem no com- 
mercio estabelecido entre as colnias 
da mesma nao. 

Na epocha da revoluo franceza este 
estado de cousas experimentou algumas 
mudanas . 

A guerra da independncia dos Es- 
tados Unidos perturbou no principio a 
produco em diversos pontos ; mas os 
annos de paz decorridos depois dos 
tratados de 1783 deram novo impulso 
produco, principalmente nas pos- 
sesses francezas, de sorte que em 
1783 a Franca se achava em attitude 
de dominar os mercados da Europa ; 



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calcula-se em 210 milhes de libras o 
assucar branco e mascavo introduzido 
nos diversos mercados pelas colnias 
francezas . 

Durante o longo periodo de guerra 
entre as naes europas, de 1'792 
1815, a produco, o consumo e o com- 
mercio do assucar soffreram alternati- 
vas extraordinrias. 

A sorte da guerra fez cahir em po- 
der dos inglezes uma grande parte das 
colnias francezas productoras de as- 
sucar, e em razo da situao e estado 
do continente europeu, as outras col- 
nias no tinham seno os seus pr- 
prios mercados para consumirem a sua 
produco. 

A nica nao que ento podia com- 
merciar livremente eram os Estados- 
Unidos; de 1801 1802 os seus nego- 
ciantes importaram 108 milhes de li- 
bras de assucar, dos quaes 46 milhes 
ficaram para consumo e 62 milhes 
foram exportados . 

Mas este commereio quasi que se 
limitava s colnias francezas fora do 
jugo da Inglaterra, e accidentalmente 
era prohibido aos americanos expor- 
tarem em troca de suas madeiras e 
peixes salgados mais de 6,000 barricas 
de assucar , pouco mais ou menos 7 
milhes de libras. 

Essa concesso to restricta e to fa- 
vorvel para os prprios colonos foi 
derogada em 1806, e desde ento todos 
os assucares foram mandados directa- 
mente para a Inglaterra. 

Em 1807 o abarrotamento dos merca- 
dos inglezes deu origem a uma terrvel 
crise ; os preos do assucar desceram 
muito, e isso no meio de uma guerra 
que encarecia os fretes, os seguros, e 
diminua muito o numero dos merca- 
dos. 

Entre 1813 e 1814 a subida dos preos 
se manifestou em consequncia, das vi- 
etorias dos alliados, e da esperana de 
uma paz prxima. 

Na paz de 1815 a restituio de uma 
parte das colnias conquistadas, a baixa 
dos fretes e seguros, causaram novas 
reduces nos preos dos assucares ; 



reduces que se elevaram ao mximo 
de 1830 1831. 

Dessa epocha em diante os preos 
tem soffrido diversas oscillaes depen- 
dentes das circumstancias ordinrias. 
As ultimas guerras da Crima e Itlia 
pouco mfluiram sobre o commereio d'este 
gnero; todavia nota-se um augmento 
de preos, que certamente devido 
escassez de produco ou a um grande 
augmento no consumo, no obstante o 
augmento da cultura da beterraba. 

Os primeiros que refinaram o assu- 
car na Europa foram os venezianos. 

Primeiramente elles empregaram o 
methodo chinez, e venderam o assucar 
no estado de Candi; mais tarde elles 
adoptaram o methodo dos rabes, que 
foram os descobridores do processo de 
clarificar, por meio de cal e de potassa, 
e os inventores das formas cnicas. 

Desde ento se estabeleceram refina- 
rias em toda a Europa, e a arte de refi- 
nar assucar foi em progresso crescente 
em quanto que os preos diminuram. 
O assucar comeou a ser um artigo de 
geral consumo. 

A profisso de refinador foi ennobre- 
cida em muitos pontos da Europa, prin- 
cipalmente em Frana ; e as fabricas se 
constituram e se substituram como es- 
pcies de feudos. 

A opinio mais geral e a que parece 
melhor motivada, , como j se disse, 
de que a Canna indgena das regies 
d'alm Ganges, d'onde sahio e se es- 
palhou por todos os lugares onde hoje 
cultivada. 

Todavia alguns auctores pretendem 
que ella foi encontrada indgena no 
Haiti , em Madagscar, nas costas do 
Coromandel e do Malabar, em Ceylo, 
em Bengala, no Peru, em Sio, em Ma- 
nilha, Japo, Java, Costa Oriental da 
Africa e mesmo em vrios pontos do 
Continente americano. 

Sabe-se que Cook encontrou grandes 
cannaviaes em Otahiti ou Taiti na epocha 
de sua primeira viagem. 

D'onde veio a Canna para essa ilha? 
Pode perguntar-se. Mas d'onde veio a 
raa humana que a povoa? 

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Se por emigrao da sia, como se 
deve crer, os emifrr-mtes deveriam tor 
trazido comsigo alg:ii^j:ias plantas teis, 
e entre ellas a Canna de assucar, que 
de fcil transporte. O Sr. Dr. Freire Al- 
lemo discute na memoria citada a 
questo : 

Se a Canna foi encontrada indgena no 
Brasil, na epoclia de sua descoberta. 

Para isso elle consultou todos os do- 
cumentos histricos, que pde encontrar, 
comparou-o, e de todo esse exame ti- 
rou as seguintes concluses, que logi- 
camente se podem adoptar. 

Para o Brasil o mais provvel que 
ella viesse de So Thom, onde geral- 
mente se refaziam os navios que nave- 
gavam para a ndia e para o Brasil, e 
onde a industria assucareira havia to- 
mado to grande desenvolvimento que 
o professor Domingos Vandelli assevera 
haver alli sessenta engenhos em 1492. 

O facto que por toda a parte a se- 
mente da Canna chegou muito antes de 
cuidar-se em preparar o assucar, e por 
quasi toda a parte teve tambm sorte 
igual a dos outros vegetaes, que, condu- 
zidos por particulares descuidosos , no 
deixo documentos nem de si nem de 
seus introductores. 

No o mesmo com o estabelecimento 
de fabricas ou engenhos ; so factos no- 
tveis, que, com os nomes de seus fun- 
dadores gravam-se na memoria do povo 
e se perpetuam em escripturas publicas. 
Bougainville, na sua viagem roda 
do mundo, em 1768, trouxe mudas de 
Canna indgena de Otahiti ou Taiti, que 
depois foram enviadas para as ilhas de 
Frana e Bourbon, e d'esta ultima para 
a Guyanna Franceza, onde ella conhe- 
cida com o nome de Canna de Botirhon. 
De Cayenna ella foi transportada para 
o Brasil, onde se lhe deu o nome de 
Camia de Cayetma. A primeira provncia 
que a recebeu foi a do Par, no tempo 
do Governador Francisco de Souza Cou- 
tinho., entre os annos de 1790 e 1793. 

O navegante inglez Bligh introduzio 
esta espcie nas colnias de sua nao. 
Segundo as informaes colhidas pelo 
Dr. Freire Allemo, ella chegou 



Bahia cm 1810, e foi primeiramente 
plantada no engenho da praia perten- 
cente Manoel de Lima 1'ereira. 

Da Bahia passou para o Rio de Ja- 
neiro, trazida ou mandada buscar pelo 
fallceidd Marquez de Barbacena, e os 
primeiros engenhos que a cultivaram 
foram os do Bang e Gericin, na 
freguezia do Campo-grande, dos quaes 
era proprietria ento a fallccida D. 
Anna de Castro. Isto teve lugar em 
1811. 

No obstante estas informaes repu- 
tadas fidedignas o autor cita as me- 
morias do padre Luiz Gonalves dos 
Santos, onde se diz que em 1810 o 
brigadeiro Manoel Marques, governador 
interino da colnia de Guyanna, ento 
occupada pelos portuguezes, enviara 
para a Corte, Par e Pernambuco 
grande numero de plantas de Canna 
de Otahiti cultivada n'aquella colnia, 
e que essas cannas cultivadas no jardim 
botnico de Pernambuco, foram depois 
distribudas pelos lavradores. 

Esta variedade fez desapparecer dos 
cannaviaes e dos engenhos a Canna 
denominada creoula ; todavia esta con- 
tinuou a cultivar-se para alimentao 
do gado e para vender-se nas cidades, 
por ser prefervel para estes mysteres 
Cayenna. 

A cultura d'esta ultima variedade 
comeou ha cerca de setenta annos 
nas colnias francezas, e a pouco mais 
de quarenta no Brasil. A espcie verde, 
que a geralmente cultivada entre 
ns, comeou a alguns annos a tor- 
nar-se dura, render pouco assucar, e 
finalmente foi accommettida de uma 
enfermidade, de tal modo grave, que 
em muitos lugares, sobretudo na pro- 
vncia do Rio de Janeiro foi foroso 
recorrer outra vez j desJDrezada 
Catma creoula. 

Prestando a devida atteno a este 
deplorvel estado de cousas o governo 
imperial resolveu mandar uma expe- 
dio Ilha de Bourbon ou da Reu- 
nio, buscar novas plantas afim de re- 
generar a cultura em' decadncia. 
N'essa ilha, assim como na de Mau- 



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ricia, a degenerao da Canna de Ota- 
hiti seguio a mesma marcha que aqui, 
e o governo colonial, logo que a pre- 
sentio, mandou buscar plantas vrios 
lugares da sia e da Oceania. 

Hermann Herbot, intelligente jardi- 
neiro allemo, foi o encarregado da 
misso de ir buscar as novas plantas 
Bourbon. 

Elle partio do porto do Rio de Ja- 
neiro em Setembro de 1857, e voltou em 
Maio de 1858, trazendo, alem de varias 
outras plantas, inclusive mudas e se- 
mentes do excellente caf de Bourbon, 
trs variedades de Canna, saber : uma 
verde de Penang ; uma cr de rosa 
com o nome de Canna Diard ou de 
Batavia, e finalmente uma vermelha 
arroxeada. 

Tendo vindo essas mudas no poro 
de um navio, como lastro, chegaram 
em tal estado, depois de um embarque 
de mais de setenta dias, que foi ne- 
cessrio plantal-as immediatamento ; o 
que se fez na chcara da rua da Lapa 
n. 88, e no supradito Jardim Botnico 
afim de se distriburem quando tives- 
sem tomado o devido crescimento. 

A primeira foi feita em 1859 no mez 
de Abril, e a segunda em Maro de 1860. 

A degenerao das duas espcies de 
Canna de assucar at agora cultivadas 
no Brasil demonstra ainda uma vez a 
necessidade de renovar em certos pe- 
rodos as sementes das plantas exticas; 
porque parece provado que da cultura 
prolongada da mesma espcie nascem 
as degeneraes e as molstias que ata- 
cam os vegetaes. 

Todo o systema agrcola nacional deve 
ter em vista colher tudo quanto existe 
de melhor em todas as partes do mundo, 
tanto do que novo como do que 
vulgar. 

No primeiro caso augmentar-se-ha a 
riqueza vegetal do paiz e talvez a ri- 
queza publica; no segundo, pde-se obter 
variedades, que melhor prosperem no 
paiz ou ao menos em certas localidades. 

Caracteres da espcie. uma planta 
que prostra pelo solo parte de seu cau- 



le, que representa um colmo, como nas 
outras Graminaceas ; o caule tem de 
altura trs a quatro metros, e no so 
igualmente doces em toda sua extenso; 
a parte culminante o muito menos 
que o resto, e por esta razo que o 
costumam cortar antes da colheita, para 
servir de estaca. 

Espiguetas bifloraes, pelludas at a 
base. 

A flor inferior unicamente uma pa- 
lheta; a superior hermaphrodita. 

Trs estames ; ovrio sessil, liso ; dois 
estyletes terminaes, compridos; estigmas 
plumosos. 

a planta mais bella da familia das 
Graminaceas. 

At nos ltimos tempos forneceu o 
assucar consumido no mundo inteiro, 
bem que hoje esta produco seja par- 
tilhada com a da Beterraba. 

At a epocha da revoluo franceza 
o assucar de Canna no tinha rivaes 
nos mercados consumidores. 

A guerra martima, os bloqueios, a 
ala enorme de todas as mercadorias 
eoloniaes, a perda para a Frana de 
quasi todas as suas colnias fizeram pro- 
curar os meios de supprir a falta quasi 
absoluta de um gnero de consumo geral 
como o assucar. 

Fizeram-se ento muitas tentativas e 
ensaios sobre todas as matrias capazes 
de dar assucar abundante e barato. 

Tentou-se de novo a cultura da Canna, 
na Provena, porm nunca se pde obter 
assucar cristallizado ; recorreu-se ento 
uva, ao gro de milho e ao seu caule, 
ao shorgo, castanha, cenoura, etc, 
porm debalde. 

Em 1747 Margraff, chimico de Ber- 
lim, tinha feito conhecer a possibili- 
dade de obter verdadeiro assucar do 
sueco da beterraba; mas elle se con- 
tentou em demonstrar que se podia 
ajuntar um novo producto analyse 
vegetal, e que o assucar no perten- 
cia exclusivamente Canna. 

Em 1797 Achard, outro chimico prus- 
siano, annunciou ter descoberto pro- 
cessos, por meio dos quaes se podia 
tirar da beterraba branca uma quan- 



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tidude de assucur bastante consider- 
vel, para pagar as despezas da cul- 
tura c do fabrico, vrndeudo-sc o novo 
assucar por preo mdico. 

Estabcleceram-se ento algumas fa- 
bricas, mas que no poderam susten- 
tar-se ; c como o preo do assucar ia 
augmentando consideravelmente ponto 
de vender-se por trs francos ou 1$200 
ris cada libra, considerou-se ento a 
beterraba como incapaz de produzir 
nenhum resultado til, e a atteno 
se dirigio para o assacar da uva. 

O governo de Napole,o, em luta con- 
tra 'quasi toda a Europa, por assim 
dizer, bloqueado pelas esquadras in- 
glezas, multiplicou as promessas e as 
recompensas, aim de crear a indus- 
tria saccharina. 

Os chimicos Proust e Fugues foram 
largamente premiados por haverem des- 
coberto o assucar da uva; mas esse 
assucar no tendo apresentado as van- 
tagens que se esperavam, por decreto 
de 15 de Janeiro de 1812, foram esta- 
belecidas cinco escolas de cliimica, para 
ensinarem a fabricao do assucar de 
beterraba, alm de quatro fabricas nor- 
maes d'esse assucar, 

Chaptal, a quem a industria deve 
tanto, conseguio melhorar um pouco 
os processos de fabricao, e, fora 
de favores de todo o gnero, a cul- 
tura da beterraba e a extraco do 
seu assucar tomaram em breve not- 
vel desenvolvimento. 

Porm os desastres da Rssia, a in- 
vaso dos alliados, e a suspenso do 
bloqueio continental, no obstante os 
favores anteriormente concedidos e em 
concurrencia com os assacares das co- 
lnias, que ento innundaram os mer- 
cados francezes, fizeram o de beterraba 
no sustentar-se , e quasi todas as 
fabricas succumbiram. 

Em 1822 esta industria pareceu rea- 
nimar-se, mas a difficuldade de reunir 
os conhecimentos do agricultor e do 
fabricante, que igualmente o grande 
embarao da industria do assucar de 
Canna^ causou a ruina de grande pai"te 
dos novos estabelecimentos. 



Em 182) operaram-se grandes mu- 
danas nos diversos metliodos de fa- 
bricao; o modo de cristalisao lenta 
e regular foi quasi geralmente aban- 
donado i)elo processo de cristalisao 
confusa e rpida, e o uso do vapor 
foi adoptado pela evaporao e o co- 
si mento. 

Os filtros Taylor e Dumont foram 
inventados, assim como o emprego do 
carvo animal. 

Desde ento o desenvolvimento foi 
to rpido que em 1836 j se contavam 
em Frana trezentas e setenta e uma 
fabricas, e o governo julgando a in- 
dustria bem firmada tratou de impor- 
Ihe um tributo, alliviando ao mesmo 
tempo o do assucar colonial. 

Em 1837 existiam seiscentas fabricas 
em actividade, que extrahiam mais de 
noventa milhes de libras de assucar. 

Na Allemanha, a primeira fabrica 
de assucar de beterraba foi estabele- 
cida pelo chimico Achard, de que acima 
falamos, debaixo da proteco do rei 
da Prssia. 

Esta fabrica no apresentou resul- 
tados notveis, porque os apparelhos 
eram to imperfeitos, e a purificao 
do assucar to incompleta que apenas 
se obtinha de 2 a 3 por cento de 
assucar cristaljsavel. 

Mais tarde, por meio dos aperfeioa- 
mentos j mencionados conseguio-se 
elevar essa porcentagem de quatro at 
cinco, o que, junto aos favores de que 
os governos allemes foram prdigos, 
como os de Frana, fez com que essa 
industria comeasse a prosperar e a 
vulgarisar-se em toda a Allemanha. 

Os aperfeioamentos introduzidos por 
Weinreich, Kodneios e sobretudo por 
Zier, a possibilidade de extrahir-se de 
seis a oito por cento de assucar, isto 
, de obter-se, de cem quintaes de 
beterrabas seis a oito quintaes de as- 
sucar, ainda mais concorreu para isso. 

Se a beterraba contem, como se pre- 
tende, de dez a doze por cento de 
assucar, e conseguir-se extrahir toda 
esta quantidade, segando o calculo do 
Dr. Schmidt, bastar uma superfcie 



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quadrada de uma lgua de lado para 
fornecer beterrabas em quantidade 
suRciente para dar todo o assucar, que 
requer o consumo da Allemanba. 

A cultura da beterraba ganha ter- 
reno todos os dias, e se propaga por 
toda parte. 

A Frana, a Allemanha, a Rssia, 
a Itlia, e os Estados Unidos fazem 
os maiores esforos para fixar esta 
industria. 

N'estes ltimos annos tm-se inven- 
tado numerosas machinas, descoberto 
novos processos, e at novas inaterias 
saccharinas. 

O assucar de Canna tem a temer um 
novo rival, assim como o da prpria 
beterraba. Referimo-nos ao assucar de 
fcula, descoberta devida ao chimico 
Kirchoff, e que j se explora em grande 
escala nas fabricas de Mr. Mollerat. 
No entraramos n'estes pormenores 
sobre a beterraba se, em primeiro lu- 
gar, no quizessemos chamar a atten- 
o dos agricultores e da adminis- 
trao para esse terrvel rival de uma 
das nossas mais importantes industrias 
e fontes de riqueza; e, em segundo 
lugar, para fazer sentir a necessidade 
urgentssima de adoptar-se quanto an- 
tes methodos mais racionaes de cultura, 
e todos os apparelhos e processos 
usados na fabricao do assucar de 
beterraba. 

Quando pensamos que a beterraba. 
que se acha em condies menos fa- 
vorveis do que a Canna, e que contem 
quasi metade do assucar encerrado 
n'esta, d, pelos melhoramentos intro- 
duzidos na Europa n'esta industria, 
mais assucar (quasi o dobro) do que 
a Canna , estamos certos que tudo que 
concorrer para augmento final d'esta 
industria entre ns, merecer a pena 
ser tida em considerao. 

A provncia de Pernambuco possue 
mais de mil fazendas de assucar ou 
fabricas de fazer assucar. A industria 
aSsucareira devia achar-se em estado 
de prosperidade ; mas infelizmente assim 
no acontece. 
No Brasil inteiro, e sobre tudo em 



Pernambuco, a agricultura sente um 
grande embarao em seu desenvolvi- 
mento, que a falta de viao e de 
boas estradas. 

Ha poucos annos a linha frrea de 
S. Francisco atravessava mattas vir- 
gens, hoje esses lugares esto occu- 
pados por excellentes engenhos, e os 
habitantes vo lucrando os benficos 
efeitos d'esta grandiosa obra do pro- 
gresso. 

Ordinariamente os nossos lavradores 
luctam com os maiores embaraos fi- 
nanceiros, e muitas vezes para evital-os 
lanam mo de sacrifcios muito pe- 
sados, e dos quaes difficilmente conse- 
guem o resultado que desejam; visto 
como s encontram capites com a 
usura de 18 a 24 %, e esses capita- 
lisados. 

Parece-nos que o nosso governo de- 
via compenetrar-se d'estas verdades, e 
tratar de melhorar a sorte dos nossos 
agricultores e sobre tudo dos fabri- 
cantes de assucar ; porque esses con- 
correm muito para a riqueza do paiz. 
Com a creao de estabelecimentos 
de credito se remediariam muitos males, 
que presentemente afliigem a agricul- 
tura. 

D'este modo muitos dos nossos agri- 
cultores deixariam de esgotar suas for- 
as vitaes, de ver aniquilar todos os 
seus recursos absorvidos pelos fabu- 
losos juros capitalisados de trs em 
trs mezes. 

Estamos vendo constantemente os ef- 
feitos desastrosos d'essa negligencia dos 
nossos governos, que, embebidos na po- 
litica official, vem com indiferena o 
numero de fabricantes de assucar q\ie 
todos os dias desapparecem, que per- 
dem seus escravos, as suas terras, os 
seus utenslios, tudo vendendo emfim em 
praa publica; e isso no basta para pa- 
gar ao usurrio desoito vinte e quatro 
por cento dos juros capitalizados de trs 
em trs mezes, do emprstimo feito ao 
pobre agricultor. 

De todos os agricultores do Brasil os 
que se entregam a industria assucareira 
so os que mais soffrem estes males. 



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N'esta provncia, o ein todas as mais 
do Impo ri o, o fabrico do assucar est 
geralinciitc cm atiazo. 

Desde o plantio da Canna at a cla- 
rificao do assucar os processos so im- 
perfeitos. 

Existe nas provncias uma ou outra 
fazenda de assucar, a que chamamos 
engenho, e que apresenta alguns me- 
lhoramentos, quer quanto construeo 
de suas moendas mais aperfeioadas, 
quer quanto ao fabrico do assucar, parte 
essencial; mas so ainda em numero 
to insignificante e to limitado que 
no exercem influencia alguma sobre a 
grande massa da produco. 

A mecnica agrcola entre ns no 
passa de uma novidade ; preciso vul- 
garisar-se os seus apparelhos na cul- 
tura da Canna e nas plantaes. 

A fora motriz do vapor apenas 
conhecida em algumas fazendas de 
assucar ; devem ser destribuidos esses 
aparelhos pelos agricultores, afim de 
realizarem-se os prodgios de sua 
applicao. 

A sciencia da engenharia, que entre 
ns no actua nos limites das obras 
publicas sob o mando offical, deve ser 
convertida em poderoso instrumento 
de dessecao de pntanos, abrimento 
de valias, encanamento de rios, collo- 
cao de apparelhos etc. 

Devem crear-se estabelecimentos de 
nstruco agrcola pelas provncias, 
e ser abandonadas as enxadas e os an- 
tigos arados, para darem lugar char- 
rua typica do immortal Dombasle e 
6 suas congneres ; introduzam-se nas 
nossas fazendas outros instrumentos 
prestadios, como so o rolo do Hoos- 
kill, as grades de Valcour, os sacha- 
dores cavallo etc. Alargar-se-ho as 
plantaes e melhoraro os processos 
da cultura. 

No admira que sem os melhora- 
mentos reclamados, a produco do 
assucar na provncia no seja em quan- 
tidade correspondente ao elemento 
saccharino de que dispe no fabrico e 
a sua qualidade seja inferior a que se 
devia esperar. 



Isto explica a pequena poro de as-* 
sucar de primeira ({ualidade que ex- 
porta esta provncia. 

E de admirar que, sendo o Brasil 
todo agrcola, no exista ainda em todo 
o imprio uma s ecola do agricul- 
tura que ensine e habilite os agricul- 
tores influencia do nosso clima, em 
relao s leis da vegetao e aos prin- 
cpios da theoria e pratica da agri- 
cultura. 

A creao de uma escola seria de im- 
mensa utilidade. 

Os conhecimentos da veterinria tam- 
bm seriam de grande vantagem para o 
engrandecimento da agricultura do 
nosso paiz. 

Por tradico histrica, por gratido 
nacional, tanto como por interesse, de- 
vemos empregar todos os esforos para 
salvar uma industria em que se achara 
empregados to considerveis capites. 

A cultura da Canna o mais antigo 
ramo da agricultura do paiz, e a ella 
que devemos os primeiros elementos de 
prosperidade material e de civilisao. 

Os senhores de engenho constituram 
sempre o corpo da nobreza, a verdadeira 
aristocracia do Brasil; e at ha poucos 
annos elles eram os nicos que procu- 
raram dar boa educao a seus descen- 
dentes. 

A esse illustrado procedimento, apoia- 
do por suas riquezas que devemos todas 
as notabilidades que temos tido na ad- 
ministrao, na magistratura, nas ar- 
mas e nas letras. 

Nossas cidades foram fundadas com 
os lucros do assucar, em uma palavra, 
tudo quanto possumos de melhor de- 
vido cultura da Canna, a esse doce 
princpio que para ns tem sido to ma- 
ravilhoso como a lmpada de Aladino. 

Lance o nosso governo vistas patri- 
ticas para a classe agrcola, que entre 
ns definha de dia para dia, e ter uma 
gloriosa parte no futuro engrandecimen- 
to d'estas abenoadas plagas brasileiras. 

No exigimos para ns desde j os 
immensos melhoramentos que n'este 
mais importante ramo da riqueza dos 
Estados tm alcanado a velha Europa. 



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No se passa, num dia, do mais 
completo atrazo ao mais elevado gro 
de perfeio; mas, ao menos, que se 
no d lugar a que nos possam dizer, 
que fechamos systematicamente os olhos 
do espirito s grandiosas idas de 
progresso, que l por fora circulam. 

Depois das breves reflexes que aca- 
bamos de fazer, no deixaremos de 
tocar na grande, na magna questo, 
que actualmente se agita em nosso 
paiz. 

Queremos fallar da substituio do 
escravo pelo trabalhador livre; da subs- 
tituio d'aquelle, que, sem gosto e s 
obrigado pelo agitar do ltego, revolve 
a teri-a, que amaldioa, pelo colono 
feliz, que v das bagas do suor, que 
cahem no solo, brotar a sua felicidade 
no futuro. 

A emancipafo da escravatura, sem 
o desenvolvimento agrcola, sem grande 
augmento de colonisao, uma ver- 
dadeira calamidade. 

O escravo hoje, livre amanh, jul- 
ga-se dispensado do trabalho, que 
elle havia-se acostumado a considerar 
como um mal resultante do seu penoso 
estado. 

D'ahi a perturbao da ordem social, 
o latro*cinio, o assassinato etc. , como 
no ha muito tempo se observou nos 
Estados Unidos, assombrosa nacionali- 
dade que, graas enorme affluencia 
do estrangeiro s suas plagas, pde 
resistir ao tremendo abalo de uma me- 
dida to violenta, como a de alforriar 
de uma s vez doze milhes de escravos! 

Attenda pois o governo colonisao, 
concedendo. amplas garantias ao estran- 
geiro que entre ns vier domiciliar-se, fa- 
cultando-lhe o livre e desembaraado 
desenvolvimento de sua actividade , 
protegendo a industria, animando todas 
as tentativas do engenho inspirado no 
progresso humano. 

Feito isto, no duvidamos augurar ao 
nosso Brasil um futuro, no mui re- 
moto, de grandeza e explendor. 

Reformem-se as instituies, que de 
reforma necessitam, e seremos um povo 
soberano. 



Variedades da canna de assucar : 
A palavra Canna d-se vulgarmente 
a todas as plantas, cujo caule nodoso, 
com intervallos chamados gommos , 
cujas folhas gramiueadas formo uma 
espcie de bainha na sua base, como 
a Canna de Cayenna. E' a mesma des- 
cripta anteriormente. 

A Canna creoula no cresce nem en- 
grossa tanto como a de Cayenna, mas 
mais doce ; seu principio saccharino 
mais abundante, isto , de sabor 
mais franco ; a cr externa mais 
verde; cobre-se de um p acinzentado 
ao redor dos ns, donde nascem raizes 
muitas vezes. 

Productos do sueco da canna de 
ASsuCAR. De todos os vegetaes, ne- 
nhum ha, que seja to rico em pro- 
ductos, os quaes tenham maior numero 
de usos e mais vasto consumo, do que 
a Canna e assucar. 

Produz o assucar branco e masca- 
vado ; esta substancia tempera muitas 
das nossas bebidas, e tem grande im- 
portncia na confeitaria ; o prprio sue- 
co da Canna fcaldo) uma bebida deli- 
ciosa. 

Produz melaos de um gosto agra- 
dvel . 

O sueco da Canna, e o residuo da fa- 
bricao do assucar, fermentado e sub- 
mettido distillao, produz aguarden- 
te, cachaa, lcool, rhum, vinho e vina- 
gre, productos que tem grande emprego 
no uso domestico e na industria. 

Propriedades medicas. O assucar 
crystaliza em prismas de 6 faces, com 
as extremidades diedricas ; n'este estado 
chamam-lhe assucar candi, e usado 
como peitoral. 

Em p usa-se como coUyrio secco, 
s ou unido a outros corpos 

O assucar uma substancia de uso 
muito vulgar na medicina contra as 
irritaes, sobretudo do apparelho res- 
piratrio; um emoUicnte agradvel, 
de que nos servimos todos os dias. 

Com o assucar prepara-se um grande 
numero de medicamentos ; taes so as 



io 



CAN 



CAN 



conservas , geleas , pastilhas e os xa- 
ropes. 

O bajj;aoo da canna considerado como 
um poderoso desinfectante : basta para 
isso collocar-se em diversos pontos, vi- 
ciados por miasmas, urna poro d'este 
bagao ; dentro de poucas horas neutra- 
liza-se o principio mrbido, e torna-se o 
lugar saudvel, exhalando o cheiro par- 
ticular do bagao. 

O assucar exportado no anno finan- 
ceiro de 1869 a 1870 foi 743,969 saccos e 
229,051 barricas, pesando tudo 79.010,903 
kilogrammas, e tendo pago de direitos a 
quantia de 483,546^30. 

CaiBiia frava. Anthoxanthium 
gigans. Fam. das Graminaceas. uma 
planta indgena mui parecida com a 
Canna de assucar ; mas esta estende ou 
prostra uma parte de seu caule para er- 
guer-se depois ; e aquella toda vertical, 
pouco mais ou menos de 2 metros e 64 
centmetros. 

No forma touceira como a outra; tem 
o colmo cheio de ns, de distancia em 
distancia, mais ino e menos compri- 
do. 

A casca mais dura e verde, e o te- 
cido interior mais compacto e seco. 

As folhas so semelhantes s da Canna 
de assucar. 

Brota da sumidade uma vergontea da 
mesma natureza do caule, mas sem ns, 
e que traz em cima um cacho pendente, 
de muitos ramos cheios de florinhas, 
maneira de palhetinhas; umas so es- 
branquiadas, e outras de um cinzento 
rouxeado, parecendo-se com uma coma 
pendente. 

Cortam esta parte da planta, levam-na 
em feixes ao mercado, onde vendida 
para difPerentes usos, sendo mui pro- 
curada pelos meninos, que enfeitam 
esses filamentos com fitas , deitam-lhe 
rdeas, e chamam-lhe cavallo de flexa. 
Cavalgam e brincam, montando sobre 
a parte nua da flexa. 

Esta flexa serve de rgua aos pin- 
tores ; mui usada no Rio de Janeiro 
para esse fim; serve para bater l, e 
tem outros misteres. 



Canna do brejo. Costus spicatust 
Swart. Alpifda spicata, Jacq. Fam. 
das Amomaceas . V\'Ani'. herbcea do 
paiz e da ndia. 

Tem a raiz tuberosa, c, nos paizes 
estrangeiros, cultivada nos jardins. 

O seu caule herbceo. 

As folhas alternas oblongas. 

As flores so em espigas terminaes 

Propriedades medicas. A raiz da 
Canna do brejo empregada em cosi- 
mento nas gonorrhas e leucorrhas ; 
mastigando-se passa por bom anti-sy- 
philitico ; d-se uma duas colheres 
do sueco por dia, ou o cosimento das 
folhas, s chicaras. 

Canna tio lirejo roixa. Cosus 
spiralis ou Alpinia spiralis. Fam,. das 
Amomaceas. outra espcie do mesmo 
gnero. 

Canna fijattila Io irejo. Cfl-WM 
nana. Fam. das leguminosas. E' um 
arbusto ramoso, e de forma achapada. 

Tem as folhas em palmas, com quasi 
24 centmetros de extenso, semiovaes, 
sem brilho. 

As flores formam como uma espiga 
pyramidal ; so amarellas, reuifidas em 
grande numero, e sem cheiro. 

O fructo uma vagem, de mais de 
24 centmetros, chata, parda, foleacea, 
dividida em muitas lojas ou loculos 
transversaes, contendo sementes. 

Vegeta nos brejos ou nas suas visi- 
nhanas. {Fig. 15.) 

Ci^nna fistula, Ia matta. Cs- 
sia falcaa brasiliana. Fam. Idem. Ar- 
vore alta. 

As folhas so compostas, paripenna- 
das; o peciolo primrio longo, del- 
gado, curvo, pubescente e canaliculado. 

Os peciolos secundrios so rudimen- 
tarios ; os foliolos numerosos, dispostos 
por pares e membranosos. 

Inflorescencia em racimo, flores com- 
pletas, vistosas, acompanhadas na sua 
base de trs ou quatro pequenas brac- 
te as. 



CAN 



CAP 



131 



O fructo uma enorme vagem. 

As sementes so pequenas, e acham- 
se envolvidas por uma massa polposa 
cuja aco purgativa. 

A sua madeira pouco usada em 
consequncia de sua manifesta poro- 
sidade, e da frouxido do tecido. 

Cstniia de niapaco. Costus Pi- 
sonis. Lynd. Fam. das momaceas, Lmn. 
O sueco do seu caule mucilagi- 
noso, acidulo e refrigerante. 

empregado nas dores nephriticas, 
e nas gonorrhas. 

Os indgenas comem as folhas novas. 

CiisaaB tar osaiA . Caladimn segui- 
nem., Linn. Fam. das Aroideas. Planta 
do gnero da Aninga. 

O sueco d'esta espcie to cus- 
tico, que 8 grammas bastam para en- 
venenar. 

Forma sobre a roupa manchas inde- 
lveis. 

Caracteres da famlia. Plantas vi- 
vazes, de raiz ordinariamente tube- 
rosa. 

Folhas quasi sempre radicaes, e 
alternas. 

As flores dispostas em espadices, 
cercadas em geral de uma espatha de 
forma varivel ; unisexuaes, monoicas, 
desprovidas de invlucros floraes, ou 
hermaphrodtas e rodeadas de um c- 
lice de quatro, cinco ou seis divi- 
ses. 

No primeiro caso os pistillos occu- 
pam geralmente a parte inferior do 
espadice ; deve ser considerado cada 
um como uma flor fmea, e os esta- 
mos como outras tantas flores mascu- 
linas; raras vezes os estames e os 
pistillos so misturados. 

No segundo caso as flores, em vez 
de serem consideradas como flores her- 
maphrodtas, podem serdescriptas como 
uma reunio de flores unisexuaes ; 
assim cada estame e sua escama cons- 
tituem uma flor masculina, e o pistillo 
central uma flor fmea. 
O ovrio tem em geral uma s loja 



ou compartimento, contendo alguns 
vulos inseridos na sua parede inferior, 
ou ento trs lojas. 

O estigma algumas vezes sessil 
mas raramente sustentado por um es- 
tylete curto. 

O fructo uma baga ou mais rara- 
mente uma capsula, que algumas ve- 
zes monospermica por aborto das 
outras sementes. 

Estas se compem alm de um te- 
gumento prprio, d'um endosperma 
carnoso, no qual est collocado um 
embryo cylindrico e erecto. 

Cifiiopy. {Arvore do Canopy.) 
MelUcocca Mjuga^ Jacq. Fam,. das Sa- 
pindaceas. Arvore cujo fructo re- 
commendavel pelo bom sabor acido e 
vinhoso, e por sua amndoa agradvel. 

Canudo amargoso. V. Vo Pe- 
reira. 



Caiiido de eaelRfiit!!(o. 

de cachimho. 



V. Pao 



Caniidi de |iiri;a. Rauwolvia 
canescens . Fam . das Apocynaceas . Ar- 
busto de folhas oppostas e flores em 
cachos. I 

E' emtico. 

CaiBKenze. V. Vassoureiro. 



Caaopitiigra. 

Bahia. 



E a Coerana da 



Caoiiin. E uma bebida feita de 
milho cozido, posto na agua, deixando 
fermentar por trs ou mais dias. 

Caparoa. Jussiema caparosa., St. 
Hil. Fam. das Onagrariaceas . Esta 
planta, oriunda do paiz, conhecida nas 
provncias do Sul e no Rio de S, Fran- 
cisco por Caparosa. 

um arbusto elegante, de folhas al- 
longadas e flores de mediano tamanho, 
corolla cruciforme, amarella, sem chei- 
ro, clice pyriforme. 

O fructo uma espcie de capsula em 

18 






CAP 



CAP 



forma de peo, com uma coroasinha no 
pice, e quasi angulosa; contm muitas 
sementinhas. 

Os habitantes do interior do paiz fa- 
zem tinta de escrever d'esta fructinha. 

Floresce em Maio. 

Caracteres da famlia. Vef^etaes 
herbceos, raramente fructescentefe, tra- 
zendo folhas simples, oppostas ou dis- 
persas, e flores terminaes ou axillares, 

O clice adherente ao ovrio infero. 

O limbo de quatro ou cinco lbulos, 
de preflorao valvar. 

A corolla formada de quatro a cinco 
ptalas incumbentes lateralmente, e tor- 
cidas em espiral antes do completo 
desabrochar; esta corolla falta raras 
vezes. 

Os estames so em numero igual ou 
duplo , algumas vezes menor do das 
ptalas; e inseridos no tubo do clice. 

O ovrio infero oferece de quatro a 
cinco lojas , contendo grande numero 
de vulos inseridos no angulo interno. 

O estylete simples, e o estigma 
ora simples, ora de quatro a cinco l- 
bulos. 

O fructo uma baga indehiscente, 
ou uma capsula de quatro ou cinco 
lojas, no contendo cada uma d'ellas 
muitas vezes seno um pequeno numero 
de sementes , e abrindo-se por outras 
tantas ..valvas, cada uma das quaes traz 
um dos septos no meio da face interna. 

As sementes oferecem um tegumento 
prprio, em geral formado de duas fo- 
lhinhas, e cobrindo immediatamente um 
embryo homotropo, e desprovido de 
endosperma. 

Capba. Pper macrophyllum, Swartz. 
Fam. das Piperaceas . uma planta 
do paiz, conhecida por tal em Alagoas, 
Pernambuco e Bahia. 

um arbusto semi-lenhoso, cujo caule 
apresenta ns de distancia em distan- 
cia. 

As folhas so cordiformes, grandes, 

e cheirosas quando so comprimidas. 

As flores so encravadas n'uma es- 



piguinha rolia, similhante a uma pe- 
quena espiga de milho, ou um pequeno 
sabugo; parece-se muito com o Mal- 
vaisco de Pernambuco, difterindo na 
grandeza das folhas, e em ter consis- 
tncia mais branda. 

Propriedades medicas. O decocto 
da raiz d'esta planta empregado em 
banhos contra opilaes, hydropisias, e 
molstias uterinas; as folhas so deso- 
bstruentes, e a casca peitoral. 

Caperioba branca. Chcenoi)0- 
dium Jiircinum. Fam. das Chenopodiaceas . 

Esta planta usada como um an- 
thelmintico. 

Capicliiaii^ui. Crolon. Fam. das 
Enphorbiaceas . V\-VL^ de S. Paulo. 
cathartica. 

Cafiioba. V. Pimenta d' agua. 

Capina au (das Alagoas). Cyrto- 
fogon alperrimum. Fam. das Qramineas. 
Esta espcie de Capim-au conhe- 
cida naa Alagoas por este nome ; forma 
touceira, tem folhas radicaes, em forma 
de espadas, estreitas, bordas enrosca- 
das e armadas de serrilhas escariosas. 

O caule que parte do centro fino, 
alto, meio achatado, sem ns ; flores 
em cachos nas extremidades d'este. 

como as demais Gramneas, mas 
torna-se bem visvel por suas sementes 
ou seus fructos. 

Os cavallos no o comem, havendo 
outros capins. 

Floresce em Maro e Abril. 

Capim aM (de Pernambuco). Ca- 
ladium irasiliense. Fam. das Cyperaceas. 

Em Pernambuco do este nome a 
uma espcie de capim de folhas estrei- 
tas e radicaes, com serrilha em redor 
formando bainha. 

Suas folhas so de cr verde azula- 
da; deita uma vergontea trigona, a qual 
floi'esce no pice, formando um aggre- 
gado de bracteas bastante foleaceas , 
que encerram as florinhas to peque- 



CAP 



CAP 



1S3 



nas que quasi no se observam ; so 
de cr amarella esverdinhada. 

As vergonteas, batidas e preparadas, 
do um fio, de que os caiadores fazem 
brochas para caiar. 

Estes caules parecem junco, e cres- 
cem em todo o terreno. 

Propriedades medicas. A raiz em- 
pregada contra a tosse e o catarrho pul- 
monar. 

Capiit d'as:ua ou Taquary 
d'a^a. Panicum acuum. Fam. das 
Gramneas. E' um capim aqutico, 
conhecido nas Alagoas por este nome ; 
vegeta nas bordas dos rios e brejos. 

Eleva pouco suas vergonteas, que, 
semelhantes s dos capins, so finas 
e nodosas. 

As folhas so como as das ou- 
tras Gramneas., perm menores e lan- 
ceoladas, de 12 centmetros de com- 
primento, macias, escuras, sem pllos, 
excepto na bainha da folha, (parte que 
abraa o caule). 

As flores so em cachinhos, no 
muito densos, com raminhos articula- 
dos, erectos, ascendentes. 

Grosinhos redondos, de amarello 
cr de gemma d'ovo, com um ponto 
roixo no pice. 

bom alimento para os cavallos, 
porem mui prejudicial ao sangue, 
quando fazem uso quotidiano d'elle. 

Chamam-no tambm Capim d'agua 
em Pernambuco. 

Ha um capim que alastra nos lugares 
em que se queima ou se limpa. 

D tambm uma espcie de folhas 
em touceira, estreitas, de verde bonito, 
luzente, e as flores sulcadas longitudi- 
nalmente. 

Capin aniarg:oso. Pappojjho- 
rum amargoswm. Fam. das Gramtieas. 
Por este nome conhece-se nas Ala- 
goas um capim de vergonteas, como o 
Capim de planta^ porm sendo ellas 
mais lisas e finas, e tendo as folhas tam- 
bm mais lisas e um pouco sulcadas. 

A florao se faz em um caule cuja 



summidade fornece espigas de 9 12 
centmetros de comprimento, mui rec- 
tas e verticaes; no se curvam, e ahi 
se encontram as espiguetas encaixa- 
das. 
O gado gosta d'elle. 

Caiiini aiidac. uma espcie 
de capim. 

Capim de Ansrola. Panicum 
spectabile., Nec. Panicum guineense., Mart. 
Fam. das Gramneas. Este capim 
natural de Angola, e foi transportado 
para o Brasil ha muito tempo ; hoje 
j to raro, que em poucos lugares 
visto. 

Cresce de 1 metro e 22 centmetros 
at 1 metro e 62 centmetros. 

O caule nodoso, liso e mesmo lus- 
troso, e maculado. 

As flores so em cachos que se cur- 
vam no cimo do caule com graa. 

As sementinhas luzentes parecem 
gros de arroz, e so manchadas de 
vermelho na cr amarellada de seus 
tecidos. 

D em pequenas touceiras. 

Os cavallos no o comem pelo amar- 



gor. 



Em Sergipe chamam-no MaraMra. 

Capim atana. Gastridium verti- 
cllatum. Fam. . das Grartiineas. um 
capim cujos caules crescem alguma 
cousa, com as folhas semelhantes as do 
Capim de 'planta., lisas, e com pellos nos 
peciolos. 

A florao em espigas vertieilladas, 
isto , circulando o eixo da florao ; 
ellas so como as demais de seu gnero, 
tanto nos fructos como nas sementes. 

este o nome porque este capim 
conhecido nas Alagoas. 

Capim balida. Paspalam aquati- 
ctim. Fam. das Gramneas. um 
capim que vegeta na superfcie das 
aguas doces e misturadas, e que em 
Alagoas tem este nome. 

Tem o aspecto do Capim de planta; 
mas seus caules so reptantes, deitam 



1S4 



CAP 



CAP 



razes dos ns, que existem em toda 
sua extenso. 

As bainhas das folhas so roixas e 

ventricosas,miudas, espontadas, roacias. 

As flores so midas e em cachinhos 

pouco salientes nas axillas das folhas ; 

so achatadas e esverdinhadas. 

O gado gosta muito d'esta planta, 
que mui nutriente. 

Capini licti^ml. Hordeii7n bra- 
siliens^. Fam. das Gramneas. Co- 
nhecem nas Alagoas por este nome 
um capim mui semelhante ao de planla, 
porm mais pilloso nas bainhas das fo- 
lhas ; apezar d'isso macio. 

Vegeta formando soqueira pouco 
densa ; as folhas so lanceoladas e 
moUes. 

As flores no caule, que articulado 
e nodoso. 

As flores, em espigas caudadas,em ver- 
ticillo, compostas de pevides redondas, 
com longos prolongamentos, que se pe- 
gani roupa pela aspereza que tem. 

Os cavallos no o comem. 

Ci%|)ii! de bncl (verdadeiro). 
Avena sponjosa. Fam. das Gramneas. 
E' uma espcie que forma moita pouco 
densa, conhecida em Alagoas por tal 
nome ; os caules so um pouco grossos, 
succulentos e articulados. 

Na summidade d um pendo roixo 
acinzentado, cheio de ramificaes co- 
bertas de pevidinhas redondas, armadas 
de espinhos, porm macios; como so 
todas as partes d'esta planta. 

No interior do caule acha-se um corpo 
esponjoso desenvolvido ebranco,que ser- 
ve de bucha de espingarda aos caadores. 

O gado gosta d'este capim. 

Ha outra espcie maior e esbranqui- 
ada. 

A florao no pice do caule ; ha, em 
um eixo, um froco circular composto de 
botesinhos, armados de finas agulhas 
macias, de cr verde esbranquiada. 

Tambm serve de alimento ao gado. 

Capins ealielludo. V. Capim de 
pico. 



Caiiini OMinelIo. V Loco. 

Capni caiiella ile ema. Saccha- 
rum dssusum. Fam. das Gramneas. 
Este capim, que recebe este nome nas 
Alagoas, tem seu caule nodoso, com- 
pacto, liso, e maculado de roixo. 

As folhas so como no geral das Gra- 
mneas; tem dentilaos. 

As flores so como um froco de pello 
macio em redor do caxile, branco e 
longo. 

E' excellente para enchimento de tra- 
vesseiros, colches, etc. 

CagsBfti eatins;. Gramen odora- 
um.Fam. das Gramneas. E' uma es- 
pcie de capim que vegeta no Eio do 
Janeiro e Rio de S. Francisco. 

Capim le cSteifO. Perotis fra- 
gans. Fam. das Gramneas. Este capim 
mui parecido com o de planta, porm 
mais amarellado, e com o caule me- 
nor. 

A florao em cacho, de cr roixa. 

E' conhecido nas Alagoas por este 
noiue ; e com eff'eito, passando-se pelo 
lugar em que houver alguma;,leira d'elle, 
sente -se logo o seu aroma, que um 
pouco agradvel. 

O gado come-o, mas s quando no 
encontra outro. 

Capim lie coco ou cantello. 

Anthoxanhnm palmeira. Fam. das Gra- 
mneas. E' este o nome pelo qual 
conhecido nas Alagoas ; tem o porte de 
uma palmeira pequena, de um talhe en- 
graado. 

Apresenta suas folhas (com peciolos 
roixos) em feixes; e, de certa distan- 
cia para cima, a lamina das folhas so 
ovaes, oblongas, de pregas longitudi- 
naes. 

Sahem do centro pendes, nos quaes 
brotam as flores, com muitas pevides. 

Os animaes no comem este capim. 

Csupim etTfl\.Melacrans strel- 
latur. Fam. das Cyperaceas. t. por 
tal nome conhecido nas Alagoas e Per- 
nambuco : rasteiro. 



CAP 



CAP 



IS 



c 



o caule pequenino eleva-se apenas 
a 24 centmetros mais ou menos, tendo 
na superfcie da terra um feixe de fo- 
lhas cruzadas e estreitas, e no vrtice 
um pendo. 

Tem umas folhetas cruzadas, em cuja 
base existe uma pinta branca que forma 
uma estrella perfeita ; no centro d'esta 
estrella esto as flores em uma es- 
piga, formando um cone de cr parda- 

Esta plantinha que s tem vida no 
litoral, e nunca nos sertes, cr-se que 
mata o gado, que de l vem. 

Ci>iii lf-a.. Saccharum glarum. 
Fam. dm Gramneas. Esta espcie, 
de porte pequeno, meio lisa, tem este 
nome nas Alagoas. 

Suas folhas so em touceiras pe- 
quenas. 

Os caules, articulados e compactos, 
e os eixos das flores so finos. 

As flores esto no pice dispostas em 
cachos, so cobertas de pellos macios, 
brancos e louros, e entremeadas de se- 
mentinhas ; curvam-se para a terra como 
pendo. 

Este capim excellente para enchi- 
mento de colches, travesseiros, etc. 

Ca|iiiei de to^o. Cinna castanea. 
Fam. das Gramneas. E' uma espcie 
que vegeta mais pelas catingas, conhe- 
cida nas Alagoas por este nome. 

O caule fino, e de juntas nodosas. 

As folhas so macias, e sem armas. 

Deita do caule um penacho delgado, 
com pequenas varetinhas um pouco 
vermelhas e articuladas, semelhan ^ 
de um pincel louro nas pontas. 

As flrinhas so engastadas em uns 
estojos occultos. 

CaiiMiii e Fp. Lui. V. Capim 

mellado . 

Capian geiglPe de lJiaTO. 

Paspalum faciculatum. Fam. das Gra- 
mneas. E' uma espcie semelhante 
abaixo descripta. 

As raizes so embastecidas seme- 
lhana de tuberas. 



As folhas brotam feixes eni diverros 
pontos ; o nome que aqui lhe damos 
o mesmo pelo qual conhecido nas 



Alagoas. 



Ca|iiaii geigiSre rasteiro. 

Paspalum pastum. Fam. das Gramneas. 

Este capim, que o pasto mais geral 
dos animaes herbvoros, conhecido nas 
Alagoas e Pernambuco por este nome. 

Alastra seus caules pelo cho, os 
quaes s vezes esto enterrados, emit- 
tindo, de distancia em distancia, ra- 
minhos revestidos de folhas, como as 
demais Gramneas. 

As d'este so lanceoladas, de um 
verde gaio, com suas flores em cachi- 
nhos pequenos e agglomerados. 

E' estimado como um dos melhores 
pastos. 

Caiiiiii svstmm. Paspalum com- 
pressim, Linn. Fam. das Gramneas. 

E' conhecido este capim em toda a 
parte como o mais geral ; invade todos 
os terrenos, no deixando vegetar quasi 
outra espcie. 

EUe acha-se nas ruas, mesmo das 
cidades populosas ; rasteiro e alastra 
com seus caules deitados. 

Tem as floresinhas em cachos cruza- 
dos, e as folhas semelhana do Ale- 
crim. 

E' difficil extinguil-o. O gado come-o. 

Capin iwo de sagio. Paspa- 
lum cruciflorimi. Fam. das Gramneas. 
Este capimzinho assim denominado 
em Pernambuco. 

Sua altura de 22 centmetros pouco 
mais ou menos, vegeta em touceiri- 
nhas ; suas folhas estreitinhas , e 
semelhana das dos outros capins ; lana 
um caule' fino at 22 centmetros ; no 
pice forma uma cruzeta, e de um 
s lado agglomerada de flrinhas, 
dispostas em duas ou mais ordens. 

Torna-se mui distincto por esta par- 
ticularidade. 

E' um dos bons alimentos dos her- 
bvoros . 



f6 



CAP 



CA 



Capim titilhan braneo. Pa- 

nicum vcrticillatuM^ Linn. Fam. das 
Gramneas. Este capim conhecido 
em Alagoas e Pernambuco por este 
nome. 

E' composto de folhas largas, relati- 
vamente aos outros capins. 

Tem as vergonteas finas, articuladas; 
deita um cachinho semelhana do 
arroz, em ponto diminuto ; as flrinhas 
so s de um lado. 

E' um dos melhores pastos. 

Ha outra espcie semelhantissima, que 
difere por ter o caule e os cachos arroi- 
xeados; chamam-se milhaft vermelha. 

Ambos estes capins fazem dar o san- 
gue nos cavallos , porm o segundo 
na opinio dos sertanejos, mais effi- 
caz. 

Em Sergipe conhecido por Capitinga. 

Capim mimoso. Fam. Iderji. 
E' uma espcie de capim que vegeta 
nos sertes ; elle que forma a base 
da alimentao dos animaes de todas 
as classes no centro, mormente do 
Norte. 

Elle como as outras Gramneas^ tendo 
muita semelhana com o Arroz. 

Deita porm um cacho delgado e 
menor; cresce at quasi a altura de 
um e meio metro. 

Suas folhas so estreitas e articu- 
ladas, e o caule fino, quasi formando 
zig-zag. 

Capii orvtelho. Paniciim rosa- 
linum. Fam. idem. Este capim co- 
nhecido em Alagoas e Pernambuco por 
este nome, e em Sergipe por Guarda- 
sereno. 

Elle forma touceira pouco densa ; tem 
o caule cheio de pellos. 

As folhas lanceoladas, estreitas e um 
pouco speras. 

A vergontea da florao forma como 
uma pyramide, cuja ramificao cheia 
de botes verdes e ovides, que lhe do 
muita graa. 

Este capim recebe o orvalho da noite, 
e pela manh seus rgos esto gotte- 
jando agua (ou cheios d' agua), de sorte 



que sendo agitado abandona um liqui- 
do, que s vezes molha um homem. 
O gado no lhe d importncia. 

Capim papuaii. Oropetium trans- 
versale. Fam. idem. Euma grammaou 
capiai, conhecido por tal nome nas Ala- 
goas. 

Tem vergonteas pequenas e esgalha- 
das; folhas ordinrias, como as das suas 
congneres, as quaes so lisas e macias. 

O caule mais delgado, e chato no 
pice, e ahi oferece duas espigas hori- 
sontalmente dispostas, cheias de semen- 
tinhas redondas e chatas. 

O gado de todas as classes o come. 

Capim peita. segundo uns o 
Sap e segundo outros um Andropogon. 

Capim p le ^allinha. Senele- 
ria galUnacea. Fam. Idem. Este capim 
parece geral no Brasil. 

Forma pequena soqueira; e tem caule 
fino, nodoso e lustroso. 

As folhas so estreitinhas; o pendo 
das flores divide- se no pice em quatro 
ramos. 

Um pouco abaixo apresentam elles 
as flrinhas, que so dispostas de um 
s lado. 

Com eff'eito tem grande semelhana 
com o p de gallinha. 

Este capim no um bom pasto; s 
tem virtudes medicas : elle diurtico, e 
empregado contra os catarrhos; suspende 
os fluxos de sangue, e das ourinas. 

Capim le pico ou cabellndo. 

Tnariaptmgens. Fam. Idem. Esta es- 
pcie de capim forma moita ou tou- 
ceira. 

conhecido nas Alagoas por tal nome. 

D poucas vergonteas, e estas articu- 
ladas. 

As folhas so lisas, e as bainhas eri- 
adas de pellos duros e horisontaes, que 
espetam. 

As flores se acham nas gummidades 
do caule ; este uma vergontea de dois 
pal4tnos, intermeiado de folhas raiadas, 
de vergontinhas, e de pevides foleaceas 



CAP 



GAP 



tS- 



que lhe do um engraado aspecto, for- 
mando como uma cauda grossa. 

E' regeitado dos herbvoros, talvez 
pela aspereza. 

Capim fie jilaaita. Panicum ma- 
ximum^ Jacq. Fam. Idem. Esta espcie 
de capim, a que chamam Capim de planta., 
entre ns, natural de Guin ; passa 
pela forragem melhor, por que a sua 
propagao a mais abundante. 

EUe cultivado em toda a America. 

Na Europa procuraram todos os meios 
de cultival-o, e o conseguiram ; entre ns 
tambm elle objecto de grande cultura, 
e quasi que forma a base do sustento dos 
nossos cavallos, mormente os de estri- 
baria. 

E' um capim de caule nodoso, de 1 a 2 
metros de altura ; deita parte do caule 
no cho. 

As folhas so lanceoladas, estreitas e 
macias, com pellos brandos. 

D cachos de fiorinhas arroxeadas no 
pice. 

Planta-se de estaca, e cresce admira- 
velmente. 

Propriedades medicas. E' empre- 
gado como antispasmodico, na dose de 8 
grammas para 250 grammas d'agua fer- 
vendo. 

Capim pulsa. Sacchanmi plumo- 
sum. Parti. idem. E' conhecido por 
este nome nas Alagoas e Pernambuco. 

E' um capim de folhas estreitinhas, 
em feixes, sobre o rez do cho, emittin- 
do umas vergonteas finas, das quaes 
se um cacho de flores em frocos, de 
pellos macios, maneira de l, entre os 
quaes se notam as sementinhas. 

Este capim mui susceptvel de seccar. 

Fazem grande uso de seu pello como 
i para enchimento de travesseiros, col- 
ches, etc 

Capnt piiba (de Pernambuco). 
E' outra espcie. 

Capim piiia (do Sul). V. P de 

galUnha. 



Cfipim rei. V. Maririo. 

Capim c ro|*a. Spartina hos- 
tensis. Fam. idem. Este capim co- 
nhecido nas Alagoas e em Pernam- 
buco, , pelo interior ou serto, o que 
abastece as estribarias. 

Seus caules so finos e delgados. 

As folhas estreitas, pelludas e um 
tanto speras. 

A vergontea das flores mui delgada 
e rolia. 

As flores agglomeradas em cachi- 
nhos. 

Este capim nasce com abundncia 
pelas roadas : muito procu.rado, no 
s para no desfalcar nas estrebarias 
o de planta, como porque do que 
se servem mais os almocreves para 
seus animaes. 

Capim ta<iiiaB*iHinlBO. naihe- 
rum xhmhrale. Fam. idem. Esta Qra- 
minacea., assim conhecida nas Alagoas, 
tem o caule tambm nodoso, liso e 
fino. 

Folhas pequenas, lanceoladas e ho- 
risontaes. 

Os peciolos em bainhas. 

As flores em cachos pyramidaes, mui 
pequenas. 

Os ramos delgadssimos. 

Ha outras espcies parecidas com 
esta. 

Vegeta nas mattas e capoeiras de- 
baixo de arvores, sempre sombra. 

O gado come-o. 

Capito. Hydrocotyle timlellata , 
Linn. Fam. das Umbelli feras. Tam- 
bm conhecida esta planta por Ca- 
pito de cavallo comer., porque serve de 
pasto aos animaes. 

E' uma herva rasteira com raizes de 
distancia em distancia, peciolos suc- 
culentos e compridos, sendo as folhas 
redondas, fendidas na base, e molles. 

As flores tem um pednculo com- 
prido, e formam no pice um cacho 
como umbrella, de florinhas midas, 
de cr roxa pallida, com sementinhas 
verdes, achatadas e redondas. 



13S 



CAP 



CAR 



Propriedades medicas. E' um excel- 
lente remdio contra a elephantiasis 
dos rabes, erysipellas, elephantiasis 
dos Gregos, aTeces tuberculosas da 
pelle, afeces sylphiliticas, e escro- 
fulosas ; rheumatismos etc. 

Capito tio itttto. Cayaponia 
glohoza. Fam. idem. Esta planta em 
Minas Geraes e no districto dos dia- 
mantes denominada Ch de pedestre. 
Acha-se nos rochedos quartzozos da 
serra de Cadonga. 

E' um arbusto muito uzado, em lu- 
gar do verdadeiro ch. 

As folhas d'este arbusto exhalam um 
cheiro agradvel, e, postas de infuso, 
formam uma bebida ligeiramente esti- 
mulante, mas de sabor muito agra- 
dvel. 

pois um vegetal sobre que o nosso 
governo devia dirigir sua atteno, a 
fim de ser melhor conhecido. 

Citpito (le PefiiitBubiico. 

Hydrocotyle pernamhucensis . Fam. idem. 
Esta herva, conhecida em Pernam- 
buco por tal nome, vegeta ao p das 
aguas . 

Seu caule, que subterrneo, apre- 
senta peciolos longos, que vem acima 
da superfcie d'agua ou da terra. 

Tem as folhas em figura de rim, 
redondas e lisas. 

As flores em cachos, como armao 
de chapo de sol, brancas amarelladas. 

O fructo uma pequena capsula 
achatada, com dois carocinhos tambm 
chatos. 

Propriedades medicas. Usa-se in- 
ternamente no rheumatismo chronico, 
8 grammas para 50J grammas (ragua, 
e externamente em banhos, feitos com 
este cosimento. 

Capto-^uallao. Ximenia penfmi- 
dra. Fam. das Olacineas. Arbusto 
conhecido por este nome em Pernam- 
buco; vegeta nas mattas ou capoeiras. 

D em mouta, e cahe sobre os ou- 



tros vegetaes, porque seus galhos so 
finos. 

Sua casca esbranquiada, com 
folhas oppostas, ellipticas e pequenas ; 
tem prolongamentos no tronco em cru- 
zeta, formando espinhos. 

As flores tem pednculo curto, e re- 
presentam uma espcie de capitulo ; so 
miudinhas e esverdinhadas. 

O fructo ovide, e menor que uma 
azeitona; contem uma semente. 

Esta planta foi uma das que fizeram 
parte da medicina domestica no tracta- 
mento do cholera em 1856, em Per- 
nambuco. 

Ca^i^^^**- V. Capim milham. 

Ca|i%ara. Aristolochia fastidiosa. 
Fam. das Aristolochias. Pequeno ar- 
busto trepador, conhecido nas Alagoas 
por este nome. 

E' uma planta que alastra com o as- 
pecto do maracuj, de folhas ellipticas, 
lustrosas e coriaceas. 

As flores, em cachos e irregulares, 
tem um aspecto estranho ; so carno- 
sas, de cr amarella barrenta, ou de 
gemma de ovo, e cheiro nauseabundo; 
so semi-giaudulosas. 

D este pequeno arbusto um fructo 
com trs azas; este fructo capsular, 
e encerra em si algumas sementes. 

Capoeipat Srauca. V. Brao de 

Preguia. 

Ca|>K*eiva. V. Cabureiba. 

Car. Doscorea hrasiliensis, Willd. 
Fam. das Dioscoraceas . O Car 
uma tubera geral no paiz, natural do 
Par. 

Ella provem de uma planta trepa- 
deira, cujas folhas so cordiformes, 
lizas, de um verde roixeado. 

Suas flores so em cachos, midas 
e esverdinhadas. 

O fructo uma capsula. 

A raiz produz uma batata, ora maior 
ora menor, de forma oblonga, arre- 
dondada e rolia. 



CAR 

Sua casca membranosa, parda, s- 
pera, com pequenos prolongamentos dis- 
seminados. 

A massa compacta, branca, aquosa, 
de sabor um tanto acre-adocicado, e 
macia. 

Come-se o car cozido, mas presta-se 
a outros misteres, bem como extrac- 
o de fcula; pde substituir a fari- 
nha ou o po. 

Tambm cliama-se Inhame da terra 
Ha outra espcie. Dioscorea triloba. 
Vell. 

Caracteres da famlia. As Diosco- 
raceas quasi sempre so plantas sar- 
mentosas e trepadeiras. 

Suas folhas so alternas ou algumas 
vezes oppostas, de nervuras irregular- 
mente ramificadas. 

As flores so hermaphroditas ou uni- 
sexuaes. 

Tem ovrio infero, e adherente a um 
clice, cujo limbo dividido em seis 
lbulos. 

Os estames, em numero de seis, so 
livres ou raras vezes monadelphos, de 
antheras introrsas. 

O ovrio de trs lojas, contendo cada 
uma dois ou mais vulos, ora ascenden- 
tes, ora voltados. 

O fructo uma capsula delgada e com- 
primida, ou uma baga globulosa, al- 
gumas vezes alongada , coroada pelo 
limbo calicinal, e apresentando de uma 
a trs lojas. 

As sementes contm um embryo col- 
locado perto do hilo, no centro de um 
endosperma, quasi crneo. 

Esta pequena familia foi estabelecida 
pelo Sr. Roberto Brown para cbllocar os 
gneros da famlia das Asparagaceas de 
Jussieu, que tem ovrio infero. Taes so 
as Dioscoraceas: Tamus, Rajama, Flug- 
gea^ etc, ete. 

iai'4cla<?a'a. V. Herva 3Ionra. 

CrtPwg-aajitn. V. Gravata. 

um arbusto de Ser- 



CAR 



1S|> 



gipe. 



Caraip ou Carip-earaip. 

Fam. das Legmi7iosas. k.vvoTQ silvestre 
do Par. 

E' de porte grande. 

Sua madeira presta-se s obras de 
carpintaria. 

A cinza desta arvore indispensvel 
n aquella provncia para o fabrico do 
objectos ou utensis de barro. 

Misturam-n'a com o barro, porque d 
a este a necessria consistncia para 
no rachar no fogo. 

Carajurtk do Par/. Alstrcemeria 

peregrina, Willd. Fam. das LUiaceas. 
Planta herbcea de caule recto, e fo- 
lhas deitadas. 
Suas flores so muito elegantes. 
Vegeta no Peru; e seu nome significa 
soberba pela sua formosura. 

Caramfola. itvn-^Oj! Carambola, 
Linn.Fam. das TereUnthaceas. ^^i^ 
arbusto, natural da ndia, no muito 
vulgar no paiz. 

Uma das primeiras provncias que o 
adquerio foi a de Pernambuco, que o 
teve no extincto Jardim Botnico de 
Olinda. 

E' uma elegante planta, ramalhuda, 
de folhagem em palmas. 

As folhas de forma oval oblonga. 

Suas flores, em cachos de um elegante 
colorido purpurino, so em forma de 
Anglica, e midas. 

O fructo de 9 a 12 centmetros, 
de figura oval, terminado, em ponta 
em ambas as extremidades. 

Sua superficie angulosa, tendo as 
arestas dos ngulos salientes; o seu 
exterior coberto de uma pellicula 
fina e diaphana, encerrando uma polpa 
aquosa, esverdinhada, acida, com se- 
mentes ellipticas, de cheiro activo. 

O fructo da cr da polpa; as se- 
mentes so esbranquiadas, e no ex- 
cedem de trs. 

Propriedades medicas. excellente 
refrigerante, calmante e febrfugo. Serve 
para xaropes, limonadas, etc. 



[ Cssasiss. Amgris Carana, Hvmi. 

19 



flSO 



CAR 



CAR 



Fam. idem. uma arvore do porte 
mais ou menos da Almecegueira. 

das regies Amazonicas, e do M- 
xico. 



Propriedades medicas. A resina, que 
negra, leve e luzida, empregada 
nos catarrhos pulmonares, e substitue 
perfeitamente ao Elemi. 

zracGcBaEay. Copernica cerifera., Mart. 
Fam. das Palmaceas. Palmeira do 
paiz, que s cresce nos lugares pan- 
tanosos, e tem um lenho muito duro. 

Cafsap. Xtjlocarpis Crap, Scli- 
rb. Fam. das Meliaccas. E' uma ar- 
vore que vegeta no Amazonas e na 
Guyanna. 

Tem a casca amarella e muito amar- 
gosa. 

As folhas dispostas em palmas ; fo- 
liolos lanceolados. 

As flores em cachos, e de sexos se- 
parados. 

O fructo grande, globuloso como 
um coco descascado, oferecendo quatro 
resaltos , que devidem- se em quatro 
valvas. 

Seu tegumento externo coriaceo ; 
depois d'elle ha um corpo lenhoso, em 
cujo seio se encontra uma poro de 
caroos semi-osseos, angulosos e uni- 
dos uns aos outros, tendo a amndoa 
muito oleosa , da qual se extrahe um 
quinto de leo. 

; E' empregado em diversos usos do- 
.mesticos, e tem a preciosa qualidade 
de afugentar os insectos. 

A casca do Carap empregada pelos 
ndios para combater as febres , com 
bom resultado. 

Cts*sBteB*atBt. Licania timisia. 
Fam. das Chrysohalaneas ou Romceas. 
E' uma planta dos territrios do Ama- 
zonas e da Guyana. Tem os mesmos 
usos do Gajer. 

Ci*a)|tia. Dorstenia arilifolia .^ 
Lamk. Fam . das Urticaceas. Esta J 



planta semelhante a Conra-herta.) e 
tem os mesmos uzos que ella. 

Cai*apitaitt. Alstroemei'ia pulchel- 
la, Liiin. Carlotea., formosssima, Arr. 
Cam. Fan. das Liliaceas. E' uma 
planta herbcea do paiz, que nasce no 
Pianc na serra do Jabre ; semelhante 
ao p .W%cena. 

Suas flores so em pendes como 
Anglicas vermelhas ; d espcies de 
tuberas na raiz, que se comem, e 
passam por boas. 

Carclstsnonto. Amomum Carda- 
momim, Linn. Fam. das Amomaceas. 
Planta da ndia Oriental cultivada em 
nossos jardins, conhecida em Pernam- 
buco pelo nome de Agua de Colnia., 
pela analogia do cheiro. 

E' um arbusto herbceo, cujos cau- 
les so nodosos, cobertos das bainhas 
das folhas, que os abraam, e formam 
como touceira. 

Lana um talo que. floresce, apre- 
sentando uma espiga pyramidal, com- 
posta de botes ovaes, sobrepostos a 
um tecido brilhante, rosado, rubro nas 
extremidades ; cada um d'es3es botes, 
uma futura flor que, abrindo -se, 
de uma s pea, amarella, riscada e 
bonita, com um prolongamento no 
centro. 

Estas flores abrem-se successiva- 
mente. 

O fructo uma vagem de trs lojas. 

Todas as partes d'esta lilanta so 
cheirosas. 

Propriedades medicas. Excitante 
empregado nas clicas flatulentas, em 
p, na dose de 3 decigrammas at 1 
gramma. 

Cardo. Cactus triangularis, L7m. 
Fam. das Cactaceas. Recebem o 
nome de Cardo muitas plantas ; esta 
vegeta beira-mar, quasi rasteira. 

Sua ramificao esgalhada at 48 cen- 
tmetros de altura ; de um porte 
particular. 
verde, succulenta, e guarnecida 



CAR 



CAR 



13 



de espinhos, que fazem as vezes de 
folhas . 

Seu caule herbceo e de forma 
angulosa. 

As flores, que brotam pelo caule, 
so grandes como rosas de muitas 
ptalas estreitas, e de cores muito 
lindas. 

Cardo santo. Argemone mexi- 
cana^ Linn. Fam. das Papaveraceas. 
Este vegetal, que parece ser natural 
do paiz, indgena do Mxico ; no 
obstante acclima-se em nosso solo. 

uma planta de Kj a 1 metro de 
altura . 

As folhas so rentes, com o limbo re- 
cortado, todas cheias de espinhos agudos, 
e maculados de branco. 

Suas flores so amarellas como uma 
rosa simples, sem cheiro, tendo no cen- 
tro uma columna verde, foliacea, coroada 
por uma glndula avermelhada, e cer- 
cada de filetes. 

O seu fructo uma capsula que se 
rompe superiormente, e lana uma por- 
o de sementinhas pretas e redondas, 
que parecem gros de plvora. 

As mais partes d'esta planta exsudam 
um sueco amarello e nauseabundo. 

Propriedades medicas. O decocto 
d'esta planta empregado com proveito 
nas dores de dentes, fluxes de rosto, e 
pleurisias ; as sementes, mui oleosas, 
teem propriedade emtica; so applica- 
das aos asthrnaticos, com bom resultado. 
Seu sueco, amarello e nauseante, nar- 
ctico, e usado sobre os bubes e ulceras 
syphiliticas para acalmar as dores. Tam- 
bm sedativo, e til nas obstrues das 
vsceras abdominaes. 

As flores so somniferas, e as sementes 
anti-asthmaticas. 

CariiaaiViei pa. Arrudaria cerifera. 
Fam. das Palmaceas. O primeiro na- 
turalista que fez a descripo da Car- 
naubeira foi o distincto e celebre bot- 
nico Dr. Arruda Camar, e por esta razo 
tem sido dado a essa palmeira o nome 
de. Arrudaria Cerifera. 



Dez annos depois, e s ento, que 
outro distincto e celebre botnico Mr. 
Martins tambm creou um nome para 
a Carnaubeira, a que chamou Copernica 
cerifera. 

Tendo sido o Dr. Arruda Camar o 
primeiro que descreveu essa palmeira, 
deve-se-lhe conservar o nome de Arru- 
daria. 

E' natural do norte do Brasil, e prin- 
cipalmente das provncias do Rio Grande 
do Norte e Cear. 

Flores monoicas, numerosssimas, ex- 
tremamente pequenas, hermaphroditas, 
sustentadas por um appendice collo- 
cado nas axillas das folhas, e envol- 
vido n'uma espatha delgada. 

Espadice de 1 metro e 30 centme- 
tros a 1 metro e 50 centmetros de 
comprimento, repartindo-se em 3 rami- 
flcacs, das quaes cada diviso e sub- 
diviso munida d'uma espatha par- 
cial cylindrica, que as encerra, 

Espatha da forma de um cartucho, 
secca e membranosa, d'onde partem as 
divises para formar uma panicula. 

A terceira subdiviso se ramifica em 
varias espigas flexveis, alternas, e com- 
posta de diversos ramalhetes de quatro 
flores cada um. 

A flor consta de dois clices: um 
exterior, verde, formado por trs fo- 
liolos de pouca extenso ; outro inte- 
rior, de cr varivel, em forma de co- 
rolla, contendo um tubo curto infundi- 
buliforme (em forma de funil), com trs 
divises na extremidade, e alternando 
com as do clice exterior. 

A corolla, membranosa e secca, des- 
viando-se facilmente do clice exterior, 
traz os rgos da reproduco, que 
contm seis estames muito frgeis e 
curtssimos, ligados dois a dois. 

No fundo d'este tubo ha um ovrio re- 
dondo, terminado por um estyletetenuis- 
simo e muito curto, e acaba em um es- 
tigma nico e ligeiramente entumecido. 

O fructo d'esta palmeira redondo 
e do tamanho de uma avel. cr de 
azeitona no comeo de sua maturidade, 
e azul violeta, quasi preto, quando est 
maduro. 



1355 



CAE 



CAR 



rodea lo d'uma polpa doce pouco 
abundante, e coberto de um epiearpio 
vtreo muito lustroso . 

O caroo contm no interior uma 
amndoa, que lhe 6 adherente. 

O caroo assim como a polpa for- 
nece um alimento muito sadio, procu- 
rado pelos naturaes do paiz. 

Quando os fructos chefiam a certo 
gro de maturidade, torram-se e pi- 
sam-se ; o p que assim se obtm 
da cr do caf, tem um cheiro agra- 
dvel, e lembra o da fava do cafeseiro. 

N'este estado, o caroo da Caruattba 
produz uma bebida que, misturada 
com o leite, saudvel e nutritiva, 
sem ser muito agTadavel ao paladar. 

O espique, completamente cylindrico 
e direito, attinge at IG metros de 
altura, e uma grossura que varia 
entre 30 a 50 centmetros de circum- 
ferencia. 

EUe finaliza por uma touca de folhas 
dispostas de maneira que formam uma 
figura oval perfeita, o que torna esta 
palmeira uma das mais bellas arvores 
de sua espcie. 

Os restos dos peciolos das folhas 
que cahem, guarnecem o tero infe- 
rior do caule, no qual formam seis ou 
oito espores regulares. 

O resto do tronco, desembaraado 
de todo o peciolo, naturalmente liso, 
conservando apenas as marcas de in- 
sero dos peciolos. 

A parte su.perior do espique contem 
uma substancia medular, parenchyma- 
tosa d'onde nascem as folhas. 

Esta parte terminal (palmito, ou couve 
palmito) produz um alimento delicado 
e muito substancial. 

Ao destacarem-se da extremidade do 
espique as folhas, em numero de seis 
a oito, crescem perpendicularmente 
unidas todas por uma resina, que as 
conserva apertadssima. 

Os peciolos ficam separados, mas as 
folhas reunem-se no alto , e formam 
assim um corpo oblongo delicado, em 
seguimento ao caule. 

Estas folhas abrem e se expandem 
debaixo da presso de um novo grupo 



cnico central que ser por sua vex 
alargado por terceiro grupo e a&sim por 
diante. 

Estes grupos de folhas abrindo-se 
formam ao redor da palmeira uma serie 
continuada de leques, dos quaes os mais 
velhos se abatem em direco ao tronco. 

O interior dos novos grupos de folhas 
amarello claro, n'este ponto de seu 
desenvolvimento. 

D'e3tas folhas retira-se uma matria 
secca, pulverulenta, cor de cinza, qu 
cobre sua pagina interior, e exliala uni 
cheiro particular, delicado e agradvel. 

Esta matria a cera vegetal. Ella 
se destaca das folhas ao menor abalo, 
quando estas comeam a abrir; mas 
logo que o leque est estendido, o mesmo 
movimento produzido pelo vento suf- 
ficiente para fazer desapparecer este p. 

As folhas que tem atingido todo o 
seu desenvolvimento pendem em roda 
do caule em forma de chapo de sol ; 
ellas so ento de um verde claro , e 
seccam antes de cahir : depois so cr 
de palha. 

Os peciolos, ordinariamente de 1 me- 
tro e 30 centmetros, sofrem as mesmas 
mudanas de cr que as folhas ; mas 
a parte que se liga ao tronco de cr 
vermelha, e apresenta o aspecto pouco 
mais ou menos da extremidade larga 
de um antigo taco de bilhar; na ex- 
tremidade livre, a partir dos 2 teros 
de sua altui"a, elles so guarnecidos 
de duas ordens de espinhos negros, 
fortssimos, achatados, e encurvados a 
maneira de arpo afiado, semelhante 
a essa espcie de lana chata , guar- 
necida de pontas de ambos os lados, 
que se estende alm da bocca do peixe 
chamado serra. 

Como todas as palmeiras, a Car- 
naueira no tem raiz mestra para fi- 
xar-se na terra ; prende-se a esta por 
meio de raizes numerosssimas, dis- 
postas horisontalmeute em roda da ex- 
tremidade inferior do tronco. 

Estas raizes se estendem a grandes 
distancias, porm penetram pouco pro- 
fundamente na terra; tem a cr e 
grossura da raiz da salsaparrilha. 



CAR 



CAR 



1S 



Esta palmeira cresce algumas vezes 
nos terrenos areientos ; mais geralmente 
nos terrenos salinos denegridos, de se- 
dimento, completamente nivelados pela 
oecupao das aguas, em epoclia mais 
ou menos afastada. 

Os valles, as margens dos rios e das 
lagoas so os lugares que lhe con- 
vm. 

Nunca se encontra a Carnaubeira nas 
alturas, nem ainda nas ondulaes ca- 
suaes de terrenos. 

Ella evita igualmente a visinliana de 
outros vegetaes de grande altura; pelo 
que no se v, em planices de Carnau- 
beira^ alm d'esta palmeira, mais do que 
grupos de arbustos dispostos em de- 
(dives naturaes. 

As aguas da chuva, em consequncia 
da disposio do terreno em superfcie 
plana, amontoam camadas de caroos de 
carnaba de distancia em distancia, e 
rom elles cobrem s vezes grandes ex- 
tenses de terreno. 

As tenras plantas brotam assim to 
juntas que formam um bosque impe- 
netrvel. 

Assim, esta maneira de crescer em 
phalange, como os dardos de que os 
peciolos so guarnecidos, parecem ter 
por fim a proteco mutua das plantas 
novas contra os ataques das numerosas 
espcies de animaes to vidos do pal- 
mito, e que as destruiriam infallivel- 
inente sem esta solicitude da natureza. 

Este modo de crescimento das tenras 
Carnaubeira tem comtudo o inconve- 
niente de impedir o prompto desenvol- 
vimento da planta. 

Esta palmeira gosta dos lugares seccos 
ou ao menos dos terrenos que ficam em 
secco na maior parte do anno, posto 
que sugeitos a serem regados por inun- 
daes peridicas; ella resiste perfei- 
tamente s invases prolongadas das 
aguas, com tanto que no cubram in- 
teiramente a parte inferior do tronco. 

Ento forma-se em roda do p uma 
espcie de orla produzida pelas raizes, 
e destinada a elevar o terreno, e a ga- 
rantir assim o caule d'uma demasiada 
infiltrao da humidade. 



E' o que se observa nos lugares que 
experimentam grandes inundaes, taes 
como certas partes do lugar chamado 
Carit^ da comarca do Crato no Cear, 
e principalmente nas margens do lago 
Parnagu, no Piauhy. 

Este lago, d'uma extenso de 25 
kilometros pouco mais ou menos, foi 
formado por uma depresso de terreno 
em fins do ultimo sculo. 

Antes do abalo que deu nascimento 
a esta colleco d'aguas, o valle de 
Parnagu estava coberto de uma flo- 
resta de Carnaxibeiras. 

Via-se ainda, ha alguns annos, em 
certas partes pouco profundas, alguns 
troncos do mesmo vegetal cercados de 
raizes. 

As palmeiras, cujo tronco no foi 
totalmente coberto pelas aguas, pu- 
deram resistir com o soccorro da orla 
de que acabo de fallar. 

A Carnaiibeira apresenta outro phe- 
nomeno ainda mais digno d'observao : 
que a secca a mais prolongada, con- 
vm perfeitamente ao seu crescimento, 
e desenvolvimento no Cear, e lugares 
circumvisinhos, onde no chove nunca 
durante seis mezes no anno, isto 
durante a estao chamada vero pelos 
naturaes do paiz : a Carnaubeira exhibe 
um poder vegetativo dos mais vigoro- 
sos, justamente n'esta estao quente 
e privada d'agua. 

No tempo da secca a maior parte das 
arvores, arbustos e sub-arbustos despo- 
jam-se das folhas ; as Gramineas seco 
e so levadas pelo vento; a terra das 
plancies argilosas, perdendo a humi- 
dade, abre fendas de perto de 20 cent- 
metros de profundidade. 

No meio d'esta scena tristonha, seme- 
lhante que oflferecem os invernos nas 
zonas temperadas, vm-se florestas im- 
mensas de Carnauheras em prospera ve- 
getao. 

A extraco da cera da Carnaba est 
calculada , nas duas provncias , em 
3.560,000 kilogrammas ; parte d'esta cera 
consome-se na fabricao das vellas, e 
outra parte exportada para as demais 
provncias do Imprio. 



i:i4 



CAR 



CAR 



No nos consta que esta cera tenha 
grande extraco na Europa ; porem no 
Imprio geralmente usada na illumi- 
nao domestica. 

Depois da extraco da cera aprovei- 
tara-se as palhas para fabricao de cha- 
pos, esteiras, vassouras, capachos, e 
cordas, conhecidas pelos indgenas por 
iicum ou tucum de Carnaba. 

As mesmas folhas prestam-se ao fa- 
brico do papel, e seria uma grande fonte 
de riqueza se se aproveitassem esses 
montes de folhas , que ordinarimente 
so queimadas depois da extraco 
da cera. 

A madeira conservando-se sombra, 
ou empregada em esteios, duradoura 
e incorruptvel. 

Na maior parte das construces do 
Rio Grande do Norte e Cear, no se 
emprega outra madeira seno a da 
Carnauieira. Tambm se presta para 
certas obras de marceneria, para ben- 
galas, etc, etc, 

muito dura, e d'um amarello ver- 
melho, com veios pretos, susceptvel 
d'um bello polido ; oferece manchas 
pretas, que produzem bello efeito. 

Propriedades medicas. As raizes 
so usadas nas afeces cutneas, e 
nos accidentes syphiliticos, na dose de 
30 grammas para 500 grammas d'agua, 
em cosimento. 

CarBiiiiciila. Gnilandina spitio- 
sissima. Fam. das Leguminosas. 
um arbusto do paiz, que no tem mais 
de 1 metro de elevao, conhecido era 
Pernambuco por este nome. 

Seus caules formam touceira. 

Todas as suas partes so eriadas 
de espinhos cerrados, tornando quasi 
impenetrvel a entrada na sua tou- 
ceira. 

As folhas so ellipticas, dispostas em 
palmas, e cheias de espinhos. 

As flores, em cachos pequenos, tam- 
bm com espinhos, so amarellas, com 
cheiro suave, e de cr desbotada. 

O fructo uma vagem quasi re- 
donda, um pouco deprimida, de cr 



de castanha, e to eriada de espinhos, 
que custa pegar-se n'ella ; abre-se na- 
turalmente em duas valvas coriaceas, 
contendo duas sementes lisas, arredon- 
dadas, ovaes, um tanto deprimidas, de 
cr cinzenta esverdinhada , e muito 
duras. 

So empregadas como desobstruentes 
das vsceras abdominaes. 

Esta espcie vegeta no littoral, e 
gosta da beira-mar. 

Caro ou Caroat. Bromelia 
vanegata., Arr. Cam. Fam. das Bro- 
meliaceas. planta herbcea, habi- 
tante dos sertes das provncias do 
Norte, e por esse nome conhecida. 

No tem caule ; um molho de fo- 
lhas ensiformes, de 1 a 2 metros de 
comprimento, bordas reviradas, cilia- 
das, lanando do centro uma vergon- 
tea de 66 a 88 centmetros, da qual 
brotam flores em cachos, de um azul 
purpurino ; tendo por fructo uma baga 
oval, medindo 27 e % millimetros, a 
qual encerra algumas sementes. 

A ptria d'esta planta o valle de 
S. Francisco at o Cear, onde espe- 
cialmente floresce. 

Fornece bom linho, segundo o Dr. Ar- 
ruda Camar. 

Car oba. Bignonia brasiliana, Lamk. 
Jacarand brasiliana., Personn. Hor- 
delestris syphilitica^ Arr. Cam. Bigno- 
nia Copaia , Auble Fam. das Bigno- 
niaceas. Arbusto trepador, de folhas 
ou galhos oppostos. 

As folhas so em palmas oblongas. 

As flores em cachos, amarellas, e cam- 
panuladas, simulando cornetas. 

O fructo uma vagem pequena, con- 
tendo gros achatados. 

A casca d'este vegetal , e de outros 
da mesma famlia, contem um princpio 
amargo, e adstringente. 

Propriedades medicas. As folhas 
da Caroba empregam-se contra as bou- 
bas, a syphils, as escrophulas, quer se 
manifestem por hereditariedade , quer 
sejam adquiridas, especialmente contra 
as aff'ecces cutneas chronicas. 



CAR 



CAR 



13S 



Faz parte da celebre massa antibou- 
batica de Joo Alves Carneiro. 

Internamente 8 grammas para 875 
grammas d'agua, em decoco. 

. Caro9>a lraiica. Sparratosperma 
lithontriplimm, Mart. Bignonia leucan- 
ta , Vell. Fam. idem. Esta planta , 
congnere das carobas , tem a mesma 
virtude depurativa, diurtica e lithon- 
triptica. 

Propriedades medicas. E' um re- 
mdio prodigioso, usado desde remotas 
eras pelos ndios do Brasil como o ver- 
dadeiro purificador do sangue, nas af- 
feces diathesicas. 

Caroba de lr verde. Cy- 

histax anti-syphilijica, Mart. Bignonia 
qninquefolia, Vell. Fam. idem. 

Propriedades medicas. Esta Caroba 
um anti-syphilitico ; mas empre- 
gada tambm na reteno das ourinas, 
e nas hydropisias. 

Fazem-se loes, nas ulceras syplii- 
liticas, com o cosimento de suas folhas. 

O infuso se prepara na proporo de 
4 grammas para 500 grammas d'agua. 

Caroba guyra. Bignonia pur- 
gans. Fam. idem. Esta espcie de 
Caroba, segundo Eidel, tem a raiz 
purgativa, e muito usada no alto 
Amazonas. 

Caroba da niiiida. Hordelestris 
undulata., Arr. Cam. Fam. idem. 
A este arbusto tambm chamam Caro- 
binha, oa Casco de cavallo. 

Caroba (outra espcie). Jacarand 
p'0cera, Spreng. Fam. idem. 

Propriedades medicas. Esfoutra 
espcie de Caroba tambm anti- 
syphilitica. 

Suas folhas so empregadas contra 
a syphilis, em cosimento. 

Applica-se tambm sobre as ulceras 
syphiliticas, polvilhando-as cora o seu 
p. 



Caroba paiilistaii. Jacarand 
exiphylla. Fam. idem. Tem os mes- 
mos usos do Jacarand procera; todas 
estas Carobas tem mais ou menos as 
mesmas virtudes, e so, alm de anti- 
syphiliticas, diurticas e purgativas. 

Carola aia. Andenanhera pavonia, 
Linn. Fam. das Leguminosas. Arvore 
da ndia cultivada no Brasil. 

uma frondosa arvore, de folhas em 
palmas midas. 

Flores brancas e pequeninas. 

O fructo uma vagem comprida, 
contendo sementes redondas e verme- 
lha.s, que parecem vidradas. 

As folhas so antirheumaticas, e as 
sementes comem-se cosidas. 

Os chins ou os ndios das Mololucas 
fazem com elles enfeites e ornamentos 
de pescoo. 

Esta planta tambm tem o nome de 
Conors. 

Carqueja aiiiarg:osa. Baccharis 
triptera., D. CCacalia amara, e C. decur- 
rens, Vell. Fam. das Compostas. Esta 
espcie de planta vegeta no Rio de Ja- 
neiro, em b. Paulo, no Rio-Grande do 
Sul, e em Minas. 

Propriedades medicas. um tnico 
e anti-febril muito empregado; d-se 
nas dyspepsias e diarrhas, em cosi- 
mento adoado com o xarope de casca 
de laranja. 

O infuso se prepara com 12 grammas 
da planta para 459 grammas d'agua. 

O extracto d-se na dose de 2 grammas. 

E' tambm til nas obstruces do 
fgado. 

Carcfiieja loee. Baccharis Gav- 
dichaudiana, D. C. Cacalia , sessilis, 
Vell. Fam. idem. Estti espcie vi- 
sinha da outra, e torna-se recommen- 
davel pelas suas propriedades tnicas 
e anti-febris. 

E' muito usada na arte veterinria 
contra as molstias chronicas. 

Cnvrupato. Carrapateiro , ou 



ff36 



CAR 



CAR 



flainnxta. Richms communis, Linn. e 
Spl. Fam. das EupJiorbiaceas. E' um 
arbusto agreste, originrio da ndia e 
da Africa, segundo dizem os autores. 

Cultivam-no no Brasil , onde co- 
nhecido por um e outro nome, dos quaes 
o primeiro o de um insecto do paiz, 
que se agarra aos animaes e aos ho- 
mens, causando grande incommodo. 

O Carrapato cresce at 4, 5 metros e 
mais; esgalhado, seu tronco no- 
doso e oco. 

O lenho brando e alvo. 

As folhas em forma de palmas , ou 
circulo dividido em lacinas, e com pe- 
ciolo fistuloso. 

As flores, em cachos rolios, so ou 
parecem feixes de filetes reunidos. 

O fructo uma noz redonda achatada, 
de gommos, apresentando um tegumento 
herbceo exterior, e trs lojas cnicas, 
em cada uma das quaes se aloja uma 
semente quasi oval, brilhante, cinzenta 
6 coroada por um corpo carnoso. 

A amndoa d'esta semente mui oleosa. 

Os fructos estalam quando maduros, e 
lanam as sementes por terra. 

donde se extrahe o leo de rcino 
da Pharmacia. 

Ha quatro espcies de sementes de 
rcino, a saber: pequena, grande, ver- 
melha e branca; da pequena que se 
extrahe maior quantidade de leo. 

Propriedades medicas. As folhas do 
Carrapateiro so tidas como emollentes, 
e seu cozimento empregado contra os 
tumores, em banhos. O leo, que d'elle 
se extrahe, o leo de rcino, muito usado 
internamente na dose de 30 a 60 gram- 
mas, como purgativo. 

Cpri|eiro uiolle. Ricimis. 
Fam. idem uma espcie seme- 
lhante ao Carrapateiro grande, tendo s 
a differena de ser o tecido exterior da 
semente tnue, de sorte que facilmente 
com um palito se atravessa a sua amn- 
doa; por isso que a populao pobre 
do serto enfia uma poro de sementes 
successivamente em um ponteiro, e ac- 
cendendo-o serve-se d'elle como vella. 



conhecido em Pernambuco por esse 
mesmo nome. 

CnrrKpieliiiilao. Urena sinuata, 
Linn. Fam. das Mahaceas. Monadel- 
pMa Polyandria, Linn. Esta espcie 
oriunda do paiz um arbustinho que 
vegeta francamente pelas bordas dos 
caminhos, ruas mais desertas e qun- 
taes. 

esgalhado, cresce pouco, at 1 a 2 
metros, ou pouco mais. 

As folhas so meio lobadas,e mui ba- 
as. 

As flores so de cr de rosa viva, e bo- 
nitas, mas sem cheiro. 

O fructo secco, quasi como o quiabo, 
porm menor, e abre-se da mesma forma; 
tem sementes verdes, redondas, acha- 
tadas. 

Tambm o chamam Quiabo bravo, e nas 
Alagoas Carrapicho. 

uma das espcies que do matria 
prima para cordoaria. 

As folhas usam-se contra tosse, em 
infuso. 

CaB*Fai>ifIto. Urena sinuaa, Arr. 
Cam. Fam. das Mahaceas. E' conhe- 
cida em Pernambuco por este nome ; no 
Rio de Janeiro, Minas e S. Paulo, pelo 
de Guaxima. 

A casca dessa planta separa-se facil- 
mente, deixando-amacerar durante quin- 
ze dias. 

D'ella se faz corda, que emprega-se 
em diversos uzos. 

CarrapieSto d'aiullia. Coreo- 
psis tricornea. Fam das Compostas. 
Esta espcie, conhecida por este nome 
em Pernambuco, no Par, e talvez nas 
mais provncias do Norte, uma ele- 
gante herva que cresce nos quintaes e 
matos adjacentes. 

Sua altura chega at 8S centmetros 
pouco mais ou menos. 

Seu caule, ora esverdinhado, ora ro- 
xeado, esgalhado, com folhas recor- 
tadas em forma de pequenas palmas. 

As flores, amarellas e midas, tero 
um pequeno clice verde, bordado de 



CAR 



CAR 



137 



Iblhinas amarcllas em redor, com um 
aggregado de outras folhinhas no centro. 

Tem pouco cheiro. 

O fructo uma pequena capsula 
comprimida e preta, tendo no pice 
trs aguilhes, que se apegam roupa. 

E' dolorosa a sua picada. 

Propriedades medicas Esta planta 
passa por um infallivel remdio para a 
ictercia; usa-se interna e externamente. 

Carrapiclio beio tie boi. 

Desmodium diureticum. Fain. das Legu- 
minosas. Herva agreste oriunda do 
paiz, e conhecida em Pernambuco por 
tal nome. 

Alastra levantando a parte superior 
dos ramos, que so castanhos ; com fo- 
lhas compostas de 3 foliolos ovaes. 

As flores so roixas, e em caixinhos, 
que parecem pequenas borboletas. 

O fructo uma vagem pequena com- 
prida, recta d'um lado, e d'outro for- 
mando salincias e depresses. 

Em cada diviso encerram-se uns 
grosinhos. 

Toda a planta tem um pello mui 
curto. 

O fructo adhere roupa, e mesmo 
ao corpo dos animaes ; agarra-se por 
exemplo, aos bois, mormente nos beios, 
quando aquelles pastam. 

Esta herva applicada domestica- 
mente nas gonorrhas. 

Na Bahia conhecida por Papo de 
Peru. 

Cetri*apiebo de eaSt*ala. Tri- 

%mfeta semitriloba. Fam. das Tiliaceas. 
Planta do paiz de folhas alternas, de 
base oval, trilobada, e flores amarellas. 

O fructo uma capsula redonda, es- 
quinada, com espcies de espinhos. 

O decoto empregado em injeces 
contra as gonorrhas. 

Dos ramos tira-se uma filaa, de que 
se fazem cestinhas, etc. 

Ha ainda : Triumfeta eriocarpa, St. 
Hil. Triumfeta lappua, Vill Triwm- 
feta sepitim, St. Hil. Triumfea hete- 
rophi/lla., Lamk. 



Carrasco. Cambessederia, umbeli- 
cata. Fam. das Melastomaceas. Ar- 
busto agreste, que abunda nas provn- 
cias do norte do Brasil, e borda as 
estradas. 

por- este nome conhecido nas Ala- 
goas, e no interior. 

uma planta de porte mediano, 
ramosa. 

Caule coberto de pennugem esbran- 
quiada. 

Folhas ovaes, lustrosas, de verde es- 
curo por cima, e esbranquiadas na 
parte inferior. 

Os pednculos regulares. 

Flores brancas e pequenas. 

Os fructos como pequenos glbulos 
arroxeados, com uma polpa, envol- 
vendo sementes midas. 

Toda a planta cobre-se de um pello 
macio e louro, que esconde s vezes 
os rgos da fructificao. 

Caruru. V, Bredo Ca^-ur, e tam- 
bm Bredo macUo. 



Caruru azedo. 



V. V7iagreira. 



Cariirti da matta o^i verine- 
llao. Amaranthus melanchoUcus ., Linn. 
Fam. das Amaranthaceas . Herva 
conhecida nas Alagoas por este nome. 

agreste, de folhas oblongas, inse- 
ridas em um caule pequeno, suecu- 
lenta, com os peciolos longos, e in- 
feriormente roxos 

Brota sobre o pednculo um boto 
herbceo quadrangular, alado, que tem 
no centro uma reunio de muitas flo- 
res miudissimas, como tambm so as 
sementinhas. 

Caruto. Genipa caruto, Kunth. 
Fam. das Rubiaceas. O Caruto como 
um Jenipapeiro ordinrio, que d no ter- 
ritrio de Cayenna e no Rio Negro. 

indgena do paiz; suas folhas so 
grandes, ovaes, obtusas, Insidias por 
cima, um tanto speras por baixo. 

O fructo d uma tinta, com que os 
ndios tingem o corpo, principalmente 
o rosto. 





flSH 



CAS 



CAS 



O poyo de Carthagena chama-lhe Estas sementes teem o embryo erecto 



Xagu. 

Ca^ira aniai^jL^osa do Alwra- 
iilio. V. Guereroha de remo. 

Caset d' Anta. Drymis Winteri. 
Fam. das MagnoUaceas. Arvore silves- 
tre de Minas Geraes, e S. Paulo. 

Suas folhas so grandes, ovaes, suc- 
culentas, e aggregadas nos ramos. 

As flores so igualmente grandes. 

EUa floresce em Fevereiro e Setembro. 

Os habitantes d'aquenas provncias 
empregam a sua casca como estimu- 
lante e tnico. 

Caracteres da famlia. Esta fa- 
mlia composta de grandes e bellas 
arvores, ou de arbustos elegantes, ador- 
nados de lindas folhas alternas, quasi 
sempre coriaceas e persistentes , pro- 
vidas na base de estipulas foliaceas. 

As flores espalham um suave perfu- 
me; so quasi sempre muito grandes 
e geralmente axillares. 

O clice se compe de trs a seis 
sepalas frgeis. 

As ptalas variam de trs a vinte e 
sete, formando alguns verticillos. 

Os estames, mui numerosos e livres, 
so dispostos em diversas ordens e li- 
gados ao receptculo , que sustem as 
ptalas. 

Os pistillos numerosos, ora reunidos 
circularmente, e sobre uma nica ordem 
no centro da flor , ora formando um 
capitulo mais ou menos dilatado. 

Esses pistillos so compostos de um 
ovrio unilocular, contendo um ou mais 
vulos, de um estylete apenas distincto 
e de um estigma simples. 

Os fructos so carpellas seccas ou 
carnosas, reunidas circularmente sob a 
forma de uma estrella, ou dispostas em 
captulos, e algumas vezes todas ligadas 
entre si. 

Cada carpella indehiscente, ou se 
abre por uma sutura longitudinal ; e 
as sementes so algumas vezes sus- 
tentadas por um trophosperma suturai 
e filiforme, que pende para fora quando 
o fructo se abre. 



em um endosperma carnoso. 

Casca doc*e. Andradea dulcis. 
Fam. idem. Planta do Par. 

Caea de laraiajeiru da terra 

Evoia febrfuga. Fam. das Rutaceas. 
Esta arvore natural de Minas-Geraes. 

E' amarga, tnica, febrfuga. 

Aconselha-se como succedanea da 
Quina. 

Casca para tudo. Cinamoden- 
dron axillare, Mart. Fam. das Laura- 
ceas. A casca d'esta planta, amarga, 
natural do Brasil, onde existem duas 
espcies, que passamos a descrever. 

Al.'* espcie do Para-tudo tem a casca 
larga pouco arqueada, da grossura de 5 
millimetros, no comprehendendo a ca- 
mada cortiosa. 

Ella leve, quebradia e granulosa, 
de um amarello cr de laranja ; a parte 
interior coberta de uma pellcula fina 
e esbranquiada. 

A camada cortosa da grossura de 
2 a 3 millimetros, profundamente gre- 
tada, e facilmente se separa do lber, 
exteriormente cinzenta, e interiormente 
de cr verde amarellada ; parece for- 
mada de camadas concntricas, nume- 
rosas e mui ligadas. 

A casca de um sabor amargo. 

A segunda espcie do Para-tudo tem 
a casca larga, mais composta que a 
da precedente, da grossura de 1 mil- 
limetros quando muito, quebradia ; 
um pouco avermelhada e granulosa, 
excepto a parte interna que formada 
de algumas laminas finas, muito fibro- 
sas e de uma cr cinzenta escura. 

A camada cortiosa da grossura 
de 2 millimetros, adherente ao lber, 
rugosa e gretada, de textura seme- 
lhante da cortia, e tendo como ella 
as fibras perpendiculares s do lber. 

Esta casca de sabor extremamente 
amargo . 

Propriedades medicas. E' empre- 
gado o Para-tudo contra o fastio, de- 



CAS 



CAS 



13S 



bilidade geral, diarrha, febres inter- 
mittentes, mordeduras de cobras, etc. 
Internamente, 8 grammas para 90 
grammas d'agua, em cosimento. 

Casca gireciosa. Mespilodaplme 
fretiosa^ Mart. Cryptocarea fretiosa. 
Fam. das La%raceas. Esta planta 
abundantssima no Rio-lNegro. 

Sua casca aromtica e excitante. 

Propriedades medicas. E' empre- 
gada na asthenia nervosa por abuso 
dos prazeres venreos, nas dores sy- 
philiticas das articulaes, e nos ca- 
tar rhos chronicos. 

D-se em infuso, e cosimento, inter- 
namente e em banhos. 

Ca^carrilSia. Croton Cascarrilla^ 
Linn. Fam. das Euphorbiaceas. E' um 
arbusto oriundo do Peru, do Paraguay 
e do Brasil ; tem pequeno porte, 
muito esgalhado e esbranquiado. 

Seus ramos e folhas so cobertos de 
pello macio e estrellado, sendo as folhas 
lanceoladas e pequenas. 

As flores, em espigas, midas e es- 
verdinhadas. O fructo de trs quinas, 
e trez caroos. 

A casca d'este vegetal objecto de 
commercio para a Europa : ella tem 
cheiro activo e resinosa : d'ella se 
extrahe um leo voltil de cheiro suave. 

Suas propriedades so comparadas s 
da Quina ; tnica e obra como esti- 
mulante enrgico. 

Casca cri III a falsa. V. Qvna do 
Rio de Janeiro. 

Casaco de eavallo . Barharier 
ondulatus. Planta de Pernambuco em- 
pregada contra as bobas. 

Ca9i<|iiiii3io. uma planta in- 
dgena, que d uma fructa redonda de 
55 millimetros de comprimento, de cr 
amarella, quando madura, e semeada 
de pontinhos translcidos. 

tenaz, tem cheiro activo, e contem 
dentro uma massa amarella, esponjosa 
e aquosa, com um caroo oval no centro. 



Cassatiii^a de esplnlio. Y. 

Catota de esi^inlio. 

Cassatin;a niania. Solanum 
anilatum. Fam . das Solanaceas. Ar- 
busto silvestre conhecido nas Alagoas 
por este nome. 

Suas folhas so em forma de mouta, 
e cahem umas sobre as outras; ellas 
so cobertas de um pello macio e branco 
de cr verde azulada, estreitas e midas. 

As flores em cachinhos e de cr 
roxa clara. 

D um fructo de 27 a 28 millime- 
tros de comprimento, redondo, esver- 
dinhado, coberto de pello, e que con- 
tem muitas sementes pequenas envoltas 
em uma massa aquosa. 

No se come, 

Castanha do Par ou do Ma- 
ranho. Bertholletia excelsa., Eumh. 
e Bomi). Fam. das Myrtaceas. Arvore 
gigantesca e habitante do Par e do 
Maranho, de tronco erecto, cylindrico, 
elevando-se a mais de 32 metros de al- 
tura, alcanando um dimetro de '/4 a 1 
metro e mais. 

Ramos muito compridos, com as ex- 
tremidades vergadas para baixo, muito 
foliosos. 

Folhas alternas, grandes, curtamente 
pecioladas, oblongas e quasi coriaceas, 
inteiras; face superior de bella cr ver- 
de, e inferior esbranquiada, e apresen- 
tando nervuras ou veios transversaes. 

O fructo uma noz espherica, do tama- 
nho da cabea de uma criana, e ainda 
maior; verde, lisa e quadrilocular, con- 
tendo muitas sementes. 

Sarcocarpo fino; peri carpo muito so- 
lido cheio de sulcos ram osos, e com seis 
linhas de espessura. 

Sementes fixas a um trophosperma 
central pela extremida de inferior, sendo- 
cada uma envolvida por dois perisper- 
mas: um exterior rugoso, cr de ca- 
nella clara, formado de duas laminas 
de consistncia lenhosa, e outro inte- 
rior, mais fino que o precedente, e tam- 
bm formado de duas laminas tran.spa- 
rentes, estreitamente unidas. 



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CAT 



CAT 



Amndoa oblong:a, trianp:ular, de an- 
^ulos obtusos ; 6 branca tendo muita 
analogia com as amndoas da Europa. 

Estas amndoas s-Sg excellentes para 
comer-se, e de sabor exquisito; podem 
perfeitamente substituir as amndoas 
loces. 

Ca^ra cia iiiatta. Arvore do paiz. 

Catiiij^^a tic iiiaeatM l>i*Mva. 

Stizolohium pungens. Fam. das Legnrai- 
nosas. Arbusto trepador, aggreste, co- 
nhecido por este nome em Alagoas e Per- 
nambuco. 

Seus caules trepam sobre outras plan- 
tas. 

As folhas trifolioladas,subangulosas e 
pillosas. 

As flores em feixes, de roxo escuro azu- 
lado, como a flor do feijo, e sem cheiro. 

O fructo uma vagem rolia, e achata- 
da de um lado, coberta de pellos longos, 
bastos e picantes, que produzem dr 
como a de queimadura, na pelle ; encerra 
sementes como gros do feijo, mas com 
o ponto de insero mais dilatado. 

CatSiig:a Siraiiea. Senharia iin- 
ctorium, Arr. Cam. Fam. das legumi- 
nosas. Arbusto que abunda em Per- 
nambuco, na Parahyba e no Cear. 

As folhas e a casca tm um cheiro 
agradvel, que se assemelha ao do Cravo 
da ndia. 

Ella se acha com abundncia nos ser- 
tes. 

Produz pela ebuUio uma tinta de 
cr amarella, muito usada na arte da 
tinturaria. 

Propriedades medicas. O decocto 
empregam-no para curar as sarnas, em 
loes. 

Calina de iiiaeac Buasisa. 

Dyphisa flava. Fam. idem. - Arbusto 
trepador natural do paiz, que em qual- 
quer matto se encontra. 

E' conhecido em Alagoas, Pernam- 
buco e Sergipe por este nome; tam- 
bm o chamam Fava brava. 



Caule delgado ; folhas trifolioladas, 
e semi-angulosas na forma, cobertas 
do lima espcie de coto. 

Flores, reunidas em espigas, so quasi 
azues, midas, e tm algum aroma. 

O fructo uma vagem cliata, de 66 
a 88 centimetros de comprimento, es- 
treita e vinculosa ; as bordas so semi- 
recortadas, de cr parda, e as sementes 
so castanhas como as do feijo. 

Esta planta trepa pelas outras ; u 
cosimento d'ella applicado em ba- 
nhos aos animaes atacados de piolhos. 

Catiitj^a de iiiiilatu. Lxicas 
martinicensis., Bentli. Stachys fluminensis, 
Vell. Stachys recta. Fam. das Labiadas. 
E' um arbusto de folhas cordiformes, e 
flores amarellas. 

Propriedades medicas. Elle em- 
pregado como anti-hysterico, e nas dores 
arthriticas. 

O cozimento applica-se em banhos 
como anti-rheumatico. 

As flores so carminativas ; d-se em 
infuso. 

dtints^\ 5 laea. Elosagnus ca- 
tinga. Fa7n. das Tliymeleaceas . Arvore 
silvestre conhecida por este nome nas 
Alagoas. 

Suas folhas so oppostas no ponto de 
insero; tem um aroma enjoativo. 

Suas flores so semelhantes a pequenos 
botes, cujo fructo menor que um ara 
ordinrio, encerrando 2 ou 3 sementes 
de tamanho regular. 

Caracteres da famlia. Arbustos, 
raramente plantas herbceas, de folhas 
alternas ou oppostas, inteiras, tendo as- 
flores terminaes ou axillares em forma 
de sertulas, de espigas solitrias, ou reu- 
nidas no centro das folhas. 

O clice geralmente colorido e petn- 
loide, mais ou menos tubuloso, de quatro 
ou cinco sepalas embricadas antes de 
desabrochar. 

Os estames geralmente em numero de 
oito, dispostos em duas ordens, ou de 
quatro, ou simplesmente de dois, so in- 



CAT 



CAT 



144 



seridos, e em geral sesseis, nu parede 
interna do clice. 

O ovrio unilocular, e contm um 
s ovulo pendente. 

O estylete simples, terminado em 
um estigma igualmente simples. 

O fructo uma espcie de no/ ligeira- 
mente carnosa por fora. 

O embrj^o, que voltado como a se- 
mente, est contido em um endosperma 
carnoso e delgado, e tem a radicula su- 
perior. 

Os gneros principaes d'estH famlia 
so Daphne, Stellera, Passerina, Pimelea, 
etc . As Daphnaceas formam um pequeno 
grupo muito natural . que differe das 
Eleagneas pelo ovulo pendente, e no 
erecto, e, das Santalaceas, pelo ovrio 
livre e uniovulado. 

Catiiag: tle jioreo. V. Cip ca- 
tiiiga de porco. 

Catiii^iaa ou CatiiKsia. Tri- 
chilia catigua., St. Hil. Fam. das Me- 
liaceas. E' uma arvore silves-tre que 
cresce em Minas Geraes. 

E' de grande altura. 

Suas folhas so dispostas em palmas. 

As flores, amarellas, em cachos. 

O fructo capsular. 

O lenho d'esta arvore avermelha- 
do. 

Ha trs espcies : florescem em Abril. 

Cat n; a ei i*a . Coesalpinia . Fam. 
das Leguminosas. E' uma planta do 
paiz, da qual se extrahe uma bella tinta 
amarella. 

Catiiig;iieit*a I>a*av. Croton. 
Fam. das Euphorbiaceas. Esta espcie 
tambm d uma tinta amarella, digna 
de ser utilisada na tinturaria. 

Crttoj. V. Herva de Santa Maria 
ou, Caapeba. 

Catol Rhapis paramidata. Farn. 
das Palmoxeas. E' uma palmeira, de 
altura mediana, de 31 a 33 metros 
pouco mais ou menos. 

Seu caule quasi lizo, de 2 a 3 



centmetros de dimetro, mais fino na 
base e mais grosso no alto. 

O ramalhete das folhas toma direc- 
o vertical, e estas so de cr azu- 
lada. 

D cachos de flores, compridos, as 
vezes de mais de um metro. 

E' como grande numero de palmei- 
ras, de cr amarella barrenta, com 
aspecto de flor de cera. 

O fructo de (50 millimetros de 
dimetro, ovide, de casca parda, tendo 
no pice um ponto agudo. 

Na base ha uma roseta de escamas. 

Essa casca do fructo de cr ama- 
rella no interior, e encerra uma massa 
da mesma cr, polposa , um tanto 
aquosa e oleosa ; a parte que se 
come, 

Encontra-se dentro um caroo sseo, 
contendo uma amndoa branca, muito 
oleosa e de gosto agradvel. 

O leo d'esta amndoa no s ex- 
cellente para usos culinrios como 
para luz. 

Na provncia das Alagoas, onde mais 
abunda esta palmeira, a pobreza no 
tempo da fructa faz excurses nas mattas 
para colhel-a. 

Catota. Solanum calota. Fam. da^s 
Solanaceas. Esta planta sylvestre co- 
nhecida nas Alagoas e em Pernambuco 
por este nome. 

um arbusto baixo, de 2 a 2 '/^ me- 
tros de altura pouco mais ou menos, 
de poucas folhas, marchetadas no seu 
limbo, aloiradas, e com a orla cavada. 

As flores, semelhana das da Juru- 
beba, porm mais escuras e maiores. 

O fructo, tambm como o da Junibeba^ 
mas do tamanho de um limo grande. 

Caota l es|iiHho. Solammi pi- 
per. Fam. /</??/2. Esta outra espcie 
muito semelhante precedente, dife- 
riudo apenas em que esta se enrola sobre 
os outros vegetaes, e todas as partes da 
planta esto cobertas de pellos hispi- 
dos, longos e loiros, pelo que custa a 
pegar-se n'ella; produz na pelle sensa- 
o de queimadura. 



i4 



CEB 



CEB 



Caiiassi. Threkelia hracleata. 
Fam. (las Chcnopoeaceas. Esta arvore 
oriunda do paiz de porte pequeno. 

Seus ramos, como formados de arti- 
culaes nas pontas, so acinzentados 
e. fistulosos. 

As folhas em figura de lana, e al- 
ternas. 

A-S flores do em espigas intermeadas 
de escamas membranosas. 

O fructo uma pequena noz, com 
uma ou outra semente dentro. 

Caxaporr lo g,-eiito. Termi- 
iialia argetitea^ Mart. Fam. das Cotnbre- 
taceas. Arvore do Brasil ; vegeta em 
Minas-Geraes. 

Tem um porte muito bonito, e flores 
pm pequeninos cachos. 

D um fructo semelhana de uma 
noz. 

Esta arvore produz tambm uma gom- 
ma resina, semelhante a gomma gutta ; 
purgativa na dose de 6 decigrammas, 
dada em emulso ou em plulas. 

Caxiin. Sapium ilicifoUum, Willd. 
Fam. das EuphorMaceas. O Caxim 
uma arvore do paiz, que tem espinhos 
e folhas ovaes. ' 

Suas flores, em cachos, ou em espi- 
gas, so de sexos separados, e midas. 

A fructa uma capsula de 3 gom- 
mos e 3 lojas com sementes redondas. 

Cayaponia. V. Purga do gentio. 

CebiBBira l>ranea. V. Secupira. 



Cebigtsra lo campo. 

pira. 



V. Secv,- 



Apresenta-se como um feixe de folhas 
estreitas, compridas, flstulosas, na su- 
perflcie da terra. 

D um pendo, em que se notam flo- 
res brancas e pequenas. 

O fructo muito pequeno. 

Na base da reunio das folhas existe 
um bolbo, que a cebola, de que fa- 
zemos uso. 

Este bolbo redondo compe-se de 
duas membranas de cr de castanha 
avermelhada, delgadssimas e friveis, 
seguindo-se depois uma substancia 
branca, aquosa, espessa e transparente, 
disposta em varias camadas concn- 
tricas, que se separam com facilidade. 

de sabor acido, doce e picante. 

Celola eeeft. AmaryUs hella- 
dona., Linn. Fam. das Amaryllidaceas . 
Esta planta, indgena do Brasil agreste 
e cultivada, conhecida nas Alagoas 
por Celola do matto. 

herbcea; suas folhas, nascidas da 
superfcie da terra, so de um verde 
desmaiado, em figura de lamina de es- 
pada, porm longas e reviradas. 

Deita um pendo do centro, que d 
flores grandes, em forma de funil, com 
seis recortes ou pontas, de cr vermelha 
pallida, sem cheiro. 

No centro existem seis estames longos. 

O fructo uma capsula com trs 
cotnpartimentos, nos quaes se acha 
uma poro de sementinhas. 

Esta planta como a Aucena na 
forma da flor e porte ; tem na base uma 
raiz semelhante cebola, porm mais 
allongada ; a tnica esbranquiada, 
o sabor pouco picante. (Fig. 16.) 



Cr?>i|ira Ia niatta. V. Secupira. 

CelsoJa. Allium cepa, Linn. Fam. 
das Liliaceas . Esta planta, cuja verda- 
deira ptria se ignora, muito culti- 
vada, e usada em toda parte. 

Veio-nos da Europa e um dos pri- 
meiros ingredientes da arte culinria, 

Tambm no Brasil se cultiva, nas pro- 
vncias do Sul. 



Propriedades medicas. Usa-se o 
bulbo em xarope nas afeces pulmo- 
nares, na bronehite, e sobretudo na 
asthma. 

vomitiva e expectorante. 

Caracteres de famlia. Plantas de 
raiz bulbifera ou fibrosa, de folhas ra- 
dicaes, de flores muitas vezes gran- 
dssimas, solitrias, ou dispostas era 
sertulas ou umbrellas simples, envol- 



CEB 



CEG 



f43 



vidas, antes, do seu desabrochar, em 
espathas scariosas. 

O calise gamosepalo , tubuloso, 
adherente pela base ao ovrio, de seis 
divises iguaes ou desiguaes. 

Os estames, em numero de seis, tm 
seus filetes livres, ou reunidos por 
meio de uma membrana. '' 

O ovrio de trs lojas, contendo 
cada uma grande numero de vulos 
anatropos . 

O estylete simples, e o estigma 
trilobado. 

O fructo uma capsula de trs lojas, 
e de trs valvas septiferas ; algumas 
vezes uma baga que, por aborto, s 
encerra uma ou trs sementes. 

Estas, que offerecem frequentes vezes 
uma caruncula cellulosa , apresentam 
em um endosperma carnoso um embryo 
cylindrico e homotropo, mais curto que 
a semente. 

Roberto Brown dividiu a familia das 
^arciseas de Jussieu em duas orden^ 
naturaes : as Hemerocallideas, onde elle 
collocou os gneros de ovrio livre, e 
as AmarylUeas, que so as verdadei- 
ras Nardsseas de ovrio infero. 

O mesmo celebre botnico tambm 
retirou das Narcisseas de Jussieu os g- 
neros Eypoxis e Ctirculigo, dos quaes fez 
um grupo sob o nome de Hypoxideas, 
que nos parece pouco diferente, das 
verdadeiras Amaryllideas. 

Richard reunio s HemerocalUdeas 
3 familia das Liliaceas. 

CeFsoSa cio EnsaStc. Veja-se Ce- 
lol cecera. 

CcboEisilio o CebolBBtIia. 

Allivm scJioenoprasum^ Linn. Fam. das 
Liliaceas. Esta planta oriunda da 
sia na Sibria, cultivada desde mul- 
os annos em nossas hortas, e de usos 
geral. 

Cresce de 4 a 6 e )4 decimetros. 

Tem um bolbo na base das folhas, 
pequeno como o do Alho; d'ahi sahem 
as folhas estreitas, istulosas, dirigid-as 
verticalmente; formam um pendo seme- 
lhante ao Alho^ onde se notam fiorinha; 



brancas reunidas; d'estas geram-se as 
fructinhas, que contm sementes pretas 
muito midas. 

O bolbo como o da Cebola^ em 
ponto pequeno; as tnicas que o re- 
vestem so brancas , ou roixas em 
outra variedade da mesma espcie ; 
as camadas que o compe so for- 
madas de membranas finas. 

Ambas as qualidades so desobs- 
truentes, porm prefere-se a branca. 

Cebolinlo do Cainito. V. Alho 

de campina. 

Cetlpo. Cedrela brasiliensis. Adr. 
Jus. e St. Hil. Fam. das Meliaceas. 
Entra na ordem das plantas impor- 
tantes do Brasil. 

Esta arvore, muito aromtica, foi 
observada por St. Hil. e Adr. Jus. 

E' de folhas distribudas em palmas, 
oblongas, com flores em cachos pvra- 
midaes, brancas e grandes. 

Os fructos parecem primeira vista 
pitombas. 

O lenho do Cedro exhala muito cheiro, 
e quando se corta uma d'estas arvores, 

aroma se espalha a alguma distan- 
cia. 

A madeira parda, no offerece veios, 
e porosa. 

Ella presta-se marcenaria, escul- 
ptura , construco naval, etc, etc. 

E' uma das madeiras de corte prohi- 
bido pelo governo. 

Propriedades medicas. A casca 
adstringente e emtica. 

Cejfa ollao. Asclepias umbellata , 
Flor. Fliim. Fam. das Asclepiadaceas. 
Esta herva conhecida nas Alagoas 
por este nome, e por Saudade ou Ca- 
mar bravo em Pernambuco. 

E' uma herva elegante, de altura at 

1 metro pouco mais ou menos, leitosa 
em todas as suas partes. 

As folhas so lanceoladas, agudas e 
molles. 

As flores reunidas, formando como 
uma umbrella ou chapo de sol : umas 



144 



CEN 



CEV 



vermelhas , outras amarellas , c sem 
cheiro. 

Seu fructo uma capsula fusiforme, 
paliacea e geminada, contendo muitas 
sementes involtas em um feixe de pellos 
macios e brilhantes , como seda , ou 
sementes coroadas de plumas ; d'esta 
maneira , estas sementes voam com 
muita facilidade, logo que o fructo se 
abre. 

O leite empregado contra as dores 
de dentes. 

E' venenosa. 

Ci?iitaiiiri iimiiilea*,. Callo- 
fismoj perfoliatum^ Mart. Fam. das Gen- 
cianaceas. Esta planta vegeta em Minas ; 
herbcea. 

A raiz amarga, e empregada como 
tnica e estomachica. 

Ha outra espcie : Callopisma amplexi- 
folium, com as mesmas propriedades. 

CeBSieio. Secale cereale, Linn. e 
Bichr. Fam. das Gramnaceas. Planta 
herbcea, que cresce naturalmente na 
sia Menor, cultivada na Europa, e j 
hoje no Brasil. 

E' uma espcie de capim, cujas es- 
pigas so densas, com uns espores nas 
espiguetas. 

Do gro faz-se farinha , porm que 
um pouco pesada, e por isso s pro- 
. pria para estmagos robustos. 

Propriedades medicas. A cataplas- 
ma da farinha de centeio emoUiente 
e resolutiva. ., 

Cfsati-i egaoa'3o. Secale cor- 
nutum, Linn. Fam. tem. Esta espcie 
da Europa, e cliama-se assim porque 
atacada de cravagem, de uma subs- 
tancia que se desenvolve entre as valvas, 
no lugar da semente. 

E' um corpo comprido e arqueado, cy- 
lindrico e bojudo, violceo, de sabor ar- 
dente e cheiro particular desagradvel. 

Pro>rii;dades medicas. O centeio 
esporado um agente podei"oso para pro- 
mover as contraces uterinas, e um dos 



mais poderosos hemostaticos vegetaes 
que se conhecem ; usado interna ou 
externamente. 

D'elle se extrahe uma substancia, que 
se emprega muitas vezes de preferencia 
nos mesmos casos : a ergotina. 

Cereibft. V. Mangue branco. 

Ce5*e^>sina. V. Mangue amarello. 

Cei*eitiii|a. V. Mangue amarello. 

Cereja le SoESaas^ le gBeeeg,'0. 

Cerasus fersici folia., Loisel. Fam. .dax 
Rosceas. Arvore pequena da America, 
de folhas oblongas ; flores em cachos e 
brancas. 

Cultiva-se no paiz. 

Seu fructo globuloso, vermelho, liso, 
com um caroo dentro (espcie de noz), 
carnoso e acido. 

Cerejeira Se isiia^ii'. Melothria 
pe)idtila, Linn. Fam. das CuciirbiSaceas. 
Planta herbcea, trepadeira e de folhas 
recortadas. 

As flores so solitrias. 

Os fructos pequenos, so bagas alon- 
gadas com muitas sementes. 

Propriedades medicas. Esses fruc- 
tos so purgativos ; a dose para um adulto 
a metade de um d'elles ; e para ani- 
maes, como cavallos, etc, do-se trs a 
quatro fructos. 

Ceri. Avicennia servida. Fam. das 
Verhenaceas . E' uma arvore ou arbusto 
que vegeta nos pntanos e beira mar. 

As folhas so oppostas, com flores for- 
mando uma espcie de corneta. 

O fructo uma capsula. 

As folhas so adstringentes, e empre- 
gadas para tingir e curtir couros. 

Cevada. Hordeum mgare., Linn. e 
Richr. Fam. das Graminaceas , Esta 
espcie a mais abundantemente culti- 
vada. 

At hoje no se sabe positivamente a 
ptria da Cevada. 

A farinha nutritiva como todos sa- 



CHA 



CHA 



4S 



bem, o cozimento dos gros refrigerante; 
ella que constitue a base da cerveja. 

Cevada !nt. Hordeum dixti- 
cho?i, Nees. Fava idem. Tem as mes- 
mas propriedades da precedente. 

Ciit le IVaIe. Lantana fseudo- 
Ihea., St. Hil. Fam. das Verbeuaceas. 
Esta espcie vegeta em Minas Geraes. 

Pde-se fazer uma ida d'esta planta 
pouco mais ou menos pela planta Ca- 
mar. 

Propriedades medicas. empregada 
como excitante nas affeces catarrhaes, 
e nos rlieumatismos. 

liik. Casea)'ea Ungua., St. Hil. Fam. 
das Samydaceas. Arbusto do Brasil, 
conhecido por este nome na provncia 
de S. Paulo e por Lngua de fi^ na de 
Minas Geraes. 

Tem folhas lanceoladas. 

Flores pequenas em feixes nas axillas 
das folhas. 

O fructo pequeno, carnoso com um 
caroo. 

Floresce em Agosto e Setembro. 

Propriedades medicas. empregada 
em cosimento contra as febres malignas, 
e molstias inflammatorias. 

Caracteres da famlia. Arbustos 
todos exticos, que crescem nas re- 
gies mais quentes do globo, apresen- 
tando folhas alternas, dsticas, simples, 
presistentes, o mais das vezes com duas 
estipulas na base. 

As flores so axillares, solitrias ou 
em grupos. 

Tem um clix formado por cinco, e, 
mais raras vezes, trs a sete sepalas, 
reunidas todas em sua base, e formando 
algumas vezes um tubo mais ou menos 



-o 

longo 



divises mais ou 
coloridas em sua 



O limbo oferece 
menos profundas e 
face interna. 

A coroUa falta constantemente. 



Os estames so em numero igual, 
duplo, triplo ou qudruplo do das di- 
vises calicinaes, na base das quaes 
so inseridos ; so monadelphos, com 
quanto alguns d'entre elles sejam as 
vezes estreis e reduzidos a seu filete 
que se torna plano e felpudo. 

O ovrio livre, de uma s loja, 
contendo um grande numero de vulos, 
inseridos em trs ou cinco trophos- 
permas parietaes. 

O estylete simples, terminado por 
estigma capitulado ou lobulado. 

O fructo uma capsula unilocular, 
abrindo-se em trs ou cinco valvas, que 
trazem no meio de sua face interna, 
as sementes, envolvidas em uma polpa 
mais ou menos abundante, e colorida. 

Estas sementes oferecem um endos- 
perma carnoso, no qual existe um em- 
bryo mui pequeno heterotropo; isto , 
tendo sua radicula opposta ao hilo, ou 
ponto de insero da semente. 

Cla tia It^iUn.Thea suiensis, Noh. 
Fam. das Ternstrmmiaceas.E oriunda 
da China e.sta excel lente planta, cujo 
apreo e importncia geral nos paizes 
cultos, onde o Ch da hidia tem-se tor- 
nado uma bebida quasi commum. 

Elle um pequeno arbusto, e.sgalha- 
do, de caule escuro. 

Folhas oblongas, de verde escuro, e 
alternas. 

As flores so brancas, semelhana 
de rosas e com leve cheiro, sendo dis- 
postas em trinos, ou binadas. 

O fructo uma capsula de trs cocas 
redondas, cada uma com um caroo. 

O Ch, na sua terra natal, cresce at 
a altura de 9 metros, entretanto entre 
ns um arbustinho de 1 >^ a 2 metros 
quando muito. 

Propriedades medicas. E' excitante 
poderoso, sudorfico, diurtico, adstrin- 
gente e estomachico; activa as faculda- 
des intellectuaes. 

CI2 ssiate. llex. Ihesatia., Mart. 
Fam. das Celastrineas. Arbusto das pro- 
vncias do Sul, como Rio Grande e seus 
arredores. 



31 



146 



CHA 



CHA 



As folhas usam-sc como o Ch da 
Jndia ; so iim tanto excitantes e dia- 
phoreticas. 

C5iAlc j9ee8estfi*e. V. Ch de frade 
em Minas. 

Cts d trR*a. Fam. das Portula- 
caceas. Esta planta nasce no Maranho. 

E' uma espcie de Beldroega, mais ou 
menos. 

Propriedades medicas. E' emprega- 
da nas molstias nervosas, debilidade 
de estmago e dysmenorrha. 

Buddleja quinqiienaria. Fam. das Scro- 
fhulariaceas . Esta espcie conhecida 
nas Alagoas e em Pernambuco por este 
nome, persuadido o povo que o ver- 
dadeiro Ch da ndia; por isso tanto 
n'aquella provncia como n'esta, fazem 
uso das folhas como ch, nfhaiulo-o 
bom ao paladar. 

E' uma herva que f3rma moutas, de 
caule herbceo, e de cr de purpura. 

As folhas estreitas lustrosas, recor- 
tadas, de cr escura. 

As flores pequenas, brancas, seme- 
lhana da flor do Cafezeiro. 

O fructo uma capsula oval, oblonga, 
contendo grosinhos, que por si mesmo 
se espalham na terra. 

Resiste todo o vero sempre em ver- 
dura. 

Propriedades medicas. Faz-se uso 
em medicina como anodyno (calmante) . 

CltagsiS aaaisiSas. Trojyccolmn fen- 
taphyllmn, Lamh. Fam. das Tropoeola- 
ceas. E' uma planta trepadeira cresce 
em Montevideo, e no Rio-Grande do 
Sul. 

E' planta prpria para jardim. 

Propriedades medicas. Esta bella 
trepadeira gosa de virtudes anti-scorbu- 
ticas. 

ClBa;ueipa. V. Barhas de ba- 
rata. 

Cbaisalisia^. Carica digitata, Auhl. 



Fam. das rapayaccas. Esta arvore, 
que tem pouco mais ou menos o porte 
do Mamociro, vegeta s bordas do 
Amazonas. 

Consta que suas emanaes so to 
mortaes como d'aquella arvore da Ame- 
rica Equinoxial, conhecida por 3an- 
cenilla javanesis ? 

Drosera tuherosa. Fam. das Drosera- 
ceas. E' uma erva agreste do Brasil, 
que invade todos os teiTenos, geral- 
mente conhecida por Chanana em Per- 
nambuco, Parahyba e Cear. 

E' de 22 centmetros de altura pouco 
mais ou menos. 

Esgalha quasi rasteiramente, tendo 
umas tuberasinhas na raiz. 

As flores grandes, amarelladas, apre- 
sentando umas manchas roixas na 
base e meio das ptalas, em cujo cen- 
tro se v um froco de filetes. 

O fructo uma capsula pequena, c- 
nica, contendo muitos gros em forma 
de pequenas castanhas. 

Propridades medica. A Chanana 
muito medicinal ; sua batata se applica 
contra a dysenteria. 

Caracteres da famlia. Plantas 
herbceas, annuaes ou viraces, rara- 
mente subfructescentes, tendo folhas 
alternas, muitas vezes munidas de pel- 
los glandulosos, pedicellados, dispostas 
em cruz antes d seu desenvolvimento. 

O clice gamosepalo, de cinco di- 
vises profundas, ou de cinco sepalas 
distinctas, e de estivao imbricada. 

A corolla de cinco ptalas planas e 
regulares . 

Os estames, em numero de cinco 
algumas vezes de dez ou de vinte, al- 
ternam com as ptalas, quando ellas 
so do mesmo numero que estes l- 
timos. 

Antheras extrorsas, e livres; s ve- 
zes se acham, em face de cada ptala, 
appendices de forma variada. 

Estes estames so geralmente peri- 
gynicos e no hypogynieos, como se tem 
dito at o presente. 



CHI 



CHU 



t^^S 



O ovrio de uma s loja, raras vezes 
de duas ou trs ; no primeiro caso con- 
tem grande numero de vulos anatro- 
pos ou orthotropos, unidos a trs 
ou cinco trophospermas parietaes, sim- 
plices ou bifidos ; no segundo caso, os 
septos parecem formados pelos tro- 
phospermas salientes em forma de la- 
minas, e que si encontram e se unem 
no centro do ovrio. 

Os estigmas, geralmente do mesmo 
numero dos trophospermas ou das lojas, 
so sesseis e radiosos, ou sustentados 
por estyletes muitas vezes bipartidos. 

O fructo uma capsula de uma ou 
varias lojas abrindo-se somente pela 
metade superior em trs , quatro ou 
cinco vlvulas no meio da face interna 
de um dos trophospermas. 

As sementes, muitas vezes cobertas 
de um tecido cellular frouxo, contem 
um embryo erecto, quasi cjdindrico, 
no interior de um endosperma del- 
gado,'que falta algumas vezes. 

Cltero. V. Salsa. 

ClticSft. Stercvia cMch^ Si. Hl. 

Mo7ietia curiosa , Vell. Fam. das 
Bytineriaceas. Arbusto indgena, co- 
nhecido por este nome no Rio de Ja- 
neiro e Goyaz. 

Suas folhas so cordiformes. 

As flores em cachos, e arruivadas. 

O fructo d uma amndoa, que os 
habitantes d'estes lugares comem, e 
passa por boa. 

As folhas so resolventes de tumo- 
res, etc. 

ClbieSt^i 8o I\oi*te. StercuUa 
laseantha, Mart. Fam. idem. E' uma 
planta que se assemelha ao Chich do 
Sul; habita o Piauhy e Maranho. 

Clfticoa'ia. Soichis oleraceis., Linn. 

Fam. das Compostas. Herva culti- 
vada na Europa, d'onde oriunda ; 
tambm cultivada no Brasil. 

Sua cultura antiqussima , porm 
pouco conhecida, principalmente nas 
provncias do Norte. 



E' uma herva cujas folhas nascem 
do collo da raiz, imitando a couve, e as 
quaes fecham as folhas no centro se- 
melhana do repolho. 

Essas folhas, que se fecham so es- 
branquiadas. 

As flores amarellas. 

Fornece um sueco leitoso toda a planta. 

Come-se cosida com carne de vacca 
as folhas e as razes. 

No Par ha uma herva aromtica que 
tem este nome. 

Como medicinal aperitiva ; mas hoje 
est desusada. 

CEiicoa-ia, brava. V. Serralha. 

Claieora Paa^. E' uma her- 
va aromtica. 

Cliida. E' uma bebida de caboclos, 
extrahida da mandioca. 

CSailesase o Cof|ieia*o Clt- 

IcEasc /(5(? spectabilis, Kimt. Fam. 
das Palmaceas. E' uma palmeira do 
Amazonas e do Chile. 

Os fructos so drupas ; e com elles fa- 
zem aguardente. 

CBaB<|?8ex.ifisae. Cacftts ijeruvianus , 
Ztnti. Fo/ii. das Kopaleas. E' um ar- 
busto natural da America Meridional, 
cujo tronco verde, herbceo, anguloso 
de alto a abaixo, succulento, e cheio de 
espinhos que parecem ser as folhas ; 
estas so fasciculadas. 

Nascem as flores pelo tronco ; sc gran- 
des, brancas, misturadas de rseo, com 
uma coma no centro, amarella. 

O fructo oval ou redondo, de cr ru- 
bra, succulento, tendo dentro uma massa 
da mesma cr, succulenta, acida, cheia 
de sementes pretas e midas. 

O sueco extrahido de seu tronco en- 
rouquece a quem o bebe, e mui diu- 
rtico. 

Clieipa . Gustavia speciosa. Piri- 
gara spiciosa, Humh. e Bomp. Fam. das 
Myrtaceas. Arbusto das rsgies ama- 
I zonicas, onde lhe do este nome. 



148 



CID 



CIN 



Suas folhas so oblongas, lanceoladas, 
membranosas e coriaceas. 

As flores p-randes. 

O Vucto d'este arbusto, quem o come, 
fica com a pelle alourada; mas, sem 
nenhum remdio, depois de 24 ou 28 
horas, torna ao seu natural. 

Citlri*a oii Citl*;. Citrus li- 
monium cUratiim, Rss. Fam. das Au~ 
rautiaceas. Arbusto indigeno da sia, 
cultivado no Brasil. 

A Cidra a fructa da Cidreira, que no 
Maranho chamam Turanja. 

E' um arbusto do porte de uma limeira, 
com espinhos nos galhos, folhas elljp- 
ticas, com pouco aroma. 

As flores so brancas, e com cheiro as- 
semelhando-se ao da flor da Larangeira. 

O fructo um pomo de grandeza de ;") 
a 10 millimetros de dimetro, redondo 
com a configurao de uma laranja, mas 
com uma superfieie tuberculosa, e as ve- 
sculas grossas. 

Dentro acha- se uma substancia branca, 
vosiculosa, compacta, contendo semen- 
tes como os da laranja; a massa muito 
secca. 

Da fructa preparam-se bellos doces , 
empregados como peitoral, refrigerante 
e tnico. 

Caracteres da famlia. Arvores ou 
arbustos muito glabros, algumas vezes 
espinhosos, com folhas alternas e arti- 
culadas, simplices, ou mais frequente- 
mente pinnuladas, munidas de glndulas 
vesiculosas, cheias de um leo voltil 
transparente. 

Flores odorferas, geralmente termi- 
uaes. 

Seu clice gamosepalo, persistente, 
de trs ou cinco divises mais ou menos 
profundas. 

Sua corolla, de trs a cinco ptalas 
sesseis, livres ou ligeiramente soldadas 
entre si. 

Os estames, algumas vezes em numero 
igual ao das ptalas, outras vezes duplo 
ou mltiplo d'este, so livres, ou di- 
versamente reunidos entre si por seus 
filetes, e reunidos abaixo de um disco 



''JPOgynico, sobre que est coUocado o 
ovrio. 

Este globuloso, de varias lojas, 
contendo um s ovulo suspenso, ou 
maior numero, ligados ao angulo in- 
terno da loja. 

O estylete, algumas vezes muito curto 
e muito espesso, sempre simples, 
terminado por um estigma, simples ou 
lobulado. 

O fructo em geral carnoso, inte- 
riormente separado em diversas lojas 
por divises muito delgadas, contendo 
uma ou mais sementes inseridas em 
seu angulo interno, e geralmente pen- 
dentes. 

Exteriormente o pericarpo espesso ; 
indehiscente, cheio de vesculas, con- 
tendo leo voltil. 

As sementes encerram ujn ou algu- 
mas vezes mais embryes sem endos- 
perma. 

Cida'i!l2i. Verbena triphjlla. Fam. 
das verhenaceas. Pequeno arbusto na- 
tural do Rio de Janeiro. 

Folhas verticilladas, ternas ou qua- 
ternas, lanceoladas, agudas nas duas 
extremidades, exhalando cheiro de li- 
mo quando esfregada. 

Flores dispostas em espigas axilla- 
res, ou em pannicula terminal. 

Propriedades medicas. E' estimu- 
lante, empregado em infuso contra 
as indigestes, 3 a 4 folhas para uma 
chicara d'agua fervendo. 

Cisiass&osto. F. Jasmiiieiro de Ca- 
yanna. 

Cisiee) iullans. D-se este nome 
tambm ao Taruman. 

Propriedades MEDICAS. As folhas so 
diurticas, e empregadas em cozimento 
ou em infuso, em banhos, nas dores 
rheumaticas e osteocopas. 

Ciiid;;' capei:. VaUesia ti/ictorial, 
Brnnet. Far. das A;pocynaceas. Esta 
planta da serra do Araripe; d 
uma tinta cr de rosa mui bella se- 
gundo Mr. Brunet. 



CIP 



CIP 



149 



Das sementes se extrahe sofrvel sa- 
bo. 

Ciparabo E' uma espcie de Bu- 
iua de raiz delgada, lisa e branda, qne 
se encontra nas provncias do Espirito- 
Santo e Minas Geraes. 

Ci|i d' ai li o. Bignonia alUacea^ 
Swart. Fam. das Bignoneaceas E' nni 
arbusto indgena do paiz, conhecido 
por este nome nas Alagoas e em Per- 
nambuco. 

E' uma planta trepadeira, de folhas 
opposta.s, unidas entre si,e luzidias. 

O caule da planta quebradio. 

As flores, em pequenos grupos, so 
como trombetas, cr de rosa roxeada. 

O fructo uma vagem. 

Cip tfallo. Seguiera alliacea ^ 
Mart. Fam.. das Phyolacaceas. Tem as 
mesmas propriedades do Ibirarema. 

Cip amarra de ;^'i{fanfe. Do- 

lichos odorifenis. Fain. das Legumino- 
sas. Nas provncias de Pernambuco e 
Alagoas tambm conhecido por Ca- 
nella de Urih. 

E' um arbusto trepador, mui frequente 
nas bordas dos caminhos e das vrzeas. 

E' um pouco elegante pelas suas flores 
em cachos, de um roixo vivo, que torna 
os campos de aspecto agradvel 

Elle estende-se sobre os arbustos as- 
cendentes, e relvas. 

Suas folhas so ternadas ( seme- 
lhana das do feijo). 

As flores, em cachos , roixas, e com 
suave cheiro. 

O fructo uma vagem de 1 a 2 mil- 
limetros de largura , com bordas le- 
vantadas, gros poucos redondos, com- 
pridos, e acinzentados. 

Cip aauarra de ^Iqig. Argi- 
pkila corymlosa. Fam. das Verhenaceas . 
Arbusto silvestre, conhecido nas Ala- 
goas por este nome ; em Pernambuco 
tem o de Mofxmho de Capoeira. 

Planta trepadeira de caule esbranqui- 
ado, folhas ovaes, grossas, oppostas e 
luzidias. 



Flores midas, amarelladas, em ca- 
chos. 

O fructo redondo, de 1 millimetro, 
amarello na maturidade, adherente ao 
clice, internamente sseo, dividido em 
quatro compartimentos, e em cada um 
uma semente. 

Este cip em perfeita maturidade 
muito forte para amarrar. 

Cip arco <l'Bfsipcsa oii ur- 
pentba. Galphima officinalis. Fam. 
das Maljnghiaceas . Este arbusto sil- 
vestre, e conhecem-no por este nome mas 
Alagoas. 

Seu caule um pouco flexvel. 

E' uma trepadeira de folhas oppostas, 
lustrosas, ovaes e pequ.enas. 

Flores em densos cachos, amarellas, 
sem cheiro. 

Fructo de 1 millimetro, redondo,, com 
trs caroos dentro; come-se, e con- 
siderado como bom. 

Do caule d'esta planta fazem arco da^ 
urupemas, donde lhe vem o nome. 

Cip branco d'areo. CoUeia 
sarmeutO,a alba. Fam. das Rliamnaceas. 

Arbustinho trepador, agreste e do 
paiz; vegeta e tem este nome nas 
Alagoas. 

Seus ramos tem os espinhos oppo*-'- 
tos. 

As folhas so lanceoladas e oppos- 
tas. 

A casca esbranquiada. 

As fli-es reunidas em pequenos gru- 
pos e brancas. 

Os fructos no se desenvolvem na 
maior parte. 

Ci|'^ EcraEseo Ee cerea. CoUetia 
sarmentosa Mea.Fam. das Rhamnaceas. 

Esta espcie semelhantssima pre- 
cedente ; difl'ere d'ella pelo caule pardo- 
castanho, e pelas flores amarellas. 

Cip branco de Pc'5*>aBbfico. 

Coccoloba litioralis. Fam. das Poly- 
gonaceas. agreste e indjgena ; ve- 
geta nas proximidades da beira-mar, 
e recebe este nome em Pernambuco. 



iO 



CIP 



CIP 



uma trepadeira de folhas regula- 
res, ovaes, chanfradas na base. 

Flores grandes em cachos, como es- 
pigas esbranquiadas, no regulares. 

Os fructos so glbulos pequenos, que 
encerram sementes. 

Cip IIji*i4mco ile rcio. Bignonia 
vulgoA'is. Fam. das Bignoneaceas. Ar- 
busto do paiz, que se encontra em 
qualquer parte do matto, conhecido por 
este nome nas Alagoas e tambm em 
Pernambuco . 

trepador ; tem o caule um pouco 
esbranquiado, com regos bem dis- 
tinctos, que lhe do muito realce. 

As folhas se cruzam, e so oppostas, 
ovaes e luzidias. 

As flores, como cornetas, com as 
bordas recortadas, so roxas, claras ou 
rosadas. 

O fructo uma vagem de 2 '/> de- 
cimetros, larga, com sementes dispostas 
symetricamente e aladas. 

Do caule fazem-se chibatas e at 
bengalas. 



Tem .0 uso dos cips. 

CyiJ> Sc cRUoelo. Telracera vo- 
luhilis, Linn. Fam. das Dilleniaceas. 
Planta conhecida por este nome no 
Rio de Janeiro e em Minas Geraes. 

uma trepadeira. 

Propried.vdes medicas. Suas folhas 
so purgativas, tomadas em infuzo ; 
e resolutivas, empregadas em banhos. 

Caracteres da famlia. Arvores ou 
arbustos todos exticos, sarmentosos, 
tendo folhas alternas, rarssimas vezes 
oppostas, sem estipulas, muitas vezes 
abarcantes na base. 

Flores solitrias ou em cachos, algu- 
mas vezes oppostas s folhas. 

O clice gamosepalo, persistente, 
de cinco divises profundas, e imbri- 
cadas lateralmente. 

A coroUa ordinariamente de cinco 
ptalas. 

Os estames, numerosissimos, dispos- 
tos em varias ordens, so livres, algu- 



mas vezes unilateraes ou disposto.s em 
diversos feixes. 

As carpellas variam de duas a doze, 
geralmente distinctas ; so s vezes 
soldadas em vima s. 

O ovrio unilocular, contendo dois 
ou vrios vulos anatropos, unidos 
parte inferior do angulo interno, e 
erectos. 

Os estyletes so simplices, e termi- 
nados cada um em um estigma igual- 
mente simples. 

Os fructos so distinctos e soldados, 
carnosos ou seccos, e indehiscentes. 

As sementes, muitssimas vezes acom- 
panhadas de um arilho carnoso e cu- 
puliforme, tem um tegumento crust- 
ceo, cobrindo um endosperma carnoso, 
no qual est um embryo pequenino, 
erecto, homotropo, collocado na base. 

Cig Be ealoelo fa^s^Dis* ou 
le regs, . eaiocfSo. Bignonia 
prolixa. Far. das Bignoniaccas . Esta 
espcie mui anloga Bignonia allia- 
cea., differindo apenas mui jouco na 
forma das folhas; porem tem as laminas 
salpicadas nos dois lados. 

Tem os mesmos uzos. 

Cg!* CiaEaaiclIsa cSc Jaensi. SaUi- 
cia coriimhosa Fam . das Hij^iwcrati- 
ceas. Arbusto silvestre, que nas Alagoas 
tem este nome. 

E trepador ; seu caule avermelhado 
e spero. 

As folhas so oppostas, speras, es- 
curas e ovaes . 

As flores, em cachos mui grandes, so 
esverdinhadas, sem cheiro. 

O fructo mnimo, trigono, e com se- 
mentes. 

Este cip muito frgil, e porisso 
no fazem uzo delle. 



Cigi Se Casoeira. Fam. das 
Bignoniaccas. Este cip assim co- 
nhecido nas Alagoas. 

Tem a propriedade de enrolar-se so- 
bre as outras plantas de sua classe. 

Seu caule cylindrico, e tem gavinhas. 

Os peciolos das folhas se cruzam, e 



CIP 



CIP 



ISl 



em cada extremidade tem duas folhas, 
cada xima sobre um peciolo prprio. 

As folhas so lustrosas e carnosas. 

As flores roixas, brilhantes, em fei- 
xes, t em forma de corneta. 

D um fructo como vagem, tendo se- 
mentes membranosas, com azas. 

Este Cip quebradio. 

Cip'^ te csiPkio.Davilla nigoza, 
Roiz. Dav. BrasiliMia^ D. C. Fam. 
das Dilleniaceas. EstB. planta, que 
indgena, tem tambm o nome de Cip 
de Caboclo, e em S. Paulo, Minas Ge- 
raes e Rio de Janeiro o de Samhaihi- 
nlia. 

E' um Cip, cujos ramos so guar- 
necidos de pellos speros. 

Folhas grandes, oblongas, serreadas 
superiormente, lisas e speras, com pel- 
los pelo meio. 

Flores em cachos. 

O fructo capsular. 

Propriedades medicas. As folhas 
so empregadas nas orchites blennor- 
rhagicas, ou devidas a outra qualquer 
causa. 

Applica-se em fomentaas e fumi- 
gaes. 

" Elle purgativo na dose de 2 grara- 
mas da raiz em p. 

C|y> te esAvil . Fam. das Ros- 
ceas. Sob este nome, e sob o de 
cip de SamhaiUnlia, designam-se em 
varias provncias do Brasil dois cips 
sarmentosos, um dos quaes o Da- 
villa rujosa de Pairei, ou Davilla bra- 
siliana de DecandoUe, outra o Da- 
villa elliptica d'Aug: Saint Hilaire. 



Propriedades medicas. Estas duas 
plantas se tornam notveis pelo seu 
sabor adstringente muito pronunciado ; 
ellas so por consequncia, tnicas, 
muito usadas em fomentaes e em 
lavagens nas ulceras atonicas. 

Cip.J Qi\vi\z\r9. Edites suherosa. 
Far. das Apocynaceas. Planta tre- 
padeira, quasi sempre de flores gran- 



des e brilhantes, tendo por fructo uma 
ou duas capsulas, cujas sementes esto 
envolvidas em pellos macios. 

Propriedades medicas. E' hemosta- 
tico til nas hemoptyses, e sobretudo 
nas hemorrhagias uterinas. 

Cip catiiig le Paea. Eleag- 
mis Mspermum. Fam. das EUagineas. 
Arbusto silvestre, trepador, de folhas 
oppostas, oblongas, luzentes, sem re- 
cortes. 

As flores so em feixes, nas axillas 
das folhas. 

O fructo, no bem observado, pe- 
queno; parece ter duas cavidades in- 
ternas, com uma ou duas sementes. 

Caracteres da famlia. Arvores ou 
arbustos de folhas alternas, ou oppos- 
tas, sem estipulas e inteiras. 

Suas flores so dioicas ou hermaphro- 
ditas ; as masculinas algumas vezes 
dispostas em forma de casulos. 

O clice gamosepalo, tubuloso ; 
seu limbo inteiro, ou de duas ou 
quatro divises. 

Os estames, em numero de trs a 
oito, so introrsos, quasi sesseis so- 
bre a separao interna do clice. 

Nas flores fmeas, o tubo do clice 
cobre immediatamente o ovrio, mas 
sem a elle adherir. 

A entrada do tubo as vezes em 
parte tapada por um disco diversa- 
mente lobulado. 

O ovrio livre, unilocular, contendo 
um s ovulo ascendente, pedicellado e 
anatropo. 

O estylete curto. 

O estigma simples e allongado. 

O fructo um akenio crustceo, 
coberto pelo clice, que se torna car- 
noso. 

A semente contem, em um endos- 
perma delgadssimo, um embryo que 
tem a mesma direco que esta. 



Cii C44tsa|i;a rtc Porco. Fam. 
idem. Este vegetal indgena assim 
chamado nas Alagoas, mas pouco co- 
nhecido. 



159 



CIP 



CIP 



xim arbusto que forma touceiras, de 
caule flexvel. 

As folhas, so grandes, oblongas, ver- 
de-escuras. 

As flores, brancas, miudinhas, seme- 
lhana de pequenos botes 

O fructo pequeno, e com duas pon- 
tas no pice ; achatado de um lado, 
branco, e com uma semente. 

Cifi clBiimlio. Cuscuta ameri- 
cana. Linn. Cuscuta umhellata., Knnt 
Fam. das Cotivolvulaceas . Herva do 
Brasil descripta por Linno, e at en- 
to desconhecida. 

Mais tarde outros naturalistas acha- 
ram outras espcies : Ctisciita oorata^ 
Raiz e Pavon: Cusc. corymhosa., etc. 

Todas so oriundas do Brasil. 

uma planta que vive a custa de ou- 
tra. 

Seus caules finos e volveis ganham 
qualquer vegetal visinho, separam-se da 
raiz e ficam vivendo custa d'aquelle 
de que se apoderaram. 

Compe-se de vergonteas lisas, finas, 
esverdinhadas ou amarellas, sem fo- 
lhas, com feixes de flores pequenas e 
arredondadas, brancas ou trigueiras. 

O fructo uma pequena capsula. 

Propriedades medicas. Esta planta 
parasita applicada secca e pu,lverisada 
sobre as feridas para abreviar a cica- 
trisao, o sueco appreciado como 
anti-catarrhal e anti-hemoptoico; tam- 
bm se d em gargarejos nas anginas. 

Ci|> te co!>a'. V. Caapea. 

Cip; leeo?>*a. V. de N. Senhora. 

Cip corrells*. WFlor de Veado. 

Cp: eciap ?a*iBco. Paulli- 
nia curiirif,^ Linn. Fam. das Sapindaceas. 
Arbustinho trepador, de caule esverdi- 
nhado, conhecido nas Alagoas e em 
Pernambuco por tal nome. 

As folhas so em palmas. 

As flores, em cachos, peqn^nas e 
brancas. 



Elle tem prolongamentos, com que se 
agarra s outras plantas. 

O fructo uma capsula obconica, sub- 
trigona, vermelha rubra, com trs val- 
vas, que se abrem e deixam apparecer 
trs sementes ovaes, metade cobertas de 
um corpo branco e fofo. 

Algumas pessoas comem este fructo. 

Cip erieap vermelho. Paul- 
linia pinnata., Linn Fam. idem. Este 
cip, conhecido nas Alagoas e em 
Pernambuco. 

E' um cip como o precedente. 

Encontra-se em qualquer capoeira 
perto das cidades. 

As folhas so em cachos, brancas e 
midas. 

Tem a mesma organisao do pre- 
cedente. 

Serve para amarrar cercas. 

Cip eria. Chiococca anffuicida, 
Mart. Fam. das Rubiaceas. Esta planta 
oriunda de S. Paulo, trepadeira e 
tem as mesmas propriedades da Raiz 
preta . 

Propriedades medicas. Macsram-se 
dois pugillos em uma msdida de aguar- 
dente, adoa-se, e d-se uma chicara 
trs vezes por dia, nos envenenamentos 
por mordeduras de cobras. 

Cipt cie etiaittanai. Eupliorhia 
pTOSfliorea., Mart. Fam. das Enpliorlia- 
ceas. Este interessante arbusto vegeta 
na Bahia. 

E' mui espinhoso, e por isso serve 
para cercas. 

Seus ramos entrelaados no deixam 
penetrar animaes nas plantaes. 

Cortando-se um galho exsuda um 
sueco branco, que na obscuridade reluz 
como fogo ; sacodindo-se com elle faz 
rastilho luminoso. Este sueco sobre a 
pelle causa grande prurido. 

A picada dos espinhos produz botes 
vesiculosos na pelle dos animaas. 

Propriedades medicas. Seu-, ramos 
novos so applicalo^ nas ulceras e 
ca'"bunculos. 



CIP 



CIp 



53 



Cip fururii. EcUtes^ Mart. 
Fam. das Apocynaceas. Esta planta 
do Par. 

Differe da de Pernambuco, que de 
outra famlia. 

Uns a chamam Curuap^ mas o de 
Pernambuco Cruap. 

Propriedades medicas. excellente 
aperitivo, usado nas obstruces das 
vsceras abdominaes. 

O sueco leitoso empregado topica- 
mente sobre os tumores. 

Cigi eiu. Smilax papyracea^ Roiz. 
Fam. das Smilaceas. Esta planta 
congnere da Salsaparrillia., e tem as 
mesmas virtudes d'ella. 

CipT tSe es-atla. Cattlotref.iis ma- 
crostacliyus., Raddi. Baiimia radiata. 
Vell. Fam. das. Leguminosas. Esta 
planta trepadeira, possue propriedades 
adstringentes e mucilnginosas. 

Ha outra espcie, Bauliinici microsta- 
cliyiis., Raddi, e Bauliinia tomentosa., Vell. 
do Rio de Janeiro. 

Ci| cSe g:ota. Cissiis pidcTierrima, 
Vell. Fatn. das mpelideas. Tambm 
esta planta trepadeira, e cresce no 
Rio de Janeiro. 

E' anti-rheumatica. 

Cip jKiiyp. Bi(jno7iia guyra.^ 
Ried. Fam. das Bujnoniaceas. Esta 
planta quasi como as Carohas., etc. 

D'ella porm frequentemente appli- 
cada a raiz como purgativa. 

Cip aeica. Cacalia qxiadri([.ora., 
Vell. Fam. das Compostas. Herva mais 
011 menos do aspecto do 3IetUrusto. 

Vegeta no Rio de Janeiro, onde re- 
cebe este nome. 

E' aromtica. 

Cip<; de BBii. Philodeidron Imh, 
Mart. Fam. das Aroideas. 

Propriedades medica. As folhas 
frescas so empregadas nas ulceras; a 



decoco do caule e das folhas ap- 
plicada no rheumatismo c nfi orchite, 
em banhos. 
Da raiz se tiram fios teciveis, 

Cip de inipigreiu. Stadinania 
depressa. Fam. das Sapindaceas. 
Arbusto silvestre, que por este nome 
conhecido nas Alagoas. 

Tem o caule flexvel, que se enlaa 
sobre os outros vegetaes. 

Suas folhas so ovaes oblongas. 

As flores em cachos, brancas trigueiras. 

O fructo obconico, cor de barro, 
em forma de pio, de consistncia cr- 
nea ; o pericapo tem um caroo pardo 
centro, envolto em uma substancia es- 
pessa e branca. 

Propriedades medicas. Este fru- 
cto empregado na cura de impigens ; 
para isto pisam-n'a e a applicam sobre 
a parte doente ; tambm empregam a 
decoco nos mesmos casos. 

Cip de fabot-.i. E^ a Fava de 
Santo Ignacio do Par e da BaMa. 

Cip japicfig:a de eerea. 

Fam. das Sapindaceas. E um arbusto 
indgena e trepador, com filetes que 
se agarram s plantas prximas. 

As folhas so lustrosas, semelhana 
de palmas recortadas. 

As flores brancas, em cachos. 

Os fructos vermelhos na. maturidade, 
abrem-se e deixam apparecer uma fse- 
semente envolta em substancia branca, 
mas que despida d'esse envoltrio, 
verde. 

Cip de jtiBita. D uma fructa 
que faz ngulos de um e outro lado, 
como contas de rosrio. 

Cip tie iiiaiBBibtk. Esta planta 
rastei-a ; vegeta nas praias. 

Tem as mesmas propriedades da Ca- 
rola. 

Cip ManaeB ASves. Axantes 
fasciciilata. Fam. das Rtihiaceas. Esta 

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CIP 



CIP 



planta indgena; do-llie este nome 
nas Alagoas. 

\\m arbustinlio trepador, de caule 
delgado, com as summidades revesti- 
das de pellos. 

Folhas ovaes, oppostas, esbranquia- 
das na parte inferior e macias. 

Flores nas axillas das folhas, que 
so como estrellas brancas, com seus 
pequenos tubos. 

O fructo uma baga cnica, pe- 
quena e coberta, de pellos macios e 
brancos. 

Cig ES&o le Sa^i*. Cissus co- 
ralinus. Fam. das Ampehaceas. 
Planta trepadeira que tem este nome 
nas Alagoas. 

Ella elegante e prpria para jar- 
dim. 

Seu caule herbceo e molle. 

Suas folhas so como palmas, lu- 
zentes . 

As flores, reunidas em forma de pal- 
mas, inseridas de um s lado, de cr 
rubra brilhante. 

Todos os rgos da fructificao do- 
Ihe vim bello realce. 

Os fructos so bagas redondas, roixas 
com um ou dois caroos no centro; 
assemelham-se uvas . 

Caracteres da famlia. Sub-arbus- 
tos ou arbustos enroscantes, sarmen- 
tosos, e munidos de gavinhas oppostas 
s folhas. 

Estas so alternas, pecioladas, sim- 
ples ou digitadas, munidas na base 
de duas estipulas. 

As flores so dispostas em cachos, 
oppostos s folhas. 

O clice curtssimo, muitas vezes in- 
teiro, qunsi plano. 

A corolla de cinco ptalas valvula- 
res, algumas vezes coherentes entre si 
pela parte superior, e erguendo-se to- 
das imidas em forma de coma. 

Os estames, em numero de cinco, 
so direitos, livres e oj)postos s p- 
talas . 

O ovrio applicado sobre um disco 
hypogynico, annular e lobulado no con- 



torno ; elle ofterece constantemente duas 
lojas, contendo cada uma dois vulos 
erectos e anatropos. 

O estylete, que 6 espesso e curts- 
simo, termina em um estigma apenas 
bilobulado. 

O fructo uma baga globulosa, en- 
cerrando d'uma a quatro sementes ere- 
ctas, tendo seu episperma espesso, o . 
endosperma crneo, mais ou menos pro- 
fundamente sulcado, e contendo na sua 
base um embryosinho erecto e ortho- 
tropo. 

Esta pequena familia composta dos 
gneros Vitex, Cissus, Ampelojisis e Lea, 
muito distincta por suas folhas mu- 
nidas d'estipulas, pelas gavinhas oppos- 
tas s folhas, pelos estames oppostos 
s ptalas, e pela estructura do fructo 
e da semente. 

A opposio dos estames s ptalas 
um dos seus caracteres mais salientes. 

No gnero Zeca estes estames so 
monadelphos, e entre cada um d'elles 
se acha um appendice representando 
um estame abortado. Ha pois nas Ait- 
2)eUdaceas dez estames, cinco dos quaes 
normaes ; isto , os que so alternos 
com as ptalas, abortam, sendo so- 
mente representados pelo disco, etc, 
subsistem apenas os que so oppostos s 
ptalas. 

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