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Full text of "Diccionario dos synonymos poetico e de epithetos da lingua portugueza"

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-¡6--^ -«>'>' 



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DIGCIONARIO 



DA 



V LINGUA PORTÜGUEZA 

I DIGCIONARIO DE SYNONYMOS 

T SEGOIDO DO 

DICGIONARIO POETÍCO E DE EPITHETOS 
II 



dbyGoogle 



/ 



PARIZ. — TYPOGRAPHIA DE PILLET FILS AINE 
Rua des Grands-lugastins, I. 



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DICCIONARIO 

DOS SYNONYMOS 

POETICO E DE EPITBETOS 

DA 

' LINGÜA PORTUGUEZA 

POH 

J.-I. ROQÜETE 

E JOSÉ DA FONSEGA 

Plaribns antem nominibna in eadem re 
TQlgo utimnr, qnse tamen, bí dedncas , 
snam propriam quamdam Tim osteudunt^ 
(QDiifT.,/n*/., Or, 6, 3, 17.) 




PARIZ 

EM CASA DE V* J.-P. AILLAÜD, GÜILLARD E C» 

Uyreiros de suas Magestades o Imperador do Brazll e El-Rel de Portugal 
47, RÜA SAINT-ANDRÉ-DES-ARTS 

1871 



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724-3 .G/ 



^ HARVARD C0LLE6E LIWARf 

COUNT OF SANTA EULAUA 

COLLECTION 

6IFT OF 

JOHII & 8TETS0N, Ja 

AUti 30 \m 



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DICCIONARIO 

DOS.SYNONYMOS 



BA 



LINGÜA PORTUGUEZA 



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INTRODVC^lO. 



Apezar d« que )& nma doaia e elegante penna escre^ee 
S cerca dos fí^nonymos da Jingua portugiAeza, é com tiulo 
entre it&s friicta R4|,va este genero de esci ilura. Nem de- 
fe admirar que nos falle um bom tratado de synonymoi 
8e carecemos da príncipal base em que elle deve fimdar- 
se, que é o Diccionario da lingiia redigido por nossa 
Academia, unica autoridade segura cm tal máteria. 

Iluito pouca cousa somos nós para qnerer liombrear 
com primeiro lillerato portuguez de nossos dias, eainda 
muito menospara ousar perfazer uma tarcfa que elle ap^- 
nas encelára ; porém como é certo que seu Irabálhofóia 
om ensaio, e por cerlo nSio mui compleio nem bem aca- 
bado como elie mesmo confessa(*), tentaremos nm se- 



(*) O Ensaio tobre alrunt Synonymos dn lingua portu§ue%m sA 
tem 380 artigos ; o nosso uiccionarío tem 866. Nesie se tratSo osartiffos 
daqoeile por n )va fórma e ás vezes seguindo diilrerente optniao. t^ra 
síjul^ar á primeira visla da dilTerení a d'um e oulro opasculo vej2to-,<^o 
08 ariigos seguintes : Abstrac?ao, Acabar (t>. n.), Acv5es, Aoiuir Aci- 
dia, Adjectiro, AduUdor, Affeite^ Agourar, Alcaíar, Alftm , Müauts), 
Alma, Almanach, Alvoro(;o. Ambij^uidade, Amízado, Amnistia, ADD<ies, 
Antiquado, Apologo, Apetite, Ar^u(;a, Avistir,Uahiii, Baile, Bastardo. 
Battologia, Beile¿a, Cachoetra, Candura. Capacete, Capacitar, Cara 
Caridaae, Ceootaphio.Clausula, Comerciante, ConstaDle, Dar, Oardo 
Oenso, Desdizer-se , Deslerrar, DiaLo, Docilidade, Egloga, Eleganto, 
Eoterro, £rrd, Escudo, Eslraugei^. Kstribilho, FalIeQCia. Famelice^ 
Favorílo. FecuQdidaiie« Fecundo Tior Fqgueira, Fortalezá, Fortund, 
11 a 

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II INTRODUGCÁO 

gundo ensaio que, se nSo servir de esUmulo a oatrai 
pennas maís eruditas a se exercerem neste tlo importante 
assumpto, sirva ao menos de teslemunho do grande desejo 
que temos de ver nossa litteratura a par da das na^oes 
eultas da Europa, e nossa lingua honrada com aquelles 
atavios com que as demais se arréáo. 

Sorte é dos que escrevem sobre synonymos o serem 
criticados, e ás vezes sem piedade; mas será isto razSo 
bastante para que ninguem mais se occupe da synonymiaf 
Se a critica é bem fundada e justa, ganhará a litteratura 
patría, e o escritor criticado deve folgar de Ter que por 
seos mesmos defeitos contribuíra a um melhoramento 
real de sua lingua; se porém ella é gratuila, injusta, e 
vem de praguentos, s6 desacredita a quem a faz, ereverl^ 
em favor do critícado. 

Apezar de que os Synonymos francezei do P« Girard 
forSo mui gabados quando saírSo á luz, a ponto de dizer 
Lamotte « que a Academia franceza nio poderia dispensar- 
se de admittir em seu gremio seu autor, se elle se presen- 
tasse com uma tal obra ; • e nao obstanle dizer Voltaire, 
« que ella subsistirá em quanto a lingua subsístir, e que 
servirá até mesmo a fazél-a subsistir ; » foi com tudo esta 
obra justamente crilicada por Beauzée ; o P« Roubaud cri- 
licou n9o s6 os precedentes mas o mesmo d'AIembert e 
Diderot; M. Guizot, criticando todos estes, nSo escapou 
tambem á critica d'um erudito hespanhol, Lopez Pele- 
grin. De todas eslas criticas resultou que a iingua fraiH 



Fulguranle, FaríM, Forto, Geada , Generalizafio, Genio» Gentfos 
i?loria, Guarda.Houra, Horreoda, JmÜ9a,Liroar,|Joguagem, Logíca, 
Munar, Monte, Oceauo» Pal<i?ra PercepcSo. Porém. Priao, Saudide. 



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INTRODUCgiO. m 

emi se enriqueceo do tratado mais completo e perfdto que 
éobre synonymos se baja publicado desde o primebro, es- 
crito em grego por Ammonío no principio do segundo 
seculo da era Ghristá (*), até ao ultimo publicado por 
OlÍTC e Pelegrin. 

N2o nos eximimos pois d'esta honrosa sorte, só dese- 
jAmos que a crilica n2o seja ociosa, e traga entre nós os 
mesmos resultados que tem trazido nas na^ oes cullas ; e 
qne se as imilámos em criticar as imitemos igualmente 
em trabalhar com zelo no aperfei^amento da patría iin- 
gua,qne por sua suavidade causava inveja a Cervantes, 
e que por suas fei^oes nobres e ar magestoso faz, mais do 
qbe nenhuma outra, lembrar a latina, como muito l)em 
disse Camoes : 

Eoa lingaa, na qnal quando imagína, 
Com pouca eorrupfSo cuida que é a latioa. 

{Lut., 1, 53.) 

Se attendermos á etymologia da palavra $ywmymo, 
qne é um adjectivo grego, 9uvúvu/aos (de ffuv, com, e ivoiuac, 
nome) e quer dizer vocabulo que tem a mesma significa{8o 
que outro, diremos que o Diccionario dos $yn(myma$ 
d'uma lingua é a disposi^So por ordem alphabetica de to- 
dos os vocabulos que, posto qne diíTerentes em sofdo, or- 
thographia e deriva^So, representSo a mesma, ou pouco 
mais ou roenos a mesma idéa. Assim o entendeo o douto 
Bluteau quando compoz o seu Focábulario de $ynony» 



(*) O eelebre Yalckenaer roi quem pubücon, em Leyde em 1139, 
ttta obra que tem por titulo Utpl hfAoloiv nal lioefó/tm Xi^totv* Da 
iifferenfa das palarras similbantes. Aqual rem appensa á bella edl(io 
de Scapula, (eiu em Londres, ero 1890. Iítto franeex a que nos re- 
(érimos é o Nouveau Dietionnaire uniMrset átt Spumfw»i9t 4$ le 
Wüfiie A'A«(«ú«, fmr M. F. GuiMoL 



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IV INTRODCOglO. 

mof , de que o Sor. iosé da Fonseca extraliio o seaDtccto- 
nario de fynon^mo^) augmeotando-o com alguns artígos 
e termos novos (*). 

Entre os modernos philologos alguns querem que, pro 
príamente fallando, nlo haja synonymoSy nem nas lingoas 
antigas nem nas modernas ; pois que as palavras a que se 
dáesle nome, posto que se refirSo a uma mesma idéa,a 
qualiñcSo de dislinclo modo, e por conseguinlc n3o si- 
gnificSo a mesmc cousa e nSo sSo synonymos, Segondo 
esta opiniüo dSLo deve haver nenhum Diccionario de st/no- 
nymoSj pois é ridiculo escrever d'uma cousa que ndo 
existe. Ainda bem que tal opiniáo é pouco seguida, e mui- 
tos litteratos eminentes, sendo d'este numero M. Guizot, 
entendem por diccíonarío de synonymos^ náo uma serie 
de palavras soltas acumuladas umas sobre outras, ás 
vezes com pouca relagáo, ou com ac .epcóes que nada se 
parecem, scnáo uni tratado discursado em que se reunáo 
aquelles termos cujo sentido tem grandes relaQoes e ie- 
Yes differengas, mas reaes. Esta é a opiniáo que segui- 
mos, tanto mafs do nosso goslo quanto se desvia dos dous 
extremos. Todas as vezes que certas palavras se achSo 
ligadas por uma idéa generica, commum, e que se diffe* 
ren^o cntre si por idéas particularcs accessorlas nSo 
mni distantes, e que uma analyse fiua póde só dístinguir, 
diremos que sSo synonymas ; e chamaremos synonymia á 
diversidade de aspectos accidentaes debaixo dos quaes se 
póde considerar a idéa principal. 

Mas, talvez alguem diga, como é que os synonymos 



C) Pareeeo aeertado dar a este opuscolo o titulo de DiccÍQmrm 

" • ñthetot, qw ^ ' '•- *- *^ 

este nosto. 



poeii9Q € de tmthetot, qwé iBsUakeDtd o aue Ibe pertenoi , • aasim ao 
aelia oo im a*ei ' 



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INTBOT>üCCAO. ^ 

(nosentidpem qne defínimosestapalaTra) seintrodnzfrSo 
\ oa lingua P ProHxo seria ennmerar todas as cansas df 
soa origem; indicaremos sómente as príncipaes. 

1« A diversidade dos dialeciox, To^ias as tribns on 

pOToa^oes prímitivasd'uma grande na^So, qiiasi indepen- 

dentes umas das outras no principio , ünhSo cada uma 

d'ellas sen dialecto particnlar. Quando um diaiecto preva- 

leceo e veio a ser a lingua commum, foi elie obrigado a 

associar a s¡ , de algum modo, os ontros dialcctos ; d*aqui 

resiiilou uma inünidade de synonymos que insensivel- 

menle sc for3o distin^uindo, se o n§o erSo já p^** causa 

da diíTerente marcha que seguírSo as diversas tribus ou 

povoa^ocs primitivas na forma^ao das palavras.Sem re- 

monlarmos mnilo nlto na historia de nossa lingua, vemos 

que no í» m.io d'EI Rei Dom Deniz ainda havia em Fortu- 

gal doiis díalectos, nm ciillo (para aquelles tempos semi* 

barbaros) em qnc escrcviao os poetas ou Irovadores 

qiie era o galliziano algum tanto modificado, e ovul^ar, 

mais acaslelhanado e rude, que depois se foi aperfei- 

(oando e por fim prpvaleceo áquelle. No primeiro escr^ 

veo El Rei Dom Deniz suas Cang5es, que na lingiiagem « 

estylo muito se pareccm com as de Affonso o Sabio d# 

Castella, e no segundo sc escreviao os actos e inslrumen* 

tos publicos, e se traduziio por ordem sua as leúi daf 

Partidas fe'tas por seu av6 (*). 



(*) Eis aqtii uvta amoslra dos (r«>z (líaleclog oti «tibdialeetofl. 



Otneirmeirn de Dom Mffonto 
oXahio.. 

Bea pcr esiá aos Uey. 
ü'anureii t>aaU ilaria. 



(kinninntíiro d'fil Reí 
Dom Denix» 

£ lume d'estesolh06 meos, 
Poys m'aaav deaemparadea. 



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▼I INTRODÜCgAO. 

2* A variedade dai origens etymologicas, NSo e só- 
fDente do latím que o Portuguez se deriva; muitas outras 
iinguas ccncorrérlo para a sua forma^Io. Phenicios e 
,Greg08 formáráo colonias na Peninsula Iberica, e deixárSo 
nella Tesligios de sna linguagem. Povos do ncrte de dif- 
ferences ra^^as estabelecérSo nesta vasta rcgiao seu do- 
minio, introduzírlo suas leis e sua fórma de escritura. 
Vierao depois os Arabes, e nlo menos poderosos que os 
precedentes, ahi imposeráo sua autoridade c flzerSo soar 
entre os Lusitanos sua barbara linguagem. Se a isto jun- 
tarmos o conlacto dos Porluguezes com os povos vizi- 
nhos, Castelhanos, Leonezes e Gallegos; a vinda de colo- 
nias de muitos estrangeiros, Francezes, Inglezes, Fla- 



G& en as muy grandes coitas 
Bllaos acorreegula. 

E por ende un gran niiragre 
Direi, que aveno quando 
Era mozo pequenino, 
Omuy bou Jtey Don Femando, 
Que sempre Deus e sa Madre 
Amou, e foi de so bando, 
Porque conquerou de Mooros 
roais da Andalucia. 
Ben per está aos I' eys 
D'amarem Santa Maria, 
EUs, 

líemofias deSarmieniOf p. 278.) 



E que me grado non dades 
Como dam outr'aos seos i 
Minha senhor, peij amor de De« 
Poys de ros non ey nenhun ben, 
De vos amar non vos pes en, 
£ eu non perderey o sen, 
E Tüs iion perdedes hi ren. 

Ben entendi, meu amigo, 
Que mui gram pesar ouvestes, 
Quando falar non podestps 
Vosnoulro dia cumigo: 
Mayscerto seed'amigo 
Quenon fuy otosso pesar, 
Que s'ao meu pndess iguar. 
^Pag. 19 e 118.) 



Dom DanySfpela graca de Deus, Rey de Portugal, etc, a ?Ó8 meo 
Meyrinbo moor saude. Sabede, que abadessa do moesteyro de Tairam 
mi envyou dizer que Rícos homens e InfangOes, ete. , que son na* 
turaaes do dito moesteyro veem a este moesteyro comer as naturas, e 
albergar i desmesuradamenie, e con mays ca be eonlebud > no meu 
De^redo, de guisa que ela e as outras Donas, que iam a servir a Deui, 
non podem i TiTer, nem manter o dito moesteyro ; esto non tenbo eu 
por bem, se asi hé ; por que tos mando que non sofrades aos desaao 
ditos, etc. Ilnde al non ITa^des, se non a tos me tornaria eu poren, e 
faryaTos eoreger de Tossa cassa todos danos, etc. 

^J.-P.RlBBIAO,l 197.) 



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INTRODUGCÍO. VII 

Biengos que desde Affonso Henriqnes até Afronso III se 
eslabelecérao em Portugal ; o grande numero de Judeos 
qne até Dom Manoel cuItivaySo entre nós as letlras e as 
artes, e se davao ao commercio interno ; as rela(5es litte- 
raria9 com os Italianos e Francezes ; e a muItipUcidade 
de nag5es africanasy indiaticas, e americanas de tSo dif 
ferentes linguas {*) e costumes con: quem nossas nayega^oes 
e descobrimentos nos poserSo em rela^io ; diremos, sem 
receio de errar, que nSo ba talvez na^ao nenhuma na Eu- 
ropa que apresente em süa lingua tanta variedade de 
origens como a nossa. 
E qne de synonymos d'aqui nSío devíSo resuUarP 
^ A facilidade que tinhio os sabios no principio para 
formar novas palavras por alliangas etymologicas muitas 
vezes obscuras e arbitrarias, foi uma nova fonte de syno- 
nymos. Quantos animaes, quantas plantas, quantas cousas 
do nso ordinario da vida passáráoater nomes scientifícos 
na medecina, na historia natural, na botanica, na phy- 
sica e na chimica, os quaes vindo a generalizar-se for- 
márSo synonymoscom os nomes vulgares por que d'antes 
se conheciSo? 

4^ A transla^Io das palavras do seu sentido proprio ao 
figurado contribuío nSo pouco a augmeniar onumero dos 
synonymos. « As linguas mais ricas, diz Dumarsais, 
nSo téem sufBciente numero de palavras para exprimir 
cada idéa particular por um termo que nio seja senSo o 
stgnal proprio d'esta idéa ; assim que somos mnitas vezes 



f ) Só nai margeDsdo Amaionts, alé ao anno de 4639, seeonhecíSr 
•eoto e cineoenta« sem contar as qae depois se descobrir&o, como as 
segnra o P« Vieira, as quaessao tSo diversas entre si como a nossa 
a f rega. (Tomo iil, dos SermSes, pag. 409. e 1 V, 513.) 



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Vlll INTRODUCgAO. 

obrígados a loroar prestado o nome proprio d'ootra idéa 
iue tem maís relagSo com o que qiieremos exprimír. » 
Asshn foi que novos lagos de synonymia associáráo pala- 
vras até eniao mui aíTastadas umas das outras. K fecun« 
didade d*esta causa é tSo evidente que desnecessario é 
cnlrar em prolixas particularidades. 

5a A iiberdade com qne os poetas da idade aurea de 
Dossa litteraUira formárao palavras novas, ou aporlu- 
guczárao grandissimo numero das lalinas, assioi como 
fez tomar á Hngua uma physionomia diflcr^te da que 
tinha nos primeíros secuios da monarchia, asslm tambem 
trouxe comsigo avultado numero de synonymos, que 
bem conhecídos sSo dos que comparSo a linguagem de 
nossos cancioneiros e anligas chronicas com a dos Lusia- 
das e da Vida do Arcehispo. 

6« neologismo, Esta lepra de que estSo maís ou 
menos iscados os modernos escriptos, quer isto venha da 
ignoranciada lingua vernacula, quer proceda dofrequente 
uso de livros estrangeiros, nomeadamente franceze^, tem 
insensivelmente introduzido uma notavel allera^o na 
indole e feifoes da lingua ; e com a suhstitui^áo de pala- 
?ras novas ás antigas e mui portuguezas que exprímem 
a mesma idéa, lem crescido consideravelmente o numero 
dos synonymos. Em vSo téem protestado alguns Ulieratos 
contra láo funesto abuso ; nlo se estancou todavia esta 
fonLe, e conlinib a derramar , mais que nenhuma outra, 
grande copia de synonymos. 

Taes s2o as principaes causas que entre nós téem dado 
tanla extenslo á synonymia das palavras. 

E qual é, nos perguntará alguem, a theorla dos Afjno- 
Mt/moif Responderemos con^ o Padre Eoubaud do6náo- 



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WTTODl^CQAO. n 

se os termos, tirem-se das defíni^óes suas diíferentas, c 
confirmem~se com o uso. Isto é pois o qne nos propoze* 
mos fazer; e para o pór em obra recorremos a lodos o» 
meios que M. Guizol aconselha. Examinámos a etymolo- 
gia das palavras, sempre que d'ella podia resultar luz 
para bem as enlender e distinguir; apreciámos o valor das 
termínafoes quando cumpria para indicar a diííerenga 
das significa^oes e sua maior ou menor extenslo ; recor- 
remos algumas vezes ás duas linguas mais, latina e gregai 
e ás irmSs e parentas da nossa , para illustrar alguns 
pontos em que ella por sl só nSo bastava ; autorizámos, 
quanto nos foi possivel , nossas assergoes com lugares 
tiradoidosautores de boa nota, comprerereBCiadeVieira, # 
qoai nos forneceo nSío poucos syuonymos, ou com exem- 
plos tírados do uso vivo da lingua ; nem áeíxámos de iii- 
dicar ed^sacordo qae algumas veies se euconlra entre a 
Mtoridade classica e a synonymia de lermos moderno», 
preferindo esta áqneila c^ando a razl^ es\i por sua parle. 
Duvidámos que os que entre nós téem escritoá cerca dcs 
synonymos da Ungoa tenhio empregado todos estes 
meios, por isso tenlámos fazer «m novo ensaio, que talvez 
para o dlante ievaremos a maior perfei^So, pois nio é 
eaeritura que em pooco teropo bem fa^a. 

Dom F. Francisco de S. Luiz diz ler achado mui poucos 
subsidios em nossos classicos para compor seus synonymos, 
e que «rarissimas vezes tivera a satisfa^o de encontrar 
t2o boa e segura guia (*) ; > outro tanto nSoéíremosnós, 
pois s6 Vieira nos deo grande numero de artigos, e nl- 



O Preti^lo, pfg. V. 



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X IMTRODDGCAO. 

nistroa defini^oes seguras para bem fixar a synonymia de 
muitas palavras, como se póde ver docontexto de dosso 
Diccionario. Era Vieira tao propenso a examinar a syno- 
nymia das palavras portuguezas, qne d'um s6 synonymo 
fez nm sermao : Crer em Christo, crer a Cliristo. Veja-se 
Crer em alguem, pag. 197. 

Inclinou-nos especialmente a este traballio a curiosi- 
dade de ver se podiamos imitar em nossa lingua o que 
alguns estrangeiros téem feito nas suas, isto é, fíxar a 
exacta e peculiar signifíca^So de cada uma d'aquellas 
vozes que o uso, e ainda a autoridade, tem appücado atéto 
gora ás mesmas idéas, porém que, examinadas com todo 
rigor, cxpUcIo a idéa commum, ou com diíTerentesrela- 
(5es, ou descobrindo nella outras idéas accessorias que a 
modifícSo, de modo que, se nem sempre TariSo o rigoroso 
sentido, ao menos dSo á phrase diíferente energia e 
exactidSo, e por conseguinte n2o se podem nsar indis- 
tinctamente uma por outra, com igual propriedade em 
todos os casos. 

Sería affectaQSo ridicula o nSo convir em que as maís 
das rezes é mui indiíferenle seu uso, e em que os syno- 
nymos podem ser mui uteis k poesia e ao discurso fami* 
liar; áquella para variar as cadencias, e facilitar as medi- 
das e as rimas ; e a este para poder encontrar sem dila^Io 
a palavra que explique suffícientcmente um pensamento 
que nSo exige uma rigorosissima escolha de termos. Porém 
ao orad^r, ao philosopho, ao sabio, ao facultalivo, que téera 
'que dar á sua persuasSo, ou á sua expIica^So a maior pre- 
sñSo , energia e clareza possivcl , convém-lhes sobre 
maneira escolher aquellas vozes e termos que esmiucem, 
porasslm dizer. as maispeguenas modifíca^oes das idéas 



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iirrRODüGglo. il 

geraes, que apenas se distiDguem no uso commum. 

O estudo d'estas difiTerengas tem occupado em todos os 
tempos a alguns humanistas antigos e modernos, e seria 
ocioso de(ermo-nos a provar sua uiilidade ; só diremos 
eom M. Guizot : «O estudo dos synonymos exerce a sa- 
gacidade do entendimento acostumando-o a distinguir o 
que sería facil confundir; delerminando o sentido pro- 
prío dos termoSy previne as dispulas de palavras de que 
sSo quasi sempre causa os equivocos e amphibologias ; fíxa 
uso, do qual vem a ser a testemunha e o interprete; 
coliige, por assim dizer, as folhas dispersas em que se 
contém os oraculos d'esta imperiosa sibylla ; p6de até 
supríl-as ajudando-se dos recursos que a anaiyse logica 
e grammatical Ihe ministráo; faz adquirir ao estyio 
aqnella propriedade de expressio, aquella precisSo, que 
é a pedra de toque dos grandes escrítores ; em fím enri- 
qoece a iingua de todos os terroos, os quaes distingue 
d'om modo positivo, porque nSo é a repeti^'áo dos mesmos 
sons, senSo a das mesmas idéas, que enílaistia e can^ 
ieitor. • 

Possa esle nosso opusculo contribuir para tSo deseja- 
dos fins,e possio nossos leitores corrigir e melhorartudo 
que nelle acharem de imperfeito,lembrando-se queé uma 
tentati?a e nSo um diccionario completo de synonymo$, 
o qual nlo existe em lingua nenhuma, nem parece possi- 
?el, pois s2o immensas as synonymias, e produzirilo mais 
artigos que palavras tem um idioma. Nem sejSo iuexora^ 
Teis em nos accusar de plagiario por nos havermos valido 
das idéas, pensamentos e phrases dos mais doutos phiio- 
logos para redigir esle nosso ensaio. Se a ignorancia, o 
mfto goslo. o pooco respeito a nossa veneraTei lingoagem, 

DigitizedbyGoOgle 



tn INTRODUCglO. 

iQtroduieoi todos os días termos, expressoes e moüos 00 
fdilar peregnuos, por(|ue nio se accolherá com benevor 
lencia um opuscuio que, sem oíTensa dos bons autores^, 
tende a melhorar a nossa lingua, ajustaado-lhe certa^ 
roupas que a oulras dáo garbo e donaire? 

O Íeitor será tanto mais disposto á indulgencia quanto 
se for convencendo pela experiencia que este opuaculo, 
ainda independenie do assunipto principal dos synony- 
mos, é um repertorio de bellos pensamentos e boalingua- 
gem, sem aífecta^o de purismo ucm licenya de neolo- 
gismos, que homem de bom goslo poderá consuUar com 
fructo, e em que liUerato e escritor publico acfaario 
mais recursos para variar a phrase e dar elegancia ao 
estylo do que em nenhum outro escrito d'esle genero que 
até hoje tenha saído á luz em nossa iingua. Attendidas 
estas razoes, esperámos qüe leitor critico» ainda que 
nelle encontre muitos defeilos e imperfei^ioes, usará dá 
benevoia induigencia do Lyrico Romano , dizendo 
com eiie : 

. Non ego patich 

OGTendar m^culw, quat aut incuiia fudít 
Aut humana parum cavit Datura« 

Para oiaior commodidade dos leitores pozémos no fim 
um Indice alphabetico de todos os vocabuios synonynios 
para melhor se podérem buscar no corpo do Diccionaric 

Parix, 30 de Janeiro 4e IS48* 



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NOVO DICCIONARIO 



DB 



SYNONYMOS. 



1. — A, para. 

Duaspreposi^oes qae se conslruem regularinente com 
06 verbos ir^ vir^ e outros que desígnSo movímentD, 
e servem a formar o seu coi^glemento, mas qne in- 
dic2o, cada uma de per si , diíTeren^a nolavei na inten^So 
do que vai ou t^em, ou do que falla na ida ou na vinda. 
— Ir a, vir a, indica a idéa de pouca demora, ou breve 
Tinda, ou volta. Ir para dá a entender inten^^So de grande 
demora, ou ionga eslada, e ás vezes para sempre, ex- 
cluindo a idéa de regresso ou volta. — Sai um homem 
pela manh9 de sua casa, vai á praga, ao mercado , a casa de 
seus amigos, ao campo, etc, e vem á noile para casa ; se 
Ihe esqueceo alguma cousa, vem a casa buscál-a, e volta a 
seus negocios até que se recolhe para seii domicílio. — 
Ei-Rei Dom Jo2o V^quando residia em Queluz ia muitas 
▼ezes a Mafra, vinha com frequencia a Lisboa ; no verSo 
la para o Alfeite, no tempodas ca^^adas la para Salvaterra 
00 Yilia Yicosa, e quando vierSo osFrancezes a Portugal 
Ibi para o BrazU. ^ Esta dístinc^So entre as duas prepo- 
•i(oes acha-se autorizada por Yieira na seguinte passa- 
gem : c Porque o pai fez uma viagem para as conquistas 
enancamais houve novas d'elle, tomasles por devocSo vir 
os sabbados á Penha de Fran^a. • (Tom. I dos Serm. , 
pag. 733).— A regra que a e$te respeito se póde dar é a 
IL 1 



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2 ABA 

mesma que se dá em franeez para as dsas expressSes 
avatr été e élre aíí<f, a saber : Todas as vezes i[ue se sap» 
p^ regresso ou volta devedizer-se tr, vir o, equando se 
siipp5e estada larga ou nSo ha regresso ou Tolta dere 
dizer-se tr, t^tr pora. # 

2. — A bateo 9 «mt lialxo 9 de liaixo. 

As dnas primefras expressSes eonsiderSo nm corpo 
com rela(2o á altura em que se acha sem rela^So a outro 
Gorpo ; a terceira considera com rela^So á situagSo em ^ue 
esta respectivamente a outro corpo ; isto é : está a haixo 
ou em haixo que, numa altura delerminada, está nnm 
lugar inferior, ainda que nio haja outro corpo por cima; 
eslá de baixo que tem em cima ou sobre si outra 
cousa. — * É menos penoso ir costa a baixo do que costa 
acima; navega-se facilmente agua a baíxo, mas com 
Gosto se rema agua arriba. Ficoit m baixo, mo qoiz sn- 
bir. Os que estavSo em baixo viSo menos do que os que 
estav£Lo em cima. O e^foello está de baixo da mesa^ 
e temo de baixo dos pés. máo caTafleiro eai fkdlmente 
abaixo do cayallo e nea mnitas vezes debaixo d^elle. — 
Basta substitnir uma expressSo por outra nestes exem- 
plos. para conliecer a propriedade cora que expliclo res- 
pectiTamente as idéas » que correspondem. 

3. — AlMiilinentOy lansuldesy desalenfOt 
pyroütrafAo. 



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▲BB t 

tir á desgrata, e até da esperanca de melbor forloiia,o 
qne ii2o acontece com o abatimento^ — ProstragSo é 
ahatimenio levado ao oltimo ponto; é aquelle estado 
cm que a nossa aJma se acha nio só fraca para soñier os 
males que a opprimem, senio que eslá rendida debaixo 
desea peso. 

4» — Aliorreeer 9 odlar » silioiiiiitary 
detestar, exeerar. 

Todos estes verbos indiclo nm sentlmento de aversSo 
a algnm objecto, mas em difiTerente gráo e por diversos 
motiTos. -- Aborrece^se o i^ue se nSo póde soílrer, e tndo 
qne nos causa desgosto ou é objeclo de antipatbia. 
Odia-se quasi sempre por capricno, por inveja, por 
paixSo (V. Odio). Abomtndmos quando repellimos com 
horror cousa lorpe» irreligiosa ou que oflende nossa 
cren(a. Detesidmos aquillo que desapprovámos ou con- 
demnámos. Execrdmos as cousas impias, sacrilegas e blas- 

fbemas, as amaldi^oámos com expressoes execratorias 
F. ExecrajjSo). — doenle aborrece os remedíos; o in- 
Tfjoso, ciumento tem odio a seu rival; o homem pio e 
de boa vida abomina as devassidoes do vicio e os dis~ 
cnrsos irreligiosos; o peccador arrependido detesta oñ 
erros de sua vida; o bomem temente a Deos exeera o 
descaro com que o sacrilego e o blaspbemo zombSo das 
eoosas sagradas. 

5. — AbreTlar 9 eneurtar. 

Áhretiar é fazer mais brcTe, de menos extensSo, dimi- 
BOir espa^ 0, reduzir a menos. — Encurtar é fazer mali 
eurlo. menos longo. — Ábrevidmos o espa^^o de tempo 
quando fazemos uma cousa mais brevemente do <iue se 
esperaTa ou estava determinado; abrevidmos os dias da 
Tída quando por necessidade ou imprudencta gastámos 



( íbr^as ío que convém. Os compiladores abrevido 
obras grandes reduzindo-as a compendio ou resumo. — 
Eneurídam o camioho quando tomftmos por om atalbo; 



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4 ABR 

eneuridmos razoesqoanto nos explicámos em menospa- 
íavras. homem economico e bem governado encurta a 
despeza de sua casa em annos de escassez; o sobrio 
eneurta a manlen^a por lemperan^a, o mesquinho por 
avareza. temor encurta a no^o aos covardes. 

6« ~ Abroyaf áoy derosaf m« 

Estas duas palavras puramente latínas {ábrogalio, 
derogatio) áec\2ir^Q suspensSo de lei, com a differcnci 
quea primeíra indica suspensSo total, e a segunda parcial. 
— A lei cessa por abroga^o quando o legisiador rescinde 
a lei toda, e fica como se nunca existira ; e póde cessar 
por derogafüo qiiando o legislador annulla aigumas dis- 
posifoes d'ella ficando as oulras em vigor. — Esta di». 
tinc^So funda-se na autoridade de Cicero que disse 
com seu costumado iuízo : « Nulla {lex) est, quce non 
ipia se sepial difficultaie ahrogatioúis ; • n2o ha iei 
nenhuma que se nao entrinxeire com a difficuldade de sua 
abroga^So {Atl.^ 3,23). « Videndum ett^ num ffucB abro^ 
gatio aut derogatio sit ; » deve ver-se quai haia de ser a 
abroga^Io ouaderogacSo {Ad Berenn., 2, 10). •Delege 
ediquid derogari, aut íegem ahrogari; • dero¿ar algnma 
cousadalei, ou abrogaralei(DeInv., 2,45). Y. Abrogar. 

7. — AbrosW) deroKai*) aiitl^uar , 
aliollr* 

As primeiras duas palavras ficSo incluidas no artigo 
Abroga^io, Deroga^So. Antiquar é p6r a lei em desuso. 
Para que uma lei seja ahrogada^ ou derogada alguma de 
suas disposi^oesyé misler um acto posilivo do legislador ; 
para que se lorne aniiquada basta o tempo e o nSo-uso. 
Aholir é supprimir, annullar^ extinguir nao só leis, senSe 
usos,coslumes, impostos, tributos, corpora^oes, iiistitu- 
los, elc— Verifica-se a aholifílo por meio do lempo e do 
uso. Considera-se abolida uma lei qiiando, passado muito 
lempo, se acha sem vigor e caío em esquecimeoto. 



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ABS 5 

8*-*AlisolTep^ renimip, pepdoar. 

Áhsolver é desligar o culpado por um julgado cítU 
on ecclesiastico dos la^^os em ,que encorrera. Remittif 
rem rela^o particular com a pena merecida pelo culpado 
da qual desiste o iuiz, etc. Perdoar refere-se com mais 

Sarticularidade ao onendido que esquece a offensa ou fai 
om do que tinha direilo a exigir do culpado, etc. — 
Pela absolvifao fica absoluto o réo do ^crime, o pení* 
tente de suas culpas, e consiituidos nos direitos de mno- 
centes ; pela remissáo fica rmittida a divida, a pena,com 
que o culpado devia ser punido : é concedida pelo prin- 
cipe ou magistrado e suspende a execu^So da justi(;a ; pelo 
perdáo esquece-se a onensa, suspende-se o castigo, e 
opera-se a reconciliagSo, quando o perd&o é sincera* 
mente empetrado e sinceramente concedido. 

9* — Abster-se 9 prlTar«se« 

Ábster-se exprime a ac^o sem referil-a ao sentimento 
que pódeaccompanhál-a ; privar-ie suppoe apego á cousa 
e pena de nSo poder gozar d'ella. — Facil nos é abster" 
nos do qae nSo conhecemos, nem amámos, nem desejámos 
oa nos e indifferente *, porém com dKHculdade nos jorivdr 
mos das cousas que conhecemos, nos agradSo, de que 
gozámos ou queremos gozar. Podendo bebáSo beber, 
easo raro é que se prive de vinho; porém homem de 
razlo abstemr'Se d'eile quando sabe que Ihe é nocivo. 

Yemos que ábstineneia supp5e que podémos gozar 
d'uma cousa, mas que por certas razoes d*ella nosa65¿e- 
mos^ e assim se enlende ser voluntaria. A privagd/o é de 
ordínario for^ada, pois temos desgosto e ainda pena de 
nos Termos privados d'aquiUoque muito desejámoslograr. 
— Para o que prefere sua saude aos prazeres, a abstinencia 
nSo é na realidade privac&Oí mas para que prefere ot 
prazeres a toa saude^ oabstiMncia é tambero privtt^íkK 



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AK5 



10. — Abstracf^io , dlsf raef &o« 

A palaTra ahslracc&o Tem da lalina ábstráhere^ qae sigDi^ 
ilca separar ou arrancar uma cousa do lugar em que esta 
ou suppomos estar ; correspende á linguagem melaphysica^ 
e designa a opera¿2o do entendimenlo, por meio da qual 
desunimos cousas que na realidade sSo inseparaveis, para 
podél-as considerar cada uma em particular semdependeo- 
cianem relacSo com as demais, fíxando-nos nella com ex- 
cluslo de lodasas outras. Uma imaginagSo abstrahida sé 
á sua propria idéa attende como se nSo hou?essc outras. 

No cabedaldas linguas cultas occupSo um lugar muito 
importante as pala?ras que represenlao idéas abstraetas, 
e sendo estas o objecto das sciencias mais ele?adas. como 
a mathematica. a metaphysica, e a philosophia, cnamSo 
tanto a aiten^ao dos que as estudSo que, abslrahidos 
nellas, s3o indiíferentes e como ¡nsensi?eis aos objectos 
e&leriores. Abslracpüo é pois como nma alhea^So do ho- 
mem concentrado naquelle obiecto interior que o tira 
€omo de si mesmo. — A pala?ra abstraeto usa-se quando 
a applicámos ás cousas, e ábstrahido quando a referimos 
áspessoas. 

Fallámos em ábstracto qnando o fazemos com separa- 
(3o de qualqner cousa; e diz-se abstrahir-se quando nos 
alheámos dos objectos sensi?eis para nos entregarmos 
aos tntellectuaes. — homem que se aparta do trato e 
communica^io das gentes, occupando-se, porassim dizer, 
em con?ersa(§[o comsígo mesmo. e na consideracSo de 
suas abstracgóes, merece o nome de ábstrahido. 

Qnerem alguns que distraegSo seja di?ersSo do pensa- 
mento de todo obiecto exterior para attender aos interio- 
res ; de cuja dennifSo resnltará que haja pouca diffe- 
renfa entre as duas pala?ras senrindose d uma por ontra, 
e commummente de distrahido por abstrahido. Diz-se 
é'um homem que está distrahido no }ogo, em amores, 
em Ticios, por concentrar-se e, por assim dizél-o, ábi^ 
trahir-se nisto, distrahindo'se de suas obriga^ 5es. 

Porém em nosso entender ha Terdadehra e nota?d dis* 



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ABO 7 

liocdíoentre as doas palavras, polB a ahHftugáo se exeree 
ée forapara dentroy e a éUsfracfáo^ ao contrarío, de dei- 
tro pera fóra. Uma palavra easual nos leva insensivel- 
meiite d'um objecto exterioraoutro iiiterior absurahMixh 
«os imeíramente a elle; mas quando, aohando-nos no 
mais profmdo A't%\zabstraepmy krerepeBtinameBte nos^ 
fos sentidos qnalquer objecto exterior, noi áUlrahe. 8e 
estlmos engolfados em nosso estudo sotitario e de repente 
entra «Da pessoa ou se fai um roldo forte, diremos que 
nos dütrahio e nSo que nos abslrahio, £m íkn» olbáinos 
t abstracQiío como uma cousa habiiual, eomo uma oeco- 

£a(^ eontinaa, como o resultado d'um caraeter parücn- 
ir, e assim dízemos : Este bomem está seiiifre ahslráhádo 
em seus estndos ou medita^oes. A disíraiciüo é momen- 
tanea e eomo passageira, separando-iios da absUtüe^f t 
qoe procorámos voltar bem depresst. 

11. — Ali8tpactOj abstriiflo* 

Uma consa ahsirac^i é diíficü de entender^ porque 
dislt moito das idéas sensiveís e commuus. Uma couba 
ábstrvLsa é difficü de comprebender, porque depende 
d'om eneadeamento de raciocinios, cuija rela^ 2o n2o é 
possivei descobrir neiB s^uir, e muilo menos a totali- 
dade qne d'elles resulta, a pesar do esfor^o exlraordi- 
narto qte nossa inteUigencia fa^ para conseguíl-6. — 
Um tnUado sobre o entendimento bumano precisamente 
deve ser adsinze/o, e ahstrusa diremos que é a sciencia 
dt geomeiria tr»iscendenial. — Tudo que é ábstruso é 
úkstraet^ mas nem Uido que absíracto é aibstruso. 

12. — Abimdaiitey alnmflloM» 

Bstas duas palavras, éerivadas ambas de ébundaneia 
011 de ahundarj só difierem pela importancia de snas ter- 
■imaedes. A termina^ So an/e, propria a todos os parüci- 
pios do presente, «gnifica o que é aclual, o que se faz, 
qne acontece, ets ; assim que ábundante quer dizer uma 
ipie taoafanente aiNuidt. de «le bt copíai ou em 



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8 AGA 

qoe ha abundAntni. k terminacSo mo, a qne alguna 
¿raiAniatícos chamSo ábundandosay sígnifica a proprie- 
dade, a abundancia, a plenitude, a for^a, etc; por lanlo 
ábundoso é o que tem a propriedade, a lor^a, a virtude 
de produzir abundancia^ de lazer que uma cousa ábunde, 
— Dizemos colheita, anno abundante^ qoando os fractos 
da terra s3o mais que basiantes para o sustento de seus 
ñabitantes: diz-se que uma cidade é muito abundante^ 
qnando nella se achSo en grande copia osgeneros neces- 
sarios para a vida ; terra abundante de fructas, de ca^, 
depescado, de aguas, etc. é a em que abunddo estas cou- 
sas. Chamaremos com exactidSo abundosos os pastos, os 
eampos, quando pela sua grossura e fertilidade apascen- 
JSo gordos rebanhos e produzem uberlosas messes ; dire- 
mos tambem poTos ábundosos quando sSo ricos em gente, 
e por sua industria grange9o a fartura e a prospera 
ábundancia. 

13« — Aeabart eoncluip. 

Acabar representa a acflo de chegar ao termo ou 
fim d*uma opera^So; concluir representa a acclo no 
deixar a cousa completa. — Hoie se acaba minha ladiga. 
Hontem se concluio o negocio. — Como as ac^Ses d'estes 
dons verbos sáo em gerai inseparaveis, é pouco oercep- 
tíTel sua diíTerenga; porém para dístinguil-a basta bus» 
cál-a nnm exemplo no qual o que se acaba seja precisa- 
mente aac^So de oulroTerbo. — A'manhS acabarHáets^ 
creTcr; n9o acaba de chegar; aomeiodia oca^ou decor- 
rer ; acaba de sair, de chegar, de entrar, etc. Emnenhum 
d'estes exemplos se póde usar sem impropriedade do Terbo 
concluir, porque n3o se trata directamente d'uma cousa fi* 
nalizada e completa por meio da conclusáo, senlo pura- 
mente d*uma ac^So que cessa : dotermoe fim aquechega, 
nSo a cousa concluida^ senao a opera^^io com que se 
conclue. 

14. — Aeabar (v. n.)| fenecePi pereeer^ 
niorrerf flnar-oe^ falleeer. 

Todos estes Terbos representSo t ac^ dechegarao 

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AGA 9 

im, ao cabo d'oma extensSo, d'uma dara^Soi mas com 
differeotes rela^^oes accessorias que constiluem a distinc- 
00 dc suas s¡gn¡fica95es. — Acabar 6¡gmfica chcgar ao 
cabo ou fim d'uma opera(j3osem¡nd¡car a conclusjo cV. • 
precedente), e d'um modo mui generico. Fenecer é clie- 
gar ao fím do prazo ou extensSo propria da cousa que 
fenece. Perecer é chegar ao fim da existencia, cessar de 
todo, e ás vezes por desastre ou inforlunio. Finar-'Se ex- 
prime propriamente o acabamento progressiTo do ser ví- 
Tcnle. Fallecer é fazer falta acabando. Morrer é acabar de 
Tiver, perder a vida. — De pressa se acaba o dhiheiro a 
quem gasla perdulariamente. Muítas tczcs se acaba a 
Tidaantesque lenhámos acabado a moc¡dade. Fenecem as 
serras nas planicies e ás tczcs no mar. Fenece a vida do 
homem muitas Tczes quando elle menos o espera. Pereee 
ou ha de perecer tudo q,uanto existe. Quantos téem pere- 
eido de fome, de sede, á mingua, nos carceres, nos sup- 
plicios, nos incendios, nos terremotos, nos naufragiosP! 
Todos os seres animados ñn&o-se quando, extenuadasas 
for^as, pagSo o tributo á lei da morte. Fallece o liomem 
quando pa'ssa da presente a melhor Tida. Morre tudo 
qnanto é vivente, e porque as plantas tem uma especie de 
Tída, tambem as piantas morrem, homem nSo morre 
só quando o prazo de seus dias está cheio, mas morr$ 
moitas vezes as mSos de assassinos, de inimigos ou de ri- 
▼aes, — Acaba ou feneee a serra e n5o perece, nem 
morre, nem se fína^ nem fallece, Perece um edificiOi 
Bma cidade, etc, e nSo morre^ nem se fina, nemfalleee^ 

Morre o Tivente, mas o irraciona! n3o fallece. Morre^ 
aeaba, fallece, fina-se o homem, e por sua desventura 
tambem muitas vezes perece, — Diz-se mui urbanamente 
€ por uma especie de euphemismo, que um homem falle* 
eeo quando acabou seus dias naturalmente, do mesmo 
modo que dizíSo os latinos viid funetus est; mas nlo se 
dirá que falleceo aquelle[ que morreo na guerra ou ás 
mSos do algoz. 

autor dos synonymos que se lem no Diccionario de 
Moraes diz que o nomem nSo perece, e assim parece recusar 
a ultima accep^So qiie aqui aamos ao verbo perecer. Guar- 
dado devido respeilo a tSo grande autoridade, diremos 



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10 ACC 

que ohomem certamenle tíSioperece em quanto á alma, 
mas pereee em qnaDto ao corpo todas as vezes que succes- 
80S Tiolentos e desastrosos Ihe yem impor a lei imprescrip- 
tiTel da destrní^Io a que estSo sujeitos todos os seres or- 
ganizados. Esta accep^Io é eonforme eom o genio da lin* 
ffua e fUndada em bons autores latinos qne appiicárSo 
freqnentemente o verbo pereo^ de que Tem direclamente 
nosso perecer^ nSo menos ás pessoas qiie ás consas. 
Entre muitos exemplos que occorrem citaremos só os dous 
seguintes: « Varius summo erueiatu supplicioque periit ; 
Tario pereceo em grandissimo tormento e supplicio (C?e., 
N. D., 3, 33 j. > — • Si pereo mottihus hominum, periisse 
fuvábit; se pere^o ás mSos dos liomens, grato me será 
perecer (Pírflf., Mn.^ 3, 606). » E Vieira disse: « Os 
qoe perecér&o naanelle diinviO|... E será bem que pere- 
pamos como ellesP (HI, 294). • 

15. — Aef«o, aeto. 

Pofito que estes dous Tocabulos se «onfundem ordina- 
riameDte, xño deixa com tudo de haver entre elies uma 
differenfa notavel. Acf&o é a opera(|3o, o exercicio dapo- 
tencia ; acio é o producto da accáo d'uma potencia, e o 
exércicio d'uma íaeuldade inteilectual ou moral. — A 
aefüo é susceptivel de gráos diversos : elia é viva, impo- 
laosa, vehemente; o acto é mais ou menos frequente, mais 
ou menos muUiplieado. — Para especificar o acto, dize- 
Vios de que polencia dimana : Um acto de virtude, de ge- 
verosidade, de vilaBía, eic; pani e specificar a aefSo^ 
foalificAmos a aefüo mesiDa: Oma accáo viriuosa, gene* 
rosa, víi, etc. — ÁcpOo tem tai ou qual qualidade, o aeto 
pertenoe a tal oa qÑal cansa. — Faz-se uma boa acfáo 
^oando se occallSo os defeitos do proximo; mas é om 
aeto de caridade bem raro entre os homens. — Pela re* 
peti^o doa aeios ae adqairem os habitos. V. o arligoie- 
gninte. 

1& ~ Ae^oeMf factosy feltos. 

A acfOú tem nma rela^ immediat% a pessoa que a 



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ACC 11 

•^ieGalt, representaiid^-nos a fonlade, o mofimenlo, a 
farle qiie nelta tcm a pessoa. O facto tem nma relacio 
direda á eousa executada, representando-nos o eflfeito, 
• produeto^ o qne fíoa exeeutado por meto da acfáo, ^ 
D'aqui Tem qne as acgi^ ^ boas, más ou indifferentec. 
aiginlando a pata?ra direetamente a inteneio do qne á 
execnta; e os fatíofOto certos, £süsos ou dñvidosos, com 
rda^Io direeta á essencia, on qnalidade do fscto em si 
mesmo. — Ftko é o mesrao qtie facto^ mndada por enpho* 
nia a pronuncla dura de ac na doce de ei ; corresponde 
moHas Tczes a o^«, acto^ mas o sen nso mais freqnente 
é represenlar as ac^es nobres, fllnstres de bomens (li- 
nnosof e dignos de memoria. 

As acQ6e$ do homem qne pensa mal descobrem o ca* > 
racter de seu cora^So por mais que as dissimule a arte, ou 
, ts dislároe a affecla^io e a h jpoerisia. Um máo htstoria* 
dor costuma alterar os factoi que refere, quando Ihe 
asslm convém, para divertir a seus leilores. Os poetas 
epicos propSem-se em sna^ epopéas a cantar os fmos il- 
Instres ée seus fieroes. Para celebrar os dos Lusitanos 
«nilM>con Camdes a tnba canora e belllcosa, e pedio ás 
snas Tagides que Ihe inspirassem estro divino e snblime 
canio, invocando-as com aquetles lindos fcrsos : 

Daj^e \^oa\ eanlo (*) aos feUot da famoia 
Geiite vossa, que a Marte tanto ajiida ; 
Que se espalbe, e se cante no universo, 
Se tSo sulrame prei^o oabe em Terso. 

17. — Arcei?erap, apressar , apressurar» 

Todos trez eqnivatemaangmentar a velocidade, a dili- 
gencia, o morimento, como'fím de eencluir com mais 
promptidSo nma operacSo; porém aprestar dá idéa 
d'nma certa desordem, d'uma pre$sa diri^ida sem regra 
nem concerto ao fim ; e apressurar exprime aperto, an- 
gnslia de tempo on de espafio» talvez oom afflie^. 



O CamoigfMl Mt féHofc. 

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12 ACH 

O ferbo aceelerar nSo snpplSe, por rt só, estas idéat; taa 
acfSo parece antes eíTeito da coufían^ de chegar antes 
do fím, mediante o augmento de velocidade e diligencia; 
a do verbo apressor, e ainda mais a do verbo awezturar^ 
parece antes o eíTeito do apuro, da desconnan^a, do 
embara^o, do lemor de nSio poder chegar ao fim. — 
O menino que mal gastou o tempo a brincar appret^ 
ia-te a estudar a li^So ou a escrever a materia, pelo que 
ftiz mal ambas as consas. — Os soldados que avancSo ao 
inimigo com baioneta callada v3o a passo accelerado^ 
mas se encontrSo uma cilada fogem apreszadamente^ e 
afressurüo^e a escapar ao perigo. — Ápressar é o 
excesso de accelerar, assim como apreesurar o é de 
apressar. 

|8* — Acltaquey molestla, enferiiildadey 
doenfa. 

Todas estas palavras annnnci3o nm desarranjo oa 
desordem no estado normal da saude do homem, mas 
cada uma d'ellas indica modifica^^es parliculares qne 
distinguem os differentes generos de soíTrimento. — 
Áchaque, segundo a origem aral)e axxaqui^ significa 
enfermidade ou molestiahabitnal. Jt/oíe^tia, toma-sequasi 
sempre na signifíca^So da palavra latina, que quer dizer 
doen^a permanente, como a definio Cicero : « Molesíia 
est cegritudo permanent (Tusc. 4. 8).» Enfermidade 
significa, segundo a for^a da palavra latina, fraqueza, 
fálta de for^as, debilidade da natureza no sentido em qne 
disse Cicero : •Infirmiías puerorum et ferocitas juve^ 
num (de Senect, 10). > Doenga. segundo sua origem do 
▼erbo latino doleo^ quer dizer estado doloroso do corpO| 
molestia do corpo acompanhada de dores. — A primeíra 
iez-se exlensiva a todo o defeito physíco ou moral ; 
a segunda tambem se generalizou a todo o incommodo, 
enfadamento, ou trabalhopenoso de corpo on deespirito; 
a terceira é preferivei para indicar a íalta de saude que 
provém de fraqueza do corpo, abandonode for^, etc»; 
a nltima expnme bem a falta de saude acompanhada de 
dores on incommodos physicos mas nSo liabitual. Parece 



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ACH 13 

corresponder ao morhu dos latinos. Diz-»e com razáo 
doente o que náo eslá sSo, no mesmo sentido em qoe 
dizia Ciccro : « Qui in morbo $unt , tani non tunt 
(Tusc.,3,4).» 

19. — AcliAdo 9 descolirlnieiito » dcMO« 
bert», tiiTeiifáoy Invento. 

Facil é estabelecer as rela^oes d'estes nomes com oi 
▼erbos seguinles de que se derivao. Deve com ludo ad- 
▼ertir-se que com a palam achado anda quasi sempre 
associada a idéa de bom, feliz, proveitoso. — Descobri^ 
mento diz-se quasi exclusivamente dos pa'izes do novo 
mnndo qne os descobridóres derSo a conhecer ao vellio, 
com que se enriquecér5o seus estados. — Descoberta in- 
dica especialmente o que nas sciencias e nas artes se 
deseobrto de novo. — InvenQáo e invento exprimem o que 
se inventou, o producto da faculdade inventiva, a obra do 
inventor, com a differen^a que invengüo tem muilo mais 
extensSo, e que invento se restringe ás artes. Póde-sc 
além d'isso estabelecer a mesma differenca que se dá 
entre acf&o e aetOj de que se fallou a pag. 10. 

20» — AeliAry eneontrAPy deparwPy 
deseolirlr, InTentar. 

Encontrar corresponde ao verbo latino invenire em 
saa mais lata significa^Io, representa a ac^So de dar com 
nma cousa que se buscava ou que por casualidade se oífe- 
rece. D'um nomem que, indo pela rua, vio no cháo uma 
pc^ de ouro, a ai^annou e guardou, diz-se que a achou ; 
assim comoy tendo-a perdido, e andando ém busca 
d'ellae a encontrando, diz-se que a achou. Autoriza- 
se esta accep^ao com o ditado vulgar mas evangeiico, 
quem husca acha {quísrite et invenietis); abona-se 
aqoella com a senten^a de nosso Cam5es ; 



8: 



06 alegria n9o póde ser tamanba 

|ae aehar gente Tizinha em terra estranba. 



Havendo porém na nossa lingua o verbo encontrar qae, 

DigitizedbyGoOgle 



ih áCH 

cntre •ntraftsigiiificafSM» tem i áe oonsegiifr p«r aoeito 
e encontro, dar por fortuna, sem qoe se iMBqae, ooai 
alguma cousa aue bos interesM, aerfa muito acertado 
que a cada uma aestas idéas diíferentes sedestinassenma 
palavra que a distinga, antes do que autorizar um nso qne 
as con&mde, desígnando para o primcúro eaao a Tenio 
acharj e para osegundo o verbo eneontrar; tanto mais 
que, se examinarmos com rigor, perceberemos que a 
ac{2o de eHconírar nSo suppoe precisamenle a de haver 
buscado o que se encontra^ porém que a acfio de aekar 
suppoe muitas vezes a de bafer buscado o qoe se adki. 
— Ao passar pela pra^^a encontrci nma procisslo, ui 
enterro, etc. A duas leguas de Li^oa eneontrei o correio» 
o estafete, etc. Ninguemdirá qne aehou a pvoeissio, ete.; 
a nSocfnerer dar a eaUader que a andava, ou ia baseando. 
£sta distincfSo, muirazoai^I por oerto^ lúko deiiaria de 
ter bom patrono entre os Ciassicos, pois o P. Lncena 
diz : «Mais Mconlr4rflo acaso as iUiaB do qne as adháréo 
porarte» (3,15). 

Deparavy que é composto da preposi^So da e do Tcrbo 
latino parare^ preparar, exprime a ac^So d'om agenCc, 
diíferente de nos, que nos subministra, nos apreseMta 
uma pessoa ou cousa, de que haviamos mister, que nos 
é utii, etc; é por isso que nSo se usa eomoNinimeile naa 
primeiraspessoas. Diz-se que Deos imdaaara um amigo, 
uma boa fortuna ; mas só Deos poderia dizer : £u d^a-- 
rei'te um amigo,etc. Alguns o quizei^o fezer synonimo 
de enconiraTy com a vozneutra, dizendo por exemi»lo: 
€ A passagem com aue deparei; » o qne e erro, pois o 
modo correcto de íallar e: «A passagem, qoe o aeasOy 
aminhadiligencia, etc, me deparou. » 

Descobrir é pór patente o que estava ooberto, oocnlto 
ou secreto, tanto moral como physicamente; é acbar o 
^ue era ignorado. — que se deeeobre nao estava ?!• 
sivel ott apparente, o que se aeha estava visivel ou appo- 
rente, mas fóra denosao akance actual ott dc iMssavista. 
Uma cousa simplesmente perdida, achamo^ta quando 
diegdmos aonde ella está e a descobrimos com a vista, 
masnSo adesco&rímo«,porque estava manifesta e nSo co- 
teit ou eccuHa Deteo^em-ie as minas, oa nascentcs 



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Aa 15 

qoe a terra encerra em seu seio ; achÜ0'8$ m aoliiaei 
e as plantas qiie povoSío sua superflcie. Colombo e Cook 
iescobriráo novos mundos, e naquellas reei5es até entSo 
ignoradas achár&o um novo reino vegelale animal,nia$ 
a mesma especie de homens. Barlholomeu Dias degcobrio 
a passagem do cabo Tormenloso, e a fiez conheclda a 
Tasco da Gama quando fol descolrir a india. NIo sc 
póde dizer rlgorosamente que Cabral descobrio o BrazU 
porcpe nm incldenle o levon a encontrar aqueHe vaslo 
continente, porém MagalhSes descobrio o eslreíto a que 
deo sen nome porque o buscava e era seu intenlo fazél-o 
patente. Descobrem'Se as conspira{2ies, as coujuragSes, 
ostramas secretos, e n2o se acfi&o^ nem encon/rdo, por- 
que slo occnltos e nSo patentes. Kcha-se uma pessoa em 
casa, mas n2o se descobre porque nlo estava occulta. 
Descobrirao^se as ruinas de Herculano , e nellas se 
oehárak) preciosos monumentos das aries. 

Jnventar corresponde ao latim invenire na sna steni- 
fica^o restrícta de discorrer, achar de novo^ e exprune 
a ac^Io d'aquelle que pelo seu engenho, imagina(So, tra- 
balho, ücTm ou descobre cousas novas, ou novosusos, no- 
vas combina^oes de objeclos já conhecidos. — Um en- 
genho fecnndo acha muitas cousas; mas o engenho 
penetrante inventa cousasnovas. A mecanica inrenla as 
lerramentas e as machmas,a physica acha as causas e os 
efleitos. Copemico inventou um novo systema do mundo. 
Harvée achou ou descobrio a circulagSo do sangue. Her- 
ichel descobrio nm novo planeta. Yoita inventou a pillia 
qne d^eUe tomon o nome ae Voltaica. 

21. — Actdta, desidia, preiTiitf»* 

Aeiákif e nSo accidia emo algnns por erro téem 
cscrlte, é patevra puramente greea oue nSo fei usada dos 
latinos («DnqSte ou (ueqScia, ferBBada da nartieala prívatlva 
a e xiíSos, coldado, sollicitude), e signinca em geral, falla 
de coidado, negligeBcla, deieixo, frouxi^o. Fareee ter 
sido vnlgar noutro tempo, e usar-se em lugar de pre- 
ffaica, conM> se vé do Leal Conselbeiro e do Calecismo de 
Fr. Bartholomeu dos Martyres que a define assim • c se- 



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16 AOO 

• timo e ultimo vicio capital se cliama acidia^ qae é ama 
» tibieza e fastio espiritual que a alma tem para o exer» 
» cicio das obras virtuosas, especialmente para as cousas 

• do culto divino e communica^So com Deos (pag. 233).» 
Desidia é palavra latina, que parece ser a mcsma que 
aeidia grega, mudada a particola prefixa « em cf« e o x em 
«, e significa o mesmo que a primeira. Preguipa tambem 
é palavra latina, pigritia^ e signifíca Degligencia, des* 
cuido no trabalho, lentid9o em obrar. 

Deixando a primeira, oue parece já antiqnada, com a 
designa^So de Fr. Bartbolomeu dos Marlyres, usaremos 
com muito acerto da segunda quando quizermos signa- 
lar ñ*ouxid9o de espirito, deleixo no desem^enho de seu 
dever, repugnancia ao trabalho inteilectual, inapplica^Io 
aos negocios, no mesmo senlido em que disse Víeira: 
« Aconiece isto (andarem os servos a cavallo e os prin- 
« cipes a pé) quando o principe, a quem toca ter as re- 
> deas na mao, por desidia e negligencia, as larga, e en- 
» trega ao servo (IV, 466). » A tferceira, por ser vulgar, 
e ter mais lata signifíca^So, fíque para o vutgo com o va- 
lor que tem, mas entre os doutos póde designar particu- 
larmente aquelle deleixo, aquella lentidlo que provém 
antes do corpo que do espirito, a propenslo para a ocio- 
sidade, e o gosto de nella viver. — artista, o operario, 
póde trabalnar de pela manhl até á noile e nao saber 
que seja pregui^a, mas ter addia para as cousas de 
Deos. commerctante póde ser activo e incansavel em 
fazer suas compras e vendas, mas póde deixar-se possuir 
de de$idia para examinar suas contas e saber exacta- 
mente seu deve eha de haver. Principes tem havido que 
se fatigavSo continuamente em corridas, ca^das, mon- 
tarias, etc. , mas que succumbiSo á desidia quando se tra- 
tava de negocios d'Estado. NSo cediSo a um picador as 
redeas d'um cavallo fogoso, e deixavSo ca!r das m2os as 
redeas d'um govemo pacifico. Inimigos da 'preguiga cor- 
poral, forlo victimas da desidia intellectual. 

22. — Acordar , despertar. 

Ambos sSo verbos a^^tivos e neutros, e representSo a 



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ACT 17 

ae^o pela qaaf om homein sai, on o liríío, do estado d« 
adonnecímento em que jazia. Áeordar expríme propría- 
mente a cessa^So do somno, o recobro dos sentidos, • 
tambem a cessa^So do sonho, eomo sé vé naquelle Terso 
de CamSes (^Cang, 15) : 

Ah.! quem de sonho Ul Danea Montors. 

Despertar, é pór, ou pór-se, om homem esperto, ex-» 
pedito para exercer suas facaldades,como se vé d'aquelles 
doos Tersos de Camoes (Lus. VI, 38) : 

Os do qaarto da príma se deKaySo, 
Para o segundo os oatros despertando* 

Parece que a ac^So de acordar precede a de despertar^ 
que acordur supp5e um somno ordinarío equeacaba 
regularmente, sendo que despertar annuncia somno pro- 
ftindo, e que se interrompe a horas desacoslumadas, para 
sair do qual é necessario mais esfor^o nosso quaudo acor^ 
ddmos^ ou de quem nos quer iormf esperlos.— A mesma 
difibrenfa exisle na accep^So figurada. — Quantos homens 
acordáo do somno da culpa, mas nSo chegSo a estar assái 
espertos para praiicarem resolutamente a virtude ! 

23. — Actt'Fo, efilcM« 

A dil^encia, a promptidSo, a viveza com qne se eoK 
preglo os meios para conseguir um fim, ou eom que 
obrio as causas para produzir os effeitos, constituem a 
aetividade, e o caracter de activo. A virtude, a for^a, a 
qoalidade poderosa dos meios, ou das cousas mesmas, 
eonstituem a ef/icacia, e o caracter de efficaz, — Um rc* 
medio activo obra promptamente, produz sem dilaflo 
iea effeito; um remedio efficaz obra poderosamente, 
eom for^, com seguran^a. — Um homem activo nSo 
logra sempre o que deseja senSosabe empregar os meios 
inais efficazes para isso. — A aetividade d'um discurso 
surprmnde, e náo dá lugar á duvida ; sua efficacia per- 
•oade e convence, e saíndo ao encontro á duvida, a áee^ 
troe e dissipa. — procurador deve ser aetivo; o advo- 
gadodeveser^os. 



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18 ADI 

24. — AdjMtlTO, epltlieto, 

EstM daas psdayras, p«sto qoe de orígem diíTerente, tcm 
mesmo yalor grammatícal. Epitheto é palayra grega, 
iniBixov^ composta de <n¿, sobre, em cima, e bítov , posto» 
ajunlado, e nSo de Bí¡rog, eomo erradamente diz Gons- 
lancio ; é a(y ectivo subslantivado subentendendo-se ^j»ioc ^ 
nome. i4d[/eeítvo épalavralatina, adjectivum(se. nomm}^ 
formado de ad e jaceo^ jazer, estar ao pé, juato. Mt 

Í^rammatica grega iitietxov é o mesmo que adjectivum na 
atina. — Entre os Gregos usava*se já da palavra ime¡Tov^ 
como um termo de Rhelorica, d'onde veio para os latinos, 
e d'elles para nós, e o uso tem ñxaáo a signifíca^So res- 
pectiva de cada uma d'estas palavras. A primeira é unii 
termo de grammatica ou de logica, a segunda é um temao 
de litteratura. AqueDa é uma voz que modifica ou quali- 
fica substantivo. é quasi sempre necessaria para com- 
pletar o sentido aa proposí^áo ; esta é muitas vezes só 
ntil, e serve para o ornato e energia do discurso. — Os 
adjectivos nio s2o sempre epilhetos. A's vezes unidos a 
um substantivo exprimem a idéa total do objeclo, e nSo 
indiclo em separado nenhuma qualidade sua; em cujo 
easo é claro que nSo merecem o titulo de epithetot. Por 
exemplo esta expressSo, o corpo humano, é o signal total 
da idéa que representa ; e o adjectivo humano está em- 
pregadcp por necessidack, porque nSo ba na lingna mna 
palavra qae por si só sígnifique o objecto qne chamlmos 
torpo humano^ on corpo do nomem. Masseseajuntassei 
o corpo humano, mückina admiravel^ esta nltiDUi phrase 
seria um verdadeiro epitheto destinado a fazer-nos oteer- 
Tar no objecto chamaáo eorpo humanú cerla qaaUdiéey t 
de ser admirarel sep meehanismo. Tampouco sio i>erte» 
áeiros epithetos eeadfectivoe qiieexprimem o atlribolo 
das proposif5es, v. g. nesta, o homem é martal; porqi 
«30 estSo destinados t fazer resaltar indtreotameBle e 
domo de passagem mDtqualidtde particular, q«eé o qoe 
eonstitne o epitheto^ sento a designar a qoe por wBa 
«fñrma^So posilift e direett altribaíraos t um o^eeio. 
— Gré-se geralmente qne epitheto e üé^ecHi^ aio tmia 



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ADH t9 

i coofia; por^m tSo losge estio 4e iél-ey qae ba 
mDitas vezes epüheto sem que haja na phrase nenteKD 
adjeciivOf como nestas, &tptao, oraio dasverro; Ephyr$^ 
exemplo de heüeza C^); e outras em qiie o$adje€ii9os nSo 
s2o epilbetos, eomo nas acima ciladas. 

25* — Admlrafao ^ Msomliroy pasmo* 

Qnando vemos cousa nova qae nlo conheciamos e qne 
em si é admiravel, recebemos uma impressSo agradavel 

Sue chamámos admirapao; se a cousa vista é do genero 
'aqnellasque insptrlo terror, experimentámos a««om&ro ; 
quandoa a^ImtrapSo cresce ao ponto de causar como uma 
su^pcmsio da razio, ehamámos-lhe fosmo. — FormSo 
estas palarras uma grada^io que n9o devem desprezar os 
litteratos, pois d'eBa nos deixou exemplo o nosso Vieira 
qoe disse^nr, 416): «Deixai^me fózer um reparo, digno 
• nlo só de admirapdo, mas ée a«som^o, e de posmo. » 
Nontro togar (i, 327) tínha já éito : t Agora nlo yos pe^o 
üdtmrafSOj senSo posmo. • 

26. — Admlravely admiraUTo* 

Palavras derivadas ambas de admirar ou admiragdo^ 
mas que variSo peia importancia da termina^^o. — Admi' 
ravel é o que excita admira^So por excellenle e oplimo ; 
admircUivoé o que dá indicios de sentenca de admira^So, 
ou qu€ é acompanhado de admira^;oes (ü). Auloriza-se 
esta dkstinc^So com a segiiinte passagem de Yieira; 
«Estas minhas admira^5es sSo as que naveis de ouvir. 
» N3o será o sermio admtravel, mas será admiraiivo » 
(1,463). 

27. — Admittlr , receber. 

ÁdmUtir bodica nm acto de urbanidade pelo qual se 



n A. esU especíe, posto que tenb'o iim adJecUvOjpeiteooemaqaelIés 
dt CamOes (£«*«., 1, 44; X, i3) : 

YaBCO da Gaina, o forte Gapitio. 

O «rte Facbeoo, JyebiUc» lnaílaMb 



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20 ADU 

franqaeia a porta da casa ao que d'um modo d«€oroso a 
ella se presenta. reeeMmento é mais ceremonioso : 
sapp5e ceria ígualdade, considera^So e correspoadencia. 
— Um fidalgo admitte á sua mesa e em sua sociedade 
om homem limpo a quem nunca visita. As corpora^oes, 
as socíedades litterarias e scientificas rccebem em sm 
gremio os homens nolaveis e doutos. — Os príncípes 
admittem á sua audiencia os ministros estrangeíros, e 
recebem em suas córtes os grandes scnhores de outras. 

28. — Adormeeep 9 domilr» 

Representlo estes dous ?erbos a ac^3o pela qoal e 
homem passa do estado de vigilia ao de somno, com 
a diíTeren^a que adormecer é deixar-se veocer do somno, 
pegar no somno, $omnwn capere ; e dormir é conservar- 
se entregue ao somno, nos bra^ os de Morpheo. — Diz-se 
que um homem adormeceo ás duas horas e dormio até ás 
seis; mas nSo se póde dizer que dormio ás duaseo^or- 
meceo até ás seis. Autoríza-se esta distinccSo com a dito 
de Yieira : « E como lardasse o esposo, aaormecérüo to- 
das, e dormirOo (1, 286). • 

29* — Aduladopy lleoi^Jelpo. 

O lisonjeiro é mais fino que o adulador. Este loart 
tudo, e sacrifica, sem arte nem rebu^o, sua propria opi- 
ni9o, a verdade, a justica, e qualquer outro respeito, ao 
objecto de sua adulag&o, lisonieiro dá mais apparencit 
de verdade a seu louvor, persuaae com mais sagacidade, 
vale-se de meios mais efOcazes, e muitas vezes indirectos, 
e insinua-se com mais destreza no animo da pessoa /t- 
sonjeada, Já Tacito no seu tempd conhecia esta differengay 
como se védoseguinte lugar que o nosso Vieira citoue pa* 
raphraseounomuinotavel sermSoque prégou na primeíra 
lexta feira de Quaresma, na Capella real, em 1651 : < iifu- 

• latio perpetuum mcUum regum, quorum opes scepius oa» 
t sentatio quám hostis evertiL Aadula^So éaquelle perpe- 

• too mal| oa achaque mortal dos reía coja grandeza. 



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ADV 31 

« tpulencia, einiperiosmuitasmais ▼eze&destruíoalísoiya 
<t dos aduladores que as armas dos inimigos (IV, 229). • 

homem prudeule devedesprezar a adulafáo, e temer 
Mli8(mja\ porque aquella só póde inclinar um anime 
baixo e desprezivel, porém esta sabe empregar com maii 
arte a for^ irresisti?el de nosso amor proprio. - Por 
esle m<;smo principio chamámos lisonjeiras as palavras 
qae persuadem, e nlo aduladoras, e usámos com prefe- 
rencia do verlM) lisonjear para explicar o que satisfaz 
nosso gosto, o que captiva nosso corafSo, o que nos ins- 
pfn confian^a. 

lÁítonjéao'se os sentidos com a apparencia do deleite; 
Hsonjéa-se o desejo com a esperan^a; e assím dizemos: 
Liionjéo me do bom exito d'este negocio; lisonjéa"^ 
em vlo d'isto ; e nSo adu¿o-me, ou adula-w d'isto. 

k Itsonja é sempre activa ; a adula^(ko póde ser mera* 
ineDle passlva. Cabe adulagho na conformidade, na con- 
descendencia, no silencio mesmo, a que se nSio póde dar 
com proprieáide o nome de lisonja. 

30* — AdTersarlo , rliral ^ eniulo , 
nntugowñlmta , Ifilmli^o* 

A palavra adversario compoe-se da preposi^So latina 
ad, junto, e de versus^ participio de verto, voltado, mu- 
dado, pois adversario é com eíTeito aquelle qiie se vol- 
tou contra nós outros, ou seguindo diííerente opiniSo ou 
partido, ou pugnando por interesses que nos prejudicSo. 

— Ainda que o inleresse e o amor proprio sej2o de ordi- 
nario as causas por que muitos se fízerSo nossos adversa^ 
riosj todavia podem estes ser amigos debaixo d'oiitros 
respeitos, ou indiflerentes, e ainda ^enerosos e delicados; 
mas n2o assim o inimigo. Aquelle pode favorecer-nos em 
tudo aquillo que nSo pertence á disputa, nem á contra- 
dic^So; e^te sempre procura fazer mal, que para isso é 
elle inimigo, Ádversario nSo suppoe odio, inimigo sim. 

— Por analogia chamámos sorte adversa a qoe nos é con- 
traria , e successo adverso o que nos causa damno e con- 
duz ao infortunio, e d'aqui yem as palavras adversidade^ 
udversamenie, e as antigas adversart adversia* 



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33 ADY 

Rival é palam latina, rivalis^ e indiea nma oppoai^ 
mais forte que a precedente. Mo ha propriamente rivth 
lidade nasopinioes e iáéas, mas sim nas doulrinas epai^ 
lidos,nos inleresses e inctínacoes, no talento, no merito^ 
nas ríquezas, no Inxo^no espiendor, e sobretudo nos em* 
pregos, bonras, e gra^as; ha muiios rivdei em amor, a 
tambem se rivaiiza em ac^es firtuosas, como na gene- 
rosidade, no valor, no heroismo ; até nos animaes se dá 
certa rivalidade. 

Bfnulú é tambem palavra latma, wnwlm, e designa 

{)essoa que compete com outra em arle, sciencía, ac^^fes 
•UTaveis, ou que se propoe imitál-a e até excedél-a va- 
lendo-se de meios honestos. Differen^a-se pois muito de 
rival, sem se confundir eom adversario. — Emulo denota 
competi^o honesta, honrada, generosa, e nSo admitte 
odio nem inveja. emuh reconbece, e até proclama o 
mento dos competidores. Os emtUos correm a mesma 
carreira. Os rivaes léeminteresses oppostosque se com- 
batem. Dous emulos caminhlo, vivem em harmonia; dous 
rivaes accommeltem-se. ~ Pompeo e Gesar forSo rivaes; 
Cicero e Horlensio forSo emulos. 

Entre os antigos a palavra grega AvrayMtvryii^ ou anta'' 
gonista cm latim e nas linguas que d'elle se derivSo, si- 
gnificava um inimigo armado e em acto de batalha ; pois 
áv'cuyíana'v^i sc comp5e da prcposiíSo ct»T¿, contra, e 
aytavi^ofjLOíi^ cu combato; mas posteriormente foi limitando- 
se a combales mais nobres e menos sangréntos, como os 
litterarios, os de jogos e exercicios, e os partidos que n9o 
saem da linha da nobreza, galhardia, generosidade e até 
heroismo : é uma rivaiidade mais disluUa e elevada. Dize- 
mos, V. g. que os Newtonianos s2o antagonistas dos 
€artesianos em seus systemas: os Inglezez e Francezes 
em seus adiantamentos scientincos e industriaesj os so- 
beranos em sua grandeza e esplendor; os amantes em 
obsequios a uma dama. 

Yemos pois que todas as pdavras anteríores, longe de 
exduirem as idéas de nobreza e urbanidade, as sup¡^m : 
86 os homens de merito léem adversarioseem^doé^ e at 
ahnas grandes rivaes e antagoniMktti o vulgo i^ coáheGe 
f^is que inimigoi. 



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AFA 3S 

A immizade é de ordifiario ama paixio fienSo sempre 
haixa, ao menos rancorosa, tenaz, reprehensively sóbre 
tado em seus excessos ; suppoe graves mjurias reeebidas, 
se é bem fundada; faz com quereceémos o inimigo^ ainda 
de[>ois de reconciliados com elle, porque cosluma ser 
traidor. Tantos slo os bens que da amizade resultlo» 
qnantos sSo os males que a inimizade produz; nSo ha 
acfSo baixa nem prooediment» tíí a que ella nSo con- 
doza. 

Esta palavra tem mnita extenslo em sens significados, 
pois abra^ as pessoas, as ac^oes e todas as coosas qoe 
no6 podem desagradar , contrariar ou fazer danmo : soomí 
immigos de certos manjares, de eertos prazeres, de cer- 
tos costumes; somo-io umas vezes por nossa natoral incli- 
nacSo, por bons motivos e com razlo, e tambem por ca- 
pricho e prejuizos. Estende-se a ammúade em sua ^gni» 
fica^o metaphorica a todos os seres orgaaizados e sen* 
siveis, a os animaes e ás plantasL 

31«— AAiBtary «ppedar, apartar^ 
•eparar. 

Afastorte o qoe se poe para longe; arreda-se o que se 
tira do pé ou se poe para traz. Para o verbo arredar ter 
a mesma extensao que afastar é mister juntar-Ihe o ad- 
verbio longe, como fez Gamoes (Lus. Vlll, 79) : 



Com eRe paite ao caes, porque o arred» 
Lonfe quanto podér dof regios paf os. 



Aparkhse o qoe se p^ á parte, e póde ser am só ob- 
Jeeto ; apartdmos os que brigSo, qoando atalhámos o pro- 
gresso da peleja ; apartamiyms d'um lugar, d'uma pessoa^ 
aiada qoe seja por pouco tempo. 

Sepirehse o que estava unido, ligado, misturado; sm* 
pre com Tcferencia a mais d*um oojecto. Separa o lavra- 
dor a palha do grSo» o trige do joio, a fructa podre da 
si; separiUHse os casádos quando nSo podem viver juntos, 
011 se desquitSo; no juizo final h2o de separar^ os bons 
dos máosw — - Separar diz muito mais que a^tcr. — 
SciSuido Yieirfi«^r6ce qoe Mporaf ílo iadiGa príncipid- 



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2ü AFF 

mente a acfSo de ieparar^ $ a'partamento os resultados 
moraes, pois fallando do |uizo nnal diz : « Feita a sepafXB' 
Qoo dos máos e bons, e socegados os prantos d'aquelle 
iiUimo apartamento (III, 163). > 

52. — AflTerto , palx&o. 

Sendo o homem um ente dotado de sensibilidade,' expe- 
rimenta a cada passo grande numero de impressoes qne o 
aíTeclIo de mui diversas maneiras; o diíierente modo por 
que liomem é afleclado, e o sentimento que experí- 
menta constilue o affeeto, o qual póde ser grato oq 
ingrato, pliysico ou moral, etc. A paixáo é o affecto le» 
vado ao uilimo gráo e assenhoreandose da yontade. Os 
af/eetos s3o commo(5es brandas e suaTcs que se podem 
ajustar com a razSo; nSo assim as paixóes^ que violentas 
e impetuosas fazem muitas yezes emmudecer a razSo, e 
arrastSo o homem ao quebrantamento da lei e do dever. 
— Na linguagem da Rnetorica, affectos e vaixóes s2o 
nma mesma cousa. 



33. — AflTelte , enfelte* 

Diz D. Fr. F. de S. Luiz que affeites s3o ornatos on 
alavios aíTectados, que em lugar de aíTormosearem des- 
feiSo objecto, e talvez o fazem ridiculo ; e que enfeites 
s3o os mesmos ornatos ou atavios, mas naturaes, com 
que se anbrmoseSo os objectos. — Esta distinc^Io nSo 
tem por si autoridade classica. Vieira, failando de S. 
Ignacio, diz : « escritor (achará nelle) a utilidade sem 
a//eitf (1,446). » É evldente que affeite íórmB^ antithese 
com utilidade e nSo tem a menor allus^o a coiisa aífectada 
ouridicula. Ferreira dissc: «VSoparecere/a/ioo/yeíff/» 
onde qualiñcativo faho dá a conhecer que afíeite por 
8i só nSo incliie a idéa peiorativa que se Ihe qoer 
attribuir. Se alguma ycz se toma á má parte, outro 
tanto acontece a enfeiie, como diz Moraes citando Lobo 
e Bernardes. A auloridade d'este é terminante, pois, 
ennumerando os falsos e ridiculos omatos com que os 
progadorcf adomai^o seoi sermSes, diz : • Gonceites 



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AFP 26 

»de filagrana, delicados e reluzenles, qucstóes esoholat- 
» licas, e outros enfeites semelhantes (FÍor. y. 11 1).» 

£m quanto a nós, estamos confencidos que a unica diffe- 
ren^ qiie ha entre estes dous vocabulos é que o primeiro 
é castelhano e o segundo portuguez, e que affeiie tem 
naqaellri lingua a mesmissima significa^So que em a nossa 
tem enfeite : « jífeite , diz a Academia hespanhola, es el 
aderezo ó compostiira que se da á algiina cosa. » Deixe- 
mos pois aos Castelhanos o sen afeite e afeitar^ e usemos 
do nosso enfeite e enfeitar que tem igual Talor e mereci- 
mento. 

34. — JJttrmar, Mwesurary confirmai^ 

AffirmO'Se quando se diz alguma cousa com certeza, 
son mostrar duvida; se á affirmapQo se junta seguranpa^ 
nioslrando intima convic^ao, assegura-se ; quando se ad- 
duzem novas provas, ou se recorre a novos testemnnhos 
qae reforcem mais a certeza da affirmafdo^ confirma^ 
se; confirma^se tambem uma noliciai quaudo se recebe 
certeza de que é verdadeira. 

35. — AfHlc^&o, trlstezai penay 
enfado. 

A íristeza é uma sitoa^So continuada do animo ; a 
affiicQ&o é uma circumstancia accídental que sobrevem 
ao animo, e o occupa por algom tempo. — O infeliz, oc- 
cupado continuame nte de sua desgra^a, t^\Á triste, Uma 
boa m2i afflige-se sempre que se lembra da prematura 
perda de seu fílho. — efTeito que causa nó primeiro mo- 
mento a perda d'um pai amado, é afpicfáo; a silua^So 
desagradavel em que fica depois o animo por algum, 
lempo, é tristeza. D'aqui vem que ha genios naluralmente 
iristeSf t nSo naturalmente afltigidos, porque esta ex- 
pressSo explica uma situa^So continuada do anüno, nSo 
mn effeito accidental do senlimento. 

Á pena é um tormento de espirito mais proñmdo e 
duradouro qoe a afHicp&o; suppoe ás vezes causa inte- 
rtor formada por trabalhos succe&slvos oo desgracas con- 
.11. % 

DigitizedbyGoOgle 



2« AFF 

tinuadaft. kspenas acabSo l^ntamcnte com oqaeatpa- 

dece c náo as pódc rcmediar. — O enfado é momentaneo» 

ncm ttcccssita muitas vezes de causa nem moüvo;cos- 

líima nascer d'um genio viTO c arrabatado. Vcja-se o ap- 

tigoscguintc. 

36. — Aflllcf ao I pezar , masoa 9 

•onsteriiafáo, dor* 

Todos estcs vocabulos exprimem o estado de soffri* 
mento do animo aíTcclado por um senlimenlo desagra- 
davel e penoso, mais ou menos intenso, de maior ou menor 
duragSo, dc que dor é o gencro e os outros as cspecies. 

Todo senlimento penoso, nascido da presen(;a ou apre- 
hensao do mal, que afTecta homem, é dar, k dor moral 
aífecla anhno do mesmo modo que a dor physica ator- 
menla o corpo. — A. afílic^&o é nm eslado doloroso do 
animo cm que se acha o homem quando vé deslruida sua 
fúlicidade, ou se vé privado do caro objeclo de seu amor. 
Por foriuna a afllicfáo é um eslado Iransilorio e náo per- 
manente(V. ariigo antecedente). - Pezaréumador 
menos viva proccdída do conhecimento de peccados ou 
de cousa ma) feita; é um senlimento interior que fatigao 
animo, e ásvezcs leva ao arrependimento. — Magoa é a 
af¡lic(áo já mitigada, ou para meihor dizer, os vestigios 
dolorosos que ella detxa no anímo, que insensivclmcnte 
se vio suavizando até que só fica a saudade do objecto 
amado. — A constemagáo c a conturba^So grande do 
animo á vista ou em proximidade de algum grande mal 
que de subito ferc o espirito do homem e Ihe abatc as 
mr^ c inspira desalenlo. — A a/¡flicp5o, pezar^ a ma* 
goa náo desdourSo um anUno varonil, anles sSo provas 
de cora^áo sensivel; a consternaQ&o náo cabe em peitos 
forteSy e só de animos apoucados é apanagio. 

37. — Alfortunaclo » dltoso^ teUmf 
Tenturosoy bemaventurado* 

Por iaio qoe a fartuna vóáe ser prospera oa adTena, 



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AFF J7 

fMrmoo genfo da língoa doas a^jectiTos compostos d'este 
vocabulo qae índicSo sea díflerente aspecto. que d'ella 
é faTorecído chama-se afortunado, edeiaffortunado oii 
ittfortunado o que ella abandona. --Entre ditoio e feUt 
nao ha differen^ nenhuma sen3o ser o primeiro voca- 
bulo portug^uez, e o segundo latino (Y. Fortuna, Dita).— 
f^enturoio, como aqui o entendemos, tem o mesmo valor 
qoe affórtunado, com a diííeren^^ que parece referir-sea 
cousas futuras que esperámos, como parece inculcál-o a 
palavra mesma ( de venturui, que ha de vir).— Bemaven' 
turada, é aquelle que alcan^u l>oa ventura, que eslá na 
gozo de hemaventuranfa, e como a verdadeira n2o se 
encootra nestemundOyChamlo-se com especialidade &em- 
aventuradoi os que gozSo da vista de Deos no ceo. — > 
A seguinte phrase póde indicar asprecedentes distinc^oes^ 
Se ett for tio venturoio no negocio da saivacáo como 
fui afftrtunado nas cousas do mundo, depóis de ter vi- 
Tido ditoio ou feliz neste mundo serei hemaventurado 
na etemidade. 

38. — Alflrontay mnrtKwo» 

Entre o aggravo e a affronta ha esta diíferen^^a, como 
ja notoa Dom Quixote, que a afíronta vem da parte de 

3uem a póde fazer, e llaz e sustenta ; o aggravo póde vir 
e qualquer parte sem que affronie. Sda exemplo : Está 
um homem na rua descuidado , chegao dez com mSo 
armada e d2o-lhe pancadas; mette mio á espadaefaiz seu 
dever; porém a mullidSo dos contrarios se Ihe opp$e, t 
nSo o deixa levar adiante sua inten^So. que é vingar-se; 
este tal fica aggravado porém nlo affrontado. O mesmo 
confirmará outro exemplo. Está um homem com as eostas 
Toltadas, chega outro por detraz, dá4he duas paoiadas, 
foge e nSo esi>era, e o outro éegne-o e n9o o alcan^a. 
qne levou as paoladas recebeo aggravo, mas nSo affrontay 
porque a affronta ha de ser sustentada,. cirenmstancia 
one nSo é necessaria para constitoir o aggravo. Se o que 
deo as paoiados fícára a pé firme fazendo rosto a sen ini« 
migo, ficára o qne levou as paoladas aggravado e affron- 
íado iantamenttf : aggravado^ porqoe ihe deriío á tríu^io;^ 



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28 AGG 

a/froniado porqne o aggressor Ihe fez rosto, snstenloa 
seu feíto sem vollar as costas e a pé fírme; e assim* 
segundo as leis do maldito duelo, eu posso estar aggra>^ 
vado, mas náo áffroniado. Veja-se Aggravo. 

39. — Asarrar f asir* 

Talvez por ser hebreu o verbo asir seja potico usado 
entre nós, mas sem attendermos a sua origem judaica 
deviamos dar-ihe mais entrada, como fazem os Hespanhoes, 
porque elle exprime diíTerenle aclividade na acgio qiie 
representa o verbo agarrar. — O que agarra segura, tem 
firme, porque o verbo agarrar suppoe a forga necessaría 
para lograr seu eíTeito. que ase póde, ou n2o, segurar, 
porque a ac(2o de asir nSo suppoe precísa e positíva- 
mente a forca necessaria para segurar e ter firme. — Cor- 
reo traz d'eíle, e agarrou-o, náo nos deixa duvida de qne 
tem seguro. Correo atraz d*elle, e asio-o, deixa-nos na 
duvida se o asio de modo €|ue póde segurálo, porque o 
verbo nSo o explica por si so, e assim é preciso accrescen- 
tar de que parle, ou como Ihe deitou a mSo para que se 
deduza o eífeito pelo modo e circumstancias da ac^So. — 
A ac^áo de asir refeVe-se ao uso á^asa;fk ac^So de 
agarrar á da garra. Aquella siislem talvez sem esfor{o ; 
esta segura com for^^a e tenacidade. 

40« -—* AwraTO, offema* 

aggravo atropella nosso direito ; a offensa junta 
ao aggravo o desprezo ou o insulto. que tem direito a 
am ascesso e o nio conseguio, cr¿-se aggramdo; se a 
este aggravo accresceo um desprezo de seu merito, ou 
ama deckira^^So de saa insuffícencia, cr¿«se offendido.-- 
Para o aggravo é precíso que haja injustiga, para a o/'- 
fensa basia que haja insulto, ainda que náo haja injus- 
tica. Aqueíie prejudica-nos talvez sem nos aOrontar; esta 
amronta-ros sempre ou nos hamílha. — NIo aggrava o 
que diz de outrem que é torto, quando realmente o é, 
porque em dizer aquella verdade n§o se dá a injustica 
que exige o aggravo para sél-o ; porém offende aquelle'a 
quem se dii porque insulta seu amor prcprio e o humi- 



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AGO 29 

Iha. Por i88o se dissimula o aggravo nais ftcilinente qoe 
i offemay nSo obslante que aquelle nos cansa nm pr<v 
jnizo effectivo, privando-nos realmente do que nos per- 
tence ; esta só nos incommoda com um prejuizo fun- 
dado, commummente, na opiniSo, ou no capricho; porque 
a offensa choca directamente com nosso amor proprío, 
qne nso perdoa com faciiidade, nem olha como leTcs Oi 
iBSultos. — D*um homem que dansa bem, sem ler nisto 
faidade> nem pretender elogios, náo se pódc dizer que 
dansa mal, sem fazer-lhe um aggravo, de que se nSo dá 
por offuidido ; fíca porém offemida uma mulher a quem 
se disputa a boa fígura ainda que ella mesmo contie^ 
qne a nio tem, porque aquelle n2o y¿ nisto mais que 
ama injustiga; porém esta toma-o como desprezo ou in- 
snlto, porque nas mulheres póde mais a vaidade que a 
wtude. — Guardando a mesma propor^So na respectiTa 
propriedade d'estas duas vozes, oiz-se fíguradamente 
no physico. que o sol, a lua, o venlo, e oulras cousas ani- 
madas o/fendem, mas nSo se diz que aggraváo, 

41. — Aifi^ress&Oy ataque. 

Posto que esta ullima palavra seja pouco portu^uezay 
pois os nossos antigos diziSo acommettimento, tnvei* 
tida, está hoje em uso para indícar a ac^So do que 
acommelte. Aggressáo accrcscenla a idéa de acommetti- 
mento repenlmo e inesperado, e de provocar um sujeito 
á disputa ou ao combate; sendo que o ataqut é com- 
mnmmente previsto e prodnzido por causas já conheci- 
das. — Quando dous soSeranos esi2o em paz, e um acom- 
mette repcntínamenle a outro sem previa declaragSo de 
gnerra, faz uma verdadeira aggress&o; mas quando dous 
exercitos se dírigem nm conira o oulro, o que acommelte 
primeíro é o que ataca, sem ser aggreisor. 

42« — Ai^ouraF» adlTlnltar. propltetizar, 

Tatieiuary prosnostlear^ presaslar^ 

predlzer. 

O ultimo d'estes yocabulos é o genero a que os outros 
pertencem como especieSi 



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30 AGG 

Prediwr é o férbo latioo predieo t slgnifiet iitt^a^ 
mente dizer oma cousa antes que aconte^^a, sem declarar 
por que modo ella se sonbe^ nem fózer conhecer o gráo de 
auloridade qae merece quemaprediz. Isto pertenoeaos 
ontros seus svnonymos. 

Agmrar, é o yerbo laiino auguro on emgwrorj qoe 
signifícava antigamente predizer o futuro pelo canto, 
gesto , paslo das aves {proprié est ex avmm ean^ ^, geet», 
9el pastu futura divine), e por extensSo conjectnrar de 
qualquer modo; e neste senlido se usa hoje, quando por 
cerlos íncidentes insignificantes a qiie chamámos agouros 
qneremos predizer o futuro. 

jádvmnhary em latim divino, era entre os pagSos pre» 
4izer futuro por nma. especíe de inspira^So que elles 
nppunhSo diTiua ,d*onde veio divinatio;no]e é conjecturar 
por certos signaes on presentimenlos sobre o fuiuro e ás 
ftzts acertar com o que ha de acontecer. 

Prt^hetizar é verbo grego, it/íojniT¿5w(de ir/j«, antesi e 
f >?/*/, digo) e valc o mesmo qnc di%er antes on predizer, 
com a diíreren^ que é termo biblico e theologico e tem 
a signífíca(2o restricla de annunciar as cousas futuras em 
virtndedo espirito de prophecia. 

^aticinar^ em hitim mticinor, era predizer on pro- i 
phetizar cantando, de mtes, a que Scaligero dá por ori- 
gem f&rni^ fallador, menliroso (fatuos primúm vates 
WMíotos esse apud omnes satis eonsiat, a fÁTi¡$). 

Prognostiear ou pronosticar é o vcrbo grego npoyu 
7f«(Tíew (de npé, autcs, ytYywmoí^ gei, conÉie^o} , e significa 
em linguagem de sciencias predizer por meio de discnrso 
eerto on coniectural da natureza dos objeclos sobre qne se 
isa pronostico. 

Presagiar é verbo lalino, príBsagio {áeproí, antes, e 
sagio, penetro, sinto}, e significa preseniir, ter preseiiti- 
mento, bor uma espeeie de tino interior de que se náo sabe 
dar razao, pelo qual se predíz alguma cousa fhiura, no 
mesmo seniído em que o usárao Cicero e Terencio. 
« Is igitur qui anté sagit quám ahlata res est dicitur 
pritsagire,id estfutura anté sentire iCiCf deDivin., 
I, 81}. Nescio quid profecté mihi anmus prmsagit 
•Mrft (Ter., ileaut. n, 1, 7}. • 



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tt 

Todo que se predix antes de acontecer ^ prediep&o. 
Qiiando as predicpdei se íündatto no cant^,, tóo, elc, 
das aTcs, chamaviose agouroi (auffurium, id est avige' 
rium, vel avigarrium, amim garritus)} extensivamente 
se applicou depois a qnalquer successo ou signal indiíie- 
rente de que a supersii^Io se valia para ler no futuro. De 
taes successos nao se deye tomar nem bom nem máo 
agouro porque nenhuma connexlo téem com o que ha de 
acontecer. — Sendo certo que a adlvinhagáo como a en- 
tendi3o os antigos é iUusoria, serve particularmente ho]e 
esta palavra para indicar nm enigma que se propoe a 
algnem para o decifrar.— dom sobrenatural de conhe- 
cer as cousas futuras, chama-seiTrop^cia, e assim mesmo 
o annuncio que d'estas cousas faz opropheta. — Aspre- 
éie^dee que iázi2o os vates, cbamavío-se vaticinioe, por- 
qne er2o acompanhadas de certo canto poetico, e d'aquelle 
estro ou furor que estimula o poeta quando estende as 
Tistas sobre o íuturo; e assim se podem chamar ainda 
hoje aqnellas conjecturas que os politícos formáo sobre 
a sorte íutura das na^^oes.— Os astrologos faziSo innume- 
mtisprometicoi ácerca de acontecimentosfüturosfun- 
dados na supposta inflnencia dos astros; os astronomos, 
t guiados por mais segnras regras, jprofUMl/c¿2o os eclípses, 
etc. ; os pronoiticoi dos politicos e estadistas, fundadof 
nas analogias e probabilidades que Ihes ministra a histo- 
ria, raramente falhio. medico, tendo bem examinado o 
diag^tico. fórma moi facüoiei^ o seu pronoitieo á 
cerca da crise e termo da doen^. — Todas estas predic-' 
fdéi provém do homen, náo assim o preeagio^ o qual se ' 
nio póde chamar uma predic^, e somente é um signal 
qne indica oo ammncia coiisa fotora, on que os homenf 
Uem como taK D'esie genero sio os sigwies de que ftdJa 
Yirgilio no livro prímehro das Georgicas que, segnndo 
eUe. preeagiárño a morte de Cesar; os eolipses, queaiuda 
o F* Yieira tinha a simplicidade ou mania de apontar 
como causas-de grandes desgragas e calamidades ; e em 
fim o que succedeo em Evora no tempo d'El-Rei D. JoSoI, 
qne o nosso poeta cíta como um preeagio d'aquelle felia 
reioado, dizendo : 



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S^ A6R 

8er Í8to ordena^So dos oeos diTint 
Por signaes mui claros se mostrou, 
Quando em Erora a toz de bumamenfaMi 
Ante tempo laUaDdo o nomeoa. 

-^Oagouro é uma conjectura futíl, prec¡pUada,e8u« 
perstlciosa, opresagio é uma conjectura legítima e razoa« 
vel, e ás vezes nascida d'um presentimenlo instinctivo 
qne nao engana como disse Camóes : 

Que o cora^io pretago nuDca mente. 

43«— AsriMlaPy Bomtmr. 

S¿ se podem usar um por outro em senlldo figu- 
rado, porque em sentido recto, gotta-te do que salisfaz os 
sentidos,do que deleilamaterialmente, a^ratía oquedeleíta 
anímo, o que satistiaz a imagina^Sio. — Gosta-se d*uma 
bella íiguraj d'um manjar guloso, d*um acepipe delicado. 
Jgrada a viriude, a singeleza da vida campestre. 

44* — • Affro 9 eaiupo* 

A primeira é voz grega, <2y/»¿$, a segunda é latina, can^ 
fu$. De dcfpói fizerSo os latinos ager, e significava terra 
cultivada, agricultada, e tambem campo ou campanba 
fóra da cidade, incluindo pastíos, bosques, matas, etc, 
como diz Ainsworlh : « Ager complectitur omnia, ut 
nemora, pascua, montes, etc* » P* Furtado nas suas 
DOtas ás Georgicas de Virgilio (*), em lugar de Campina 
ott Campanha de Roma, diz sempre agro romano ; v¿-se 



n Yeja-sea eicellcnte edifio de Virgilio com aaannotacOei del. I. 
Roquete. Paris. I84d» 



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AGU 33 

pois qjt a difl^ren(a enlre agro e campo nSe é tSo sen- 
8i?el como obsenrou D. Fr. F. de S. Luiz. Mo tem com tudo 
agro o grande numero de accep^oes figuradas e secun- 
dariasque tem campo, pelo que assás se distinguem este» 
dousvocabuios. 

45. — Affuardary esperap, 

Aguardar signifíca estar com atlencSo, dedicar os sen^^ 
tidos e a mente ao que ha de succecíer. A signifíca^Sío 
Ütteral de esperar é ver diante, ver o futuro, e por uma 
restric^Io usual prever qualquer cousa feliz.—- A ac(2o 
de aguardar parece que se funda na probabilidade que 
temos de que venha o que se aguarda, e a ac(2o de es^ 
perar na seguran^a, que cremos ler, de que ha de vir o 
que se espera, — Esperdmos, comprazemo-nos em crer, 
que succederá uma cousa; aguarda-se o que deve suc- 
ceder, e nisto nos occupámos e pensámos. — Esperorse 
o exito, aguardorse o successo. que se evpera sempre 
é feliz, on agradavel; o (lue se aguarda pode sél-o, ou 
nSo. O reo espera um julgado laivoravel^ e aguarda sua 
scnten^^a. 

Esta diíTeren^a abona-se comaautoridade deVieira, o 
qnal, fallando da obediencia de Isaac, diz : • Deixa-se atar, 
e lan^ ar-se sobre a lenha, e aguardar o golpe ( n, 145) ; » 
e, accusando os ministros que sustentavaoos pretendentes 
na falóa esperan^a, diz : « Sao mais rendosos osque esperao 
que 08 desenganados (i, 650); » e noutro lugar proferio 
esta 8enten(;a : « Muitas vezes está a nossa perdi(^9o em 
succederem as cousas como esperámos. • 

46* — Ai^desEa , perspleaelaf 
penetrafáo* 

SSo vocabulos, como diz D. Fr. F. de S. Lui^, que ex-^ 
primem diíTerentes qualidades da vista corporal e que por 
transla^^So se applicSo á vista intellectual. homem que 
véedistíngne os ohiectos mais snbtis, mais delicados. 



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34 AJC 

áhtse qot tem vista aguda; se conhece intellectivamente 
as rela^oes maís subtis e delicadas dos objeclos, apre- 
hende as dífleien^^as mais miudas, etc, díz-se qne tem 
agudeza de engenho. Aqnelle qne por entre a nuyem, 
a travez d'ella ou d'outro qualquer obstaculo vé dara- 
menle, diz-se que.tem olhos penpicazes; se atravez de 
obstaculos naturaes ou artifíciaes aprehende claramente a 
verdade, diz-se que tem perspicacta, — A vista que póde 
penelrar no fundo d'um valie ou d'uma caverna^ e enxer- 
gar que ali se passa, merece o nome áepenetrante; |>ela 
mesma razSo se dirá que é dotado de penetragao aquelle 
homem que vé no ínterior, no fundo das cousas, que pe- 
netra no mais recondito dos negocios, e até parece ^ue 
ié os homens por dentro.^Paraos assumplos sublise 
delicados preciza-se agudeza; para os embaracados, j^ert» 
picaciá; para os ^roiúnáos^penetragiio. Y. Perspicacia. 

47. — Aiuntap ^ unip , mIUí^Ip. 

jjunta-ie uma eousa a oiitra qoando se p5e Junto 
d'ella, e ajuntao^se muitas eousas ou pessoas quando se 
poem /uníoj. ünem-ee duas ou mais cousas quando fazem 
um so lodo. Colligem^ie difierentes cousas quando na 
sua coIIec^So ha escolha e discernimento.— lavrador 
gjunta as paveias para fazer a meda ou fascal. O traba- 
•aador economico ajunta dinheiro para a velhice. Ajun^ 
td4>-ee difíerentes exerutos ou esquadras para operarem 
conjuntamente.^í/n«-«e a alma com o corpo i>ara formar 
o homem; na uniSo das duas substancias consiste a vicb; 
sua separa^So é a morte.— Os juriseonsultos colligirao 
as melhores leís que andavlo dispersas; os bibliophi os 
eolligem os melhores livros para formar suas livrarias; 
muitos liiteralos tem eoUigido as maximas e sentencas 
mais notaveis dos philosophos antigos e modemos. — 
Uma collecpño dos melhores sermSes estrangeiros, tra- 
duiidos em boa lingnageiu, é um grande recurso para 
03 pregadores nacionaes. 



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ALG 35 

49* — Alcaf f^r, palacio^ pafo* 

Trez palavras que designáo o morada nobre de reis, 
piincipes ou seDhores , mas cada uma d'ellas com diffe- 
rentes modificagoes e diversasidéas accessorias. — Alcá^ 
gar é palavra arabe e signifíca fortaleza, castello, palacio 
acasteilado, lugar fortifícado, e comesta sigDÍfícagáo pas- 
sou para a nossa lingua e foi mui usada por nossos 
classicos , e até os poétas a acháráo assás sonora para Ihe 
darem a signifícaQáo translata de iemplo da fama , das 
musas , morada celestet etc. — Palacio é palavra latina, 
patoium, e signifíca a casa onde fazem sua residencia 
os reis, e os, principes, e assim mesmo qualquer casa 
sumptuosa, massemidéa nenhumade fortifícaQd,o, e des- 
accompannadat das vantagens poeticas deta/capar. — 
Pa^o e a coiitrae^So áepalacio {paaeio^ pá(o)j mas com 
a contrac^aio Ihe vierSo muitas itléas acccssorias que a 
pa]a?ra primitiva nSo tinha nem tem. Pago indica phvslca- 
meDte a casa onde residem os reis, os principes, os bispoSi 
etc, mas n9o se dirá d'uma casa sumptuosa que e um 
papo^ assim como se diz que é nm palaciOy sem se atten- 
der a quem a habita. Palaeio representa o edificio ma- 
terial, e pago^ pelo frequcnte usodos autores, representa 
as pessoas que nelle morSo, aparte moral dos que fazem a 
cdrte dos reis, a Yida cortezS, os usos, os costiimes, a eti- 
qoeta, e até os vicios que ali relnSo. Esta di/í'erenga é 
assás comprovada pelos seguintes dous lugares de Yieira; 
fallando aquelle grande conhecedor do pago do quanta 
boscavSo todps ter entrada no palacio dos reis, dísse : 
€ Yemos tantas velhices decrepitas, t9o enfeiti^adas das 
» paredes de palacio, que trope^ando nas escadas, sem 
» vista, e sem respiracao os sobem todos os dlas, bem 
» esquecídos dos que Ihe restSo de vida (ii, 42). • Falla 
dle, eomo se vé, doedifício materíal, por isso diz palaciOf 
mas quando quer destgnar o moral, ou a Tida de palacio^ 
diz : « Desenganáráo a Bercellai os multos annos pro- 

• príos, para nlo querer o pago para si, e enganárSo-no 
» os poucos annos alheios, para querer o pago para o 

• filbo. NSo sd qae tem pago e os poocos aooos, que 



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36 ALC 

• ainda quando o conhecem os muilos, n2o se atre?ein m 
» deixar os poucos ry, 542). • — Diz-se sempre, desem- 
bargador, criado ao pago, e nao do palacio, — £m 
muitas iocu^oes entra a palavra pago com signifíca^^Io 
transiata nas qiiacs se n3o poderia substituir a palavra 
valacio; taes sSo as seguinles : Fazer pago, ter pago 
i;om algiiem, nlo estar para p(i(;o, etc. Erallnguagem 
)o1ida e corl¿z2, mas nSo poetica. 

SoaEar« 

Lograr é propriamente o termo de nosso desejo^ sem 
rela(;So aos meios empresados para isso. Con$eguir~é o 
lermo de nossa sollicitude, o íim a qiie se dirigem os 
meios com relagSo a elies. Alcangar e o lermo de nossos 
rogos. — Lograr e conseguir podem sunpor justi^a; 
alcangar suppóe sempre gra^a. -^ Gozar e ter, possuir 
algumacousa que nos dá gosto on prazer sem indicar que 
a buscámos, fizemos diligencia por elia, ou a eiia tínha- 
mos direito — Logra uma grande fortuna o que póde 
▼iver sem demandas nem pretensoes. Comegue um bom 
emprego o que o sollicita com merito ou tem bom pa- 
drinho em sua pretengSo. Alcanga o perd3o o que inter* 
poe rogos humild¿s e pede misericordia. Os homens 
sobrios e de bom temperamento go%áo ordinariamentede 
boa saude. Veja-se Obter. 

50. — AleaiifaPy •ItesM'* 

Alcangar significa tocar no objecto ou fim a 'qne le 
uurige o movimento, ou seja por sua natural constituíglo. 
ou seja pelos esforgos corporaes ou mentaes. Chegar é 
estar já no termo a que uma cousa se dirigia. primeiro 
refere-seao objecto e á direcgSo que se loma paraapproxi* 
mar-se d'elie ; o segundo refere-se aos meios que podem 
conduzir ao (ermo. Se um menino, por sua pequena esta- 
tura, nio p6de alcangar a um objecto elevadi^ que deseja 
ter, sobe-se a cima d'uma cadeira e cheaa-^he com a 



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ALC 37 

mSo. — jáécan^ar suppSe tendencía contínuada para o 
fim, direc^áo convenienie ao objecto, e ás vezes esfor^os 
para lograi-o. Chegar suppoe idéa, plano, intelligenciii 
para execular, perseveran^a na execugSo. 

Quando esles verbos representSo a idéa geral de haitar, 
ter iufíícimte uma cousa para um fim determinadOt 
iistínguem>se em que chegar representa o facto positi* 
vamenle ; alcangar representa a possibilidade do facto. 
A acf^So do primeiro é um eííeito da sufñciencia ; a do 
segundo é a sufHciencia mesma. — A artilheria da praga 
eheya a tal ponto. Este é um facto positivo, um eííeito 
da sufíiciencía do calibre ; porém se dissermos que 
alcanga^ só explicámos a idea da possíbilidade de chegar 
lá. — Quando pois nSo tivermos que expiicar puramente 
nma possibilidade, senSo expressamente o facto mesmo 
de chegar, de baixo da idéa de positivo, e náo de pos- 
sivel , nSo empregaremos o verbo alcangar , mas sím 
chegar, O capole chega aos pés, a estrada nova chega 
a Cuitra, etc, este panno nSo chega para a casaca. 
que nos impede ás vezes de aícangar é o termos 
que apartar-nos do caminho que conduz ao objeclo, ou 
nSo podermos seguíl-o até nos aproximarmos d'elle ; o 
que impede de chegar é o escolhcr máos melos para 
isso, o nSo ter destreza para usar dos que sSo melhores, 
oa carecer d'uma forga superior ás difficuldades e obsta* 
eulos. Se tanto o objecto como a direcglo se acha na 
oatureza mesma e nSo ha obstaculosque estorvem, a pala 
vra propria de que nos serviremos é alcangar; se ha 
obstaculos que se evitSo ou vencem, a palavra adequada e 
chegar. Se um homem qiie desde sua infancia soure uma 
enfermidade cronica que devia encurtar sua vida, a pezar 
de sua enfermidade, a prolonga por muitos annos, dizse, 
qoe nSo obstante seus achaques, chegou a idade mui 
avangada, e nSo qne a alcangou^ ou alcangou a ella. Mas 
dir-se-ha, em razáo inversa , d'um homem avangado em 
annos qne alcangou seuavó, uma moda antiga, etc. 

tfl. ^ Al^ar 9 ersuer, eleTar^ leTantar 

O Dltimo d*este8 vocabulos é o genero em que enirir 

'h 3 



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38 ACt 

M ostros como espeeies. Exprhne effle 8 idéa de pür mn 
elio^ m 00 aUo, Urarpara eima, faxer iuhrr, e(e. — 
Jlfear é levaniar o qne está caído, oe mna cousa a cima 
da sua posi^So ordinaTÍa, como os oHios, as mSos, a 
Tor, cte. — Er§uer é levantar pondo em pé, taWez en- 
direitando, ñrzendo ereseer para cima, como^ mn edi- 
ficio, ctc. — Etetar é p6r em iugar alto, em ordem 
eminente, exadtar a dignídades, etc 

52. — Aleunlta, appelHde» 

A prímeira, pafavra arabe (olconm)» e a seganda por- 
tngueza, muito nsada nos tempos gtoriosos de nossas 
gnerras, erlo synonimas em signiticarem o sobrenome 
das pessoas segundo a dififeren^a das familías. Os reis 
dai^, por honra e mercé, a snas villas e cidades átcurüiM 
de teaes, nobres, notaTets,, elc. ; assim como os nomes de 
ammaes, peixes, aTes, como perdigác, pega, coelho, 
sardinhaj etc. , fúríiio m appellidos nobres da descen- 
dencía das familias. Baie porém, e iá ha maito, n9o se 
dá tal synonimia, porqnc mmnhn so signifíca appellido 
injurioso e quasi sempre alhisiTO a atgum defeílja da 
pessoa, e qne aeaba com dla, sendo qne o appeltido se 
transmilte e distingoe as familias. 

53« — AleinplA» contenfadtteiito, 

O eonteniamento é uma aituagSo agradaTcl do animov 
causada, ou peto l>em que se possue, ou pelo gosto que se 
logra, 00 peia satisf«dk) de que se goza. Quando o con^ 
teniaimnto se manifesla cxteriormeiite nas ac^ies e 
paiaTras, é aiegria. Pódc nma pessoa estar contente e 
nle alegre ¡ alegre e nSo eontente. Póde fingir-se a ii{«- 
gría porqiteédemoiistra^^ exlerior^ e pertence á imagi- 
na^Io ; nSo assim o eontentamento, que éafBrcto interior 
e pertence principaimente ao juizo e a reflexJíot. Diriamo» 
que c conlenlamenlo é ]>irilosophico, a alegria poetica; 
aquelte suppoe igtMÍdacte e socego de animo, tranquilH* 
dade de consciencia; conduz á felicidade, e sempre a 
acompanha * tto contrario esta é desigoal, imlitosa e até 



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ALB 39 

iniiiioderada, qui^álouca, em seus transportes; lOttitas 
fezes prescinde da consciencia, ou é surda a seus gritoft, 
porque na embriaguez do espírito se deixa arrastar da 
lorQa do prazer; nlo é a felicídade, nem a ella coudttZi 
nem a acompanÉa. — homem alegre neai semprc é 
feliz; muitos ha qne sem mostrarem alegria goz2o de 
felicidade. — üm fausto successo, que inleressa a toda 
oma na^So, celebra-se com festas e regozijos, alegra ao 
pnblico, e prodnz cententamento no anímo dos que forSo 
eansa d'elie. — Anles que o ardente licor, que dá alegria, 
ffzesse sen effeito no Mouro de MoQambique, já ellc eslava 
mni contente pelo acolhimento que Ihe fazia o Gama, e 
muito mais pefo regab com que o tralava, como diz a 
00880 poeta: 

Tado o BTonro eontenfg bem recebe ; 
B maito nais eontente «ome e bebe. 

(£##.,1,61.) 

ff4* ^ Alei^ria, ledice, Jublloy exultaffio^ 
vesozljo* 

Fíxada a diflerenía entre alegria e contentamenta 
como Yimos no ariigo precedente^ n2o será diffictl ftxál-a 
cntre estes vocabulos qne, represenlando todos um estado 
agradayel no espirilo do homem^exprime cada um d'elles 
seu differente gráo ou circumstancias. — Ledlce, ou 
lediga como diziSo os antigos, é a corrupcSo da palavra 
latími Imtitia, e efles a usav^ em lugar de alegriu; em 
Camoes sunda é ñ*equente o adjeetivo ledo em lugar de 
aiegre; hofe é desusada, e s6 em poesia terá eabtmento. 
Seria para desejar que o nso Ibe desse a signífíca^So modi- 
ficada que Ihe altribue D. Fr. de S. Luiz, dizendo que é 
menos viva, mais smse^ tranquiUa e serena qtie a ale- 
gria, mas nao achámos autoridade suffíciente para a e^li- 
nur como tal. O pilnlo é mals animado que alegria a 
mostra-se por sons, vozes, grítos de acclamafao. — 
Exuitagao é o nllime gráo de átegna, qne náo cabendo 
no eora^ rooipe era saltos, dansas, eic., segundo a 
Carca do wbo exullary que é $aiUar 4$ go%a^ de alegria 



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40 ^"-^ 

» Beg&xijo, como está dizendo a palavra formada da 

parlicula reduplicaliTa re e gozo, é alegria, ou gozo 

repelido ou prolongado, e quasi sempre se applíca ás 

demonslracoespublicasde goslo e a/e^na cclebradas com 

festas, baiies, etc, em memoria de faustos acouteci* 

mentos. 

SS* — > lelTosla^ traltao^ falaldade. 

Traidor é o que falta a um dever legal com aleivosía 
e falsidade, k traig&o em seu sentido proprio refere-se 
prmcipalmenle á parte politica, assim como a aleivosia 
á amizade, aos deveres d'um homem para com outro. — 
A. falsidade é o dissimulo premeditado com fím de enga- 
nar a outrem , para aproveitar-se o enganador de seu 

Kroprio engano. — ^ZeitJOío é consorte que, aparentando 
onra, falia á fídelidade do matrimonío. Aleitosa foi a 
carta que David deó a Urias, que parecendo ser para o 
recommendar era para o expor as Ian|gas do inimigo. 
— Traidor foi Coriolano que por espirito de vingan^a 
e criminoso orgulho se unio aos Volscos, inimigos de sua 
patria. Traidores forSo os Portuguezes que se íevantário 
conlra o rei e a pairia, no tempo de D. JoSo I, e seguirSo 
as partes de Castella, como muilo bem disse nosso poela : 

Dizei-lhe qiie Uimbein dos Portuguezet 
Alguns Iraidores houve algumas vezes. 

Falso é amigo qne oíTerece a outro nma cousa com 
ÍDten^So de n3o cumpríl-a. — Co'» raz9o se diz falso 
como Judas, porque elle é o verdadeiro typo de todos os 
falsos. Veja-se Perfídia, Infídelidade, Desieaidade. 

^6«— • Al-flniy em fiiny flnalmente* 

jál-fim é expressSo castelhana mas admitlida em nossa 
lingua, e usada por Souza e Vieira ; muitos a confundem 
com em fim, e com finalmente, mas é mister distinguii- 
ts.^Chama-se fim ao termo material d'uma cousa, e tam- 
bem ao conseguimealo do objeclo que nos proposemos ou 



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AIA 41 

dcsiyavamos. Segundo a preposi^So que se Ihe ajunta é 
mais ou menos extensa, decisiva ou positíva sua signiñ- 
eacSo. — Jl-fim denota qiie depois de se haverem vencido 
todos os obstaculos, lográmos nosso intenlo ; e assim dize- 
mos : « Depois de havermos gasto lanto, no cabo de tan- 
tas fadigas, tivemos al-fim a yentura de sair bem em 
nossa empreza. » — Em ñm é um modo iranslaticio que 
designa a concluslo, pelo commum desejada, d'um dis- 
curso, d'uma conversa^áo, d'uma harenga ou d'uma enu- 
mera^Io : « Em-fim acabou de fallar, lermínou seu dis- 
curso. • — Mais positivo e terminante que as duas expres- 
soes anteriores é o adverbio fimlmente, aue signifíca, por 
ultíma conclusSo, defíniliva, irrevogaveimente. As duas 
primeíras n2o resolvem absolutamente, deix2o alguma 
cousa que esperar, a terceira nSo ; pelo que nos alreve- 
riamos a dizer que é a conclusSo aas conclusoes, ou o 
m dos fim, 

Os scguintcs lugares de Vieira talvez poss2o servir de 
modelo neste caso. Fallando elle dos Apostolos que depois 
de n2o poucos esforgos de seu Mestre forSo elevados a táo 
alta dignidade, diz : « Como homens alfim ievantados do 
póda terra, ou das areias dapraia(II, 24). » Depoisdeenu- 
merar os formosos dotes de Helena, diz : « Flor emíim da 
terra, e cada anno cortadacomoarado do lempo(Xli,6).» 
E come^ando aquelle famoso exordio do Sermáo solire o 
dia de juizo, diz : « Abrazado finalmente o mundo, etc. 
(III, 146). » 

57. — Alsuem , alffuiii. 

Alguem refere-se ülimitadamente a qualquer pessoa. 
Algum refere-se limitadamente a uma pessoa indetermi- 
nada, d'um delerminado numero ou classe. V. g. Se vier 
alguem procurar-me, dize-lhe que nSo estou em casa; 
porque temo queyenba fazer-me uma visita aí^um demeus 
crcdores.— Esla é a razáo por que sc diz : Algum d'elles, 
e nSo alguem d'elles. 

38. — JJsuus , certoü. 

O primeiro refere-se iimitadamenle a pessoas oo cousas 



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Indetermintdas, qoe aqaelle qne ftílla fiSo cotrfaece bemp 
OQ porcpie Ihe nSo occorrem, on porqoe nSfo é preciso hi- 
dicM-as. O segimdo, posto que se rcfere ignalmente a pes- 
soas ou coosas índeterminadas, é menos yago, e dá a en* 
tender qne sSo conheddas e qne se poderao ñomear se 
necessario fosse. 

59» — Alimeittar , nuCrlr^ sustentw. 

AlimmtüT refere-se á idéa da neeessidade qne de 
eomer téem os seres vivenles. Nutrir explica esla mesma 
necessidade satisfeita em proTeito do in<^iduo pelos bons 
resultados da digestSo. Sustentar, signifíca proter do 
necessario para a vida, dar o sustento, a comida diaría.— 
Alimentchse o pobre com umas sopas. Nutre-'Se o rico 
eom bons manjares. As pessoas caridosas sustentáo mui- 
tas familias necessitadas.-^No sentido fígurado diz-se que 
a lenlia atimenta o fogo, a agua as ptantas. litteralo 
alimenta-se .iendo Horacío, e nutre-se com as yerdades 
da pliilosophia. Os poderosos do secnlo sustentáráo com 
sua inflnencia e conselhos muitos erros e herezias. 

60. — AUxwTf brui^, pollr. 

Alizar indica que se faz lizo o que era escabroso, desi- 
gnal $ brunir e polir denotSo fazer brilhante, kzídio o 
que já era lizo, mas cada um d'elles por diíTerente modo. 
— Coih hruMider (que ¿iBSlrumento de afo, de peder- 
neira ou de páo mui duro) hrunem os ourives e doura- 
dores o onro e a prata; com o yernizdepolimen^, etc.| 
fulem os marceneiros os movefs. — Onde n9o entrar ^ii 
énmtdor dir-se-ha j^olir e nlo hrtmir. 

d. — AUesar f eltar* 

Alleaar é referir a seu favor algum dicto, exemplo oe 
aulorioade que prova o kUento proposto; e em lermoa 
forenses, é trazer o advogado leis e razoes em defensa do 
direito de soa cansa. C%t€sr é referür texlos e anlondades 



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ALL É3 

cm profaáo íp»t se^iE; e cm eslytofoKitsc é iMilleiar,teer 
Mbero cbanamento do juiz — Ci$ao^$ os auloret, as pes< 
soas» oa o qiie eliesdic em ; al^So-^e J^clas e caides. Par? 
éar asAondaAe ao que dueoios, e peso ao uosso é\\9^€i9d 
MOi ; Borém para suatenlál-oe nos defeiider, nlle^dmof .— 
Para defeider o réo, eHmdo peraaie o jair, (Meffawo^^Sm)^ 
gado lels e razoes 43o imfiarlaiitcs quc por suas alief^ 
pé$$ cmiaegiáo ^ Acasse ét ncDhinn eíBcflo a ciiafüé. 

69. -* AlltoDfay lis^» e«iifederaf&o« 

Coslumlo as na^^fes nnlr suas for^ para resisUr a 
ontras mais poderosas, e fazem is(o por diíTerentes meios 
queyamosauidicar. 

Allianfa, a qual se yeriñca entre soberanos, Estados, 
ou Ba(;oes, eúge tratados mui kgaes e formaes, pols liáo 
de coftyerter-se em iós ou regras de direito puliLko que 
obrigaem as polencias cofitraotaates. Ommnokmente 
oestas estipola^s ou ailiaHpa$ nio se fixa termojdgumi 
espenmdo ou soppoado que nSo hav^á mativo ée aite- 
ral-as.— As Itfos «ofituaao ser de curla duraclo e nio 
suj^poem tanta formalidade, mas (lem scmpre por base 
umao de i«LeB(Ses e forcas, pois se eottfém aeilas d'um 
£m, do plano para yerücai'^o, e das foi^as eom que cada 
um deve coaoerffer. As yezes sóse sustem estas (i§a$ em 
coByen(^ partieulares, e ainda em traUdca seGretosfnn- 
dados D^ís na boa fé reciproca oue na yalldez dos liUiks 
que se .poderiáo presentar. — MUanfa diz-se das pessoas 
e das cousas; ii^a só se diz das pessoas. A palavra ol- 
Üan^ b2o leiB siáo signlficado, nem indica ae é legitima 
ou iUigilíma; porém conumimmcate é máo o seBtido roo- 
ral de Uga, qi&e>cosUioia denoUur cabala, e alécoi»ptra- 
^o* Dizemos ítaüiamfin de Beos com o sea povo, mas 
n2o &efflos %a> por isso qnc a esta palamra andaeomo 
asBOciada a i«b de má inteHítSo, aíáos melos, arlifi- 
dOtCie* — A.a¿l<aiipa snppoc um conteado refCsUáo das 
maia aolenmes iforauias, láoassim a üjmi; c dii'9e tra- 
ürios átslUanfa, munSo delí^ 

A ea/tf€derM(úB snppoo maior ÍQinKafidadc,« melhor e 



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mais sSo inlento : é uaiSo íe interesses e de mutuo auii« 
lio> que por meio de convenios parlículares se contrah« 
enlre corpora^oes, partidos, povos, principes, soberanos 
menores e eslados rediuidos, para fazer uraa cousa com- 
mum. obter reparagáo de injurias soílridas, defendei 
seus (iíreitos ou a causa publica contra a usurpa^So ou « 
oppressSo. — A allianfa exige que se celebrem tratadoi 
com todas as íórmas iegaes*, a canfederaf&o veriQca-se 
por meio de pactos e ajustes particulares, nrmes e sego* 
ros, que formáo, por assim dizer, um direito privado que 
as partes contractantes eslabelecem umas com outras, 
consistindo sua principal for^a em seus mutuos inte- 
resses. 

G3. — Alnifl , esplrlte 9 anlmo. 

jélma, segundo algnns etymologistas, yem de anima, 
latíno, qual vem de «fyc/^o?, grego, ar, sopro; outros e 
talvez com mais razSo, a derivSo do verbo latino alo, vi- 
vificar, nulrir. Seja qual for sua etymologia, represenla 
esta paiavra em sua significa^So mais lata principio, a 
causa occulta da vida, do sentimento, do movimento de 
todos os seres viventes. 

Espirito é a palávra latína ipiritus^ de spirOf respirar, 
e vaie mesmo que sopro ou haiito, ar que se respira. — 
Esjnrito difere de alma 1<> em encerrar a idéa de prln- 
cipio subtil invisivei que n2o é essencial ao outro voca- 
bulO; 2^ em denotar intelligencia, faculdades intellectuaes 
activas que áquelle só s2o accessorias. Os philosophos ma- 
terialisias téem querido negar á alma humana a óualidade 
de espiritual^ mas nenhum se lembrou ainda de dizer que 
o esfñrito era maleria. -^Alma desperta a idéa de subs- 
tancía símples, (pie aníma ou animou corpo, sendo que 
espirito so indica substancia immaterial , intelligente e 
livre sem rela^Io nenhuma com corpo. Deos, os anjos, os 
demonios slo espiritos mas nSo sSo alrhas; mas as snbs- 
lancías tspirituaes que animárSo os corpos humanos, 
alnda depois de separadas d'elles, se chamSo átmaSt t 
assim dizemos : As almas do purgatorio; almas do outro 
mnndo, a queos Francezes chamSorevenonli.— Vieira disse 



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65 

Dinando do demonio : « É esjrírito, Té as almat(II, 68). • 
Os Gregos desígnavSo a alma pela paiavra <^x^, que 
qaer dizer respira^Io, sopro, e Ihe davSo a mesma esten- 
sSo qne nós damos á palavra alma. TL&fjia xócI ^ux>i, o corpc 
e a alma. ac t&v Tc^ycfiáTwv ^uxar, as almas dos defunios. 
D'aqui f em chamar-se psycbologia a parie da philosophia 
que traia da alma. 

No seniido íigiirado, alma refere-se aos actos, aos sen- 
timenios,aosa(reclos;ei[piritoao pensamento,á inielli- 
gencia. Diz-se que um homem tem a alma grande, nobre, 
briosa , e que tem o espirito peneirante, proíundo, vasto. 
— Failando do homem, alma e espirito nem sempre slo 
synonimos, islo é, nem em todos os casos se podem em- 
pregar indiílerentemente, senSo em alguns; tal é aquelíe 
de Vieira em que, querendo encarecer o valor da alma 
s«bre corpo, diz : « Tudo islo que vemos (no homem) 
com nossos olhos, é aquelle espirito subiime, ardente, 
grande, immenso, a alma {II j 71). • 

jnimo, é apalavra laiina mimus, de datt/xoí^ grego, do 
mesmo modo que anima, Na sua signifíca^Sío primitiva 
vale mesmo que alma, espirito; poVém o uso iem prefe- 
rido esle vocabulo para designar a faculdade sensiiiva e 
seus actos ; representa pois quasi sempre valor, esfor^o, 
ou inten^Io, vontade, e nisto se disiingue de alma e espir 
rito, Segundo os aíTectos que o animo experimenta elle 
póde ser baixo, abatido, humilde, vil, ou altivo, elevado, 
soberbo, nobre, esforgado, o que com propriedade se náo 
póde dizer de alma, e ainda menos de esplrito. 

64»— Almanacli, calendarlo, follilnliay 
reportorlo. 

A primeira é palavra arabe, formada do artigo al e do 
irerbo fnanac^, que signifíca coniar, numerar, calcular; 
a segunda élatina, calendarium.átcalendcet convocaQlo 
para o primeiro día do mez (de calo, ^olX&^ eu cbamoj; a 
terceira e a quarta sSo portuguezas vulgares. — Concor- 
dSo os quatro vocabulos em exprimir em geral suputagSo, 
calculo dos dias, do anno, ou das revolu^oes dos as- 
Iros, etc., porém calendario é mais proprio da lingua- 



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46 4LM 

fgm ecdesiastk^ayCiadica iim liyriiiho m foUieto qae 
contém os áiM& e •os mezes collocaiáos por ordem name- 
füy e m cttrso da semana, por seus nomes e s^nos pla- 
netarios, com as indica$5es das festas e festiYidades do 
rito ecclesiastico. — Jhnanach, on almanaqu$, éáa li«- 
guagem mlgar e iadica um catendario mais extenao, pois 
que abra^a observa^oes astronomicas«pronósticos sobre 
as difierentes temperaturasdoar, as mudan^mietereolo- 
gícas, etc, e tambem se Ihe aHnita o jui20 do anno; e em 
tempos ainda tiSo mui aíTastados de nós se induiSo jnizos 
de duzidos daspatranhas astrologicas — Nasna^ oesciiiasáa 
almanaquei para os iavradores, e tambem outros para a 
curio^dade e entretenimento dedifíerentes pessoas affeico- 
adasás artesde recreio ou quesó busdoa dhersSoou dís- 
trac^o na ieitura.*— aimmaque correspottde ao qne os 
Romanos chamavSo Fastos, e era enlre elles tSo amigo o 
Calendarw como a mesma Roma, pois que o esiabeleceo 
Romulo. Foi soíTrendo muitas e mni notayeis altera^oes 
segundo os progressos da astroaomia ; as mais impor- 
tantes forio as qne contém a Carrec^áo de Julio Cesar, 
qne com ligeiras Yaria^oes ooatiniiou até á «MrreccSo que 
mandou fazer o papa Gregorio XIil, que é a que hoie se 
segue em todos os Estados Caihcriácos romanos c aioda 
em mwlos prote^aites. 

Foühinha é voeabido vulgar inroorio da nossa liagna 
qae indiea um calendarío accommodado ao uso do po?o 
(qu« iaÍTez por issolhe ckamlo folhinha de rem\ com 
algumas addi^s pnfrás dos almamques. £ iusta- 
mente o que em Franca e noutras na(5es chamáo almtí- 
nachf e as ha de dttas especies> umas impressas em 
folha fd'onde yeio proyayelmente a palavra folhinha por 
ser folna pequena d'impresslo), que se chamao de porta 
porqne eílcctiyafDente os nossos antigos os pregavSo 
nas portas interiores; e outras de algiheira porque sSo 
«m fórma de Iryrinho que se póde metler na algibeira. 
Estas, pelas differentes addifoes que téem, se parecem 
■Hiito com os Almanaehs de Gotha, 

BeportoriOf islo é repertorií^ éo$ tempos^ é uma 
especie de almmach para os layradores em qne se fazem 
promsticos aalroiogieos sobre a draya, yento» ou bom 



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ALP n 

lempo, e oiitros successos conlíngentes e con¡ectiiraeS| 
e sedSoalgaBB eonerihoiáeepca4la«gricullura, etc. 

jihnanach é palavra vulgar nas outras na^oes, nSo aa 
Bomi em qne ió sSe foihinha e répmiori»; «laella 
deñgnaBdo etpecialneaie as festas ecclesiasticas, e cáüeiBh 
los astronooiicos, e «sita iadtcando partlcii^armenle 06 
proBostieos aslrt^gicos. 

6S. — Almoeda , leil£«« 

* Estas dnas pa]a?ras parece só diffcrirem em qnanto á 
elymcrfogia, e em eer wna maís asada t algarmenle qne a 
eiicra. Mmoeéa é pabmi araie, aimmudm (do wrte 
nada que sigBüca chamar, appegoar pela rua, etc.)» 
muito usada na ordena^Io iManuelina e nos quinhen- 
tistas; Uiláo é palavra portugueza que alguns querem 
venba de Uceor^ « boie vulg^ enlre nós. — Fazer cU- 
moedaf istzer leilaa^ é a mesma cousa» e qner dizer, p4r 
aos Ism^Sy a quem mais der. — Gom tudo, para de&ignar 
a cousa que se poe aos lan^os, ou o mesmo acto de langar 
ereceberoslaj[icos.fi2osediz ttmaa/tnoeda, massimiun 
letm ^^ 

66* — JJpeiidre^ lüpeiidMday «ellneiro. 

A leganda pahñrra so se dislángne da primeira pela 
lermina^Sa adOy a qual assim como proloaga a palam 
tenabem iadica cenlinoa^io » proloiigameBto da consa. 
ÍLSsiai que, significando ¡dpemdre um perlico sustidoem 
piiares diaate da porla de algum ediíicio. alpendrada 
•igBÍfica alpendre comprido que aeompanha o lauQO de 
algom odificio, oii varanda cotaia, com pilares e tectOi 
que oma o odiñco, e preserva de sol, ciiuva» etc Dizem 
alguBS alpendnrada, o qae parece jiislifiear a sna origefii 
do yerbo pendurar; assim como idpendre, ou melhor 
«Ipeiidcre, secré vir éependcre, estar^ elevado, pendente, 
eom o artig* arabe oL — Jlsanro é alpendre rostioo 
delelba va, «quasi acmpre aeparado de edificia, onde tra- 
Mh2o canteiroit etc 



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48 ALT 

67. — Alftura f altez». 

Dous sabstanlivos que se referem a alto^ e indicioele- 
va^So, com a differen^ que o primeiro represenla ma^ 
frequentemente a eleva^So physica, e o'segundo a eleva- 
(So moral. Diz-se altura das monlanhas, das ar?o- 
res, etc, e alteza dos pensamentos, do myslerio, etc. 
Deos das altura$ é phráse biblica; alteza era titulo de 
?eiSy e hoje de principes. 

G8. — • Altereaf ao ^ dlsputa , debatey 

dlCferenfa«9 eontestafao» relxa ou rlxa^ 

querellay eontenda. 

A lucta porfíosa que se leyanta entre duas ou mais 
pessoaspor alguma cousa chama-se contenda^ por isso que 
ellas contendem entre si. liisla palavra, tomada na sua 
maior extensáo, é o genero a que esláo subordínadas as 
outras como especies. Seguiremos a ordem de menor a 
maior no exame das palavras que indicio os varlos gene- 
ros de contendai que mui frequentemente perturbSo 
a paz entre os homens. 

Altercag&o verifíca-se commummente entre duas pes- 
soas iguaes, que se dizem palavras contrarias com aquella 
liberdade e soltura que nascem da franqueza e famitiari* 
dade que enlre si téem pessoas que vivem junlas ; ás vezes 
estaspalavras costum§oser picantes. marído tem alter-^ 
eagdes com a mulher, o amigo com o amigo, sem por 
isso deixarem de estimar-se, ainda no mesmo momento 
tfa altercagao, Mtercáo entre si os criados, os arrieiroSi 
os lacaios, e d'ahi a pouco váo á taverna beber juntos. 
As regateiras, e pessoas que com ellas se parecem, costu- 
mao viver numa continua altercag&Of e ás yezes moi 
porfíosa e apaixonada. 

A disputa consiste de ordinario na opposi^o de opi- 
nioes e na razSo ou argumento com que cada um defende 
a 8ua. Costuma converter-se a disputa em altercapáo 
quaudo tomSio calor os que a sustentáo, e o fazem com 



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ALT 49 

olittiiia0« e palams ás vezes daras e pooco polidasi terw 
iniiiando->se em geral a altercag&o com a digputa, 

Muita relacSo lem com esta o dehatef mas este snpp5e 
mais duragSo e lenacidade, e se verifíca n2o entre poucaa 
pessoas como a áltercagáo, senlo enlre muilas e por 
assumptos de maior importancia, como sSo os deh<Ue$ 
nos tribunaes do foro contencioso, nas camaras legisla- 
liTas e mais assembleias polilícas. 

No concilio em que, segundo fíngio a imagina^So de 
nosso poeta, se a¡unlárSo os deoses para deliberar sobre 
as cousas futuras do Orienle, houve um verdadeiro de- 
hate : diíTerenQa de sentengas, altercagao de razoes, uma 
opposi^So formal suslentada por Baccho, e o que mais 
caracteriza os dehates publicos, que é depois de muita 
porfía ficar cada um na sua opiniío, comonosdizomesmo 
poeta: 

DebaUm, e na porfia permanecem ; 
A qualquerseasamigosfaTorecem. 

(Lus., 1, 84.) 

As differengas téem igualmente muita relafSo com a 
disputa, mas limit3o-se de ordinarío á opposi^Io de opi- 
nioes, de procedimento e ainda de genio ; teem eífeíto 
mais duradouro que a disputa, slo mui frequentes entre 
desavindos, e mais perigosas que o dehate. 

No dehate ventiláo-se assumplos que nlo estSo bem 
aclarados, ném decididos: trata-se para isto de exami- 
nál-os mais e meihor, e de pesar os argumentos pró e 
contra para chegar a uma acerlada decisáo. Na altercah- 
gáo costumSo limitar-se as pessoas que altercáo a um 
sim ou a um n2o, e charláo muito, as mais das wezes 
por orgulho, para irem com a sua por diante. Nas diffe- 
rengas nasce muitas vezes o desacordo do amor proprío 
od'endido, ou do pundonor mai entendido. 

A contestagao tem maior importancia que a altercor 

Íido, e assim signifíca muitas vezes contenda ou dismta 
brmal e desabrida. Contestagóes tem havido mui serias 
e desagradaveis entre amigos, que vierSo a parar em 
ruidoso litigio, e teimosas inimizades. As contestagi^es 
entre soberanos costumSo terminar em guerra aberta. 



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90 áfLT 

A maior das e^ntenéa$ entD' os fnnnens é a reixa mi 
rúca, ás rezes casual e tmtras prodnzida pehs desareft- 
(as anteriores; édescomedida, ovslínada, por yezes feroz 
« cmel, e qiiasi sempre acaba em briga; prodnz rancor, 
e inlrotzade duradoura qne, por isso mesmo. se cTiama 
reixa velha para a dislinguir da nava que e briga re- 
penttna sem proposilo anterior. 

Querellaj era anttgamente dispufa on eontestapño 
sobre dirertos; mas hoje stpiifica geralmente qneíxa de 
aggravo e injnria feita ao juiZj por isso se diz darque'^ 
rella d^a^^uem. Emateriajnridica de que trataa Onfena- 
(Sodoreino. 

69. ~ Alusar, arreitdiar. 

Exprimem estes vocabulos o conlracto pelo qual o pre' 
prietario d*uma cousa a cede a ^Mitreoa, e este acceita o 
uso ou usofructo d'ella por certo pre^ e tempo entre 
elles ajustado. P«rém o primeíro diz-se com mais pro- 

Sriedade dos bens moveis e predios urbanos, e o segundo 
epredios mstict^s. Quem aluga uma besta^uma sege, etc. , 
devepagar o aluguer logo que acaba a jomada ; os in- 
quilínos on locatariós pagSo ordtnaríamente o aluguer 
todos os semestres ; os rendeiros pagSo snas rendae 
lodos os annos. 

70. — Alva , a«rora. 

A \m qne appareee no horízonte , e rai crescendo e 
malizando-'se de luimnosas cores ate <pie o sol o doure 
com sens brilhantes raios , póde dividir-se pdo pensa- 
mento em dons lempos qne formSo o «toe mlgarmente 
chamamos madrugada. — Come^ o horizonte a fezer-se 
álvo com a approxtma^So do sol ; eieva-se pouco a pouco 
esta alwra, espalha-se nas regioes ethereas , «fugenta 
as trevas da noite, e com elhi se paten4<éa de noTo a formo- 
fura de nnirerse. Esta luz snave, ainda nSo tinta de vivas 
eores, éa almj que nSo eansa nossos olhos , antes Ihes 
éá motivo para se recrearem vendo ahoreeer o dia. — 
Maüza*0e insensivelmente no horizonte a alvura com a 



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AMA 51 

elr cenilea, rosea e purpurina ; entremeia-se o ouro víto 
ÍM ^olineos raios, e em ondas de progressiva Inz at 
derrama no firmamento até que o astro do dia moslre soii 
afogoeado limbo ; eis a aurora. — A aurora^ mais bri- 
jbante que a alva e mais lieni^na que o sol, é, eomo disse 
Vieira, o riso do céo, a alegria dos campos, a respira^ 
das flores, a harmonia das aYes, a Yida e alento do mundo. 

7f • — AlToro^, alToroto* 

CoftfináúrSo os nossos escritore» «fooro^or cora /Uoo- 
rotttTf t accumulárlo no vocalMilo atconngo ifaus idéas 
BMiidistÍDCtas que podémos eKprtiBir por t«r«o« div^rsos 
para evitaralMunonymia, taato maisque sáoiaas pala* 
Trascastcáloiias, e lem cada iHDa seu respocUvo signtft- 
cado, com <o qnal dcvem passar para a nossa lingoa, 
mto qne nella forSo admiUidas. -^ ^^^iHirop*, que é o 
easletbano albor^ao, ^ner dizer oonaioQSo do animo p|Qr 
nMKiTO ée faixSo , iateress^ » ete. ; e tattbem aiegríay 
r(^;Mi)0 grande^ prooipUdSo para algotvia empreza, etc. 
Aivorúto, em^asLdhano a¿5or'0/o, significa tumuito 4e 
gente cmm vozes^ eslrepilo ; bulicio, motim, sedi^ 3o, et£. 
— Asnoiiciasalc^res alvorogáo os povoSy^aosSo alvorofo 
nos animos ; os homcyas larbulentos aliMroíao osdeseoi- 
tentes para lograrem seus intentos á sombra dos alvO' 
rolof. 

72. — Amarellecery empallldeeer. 

Assiai como a c6r MmarelU se diííeren^a áa paUidMt 
oa do amarellá eÉhrung^i^Ot assim se deve Umbem 
dtfferen^a si^iificatio d'eslies dous verbos, o prímeiro 
dos quaes representa a ac^So pela qual uma cou&a, per- 
dendo a sua eér aalural. passa a ser ümar^Ua } e o 
seguide a ac^ So pela quaí ella passa a strpailida. 

73. — Amarelleeer , amarellejar* 

As termina^es marc¡k> nesles dous verbos uma aU;e- 
racSo circumstancial de significas^. k terxninatSo cer 



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6'2 AMB 

indica a inudan(|a da c6r para amarello; a tenninacSo 
/ar denoia a mostra do amarello,^Jmarellecem as folnaa 
das arvores com a secca ; o medo faz amarellecer a face. 
jmarellejd.0 as serras qiiando estSo cobertas de floridas 
giestas. 9uando o ouro amarelleja, ludo venceearromba 
sem peleja. 

74. — Amblffioy eoblfa. 

Amln^Ho Tem da palavra latina ambire^ que é o mesmo 
que correr ou cercar em roda, como fazlSo antigamente 
08 pretendentes de dignidades, e magistrados da repu- 
blica, qiie corriSo toda a cidade, cortejando uns e outros, 
e captando a benevolencia dos que podilo ter voto. 
Cóbiga ou melhor cubxga vem do latím eupiditas, de 
cupiOy eu desejo. Aquella refere-se principalmente ao 
desejo de honras, dignidades, cargos, etc, esia ao de 
possuir dinheiro, fazenda, etc. Posto que a amhígHo seja 
uma paixSo desordenada de aican^r fama, bonras, etc, 
póde algumas vezes cohonestar-se; nSo assim a cohiga, 
que é um appetite desordenado de riquezas, e toma-se 
ordinariameiite á má parte. Muitos amhiciosoi Iia que 
nSo sSo cohigoioi, antes gastSío com mSo larga para con- 
seguirem as honras que amhicionQo. 

75. — Amlilsuldade 9 amplilbolosla, 
et|uliroco* 

Estas trez palavras indicSo os principaes defeitos que 
M oppoem á clareza da linguagem, os qnaes todos con- 
correm para a fazerem obscura e duvidosa em seu sen- 
tido, mas cada um por seu modo, que importa conhecer 
para bem o evitar. 

Jmhiguidade é palavra latina, amblguiias (de amhigo, 
rodear, andar á roda; duvidar); consiste em apresentar 
a phrase um seniido geral, que admilte difierentes inter- 
prcta^oes, de modo que cusia trabalho a descobrir ou 
adiviiihar o pensamento do antor,sendo ás vezes impos- 
sivel conseguíl-o. É pois a ambiguidade duvida, confusSo 
e incerteza na línguagem e idéas. 



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AMB 5o 

jimphibologia ?em da grega éfifteoiuaf compostadp 
proposi^Io á/Af)t'y que signifíca ao pe, em roda, de dous 
üadosi ctc , e dc Sáxx<a lan^ar^a que depois se ajiintou Xóyoí 
palavra; ou de A^fieAoc^ que tambem sc compoe de «/*p¿c 
€xXXoi, e signifíca ferido ou que fere de dous lados, e no 
•entido fígurado, ambiguo, equivoco. Comelte-se esta 
falta quando se construe uma phrase de modo que possa 
idmíltir duas differenles interpreta^oes. Refere-se anles 
10 giro da phrase ou coUoca^Io das palavras que aos ter- 
fflos equivoios d'ellas ; ao contrario da qmbiguidíide, que 
•e acha só nos termos, e assim se diz uma palavra amhi- 
gua e uma phrase amphihologica. D'esle genero é a se- 
guinte : Jleitor jáchilles chama a de¿a/io. Nenliiima das 
palavras é amhigua nem equivoca, mas é amphihologico 
o sentido, porque ainda que reguiarmenle se ponha o su- 
jeito antes do verbo, os poetas invertem muitas vezes 
esta ordem ; e d'aquclia phrase se póde eutender que 
Heilor provoca Achilles, ou esle aquelie. 

£guivoco é palavra latina cequivocui (de cequui igual, 
e vox, voz), e signifíca em geral muliiplicidade de signi- 
fii^^oes, mas regularmenle tem dous sentidos, um natural 
e immediato, que é o que parece querer-se dar a entender^ 
e outro artifícial ou fíngido, desviado ou apartado, que so 
comprehende a pessoa que falla, e ás vezes t2o disfar 
oido que só o entendem os que penetrlo a alInsSo. — 
ChamSo-se equivocas as palavras que se podem enlender 
em dous ou oiais senlidos, ou porque elias mesmas téem 
▼arias signifícacoes distinctas, ou porque se confundem 
com outras da lingua que se pronunciSo e escrevem do 
mesmomodo,posto que tenhSo um signifícado muidiverso 
CV. Homonymo). 

O máo gosto de nossos seiscentistas introdnzio o uso 
dos equivocos como um ornato oratorio jogaudo de voca- 
kulo para divertir o auditorio ou os leitores, ou mostrar 
agudeza de engenho. Vielra, tlo bom orador como era, 
pagou largo tributo a este depravado uso ; e apezar de o 
ter como um defeito nao se emendava de cair nelle, como 
eDe mesmo confessa numsermSo da Resurrei^So (VI 470), 
dizendo : « Quem tirou o véo ao amor, esse Ihe descobrio 
a cara, porque o mostrou desvelcido. NSo me estranheis 



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5A . km 

o eatfívoco, qoe em manfalí tSo alegre e tSo festiya ^té 
os EVangelislas o usárSo. » 

Este equrvoco do P« Víeira precisa explicaglo. Toihw 
safoem que a particula d^ é um prefíxo que correspond^ 
ao lalino dt#,privaiivo ou dispmcliro, e seantepdeamnitcs 
Tocabttfos para exprimtr separa^So, ac0o feita em con 
trario oa em senflido opposlo a oulra^ t. g^. úe$fazer^ 
desmanchar o que eslá feíto, éesprezar, xño prezar^etc; 
mas que nem todos sabem é qne esta mesma partletíta 
em a^guns poucos vocabuios tem um valor mui dfflferente, 
pois indica prolonga^So de aeto, intensidade na ac$20j 
on maior perfei^So, v. g. éeseantar, e descante, nSo sr- 
^ñcfto deixar ie cantar, o qne seria ficar calado, mai 
srm eantar muito e em ^armonia on coitcerto de instru- 
mentos, e o mesmo coneerto de instrmnentos. A esta e^ 
pecie pertence o vertM) desvelar, que é coraposto de des € 
«efar, e nSo signiftca deixar *c velar, o que seria dormá', 
e no figurado náo cnidar, mas stm velar muito, ter muito 
euidado, andar mt^o soliicito. Ora é neste sentido qne o 
P« Vicfira tinha nsaéo d'esle verbo e de seu strbslairtivo 
destelOy e dc repcnte emprega a palavra desvelado nSo 
com a significagSo do verbo desvelar'Se, mas com o de 
privado de véo^ fazendo a particula des privativa, reíe- 
rindo-se ao verbo velar, velare» aue signifíca cobrii 
com veo, o quai, prccedido da particnla des, desvelar, si» 

fnificaria j^riuar áe véo, descobrir, como em francez se 
iz dévoUer; desvelado,v^\o conlexto da sentenga, quer 
dí2er sem veo, porque véo é contrac(Io de velo, de velum 
lalino, que forma equivoco com a significa^áo geral- 
menle recebida de destelado. A isto chamlo com razlo 
os Francezes Joiier sur les mots, e nós com o mesmo Vleira 
tbe chamámos jofifar de vocálmlo. 

A amhiguidade é parto d'um limltado lalento, ou do 
que se querem esconder na obscuridade, como succede com 
os charlalaes e imposlores ; a amphtbologia provém da 
ignorancia das regrasgrammaticaes ou da intengSo dohre 
dequemfalla. O equivocoé indigno d'um homem francoe 
honrado porque delata engano, e deve scr cviiado pdo 
lilterato, o qiial nunca deve jogar de vocabulo sen2o em 
obrasíocosas. 



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m 55 

76» — AitiliM f do»» 

Oi enlre estes yocabulos a mesiiia dií&pen^a qae se 4á 
entre ambo (de otfísox), e dMO (de «¿m), laiiaos. primeiro 
iadica duas cousas unidas., ou que efitre si tem re&roi- 
da oa conformidade, ou ^iue se apresenlSio jttalias na 
mente de quem £alla ; o segundo refere-se uniea e precl- 
aamenle ao numero que medcia entre um e trez. A vtr- 
tude e a gloria s2o cousas dií&reates e nem sempre eús- 
tem no mesmo suieito, mas amhas se requerem para 
fezerem o verdadeiro lieroe. « Vedes áoui homen^ jimloe, 
éíz Yieira».... peki presen(;a anúfos jji&tos, pela amizade 
muito longe um do outro.» — Amhoi élaivab^ sy»ony«o 
de tfm e outro, masd'elle diflere em que tm e ouiro nSo 
exi^e a idéa de unilo, requerida f^b ifWiábaWaimkoi, 
Assim que, quando dizemos, D. ioao 1« e Nuaa Alvares 
Pereira gaoaráo am^of a bataifaa de Aljubarrota,entQnde- 
se que os dous guerreiros lidárlajnniosnaqiieúeiikeno- 
ravel feito de armas ; e se dissessemos um e oi«(ro deixoo 
ou deixárlo iyu6Lre 4e&ceodencia, eatende-se^ cada 
nm d'elies teve fiJJios e aetos que no valor e mais parles 
nlo desmentirao dos pais. 

Jm¡boi e dous^ oo amhos os douHy é pleonasaM vulgar, 
mas nlo tlo desnecessario como alguas queresi, pofque 
indica precisaaienle o caso em qiAe os doM« vSo ou estSo 
ambos junios, oii um efnm outro¡ é o tous leM áeux éss 
Prancezes. — Temos por incorrecta a lo^i^o ambos de 
dous, por<pie nlo banada que¿ustiíique apartieula de e 
só tem lugar a coniuAC(;3o «» ou o artigo oa. ^em nos 
demove de nossa opinilo o ler-se a^im em boos aiHoref, 
porque nem tudo que escmérioé eorrecio. 

77* -^ Aniizade» inclteAf aoy tenmra^ 



Palavras que demoslrao benevolencia para com nosaos 
•imübantes e que, converLidas em benefícasac^des, podo» 
rosamente •coiiirihuem para a dita « feiictdade que póée 
muitar das relasuessociaes 



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5^ AMI 

A amizade snppoe natural bondade, que se manifeBta 
no parlicular apego que duas pessoas téem enlre si. — 
Diíleren^a-se a amizade da inclinagáo em que aquella é 
om aíl'eclo forle, soitdo e duradouro; esla é só uma dis* 
posi^So a estimar e bemquerer, nascida de qualquer cir- 
cumstancia ou qualidade que nos agrada no objeclo a que 
tomámos inclinagáo pelo prazer que nos causa ou pela 
conveniencia que nelle achámos. A amizade é um senti- 
mento duradonro , a incUnagdo uma iigeíra impressSo, 
que se desvanece quasi no instanle que se lira de nossa 
presen^a o objecloj póde chegar a seramizade ou amor^ 
se a pessoa a quem nos inclindmos tem muito merito, ou 
vamos descobrindo nella taes perfei^oes, que nos conduzSo 
insensivelmente a estes dous aííecios. 

A ternura é um estado do cora^Sio que resulla da 
amizade ou do amor; e é mais ou menos viva, conforme 
gráo de sensibilidade de cada coraglo em particnlar; 
assim como a amizade é mais oumenos intíma, segundo as 
quaiidades da pessoa amada , os motivos ou causas que a 
fazem amavel. 

amor provém da mesma propensSío natural que a 
rnmizadCy mas costuma ser mais vivo, maís ardente, e me- 
nos duravel do que ella, pois que o tempo, e o costume a 
vlo formando e consolidando, sendo que o amor é um 
efieito instantaneo que se produz ás vezes com um só 
olhar. « amor nasce nos olhos, diz Vieira, e quem o 
pintou com os olhos tapados devia de ser cego ; o amor 
verdadeiro sempre eslá com os olhos abertos (VI, 470). » 

objecto que se propoe a amizade acha-se no prazer 
e agrado da Yida por meio d*um trato e communicagSo 
estavel, numa confian^a illimitada, e num seguro recurso 
e apoio em nossas necessidades e de consola^áo em nossas 
afllic^^es; mas o amor costuma ser uma illuslo, que víve 
de lisonjeiras esperan^as, d'uma satísfa^^So completae 
d'um ineffavcl prazer de nossos sentidos. 

A amizade é discreta, e constante, adita-se com a posse 
do objecto amado ; o amor cresce com a esperanga, salis- 
faz-se com a novidade, e diminue com a posse — A amizade 
ésocegada e reflectida; o amor^ como diz Vieira, é um 
esplriio sempre inquieto» e quem aquieta muito, sina) é 



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AMN 57 

fveama ponco {ibid).^k amizdae é branda e snafe 
Bio atormenla antes consola; o amor^ é forte como a morte, 
na f^rase de Salomao, gera o ciiime que é cruel como o 
infemOy e, no dizer de nosso poeta, é aspero e tyranno. 

Se dizem, fero amor, que a sede (ua 
Nein com la^rimas trisles se mitíga ; 
£* porque queres, axpero e lyranno, 
Tuas aras banhar em saugue huraaDO. 

Os nossos classicos confundem muitas vezes amar com 
«mijEcuíe/maspara o distinguirem doamor profano ecarnal 
ajunldo llie algum epitheto que o qualífíque,como fez Vieira, n 
dizendo : • O amor perfeitOy e que só merece o nome de 
amor, vive in.mortal sobre a esphera da niudan^a, e nSo 
chegao lá as juridic^oes do tempo ; nem os annos o dimi- 
nuem, nem os seculos o enfraquecem, nem as elernidades 
o cansSo. » Que Vieira entendia fallar aqui da amizade 
é evidenle, pois cilando a seguinle passagem de santo 
Agnstinho traduzio amicitiam em amor. • Manifeste 
declarans amiciliam (Bternamesse,si tera est; si au- 
tem desierit, nunquam vera fuit. Quiz-nos declarar Sa- 
looiSo, diz Aguslinho, que o amor, que é verdadeiro, tem 
obriga^áo de ser eterno; porque se em algum lempo 
deixou de ser, nunca foi amor. • 

Amores, entende-se geralmente pela paixKo, ou trato 
amoroso entre duas pessoas de diíl&rente sexo. A diíle- 
ren^a enire esles dous termos bem se deixa ver nos sc- 
guintes bem conhecidos versos de Cam5es : 

Taea contra Ignez os brutos matadores, 
1^0 c llo de alabastro, que sostinlia 
As ohrascom qu ' amor matou de amoret 
Aquelte que depois a fez rainha. 

(£«#., 111, fSSJ 

78*— AmnlAtiA^ perdao* 

Havendo Trasíbulo vencido os Irinla lyrannos que escra- 
vlzav2o Atheiias siia palria, fezdecrelar uma lei que se cha« 
iiiouá/*v»3ffTta amnistia, pela qual se ordenouque ninguem 
Fodesse ser perseguido pelos deiictos politicos commetlidos 



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58 ám 

duraote a lyntnniay cancedendo esqoeciiMala gparal 
d'elles, sendo sómenle exceptaados os trinta tyramios e oi 
decemvíroa. D'esta lei e sca nome ?em a palavra amni$tím 
(de (X privatívo e /^kmívxm^ ea me kmbroX <[ue díz o mesDM 
que esquecímento do passado ; pois com eíTeilo aquella é 
a primeira de que nos fatla a historia. Yé-se pois que a 
umnistia tem poraivo o esquecimento e perdio dos de* 
lictos politicos, que de ordinarío costumSo só considerar-* 
se taes duranle os disturbiospublicos ou inlestinos, e pas- 
sSo acabados-estes,sendo as pessoas que os eomnfteltan 
aüas respeítaveís e incapazes de nenlukm crime des^ro- 
so, e constituindo o crime anles a sorte adversado vencido 
que a natureza da ac^So. -> Um soberano magnantmo e 
polilieo que sai vieloriosod'umalula de parlidos, cosluma 
perdoar as injurias ipie se fizerSo á sua soberaaia; recon- 
cUia-se 6om o povo e promulga uma amnistia mais ou 
meaas generosa e ampla; tal foi a aetu de eiqueeimento 
que publicou em Inglaterra Carlos II, quando foi reslabe- 
leeido uo tfarono de seu desgra^ ado paL 

N2o suppoe pois a amnistia, rigorosamente üllandOi 
delito que irrogue iofamia, e póde qualquer ac^lier-se a 
ella sem deshoora nem iguominia; nSo se verifíca isAo 
com operdao geral ou parlicular, pois esle snppoe sem* 
pre um delito, e conunummente feio. 

79. — Anaor de sl » amor preprloy 



As primeiras duas palavras parecem ter o mesmo valor 
fframmalical, mas nio é assim no hso da lingna, que as 
distingue, e com razSo. -^jámor de #í, ou anles de ndt , é 
expressao philosophica, amornostri, que designa aquelle 
sentimento universal e necessario pelo qual nos incliná- 
mos e somos levados a buscar aquillo que nos deleita. 
Quando este aentimenlo exclue loda a considera^So re* 
flexa, chama-se espontaneo, e quando é acompanhado da 
considéra^So do fím a qne nos impelle a nalureza, ísto é^ 
quando nos propomos lograr nossa felicidade , cliama-se 
re/lexo, 

Jmor proprio ¿ o mesmo qne o amor de nó$ reflexo 



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4eienvobiáo iio eslado da sociedacle;é porém maiko maii 
ccmiplicado aue a(]uelIe,poís tende á conserva!9:o e me« 
Ihorameiito oa existencia sociaJ do^ homem. 

Egoiimo é o aimr preprhQ lciado a um ponto t2o 
excessivo e vicioso que o homem se amaa st mesmOy d2o 
s6 com injusla preíerencia, mas al¿ com total ou quasi 
total excluslo dos ontros nomeiDi. egoiita só tem em 
vistas sua propría ulílidade, nio cura dos cemmodos ou 
incommodos aos ontros, eom tanto que nada soííra, e de 
tndo goze. 

80. — AnMr da patrla, patrlotlsmo* 

O amar da pafría^ qne melhor dlriamos, amor ápO' 
Irta, é um aflTecto naluntf j o paíríofíámo é uma virtude.— 
AqtieUe éproftfiamenteoapego que naturalmente temos 
ao solo em que nasoemos,. em que conkiccemos nossos pais^ 
e amigos, e adquerimos as primeiras incHna^s; o qst 
eeralmente se tem á Hngtia^ aos Hsos^aoscostumeseMnqne 
iomos criados, aos principios da edoca^o qne reeebemos, 
aos objectos que nos recordSo as primeiras indeleveis im- 
pressoes da tnfancia. Este díTeclo naturaf é miofsi commum 
a todos os homens, sem exceptuar os que habitSo os paizes 
mais in€idto&. 

O eíleUo fue cansa o amor da patria é nm caraeter 
activi» e de&interessado, é o patriotismo, que cofisisle 
mmi ardente desejo de servil-a^ de defmdél-a, de eontri* 
Udr a sevs progressos, a se» bem,.a sua prospertdade. 

O amor dapatria póde provir de amor proprio, de 
vaidade e orgullio, e entSo é um defelto, um vicio em seus 
efifeitos ; o patriotismo é sempre uma virtude que chega a 
elevar-se até ao heroismo, produzindo as mais nobres e 
sublimes ac^^oes. — Aquelle que, sem conlribuir em nada 
oara a defensa e bem de sua patria, se compraz em suas 
felicidades , se gloría de haver nascido nella , encarece 
loa» vaaUtgeos, e a prefere a todas, cré ter patriotíimOj 
poréa só tem omor i patria, ou antes amor propriñ 
naeional, desvaoecendo-se com was glorias como se a 
elksói ^ertencessem. 

Müei at porftm oue est« lislinecSo, alias mni loglca e 



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60 AMP 

autorízadapelo uso da Itngua, nlo era conhecída dos cfas- 
fiicos, por isso que a paiayra patriotismo é um gallicismo 
ou angiicísnio moderno que hoje se tornou necessario* 
A expresslo amor da patria exprimia aml)as as duas 
idéas, como vemos d'aquelies bellos versos de Gamoes : 

......: Yereis vm doto exemplo 

D9 amor dospairios reiios Talorosos, 
£m Tersos di Tulgado numerosos. 
Vereis amor da patria^ n'io movido 
De premio vil ; mas alto e quasi etemo : 
Que n9o é premio vil ser d nnccido 
Pur um preg.o do nÍD!.omeu paterao. 

(£!»#., 1,410.) 

81. -— Amparoy aiixllÍOy ajuda, 
•occorro. 

Segimdo o Academico Francisco Dias (Mem. da Acad., 
IV, 37) a palavra auxilio, que é latina, auxilium, era 
ignorada ou nSo usada até ao principio do reinado de 
Dom Manoel; a que a subslituia era a portugueza ajuda^ 
Comp ainda se vé em Camoes, que disse sentencíosa- 
menle : 

Fraqaeia é dar ajuda ao roais potente. 
(¿u«. IX, 80.) 

Depois qne os poelas e escritores cultos forSo alalinando 
a lingua, foi aquella admiltída com certo ar de nobreza, e 
esta fícou no dominio do vulgo ; e o mesmo aconteceo 
com verbo ajudar relativamente a auxiHar, como sc 
vé dos seguintes proverbios em que no uso ordinario se 
náo póde substiluir esle áquelle verbo. 

Deos ajuda aos que trahalbHo. 

A quem madruga 
De«s ajuda, 

Mais Tal que-i) Deos ajuda 
Do que quem multo madraga. 

Dá-se ajuda a uma pessoa que está embaracada com 
Irabalho que nSo póde fazer, ou para (^iie o fó^a mais 
proDiptamente ; dá-se auxilio ao que já tem meios, 
ibryas, etc , e llie convém ter mais; da-^e ioccoro9ú 
«ue n2o teffl o sufficienle, e amparo ao que oada teoL 



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A>'A ü í 

Goiii ajuda dos Tizlnhos fazem algunt aqtiillo que por • 
sós n^o poderiáo pcrfazer. A um exercito coiisideravel se 
auxilia para fazer maís poderosa sua for^a. A uma pra(a 
que com dirfíciildade sustem um silio, soccorre-ie para 
que n5o sc rcnda. A um infeliz vencido e derrolado, awj^ 
fara-te para que nao pere^a. PediSo os antigos reis ajU' 
das de dinheiro aos povos em cortes, qiiando occorríáo 
despezas exlraordinanas ; pede-se auxilio para vencer; 
%occorro para n5o ser vencido ; amparo para n3o perecer. 
^íjuda-se ao mo^o applicado ; auxiltonse ao indiistrioso| 
occorre-ie ao necessitado ; ampararte ao desvalido. 

82. — Analogria, •ImllhaiifA. 

k primeira é palavra grega «ivocAoy/a (de áv« e A¿yoí)> ^ 
segnndavem do latim #/m27f«, similliante. Analogia é pala- 
vra inenos vu\gar, mais propria de sciencias, e represenla 
uma similhanfa mais iutíma de qiialidades, de proprie- 
dades. Simílhanga^ por scr palavra vulgar,é niais gene- 
rica, e represeiila niais particularmente as apparencias 
exleriores que se oííerecem aos sentidos e n3o carecem 
de exame. Póde existir grande similhanga enire dous 
obieclos e nenhuma analogia^ v. g. enlre as feigoes de 
duaspessoas eo temperamento, genio, eviceversd. 

83« — Analyse ^ decomposlf mo. 

A primeira é palavra grega áafotXiJdts (de ává, denovo, c 
irxáy eu separo, eu dissolvo) ; a segtinda é formada da paiw 
ácula ablativa de e compositiOy composi^So. 

Para conhecer melhor um corpo physico ou moral| 
aecessilámos separar as partes de que se compoe e exa- 
iDinar cada uina d'ellas de per si, dededuzindo d'esta 
opera^So a coiiformidade ou diíTerenga (iiie léem enlresi, 
e o modo como estSo rennidas e forniao um todo termo 
scienlirico d*esta op^'ragSo é analyse ou analysis. Se a 
fazemos num corpo physico sem separar suas moleculas 
•u seus ultimos elementos, a analyse será physica ou 
Btterial; porémse penctrarmos nesles elemenlos, epor 
ndo de reactivos osdecomDosermos em todo seu inierior» 

II. 4 



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^2 ANG 

a ofto^e será elúmica, c|ue é o senttdo mais i 
^iose dá a esta palavra. k decompotÍQ&o iñoémm quea 
separa^io materúd das parles dos.corpos, sem ros éeier- 
mos uo exame scienüfíeo d'ellas, nem nas rela^oes qne 
enire si léem. Decomporms um corpo qitando desimí* 
iiu>s a eoliesSo de suas parles; qaando esta cohesfio 
se perde ou deslroe ,por si mesma , áizemos que o 
corpo te étcompée, £ mui nsada a paíaTra maly9e em 
senlido fígurado, mórmenle daliaiido de malerias 9Ctentl- 
ficas e Itilerarias, nSo assim a palavra decomposif&o, que 
só se usa no senlido reeto^ Tambem dian^mos anal^e á 
rediic^So d'um discurso ou obra a snas parles principaes, 
para d 'este modo eonbecer meUior a ordem que entre si léem, 
e distinguir os pensamentos fundamentaesdos accessorios. 

84l — AneÍM^ i^lJh», imtiipi». 

Estas palayras sKo comparativas e oppositivas de ou« 
tras, pclas quaes melhor se póde fíxar sua. sig^nifíca^So e 
uso.Ao anctdo oppoe-se ojovcn ; ao velho o novo, tambfffl 
mo^o, fallando de pessoas ; ao antigo^ o moderuo on 
novo. Téem seu uso diíTerenle, e n^ se podem empregar 
umas por outras. Anciao diz-se d'um homem mui avaa- 
^ado em idade, e que á velhice junla a autoridade einspira 
yeneragSo e respeito. Felho refere-se á idade individual 
da pessoa ou cousa de qjAc &e falla, aos muitos aiinos de 
sua exislencia ; e por isso que desperla a idéa de estar 
perto do lermo de sua dura^So, nSo é palavra polida fal« 
lando com as pessoas, antes inculca desprezo ou zomba« 
ria. Mas tratando de ammaes, plantas, idéas e coosas 
moraes se dizera velhot enSo anciaoe, Asidéas e expres- 
soes, para 4esautorizál-as e as tornar despreztveis Ihes 
chamamos ran^oeae e ohsoletas. AntigOy nsa-se prinCi^ 
paknenle , ñsiliando de trajés, movets, modas. Diz-se 
tambem systema, methodo, plano, tinguagem, estylo 
antijsio, Em^ opposiclo aos povos modenios, chamSo-se 
atuigos 08 Períras, Grcgos, Romanos, clc. ; e só sc inti- 
ti^vSo andaos os qcie governavSoo povo ét Israef. 



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mm ^ 

88« — - Andar « If^ eaminliAr^ inareliiir. 

Jndar é moYer-se daado passos para diante seia rela* 

gío a poiitos delerminaéos. Ir é ondar ou mover-se d'uai 
gar para outro de ^uüquer modo que se íaga este tnm- 
síto ; e teffl rela0[o a um poAto determinado a quea pessoa 
00 eousa se dirige. Caminhar é fazer camiuho, tr de 
viagem d'um logar para o«lro. Marchar é andar ou eth- 
minhar eooipassadameftte : di2<^e especialmeote da tro^pa 
<piaKk> vaí €om ocdem. de mareha- 



86«— iUnaeS) eiMMnicm, «mnmcittartoS) 

twmtmm^ nieniorlasy reia^ écs, 
epaaapltoras, aneedota«,BÍosrap1ila9. 

Por todos estes modos se escrere a hhtoría ou se pre- 
pa]^o materiaes para ella. 

Os annaei s2o historías chrouologfcas dÍTÍdidas por 
aimos, como os periodicos por dias» e ümiláo-se a mani- 
festar os factos singelamente, sem ornato na narra^^o e 
sem reflexoes, o que s6 pertence á historia propria- 
mente dita. 

As ehnmicai, segundo a deriva^So da palavra {xponxá^ 
snbentendido, ^iBxh, livros, de xpó^^^i tempo, epoca), sSo 
a historia dos tempos, dirídida pela ordem das epocas ; 
taes sSo as de nossos antigos reis e as das ordens reli- 
giosas. A esla classe pertencem as gazetas e periodtcos 
qoe relatSo o que diariamente succede. 

Os ammentarios n9o passSo de ser nm bosquejo de 
historía, ou uma historía escríta com concislo e brevi- 
dade, limitada a um só assumpto. Taes sSo os de Mio Cesar 
• 6$ de Aífonso de Albuquerque. 

Os fastos sSo como tabcas ou antes calendarios qne^ 
em fórma de regislro publico, nos presentao em mni brevc 
espa^o, por dias e mezes, as festas e diversoes solemnes, 
as alteracoes aulhenticamente provadas que se hSo veri- 
ficado na ordem publica, os actos, os novos estabeleci- 
mentos, as origens imporlantes dos successose as noticias 



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64 Asm 

das pessoas illustres qne mais merecem ser conhecídai 
cla posteridade. Taes s3o os fasíos consulares que tanta 
luz dáo á historia romana. 

As wemorias só se considerSo como matcriaes para £ 
bístoria; seu esiyio deve ser ilvre e desembara^ado, a 
nellas se podem desenvolver e díscutir os factos e entrar 
em muitas particularídades ímproprias da hisloria. 

A relagao é uma narracao circnmslanciada ou descríp- 
^ao minuciosa de qualquer empresa, viajcm , etc. Seo 
merito consiste principalmenle na exacti<!3o e uliiidade 
dos promenores e em que o colorido que se dá ao estyle 
aeja natural e proprio. 

Epanaphora é palavra grega, i-KetvoLfopá (de ini, ává e 
fipüi) que díz o mesmo que relagao, narragSo. Se nos 
regularmos pelo excellente modeio que d'este genero 
d'escritura nos deixou D. Francisco Manoel, díremos que 
a epanaphora pede estylo mais elevado que a simpies 
relag&o; é taivez a relag&o poetizada, ou ameuiza^da 
com os adornos do estylo descriplivo. 

Jnecdota, scgundo a origem grega (áviyZoros^ n3o pu- 
blicado, de «¿, e ixlilüifAt) signifíca a relagao de cousas 
nlo publicadas antes; porém geralmente se entende por 
obras em que se descobrem factos secretos, particulari- 
dades curiosas, que aclarSo os arcanos da polilica e os 
occultos manejos queproduzírSograndesacontecimentos. 

Blographia, segundo a origem grega (de /s¿9,', vida, e 
ypapta, escritura) quer dizer escritura da vida de algum 
homem celebre; tambem se chama tida; e signifícao 
estes dous vocabulos a historia do homem em todos os 
ÍDStantes e circumstancias de sua vida, considerando-o 
qual em si é, n2o só como homem publico senSo como 
particular, e analysando suas acgoes e escrttos. 

Entre os antigos os que melhor escrevérSo neste genero 
forio Plutarco e Cornelio Ncpote; entre nós Luiz de 
Souia e Jaciutho Freire de Andrade. 



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AFA 65 

87. — Annoiafoc89 notas^ 

coniuientarlos , Inierpretaf oca ^ 

expllea^ oe8, aposilIla«, eotaa« 

As annotííQdes e notoM se empregSo para aelarar e 
Hlustrar alguns lugares d'uma obra; mas rigorosamenta 
fallando as notas sio curtas e só dizem o que é precísa* 
menle necessario para aclarar e illustraraobra. Tarobem 
se chamSo notas os reparos e tachas que se poem a 
alguns escritos. Mais extens3o admittem as annotagÓeSj 
que vem a ser como breves commentarios das obras, os 
quaes, em ünguagemexacta, sSoextensaseenidítasexpli- 
ca^oes d'um texto. Sobre a outra significa^So d'esle voca-. 
bolo veja-se pag. 63. 

Assim como o fim das annotagdes é explicar com cla- 
reza e exaciidáo as phrases e palavras, fíxando seu verda- 
deiro sentido, conhecido só de alguns erudilos, ou um 
sentido occulto ou obscuro que se aclara com auloridades 
e raciocinios; assím a interpretagao ^ por sua parte, 
suppoe ambiguidade, e procura achar o verdadeiro sen* 
tido; assim que a annotagáo inslrue, e a interpretagüo 
oinge-se a presentar as razoes pró e contra. A anno' 
tagaOy bem feila, derrama uma luz que a todos aliimía; 
por engenhosa queseja a interpretaQáo sempre nos deíxa 
em duvida, porque cada leitor se julga com direito de ser 
inlcrprete. 

Mais extensas que as annotagdes s3o as expUcacdes^ 
pois nao se limitSo como aquellas a aclarar o seniido da 
phrase ou palavra, senao que se eslendem a facililar a in- 
lcliigencia das cousas ao vulgo dos ieilores. 

As apostillas s2o notas ou glosas breves que se coslu- 
mao pdr á margem das obras para accrescentar alguma 
expressao que falte ao texlo, ou para illustrál-o e iiiter- 
pretál-o com uma só palavra, pelo que se vé que a 
apostilla é uma brevissima nota* 

Cota é aciia^ao de aulor posla á margem ; tambem se 
rhamaassim a nota marginal posta em autos, a referencia 
á maleria d'elles, elc. 



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•6 mt 

88« — AnteectMMir , predeeewop. 

Ambos estes nomes indícSo anteriortdade <f nma pe»- 
soa a otKra en posto ou cargpo, eom a diflereQca que an» 
tecessor é o que precedeo immedíalamente^ e predecesBin' 
é que foi antes do aniecesswr, e todos os outros para 
tm. -*- Predeeessar Mica sujeilo ou elasse devada, t 
oorreiponde mais f «eremonial, aos privilegios, ás dl- 
^ntdades ; aniecetsor, á ordem roaterial de succederem-se 
MS pessoas umas a outras. Os reis, os dyques, etc., contSo 
éom desvanecimento grande mHnero de preéeeessarss, 
4ue 06 precedérito na dignidade; os govemadores, os 
nagisiraéos, os ad«ÍRistradores,'eíc., tiverSo seus anie- 
oessores, isto é, outros qHcantes á'tMes exércérSu aquelk 
cargo. ^ Um serventuario d'um ofñcio, um logistai, i^rá : 
O meu aniecessor; mas nSo poderá dizer . Os meus pied^ 
ce$$9res. 

89« — .Aaatteipaftdo , preMartaira. 

qoe se fez antes do lempo em q«e éevia fózér-se 
chama-se amticipado ; o qne se lae antes 4o tempo oppor- 
tuno é premafuro, Póde empregar-se em bom ou máo 
•entido o primeiro; toaia'^ sempre em náo o segtmdo. 

90. — Antlcloto , eontraTeneuo* 

A9ítidoio é palavra grega én-^^ot oo. ávrñoTov (de «vrt 
contra, e 5t3w/*t dar), e comprehende em seu senlido ge- 
ral todos os remedios qne se empregSo.para diminnir os 
effeitos das enfermidades , destruindo seus principios oa 
causas, como quando dizemos que a quina é um antidoiú 
contre a fcbre. — Chamfo-se contravenenos aquelles re- 
medios accommodados para impedir os progressos , ou 
destmir o effeito d'um veneno que se haja tomado, pelo 
que vemos que o aniidato tem muita mais extensSo em 
aen significado que o contraveneno, pois se exlende a to- 
das as enfermtdades e doen^s, sendo que este limita-se 
sómente ás cousas veuenosas. ^Jniidoio tem além d'isso 



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AÜT 67 

um senñdo tgmda <ra morál, pois c h gmftuioi amHéoias 
aos diseursos oa obras moraes quo se puMícSo eom 
presenraliTO de más doutriBas. 

91« — AnflpatMay odlo, aTera&o^ 
repusuancla^ «lulsiliis mmtm. 

Das duas palavras gregas ^n contra, e na^os paixléf 
^e diremos lilleralmente contrapaixáo, se fórma a h- 
tma e das lingjuas romances antipathia, aue é uma oppo- 
sí(^o ou inimízade nalural ou irresislivel aos seres e cou- 
sas umas com oulras ; sua causa é inteiramenle desconhe- 
cida, assím que muito se ha delírado sobre ella; seas 
effeitos s2o prodigiosos e admiraveis, freqaentemente 
exagerados e por vezes fabulosos. 

A aver$5o lambem tem alpma cousa desconhecida 
em sua causa a miudo moral; nlo é tSo invencivei nem 
t2o poderosa como a antipathia, e ainda o é menos a ré- 
pugnancia; e muitas vezes aconlece que uma e outra 
se convertem em aíTecto e até em amor, poís téem muito 
de caprichosas estas qualidades ou modos de ser que deve- 
remos chamar accidentaes. 

O odio nasce ás vezes de poderosas e ftmdadas causas 
por graves injurias recebidas, otitras de mera vontade, de 
ugeiros molivos e ainda de capricho; de qualquer modo 
que se manifeste s3o crueis e terriveis seus eíleitos; aug- 
menta-^e seu rancor, e chega a invelerar-se sem quebrar 
de sua lor\;a. A avers&o e a antipathia exercem-se mdis- 
linctamente nas pessoas e nas cousas ; o odio mais na- 
qaellas que nestas; a reftignancia nas acgocs. 

Quigua é palavra da lingua bunda e signifíca a anU* 
pathia que os pretos téem a certos comeres on ac^des; 
di2-se famiJiarmente em lugar de antiapthia ou a9er$ú0f 
mas é erro dizer quezilia. 

j4$ea é palavra vulgar qne indica averslo, má vontdde 
qat se lem a alguem, talvez com desejo de vingar-se. 

92. — JLiitl«aado ^ ol^Mleto» 

Anfcas estas pabvras mdtclo eoa«a anliga, fue decaio 



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68 ART 

dOQSo; mas a seganda accrescenta uma especie de dei- 
prezo ou dc ridiculo. — As palavras e pbrases aniiquada$ 
podem ainda usar-se em poesia e em estylo jocoso, náo 
as ohsoleías, que de ordinarío forSo subslituidas por ou» 
tras mais bem derívadas e mais sonoras. O uso pode fazer 
reviver, segundo a senlenca de Horacio, muítas expres- 
s6es antiquadaSf mas as ohsoletai parecem condemnadas 
por elle ao pcrpetuo esquecimento. — escritor que se 
serve de palavras e locu^^oes antiquadas mas genuinas da 
lingua, expressivas e com boa analogia, para fugir á in- 
Tasáo do neologismo, merece louvor ; porém o que busca 
desenterrar velhices e prefere os archaismos denossosavot 
ás boas exprcss5e$ que o uso depois inlroduzio, este nSo 
se livrará do nome de ran^oso. — Cada seculo lem seu 
cunho particular, e cada escritor seu estylo que Ihe é 
proprio. Sem mendigarem nada aos estranhos, Barros e 
FernSo Mendes Pinto nSo escrevérSo como FernSo Lopes 
e Caslanheda; Luiz de Souza e Yieira diíTorem muito de 
Seita e Paiva ; Camoes e Bernardes náo se parecem com 
Gil Vicente e Sá de Miranda, posto que lodos escrevessem 
em bomportuguez, e classico para seus respectivos tempos. 

05* ^ Aütroy eaTerna, yruta^ Is^poy 
fkiriia* 

A primeira é palavra gregra ávT/:ov, depois foi latina, 
antrum, entrou em nossa lingua como palavra culta e 
poetica, e segimdo sua origem signifíca cova profunda, e 
escura. A segunda é latiiia, caverna, e significa uma 
grande excava^So aberla a modo de abobada e defendida 
pelos lados como um recinto. A terceira é palavra caste* 
Ihana e portugueza (talvez do lat. crypta do gr. xpbnrocj^ 
signifíca concavidade da terra entre pcnhascos, ás yeza 
susceptivel de ornato rustico. A quarla é portugueza taJ- 
vez vmda do grego XánoíOoí, e quer dizer uma caverna na 
oncosta de montes e coberta por um penedo ou chapade 
pedra,que isto siguifíca tambem a palavra lapa. — 0$ 
aniros serrem de covil ás feras, as cavernas de asylo aos 
homens e de guarida aos ladroes; as grutas sáo habl- 
tadas pelos anachoretas« e as <((pa# dio abrigo aospas* 



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lores, «omo áiz Laii dc Soaza na vida do Arcebispo : « E 
vio junlamente que ao pé do penedo se abria uma lapa 
que podia ser bastante abrigo para o tempo. • — Em es* 
tylo poetico as nymphas e os deoses campestres habitáo 
as grutai^ as feras os aniro», os facinorosos as cawrmii 
e os zagaes acolhem-se ás lapa$, 

FSAma é cova ou lapa profunda, escura, e medonha; 
diz-se com particularidade da fauce lobrega d'um voiclo, 
de que nos deixou exemplo Bernardes na Floresta : « Es- 
tando em cima contempiando a horrenda furna e ssto- 
mago do monte (Elna), cuja disíorme boca mostra ter 
uma legua de ambito (ll, 227). • — Esla palavra n5o é 
poetica, e dííTerenca-se de todas as outras em accrescenlar 
a idéa de medo, de horror, que a ellas n2o é inherente. 

94* — Apailila, inseMlbilidacle » 
indifféreiifa. 

jpathia é palavra grega formada dc « privalivo c itABos 
paixSo, vindo a significar priva^So de loda paixáo, caren- 
Sa d'elia. A apathia é em geral o resultado natural do 
lemperaménlo e da organizacao, e se eslende ás proprie- 
dades da alma, por isso se diz que 6 apathico u3o tem 
paixáo por cousa nenhuma, e nada o estimula. 

A palavra iniensibilidade n3o suppSe nem tanla exlcn- 
sSo, nem lanla indifferenga, nem depende tanlo da na- 
tureza do enle, como a apathia, pois podémos ser insen- 
sivcis a uma cousa e nSo a oulra. Raro é que a insensi^ 
kilidade seja geral e absolula. üm homem podc ser 
insensivel ao amor por seu lemperamenlo ou caracter, e 
dSo ó ser á honra. Na apathia acha-se a alma inactiva, 
carece de ac^áo e de estimulo; na insensibilidade esta im- 
passivel. iiomem de boa vida e honrado póde ser insen' 
sivel aos prazeres, e a tudo que conduz ao vicio; mas é 
mui sensivelá virlude e ao exercicio de quanto perlence 
á beueficencia com seus similhantes. 

A indifferenga nem sempre é inacüva, porque, amda 
que estado da alma é o socego, nem por isso se nega a 
razSo- Náo tendo inleressc ncm inclina^o a ncnnuma 



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«ousa, sefipBe o liidiíSerefile 4e ordtiiaFÍo o i wp al a» cfiie 
ontpos the dSo, e por ineáo d'este se occopa em oousaB 
CQJo exito Hie é em si mnito 4ndi>/ferent$. — O homem qoe 
é máiffermU m interesse sei\ proprio, qne vé com igrtnd 
ro0to a pro»f >er»« adversa fortinia, nsas 4[ue nio é de Kocfo 
algum indifferente ás ref^ e dictases da razio, ao bem 
de seas siraiUiaiUes, merece loamres por smindi^rBngé^, 
que é a d^um «abio e n2o a d'um e^iMa. 

Aplctcorte que está irado ou irrttado; aeaimchie o 
que está agitado ou perturbado; apazigua-tef oa pde-se 
em paz^ o que estaya em guerra, ou amotinado. 

96.,— Apolosla 9 Justlfleaf fto. 

Apologia, segundo o valor da palavra grega, signifíca 
defensa, e é qualquer discurso ou escrito no qual se de- 
fende um systema, parlido^ opiniáo, nagSo oupessoa. 
Fazem-si^ as apologxas para desvanecer as accusa^es com 
que tst itiggravao as dasses mencionadas, rSko as ace«isa- 
^Ses juridicas, porque essas correm no$ trib{i.naes e cob- 
^a éHas advogSo os lettrados perante os jmzes, mas as 
vagas, espaihadas no pubiico, que vSo tomando corpo com 
grave damno das pessoas aceusadas até que acab9o ea 
persegui^Io formal contra ellas. Este é o verdadeiro easo 
da opoZc^'a. — D'este modo persegnidos e ealmniíadoa 
os primeiros ChrístSos, foi-lhes for^oso presentar aos in- 

Seradores, ao senado e aos magislrados, apoUmat em 
efesa da rdigilo christS, para recha^ar as íakidadea 
com qne os gentios procuravSo fazél-os odiosos, cono 
inimigos dos deoses e de todas as potestades, e pertarba- 
dorcs da ordem pubüca. 

kjuttificag&o consisle só nas provas que se dedmen 
do exame das testemunhas, dos documenios aatenticos, e 
lerve para mamfestar a innocencia do accusado.— A a p eh 
gia é um meio de fnttificagño etambem seu ebjedo; 
porém nSo é a juttifíca^áo em si , é só a defesa do aecu- 
sado, e constitue sua)u«tí/¥cap(lo a manifesta^de saaia- 
Bocencia.— Ajuiít/icaparo nem sempre suppSe aecusafiot 



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Aro 71 

basta o recdo d'ella para um homem ^aerer jmiifkar-^ 
a ttpoiogia seiDpre a suppoe, pois é disGttvso eoiiéefeaBa. 

97. — Apoiosoy fabulA, laiosovlay 
par»lMalii»< 

jpohao é paffavra grcga MAoyoi, e significa uma his- 
torieta &hQlx)sa, qne de Daixo éo véú da allegoria nos 
presenta uma vcrdadc; fc^la é palavra lalina (de fari 
raitar) e signiffca uma rela^So nSo rerdadeira, dcbaixo de 
cujo véo sc nos faz agradavci a verdade. DiíTeren^o-se 
eni cpie a fahtla s6 presenta por interlocutores os ani- 
maes e cousas inanimadas, e o apologo, qne é mais ex- 
tenso, faz fallar aos animaes, aos deoses,aos homens, ás 
eousas insensiveis, e ainda aos seres abstractos e mela» 
physicos; assim que olharemos o apologo como genero e a 
faíula como especie. Em linguagem commum usio-se 
aUcmalivamente estas palavras uma por outra ; aiada que 
a de apologo é mais erudita. 

Mlegoria é palavra grega áxXyiyopia íde «^05, oulro, 
e áyopéuoi, eu digo) e designa uma figura de rhetorica pela 
qual sepresenla ao espirito um objecto e áesigna outro, 
tal é aquella de Virgilio. 

Claadíte riv>M, poeri, Mt ptala bibemau 

É ama metaphora continuada com aue se annunciSo 
importantes verdades debaixo d'uma lórma agradavel. A 
ode XII do livro I de Horacio, O navi$, etc*, e uma bel- 
lissima allegoria na qual, debaixo da imagem d'um 
baixel, faz ver poeta aos Romanos os males que os 
amea^So se Augusto deixasse governo. — sermao 
de Santo Antonio que P< Antonio Yieira prégou no 
MaranhSo antes de partir para o reino em 1654, é uma 
loBga e engenhosa allegona^ na qtial elle diz aos peixei 
o que para os homens era dito. A allegoria nSo necessita 
expliear a vcrdadc que encerra, pois a exactidSo de suas 
reia^^oes com ella se maniresla a cada passo, dislinguindo- 
80 Disfto do apologoy cnjo merito é occultar sentido 
moral até ao mstaDte mesmo da conclusSo qne sc chama 
moraihlade. 
09 gveget'diaiiiarr&o /ci^o« ao <iae nós chamftmoa a* 



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72 APP 

hula^ t ¿Tr(/9/A¿9«>A ao qne damos nome de moralídade. 

Presentar como um jo^nele uma li^ ao de sabedoria, é 
Yerdadeíro caracter da fahula e do apologo ; embelle- 
cer e nSo dLsfar^ar a yerdade fazendo-a mais clara e sen- 
Eivel, é caracter óaallegaria, 

Parabola épalavra grega ir« a€ov^ (de nápá ao lado 
^ €ciX).(ú eu lan^o) que signifíca compara^So aliegorica, e 
Uidica uma narra^So de successo imaginado, com instruc* 
^So allfgoríca, da qiial se tira alguma moralidade. Mui 
coníiecidas sSo as do Evangelho com que J. C doutrínava 
os povos, pois segundo a phrase da Escritura náo Ihes fal- 
lava senSo emparábolai. 

98. — Apossar-se^ usurpaF, inYacliry 
conquiistar. 

^poésar'ée algnem de alguma cousa é simplesmente 
metier-se de posse d'ella, fazer-se senhor d'ella, tomál-a a 
8i. Usurpar é lirar a oulrem o qiie é seu, usando de pre- 
polenííia; e tambem arrogar-se uma dignidade, elc. 
Jnvadir é acommeller e entrar por for^a em alguma 
parle. Conquistar é ganhar á for^a de armas um eslado, 
uma cidade, elc. — Napolcáo apossou-se primeiramenle 
do commando geral, depois usurpou o imperio; nüo 
tardou a invadir a Europa quasi toda, e conquistou 
parle d*e1la; mas suas conquistas e invasóes (icárlo 
sem eíTeito quando os aliiados o desapossaráo de sua 
autoridade usurpada. 

99. —- Apparif áo, Tii^ao, 

Estas duas palavras , e . principalmente a segiínda , 
Qsao-se mais no sentido mystico que no nalural. — 
Apparecer uma cousa ou pessoa é presentar-se de su- 
bito sem ser esperada , nianifeslar-se um objecto jiur 
eslava occulto ou n3o se sabía d'elle, ou fazer-sc visivel 
aquillo que o n^o é por sua natureza ; eqiiando nisto entra 
milagre ou prodigio se chama apparigáo. Com este nome 
desigudmos as cousas que o Eute Supremo deixa ver a 
seus servos em sonhos, em exlasis e em espirito. Tambem 
08 poetas, mórmente os enicos, usSo muito como adorno 



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APP 73 

miftcipal em sens poemas, dai pintoras e descrip^^s 
é'estes apparee%menio$ ,' tal é o MHiho d'El-Rei Dom Ma- 
noel nos Lusiadas. 

A v'i&o é um acto da potencia m'ftua, objectivo da 
▼ista, já obscuro, já incertoealéenganoso. Neste casope^ 
tence á classe de phantasmas, espectros e sombras l3o 
crídas do vulgo, pelo espanto que ihe causSo em sua ti- 
midez e credulidade. 

Rigorosamente fallando distingue-se a viiño da appa- 
ripáo em que esta supp5e um objecto que está íóra de nós 
mesmos, e a vMo \m obiecto de nosso interior, críado 
por nossa ima^ina^So; com tudo algumas ytze& se usa 
viiáo para indicar objecto externo que se mostra mara 
rilbosamenle, como o que appareceo a Affonso Henriquez, 
do qual diz o Chronista Brilo : « Desappareceo a «/<ao. » 

Cbama-se com razSo vt<íonano iiSo só ao que sempie 
cré ter diante de si tiéóeé, senlo ao que as inventa, e 
cré tél-as em sua louca phanlasia. 

100««- Apparencla, exieriop^ 
eiLteriorldade. 

A apparencia é o eíTeilo que produz a vista d'uma 
cousa, e a idéa que d'ella nos resuíta, pelo que é ás yezts 
enganosa. Exterior é o que cada corpo mostra pela parte 
de fóra; appllcado ás pessoas é o aspecto, maneiras, porte 
ou conducta que ella mostra exteriormente, e ent3o se 
Ihe chama exterioridade. — Apparencia presenta uma 
idéa maís vaga e menos posltiva que exterior, que nSo 
deixa com tudo de ser algumas vezes engano.so. — 
exterior produz a apparencia, éo que se ve; e a appa- 
rencia é o eíTeito que prodüz esta visla. De longe póde 
parecer mui formosa uma cousa, mas quando a examiná- 
O10S de per|o vemos que só tem um bom exterior. — 
A' palavra exterioridade anda quasi sempre annexa 
idéa de fíngimenlo, e toma-se de ordlnario por demonstra« 
Clo exterior d'um aíTecto sem realidade. 



lOl» ~ Appetiteff* deaejoa. 

id( 

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Poftlo que volgarmenU le conAmdem ettei doos voea- 



74 APP 

Du!oS| com tttéo em Ungua^m philosopUcA nioderw 
sSío btm distinctos. Os appetite$ sio certos senliiiwBioa 
corporeos, nSo perpeluos, mas que occorrem de temqfio m 
tcmpo, accompanhadossempre de certo qné mais ou menof 
desa^radavel segnndo é maior on menor sua for^, qae 
nos impellem a appeiecer algumt cousa de que o corpo 
larece. Uns ba que s3o ínherentes á nossa naiureza^ taes 
sSo a fome, a séde, etc. ; oulros ?em dos habitos, tal é o 
tomar labaco ou fnrnar, elc 

Os desejoi, qae melbor se exp)ic3o pela palavra latina 
cupiditateé, s3o certaí^ inclínaf oes, que n2o exhteiD no 
corpo senSo na alma, e cuj(> objecto sSo as cousas e nSo 
as pe ssoas ; taes s9o o desejo áe saber, de viver em soeie- 
dade, da esttma dos outros, da excellencia on superiori* 
dade, do poder e do mando, etc. — DiíTeren^a-se o d€$eJo 
áo appetUe em que, l'' este reside no corpo e aqndle na 
alma ; 2* em que este vem de tempo a tempo, e aqueOeé 

Ítermanente ; S^" em que este sacia-se, e aquelle nSo ae 
árta, elc. 

Esta clas«ficaf2o nSo era conbecida dos antigos philo- 
sopbos, pois Cicero, fallando das for^as da alma, diz que 
se dividem em duas partes, uma das quaes consisle no 
üppetitij que é a que impelle o bomem para aqui e para 
ili; e oulra na raz2o, que ensina o que se deve fózer e o 
4ue se deve evitar. I)á elle uma excellenle regra a este 
respeito que n2o deveria nunca esquecer : « Batio pr(e$it, 
appetiius obtemperii. • Mande a raz2o, obede^a o appe- 

102. — Appllcmf fto» medltafte. 

A appHcag&o é aquelte acto pelo qnal nossa alma se fiia 
com atlenyio e cnidado em qualquerassnmplo, enelle 
pensa muito tempo. — A meditagüoé mnaac^o da raenle 
muito mais detida e prolongada que t precedente; ella 
considera o assnmpto em todos seus aspectos, íbziendo 
esfor(;opara conhecét o a ñindo e penetrar^todo seu espi- 
rito. -—0 bomresultado da applicagáo depende da intel- 
ligencia, e^úapmeáiieipu éo Máko- d« julgar com si 
logica e de discorrer com exactidüo 



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103* — ApproTar > •onseiitir» permittlp, 
tolerar. 

Jppromte uma cousa qaando d'ella se fár jui20 feTo- 
mel, quando se acha digna de looTor e estíma, quando se 
Ibe dá o Toto; eonsente-^e uma cousa quando a cUa se 
acquíesce, ou se condescende a que se fa^ ; permitte'Se 
um acto qoando se antoríza por nm consentimciito íbma>f 
iolerSO'ie as consas quando coDteccendo-as e tendo o poder, 
se nSo impedem. — ApprofDdmoi o que temos por bom 
e meritorio; eonsentimoe o quenosnSo repagffa,masqne 
talTcz qnizeramos evitar; as leis hnmanas nunca dCTem 
permitfir o one as diTinas protnbem, porém prohibem á» 
Tezes que ellas permittem; os magistrados Téem-se á» 
Tezes obrígados a iolerar eertos males por lemor que suo- 
ced3o ontros maiores. 

104« — Apreniler, estudarf inotrulr*M. 

Aprender é adqnirir de qnalquer modo qire seja 
algum conhecimento que d'antes se nlo tinha; e isto 
se fáz ou pela Uclo dos livros , sohre tudo etemen» 
tares , ou pela nva toz do mestre , on pcla medi- 
ta(;2o propria do díscipulo : os trez meíos reuiiidos 
formSo melhor svstema de ednca(;2o. — Estudar é 
applicar-se ao estuao para adquirir conhecimentos em 
q^auer disciplína, asshn como aprenderho acto de ad* 
í^m{'0%.Estuda-ee para aprender, e á for^ de estudar 
se aprende; quanto mais se aprende mais se sabe, e 
menos ás Tczes quanto mais se estuda. -— Instruir-te é 
nSo só adquirir noTos conl^cimentos, senlo acclarar os 
já adquiridos, entrar em todas suas particuTaridades» 
despir preoccupa^Ses e erros, e achar o methodo de os em- 
pregar domodo mais ntil possiTel. Adquire-se a instruc- 
páo pela lí^Ia de bons liTros, por ouTír oons mestces, pelo 
tsluáo privado, e nlo menos pela experieacia, e trato com 
36 homens doutos e experímenfados. 

Toda a diilGeren^ que achftmos entre e^ender e in$- 
truir-ie consiste em que, aprender diz-se do? conheci« 



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t 



76 APR 

menlosem simesmos; e instruir'ie, das parlicularidades 
d'esies coiihecimenlos, de suas propriedades, e demais cir- 
cumstancias que nelles concorrem. A for^a do yerbo 
reciproco parece indicar o cuidado, diligencia, estudo 
com «]ue um homem dá ensino a sL mesmo, e fica mais e 
melhor sabedor do que era. 

105« — Apresto, preparatÍTOy apparaio^ 
apparellto. 

Quando se reunem, dispoem e arranjSo diversos mate- 
riaes ou cousas para aexecu9?(ode,quaiquer obra, dize- 
mos que se fazem preparativoSf ássim oomo á reuniSo 
d'elles se Ihes chama aprestoe ou apparelhos, Diz-se pois 
os preparativos d'uma func^So ou d'um banquete, os 
preparatívüs d'uma guerra, d'um assedio. A's disposi- 
oes para qiia!(iuer fica e fastuosa ceremonia ou feslivi- 
lade se llies dá o nome de apparatos, pois que a stgni- 
ficagao d*esla paiavra se exteude a tudo o que se executa 
com pompa e osl^nta^So, e assím se chama apparatoso ao 
que lem niuilo apparato. 

A signifícHji^io das palavras apparelho^ apparelhar^ 
sSo muito mais exlensas que as anleriores, pois n9o só as 
comprehendemtodas,masabrangemos instrumentos, ope* 
raydes, ma eriaes, disposigoes para todoexercicio, trabalho 
ou obra des de o mais ele?ado até ao mais ínfímo; exten- 
dem-se desdea scieucia e manobras nauticas, desde o expf- 
cicio e arte da pintura, alé ao mais desprezivel e baixo 
oílicio mecanico. Chamáo-se por tanto apparelhos aos 
arreios uecessarios para montar e carregar cavalgaduras, 
edizia-se 2i\ú\QSimen\e apparelhos para dizer missa.Tam- 
bem é l)aslauteexlenso o senlído fíp;urado d'estavoz, como 
quaudo dizemos : estOQ apparelhado para tudo, por dis- 
posto, prevenido. 

106, — Aproprlar-se, arrosar-ffei 
attribulr-se. 

EitM trez palavras significSo tomar alguem para si 

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AAD 77 

¿por sna propna aotoridade qitalqaer direito oa proprie^ 
dade qiie pertence ou póde perlencer a outrem. 

Apropriar'te indica fazer proprio, converler em pro- 
prledade nossa, tomar como tal o que nos nao pertence. 
árrogar-$e significa exigir com altiveza, prelender com 
ínsolencia, e até com certo menoscabo dos outros, cousas 
que nos nío s3o deyidas, nem de conceder. Jitrihuir'te 
éprelender uma cousa, apoderar-se d'elia por sua propria 
autoridade, dar-se por causaeautor d*ella. —0 cubi^oso 
appropria-se uma cousa por interesse, o vaidoso se a 
arroga por audacia, o invejoso se a atriiue por amorpro- 
prio. O que se apropria faz-se com damno alheio ; o que 
se arroga, com menoscabo de outrem ; e o que se attri-- 
hie, com a exclnsSo de alguem. •— Parlicularmente nos 
apropridmoe o que nos serve ou póde servir, e de conse- 
guínte todo objeclo de utilidade; arrogamo-no$ o que nos 
desvanece ; e attrilniimo-nos os objectos de consideraf;So 
qne lisonjeSo nosso amor proprlo. —Attribue-se uma 
ac^So honorífica, uma obra sabia, nroa iiiven^Io util; 
mrogaO'Se títulos, prerogativas, preeminencias ; apro- 
priüo-$e alfaias, moveis, herdades. — Disputa-se mtiitas 
vezes a propriedade do que alguem se attrilme ; nega-se 
oa recusa-se o que elie se arroga; e reclaifla-se o que ou* 
Irem se appropria. 

107« — ArileF) inllamar-sey incencliar-sey 
abrazar-se, €|ueimar-se. 

ExpllcSo estas palavras osdiíTerentesgráospelosquaes 
póde passar um corpo combustivel desde o inslante em 
qne Ihe pegou fogo até que foi inteiramente consumido. 
— Qiiando penetra o fogo num corpo combustivel , e se 
maniresta á simples visla, diz-se que arde ; quaudo se des. 
envolve a chamma, inflamma-$e; quando levanta labareda 
e se propaga com rapidez e fracasso, incendia-$e; quando 

corpo que deo alimento ao fogo apezar de compaclo 
está todo repassado d'elle e feito braza, abraza-$e; quando 

1 for^^a do togo ou do incendio devorou a materia com- 
kustivel e a reduzio a cinzas, gueimotfnfe.— Diíferenca-se 



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78 A« 

arder ée infUmmar em <fie o f rimcm) ^esígna a ac^^* 
ordinaria p^da qual o fogo sc apodera d'um corpo e o vai 
«onsumíndo, e o segundo.dcsigna a for^a com que a sttpcr- 
ficie d'esle corpo arroja dc si o fogo que a pcnclra, c ap- 
plica-se particularmcnle ás malerias liquklas c rcsinosas 
^e por isso sc ciiamao infíammaveU, — O incendio sup- 
foc um grande fogo que despcdinéo chammas se commo- 
niea aos corpos vizinhos, e tomando ala faz rapidos pro- 
gressos. — Póde abrazrtr^se »m corpo sem formar laba- 
reda, lal é o ferro na fragoa.— Tanto pclo fogo ordinario 
ecHDO pclo inccndio se qneimño os corpos quando depois 
de consumido o que da^a alímcnlo ao fogo restSo sómcnte 
06 rwiduos incombustifeis. — Os qnatro primeiros termos 
tomSío-se no senlido figunnlo pouco msHS ou mcnos com 
«8 mesmas differen^s. 

108. — AreiiKAi prAtlea^ fiAlla^ iHmfm^ 
dUiciurso, allocuf&ay iirraMinnenito. 

A ullima d'estas palams é o genero a qoe pcrtcnceQ 
como especies íodas as oaoipMifoes orttorias qne, se» 

fundo a contexlura, 06 fios eas drcumstandas, tomlo 
ifferentes nomes e téem entre si algumas differen^as. 
Tudo que se diz de Yiva ?oz a um audilorío mais oa 
menos numeroso, com o fím de o conyencer e persuadir, 
OB de o exoilBr a algmna ac^o ou empreza, é um ar^ 
razoamento^fw isso qne-tc razoa e seempregSo razdes 
para conseguir o fím que se descja. 

Arenga é uma especte de mrmoament9 oratorio, ani- 
mado e vi?o, que sc dirige a nm graode concurso para 
commovél-o, e mui commuouneate para animar os soldados 
a emprcbender denodados a bataiia«u qualqner perigposa 
empresa. — Are»§ehse lambem a corpora^oes respeila- 
veis, a pessoas eaúQCBtes , em not«rcis circDmstanctas. 
A aren^a dirige-se pots ao cora^So, coroo tendo por fim 
persnadir e mover. ^iire»<^ slo as quc os antigos ge- 
neracs iaziao a fluas tropas em vesperas de coitfbate, as 
miaes se devem attribttir antes ao artiSeio rhetorico dos 
Qiitoriadores e poeias i|iieieloqtt«icKa 4e -sens hcroes.-^ 



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▲Gü 19 

Em conlrario sentido fazem os gianocs conspiradoret 
arengasao povo para excilá-io á rebelliKo » como as qne 
^astío poe na boca de Calilina para animar e enfurecer 
a seus compiices. — Os sabios, e valorosos generaes 
acalmárSo muilas vezes , em perígosas e decisivas cir* 
enmstancias, as sublevacoes de seus exercitos com elo- 
(pientes e vehementes arenga$, -^ SSo arengas tambem os 
esludados e ccremoniosos discursos que, ao entrar um 
principe, um general, um conquistador, numa cidade, Ihe 
dirigem as cameras, os governadores e demais autori- 
dades como devida homenagem que se liies rende e jura. 

Pratica é exhorla(;So menos solemne e menos vehe- 
meote que arenga e só se dá de superior para inferior. 
A'8 Tezes corresponde ás arengas dos antigos generaes; 
taes sSo as que Jacintho Freire poe na boca de Goge Cofar 
e de D. Jo2(o de Castro, onde diz, fallando do primeíro: 

« Fez aos Turcos uma breye pratica, ;e do segundo: 

« Acabada a pratica » 

FaUa é termo vulgar que Tal o mesmo que prcUica no 
MSitido que aqui a tomámos; diz-se «om muita frequencia 
qne o Coronel fez uma falla a seus soldados, o general á 
sua tropa, o snperior a seus subdítos. Esta palavra é mais 
bem recebida no vulgo que arenga que eile quasi sempre 
toma no máo sentldo de raz5es longas ou ininlelligiveis« 
praticas imperlinentes, etc 

Do substanlivo os, oris^ boca, tirárlo os lalmos o verbo 
orare, que signifíca fallar, pedir, snpplicar, rogar, e d'a- 
qui oraiio, oraclo, qne em seu sentido reclo é um or* 
razoamento ou lociigSo disposta com mtelligejicia e arte 
para persuadir, mover e inieressar a unia pessoa ou «er 
superior a que nos ampare, i^vore^a, soccorra, ou nos 
perdoe as faitas que havemofi commeltido. Usa-se mais 
commmum e geralmenle em sentido religioso, como 
as orafóes que lazemos a Deos e aos Santos, as da Isreja 
segundo o ritual. Dizemos ora(&o domiaical, mental, vo« 
cal, ¡acuialoria. — Cbamárlo os latinos oragdes aos dis« 
cnrsos que compunhSo com o maior esmero para impor- 
tantes successos ou negocios publicos, como a paz ou a 
gnerra, a formag^o e approvagao de leis, a deíensa pe- 
rante o po^o de causas particulares em gue eiie dcm 



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^rí AKE 

decidir ; assim chamaYlo e cliamamos ainda hoje a estes 
arrazoamenlos mUWcos oraQóeSf como as de Isocrales, 
de Eschines, de DemosUienes, de Cicero. 
Porém aos que fazem os oradores modernos se Ihes dá 

feralmente o nome de discursos; laes sSo os de Pitt, de 
ox, de Mirabeau, etc. Assim que, o que os anligos cha- 
mavSo oralio^ e que traduzimos pela palavra oragáo, Ihe 
chamámos agora discurso no sehtido oratorio, entendendo 
por elle uma composi(;2o litleraria feita por qualquer de 
nossos oradores á cerca d*um importanle assiumpto para 
chegar aos fins que nelle se propoz, o que verifica por 
nma deducgSo de idéas, pensamentos, raciocinios coor- 
denados entre si^animados e engrandecidos por quantos 
meios subminislra a arte da eloquencia. 

Devemos notar que se as oragdes poiiticas de nosso 
tempo sSo da mesma classe que as pronunciadas por De- 
moslhenes na praga de Alhenas e por Cicero na de Roma, 
audiiorio nao é o mesmo, s§o diíferentes as circumstan- 
cias, pelo que soíTre grande modifica^áo a fórma orato- 
ria, e por isso é bem acertado que se conserve o nome dc 
oracdes para as anligas, e que as modernas se chamem 
propríamente discursos, Osantigos fallavSo a um audito- 
rio composto pela maior parte da rude e ignorante plebe, 
e tinhSo por conseguinte que dirigir-se anles ás paixoes 
que á razSo dos ouvintes, acommodando-se á sua rudeza 
e propondo-lhes provas com alguma prolixidade. Os ora- 
ílores modernos faI15o a um corpo escolhido, em cujos 
membros se deve suppor muita inslrucglo e intelligenciay 
e aos quaes bastSode ordinario ligeiras indica^oes'jC nSo 
é t3o necessario commover fortemente seu coragao, como 
illustrar econvencer seu entendimenlo ; e este é o caracter 
proprio do discurso. Além de ({ue os antigos fallavSo na 
praga publíca e diante d'um immenso geniio; e assim 
como Ihes era necessario levantar e esfor^ar muito a voz 
para serem ouvidos, tinhSo tambem que avultar e encare- 
cer os objectos mais do que hoje permitte a rigorosa 
exactidSo iogíca, quando se falla num recinto fechado e a 
oma concurrencia infíniiamente menor que a que enchia 
a grande pra^a de Athenas e o vasto foro de Roma; Nisto 
consiste, no nosso entender, a verdadeira diííerenca que 



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ARI Sl 

ha entre wa^áo e discurso. Naquella predominava a elo* 
quencia, nesle devc prevalecer a logica (*).— Usámos com 
ludo da palavra oracao para indicar cerlos discursos ora- 
lortos pronunciados'solemnemenle nos lemplos, como sSo 
arofóes funebres, gralulalorias, etc. 

Allocug&oé á'murso breve, ou falla dirlgida a alguem 
sem apparato oratorio. Diz-se ordinariamente do que o 
Papa dirige aos Cardíaes em consislorio por occasiao de 
idgum noiavei acontecimento que interessa a Igreja. 

^ 109. — Arido, seceo* 

Chamftmos com propriedade arido áquelle corpo qne, 
por sua natureza, se acha de todo privado das quaiidades 
Decessarias para que resulte a vegeta^So, e nSo precisa- 
mente aos que carecem de humidade, pois as cumiei- 
ras dos montes ainda que frequenlemente cobcrtas de 
Devese regadasde chuvas, nem por isso deixSo de ser 
aridas. D'ellas se derramSo perenes arroios e alé cauda- 
lososrios; penelrSo pelas fendas de suas penlias muitas 
aguas que, rompendo no sobpé ou vertentes dos moutes, 
correm pelas veigas, estendem nellas a fertilidude; mas 
isto n2o impede qiie sejSo incapazes de vegela^io pelo que 
Ihes perlence o nome de aridas,e ássim mesmo chamaremos 
ás terras areenias e pedregosas, que posto que neilaschova 
carecem das qualidades necessarias para a vegeta^o. 

Seceo significa o corpo que tem pouca oa nenhnma 



(*) Os AtbenienMS chamaTSo i pra^a pnblica, e i assambléa do pof* 
qne ali se reunia, d^opá. d'esta palarra fizerio o Torbt dyopiuu^ qtw 
rfgniflcaTa lallarna praca, arengar ; aoqae faua as areogasao poTocha- 
■MTÍo ^ftyrí^poi, orador, de It^ixot poTO, e áyopiuoi , fallar ; a uma 
arenga feita ao poTo daTlo o nome de Irifirr/opioi, arenga, discurso ao 
poTO. Baot demais diseursos em geral chamaTSo ^^os ; e d'esta pala- 
Tra Tcm logiea, que apezar de a termos como um substanUTO é a Ta- 
riicio feminina do adJecUTO grego Xoytxós , 17, ¿y, deAóyo;, eon- 
c*rdao4l5 com lubstantivo subentendido xixyri , ar te,o que Tea 
a dker «r <• d^d eorrer, por isso os nossos ant/gos Ibe cbamaTÍoeom 
riBÍowte. 



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•2 4Rft 

humídade, 4Ni «€|a naUirai ou accldentalmente. Arido^ 
tanlo no sentido proprio cohu) no fígiirado« é o opposto 
de fecundo e iilo de liamido^ pois átsitotseceo* 

Como estas palavras téem l^astantes applica^5e8 no sen* 
tido ñgurado, diz-se em litleratura, taUando d'am as« 
sumi)to que nlo presta nem dá motiTO a nenhuma idéa» 
oue é um assumpto aridof éo mesmo modo qae, fallando 
d'uma roclia, que nlo preseiUa nenhum assomo de Yege« 
taglo, dizemos que é arida. — Diz-se que é netoo «m 4t8« 
curso quando carece d'aquella gra^a, fluidez e amenidade 
que dlo viveza e esplendor ao discurso, penetrando em 
nossos animos qual o brando orvalho se embebe na terra 
t commmiica vi^o e loetania ás planAas. 

110. *— Arguip j mmmmmtfj •rlmliiap. 

Arguir alguem dealguma cousa, é aotar-lhe dcfeito, 
reprehend¿I-o com razoes. — Áccusar é deminciar alg4iem 
como criminoso, impuiar-Ihe erime. — Crimimr é dizer 
on declarar alguem autor d'um crime, dar-Ihe €ulpa, de- 
tieto ; pronunciál-o por criminoso ou réo. 

Póde um homem ser arguido injustamente ; póde ser 
(icciisa¿/oalei?osamente; mas nlo póde ser crimiohmlo íari* 
ücamentesem provas que « coaveo^ áterime ob de- 
lcto. 

111« ^ ApjPASUPy deprlbu» , iieTaistap. 

Arrazar é. como o diz a palavra , pdr alguma cousa 
rasa, ao niveí do chlo, e exlcnsivamente deitar por lerra, 
Afto^etiur pedrt «obre pedra. — Dtrribar ^, segnndo a 
ior^ da palami, ddtar de riba para baixo, deitar por lerra 
o que esiava ao allo, levaoiado, em pé; e eslensivamenle 
arruinar, donolir. — Uetasiar é, segimdo a origem la- 
iina {pastus^ deserto, ermo) ^leixar vasio, deserto, e ro- 
duzido a solidlo um lugar; e ^teasivamente desalar «m 
reiDO, uma provincia, etc. 

ÁrrazavSío^ os palacios dos grandes qosoidoterlo de- 
capitados por crime de alta traíglo. — valente áerrika 
fraco na luta. — Os exercltos ininigos d€«as(Co •os 
paizes onde enlrlo. Yeja-se Deslrnir. 



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ABR 83 

112. — ArPMiary afnroniap^ enrarapy 

cicíiVrezap. 

hñ primeiras tres palavras sSo rerbos formadoft doi 

snlistaotiYOS rosiOf fronte e cara; em sea sentído recto 

▼alem o mesmo que pdr o rosto, a fironte, a cora ianto, 

OQ em írente de alguma cousa ou pessoa, e n2o as lemer 

amdaqnescySíocapazes de ínr(indirtemor;epodemdizer- 

se perfeitamente synonymas. Porém no sentido figurado, 

em qne sSo mais usadas, s2o expressoes de yalentia, de- 

nodo e deds2o, que demostrSo um animo esfor^do, que 

nem foge o perigo, nem teme a morte, e admittem certa 

grada^o, que conv¿m indicar. — O que encara o ini- 

migo presenta-Ibe a carOf nSo foge nem se acobarda ; o 

q«e o arronta^ b2o só llie foz frente, mas,.se^ndo parece 

^iwti a palavra rosto (rostro de roetrum, bico, esporlo) 

Tira-se para elle e o acomette combatendo cara á cara; 

affrowta^o aqoelle que, com arrojo e Talor se lanca na 

peJeja^ nlo cara do risco a que se expoCi e leyanta a fronU 

altiFa sobrt seu adversario. 

JDesprezar tem signifícacKo generica de ter em ponco, 
nSo ozer caso, ter em neñbuma contaj etc. 

113. — ArieyiiiUitePy oCftclo^ proll«ofto« 

Fo9to<fiieapfltevra latina ar$ de<4|iieaiS'Íjemos arte^ 
venha por syncope da grega cy>iTií, virlude, todavia ella 
eqnivale a estoutra rixyn^ que entre os Gregos tinha mui 
lata signifíca^So pois abirangia toda disciplma em que se 
^vio regras e preceitos. A grammattca, a rbetorica, a 
poetica, a loglca, a dialectica, assim como a pintura, a 
ardülectara, a estatuaria, etc, erSo artee^ de lai modo 
ífot todas estas palavras, que tioie temos eomo sitbstash 
tivos, slo adjectivos substantivados pois represealSo a 
viriaí^rf feminina de ypafífjoiTotós , ¡nfxofmáí , jionxixós , 

Xoytxái , ^aXtxrotós , l^céypotvtmóf , ótpxntKxovtxái , Mfi¡fM«yXufOt¿i , 

toncordando com o snbstantivo feminino subenlendido 
r<x^ , arte. — Artes liberaes chamavSo os antigos as qiie 
•mavSo espirito eerio ciiltivadas por homens Uvres^ em 
tippos^^ ás qut só exerctSo os escrai os» mas hoje se «n- 



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tU ACA 

lendem principalmenle as em quepredomina o espinto^ 
como a pintura, a escuUura,a archileclura,a musica, etc. 
— Artes mecanicasou humildes, anligamenle sóde escra- 
vos, sío as que dependem do Irabaiho das mSos, taes sao 
lodosos ofíicios fabrís, a que os Gregos chama?3o x* í/5wva|é«, 
ou^ávauoo,- T<xv^.— Bellasar/e5 s2o asque nos suscitSo ao 
mesmo lempo sensacoes, senlimenlos e idéas agradaveis, 

Í|ue se prop5em imilar a natureza na sua maior per- 
éicSo, taes sSoa poesia, a eloquencía, apintura, a esta- 
tuaria, elc. 

Mñler^ do lalim mtn?5/«rtum, palavramaisusadaanti- 
gamente que hoje, é o mesmo que officio mecanico ou fabril, 
tal é o de ferreiro, carpinteiro, etc. 

Profi^sáo é aquelle modo de vida qne cada nm exerce 
publicamenle, e póde ser mecanico ou d'onlro genero. 

A arle faz o ariifice, o artista, o homem habil ; o officio^ 
o operario e jornaleiro; a prcfi<sáo, o homem d'uma 
ordem ou de cerla classej laes sáo os medicos, os cirur- 
gi5es, os bolicarios, etc, que nem se ct\'¿m^o ariistas, 
nem s3o homens de officio. — Oofficio requer um trabalho 
material mecanico ou de m2os ; a profi^sdio um traba* 
Iho ou occupa^So qualquer ; a arte um trabalho de enge- 
Dho , sem exciuir nem exigir um trabalho material. 
Veja-sc Artifice. 

114. — Artleular , proferir» prouuneiar, 
fallar. 

Arficular é pronunciar clara e distinctamente as syllao 
bas ao juntál-as ; proferir é pronunciar as palavras em voi 
alta ; pronunciar é expressar-se ou dar-se a enlender por 
meio da voz. — homem é o unico animal que profert 
palavras porque é elle o unico que goza do dom de fallar 
para expressar suas idéas. Ha aves que articuláo perfei- 
tamente syllabas e palavras inteiras. A dKferen^a de cH- 
mas e de costumes faz que os babitantes d'uma regiSo n9o 
possSo pronunciar o que outros pronunciáo com sununa 
focilidade. 

Grammaticalmente fallando, articular s& se toma em 
sentido pbysico para expressar a ac(áo de instrumenlo 



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ART 85 

▼ocal. Proferir nSo presenta outra ídéa physica mais qiie 
a de faUar em termos que seja ouvido e comprehendido 
aquelle que falla; porém com uma idéa moral de mten* 
^50 e de atten^io. Pronunciar usa-se em differenlps sen- 
lidos, porém com diversas relagocs, já physicas, já mo- 
raes. — Ha articuljgoes forles e brandas, linguaes, labiaes, 
palataes^ etc — NSo basta articular clara e dislincta- 
mente, e necessario pronunciar bem, islo é, fazer soar as 
palavras como fazem as pessoas bem criadas e doulas. — 
Diz se proftrir blasphemias, doestos, etc, segundo se 
.quer desip;nar a forga ou valor que se intenta dar ás pala- 
vras ou á liarmonia dasvozes. — D izemos pronwnctar nm 
discurso, pronunciar uma sentenga, para demostrar a 
solemnidade do actoouaauloridade da pessoa. 

Fallar é dizer palavras d'um idioma, e nesle sen*¡do sc 
diz que falláo algumas aves a quem se ensina a pronun" 
ciar palavras ; laes sao os papagaios e pegas. Tambem st 
diz que eslas aves articuláo. — Fallar^ tomado em sen- 
tido mais rcstricto, signifíca manifeslar suas idéas por 
meio da falla, e neste sentido nSo diremos já qtie as aves 
falláo ; porque nSo exprimem suas idéas com as palavras 
quc pronunciao, — Articular usa-se tambem neslc scn- 
tído, e signifíca pronundar dislinctamente as palavras 
qae juntas formSo ou exprimem uma idéa. 

115. — Artillcey aFtlsitt, operarlo, 

As duas primeiras palavras s9o derivadas dear^, qne s6 
differem na termina^So e na signifíca^So convencionai 
que modernamente se deo á segunda ; a terceira vem de 
opera, obra. — que exerce uma arte mecanica chama- 
se ariifice; o qne exerce uma arte liberal ciiama-se ar^ 
tifta; que vive do trabalho manual chama-se operario 
(Veja-se Arlc). — Entrc operario eartifice deve dar-sea 
dineren^a que vulgarmenle se dá enlre official e mestre 
de officio. Estes raramente saem da rutina mecauica que 
aprendérSo; nSo ñssimoartista, que, inslruido em todat 
as materias historicas, philosophicas, que se referemásua 
arte, emprega seu talento a tirar resultados novose cada 
Td mais perfeitos de seu trabalho e applicac3o. 



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86 ASP 

116. — Arvorcjado, nento] 

A prhneira é palavra moderna, miiUo bem derivada de 
ortjore, e signiGca lerreno em qiie ha arvores, quc n2o é 
ealvo. A segunda é poetica e alatínada, qae vem de nemus^ 
bosque, niata, floresta ; e com a circumslancia da termi» 
oa^ao abundanciosa, oso, designa terreno c<^erto de 
inatasi em queha muitrs bosques t floreslas. 

117*^ Jtseo^ Mca. 

Asssim como a terminaQSo distingne o genero nestas 
duas palavrasi assim tambem d^ella depende a difTerenQa 
•que enlreellas existe. — Aéco é a allera^So do eslomago 
que nos causaalgnma cousa que provoca o vomito, o nojo 
« ecido qtt« nos causa o que é hediondo. — Asca^ que é 
^4i$co em sentido fígurado, é a aversSo, a má vontade que 
lemos a alguem taivcE com desejo de Ihe fazer danmo. — 
A primeira diz^ das oousas, e a segunda das pessoas. 
-— Homens ha que téem asca a pessoas benemeritas, e 
neRhum asco téem a cousas ascorosas e hedionda& 

118, — AflypMto» Tiste. 

A iMa nio é maisipiea ac^9o material dos olhos sobre 
iim objecto ; o aspecto suppoe no objecto divers >s modos 
ée ser vista. — Pode #er-i»e uina couia de fronie, áe lado, 
^Aor detraz^ de alto a baixo, de baixo para cima; senmre 
i a mesma eousa que se v4^ aiuda f ue de diíüerenles modos. 
t que eiiaoiámos aspectos. Para julgar bem as eousas, é 
Ottster télHis debaíxo de todoa os oipectot. 



119. — Aspinmpy iNretendcv* 

Cftas doas poltvras mdidío os esforQos qne se Umam 

ara flbegar a un cousa, para obté!-a. A primeira desigBa 

•^e esles esforeos se achio susiklos num verdadeiro ie* 

^jo,et segmm que se apeiio reai ou primeírameote 

oos direitos, BcrilOB ou jfmAÁ^ qjo» tlgoem evé tar. — O 

• 

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ASS 87 

homem que ü^ra a ler tKniras fáz esfor^ proporciónt- 
do« a seus deseios^ e o fue pretende houras, é porquese 
julga credor a ellas. — aspirante a aJguma cousa vaie- 
se |>ara lográl-a de astucia, deartiíiclo, e de quaBlos meios 
Jhe suggereoi seus Tioleulosdesejos ; o prettmáenle mani* 
feata francamente seus direilos, sejlo be« íundados oo* 
ji2o, e procura fazél-os vaien — O que u$pira aíflige-se, 
abale-se se n2o consegue x) que deseja ; o qoe preiende fica 
desconlente, e queixa-«e 4a l^juirlida foe emeBde se 
liefcz. 

120. — Amaltar* aecoiniuetter* 

Lan^-se sohre ailgnma pessoa on cousa para fazer-lhe 
damno^ é a idéa quepresenta a synonymiad'estas duas pa- 
lavras ; com a dilferen^a por£m qne ügsaltar signifíca ar« 
rojar-se atropellada e repentinamente^ e aecometter íazél-^ 
abeilamente e sem sorpreza alguma. — Ássattar suppoe 
me inimigo está on se cré seguro ; accometter que lem 
ror^as e está prevenido para resistir. Assalta'Seumi^mpo 
inlríncheirado on nma fortale^a bem guarnecida; a^- 
eommette-se o inimigo em campo razo, e Irava-se comelle 
a ^eleja — Commnnunenle faliando nao se necessita que 
faaja muitos para asstUlar^ pois basta aceommetter impe« 
toosamente e de improviso a pessoa on cousa. Um cami^ 
nhante é assallado por um ladrSo, o qual instanlanea- 
mente o intimida, sujeitaerouba. ladrto o accommetíe^ 
«e Ihe sai ao encontro e Ihe pede a bolsa ou a vida. 
A tempestade assalta^ porque sobrevém subilamenle e 
aem ier esperada. 



121.— .JUwawlm^ iMitadUir, lioiiil«Ídhi. 

Estas trez palavras, em senlido genwico, algníficio o 
^e mata a um homem ou a varios, consistíndo a diíTe» 
renca só no modo de execuül-o. 

Entendemos por matador aquella creatura racional oa 
irracíonal que, de qnalquer modo qae seja, •oom culpa oa 
sem ella, mata ou priva da vida a outra ; é pois voz geaerica. 
Porém drcumscrevendo-nos ao homeffl e aufli fiicto «ri^ 



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88 AST 

minal, diremos qne é matador o que com premedtta^k» 
mata ontro, sem que liaja mediado rixa nem duello 
algum. — Ao que matou ou pensou malar á iraíQlo e com 
▼antagem a um que estivesse indefeso ou a outro mais 
debil que elle, chamamos-lhe assastino, — Homicida é o 
que fez uma morle involuntariamente ou no caso de naln- 
ral defensa. — assassasino éum cobarde, que tem medo 
demedir-se com seu inimígo •, otna/atfor um furioso qae 
mata só pelo barbaro prazer de matar, ou talvez por estar 
pago para isso; o homicida inyoluntarioé um desgra^ado 
que merece compaixSo. 

122. — Astroy estreltey eonstellaf&o. 

Astro é palavra geral que designa todos os corpos ce- 
lestes, islo é, o sol, a lua, os planetas, as estrelias e os 
eometas. Estrella designa os corpos celestes que sSo lu- 
minosos, que téem luz propria. ConstellaQáo é o ajuuta- 
mento de certo nnmero de estrellas, ao qual se attribue 
uma fígura e se dá um nome, para o distinguir de outros 
da mesma especie. 

ImagínárSo os astrologos que os astros tinbSo influxo 
no genio, temperamento, inclinac5es "e alé na sorte dos 
homens ; e ainda hoje na linguagem poetica, e na cren^ 
▼ulgar, se conserva a mesma opiniSo. — Muitas vezes 
estrella vem a ser synonyma de destino ou sorte. Alguns 
autores crérSo qne todos temos uma esirella que nos guía 
ou domina, sem que Ihe possamosresistir. Dizseuma boay 
má, reliz,desgragada es/re//a. Porém sempre quese trata 
d'um influxo devemos empregar a palavra astro, assim 
como a de estrella qnando se falle de sorte inevitavel. -*- 
Constellapáo só se usa em linguagem astronomica. 

123. — Astrolostoi Mtronomla* 

Duas palavras gregas, formada a primeira de amS/», 
astro e ^oyós discurso, e a segunda de avTti^, astro e vó/ao«, 
lei, regra. Parecem signiflcar amhas a sciencia dos astros 
e das leis de seus movimentos ; o nso porém poz entre ellas 
nma notavel differen^a. Entende-se ^rastrologia a sop- 



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AST S9 

posU arte depredizer es futuros aconleciinentos,Ta1endO' 
le para islo doaspecto, posi^So, influxo dus astros, e se 
ebamava comniummenle agtrologia fudiciaria, Asirono' 
mia é termo mais moderno e designa determínadamente 
a verdadeira sciencia dos astros, que consisle no esludo e 
eonbecímento do ceo e dosphenomenos celestes, do curso 
e movimenlo dos astros, etc. — ostrologo conla o qne 
imagina on julga sem fundamentoscientiíico, busca e acha 
appiauso no nescio Tulgo ; o astronomo funda-se em ral- 
culos que nSo falhSo, díz-nos o que sabe, por isso mereoe 
a eslimadossabios. 

124« — Afltuctoy subtileza, ardll, 
artelrlee^ «ai^aelilade* 

Em sentido recto e malerial se chama súbtil um corpo 
del^ado, delicado e tenue, e de conseguinte a suhiileza 
será a delgadeza ou tenuidade d*este corpo. Em senlido 
metaphorico chamámos, por anaiogia, subtil ao homem 
agudo, engenhoso; aos pensamentos ou dilos mais agudos 
que solidos, liies cham^mos sublis ; como tambcm dize- 
mos subiileza, por perspicacia de engenho, e subtlHzar 
quando se discorre engenhosamente sobre um assumpto. 
— Póde-se pois defínir a subtileza^ em sentido moral, di- 
zendo que e a qualidade d'um lalento perspicaz, o qual 
examinando meudamente as cousas, observando as diflTe- 
rentes partes de que se compoem, as rela^oes d'estas 
parles entre si, ou com o todo e com as circumstancias e 
objectos exteriores, chegaa conhecél-as d'um modomaii 
claro, positivo e exacto que aquelles que nSo goz3o d*esta 
qualidade; tendo sobre eUes o que é dotado dc engenho 
fuitií avantajem de poder-se dirigir melhor em todos seus 
pensamentos e ac^oes. — A subtileza é pois uma quali- 
dade boa em si, uiil eapreciavel, mas viciosa e detcslavel 
qnando se usa para máo fím. 

A astucia é uma subiileza manhosa, qne de ordínario 
se e^nprega era fazer damno e frandar. Algumas vezes 
tambem se toma á b6a parte, como se vé d'aquella sen- 
ien(adeCamoes: 



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0© ^íi^ 

Pwkto «al Cftn^o, atiueU e iii<k 
Sa lá áa§ céos m&o ▼em ceMe aviso. 

ardti é a astucia com iine se quer Jograr algam w* 
tento, e se verifíca de^lmnbraBdo e eugaAando, e sobre 
(ado cobriodo com fingidas apparencias o maique sequer 
fiuer. — A astueia occulta suas iateii9oe&, o ardil seui 
pissos e aeus meios; a aslucia adianta, sustendo-se na 
9ublüeza;oardilf oo disfarce com que procede. 

Krteirice é palavra antiquada que &ignificava oiiueia 
má, enganosa, fraudulenta} sempre se tomaya em iñá 
parle. — - A arteirice consiste especialmente no artificio 
e menlira com qne procede o arfetro. — O astuto, quando 
está seguro de coiMlañr4e a leudamno, fingpe que te guia 
a teu bem; o arteiro leva-te por veredas obliquas, que te 
^ desconhecidas, e nellas te arma la^os e prepara embos- 
^as. 

A sagacidade é a peneira^o de espiríto qne consiste 
em descobrir o que é mais difficS e occnlto nos nego- 
cios, eic. ; iambem significa a astucia com que se inyen- 
tSo e traglo os meios de consegtiir alguma cousa, e se 
pressentem os embaracos e descobrem os meios de os 
atalhar. 

i25«— - J^temo , pffrttenla. 

Atomo é palavra grega, érpfnki (de « e Tt^vw) esigniflca 
eorpiisculo indivisivel. Partieula é palavra latina, dimi- 
Mriivo de pars. Uma e outra tndieSo aspartes mais peqne- 
■as docorpo, que jaiftas o compdem; porém cbainSo-se 
particularmenie atomos aqadtas partezinhas que sfippo- 
mos nio podem ser já dlvididas ; e por parUeulas se en- 
tendem commummenie as por res mais peqnenas dos eorpos, 
eonsideradas eomo abslradiidas d'esta propricdade. 

126* — Atralillimto « nielancolleo. 

Estas dnas palavras, poslo qae cada ama d'eüas de saa 
lingua, téem o mesmo valor eiymologico; pirqueofra- 



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m 91 

biiii é palSTralalina formada de ater^ cousa negra, e bilii^ 
bilis; e mdancoláa é paiavra^c^ficiayxo^»f formada 
éti^i^oi , cousa negra, preta, e x»^^» bilis. Ambas perten- 
ütm 'eoi rigor á^medecina, raas nt w» nitgar da lingiii 
ton cada uma é'elias aignifica^o ignrada qae as £•- 
ÜBgneentftsL 

k ntekmcalia énma grasie « permanente tristeza, ^m 
M n^gos atlrilMiíSk) á bHii neffroj pda qual o vukmoe^ 
Um viTe Bum éesgoAto e eftfiído coolinuo. Esta palavra 
gfo «pr^esia mDa idéa tio forte t exagerada como a de 
mrabiliario, pois ha muitos gráos de melarmolia, algon 
dos quaes é t2o débil que nada desagradavei ou damnoso 
apmoitai; vm a «írcMt# é aenpre «m lerrivel e pre- 
jndiciai doen^a. 

O meUmeoUeencbMñ ét erdinarionam estado de lan- 
giBdez e desaisofsego, ^ «ó Tem a di#eren^-«e ás 
feses do estado ordinario da Tida por careoer d'aqoeilfa 
alegria qoefiasce do oontenlameníto emque nos achámos 
de noeso raode de ser- , bms « aíraMUmio aoba-se niira 
eüado de ai^Bstia e inquiela^o que em nada acha gosto, 
e tmáo Ihe causa ledio'e alMrreclmento. k tristeza do me- 
ianeMeo o Taz sorataio e tílencioso; a do atrabiliariB^ 
feroz e eomo desesperado. — €ompraz-ee • mekmeoHco 
tm exercer suas facnldades mentaes na contempla^ e 
nwdita^o das consas serías, a qiial llie faz adiar certo 
prazer e agrado na soKdlo e no recolhinenlo dentro de 
si mesrao para gozar, ^r aasira dízer, do suave senti- 
mento de saa ^isiencia, fugindo da turbulencia das 
paixoes e dos prazeres tanNdtnosos que viriSo «erturfoar 
odoce somno era que pareee Ti?er. Ihsse vm pnilosopho 
qoe a melaneolia era 4tppeti$ésay e asshn é, que cttsta 
miito aarrancar o melameeliúo de snas solilarios medita- 
($es. — Nada agrada ao airahiliario ; nem em sociedade, 
nem comsigo mesmo p6de viver : aborrece alé sna pro« 
pria Tida. — Lentanente acaba sens dias o meianeoHeñ 
cansado de soffi*er; o aftrakHiario ás Teaes dá-se a morte. 
— Adoen^ do «IroMiario v<era a ser a mclanooUa levad^ 
aownniaiorange. 



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ATR 



127. — AtrAzy apé«) depoltt. 

Atrá indíca a poBteridade de lugar d' oma pessoa mi 
eousa respectivamenle a ouira, tanto no estado de quieta- 
^3o como no de movimento. — Após tem o mesmo valor 
mas só no estado de movimenlo. — Depois exprime a 
posteridade de tempo. Mas como entre as idéas de tempo 
ede lugar lia alguns ponlos de contacto, toma-se o termo 
depois em alguns casos com a significa^So de apó$ Ott 
atráM. 

128. — AtreTlmentOy ouMdla^ arrojo» 

atrevimento suppoe umaresolu(2o davontade,acom- 
panhada de confían^a em nossas proprias for^s, por 
consegiiir um fím arduo. — A ousadia suppoe o desprezo 
das difficuldades, ou riscos superiores a nossas forcas, 
porém acompanhada d'uma excessiva confíanga na for- 
tuna ou na casualidade. — O arrojo n3o suppoe nenhum 
genero de confían^a, senSo uma cegueira com que leme» 
rariamente nos expomos a um perígo, sem examinar a 
possibilidade nem a probabílidade de sair bem d'elle. 

Um toureiro é naturalmente alrevido. e o deve á fnn* 
dada confíanpa que tem em sua habilidade e ligeireza; 
porém se, apartando-se das precau^oes communs conhe« 
cidas da arte, se empenha, por vaidade, numa sorte arris- 
cada, dizemos quetousado^ porque despreza com exces-^ 
siva confian^a um risco superior aos meios, que pódo 
naturaimenle empregar para sa!r bem do lance, enlre- 
gando-se demasiado á fortuna ou á casualidade. Se picado 
dos desprezos do concurso, cego de colera e despeilo, 
expoe temerariamente sua vida mima sorte contra toda 
probabílidade de sair bem d'ella, dizemos que é arrojado^ 
que é um arrojo o que faz, porque nSo o move a isso a 
eonfíanca que tem em sua destreza, nem o que póde dar 
de si a fortuna ou a casualidade, senSo uma cega precipi- 
tac3o,que Ihe faz preferir, naquelle momento, a probabi- 
lidade de fícar morto na pra^a á vergonha de ver-se 
deaprezado e escamecido. Yeia-se o artigo seguuile. 



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ATT 9S 

129. — AtreTliHento) arrojoy audaela, 
desearo. 

Posto qoe atretimento tenha a srgnífíca^So nobre que 
acab&mos de ver, com liido toma-se qiiasi sempre á ma 
parte, como ac^ao despejada para mal, faltando ao res- 
peilo, ao deveri elc. mesmo se diz de arrojo, que é um 
airevimento arrojado, 

Audacia é o mesmo que ousadia segundo a etymolo- 
gia, pois ambos vem de audeo, ousar ; mas, como palavra 
:uUa, parece conservar mais a forga que tinha na iingua 
«atina em que representava, segundo Cicero, a ac0o em 
que um homem se expunha ao perigo por vaidade ou ca- 
pricho e náo por utilidade commum. INo sentido moral é 
o mesmo que despejo, ou atrevimento descomedido. 

Detcaro ou descaramenio é mais forte qtie as prece* 
dentes tomadas em sentido moral ; nunca se toma em boa 
parte senSo em pessima e deteslavel, equivalente de desa- 
vergonbamento, impudencia, desaroro, falta absoluta de 
peio, de respeito ainda com as pessoas de maior conside- 
ra^áo. 

O atrexdmento e o arroio suppSem valor e seguranca, 
a audacia eleva^So de icíeas, o descaro falta de morali- 
dade. —Descaro diz muilo mais que audaciaj e audacia 
ás vezes mais que arrojo. homem descarado nSo tem 
moraiidade aiguma; o audaz carece de respeilo e de re- 
flexio, assim como o arrojado de temor.— O amorda ver- 
dade póde levar-nos alguma vez a fallar com atrevimento^ 
e ainda com arrojo, mas nSo deve nunca degenerar em 
audacia, ainda menos em descaro que só é proprio de 
gente desavergonhada. 

130« — Atteuf&Oy reflex&Oy pereepf &o« 

. O acto pelo qnal a nossa alma atienáe a nm objecto e 
basca connecél-o e considerálo, chama-se a/leripáo, se 
o objecto é exlerno, como os corpos ; se o objecto oii ob* 
fectos sSo internos, como as idéas, ou as varias modifíca- 
tdes da coQSciencia, chama-se refíexáo. — A percepg&o é 



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9% 4Ti 

a fuculdaae de perceber os objeclos reaes, como defineni 
09 philosophos modemos. Differe das duasprecedentes em 
que esla é faculdade primaria, pela qual alcan^ámoso con- 
cebimcnto da verdade ; as oulras sSofaculdades subsidiarias 
A differen^a que sc dá enlre a percepgáo e a reflexáo^ 
wgundo Rosmíni, é esta. A percepcáo limiia-se ao ob- 
jeclo percehido, n2o vai fóra d'clle; a refíex&o ao contra- 
rio é, como esta dizendo a palavra (de re e flecto^ dobro 
legunda ycz), um redobramenlo da mínha atten^Io sobre 
as consas percebidas; d'aqui vem que elle nSo se limita 
aos objectos de cada nma das percepgdesy mas póde dif- 
fundir-se sobre mvAiaspercepgdeSy ao mesmo tempo, e de 
muitas percepgoes com suas rela^^oes fazer um só objecto. 
A reflex&o pois respectivamente á percepgáo é gcral, pop- 
que lem por objecto quantas percep^Óes ella quer, sendo 
que a percepgño a respeito de sua reflexáo correspondentc 
e particular. Assim que a refiexSo poderá chamar-se uma 
percepgSo geral^ islo é uma percepdío de muitas percep^ 
pdes. Qtrando penso no estado do minha menle, e passo em 
rezenha as ideas que nclta se achSo, á cerca de tal ou tal 
objecto ; quando dtgo em mím mesmo : « Possuo estes co> 
nhecimentos;t ctuando disponho d'estes meus conheci- 
mentos pelo raciocinio, osponho em ordem, os comparo, 
deduzo uns dos outros, etc, entSo é qne eu reflicto^ e a 
minha reflexño será tanto mais importante qnanto for 
maior t mais atorada a contensSo de meu espirito. 

131. Attentado, evtme, ilelleto. 

D'estas treipalavras a mais generica é deliciOy qoe in* 
díca transgressSo de derer quakpier ac^So ou commissio 
externa, imputavel, contra as leis humanas. — Quando o 
delicto demanda a vindicta publica, eécomo taldesignado 
Bas kis criminaes, e ^r «las piuüdo, toma o nome de 
erime. — Quando o crt/weé um excesso grave que oííende 
Bs cousas mais sagradase respeitaveis pertencenies á ordem 
Social,chama-sea/íenfa¿Io.^Um roubo, uma trai^So, sla 
trimes; opprimir a sens concidadSos, commetter nm 
assassinato, tirar a-nm marido sua mulher, um fílho a seu 
(ai» s9o grandes attentadoi contra os mais sagrados di- 



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ATX M 

reiiM ésMAiiresa e da^ soeíedade. — Vem todes oBcrimés 
8Ío atlentadoty porque nem lodos altentSo aos direltos 
Miaes; porta todos os atimtadoi 83o críme^ porque 
eoiiiiDOveiQ a sociedade em seus prhictpios fundamenlaes. 
O fazer Vrmqío a om amigo é eriin% o dar-Ilie morte é 
attmtado, e assini será este um erime atroze o maiseon^ 
tfario á ordm pnblica. 

132. — AUemtmtf , eertlflcar. 

Por estes doos modos póde lunft pessoa mostrar qiie 
está certa d'nm facto e qner que os outros o acredílem; 
mas aqueUe que attesia falla como qiiem foi leslemnnha 
de vista ou de ouvido ; e o que certífica dá testemunho da 
certeza do faclo sem declarar a origem da certeza. Quem 
attesta certificay mas quem certifica nem por isso at- 
testa, porqne póde nlo ter sido testemunha do faclo. ^ 
Uma autoridade pubHca, nm superior, attesta que um 
empregado, um suballemo é homem honrado, tem bons 
costumes, cumpre exactamente os seus deveres, porqne o 

Sresenceia ou esiá d'isto informado por seus immedialos. 
ím magistrado, um parocho um secretario d*uma rej>ar- 
tí^So, cerlific3o a verdade d*um facto que se acha regis- 
trado em seus livros, sem que fossem testemunhas d'elle. 
— O attestado ou attestagáo é uma recommenda(3o of- 
ficíosa a favor d*uma pessoaj a certidüo é um instrumento 
que faz fé e prova facto. 

133. — AtiMinm^y urbMtldade. 

Chamaváo os antigos atticismo á delicadeza e bom gosto 
na linguagem, qualidade que fazia sobresair os Atbenien- 
ses entre os demais Gregos ; no mesmo sentido o enten- 
demos ainda hoje. fallando de estylo culto ou esmerado. 
Tambem conservamos dos antigos a palavra urlanidade^ 
qoe indica a esmeradalinguagemda genie da cidadCyOU 
capital. Quintiliano diz quea urlanidade consisle em qne 
■s cousas que dizemos seiSo ditas em taes termos, que nSo 
hidt nellas nada dissonante. nem grosseiro, baixo ou tri- 



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96 ATT 

Tial, nem qne loqae com palaYras» phrases, pronimciA e 
tom de algumas proYÍncias. 

É mais exiensa a significd^3o de atiieismo^ pois eiMB- 
prehende lodas as gra^as d'um estylo ligeiro e correcto; 
sem embargo, o atticismo limila-se só á Unguagem, e « 
urbanidade se exlende ás ac(5es e maneiras. Neste sen- 
tido é que geralmenle se usa, e em rigor naquelle só se 
poderá usar failando dos antigos Romanos, de cuja cidade 
urbs vem urbanidade, assim com do de Attica á\x(x^ yeni 
utiieismo dtTTixtvfióu Yeja-seUrbanidade. 

134« — AttUude^ postura, yelto. 

No desenho. pintura e escnltura usa-se da palavra atti^ 
ludepara indicar uma postura expressiva; applica-se 
pois as flguras animadas quando s3o destinadas a expri* 
mír seulimeutos, paix5es, ou estados do homem. — es- 
tado do corpo relativamente ao lugar, o acto de estar, oa 
de se presentar chama-sepo«ttira.— Senpostura é apta, 
accommodada, convenienle para algum fim, bem lan^ada 
em seu ar, dá-se-lhe o nome de geito^ que exprime mais 
)ue postura e é m&isvulgar que attitude, 

A ditreren^a que hoje justamente se faz entre attitude^ 
qne é termo de artes, e jostura que é exprcssSo generica, 
n2o era conhecida de nossos bons escritores, pois Camoes, 
na magniíica descrip^ÍAO do gígante Adamastor, onde cer« 
tamente cabia bem a palavra attitude, diz : 

Orosto carregado, t barba esqutüda, 
Os olbos encovados, e a potlura 
Uedoohae mi 

{lus., V,S9.) 

E nas /itmaf , Ode 10. 

O gesto bem talhado, 

airoso meneo e a pottura, 

E Monsinho no Jffonso Africano, canto YIIL 

Ot olhof poi no campo, e diTlsavt 
Um mouro Dt fostura • segurtD^t 



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' ATT 97 

135. — Attracf Ao f t;rmirld9kAe* 

O autor dos synonymos da lingna portngueza dácoDM 
synony nias eslas duas palavras, mas é um erro maniresto» 
porque, segundo elle mesmo deflnei a attracpáo é uma 
furca invisivel qne ha na natureza, que solliciia todasas 
moieciilas da materia a approximar*se umas das outras 
debaixo de certas leís; e a gravidade é, como todos 
sabem, uma qualídade dos corpos que se sente e distingue 
por si mesma e que lambem se chama vulgarmente peso. 
Quc synonymia se póde pois dar entre uma for^a inti' 
iivel espalhada na natnreza, e uma qualidade sensivel 
ínherente aos corpos? (Yeja-se o artigoseguinle.) 

136. — AttrMfáo» sraTÍtafáOf oillies&o 
ou colaeoáo ^ aCttiililaile. 

Palavras scientiQcas com qne se exprimem as dífTerentes 
maneiras por que se manifesta essa ror^a ínvisivel qiie ha 
na natureza chamada attracgüo^ e a rela^So que os corpos 
on siias partes léeni entre si. — Quando elia exprime a ten- 
dencia que téem os grayes para osseus resneclivos centrus 
de gravidade, chama-se gravitagüo\ tal e a dos planelas 
para o centro de snas orbitas, que tambem se cliama at- 
íracgao planetaria. — A attracfáo qiie se dá quando os 
corpos se loirSo, esó tende a mantélos aduiiados, deno- 
mina-se adhesüo, ou cohesáo, A que se exercita sobre as 
oliimas mnleciilas dos corpos, rec^'be o nome de affíni* 
dade^ attracQáo ehimica, ou tambem attraeg&o decom- 
posifio. 

137. — AttraetÍTO09 embelleEO , 
eneantos. 

Assim como os corpos se attrahem mntuamente por 
onia for^a occulta que chamámos atlrac^áo, assim tam- 
bem os eiites animados téem certa tendeiicia ons para oi 
oulros com que se buscSo e dene jdo unir-se : nisto cob- 

II 6 



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S8 ^ 

tistem os attraelivos. A formosura, a gra^ no semblante, 
a meiguice na coa?ersa^ao/os cariBhos, agasalhos, affa- 
gos no Irato, sSo altractivos que conciliío os aflectos, 
aitrdhem a voatade, e mttita& vezes arrast2o o cora^o.— 
Embellezo nSo é palavra que tenha autoridade classíca, 
mas é roui apta^ e por ventuni necessaria, para exprimir 
o eml>ebecimenlo, a suspensSo do animo quando atteuto 
considera cousa mui bella e maravilhosa. É o eíTeíto que a 
formosuraproduzemnossaimagina{So,e ás yezes em nosso 
cora^So. — Os eneantos consistem principalmente uo en- 
gano e illusSko dos sentidos á cerca do objecto qiie nos 
encanta. — Os attractiwm inspirSo a ínclina^Io ; do em- 
bellezo nasce a desejo ; os encantos produzem o paix2o. 

138- — Attriliulr^ iniputar. 

Estas dnas palarras expriffiem a acfSo de appliear a 
alguem uma consa, dsndo-opor aoter d'ella; mas diffe- 
rencIO'Seem que attrihuir é dar alguem por autor d'uma 
cousa por mna pretencSo^vaga on simples asser^o, e im- 
putar é attriJbuirAWB applicando-lhe logo o nieríto on 
demerito da ac^So. Em geral diz-se altnmitr ílaJlando das 
cousas mesmas, e imputar faHando do merko d'ellas. — 
Attriiue'ie nma obra ao que se cré scr antor d'ella ; im^ 
puta-te nm faeto áquelle que cremos ser causa mais on 
menos remota, directa oo indíreeta d'elle. — Attribue^ 
a ruina dosimprios aos conqnistadorest porque obeg2aa 
compietál-a ; e deve imputar'^e aos máos govemos, por* 
que forSo a causa principal. — Os legisladores antigos 
aitrihuiño suas leisaos deoses com quemíingiSo estar em 
communica^.Amalor partedos-defeitos éosfiHuis podea 
imputar-se aos pais por nSo saberem dar-lhes boa eán- 
cagSo. — Algumas vezes attrihuimos as cousas com li- 
geireza; oulfas imputamo4ai arbitraria e eaprichosa- 
mente. Fara aíínftuir, basla que a cousa seja provavel; 
para imputar sao nccessarias provas. A opiniáo attrihue^ 
9 a pardalidade imputa^ — Attribuir loma-se indiffe- 
rentemente lantoem booi eono em máo sentido ; im§iitar^ 
•empreemmáo. 



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t39« — Ausmteittar^ 4ierMeiitep. 

O «egundo é o mdo, o primisiro é o rfsiihado. Para 
mngmentar acrecenta-n ; oerettntando $e augmenttL 
— j^ugmetiítei o nuinero 4os rivros da miiiha bibliothecay 
porque accreicentei Jdguns ^e me faltavio. E nao se 
tfiz: Jcreeentei o iHimero ée livnos, porqueo au§mentei, 

G (mgmento é sempre eíftilo da ad(líptio ou addíla- 
mefilD, € esle é o meto por <fue o augmento se veriflca. 
Vm nai^o auamenta snas rewta oiTaemlaMlo botis 
propriedades ás que já tínha. 

140. — A^iuitero , «erero ^ rlsoroso. 

A amUriéade oonsiAte em nos «geiUrmos a regras 
ligidas aa maneira ile mer, obserrttado-^is estreilameiite 
e sem d*eHas nos separannos. Ainda qne a aueieridade &o 
loma gerahneate en semidode aspereia e rigorosa vir- 
Inde, como UBibeffl 4e morüíca^io e poiitenciai sem em- 
boo'^o, como dcfMBdeiniiilas veBes do temperameftto edo 
geaem de nda qiie maitos nlo podério deixar de levar, 
aeoatece qne bomens qne nio faiem pro§ssio 4e virtttde 
€41110 sSo valf ados t¿em oostiwes mui rigidos e auiíeras^ 
— A4iusieridade aiiles ae refere a nossa conducta «on 
nós nesmoe, qoe oomosdemais; sem embargo, um genio 
^maler^ t rígido tan^Mn coAwna s¿I-o com lodos,« mais 
com os que d'elle dependem. La Bruyére diz, que um |>hi« 
losopho austero e oe genio aspero espanta a todos e fai 
como aborrecivel a vkrtude. 

A severidade exerce-se de ordlnario ariles com os de- 
mais que commosco ; bem que os homens seioeroi costu# 
mio £er pimtuaes e exactos no cmnprhnenlo de snas 
obríga^s. eeioero nio manlfesta condescendencia al« 
gnma. Se applicarmos esta palavra aos príncipios oo 
eansas, indTca certo caracter virtuoso, e se a applicarmos 
ás accoes indica exlremada rígidez, pouco conforme ás veze» 
com a equidade.— Muitos homens,sem serem ieeeroi com 
m outros, sSo austeroi comsigo mesmos ; em outros 
€accede o contrarH). N3k> oodémos deixar de admirar • 



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100 AÜT 

homem austero, nem de temer o seioero. — A austeri' 
iade chega a converter-se em habito, e a severidade o é 
por caracicr e principios. 

homem rigoroso tudoexagera, e nada contenla seq 
excessivo rígor. homem severo n2o se aparla niinca át 
seus principíos, ao mesmo tempo que o rigoroso os leva a 
um extremo mais prejudicial que util. 

A austeridade comsigo mesmo n2o é incommoda a 
ninguem , a severidade para com os outros póde ser obra 
da virtude ou do ▼icio, por isso sempre é temida; lodos se 
virSo contra o rigor pelos excessos a que de ordlnario 
arrasta. 

141« ^ Autor, cserltoi». 

Chama-se autin' ao que publica uma obra litteraria que 
elle compoz, pois esta palavra se refere unicamentc á pro- 
duc^So ou composi^Io d'um escrito. Sófallando deestylo, 
se-diz um escritor, Ha autores bons e máos, e o mesmo 
acontece com os escritores. No primeiro caso só se attende 
ao merito da obra ; no segundo considera-se o modo como 
está escrita. — D*aqui resulta queum mesmosujeiiopóde 
ser bom escritoro máo autor; isto é escrever corrccta- 
mente, com elegancia, e dizer cousas superficiaes c de 
nenhum merito. Ao contrario póde ser bom autor e nSo 
bom escritor ; isto é haver composto uma obra cheia de 
oteis investiga^oes e solidos raciocinios, porém escrita 
com estylo obscuro, sem ordem nem methodo, e cheia de 
crros grammaticaes. 

142« — Antorldade , poder, potestade. 

Toda a autoridade vem de Deos, e esta é limitada como 
seu poder. A natureza e as leis derSo ao pai autoridade, 
cm algumas na^oes quasi illimítada, sobre scus Glhos; um 
•oberano, segimdo as constituicoes dos díflerentes povos, 
lcm maior ou menor autoridade sobre seus subditoSy 
porém sempre limitada pela religilo, pelas leis, e pelos 
costumes, ainda nos governosmais despoticos. Ha tambem 
nma autoridade moral e é a que exerce o homcm Tir* 



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AÜT 101 

tiMMo e honrado sobre os seos similhantes , o homem bene- 
ÍGo sobre os que faYorece e encbe de benefícios. A autO' 
ridade do laleulo, da raz2o e do juizo lem predominio 
sobre nosso enlendlmento ; a autoriddde das provas e 
das lestemunhas decide as causas e os pleilos em juizo ; e 
a dos monumenlos, dos aulores, e sobre ludo da razSo, é 
quem decide nas maleria de crilica. — Toda autoridade 
suppoe um superior que manda ou influe, e um ou muitos 
inferiores que obedecem. Cessa a autoridade quando 
cessa a submíssao e a obediencia, se nSo tem o apoio da 
forga. Se os subditos se rebenSo, acabou a autoridade do 
soberano se com forga a nSo póde sustentar ; será quando 
muito uma autoridade de direito mas nSo de facto, 

O poder resulta da combinagSo de for^as physicas e 
moraes, por meio das quaes uma pessoa se faz superior a 
outras, iuflüindo em suas ac^ocs e em sua voutade que di- 
rige, como Ihe apraz econvém, alé ao ponto onde podem 
chegar suas forgas. — O amor dos povos e a confían^a 
que téem em sua justi^a e rectidSo é o maior apoio da 
autoridade dos soberanos e de quantos mandáo. Quando 
émisler recorrer á for^ para sustentar o poder, aciia-se 
este tanto mais em perigo quanto cresce o odio á medída 
que aquelle se exerce, pois todo poder tem seus limites 
além dos qoaes nlo póde passar sem destruir-se a si 
mesmo. 

A potesiade nasce d*nm poder legal que a sustenta, 
que nSo hzpotestade sem poder. — Os nossos classicos 
us2o miiitas vezes d'esta palavra com a signifíca^So geral 
de poder, for^as; mas de ordinario nSo usamos d'ella se- 
nSofallandodas pessoasque téem poder, divinas, angelicas, 
e humanas. Vasco da Gama, espantado da horrivel fígura 
fue Ihe apparecéra, pondo os olhos no céo exclamou ; 

<y poUttade sablimada f 

143. — i^TarentOy •oblfoso* 

A^ aiwtrezaé propriamente a ansia de guardar, de en- 
Ihesourar , e para isto, como meio mais (ácil e seguro, nada 



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ÍW AVE 

•apoiioo gatita Qmannt^—O c€éif^$odes^ adcuiiriro 
qne oulron ja possoe, nias para omtros fiAs ^e nao leai 
awr«fito. — Póde o cD&tpo90 ser überal, ms^Qifíco^ 
até proá¡go;o emrentoé aponcaáOi HiefiqmBliOy <deftbii- 
nano, é um monstro <fa oaUireza. 

. 144« — ATentinpar, mrríMmr. 

jiwenturar é p4r uma cousa i venturcL, confíál-a á 
ior(e;4»rrjMar ej|)6Uaem rúco. prímelro indica tima 
perfieita ÍHcerleza 4o successo, e sii|)poe igual prababili« 
JUde ou possibiUdade de ser bom ou máo. O segundo in- 
dicaniofiócontiagencia ma« proximidade d*algum damno. 
— Qaem joga com um jogador igual aventurante a per- 
der ou ganhar. Quem joga com um |o|2;ador mais habil ou 
conbeGidamente aíoriunado, arri$ea-^e a perder. 

145. — ATerlswar, TerlAear* 

Avtrrgmar, na sua signiñca^o mais extensa, é tentar 
acfaar a verdade, examuiar a i^rdadede qualquer ^uesíSo, 
e neste sentído o «sou Vietra» dieeudo : « £ curiosidade 
digna de se moerigmmr arazlki porque, etc. » (H, 292). 
TaBibeai signiEca entre os classicos provar, dcmonstrar 
d'um modo convincente que uma cousa é verdadeira. 

l^eri/lcar é valer-se dos meios necessariob para con- 
vcnccr-se de que «ma coosa* verdadeira ou exacta. Fazem- 
«euma beíla descrip^So d'um «álio an^no, vou véi-o, 
eKamiao-o oom attcB^lo e verifico a exacUdao do diclo. 
DQvido da exactidSo d'umadata, vou verifícil^ na Arteda 
wri/kar asdatas, elc.~ rerifica-ee aquiilo de que havia 
presüfnpcio ou anntincio <pie aconteceria ; quando tcmos 
certeza ue que uma cousa é tal como se disse, acha-se 
averiguada. 

14& ^ AvAmo, fmaunciob 

Doas palavras muito usadas cm nossos diarios e perio- 
dieos,ie que por ventura ae couümdem, mas que entre ai 
differem. — ^viso é noticia dada a alguem sobre cooia 



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Ml 101 

^Me Kw MereMa, t nmilas ¥fses profieiiiente de autori- 
máe 9 uMJca em mlerta adntnistnitini ou coBtenciosa. 
«— jMoffücto é uoticia ou nova qne se dá, n9o a pessoas 
deCerminftdas, senSío ao poblico. — j4vi$áo-$e as pessoas 
4$ 4m '3obre coasas qne as interessSo ; annunciQoie cou« 
sas ás pessoas para que tenliSo d'ellas noticia.— Os jnizes, 
08 magistrados, etc, mandáo p6r aviiot nos ^apeis pu- 
blicos; os mercadores, arti^, edítores de livros, etc, 
mand^o fazer annuncioi de snas íázendas, e obras. — Só 
em folhas volantes se lem os at^isoi ¡ as esquinas estlo 
muitas vezes cobertas de annuncioe. 

147, — AirlstfiT, olliai*, Ter, ««i^ufii-dary 
eu:xcrKArylo1irl9ar, dlvlsar. 

Oe tedos eslies jnodos exeroeoMS raa das mais bellas 
fimocdes de nessa existencia, a f ísta, ams cada «m d'elks 
ten sna pariícularidadie, que é mister nSo confuadir. — 
QuaBdo chegámes a ^ur algum objecto, o alcan^mos oom 
a visla estando longe, on o enoonirámos coai os oéhos no 
Meio da muitidlo, amticmo4o, — Quando Jan^áoios «s 
•Ib^s sem &m deierminado, e só fazemos usoáo orgio da 
Ktsia, oihánwi. -- effeito de nosso olhar^ é o «armof; 
isto é apprebenderBos cem a vista o objecto a que ian^ 
mos os olhos, e percebermos intellectualmente o objecto 
exlenio que (ere o nosso orglo da vista. — Esguardar é 
palavra antiga e assaz expresíiiva qoe indica o olhcér e o 
wer allentamenie, ver eKaminande e reflectindo : este verbo 
represeiiia mais a atten^ da mente era considerar quei 
dos olhos em ver. — - Enxergar é ver apenas ou com 
diíBeuldade ; perceber com os olbos o ofojecto sem disiiih- 
gttir suas paries. Gomo elle se diíTeren^a de ter, mni beu 
fio-lo explicou nosaa poeta naqoeila formosa estaudai 
em qae éescreve^ tromba marinha : 

Ba • vf' oertametite (e nf o presuno 

»iie ñvUtavMengatQYü) IevanUr-s« 
ar um vaporzinho, e suhiil fumow 
'K do Tento trazido, rodear-se : 
Jlaqui levado «im eano ao polo sammo 
6e vta, tSo éelgado, qtie ett¿rer0cr-«« 
Bos oibos facilmenie nSi podía : 
Da materia dat naTens parecia. 



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lO/Í BAH 

Lohrigar^ que Diío cremos venha de lúbrico latino, se- 
n3o de lobrego, palavra casleihana, que signifíca esimro, 
tenehroso, é avistar ou entrever no meio de esciiridade 
ou coníüs>Ío, — Divisar é ver díscernindo, dislinguindo, 
conhecer distinclamenle, ver cousa diílicil. Nesle senlido 
usou Camoes na Ode 6* : 

Dos olhos virar 

Que torna tudo raso, 
Do qual nlosabe o engenbo amsar 
Se foi por artifício, ou feito acaso. 



148. — • Balila, gM^f enseada, ansr^ 
abra, eaiiietay e«telro. 

Tódaseslas palavras signifícSo aquelle menor on maior 
seio demar que se fórma auando elle penetra nas lerras. 

O maior de todos é o golfo^ pois é um bra^o de mar, 
que se metle pcla terra denlro, fícando fechado todo em 
roda, menos pelo lado da embocadura. Usígolfos que fór- 
mSo tSo grande seio que até ás vezes tomSo o nome de 
mares, como s3o o mar Baltico, o MediterraneOj o mar 
de Marmara, etc. Os golfoi naturaes estSo separados do 
Oceano por limiles que Ihes s3o proprios, e sem mais 
communica^So com o mar a que pertencem que algum 
estreito, isto é por uma ou varias aberluras mais aper- 
tadas que o interior do golfo. Assim succede com o 
Mediterraneo que nio tem communica^io cdm o Oceano 
senSo pelo estreito de Gibraltar, e com o mar Roixo 
ou Vermelho, que communica com o Oceano pelo de 
Babelmandel. Damos tambem, ainda que impropriamente, 
nome de Golfos áquellas extensoes de mar de mui larga 
e aberta entrada, que por tanlo formSo parte e continua- 
c2o d'elle, como o golfo de Gasconha, o de Le2o, etc. — - 
bgolfo tem figura alongada e mui larga embocadura. 

A hahia é menor que o golfo; é aquella por^ao de mar 
quese intromettena cosla porembocadnra estreita,que80 
alarga no interíor*, tal é a de Hudson na America septen- 
trional,a da Bahíae a do Rio de Janeiro noimperio do Brazil 

A enseada é mais pequena que a hahiüy e dilTere na 
f6rma por dSo ter embocadura propriamente dítai pois 



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BAI 105 

86 intrometté na costa affectando a fórma de arco de cír- 
colo. — D*aqui se vé que o nome de bahia de Cascaes e 
de Lagos nSo é exacto, e que só o nome de ensMda se 
póde rigorosamente dar áquellas paragens sinuosasj nao 
assim a de Vigo qiie é ▼erdadeirauienle bahia. 

Angra é emeada pequena, alongada para o interior 
da costa. . 

jibra é angra com ancoradouro em qne entrSo as eni- 
barcacoes sem dependencia de maré. 

Calheta (díminutivo de calhá) é angra pequena, e tam- 
bem quebrada do recife que dá passo a embara^des de pe- 
qneno porle. 

Esteiro é bra^o estreíto de mar entre a costa e o recife 
ou qualquer outra posi^^o. 

^os golfoi e bahias nayegSo navios de alto bordo; 
acolhem-se asambarcacoes ás emeadas para se abrigarem 
dos ventos contrarios, das tempestades ; nas angraSj abras 
t calhetas entr^ío e fundéSo navios mcnores ; pelos esteir 
ros nayeglo barcos de carreira e de transporte. 

149. — BaUe, dansii, folla. 

NSo defendemqs a etymologia do verbo bailar de 
fiaXxii^ta, saltar, mas é certo que ao oue nóschamámos 
hailar chailnavlo os latinos saltare, saltar, dar salios; e 
na verdade quem baila dá saltos, e faz movimentos de 
corpo maia ou menos compassados, com mais ou menos 
ligeireza. — A lingua franceza, mais pobre que a nossa, 
lem um só termo i»ara signifícar estes movimentos, que é 
o substantivo danse e seu verbo danser; a nossa porém 
tem trez quedeterminSo as idéas accessorias d*estes saltos 
e movimcntos. — Baile é nome generico e vulgar, e só 
exprime aac^Io physica de bailar. Dansaé palavra mais 
nobre e designa particuiarmente o movimento regular do 
corno e seus membros ao compasso e tom de musica. 
Foíiaf como a palavra de origem franceza (folie, lou- 
cura) esiá dizendo, étima dama rapida ao som de pan- 
deiro on adufé, entre varias pessoas, cantando, que se as- 
semelha á dansa das bacchantes. — Bailáo os mo^os e 
mo^as do povo e\n suas festas e reunioes, bailño os mesmos 
•ehagens á sombra de frondosas arrores, e ao som de niA* 



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106 ABI 

ticos iiKlrumeiitos-, dantMo os caf«lheíros e senbon» 
Dobres em suas salas; famúO'M antiganyente foHa$ por 
occasfóes de alegria pubiica. 

hüUéír é nHia «sf>€oie áe iosiiAto nas creali»ras ra« 
cionaes; e assim como os aaimaeft relou^o de coalentef 
e akgres, os boBiens hmlaa |»or ak^ia e diversio. a 
iama é uma arle similhanle á que entre os gregos ao 
obamava ^pxnvvm^ , que nSo só dá regras para mover o 
corpo e os membros a oompasso, senio |>ara a maiietra 
áe pi&ar, ler o cor|K> ^m eie^^e posturi, « fazer as cor- 
teziase mesuras i^t a boa educa^io prescreve, « por isso 
é propria de genle nobre e cavaiheira. A foiia ind¿c»ra 
«'otttro tempo (que boje é ^atavra amiquada), oerto modo 
particular de hailar, talvez similhaBie ao «lue hoje clia- 
mio -coDtradamsa, nuit aiegre e fesüvo^^m que os mesmos 
reis nio duvida^Ioiomar^arle, potsd'EI Rd D. Pedrol 
aabemos ^ue iinha goslo parüciiiar de baiiar a folim,, em 
que era rauito eBúnenie, eKeoAlando oonoeriadameRto 
todos os moviAieiitos, ora «ais rapidos ora mais graiies 
ao som de flautas.Nodia em que armou cavaiheiro D. Joao 
AíTonsoTeItes4«moic enipubitco oom^us cortezSos, e 
dizia a todos : « Eu assento que nada fíca mal á Mages- 
lade, troando se trata de howm a virtnde. > (Anecdot 
Port.,t.!IO 

Palavras que preseni2o a idéa de desprezo, posto qiie 
com diíferentes aspectos. Segundo aopiniáo commiim, a 
palayra vileza ou eíwilecimento indica a obscuridade ou 
menospre^o em que as circiimstanoias nos fízerlo nascer 
e yiver, ou por nosso procedimento ou oíficio^ o que é 
causa de que todos nos hümilhem, desprezem e aío se 
dignem fazer caso de nós« Tambem a palavra kaixo se 
dirige ao nascimento,á cIasse,ao desüno e ainda ás vtzes 
aos procederes : ludo isto nSo nos mvilee€j porém iía 
Dos humilha, e abate. 

Aos olhos do verdadeiro pbilosopho, estas expr^soea 
Blo t¿em o verdadeiro e soüdo fundamento qne exige a 
rectarazáo. Sóo vicio é realroente desprezivel, poisa bí-> 
tureia nada produz bjtxo ncm v¿2 em «i : o 4iso e«i cir- 



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BAI lOT 

^msUncias causSo estas ignominiosas differentas. 
envileekMméa dependeanies muilas vezes dos ouiros que 
de nós mesmos. A laiaeza nHo eslá no tiomem, seiiBío na 
iua sorle, e porsua honrada vidae bonscostumespoderá 
encobrir a haixexa de seu offício. Glho d'um layrador 
eo d um rei t2o desprezíveis s2o nm como outro ao nasce- 
cem ; porém ambos^ ou algum d*elles, poderSo fazer-se 
taes por sens vicíos ou mao proceder. N2o era haixQ 
aquelle Romano qne deixava o arado para por-se á frente 
dos exercitos e defender sua patria, porém sim o era, e «tl 
e desprezivel, com loda & nobreza de sua prosapia e a 
grandeza de sua dignidade imperial, o lyranno Nero por 
sens torpes vicios e seus loucos e crueis procedímentos. 

Quanlo mais elevada é a dignidade d'uma pessoa, tanto 
mais 6afxa e desprezivel se íaz, seniosabe snstentál-a; 
pois bomem só e grande por snas ac(5es.— f^ sSo osbo 
mens quando se vendem ou prosliluem. — Baiwo é 
homem qne abate sua dlgnidade, etilo que perde a estinü 
dos outroa e ainda a sua propria. — Batxo é o que por 
col)ardia soíTre injurias de outrem; e mui «t7 o que as 
soíTre contente^ por seu inleresse e com o fim de fózer 
fortuna por meios iodecorosos. — descarado adulador, 
que nem animo tem para saber callar, é haixo ¡ e o mais 
«¿I dos homens é o que vende sua honra e sua consciencía 
para adquirir dignidades e riouezas. — Todo o vicio é 
baixo e desprezLvel ; porém cnamámos parlicularmente 
"baxoé aquelles que n2o suppoem vigor nem energia, 
como ▼. g., a avareza. SSo parlicularmente tie os que 
deshonrSo e infamlo, converlendo ao homem numa bes(a 
malevola, feroz eestupida, como costuma succeder na em- 
briaguez. 

Chamámos ofQcios haixos aqnelles que so exerce a gente 
miseravel eabandonada, como algumas occupa(5es meca- 
Dtcas, que v3ko exigem mais que um trabalho malerial t 
nenhum talenlOf nem iiistruc(So, e por isso sSo tídos em 
nenhuma conta; e chama-se «i7 o exercicio que se tempor 
desprezivel» em raz2o de ser suiQy feroz e brutal na sua 
execu^ao, e entregue de ordínano a gentes tidas por fn- 
iaiDei em seu proceder. (Veja-se o seguinte.) 



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108 BAI 

151« — BalM, inferlor» trÍTÍaly 
des|irezlTel. 

Oft dous adiectivos baixo e inferior indicSo nma c«os« 
<\ue estáa baixo; porém o primciro parece referir-se á 
allura e á eleva^iio, e o segundo á ordem. quarto baijco 
6 menos allo ou elevado da casa, e o quarto inferior 
é propriameiile que lem um ou muiios em címa. 

A palavra hjixo applicada ao pre^o de qualquer merca- 
doria corres|)onde com a de tn7, aiuda que com a diíTe- 
ren^ que vamos a Indícar. Diz-se que uma cousa está por 
haixo pre^o qtiando custa menos do qiie custava d'antes, e 
que eslá por pre^o v l ou arrastado, qiiando todos a des- 
prezSo, e tem que dar-se quasi por nada. 

Applicadas as palavras baixo e trivial á litteratura, dix- 
se d'aquellas composi^oes rasleiras e vulgares que care- 
cem de eleya^So e nobreza. Chamámos idéas baiXM as 
que a opiniSo e o cosiume fazem ter por laes; do qm re- 
sulta que uma idéa póde ser baixa niima nagSo ou epoclui 
e nlo scr em outra. SSo trif^iaei lodos os pensamentos 
e phrases communs quc andSo, por assim dizer, debaixo 
dos pés de todos e en fasliSo á forj^a de repelíl-as. Póde 
uma idéa ser baixa sem ser trivial, e ao coiilrario ; ella 
é baixa quando em lu[;ar de representar-se nobre e ele- 
vada só sc rd'ere a objectos vis, despreziveis ou que por 
taes s3o tidos ; e é irivial quando se ha repeiido muítis- 
simas vezes e anda na boca de todas as ciasses do povo. 

A phrase ou expressSo é baixa quando recorda idéas 
contrarias ao decoro, á decencia, aos bons co8tum<*s, ou a 
cousas opposlas a uma linguagem fína e e&merada, sendo 
ellas por si despreziveis e rej)ugnantes; e chamAuios iri" 
vial a iima phrase qiiando so a usa a ptel»e, oii a classe 
mais inferior do povo. — Ha expressoes qiiesSo baixoi 
em poesia e n3o em prosa, sobre tiido em disctirsos sin- 
gelos e familiares ; porém a expressio triv>al guarda sen 
caracter em lodos os eslyios e e táo mal recebida em prosa 
como em verso. 

Deiprexivel é tudo qne por si, peias circumstancias on 
eslado em que se acha« merece desprezo. — Dii-se das pes- 



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soas e das eoosas, e do sentido moral é expressSo maís 
forte qiie haixo, inferior e trivial. 

152. — Balxos^balxlosy alfaques, pareeUi 
restlni^as, mjrtem* 

Todas estas palavras indieSo certas paragens no mar» 
ordinariamente perto das costas, em que elle é pouco 
ñindoy eofferece perigo aos navegantes; mas cada uroa 
d'ellas designa uma circumstancia particular pela qual 
devemos diíTeren^ar as differentes cousas que eUas repre- 
sentáo. 

Baixoi é palavra generica que indica paragem no mar 
toi que ha pouco fundo, o que muito bem se explíca pelo 
lermo francez haS'fond; mas nSo indica se o fundo é de 
areia, de vasa, ou de penhascos, só sim que os navios toc2o e 
podem perder-se, como disse Vieíra em sentido fígurado : 
« Querendo ganhar-se noshaixoi onde outrosse perdem. » 

Baixioi ou haixias , segundo a signifíca^io que esta 
palavra tem em casteihano {hajio$\ sSo bancos de arela 
Do mar; e a desinencia io indica prolonga(2o d'elles, e 
dSo menos perigosos qne os baixoi. 

Jljfaquti é palavra castelhana, que vem de alheqiu^ 
arabe^ e signifíca particularmente os bancos d'areia que se 
formao na foz dos rios, no crusamento de correntes, etCy 
e por isso mesmo s3o movedigos. 

Parceii s2o mares haixoe, costas de pouca sonda, em 
que talvezamaré expraia muito, nos quaes se nave^a, nSo 
sem risco porqne ás vezes ha nelies coroas d'areia, r^ 
tiDgas,etc.; tem quatro e cinco leguas como diz Femao 
Mendes Pinto. 

Beetinqai^ qneépalayracommum á língua castelhana, 
bSo haixios de pedras encobertos debaixo da agna, oa 
pontas de areia em fórma de espinha^o de clo, e d9o 
Denos perigosas que os precedentes. 

.S2^^e# épalavra grega, (rú/n-t^, e significa penhascos pe* 
rigosos com bancos de areia, ou bancos de areia move- 
di(^ mormente em golfos e mares interiores, para os quae^ 
os navios s2o arrastados pela corrente ; e esla é a verda« 
deira dislinc(;§o, fundada noadjectivo grego wpxói^ arrass 
lado, qae levSo á rastos. — Esta palavra é mais poetica 



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110 BAI 

oue as precedenles, e Vieira a usou tambeoi em seBlido 
Dgurado como coiisa mui perigosa e arriscada : « TauUs 
ondas ou syrtei de desconnan(as. » 

Dislingiiein-se priucipalmenle os parceii dos áLfaque$ 
em que estcs apresenllío grandes desigualdades e quebra- 
das conioémui freqacnteaopé degrandes bancos deareía, 
Bor causa das eorreules , e aqnelles slo ordinariamente 
naixos rasos qi»e etn tempo de bonan^a bem se detxlo 
oavegar ; e cliamlk)^ marcs aparceladoi aquelles em qne 
íULparceii^ tsio é que sáo baixoi, de pouco fundo, em 
que de razlo qiiebra muito o mar. Quando os parctíi se 
estendem muilo, diremos muito bem com Vicira, eiparc0' 
tadoi ; fallaudo eüe com os peixes naquelle celebre seralo 
de Sanlo Anionío no Maranli§«, 4iz-^hes : « Oom* eslet 
mares sSo tlo esparceladoi^ e clieios de haixioiy bem sa* 
bds que ae perdem e dlu á oosta muitos navtos, com qne 
8e ennquece o mar, e a ierra se empobrece (II, 342). • — 
Vé*se pois que üosparceii on mares ciparceUkdoi póde 
hayer haixtoi^ e que nos álfaquei póde baver grande 
Aindo porqtie s3o desip'uaes Onde ae corre maíor perígo 
e naufragio é quasi ;erto é nas iiprtei, como bem n^-to 
mdicou um poeta nosso : 

ParuiSf alfaqueñ, tyrUt Murrafosai» 
Tudo a salvo passou. 

Cam5es tambem disse : 

Tu que Hvraste Paulo e defendcsls 
Dm jyrlMaroBOMt, e oadah féas. 

{lué. ¥1,81.) 

153, . Balanceap, laesltap. 

SSo modernos na lingua estes verbos, mas téem boa 
origem e analogia, sSo expressivos; e por Isso que slo da 
Unguagem moral e pbilosophica, qiie e hoje geral a quasi 
¿odas as liiiguas da Europa, devem distinguir-se em a 
aossa como em aqueilas se distinguem. 

Balancear^ em seu senlido pronrío, é occupar-se em 
Igualar e etpiilibrar os pesos de auas cousas, pondo*as 
Darm islo numa balanpa;e no figurado eiaminar ooa 



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BAL iil 

Mdoreza as razdes pró e contra, e os eflbltos bons oo 
máos que de verifícar-se uma cousa podem resultar, e 
para islo é neccssario contrapesar, com pensar, equiparar, 
eolejar, etc. O halancear supp5e duYídia até que se chega 
á defínitiva resoluySo. 

Hesitar, que é o verbo latino hasiiarey é estar sus- 
penso, perplexo, pendendo ora para uma parte ora para 
outra, sem alrr!ver-se a tomar resolu^o nenhuma. 

Qnando ha razoes, molivos qnepesar, dafancfatf, por* 
qoe estais incerlos. inclinando-vos já a um, já a ootro 
lado. Qoanf^o ha obstaculos e difñculdades que vencer, 
hesitaiif algtima cousa vos prende, estais suspcnsos, irr^ 
solutos I qnando quereis ir para diante olliais para trai. 
Qoando halanceaii nSo sabels o oue haveis de fazer; 

2uando hesitais nada vos atreveis a fazer. Em quanto ftck 
inceaii, nada vos tira de vossa perplexidade ; quando 
heiitais, alguma cousa vos contém ou intimída. — As 
pessoas timidas halanceáo por muito tempo, e as pusila- 
nimes heiitáo seninre. — As pessoas de taiento, de juizO| 
de circumsppc'cSo halanceáo por prudeucia ; os nregui- 
^sos, deleixados, frouxos, cobardes, desconfíados neiit&o 
poracanhado animo.— O ignoranle em nada halancéa 
porque de nada duvida; o temerario em nada heiitat 
porque nada teme. — Balaneeaiy qnando se Irata de de- 
uberar; quaudo já se úSlo trata senio de executar, nio 
hesiteii. 

154. — Banuclar^ i^fiffiicjar, 
tartaniiidear) tataroy tatlbltatlU. 

OesignSo estascincopalaivra^eincodefeitos difrerentetoo; 
íkilar que se náo devem confundir. — Quaodo os menioof 
etme0o a aprender a fallar achSo didiculdadeem proono- 
ciar certas syllabas pela debitidade de seus or^Sos, tendo 
qae suppríl as rom oulras, que \á llies sio mais flKeis; e 
como ossonsque primeiro prouiinciSo s2o ha, 5e, ^t, Ío, 
hUf e por isso mesmo os repelem em lugar de oulros, d'a- 
ooi fein sem duvida por onomatopéa o verbo halhuciar, « 
designa primariameute aqueüe defeilo temporario nas 
criancas. 

BMueiüo os meiiinos poraoe ainda oSo cstSo fortUI* 



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1 12 BAL 

cados os orgSos da voz; e os velhos halbucidío porqne {I 
os léem mui debilitados. — A gagueira vem mais de de* 
feito organico ou accidente que de habito. — A tartanm» 
dex, que era o defeito de Moysés, posto que possa provir 
dos orgios que se nSo prestao facUmente á clara pronnn* 
ciacSo de certas syllabas, nasce commummente de preci- 
pita^So com que alguns se hSo acostumadoa fallar. i 
vicio diífícil a corrigir, mas facil a evilar quando se 
acostumlo os meoínos a bem articular as syllabas e a 
pronunciar clara e dislinctamente alongando o som das 
vogaes. — A timidez balbucia;a ignorancia ou descon- 
flan^a de si mesmo gagueja; a preeipita^So ou assomo 
da páixao tartamudéa, 

Tataro é voz tambem imitativa e familiar qne indica 
uma tartamudez menos forle, ou em que prodominSo as 
syllabas ta, ta.— Os tataros mudSo o c em I; áizem 
Tatarina por Catarina. — Tatibitatiln é voz imitativa e 
chula com que se designSo os tatarot que ao defeito 
physico juntSío certo ar ou gesto ridiculo. 



1S5. — Barbarldade , erueldadc, 
fer^eldade. 

A harharidade é o resultado da ignorancia, da estupi- 
dez, do erro, da supersti^io, das preocupa(5es ; numa pa- 
lavra, da falta de educacSo, de inslrucySo e de talento. 

A erueldade é uma inclina^So natural que induz a der-> 
ramar san^ue, a desprezar todo o genero de animaes. 

A ferocidade é uma qualidade das bestas feras que se 
alimentSo de carne, aue acommettem a outras para devo- 
rál-as, e parecem folgar de vél-as padecer, em qaanto 
ellas se sacilo devorando-as. 

Barharidade diz-se unicamente quando se trata dos 
homens e de suas ac^5es. A erueldade é mais propria dos 
animaes; diz-se tambem dos homens quando téem a mesma 
ÍDclinacSo que os animaes crueit. A ferocidade com- 
prehende aos homens e aos animaeSi pois é o excesso da 
§rueldade. 

O homem harharo ultraia os bons costumeSa e se abaa> 



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BAE 113 

WMMÁ cegamente a sna funesta inclina^So: o eruel carece 
ie todo sentimento de hnmanidade e oe compaixSo; o 
feroz deixa-se arrastar pelo indomito desejo de fazer pa- 
decer as demais crealuras , seiSo ellas quaes forem » e 
GOjnnraz-se em vél-as padecer. 

156« — BarbafUnuOy soleelsnio. 

Significlo estas duas pálavras em geral erros de língna* 
gem, com a diíTeren^a qne o harbarümo é uma locucSo 
viciosa, corrompida. propria do vulgo que ludo adul- 
tera ; o iolecismo e um defeito na construccSo da ora- 
dío que póde provir de ignorancia ou de desciiido. — 
For isso que os Gregos e Romanos chamavSo barharos a 
todos os povos qne nao erSo elles, derSo com muita razSo 
o nome de harharimo ás palavras e expressoes que por 
sna viciosa pronuncia se pareciSo com as dos harharoSf 
on d'elles erSo liradas. Poderiamos pois nós outros, 
que temos nma lingnasem culta e polida desde Camoes, 
qnando os Francezes so iinhSo a sua semibarbara de Ron- 
sard, chamar harharismoi gallicanos ao que mui francez- 
mente se chamou gallicismos. — De 2¿Ao(,SoIes,coIonía 
atheniense na Cilicia, que como andardostemposesqueceo 
a pnreza da lingua gírega, vem a palavra voXomvfiói^ solim 
eistno. Comettem-se estes de muitos modosna lingua, como 
se póde verem Jeronimo Soares Barboza, gramm., p. 385. 

1^7. — Barbaroffy selTasens. 

Barharos chamavSo os Gregos a todos os estrangeiros, 
porque se julgavSo superiores a elles nas artes e na civili* 
za0o, mas a palavra ^ápexpoi nio é grega, pois já d'ella 
Qsavio os Egypcios para designar as outras naí5es, e se- 

gnndoCourtde Gebelinvemde 5ar,voz celtica e orienlal. 
epois os Romanos usário da palavra harhari na mesma 
accepcSo, e parece que os habitantes do Celeste Imperio 
chamao lambem harharos aos Europeos qiie Ihes váo levar 
nma civiliza^Ioque elles náo querem. Selvagens,se^mdo 
a palavra o eslá dizendo, s2o homens que habiláo as seí^ 
vas; d'aqui resulta pois diíTeren^ja sensivel entre os dous 



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focabutos considerados etymologicamenle, nm caiii(ire 
fiiar- Ihes a signifíca^So respectiva segnndo s3o entendl» 
dos pelos doutos. 

PoTo selmgem é o qne ígnora a arte de escrever, nio 
tem policia, professa uma rinigilo absurda, tem ieis gros- 
seiras, e nSo contrahe ailian^as com as na^^es civiliza- 
das; cuÍtÍTa principalmente os exercicios do eorpo, como 
a caga, a pesca, a pastoricia, etc, e pugna sómenle pela 
überdade naturaf. E se nao tem habita^So fíxa, e preressa 
▼ida errante, chama-se nomado. Barhara é aqneKa najSo 
qoe sabe a arte de escrever, tem poltcia e magistradoSy 
religiSo regular, e faz alllan^as com outras nagoes ; mas 
nSotem sna lingna polida, nem sua leglsla^loordenada; 
n^o cultiva com primor nem as sciencias nem as artes, e 
é amiga da guerra. Este é o estado de iransi^So dos poros 
ielvagens para o estado demaior cmliza^So, oa de retro* 
grada^So das nacQcs cMÍizadas para o estado selvagem. 

1S8. — Base» peanliay peilestal. 

Trez palavras qne em geral indicSo o assento sobre qne 
descan^ columna^ estatua, obelísco, agulha, etc, mas 
cada uma d'ellas exprime diílerente fórma peia qual se 
difleren^So. 

Ba$e é palam ^ega, fiÁ9ts , qne significa pé on planta 
do pé, e metaphoricamente fundamento, cousa firme em 
que outra se apoia ; é por tanto termo generico tanto no 
sentido proprio comont traRsteto. — Ptanha é palavra 
portugueza formada áepé e anha que alguns querem seja 
cormpfSo, de ligneat de páo, e designa a peca de pedraoa 
madeira, ás vezes movedi^^a, sobre que se (Nk; estatua oa 
busto. — Ambas sSo destinadas a levantar mais a obra qno 
sobre ellas se colloca, mas a primeira, porque desperta a 
idéa de fundamento, é mais propria de columna, ea segun* 
da de estatna, como selé em Vieira : « Uma columna 
sobre a base, uma estatua sobre a peanhaf cresce sem 
crescer. » 

Pedestal (do fmicez piédestal, feito átpied, pé, t do 
leutonico staU, base, apoio) é termo de architectura o 
todica um corpo solido, ordinariamente de marmore, qoe 



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KáS 115 

sostem » cotamoas , as estaloas DHmanieDUKt^ ete. ; eonala 
de ha$e, socco e cornija, e varia segnndo as oroeM de 
trchitectora. 

1^.— BMtantey 0uncfciite« 

O prUneiro d'estes adjectiTos parece mais vago e illim!' 
lado qiie o segundo ; porque hattante dá uma idéa abso- 
Inta e iadeterminada de abundancia, suppondo que ha sem 
efeacezofueseitecessiia; esufílciente dá uma idéa rela- 
tiva coiitrahindo-a determiDadameiite ao qiie jusiamente 
alcan^a paranlo carecer do preciso. — avarento nunca 
tem hastante dinheiro, pois quanto mais lem mais deseja. 
O que tem um mediocre palrimonio tem onf/pcf0nlepara 
viver com decencia. — Diz-se hasta quando já nSo ^ne* 
remos mais ; e tenho o sufüiciente quando se reumo o 
neeessario para o fím que se qtier. 

Em quanto ás cousas que se consomem, haiíante parece 
indicar maior qnantidade que sufjiciente, poís quando se 
diz ha hcutante, vem a manrfestar-se qne o qne hoovesse 
de mais seria demasiado e inutil ; porém qiiando se dtz ha 
o suf¡ícientey indica-se qiie o que houvesse de maisseria 
abundancia e n2o dcmasia on excesso da consa. — Nt 
sigDiOca(;So de hastante ha mais generalida<!e, pois que 
eDtendendo-se o maior proveito ou nso nas eousas, ftt 
commum a accep^Io d'esta palavra ; sendo qne a palavrt 
iufficieTite contendo uma idéa mais límilada ao uso das 
oousas, Ihe dá um caracter mais particular pois eir- 
eumscreve seu uso a um certo numerode occasiSes. 

i60. — ÜMtarda (Ollfto), niitural^ 
e«purlo* 

Por todos ettesvocabiilos se indiea um filho illegUimo 
procreado fór» do matrimonio, parém cada um d'elies de- 
•iffna circnmsuncia porticolar qne determina entre elles 
a liflerenQa. 

Boilaráo, dofrancez Mtoriiantigamenle haetard^ vem, 
iegnndo a meHior etymotogia^ do sdlemSo hoeit^ degene- 
raioj e«rl, raca, especie ; ou de has, vil, baixo ^ etetrd 
■tgnd a» mtmeo Dicsmoqoe baixamentenascido. £ teme 



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116 BAS 

generico qae indíca adulleraf $o, e empeoramenlo da coom^ 
e por metaphora se applica a tudo que se aparla da pu- 
reza, nobreza e luslre de sua origem, nomeadamente ao 
filho illegitimo cujo pai nSo podia casar com a mSi quando 
D tiverSo. ^ Bastardia represenla nSo tanto a illegitimi- 
dade do acto como a degenera^So que d'ahi se supp5e 

SroTir, ou pela oífensa feíta ao matrimonio, ou pela quebra 
a desígualdade de sangue. — Bastardos hou?e entre os 
principes que, apezar d'esta quebra na ordem social^ em 
nada degenerárSo dos brios paternos ; seja exemplooRei 
de boa memoria de quem disse GamSes : 

Joanne sempre illustre alerantando 
Por Rei, como de Pedro anic > berdeiro, 
(Ainda qae bastardo) rcrdadeiro.. 

(£u*., IV, 1.) 

Filho natural é o procreado segundo a lei da natureza, 
como se nSo hou?era lei positi?a sobre casamentos,havido 
entre pessoas livres e que bem poderiSo, se quizessem, 
contrahir malrimonio legitimando d*este modo a prole. 

Espurio é termo desbonroso porque n2o só annuncia 
hcutardia senSo que dá a enlender que o pai é incognito 
porque a mái se facililava a varios quando o concebeo. 

O fílho hastardo e o naiural tem pai conhecido que 
trata de sua educa^So e que procura dar-lhes uma posi^o 
pouco inferior á dos legilimos; o espurio é abandonado 
de pai e mSi e nSo póde livrar-se do desprezivel nome de 
engeitado. — Díz-se em sentído fígurado que é espurio 
um livro cujo autor se nSo conhece, ou nlío é daqneUe 
a quem vulgarmente se attribue. 

161« —BatAlha, Mfao, conibate* 

S9o termos de arte militar que indicSo o acto em qoe 
dous corpos inimigos se encontrSo e euerreSio por ganbar 
a vicloria; mas differem entre si pelas idéas accessorias 
que cada um d'elles suscita, sendo acpáo o genero de qne 
íatalha e comhate s3o as especies. 

Batalha é uma peleja quasi sempre decisivaentre dous 
poderosos exercitos, executada com varias evolu^^s, em 
que se manifesta o talento do general, a intelligencia na 
arte da guerra dos oíficiaes que se movem ás suas ordeni. e 



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ovalor e discipTlna de suas tropas. A mLtalha de Farsalii 
decidio da sorte de Roma ; a de Aljobarrota, da de Por- 
tagal ; a de Guadalete, da de Hespanha ; a de Haslings, da 
de Inglaterra ; a de Waterloo, da de Europa. 

Comhate é uma ac{So particulary ás vezes nem pre?ista 
nem disposta, e de menos importancia que hatalha; refere- 
se esta ás disposicoes e preparativos, e aquelle á ac^So 
malerial da luta, e assim se diz : ordem de iatalha, e ar- 
dor do comhate. 

Acgao épalavra modema naaccep^So de hita guerreira 
entre dous exercilos, em lugar da qual dizi3[o os nossos 
antigos peleja ; é porém mais reslricto que esta, que se 
applicava a toda a sorte de contenda tanto por obras como 
por palavras. — No sentido fígurado é mais usada a pala- 
▼ra comhate ; com tudo tambem hatalha nSo exclue este 
sentido pois Vieira dizia : « As hatalhas da razSo com os 
annos é uma guerra em que resistem mais os poucos que 
os maitos (V. 541). — Mais arriscada hatalha é repartir 
a terra aos vassallos que conqnistar a terra aos üúmigos 
(VI 209). • VedePelejar. 

162.— Battoloste, toutolosla, 
perlflAolosÍA. 

Trez palavras gregas que indi(So trez defeitos doestylOy 
qne, dado serem todos contra á elegancia e concisSo da 
phrase, s2o entre si distinctos, como a origem e composi-« 
(2o de cada uma d'ellas o dá a conhecer. 

A toda a inutil repeti^So de palavras se chama hattolo* 
giüy palavra grega fidZToXoyia (de /Sárros eAoyo,-)>sobrecu¡a 
origem nSo eslSo de acordo os autores. Uns dizem que se 
deveo ao nume do fundador de Cyrene, chamado Batto, o 
qnal suppoem que era gago, e linha costume de repetir 
cada cousa duas ou mais vezes ; outros a attribuem a um 
máo poeta do mesmo nome que repetia um pensamento 
com as mesmas expressoes que havia empregado a prt- 
meira vez ; e oulros fínalmenle a um pastor que fazia o 
mesmo. E com effeilo, Ovidio falloii d'elle naquella passa- 
gem do liv. II de suas Metamorphoses ou transforma- 
(deSy no qual refere como Mercurio furlou a ApoUo o 



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118 MT 

ttado que andaTa guardanéo ; e íAo bayendo ninguesi tIsI» 
mer o roubo senao um paslor ?elbo chamado BíUtOt rogoa 
a este qtie nio o descobrisse, oflerecendo-Uie em premio 
uma novilha. O Telho prometteo-Ihe que sim ; porém du- 
Tldando Mercurio queellecumprisseapalavra, ansentou- 
se, mudou de fórroa, ▼oUou, e pergnntou-lbe se tinha 
▼isto para qne parte fóra o gado que pouco antes an- 
dava apascentando; e para tentar sua cobíga oífereceo- 
Ibe uma raca e um touro se Ibe dissesse a yerdade. 
O Telho entlo respondeo-lbe : « Agora ha pouco ao pé 
d*aquelles montes estavioi e estavSo e ao pe d'aqnelles 
montes. » 

SubitHi 

Montlbut, iñ^it, trant, et eratU fub montibut iUit, 

Mo que indignado Mercnrio o Iraasformou, di2 Ovidio» 
na pedlra chamada indeWy itto é, descobridora ou demm- 
eictdora, A verdade é que a palarra grega ^dcrros significa 
gago ou tartamudo; e como os que o s2o repetem duas, 
trez ou mais yezes as syllabas inicíaes das palaTras 
até que rompem a fallar, d*aquise cbamárSo hattos a todos 
os qtie repetiSo sem necessidade uma mesma palavra. 

Tautología, nioroXoyi» (de ruM mesmo, Xé/o^ digo) 
é a repetifSo inutíi ia mesma idéa ou pensamento por 
termos diíiérentes. 

Perissologiay mpiv^oXoyiu (de ntpaaf , que é demals e 
Xoyos díscurso), é superfluidade de palavras, redundancia 
nimla, verbosidade, e tambem exa^era^So, encarecimento. 
Consiste principalmente este defeito em amplificar dema- 
Biadamente um pensamento variando-o de muitos modos 
difierenles. 

O primeiro defeilo opp9e-se á elegancia, e é demaslado 
grosseiroparaque nelle caiio ainda escritores mediocres. 
O segundo e o lerceiro opp5em-se á concisáo, e nSo s3o 
faceisde evitar comooprecedente. — As phrases de Ovidio 
sio bastante concisas, e sen estylo é sem embargo redun- 
dante, porque gosta de variar um mesmo pensamento. 
Seneca aífectou mais concisSo na phrase, e nSo obstante 
é nimio e prolixo muitas yezes. porque em colhendo entre 
mios uma idéa, nSo a larga até haver apurado quanto sua 
ricaimagina(Solhepodlasuggerir para iUostrál-a, ampli- 

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BCI tt9 

ftcfl-e, e farftf^a de oen naiienraediiiereiilet. Vieíni taai- 
bem cai algunMB rezes neste defeite; » que nio admira 
porque Seneca cra um de seus autores favoritos. — Esta 
affec(a(^o de mostrar que se sabe dizer uma mesma coosa 
de muitas e diíTerentes maneiras é justamente o que Boi- 
leau chama com gra^a esteril abnndancia. — que nSo 
sabe omitt?r,entre o muito que senipre occorre qnando le 
escreve sobre materias bem estudadas, o que n^ é abso- 
lutamente necessano naquclla passagem, é am deciama- 
dor, 1^0 um escritor judicioso, e incorre na censara 4o 
dtado Boiieau, que com tanfa raz9o dizia : 

QneiD nio tÉbreafar^ oeai mtnwn sakv. 

163* — BeatlficAfftOy eanonlaEafAo. 

Aquella gra^ parlicnlar que o Papa concede a algnma 
eorpora^o ou a algnem que a soUicita, a favor d'um 
Tarlo illostre por snas rirtudes, permittindo qoe se ihe dé 
o titnlo de heatOj eque se venereem pubüco sem superstí- 
00, cfaama-se beatifiea^o. — A dectara^io canoniea e 
aolemne de qtrc algam scrvo de Deos, quc morréra em 
eheiro de santidade, está entre os bemaventnrados, feita 
pelo Papa depois d'nm mínucioso exame dos actos de sna 
▼ida, e ontras formalidades, é a canonizagSOf qne (órma 
lei geral na Igreja catholica que obriga a todos. ~ Aqueila 
precede ordinariamente esta ; e aquelte qne já era heato 
t escrito no eanon on catalogo dos santos e como tal deie 
ler veneradopor todo o povo catholico. 

164. — Beif o« , laliloü. 

Aqueüas duas membranas camosas e sem osso qveffr- 
mSo a piarte exterior da boca, e cobrem os dentes qtiando 
•e feiiio, cham9o-se beifos, tanto no homem como not 
brutos. ^ A parte mais macia e delicada dos heipos, qoe 
lioas bordas em qne maitas vezes brilha a cor de rubím, e 
ffuando abrem o sorrizo deixáo ver alvos dentes, sao os 
íahíos. — A primeira é palavra vnlgar, a segnnda i 
icientiica e poetica. — AjudSo os heigos a falla ea mas- 
tiga^SO) só aos lábioséáaíáo imprimirmeigos osculos. 

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120 BRl. 

*I65« — Bellessa, formMura, seiitille«»| 
bonlteaEay lliideza* 

Consiste a helleza e a formosura na boa proporclo € 
harmonía das partes que compoem om todo ; porem a 
palavra formosura limi(a-se a representar aquella ídét 
epm rela^So aoagradavel; a palavra helleza representaa 
idéa da perfei^So pessivel. 

Neste sentido se admira a helleza do Laocoonte de Bel- 
vedere, do Hercules Farnesio, dos quaes nlo póde, com 
Ignal propriedade, dizer-se que s3o formosos ¡ porém a 
venus de Medicis e o Apollo Pythio Vko bellissimos para 
os intellisentes, e formosos para todos. — S9o os olhos 
08 juizes da formosura, e por isso acontece muitas yezes 
que gosto víciado por capricho oucostume poe a formo' 
sura no que está mais distante da helleza. Se a Yenus de 
Medicis, em cujo corpo se nSo encontra defeito, se po- 
desse vestir á francezá, que zombaria nSo faria a maior 
parte de nossas damas de quem louvasse a helleza de 
sen talbe? 

A formosura só se applica ao physico, ao que obra 
sobreossentidos; adefíeicaapplica-se tambem ao moral, 
ao que obra directamente sobre o animo. Assim que nSo 
chamámos /brmo^o a um poema, á expressSo d'um senti- 
mento» á ternura d'um aftecto, em que cabe muitissimi 
helleza, 

Mo damosporsegura a opiniSo que vamos expor, mas 
parece-nos que, sendo a fórmosura o imperio da fórma 
sebre a materia, e nascendo para persuadir, reinar e a vas- 
salar coracoes, como disse um philosopho, deve especíal- 
mente applicar-se ás donas, e a helleza aos varoes. Nem 
deixarádeapoiar-seesta nossaopiniSo em muiboas auto- 
ridades. Padre Bernardes, fallando do menino Moisés, 
diz : «Livrou na sua helleza a sua vida (Flor. Y. 117). • 
Vieíra, fallando de Absai3o,diz: « Era AbsalSo tSo galhar- 
domancebo, que do pé ao cabello da cabe^a, comofalla 
a Escritura, nenhum pintou a natureza mais hellú 

ÍV. 441).» Fallou muítas vezes este celebre orador de 
'armosura^ e sempre a applícou ás mulheres. NSo sehi 
sem interesse transcrevermosaqui a^nnslugaresque maii 
«e reconunendSo por sua helleza 



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lEL 121 

« A formotura é ombem fragil, e qaanlo mais se ?ai ché- 
gandoaosannos, tantomais Taidiminuindo edesfazendo 
em si,e fazendo-semenor.Sejaexemplod'estalastimosa 
fragiIidadeHelena,aquellafómosae/'ormofaGrega,fílha 
de Tindaro Reí de Laconia, por cujo roubofoi destruída 
Troia. Durou a gnerra dez annos, e ao passo que ia du- 
rando e crescendo a guerra, se ia juntamente com os 
annos diminuindo a causa d*ella. Era a causa a /brmo- 
sura de Helena, flor em fim da terra, e cada anno cortada 
com arado do tempo (Vni, 319). Formosura apre- 
goada nSo está mui longe de vendída {ihid., 292). Et2o 
appetecida das mulheres a formosura, que só pela gtoria 
de a contemplarem, deixarlo a maior dignidade {ibid.^ 
295). Aquella gra^ da natureza a que os ollios cham9o 
formosuray n9o é mais que uma apparencia da mesma 
Yista, enganosae vS.... Socrates chamou á formosura 
tyrannia, mas de breve tempo ; Theophrastochamou-lhe 
engano mudo, porque sem fallar en.;ana. S. Jeronymo 
diz que é esquecimento do uso da razSo.... Os prímeiros 
tyrannos da form^osura s3o os annos, e a sua primeira 
morte é o tempo. Debaixo do ímperio da morie acaba, 
debaixo da tvrannia do tempo muda-se; e se alguem 
pergontára a formosura, qual Ihe está melhor, se a 
morte, ou a mudanca, nSo ha duvida que havia de res- 
ponder : Antesmorta, que mudada» (IV, 453). 
Mui usado é de Camoes o epitheto formoso como tlo 
harmonioso epoetico queé; citaremossó dous exemplos : 

B eomo ia alTrontada do eaminho 
Tio formosa no gesto se mostraTa. 

Fúrmota filha mioha, nSo temaís 
Perigo algam aoa rowoa Lusitanos. 

(£ti«., 11,34, 44.) 

E na estancia 76 do Canto IX parece confírmar a diífe- 
renca que entre helleza e formosura fazemos, pois diz 
de Leonardo : 



% 



'oiz agui ana Yentara. qne eorrla 
pós fiphyre^ exempío de bellexa- 



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»K RL 



Íá cansado correndo Ibe dizía . 
O' formotura iadigna de aspereza, 
Pois d'esta Tida ta coBccdo a paiai^ 
Espera um corpo de quem levas a al 

Faz eHe cxleni^va a significa^So de formo$o a CHnm 
inanimadas como nalingua caslelhana, dizendo : 

Trez formosot outeiros se mostrayf o 
Bffuidos ( om solyerba graciosa, 

Sue de gramineo esmalie se adorMvIo, 
a /ursioia iliia alegre e del^losa« 



Fomwtot leitos e ellas mais formotat, 

(Xiii.,lX,M, etc.) 

MasnSoaappticaaosTiomens. A nenhom dos naTcgantes 
^e na illia encantada se derramárlo após as nymphas dá 
esteepitelho, seiiSo outrosqae melhor ficSoaos varoes; a 
fallando do mais galhardo d'eltes, diz : 

Leoaardo, soldiado bem disposto, 
llanh' s •, cavalbeirOfC namorado, 
A quem amor nio dera um só desgoalo, 
Has sempre f6ra d'eile mattratado. 

(n, 75.) 

GentUexa é a gálhardta e bom ar aeompanhado de no- 
bre presen^a, é mais varonil que a/brmosura; e sendo 
esta privativa do sexo feminino, deve aquella usar^se par- 
ticnlarmente quando se falla do mascuUno; á'isto nos 
deixárSo exemplo dous mestresdalingiia. Vieira,faIiando 
de Absallo , a quem cbama galhardo e htllOy diz : « Esta 
foi a pensSo que pagou AbsalSo a sua geniiteza » (V, 441). 
£ Padre Bernardes, fallando de Fortunato de Quiaro- 
monte, diz : «lira de tSo rara ^en^i/eza, ornada com os 
retoques da modestia» (V, 116). 

Boniteza é a qoaUdade do que é honito^ mas que nSo 
chega a serformoso. Bonito é palavra familiar que indica 
cousa agradavel á vista, e toma-se ordinariamente pelo 
opposto de feio, como diz o ditado vulgar : « Quem o feio 
ama honito Ihe parece. » — Quando se diz das pessoas» 



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entende-se particularmente das fei^^oes e expressSo do 
rosto. 

Lindeza é palaTra mais culta qoe bomteza, e tambem 
indica mór perfei^io m> objecto lindo^ que á qualidades 
de banito}Uü[a certo ar e gra^ que muito o aproxíma de 
hello e formoso. Tambem se entende especialmenle das 
boas proporcoes áo rosto acompaiibadas de graya e 
donaire. 

1^6. —BellMA^ o liello» 

O primeíro é um Tocabulo abstraeto de que OiUámosiü 
trtigo precedente; o segundo é nm vocabuk) concreto, 
pecoliar das bellas-artes, qne exprime o typo ideal qoe o 
artista tem formado em sua phantasia, e que ijie serTe de 
modelo para a execu^So de suas produc(5es. £ por assim 
dizer a bel'eza |>ersonifícada, isenta de defeilos e levada a 
sna oUima perfei^So. — bello considerado em abslractt 
melhor sesente que se póde defínír. Chama-se porém bello 
aquiDo que por sua fórma e apparencia deleita ; aquillo 
qne no aiscurso ou elocu^So brilba; aqtiillo qtie nas obras 
de arle sobreleva em prunor e esmerado feilio; aquilio 
qne nas altas discipliaas se remonta e sobe de ponto ; aquillo 
que nasac^5es, aíTectos, índole mostra, hooestidade e de- 
coro. — Para bem julgar do bello é míster culiivar o bom 
gosto, que é faculdade intellecliva, a que os Francezea 
chamSo le goúly e os modernos phiiosophos sapor om- 
iheticui. 

167. — BelUeoTO, fuerrelroy nallltar» 
■iiorotol. 

Todos estes adiectivos se referem a cousas da guerra, 
mas cada um d'elles tem seu valor pariicular. 

Chama-se bellicoso ao que tem inclina^o á guerra e a 
ella é dado ; diz-se particularmente das na^oes anUgas, 
cujo unico exercicio era a guerra, e nlo podi2o acostii- 
Diar-se a viver em paz. Usa se iambem no sentido figurado 
para indicar aquiUo que aníma á guerra, que inspira ani- 
mo gtAerreiro^ como disse Camoes : 



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flSb BEL 

Dai-nae uma furía grande e sonnrosa, 
E nSa de a^reste avena, ou franla ruda: 
Mas de tuba canora e 6e//f co«a, 
Que peito acende e a cdr ao gesto muda. 

(¿u*. ,1,5.) 

Guerreiro indica o que é proprio para a guerra» a 
pessoa que está habituada a fazél-a, e tudo que tem rela? 
flo com ella. 

Os antigos Germanos, que invadírSo parle do imperio 
romano, formavSo oma na^So hellicosa ;• o$ AlIemSes, 
que Ibes succedérSo, sSo uma na^So guerreira Os pri- 
meiros por inclina^So occupavSo-se continuamente na 
guerra, os segundos só quando a créem necessaria. 

Chama-se hellicoso a um principe que nSo só é aífei- 

rado á guerra; mas que d'ella faz sua principal occupa^So. 
guerreiro um principe que sabe bem a arle da guerra, 
e combate á frente de seus exercitos. — Carlos XII, rei de 
Suecia, foi um princípe 2>e¿¿2co5o;Frederico II, rei de 
Prussia, guerreiro. — As na^oes modernas s3o antes 
guerreiras que bellicosas, 

Tudo que concerne a sciencia da guerra, o que é ne- 
eessario para bem fazél-a, o que tem rela^Io com a admi- 
nistracSo d'um exercito^ é militar. A arte militar^ a 
discipiina militar^ exercicios militares ; o que mui bem 
se ajusta com a origem da palavra que é miles^ soldado. 

NSo se diz talentos guerreirosy mas sim mititares ; por- 
que a palavra talento refere-se aqui á arte, á sciencia. — 
Yalor guerreiro é o que se manifesta na ac^So de guer- 
rear e nos perigos que acompanhSo a guerra, e que com 
elles cessa. valor militar é um valor habitual que pro- 
vém nSo menos do exercicio da milicia que do conheci- 
mento de suas regras. 

Marcial deriva-se de Martf , deos da goerra. Dizemos 
ar marcial para designar aquelle porte ou arreganho que 
demostra o nobre sentimento da superioridade de suas 
proprias for^as, de seu denodo, fírmeza e vator, como po- 
deria suppor-se ao mesmo deos Marte. — ñfarcial e mili- 
iar nSo se us2o fallando de pessoas. — Diz-se um povo 
ou um principe hellicososy ou guerrdros ; porém n9o uma 
na^áo nem um principe marciaes, nem militares. 



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m 

Como snbstantiYO, militar indica tquelle qne pertencc 
B esta classe, que faz profissSo das armas. 

168. — BemaTeiituraiif A, beatUude, dlta, 
féleeidadey prosperldade , praser. 

Todasestas palavras signíficSo umestado degozo, agra- 
dayel e afortunado , com algumas differen^as que ?amos 
ayer. 

Usavio os nossos antigos a palamt aventuranpa, de 
ayentura, para designar um acontecimento ventiiroso, e 
d'esta paíaTra com a particula hem se formou bemaventU' 
ranfOj que representa um estado feliz, lívre de todo des» 
prazer, e acompanhado de todo contentamento ; e como 
nSo é dado aos mortaes gozar no mundo de tanto bem, 
s6 na outra vida póde o homem ser bemaventurado ; e a 
esta vida futura se chama especialmente bemaventuranfa^ 
da qual goz9o os santos no céo. 

BeatUude é palavra alatinada de heaiüudo^ que diz o 
mesmo que hemaventuran^ay felicidade etema. Tem po- 
rém a circumsiancia de se usar como titulo honorinco 
qne se dá ao Papa, como se 1¿ em Damilo de Goes, nt 
chronica d'EI Rei D. Manoel : « Era costume dos reis 
ChristSos mandarem obediencla a Vossa BeatUude, etc» 

A dita nSo consiste no gozo dos bens mundanos, sen2o 
nnma situa^So aprazivel e socegada em que aalmaseachay 
do qual nunca quizera sair. 

A felieidade e uma dita mais víva e acliva, pois neHa 
goza a ahna os mais deliciosos prazeres, sem ser inquie- 
tada de novos desejos. Porém, quSo raro e fugitivo é esse 
estado que chamámos de felicidade ! E quem poderá asse- 
gurar queo goza! 

A causa da dita vem ordinariamente de fóra de nós, e 
assim dizemos : tivemos uma dita, tive a dita de encontrar 
nm amigo, de obter nm emprego; (mditoso em minha 
empresa.^É pois a dita um acontecimento venturoso, 
nm successo feliz^ que ás vezes se repete, e conslitue o que 
se chama um homem ditoso. Dizemos ditosa vida, virtude, 
soIidSo, etc, quando nos faz passar em perpetuo agrado 
sem desassocego nem trastorno algnm. 



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f26 BEM 

Protperidaie é terno mais citensa qae os dmis preee* 
dentes, pcis indica feliz eslado de saude^ de Begoeiosy 
felizes successos; diz-se nSo só dos individuos, mas das 
vicSes, ete. 

prazer é nm sentimento agcadavel mas fugitivo. — 
Considerada a dita conio sentimento, será uma repeti^So 
de prazeres; a prosperid&de^ de snccessos aforUinados; 
e a felicidade, o gozo completo da pro^peridade, 

169. — Bcmdltoy aliciif oado , lieiito. 

I>o verbo lotino benedicere se formárSo trez verbof 
portugnezes que, posto que eoncordem na idéa princlpal, 
téem entre si alguma diíierenga, 1" é bemdizer que si- 
gnifica propriamenle diaer bem, louvar, exal^ar. O 2« é 
abenpoar ou abendifoar, qne sígnifica deitar a ben^^, ou 
ben^oes. O 3* é benzeTf que significa lan^r bengSes, 
acompanhando-as de preces e ritos appropriados á cousa 
qoe se benze. — Os primeiros dous eonfundem-se mnitas 
lezes na signlficagSo exteosiva de desejar, pedir bens e 
prosperidades para aiguem. O terceiro udo e tioie usado 
fen2o para indicar as ben^oes ecclesiaslicas ou supersti- 
dosas. — Histo bemdiz ao Senhor tanto na prosperidade 
como na desgra^a. Os pais abengoáa os fiUios para que 
aejSo felizes. Os sacerdotes benzem tudo que é consagrado 
ao cuito diTino. 

Esla diíléren^a se faz talvez mais sensivel nos partiei- 

§ios d'esiies verbos. — Betndito on ojbenQoada diz-se para 
esignar a protec^So particuiar de Deos sobre uma pessoa, 
uma famtlia, nma nafio, etc. ISossa Sentiora é bemdiia 
enire todas as multieres. Todas <as na(¡oes íorio abúngocu' 
das em Jesu-Cliristo. — Bento^ designa a ben^So da Igreia, 
dada pelo sacerdote com aa ceremonías do co&tume. PSo 
'kew^, agua benta^ etc. •— Vé^ pois que bemdito e ái 
vezes abenfoado se póde dizer no sentido moral e de loo- 
Tores, e bento no sentido legal e de oonsagra^So.— A¿ 
kindeifasmilitares5efilaf com grande apparatonalgreja, 
nem seminre sSo abeHfmtdae do céo no campo die üt- 
tallUL 



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BEN 137 

á70. — BencTolciiclay beucficeiicla, 
Iieiii4iiereiif«« 

Aiialysadasbem as duas primeiras palarrasnSo sepodem 
cbaiiiar rigorosamente synonymas, porque benevoleneia 
Tem de hent, bem, e volo^ quero^ e heneficencia de 
hene^ bem, e facio^ fajo ; e por cerlo a vontade ou de* 
scjo de £a2er bem de poueo Tale se o bem se ii2o fai. 
Considera-se porém a primeira como disposígio para a 
•eganda, e esta como a pratica d'aquella ; e eis toda a re- 
la^ qae ha entre eilas. 

Bemquerenfü é materialmente em portngnez o que 6e- 
ueveleneia é em la(im, pois vem do verbo bemquererqat 
corresponde exactauente a hene e volo; mas a sua signi- 
fica^ 2o diíTeren^a se da daqnella no uso da lingna antigo 
e modemo. No tempo d'El Uei Dom Duarte tinha a pala- 
Tra bemauerenfa mui lata significa^So pois aquelle sabio 
Bei a denne assim : « Bemqueren^a é lio geral nome que 
a todas pessoas, que mal nSo queremos, podemos bem 
dizer qne Ihe queremos hem ; porque nos praz de sua sal- 
Ta0o, Tida e saude» o doutros muiios bens que nSo sejSo 
a nós contrarios» (Leal Gons. pag. 247). —Em nossosdias 
isdica esta palavra a henevolencia para uma pessoa de- 
termioada, ou o quercr bem a certa pessoa ; e nisto con- 
siate siia synonyn ia com henevokneia. 

171. — Beüfli llTres, bens allodlace. 

Em lingnagem ¡uridica ebamSo^e itvre«aquelles bens 

2ne nlo estSo ligados nem vincuMos, qne ^e podem ven- 
er livremente, etc. ; e aUodiaes aquelles qne nSo nagSo 
presla^oon servi^o algum real ou pessoal a um sennorio. 
Asstm qne, os l)ens de capella, ou morgado, e os de mSo- 
morta nSo ^o livres, e p^dem ser allodiaes; e es efflphy- 
leuttCQS nSo sSo aUoéiae$,e^oátm ser livres. 

172« — Beüser-ee, perslnarHie. 

De ambos os modos moslrümos que somos christSos 
fizendo em nós o signal da cruz ; accresce com tudo no 
•egundo uma circumslancia, que nSo se dá no primeiro 



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128 BOL 

— Qaem se henze faz ama cruz com a mSo da testa ao 
peito, e d*om hombro ao outro. Quem sepersina faz 
qaatro cruzes, trez peqoenas com o dedo pollegar, na 
testa, na boca, e no peito, e depoís a cruz grande como 
quando se benze. — ?erbo persinar, que vem da for- 
mula latina, per signum $anct<B cruciSj etc., indíca per« 
feítamente a diíTeren^a entre ama e ontra acgSo. 

175« — Beste , csfupfdo, Idiota* 

S3ó termos injuriosos pelos qaaes se demostrft a falta 
de entendimento, mas cada nm d'elles com saa parti- 
cularidade. 

Diz-se que am homem é om hesta para si^ificar qiie 
nSo tem intelli^encia, penetra^o nem discernimento ; oue 
é idíota^ para mdicar que é incapaz de combinar as ideas 
qpe Ihe excitSo seus' sentidos ; e que é ettupido, para ma- 
nifestar que carece de todo sentímento. — homem hesia 
nada comprehende ; o idiota nada concebe ; ao eetupido 
nada o commore. 

174. — BIMiotliMayllirpsirta. 

Sd os qne ignorSo a etymologia d'estas palayras é que 
as podem contundir entre si ; ambas se referem a liYros, 
mas cada uma por seu modo. — A primeira é palavra 

frega ^sxioetirtt , e significa caixa, armario, casa onde se 
epositao e guardSo livros, o ]K>r synecdoche os mesmos lí- 
ms. — Livrarioy pela energia de sua termina^So, signi- 
fica multidSo de livros, armazem d'elles. — D'aqui vem 
qae ao garda d'oma bibliothéca se chama hihliothecario ; 
e ao que vende livros, livreiro. — Devemos com tudo no- 
tar que em Portugal se chama livraria ao que em Fran^a 
86 cnama hihlioiheca; e que a palavra livreiro temo 
mesmo valor qoe lihraire ; com tudo livraria nSo tem 
entre nós a accep^So mais generica que tem em Fran^a 
que é maneio e commereio de livros , e com referen- 
cia a esta é que se deve entender a palavra livreiro^ que por 
isso se chama tambem mercador de livros. — Deve advir- 
tir-se mais aue em Fran^a se chama tambem hihlioiheca 
ao que nós chamftmos estante, qner seja grande, qoer pe- 



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60L i29 

qnena, fechada oa aberta, com li?ro8 ou sem elles ; accep- 
^o que nSo póde admiltir'-se na lingua portugneza por 
causa da homonymia. — Para se nSo confundirem as 
eonsas, dever-se-hia chamar bihUotheca á casa onde ba 
grande copia de livros, classifícados e postos por ordem 
para se lerem e consultarem ; Uvraria, ao armazem em 

2ue livreiro lem os livros empilhados para o seu tra- 
co ; e estante^ á obra de madeira em que se poemos li?ros 
por sua ordem. 

175. — Bola, slobo, ««plierAy pellouro* 

Todas estas palavras indicSíoum corpo redondo por to- 
dasas partes, mas cada uma d'ellas exprime uma especie 
de redondeza, e n2o se podem usar indistinctamente umas 
por outras. 

Bola é um corpo redondo por todos os lados, ou esphe- 
rico, oco ou solido ; é palavra vulgar, ^ue alguns querem 
Tenha do inglez hall, que se pronuncia ból^ e designa 
espKecialmente os corpos esphericos massi^os com que 
se joga. 

Globo é palavra latina, globus^ nSo vnlgar, mas elevada 
e scientifica, e designa um corpo espherico de cujo cenlro 
todas as linhas que se tirio até a superficie sSio iguaes. 
Por este nome é conhecida entre os doutos a terra que ha* 
bitámos, e para maior clareza se Ihe ajunta o qualifícativo 
terrestre, ou ierraqueo. 

Esphera é voz gregp^ <ry«Vrt (jue se pronuncia sphéra^ 
t signifíca um corpo solióo perfeitamente redondo, no que 
concorda com globo^ com a differen^a que esphera é termo 
de geometria, de geographia e de astronomia, e tem mais 
lata significa^So que globo. Desi^na particularmenie uma 
machinaredonda e movel em cuja superficie está ira^ado 
9 globo terraqueo, ou os signos e constella^oes celestes, e 
iqueestSoadaptados circulos astronomicos que represeu- 
'<5o curso do sol na eclíptica. A primeira chama-se ter- 
restre, a segunda celeste. 

PeUovro^ palavramuito usada dos nossos antigos anter 
que tomassemos dos francezes a que hoje se usa, bala - 
vem provavehnente de peUa, coma termna^^o exagerativa 



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130 BON 

auro^ ou de peUo, langar, e designa toda a sorte de pro- 
iectil que saía das bombardas, arcabuzes, espiugardas,ete. 
Na nossa anlip^a fórma de eleic5es cbainav3io-se pedourog 
i umas bolas de cera denlro das quaes se inettíio os pa- 
pelinbos com os nomes das pessoas de qne se fazia es- 
collia para juiz ordmario, elc-, e d*aquí a locu^So sair no$ 
pellourosy islo é, ser nomeado, eleito. 

Por ser palavra hoje pouco ?ulgar, e de bom soldo, é 
mais poetica que bala^ e de seu uso nos deixou Gamoet 
bom exenip!o na estancia 67 do Cauto I : 

Isto dizendo, manda os diliffenfef 
MÍDÍ^tros amostrar as armaauras : 
Vein arnezes, epeltos reluzentes, 
M«lha$ iinas, e faminas s iruras, 
Escudos de pínturas diíTereotes, 
Pe//ouro5, espingardas dea^o paras, 
Arcos, e sagiitireras aljavís, 
Partazanas agudas, ctiu^as bravas. 

176« — Bondade 9 bcnlsnldAdc^ 
•onipalxáo, pledade, liunianldade. 

Ainda qne as qualidades más avuIiSo mjiito no homem, 
lia com luíio nelle muilas beneficas, que prov3o que elle 
üSlo é um animal iuteirameute malfazejo, que póde fazer 
bem, e muitas Tezes faz« é compassivo e amigo de 
seus similhautes. De muitas e varias maneiras se mani^ 
festa a propeusáo bcMfica do bomem, mas as principaes 
sSo estas. 

Chamámos hondade^ honitai^ i oalwal ÍDcIinacSo t 
fozer bem e a n2o causar damno a uossos similhaotes» 
como fariamos com nós mesmos, pelo iuteresse que nos 
inspirio seudo nossaimagem ou retlexo. Que succederá a 
outros que n3o nos baja succedido oti possa succeder a 
nós ?Eassim Virgilio, oitportuua e sabiamejite, poz na boca 
de Dido esla senleüciosa expressSo : > Haveudo experi- 
meniado as desgra^as, tenho apreiidido a compadecer-me 
dos ínfelizes, e por issoa£avorecél-os. Non ignaramali^ 
müeris succurrere disco. » 

k benigmdad4 corresponde tambem como espetíe i 



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BOl 131 

9,q«e oMinog eomo genero; e cbainaremoft be^ 
nignidade i bondade mesma quando a acompauüio a 
geoerosidade, a tolerancia, a iodulgeacia, a braodura 
e t amabilidade. EsU qnalidade é parlicularmente pro« 
pría das pessoas superiores respectivameate ás que Ihei 
^o iníeriores. — - Tomada a henignidade em sentidofiga- 
radOy correspoodea tevperaoi^, suavidade doar, do cUma, 
das esla^^oes. 

k cwnpaixúo é a lastima que nos causa o mal alheiOi 
e como que padecemos com os infelizes. Quando ella se 
ele?a, sobe de ponto e se mostra magnaníma e como 
inexgoiavei, (a£ bem geaerosa e destnteressadamente, 
ainda áquellesqne Ihe caus3o ma), chama-se piedade^ que 
é condoim^ito do mal alheio com vontade eíftcas de o 
rcmediar. 

A humanidade éo amor deoidido e ás i«zes estremado 
qait temos a t#do6 nossos stmtlbantes sem distÍAC^ de 
peasoas, ciasses e circumstancias; é dihenigmdaée eom- 

Eiaívt, acompaniiada de braadara de condi0o,e amavd 
neza. Gondoe-se sollicita dos desgra^^adtfs, hiisca soc- 
eorrél-os sem procurar saber quem é o que soíTre, neai 
porqne sofTre ; a fovor da quai faila o proverbio vulgar : 
rae bem, n2o eates a quem. 

177. ~ Borda , iiiarireiai , ribelra , ppala, 
•MUi, tfianas,an*I1iafli. 

Todas estas palavras indicio cousas que téem rela^o 
ODmediata com as aguas do mar ou dos rios, mas cada 
«na d'eilas por seu oiodo. 

Seodo bwda a extremidade prolongada de qualquer 
sapericte, quasi qne nSo tem largura, e é por assim dízer 
a orela da margem, áaíribeira^ da praia ou da costa. Mar 
aem é toda a exlensio de lerra chS, ao longodos r¡os,co- 
Mrta de verdura e por isso aprazivei k vi8ta. Ribeira é a 
margem mais ou menos dedive, de ordinario coberla de 
igna no inverno e descoberta oo verio. — Estes dous ter- 
■Oi diiem-se mais ordínariamenle dos rios que do mar, 
— Praia é ioda a esteitsáo de terra plana qiie as aguas 
do mar eohreni e haoMk) cob suas eacbe utes; e quaii 



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132 BEE 

sempre de aréa. — Riheira^ quando é do mar, sapplíe^e 
ser de aréa ; e de rios é de terra vegetal, mui fresca e pro- 
ductiva, por causa dos nateiros. — Co$ia é a porgSo de 
terra ao longo do mar, mais ou menos eleTada, e como 
que serve de barreira a snas agoas. Dunas, s3o praias 
mníto inclinadas, e consllo de medoes de aréa. Ribas ou 
arribasy s9o costas escarpadas on alcantiladas, e qiie 
constSo talvez de penhascos maís ou menos fragosos seguo» 
do as paragens, e, sobranceiras ao mar, servem de pa- 
dastro a suasenfurecidas ondas 

178. — Braneo , aliro , oaiiiliilo. 

Branco signifíca em ^eral a c6r mais clara de todas ; 
alvo é um branco mais vivo, que sobresa ie talvez brilba; 
candido indie»* particularmente o branco puro, suave e 
agradavel, e no fígurado exprime a singeieza do animo. 

— DiZ'Se em geral branco por opposi^2o a preto ou a 
outra cor ; alvoj para exagerar a brancura, como alva 
neve, alvas roupas ; candido^ para indicar que nlo fere 
os olhos, como, candida assucena, candido jasmim. — 

— Os dous primeiros vocabulos só se us3o no sentido 
physico e proprio ; o terceiro é mais usado no moral < 
Dgurado. 

179« — BroTe, ourto, flueeliito. 

SSo breves as consas qne em pouco tempo se execotio, 
e breve o que dura pouco tempo ; é breve a pessoa qne 
nio se estende nem é pesada em seadiscurso, d'ondevem 
dizer-se aos pré^adores : Eíto berevis, et placebis ; sé 
brevCy e agradaras. — C«r/o refere-seá dura^So e exlen- 
sSo, principalmente em longitude. Uma cousa é curta 
quando tem pouca longura. Chamámos curto ao tempo e 
a todas as cousas que n2o parecem ter grande exlen^o 
em sua longura, respectivamente a outras com que as 
comparámos, e assim dizemos : curto tempo, curto ca- 
minno. — Succinto só se refere á expressSO: e se applíca 
áquillo que se exprime do modo conciso e laconico possl- 
vel, sem omittir por isso mda que 8<4a essencial. — A 



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CA 131 

br^e oppoe-se longoí a curío, comprido; assim como 
aiiibso a succinto* 

180.— Bulba, ruldo. 

Toda hulha é ruido, porém nem todo rutdo é luíha. 
Aqaelle é o genero, esla é a especie delerminada do ruído^ 
que formlo com a voz uma ou muitas pessoas. ruida 
podc causál-o uma pessoa ou cousa só; para haver bulha 
é necessaria ordinariamente areunilo de miiita gente in- 
qnieta, aninaada, ou desavinda. — É ruídoso o macaréo 
quando quebra nos baixos ou cachopos; é ru?rfo<aa agua 
que se despenha das cascalas, mas n2o s§o bulhentas estas 
<^usas. Eporém hulhento o bomem que&s mette em du- 
ifkis, qi^ as arma, ou édado a brigas. m 

181. — C¿, mquU 

SIo adverbíos de Ingar, que valem o mesmo que este 
lugar, ou neste lugar onde se acha a pessoa que falla. 
Sua dífiferen^a consisle em que aqui representa o lugar 
d'om fflodo absoluto, e sem referencia aiguma a outro 
Ingar, v. g. Aqui vivo, aqui estou, etc. Porém cá tem 
maior extensSo, pois alem de representar o lugar onde se 
está, accrescenta por si só a exclusSo de outro lugar de- 
terminado, que directa ou indirectamente se contrapoe 
áqnelle cm que nos achámos. — Vivo aqui, janlo aqui, 
soppoe só e absolutamente o lugar onde vivo e onde janto, 
sem excluir determinadamente outro lugar, e sem repre- 
tentar por si a menor idéa de duvida, preferencía, on rela- 
^alguma respectivamente a outro. Porém hoje janto cá, 
esta noite fíco cá, exclue determinadamente o iugar onde 
eostnmo jantar, ou ficar. — No estylo familiar entende-se 
aqui por nesta casa, pois quando alguem diz , fulano 
jantou aqui hontem, ou passou hontem aqui a noite, é 
comose dissesse, iantou, passou a noite nesta casa. 

Quando cá se contrapoe a ¿á, indica a terra ou lugar 
em que estamos comparadocom outro de que já fallámos 
e a que nos referimos como se vé no ditado vulgar, cÁ 
clámás fadasha. 

II 8 

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iZk CAG 

182. — Caboy promontorloe 

Aquellaporclo de lerraque se ínlromeUeno mar 
pouca elevagSo, chama-se cabo, porque ali acaba oa fe« 
nece a lerra ; se o cabo é mui clevado ciiama-se proman^ 
torío, -- Esta pafavra, que é latina, promontorium {m€>mm 
in mare prominens\ é hoie pouco usada a nSo ser em 
poesía, e se diz cabo em toaos os casos. D'isto nos deix^oa 
exemplo Camoes numa de suas mais bcllas estanciaSy eni 
^e fígura fállando o gigante Adamastor : 

Bu soa aqaelle occulto e grande cabOf 
A qupm cnamais vós outros Tormcntorio, 
Oiie nunca a Plolemeo, Pomponio, Bstrako, 
Piinio, e quantos paasirao, fiii nolorio: 
Aqui inda a africana costa acabo 
Ñesle meu nunca vislo promontorio, 

2ue para o potoaBtarctieoseestcnde, 
quem vossa ousadía taoto oíTende. 

(¿iu.,V,íiO.) 

Segundo o poela, promontorio é o genero a aiie per- 
tencem os monies miii ekvados, eomo se v^ a'aqueUc 
f erso : 

Oi títot prémomiorÍM « «horárSo . 

(£««. , III, 84.) 

183« — Caeltoeipis, emtadupa, eascata* 

Por todas estas palams se designa nm salto on des- 
penhadeiro de agua; mas cada nma d'ellas representa sua 
circumstancia parlicuhrrquelbesdeiermina a dtfTeren^. 

Cachoeira vem de cachSo, e muito bem se applica este 
vocabulo áquelleburbnlhSo quefaza agna qnando, despe- 
ahsndo-se de rodiedos niais ou menos elevados, faz nma 
fervura continua na rarz d'eltes. É voz portngueia, ono- 
matopíca, e muito expressiva ; mas parece designar nlo 
fanto despenhadeiro da agua como o seu eífeito qne é a 
ter?iira, como se o fojo a agitasse em grossos bur- 
balhSes. 



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GAC 135 

Catadupa é palayra grega mxíIo^im (de ttarcLlwjn&^ 
eair, precipitar-se com Tragor ou estrondo), e designa 
ai|aelle sallo oa despenhadeiro de agua que se preGipita 
é% graode alUira; appKca-se partieularinente aos do NUo« 
e por extensio aos de grande» rios como o Amazonag 
Miasissípi. É fot taml>em imitativa na lingua grega, e re- 
presenta mui bem a queda e o e^trondo d uma grande 
torrente qoe se despenha de aHos roehedos. 

Cascata é palavra ítaliana, de cascare cair (de eado^ 
lalino), qie, pela sna etyniologia e som imitativo, indica 
optimamente a quéda de agna corrented'uma altura n2o 
tSo eterada como a da catadwpa. Distingne-se das prece- 
dentes n2o só em ser menor, senSo em que aquelias sSo 
sempre naturaes, e esta é muttas eas mais das jeze& arti- 
ieial, e serre de omato aos iardins. 

Asstm qne, quando qntzermos indiear o ruido da agna 
ipit ao despenhar-^e ferve en cacb5es, diremos cachoeira; 
qamio tivemos em vista fazer senlir o fragor com que 
HDa tof rettte se precipita de devada altnra, diremos com 
mnita propriedade eatadwpaí e quaodo fallarmos da 
qneda natvral on artiBciai com que nos jardins a agua 
se debru^a de rocbedos á íei^ de conchifó oa dispostos 
como degráos, o termo pfoprio de qne asareflMS é o de 
eoieatf^ 

184* —CaelMiNBS^ abvolliOSy •«collioo^ 
fareiKooo* 

Téem osr a«tores conf Bndído estas palavras, sendo ellas 
üstinctas e indicando eoiisas diversas. 

Caehopos sáo penhaseos qae saem fóra d'agua, onde 
rebentáo as ondas. IMzem os elymoiogistas que eaehopo$ 
é a eornip^o de scopuU^ 

Abrolhos é voz usada em sentido traaslato para nt* 
fiear aquelles eaehopos qoe lbrm9o pontas conso a planta 
diamada abrolhos on estrepes. Báo menores que os ca- 
chopos. 

Emíolhos sSo aqnelles pennaseos qne estSo debaixo 
d'agna e nSo se descobrem bem, d'onde resolta serem 
Bais perigosos que os eaehopos. Esta palayra vem do 



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186 GÁD 

latim scopulus edo grego 9xó7rs¿o;,esua significa^Io res^ 
tricta é antorizada pelo uso da lingua castelhana. 

Farelhdes s3o escolhos ponieagudos, empinados a cinui 
d'agua, uns contiguos á terra, outros formando ilhetas, e 
por sua grandeza e perigo que perto d'elles correoi m 
navios andSo assignalados nas cartas maritimas. 

185. — Caduetdadcy deerepltude. 

Estas duas palavras sSo latinas : a primeira tem soa 
raiz no Terbo cado, cair, decair, estar em decadencia, 
em ruina ; a segunda, no Ycrbo crepo, estalar, quebrar-scy 
trope^ar. 

A caducidade manifesta decadencia ou proxima ruina ; 
e decrepitude ou decrepidez^ destrui^o, uliimos eflfeitos 
d'uma lenta e insensiyel dissoluclo. — A deerepitude 
diz-se, propriamente fallando, ao homem e nSo do6 
demais seres animados: a caducidade díz-se aigumas 
vezes, em sentido metaphorico, de tudo aguiUo que por 
Tclho ou gaslado se acaba ou amea^a rnina, como nm 
edifício, etc. ; e tambem fallando de bens, porperece- 
douros e transitorios, e dos direitos e leis, que aizemoa 
commummente que hio caducado. 

Com acerto se vale o uso commum d'estes termos para 
distinguir duas idades ou dous periodos na velhice. Ha nma 
velhice que vulgarmenlecbamámoscaducaeoutracíecrd- 
pita. A caducidade é uma velhice premalura e achacosa, 
que conduz á decrepitude^ e esta uma velhice já em sea 
extremo,e porassím dizeragonizante,queconduz ámorte. 

Os physiologistas diíferen^o os dous eslados do ultimo 
quartel da vida com os segumtes caracteres. No ancüo 
naduco curva-se o corpo, desordena-se o eslomago, afiin- 
dSo-se as rugas da pelle, toma-se aspera a voz; obscn- 
rece-se mais e mais a visla, entorpecem-se todos os senti- 
dos, perde-se a memoria, e todas as func^oes do corpo se 
exercem lenta e penosamente. — Tudo decai ainda maif 
nq decrepito, corpo nio póde já sustentar-se, falta in- 
teiramente appelite e a memoria, a lingua tartamudéi 
e apenas póde pronunciar, eslá gasto o jogo dos orgios 
torporaes, perde-se até o uso dos sentidos, é mui lentaa 



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CUs 137 

eircula^o do sangae e a respira^o, e&fraqneoe-se por 
extremo o corpo, tado se dissolve; diremos pois que o 
anciSo caduco acaba de YÍYery assim como o decrepif 
principiaa morrer. 

186; ^ CalcuUir , eomputar^ eoiitar. 

Esta ultima palavra é a mais generica de todas, pois naa 
escolas de primeiras lettras se ensina a ier, escrever e 
contar; mas este ensino, mais de roiina que de sciencia^ 
consiste em fazer numera^oes, e algumas opera^5es aritti- 
meticas para conhecer ama quantidade; é por asslm dizer 
o romance da sabia lingua do cakuh, 

(7a/cti¿ar é executar opera^oes arítlimeticas ou fazer 
opera^oes particularesdasciencia dos numeros, para ctie^ 
gar a um conliecimenlo, a uma prova, a nma demonstra- 
gio. — Computar é reunir, combinar, addicionar os nu- 
meros dados, para conhecer o total ou resultado. 

Contdmos quando numerámos, isto é quando queremos 
saber o numero de certas cousas come^ando por um, 
dousy etc. ; um menino conta primeiramente pelos dedos, 
•fm, dous^ trez, etc. , e rigorosamente lallando nSo 
computa em quando nSo póde dizer um e dous fazem 
treZj dous e trezfazem cinco^ etc. ; e com muito mais raz2o 
está longe de poder calcular por divisoes, multiplicaQdes 
e diminui^oes. 

O calculo é uma verdad(;^*a sciencia formada de muitos 
methodos muisabios. astronomoco/cuíaavolta dos co* 
metas ; o geometra, o infínito. Dizemos calculos aslrono-* 
micos, algebricos, etc. ; calculo diíferencial, integral, in 
fínitesimal. — contar olha-se como negocio que po- 
deremos cliamar economico, isto é, relativo aos assumptos 
de interesses, de adminis'tra^So, de commercio, etc. — 
amo toma contas a seu feitor, e este deve ter suas contas 
claras e em dia. — commerciante tem seu livro de con-^ 
tas em que assenta seu Deve e Hade haver. 

computo comprehende-se no calculo e na conta^ poi;s 
é uma opera^So delerminada e limitada a calculo. Assím 
é que chronotogista computa os tempos, partindo de 
termos conhecidos para chegar a um desconhecido ; e o 



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138 CAM 

istroffonio comiHna sobre tabuas de sna sciencia para 
flxar lempo e o instante mesmo da repeti^o d'um pho- 
Homeno. — Todo o homem dcTC saber contar, e alé certo 
ponto tem necessídade de saber calcular ; o computar é 
proprio dos doutos. 

A pala^ra comfmtftr nloé conhecida do vnlgo, em cujo 
lugar diz contar, e apenas se usa no scntido proprio ; caU 
cular nsa-se no sentido fignrado em lugar de combinary 
raciocinar, etc. ; contar entra em mui variadas locu{$eft 
como se póde ver nos diccionarios. 

187. — Camillta 9 •amlnlta. 

Pareee cpie estas dnas palaTras, sendo ambas diminu- 
liYas de cama, dcYiSo ter mesmo ?alor; mas nio 
aeonteee assim, porqne caminha exprime simplesmente a 
pequenez e pouca conta da cama, e eamilha indica camt 
molle, de recosto, ou á ligeira, para dormir a sesta t 
descanso. 

188. — CampeaElno,canipestref aci*efltey 
rustlea. 

ks palams latinas campus, agererus sio as radicaea 
das píortugnezas de que aqui vamos a ir^iair. ^Agreste 
tem mais extensSo, e ás vezes diíTerente significatSo que 
em latim, pois é por tezes eomo synonymo de selyagem, 
e significa a natnreza em si mesma, sem que Ihe haja to- 
cado homem por meio de cnltura, e assim dizemos : um 
campo, um silio agreste qne nSío pison a planta do homem; 
mas em latim ager signincava commummente campo cul- 
ti?ado. Quando algnem se exprime com grosseria, dureza 
e certa ferocidade, dizemos que ;*ens costumes, maneiras 
e linguagem s9o agrestes. Esla expressSo é de ordínario 
tnjuriosa e se toma em máo sentido. — Mais suave é a de 
rustico que vem de rus, e significa homem toseo e gros- 
seiro, opposto a urbano. Cham3o-se rusticas as cousas 
fue pertencem aos trabalhos e costnmes do campo, e em 
sentido flgurado ao qne carece de cullura e policia. — 
Campezinoou compesír^ contrasta com agreste ^ois nio 



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CAU 139 

exdne a ídéa de eiriltira,de prazer e a^do qiie do campo 
póde rcsullar.— üm silio agresle $o preseiita estereis 
rochas, arrores sihestres. ermas chamecas que causio 
horror, tristeza e melancolia. Um sitio campestre ofTerece 
Tistas agradaTeis e risoohaSv pfantas írnetiferas, pa$to6 
abundosos, ondese véem rebanhos quasi domeslicados, 

Íirados esmattados de boninas, arvores carregadas de 
ructos ; por toda a parte se occopio os camponezes em 
trabalhos uteís; a niiTocencia, a alegria, a feficidade téem 
ali sua morada. e qiiando a lavoura é protegida reina na 
tldeia a abundancia e a prosperidade. NIo conhecemoi 
prazeres qne possSo chamar-se agresteg; porém, qti3o de- 
líciosos, smgelos e naturaes nSo s2o os campestres^ 

Gampezino é igual a campestre em quanto á deri? a^So, 
porqne ambos vem de campus; com tudo aquelle é menos 
extenso, pois indica por sua termina^o o qne habiia on 
fÍTe no campo, homem ou animal ; e campestre se estende 
a iudo que pertenee ao campo. Todavia eampezino é mais 
poetico qne campestre. 



189« — Canduray naturaUdade, llianeasa^ 

Ini^enuiiladey slneerldadey alnselezay 

f ran^eza 9 llaura. 

Toáss estas paTavras represenfSo ontras tantas qnali» 
dades moraes, que tornio estimave) a pessoa que as pos« 
sne» e que j)osto que algnma vez se eonfundio, sSo entrs 
8í bem diñerentes. 

O branco da a^ucena e do iasmim, suare, brando, <jue 
ASo offende a vista, é o typo da candura, que, em seiitido 
metaphorico e mais usado, sigpnfica aquette estado de iir- 
nocencia e pureza de animo que nSo conhece malicia, e 
ignora do mundo o trato. 

Aqnella disposi^So da alma qne leva o homem a dtaer 
livremente o qne pensa e o qne sente, sem biiscar artifl- 
dos, sem attender aos inconvenientes qtie d*ahi podem 
resullar, tem o nome de naturalidadey porque se sgusta 
i o estado naturab áo homem e n9o conhece arte. 



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140 CAÜ 

De Ihano ou planOy que é uma superllcie igual sem ele- 
▼a^oes, vem a voz metaphorica Ihaneza, qtie indica facir 
iidade no trato, igualdade no genio, e nenhum fumo de 
soberba. 

Da palavra latina ingenuitasj que no sentido recto sígni» 
fíca liberdade, o estado e condigSo do que nasceo e par- 
manece livre, vem ingenuidade, que em sentido translato 
signifíca boa fé, realidade no qne sediz ou se faz, abertura 
de senlimentos sem nenhum disfarce nem contemplaclo. 

Formava-se o vocabulo latino sincerus de sine e ceraf 
alludindo ao mel puro sem mistura de cera, e signiñcava 
cousa pura» sem mistura. D'aqui veio sincerttas e em por- 
tuguez sinceridade, que emsentido recto signifíca pureza, 
nenhuma mistura de cousa que altere ou corrompa, e no 
sentido translalo designa unidade perfeita do pensamento 
com fallar, exclusSo de toda a idéa de engano ou 
falsidade. 

Ghamámos singélo a tudo que nSo é dobrado, e portanto 
a singeleza é o opposto de dobrez e malicia, « sendo dif- 
ferente a metaph(»ra vem a encontrar-se com sinceridade^ 
com a diíTeren^a que esla nunca degenera em defeito, e 
aquella sendo demasiada confunde-se com simpleza. 

Da palavra franceza /ranc^/se fizemos nós franqueza^ 
para designarmos a qualidade de ser franco^ talvez no 
mesmo sentido de isento e isen^So, e por isto é proprio 
este termo para indicar a liberdade com que se falla a 
alguem, e a isen^So com que Ihe dizemos o que sabemos 
ou pensámos sem attendermos a qualquer respeito quc 
podera embara^ar-nos. 

D'uma superfície lisa^ em que nSo ha escabrosidade 
alguma, se tirou a metaphora da palavra lisura que de- 
signa aquella igualdade de animo no fallar e obrar que 
Dao é entremeada de segunda tengSo, nem reserva, e por 
assim dizer, falla com o cora^Io nas máos. 

A' eandura oppoe-se a malicia e a dissimulagio ; á 
naturalidadef oartifício; á Ihaneza^ o ar entonado ; á in 
genuidade^ o fíngimenlo e a imposlura ; á sinceridade, a 
mentira; isingelezay a dobrez e o refolho ^kfranqueza^ 
« reserva ; á lisura^ a aíTectaySo e o disfarce. 



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CAP 141 

lOO.— C^ntadeira, contora^ eontarino^ 
cantatriz* 

Todas estas pessoas canlSo, mas cada uma d'ellas por 
differente motivo , e seu canto é apreciado de diver- 
so modo. 

A mulher que anda sempre a cantar on ganha sua vida 
a canlar, chama-se Yulgarmente cantadeira; a quesabe as 
resras do canto, e com boa yoz o executa, sem d'isto fazer 
ofncio, é uma cantora; a que professa a arte de cantar, 
e Ogura nos theatros, pelo que recebe estipendio, é uma 
eantarina. 

CantatriZy qne é palavra latina, posto que alguma ycz 
se tome por cantora, corresponde mais particularmente a 
cantarina. 

191 f ^Capacete, eaaeo, elmo, niorriáo, 
eimeira, eelada. 

Todas estas palavras desígnSo uma parte da armadura 
antiga que cobria ou defendia a cabe^ ; a qual variava 
na fórma, e d'aqui os differentes nomes por que era 
conhecida. 

Capacete, áo francez antigo cakaéset^ era uma pe^a de 
metal da armadura redonda que cobria a cabe^a, sem 
omato. CaicOj do francez caeque^ signifíca o craneo ou 
caixa ossea que encerra o cerebro, extensivamente o ca- 
pacete que se ajusta á cabe^a. Elmo, do hespanhol yelmo^ 
signifíca uma especie de capacete ornado de cristas, 
penachos, etc, com viseira que cobria o rosto, como se 
vé do que diz Camdes fallando de Baccho : 

A viseira do elmo de diamante 
AleyantaDdo um pooco, mui seguro. 

(£««., 1, S7J 

MoriSo, áo antigo francez morion, era armadura da 
parte superio da cabe^ com algum ornalo ou piuma- 
gem. Cimeira, do francfz cimier, de cime, era a parte 
superior do elmo ou morridk) adornado com plumas 



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ift2 GAP 

Celada é palavra castelhana, ponco nsada de dossos 
antores, mas intií íreQuente na hisloría de Don Quijoto, 
que vale o mesmo que eapacetey e parece corresponder ao 
galea dos latinos. 

19S. — C»piicitar« cenireReev, 
persuadlr. 

A primcira épalsTra Tulgar, e significa fazcr crer al- 
giima coiisa a alguem ; as duas ontras sSo palavras techai- 
cas da oratorta. 

CoTwencer é prorar ao entendimento que uma eoosa é 
verdadeira ou falsa, boa ou má ; persuadir é determinar 
a Tontade a que obre em consequencía d*esle eonvenei- 
mento. — Com os argumentos conwneemoe sómente ; 
porém snpposta a convicj;So, e ainda qiie esta nlío sc^ 
taivez completa, pereuadimoi com a autoridade que me- 
recemos ou com os affeclos qne excitámos. — A ac^Sa 
de convencer dirige-se ^rincipalmenie á intelligencía; 
assim como a de persuadir aos sentimentos do cora^So. 
Veja-se Convic0o. 

193» — CapaxyliaMI, apto, déstro. 

Applic3o-se em geraf os adjectivos eapaz e k€tM ás 
ac^oes dos homens. um homem eapaz de fazer qnalquer 
consa é o qoe reune em si todas as racutdad^^s e requisitoe 
necessarios para poder fazéla. A palavra hábit tem mais 
extensio que a de eapaz, pois imo só designa as quali* 
dades anleriores, sen$o de mais a mais a facilidade da exe- 
cu^ak) adqnirida pela repeti^So de aclos. üm juiz póde 
saber todas as leis sem ser hab'l em suas appIicagSes. Um 
sabio póde n2o ser habil nemem escrever, nemem ensinar; 
porém em seu estylo siugeio, ainda desalittl)ado,manifestar- 
Dos grandes verdades. 

A palavra capacidade refere-se mais ao conhecimento 
dos preceitos, e a de habUidade k sua appliea^Sío; aqittlla 
adqiiire-se com o estudo,esta com a pratica. que tem 
eapacidaúe é proprio para emprehender; o <me teni 
hahiUdade, para levar a eíTeito o qne se pretende. Par» 



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GáE 14^^ 

maDáar é necessaria a capaddade^ t para obrar apnn 
posito a habilidade. A capacidade perteuce á medUa* 
00, a haM dade á execu\;3o ; aqucUa é mais propria daa 
seiencías. e&ia dasarles. 

Considera-se a apíidao coau> uma idoneídade pasaiva, 
«endo activa a capacidade É pois esia uma dis|»osi^ 

rira tudo, l>€m ou mal, e assim dizemos qiie um homeai 
eopaz degrandes virtudese de graudescrimes ; a u^pU' 
ddo entende-se commummente para o bem, assim como a 
destreza póde sél-o para um e ouiro. N3o se dirá d'uma 
pessoa que é apta para roubar, para a&sassiuar, para 

Jnalqucr maldade que exiia aslucia e manha; ma» sim 
izemos que é distra em roubar, que deo uma puiilialada 
eom destreza, qiie foi déstra em executar, em dissiroular, 
em occultar o crime e em aífastar de si toda a suspeita. 

Sendo a destreza a facilidade, promptidlo e bom geito 
eom qne se Caz aiguma cousa a quese eslá acostumado» 
on adrestradOy refere-se especialmentea tudo em que 
póde entrar exercioio de corpo ou manual. — Um liomem 
póde ser déstro na esgrima, em caval^ar, nas armas, em 
atirar, na maiiobra naulica.assimcofflo uma muUierpódc 
ser déstra no goveruo da casa. 

194« •— Capelpsoy InsldioM* 

Ser?imo-nos d'estas palavras para expressar em geral oa 
meios que se empreglo para sorprehender, enganar e aba- 
sar da singdeza ou pouca intelligencia das pessoas. 

Capciosoé paiavralaiina, captiosus{de capto^ frequeii* 
tativo de capio) e designa aquiiio que se diriáe a sor- 
prehender a intellígencía earazSo, hallucinando aqueila 
com falsas apparencfaa de yerdade, e obscnrecendo esta 
com falsi'S deduc^oes. Applica-se o adjectivo capcioso 
aos díscursos^ racíocinios, pergontas e cousas simi- 
Ibanies. 

Insidioso k tambem palavra latiiia,tfif tdtoMij, e desi^a 
que |>oeearma ciladas. l-ifrece que o tiufdioaose dirige 
a Interessar e dominar o amor proprio, a vaidade e OH' 
trai naiuracs iuciíiui(5es : tiNÍo btoé armar la^Ma qoem 
&t insidiu. Dia-sc tsmlo oas oessoai como daa oonsas. 



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144 CAR 

Os meios capciosos dírígem-se a fazer cair alguenn em 
erro; os insidiosoi a attraliíl-o insensivelmente a um 
la^o bem armado. 

O qiie se deixa enganar por meios eapeiosos parece que 
consente eile mesmo no erro qiie adoptou, e em que ctiega 
a obstíiiar-se. O que caío no la^o por meios insidiosos 
conhece alfím seu erro, quizera saír d'elle; porém já n2o 
póde. — Deslumbrlo os meios capciosos; seduzemear- 
rastrlo os insidiosos, 

i9S, — Cara, fk>eiite ou fronte, rasto, 
aemblante , faee 9 Tulto* 

Por todas estas palavras se designa a parte mais nobre 
dohomem, que ao corpo, qual soberana, preside e manda. 
Mas cada uma d'eilas ajunta á idéa fundamental alguma 
accessoria que a modifica, e que importa conhecer para 
nSo as confundir. 

Cara é palavra grega x<kpec ou xa/»»} esignificava cabe^a, 
cume ou cimo ; mas entre nós só significa a parte anterior 
da cabeca do nomem, e de alguns animaes brutos. — É 
expressao vulgar; e ás vezes incivil e grosseira. NSo é ad- 
nüttida em esty lo elevado, e em lugar a'elia usSo os poetas 
a palavra frente ou fronte (que ambas vem de frons). 
José Agostinho de Macedo diz na MeditagSo : 

Mas que pasmosa architeciara é esta 

D*este corpo, qae eu palpo, eu sÍDto 7 A ffenle, 

Qual soberana, Ibepreside e manda! 

E CamSes, 

Sue d8o nolargo mar,Gom leda fronte, 
asno lago entraremosde Acberonte. 

Estando c'um penedo fronU a fronte, 
Oue eu pelo rotto aDgelico aperlava, 
Naofiquei bomemnio, mas mudo e quedo 
BJuntod'ompenedooutro penedo. 

(¿««.,l,5l,ey,86.) 

ChamavSo os latinos rostrum «0 bico das aves, ao e»- 
poriío da próa das emliarcacbes, e ao que com elle so 



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CAR ík& 

; 08 nossos anligos chamavSo e ainda hoje os 
Castelhanos chamlo rostro á cara dos racionaes, por ser 
a parle saliente do corpo sobretudo visto de perfll, em que 
onariz fórma uma especie de bico. Por snavidádede pro- 
anncia se diz rosto. £ expressSo mais elevada que cara^ 
pois sóse diz dos racionaes, e é poetica, como se vé da 
precedente cíta^So de Gamoes, e da seguinte : 

E com seu apertando o rosto amado, 
Que ossolu^os elagrimas augmenta. 

(Lus,, 11,41.) 

Semblante (lalvez do francez Bemblant)éo rosto con- 
siderado como expresslodos aííectos oii paixoes, e muitas 
Tezes equivale á representa^So exterior que no rosto se 
mostra do que nalma se passa. 

Da palavra iatina facies vem a nossa faee, que signi- 
ficando rigorosamente a ma^i do rostOy ou a parte da 
eara desde os olhos até á barba, significa por extensáo 
toda ella; usa-se muito a proposito qnando a consíderá- 
mos Toltada para nós. 

A' palavra latina vultus muitas vezes corresponde a 
nossa semhlantey como se vé d'este lugar de Cicero : 
m Vultus animi sensus plerumque indicani (de Orat. 
2, 35). O semllante muitas vezes índica os sentimentos da 
alma. » Porém o mais ordinario é signifícar o relevo do 
corpo humano ; e como no rosto é onde mais avuItSo as 
fei(5es humanas, us2o-na os poetas para indicar o mesmo 
rosto^ e talvez rosto formoso, como se ínfere d'aquelle 
lagar de Camoes : 

8uem {*) d'uma peregrina formosura, 
'um vtt/to de Medosa propríamenle, 
gue o coragSo converte aae tom pre$o* 
m pedra nSo, mas em aesejo accesor 

(£tt«., III. 141.1 



{*) fobeiitende-se : pédeNvrar-se. 



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U6 CIM 

ft9b« — Cavfteter,«oiiigtancUi. 

A palavra caracter, hoje muilo usada, é grega, x^p^^x-ntpr 
ede^igna, em seu aentido proprio, aquella qualidade qiie 
dislingue as cousas e as pessoas umas das oulras, e assim 
chamámos homem de caracter ao que permanece constante 
na opiniiio ou idéa que furmou uma vez, no parlido qnc 
adopton, na resoln^So que tomou;qualidadeamaisexcel- 
lente no homem, pois que suppoe e comprehende as dc 
animo, valor, soffrimenlo, firmeza, vigor e forga. Ha pon- 
cos homens de caracter firme, conslante, tati'o na pros- 
pera como na adversa fortuna. A maior parte varía, mada 
e conlradiz-se pelo leor das circumstancias e de seus pro- 
prios interesses, e isto se chama n3o ter caracter. 

caracter suppoe constancia que é perseverar na- 
quiüo a que uma vez nos proposemos; é proprio dacon»- 
tancia nao variar, apezar das contradic^oes quese prescii- 
tem, 011 dos trabalhos e desgra^asque possSo sobrevir. — 
A constancia toma-se em bom sentido, pois em o mal sc 
chama obslina^áo ou leima. caracter póde ser bom oa 
máo ; todo o seu merecimento consisteem váo mudar. 

197. — Caraetéres, lettrM. 

As lettras s3o caractere$, mas nem todos os earac^ 
téres sao lettras : esta é a especie, aquelle é o genero. 

Sendo a escritura a arte de exprimir as idéas por meío 
de cerlos signaes graphicos, ou caractéres, e sendo csla 
de duas especies, uma ciiamada ideographica, que é a que 
represenla osobjectos por meio de signaes, e outra phonc- 
lica, phonographíca ou alphabetica, que é a que presenla 
^os olhos por meio de earactéres os differentes sons qne 
entrSo na composiglo ()'umapalavra, téemconcordadoos 
sabios em chamar caractéres nlo só ao que vulgarmcnte 
chamámos lettraSf senSo a todos os signacs graphícos 
da primcira especié de escritura. 

Taes sSo os caractéres arithmeticos, os algebricos, os 
geographicos, os astronomicos,aescriturados Egypciose 
408 Chinczc8« ctc. £ só sc ehamlo Uttras o& earaotére^ 



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^ eicrifnra plioiietica ; Itef fiio m de todos osalphabeUM 
« Earoipa. ^ 

A's lettras dc fSrma ou de molde ebamSo os Franceze» 
earacteres^ quc nós com mais razio chamámos tiipot- 
por isso qne se chama typographia á láo famosa arle de 
imprimir com eües. 

198. — Caimitla, eMMCK. 

Careitia é a quaJidade de.ser cara nma cousa, ou de tcr 
80l>uio de preco; je e$aacex o náo .ser a cousa «ufficiente 
^ra o con&ummo e uso que d'dla se faz ou tem que fazer. 
A e$cacez iraz como consequenfiia.t camíía. HaMcocei 
de cereaes, e por conseguinte :se váo pondo mui corof e 
mmceiS'de adquerir. 

Chama-se larobein e$cact%^ em^entido maison menos 
irai^laUcio, aparcimonia, mesquinhez e «urleza com que 
8c da, faz oa promelle a)guma cotisa. Diz-se cemidt 
escoffa, (Pictfcejsde vinho, de agua, quando Jia pouca:lam- 
i>em ^e c/jama e$cas(y de luzes, de conhecimenlos ao pouco 
ou tjada tnslruido, ao nescio, ao indouto ; mas em nenhum 
aesles casos se poderk usar da palavra care$tia, 
oücaro. ' 

á^-'CSmriitote 9 ivkÍlwMliiHvpta^ «nor. 

Cicero coDifirehende debaixo do nome de carita$^ de 
qoe nós ^fizemos caridade, as id^s de nmor, benevolfin- 
da, ternura, aelo e amizade ; pdo que se eleva muito a 
eima de phüanthropiaf que segondo sua etymologia (de 

£4oc e áM$flú)noi) vale o.mesmo que amor dos homens, oi 
1 huxBanidade. • 

A religi3o chrisl5 elevou a caridaáe ao supremo gráo 
de vktude Abeologica; por^Ut'é que amámosa Deos e ao 
proumo, que amámos a nossos pfúpiíos inimigo&, que 
nos condoémos das míserias deflM>ssos similhtiiles, e ihes 
aeodimos>eomdH>ooorro4dBdaáíCUftUde\priva^de8 nossas; 
ella nos leva a fiizer bem tpor motivos mais qtie humanoi. 
bem que fazemos n5oé só por amor do homem, senSo 
9or amor de Deos, que assim no-lo disse enos deo exem^ 



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i&8 CAE 

plo ; ella é pois a maior das TÍrtndes evangelicas. — Muito 
mais rasteiros sio os motiTos e os fíns dsíphilanthropia; 
ama-se o homem por amor do homem, e se algum bem 
se Ihe faz nSo se póde equiparar aos infínitos bens qiie a 
caridade christS derrama continnamente com mSo larga 
em toda a parte onde o Inme do £vange1ho eclipsou a pa' 
lida iuz da humana philosopliia. -^Kphilanthropia fuu'- 
da-se naquelle principio uniYersal, que n3o é isento de 
egoismo : «Faze aosoutros o que quererias que te fízes- 
sem a ti ; » a caridade tem a sua origem em Deos, que é a 
mesma caridade, Deus caritas est^ por Deos e para Deos 
obra, só d'elle espera retribui^o. Aquella é virtude ange- 
lica e diTina, esta é terrestre e hnmana. Sua differen^a 
está bem declarada naquellas sublimes palavras de Je^u- 
Christo : « Amar os que vos amSo é de todas as leis; eu 
mando-vos que ameis osproprios inimigos. » 

Se amor se differen^ a da amixadt, como vimos na- 
quelle artigo (Yej. pag. 55), muito mais se deve diíferen- 
f ar da caridade ; porém como as obras d'um e outro 
aífecto se possSo equivocar, para bem as appreciar é 
mister saber a inlensSo d'onde provém e o fim a que se 
encaminhlo. — A caridade é sempre uma grande virtudey 
a philanthropia póde ser egoista, o amor é sempre inte- 
resseiro, e por vezes criminoso. — • Muito bem explicou 
esta differencao Padre Yieira naqaelie notavel sermlo dos 
ossos dos eniorcados; fallando elle do bom agasalho que 
Pharaó deo a Abraham, diz : « Parecia piedade, erüo res- 
peitos; parecia misericordia, e erSointeresses. Digamo-lo 
mais claro. Parecia caridade, e era amor, Todas estas 
enchentes de bens corriSo á casa de Abraham, nSo por 
amor de Abraham, senSo por amor de Sara ; e nSo por- 
que era peregrina Sara, senSoporque a formosura deSara 
era perejgrina (II, 407). » 

Note-se que a palavras caritae é latina, de carus ; a que 
Ihe corresponde em grego é ¿váTm de «^airáw amar, como 
se vé d'aqnelie ingar de S9o Panlo : ii áyánn /^ax/»o0v/Aci, 
h ^wn oú ^KiAoT; caritas patiens est^ caritas non eemu- 
kOur (I aos Gorint. xm, 4). Amor em grego é ipf^»*. 



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CAB Í49 

200. ^ Capnlcclro 9 earnlvopo. 

Estes dous adjectivos designSo em geral os animaes que 
ie suslentSu de carne, mas suas terminacoes Ihes dSo bem 
differente valor. Carniceiro é o animal que se ceva de 
carne, que se ceva em carniga ; carnivoro é o que com€ 
carne. primeiro indica o appetile natural, o liabito? 
constante; o segundo annuncia simpiesmente o facto, 
costume. 

Os naturalistas, quando comparSo estas duas especies 
de animaes, dizem que o qome de carniceiro pertence 
ácjuelle a quem a natureza fór^a a cevar-se de carne, e n2o 
pode viver u'outra cousa, e carnivoro ao que come carne, 
mas nlo é reduzido a esle só alimento. e póde nutrir-se 
dos fructos da terra. — • O tigre, oliSo, o lobo* sao propria- 
mente animaes camiceiroi ; o homem, o c2o, o gato sSío 
animaes carnivoroi. 

Carnivoro é lermo maisproprio de scienciasnaturaes, 

2ue constrasta com frug;ivoro : carniceiro é termo vulgar 
a lingua, por isso mais usado, e ás vezes com a signifi- 
ca^o de cruel e sanguinario, como fez Gamoes naquella 
apostrophe aosassassinos de Inez de Castro : 

Contra uma dama, ó peltos eami€Hro$, 
Feros vos mostrais e caTalieiros 7 

{Lut., 111. tSO. 

201. — Castldade 9 contliieiicla , pudor^ 
pudlelela , Tlrslndade^ pureza. 

Considerílmos todas estas palavras em seu sentido m(h' 
ral com rela(2o ao uso dos prazeres carnaes. 

A ccutidade é a virtude que directamente se opp5e a 
elles : fírme e rigida domína e sujeita nSo só a parte ma- 
terial ou corporea, mas até o entendimento evilando pen- 
samentos e paiavras que respirem Inxuria ; submetie vo* 
lanlariamente á autoridade da lei os appetites e pi azeres 
eamaes aindaquando permittidos. A continencia é a abs- 
tinencia actual dos deleites carnaes; consisle principal- 
mente na firme resolucio de oppor-se aos aífectos desor- 



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150 GA& 

denados, em moderál-os e refreál-os, procedendo em tado 
com sobriedadee^tempepanga*. Aconlffreyrcia&acoRselhada 
pela raz§o> e mesmo entre os philosophos acha defensores; 
a caflt(ftitf«'é TirludJe ehrtJStS,n3o d'e preceito, e só d^ coa< 
seiho evangeftco. A cmtiáade é maís difficil de guardiar qiie 
a conímenda; masdb desprezo d'esta segtte-se a pouca oii 
nenhuma^ estima d'aquella, como disse Yieira faliandó de 
Lathero e Galvino : « E porqiic nSó quizerSo guardar con» 
tinencia, negárSo a castidtxde, entregáF3o-se ás demasiás 
e intemperan^as da gula (II, 267). » 

Pudor é a arma qne a natnreza deoás mulhferes para 
defendcf -se, ese estende a qwanto pode oíibnder sua pa* 
reza. Pud^ictciaéa'casttdade acompanhadá dé imdor, e 
qpe se manifesta prfneipalhieBte pela honestidad'e^ decen- 
cia e rccataexlerior. 

Virgindade é a hiteiirezar corporal' d^ama pessoa. É 
antcs um est^do queama virl«de. — Para-cDnservar a ^íT' 
gindade é necessario n3o só ser canHnente senSto ter a 
virtudedia ücuiHdad'e. 

A pureza pois é o* histtrc e excefléncia da tirgihdadéy 
annuncía intc^idadee ifinoceneia dlr costtimes, carencia 
de macula^ e de imperféiif^»; é'O" esladb áa aftna e do co- 
ra^o que nSo soífreo embate? d^ impureza nem deo ae- 
cesso aos desejos do prazer carnal. 

Apureza pertence e&pecialmente a^ cora^So, pois que 
aflGaista de si toda idéa de prazer ; a coitidMe á alma, pois 
que resisie a quanto póde inclínar ás desordenadas paixoes. 
pudar, poc naUical. seitíimentfls, foge de- quanto pádü 
conduzhr aumafraquezaouideseuído; atim^icúuanao é 
muitas vezes senSo o pudor exterior, que poe limites ao 
imperío! do vencedon,. conservand» todavia ai modestia^e a 
honestidade em todas suas^ expnessSes e aejgoea.. 

kpureza é innocentiB, n2o> eonhece a mal. uem talVez 
sabe resistir-Ihe; é lemperadn a eontinencia, e conee- 
dendo o que é permUtido^ sabe reprimhr as. demazis»^; é 
inflexivel a caeUdade:^ reaolui» combate,. resiste e wmce, 
e se succmnbe deixa de ser eastÁdade ; defendenta ;?tirejMi 
e a frirgindade o* pudor e a pudÁciciOí, mas. podem ser 
meniiroses exterioreft qne escMdSo dissíaiiiiadas' fira- 
onexas. 



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CJLT Ifii 

202. — CatMtFapHe, snroemoy 
desenlaee. 

CJm successo póde ser coimnucii^ on rara^ oo extraoi^ 
diiiariO', fóliz oh desgra^ado ; de muita ou pouca impor- 
tanoia. £ esta uma express9o tSo geral; quequast nada 
caraDtBriza^ pois tudo que acontece e umsuccesso^ mas a 
eaiastrophs si^itoii um succeww^ de muita importancia 
qne dá orígem ás vezesa grande» infbrtunios e a murnw- 
taYeis^ailera^es. Uma üatoatrop^'pódé^ser cansa^da'des^ 
tmigio d'umreino'; poiB esta paia?ra^significasefflprenm 
mccesm extraordinario e iníausto. 

Circumscrevendo-a agora á arte dramatica, em que 
com nropriedade se nsa, diremos q|ie,,s&g|HidQ o sentido 
que Ihe derlo os Gregos na voz xotTotffTpojjíí, que significa 
subversao ou trastorno, exitp, fim, successo Iragico, a 
ccUaslrophe é o priacipal e ultimo trance com que re- 
mata a trdgedia. 

O desenlace, que tarotiemiéo desfecho.oU'final.d'ella,, 
desata, desenreda, desenlaca o nó ou!enr<edo do.drama;, 
assim que, o desenlace desfaz oí'undamento da; íUbuia, e 
a catastrophe expoe a mudan^a ouAlrastorno que se sup- 
poe ter acontecido. O desmlace é a.ultima parte do drama, 
e a catastrophe o uitimo successo; aqucile descobre o 
enredo e o desfáz, esta tcrmina a acig^o. A arte consist^ 
no desenlaceyüssim como o eíTeito m catastrophe^lXBi i 
veriOcar-se com. rapidez o, desenlace, sem; quo por isso 
sfija precipitada ou.atropeiada.a. cola^lrojp^e. 

INSo sabemos porque Vieira. e outros. fiaer<Io> masculino 
este Tocabulo, sendo elle féminino em grego e em latim. 

203*. — Catiiro^eMv»iro ,, pvUitoiielMi.. 

IndicSo estas trcz palavras as pessoas q]ie perdécSa aua 
iiberdadb, mas por diíferente modo. 

As palavras caíivo e caíiteiro vem da lattna cagio, 
colher, tomar com a mto, apresar. Cativo é o que caío 
naft mSo& de seu&inimigos e fícou.prlvado de Ubendade. 
Qiamámos parüculanncnte catitos aquelle&chrifliQS^ao 
caem cm noder. do8.oarsario& berbere&co& 



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152 GAU 

Escravo é o qae se acha privado de «ua liberdade em 
Tirtude de leis e costumes barbaros, convertendo-se em 
propriedade de outro homem, o qual é senhor absolato 
da vida, bens e liberdade de sen escravo. 

Depois que a guerra se tornou mais humana chamlo-se 
priiiondros os que de parte a parte sao apanhados pelos 
combatentes ; sua sorte e muito melhor que a dos cativoi^ 
e de modo nenhum comparavel á dos eicravoSy que se 
vendem em pra^a como alimarias ou mercadorias. — 
SoltSo-se os priiioneiros no fím da guerra ou troclo-se 
duranteella; resgat2o-se os cativoií e oeicravo morre 
eicravo, se seu senhor Ibe nSo dá carta de alforria. 

204« — Cauf ao , penlior ^ liypotlieefi, 
flanfo. 

-A primeira palavra é o genero a que pertencem as ou- 
tras como especies, e signifíca qualquer meio de ass^- 
rar a outrem que havemos de cnmprir nossos deveres oa 
ajustes que com elle fízemos; por isso em lingnagem ju- 
ridica se dá á caücáo differentes nomes segundo as diffe- 
rentes relac5cs em que se considera : pignoratieia, AfKpo- 
thecaria, fideijuaoria.juratoria, etc. 

Penhor é o movel que se obriga ou empenha ao credor 
para seguranga de sua divida. 

Hypotheca é a obriga^So dos bens de raiz a algoma 
divida, que dá direito ao crédor de pagar-se por elles, se 
n9o se cumprem as condi^des do contraclo. Élla póde ser 
coneeniual, judicial, ou legal segundo as dísposi^Ses 
da lei. 

Fianga é a obriga^So em que alguma pessoa se consti- 
tue volnntariamente de pagar por outro quando eile o nSo 
faga, ou de cumprir seu dever no caso que elle o nSo 
cumpra. A pessoa que a tal se obriga, chama-se fiador. 

205. — Causa» motivo^ razáo, pretexto. 

Referem*se estas palavras a tudo aquiHo que inflae 
Quma acf üío ou no particular proceder d uma pessoa. 
£ caniia d'uma ac^So o que a produz, Ihe da origemye 



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CAÜ 153 

Km o qual a cousa de que se trata nSo poderia ser tal; 
é a raxáo que lemos para fazer, dizer, ou pensar alguma 
coosa. 

O motivo é que move, ímpele, excila a fazer a ac^o. 
A palavra causa expHca uma raz5o for^osa, que obriga á 
tc^ío ou ao juizo, e motivo uma razáo voluntaria que 
move, induz, inclína. — Fulano quebrou uma perna, c 
csla é a causa de sua coxeira. Herdou um morgado, e cste 
c motivo de ler deixado o servi^o. 

A razáo c o princípio fundado ou infundado que alle- 

gftmos parajustificar a ac^Soque fizemos ou vamosfazcr. 

O pretexto é uma razáo supposta de quc nos valemos 

pani occultar a verdadeira— A ambigSo é a causa da 

m^or partc das guerras; intcresses mesquinhos, e talvez 

o odio c a vingan^a s5o os secretos motivos d'cllas ; a 

nonra das na^oes, o progresso da civilizagao, a rcpress5o 

dc rcvollas, etc. s2o o pretexto com que sc cobrem as 

verdadeiras razdes que nío se assoalhao porque s2o in- 

fundadas e ínjustas— A causa produz a acg5o ; dá-lhc 

▼laa e actividadc o motivo; a raxáo procura desculpál-a, 

e pretexto disfer{ál-a. 

206. ^ Caustlcoy mordra, Mtlrico. 

EipréssSo cstes trez a'^jectivos qualidadcs ou disposi» 
eocs mentacs que inclin3o ao que as tem a clamar c com- 
Satcr contra os vicios e defeitos dos homens, para corri- 
gíNos d'cllcs, ou contra os homens mesmos, n2o para con- 
tribuir a sua cmenda, senSo para oíTendél-os, irritál-os, 
pcrdcndo-os em sua reputa^o e na opiniSo publica. 

Signifícando a palavra caustico, em seu sentido rccto, 
tndo que tem for^a de queimar, representa no fígurado 
!odo o dito, cxpressSo ou discurso quc irrita, como um 
fcrro cm brasa, áquelle contra quem sc dirige, causando- 
Ihc dolorosa impresslo e aguda pena. — Diz-se tambem, 
c com mais frequencia, pessoa caustica a quc usa dc taes 
ditos e expressoes ; e, com menos propriedade, a que é 
importuna e enfadonha em sua conversa^So. 

A palavra mordaz vem do vcrbo latino mordeo, mor- 
der, e bem reprcsenta, por translagSo, ao quc falla mal dc 



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f» CEG 

outrem, aa marmvrador e calumniador,, pois parece qm 
mord0 6 ataealbar. 

Cliama-se ^satirico o que respíra satira, oa censiira 
acompanhado de motejos sobre costumes, etc. 

A cmtsiicidad^ oííende o amor proprio e o humillia.; a 
mor^oidüd^ abocanha a honra, oííendie a boa reputa^So» 
desespera e desconsola ; o genio satirico compraz-se em 
motejar os vkios e ridiculariaB do& homens^ já o faga 
alegre e ligeiramente so com a inten^ao de eausar diver- 
^y sem ofl^der partícularmente a ninguem, como Cec- 
fantes em lodas svas obras, ou> já proceda com odlo e en- 
eami^amento contra osTicios,llizeñdo horrorosas pintucas 
^elles', empreganéo viruientas allusoes a düTerenles pes- 
soaS) e quasi desii^nandt)f-as por seus nomes. EKcmplos das 
áuasespecieff o HVsopedeDeitiz, e os Burros de Macedoi 

O^ genio Mtrnco pode tomar a c6ir de caustica oa 
moréhtíí segondo se senrir de express5es queirritáo, oflesr 
dem e mortifíoSo, ou respirSo odio e assacSo déieitos.O 
genky saPírico usa d^ arte e geito parai reprehendei t 
vitoperarv nSo perde^ o^ genio cauttico a opporluaidade 
de disparar suas farpadas settas conira as pessoas ; nem o 
mordax perde a occasi2o de descobrir seu encamiQa- 
mento eimtr»seu8 simflBanVes. nropoe-se o^atfrtfto a fozer 
ridiculo e aborrecivel ao seu contrario ; o catatíco, a.fe- 
ríl-o^ aba(él-o e vilipendlál^o :; quaFraivoso c^o, o fnordai 
se lanfa ás^ gentesHparamordél-as e dlespeda^ái^s. 

O TerdlHleiro'fal^Kro em todá a fór^ da expressSo (bi 
Juveiial;HiM>aeio^ sobrebom satirxeOj tcm n3o poucoite 
emsíieo^ mmi^^^imrúaz ; Bdtfícanetacliadb póralguns 
de seas compQfrietas de ccmstico e mordaz. Entre ndg 
^nti pivallza cem B^r^earr, e J: A. de Macedlo leva a 
pakua a^ todos na' mwdacidad'e^ 

JMKT. —emmtmmmmi^f ám •ecMb 



Witm éoñs expressSes, ambas figuradas, itidlcSó ignal- 
nente um medD dle' proceder que nao é dirigid«r pda lux 
da razSo; mas esta mdíca uma fatta de iute!fígenc¡a,e 
aqmHla mn al^andono é2t mesma hir. — O que obra ás 
€9gú$ 090' é alhimiadov o que obra cegammte nSó segue 



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GEN f 55 

alnz natuml : o primeiro nao ¥é,.o segundo nSo<quer ver. 
—08 manoQbos escolhem de ordinario seus amigos át 
eegas;se por acaso fazem máescoltia, enlregSo-soice^ 
gamenteB\se\xs caprichos e exiravagancias. — SubmetteD 
eegamtífUe^a razSo ás decisoe» da fé, nSoié crer ái'Cegaet 
porque a ráz3o mesma nos alumia em os moüvos de v.Te^ 
dibiíidadfi. — NSo se deve erter áe cegas o que diz um 
doulor ; mas deve-se. crer cegamerUe o que a Igreja an^ 
sina. — Crer e obedecer cégamente é submetler sua razao 
e vontade a quem tem* diroilo de^ irapen onHn^ e exígir 
obediencia ; crer e obedecer ás cégae é submelter siia 
vazlo e fentade a qpemi nSo tem< taes direiU)», ou tem ter 
pira isso molivo al^iimprudente e razoaveh. — Ghomem 
sensato nimca' oré ae ca^a«^ mas nloi duvida crer eégot 
vmUe qne pessoa* fídisdignaa Ibe asseguRSo. 



funavtoy 



Deagi^ todos est(Bs wioabnlos o moHumento elevado 
i memoria< de algum defunto* illustt^\ mas cada' iimd'elles 
reoorda particular oircumstauicia'pela qual sediírerenigSo. 

Cenotapkío é palawa gpega^xffvdTMfiov^ (^ m<w$ vazio^ e 
wfii sepulcro), e tem entpe nós a mesma signifílBa^ode 
monamento sepulcral^ erígido á memoria* de defturto> en- 
terrado noutro lugar. 

iSarcóp/ic^oéigualtnonte' palawa' grega^ 9a/Qxoo0{y9« (de 
«^ carne e ««7«;^ comer), adieoUvo substantivado oon* 
oordando Goní At^o;, pedk^, que designavauma especio de 
pedra caloaría que-consomiá as^ cames; porewieii^ o 
sepu]cro«feito> d'esta pedra, e em'goralv sepuioro^em qnt 
cadaver se consumio. 

da palam latin» Imimítif (it twmore. íisrrie^'qnrem 
flentido roeto signiffoava montioufo, fleemos- nós* tmmia 
8ó com a signifíoa^o fí^upada^ de sepulcpo, que enire 
elles tambem tinha, mas sepullmp Ilsvafitadi»*da'torpa'eomo 
diz a elymologia, a*que os uossos antigoachamavSo moi- 
fMnto* 

Maueoléo ( do latim maueolmm)i toi prifflitivanieffte 
aome proprío qm designava o magnifíoo' e sumpttioso 



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156 CEL 

monumento sepulcral que a raínha Artemisia mandou eri- 
gir a seu marido Mausolo, passou depois a ser nome ap* 
pellalivo designando os sepukros grandiosos dos reis, 
como se vé da seguinte passagemide Floro : t in mauso^ 
leum se (Cleopatrá), sepulcra regum sic vocant, re^ 
cipit (4. 11.) • Mais larde eslendeo-se a todo sepulcra ma- 
gnifíco e sumptuoso como se vé de Ferreira : « Mausoléos 
aos mortos nSo dSo vida (Eleg. 6.). » 

209. — Ccleste , eelestlal , dlirliio. 

Tudo aquillo que materialmente pertence ao céo 8e 
ctiama celeste^ porque considerámos, segundo nossa yísta 
material,queo céo é umaabobada esmallada de planetas 
e estrellas allumiada pelo sol. Chamámos pois a estes 
corpos cele&tes, e dizemos a esphera celeste, a abobacUr 
celeste, e á c6r que apparece á nossa vista, azul celeste. 
£xtendé-se esta signifícacSo a tudo o que vem do céo, tem 
com elie alguma relaclo, ou parece sobrepujar a quanto 
vemos na terra ; ao que despede grande resplandor, ao que 
é dotado de extremada beiieza, ao que ostenta summa 
magnifícencia, a tudo o que é superior a quanto j^ 6de pro- 
duzir a nalureza e a arte, considerando-o e admirando-o 
como obra da divindade. E neste sentido dizemos espiri- 
los celesteSy a morada celeste dos justos. 

A paiavra celestial toma-se mais commummente efli 
sentido mystico, e corresponde á morada e corte do Ser 
suprenoo, rererindo-sedeterminadamenleásperfei^oes qoe 
constituem a essencia divina e ao que partícipa de seus 
divinos attribulos, e assim dizemos as perfeí^oes celes» 
Iia6s,ace{e«t¿a¿bemaventuranca,a vista celestial^ asa- 
bedoria e a pureza celestiaes. £m sentido proíano, e por 
uma especie de abuso, applica-se poeticameute o adjectivo 
celestial a tudo que considerAmos excellente, superior e 
sobrehumano, e assim dizemos d'um mui excellente can- 
tor, que tem uma voz ceiestial. 

Di^no é que vem de Deos, ou se refere a seus attri« 
butos. A cria^Io n3o foi um acto do poder celestialj se- 
nSo da divina omnipotencia, porque emanou immediat»- 
mente da divina essencia. Náo dizemos o poder celeste^ 



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CEN 157 

fienloo poder divino; nem a bondade ceUste^ senSo a 
bondade divina ; porque o poder e a bondade sSo essen- 
eiaes attributos da divindaae, Dizemos a natureza celeste^ 
as leis divinas e nSo celestes; porque emanSo ímmediata- 
menle da divindade. 

Do mesmo modo que por abuso ou encarecimento se 
aUribue o adjeclivo celestial a ludo que é excellente e 
perfeiio, tambem acontece o mesmo com o divino; e 
assim sc costuma dizer obra dmna, por perfeita, eprazer 
ditñno, iH)rqae nos embelleza e arrebata os sentidos. 

211. — Censura» crUlca, satlra. 

Censura vem d%pa1avra latina eensus, censo.qne era 
entre os Romanosaaeclara^So authentica que os cidadSos 
faziao de seus nomes, residencia, fsmilia e bens ante os 
eeiisores ou censitaresj magistrados da primeira piana, 
cii]os mui importantes cargos erio guardar o padrSo ou 
registro dopovo, repartir as quotas dos ímpostos, cuidar 
da policía, esobretudodos costumespublicos, adoptando 
os meíos de reformál-os, castigando aos que os perverti2o 
com seu desordenado procedimento. 

Este nome,no uso commum, veio a ficar reduzido á cen 
smra doscostumes publicos,e em especial ao exame, juizo 
ecorecglo dos livros, aprovando-osou desapprovando-os, 
como cousa a mais conducente para a boa moral publica; 
eom qne sen cargo vem a ser o d'nma especie de magis- 
Irado na republica litteraria, como era o dos antigos na 
politica. 

Critiea é palavra grega xpntx^ (de x/scvw , julgar), e signi- 
ficava a arte de iulgiar as obras de engenho ; tem muíta 
rélacSo com a censura, porque é o juizo tiindado que se 
hz aas obras, segundo as regras da arte e do bom gosto ; 
e esta é uma das circumstancias que a diffcrengSo d'a 

Soella, cuja signifícagSo, como vimos, é mais extensa. 
fistinguem-se tam|^m em que o objecto da eritica nSo 
é [^recisamente o de censurar^ reprehender e corrigir as 
obras ; senSo o de examinái-as, julgál-as litterariamente, 
car a conhecer suas bellezas e notac seus defeitos, porém 
dom fttttdamento e eauidade: sendo aue a cemura leva 



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156 CEO 

comsigo arepnehensSo, correoolo e oasligo/do qoe jqipib 
r4¡c& conirario á* iei, á raESO) a verdade, aosbons cosCu^ 
mes„8em se emporiar com o esty4o e desempenho daa 
negras de bemiescrever, Muitafiiobpaslia que peJa solidei 
dos principios, e utilidade das verdade& qua annuncíloy 
sSo irrepreliensiveis: aos olhos.da omuim'! mas que pela 
má disposi^Sío das materias, impurezada linguagem, cou- 
fusao e obscuridade do estylo, sSo defeitaosissimas aos 
olhos da crUiccL Appnova a oen^ura o que muitas vezes 
condemnaa critiea; assim» oomo póde acouLecer que a 
eritica litferaria nada tenha a dizer onde a censura 
mora! muito tenha.qiie reprehender e condemnar. 

A critica suppoe a censurüy pois nao se p<^e julgar 
d'umaiobrasem^notardefeito» maiores ou menorea, que 
sSo inseparav«i8* de tudo que é humano ; porém nem aeuh 
pre a cen«ttra suppSe a crit/cavpoismuilafi pessoas pouoi 
instruidas e muito audazes se- alrevoBi» a eemmwr sem 
serem capazes^^de fózera devida cniiioai 

A.»atiméixm juizo^.naramente imparcial) em.qua, poB» 
do de parle o> que póde mereoer dogjo» se nidicuJiziú» 
os defeitos.Náo ha cousamais dtílicU queíiizerumabea 
eritica. NSo ha cousa mais fttoil que agradar aapublii» 
oom uma> mttrou — Assim que a cr{ltca,.Qomofai »011^0, 
podem talvez terpor objectoacorree(3o>e odesengaiv^ 
porém os meios de que se valem s3o muito diflereut^; 
porque a oritica^ mais-modecada, faz vero ernocomo tal^ 
para que se emende ou evite; a salira*, rara vez imparcial^ 
e sempre violenta,^ representaridiculo, para que se dea^ 
preze. Aquella instrue mais que recreia, esta recreía mais 
que instrue. D*a(}ui vemque sua efíicacia é maior,. r seus 
eSeilos mais perigoaos». — Umacrtlica necessita^ser ísaá 
bem Ciindada para corre^r, eu estabelecer umaopinüai 
üma< ioÉira UgQioa póda fiiaer esqaecer auiNla» :~^ 
solido. 



Gonsiderando estas trez patarras em sentfdo fif|[iir 
veremoaquesaempr^aoem' termos moraeae reiigiosai 



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CE8 159 

qoaiido se falla da morada onde as almasdos luslos habi?> 
«b eom Deos na vida eterna. 

tóo, coDtraccSo de celOy de ccelum^ vem do grego xotío^ 
concaTo, denota a abobada ceieste, e translatameoteamo- 
rada onde Deos especialmente habila, e tambem a subli« 
midade, a grandeza, e seu divino poder. 

Paraiso presenta só em sua origem uma idéa physica. 
Estapalavra usada dbsHlebreos,masqueécaldéa, paredét, 
oa persa, como querem oulros,|?arííe'# onmes p'hardés^ 
me lilCeralmente significa vergel plantado de arvores 
fracüferas, em que haflores e aguas, etc. ; d'éstes a lomá- 
^^ ' ao genio de sua lingua 

í 90$, a que correspondc 

^ mpamiso jaM^dim de 

ervto os Judeos para 
se créem destinados. 
!idi^o : Hodie rmcum 
migo no. paraiea. Da 
ovém a mwaliOn. espif- 

libidade eterna de que 
ftSy e qne por íssq) m 

») 0' throno da Divtn» 
iceaiDeos^ o>oonüem- 
é aihepanóav a patriav 
r Deos dernama sobre 
ens, de inexp<tcav«isv 
;omma de todos estes 
Ei de deseXo ou soífri- 

mraieo ao inferno, a 
tailda. 

¿13« — Cemar, aeaAiav,. dteseojtiiiiiiajr. 

Estas trez palavm signific2[o a tfe<<apao>deaIgum trar 
kdho ou acgSo, e só se diíferengSío nos modbs como consk 
éerámos esie cessamento. 

Ceuar é om tecmo geral, qiie a toda a sus]^ens2io da 



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160 CHE 

Irabalho ou ac^So póde applicar-se, sem indíear differen^ 
alguma. Cessa^se por um instante, por muito tempo, 
para sempre. 

Acahar é cliegar ao cabo d'uma obra ou Irabalho, e vale 
mesmo que p6r-lhe fim, porque a obra eslá compieta. 

Descontinuar é suspender o trabalho ainda quenloseio 

Í»or muilo tempo, é romper a continua^So ou seguida da 
ácto com que fica por fazer. 

Cessar indica a inac^So voluntaria de quem trabalhava, 
descontinuar^ a intencSo de tornar ao trabalho ; e oco- 
har^ a cessa^So natural d'elle por carecer já de objecto. 

214. •— Clianinia, flammay laliareda. 

Da palavra latina fiamma^ qne, segundo os etymolo- 
gistas, vem do eolico ?»Ae/z^a, inflammaíSo, fizerSo os Ita- 
lianos fiammUj e os Castelhanos llama^ qne nos pronan- 
ciámos chamma ; e com ella designámos a parte mais 
subtíl do fogoque se levanta ao alto em forma pyramidal. 
£ poís a mesma palavra que fiamma, e tem a mesma 
signifícagSo grammatical, mas diíTerem entre si em ser 
esla palavra culta e poetica, sendo aquella mui vulgar. 

Lahareda é palavra portugueza, que alguns querem 
venha de laharum, eslandarte de Conslantino, outrosdc 
Aa£/x7t/s¿5, luminoso, brilhante, e exprúne grande chamma, 
que se levanta em ala, e faz linguas de togo mui viTas 
e ondeantes. 

Sltf* — Clielay inunda^Aa» 

Posto que no nso commum da lingua se confundem 
estes dous vocabulos, elles sSo com tudo distinctos em 

Suanto á etymologia, e designio duas cousas que se nSo 
evem confundir. Quando as aguas alleiSo nos rios, c 
trasbordSo nalguns sitios que alagSo, chama-se a isto com 
propriedadec^em. Quandoosriossaemdamadre, nSo co- 
nhecemIimites,eslendemsuasaguaspeIasveigas,einnnd2ío 
08 campos eprados v¡zínhos,.diz-se que há inundagáo. — 
A'i grandes cheias áo Tejo deveria chamar-se tnundapde«, 

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€HB 161 

ptrqDc mmto separecem com as do Nílo. — Di$Ungue-se 
Bais cheia deinundagao em qne aquella só se diz de rios 
ou ribeiras, e esta póde dizer-se do mar, de depositos d'a- 
goá, etc. — Aquella tem só a signifíca^^So recta, e esla 
tem támbem a figurada de muItidSo excessiva. — Diz-se 
iMindapáo de barbaros, e n2o póde dizer-se eheia de 
barbaros. 

816. — ClieiroM , aromM f perf umeM* 

Apezar de qoe o cheiró póde ser bom ou máo, agrada- 

Tél ou desagradavel, cheiros no plurai diz-se commum- 

menle dat substancias que produzem bom e agi'adavel 

cTieiro. — Aroma épalavra grega, á/?«/xa, que se applicaa 

toda a droga cheirosa, ou sejSo resinas, oleos, balsamos, 

leuhos, imgucnlos de grande fragrancia. — PerfumeSj 

poslo que cm francez j?ar/*Min5 corresponda a aromas, 

em portugoez applica.se particularmente ás materiasodo- 

ríferas que se exhalio em fumo cheirosO; e ao fumo ou 

' Tapor odorifero que ellas despedem. 

217« — Clieiroray odorifero. 

A termina^So da primeira palavra, oso, que chamao 
abundanciosa, e t composicio da segunda, que se fórma 
de odory cheiro, e fero, eu lan^o, constituem a verdadeira 
diíferen^a entre elías. 

Ao corpo que lan^^ de si muito c^etro, quer o .tenha de 
si mesmo, quer Ihe fosse apegado de outros corpos, cha- 
ma-se eheirosoy isto é, em que abunda ocheiro. Ao corpo 
qoe por si mesmo lan^^a cheiro ou o produz, e tambem ao 
lugar ou terra em quese produzem cheiros, aromas, etc, 
chama-se com propriedade odorifero, — Os mogos ada- 
mados esmerSo-se em andar mui cheirosos, mas o grande 
Macedo Ihes lan^ou um dia esta censura : « Cheirem os 
ifianeebos a polvora e nSo aambar.» (SermlodeS. Thomé.) 

Odorifero é palavra culta e mui poetica, e de seii uso 
Bosdeixou Camoes bons exemplos; fallando dos jardin$ 
iieCaIecal|diz: 



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i62 Gm 

JáiohegSo perto, cirSo com pataos lentoÍv 

Do&\ar4iD» odoriferos, formoso&, 

Que em£l csconéem os regios aposertos. 

(¿U5., VII, 60.) 

B <piaiid« ñilla de BsKcho disftrQado em chrástSo, éáBi 

Os chmros excelIeDtes produzidos 
Na Panchaía odorifera queimava 
Thyoneo. 

(/6.,1I,«.) 



218. — C^oMP^ ^.^^^, 

Ao dérramar^ou verter lagrimas cJiama'Se' cKorar^ do 
eastelhnno llórar, áú llBrlím fieo, £ termo generico, pois 
nlo só indica as lagrimas que provém de dor e afílic^Io, 
senlo ars que por alguma circumstancia se dístiIISo das 
glandülas lacrymaes. — O fumo, os acidos, etc, fózem 
chorar osolhos. — Chora'Se de alfegria nSo menos que 
de tristeza. — Choratr tambem as Tid^iras e os ramos 
quando se cortSo. 

Quandoás lagrimafrsajuittSovozes.queixosas^ comla- 
mentos e talvez soluqosy prantéa'Se, Opranto é mais forte 
eintensoqneo^üiorOi ponque! neste derramlorse lagri^ 
moi, e naquelle:ha effufi&o de laffmmoM comlamentos e 

SOlu^OSi 

Lamentar é queixar-se com pranto e mostra& de dor; 
e tambem exprime.canto lugubne em que se tfZioraalguma 

Srande calamidade. Jeremiasíomenlotf poeticamente as 
esgra^^as daingr'ata Jerusal6m,ea<esta especie de poema 
elegiacO'Se deo com razio o^nome de lamenta^eíik. 

Gostumavlo os^ antigps arrancar,ou pelo menosides* 
grenhar os cabellos^ e desfígurar as faoes^ na^ oooasiSo de 
íuto, e para e^&primir estaac^l») de pro^nda don, usavlb 
doverbo carpir, Qoarjnr-$ey, oif^al por extensSo veioa 
signifícar quasi o mesmo qiie ^menlar. Do uspde earpirm 
se sobre defuntos se faz mengao: na Chronica de D. Joitt I. 
Havia anligamente mulheres a quem» se pagava. para 
carpir-^e sobre defuntos, e acompanhac os» enterrof 



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GIY 163> 

fazoidtt mostras de dor e aífliGQlo, a que se chamava car» 
pidmrm. Refere-se poís esle vocabulo especialmeate á» 
accoes qoe demostrao dor e magoa. 

EN^ toda^ esias palavras a maist: poetica, e qne em lugar 
dss^outras muitas vezes se emprega é o verbo chorar^ de 
qoe o nosso poela fez mui frequente uso , como eslSe 
dizen4G»os> segttÍDtos Lugares. 

O»^ aUoflpromontorÍDs.o ékúráraúf, 
£ dos rios as agjuas saudosas 
Os semeadbs campos .il i(rár3o,, 
Cüm lagiimas eoireodo piedosn«. 

(£u«. 111,840 

ftsftlhasidnHonde^ a mDTte tnuraí 
Loi go tempo chorando memoTáráo ; 
E por iremoria elema em fente purji 
h& tagninas^dlwrad^rtransformáTSot 

C7ft.., «r.)' 

Cborárlo-te, Thomé, o Gange e o Indo \. 
Chorou-le toda a terra que pi«a8te ; 
Mais te éhfíTáO'9.'^ aimas qoe-TesÜndb> 
Saiio da> Smtu Fé que Ihe ensioaste. 

(76., X, 118.) 

M9. — CtoMiibMte, poliiies^ «leUcMleflMS^ 
) j fpolltiei» y ewrteaÍAy 
eorteaHioÍa. 

ertence 
»stumes 
ios^qpe 
chamá- 
ondcm- 
I acgSo 
esignac 
omens^ 
spradar- 

radar e 
Qitando 
imeato, 



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164 cnr 

senSo empenhando-nos em Ihes ser ofdcíosos, e proca« 
rando, quanto nosé possível, dar-lhes gosto e salisfa^So» 
chama-6e a islo polidez. E se a esta boa qualídade jantar- 
mos um tacto fino, e certa penetra^So que nos faz como 
que adivinhar os desejos e pensamentos dos outros para 
pre?eníl-os e satisfazél-os, temos a delicadeza. 

Urbanidade vindo de urh$, cidade, e civilidade Tindo 
de dvitaSy cidade, tem o mesmo valor grammatical; com 
tudo, como urh$ signifícava muitas vezes a metropole, a 
capital , e por antonomasia Roma, e quasi sempre desi- 
gnava o material da cidade, o que nelia havia de mais ap« 
paratoso, servirá muito a proposilo a palavra urhanidaae 
para indicar especialmente a cmlidade propria das capi- 
iaes, quasi sempre acompanhada de cultura, graciosidade, 
primor e elegancia na linguagem , e certo tom nobre e 
distincto nas maneiras e nas ac(;5es que raramente se en- 
contra na cidades de provincia. 

Politica é palavra vulgar no sentido em que aqui a to- 
mámos, e parece corresponder a eivilidade, com a addi- 
c9o de expressoes affectuosas, demonstragoes de estima, e 
deseio de agradar e comprazer ás pessoas com que se 
trata. 

Cortezia é palavra ainda mais vulgar que a precedente, 
t consiste em pralicar as demonstra(;5es externas de res- 
peilo e bom modo para com os superiores, iguaes ou in- 
feriores, guardando nesta materia o que prescreve o nso 
das pessoas bem educadas. — Um ruslico póde ter corte^ 
%iai e ser muito cortez sem por isso ter eivilidade nem 
ser polidOy urhano e delicado . 

Cortezania é a prálica das civilidades de córte, a ob* 
servancia da etiqueta do pa^o, é o requinte da cortezia, 
que consiste principalmente numa especie de ceremonial 
que tem suas regras a que devem sujeitar-se todos os 
que frequentSo pa^o. Toma-se tambem muítas vezes por 
boas maneiras, atten^So, agrado e bom modo, como con- 
Tém a um cortezSo, ou homem de cdrte. 

220. — CÍTÍllzado , poUciado, polido. 

ConcordSo estes v ocabulos em annunciar coltara e aper- 



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CLA 165 

feigoamento d'nm povo na ordem social ; porém diíFeren- 
cSo-se pela maneira seguinte. Quando deixou os costumes 
oarbaros e come^ou agovernar-se por leis, come^ou entSo 
a ser civilizado. Quando a civilizapáo íoi progredíndo t 
pela obediencía ás leis adquirio o habito das virtudes so- 
Gíaes, diz-se que époliciado. Em fím se em suas maneirai 
t ac^^oes mostra elegancia, polidez e urbanidade, merec« 
todo elle o nome de polido, que mnilas yezes só se con- 
cedea nm pequeno numero doshabitantes d'umacídade. 
— A civilizafüo estabelece-se quando se identifícSo com 
a educa^So as leis qiie formlo os bons costumes. Estes 
aperfeiQoSo as leis, epolici&o os povos. Segue-se depois 
a polidez qne raramente se generaliza a todo o povo. 

221. — €flaiade0tiito , Mereto. 

Uma cousa é $ecreta quando ningnem ou poncos a sa- 
bem ou conhecem, e é clandestina quando se faz ás es« 
condidas, faltando á iei,ou procurando violái-a, sem que 
nmguem o conhe^. Ghamámoscasamento<ecre^oaoque, 
por qualouer motivo que nos é pessoal, nSo declarámos, 
nem confessámos e ainda ás vezes negámos : e chama-se 
clandestmo quando o celebrámos ás escondidas sem oIh 
servar as regras que prescrevem as leis canonicas. Se^ 
creta é uma junta quando secretamente se celebra, nSo 
obstante ser permittida; e é clandestina quando se ?eri- 
fica clandestinamente contra o expresso mandado da lei. 
D'isto resulta que nem tudo o secreto é clandestino; po- 
rém iudo o clandestino ?em a ser secreto: este é licilo, 
aquelle nio. — As sociedades, que geralmente se chamio 
secretas, sSo em rigor clandestimUj porque as leis ai 
nSo antorizSo, ou as defendem. 

222. — dwÍBj clarldiideyeffpleitcioF. 

Qnando a luz sai de seu estado ordinario póde avivar- 
lepor differentes grad9(;5es que, se^undo a soa intensi* 
iaae, se differen^ao da maneira seguinte. 

Claridade é o efleito que cansa a luz acclarando alguoi 
cspaco. Claráo. pela for^a augmentatiTa da terminafio, 



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f 
.966 GLA 1 

é grande claridade, e ás rezes fofte e rapída. Esplenémr'^ 
é a lnz muí elara que despede o sol ou outro qualqaer ' 
corpo luminoso. — O clar&o 'quando é forte íncommoda 
a visla, e ás vezes apenas percebemos os objeclos. A eUh 
ridade é branda e moslra-os dislinctamente. esplendcr 
póde deslmnbrar se é mui luminoso, mas apresenta-os em 
todo seu luzimento. 

222. — davraa, p«p0piciÉldade* 

Consiste a olarexa em que nas clausulas d*um discarso, 
e na liga^So d'dlas 'entre si, se evite com o maior coi- 
dado toda a obsQuridade-oa amb^guidade no senlido. De- 
pende pois a clareza nSo só das idéas senio das expres- 
soes e da boa con&lruc^So xlaS'Cteiisiilas ; porqiKainda qoe 
as idéas fossem c/arcw, sendo expremidas com ambigui- 
dade ou amphibologia perderiao sua olareza e seriio obs- 
curas (Veja-se Ampbibologia). 

Perspicuidade é como se dUsessemos transparencia ne 
discurso, limpeza no estylo. £ pois expresslo mais Ta* 
lente, e denota nSo só a clareza m parase, sen2o uoia 
escoiha de termos que piotem as idéas £om lucidas cdres. 

223. — Claridaile^ ciapemu 

Posto que esLes doos vocabulos representem a idéa abs- 
tracta de claro, é mui logíco que designe cada um d'elles 
os dous sentidos que encerra a yoz claro. 

Para designarto sentido physico« proprío, usaremos, 
como geralmente se faz, de claridade ¡ e assim diremos a 
claridade do sol, da.lua» das «strellas, etc. E para de^- 
gnar o sentido moral e figuBad6, diremos clarem. Vcgio- 
se os dous artígos precedentes. 

y.24. — Claroy diapliaito, transparente* 

Claro é qoe temclariéade oo loz, que é limpo, paro, 
nSo tnrvo, e assim se dic manhi clarüy dia elaro, agoa 
elara, otc. iHt^pbano é priavra grega S(áp«yo« oo St9t|nc»>i( 
(de iMfoiivm íazer w <m brilhar a través), qoe diz • 



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CLA ifn 

mesmo que transparevíte, que é pálam htina) transpa-- 
rens de írampareo, eu appare^^o alem ou a iravés; 
conitndo o primeiro diz-se dos corpos atrarés dos qnaes 
passa a luz, e o segnndo dos corpos além dos quaes ap- 
parecem e se vem os objecios. — A agua reune muitas 
vezes as Irez qualidadcs : é clara, quando nenlium corpo 
estranho a tnrva; é diaphana, porque por ella passlo os 
raiosde litz; é transiarente, porque permitte se presen- 
tem a nossa visla os objectos que em si conlém. — üm 
espelho é claro quando reflecte bem os raios da luz, mas 
por isso mesmo nao é nem póde ser diaphano nem tram^ 
parente-^O sendal, com que o nosso poeta representa 
Veniis cingida, cra transparente e n5o diaphano. — üm 
vidro despolido é diaphano e n3o transparente. — A dia- 
phaneidade doscorpos, dizNewlon, restilla nao da quanti- 
dade e recta direcgao dos poros senSo da igual dcnsidade 
de todas suas partes. Sua transparencia é efTeito ou da 
mesma causa ou da felta de adherencia e de connexidade 
de suas entreabertas parles, — Diaphano é termo dc 
physica de que ás vezcs se faz uso em poesia; transparente 
é palavra mais vulgar e geralmente usada. 

225. — eiaro, iMMiifMto. 

corpo que tem luz propria on prestada, e n2o carece de 
eousa alguma para ser visto, é claro; assim mesmo é claro 
tndo quenSo tem obscuridadeouambiguidade,oualgum 
embara^o para bem se entender. Manifesto é o que, além 
de claro, eslá descoberto> e em posi^So conveniente para 
poder ser visto ; e em sentidoifígurado, o que por si se p»- 
tenléa e descobre.O primeiro refere-se á nalureza e pro- 
priedades do objecto ; e o segundo mais especíalmente á 
soa posí^Io respectivamente ao espectador. A claro oppoe- 
seescuro, eobscuro;eafnam/<0<to9 encoberto, e occiülo. 

22& — Cimisiila, «entonf a , plupaM, 
perioiloy 

Thm coníundido os litteratos estes termos oue sao em 

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168 GLA 

si distinclos, e na lingaagem technica da rhetorica téem 
cada um d*elles seu valor particular que deve conhecer 
quem se nSo quizer assimilhar ao vulgo no modo de ex- 
pressar-se. 

Pela palavra clausula, derivada do verbo latino clam- 
dere, cerrar, sc enlende uma reuniáo de palavras quc 
presenta um pensamento completo ou que fórma, como 
costuma dizer-se, sentido perfeilo. Esta palavra technica 
é bastahte propria, porque, com efifeito, cada pensamenlo 
completo que enunciámos está como encerrádo dentro da 
serie de palavras que o exprimem, e nSo sai de seus li- 
mites. 

Sentenga significa aquella clausula que contém nm 
pensamento sentencioso^ isto é, uma reflexSo ou observa- 
(9o profünda, philosophica, on moral. 

Phrase, voz grega, f /íactí, IocuqIo, expressSo (dc f /«c» 
enuncíar, dizer claramente, fallar), nio designa precisa- 
mente a clausula inteira, senio mais de prcssa as expresr 
s5es particulares de que consta, e signaladamente aquellas 
em que se encontra alguxn idíotismo da lingua, ou entlo 
o que chamSo estylo da lingua; e é neste sentido que disse 
Yieira, fallando da Historia de S. Domingos : « Á lingna 
gem, tanto naspalavras, como ndiphrasií, é pnramente da 
lingua em qne professou escrever. » 

Periodo, em termos daarte, nSo significa qualquer clau- 
iulaf senSo a que está composta de certo moao parti- 
cular, e consta de diíferentes membros, e se chama cIcM' 
iula periodica. 

Os rhetor icos dSo diíferentes denomina^Ses Msperiodos^ 
segundo o numero de membros de que constSo, e Ihes 
chamSo himembres^ trimembres, quadrimemhreSt quando 
tem dous, trez, quatro; rodeio periodico quando passlo 
d'este numero; e se s3o tSo longos que apenas póde bas- 
tar a respiragSo para pronuncial-os de seguida, thasis oir 
extensSo. Tambem os denominlo pela especie de con¡nn« 
(So, ou natureza da palavra que encadéa suas diversa- 
proposi(5es; e em conseqoencia os dividem em condicios 
naeS|Causaes, relativos, etc 



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GOB 1<9 

227« — Clemeiicia , mUierieordiiu 

Téem por objecto eslas daas virtades fazer bem ao des^ 
gra^do. minorar-Ihe seu mal, mas cada ama d'ellas por 
sen modo e difíerente motivo. 

É a clemencia aquella Yirtnde que tempera e moaera 
o rigor da justi^a ; e a misericordia a aue inciina nosso 
cora^io a compadecermo-nos dos trabatbos, desgracas e 
míserias de nossos' similhantes, e a procurar soccorél-as. 
A clemencia considera o homem com rela^So a saa fragi- 
lidade oo malicia; a misericardiaf com rela^So a sua in- 
felicidade e miseria. A primeiraé o effeito da bondade oa 
generosidade do animo que mitiga o rigor merecido, ou 
perdoa osaggravos que póde legalmente castigar; a se- 
gnnda é o efíeito da compaixSo que inciina a executar 
aquellas obras que pódem alliviar os males ou consolar 
as afflicgoes. A clemencia nSo é de jusli^a, antes a debi- 
lita mais ou menos ; por isso os estoicos a tinhSo por fra- 
queza de animo. A misericordia porém n3o é fraqueza, 
senlo justiga e caridade, e tem qne ser olhada como yir- 
todeatépelosmais rigidos estoícos. 

Implora-se a clemencia oi\ ^misericordia d'aquelle de 
cuja Yontade depende o castigo ou a vinganfa ; porém é 
Gom diñerentes rela^oes : na clemencia pedimos um ef- 
feito de generosidade, na misericordia um effeito de com- 
paixSo. Por isso ás obras de misericordia nSo se póde 
chamar, com ígnal propriedade, obras de cfemencto. 

Segyndo o Evangelho todos devemos ser miseriear- 
éUososí aossoberanos, aos principes e aos que administrio 
jostica só pertence ser clementes. 

828. — Cobifar, querer, desejar, 
Mtlieiary 0UspÍFap pop««« 

Todas as ac^ oes que estes verbos indicSo referem-se á von- 
tade e desejo que temos de fa2er e lograr uma cousa ; porém 
differen(;So-se por sua maior ou menor intensidade. 

A palavra querer é a mais generica de todas, poís 
alHra^ nossos desejos, seiao mais oa meaos fortes; e 
n 10 



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OTO «GOM 

assim dizemos quero ir passear, quero Xallar 4i fulano, 

quero .ser rico, gtfpro Hm lemprego, quero fSazer for- 

tuna, elc. Mas em geral querer é o aclo mais delÉl da 

foiltafle, e qnasi nlo üá idéa de paixío algiima. 

? O deíe/o é um acto mais posilivo, mais decidido d» 

▼ontade. Por pouco que esia se incline ao de«ejo já co- 

meya a liaver paíxao^ e segundo os adjeciivos com que se 

icompantie serle máiores ou menores, fortes ou mode- 

rados os desejos, ^ Tenho desejo . vehemenle de lal 

cousa; neste casojáé páix5o manifesta. 

Sendo cousa nalural queprocuremos gozaroque dese^ 
jámoSy preciso é fazer todos os esforgos possiveis para 
isso, e a isto chamámos anhelarf que é trabalhar efficaz- 
mente por satisfazer nossos desejos. 

Quando nao cremos provavel ou facil íograr aquillo 
por que anhelámos, ao mesmo tempo que crescem nossos 
üesejos decai nosso animo, debiliiao-se nossasesperangas, 
e enláo como desanimados suspirdmos por salisfazél-as. 

De todos estes desejos o mais culpavcl é sempre a 
cobiga, que se define appelite desordenádo de cousas nSío 
necessarias, iílicilas e prohibidas. Pelo geral enlpnde-se 
das riquezas : e n2o ri^parando os que as cobi^áo nos 
meios, por iniquos que sejlo, de lográl-as, vem a ser a 
eobiQa um dos maiores, e mais detestaveis vicios. 

2Sí9. ^ tfomef o^ prliAéipio, exordio. 

Comepo é oaclo de comegar on aquillo por onde se 
ecmega, ou que é prlmeiro na extensao ou duragSo dc 
qnatquer objecto. — comeco da sess3o virificou-se tal 
dia. — Os edificio;s comepao-'se pelos alicerces. — OomB' 
gou anno num dommgo. 

Primn/Mo tem srgnifica^o mais extensa, t)oís áíém de 
significar aqirilio por onde comega alguma cousa, signi- 
ftca razSo fundamental segundo a qual se procede, e tam- 
iiem a causa por que «e taz ou acontiece al^uma consa. 
dSstende-se^inda mais ás'prtmeiras verdades ou rttdimenioe 
de cada fac(ildade;einetaphoricameBte,á8ma^imasparti- 
«ularesporonde cada amseTege. Accqp^Qdes lodesquejnlo 
podem de modo atgum eonviri nalaiv^ra eomeg^. — Para 



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COM iTl 

qpe o eomego d*uma educacSo seja bom, e promella um 
fdiz resuUado» é mister que o menmO' aprenda bem q§ 
príneipioá da grammalka, etc., e q^ae se Ihe mspirem 
ao mesmot lempo hons^ principios de moral ede religtáoi 
Effl.Benliumid esles lUtimos exemplosse póde pdr eome^o 
em lugar deprirmi^io. 

Exordio é termo'de rhetoríca; edesigna,aquel]aparte 
dtihdiscucso'for onde comapao.drador^e naqual prepara 
Cb aeaaudilorio aa assumplo que^ vaLti^atar.. 

Nao ba. discurso nem composi^^ neniiuma Utteraria 
qp náoftenha eomef^o^^a^^i nSo pcovenna. d'algum j^ritir 
eipio^ que n3o contenha certos |>rtnc¿j2ÍQi bon&ou máoft; 
mas podenL haY«r discurfio»- et eompasiQoes litterarías 
sem eaordM. 

2S0m — Camer, trasar, déTorar. 

O primeíro yem de eome(7d latino, e signifíca mastigar, 
e engpñr alimentos para sustentar-se; o segundo vem de 
xpúyu, grego, e signinca engulir sem mastigar ; o terceiro 
Tcnrde cfea^oro, latino, e signifíca comer ou tragar com 
Toracnfarfe ou sofnreguidSo. — Todos trez se us5o no seur 
tido ffgurado, e ibrm3o gradac|[o oratoria como se lé em 
Yieira, qne, Mand<o dt)9grandes respectivamente aos pe- 
quenos, disse : «E^m tudo s2o comidos os miserayeis 
pequenos,, nao tendór nem fazendo offício os grandes em 
^eos xiSio carregnem, em qne os nSo multem, em qne os 
nk> d^ud^m, em qne os v¡3iaeom>áo, ttagmm e dewh 
rem. (11,328). 

251. — C^iiiinepcffaitf e^ nesoelaitrey 
mei^eadopy, trafleaiite,, trataiite« 



Eslas paBsiyras indícao as diíTerentes circumstandas»e 
dasses dos que se occupSo em. comprac e vender, em 
frocar e cambiar as mercadórias. 

A. palávra commercio élátina,, commerciuwr, e signifíca 
litteralmente eamhio de mercadorías, commutatio.mer' 
eitfm, e se fórma, de eom e metx^mercadoria. No prior 



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172 coM 

cipio só se fez o qne ímpropriamente chamaríainofl 
eommercio por trocas e permata^oes, pois que nlo se 
conheciSo as moedas, nem o calculo^ nem- o cambio, 
e muito menos ainda o giro, até que se descobrio fazer 
estas opera^oes por valores equivalentes. De qualquer 
modo que seja, a palavra commercio signifíca cambio, 
reciproca commuta^^Io e trafíco. Posto que a palavra 
commercio se possa extender a toda a sorte de compra 
e venda, como acontece na lingua franceza, com tudo se 
applica mais particularmente ao trato feito com sciencía, 
em grande e por alacado j porisso se diz junta, tribunal, 
aida de commercio, 

Negocio é tambem palavra latina, negotiumy qne os ety- 
moiogistas dizem se deriva de nec e otium, mudad'o o c em 
(/, falta, carencia de ocio, e por consequencia trabalbo, 
fadiga, como parece confírmal-o aquelle dito de Terencio: 
« Ut in otio esset potiú$, quám in negotio {Hec, Prol. 
26). » Designa um genero particular de occupa^So e tra- 
balho que comprehende a idéa de commercio lucrativo, e 
assim dizemos que se faz bom negocio quando o trato foi 
favoravel. Differenga-se negocio de commercio em qae 
este comprehende a sciencia de todos seus diííerentes ra- 
mos e a pratica d'esta sciencia, e aquelle só se refere á 
parte laboriosa e Incrativa. 

Aos que estuiárSo a sciencia do commercio e a prati- 
cSo chama-se comwerciantes ¡ e negociantes aos que se 
dSo ao negocio ou a algum ramo de commercio , aos 
mercadores de grosso. sem que muitas vezes tenhlo a 
sciencia qne é propria ao commerciante, Por isso se diz 
negociante de vinfios, de azeites, de trigos, etc. aquelle 
que conipra estes generos, os guarda em armazens, os 
benefícia, etc, para 'os vender com lucro, sem calcoio 
tenhum previo, nem especuIa^So engenhosa; ao contrario 
o sabio coynmerciante calcula a abundancia e a escassez 
d'umas paragens com outras, osgastos de compra, trans- 
porle e almazenagem, os beneficios ou ganancias de com- 

Erar num ponto e vender noutro, verifícando para isso sa- 
ias e complicadas opera^es, pondo em tudo a melhor 
ordem, e executando tudo com o arranjo e economia 
possiveis. Tal é a idéa do sabio commercionte. 



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COM 173 

Mercador é o homein que se emprega em mercancia, 
ou Irato de mercadejar. Houve témpo em que esle voca- 
bulo foí eotre nós synonymo de commerciante^ porque 
^te termo é novo na lingna. A nossa antiga palavra gene- 
Tica era homem de negocio, e mercador. Hoje propria- 
mente é o negocianU que cwnmercia dentro do reino 
por grosso ou a retalho. mercador por grossohombréa 
eom onegociante, 

Os negociantcs de grosso tralo sSo nobilitados pelas 
leis do reino (Lei de29 de 'Mvembro de 1775, S 3). — Nos 
mercadores que tratatarem com cabedal de 100,000 réis 
e d'ahi para cima nSo cabe pena vil, porque nlío sSo 
peoes (Ord. L. 6, tit. 138). — Acautelemo-nos de con- 
fündhr o mercador portuguez com o marchand francez, 
posto que as palavras muito se pare^Io. Um mercador de 
mnhoif por exemplo, é um homem limpo, e o marchand 
de fDÍn é um taverneiro. 

Trañco ou tráfego{ •) é o ccTrinercto ou antes o trans- 
porte d'um lugar para oiitro, sobre tudo mui distante ; 
porém commummente se toma na idéa de entreposi^So, 
media^So bastante analog^ápalavra e mui adequada para 
designar a ac(;2o do uliimo vendedor, que se poe, por 
assim dizér, entre o primeíro e o consumidor, para 
trasladard'um a outro umamercadoria, como a lá, aseda, 
6 ajgodáo, elc. 

Ao que se occnpa no trafico chama-se traficante; mas 
este vocabulo, innocente em sua origem, toma-se hole 
em máo sentido para designar o que no seu trato usa de 
induslrias e nSo negocia lisa e honradamente. 

Tratante significa propriamente o que trata, o que se 
emprega em trato, no sentido de commercio, negocio, 
trafiro de mercadorias. Hoje porém toma-se á má parte, 
e é quasi synonymo de traficante ; diz-se dos que fazem 
negocíos eom dolo e fraude. 

Chatim é voz asiatica^ e designa o negociante astulo, 
talvez de pouca conta, que confía mais na sua esperieza, 
qne na lisura do trato, e yalia de seus cabedaes. 



(*) Parece-me que esta palavra se formou,assim como o verbo irafe- 
gar, de Pramferot irasladar, levar d'um lugtr pa:a outro. 



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174 GOM 

83^. -»€mi|icndiap^ epltomfir. 

Püslo qoe ctmjnendio e epitome sepío quasí a mesma 
e0O9a, coor tudo,,otr seja^pela diíferen^ das elymologias 
0« pda vm que prcYaleceo, os dous verbos quc d'estas 
pakvras se formib lécm dffferenle vaFor. 

Compendiav é exp6r socintamenle os elementos <m 
principíos mais geraes d*uma sciencia ou arte, omiltindo 
écsenTOÍvüncntos, Bféas secund^rras^elc. Epitomar éro- 
éiizir a mcnos uma^ obra maior, é cncurtar, abrcviar o 
fBC cslá cscrito largamenie. Epitáme suppóe obra maior 
ée qne se resHmia; compenétio s2o os elementos d*^uma 
sciencia, d^nma^ historia, sem quc se diga que essa scicii- 
eit foí tratada, oa cssa historia cscrita rac^mente. 

9SS. C^mpfítaaoTf plastario. 

OcompiMdor rcnne, com maís ou menos ihlellfgencía, 
Oft e»eFito* e pensauientos de outros para formar uma col- 
lee^o, que,. seé bem feila, traz utilidade ás scüeneiase fáz 
jqjrccíarel' o lílofo* de compilador, 

piagiario copia os pensamentos ^oatros autorcs, ou 
frof os ínteíros de snas obras, formando uma cspecie de 
sianta die refalhos sem a devida intelligencia, cscolha, 
concerto e harmonia, attribuindo-se a si ^roprio o tra- 
balho e merrfo (Faqnenes a quem rouba sem scquer 
os Boinear; pavoDcando-sc qpal o gaio dta fabula com 
«Ibeías garas. 

compiladar pódescr um litteraro apprcciavd e util; 
eplagmriQ é uma especie de pirata lilterario que dcsa- 
piedlaída e hnpnnemente despoja aosmortos.. e ás vezes aos 
▼hros^ de suas scicntifíca^ riqnezas. Se aqu£lle,é d^no dc 
fonvor, cstc merecc a mofa e desgrczo tfos vecdádfeicoi 
^abios por scu arroip ^ ousadia, 

934» — CompTacencia» def ereii«i», 
condesceitdencia* 

Ctmplaeencia é.nm meio pata Drocuíar prazep áqBcIIes 

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COM 175 

eom qiie rlvemos^ e assim o que nobremenle compros 
péde nsoirgear-se át causar prazer e agjrado^ 

Támbem cóntribne a causar prazer a CQndescendencia 
nascida dtor mesmo molivo que a anterior, pois é um desejo 
e esmero em acommodar-se á vontade e aos gostos de ou- 
tra pessoa^ e assm os^ lalinoslhe «faamavá&ollsegmum, 
que na composí^Io mesma da palavra vem a signifícar 
ceder, assenür a ou com eiiü*emi.. * 

A ieferencia tem bastóBle rela^i oom a aiierior, loag 
aagmenla sua for^a, pois o que (2e/car«rcede sempre m de- 
seja m ao dielame alheia aem^ Duoca' sustenlar o seii, 
como se aquelie Ihe fósse proprio e este n2o.. A deferencia 
soppoe completa submisslo, nenbuma con^ariedad», e a 
candescendencia certa. toleranGiflb e eoniift pnideBCia em 
nlo cootradizer para úSo desagraéar nen o£Kmdera oo- 
trem. O oondascendente caüa! qiiando podieria* fálkr ;; cede 
quando poderLa^ oppor-se. €>< deferente^ se adhere, ui^^e 
estreitamente á vontade, ao diclftme de. oatrem; prefere 
sem violiencia es seatimentoaalhiloa. ao& sena propries. 

A necessidade, as circumstancias, os respeitos soclae» 
nos impoem a compiacencia, quasi sempre como sacrifí- 
cio de nossa vontade. As necessidades, as ioclinafoes<, os 
defeitos^ os vicios mesmos daquelTes com quem lidámos 
pcdem muitas vezes nossa conife^endencía, e nos obrigio 
a depór, quanto scja possivel, nossa severidad^, e* nos 
fazem ceimt) descer de nossa superioridade par?. /los pres- 
tarmos aa gosto do9 demais,,desistindo da razSo e do dir 
reítO' qne pod^ríamos reclamar. respeitoso ag^ado, a. 
abnegaglo da vontade propria, devemacompanhai: a (2«/e- 
rencta para com nossós superiores. 

23S1 — Coiuplementa, suplementa. 

Camplemento é aqulHo que completa van tode, demode 
qae nada venhaa faltar-Ihe. Supplemento é um addUaoMnto 
a uma cousa já feiiay q^ue supre a qjue ihe faltava, mas que 
senlopóde chamar completa. — Fazem^ suplememtot 
aos diGCÍoDarios de linguasyde seiAncias, etc^ os qnaes 
ajuntao noves aFtigos, e talvez completem temporaríft- 
mente a materia de (uie trat2o; mas eoma o» coohecí-> 



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176 CON 

mentos humanos e as descobertas scientificas e íodustriaet 
fazem todos os dias novos progressos, n2o haverá nunca 
om verdadeiro complemento de taes diccionarios. 

256* — Conceber, perceber. 

Do verbo latino concipio fízemos nós conceber, que eoi 
signifíca^áo translata signifíca formar no animo, meditar 
e abragar um proposito, um plano, etc. De outro verbo 
latino percipio fízemos perceher, a que damos principal- 
mente a signifíca^So de comprehender, enlender, que tam- 
bem ás vezes se dá ao anterior. Mas a diíferen^a consisle 
.em que, quando eu concebo sou eu o agente, e quando per- 
cebo nío fa^o senSo entrar no espirito do que outro díz 
ou faz.— Concebe o general um plano de batalha ou de 
ataque de pra^a, faz os seus preparativos, e come^a a exe- 
cutai-o \percebe-o o inimigo, e procura malogral-o em- 
pregando todos os meios que a arte da guerra ihe mi- 
nistra. 

237* — Conclulr, Induzlr, deduzlr, 
Inferlr* 

IndicSo estas palavras a ac^So de tirar consequencias 
de proposi^oes sentadas antes, mas por diíferente ma- 
neira e methodo, d'onde resulta que se nao podem logica- 
menle confundir. 

Concluir é terminar um arrazoamento, uma argumen- 
ta^ao, uma discussSo, uma prova ein virtude de rela^oes 
necessarias ou demonstradas com as proposígoes ante- 
riorcs. A conclus&o é pois um fím, uma terminagSo de 
quaiquer cousa, correspondendo ao recto signifícado de 
concluir, que é fínalizar ou terminar uma cousa ; e assim 
chamámos conclusao á proposi^So que se deduz de outras, 
e se chama tambem conclusáo á resolu^So tomada depois 
d*uma larga discussSo ou controversia. 

A palavra induzir, em seu sentido recto, é instigar, mo- 
ver alguem a fazer alguma cousa, de ordinario má; e no 
senlido figurado, como termo de logica em que aqui a 



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CON 177 

Bsámos, é discorrer ou tirar consequeacias seguodo o me- 
thodo de inducgáo, Este methodo, que tambero se chama 
analytico, consiste em observar attentamente os factos 
por partes, eda observa^lo de miiitos factos concluir que 
existe um principio ou lei geral da qual como fonte com- 
muni elles emanSo. 

Deduzir é tirar consequencia ou raciocinar segundo o 
methodo de deducgdU>y que tambem se chama syniheiicOf 
é qual consisie em tirar uma consequencia particuiar e 
um principio geral. 

Inferir é tir^r consequencia sem seguir rigorosamente 
algum dos methodos anteriores, nem attender ao eniace 
das idéas, desprezando os intermedios e só olhando aos 
estremos, fundando-se em rela^oes ás vezes imaginarias, 
e, se verdadeiras, sem se haverem submettido a um rigo- 
roso exame. 

Mo se póde pedir provas ao que faz uma exacta induc- 

{iáOy ou uma rigorosa deducfáOy porque em si mesma as 
eva ; porém é preciso pedíl-as ao que se conlenta com tn- 
ferir, para que d'este modo se obrigue a fazer uma induc' 
gáo ou deducgao. que cwicl/ue apoía-se em principios 
demonstrados, ou que cré taes, e cujo enlace é ou parece 
necessario. 



258> — Coneopde, eonforme. 

Quando entre duas ou mais pessoas ha acordo de animo, 
de vontade, de sentimeatos, etc., diz-se que sSo, ou estSo 
concordei^ e tambem se pode dízer que estao conformee, 
mas em signiGca^io secundaria, porque a primeira d'estas 
palavras representa a igualdade ou analogia das fórmas, e 
estende-se nSo só ás pessoas senio ás cousas. -~ Dous ir- 
mSos mui concordes no pensar, nos desejos, nos gos« 
tos, etc.,sSo muitas vezes pouco conformee nas fei^oes» 
ne genio, na indole.— A concordia das vontades traz quasi 
sempre comsigo a conformidade dos goslos e das incli- 
nacoes. — De serem conformes as physjonomias n^o se 
póde bem concluir que sejSio concordee os animos. 



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178 CON 

239« — Coüi^Say estado , qv«lMfi#e« 

Omdigdo expríme gicralaienle o nascimeiiLo ou a posi«- 
q8o¡ do hoffiem. na socíedade. EstádorQÍeTQi-se á proñssao 
qiie. exierce, ao modo de Yida que temv á gnadua^^ oii 
predícamento cml. Equalldade, em sentida melaphoñcO), 
dealgna parücalarmenle o; liisli!& da san^e, a oobreza 
beredit«uría« 

240« — Confim , eontlsii»,. pvoxlmoy 
iFizInlio. 

^e tem limite eommum' com ontraf eoma, oa com 
ellá conftna, diz-se q«e é cfmfim ou' eenfimnt^. Ao que 
loca, ou está cm conlact»', ciiama'-se eontiguo, Ao q«« 
está mui perlo, que se segiic,^ oú eslá: lt>gO' depois, cabe o 
nome de proaHtno. Ao que iiabíta na mesma vLllaoa cidade 
perto de outro se cliama vmnho, efvmnhov ao totiai dos 
habitantes rf^U'ma povoa^ao. 

De todos estes termos o áe uais Bstta sfgníficaKQio é 
proxifno', pois se úit ée pessoa»; die cousas, (te tempo, da 
ordem db discurso, etc; doque se seguc, como d'o que 
precedeo ; por isso se diz prowma futuro, proximo passa- 
do, etc. 

241* — Conforme, sesundo. 

Estas duas pafórras^ nSa sSb pñrases adverbiaes como 
qner o autor dos synonymos, s3io sim adverbíos, oU antes 
prepoai^es^, que corFespondem á totiína ietundum^, eeom 
eüias se exp^ca a eenloTmFdadtf d'um» cousa' co« ovti a^ 
pmrém cmforme » supp^ meüs ex^a> e indi^iMiml, 
e'segnndo asuppoe meflos* abs#kua(, oa> m^avs' volMaria, 
— D"o«-o eonforme o recebi, ica conforme esptapfa, islfo 
é : exactameittecomo'esliai^ ou« como m'btdei»3k>. Joiíovive 
segunde llve dicfa seu caprictio ; faMiab SBgundo ^ dá aa 
eaoe^a. — Nos^ dous^ prrmeíros^ exemplo» nao se póifo usar 
iat roE iegundo^ popque nSo- expíicTrri^ vma osmíhnsfíH 
dadetáo^abscrfutaeexacta', como'esige'a^pieíla idéa;ne« 
nos seguirctos se pó'cte usareora proppiedáde da- voe co»- 
forme. pcrque daría á* kié&' nm'^ tsünfümUdQoJ» deciuiáiádtt 



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eiacta, e menos iivite e fwdumafia, do i^e se quer 4ar a 
CDtender. 

£sta diíTerenca ae faz mais percepüvcl quando a con^ 
formidade^ qvud &e quer e&plícar com a proposi(;So,jse 
apoia só Duma probabílídade ou numa opiniao ; pois em 
tal caso se vé c)aramente a impropriedade do uso da pre- 
posiiQlo conformei, (;pie nunca póde expUcar uma confor- 
midade duvidosa, sem uma nolavel impropríedade. — £ 
jeiTá2Láe,i$egundo dizem; chove, ugundo creio^^ nSo: 
E Terdadey^coN/orme 4izem; ciiove^ conforme creio. , 

242« — Coiyectiira^ presumpf á<^ 

A f alavra cmjecUnn wem ^e conjÍKsert^ cmjectafe, 
qni signifícSo litteralmenie lan^r, aiirar, arremessar, e 
por exiensiosuspeitar e julgar das pessoas, cousas ou suc- 
«essos, pelos antecedentes, signaes ou indica^oes que nelles 
obseryámos, deítar-sea adivinliar. 

Presumpgao vem do verbo prfBiumere^ tomar antes, 
snspeitar, e indica uma mera suspeita, ás vezes mallciosa^ 
um receionem sempre fundado, uma preoccupa^Io adqui 
rída e arrraigada por causas anteriores. 

A conjectura é cerla direc^Io do raciocinio para a ver« 
dade, fundandorse em meras apparencias. A presump^üo 
condnz-se por máis fortes razoes que a conjetturay pois 
esta é só como nm pronoéfico, e aquella uma deduc(9o 
assásfundada emiactos posifivos. — Presume'Se queum 
homem fez certa cousa qne se ihe attribue, -quando se 
sabe que é inclinado a fazél-a, que a fez muitas vezes j é 
de jpretumir com raz^o que a fará ainda outra e mais 
vezes. — E assim diremos que 2l preiurnpgáo tem certa 
realidade, pois qne s^o verdadeiras as cousas em que Be 
funda. — A eonjectura ¿Taga, incerta, duvidosa, pois qne 
nSo tem mais fundamento qne signaes equivocos, duvido- 
sos, naseidofiaintes^ieinossa inEiaginaigíío e nnlicia quede 
antecedentes comprovados. Apresumpgáo nasce dascou- 
f&s mesmas] 9ícmtjectureíj denossa ímagina(2o. Funda^ 
BQueHa em ractos certos, em verdades conbecidas; esta é 
Meal, e deduMe de raciocinios,interpreta(oes« snspeitas. 
l^jirmfnippdo'eiicamiilha-HBe á*?erdade«.e dá^e em iactos 



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180 CON 

positivos, tanto em negocios civís como em ac^Ses mo« 
raes, sobre que temos que formar um juizo : assim mie se 
▼alem d'ella os advogados e juizes. A cmjectura anda em 
busca da certeza, sem probabilidade de achál-a; occupa-se 
príncipalmente em verdades desconhecidas, em principios 
remotosque se intenta descobrir; pe]o que a empregio 
muito os philosophos e os sabios. kpremmpc&o constitue 
um peso que inchna a balan^, porém nSo a faz baixar ; a 
conjectura é um caminho aberto para por elle buscar a 
verdade. « — No juizo dos males, diz o P« Yieira, sempre 
conjecturou melhor quem preiumio os maiores ( ill. 
365).. 

243* » Consplrar a , eoiisplrar p«ra> 
consplrar oontra* 

Os differentes regimes d'estes verbo fazem mudar sua^ 
signifíca^o. — Con$pirmr mi usa-se fallando lanlo da$ 
cousas como das pessoas, pols se refere á uni2o de rouitas 
pessoas, ou tendencia de Tarías cotisas a um mesmo objec- 
to : admitte tanto um bom como um máo sentido. Tudo 
compira a meu benefício on a meu damno, isto é, di- 
rige, contribue a elle. Caiu^iráo estes argumentos a 
descobrir a verdade. — Con^rar para, indica os com* 
muns esfor^os de muilos ou o concurso de varias causas 
para executar uma cousa prospera ou adversa. Até as 
casualidades conspiráráo para miuha felíz navega^So. 
Tudo conspira para o bom exito de minhas empresas. — 
Conspirar contra, indica claramente que é um obstaculo, 
uma opposiclo em damno d*uma pessoa; jamais em 
proveito d*ella. Toma-se sempre em máo sentido, e re- 
fere-se á danada inten^So dos conspiradores. Conipirño 
continuamente os revoiucionarios contra o altar e o 
throno. 

244. — Constancla, lldelldade. 

A primeira d'estaspalavras vem de comtans^ constante, 
quepermanece em sua primeira vontade; a segunda vem 
de fidui, fíel, que guarda sua fé. — A constancia nSo 
supp5e compromisso algum, mas sim a fidelidade, Diz-se 
que uma pessoa é constante em seasafTectos tíUli sum 



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GON 181 

palavra. Parece que a fidelidade pertence mais á ac^So, e a 
eonstancia aos sentimentos. Póde am amante ser cmi- 
tante sem por ísso ser fiel, quando continuando a amar 
uma dama soliicita a estimade outra; e póde &eTfiel sem 
ser constante, se deixa de amar a sua querida, sem por 
isso dirigir-se a nenhuma outra. 

A fidelidade suppoe dependencia : diz-se um criado 
fiel, um c2o fieL A constancia suppoe valor e fírmeza : 
Constante no Irabalho, nas desgragas. — A fidelidade dos 
martyres á verdadeira religilo deo origem a sua constan^ 
cia nos tormentos. 

245. — CoDstancia^ firmeza, 
establlidade. « 

Estas expressoes referem-se á perseveran^a da alma em 
seus affectos, inclina^oes e goslos; mas differen^So-se 
pela maneira seguinte. 

A constancia énm^ virtude que nos conduz e guía para 
insistir em tudo aquillo que cremos fírmemente, e com 
boasrazdes devemos ter por jrerdadeiro, acertado, justo e 
decoroso. — Cliama-se firmeza^o exercicio d'um animo 
valoroso : suppde no que a tem intelligencia para com- 
prehender o que deve ou Ihe convém fazer, e resolu^ao 
para executál-o. — A conetancia coi^siste em nSo variar ; 
a firmeza em nSo ceder. constante mantem-se pacifica 
e seguro em seu posto; o firme luta animoso para que o 
nSo tirem d'elle. A 'constancia póde nascer do caracter 
natural da pessoa, dos habitos contrahidos, da debilidade, 
talvez de faita de animo, de resolu^Io; porém a firmeza 
8upp?^e ac^2o forte, decidida, tenaz. 

A estábilidade impede variar, e suslem nosso animo 
conlra os naturaes movimentos de ligeireza e curiosidade, 
que exeitlo em nossa imagina^So a diversidade de objec- 
tos : corresponde á preferencia que provém d'uma elei^So 
tcertada. 

246* — Comtaiite^ duradouro* 

O que é duradouro nunca cessa : sua solidez Ihe dá fir» 
ii. 11 



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182 CON 

meza ; o que é consiante nunca muda : sua resolu^o o 
Í92 firme. Nlo ha amizade duradoura entre os homens, 
senSo qaamio se funda no merilo e na virtude. Entre Codas 
as paixoes homanas, a áo amor é a que mais se jacta de ser 
tonttante e a que menoso cumpre. 

247.— - Cimstante, firnie, tniMlievaTeI« 
lallexÍTeA. 

Estas palavras desig^ em geral as qnaKdades d'Bmt 
alma á qual n2o podem commover nenbum dos soccessos 
que occorráo por fortes eterriveis que sej3o. As Irez ulti- 
mas accresccntSo á anterior uma léák de animo e valor se- 
gundo estes dífferentes sentidos. Firme designa um valor 
que por nada se deixa abaler ; inalteravel, um valor que 
resistea lodosos obstaeulos; m/leart«e¿,iimvalorqaeiiada 
dobra nem comBM>ve. homem ik nobres e hoarados ses- 
timentos é constante em siia amizade, firme nas desgra^ 
e negocios de iusti\;a, inalteratel apezar dasafflea^s, e 
infiexivel contra snpj^icas e rogos injustos. 

Toéas est^ idéas se «neerrSo n'aqueiles doostdmiraveis 
versos em ^ue Horacio rcprescBla o varSo justo e forte 
,(OdeIU,lfv. 3): 

fij Craetu&iHabatiir orfais, 
Impavidum ferient ruio». 

Se em peda^os desfeito eslala o mundo, 
Sob sua ruina impavido perece. 

248* — ContaslOy epldemlf^ «nd»fO« . 

contagio (de com e tago antiq. por tango, tocar) é 
oma enfermidade que se communicapelo contacto, ou seja 
immediato, ou pelas roupas, moveis, qual^uer corpo in- 
festado^ ou em nm por meio do ar, que pode levar com- 
sigo certos measmas morbificos, etc. Taes sSo a sarna, a 
lepra, os males venereos, etc. 

Chama-se epidemia, ou enfermidades epidemicas (de 
m» em, sobre» e i^ftos povo) as que provén da infecfio 



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con 181 

éo ar» extendendo-se a provincias e reinos inleiros, cor- 
rendo ás vezes toda a extensao do globo. Taes s2o cerlos 
calarrhos, a peste de Levante^ a febre amarella, a co- 
lera, etc. 

Jndago é pa^yra vulgar que indica $pidemia menori 
doen^ que grassa pela terra, por varias regioes, em cer* 
toi tempos oa esta^s do anno. 

249* ^ CimtiiBuaffto, •onttniiitede* 

A eomtitmidaié é a uniSo material que téem entre si as 
parles do contmm, Comparando as<luas palavras acliare- 
mos, que a coniimagaú perteace á dura^Io, e a continai' 
dade á extens2o. Di£-se,.a cantínuofño d'um traballio oi 
d'uma ac(^2o, a comiinaidaáe d'um espa^o ou d'uma ma- 
gnitttde; a contínuagdo de actoa e^íeontinuidade d'uma 
olira (|iMse unea oulra. 

250. — Cotttlnuamente, senipre. 

O qne «niipr#se íáz, verüca-se em todo tempo, ¡ugar 
e occasiSo ; o que continuamente se faz, verifíca-se sem 
descanso nem interrup^So alguma. — Sempre devemos 
deixar nossos praieres e conveniencias para attender a 
DOKas obrigaf oes. £ cousa mui dificil o occopar-se con- 
tinaamentt no trabalho, poiso cansa^o nos ba de obrigar 
a deixál-o por mais oa menos tempo. — Para que uma 
pessoa agrade é mister que sempre falle ; porém nSo que 
hXitconiinuanHnte^ o que n2o é facii. 

1íítl«-— Ctmtlnuar, perseTerar^ perststlri 
Inslstlr. 

Estes qnatro verbos mantfes^o permanencia no modo 
de fazer as cousas. primeiro nlo indica nenbuma outra 
idéa; mas os oulros eontém algumas accessorias qoe os 
difíeren^So do prlmeíro e elles entre si. 

ConHnmr nada mais significa ciue seguir procedendo 
oiobrando, comose procedia ou obrava antes. Feriefne'^ 



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484 CON 

rar^ significa manter-se constante na prosegui^So do já 
come^ado, sem inten^io nem disposi(;2o algumaavariar; 
persisiirj permanecer> ou eslar fírme e tenaz em uma 
cousa ; insistir^ instar de todos o modos, porfiada e afinca- 
damenle, em fazer ou lograr uma cousa que nos propo- 
semos. Assim que, insisUr tem significa^So mais forte 
que persistir^ esle que perseverar, e perseverar mais quc . 
eoniinvar. — Conlin\jiámo8 por habito ; perseverámas 
por reflexáo ; persistimoi por apego ; insisHmos por 
teíma e obstinacSo. — Aquella pessoa que, tendo adqui- 
rido babito da vírtude, continua praticaodo-a, náo é 
precisamente a mais digna deestima^So, em quantoofaz 
só por costume. Mais confian^a nos póde inspirar aquelle 
que, persuadido intimamente dos fundamentos da virtude 
e deseus benefícios, persevera constantementenella. Mais 
merito alcan^a o que persiste na virtude lutando com o 
impeto de suas paixSes. soffrendo as persegui(5es que Ihe 
suscitlo os máos, e deiendendose contra seus* malignos 
embates. 

2^2* — ContJnuar, priMesriiir. 

Continuar é levar adiante o que se tinha come^ado, oo 
llsizer sem interrup^ao uma cousa que se fazia antes, o 
prolongar uma obra come^ada, quer se tome quer se nSo 
tome descanyo nella. Proseguir é seguir avante, para o 
fím, nos mesmos termos e disposi^o com que se come'- 
^ou trabaiho. Esta palavra indica mais exactidSo na 
obra que a precedenle. — A diíTerenga que parece existir 
entre continuar e proseguir consiste cm que a primeira 
paiavra refere-se á obra já feita de qualquer modo qoe 
scja, e a segunda ao que se tem que fazer até sua conclu- 
sao, seguindo exactamente a mesma idéa e o mesmo 
modo de execugáo. Yeja-se Continuar, Perseverar, etc 

253.'- Conllnuo^ contlnuado* 

Difieren^So-se estas duas palavras em que continuo in- 
dica uma cousa que por sua natureza é sempre a mesma, 
obra, dura ou se faz sem interrup^So» nem InterVaiio 



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GOK 185 



algooi. Chama-se tambem continw a todo corpo 
posto de partes unidas entre si; ao sujeilo que é ordinario 
e perseverante num acto. Continuado é uma cousa que 
pode ser interrompida por alguns interTallos ; porém aue, 
passados estes, con^'nt/a obrando do mesmo modo.— Um 
movimento continuo é aquelle que» em quanto dura, nlo 
soffre interrup^ío, e se a soffre cessa de lodo. üm movi- 
menlo coníinnado é um movimento dividido por inter- 
Yallos, passados os quaes, segue do mesmo modo que 
d'antes. — movimento é continuo por sua continuidade^ 
ísto é pelo seu intimo enlace com as demais partes de 
movimento que o precedérSo ; é continuado por sua con- 
tinuagáOy isto é, porque se renova depois da interrup^So. 
S9o pois estas express5es synonymas em quanto signifí- 
cSo acgoes que se se^uem umas a outras, por isso se con- 
fondem e usSo promiscuamente. 

254* — Conto^ fabula, ■toTcUa. 

Conto é a narra^io d'um successo fingido em todo oi^ 
em parte, ordinariamente verosimil, tirado dos successos 
da Tida privada. — Fábula é nm successo falso que se es* 
tende no publico, cuja origem costuma ser desconhecida, 
ainda que pelo commum nasce da malignídade e da inveja. 
Corresponde tambem este nome ás artifíciosas fíc^oes com 
que se disfar^a qualquer proveitosa verdade, de que já se 
fallou no arligo Ápologo. — Novella é a rela(2ó fíngida 
de diversos, raros e extraordinarios siiccessos, ordinaria- 
mente complicados e enredados entre si, nSo sempre ve- 
rosimeis. — Nos contos deve brilhar a narragáo; nas 
fábulcUf a feliz inven^Io ; nas novellas, ao merito da in- 
yen^So, e ao feliz enlace e desenlace dos successos, devem 
accrescer as descrip^oes, as píntnras, e as demais bellezas 
que respectivamenle se admirSo no mesmo poema epico. 
— O TeUmaco, Gusmlo de Alfarache, Gil Blas e Don Qui- 
jote, s2o modelos neste genero. 

255. — Contradictorlo , contrarlo, 
oppiMito. 

Omtradizer vale tanto como dizercontra. Um aíBrma 



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186 CSDR 

nma eoiisa,outroanega; d'aquiresnltaeontradic(So entre 
ambos^ os quaes sáo contradictores respecUvamente um 
ao outro. As proposic5es que sustcntilo scr^ conlrarioi. 
Contradiclorio se reiere em rigor ao que se diz, se dis- 
pnta ou sustenta, e é contrario á natureza das cousas. O 
qne num mesmo instante dissesse que faz frio e calor se 
contradiria ; porém considerado o calor e o frio em si 
mesmo, veremos que s2o duas cousas contrarias uma a 
otttra. 

Conirario é pois o que está contra ou é repugnante a 
otttra cousa, o que damna, prejudica ; a inimizade ou op- 
posi^So das pessoas ou cousas entre si. 

Em scntido logico chamlo-se proposi^oes conlradicto^ 
rtasaquellasqueinvolyem ou implicSo conlradic^áo, po* 
rém nma das quaes diz só quanto basta para refutar a 
outra; taes sSo as seguintes : Todo homem éjusto; algum 
homem náo éjmto, £ chamlo-se contrarias aquelias que 
se oppoem de modo que uma díz mais do que é necessario 
para refutar a ouira ; taes sSe as seguintea : Todo homem 
éjusío ; nenhum homem éjusto. 

Oppor é coDocar uma cousa de modo que oíTeresa nm 
estorvo ou impedímentoa outra; a opposi^áo é a dispop» 
si^o das cousas quando estSo collocadas umas em Crente 
das oulras, assim comozcontrariedadeédi repugnancia qoe 
umas cousas téem a outras. SSo oppostas as pessoas quando 
contradizem ou resistem áo que outro diz ou faz. — Re- 
sulta a opposiQ&o de acharem-se as cousas materiaes om 
difierente posi^o ou direc(;So, e ncsle sentido a longitode 
é opposta á latilude, o principio ao fím, e vice-versa. Pei» 
mesma analogia, quando se propoe qualquer razSo ou di^ 
eurso contra outro cliama*se oppor. e oppor^se^ quando 
empregámos razoes e meios para embara^ar uma couaa. 

25tt. •— CantFaTeiaf M> tleMliedtencUi. 

DesignSo, geralmente fallando, estas duas palavras a ac- 

SSo de Mparar-se^ át ir cottíra o qBit está mandadir, mas 
lifferen(;3o-se da maneirattguinte. 
A contravenf&o é a ac^So ou omissSo contraria ás dit- 
poBífBes d'uma lei, d'um regulamento, d'uma obr¡gac3o 



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QDR 187 

«Mttreliida 091 fttipo^ de fazer <nx observar qualqiier 
coBsa. A desobediericia consiste em recusar-se, ou resisUr 
«0 qae Um ^ireitoon poder de maadar.—A contraven^&o 
refiore-Be á iei; a desobediencia ás pessoas. CorUravem-%t 
a uma lei desobedecendo a uma auloridade. 

2S7» — Cmitpllivii^ao , ImpoBtOy trlbuto, 
dernimay pareas, siibslcitos» 

For^osa consa équeos qnedesñ*uct9o os beneficiosda 
jMCiedade contribalo para os gastos que o governo neces- 
síta fazer para defensa do paiz, assim como para o desen- 
vol?imeBto da riqoeza publica. Tal é a origem e motivo 
das eontribui^óesj sem as quaes n2o podem formar-se nem 
sustentar-se as na^oes. 

A natureza do imposto tem mttma rela^Io com as di- 
rersas fórmas de gorerno, com a legisla^Io e costumes dos 
seculos^ pelo que muilo hSo variado estes impostos, sua 
fórma t modo de exeeucSo, os nomes e distinc^oes d'elles, 
e a igialdade e designaidade entre os contribuintes, etq. 
Sem entrarmos c« todas estas parlicufaridades examina- 
remos sónenfte a dtíferen^a que ha entre os mais conhe- 
eidos, e suas signifíca^^oes. 

CotttrihuiQdio é um nome generico qne abra^a tudo 
aqsiilo com que, de qualquer modo qne seja, se acode á 
defensa e sustentagáo do Estado, pois a!ém da contribui- 
(io pecmoiaria ha tambem a chamada de sangue , pela 
qaal o cidadio tem que acudir á defensa da patria. De- 
nne-se geralmente a contribui^üOj dizendo que é a quota 
que cada um dos contribuintes paga, segimdo as regras 
estabeiecidas, para acudir aos gastos que a communidade 
tem que £azer para conseganr o fím que se ha proposto. 
Querem alguns que seja uma imposi^ao extraordinaria 
para acudir a um gasto poblico, prmctpalmente em tempo 
de gnerra: mas este nSo póde ser seu prímitivo e gene- 
ticu sentido, pois toda contribuig&o deve ser geral, ordi- 
Btf ia e permanente entre os associados. 

COffl a palavra contrihuig&o coincide a dc impostoi 
que von do latim impositum^ e signifíca posto em cima ou 
sobre al¿uma cousa. Imposipáo é o acto de tmpor, e o 



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ia8 GOM 

impostOf considerado com rela(;So a este acto, vem a aer 
lamt)ein termo generico qne expríme a totalidade dos em- 
cargos que formlo as rendas do Estado ; e assím se áiz que 
estamos carregados de imposíos, comprehendendo d'este 
modo todas as conlribwgdes, 

Tributo vem de Irihulum, e esla palavra, segando Co- 
farrubias, se derita do imposto que pagavSo em Roma as 
diíferentes tribus que fprmavSo a reuniSo dos cídadlos 
romanos. Define-se geralmente o tributo dizendo qne 
é a quaiitidade que paga o vassallo ao senhor em reco- 
nhecímento do dominio d*este ; e chama-se tributario ao 
que paga tributo. Considera-se igualmente o trihuto como 
um direito concedido ao soberano sobre todos os qae es- 
tSío sujeílos a sua obediencia segündo as leís, coDYe- 
nios, etc. • 

Derrama, palavra mui conhecida antigamente, é hoje 
em dla pouce usada, e signifíca umimpas/oou fintaeven- 
tual, pelo commum arbitraria e aínda violenta, regular* 
mente exigida por inimigo ou conquistador ; eás vezet 
pelas camaras para perfazer a quebra, ou falha qae teve 
eerla renda ou tributo que sedeve á corda. 

Pareas sSo (ytributo que um príncipe ou Estado pagaa 
outro, em reconhecimento de obediencia ou vassallagem. 

Subsidio, do latim subsidium que signífica refor^, 
ajuda, soccorro, auxilío, vem a ser o nome d'um imposto 
temporario e extraordinario ; o qual, ainda que pare^ 
voluntario é for^oso, pois que se exige em virtude d'uma 
leí em casos exlraordinarios, e ás vezes fica para sempre, 
eomo subsidio litterario em Portugal. 

238« — Contri^ao, pesar^ 
arrependlmeiiSo , reiiior«o«. 

Todas estas palavras exprimem a dor que sentifflos de 
ba ver procedido mal, mas cada uma d*etlas com diífereiittt 
rela(;oes. 

Conirif&o é palavra propriamente religiosa, e consiste 
na profunda e voluntaria dor que causaanosso eora^o o 
tiaver oííendido a Deos, só por ser quem é, e porque od^ 
vemos amar e amámos sobre todas as cousas. 



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CON 189 

peiar é ama penosa recorda^So, uina pena, qdi senti- 
mento interior, causado pela fatta que se commetteo, e 
póde ser maíor oamenor segundo as circumstancias, deli- 
cadeza, consciencia on escrupulos do oue se acha pesaroso. 
Sempre molesta e can\^a o animo e as vezes tanto, que 
póde produzir transtorno physico ou moral na menle ou 
na saude segundo for gravc a falta, ou estreita a conscien- 
cia do que a commetteo, mórmente se d'ella resultárSo 
fataes consequencias. 

O arrependimento é a amarga peiia que sentimos de 
haver commettido um delicto ou erro, desejando ao mesmo 
tempo com a maior eílíicacia emendál-o, reparál-o, satis- 
faz¿I-o quanto nos seja possivel. 

liemorso vem de remorder^ que vale lanto como tor- 
nar a morder ; exprime esta paiavra, em sentido trans- 
lato, a accusa^So secreta da consciencia que, sem a poder- 
mos aplacar, uos atormenta e despeda^a a alma quando 
delinquimos. Vemos pois que arrependimenío díz mais 
que pesar, e remorso mais que arrependimento. 

A contriQ&o refere-se ao peccado, e a inspira o amor 
qoe temos a Deos e o horror que nos causa o vício, por 
ser ofíensa a elle feita. arrependimento corresponde a 
toda a espccie de mal ou a toda ac^2o olhada como ma, 
e no-Io suggere tanto a experiencia como nossa propria 
reflexlo. A imagem do crime que de conlinuo nos appa- 
rece, atormenta e espanta, produz os inevitaveis remorsos^ 
pois a consciencla vinga a divina jnstiga, perseguindo-nos 
e accusando-nos. tempo póde debilitar e desiruir o pe- 
sar / a repara^So do damno causado, acaimar o arrepen^ 
dimento: porém nSo succederá assim com os remorsog. 
que até á sepultura hSo de perseguir o malvado. 

2^9* CouTen^&o, pacto, contrato, 

Quando duas ou mais pessoas convém entre si em ai' 
guma cousa, c se obrig^o a cumpril-a« chama-se a este 
acto e ao ajuste que d'elle resulta uma conveng&o ; é me- 
nos que pacro, porque este é uma convengao qiie sempre 
provém de obrigagSo legal e pro(j[uz direilos reciprocos. 
Contrato é especie de convengáo de que resulluo direitos, 



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190 CON 

obrigagbes e aec5eft dim^ e wm tal sujeílo ás leisfiie 
regem a soeiedaae. Trataio é a cmwen^&o e ^takd soleni* 
ne que fazen entpesi dous ou mais Estados^ou prioeífea 
soberanos, que (em for^a de lei e fórma o direito iatmuK 
Gional dos j^ovos. 

260. — €mvkwewmmmf pratleafl» » palra», 
parolar , cliarlar , s<^l>!'<^>' 9 •veHieliar* 

De todos estes modos se fklla». mas muito diíTerem mtre 
si taes modos de failar. 

A conversagao é nm trato de palayras Camiliar e amíga- 
vel entre duas ou mais pessoas, sobre assumptos varios, 
indiflerentes ou de algum interesse. Conversa-se para 
recrear-se, instruir-se, divertir-se. A eonvereag&o tem 
suas regras , cuio conliedmento faz parte da boa edu* ' 
ca^o. 

Praticar é conversar e conferir mais principaimente, 
tratando de qualquer materia ou negocio importante. 
Pratica sígniüca pois mais qoe conversacdo : esta póde 
ser festiva, alegre, ligeira, superficial; aquéllasuppoeCor- 
malidade, seriedade, importancia e iniéresse. 

Palrar ou parlary do francez parUr, é conversar com 
soltura e desembarago. Esta expressSo indica muitas vezes 
excesso no fallar, pouca considera^o no que se diz. lo-» 
onacidade importuna e até indiscreta. palrador e uak 
lailador desattento a quem escapSo muitas express$es im- 
portunase iuconsideradas^em quese descobrem ás vezes 
segredos e particularidades <pie n2o deveri2o saber-se. 

Parolar^ é usar de parola e palavrorio, Mar no ar,. 
levianamente e talvez com jactaneía. 

Charlar é fallar sem sustancia, fóra de proposito, por 
passatempo ou porkviandande. 

Galrar ou garlar é fallar muito, sem discriQáo» e ás 
▼ezes sem modestia e com ar entonado. 

Cuchichar é fallar ao ouvido a aiguem diante de outros. 
As mulheres, qiie n9o s2o prudentes e bem educadasy 
estáo sujeitas ao vicio de cuchichar e dizer segredinhos 
entre si, já por ociosidade, já por vaidade. e ás veze^ por 
naügnidade.Mais reprehensivel é ainda habito que teem 



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G09 191 

algmiifis ámmlM qBt, enfastlanéb'Se com a conrersagáo 
de suas mSis e pessoas serías, se retiiKo a parte para 
€uehieharem entre si. Cuchichar é voz imítatiTa. e os 
qne a deriv^ do canto do cocMdio escreTcm cochtchar ; 
porte em hespanhol se escrcTe cuchichear, que mnito se 
parece eom o chuchoter francer. 

2C1. — €mtI«^A« , lieMiiiuifio. 

Exprimem estas duas palayras o acto pelo qual a nossa 
^ma aquiesee áquUio qñe se Sie propoe eomo verdade, 
com a idéa accessoria d'uma cousa que a determinou a 
eate aclo. A convicpSo é uma aequiescencia fundada em 
provas d'itma evidencia írresistiyel e victoriosa. A per" 
iuasáo é ipiaaquiescencia ftindada em provas menos evi- 
dentes, posio que veroameis; porém mais proprias a 
interresiar o cora^io que a iltnstrar o espirito. Aqnella é 
filha da raz2o, e do doBúnío da intelHgencia; esta obra 
mais sobre o cora^So, e depende da sensibilidade. Acon- 
viepáo, sendo o eíTeito da evidencia, n2o póde enganar ; 
assim quCi nSo póde ser falso aquillo de que eslamos legi- 
timamente convencidos* A pertuasüo é o efl^ito de prova» 
moraes, que podem enganar ; e assim podemos estar muí- 
tas vezes periuadidos d'um erro mui reaiyfue tenhamos 
por verdade mui segura. 

Um raciocinío exacto e rigoroso produz a conmé^ 
nos animos rectos; a eloquencia e a arte oraloria podem 
produzir a persuas&o nas almas sensiveis. « As almaa 
sensiveis, diz Duclos, téem uma grande vantajem para a 
sóciedade, a de eslarem persaadidas de verdades de qne 
nSo está convencido o animo : a convicQ&o é muttas Jtje% 
sómente passiva ; a persuagOo éactiva. dá impttlso eíai 
ohrar.» 

Veja-se Capacitar. 

S62. — CottTlr , iiBiportar, rdeirar^ 
cumprlr» 

Jlq«Ho qne iraz qHalquerconvenfencía, on éapropo- 
süo para algmaa €Ousa> diz-se que eonvém^ on é conve- 
niniis. O qne tra« nti3idade e proveito, diz-se que 



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!92 CON 

importa. que sobresai pelasna importancia oauttlidade, 
diz-sc que releva. E o que intcressa obriga^o c dever 
díz-se que cumpre, — Convém ,k decencia e ao decoro 
d'uDia dama honesta fallar sempre em termos comedidos 
e com ar modesto. Importa muito ao bem publico qoe os 
cidadSos sej3o paciñcos e laboriosos. lieleva muito ao 
principe ter fieis e intelligentes servidores. Cuir.pre ao 
bomem de bem sacrificar-se pela sua patria. 

263. — Copiar, traeladar. 

Copiar é repetir, multiplicar a cousa, tirar d'ella um ou 
muitos exemplares. Trasladar si^niñcsí litteralmenle escre- 
ver segunda vez, passar a outro papel, p6r em iimpo» — 
Trailado indica exacta e litteral conlormidade ; e copia 
&s vezes só maior ou menor similhan^a com o original. 
— Coptao-se nSo só papeis. sen§o debuxos, pinturas, etc. , 
tudo que bem ou mal se imila ; mas só se iraslada o que 
eslá escrito. 

264. — €dr, colorido. 

Considerámos estas palavras só com rela^Io á pintura« 
A cdr é que faz que se ve¡2o e distinglo os corpos ou 
objcctos, e aue se forme a imagem visivel em suas diífe- 
rentes variedades. colorido e o eíl'eíto particular que 
resulta da qualidade e forca das córes em viriude de sua 
mescla e disposi^So em qíialquer quadro, prescmdindo 
do debuxo e aa composi^lo. — A cdr temsuas diíTeren^as 
objectivas, que se dividem em especies, e depois em meias 
tintas e matizes. colorido só admitte difi'eren^as que 
poderemos chamar qualiñcativas, e consiio de varios 
gráos de belleza ou fealdade. — azul, o branco, o en- 
carnado formlo diíferentes especies de córes» serem 
estas mais ou menos vivas, claras ou escuras, só constitue 
matizes ou meias tintas; porém nada d'isto é propria- 
mente o colorido^ senSo o conjunto, a totalidade que re- 
sulta em geral de sua uniao e combina^o, causando 
uma sensa^o abstractae distincta da sensa^Siopropria 



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V COR !93 

es8enclal das mesmas cotm/ econsiste este eíTeíto na 
dísposi^o dos corpos, uns respectivamente a outros, que 
estSomaisonmenosproximosentre sl, ou se suppoeesta- 
rem, á visla do que oiba para o quadro, e do modo como 
recebem a luz, o que faz perder ou ganbar em c&r os 
objectos que no quadro se representlo. 

265. — Corairent» ▼alor, bravura, 
intrepldeaB , ardlmento , fierolemo* 

Coragem é termo mni generico, e significa esfor^o de 
anlmo, Yigor da alma, por onde se dá a conhecer o bomem 

Íiue tem cora^o. As diíferentes maneiras por que se manl- 
esta ou exerce esta nobre qualidade do bomem form9o 
as seguintes especies. 

O homem que se exp5e aos perigos quando é necessario 
é valoro$o ; seu valor manifestado nos combates, é a co- 
ragem militar. A esta insigue yirtude opp5e-se a vergo* 
nbosa cobardia. 

A coragem momentanea, impetuosa do guerreiro,tal?ez 
mlsturada de furia e colera, chama-se bravura. 

O valor ousado com que o homem se arroja ao perigo, 
aífronla, e nSo treme no conflicto, autes fíca firme, e 
talvez se sacrifica se necessario é, cbama-se intrepidez, 

Ardimento é a coragem ousada e atrevida com que se 
sustentlo empresas grandes e talvez arriscadas, o denodo 
com que se combate, a affouteza com que se intenta al- 
guma cousa. 

Se heroe, como boie entendemos, é o varSo illustre por 
snas fa^nbas e virtudes; heroismo é o conjuncto das qua- 
lidades que collocSo qualquer homem na classe de heroe, 
tendo entre ellas primelro higar o amor ao bem publico 
e a perseveranga em Irabalhar para elle, obrando feitos 
grandes.e vencendo perigos, quea maior parte dos homens 
iúk»oasaarrosiar. 

266. — Coroa, dladema» 

DesignSo ambas estas palavras a insignia que orna o 



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!M GOR 

ihrnte dos soberaaos; porém cada oma d'ellas tere dií[e>- 
reate origm, e coavém íño asconídndir. 

Caroa tem do lalim corona e do grcgo w/wvjí , e signl- 
ftca em geral adorno de lienras, ftores, elc, com que se 
eingea cabe^ Enlre os Romanos as havia de diflferentes 
especies para designar os nobres feitos dos ddadSos bene- 
meritos : mural^ rostruta, graminea^ ohsidional, oval. 
Em particalar signiítea o ornato circolar de ouro, prala 
ou ferro, de diiferentes fdrmas e feitios, que os reis e im- 
perantes poem na cabega como emblema de sua dignídade» 

JHudema vem do grego StccSsa/Aos, fóxa, Mgadura'(de 
Itm^li^, ligar,cíngi5), esignifica rigorosamente faxaoa 
in&igpia branca que anUgamente cmgia a cabega dos 
reis* Ainsworth diz qae,segündoaíSmedalhas dosantigos 
reis, a fórma do diadema nao diflere muito da do Uirbaiite 
turco 

Ck>roa toma-se muitas vezes no sentido de reino, realeza, 
atlribuí^oes reaes, e tem nmitas outras significa^des; 
porém diadema só significa a insignia reai que cinge a 
cabe^a dos reis. Muitos principes da Asia erio antiga- 
mente tributarios da coroے de Porlugai, e nossos rm 
dodiSo cingir aoreo diadema esniahado com as pedrarias 
po oriente. 

267. — Corresti'y emenda», 

Comgtm'8% a» £üias, os áefeitos do entendimento. 
Emend&o-se os erros, os eslravios da vontade. — Corrige- 
se oliomem prudente, qiundo adverte que suas opinioes 
s2o erradas, e suas idéas desacertadas. i^mmdo^se o matf- 
feitor quando conhece o erro que commetteo, e artsco a* 
qae Em conducta o expoe. 

As correcfdes d'uma composi^ litteraria consisten na 
meUior escolha dos termos, na maior clareza das idéas, 
na maior forga das raz5es, e na minuciosa appltca0o das 
regras grammalicaes e orthographicas. As emendas con- 
sistem nas mudangas materiaes que se fazem no papel, 
riscando o snperfluo on accrescentando o necessario ; e 
assim, ao vermos um escrilo emendado^ dizemos que está 
C'meeto. 



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GOR 109 

Goiii tudo, podem-se luer eme»ia$ n'nm escrito come 
fim de corrigil-o, isto.é de o Umf>ar de erros ede o lor&ar 
perfeito, e n2o se conseguir este fim, e tornál-o peior dt 
que estava. N9[o ¿ sem raz2o que os nossos anligos diziSo 
em certos casos : É peior á emenda que o soneto. 

üm escrito póde ser correcto sem nunca ter sido emeri' 
dado. Telemaco saío da penna de Fenelon sem uma só 
emenda. Álgumas obras, apezar de muitas emendaSf nunca 
clieg^o a ser correelas, Cambes emendou mais d'uma lei 
os seos Luziadas, mas a boa critica descobre-lhe ainda 
muitas incarrecgdet, 

268. X— Correlo, estafeta, po«tllIft&o. 

Todos estes honens oorrem na estrada, mas cada um 
d'elies com diíTereiite fim. 

Correio é o que tem por offieio \emt cartas d'nm lugar 
a oulro, on o homem que se despede & pressa com despa- 
chos ; tambem se dá o nome de correio k casa onde se 
recefoem e dístribuem as cartas. — Eslafeia on eetafete é 
eorreio ordinario quc vai a cavallo e leva cartas e enco- 
mendas d'um lugar para outro. Pottüh&o ¿ o que vai a 
ctvallo diante dosque correm a posta. 

269. — Corronipldo , deprmiradOy 
pervertldo. 

. Qoando numa cousa se introduzio algum vicío, ou ae 
perturbou a ordem e harmonia de seus principios, dizHse 
que se corrompeo. Por esta mudanga passa a cousa, de 
boa qne era, a ser má em seu genero, e ent2o se diz que 
está depravada. Quando a periurba^So ¿ tal gue quasi 
perde o antigo ser, diz-se que se perverteo. mesmo 
aeoDteee no sentido moral. 

270. — Corsario, plrata. 

Ambos infestio os mares, mas de differente maneíra. 

qoe arma um Ravio em eor$o^ e com patenie do go- 
forno fitt presas ao inimigo, chama-se eoreario; o mesmo 
oome se dá ao navio armado em corso. Phrata é o que 



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196 GRb 

anda roubando por mar. — O earso ¿ permittido entreas 
nacSesbelligerantes; a pirataria écondemnada por todas 
as leis maritimas. 

271. — Cosmosonla, coflmoi^raplila, 
cosmolog^la. 

Estas Irez dilTerentes sciencias téem por objecto oestudo 
da creagSo ou formagSo do universo, e princípalmente do 
globo terraqueo. A raiz d'ellas se acba na p^lavra grega 
xóainoij mundo. 

A de eosmogonta se lórma accrescentando ao radicat 
yóvosf gera0o, que vem do yívo/taí, eu gero; c assim 
eosmogonia significará a gera^o, a sciencia ou systema 
á cerca da forma^So do universo. Cosmographia é a unílo 
do mesmo radicai com ypáfoi , eu descrevo, e é a sciencia 
que se propoe esludar a eslructura, fórma, disposi^So e 
reiagoes que guardSoentre si as diíTerentes partes do uni- 
Terso. Ajuntando ao mesmoradical Xóyos, discurso, temos 
nome co<mologiaj que designa lilleralmente discursoon 
tratado sobre o mundo, ou sciencia das ieis geraes que o 
governiío. — A cotmogonia discorre sobre o estado varia- 
▼el do mundo ao tempo de sua forma^Io ; a cosmographia 
expde em todas suas partes e rela^oes o estado actual do 
universo ; e a cosmologia discorre sobre este estado con- 
síderandO'O já fixo e permanente — A primcirá sciencia é 
conjectural, a segunda meramenle historica, a terceira 
experimentai. 

272. -T? Credulo, crente. 

que cré de leve, com demasiada facilidade, é credulo; 
que cré com boas razoes, e está fírme na sua crenga, é 
creníe.— Abrablo foiopai de todosos crentes;ma8 nSo 
se póde dizer que ó foi de todos os credulos. — « A idolatria 
semeou a crediUli^^de^ diz o P« Yieira, e a Fé colheo a 
crenga. A idolalria eom as fabulas come^ ou a fazer os 
sentios credulos, e a Fé com os mysterios acaboa de os 
YsúLtr crentet {IjllO). » 



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GRI 197 

173. — Creremalffueni, crer a alsueniy 
ou alg^uem. 

Crer em algem, é crer que elle é na verdade o quc re- 
presenta ou inculca; crer a alguem é dar credíto ao que 
clle diz, crer que nos falla do cora^Io. Muito bem expli- 
cou csia diífercn^ja o P» Vieira no SermSo da V* Domínga 
da Quaresma. Suas sSo as seguintes palavras : « De ma- 
• neira que ha crer em Christo, e crer a Chrislo ; e uma 
» cren^a é muilo dlíferente da outra. Crer em, Chrísto, é 
» crer o que elle é ; crer a Christo, é crer o que elle diz. 
» Crer em Christo é crer nelle; crer a Chrislo, é crél-o a 
» elle. Os Judeos, nem criao em Christo, nem a Chrísto. 
» N3o criao em Christo, porque nSo cri&o a sua divindade; 
» e n3o criüo a Christo, porque nSo criáo a sua verdade, . 
» Os discipulos naqueile tempo, e naquelle estado, cri&o a 
» Christo, mas n2o cri&o em Christo; e nós agora, ás avessas 
9 d*e]Ies, cremosem Christo, porque cremos o ^ue é, n2o 
» cremos a Chrísto, porque nao cremos o que diz (II, 244, 
» 246).» 

274. — Creseer^ augrmeiitar-se. 

De ambos esles modos tomSo as cousas maior extcnsSo, 
Tolume ou importancia; mas em cada um d'ellcs concor- 
rem circumstancias particulares que entre si os diífe- 
ren^o! 

Aquclla ac^ So vital pela qual os corpos organicos vSo 
progressiva e insensivelmente tomando m^ior grandeza 
chama-se cresdmenio, Crescem as arvores, as plantas, os 
animaes, todos os viventes; cresce o cabello, a II, o 
pello, etc— Estende-se esta signifíca^Io a todo o engran- 
decimenlo progressivo de qualqucr cousa que toma mór 
▼olume ou extensSo. Cresce a massa com o fermento ; o 
río com as cnchentes cresce; a arcia com as cheias cresce 
cm montes ; crescem os dias, as noites ; cresce a fome, 
cresce o vcnto, a tem[lestade, etc. Cresce a violencia da 
paix2o quando áe nSo sabe moderar a tempo. 

Qoando um corpo ou todo toma engrandecimento, pfir 
veio da addi^So ou addítamento de novas partes ou coo- 



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198 cfttJ 

sas da mesma especie, sem idéa de qne o engrandeeimtiito 
seia progressivo, nem gradnal, nem ínsefisivel, diz-se qne 
elle se augmenta.—Augmenta'Se o trigo no celleiro, o 
dinheiro bo cofre, ^ando se Ihe ajunta nova por^So sem 
nada tirar do que existia. — opposto de augmentar é 
diminuir ; a creseer oppoe-se decrescer, que e perder de 
sua grandeza conttnua on discrela, ir a menos, como se 
Té no P« Bernardes, que disse na Floresta : « Vio ondaf 
de fogo, como de maré, subindo e decrescendo. » 

275« — CrifHf , produzlr, irer«r« 

Por todos estes modos se dá ser ao qne o nSo tinha» 
mas cada um d'elles indica differente meio na causa que 
eria^ produz ou gera. 

Criar, é tirar uma consa do nada, dar-lhe todo o ser ; 
e metaplioricamente é erígir, institnir nma nova dignidade 
ou emprego. Produziry é tirar de si com actividade oa 
ac^o Tital alguma cousa. Gtrar^ é propagar a especie 
pela gera^3o.-«Deos criou o universo, e todos os serea 
que 'compoem. Os reís crtdio novos cargos e dignidades 
em seus estados. Os sabios criáo novas sciencias. — As 
sementes, que se lan^ á terra, germinlo, crescem, e 
produzem o fructo segundo suas especies. Os litleralos 
produzem suas obras quando concebem em sua mente, e 
com os auxilios que Ihes minislrio as leitras on as scien- 
cias dáo á luz suas prod%tc(óes, — Geráo ou engendrdo 
todos os animaes sua prole segundo sua especie : e, mo- 
ralmente fallando, erros ^er¿lo erro^, e vicios gerCío 
vicios. 

276. — Vru«Iflxo9 eruciflrado. 

Pesto qne eslas duas palaTras tenb2o o mesmo radicad, 
todaria sua difi^ente termina0o kz «om que cada nue 
d'elias signifíque couia áistincia. * 

Crucifixo é a imagem de Christo pregado na cms. 
Crucifcado é por excellencia Jesu-Christo, que se deixoa 
eiaTar na Cr4» para wmk o moBdow. — * Aos pés d'm 



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€JDM !99 

entafuBo taíuám sSe Thomax d'Aqaíiio a seienda theel»' 
giea eam que lanto illustrou a relsgiSo do Crueificado. 

277. — Culdadoflo, dlli^eiiie, «oHlcltOy 
deninelttdo 9 oaeioso. 

ExpriQiem estes yocabulos aprogresslo ascendente do 
coidado e atien^ com qne algnen se oecupa d'um ne» 
gociOy etc. Diííeren^io-se porám entre si pelo gráo que 
cada um d'elles exprime. que trata do negoeio on in« 
cnmbencia com cuidado, sem d'elle se esquecer, é cuida- 
doso, que ao cuidado junla esiudo, applica^ e esmercs 
é diligente. que ao cuidado e diligencia junla instancia 
e assiduidade, talvcz inquietagSo, é sollicito» que emprcga 
continua vigilancia, quasi que nio dorme, nem descan^a 
em quanto nHo periaz ou consegue o que deseja, é des* 
velado. Finalmente, que obra com ancia, se agita ci«t- 
dadoso^ se afQige sollicito e desvelado, é on está andoso^ 

278. — Cume , eumiada , cumlelra. 

Vem todas estas palavras da latina culmen , mas pelas 
termina^oes designlio cousasdiversas^ posto que todas no 
alto pouto^ 

Cume é a summidade, cimo d*nm monte, e no sentido 
figurado significa auge, ultimo gráo dc favor, (ortn- 
na, etc, a que se cbega<.— CumúK¿a é a prolouga^áo d'um 
cume^ á'uaiaicumieirafé espigSo da serra. — Cntntetroy 
é a parte mais alta dos telhados da casa, o esp^2o, ou (t 
páo que fórma. 

279. — €um|u»ir, olieerTar f suArdar. 

Consideradas estas palavras no senlido de executar uma 
lei, nm mandado, ou que prescrevem as regras de qual- 
qner instituto, vem a ser synon|mas, mas apresenta cada 
nma d'ellas certas madificacoes qjue nSo devem escapor 
ao bom philologo.^ 

sentido proprío da palavra observar é ter á vista, at- 
ender a uma cousa; de guardar é ter em sua guarda 



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200 OAM 

um objeelo, sem abandonál-o, defendél-o, resgnardál-o, 
ter euídado nelle; o de cumprir, é encher, complelar, 
consummar e concluir alguma cousa.— QuandoexecutaU 
que a lei manda, a observah; qnando cüídais em n9o 
violál-a, ou Yígiais para que outn>s a nSo violem, a guar» 
dais; e qiiando sois exactos e escrupulosos em encher in- 
tcira e completamente as obrigacoes prescritas, a cumpris. 
^Observar denota propriamente fldelidade aospreceítos; 
guardar^ perseveranga e continua^Io ; cumpriri perfei- 
^o ou consumma^So da ol)ra. 

280. — Damno, detrimento, menosealio, 
prcjulzo. 

Referem-se estas palavras ao mal que se póde cansar a 
qnalquer pessoa, ou que se soíIVe de outros em bens, ri- 
aueza, interesses, honra, etc; mas difTcrengSo-se entre si, 
da maneira seguinte. 

Damno diz-se de toda especie de perda, lesSo, trastorno 
na forluna, na opiniSo, nas inten^Ses, nas empresas, qual- 
quer que seja a causa, d*onde elle provenha ; mas partícu* 
larmente d'um mal que directamente se faz. 

Detrimento é o aamno que provém d'uma cousa que 
deteriora outra e parece dirigir-se a destniíl-a, ou com 
efieíto a destrue*^ e assim, a tudo que é damnoio Ihe cha- 
mdmos prejudictal. 

Menotcübo é a diminui^So ou deterioramento de ^ual- 
fluer cousa que a priya de seu valor ; o que é um verda- 
deiro damno para o dono d'ella. Assim qne, menotcahar 
é, em sentido recto, reduzir a cousa a menos, encurtái-a, 
deslustrál-a, privál-a de partede seu luzimento, dimi- 
nuKndo a estimagio que antes se fazia d'ella ; e igual valor 
tem no sentido moral e ñgurado. 

Prejuizo é o damno ou perda que resulta das^rela^ Ses 
eontrarias d'uma consa respectivamente a outra. £ um mat 
qné indirectamente se causa impedindo um bem. 

CausSo damno aos campos os gados que nelles se met- 
tem apastar. — N3o se deve buscar o proveito proprio 
com dernmtfn^o daalheio.—Quem meno^co^o mereci- 
mento alheio, nio espere que Ihe respeitem o seu.— Uma 



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DAE SOÍ 

loja üoy^ prejudica ás oulras de sua especie, porque as 
príTa da venda, yendendo os generos noTos, melhores e 
mais baratos. 

281. — Dar, entre^ar. 

Dar é ceder, ou passar a onlro a posse d'uma cousa ; 
entregar é pdl-o malerialmenle em posse d'ella; e assim, 
que entrega nao é sempre ó que dá. — rei dá com 
Jiberalidade, e o thesoureiro entrega comexactidSo.— Aof 
meninos deve se Ihes ensinar a dar esmola aos verda- 
deiros pobres, e para que se Ihes imprima bem esta dou- 
trína , convém que Ih'a entreguem elles mesmos, e se 
acosinmem a ver de pertoa verdadeira necessidade. — O 
que faz uma esmoia, por sua mSo, a um mendigo, em- 
prega ao mesmo lempo as duas ac^oes de dar e de entre- 
gar, assim como o mendigo emprega as duas de tomar t 
rcceber. 

282. — Dar (luffares» empreiros, ete.), 
premlar; dadlTas, premlo». 

Muito bem distinguio estas duas palavras o atilado en- 
genho do nosso Yieira. Fallando elle do modo comoos reis 
devem fazer as mercés, diz : « Um só meio acho aos reís 
» para salvarem lodos os inconvenientes. £ qual é? N3o 
» dar aninguem, eprcmíara todos. Poiscomo? Pre- 

> miar a todos sem dar nada a ninguem? Sim : o dar, e 
» opremiar s3o cousas muito diíierentes. Dar aos que 

• merecem, ou nlo merecem, é dar; dar só aos que me- 

• rccem éijrewíar. N3o fazerem mercés os reís seria nlo 

> serem reis; mas b2o de fazél-as de maneira que as mer- 

• cés náo sejSo dadivas, sejSo premios. Dem os reis aos 

> benemeritos, e fechárSo as bocas a todos. Quando os 

• premios se dáo aos que merecem, os mesmos que os 
» murmurlo com a boca os approvSo com o coracSo 



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102 DAR 

285. — Dardo , freeha , setta, azai^aia, 
«fimbo» Tira, virote, xara. 

Palavras que representSo outras tantas armas de arre- 
me(;o, mas que dxüeriáo na íórma ou maaeira de as 
lan^ar. 

Dardo era arma de arreme^o que se atirava com o 
brago, e talvez com arco, lanfa curta com pouta de férro 
quc se arremecava. 

Frecha, ou flechay ¿ haste delgada como de trez palmos 
de comprido, com ponta aguda de osso ou de £erro, lizt 
ou farpada, disparada por meio de arco. 

Setta é a corrup^So da palavra latina iagitta, quc pa- 
rece ser perfeitamente synonyma áeflecha, que é fleche dos 
francezes vinda de flitz dos allemaes. Pela circumstaD- 
cia de serem ambas despedidas por meio de arco, corresr 
pondem á palavra grega /s^Aos, posto que d'ella se nSo de- 
rivem, como se vé d'aquelle sublime verso de Homero 
(m.I,42)r 

Qoe muito bcM se traduz em nossa lingua : 

. . •' pranto meii 

Pagaem osgregos pelas tetímé uias. 

Querem alguns qne a differen^ a que ha entre fleeha e 
setta consiste em que aquella tem pennas recortadas na 
extremidade opposta á ponla, e esta úño. 

Azagaia é palavra arabe e desigoa um dardo usado na 
costa de Afi ica. 

Tinilo é voz africana e designa páo tostado, arma dc 
que usSo os Cafres* 

fita é ectta mui aguda e íbrte^ usada antígamente 
peios bésteiros. 

Firote é xira grande, ou eetta curta empennada. 
D'este se formou o augmenlativo wotao^ que era virote 
grande e grosso. 



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DEG M3 

jrnnh em espanhol jnra, pareee ser palivra arabe, e 
«^nifica páo toslado de fazer üro, talvez por ser feilo 4a 
pianta diamada taiBbem «ara, altas estera, e tambem tcB 
a áswfíca^9o de Mtfa,como »e yé d'aqtieUa coniparafio 
á»F^ Bemardes : • Qual ¿rara do aroo ÍBtensosaciidida. > 

dc todas estas palavras a mais poeUca é «etta, como 
se Yé em Cani$^ qiie daas vezes se smio d*ella para ei- 
prHBir uma eompara^^So rapida da Ugeireza e veloGidade. 

Hercurio. pois ezcede em ligeireza 
Ao TeDto lefe e é tetta bem taltiada. 

Yendo a cilada grande e t3o secretay 
YAa docé» ao mar coino uma ssUa. 

{iMt., l, 40;II,M.) 

284. — Decapltar, deyolar. 

Anibos estes verbos indic2oa)ic0o de cortar a cabe^ 
oom a differenga qne decapitar é cortál-a por senteii^a 
e autoridade da jnsti^a, e deú^ar éeortar a garganta oa 
pescofo de miaiquer airánal e por qualquer motiTo que 
seja. — De^oidío-se rezes no degoladouro ; decapttavdtú- 
se 08 nobres no cadafalso. — No senlido íigurado dtz-se 
qne se degol&o as herezias, os ñcios, mas nSo se póde 
dizer qae se deeapitao. 

28& — Deeenela , mocleatia, pudar, 
reaerTa^ reeato. 

Referem-se estas palaTras ao modo de proceéer « de 
ezpresaar-se dianle das gentes, e de conse^inte perleor 
eefli á deeeneia exterior. 

CoBsiste e&ta no asseio, compostnra e adorno das pes* 
soas segundo sua classe e circnmstancias*, roas a yerda- 
deira dicencia yem áo interior ; e consiste nos iniimot 
se&timettios de honestidade e modeslia, na conformídade 
das ac^oes exleriores, }á com as ieis positivas, já^ com as 
qne iinpoe a opiuiSo geraL 

▲ Moáottta é o ewdado qne poom em bío fiuer nena 



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20¿i DEC 

dízer nada que yv^sa dar motivo a que se nos attríbaa 
orgulho, presnmp(3o, alta idéa denossas qualidades, me- 
noscabo dos outros. homem modesto pensa moderada- 
mente de si, nSo se nomeia, nunca se antep5e, anties se 
posp5e. Ha outra modestia que pertenee parlicularmente 
as mulheres, conyenienle a suas maneiras, trajes eexpres- 
sSes, formando por tanto parte da decencia. 

pudor é um sentimento natural e activo de honestí- 
dade e modestia que, sem que o possamos evitar, nos 
causa pejo e nos leva a fugir de quanto possa moiivál-o. 
cuUo das mulheres está no pudor, disse um aulor de 
boa notá. t 

A reserm faz-nos proceder prudente e recatada- 
menle em palavras e ac(;oes, em quauto nos nSo s3o bem 
conhecidas as pessoas com quem estamos ou as circum- 
slancías em que nos achámos. 

recato su{)poe re<en>a e cautela lemerosa doperigo,. 
portanto honestidadeparaevitar murmura^des, emodestia 
para nSo excitar a inveja, nem offender o amor proprio. 
Com isio a mulher recatada chega a adquirir tal dominio 
sobre si mesma que nada se permitte fazer nem dízer 
contrarío ao que préscrevem a prudencia, e a discreta 
modera^ao. 

A reserva nos é proveitosa para nos conlerroos em 
nossas palavas e ac^óes ; a modestia, para nao descobrir- 
mos amor proprio ; o recato^ para procedermos de 
modo que nSo demos nunca occasülo a que suspeitem mal 
de nós; a decenciast envergonharia de acbar-se numa 
situagSo que nSo correspondesse ao sexo, estado e cir- 
eumstancias da pessoa.TIo delicadoéoimdor que, aínda 
no instante mesmo em que se occulta, teme e se enver« 
gonha. — Teme a mode<^ía chamar a altenf So : a reserva^ 
que a descubrSo ; o recato, toda a familiaridaae extranha; 
a decencia, quea sorprehendSo em qualqueracto dos que 
80 se executio a solas com cada um de nós mesmos. — 
A reierea póde enla^ ar-se mui bem com o nobre orffulho, 
e brilha no recato; a modestia póde ser nobre ; a aeceii* 
eta costnma ser respeitosa; oj^udor como que implora 
gra^a e protec^Io, por ísso é dígno de mór respeito. — 
N2Í0 ha cousa mais apreciayel no mando qae ama mulher 



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OEG 205 

▼JrtDosa e modesta, franca e reservada; recatada sem 
affecta^So , decente sem fíngimenlo ; tendo ao mesmo 
tempo pundonor e ingenuidade. 

286. — Heclsao, resoluf&o» 
det erniinaf Ao . 

A deciiáo soppoe duvida anterior e nma sentenga que 
a resolva, é fixe o que se deve pensar, julgar ou fazer. 
DecísSo é tambem resolver a indifi^renQa sobre uma 
cousa, fixál-a para qiialquer efí'eito, etc. — ñesolugüo 
é plano qu^se fórma, ou o partido que se quer adopiar. 
— DeterminagQo é um acto da vontade que resolve a 
indifíeren^a ; e em casos contestados é o mesmo que de- 
cÍMáo ou resolug&o. 

Determina-se consultando a vontade; re«o/«e-se exa- 

' mlnandoarazlo ; decide-se pesando duas oii mais raz5es 

oppostas. — Uma determinaff&o hem resoluta declde 

muitas vezes em pouco tempo difQceis e prolongados 

negocíos. 

287. — Deeisliro, i»ereniptorio» 
termlnante* 

Perlencem estas palavras ao modo como se decide, 
conclue e termina qualquer assumpto, negocio, discus- 
s2o ou disputa. 

Resolvem-se as cousas duvidosas e disputaveis com ra- 
zoes, e tSo claras ás vezes que fazem que num inslantese 
termina a duvida ou a incerteza ; ou com argumentos tao 
fortes que necessariamente trazem com sigo a decisao: 
ou com outros que arñrmSo a verdade por um lado, des- 
truindo quanto por outro se podesse oppor. No primeiro 
caso estes argumenlos ou meios sao terminantet, no 
segundo decisivot, no tcrcciro peremptorios, 

A palavra terminante claramente se entende significar 
a efScacia do mcio e a promplidlo de seu efTeito ; deei- 
$190 indica a discussSo e os meios apropriados para ter- 
minál-a ; peremptorio, a opposig5o e o meio que póde 
destruíl-a. — Terminante é o que vence todas as diífi- 
culdades, derriba todo« os estorvos, tira todos os obsta- 
II. ^ \2 

DigitizedbyGoOgle 



a06 DEC 

cnlof ; dediivo é o que já nSo deixa devida algnmai e por 
^nseguinte subjuga o juizo aiheio: peremptorio o cpie 
nem sofíre opposigáo nem admitte réplica. 

288. — ]ieelapap,cle8Mlirir,itMintfefltar, 
reTelar, diYitlsar, publlear. 

Todas estas palaTras signifícSo em eeral dar a conbo- 
etít qae estava ignorado; porém póde Tcrificar'Se isto 
por ditferentes modos indicados por cada um d'estes 
verbos. 

Declarar é p(^r em claro, acclarar, explicar, inler- 
pretar o quc está escuro, ou n5o se enlende bem. — Dei- 
^obrir é, como já n'outra parte indicámos, tirar o que 
cobre,occuUa uma cousa, destapar, abrir, alcangaraTcr. 
— Manifeitar é pdr as cousas como á mSo, mostrál-as, 
presentál-as, fazél-as patentes. — Bevelar é tirar, lcTan- 
tarovéo; suppoe uma Tiola^lo de juramento ou de estreita 
obriga^o, ou penoso esfor^o para publicar o mui reser- 
Tádamente sabido ou secretamente occulto, resultando 
d'esta reveíapSoougrandes benefíciosou graves damnos, 
como quando se revela uma extensa e infernal conspira- 
clo, um segredo d'estade, ou o sigillo da confísslo, que 
é mais sacrilego críme. — Dimlgar é palentear, dar a 
oonhecer a todos uma consa, propagando-a tanto que 
ehegue a ser geralmente sabida, até do mesmo Tulgo. — 
Pu¿¿¿car éfazer patente ou notoria uma cousa por quan- 
tos meios houTcr. Seu nso mais geral é em materias que 
a todos interessa saber, como sSo leis, ordens, decretos, 
regulamentos; e para isto se Tale o governo de pregoes, 
proclamas, bandos, circulares e annuncios nos papeis 
publicos. 

Declardo-st as inlen^oes, os desejos, as acgt^es qne nlo 
cr5o conhecidas ou quando muito d'um modo incerto. — 
Detcobre-se a alguns o que Ihes era occulto dando-Uies 
noticia d'elle. — Manifesta-se o que eslava escondldo 
pondo-o^patente, ou acclarando com expressoes positivas 
eterminanteso qoeerasimulado. — ^cteZa-se umsegredo 
por se nio poder guardar, e muito mais quando d*istord- 
snitainteresseougioria. — Dtvufg^a-seoquenSoerasaliMe 



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0EF SOT 

dttoiof, exleiKleiidO'Se anoticia ¡mrtoda a parte. — Pu- 
bUethie que i^o era notork), fazendo-o d'am modo aa- 
thcBtioo e íbrmal, para que chegue & noticia de todos, e 
Di^gHem allegue ignorancia. 

289. * Hefender, Jimttllem. 

AflriMis estas palatra» indicSo o caidado e esmero que 
sc poe esñ assegurar e sustentar já a innocencia, já os di- 
reitoft de alguma pessoa. DiíTeren^io-se porém em quei 
jmtiñear suppoe um direiio ciaro e reconhecido por tal, 
e defender só o des^o de fa^oreeer alguem, e iiv rál-o de 
pena ou castigo. — CiCero defendeoB MiHo, porém nSo 
ihe foi possivel justificál'O.^k virlude n5o necessila or- 
dinariamente qiie a defendao', pois quasi sempre o tempo 
▼emaju5t¿7icaí-a. 

290. — Hefensa^ defesa. 

Posto que estas palarras se usem promiscuamente, como- 
sigmficando d mesma cocsa, nlo se devem com tudo coo- 
fundir, pois a sua termina^o fixa a sigaifica(2o respec- 
tiva de cada uma d'ellas. 

Defema ou defeneüo é a acglo de defender ou defender- 
ae, e a cousa com que se defende. £ o opposto de oft'ensa» 
Defeea é lugar fortificado, on mnrado, onde é defeeo en- 
trar, d'onde vem significar tambem prohibigSo. No senlido 
moral chama-se defesa ás razoes allegadas contra a accu- 
«a0o criminal.— ElRei Dom JoSoli respondeo, segundo 
assegura Yieira, aos que Ihe aconselhavio que abando- 
nasse o Castello de S. Jorge da Mina : « Eu xño mandei 
edificar aquelle Castello tanto para a defensa e conserva- 
fáo das minas quanto para a convers2o das almas dos gen^ 
tios (IV, 428). » — general que na defensa d'uma pra(;a 
se houYe cobardemente, uSo póde apresenlar neahuma 
deftia que justifíque no conselho de guerra. 

291« — Defiiilf&Oy deaeri[Pf&o. 

•• éem modbs se póde dar a conhecer uma consa : ou 



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208 DEL 

expomos sua natareza com dareza, procurando dislinguíl- 
a aas oulras do mesmo genero pelas circumstancias e qua- 
lidades que Ihe sSo proprias e Ihe constiluem a differen^: 
oa, como que a debuxámos ou pintámos com palavras qual 
se representa a nossos sentidos, ou a nossa imagina^So. 
No primeiro caso definimos ; no segundo de$creí>ema$. — 
A definig&o deve ser clara, breve e rcciproca, isto é con- 
Tir a todo e a só o definido ; a descripgáo deve ser exacta. 
fiel, concisa e por yezts animada. — O philosopho definCy 
o orador, lUterato, poeta, descrevem.—'A definicüo 
pertencc a inteliigencia e ao raciocinio; é do dommio da 
philosophía. A de^crippdio pertence á imagina^ao; é da 
al^ada da poesia e da oratoria. 

292. — Dellberar, optnary Totar. 

Deliherar é examinar por todos os lados e de todos os 
modos qiialquer negocio ou questSo que se haja proposto, 
ou sobre a qual se ha consultado, pcsando as razoes pró e 
contra. — Opinar é emittir a sua opiniSo sobre algum as- 
sumpto, discorrer sobre elle com maior ou menor proba- 
bilídade. — f^otar é dar seu voto sobre materia contro- 
▼ersa, ou para elei^ao de pessoas. 

Na ordem de loda discussSo, come^a-se por opinar^ se- 
gue-se deliherar, e acaba-se por votar. — Delihera-st 
para examinar uma questSo ; opina-se para dar conta do 
modo como se considera , e expor as razoes em ^ue se 
fanda o dictame de cada um ; votast para decldir a plu-. 
ralidade. 

293. — Delieado , fino , «ubtll. 

Todas estas palavras se oppoem a grosso ou grosseiro, 
mas cada uma d'ellas por seu modo e differente maneíra. 

Chama-se dellcada uma obra cujas partes forSo ira- 
balhadas com habilidade, esmero e primor. £stende-se 
a signifiea^So de delicado ao delgado, ao fragil, ao 
debil , ao fraco e a quanto suppoe falta de ibr^a e 
vigor. — Entendemos por fino ao que nio é grosso, 
ao meodo, pequeno, ao que é nem trabaihado e concluido. 



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OEL 269 

Por analogía diz-se /Stto o que nSo é grosseiro nem Irivial, 
como pensamenlos, expressoes, maneiras, etc., e á má 
parte corresponde /ino a sagaz, astuto. — Cliama-se suhtil 
ao mui tenue, delgado, agudo, e por translacSo ás pessoas 
engenhosas e perspicazes, $ubtis. Díz-se iuotileza de en 
genlio por agiideza. Aos pensamentos mais brilhantes que 
solidos se Ihes chama iuhtis^ e aos artificiosos argumen- 
tos da escola, subtilezds escolasiicas. 

£m sentido morai, a delkadeza é mais rara que a /C- 
nura e de maior merito, e nSo se acompanha com a mai- 
dade como a esta muitas vezes acontece. delicado é 
gracíoso, compraz e lisongeia ; o fino é arguto, e ás Yczes 
pica e molesta. Diz-se elogio delicado, salira jina. ho- 
mem delicado esquece-se de si para comprazer aos outros; 
o fino sabe insinuar-se para conseguir o que descja. — A 
suhtileza é a arte de achar verdades que nem todos conbe- 
cem, nem suspeitSo ; toma-se muitas vezes á má parte, e 
signifíca a destrezn cm enganar, roubar, etc, quasi a olhos 
▼istos. A delicadcza é o prompto e habitual sentimento 
das rela^oes agradaveis que nem todos conhecem. — 
engenho subtil dirige-se a descubrir a verdade } o deli- 
cado a descobrir o que é decente e adequado. -— A subti'- 
leza pertence ao que se propoe o engenho; a delicadeza 
ao sentimento da alma ; a finura é qualidade intellectua), 
eseexerce principalmente no tacto, no gosto, e no olfato. 
— A suhtileza e a finura, tanto nas obras de imagina^o 
como na conversayáo, consistem na arte de n3o expressar 
directamente o pensamento senSo em presentál-o em ter- 
mos que facilmente se adivinhem : é um enigma com que 
logo acer^o as pessoas entendidas. 

294« — DeliriOyClesTarto, tresTario. 

Delirio é uma perturba^Io ou desarranjo das facut- 
dades mentaes por qualquer causa que seja, mas commum' 
mente por uma febre ardente, acabada a qual cessa tam- 
bem elle. Tomado o delirio em senlido metaphorico serve 
para designar o violento trastorno e a forte turba^Io que 
produzem as paixoes em seu maior gr&o de exalta^Io. E 
palavra latma, que vem do verbo delirare^ que, no sen- 



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M« DEK 

lUb iMi^ iígBün, afflMUr^ é& reg» direto boi ta- 



Be$mrh é palavra p«rtBPgiim emais usada qne deU^ 
ria, qoe noélea os desaeertos que se átma eu fazein com 
o d€ihria, oe im éesarrasijo mental qne provéffl de ddii- 
lidaáe. O delirta auppoe f m e até impetoosa ac^o, oi 
ao meBos noteota agita^o; sendo qiie o desvano póét 
provir do assombro e posmo. 

TYetvario é palavra ▼Bigar qoe se ma onfinariameute 
em lugar de deliri&, 

2!9S. — Denianday ntlsio, praeeMo, 
pleita» 

Com muita razSo dlz o autor dos synonymos & lÍBCiii 
portugueza que a demanda dá origem e principioi ao »- 
tigiOy e este trata-se e desenvolve-se no processíK 

Ao acto de pedir ou reqnerer em direíto se etiama dé-' 
mandar. A' controYérsia judicial que se suscita qiuuBdo o 
demandado nSo consente no que o demandmte reqser, 
se cliama com razSo litigio. 

feito ou aulos que correm em ioizo^ os aotoa jn^ 
ciaes e termos que se fazem por escrito em qualqoer i^ 
tigiOj cbam9o-se proeesso, 

Se toda a demanda póde dar occasiSo a luii UÜgiOf 
todos os litigioi dSo lugar a longos e interminav^iM'o- 
cessoe. 

Nole-se porém qne no nso ordinario a palavrademajuhi 
nSo signiífca só o acto de intentar o litigio , senio a ae- 
ySo proposta e disputada contenciosamente em juizo, o 
que val o mesmo que litigio judicial ou pleito. Os que 
neste caso nsioapaiam proeesso eomettem um galli- 
ci£mo, porque o que nós chamámos proeesso éprocedMre 
em francez, e avoir unprocés quer dizer em portogaa 
ter uma demmda. 

Pkito é pafavra castelliana, e neste caso diioi 
que Utigio jtidiciaL 



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DEU 211 

nuiMta.^ 

Toda9 estas palarras indicSo maior ou menor aliena^S». 
meDlal, porém motiTada on manifestada por differente 
moéff. 

A imeneiu é aaboIigSío lotal da fóculdade de radoci» 
nar ; é um estado de estupidez em que a intelligencía &e 
esvaeee, a phantasia sedésordena, eamemoria se diminue 
e trastorna, presentando só idéas inconnexas e disparata- 
daSy que o demente se obstina em olhar oemo muito- 
razoaveis. 

Nesla qualidade conyém a demencia com a loucurai 
eom a diíüeren^ que aquella costuma nascer de fraqueza- 
e debilídadie, e esta de excesso, de arrebatamenlo, de furor. 
Assím qne, se costuma chamar loucura em seus excessos» 
ao emhusiasmo, ao estro^ ao furor poetico, a toda palxSo 
exadtada, que arrebata ate ao dilirio e a commetter ac^oes 
cdpareis e desordeiíadas. 

Ncnhuma diíferen^a ha, segundo nos parece, entre lau- 
curaed(mdice\ anSo ser que esta palavra, por ser partí- 
cf^ da língna portngueza, é mais geralmente usada que 
aquelJa, que é commum á lingua castelhana, e vem do 
arabe íoccáo.— Diz-sehospital dos doudos, e Vieira disse : 
casa dos loucos ; e confundio enlouguecer com endou'- 
decer (VI, 361.)—Talvez a palavra doudice represente a 
loucura em mais elevado gfáo ou como chronica, e Ihe 
accrescenle a cnrcumstancia de geslos ridiculos e movi-^ 
mentos extravagantes dos doudot, 

Esta opiniSo parece abonar-se com a autoridade de. 
Vieira, porque, tendo elle usado duas vezes da palavra* 
loucOf tto sermSo de S. Roque, com a accepQSo geral que 
todos Ibe dSo, qusmdo veío a íúllar do modo como David 
se fíngio doudo na cdrte d'EI Rei Achis, disse : « Já sabe- 
mos fjue se fíngio dou^;eparafazer maís [mblica a sua 
daudxce^ andava com os pés para címa e a cabeca para 
baíxoaV,466).. 

Qaaiida aioutfura se maivifesta por se fíxar a imagina- 
{ae em umsó obieeto, abstrahindo-se dos demais, se cha- 
ma «Mitta. A qoe Don Quijote tlnha pelas aventuras cx9a^ 



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212 OEM 

Iherescas qoc em toda parle achava, consliluia sua lou- 
cura; fóra d'ella era um homem mui arrazoado. Ha twa- 
nias pacificas e furiosas. As primeíras consistem em 
ext|uisiaces, caprichos, leimas ridicnlas sim, porém soce- 
gadas , prazenteiras , e a té obsequíosas ; a ninguem 
prejudicáo, excepto aos que as téem. As segundas con- 
sislem em exlravagancias , Iransporles , desordens c 
affeclos extremados. Don Quijote era naturalmente 
pacifíco, justocmoderado,meno8 quando Ihe tocavSocm 
6CU registro. 

296. — Denioiuitrar, provar* 

Demonstrar é provar uma cousa valendo-se do racio- 
cinío ou das consequencias que necessariamente se de- 
duzem d'um principio evidente. Provar é sentar a verdade 
d*uma cousa com provas de faclo, de raciocinio ou justi- 
ficativas, com incontestaveis testemunhos. — Nao sSo os 
factos os que se áemoníírao, sen2o as proposicoes; porém 
tanto estas como aquelles se prováo. -^ O geometra, o 
mathematico demonstrüo ; o physico, o oradorpr orao. — 
Provase quanto se demomtray porém n2o sc demonttra 
tudo que sc prova. 

297. — Denflo, espesso. 

Referem-se estas duas palavras á quantidade relativa de 
roateria de que se compoe um corpo, mas diíiereng3o-se 
por algumas circumstancias. 

Deúso equivale a apertado, compacto, que tem poucos 
póros e esses pequenos, uijido, cerrado, apinhado. Diz-se 
madeira densa, ouro mui denso, a densa nevoa, nuvens 
densas; poeticamenle se dá a Jupiler o epilheto de aden- 
sunuvenSy como disse um pocta : 

A rubra mSo de Jove adentanuvetu 

Já fragosos raios amiuda, 

£ cecho horrlvel estremece os polos. 

Espesso correspondc a grosso ou maci^o, qnc nem é 
fluido, nem raro, que é baslo. A espessura é propria de 
malas, de florcstas, dc bosques, dc arvores, e dc quacsquer. 



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D£M 21S 

eorpos que se a^g1omer3o e formSo ama especiede mata, 
cofflo lan^as, inimigos, elc. 

Espesso oppoe-se a delgado, e denso a raro. — A des^ 
sidade dá-se entre as diíferentes parles d'um corpo que 
entre si estSo muito unídas e lígadas; espessura^ entre 
differcntes corpos dístinctos que se tocau muito de perto 
e formSo como um todo compacto. — As nuvens podem scr 
densas e espessas . — Densas quando sao mui tapadas e nSo 
deixSo passar os raios do sol, e espessas qnando sSogros- 
sas e como que aglomerados os vapores de que se formlo. 

Espessura é palavra maís poetica que densidade^ 
como lal usada por Gamoes em varios iugares; eis aqoi 
dous notaveis. 

Nann jardim adornado dc Terdura, 
Que esmaltavam por cima varíasfloret, 
Entrou bum dia a deosa dosamores 
€om a deosa da caQa, e da expefsura (*). 
{Sonet XIIL) 



%! 



'oal aastro fero ou boreas na eipestura 
^e silYcste arvoredo abattecído. 

(Iu#., 1. ».) 



298* — Denuneiapy delatap^ aeeusaPf 
malstnap. 

Denunciar é manifestar aos juizes um delito occulto 
sem presentar as provas, deixando este cargo ás partes 
interessadas, para que ía^So o que entenderem, ja para 
asse^rar-se da verdade da dentindajá para evitar ou re» 
mediar o mal que se denuncia. 

Delatar accrescenta á idéa de denunciar a de malcTO- 
lencia, e talvez a d'iim vil interesse. O denunciante póde 
ser leyado sómente do zelo do bem publico ; o delator 
obra por maldade, ou por interesse, nunca pelo bem pu- 
blico ; procede comdisfarcee occultando-S3, e édesignado 
pela phrase de vil delator. 

Accusar é denunciar alguem como criminoso. A accu^ 

O kto é.mataa ou bos^aes espestoi de qoe DUna era deoaa. 



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214 ' DER 

sMgSo pMe ser ásTezes am aciobom ; ontras, e s3o as inris 
communs, de malevolencia. Quando a accusagáe é justa, 
fünd2(da c nobre, o accusador aecusa aberla e poblica* 
mente, intentando uma acc3o criminal de roubo, assassf- 
nio, etc. Com tudo a palavra accusador é odrosa, toma-St¿ 
á má parte^ e nas demandas se chama autor ao qne in- 
tcnla ac^3o contra o réo, ou accusado, e nSo accusador^ 

Malsinar é accusar como malsim, ísto é, por preQO,, 
paga, e por oíücio, como fazem os malsins. 

Nos tempos modemos o uso tem quasi fíxado o valor de 
cada oma d'estas patavras. O malsim exerce o seu officio 
em tudo que respeita aos contrabandos ; o delator satis* 
faz sua maldade accusando os crimes ou delictos contra 
as leis ; o denuncianU nutre sea zelo fazendo conhecer 
ás autoridades as ac^oes e optnioes eoBáeniBadas em po* 
lilica, ou suspeitas ao governo. 

299* — Derretep, f undlr. 

Por ambos estes modos passa a liqnido um corpo que 
era ou estava solido, com a diíTeren^^a que a acySo pela 

Sual as particulas do corpo se desatáo e separSo por meio 
caJortco €hsm2hét dsrreUr ; e a^iMya pela cpial e corpo 
já derretido entra no mokle para tomar nova fórma se 
chama fundir^ por isso se diz com mais propriedade dos 
metaes. A mudaiica qne se opera derreUnda chaa»-se 
derretimsntOy e fundig&o a que se faz fundi»do. Nas 
scteiicias e aoles substiloeni-se respectivansente a csies v o* 
eabulos os doos meBOs vi^garcs^ liquefae^á» e fusSo. 

Sai.— l»emere«itar,diflrani»r, Infiuttar. 

DesaertditoT é dinnnuir ou f irar o ereditOy opiiMSo oa 
repota^io das pessoas* o va^ e estiB^gáo áas consas» 

Diffamar é erabateto oo tirar a f&mOy coinetde pois eooi* 
o auterior, mas dista tanlo d'elle aitanto vai de credito m 
fmML, de qoe caida um d'eita se fórma^ A /am« é «is 
geral, mais extensa que o crédíto, mais duradonra na 
opiniSo dos homens ; por isso dlffamar tem mais forto 
significag^oque desacreditigr. 



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UES 



216 



Infamar é espaUiar má fama de algaem, destrauido 
nia boa repula^ao , causando-lhe infamia^ offendendo ^ 
honra ; desacreditar é desconceituar algnem para fae 
nSo consiga o (^ue pretende. k infamia tarde se destroe; 
>o deicredito cai com mais forQa sobre o que desacredita 
qjae sobre o desacreditado. 

300* — HeMmparar^ abaitclonap. 

Deiampara'Se ao qne se acha necessitado, eHie tirá* 
nos amparo; ahandona'Se ao que se acha em rlsco e 
Ihe nSo acudimos. 

desamparo refere-se ao bem necessario de qai; ss 
priva desamparado ; o a^tandono refere^e ao mal inuni^ 
nente a que se deixa exposto o ábandonado, 

O rico que nSo soccorre a sua (amilia pobre, a deeam' 
para; porém se o faz quando esta se acha num immincnte 
risco de perecer ou de sacrificar sua honra, a abandona. 

O iesamparado p6de n2o dever soa desgra^a á mali- 
cia ; porém o ábandonado a deve sempre a um descuido 
reprehensivel ou a uma ínten^So damnada. — Um mcnino 
que perdeo seus pais, e n2o tem quem cuide d'elle, está 
aetamparado. Um manccbo a quem seus pais expulsárSío 
de casa, ou n3o cuHío de sua educa{So, está áhandonado. 

301. — DesaTeiif a» dlsfleiif &o, dUieordla* 

Qnando dnas ou mais pessoas se desavem em cousa ou 
negocio que se propunhao fazer entre si, ha desavenga; 
qnando dissentem^ nlo se ajustSo no sentir umas das ou- 
traSj e s3o diversos seus pareceres, ha entre elias dissen^ 
f&o; se a isto accresce opposi^So de Tontades, desuniío de 
anímos, ha discordia. 

302. — 19efleoiifianfa , reeeio , «uspelta* 

A deseonflanca nasce da experiencia ; o reeeiOt do 
temor : a suspeita^ da reflex3o. — k desconfianfa é em 
lemor habitual que o homem tem de ser enganado; e 
reeeio é nma duyida de que nos homenS| nas cousas eu 



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216 GHO 

eai nós mesmos, se achem qualídades que realmente nos 
sejSo nteis ou agradaveís; a suspeita é (f resultado de 
males antecedentes. — desconjiado julga aos homenft 
por seu cora^ao mesmo, e ps teme ; o receioso pensa mal» 
e esperapouco ou nada d'elles; o suspeitoso sempre está 
annunciando e como vendo o crime. — receio é natural 
nos animaes e nos homens debeis e timidos; a descon- 
fían^a, nos escarmentados ; a suspeita, nos cavilosos. — 
Desconfia'-se por habito ; receio-se em cerios casos, e cm 
partícuíar das pi^ssoas conhecídas ; suspeita-se dos que 
outras Tezes nos hSo enganado ou téem costume de enga- 
nar. — T5o perigüaa é nunca desconfiar como o descon' 
fiar de tudo; o receiar d'um perigo quasi sonhado, como 
onSo recetar do quasí conhecido; o suspeitar por ligeíros 
e equiTOCos indicios, como o nSo calr em suspeita me- 
diando gra?es presump^oes. 

305* — Deseoradoy paltdoy liiaclleiitOy 
Ilwtdo. 

A primeira d'estas palavras, que representa o que per- 
deo a cór, já seja de todo, já em parte, é o genero debaixo 
do qual se comprehendem as outras como especies. 

descorado pertence nSo só ao homem senSío a tudo 
que illumina a luz, como s2o plantas, flores, roupas, pin- 
turas, etc. homem póde perder a c6r subitamente por 
qualquer sobresalto, susto, tcmorougraudeagita^Iodo 
animo; porém, recobrada a serenidade, toítc a cdr 
natural. 

Apalidex é uma completa perda de c6r, um branco 
embaciado, com uma ligeira mescla de amarello. A pessoa 
constantemente i^afida nSo goza de saude, carece de vi- 
veza nos olhos, que est2o amortecidos, é fraca e triste. 
Qoando a palidez nSo vem de má constituiglo natural 
nasce de continuos trabalbos e penas. e ás vezes de falta 
de alimento. Tambem ha|7a¿tdejsaccidental por qualquer 
Bobresalto. 

MadlentOf segundo a palaTra latina macilentus, signl- 
lleamagro, desccrnado, e eitensivamentedesignaaquella 



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DES 2H 

lalta de c6r e anima^o Tital que se nota nas pessoas ata- 
cadas de magreza. 

Livldo, do latim livldus, é impalido pisado, qae lira 
a eór de chiimlH) ou de amora. 

Uma pessoa acommeltida de temor está descorada, por- 
qne o sangue fícou como gelado e se retirou ao cora^So; 
convalescente está polidOf porque ainda nSo cobrou sua 
bca c6r ; o que levou golpe e pancadas está llvido . pelo 
effeito material do sangue extraTasado ou corrompido ; o 
que apresenta magreza em todo seu corpo, tem os olhos 
enco?ados, a vístacomoamortecida, as faces descarnadas, 
Goberto d'uma palidez que ás Tezes se parece com a da 
morte, é mítcilento. 

304. — Descrlpf &o, Imaseni. 

Descripfáo é nma fórma oratoria e poetica de que já 
fallámos comparando*a com a defini^So (ve{. pag. 207;; 
imagetn é, nlo como querem alguns rhetoricos, uma 
especie de metaphora, ou uma expressSo energica, como 
querem outros, senSo, como diz uermosilla, uma expres- 
s3o composta só de palavías que signifíquem objectos 
visiveis, de modo que possa dar assumpto a um pintor 
para nma pintora, e nisto se diíTeren^ nolavelmente da 
descripfáo, que póde representar seres abstractos, imagi- 
narios, etc. — Bello exempio d'nma imagem é aqueilede 
Cicero na Ora^o pro Milone, onde, depois de enumerar 
as maldades que Clodio meditava e houvera executado, se 
n2o tivesse fícado morto no encontrocom MilSo, continua 
nestes termos : « Quamóbrem^ «i, cruentum gladium 
tdnenSf clamaret T. AnniuSy etc. Por tanto, se MilJo 
tendo na m2o a espada ensanguentada, etc. » Nesta clau- 
sula ha uma valente imaaem na expressio cruentum 
gladium tenent, pois um homem que tem na mSo uma 
espada ensanguentada, é, como se vé, um objecto que se 
ode pmtar. 

305«— Deseulpayeaeuiia, reeuM. 

Confundem muitos a primeira com a segunda d'eslas 

II. 13 



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2(8 ms 

SaiaTias». e a 6eiaodacom a terceira ;. mas. eUas^.sSo mi 
ifferenles, como yamos a vcr. 
As raxoesquedamaüpa]^ m^sdescarregarmos decidfa 
6 com que nos prenlendemos iustíficar dareprehenste^pe 
nosifazem, é, de^culfid^ -^ ÁSi jaxoescoia que nos escm- 
idmoi de nSo podermos^fazer o que se nos pede, ou de 
nlo acceitarmos o que se nos ppopoe^érescusa. ^ O acto 
e razoes.com qi^e nos reGusdmoi Si'nm conyite que ofiEende 
nosso pundonor, é reeuta. — Quem se de<cu¿¿a.suptpai* 
seculpado^ quem se etcusa suppoense incapai ou menos 
ofQcioso; quem reúusa nAoslraaltiveza e dá de rosta com 
de5peito,aoqu&oir(Sjideria.sua lionra^~Yieira,desruiSpoiir 
se por carla a Theodosio por se ter embarcado para.a 
Banta sem se despedir d'elle. Zeno escu<ou-se a Anlígono 
que convidára para vir nver comelle em palacio; e 
Hfppocrates recusou o dinheiro que Ihe prometléra o rei 
da Porsia^ dizBRdo i « Q^eriaHoos dar dli^eirc. Cmo 
está enganado 1 .Em nós póde mals a. razSo dasabedoría) 
qnea do dinheiro. » E Dion respondea a Dioaysio, em. 
iguaes circumstancias : «Paga com esse dinheica a.maíi 
aTguffl.de teus servidores^ massabe que os amigos ii2o.se 
pagSo com.diAbiira (*). tr 

306* — liMdllieiHiie^ MtrMtlMPi-Miu 



/>i?sd{zer-seé^e9ist!fd^uma cousa, d'nmrassevera^» 
dizero conlrario d<r qpesetinha ditoontes^ e por coi»e- 
guiRle dedararporfálsooque se hafta dado«om w*- 
chdeiro, 

Jietractitn*'Se é desapprovar expressamente ^ qne si 
tittha leito^ dito, sustentaédo e- defóndido» iá ^e -palafrav jt 
por escrito. 

Desdizerst corresponde a coasas de poaeo vvtorecogof 
effeitos nSo podem caasar muito damnt; porém rtfme* 
lor-^se indica nnior'formalidade, imporCaneía'epiiMci* 
dade. — NSo se obrigSo os herejes sómente a^ qua se 



O ¥e|S«-«e esUs e ontras mais earUt do meiino genero mo «oom 
Codigo Epiitolar, pEg. 510, e seg; 



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DE8 219^ 

dmi^ftm ienftoí ^qtíem reiipactem piUlca? r aoIeBxie* 
nrafte; — Detítizm-^ rdtíBB*-se mais ao interior senti* 
mento da consciencia do que se desdiZt e relrrzcior-seao 
effeito da retractagáo. — Q homem que se desdiz passa 
por inconstffiite^ wlofel, ponee^deMeado, e^ásTezesma- 
lefolo ; que se retracta destroe todo o eíl'eito do que 
tiavm sttstentado e deféndido: — De$dizem-sc as t^fe« 
nran&as, porqne a isto as obriga soa conscieneia; retroih 
la-se nm deiator, e d'este modo destroe a dela^So. — k 
reíraeUxpdio ncm ^mpre nasce deconvencimento do erro, 
do conhecimentoda (álla ou delitio; senSty t^mbem d^ fortj^ 
da lei, ou da senten^a: que a isso obrlga como ressar^ 
cimentodkKdamnocausadOilüiKos se refract&o movidb» 
de remersos, outros por mera formalidadfe, e para satls- 
fiaer a* pena^ legal; ^ Qüando Galiiéo se vio obrigacto a> 
retractar'Se de joeihos de seu celebre systema do mnndo, 
fez que podia para deslruir o efiTeito que havia produ- 
zido; porém quando ao lévantar-se oeo uma patada 
dizendo : •EpureiimtiOfoe^ e com effeito se move;» 
manifestou que, a pesar de sua for^ada retractag&Oj nSo 
se iíudisia de modo algmn do systema que tinha addp^ 
tado^ t. áa <pial eslava fiffflameiiie{ periuadido.. 



A palavra'deíerfd ?em da ralína dnerere, qne significa 
deixar, desamparar,^a(bandonarf despovoad&éo tcrrena 
^ltodepevoa^Ib, inhabitísnio'; íoíríáría vem dte solus) s6, 
e esta Qitima expresslo^ se nsa tanto íhllandó d^s- pessoas^ 
como dos paize^. D^aqni resufta que o paiz deserto se 
acha abandRonadó, sem cnltura', nem proouegao aiguma ; 
áespovoado» sem habitag5es nem habitantes ; o solHa^ 
rfo, n5o frequentado; e onde o qpe por elle transita se* 
aeha s^, nii^nem se Hiec^pllé; ninguem o üncommodai 
goza de si. 

JSrmo é* palávra lktíña\ ererms^ qnc vem db grrai' 
i^fi^ , e diz-o meflmei qne áéserta, «wifdrío, inculto. Em 
eüfk) eccfesiastTOo se diie'particnlarmente dos denrtos 
oa soliddes da Thebaida onde se reñxgiMo muitos var^es 



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220 DES 

illastres para se rarlarein ao mando, e se aarem á eonteoBh 
pla^üo das coasas divinas.Tivendo Yida socegada,¥irUma 
e iolitaria. 

308. — Hesertop^ transfusa. 

DesignSo estcs dous termos igualmente um soldado qoe 
abandona as suas bandeiras e o regimento em que asson- 
tou pra^a. mas transfuga ajunla a detertor a idéa acces- 
soria de fugir para o iuimigo. dcsertor é íraco, é co- 
barde, náo tem o nobre seniimento de amor dá patría; 
merece severo castigo, e deve envcrgonliar-se de apparecer 
enlre seus compati*lotas. transfuga é iraidor, mercceo 
desprezo dos proprios inimigos, e n9o é di^no de Tiver 
entre seus conterraneos. Aos trarufugas se pode applicar o 
dito de Camoes : 

NegSo rei e a patrla ; e se eonvém, 
Negar&o, como Pedro, o Deos que tem. 
(£u«. lY, IS.) 

509. — Deeisraf a, desdlta , Inrelieldade, 
Infortuifiloy deSTentura^ ealanildade. 

SSo tantasas penalidades e miserias que pes9o sobrea 
pobre bumanidaae que nSo admira que sejlo muitos os 
synonymos com que ellas se designSo» 

Desgraga tem significa^So geral, e só explica o mal em 
si mesmo. Desdita acrescenta á idéa do mal o eíYeito da 
desgraga, com rela^Soá triste situa^o em que seachao 
desgra^ado — que perde ao jogo, sem que o íncom- 
mode nem o aíílíja a perda, é desgrapado ao jogo, e só 
por pura pondera^o se chamará desdita á sua desgraca. 
Porém que perdeo toda sua fazenda, e se acha reduzido 
á maior mísería e afOIic^So, sem consola^Io nem e^e- 
ranca de aliivio, nSo só é desgragado porque padeoe uni 
Terdadeiro mal, senlo tambem desditoso, pela trisle si« 
tuagSo a que o reduzio sua desgrapa, — Por isso diie- 
mos : Houtem aconteceo uma desgragd no mar, do 
rio, etc. ; e n2o, aconteceo uma desditaf porque s6 faxemoB 
relado ao faclo, ao mal soccedido. 



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DES 221 

Mfelieidade é o contrario de felicidade, a príva^So de 
qae constitue o homem feliz, mas Yulg^rmente se toma 
por desgraga^ e é mais usada esta palaTra que desditay 
que vem da castelhana desdicha. 

Infortunio vem a ser uma serie ou cadeia de deifra- 
paSy que nSo provém do homem, porque nSo deo motivo a 
ellas por seu procedimento ou falta de pnidencia; i^o 
por isto, senSo por sua má sorte, cai em infortunio, 

Desventura e má sorte, fortuna adversa. Aquelle qne 
n3o sai bem em suas empresas, antes encontra adversi- 
dades, p6de qneiiar-se de sua desventura, mas nSo é 
desgragado nem desditoso. 

Quando a desgraga é grande e se extende a infinito nn- 
mero de pessoas e a paizes inteiros, se Ihe chama cíüamú 
dade, que é propriamenle um infortunio publico e geral, 
tal como a fome, a peste, a gnerra, as inunda^Ses, as 
erup\;5es volcanicas, os terremotos, e outras muitas def- 
ditas que afQigem as nagoes e ás vezes quasi o mundo ín- 
teiro. — As ealamidades cansSo muitas desgragas; e em 
annos calamitosos os homens, sobre infelizes^ s2o desdi^ 
tosos e desventurados. Veja-se Bemaventuran^. 

310. — DesHonestOy oliMeno. 

Deshonesto é o que, já em palavras, já em obras, falta 
k honeslidade e decencia que a natureza e a sociedade exi- 
gem : em fim tndo qne se opp5e á honeslidade, á pudici- 
cia, á pnreza, contra a qual se dirige directamente a des- 
honestidade, — Ohsceno diz mais que deshonesto na 
mesmaordem de cousas, porqne indica particuiarmenie o 
que é sujo,immundo, torpe, elc. ído latim ccenum^ lama, 
lodo). A. ohscenidade accrescenta á deshonestidade a im- 
modestia , ou antes a impudente licenQa. Esta oíTende o 
pudor, aquella o mala. — As almas mais puras téem mui- 
tas vezes pensamenlos deshonestos; porém os gestose 
posturas (^scenas só pertencem á mais asquerosa corrup- 
^Io. — O deshonesto recorda idáas e imagcns opposlas 
ao pudor ; e ainda que costumlo cobrir-se com certo véo, 
é tlo transparente que só serve de despertar a curiosidade 
e chamar a atten^So, porém em fim suppoe apparencias 



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tM DES 

áe íMéesfí^io t recato. Mas d qne ^é .c^éemo freaenU 
image» inUsiirsiaente inms, sem véo, 'fiem afYfarenoia ^ 
]&o¿»acSo semde respeito. ^A dukmcstidtdemio Um 
muilo cuidado em esconder 'C^uaafi nfiie i^ttdor eslge p«r- 
mane(8o>secreta8; a o^MttMMe deseonre^as «emiiiejo. 
*- de$honetl0 cerregfMHiée (partkQlar«Qnl« aoa setíá- 
ttentns iBteriores; mas quaado diegSbO.a maniléstaMe 
exterionQaQnte «em pe|o nem wgonha, /conyertenHse «■ 
ekecemt, Diz-se pois palaKras, ^uras, fAmfÁ&^tí^yébe" 
^eme^ e se aiguma ^e diaeffios tambem pensanedtos 4ito* 
«ffUM éporque nos i^rínos ás ifflfl^(€sis «d^iefite genero 
que a imaginajao dos representa. 

311. — Deal|(iiio, pro^crto, %tiUm^ám. 

E^s espres^es retoem-^ae ao tiiverso moéo cma 
tJttAmos as ceusas cpie nos pnopomos faEer. 

O deei^nio é nma idéa, um 'pensamento, uma detem^ 
na^^o ^a Tontade, ppeoedtda de "peflexlo para executar 
nma cousa <^ nos pareceo utH e eefmniente. 

Opro/«cloéa^spofi»^4ue8e>l0ma,ef!kno qne «e 
fórma para a execu^áo d'uma cousa que julgámos de 
i;rande imporlaBGia. 

A inlenpdío é a inclina^o ou movimento da alma qoe 
loottsidera alf^ma .eoua éistaBte e te que a eUt «•§ 4iri' 
faaos. 

04eM$ffitoé effeilodaTeflex9o,a qnal póde ser bM vnl. 
^'óde ser nma idéa momentaneayififgttiwi^nmmcrodes^; 
tporém frajecto supp5e maior e «oaís tnapoitante pua- 
tmento, maior e mats «exlenfia ei>rae^Mre que se ha »edi- 
iado nRNüo. Diz-«e iions deeigmm, Jt%joei\€tíítsfrojee$m. 
— A MenQño <é aahnadaac^, e o frineípiattesea Ter 
tdadeiro merito; porém é ámeil julgar «ómcate :per dia. 
#i2H3e ittzer uma eonsa eom boa mUmgño^ com detigmto 
|)reraedilado. — Ninguem gosta die «cr oMitrariado cn 
^sensfTo/eetoff, nem«minadoem «uas «vOen^tfea, nem 
aebar appasi^So a sem ikeignioe.^ ibmera grandeéeve 
aer sensato e previdente em «ens pre¿ec$ot, pecto e lano 
em anas ieUenfdm , raKoaTde pmatado em aeas 4«Éh 



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DBS 92S 



312. — -BesnaiiuNMlfi, AematuralljEadOy 
desnatural* 

^e descáio, m degeBcr^u >de ftoa Mtmza^ioa "foi 
priTádo do que Ihe era naUiral, d¿zM>iU«fiiif«r0fdo; o qiie; 
seprivou ou o privárSo de <oa .natnraildade, «haiDa-se, 
desnaturaUzado. primeiro iRMabtdo<rc|pretcnUi degfa- 
lia^o moral no homem quando a elle«e applica; ose- 
gundo indicaperda dedireitoi4tífíBeaacioiHmfo4Bnta- 
lia ou forgada.— Muit«6 homens úmmUunMBiMoéfw 
arestos íniquos «slSo mm l«a|pe de sercm 4$smauraÜo$i 
assim como vivem eatreaeBS conterraiieosimBitos bem 
desMturadoi. 

Dcinaturalé ooppostoide Batttral, ^e uuitas vezesse 
nsa em lugar de deinaturadOf'e Mwz eom melheir «na- 
logia na Uagua. OBispaD. AntaniO'PinbeBn),;cenBarando 
os portuguezesque n2o eupa«iodeestadar«ua Mngtia era 
accusavao de.pobre,disse: «Ingcalos.jiortuguezes edaa- 
naturau sio os^oe^por desculfíarcm sua ■^igcaclaeifl- 
,pSo a^pobrcza^ lingua-* 

B13. •— «'HeanneeeBBarloy IniatflLi oMaoad% 
«iiperlluo. 

Oque aSo é.necessarlo, «ou 4cú60B'ide'0'8cr,'éípori8so 
mtsmodesneceisario. que ntaprcsta parao fim qoe^ 
mtenta, é inutil Oqaese pódevesonsar^ e sem o quese 
póde j^ssav^jéeicuiado. O que ^h^ ob <iestá ée mais, 'é 



mperSuú. 
É deifu 



iruceuario estodar ttaHiiBobncia iqmide jáM 
sabe.-— .É inttti^ applicar rmediosfB uma molestia ineu* 
ra?oI. — É aseicsado meodÁgpar^viecabcd^os ás tingnas es» 
tranhas quando os temos em a nossa.^E^MifMrjffiioiaDio»' 
toar razoes de nSo lermos resistido ao inimigo quando 
éonvermos proiiQdo qoe nlo' tiiihamos polvora, nem meioa 
atgaos de deOensa. 



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32ÜÍ DES 

; 314« — DesterraF» extermliiapy 
deffradar. 

Da palavra terra^ que enlre onlras significa^oes tem a de 
lugar onde alguem nasce, patria, se fórma o verbo des^ 
terrar, que significa litteralmente lan^ar da terra^ fazer 
sair do lugar do seu nascimento, da sua patria. 

Da palavra termo, corrup^So de terminus latino. vem 
verbo exterminar^ qne diz o mesmo que lan^ fora do 
termo, ou limites. 

Da phrase latina deeretum decernerey on talvez deere^ 
tum dare^ veio o verbo portuguez dearadar, que signi- 
fica desterrar com determinaySo do lu^ar onde deve re- 
sidir degradado, e quasi sempre para fora do reino. 

Desterrar é palavra mais generica e se applica nSo só 
aos que por castigo sSo mandados saSr de suas terras, se- 
n9o aos que por diíTerentes motivos d'ellas se ausentSo, a 
que em termos modernos chamlo emigrar e expatriar-se, 
— Degredo (que é o decretum latino) suppoe sempre sen- 
ten^a applicada segundo a lei que obriga o culpado nSo s6 
a sair do lugar de seu domicilio e ás vezes de sua patria, 
senSo a ir habitar um lugar certo e determinado, e quasi 
sempre mui remoto, máo e insalubre. Por isso se diz 
d'uma má terra e doenlia : É terra de degradados, — Ex- 
lermímo designa expulsSo dos limites ou termo d'uma 
comarca, da Cdrle, deiitro dos quaes n9o póde entrar <. 
exterminado, mas vño Ihe fixa lugar uude deva resid'ir. 
— A difíeren^a entre desterrar e degradar bem se abona 
com seguinte lugar de Yieira : « A. estrella dos Magos ia 
com elles para a terra da PromissSo, a mais amena e de- 
liciosa que criou a natureza ; as nossas desterrSío-se para 
toda a vida em companhia de degradados^ nSo como elles, 
para as colonias maritimas, onde os ares s3o mais beni- 
gnos, mas para os sertoes habitados de feras, e muiados 
de bichos venenosos, nos climas mais nocivos da Zona 
Torrida (IV, 612). » 

315. — ASestruIr^ arrulnar* 

Sio synonymos estes verbos, senSo em sua origem, ao 
meuos em seus resultados. NSo se póde destruir sem ar« 



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Dik 2)5 

ruinar, neui arruinar bem deitruir,' porém na acigSo de 
destruir se descobre sempre vonlade e objeclo. A. acgSode 
arruinar póde ser efieito de circumslancias inToluntarias 
e casuaes. — Os inimigos destroetn os edifícios. tempo 
arruma os palacios. — Por isso se diz que uma casa 
amea^a ruina e náo deitruigáOf porque supporia vonlade 
e objecto na acgSo de deitruir-$e. Veja-se Arrazar. 

516«— Dlabo, denionlo, JLucifer, Iiasbel, 
Satanazy Belzeliu. 

Por todos estes nomes é conhecido o anjo máo, tenta- 
dor dasalmaSy mas cada um d'elles recorda sua circumstan- 
cia particuiar que importa conheccr. 

Diábo é palavra latina, diabolus, antes grega háSoXof . 
que diz o mesmo que accusador, calumniador, de ItuSúXXo»^ 
eu accuso, eu calumnío, eu desacredilo. Com razSo pois se 
toma sempre esta palavra em máo sentido, como nome 
geral dos anjos máos arrojados do céo aos profundos abys- 
mos ; os <}uaes se occupSo continuamente em atormentar 
e perseguir a virtude, accusando-a , calumniando-a, e des- 
acreditando-a quanto podem, e em incitar os homens ao 
▼icio, usando para isto de sua maiigna astucia e perfída 
sagacidade. 

Demonio é lambem palavra ^rega lalfjLuv^ que, anles do 
christianismo , signifícava divmdade, genio. Designa-se 
por ella o diábo, mas é mais decente, e algumas vezes se 
toma á boa parte» no estylo familiar. Os oradores chris- 
tlos se servem sempre d'ella ainda qne seja traduzindo a 
palavra latina diáboluiy como se póde ver em Vieira nos 
Sermoes da primeira Dominga de Quaresma. 

Lucifer^ que diz o mesmo que ferem lucemy significa 
propriamente a estrella de Venus quando apparece pela 
manhS;etranslatamenle o primeiro dosanjos rebeides, 
brilhante como a estrella da alva, e pelo seu peccado des- 
€ido como ella no occaso e eácnrecido. Designa pois esta 
palavra particnlarmente o estado primitivo do princípe 
dos demonioi e a circumstancia que d'elle o fez decair. 

Luihel ou Luzbel é a corrup^áo vulgar da palavra la- 
llna Lucifer, mas só tem a sigQifica^So transiata d*esta. 



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'396 mñ. 

StítúnuEZ 0n Saian é %eriiio M/ñao que áo heiireo 
passou ao greg^, pois'cmS. Maíheiis se \t, cap. IV, 10: 
■nlhmyt Mra ;u«u, 9eeT«v&; «ade re$rOf SoHone. '» Sigfllfiea 
advcrsario, ínifDigo, e por antonomffsta o4la^. 

Belísehú antes ^eel-zefru&, palavra (foe o nosse ^too 
>€Oivrerieo em^azaH, é ipnlmetite termo bíUico^oeSo 
hebreopQSBouvo grego, pois wn S. Lucas, cap. XI, l^, se 

im ^MheMjn-hM^e damoniorum e§icií dmmomim.* 
Ña lingua santa Beel-x^1> «Igoiñca idolum muscm, 
idolo da mosca, deos-mosca, ou deos da mosca; e assim 
le chaBa<^(0:idoío que,adorav2o os AccaroBitas, fMMrqoe 
íni^aYSo contra a pr^ das moscaft, e se si^¡i|i5e qne 
tinha cabe^a de mosca ou de escaravelho. Os Judees cha- 
mavSo pof escameo eaboaiiiia^ a lucifer Beel-zékuk. 
V^. Calmet, Dloc., art SeeJ^e^^^ Corn.,a Ls^ide, m 
Italh. cap .X, f . 25. 

?i9. — Btaito, idliiriia. 

A alaTra ^e^, dia, 'é a rañz d'estes^ous •rocalKilra; 
mas como dia signifíca t>ra 'O espago de tempo que dora t 
chriilade^o sol sobren) horizonte, «ora o que o sol gasu 
em seu giro completo ; designa cada um d'estes adjocofes 
•sua respectiva reiacSo do dia qnanto ao sol. 

J>íarto, Bo senlHÍo inais usado,^ o <]ue correspofiide a 
todos os ^ias, ou que se fez nom dia ; dvmmo^ o que per- 
tence ao dia, ou se faz de dta, por opposigSo a nocturBo 
— trabalho que um operario laiz durante as'JM horas'do 
dia natural chama-se Aiario, e o mesmo se póde ditei 
do seu gastó ou despeza; mas se fanarmos de Beo Irt- 
balho dícimo, de^gnaremos precisamente o que éHe hz 
durante o éia afrttfícial desdeque o^ol nasce alé que se 
]^e, e accrescentaremos de mais a contraposi^So de tra- 
Daibo noctumo^ qne se stippoe faz esse operario. 

Apezar de qne oontor dosSynonymos da lingoa portt* 
sveza diz qoe o gtroíiileirodo'sol á roda éi terrave 
deve t^hamar moTimeato dmrio^ e assim parece pda 4t- 
finicSo que dámos a esta palavra, éoom tudo certo^nie 
n lingQagem aaftroROtt^ % pKl«?ra dimrio ^4 omm^ 



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BIC , fflK? 

tntíbem o DBtural, ou o ^paco^e ^inte e^quatro 4ioras. 
O 4oif tor Tarares, no seu «^iknte > Gom^náio ée geo- 
igraphia« ctffofiológia, nSo iisa da pélam áiario ¡yara 2^ 
Yignarogiro eompieto flo^«Ol,anlesfalla muitas v«zes<<]k>8 
€ir€UÍo$dnimo8'do^i^^ giro coi»p)eto4'6$tea4lto 
em vinte e qualro lioras, e nio'O'^fptefo de tempoqtiie>sia 
^ridade 'dura «obre ^ horizome. — A ae«demia kíes^' 
-Bhoia diz, fj^laido do mo?imentO'dtiin»o .* •« Bsia ^m^ 
que haceun astro^en Teinte^ cfifltro iioras. » B€»uzé<4lz 
ms ««tts syfioiiymos : «L'on tfit^en aslroROttite, ia jfé^ 
flatioñ dmrm de la terre, ponr désignorsa réroltttion 
^ujftour defion aire m Tingi-qQatre heurea. * 

'Rigorosameiite^falIandopara osafátrosn^ohadia ti«m 
Hwlte,t5ta ésó^ara 'nósquando planeta qae'habildwiis 
nos impede de ver o astro qne no« atlumiB. i^ra evütw 
pois a nomonymia e conciliar ao mesmo tempo a lingua- 
gem scRBUfUni«omía BOM mABcimáeifallar, -parece-nos 
que melhor seria chamar diurno, como na verdade se 
«^affla, ao^fiioTimeatoée'Vinie«qasttro horas^ qutfl se 
'^ppoe a mnmL; e cfaamararcotdtifnio ao^e$pafo«qtie<^ 
aol percorre desde que apparetítemeBte nasce alé que se 
fieino horiflonte. 

SlomttriOy 'éliicldkirio. 

Para ^e acharem pronrpta « H^ommodamente m pali- 
^fras e dic^ proprias dHnaia lingua, 'Stta ilgnificagao, 
'-ws^ uso « sua correspontleucia com as de outra, sifrdistri- 
^^em por rigorosa ordem aiphabetica, e a isflo i^amft- 
Bios propriamenle diecionario. Um tficüionan'oydlsseum 
litterato'francez, é inveutario -da iingua por^rdem ú- 
"phábetíca. — Por exten^se diz das>vozeis lediní«as ile 
^aiquer sciencia ou arte, e ainda ée pesaoas Htaiitm» 
terias, cou^as notaveis,'eic. 

A palavra vocdbulario só signifíca cHlale^o de «nu^ 
d'uma lingua ou sciencia, mas nao se extende, nem deve 
^xtender a mais explicafioes que ás materiaes dos voca- 
tulos. 



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228 DIF 

Gloiiario vemda palayra ^ega vAcSvva, lingua, lingoa- 
gem, e ás vezes idioUsmo ; so se assemeltia aos diceiona" 
rios e vocabularioi na coIlocacSo material de seus arti- 
gos por ordem alpbabetica, e diíferenya-se em que trata 
de palavras e phrases obscuras, diífíceis, barbaras, desu- 
«adas, em especial nas linguas mortas, viciadas no uso ou 
trazidas de iinguas estranhas. 

Elucidario é um glossario lalyez menos completo, po- 
rém mais difl'uso, que nSo só e{tict(2a,exp]ica muitas pala- 
vras e phrases, antiquadas e obsoletas, senSo que examina 
asos, costumes antigos, e autorisa sua explicaySo com do- 
cumentos, inscrip^oes, etc. Tal é o do P« Santa Rosa, quc, 
se n3o é tlo compieto como o Glossario de DuCange, é 
por certo mui precioso para os Portuguezes pelas riquis- 
simas notícias que alí Ihes dá de cousas antigas, que sem 
elle seriáo desconhecidas aos modernos. 

321* — BliruM, lonsoy prollxo. 

Indiclo estas trez palavras os defeitos qne fazem pesado 
e fastidioso um discurso, uma obra, o estylo de qualquer 
autor, mas que entre si diíferem. 

Longo ou comprido recai sobre a dura^So; diffuso^ 
sobre o modo ; prolixo. sobre a superfluidade minuciosa 
de cousas inuleis. — Longo ou comprido é o sermSo que 
dura muito tempo; é diffuso quando o pregador trata 
eom demasiada miudeza a materia, o ponto ou ponlos de 
que se compoe; serk prolixo o pregador se multiplicar 
inutilmente os cpithetos ou adiectivos, se usar de peri- 
phrases em lugar de defíni^oes, se ajuntar explica^oes 
tccessorias inuteis e fastidiosas, detendo-se em pequenas 
e ligeiras circumstancias, etc. — A carta que o Padre 
Vieira escreveo a El Rei D. AfTonso VI ácerca das missoes 
na ilha dos Nehengaibas é longat ^^^ "^^ ^ diffusa^ c 
íítvMm^ prolixidade nella se nota. — • Ao longo ou com- 
prido oppoe-se o curto; ao diffuso^ o laconico ; aoj^o- 
ÍÍÚC0Í conciso. 



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Dis 229 

322« — Olsnldade 9 masestade. 

Referem-se estas doas palayras á impressSo que em nós 
causSo os procederes ou maneiras das pessoas, ou os 
eminentes attributos e qualidades que distingucm aigu- 
mas d'ellas. 

Consiste a dignidade em ter ídéas e sentimentos e]e?a- 
dos e nobres que se manifestlo nas palavras e actos exte- 
riores, pelo que a pessoa que assim obra inspira em geral 
respeito e veneragao. A dignidade póde achar-se em todas 
as classes da sociedade ; pois todas admittem sua gran- 
deza relativa. 

k magestade consisle numa grandeza exterior propria 
só das classes mais elevadas, a qual aitrahe a si a venera- 
980, respeito, a considera^So de todos os inferiores. 

A magestade, considerada em senlido rccto, é um altri- 
bulo da divindade, dos reis, dos principcs. — Diz-se a 
magestade de Deos, a divina magestade^ porque Deos é 
infinitamenle superior a quanto exisle ; a magestade do 
universo> porque elle nos apresenta um espectaculo admi- 
ravel e assombroso ; a mogestade d'um templo, porque ¿ a 
principal morada do ente supremo ; a magestade das leis, 
porque d'ellas dimana toda a publica autoridade; a mages- 
tade dos reis, porque estSo investidos do supremo poder. 
D'esta idéa estava possuido nosso poeta quando disse a 
EIReí D.SebastiIo : 

Inclinai por onn pouco a magesladé 
Que nesse tenro gesto vos contemplo ; 
lue já se mostra qual na inteira idade, 
Quando subindo ireis ao elerno templo. 

(¿»#.,1,9.) 

325« — Oiseernliiiento, JuIaEO* 

O discemimento é certamente uma opera(3o da facuN 
dade de julgar; é por conseguinte uma especie áejuixot 
mas uso tem altribnido a cada uma d'eslas expressdes 
certos limites que importa n2o confundir. 

IH$cemimentoé^qntí\e juizorecio que formdmos, por 



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230 DlS 

meío do qual che|;ámos a distinguir as cousas umas das 
outras por 8UAadt£teren^ e a coniirebcnder xstas por 
meio de seus seutidos, separando umas de outras que Ines 
^o msis immediaias, étescobfiQiotos sigQaesgueimpe- 
(úem deque «e eonfundibo. 

Juiso « a faculdade da alma que julga das oousas, de 
suas relagoes^ de sua conformídade ou descoftfenmdade 
«omoutras; emnconhecrmento'que^deoide, éaoperacSío 
do entendknento pela qual eecombinlo 4uas idéa&dmfe- 
irentes, ou se QOQrina que uma couaa éou deixa.de -ser,^ é 
aprudencia no £allar >e otonr. Taml>ein por exlensSO'Se 
chama;/if¿aH> á opiniáo, ao'paffeeer, «o dictame, que.fiir* 
mámos das cousas, ou ao que damos ácerca d'ellas. 

O ohjecto do discemünBrUo étudo o que convémsaber, 
e se iimita áscousas presentes«iDislHigue'0 diMcernimmto 
t> Terdadehro dofalso, o perfeilO'do impepfeilo, os motivos 
bemfun^irsidos apparentes pnetextos.— jMáoatlende 
mai&ao que seha>de&zer,-e eHtendeBuasreflexdes^éaalii- 
tiiro ; percebe as rela^oes e asconseqHeneias dasteousas, 
e prevé scus effcitos. — Péde dizer-se do discernimBnto 
4|ueé claro, que presenta idéas exactas, que impedeo evro 
e livra de caír em üalsidadeB.^iPóde-se <di2er áojuizoqvieé 
recto, qne é sabio, que nos coaduz a proceder comfra* 
^encia, a evitar extravios, absurdes « ^xtravagancias. — 
O discernimento refere-^se á especulativa, e aproveáaaas 
investigQQoesphiiosophtcfts; ojuixo relere-se á pratica, c 
nos é muito util na vida e modo de proeed^. — ,£ 001 
nesciooque carece de discernimento ; é um loacoo^pie 
nSo tem juáo. 

524. — Dlsparatie , ñenmünío^ 

üm e outro se appIicSo a tcdo faclo, ou dito fóra de 
proposito eraz^, porém cada umHl'clIefi tem sua extensio 
e enereia particular. —0 disparate recai sobre ac{5e8 ou 
dltos iora de propositoipor £a4ta de reflexiOjOapar in- 
^herencta, ou dispaaidade de idéas. desatim racai 
lobre ac^des ou ditos fóra 4« proposito por falta de4tlM^ 
Isto é, de intellígenoii. ée prodeneia, de f azio. 



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IMS 211 

328. — iBtoMPta^to, liratMtou 

A éiHentafáB é comiBiimiiiBnte mais tciirta que « trm* 
fsdo. EstetCDiitóm lodas as (piestoes.geraes e fiartiailanes 
de seii lofagtolo, «e ¡aqoelta sótoompreheiKk alguaias. — Se 
acerca de fuaiqaer matena se coinpDsepem laatas ^diM«r- 
ln^^ «quantos \S6ren os lassumqnttoB que «lla «aoerra, e 
los diffBnBntes aspecios debaiio dos qeaes póde ser «on- 
aderada, e^ todas testas dis<erta^s .trnerem uma«K- 
tensSo proporcíomida.ao objacto, ^e cnire si se enlacRBem, 
comordem melhodica, serSocomo os capitulosd'umlivro, 
« iHCttario am ¿mlailocomploioda ^materia. 

'326. — Hlstfufte^ Imise. 

O Terbo diiÉar tem por prlnoipal sigBi&cajSo tndlcar a 
maior ou menor separaigSA, iá seja de lugar, já de tempo, 
que medeia d'uma cousa á oulra. A distamia é poís o 
¿Bpa^o que medeia entre duascousas;<oánlerYaIo material 
id'ttmaaoulra;e em sentido.metaphorico a dissimilhan(;a, 
a dillfereBiga. — diitante representa a idéa do e^aqo 
lintermedio desde um ponto a outro d'um modo determi- 
jHido e reialivo ; e l&nge ao oontrario o represenla ^'uni 
modo absoluto e indeterminado. — A diHancia nSo im- 
pdle a proximidade ; o lang^ é contrario ao perto, ao 
Moco diBtmte, — Belem está dístaníe de Usboa uma 
ieg«a, e nio esAá longe 4a oidade. — Sem embargo diz- 
«e qne o sol diiiaáa terra trlnla milhSes de.legnas, e dío 
ipieestá longe trinta milhoes deleguas. A razlb é porfue 
Mdiiiaiícia meée-^e, eo longeúSiB se mede. 

387. — Bi«tlne«o,4ftfféreii«e, diTerm. 

O di$tincío recai sobreaideiñidade mesma do snleTte i 
differente e o divereo sobre seus predicamentos; porém 
4t«0fYo iBdica 4%rta oppotifio, iBooberencia, ou 4ispari- 
dade, de qne prescinde por si só o differente. 

^ €ii1fñcpáo^ a faUa ée idoatídade. A differmcm é a 



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!>32 DIV 

nega^So da perfeita similhan^a. A dwersídade exclue a 
conformidade e suppoe tal ou qual opposi^So. 

Pedro e Jo3o sao duas pessoas distinctas, isto é, nSo é 
d'um lioraem só que se falla, senSo de dous individuos da 
especie humana. A agua e o fogo, considerados corao cor- 
pos compostosa que antigamente chamavSoelementos, sSo 
dUtinctos; considerados como substancias» que n2o téem 
as mesmas propriedades, sSo differentes ; considerados 
como causas de eíTeitos contrarios, sao diversos, — Um 
cSo e um gato sSo animaes de distincta especie, de diffe' 
rente fígura, e de diversas inclina^oes 

328. — Oistraef&o^ dlTersao, Mgremm&o. 

Por todos estes modos nos apartámos do objecto em 
que deviamos ou queriamos empregar nossa attengáo, mas 
em cada um d'eiles se dáo motivos ou circumstancias 
que nao permittem confundil-os. Já fallámos da distrac* 
q9o comparando-a com a ábstracgáo (pag. 6), fallaremos 
agora das duas oulras. 

Quando divertimos a attengSo d'um objecto,em quea 
tínhamos occupada, fazemos uma diversáo. Quando de 
proposílo nos desviamos do caminho que levavamos, ou 
nos apartámos do fío natural do discnrso ou do negocio, 
fazendo como um rodeio e voltando depois a eile, fazemos 
uma digressao. 

A díííracpíío póde ser,e muitas vezes é, involuntaHa; a 
diversaot2i digressao sempre slo voluntarias. Aquella 
succede de ordinario em objectos de estudo, applica^So e 
medita^Io ; estas verifíc3o-se em discursos, nos negocios 
da vida humana, nos trabalhos de todo genero. — A in- 
constancia ou ligeircza de nosso espirito causa com fre- 

Í[uencia a distracgáo; para alliviar o espirito ou o corpo 
átigado é mui ulil e talvez necessaria a diversáo; na elo- 
quencia considera-se como um vicio a digressao, posto 
que ás vezes é conveniente. Yeja-se o art. seguinte. 

529. — Olirersaoy entreteninieiito* 

Appiícáo-se estas duas palavras ao meio ou modo de 



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DIV 23S 

procarar ao animo uma occnpa^Sío agradayel, qne o re- 
creia, que lisonjéa e satisfaz $eu gosto; porém nesta idéa 
commum alguma diíferen^a se acha que as distingue 
cnlrc si. 

Ditersao diz o mesrao qne scpara^So, isto é, distracgSo 
do animo d'aquelias occupa^óes em que regularmente se 
emprega, e a que substitue outras mais agradaveis, que o 
distrahem d^aquella fadiga oo desgosto. Entretenimento 
é mesmo que occupa^ao interina, enlretanlo que chega 
momento de fazer outra cousa. 

Z>tDírío-me lendo; entretenho^e a ler. Ao ouvir a 
primeira d'estas proposiigoes, percebo quea leitura agrada, 
distrahe, e recreia o animo do que se diverte com ella, e 
quasi posso assegurar que náo terá gosto, que n9o ihe 
será indííferente o deixál-a. k segnnda me representa ou- 
Ira idéa, islo é, que a leitura occupa, serve de passar o 
tempo, ao que se entretem com ella ; vejo quasi a indiffe- 
ren^a com que o que lé póde interrompél-a quando che- 
gue a bora de fazer outra cousa, porque só Ihe serve de 
entretenimento, que talvez n5o o diverte. 

Ao que está entretido^ nSo Ihe parece o tempo com- 
prido. Ao que está dlvertido, parece-Ihe curto. 

530. — DlTorelo, repucllo, de8f|tilte« 

Por (odos estes modos se separa o marido da mnlher, 
com a diíferenga qne divorcio e a separa^So legal dos ca- 
sados, e a dissolu^Io do vinculo matrimonial ; rejudio é 
acto pelo qual o esposo on marido enjeita ou rejei4a a 
esposa ou mulher e a lanca de si, de sua casa e famiiia; e 
desquite é a se|)ara(9o dos casados em virtude de sen- 
ten^a dada por juiz competente. 

divorcio e o repudio n2o s9o permittidos na religiSio 
calholica, pois dito está que o que Deos unio o homem 
náo separe ¡ só o desquite se permitte porque, ainda 
qneoscasados se separem, náo pódem contrahir novo ma- 
trimonio, como acontece no dívorcio e repudio, 

üsa-se índevidamente da palavra divorcio em lugar de 
desfuite,- mas para que as idéas se nSo confundáo, é 
moito razoavel que a cada uma d'eUas se destine vocar 



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234 DOC 

bula.proprla que a represeDte;e como desquite é ^pálmB. 
JDom portuguezae muito mais usada Yiilgarmeiite ,q\xe di- 
varciOy bem é que desigüc.prppriameDte aquella e^pecie 
áe divorcio que a religiSo cátholica tolera. 

SSl. — !llo4iálldfidle,:lMiamduva den9C»ío 

,J)oeUidade ^ em gerd a faciUcbide ou .s^lidSo ^a»a 
wsy[ir«uder ou fazer qiialqu«r'«ou5a«egiindo a V4»atade 4os 
outros. ^randura de genio, oumatns\á^o,nummBt%id9^ 
4][ue.meIhor se.expDiiiLe,peia<pala<vrafraBceza (kM«c«ur, e 
atestimaveltqualidade^ue muitas>pes6oas téem de £(4ga- 
.ron^e fazer^ o que os oulros desc^ia Aquella 4)er4«nee lá 
vontade ; estai indole.— üm m<miiio.é 4od¿ ^uaodo^obe- 
deceaseus pais e a sess mestji^s. üma mulheri é.(rani{a 
degenio quando ootra YontadenSo tem senSo ade seu 
maiido. 

A jdociUdaie poáBSiüo Ber.lrmda, quando.séise con- 
tenta com suhmetter^se ; a hrandMra é 'sempre líocíZ ; é 
feliz em submelter-se.A docilid€tdes)Sioá\s&á\A;íkhrüíttdura 
nem discutir sabe. Com^stndo e nefiáxSo ;p6de adquirir* 
se a docilidade; aihr^ndura é ^m dom da natureza. A 
docilidade é uma virtude que encaminha á sciencia e á 
perfeifSo; a hranduna é um encanto queiios attrahepara 
a pessoa que o possue. A docilidade s6 se exerce quando 
ha obedáencia V a ^r^ndura &z-se sentir ia.todos os .mo- 
mealos, e nasmeaoreS'Ocoa&ioes. Cré 2l ndQeilidade ifae 
tem raz^ de fazer o,que d'^Ua se'exi^; créieLérandura 
•que téem razSk) para lh!o .eaúgir. PMe mr^diéocüidtíde 
Ao sentnnento de sua superioridáde pessoal; pa£ece<a 
hMndura neeonhficer.a^^MpecioridaMÍe «des^oHtcois. 

IkHmmeuio ¥em 4le ii{0ce«, ceaAnsino; é.por.tantiMSS- 

cñto, ou instrumento^ qae ensina, ¡aslrtte, e serve para 

provar. — Monumento vem^demon^Oyeu «ardmoesto, e< m^ 

gnifíca naturalmeRfee eousa que avisa, iLá notccia^ 4raB á 

Jemliran^^, conserva a memoria de sueesso notavel. 

Ds antfgos ibraeSi as eseritums^piiblkas, as ehronlOM^ 



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Wtñ ^i 

Kmlks,'^ 'Obillisoos, 06 maasoloK, ;as tmed^ia&» «as iapi- 
^«'e^y^fiiimtimsttlof. iJDS^ntíUrosmraemipaKa Ae- 
«teara b\ÉtonÉ4os lemposquosaiUs, c adrtrUr >06 viA- 
4o0ro8 4oa sucoessoS'pmswil». 

JBS.-^^Vomy daOtra^ tfpnattltro, iw etieü te, 
niimo^ 

Do ferbo do on dono, eo üon .oti'^iryto,'vem ás trceippi- 
tneiras pálarras, que indít^ sna'ttca^o eom'flmB'oane- 
nos extensto ou ctun algoma circnmstanda pariictfter. 
Vam e üaüiva é uma graga on'^aivor qne se coneede "a al- 
gnem sem qne 'haja obriga{9o para ^so; ^<m é porém 
mais generico e comprehende os áotesouboas qnalida- 
ites querecebemos da natnreza,e daüiva re^re^se princi- 
jialmente a óbjectos e affaias. O dmcetito, atnda querénm 
dom.gratuito, ou qne como^tal seolba, lera com sigo a idéa 
9'um soccorro ás yezes gracioso ,porém quasi sempre^di- 
recta on indirectameitte ^orgardo, -que os povos fazem w> 
principepara ájudSl-o em casos extraordinarios'e mrgerttes. 

/^«enle slgnifíca o tlDmpreBetíle^ • quelemos diante, 
D qoe ¿epresenta como daámiy jo que se-dá ^e mioa 
TdSo, jprwieni quod m<mu dafw, flisse Cicero,iím opposi- 
^o a outros aotts Tcitos üe difiereilte modo. 

O mimo é um j^^en^pouco importante ém si'mesBiia, 
masiine snppoe liyre voritade,aff)Bcto, agrado,provas de 
amor, de amizade e de estima. Gonsiste comrmimmente 
em cousas gratas e novas, que se apprecilo mais pelo de^ 
licado e aíTectiieso tfa aé^Ie, que pelo qtie valem. — - Os 
mimof reciprocos s3o signaes de lembran^a, testemuriháo 
stffectae.^ratidáo, anaitt^ a laaúzaáo, e aúiviaoasiau* 
.dfldA&. 



lOt ctúnaes bmos kw ibrAvtos<pAdeBHse domeiüear, 
4MD-éfedtBtirit^er na 'mesma «asa oom o homei^, ea 
itirem demlgoa modo tsw-eittaéosie^coaípanbeiro^. taes 



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236 DOü 

sSo boi, cavallo, o asno, o cameno, etc. ^Os'aDmiaes 
ferozes podem-se amansar^ istoé, tornar submissos e obe- 
dientes. Os lobos, os tigres, os leoes, as hienas, téen^mui- 
tas vezes deixado sua ferocidade para render-se á vontade 
do homem e serem instrumentos de scus capríchos e 
prazeres. 

Chamaremos animaes domesticos aos que nascem na 
domesticidade^ em nossas casas e possessoes ; domestica- 
do0 aos que tendo nascido líyres, ou gozando de certa li- 
berdade, os acostumámos a viver com nosco em estado de 
domestiqueza ¡ amansados aos que sendo ainda maís li- 
vres e difñceis de soíTrer nosso jugo, os vamos com arte, 
paciencia e manha acostumando a elle. Estes nSo passio 
de certo gráo de domesticidade, e sempre conservSo cer- 
tos resabios de sua braveza e ferocidade, contra os quaes 
devemos eslar prevenidos. — Manso é (ermo mais gene- 
rico, e diz*se de tudo que nSo é silveslre ou bravo ; appli- 
cado aos animaes indica os que no estado de domesti" 
queza s2o dotados de mansid&o , se deixSo facilmente 
tocar, e sSo, por assim dizer, famiíiares ao homem. 

Domar é subjugar o animal feroz e bravio, sem dar idéa 
de que está manso^ como parece indicar o verbo amansar, 
Com tudo algumas vezes se usa um por outro, como se vé 
do seguinte lugar de Yieira : « S6 os peixes entre todosos 
animaes se nSo domdOy nem domesticño. Dos animaes 
terrestres o c3o é iSo domestico, o cavallo tlo sujeito, o 
boi t2o servi^al...., e até os Ie5es e os tigres com arte e 
beneficios se amansao. (II, 315). » 

355. — Douto, doutOF. 

Vem ambos estes vocabulos de doceo, eu ensino; mas 
primeiro representa a ac^So passiva do verbo , e por 
consegiiinte indica aquelle que foi ensinado, que recebeo 
e possue doutrina ; o segundo representa a acgao activa do 
verbo, e por tanto designa aqueile que p6de e está habi- 
litado para ensinar. Por isso se chama doutor ao que, 
tendo dado positivas e evidentes provas de sciencia e ins- 
truc^So, segundo prescrevem os estatutos dasnniversi- 
dades, recebeo o gráo do doutorado, que o habilila a ler 



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EDI ' 237 

catedratico, e Ihe conrere as díslinc^^ e prerogativas 
que Ihe compelem pelo seu saber. 

Dauto é que possae oa realidade a sciencia, e douior 
o que alcan^u o titulo de tal ; do que resulta qiie ha mui- 
los doutores que nSo slo doutoiy e muitos doutos que 
n2o sáo doutores nem cuidSo de sél-o. 

336« — Doies, prendas. 

Os lalentos, gragas e mais boas qualidades com que a 
natureza dotou ao homem, chamao-se dotes. As boas 
partes ou qualidades estimaveis qne o homem adquire 
pelo seu esludo, induslria e applica^So, cham^o-se j^en- 
das. 

Será bem dotada da ndtureza a pessoa que liver gra^a, 
formosura, intelligencia, agudeza de engenho,elc. Será 
bem prendada a que souber desenhar, cantar, dansar, to- 
car instrumentos, etc. 

Posto que entre os classicos se achem muitas vezes con- 
fundidos estes vocabulos, e prendae apparegHo com a si- 

fnifíca^Io que damos a dotes, deve todavia adoptar-se a 
iíTeren^fa indicada, n2o só para evitar a homonymia, se- 
n9o porque a razSo etymologica assim o pede. Dotes vem 
de do ou dono, dar, doar ; e prendas vem de prendo^ ou 
prehcndOy tomar, havér a si, etc. 

337. — UuTldoso, lucerto. 

dutidoso suppoe no animo indeciso raz5es, motivos, 
on antecedentes, que inclinando-o igualmente a opínioes 
ou accoes diversas, suspendem sua resolu^So. tncerio 
suppoe falta d'aquellas mesmas razoes, motivos ou ante- 
cedentes que conslituem o duvidoso, a qual deixa o anímo 
sem faculdade ou luz suffíciente para fíxar sua resoIu^So 
00 sua persuasSo. 

É duvidoso parlido que se deve tomar numa guerra 
civil. E incerta a hora da nossa morte. 

338. — Edlllear, eonstrulr, fabrlear. 

Da palavra latina wdes. casa, templo, yem adificare^ 



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25^ EOT 

iáifkairy que indíca construiir, I^ntár, fSrbriear o 
edificio. 

C&n»irmr yemáe í?cwfft*wre', <iws^ s%nífica mattfnaU 
mente reunir matériaes' para^ qrárlquer giencro dé c<mf- 
trw^ñü. — Pdrlanlo é^apíiliivra'qnemaiseyttnsao'Uem' 
em sua significacSo ; com todfií os classicos u^álá comMaiais' 
frequencia o verbo fábricar. 

De faher, nemfrgeneróo'que signHica>fóbrícante, ope- 
rario, artifice que lavra principalmente golpeando em 
cousa dura, como pedra ou meial, vem fahricare, fábri. 
car, que é executar ou fózer a obra. 

Edificar refere-se ao edificio considirado em geraíí 
eíevado á sua conclusSo segnndo a pláinia e propor^oesc 
que se haviao adoptado ; e construir, á opera^áo materiál 
da obra, aos trabalhos e opera^oes meclianicas commie 
se execula.. Fúbricar nSo só se reftre a edificios^ senSoa 
todá obra faHrill a tudó que se constroe com arte: — 
Deos fábricou o mundo ; Baccho /aftn'cata, em Mombaca, 
um altar suroptuoso qpe adorava. — Fabricao^se relo- 
gios, mocdas, pannos, sedás, vidros, chapeos, papel, elc. ; 
c em senlido figurado /a6ncoo-semenliras,,eng?ino&,etG., 
islo é, iuvcnt5o-se, urdemrse^ etc 

539. — Eduea^&a, caRÍiifmk 

A m'apdo éaprimairo cuidado queo homem deve a 
seus pais, ou a quem faz suas vezes; tanto no physico, 
para a.conservafSo de sua vida» saude e robustez,. como 
no morai para a diraoglLa de sua^ oonducta aestudo. de, 
suas ohri^goes. 

A. edHcagáo ceeai sobre a moral e a instruogSo : sup$^. 
íá.oulra&prlQcipios mais e]ie.vados, idéa&mais exteasa&^ 
regraft meihodic^inra^ilkistrararazaQ, adornar o entenr 
dímcnto, aperfeigoar o coragSo e suavizar os^costumes* 

Um lavrador ÍMmradOy uma hoa mSi, criaa bem.a6eas 
filhos. Um aio , umi pr^eptor edueáay b2o- cnao ao; 
mancebo posto a seu cuidado. 

A hoacriacdA^e 9L,hQaLéducacSo dlrigNDHSf essenciri* 
mente a um mesmo fim, qne é a perfeigSo moral do homem ; 
pofént póát dixfTrfleique a twimeii» o dMktofOr r e a se^ 



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ETF m 

Cipal defeilo doqiiem^nSo teiikci»úipáo«.éa^sserift;.eah 
qam-w^ \em tdu€ag&% 4« igiioEaiicia¿ 

340. — Kfln&rTeseeneia, ferirura, 
eft uUIf ao , . f érivor • 

Todáseslas palavras iDdicIa agítaQio nom liquldo cau-^ 
sada por calor, mas cada mna d'dlas designa difieEente. 
gráo ou algiUHa circum^tancia.particular. 

Do verbo laLino efferimao^ que signiEca..com6^r a^ 
fenrer, vem efferve$cencxa^ qne por issa mesmo repre- 
senta a branáa agiU(¡So d'um líquido, que exciiado peJo^ 
calor eulra em fervura. — Esta e, nSo s6 a.agita^ 2o mais.. 
forle e perlurbada do liquido, senlo a. permaneneia. na. 
mesnio gráos sttstentada pelo continuado calor ; tal éi a 
que se observa na agna(fervendo. 

£m iinguagem scientifíca chama-se eJmlligQo em logar 
de fervura qpe é termo vulgar, e parece expressar parli- 
cularmente a circumslancia de se soltarem as bolhas do 
liqoído feryeute, que, em linguagem.vulgar^ se^^dií, 
ferver em cacblo. 

Ferví^, pela sua termlna^So masouiríia, parece repre- 
senlar náto lanlo a ac^fSo de ferter^ on fermra^ como a. 
intenso gráo de calor que aproduz e acomj^aolia; por isso 
é Biaí& usado nosentido fígorado para signíficar.o ardór e 
vehemencia das paixocs, e emgerai'a.eíueacia.comquesei 
faz algunDiX.coiiaa. 

34f« — BfAstie) Imaseni.fikiira, 
retrato. 

RfefereiH'-sc'CSlíts pjalávras á pcprc9ent«P53fe4c*p«s§oa» 
oa ctoMTs, cem as s^nintes^ifferen^as. 

A. effigie occnpao lugar' da raesma eowa, p<Hi qat'Xi 
representa qual e, real e verdadeira, e assim se diz d'um 
crucifíxo a sacra effigie de Chrislo, etc* 

A imagem s6 representa a idéa d'oma pessoa oo coosa ; 
e assim se diz essa estatua é a imagem d'um homem ce- 



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5/|0 EFF 

lebre, d'am grande capitlo, etc. « Os qoe goveroSo sM 
imagens de seus [¡rincipes, » disse Vieira (V. 331). 

A figura n2o só designa os rasgos principaes, qoe re- 
cordao a idéa do sujeito, sea3o tambem tudo o que nos 
póde dar a conhecer a altitude e o designio. 

Oreíraío.é a represenla^o d'uma pessoa, c se dirige 

principalmentei'similiian^a ; assim qtic se costiima <±a- 

mar retrato a qualquer similhan^a entre pessoas mui 

•parecidas, pois se diz : Esle menino é o vivo retrato de 

seu pai, quandocomellese parece muílo. 

Em sentido liiteral dizemos effígie e retrato qnando 
Qos referímos ás pessoas, e imagem e figura tanto fal- 
lando d'estas como de qualquer otitra cousa. No sentido 
figurado costumSo-se chamar retratos certas descrip- 
^oes que os historiadores, oradores e poetas fazem Já das 
pessoas, já dos caracteres. 

Pelo que pertence ás imagens em linguagem de rheie- 
rica, veja-se em Descripgáo, pag. 217. 

342. — Elfüsao, derraniaiiiento. 

Referem-se estas palavras em seu sentido recto ao vcr- 
ler-se ou extravasar-se, em maior ou menor quantidade, 
qualquer corpo liquido ou qae se considera tal. D*el]asa 
mais usada é derramamento, que vale tanto como verter 
ou espargir cousas miudas ou liquidas, em especial sangri^ ; 
é propriamente a ac^lo de incliiiar um vaso para qne sáia 
d'espa^o o liquido que contém. A effuscío parece indicar 
movimento mais rapido, abundante e continuado que o 
derramamento ¡ e que a ac^So se verifíca sem ter qae 
vencer obslaculo algum. — De qualquer ferida resnlU 
derramamento de sangue; porém para quese possa diier 
com propriedade que houve effusüo de sangue é míster 
que derramamento tenha sido mui abundante. — Do 
aerramamento de bilis incommoda e causa 
poréffl uma effueüo de bilis causa a ictericia. 



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34!2« — Esloya, pMtoral , Idylllo, 
liiicollca. 

Qnalro palavras que indidío poesias pastoris de qne 
)Mwloral é o genero, eas outrasas especies. 

A pastoraly como a palavra o está dizeudo, é nma imi- 
ta^o da Tida campeslre presentada debaixo do mais agra- 
dav^ e itoetico aspeclo. Dá-se a estas composi^Ses poeti- 
CSLS o noDQe de églogas ou de idyllios. Egloga^ ou antes 
eclojga , é palavra grega, uxbYH ( de evíUyui escollier, 
colUgir), que diz o mesmo que escolha, collecgSo de 
extracios, e esle é o nome que Virgílio deo á escolha de 
'kucolicas que compozéra por difTerentes motivos e cir- 
eomslancias. Em geral signifíca poema pastoril. 

idyllio é palavra latina, idyllium^ do grego tilhi^ poe- 
iBelo, composi^Io poetica numgenero suave e engra^ado; 
e esle é o nomeque Theocrito deo ás suas pastoraes^ que 
Ylrgilio se propoz a imilar em suas Bucolicas, 

Mai ligeira é a differen^a, se a ha, entre as eglogas e 
os idyUioif assim que os autores os confundem a miudo. 
Com tudo, se attendermos ao uso, parece que na egloga 
se exige mais ac^io, mais movimento que no idyllio, pois 
aeste parece que nSo se pede mais que imagens, senti- 
timento e narra^io. 

Bucolica é palavra latinaegrega (/So^x^Acxo,-, de ^ow6\oi 
boieiro, paslor) ; é a variagSo neutra do plural do adj. 
Vucolicus^ concordando comcarmtnasubentendido; diz 
poís o mcsmo que versos pastoris, poemeto relativo a 
pastores, em qne elles fígurao, o que concorda com o que 
emportuguez chamámos i)a«tora2. — Algnmas das ImcO' 
licas de Yirgilio, colligidas num livro, formSo as suas 
eglogas^ que s2o uma escolha de alguns poucos opusculos 
de muitos que o autor fízera e nSo julgou dignos da luz 
pubiica. 

343. — Elesante, eloquenie, faeundo^ 
dlserto. 

Se eiegante é o mesmo qne composto, adornado, culto, 
semafTeeta^ío, seleeto e esmerado : é eloauente o bem e 

14 

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24i ÉtE ^ 

perfeitamente fallado, com elegancia^ pureza e facundia^ 
e preciso olhar como rigm'osamieirte synofrymas'eBCas duas 
Tozes, porgue nestas duas appHeaf^s só sé descobre uma 
mesma idea, isto é^ a de graga e belleza na elocu(;2o. 
Porém isto parece coutíi* pecufíarmente á tlMancia^ a 
qual consiste na formosura do estyro, na boa efelf9o é1» 
patavras, na perfeila conslrucgSo das ciausulas, porffue 
seu objecto é agradar, e nlo á eloquencta, a quai eonsHle 
na energía do discurso, na escoiba das razoes, na eíB 
eacia dos argumcntos, porque seu objecto é persuadir. — 
Cicero é elegante em suas epistolas, eloquente em stias' 
orajjoes. — Yieira é sempre ehgante em suas oartas, e 
por vezes eloquente em seus sermoes. 

Em elegancia excedco-sea si mcsmo na censura á ter- 
ceira parie da Hisloria áe S. &omingos de Fr. Luir de 
Souza ; em eloquencia passoa adianle a todos os oradores 
christSos, no senrnlo contra as armas de Hollanda, poi» 
qufz converler a Deos. 

Facundo é palavra latína, facunduSy de farh fallar, e 
designa propriamente o homem bem fallante, copioso no 
fellar, que tem boa eíocagSo ; dístingue-se de elaquente 
m qae esta palavra rcfere-se quasi sempre á eloquencia 
considerada como arte, e aquelia ao dom de bem fallar de 
que a nalureza dotou a muitos homens, podendo cilar*se 
com particularidade Ulysses, que por isso tem o epithete 
de facundo. A differenga que fazemos cnlre elriquente 
e facundo parece autorizar-se com aqucttc lugar de 
SuetoDio : « Eloquentice , attendit Caius , quantumvi9 
facundus; Caio applicou-se á eloquencia, posto que fosse 
facundo (in vitá, 53). » 

Cam5es sentio bem a differen^^a que vai de eUganie a 

Í'acundo na quelles formosos versos em que falia de Dom 
luno Alvares Perelra : 

A*quel1as duvidosas gentes disse, ^ 
Gom paiavras mais duras que eleaantes, 
A mSo na espada, irado, e nSe fitcnndo, 
Amea^aDdo a terra» • fettr e o aiundo. 

(Itt#., iy,U.) 

Dk^rtú é faiaTra taüna, áitertus, mui «prtpEiidft 



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ELO 243 

para designar certo gráo maU perfeito de ehgancia, que 
n&o é facundia nem ehquencia, que á eíegancia io 
estylo junta a propriedade dos termos e a variedade das 
expressoes, e sabe disseminar os ornatos com acerto e 
^mctria, esse scrá diserto; tal éa idéa qne d'elle nos dá 
VarrSo, dizendo : « Ui o^itor áisserit in areas cujusqne 
generis ftuctus, sic in oratione qui facit, disertus ; 
Assim como a tiortelSo semeia liortaiicas e legumes em 
sens canteiros segundo sgas especies, d'igual modo faz na 
ora^Io d¿$mrtQ (de S« JU V. 7). » — O ^rHserto é qua- 
lidade muí apreciavel em quem escreve tratados didacticos 
e pbüosopliicos. — Gicero, elegante em suas epistolas, 
eíóguente em suas ora^oes, é diserto em seus tratadps 
philosopbícos ; Yieira, sempre eiegante em suas cartas e 
por vezes eloquente em seus sermoes, é diserto em sens 
raptíspmgmaiicos. ' 

S44. — Elo€nf&», 4Ítopio« estrto. 

Btferem^e estas trez patomsá'maneira étéizerm 
de escrever; mas éiflferefi^k>^e 40 ffiodo seguínte. 

estylo tem maisrela^ oem oautor; a dicQéo, eom 
^ obra ; e a eiocug&o com a arle oratoria. üiz-se que um 
aator tem bom est;^o quando sabe •exprtmir •sna« idéas 
com pTopriedade e ele gancia, t^mñ modo aceonraaodado 
á materia que trata ; que «ma ebra tem boa die^ 
ifuando a phrase é correcta edara ; 4'iim •orador, qpeiem 
boa eloeupBo quando se expriiBe 'Ctm iermos proprk», 
ladKdaée e elegancia. 

545.. — Elo^lOy louiror. 

Para louwar basta dizer bem.d'uma pessoa, sem fundar 
<a raz2o jiQB o motivo. O e%io é um iouvor que ñi iua 
raio, e ei^plica seu moüvo, 

Dtt fígaoranie louwi o qae Ihe prece J)em, sem déter- 
aea«xpér os fttnáamentos de.8euloii«0r. Um saÍHO faz o 
^^hgió d'um üvro, expondo « merüo qae nelle acba. Um 
disomoAcademico em a4iese£u QBia'ttposí^ ümdada 



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244 ELO 

do merito d'uma pessoa ílltístrCy chama-se ehgio^ e nSo 
Umvor. 

elogio só pódc rccair sobre as producoes do enten- 
dimento, ou as accoes em qne tem parte'a vontade; o 
louvor póde extender-se a todas as cousas que nos agra- 
d3o, de qualquer classe que sejSo ; todavia mais se usa o 
verbo gahar fallando das cousas. Yeja-se Gabar. 

346. — Eloslo, paneffyTlco. 

Ambas estas palavrasvemdo grego, tendo passado pelo 
latim ; de sua eiymologia resulta a razSo da sua diíTe- 
ren^a. 

ElogiOf de el bem e ^¿yos disciirso, ou antes de «úAoyia, 
louvor, de ivioyiw&i dizer bem de, iouvar, dizomesmo 
que discurso em louvor de alguem. Paneayrico é o adj, 
grego Ttec/nyvptxós concordaudo comAdyos subenlendido, que 
vem de Ttá.>^yvpíg, assembea publica, reuniSo geral, nome 
que tambem se dava ao elogio publico, á ora^áo laudato- 
ria que naquellas reuniSes se pronunciava na antiga Grecia 
em honra de algum cidadlo benemerito. 

panegyricoy seguindo a natureza d'aquenas reunioes 
festivas, é misturado de enthusiasmo e exaltagSo, florido e 
poetico;oe%io, desacompanhado do apparato popular, 
e mais teflectido e arrazoado. Cabe neste alguma critica 
ou censura ; naquelle s6 tem lugar o louvor. — elogio 
póde ser parcial ; que muitas vezes elogidmos as boas ac- 
(5es d'um homem cuja vida em geral nSo'é isenta de re- 
prehensSo. panegyrico é geral, absoluto, comprehende 
tódas as partes do caracler d'um homem, todas as partica- 
laridades de sua vida.— elogio póde ser vcrdadeiro, 
ainda quando recaia num homem com algumas quebras, 
porque raro é encontrar homem que nalgum respcito n9o 
mere^a louvor. É diffícil que n3o seja exaltado o pane^ 
gyrico, mcsmo quando se trata do maior varSo, porque 
náo ha quasi nenhum que nSo mere^a algum vituperio.^ 
A maior parte dos elogios academicos ^o panegyricos* 
— Um elogio sincero e aíTectuoso p6de sa'ir de todas as 
bocas ; s6 um orador póde fazer um bom panegyxicom 



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EMI 245 

347. — EmbranqueceF, liraiiqueJaF. 

As terinina^des marcSo nesles dous verbos, cujo radícal 
é tranco, uma allera^Io circumstancial de significa^So. 
A termina^Io cer com o prefíxo em indica a mudanga da 
c6r para JÍranco ; a de jar denoia a móslra do hranco. 
— Embranquece a cabe^a do homem qiiando seus ca- 
bellos se fazem brancos de pfetos ou louros que er2o. 
Branquejao as scrras quando estSo cobertas de neve. 

348. — Embryáo, feto. 

A palavra grega ¡^€puov corresponde á lalina fcBtui^ 
feto, e signifíca o que se fórma e produz no seío da mli, 
fructo de seu ventre. Confundiráo-se talvez por algum 
tempo estes dous termos de physiologia, mas hoje em dia 
differenQSo-se perfeitamente, e nlo deve um usar«se indis 
tinctamenle em lugar do oiitro. 

Cbama-se geralmente emhryáo ao corpo informe do 
animal, a seus primeiros rndimentos, ao producto imme- 
diato da concei^So, ao que ainda nSo tem a fígura corres- 
pondente á sua especie ; porém quando se presentSo já 
clara e distinctamente as partes que compoem o animal, o 
embryño toma o nome de feto. 

Mnitos anatomistas téem observado que aos trinta dias 
da concei^ao está o anima! assaz formado para poder cha 
mar-se/eío. 

£m Botanica chama-se emdryao ao corpo organizado 
que contém a amendoa de todo grSo fecundado , tambem 
se diz no sentido fígurado por cousa nSo desenvolvida. A 
palavra féto só se usa em senlido proprio, e com rela^So 
aos animaes. 

349« — EmlssaFlo, espla, explOFador. 

Emiisario (do verbo latino e mitto, mandar para íora) é 
mesageiro ou enviado que se manda com commissSo se- 
creta de observar, sondar, averiguar as inten^oes, as ac- 
(oes de outras pessoas. o eslado das cousas» descobrir 



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'266 £iip 

qnanto se deseja saber^ e talvez dar conselhos, corromper 
oestMs, etc. 

Espia é qne se vale de falsidades e enganos, com ma- 
iicia,doln)ez, ¿tssiaaaia^lo ««egredo para saber o qve se 
ptssa; Té, escuta, examiaa, t>D6erTa, esqaadrinha qitnlo 
póde para o fazer saber a qoem Ihe fága para e^Miflr. 

JSaplorad9r é o que expiordu, investiga, «verigua^ 
«xamiiia omn desejo de saber »ma coosa ; para isto reoo 
ahecec regtstra emn smma diligeacia e cuiáaiio imá^ o 
que féáe comtrilMiir a seu «Bkalo. 

Differen^a-se o eócplorador do emissario em que aquelle 
muilas vezes explora por si c para sí, por curiosidade 
on utilídade propria, etc. ; sendo que este é sempre man- 
üado por alguem e quasi sempre ^e toma em.máo seolido. 
O ^spia diuerem^se dos d<Mis em.ser oíBcio iníame, tU, 
deshonroso, aüufa qoe util e neees&ario nos tempos em que 
viv^os : por eUes sc 4escobrem c^nspira^oes e se pro- 
t^e a seguran^ do6 ^dadSos. r-O emiMario deve^ber 
obrar e dcscobrir-se a tempo; oespiOf occ4illar-se, 4isfar- 
,. (arnse, ver, ouvir e callar. — Mandlo-se emissarios li'uma 
terra para outra ; ha ñspioi na corle, no exercito, nas £i- 
milias, etc— O que quer fazer revohi^oes vak-se de 
emissarios; o que quer saber quanXo se passa serve-se 4e 
espias.^ViiO vil é um comoouLro ^umdo s2o salariados, 
e se valem de meios infamese tral^oeiros; comtudo o 
primeiro é menos vil porém maís perigoso, o seguodo é 
mais desprezivel porém de grande uülidade quandoise 
cmprega a bem da seguran^a publicá. 

250. — Kmiimilio , AeiBMi, prafiü, 

O empenho suppoe algum intcresse, já s^ao qoe nos 
resulta de conseguir aquiUo em que nos empenhámos ; jk 
seja dc c¥it«r o sacnificio de tmso amor propcio i opi- 
niáo, ou vontade alheia. 

A teima stippoe mais proqniamerite índoGilidadc oa es- 
|Mr¡lo decooiradB^. ümeoulro p^dem ser passiT^s, 
1^0 é, «nsteolaicm passhamente seu obf^o oa scu 
capriehi. 



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£MF ^7 

kjpmfiti é A^toioBskca(3o acüva 4i 4eimti on do -mi- 
jPNiiiAo, ifHando «BooaU*So aJfuiua «ne&ialmicia úa «oppo- 

Um homem faz empenho em levar a sua adiaate, ^ 
saUsíkzer sm desejo, «m sustealar «eu GapriGlia; aieima 
«m q2o ouvúr os conselhos d£ seus aoiigo^, em priw-se 
de jeos pro^rios |;o6tos e ¿atisla^oes^ 6e o deSiaf^oi'So» 
«tt coniradizem,|^o/Sa,sttslenta oom lenaoidade aob- 
jecto á& «eu empmho^ ou o capricho ée sua ieimáL 

ISM. — 'SmpresAP^ umr, «evvf ri^e. 

Reforeni^se e^s tr^ expnessSes «os diífereiRes meáos 
eomo fazemos uso das cousas. 
Empregar é occupar a uma pessoa ou cousa em qual- 

3ner nesQOta ou inbiika^ £uer «muuapf)dáca^ partkular 
'ellas, segundo as pro^Fiedades e disposi^oes que téem. 
Empregor^e o dinheiro, empregao-sQ os generos, empre^- 
f^úo^ 06 iMneDs ; ítodo «e ^empfítgü, ponfBe t«do «erve, e 
ét JtidoiseJKzu»». Esleé o emjirc^o, a occtq;ia^3o. 

Uur é £azer um A'wm cousa que nos perlenoe, de qie 
809008 denos. Utdmoi^ Rossa kberdade «piando a ezer- 
cemos,; tadmos d'uma penntssío que se «os •oonceáeo ; 
itotímoff dóspcazeres da vida. 

Sm"wr^u d'ion omsa é Urar provtito d'etía, «egOBdo 
« p<»der e owsos 4|!ie lemos ét mél-o. 

JSmprtgar reíére-se parüeBlaroKBle á oousa ou pessoa 
^e Me se ^poe ; msar, ao gons .oonveniencia, proveito 
<do qne d'dia 4ispoe ; servir'^^ á Beoessidade^ á utilidaie 
fda BesscQL 

jEmprtgar nadaoesta^dacoisa.— Esta tela esorra 
cm po(a ei»n^jfttet-a em roupas, em moveis, ete. NIo 
tinliáo occupa95o os iornaleiros, porém empreguei'm 
iMSte Du naqoelle taraS^alho^ mudário pois de sorte.— 
'lbiitas «exes en^e^nAo >as «oosas se iestroem ; e xmtm 
>mBmmente sempre as fozemos mudar de fórma. 

£raar4!uafiaeoaisaeser«irHie d'ella nem sempre kva 
comsigo a idéa da destruicáo da cousa, nem mesawada 
iMdau»ca4e fórsia; pois so índitíH» estas express5es que 
^'ettasjse tóvu o j^reveüo qae podemdw.-^Qaaiido««a 



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248 EMP 

de minha liberdade nem por isso a destruo. Quando me 
lirvo d'um instrumenlo, d'uma ferramenta, d'uma ma- 
china, nema destruo, nem mudo, nem altero seu estado e 
natureza. 

Empregáo-se as cousas, as pessoas, os meios, os arbí- 
trios, os reciirsos, como nos agrada ou convém, segundo 
objecto que nos propomos. EmpregamoAos bem ou 
mal, segundo que sSo ou nSo proprios a um determinado 
objecto, a prodiizir o eíTeito que se deseja. ~ Usdmot de 
nossas cousas, de nossos díreitos, de nossas facuidades. 
l/Mámos d'eiias, e d*elies bem ou mal segundo que faze- 
mos bom ou máo uso, boa ou má appIica^So.— Serv'mo- 
nos d'um instrumento, d'um meio, d'um terceiro, como 
podémos ou sabemos, ou nelie confíámos. 

552. — Eiupreso, earso» mlnlsterlo, 
oraelo. 

A idéa propria da palavra officio é a de obrígar ou obri- 
gar-se a fazer uma cousa util á sociedade ; de conseguinte 
corresponde a cargo pela precis3o que lia de fazer ou 
cumprír a cousa. A's vezes se confundem ambas as pala- 
vras, pois com eíTeilo todo offlcio vem a ser cargo ; mas 
nem todo o cargo é offício. Cerlos cargos no governo c 
adminislra^ao do estadó s3o verdadeiros offlcios qne de 
direilo se exercem ; porém os cargos de conselheiros ci- 
Yis ou municipaes, que dependem de nomeagSo ou eleigSo, 
nao s3o offlcios propriamente ditos, sen3o cargos; porque 
os que os desempenbSo, sóépor um certo tempo, sem que 
tenhSo mais titulo que sua nomea^Io ou eleigSo; sendo 
que os offlcios constituem uma qualidade permanente, ás 
Tezes por direito heredilario, ou como annexo a uma di« 
gnidade. 

A idéa propria de minisierio é a de exercer qualqner 
cargo por outro, em nome de outro, ou do senhor, que 
em virtude de seu imperio e faculdades o nomeia ; a de 
emprego é a de estar sujeito a um trabalho permanente e 
obrigatorio. 

offlcio impoe uma obrigaglo ; o ministerio^ uma 
servidáo ; o cargo, fiinc^des; o emprego^ occupa^des. — * 



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o^io traz com sigo poder e autoridaae para fazer nma 
eousa ; o ministeriOy faculdade de representar as pessoas 
e díspor das cousas segundo suas instruc^oes e poderes ; 
cargOy prerogativas e privilegios que ennobrecem ou 
distinguem ao que o desfrula ; o emprego^ salarios e emo- 
lumentos que recompensSo ou pagSo o trabalho de quem 
exerce. 

3S3. — Empreltender, entrepreiider. 

Mo sSo synonymos estes vocabulos, como muito bem 
disse D. Fr. Francisco de S. Luiz, e por isf o nSo devi2o 
aqui terlugar ; mas, porque alguns escríptores, aiias dou- 
tos, levados pela similhan^^a do som material, ou, o que é 
mais certOy pela parecen^a do nosso verbo entreprender 
com entreprendre francez, os fízerSo taes, nao é sem 
utilidade deciarar a grande differen^a e nenhuma synony- 
mia que entre elles na. 

Emprehender (do latim prehendere) é determinar-se 
e come^rafazer alguma ac(;Io ]aboriosa> difficil, e ás 
vezes arriscada e perigosa. 

Entreprender é acommelter de improviso, tomar por 
entrepreza uma pra^a, uma íbrtaleza, etc, 

3S4* — üniprestlmoy eommodaio, 
mntno. 

Emprestimo é o acto de emprestar, ea cousaem- 
prestada ; é uma especie de contracto pelo qual concede- 
mos a outrem, de graga, aiguma alfaia, dinheiro, etc.,< 
para no la restituir depois de algum tempo. Tambem sc 
chama hoje emprestimo a uma somma emprestada qoe 
rccebe o governo ou algum particular e de que paga ju- 
ros. £ termo generico e vulgar que abrange as duas espe- 
cies de emprestimo mais conhecidas em jurisprudencia 
pelos nomes de commodato e mutuo, 

Quando a cousa emprestada nos deve ser restituida in- 
diYidualmente a mesma, chama-se commodato ; quando 
a cousa emprestada nos pó(le ser restituida, nSo indivi- 
dualmenle a me$ma« senilo na mesma especie, e em igual 



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250 Em) 

qoalidade, ebana-seivitfluo. Opíimanetie mostroa Tkhra 
a áiíTeren^a enire estes Yocabulos, e as idéas por elles ve- 
presentadas, no segsinle Itgar : « E que diffeneniga ha 
«ntre o mi^rtsiimo que se ciiama ^ommoóaíOn t o em- 
presiimo que ae diama mutuoí A díffereii^a é, 4|ue no 
eommodato bei de pagar, Tcstituindo aqaiilo mesmo mie 
me emprestário ; pedi-Tos emprestada a vossa espaoa, 
hei-vos de restituir a mesma espada. Porém no mutuo 
n2o fiou obrigado a pagar oom o mesmo, aenáo com ou- 
tro tanto ; pedi-vos emprestado um moio de trígo, n9o 
Tos hei depagar com o mesmo trigo, senSo oommtro 
(VI, 181).. 

5SS. — Bmaitaf&o, rHrfdMiUto, 

Emmlapíó indlca eoiiomrreiiela; riwUiaée, tompe- 
tencia, choque; inveja, ciume iniusto. Todosos qnese- 
goem uma mesma cafreirai^o€mti/o#; quando se opp^m 
seus iuteresses, ^o Hvaet; quande alguns d*élkss Imsclo 
diminuir o merito dos oulros para eni despeilo d*eHes se 
elevarem, esses sio iwDeJosot. — Os errmkfe caminhiío 
juntos ao mesmo fím'; os rwaes^ ms conlra os outros; 
os intejosot buscSo supplantar-se muluamente. 

A emuiagSo é iina paixáo aobre, um -tentiniento gene- 
roso e vivo gue nos impelle a íazcr os maiores esíorgos 
para imitar, igualar e ainda sobrepujar as ac^oes dos ou- 
tros,firíficipalmenle se ^o nokresic beroicas. A ríoa/í- 
dadeéwoí aentimeiilo de tconiieteiMia, de concarrenoia, 
eoomo dfe certa iiu^ja ifoe nos obriga a esforcariBO-ms 
de qvakpier modo qoe a^a, para 'venoer e ainia ^xoedtr 
a omros qae asfiirio a lograr nma HMsm ooosa. A wi- 
rnja é tima paiímo türpe, nm mvimento forte«'nole«to, 
e «omo oma lorcada ^)onfis&So do merito albeio, «¡lie o 
ÍKvefoso, que d'^e careoe, quiiera tirar^li-o fara «e «po- 
derar d*ellc. 

k emmimpiío esctta^ a rmjotídmde iFrita; ^ «m^ de- 
grada. — ü tmmiafáo é ooa cbHM <fue aqoenta ; ars- 
'valid a á e «m fogo iqae aparta, separae destrae ; a mmoeja 
é«m inoeBÜo iaterBO ^vae devova e jeoMome. -^ 4 loo- 



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ENG 251 

vavel emuIa^So, diz Cicero, consisU em imilar a rirtude; 
a rivalidade é inveja da preferejjcia. talenlo inspira 
emulao&aí os desejos e as prelen^oes, rimlidade; a for« 
tuna e a pro$i>eridade, inveja, que é ella sua anlagonistay 
coaQo dizia Aristoteles. — Xemulafáo conlribue á Cormar 
os Yaroes abolizados ; a Hvalidade produz iuimizades, e 
accende odios inlerminaveis ; a inveja deseja arrancar os 
olbos a quem Ibe faz sombra. Assim fez ella ao capit^ 
Belisario, que, posloem uma choupaninha junto da estra- 
da, pedía esmola aos passageiros, dizendo : fCami- 
nliante, real e meio a Bellsario> a quem o valor expoz 
aos olhos de muitos, e a inveja o privou dos seus 
(oP« Bernardes, V, 407).» — «Nos Iribunaes ondea in- 
yeia preside, diz o P« Yieira, as virtudes sSo peccados, os 
mereeimenlos sáo culpas, as obras ou boas qualidades 
sSo crimes. — Os invejosos mdiis sentem os bensalbeios 
que os males proprios (V. álO, 521). > 

Felizmenle esta terrivel serpe é muitas vezes Impotente 
quando o céo quer cunprir seus designios, oomo sentea- 
ciosamente disse Camoes : 



>ue niroca tirará alheia intieja 
bem que ouuem mereee, e o oéo^eseja. 

(£ttf., 1, 39.] 



8' 



536. — Baeanto, fé&tif«^ mriUesla^ 
eniiielitea* 

Em «enttáo red» referem-se as trez prámeiras palavras 
a epera^;des purameiite oiagicas, segnndo as cren(;as vul- 
garci que por muilo tempo domtnár§o o mundo, e nSo 
deixiío de ter ainda hastanle ÍBflueneia. A quarta , 

SttandoseieiBaemaeDtido figurado^éuma co&sequeoeia 
'ellas. 

J^tli'pana é a arle sobreBalnral e díabolica para do^ 
misar a voBta^ das pessoas^ trastomarseu juizo,privál'as 
da saude e até da vida, causai^Ihes todo o genero de 
damno, valendo-se para klo os felticeiros de evocai^, 
de paoloft com« demonio, de 0Mi1tít5es, de beberageos, e 
aeompanhando Mb 4e mil oralkas supersticiosas e ridi 



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252 Exc 

calas. enfeitigado está como fóra de si, fatuo, bobo ; 
nSo é senhor de si mesmo ; é um boneco que pensa, move 
se, obra por vontade, por impulso alheio. feitigo pre- 
senta-nos a idéa d'uma for^a occulta que pára e detém 
os naturaes efrettos das cousas. 

" O encanto consíste em palavraseceremonias de que se 
yalem os supposlos magicos para evocar os demonios, 
fazer malefícios, converter as pessoas em estaluas, em 
arvores, em animaes, e a estes em pessoas, em entes invi- 
siveis, aereos, encerrando-os em palacíos e covas tam- 
bem encantadas, sem poderem sair de lá nem voltar a 
seu anligo ser é estado, sem que se passe certo numero de 
annos, se cumpr3o certas condi^^es raras e diffíceis, ou 
se verifiquem certos successos extranhos e como casuaes. 
ou se presentem mais sabios encantadores que desfa(9o o 
fatal encanto. 

A palavra sortílegio encerra particularmente a idéa 
d'uma cousa aue damna ou perturba a razáo. Ghama-se 
iortilegio áadivinha^So que os sorliiegos fazem valendo- 
se de sortes supersticiosas. 

Todas estas palavras indicSo, em seu sentido litteral, o 
eílfeito d'uma opera^o magica, que a politica suppoe. que 
a reUgiSo condemna, ede que zomba a verdadeira philo- 
sophia. Todas s9o malignas e subtis manobras para em- 
baír e enganar a gente singela, vulgar e credula. 

As duas palavras encanto e feitigo téem muito uso em 
sentido figurado ; a de iortilegio nenhum. — Enfeitigar 
é tirar a alma da indifferen^a. da inacglo, para condu- 
zíl-a a sensa^Sesagradaveis, ja com o motivo dosobjectosa 
que se rerere, já cofm o exercicio de suas faculdades. 
Encantar é fíxar, apegar fortementea alma a estas sen- 
8a^5es com o attractivo do prazer que recebe. — Encan 
la-nos um magnifíco espectaculo ; enfeitiga-nos o aspecto 
d'um formoso jardim. Encanta-nos a musica, a repre- 
senta^o d'uma tragedía, a conversa^Io, o proceder d'uma 
pessoa, suas boas prendas ; tudo que nos dá gosto, nos 
interessa e apaixona, nos enranta. A formosura enfeitica 
os cora^Ses ; tudo que lisongeia nossos sentidos, os a'r- 
rastae domina, nos enfeitipa. SSo feiticeiroi os olhos, os 
agrados, o modo, os carinhos, quando de seus attractivoa 



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£NG 258 

■06 deiiftmos preuder e enfeitifar ; por Isso disse Ber- 
nardes nas Rímas : 

Ah que gostos de amor sSo feUieeirot, 
Feitíeeirot enganos m'eolacárao. 

A palavra ernbellezo on embellezamento parece augmen- 
lar Yalor moral das outras duas dé que fallámos, pois 
aue emhellezar^ em seu senlido proprio e nalural, signí- 
nca suspender a mente, arrebatar os sentidos, elevar 
nossa alma, infundir-lhe pasmo, tirál-a como fóra de si. 
engolfando-a em prazer. — Um homem, encantado á 
primeira vista da formosura d'uma dama amavel, bem 
de pressa se namora d'ella e fica enfeitigado pur suas 
boas prendas ; se logra sua corresponaencia, de continuo 
]he repete com o mesmo embellezamento as expressoes de 
seu amor. — costume, que nos famUiariza com tudo, 
destroe o encanto, A reflexSo, que tudo prevé e expUca, 
dissipa. O feitifOf ao contrario, cresce com o habito e 
a reflexáo. O babito diminue o emhellezo^ e o emhellezo 
nuita a reflexio. 

3S7. — - Eneinia, mbre. 

UsSo-se indisünctamente estes vocabulos para explicar 
a situa^Io, ou o lugar que occupa uma cousa a respeito 
deoutra; como quando dizemos está endma damesa, 
ficou ioíre a mesa. Porém se examinarmos com rigor 
mia verdadeira for^a e energia, acharemos que nSo repre 
sentSo rigorosamente a mesma idéa. 

O adverbio encima, que é o mesmo que em dma^ 
explica sómente a situa^So local d'um corpo respecliva- 
mente ao que se acha debaixo d'elle. A preposi^áo iobre 
representa, nSo só a silua^Io, sénáo tambem, e mais pro- 
priamente, a gravita^ao que exerceum corpo tohre outro. 
E nSo é estranho que os confunda o uso, porque o corpo 
qne está encima gravita naiuralmente iohre o que está de 
baixo. Nesta mesma proposi^Bío se percebe a differenle 
for^a das duas vozes; porém exíminemot-a em outros 
exemplos. — Em lugar de pdl-o debaixo,p61-o encima. 
»• 15 



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36u EN : 

Emima dos «iratlos gaza-se de bom freseo no yerlo ede 
bom sol no inverno.-fi'ndma da figueira comem-&e os me- 
Ihores fi^os. — Nestes casos, em que s6 se Irala d'uma si- 
luaySo local, nSo se podéra empregar a |>repo8i(;§o sokre 
com a mesma propriedade qiie nos seguinles, em que se 
considera o corpo com rela^So delerminada á sua gravila- 
c3o : Eu estava sohre um pé ; a casa está rabricada sóbre 
bons aiicerces; o caslello eslá fundado solre a rocha; 
apoia-se sobre a mesa ; repousa sobre o duro soh). — 
D'aqui vem que os physicos dizem que um corpo pesa^ 
gravita, exerce sua attrac^So ou rmpulso, sobre outro, e 
n2o encima de oulro. 

Segundo este mesmo principío, distinguem-se clara- 
menle duas idéas drfTerent es nestas duas proposi^oes : üavio 
pancadas encima de mhiha cabega ; davao pancadas sobre 
minha cabeya. Com a prímeira supponho que as pancadas 
se daváo numa paragem mais elevada e que corresponde 
perpendicularmente á minha cabe^a, ou noandar que está 
por cima. Com a segunda duu a entender que ea recebia 
as pancadas na minha propria cabe^a. 

Por isso se diz lambem no sentido moral : Sobre minha 
gonsciencia, sobre minha palavra, sobre minha honra, 
para denotar q«t ••i(ue se assegura ou promelte, se sus- 
tenta e apoia na consciei^cia, na paiavra, na honra> e nSo 
$e póde áizer : Eneima de minha consciencia, enemá de 
minha honra, etc. 

AjnnlavSo os antigos por eh;gancla, e ímitando os 
€astelhflHOS, apreposi^ de ao adverbio endma^ eomo 
fózl^bo, disendo : « Ao^e deeneima d'um loureiro táU 
lava uma ave ; » hoje dizemos de cimay mas nlo se dirá 
cmn a mesm ppopriedade de tobre. -— Da-se tMriiem 
tutgarmente .* AiDda encfmoi e ii9d se podevá dizer : 
AMr eobre. 

3S8« -— Eneobrlry oeeulf ar, eMondier* 

Eneobrir^ segnndo a palavra o está dizendOi I lanfar 
Téo ou cuberlura sobre o objecto de modo que se nSo 
veja. — OccuUar é retirar o objccto de nossos olhos, nlo 
deixar ver. — Esconder é tirar o objecto de diante dos 



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ENF 255 

•Iboa, pondo-o em lugar onde o nao possamos alcan^ 
oom a vista. — A nevoa espessa encobre o sol, a lua e as 
estrellas; a fórraa espherica da terra occulta o polo an* 
Uretico aos habilanles da Europa ; as pégas eic^mdem os 
ol^eclos qoe furl^. 

Em senlido moral enüo^€-se mna consa qoando se 
tapa 011 disfar^ para que se n2o conhe^ ou descubrSo 
seus defeitos e imperfeígoes ; occt^la-se quando se cala 
adTertidamenle o que a seu rcspeito se devéra ou podéra 
dizer; esconde'Se quando se lirao os meios de poder 
acháki eu descobríl>a. — Um coQlrabandisla encohre 
seus generos para depois os vender com mór proveito. 
Um capitio de ladroes occulta seus pensaimentos ptranáo 
aer Irabido por algum perQdo. Um avarento eeconde mb 
thesooro paíra que ningueD Ihe toque. 

Tudo quanto nos molesta, nos desagrada^ se oppSe a 
tuisso ^osto ou inclina^So, nos causa enfado, que Mta 
á obediencia, á obriga^So, ou ao respeilo que se nos 
deve, nos enoja, Pelo que o enfado póde causar-se in- 
diíTeFentemenle pelaspessoase pelas cousas, porque omas 
e outras podem desgostar-nos, ou conlrariar nossas incli- 
iiacdes. Enfada um £illador destemperado, enfada o 
cafor, a poeira, o ruído. Porém enojo só o podem^ cau- 
sar as pesdoas,pois só estas podem faltará obediencia, ao 
respeito. C assim o enojo suppoe superioridade da parte 
da pessoa enojada, porem nem scmprea suppoe o enfado, 
— Muitas vezes um pai vem para casa enfadado do tra- 
balfaOj dos negocios, etc, e fíca «nojado ao vera desobe- 
diencia e ingratidSo com que seus fUhos correspondem a 
sens desvetos. — M3o se poderá dizcr qúe Dcos está enfa- 
dado, mas dir-sc-ha mui \ftm que esta enojado <Tuando 
desobedecemos a seus mandamentos e o provocámos a 
niostrar os effeitos de seu justo enojo para com nosoo 

360l — CBsmiar, emlmlr, Mdumlr^ 
llludlr. 



Enqanar é (hzer ^oe oiUro crelt •• qns nSo é; < 

DigitizedbyGoOgle 



256 ENT 

qualqner genero de engano, sem qualifica^o algoma ; é 
ponanto o f;;enero de que os oulros Yerbos sSo especíes. 
— Quando myanámot com impostura, embustes, embe- 
lecos, mentiras, etc, em&atmo<, e merecemos o nome de 
imbdidore$. Quando engandmos com arte e manha, tra- 
zendo aiguem ao mal, ou para satisfazer uma paixSo, 
seduzimoi, e somos seductores. Quando engondmoscom 
falsas apparencias, ou como por zombaria, illudimos, e 
nos cabe o nome de illusores. 

361. <-" Kntender, eonipfeliender. 

O prtmeiro d*estes ^erbos explica uma percep^o do 
animo, em que os sentidos e a memoria téem mats parle, 
que na percep^So que explica o. verbo comprehender, 
em que tem mais parte o entendimento. — Entende-se, 
uma Ungua, um signal dado ; esta percep^So a devemos á 
pratica malerial,ao uso, k ac(}áo dos sentidos. Com- 
prehende-fíe a for^a d'um discurso, a causa occulta d'um 
eíieito ; esia percepgáo a devemos á perspicacia, á subti- 
leza do entendimento. 

362. — EnteKdlmento, intelllKenela. 

Ambas estas palavras vem do verbo lalino intelligOy en 
entendo, e desígnSo os differentes modos por que damos 
exercicio á prtmeira de nossab faculdadcs intellectuaes. 

O entendimento é aquella potencia da alma que se 
occupa em conceber e ter idea clara das cousas, em 
sabét-as com a possivel perfei^So, em conhecer, pensar, 
discorrer, deduzir e julgar; e assim ao homem sabio e 
douto Ihe chamámos entendido. A intelligencia é a 
mesma facnldade inteliectiva, occupada mais particular- 
mente a comprehender as cousas; é o conhecimento 
exacto e posítivo d'ellas; é a pericia com que as expli- 
cámos, se slo especuiativas, ou as executámos, se sSo 
praticas. — A palavra entendimento parece correspon- 
der mais principalmente á especulativa ; intetligencia á 
praiica. Fiilaiio discorre com grande entendimento ; obr» 
com summa intelligencia. Veja-se Talento 



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laSÍ 257 

363. — EnferneeerHie, eonipadieeerHie. 

Em senlido recto cbama-se enternec$r uroa cousa, 
p61-a lenra e branda ; no metaphorlco abrandar um co- 
ra^So, mover a iastima, a ternura para com uma pessoa 

2ue considerámos infeliz e desgra^ada. Compúdecer'te 
tomac parte nas desgra^as alheias, sintil-as, aíüigir-se 
com ellas, lastimar-se do desgra^ado. 

EntemeceT'^e tem signifíca^So mais extensa que cam" 
padecer-sey pois nSo só significa disposi^So á ternura, 
senSo tambem a muitas outras paix5es suaves e beneficas, 
como a commisera^o, o amor, etc. •— Movemos alguem 
á compaixáo pintando*lhe a triste sorte do desgragado ; 
enternecemo3 a um homem de condi^So aspera e dura a 
quem pintámos com vivas cores nossa triste sorte para 
que a remedeie. — A compaix&o é commummente exci- 
tada pela presen^a do mesmo desgra^ado ; mas nSo se 
necessita isto para enternecer-nos^ pois \m cora^So sen- 
sivel e bom se enternece do que vé e do que nSo vé, do 
que Ihe contáo, e do que elle mesmo considera. ^ en- 
ternecimento está na natureza; a compaixáo muitas 
vezes na razSo, na reflexSo, na idéas de justica e de equi- 
dade. -— Uma mulher debil enternece-st de tudo com 
motivo ou sem elle ; basla oue o caso sejo lastimoso. O 
var2o forte compadece^ so por principios de justica. — 
enternedmento mostra bom cora^So sem nenhuroa 
quebra da parte do objecto que desperta este aíTectuoso 
sentimento ; a compaixáo supp5e um sentimento de su- 
perioridade, e talvez de •rgulho, no que a tem, assim 
como de abatimento e humildade no que a implora ; por 
isso as almas grandes, e por ventura orgulhosas, prefe- 
rem soíTrer com valor esloico até as maiores desgragas e 
privagoes, antes que fazer cousa alguma que indique in- 
ten^So de promover a compaix&Oj mórmente, entre 
aquelles que as vírSo em scu auge. Melhor se abaterSo 
tos qne as nSo conhecem nem podem conhecer. Será 
muito embora um defeito, porém que a ninguem preju- 
dica senio áqueile que o tem ; e sempre o engrandece. O 
que entre seus concidadSo^ se vé decahido da prosperi-^ 



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258 ENT 

dade e abísmado na desgra^a, esconda-Ihes suas mise* 
rlas, e moYa eom ellas anles a compaixáo dos esUraBbm, 
e console-se com a senlen^a de Camoes t 

Qae todi a terra é pfllrla para o forte. 

(Lttf., V1II,63.) 

Vcjt-se ForCaleza. 

364« — Bnf errar^ sobterrfiry «epwifiir. 

JEnínrar é meUer na terra, e $obterar ou «oterror, 
como se diz ▼ulgarmeote, é meU^ debaixo da terra; e 
esta diíTerenca resuUa ciaraoienée das pre^^oes en e 
$ok que entrao na compostQSo dos primeiros dous voca-» 
bttlos. Rigorosmnente ftdlando o primeiro eiclue a idéa 
de ficar ooberto de terra o objeeto que se eoterra^ o que 
8f guado ei^rime posUiva e expressamente. Coin tiMio 
enterrar se usa mais geralmente qoe eoterrüOí pora iü- 
dicar a ac^o ée metler algunni ooisa na lerra cobrtiido** 
a eom eüm. De certo, que qoand» o avarento emterreL » 
thesouro n9o é para o detxar a deseoberto. 

Sépultar ¿ termo eonsafgrado para iodicar a acfio e 
ceremonia religiosa de dar sepultura a um corpo liamaiio. 
-- Enáerrarit ou <oélarra-se tndo que se metle na terra 
e <com eMa se cobre ; e&ptMa-^t o despojo^ mortat é» 
homem. — Quando # corpe'é lanftdai terra, mui bem se 
diz que foi eiUerrado; porém qiiaiid«, depois dc embalsa- 
flMkdo, se fecha on jazigo ou tnmulo, sé se dirá com pro- 
priedade que estit eepuUado. «Os ossos de Ignéz de 
Gasiro forSo sepult^os num grande e sumptuosissimo 
monumento de a)abas4ro (Momrch. Lusit.). » Jesu Cliristo 
toLeepuliado ttum sepulcro noYo, e »3o ^mterrudo. 

365. — Enterroy salmento, 
enterraiiieiito, fiiiieral^ exequlaa* 

Referem-se todos esles Tocabnlos ás ultimas honras Al* 
nebres que tributámos áqtteiies que passáráo a melhor 
vida, e á maior ou menor pompa com qne se faz esta lo- 
gvbre cepcmonta. 



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25» 

MmUrro úgoiñt^ b<)á«, «m geral»aae^ peligioMi de 
emierrar os morioB. e o aeompanhameDlo que vai eom o 
defüiito; eiaBnbem derSo os datstco&esleBome ao lugar 
oode 8eelle& eaterriio oi aepuIt2o. *- «BeleiB, digno an- 
terro dos nossos reis, » dísse um d'elles. 

Sáimenio é pala?ra ho¡e desusada, mas que signífícaya 
antigamentenSo só a pomp« foftd)pe depessoa» eulutadas 
que iaiáo a celebrar os funeraes regios, senSo tambem 
as eieqnías sotemaes que se £azi2o no anniversario da 
morte das pessoas reaes, como se ?é do Leal Conseihelro, 
p«g. 467. 

£ni$rrmnené0 sig«iieastm|ileaoieiiteoaclo dcenter- 
rar oa kvar a enierrar. Tem aigiiificacio muiLo maMS 
extensa que énUrro e náo póde confundir'^e cem <aü* 
mento. 

F^mtrai ¿ a ponpa fand»pe eom que se faz algum 
eiiterro. 

EwefmoitAo as bonvas fiinebree cpie se fazem a um 
defuolo, éesde a casa aié á igreia, e da tgrej^a alc ao lu- 
mido;e tambem asstm se ehama o oílkio fmiebi'e <|ue 
com pompa se oeletoa em algum templo por um priucipe 
ott defiiiilo iUtt&tre logo depois da morte, ou pas&ado 
tempo nSo esUudo já o eorpo preficnte. A& dos Papa&^ 
duijío ordinariattenie oiAo déas. 

£ para Botar eomo os bos&o6 antigos sabiSo lirar do 
laliiB as iMÍavras qwe Uies eonviiibáo, ooRforinando-se. 
eon genio da ikigua pertugoexa, talvee mais do qiie # 
Cmtt 06 modernos. Saimento pareoe uma palavra que 
neahBffla relagdo tem comolaUm; pots e&ta é a verda- 
detra tradHogao do vocabuio laiino e«iefieitfB, de queoA 
maderooe izeráo ese^iae; porque exseqmieByem 4fí 
emufuoT^ i|uai se compSe de ex e eegmer e signilteB 
seguir,acompanhar, e segiindo Ainswortn vale o mesme 
que iequor pompam funebrem ad eepulturam^ sigo a 
pom^ fuoebFe ou do enterro alé á sepu^tura; e isto era 
que nos idimentos se fazia. Tinha lambem idimento a 
sijgnücai^So eiiensiva qoe damos a 00:^10« como aalma 



stilArro do6 pohres mals é enierramento ^ee funeraL 
/ifiier«¿ d06 alia6lados e rioos nio se póde compariir 



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260 EKX 

coni as exequias dos grandes. As exequias dos principes 
e senhores mais se fiizem por vaidade dos yÍYOs que para 
utilidade dos mortos. maior idtmento de qae taÍTei 
fallem as ñistorias é o qae El Rei Dom Pedro I fez aos 
ossos de Dona Ignez de Caslro, 

Qae depois de ser morta foi ralnlui. 

366. — Enuneiar, exprlmir. 

Enunciar é declarar com palavras o qne pensámos, oii 
aflectámos pensar. Exprimir é fazer conliecer ciara e dis« 
tinclamenle o nosso conceito tanto por palavras como por 
Sic^Ses e geslos, de modo qae fa^ impressSo na pessoa a 
qaem o communicámos. — primeiro pertence a logica 
on arte de discorrer com os liomens; o segondo á rlieto- 
rica oa arte de faliar aos liomens para persuadil-os. A 
enundoQáo p5e patente o pensamento ; a expreisdo dá- 
llie c6r, ?ida, e anima(So.--Homens lia que, sem terem 
aprendido rhetorica se exprimem t>em; assim como mui- 
tos lia que apezar de todas as regras de eíoquencia se 
enunciáo mai. — O povo muitas yezes se exprime mellior 
do que se enuncia; porque sal>e pouco e sente muito.— 
Com diiBcuidade se enuncia um estrangeiro em iin^a 
que nSo Ibe é propria ; mas pela mesma razSo se exprime 
as yezes com mais energia, presenta imagens novas e 
modos particaiares de faitar que ^o exprestitoi e nSo 
deixSo de ter gra^. — No genero didactico basta que o 
escritor enuncie suas idéas d'um modo claro, desemba- 
ra^ado e exacto, porque o seu fim é só instruir. No ge- 
nero oratorio ou poelico é nécessario que se exprima 
como a natureza, como a paixSo, como as gra^as, porqne 
seu fim é agradar ou commover. 

367. — Enxuipar, seeear, enxambrar 

ExplicSo os dous primeiros yerbos em geral a ac^o de 
extraliir a humidade d'um corpo; porém enxugar repre- 
senta uma idéa maís limitada, e se appUca mais propria e 
exaclamente quando se trata de pouca humidade que 



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EPl 261 

está molhado, iecea-se; o que eslá humido enxuqa-se.-^ 
k ronpa que a lavadeira tira molhada do rio seccase ao 
8ol; porém é preciso quasi sempre enxugál-a depois em 
easa, porque regularmeDle vem algum tanto humida.— - 
iS^cca-se uma fonte, um tanque, nao se enxugao, Enxu- 
ga-se o suor, os olhos humidos de lagrimas, e nSo se 
seccáo. 

Segundo Dom Fr. Francisco de S. ijaiz enxuga^st o 
que está molhado ou banhado externa e accidentalmente ; 
eeccast o que tem humidade propria, ou está penelrado 
d'ella. — Énxuga-sto rorpoque sai molhado do banho; 
secca-se a planla que tem humidade e nSo está molhada. 
— Enxnga-se o madeiro, já secco, que foi molhado da 
chuTa; teccas^t o madeiró cortado ha pouco, que ainda 
está verde, e conserva a natural humidade. — Accrescen- 
taremos que o verbo enxugar tem, como o francez e«- 
myer, a signifíca^So transitiva de extrahir a humidade 
embebendo nella esponja ou panno, o que n3o acontepe 
ao verbo seccar. — Enxugáose as lagrimas, o suor com 
nm lengo; enxugao&e as mSos com a toalha ; enxuga-se 
a mesa, o solho com uma esponja ou panno, e nao se 
ieccQo por este modo. 

Esta é talvez sna significa^So primitiva segundo a ety- 
mologia, pois enxugar é o verbo tatino exugo, exiugo, de 
ex e iugo, chupar. n antes do x veio-lhe por euphonia, 
de qne ha muitos exemplos na lingua portugueza, no que 
se parece com a grega. 

Enxamhrar e pór a ronpa a iecear qnanto baste para 
se poder engomar on passar ao ferro mais facilmente ; é 
enxugar om pouco, sem chegar a eeccar. 

368. — Epldieiuleo, eoiitaslMo; 
endienileo* 

Epidemica é a doenga qne geralmente grassa num 
povo; numa regiSo, elc. ; contagiosa é a que se commu- 
Qica, se pega por contaclo; enaemicay aque é particular 
auma nagSo, qiie grassaemcertos sitios, e ordinariamenle 
em certas quadras do anno. Yeja-se Contagio. 



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261 iK«o 



369« — KpUtola» eairt a. 

GeralnMfile faUanda «haiaSo^ cartas^ as que se escr«-^ 
vem, principaljiieiile em. pr#sa, no cammercio da vida, c 
com respeiloálilleralura lambem as que cscrevcm os ao- 
toires>mQderaos,sotire iudo em Ungiias Yul^anes. eoi ^e 
traláo asswaplos scieolificos, llUerarios ou pioiiUcos ; e 
assim dizemos as carias de Vieira^ de Saala íhereza, de 
Madama de Sevigfté, do P« Isla, de Cadalso^ de J. A. dc 
Macede, elc. Ao coalrario, chamao-se epist^las as qoe 
escre^rSo os aatigos nas linguas mortas ; e assim dize- 
mos as epistokude Clcero^deSeneca^de Piinio^de Sio 
PaulOf clc. As cartas em verso coslumáo chamar-se epíf* 
tolas. .:, „ 

Tudo que fórma materia d'um discurso pode sei-o 
d'uma carta ou epistola, porque do mesmo modo quc o 
orador póde tam'bem o escriior propor-se a^adar, ins- 
truir c maver ao leilor..— Ha cartas puramente agrada- 
veis, eutras didaíUicas, culras philosophicas. Turfo póde 
tratar-se no estylo epislolar. Muiias novellas fot^o escri- 
tas em fórma de cwrias, eomo as de Clarissa, Nova 
Eioisa, etc. Tempo bouveem que este metliodo íoi muüo 
da moda, e ainda naa sciencias mais profundas, como as 
cartas de Euler a uma priiiceza de AUemanha. — Tanto at 
cartas como as epistolas nSo téem um estylo dctermi- 
nado; pois tomSo o que corresponde ao assumpla, e ás 
pessoas, porém deve semprc serücil» natttraLcIigciro. 
Veja-se o nosso Codi^o £^tolar. 

370. — lÉpMlia^ ara, pertoidl« lUatorlM. 

Épochaé palavra grega ¿tcox»í, parada,cousa qoefiu 
parar ou reler, de in^x^t ^azer parar, relcr; sigmfica o 
ponto fixo da historia, a data de successo memoraycl de 
quc nos servimos na chronologia, c muitas vezes scrvc dc 
come^o de era, como a epocha da fundagSo de Roma, da 
batalha de Accto. Tambem se toma por serie maior on 
mcnor de annos, caracterizada por alguma cireomstaiiciji 



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' £U 2fiE 

domínanle,,CMBo a, epocha das erasadas, a dos grandes 
dfiscobiümentos dos PorUigue^es, etc. 

J£ra, vem do latini ati, hv^me^^wqae das inoedas oa 
medallútt se dedAieia a «p«cAa do suceeso qiie serm de 
cone^o a uma «eriede annos ; ságmifiGa'O suooecso men»* 
ravel a que se refene o ooaipuío dos annos, < arseríe dos 
aiiD0S.4ttt^ vAi dsecorrendo desde ^ueUe facto em que 
teve j^incipio. As mats^ natavek» s3o : a; de Naboicas&ar, 
entre^ Babyjowoi ; adas OlympiadaA, entre os Gre^ot $ 
a da funda^So de Roma^ entre os Romaaos ;.a ée JuImí 
CesaTi que dttrou ainda mailo ttmpo «alre os ClnrisUios^ 
e ealfe nós até ao reiaado de D: JoSo I ; a de Cbrisío^ 
que se chama mlgaVy e já era usada em Hespaflilui antea 
que fosse em Portugal ; a da Hegira, úsada pelos Maho- 
metanos. 

Dií!eren(a-se pois era dc epocha em qne aquella refere- 
se esLclttsivamenie ao compiOo dos anaos e e&ta disigQa 
um successo Boiavel no ciirso dos tempos que peiá sua 
imporlaocia nos Ía2 parar para a coi»iderarmos. A epo- 
cha dá muitas vezes comeco á uma era^ mas nem sempre,. 
lal é entre nós a do descobrímento da India, que n2o for- 
mou éra. — conhecímento das erae é indispensavel na 
chronologia; o estudo das epochai é o íundamento da 
Historia. 

Periodo historico é a serie de annos qaemedeia enire 
uma e outra epocha^ e onde de ordinario se desenvolvem 
successos que s3o conseqnencia do grande acontecimento 
que precedeo, ou prepárlo o segninle de que sáo causa. 
— No exame e apprecia^o desfaes sitccessoa com rela^So 
a suas causas e efieitOB condtte a verdadeira sctencia his- 
torica. 

571. — Erro^ error* 

Téem confundido os moderDOs estas duas paYarras, que 
entre si muito difTerem, ou, para melfaor dizer, esquecério 
« segunda accumuiando na prímeíra as signiflca^ües de 
ambas; seria porém para desejar que se conservassem 
ambas com as suas respectivas signifícagoes como téem 
na iingoa castelhana d'onde as tomámoi* 



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264 ERR 

Errár (que é palavra iattna error), consiste no qae 
cremos; o erro (em castellano yerro) consíste no que 
obrámos.-— Avontade decide-se impeiiida do error qoe 
a lisonjéa ou persuade, e a ac^Io oiie resuUa d'esta deci- 
^o é um erro. Qualquer ouiro defeito que nSo nasce de 
error senSo de malicia, nSo é erro senSo culpa. 

Incurremos em e^rror de crer ao falso amigo qae nos 
▼ende ; e commettemos o erro de communicar-lhe nossos 
segredos. — As Tezes s2o yerdadeiros erroret as opinides 
dos entendimentos mais illustrados ; assim como passSo 
por erroi as ac^oes mais prudentes. Gam5es usou a palaTra 
erroret no mesmo sentido em que aqui a usamo», dizendo 
na Can^Io XH : 

Mas já que para errwret foi nascido, 
Vir este a ser um d'elies n&o duvído. 

D'aqui veio ao verbo errar a accep^So de offeader, 
faltar ao dever para com alguem, que é mnito frequeate 
nos classicos. cam5es faz dizer a Yenus , fallando a 
Jupiter .' 

Mas poisque contra mi te yejo iroso, 
Scm que to merecesse, nem te erratse, 

{Lut„ 11, 39.) 

E nas Ganc5es diz : 

Se por algum acerto amor tos erra 
Por parte do desejo, commettendó 
Algum nerando e torpe desatino ; 
E se inda mais que yer, em fim, pretendo ; 
Fraquezas sSo do corpo, que é de terra, 
tf as nSo do pensameato que é divino. 

(Caiif., l,r.lT.) 

Já amor fez leis, sem ter comigo tlgumt i 
Já se tornou de cego rai oado 
Só por osar comigo semraiOes. 
E se em alguma cousa o tenho errado, 
Com 8i8o grande dor nSo vi nenhuma ¡ 
Nem ella deo sem errot affeicOes ; 
Uas para usardesuas isencOes, 
Buscou fingidas causas de matarme. 

{^cant. 11, r.n.) 

\eia-se o artigo seguinte. 

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ÉRR 265 

372. — Krro (error), ensano, illu«Ao, 
alluelniifáo. 

Por nSo nos síngularizarmos, ou parecer que nos hes- 
panholámos, usámos aqui da palavra erro, no sentido de 
errar, bem contra nossa ?ontade, mas queremos que se 
^tenda neste sentido. Dom Fr. Francisco de S. Luiz bem 
podéra ter conlribuido para se desterrar do uso esta 
homonymia ; mas nSo o fez, antes a autorízou com o seu 
artigo dos synonymos, dizendo que o erro é proprio do 
entendimento. Cedemos áo nso, mas nSo o aprovámos. 

Por muitos modos está o homem separado da verdade, 
mas mais geral é o erro. Vem esla palavra do verbo la- 
tino errare^ errar, andar vagabundo; por isso o erro 
{error) bem se defíne, uma opiniSo, um conceíto, um 
íuizo desacertado fóra do que devia: ser, que provém já 
de nossas torpes sensa^oes, já de nossa ignorancia, já dos 
ec[uivocados argumentos em que fundámos nosso racio- 
cinio e por que dirigimos nossa vontade. Bem conhecidas 
s9o as causas a que Genoense attribue nosses erroi. 

engano nasce do erro no juizo que sobre incertos e 
falsos nindamentos d'este formámos; elle consiste em 
escolher mal os meios que devem conduzir-nos a achar a 
verdade. engano provém de nós quando nos deixámos 
Levar de nossas paix5es, dirigir por nossos ligeiros juizos, 
e seduzir pela falsa e brilhante luz da imagina^io ; e 
provém dos outros quando nos presentSo razoes e argu-« 
mentos c^ue trastomSo os que nos dicta nossa propria in«* 
telligencia, e de qualquer modo nos desencaminhSo da 
verdade e do dever, dando-nos por verdadeiro o falso, e 
por bom o máo. 

A illui&o é uma falsa imagina^So, uma apprehensSo 
errada, que nasce ordinariamente de tomarmos as appa- 
rencias pela realidade. 

Mlucinagáo, no sentido recto, significa desiumbra-' 
mento, falta delumenosolhos; eno translato, cegueira 
do entendimento que o desvia do que é recto e acertado. 
Nasee ^allueinagáo de nSo estar iivre, socegadae senhora 
de si a fsicuidade que julga, ou de estar a mente obfuscada 



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2§6 CSB 

4epreoccupa(9o, paíxSo, ou qualquer sentimenlo que Ihe 
tolneo »o4e^asf»caldade8 intellectoaes e prudeDciaes. 
Proprio é do homera o trrair e enganar-^t ; o sabio 
busca sempre acertar, ese erra ou se engana, sabe corre- 
gir-se e emendar-fie. — - /¿Itidem^nos os sentidos, a inia- 
ginafSo,as preoccupa^oes, aspalxoes, oshomens, qimde 
Dos ofl'erecem apparenciasDientirosas; t aUudniío^uw^ 
quando perturbSo nossa razio, oiTuscSio sua i«z, e ttie 
ioipedBiB exafflin^ e discemir com acerto. 

S73. «-Eritdito, doiito, saiiio* 

Goneorc^o estes trez termos mn suppór conbecimento 
adquiridos peio ^studo ; mas diiferen^o-se pda maneira 
segaiBle. 

erudito e odotUú sabem factosemtodososgeneros 
de lUteratora; o erudi4o sabe muitos; o douto sabe-os 
bem. douio t o sa^o eonheeem eom inieliigencia : o 
douío conbece ñictos de litteratura, que sebe appfícar ; 
o iiüno conhece principios, deque sabe tirtras conse^ 
quencias. 

€om memoria e paciencía qualquerpóde ser eruditOi 
sem intelligencia e reflexSo ninguem seré douto ; para 
aer eábio é mtster taknto especulativo, penetra^o e dis- 
eeraimento. 

erudito Gita frequentemeate aotondades e faetos ; o 
doutú proíímda a doutrína a que se deáka, e discorre com 
aoerlo ; oeahio infestiga, anaiysa,de«0D9tra e d& sempre 
arazS»d»6eaéito* 

374. — E»ilof Oy liosquejo, raAeunito. 

Trez temos de pintmra e aries liberaes quedesígni» o 
estade imperfdto d*uma obra , mas eom diñerentea' 
grada(5es. 

Roicunho é o primeiro lan^mento de linhas^, tra(o»ou 
ponlospara obra qae se ha út pintar. — - Esbo^o é o prí- 
DKiro debuxo d« pintura, m«ás períeito qoe o roécunhOi 
maa nio perfílad<> nem acabado. É mais usado este tenno 
em esoaltura que em pioturaj edesigiiapropriaiiieitt o» 



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£8G 267 

{Mrimeúros Ira^os qae o estaluario delíaéa no tAro oucepo, 
ou jnarinare em que hade esculpir e lat rar a imagem. — 
j^Dlor come^ por nucunhari o escullor por esbo^r. 
SignifícaDdo o ferbo bosquejar pinlar as ftguras com o 
smcolorido, sem Uieslao^r os coalornos^ ou perfís,aem. 
Ibes dar a ultioia m^, é claro que o bosquejoéo eslado 
da {áolura ioiperfeita, mas em quej^ ha cdres, ^elo que 
se differeo^a do rascunho e esbogo, que uenhuma uiéa d2o 
de c6re&,mass6 de trafps. — £m rigor devéria a palavra 
raseunho ser priyativa do desenho ou debuxo, porque 
nesle s6 entrSo riscos e tra^os a lapis. EsboQo s6 deveria 
pertcacer k escuitura, parque pelos tragos langados no 
marmore ou madeiro come^a o eslaluario e o escultor a 
levafitar sua obra. Bosq^epé^ com razSo, peculiar á pin- 
tura pela iáéa que nos áfn de c6res, e que muiXo bem quiz 
exj^imir Gabrlel Pereira de Gastro dizendo : 

B enire «s bBsqu^os das WMTes cAres 
y«aifiaBceadO'asfrimeiits respdaDdoifBw 

£m 5entido fígnrado, appUcado á Filteratura, t£em eslaa 
palavras, pouco mais ou menos, as mesmasaccepfoes que 
nasartesy porém a mais usada é bosq^uejo, que sigoifícaem 
geral obra de engenba n2o aperfei^^oada. 



•Mili», raiiv». 

Referem-se todos estes Yocabulos & paixSo Yiolenta que 
transporta o homem quando o oflíhidem, a quc os latinos 
ckamavS^ira, maa cada umd'eUes repiresenta^sua^ciiveam- 
stancia i^artieuUr, ou o maior ou mciior gráo a que elia 
se eknra. 

Escandesetneia é palavra lattoa, de excméeseoy pAs 
em hrasfty e «igBifíca em seniido recto o encendimenlo 
d'um eeorpo a» fogo, e ew sentido translalo é o enoendi- 
mento do safigue do wada, e tambes do encalmad»^ oi 
esqneniado por calor, agitaQSo, etc. N2o achámos autoii^ 
dade di^ska que favorei^a a. opíniSo do aiaor dos syno^ 
nyiBos 4a ilA$ua perMigueza k ceroa da fiigjQifíea^ de-» 



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268 e:c 

terminada d'esta palayra, dando-Ihe o mesmo yalor qne 
Ihe deo Cicero nas Tusculanas, dizendo : « Excandescentia 
autem sit ira nascens et modo exsistens^ qucd 9o/j-á<tts grcecé 
dicilur (IV, 9). • vocabulo grcgo n3o diz mais queím- 
tag&o violenta ; é o courroux dos francezes. Henrique 
EstevSo duvída que seja boa esta li^So, e Valckenaer nSo 
hesitou em corrigir a palavra grega eu/xeásn escreyendo 
6^1^09 , que signifíca ardencia , colera, impetuosidade de 
anirao (üiatr. de fragmEurip., p. 231), e Scapula Ihe dá 
B signincagSo laiina de tr(i,edizque é o mesmo que óp-rj : 
t Ira, excandescentia^ idem quod ipyr¡ , cum quo inter-' 
dum etiam copulatur, • Pondo de parte a quesl5o sobre o 
lugar de Cicero, diremos que se esta palavra se deve adop- 
tar em nossa lingua com o valor que tem na latina, deve 
ella representar nSo o assomo ou come^ o da íra^ senSo o 
rompimento, o impeto d*esta paixSo, a ira rompante, que 
certamente é mais Yiolenta que a ira inveterada a que 
Cicero no mesmo lugar cbama odio : Odium^ ira tn- 
veterata. 

Jra é palayra puramente latina que segundo uns vem de 
iiro, queimar, arder, e segundo outros vem.de ire [quod á 
se it qui irascitur : hinc qui iram deponit dicitur ad se 
redire. Donat.). Segundo Cicero a ira é uma paixSo im- 
petuosa que nos excita a tomar vinganga de quem no& 
julgámos ofTendidos com injuria. A tra e a loucura só se 
distingnem em durar aquella menos tempo que esta. como 
disse CatSo o mais velho : Iratus ábinsano non nui tem' 
pore distat. » E o poeta lyrico : 

ira furor brevit eit, 

Colera, e melhor cholera^ é palavra latina vinda 
do grego x<»^'^» qtie signifíca bilis, fel; c no sen- 
tido translato ira, aeastamento. Differenca-se detra 
em que se refere á bíTís, supposta causa aa tro. L6-se 
no Patmeirim : « Levantar a colera a alguem, » que 
é a verdadeira fraduc^So do dito de Ari^tophanes : 
t xo^^v xívtív T£v/ , » que os francezes traduzem : « Re* 
muer ia bile á quelqu*un, » — Náo nos parece que 
colera seja mais violenta que tra, a nSo ser que demos a 
•sta palavra o valor da franceza €01^6^ o que sería com* 



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Esc 26^ 

melter um grande gallicisino ; anles pensámos que ás 
vezes é menos forle que ira quando s^ representa enojo, 
agaslamento. 

Sanha, segundo D. Fr. Francisco de S. Luiz no Glos- 
sario oriental, vém do hcbreu sanahj do verbo sana, ter 
odio, e segundo a elymologia é o mesmo que ira invete- 
rada ; é tambem palavra castelhana saña ; e este era o 
nome poriuguez por que entre nossos antigos era conhe- 
cida a paixio a que os latinos chamavSo ira^ como diz 
positivamentevEl Rei D. Duarte : «Da ira o seu proprio 
nome em nossa linguagem he sanha, que vem de humarre- 
vatado fervor de coragom por desprazer que sente com 
desejo devinganga. (LeaiConc, pag 96). » No tempo d'El 
Rei D. Manoel e ainda depois era muito usada a palavra 
sanha em lugar de ira, Daremos um exemplo tirado das 
Trovas de Diogo Brandáo á morte d'El ReiD. JoSo II; 
fallando d'aquelle principe perfeito, diz : 

Era ham mesmo no praxer e na sanha, 
Das cousas virtuosaa avia cobiQa; 
A todos igualmente fazia jusU^a, 
em se lembrarem as teas d'aranba. 

(Catif . , Ger. f. 91. 

Tendo sído a palavra latina ira adoptada no uso vulgar 
da lin'gua, com razio daremos á de sanha o vaior de ira 
foriosa, ou assanhada, como a do animal que mostra os 
dentes ameagando. 

Raiva vem do lalim rabies, e signifíca emsentido recta 
nma doen^a que meihor se chama hydrophobia ; em sen- 
tido translato é a ira levada ao ultimo gráo, supp5e n3o 
86 agitagSo violentissima com furor, senSo permanencia 
d'este furor, e mais ardente e insaciavel desejode vingar- 
se, sem consideragSo a nenbum respeilo, como fazem os 
cies danados que nem a seus donos poupio : CSo com 
raiva seu dono morde; diz um antigo proverbio. E nisto 
sediíTcren^a particularmente da colera e da ira que, posto 
qae impetuosas, sSo transitorias, e nSo cegas e implacaveis 
como a r<Uva 



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VJO £8G 

376« — Bifcapar de.^ Meapar m^ 

differente regiine faz mudar a slgaiíicai^So d'eite 
¥erbo. —Escapámos d'um perigo, dáa eniender que esti- 
femo» DieUiJos nelle e saimos a salvamenlo. Escapámo$ 
a um perigo, 8upp5e que elle era eminenle e que nos an- 
ticipftmos a eviiál-o. — Poucos etcapao aos aleives, aos 
falflos testemunhos, ás más lin^uas. malíeilor raramente 
ttcapa da forca, quando cai nas máos da justiva. — 
Quem esleve a ponto de naufragar, e arribou a porto se- 
guro, escapou ao naufragio; o que, despeda^o o baixel» 
saio das oudas com vida^ escapou do aaufra^io. — Fernlo 
Mendes Pinto esca^pou^ isto e, salvou-se mila(;rosameate 
do naufragio na iina dos Ladroes, e escapou muilas veze& 
ax) naufragio, isU) é, p6(kevit^-a, em suas longaspere- 
grina^des. 

377. — Eseuito» liro^uel, ttdArc»» rodella, 
paTez, eiíide. 

Armas defensivas, muUo usadas antes da inven^So da 
polvora, que todas serviSo para cobrir o corpo ou parte 
d'elle contra os botes de lan^a, golpes de es; ada, os dar- 
dos« e armas de arremesao, mas qoe se dilI'erenQaTflt< na 
materia oa na fórma, eu no uso <pie d*el)as se fdzia. 

BÉCwdo vem do iatim Bcutui^ do gre^o «x«w««» coaro^ 
porque os nrimeiros forSo de couro, c signiíica a arma 
ddénsifa^wlonga oa oval, a mais conbecida de todas, e a 
mais fonte, porque se fizerdo logo de ferro e a^o ; enfiava* 
se no brai^o esquerdo pelae br»gafdeiras ; ndle pinltvio os 
guerreir-O!» suas lettra» e divúas, e d'aqui veio cbamar«M 
tambem $$cud4) ás armaa d'oma famüiaou na^Se, oomo se 
vé dlaquelies versosde€am5es.: 

Vedc-o no toiso escudo^ que preseDte 
Vof amottra a vlctoría Ja pasiada ; 
fi» 4)ual Tos deo por •rfnas, e deiiou 
Ai que eiUs parafii aft cnu toniou. 

^roquel, palavra commum á lingua castelbana, que ptih 

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ssa 271 

TavelmeBle Tem da boucKer franeez e de ^uemtla latino; 
sigmfica eteud» p«c|tieno 4e nmderra forrado de couro 
forie, €001 seu txrocal ; no metotem um embígo de inetal oo 
diamante, que eobre a «mbragad^nra que esta per dentro; 
tambem os na?ia de mefcal. Piarece oerresponder ao clypeu$ 
dos h4ino$, que era eicudo meoor ém peées. 

Jdapffñ é palayra eomflium á ling^a casteKiana, qne 
vem do arabe addarca ou addara, escudo de couro, e 
sigiúica Mctfido oblongo de couro com dtias embrayadei- 
ras ém qae se enfiava o braigo, e nma abertura onde se 
mettía o dedo pollegar para o segurar. Era arma antiga- 
meotc usada em Hespaotia, em Portugai, entre Mouros e 
Africanos. Em dotts lugares faz Camoes men^sío d'esta 
armadefensiva; faüaBdo dos babitantes de Mo^mbiqae 
diz: 

Por armas tem adarga$ (*) e ter^ados. 

Com a adnrga, e eom a faastea perigosa. 

{Lut. , I , «T, 87.) 

RoáHla^ palavra ignalmieiite commum á Ikiguft casle- 
Ihana, quevem do italiano rottfíia, designa uBia espeeie 
de eicudo pequeQO e ddlgado. 

i'oeez (do iialiaooj9Ave«e) era esetido grande e oblooge 
que oobria todo o corpo éo soklado. 

Égiáe é palavra latina, ofis^ do greg^ Aty^.-, e$imi9 «o 
conra^ de pelle de cabra.(de ád, cabra), e sigAifíea pro- 
prJameote o eecudo de (^Uoenra ou Pálas feilo da pelle da 
cabra Amaltbea, «m oujo ceotno estaiva a cabe^ deGor*- 
eooa ou Medusa» clieiade stfpent«s*,,eiio sentido figumii,. 
defesa, prateq^ 

3?8f — Smüim, •iMicata-o, «•ntlipi»» 
tenebrosO) ealfg^lnoso. 

ExpriOMm t^dos estes vocBbuIos falta de luz en eorpos 
ott ugarfiSyOiaa coa diíHereBla gráo oudmrsos re^peitos. 



offi 



) Sm «Igumas edic^ea vem erradanente aáaffas ; adatf a e aima 
rensÍTa como punhal, futeiramente desconhecida áqueltei barbaros. 



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272 BSP 

No que é escuro falta a loz ordinaria, mas resta ainda 
alguma claridade .-* Dia e$curo é o em que se n9o Té o 
80], que está cobcrto, anuviado, mas em que se fé assaz 
para se distinguirem muito bem os obiectos. 

No que é obscuro falta a claridade ; é o escuro cerrado, 
ou carregado. — Dia ohscuro é o em que ha ncToa espess» 
que impede de se verem os objectos senSio muito de 
perto. 

No somhrio falta o dia. — Um hosqneésombrio auando 
a espessura do arvoredo impede a iuz do dia, enáo da passo 
senáo a debeis reflexos. 

que é tenebroso carece de toda a luz.— O inferno é 
tenehroso porque nSo penetra ali nenhuma luz. 

Caliginoso é j>alavra poetica e latina, caliginosus, t 
exprinie nSo so o ultimo ^ráo de escuridade senáo ex- 
trema cegueira no orgSo visual, por isso se diz : « Olhos 
caliginosos • por escurecidos, cegos, physica ou moral- 
mente, e nlo se poderia dizer, nem escuros^ nem som- 
hrios ^nem tenehrosos. 

No sentido fígurado, escuro diz-se mais commummente 
do que se n3o entende, ou ouve bem, do que é triste : 
« pensamento, texto escuro; voz, palavras escuras. • — 
Ohscuro diz-se particularmente do que n3o tem lustre, 
nem nobreza : « nascimento, lugar ohscuro. » — Somhrio 
nSo se diz senáo do ar e fei(5es do rosto do homem triste, 
e do caracter e pensamentos das pessoas, que vivem fóra 
de alegria. — Tenehroso diz-se com propriedade das ac- 
(5es, dos projectos, das empresas odiosas e secrelas en- 
Yoltas em véos impenetraveis. ~ Caliginoso díz-se acer- 
tadamente da grande cegueira de entendimento , da 
grande obscuridade do que escapa á nossa perspicacia 
e previsSo . Em bons autores se lé : « Olhos caliginosos 
dos sectarios, da maievolencia; o caliginoso polo do 
futuro. » 

379. — Eflipiula, ftladlo, ter^ado, 
durlndaiia, alfans^, clmltarra. 

Espada é palavra italiana e castelhana que vem do la- 
im barbaro spaiha, do grego (ji:Á9y¡^ que signifíca espa- 



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ESP 273 

iíúat $$padaáe folha larga na ponta: e designa a arma 
que 86 fulga corresponder ao gladiu$ dos latínos. 

Gtadio é palavra latina, gladiu$, que, segundo VarrSo, 
Tem de eladi^^ matan^ na guerra {quasi cladius , quód 
ad eladem nt inventus). N2o se sabe ao certo qual era 
a fórma d'esta arma offensiva entre os Romanos, mas 
deve ter-se como provado que se mettia embalnha, qne se 
punha á cinta, e que era longa, porque Cícero diz na Ora^ 
^So pro Marcello : • Gladium vagind vacuum in urbe 
non vidimns; nSo Timos na cidade espada desembainha- 
da.» E zombando de seu genro Lentulo, qiie, sendo de pe- 
quena estalura, trazia uma grande e«pa(^ á cinta, disse : 
« Qui$ generum meum ad gladium aUigavit ? Quem atou 
meu ^enroa uma e$pada?»^0 primeiro falvezque uson 
esta palavra em sentido recto, como em latim, foi Filinto 
Elysio na iraduc^So dos Martyres, iiTr. 6, onde diz : 

Detraz dos Vezillarios v8o Hastatos. 
Com gtadios na segunda forma, etc. 

Foí com tudo nsada em sentido figuradopor escritoresde 
boa nota para designar o poder supremo, e tambem um 
casti^q de Deos, como disse Camdesfallando da peste : « 
gladto que ferio o povo. » — Quer o autor dos Synonymos 
da lingua portugueza que se usc d*esta palavra em sen- 
lido recto quando alludirmos aos usos bellicos dos B.oma- 
nos;e nomeadamente se houveramos de traduzir aquelle 
logar de Vegecio, de Re Milit II, 15. « Habent,,.. gladioe 
majoresy quo$ $patha$ vocanty et alio$ minoree, quo$ $$• 
mi$pathas nominant^ » em que náo poderiamos deixar de 
empregar os dous vocabulos gladioe espada^ senSo usando 
d*um circumloquio extenso e escusado. Mui sensato é este 
parecer} resta que se adopte e se observe; do que duvidá- 
mos, em tempos em que se vem postergadas outras mais 
importantes observa^oes ácerca de nossa tSo maltrada 
lingua. 

, Terfado, do castelhano terdado^ é espada curta e lar^. 
£ palavra mui usada nos classicos e poetica, pois Camoes, 
fallando dos habitantes de Mo^ambique, disse : 

Por armas tem adargM e Urfados. 

(¿«#..1,471 



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.27^1 EST 

Durindama é termo somico e burlesco com ifíi% se é^ 
slgna nnia espada grande^ pesada e terrível, de que, uA 
os valentes e deAodados malleiros em suas lides ; e assiB 
Dos servimos d'esta palavra, como os Francezes da sm 
flamherge^ e os Hespanhoes da sua tizonay para zombat' 
mos da valentia dos fanfarr5es que se gablo de É^QStBÍm 
inauditas. 

Álfange é espada mouresca e turca, larga, curta e eurva 
qfkt tem só um gume. 

Cmitarra é espada persica» dea^ fino, de fígura cnrva. 
e de tre2 dedos de iargo. 

380. — fisperanfa, eonfianfA. 

Mui exiensa é a espeiranga^ «spera^se tudo o qneétoin 
e agradove); a uiikna coufta qus o booiem perde é a«j^ 
ranga. Mas quantas vezes nlo s3o puras illusbes as maL 
lisonjeiras esperanpas? — Quando porém a esperangaé 
bem fiindada, fírmee quasi segurada rearKÍade, chama-se 
emfian^a, qne tem da palavra hümfiéutlay fidenHa, 
emfidentia, a qvie os nossos aniigos ehamarvio fima, — A 
eMperanga refere-se a raccessos <m fóctos qne hSo dt 
acontecer, ou que podem acontecer^a «onjHonpa aos mcMs 
TKMrque se hSo de conséguir ob eirecatar. — Coi^ em 
minhas ríquezas, por ctrjo nieio espero lograr o (fiie 
desctjo. — O homero qoe tem gramde con/Sémf er em Dws, 
e se ajuda de bo«s obras^ espera ganhar por e(Ias t mS^ 
▼a^o elema. 

381« — Kflpcmmf M («Ater «•« , #»). 

Estar com eMperan^at éler esperan^ de obter aQni- 
ma cousa boa, agradarel. S6 está de esperanpa$ a oudter 
graTida, que ^era ter o seu bom soccesso. 

88S. — VmtmAm, Aemoray rraMeaeto. 

Estada é a manslfo qne aTgnemfaz mim Tugar, a ae^o 
de eslar, sem nenhuma idéa relaliva.— JDemoriréo tempo 
qnc algtiem se dtmora num lugar, com relafiío á(|aelle 



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BST 27S 

para onde Taí'— ñesidencia é a morada ou assístencia 
continua em algnm lugar. — Dnrante a minha estaáa no 
campOy vim á cidadc onde tiye alguma demora ; por fím 
Qxei alí minha resideneia, 

583. -- KstaaneÍA , estvaplte. 

A prtmeira é paiami vulgar qne signifíca em geral pa- 
rada, pausa, elc , e exlensivamente ramo, numero de ver- 
sos em qoe se ditkáem os poemas rimados; laes sáo as 
okaras nas epopcias. A segunda é termo de poelica, do 
grego arpo(¡ñ, 6 designa aprimeiira e$tancia¡ ou ramo das 
Odes, cu^s peri«dos consiáa de estropheSf antistropkes e 
epódos, como sao as Pifldaricas. 

384. — Clstarcerto, estar seg^itro. 

Sendo a certeza, considerada no sujeito, o conhecimento 
da verdade, ou a adhesao prudente a uma proposi^So que 
exclne todo o recdo de erro, oo, eooio defrnem ouiros 
phMo8opbos,a ImpossibHidade racionsd ou phiiosophica de 
duvida:; é claro que et^aremos certos quando tiveriuos 
esta «erteza, m elia seja ireiapbysica, physica ou moral. 
£ eslado de nossa entendimento que resulta da evi* 
dencia. 

Sendo a seguridade a fólta de risco, M\a de tsmor^ de 
receio, o estar seguro, é wma disposi^Oido animo, que se 
refere ás cousas praticas, e a conflan^ que temos ne o)>- 
jecto por Hiotivos que estSo fóca de n^ 

Na ordem morat an^ moitas veaes a ^Ptexa acooEh 
panhocta da éegwridade, quando as pessoas qae nos i^fe- 
rem os factos nos nSo inspirao a menor desconfían^a. — 
estar certo refere-se mais ao prcsent^ e ao passado ; o 
estar eeguro, ao futuro. — Fóra das promessas de Deos de 
nada podémos estar seguros para o futuro. — Estamos 
certoi dsi amizade de nossos amigos, porque temos d'isso 
irr^ragaveis provas ; para dizermos (¿le estamos seguros 
que eiJa continuará sem quebra, seria neces&ario que tl- 
fvsienos certeza que elles nSo hSo de mudar a nosso res- 
peiVo. — Quando a seguridade dSo se fünda cm eerteza, 
n2o nassa d^ probabilidade 

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276 BST 

385. — Estatura, tallie. 

Do verbo latino $to, estar em pé, Tem a palavra eitaiU' 
ray qae adequadamente signifíca a altura da pessoa posta 
em pé. — Do verbo portuguez talhar , ou do substantivo 
francez taille, vem a palavra talhe, que sígnifícaadis- 

Eosi^o, a proporglo, o córte, por assim dizer, do corpo 
umano. 

A ettaiura póde ser excelsa, alta, mediana, baixa, etc. 
talhe póde ser esvelto, delicado/genlil, etc. — As pes- 
soas de muilo alta, ou mui baixa estatura, quasi nunca 
téem um talhe gracioso e proporcionado ; ao contrario, 
nas de mediana estatura é mais frequente a genlileza ilo 
talhe. 

386« — EstranselrO) estranlio, peresi*tno, 
forastelro. 

Eetrangeiro, e melhor scría cscrever extrangeiro, de 
extra^ proposi^So latina, como escrevem 06 Hespauhoes, 
vem do francez antigo estrangeroíi do italiano ttraniere, 
do laiim extraneuty e designa o que é de diütincta domi- 
na(^o da do paiz onde nos achámos ou residimos, o que 
pertence a nagSo diírerente da nossa. 

EttranhOy e melhor extranho^ vem da mesma pala- 
vra latina extraneut^ e signifíca o que é de nacSo, pro- 
fis^o, etc, diírerente da de que se falla, e extensivamente 
que nos é desconbecido, qne nos nlo é familiar, a que 
nSío estamos acostumados, etc. Da primeira accep^o nos 
deixou exemplo Camoes naquelles sentenciosos versos : 



e: 



»ue alegría nSo póde ser iamanha 

ue actiar gente vizínha em terra etíranha, 

(!»#., VII, Í7.) 



A segnnda accepcSo, e a mais nsada, funda-se no nso 
vivo e mui logico da lingua ; e sua difleren^a de ettrdn" 
aeiro se abona com a autoridade de Lucena, que, fal- 
lando dos Poriuguezes, diz que a respeito dos mouros de 
Ternate, erio gente • táo ettranha nos costumes e re II- 



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E8T 271 

giSo, quam estrangeira na terra e natnreza (IV. 6). » — 
Üm eitrangeirOf que Tcmos pela primeira vez, é eetran' 
geiro e ao mesmo tempo eitranho para nós ; quando o 
Trequentámos, e com elle travámos amizade, já nos nSo é 
estrariho^ an^es famíHar, mas será sempre estrangeiro em 
qnanlo se n2o naturalizar como nosso concidadao. — Um 
conterraneo, ou compatriota, nSo é estrangeiro mas é es- 
tranho para nós, quando o nSo conhecemos nem com elle 
temos parentesco ou rela(5es de amizade. Quanlos ««Iran- 
geiros nos sSo menos estranhosque os nacionaes? ! 

i'er^^nno é paiavra lalina, pereyrtnu^, ,e vale o mesmo 
que estrangeiro, segundo aquelie lugar de Cicero nolivro 
da Amízade, em que diz que devemos pi ef'erir os concida- 
dáos aos estrangeiros: « Cives pfitiores, quám peregrini 

ÍV. 19). » E neste mesmo sentido o usou Camdes quando 
állou do romano Sertorio relativamente aos Lusitanos : 

...» quando elevaDtárSo 

Hum por seu capiUio, que peregrino 
FiDgio nt eerva espirito diTino. 

(£!»#., I,».) 

Usa-se 'por¿m mais para designar aquelle que anda er« 
rante fóra de sua patria, como mui poeticamente disse 
CamSes de si mesmo : 

Agora peregrinOf rago, errante, 
Yendo navoes, linffuaKens, costumes ; 
Gé06 vtrios, qualídtdes dlfferenles, etc. 
(amf.Xl.) 

E em sentido figurado é mni expresstvo para designar 
o que é raro, singular, extraordinario para bem, no que 
se differen^a áe^strauho que de ordinario equivale a des- 
conforme; díz-se com muita propriedade da formosura. 
Vieira, num dos seus muitos equivocos, nos deixou um 
bello exemplo dos dous mencionados usos d'este sonoro 
adjectivo: «Todas eslas enchentes de bens, tiz o atilado 
orador, corriáo á casade Abrabam...., nSio porque era 
peregrina Sara, senSo porque a formosura de Sara era 
pere^nna (11, 407). » 

Porasteiro é paíavra vulgar, antigamente talvez nsada 
H 16 



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178 EST 

em Itigar de esirangeiro, xnas qme hoje designa o qae dIo 
está aTizinhado no povo em que sc acha, sendo subdito do 
mesmo sobcrano^ e por ventnra, entre o poro, homem de 
pouca conta que vem de fóra, qne vai de terra em terra; 
1^0 tem as accepgoes das precedentes, nem com eilas p6d( 
ecrDAindir-se. 

387.— Ketrlblllto^ bordáa. 

Tendo estas doas patovras mHl diflferente signiffca^So 
DO sentido recto, porque a prrmeira signiñca verso oa 
ramo de versos que se repete no fim d'vma ou mais es- 
tancias, e a segnnda signrtffa um pjro a que um homem se 
arrima, vem srmtras a encontrar-se -no s«m(ido fígurado si- 
gntficandp palawas de que aignem nsa sempre. Todavia 
eéiri¥ilho parece referir-^se mais ae estyio familiar^ ehor- 
dáo ao diilacticoepoetico.— primeiro parece mdicar 
máo habito no failar^ pouco cuidado em eviiar repetiQoes; 
segundo, pobreza de termos e expressoes no escritor, 
pouco vígor em variar a phrase, pelo que é obrisado a 
encostar se a cada passo ao horéLáo de cerlas palavras, 
que podéra e devéra evitar seguindo o conselho de Boi- 
lean: 

Youlez-Yoas du public méríter les aroours? 
Sans cesse en écrivant variei voftdiscouM. 

Se dosdouto9 quereisobter applaaso, 
Sempr'a tosso éízerdainovidade. 
(Arí poeL) 

GamSes é ceitsurado oott raxSo de asar mai fireqaeite- 
mente do adverbo i4, que é nt verdade um dorddsopouco 
honroso para um poeta de ilo fecunda imaglna^ cohio 
«lle era. N2o mereceria esta oensura se e iivesse sémenle 
Bsado no seguinte caso ou em poueos OBtrossinükames. 

Que esquecerSo seos feitos no oriente 
St iá ebegar a ImifeBna gente. 

(¿«#.,1,30.) 

Mas vinte seis lá$, ao menos, se encontrSo nasLualadMy 
e alguD& d'eUcs com dlssonaDie caeophonia» omo é o^que 
iesngura a estancia 6* do oitavo Ganto. 



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^em scbtA esloiriPt úé qm'Qemñpa orrasa ? 

N3o sSo talvez menos frequentes os /át , pote só la |a 
estancia do selimo Ganlo se lem qnatro. 

588. — Estitdantey dlsclpitloy alitiuno. 

ApplieSo-se estas trez pa]aTi*as em geral ao qne toma 
ligSes de algueffl, maa dáffe¿*enfáo*se da maneira ae- 
guinte« 

£t¿máanie é o qae acUialiieate estuda em alguma es- 
cola^ou cursa aulas^ maiores em univer^idade. — E$tu- 
doHte de grammalica, ds rkelorLca, de plülosophia, de 
leis, elc; estudanU deOoimbra. 

Düdpulo é n^ só o que cnrsa uma aula, senSo o que 
aprende d'um mestre, a quem se euLrega e cuja doulrina 
ségue; e a&sim mesmo o que segue a opiniSo d*uma es- 
cola ainda <|ue anUga» 

jHwmo^ segimdo a etymología de aio^ criar, nutrir, é o 
qat diesde sua iníaocia é educado por aiguem e d'elle re- 
oebeo o aiimeBlo da doutrina. Diz-se com propriedade 
áo8 eitudanies interiMS d'um coUegio, ou porcionistas. 
Applíca-se em senlido fígurado ao natural d'um paiz, des- 
pertando a idéa nobre do dever fílial para com a mái pa- 
tría, como diasii Caoioes &UaDdo de D. Nuno Alvares 
Perelra: 

aitosa pairit i|M tal fiifao te^e I 
Mas antea paí ; que em quanto o sol rodéa 
Este gIot>o de Geres e NeptuDO. 
8eiiipre tosplrará por tal mltumu9. 

{Aut, , VÍU , 824 

SSa — EsiivdHntOtMtitdloM^ 

O prineip» d'esles Toeaboios é substantivo» desigQa o 
mancebo que cursa aulas, e péde ser<|HaliGcado pelos ad-^ 
^^v«s bora, máOi appltcado, prigingoso, etc. segundo 
é um adiectívo que indka a quaüdade que algiiQS bomens 
téem de se darem ao estudo ; assim que póde um estu-- 
danteseren dSd scre«lwáioia— A fflJtior parle dos estw 
dantes sao pouco estudiosos — Uomens na oue na idade 



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280 EXA 

madura se fízerSo e$tudtoso$ tendo sido maito máos etlic- 
dantei em sua m^cidade. 

390* — Exacto, pontital, prlmoroso. 

ApplicSo~se em geral esles vocabalos ao homem qae 
cumpre seus deveres, preenche suas obriga^Ses, mas 
cada um d'elles exprime diíferentes gráos d'esta quali- 
dade. 

que se conforma em tudo com a regra que deve se- 
guir, é exacto; o que faz ama rela^o verdadeira, e sem 
omittír a menor circumstancia d'ella, é exacto, — que 
se conforma com a regra ponlo por ponlo, que d'ella se 
n3o aíTasta um apice, é pontual ; o que chega ao ponto que 
deve épontual. — que á exac^So e pontualidade accres- 
centa o primor de cumprir com prazer seus deveres e de 
mostrar certa nobreza de sentimentos que annuncia os 
desinteressados molivos que o animSo, esse é prim<n'08o. 
— Todo homem tem obriga^áo de ser exactoem cumprir 
os seus deveres ; póde ser pontualy se a isso se proposer: 
para ser primoroso é mister um dom particnlar ou mui 
refleclido estudo. 

391. — Exai^erar, encareeer. 

Exagerar recai mais propriamente sobre as circums- 
tancias que fazem notavel a cousa exagerada^ e encarecer 
sobre as qne a fazem appreciavel, conservando o verbo 
neste sentido figurado (em que é synonymo de exagerar) 
a propriedade de seu sentido recto. 

Exagera-se o numero dos inimigos, encarece-se o va- 
lor de nossas tropas. ExagerñO'Se os incommodos da 
];uerra, e encarece-st o merito de ler servido nella ao 
rei eápalria.— üm historiador exagera os factos quc 
refere ; um mercador encarece o primor da alfaia que 
vende. Um casamenteiro exagera as riquezas, e encareee 
as boas prendas da dama que propde. 

392. — Exasperar, desesperar. 

Coufundem-se em alguns casos estes verbos, sendo ná 



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EXE 281 

realidade mui differente$. — Exasperar é fazer aspero, 
irritar. De$e$perar é causar desespera^So, tirar todÍB es- 
perau^a. — Exaspera-se a ddr com oovas magoas ; o in- 
>uriado com mais aíFrontas. — Qnem nos quer mal nos 
de$e$pera¡ deiesperao-se os requeFentes com as delongas 
do despacho. — A exaeperar oppoe-se abrandar ; a detes- 
perar, esperan^ar. 

593. — Exeltar, moTer, lueltar. 

Excitáo-se on movem-se os affectos ; porém o verbo 
exdiar é mais a proposito qnando se trata dos aífectos, 
ou movimentos da alma, forles e snblimes, como o valor, 
a indigna^So, a vingan^; e o verbo mwer quando se trata 
dos suaves e brandos, como a compaixSo, a ternura, a 
piedade.— /ncilar é estimular, provocar, desafiar, arras- 
tar a fazer alguma cousa. 

Excita um poeta o terror, pintando os horrores d'uma 
batalha ; mwe o orador a ternura, pintando o carinhoso 
desvelo d'uma mSi afflicta; porque os Mouros de Motam- ' 
bique andavSo 

Oi rortes Portuguezes t'iiei'taikio , 

resolvérSo esles vingar a injnria com tanta presteza, que 

Bualqaer em terra salta, tSo ligeiro, 
ue neDhum dizer póde quehe primeiro. 

(£iM.,I,87.) 

394. — ExemplOy exeniplar. 

Confündílo os nossos antigos estes vocabulos dando ao 
primeiro o valor que é privativo do segundo. Lobo disse : 

• Ciméa, gloria de Amor, exemplo de beileza; » Arraes: 

• Cyro, exemplo e retrato dos bons reis; • e Camoes : « 
íbrmosnra, exemplo de belleza. » I&to nSo obsiante deve- 
se adoptar na lingua portugueza a diíreren^a que estas 
palavras téem na casieibana, a saber : Exemplo é o caso 
ou facto succedido noutro tempo, proposto para imitar-fc 
oa (hgir-se, e tambem o procedimento de algoem que ou- 



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»2 FAB 

VriM foátm iuHtar. JEaemplar é nm origiBal,au proto- 
lypo <|tte se nos oifepeee (^ara o copiarasofi, é um no- 
(leio a tmÁUir-6e. — iesu-Chrislo, ^piafido laTOU os pé» a 
seufi étaeipulofi, d«ix<MHMs o mais perfeito MUínpio 4e 
íiufflUdBde € cairidade ñ*aAern;i.; e morlo aa cruz, foi o 
ej:€tw^¿éir com iiue se ideDtificou o Serapbim «leAssis.— 
desgragado fim de Nero foi um Irisle exsmplo de que 
seus successores se nSo aproveitárSo ; antes parece que 
alguns d'eUes tomáráo por exemplar aqtielle moosíro da 
nalureza humana. — « Job, diz Vieira, alcan^ou o titulo 
nSo só de easemploy jaias 4o ^xeinplar de loda a pa- 
ciencia. • 

395. — Cxperleucla^ en«alo9 proira» 

A experiencia dirigeHse propríamente a buscar a ver- 
dade das cousas, a contiecer suas propriedades, a saber 
aproveitar-se d*ellas. Decide do que é ou n3o é; adara as 
duvídas, dissipa a ignorancla. ensaio dir*rge-se parlicu- 
larmente ao uso das cousas ; porq.ue as reconliece anles 
de usái-as, adestra-se neHas, próva-as em particular antes 
de execulál-as em pubiico; julga se se póde ou n5o fazer, 
Ilxa uso, decide a voníadfi» A proiía refer^-se principaí- 
mente á qualidade das cousas, ao exame d'elias; mani- 
festa que é bom ou máo; distingue o mellior e evita o 
risco de ser enganado. 

A experienaa refere-se áexistencia; oetu^íio ao uso; 
aprovaaos attribulos equalidades. Fazem-se experien^ 
cias para sabe r ; ensaios para escolher ; provas para conhe- 
cer. A experiencia manifesta-nos se a cousa existe real- 
mente; o ensai% quacs sáo soas qnaHdades; a provaj sc 
lem as que pensavamos. — A experiencia confirma c 
eorrobora no6sas oirinitre^ ; forque e mái da sciencia. 
ñn$aio scrve dc giréi a nossos gostos ; porque é o caminho 
deacbar nelks seguridade esalisía^o. A prow forlifica 
Rossa confianga; porqoe é o remedio que temos coutra • 
erroe o eBgano. 

306. — Fabrteante , fabrieador* 

S^gwndo a tia^gein aettial áa in^stría. fakricmie é 



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FáC 28& 

ddono dHHnafebri€a««de nniiUi$,qiieid(ofabríca comas 
ib3os, senio com • «tesdíinMito ; e o que seu entendiinento 
ooausebe e siia Tontade ordena o pde em execn^ So o fa^ri^ 
emdm', qae é o meatTe on official empregado na ñtttriea. 
— O dono d'una fabrica de ierro, de paiinos, ordena que 
se €aca ferro pedrec, qiie se te^ e prepare paBno aztil. 
one da a ordem é o fabrieaMe ; o qie a poe em execu^So 
é i^ fábricad9r. 

397. — VaHuloM, Mmu 

A diflfeffenfa entre eslas dnaspalavFasque sereferen a 
mna id^eominHm, e qne per isso se téem como synony- 
ma&, é notavel. f^buloié expríme a idéa, a iiiven^So 
de qualquer eoiisa qne» referíndo-se ^ passado, ienha 
rela^So eom os costumcs e preoecupa^oes \ nuina palafra. 
coma mythologia, que nSo é outra eousa sen^ a hlstoria 
ideal das paixoes, dos desejos e das necessidades huma- 
ms. Ofálnüoio iBventon-se para entreter, divertire en- 
sinar; o falsOf para enganar, para éisfar^ar a verdade,em 
proveilo do que mente e em damno do que acredita. — 
Exempk) do f^Auloso : Díana; deosa da ca^a,e a quem a 
mytbologta attribue paixoes, desejos e pr«zeres. Exempio 
do fcUso : Catilina sednziiido aos conjurados com pro- 
messas que nSo havia de cnmprir para sacrificáü-os á sua 
ambí^. 

39&— Fae^fia^ partlito» 

Estes dons termossupp5em igualmente a uniSo de mui- 
tas pessoas e opposi^^ qiie fazem a algumas vislas dif- 
ferentes das snas; nisto consiste sua synonymia. 

^Tfacfáo enteade-se geralmeole uma reuniio de ho- 
meos que trabalbio secretamente ou ás claras para destrulr 
por todos os meios que tem ao seu alcance as reuni5es 
contrarias que se oppoema suas vistas ou a seusinteresses. 
Opariido náo é sempre a uniáo de mnitas pessoas, senío 
geralmenteo ooooursoáasopiiiSesiemu^spefsoas. D'es- 
tasopinióes particuiares é que emana epor ellas se fórma 
nm partiáo, sem qne aspessoas que as manifestSo tenhSo 
pensado em miir-se para fazer frcnte a seus oontrarioa. 

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28a FAC 

Na linguagem ordinaria, e qaando n9o se trata mais 
que d'um homem em pariicnlar, um partidc nio significa 
scnSo um numero mais ou menos consideraTel de pessoas 
que, sem estarem precisamenle unidas, e ainda sem se 
conhecerem, respeilSo e adoptSo as doutrinas d'um 
bomem, sujeit2o-se a suas disposif5es, porque o créem 
de talento, e confíSo em seu saber ou em suas virludes, e 
téem por sSís e justas suas opinioes ; sendo esta cren^a a 
causa de estarem sempre dispostas. a defender peio ra- 
ciocinio seu parecer contra os qne pretendem dene- 
gríl-o. Considerado neste sentido o partido nSo se faz 
odioso nem desprezivel á vista dos demais, pelo que 
muito se diíTerenfa de facQño. Diz-se que Descartes levc 
um grande partido em Fran^a; nSo menor o tiverSo 
Bacon e Newton em Inglaterra, Leibnitz em ADemanha ; 
Vieira tamb'em o teve em Portugal ; mas nSo se póde di- 
zer que produzírSo uma facgáo. 

Quando as pessoas queformSoon compoem nmpartido 
se reunem contra os partidos conlrarios, se congreglo 
secretamente para tralar dos meios* de opprimíl-os, de 
combalél-os, de suíTocál-os; a islo se chama umpartido 
sedicioso, que de^enera em fac^&o^ mórmente se é poli- 
tico. Os partidarios de Cesar come^árSo por formar uma 
facgñOy qiie ches;ou bem de pressa a ser um partido do- 
minante que acabou com a repnblica. 

A princípal accep^So da palavra facf&o, diz Voitaíre, é 
a áepartido sedicioso num estado. A palavra partido por 
si só nSo encerra nada de odioso, a de facg&o o encerra 
sempre. — Os partidos politicos quanlo menos razSo 
téem mai^ facciosos se fazem. — Os chefes dos partidos 
politicos raramente se conlentSo de os dirigir por con- 
selhos e palavras, antes os fazem obrar acliva e violenla- 
mente, pondo-se ostensivamente á sua frente, e entSo sSo 
chefes ou cabecas de facQüo. Taes forSo o cardial dc 
Retz c duque de Gnisa em Fran^a, o duque de Camiuha 
emPortugal,etc. 

399. — Vaeliaday froiitl«pleie, 

Confundem-sc vulgarmentc cstas duas palavras, mas 
na linguagcm da arcbitectora oosto quc ambiis designem 



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a estructura exterior d'um edificio, differeo^Io-se em que 
frimtispicio díz-se da dianteira d'uma igreja, d'um tem- 
plOy d'um palacio, d'um monumenlo publico ; e fachada 
diz-sc da face, oulado dos jardins, da rua, do paleo,etc. 
— Um edifício regular tem um s6 frantispicio, e póde 
ter Irez fachadas, ' 

400« — Faculdade^ poder, poteuela. 

Termos didaclicos que Tulgarmente se confundem» mas 
qne os philologos distinguem da maneira seguinte. 

As faculdades sSo as disposi^oes que a natureza dá em 
^eral ás diversas especies, por meio das quaes torna aos 
mdividuos aplos para fazerem tal ou tal accSo, nos xasos 
em que lenbio para isso opoder e possibilidade. O homem 
lem zfaculdade de ver, de ouvir, de andar, elc, sempre 
qne nao se Ihe opp5e algum obstaculo, e em quanto Ihe 
nSo falta a forga e a possibilídade de executál-o. 

poder é a iiberdade, o nSo obstaculo de fazer uma 
acfSío, sem qne nada se opponha a sua execugSo. 

A potencia é a for^a necessaria para executar uma 
acgSo. 

Assim que, numa ac^So que faz o homem podem-se 
considerar trez cousas : !& , a faculdade; 2» , o poder,- 
31 , a potencia. Tem a faculdade, porque as partes de 
seu corpo que a executSo s3o aptas e expedilas para fazél- 
a facilmente; tem poder, porqae nenhuma de suas 
mesmaspartes Ih'o impede ; e lem ^ potenciay porque nao 
'carecedas for^as necessarias para executál-a. — As /"a- 
cuídades de que homem é dotado ficSo inactivas sempre 
que se Ihe tira opoder ou potencia de as p6r em ac^So. 
Tem homem a faiculdadede ver,de ouvir, de andar ; mas 
se Ihe vendSo osolhos, Ihe tapSo os ouvidos, Ihe p5em ferros 
aos pés, falta-lhe opoder, e por tanlo nio vé, nem ouve, 
nem anda. Do mesmo modo n2o verá, nem ouvirá,. nem 
andará, ainda que tenha os olhos, os ouvidos, e os mem- 
bros desembaracados, se um somno profundo, um lelhargo, 
omadoencaquafquer, sopitaraj^olencta que dava &quene6 
<vgáo8 a lorta necessaria para exercer suas func^des 



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28§ FAl 

lAdklo eslas doas palavras uma mdásposifao do oorp« 
ou dG espirik) que knpede o executar alguma cousa. 
Qiiaiido elia provém d'um Irabalbo de corpo ou de espirito 
que apiirou todas as fbr^as, cliama-se-Ilie fadiga i quaado 
ao contrarío provém d'um traballio demasiadamente uní- 
forme, ou que se deixa de bom grado, dá-se-lbe o nome 
de cmfc^. 

Fallandodo espirito, canpa^o diz-se no sentido de des- 
gosto, ^ue nSo a>eontece a faiÁga, Por cxfmplo : • üm 
exercíto extenuado de fadigay » faz rdac^o ás for^asr 
corporaes; e, « Tambesi se faz a paz pcío eoftniro da 
guerra. * Canfa^o está aqui tomado em sentido de 
desgosto. 

Fadiga toM-se algumas ▼eaes pelo Irabalho mesmo, 
dJ2-se mdiílerentemenle t «Os trabalhos easfffiü^as da 
guerra. » Sem embargo, wn é a causa eo ontpo e effeito. 
Náo se diria pois m mesmo sentide, o eanga^ da guerra. 

€ cawpüfo faz-se seatir algumas vezes sem qne se fk^a 
nada; provém isto de certa ^isposifSodo oorpo ou d*um 
enfado do aiiimo. A fádigaf é sempre a conseqneacia da 
demasiada acyáo; suppoe trabalho difíicii ou aturado. — 
A fadigar'se e trabaltiar com aneia e a£foco ; canpar-«e, 
póde »er islo, epóde taiHJ»em ser, esmerar-se, apnnr-ee 
em l»cr bem algama eouia. 

40fi. — FjiUaa, ensanoM. 

qae engana ou (áz eair em erro a alguma pessoa é 
enqanoiQs o que nasce já paraenganar, abusar d'e&ta &' 
cuTdade, e que real e verdaaeúamenle engana, porém com 
ÍBlea^áo íormada de anlem^io, é fíülax. EnganoMé uma 
palavra geucrica e vaga : todos os generos deiadicios e de 
appareucias incertas sáo «n^iznoaoj. Fallaz dcsigoa a 
fakidade, a argucia, a impostura estudada; por isso os 
raoiodiuios SQfislico& s2o faüazes. 

405« — PaHeuda, banca-rota, quelura* 

Termosjuridicos mércantís hoje mní usadosltieorícae 



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m 12« 

praticaQi€iite, qiie as Teaes se coiiffEmdem, nss^eBtM 
ti düfercm, séguiide a iaríspfnKtencía mfrcantrl in^denHU 
Todo cumiDerciante que cessa oa ausfiende sews ^gan 
raeDlos eslá ein estado tfe faüencia. Todo o comiiiereiaBte 
fáiHd^qme sesrckaiiMidos^casosde cuJpa graveou frmáe 
^r^éta peta My esítá «ob estado dc dofiea-rolo. Gonoor^ 
d2o esbes dous termss em indiear um negocianle ou ban- 
qneiro, que, pela desordemdeseus mgoctos, é ibr^oa 
quebrar-ltie o curso ; porém no uso geral chama-se fal' 
lendadí quebra cansada por fevezes, acontecidoA ao de- 
vedor, e em perdas que soííreo, e nSo podia evitar; e 
hanca-raiaf íífalleneia m queira de ma fé, por isso de 
ordiaario se diz^Tioct-rolafraudttieDta. 

Quékra éa verdadeira palavra portugueza usada na 
ordenacio, e que diz o mesmo qne faüenciaj a qnal foi 
adoptada no commercio mBilo lempo depois; tiqje slo 
períeitameBie synMcymas e de tgoal úso, pots diz-se in- 
diírerenlemenle negociante quebrado ^ ou negodaiite 
fallido. 

k pezíur dt que fnitír do bens é ptaraseclassica edeaso 
geralnalíugua, e^uivaleidoa: «nao ter com que pagar 
aos credores, náo ler com que satisfazer suas dividas, » 
eom tudo rígorosameate fallaiido, segundo iosé Ferreíra 
Bor^eSySÓ onegocíante, commerdanleou baaqueifo póde 
falkr. üm particular, aio oegociajiie, póde toraar-se in- 
solvenle mas n§o fallido. 

Quaoto á origem da expressSo ft«ntfa-rola, dlz D. Fr. 
Franeifico de S. Liiiz que vem da pratiea antiga de se 
ooebrar ó banco que o negociaiite faUido iinha ma pni^ 
docomjBercio, daado por fago o litgar que ekle aU oecu- 

Sava> José Ferreira Borges diz,. no seu dkcíonario juri- 
ico commercial,^ que eHa «vem de ser uso antigo, que 
íazeBdo oft^banqueiros oftdescontos de lettras e trocas de 
moedas numa baoca ou mesa, quaudo alcan^dos em pet- 
gameiUoft se Uies quebruváo , rompi&o as banca& mi 
mesas : d*a¡hí o norae. » 

Ambos estes aeDbore&léem raz2e, mas ttenbim d'eUes 
deoa verdadeira origera da expressio krnca-rola, afiial 
vem primJti,vameBte da Haliana kanco^oUo on falmOf 
d'oQde 08 ícaQeezes GzerSíO a sua ImnquerouUi c aiBda 



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28S FAH 

qae a nossa hanea'-roíay isio é qaebrada (rupta\ pareca 
um gallicismo, rigorosamcnte n5oo é, porque diiico em 
itahanonáo é hanco em portuguez, senío dañca. mesa 
como se pode ver no diccionario de Bullura, que áiz • 
« Banco, tavola, preao cui risieggono giudiciper ren- 
aerragtone, mercantiper contar danari, elc. ; banca 
mesa, em lorno da qual se assenUío juizes para iulffar 
causas, mercadores para contar dinheiro, elc. » 

404. — Faltar, ^^■'««er, neeemitar. 

do que se leve e nSo se tem. Neee$sita-se o que é indis. 
^?T.wlf^? h' ""^' «n«ccf jdades da vida. Por exemplo: 
Na habiiagáo d'um pobre faltáo os movcis que tem um 
rico. Este mesmo pobrc carece de pSo, quando se Ihc 
acabou que tinha; e necesüta comprái-o para susten- 
lar'^sc. 

405.— Famelteo, raaiiiuto, e«roaiieade 
oti e«raiiiiado, raüiuleuto. 

rJjJÍ^'^ í^""?. f^^^^ « » porlugucza fome sáo oi 
A^'^'nl^l'^' adjcctivos que lodos indicáb o quc tem 
S' ^ ^""* diffcren^a se póde notar cntre 

Í!^Í^/*"*!'*^^.®" ^^fomeado, pela opposicáo que tem 
S?fí 'f ^o?^«*. ^arto. Se houveramos de traduzir aquellc 
fnLfL !S'^''a' í/^,^/Jdebunt saturati, mordeluni 
famelm (Pseud. Prol. 14) ; . diriamos mui bcm : . Em 
quanto rirem os fartos, morderlo os famintos.i^ 
^o^mtnto ludica o que lem fomc e deseja comer; corrcs- 
Sfi?««¿.?'"^ ^^*^^*» ao/ame/ictw latino, e ao hambriento 
espanhoi mas nSo tem tanta for^a como o esfomeado ou 
es/atmado porluguez, como parece dál-o a entcndcr 

tanlos esfatmados da gra(?a (V. 423). »0 prefix¿ es 
angmenla a for^a, a íntensidadc do radical, pclo quc estes 
dous adjectiros cxprimem uma fome violenU. dcvoradora 



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FAM 389 

not indívidiios a qnem se appU(^o. — Esfaimado é menoi 
Tulgar que esfomeado, e faminto é poelico, mórmente 
no sentido fígurado de mui deiejosOf de que temos bom 
exemplo em Camoes, que disse : 

D'esta arte o summo bem se me offerece 
Ao faminlo deseio, porque sinta 
A perda de perdél-o mau penosa. 

(CSHf. 11.) 

famintot beijot na floresta! 
Oh qoe mimoso choro que soaTa ! 

{Lut., IX, 83.) 

Famulento é palavra moi expressivae poetica| que nio 
expríme sómente fome grandCj ou grande desejo, senio 
nma fome, um desejo ardente, insaciaTeli que nada farta, 
como muito bem disse CamSes : 



?: 



>ue nunca o pensamento 

/oandosempre de buma a outra parte, 
D'estas entraobas trisies bem se farte j 
Imaglnando como , e famulento, 
Que come mais, e a Tome vai rescendo. 

{Canf, II.) 



E depois d'elle disse Bocage : 

GoB famulenlos olhos a deTon. 

40G. — Ffuniiaa, c«m. 

Familia^ no sentido proprio mais estreito, comprehende 
a sociedade formada naturalmente pelo pai, a m2i e os 
filhos, quer vivSo reunidos na mesma habita^So, quer 
TivSo separados. Ehtende-se tambem por esta palavra 
todas as pessoas d'um mesmo sangne e parentela, como 
irmSos, netos, cunhados, genros, primps, etc. 

A familia^ tomada no primeiro seniido, cessa quando 
todos os filhos depois da morte do pai hSo tomado estado, 
e por conseguinte^ estabelecérSo familias parliculares; 
tomada no segundo sentido, a familia comprehende aos 
qne descendem d'um mesmo tronco, em cujas veias chrcula 
por conseguinte o mesmo sangue. 

As famiUiai estabeiecidas pela natureza concluem-teA 
II *^ 17 

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290 FAR 

on propagfo-se» sSo maís on meiios namerosM. Eslas, por 
fna inaior extensSo, sen comportamenlo, e pelas ooeopft- 
(9e8 honestas que téem muilos ée sens nembros, 4iHin- 
guem-se da plebe obscura, e adquirem wna especia de 
eonsidera^So de que n2o goz2o os homens separados do 
seío de suas familicu. Islo é o que se enlcDde por fami" 
liaf tomado no sentido das distinctas lintiagens. Um 
homem de boa familia é um bomem que pelos la^os do 
sangue está unido a certo Dttmero de pessoas que na so- 
ciedade e pelas razoesjáditas gozSo d'un lugarprivilegiar 
do. Istosechama uma /amt^iadlsliiicta, honesla, estimaTel. 

Quando os titulos, as altas dignidadea e os grandes em- 
pr^os se hSo muitiplicado e comerfado sem qndira dn- 
rante largo tempo numa mesma /amtlia, os membrosque 
comp5em estas familia$ quizerSo lerar mais adiante a 
distinc(9o ordinaria de familia, e d'aquilhe tcío onome 
de casa. Diz-se a easa real de Portugal, para 4les¡gnar a 
familia que possne faa largos annos a soberania de Por- 
tugal ; e a familia í*ea1, para designar a rennílo das pes- 
soas que, sem desfrneiarem os dtreitos immedlatos ao 
throno, estlo unidos peios la^os do sangue á que o 
accupa. 

Casa é pois superior a (amiUa; tslá palavra traz com 
sigo uma larga posse de titulos estabelecidos por leis. A 
eoia de Braganca, a casa dos anti^os dnques de Medina- 
Celí, a casa de Austria, etc. Nesie mesmo sentido se diz : 
Fulano pertence a nma antiga casa^ para manifestar 
qoe pertence a uma famüia distinctae antigameiile ilias- 
trada por titulos honrosos e por unia bem mereGÍda eonsí- 
deia^o pubiica. 

4D7. -^FarfiSy cemediis. 

A prtmeira é a especle, a segunda o genero. 

A palavra eomedia é latina, comadia^ e ?em do gf^ú 
K«ifufim\ sobre ctiia origem náo estáo de acordo os ely* 
iDologislas. Querem uns que a palavra grega *otfi(^iac se 
f6rme de »úfiyi^ lugar, aldeia, e de tic^^ cauio; e neste 
caso, diz mesmo que cau^üo de aldeia. Querem ontroi, 
enire oi auaes liermo&Ula* que eiia se derive de «^a^c; 



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FAR Mi 

Si^Hlc* esla pa1a?ra : 1* o q^ iiós poderiamoft ebamar 
ronda ou quadrilha dc manccbos d'um lugar quevio de* 
noite dar descanles a suas namoradas^ e que muilaavezes 
a fa?or do escuro^ e fingindo a ?oz^ dizem on cantáo can- 
fSes saüricas conlra algqmas pessoas; 2* estas mesmas 
can^^es ou satiras demasíadamenU litres e mordazes» 
Segundo e&U elymoiogíaf que parcce a verdadeira. se ?! 
daramente porque os gregos dcr9U> ks composi^oíes em 
?er80, em que se censura?2o malisnamente e 6atiriza?So, 
prímeíramente pessoas determinadas, e depois os ?icios 
em gerai, o nome de xu/a^«^ que es latinos escre?ér2o 
camwdia, e nós comedia, 

N2o longe d*esta origem ?ai a «enifica^So qne damos i 
palatra eomedia, que é a de f^bula dramalica, em qnese 
represeniSo ac^oes da ?ida* e pessoas ordinarias, para se 
«orrigír o ?ic¡o por melo áo rídiculo. 

Far^a (do rrancez faree ou do itaüano/iirfa) é peqoena 
eomedia burlesca, menos artiffciosa do qoe etia, em oue 
se entremeiSo scenas ridicuías e trivSaes. Mnito bem nt 
sentir o atilado Vieira a difTerenga qoe ha entre eomedia 
e farpa^ qnando disse, lalfando dos prégadores do sen 
tempo : « NIo é eomedia^é farca. (1,75). > Como se dta- 
sera que nlo s6 (ázi2o rir, senao qne pro?oca?áo a zom- 
baria e a mofa. 

408* — Favturis, gaeledlade. 

Fartura é pa1a?ra lalina, fariura ou fareiura^ de 
fareio, usada por Vitru?io, e de qne os casf elnanos fizerlo 
MTiura i signiñca?a entre os romanos, recheio« ac^So de 
rectieiar;e nSo ?em de iaturitaii, mas tem o mesmo 
?afor e signifíca a reple^o que revtilFa de haTcr comidd 
mnfto, e extensivamente, copia, abnudancia de consas 
eom qtie nSo se sente fóira. 

Saeieiade, é a corrupcSo da pahivra laffna saetetae^ o 
simiiffca propriamente a fartmra que aquiela o gosto ou 
•ies€|o. 

A fartura esfá nas conms ; n eaehdade nas pessoas. €o^ 
losos ha que muitas ?ezese!(i9o farios, mas n^eaeiadoe, 
f alta-Ibes a capacídarde physica p«ira receber os aiimenfos; 



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292 FAS 

mas sobeja-Ibes desordenado app4!UU de comei. Oatro 
tanto se póde dizer na ordem moral. 

Fartura é vocabulo yulgar, e refere-se mais geraN 
mente ás paixoes grosseiras eaos goslos sensuaes; iaeU- 
dade é mais polido, e maís se usa fallando de objectos 
moraes, no mesmo sentido em que dizia Plinio : •Morta- 
lihus suarum rerum satUtas eit, alienarumque avidi- 
tas ; Téem os mortaes saciedade do qne é seu, e avidei 
do alheio (XII, 38). > 

409. — FMeiiMir , alluelnar. 

Faicinaré oYevho latino faicinarey qne yem do greeo 
/Sáffxa^w, e signifíca primitlyamente enfeiti^r, daromado 
ou quebranto, e no sentido figurado enganar por meio de 
preslígios, falsas apparencías, etc. 

Mlucinar ou antes hallucinar é tambem verbo latino, 
hallucinarit e signifíca desIumbrar,ofruscar; eno sentido 
translalo cegar, escurecer a inlelligf ncia. 

Fascina-se com esperancas de bens materiaes, qne o 
foicinador cré n2o hao de cne^ar, mas de c[ne ofascinado 
se deixa embebecer. — Mlucina'Se intimidando ou pro- 
metlendo que de nSo fazer uma cousa ha de resultar ran- 
tagem para o que a nSo fizer, suppondo que está decidido 
a íazél-a. -~ que engana para mal é faicinador ¡ o que 
quer fazer crer como yerdade o íálso, é allucinador. 

410. 7- FMtldleso, Importuno* 

Faitídioioéiíxáo aquilloque nos causa fastio, molesUa, 
desagrado ; importuno, o que causa uma especie de dea- 
goslo que se renova conlinuamente. que é faitidioio 
afTecta a alma constantemente, e tem consequencias desa* 
gradaveis; o que é itnportuno aflecta os senlidos por sua 
repeti^áo frequente e desagradavel. Uma enfermidade é 
om acontecijueiito faitidioio ¡ o ruido da mó d'um moínho 
é importuno para quem n3o eslá acostumado a ouvil-o. A 
primeira produz um desgosto constante que affecta a 
alma ; o se^undo um enfado successiyo que fatiga o aen- 
tido do ouvido. — Um discnrso longo« difuso. sem inte* 

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FAS 293 

resse nem elegancia, é cousa fa$tidio$a ; o homem qoe 
▼em a cada passo fazer-nos as mesmas queíxas, oa repetir 
ei^adosamenle os mesmos pedilorios, é um ente tm- 
partuno. 

411. — Fasto, luxo, «umptuofiilclacle^ 
magpulfieenela. 

Estas qnatro palams t6em por idéa commnm o gasto 
maior ou menor que faz uma pessoa para presentar-se 
com mais ou menos ostenta^So e brilho á vista das de- 
mais ; mas diíTerenc3o-se da maneira seguinte. 

LuxOf do laiim luúcus, é excesso na pompa e regaio, 
excesso de despesa. Relativamente fallando pertence a 
todos os estadosy até ao infímo povo; e se achaaté na 
classe de gaslos maís geraes. Considerado nas classes in- 
feriores da sociedade, e limitado unicaménte a gastos 
medianos, conservasempreonome de luxo. 

Quando o luxo nSo tem nenhuma rela^So com os 

Í|;ozos pessoaes,sen2o que tendeadistinguir-sedos demais 
uxoB, a obscurecél-os e humilhál-os com umas riquezas 
que nSo se téem, chama-se luxo de ostenta^So. 

O luxo de ostenta^o nas classes superiores da socie- 
dade chama-se /o^to, quando se manifesta com aíTecta^o 
e grande vaidade. A palavra fasto vem da latina fastiy 
ane entre os Romanos sienifícava dias de festa. Nestes 
dias procurava a capital do Imperio fazer a solemnidade 
com todo apparato, tanto em seus vestidos como em 
seus festins. Representa a ma^mficencia nos que por sua 
cathegoria devem representai-a; manifesta a vaidade e 
orgulno nos que nlo se achSo naquelle estado. 

O fasto nSo é o luxo. Uma pessoa póde viver em sua 
casa com luxoy sem fasto, isto é, sem apparecer á vista 
do publico com grande opulencia. Póde-se ter fasto sem 
ter luxo, fasto é o complemento do luxo, Este acha-se 
na classe media e infíma da sociedade; aquelle só opodem 
ler as pessoas ricas e fídalgas. 

A sumptuosidade é o luxo nlo apparente, senSo posi- - 
tivo. £ fasto qiie dSo as solidas riquezas, quando o ^iie 
as possue faz oslentaQSo d'ellas ao disfructál-as. 



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396 dici 

A magnifUencia é q gaslo «lagerad», parte ^wp.T;- 
i;ado em objeclos bellos t de uUlldtde eooiaittn. A nuratti- 
fieeneia nSo é o luso da apiarencia eom oue •mim» 
ostenta seuorgulho, senSo o luxo da realidade com qoeie 
honra um monarcha por haver feilo uma cousa util a seus 
Bubdilos e em íávor de sua na^o. 

No tempo d'EI Rei Dom JoSo Y* havia luao no povo 
porlugoez, e os fidalgos viviSo com fasto. As ricas al- 
aías que «iiida resUÍo do tenpo d'aquelle princlpe mos- 
Irio o luiido fasto eom que etle se tpresenlava eoi 
puUico. A iumptuaiidade com qoe eUe edificou Maflni e 
os arcos das Aguaa^Ufm allesÜD m reai ma^ñi^ 
ficifioig, 

412« -" Fsial. tunmmlm, 

SlgnlficSo estas doas palatras uma consa Iriste e de 
máo exito ; portai a primerra é anies um eíTeito da sorte» 
e a segunda a consequencia d*um crime. — Os guerreiros 
estSo expostos a concluir seus dias d'um modo fatah 
08 crimfnosos estSo sojeitos a morrer d*uma maneim 
ftinesta. 

Estas palavras tomSo-se muilas vezes em sentido pro- 
phetico. Entdo fatat designa certa combina^ao de cousas 
desccmhecidas, que impede se leve a cabo alguma cousa, 
e qne a hz ínclinar mais para o máo exito que para o bom 
snccesso. ñtnesto presagía suceessosdemais importan- 
cia, scrja para a vida, seja p^ra a honra, seja para o cora- 
(80. — A galanteria faz a fortuna de uns, e chega a ser 
jatalK oniros.Todaamizade arraigada no vicio é funeeta. 
— A pertinacia d'EI Rei Dom Sebasti2o em sua jomada 
de Africa foi fatol á nat9o portuguezay e fttn^f laáqueHe 
inconsiderado principe. 

413. -^ Fatalldlisde 9 «orte. 

Ha Ifngnagem dos pa^os, devia-se exitod'nma coust 
á fatalidade^ qnando caminhando homem a certo ob- 
jedo determinado, onde pensava achar sua fbrtuna, en- 
eontrava ao contrario sua desgrafa, sendo conduzido por 
um encadeameiito de causas desconhecidas que obravlo 



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FAT SM 

oedültiiiiciite para enc«mhihál-o ao dfvposto do que se 
propuBha. Dem-se o exito d'inna eousa i $ortej qtmá^ 
•em escoNierponto fíxo de visla, e dtríginóo^ atr«pels-' 
dameKle eiem objecto algum, eneontrara o homem, eego 
em seua designios, o objecto que mais Ihe eenYinba. — • 
Segundo elles, os ar estos da fataUdaás eiib necessaríoi^ 
e nereeidos éo bomem. Os da «orle, erdo devidos á «orie 
mesma, ou como costnma dizer-se, á ventaru^ao aeam 

414. — FntüMdmde, fbrfun». 

A fatoHdaie (em lingoagem pog^) bos designt todos 
os successos qoesSo relativosaos seres sensifeis. A /lor- 
twM nos demostra os acontecimenlos que téem reta^ 
eom » posseoQ priva^So das riquezas e das honras. Asaim 
é que, quando imi bomem perde a vida por wm sueeesso 
imprevisto, attribue-se esta catastrophe á fatalidade ¡ e 
qnando eitro perde seus bens, ou diigi^daaes, seallribue 
a fortuna, 

YqaHBe Fortuna. 

415. — SMne, Inapertliiente, neMÍe. 

880 eslai nmas palanrras que em todas as lii^as n9o se 
sabem defiftir com exactidao, porqne em ai contém um 
complexo de idéas, que varilo segundo os cosUimes de 
cada povo e de cada seeulo. 

O padre Vieira, faiiattdo do verbo infatuar, que é fazer 
fatuo, diz : «Nunca a aossa lingua me pareceo pobre de 
palavras, scn3o nesle texlo {Infatua^ Domine, coniUium 
Achitofel^ II dos I\eiS| XV, 32). Infatuar significa fazer 
imprudente, fózer ignorante, fazer nescio, e ainda signi- 
ftca mais (U, 22&y • É pois mui complexo adliectivo 
fatuo; muitas vezes se contrap5e a prudente, como 
mesmo Vieira fez» dizendo : «Conselhos prudentes sem 
execn^Io nSo sSo prudenles, s7o fatuos (II, 229). » O^- 
tbeto /éUuo, applicado ás pessoas»refere-se mais ao m- 
terior do homem que ás maneiras exteriores, a qne mais 
parecem pertencer os segundos, impertinentef enéicio. 

Ofaiuo folia muito, e com certo tom qne Iheé peeu- 



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296 FAV 

liar ; nSo sabe nada, e fignra-se-lhe ane sabe tndo ; escntt- 
$e a si mesmo, e admira-se. A vaidade e o desaire sSo sna 
dÍTisa. O impertinente falla tambem muito como o fatuo^ 
sens ditos s3o despropositos, sem considera^So nem res- 

Seito^confunde a honestidade com a libertmagem, com 
emasiada famíliaridade; falla e obra sem recato, e ás 
Tezes com desavergonhada insolencia : é um fatuo arro- 
jado, ou atrevido. 

Inuteis sSo todas as li(^5es que se dSo a nm nescio^ por- 
qne a natureza Ihe recusou o dom de aprendél-as. O 
nescio carece do que é necessario para ser um fatuo. 

nescio é sempre ridiculo, e por conseguinte merece o 
desprezo.— 'O/a^uo cansa, enfada, e aborrece. — im" 
pertinente ofiende, irrita, e desespera. — Ao fatuo nSo 
confies segredo ; ao impertinente n3o dés confían^a; com 
nescio luio tenhas relac5es nem contratos. 

416. — FaTorecedor, protector. 

A primeira d*estas palavras indica uma pessoa que é o 
Instrumento pelo qual se executa algnma ac^So em favor 
de outra, com quem está unida com os la^os da amizade; 
succedendo isto nSo sempre, senSio algumas vezes. A se- 
gunda, pelo contrario, designa uma pessoa que se inte* 
ress^ por outra desde seu nascimento, e sempre, submi- 
nistrando*lhe o necessario para os usos da vida. e prote- 
gendo^a em tudo. — O que favorece faz, ou áifavor; o 
que protege cobre, ampara e defende.-^O favorecedop 
póde sél-o para mal ; o protector é o sempre para bem. 

417, — FaTorlto, Talldo^ prlTado* 

Esta» trez especies de indlviduos téem grande entrada 
com os principes e senhores, e recebem facilmente snas 
gra^ e favores, mas cada um d'elles por diíTef ente modo, 
e com diversas rela^Ses. 

Favorito é o mimoso a quem se fovorece, a quem se 
ama com preferencia ; recebe os favores do poderoso, tal- 
fci serve snas paixóes, mas nSo Ihe dá ccnselhos neni o 



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FAV 297 

domína, antes receb^ seos mandados e Ihe obedece. É um 
ente passívo, e em geral pouco estímado. 

Valido é que tem valiaoento junto do princípe, e que, 
aparentando humüdade para com elle, o aomina com as- 
tocia em proveito de sua ambí^So. 

Privado é o que priva com o príncipe, vive com elle 
como em vida prívada^ goza de sua privanga e conver- 
sa^o familiar; mas nem o serve baixamente como o /o- 
vorito^ nem busca dominál-o em proveito proprio como o 
valido, 

Antigamente a palavra pnvado designava nm cargo 
mni honroso junto de nossos reis, ou uma occnpa^lo 
como de ministro do despacho, e nSo valimewíoi era o 
adjectivo latino privatui substantivado, referindo-se a 
eonselheiro, contiliariui privatuM, FernSo Lopes men-i 
ciona varios privados d'El Kei D. Pedro I ; D. Jo2o AíTonso 
Tello, conde de Barcellos, era o maior privado d'EI Rei 
D. Femando, Dlogo Lopes Pacheco era tambem muito 
frivado. O celebre Jo2o das Regras foi privado d'El Rei 
D. Jolo I, como tai se assigoava, e assim o denomina o 
epitaphio gravado sobre sua sepultura em S. Domingos 
de BemQca. Este parece ser o ultimo que teve o titulo de 
privadoj o qual n2o tornou mais a ser usado nos reínados 
seguintes. « Até o reinado de D. JoSo I, diz o sabio aca- 
demico Trigoso (^), cbamava-se privado aqueile conse- 
Iheiro que tinha maior trato e conversa^So secreta com o 
soberano nos negocios do Estado; e os auedepois se 
diamárSo validos erHo os que com elle tinnSo mereci- 
mento ou gra^a, em virtude da qnal conseguiSo o que Ihe 
pedilk) ; porque valer propriamente signifíca ser util, ser- 
vir, e prestar. • 

Nota mesmo sabio <iue depols que a dtgnidade oa 
officio deprtva^fo deixou de existir, comecou este nome 
a passar como synonymo de valido, e cita Sá de Miranda 
que diz : 



(*) ToBit XI parte II, da8 Memoilts da Acidemta dit SeieDGlai, 

ptf.m. 



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t98 FAV 

OuMk ffra^ me El lt«i lOeMica, 
E hi ralia o qve nio dere, 
Mi^\ grande demá|rtMn(m 
Pe^onba na fonte Un^, 
Ite ^e teda a terra beve. 

Omesaiopoeti: 

Sue Deos be fego quf» abraia 
»i^ de huBi prtvodto feii. 

E Doutro lugar : 

NSo fallémos QaqaeDa bifinnidade 
Deaeaso«/idot,etc. 

Nesle nesnosentido dtS8eGaiB$ef, taJkmúo de D. 8» 
w)II: 

Be gOTemar reino. que outro pede, 
Per OQUia <ea priímdo* foi privtdo. 

E fiaeiido allii^o a El Rei D. SebastiSo 

Cidpa de reis, q«e di ▼«Bes • préímiht 

PSo majs que « mil, que esfor^ e saber lenUo. 

{uu. , vm, 41.) 

«•£SÍÍ ?^í?^. ^?í^^5 ^ • í^'*^'« P^^^^^ Krtwt 
ttgDíficacáo bistorica de que a labánios de foUar, e apcor 
de qtte alguas eseritores usárlío promíscuameiKedo voci- 
JHUO prtvado e valid^^ eDteDdenios que enlre elles ha lib 
pcqueoa diíferenca, eomo iidicámos, e que aío mMi 
differe d'elies o de favorito. ^^ 

Os boDs reis podem ter príiHidof que nSo st dcafeoii- 
no a ai com baixezas como os /aDortios» iMm os érn^ 
Uo para proveito proprio como os v^lido»^ mas m os 
aconseiiiao privadamente para bcm e os seryem coms 
leacs e dcsinteressados subdilos. — condc de Castdlo 
Melhor foi privado e talvcz valido, mas n9o favoHto de 
D. Affonso VI: scus favoritos eráo os Conlys. O prÍDCÍpe 
da ftix foi valtdo de Carlos IV, rei de Hespanba, mas dIo 
sc p6de dizer que foi sen favorito. O ?• Vieira foi gnoéi 

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FAZ M9 

frívadc i'EIRei I^. J0I5 IV, flns b3o ÍÑ sea fNili4o,c 
«Inda meiios seo favorito. Ouclnos a este grande fcomeai 
filhir dos valido^ e ftiier a diffefeiif a d'elles aos fritmdat. 

• Se eonvém que oe reis tenh3o mlido^ 00 b&o, é pro- 
blema qnc ainda aioettá deeidido entre m poliiicos; mai 
doos validoi, niuguem iia que lal éisiesse, nem iraagi- 
nasse (III, 80). » — Os validos liSo de estimar mais a gra^a 
do principe, qat todas as merds qae llies podem razer, 
porqne esta é a roaior. HSo de encner a gra^a oue téem 
dos prindpes com senri^os, e nSo se hlo de enoier com 
cHa de mercés. O maior credko do valid^ é que a sm 
privoñfñ seja priTa^. Por isso os validoi com mats 
noiire e lieroica etyroologla se cbamio privados (II, 
9S, etc.). « Qaer dizer, que os tMritdot para tirarem 
odioso d'este nome se dSo a si nome de privado$j pelo 
qoe, iia lingiiagem cortezS, privado Tcn a dizer o mesmo 
quef>«^do, etmo diz o mesmo Yieira fallando de Aman: 

• A taes soberbas e insolencias chegSo os privados de 
quem n2o sabc ser rei (V, 625). » * 



418* •— Fasep, MaUxmr, efléetiiar, 
executar. 

A mais generlca ^estas pafarras, e a qneas oatras per- 
tencem como especies, é fater. Kepresenta este Ycrbo a 
ao^ d'nm modo absohito sem rela^o directa a alguma 
ontra cousa. 

RtaJHtar é Cmr rea! e effecH?a nma consa ^e segundo 
as apparencias devemos esperar qne assim seja. Dizemos, 
a ¥{«1 nSo dnra bastante para reaHizar as grandes espe- 
ran^as. 

Sgoctmar indica mais solldez que apparencia.— Qnando 
se effectua proroettido, ou se torna ejfectiva a promessa, 
achámos que era sincera e yerdadcira a palavra de quem 
promcttia. 

Execútar suppoe um projecto, um plano anterior- 
mente formado; asstra qne exeeutar represei^ a ac^Io 
determinadamente com rda^ So a oatra ac^o anteríor» é 
resolu^^o, á ordeni, á idéa oae precedeo a eateeugáo. 

Hu-se oma obra, om ttTor, mm iiMoslica : e nes te 



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500 PEG 

•xemplos presenta o ?erbo o facto em si mesmo, e itfo 
como consequencia de motivo ou razSo que o precedesse 
on molivasse. — Aea/izdo-se as esperan^as ou as apparen- 
eiBs.^ E/fectuílo-se obrigagoes rormaes, com cujocum- 
prímento devemos contar.— Executa-se um projeto, a 
sentenca, a determinagáo. 

419. — Fazer, perfazer. 

« Muilo fizeráo os que vierSo antes de nós, diz Yieira, 
mas uüo perfizeráo, Entre o fazer e operfazer lia gran- 
des intervallos (V. 159). » — A diíTerenfa entre estes dous 
verbos vem do prefíxo per, que indica mlensidade» aper- 
fei^oamento. Assim que, signifícando o verbo fazer pro* 
duzir, dar o primeiro ser , fabricar, p6r por obra ; perfazer 
tígnifica acabar de fazer^ completar, consummar, por enc 
sua perfei^So^ dar a ultima mSio, como operficio latino. 

490. — Véf eren^a« 

fteferem-se estasduas palavras á persuasSo que se tem 
na verdade d'uma cousa. Differen^So-se em que a pri- 
meira se toma aJgumas vezés em abstracto, e designa en- 
tio a persuasSo que se tem dos mysterios da religláo. A 
erenpa das verdades reveladas constiluc a fé; e os difle* 
rentes pontos ou artigos de fé^ propostos pela Igreja, 
constituem a /Vcatholica. 

A palavra crenga indica o convencimento fundado em 
algum motjvo que possa haver, evidente ou nSo evidento. 
kfé é uma crenpa fundada unicamente na autoridade do 
que fella. Neste sentido é que se diz, ter /e em alguem, 

Ce vale o mesmo qoe. eslAf persuadido da verdade óo 
ediz 

421. — Feeundar, fertlllzar. 

Eslas duas palavras téem rela^o com as operat^es qae 
se fózem para pór a terra em disposi^^So de criar um 
grande numero de produc^^oes. . 

Feeundar a terra é dar-lhe fecundidade, on augmentar 



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F£C 301 

•8 príDCipios da fecQDdidade qne ella tem j& por sua iia« 
tareza. FertiUzar tk iem é trabalbál-a, isto é, semeáUa, 
dispdl-a por meio do trabaibo e da industria para desen* 
Tolver sens principios de fecundidade. — Os estruroes fe^^ 
«nnddo a lerra, porque Ihe conferem os príncipios de fe- 
cundidade*, porém a terra assim fecundada n3o produzi- 
ria em abundancia sen^o plantas agrestes e selvagens, 
Lavrando-a» semeando-a, e dando*Ihe todos os amanhos 
Decessarios é como se fertiliza, isto é, se dispoe de modo 
qoe possa produzir plantas que se¡2o uteis ao homem. As 
lavouras e os amanbos fertilizáo a terra e nSo a fecun- 
dño ; 08 estrumes e adubos a fecnnd&o e nSo a fertilizdo. 
— O sol fecunda a natureza, porque a poe em disposi^áo 
de produzir por meio de seu calor vivifícante ; e nSo se 
díra que a fertiliza porque nlo faz que produza tal ou tal 
planta em utilidade nossa. — Augmenta o astro do dia a 
fecundidade da terra, sem augmentar sua ferlilidade. 

422. — Feeundldade, fertllldade. 

Estas duas palavras téem relaclo com as qualidades que 
p5em uma cousa em estado de dar produccoes em grande 
quantidade. 

A fecundidade é nma qualidade pela qual uma cousa é 
capaz de dar um grande numero de produc^oes, ciyas 
sementes tem encerradas em seu seio. Diz-se particular- 
mente das terras e das differentes castas de animaes. 

A fertilidade é a disposi^So que tem nma cousa a dar 
mnitas produc^ oes uteis, por meio do trabalho e da indus- 
tria dos homens, e da direc^So que esta industria e este 
trabalho d2o á fecundidade. A fecundidade yem da na- 
tureza ; augmenta-se com a arte. Uma terra fecunda que 
nlo está cullivada produz em abundancia e com vigor 
grande numero de plantas agrestes, mas nSo as uteis para 
sustento do homem. Uma terra fecunda chega a ser 
fertih isto é, capaz de dar grande numero de produc^des 
para nosso uso, qnando a layr&mos, semeámos, e amanhá- 
mos como é mister. Grande fecundidade téem as terras do 
NoYo-Mundo, mas raramente ali se encontra ñf&rti¡idad$ 
das veigas e varzeas da Europa. 



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S02 FEC 

BiB senUdo figarado, nio se attiilnie a /eeamdMUide 
Benio ás causaa que produzem uma grande qoa&tídade de 
couaas novas e extraordinarias que nascem deseu fundOé. 
Por isso se diz um ^enio feeundo, uma imagiaa^ /«« 
amda, porque o genio e a imagina^io produsem consaf 
noTas; e diz*se um espirilo fertilj porque o espirito nSo 
foz mais que modificar. 

Tambem se aUribue a feewiídidade ás coosas qoe soe- 
cessivamente se derivSo de. ouiras, como por via de gerft» 
00. Por esta razSo se chama fécundo um principio 4e 
que se póde derivar um grande nnmero de consequenciae^ 
e assim é que se díx a fecundidadc d'esta materia» d'eate 
asaompto, etc 

423. — VeraBMlOy fertll^ «bertoM. 

Entre feeundo t feriil ha a mesma differeofa respectívt 
que se dá tvATtfecundidade e fertilidade. Fecundo é pois 
tudo aaoillo em qne a naUnreza poz o germen oo origem 
daproduc^So, e cresce por si mesmo; e feríil é tudo 
aqniUo qoe prodiiz muito, emgrande parle,pelo tr^iattio 
e indttstria dos bomens. 

Fecundo é nm manancial de agua, qoe perenemente maBa 
sem depeader do Irahalbo ou induslria do homeDi« Fecun^ 
éofi sSo as sementes^porqoe em si contém o germen te 
plantas e fructos qoe depois hSo de produzir. Ftemda^ 
sSo as faaUias dos aníauies, porque por si mesnms» 8e« 
gundo as leis da natoreza, propag^ sna proie ; e nenhuma 
deaias cousas éferiil^ porque nellas náotem directamente 
parte a mio do bomem. -* Ferli; em trigo, eni vinbo, eoi 
azeite é um paíz quando a lecundidade da terra, aiudada 
peta enltura que Ibedá o agricnItor,produz em abundan* 
cia estes generos para suslento dos homens. — Ofeeund» 
é natural, o fertu arlifícial. Aqnelle é causa, este e effeila. 
O primeiro refer^seá potenda deproduziry o segundi^ 
k actuaUdade da produc^So abundante. 

übertoso é palavra nova, mas mui expressiva e poeUea^ 
formada de ubertae^ e é desUnada a representar a abnn- 
daneia qne resulla da feeundidade e da fertilidade. — At 
terras fecundas, quando slo bem agrieuliadas tomio*at 



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rci. M» 

f9rtiri$f t pagi^ • SQMT do lavrador com ubertíwu aeMe» 
O príflietro que osou d'esta palavra, foi o P« Furlad: 
na traduc^o das Georgicas de VirgiUo, aerTiudo de epi* 
tíieto a aearas; o ^Haí n&o tein iaveja «o toia# do ori- 
gioal. 

Oual cntAado ts letrai mbertomw, 
ÍteOMUM» téfñ, t o etnpo mtis (omioao, ote. 

Yeja-se o nosso Appendix ás Georgicas, tomo I da edi- 
^o de im^ pag. m. 

AHA.'^WéUm^ safwimMÍi», 

Estts dnas palavras t^m rela^So cam os bens e as van* 
lagens qoe desñructSo os homeos, e com a satisfaj^So que 
•xperimeBtáo no goao d'estes l>ens. 

O liomem qne possae grandea cabedaes, beHas herda^ 
dea e todosos commodos da ñda , é rioo e abastado; nas 
só será ftliz quando seu animo nSo estíver conlristado, e 
aocego da alma aeompanhar as delicias da prosperidade, 
Aforiunada pdde ser uma pessoa, que sendo pobre, tudo 
que emprehendelhe sai k medida & seu descjo, 

AfortwMdo significa favorecido da fortuna ; feliz sfgni- 
fica que goza da felictdada ou d'uma felicidade. Uma 
pessoa é afórtunada por seus muitos bens, por seus oom- 
pletos prazeres, pelos grandes íáTores que recebeo da 
nortuna ; é feliz pda satisíli^So, contentamento e tranquil- 
Bdade do animo. 

Afortunado suppoe uma felicidade extraordlnaria. Dia- 
•e aue um homem é feliz quando experimenta um prazer 
mui viYo; mas como os prazeres durSo pouco, can^So o 
espirito, e ás vezes desradSo ocorpo« téem lidado em vSo 
0» pbilosophos por saner em que consiste a verdadeira 
felicidade (*). Úm anligo dizia « que a felicidade con- 
sistia em ter o corpo sSo, e a alma livre : > e um moderno 
sustentou que a felicidade possivel ao nomem consistia: 



(*) ganto AgostiBbo, na déaéo de Deoo* eeatov «8 opiDieei dtf e> 
vealci á eerca da ttíiciá$á9,eap. 10. 



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ZOU F£S 

« no trabalho, que é a vída áo corpo; na luz, oa cultura 
do espirito, que é a vida da inteiligencia ; e na caridade, 
que é a vida do cora^Io. » 

mais segiiro é crer que a verdadeira felicidade nSo 
se encontra nos l>ens d*esta vida, senSo na befflaventu- 
ran^ eterna, pois, como disse Vieira, « tudo o que é terra 
é desterro, e só o céo, para que fomos criados, a nossa 
verdadeira e bemaventurada patria (YI, 289). » 

42^« — Fermentaf &05 efférTe«eeneIa» 

Os chimicos entendem por efferveicencia a agita^o 
interior que se verifíca num liquido a cuja superfície so- 
bem, e ás vezes se movem como em fervura, a» moleculas 
de algum corpo. DiíTeren^a-se muito a efferveicenda da 
fermeniacQ/o^ sobre tudo se se attende a seus resultados. A 
palavra fermenta^&o explica a accSo reciproca de muitos 

Srincipios preexistentes que formao um só corpo e que se 
ecompoem para formar outro, e a quem poz em movi- 
mento a fermenlagáo. Ella é a causa motriz da efferveg- 
cencía,e esta seus resuUados. — mosto que se deita 
num tonel entra logo em estado áefermentaf&o; as bolhas 
que levanta, e as particulas estranhas que se movem em 
sua superfície e taivez transbordSo, s3o a e/fervesceneia. 
— Ha só uma sorte de effervescencia^ sendo que se reco- 
nhecem trez sortes de fermentacdes : vinosa ou espiri- 
tuosa, de que resulta liquido inflammavel; acida, de que 
resultio os vinagres; e a podre ou putrida, que é causa 
da podridSo. 

No sentído figurado, fermentagáo signifíca a agita^Io 
que produzem nos animos novas opinioes mórmente po- 
hticas, novidades importantes, etc. ; e effertescencia si- 
g^ifíca esta mesma agita^o manifestando-se por falato- 
rios, reunioes, talvez molins, e que ameaQa romper em 
maiores excessos se nSo for repremída. 

426. — Fe«ta, temiMdmde, •olemnldiMle. 

RigorosaDiente fallando festa é regozijo publico que 
se faz por motivo profano; com tudo uso féz esla pala* 



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FID 305 

vra extensiTa ás coosas re1¡gíosas, por isso se diz vnlgar- 
mente,i>ara distínguir asduas 'iáéínSy festa de igreia,/e5ía 
de arraial. 

Festitidade é festa de igreja, que se celebra nos tem- 
plos, ou fóra d'elles, como as procissdes, e refere-se sem- 
pre a um pensamento religtoso. 

A solemnidade refere-se ao recolhimento e ostentacSo 
com que se fazem as festividades, 

As func^oes que se fazem para receber um rei, sSo 
festas. As que se celebrSo em honra d'um padroeiro oa 
orago, sáo festividades, apparato silencioso e grave 
com que estas se fazem constitue a solemnidade. 

487. — Festim, lianquetc. 

A palavra festim explica a idéa d'um diverlimento culto 
em que brilhSo o luxo, a magnificencia, e a que concor- 
rem as pessoas mais notaveis e dístinctas da sociedade. 
A musíca, a dansa, os refrescos, as bebidas de toda a es- 
pecie, formáo todo o apparato d*estasTeun¡5es. 

Banquete é a concurrencia, por meio de convite, de 
muitas pessoasnotayeís, com o fím de comeremsumpluo- 
samente em celebra^Io de algum fausto acontecímento, 
particular ou publico. 

Os principes, os poderosos dSo festins; as corpora^oes, 
hanquetes ; os amigos contentSo-se com bons jantares.-- 
Um hanquete acaba muitas Yezes em feslim, quando aos 
conviYas se junlSo á noite muitos oulros convidados que 
faizem a reuni3o mais brUhante e apparatosa. 

428. -* Fldalso , sentllliomem , i^rande. 

Fidalgo, é termo corrupto de filho di'alao, do caste« 
Ibano htdalgo, hijodalgo. Algo signifícava naveres, bens, 
educa(^oequaiidadesnobres;com todas eslas partesse 
servia a patria, e se adquiria a fidalguía. Fidalgo designa 
em gera^ a pessoa que por seu sangue pertence a uma 
classe nobre, ou a quem El Rei fez a mercé de titulo de 
Dobreza. 



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106 Pie 

QenUlhomem yem do frtDcez^ltU^fni; significiv» 
«nUgamente homem genlil, e hoje homem nobre por Ü- 
nhagem, ou criado reilo nobre por El Rei. — Diz-se fi- 
áedgo da caaa real, e gentiUiomim da Camara» pri- 
meiro indica a ciasse da Dobreza a que alguem perlencef 
segundo designa o servi^ que algiiem exerce no pa(o. 

Grand$$ s2o osfídulgos de alta ierarchiae Utulares, 
que cercSo o, Ihrono em dia de C^rtCf e téem varios privi* 
legios de que n9o gozSo os demais. S¿ os duquea, mar* 
gnezes, condes e alguns viscondes sSo^randei do reino. 
Os arcebispos e bispos» e os pares téem as honras de 
grandeza. 

429« — Viciurii» foniMs. 

Figura é a fei^o extema de qualquer cousa, o as- 
pecto que ella nos apresenta. Fórmai cm linguagem philo- 
sophica, é que delermina a materia a ser tal on tal 
cousa» e geralmente fóllando entende-se peia construcclo, 
arranjamento das partes. 

DiZ'se que um nomem tem boa figura, qnando é ben 
apessoado ; e em sentido flsurado, que faz boa fyura, 
quando desempenha bem as lunc^Qes de que está eocarre- 
gado. ou se sai bem em eousa que emprehendeo e em 
que ngura. Em nenhum d'estes casos se póde nsar a pa* 
larra fármay pela rela^So que ella (em com a materia; e 
no homem e seus actos dá-se maior importancia ao espi- 
rito.— Uma alfaía, um movel tem necessaríamente uma 
fárma, porque sSo a matería modiflcada d'este ou dV 
quelle modo, e n9o se póde dizer qne tenha uma fi^ura, 
porque esta palavra refere-se particularmente aos animaes. 
Com tudoalgumas vezes se toma fárma jioTfigura, por- 
one na verdade a figura depende da fárma externa; mas 
nfe se póde dizer figura por fárma.-^ Fulano tem boa 

Éirma de lettra, diz-se de quem escreve bem, tem bonita 
ittra, mas ningbem dírá, qne tem boa figura delettra. 
No sentido Iranslato e moral ahida é mais sensivel a 
difftren(a entre estes dons vocabulos. üm negoeio, una 
empresa, etc. , estáemboa ou má figitra aegundo ap- 
presenta bom ou máo aspecto, boas ou másapparendai. A 



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PlM 3d7 

fáma d'uiii govenio é HHMiaffcliici, «ristocrattea, aa de- 
nocratica segando eotra em siia consUtnl^o ou arraqja- 
laeBlo deparles eonstiUiti?aa e legístatiTas a autoridade di 
soberano, o poder dos fidaig os, ou a influencia do poYO.— 
Nem dos negodos e empresas se dirá que estSo em l)oa 
oa má fárma¡ nem dos gofernos se póde díier que téem 
1n« ou Bi figwraXom tudo, personificando os goTemoSy 
podémos dizer : Os govemos que téem uma fárma fi- 
ciosa fazem sempre má flgura no eonecHio uas naf5es. 

430. *- Flm, UttOte, extMmldfMle, 



Fim é termo generico que indica o acabamento oo re* 
mate de alguma consa, sem determinar nem o objecto que 
acaba, nem o modo como acaba , mas hidicando quasi 
sempre que a cousa n2o torna a existir. — Quando chega 
o /Ifn da Yida, fcm a morte, e nSo ha mais vida;quanao 
damos fim a um trabalho, acabou para nós aquelle tra- 
balho, etc. 

lámite é o ponto ou raia além do qnal nSo póde passar 
nma cousa que se eslá fózendo on está feiia. Diz-se tm 
geral dos territorios on fronteiras em que acaba, faz fm^ 
a antoridade d*um soberano e comeca a de outro, sup- 
pondo como nma linba de demarcacao além da qual ne- 
nhuma d'ellas p6de passar. Mo sent Ido figurado tem este 
focabnlo igual signifícacSo e energia.— Quando um rí- 
cafo encommenda um banquele, e diz que nSo quer gas- 
tar mais de cem moedas, ou quando um líyreiro encom- 
menda a um litterato uma obra que nSo tenha mais de 
▼ínte folhas de impressSo, as cem moedas, e as vinie folhas 
^O Umite da despeza do banquete, e da extensSo da 
obra litteraria. 

Mxtremidade é a parte ultima on extrema de algnma 
consa, e no sentido Iranslato, o ultímo ponto a que póde 
chegar nma cousa. As extremidadee da terra sao os ul'* 
Umospaizesconhecidos; a extremidade da rna é o topo, a 
esquina em que ella acaba ; uma pessoa está na ultinia 
extremidade quando caio em summa miseria oo quandN> 
nma grave doen^^a n3o dá esperanca de melhora. 



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308 FIN 

Termo^ yem mais dc pressa do grego répjtia, qne d« 
mm terminus, de que 08 Ilalianos e Caslellianos fizerao 
terminoi significou anligamente, como na lingua primi-' 
ttva, marco, mourSo, com quc se demarcaváo as lerras, 
fronlciras, elc, e d'ahi se lomon pelos limites, ou extrc- 
midades de qualqucr rcgiaío, provincia, ou dislricto dc 
cidade ou villa. Diz-se aínda lioie termo de Lisboa, termo 
dc Coimbra, clc. ; e Hcrodoto dizia: x¿cfi»rx tupbinm^ como 
hojc dizemos, confins, cxlremidadcs da Europa. 

481. — Fliiiplr, sliMular, dlmimular, 
dlsfar^ar. 

Refcrcm-sc cstas palavras aos varios modos quc ha dc 
occultar qualqucr cousa ou fazer que nSo se prescnte tal 
qual ella é. 

Fíngir^ do verbo lalino /in^o, significa, no sentído mo- 
ral, contrafazer alguma cousa, imaginar o quc nSo é, scr- 
vir-sc de falsa apparencia para cnganar, e em gcral loda 
a imitafáo da rcalidadc. 

Simular é o verbo latino simulare, encubrir a rcalídade 
dcbaixode apparencías enganosas; é mais restricto que 
precedentc, porque s6 sc applica ao homem e em ma- 
tcria dc coslumes. 

Dissimular é tambcm vcrbo latino dissimulare, c si- 
gnifica calar o que é, occultar seus sentimenlos, seus dc- 
sígnios, c por ventura simular o conlrario do que sc quer 
occultar. — A díssimulagáo fórma parte do fingimento; 
um occulta o quc é, o outro finge o que n3o é.— As mu- 
Ihercs sabem melhor fingir que dissimular, porquc a 
dissimulag&o exigc prudencia c discri^ So, e o fingimento 
sagacidadc c astucia. — A dissimulagdo é contraria i 
franqueza; o fingimento é opposto á sinceridadc. — 
Luix \1 dizu que o qjie dSo sabe dissimular nlo serve 
Dara rei^í^ar. -> A disainmlaciUí nSo é odiosa como á simu- 
laQdo, diz Fr. Francisco de S. Luiz; esta é semprc um ví- 
cio, aquella é muitas vezcs util, e póde scr dictada pcla 
prudencia. Ninguem é obrigado a maniFcstar a todos os 
fcus scntimcntos; mas todos téem obriga^So de nSo usar 



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no S09 

ét falsas apparencias, eom o presupposlo de os enganar 
e induzir em erro. 

Diifargar^ que é o yerbo castelhano disfrazar^ signí- 
fica, em sentido recto,desfignrar com algum sobrepostoa 
férma das cousas, ou com diíTerentes trajos as pessoas. 
£m sentido metaphorico, p6de corresponder ou a simular 
ou a dissimularf segundo as circumstancias. — Esta es- 
pecie de fingimento póde ser crime, mas tambem póde ser 
brinco e mero jogo, e tambem necessidade e habito. No 
trato dos homens quasi tudo sio disfarces^ pois poucos, 
ou quasi nenhum, appartcem taes quaes na realidade sSo. 
Quao feios e horrorosospareceriamosuns em presen^a dot 
outros se n2o nos disfarQOssemos ou antes mascarasse« 
mos!.... Mas os disfarces nSo mudSo a pessoa, escondida 
ou descol>erta é sempre a mesma. 

452« — FÍ11O9 delipado. 

No sentido recto, destingue-se /ino de delgado em que 
este refere-se quasi sempre á espessura, e aquelle ao 
qne nSo é grosso.— Uma taboa é delgada; fío do panno, 
bíco d'uma agiilha, fio d'uma navalha de barba, é/Sito. 
— No sentido translato, fino é mais usado que delgadOy t 
designa que é de boa qualidade e delicado em sua es- 
pecie, que é subtil, agudo, penetrante, que obra com 
primori etc. Veja-se Deiicado. 

433. — Fio, corte, sume. 

Fio é a parte mais delgada dos Instrumentos cortantea; 
^órte é ofio poslo em acgáo. —Jfia'&c um culello, e com 
elle se cor^a a carne. Dá-se fio a uma navalha, e com elli 
se corla abarba,etc. 

Gume vem de acumen latino; diz mesmo que fio, maa 
é palavra menos vulgar, e mais poetica.— Espada de dous 
gumes é a que corta por dous lados, á qual se comparaa 
iingua do maledico. 

434« — Flo (m)y a relo, a elto. 

Qoando os objectos vSo uns após ouUro8« formaoido 

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310 PIO 

umm liAhft, om €oim /Io, fSío a /la; «laado eoBtiBBioseii 
interrup^So, ou sem notavel intervalfo, vlo ou Tem a rdt«; 
4|uaiido segnem via reeta^ aem escolha de caminbo, vlo 
aeiío. 

Dix-se que am jogador gfidia tantos jogos a fio^ quaado 
Mia serie nSo perde neuhum.— ^«-«ta é expressao ao*- 
tiguada que e<|ttivalta algumas vezes á afiQ^ eoaio ncstes 
casos : « Bat«o^ a fortalexa irex diasa reio ;,vigíoa 
48 lioras a t9ío;9 isio é, a fio, sem interrupgSo. £ modo 
de fiiliar acasleihanado, porqoe reo sigiiifica serie oa or-^ 
dem de cousas que ae continaSo»*— ^ eito é expressSo 
Tidgar porlttgueza, que se usa propriamente para iiMtícar 
qiie se segue uma carreira, oii eateira direita, oa que st 
ieva todos os d'uma serie sem detxar nada de permeio, 
como naquelle lugar da EnMa: « Lcta a «ílo (malando) 
quantos encoutra (X, 115). • 

435. — Flmo, erarlo, Utesoisro puMlco. 

Debaixo. do dominio dos prtmeiros laiperadoretroma** 
006, fiseo si^iAGava propriameate o thesooro do soke^ 
rano, seu theftouro partícolar ; e o Ihesouro pablicov éesi^ 
gnado pela palavra mrwriumy etariOt era destinado aes 
gastos do Eslado. NSo tardoa muito que senSo coofaadiS' 
sera estas duas palavras, como se confandii^e suas sigoifi- 
ca(5es, eaínda se confundem ainda ho|e nos Estados, onde 
se n2o faz diííerenga nenhuma enlre o erario privado do 
sobcrano e o pviblice da na^. 

Erario é lermo mais proprio íallando dos govemos 
d)So1utos, como erSo os dos Imperadores romanos; lAe- 
iomro couvém mais, e é mais usado em govemos represen- 
tatívos. i^tico representa em tempos modernos o direito 
que o thesQwro iem de fazer cobrar o que Ihe é ievido, e 
a acfflo le^al pela qusd elle executa os delinquentes e até 
80 apropru seus bens con/tscando'l'h'os em proveito do 
Estado. 



456. — Floresiss, ssrworedo, msitss, 
alaaiieda. 

Bepresentflo estas quatro palavras a Idéa commum de 

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fto 311 

muitas arrores jantas, mas dííTeren^So-se da maneira 
segnínte. 

Ftoreita é mata espessa e ñ*ondosa, bosque rnstico, 
natoral e espontaneo, obra da naUurzea, oomo se vé d'a 
quelles formosos versos de Gamoes .* 

Uma floretta fez verde e sombria 
A naliirezA cxperta , ^ue rodéa 
Com fllleradoiniiro a aerrania* 
iJlkg.Yl.) 

Jrwjñrtéo é menor por^^So de arrores, t podem ser 
firnctiferas e cultivadas, ou infirncttferas e sílTestres. 
Mata signífica rigorosamente por^io de terreno pof oado 
de arvores da mesma especie, e assim parece havél-K» en^ 
lendido Camoes quando disse, failando da cosla de 
Chami^ ; 

Guja «Mftitie do pio cheiroso omada. 
(Xiu., X, 119.) 

Mas em geral toma-se por bosque de arvores silvesires 
onde se criSo feras on ca^ grossa. Alameda devia signi- 
ficar rigorosamcnte mala ou bosque de alamoi^ mas de* 
signa em geral um terreno nSo mui consideravelpovoado 
de arvores, que nSo sendo nem frucliferas nem siivestres, 
nem espontaneas, sSo conservadas ecuidadas pela m2odo 
homem para seu recreio ou utiliáade. 

437« *- FloPi, ImilMiw 

FUr é termo geral qne índica a pnxkiogSo 4as ptantaf 
em^queaecontéma srmeBte, #«, eomo ditem os.botani* 
eos, a reuníSo de orgáat 4|¿e operSo a fecnada^ dat 
plantas, e dos que a cercáo ou protegem Immedía* 
tamente. 

Sotttfia é palavra privativa da lingua nortugueza^ e 
deslgna a flortinlia mimosa do campo. £ mui poetica, 
e como tal usada com frequencia de Camoes, e com par<* 
ücolar proprledade no Soncto CCVIl, em que dii ¿ 



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«12 FOG ' 

Alegres campos, Terdes, deleitosos 
Su8Tes me ser3o vossas honinaf, 
£m quanto forem Yistos das menÍDas 
Dos oihos de Ignez beila tSo formosos. 

438. — Fluido, liquido. 

ftuido^ tomado no sentido proprio, cliama-se a qual- 
qaer corpo cujas moleculas téem entre si tSo pouca adhe- 
rencia, que cedem á menor pressSo, e se movem com 
muitíssima faciiidade; taes sSo o ar, os gazes, elc. Em 
sentido fígurado applica-se ao estylo d'um escrito que é 
corrente e facil, e entSo se usa como adjectivo. 

Liquido é aquelle que, como a agua, nSo manifesta im- 
medíatamente ao tacto mais que uma debil resistencia ; 
porém bastante sensivel sem embargo para indicar sua 
presen^a ainda no estado derepouso. NSopóde ser colhido 
ou apertado entre os dedos como os corpos solidos ; nSo 
póde amontoar-se, nem conserva mais figura que aquella 
que obriga a tomar a yasilha em que está, conservando 
sempre uma superficie parallela á superficie da terra : 
taes slo vinho, o azeite, os metaes derretidos, etc. 

O que é fluido nSo póde palpar-se, nem ntanifesta sua 
pressáoao tacto quando esta em repouso; porém conhece- 
se sua existencia com certeza quando esta em movimento. 
Assim que nSo podémos dnvidar do incremento que toma 
ar atmospherico ao experimentarmos o embate que em 
nós faz qnando nos expomos a um venlo forte. 

fluido é invisivel. O liquido, quando em pequena 
quantidade, toma naturalmente a fórma globosa. Isto se 
póde observar no azougue que se deita sobre uma mesa, e 
na agua que se derrama n*uma taboa coberta de pó,como 
no orvaiho matutino que em camarinhas brilha ao nascer 
do sol sobre as folhas das plantas. 

439« ~ Foffueira, pyra. 

Fogo em portugnez é a raiz da primeira palavra» e fooo 
em grego, idtf^é a raiz da segunda ; significa pois cada 
uma d*ellas a mesma consa em sua respectiva lingua. Cooi 
tndo aFHmeira é Tiügar, e designa em freral aqaeiia por- 



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FOL 313 

00 de malerias combusliveis que accesas leyanlSo muita 
chama, e a segunda é poetica e designa particularmente 
a fogueira em que os anligos queimay§o os corpos de 
seus defunctos. Ainda hoje podémos usar a palavra pyra no 
mesmo sentido em quea usou HomerO) dizendo no Canto 1« 
da Iliada : 

.... odsl Ik TfiyJpóA vexúuv xkIovxo Ba.fiu.KL 

Que mui bem se traduz : 

D*empestado8 eadavres bastas pyras 
No argivo arraíal p'renes ardi&o. 

440. -— Folsa , folsuedo. 

Derivadós estes dous vocabulos do verbo folgar, s6 se 
diflerenQ3o pela termina^So edo, que jiinta á idéa prin- 
cipal a de prolonga^So, maior extensSo. Signifícando pois 
folga espago de tempo applicado ao ocio, certo des- 
can^o do corpo e recreio do espirito para se repousar e 
cobrar for^as; folguedo serk folga grande e coniinuada, 
talvez gostosa e alegre,sendo a expressSo natural de quem 
fóiga.m sentido em que disse D. F. Man. « Tem já folgado 
todo Lisboa, vai agora pelo reino acima {cart 51, 2 cent.). » 

441« —- For^a^ enersla, efflcaeia, 
Tioleneia. 

For^a é vlgor, a potencla natiiral ou artifíclal que 
tem qualquer pessoa ou cousa para obrar. £ termo gene- 
rico, tanto na ordemphysica, como na moral, cujas pro- 
priedades, ou qualidaoesprincipaes, se indicáo pelasoutras 
trez palavras 

Quando a forga obra com actividade, dlz-se que é ener" 
gica^ e a esta qualldade chamdmos energia; quando é tal 
qie produz sempre o seu effeifo, diz-se que é eflícax^ e a 
eala qualidade cnamámose/pcacía; quando sua actividade 
idemasiada ouse produz com impelo diz-se violenta^e 
t eata qualidade, ou accidente, chamámos violencia. 

Asfím como na ordem pbysica se observlo a cadapasso 
U 18 



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lík FOR 

«ttefdlfferente«efreUo8, tambemna ordem moral sáo elles 
lÁi menos ftensíveis. — A energia da exprefóáo dar ?Mv 
«• discurso, e augmenta ifarga áo radocinio. Quando^f 
iopplíca é efHcaz, nSo ha eora(3o (|ue tenha /brpa pmr 
resislir-Ihe. A vioUncia da^ paixdes resiste mnitas rezes i 
farfa da raz9o, e arrasta ocora(So áo homem a etcesiMMf 
que taWez condemna, mas para sair dos quaes nio fettf 
hasUmte/orpo. 

472. — Forf »y ÜMrÍiaeMw 

Ambas estas palarras rem defitrtís, forte»es« conlbn- 
dem na lingua rranceza em force^ mas em a nossa se dif- 
feren^So bem conhecidamente. 

For^a é, como vhnos no artlgo precedenté, o rfgor, a 
potencia natural aue tem alguma pes^oa ou cousa para 
obrar. Forfalexasigniñca princípalmenteuma dasqnatro 
Tirtudcs ca; diaes» que é uma forga grande de amhno parar 
▼eneer Irabalbos, airronlar adversidade», soffirer dores e 
padecimentos. — Todaa forga dos lyrannos e de seus saf- 
tdytes nio póde tencer a fortalexa dos martpet doi 
dirístiaQisoQUK Y^a-seFortaleza» 

Ambos estes adiectiTos se derivSo de forga^ mas cada 
nm d'efle» femdííibrettfe tsier. F9r^é$6 é oque tem for- 

gis corporaes. e sabe wtrÁf^ d'etlas. Esforgado é o qne 
m esfor^). e valenle, e animoso. Péde um homem ser 
fijrgoeo e nao esforgadú: istoé^ ter for^ plrvslcas, e fiil* 
íecer <fe animo e coragem, e vlice ver$a. A antSo m duas 
qpafidaffes fat os homens famosos. Ambasr eifas contorrSDO 
na T»essoa de David, comofnttito bom díssr Víeira : e AqjBuÍÍñ 
soloado tSo esfoTiado^t Vko forgosOy quecom asr m9oa éen 
•armadas esealapra ussos^, e arogaTa feoes (T d07). r 

444» — l*Arma, térwuu 

A miAin^ éo aeceifo TMjal fiu? chiB' ifM mbs- amm 
palaTrasigníÍquedtta» hiéas diflerenles, que a miuteMáe 
Iff wraB C fa r fateomqnesefiü^^imflnidie: TMCHfiMrfie 

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í 9em a üngiia ^ncm, «eiB a ttaliana» msm a 
»tttelMau J» ^Hma tiwnmmwám iáéns com t aema 

MriM i, oMMamiQamm, o^detehoinaanaterU 
aaer tal oa Ul cqusaí e /^^ma é «aMe, modeio oa tjpe 
B^Bdo o qiftal $e faz on affei^ «Iguoia eouM, 0« este 
H^ waaftdo em foe «e ileíta eausa liqai^a ou molle, oq 
lucico aobre o giial se cK fei^ a algunui cousa, ou olurf 
Mru.«oacio é ñfárma de »apateirou ^Para ^ um aapatc 

leiiiai»oafc$rmai aústorqmea/drma seia bem feita Por 

muibonita que seja a/'drma de lettra d'um caligraphou 
ii8oetéaorc«ntor«omo4(^ma)da ietira de ^4^rma. 

44tt.~mriimlMadibeai5 toinuuliiau 

FoñnmvUMei é nm tenno 4e jnrUprndencia. EDteade^ 
ae por eaia palavra certas ctausuías ou condicSc*, de qae 
actoft4e9me»taraiMoriz0dospara6eremligitimos. Cba* 
mlo-se formulas certas palavras ou ac^oes consagradas 
pelo Dso em determioadas occasioes. — Esqueceo neste 
negocio uma /brmafídade essencial, pelo que nlo é yalido 
OQiitracto, ^ Toda a poUtica do$ cortezSos consiste 
•rdíMriwente em t2s fK^malidaá^i. 

440« ^ F^irmlitaTel, temlTel. 

eonsas qne presentSo «m 
idavel indica tnn perígo 
i um perigo mals distante. 
ide nrn reino é fcrmidaiwl 1 
Inuamente suas íbrtas e sen 
repenifna d'uma eousa qoe 
es 011 caiamléadesé fcrmi' 
>so é temivet. — O exereiio 

de lersesao subir pelas Termopylas era /brmidooaf/a 

utí» de Nero era temiteL 



447. -^ F^rmMOy yeittll, yalMite. 



Tfido qne tem fórmas regulares, e ordenadas com jmlt 
fropor^, é formoio, Dii-ee daa eotsta e dta ittitas. 



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S16 FOR 

porém mais das mnlberes qne dos homens. Vieíra dissi 
farmosoSf fallando em geral, mas quando applicou esta 
qualidade a AbsalSo, cbamon-Ihe gaihardo e bello, e nSo 
nsou da pdlavra abslracta formosura, senSo geniileza : 
« Muíto estimSo os homens a gentilezct, ., ; masperguntem 
08 formosos a khsMo (y,441). > E traduzindo o ad- 
jeclivo lalino pulchrum nSo disse formosOy senSo gentil 
homem : • David, mancebo mui valente, avisado, gentii 
homem, virum pulchrum (V. 511). • E ainda o repettio 
na pagina seguinle. Veja-se o que dissemos no artigo 
Beileza. 

Ao que é formoso com a addi^So de amobre, gracioso; 
elegante, chama-se gentil. 

GalantCy segundo a sua origem gala que em ítaliano 
signifíca alegria, refere-se mais particularmente ao bom 
gosto, concerto, gra^a e ornato nos trajes e atavios; e no 
sentido fígurado tudo o que manifesta mimo, meiguice, e 
que talvez excita amor e contenta aífeclos de ternura. 

448. — Fortaleza , eonstancia. 

A fortaleza era a virtude por excellencia entre os Ro* 
manos e os estoicos, e consistia principalmente em soíTrer 
a dor, supporlar os trabalhos, e aírrontar os perigoS) 
como disse Cicero : « Fortitudo omnis in dolore, aut in 
lábore, aut in periculo spectatur (de N. D. III, 15).» E 
qSo se límitavaaos negocios daguerra,sen3oque se exer- 
da tambem nos interiores e de casa como diz o mesmo 
philosopho : •Sunt domesticce fortitudines non infe-' 
riores miUtaribus (de Oíf. 1, 22). » A divisa dos estoicos 
era : « Sustine, et ábstine ; soflre, e abstem-te. > Chama-se 
entre os christSos cardial esta virtude, porque é uma das 
quatro que s2o as principaes ou fundamentaes da vida 
virtuosa. 

Constancia éa fírmeza do animonasboasresoIu^Sesj é 
proprio da constancia nSo variar, apezar das contradi^oes 
quese presentem ou dos trabaíhos e desgragas que possSo 
sobrevir; é por assim dizer a fortaleza em ac0o pro- 
longada. 

Admirámos em Nuno Gon^Ives, capitSo do castello dc 



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roR 317 

Faria, a fwrialexa eom qae se honve com os castelhaDos 
resistíndo a suas promessas e amea^as , e a amitáneia 
com que soffreo os tormenlos que elles Ihe derSo em 

Íresen^^ de sea íilho, a quent dizía, segundo o nosso 
orte (Veal : 

Estai firme, eonstante, estai seguro : 
Que meoos é morrer que ser peijuro. 

Os heroes lusitanos qae avassallárSo os mares, e leTan- 
tái^o triumphantes as quinas portuguezas nos piuros de 
Goa, Diu e IVlalaca, nSo s3o menos famosos pelo-denodo e 
far(a de animo com que se arrojár§o ao meio de tantos 

Serigos, que pela constancia com que supporlárSo tra* 
alhos ioauditos e desgostos com que a ingráta patria os 
amargurava, sem comiudodeslizarem da vereda da honra, 
do brio e lealdade portugueza, cuja saudosa memoria n9o 
'perecerá em quanto viver a iingua em que o vate portu- 
gnez cantou : 

üm Pacheco forUssimo, e os temidos 
Almeidas, por quem sempre o Tejo cbora i 
Albuquerqueterribil, Gastro forte, 
E outrosem que podér dSo tere a morte. 
(¿u#.,I,14.) 

Em nenhum dos philosophos estoicos se encontra talvez 
um trecho que com mais energia exprima a canstante for- 
talezaye commais eloquencia a inspire, do que o segumte 
de Yieira : « Os reis podem dar titulos, rendas, estados ; 
mas animo, valor, fortaleza, constancia^ desprezos da 
vida, e as outras virtudes, de que se comp5e a verdadeira 
honra, nSo podem. Se Deos vos fez estas merc^, fazei 

pouco caso das outras, que nenhnma vate o que custa 

Se n2o beijastes a mSo real pelas mercés que vos nSo fez, 
beijai a mao de vossa espada que yos fezdignos d'ellas.... 
Se tivestes animo para diar o sangue, e arriscar a vida, 
mostrai que tambem vos nSo ñilta para o soffrimento. 
Ent2o balalhastes com os inimigos ; agora é tempo de yos 
▼encer a vós. Se o soldado se vé despido, folgue de desco- 
brir as feridas, e de envergonhar com ellas a patria, por 
quemas recebeo. Se depois de tantas cavallarias se vl a pé. 



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lii fOfi 

lcttiit «iitpQki nmsB Woatr d^art o<9i de teim MowIwíí^ t 
s0 0B fifliae Y¿ ttprm á fofne, dfUw'^ mrrer, e viitgvo- 
M. P0r(léi««p4ia mem o Dio aiiaieiiU, e per4eri ouiroi 
Quaiüi&ciMi e«ie deiengaM (Ui 285). » üaigci sttbliODei t 
aquelle deixe-ie morrer e vingue-se, que uáQ Aiiisa Mlda 
a invejar ao ^H'/ mourut de Corneilie. 

449. — Foptaleza , eid»de fortlfleada. 

S3a (ermoi dftArUmiHUr» que é snister nSo confUndir. 
4& forUa^Mi (UQéirenglia^se da$ eidadei forti/kadoi^ 
9ÍQ ^óoieQte porque occupSo m espa^o wis peqneno, 
f eniQ ta9ü)em porque eil^o gerdlmenle occupadas e habi- 
ta<tos por miiiurei. Ai fortalexos ^o covlo umas cidade^ 
lai dasUnada^ 9 eooservar (ran^Uoi ImportaAteSt ou a 
oecopgr aiJ^ura& mbre que Inimigo pod^eria esiabeleeer- 
le vamajo^weule, ^ ^ putro$ ob)ectoj$ de mi& ou menoi 
importancia. 

£ntende-se por cidadefortificada, a que tambem se 
chama praga, umaiiovoa^ cmadad^ murf s e baluartes 
qne a defendem eontra inimi|;o, e que ívlém dagoarni^So 
contém numeroAa popidaQSo. ^ A pra^a d'Elvas é uma 
eidade fortificoAas o forte da Gra^a é uma /ortaíeza. 

4^ -^ jporiulto^ 4i^<^ld€iKl4il« 

A diíTeren^a entr^ estea dom vocabulos consisteem mie 
ofartuUo esiá f6ra da previ£$o tiumana, e accidénw 
eitá dentro do Qirculo da verosimiil^nQa Unia chuva de 
pedra que deiitroeas searai, a$ horias. os jardini, ^ um 
wofortuito; porque é cousa que náo se espera. Vm 
cbeia que alaga 9$ íe;íiriai e )eva as sementes, i um caso 
úmdentalf purque acootfce com ftequencia e se deve 
prever. — A queda d'um cavailo por iropcgar 00 camiuho 
e acmdei(t44iíL A mor(« d'este mesmo caviU^' ferido pe)» 
haliad'um ladrio, 4 um easo/briuito. 

4tfl. -<**Fertuiiii9 aea«o , norte» fod9« 
deftiteoy eatrello, irenturiu 

Todas estas palavras se referem ácausa incognita qve 



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roft m^ 

M amiipM pagf 06 «rérf o ^rcsidlrao acK« dM omms. 
Ei8 aqni suas difTerenfas. fz\\t da fortuna vm illostra 
piftmm d'dia ftiTDreeiáo, ed'ella fluáCraMa,nAa que 
a soobe desprezar como ella merece. 

c Yariamente píntárSo os antigos a qoe elles chamário 
fartuna. Uns ttiepoMriona nio o mDOdo. otitros oma 
cornocopia, outros um Jeme í uns a formarSo de ouro, 
outros de Tidro, e todoft a fiiérSo cega, todos em figura 
de mnlher, todos com ms bm pés, e 09 pés sobre uma 
roda. Em muitas cousas errái^ como gentios, em outras 
acertárSo como experimenlados e prudentes. ErrárSo no 
DOiiio de fortuna (de fón) qne signifiea eofo, ou fado; 
orrárS^ na eeguelra dos olbos, errárlo nas fRsigntas, e 
poéeres das maos; porqneo foremo do mmdo, sígnifl- 
oado f» leme, e a distrilnilc9o de todts as eonsas, signi- 
leaéa na comneopia, perfenee sómente i Proridencfa 
Divtoa, a qmd, nio cegamente on com os olbos tapados, 
mas com a perspicacia de sita sabedorla, e com a balan^a 
de sua iusti^ na mSo, é a qne reparte a cada nme a todos 
» ^e para os fins da mesma proiidencia com allisslmo 
eoiiséiko iem or denado e dispo«te. AeertárSo porém os 
mesmos gentíos na fígura quelhederSode mniherpella 
ineonstaneia ; nas azas dos pés pela f^loddade com qoe 
•e ttvéa, e sobre tudo em Ih'os pdrem sobre nma roda; 
porqiie nein no prospero, nem no adrerso, e mitito menoi 
no prospero teve jamais firmeza (Vieirá , Ylll, 4). > 

fHo aereditftmos nós, como ospa^s, nessa dfrlndade 
eapríchosai Injnsta. inconstanle, e cega, mfts consenrft- 
mos a nalavra, e multas vezes nos exprlmímos como se 
(6ra etni que repartira aos bomens os snccessos prosperos 
e advertos, quando nSo aIcan(ftmos a causa d'elles. 
mesmo Vfeira haTendo dito num sermlo, em qnefózia al- 
hisio a sl mesmo, qpütando estivera no Santo Oíllcio, que 
melhor meto de desarmar a fortuna é de se cotlocar no 
nltimo Tngar, aJunta : « Só quem soube fazer esta elei^So 
desarmon a fortuna, Oh qne glorioso trophéo ! A fortvna 
iespojada de suas armas» e ao pé d'esses despojos aqneHe 
rcrsor 

Maior sum quám cuipossitfortuna nocere. 



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320 FOB 

Assim se desarma a fortuna, que só é forle com as at- 
mas que nós ihe damos (V. 214). • 

£ ainda bem contiecido e citado entre os doutos aqaeile 
celebre verso latino : 

Audafi fortunaiuool , tímidoiqu9 repeUiL 

Só do8 ousados foi sempre 
A forluna companheira ; 
Do Gobarde que a teme 
loimiga rerdadeira. 

jáeaso, antes casOy do latim castis (de cadOy ceeidi, 
ea$um, cair, acontecer), toma-se algumas yezes em iugar 
de fortunay mas referindo-se nSo a uma seríe ou enca- 
deamenlo de successos, sen2o a nm só que fortuitamente 
acontece, como disse Vieira fallando do jogo : « Nos dados 
e nas cartas nenhum lugar tem a raz3o e o iuizo, senlo a 
temeridade e o ca$o (YIII, 253). > 

Sorte, em iatim sors^ que Ainsworth deriva de ipo^ 
{^ód res dublas definiat\ approxima-se de acaso^ mas 
differen^a-se em que aqueiie refere-se a um acontecímento 
só, e esta supp5e differentes e uma ordem de divisüo ou 
partilha ; nSo se Ihe attribne mais que uma determina^So 
occulta, que faz permanecer em incerteza até ao momento 
em que se manifesta; d'aqui vcm dizer-se : ter, caír 
em sorte. 

FadOy é a palavra latina, fatum^ aportuguezada (a 
fando, Dei factum, id est, dictum, decretum)^ que entre 
os pagSos signiOcava a vontade, os decretos dos deoses, 
como diz um poeta antigo citado por Servio, in JEn. 2 : 
Fatum est quod dii fantur. Entre os chrislSos, fado é a 
ordenan^a das cousas humanas segundo os designios da 
Providencia, ou aquilloque Deos ha resolvido a respeito 
de cada um de nós, como mui bem disse Mínucio Felís : 
« (^id allud est fatum, quám quod de unoquoque nos' 
Érúm Deus fatus estf» Os antigos divinizáráo tambemo 
/ado, mas n2o o confundiSo com a fortuna^ porque o 
prinQipai caracter d'esta era ser inconslante, e o daquelle 
o serem irrevogaveis e necessarios seus decretos. que 
elles cegamenle attribuiáo k foi^una e ao fado^ o atlri- 



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FOR 521 

baem os christSos á Providencia, como optimamentedisse 
90SS0 Camoes : 

Oecultos 08 juizos de Deos slo! 
As genies vas, que n9o os entendérSo, 
€bamSo-lhe fado máo, foriuna escura, 
Sendo só Proridencia de Deos pura. 

(£tt#.,X,3S.) 

E depois d'elle Yieira : « Nós porém sabemos que nSo 
lia faw mais que a Providencia divina, sempre livre, e 
lodo poderosa (V. 490). » 

Destino é paiavra de todas as linguas neolatinas, for- 
mada do verbo latino destino^ destinar, o qual vem de 
grego ffTc/va», que se pronuncia stinoy e a que se juntou o 
pretixo de ¡ vai o mesmo que <rr<v¿u que significa apertar. 
Destino parece ser o mesmo que/ado na linguagem my« 
tologica, e os poetas usSo um por oulro como fez Camdes 
na Can^So X : 

porqae passasse 

qoe qulz o detlino nunca maDSo. 

Mas fado exprime parlicularmente a vontade irrevogar 
vel dos deoses, e destino a execu^ao de seus decretos que 
apertSo o homem e o ievio necessariamente áquillo a 

Jiue está destinado ; e neste sentido disse o mesmo poeta 
allando de Nuno Alvares Pereira quando passoa ao 
Alemtejo : 

Ajada-o seu destino de maneira 
Que fez igual effeilo ao pensameDto. 

(£»*., IV, 46.) 

O destino é uma divindade allegorica a que os poetas 
attribuem o conhecimento, a vontade e o poder, cnjos 
fins s2o fíxos e determinados. Representio-na tendo na 
m2o uma urna onde está encerrada a sorte dos homens, 
e debaixo de seus pés o globo terrestre. Seus decretos 
erSo irrevogaveis , cuja execu^Io esiava confiada ao 
tempo; e seu poder era tSo extenso que abrangia a todos 
os mais deoses. Diz-se que tem um livro em que estáo 
escritas as sortes dos homens. 



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3» VDH 

supposta influencia dos astros sobre o dnimo ^ot ho- 
mens. Nínguem cré hoje em tal influencia, com tndo res- 
%o ainda as expressoes flguf adas de : nasceo coQi boa on 
má eitreUaj ser tevaáo por sua e$tnlla^ et£. ; que dizem 
mesmo que : nasceo paraser felic oo infelii,qiiiz a pro- 
Tidencia que, tU. 

£m fim a ventura nlo fórma nem ordem nem desigiiio; 
flio se Ihe atirlbue nem conhecimento nem Tontade j e 
suas decisOes sio sempre mui tncerta^, jior isso se dfar : 
a Deos e á xentura. Tpma-se ás vezes por n^ forfiffMi^ 
^mo se Té em CamSes, qne disse : 

LAoul) 019 trpMXf UQB Xmw* e ter«, 
Miolia fera venHra. 

«RMK. X.) 

Outras T^zes se toma por boa sorte, dtta, bom exilo m 
S(!^ma empresa,como se lé em Lucena, queCaHaadodos 
iSéitos do Gama no descobrimento da India, diz : « Feitos 
d'alta ventura. • E m memo lentido disse Yíeira : « As 
Irez parles do bom negomnie aío eab^, diligencia e 
mntura. > E moralizando esta sentenc^, accr^sqentou : 
«Para a negoeta^So do céo a (odos dá Deos o eabedti, a 
todos oflereee a ventura^ € só pede a diilg^efa (11, 2). » 
f eja-se Afortunado, e o ariigo segniale, 

A palavra fortuna^ como acabamos de vér, em sea sen- 
lido recto, cxtende-se tanto i boa eomo i má sorte, e s6 
noprimeiro d'estesseqitidos pódeoUiar-se como synonvma 
de dita, porém a voz fortuna representa aquella fefici- 
dade physloa e raaterlalaieiile, a voz Mta a r^pesenta 
Bifralmente, isto é, «ra quanto eausa satisfa^^o a# ^oe a 
possue. Asiim quc a primelfa é nais propria para expli- 
car Í4^ro on posse daquelles bens que por udmi espeei« 
ie eomr«n^ geral se olhio eeiae a fiQlieidade d*eata Tida ; 
V t segdoda se applica maís proprlamente to gozo 4*8« 
qMUes que teoi verdadeipamente por taes o que os üs« 
fruela, sem neeessidade de que oe qualiflque a opUKti 
poraue satisfazem seu gosCo ou seii dmé^ 



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Ha muítos homens que téem a fortwna de ser rieos, e 
oem por isso logrio %tt áiÉoáOS} pdrént» «9 ^nt: ^trio, 
bomem prudenley atoidoiradQí éa fwtunet ^ póde ser 
MoiOj se sabe conserfar em sua desgra^a a innocente 
paz do coracSo, e a doce trauquillidade do animo. Veia- 
se Feliz. 

Toma-se muitas vezes a voz fortuna pelo mesmo bem 
piiyiieo ; p«tfé«r nlo^ se póitf htw tmmo tíso da toz 
ám» M étíotfírt repfes»eiif« tfm goto moraf; é m\ta 
BStf podeititolftu4f-9e á^^ells^ nestes ^etnrrfos r Aigtíits 
ñun» waam tempo^ granMle f&tttmá íié Indísl; qtfad^ 
pcriga & homdef e safeyífieaf ^ n fofttma t a tída. 

ítíálM eáM jMiIatras ^e teftfem á nKo exisieneia át 
9$r(¡Éi, com a (fmereti(a qtfe á prioieíra indiea em gffál a 
íidlár d<r íbr{aS) ou nSo ¿erem bastanCes, ou ^er ■m 
coQsa pouco firme ou consistente, ou que facíTmente se 
quebra, se rende,, etc^ como anniNicia a origem da pala- 
vra, que vem átfrangú, fragilís, fractus, elc. ; e a se- 
gqnda indica decaden«1a de forfas, p^ne »e gaéléfSo, 
fimmuírSo ou perdérSo. — UnrMeiifBO ifrae^f poffM 
seas orgSíos sSo ainda mui deücados. Um velho^é dciií, 
porqme seus orgSios estSO' gastaéotf-. *^ A^lo^ a ipra fdlta 
a for^, vig/or^a robtísiez^ é á$iih • komem qne falhecn 
de foftaleza, de conslancia, de val#r« é firueo. -^ üma ctm* 
adtuÜfSo fraca^ muíia» vezcas» fortiftca eehn omoilmNlo 
cxercicío; uma saade débU qpas» sempre át iÉelb#niewi 
a temperan^. Toda a demazi»etifiíaqBcc« e diMKéa # 
bomem mais forte e robusto. 

Camoefr disae de Dom FerttaRdo 2 

dué ttiD /foeo rfei ÍAt ffaeaá fartA f eoce^ 



Qu» btii» amoe m foi4t8^Di«8i|o«dk 

CLiM., 111,1», laiO 

B faUando do mura da Mabca Mififo par Maga- 
bdes, disse: 



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lih ntA 

i 

Depob, Já capitam forte e maduro «. 

GoTernando loda ^ Aarea Gbersoneao, 
Lbe defeodeo co' o bra^ o detrtí muro. 

iSleg.lY.) 
454. — Frasll, deMI. 

Estes dons adjectivos desi^So, em senti^ moral, om 
sujeito que muda com a maior facilidade de disposicdes 
por falta de resolu^So. O fragil diíreren^a-se do oMl 
em que o primeiro cede a seu cora^So, a seu pensamento; 
e segundo, aos impulsos estranhos. A frauUidade sup- 
p5e paixoes violentas; a dehilidadej inac^So, e falta de 
vida no animo. homem fragil obra contra seus prin- 
cipios ; debil os abandona, e se guia pelo parecer dos 
outros. O homem fragil esta inct>rto do que fará, o dehH 
do.que quer ou deseja. A fragilidade acha remedio nt 
medita^ab philosophica;a dehlidade nlo, e compraz-se 
na inercia. 

455. — Fraipll, quebradlfo. 

Posto que Tulgarmente se confundSo estes dons roca- 
bolos, rigorosamente fallando diíTereu^So-se da maneira 
seguinte. 

Chamlo-se quehradi^oi os corpos eojas partes se se- 
paHío facilmente nmas das outras pelo choque, oo que se 
fezem peda^os; chamlo-se /ro^eit os corpos qoe por soa 
consistencia elastica e debil s9o faceis a dobrar-se, a en- 
corvar-se. Assim que, o Tidro é quebradigo, a lanca é 
fuebradifa¡z vergontea d'oma planta, om rime, é 
fragil. 

Diz-se no sentido figorado qoe a fortona, os bens do 
mondo sSo quebradifos^ porqoe o que os disfrocta está 
exposto a perdél-os ao menor impulso. Mais se iiia porém 
fragil, pvra indicar o que é perecedouro, nSo durtfeli 
DÓrmentc fallando da vida, como disse Gam5es • 

Aqui Tejo oaduea e debil gloria 
Desenganar meu erro eo' a mudanc« 
Qoo fu a firfll vida tranaiioria, 
(^ieg. IIL) 



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% 



^^^ 325 



56. — Frasranei», aroma. 

Fragrancia pcrtence exclusivamente ás ñ(íre& em <pi. 
senlido proprio. Tem fragrancia uma rosa, um cm? um 

drogas edas arYores que o produzem. É aromatical 
arvore da canella.. do cravo, áo alcanfor, da pimenta O 
aroma suppoe alem d'islo uma causa permanente dP A./, 
grancia. Esla suppoe um effeilo passagdrrerseu t^^^ 
nalural; e por meio da arle algumas vezes sX duwel 
FYagrancia explica a idéa d'Sm cheiro graL?porém de 
pouco lempo, como é a vida das flores; ear^rSim 
a idea d'uma larga duragSo. cxpnme 

ASl.-^WnneOf leal. 

Franco tomase no sentido de rectp, claro, sinccro 
que diz sem disfarce o que sente. Diz-se um homem' 
franco uma alma franca, um proceder /ranüo, elc. 
f.,.AÍi ^^"'^ . ^^^- Usava-se esta palavra na iinguageüi 
fcudal para designar iim vassallo fiel ás leis que havia i¿. 
rado observar respeclivamenlea seu senhor. Actualmente 
diz-se da fidelidade com que se observáo as leis da probí- 
dade e da honra. ^ 

O homem franco tem sempre por guia a verdade, e a 
diz ainda que seja contra si proprio, íoge o dolo e o dis- 
larce, e claro e exacto em suas explicagoes. homem leaL 
unido pelos la^os da sinceridade a todos os deveres dá 
jusii^a e da equidade, faz sinceramente e sem dissimula- 
yáo tudo que exigem estes deveres, e os cumpre exac- 
lamente. homem /ranco tem um caracter verdadeiro; o 
homem íca/revéla este caracter por sua ingenuidadc, por 
sua nobreza, e pela candura em suas maneiras. 

Pode-se ser franco sem ser leal, isto é, póde-sc cstar dis- 
poslo em tudo que se faz a náo fugir nunca da verdade e 
sinceridade, e nao ter as qualidades que constituem o ho- 
mem leaL Porém nlo se póde ser leal sem ser franco, 
porquc a lealdadc comprehende necessariamente a fran- 

^ 19 

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326 Pü£ 

aaeza. Eis aquí porque se diz : franco e lealy t nSo irole 
franco. 

A franqu§$Ba «ra • cantder ilfstnictiTo dos antigoi 
conselheiros de dossos reis ¡ e quanto erao escrupukttM 
M eaf albeiros portugMzes na iealdade a seus soberuMí 
bem « édxa Ter a eensitra a^t o nosso poeta }an\^on ao qoi 
4euuHi sfft rei para ir servir ao de Casteita, dizendo : 

O Magalhftfs, m feíto cooi Terdade 
Poiiuguez, porém ule oa ieal¿a4e. 

{lut,. 1,440.) 

>fó& — Frequeiite, erebr»« 

Duas paTayras Tindas do latiffl, de frequenst er$i$r, e 
indicSo ambas o que se reitera, se faz ou succede a miódo, 
mas a segunda accrescenta á pnmeira a idéa de basUdio 
eespessura; isto é, exprime uma ac^So quese repete mai- 
tas ytzes amiudadas, e por muitas pessoa& ae 
tempo. 

Frequente é expressSío vulgar ; crébro é tahez «ó l 

em poesia. Qnerendo Camoes exprimir vSo só a {remm' 
eia dos snspiros, senSo tambem a multidáo eimuUmm 
dos amantes que na ilba encanlada os exbalav2o,d¡ise: 

Cr«ft«rDt wniirot pdo ar soavio, 
Do8 que rendos vSo da setta aguda. 

(¿iff.,ix, a. 

459« — Vreseiara, frese». 

A pre$cura indlca nma temperatara igual,que laai 
Mma quanlidade de frio que de caior. O frescoéoei 
feito agradavel e salutifero da freecura nos seres aeoii- 
vtís. Enfirescura á sombra das arvores, nas margevdos 
rios, nos subterraneos e cavemas. NSo ha senio fiescMfo 
netíitB li^ares, se se considerSo separadamente, üuead» 
abstrae^ao dos efTeitos agradaveís que elia prodoziM 
seres sensiveis. Porém estes seres que gozlo dot dítos 
eflfeilos agradaveis sentem com prazer o frecca» goz^ ^ 



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FRI 327 

freico e respii^o o fresco, — Tomámos o freeco no verSo 
porqne «e «podera Ae nós a sensaclo agradarel qae pro- 
^E a frew c w i' ñ ;«Tiio1omln)08« freicura, p«rq«e 3 /res- 
úurm é iima causa qoe sníbsiste -por si s6, e mdependente 
édB •qoe eKperimentao sens eifeítos. 

460. — 'Fjritroto^ rufll. 

Estas dnas palayras dizem-se igualmcnte das cousas 
tSs, ligetras, de pouca importancia e considera^Io ; e tam- • 
bemdos homens que fazem uso d'estas cousas, e nelias se 
occupSo. 

S2o frivolos os objeclos quando nlo Xttm necessaria- 
mente ffdia(|2o oom 1O6S0 lieiBestar nein com a poríei^áo 
moral de nosso ser. S3o frivolos os homens quando poem 
eserupnloso cuidado em assnmptos frjmloi, ou, pelo eon- 
trano, qsanéo irallo 'com a menor iBdiffereo^ nbiedtos 
da maier imporlancia. 

t /utU nm •obieoto qmtndo nio tem nenhnma rela^o 
oom ontro, •quando parece que ^fasta ^ menor cuidado 
(|ae se po^ia lomar paraadqmril-o, ou para consentÍHt). 
C futil «m homem quando Hnicamente ihrtge snas vistas 
a esta classe de objectos. 

Priwlo diz*se proprfamenle dos objectos qae earecem 
de soliéeE, qne enganSo nossas esperm^s, qne saiis- 
fazem por nm momento nossa plianlasía , oa anfes qne 
lcTÍo a imagina^ de distrafdes em distra^Ses. Ftftil 
diz^ Gora propriedade das ooosasque nio téem nenSrama 
censt«^eiioío,qne sio tSs efogiti?as, qvte nlo produsem 
nenhnm vesflltado uliL 

XJffl homem frivolo ooeapa^se era seo adorno exterioTi 
perde tenipo no jogo, nos |irazeres, quando útvérdL oc- 
cupar-se dos dcTeres de seu estado ; um liomem /tiül falla 
e obra sem razSo, sem reiexio, tnoonsideradamente, sem 
objecto ou fím util. 

Um raciocinio frwolo é aquene que tem poaca for^ a e 
solidez, que facilmente se deila por terra, pprque náo tem 
fundamento seguro. Um radocinio futil é aquelle que é 
yasio de sentido, que nSo prova o que mtenta o escritor 
00 orador. Tal é de Cicero na ora^io qne recitou am 



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328 FRO 

presen^a do povo, quando regressou de seu deslerro, na 
qual se propoz a provar que devia mais a elle pelo bene- 
fício que acabava de fazer-Jhe, que a seus pals por Ihe 
terem dado o ser ; e a razáo que dá é que, quando nasceo 
physicamente era pequeno, e quando voltou do desterro 
já era varáo consular : « A parentibus, id quod necesse 
eroty parms sum procreatus; á vobis natus sum cm- 
iularii. » 

Pensamento nlo só futily porque náo prova o que o 
orador intentava , mas até ridiculo, e indigno d'um tSo 
grande homem. 

£m quanlos nSo cairSo os que nlo sSo Ciceros ? ! 

461. — Vrota, eequadray amiada. 

Frota é a reuniSo de navios mercantes dados á véla 
com objeclo de exportar e importar mercadorias d'um 
a OQtro porto marilimo mais ou menos dístanle ; taes erSío 
as que os Phenicios e Carthaginezes enviavio á Uespanha 
na infancia da navega^So; e em tempos moderuos, as 
comboiadas por náo ou náos de guerra ; laes er2o as que 
Tinháo todos os annos do Brazil para Portugal em quanto 
durava a guerra com os Hoflandezes. 

Eiquudra é uma reuniSo de navios de guerra com 
objeclo de proteger o commercio, ou de hostilizar o ini- 
migo no mar, ou em terra; tal foi a de D. JoSo de Aus- 
tria que venceo os Turcos nas aguas de Lepanto. 

Armada é o conjuncto total dos vasos de guerra d'uma 
nagSo. As vezes se toma por etquadra, mas taivez esqua- 
dra mai numerosa, bem provida de armas, ou frota ar- 
mada; taes forSo asque ajudárSo Dom AíTonso Henriques 
a tomar Lisboa, e Dom Sancho I a tomar Silves , como 
diz nosso poeta : 

Tu (Lisboa), a quem obedece o mar profando, 
Obedeceste i for^a portugueza, 
AJudada tambem da forte armada 
Que das boreaes partes foi mandada. 

Foi das vaientes gentes ajudado 
Da germanica armada, que passava, 
De armas forte e genle apercebída 
A recobrar Judeajá perdida. 

ilus., iII.STese.) 



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FüG 329 

Camoes, nmas vezes chama /rota, outras armada, á 

2ue commanda?a Vasco da Gama ; mas em rigor nenhum 
'esles nomes Ihe perlence, porque só conslava de trez 
embarca^oes, nem atnda o de esquadra^ e só o de e$qua^ 
drilha, A de Pedro Alvares Gabral, que foi depois, podia- 
se chamar armada, porque constava de treze navios 

462.— Fuffi», fmffida. 

Ambas estas palavras represenlSo a ac^So de fugir^ 
mas fuga exprime uma ídéa mais ampla, mais geral que 
fugiaa. A fuga comprehende a idéa de fuair em todo 
sentido, em todas suas accep^oes ; a fugida so se refere á 
guerra. Diz-se pois a fuga d*um preso, etc, e pór em 
fugida os inimigos. 

463. — Fug^ir^ eiritar, escapar , eirafliry 
eequlirar. 

Exprimem todos estes verbos a ac^So com que nos 
pomos a salvo de algum incommodo, trabalho, perigo, 
diffículdade, elc, mas cada um delles indica ditferenle 
modo por que a acgSo se faz, como vamos a ver. 

Fugir, com significa^oactiva, é evitar uma cousa má, 
ou que como tal se tem, aparlar-se de algum perigo. 
avaro foge occasioes de gastar ; o homem timorato foge o 
peccado e as occasioes de nelle cair. Gom voz neutra 
signifíca apartar-se com celeridade de algum lugar, des- 
viar-se de alguma cousa ou pessoa, evilar incommodo ou 
perigo. Foge o justo da tentagSo, foge o cobarde do pe- 
rigo; foge o criminoso ájusti^a, foge o corpo instincti- 
yamente ao golpe ; foge o inimigo, quando é desbaratado, 
como aconteceo ao exercilo de Mir-AImumlnin junt'o de 
Santarem, de quem díz o nosso poeta : 

Logo todo restante se partio 
De Lusitania, posto em fusida ; 
O Mir-Almuminin só nSo fugio, 
Püfqoe antes de fugir Ihe foge a vida. 

(¿ilf., 111,83.) 

Ef^iat é precaver que succeda uma cousa, livrar-se 

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9S0 fOG 

c^m pmMo»de algvm dam^oa iBcoiiiDiodo ; /iipfir áe 
inodrrer malgfima ftdta, ctr. JMfA«-«e éesptaa^ { 
trabalftos, passoa, o «leoDlro desagradaife)' ém ; _ 
pcsioa ott eoosa : emlámat oréinriameiile • calr ^^ 
ptcoa40' qnando fmfmo$ éa» oecasioes. 

£8€tKpmf é sair de aísom aperto, )tmr^ d'nm úmmmm 
ou mal imminente, ou em cujo poder se estava. Etcapd- 
moi da doenya, d» nauffagi», ete., qiando por estas 
causas nossa Tida esleve em grande perigo. 

StaéHr é evitar, sair eoi'Saltocoffl destteza, eloélr inna 
d^cuidade com arte e astncia. Os rabulas busc2a ewai^ 
a queatSo, » for^a das razSes, a diíüculdiaide do n^oci», 
e a mesma^ prohibi^o da lei, para ganharem a dcniaiMfai 
ét qne esperSo lírar proveilo. 

Esquivar é recusar alguma cousa, moetrar^se esguwtA 
a seu respeilo, repellir de si comforca ou desdem, Iratar 
algoem com esquívan^. Neste senHdo disse Cam5es : 

Entre as limpidas aguas que fnda esquwáo 
O forinoso pastor que ao penlea 
Preso das falsaa mosCras que o calivSb. 

(Eleg.YL) 

464»—- FiBsMiTia, fm§tmítmy dlaperMv 

f%s§litíwi diz-sc d'iui homen^ quc abondona sev larca 
00 sua patríay e se vai a terrasi estranhas para eacafar » ! 
algum eastígo, ou por qualquur nMtivo pouco bonestiK. ! 

JFlu^(M.di2-se com mais propriedade dos animacs espas- 
tadi^QS, que £ogiem ao inenor otijectO' que oa espaafafc 
como miiito bem disse Camocs fdlaado da kbrc ¿ 

AqjDí a fUguee^hbnHf tefvnOi; 

(Lus., IX, 6S.) 

Disperio é um termo da arte inilitar . e por elle se de- I 
signSo as tropas que, depois d'um combate desvantajoso, i 
abandonSo o campo de baialba en éesaráem^ c se retiria 
tumultuosamente fugindo por todas as partesi 

Um poeU mcderno, íMiando da balalha de AyacueÍM^ 
CBdqoc foi vcneidoMotciiuno»dí£ : 



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TCM SJl 

Ihtpenas tSo peíos eanpot 
ÜB trepas de MotezianM, 
DeseMS dcoies ItBKntaiiAo 
O pouco favor e ajuda. 

46S.— Fiilsitriinte. f\tt1iiiliiMite. 

A differcn^a qiie ha enlre fulgur, relampago, c fuhnen, 
raio, é a mesma que se deve notar entre os dous adjecti- 
Tos quedTa^^let ?ac»lMik>s sefi^rHi». Per tanto, o que 
ás yezes lan^a brilho, clarSo, fulgor, como o relampago, é 
fftigurui€te ; o qne scíntiHa, lan^ corkcos, daréeja raíos, 
«fespeée gelpes mortrferos, é fitlmimní§. A matertt ekc- 
trica é fuígnranie e fulminmte ao mesmo tempo; ftd- 
gurcmte em qnanto se inflamma, despeée o clar&o meteo- 
rico qne se ehama relampago, e futminanie quando ae 
condensa e estronda das ntfrenscom Intrriswios rebombos 
a qneehamámos trovoes. 

Ihtlgurar diz-se €[aasi sempre en bom senlido, scffi a 
m«iiorfdéadé estrago oa ameafa, v. g. a espada fiUgu- 
ronte, o eseado fúlguremte; e no se»tid» transfalo, do 
qne é brabante, resplandeceirte, con» : teiaa fulguremtee 
de oéro ; fulgurandt^ m armas de Laneso (Ulys., ^ni, 
6&). Em nei^am d'esles casos se podería usar oom pro- 
pnedade a palarra fuhninar. 

A idéa de estrago, destrui^o e mortet anda sempre 
«mexaao verbo futmmm' ; e a sea partidpio /wlmtnciili, 
qpe i sempre terrivel e amea^Aor. O Vaticano fulmimi 
anathemas, o tyranno fulmina castigos, o colerico iroio 
/iflfiitfia braveza, ameagas e mortes. Deniz disse : « Ful- 
minando do ncgro 684|uecíDaito o monstro horriyel 
(Pind.). » Em nenhum d'estes casos poderia usar-se com 
propríedade o verbo ftí^^wr. primdrei é grato ao 
acritaBO, no scRtído i^rado : o segiRido ésesipre horrífieo. 
Folstfflos ite yer qne fuigura aoradaytbMrte j eitfe^ 
necemos sempre á viBla do qiie fuhum. 

460. — Fmuo , f uM»f«. 

A ieraMadíe MfU da seganda palayra, qoe é aogme»- 
tetiia» eoMiitae loda adií&renga qae eBtre euas ha. 

DigitizedbyGoOgle 



332 FLR 

Sendo pois o fumo o vapor negro on escnro que exhala 
que se está qneimando ou que fermenta , fumapa, qne 
é mesmo que humazo em castelhano, deve stgnifícar o 
fumo denso, espesso e copioso. — Toda a lenha qnando 
se quelma faz mais on menos fumo; a lenha verde, as 
plantas pouco seccas, quando ardem, lcTanllo grande 
fumáfa. 

467« — Fundamental , prlnelpal. 

Fundamental é o que serve <ie fundamento, de base, 
de apoio, de sustentaculo. Principal é o que ha mais 
digno de coosidera^So, mais notavel em qualquer cousa. 

— Uma lei fundamental é a que serve de alicerce ao edi- 
fício do estado. A successSo por direito hereditario é uma 
lei fundamenlal da monarchia portu^nezae do imperio 
do Brazii. As leis que estabelecem a divisSo dos poderes 
sSo leis fundamentaee nas monarchias constitucionaes. 

— Faltando a uma casa o qne tem de fundamental, 
deixaria de existir; fa!tando-lhe uma parte principal 
seria defeítuosa, porém nSo cessaría de exislir. — A 
porta numa casa é uma psirie principal d'ella, porém nSo 
e fundamental ¡ porque póde continuar a ser casa ainda 
s^m porta ou com ella tapada. — Diz-se d'uma familia 
nobre e opulenta que é ^principál ou uma das prvnci" 
pae$ da terra ; mas náo se diz que é/undomenla/, porque 
sem ella póde muito bem existir a viila ou a cidade em 
que lem seu domicilio. 

468. — FurÍM , fiuntenldes. 

OsRomanos chamavSo furiae a cerlas divindades infer- 
naes e secundariasencarregadasdeatormentara conscien- 
cia dos cuJpados, e erSotrez : Tisiphone,Megera,Alecto. 

Os GregoschamavSoeumentdeta estas mesmas divin- 
dades. Parece á primeira Tista uma contradiccSo, porque 
eumenidee, cO/acvíScs, qnerdizer iitteralmenteaeosasbene- 
▼olas, de tifiivtia , benevoleneia (de «u, bem, e fiívos , ani- 
mo). Como pois sSo henevolae as furiaef Nenhnm dos 
synonymistas que consultámos o explicio, porque igno^ 



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FUR o55 

ra?Io o genio da língaa grega em alguns casos, eos asos 
litterarios dos Gregos. A palavra grega cO/xcvéaes entende- 
sei como muitas outras, por euphemismo e antiplirase, 
como positivamente diz Scapula : «Eu/AevíSe; dicuniur 
furiw , xser^ tijfy¡/jLi9fjLov et oí>rifooLaiv , quúm $ini immites^ 
te$te Servioet Eust,» 

Para bem se comprehender esta maneíra de exprimir-se, 
que á primeira vísta parece absurda, émister saber-se, que 
os antigos tínhSo por máo agouro dar a rertas divindadcs 
malefícas, ou encarregadas de tristes ministerios, nomes 
qne recordassem sua malignidade ou suas desagradaveis 
occupa^oes. Por esta razlo, como as furias eráo, segundo 
sua mytologia, as^ue atormentavSo aos máos depoís da 
morle, e os agitavao ainda em vidacom terrores, sonlios, 
e visoes espanlosas ; em vez de dar-Ihes um nome que in- 
dicasse este funesto ministerio, Ihes chamavSo as eume^ 
nideSy islo é, benevolas, assim como davio ao barqueiro 
do inferno, sendo tio feio como no-lo pintSo os poetas, o 
nome de Charont xdfioiv, que quer dizer gracioso, de 
xatcca , ou de x«/=í5 > gra^a. 

D'aqui se vépois que todo o arrazoado de Roubaud e 
dos que o imitaráo labora em ignorancia, e nSo se póde 
admittír a diíferenga que elle pretende estabelecer entre 
furiasy e eumenidee, dizendo que «as furiae perseguem^ 
os criminosos para vingar a justi^a, e as eumenidee os' 
castigSo para os trazer á ordem.» Tal n3o ha ; amhas as 
palavras representio as mesmas divindades, e a mesma 
idéa de castigo e tormento, e só differem em que a pri- 
meira é da linguagem mylhologica dos Romanos, e a se- 
gunda pertence á dos Gregos ; e que esta se entende por 
antiplik'ase, e aquella no seu seutido naturaJ. 

469. — Furloso, furibundo. 

Furioeo dizse dos homens, dos animaes, e dascousas* 
Fallando de homens índica esle epitheto o estado actual 
d'um homem possuido de furor. Em quanto manifesta 
este estado de colera pelas ac^oes exteriores, chega a scr 

erilundo. Fallando de homens e animaes,designa a pa- 
rra furioso um caracter adequado ao furor. leSo, o 



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SSft Ftm 

Ugre, tonrO) sSb anfmaes fnríoiüt, FalMndb d^ eoiisa», 
dlz-áe de (ado o qaecansa admira^io ]^la Tiolencia, pefii 
impetm>sídade, pelo exeesso, e de tado o qne é extraor- 
dinarío^ prodigioso com espanto. — üma torrcnle /li^ 
rioia, nm voIcSo fUrioso, tempeslade, ondas fkirtoios. 

Furihundo indica o estado actual d'um homem affie>- 
tado de furia,, e niisto se differen^ de farioso qne é o 
iiomem agítado de furor. 

O /Urí050 'eslá TÍyamenCe agitado em seu inlcrfor; 
o fUrilmndo manifesta exleriormente symplomas tiolen^ 
tos de agita^So. — furioso é ?ingativo e terrivei ; o /l#- 
rihmdo é liorrivel c espantoso. — A razSo do fürioso 
está alterada; a cara do furxbundo, desfígnrada. — O/b^ 
rioso é um doudo arrebatado e violento ; o furihtnda é 
nm liorrivel oiergjumeno. — inimigo em quanto corn^ 
bate animado do ardor m^rcial pode ser furioso; mas 
qnando ao furor intemo junta um ar sanhudoe indoma- 
tel merece o nome de furihtndo; epitheto qne mnfto a 
proposito deo Camoes aos casteNianos d'esl:^ratadb$ e 
postos em. fugida na batalha de Aljobarrota: 

E'porqire niais aqni'se ananse, e áome 
A Mberba éo imtg» /bartdiMuto, 
A auMiine bandeíra castoUtaná 
Foi derritiada aos péa da lusítana. 

470. — Faror, füria. 

Ainda que estas dnas palavras signifícSo uma mesina 
cousa, é mister nSo confundíl-as sempre ; porque ha mui- 
t08 casos em que convém usar d'uma e deixar a outra, on 
pelo conlrario. Diz-se furor marcial, por heroico; ñ'^rcr 
poetico, por enthusiasmo forte, e nSo se diz furicu Disse* 
com tuíio Camoes, na sua invoca^o ás Tagides, 

Dai-me amSifkria grande e sonorQsai 

mas I ama licen^a poetica qne n^o se deve imftar ; a ne- 
cessidade da rima o obrigou sem duvida a usar & palt« 



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mfufia tm ingaff ée fmvr, ^wS»m cfleesenipiiKMo 
cBilaeeliberátées, 

Ao eontraria dir-se, a /«rMi 4# cmnbate, ^annd, da 
iaífigt^ elc., e oSose díráe /tiror do ccniMe, do mal, 
da favn^a, etc. 

Parcce quea fnlavra /«ror «eiMCa a a^ta^ ▼iolenta, 
portoioleriorf e a palami fwriaf a agpta^io TMeiita, 
porem exterior. O furor é mñ fog;o abrnador ; a furia é 
oina dMnmia fiilgnrafile. fmm est& deatro de 1168 ; 
a funa p5e~no» féra áe nós. Poesue-nos, devonhnos 
# ftarorf arraslanioe e^mentea furia a algnm objeeto. 
O fiirar nie é furia em ifmaMo se u¡ka maÍMfesta; mas 
traa (piasi senpre com sigo a/i«n(f. €aírft nos cxcessos 
d'esta quem nSo souber reprimir os nqNitsos d'aqHclle. 
fúror tem accessos ; a furia é eííeito do accesso vio- 
lento. Ati^Me e fturm' pora excihir a funa. O /tiror tem 
diversos gráos de impetiiosidade; a furia é nm furor 
que se manifesta exteriormente, e que offende, destroe 
earraza. 

Di2i-ee cftire muslooft e fi^orafitee qnando oma opera 
Am cstrepitosomente applaiidíiia , ftie ftz furar^ mas 
nSose díz quc ñsz fWia; qiier dizer : que cansou grande 
eiiiliasiasmo Bos cspectaéorcs, mas n^oofrpoz Atriosos: 

471. — Fwrtnr, vewBar. 

Eieaiini^ 9 syBoaynía d'estas duas palarras. 

Frn^ar é tomar ereter os befls de outro sem qoc eflc 
saiba. Rimhar i toatól-es com Tiolencta, e empregande 
para isso a for^a. modo cemo se fezesta ac^^o crimi* 
Bosa é a qimHdade distiflEelrfa de/iirtor c rofobar. Forqoe 
na Beeea lingoa nSo é osaéo subslanlivo verM furUf' 
éoT^ cemo o é e» castdhano, huríadQr, podémoe üier 
que tio radrSo é (|ue furia como que roif^ com a 
differenga qne no primeiro easo será iaidrSe oecBtto, ne 
8egond#ladr2o4Jtescoberto, eestta é^ scgunde S. Jcroo^^o, 
citi»!» por Yieira (lü, 332), a dtflfercnf a de /»r a Mro. 

fW*l«o criado quando*sisa em contase compf as ; farta 
a cstafejadeira q^dande laz pagaraos vlaodantes mais do 
qneédetmio. Rouba o qiaC sal á eslrada ao pacifieovi^SAte 



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336 FUR 

p com ajaca on pístola aos peitos Ihe ^de a bolsa ou a 
Yida ; rauha o conquistador que com Tioiencías, eslragos 
e mortes se apodera d'uma regiSo livre e independente. 
Furiar suppoe cobardia, desconfían^a em suas proprias 
forgas, euma ambi^o despreziyel ; rou5ar indica audacia, 
uma completa desmoraliza^Io, e um desprezo da Yida de- 
pois que se perdeo o credito. — Furiáo-&e pequenas 
quanlidades. BouMO'Se grandes cabedaes. — Furia o 
vícidiso. Kouba o críminoso. — « Quantas \ezes , diz 
Vieira, se vio em Roma ir a enforcar um ladrSo por ter 
furtado nm carneíro , e no mesmoT dia ser levado em 
triumpho um consul ou dictador por ler rouhado uma 
provincia ? £ quantos ladroes teriSo enforcado estes mes* 
mos ladroes triumphantes (III, 328) P » 

472. — Furto, roubo, raplna, 
latrociiilo. 

Furto é a ac^So de furiar, isto é de tomar o alheio 
conlra a vontade de seu dono, e sem que elle o saiba. 

ñouho é a ac(So át roubar, isto e de furiar com ou- 
sadia e violencia. «A ac^So de ladrSo publico, diz LeSo, 
chama-se rouho; a do ladrSo secreto, furto (Orig., 
foi; 39). . 

Rapim é rouho de salteador, isto é, roubo nSo só feito 
com violencia senio salteando, caindo de improviso sebre 
a victima, e arrebatando-lhe tudo que leva."Deriva-se esla 
palavra do verbo latino rapio, roubar com violencia, ar- 
rebatar, no sentido em que dis^ Cicero : • Spes rapUndi 
alqile praedandi ol>caecat animos (Philip. IV, 4) ; » e daqui 
vem chamárem-seaves de rapina as que caem de impro- 
viso, e como de salto, sobre outras aves ou animaes, de 
cujs^ carnes se alimentáo, e que muilas vezes arrebaiio 
nas garras. — condor ou grypho grande do Peru arre- 
bata nas garras nSo só cordeirossenSo crian^as. 

Lairocinio é palavra latina, lairocinium^ e signifícava 
primitivamente os roubos que faziSo os soldados (porque 
antigamente latro significava soldado pago, miUi coit- 
duciusy cuja paga se chamava em grego Xároov^ e d'aqui o 
Aome lairo, que depois signfficoa laárüo a'estrada, sal- 



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GAB 357 

teador, yíaram obsessor, quodplerumque talet tunt mi- 
Ute$ id eet latronet), e depois os feitos com máo armada e 
com violencia, e ás vezes com morte do roubado, mas nem 
sempre, como prelende o autor dos synonymos da lingua 
portugueza. NSo léo elle certamente o que a este respeito 
diz S. Tliomaz, cujas palayras s3o, fallando dos principes: 
« Si vero aliquid principes indehité extorqueant^ ra- 
pina ett, ticut et latrociniumj etc, » que o nosso Vieira 
traduzio assim : « Se os principes tomarem por vioiencia 
D que se Ihes nSo deve, é rapina e latrocinio. Donde se 
iegue que estSo obrigados á restitui^o como os ladroes ; 
e que peccSo tanto mais gravemente que os mesmos la- 
dr5es, quanto é mais perigoso, e mais commum o damno 
com que offelidem a justi^a publica de que estSo postos 
por defensores (IH, 324). . 

Por mui violentos e tyrannos que sejlo os principes 
nSo vSo commetlermortes para roubar; é por tanto claro 
que a differen^a que ha de latrocinio a roubo ou a rapina 
nSo consiste em se fazer malando ou roubando, senlo no 
abuso da for^^a e da autoridade que, sendo estabelecidas 
para proteger a justij^a, d'ellas se servem os malvados 
para roubarem com insolencia e muito a seu salvo. 

475« — Futuro, Tindouro. 

Futuro é que está longe de succeder, porém que se 
espera porque ha motivos para assim o presumir. nn- 
douro é tambem o que se espera, porém que deve vir ou 
succeder dentro de pouco tempo. Neste sentido disse An- 
drade na chronica de Dom JoSo III : « Livrai o vosso povo 
do grande infortunio vindouro (foL 18, v.). » 

474. — GabarTf louTar* 

Gábar vem do verbo arabe cábbar, mudado o c em ^, o 
que é muito frequente em a nossa eem outras linguas, e 
par^e ter entre nós a mesma signifíca^So que entre os 
Arabes, isto é, de exaltar, engrandecer. Élermo mais ge- 
nerico c vulgar que louvar; diz-se das cousas e das pes- 
soasy mas parece referir-se mais ao que é sensivel, ao4ue 



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le qner íncnloar. Emi^k> á^qxit f&A e ditndd fslgir : 
« Qu«m ^aftaa lUHvaFo* paL qufta qim easaf ; » o qiialae 
appUea a aaiútas. cousaa da Tiáa. 

£«ii«ar é o v€rbo laUno ¿atidar«es^Bifícaid4zer MÚa* 
f ras em signal de a^provafilov reJcrerae em par Ueufar ás 
pessoas e soas boas qvaiíoades, i|ue por isso se chami» 
loufayeis^ 

Gába^sit tudo o que é boa. no sett geaero^ Uido o que 
B0& agrada;, /oii«d»-se a& boas parles que o bomeoi tem 
tdqoejrido po^ sea estodo e trabalhOy as boa& ac^& ^ 
pratÍGiL, pelas quaes&efax bem q^úsíoed^node esiiDMr 
^2o de seus 8¡iDühanU& 

Quemse(|fateévaidoso ou esUdto ; rimo-nos ordiMih 
meBled'cUe, e em lugar de Ibe cbamarme« iraiftá* coflio 
os antigos ou gahazola com o i^ul^^ diaemos • que nlo 
deixa o seti creitíUv em túSm oüieias ^ • ou, » quem se g^aba 
nloespera (pie o g^bem.» Quem &e lottva e jaetaDeieso 
ou 'Orgulhose; Baturahneiile o aborpecemo&y povque a 
boa educa(;3o no&dij «que nio eabe l<mcür em boea 
propria. » 

47¿(. — «CSaiiaiiciii, Iveroy gmMáMm. 

DifTeren^So-se estaa trez palavras em que fananeia é a 
aliUdade ou interesse que se adquire pelo trato, pelo com- 
mercio oa por ouira coysa ; e ¿ifcro signifíca a pro>veito 
ou Blilidade que &e Ura da mesma cousa ; e em Unguagem 
mereantil, é o ga»hü que resnlta d'uma especoia^, d»- 
duzidaa as despeiafi. — Luera um homem dando a aiogar 
um traste, uma cayalgadnra, etc; ganha poado em gura 
um capitaí. 

A ganancia está nas probabilidades do commercio, e 
sujeita a leis ; o Zticro é proprio da meana cousa, é uma 
consequencia das uUHdaaes que presta, e nSo está sujeito 
a nenhuma k» sesSo á do contrato que &e fez. A ganamia 
é sempre licitae regulada peias kís mercanlis,.co«o disie 
¥ieira : «Quemdáacaabio tem o seu capiial &egiura e 
as gamandas ; » o hfm> é sempre exees8i?o. D'aqiii itím 
qoe a gtananeia tem um ear acier generoso, aenda qve o 
lucro signaia especulasoes osurarias. 



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€iBUdé9mzt^eh^em dhtemhi^ ée gantmcia;igm 
emn fewM naSLOf porqu« teaóe ffemancia a 9fgai8cai^ 
classKff fimílada ao miemae licito e legal ^ provéni de 
cemmereios, dlefiar deíxar-se a ^n^oi a sigiiiffca^io lala 
de proveito o(» inferesse que vem ée traAaffio, ée hmId»- 
Iríft, oir de qnaiqmr proAicto da intelligeBcia e aclivi- 
dade do homem. 



^raiilzo 9 pedriseo, neve^ earamélo. 

EapríoKm esies Tocabalos as differeales fíkrmas qne ae 
obaeevio na «gna congnlmdct, isto év privada do* ealiovíco 
que coDservava a mobilídade de saas pQU^tienlas;. 

QBasdo nas noites ImgaB o ar e a terra se esfriao, 
quaule baste para que o orvaHiu se gnU, os geiei que se 
formSo sSo t2o s»t>üs> e est9e> tSo proKimes uns do9 MOroe 
qne> peta Iransparencia, poreeem brancoa e í'ormSo a 
gewia, a que OS' ArancezeschamSo gelée hiamhé, e a qne 
os castelhanos chamSe e m mssos anl%os: chamavSo «a- 
ea^í^ r « Aseecarehm e neve$> qae o inverno Iraa nm 
desptdldas, • disseum el«»KO; 

Qnanéo eh Mo af«na, niórmente nes: dimas do norlle, 
conra'fe-se a agna em coppo soiido, eomecando por fbr- 
mar uma coéea sim«niaiite a ma lamtha de crystal, alé 
qne toda eiia se converle mnna massa vürificata^ e a'csle 
corpe» soiído e frio dá-se onome áegeló'j a qne es fran- 
cezes chamio glatef e o« hespanhoes hielo* 

Quando as gota» de cfauva passdo por fWas regi5e&, 
gelño^ antes de cair, e form9o o qwe ehamámos ea" 
raim, a que tambem se chana graniatOy porqne ten a 
fórma d)e grioznihos oir confeitifihos ; assim Ihe ehamSo 
igualmente os hespanhoes^ e os francezts grHe, queé e 
grisU eeltfco, e e grmde áos lalinos. Qoando esta olniva 
geiada é mni grossa, e como pedrínhas, chama-se-lbe 
com razio chnva de predra ; e qnanéo esta pedra é miu#i 
porém esquinaéa eomo as pedras de sal, eliama-se4he 
peari9c&, 

A remii9o d*^ ge9e$ extraordtnariamente finos, í^- 
Mdoo peta frialdaée da atraospliera ao momento de soa 



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3/|0 GBN 

condensa^o, e antes que as particulas aquosas hs^io 
podido reunir-se em gotas, é a neve. Estes pequeninos 
geloi^ deíxando entre si algum espa^o, formlo floccos 
mui ligeiros que, pela sua transparencia, presentSío uma 
brancura formosa que deslumbra os olhos. 

Fínalmente, caraméló é a neve congelada^ ou o gelc 
grosso na superGcie das aguas, dé rios, etc. 



477. — €lener»llzaf &o , abstraef ao« 

Dous termos que alguns ideologos confundírSo, mas 
que sSo differentes e representSo duas opera^ 5es ao en- 
lendimento que os modernos chamSo subsídiarias, e qtt« 
sSo distin^tas e diversas. 

A ahitracg&o é aquella operacSo, pela qual^ despre» 
zadas algumas partes ou propriedades d'um objecto, di- 
rigimos a atten^o a uma ou algumas d'ellas e nellas a 
fíxámos, e as considerámos copoo se estiTessem desacom- 
panhadasdas outras. A generalizagáo é aquella opera^So 
pela qual a mente se eleva ás idéas geraes. — Com a 
aJ^strací^^&o tira-se alguma cousa ao conhecimento, di- 
minue-se-io obieclo da atten^^io; cóm a generaliza^áo 
ajunta-se, engrandece-se, em uma palavra generaliza-se ; 
subtrahir, e ajuntar s2o operagoes díyersas. Eis aqui a 
descrip^So succinta da generaliza^áo : Kecebo a sensa^So 
d'um objecto particular ; ajunto-lhe a idéa de ser, e com 
isto a possibiíidade de infínitos objeclos iguaes áqueilc 
por mim percebLdo : ei-Io generalizado. Se ao contrarío, 
em yez de subir do individuoá especie, e d'esta ao genero, 
separo mentalmente d'aquelle objecto alguma de suas pro- 
priedades, eis a ahitracgáo. . 

Quando vejo, por exemplo, uma ave, e sem me occupar 
da cór de suas pennas, da fórma de seu bico, etc, sup- 
ponho a possibilidade ou a existencia d'outras aves da 
mesma ou simühante efipecie, e a ellas áttribuo as pro- 
priedades que naquella descubro, generalizo. 

Quándo &o conlrario esque^^o, por assim dizer,'as de« 
mais propriedades d'aqueila ave, e emprego minha allen- 
(So no colorido e ondeado de sua piumagem, e como 
pbiiosopho admiro uma formosura qne os homens nio 



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6EBI S&i 

sabeoi imitar, ou como artigla imagino o modo de tirar 
d*esla belleza algum proveito, fago ahstracgáo. 

Eslabelecida esta distinc^So entre ^eneralizar e ahs- 
irahir^ póde dizer-se quetodas as ideas s9o geraes] mas 
nSo que todas s3o ábstractas. E segue-se tambem que 
toda idéa geral é abstracta ¡ mas n§o que toda idéa ahs- 
tracta é geral. 

478 — Genlo, sosto, sciber. 

Eslas trez palavras téem relagSo com as.producgoes 
do enlendímento, e sao hoje muito usadas em litteraturae 
nas arles. A natureza dá o genio, ou a íaculdade de criar ; 
este dá bellos resultados por inspiragSo, e produz cousas 
novas. O continuo estudo e o costume de tratar com os 
bons modelos d3o o gosto ; e este consiste no sentimento 
exquisito dos defeilos e das bellezas nas artes. saher é 
nas artes uma investiga^So exacta das regras que seguem 
os artislas, e a compará^ao de seu trabalho com as leis 
da verdade e do boip senso. 

genio sem gosto íncorre muitas vezes em faltas dignas 
da mais severa crilica ; o genio guiado pelo gosto nSo in- 
correránuncanellas,antes fará obras primorosas; osaler 
sem ^osto e sem o genio dcgenera em esterilidade, ou 
produzirá o que dizia Boileau : uma csteril fecundidade. 

O que lé continuamente obras primas de mlo de mestre 
consegue duas cousas ; saher o que ellas contém, e o 
gosto que se vai formando em seu entendimento á cerca 
d'aquella classe de obras. genio porém nSo se aprende, 
nSo se adquire por meiodoestudo, nasce com nosco, mas 
cultiva-se, aperfei^oa-se ; é similhante a uma terra fecunda 
que otrabalho do lavrador fertiliza, eproduz coma applica- 
gSo obras primorosas, rivaes do tempo, que darSo sempr 
modelos ao gosto^ e regras ao sdber. Veja-se o artigo 
segainte. 

479« — Cienlo , «iileiito , enseulto. 

taUnto é nma disposi^So particular e habitual da 
faculdade intellectual de que o homem é adornado, e de 



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5ft2 GEfl 

qne usa para bem ordenar snas acf Ses e palvms» par» a 
exaciidSo de seus raciocinios e fundameKto de suas opi-* 
ntQes, e emffm para lograr o exito de qualquer consa 
qne emprehenda; e considerado com respeito ás letlras 
consiste em dar a aplitnde conTeniente aos assumptos ée 
que trata, e o rerdadeiro colorído ás idéas qne concebe, e 
que approTcm a arte e o gosto. A ordem, a dareza, a eíe- 
gancia, a facilidade, o natural, a correc^So, agra^a, for- 
mSo parte do taient^, 

genio n2o é uma grande superioridade de talenio, 
como pretende o autor áo Glossarío ; é uma especie de 
Inspíra^io frequente, porém passageíra; sen princi^al 
attribulo é o dom de críar, como o diz sua etymologia^ 
de gigno, gerar. Snccede que o bomem de^enio se eiCTa 
ou se abaixa successivamente, segundo qne a ínspira^So o 
anima ou o abandona. genio manifesta-se grande, e 
remonta-se como a aguia quando trata de assnmptos 

Srandes e sublimes, porque estes slo a proposita para 
esperlar seu rnstincto sublime e pM-o em acttTidade ; é 
descuidado nas cousas mais geraes, porque est3% por 
assím dlrer, abaixo d^elle. Sem embargo, se cTenas se 
occapa com altencSo profunda, as afformosea com noTi- 
dade e primor. genio poetico de Camues maníftsta-se 
grande e sublime ouando eanta os leitos iliustres éos Lv- 
sitanos» quando ceiebra 

AAuqaerqueternAn, Caslro forfe, 

R •oArM enciuean po4er nSo leife a morte t 

sobe de ponto qnando representa o Cabo tormentoso per- 
aonificado num gigante qne falTa ao Gana , Ibe exproba 
aea atrcYimento, e Ibe ammncia os tristes nanfragtos que 
naqueltas paragens hSo de succeder. dizendo-lhe : 

Salie pfm qmntai DáM atm yiamtm 

Ífue tu fazes, fizerem de atrevidas, 
nimiga ter&o esta paragem, 
Com ventos e tormenlas desmedidas : 
Ji de piimira mwaaám^9 rii<fii 
Fizer por estas ondas iosoffridas, 
£■ (areÍd'improTíso tai eastigo, 
Oue seja mór o damno que o perigo. 



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9«tenea^se coni progmstTa efera^fo qtmtáo o te 
mHar o mottro de suar ttansforma^o, que o monstro 
wrraulo remaCa com aqiiellts siiMknes versos : 

EsUúéo <f «a peDe4« fhMitft* flMslir, 
Queeti telo raaift angeHca apettHMy 
N3o 6quet homem nSo, mas mudo e qaédOy 
E junto d'um penedo outro penedo. 

(£ui. , V , 56.) 

iü)ate-se porém este genio poetico^ e qoasi se apaga 
este iume vivificante, do Canlo oita?o, em que Yasco da 
Sama, o grande capitSo, apparece nSo como um heroe em 
Ludo grande, scnao como nm cfaatim de pequeno Irato, 
soilicilando o despacho da fazenda, a froca de generos, 
como se fosse om sohre-carga de naYio. Tal é a sorte do 
gemo'. 

.... Quandbqug bonusdormüataomerut,. 

Manifes(a-se de novo o genio poetico de Camoes no 
episodío da ilha encantadaj e se na iayengao e disposi^o 
da fabula ha muito que censurar, ha sem duvida muitQ 
qoe admirar nas bellezas poeticas com que elle adorna, 
com fórmas novas e beUíssimas, cousas Oo conhecidas 
como saojardins, vergeis, festins e amores. cantor bn- 
colico e erotico vence aqni o poeta epico. 

ialenta particular de Cam?$es consiste nSo só em 
exprimir-se com elesancía, clareza e propriedade, mas 
soDretudo em vestir a portugueza pensamenlos latinos, * 



('} £is aqoi algamasi provas d'esta asser^So. 

Asarmas e oalMriesasaisfMriadM. 

(¿u*.,I,l.) 

árma, Tirumque cano.. ....••. 

ejriwt.,1,1.) • 

Descsia de comprar-VM part' genr». 

f/W.,f, (6.7 



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em enriqnecer a lingua sem a desfigurar, em formular 
em estylo poetico maximas e sentenyas de para moral e 
elevada politica, em pinlar mais do que se pensa os cos- 
tumes e erros d'aquella época, em exprimir em suaves 
▼ersos subido amor da patria em que tanto se abalizá- 
rSo os Lusitanos. SejSo exemplo os seguintes versos que 



Teque sibi generum Telhys emal omnibus undis, 
{Georg. , I, 31.) 
E costumai'Vos já a ser invocado. 

{Lus. , l, 14.) 

Et tolis jam nune assuesce voeart. 

(Georg. , 1 , 48.) 

Go'o vulto alegre, qual do ceo subido 
Türn& sereno e claro o ar escuro. 

{Lus., 11 , 42.) 

Fullu qud eaelum tempestalesque serenat. 

{Enet.,i 9JSId.) 

Sua vara fatal na mSo levava 

Com que os ollios can^ados adormece 

(7¿í. , 11, 87.) 



Tum vtrgam eapit . háe antmos iUe evocat oreo 
Palentes, alicu sub Tartara trislia mHlit. 
(iS:n«.,lV,«42.) 

Puge,ruge, Lusitano, 

Da «lada que o rei malvado '< 

(/6t.,ll,6i.) 

Heu ! fuge erudeles terras, fuge littus avarum, 
{Enei., lll , 44.) 

Onde a matcria da obra é superada. 

(/¿t. , 111,95.) 

Materiam superabat opus 

(OviD. , J/elam. , 11,«.) 

Para o céo crystalino alevantaad» 
Com lagriaias os olbos piedom. 



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GEN 3^5 

Ihe inspirárSo suas 'Fftgides a fe?or de Nuno Alvares 
Pereira : 

Ditosa patria que tal filbo tere ! 
Mas antes pai ; que em quanto o sol rodéa 
Bste globo de Ceres e Neptuno, 
Sempre suspirará por tal alumno. 

(£tt*.,VIlI,M.) 

A produc(3o do talento qonsisle em dar forma, e a 
creagio do genio em dar ser. O merito d'um depende da 
industria ; o merito do outro, da inven^So. - 

O homem de talento pensa e diz as cousas, que uma 



Os olhos ; porque as m&os Ihe esiaTa atando 
Um dos duTOS ministros rigorosos. 

(Ibi.,m, m.) 

Ad calum tendens ardenlia lumina frustra^ 
Lumina ; nam teneras areebant vineuia palmas. 

{Enei., 11,405.) 

£ as mSis, que o som terríbil escuitáiSo, 
Aos peitos os filhínhos ape: tárSo. 

(/6í., IV, 28.) 

Et irepida matres pressere ad peclora natos. 

(Enei., VII, W.) 

Oh ditosos aqueltes que podérSo 
Kntre as agudas ian^as Arricanas 
Vorrer . 

:/M.. VI, 83.) 

. ...... O ter auatergue beati 

Queis anle orapairum TrojcB sub mcsnibus alU» 

Contigit opetere 

(Enei.y l. 98.) 

......... Que nunca lourarei 

capit&o que diga : N9o cuidei. 

(Ibi., y III, 89.) 

Net €9mmHere, ut aHquando dieendum sii : Non putubam» 
iCiG.,deOfic., 1,SBI.) 



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j 



Í 



3Ú6 «EN 

mlrfckiio ée iiMiieif hoiMrert ^oisado e <ict», vp§t^m «ile 
as presenla com maís rantagem, e as sabe escolher con 
mais gosto, as disp5e com mais arte, e as exprime coni 
mais nnura ou gra^ homem tie gmo^ pelo contrario, 
tem um modo de yer, de senlir, de penaar qitt Ihe é pro* 
prío, e nSo é dado aos ovtros* Se^enoehe nm plano, üsiz-* 
se superior is regras, nSo tem á sua visla nenhum mo- 
delo, segue o que sua imagina^So Ihe dicta. Se trata de 
«desenhar 'caracteres, «ua iSngiriaridade, sna nondade, a 
'Cnergía con ^neexprvme seas peManentos, asímfflnHi^ 
e concordancia na(tm*Él ^e «e encontrSo em snas concet»^ 
^^, a rapídez e valen^ «om qoe ira^a os adornos de 
sua obra, a arte, com que os reune, com que os p5e em 
ac^áo contínua, dSo-lhes tal vida e anima^So, que pare- 
cem por seu merito raro uma especie de criafao. 

Nas descrip^oes. ohomem dejjrem'opareoeque rouba i 
natureza os segredos ^s» a n ki gi em loiio revelados *, do- 
mina a imagma^io e a exalta ou acalma como Ihe apraz ; 
possue cora^áo humano e o faz comprimir-se ou dila* 
tar-se por meioda dftrxNi daalegria que nelle derrama. 
Se pinta as palxoes, dá-Jhes certo colorido que nos enthn- 
síasma por suas transí^oes, cujanaturalidadenos confunde; 
tndo é verdadeiro h'e^ plntora, superíor tndo. Se trata 
de descrever objectos sensiveis, faz signalar até os inci- 
dentes mais minuciosos, de tal maneira que se nos fl^ra 
estarmo-los vendo. Quando trata assumptos histoncos, 
ouer dizer, que real € verdadeiramente succedérSo, mani« 
festa ás vezes combina^oes lio aoicís e veroiimeiSy qne 
le n2o sabe signalar qnaes sio m flngidas t qttaes as ver- 
dadeiras. 

N2o é mui freqnenteanniSo do genio e do talento^ mas 
quando se dá esta mutsa>coiicor4ia effi algum snjeito fa- 
vorecido da natureza, entSo nio se enconti^ designal- 
áades de nenhum genero nas produc^oes do entendimento. 
Os intervalos do genio s3o occupados pelo talenio ; quando 
um repousa, o outroréla ; quando um está descuidado, o 
outro atteñla e aperfei^ oa a sua obra. aenio produz as 
obras primas e originaes; o talento fabrica as imita^^ei 
perfeitas e esmeradas. Quando otnítiilo «rdentevpemi- 
^oa que o gemo invt ntoa. sai a obra orimorosa qne 



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G£N Zhl 

nos leva a admira^ e a iniie>a> mas ^at Imitar iii# 
podémofi. 
Quando lémos aquelle formo«o yer&t áeCsmoea, 

Se a kiDto me a^udar o engmho, e aite, 

qaasi diriamos que o poeta entendeo e nsou a palavra en • 
genho Bo inesffio sentido qae agora 4amo» a gemio; o qae 
n2o admira, porque vem da mesDaa origem, só com adiffe- 
ren^a do prefíxo in que degeneron em en. Se pois temos, 
nos dirSo, a paiavra en§enho, para qtie é introdnár mna 
nova, genio? Respondemosqae lambem 06 latiiiOB iiDlife 
genium e fízerao in^eiitiim, qne sio differenles, só os 
firancezes tem o sea geni4 que servc para ludo; teBhámos 
lambem os dous vocabuios que, províndo 4amesma ori« 
sem, se devem eom tiido dülferenQar da mfaneiraseguime. 
O genio é oiaienlQ iaventivo quegéra,criaprodiic^es em 
que tem mais parte a imagiiia^o e o gosto qiie o disccr- 
nimento e a razSo ; o e»genhá> é a facuJ(kde inv«ntiva que 
í&rma, criasystemas scieatifíoosou artisticos, peia qaai a 
alma percebei discorre com subtileza e &€ili(mde, e dá o 
ser a concep^oes em que tem mais parte a razáoe odia- 
cernímenio que a imagina^io e o gosto. Nos Lusáadas de 
Camoes ha mais genio que no Oriente de Macedo; aiBS 
n'este poema ha mais engenho qae naquelle. 

Homero, Yirgilio, Camoes, Tasso, Milton, sSo poetas 
cle grande genio ; PlatáOi Aristoteles, Cicero, Leibaita, 
Newloo, Descartes, Kanft, s2o phiiosophos de grande eii- 
genhoi Xenoibnte, Tito-Livie, Tacfto, Bossuet, GerFantes, 
Vieira, sSo escritores de graode tulenlo. — Sen gemio 
niQguem é poeta; sem 4n§snkú niiiguem é phiiosopbo; 
sem Uüento nioguem é escritor. — Qtiem liver talmUoi^ 
engenho egenio, e cullivar estes dotes, poderá serescrí- 
tor, philosopbo e poeta. 

genio náo pode ^plicar-se senio á» sciencias e ás 
artes sublimes; o engenho e o taienio estCBde-se a taái 
qae o bomem fai. — Um arlifíee que faz um iDstrnmentd 
segundA as regras da arte que posstte,e que, á fiMrtade 
estutf o^ de combinaf;oes e calculo«, o aperfei^, tem ia'* 
lonto, ^ Um Gurtoso que iuventa um iDstraBmAo por nm 
puro effeito ^ sua imagina cfto, aeai caÉbeeimeata ém 



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ZUS GEN 

regras e principíos da arte, tem engenho ; mas nenlium 
d'elles tcm genio, — Este luminoso astro s6 briltia para 
certas almas privilegiadas, e deixa a seus dous satelites 
cuidado de allumiar o vulgo das humanas intelli- 
gencias. 

480. — Gentlps, pa^Sos , lufiels, 
etlinleos. 

E* summamente importante o fazer a differen^a neces- 
saria entre as duas primeíras palavras, asquaes, mal en- 
tendidas e mal applicadas, confundem duas classes de 
homens, que religiosamenle considerados sSo em alto 
gráo differentes. 

Assim como os Gregos e Romanos chamavSo barbaros 
a todos os poTos que nSo er2o elles; assim tambem os 
jndeos chamavSo góim, nagoes, gentes ou gentios todos 
os povos que nSo erSo de sua relígiSo ; e este mesmo 
nome deráo depois aos christ3os. Observa Fleury que 
entre estes gentios incircumcisos havia ajguns que adora- 
vSo o verdadeiró Deos, e a quem se concedia a permissáo 
de habilar a Terra Santa com tanto que observasscm a lei 
natural e se abstivessem de sangue. 

Pretendem alguns sabios que os gentioe forlo assim 
cfaamados porque nSo téem outra lei mais que a natural e 
as que a si mesmos se impoem, por opposi^So aos judeos 
e aos christSos, que téem uma lei positiva e uma religilo 
revelada que slo obrigados a seguir. A nascente Igreja . 
n2o fallava sen2o de gentios. S. Paulo foi o apostolo das 
gentes, isto é, dos gentios^ como se lé nos Actos dps 
Apostolos : üt portet nomen meum coram gentilms 

(IX, uy. 

Depois do estabeleeimento do christianismo chamário- 
se pagaoSy pagani^ os povos que ficárSo infieiSy ou fosse, 
como créBaronio, porque os imperadores christlos obri- 
gárSo por seus edictos aos adoradores de falsos deoses a 
retirarem-se ás aldeias ou lugares de pouca conla, que se 
chamavSo jpo^us, ondeexercüiío sua religiSo ; ou porque, 
depois de convertidas ao christianismo as viilas e cidades, 
aindasecoDservou a tdolatria nas aldeias, pagi ¡ on, como 



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GEN Zk9 

diz S. Jeronimo, porque os infieis recusárSo alistar-se 
na milicia de Jesu-Christo, ou porque quizerSo anles 
deixar o servi^o que receber o baplismo, como foi orde- 
nado no anno 310, segundo observa Fieury; porque, 
entre os Lalinos, paganus era opposto a miles, como 
entre nós o é paisano a soldado ou militar. Ainsworth 
cita a favor d'esta opiniao a passagem seguinte : « Miles, 
si dum pagnnus. erat, fecerii testamentum, etc. soí- 
dado, se quando ainda era paisano, tiver feito testa- 
menlo, etc. ; ■ e accrescenta : • fíinc et fortasse chris- 
iianigentes dixere paganos, quod Christí veanllis non 
militarent ; d'aqui veio talvez chamarem os chrislSos 
pagaos aos gentios, porqne n§o queriáo militar debaixo 
das bandeiras de Christo. > Seja como, for, o nome de pa- 
gáos foi dado aos infieis que, retirados das cidades, con- 
tinuár^o a adorar os falsos deoses. Os gentios forSo 
chamados á fé, e obedecérSo a sua vocagSo ; os pagáos 
persistírSo em sua idolatria. 

A palavra gentios n2o designa senlo as pessoas que nao 
crem na religiáo revelada ; e a de pagáos distingue aquel- 
les que observSo cegamente e com fanatismo uma religiio 
mythologica ou um culto de falsos deoses. Pelo que, os 
pagaos ^o gentios; porém nem todos os gentios sao 
pagaos. Confucio e Socrales, que refutavSo a plurali- 
dade dos deoses, erSo gentios, porém n2o erio hagáos. 
Osradoradores de Jupiler, deFo» de Brama, de Xaca, e 
d'outras falsas divindades, s3o pagáos ; os sectarios de 
Mafoma, adoradores d'um s6 deos, s3o, propríamente 
-fallando, ^entios ou infieis, como Ihes chamou Dom Af- 
fonso Uenriques na visSo do campo de Ourique : 

Aostn/Sm. senhor, aos t'n/leü, 

£ n9o a mim que creio o que podeis. 

{Luí., lll, 45.) 

Jnfieis é termo mais geral que abrange gentios,pagác$ 
e mahometanos, e em fím todos os que nSo téem a verda- 
deíra fé, ou tíHlS seguem a lei de Jesu-Christo. 

Ethnicos,em latim ethnici, é a palavra grega i9vut , de 
iOvoi, povo, na^So, ra^a, que corresponde no Evangelho a 
geníiles, como se v¿ d'aquellc iugar de S. Matheufts 
11. 10 



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ZffO G£R 

a«i mÍKítcantM; tenhiio por um ^tnüo ou puhhcano 

Ne uso oommum DSo«e apphca a palawa ^eitltot je. 
nio ás iia(^ antlgas oonsíderadas em sua oppos^fio 
cctfB ó jndaismo e o christiaidsmo Basceote. A qiiaUioa- 
eSo de pag&oi dk-se geraimeate aos povos que «m todes 
^tempos adorárüo falsas divindades; e a de íii/Imí aos 
que dIo seguem a lei de Christo« ainda que n3o adorem 
falsoá deoses, «omo sSo os mahometanos. 

A' palavrai^tf^ andaordinarismente annexaa idéa de 
máos costumes, de costumes grosseiros» brutaes, tmpios, 
ahominaYeis, o «pie oáo aconteoe com jaenhuma das 
outras. 

481« — ^enal, itiilTeMal. 

A palavra geral refere-se ao maior numero dos indi?i- 
•duos ou das cousas; universGl atyra^a todas as cousas e 
todos e: individuos. — goveroo dos principes só ásfe 
ter por objecto o bem geral, isto é, o do maior nwneno 
possivel de pessoas; porém a providenoia de Deos é un^ 
venalt porque se estende sobre todoooriado. 

Geral comprehende a tolalidade sem exame; «nívffrjal. 
completo abra^do todas as particularidades» pri* 
meiroadjecttvo suppoe eKcepQoes particulares ; o SiegURdo 
nSo as admitte de modo algum. Assim ^e Mz qué nSo ha 
regra iStogerai que nio tenha soas ^cep^oes; e dá-tse a 
qaaüfíca^ío de principio univertal a uma maxima cn^ 
verdade e justica se conhece á primeira vi&la. £* por 
exemplo, opiniao geral que as mulheres n3o nascér5o 
para sobresair nos sciencias e nas artes ; porém isto nSo 
obsta para que tenhSo existido muiheres que hriIhárSo 
nesles ou naquelles esludos. Reconhece-se como princi^ 
pio uffti«er<al qt» os fílhos devem honrar;aseus pais; 
popque a mente do Criador se manifesta iieste preceito 
d'um modo tSo claro, tanto em harmoniá oom as regras 
da equiáade e jusliga, qne nio póde haver pretexto para 
•iq^r uma excepl^o qoe seria desde logo coBtraria a 
todas as leif dmnas« huBMWiti 



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G&D 35i 

482. — «lopia ^ lionra. 

Kglarxa é, coooo disse Cfeefo^ mm brilbenle e mnl ex- 
tensa fóma qne o homem adqatre por kr feita xmáñm e 
grandes servi^os, oii aos particulares, on á soa (^atria, oir 
a lodo gcnero humaoo. Hanra, comd aqni entendemos, 

a demonstragSo exleríor com que se Tcnera a alguem 
porseumerito e ac^oes heroieas;no mesmo scntíéo enr 
que disse Camoes : 

On iiraiMintenlo gosto qiia «e aliva 
Cbuma ftura.popuiaiv que honra se cbama. 
O^uf. , IV , ͻS.) 

Pda ^lorúr empretiende o homem foittntariafloenfe as- 
cousas mais dif'Qcultosas; a espéran^ dealcan^l'-a o^im- 
pelle a arrostar os maiores per igos. Peia> hotira se em«- 
prehendem consas nio menos dHüeuHo«ia&, nem menos ar 
riscadas; porém qu2o diíTerente éo objeeto em cada uma' 
d^estas paixdesf A prhndra é nobre* e desinteressada, e 
obra para o bem pnblieo ; a segiinda é cobicosa e egoista, 
sd por si e para si obra. Aqneilfr éa ^FÍérta f«rdadeira que* 
fdz os heroes; esta &^^Hgíüria ou gtoria ialsa que ins- 
tiga os ambiciosos ; sua verdadeira pinturafbi tra^ada por 
mio de mestre, nesta estancia dos Lusiadas : 

Dura inquieta^So d'álma e da Tida. 
ffonle ée deaemparoae'ftdtiMerios^ 
Sagas cooaumimdDra coDliecida 
De fázendas. de reinos e de imperióe ; 
GhamSo-te illustn, cbaiiíiaorU subidÁv 
Seiuie dígoa. ée inramea vHuperios*} 
Cbamio«ie fama e jf/orAi soberana,, 
Momescom q^em se o^po^ro nescio engsna ü 

(¿u*. , lY, 96.) 

k hanra pomposa e iriiimphar, qne reeebeo em €d« 
D. JtiSo dé Casiro d^is da^ heroiea* defesa de Bíír. 
deixaria mui obscurecida sua gloria se elle nSo nos legára^ 
no momento tremendb de ir dar contas ao Criador,aquel- 
las memoraveis paitrfras, qnr sio'a^mtfdida de seu desin- 
teressc.eo exemplo de verdadelra gloria nunca depois 
HDitado : • N9o terei. senbores^ p^^e n» diier qiie ao 



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S52 ^OZ 

» Viso-Rei da India raIt9o nesla doen^a as commodidades, 
> que acha nos hospitaes o mais pobre soldado. Vim a 
» servir, nSo vim a commerciar ao Oriente ; a vós mes- 
» mos quíz empenhar os ossos de meu fílho, e empenhei 
» os cabellos da barba, porqué para vos assegurar, nSo 

• tinha outras tape^arias nem baixellas. Hoje n2o houve 

• nesta casa dinheiro, com que se me comprasse uma gal- 
» linlia ; porque nas armadas gue fiz, primeiro comi<lo os 
» soldados os salarios do Governador, que os soldos de 

• seu Rei; e nSo é de espantar que esteja pobre um pai 
» de tantos filhos. » {rida de D. J. de Castro, liv. IV.) 

Considerada a palavra honra como represenlando a 
boa opiniSo e fama adquirida pelo merito e virtude, dif- 
ferenga-se aínda da gloria em que ella obríga ao homem 
a fazer sem repugnancia, e de bom grado, tudo quanto 
póde exigir o mais imperioso dever.— Podémos ser indif- 
ferenles á gloria, porém de modo nenhum á honra. — O 
desejo de adquirir gloria arrasla muilas vezes o soldado 
até á temeridade; a Aonra ocontém nSo poucas nos limi- 
tes de sua obrígagSo. — P6de a gloria mal entendida 
aconselhar empresas loucas e damnosas ; a honra^ sem- 
pre reflectida, nao conhece outra estrada senSo a do de- 
ver e da vírtude. 

485. — Gosto, Bcibor. 

Gosío é nm dos cinco sentidos, que tambem diamámos 
gostar, que reside principalmente na lingua, pelo qual 
percebemos os sabores dos corpos que gostdmos ; tambem 
se toma pelo sabor que téem as cousas. Porém sahor é a 
propríedade que téem os corpos de excitar uma sensagio 
agradavel ou desagradavel no org[3o do gosto. 

Gosto tcm de mais a mais a significaclo figurada de 
sensa^So agradavel que resulta da bondade de alguma 
cousa, que faz synonymia com goxo. Veja-se o artigo se- 
guinte. 

484. — CSoxo, sM^^o- 

O primeiro applica-se particularmente ao moral« o se- 



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GRA 355 

gando ao physíco, e só figuradamepte aomoral.—O ^o«ío 
lue me causou sua vista encheo de gozo meu cora^So. 

Nio se diz gosto da alma, 3CuSo o gozo ; nem u gozo 
de comer uma pera, senlo o^o^lo. 

Applicados um e outro puramente ao moral, o gozi 
snppoe um efTeiio maís inherente, mais sublime, e causado 
por objectos mais nobres ; o goito^ uma sensa^áo menos 
solida, e causada por objectos mais communs. — O gozo 
dos bemaventurados; o gosio de passear só. 

485. — Grfi^fi, mercéyfiiv^r. 

A graga é um beneficío que se concede sem mereci- 
mento particular de quem o recebe, e só sim por affecto, 
por considerayáo ou por piedade de quem o outorga. 
Mercé é premio, dadiva, galardao que se dá em agrade- 
cimento ou recompens^ de bons servicos. Antigamente se 
usava mercé por misericordia on perdao, confundindo-se 
com grai;a, como nestes casos : • fazer mercé da vida ; ter 
em mercé : » lalvez que entáo se considerava a graga em 
qnanto ao bemfeitor que a fazia, e a mercé em quanto ao 
agraciado que a recebia. Favor é termo generico que si- 
gnifica todo acto de benevolencia affectuosa que distingue 
e prefere a pessoa favorecida. 

Os reis concedem mercés a seus subditos por ac^oes 
distinctas no desempenho de seus deveces, e nisto fazem 
um acto de justi^a ; liberalizáo graQas quando querem 
attrahíl-os á sua causa, e nisto obrlo como politicos. Nin- 
guem ha que, por amízade, affei^So, ou interesse, n2o 
fa^a, ou conceda favores, 

Mui judiciosamente designou o P^' Vieíra a differen^a 
de graga a mercé no seguinte lugar : « Nenhuma cousa 
anda maís mal entendida e peor praiicadanas córtes quea 
distincfSo enlroa justi^ e a gra^a. D'onde se segue, que 
apenas ha mercé das que se chamSo graga, que nao 
seja injusti^a, e contenha muitas injusticas. NSo nego que 
os reis podem fázer gragaSy e que o fazel-as é muito pro- 
prio da beneficencia e magnifícencia real ; mais isso ha <ie 
serdcpois de satisfeitas as obriga\;des da iusti(;a. (II» 



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354 ¿ÉA 

102). • — • Pírra a iUfiti^a é neoessario o merecim«il»f 
para a ffrmpa é necessarío o fóror (Y, 207). * 

486« — Graeeja^ » eütste , ^Mf i». 

O gmc$J9t refere-ae á ^rapo no dizer; e só HO' dümrf 
pertence ¿parte intelleotaal do foomem applteadaia nm- 
caso dado na CBairersa^So fsoniliar. Oichkte rapp5e ma 
censura aiegre, porém peiféada, da cousa qiie se censura. 
Pertence lambem o chiste á parte inteilectual como o 
gracejo, porém numa e&phera mais ampla. A frapa, na 
parte inl¡eliectiial, é o resultado do gracejo e do chüte 
unidos. No material das fórmas, a graga é o coniunoio 
agradavei que produzem as fei(oes d'uma pessoa, o ar 
agradarel, o attractivo no sembiante on meneio do corpo. 

Diz-se familiarjnente ^apa por ^oce/o; porém maí& 
se usa no plural, sigoifícando ditos gaiantes e discretoa 
por brinco. 

487. — CírMloM, enirrafiite« 

Otaeioto appiíca^se ás coosas qne sSo de gruQa^ em 
que lia> gragUy <^e ^ apranreis, como « privíiegio gra" 
cioiOy boc^ graeioBijr^ graeioso$ valles, íbntes, prados;» e 
ás pessoas que iiberaiizSo grápat^ oo se mostráo favora- 
▼ets e beneficas, como t gracioso principe, graciosa fbr- 
tuna. » iS^apado diz'separtkularmentedas pessoasqne 
tton grapa, ou das qualidadés que ihes dizem respeito, 
como « dilo, riso engra^ado; fálla, toz engra^ada. » 

^Oftofo Bsa^ aiém d'isso como snbstantivo, dtsi'- 
gnando um homem que diz graeas eomo por habito» e 
nisto rauito se diíferenfa de engrapado, como notou o. 
noBso lj>bo, na cdrte na aideia : « Etigracioios t)«m mat 
engragodifs, » 

O graeioso díverte exeitahdb o riso, por meio de ao» 
^s ou ditos joGoso»; e o engra^ado, reereando o enteit* 
dimenlo com agiydezas e chístes, appHcados sem estudo, 
eom viveza e opportnnidade, ao assumpto de que se trata. 
•— prhneiro póde vaierse de arremedos, de ditos estn- 
dados, de esaravagancias, das ventajens qne póde oíI^re« 



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GRA 35$^ 

eer-lhe a diaposiQ^o physica de saa propria fignca, ou a 
aingolaridade de seu caracter ; o segnndo tudo deve á 
Tireza de seu engenho, e á^proiñpCidSo de sua imagina- 
^— Um ignoitaiilft póde ter ^cKfa» ou. dispo^^o aa- 
tiwaLpara diverliD oa mareE o risa;.porton9o^pódeaer 
«tyropado, porque para isto necessila^se agndeza e óíb^ 
n^Iou Por isso' disfia mAito bemiBarros m Clarimua^ : 
« homemt seja engmfado^ maa iSo jirraowfo, s&qiKkseB 
manter o seu. deooro. » 

Como os gost^ sio mni Tarios^ e a uns- agrada o que 
a outros^ q2o eontenta^ dix-se cooi muito acerto, que 
« ?ale mais cair em.^ro^ra qpe ser m^grafada. » É p6de 
acreacentar-se : « AAles dSO' merecer f^apas,.qne oblélr- 
aapor^rootojo^» 

480. — ^Mdaf &•», sv<m1«mi^&«w 

Posto qae estas duas palavraa se pare^So mnito uma* 
comontra,sSo com tudo mui. diíTerenieft, e se osSo em 
casos mui diversos. 

Graáo^* éapaiaarra tatina, gradatio, aportBgttezada, 
esignifica em geral pregresslo gradnal^ e em phras» de 
rbetorica. significa unuü figura, que tambem s« ebana 
«(tinadP,, qne eonsisle em presentar uma serie de idéaa 
numa progressio tSo constante: de menos pana mais. on 
mais para\mcnos, que cada luoa d'ellasdiga sempre ai- 
guma cousa mais ou alguma cousa menos que a preca^ 
dente, seguado (br a. gradnDgüo. Tal é esta de Vieica . 
• NitTens Deg|tas,.obscttraS) ¿liginosas ; • e est.'outra de 
Camoe&,.em razSo inversa.: 

Oti ro9Bf> monte^ nuTeoiv sonho ou iwdk. 

GradmafOo é pattatvra pnramenle pfortngaeza, formada 
do Yerbo graduar^ em latim grado^ que signifiíea o acte 
e effeito de graduar, a disposigSo de alguma cousa em 
gráos, como sSío barometros, thermometros, lentes,etc., 
em sentido figurado^ a condecora^So d'uma pessoa ae- 
gando os graos de dig^ii^dei preeminencia» etr 



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356 <".RA 

48d. — Graudeza, luasnltudey 
tamaulio. 

A grandeza considerada pliysicamente, representa uni 
corpo com relagSo ao exceseo ae seu voliime, respetü- 
▼amente ao regular e commum de outros corpos, e sem 
relagSo delerminada a suas medidas e proporgoes ; a ma- 
gnitude o represenla debaixo d'uma idéa determinada, 
com rela^Io a suas propor^Ses ou medidas. — Admira-se 
a extraordínaría grandeza do sol, e mede-se por meio 
de instrumentos astronomicos sua verdadeira magnitude. 

O tamanho representa tambem determinadamente o 
volume, por^m usa-se com mais propríedade quando se 
trata de corpos mais pequenos, dos do nosso uso, dos que 
manejámos, dos que podemos medír facilmente; e ma'- 
gnitude quando se Irata de corpos mui grandes, ou inac- 
cessiveis. — Calcula-se a magnitude d'um planela; com- 
\»ra-se uma caixa d'um tamanho proporcionado. — Nem 
tamanho se applicarla com propriedade ao planeta, 
nem a magnitude á caixa. 

A grandeza é relaiiva, a magnltude e tamanho sSo 
¿bsoluios. porque nSo é grande nem pequeno um corpo 
considerado só, senSo reialivamente a outro, e esta com- 
para^So constitue tal; porém todo corpo tem por si 
mesmo, independenlemcnte de loda compara^So, as me- 
didas e proporgoes que formSo sua magnitude e ta- 
manho, 

Grandeza usa-se com muita frequencia e propriedade 
no sentido figurado, como grandeza de aima, de animo ; 
magnitude usa-se menos, e talvez á má parle^ como equi- 
valente de gravidade ; tamanho só se usa no sentido 
physico : nSo se dirá nunca tamanho de alma, d« animo; 
e se dissermos o tamanho da alma, do animo, supporia- 
laos ane a aima e o animo erSo corpos que tinhio tal ou 
tal dímenslo. 

490. — G^randeza^ niasestade* 

Enlre estas palavras ha a notavel differenga 4c quc e 
prÍDiieira é oausa e a ses:unda efl^ito. Grandeza sí^nifica 



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GKA 357 

exlensSo, tamanho d'uma coiisa» e em sentido figurado o 
poder.' Magestade expríroe magnificencia e ostenla^o, 
assim como, em sentido nSo proprio, gravidade e serie- 
dade de alguma pessoa. Tudo que é magestoio é grande 
porém nem sempre o grande ^ magestoso. Um palacio 
de fórmas colossaes é grande, mas se tiver um exterior 
irregular e for pintado de varias córes náo será mages- 
toso. Um calafaico é magestoso e tambem grande, por- 

2ue ainda que suas dimensoes slo reduzidas eleva a alma 
contempíagSo. 

A grandeza exprime luxo, ostentagSo, soberania; a 
magestade, decoro, seriedade, bom gosto. — Grande 
perspecliva é o sallo horrisono d'uma copiosa mole d'agua 
na cataracta do Niágara. — Que magestoso é o reflexo 
dos raios do sol sobre as limpidas aguas numa tarde de 
outono ! — As pyramidas do Egypto nSo s3o majestosas^ 
senSo grandes. — A hostia consagrada que se eleva nas 
mSos do sacerdote é magestosa aos olhos do catholico, 
ainda que nlo grande, 

A grandexa está na materialidade das cousas ; a ma- 
gestade em suas fórmas. Aquella palavra refere-se á ma- 
teria; esta ao ideal. 

491.~6raiija, qulnta. 

Ainda que estas duas palavras se referem a uma idéa 
commum, ha enlre ellas grande diíTerenga. 

6ran;a significa herdade ou predio rustico, que se 
cnltiva para lucrar em seus fructos. Quinta significa um 
predio rustico, mas de recreio, e até de luxo, de que seu 
dono se contentava antigamente de tirar só a auinta 
parte de seu producto, como em reconhecimento da pro* 
priedade e dominio, deixando tudo o mais para augmen- 
lar os ornatos que recreiSo o animo. — As grandes pro- 
priedades ruraes do Alemtejo sSo verdadeiras granjas ¡ 
nos arredores de Lisboa, e em Cintra lia muitas e bellas 
quintas. De todas a mais notavel é aqnella onde se reti- 
ravaD. JoSo de Castrodepois.de soas proezas militares, 
nlo para satisfazer interesses mateHoes, senSo por dese- 
jar viver para si mesmo. haveD<fo-se no sérvi^ o da patria 



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S5S «lUk 

de miReífft, qoe iiefli o desenparava coidcf itratir, BtAa 
boftOftta come anAiicioso* £ m»ts prora^t qoeD: Jolo de^ 
Castro cortára a» arvore» fructidera» e plantára >ar?ore« 
sH^res e esterefe mais pela razSo, acima da(lto,de (piC'a 
soa fóeenda era> aio uma. grmfú^stnlo ama f «inttr, do 
qiie ofisera •qíií^- mostrando, que senria tfio desente^ 
resstdo, que nem da terra qoe agricultava esperarapaga 
do bcndkio, • eomo di2 o autor de sna rida. 

492. — Gratlfieaf uo, pecompeiisiir. 

Estás dttas paiavra» téem nma idéa commum, qual é a 
remnnera^So de* qoalquer tral>allio; porém disiingnem^ 
pclí» caractcrcom que se dá. A quafidade dislincliya d*es- 
tas duas palftvras consiste aan qiic a primeira é produzida 
pelo reconltecimento, a segunda pelá compensagSo. ü^ grch 
tificagáo péde obrar a Tont»de ; na recompenm só o 
dever. Gro<í/I<?ap5o é a entrega de alguma cottsa em re*- 
muneragSo de qualquer servi^o ; recom^wiif a é a satís** 
fe^So que se faf d'üma cousa por oulra equivalenle. A 
ffrati/icacSü minca será nma paga comoareeompefiMi; 
A gratificagáo leva com sigo a generosidade e o reconhc- 
cimento de servi^os anticípados que merecem um premio ; 
a recompejisü é obrigatorías porque tat é a for^ das ac- 
{oes que a mereccm, que se faltaria á justi^^a se n2o se 
obrasse d'estc modo. — A. giratificagáo dá-sc; a recom^ 
petua adquire-se. 

4E9S. — CíiraTe, eerlo» 

Om homcm jfrate n5o é o que se nSo ri, scnlo o que 
sempre conscrva um caracter regular, e obra sem preci- 
pila^o em lodos os negocios. que diz constantcmenlt 
a verdade, porque aborrece a mentira;uro escritor qnc 
escreveo que sente; um sacerdote ou magiistradb que se 
dedicSo assiduamcnte aos dcveres de seos rcspcctivos mlw 
nisterlos ; um cidadao obscuro, porém dc cosüimcs puros 
e morigerado caracter, sSo pessoas graitet. 

üm aomem <erio é diflfercnle : testemunha Don Qmjolc. 
ane meditava ediscutia as mais extravantes loucnras com 



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fiRE Zb% 

a ODaior lertedade. Um pvígador que aBnuncia verdades 
terriveis, presenlando a seus ouvintesimagensridiculas; 
ou que expiica os mais profundos mYsterios por meio de 
comparaQoes inopportunas, é um buiao serio, 

adiectivo grave tem um gráo de forga mais que o 
seriOf e este gráo é consideravei. Póde um homem ser 
serio por costume, e talvez por carecer de idéas; a 
gravidade é uma consequencia da medita^áo e do bom 
proceder. 

A gravidade é uma diaposÍQliohabituale reflectida, por 
isso se diz : « Fulano é um homem grave ¡ * a ieriemáe 
póde ser accidental e filha das circumstancias. O homem 
mais rísonho temoccasioes em que eslá seria; ohomem 
mais jocoso e gracejador aigomas vezes falla urio, 

494* — Crravldade , peso. 

A gratidade é nos corpos uma qualidade que se sente 
e se distingue por si mesmaj e deiermiiia.a gravita^So. 
pt$o é a medida ou o grao d'e^ia qualidade ; nSo se 
conbece senlo por compara^So. ^ 

A ^raviáadft, segundo as leis 4a pbysica experimental, 
éigual emtodososcorpo&f'e nassuas mais pequenas par- 
ticulas, Opeso édesigual nos differentes corpos, segunda 
é maior ou jnenor o numero de particulas de malería, 
que nelles se conLém debaiJLO de igual volume. 

495* — Grejnlia, meleua» Suedeiliik, 
ealielleára. 

Grenha designa por^o de cabello embara^ado, tíh 
penleado, alborolado ou revolto ; a melena é, pelo con^ 
trario, uma porgSo -d'elle eomposta e ordenada qoe. cai 
sobre o& bombros. Guedelha é uma parte menot -e 8epfr« 
rada, £ um floco ou madeixa de cat>ello da cabe^ ou da 
harba. Calelleira diz-se de lodos os cabellos que uma 
pessoa tem na cabe^a, e assim mesmo dos postigos arra» 
iados como os naluraes. 

kgrenha suppoe desordem e desalinho nos cabellos, 
a melena, compostura e Q\mXQ : a quédelha^ coouuri- 



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560 GRI 

menlo e delgadeza ; a caMleira, profusio e basüdlo 

d'elles. 

496.r— Greta, abertura, pe«qulelo. 

A differenga que existe entre a signifícagSo d'estas trez 
palavras é bem t'acil de nolar. A primelra é uma rotura 
nalural propría da dilatagSo ou contracgSo dos corpos so-^ 
lidos ou dos eñeitos do calorico. A segunda é uma raxa 
aberla de proposito com instrumento cortante. A terceira 
é, rigorosamente fallando, a ahertura que ha entre o 
quicio e a porta, e por extensSo qualquer fenda por onde 
penetra a custo a luz. 

A greta e o reiquicio sSo naturaes, a ahertura é ar* 
tifícial. 

497« — C^rltarla, alarldo , eeieuiiia. 

A terminagSo da palavra gritaria está designando a 
multidSo de gritos on vozes descompassadas. Alarido é 
originariamente palavra arabe que designava o clamor 
quese lcvantava ao travar a peleja, que depois se eslendeo 
as vozerias dos que bulkao, efínálmente ás vozes lastimo- 
sas dos que pranteSo ou se lamentáo, como diz Vieira : 
t N3o se via nas mulheres mais que lagrimas, prantos, 
alaridoi^ etc. (VIiI, 212^; » e tambem ás vozesde conten- 
tameuto, como se ié na Monarchia Lusitana, citada 
por Moraes. 

Celeuma, emXíiiim celeusma, é palavra grega,x^¿<u9//«, 
exiiortacao, canlo dos remeiros para se animarem ao tra* 
ballio, de xc^i'^w, mandar, exhortar; designa pois esta 
palavra nSc- vozeria, ou vozes em grita, senSo certo canto 
ou cantücna cadenciosa que levantSo os marujos e outros 
trabaihadores, para se animarem mutuamente e dar uni- 
dade ás ülfferentes for^s que fazem a manobra, etc» 
como muito bem diz Camoes .* 

A celeuma medoDha se elevanla 
No rudo marioheiro que trabalha. 

(/.ttí. 11,25.) 

YidcVozes. 



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6R0 561 

498* — GroftMlro, Impolltleo, pu«tloo. 

£ maior defeito ser grosseiro qne ser simplesmente 
impolitico^ e muito maior é ser rustico. 

O impolitico falta ás maneíras finas que exige a eti 
qneta da sociedade polida; o grosseiro tem maneiras desa- 
gradaveis, desgosta muito; o rusticoSiS tem t2o molestas 
er«pngnantes qne é, por assim dizer, o jogne^e dosque 
assistem a qualqner renniSo. 

A impolitica é o defeito das pessoas qne recebérSo uma 
mediana educagSo ; a grosseriaoé dos que nSo recel)érIo 
nenlinma, ou a recebérSo má ; a rustictdade é o opposto 
de tudo que é urbanidade. 

Soffre-se o impoUtico notrato do mundo; evita-se o 
tratar com o grosseiro; ninguem deve nunca reunir'Se 
com rustico. 

499. — Gromerln, de«eorteBla« 

A primeira d'estas palavras denota falta de educa^ lo, e 
a segunda falta de atten^Sío. Aquella é desculpavel em al« 
gumas pessoas, esta sempre é cnlpavel, porjiue supp5e 
desagradecimento e immoralidade. A grosseria é um de- 
feito, ás vezes involunlario ; a descortezia é uma falta 
reprehensivel. O que come com más maneiras, nSosa- 
bendo servir-se do garfo e da faca, mascando ruidosa- 
mente, dando cotoveladas nos vizinhos, elc, é grosseiro , 
o que nSo eslá com o devido respeito diante de seu supe- 
rior, qne nSo tira o chapeo a quem o sauda, etc, é 
descortex. — Os costumes dos Indios selvagens sSo 
grosseiros ; as máneiras do moco mal criado sSo def • 
cortezes. — grosseiro ridiculiza. descortez desa- 
credita. 

500. — Ctuante, itianopla, iuTa* 

Añtes qne se tiresse inlrodnzido na lingua a palavra 

tuva, que vem do inglez glove, nSo se conneciSo outrad 

para designar o resguardo com que se cobre a mSo, se- 

ü^oguante e níanopla ; mashavia entre ellas esla grande 

II 21 

Digitiz¿dbyG00gIe 



362 tJüA 

^a, pellica, etc, em que se mellia a mKc, a mesma cousa 
iqae iiojeiaercoBfaece ipeioname de.iu«a;>eiinanppia\era 
a pe(;a do arnezíCCQi ^que seiguaiTDecia .a.mDio, e.toda.iLe 
ferno. ^A'maiiop/a^érmttiiiO^mais.anUga que o , ^rKoníe. 
0oider>(iuerftetd«»«xutde»ii.sara armadura, ulo boare jsoais 
tnmoplMiti&íOUiiy^ffiuinte.; depoisveio aium 

iPor iMOiqiieitem a it06sa:linguatapalaKra¿u«a,^ue iilo 
existe entre francezes, que di2em^anl, nem entre Itália- 
;iin6y)qiietdiMm9»iai»toy>aeaieniTe.nespauli6esi,.queidizem 
fmáme, cJAssUijoareiiias d-e&Les modo as trez palavras : 
faiUMMio éo6 tainpos imodernos ^dtremns sempjce /ti«a«; 
failando dos tempos immedialosiá cavalleria andante, jdi- 
^raiaas igfuanttifie JíilUaíáo .dos oavaileiros veslidos 'de 
feirfo,<eó deveremos^idiser rtnanqpliUi ^ue é o lermo, prn- 
prio ; com tudo alguns escritores usárlo da pálavra 
guante neste caso, a qual entre nós é menos equivoca 
por teHMs, a.iiBAdecjia /utti,^ue n^iéem as^utras .lin« 
guas néolatinas. Parece que no uso d'eslas pálavras segui- 
mos 'os Ingkies osiqaaes n§o téem loutra paiavria /para 
éesignar guamtet «e hman seiiio tg^mee^ e deMgnao as 
manoplae pela pakivra yauntíeiSy ique^OMiüa^sefparAce 
mm >¿uanU8. 

501. — '^Cmrte., |>ivi«te.yesaoite, 
'ptttriillm , i Miivda. 

látas jyalavras dflTerenyio^se )no oaraotertqueítéen.ias 
pessoasarmadas'queidesempentiSo as 'funcfSes .guüitaoes 
:por-e)Ias'designada6. 

iOuar&aé o corpo de'soldados qoe atsegura^ou^iefeiule 
álgimi*pB.^toa éües eonfíáéo. Piguete'é ceato nuaMnode 
soldados que pertence a uma companhia, com seaa 'olfi- 
ciaes, e que estSo promptos para qualquer opera^o.. 
¿«ü^ter^é'uma'piMPfiojde sokiadiift ique acompaBba e vai 
dando guarda a alguma pessoa ou cousa. 

Patrulkaé uma esquadrade-sotdddos qfáe se'pSe em 
acyáo pnra rondsr, ou como tnstrumento de for^ para re- 
primir qualquer desordcm. 

Jtmda é a visita de genle armada mie se <fn de noita 



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em roda (á la ronde]^ d'ama praca, d*iim arraíal ou campi^ 
milttar, pafra élb5crTOT^eas''scAf!néHn$'csi«D^á<lerla,elc. j 
lambeiD ha rontodejusti^as <iue andlojiela cidade.elc., 
para jetltar distuf bio^, e manfier aiseguranifaiiosmbi* 
taiíles, étc. 

N2o tem fumlamento nenhum adiRh'enta^qaeei^tabe- 
lece o asítor dos Synonymos enlre ytítnitha e rcmüa^ 
dizenAo qne csla í Üe g^eilte ^*e jté^ ^ tiquefía tte ^ente ie 
caYáno,aiI^ando a aiitoriüafle deD. Tr. IVfanodl. Tícm cii 
ca£íiélbanQ, nem em italiano, nem em iirglez existe 'tü 
flinereaga; e a Acadeniiafranceza dismo seu'DiccTonani): 
• PaíromUe ci pied, á éhevcíl. » É Trecessario Tilío'coiihecer 
Lisboa depois do Conde vieTíofíon para ii5o saber que a 
cidade «ra percorrida íie nólte por pafruffe^ií \ie porujla "a 
pc e a.cavaílo, e que igual^ervi^o ftiz'hojie a guarda inti- 
nicipál, ,pajtrü/7iantío a .pé ea cavüffo. Fique poisiassen- 
tado que a patrutha é dé gente fle pé ou üe cavaHo, mas 
Bcmpre ,^cnle de gucrra, e pBrra .scguranya dos 'habi- 
taníes, éíc..; e a ronda é ofdiiiariamt»íite«de geirte <Ie pé 
para Tigiar á& senliuellas ároda, tiívSio se aistiiigae oa 
pátrútha. 

S09i. — fiuarda-fésQ^ jpara-fe.iio. 

, Gnarda;fogo é di^pa ou grade de ferro na cheminécontra 
a qual 5e laz o lume,oaparcüeqne se eleva entre dtias'pro- 
jiriedades de casas ,para que o fogo se liSo commaniqire 
no caso de pegar numa d'eüas. ^Para-ífogo 'é movel ligei- 
cct, como bandeira de Dapel,,panno, étc. , qne se p^e diante 
das cheminés para desviar o cator do ro^o, da oa- 
Jícfa, ctc, e reccbélro nas pernas., etc., como sc usa iios 
.paues íriQs. 

Ml5«— ^iGuM*aa-xreiito , ^ra-TentA. 

Guarda'Venio é ol)ra He mádelca l^brlcada no interior 
dASiPdrias das.igr^^'as, .etc^, para tolkera enlrada exor- 
.r^nlezado.ar. — Para- veii(e> é biombo, obra de táboas 
jwyvedi^a que se poe no.interiar das casas.para evitar a 
amrtiúiZA jdo ar iriQ, ouo veuto. 

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36& GUI 

o04* — Ctuarlda» «Ibepsue* 

Nos efTeitos slo uma mesma cousa estas duas palavras, 
porém carecem de identidade respectlyamente aos moti* 
vos que ha para usál-as. 

Guarida é o iugar de refugio ou defensa para livrar-se 
de algum damno ou perigo,assim como o sitio mui fre- 

Juentado por uma pessoa e onde se encontra com facili- 
ade. Alhergue é qualquer paragem onde se acba liospe- 
dagem ou resguardo, e que tem algumas commodidades 
para os que a elie se acolhem. — Guarida exprime cerla 
idéa de obscuridade e segredo ; albergue^ certo pensa- 
mento de bondade e gasalÍMido. A guarida infunde des- 
confianga, assim como o albergue é hospitaleiro. Gil Blas 
de Santillíana encontrava a cadapasso guaridas de ladrSes 
é salleadores que roubavSoa toda a sorte de viajantes. Os 
antigos romeiros ou peregrinos achavlo por toda a parte 
alberguea em que erao agasalhados e se curavlo de suas 
enfermídades. ~ üma cova póde servir de guarida, porém 
um convento ou palacio, que nSo esteja arruinado, será 
albergue em todos os tempos. 

505. — Gular, dlrlsir • eonduzlr» levar. 

Guia-se mostrando, ensinando o caminho, indo diante; 
dirige-se encaminhando, instruindo. dando direc^o de 
qualquer modo que seja ; conduz-se dirigindo, regulando 
a marcha como chefe ; leva-se conduzindo pela mlo. ou 
ajudando a andar, dando for^, mettendo animo, e talyez 
arrastando por forca. 

postilhao íntelligente guia foem ao correio que nSo 
safoe caminho. pai, o mestre, o aio, o mentor, dirigem 
com proveito o fílho obediente, odiscipuIodocil,oaiumno 
applicado, na carreira da educa^oe dos estudos. Um bom 
piioto conduz bem o navio ao porto. coronel leva seu 
regimento ao comfoate. 

Guiar faz rela^o direclamente aos meios; eonduxtry 
ao fim. Um traidor ^iita-nos por iim atalho, para condti- 
str-nos ao sitio onde está emboscado o inimigo. — Diri* 
gir faz rcIacSo a um termo. a um fím determinado. QneHi 



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HAB 365 

guia e eonduz Tai em pessoa, o que dirige póde dar os 
signaes ou direcgSo sem ir elle mesmo. — Levar indica 
dispor do ofojeclo á sua vontade ou de sua marcha, e á& 
vezes tomando-o em seus hombros ou nosbracos. 

A bossola guia ao naveganle; o pilolo conduz o navio; 
leme o dirige na derrota; os ventos, enfunando as vé- 
las, leváo ao porto. 

506. — Habllidade, destresa. 

que sabe fazer uma cousa bem, e com conhecimento 
do qne faz, tem hahilidade; o que a faz materialmente 
bem, e com facilidade, tem destreza. Aquella refere-se. 
directamente ao saber ; esta, ao execular. 

üm artifíce tem hahilidade quando sabe executar bem 
a obra que Ihe encommendáo, e destreza no manejo ma- 
terial dos instrumentos ou ferramentas de sua profíssSo 
ou offício. Um mestre tem hahilidade para ensinar, 

Suando safoe o bom methodo, e os meios que para isto 
eve empregar. Uma aranha fórma com dettreza a 
sua teia. 

507* — Hablto , laso , eostume. 

A diíferen^^ d'estas palavras está em o numero das 
pessoas que o possuem, e na maior ou menor forga da 
express2o. 

Hahito é a ^facilidade que se tem em fazer aualquer 
cousa, prodnzida pela maior ou menor repetigSo de actos. 
Mnitas vezes signifíca tambem esta mesma repetigSo. — 
Uso é a ac^So e o eífeito de usar, islo é, o aproveitamento 
aclual d*uma cousa para algum fím ; e a faciUdade em 
proporcionál-a se toma tambem como a pratica geral 
d'esta ou d'aquella cousa. Neste sentido disse Horacio em 
sua arte poetica que o uso constituia a lei e regra át 
faltar : 



ütut. 

Quem penet arbitrium ettt et jut, eí norma ioquendt. 

Oostume é o que por genio ou propensSo se faz factl- 

DigitizedbyGoOgle 



nenltt; o» ODiijwetD deqiialktadesiott'inBlinafit»:^ flPi- 
Hii4»>oG8ra:terdisüaclLía.d^aiBaí ptssovoQ Dafio^ dl»* 
Mo-se^miMmi». 

/»abilQ>8Ótpóde appliair'«eP9'ttiiiienle; oifiiv pMi 
e«ieBilaaMrooiii««< effeátot dfesUhpreprwdad^'c om- 
iMmee é afMUá. inosBn;< fa«íll<tode [Keoliar' dé nlfti— i 
pessoas tumadas collectivamente. 

Uma nagio n3o tem hahitos, porém distingne-se por 
seus costeiiMJü;;iiBiipQala[ifiunis<i«d«Bbpaeia^ O'.nlo tem 
^odílo de copilil-o ; um aleijado da mSo direita tem hakito 
dy»rves<lr<-8B;0om:a eaqjienia^.e niopooiftmM. 

Q) htiMki' adqMirei-ae; o tiio segoe-ar; a coaimtm 
adoptA-se.. 

CoitumeSf coriMapeBdf n^ aoílatiMrmot^ jadkaqMiv 
ti«HlarBMM4eos»aeto&iBaraes4fiilio«iun oa da& a B fi o fc que 
íhH|peBtfiaNnkíSC|iffatie3ofe <pifrfagiiBSBgundoiomwi|Mi 
oofelngartat. — OsiMateBMii dossQnMMiBaeilBt mm^ 
difiiEHrBAtesrdBa dda RtiBiaiiOB» — €)ft.oofiiimea>'dferkofe 
nfio} sa- ^areBemiv ««■ ob dostaallgOB poBmgoBiai. 



tf08. — Heranfa, dtrelto IteredltwNte. 

Indicao e&las«dua&.pala£cas aqp&:se teda oméiTe ber- 
dar depois da morte d^uma pessoa. Porém distingnem-ae, 
niUDaiue(Cefi6^,,os diri»itQ9>en(virliideídQs qiUBfii aBlBerda, 
aos/byeos q^ua se heitdiow. Designio4O0&-priBMÍrBBfialB 
expressáo direito hereditariOt e os segimdos peia.niliif b 
h¿ram(^ — Aeceüa-se, on reaiinoiaise! o direUcb Abmü- 
tarioi tQma>a6.passs.da^rafi(^,.ifitoé„dos banaia qpMto 
direita her.editaíno,Cíonceát alegilánMiposfit. 

Q' direita heredttairio é.a^sueeoisio^aos díreUoB do df- 
ftincUHa hisremfaé ir auootssior aos btnsw — Eiil 
mdireita hereditaria; toHiarse posse da ABtt«af& 

ff09. — SDeirdarir^y 

JJerdeiro é aquelle a quem pertence nma heranfi. 
Succemor é. Obqiie..soocedi aontro^. oii orqBtrbBoda pir 
mortc de outro. No pñmeiro caso é muito differenle dt 
^mliiro, pooqpopMo algtMUMCiuBder'^iioBBVp^Bi 



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HER 367 

em^gPf iMr/beiieíiteie, .elc^ de onlco. sem .¡lor isso, ser 
Uñthtiréémo¡;m§s noiseguBdoc refu'esenta amesma.idéay , 
só.coiniaídti^efi^a relaliMa .de; reCerir-se a palásTa me- 
eeayer á;eBifBda doi no?a ip^soa.na Jinha áe successáb e 

?oso»^o»}dlmiittsta>ella annexes^.e re&ric'-se.a palavra 
enMtoáipofse de bene etriqaeza& em qqe entPa,.{>eIo. 
l'aolaridesiic^ei! 'ao deftiiicta de, a^m ,era. herdeircu 

I>lto( morgade«v e moDarebia&> hereditarias. há sórum 
iucüBtsw:, que siicoede aot falleeido «enhor^ e de qaem; 
bentoo tvioetrio «Oiii'iodhffona^. mas^ , se.ha4)en& livres, sSTo. 
tantos os herdeiroi quantos os fílhos. — iucceaor 
d'umipaf^tdefimto nSa<é.qi)a» aunGa.Bett herdeiroí nem 
os^:^aranroajd'iHiipa^^tem.nadaique fázcr comopon* 
ti8iíadevPM?<Itte^si)apa6(im< stteceaeni>p^:direito. herer 
ditario senSo por direlto ellectivo. . 

Ondef a^ mccf Jadío 'nSo-icoiBeidCaOom i ^ihemnfd^ sue- 
ccMir'nSo érdt m9di«'neiiliuiii'SYnon)rnu> de Kerdéiro, 



SíO. — I ff i ii a n ^ .lBat w a j toMij jMMAÍar clia 



Da^dtíferenlertelypielogia id/'iMta&) tres^^alávras. resulía 
a :difl'ereii{aí.de\SBas^ig<iifíca9$ec«. . 

k ^áía^ttí^einé¿a^,.emiJi\Ám hatresiai vem ido.grego 
ar^Mtis,.det«t)9^e*Y.tomaPi, e signifícava primitivamcBte, , 
aQ0e<'de/to«ar,eseBlba, .eUei^So,.. seita,..bpiniSo boa ou 
m¿(.DiBÍMeia A«r€itaperáp^telica,^.liere«ta.estoica, a. 
Iiaméa. icluii8lfi|.elGtt etesla^denominavJío.nSLO tinha nadá. 
de-odiaBOi Temoeipivva d*ist<yiiaquelle Jugar de S. Paulo, 
quB'dsmreBdo^osiCorintliios, eJ^eprebendendo a& diví- 
soes que havia entre elles á cerca da maneira de comerem 
as;d^aj»9efdis-]hes( •^h%typt/k Kod.eB[pfaii,jtt byXv thoLiynam 
ojjpori9i'e4'\hiBre$ee ea»e^; porque é conveniente qoe 
hs^t^BiTeifiiaientre^vós, paraique.se descubrlaosque s9o 
finiiee^na>féi (Iv aosCorinih.y XI,. 18).» Referra-se o 
Aposhdo nioHaipontoade dogmay senSo de discipjina; e 
se^Dnwioi<> valof do verboJmpessoal: gregp ^i, e.neces* 
eario, é for^oso, nós dá a eutender nío uma necessidade 
abMfaiia^jseniQ uma oousa imiLotdinariae quasi iheyita^ 
Td¿ altendida aúacoBSlancia humana^a. saberba eapro^ 
:»e¿rfi^*fiomi/ade»vQomo.tinhüa ostCorinthkiSw 



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368 HER 

Com andar do lempo, crescendo cada vez mais a val-» 
dade, a soberba e protervía de certas seitas religiosas 
contra os dogmas ñindamentaes da Igreja catholica, unica 
mestra da verdade, forSo aquellas anathematizadas, e a 
palavra heresia, mui innocente em seu principio, veio 
com razSo a ser tida em grande horror, e chamárlo-se 
odiosamente hereges a todos os que se afferravSo a uma 
opiniSo contraria á doutrína da Igreja. Herege {hwreti-' 
cuif ciiptrixói) é pois a pessoa que cré on sustenta com 
tenacidade um sentímento declarado, porém erroneo, con- 
tra a Igreja. 

Heteroioxo é palavra grega, irtpóZo^os (de htpoi , oa- 
tro, s¿|a , opiniSo), e siguifica o que segue uma opinilo 
ou dontrína diversa da commummente recefoida, e em 
geral» nSo boa nem recta. 

Heresiarcha é tambem palavra greea aiptaukpxris (de 
atpscii, heresia e Apx^ , cabega,.cbefe), e diz o mesmo 
qiie aulor, chefe de heresia, ou d'uma seita heretica. 
Arrio, Liilhero, Calvino, etc, s3o heretiarchoi. 

heterodoxo dissente da opiniSo commum em sea 
erro, mas náo resíste á autoridade doutrinal da Igreja ; 
quando esla decíde, submelte-se, e nSo faz partido ; e se 
assím nSo obra é herege. Este nSo só erra, senSo que se 
rebella contra a auloridade legitima, e com orgulbo, du- 
reza e contumacia ihe resiste, e a combate. E ás vezes se 
faz fautor de erradas doutrinas, e cabeca de sectarios, 
guerreando por todos os modos a Igreja Universal, e eiH 
tSo é hereeiarcha ; como diz Vieira de Luthero : « Refoel- 
lou-se contra a Igreja, e fez-se n5o só herege senio here- 
iiarcha (VII, 83). . 

opposlo de heterodoxo é orthodoxOy opObZo^ai (de 
op9óij reclo, justo, eo¿Ca, opiuiao), e orthodoxo é aquelle 
cnjas opinioes e sentimentos cstáo em ludo conformes 
com a doiilrina da Igreja calholica. O opposto de herege 
é catholico (xe<9oAíx¿í , gcra!, universal), islo é, que segue 
os sentimentos e opini5es do commum dos fíeis, que sente 
como a Igreja calholica. 

Lnthero e Calvino come^árSo por ser heterodoxoe^ 
emittindo e ensinando opinioes oppostas á doutrina da 
Igreja ; passárSo o ser hereges, resistindo,á legitima au- 



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flis 269 

(oridad^ecclesiaslica, e revo!tando-se aberlamente contra 
clla ; c acabárlo por ser heresiarchas, razendo-se cabe^as 
de eeitas turbulentas e sanguinarias, que rasgárlo o seio 
materno que Ibes dera o ser. 

511. — Heroiamo, Iterolcldade. 

heraismo é o methodo, a regra, a marcha, a maneira 
proprta depensar, desentir, de obrar, que téem os heroes. 
A heroicidade é a qualidade, a Yirtude, o caracter pro- 
prio do heroe, isto é, a magnanimidade, a generosidade, 
a sublimidade que inspirSo os altos pensamentos, pro- 
duzem os bellos sentimentos, executao ac^oes estrema- 
das e primorosas^ dignas de admiracSo e respeito. — A 
heroicidade completa a idéa que temos do heroismo; o 
que este ensina, aconselha, exige, aquella o executa.O 
heroismo é a medida geral da heroicidade pessoal. he- 
roismo signala o gráo de grandeza de alma até onde se 
elevao os heroes: a heroicidade é essa grandeza de alma 
que constitue o heroe, e que elle p5e em accio. 

312. — Hlstoria seral , Itlstorla 
unlversal* 

A historia geral refere-se sempre a uma nagSo ou povo, 
enarra todos os soccessos na parte politica, religíosa, 
litteraria, militar,^ etc, desde o seu principio até aos mo- 
dernos tempos. A historia universal comprehende todos 
os povos e ñagoes conhecidas, em todas suas idádes, e 
narra os successos de cada uma d'ellas, e suas rela^oes 
entre si. Um quadro unico em que se fossem apresen- 
lando cada um dos povos á propor^So que fossem appa- 
recendo na scena do mundo sería cousa summamente 
difficullosa a executar, e por ventura menos util do que 
se pensa, atlendida nossa limitada comprehensSo ; pelo 
qoe mui acerladamente se divide a historia universal em 
trez grandes idades ou trez historias que se succedem, 
tendo cada uma d'ellas seo caracler particular, que s2o : 
a historia antiga, a da idade media, e a moderna, ás quaes 
se póde ajuntar uma qiiarta, que é a contemporanea; t 



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a7íQ H7S 

eaiasr mtsoiMf sf snbdliñldiCBi, enr! epoeas e pemdovhMi» 1 
DÍM^.paeaímdfahor se cofBpiehieomraB; eaia«««Ucimt» 
ta^.Q se podoreBi. jiüg{u os» hooiensi qin^ Dttte» lifieriÉ 
parle. 

ErrSo muito os que dizem que Bossuet escreTeo a ftt#- 
ioria wiim»in8AUí^üit^&á esQttífe^^ um éUscuna sobre a 
hüioria universalf e n§o passou do imperio de Caríos 
Mogne^. e. diávi4a-se mmio- qiie af Agqift ée^Meatt»'poitose 
peoetcar. eom^a mosmai I««idez a afuiÍQada^s^AifiJHnDéa 
idMle m«dÁa4 Seu UTro(iPi«cotira «itr llhisiiMr€*> unimr^ 
««¿¿^), adfl»ii\avel pdM>6(mctttt6fi epek)/ est^lo^ étmnito 
perfeito comoi eompetUyu» hislofric&,e por isso l oy Mr Dwri e 
no& ooUegiofirtde Eranfat,,e &ttbs4iituido. pMV onlsoa* loii 
oomplolios^e me4h«áieo£u 

¿diS.*.— ntetiMPliMfor, litatMa*i¿s«raphfi* 

AiibAsestQSr.ltiterBtoS'escrevett a.bistorla« naa 4ft ^ 
ferfiBtemioá» freomdiversasieircamslaneias* 

hist(Xfiiá§rashOi, istaé, e&er itor det histopia^ÁiHB liltah 
ralo pensionado do cstado ou d'um principe, para escr^ 
ver siUi hisLoria^ e eor£es]^Dde.q;jasi sempreaB) que se 
chamava chronista. I/isíoriador é um litlerato que cooh 
p5e uma historia,semserpensionado,e quasi semprenSo 
coiitemponanea«. Raotae e BoUeant fotrgo^ eseolhiüoB for 
LBie XiíV paraj seus hMoriQ¡/vaf^gii VoltairBcfoiMlo» 
riador d0'see«io4'aqiidle monaneha. 

Q historiograjfiho^ é iim sknpies^ annalisU. ^m rtkit 
acontBeimenitts, j!eune materias ; o^hiHorio^dúr esoolhe-Qi, 
^¡9»-o^ eiAí ordem^ examtna. os faotoss jnlga ose homoBt e 
ast eoiisi». ftoftliinta' esle. ser menos adoladon e mti^ m- 
paüdBl qfiooi/»í«tor^^a^Q, e se possue astdemBia qanr 
UúBde9iá9tbQm.hiéioriad0V lega a seu& simiUiODytesn 
do8 methoreaí>pr«sente& que.se llie& fiossSo. facor^ q«Ré 
nma beiahi6l{)riaí,Ovqu«imiAoafaráaquello. 

Set athis4orift év. oomo' disse; Ciceros iesleaiBiibB ái 
tempo^ hiz da<vQr4a¿Q,Tida da nMmoria, eseoia dft.TÍdi| 
BMOsageira'da anfcigméiidey ob coBoc,.talvei.m£Íbor,.dQir 
crevBOpTiQirB : Mdida v«rdadQ;.eimila do tQnpe^^opBslU 
dlaBaBfiiBB,, tflsiafluinfaodo ftassado^QiieiBiiilAeaYiaibdo 



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HOM 371 

pre^ente^, adi^ert<mcm úú ftíturo; b[Qs: KUtóriadónsse 
déve' 196 irtesttnraTel Ihcsouro. 

3 Mi — Haiireiit , : varabí. 

Hbmem; copresptmdeao latitti fiomia, e désigna eni gf~ 
ral'oianiinai racionai, eenrparltcuiar o indmdüo mas- 
euUáo' da esfyccre htoana. P^rñú, corresponde ao lálim . 
«ir,- eifcsignandoemgeral'oiralividuo masculiho dá.esr 
pecié' iñraiana ; signifita* partitjuldrmentc , ,CQmo disse, 
Vreiííaí nfo só-o'scxo, senSo^ lambem o jñizoy o valor^.a 
experiénoiá;..., e todas as.otittas qplidádés, dé qwo set. 
compoéiiro'hfToe perfértor 

Muito bem deslinguio Seneca os dous térmos lálítios, 
dizendo : « Nm sentir^ .malaisuar nonetíhmmnis; nan 
ferrejnonest viri,» P'Toppio é do /lemiem o sentir seu€ 
males ; do mrcío é proprio o supporlál-os. 

5i5. — Homem de bem^ 

lioinem tfé*lÉom*fi;^,lií€miem liíomrftdé^. 

Aomem^dfe iiroVidtede, , 

Itomem de vlrtude.. 

fteferem^^ (odas esta» express^!^ aos déveres que nos 
pnopoffios «bs^rrar na'sociedade, masiem' cddanma úkl- 
la»seu?*viatof relativo- ou convencioüal 'que é'mister nífO. 
coüAlndirr 

Sén^imoMiosi ovdiuariamen(«' da «xpressab' Homtm d^ 
6cm»pana' dosignar o^que'obsepva eKactamenle as léis^da 
sooíedade,.rospeiia os-dlreitos de sens similhaiiíes,\guar-^ 
dando em ludo a decencia edeoore qucconvém'a seaí^sa- 
tado e condi^So. 

Homemuüih0nmAoj[mxAmmi^nA rigonoiamente 
as leis e os usos da sociedade, senSo que obra cavalbeíra- 
meoldi^inoeU^ em^seu procedépcertar elévaciüye nobrera 
de-«eDlá»ealos qae aíTastQ'toda'a'idéa dé* baiieza, e dá > 
lustvee realce a todassuas ac(;oes. Ghíama'^e'M)r>ra(2oao 
quVinSo^ fazcousa coatraria ás Jeis da vtrtade. OUnsagra-^ 
fic todoi^a seti» d^veresi e oumpre-^s nSo por aííectar 
Donm^ senád .pelat* recta- intengaa-e pelo conv€OCÍúient& 



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372 FOR 

de anlemao formado. — homem de honra nSo falta 
Dunca asua promessa; o homem hónrado faz justí^ 
aínda a seus inimigos. 

Homem de probidade , homem de virtude, sao os do- 
tados d'estas duas qualidades. Consiste principalmenle a 
probidade na boudade moral e rectidSo do auimo ; e a 
virtude na inlegridade do mesmo, e valor de cora^io. 
Aquella p6de vir da indole> da educagao, do habito, etc. ; 
esta s6 vem da reflexSo, da consciencia, do amor da jus- 
i^a e da couvícqSo reíigiosa. A sociedade contenta-se 
^om a prohidadeí a religiáo exige a virtude. Quando a 
prohidade náo provém de recta inten^io e se prop5e fíns 
nSo louvaveis é uma falsa viriude^ grande inimiga da ver- 
dadeíra, como disse Camoes : 

Oue inimiga n§o ha tSo dura e fera 
Como a vtrlude falsa, da sincera. 

ol6. — Hoiiilllay serniáo. 

Bomilia signifícava antigamente conferencia, porém 
depois deo-se este nome ás exhortagoes e sermóes que se 
pronunciaváo ao povo. A palavra grega ó/xa¿a significa 
discurso familiai', como.a palavra latína sermo; e se cha- 
mav2o assim tambem os discursos que se pronuncíav2o nas 
ígrejas, para mostrar que estes n2o er2o as arengas e 
ora^oes de apparato, como as dos oradores profanos, se- 
d2o puras conversa^oes, como as d'um mestre a seus dis- 
cipnlos ou d'nm pai a seus fílhos. Distinguia-se a homilia 
do sermáo, em que a primeira se pronunciava familiar- 
mente nas igrejas, e a segunda em cadeira ou pulpito e 
com mais pompa que a homilia. 

517« — HomoiiyiiiOy equliroeo. 

Já fallámos do equivoco no artigo Ambiguidade 
(pag. 52); só diremos agora, que homonymo é uma es- 
pecie de e^uivoco, que consiste na identidade do nome, 
como esla dizeudo a palavra {b,u(;>vo/jiOi, qne tem o mesmo 
nome), mas com differenle signifíca^o. A palavra amo é 
homonyma, porque ha na lingua duas, islo é, amo subs* 



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HON 373 

taotívoCo mesmo que senhor, dono), e cmo primeira pes- 
6oa do verbo amar ; as quaes, escrevendo-se e pronun- 
ciando-se do mesmo modo, sao distinctas enlre si, signi- 
ficao cousas mui diversas, derivSo-se de distinctas raizes, 
diíferen^So- se pelos accidentes grammalicaes, e só por 
ama casual combinagao resultárSo materialmente asmes- 
mas. Toda a palavra homonyma faz equivocOy mas nem 
lodo equivoco é palavra homonyma. 

318. — Honor) Honra; 

que dissemos a respelto de erro e error (v. pag. 263) 
|)óde-se applicar a honor e honra. UsavSo os nossos an- 
ligos mui acertadamente d'estes dous vocabulos com dis- 
tincta signifícaQao, mas os modernos, talvez porque o 
primeiro cheirava a castelhano, ou porque entendério que 
ambos signifícaváo a mesma idéa, condemnário ao es- 
quecimento o primeiro e só usao do segundo. Respeitámos 
os direitos do uso, mas como neste caso é arbítrarío e 
despotico, dir-Ihe hemos que nSo tem razáo; e os homens 
de bom senso e intelligente^ deveriSo rehabililar a pala- 
m honor, para evitar a homonymia, differen^ando-a de 
honra pela maneira seguinte. 

honor é independente da opiniSo publica , é qualí- 
dade inherente á pessoa ; assim dizia o autor da Eufro- 
iina : « Perdi meu honor^ maldizendo e ouvindo pior. » 
A honra é, ou deve ser, o fruclo do honor, isto é, a esli- 
ma(9o com que a opiníao publica recompensa aquella 
virtude. — üm homem de honor é a honra de sua fami- 
lia. Herda-se o honor, e n3o a honra; esta funda-se depois 
nas ac(5es proprias e no conceito alheio. Honra-se al- 
guem, mas nSo se Ihe dá honor. Um soberano honra oom 
sua presenca a casa d'um subdito, mas se elle nSo tiver 
kanor nSo 'íica por isso mais honrado. 

519. — Iffonra , decoro, diffnldade. 

Honra é a boa opiniSo e fama adquirida pelo merito e 
Tirtude; e considerada no individuo, o que se devia cha- 
mar hotior (V. o art. precedente^ é aquelle sentimento ha* 



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374 IHIR 

ittüial qoe. lemolioaieiii a prcK»ra^est» boai opmü»a 
fama pelo cumpriHienio de seua devereae pela nraUBa-dc 
aobresac^ea, éos^undo anjo da» giiMrd»> da'' firtade 
como disse Vieira (VI, 360). 

Cicero disliiigue duas espeeies^ áeewro, um)|;end'qoe 
se eslendea ludo que ¿ihonesU^ e outro particular ooe 
perlenee a oadat umaidaa partts^da honeslidade; defiBe 
o primeíro : que é^onBeBlaMeo á excellencia do tiomem 
naquillo em que sua natureza o diíTerenya dos oulros 
animaes ; e o segUBdo^ comoieapeme doprimeíro : que é 
consentaneo á nalureza do homem de modo que nisso se 
mamfeslft moderafio^^temperanya com* certo arnobre 
(deOfic. I,2a). 

/^Dffiúlafiíe é a quaüdade qoe constikHe nmhoHiem'di^ 
gDodafConaidera^Soe hoora qne se Ihe tríbultt,> e^tambem' 
a«.maiieiffa(gra^ como? procede erahahnoma comos em^ 
pregee. que^cüBroes ou agrad^iaflo que oocupa üa ordem 



Qstntimento da hmra natee dodeserjo'^innató» que- 
todosUmos^esecmos.tídos'emiboa eontapor'nossossi* 
mtíhanlesy e de mereeermos sna estimai sentimento*'dé 
dMoronasoe da idéa ide soper íopidade aos irreciottaes qae 
em nós sentimos, e da tendencia a mostrar csta mesmt 
supierioridade. aos que sSo d'uma condiygo iiiferior. O 
senltoentO' da digntdade rcsaita de nossa posi^fáo sochi^, 
e da justaiidéa de fazer ac^oe» consentaneas aos cargt>9 
qaetoccupémos^ ouágerarchia a quepertencemos. Opri- 
meár4> leva. o homem á virtudc, e ás ae^oes geaerosas; O' 
se^undo suslentQf*o pai*a que se nSo degradé; o terceiro 
avisaK) que. nada fa^vqne deslústre seu bom nomei on 
trasa quebrataisua repula^So. 

m. q«e o. mraido chama \ /i^itra; ha moitas Tezes mai^' 
Taidede que virlade ; no qne se cliama (í^eoro tera nito' 
poucas vezes mais paite a opiniSo pubíicaqne a razio; «• 
no que se chama dignidade domina de ordinario maís a 
hypocrisia qaera^iiiaeridade. 

520* — Horrenudo , liorrlicely liorroroMi| 
espantosro. 

Eitaftiqpataro.palán'iaarefereo^firaflima iáéaconBOiitf 



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HOB 375 

a de.qiieuma cousa causa lerror ou espanio em nossot 
seDüáofi, ,e. diíTer^D^^o-se da maneira seg^inte. 

Hórr^ndo i o que por sua gjrandeza díísconfbrme' in* 
funde medo e lemor, ao véí-oou. ouvíl-o. Hwriwtl é' 
tiído que por sua féreza causa IrorroT nos que o pre* 
senciSo. Refere-se ordinariamente a objectos animados. 
/rororrnfriMÍicinilrariad&Memait^tqueatem^ute de 
objectos inanimados, e em particular do que depende da 
oracm danaiureza, m áo^ em qite ha.atrDoidade. Espan-^ 
loM^ desigoa uma.idéa meaos extensa que os anteriore& 
a^ediiits^ e.causai assombiro, porém póde ser alguma 
coMt; quepof! áamaslada^grandeza. caus«. e que cliamá? 
mm espanéo.. 

Barrmdos sS» oñ troyoesh cpiando rebomhao no funda 
dos Talies) horrtndiu s&o as bombardas que estouria 
amiiiáadas, horrendo era o tom da voz com q)ue íallava.Q 
gi^te'Adamasi(m. Horrivel é o leáo.quando nos.deser- 
tesassalta* ooaniiniiaote. Borrorosa ¿ a noite em que sei 
náo véencffi mBftealpeUa, paasada em peqneno baixel.q^ 
at ondas ai^o e a eiú'uredda herrasca amea^ fazec 
pnda^os eoiára esoavpados rocbedos; /lorrQrofo é um 
onme^atn»: e> inhttmano. SSá^^espaniosM os castigp&, oa 
espectros, os terremolos, os furacoes, os bramidOs, e 
tudo que causa espanto. 

Os trez .pcimeiros tom§o-se sempre em mal, o ultimo 
toma-se algiimas vezes em-bem como cmisamsrevUhosa ; 
e nesie senüdo é espantosa a viagem do Gama á India, 
slio espantosos os féitos de Duarte Pacheeo. 

Pooem por ventura reunir-se num mesmo sujeito esCat 
^ialto^ualid'ades sob diversas relatgoes. Pdyfliemo^.con- 
ttderad6'em sna desmedldá grandeza, era e«pcmloio^ 
considerado em seu aspecto désagravel á vista, enfm nm 
aó.olho^ia lesta, representa-se^nos horrivel ; eonsideFafda 
como um gigante de desmesurads^ for^a, fíp;Qra^s&-nos 
horrendo ; consideradd' como nm monstro^ de crueldaáe; 
representa-se-no& horroroso. O gigante Adamast^p, se* 
cuDdo ímaginoa nosso poeta, era espantoso' por sua 
lisfórme e grandissíma estatura; os olho» eneovadot, a 
boca negra». os dentes amaretfos, a bari^* esquaKdav ooe 
cabellos cheios de terra faziáo-no /iorr¿vef;09mei»rfs 



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376 HiP 

descompassados, o tom de voz medonlio e temeroso eoin 
qne fallava fazi2o-no horrendo ; e se, como Polyphemo, 
se apresentasse despedacando homens e comendo-lhes 
carnes, seria, como elle, horroroso monstro. 

521.— Huniildade, Uumlliaf&o. 

A humildade é uma Tirtude christS qne nos inspira o 
conhecimento de nossa baixeza em compara^o de Deos, 
ou d aqnelles que exercem sua autorídade. A humiliagiíú 
é acto de hnmilhar-se, e toda a demonslra^o externa 
de humildade. Aquella consisle nos sentimentos habi- 
tuaes da alma ; esta, nos actos externos por que se mani- 
festa, como disse Vieira : « A humildade é o interior da 
humiliag&o, assim como a humilia^ño é o exterior da hu- 
mildade (Serm. doRoz., I, 225). > Mas como o erterior 
nem sempre concorda com o interíor do homem, póde 
muitas vezesa humiliag&o encobrir grande soberba e or- 
gulho, e outras degenerar em baixeza e abiecgSo; porém 
será sincera e verdadeira quando for a legitima expressio 
da humildade do animo, que é sempre singela e nSo 
eonhece artifício. 

522* — Hjrpocrlta , beato-faUio* 

A primeira d'estas palavras é o genero, a segunda a 
especie. 

Hypocrita é palavra grega bnoxpiriái , que significava 
actor, comedianle, e no sentido fígurado, homem flngido, 
dissimulado; tem entre os modernos só o segundo signi<^ 
ficado, e designa em geral aquelle que apparenta o qnc 
nSo é ou sente, mórmente em virtude e devogíío. beato- 
falioé um hypocrita religioso, que debaixo de apparen- 
cias e praticas devotas occulta vcrgonhosos vicios. 

A hypocritia extende-se a todos os actos exteriores que 
se oppoem aos sentimentosinteriores, comodisseYieira : 
«Bons exteriores com máo iuterior s2o hypocrisias 
(Y. 223) ; • a heatice'falsa só se dá em cousas religiosas. 



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ÍGN ¿/7 

S23. — Ideal, Imaifiuario. 

Ideal opp5e*se a real : é o que depende das idéas. 
Imofiinario é o que só existe na imagína^So. — Para m 
avaliar um quadro é misler saber se o modelo que o pintor 
t€Ye em vista é historico ou ideal, Um aprehensivo tem 
ama moleslia imaginaria, 

Toma-se algumas ^azes em máo sentido a expressSo 
idealf como quando se diz « fulano é um homem ideal, > 
é como se dissessemos, « é quimerico o caracter de seu 
espirito ; « e quando se diz « esta personagem é ideal, » 
designa-se que é uma fic^o, e que n2o existio realmente 
Porém quando se trata de bellas artes, esta expressSo- 
longe de ser tomada em máo sentido, designa muita^i 
▼ezes mais alto ponto de perfeiQlo. Applica-se eila par- 
ticülarmente á pintura e á esculptura. A pintura nSo 
conhece mais que dous generos inteiramente dístinctos, o 
imitativo, e o ideal. primeiro nSo consiste propria- 
mente senSo em copiar o que se tem á vista ; o segundo 
consiste em ])ropor-se o pintor um modelo em sua imagi- 
naj^So, que póde ser muiperfeito depois de haver eslndado 
as infínitas bellezas da natureza : isto pertence unicamente 
ao genero ideal. 

524* — iKnomiiiia , infamia , 
opprobpio. 

Segundo a forga d'estas palavras, a infamia tira a re- 
puta^áo, mancha a honra; a ignominia mancha o nome^ 
dá um miseravel renome; o oppróbrio süjeita ás murmu- 
ra^oes, submclle aos ultrajes. 

A infamia é a perda da honra, da rcputa^áo, ou ao 
menos uma niancha feia enotavel na honra,na reputagSo, 
seja pela execiig^o das leis, seja pela opiniSo publica. A 
ignominia é uma grande deshoura, umagrandevergonha, 
ou uma cousa que degrada, uma aífronla que faz perder 
a honra. O opprohrio é o ultimo gráo de aíTronta e de 
infamia dependente das ac^oes que merecem o desprezo 
ea aversSo publica,ou uma injuria grave, um tratamento 



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378 IGN 

tinmilianle que eip5e á irrislo, aos insultos do pnblieo. 

A infamia applica-se a certos generos deproñssSes oa 
de acfoes; inrlionieiiM|Qeienha b^nrsenttmeoito elionra 
nunca se entregará cego a elb. A ignaminia se esparg€ 
«otyre^nnr-rním abjec^o"; t> que tem «entiiiienlo de siia 
dígnidáde e de aen estadio, nii^cai nmica nelia, nSo^se'eiiu 
tr^^a elfe jamais. Oopirrobrio persegne^ o' indiftdiJKi^ 
indlgno deiodas as considerá(5és dá'sociedade; aqueHé a^ 
qnem resla algum sentimenlo nSé aeha^maior idrmeBti^' 
qHe o yiTer, quandb nSió'pódésair ü'esse^mifteravel estadb. 

S^rfio Tufio^evade-se"Com a infámia' á^ semé¡íh\ r. 
ehega a ser rei. MHridate», dtpoisdefeneido^^ nio^ufflhéfé 
a ^nomiiiúrdojugo*romano; prefere'a'raorte. Méropeif 
sosoforadácom a'ddr de'ha?er-pordidé"sea flTlio, e'ooBr 
h^orrordé de8poaar-*se conr o^sassino* d^'setr esposo^ 
olha' a' vidá' como irar qp prc^oi e* a* m«rie« conw 
iim' de? er. 

lliilievÍMii. 

XHffnonmeiú'é^fííli^'dé cnltiira <to«eiiiendfitlieBie'|'a> 
to^ce é' fiiKd' dé-caiHira dár razSo' on frtta de juiíO'; a 
nectéMé'é'ignoranciá m íoKcf' acompanhadir dé' pf©- 
gump^So. 

tgnoranie erra iy)r faltade principios adqi^iridos; 
tolo, por fólta de lüzes natnraes; onecio on nescio, 
por falta de luzes ou principrós, o^sobra de amor pro- 
prío. — amor pf oprio occulta muitas vezes a ignoranr 
eia^ descobre sempre a neceilávfó; enSo' teminflbeiiciBi 
algmna na tolice: 

A imptricia é fálta dé-periéíá, e* equrvaie a falta* dé^' 
uso, de pratica, de experiencia, de desembaraeo, na exe* 
cwgao de quatqiier coHsa'. — ignorante é* porisso 
mesmo imperito, mas o ímperífo póde nSó ser ^rno^ 
rante, Atonorancm comiMite^seevence^se comoet* 
tod^ rappJicacilo; atmperrdá, com O' uso e^'pratíaa^ 
Ni& é stm f uodámento que «r d£rproirerbialineiite : 

BslQdái uhtsTéát 



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IIX 37A 



T5db homeiD é mais oa menos ignorante. Quai é' 
aqoelte qpe tudd sabe? Pois s6 o que ludo soubesse vSb 
seriát igporanU. Toma-se com tudo a palavra igncranU 
nom sentido mais restríeto, para designar aquelta.pessoa 
q^e nlb sabe o que devia saber, ou q^ue ignora as coosas 
moU gpraimente sabidas^ ou. que nlo tem a sciencia ne- 
cessaría á profes3o que exerce. Jgnaro é uma expressSTo 
|>eiorativa de ignoranUy que sempre se tüma em máo sen- 
tido, e designa o estado da mais crassa e vergpohosa 
Ignoranciá; áppHcada ^ pessoas é^ iftjnriosa, r dte-se 
com propriedade da piebe e povo rude sem aenhumaxul- 
tunr inttiitecttiai; como se U ém QunSes^ : 

Comiaiai teft(ͻ41M *. pldifi ^fpuMQSf iaau 

HSo Tos tomtiá» soDlior^pdo ^WQ.i§nmm^, 
T&o iD||[ralo a ^cm taato fazporefie. 
' (W. It', 4 e lí.y 



QLÍlUmUaáo Tá^Aem HiiiHta, niáhteittJm' iMJ»;t«ffmft, 
poBÍDK péde O0ii€dlier-se>. aom a imaf^na^a^, oi> imfniémi 
nSoiieye priRmpio,.nem terá fíove nSórpiüder.«oiiii[)^6hesb'- 
áéhrB BMsaiinteliiípeBcia. ii/ímttodo foi o^ptMLeff. der riti^' 
pok&^^.iUkmtáidm^ £»f aianbifSoi ét^, AtoAfidre! Ma^mih. 
Jr^Smto^él)em\infimtOié.oitéi(h 

O illimitado applica-se a maior parte das vezes á>d¿r- 
mensSo ; o infinito, ao numero e á origeni. — mar é 
illimitaioi;^o,uimtí[o daaestceUisóiii^fiuliL. 

illimiíado applica-se. acmore a cousas mundanas ; o 
infinito ás sobrenaturaes. — A überdade illimitada é 
quasi. scoi^e; naelva ao>paY«tata«iemkSft.GOAoediKA%mi- 
serieMdia. tiyTmla de DeoftoSo* deffe servi«.de preiexia 
pam^c^ue oa<homeii& vivSOiem^eseBfir^eada/liceog^k 

ÍSHÜ^ — Illusteaf^Ui*,, clvUizaf ao ,, 
InstjriiAfr&Q^. 

PaiaTras modemas mm nsadas^ qne Bor.veittora seeoB 

DigitizedbyGoOgle 



380 IMM 

fundem, mas que sio diíferentes. Consiste sua dífferen^a 
em qne instrucQüo refere-se a uma idéa motrlz ; a tlítM- 
tra^áo é seu effeito immedialo; e a cmliza^&o é o resul- 
tado das duas. homem é naluralmente ignoronte; ne- 
cessita instruir-se para saír d'aquelle estado. Uma vez 
instruido adquirio illustragáo, e uma vez illustrado 
contribue á civiliaacáOf que nlo é outra cousa mais que 
a somma de instruciao e de illustragáo applícada ás ne- 
cessidades socíaes. 

529. — Intltar, copiar, remedar. 

DesignSo estas palavras em geral a ac^So de fazer uma 
cousa parecida com outra. 

que copia prop5e-se um orfginal, e traduz exacta* 
mente suas bellezas e seus defeitos.O que imita propoe-se 
um modelo, e trata sim de traduzir o objecto principal, 
porém presentando-o com melhores fórmas que o origi- 
nal, e afformoseando-o com adornos filhos antes da ima- 
gina^So que da arte. JtemedáO'Se as pessoas para as rídí- 
culizar, e exagerar seus defeilos. 

A acf lo de copiar é uma opera^üo servil ; a de imitar^ 
uma opera^So de juizo e de gosto ; a de remeaar desa- 
credita a quero a faz. — Nas bellas artes, comecio os dis- 
cipulos por copiar, depois imitSo, e se léem taiento e ge- 
nio> inventSo, concebem e executSo obras primorosas. Na 
sociedade, o que remeda dá provas de nescio ou de mal 
criado. 

S50. — Immiuie) Isente) Immunldade» 
Isenf&e* 

Jmmune é o adjectivo latino immunis que equívale a 
Uher et vacuus á munere, e signifíca o que eslá livre, 
desembara^ado de cargo ; e extensivamente o que goza do 
privilegio de immunidade. 

Jsento, que melhor diríamos exempto {exemptus de 
eximo, tirar, livrar^ exceptuar de....), designa o que é ti- 
rado, desobrigado de cargo commum. 

Parece, segundo o Autor dos syaonymos, qae immune 



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IMM 381 

é propriamente o que de si mesnio, e como por sua pro- 
pria natureza, ou por alguma qualidade intierente, láo é 
obrigado aos cargos communs, ou nSb é sujeito a certoi 
onns, on goza de certas prerogativas que o distinguem do 
communv; e isentOy o que sendo obri|;ado a esses cargos 
e onus, é com tudo exceptuado por priv¡]egio e gra^a. 

Immunidade é a qualidade de ser immuMf com parti- 
cular referencia aos oílicios e cargos pessoaes. 

Jsengáo é uma dispensa graciosa d'uma obriga^So com- 
mum, a que aliás se era sujeito. 

Immunidade indica privilegio inherente a pessoa ou 
pessoas. Uencáo denota privilegio concedido. 

Chamav2o-se immunidades da Igreja os privilegios de 
que gozavSo os templos calliolicos, e os minislros da reli- 
gi2o, de nSo serem sujeilos a certas leis civis, talvez por- 
que corpo ecclesiastico era reputado superíor ao civU e 
por isso immune de sua jurisdic^o. 

Os fldalgos e os clerigos gozav2o antigamente de gran- 
des isen^des ; hoje s2o todos iguaes perante a leL A'^uelies 
só resta a gloria ganhada por seus maiores; estes so estod 
isentos de ser soldados. 

531 • — Iiiiparelal) Justo, Justieelrey 
Justlfose. 

Imparcial é a pessoa que nSo sujcila seu parecer a 
razoes particulares, que nio se inclína com preferencía a 
algum partido, ou se decide por acceita^So de pessoas. 
Jusio é que obra e julga segundo justi^a e com recla e 
devida reflexSo. Para um homem ser imparciol basta que 
considere o merito da obra ou da pessoa sem atten^So a 
nenhuma oiilra circumslancia; para ser justo é necessario 
que conhe^ as regras que se devem observar para bem 
iulgar. Um aldeSío rustico póde ser imparcial neste ou na- 
quelle negocio, porém nSo ^usto* Um juiz, um magistrado 
é mais justo que imparcial. A imparcialidade é uma 
qualidade que nasce do bom senso; a justipa é uma qua- 
lidade que procede da instruc^o acompanhada da rectí- 
dao do animo.— imparcial )ulga pclo quc «enle. O 
iusto^ oelo que sabe e entende. 



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'i82 nm 

'CoMidmdo'o yififona «spectál signilica^o de honKni 
*qae <faz on adnínistra jnfittga contra os crinimosos, dtffe- 
rfD^-«e cm 'queojMífo resijeitaa IramaTiidade, qHC éo 
Tealce da j^fftpa, e o,jti**7t?eíro propende para a cnicT- 
dade, <|ae parefr «croTnovel de $eii8 rigores. Oplima- 
mente declami Vieiraa diflPéren^ d'estes dous vocabuloSy 
fizrade : •'Bntre 10 juífo e ojutticeiro ha esia diTreren(^, 
ambos castfg3o, mas jujrto casliga, c pcza-lhe; oJuHi- 
M^o castígg, c folp;a. Juffo castrga porjustica, ojtu- 
ticeiro por incIina¿áo. Ojustocam máís vontade absolve 
i^e con^mna, ojutticeiro com <mai8 Tontade xondemna 
qoe absolve. A justrga cstá ciitre a piedade e a crueldade: 
"OjutHo propende paraa parte depiedoso, Ju$txce:iro 
paraa de crnd (XV, 137). » 

/tff ftfo<o>é zétoso cm castígar e fazcr jusliga. E cx- 
presflílo tnenos ftirte qwc/ufíicefro. cuja tcrmina^^So éiro 
designa encrgia, exagcra^o da idea prracípal que i jns- 
tff^a : iiaquell^ abmida 'a iusíti9a,iicslc mostra-sc ellarigo- 
rosa ic por ventura exccssíva. Para ado^arem um pouco 
o epHheto dc cruel, dérlo os nossos escritores a 1). Pe- 
dro I a denominaylo de Juiticeiro; e Camoes, com cha- 
mar-Ihe JustiQoso, nem pbr isso pintou meno'' crue), 
qoOTido dísse^ 

Do outro Pedro cruissimo os alcanca ; 
iQue.ambM imlgos<das faumsnas^nwas^ 
'O conperto fíxerSo duro e iojusto, 
■Qne com Lepido' e Antonio fez Aagosto 

.£Ble oÉsAígaior'fokvigims* 
. De latrocioios, .mortes, jo aduUerios : 
' Fazcr Dos mios cruezas, fero e iroso, 
' Crfio m seuvfirais oerlos refrigerios. 
. Aft ci(l»á«8 punáMdoJuUi^to 
De todos os sobetbos vituperios, 
'Mals l8di*6es cnsligando ¿ morto'den, 
^uej» vagfllwiido Alcides, ou Thesco. 

(í^*. ,111,138 ««T.) 

«Póée «¡tai^8ea«8teiNMiposito o que mui }adidoMn«lte 
^diaiie AfTME (V,.l) : « Olegfsltdor qne^e recréa com a 
«xeco^io das penas'é fero, e parece qtte faz sna a vín- 
g^pqsi das leis... O compadeoerse -dos oeiidemnados é 



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propriode ámmojtif Iq, «omo caíSl\gihos lom go«to é sL 
§^l Úe animo rigoroso, se úSio tem ontro peor Dome. » 
Queria dizer o 'detnrél, CBíta^aexatta s¡gnifica^3o de 
•fero dequeAacima usa, qiie.se. ealende noime&mo^en- 
-lído Jgnrado «m .qiLe disse Vitica ; « IVeros, Decíos^'Itóe- 
clicianQS, mais feros x^ueas mesmas feras; (lY, 4¿^).t> 

S52. — Vmpc!iMr, eflttamrar. 

í/wtpetfír sapplíe um ólwtanlto dheclo. JS'ff^rvar-Mp- 
p9e, eom'mais propriedade, mn ^glaoftJo fndire(ílo,^e 
aáo poucas vezes, uma mera diílficuldade otierabaraeo. 

O paiifwpc^ eom saa auloridade que seu fllho saia de 
casa. A companhia d'nrn amigo costuma «t lort^r ás'vezes 
qnc fa^amos nossa vontade. — r4uitas sSo a6 feis>que se 
hio promnigado para tmp^i^os desaffios, porém a louca 
presump^So do amor proprio, a que damos impropria- 
mente nome de honra, tcm eHorvadotm todos^ostcm- 
pos o desejatío fim que se pr oposei^o-os lej^sladores. — 
üm torpo opaco, postoentre os oHios e o objecto, impedc 
O'Vél-o; uma nevoa, um réo raro, nSo o impede^ porém 
estorta para vél-o bem.— Os ^grimei nSo impedem o 
Bndar,: poi'ém titort&o, 

JSSI&. — Hniplo 9 lncMdulo,JrrellsÍoso. 

Eiátas trez pálavras podem-se ciítender comrela^Joa 
quaiquer religiSo que adora uma divindade, tem uma 
crenQa e nm colto orteriw ; TOas-OT ^efalreferem-se á 
religiáo Chrislá para desjgnar as pessoas que uItraj§o o 
Deos uno etrino, que riao cfftem os dogmas que ella en- 
sina, que recus3o submetter-se a suas'léts, e n3opréhen- 
chem os deveres do culto. Diffcrengao-se porém da mía- 
tieira seguinte. 

Zffftpüo, é t[ne náo lem.pFecla^e, o que despreza o ot- 
jeclo do culto pubUco; incredulo é o que ñSo quer crer 
as verdades que a reI¡gi5o ensina; irreliginsoé riío só 
falto de religiáo, senao o que se oppoe a scu espirílo, o 
aue se nlo submette ao culto eslabelecido* 



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384 IMP 

554* -— impreeaf ao , maldl^ &#» 
eucrafao, praga. 

Em scnlido liUeral imprecagáo é a ac^So dc rogir a 
um podcr supcrior quc fülminc malcs contra algocB. 
MaldÍQáo é a ac0o de maldizer alguem, ou dc Ihc ai- 
nunciar, agourar males com desejo que ellcs succe^ 
Execragao é a ac0o dc execravy islo é, de lirar « al- 
guma pessoa ou cousa o que ellalem de sagrado, ou pro- 
vocar conlra ella a vingauía celesle. Praga é um átmao 
grave corporai, ou um inforlunio quc rogámos a algocai, 
ou invocámos sobrc eile. 

Assim que, a impreca^üo é Ipropriamcnlc unaa ora^o, 
ou suppUca para que vcnlilo males; é o contrario dc de* 
precagáo. A maldigáo é um descjo, uma como scnUn^ 
dada; é o contrario de hengdo. A execragaoé uma csp^ 
cie de analhema rcligioso ; é o contrario dc sagrofáo. 
Praga é vocabulo generico com que o vuigo designa nio 
só as imprecagdes, maldigdes e execracdes^ scnío lodos 
e quacsqucr descjos dc mal ao proximo, exprimidos por 
plirases mais ou menos grosseiras, que todas sc oicerráo 
em praguejar^ c rogarpragas, 

A imprecagüo provém da colera e da fraqucza; a vMÍr 
dig&Oy da justi^a c do poder ; a execrag&o p6dc vir d'um 
rcligioso horror ; as pragas vcm sempre dc má indole, 
pessima educa^áo, e lingua perversa ; por isso sc chama 
com razáo ao maledico, boca átpragas ou praguento. 

53S. — ImpreMor 9 edltor. 

Impressoréo dono d'uma imprensa lypographica, qn* 
imprimc obras por conta dos aulorcs ou editores. £mor 
é quc imprimc ou manda imprimir obras suas, porque 
as compoz, ou porque as houve por contracto fcito con 
autor, quc cedc sua propriedade por uma somma con- 
Tcncionada cntre ambos. — Firmin Didol é autor, edtfor, 
e impressor de algumas obras ; é editor c imprtstv 
d'outras; e é sómentc impressor de muilas outr« q»* 
tcm saído de scus prélos. — impressor é senhor da i»- 



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IHA 3SS 

»sa, e nSo lem nada com a obra depois de impressa ; o 
ttor nio lem nada com a imprensa, e tem a proprte- 
de da obra impressa, sem o que nio p6de ser conside- 
do como taL 

836. — Iitipusnary propuirniki** 

"itihopugnar é o radical d'estes dous vocabulos que 
)mIodifferentes signí6caf5es segnndo as preposi^ oes de 
ue elle se acompanba. 

¡mpugnar é oppdr-se ao que outro diz ou faz segundo 
(oT^ da preposi^So tn. Propugnar é pugnar a favor, 
a defendendo, segundo a for^a da preposl^So pro. — 
vipugndmos nma opiniSo, uma doutrina, elc, quando 
lispulámos contra ella ; propugndmos o nosso parecer, a 
^ossa fé, qnando repellimos os altaques com que outros 
Qostmpugnao. 

S37. ~ InadTertenela , deseuldo. 
Incomldcrafao* 

A iiiaimtencia p6de ser um defeito desculpa?e], causa- 
do poroina tarda percep^So do animo,ou por uma distrac^So 
¡nToIunlaria. de$cuido é sempre um defeilo reprchensi- 
vel, caosado por uma ne|;ligencia índesculpavel, por uma 
dislrac^loToiuntaria, oufaltade cuidado. A inconsidera- 
00 coiriinelte-se por falta de consideraj;Ío e reflexSo. A 
^nadtertencia falta á precau^ao conveniente ; o descuido 
íailaáobrigaclo devida ; a inconsiderag&o nSo pésa as 
cousas, e obra ligeiramente. 

Um general, que se achar sorprehendido por falta de 
precau^oes, n2o póde excusar seu descuido com o tilulo 
^tmívertencia, porque, naquellas circumstancias, nSo 
"2 faita que seja desculpavel. Os reciprocos deveres de 
¡>iten(ao e respeilo que o u^o tem estabelecido entre ami- 
^oseparentes prodiizema miudodissensoes e queixas, pe- 
^j^inadtertencias dos amos, e pelos descuidos dos cria- 
<)o$. A incmsideragáo com que muitas pessoas confiSo seus 
^redosounegocios a pessoas, de cuja fídelidade e honra 
fliotinhkanecessaria seguran^a, é causa do menoscabo 
QCsiia repula^Sio e ás vezes da perda de sua fazenda* 



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m iw 



SAra^flH 



Quando a^lma Dáo tem a certeza que ha misler pan 
julgar d*uma cousa, -aíSia-ise i» 'CSla9o xle 'imerteia: 
qoando ySi^tem'mofcraislhaaaiites pararse<decidir.iio 'fDzi 
qae '^vefonmar ,)aQba>9e bo t&iaeáo de dndeciséo, fKC 
^incerieza nos casos pralicos; quattdOifalLece deÁcTi 
'gia para ^exeoiitaT atiteaiMiOido ei^eiHÍÍQieBlo, actia-se m 
«áiado'de'irr)08o¿upcño.;i|tiaBdo á t9Uí€iei«do,x)u.^.ÁT4i*^ 
^pSo acer£fseet«aKtaúnquielia^q, .aGfea-nsejferplejRx. 

- A nnceptezO' caneoe tde (iu2 pova * oanheeer, ouule pnsus 
'pera mreéttiar; Tefenet«e>aO(e&tendsmento.: i.misCerjito- 
miálo'ou «offveméi^. k)inétícé$áo Saütoe de «Tigar de 
animo: é misler inspirar-lli'o. A irresolu,^SLo vSái oiisa 
execular o que dcseja e lem por bom ; pertence á vootade: 
é mistcr esiimtiMl-a,«4fr«á(^a'|)fIaipmiias4á> e:p8los af 
feclos. A perpleaiümde f«Uerse tenleiadá, embara<^ 
oao iem cerleza do presente, lem duvidas sobre o futaro . 
.afiécta entendimento ea TOritade : *é>mister ^dnralvasJo 
áquelle, resoIu£.ao a esta, e o perpUwo «erá áecMiáo t 
resolulo. 

-359. — ];iiéIlna^O;9 ^rvpentíSm, 

InclínapGoÁBi^si^úf^ naturálxm teiidenda do aüBo 
que temos para alguma pessoaiou 4^sa. Q'Uiodo tem jM>r 
ol)jeeto'aIguma,peM«a, « ooniiBús^, cliega bemdepressaa 
'seraírectovquanthxtciiiiponoiyeetoaiguma cousa, algunu 
arte, ou oí&oio, íetc, nremiarser propensao.Kf^üñé incli' 
'nopdoíorte d'mna^pessoaao^u&jéiie seu.gcnio oujialu- 
reza. —^Ajintiim^úo BÉisce iio .cora(IOv,p6de tamLbem Tir 
da educa^o, 4o>habito, deiatgUBia circumsiaiicia.casaa} ; 
(é por 'isso ^mitdaveJ, e mais Jsicil a'6orrigir..Aj7r^i^pi]icá« 
resuiladoDotHvaIdeiOada.ua), desua.iAdólee.ieropfra- 
meato ; e por conseguinte mui diCficultosa Üe madar e 
tinda mais de desinuir^de<iUdo. ;Póde-8e-liie^)i»licart 
ditado popular : fue o bei:$o dk a tumba o leta ; ffie 



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im 387; 

parece ser a lraduc(2o de estoutro latino : Quod natura 
dat nemonffg&ré^potewñ 

940. -^lMiytlr, cfseHipecdM^; 

/mili^aé palakvna.laliiia> útciyfu&f formada do pjrefiXiO;. 
«i».c^j(^uc¿« ,,¥Ozg(rega^ qu«.sigmfiGa íiaaioao^illustre ; Teni^ 
KiáB a.ser o siifierUtiya de e$olar.eciáo^ palavra ¡MMrlUT 
gHAza^ e.castAlhaoav que eorr^Donáe a ^lwcnt^ Inc^Ui^ é 
09qiie.oh«ga<a^« uUimo' páo. da. gjloria,j e«ciar^cú2a é o. 
4fliA.S6.fa&4¿gwt daei.iDaiQra&ltoni:a&. Os EouiaAoschaiBSh 
váo inclytos a seus imperadores porque^ tinhao d^poii da. 
morte a apatbéose,,eas«^6cidoSy elarif^ a seus.gQne- 
raes, porque combaliao pela patria. Claris et fortibus 
viris commemorandis^ disse Gcero no primeiro livro 
De finibus; cap. f 0! 

mm J.o3a l^.e D. Nuno Alvares Pereira, forSo inclyitos 
Tarae& pdá anrmosa valéntlá com qpe rompérlb e d\ís¿a- 
náárib os esquadroes castelhanos;,os porlugaezes, <rae 
nas difTérentes gperras d'a nossa iñdependéncia pdéjfirao 
pelá überdade dá.patria^lbrlQ esdarecidos: 

in€9fnitoráit^r^9km;\ odinemhecidt^igaoTMe^hmi 
aqoi ar difiíbr«ii{ia^ d^estas^daas pdanKraa. nvcognátOi é a: 
pesjMntqneseooffheorHiais isupét^ p<n%tBe vemicom'amr. 
trjqe differenteck^ qiie' usav 00" poi«[ue sc'desfiguroii^ooiñR 
^mim fim¡ DMonMeciáo^ é o^qae nnnea; thdios^. de; que 
naá>tewo9<3onhe€i»eiil6c^ oucujaspro^ieiiadesvesiño'áe; 
todo mudítdffsj 10m militerque: certoa osc ttígodtsv efvefln 
á" paásana, cheg» incognit»; <k auumto' que parai nelboe 
vtr saaidinna se dis£atf^ em pfevtgriDO, w» incügnito. Os 
que por engano foi inlroduzido numa sala é demmhe^ 
cido ; que esteve na India ou na America trinta annos, 
quando ycA\» 9fí^^ét&m»hnál\»míi&^desG9rúi£CÍdo. — 
Os principes costumlo de ordinario viajar incognitos 
009 pnes estrangeirosi. Quem gnióu'as! soldiados dacrnz 
itBaleslinsilén uiir éraát^idemson^aiéai 

Q- Umig^ilfói déscDbre^sci O^ deMnMacida' dÉ^-ses a 
eoiiheeer'^ 



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388 IRC 

542. — IneonsYante , voluvel. 

A inconstancia pro?éin do cora^ao ; a volulnlidad0f 
da alma. £ ínconstante aqüelle que ?aría de objectos a 
eada passo, porém fixando-se cm quanto dura est^ af- 
íecto. É voluvel nma pessoa que nSo se ñxa em cousa 
nenhuma, e que yaría continuamente de objectos. Um 
menino é voluvel; um amante é incomtante, — O amor 
é um menino travesso e voluvel, que prosegue incons- 
tante em suas conquistas, como a borboleta que Yal pou- 
sando de flor em flor. 

inconstante ?aría. voluvel nSo se fíxa. 

543. — Ineurla 9 neffllffenela. 

Negl'tgencia é mais qne incuria : a primeíra versa 
sobre cousas que se possuem ; a segunda sobre cousas 
que poderiSo possuir-se. A incuria é pouco cuidado 
que pomos em facílitar que nos convém. A negligencia 
consiste em abandonar prestimo de alguma cousa, ou 
em nSo nos utilizarmos d'ella. A incuria n9o está sujeita 
a nenhuma obriga^Io ; a negligencia de?e estál-o. Nao 
póde castigar-se a tncuria, porque entre a cousa e a 
pessoa nio existem direitos ; a negligencia póde castigar- 
se, e admilte coac(9o, porque procede de obriga^oes que 
a pessoa contrahio. A incuria faz mais damno ao indivi- 
duo que á sociedade ; a negligenciaé t^o preiudicial á so- 
ciedade como ao individuo. — homem que tem incuria 
em buscar a felicidade, é negligente em conservál-a. Por 
incuria muitos obreiros andSo sujos e mal vestidos ; os 
que sSo negligentes no trabalho n9o acháo quem Ihes dé 
que fazer. 

S44* — IndaiTüf &o ^ pesqulza. 

A diíTerenga d'estas duas palavras consiste no seguínte. 

IndagagQo é acto de inquirir ou averiguar algiima 
cousa, discorrendo por signaes e conjecturas. Peiquizaé 
i causa da aver¡£;uaQSo felta por meios indirectos ou illi- 



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IND 389 

cltos. Destuiguem-se pelo modo como se fazem estea 
exames, e ¿ qualidade distinctiva d'elles éa pessoa queos 
eíTectua. Uín homem de bem, uma pessoa de elc?ada ge- 
rarchia, faz indagagóesi um homem pago, um agente de 
polícía, fsizpesquizas, porque nlo póde ínformar-se pu- 
blicamente do que pretende saber. A indagagáo é neces- 
saria, util e nobre; mpesquiza é traigoeira, e leva com 
sigo a idéa de persegui(3o. — Fazem-se indagagdes para 
descobrir a verdade ; hzcm'Sepesquizas para descobrir 
delinquenles. A indagaf&o é um antecedenle. A pesquiza 
é um segredo. 

543. — Indicar, de»iifnar, «Isnalar 
niarear. 

Referem-se todos estos vocabulos á idéa commum de 
fazer conhecer on dar a conhecer algum objecto: e dis- 
tínguem-se pelo diíTerente modo de conseguir este hm. 

Indicar, em latim indicare^ innuere, vem de index, 
que é dedo com que costuroámos fazer conhecer o lado 
para onde se acha um objecto, ou o camínho e direcgSo 
que se ha de seguir, e por isso mesmo dar ao que quer 
conhecéi-o ou achál-o indicios ou indicagoes que para esse 
fím Ihe podem ser uteis. 

Designar^ em lalim designare^ que vem de signum, 
signal, signifíca mostrar ou annunciar a cousa occuíta por 
meio da relagSo que cerlas fíguras téem com ella ; de tal 
modo que, sem presentál-a á nossa vista, estejamos certos 
d'elia pelos signaes que se nos derSo para que a nlo con- 
fundissemos com outra. £m senlido fígurado signifíca 
sianalar, determinar uma pessoa ou cousa para um fím 
preciso, e entSo corresponde ao destinare latino ; assim 
que ao pensamento ou idéa que lemos de fazer uma cousa 
Ihe cbamámosde<t(/nto, isto é, um plano determinado da 
vontade para a execugSo do inlentado. 

Signalar ou assignalar é pór signaes em qualquer 
eousa, para que por sí mesma se possa conhecer e distin- 
gnir ; assim que signalar é mostrar, presentar clara e 
positivamente a cousa, declarar determinadamente a 
pessoa, a acclo, etc. Fallando pois d'um homem raro, que 



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39^ INC 

[^ura disÜng^r-seecUks démaísrior seus egregios feitos» 
sa dir.ciuii se okisigfia^<^u ou que é as$igml(i^ eatretoidos. 

q\)e.onassa[K>etaGanloui^LasiadaSr£Qrib.tfs qpe.eolre: 
seofr eocileiTaAeo5-se.distiagvúráa e iUustráLcaq por.s^ 
aliosr kláía». ^ mair e. jiorrterra^.e 

k qaemNéptuno e ]|[srteobedec¿r9b. 

Marcar é pór marca, c confunde-se na idésf com signa*^ 
lar, porque marca corresponde ao signum latino ;, porém 
différcn^-sermji usoi \whmarva^mnsfgnat de'gesero 
particuiar posto napessoaoMtooHsa que se marca para 
bem se connecer ; e assim se diz : marcar o gado com 
ftrnyem'brasaiOladrSíó'nalíesta, a^iioedír«wn<w;unhoj elc. 
Diffierengar-se mais em nS^ tier a stgnifíaayio reftsxa qiw 
acima notémos e«r siywaihr. 

As' marra»' us5o'-se'prfncipalttiente notrafico e'eoBmier- 
cio, c consistem em Ifettras, oifras, fí^ura», d<si]toos qm 
se fázcm sotíreftTdos, caixas', barrácas^ ete., para se^ 
conkeccr immetñatamcntc' a tpi'em perteBceBi^ dc, e se» 
distingoircmí d^ontk'os eom que se= aehio mi6lurad9Sí Os> 
indicios, assim como as indicagpess os signaBs^ que^ nost 
dlo, nos" inteirSo edSo lUz sebrr um> objeseto , . mna' mCen- 
^^ um pi^ffo; enos ajudSo e dírigem^par»dfdsciü^píl-a 
e«onhecél-o. 

Ikdicáhiog aum camihüanteexttavíado o-cantiniio^qiM^ 
dere s^ir; iédícd'mos a mn' mo^ inexperlente* a ma- 
neira dé^procedérpara'obrar com acerto'. inéiioaCKs» ao' 
oue quer aprcndérr os ánttiresi que' déve'osludar O' o^ me^ 
dtodb qncafeve^sff^TiÍF: 

Os signaes naturaes servem para étésignardSiA^ecios; 
6^fómo ééstgmofeigoí Designa'Se'xm bomm i^w sra. 
talhe, fei^oes do rosít>, aspecto e maneira». A finart^ 
preseRtaniaior-ccrteza qm os signaes* Podémoms^iiga- 
nar'ffa camíiíhfO' que n^síimíicáréto* ; poddmo» Háo«eiitcn^ 
^r os signaes com qn^ nos'dest j/náróo um objeeto^PoPéai; 
a marca o diaconhecer d'um'moda de'.epminado^ eertoi 
e^gnro. 



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O fioiUeiro d'um relogiQ marcaas liaia&;: o bsurometro^ 
<»'g|-áos áe peso doar ; o termomelro^ os dacalor e irioia 
mcinnra qiie comum férraembrasasepQe:ao&ca?aUo6iiiai 
nadegas» e aos ladroes oa testa^ ou. iias.cosia&, s2o ceiM 
mi9 nomes q|ie leváo ímpressos, qjie o& deslingueudai 
demais e e^Mo roda eqpívocaclo. 

Fndicase para dirigir; aAsíflnii-se paura. disüAgqiri 
firarra-sc para reconUecer. 

tneitce d'um livrQt ndíca oudé se.adi2A as dií&rttEUei 
maVsr^s át qne constá ; o dedo indjca.o. •bjeotopara.que 
apont&mos e que queremos mostrar ;. os ma^^&^tftdúrdo 
a posü^ dos lugares, o camiatío e rumo para. Lr a elie& 

Os signaes design&o as pessods^ as mar4:as afrmercado- 
rías; as diffórenles bandeiras^ as respeclivas na^oes ; e 
pnlso désigna o estado de saudc ou d£ enfermidade. 

Segoimos o caminbo que nos indicúráo ¿ examináinos 
Off signaescom que nos fol desianado um objecio ; recof 
nfiecemo-loirela marca que se ibe p|Oz. 

546. — Indlviduo , pemoa. 

indtiTívIlm'éfim'animarque occnpa nm lugar na natu- 
reza. Pessoa é um homem ou uma mulber que tem este ou 
aqueUeestsdó. A condi^So qne acompanha um ser racional 
é 9 que o distingue com o nome de pessoa^ e a que o fhz 
vtreám a cerlos direiios, e o sujeiia a estes ou áquelles. 
cargos. üm'tndttndtionSorepresenla nenhuma classe, s6 
indtc»uma espetie; sptstoa está flnjeíta a uma classey.e 
temuBidos a sua existfencia ailfiliutos que a dislinguem. 
das demais. Jndtví^Iuo é um ser qne se considera soiilB- 
rio ; uma pessoa é uma parte da sociedade. 

SÍ7. — indotévsiniil»', natural« 

ImMi' é^a iasIiBa^So natdral proprrá de cada um. 
fifano ¿aiüKliwSo segundo a qnal dtrrge cadáf nm suas' 
ae^oea.. ÍK|aeUa.e' nma qualidade daataia; este^ pareee 
maisiuma) disfieBi^o áü yontadej eda' senstfc^Ffdlad^: k 
nB\%o:6MiiMM0 em^gmio íbmoí o natmrall qneé o^ca^ 
raeter iaüvidttal de cada um. 

Q bemcar qne iiatupsdmenle é incKñaérftf verdlrdé; w 



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392 IND 

bem, k virtude, tem boa indole. que nSo se irrita fa- 
cilmente, sabe moderar os transportes da Ira, e nSo se 
enoja arrebatadamente, tem bom genio, que em todas 
as cousas e circumstancias sabe mostrar-se razoavel, mo- 
derado, conciliante, pacifíco, tolerante, sem que experi- 
mente contrariedades interiores nem tenha que vencer 
propensoes oppostas, esse tem um bom, um feliz Mlural, 
P6de dar-se num bomem boa indole e máo genio;^ 
póde tambem acontecer que este domine algumas ^tzt^ 
aquella, mas otriumpbo é de pouca dura; e passado o 
primeiro impeto, vé-se o genio fortc, irritavel e ardente, 
que se apresentava com aspecto de liSo, mapo e brando 
como manso cordeiro á disposi^o da indole que o afaga 
e Ihe emenda as faltas. NSo se dá esta desigualdade no 
bomem de bom natural, porque nelle domina a indole 
sobre o genio, e quando aquella nUo basta, supre are- 
(lexSo, por isso se diz que um bom natural é o melhor 
dom que o homem p6de receber do Criador em ordem a 
sua felecidade temporal. 

SA8. — Indulffenela , eleniencla. 

Indulgencia é a facilidade em perdoar ou dissimular as 
culpas', a clemencia é uma virtude que tempera e mo- 
dera o rigor da justi^a. Aquella p6de ser commum a 
todos os homens ; esta só é propria dos principes e dos 
que administrSo jnsti^a. A indulgencia p6de degenerar 
em fraqueza ; a clemencia p6de nascer de misericordia. 
Veja-se clemencia, pag. 169. 

S49. — Inesperade , InipreTlftto 
Inoplnado. 

Inesperado suppoe conhecimento da possibilídade 
d'uma cousa, que nSo se espera numa occasüo ou cir- 
cumstancia determinada. Imprevisto suppoe ignorancia 
da possibilidade da cousa. Inopimdo supp5e que nSo se 
navia pensado, nem nos viera á imaginagSo o que succede. 
-^ A morte d'um hectico, qae estava fallando, p6de ser 
incsperada^ segando as circumslancias porém nunca. 



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INP S9S 

p6de serimprefDiita. A mprte d'uma pes8oamo^,e8tandft 
em perfeila saude, e sem.lesSo alguma organiea, é nSe 
80 inesperada e imprevista, senáo inopinada. — Inespe- 
rado é o favor que, longo tempo por nós em tío sollici- 
tado, se nos outorga quando mais remoto o iulga?amos. * 
Imprevisto é muitas vezes para um exercito o ataque do 
inimigo, mas nunca o será para o bom general que prevé 
na guerra os lances que parecem mais remotos, e está 
sempre preparado para estes accidentes, ainda que ines- 
f^ados. A aleivosia, com que Bruto apunbalou a Cesar» 
roi para este inopinaday porque o tinha por amigo e adop* 
tára por filho ; por isso Ihe saírSo do traspassado peíto 
aquellas admirativas palavras : « Tu quoque , fUi mi ! 
Tambem tu, meu fílho ! » 

SSO» — InfWme » Inlquo*. 

Infame é o homem que por sua conducla publica se faz 
acreaor do odio de seus similhantes ; porém que obra em 
virlude d'um desejo vehemente de seu interesse proprio, 
sem curar do mal alheio, nem ihe ímporlar as regras da 
moral e da justica, estabelecidas na sociedade. Iniquo é o 
homem desmoralizado, que se compraz no mal alheio 
calcando aos pés as leis divinas e humanas, que folga de 
seus malefícios, e cujo pensamenlo continuo, unico e ex^ 
clusivo,é de fazer mal. — É infame um ladrSo; é tnt- 
fuo um assassino. -^ O juiz que se deixa peitar e vende a 
justi^a, é infame ; o que por máo cora^So e animo ferino 
condemna o innocente, é iniquo. 

551. — Infancla, luenlnlceymcnlnlces 

Infanda éa primeira idade da vida, que exprime a idea 
das necessidades, da debilidade, e do cuidado de que o 
homem necessita em os seus primeiros annos de baixo do 
tecto paterno. A infancia refere-se sempre á parte phy- 
sica, e nunca á intellectual. Pelo contrario, meninice re- 
fere-se sempre á parte inteliectual, e nunca á physica. 
Desde os tempos mais remotos se signalou á infancta 
uffl termo fixo que ordinariamente nSo passava dós sele 



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595 im 

t(yiva partefdar vidaicbittoiBsaiieiiiKpie oiaeslSii dutn*» 
vohidas- 8iiastfaimld»ées<üilelleotaaes;ji«r'ís» á grander 
vetíiiee^eohaBia sc^imba mmMeei-- k^infmeiaié^ mm 
cavsy; a^mewintor éimii ifítilA^ A^wffímomé (niatleL w> 
ttrral^ a'mntmJé» é^eTesuliado dr4ífveiBas(aaiisa»conbi^ 
miilksí qiir fáz«or do> hwnem > ini sen igiMNranleviDiwannil! 
e^d^i». 

Memnice^'^^ arac^oes^pfopriasidQ m8tiitio^.istv>é'd»' 
honera cpie íMKmdte juieot; e< se alí|;uiiia> veiv,' p«r aáb m ni 
mimhice' represpenMp poueai idftde, memnicesi^ dMgoa 
seintiTe deftüüo^ jtnzu^ emno'iiimiti beniidisBc ViQirac 
« B^o peor éi|tte nSÍFsó sevó eni nó9> a fnnitmcr<jfiie.ér 
defeíto de ídade, senlo as menímce» cfneoisao^ dn jiim 
(V, 326). » Veja-se o arl. seguinte. 



SSSU — Inftiaite^^nfPÍMHBi.», eriaiti^/^ 



Iñfimte é palayralatíua^ tn/;an«, Orque.n2o.falla.(dé m. 
nriT. e^ffirif (kUac),,e^designa.o. Yai^o ou femea dá especíe, 
hoBUiBa.qpe ainda.nia falla, oa nSó püonimcia b^ín. ot 
qpe dÍJ&,,ee3aenfiíy4U[Befile,,aq]i<c está na.iñ/ánria.. 

Jlfamnaéo individuQ da especie. humana q^e:eslá.na, 
mminlee^ Hm tn^onl^ deixa de sél-o logQ que saídá. 
idaá&de sete :aiinQ&«,e!C0ime^a fallar com. acerto e d'uia 
moda iiit<¿kigiveI..O/homem.é menino at¿.que.poD.si.pra^ 
prio se fórma um systema.de.conceiber e de exjecut:i£,,e: 
em quanto nSo chega este caso permanece na menihice. 
O Mo) üpátéUi^o^s«ideu^,aiiKnteca||to^»é<:semprtffB9- 
nino, ainda que morra de cem annos, porque as suas fa- 
onttodest inldtotuaafi Diun^ sairl#' d'.a^dku es*ii||íde2 
6DW i|ue* a iistureza:se}la ii6t8aiprímniraridadfl..--4Napebt^ 
]aIo>dizia que oa ioiko» naBcttaitn/^antajs .ef:m#vDili>*>ma^' 
nwii: — IfífanUéo qae; p«ta natuiiina, n2o>pédBídeísan 
de s^^í JKantno é: o^que o é a peaardu BBtunezai. 

erianfw é temo geiierteo>y e «dbm tal^ usado p^oa 
eianíeoB; cpie^se: eitei»ke n9esénaa'BBQfaB)aiB:fenBad« 
qakqm esfMoíe m^ aniMt,. teoiiBi á»iBieaBns« ] ' 



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vjMHDa Meiléioo üS$^$iO*d'etínma i m Axarvarje sm quanlo 

lOraa^jé .ppqpyéiOMflíte a .crianfa dos ^nimaes que as 
.laaiieasifiriao>€QiD:&eu leiU^, e,(PQr ^abuso ^uco ilionrosQ 
para os seBhonre^^^ crianfa d'iHoa escra^ía. 

NSo obstanle a autoridade de alguns classicos, eriten- 
demos que é mui|eDsatoi).us6,ÍK>je vu^ftr, de chamar 
criancas sómente aos filbinhos tía especie humana, e cricu 
^aoeiéos animoes, asQako smiio 'ibem fdisae Vieira .: • De 
tudo oiicpiie pi*odiiZiatteiira 'maiida ^que .Ibe ijiííbr^^aflsas.os 
primeiros fni»Uis;:de tudoo^ oasee dos aniBiaas.as 
ypimeiras .(9ríat.;>edté<doS'pt()fTÍsi>6<fíibosios ¡pirimogeni- 

WiS. ~ «nfidlelUlade^ ideftlealdiide, 
perfldla; traifaeiy aleivMila. 

In/ideUdadeiT&kze'SeA.í^lijSi de cumprimento dos de- 
veres ^ue o homcm contrahio na sociedade ; ^ a viola^ao 
da Té prométtida ou deviOa. A 'deéleafdade éesta mesma 
in/idtiÁáade dos .mieríorjes a nespeito dos superiorcs, 
«porém sa ordem po1iU£a.~.É in/íel o marído ou a.mu- 
.iber;qu6 íaltSonos jdevcrAs áo matrunonio.É desUai iim 
vassailo que se leYanla conlra o soberdno a quem jrendeo 
iuMnaiagen. 

,iM9tfiúia é nmzdnfideiidademm o^falso ¿olorido d'uma 
constante ifííklidadje. O que faUou<áié,'OU infringio al- 
;^iima (pnooieasa ifeitia, íé in^^i; mas será p«r^<2o ,se usou 
ileid(^ )e<ráittk^So,ie«eifo<firer £elguando praticavaiti- 
^idsicdade. 

TtaiQao, rigorosamente bId rse refere senáo á parte 
paütkB^ toaB(t6iitüáü'iseáii^fid£l¿dMdc au desUaldade do 
fquesetbandla^oftm'O.iniinigOve Iheentce^.a pessoaa.quem 
se demífídeUdaáetftitJealdade, oailhe.8acr.ifíca ^eus áiite' 
Desae6,)Devéla<s6iis>aeg»edAS, eile. 

jáisá905c'«p.r«fiere<^4i.«miza(k,aQS deveres d^umbomem 
ipacatcoi&tdUítro; é irai^ao mm «apadeamizade. 

Jttdasiíoi .píarfido^ Avaidor e aUitoso.: \perfido, parque 
-itflnilou ffídeüdAdéa seo aieslTe na iillima ceia, quaado Já 
mflofaiBKira soa perda; f raiáor, parque oentrqi^ou e.vea- 



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396 INJ 

deoa seus inímigos; e aleivofo, porque com um osculo 
de ami|o o delatou aos faccíosos que o forSo prender. — 
Bruto foi sómente aleivoso para com Cesar, qnando por 
um mal entendido e vaidoso zeio republlcano apunhaiou 
\ falsa fé seu amigo que o adoptára por filho. 

554. — Iiijuria, ultraje. 

Injuria presenta a idéa de aggrayo violento, feilo ás 
qualidades pessoaes de alguem. Vltraje presenta a idéa de 
Tilependío publico em detrimento de alguem. 

Desconfiar da probidade d'um homem de bem,é uma inju 

na; tratál-o pubticamente de ladr3o,éumti¿lr¿7/e.— Tratar 

de feia a uma mulher formosa é um aggravo que, quando 

muito, n9o devéra passar de injuriay porém havera pou^ 

, cas que o nSo tenh9o por uliraje, 

555« — Inslnua^ áoy Insplra^fto, 
inmtíga^&o , perAuasao, sui^ffestáo. 

Estas cinco palavras indicSo a ac^So de introdnzir al- 
guma ídéa ou algum seniimento na alma de alguem; po- 
rém tem cada uma d'ellas sua maneira parlicular de 
exprimir esta acQio. 
# Peta insinuagáo nSo se presenta directamente e ás 
claras a cousa que sé quer que outro admiita ou adopte ; 
porém une-se com outras que a preparSo, e dando a co- 
nhecer a idéa principal, se leva insensivelmente a pessoa 
interessada ao ponto que se pretende sem que ella per- 
ceba os progressos, ou ao menos os meios que se empre- 
gárSo para lev&l-o a effeito. 

A inspirap&o é, pelo contrario, uma maneíra directa de 
fázer entrar alguma idéa no espirito de alguem, ou algum 
sentimento em seu cora^So, com tanto que esla idéa e este 
sentimento nSo sejSo descobertos ou conhecidos de ou- 
trem ; de maneira que pare^a provirem de si mesmos. A 
inepiraf&o nSo nasce do raciocinío nem do pensamento; 
vem de fóra. Por esta razSo, a vísta d'uma mulher for- 
mosa inspira o amor ; os favores e mercés qne se rece- 
bem d'uma pessoa in$pirño a gratidáo e o reconheci* 



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m 597 

mento; os bons exemplos intpir&o a Tirtude. Assim é que 
nma idéa nova e que se apodéra subitamente da alma, 
sem que se conhcfa o que a moti?a, parece uma inspira^ 
c&o de Deos. 

A instigaQáo é uma ac^So pela qual se excíta, se agui- 
Ihoa a uma pessoa para que fa^a tal ou tal cousa. 

A persuasáo é iim meio de fazer crer fírmemenle a ou- 
tro oque se deseja, empregando os recursos da eloquen- 
cia para mover o cora^o e decidir a vontade. 

A &ugg€8í&o é um modo occulto ou embu^ado de pre- 
venír ou de occupar o animo de alguem com uma idéa, 

2ue sem ella nSo poderia fazer nada, moralmente consi- 
erado. 

A insinuaf&o empre^a a finura, a habilidade, a mode-^ 
ra^o, ostermos respeitosos;abre suavemente o caminho, 
capta com destreza a confian^a das almas singelas e faceis 
de convencer-se.— A inspirafáo poe em ac¿áo os espi- 
ritos por meios novos e extraordínarios, que nio estio 
ao alcance de todos. — Xinstigagáo soilicita com vehe- 
mencia uma cousa, e acaba por sujeitar os espírilos de- 
beis e as almas apoucadas. — A persuas&o ganha o cora- 
00 para chegar alé ao espirito ; lísonjeia, agrada, inte- 
ressa ; emprega, numa palavra, todos os meios da eloquen- 
cia.— A iuggest&o sorprehende o espirilo, e logra seu ob- 
jecto por meios occultos. ^ 

A insinuapao é propria do homem fino e bem educado;* 
a inspirag&o^ do poeta e homem de talento creador ; a 
persuas&o é maís propria do foro e de ludo que concerne 
a oratoria; a instigaf&o e a suggest&o exprimem ídéas 
mais vagas, e sempre se tomio em máo sentido. 

SS6m — Inslnuar , peMuiMllry musgerír^ 

Jnsinua-se fínamente e com habilidade; persuade-se 
fortemente e com eloquencia; suggére-.'te eom artifícío. 

Para insivuur é necessario consultar o tempo, a occa- 

•iSo, e modo de dizer as cousas. Para persuadir é ne- 

cetsario faier sentir as razoes que se allegSo e z vantagem 

do que se propoe. Para suggerir é indispen.savcl o ler 

u 23 



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398 INS 

adquirído iiiílueDcía e pr^Uuninío no espirílo dos. hik 
mens. 

Iminuar leva com sigo a idéa do dellcado ^'persfmdw^ 
ado patheticoí iuaijíertry,algiiaias vezes encerraem fí a 
ídéa do disfarce. 

£ncobre-8e habílmente o qne se cpier intimar. Pro- 
p5e-se poeticamente o qne se quer penmdlr. Faz-se taier 
que se quer suggerir^ 

Enlende-se em geral por insirumenU^ o qoe serve de 
causa para produzir nm efl^ito. Nós somos os instrwnm*' 
to$ do deslino» da Proyidenda. 

Num sentido mais ]imítad% in$irum§nío diz^se deto* 
das as cousas maienaes^ que ílKiütSo os^ meio& de Guer 
alguma obra^alguma opera^iOxOa de adquirir o Gonhe' 
Gímento de aigum obiectOr 

Entre os initrumentQi tomados neste senlidOt.cbamar 
se ferramenía áq^elles^que s2o mais simples em seufeitio, 
e cuja acfSo depende unicamente d'um moTÍmento meea< 
nico das mSos. Upa martelio, uma enchó, um escopro, 
sSo ferramentas ; em tedos os ofScios mecanicos ba fer" 
ramentaSy que se chamlo assim pqr serem de £srro» ou 
nellas entrar alguma pór^So de ferro ou a^o. 

Os instrumentoe sSo mais complicados» cuja iuTen^^o 
dá a conhecer mais intelligencia, e que téem por obiecto 
operacoes nlo puramente mecanicas mas que slo dtrigi- 
daspeía intelfigencia.A/ierramentapertence propriamente 
ás artes mecanicas»eotn«lrtf^ento ásartes superíorea 
que supp5emmaisinstruc(Sde exlgem mais iiDtelligencia. 

Um oculista, ou ofQcial opiico, faz, com as suas ferra- 
mentoi^ nBcroseopio» t te^tscopios, qne sio metrumen' 
toi de optica. Um cutellelro prepara com as suas ferra- 
«MfilcM as laneete e bítstods^ que slof in$tr%m$ntos de 
ebirurgia* Un ?toieiro ñiz com suas ferrámentas aa ?lo*> 
lai» as guítarras^ ete., qne títo iintirum$ntoi de musioa. 

SSB^ — lai»UF0Mit«y ralieKda.. 

A idéa comnmm d'estas dtias palayras. no senHdo eoi 



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ím 399 

20» aS' tomáflMs» é « kMAarte eonta «Bia anlttrida^; 
yreren^i^e porém cffli que, zoinmrgenie^ eooAiderarsa 
coma « que faz iimaí cMiea iegjftflBftotflegai, eaorakiMa 
com» qoe execiKa nma acfSo penvraa e orimiaMa. 
práneiro lemi a^ ofiinSo de qne tts» de seu dt«eito> oa de 
saa libepiade para aubkmr^: puiilicamtnte contana mnai 
ordemiBjustav oa eontffar nma taiyircsa dof goierno cobk 
aüerada eomo oppresaiaa e fcyrannica; o seguBMÍo lem a 
opünSo és^que aDusa de sna libeffdade^ oti de sens nwtoe' 
para oppor-se á execuf9e das leis^ e para levantaff-se ODn«- 
traa autendadel<»itima;. 

Farai qualiftcar ai^em detiMiir]^«jita ihaata o facte de 
ae oppor abertamente a uma instituigio qne se oonsidera 
injneta ; paira dedarar a a^piem reMde^ é neceesario que 
tenlia toBkado arraafrconlra o gmrao l^timot ¥qa-4e o 
artigo segninte; 

fista» quanro palawraa téem rek^So eom o» dirersoi 
nm?imentofl ou differentea desígnia» qile o po¥o poe em 
execu^ contra a aiUori(tode que o governa. 

O motim é o menor dos movinientos q^ indicSo estaa 
polama^ o«, pelo menoa. aqueUe cujas consequencias sio 
de menor importancia. £ de ordiaario uma fermenta^ 
BMBcntanea de algiUD' bando dapovo eausada por descoor 
Untamenta, e muitas tezea por pertinacia e falta de re^ 
flcxSo. 

k.iMWT€ifé»é^ estadO'em/ que se adia um povo áe^ 
poisque se kvanloa ese armou para combater a autori- 
dháe a que eslava sujeito, e que publicamente declaranSo 
reconhecer por legiiima. 




Sl( 

nKDtej 

ovdo mcsmo p#TO. 

A re«ol«ffto> é nma reflisteneia e ím leívaniaiiiento ge- 
ra! contra o s^erano eonlrai as leis. contra a autoridade 
logltUna. 



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kOQ INT 

O mothn é parcial e monienUiiieo, e facil de acalmar 
— A iniurreigáo é mais geral e duradonra; indica uma 
íbr^disposta constantemente a conlrastar a autorídade; 
tem por al?o derribál-a, e conqaislara independencia 

Sarticular dos que se imurgiráo.^K iedig&o^ sendo uma 
isposifSo dos espiritos, umas vezes prepara a inturrei^ 
páo ou a revolup&o, subornando gente e formando ban- 
dos; outras vezes sSo restos que ainda siibsistem depots de 
reprimidasasÍTisurreíp^e^.— A retolugáoé uma suble- 
vacSo injusta e criminosa contra o soberano, contra as 
leis,contraa auloridade )e^itima,eque tende a desorga- 
nizar toda a machina politica e ás vezes social, como foi 
a de 1793 em Franca. 

A inturreig&o muda de nomes segnndo o modo como 
se considera, e as opinioes ou os sentimentos dos que a 
consideráo. Conserva o nome de ineurrei^iio entre os 
que ilie attribuem uma idéa de direito e ¡ustiga; toma o 
nome de revolug&o entre os que a consíderSo como in- 
jusia e criminosa. Os Inglezes ao principio chamár2o re- 
volugáo á insurreig&o de soas colonias na America; os 
Americanos insurgenles, e lodos os gue tinhSo por justa 
a sua causa, chamárSo-ihe insurreiQáo, — Do exilo de 
taes empresas depende o nome que para o fuluro con- 
servSo. Úma in$urrei(&o vencida, aniquillada, nSo é mais 
que uma revolup&o; triumphante, conserva o nome de 
iniurrei(:&o;e se leve por alvo sacudir um jugoestranho 
para recobrar a independencia nacional reciama o nome 
de restanracSo. — A insurrei(&o de Portugal em 1640 foi 
caracterizada pelos Hespanhoes de revolu^o ; este nome 
teria conservado se hoovéramos succumbido; porém 
como vencemos, chamou-se com raz9o gloriosa restan* 
ra^o. 

j$60. — Intelro , InilexlTely InexoraTel. 

Inteiro^ segundo a palavra latina integert slgnifica ea 
scutido translalo o que n§o tem quebra em sua honra ov 
em seu proceder, que é irreprehensivel; e applicado a um 
juiz, diz mesmo que desínteressado, recto. 

Jnfiexivel, segundoasua orígem latina in/fean'Mta 



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mx ¿iOi 

significa que é incapaz de lorcer-se ou dobrar-se, e, ex- 
lensivamente, o que por sua fírmeza e constancía de animo 
nSo se commove nem abala íacilmente. 

Inexoravel lem o mcsmo valor que o adjectivo lalino 
inexorábilis, e signifíca o que é incapaz de apíedar-se 
ou abrandar-se com rogos ou supplicas, o que nSo con- 
descende com o que Ibe pedem. 

A inteireza é sempre uma virlude; nasce da rcctidSo 
do aniroo, dá de mlo ao interesse para seguir o dever, e 
é principal ornato do homem publico e particular. — A 
inflexihilidade póde provir de lenacidade de animo, e de 
cerla pertinacia ou talvez obstina^Io. — ser inexorawl 
póde provir de dureza de cora^Io, e enlSo nSo é menor 
defeito que o precedente. — Porém ^uando estas dnas qua< 
lidades acompanbSo o magistrado,o juiz, o homem publico , 
que nSo se dobra a rogos, a supplicas, ou a lagrimas, 
antes segue com inalteravel firmeza o caminho que a lei 
Ihe prescreve, sacrifícando talvez ao imperioso dever os 
proprios aíTectos de que se sente commovído, e lavrando 
com a penna o aresto que o coragSo com dór lamenta, s2o 
entSo muí heroicas virtudes, que fazem córte á justi(a> e 
assegurSo a paz dos cidadSos. 

561. — Interlor, Interno, Intrlnseeo, 
Intlnio. 

InieHor significa o qat está na cousa, debaixo da su- 
perfície, e n2o ai^arente, por opposicSío a exterior, que 
e apparente, fóra da cousa, na superíicie. Jntemo signi* 
fíca que está profundamente occulto e encerrado na 
eonsa, e obra dentro d'ella, por opposigáo a externo que 
vem de fóra sobre elia. Intrinseco signífíca o que fárma 
como parte da mcsma cousa, o que Ihe é proprio ou essen- 
cíal, por opposígao á extrinseco, que nao está na cons- 
tituigSo da cousa, o que tem differentes causas, e 
produz díírerentes eíTeítos, obrando aberiamente, ás 
ciaras, pela parte de fóra. Intimo é como o superlatívo 
de interno, e signiñca o que é muito profundo« o mais de 
dentro possivel, e tambem, o que é estreitamente unido, 
o que é muí entranhavel, por opposigSo ao que é passa- 
geiro, que faz pequena impressao. 



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M2 INT 

ChaviliBos interior todo o cpie fS» é appBKAle, ?i8i«el 
«eiii iDiJi sensivel, e, ranando éo 'homem, que tem mtís 
rela^oes com o espirilo do que com o eorpo, e assim 
diowmos : alegria tiilertor, tristeza tnlertor, amargara 
liilartor, etc. CÍMnAKos tniíerfio lado o <|ite estó occuito, 
tio coDceRtnido na eoosa, que é necessario, de atgum 
modo, penelrar na mesma couaa para descobriro aegredo; 
e com féi9iflD ao bomen appliea-se ordifiaríamente ás 
CQosas qoe esCSo áeiflro d'^ette, raas pertencem^o corpo, 
eomodoen^a infema, oalor ffHtfrno, etc. DistiDguem-se 
as proppícttodes e quaiféades inírimecñi de lodasas que 
sfo aooiéBnta>es, accesiorios, 'advefltfvias, adberedtes ao 
soteito. AppHcámos finateenfte e«i sentíáo moral^ Toca- 
faiilo imtimo ás oomas qucquereoios encarecer do íúnúo 
áo «on^o, éo nafs recondtto da aima, e dizemos^ pena 
ifOmmy amizade intima. 

/filmorépai«Tra volgarr « de lodos 05 estylos ;^ferfio 
é palarra seientifíoa, «sado na medieina, na pbysica, na 
molapbysica, na tbeologia ; tnfHfureet) é iim termo de 
metapbysíca, de csoola>stica e de commerdo; iníimo é 
palawra affecltiosa e pollda. 

Penetra-se no interior, d esc ohr e^ aeo tfiferfio, dá^ev 
conbecer íntrtfueco, escrotarsc inliiriO. 

562« — luterrogmr^ persuiUar» 

Referem-se«stasitrez palavras ao qoe dizemosa atgomn 
para saber d'elle aquílio de que nos queraiios informar; 
diíTeren^So-se porém em que, perguntar indica curtosi- 
dade, 00 nece&sidade de saber, coooo diz dilado : Quobi 
pergunta quer saber ; e interrogar suppoe autoridade. 
Um espia, om desconhecido pergunta ás i^entes ^ tm- 
contra; jníz interroga réo. — Perffunta toda a 
classe 4e pessoas, pobre como o rico ; só tfUerro^do as 
aotoridades. — ^ Inquirir é tndagar com miudeza, eoa 
dnigencia, algumaicousa quedescjamoslkem saber.Atii- 
^trtpaío consíste cm fazer variasj96r^i«n(a< oom o fim 
de conbecer que se ignora« juiz taftfíre as teste- 
iDunbas antes de condemiiaroréo. 



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INV kQl 

863. — li«tri0tt, mem«i4cm», eiilMii«9 

Intriga é manejo cauteloso, acQSo que se executa com 
Bfllicia e «oculuaMfite pera omtpiir ^áQ^wk fim. O 
meoíerico consUle propriameAte «em deMobrlr e referir 
cousas occultas, que outrcm tem dito ou feito, e isto com 
tm ^ oietter dUseiiQSet, e semear «usamias. CtoMa é a 
m»i2o 4e esférf^ de miiitaspe88oas<^e»'iem terem 0011« 
Men^e eom a justl(a, ^Mkáo áe commBm acordo'« 
efficazmente para elevar uma pessoa ou ooiisa que Ihes é 
tnroínnrel, w part dcprimir i|ae ns ^ífende e >Hi«6 desa- 
9rftia.JShr0doé«im>tfi«dBeHoocompMfead0, urdido com 
astaoia,4eoido de'en^aim « watiras, «om ftm de eaasir 
íBlBfEadeS'e éiilart»». 

'JMrifüo os «ortiez8os««s ami Éc i s s o s «para lograreffi 
as gra^ qoe pr^leiidem. IfwertoAo as pessoas 4t pmiea 
CMÉa e sevaiidiias para eafberem cM^adguem, e «laTerem 
asskn # ^ por •atr» mado nio merecem. SnrBÚ&o os 
XBaBóras f ara satísteer soa má ind^e, oa pm posca* 
remeaiiaguasteiiTotlss, Codá^osparlidossedtclosasyoa, 
cmplovse paptttar, ñizcm ma^as, m einbndliaéas, pera 
kvsírem amile seos prafectos. Mais a»Aaz qne toMcos 
outros maDcios, a caoiciia tem por alfo atogar a opinaki 
poláiea, íormar mna ^ikSo iniagtearía,« di^Nir a mu 
arbltria dos sucoessosc docnrao ém eoasas. A piíÉSm e 
a ^pertiaiioia €onslltaemsea>€nramar. 

A átOerenga que ha entre estas doas palavras consiste 
em ^ue inioectwa se tefere semprea censurar com vio- 
kncia e acrimonia a mn só kidividflo ; sendo que a saltra, 
▼erdaddramenle tal, censucaosirostttmes publicos, ou ^ 
oplnioes de muitos, valendo-se para isto do ridicúlo, da 
gra^ e do cliiste. Aqueila é uma setta que fere ; esta, 
um espelho oiide«e cetratSo^m toda sua fludez os vicios 
e miserias humanas. A invectxta é uma paixSo baixa e 
riiim, <|ue tcm por causas molrizesa ira, a íbví^ e a 
viQganca. a MollTa. sendo loiparcial» éAobrc, e oor veze^ 



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aO¿i iNu 

util ; seu movel é a íDtelligencia e o talento. — Para fazer 
oma invectita basta ser mo ; para escrever uma satlra 
émisler ser sabio. 

It65. — Inutlliiieiite 9 em t&o, Támenie, 
de lialde) emlialde. 

uso confunde commummente a sígniñcacSo dos pri- 
meiros dous adverbios ; porém, por pouca refiexSo que se 
fo^a, se percebe entre elles a mesma difTerenfa que ha 
entrc vao e inutil, 

Emváo suppoeínsufQciencia dosmeios, dos esforf^s, do 
desejo, que empregámos para conseguirmos um fim. Inu- 
tilmente explicaa pouca necessidade ou ulilidade com que 
se executa a cousa, sem rela^So alguma ameios nem a esfor* 
fos.Diz-se d*um hQmem,quefal]atnutt7mente, ¡sloé,sem 
necessidade, e que falla em v&o, isto é, sem fructo. — 
Madruguei inutilmentef quer dizer, levante¡<>me cedo, sem 
fím, sem que a ísso roe obrigasse motivo algum. Ma- 
druguei em vHo, quer dizer, ainda que tive o íncommodo 
de levantar-me cedo, nSo consegui o fim a que me propuz, 
ou qtie espera va conseguir. -^ Querer corregir a um nescio 
é cansar-se em váo, Gasta o tempo inutilmente o man-> 
cebo que nio faz roais que passear e divertir-se. 

F&mente é o adveroio latim vané, que diz o roesmo 
que tnutilmente, e náo se deve confundir com em v&o^ 
que é latim in vanum, que equivale a frustrá^ em 
halde, sem fructo. 

De halde, e em halde sSo expressoes portuguezas e 
castelhanas, mas de origem arabe (de háteley cousa v9, 
frustrada, sem utilidade), que Yulgarmenle se confundem, 
mas que se deveriSo differen^ar em portuguez como se 
diffcrencao em castelhano. De halde, quer dizer, sem 
t>re(o algum, graciosamente. Em halde^ quer dizer, 
em vSio^ 

566. — luTeJny elume. 

A inveja é nma paixSo torpe procedida do sentimento 
penoso que soíTre o invcjoso pelo bem alheio. Ciumf é o 



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INV 405 

zelo de qne o obiecto amado se inclinepara oulrem, ou de 
que elle receba algum damno. 

k tii«f/aéotormentodasaImasWs,ejá Yimosdequeella 
era capa7,noart.Emula93o (pag. 250).Octum« tem mais 
nobre origem, pois nasce doamor proprio, e da idéa Tan- 
tajosa que cada um tem da superioridade de seu merecl* 
mento ; e no amor dos homens se reputa por fíneza, diz 
Vieira (VII, 370). 

A inveja concentra-se, róe o coragSo do in?ejosOy e 
o2o ousa apparecer k eara descoberta. ciume nlo se 
esconde, nSo seenyergonha de manifestar-se, anlesrompe 
muitas vezes com impeto, e com tanta maior violencia 
quanto é maíor sua eleva^o, como muito bem disse 
Víeira : « N2o ha eiumee mais impacientes, precipitados e 
TingatÍTOS que os que tocSo no sceptro e na coroa. » 

867. — luvejar, ter liiTeJat 

ConcordSo eslas dnas express5es na idéa logica, mas 
differenflo-se no uso grammatical. Iwoej&o-^t as cousas; 
iem-se twoeja ás pessoas. — Invejamoe os bens, as hon. 
ras, a fortuna d^alguem; etemos-lhe inveja de seusbens, 
de suas honras, de sua fortun^. 

Nao invejava Alexandre a gloria de Achíles, masmve- 
jouAht ter sido celebrado por Homero. 

^8« — Inveiielvel, Insuperavel. 

que nSo póde ser vencido diz-se invencivel ; aqnfllo 
além do que, ou por cima do que se nSo p6de passar, 
chama-se ineuperavel. primeiro supp5e peleja, com- 
bate, um contendor ou contendores a qiiem se nSo deixa 
levar a melhor ; o segundo presenta a idéa de obstaculo, 
que se nSo póde franquear, que nlo p6de ser sobrepujado. 

Porém como os que pelejSo e combatem slo em certo 
modo um obslaculo; e os obstaculos, ou encontros, se 
podem considerar como contrarios que é mister Tencer ; 
IrocSo-se muitas vezes os dous vocabulos , e diz-se : 
obstaculo invencivel^ e na^o tntuperavei; difficuldade 
invencivel , e poder ineuperavel. 



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é&d ns 

S69. — liiToear, eltuiiiir, mUsammw |M»r. 

A idiSa commum d'estes Tocabulos é a de diriglr Tozet 
a alguem : eis aqui sua diIFereRga. 

Chamamos aos homeDs, ou aos ammaes qoe existea 
como nós sobre a terra, isto é, damos- Ihes vozes para qat 
TenhSo. Aivocdmof a dívindade, os espiritos celesteSy ea 
todo qiie coasideiámos como superior a n6s, S€Jai>or soa 
morada no céo,&e¡a por suadigmdade e poder jaa terra. 

Chama'Se para qualquer cousa ; iníüoca-st para ^ler 
soccorro mmi perigo ou numa empresa. — ^osia-se 
com acenos, com gé&tos, ou comTozes, e pelo nome do 
sojeito.; íRvoca-se Kizendo vc^s e s^pplicafido. — Os pais 
chamao os ñibos, para Ibes 4izerem alguma coiiaa; m 
cagadores chamáo os cSes, para seguirem a yeaQlo ; os 
poetas invoi^ Apolo e ^s Musa&; ^os alribuiadiis invocáo 
a divina Providencía, ou o santo de sua devo^So. 

Chamar por é expresslo vnlgar tda lingoa que Tal o 
mesBUHiiie a alatiiiada mvocmr» ^ÚhoñBMr por Deoa, ptim 
8anto&, por Nossa Senliora, etc., émvocar settiitáe, fo- 
correr á soa prDtetffSa {Mora ^ DQ&ae«diD. 

Estes dous verbos nSo podem usar-se indístinctamente, 

f^orque ir-iSe tem a iov^ de aHfieotar-se sem rdaQlo ao 
ugar para onde se vai, senlo s6 ao que se deixa ; e tr, 
pdo contrario, nSo fiu relacSo jo ^e se étoM senSo 
áqoeUe para onde se vai. — Fulano resolveo tr«se de 
Lisboa ; p6de nSo saber aonde irá, m q«e eamiiib» to* 
mará; e n2o se dirá aesle easo : fesokeo tr de Lisboa, 
sem ikterminariKrecisttDeateo ÍQgar aonde oo pera ofodie 
vai» ou destino que leva. Aasim qiie, ^ando digo :i)oif- 
me, formo uma oraigio com^a, porqoe, >cmdo m -nerbo 
por si s6 faz rela^So éeteminaéamenle ao higar era qoe 
me acfao, expüoo completiunente qtie o deixo, que me 
aasento; porém b2o a fáqo igoalmeBte eompkta se éá^ 
sámeBte : foou, pois Ca^a és^t a on para onde mm¿ 
porque o verbo nSo o éelermlBá por si só. 



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871. — Iroso, I ra c ttu ün, Irmto. 

¡Seaiot ira e jraiUcaU'estes irez TocabiiloSp consiste sua 
dífiércs^ Bt tenainaicia, ^e 4hes deiermftna a íar^a oii 
designa a rela^o. 

írm0 é i|ue está possuLáo de iprande tra, e dominado 
p#%7«sta.paix2o. Iracundo é o que se ddxa levar facíl- 
Dwnleda tra.ifado é o qtte actuaknente está tomado 
daáro. 

Mfoeundo diesignao natoral em quc domioa a ira, e o 
habito d'esta paixáo; irado desigEui oaclo de tror-ise 
alfpMBi ; irofa desígna o exoesso áa ira* 

• No bomem irado eonsldera-se a ira como um togo qoe 
queima ; no tro<o, como um incendio que abraza ; no irch 
cundo^ como JiaUria iiitaBBtnal «jueaimBor faisca poe 
emchammas. Tal eraMoisés, e assim o mostrou naquelle 
«MOHtrMB fpM.arrcmeUea a nn «s^^cio ^ affrontaTa 
ft mi hebro«,'e sem mm a»as que as proprias bIos, 
o laB^ morto a mq§ pés ; p«r iss# dtsse Vieiiia : 
era aradmado t irmcumdo (Vlly 27d).» 



(87SU «-- Jtíi, d^FMM^ pnMptaMMite» 
to9B. 

Já féz o mtsmo dfae Besle moinrBto ^ jmmediata^ 
mente, sem demora. Depre$$a exprime a cekerklade di 
M|ia* Prompéamenie exchie deloí^Sw 

kjá Ofpd»«e logo,4«pois, mais tarde; a depreéea, 
ée lorgar; a promptatmemUf eom denkora, com deieii^. 

Logo lem duas sígnifícagoes distiiielas ^ie sio, d'aqui a 
1^0000, ?. g. logo ¥ou^ e, .iHimeduiiaBiciile, sem demora, 
V* g- fogo qat esta recefotrdes f inde ter-me. Nesta §e- 
gBQda«igMca(^¿ symm^morigorosa deji em^uafiio 
i BC^, mas diíiereBf^se cift qu&nta á pessoa. Qiiando 
«u BiMdo<««Dn eriado^qBe farta iBHRediataBiente, digo- 
Ihe, Mnrkc jÚ! quando f»Ho#um amo quc BModott «cu 
críado iBimediaiaiiiefite, áigo : nuiBdett-She que partisie 
iogo. — Nos sobrcsortptosde cartas ^e dcwcn ser eBtre* 
gBBasea dcBMra poc-iseíofo^ iogm, eafiMtia, M* 



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tiO^ JASi 

S73t— ^ttetanela» valflade. 

A jactancia é a lingnagein da taidade, éomsirumenlo 
de que esla se serve para dar-se a conhecer. O fim da 
jactancia é elevar-se ; o da midade é ofTuscar aot 
demais. 

A jactancia maniresla-se por meio de palavras e ac- 
coes, annuncia um amor proprío excessivo, e merece o 
(iesprezo dos homens sensatos. A vaidade vale-se do 
lra|e parlicular do individuo, manifesta-se no arentonado 
e maueiras altivas, pretende fazer-se superior a todos, e 
faz-se acredora de seu odio. 

A jactancia lorna-se ridicula; a vaidade degenera 
em mania ; a primeira causa ríso, a segunda ofTende 

574* — Jíamals 9 muiiea. 

Confundii^o os nossos classicos estes dons adverbios, e 
11S0 aclarou bastante sua indifferen^a autor dos syoo- 
nymos da lingua portugueza, posto que se possSo bera 
differengar da maneira seguinle, quando se rerereoi a 
oousas futuras. 

Jamaie expríme propríamente a idéa doc[ae nSose qoer 
que succeda, manifeslada por aquelle que pode por sipro- 
prio fazer alguma cousa e está decidido a nio fazél-a 
pela convic^So que tem de que Ihe seria prejudiclal ou 
deshonrosa. 

Nunca exprime particuIarmeMte a idéa de que nio sne- 
cederá uma cousa que se appetece, e nio porque seja ún- 
possivel senio pela desconfían^a que tem de sua propríi 
ifortuna snjeito qne a deseja. 

A idéa de jamaii refere-se á fortaleza, áo despelto, i 
indigna^So. A idéa de nunca respira desconfian^a, do- 
vida, desespera^So. — Jamaii transigirei com meus lni- 
migos, diz um general que espera a vicloria á freote de 
seus contrarios. Jamais consentirei que meus direltos 
sejSo menoscabados, diz um rel a seus minístros. — • 
Nunca serei feliz, díz um philosopho no reliro de sca 
gabinete ; nunca chegareí a conhecer as causas das con* 
sas, nunca a posteridade fará justica a minhas ínvestlga* 



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JAR 409 

^oes. — Jan^ais me apartarei de meu proposito ; nunca 
lerei recompensa. 

Numa noveila mourisca díz um cavalheiro namorado ; 

• JamaiB de amor esla chama, que ardenle vibra em 
meu peito, poderáo apagaroshomens, poderSo extinguir 
os tenipos. Nunca espero minha venlura, que esquiva de 
mim foge. Jamais deixarei de amar-te, porém nunca de 
amor receberei o premio. » 

Quando jamaú se refereao passado vale o mesmoque 
ntinca, mas tem particular energia, e como que indica 
uma nega^o reiterada, como se póde colhér dos se- 
guintes exemplos que se lem em Moraes : « Jamais 
pude co' íado ter cautela. Que cilhara jamaii canlou 
victoria. Lugar de penas e tormento esquivo onde jamais 
se vio contentamento. t 

57S« — Jíarfllm, verirel, pomar, 
lior to-peiisll « 

A cullura de arvores e flores é a ídéa commum a estas 
palavras, que em sua significagSo relativa se diíferencSo 
notavelmente. 

Jardim, em seu sentido proprio, é uma por^So de terra 
coutigua á casa em que se habita, cultivada e plantdda 
de flores e outras planlas para recreío e passeio. 

^ergel é um jardim extenso, n2o só povoado de flores 
e arvores fructiferas, senSo de outras que o nSo> s3o, e 
que ao iado da cullura dSo idéa da rusticidade natural. 

Pomar é horta de arvores de fruta, e os ha de espinho, 
que só contém arvores que téem espinhos, como as la- 
ranjeiras, os limoeiros, etc. ; e de carogo, que só constSo 
de fruteiras de prumagcm, pecegueiros, gingeiras, pe- 
reiras, etc. 

liorÍO'pensil é um jardim lcvantado do chSo, cons- 
Iruido arlifíciaimentesobre columnas, ou d'outro modo, 
taes er2o os hartoS'pensiles que sobre as muralhas de 
Babylonia mandou construir a grande rainha SemiramiSy 
n2o s6 para diversSo propria senSo para admira^o 
aiheia. 



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ÍIIO lUM 

576« — Jíoiren , niof o, 
JfmrcntHdiey 

A yezjmifm, éolÉúmJmvam^ exj^Mca a idéa ahsolii- 
tamenie; a voz m^fo, do hespaBbol fnoso, a «xpUca 
compOTatHanienle : pepqBe a jii«iintiMie é a íáade éo 
homem entre a adoiescencia e a klade varoail, eomo 
"desde es qnalene aléaos vmle e iiaiamMftf ea moci* 
éade é o teni»¿ em qut ioboimüeeaiernra a^Ue vigor, 
parfeer, oti cíisposíylo <^ sáo .psopciAs áMjuwttudey 
epoáem durar flnis oa dkbos temfo. — Um homemde 
tnnta amos já nio é j0vm, sonmdo a i^erosa propiíe- 
Hiadeda palaiTa, portat «hida e meifo. 

MancebOy doarabe ma'Mubon^ sigmñoa rifiorosameBte 
moQO de poucos annos, mas em giral se usa por jonoenj 
que nSo é jnuito fiwi^nentejios cla^icos. 

577. — JFuntento, Itafrro , asno* 

DeftífnsSo estas trez pábmras um potrre anfmal tio 
conhecido como utíl, posto qae teimosa; mas^ diíPeren^- 
seo^ebs idéas accessorias que suscitSo. 

jMnú é o oome proprio do qimdrapede que os lailinos 
chamavSo a&ims e os gregos ^vh , e comprdieiide em 
.«ua sigafficajjiao lodas as d^erencas e qusdidadeB do 
.aBbnal. 

Jumento, do latim jumetíium qm significava em geral 
hcita de carga, é este mesmo animal, porém a paiavra 
sascitaaid^dalatina,ereprescnta o aeno tnttialhando 
.fara heae&cio ou caammodidade do homem. 

f «rro, é palavra vuJg^ da fingoa, que aTgmis qoeran 
renha de itw¡¿|¿¿ff, russo, que éa cor ordinaria dos 'Mirros, 
«^ exprime parUcularmente a pouca inteiiigencia d'esie 
i4piadru¡^ede. 

Qoando estas palavras se appTic^ ao tiomem emsen- 
üdo figurado podem íguálmeate difrerengar-se da ma- 
«eíra seguinte. — A um homem enia ineapaddade é 
notoria, chama-se-lhe asno. qae tem af guma capaei- 
dade,porém que em damno proprio trahalha emproTdto 



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JUS 'lll 

alheio, merece o nome de jumento. Ao que é eslnpldo, 
carece de íntelligencia, e qae talvez presume de enten- 
dido em coasas que ignora, ou qoe se otystína lotaimente 
em suas asneiras, assenta-lhebem o nome de burro. 

578* — Jurameiito» Jura. 

Jnramento é a afBrma^o tmnega^io de alguma coma 
lomando a Deos por testemvnlia. Jwra é «im modo de 
íurar«mpFegando expressoes baixas, oa «^tas fonmite 
pouco comedtdas de quetisa a plebe. 

Ojuramento faz-st com reflexSo para affírmar o que 
se diz ou vái a dizer; é iim tú^ -solemfie, Judicial e reii- 
^so. AJttraemprega-se quasi sempre por habito e sem 
rcífexao; e poslo qoe a gente YOlgar e mal educada usa 
muito de Juras para confírmar o que diz, nem por isso 
merece mais credito, pols nSo é sem fundamento que se 
<Gz aos iuraáoreM : 

'Quem *iBais ymv, «aii wtntA. 

:579. — ^ustoy tm-neto. 

A justa era poprlamente o combate de homem a 
hooiem^ a cavallo e com lan^ Andando os tempos se 
extendeo a^gnifíca^o d'esia palavra a outros combates 
pelo abuso que^zerSo os anligos dironistas eromaB- 
cifttas de cayaRaria, que desfígurando o verdade*u*o sen- 
Uáo das palavrás poséráo ír^aealemenLe em conrus3o 
feASsas ideas. 

Devem-^ poís distingulr as juiUu dos tomeioi, Os 
lonietot C»zUlo-se entre muitos cavalleiros que com- 
faatüo ^ tropel, ou em qoadrilhas, fozendo vottas em 
lArno (d>Bdea palavra ^neto), oraa cavallo ora a pé» 
com langa ou espada ; a justa (do francez antlgo joiffle, 
faoíe joMle) era wn comhate siDgulair de iiomem a homem 
que se travava com encontros 4e lan^. Ainda que as 
imt<u se laziSoordiiiariameale nos torneios depois dos 
caBiibales -de todos os campe^es» succedia, sem em- 
bargo, que se faziSo sós independeniemenle de Benhum 
foTtteto. 



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4 ) 2 JCS 

580. — Jrustlf a , direlio. 

direito é o objecto ásijustica; islo é, o qaeper- 
lence a cada um. Xjusticaé a coñforúíiidade das ac^oes 
com direito ; í$(o e, dar e conservar a cada um sua pro- 
priedade. O direito é dictado pela natureza, ou estabele- 
cido pela auloridade dirina ou humana; póde variar 
algumas ?ezes segnndo as circumstancias. A juetiga é a 
regra qne é necessario seguir ; íí%o yaría nunca. 

S81. — Jíiuitlf • , equldade. 

A.ju$tÍQa, considerada como synonyma da equidade^ é 
nma obrigacSo a que se ha submettido o homem redo- 
zido á sociedade, e que, por conseguinte, se deve regular 
pela lei positiva. A equidade é uma obriga^So fundada 
nos principios da lei natural, que nSo está sujeita ás leis 
humanas, antes estas, para serem justas, devem por ella 
regular-se. Assim que, a justica impoe determinada- 
mente a obriga^So de dar a cadá um o que Ihe pertence, 
da qual nSo se póde separar, nem o juiz qne a admi- 
nistra, nem o homem particular respectivamente a sen 
simílhante, sem expor-se a que uma antoridade saperior 
os obrigue por for^a a sua observancia. Porém a equi" 
dade modifíca aquella mesma idéa representando-a, res- 
peclivamente ao juiz, com relagSío áquella modera^o 
prudcnte com que, sem faltar á justiga, regula, em caso 
necessario, o direito duvidoso, as circumstancias, as 
reciprocas conveniencias , etc. ; e respectivamente ao 
homem particular, com rela^So a uma obrigacSo a cnjo 
cumprimento nSo se póde obrigar com a autoridade legal, 
porém que Ihe imp?>e a prohidade, a consciencia ou 
joutras consideragSes ponderosas. 

• NIo fagas damno a ninguem; repara o prejuizo que 
liouvercs feilo. » Eis os preceitos da Juftfpa. 

« NSo fa^as aos outros o que nSo quizeras te fizessem a ti ; 
fdzc-lhes que quizeras elles te fizessem. » Eis os grandes 
preceilos da equidade. 

^ juitifa é inflexivel, so considera os fóctos, sua anica 



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LAC tiU 

regra é a lei, vMo póde d'ella afastarse. A equidade é 
flexivel e compassíva ; considera a humanídade com suas 
fraqnezas : seu objecto é corregirsuas más inten^oes escus 
defeitos, e alliviál-a quanto ser possa. 

A juitica cnmpre com rigor as ieis posilivas ; a equl- 
dade cede ás leis da natureza. 

Os arbitros julgSo muitas vezes, anles pela prudenle 
equidade, que pelo rigor da justica. 

A justiga exige que paguemos a nossos credores, e a 
equidade que soccorrámos aos necessitados. 

A justiga dá-nos direito para exigirmos sempre o que 
nos devem nossos rendeiros; mas a equidade ped^ que Ihe 
pf/doemos algnma parte das rendas, ou ibes concedámos 
espéra, em annos escassos e caiamitosos. 

Considerada ñjustiga como legal e punilíva, é maxima 
vnlgar e mui certa, que a equidade tempera o rigor da 
justiga, 

582. — lialiorlosoy tralialhador. 

homem laborioso ama o trabalho, e foge da ocíosi- 
dade; o homem trahalhador puxa no trabalho, faz muilo 
numa obra. Aquelle nSo poderia viver se nSo se oqcupasse 
em alguma cousa ; este trabalha com assiduidade, e d2o 
perde um instante. 

A palavra láborioso tem rela^Io com o caracter, com 
gosto do que trabaiha, explica uma idéa mais extensa ; 
a palavra trábalhador refére-se mais á obra mesma, e 
\em por isso menos extensSo. 

homem laborioso occupa-se nSo sómente em cousas 
uleis, senSo lambem de adorno. homem trahalhadar 
occupa-se com mais uniformidade numa só cousa, que 
sempre é util. 

Sfío. — Iiaealoy erlado. 

Criado tem um sentido geral que se applica a todos os 
qne servem ; lacaio tem um sentido particuiar que nlo 
eonvém senao 9 uma elasse de criados, 

O criado póde ser grave ou de farda, de sala ou de'es- 



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tiU LáG 

cada alKiiM; c twai^é sempre ét lirda « de escada a 
bai3R>. 

Criaño éfsigna propfiameote nm hMBmn de ser?i^, e 
laeaio um homein que em seral tai aUraz 4o amo ou na 
Irazeira dasege. criado exprimeama kléade utmdade; 
lacaio uma idéa de oslenla^. 

Os prkicipes, os fidalgos, etc^ qne«id2o de carruagem 
téem tacaioB; as pessoas ik dasse jnedia, e ainda as ia 
mferior, téem sómenle enado$. 

SS4. — Xüso, lasAa, tmm^gm^ 

¿c^daéoaogmentolifode iago. S^ando a íor^a da 
elymologia grega iíukos, ^e ng^ca pa^o, cova randa, 
Umu em latnn e la§o ea perlagiiez jigni&éa ma 'Con- 
caYidade grande e protaMb aempre cbeia de agea, poitni 
mais pequena que íagóa, que é um grande lago onde ae 
conservao muitas aguas. Ambos esles depositos de agna 
sio ceicato de terra firme, sem oommunicafSo visiTel 
com mar. As aguas do lago provém de fontes que para 
lá correm, oo de nasoeates qoe netteiba;^s das lagóai 
proTém ^ vertenies qae para M desagiíaú^ e n2o léem 
^ida.— ütz-se a l(^grdaMeelÍ8,onnieotAda,, a ia^apoa- 
tína, a lagéa estygia; e o iago die Geoebra, o ktgo de 
^nrichfO lago Maior. 

Túnfueélage artüdal, para recreio ou deposito de 
tagnas para regar pomáres, Iwrtaft, elc. 

58o. — Iiasrlmsuiy eiM»Mv iirante^ 

Lagrimm úio gotas de iHimor aqneo qne saema pares 
-dos oam de qttcm ehora. Ckom é a aq^o de chorar, oo 
derramar lagrimas, por uma causa nSo extranha a nós e 
por uma quaiidade que nos é inherente. Prantoé aeffu- 
s3o do senLimeat^^e mtucalmente faaemos vertendo 
4agrimas, a impulso d'uma causa extranba a nós e que nos 
ptWQz grande dor. — O cAoro póée mr ■uido e sUen« 
CÍ090; opranlo é senipre aeom|MmlNiéo de voies scb- 
tídas, e de grítos lamentafeíi, e cntSo se efaama pranio 
ile^to. Mnilo bem ^e Vieira, faUaiido de David na 



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LAR M5 

morte de Abner : « "^-s qne comeQa Dayid a rebentar em la^ 
ffrimai^ e todos cooi elle em prúnto desfeiLo. » £ fal- 
lando de como foí chorada a morte d'Ei Rei D. Manoel, 
dix : c proMio mais publlco f«e se vio na Ba^ |KNrtu- 
gueza, foi quando chegárlo á India as nom 4a morte 
dlEl Rei B. Manoei... Come^io a* chorar em grtio, e se 
ieTantou o maior e mais lastímoso |in0iile <iiie jamats se 
fíra{I,87e,e«79;.* 

%(86. — I^aplfllflear, petrlflMV. 

Lapidtficar designa <m geral a apera^ pela qnal a 
natureza fórma as pedras. Petrificar designa em parti- 
cular a opera^ pck qnai a nalnreTa tw^ifairma en pe- 
dras as substanGias ^ antes d'istD nio iperleBciSe •• 
reino mineral. 

887. — JLwem, pmm m iti mn 

Os lares e ospenaÉet s2o na mylologia o» deoses ma 
genios tutelares das habita^oes^ da6 casas» das aideia8,4e 
toda a elasse de Ingares. Por^jn pódem-^eoMKiderar par- 
ticnlarmente os lares como os deoses protectores 4a h»- 
bita^Io e da familia em ^feral^ « os p§naées eoao os 
deoses lutelares da casa inlerior oa domesilca. Os ¡ar$9 
Ihratlo stíbre tudo a .casa doa iaimigos de ióra ; óspénaíe§ 
a presenraTlo do&accidentes inUriorea. A«pieUes ^esüüa 
particularmente á seguraniga da casa^ eslcs, is pessofts 
da íámilia. 

Diz-se, flaülando poetica oa CaBÜIiarmente, ^ /patríos 
iares^ para designar a casa paterna, a casa onde fomos 
eriados; e nossos penatei ftm lugar de casa propría, 
iiofsa casa, como disse Camoes : 

O prner de efaegar á pattrHi eari , 
Jl leiM iMtiaief «affoi^ «iparsDtek 

Snoutrolugar; 

Ver-se de seof pemaUi- i^tartade. 



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615 LEG 

«88. — liar^ura, larvuesa. 

Largura «sa-sc sómente no sentído physico, e expríme 
prpcisamente a dimensSo contraposta a comprimento. 
Largueza, no mesmo senlido physico, tem si^ificacSo 
mais cxleiisa, e contrapoe-se a estreitura, aperto. Usa-se 
alcm d'isso a palavra largueza, no senlido moral, para 
exprimir a ausencia de estreileza e de acanliamento no 
unimo, nas opinioes, etc. 

y89. — liarTfts , lemures. 

Assim chama?So alguns povos antigos as almas dos 
máos que, segundo elles críSo, vinhSo de noile á terra 
perlurbar o repouso dos vivos; mas differencavJo aauelias 
dVstes da maneira seguinte. 

Segundo suas falsas tradi^oes, as larvas erao os es- 
pectros, os phantasmas, de diflcrenles figuras, debaixo 
dos quaes os espiritos ou almas dos morlos apparecilo 
aos vivos ; e os lemures er3o as imagens, as sombras dos 
mesmos defunctos que se presentav3o aos vivos debaixo 
de sua ñgura corporal e propria. 

As vis5es nocturnas, que caus3o espanto, e cm que o 
vulgo ignorante cré, pertencem á classc das íartas , os 
doendes, os trasgos, e todos os espiritos máos que o 
mesmo vulgo cré encarregados de atormenlar os homens 
perlencem ^ classe dos lemures. 

S90. — l.e9al, leüitliiio, lÍeUo. 

Leaal diz-se propriamente das fórmas, das condícoes 
das formalidades prescrilas pelas leis posilivas, sob pena 
oti de nullidade ou de animadversSo da parte da lei. üm 
matrimonio nSo é legal quando nSo se contracta diante 
dc certo numero de testemunhas. Um certificado d'uma 
auloridade inrerior nSo é legal quando nlo é approvado 
pela autoridade superior. 

Legitimo é tudo que é conforme ás leis, ou que tem as 
qualidades que requer a iei. Um matrimonio nlo é legi' 



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LEM ¿tl7 

timo quando se coutracta cnlre o irmlo e a irmi, ou 
quando iima das parles está já casada, etc. Um fíiho náo 
e legitimo qiiando nasceo fóra do matrimonio. Um rei 
nio é legitimo quando usurpa a autoridade real violando 
as leis da successSo. Legitimo significa tambem justo, 
equitativp, fundado em razSo, segundo a natureza das 
cousas. £ legitima uma demanda quando seu objecto eslá 
conforme com a eqiiidade, com a justi^a; daqui vem 
dÍ7er-se : «Os direitos legitimos, as prelen^bes íeyitimai.» 
Legitimo é o raciociuio, quando sáo verdadeiros os prin- 
€¡pios, e a consequencia lefitimamente deduzida, isto é, 
segundo as regras da logica. Legitimo é o ouro, o dia- 
mante, etc, qiiando nSo e adulterado,ou tem os qutlales 
que a leí exige, que por ísso se Ihe chama ouro de 
lei, etc. 

Lieito diz-se propriamente das ac^oes ou das cousas 
que as leis consideráo como indiíTerentes, e que cstas de- 
clarariSo legalmente como más se as prohibissem. 

A fórma prescripla pela lei faz com que a cousa seja 
legal; a condi^io exigida pela lei, ou a coníormidade da 
cousa com a justiga, com a equidade, ou com a natureza^ 
a faz legitima ; e o silencio da lei a faz licita. 

lidi . — lienliii) miidelra, p¿o. 

Por estes trez nomes é conhecida vulgarmente toda « 
materia lignea, porém o uso tem fíxado as seguintes 
difTerencas. 

Quando a materia Hgnea se considera com rela^io ao 
fogo, ao lume, de que é cevo, chama-se lenhaf ou seja 
grossa ou miiida, em mólhos ou rachada, de rojo, de car- 
retoou de balsa; quando se considera com rela^io a 
edifícar e construir, ou fabricar moveis, chama-se ma-' 
deira; e quando se attende espectalmente ás differentes 
qualidades que d'ella ba, e aos diíTerenles usos que d'ells 
se faz, nSo sendo para edifícar, construir, ncm fabricar 
cbama-se jido; e assim sc diz : Páoáe agnilla, páo de 
Campéche, pdo brasil etc 



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U8 GER 

592. — UlieUo. , fallaete. 

nso vuTgar covñinde muilas yms a sfgniffca^ dVff- 
tas duas palaTras, cuja diffcren^ é esseuchi}. 

Libeltoé nma otvra de pouca extensio^de circumstan- 
eías dadas, por roeio do qnat se trata de desacreditar a 
, reputatio d*uma ou mais pessoas, empregando o sar- 
casmo e a caiBmnia, que é o que coostítue a essencía do 
liletto. Folheto é uma obra de poucas pagínas, princi- 
palmente de lltteratura, posto que tambem os ha sdéiiCi- 
ficos e politicos. 

obgecto do /bWefoéin8lnnr,adarar alguma cousa 
por meio de ai^umentos solidos, c sempre com grafñdade 
c decencia ; o Kbelto só se propoe a injuriar e a diffámar, 
por isso se cbama injurioso e diífamalorio. 

5931 ■— IJIiepalldade, srenerosidade. 

A liheraHdade é wm Tirtndi& moraí pela qfial se dis- 
tríbuem os bcns sem e^rar recompensa ; consiste prw- 
cipahDeme na boa distriboiglo qne caáa^ um íhz do sen 
dinheiro, ou das consas que té«n um vaíor pecamarío, 
áquelles a quem isso se nSo dcTe de justiga. 

A generuMade é em gerafl unr sentimentt nobrc que 
leva homem a anlepor o decoro e o bem publico á ulili- 
dade e interes^e proprio; vSh pódedar-sea conhecer por 
motivo mafó digno de apre<^o que pelor amor á ¡mtrjs e 
perdáo das imurías. 

A hberaliaade i^o é outra- coosa sen§ío a generoii^ 
iaée ümitBda omcamenfe a mn ob}ecfo pecuniario. A gth 
nerotidade lem sigmf!cae3o muito mais amplar, p«» é^ 
rígorosamente, nma qualfdade do bomem bem nascido' e 
bem educado que nlo só ák nobreza e lustre a todos os 
•eus sentfmcntos e aeyoes, sen3o qne Ihe inspnra valer • 
csfor^o nas arduas empresas. 

tS9A. — liibepttlldiide , prmMmMúerík^ 

A primeira é uma virtude , a segunda um excesso 
vicioso. 



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Liu 419 

A í^aíidáié é subordfñada á jnstiQa, e consísle em dar 
l^e de sens bens aos indígenles e necessitados , ou 
aqaelles a i|aem se tem afTei^Io ; a prodigalidade con- 
siste em derramar o dinheiro sem escolha^ sem discerni- 
mento, sem considerag^ao, desperdi^do a propriafazenda 
em consas vás. 

í®3. — Ubepdfide, alTedrlo. 

Líbm'áade é a flieHMade de obrar on nSo obrar. Ahoe^ 
driú, oa ííftre arbitrio, é a liberdade que tem o homem 
para el^r o bem oa omal. Pelo qae nSo é a liberdade 
uwa propríedade do álwdrio^ senSo esle uma appncac3o 
on cxercicío daqueila. ' 

Por i650 Vieira disse : « Off Lnlheranos e Cahinista* 
DcgSo a liberdade do alvedrio ; » isto é, negSo que o ho- 
mem seia Hfre na escofha do bem ou do mal. 

396. — Ueiio, iierniiMdo. 

que é licito nfo está vedádo por nenhuma lei; a 
qne é permittido es!á auiorizado por uma lei. 

que cessa de ser^íctío passa a ser illicitOf e esles dous 
termos téem uma rela^áo mais directa com o uso^ que se 
de?e fazer de sua liberdade. CaracterizSo os objectos de 
Dossos deveres. 

que deixa de serpermiaido passa a ser prohibido, e 
estas duas palavras téem uma rela^So maijs estreita eom 
a unperio da LeL GaraelerizSa nossa dependeacia. 

307. — Ukmwatf polir. 

Estas duas palavras sSopropriamente termos emprega* 
dofi nas artes e officios. Limar é lírarcom a lima as aspe- 
rezas e desi|;ualdades d'um corpo duro, eapeciafaDente 
metáfíco. Zima-se o fórro, o acp, o bronze, etc. Polir é 
fazer lizo, luzedio e agradavel a vísla. por meio de fric- 
(So^ qualquer corpo. Pulemst as madeiras, os moveis, 
os marmores, etc. Os metaes ordinariamente brunem-se. 
Vija-se Brunir,n*60. 



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¿l20 LIG 

Um corpo bem Hmado nSo tem iiada de tosco nem de 
aspero; um corpo bem polido tem muilo luslro, limpeza 
e brilho. Aquelle nSo oíTende o tacto ; este é agradavel 
á Tista. 

Em sentido fignrado, estas duas palavras se applicSo 
com propriedade ás obras do entendimento. Liniar uma 
producgSo do entendimento é corrigila, tirar-Uie tudo 
que tem de desigual e inexaéta, límpál-a de phrases 
vulgares e menos elegantes ; polir uma obra litteraria é 
dar-lhe gra^a, brilho, e aquelle interesse de que ésuscep- 
tivel. Uma obra limada nSo tem nenhum erro de gram- 
matica, nem-expressoes improprias e desacertadas ; uma 
obra polida offerece as expressoes mais graciosas, e l>em 
escolhidasy os giros de phrase mais elegantes, uma harmo- 
nia intrinseca, em fim todo o donaire e briihante primor 
de que «^susceptivel. 

Polir diz mais que limar. Porém em v5o nos esror^a* 
riamos tm polir uma obra, se a nSo limáramoi antes; 
sempre teria alguma inexactidáo. alguma expresslo in^ 
correcta. Do mesmo modo sería inutil nosso trabalho 
Umando uma obra , e nSo a polindo ; sempre seria 
ñria, e nSo oífereceria o interesse e amenidade de que é 
SQSceptivel. 

598. — Iilndai*9 eflitar eontlsuo. 

Lindar díz-se propriamente das terras que só separa 
nm sulco, ou outro qualquer signal convencionado entre 
os donos das mesmas. 

Eitá eontigua uma cousa a outra quando eslá perto 
d'ella, [>or¿m medíando um espa^o nSo definido nem 
convencionado entre os donos de cada uma. 

termo d'um povo linda com o de outro. As casas 
d'estes povos estáo contiguas, 

599. — Iilnsuaseniy lini^a , Idloniaj 
dlaleeto. 

De todos estes vocabulos o mais generico é linguagem^ 
pois representa a manifestacáo dos pensamentos por 



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LIN 421 

Bieio át sons aiiicnlados ; e em semido figurado, tudo o 
que exprime os nossos pensamentos é uma especie de 
íinguagem. O gesto, a palavra, a escriptura, a píntura, 
a esculplura s2o especies de linguagem; e tambem dize- 
mos linguagem muda , a linguagem das flores , porém 
no sentido ñgurado, e nSo no proprio como dá a enten- 
der autor dos Synonymos da lingua portugueza. 

Lingua, no senlido recto , designa aquelia parte car- 
nosa e movel que está collocada na t)oca do animal, e é 
orgáo principal do gosto e da palavra nos tiomens ; 
e em sentido tranlato signiñca esta palavrá o conjuncto 
de vozes ou termos com qoe cada na^io exprime seus 
conceitos. 

Aindaque estas duas palavras se confundáo muitas 
vtzes, pela unidade de sua orígem , sSo com tudo mui 
diíferentes. material das palavras e seu enlace deter- 
mina o que se ctiama lingua : esta náo tem relacáo 
senSo com as idéas, com os pensamentos e com a intelli- 
l^encia dos que a falláo. A Unguagem parece que tem 
mais rela^o com o caracter do que falla, com suas 
íntengoes , cóm seus interesses. O objecto d'um discurso 
determina a Hnguagem do que o pronuncia; cada um 
tem a sua Unguagem particular , segundo suas paixóes ; 
por esla razáo, uma mesma na^So com uma mesma ¿/n- 
gua póde em diíTerentes épocnas ter Unguagem diífe- 
rentes , se mudou de costumes , de incliria^des , de inte- 
. resses. A Unguagem de nossos trovadores até ao tempo 
d*EI-Rei D Leniz era multo diííerente da dos primeiros 
bucoHcos, e a d'estes lambem é diíTerente da dos epicos, 
ainda que todos fallassem portuguez. A Unguagem d'um 
bomem manso, prudente e bem educado, é mui diíferente 
da d'um camponez coierico, grosseiro e mal criado, ainda 
qoe ambos fallem a mesma Ungua, 

Diz-se a Unguagem da vista, do gesto, porque a vista 
e gesto sSo destinados pela natureza a seguir os movi- 
menios que as paixoes Ihes signalio, e con^eguintcmente 
a expremíl-os com tanta maís energia, quanlo é maiora 
correspondencia que existe entre o signal e a cousa signi* 
fícada que o produz. 
Idiomaé palavra gregai iHMf,xa, que signifíca proprfe- 
II. 24 



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412 LOi 

dade parttcKlar» «itambemr Hii^geift) pivUcitoi, de 
ñio^ especial, partícaiary e dwigna a maneipa particiAar 
de irilar uma Umgm, Rvfere»^ este mabuto án loei- 
f$es proprías de oada jin^jfiia ouidioliamoSr pdei qae é 
BMis proprio i|oando quiierBoS' ffattar éas diflftreetes 

Ítocbas de fioreoimeoto oío decadeneia da títteratitfa 
uma mifloi 6ffl< cpesoaJtJC^iiir se enriqueoeo deloea- 
edesaotas, elegantes* cexprcssifaay ipie, por aaaim dizer, 
UK s^erñn^ário' as JeifCÍes* e deteminárSo e» genio , ou 
em que ellB'se' empobrtcco^) desflgurou' e quasí qne ae 
idNistardeu. 

Diof eelo é igoaimeHte palaimf gr«ga> itócítaTóí, qtie 
signifíca linguagem particular d'uma provincia, colonia 
ou cidade, derirada e aitttrada da lingua gera4 d^onde 
procede, aa*proiiuneía,,iNi aecenluaf&o», nN>9 aocidente& 
granmatlcaes, etc: A fhigtta gt*ega tlNba qaatro priiK 
eipaes diékcto; o Attices o DOrteo, a Jonieoe o^EoKeo^ 
idem d'étttros menos nolaiieitr, a qne se péden cbamar 
Bab¿^ct09, eoma e» B^otieo , o* Syracnaano*, o Syrü- 
eo, eic. 

Consiste o' dlaM^ : 1« no nso d!e pnlarras estranbaff a 
outros diahet<m; 2« no uso d^ signifiva^des particalares 
a certo» diahctói; 3* na varia escrifurax das palavras , 
trocaRdo , avgmentando ou dhninuindo a» lettras , ou 
fmnertendo a ordem das' mtsinas; 4^ na* altera{io te 
ílSrmas das pafatras d^dimmeis , já dando^bes temn*- 
nafSes dififerentes dd lingna oommnm, Já clássifícando- 
as em dirersa declinavi<y ou conjoga^ ; 5« na S^ntaxe. 

qoe aconteceo aos Gtegos en quanlo ao» d'taiteta$ 
aconteceo a di^m po^fos St Allemanba , da It^fía , &xs 
Sespanbas: eamd^ ao9 Ibdibs do Brazit, cujalingna genüf, 
qne se íkllara em qvatk^ooentas leguas de costa (*), 
tinba diversos dialectoi como olyservoa a P. Yieira, que 
nos principaes d'dfes compot catecbismos para doutri- 
nar os mesmos Indios. 



aue> d*e8UUii|tu M pobUeta fol 
leira, TI', p. mO. 



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XI3 423 

600. — IilMm JA f Mimmiaarñtu 

Cm cazlo.netott o antor .dos sjoonpios portugoezes 
ime a leriiiiiia(So ^ia ^^imeam inuitos Tocabolos por- 
tagueKS a idéa demuUidto de ol^jecl.05 da me&ma especie, 
oitdeoontiB«a^io e frequencia do mesmoobjeclo, <eic., e 
d'aqui resulta toda 4 diCRsrenca entfe üftonía c li$09»iaria. 
Litonja exprime pois a signifícagDío simples d'este voca- 
bulo ; eiim^aria espnneitetiMneia e «anJUnQiicSo de 
liionjasy talvez com excesso e certa importuna^ao pro- 
pria de )oovanii«üeiros. 

601. — IilsonjMr, aiMliir. 

liionjear 'é dlze. on fazer cousas agradaTCís a aflgucm, 

{»rincipa1mente em seu obsequio e louvor, e com o nm de 
he gaiihar.o affecto ; e p6de isto ser com vcrdade e jus- 
ti(ja, ou com fingimcnto e compilacencia, pelo que se póde 
tomar esta palavra em bom ou máo sentido. N3o assim 
adularj que sempre se toma em m^o senftido, porque é 
Ikoifísar imxa evilmeQte. V<c^jus ^duladar,.pag. 2S^ 

602. — t^lsta, eataloso. 

Liita é umaserie de nomes ide peseoas on oonias 'postos 
uns ap6s oulros, para dar a conhecw qse^stas eovsasot 
pesaoas pertencem a vma €erta e «deter minad a classe, 
ou que técm entre si uma rela^So comoram real oo 
arbitraria. 

•Catc^go signlfica narra^So >oráen«áavou inventarli 
drcttmstanciadovétambeiB uma litladepessoas, sueee«- 
soB, ecousasposlaspor ordeni, cujo fimé nSio sómente 
dar a conhecer a refla^o que •eslas pessoas ou oousts 
tóem enlre si, 8eii5o seu valor, merito <t iroportancia. 

Se rennirmos, por exemplo, sem oniem «s Iftulos dos 
liTTos de nossa üvniría, fawmos una íwla d-eHcs. Se os 
distrfbutrmos -em varías «lasees, 'ooíloeando-os em e»éi 
umad'eliassesíundo a materiB'q«elritSo,<edenno8fS«lm 



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elles alguma noticia bibliograpliica, elc.y fazemos um eé 
talogo dos livros de nossa livraria. 

A lista nao suppoe nenhuma ordem, nenbum m^ 
thodo; exige unicamente os nomes. O catalogo, lcaw 
por fím dar a conhecer com todas as circumstancias caa 
objecto que presenla, suppSe a ordem, a coordeiia(i»J 
as combinacoes necessarias para que estes objectos btm 
&e apreciem'ese distinguSo uns dos oulros. 

603. — Uttepalmente, ¿ lettrA. 

Litteralmente desfgna o sentido natural e proprio d« 
díscurso, segundo a for^a das palavras e o valor das 
expressoes. J' lettra signifíca o sentido estriclo e rigo- 
roso. — NSo se deve tomar litteralmente o que se dii 
por metaphora. NSo se deve tomar á lettra o qae se 
diz por gra^a ou com exagera^Io. -— Na Sagrada Escrí- 
tura ha. muitos lugares que se nSo devem entender litte- 
ralmente. Os comprimentos vSlo se tomSo á lettra. 

604. — UTre, voluntario, eifpontaneo. 



€onfundem-se vulgarmente estes termos, mas i 
os modernos philosophos devem diíTerenfar-se da mi- 
neira seguinte. 

Livre é aquelle acto que se faz, ordenando a vontade. 
mas de modo que póde o homem d*elle abster-se. Tal t 
de seniarroo-nos quando andámos passeando ; qoe o 
fazemos porqoe queremos, mas que poderiamos nio íazer 
se quizessemos. 

f^oluntario é o acto que se faz, qiterendo a vontade. 
mas que o homem n2o p6de deixar de fazer, por se adiar 
enfraquecida sua liberdade por alguma circumstanda 
exlraordinaria. Tal é o d'uma amorosa m2i que, vendo 
cair ñlhinho no rio, deiia-se á agua, com perígo da 
propria vida; salva o fructo de suas entranhas da D)orte 
immincnte com um ardorvehemenie da vontade, roas sen 
ser senhora de si ; nem mesmo adverte o peri^o senio 
quando, salvo o fílbinho, ella mesmo entra em si do leo 
Iransporiedeamor malernal. 



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Liv 425 

Esponianeo é o acto em que iienhuma parte iem a 
TODtade, e que de ordinario se faz sem que o homem dé 
por isso, e sem que possa obstar-lhe ou impedil-o. Pro- 
duzem-se estes actos espontaneamente sem que a Ton- 
tade para isso concorra, ao menos dírectamente. Taes 
sSo» na alma, a cogitagSo, o pensamento, a memoriay etc. ; 
e no corpo, a circulagSo do sangue, a respira^o, a di- 
gestSo e assimtla^So dos alimentos, etc. 

6(K>« — lilvpey lM<l«peM<leMte« 

Um homem livre é o aue, nio estando suíeito por 
nenhuma causa, nem impedido por nenhum obstacuiOy 
póde fazer ou nSo fazer o que quizer. 

Um homem independente é o que, nSo tendo nenhuma 
cousa que o ligue, nenhuma rela^So de dependencia ou 
de sujeigio aos outros, póde querer ou n2o querer fazer 
alguma cousa. A Uherdade recai sobre as ac^oes, a inde- 
pendencia sobre a vontade. 

A liherdade consiste no poder completo e inteiro de 
usar das faculdades da alma e do corpo ; a independencia 
consiste na isengSo ou desapego de todo la^o, e de toda 
sujeicSo exterior que possa influir sobre este uso e p6r- 
Ihe oDStaculo. 

A liberdade dá o poder ínteiro; a dependencia a res- 
trtnge, ou subministra os molivos para restringil-a. Um 
homem é livre para gastar todo seu cabedal ; porém se o 
conlém temor do aue diráo, o receio de incorrer no de- 
sagrado e desprezo de seus parentes e amigos, n2o é tn- 
dependente, porque tem relacóes exteriores que influem 
no exercicio de sua liberdade, Um homem é lixre de 
fsLzer uma aefao má, porém nSo é independente para 
execulál-a, porque as leis Ih'o prohibem. 

Um povo livre é o que póde fazer tudo o que qutzer, 
conformando-se com as leis porque se rege, e na phrase 
moderna, que elle mesmo se dictou ; está debaixo da de- 
peodcncia d'estas leis; é litre sem ser verdadeirameiile 
independente, 

Um povo independente é o oue ii3o tem nenhum lafo, 



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496 LOG 

neftbttma «brig;ai;S#«xterior ^tteosujdte no exercicio de 

Bin.potitka e em looral nlo ba ^rdade sem depen* 
de&oiá.; « ipor «sta razSo a dependencia, que poe nmiles 
íWkrdüde, fixa «ua extenslo e assegura o gozo d'ellá. 

kind$fi0kde¡nciaá'ímdi iia^o «onsiste precisamente 
em n8o^ar.sa)eitaa outra« em fte nSo.pagar trlbutos; 
e díz-se livre quando tem ki& proprias pon^ se goTerna» 
nio recebe a lei de nenbuma outra, e tem rorga e Tálor 
para repellir qualquer tentati?a para sujeitál-a, como 
muito bem ilise •o^iosio poela.: 

OefiBndei Tosaas tams ; qtie a esperan^a 
Uá iibtrdadt esCi na vossalanga. 

t¿Uí.,tV, 37.71 

S6 Ente-Supremo é Terdadeirameiite fndtetpenileiile; 
todo o homem é máis ou menos dependente, e 'se sAginnt 
Tez se chama tal, é del)aixo de certo ponto deTuíta par- 
(iciílar. 

£hama-se caracter ou genio máepenáente aqudle «foe 
sorrre com trabafho a dependencíü, e esitá^empre a^^onto 
de romper os lagos qne o snjeilSo. 

606« — Iilzo , plano. 

Ltzo refere-se aos productos da indnstHa qne presentlo 
á Tista e oo tacto nna snperficie sem aspereza algnma. 
Pkmo rerere-se k superficie estendida sem attos nem 
baixos. 

Todas as otMras detorno eée esculptm^a $9o ftjra», ^m 
serem planas, üm prado, nma kziria, leem supertcie 
ptana^ ainda que nio seja liza, 

Um espelho p6de serplano oii concafo, mas aenavro 
é lixo. 

607. — Inycfil^ iAtYo, piKra|r«n>» luirai». 

Exiite entre estaspafaTras nma idéa coramnm, mas qno 
modifica cada umad eilas da maneira seguinte. 



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( 



LOG k%l 

iMol^iapiñmt a fmto em que »ma cousa toin seo 
4etefiBiiui4o assenlo, e másKHie a ceusas iBiiterae& .Sili» 
expciiDe erta mesma idéa, pwrtém leon nefereBcia a um 
caso accidental e particular. Paragem refene-se a um 
p#ato oerto, oa allara limilalay onde ^nda )criiEaiido 
m nmo, etc. JLtigeir tem mais eKtoisio, e designa um 
ponto em que existe esta ou aqueUa caasa. — Ésteio 
IomI da |)naga é» tomros. £m tal silto.se encontrárao os 
dotts exercitos. Esta é a fmagemem que se deo a ba- 
talha Miral. Porestas TixinhangasdeTeiesbir o lugm' ^nde 
oiiRomanos;fiiadáiioiaia ciidade mat desappaneeeo. 

Loffusa, qne ae conslderatoomoiimsulistanthFo, é rigo- 
posammite fallandoa rariaiQibolBminifla doadjectivo gre«o 
Xo(^^s, '4 • ^ , »lonndotde íióyt^., discucso, concordaBdo 
Gom o\snbfitaiitivo sobentoddido tíx«)«., airte,'e v<effl a dlzer 
mesmo qiie arte do dascmvo, oa de diseorrer com 
exactidlo. Esta é a Terdadieira definij^o da patavra. €on- 
siderada em quanto t aoiiaa, kigioa e a^aetlaparteáa phi- 
losophia racional (*) quepr«»peeasregra6ipara dirí^ir o 
entendimenlo humano.emlodas «s suas «^pera^oes. Os m- 
tigos a iCOBsideravSo stoienle eono arte^ os modernos a 
Gonsiderda tambem como sciieQcia, e por Isso adevidem 
em ^uatco piirtes ou a toonaideffio debaiKode^uairo as- 
peclos : !• %w»ps|rchologica, em que *e explicáo e ana* 
lysSo as facuLdades inleUecHiftes;> %«eainsirumeatal, 
naqnal se trata dosmeíos pekxs .fuaes se %éáe aehar, ou 
demonstrara verdade;^» ie^'ca dogmatica, ou theorla 
da certesa, em quie se trala 4o criterio «da verdade ; 
4« hgiea hUtorica e critica, em qne se ex¡»^m os^iffe- 
rentes metbodos, «.se dedoíTa ^oal 4'«Iks é o meUior. A 
logiea dos modernos é jnníto mais complicada e sdenlÁ- 
fica que a simples arte dos antigos. 

Di0iie£tica é ifttalmente a Taría^io femltttna <do adjeo- 
liTogrego «iaA(xrtíe6$,>i.,.¿y., .ciaaGordajido com T¿xvn, o 



(*) B esta define-se, em sentído lato . sciencia da razSo. 



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i|t¿8 LOG 

qiial se fórma de ScáJicxTOí, líDguagein, discurso failado, 
▼eni ambos de hhXéyefieci quc signiñca falJar uma pesMl 
com oulra, conversar, discorrer, discutir, ou cooícii 
com alguem. 

Cntre os gregos a logica era dinerente da dialectím 
e até se cr¿ que esta arte se perdeo, e nSo cljegoa <■ 
nóscomoaquella. ^ 

Na idade media e nos tempos escolasticos dei . 
maior extens9oá palavra dialectica parasignificariií 
iá a arte de discutir placidamenle, que admirámos M 
dialogos de PlatSo, mas adedisputar com engenho e $ié> 
tileza, para o que se estabeleciSo principios e da?lo r^ 
gras, quetinháo por objecto dirigir bem oraciociníoai 
argumentagSo, ou disputa. Era verdadeiramente omi 
arte de pelejar de palavra, como Ihe chama Luceai»qae 
muito se differen^a da logica como lioje se eoteiide,e 
acima explicámos. Era puramente árte, sendo que a lo- 
gica é tambem scíencia. Póde confundir-se com a logia 
instrumental, masnlopoderá nunca equivocar-se coa a 
logica psycoiogica, dogmatica e critica. 

A logica, considerada em geral, é uma sdencia ^ 
tem por objecto o fazer conhecer e aperfei^oar todas as 
faculdades inteilectuaes, e propoe regrasaoenteodíiDeDfo 
para bem se dirigir na investigagSo ou na demoostradb 
da verdade. A dialectica serve-se das regras da lopca 
do modo mais adquado ao fim que se propoe, qneéseB- 
prc de provar uma proposlgáo, verdadeira ou íal8a,ede 
combater os argumentos contrarios. A logica diri¿e-se 
ao fundo das ideas; a dialectica ao modo de preseotil*' 
as, e ás formas da lingaagem. officio da logietí é • 
distinguir o vcrdadeiro do falso ; o da dialeetiea i • 
presentar uma proposí^So de tal modo qiie pare^ ver- 
dadeira, e assim é mui commum ver a dialectica empre- 
gada em defender uma cousa falsa. Oonde se segueqie 
um bom dialectico seja muitas vezes um máo ¡ope^; 
em cujo sentido diremos que muitos pbilosophos aotigos 
e modernos s9o t2o máos logicos quanto excellcntes iHt 
lecticoM. 



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Luz ti29 

609. -- lioso f «eiioto. 

Um e oulro adverbio explicSo a posterldade de tempo, 
porém logo signala um lempo mais curto, um termo mais 
immediato, cooservando a propriedade de seu senlido 
recto, que corresponde a promptameute e sem dila^So. 
— Passearemos agora, jantaremos logo, e nos iremos 
depoii.r-' Leremos a gazela logo que trouxerem luzes, 
isto é, immediatamente que as trouxerem, só esperamos 

3né as tragSo para nos pormos a léi-a. Leremos a gazeta 
epoit que Irouxerem luzes, isto é, quando tenhamos 
luzes, sem denotar positivamente que ha de ser immedia- 
tamente, logo que as trouxerem. 

Por isso quando a posterioridade recai sobre uma ac- 
00 que decídidamente supp5e dilacSo ou demora, só se 
p6de usar o adverbio depoiif e n9o lo^o.— Por ñm acer-' 
tou, depoii de ler errado tantas vezes DepoU que toda a 
gente o vio, já n9o tem gra^a o publicál-o. 

610. liuetuosoy luyubrey f unebre« 

A tristeza e o sentimento sSo as idéas communs a es- 
tas trez palavras ; mas luctuoio accrescenta a de lucto e 

{)ranto ; lugukre, a de ddr e melancolia ; funehre, a de 
amentos e magoa, com especial referencia a funeral, ap- 
parato de sepuitura, exequias de defuntos, etc. 

A morte d um pai virtuoso e amado é um aconteci* 
mento luctuoso para seus ñlbos ; as demonstra^Ses com 
que estes exprimem sua d6r s2o luguhrei; as ceremo- 
nias ecclesiastieas, o apparato e pompa com que se tribu 
tSo ao defunto as ultimas honras, sSo funebree. 

611* — l.unie, foso» fof^eiro. 

A palavra fogo refere-se a uma causa, lume a seu ef« 
feito. O choque torte d'uma pederneira com outra, ou com 
a^o, produz fogo; appiicado este fogo a uma materia 
combustivel, resulta o lume ; se se aggiomerSo materias 
combustiveis, levanta-se uma fogueira. 



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A80 fllAG 

Diz-se Tulgarmente ferir lume; deve dizer-se ferir 
fogo, e accendÉt m ;liim#.«-*sd Jkm€ dklifa, aquéce, e coz€ 
09 alimenlos; ofogo causa calor, queima e abraza. — Ác- 
cende^fie, e eonserfa'sei) hHn0 paraos nsos domeslfcosi 
quando pega e pogo nt)ma casa acode-*se-lhe eem agua 
Mra o apagar.— Pazem-se fogueirae pelo S. 3oIOf etc. 
Veja-sc Fognéira, pag. 5lí. 

€12. — liiivlry veHMttr, bvlNiitr. 

Todos e&tes verbos indkSoA aofio 4e 'despedir Hii^ 
gias cada um d'elles modifíca.eila iáéa d'um raAiofiaRtí- 
Oilar. O qiie lan^ Jhz ssimpleaneDte, itic; o qie refiecte a 
Inz, reluz ; o que langa ou frefleete iHDa hiz Yi«a\e «ciiáil^ 
lante, hrióm, 

íMza efitffella da alva,a lampada, a ^aaceefa, etc.^« 
pe.senlido.figurad^ íuxm verdad^^a 'virinde, o vatmr, «le. 
Meiuz o 01^(0,0 a^Of'e todas oa tmetaes bpuiiáts; ra- 
luzem os mamora <e madeiras hen palidas; e domi* 
tidp figurado, reluz no semblante a candura da alma, re- 
luzem cé alfeelos e laitimntos «•bres'e ^enerosos; 
« Relnz na face exterior do corpo a bondade mterior da 
atea, • áia Afrraes (K, 14). 

Mlhño as eatreñat w Roíte elani': ^f^ <^€iamame 
laipidado, hrMa a fina fredrarfe'; hrilhao crTStaN, o«sp«- 
Iho férídos da sol, etc. ; e no tsentido «ignrado, krUhá^ 
os dotes do entc«dimento itliistivdo, ts vHlndes stngu- 
lares^as qnalidades herolcas. •« ü tua glona és tn, com 
^ hriikas,<» disse Bocage. 

MS mmgím; «eMÍTOlrfi. 

DavSo-se antigamente estes nomes aos impostores qne 
abnsavSo da eredttüdadCido fwUítfi, fura fazer Jhe crer 
qne, por meio de algnm genio com quem estavSo em im- 
mediato contaAto, foMo iiiverfcer *on irastorBar a ordem 
da natureza. 

Peirém m^gieo só desígiiava m ifie se«dízüo estar «m 
relan^oeom ^ esptffilea J^enefteos; e feUicéiro m am 
pretendiSo ler relacBestCttpi osflSMPitos r^'^ — 



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61 4i '^Mm^mMMwdémfM^, loiiÍpAniiiilclade. 

£ift aqitl a TerdaMra> ^flleren^ ^estás éúns pala?ras, 
4^e muitas Teies se oonfiintan e üsie indistinclamente. 
Magna0wméadi t gramteza e elisTacS» ée alma , ou de 
smim^» Jyonganimiéad» é graMteza ée anímo nas adrer- 
tidadesu Esu^ poi& bm parte df aqoelia. 

O ifMfiMinitiwr emfveheRde ceusas' gramiRes , ardnas, 
difSciüliDsas e arriBcailas y o6ra em ludb com grandes 
luriús; Jon^tmd idio se desalenta nas adrersidadea, 
nem a larga< es^cffan^a o faz loimr atraz da confianca de 
alcan^ar o fim de seus desdos. Avrilas^ estas qnatidades 
illustrárSo o sabio infante D. Henrique. Magnanimo em 
em^eliender os grandes desooltfimiiiafr varitimos, deo 
exuberantes proTas de sua lcnganimidade nSo desistindo 
desett iolentotyStqiprifidO'a todaaasdRffic&ldadeSyTencendo 
granéeft obstaoulosy sefwrando Ireqneirtes rcTezes sem 
juuBíca fraqnear nm só iBstantrna heroica espefanca qne 
em sna gmide alma coiiceMra. «Desterrafh-se da Cdrte. 
diz Yieira, na ior da idade esfe magnantmo principe, foi 
TiTcr entre o fuldodaa ondas nas praiasmais remotas do 
reino ; e é'ali y por meio de sens fortissimos argonantas, 
rompeodo maróv Tendo promonterios^ descobrin^ no- 
Tas terinSy nom oéés, e mm effmas, com imrmensos 
trabalhaSy e horfenéM perigos, e com igttai constancia 
de qnareBla aimot , en Hm moslrev ao mundo o que o 
neanio miuidv idk> eonhecia de si, e ií9o possibmtoa 
sómente , roas facilitou aquelle natural fmpossiTel (Vin, 
637).. 

615. — Slaledlceiicla^ detPMfM. 
ealunmla* 

MaMHomtia é nmá qnaMad^ que nmitas pessoas 
téem de dizer nn* dc 9Ms ^hnflfaantes. Detracpáo é a 
eoaiTerwclo'mrdaii wm ínftima e denígre a bonra de 
algtem. OiÍiMiiapa e « Mcoaa^^o ftdsa feita a algnem 
papa iie oansar damno. 

O mamut^t ott mal9ái(sa obra máis por faábtto qne 



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m MAE 

por má inten^So; e sens ditos léem muilas vezes por 
cansa a ociosidade, a loqnacidade e a ignorancia. dé- 
tractor n3o só diz mal , mas infama , denigre , tisna a 
boa reputa^So de alguem, com perfeita inten^So de des- 
dourar e deslustrar seu merecimento, e (udo isto faz 
moTido da invejá. calumniador é mais malvado que os 
dousprecedentes; movido do odio e da vingan^a, accusa, 
maliciosa e falsamenle, para infamar, imputa com má fé 
delictos , ac^oes ou ditos que oífendem a tionra , para 
cobrir de opprobrio a infeliz victima de seu furor ; e 
quando nSo póde ou nSo Ihe convém inventar crimes, 
soppoe intensoes perversas nas ac^ oes mais indifrerentes, 
e até nas boas e virtuosas. 

616. — male Aco, iioelTO; pernleloM. 

Malefico é o que faz ou execula o mal por sua natn- 
reza, que amado coragSo o mal, que se compraz em 
fazél-o. Nocivo é o que altera o bem , impede sua con- 
serva^o e progresso, e perturba a boa ordem. Perni- 
eioso é que é nocivo ao ponto de causar a ruina , a 
perda, a corriip^So, a destrui^So de qualquer objecto. 

S2o maieficas as cousas que pre judicSo a saude ; sSo 
nocitas as que a trastornSo ; sSo perniciosas as que ten- 
dem a destruü-a inteiramente. — A cousa malefica faz 
mal : é míster nSo ter contacto com ella ; a cousa nociva 
poe obstaculo ao bem : deve evitar-se ; a consa perni- 
eiosa corrompe, destroe, arruína : é conveníenle preca- 
tar-se contra ella. 

617« — IHalfeliop, dellnqueiite. 

Ambas estas palavras representSo ao homem qne com- 
metteo uma acQSo má ; porém a primeira considera a 
accSo como má em si mesma, a segunda a considera como 
inirac^o da lei ou preceito que a prohibe. 

A palavra malfeitcr usa-se commummeule com refe- 
rencia dqnellas ac^oes más que se oppoem á boa ordem 
da sociedade, ao direito dos cidadSos, k tranquilUdade e 
boro governo do estado : e como nlo ha legislai^o que as 



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MAN ^3*^ 

dSío probiba^ lodo malfeitar delinque, quebranta a lei, 
e nlo é estranho que se tome indistinctamente uma to2 
por outra, porque as duas idéas que representSo, ainda 
, que dífferentes, díffícíl é que se encontrem separadas. 
Se n5o houvera leis, o malfeitor nSo seria delin- 
quente. No tempo dos antigos tyrannos o delinquente 
pdde nSo ser maífeitor. 

618. •— lHallela, nialli^nídacle, iiialdade. 

Malicia é nma inclina^So a fazer damno, pórem com 
habilidade e finura ; malignidade é uma malicla secreta 
e profunda ; a maldade é um desejo conslante que exisle 
em algúns homens para fazer mal. ^ propriedade dawa- 
licia c a destreza e a finura ] á malignidade é-lhe pecu- 
liar a dissimula^o e a profundidadej e o que dislingue a 
maldade é a audacia e a atrocidade. 

619. — maUratap, tratarmal. 

Confundem-se ordinaríamenle estas duas expressoes, 
mas devem distinguir-se da maneira seguinte. 

Maltratar alguem é offendél-o, ullrajál-o, de palavra 
ou por obras. l^atar mal a um sujeito é nSo o tratar 
com a poUtica, urbanidade e consíderaíSo que elle me- 
rcce. — homem brioso e valenle n5o se deixa jamais 
maltratar impunemenlc ; o homem de bem e de pundonor 
nao Yolta mais á casa onde o tratárao maL 

620. — HEanar, estllar, plnsar, 
ffotejar. 

A idéa commum d'cstes vocabulos é a áccSío com que 
um hquido sai ou é lan^ado d*«m vaso, ou corpo que o 
conlém, porém differeng3o-se da maneira seguinte. 

Quando liquido sai como em fio, ainda qüe seja len- 

tamente, diz-se que mana; quando o corpo deüa fóra, ou 

eomo que cspreme de si um iiquido, diz-se que o estillai 

qnando o Iiqmdo cai pinga a pinga, diz-se que pinga¡ e 

*• 25 

DigitizedbyGoOgle 



h^k MáR 

inalaicBte qoando ú*^ caen golas amludacUtt, üa^ 
qne^foée/a. 

Ákina a agna da pcnha, esaa^ áa ferída, o mpr éo 
rosto; naterra de prooRssio MJKm^md e oléHie; do 
aator da natiireza vusn&Q os •direttos naturaes ^s lo- 
. BKiia. — EMtiüa agna o maMieiro verde •fwando o poem iio 
lume. EstiUao lagrímas os olhos, « lambcm se áiz qne 
d'elles manao lagrimas, quando eslas correm, como 
emfio, em maior abundancia; •0& labios^ia iMiLtier tMü- 
l&o dogura, » diz Arraez. — Pinga do telhado a agua da 
Ghuva; pinga a gordura das earites assadas, qne porlsso 
Die chama pingo^ etc -— Oo¿e/a sangneaespaxiaquefle 
embebeo em corpo víto ; goteja o ielhado agua, qoe por 
tempo arruinaabobadas, t!í(^;goteJajo os vesíídos do qfi€ 
caío nagua ; gotéjav&o as tran^as das nympbas do Hm, 
segundo a descrip^ao de Camoes. 

Pinga é menos que gota ; é a minima porgao d'um li- 
quido qne cai, e só tem seu diminutivo em lagrima. A 
progressÉo d'estes verbos póde-se iudicar no seguinte 
exemplo. Pfa ppnnarera manao as fontes crislallinas cor- 
rentes ; no verao diminue o cabedal de suas aguas, e sá 
eerrem em fio íqtiando o calor aperta rompe-se o fio , c 
60 gotejáo, oo deillo agua gota a gota; em annos de secca 
apeiias pingao, ou deitfío sgna pinga a pinaa; e antes 
de seccarem de todo, ré-se caír uma iagrima de agua, que 
pafrece ser o signa! da despedída. 

621. — KEaiHfesfo , decli»B>af So de j^ueppii^ 

Quando se declara guerra a uma nagSo, faz-se-lh'o 
saber por algua modo : por arMilos, fmr «nviate, por 
simples cartas, etc; a esU ac¿ochama-se declarap&o de 
guerra. As na^oes belligerantes costumao dc ordinario 
jusiificar os motivos por^ ton^ as armas ; a esta expo- 
úqlo por escrilo cbaBia-se mamfeeto degmrreL Aqoeila 
dirige-se s6 á na^2o ou goveroo a queo se fin a ^erra:; 
este dirigcrse ao pubtico 4e Mas as na^oes, m HRiiido 
inteiro, e p^ ser feito por ambas Jts partes eonteii^aniB, 
porqoe a ambas ioleressaliistifiear perante o p«Mio»« 
seu procedimentoatacaBdo ouTeaíftündo. 



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MAO 435 

n&o ol»staiite,Mm OMliarso, 
Aiiida^iie. 

Todas cstas IocD<^es advei1)taes exprlmemama oddosí- 
^, on rcsijslcncia, mais oti mcnos lorle, vinda daspcs- 
soas Ofl das cousas, a qiral n5o é efficaz para impedira 
accao; mas em cada uma d'eflas ha nma relacáo Mrtí. 
cufar em que consisle sua dífferen^a. 

Significaiido a paiavra grado vontade, consentimenlo, 
é claro qnemaogrado, isio é, de máo grado, quer dizer 
tac ma Toutade, com (fesgoslo ou desagrado : indica por 
'toirto esta íocñ^Jo opposí^Jo ou resistencia de pessoa 
estraaiha, on de nossa mesma Tontade, tque venccmos^ e 
«ontra a qual obr&mos. Seu máo graao, é o mesmo quc, 
a «?a/ de sen grado, e sigrafica contra sua vontade.Sub- 
mcllo-me de máo grado, qner dizcr, conlra minha von- 
tade, com desgosto meu. 

A pezar indic. mais forlc opposi0o, em que nSo só ba 
desgosío seBS^senliaiciilo, lAágoa com isso que se fez.— 
Apezar vosso levarci a minha adiantc, isto é, em que 
aiRda quc tos pcze, ou tenhais ptzar. farci o que intcnto! 
A pezar meu beijo a mSío quc desefara tcr cortada. isto 
é, ccw pezm^, co» magoa,bcijo a ralo, ctc. 

findo despeito de éespectue , desprczo , é daro qoc 
a toetv^Io a deip$4io , ou em despeifo. tcm' raais cnergia, 
e augmcnta dc forga por iguntar á iéési dc opposi^o ou 
resistefnci» o éesprezo com tpiese vence. A degprtto das 
leis, íoproprio áever, tm despeito do juramcnto, etc, 
fSto é ctt de$pre9o úm leis, ttc. Bem sc autorira cstt 
inlclligc«cia da palavra deMpeito coro o scgninlc muf ' 
«tegaate lugar dc Veira : « Tcn^se acredftado a mortc 
com o vulgo deiRuifo igual , pelo detptUo com qtic yiza 
tgaaliDciilc 06 palacíos #es rcís c as cabanas dos pasto- 
res.» (Scrm. nas Ewq, de ». Maria de Alaide, tom. IV.) 

Confima'Se inais nossa asser^ por outrologar ñ» 
mesmo Vieira, onde, fisillando dos cincoenta sablos quc se 
rendérSo á dotffCrina de santa CattiaríDa, diz : «A constan- 
oa trmc ^ á monie eom q^e defendlr&o a mcsma ver- 



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436 MAR 

dade apezar^ e a despeito do imperador. (VII, 284).» 

Náo obstante exclue simplesmenle uma opposi^So, 
rcsistencia, ou dífíiculdade absoluta. Faz calor náo obS" 
tante ter chovido. Saío de casa, náo obstante andar 
doente. — Sem embargo índica uma resistencia menor de 
sousas ou circumslancias, e mais facil de vencer ; exclue o 
embara^o ou empedimento que d'ellas p6de resultar. — 
Sem embargo das queixas dos povos o máo principe 
prosegue em suas oppressoes. homem virluoso observa 
pontualmente os preceitos de sua religiSo, sem embargo 
dos insensatos motejos dos impios. 

Jinda que tem mais extensSo que as duas anteceden- 
tes, porque se emprega tambem nos casos em que se 
trata d'uma opposi^o puramente condicíonal ou possi- 
vel, nos quaes nSo técm seu usoproprio as locucoes noo 
obstante , ou sem embargo, — A manhSi hel de ir ao 
campo ainda que chova. N^io deixareí de fazél-o ainda 
que me matem. 

623. — marido, esposo* 

Esposo em seu senlido recto e ri^oroso nSo é syno- 
nyiiio de marido, senSo de noívo, pois só exprime a fé 
ou íidelidade prometiida, o ajuste social contrahldo por 
esponsaes ; mas neste sentido é quasi desusado, e dá-se 
geralmente o nome de esposo ao homem casado relatira* 
mente a sua mulher. 

A differente for^a e energia que achámos entre estes 
dous vocabulos, no sentido commum em que se tomlo, é 
que marido explica simplesmente a qualidade d'um 
nomem casado, sem outra rela^So que ao estado do ma« 
trimonio. — Aquella donze¡la quer casar-se, porém nSo 
acha marido Os dous que ali vem sSo marido e mulher. 
•— Porém a palavra esposo ennobrece, por assim dizer, 
a idéa, representando ao homem casado com rela^o nSo 
s6 ao estado seuSo áquella atten^So reciproca que o une 
mais nobre e estreilamente a sua mulher, separando em 
certo modo a idéa de superíoridade domestica que Ihe dá 
estado e qualidade de marido. Por isso se usa no estylo 
culto, e quando se falla de pessoas de aita Rerarclüa. 



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HAT 437 

oomo para representar uma uniSo menos Tulgar. — 
homem honrado ouve sempre com singular ternura o 
doce nome de e$poso. Yinha El Rei acompanhado da 
rainha sua mui cara esposa, 

Tambem se usa para exprimir carinho, como nestas 
locu^oes : caro esposo, cara esposa; teu esposo que te 
ama do coracáo. E em scntido espirituai é o unico 
usado. Jesu Cnrísto é o esposo da Igreja, o esposo das 
almas puras. 

624. — iniatar, Msaflfllnar. 

Matar é tirar a Tida ou dar a morte a um ser yíto. 
Assassinar é malar á trai^So e com vanlagem a um 
homem indefeso. Veja-se Assassino. 

625* — Slaterla ^ aflflumpto* 

S2o mui usadas estas palavras em litteralura, e por 
ventura se confündem, mas diíTerenfSo-se emque,^ma- 
teria é o genero dos objeclos de que se trata, e o as^ 
sumpto é objeclo particular que se trata. Uma obra 
Tersa sobre uma só materia, t tratio^se nella diversos 
assumptos. As Terdades do Evangelho sSo a materia dos 
sermoes; um sermSo tem por assumpto alguma d'estas 
verdades, v. a, o amor do proximo, o perdSo das ínju- 
rias, iuizo nnal, etc. 

£ necessario possuir toda a materia para tratar bem o 
mais insignificante assumpto. — Ha sempre materia na 
conTersa^áo para as gentes que Tallao ; nSo ha tantos 
assumptos de conTcrsa^So para as gentes que pensáo. 

626.— Matrlnionlo, caflamento, nupelas, 
líoúmmf nolTado. 

fteferem-se todas estas palaTras ao consorcio do Tar2o 
da mulher para a procrea^So da especie humana, mas 

Céem entre si notaTel diíTereniQa. 
Matrimonio exprime o contracto entre homem e mu^ 

Iber. pelo aual um dá ao outro poder sobrc sen corpo . É 



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438 

ItrBM) genarieo do direilo das gnitct ip» it fefm pricw 
nneme aocoatrMio aem rda^ oecesMirhi á»lett refi. 
l^sMOttcifis de cada na^iti Casamin^ expriBw espe^ 
cialmente a uniSo e ajunlaoienla doe ooBSorles par^ 
nvereoi maritalmefile seguaáo a tei , e formarctt om 
€a$üL Nuptiiu é paiavra kÉiiia, nufiim, c refert^se 
propríaoienteás sokmirida4es legaes, aoriio e aMiarato» 
cem f«e coslama cclebcap«ee e inatriawnio. P^oda$y do» 
casteUiano boda, signifíca o festim domestico^ o k>anqaele 
nupcial, com que se solemniza esta festa de familia. Nai- 
vado é expres&So vulgar com quc &e desigoa a ceremonia 
religiosa do matrimonío catholico, e tambem fkvoda que 
aelTcsesegue. 

Jesi-Cbrtsio deiNra o moárimento k digmdadede Mttwr 
mento. — Dos Tantajosot e acerlados cñiomMtiáQi vem ai 
riqueza de muitas casas e a boa educagSo dos filhos. — A 
igreja instileíe «•eáücaiHe&ecrcnemas paca santifícar 
a uniSo dos esposos, nas quaes se Ihes dá a ben^So nujh 
ciai. — BnlreofK>Tocoii8enia*6ew¿s«ivo«iMdaseo- 
doi qaecaipeos Robfea. •*-* k vmka t a keptiiacb tA» ^ 
sem ser co«tidaée. 



0S7* <— H*itoy€«1ittr4ta, temmw^ MMto, 



MédO' é peimt generiea qae expika a sdua^o t 
hensiva do animo preoccupado com a idéa do f erigoi. 
Cobmrdia é o eflfeHe do aicdo, com tfAmfi^ á rapagaan- 
cUi qae esle nes iii$|iira de besear «ai rísca, eu e^iomi»^ 
Doaa un pcrigo a que nos ehama a hoara eit o deter. 
^ Uma nulticr tem m€do de foe cnlrem ladrScs eaa 
sua casa. bomem que, podendo, se nio defende, e 
ecéarée. -^ Ao qne «io leiR obrigatio 4e ler falor aio 
se póde dar com pnopneiiiífe o «eme de eoharde , senSo 
de medroso; e assim o medo d'um menino nio merece 
nome de coéardra, como o d^oro soldado qae foge á 
YlMa do inimigo. 

temor é uma predispoei^o ao antmo para fugfp 
d*om perígo que vemos proximo. Jteceio é a sospeila ou 
cnidaeo de que aconte^a nm mal qnedeseiariamos evitar 



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jNmré (»pr«priu MHd^ ywm é o cli^ o ease de rca- 
RvaT-se om aconterimeBto Aneslo. 

medo é uma paiiSo qae se apoáera d» pessoi, edeqne 
Mta nlo sa^ üTrar-sc ; o sea coRtrart» é coragem^ A 
eobaréiaéwoML desfoonra vergoobosa ; o sea eoiilrario é 
ráíor. O tmKor nio é paixia antcs apprchensS» razoanrtl 
qoe acompanha os preseBtimentos á' ama cousa qoe fai 
a 8Beceder;o sea contraríc é confianfaw receio nasce da 
Meeí^ doeitendineato, e laivez preduz a irresokcio 
da railade ; osea eontrarM é &ei;ariáaée. Opawor acooi- 
panlia os effeitos de snccess* ftMMSto; eppiíc-«e-lhe a 
nrmezaeofisadia. 

Melodia é o som ou canto suave e continuado que 
agrada ao ouvido, eqae é produzido por uma só voz, oa 
por um s6 rnstromettto , qne nSo é coneordai^ , coma 
sio o&de vento. A harmonia resulta da uniSo de varios 
sons agradaveis, e que peia arte estlb combinados de 
tal mici^ que formSo um só. som d^trma flanta, d'uma 
darineta, doce e déstramenle tocada, é m^oiHosa. 
concerto de vaji^os iostrumentos , qaando se toca uma 
symphonía, é harmonioso» Os registros fum orgSo con» 
siderados em parlicular como imitando um instramento 
podem ser meíodiosos; cond>inados uns com outros, sio 
MrmQniosos. 

6S9. — neiiiorl») lemliraiif a, 
recordaf áo , remlalfleeneio. 

A memoria, comodefinem os noder»os, éumHicié- 
dade pcrceptiva pela qual relemos c emiscrvamo^ para 
um uso fuluro os conhecimentos que adquirimos. Excf ce- 
se esta faculdade por trez actos pHncipaes , que sSo a 
lemh'anga , a recordagáo e a remtnttcendtf. 

Quando a memoria nos faz presentes os conhecimentos 
adquiridos c «pieella releve, temos lembransa; quando, 
por assim dizer , Ihe pedimos conta de nossos conheci- 
menlos, confiados a sua gnard», e ella efrecíifaiMile vo 



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tlUQ MEK 

]os miDistra , reeordamo^uos; quando a lemh-at^a é 
mui remissa, ou se presenta ao entendimeDlo d*um modo 
vago ou duYidoso, temos reminiscencia. 

Tem boa, prompl» memoria^ o que aprendede cór com 
faGilidade e em pouco lempo ; tem memoria fíel ru tenaz 
que retém, nSo es(|uece o que aprendeo. — A lemhranga 
presenla-nos os objectos com exactidlo ; é o priucipal 
exercicio da memoria fíel. A recordofáo é uma especie 
de esfor^o da vontade sobre a memoria para a tornar 
prompta na occasíao que for mister; e neste sentidq se 
diz que o prégador recorda o sermlo antes de subir ao 
putpito, etc. Um anciSo (em reminiscencia do que apren- 
deo em seus primeiros annos ; nSo se iembra exacla- 
mente , mas acha em sua memoria alguns, quasi apaga- 
dos, vestigios dos conhecimentos adquiridos em sua 
mocidade. 

650. — jXIente , eiiteiidlmeiito. 

Posto que estas duas palavras se usSo commummente 
para designar a faculdade intellectiva, correspóndendo a 
porlugueza menie á latina menst como nesta senten^a de 
Barros : « T^o ignoranle he a mente humana dos casbs 
que Ihe estao por vir; • que é a traduc^So d'estoulra do 
poeta latino : 

Neseia mens hominum fatí, toriisque futurce; 

eom tndo, rigorosamente fallando, diíTerenfáo-se em que, 
entendimenio é a faculdade de comprehender , de com- 
parar, de analysar; e mente é este mesmo entendimento 
depois de haver comprehendido , comparado , analysado. 
entendimento cria ; a mente conserva. As observa^Ses 
do genío, sua^ cria^oes, sSo fílhas do entendimento; sens 
resultados conservao-se na mente. Neste sentido disse 
Camoes : 

Para fervlr tos, brago ás armas feito ; 
Para caotar-vos, mente át musas dada. 

(¿u#.,X,i48.) 

*65l. — SleBtlray euiliiiflte* 

á palavra mentira explica sómente a idéa d'uma cousa 



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MEft UIlí 

falsa, pnramente como lal; porém emlmite suppoe por 
si 80, alem daqiiella falsidade, a malicia codi que se diz. 
Assim que a mentira nSo perde o caracter de lal , aioda 
que se eslenda d'uns a outros a grandes distancias e tem- 
pos remotos, e se diga e propague por pessoas que de 
boa fé a crem como verdade ; porém o emhuste nao o é 
positivamente senáo na boca do que o cré falso , porque 
ninguem diz um embuste de boa fé. •— As historias e a 
gazetas sSo armazens de mentiras. Um rapaz esperto 
arma um embuste para esconder uma travessura. 

Por isso a um trapaceiro , a um homem de má fé, se 
Ihe dá com mais propriedade o nome de embusieiro que o 
de mentiroio, porque aqneile adieclivo explica com mais 
energia, nSo só a falsidade do que diz, senSo tambem a 
intensSo maliciosa com que mente. 

632. — Mercanclay mereadorla. 

Mercancia signifíca propriamente a arte de mercador, 
trato de mercadejar, a sciencia e pratica do commer- 
cio. — Muíias vezes familiarmente se diz mercancia 
por mercadoria ou fazenda , o que nSo é exacto ; e a 
mesma inexactidSo se seguio no Regulamento de Avarias 
de 30 de Agoslo del820, onde se enconlra repetidas vezes 
a palavra mercancia com accep^o que nSo tem. (7. F. 
Borges, Dic, Com.) 

Vieira fez a devida difTeren^a entre esles vocabulos, 
dizendo : « A primeira regra, ou A, B, G, da mercancia 
é passar as cousas da terra onde as ha, e valem pouco, 
para onde as nSo ha, e valem nuüto. — Qual é a razSo de 
estarem tSo mal reputadas entre elles as mercadorias 
d'esle genero^ e os avan^os d*ellas? (VIi, 417).» 

653. — inierear, eomprar. 

Confundem-se vulgarmente estes dous verbos, e o 
jurista J. F. Borges dá o segundo como equivalente do 
primeiro no seu Diccionario Commercial ; porém sSo dif- 
lerentes. Quem merca^ compra e vende, exerceo trato 
de mercador ; e quem comfra^ compra só, isto é adquire 



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por dfnliefro «m eeufler part seu 09». Este ssliste m» 
necessidatlepresenle; aqiielie, miia neeessiáadepreieiit&^ 
eoBtrasqueespcra. 

654* — lHefffpey pi»eeep#er, «io, am^* 

Bfestre drr-se do qne ensfna a%imm scteneia 0« arte; 
por 1850 se-drTi tnestre de gramq)at¡ca , de musiea , de 
dansa, ele. Preetftor díz-sc do quc cstá encarregado de 
instruír, de edncar nm menino, cojos pais o coimrSo t 
suadirec^o. 

O me^re d¿ li^tes a certas e determinadas !ioras,e 
tem um certo mimero de diseifMilos. O preceptor áá pe- 
ceitos e conseihos continuamente a seu aiumno, e nio o 
perde um instante de rista para o formar morafmente 
e facilitar-lhe todos os conbecimentos possiveis ; dirige a 
educaySo e a instniogSo em geraf. 

Aio é a palavra que antigamenle se usava cm lugar de 

Sreceptor, qne é modema na lingua. Egas Moniz tof aio 
e D. AÍTonso Henrlqnes. Tambem Ihe cbamavSLo naquelfe 
lempo^ amo^ como aiuda se lé em Camoes, fallando do 
mesmo Egas Monfz : 

lla8,c(]Bae«ffBKcerád«ni moft* 
O Bel £fai «m^ (% foiüvrftdft 

Ama é b(^e desusado neste sentido ;, aio refere-se par^ 
ticuJarm£Hteao que educa filho de principesoude&randcs 
senltores ^preceptor, ao encarregado da educa^o de qjaal- 
iliMr meiúNo ; mestrt, a todo o bomem que dá ü^oes. 

635. — Hllsturar) eonfiindli». 

Misturar é juntar, unir, íncorporar nma cousa com 
ocftra^ m nuitas en »ma s&. Mittura^s^ o iOiiImi €0m 
mim, riaikibaét Irigo coflia desenteio, etc; t na se«- 



Oiüo é, tei mmo, m «rk 



yGoogle 



mc 4iS 

tiéo neradt m$twtS^$e os TdkM cobi os ]do(o», os bo« 

meDs com as mulhercs, elc. 

Coi^ndir, oo teiiüáo pbysloo, é fnndHr ¡QEtaüncnte, 
miitmrar fondinéo neUes, c por exttnsio liquidos hcte- 
rogeneos; lo scntlde Boral ¿ mtc/tcrar a^ partesd'uiacs 
cousas com as de outras, misiurar com desordem. 

A mUtura nSo impede t|ne possamos algomas vezes 
distinguir os diíTcrentes objectos, porque se conservio 
inleiros : num rebanho, em que estáo misiurados os cor- 
deiros com os cabritos , podm-se nmito bem destinguir 
cstes d'aquelles. Quando a mistura se faz com desordem, 
0« qufflido os obieetospcrdeBi o seu ser, e as perlcs é'uns 
se misivrMo eom os dos outros, entio ba confmsáo , ou 
mistura confusa. Ássim qiie, confmméir cxprimc nais 
qnemisturary porque aGcrescenta a Idéa de desordem, 
nenhuma clareza, grande difficuldade e tahez impossí- 
büidade de seporar c étstiKguir as cottsas ou partes pos- 
taa cpi confusáOs 

636« — Bl^f*. cioiizellsi, rii|Miri0tt. 

ifiopa é feminino de mo^^ e designa propriamenfc á 
pessoa do sexo feminíno de poucos annos, e tarabcm a 
criada de (odo o servi^o. 

Donzella é o feminmo de donze! , e desígna propri- 
axie&tea muJher <|tte nlo couheceo varSo , e estensiva- 
»eiite a mopa soiteii'a e nobre qoe servia a grande 
senhor^ As donzellas quehaviSo servído alguma rainha ou 
scahora, depois de casadas ainda Ihes chamav2o donzel- 
lasy como lí^c aeooteGe com as a^aíatas, e neste sentido 
é quc sc devc entcidcr o que dí&se GamSés a respetto de 
Igncz de Castro : 

Tal está morta a pallida donxellaf 
ScÉcas do rosto as rosas, ete. 

(Ztir., ni, f3S.> 

porgue na verdade Ignez de Castro era donzella do pa^, 
e foi lá qoe D. Pedro 1 sc enlevon em sna fbrmosura. 
Rapariga é o feminino de rapaz, e signfflca vulgar- 



yGpogle 



^4* MOD 

menle mopa de baixa origcni, e tambem criada de tervli , 
^Tilheta. 

Donzella é lermo nobre e decente; nSo assim raparigoj 
e aínda menos mofa , que muilas vezes se toma em máo 
sentido , como fez Camoes fallando de Anibal : 

Tu tambem Peno prospero o sentiste, 
Depojs que hu'a mofa ril na Apuiia viste! 

637. — lHoda , uso. 

Moda é um u$o novo , que nSo chegou a ser geral ; em 
chegando a seradoptado por todos, ou pela maíor parte, 
e por algum tempo^ já é uso, 

Todo uso foi moda em seos príncípios. Foi moda o 
fazer a barba ; agora é u$o, 

príncipal objeclo do que segne sempre a moda^ é o 
chamar a atten^So, distinguir-se no goslo, na novidade, 
na variedade. objeclo do que segue sempre ouso^ é o 
nSo singularizar-se entre os demais. 

As muiheres variSo tauto, e tSo a miudo seus adornos, 
queestesconservio quasi sempre onome de modas; rara 
vez se Ibes chega a dar o nome de uso$, 

638. — Hloda , Toya. 

Moda é um uso passageiro, introduzído na sociedade 
pelo gosto, ou pelo capricho. A toga diz-se, por exem- 
plo, da muita gente que concorre a uma loja, ou á casa 
d'uma pessoa, etc, pela reputa^Io e estima que d'ella se 
tem. — E moda trazerem as senhoras veslidos curtos ou 
eompridos, afogados ou decotados. Está em toga a loja 
da modista fulana, estSo em voga as partidas da d'u* 
queza de... 

659. — llEoderaf ao, prudenciay 
temperaufa. 

A moderafáo é uma virtude que governa e regula 
üossas paixoes; isto é, um effeito da prudeneia^ pela 



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MON 445 

pri «onleflios nossos desejos, nossas ac^5es nos llmites 

naís conformes com a bondade, com a probidade, e cotn 

I neeessldade ou ulilídade dos meios. 
k prudLencia dirige nossa alma a encontrar o melhor 

Sm e a p6r em ac0o os meios necessarios para chegar 

idle. 
A twnperan^a^ considerada em geral, é a virtude que 

inodeia os appetites, e que em todas as ac^des daVida re- 

prline o excesso, e nos contém dentro dos limites da 

raz2o e da lei ; é propriamente o ne quid nimis do antigo 

oracalo. 

A moderap&o dá-sc á conhecer principalmente nos 

aeio6 da yontade e nas accoes; é o selio da inteiligencia, 
e a oiigeai da possiyd felicidade de que o homem póde 
gozar sobre a itvvdi. kprudenda compOe-se de sciencia 
e de eiperlencia, encaminha para o bem e previne o mal, 
e na miltciaémais necessaria que a for^a. A íemperan^a 
rectifica os desyios, cohil)e os excessos, reduz-nos ao 
caminho, ¿ linha do deyer. 

640. — IHomeiito, Instante. 

Uffl momento nSo é comprido ; um imtante é mais 
carto ainda. 

A palayra momen^o tem uma signifíca^io roais extensa ; 
toma-se algumas vezes pelo tempo em geral, e se usa 
tambem no sentido figurado designando peso, importan- 
cla d'um negocio. A palavra instante tem uma signifíca- 
00 mais limitada, signala a mais peqqena duracSo do 
tempo, e nunca se emprega senSo em sentido iilteral. — 
Todo depende de saber aproveitar o momento favoravel ; 
algumas vezes um s6 instante decide da fortuna ou des- 
^ra^a do ho'mem. Muitas vezes por um instante se per- 
dem os negocios de graiide momentO' 

641. — Itlonte) niontanlia, serra, 

serrnnfay eordllhelra, outelro« eolllna| 

eerro* 

ConcordSo todosestestermosgeographicosem designar 
oma eieya$2o de terra maior ou menor, e com differentes 



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446 HOR 

CéVMs» é\mé» Ihtt raullii a émma^, mM^ m<mf* o 

Jíonle é a por^Soéimi^rficMfiolida da lerr», foe se 
cfeTft a ciflM 4a plaoioíe a^accnle ceoi éeMft oiaéc ou 
IMM8 raplde., ms cciDiNre kaftCaale 8ei»i?el. -^Mm' 
tanha é o mante de grandeza coiisideravel, como oMiea 
a teriBlBacSo anha queé fi^em aintcfa. — -^^mréamon- 
Uñka de ngiura imiiU atoaipf da, e conteBéa imiila» Teaes 
Tarios cabe^, pkos, pcwdias eeono eni éentes, que d'a- 
qii pareec ter Tiado o oone pela similhaBf a que lem 
com a serra de serrar. — Serrania, como a temiDa^o 
cstá iadMaodo» é a eefta fne se alcnga c raiDtfiea para 
d¿£fercntcs. ládos^ -> Quando aa Berrat se prdongio nol- 
to, e cooioqaese eneadeüo inmb tcm oatras, ekun^o-ee 
wéUheira.céHáátmómtes oo dc aorrac. Nestaracsmd 
«ocepQdo se tOBio OMiitat mes oi ▼oeabnlec «eiTa e ^- 
num.-^Outeir^é^mortíe píffmio%€cMna o ou- 
teiro pequcao. — Cena é pcqvcna etera^ de terra 
penhascosa e agreste. 

Apezar de que a difíeren^a estabelecida enire monie e 
montanha manNil ioglea, é eom tudo certo que muitas 
vezes se tomao promiscuamente esies dous vocabulos, e o 
nsotem conservaéo o nome de monte a cerlas deva^^oesde 
terra que se deveriSo chamar montahhas ; taes sSái o 
mtoníe CaoeasOy o meeHe Pamaso, o monte Ubano, o 
moHte Carmeno, etc 

Momte éo laiim moiM, montanheí corresponde propria- 
■MMe a fnofilaiia islo é, toca montana^ lugares montno- 
sos. em qne ha montee, peh> que monlanha tem um valor 
eolleetivo, per isso se dlz : yem-se muitos motilei noma 
eoriühehrs de mofilanAíis. 



%A%.— mmtmme^, luiBUiifa«. domleiUnh. 
resMeiiela. 

fugar onée aJgnem móri ov se aloja por algom \mkr 
po durma-se morada. A morada permanente e ftxa 
chama-se hábita^do, Domcñio sgunta á idéa de heiMta» 
fáo fácio de estar cstabekcádo nnm logar; e eomo 
Cerma de jurispcudeiieia exprime a nHa^ do kidlvyio 



Dig^zedbyGoOgle 



um 447 

cmn asodedade civlt, Mmdewik si&á&^ mcraáa^ asr 
slaleiicta cMiinoa m algvm lugar ou casa» e aleio) dls&o» 
« ísom maí^parLicttlaridade, a mansie ou permaneiicfa na 
liifar em qoe se tem aigym emprego (Ml míníaterio eccle- 
fíiAticoottSCiCHlar. 

A tnorada e a residencia (lomada na segnnda ai^eep-. 
^So) n9o constiluem, por si s6s, a hábitagáo ou o domi- 
eilio. — ^O j^ovkiciaoa qiM v«m ii capital a negocios, ou 
como pretendente, moraj ou tém sna morada, era tSil ou 
M rua da ei4a4e, e oem por isso é Ik daoiicüiario^ nem 
sepédedizcr i^o^itanlt. Os^anLigo& corregedores tiiihSa 
oio s6 morada senSo residenciam cabega de comarca^o 
coffl ludo B$e eráo fta&jia»í« d'a<|uelle Lu^, nem alí 
tÍBhSo sea do«ií£tÍH>. 

Ao contrario, o hábitante da capital, ou de qualcpier 
oatraei4ade onde tem soa moroda lialiiiual etua &a2itlap¿ta 
e demicHi0y p6de ter aa mesmo tem^ outra morada 
teapmria oo eanpos oa aua re$iiencia onde teu cargo 
ott mini5teria« chaiaa para desempenbo deauas fttAC(¡3es. 

645. — Bftmtet iMiMMinieiit#|. tnmaUa, 



De todos estes vocabulos o mais generico é morte , por- 
qiie Af predsamem» eessa^ da Mi9r e appliea-st scm 
distincQdo de nenhum genero ou classe a todos os seres 
joiinades, e ao9 em qae cettsWertaes -^da. *- Mem o 
ref y morre o sapaleiro, morr» o ea^allo*, moiro e «ibmbo 
carral^e. 

Passamento e tremito exprlme uaa Idéa nals elevada 
ecimra»erip€a, pois éesptnisk a Idéada ImmortalMade, e 
representa a alma seiBda do tovioltorio mortal e 
a wtfter Tida. 

PaUeeimei9t9 exprime o actode fMet fid!», 
nfio tem a particBlarídaile de ptueamemle e treimlo, íñm 
BAose applíea, eewe eHes, ««iearaeste ae bovenK 

Morte applica-se a iPeMm e mo^; faiheimeHíi^ ^m 
com raais propriedade desí velkos. Ptmamento repteaenta 
particalarmeDleasagoBias e desamkva Merlaea que expf^ 
rteenta o eerpe qeaDde a atea ^t'éOe^ ae scf^ra aa 



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Uk% MOS 

da morte. TYansito e termo éonsagrado para designar a 
morte suave dos jostos; por isso se diz o tramito dos 
pios, transito da SS. Virgem. ^Morle admitle a idéa 
de violencia, de aílronta ;pa<«amen¿o, transito e falle^ 
cimento só indicSo um effeito natural. Yeja-se Acabar, 
n« 14. 

644. — - Rlorto, defunto, flniido. 

A morte ou cessacSo da vida é a idéa commum d'estes 
focabulos, cuja difrerenQa consisle na maneira de pre- 
sentar esta idéa. 

Um ser anhnado que perdeo a vida, que deixon de vl- 
ver, morreo, é ou está morto, seja homem, animal, ou 
planta, etc. 

Defunto e finado sio termos ñgurados que se usSo por 
euphemismo em lugar de morto, mas só se applicSo ao 
homem. Us9o-se mais frequentemente como substantivos, 
e designa o primeiro um cadaver humano, um corpo 
morlo; e o seeundo, uma alma que está no purgatorio, e 
só se usa no piural. — As pessoas piedosas mandáo dizer 
missas pelas almas de seus defuwtoi. A Igreja ora pelof 
finados no dia 2 de Novembro. 

645. — nMielro , coiiTeiito , el»u«tro. 

Moiteiro é casa rellgiosa,onde vivem em communidade 
monjes ou monjas, governada por um abbade ou abba- 
dessa regular. Do titulo deabbade ou abbadessa veio dar- 
ae a estas casas tambem o nome de ábbadiai. 

Convento designava particularmente. sem rela^So a 
nenhum lUuIo, uma casa habitada por religiosos ou reli- 

Siosas qne viviSo em commum e como irmSos, debaixo 
a mesma regra, e por isso se chamavSo frades, isto é, 
fratrei, irmSos, ou frehras, isto é, irmSs. 

Claustro encerra em s¡ a idéa particular de clausura, 
encerramento e separa^o d¿ mundo. 

Mosteiro explica uma idéa maíor e mais nobre que con^ 
vento. Todos os mosteiroi possuiSo bens, e alguns havía 
miii ricos; alguns conventoi erSo pobres, e seus religio* 



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Mov 449 

sos pediSo esmola por institnto, por ísso se chamaTSo 
Boendicantes. A idéa propria de convento '(de con ou eum 
c tiefwrc) é a de comraünidade, porque se vive em com- 
mum ; a de mosteiro é a de solidao, porque tnonje, em ia- 
tim monachus, em grego uovuxóí , vem de /¿¿vof, s6, soli- 
tario. Por isso os antigos mosteiros erSo situados longe do 
povoado, e os monjes repartiao ali o tempo entre a con- 
tempjagio e o traballio; sendo que muitos conventos se 
fündárao perto e dentro das povoagoes, porque o instituto 
de seus fundadores era para instruir os povos, e santtft- 
cál-os com exemplo das mais austeras e edificantes vic- 
tades. 

646« — HostrM de amlzade , 
testeiuuiilios de aiulzade. 

NSo póde existir amizade sem que se roanifeste exte 
riormente. Se esta manifesta^^o nio passa de maneiras 
agradaveis, palavras obsequiosas e lisonjeíras, um acoltii- 
mento beneYoIo,etc., chamámos-llie mostras de amizade; 
se por ventura se estendem a bons orfícios, a servigos 
uteís, a conselhos acertados , a auxilio e soccorro na ne- 
cessidade ou na desgra^a, etc, sSo testemunhos ou provai 
de amizade. 

Num amigo fingido podémos talvez acbar mostras de 
amizade, que na realidadc nSo existe ; s6 o verdadeiro 
amigo nos á^rktestemunhosáe que é sincera sua amizade. 

847. — Hlovei, moTedlfo. 

A termina^2o ifo do segundo vocabolo, a qual em moi- 
tos adjectivos exprime a faciiídade de se produzir a ac0o, 
constilue loda a dtíTerenfa entre ambos, cuja idéa com- 
mum é moter-se. — que simplesmente p6de mover-se 
émofoel; o que se move com facilidade é mofoedifo. 

Srimeiro ad)ectlvo presenta a idéa passiva 4e possibili- 
ade de movimento ; o segundo, a idóa activa de facilidade 
de movimento. 

648. — mover, menelar. 

Tado qne se meneia tnove-se, porém nlo se diz com 



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igMÍ ftoprieMe qne tiido o qoe se imm metma^^ 
l^orqoe » rerbo mof$r sappde iBdetermhiadamente qual- 
^•cr espede de mof ioiettto, e o rerbo meneiar suppoe 
mn ■Mfímciflo determkiado, isto é, n qne faz nm corpo 
fefarando-ite um pouco da posi^ em que esta?a, e toI- 
Um» immedialameiitea etfi. mna oo repetidas yezes.— 
Uhm pedra qoe eai, move-se de cima para baixo; e dSo ft 
éárá coB propriedáde que se meneia de cima para baixo» 
k foHn d'uma arrore qne se move d'um lado para outro^ 
nmuiehM, Um passaro qne Tóa, tnove-se em todas as di- 
ncq^t, t meneia de qnando em quaxido snas azas e sna 
cauda. — Movemoi a cabeca, yolvendo-a, inclinando-a a 
um lado para eyitar um golpe*^ mmeiámolz para dizer 

3ue nSo, ou por escameoi tnoseiido-a aaccessiyamente 
'um lado para ontro. * 

640. •— MwiiMi TOflMy f requentemeiite. 

knim estas sxpressSlfes tndicSo repeti^^o de actos, 
eom a diíTeren^a qae a primeira s6 diz que o numero e 

Írande, en qoe s3o mnitas as tezee que a cousa se faz» 
'a ott sQccede^ e frequentemente acerescenta a e&ta id6L 
a de serem amiudad2\|S as vezes, ou com frequencia. fV*e- 
fmentemente é pots maisque muUas vexee, exprime nma 
idéa ntais extensa, e designa ac^^esmaís proximas.— Um 
proTtnciano qne esteve quarenta ou cincoenta yezes na 
córte, ainda que medeiasse grande intervait» entre suas 
yiagens, póde dizer qne foi muitai «m« ácdrte; es6 
p6dé. dizer que fo¿ lá freqmtntememte se iwi» luas Tia- 
geBaam¿iidaí(taA,proximas omaidttfteitras. 

6MK — ltluit#, — Iteja ni e u fe. 

MmÉ9 é o nmUum dos latiios e o beameowp dos íhm- 
ceMá , e signáfica em graiiée i^Nmdancia , em grande 
quantidade, em grande maneira, elc. Sóbejamenle éo 
aimio , nimiüm , oMpltu satis doi latinoe e o trop dos 
llrancezes, e qner dizer com demasia, com excesso, com 
nimiedade. O firimetri» exprQD« a Üéa absohitaiiieDle, o 



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segondo com rela^io a uma abondancia maior do qne se 
haTia mister. Yeja-se o art. segoinle. 

651« — multo sraiide, srandlsslmo. 

Diz aaior dos $ynonyau)s da Kagna portogveza, ejá 
antes d^elle havia dito o Ajcadeaiico Francisco Dtas, que sé 
desde seculo XV £or2o adoptadts pek>s dossos escriBto- 
res os sopertativoft d'uma só ÍQrma em iM$mo , imitanoo • 
lattm. mo i inteiraineate exacta esta assercio,. coddo iá 
ootámos em o Ixal CoMelhwro^ pa^ m^ edidSo de 
Parix. £1 Rei Dom Duarte cbama aos Seobores ou Prindr 
pes íUmtrüsimos e iermissmos^ aas Cortes d'Evora de 
14S1 encoulr2o-se os superbairos mniíssiam^ ehris4iar 
nissimOf grandissimo, elc. É com tudo certo que esle uso 
n2o eraregular, nem muL geral^ e que se usava mui fre- 
quentemente da grosseira forma mui muito ^ oii mmto 
muito, em vez do superlativo muitissimo, Da inlroduc^o 
d'esta fórma resultou nSo uma esteril abundancia de 
express5es perfHtamente synmrymas, senSo uma gra- 
da^^So mais ampla, ou para melhor dizer» mais um gráo 
na e9catá qnalificatlva dos objectos. Assim que , muiiQ 
qrande é mais que grande , porém grandissimo é msda 
qoe i?mí/o grande. A mesma diíTeren^a se dá entre muito 
rico e riqnissimo^ muito douto e doutissimo^ etc. 



6M* — ilitf lÉer, dona , úmtnwsf matroii». 

MMher é palavra geierica, qae se coiilrapoe a homsm^ 
e sianüca a ctiatara racíom 4a sexe femMno^ eper 
eseettaDcia a f oe está easaáa. JDiNia é eorrvp^o de 
ictmina, senbora , e sigMfica snilwra de mpeilo caeaéa, 
ñiira, religiosa, de ccrla UMát, etc, e per isso serve de 
distinctivo que se dá a uma senhora de qoaüáaée ieitf» a 
sea name. Ém dgBificacio secwidaria designa a nmlher 

£e jáceohece» varlo, emo diz posálivmeate « aalor 
Palneiffin : •Q«aiulaoescvéeiracbcgoayaqiieftcáni 
vírgcm e ho«v«ra oe enlreUnto i^^artamenla Gon o caval* 
lctra aea amo, «ra feita é§na, e hem eoMtciite (ü» e. 16l^»^ 
B 00 ncsno eenliAaiiarece ter dilaCamSea : 



yGoogle 



452 MUN 

BstavHo pelos telhados e jaoellaf 
Velhos e mo^os, donas e donzellas. 

(Itt*., YII 49.) 

Dama é originaríamente a inesma palavra dmay vinda 
de damina pela franceza dame , mas teve sempre a 
significa^So certa de mulher nobre e de qualidade co- 
nhecida , talvez como'hojedizemosfídalga; ieve porém 
depois uma significa^Io secundaria diferente de do/ia, 
ísto é, mulher galanleada de algum cavalheiro, e degene- 
rou até signiíicar manceba , concubina , com o mesme 
valor que maitresse entre os fraiicezes , como se vé na 
Carta de Guia, pag. 90. em que D. Francisco Manuel diz : 
• Aqueile amor cego fíque para as damasy e para as mulhA- 
res amor com visla.» 

Matrona é palavra puramente latina, e significa a mu- 
¡her mSi de familia, nobre e virtuosa. 

6S3. — - nundo, uniTerM. 

Chama-se mundo e universo o céo e a terra consíde- 
^ados como um lodo. A palavra universo conserva sempre 
esta signifícagSo; porém a palavra mundo tem muitas 
accep^oes diíierentes; universo é uma palavra necessa- 
ria para indicar positivamente este conjuncto de cé^ e 
terra , sem rela^So com as outras accep^oes de mundo, 

Mundo loma-se particularmente pela terra com suas 
dtfferentes partes, pelo globo terrestre, e neste sentido 
se diz : dar voUa ao mundo ; o que náo significa dar 
Tolta aoumt>er#o.i/undotoma-se tambem pela totalidade 
dos homens , por um numero consideravel d'elles , etc. ; 
e em todas estas accep^oes ii2o se comprehende mais que 
uma parte do universo. 

ühiverso^ ao contrario, é uma palavra que encerra 
debaixo da idéa d'um só ser todas as partes do mundOfe 
representa o aggregado de todas as cousas criadas , com 
especial rela^io á natureza physica. Diz-seque J. C.remio 
ofRundo, mas nio que remio o untverfo; o velho e onovo 
mundo, e n3o o velho e o novo univereo; neste nmndo. 



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MUT &53 

toto é, na terra, nesta Tída, e nSo neste universOy porque 
n2o ha scnSo um e mesmo universo. 

654* — IHiiri» y antemural , murallta. 

« Na pbrase da milicia antíga, díz Vieíra, o muro si- 
gniOcava a forlificagio mais estreila, e do recinlo da 
cidade, e o anUmural^ as que hoje se chamSo forliñca- 
c5es, ou obras exieriores, que a defende no largo. A forli- 
nca^So das cídades mais inexpugnaveis, segundo a archi- 
teclura mililar antiga, consisiia em muro e antemural; 
muro que cingia e defendia a cidade, e o antemural que 
cingia e defendia o muro (VI, 104, e 372).» 

Muralha é o muro de praga fortificada construido 
segundo as regras da nova archilectura militar, afim de 
cingir e defender uma pra^a ou cidade forlificada. 

Hoje fazem-se muros só para cercar um quintal, uma 
quinta, elc. ; edifíc9o-se muralhas só para fortificar e 
defender pragas. — Pariz tem muros emuralhas; mu- 
ros para impedir a entrada de contrabandos e receber 
nas porlas os direilos de octroi ; muralhas para resisf ir 
aos inimigos que a quizessem atacar e invesUr. 

6t>i»« — mutuo 5 reelproco. 

A palavra mutuo designa a Iroca, e reciproco a volta, 
ou torña. A primeira exprime a accao de dar e receber 
d'uma parte e d'outra ; e a segunda'a accSp de voltar ou 
tornar nma cousa segundo o que se recebe'. 

A troca é livre e voluntaria : dá-se algum objecto em 
Iroca, e esta ac^3o é mutua. A volta é devida ou exigida: 
paga^se o que se ha recebido, e esla ac0o é reciproca, 

As cousas do mesmo genero, as que se trocSo uma por 
outra indistinctamente, que se reunem por sua conformí- 
dade, s5o mutuas. As d'um genero opposto ou diírerente ; 
porém que s3o correlalivas, que nascem umas das outras, 
que se compoem umas com as outras, sSo reciprocas, 

A affeigSodeduas pessoas é tnufua quando ambasa sen- 
tem ; é reciproca quando se volta ou torna sentimento por 
sentimento. No primeiro caso a affei^ao é pura e llvre ; 



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00 scfgufido adtt^se nma especie dedeverederecoDlmi» 
mento. Os serví^fos ? ohiAlartes, desinteremdos, íeitos 4c 
parte a parte, sSo mutuoi ; os servi^fos impostos, me- 
recidos, adqitfridos de parte a parte, sio rfe^pnn 
coi. favor que uma pessoa faz a oatra em paga on re- 
conbecimento de outro recebido, é réeiproeo. Porlm o 
favor é compietamente mutmo quartdo é o mesmo, oada 
mesma especie d'uma e d'ontra parte; é reetproeomnca* 
mente quando se trata de objectos difÍTerentes cedidos ém 
compensagSo. — üm marído e nma mnlto unem fiMH 
tuamente sua té^ e unem reciprocametfte de? eres difl^ 
rentes que devem cumprir. 

Mysterio^ vidgarmente Mando, sigmfica a cantellay 
reservaou obscuridade com que manif^mos mn pensa- 
mento ou parlicipámos uma cousa reservada pani dar 
^ enteiider ou que discorrer aos que nos ooyem. Se- 
fredo é a silencio cuidadoso de náo revelar nem descobrir 
que convém esteja occulto. DifFerengSo-se pois estas 
palavras em que o mysterio é um modo de lallar, e o 
segredo um «leio de eaU ar o 4|iie nos convém. — Faz-se 
mysterio fallando ; gnarda-se segredo callando. 

657. — IfysteafloM, mjs^eo, 

Mysterioso é o que contém algum my&terio, algnm 
segredo, algnm Benlido oc^lto; m^stico^ o que éngn- 
rado, altegorieo. A primeira d*estas palavras pertence á 
liBgnagefli oonaHim; a segonda ao estylo religloso. 

H«Dcn m^erioso é n que aííecta ter segredos, saber 
CMsas occnltas; chama-se senlido mystico nma explica- 
^2o allegorioa d'nm aconledmento, d'nm lugar da Escri- 
Uira, etc. — k Igrcja é o corpo mystico de Christo. 

Cboma-ot lambem mystico a tudo que traia da vida 
esvirilBai t eoatemplattva, e ao que se dá á awática; 
no qoe t pafaifrt mystico mnito se difTeren^ de mys- 
teriose. 



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Bo8m — HiMfraryMiitMs Mf«rlr. 

Eslas Trez paJayras reíerem-se ao acto de dar a conhe- 
eera aiBa pessoaum faclo, iim aconleciHiento com mm 
chrciraistaQcias, porém diíferen(^o-se notavek&^e. 

Contar diz-se das cousas famiIiareSt ou qoe sao o^eeto 
da conversaQáo- Abra^a a verdadeea fic^o; settolyecto 
é agradar ÍBStrukido. 

ñeftrir suppoe seowre a verdade; tem poroibieel* 
éál-a a oonTiecer aos oatro&, sem ommiuir nem accreaceii* 
tar a mais peqaena circumstaacia« 

JXarrar é fazer uma jiarra^o segundo as regraa da 
rhetoríca ; tem por objecto capiar a alten^ <lo audit^ 
rto, !nteressáI-o, prevenir a seos ouviBtes unm irilHH 
nal, ete. 

quc c99Ua 4m «er fareve €B mia expUca^So ; seu 
objecto é diverlir ; enfadaria se fosse extenso. — que 
rejfere é mais «n menos exten»o segundo o mimero e 
impof tancia 4a$ coiisas fuc tem a referir. — O que 
narrm énrais o« inefios extenso segundo as materias que 
enunera, mas b9o 4eve mmca ser ftífTuso. 

CanbHse eom engenlio, eom gra^, com amenidade^ 
para dtvertir, para recrear > uma socicdade ou aos lei- 
tores; rtfere^ com cxadráio, para dar conta, para 
explicar fiahcU», para instmir : narra-se com arte, eom 
takato, com eloquencia, fara persuadir, para ^onvencer 
aos omíntes* 

699. — ireirliffeiite , prisulfora, 
indolente, ineirte* 

A falta de expedigio em^ialquer negocioou triÉalho 
é a idéa commum de todos estes «cocabulos, que se diffe- 
ren^Io com tudo em certos respeitos. 

k &tta 4« eiiédado faz o neglifewte ; a fella de ac^, 
opri§mc$o; a faita de sensibilidade, « indolentéít 
faMa ée arte, de esperteza, de deaeml^ara^ fáz o tnerte. 

A distrac^So e o descuido s5o os dotes do negligentej 
tuéo se Ibe mtde«;r«, t lio eura de ser exacto. Fátlece 



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hb6 WOB 

de actividade e de energia o priguicoso ; nelle póde mais 
desejo da quieta^So e do repouso que a idéa das yanta- 
gens que proporciona o trabalho. Nada move ao indíh 
lente ; vive em socego e sem temor das fortes paixoes^ 
mas em apathia para as ac^oes eslremadas. A indecisSo, 
a ignorancia, a faita de uso embara^So o inerte; ama a 
iaac^So, e em auanto faz vai lentamente. 

A prigui^a foge do trabalho. A indolencia embola o 
gosto. A inercia teme a fadiga. A negligencia ofTerece 
dilacoes e deixa escapar a occasiSo. — A ambi^So e a 
emnlagáo forSo sempre as inimigas ádipriguica. senti- 
mento da honra e do dever vencem a indolencia. temoi 
do mai antes que a esperan^a do bem combate com faci- 
lidade a inercia. amor proprio e os interesses pessoaes 
nSo permittem a negligencia. 

660. — Iflnsiteni , nenltuni. 

A mesma extensSo que téem num sentido affírmativo 
as vozes alguem e algum téem num sentido negativo as 
vozes ninguem e nenhum : isto é, ninguem exclue illimi- 
tadamente toda pessoa, sem delerminar ciasse nem niK 
mero ; nenAum exclue limitadamente todas a^ pessoasque 
compoem a classe ou numero de que se falla. — Sem fé 
ninguem póde salvar-se, isto é nSo ha pessoa alguma, de 
qualquer classe ou na^Io que seja, que possa salvar- 
se sem fé. — Dos soldados que assaltáráo a brecha, 
nenhum deixou de ficar morto ou ferido, isto é, dos ho- 
mens de que ,se compunha aquella classe ou numero de- 
' terminado nao houve um que n9o fícasse morto ou ferído. 

Esta é a razlo porque se diz : nenhum d'élles, e nSo 
ninguem d'elies. 

661* — IVobre, IUustre) eelebre, 
famoflo. 

Nohre, segundo a for^a da palavra latina nohilá (de 
fiovt, notum)^ quer dizer o que é conhecido, e designa 
particularmenle o homem que tem a qualifíca^o legal de 
nolMreza, 

Ulustret do latim HliÁstriSf é o iiomem iosigne por seuf 



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NOL 457 

relevaDtes merilos pessoaes, por suas ac(5es esclarecídaft 
ou porseu dislíncto nascimento. 

Celi'hre é o homem que lem boa fama, e parece ler bcm 
assentada sua opiniáo, em toda a parie, por aquelles que 
podem julgar do mérito do que se celebra. 

Famoio é o que tem fama em boa ou em má parte. 

ser nobre depende das leis ou da vonlade, e por ven- 
lura do capricho dos principcs. scr ilbistre depende do 
roerecimento proprio e da opiniSo que d'elle téem os ho- 
mens, fundada em feitos uteis, gloriosos, esdarecídos. A 
(udo que é digno de elogio porsua perfeicSo e ulilidade 
se póde applicar o epitheto de celehre, Os sabios e os 
litteratos s3o celebres por suas obras. Pa ra ser /amo«o 
basta que um homem faga cousas que déem muito que 
faliar, que adquira grande nomeada em bom ou em máo 
sentido; por isso se diz : « LadrSo famoso. » Tambem s« 
diz de cousas nota?eis por sua boa ou má fama.— Ofa- 
mo$o templo de Eliopohs. 

Sulca os mares , sepultora famosa de atrcTÍdos (em 
Moraes). 

662* — TSom^ nos-outros. 

Nós diz-se em sentido absoluto : nós amámos, nós va- 
mos, eic. NóS'Ovlros diz-sc em sentido relatívo para diffe- 
ren^ar alguns dos presentes de outros que tambemo s3o, 
V. g. nÓ8-outros andavamos á ca^a quando vós-outros 
chegastes á pousada. 

Rigorosamente fallando, nós-outros inclue pluraiidade 
de pessoas inclusa a que faila, como se vé em Cam5es que 
faz dizer ao Gama : « Nós-outros os que vinhamos a esta 
empreza, sem a vista levantarmos, elc. » 

663. — "Noiro, reeente. 

Tudo que foi feito on aconteceo ha pouco, o que nSo 

f5ra inventado, de que n3o havia noticia, o que se ouve 

ou vé pela primeira vez, o que n2o tem lido uso, ou tem 

sídomui póucousado, énovo, Recenteim mais reslrícta 

II 26 

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iMwMíiíÍt e cé ^esígna o qoe succedeo ha pouco tempo, 
• «íe «Ma está fresco, ou succedeo de firesco. 

l^#ltAnla¿io com a pessoa, ou com a substancia da 
«»ML tfwanié 60 J tem com adata em qne a cousa se 
$u^ •• succedeo; pek) que ha c<Nisas qne podem ser 
9« nowu en difi'ereates respeilos, o recente e 
. j «oro. — O caniUienle da America era XSlo tcKio 
• resto do mimdo conhecido, mas foi nm novo 

poFaosqne os «kseobrirloj sen descobrímeiMo 

«ra rteenii para os <me viyérSo no comeco do secnlo XYIL 
-- IJm reslido qMndo acaba de ser feilo e novo e recente ; 
pissado alguBi tempo, e até aonos, se o nSo temos nsado 
cslá natOf mas já moé recente, 

fi64. -- ISuUo^ Irrlto^ ImraHdo. 

De todos estes lermos de jurísprBdencia o nais gene- 
rico é inmUdo, que deslgna todo aet» on tttnlo qoe nio 
tem validade, nem vigor, nein ién^a de «bngar« Qottido 
esta invaHdade nrovém 4'alf^ vicio, é» liita d'algnma 
condicSo ou solemnidade prescriia pela lei, é mtto. 
Quando o acto ou titulo foi feito com as condi^oes e 
solemnidades 4n M, i^orte, pmt circuaMtancías super- 
venientes, nlo é reconhecido, nem approvado, nem rati- 
fícado, é irrtlo. -^Mulhé» iestameato íeito por pessoa 
em estado ée 4emeiic$a, ou faUando4he as testemuBbas 
qtie a lei eiige. Jrriéoé^ lyoste fieko por um procurador 
que ^cedeo m podms <iue aa fNrocnna^o ne seu com- 
meltente Ihe s9o concedidos. E ambos esles actos s^in- 
valiéefe. — NuMe lem mais for^ ^ae irrüo, por isso se 
s« diz em aigMs casM^ «rr«fo « nuüo^ e nSo nulio 
« irrite. 

^^6S. — Numerisl , numerico. 

Estas duas páfamras refefenH-se aos jnmeros ; com 
a difTeren^a que numeral indica positivamente algum 
#el}es, e que mmerieo nfio índica maís quettmarelaQSo 
€om nm numero. QQalro^<umiiome mtmcnd, iadica po- 
ittivamente nm mmero, oiimBero 4. Uma dineren^ mth 
mtríca é oma dffl'erenca que itai ralaclo oam onBmera. 



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W» 489 

6Se. — aiM»dleiiei»^OTft)iMlMlcr. 

A ^Heucia l a «€0» de abedecec, e a du|iosíCdQ 
babUual a obeeeáeff. 

Neste uitiino sieati& é <|iie slo syiumymos a obéáun^ 
eia e a <ti(mmdo, com a diííeren^a que obediencia ín- 
dica particuianneBle o> co&tiuM 4t obedieer ás ordens, 
aos mandados, do mesmo modo que sSo diciados; ^ 
$mhBit9é0 indica uma diBpMtiQge gputal e pcrmastBée . 
tíko só par» execittar as offdcM e «i Modados, seiAfii 
tambem park coBÍbrmar-s« am taéaft aa. «ootades, de* 
sejos e incliBo^^ dos oaicas de qualfMr OHido (pie se 
d¿B ft toohecer. 

Pela c^diencia te eiten^as oi^na qnt ae recebem ; 
peta 9ubmsséé estaoM» «almralncnlt disptstos a exeen*^ 
feal-at. k obeái§ncim rccaii ttlMea ac^ mesKa; a «nd» 
mimSOi 8ol)r>ca diaposi^ mterior d<» aniaow 

Uma pessoa póde obedecer sem estar $úkmina, lalOK 
é, svm ooIhw i«a vontadt á. drtutro;: neste east'a ti0- 
déenda é intolvntariti t fbr^ada , a $ukmmiá(^ ao con- 
Irarío snppde temprt a difpwi^n k obÉéiencia e a; 
pmietlc. 

667. — min^jh^ omrenchi. 

Aníibaf tstas^ palaTras vera d^Terbo felino ti^a, o^ 
fhrcer, porém díflferen^&-se en quetjf2nnifi(fii é ame- 
se oflferece a Deos, a seus santos, a seus minisjlfte ; Ma" 
cño nio se dirsenío do qne se olJRerece' a Heoff ctm eertas 
ceremento estabeleeidas ptkt tgreja. A ofPBrenáa dftpit' 
e do Tinho no sacriñcio da Missa é uma oblagáo, Os piv-* 
sente&4|iit tfr eatbtlÁaM. £iatm ao aitar tsi pro?etla dos 
sacerdotes ou das Igr«jas&2a t^<rfn¿fa# e nao oltagdes.. 
— Toda oblüQ&o é pois offérenda; porém nem toda 
eferenda é óbéapéo. 



668.— mra, pi 

A ébn é resnllaét do tnteHi»dHin tf eBlc , i'fam 

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&60 OBR 

obreiro. kproducgüo é o que uma cousa tira de simesms 
por sua propria efficacia, v. g. as produc^óeM da terra, 
as producgóes do entendimento, do genio.— univerao 
é a produccao d'uma potencia infinita que o tirou do seu 
seio; é a obra d'oma inlelligencia infinila, que deo á 
materia suas fórmas e sua collocaglo primitivas. 

669. — Obrlsa^ao, dever . 

Dever, díz Trévoux, é aqaillo a qne estamos obrígados 
pela leí, pelo costume, peío decoro. Ha deveres da vida 
ciTil, de amizade, de atten^So, de politica. 

A lei impoe-nos a obrtgagáo, e a óbrigagap gera o 
dever. Estamos lígados pela obrigagáo, e somo's obriga- 
dos a nm deter, A obrigagáo desígna a autorídade que 
liga, e o dever o sujeito que é ligado. dever presuppoe 
a obrigapao, Temos óbrigagao de fazer uma cousa, nosso 
dever é fazél-a : a obrigagdo é quem nos liga, e ao deter 
é que ella nos liga. 

Barbeyrac estabelece por princlpio de obrigagdo pro* 
priamente dita a vontade d'um su¡^erior a quem se reco- 
nhece e se obedece. Burlamaquí observa que a razSo deve 
approvar e reconhecer o dever^ pois sem isto nSo seria 
mais que violencia. 

A obrigagáo nlo póde extender-se além da autoridade 
do superior que manda: nem o dever além dos meios e 
for^as do inferior que obedece. NSo ha obrigagüo se a 
cousa náo podia ser mandada ; nem dever se náo póde 
ser executada. 

Onde ha obrigagdes ha deveres, e ondeha deveres ha 
obrigagóesi porém a obrigagao é sempre o principio do 
dever. 

670. — ObrÍKAi"» preelsar, forf ar, 
Tiolentar. 

Obriyar é um aclo de poder que impoe um dever ou 
uma necessidade. Precisar é um acto de oppressSo pelo 
qual se p5e a uma pessoa na precisáo de fazer uma cousa 
contra sua vontade. Forgar é i;m acto de potencia e de 
vigor, que por sna energia destroe a d'uma vontade op- 



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0B5 m 

posla. f'ÍQUntar é um acto de violeneia ou de brnrali- 
dade, qne emprega o mais forte para lograr o que de 
oulro modo nSo podéra aican^ar. 

671. — Obsequloso, of Aeloso, serTlf al, 
preotadlo. 

Óbtequioto é o que eslá disposto a fazer obtequios 
que relacionlo com a pessoa a qnem os faz, obrigando- 
a a que por sua parte Ihe pague com umá expresslo de 
benevolencía, de aíTecto, de agradecimento. Offícioso é o 
que tem naturalmenle a dísposi^So de fazer bons officiotj 
isto é, servigos uteis e agradaveis. Servifal é o que eslíi 
prompto a servir a outro numa occasiSo em que o neces- 
site, como o póde fazer um criado a um amo. Prestadio 
é que tem prestimo e se presta de bom grado ao que Ihe 
pedem. 

O ohtequioso lisonjéa-se e tem prazv em servir a al- 
guma pessoa ; porém sempre aspirando a uma recom- 
pensa. offícloso procede com aíTecto e zelo, ajuda 
aquelle por quem se interessa, porém póde ser interes- 
seíro. servi^al folga de ser util ; tudo o que póde fazer 
por si só faz ; mas circumscreve-se ás circumstancias, e 
por caracter e costume é interesseiro. prestadio talvez 
ache prazer em que digSo que o é, mas n§o obra por in- 
teresse, e nSo espera outra paga senSo a reciprocidade e 
reconhecimento. 

672. — Observaf A09 experlenela. 

No sentido physico, óbservafio é a accSo de observar, 
isto é , de examinar attentamente os phenomenos da na* 
tureza. Experiencia é a accao de fazer apparecer por 
mdustria e artifício nosso alguns phenómenos, que sem 
eiles nSo seriSo conhecidos. 

Aastronomia está fundada na obsertagáo; a chimica, 
na experiencia. Aqueila deo nascímento a muilas artes; 
esta as alimenla e aperfei^oa. curso dos astros, a ap- 
pari^Sío dos meleoros, a vegetacSo das plantas, a gera^o 
dos animaes, etc» sáo objectos da óbterfoag&o: os phe- 



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169 Ú9S 

MBmiB ét decificUMe, tfo Bia^ellsiBo, éü gafvanisinov 

^» p^ Toltma, etcv, s9o resQHa^s i9t exptriencia, 

No senlido vulgar n9#éfl9e&or a ^KíVMren^ qoe h» 
entre estes dous vocabulos. Obsertdmoi o que se passa 
í(5niéeíVÓfree»láao<als8ii«e #eito99«6sentMos; eárjie- 
rimentdmos o que sepam tm «és, o que nos toca physica 
ou moralmenle. Pela oibtervagSio adquirimos noticia eco- 
DbeeimeHlo demmCas cotrsas; pefa exptrienefa aprenr 
deBMea saber osar á^ettas*, por isso cfísse o Seneca P(Mr- 
tagiMs: 

O ^e nSot •x^eEimeBtarcs- 
HS» cuides que asabes bem^ 



Ma obstantevirem eslas düas palavras do verbo ( 
eor, tem cada uma d'eilas iSo diíTereate sigaificaí)^ qne 
apenas se pódem chamar synonymas. Od^ervapoaéaae* 
^ de ot^nxir» no sentído de olhar aUentaiBeBte eex»' 
minar os pheRomenos naturaes„etttdo q^ é on se pm» 
fdra de nos; ao j[oe exereeesla ae^2o chama-se obiertmr 
ior. úbservancta é a ac^o de obiervar, da seBtido 4e 
cnmprir exactamente oma lei ou mandado ^ ao que assíai 
procede se chama obf^rtante.— IUuitos phUQS(Hrfio& sftB 
cuidadosos na obterw^üo dos pbenooienos da nalureza^ e 
poucos sSo exactos na observaneia da lei de settaBtoc 

674. — ObAtaeialQ, dlfOeirtdadl^^ 

obttaculo faz a cousa impraticavel; a dáMcvddmde 
ffil>a díjÍRcB, ardua. Em quanto durSo as difpculdadu 
atRanCa-se peueo; em quanto subsistem os obstaeulos ni& 
se adiamta ntda, porque o qne cftamámos vencer um oJm.-^ 
tacirio, é eviláf-o, on deslnríl-o; e em tal caso, e ser a 
operagSo praticavel consiste em qne o obstactda nS 
ezbtejá;poFém a diffculdade p6dt vencer-se sem. qiut 
dieixe Je existir, empregando tneios saperiores a eMa^— 
Ha d^Heuld(td& tm andar por nm máo camihho, no meio* 
de precipieies, porta ponco a ponco se vai adlante. Um. 
grosao troBco derribado atravez da estrada. uma cheia 



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oor. , Md^ 

tfott 4^r« as fmntes, poántter oAfiaei^qK im ni» 
p«nnttíM>*€oiiláMitr a litgciB.. 

O9f0r é alcao^ar luna coúsa <[uesej[)rcteii<fe^oa de» 
&eja,.oa oos é ^ata. Comeguir é alcan^jar o que se dUJr^ 

§enciava,,e apos de qjue se andava. Impttrar é alcai^ar 
superior a g^aga que se bavia soUifiílado.— - ÚbUm^ 
cargos,, dígnidadest £ivores^ altefl^oes, etc«« tudo o> que 
nos étionroso, utH, agraáavel;, e ae clbUm de ignaes^ de 
superíbreS) de úiferLores. Co»«e^-se o qjoe comdiUg^nr 
cia e perseveran^a se hnsca^ on se pcrctende. Véi^se pois 
que este vocabuio tem slg^ifica^ao menos g.eneri€a que o 
precedente, e maís restricta a tem ainda^ o terceiro,, poia 
sd impetrámos gra^as d^um su^rior,. pretendendoHiS'e^ 
solUcitando-as com rogos e supplieas. 

676* — OccMlSo, ensejo, opportunldaile. 



é caM dc qne'podéMs Imi^ nii». Etme^éBececM» 
•a vei apportraft. C^niorteiiúifiMlft é hén eceaméo^ eooH 
Bodidideds lempoekigar canfiBientii. Cmjmiofúeé 
coecnra» sánlianeo deciroBmitanoiis favovaim^eD dcs- 
fomsneia pm algnma eonaav Asoé occam&^ eommoda, 
geitDia fara o qim se mtenla. 

A occatiüo e a conjunerHQipoéemf aer bom m nte« 
pmppias. ott miprofirias, por iüo te diz : Y Ir em boa , vir 
em né oocaatá^r) «té. O eMejes a «^erliiindaib,. o oae 
iüBpresio a prefkenle, a giÉifte, a leai|^ pora e jeteaie 
de (pen d'eHeii sabc apioicítar-ee. 

« eceamt^ dfiz Vieiaay é aqoelle pege vaalísiine'e in* 
menso, que elie só é todo o eiemento da agna; e eslcii» 
dendo ieiiftiiifinüQa brafos^ealá rceiÉMmlo cenenes pen- 
taa doidcdos o tiiholo^ de todoi oc riM do wnvmo (IL 



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U6h om 

20). que antigámente se conhecia eom o nome de mdr^ 
6 aas Escrituras se chamava mare magmm, era o Medi« 
lerraneo;mas depois que se descobrio o Mundo-NoTo, 
logo se conheceo tamt)em que nSo era aquelle o mar^ se- 
nSo um bra^o d'elle,e o mesmo nome, que injustamente 
tinha usurpado, se passou sem controversia ao Oceano^ 
que é só que por sua immensa grandeza absolulamente, 
e sem oulro sobrenome, se chama mar (IV, 498). » 

Diz-se mar simplesmente para significar a vasta ex* 
tensSo de agua que occupa uma grande parte do globo 
que habitámo$,fózendo opposi^2o a terra. oceano en- 
cerra em si uma idéa mais particular, e diz-se do mar em 
geral, por opposigSo aos mares comprehendidos entre 
terras. O oceano rodéa igualmente o mundo novo e o an- 
tigo; porém nos mares encerrados em certos espagos de 
terra, o nome oceano nSo exprime de todo esta idéa. Ao 
oeeano póde-se chamar mar, porém ao Mediterraneo, ao 
Baltico, etc, nSo se pdde chamar oceano. 

678. — OdlO) al»orreclmciito, raneor. 

O odio é a ira inveterada, diz Cicero ; é uma paixao 
eega e arraigada no cora^ao viciado pelo capricho, pela 
inveja, pelas paix5es, e em nenhum caso deixa de ser 
baixa e indigna d'nm animo honrado e generoso. O 
ahorrecimento é um aífecto nascrdo do conceito qne 
fórma nossa imagina^So das más qualidades do objecto 
áborrecido, e compativel com a honra e probidade 
qoando seu objecto é o vicio. 

P'aqui vem que chamámos implacavel ao odio, e nSo 
applicámos ordinariamente este adiectivo ao aborreei'' 
mentOy porque olhámos áquelle como uma paixSo cega, 
que nunca perdoa, antes degenera em rancor e anda 
acompanhada da má vontade; e ao áborrecimento o 
olhámos como eífeito d'uma persuaslo, que a razSo ou o 
desengano podem chegar a destruir. rancor é odio in- 
veterado e occuito, e por isso mais vil e trai^oelro que 
odio, 

Um homem honrado perdoa a offensa d'um traidor, 
d*um assassino, porque nSo cabe odio em seu nobre co« 



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INT 465 

ra^o ; porém nio p6de deíxar de aborrecer l2o exeenh 
feis monstros da sociedade. malquerente, o íraeundo 
ferido de inveja, arde em rancores, e aguarda o momenlo 
em que possa dar pasto a sua yil paixSo. 

ahorrecimento faz-nos olhar com desgoslo a seu 
obiecto ; o odio no-lo faz oihar com ira ; e o rancor, 
com antmo maieyolo. 

679. — O Itomem , m Itomens. 

A pnmeira expressSo consídera o homem como indi^ 
Tiduo ; a segunda o considera em socíedade com seus 
simílhantes, peio que nlo admira que se possa melhor 
conhecer o homem queoi homensy como disse um philo- 
sopho moderno. 

N3o é certamente mui facii conhecer o homem em to* 
dos seus respeitos physiotogicos e moraes ; porém muito 
mais difñcil, senSo impossivei, é conhecer os homeni em 
todas as rela(5es que téem uns com outros. Quem poderá 
conhecer e comprehender as infiuitas combiua^oes d'estes 
agentes intellectivos, livres e apaixonados? 

Nem a philoso|>hia nos explica bem o que é o homem; 
nem a hisloria nos dá bem a conhecer o que s3o os ho- 
mens. O trato e conversa^o com elles poem-nos patentes 
muitos de seus defeitos, e dlo-nos o triste desengano que 
que mais mal suspeita é o que menos se engana ; e po- 
demosaplicar-lhes o que Vieira disse em geral dos máles, 
de que elles s3o o principai instrumento : « No juizo dos 
males sempre coniectura melhor quem presumío os maio- 
res(III,367).. 

680. — - O liomem f todo liomem. 

O artigo determinatiTO o da prímeira expressSo de- 
•igna a especie humana com rela^So ao genero animal. 
O adjectivo todo da seguiida designa a coliec^o totai 
do8 iodivíduos d'esta especie. £m linguagem logíca, o 
homem refere-se á comprehensáo da idéa ; todo homem, 

8ua extensao. 

Nas proposi^oes em que o attributo for esseocial ao 



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Í6^ otxü 

•^ftila, (paíqoer ám HriBaff é miaáHra e ej|»iHtiii 
«Btes a mesma tdéa, taessS» aa sfgníntes : O hamemé 
faeíettat, • honMm ¿ Bierlal; lodo»Aomm é námuS^ 
todo homem é mortd. Poréai qasmdo o altribala aia fét 
esseocial ao SBidto, e sé the eoovéra; mmM genecdidade 
jDérsil^ eni^o cada nma dasfórmas tcm seuvaior diffMreale, 
e pódem nSo ser ambas verdadeiras^ laes sio ■tnn;iMi 
tes : homem é inconslante, todo homem é inconstante; 
a primeira é verdieNleira, porqne, ooiMiderada a especie 
humana ém abstracto, vé-se que a inconstancia é um dos 
sens defeitos, pois ha a^pnns h»mens inconstantes ; a se- 
gnnda é fafsa, porque, ainda que algmts Inmens sepo 
iBcimstantes, nem toios o 2^<^, e muttos ha eoifótantes. 

681 - OflTertay promemf* 

Á afferta é uma demonstra^So dc desejo qne temos, oii 
aSfcctamos ter,de que se rec^ba on aeeeíle o serv!^ on a 
consa que oíl^ecemos. A promessa é uma obriga^So que 
Bos impomos de fazer afgum serví^o, ou de dar algnma 
coosa. — O qae offérece com ponca vontade de dar, 
expoe-se a que Rie accettem a offerta, O que promette 
com vontade,. ou sem ella, deve cumprir soa promassa. 
-» Acceita-se com agradecimento a offerta ; e ejLige-se o 
cnmpriraento da promessa. 

Na palavra offerta s(r se descobre a vontade dé qne 
oftlsrecei na palavra pnmessa descobre-se a amita^o 
d'.iquelJe a foem se prometleo. — Fulano o/pnrsceo-me 
a sna casa, porém en n9o a aece tet ; prometteo-me vir ( 
minha, e espero que n3o l^ltará k sua palavra. 

682. — Olfato, elieiro. 

Um dos sentidos do homem, cujo orgSo é o nariz, e 
peJio faal eUe peffoabe os «áetrot, é o ol^lo. A impressio 
qae m títtMiHM dot Qarpos faaem no oífatm^ é •* ehmra^ 
^ Ao qiae fenieo o oifQéé> noda Ihe feée^ nem ihe eheiwa^ 

683, — Oiulaa^ Ta^aa» 

SignificSo eslas duaspalavras as diversas ehvadlfes ^e 
íbrmaoasaguasagltad!as,mas comassegufntes^Kflerencai^ 



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OW 467 

As im¿a« «io as menores «l'cstas'ekYagoes ; ^o o eflMlo 
BátBral de sua flaidez, <e se eleTio poaco per eiiBa de saa 
superficíe, sobre o mar, sobre os lagos, sobre os riw. 
Uma uíia^ accidental, cansada pelos vtntose lempes- 
lades, ibrmai^&w^gaij que s2o ondas empoladas eiwio- 
tiMttas que correin para o iado a ^ue os venlos as iBspelleiBy 
rolSo á praia, e <¡om ruído^se despedajgSo contra os rocfae- 
¿os. Um nario com as vélas e&fnnadas sulca as onde» : 
j^aDitas Tczes cin arvore secca é batido peh» ^us. e 
^rre k snereé d'eUase de vento. 

684. — Onde, donde. 

Onde é ««&» ialóo, t dvnte, on lí'onde, é o uude, 
ErrárSo muitos de nossos classicos confundindo estes 
doiis srdm'bfos de iQgar, sem duvida por segnirem a 
Dngua easldhana, em que donde corresponde a ubi, Nio 
^im Vieira qoe bcm posifivanwirte ílxou o respectivo 
uso ^'e^es adiwrMos, dizendo : « Nio s6 diz Deos o lugar 
W(f» poz (DarvM), senao tambem o logarr áonde o ti- 
rou : onde e mais o donde... Lembrar-se-ba donde o 
tirei, e onde o puz; e logo Ihe parecerao grandes as 
mercés. E^ftes ündes e estes donde^ nao sc cosfumSo re- 
gistrar nos livros 4as mercés (I, 308). • 

685 — Opaeo, Mmbrlo. 

Ne sentiéo reoto, epúc^ é^ oerpo qoe n9o é transpa- 
reHte, qne impede o passo á Inz; no sentido figurado 
eofifivBde-secom escuro, $omkriOy qne em sentido proprió 
significa em que falla o dia, em qwe nBk>penetra a íoz. 
— Omt tatyoay nma kmsa» elc, é opaca^ sem ser som* 
hria; ama selva, nma grnta, etc, ésombria, e p6de tam> 
l^ di£er«se opata. 

686. — Opliil&o, pareeer, dleffmte. 

Tem se a optníSo, díi-se o parecer ou o dictame. Aqnella 
aé explica o |uizo qóe se íbnna num assuii^to, em qne ha 
laata |>i^« contca; estes expUcSo a exJMOisi^o da o^pm 

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aoíJ ORD 

ni&o. — Fulano lem sua opiniño, porém l3ío a manifesta. 
Dou meu parecer, ou meu dictame, segundo a opiniiío 
que lenho. 

Enlre os vocabulos parecer c dictame ha a diíferenca 
que primeiro applica-se com mais propriedade quando 
se trata da exislencia d'uma cousa, da asser^ao d*um 
faclo; e segundo quando se trala do que sc devc cxecu- 
lar, do parlido que sc deve prcferir. — parecer do 
medico recai sobre os symptomas e conhecimento da 
doenga ; o dictame, sobrc a resolugSo que deve tomar-se 
para curál-a , os rcmedios que sc devcm tomar , ou 
preferir. 

687. — Oppusnar, expitsntti*. 

Oppugnar é atacar com for^a para render uma pra^a, 
nma fortaleza, etc. ; expugnar é tomar uma praga a for^ 
de armas.Todas as pra^as e fortalezas se podem oppujjrnor; 
mas algumassaotnfarpu^f)ave«5. Gibraltar foi opptf^nado 
pelos Hespanhoes, porém nao foi expugnado^ pclo qae se 
diz inexpugnaveL 

688. — Ordlnarlanientey eonimunimenie^ 

Commummente referc-se á mullídSo de pessoas quc 
fazem a mesma cousa; ordinariamente, á muItidSo. dc 
vczcs que aconlecc a mcsma cousa. — Tal porto é ordt- 
nariamente frcquentado de navios; qucr dizer, é qaasi 
scmpre frequenlado de navios. Os militares sSo commum' 
mente pouco religiosos, isto c, sSo quasi todos ou pcla 
maior parte pouco religiosos. 

Casos ha em que as duas cxprcssóes sejSoexactas, posto 
que em sentido difrercntc. — O vulgo erra ordinarior 
mente ou commummente cm seus juizos, isto é, crra quasi 
scmprc, ou errao quasi todos os que se incluem na deno- 
minaglo de vulgo. 

689. -» Ordlr, tramar, teeer, ma«|ulnar. 

Se os primeiros trcz rocabulos conscrvasscm rigorosa 
aualogia no scntido figurado com as suas significa^iSca oo 



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0R6 469 

ienUdo proprio, ordir seria lan^ar as primeiras linhad 
d*um enredo ; tramar exprimiria o enia^amento do en- 
redOj a ac^ao de llie dar for^a e consistencia ; e teeer, 
exprimiria ambas as cousas, isto é, cumegar e prosegoir 
uma teia de enredos, etc. Com tudo tramar e o termo 
que Yulgarmente se usa como mais energico para expri- 
mir a aslucia e ardil com que se prepárSo e concertSo 
enredos, enganos, para lograr o ñm que se intenta. 

Maqumar (em mais ampla signifícagSo, e vale o mesmc 
que tra^ar artificiosamente, idear na phantasia com subti- 
leza e astncia ; por isso se diz : « Maquinar a ruina da 
patria ; maquinar contra a republica ; » e neste caso n9o 
se poderia dizer tramar, que parece ter rela^So estreita 
com enredos e enganos. 

690* — OrsulltOy Taldade, presumpf 5o, 
altiTeS) Tauslorla* 

' crgulho é a opiniSo Tantajosa que formftmos de nosso 
merecimento. A vaidade é o desejo de inspirar esta opiniSo 
aos outros. A pyesumppáo é a demasiada confían^a ero n6s 
mesmos. A altivez é a isen^So de toda baixezae toda idéa 
bumilde. A vangloria é a jactancia do proprio ^ber 
ou obrar. 

O orgulhoto considera-se com snas proprias ídéas, e 
▼ive satisfeilo de si mesmo. vaidoto considera-se com 
rela^o aos outros; cobi^a sua estima, e deseja viTerno 
pensamento de todos. pretumppoto presume muito de 
si, de suas prendas, e iulga-se capaz de grandes cousas, e 
apto para tudo. altivo tem idéas elevadas, e se nSo 
pratica a huroildade tSo pouco conhece a baixeza. fNin- 
glorioto desvanece-se facilmenle de gloria sem funda- 
mento, ou se jacta de cousas que nSo d2o verdadeira 
gloria. 

A «at(2a(2e deseja as honras; a j?retuinp^dío julga-se 
digna d'ellas; a altivez nSo as pretende nem as rerusa; 
o orgulho aíTecta desdenh&l-as ; a vanghria abosa d'el- 
las quando as adqairio. . 



1,1 



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4idl. — OrsttlliOyMberlMiy >rrogMieia. 

OrguVhúy como acabámos de tct, é oma alta optnOo 
de si mesmo. Soherba i a manifesta(3o d^este orgúlho^ 
por meio de acQoes, modos, palavras e morimentos exa- 
gerados. orgulho nem sempre se d& a conhecer , e aS- 
gumasTezes se disfar^ com a mascara da bumildade; 
a tobtrha n2o se eseonde, nem se peja de oslentar seo 
ar entonado e desdenhoso. orgulho p6de modificar-set 
a $¿lkerha n2o sabeconterHBe. 

Arrosancia é a ioberha atrevida e insolenle. 

692. — Osculo, beU^ 

Ambas estaspalavras signifício a mesma consa; todft- 
via á primeira anda annexa a idéa de decencia, de 
amizade, de respeilo,porisso se diz o oscfito de paz, etc; 
á segunda anda anneia a idéa de amor lascivo, cobm se 
f é «m Camoes : 

IVo ar lasdfot M/of »e vSo dando. 
Oli ^e iiniiioloa Iv</m ua ttaresta : 

695. — OtntreiUi outro. 

A iDfferai^ que «xtste «ntre af^uem« olgum^ se éi 
respeettvamente entre mtrem e OMtro. Outrem rtffer^se 
seoifre'a nma pessoa indeterminada ; cmfro é am adjec- 
tifo t(ne se diz d'uma pessoa on cousa dis^ta da wat 
fsdta, 011 da de qne se faHa. No séguinte iugar de ¥ietn 
se TiK verdadetro nso d'estes dons vocabnlos. « Mas 
^mo entlo n3o havia no nrando outro amor, nem om- 
trem a quem amar, que faria Adáo para provar o amor 
qoe desejava encarecerP 0, 918.) • 

^4.— Ouwtdra, orelliM. 

cmtido é sentido de onvir, e o orgSo collocado na 
cabe^ dos animaes pelo qual percebem os sons. Oreth^ 



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PAG 471 

é a parte «xterna e carUlaginosa d'esle orgSíai a <|ual Ihe 
scrvc de guarda e como quc recebe os sons que se dtri- 
gem ao ccrebro pelo (mmdo^ c cm scnlido fip;urado, o 
ouwiiú^ €«mo oestas loco^es : • Dar oreUha^ fazcr wh 
Ihas de mcrcador, presJar orelhas attcntas, ter orelha$ 
delicadas, e(c. etc. • Com tudo o uso prefere o vocabulo 
otto^ot, com b«a tseSo, «cmpre (ftie nos referinos i per- 
cep^ anditíva^ e detxa Tocabulo orelhag para dest- 
; giKir a part« exlema do oumdo, eom a mesma diíierenfft 
¡ qne tinli^e os dous latinos, omtíSj c mricula.^S. Pcdro 
cortou a orelha a Maldio, e nio o ouvid^, M«tter um 
fnsona oreiha, é^iiil-'acom efle; metlcr um fuso vo 
outiiúy é introdu2Íl-o pelo orífki« 4o ouwii». As frieim 
nas orethas canslo oma scnsa^So dol«rosa que nada 9^ 
parece «om a dor dc ouvidm. 

69S. — Ouirlr , esc«f»r« 

Ouvir é perceber os sons pelo orgá» do oovido. £s€U* 
tar é appíicar o ouvido para -ouvtr btm o qoe «e diz. Om- 
tnr é um aeto natura!! «de todos «s aninaes qtie nio si» 
svrdos; tscwíar é «ma ac^io reflexa que Tcm da cariosi- 
dade ou da dcsconfiafifa, por isso díacmos prrrerJMal** 
mente : Quem escuUíy de sí <mve« 

696. — Paeto, eottTeivlo. 

Conw^xo é menos qué patio^ O eúme^o é e deaá|J4 
muluo dc -dRaB ou mais pessoas para fiaBcr volualaria* 
mente a^^ma cousa, porém sem qne as ligive a lei nem 
senhio orvtros fa^os i[i\Q estie nesmo dese^ e sua con* 
scicnda. Opacio provém Mmprc d'uma obriga^o lcgal. 
^O mntenio suppde voRtade reciproca; o jmcIo, mcí- 
proca obrrga^io. 

697. — Pasa , flalarto ^ msM». 

P99aé\mao gencrko paraindícar satís£a0o em di- 
iriieiro d« dt?ida, de jomal ou «ervi^,ie estensivamente 
remoncra^o de bencfício. salano é a paga ou retii- 



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M2 PAL 

buigSo deYida a nm trabalho, a utn serví^o. Soldo é o 
salario dos militares. 

698. — PalaTra, tok, Tocabulo, terniOy 
expressao. 

Palavra é nma voz articulada, d'uma ou muitas sylla- 
bas, que significa um conceíto ou pensamento da aima, 
ou suds modifíca^oes. f^oz é o som formado na garganla 
e proferido pela boca do animai : em sentído transiato, 
éo mesmo aue vocabulOt que é uma voz sígnifícaliva 
propria de atgum idioma. Termo é o vocalmlo proprio 
da sciencia, arte, ou disciplina de que se trata, ou da lin- 
guagem e eslylo em que se falla. Exprendo é apalavra 
ou palavrcu com quc se declara o conceito da aima, o que 
passa nella. 

f^oz e vocábulo referem-se mais commummente á 
composicSo materíal e ás^ circumstancias grammaticacs 
da lingui a que perlencem. Palavra refere-se com par- 
ticularidade á pronuncia^So e circumstancias em que 
tem parte a pronuncia^So e o ouvido. Termo refere-seá 
precisSo de enunciar as idéas do modo mais conforme 
ao assumpto que se trala. Expressáo refere-se mais par- 
ticuiarmenle ao modo como expremimos pela voz nossos 
conceitos ou sentimentos, e á qualidade dos vocahdos 
com que os enunciámos. 

dom da palavra é um dos privilegios da especie hu- 
mana ; pronunciando palavras manifesta o homem do 
modo mais nobre e efíicaz seus pensamentos; a diíTe- 
ren^a d'estas palavrae e de suas variac5es, a diíTerente 
maneíra de as pronunciar, e as inflexóes com que se 
articuláo, constiluem as linguas. Cada idioma tem seus 
vocabulos parliculares, e d'elíes depende a pureza da lin- 
guagem. Os termos de cada sciencia ou arte formSo uma 
especie de língua diíTerente da vulgar, que ordinaria* 
mente só entendem os que a estudárSo, mas que servem 
de fundamento a um sentido figurado na linguagem or- 
dinaria e commum. Das expressdes nobres, engra^adas e 
energicas depende a elegancía da phrase e a belleza do 
estylo. 



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PAR U7% 

699. — Para^a Ani. 

A primeíra d'estas expressSes marca o objecto imme- 
diato da ac^So; a segonda o ñm mais remoto, segundo o 
tntuito d'aquelie que a faz. — Estudo para medico, para 
lettrado, a /fm de ter um modo de vida decenle. O bom 
eccJesiastíco (rabalha para a santifica^So das almas, afim 
de as ganhar a Jesu-Christo. 

700. — Para, por . 

Quando se empregSo estas preposicoes para expiicar a 
razSo ou motívo de alguma ac^So, sao synouymas, por 
exemplo : procurou cortar a conversa^So para nio ex- 
por-se, ou por nSo expor-se a dízer mais do que quizera. 
Porém póde notar-se entre ellas esta diíTeren^a : com a 
primeira se explíca mais directamente o poder ou a in- 
fluencia do motivo ou daacgSo no effeílo; com a se- 
gnnda se explica mais directamenle a intengSo, ou o fím 
com que se executa a ac^So. Assim que, para se applica 
com mais propriedade quando se suppoe sufñciencia na 
ac(3o ou seguridade de seu effeito ; e por, quando se 
suppoe sómenle probabilidade ou possibilidade de lograr 
que se intenta. — Movo os pés para andar ; ando muito 
por ver se posso dormir mellior. Sáio de casa para ir ao 
campo, onde darei um passeio por dissipar a melancolia. 

701. — Parabem, felieltafao. 

O parábem refere-se principalmente a um aconteci- 
menio feliz na vida domestica. A felicitapáo tem um sen- 
tido mais extenso, e refere-se á celebra^So d'um aconte- 
cimenlo publico, que tem reia^So com os cargos sociaes 
da pessoa que a recebe. 

Um amigo dá os paráhem a outro pelo bom successo 
de sua esposa. Uma camera felicita a El Rei por um suc- 
Gesso prospero* 

702. — Paraloslsmo, sopltlsma. 

O paralogiitno é um raciocinio falso, um argnmeDto 
vicioso, uma conclas2o mal deduzida, ou contraria ás re- 



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«Tfr PAR 

gras da logica. iophUma é uma argiiBienta^o ariiS* 
ciosa, um raciocinio snblit e capcioso. Aqueile pecca Bi 
íóma, esle na maleria. Ami¿M indiizeiB eoa erro; 
jKNTém primeiro por igoorancia, por falia de €•» 
ahecimenlo e de applica^ao , o segimao por malicia, aa 
^r oma &abtileza mal intencionada. paralofummi 
eoBtrario ás regras ée bem racioclnar; asofihiMmMÍ 
inteiramente opposto á reclidlo da ÍAUn^o. priaaeira 
engana de b6a fé; o segundo tem interesse em eBganar, 
e iriude com má inlen^». , 

703. — PnMO, «obrioy toniperatfo, 
nioderfMlo* 

Fareo diz-seso do homem, e éo que, poi< eoBffocH 
mento proprio, come e bebe pooco. Sobrio é o boMB 
qne» por inctinac2o natural e por seu temperameoto, foz 
mesmo. 'fmperado é aquelfe que, excedendo ao jMDne* 
e ao sohriOy se contém em suas ac^oes no circulo d'm 
nda ajustada e bem entendída. Moderado applica-se eoi 
mais freqnencía á parie ideaF» e se diz d'aquelle qoe de* 
sda que nada se fa^a com Yioíencía nem com predpiCa- 
^o^ e que em tudo procede com modera^. 

704. — Parftclpttr, tmnar parte. 

Participar d'uma ceusa» é ler d'eKa uma parte real e 
effectiva. — Fez-se uma distribuigSo de dinheíro de qie 
daoB írfflSos iwrlidpdrdo. 

Tamar parie eHi lúna censa, é interessar-ae p«r eHi 
fff anizade, por sensibilidade. — Tom& parH cm tmh 
éar, em vossa afflícgio. — Eslas duas expresaoes lomia- 
•e em bom e em máo sentido. 

Participtk^t é» bem ou do mal ^ saccede a alpcn, 
«nuido se oiperimenla real everáadeiranenlenapirle 
d'um ou d*oulro. roma-se parte no bem au oo wl 
d*nma pessoa, regozijando-se pelo priir.eiro. e aOUglodo- 
sepelesegnndo. 



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PAT kló 

70ff. — IfAteni»! p ptttemo) nuifernal, 
lUAteraiK 

Of dou9 prímeiros adüectiVos se íbmiSo da palana 
latioa pater^ pai, e aella se referem, porém com diíl^ 
reDte rela^^So. 

^Mmurl eipríme^fve éproprM- ée pai, o qoe per- 
tence á qualídade de pai «Misiderada em geral. Putemo 
aignifica o que pertence aopai determinado, ou d'elle de- 
fiKL ^ O anMMT p0ftwniú é BUiita& vtieft maá^ noeivd que 
Qtii á boa eduea^i* d^s- ülids; islo é, o aosor qne 06 
pais em gtral, seiii detignar neiÉbtm, léem aos fiibos, ete. 
▲ Binba bcrtD^ patmui era eoasiAeiravel; qucr dizer, 
' « hww^a qiie Uve de metL p ai, os Imqs fue d'elte 
herdfti, etc. 

▲ mema dif&ren^ se Mla enire matemal, e mk 
ImML— intigamente a auloridade, a bea^ patemcá e a 
lerBurft matermml erSo biuI apreciadaA dAS ííUmm. Hm, 
^f«iias> oft fittio& saen d» casfli jiatema, «u se enmcitilo 
do Mtf mo podcff , lá» táem em ■eDbnma coa&a a autert- 
' dade po^ñial, e bem depressaseesqnccenida tecmira 
wMUrmai de qucm reeebArio lanM ctriAlMis 

im. — Pfttllbitlo* tere». 

Poltdulaé ncoic generke q»c sigiivÍGa e Ingar en q«e 
padece o condemnado, seja cadafaiso, forca, poYé, pd- 
lomrnih#, dc; Forta é «m ccpeeie de patiiu^t qne 
ccfBsta de Irea páo» iocades na lerra cm Ipian^ule eiMe 
•e pciidurde dc cerdas es cendemfiadeft t merrer e iifor- 
cados. 

707« ~ PatroelüAo^ ampAM, mfoteof Ao. 

I) paiToeinic re(ere-se sempre aos Cavores qnc a 
«mlzade dispensa á desgrsfa. amparo i aquelía ac^lo 
qne soccorre a atguem contra um agente ou causa que o 
pfJTS^nc. A prot&cQ&o é o fbvor d^um poderoso em be- 
Qcfido át pessoa quc elle ttCtma,^ e o deseio de conümiaf^ 



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476 PED 

Ih'o.— Um tio qoe se encarrega da edncaylo d*am sobri- 
flbo pobre, patrocina'O. Um rico que dola donzellas, ali- 
menta TiuTas, ampara'^is; um fídalgo que mantem em sna 
casa um aOlhado, que procura dar-ihe nm emprego, 
protege'O. . 

708. — Peeeado, delléto^ eplme, tmMtm, 
eulpn. 

Todas estas palavras deslgnSo acgoes contrarias & boa 
tnoral e ás leis positiTas, porém cada uma d'ellas tem suá 
relagSo particular ou differente gráo de gravidade. 

Peccado é o facto, o dito, o desejo contra a lei de Deos 
e da Igreja, e em geral tudo que se aparta do recto e do 
justo. Delicto é o quebrantamento d'uma lei humana, 
nasce commummente da desobediencia á autoridade legi- 
tima e é reputado menor que o crime^ o qoal é um delicto 
grave, que merece castigo, porque perturba sempre a or- 
dem social, e contra elle se fazem e executSo as leis eru 
minaee. Falta é propriamente o defeito de obrar contra 
a obríga(2o, nascido mais^da humana fraqueza qoeda 
malicia e depraTa(Io do cora^io. Culpa é a falta on 
delicto commettido por propria Tontade, ou, como diz 
D. Fr. Francisco de S. Luiz, a rela^ So moral que resulta 
do peccado, delicto, crime ou falta, e pela qual o homem 
contrahe a qualidade de culpado^ e fica sujeito a umapena 
ou casligo. 

Accnsámo-nos de nossos peccado^ ; pedimos perdSo de 
nossas culpas; perdoSo-se as faltas; esquadrinha^e a 
natureza dos delictoe; castigSo-se os crimes. Yeja-se 
Attenlado, pag. 94. 

709. — Pedir defeulp», pedlr perdfto* 

Quem se mostra sem culpa, jnstífícando-se d*uma Aüla 
apparente, pede desculpa. Quem reconhece sua falta, e 
quer CTit-ar o ser punido, pede perdáo. A primeira ex- 
presslo refere-se á imputagSo, da qual nos juslificAmos; 
a segunda reconhece a culpa, e mostra arrependimento. 



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— O anlmo nobre desculpa facilmenle; nio hetitaen 
perdoar o cora^ So generoso. 

710. — Pedlr» orar » exopiir, roffw» 

•uppllearyiinplorfir^ ob/ieerar, 

demaudar, requerer, exlslr. 

De todos estes Yocabulos o mais generico é pedir^ 
porque nSo especiñca nem a cousa que se pede, nem a 
pessoa a quem sepede, nem o modo como sepede. PedU 
mo8 justi^a, ou uma gr^ai; pedimos o que se nos deve, ou 
que desejámos obier por favor; pedimos a Deos, aos 
faomens, em juizo, ou fora d'elie, de palavra ou por es- 
criio,etc. 

Orar é'pedir a Deos, diz Vieira, islo é, fózer ora^Ses 
para que Deos nos ou^a, e defira ao que llie pedimoe. 
Exorar é pedir com instancias , demover, dobrar com 
snpplicas. ñogar é pedir por gra^a e mercé. Supplicaré 
pedir com humildade e submissSo. Implorar é pedir 
com rogos e lagrimas, quando nos vemos em aí!lic{5ei 
e trabalhos. Ohsecrar é pedir humilde e aíTecluosamenle 
por alguma cousa sagrada ou mui respeitavel. Demandar 
épedir em juizo, pedir por e com direito, como disse 
Vieira : « Pedir a quem me deve mais é demandar que 
pedir{Strm, do Roz. I, 476). • BequererépedirMmíi^ 
gistrado , ou fazer requerimento a autoridade superior, 
para que se nos defira como é de jusilca, se nos dé o que 
a lei nos concede, ou nos auloriza a peatr. Exigir épeair 
com autoridade e instancia o que é devido. — O soberano 
tem direito de exigir a obediencia de seus subditos. 
Grandes crimes exigem exemplares eastigos. 

711. *- Pelejar, eombater Intar^ brlffar, 
Kuerrear, batalhar. 

O mais generico d'esles vocabulos, e o de que mais 
asárSo nossos bons escritores, é pelejar^ do casteihano 
pelear, corrupgSo de praliari ¡ e exprime todogenero de 
conlenda com o fim de resislir e vencer a parte contra^ 



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fia. DiMe C8t€ vcrto taot# nt Toeaet^», c«o sa ne»- 
tra, de que Víeira nos deíxoa l)ons exenplos : • ^$Mm 
iadas Macliabeo tantas balailias (X, 201). » — • Os Eo^ 
mem ét iiirertor cooáifáo, aiBéa ^ itjno valoraos, pe- 
Uj&o fiós ; o Bobre seiii|M>e peUi^ acoaipaBbadiO» jporque 
ptUja cofflcliea lembrao^ de seus Baiores, (pe e a me- 
Ibor companhía. Em Ascanio pelejata Enease Heitor; 
em Pyrrbo pelejüva Aclúiles e Peleo ; oos Decioa, noft Fa- 
bios, nos Scipioes pelejaváo os famosos primogenikHrcs 
ét seus appellidos ( VUy 478). » — « A carne peleja eoatr 
espiriio, e o espírilo coalra a carne (VI, 80). » 

Cambater é propriamente^</fer-«6 c<w7i...; épeiejar 
mililarmente íazendo forQa a ferro e fogo ; e tambem, op- 
pór resistencia, y. g. combater os erros, as inclina- 
^¡5es, elc ou combater conlra os erros, etc — « A iotei- 
reza eonihate contra a cobi^a (V. do Arc. I, 6). » 

Luíar é contenderem ou pelejarem duas pessoift eerpo 
a corpOy sem armas, a lúra^o partido; e no sentido 
figiirado é peUjar por vencer^ resislindo porfiosa- 
mente. — Jac»b /ulou com Deos. O homem, em toda a 
vida^ kíta com adver&iáades, e no fim d'ella iea qoe lu- 
Uur com a morte. 

BrtgaTf áo itaiiano ¡n-igarej é ter briga com algpem, 
jhBleiar de razoes ou a ferir, de homem a bomem, oa d'um 
pdrlido coffl outro. 

€hterremr é fazer goerra, comhater, pelejar na guerra. 
Soppoe todo genero de bostiUdades que costumSo £zer-se 
as iiAfoes on partidos belligerantes. 

Batalhar é pel^ com arous, peUjar bostilmente wn 
exercito oom outro, ou oma divisio com otilra do ini- 
ffiigo. 

Quando dnas nagoes guerre&o, hatalháo seus exercitos 
c auas armadas, pelej&o lalorosamente seus capítlesi 
eomhatem seus soldados, e ás vezes toda a na^Sojpor de- 
fender sua independencia. Nas guerras civis hrtgáo as 
fiM:^ 5es, os parlidoSf 06 bandos, e sua peleja antes se deve 
c^amar luta porque nenhum parlido sedá por cooleDte 
aem deitar por terra e pizar aos pés seo adversario» 



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P£B. 479 

712* -*- ITena » sentliiieiito, <M«*. 

Explidlo estas Irerpalafras a diífereffte fmpressSc^ que 
táz desgosto cm nosso animo; porém a pena p^ée ap- 
plicar-se mais Tagamente, e denolar um desgosto mais ae- 
€identa! que o senHmento, o qua^ n§o f»reser>ta a ídéa 
d'uma sensa^So tSo profundá como a dor^ qne é am mw- 
íimenio penoso c pronindo. — Causa-nos, oh dáHnes pena 
trabalbo com que falla nm gago, a diffíeuldade com 
^ue ouTe um surdo. Causa-nos sentimentoní perda <fnm 
oem que nos interessa, a desgraga d'um amigo, a nsorle 
d^nm conbectdo. Temos dór d'alma na morle úo pai 
amoroso, da cara esposa, do filbo amado ; temos áór út 
bayer offendido a Deos. 

715. — Fereep^áo, seiisa^&o, 
•eutlmeiato. 

Distinguem os pbilosopbos modernos duas especies de 
percepgaOy inlerna e exteraa. A percep^o ínterna, a quc 
tambem cbamao consciencia, e a qne os antigos cbamar 
vlío iinsaintimOy é aqueHe ientimenio tnterno pelo qual 
soffios sabedores [conscii iumui) de tudo qne em nossa 
alma se passa. A percepgño externa,a que tambem se 
diamirelaíáo dos ientidos, é a que temos dos objectos 
corporeos por meio dos sentidos. 

Stínsac&a é aquella affei^So da alma que nasce da 
tommo^ao feila nos orgSos sensorios. 

ConüuidirSo os pbilosopbos sensnarístas a ieniaj^Oo 
eom a percepfáo, porém a escola escocesa demonstrou 
que havia entre ellas grande diíferen^a. Eis aquí como ao 
consas se passSío : 1' Recebem os orgSos sensorios a ím- 
pressSo ou coutacto dos objectos exteriores; 2* commo 
?em-se os orgáos sensorios com esta rnrpressao ou con- 
lacto;. 3* transmttte-se ao cerebro esta commo^ao por 
aeio^dos iiervos.; A"* da commo^Io transmiUida ao cere- 
kro resulta um ieniimenio, e porque este sentimento 
«emdos nntidoi cbamd-se ienia^&o; 5<> fínalmeateia 
eata iemasSía segue-seaj^erc^ip^dk) do alueclo. 



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480 p£R 

Gonsiderados estes vocabulos segundo a líng^aagem 
commum diremos que todos trez designSo a impre£»2o 
qne os objectos fazem na ,alma, com a diíTeren^a que a 
percep^o vai ao espirito ; a sensagao limita-se ao sen- 
tido; sentimento vai ao coracSo ou o possue. 

A vidá mais agradavel é sem* duvida alguma a que s^ 
compoe áepercepQóes claras e lumínosas, de sensapóes 
gratas e apraziveis, e de sentimentos yivos e gozosos. 
Isto é, oonhecer, amar e gozar. 

sentimento extende seu dominió até aos costumes ; 
faz que nos excilem igualmente a honra e a virtude. A 
íensoQáo nao passa além do physico ; faz unicamente 
sentir o que o movimento das cousas materiaes póde 
occasionar de d6r ou de prazer pelo mecanismo dos or- 
gSos. A percepgáo comprehende em seu circulo as scien- 
cias e tudo de que a alma p6de ter idéa ; porém suas 
ímpressoes sSo mais 'tranquillas que as do sentimento e 
da sensagdo, ainda que mais promptamente recebidas. 

714:. — Perfeito , eonipleto. 

O que eslá acabado, inteiramente feito, que tem tudo 
que Ihe é proprio, a que nada falta, éperfeito. qqe é 
cabal, tem a plena uniSio de tudo que p6de ter ; que reune 
todos os graos possiveis de perfei^So ; a que nada se 
p6de ajuntar, é completo, Melhor se apprecia a diíTe- 
ren^ a d'estes vocabulos se attendermos á sua origem la- 
lina. primeiro vemde perj^io, que significa perfazer, 
fazer acabadamenle ; e exprime a idéa do que está de 
todo feito, consummádo (Vej.Fazer,Perfazer, pag.300). 
segundo vem de compleo, que signifíca enchér de todo ; 
e exprime a plenitude inteira e absoluta. 

•715. — TeTÍgOf rlseo. 

O perigo refere-se a um mal mais immediato que o 
risco. Aqueile applica-se sempre á contingencia de grande 
momento ; este costuma applicar-se a cdusas de menor 
conscquencia. — Está em perígo de perder a vida o sol- 
dado que se acha em frenle d'uma baleria inimiga. Corra 



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PER 681 

riscoúe caír doente o que passa sem precau^o do calor 
no frio. primeiro rerere-se a um mai mais imminente 
e mais proximo que o segundo. •— Quem joga á loteria, 
corre risco de perder seu dinheiro ; e nao se díria está 
emperigo, etc, o que supporla um mai muiio maior que 
que corresponde áquella ídéa. 

Um yaiente que despreza os riscos costuma arrepen* 
der-se de sua temeridade á vista do perigo. 

716. — PerlplirMe^ elreiiiiiloeuf fio« 

A primeira d'estas palavras é grega, Tttpifp<x9ts , e a se- 
gunda lalina, circumlocutio^ e ambas dizem o mesmo 
que « rodeio de palavras, » e consistem em dizer por 
mais palavras o que se poderia declarar por uma s6. 
Differen(So-se porém estas palavras em ({ue a prímeira é 
um terroo de rlieVorica ; e a segunda é uma expresslo 
da linguagem commum. A periphrase é uma figura de 
omato, mui propria do estylo poetico e oratorio ; a cíT' 
cumlocugáo ou circumlo^uio n2o se usa por arte nem 
adorno senlo por necessidade ou conveniencia. A ctr- 
cumlocup&o é pois a periphrase commum, familiar, sem 
preten^So de estylo e de esmero na elocu^So, e até p6de 
ser muitas vezes um defeito; aíperiphrase éa circurn^ 
locug&o oratoria ou poetica feita para aformosear o dis- 
curso, ennobrecer idéas mui Irilbadas, ou evitar termos 
vulgares. 

Camoes, nio querendo usar das quatro palavras mui 
vulgares «norte, sul, nascente e poenle, » disse por pe« 
ripbrase : 

Alli 86 achárSo juntos num momento 
Oá que babitSo o Arcturo conf^elado* 
E os que o Austro tem, o as parles onde 
A Aurora nasce, o o claro soi se eseonde. 
(Ittl.,1, 34.) 

E achando pouco poetica a palavra « vinbo, * disse 
tambem por periphrase : 

Oá-lhe consefTa doce, e dá-Ihe o ardente 
NSo ttsado licor que dá alegria. 

a«í.. 1. 61.) 



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Ito ewnjttga^ti» ám veñM loiinos hA maifr cúrGto»- 
ioqmim fHé nas éM f«rbos gregoa, e wiHos maU nat 
ée« Terbos das iüi^^s Beoiallnas» os fuaea se nao podeia 
t^umr perij^eseSy aiUes s3o |^o?as 4ft p«birezai d'eslaa 
.j^guas eomfaradaacoiD a grcga;. 

7i7* — PwpetiM, pepeiiii«« 

Perpeiuo é o qne dura mui largo tempo ott sem fim; 
pertiHM J4ioUa esla idca a d'uma aq^ cootinua eiiices- 
sante. Os movimentos dos astros sSo perpetuo$ e pe- 
rennes ; perpetuot porque hio de éuraff em quanlo» durar 
o mundo ; perennes porqua difiiiiideiB iva eoBtinua cps 
mmca eessa. Diz-se que uma fonte, um mananeiai é jw- 
renne, e íñoperpetuo, porque seattende ao fltixo cooti^ 
nuo én agua, que nio cessa bo estiA, e nio k perpeéuiiade 
ée soa dura^ao. 

718. — Pejrtinaeia, olifltlnat&o, teima. 

CoDfiindem-se ordiiiaríamenfe esles roealMdos:, e cases 
ha em qne se podem usar fndtstínctameiile, com taio 
pióde-se entre elles estabelecer a seginnte dilkreD^ 

A pertinaevt é Tizinha da perseveran^, cemo diase 
Cicero : « Pertinacia perseveranttae' finitima est (de /ao^ 
fl, 54). * Toma-se em boo e eoi mii parle, mas foasi 
aempre em má, e póde definfr-se, perseveranea tetmosa' 
no erro e de ma fé, afTerro á sua opiniSo erronra^ por 
Isso disse Yieira, ftdlando doa berges : «a pertmacia 
de errar. » 

A obetinagao é o eíTeito d*nma falsa conYic^IOt foFte* 
mente impressa no aninao, ou d*um empenbo voluntario 
eom determínado ifitercsse. A teimm nSo neeessita de io< 
leresse nem de conyic^o, basta o amor proprio mal 
entendido; é um defeito adquirido ou arraigado pela 
educa^So, ou inherente á pessoa inclinada a contradizer 
m eglniiei e« vontade alheia, e a sustentar a sua. 

£ pertinaz o que persiste e persevers afiocadamente 
numa resohigSo, como que se compraz no erro, e d3o 
qner abrir os olhos á luz da verdade. É o^itifiado em seu 
•orro aqueile a quem nio coDTencem as razoes mais claras 



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PLA 483 

eevidentei. É teimoso o qne, convencido das razoes, nlis 
cede a ellas» — É péitíinm o bcrcje que nio quer snjei- 
Ur-8C á autoridade da Igreja, e persisle de má fé em scn 
erro. Estft obstinado o réo qtte nega sen de^icf o, por medo 
do castiga t teimoso um rapaz mal edncada por pwa 
malignidade de sec viciado caracter. 

719. — Planlcte^ Iilanvira, elkfi^ reelia* 

OoncordlTo os dons primeiros voeabslos em signiBcar 
vm espaco de terreno plano, raso, sem alti^atios;e 
^eren{ao-8e emqne j>tomct> exprime esta idéa absolu- 
tamente, e ptanura com reta^o a eleva^. Todo lerreiio 

8!ano éplaniciet s6 oterreno plano e elevado é ptarmra, 
ía planicies no pé ou ra'íz dos moutes, s6 no cime d*etles 
ha planuras^ como disse Barros : «Terra, qne no cimo 
fozuma p^anura gracíosa (I, 8, 4). » primeiro correa- 
ponde ao francez plaine, e o segnndo ñptateau. 

Chá e recM sSo palavras vulgares que exprimem a 
mesma idéa de terreno plano sem nenliumaoulra rela^o ; 
com tudo, querendo usar d'ellas sem homonymia, díeve- 
mos cbamar chá á planicie que precede um monte, e 
rwehá á qne está cfli sctt cimo, que íaz como se- 
gnnda chá, 

720.— Plaaa, Uiano, ek&o. 

Plano é « Yocabulo latíno planuSf e significa o qne é 
rasOt nSo tem altibaixos. Lhano é vocabulo castetliano, 
Uano^ que corresponde exactamente ao latino ptan^s. 
Cháú é mesmo vocabulo, pronunciado á portugueza. 
Sú> pois todos trez a mesma cousa em quanto á sua ori- 
gem, porém léem differentes significafoes assaz conheci- 
das. Oplano póde ser inclinado, o cháo é o plano quasi 
horizontal sobre o qual andftmos, etc. Como adiectivo, e 
em sentido iranslato, cháo stgniflca baixo, bumilde, e 
tambem simples, sem ornato, sem artificio, etc. Lhano 
•ignifica que nSo tem soberba, que é aecessivel no trato, 
conversavel, ete.; e seolittDia d*estas sigoifica^oes por- 
Uacea plaáo. 



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hStl POE 

721. — Pobre, meuillso. 

Confundem-se a miudo as idéas que represenlSo estas 
duas palavras, porqne se considera o mendigo como um 
homem reduzido a uma extrema e involuntaria pobreza, 
Porém facto de mendigar nSo suppoe absolutamente 
necessidade, como o faclo de beber nSo suppoe absoluta- 
mente séde : ba quem mendiga por ociosidade e madra- 
^aria, como ha quem bebe sem necessidade, e talvez 
por vicio. 

Pohre é qnc carece do necessario ; mendigo é o quc 
pede e^mola. Este vocabulo suppoe uma occupa^So, que 
p6de ser forcosa, óu volunlaria ; aquelle suppoe umestado 
sempre involunt^rio e for^oso. 

mendigo que póde trabalbar, é um ladrSo dc pro- 
físsSo, que furta ao verdadeiro pobre ; e o que, com uma 
caridade mal enlen^ida, Ihe dá esmola, é um complice de 
seu roubo. 

722. — JlPobreza , Indlsenela^ penurla, 
Inopla. 

Todas estas palavras exprimem a falta do necessario 
para viver, mas em maior ou menor gráo. 

Pohreza expñme a idéa de ter alguma cousa, porém 
nio bastante para as necessidades da vida. Indigencia 
exprime a idéa da carencia do necessario, por estar uma 
pessoa impossibilitada de o haver, de o ganbar. Penuria 
exprime a escacez extrema em que se aciia uma pessoa oa 
familia, a quem faltSo as cousas mais indispensaveis á 
vida, que padece fomes, etc. Inopia é palavra lalina que 
exprime em geral a falta, a carencia do que é mister, e 
diz-se das pessoas e das cousas, como se lé em Gamoet 
quando falla de Massylia: 

Terra a nenhum fruto em fím dispoí^ta, 
Padeceodo de tudo extrema inopia. 
(Iuí.,V,6.) 

725. — Poetlea, poesla* 

Diias Dalavras lalinas e gregas, víndas ambas de noUtA^ 



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POR 485 

fazer, que muitas vezes se confundem, mas que na reali* 
dade represenlao duas idéas distinctas. 

Poetica é a variagSo feminína do adjeclivo grcgo 
iroojTíxoí , ;» , ¿V , concordando com rix^ri , e diz o mesmo 
que arte poetica, ou do poeta. Poesia é um substanlbo 
grego, -Koin^if, que signifíca acomposi^Io feita pelo poeta, 
Assim que, a poetica representa a arte do poeta com 
suas regras e conselhos ; a poesia represenla o producto 
d*estas regras executadas pelo senio do poeia. Assim o 
entendia Cicero quando disse, lallando da primeira : • 
prcdclaram emendatricem vitce! poetieam ¡ oh poetica 
preclara emendadora da vida! » E fallando da segunda : 
« Anacreontis tota poesia est amaioria ; toda a poesía de 
Anacreonte é amatoria {Tuse. IV, 32, 33.). » 

Aristoteles e Yida fizerSo poeticas, e a epistola de 
Horacio aos Pisoes tambem se chama poetica; mas todos 
os poetas fazem poesias, P6de dizer-se que a poetiea é 
a grammatica dos poetas, e que a poesia é o genio 
creador do poeta. 

724. — Pdr, asflentar,. eoUocar. 

Do verbo latlno ponere fizerSo os lossos antigos poér, 
qne depois se modificou em pár, cuja significaíSo é mui 
generíca, e se limita em alguns casos pelos dous yerbos 
assentar e collocar\ e seu respeclivo valor se poderá bem 
comprehender comparando-os com os verbos francezes 
mettre, poser, placer aos quaes correspondem. 

P5e-8c uma cousa em qualquer lugar, de qualquer 
modo ; assentase quando se poe com acerto, e da ma- 
neira convenicnte ; coUoca-se quando se p5e no devido 
Ingar, com propor0o c symetria. Pde-se uma pedra no 
cbáo, na parede, etc. ; assenta-se a cantaria para llizer 
edificio; colloca'Se uma pedra rara num museo de 
mineralogia. 

No sentido figurado, assentar designa cousa que servc 
de base ou fundamento a outras ; e collocar refere-se á 
disposiflo e boa ordem com que as cousas se dispoem. 
— üm orador assenta certas proposicoes que sao o fun- 
damento do seu discurso« e colloca néile os argumentos 

DigitizedbyGoOgle 



ftM P0& 

e oni2to& do modo mais ¥anlajoso para conseguir o fím 
que se prop5e. A fogica dere guiSir-o no raoá» de o»- 
sentar a& proposí^oes fundamentaes { a oratoria dá-ffac 
regras relátíyas á ordem com; que dere coUocar os argu- 
meDtoa. 

ComCiindem-se mttUa& Tezes estas duas conjonc^^, 
tendo c[ue se devem distinguir. Mas é conjunq¡So tfi&- 
linctíva e advefsativa, que acompanha a addi^Io de 
algoma circumsftancia, que se oppoe mais ou menos & 
propoi8¡0o já enunciada; é muito a proposito nos inci- 
sos, £i& aqui alguns exemplos de seu uso : « Catharina 
nao só disputa, nHU éefine; nlo sé argumenta, mas 
conclue; b2osó im^gna, mas vence... Duros como as 
pedrasy mai nlo coavencidos (Vieira., ni, 267^ 282). • 

Porém é coBjunc^ restrietiva que se conirapóe d'um 
membro da ora^ a outro, moderando-o ou deslruindo- 
o; é muito a proposito nos periodos. «Deos na lei da 
gra^a derogou esia circumstancia de rigor; parém na 
leí natural t2oí6ca esteve de variar^ que... Se deix^mos 
de amar o amígo ausente, nlo ¿ cufpa sua, é injustica 
mssa ;, pmwm se ioi ingra&o^ nSío &á fícaa ináign» do 
«ais t¿bi» amor. mat merecedor áe lodo a odio 011« 
me37^).. 

Bxm^H^ das éuas eoajfmecoes numa mcsma orai^. 
« Quc: ca^ un sc detcesse && opjAioc» a^ tinha esiUi- 
dado, muito< foi ; «m* nio foi lanio; p>rém qne iodos 
«n HB aelo tíb pübtíoa n2o dnvidasfiem de eonft^sar 
«ites mesmot erro«... aqui pácaa admira^So,.. A algum 
<qQe aSo'lb'a aceresonUe, podcirá aer, mat um so ; pcrim 
a <pa» Ilie Becel^e tu a sua (fazenda)ott a dos, seus vas^ 
mMñs^ nia é íofrio^ aem ccir quem tal eousente (01, 
281ca4l).p 

Porém usa-se tambem, como o tero, e auUm^áü& La- 
tíMs,^ depols d'uma palavra. « NSose diz parám^ nem se 
labe cpnem losscm o& auiores Haverá porém algum, po- 
lítka tflo cspeeuKaivo, cU. (ttl, 338 c 340)v > íéas nSo Sf 
dir nunca cm easoc similhaníea», poi& sempce; comcca o 
" loa nctso da araiio. 



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poft m 

728. — Pwineloji pete meto. 

Na prímeíra expressSo considera-se a pafaTra fiieto iio 
ientldo inora{ e ftgirrado, na segunéa oonsMkra-se no 
sentido pfaysteo e proprío. — Alean^io-se gra^ jyor 
wteÍQ de dinhetro, qver ^zer, raediaid^, serriirdo de 
mm dinhelro. Partio^, rasgou-o peh meia, qner 
fóer, de meío a meüo, nrzevdo dnas melades. — Com tmlOy 
qnando se delermina o meio por qne a coma se í^z on 
alcan^a, diz-se pelameia. — iULcancQiH) pelo^ meio mais 
•ndígno que dar se póde. 

727. — Por^ue, ipoIs. 

EsCas duas mes sSo sYnottjmas qnando se empregio 
para expor a cansa on mottf o d'uma asserQlo ; por exem- 
plo : E$pero que men ftlho ha de dargosto a seus supe- 
riores, pm'q^e é applieado e bem procedido; e nSo duvido 
que fará fortuna, poii agora se premía o merito. A 
dificrefiQ» pekrén qne f art ct acbar-se catEe ellas é que, 
pmrque cxpileai nmft ttki^ uaíi certa, mais posi^a, 
490 Di» etiá si^eita a. éavida ou a probabilidade. -- Hi 
kUDa por§me choiwa; istj» é, a laiaa é uma conseqtteacia 
certo 4a charau £ Batnral que eonsiga o empregd qui 
Milíctla,|)0t» parte* que tem boM padrinbos ; i&ta ¿^ o 
conseguir o emprego é consequencia provavel da pr»* 
tccdki dos feámnhoe. — V«u dernMr um poueo, poié náo 
cra» qHCrvtnha mctt aaio-»te8 da mcia noite, jMrfHi 
sei que está jogando. A tardanca em vir é provavel; c 
jogo é certo. 

79& — PtwTtr, toCwro. 

Elitre estas d>iias expressoes^ nio ha ottlra éífTeren^ 
0en2o (nie o porvir é nats vaetn, mais incerto, e Hé mati 
i^Btftado; o/Mfiiro é o que de eerlo ha de aconleeer, e 
Mrttez nio está distanle. A astronpmia predir o futurm, 
annunciando-nos com antief|iaf2o os eelipies, a reapp»» 
1^^ doi cooielfls, ete., commv^emi effeilo hiode 



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488 POT 

acoDtecer ; os aslrologos pretendiSo conhecer o piírviT^ 
annunciando guerras, morles, elc, que muitas fezes 
vtlo aconteciSo. 

Um homem que tem uma Tída aventurosa, e exposta a 
perigos e adversidades, póde muito bem dizer : Nio sei 
qual será o meu porvtr, islo é, o que me ha de aconte- 
cer ; se elle soubesse de antemSo que ha?ia de naufragar 
e perecer sobre um rochedo, diria melhor : Um desgra- 
^aáofuturome aguarda. 

729. ~ PoMÍbllltar, faellltaF. 

Po$$ibilitar é fazer possivel o que era impossÍTcI ou 
se julgava tal. FaeiUtar é tirar os embara^ os que diffí- 
cuHSo a execufSo d'uma cousa, fazél-a facil ou menos 
difficultosa. Optimamenle disse Vieira íallando do Infante 
D. Henrique : t NSo poisihilitou sómente, mas facüitou 
aquelle uatural impossivel (YIiI, 537). • 

730. — Pofltulado, axloma. 

Postulado é palavra IzVim, postulatum {úepottulare^ 
pedir), mui usada nas argumenta^des escolasticas, e signi« 
fica uma proposi^So que o adversario nSo póde contestar 
ou por ser admittida universalmente e evidente, ou por 
ter já sido demonstrada ; sobre ella se estriba a argumen» 
ta^So, e pbr isso come^a o arguente por obter a concessio 
da certeza d'ella. 

Axioma é palavra grega, á$cu/ia, e significa principio, 
rerdade incontestaTel que nSo carece de demonstra^So. 

731. — Povo, na^ao. 

No sentido litteral e primitiTo a palaTra nag(h indica 
uma rela^ao commum de nascimento, de origem; e 
pory>^ uma reIa(9o de numero e de reuniSo. A nafáo é 
uma dilaiada familia; o poto, uma grande reuniio ou 
aggregado de seres da mesma especie. A nacáo consiste 
nos descendenles d'um mesmo paii e opow> na multidSo 
de homens reunidos num mesmo sitio. 

Uma vez que nafdo designa ama rela^ode nascimeiito 



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POV liS9 

e de origem, é nalural chamar nagHo á totalídade de 
liBhagens ou castas nascidas on estabelecidas de pais a 
filhos num mesmo paiz, e designadas por uma deno- 
mina^o commumy como o nome respeclivo das fa- 
milias. 

Segundo esta accep^So a na^So consiste nos naturaes 
do paiz, e povo emseus habitantes. 

Um povo estran^eiro que fárma uma colonia em paiz 
longinquo, continua a ser portuguez, espanliol, in- 
glez, etc, é-o por noíüOy ou de origem. Diversos povos 
reunidos, naturalizados, ligados por differentes relagoes 
communs num mesmo paiz, formSo uma noíáo ¡ e uma 
nagHo se divide em varios povos^ diversos uns dos oulros 
por difTerencas, ou locaes e physicas, ou politicas e 
moraes. Resulta d'islo qne uma na^ño é um grande povo, 

A nagdo está inlimamente unida ao paiz pela cultura : 
ella o possue; opovo está no paiz: elle o habita. A nagáo 
é corpo dos cidadios ; o povo é a reuniSo dos reinico- 
las. Yeja-se o art. seguínte. 

732« — PoTo, plebe, tuIso» Tuli^aelio. 

Uma na^So divide-se em muitas classes; o povo é uma 
d'ellas; é aparte mais numerosa de que a na^áo é o todo. 
£ tambem um corpo do estado, com rela^So aos dous ou* 
tros, clero, e nobreza, que antigamente se chamavSo os 
trez bra^os da na^So. 

Plehe é a gente commum e baixa do povo. D'aaui se de- 
riva adjectivo pléheo para designar o qne é da classe 
do povo, que nio é nobre. « A plehe e os pleheos, diz 
Vieira, sSo os mais pequenos e os que menos avullSo na 
republica (11,327).» 

f^ulgo é commum da gente popular, a multidlo rude 
e ígnorante, de baixos senlimentos e ac^oes ruins. Daqui 
vem chamar-se vulgar a tudo que é ordinario, de pouca 
eonta, de baixa sorle, elc. 

Vulgacho é a gentalha, a infima plebe, o vulgo despre- 
zivel e ignaro. 



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733. — P*TO»f M, popiÉhifM. 

Conñindem-M ordinarlanieiile eslas duas patovm , ^ 
ambas vem de populus, povo ; devem com liido dtfKra- 
^ar-se. PovoüQáo é o lugar povoado *, popmiOfáQ é o no- 
mero de vizinhos ou habitanles qaecompoeai uma cádade, 
vUia, 041 um pAiz. — Pertugal tem mtiítafi po90€bpdes 
roaiores e menores, e sua pepulagáo é 4e Irez millioes ét 
habiUintes. Usboa é a prímeina pfWMfúo 4o reino, e wm 
poputagáo é de 240,000 alaias. 

734. — PrsdUi , ribeipa* 

Praia é a costa inclinada e plaiia, ordtaartameiite dc 
aréa, sobre que eKpraiS# as ondas, como ^iase CaM5es : 

Quesolire eda empecendo tambem caii 
Qoem aMguioiiaareiMsaj^ruiA. 

Jli^e^, qiiando se refere ao mar, é o mesmo que 
praia^ talvez mais declive e derribada e menos exteiisa, 
e onde podem varar barcos, etc. Quando se rerere aos 
rios é terra fyesca e fertii que se prolo^ga junlode rio, 
talvez arvorejada, como disse Camoes : 

Isio dito, reloies maii que gamoi 
8e hMK'So a eorrer pelai ribtir^á^ 
Fagiodo as nympbai tIo por entre os ramos. 

(LiM.,IX,TOO 

f ^a-ae Borda, pag. 131. 

735. — Prazer , deltela, delelte* 

SSo estfs os principaes sentimentos jucundos do ]io« 
mem ; considera-se o praz$r como genero, e os outpos 
como especies. 

Prazer é tudo que prax, contenta, dá gosto, excita 
nossacompiacencia, satisfa^áo, recreio, semque operturbe 
nenhum dissabor nem desgosto, pois do contrario o 



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'awtr mSm s«ráa ncii f an^ iiem vcFdadetfo« seaiD uma 
baiiDagem d'die. 

Delicia slgnifcaum maior gráo de praxer^ um senti- 
lito jiicfmd# mais forie ; porém mais limilado em qnanto 
Neo objecto, pots propríamcAte só t em a abra^ a 
fetta^lo. 

Asslm como delicia indica maior gréo de prater, 
isim lanbefli dehite indíca o mai<Mrgráo de detíeia, 
pratur levado ao seu extremo, de que já a2o se póáe 
issar. 

Ha pruxeres esptrituaes « sensuaes, hooestos t delesos. 
Metllgencía collifada, a instmc^o Tariada, os seoU- 
icHtos nobres éocora^So, a iM^tica de ac^oes Yirtaosis; 
aaade rigorosa, a jutcríI kiade, a posse de riquefa*, 
mm. Tida dilosa, ^ fontes de mnites e variados preh 
srm ,- i|Be só serSo reprebeosifets quando deixarem de 
er konestos. — A idéa de delic«a1ndka cousa noais to* 
aoUiosa,iBaisduradoura, mais fíxa no /irajEer mai^ial; 
idliere ordtaariainente a iub só objecéo, e permaoeoe 
naif tciBpo fieile, por isso dizia Yíeira qne « Esaú era s» 
ielieias da ▼elhice de isaac (1, 531 ).• -* A palavra de- 
E^ desígiai propriameote os eKcessos damollicie, e as 
leiejlafoes sensuaes: pdo qoe se oltia commummenteo 
dtietle <omo om defeito, nm ficio, qiie a boa «oral re* 
prova, lun jd>uso dos praxeres seosiuies^ am abaodoooa 
(ioieaias e torpes paixoes, uma inquieUicSo e desas» 
Mssego de animo a qtie neabum giozo salisíaz por novoo 
ttqaí^qucsqa. 

756.— PmcloAo, iilwitr^fio. 

PredtííQ é um opera^e 4o «aleBdimenlo, qne coo» 
tiste em conslderar uma eoitsa d< per si , stm aíiendcr 

SeHas a qoe anda tmida , oa com que 4effl reta^. 
ir^e^ñoé nma opera^io similiiaRle a eMa^ qwe coo^ 
ititccm constderar Bmna cousa tim s6 attrii)«ito sem ek- 
teader aos oBlros qoe tem. V^a-^ Ábstrac0o, <m o 
Wn, pog.d4iL 



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492 PRE 

737. — Preelm, «ucclnto, conel«0 9 
ppeelsao, eonelsáo* 

Preciso indica o que é necessario numa cousa, sem 
nada de superfluo. Succinto designa o que é breve e com* 
pendioso. Concito exprime a concisáo com que se diz ou 
escreve alguma cousa. 

Preeiso e succinto dizem-se ordinariamente do di8« 
curso ou composi^ao litteraría; e conciso, do estylo e da 
expressSo de quem diz ou escreve. tpreciso o discurso 
quando neile«iomina a precisáo,c,se corla tudo queé 
estranho ao assumpto que se trata. £ succinto o discurso 
quando nelie só entrSo as idéas principaes, e se tratao 
compendiosamente e sem prolixidade. Conciso é o estylo 
quando a obra nSo está sobrecarregada de pensamentos 
Qao necessarios, e quando no discurso só se empregSo os 
termos mats proprios e signifícalivos, excluiudo toda a 
diffusSo e redundancia. Concisa é a expressSo que pre- 
senta exactamente a idéa que desejámos communicar, e 
além d'isso a enuncia com aquellas palavras que sejSo 
necessarias para sua cabal intclligencia. 

Ainda que alguns hajáo confundido a precisáo com a 
eoncisáo nas expressoes, sSo com tudo cousas absoluta- 
mente distinctas. Ambas estas palavras, como derivadas 
dos verbos latinos pracidere e concidere, compostos de 
ciBdo^ convém na idéa fundamental de cortar ¡ porém 
cada uma d'ellas indica diversa est^ecie de cortadura^ 
se assim nos podémos explicar. A precisáo quer dizer 
que se escolheo o termo que melhor delermina o ob- 
jecto, circumscreve, o córta e separa de outros com 
que podéra confundir-se. A concisáo signifíca que a ex* 
pressSo n2o contém mais signaes que os necessarios para 
representál-o, aiuda que estes por outra parle sejáo por 
ventura vagos. Isto é lanta verdade, que ás vezes a ex- 
pressSo mais concisa é tambem a mais vaga ¡ e ao cor-« 
trario , as demasiadamente precisas e círcumslanciadas 
costumSo ser por isso niesnio redundantes. Um exem- 
plo demonstrará. Se fallando do triumpho dos Roma- 
nos dissessemos que o triumphador ia num magnifíco 



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rro, elc, e kTa?a uma eauM m cabe^a ; a expressio 
podui ser maís cmcisa, porém tampouco mais vaga. 
dissesseiDOS que leva?a uma coróa, haveria igual caii^ 
lio; porém aindanSoha pred<¿to necessaria, porque 
b dlzendo de que era a coróa, nSo se saberia se era 
oaro, de prata, de louro , de oliveira ou d'outra ma- 
ria.Se dissessemos, uma coróa de louro, a expressSo 
ria bastante precisa, e ainda que nSo t2o concisa como 
» anteriores, náo chegaria a ser redundante. Se , que- 
tndo explicar-nos com uimia exactidSo, dissessemos 
oma corda formada de ramos de louro entretecídos 
is cem ootros, * a expresslo nada teria de vaga e ge- 
eríca, porém sería já algum tanto redundante, porque 
n2o ser um menino, todos, ao ler coroa de louro^ com- 
rehendem que era formada com os ramos flexiveis d'a- 
uella planta. 

758. — Preclsar , fallecer de. 

Preeisar é ter necessidade precísa, que nao depende 
le nossa vontade. Fallecer é ter de menos alguma cousa. 
-0 bomem precisa de aiimento para viver. Alguiis ho- 
DeDs fallecem de talento, de capacidade. 

AqnUlo de que se precisa nlo se póde dispensar ; 
iqoillo de que se fallece faz falta, mas póde-se passar sem 
ijle.— i>redfa de educa^o o mancebo ainda qiie fallega 
letalento.Yeja-seCarecereNecessitaremo n<>404, p. 288. 

739. — Preelflo (é), é mlster . 

qoe é mister póde pehder de nossa voniade, por exi- 
S^l-o puramente nossa utilidade ou conveniencia ; porém 
que é preciso nunca pende de nossa vontade, porque o 
exige a obriga^Io ou a necessidade. — Para ir de Lisboa 
a Cacilhas épreciso passar o Tejo. É mister levar com 
paciencia os trabalhos e incommodos d'esta vida. — É 
preciso comer para viver; é mister guizar os alimentos 
psra qne nos saibSo bem. 

740. — Prefo, Talor, e«tlmaflio. 

merecimento intrLuseco das cousas constilue seu 
li 28 

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M4 

veiíhri fmda-se nmprtfawaL eslimati» fue se ÜMf ^ 
Dieeoios pois : Eflta aiedaiba, Mtai út sev vait p9t^ 

qoeé de Mro, é tambem de graade pr^po por ser Jatí- 

qiitssima e rara. 
Prepo suffee siguraa reiagio com a corapra m venda. 

fne nSo sttccedecom ü palamiKzlor. Asstm i|ue ae^i» 

« •q«e ndo é bom eniendeéor o qm náo juliKa 4p timhr daa 

ooosas senáo fielo pr^^o 'por fiíe se oompi^o. — Qaafllas 

rms se YeMlem ^r Iná&o |r^ aliaias de f^rande 

miorfJ 
Entimwgfbo ié o vaior qoe se dá , oa «em qve ae CMsi- 

dere uma ooosa; é o juiio qne delenmaa o sen vofar re- 

•ati¥«. 

741* — Pii*efacla) proloj^o. 

Estas palavras pertencem á litteratura, ou, paramcfhor 
dizer, aos itvros ooiuiderados aateriaknente. O prefacio 
ou prefagáo d'um tivro é a introduc^So na materia de 
qne nelle deve tratar-se. O pr&loffo é reaf menle na ad- 
Yertcncía, por meio da qual se instrue ao leilar da ma* 
teria qtie vai a tratar o escritor, e do #bjeclo e raodo de 
fazél-o. — Os lívros refíftiosos ordiaariamenfte <léem jma- 
facioi; os profanos, ^roio^. 

742. — PMfbriis e«Mllier, ^^ew». 

Preferir é antepor nma pessoa ou cousa a outra , de» 
terminar-se a Aivor d'eila |>or q«aiqner moílro que seja. 
Escolher é separar o bom do máo, o utíl do inuül, o que 
cmivém do qne nSo convta, examifnmiio e eonsnllandfl o 
gosto, a utilidatle e demais circumstafncfas da cousa : a 
ac^o d*este verbo stippoe a duvi<1a ou a indecisio exis- 
tente ainda. acto de decidtr'se a vontade. « desüBar a 
eoosa ao fím proposio, é eleger ou ifazer efeipdf». 

A preferencia póde ser justa ov Injnsta, sincera oii 
apaitonada, por eaprídio ou por inleresse. K e$eoÍhm 
pode ser acertada ou desacertada, pniéefvte on ineonsiAe- 
rada. A üeifáo suppoe liberdadc e direiio em qiáem elege^ 
e destino a cargo ou emprego na pessoa e/eila, oo nm 
' » na ooim ée qwKe íiUE«<«triaL 



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O iMBeir honraéoe wrluoso jri/tfr*» DMrle a^^erímc, 
«M8 0* peffvmo prefwe o& ^azeres* turbiilentoft éa muiido 
á d«c« pai da iQnocaiie iriptide. JSic^lhé am general m 
ioldados mais yalentes e deberaiHiado& para ttoia empraa 
dlíficultosa e arriscada. Escolhe o superior um subdito 
para um minísterio on fenc^o. Bíegem os snbditos um 
prelado, os eleitores um deputado, á phiralidade de suf - 
fragios. Um pregador fkz eleifáo do assumpto que ha de 
tratar,. como disse Vieira : « Para gloria sua e igiial bem 
ée nossas almas, ñz eleigáo d*este assumpto (VI, 6). » 

A mulher leviana prefere as cores cteras c ?istosas & 
«scirras e modestas; quando qner fazer um restido vaLa 
«asa da modista» vé os diíTerentes estoíbs, examina sna 
qnahdade, consulta o gosto e a moda, e esta é a vcrda- 
defra operagaío de escolhev; ftxa a sna eecolha em taí ou 
lal estofo que mais Ihe convém, agrada ou íhc parcce 
melhor, eis a acgSoi de eleger^ ou fazei^ eleigáo. Yieira, 
tendo díto que o melhor meíode desarmar a fortuna era 
collocar-se no ultimo lugar» ajunton : « Só quem soube 
fazer esla eleicáo desarmou a fortuna (V, 214). » 

Nolaremos com tudo que, por uso, eleger só se ap- 
^sca ás pessoa8,exprimiiié»a idéa'de dar a preCerencia 
auBna ou algumas entre mintas; fiuieilemo-noe f<H& a 
^üe arbilroy coaservemos á eaqiressSa faxet eUifáo a boa 
apí^agia c|ue Ihe éeO' Vteiray e deíxeaias ao verba esc^ 
l^eraqueJlaqueverdadttiiameBle Ihe perUnce.e adflift 
fica indicada. 

743. — jpremlo , salardáo. 

^emfío é paíavra latina, pramium, c slgnlfica cm ge . 
ralpaga, reeompensa de servi^, oa merecimeatos reacs 
Ott snppostos. Tieira dísse : • Cmn ingratiddes pagáo 
fsasi sempre es reisda lerr» o* servi^os, qae ^ mai#' 
res que todo premio. » Gaíardáo é plavra da Bii^ua ra- 
iBana,^ertdoft on ^rdort, e da Haliaiia, gwéerianei 
roade a castefhaoa gahtrdm, que nés prenuiicünos^ 
lflrd«e,a qnal srgniicava piríiiiítivaonmte e»lipeafdi#, paga, 
•dario; e depois stgnificon ^aga de ac^ bea, oo mi, 
Hista ott injBsUmieiite destribQiéa, de que temoi iuasaifi»- 



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h9% PRE ' 

ridades. Kl Rei D. Duarte, o qual fallando dosmlios, diz: 
« E certamente as mais das vezes os Tejo receber na Tida 
presente seus galarddei ( Leal Cons. pag. 55). » E Ca- 
VD¡6es, fallando de Pacheco, diz : 

Aqui tens companheiro, assi nos feitos 
(jomo no galardáo injusto e duro. 

{Lus., X, S3.) 

Nio remos pois que a palavra galardño expríma uma 
idéa mais nobre que|>remto, nem que este supponha sem- 
pre alguma obriga^So de o distribuir na pessoa que o 
distribue; e nislo nos conformámos com Camoes que 
usou a palavra premio num sentido geral e vagó, e tal- 
vez com o mesmo valor qne o autor dos synonymos quer 
aitribuir a galardao, pois disse : 

Vereis amor da palria, nSo moYido 
De premio Yil ; mas allo, e ouasi eterno .- 
Que n5o é premio vjl ser connecido 
Por um pregSo do ninho meu paterno. 

(£u*.,I,iO.) 

Temos para nós que premio é palavra mais culta que 
galardáo; que esta represenla a paga de ac^So boa ou 
má distribuida com justi^a ou sem ella, e que aquella 
indica particularmente recompensa de servi^os ou mere«- 
cimenlos, e que nisto consisle sua differen^a. 

744. — Preiilte , srairlda, pejada. 

Todas estas palavras exprimem a mesma idéa, mas cada 
uma com differeute rela^So. Prenhe refere-se ao estado 
da femea que traz a crian^a no ventre. Gratida exprime 
o peso que a femea sente durante a prenhez. Pejada in- 
dica embara^o, incommodo ou estorvo que experimenta 
em quantaanda prenhe. 

Prenhe diz-se das mulberes e das femeas dos animaes, 
pelo que é termo baixo e indecente, e s6 se usa o de gre^ 
viáa ou pejada fallandodas mnlheres. Com tudo nosen- 
ttdo fígurado cbama-se prenhe ao que é cheio, carregado, 
«0 que contém uma cousa qne n2o se deseobre; e assim 



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PRK 497 

8€ dí2 < nQTem prenke áe. raios; imdiprenhe de metaes; 
pahTras prenhee de myslerios, etc. » 

74¿. — Preoceupaf fio » preTen^ fio* 

Estes doos lermos exprimem uma disposi^So interíor 
opposla ao conhecímento da consciencia, e que impedeo 
animo de adquerir os conhecimentos necessarios para 
julgar rectamente das cousas, com a diíTeren^a que a 
preoccupag&o reside partieularmenle no entendimento, 
e faz cego ; e 2iprevengáo tem seu principal assento na 
vontade, e a faz injusla. 

A preoccupagáo é o estado do animo de tal modo cheio 
e possuido de cerlas idéas, que nSo póde ouvir nem con- 
ceber outras conlrarias. A prevencáo é uma disposi^So 
anticipada da alma que a faz inclinar a julgar mais oa 
menos favoravel ou desfavoravelmente d*um ODjecto. 

A preoccupag&o tira a líberdade do animo ; absorbe«o. 
A prevengüo tira a imparcialidade do juizo ; induz em 
erro. — Apreoccupagao nasce de alguma impresslo vifa 
e profunda que enche de seu objeclo a capacidade do 
animo, e captiva o pensamenlo. A prevenQ&o nasce de 
certas relayoes ou informa^oes que nos dér$o d'um ob- 
jecto, as quaes interessando-nos a seu respeito, n2o per- 
mittem á nossa alma o conservar seu equilibrio e sua 
indiiTeren^a. 

Pí!& preoccupagdet n3o slo boas para cousa nenhuma: 
devem-se combaler como inimigas da verdade. Ha pre- 
vengdes justas e razoaveis : é misler examinál-as, porque 
podem prevenir-nos contra o engano. 

746. — Prerosatlira, prlirllefflo. 

. A prerogativa corresponde aos homens e ás preferen- 
cias pessoaes; provém princípalmente da subordina^^io 
das rela^oes que as pessoas téem entre s¡. prmlegio 
pertence ou se refere a alguma vantaiem de interesse ou 
de emprego ; provém da concessSo do soberano ou dos 
eslalutos da sociedade. 

nascimento dá sís prerogativae, Os cargos e empre- 
gos dSo os privilegioi. 



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%9% fUE 

747. — Preseniar, offlérecer. 

Pfeuníar nSo exprime mais qne a idéa simples e 
(iDica de expor á ▼ista de algnem, ou antes approxímar 
d'dle uma cousa para que a lome , para que a ailmtlla, 
para que a acolha^ ou tambem para que a consídere;, po- 
rém sem nenbuma outra circumstancia signalada, sem 
oenhuma outra rela^o. Offerecer cxprimea ac^So de 
propor ou de instar para que alguem acceite, lome, ad- 
mitta alguma cousa, porém parlicularmente cousa&agra- 
daveis, uteis, interessantes, e com interesse, com efñGa- 
cia, com voiilade sobre tudo, de que se acceite o que se 
Qfferece. -— dono da casa preseiUa a um amígo um copo 
dagua ou de vinboquando esle o pedei e offerece-lho 
qaando o convida a queo beba. 

748» — Pretender » asplrar , sollieiter. 

DesignSo cslas trez palavras os esfor^jos que se fazem 
para alcan^ar uma cousa, para obl6I-a. Poréro (upirar 
desfgna o vivo desejo. d'uma cousa que depende dos ho- 
mens on da sorte ; pretender suppoe uma jusli^a que se 
deve fózer ao pretendente, um premio que se deve adja- 
dicar a seu merito real on supposto, ou uma gra^ de que 
se julga dígno. •— que aspira a alguma cousa, em- 
prega para chegar a elia astucia e artifício, e por vezes a 
(or^ e todo6 os meios (\y\t a inconfentavel ambi^So 
saggere. O quepretende expoeabertamenteseasdireitos 
veroadeiros ou chimericos, e esforga-se para os fazer 
valer. — que aspira e nSo íogra o fim de seus desejos, 
fica ahatido, huioiJbada 6 aftUclo ; o qiie preimée e náo 
obtem que sollicitava, fíca descontente, e diz que Ihe 
fiierio injuslifa;, ou na» atienáéráo seu merito. 

Sollidtiir representa parlkularmente as éiHgeneias 
qoe fli2«mos, os m«ios de que nos servimos, e es passos 
(pie óamos pt^n consegcir o que pretendemoe, — Um 
cftvalheir» de provinda pnienúe na cérte qne se Ibe 
eonfíra um emprego, elc. ; nao podenée abanáoBar siia 
tasa e famüia, eocarrega a un amig» que tUUeUe sen 
despacho na secretaria ou ao tribuaai eooipeteBfee; NeBte 



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PEI 49^ 

caso» oem o cavallieiro iollicita aioda que pcetende^ 
lem ami¿Q preiexkáe ainda quc iotlidta. 

749; _ Pretexto» escuM. 

SMmea é a razS* yálida, eom que jasUfiGftmo« vtt 
iKlo. Prel«r<a éa razi^apfarenle, de que bos servímo» 
para oecii^tar a vcrdadeirt. 

Busca-se um pretexiSy para qae sirva de escuia. — 
Falano deo por eteusa eslar oecupada, porém soube-ie 
depoísque lai<>ccupa^o foi sómcDle WBkpreiexto, 

Chama'Se imj^ropriamenle tscusa ik falsa raz2o ou 
motivo com que procurámos desculpar-nos, ou eximir- 
nos de artguma consa ; por^m esta na realidade n9o póde 
chamar-se escusat porque é claro que nSo p6de verda- 
deiramente sél-o aquiUo qne se quer fazer passar falsa- 
menle por tal. A patavra escusa a explica sempre debaixo 
da accep^So de verdadeira, e por isso produzimos nossa 
ra^o como escusa ou descutpa^ soppondo que, recebendo^ 
a nesta qualidade, se olha como legítima ; porém a pala- 
wsipretexto represenla por si mesma uma razSo pnra- 
mente apparente, e assim ninguem a produz em quaíidade 
de escusa. — Confesso que errei, porém sirva-me de 
09cu«amínhapoucaexperiencia. «Sírva-me depretexto^ 
seria confessar que, nSo tendo escusa legilima que alle- 
gar, exponho oma razSo puramente aq>parente, que nStO 
p6de passar legítimamente por escusa, — Islo náo tem 
etcusa ou desculpa, isto é, nSo ha razlo válida que ú 
íostiiqne. 

7d0. — Prls«*ffo«o, eeloflo; oelo, 
oelotililaile. 

Priguiposo é homem dominado pélapn^utpa; odóso 
é homem em ocio, ou entregue á ociosidade. Assim 
que, primeiro indica sempre um vicio ou defeito^ e re* 
prcsenta homcm lardo,lento, vagaroso em mover-se, em 
obrar, elc.; segnndo póde inéiearttm estado passa- 
geiro, a inacfSM» actual, a eessa^io de trabalho, que se 
chama ociOj e que eslá nui iMge de ser um vicio, antes é 
uma necess«xlade para repouso do corpo e do espirito ; e 



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500 PRI 

pódQ designar um habito tícíoso de perder o tempo sem 
fazer nada util, que se chama ocioiidadey e que é a m9i 
de todos os vicios. 

Distinguem-se facilmente estes dous sentidos pelo 
verbo auxiliar de que se acompanha o adjectLvo oeiosa. 
— Serocioso, refere-se a ociosidade, e exprime a idéa de 
ser dado a este vergonhoso vicio, por temperamento, 
por caracter, por habito ; é o étre oiseux dos france- 
zes. JSstar ocioso, refere-se a ociOy e indica que por um 
intervailo de tempo se acha um sujeito sem fazer nada 
por algum molivo; é o étre oisif dos francezes. 

731. — PjFÍiiielpo» prlmltliro, prlmeTo* 

Entre muitos seres que se succedem em um certo espaco 
de tempo ou de estensSo, se chama j>rimeiro ao qñe 
está ou se acha á frenle da successSo e que a come^a. 
Chama-se primitívo o que comega uma successlo origi- 
nada d'elle, e n2ío toma origem de oulra cousa. — El Rei 
D. Affonso Henriques foi oprimeiro rei de Portugal, e 
n3o se póde dizer rei primitivo, Porém AdSo é náo sós 
mente o primeiro homem, senlo o homem primitivo; 
porque preccde a lodos em tempo, e todos os homens que 
depois vierSío ao mundo trazem d'elle sua origem. 

Chamao os grammaticos liugu^i primitiva á que fallá- 
rSo os primeiros homens, n5o s6 porque foi a primeira 
jue se fallou, sen5o porque d'ella se formárSo todos os 
idiomas e dialectos que léem chegado alé nós, os quaes 
b3o sSo mais que diversas reproduc^oes da lingua ort- 
miVva áthaixo de diíTerentes fórmas. 

Primevo é palavra lalina, primcevus^ e diz precisa- 
menle o que é dai)nin«ira idade, ou dasprimeirasidades. 
As leis por que se rege um povo nos primetros tempos 
de sua exislencla s3[o primevas ; primevos s3o os homent 
que vivérlo nas primeiras idades do mundo. 

52. — Prisao^ eadela, ealabou^o, 
enxoTÍa^ eareere, masmorrat 
ersMtulo. 

maisgenerieo d'estes vocabulos é vrisño. qae signi- 



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pfa 50i . 

flca toda a casa ou lugar em ^ue ae prende, encarcéra um 
homem; os demais sao especies. 

Cadeia vem do castelhano cadena, que é o Tocábulo 
latíno caUnay mudado o ¿ em d, e sígnifica a T^iedao oa 
casa dei^mao d'uma villa, cidade ou concelho, e anda 
como annexa á casa da camara d'um povo, como se colhe 
de Vieira, que disse : « Unicamente ficáráo inteiras e 
sém lesSo estas trez partes ou pe^as d'aquelle poTo; 
a cadeia publica, a casa da Misericordia, etc. (II, 405). » 

Cálábougo é palavra castelhana, calahozo, e signifíca 
propriamente lugarou casa forte ondese retém os presos, 
e tambem se usa para designar uma prit&o funda e 
escura, quasi como maetnorra. 

Enxwia é a parteda cadeia ou do carcere que fica 
renle coma rua, ou abaixo de seu nivel, escura, humida, 
Insalubre, onde se mettem os presos mais facinorosos e 
despresiveís. 

Carcere é palavra latina, carcer^ e significa a prisáo 
ou cadeia puklica onde se mettem os réos, os criminosos ; 

Sorém diz-se partícularmente á2íSpri$des dos conventos, 
a inquisi^io, etc. 

Masmorra é palavra africana que entre Mouros sígni- 
fica furna subterranea onde elles guardSo seus pSes, ar- 
rozes, etc, e onde recolhiáo os captivos, e d'ahi veio 
nsar-se enlre nós para designar uma prisSo escura, sub- 
terranea e medonna. 

Masmorra nSo se usa senSo em sentido transhitcí, como 
para encarecer a idéa de carcere fazendo grada^So, como 
disse Yieira : « Mandou-a metter, ou sepultar em um car^ 
cere subterranéo, escuro e medonbo....; porque descer 
a essa masmorray etc. (VIII, 30). » — «Ha neste carcere 
infernal, ha nesta masmorra escurissima algum homem 
que fosse ChristSoP (IV, 18). » 

Ergastulo é palavra latina, ergasiulum^ menos usadi 
qne as precedentes, e significa o carcere rigoroso. 

755« — ' prlTa^ ao , táHm 9 carencla* 

Sofrrer|^«ap¿lo d'uma cousa é nSo ter aquillo que ee 
tinha, e se perdeo ou foi tirado. Ter falta énSo ter 



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eo«9ii ct^ (|ii« se ka imalcr m de qnft se nccewiU. T^ ca* 
reneia indica sómenle (fiie nio fte tem a cousa mrn 
arefiftttma oBlra relafia^ oin quejá ae levee Ráo se (em, 
• vale mesmo' ^ carGeer. Yeja-se o d^ 404, yu 2S8* 

72^4. — - ProeeAep, papov&rw 

€f«i e ctttf Terbo expUelo a causa «Tuma coosa, pocém 
o pcinieuro determina FigorosaoLente a caiiifia efificiente 
«o díffeeta; o segundo detefmioa a causa motora oa im- 
pttisim — O máo eheiro do taaqtte procedt cfas malerias 
torrompidas qne 1» nelle^ e provém do descuickr do 
hortello, que nSo o limpa. e renova suas aguas. 

D'aqjui rairqne, sem bo& &eparacaio& da idéa propría 
e ngftffosa é» verho, éixemos que o filh^ procjede do 
paiy e nlo qiie prmoem, 

7¿(S,— PMedla^ laoprMea, topmem»« 
tempetítade. 

Procella é a tormenta furiosa do mar, em eslylo poe- 
tico, como difse Camoes : 

HSo erío os rraqwctes bew lemttf©». 

Cr««t, vii,Tt.) 

Sfr 86 dis jH-«re¿to«# o mar qiniide estó mui agitad» 

Bmreucm é » tortnenta repentiaa dis mar oude lerra; 
dBi--6e mar ^rafeo<i>, e inverno bomMcoJO. 

Térme9t9 é a grande |íert«rbaígáe d» mar, eom ia- 
fBleta^e ée veaCo, qae inspipa terror ; ehamaa-se cabo 
imnefilofe oa lMfiiiffnlortoaedaBoa-£sp<ranca porqM^ 
eríío ali mui frequentes as U)rmentae.. 

Tempmtmde t«m sé reka^ io em a altera^ da estado 
natural á^ atmospbera, e sigiiAca tenpocai de venlo^ 
qne no mar degenera quasi sempre em tormenta. Os 
ventoado ■», ae ieiwiio, sie orái«ariamenle iempee- 
pMCoe ; um furacSo é-o sempre. 

Do ▼eiito violenlo se {bmn a íempeetaéc ;e% esUjpro- 
rfDi de gnwsas emedéiiha^MiveDS que despeittttreiaBir 



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PiO 503 

paflot e rato&, e 4es|^j2o gn»d« chuTas, ^ Urmmia, 
mofinenle no mar ; se rebenta de repeole, e nSk) dura 
muilo, é horrasca ¡ no mar chamSo-lhe os poelas pro^ 
céllat ími4afl4o a Horacto qiie iisie ¿ «yexaiit Bare m»- 
qoales procellce (Od. II, 6, 3). » 

7^ — Pr»dlirio, MÍIficTO, naiiMvllIia. 

Estas trez palatras taáicio uai <xma de ordem aope* 
ríor eexiraordÍRaria ; porém ofrodí^io é uib pheuooieno 
grandioso que saí do curso ordinarío 4as cousas; om- 
íagrt é um eslranho acoftiecUnenio que ^uocede conira 
a ordem aatHral éas cousaa « as leis conhecidas do uai« 
rerso; a maramlha é uma olira «dmira?el, que eclipsa 
par assim dizfr lodo um genero 4e cousas, ou um auc- 
cesso nüo vulgar que excíla nossa admira^So. 

prodigio excede as idéas communs ; o milagre, loda 
a nossa inieiligeBCia; itmar^wUkm, a expecUigáo e nossa 
imaginagSo. Assim qiie, uma causa occiilla faz os prodi- 
giot ; Mua indiislria rara, as nmrawikmí; só uaia po- 
kncía extraordlnaría e superíor ás lets da oaiureza faz 
os mála§res. «Os miUsaru^ dtz Vteíra, s2o os seitos 
penieiiies das provisSes «e Deos ; |>orque5Ó Deos^ e quem 
tem foder de Daos, póde ohrar «obre aa íorcat da Ba- 
tveza (Vii, 2&1).* 

Os roagicos de Phara6flzer8oprod^r{d«; Moisés iez 
mtogrea; S. Paalo fec w mnm lhoM^ que á .priffletra vista 
pa re o cai incríTeia. 

A' ooedida <|ae^a naiureza oas ha reiFelado suas kis, m 
phenomenos admiraveis, comoaioas appari^5es de bo- 
Tos corpos celestes, os eclipses, as auroras boreaes, os 
fo^ ekoineoc, deixáráo 4ie ser prodigiai ; e o céo per- 
dendo seus signaes propheticos, nem por isso deixou de 
manifeslar a ^loria ét «eu aulor. A' oedida que asariea 
léem ádo snMndo Á jnais aila períéi^o, as primeíraa 
maravilhas nSo foráo mais q«e imren$oes comaiuos. A 
ineiida qpie a reliiQüo Chrísli ae foi esiabeleceodt e flr» 
mando, forio oemlo isaia raroa os mila^etf porque, 
i 4\x Vitica : ■•Deos tygniarmfnU nia ^z milasrM 



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50& PRO 

sem neeessldade : quando faltao as for^as humanas entSo 
supprem as divinas (III, 412). » 

7SS. — Prodl^o , dlmf pador. 

prodigo é um gastador, ou manirroto, que despende 
o dinlieiro sem escolha nem discernimento, iargo em dar 
e liberai com excesso; é o opposto de poupado. Dissipa- 
dar é o qoe destróe e malgasta sua fazenda , despende 
seu dinheiro sem utilidade, estraga e desperdí^^a o que tem 
e herdou de seus pais, sem que luzSo suas despezas ; é o 
opposto de economico. 

Prodigo diz-se alguma vez cm bom sentido, v. g.pro- 
digo dc loovores, de servi^os, de seu sangue, de siia 
vida,elc. Dissipador sempre se toma em máo sentido. 
Compara-se o dissipador^ um cesto roto, ou ao tonel 
das Danaides. 

7SS. — Ppoeza^ fa^ anlia* 

As proezas fazem-nas os homens de valor e entendi- 
dos, porém com meditaQlo e sabendo o que vSo fazer. As 
faganhas commettem-nas e executSo-nas os homens ou- 
sados eatrevidos.— Albuquerquee JoSo de Gastro fize- 
t^oproezas; seus soldados, faganhas.'—fazproezai o 
grande cápitSo; o pastor que se defende contra um lobo 
e mata, faz uma faganha. 

Nas faganhas considera-se particularmente o esfor^o e 
arrojo do feito, ou o eñeito vantajoso d'um successo. 
As proezas pertencem antes ao entendimento e animo 
egregio que ás for^as physicas. 

7S9» — ppofemor, lente, eatliedpatleo. 

Todos estes ensinSo em publico uma sciencia ou facnf» 
dade, mas em cada um d'elles concorrem circnmstancías 
particttlares qne os distinguem entre^si. 

Professor e o que professa , ensina em publico nma 
sciencia ou faculdade, expondo snas doutrinas como pro* 
prias, e quasi sempre osteotando sen safoer oralmente 



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PRO 505 

eomo orador. Lente ou leitar é o que, segundo o me- 
thodo escolastico, lia ou expUcaTa as doutrinas appro- 
vadas pela escola ou unÍTersidade, contidas num compen* 
dio, do qual se nlo aíikstava. Cathedratico é o proprie- 
tario d'uma cadeira de uniyersidade em que ensina a 
faculdade de qiie está encarregado. 

profettíír p6de nio ser calhedratico, pois ha multos 
homenssabioseinstruidos que, sem pertencerem aocorpo 
universitario, professáo em academias, atheneos, reuniQcs 
litterarias, etc. — lente ou leitor póde perlencer ou a 
uma universidade, ou corpora^io religiosa, mas é sempre 
condecorado com o titulo de mestre. — eathedratico 
pertence sempre a uma universidade ; se ensina á anliga 
tem tambem o nome de lente,- se professa á moderna 
perlence-Ihe o nome átprofettor. 

Modelo do genero de profetsar sSo as prelec^^oes de 
Mr. Guizot, e ae Mr. Villemain nas aulas da Sorbona, em 
Paríi. 

760. — PpolilblP) TeilaPy defeuilep. 

Prohihir é impedir o nso on execu^flo d*uma cousa, 
impondo para islo estatuto, ou preceito, munido de sanc- 
00 expressa ou tacila. f^edar e defender téem significa- 
^o maís ampla e generica. — reda-se o sangue, a 
agua, etc. , e nao se prohihe, Defende-se o somno , a es- 
peran^, etc. ,e nSo seprohihe.—SSio mui diíTerentes esles 
aous verbos na sua significa^áo primaria , mas encoa- 
\r2ío-se na secundaria, e confundem-se em quanto ao ef- 
feito. Pomo vedado é o mesmo que itonio prohihido í 
armas defetat dizo mesmo que armsis prohihidat. 

761. — Ppoplelo, fairopairel. 

Propicio é que está disposto a favorecer. Favoravelé 
quc de faclo favorece. — üm réo tenuproptdo ao juiz 
que olha com indulgencia, e dcseja que haja algum 
meio de salvál-o; e tem-o favoravel, quando este dá um 
▼oto a seu favor, ou usa de todos os meios ou condes- 
cendenc'uis que podem directamente contribuir para o 
bom exito de sua causa. 

IL ^9 



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Como príiiieiro d'csles «djeclhros s6 reprcsenCá tni 
«do da «ootade^ nio se p6de applicar tom propriedade 
•0 ^mt iiáoateB;porém #<egondo se appliea'gfraloiente 
alttioque feYorece, com Toatadeiou aem ella.— Bcos, 
ttmminislro esiá jtrñfieie, O vcbIo, a oocasüo^ /awmvdL 

762* — ProprietArio , dono , senlBoir. 

froprMario fiz rcfa^ a propríe dade , e contrasta 
90« o$urructuar4o, Tendeiro, inqmlino. Dono exprime 
particulamiente a idéa de ele^^So esirperioridade, e 
tem significa^o roats cxiensa, pois dono da casa nem 
sempre é oproprietario do edifício materíal, mas indíca 
sempre o pai ou chefe de famüia, aue é o primeiro e go- 
Tcrna em sua casa. Dlz-se proTerbialmente que « onde nlo 
ba iono nio ha dó; • mas v&o se tlirá no mesmo seatido 
iriio ka proprieiano. 

Senhor junla á idéa de eleTa^So a de domina^o, auto- 
ridade e poder ; contrasta com serTo, ou escravo, e tem 
significa^áo ainda mais extensa que donoy pois um rei é 
senhor do reino, de dominio6,etc., um OMrgado éeenkor 
de terras, etc. ; os principes forSo noairo tempo stnhores 
da Tida e da morte d^ setis serTos ou Tassallos ; cada mn 
de n6s é eenhor dasiia Tontade. 

763. _ Prudenolo, dloerHfto, 
oireumopeefao. 

Prudencla é a primeira das Tirtudes cardiaes ; é a 
grande arle de viTer, como diz Cicero : compdt-se 4e 
sciencia e experiencia, dirige para bem todas nossas ac- 
^$cs, ensina ao bomem a ser cuidadoso do qiie a fortnna 
póde fazer ou desfazer, pois opnidenls t nunca Ihe acon- 
tecerá que diga : Nio cuidei ; que é a prímeira maxima 
da nrudeneia. • cpmo dizia Vieira (VIII, 2). 

A diecrifáo e a eircmmepecpáo sáo partes da pruden" 
cüL AquelUi consiste na rectidSo do juizo para-o gorenio 
das acicoes, por aijo meio alcanvámos conhocer aqoiHo 
que Bos imporla para conseguir acertadamente O'fim pro- 
i^ostoí esta consiste em examinar todas ascircumstandasy 



yGóogle 



PüB S07 

em cQosiáerar as eQnsa& por lcdos os ]ado&, e escoUier oa 
meios mais seguros e opportunos para executar o que a 
éitcrigdo approva e apnidtfiicia^iGoaselba. 

744. — Pul>ll«arj dirulcar, ,pramuls«i9. 

A idéa commum que ñrz synoDymos esles verbos é a d« 
descubrir, fazer notorio o que era occuUo ou se n2o 
sabia; por£m publicar explica a idéa absolulameale 
sem modificaíáo alguma, isto é, fazer publico o que jklo 
cra, fazél o saber aos que o igaoraváo. Divulgar sup- 
poe que o segredo ou cousa ignorada se foi dizendo a 
varias pessoas, ou em varias parles, com alguma deter- 
mmada ¡nieníáo, ou que talvez se espalliou pelo vulgo 
contra vontade do que o tinlia confiado coni reserva. 
Promulgar suppoe auloridade que|;uft/í<ro6olemnementc 
alguma cousa que até al¡ se n5o conhccia, e que desde 
entáo se dá ao publico. 

.Promu/ydo-seleis, decrelos do legislador, paraqnea 
na^ao a qu :m dízem respeito conhcga seus novos deve- 
res, os quaes s6 datSLo da promulgagáo. Publicast um 
scgredo, uma noticia, etc. ; um homcm honrado publica 
com satisfaySo os benefícios que recebe de seus amigos. 
Um homem ruim procura divulgar com aslucía os de- 
íeitos de seus inimigos. 

Publicar recai sempre sobre uma consa que realmente 
existe. Divulgar p6de recair sobre uma cousa falsa, qoe 
se invenla cora algum fim. — üm caloleiro, que vive com 
osteniacio, divulga que é rico, e teme que se pt^liqut 
que é pobre. 

.7CS. — PuMieo, eommnni* 

Ptiblico é que perlence a lodo o povo considerado 
collectivamente. Commum é o que pertence ou se estende 
dislribulivamente ao povo, ou a muilos. — As renda» 
d'nma nay^o, os cofres em que ellas se guardio, os ma- 
gistrados que as administrSo sSo publicos^ porque per- 
tencem ao corpo collectivo da na^So. Os inleresses queot 
cidadSos téem em serem bem govemados sSo communs. 



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508 PüB 

porque cada individao, cada familia participa d'esta yan- 
tagem. 

P6de acontecer concorrerem as duas qualidades numa 
aiesma cousa, 9. ^. as terras baldías d'um concelbo s9o 
"Tuhlicas e communiy mas com diíTerenle rela^So : puhli- 
caSf porque nSo perlencem a ninguem em particular se- 
nSo ao povo d'aquelle lugar ; e communSy porque todos e 
cada um dos habitantes participSo da ulilidade que d'ellas 
póde resullar» tal é pastio dos gados, etc. 

Puhlico conlrasta com primdo ¡ commum, com parti- 
cular,— magistrado, quando se adianta em annos, 
deixa a vida puhlica e entra na privada. Os mosleiros 
possuiSo muitos bens em commumy porém os monges 
nada possui^io em particular. 

766« — Publleo, notorlo. 

A verdadeira diíTeren^a d*estas palavras consiste em 
que puhlico é que corre na voz de todos, que todos 
dizem, que de todos é sabido ; e notorio que é geral- 
mente sabido, ou conhecido como certo e indubitavel. 
que é puhlicoy apesar de ser dito e crido por muitas pes- 
soas, póde ser falso ; que é notorio é sempre certo, por- 
que so chega a sél-o pelas provas que se adquírem com 
este fím. Tudo que é notorio é puhlico, porém nem tudo 
que épuhlico é notorio; pelo que se diz •puhlico e n<h 
torio > e nao « notorio epuhlico. > 

767. — Punlr, castlsar. 

Concorda verbo puntr com castigar na idéa príncípal 
de executar algum castigo contra delinqnente ; porem 
¡mnir suppoe delicto contra lei on preceito, e uma auto- 
ridade que impoep^na em virlude da mesma lei ; e eoiti' 
gar refere-se principalmente ao castigo cornoral que se 
dá a uma pessoa ou anlmal para corregir de algum de- 
feito ou mao costume. — Punetri'Se os crimes, os delic- 
tos, 05 malefícíos dos homens. A mSi castiga menino. 
Castiga-se cavailo com agoute , com a espora. — 
« Quem bem ama, bem $a$tiga, » dlz um proverDio fraii- 



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QUi 509 

ees^ecom ra^o, porqae no easiigar descobre-se a in- 
ten^o de melhorar, aperfe¡(^oar o que se coiiiga» e em 
funir só se ínculca a Tindicta da lei. 

768.— 9ualldades, proppiedades, 
aeeideiites. 

Termos didactiYOS que vnlgarmente se confundem, po- 
rém que em línguagem pbilosophica mivto bem se diffe- 
ren^So. 

Qualidadei sSo os attributos que confém, se adaptao 
a um ente ; quando estas quaíidadei procedem de sua 
essencia chamSo-se propriedadei, ou qualidadei essen- 
cíaes ; quando nao procedem de sua essencia, e seúi ellas 
p6de ente subsístir, cham§o-se aecidentei^ ou quali- 
dadei accidentaes. — ser racionaYel é nim propriedade 
ou qualidíide essencial do homem; o ser branco ou 
preto, alto ou baixo, sabío ou igporante, é um aceidente 
ou qualidade accidental da especíe humana. 

769é — Queda» eadeneia. 

Ambas estas palavras vem do ferbo latino cado^ e ex- 
primem a idéa de cair, em sentido fíguradO'; porém quéda 
signifíca geito, propensSo para alguma cousa, e cadencia 
é a inflexSo numerosa e suave das palavras,.ou do verso 
sonoro. Diz-se que nm homem tem quéda para poeta ; e 
louva-se a eadeneia de seus versos. • A queda é para as 
consas, diz Vieira, porqiie h2o de vir bem trazidas, e em 
seu lugar ; hSo de ter quéda : a cadeneia é para as pala« 
vras, porque nlío hSo de ser escabrosas, nem dissonantes; 
hSo de ter cadencta (I, 39). » 

770. — Quietaf MO , tranquillldade , paa, 
serenidade. 

Em sentido recto , quietagáo oppoe-se a movimento 
physieo^ é a acgüo de aquietar ou estar quieto ; no figu- 
rado, confunde-se com tranquillidadey descan^o ou re- 
ponso. Tranquillidade é a izenQio de toda a perturba- 



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M'O RAR 

dl», áe (oda a agUa^d^p e#rpo, «v de espfrfro. Fwt' é » 
inmquiUiéUiée publka a respeKo 4e iRimi^ qoe podei» 
perturbar-nos ou inquielar-nos, eem senlid'o IransIalO'ft 
tranquillidade de animo ou de espirilo , que nSo se tl- 
tera nem perturba, e qiie nad» o inqnteta. Seremdade é a 
tranguillidade que reios no semmnte, revela o desas- 
sombramenlo do animo, e perlence em propriedade á for- 

mosura, como disse Camoes : 

• 

Leda ierenidade deleitost, 
Oue represeota em terra um paraiso ; 
Entre rubíns, e perjas, doce riso, 
Debaiiu de our», e neve, edr de rosa. 
{Soneí, tXXVIlI.) 

Veji-se Repoiiao. 

771 . — Radloso, radlante. 

A eflyislo abiindavle d» Ina pr9duz um corpo radia$o ; 
a emiss3o de muifos ralos- de Iuk, um corpo radimte, 
Distinguem-se os raios d'um corpo radiante ; no corpo 
radioso cstSo todots coitftindidos. sol é radioso ao meio- 
dia ; ao pór-se nSo é mais que radiante. É radioso num 
céo puro; a travez de nuYens transparentes, sd^é radiante 
k nossa vísta. 

Fafíando com propríediade, os ralos emanio do corpo 
radioso, e rod'eiao nm eorpo radiante^. A palavra radioso 
signala a propriedade, a natureza da cousff ; e a paiamt 
radicmlf, uma circumstancia d« consa. Umeorpo loni- 
noso é por si mesmo mais ou menos rodfoto; quando es- 
parge sua Inz é mais oo menos radiante. 

772.— Raro, extrMr«HiMiplo>, oImsvIí^i^; 
ourloso, 

Quando queremos encarecer on exagerar algnma 
consa, usamos indiñerenlemente d'eslas vozes; porém, 
ainda que as mais das vezes se appliquem figuradameiite, 
oiose deve perder de vista a pecuJiar extensilo e energia 
de cada uma d'elias. 

Rara é o que n2o é commum, o que se vé ou saccedé 
poncas vezes, o que se acha com difficuldade. Extraor'^ 



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KZB Síi 

Mnari&é a qtie é fka dá ordnB cmmDirai, f5ra da me- 
dMa ordrnaría, o qae é notaTelmeirte maior oo meDor 
que as coasas do raesmo eenero. Singulur é o qne é 
miioo, o que nib tem ígual ov stmílbanle. CUrioio é o 
qne mence ser Yisto e observado, o que excita a 000*10- 
•idade, isto é, desejo ^e natnrabnenle temos de ver, dl«t 
8abery.de eiaminar. 

773.— Realidade, verdade 9 itaMalldadey 
na verdade* 

A reáRdüde. difTereDiQa-se da wrdade em que, por ri«- 
lidadt se entende tudo que exisle relativamenle a nós ; 
limítarse miicamenie ao mundo, is cmisas mundaiias;,p«- 
rém a verdade pertence ás idéas reaes e ks idéas faciicias; 
tem por objecto náa sómente o mundo qiue cxisle, senSo 
lamliem ludo que pótie exisiir ; combioa.as abstrac^ikes, 
as possíbiIidade&, os> infínitos. 

Pda mesma razáo diiTerem entre sí as expressSes na 
wrdade^ e na realidade^ Na terdade reíere-se ao (^ 
pensámos do objecio, segundo idéas claras e exaclas; na 
realidade refcre^ ao qae o objeclo ¿ em s¡ mesmo se- 
^undo a sua natureza. A primeira diz respeilo ao mimdo 
intelfecEiial ; a segunda, ao mundo rea!. 

774. — ReaiÍBar, verlAear. 

Recdfxar € tszer efnectlva e real uma cousa, darrea- 
Hdade ao que d'antes a n§o tinfaa. f^erificar é mostrar 
que a consa é verdadeira, examinando-a em si e em suas 
rda^oes. — Tu^do qne perlente ao ftittiro, ou existe em 
prc^ecto, qoando chega a lér existencia, reaUza-te, Tudb 
o quese conta, se allega, scannuneíá como exislindt? 00 
lendo existido, e se ach» ser verdacdciro, veriflca-ie, 

EHz-se quc uma propiiecia se reüiiza com refórencia a 
ser predicla tempo antes, e que se verifica por se hater 
cnmjMridA como propbela o ham pceditik 

77 tk — RelbelllaO) revola^ai.^ 

ñeheltiSo Indicaa desobediencia e a snh\cv^<ilo yrev(h 
lugáó exprime a rebeltido e a períldia. rehelde levanta- 



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512 REC 

se contra a aatorfdade qoe o goYeinft ; o revolueiimario 
rerolta-ge até conlrft a socíedade a qiie está intimamente 
unido. A rebelliáo tem um molivo apparente; que é a vio- 
lencia exercida pela autoridade conli'a os cidadSos ; nio 
ha motÍTO apparente na revolug&o. rehelde quer sub- 
trahir-seao poder; o revolucionario quer aniquilál-o. A 
*rehelliáo faz resistencia ;a revoíupdo leva aefíeito seusin- 
tentos. Aquella sacode o jngo; esta rompe-o, despeda^a-o. 

776. — Keccber, aeeeltar. 

ñeeébemoi o que nos dSo, nos enviáo, ou nm a nós; 
aeeitdmoi o qiie nos oíTerecem, ou nos propoem. 

Becehem'St gra^as; acceitáO'&e servi^os, obsequios. 
fíecebemoi de bom ou máo grado; acceitdmoi com 
agrado e boa sombra. 

fíeceher exclue simplesmente a negatifa on acto de 
recusar. Acceitar parece indicar um consentimento ou 
uma approvacSo mais expressa. — Deve o homem mos- 
trar-se agradecido aos beneficios que receheo. Náo se 
deve desprezar nunca o que se aeceitou. 

777. -- Reeeber^ tomar. 

fíeeeher é a ac^So formal com que acceilámos, ou ha- 
vemos qiie se nos dá. Tomar é a ac^So material com 
que nos apoderámos d'uma cousa.— i{ecede-se do amigo 
presenle ou mimo que nos manda, e foma-se malerial- 
mente da m§ío do criado que o traz. 

Tambem ha outra diíTeren^a entre esles dous verbos, 
e vcm a ser, que para tomar basta a vontade e acgSo do 
quetoma; porém para receher nSo basta a vontade e 
ac^o do que recehe, porque necessita-se tambem que 
concorra a vontade e ac\;§ío do que dá. — « N§o posso re- 
teher o que i^So me dSo, porém posso tomdl-o ; » assim 
que, que furta toma, e nSo receoe. , 

778. — ReeonlieelmeiitOy g^ratldfto. 

IndicSo ambas estas palavras a memoría do benefido 
recebido; porém reconheeimenio s6 dá a conhecer que 
nSo se esquece, e se confessa ; e graiid&o exprime o sei^ 



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REP 513 

timento habitaal qne nos inclína a dar gra^s pelo bem 
qoe se nos fez. Üma alma sensWel n?ío se contenta com ser 
r$conheeida,:iiaeTser^grata; o reconheeimento só Ihe. 
desperta a idéa dé'Bctieficio, a gratidáo aviva-lhe a lem- 
branca do bcnifeilor.— O reconheeimento paga beneficio 
com benéfício ; a gratidao conserva a doce lembranga 
d'uma boa ac^So com um vivo sentimento de carinn5 
para 'com a pessoa que Ihe fei bem. 

779. — Reciisar, Tetummr. 

Reeuiar é verbo latino e castelhano, refusar é o firan- 
cez refueer^ eo castelhano rehuiar, e talvez corresponda 
ao latmo ábnuo; e se houveramos de traduzir aquella 
expressSo de Cicero, na ora^So a favor de Milio : § Non 
recusoy non alnvuo: • nSo poderiamos melhor fazél-o que 
dizendo : « NSo recuso, n9o refuso.» •— ñecusar expríme 
a idéa de nSo qnerer admittir on acceitar alguma cousa, 
e talvez com desdem. e dando-lhe de rosto ; refusar 'm- 
dica que nos esqnivamos, que nos n2o prestámos ao que 
se nos offerece, ao que se nos quer impór on de n6s se 
exige. primeiro é peremptorio; o segnndo exprime re- 
pngnancia. Jiecuia-se o cargo , o benefício , o titulo, o 
dinheiro ; refusa-se a batalha, a luta, o doello, o desafto; 
e neste sentido disse Cam5es com muita propriedade : 

Como da gente Ulustre portüguesa 

Ha de haver quem refute o patrio marte? 

(£u#., IV, 16.) 

Islo é, ha de haver quem se refuse, senSo preste, se 
negne a pelejar pela defensa da pairia ? 

780. — Rcfui^lOy Mylo. 

H 

Refugio é nma acolheita, um recnrso contra a afflio- 
(2o, perigo, um mal presente. asylo é uma protec- 
^ao, nma defensa contra a forca e a persegui^üo.— hos- 
pitai é um refugio para os pobres; a igreja é um asylo 
para os criminosos. — Busca a náo um refugio em qual- 
quer porto, quando vem acossada da tormenta; busca 



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614 REí 

naai ponto ai&ig9 m neulro un aiylo^fiiguido de (or^ 

soporiAresi que a.pemgueoi. 

781. — Weipremo, vemtsrrüf»^ 

Ambas crtas palafvss «npriaieH^a idéada ToltoP ■■• 
M88oa ao' lugar ou poot» d'onde saira, eom a diíforeB^ 
mreareiso a expriuie $em rela0o a ■enUuraa oalim 
circómslancia, e remi§ra(éo é o regreiso depois de e»- 
Hracao, degredo, ou expalriaíao. — Quem sai dc sua p»- 
Uia para vtaiaP,»*» iK>rn«g*eiw,ire^eas« a eüa depo» 
ét algum lempo. Demoslhenes, desterrado em Calaura. 
c Vieira em Roroa , suspiravio^ por soa r$mi§fúp9o i 
palria. 

TM. — I^eii» üiMiiiiPelia, i^vteelffe, 

Bsi vcm da palavra latína re«, e scgundo sna etfia*- 
loffia Car€fienda)é o que rege, dirige e guia, mandando; 
eíeu cargp é de dirigir, reger e condüzir os povos qne 
Ibc í^o conftadosr; porém commummenle dcsigna esU 
palaTva. o>sol)ierano que rege e gpverna aó um reino 

MoMnrcha, é palavra grega /^ovóxxiqí de ^»¿»05, so» e 
d^fts mandar, governar, e signiftca que govema so, ea, 
em ÜBguagem moderua, o rei absolulo e indepewteaíe 
que conccnlra em si lodos os poderes; pelo qi:c, osnti 
dc Inglalerra, e de quasr teda a Eur»pa, Ria sSo moiMr- 
chaSy e sómente reis constitucionaes. 

Principe vcm do latim prífM?ep<, que significa opn- 
mdro^ cabeía, e designa cm geral soberano d'um «s- 
tado independente ainda que nao teuha tiiulo dcrnot 
monarcha • em parlicular significa herdeiro da cawe. 
porque eníre os filhos do r«i 4 primeiro c destinado 1 
reinar. Tambem se chama pnnd;)e dos poetas, dosort- 
limsi, dDs.philo8(n^s^ao qpe cnUc elles é »díiwro 
em «erecimenlo, e entre todos mais excellenle. ^^ 

Potmtado vem do \2X\xa poUntaUá ou anies dc^ofiRiT 
poésnüs, e sigaüca iféi fodcroso,, i?rifUiMid grande w» 
Miéeff abeoluto, ou. tambem priMfipe co« douuiuo a^elBV 
nal^uimiDffovtAcia toaaNda investidura d'oulra anpenw 

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^L 515 

I mpmrúi ^, sefiiniéii » feim in fvalkm iMiRt lif»pmi^ 
tor (mt imfieiro»), sign«fíca> ektíe nitHlar, fK^nerattssmia; 
mñtf 86 te usa na si{^iit4íca92k) nsslríefa éeteberano ftoét' 
mo' deonrtos eslados que foriidi»* eofiíederafSo, on á'ta 
ímpctio; ¥<ja'se • art. segmile. 

783. — Bjelna, Inapcrla* 

Posto qne nSo haja nma verdadeira razSo por<|ne se M 
a diíferenf es estados goTernados por imperadores ou reis 
nome de reino ou de imperio; todavia, lemt)rando^not 
d'iaquelle dito de Cícero, que o po?o romano era o impe- 
rador de todas as gentes, imperator omnium gentmm 
populus romanus gpro Domo^ 33]» parece-nois que tm- 
perto faz nascer a idéa d'um vasto estado composto de 
mnitot povos, tal é o de Allemanha, o da Russia, o tnir 
perio Oitomano; a palavra reino denota nm estado maís 
limitado, e faz scntír a unidade da na^o de que é formadb, 
tal é a Fran^á, a Hespanha, Portugal, etc. A Inglaterca 
é om peqneno reino na Europa, mas eonsideradaemsnas 
possessoes nas cinco partes do mundo, é um grande ifnr 
perto, Goja metropole é a maior do mundo; o imperio 
maritimo da Gráo-BreLanha é o maior qjue jamais 
existio. 

7Sé. — üejetiwr, mni^mt. 

J!e/«tlar segnndo sna etymologia,dere¿tMr«,ércfdttr 
de ai, talvez com rudeza, O'fiiie te diou^oilereee ¡ emJeHear 
é lancar ét nds com^ dcapetla oa éesamop a obieete qne 
\k liDDttiioa, eii eatat a & noesa dtsposáfSe. — Mefeiíñ-ee 
ocargeiqae se lem en peiica cetiUyO eonaeUie qe^ deaft* 
grada, o favor qoe fauailha. Ae^aTea eii;eildo oa ofoe oo 
ee ftllMS qaando nriles aebelir;^ pai desamerosaeiifeila 
filho que nSo qiier reconhecer. — Rousseau eiiieálou 
0» filhos poc moti/fea qnfr tode heaiem. eordoU^ re- 
jeitmrá. 

78SL — BeIMtTo« respeetlTo. 

Jfeiaii)oo «ipTlme a relferencia d*uma eousa a ontra, m 
quant» elta couyéni, se applica, mi pertenee a una onlra 



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516 RElí 

Retpéctito exprime a propor^io em que nma coasa de« 
termínada tem o Talor, a qualidade, ou qualqner proprie- 
dade, gne é commum tambem a outras. ~ Esta propo- 
síqSo trelatkazo assumpto de qne fallámos hontem. Os 
pobres coslumSo ser respectivamente mais felizes qne os 
poderosos. — Todo homem tem séu respectivo amor pro* 
prio» reiativo á paíxSo que o domina. 

786* — Keliglaoy pledade, deTo^ &o. 

BeUgiáo é a virtude moral com que adorámos e reye* 
renciámos a Deos. Piedade é a Tirtude que move o 
homem a honrar a Deos; ajunta á primeira a idéa de 
zelo, e aíTeifSo cordial : é a relígiáo aífectuosa e ama- 
yel. Detogdo é o fervor e reverencía religiosa com que 
íázemos cerlos exercicios de piedade^ que por isso se 
ihes dá tambem o nome de devogdes, 

Na religiáo domina a fé; na piedade, a caridade; na 
devogáo^ a esperan^a ; que nSo s3o nossas devogdee senlo 
YOtosa Deos paraquenoson^a, por isso que nelle pomos 
toda nossa esperan^a. 

787. — KeniediOy medleameiito. 

Estas duas palayras dizem-se de tudo o que seprepara 
ou se emprega para curar as enfermidades, porém eom a 
seguinte diíTeren^a. 

Chama-se remedio, em geral, a tudo o que contribue 
a curar as enfermidades, a conservar a saude, on que para 
esse íim se emprega. Diz-se medicamento todasubstancía 
capaz de produzir no animal vivente mudan^as uteis para 
a saude, isto é, a proposito para restabelecél-a , ou 
evitar seu detrimento, applicando-o já interior, já exfe- 
ríormente. 

/^emedto é termo mais extensivo que medicamento; 
é genero de qne este é a especie, pois medicamento 
signifíca uma prepara^o pharmaceutica, ou remedio de 
botica. O primeiro refere-se á facnldade curativa, á cora; 
segnndo, a um dos meios de obtél-a. Medicamento nSo 
tem as accepQoes figaradas de remedio. — A natureza 



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REF 517 

facilita on snggtre osremedioi: ha remedúx caseíros. A 
pharmacía compoe, prepara os medicamentoi. 

788. — Repoiasoy descan^o. 

O repouio, no sentido physico, significa intermissSo de 
Irabalbo ou de fadiga, e neste seniidoé synonymo de des- 
ean^Oy porém com esta difíeren^a, qneo deecanfo suppoe 
maior cansa^o, maior necessidade de reparar as for^as 
perdidas, e uma fadiga mais immediata ; repouso suppoe 
menor cansa^o, on menos immediato, etalvez uma situa* 
00 de pura commodidade, ou qne supp5e uma fadiga 
mui remota. — Depois de ter corrido, é indispensavel o 
descango, Com o tempo, paciencia e repouso, cur9o-se 
muitos males. — rico sedentario repousa brandamente 
sobre colchSes de pennas, em quanlo o pobre lavrador 
deican^a, sobre o duro solo, daa fadigas do dia e do 
calor. Yeja-se o art. seguinte. 

789. — Repouso, soeeffo. 

Signifícáo estas duas palavras, em sentido moral, quie- 
ta0o, tranquiUidade, serenidade de anímo, porém com 
esta diíferen^. A idéa de repouio exclue absolutamente 
loda ac0o ; a palarra socego uüo a exclue, antes supp5e 
muitas vezes a modera^So e tranquiUidade do animo du- 
rante a ac^o. Assim que, repouso explica sómente a 
tranquiUa situa^So do animo ; e iocego extende sua re- 
lagáo á tranquillidade que o estado do animo communica 
fts acfSes exteriores. — homem prudente que quer 
conservar o repouso de seu espirito> e a tranquillidade 
de seu animo, é socegado em seu proceder, diríge suas 
ac(^5e8 com socego e modera^So. 

790. — Repnblleoy repnblieano. 

Bem parecidos sSo estes vocabulos, e parecem ter 
igual signiñca^So, porém ha entre elles mui notavel 
diflerencíi. 
^emi(¿tco é o homem zeloso e amigo do bem publico, 
póde-se ser bom rexmblico sendo vassallo d'um rei 



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118 KEf 

eow fle Té ée Ymn qae ^isse : •D€ffeino& de^ejar to<lM 
• oníSo como bons ehridSos, ooino bon» r^rptiijteos, 
e como bons vassallos (Y, 331). > 

Hepublhiamé ^ M^Á^ é'iaift rep^blíca ou o que i 
partidario da republica, islo é, da fórma de governo de- 
mocratícoeoi qiie g«Terna o poK^o em parte por sr, eem 
partepor vrcio-de atgnns cidad^o&eseoHiidos. — NSose 
póde ser vassalfo sendo republicamr m»s póde hater, e 
lem harldo re^^lieami qac sSto muito náo» repu^ 
bliem. 

791. — ReteMeélcr, recuavv 

Todos esles verbos. exprimem a idéa de Toltar oiaaidar 
paia traz, porém cada um d'elles com &iia circumstaiuia 
particular. querelroced# volta para ira^, no (|ue tiaba 
andado ou adiantado. que recua anda para tcaz sen 
voUar roslo para essa parte. O que retrograda volta 
para traz, ou retrocid&peÍQi* mesao& pams, ou gráos. 
— O que segue seu camiuho e nelle encontra um obsta- 
calo que o ndo deixa ir pordiante, reiroetde, on sej» pelo 
mesmo caminho ou por oirtro. Seguado » etíifTreta anrttg« 
do paf 0, que entrava a ¥A Bei tornañna recnemdo. Hecoa 
asege, o carro, ape^ 4e artlUiortd, etc. Metro^rais^ 
os planetas na eeHftiiea ; retrmjrad^ os esiiidos , as 
bellas artes com as guerras e invasoes inriiHgas; reiro" 
ffradm a sombra no retogio éesol de Aetiás. 

792. — HeTelAf S», impÍpiK^. 

Retelaqao significa em geral a manifesta^So de alguma 
verdade secrcta ou occulta, e em phrase theologica a 
manifesta^So que Deos faz ao homem de verdades, que se 
nSo podem conbecer peks for^ as da razSo» ou pormeios 
puramenle iiaturaes. A inspiragáo éa illustrafao ou mo* 
vimento sobrenaturai' eotm que Deos indina a vontade do 
homem a fozer alguma acgio booi. A revelapáo illastva • 
entendlmento ; a inspiragáo move e leva a vontade. ü«h 
velSú^ factoe, verdades^ deul^naa ; óaipirdA-aeaenli- 
mentofi, desejos, aífecio», reaola(^Qe& 



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SAB 519 

Á& doaUrinas contidas nas sagradas Escritoras slo 
rév^ladnSf porqne Deos manUiestou a sens autorcs hcitn 
e Yerdádes que elfes nio podi^o alcan^ar pelas luzes ñx 
razlo. Os sagraKlos Escrítores forio in^piradoi parv 
escreT^-as, isto é, o Espirito Santo os ílfnslrou intenor«> 
menfe, moveo a escrever, e dírfgio sua penna cm twto 
qae escrcYérSo para ensino e sanlifica^io dos bomens. 

795. — Rlqvezii, opuleitciai. 

Miqm$3Uié2í snperatnindiamcia dte Ivtns d» íoptum: e de 
eoa8B9 preetosas. Opulmcia é a gpand>e riqmm a<ompa<- 
nliada de ostenta^áo, e talvez de poder e iaftiieiidBai 
A riqueza consiste na posse ; a opulencia no gozo ap- 
paratoso das bens. da focittaa. — Q avarento^ que ente« 
soura e n2o gasla é rico, mas nSo opulento; o fidalgo, 
lavrador abaslada, que nio entesoura, e gasta com 
ostentac9o suas rendas, € oputento sem deixar de ser 
rtco. Pode-se ser rico sem ser opuient9 , ma» fl$o 
opulento sem ser ricoi poc isso se áiz rico e opuUnHf e 
n2o (^lento e rica. 

794 — Rlto, cepemonln. 

O rvto € a reuniSio de lodas a» cdremomat' d'mn coUo 
rdigioso, nSo prectsaraente poslas eni praAica/seni» cmd^ 
piladas por escrito para raa exeevf ^, e atiloriiadas p^ 
Sunmio Pbntifice, oo patriarcha d alguma seiu ; por iss« 
se diz rito romano, o rito grego, ete. As eerewhemaei 
sSoomodo por que este rittf se executa. ñiU) expeime 
mars que cerefnoni(r. rituai romano, enbre n6s, preir 
creve as ctremonias com que se deven» eciebrar os offi- 
cios divfnos ; a maneira de execotád-os 8io« «Si etffv- 
monias. 

795^. — €kilbo«lwioi, aeioiaolow. 

Sa^eioria corresponde ao vocabuío latllíu) sapientia^ 
foe vserat de sapio : sciencia é palavra laüna, vinda (9e 
am. A primeira lem signifíca^áo mais extensa e eon- 
plexa que a tegunda. Sabedaria é o coohecimenlo iolel< 



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620 SAG 

lectoal das coasaf diYÍnas e humanas, é a razSo perfeiUy 
como disse Cicero : « ñatio perfecta mmifiaiur rüé 
sapientia (de Leg. I, 7). » Sciencia é a noticía ou conbe- 
craaento das consas humanas. A iobedoria é uma quali- 
dade que se considera inherente ao homem , abrauee e 
saber e o obrar segundo a recta razSo ; a ¿eieneia so áh 
respeito á parie especulativa, e póde consíderar-se íDde- 
pendente do homem ; e neste sentido a definem os moder- 
nos, uma serie de verdades discursivas, que nlo alcaofa 
por sl só senso commum. A geometria, a matbematica, j 
astronomia, etc. , sSo icienciaSj mas nSo se podem cbñiir 
iábedoriái, 

796. — SaeriilMr^ IniniolAr. 

A idéa commum d'estas palayras é a de eonsagrar ima 
cousa á divindade, porém a primeira é o genero e a m- 
gunda a especie. 

Sacrificar uma cousa é desfazer-se d'ella para consa- 
grál-a á divindade, dedicar-lh'a de lal modo qneseja per- 
dida ou transformada. Immolar é consagrar á díTindadf 
por meio d'um sacriñcio sangrento ; é degolar nma víc- 
tima sobre o altar. Ha diíferentes classes de sacrifeioi, 
a immolaf&o, ou iacrificio cruento, éomaior detodos 
Sacrifica-^e todo o genero de objectos; -náo se tmmofóo 
senSo victimas, seres animados. objecto iacrificadoé 
ofTerecido á divindade, o objeclo immolado é destniido 
em honra da divlndade. iacrificio tem geralmente por 
obiecto honrar; a immolag&o tem por objecto parti- 
cular applacar a ira. 

Flguradamente, e em sentido profano, téem estaspalaTras 
asmesmas differencas. ^ocrt/lca setoda a sorte decoosas 
aqueserenuncia voluntariamenteonque seabandoniopor ^ 
algum interesse particnlar,ou em proveito d'outrapeisña; 
immoláo-$e objectos animados on seres personiíleadoi, 
que se considerSo como victimas, c se consagrio imorte, 
ao anathema, á desgra^. Xidéa de iacriñcarém 
vaga e mais eitensa; a de immolar mais rorte efRiíi 
Umitada. — Ñapoiedo sacrificaxa columnas intcirai *• 



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SAO 521 

boinens |)ara vcncer o inimigo ; c muitas vezcs immolou 
a justi^a á vínganga, a cquidadc á ambigáo. 

797. _ Salto, pulo. 

Salto é aclo dc saltar, ou de levanlar o corpo com 
ligcircza c impcto. Pulo é o salto dc corpo elaslico, ou 
do animal vivo, para o ar, c voltando ao mcsmo iugar, 
ou proximo d*elle. — Salta ohomem do muro, da janella 
a baixo ; salta o cavallo adeslrado por cima da téa no 
campo, salta um vallado, uma scbc. Pula a bola, a pdla, 
calndo no ch5o; pula o dansarino por arte ; puía o lio- 
mem dc contentc. Os tigres prélo dc pulo^ na allura dc 
Irinta palmos, aos que dormcm sobrc as arvores paralhcs 
escaparem. 

798. — Satlsfafao, eonteiitanienio. 

Satiifagáo é o scntimenlo jucundo quc cxperimentft- 
mos quando sc cumprc nosso desejo ou nosso goslo ; sc 
cstc scntimenlo é cabal c duravcl, sc nclle se aquicla a 
alma c judiciosamentc o approva, esscéo estado dc con' 
ientamento. A iatisfag&o preccdc o contentamentOy o 
qual é sua consequcncia, ou seu complemento. Veja-sc 
Alcgria, pag. 38. 

799. — Saudade, pena. 

A palavra saudade, quc os anligos cscrcviSo soiáade 
ou euydade^ dc soledade^ é tSo síngular e exprime uma 
idéa táo complexa c um scntimcnto láo mimoso quc nSo 
tem, rigorosamcnlc fallando, synonymia com nenhuma 
oulra; ha com tudo cntre ella e pena um ponto dc con- 
tacto quc mui discrctamente notou um iilustrc escrítor 
'portuguez. Pena é a impressSo quc faz o desgoslo em 
Dosso animo, é uma mortífica^áo quc nos penaiiza, mas 
vagamentc, c scm os aíTectos complicados quc a saudade 
produz. 

« A palavra saudade, diz o Snr. Garrctt numa erudifa 
nolaao seu Camóes, é por ventura o mais docc, expressivo 



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522 Sáü 

t Mleado t«rnra de nossa Rttf^'. A fééfl, on smft mtn l» 
por elle represenlado, certo qne em todo» os pmea e 
sentem; mas qiie liaja vocabulo especial para o designar, 
nio sei de oulra nenhuma fínguagem*se nSo da portu- 
goeza.» Mal sabía o illuslre poeta cnntemporaneo qaando 
uto escrefia que quatroseculos aotes d*€lle havia exprit- 
mido a m£sma idéa um sabio tVei portugjiez. Diz osenhioc 
D. Duirte no Leal Conseiheíro ( pag. 151 ) : « E porém. me 
pareec este nouede «Kydode tam propriOxqtie o lAÜm, 
nemoutro linguag^m que ea saiba, nom be pera lal sea- 
Udo scmelhanle. » £ entrando a deiijiil a^ dtz : «^tiy /odtf 
propciamente he senCida (senUmento) qiie o eora^om ftiha 
por se achar partido (ap^irtado^ separado) dapre&en^adc 
alguma pessoa ou pessoas que muito por aflei^om ama^ 
ou espera cedo de ser ; e esso medes ? assim mesmo) dos 
tempos e lugares em que por deieilagam muitofotgoui 
digo afeigom e deleitagom, porque som sentimeiUos que 
ao coragom pertencem , donde vepdadeirameiitfi nace a 
wydadB^ mais que da razom nem do sifio. » 

D. Francisco Manoek exprimio a mesma idéa dijendo: 
« A qnem sómente n6s saoemos o nome^ chamando-Uic 
taudade- > E náo se contentoii eom isto^ senlo quc éeo 
a razáo por queistoassim é, descrevendo asaudade ocsH 
elegante e suave linguagem : « Florece cntre os PorUk- 
guezes a saudade por duas causas, mais cerlas em nós 
que em outra gente dc mimdov porqse d'ambas essas 
causas tem seu principío. Amor e ausencia s3o os pais da 
$aitdéíde ; e como nosso natural é entre as mais