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Full text of "Embaixada que feso excellentissimo senhor conde de Villar-Maior (hoje marques de Alegrete) dos conselhos de estado, & guerra de el rei N.S., gentil homem da sua camera, & vedor da fasenda, &c, ao serenissimo principe Philippe Guilhelmo conde palatino do Rhim, eleitor do S.R.J. conduc, am da rainha Nossa Senhora a estes reinos, festas, & applausos, com que foi celebrada sua felix vinda, & as augustas vodas de Suas Majestades"

/. 



EMBAIXADA 

DO 

EXCELLENTISSIMO 

SENHOR CONDE DE VILLAR 

Maior, 

CONDUQAM DA RAINHA 

N. SENHORA 

E 

APPLAUSOS COM QUE FORAM 

celebradas as Auguftas vodas de Suas 
Majeílades. 



EMBAIXADA 

QJJ E F E S O 

EXCELLENTISSÍMO 

SENHOR CONDE DE VlLLAK-MAlOR (HOJE 

Marques de Alegrete) cios Confelhos de Eíhdo,& Guerra 



D E 



ELREI N.S. 



GENTIL HOMEM DA SUA CAME- 
ra, & Vedor da Fafenda , &c 

AO SE^ENISSÍMO T^INCITE THI- 
iippe Guilhelmo Conde Talatino do TZJnnh Eleitor do 



S. R J 



CONDUC,AM DA RAINHA NOSSA SENHORA 

a eíles Reinos, feitas ,& applauíbs, com que foi celebrada fua felix 
vinda , & as Auguítas vodas de Suas 

MAJESTADES 

ESCRITA, EOFFERECIDA 

EXCELLENTISSÍMO SENHOR 

CONDE DE VILLAR MAIOR FERNÃO TELLES 

da Silva do Coníèlho de Sua Majeíhde, Sc Deputado da Junta 
dos tres Efiados do Reino. 

ANTÓNIO RODRIGUES DA COSTA. 
EM LISBOA. 

Na Officina de MIGUEL MANESCAL, ImpreiTor da Serc- 

nilTima Cafa de Bragança , & do Saneio Offiçio. 

Anno M.DCXCIV. 



A O 



EXCELLENTISSIMO SENHOR 

CONDE DE VIL LAR MAIOR FERNÃO TELLES 

da Silva do Coníèlho de Sua Majeftade, & Deputado da Junta 
dos três Eílados do Reino. 

EXCELLENTISSIMO 
SENHO 





ONHO nas mãos de Voffa Senhoria, e/la 
fel narração das prudentes , &-gencrojas 
acçoes^que o Excellenújfimo Senhor Mar- 
ques de Alegrete obrou na Embaixada ao 
Sereniffemo Príncipe Eleitor 'Palatino do 
'lihim-i &- condução da /lugusliffima Cai- 
nha Nojfa Senhora a esle Treino-, expondo 
juntameute asfejlivas demonsJaçÕes, com que foi Jolemnifado ,ç> 
applaudido o Rpal conforcio de Suas Majejlades. Eojer efla ma- 
téria por todas as rafoes digniffima do azgrado de Voffa Senhor ia-, 
& da fita prudente attençaohe o que me anima a hum objequio tao 
diminuto 5 & inferior a minha grande obrigação, forque nefle 
breve mappa vera V. S. rude mas fielmente dejcriptos os melhores 
lances de prudência? &■ gcnerojidade 5 &■ os mais vivos exemplos da 
maior circunjpeçao , ç> defvelo com que Sua Excellencia foubefa- 
tisfafer comfuperiores ventages às obrigações dojeu caracter? ç> 
dafuapejfoa^engrandecendo nao fomente a reputação dojeu 'Prín- 
cipe? &■ do nome 'Português 3 mas conjeguindo em tao breve tempo 

>J« iij com 



com incrível cuidado , ç> Zgloy o mais importante negocio dejla Co- 
roa. Efe me fora licito , ou pojfevel expor aqui as circunflancias 
individuaes de tantos acertos , ç> todas as confederações , ú> mo- 
tivos, com que todos fe obrarão , O* algumas coujasje ommittirao, 
nunqua a fortuna per tenderia arrogar j c parte alguma da gloria def- 
ta acçaõ todafilba do ^elo , ç> da prudência. Torem afjim como 
a uniforme regularidade do curjo do Sol , £> dos mais ajlros ainda 
fim conhecimento dasjuas canjas nos perjuade que J ao maravilho- 
JâS as que dirigem aquella harmónica compofiçao de corpos cclcslcs\ 
da mcjmajortefe deve entender J em tcda a individual noticia dos 
acertos delia negociação que naopodiao deixar dejer grandes os 
qtie confeguirao q na brevidade de outo mejesjefifejfe bua jornada 
de Torturai a Âlcmanha,fe ajuflaffe hum fraHado 'Dotal entre tao 
Juguftos c Principes,fe ccíebraffem coa maior popa,<&- lupmento to- 
das as jolemnidades devidas,^ costumadas em J eme Ih antes acções, 
& fojfe codufeda a efle %eino a Cainha Ncjfa Senhora em distan- 
cia de mais de quinhentas legoas de caminho terrejlrc , & marítimo, 
prccurandc-fe para o tranjporte huma armada de hum 'Prmápe 
ejlranbo ) &- diflante. 

Servirão pois ( Senhor ) eílas breves memorias de metigar a Vof- 
fã Senhoria de alguma Jorte ofentimento, com que deixou de acom- 
panhar a Sua Excellcncia nesla jornada colhendo nellas , ainda que 
mal repref enfadas da groffaria da minha penados diBames da mais 
joíida prudência, ç> do zelo mais aclivo. Os qvaes eu ejpero ver 
jclij mente praBicados per Vcjfa Senhoria em beneficio da pátria, 
quando ella confeguir a fortuna de reconhecer dignamente asfuve- 
rwres qualidades, que concorrem nape ff oà de Vcjfa Senhoria para os 
minislerios , & empregos da maior Jtippcflçao, &para tudo o que 
for grande , & heróico ; tendo Voffa Senhoria para ijfo naofóeftes 
exemplos , c> eslimulos domeficos iguaes aos maiores , (jrfempre 
cficacijfimos, mas todos os mais da antiga , ç> modernafama', que 
l r cjfa Senhoria na continua lição dos livros çbfervajudiciofamente^ 
tirando ddles naofò as flores da eloquência , e> difcriçao,(que hoje 

pre- 



prepofleramènte coslumajer quojio único de/velo dos queprocurao 
o nome de eruditos)mas principalmente os preceitos das virtudes 
CatbolicaS}&* Aloraesfi conhecimento dos costumes ç> leis das na- 
ções estranhas , as forças , &■ intereffes dos Príncipes , as caufas 
externas , ç> internas das declinações de buris impérios , ç> exal- 
tação de outros, O* finalmente as máximas da melhor rajaode Ej- 
tado 9 &* tudo aquillo que pcdejervir a direção particular ? & pu- 
blica, verdadeiro fim dali çao,& do eíludo bem regulado. E uni- 
das cítas Juperior es circunstancias a jingular piedade Catholica de 
Vojja Senhoria^ jua rara capacidade de engenho-) & natural mode- 
ração de animo formão aquelle grande Minislro Politico >& de 
Eslado que a Philojophia 5 & o dejejo publico jò defcobre na idea-, 
& eu expenderia mais dijffufa, ç> deftinctamente nejle papel fie nao 
receara ojfender gravemente a modefiia de Vojfi. Senhoria 3 que en- 
tre asjuas grandes virtudes tem efia o primeiro lugar para que as 
outras Jej ao maiores , &-ferà hum manifeslo argumento delia a be- 
tievoleucia com que efpero que Vojfia Senhoria receba efte pequeno 
tributo da minha incomparável obrigação. T>eos guarde a petjoa 
de Vojfa Senhoria como jeus creados lhe dejejamos. Lisboa 6. de 
Jgojlodc 1694» 



Aos pès de VoíTa Senhoria. 



Seu mais humilde, (p-fielcreado. 



António Rodrigues *da Coita: 



AQ.VEMLER 




DESEJO de expor com maior 
evidencia aos olhos de todos as fúp- 
tuofas fabricas que o amor dos Por- 
tugueíes,& a veneração das nações 
eírranhas erigirão ao applauíò das 
Auguítas vodas de Suas Majeftades 
foi o motivo que retardou athego- 
ra à expetaçaó publica a ediçaó deite breve volume. 
Porque animado eu com a eiperança que ao princi- 
pio concebi,& depois confervei por muito tempo de 
que os buris,ou deFlandes, ou de Paris ajudaííem a 
rudefa da minha pena a reprefentar viva 5 & airofa- 
mente eítampado nas laminas , o que ella íb fabia ex- 
plicar com confuíaõ , & defalinho ; fui dilatando o 
porem publico eíta narração athe que ultimamen- 
te deíenganado muito à cufta do meu defejo deter- 
minei publicala fem eítes adornos,que bem coníide- 
rados mais fervem a lifonjear os olhos que inltruir o 
entendimento. Se bem he tão poderofa a eficácia dei- 
te fentido que muitas vefes domina naó fò avontade, 
mas a rafaó;& aquelle livro nefte género de argu- 
mento , he mais bem recebido , & melhor reputado, 
que mais fe adorna deites viítofos accidentes. E por 
eítacaufa neceííitava eltemais delles que qualquer 
outro de femelhante materia,pois deífa forte poderia 
de alguma maneira,diííimular tantos defeitos quan- 
tos faó os que o compõem. 

Mas naó foi fò eíte o inconveniente deita demora 
tão larga como infruâifera ; porque a tardança com 
que fane a lux eíta narração lhe fes também mal lo- 
grar 



grar aquella graça ? & benevolencia?que lhe pudera 
conciliar a antecipação de logo ao principio fatisfa- 
íèr à curiofidade ? & alvoroço publico com eftas pri- 
meiras noticias;que fempre a novidade fe foube fafer 
grande lugar para o applaufo, pois he evidente que 
eítaíòprerocrativacoítuma occultar os defeitos que 
ha nos objeâos ? & que ainda os mais perfeitos a 
que faite eíèe poderofo privilegio de novo, & de pri- 
meiro fenaó podem fafer tão plauíiveis. Os primei- 
ros pratos do banquete ainda que naó lejaó dos man- 
jares mais raros , & do tempero mais exquiíito ? fem- 
pre faó os que mais aggradão?& lifonjeião o gofto? 
que os fegundos he neceílàrio que excedaó muito na 
fuítancia, & condimento ? & os últimos que fe aviíl- 
nhem aos Neétares?&: Ambrofias para que poílaó fer 
admittidos pelo paladar?que depois de fatisfeita a in- 
digência da naturefa ío aceita o que he peregrino. 

Diítituído pois o informe corpo deífa narração de 
duas tão luítroías galas que lhe houvera de dar a bifar- 
ria das eftampas ? & a graça de primeira? com que pu- 
dera encubrir , ou disfarçar as fuás grandes imperfei- 
çóes?fahe fò fiada na benevolência dos doutos (que 
os que o naó laó naó fabem exercitar efta virtude nos 
vicios alheios ) a ouvir nas fuás judiciofas reflexões os 
capítulos das fuás culpas có aquella iinceridade?&íín- 
gelleía q me dita o conhecimento próprio? efperando 
que dos erros?que aqui fe me ad vertirem?poderei de- 
pois tirar alguns acertos, com que compenfe alguma 
parte do muito que neíle papel delinquio a minha 
pena.Porem naó devo deixar de advertir aquém o ler 
que o deve fafer com a attençaó de que fuppoflo que 
ainda agora fahe a lux fe acabou de efcrever logo que 

le 



fe acabarão de obrar as acções que refere 5 & que por 
eíla ca ufa fe achará a refpeito do tempo prefente al- 
guma incongruência nos títulos dos Príncipes , & 
peíToas que nelle fe nomeiaó have ndo a inftabilidade 
das coufas humanas alterado de tal forte as de Euro- 
pa neíte breve efpaço , que me parece efcrevo eílc 
Prologo j a em outro feculo. 



VISTAS as informaçóes,pode-íè imprimir o livro de cjueeíla peti- 
çaõ tratta,& depois de impreílõ cornara para íè conferir , & dar li- 
cença que corra,& km ellanaó correrá. Lisboa 8. de Janeyro de 1 694. 



fèaflo. Fojos. 



&^<€&ii$$<»€$ 



X)$»tiSg*$i 



p 



ODE-SE imprimir o livrode que a petição faz menção, & deípois 
tornará para íè conferir, ôc Ce dar licença para correr , 8c Tem ella naó 
correra, Lisboa 5 . de Fevereyro de 1 694. 

Serrão. 



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P 



LICENQAS DO PASSO. 

ODE-SE imprimir viftas as licenças do San&o Officio,& Ordiná- 
rio, ôc depois de impreílò tornara a efta Meíâ para íè conferir , & tai- 
• xar,& íêm iflò naò correrá. Lisboa 5. de Fevereyro de 1604. 

Mello. T. G{oxas. Lemprea. Marchaõ. ^jbejro. 



TAIXAM efte livro em oito toftois. Lisboa 14. de Dezembro 
de 1694. 



Mello !P. Lamprêa, Marcbud, r J^eVedo. Q^beyro. Sequeyra. 



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LICENÇAS 

DO SANTO OFFICIO. 

PADR.E Meftre Frey Thomé da Conceição Qualificador do 
San&o officio veja o livro de qucefta petição tratta ,& informe 
comíèu parecer. Lisboa io.de Novembro de 16^3. 

1 > iwenta. 'Bujlo. Cajlro. Fojos. J^eVedo. 

ILLUSTRISSIMO SENHOR. 

LI efte livro no qual íèdeícrcvem a Embaixada que o Marques de 
Alegrete dos Coníèlhos de Eftado , & guerra de ElRey NoíTo Se- 
nhor, Gentil. Homem da Sua Camera , & Vedor da Faíenda ,fcs ao Sere- 
reni Mimo Príncipe Filippe Guilhelmo Conde Palatino do Rhim , elei- 
tor do S. R. La Condução da Rainha Nofià Senhora a efta Corte, & as 
feítas s & applauíbs com que nella foi celebrada a ília fcliciííima vindajdef- 
teaííumpto verdadeiramente íòberano, &auguíí:o, digno de que a ília 
narração íeeftampaífc em muitos volumes, quis o Autor deíle tratar cõ- 
pendioíamente para ficar mais plaufível aos Leitores fendo breve noftyl- 
lo,masnao diminuto na Hiftoria; nefta como em clariflimo efpelho íc 
offèrecc aos Portugueíès hum epitome das grande fas , & felicidades de Por- 
tuga', compofto fem aiíèâaçaó, 8c difpofto com verdade íem palavra que 
offenda a Religião Catholica,nem a pureíà dos bons coftumes,&r aíll di>- 
nifíimo de fair a lus naõ huma lò ves mas muitas, 8c de íe cílanpar nos co- 
rações. Lisboa no Convento de NoíTaSenhora do Carmo o. de Dezem- 
bro de 1693. 

F re J T.¥^ d* Concejçaô. 





-v < C^ *Cs ^j ^O^ ^©> ^©^ ^&> ^*o *o^ ^^o ""^^o v **-•> '«-o , *^* ?«*l ^*n ^o "^o '** r * ^**o ^^> *<v> «,, 

PàDPkE MeftrcFrey Hcronymo de Santiago Qualificador do 
SanLtoOrTicio,& Abbadedè Saõ Bento veja logo o livro de que 
eíla petição tratta, & informe com feu parecer. Lisboa i 5 . de Set- 
tcmbmde 1 693. 

Tménta. <Bjjh. Cajiro. Fojos. 

ILLUSTRISSIMO SENHOR. 

OR mandadode Voflà IlluftriíTimali o livro, que contem a Em- 
baixadaqueo Marques de Alegrete dos Conielhos de Eftado , & 
Guerra de EiKey Noílò Senhor ,Gencil Homem da Sua Camará , ôc 
Vedor da Faíènda Fes ao Sereniííimo Príncipe Philippe Guilhelmo Con- 
de Palatino do Khim Eleitor do S. R.J.& a Condução da Rainha Nof- 
íã Senhora à eftes Reynos , feitas-, & applaufos com que foi celebrada íua 
felis vinda, & as Auguítas vodas de Suas Majcíhdes ; Author António 
Rodrigues da Coita. Efe em obra tão alta por fua matéria, & tão douta 
por fea A uthor,pudefíè haver alguma coufa digna de ceníura, feria fò a de 
que fendo a verdade alma da hiftoria, & tecendo clíca deíla Embaixada, 
& condução da Rainha Noflà Senhora com canta erudição , método , & 
çlareía,naó exprima baftantemente os alvoroços , júbilos, & applauíbs 
com que os ânimos Portugueíes íôuberaó applaudir asfelices vodasde 
íènsaltos,&auguítos Príncipes: mas iito que parecia deldouro lhe vemà 
fervirde mayor credito ; porque aíiim como os acertos da Embaixada , & 
condução íènaòpodiaó explicar melhor por raíàó da matéria /èrinaccíTi- 
vel como de Príncipes tão foberanos,aííim também os alvoroços , júbilos, 
& applauíbs fe não podiaõ exprimir mais por ferem filhos de hum amor, 
não fò devido , mas connatural à tão íoberanos Príncipes. E porque naõ 
contem couíà contra noílà Santa ré, ou bons coítumes , me parece digniíli- 
mode íe dar ao prelo , & fe eíhmpafle embronfesparaíê erernifarna 
fama ,afiim como durara eternamente na noíla memoria. Saó Bcntoda 
Saúde em 23. de Dezembro de 1693. 

Doutor F\ey Jcronymo de Santiago. 
Qualificador do Saneio Ofjicio^ 5S> Dom Abbadc de Saõ 'Bento. 







EMBAIXADA 

DO 

EXCELLENTISS1MO 

SENHO^CONVE "DE VILLJ^MJIO^ 

(hoje Marquez^de Aegrete ) dos Conj cibos de Estado \ 
&Querra de Efí^ejnojfo Senhor Gentil- ho- 
mem dafua Camará, ç> Vedor 
da Fajenda, <s c. 

SENTIMENTO DA FAL- 

ta da Rainha N. Senhora Do- 
na Maria Francifca Ifabel de Sa- 
bóia penetrou taó altamente o 
naó menos piedoío que Real 
animo de Sua Majeftade, que 
muito tempo naó admittio a fua pena confo- 
laçaó, & menos os rogos que pouco depois Jhe 
fiferaó feus maiores Miniítros , 6c mais zelofos 
do bem publico 5 para que moderando a dor 
de taó grande perda, 6c pondo fò os olhos no 
bem de feus vaíTallos , como pae de todos ellcs, 
lhe quifeíTe fegurar com fegundo matrimonio 
a fua Real íucceíTaó. Mas como para íe mitigar 
hum fentimento grande , fò o tempo he efficas 
remédio; foi precifo que paííaíTe algum para 

A que 




Sent imi- 
to de ElR<i 
no(]o Stnhor 
peia faítu áa 
S'ereuilfima 
Raitiba 
T)om Ma- 
ria Francif- 
(a. 



Tedemoi 
rjbtiniftros 
de E jfado a 
SuaMajff- 

tade celebre 
Jegtwdo KA" 
trunonio. 



2 Embaixada do Excellent. Sfnhor 

queconvalecidaarafaó da pena? que a laftima- 
va, abriíle mais livremente as portas ao diícur- 
íbj & os ouvidos aos rogos , & continuando- 
íeeftes cada vescom maior inítancia 5 & mais 
fervorofo zelo , ajudados de hum reverente, 
& aífecluofo clamor dos fideliilimos coraçõ- 
es dos povos ; finalmente facriíicou Sua Majef- 
tadc os feusaffeâos ao beneficio de feus vaifal- 
I0S5& commeífoua dar attençaó à pratica de 
interpom novas vodas. A que ajudou muito a poderofa 
oUntijjr.no interpofiçaó da Santidade do Papa Innocencio 
ttmVndui XI. que movido do paternal affecto , com que 
mo os feus eípccial mente ama a Sua Majeítade entre os 
mf/Jofm, niais Príncipes Catholicos , como filho mais 
tíEiRey obediente, & mais zelofo da Igreja 5 exhortou 
je deixa vi EIRei noílo Senhor por hum Breve , em que 
ara\-sus aírecluoía 3 & prudentemente períuadia a Sua 
Majeítade, que depondo o íeu fentimento con- 
trahiííè iegundo matrimonio para fegurança 
de fua Real deícendencia , confolaçaó de feus 
Vaííalios,& foccego da Chriftandade. 
Tropoem- Logo que Sua Majeítade o permittiu , fe lhe 
^■fT M d' P ro P u feraóos cafamentos de todas as Prince- 
asTriJefa ias de Europa, que pelo efclarecido do íangue? 

TbriTandl* ^ P e ^° e fti mavc ^ das virtudes fe faíiaó dignas 
dcparae/ig. dcile Real conforcio , fafendo-íe paraeíle fim 
ibtr e/po/a. diligencias p 0r parte das maiores Coroas de Eu- 
ropa , que por meio de feus Miniftros afliften- 
imerpoem tes nefta Corte interpuferaó poderofos offici- 
fe7fe*sofl£ os a favor de varias Princeías. Porém ainda que 
dos a favor todas eraó,naó lo dignas , mas digniílimas deíle 
Trinclfis* Real thalamo; eraó taó fuperiores asprcrogati- 

vas 



Conde de Villar maior, &c. 3 

vas da foberana peíToa da Sereniffima Senhora 
Princefa Eleitoral Maria Sophia JsABEL,fi!ha 
do SereniíTimo Príncipe Philippe Guilbelmo, t ^lTe- 
Eleitor Palatino do Rhim,quejuftamente a fi* renijfirna' 
feraó logo preferir na eleição de Sua Majefta- Zuitorai 



de a todas as mais Princefas :& a fim de fe infbr- "Palatina 

fbia 



mar fomente da faiide de Sua Altefa ( porque os c 



mais dotes,ck virtudes , eraó tam celebradas pe- 
la fama , que fò pediaó applaufos, & admiraçó- 
es ) mandou Sua Majeftade a Heidelberga, Cor- Matjiadea 
te do Sereniflimo Eleitor Palatino , ao Doutor &Áf-fj r& * 
António de Freitas Branco, então Defembar- j momo de 
gador daCafa da Supplicaçaõ , & de preíente n re J^ ai . 
Confelheiro da fafenda, para que incógnito to- firmarft. 
maíTe aquella noticia com a exacçaó neceífaria; 
o que efte Miniílro fes, na forma que fe lhe en- 
carregou^ entendendofle pelos feus avifos, 
que a difpofiçaó da Sereniílima Senhora Prin- jw bem 
cefaeraa melhor que fe pudera defejar,& què a Jf^ tidas 
as iníinuaçóes , que também de ordem de Sua cseVqu? 
Majeftade havia feito ao Sereniflimo Eleitor^^: 
feupae, dos intentos que Sua Majeftade tinha uriosina- 
de fe apparentar na fua Sereniífima Cafa , foraó ^l^nZe. 
recebidas com particular aggrado, & eftimaçaó: &h< mania. 
mandou Sua Majeftade recolher o Doutor A nJ° " m<r ' 
tonio de Freitas por ter dado fim a fua commif- 
faó ; & trattando logo de nomear hum minif- 
tro de tão grande fuppoíiçaó, prudência , & au- 
thoridade,que com o titulo de feu Embaixador 
Extraordinário foííe àquella Corte a tratar ,& 
ajuftar efte grande negocio , & a conduíir a efte 
Reino aquella Sereniílima Princefa: como na 

A ij peíToa 



4 Embaixada do Excellent. Senhor 

Nom fia ?u i 

CHajefiaje peífoa do Conde Manoel Telles da Silva dos 
TiihrMahr feus Confelhos de Eílado, & Guerra, feu Gen- 
Tiik^áa ^-^ omGm da Gamara, Vedor de ília fafenda, 
suvafor & hoje Marques de Alegrete , concorriaó todas 



Embaixador 
tara ir ira- 



cilas , & as mais qualidades neceífarias para húa 
'i,rá> [tu miílaó de tão grande empenho; naó houve mif- 
c-ajamcnio. ter g ua Majeílade muito tempo para eícolha 

de Embaixador, & logo em terça feira outo de 

Outubro do anno de 1686. mandou declarar 
Manda de- ao Coníelho de Eílado,que tinha reíoluto mã- 
ciararaou dar tratar de feu cafamento com a Sereniííima 
{'oarrfuil" P f ince la Maria Sophj a Isabel, rilhado Sere- 
famdeque- niffimo Príncipe Philippe Guilhelmo Conde 
"Vtuntfii- Palatino do Rhim , Eleitor, & Architheíaura- 
maTnme- r j ç\ Império ; St que para aquelle Miniílerio 
mea/Jle efeolherao Conde Manoel Telles daSilva,pe- 
Embaixa- \ niu ito que fiava de fua prudência , & do feu 

zelo daria plena íatisfaçaó à confiança que del- 

le faíia. 

He incrível o goílo,& aceitação com que o 
qulfecebeo Confelho de Eirado pleno recebeu, ôcappro- 
tonfeihoàt vou húa, ck outra noticia , que Sua Majeílade 

EU aio citai r • r • , 1 11 • o \ 

tioikias.tí rói lervido mandarJhecommunicar ,& depois 
^"í"'" deaggradecer obfequioíamentea Sua Maieíta- 

tnpocmfa. 05 , 1 T J 

rafe covje- de a participação deduastao deíejadas , cc pru- 
toZmbre- bentes refoluçóes , digniílimas ambas do Sobe- 
vtéaie. rano difeurfo de Sua Majeílade, Jhe pediu fe 
dignaííe de mandar dar tanto calor aos defpa- 
chos da Embaixada , que íenaó perde/Te tempo 
algum,para que a partida do Conde pude/Te Ter 
a tempo,que com a fua actividade , & diligencia 
fe confeguiíle o ler conduíida a Sereniííima 

Se- 



Conde de Villar maior, &c. 5 

Senhora Pnncefa a eíte Reino em o Veraó 
próximo, devendo-fe Jogo cuidar , com grande 
applicaçaó em tudo o que foíTe útil , & condu- 
cente a eíte fim. 

A alegria do Confelho de Eftado foi feguida j^uude 
do applaufo univerfal de toda a Nobrefa,& Po- »niverfai- 

1 r» • x 1 1 -\ ^ mente a No- 

VO do Reino , nao havendo j a quem nao vene- brefa& <p - 

raífe com todo o affeéto a Sereniffima Princefa vo do *'£ 
por fua Rainha, & Senhora, & quem não dfB&fStsieS** 
guraílè da aclividade , & prudência do Embai- Ma J e J ta ^' 
xador , faberia remover todos os obftaculos , & 
vencer todas as difficuldades para breve , & fe- 
liímente fe ver confeguido hum negocio de 
que tanto dependia a confervaçaó da Coroa. ^tílllT 
Mas porque parece que juílamente pedirá nef- «*? Gencaio- 
te lugar a curiofidade de quem ler, huma breve temffiia 
expoíiçaó da Clariííima profapia da Rainha 'Prmcefa, & 
Nofla Senhora , & das fublimes prerogativas da & %aâol % 
fua Nobiliííima Cafa , de eílados ; epitomare- ^/"* w / d - 
mos fuecintamente a fua gloriofa afeendencia, 
Ôc mais noticias concernentes ao conhecimen- 
to da Soberana grandefa da fua Eleitoral Cafa. 

A cafa Palatina he fem controveríia por to- %£'"£ 
dos os títulos huma das mais illuftres que ve- c%a g no 
nera Europa. O fundador delia foi na opinião fX^«- 
de graves , ck eruditos Genealógicos , o Em- im- 
perador Carlos Magno , o mais infigne heroe, 
que conheceu a fama de nove centos annos a 
efta parte, reftaurador, 6c amplificador do Im- 
pério do Occidente. Mas deixada a continua- 
ção da linha deite grande Principe,que pela fua 
antiguidade he menos exacla,ck mais efcura> 

A iij & 



6 Embaixada do Excellent. Senhor 

& commeíTando do Príncipe Luitpoldo, donde 
corre athe o prefente fem interrupção 5 nem 
controveríia a linha mafeulina deita nobiliffi- 
ma Cafa;floreceo eíle Príncipe no fim do fecu- 
lo de nove centos , imperando os Emperado- 
res Arnolfo, & Ludovico IV. & governou a 
Baviera com o titulo de Duque daquella Pro- 
víncia, que teve por filho Amoldo ? que lhe 
íuecedeu no Ducado , & delle dous nettos, 
Eberhardo, & Arnolfo , que por haverem mo- 
vido armas contra os Emperadores Conrado, 
& Henrique cognominado o CaíTador , foraó 
deípojados do Ducado. 

Eberhardo foi progenitor dos antigos Mar- 
quefes de Auftria ? extinétos nos annos de mil, 
& dufentos 5 & Arnolfo dos Condes de Scheirn, 
cujo quarto netto Otton terceiro mudou o ti- 
tulo de Scheirn em o de Vitelfpach 5 tomando 
ode humCaftello que fundou junto a Cidade 
Augsburg . Otton quinto feu netto pelas he- 
róicas acções que obrou em ferviço do Em- 
Çerador Friderico Barbaroxa, mereceu que eíle 
ríncipe lhe reíhtunTe o Ducado de Baviera 
que havia fido de feus afeendentes, & Otton II- 
luftre feu netto cafando com Gertrudes filha u- 
nica de Henrique Conde Palatino do Rhim 5 
uniu ao Ducado de Baviera o Condado Palati- 
no , & a dignidade Eleitoral annexa àquelle 
Condado. Eíte Príncipe Otton illuftre pro- 
creou Ludovico fevero , de quem nafeeraó Ro- 
dolfo , & Ludovico 5 & fendo Ludovico eleito 
Emperador contra as diligencias de Rodolfo, 

que 



Conde de Villar maior, &c. 7 

que favorecia as partes do Friderico de Auftria, 
defpojou a Rodolfo dos eftados,que como a pri- 
mogénito lhe pertenciaó. Mas querendo de- 
pois emmendar efte rigor? morto Rodolfo , ref- 
tituib aos fobrinhos os Palatinados fuperior , & 
inferior com a qualidade de Eleitor , como pre- 
rogativa principal da linha primogénita, que do 
nome de Rodolfo fe ficou denominando Ro- 
dolfina. 

O Emperador Ludovico confervou na de 
feus Filhos os eílados de Baviera ; & dividindo- 
fe efta primeiro em vários ramos , ultimamen- 
te fe veio a reduíir lò a Alberto quinto , que 
ainda que teve vários filhos , querendo evitar os 
damnos que fe feguiaô da feparação dos efta- 
dos,inftituío a uniaó delles , para que foíTem to- 
dos infeparaveis da peífoa do primogénito da 
Cafa, commeííando logo em feu filho Guilhel- 
me, que fuccedeo a feupae no anno de 15 19. 
dando o nome,à linha Palatina de Baviera , que 
no trattado de Munfter fe nomeia por Guilhel- ^faTa^ 
miana;mas deixada efta que naó he de noflò iní- ktina.Gui- 

0mi:0 \ . . . Rofaljma, 

A linha Rodolfina fe dividiu também em 
diverfos ramos, atè que fe veio a incorporar to- 
da no Emperador Roberto ,que ainda que te- 
ve quatro filhos , íb permanece a fucceífaó do 
terceiro genito Eftevaó , que foi Conde de Si- 
merem, Zvaibruc, Veldents, & Sponheim , & 
teve dous filhos dos quaes o primogénito Fri- 
derico procreou a linha Simerenfe que depois 
fe chamou Eleitoral por Friderico terceiro feu 

Aiiij bit 



8 Embaixada do Excellent. Senhor 

bifhetto haver fuccedido no Eleitorado a feu 
primo Otton Henrique , & continuando-fe 
nefta a poífe deites eílados com a dignidade de 
Eleitor athe Friderico quinto , perdeu eíte 
Principe húa , &c outra coufa por fe haver feito 
eleger Rei de Bohemia pelos herejes ( como 
elle taó bem era) contra o Emperador Ferdi- 
nando fegundo feu foberano,& verdadeiro fe- 
Eiritora4o° nhor daquelle Reino. Mas Maximiliano Du- 
Tahtmv. q ue <j e Baviera General das armas Jmperiaes no 
anno de 1620. o venceu na batalha de Praga 
com tanto deítroço que lhe fes perder? naó iò 
o Reino queinjultamente ufurpava, mas tam- 
bém os feus próprios eítados , obrigando-o a fa- 
hir de Alemanha a ampararfe dos Hollandefes 5 
Sc coníifcandolhe logo o Emperador na Dieta 
próxima o feu Principado. Do qual deu o Pala- 
tinado fuperior com a dignidade de Eleitor 
ao Duque de Baviera Maximiliano , que havia 
alcanfado aquella viótoria 5 & feito grandes 
defpedis na guerra que quaíi fuílentou à fua 
própria cufta ; & o inferior fe partiu entre o 
Emperador,6c El Rei Catholico que com as fu- 
ás armas, 8c iubíidios havia contribuído muito 
para a exterminação daquelle Principe. Mas 
empenhando-fejacobo Eítuardo Rei de Inga- 
laterra , & não menos EIRei de França > para 
que fe reítituíífem a eíle Principe os feus Eíta- 
dos , & prerogati vas que com elles gofava ; fe 
capitulou nos trattados de Veltfalia> onde entre 
todas as mais fe difputou eíta matéria acérrima* 
mente 3 que a Carlos Ludovico primogénito de 

Fride- 



Conde de Villar maior, &x. 9 

Friderico, por elle fer jà falecido a eíle tem- Refitue-feé 
po , fe reftituiífe o Pai atinado Inferior, cedendo Zf£!£*a 
para iíTo o Emperador , & EIRei Catholico Carks u- 
das partes que nelle oceupavaó as fuás armas , liplLtri- 
ôc que confervando-fe o Superior com a digni- coV - 
dade de Eleitor na cafa de Baviera , fe creaífe 
de novo hum outavo Eleitorado com o titulo 
deGraó Thefoureiro do Império; comoaffeóti- 
vamente fefes , fem embargo de que o Pon- 
tífice Innocencio X. per li , &c pelo leu Legado 
em Alemanha proteítou contra efta nova elei- 
ção pelo prejuiío que delia refultava aauétori- 
dade Pontifícia. Não deixou Carlos Ludovico 
mais que dous filhos, Carlos que lhe íuecedeo 
nos eítados,& Elifabetha Carlota , que vive ho- 
je cafada com o Sereniílimo Príncipe Philip- 
pe de França , Duque de Orleaés , irmaó único 
de EIRei Chriítianiffimo Luís XIV. Mas mor- 
to Carlos fem filhos em o mes de Maio de 
1685. deu lugar a lua falta , & a de defeenden- 
tes legítimos Varões dafua linha a entrar na fuc- 
ceífaó daquelles Eítados a Sereniílima Cafa de 
Neuburg,pela maneira feguinte, 

Ludovico filho fegundo do referido Efte- }- inha t*' 

" o • " j r» -j • iíji-i c- latina* me» 

vaojcx irmão de b ridenco chete da linha bime- rtnfc 
renfe, que acabamos de referir, foi Conde de 
Zvaibruc , ou Biponíio , & Veldènts,& fenhor 
no Condado deSponheimCiterior,&dedous 
nettos que teve filhos de Alexandre, que foraó 
Ludovico,&Ruperto,defcendem os illuítriffi- 
mos Ramos , que hoje ha deita nobiliííima Cafa 
Palatina na linha Rodolfina,não obítante achar- 

te 



io Embaixada doExcellent. Senhor 

fe a defcendencia de Ruperto quaíi extin&a , & 
redufida fomente à linha de Lauterc na peííoa 
de Leopoldo Ludovico , Conde de Veldents, 
& de Lauterc ; mas a felix fecundidade da linha 
de Ludovico fubítítue bem a falta da de feu ir- 
mão Ruperto. Foi Ludovico Conde de Zvai- 
bruc, & da maior parte dos Condados de Spon- 
heim , & Veldents. Teve por filho a Volfgan- 
go,aquem Otton Henrique Eleitor? & parente 
maior da linha Rodolfina deixou por teftamen- 
to o Ducado de Neuburg em Baviera , junto ao 
Danubio,ck o Principado de Sultsbac no Pala- 
tinadofuperior. 

Cazou Volfgango com Anna filha de Ludo- 
vico Landígra vede Haília 5 de quem procreou 
cinquo filhos , que fiferaó outros tantos ramos, 
dos quais o primeiro heo da Sereniffima Cafa 
de Neuburg, de que logo daremos mais plena 
noticia;o fegundo formou a Bipontina , ou co- 
mo os Alemães lhe chamão de Zvaibruc, que 
tem varias dívifóes, das quais a principal he a ca- 
fa Real de Suécia, por haver aquelle Reino elei- 
to para o feu throno a Carlos Guftavo , filho de 
Joaó Caíimiro Duque Bipontino , & de Cathe- 
rina filha de Carlos Rei de Suécia? & irmã do 
grande Guftavo Adolfo de quem he filho Car- 
los Rei de Suécia, que hoje Reina naquelle 
Reino. O terceiro filho de Volfgango fundou a 
linha de Sultsbac. O quarto ade Veldents , ex- 
tinchs ambas, o quinto a de Birquenfeld , cuja 
explanação naó ferve a efte diícurío, mas fòmé- 
te a linha Neuburgenfe , que foi a do primogé- 
nito 



i 

Conde de Villar maior, &c. ii 

nito, que fe chamou Philippe Ludovico, & ca- 
iou com a Pnncefa Anna filha de Guilhelme 
Duque de Cleves,Juliers,ck Mons, ck Conde de 
Marca,Moerfa,& Ravensberg,ck Senhor de Ra- 
vefteim;os quais eftados , extinâa a linha maf- 
culinadeíles Príncipes noanno de féis centos, 
cknove,foraó diíputadosacerrimamente entre 
os cunhados do Duque Joaó Guilhelme ultimo 
íenhor delles morto fem defcen dentes, & prin- frança d* 
cipalmente entre o fobreditto Duque Philippe ctlíTsJ 
de Neuburs , & íoaó Simímúdo Marques tilei- J ullos a ^ ui 
for ae Brandemburg. Pertendia o Duque que à TaUtina de 
D uquefa Anna fua mulher felhe devia deferir ^ cnbur Z' 
a fucceílaó daquelles eífados , por fer a única ir- 
mãadejoaó Guilhelme, que fe achava viva ao 
tempo do falecimento de feuirmãoo Duque, 
ultimo poífuídor delles.O Eleitor de Brandem- 
burg fúdava o feu direito por parte de feu filho 
Primogénito em fer filho da Princefa Maria Le- 
onor irmãa mais velha do Duque Joaó Guilhel- 
me , querédo tiveffe ainda nelle lugar a reprefé- 
taçaó. E não podédo decidirfe efla queílão có o 
loccego q quifera o Emperador Rodolfo , q en- 
tão impera va,recorreraó eítes Príncipes aojuífo 
das armas,ajudados dos maiores Príncipes da Eu- 
ropa, com que occupou cada hum a parte q po- 
de daquelle Principado , athe q no anno de leis 
centos, & vinte por hum Trattàdo Provifio- 
nal fe capitulou que enquanto fenaó difcutiííe 
juridicamente aquelle ponto , ficafsé ao Duque 
de Neuburg Volfgango filho de Philippe,& da 
DuquefaAnna os dons Ducados dejuliers^ck: 

Berges, 



12 Embaixada do Excellent. Senhor 

Berges,ou Mons, que he o mefmo , & o Senho- 
rio de Ravenítein, & ao Eleitor de Brandem- 
burg o Ducado de Cleves,&: Condado de Mar- 
ca , & Ravensberg, no qual eífado fe conferva- 
raó eftas duas cafas athe defafeis de Novembro 
de féis centos fetenta , & ouro, em que a ambi- 
guidade do domínio deites Principados tomou 
mais firmefa com a confirmação do Coníilio 
Privado do Emperador,que houve por bom ef- 
teajufíarnento. 

O Duque Volfgango filho de Philippe Lu- 
dovico caiou três vefes, a primeira com Magda- 
Jena filha de Maximiliano Duque de Baviera , a 
fegunda com Catherina Carlota filha de Joaó 
fegundo Códe Palatino do Rhim Duque de Bi- 
poníio , & a terceira com Maria Franciíca filha 
de Egon Príncipe de Fruílenberg. Os últimos 
dous matrimónios foraó infecundos,ck fomen- 
te do primeiro nafceraó três filhos , dos quais os 
dous menores morrerão na idade juvenil fem 
defeendencia , que foraó Ferdinando Philippe, 
òv Leonor Francifca , com que veio a falecer o 
Duque Volfgango, deixando fomente oSere- 
niííimo Príncipe Philippe Guilhelmo pae da 
Rainha Noíla Senhora. Referir as heróicas vir- 
lanjjtl'' tucíes -> & acções de Sua Alteia Eleitoral , fora 
<p,incefa, a emprefa tão difficil , como ociofa , pois né a elo- 
^quencLpa' quencia baila para exprimir dignaméte os feus 
rarefniras elogios, neni elles neceílitãode outro preeaõ, 

viriujei de v> T t r • r i " 

S". a. E. mais que o do appíauío univcríal, com que nao 
fò Alemanha , mas toda Europa reconhece em 
SuaAltefao modello de hum Príncipe perfei- 
to, 



Conde de Villar maior, &c. i 3 

ro. Nafceu aos 25. de Outubro do anno de 
16 15. &: celebrou as primeiras vodas em o de 
1642. com Anna Catherina Conftancia filha de 
Segifm undo III. Rei de Polonia,a qual falecédo 
em 51. íem deixar fucceífaó,cafou S. A. fegunda 
ves em 53. com a Sereniffima Princefa lfabel 
Amália , filha do Príncipe George Landfgrave 
de Haffia em Darmílat,de quem teve a illuítre, 
6c numerofa deícendencia íeguinte. 

A Sereniffima, & Auguftiiíima Emperatris 
Leonor Magdalena Therefa , que naíceu em 
Duííel dorp a 6. de Janeiro de 1655. & calou có 
o Emperador Leopoldo Augufto a 14. de De- 
fembrode 1676. 

A Sereniíiima Princefa Maria Adelheides 
Anna 5 que naíceu a 6. de Janeiro de 1656. em 
Neuburg, & faleceu em Duífeldorp à 21. de 
Defembro do mefmo anno. 

A Sereniffima Princefa Sophia lfabel, nafceu 
emDuíleldorp a 25. de Maio de 1657. & fale- 
ceu em Fevereiro do anno feguinte. 

OSereniffimo Principejoaó Guilhelmejo- 
feph,herdeiro da Cafa,que vulgarmente intitu- 
laó Duque de Ju liers , nafceu em Duífeldorp a 
19. de Abril de 1654. & em 25. de Outubro de 
1678. celebrou vodas com a Sereniffima Archi- 
duquefa Mariannajoíepha filha do Emperador 
FerdinandoIU.& da Emperatris Leonor Gó- 
faga, irmã do Emperador Reinante, & da Rai- 
nha Catholica , mãe de Carlos II. de que naó té 
athe o prefente fucceffaó. 

O Serenifíirno Principe Volfgango George 

B Fride- 



14 Embaixada do Excellent. Sfnhor 

Friderico Francifco,naíceu em DuíTeldorp à 5. 
de Junho de 1659. & feguindo a vida Eccleíiaf- 
tica teve Canonicatos nas Cathedraes de Colo- 
nia,Strasburg, Liege, Muníter , Ofnabruc, Paf- 
fau, Trento? Brixia , & Braslavia, & faleceu em 
Neufíat de Auítria, voltando de huma jornada 
que havia feito a Itália a 3. de Junho de 683. 

O Sereniífimo Príncipe Ludovico Antó- 
nio , nafceu em DuíTeldorp a 9. de Junho de 
660. & em 20. de Defembro de 79. tomou as 
iníignias da Cavallaria da ordem Teutonica na 
Cidade de Mergentheim caberia delia , & de- 
pois foi eleito por Gram Meítre da mefma or- 
dem, dignidade das mais i 11 nitres de AJemanha, 
&c naó menos rendofa. He também Cónego em 
Magnncia, Colónia, Liege, & Muníter. 

O Serenifíimo Príncipe Carlos Philippe, 
nafceu em Neuburg a 4. de Novembro de 661. 
& caiou o anno pairado de 88.com Luífa Carlo- 
ta filha de Bogiilao Príncipe Rad-zivilio , Se- 
nhor das Birfas, Dubinfques, Slucia, & Capilo, 
& de Anna Maria da mefma família, fenhora de 
grandes eirados em Lithuania , ck que foi pri- 
meiro cafada com o Príncipe Luís de Brandem - 
burg,de quem naó teve fucceííàõ. 

O Sereniílimo Príncipe Alexandre Sigifmú- 
do,nafceuem Neuburg a 16. de Abril de 1663. 
& foi eleito no anno de 8 1 . Coadjutor do Biípo 
de Auguíla , & Prepoíito do Cabido de Conítã- 
cia,à que accrefceraó os Canonicatos de Aichf- 
tetens,& Ratisbona. 

O Sereniífimo Príncipe Francifco Ludovi- 
co* 



Conde de Villar maior, &c. i 5 

co,nafceu em Neuburg a 24. de Julho de 1664. 
de foi eleito Bifpo de Braslavia a 3. de Junho de 
1683. 

O SereniíTimo Príncipe Friderico Guilhel- 
mo, nafceu em DuíTeldorpa 20. de Julho de 
1665. 

A Sereniffima, & Auguítífíima Rainha Nof 
fa Senhora Dona Maria Sophia Isabel , naf- 
ceu em Brevath no Ducado de Juliers a 6. de 
Agoiro de 1666. 

A Serenifíima Princefa Marianna,nafceu em 
DuíTeldorpa 28. de Outubro de 1667. 

O Sereniffimo Príncipe Philippe Guilhel- 
mo Augufto naíceu em Neuburg a 1 8. de No- 
vembrode 1668. 

A Sereniílima Princefa Dorothea Sophia em 
Neuburg a 12. de Julho de 1670. 

A Sereniffima Princefa Hedvigis Ifabel A- 
maliaa 18. de Julho de 1673. 

O Sereniffimo Príncipe ioaó Guilhelmo naf- 
ceu,& faleceu ao primeiro de Fevereiro de 675. 

A Serenifíima Princefa Leopolina nafceu 
em Neuburg em Maio de 1677. 

As Excellencias deita Clariffima cafaPalati- T / a 7?/ ( a J f 
na, & a copiofa derivação de feu illuítre fangue fim* u/é 
pelas mais foberanas , & poderofas de toda Eu- asm %™p m 
ropa,fe podem ver mais diffufamente no tratta- derofasda 
do que fe intitula, Annulus memoriae, offereci- uroí * 
do ao Sereniffimo Príncipe Iofeph Iacobo Ar- 
chiduque de Auítria , filho de Suas Majeítades 
Ccfareas Reienantes; em que fe vem com clara, 

Bij & 



í6 Embaixada do Excellent. Senhor 

Sc diftinéla ferie haver dado pela fua baronia 
onfe Emperadores 5 & pela defcendencia femi- 
nina vinte,ôc dous Cefares, fette Emperatrifes? 
quatro Reis de Portugual,vinte,Ôc fette de Caf- 
telia,& Aragaó,íeis de França 5 finco de ingala- 
terra 5 deíanove de Efcocia 5 outros tantos de Na- 
varra^ Sicília? vinte & hum de Ungria 3 & Bo- 
hemia ? cinco de Polónia , onfe de Dinamarqua 5 
& Suecia?quatorfe Rainhas de varias nações , &: 
muitos outros Principes,& Princefas 5 que a re- 
ferilos todos , fora neceílario fafer hum prolixo 
Catalago; de forte que numerando fò as Auguf- 
tas Cabeííàs Coroadas 3 que tem produíido eíla 
fecunda arvore 5 faó cento 3 & fetenta, & húa , & 
com tão firmes raiies fe acha em todas as cafas 
foberanas da Europa , que a penas nafcerà no 
prefente,& futuros íeculos Príncipe algum pa- 
ra o Throno ? que naó deva parte do feu illuítre 
fangue à cafa Palatina. 
taiaál se. Naóhe menos coníideravel efla cafa pelos 
nh 7dffl°e g ranc ^ es eftados que poííue,& o fora muito mais 
niffima lè fe naó houveraó dividido pelos numerofos 
Tnmefa. ramos q Ue procreou efte generofo tronco ; por- 
que fò o ramo de Baviera fenhorea hum poder 
que fe fas refpeitar de todos os Príncipes l & pô- 
de competir com os maiores. S. A. Eleitoral o 
Sereniffimo Príncipe Eleitor Palatino pae da 
Rainha NoíTa Senhora alem do Ducado de 
Neuburg antigo património deite ramo fito 
nasmarges do Rio Danúbio entre o Eleitora- 
do, & Palatinado de Baviera , poílue como te- 
mos viíto nas ribeiras do Rhim os Ducados de 

Iu- 



- 



Conde de Vill ar maior, &c. i 7 

Juliers,Sc Mons,ou Berges,& o Senhorio de Ra- 
veníteim,os quais dous Ducados , ck Senhorio 
governa , & gofa hoje o Sereniílimo Principe 
ioaóGuilhelmo primogenito,& herdeiro de to- 
da a Cafa,& té a fua Corte em Duífeldorp cabef- 
fa doDucado de Berges. 

Separado deites eftados ainda que na mefma 
Ribeira do Rhim,naquella parte em q o rio Ne- 
car enriqueífe o Rhim có o tributo de fuás ago- 
as fe eítende o Palatinado a q chamaó inferior a 
refpeito do de Baviera , q lhe fica mais Oriental, 
& fendo toda Alemanha fertiliffima de viveres, 
o terreno deite pais excede có tanta ventagem a 
todo o mais , q he celebrado com os hyporboles 
poeticos,aífim pela fua abundância , como pela 
fua amenidade, com o nome de Campos Elifios 
de Alemanha. Divide-feem quinfe diítriclos, 
ou governos , cinco na parte citerior do Rhim, 
qne faó Heidelberg, Mosbac, Bretta Bochberg, 
éc Viberg, & os des ulteriores faó Alteei , Ge- 
mersheim,Neultat,Caifersloutern , Oppenhe- 
im, Baccharach, Creufenach, Simern, Kirchf- 
berg,& Stromberg. Merecem particular men- 
ção alem da Corte de Heidelberg ( de que em 
feu lugar trattaremos)as praças de Manhcim, 
& Fraquendal. Manheim eílà fituada junto dos 
confluentes dos rios Necar, & Rhim fortifica- 
da có nove baluartes , & húa Cidadella de fette 
ainda que todos de terra,como cufíumaó fer pe- 
la maior parte as fortificações daquellespaifes, 
preíidiada com dous mil homés , éc guarnecida 
de numerofa artilheria de bronfe. E como eíta 

B iij Cida- 



18 Embaixada doExcellent. Senhor 

Cidade,aílim pelo que toca à fortificação, como 
aos edifícios 9 & habitações interiores , toda he 
edificada de novo , & as ruas, & praças ordena- 
das com difpofiçaó regular , igualmente fe fas 
reípeitavel pela í ua fortalefa , que viftofa pela 
fua gentil regularidade, fendo que no tempo 
de invafaó neceífita o feu recincto de mais nu- 
merofo prefidio. Franquendal eftà fita na par- 
te citerior do Rhim hum pouco afoitada das 
fuás m ar ges, também fortificada ao moderno, 
& prefidiada , & he celebre nas memorias mili- 
tares do leculo preféte pelos bloqueios, & íitios 
que fullentou contra as armas de vários Prínci- 
pes. 
Exceikncia Não ha no Palatinado aquella forma de go- 
ào Trinei- verno conítituído pelos povos a que chamão 

pado Ta/ati- _ n , -~ . . x *■ . *- , 

ko aos mais. Miados Provinciaes, como ha em todos os mais 
Principados de Alemanha, com que fica coarta- 
da,& menos foberanaajuriídiçaódos Prínci- 
pes. E naó fò por efia rafaó fe avantaja o domí- 
nio do Palatinado aos mais eftados do Império, 
mas tão bem porque o numero, & efplendor 
dos Vaífallos f eudatarios,que comprehende, fas 
conhecido exceífo a todos os domínios de Ale- 
manha. 

cp ^ cr d ° n & Eid ^ em ° Sereniflimo Príncipe Eleitor Palati- 
Taiatinc. no pela qualidade de Eleitor o Outavo voto na 
eleição dos Emperadores, fem embargo de que 
tinha o quarto,mas Friderico quinto perdeu ef- 
ta prerogativa com os efiados na batalha de Pra- 
ga,que como fica referido, fe transferio nos Du- 
ques de Baviera. Nas vacaturas do Império , ou 

inter- 



ior 



Conde de Vill ar maior, &c. 19 

interregnos,governa 3 comoVice-Emperadoros 
Círculos do Rhim , Franconia , & Suevia , naó 
obítante que o Eleitor de Baviera pertende lhe 
toque efta preheminencia como inleparavel do 
quarto voto que tem nas eleições dos Empera- 
dores. 

Eftas illuítres prerogativas,& outras nada in- 
feriores,que não permitte fe refiraó a brevidade 
defta narração tem o Eleitor Palatino , ck fendo 
todas tão relevantes,íaó tão eminentes, & íobe- 
ranos os mentos de S. A. o Sereniílimo Prínci- 
pe Philippe Guilhelmo,que ainda não baítão 
para coroar dignamente o feu valor, a fua pru- 
dência 5 a fua juíHça , a fua moderaçaó,a lua affa- 
bilidade , & mais virtudes com que illuílra o fe- 
culo prefente. 

Mas deixada efta precifa digreílàó deu o Con- Trocwao 
de tanta preffaaos feus appreítos, logo que foi f ?*£%'£ 
nomeado,que em breves dias fepòs capas de po- &ckr*jãé* 
der faferjornada 5 &fe deteve fò alguns por cau- e '? atm - 
fada expedição dos defpachosda Embaixada, 
procurando com toda a diligencia que fe lhe 
deífe o expediente neceífario •> & que as ordés 
foííem com tanta clarefa, & individuação que 
preveniífem todos os cafos,òk o livraífém do ir- 
reparável dano de lhe fer precifo recorrer depo- 
is ao Reino pela explicação, ou amplificação 
dellas.E coníultada a derrota da jornada 5 fe cóíi- 
derou que a do mar,não fò tinha a incertefa que 
fempre ha nefte inconílante elemento , ôc mui- 
to mais naquelle tempo por todas as raíóesin- 
tempeítivo para aquella viagem,mas que forço- 

B iiij famen- 



2o Embaixada do Excellent. Sfnhor 

famente havia involver o prejuífo da dilação q 
era o que mais fe procurava evitar. Porque alem 
de outras coníideraçóes a preparação de embar- 
cações commodasj & decentes para a condução 
do Embaixador,&; toda a íua familia havia gai- 
tar tempo coníideravel, como fe viu depois em 
o navio que levou a recamera? & parte da famí- 
lia 5 que por mais cuidado 5 & diligencia que fe 
pòs em o defpachar com brevidade , não pode 
fer antes de 3. de Fevereiro •> de forte que quan- 
do chegou a familia a Francaforte eftava jà o 
Embaixador naquella Cidade , preparando-fe 
dos adornos de que neceíUtava para o luíimen- 
to da entrada da Corte , havendo jà ajuftado o 
negocio todo em Manheim, & defpedido dali 
correio de pofta a efte Reino com o projeclo do 
Trattado. Deixada por efta rafaó a viagem do 
mar pareceu acertado feguir em Hefpanha a ef- 
trada dos correios que vão para Roma , & Paris, 
que he a de Bifcaia 3 ainda que afpera pela eleva- 
ção incontraílavel dos Pyreneos. 
"Determina Refoluta a jornada nefta forma,& expedidas 

o dia de N. • n * \*> rr ' r j * r n 

Senhora da as ínítruçoes , & ordes neceliarias ie dilposo 
Conceição Conde Embaixador para partir defta Corte em 
fará apa t- j) orn j n g g fe Defembro do anno paífado? dia 

em que a Igreja celebrava a puriílima Concei- 
ção da Mae de Deus que fendo com efta deno- 
minação Padroeira deites Reinos fegurava a pie- 
dade com que o Embaixador efeolheu efte dia 
para dar principio à jornada que aííim nella 5 co- 
mo em o negocio que hia a trattar experimen- 
taria os eftèkos da lua foberana protecção , & jà 

deante- 



Conde de Villar maior, &c. 21 

deantemão o eftava affim promettendo a belle- 
fa do dia,que fendo na eftação mais deíabrida do 
anno, parecia hum dos mais fuaves da primave- 

'Parte a em- 

Pelas três horas da tarde fahiu o Embaixador bana? fenos 
a em bar carie nos bergãtins que lhe eítavão pre- b p e ^âS r » 
parados para paílar o Tejo a Aldeã Gallega , & ] n<>- 
fendo condulido ao lugar da embarcação por ^'/aajírna- 
grande parte da mais luíida nobrefa da Corte,& **• 
de numerofo povo,que entre alegre, & faiidoío 
concorreu a ver , & augurar o bom fucceífo da 
jornada* fendo verdadeiramente eftes annunci- 
os mais regulados peloarfeóto da vontade, que 
pelos diícuríbs do entendimento. Pois coníide- 
rando-íe prudentemente,que no mais rigurofo 
mes do anno,fe principiava húa jornada das ma- 
iores que fe fafem em Europa havendo de pa£ 
far os Pyreneos, &c braços dos Alpes , bufcando 
fempre regiões mais frias , & alheas do natural 
temperamento da pátria; mais parecia eira em- 
prefa nafcida da temeridade que da prudência, 
a não fer procedida toda do zelo do ferviço do 
Reí,& da pátria , que ferrava a porta às coníide- 
raçóes do receio,& trabalho, para que em bene- 
ficio do bem publico , com o difcommodo par- 
ticular fe venceífema moleítias, & perigos de 
tão prolixa,& afpera jornada. E não faltava qué 
obfervaííe que deíde o Reinado do Senhor Rei 
D. Manoel da felice memoria,não havia athe o 
prefente íahido deite Reino Miniítro com Ca- 
racter publico para Alemanha, fafendo-fe tão 
bem moleíto efte caminho pela eílranhefa. 

Todas 



12 Embaixada do Excellent. Sfnhor 

<pcjjoas que Todas eílas rafóes, & as do embarafib que pu- 
Vblbaixa- dera caufar húa tão grande comitiva , obrigarão 
</ r»,;>rwa ao Conde Embaixador a não levar confisoma- 
is que aquellas pefíbas de que neceííitava perci- 
famente o miniílerio da Embaixada , & o deco- 
ro de feu ferviço,& affim alem de feu filho Joaó 
Gomes da Silva,&: o Vifconde de Barbacena, 6c 
Fernaò Correia de Lacerda , que por fervirem a 
Sua Majeítade , Ôc authorifarem com o feu cor- 
tejo as íuçóes da Embaixada , accompanharaó o 
Conde, íò foi com elle António Rodrigues da 
Cofia, que de ordem de Sua Majeítade ferviu 
neíía Embaixada de Secretario delia. O Tenen- 
te General Manoel da Serra,& Marcos Barbofa 
de AImeida,que por praóticos nas linguas,& ef- 
tilos das Cortes eftrangeiras fafiaó útil a fua af- 
íiftencia , & mais quatro gentil-homens , hum 
Cappellão,& hum pagem, que com a famila in- 
ferior faíiaó numero de trinta & féis peíToas , & 
profeguindo a jornada neíla forma fe Iheíiferão 
todas as maiores corteíias militares nas praças 
% a ff a t or tf de Eílremos,& Elvas,contribui*ndo muito para 
Efoas,&a a pontualidade deite obfequio devido ao Cara- 

^TeV/Zce ^ er ^ e ^° g ran< ^ e Miniftro o cuidado do Mef- 
bido. tre de Campo General Dinis de Mello de Caf- 
tro,&do Capitão General da Artilheriajoão 
Furtado de Mendonça , que governa a praça de 
Entra por El vas , onde hoípedou magnificamente o Con- 
kmhesdT cío Embaixador,& toda a fua familia. 
Cajieiia, & Em feita feira pela manhã 13. dofobreditto 
he recebido fahiu o Embaixador de Elvas acompanha- 

cone fama do dos Generaes Dinis de Mello?& J oao h urta- 

militar. âq 



Conde de Vill ar maior, &c. 23 

do de Mendoça, &c do Bifpo daquella Cidade, o 
qual o Embaixador não permittiu q fe afaírafTe 
muito delia, & có íette cópanhias de Cavallos o 
vierão conduíindo athe a ribeira de Caia, que 
fepàra por eíla parte os domínios de Sua Majet 
tade dos de EIRei Catholico. Chegados a eíte fi- 
tio fe formarão as tropas Portuguefas junto às 
margens da ribeira com a frente nas de Caííella, 
quejà ahi eílavão da outra banda tão bem for- 
madas da mefma forte, & o Capitão General da 
quella Província da Eílremadura D. Diogo de 
Portugal com o Governador da praça de Bada- 
jos Dom Alonfo de Viveros, o General da arti- 
Jheria Dom Nuno de Chaves, & oTenéte Ge* 
neral da Cavallaria Dom Pedro de Ardilaefpe- 
ravão ahi o Embaixador com dous coches; o 
qual fendo recebido deites Cabos com a maior 
urbanidade,&defpedindo-fecoma mefma dos 
Generaes Portuguefes que o havião acompa- 
nhado , dando-fe ao mefmo tempo reciprocas 
falvas entre húa,& outra Cavallaria , foi condu- 
íido naquellas carrofiascomaspeíToasdemaior 
fuppofiçaó do feu fequito the fora da Cidade de 
Badajos,que falvou o Embaixador com três fal- 
vas Reaes, o qual mandou dará eílas duas com- 
panhias Caftelhanas huma boa mancha, como 
tão bem o havia feito às Portuguefas , & fe def- 
pediudaquelles Generaes com a corteíia devi- 
da,^ grandes moítras de híía , & outra parte de 
boaamifade. E continuando o caminho coma 
maior diligencia que permitia húa tão grande 
comitiva , em vinte do referido mes de Defem- 

bro 



24 Embaixada do Excellent. Senhor 

chega aTa-bro chegou a Talavera dela Reina, ck antes de 
1 Reina %'lc e n trar na villa o íàhiu a encontrar em hum co- 
hofpdado che hum Cappellão,8c hum Gentil-homem da 
ZT/fpor Senhora CondeíTa de Oropefa , que apeando-fe 
ordem da dicerão ao Conde Embaixador tinhaõ ordem 
ConJefa de da CondefTa fua Senhora para vir buícar a Sua 
Orofe/a. Exceilencia, &: conduíilo a hum Palácio que 
tinha naquella villa,acompanhando eíla offerta 
com as mais cortefes , & decentes exprefsóes da 
urbanidadedaCondeíía fua ama: Coftumãó os 
Tertenías Preíidentes do Confelho Real, 1 ugar que digna, 
dos Treft- & prudentemente exercita hoje o Senhor Con- 
Ccnjlío de ^ e Oropefa, valerfe deíla forma de fafer com- 
Reaidt primento aos Embaixadores Regios 5 & grandes 
%EmíaT dz Hcfpanha , por lhe duvidarem o melhor tra- 
xaáoresRe- tamento,& elles não quererem aceitar o inferi- 
gm ' or. Recebeo o Embaixador os meílageiros com 
aggrado , & depois de aggradecer pelos termos 
mais cortefes aquella ofTerta,pertendeu efeufar- 
fe decorofamente delia , mas forão as inííancias 
tão apertadas , que não deixarão 1 ugar à urbani- 
dada para a efcufa,& aílim fe foi apear o Embai- 
xador ao Palácio do Conde, que eílava luftrofa- 
rnenteadereíFado,&nelle foi hofpedado com 
efpíendor , &c magnificência digna de feu dono 
illuítre rama da Real cafa de Portugal. Ao outro 
dia profeguiu o Embaixador a fua derrota , mã- 
dando primeiro dar húa quãtia de dobrois à or- 
dem de Dom Manoel Savelli Mordomo da Se- 
nhora CondefTa,para que a reparti/Te pelos cria- 
dos inferiores;& dali efereveu a Jofeph de Faria 
Enviado de Sua Majeílade na Corte de Madrid, 

ie 



Conde de Villar M-AroR, &c. 25* 




àefíài&c aggradecerlhe o favor que havia recebi- 
do da lua generoíldade 5 o que logo executou o 
Enviado com aqueila diligencia 5 & acerto com 
•que fabe fervir a Sua Majeírade. 

Em vinte & três chegou à villa do Efcurial, 
onde fe deteve o dia feguinte , veípera de Natal 
para dar tempo a que íe preparafíe nova carrua- 
gem 3 & íe diípufeííem outros particulares 3 que 
do caminho havia mandado prevenir a Madrid. 
NaquellediaviuoConde Embaixador o Real 
Convento de Saô Lourenço 5 fundação de Phi- Com>*& 




pela fua grandefa,como pela fua architecf úra>& 
opulência pareceu digna de competir com to- 
das as que celebra a antiga 3 & moderna fama. 
Em Alcalà fe de deteve mais dous dias por cfpe- 
rar pela carruagem Caftelhana>&ahi veio o En- oE » viaíf <> 
viadojofephde Faria viíitar o Embaixador, & fanavL 
participarlhe algumas noticias conducentes k v J^[ ar .° 
negociação da Embaixada? fobre q oCóde havia aora Aiu 
recebido aqui novas ordés da Corte por hú ex- ía ' 
traordinario. Partindo daqui a 28. entrou em 
Burgos a fette dejaneiro onde foi percifo deter- 
fe hum dia. 

He eira Cidade cabeíTa de Caftella a Velha, & 
Corte antiga de íeus Reis ; a povoação naó he 
grande,defeito comum das Cidades de Hefpa- 
nha,porèm fendo tão deminuta, tem vinte Có- 
■ventos,& quinfe parrochias 3 àlcm da Cathedral, 

C que 



26 Embaixada doExCellent. Senhor 

que he de excellente,&: grandiofa fabrica 5 fun- 
ígrejaCa- <jaçao de EIRei Dom Fernando o terceiro, & 
Burgos.' huma das melhores de Hefpanha na opinião de 
todos. O Conde Embaixador foi viíitar efte té- 
plo,ck pareceu que a fua eftruclnra , & grandefa 
correfpondia juitamente à fua fama ? faíendo-fe 
mais digna de reparo,^ attenção húa magnifica 
Cappella dos Duques de Frias, Condeflables de 
Caftella,enterro dos Senhores daquella cafa 5 có 
Manfoieo hum infigne Maufoleo,em que elrà fepultado o 
dos conde/, fundador delia Dom Pedro Fernandes Velaf- 
íJuiia. coVice-Rei q foi fò dos Reinos de Caltellajôc 
Aragão em tempo dos Reis Catholicos, como 
refere o Epitaphio que ahi tem. Depois de o 
Embaixador viíitar a Igreja maior foi também 
o Sav.no à do Santo Chrifto daquella Cidade,qu e eítà fò- 
umjhde ra delia em hum Convento de Rei igiofos Ere- 
mitas de Saneio Aguítinho, onde íelhemof- 
trou eíta fanâaimagem,quehepiedoíiflima, & 
de fumma devoção. He tradição fer obra do dif- 
cipulo de Chriíto Nicodemus,& bem pode- 
mos crer fera fiel o tranfumpto tirado daquelle 
fagrado prototypo,por hum difcipuloque me- 
receu aíliftir a íepultar o Rei da Gloria. Confer- 
va-fe neíla Igreja ha quafi outo centos annos; de 
cílà em húa Cappella feparada do corpo da Igre- 
ja muito ornada,& riqua ? que fe dis foi a primei- 
ra Igreja daquelle Convento. Também fica fora 
da Cidade o Real Convento das Hueteas , fim- 
das Hueiges dado por EIRei Dom Affonfo VIU. que nelle 
de Burços. tem ^ fepultura em acção de graças pela iníi- 
gneviétoriaquealcanfou na memorável bata- 
lha 



Conde de Viixar. maior, &c 27 

lha das Navas de Tolofa. He edifício magnifi- 
co, & claufura de iníignes Religioías em virtu- 
de^ fangue. Pela parte do Sul banha o rio Ar- 
lança os muros deita Cidade , que faó de fabrica 
antiga fem outra fortificação mais que a de hú 
Caftello tão bem antigo,& tem duas pontes,em 
húa das quaes,que he toda de cantaria , & bem 
obrada ? ha hum pórtico muito viftofo com vari- 
as eftatuas dos Reis daquellesReinos,ck fuás inf- 
cripçóes;& jííto ao rio húa alameda que moírra- 
va haver de fer no verão muito alegre , & ame- 
na,porque ainda no rigor daquelle tempo , não 
pareceu defaggradavel. Meia legoa da Cidade fi- 
ca hum Convento de Monjes de São Bento,ern 
que eftà fepultado o celebrado heroe Cid Rui 
Dias,& ahi fe confervão ainda as armas com que f/^"/* 
aquelle ílluftrc Capitão debellava a perfídia c^í^í 
Mauritana 5 & libertava a pátria de feu tyranni- Swí * 
co jugo. : 

Daqui partiu o Embaixador em nove de Ja- 
neiro, & em três jornadas chegou à Cidade de 
Viâoria cabeffa da província de Alava com ou- 
to centos viíinhos,& nenhúa fortificação, mas o ^Jnt! 
feu deítrifto , ôc toda a província ainda que pe- 
quena,hetáo povoada, que fenão parece nada 
com o mais pais que athequi fe tinha caminha- 
do , & recompenfa em parte a falta dos habita- 
dores das duas Caftcllas Velha, & Nova. 

De Vicloria a Mondragon , primeira villa da Tafíkg à os 
província de Guipufcoa ? lituada entre os Py re- 7 > ( 
neos faó cinco legoas de caminho , mas tão mo- 
lello que neceíllta de muitas horas para fe ven- 

C ij cer* 



e neos. 



28 Embaixada do Excellent. Sfnhor 

smaftere- cer?principalmentepor caufa daCofta de Sali- 
(a ' nas, húa das mais afperas que pode con liderar a 

imaginação 5 & que a não ter o beneficio que 
proximamente fe lhe fes para a occaíião da vin- 
da da Rainha Catholica,parecera intraclavel em 
tempo de gelos,como foi eíle em que o Embai- 
xador a parlou. Não he menos afpero o cami- 
nho de Mondragon the Irum •> ultima villade 
Hefpanha por aquella parte porque fe attravef- 
íaó os Pyreneos ja montando foberbos rochedos 
cubertos,ou de neves ? ou degelos 5 ja defcendo a 
profundos valles , occupados de íorte de impe- 
tuofos rios ? que a penas deixão aos caminhantes 
hum breve,& perigofo traníito pelas fuás mar- 
gens. Mas o Embaixador pòs tanta diligencia? 
que levando hum tão grande fequito venceu 
eíle caminho em cinco dias. 

Governa eíías províncias de Bifcaia o Du- 
que de Canfano que reíidena praça de São Se- 
baílião,& o Embaixador fegundo o eítilo prac- 
ticado pelos Miniílros de feu Caradter , de fafe- 
àeBijTáta. rem a fabcr aos Governadores das Provindas 
por onde pafsão , ferem chegados aos limites de 
mdeê Suajurifdiçãoj mandou viíitarao Duque pelo 
Governador Tenente General Manoel da Serra; & o Duque 
7eZo»frJ s íatisfes a efte comprimento com termos muito 
fôesjaCor- cortefes,moílrando fentir muito que o cami- 
nho que oEmbaixador traíra, não lhe permitiíle 
fafer jornada por aquella praça , porque nella fe 
poderião fafer a Sua Excellencia os obfequios 
devidos ao feu Caracter,6c à fuapeífoa , & expe- 
rimentaria Sua Excellencia a particular atten- 

ção, 



Manda o 

Embaixa- 
dor vi/itar o 
'Duque de 

Ldj'-".:o Go- 
;cí nadar 



Conde de Villar maior, &c. 29 

ção, que EIRei feu Senhor queria tiveíTem os 
feus Miniítros aos de Sua Majeítade, &c acom- 
panhou eftas demonftraçóes com os offereci- 
mentos,que pedia a urbanidade. 

Na vilJa de Irum ( que eítà íituada ao pè dos vau de 
Pyreneos, não obítante que ainda da banda de \ r ^2u^ 
França, ha alguma parte deitas montanhas, mas f«»/^. : 
não iguaes em aíperefa , & elevação ) achou o 
Embaixador nas mãos do Correio mor Dom 
Jofeph de Arbelais o paílaporte de EIRei Chri- 
ítianiflimo,que lho havia remettido ali Salvador 
Taborda Portugal Enviado de Sua Majeítade 
na Corte de Paris. He eíta villa aberta fem forti- 
ficação alguma , & aííim moítra ter experimen- 
tado varias vefes os danos da guerra. Paíla por 
junto ella o rio Vidafoa,que nafcendo dos mef- 
mos Pyreneos dentro do Reino de Navarra fas ' a J oartê ' 
feu curlo pelas fuás extremidades, fer vindo por 
efta parte, como de foíío aquático aos muros 
que a naturefa formou dos Pyreneos , para de- 
fenfa de Hefpanha. Mais abaixo de Irum dous 
tiros de mofquete fica a praça de Fonte rabia,ce- Fmte ra ^ 
lebrada não fò pela fortalefa có que a ennobre- 
ceu o feu terreno,& a arte, mas muito mais pelo 
valor com que fuílentou varias vefes apertados 
fitios contra as armas de França, fendo o que 
mais a illuílra o que lhe pos o Príncipe de Con- 
de no anno de trinta , ck outo do prefente fecu- 
lo. Não muito longe defta praça defagoa o Vi- 
dafoa no Oceano Cantabrico, fafendo primeiro 
varias ilhas tão pequenas,& inúteis , que a penas 
faó capafes de poucas cabanas de pefcadores ; & 

C iij he 



g o Embaixada do Excellent. Senhor 

he tal a ambição humana que baftáo eftes infor- 
mes abortos de húa ribeira? para perturbar a trã- 
quillidade de duas Monarquias tão opulentas?& 
ricas de tão fertil?& abundante pais ? como pof- 
fuem as duas Coroas de Caftella? & França. Pat 
Entra o fado o Vidafoa entrou o Embaixador nas raias 
^ormTLi- ^ e F ran Ça 5 havendo caminhado por Heípanha 
usdeFran- defde eíta Corte de Lisboa the Irum dulentas, 
fa ' & nove legoas ? em que atraveííòu alem do que 

Legoasque caminhou na província de Alentejo os Reinos 
7h[pan"ba Caftella nova?& velha as províncias de Alva ? & 
& nos que Guipufcoa paííàndo fem falar em o Tejo,& grã- 
PiJou. ^ Q numero (je r ios menos con lideráveis? o Gua- 
diana? Henares?Albeche? Mançanares? Douro? 
Arlança?Arminho?Ebro?Deva?Sadorra?Orio?&: 
eíte ultimo Vidafoa. 
Saôjoaôda Em fabbado 18. de Janeiro fes o Embaixa- 
Las - dor noute em a villa de São João da Lus? & a pri- 
meira que íe encontra em França por eíta eílra- 
da?& bem frequentada de habitadores ? como o 
faó geralmente quaíi todas as povoações deFrã- 
ça?&temfeuaífentojuntoa húa pequena ria? 
quealifas o Oceano? mas fem capacidade para 
navios? nem abrigo?mais que o de hum peque- 
no molhe?onde Je recolhem algumas embarca- 
BaionaM ç5 es j e j^enos porte. Ao fegundo dia entrou 
faê. em Baiona Cidade populofa ? ôc praça Capital 
daquella província de Gafconha?contra as fron- 
teiras de Hefpanha. A Cidade eílà fuffi ciente- 
mente fortilicada?mas tem duas Cidadellas que 
fuprem qualquer defeito que poílà haver na 
fortificação da praça?principalmente a que fica 

da 



Conde de Villar maior, &c. 3 1 

da parte de Hefpanha,que pela fua grandefa , & 
eítruâurajhe digna de competir com as melho- 
res,^ conhece a moderna arte militar, & a guar- 
dão os Francefes com tanta cautela , que íò aos 
Príncipes do fangue fe permitte poder entrar 
nella com armas. A íituaçáo da Cidade he fobre 
orioAdurra quefas aqui hum fufficientepor- 
to,6c por eíta raíaó he frequentada de commer- 
cio. Reíidia nella por Governador hum Tené- 
tedoDuquedeGramont,que he governador 
de toda eira província de Gaiconha. O preíidio 
conftava de muitas,& mui luíidas tropas , & àlé 
delias havia aqui tão bem hum troço de Grana- 
deiros,& artilheiros que EIRey Chriítianiílimo 
íuílenta alem dos que occupa actualmente em 
feu fervi ço nas praças , & armadas , para os ter avenças 

o * 1 J r " de oranadei- 

promptos, & exercitados todas as occalioes que roi&arti- 
neceílite do feu preítimo,attendendo com pru- f/j^f. 
dente coníideração,que na milícia moderna , & cbrijnamf. 
particularmente em a Naval he efte o mais ad- f imo - 
equado inítromento para alcanfar as viétorias. 

Antes do Embaixador entrar na praça man- 
dou comprimétar o Governador pelo feu mor- c°™p"™i- 
domo Marcos Barbofa dando-lhea faber a fua EmLlxa- 
chegada , a que refpondeu com os termos àtvi- dor ^f°- 
dos,& largado aqui o Embaixador a maior par- 
te da carruagem que havia vindo de Madrid, & 
tomando outra Francefa athe Tolofa, cótinuou 
a marcha the efta Cidade,onde chegou no fepti- 
mo dia da jornada , não havendo nefte caminho 
coufa que referir , digna deílas memorias , mais 
que as numerofas tropas de infantaria,ôc Caval- 

C iiij laria, 



32 Embaixada doExcellent. Senhor 

laria,quepor toda a parte fe encontravão aloja- 
das nos quartéis de inverno. 
Toiqfa,ts Eraó 27. de Janeiro quando o Conde Embai- 
"ríif xador chegou à Cidade de Tolofa , celebre por 
muitos títulos. Eftà fituadanasmarges do rio 
Garona , que feparando pela parte Oriental a 
província de Gafconha da Guiena forma del- 
em bocando no Oceano , o porto de Bordéus* 
hum dos melhores daquelle Reino. Domina o 
rio húa íoberba ponte , & tão efpaçofa na largu- 
ra que pode dar liberal paíío a féis carrofas jun- 
tas ;orna-fe a entrada' delia com hum pórtico 
magnifico? em que fe vòtriumphante Henri- 
que IV. em húa eítatua , Equeítre de competé- 
tegrandefa. 

Correfponde proporcionadamente a maior 
parte dos edifícios , aílim públicos, como parti- 
culares ao efplendor deita fabrica , que faó habi- 
tados de numerofo,& luiido povo,grangeando- 
Iheíingular luftre o infigne Parlamento, que 
aqui refide com ampliílima jurildição, & húa 
celebre Academia , que florecendo em todas as 
faculdades , fe illuítra principalmente com a da 
]urifprudencia,em que teve os mais excellentes 
Cathedraticos , que conhece c prefente feculo; 
não fendo o menor delles o inligne Português 
António de Gouvea , de quem ainda os Varões 
doutos daquella efcola fe lembrão com grata, Ôc 
reverente memoria ao magiílerio , que nella 
exercitou. Todas eftas rafóes qualificaó a Tolofa 
pela fegunda Cidade de França,a primeira de- 
pois de Paris, metropoli da província de Lan- 

guedoc> 



Conde de Villar maior, &c. 33 

guedoc , & mais fértil de todas as daquelle Rei- 
no. Tem fortificação antiga 5 6c o íitio hum pou- 
co elevado fobre o terreno do pais circunvifr- 
nho,que a fas de fora muito mageítofa, 6c aggra- 
davel. 

Em o dia de 28. foi precifo fafer aqui demora 
para tomar nova carruagem athe Leão,ôt profe- 
guindo-fe o caminho chegou o Embaixador a 
Leão a onfe de Fevereiro. Vem-le neíte cami- 
nho fem falar nos lugares de menos considera- 
ção a villa de Mompelher bem conhecida pela 
iníigne Univeríidade de Medicina que nella 
florece; Nimis húa das mais antigas Cidades de Ni ™ is a ' 

i-j-i r r 1 n • dade antiga 

toda b rança , que nas luas ruínas conferva laíti- de França. 
mofamente os teítimunhos da fua grandefa , &: 
osíinaes da magnificência dos Romanos prin- 
cipalmente em hum admirável Amphitheatro, ^hithcâ- 
que vencendo em grande parte a voracidade do íro ' 
tempo, fe conferva hoje quafi todo inteiro, & 
que verdadeiraméte dà bem a conhecer ao nof- 
fo íeculo a opulência , & magnanimidade com 
que os Romanos mais que todas as outras naçó- 
es,que conheceu o mundo fouberão edificar pa- 
ra a eternidade , pois vemos que em húa Coló- 
nia, que não era a de maior nome que teve a- 
quelle Império , fabricarão hum tão grande edi- 
fício com que fe poderá fafer celebre a memo- 
ria de qualquer Príncipe deita idade , fem em as 
hiftorias daquelles tempos fe achar o menor ru- 
mor deita fabrica , devendo-fe por aqui conjec- 
turar quaes feriáo as que nellas eítão decantadas 
pelos monumentos da maior grandefa daquel- 
les 



34 Embaixada do Excellent. Senhor 

les Cefares. Tem eíle amphitheatro( que fervia? 
como os outros defte género para fe verem nel- 
3e os jogos dos gladiadores ,& das feras) quatro 
centos > & feílenta paífos de âmbito com leííen- 
ta 5 & três arcos formado em figura ovada 5 todo 
de mármore com pedras de eíiupenda grande- 
Fonte , >j a fa. Não he menos digna de attenção húa ponte 
queáuijoin* c . ue £ ca a( jj an te deNimis , fobre o rio Guardo 

fados peies que delle fe domina Pont duguard fabricada 
R*manos. p e j os me fmos Romanos com tal eftruclura que 
tendo três ordés de arcos huns fobre outros, íèr- 
vião os primeiros para a paífagem do veráo 5 & os 
fegundos para a do inverno quando o rio com 
fuás enchentes vencia a primeira ordem. A ter- 
ceira 3 &fuperioràsduaserahuni aqueduclo de 
táo grande capacidade que tinha o canal féis pès 
de alto 3 & de largo dofe obrado tudo com tanto 
primor dá arte,que não tinha queenvejar nada à 
grandefa da maquina 5 tendo cila muito que ad- 
mirar 5 & acredita bem efte edeíicio o que refe- 
re Strabo 5 & expende eruditamente Juíto Li- 
pfio nos feus áureos difcuríòs da Magnificência 
Romana? moílrando que os aqueducios foi húa 
das fabricas em que efta género fa nação particu* 
larmente manifeíiou à pofteridade a fua o pu- 
lencia. 

A nove legcas de Nimisficaavillade Pont 
cie Sana Sprit ultima da provinda deLangue- 
doc 5 & fituada na margem citerior do Rhodano. 
Ro°nariò.° !í Deve efte rio as fuás fontes aos Alpes Peninos 3 
naquella parte que clevando-fe íòberbamente 
íobre as mais montanhas 3 íe ennobreceu com o 

nome 



Conde de Villar maior, &c. 35 

pome de Mont fampron ; fas feu curfo pelos 
novos Valeíios , & entrando junto a Neuville 
em o lago Lemano 5 íahe em Genebra tão en- 
groííàdo com a boa hofpedagem que lhe fas efte 
grande lago, que pouco depois heja navegável 
junto à fortaleía da Clufa, & correndo daqui 
para o Occaíò quaíi athe Leão , volta dahi para o 
Meiodia 5 & enrequicido dos tributos que lhe 
pagão os rios circunvizinhos corta França com 
tanta violência 5 que da motivo a algús Geógra- 
fos a quereré dedulir o feu nome da lingoa Bri- 
tannica,que he na opinião dos Doutos a que an- 
tigamente fe falou nas Gallias , pertendendo fe 
derive da palavra Rodec que entre aquelles po- 
vos íigniíica correr arrebatadaméte ; & merece- 
ra todo o credito efta etymologia 5 fenão fora 
mais veroíimil que Rhoda,Colonia dos Rhodi- 
os fundada em húa de fuás barras lhe dera o no- 
me o qual perde no Golfo de Leão júto a Mar- 
celha 5 defafogando por três bocas o Ímpeto da 
fua furiofa corrente. 

UneaVilla de Sant Sprito a margem ulteri- <p mU r obre 
or deite rio com húa ponte de natavel grandefa, ° Rbodano. 
porque conta mais de mil paíTos de comprimé- 
to com quatorfe de largo > dando paíTagem para 
a provinda do Delfinado , que fe illuítra com 
dar o feu nome aos primogénitos dos Reis de 
França -, aquém a largou Umberto ultimo Se- yVnnaCi- 
nhor delia com eíla obrigação. As Cidades de à * de . s /° 
Valença,& de Vienna em que o Embaixador fe 
aíojou,fafendo jornada por efta provincia,faó as 
principaes delia, ambas celebres pela antiguida- 
de, 



28 Embaixada do Excellent. Sfnhor 

de?& por haverem íido Colónias dos Romanos 
de que coníervaó ainda muitas memorias ; húa? 
& outra faó fortificadas ao antigo?& fò Valença 
tem húa boa Cidadella de figura pentagona ; & 
como efte país por fer afpero,&; montuoío nam 
correfponde à fertilidade do mais terreno de 
França?recornpenfaó feus naturaes eíla falta có 
Creaçaôda varias fabricas ? &c com a creação da feda ? para o 
èrkas. que tem os campos povoados de amoreiras bra- 
ças, moílrando a experiência neítes povos ? que 
efe he o caminho mais feguro?& breve para en- 
riquecer as republicas ? & que pelo contrario a- 
quellas em que faltarem as manufacturas? ainda 
que o Clima ? de naturefa ferteíife liberalmente 
as fuás campanhas ? hade mendigar fempre da 
induílria? & ambição alheia o mefmo que lhe 
pudera granjear a fua applicação > & o feu inte 
reíle. 

Apoucoefpaço fora de Viennafe entra no 
LMô.&ftíaPzisdo Leonês aqnemdào nome a Cidade de 
opulência. Leão tão conhecida pelo feu tratto ? & riquefa 
que fora ociofa inutilidade referir a fua opulen- 
cia 5 bailando confíderarfe,que competindo a fua 
povoação,&: o feu recinólo com Tolofa?fe oceu- 
pa todo com fabricas , & com feira em que fe 
obrão?& vendem todas as drogas ? & riquefas de 
que a moderação neceífita para a vida ? & o luxo 
para a vaidade. A eíla abundância correfponde a 
bifarria dos feus edifícios? & abelleía do feu íitio? 
que he nas marges do Rhodanc em aquella 
parte que recebe a vagaroíà corrente do Saona 
dominando hum 5 & outro rio com íoberbas po- 
tes? 



Conde de VillAr maior, &c. 37 

tes,que ajudão a lograr melhor a ília aggradavel 
viíla > não o fendo menos a da Campanha viíi- 
nha. 

Logo que chegou o Embaixador mandou 
pelo Tenente General Manoel da Serra vifitar 
oArcebiípo daquella Cidade que era juntamé- 
te Governador da Provi ncia,o qual fatisfes a ef- 
te comprimento com as mais cortefes expref- 
fóes,moíi:rando fentir que a indifpoíiçáo com 
que fe achava lhe não permitiííe hir viíitar ao 
Conde,& ordenou aos Miniftros inferiores,que 
com todas as coufas pertencentes ao Embaixa- 
dor procedeíTem com muito particular atten- 
çãojÔcrefpeito. 

Neíèa Cidade achou o Conde Embaixador %t*t e »f' tm 
cartas de vários correios de Portugal, Madrid, baixai^' 
Paris.& Hollãda, & aílim para lhe f afer repoíta, ?? ra u ti on ' 

1 „ . r ~ der aos cor- 

como para tomar nova carruagem , & aj uítar a rtm. 
derrota que havia de feguir no refto da jornada, 
foi forçoíb dilatarfe quatro dias, & tomadas as 
noticias de peífoas practicas , fe entendeu que 
avia de Genebra , & dos Efguifaros era a menos ? e g ue ° c *- 
molefta;porque fendo-o todas naquella eftação, Zuielíl. 
a do Condado de Borgonha , ou Franche Con- 
te por ferpais baixo,& alagadiço, era naquelle 
tempo incapas de fe caminhar por elle. Em 
quinfe de Fevereiro fahiu o Embaixador de 
Leão , & a defoito chegou a Genebra , paliando 
nefte caminho parte da província da BreíTa,& 
o monte Jura,que tomando aqui o feu nafcimé- %*%J3** 
to dos Alpes , & difcorrendo para a parte do O- àeju r «*«. 
rientefepara os Helvécios da Borgonha , 6c fas nho% 

D todo 



38 Embaixada doExcellent. Senhor 

todo eíte caminho afperiílimo, principalmente 
na ultima jornada,que quaíi he inacceííivel pe- 
la íua altura , & pelos precipícios em que fe def- 
penha,deixandofòpara a paílagem húa tãoef- 
treita margem , que fe naó pode caminhar por 
ella 3 fem levar os olhos no perigo. 

Ao fahir dos limites de França , & entrar em 

l°h!jt/ ada ' m dc Genebra 5 cílà a fortaleía da Clufa , pelo 

meio da qual he precifo parlar por não darem os 

rochedos paífo por outra parte. He húa corta- 

dura de três pequenos baluartes, encoítada a hú 

altiííimo rochedo,que pela íua eminencia ? & af- 

pereía inpenetravel a íigura do perigo que lhe 

Forma em pudera caufar. Ao entrar o Embaixador por ef- 

IjlaEm-' tafortalefa,que eítà fempre fechada ,& fenaó 

baixaaor ^q f em as fentinelas reconhecerem primei- 

pcíoGover- n , K 

nador aeiia. ro as pelioas que querem entrar? tomarão as ar- 
mas os foldados do preíidio , fafendo ao Embai- 
xador toda a corteíia que eníina a policia mili- 
tar,que lhe ajudou agranjear húa quantia de do- 
broés,que o Embaixador lhe mandou dar, & ao 
Governador que fahiu fora a recebello , & acó- 
panhallo,aggradeceuaurbanidade. Adiante de- 
íla fortaleía,ja em terreno menos afpero,ha ain- 
da algumas povoações do domínio Francês de 
pouca cófideração,& delias fe paíTa ao território 
de Genebra , que fuppoíto não he grande , náo 

Mudanças deixa de íer rico. 

ao governo Conheceo eíta Cidade de quaíi fette cétos an- 

de Genebra, n ,. r ~r% ' • o 

[na dif. nos a eira parte di ver los Príncipes , et governos, 

cri & 6 ' athe q noanno de 5 29. negado a obidiécia,&: a fè 

divida ao feu Príncipe , q era então o Duque de 

Sabóia, 



Conde de Villar maior, &cc. 39 

Sabóia , &: o que he mais ao Pontífice Romano, 
feconítituiu em Republica livre, 6c indepen- 
dente,fafendo-fe afylo dos Seótarios de Calvi- 
no , que aqui com maior defafogo efpalhou o 
veneno da fua abominável doutrina que depois 
produíiu tão terribeis effeitos no Reino de Frá- 
ça,& Alemanha , ôc nas mais partes feptemtrio- 
naes,como lamenta o zelo Catholico. A fortale- 
fa deíia Cidade , que he grande não deve menos 
às fortificações modernas,que a cingem, que ao 
íitio em que eftà fundada , por ler lobre o lago 
Lemano,& o rio Rhodano. 

Ao chegar o Embaixador às portas daCidade, cmtjm es 
q foi pelas quatro da tarde fe acharão ferradas>& f^ o e £^' 
depois q as fétinellas pergútarão,e ouvirão o no- baixauor em 
me do Embaixador,logo ao final de hum fino q Gembr ** 
tocarão fe abrirão,& nellas havia hú numerofo, 
&: lufido corpo deGuarda,q có as armas nas mã- 
os fes duas alias por entre as quaes paílòu o Em- 
baixador theo lugar onde fes noute,q não ficava 
muito diftante deíla porta em húa praça. Pouco 
depois de chegar o veio vifitar oSenado todo en- 
corporado. O Embaixador o recebeu no alto da Hevifitad* 
efcada,& offerecéddlhe afféto o não aceitarão,& d ° c0f j o ^° 
MonSenhor de Normandim Syndico da Cida- ' 
de em nome delia, & do Senado fes ao Conde 
Embaixador húa breve , ôc cortes oração , em 
que exaggerou o grande gofto que tinhao de 
ver a Sua Excellencia naquella Cidade para lhe 
tributar os obfequios , que fe deviáo à peflba de 
hum tão grande Miniftro de EIRei NoíIoSe- 
nhor,cujopoder 3 Ôcgrandefa reconheciáo com 

D ij a mais 



4o Embaixada do Excellent. Senhor 

a mais profunda veneração, & eítímavãopor 
íingular ditta a occaíião de lhe poderem mani- 
feltar as exprefsóes do feu refpeito. A urbanida- 
de deite comprimento fatisfes o Embaixador 
com húa fuccinéla,& cortes repofta,fegurando- 
Jhequeaquellas demonílraçóes de benevolên- 
cia ? que íe ufarão com a fua peííba 3 nem elle as 
havia de deixar de fafer prefentes a EIRei Noifo 
Senhor,nem ellas de íer muito gratas a Sua Ma- 
jeírade;que jà dava por bem empregado , & íua- 
ve o trabalho de tão dilatada jornada , pois lhe 
fora occaíião de ver húa tão nobre Cidade , Ôc 
hum tão illuftre Senado , experimentando em 
ambos tantas moftras de benevolência ; que de- 
veria beneficio à fortuna fe lhe permitiílè mui- 
tas vefes poder moftrar a fua gratidão. 
Eionccem Logo que fe defpidiu o Senado,chegou hum 
kumregaio. Miniítro com hum recado do mefmo Senado, 
ckofTerecimentodehum regalo, que confiava 
degeneroios vinhos ? & duas trutas de prodigio- 
fa grandefa -> de mandou o Embaixador repartir 
pelo Miniitro,& homens do Senado , que trou- 
xerão,húa grande quantia de dobróes.Ao outro 
dia pela manhã tinha difpoíla o Senado húa Ca- 
Cavahatacs valcata para acópanhar o Embaixador the fora 
tííTrlr 1 dotermodaCidadecomaCavallaria,ck infan- 

JidoClu LU7' m 

ujarao taria de guarnição,mas a chuva que fobreveio a- 
^otaofutir quella manhã deu motivo a que o Embaixador 
da uaade. l ne mandaífe infinuar,que nem podia deixar de 
fafer jornada , nem tão bem havia de permittir, 
que o Senado , & milícias tiveífem por feu ref- 
peito o difeommodo que lhes caufaria aquella 

função 



Conde de Villar maior, &c. 41 

função em dia tão chuvoíb ; ôc fem embargo de 
que moftràrão não quererem difpenfarfe defte 
obfequio por incomodidade algúa , perfifrindo 
o Embaixador na cortefania de os excufarda- 
quelle trabalho 3 acommutarão emhúa viíita, 
que o Senado na mefma forma do dia antece- He vi r lta j 
dente lhe veio fafer com grandes demonítraçó- kg**** va 
es de obfequio , & do fentimento que lhe ficava a 
de o não poderem manifeítar por todas aquel- 
las vias a que chegava a fua poffibilidade ,& ti- 
nha prevenido o feu affecfo. £ reípondendo o 
Embaixador a eítes obfequios com os termos 
que pedia o decoro, ôc corteíia fe defpedirão , &c 
o Embaixador fahiu da Cidade logo , na mefma 
forma que havia entrado nella. E continuan- 
do a marcha peí o pais dos Efoui faros , chegou a n , ;Cj t 
Baíilea em 25. de b evereiro, legumdo na maior fiíea. 
parte deíle caminho a margem Septemtrional 
do lago Lemano, ou como vulgarméte lhe cha- 
mão, de Genebra , ou de Lofma , outra Cidade 
queeítàíituadajuntoa elle. He na comum o- 
pinião dos Geographos hum dos maiores que <nifcrifU 
tem Europa , & conta defafete legoas de com- do la £ ode 
prido,ôc quatro de largo , fendo em algúas par- 
tes tão profundo , que paíía de quinhentas bra- 
ças a fua altura. Coroaó-no muitas Cidades, & 
villas que bufcarão na fua viiinhança as utilida- 
des,que lhe offerece , fertiliíandolhe o terreno 
para a agricultura , <k fecundandolhe as fuás a- 
goasparaa pefca, em que faòmais de notar as 
trutas pela abundancia,& grandefa delias. O la- 
do Meridional do lago logrão os povos de Chá- 

D iij beri, 



42 Embaixada do Excellent. Senhor 

beri , Sc Saboia,& o boreal? que he efte por onde 
o Embaixador caminhou,pertence aos Efguifa- 
ros , os quaes uíarão com o Embaixador muito 
particulares demonítraçóes de benevolencia,&: 
reípeito , porque em todas as Cidades , òc villas 
ondefaíia alto o vinhão viíitar os Governado- 
res, & magiftrados , & lhe oíFerecião regallos ao 
uío do pais 3 ao que o Embaixador fatisfaíia tão 
plenamente com a fua prudência , & liberalida- 
de , que acreditou bem a generoíidade do feu 
animo , & a Real grandeía de EIRei NoíTo Se- 
nhor. 
Cantoh dos Comprehende efta nação trefe pequenas re- 
Ejguifum. publicas a que chamão Cantões , & que em ou- 
tro tempo fbrão todas fogeitas a cala de Auíbria; 
mas a ambição, & íbberba com que os Míni£ 
trosjck Governadores daquelles Príncipes trat- 
tarão eftes povos,os obrigou a facudir o violen- 
to jugo , que os opprimia , & proclamando a li- 
berdade , prim eiró os mais impacientes , & de- 
pois os fofridos animados com o exemplo dos 
confinantes, forão formando aquellas republi- 
cas, que devidindo-fe todas entre íl para o go- 
verno particular de cada huma,tem húa eítreita 
união entre todas para o que toca aos intereííes 
Suadiver- comm ús, n ã baíhndoa diverfidade da Reli- 

fidaâede ,-rr i ••• J 

Reiigiat. giao para a diliolve! ,porque ainda queo veneno 
de Calvino,ôc Luthero infecionou a maior par- 
te daquella nação com a hereíia;a raíaó politica 
Uga que te fundada no j uíto receio de viíinhos tão podero- 
ntre P' fos,como íaó a cafa de Auítria , & França aper- 
tou indiíloluvelmente os vínculos daquella li- 
ga* 



Conde de VillAr maíor, &c. 43 

ga,em que depois entrarão também pelos mef- Ejeus Cola- 
mos rei peitos os povos Valeíios,os Grifóes, & o gaà ° h 
Abbade de São Gal, & Bifpo de Sion, ambos 
Príncipes do Império, que todos juntos com o 
íitio do país,que occnpão enferrado entre os Al- 
pes,& as montanhas dojur, & Vogefo,conítitu- . 
em hum poder incontraítavel. Do valor deites ofiSde 
povos conceberão tão grande opinião os I > r'm-y eIor . l cof ? a 

• C 1 1 11 l rv batalha de 

cipes confinantes pela batalha em que o Duque Nanei. 
de Lorena Renato com a lua ajuda, rompeu o 
valerofo Príncipe Carlos o bravo Duque de 
Borgonha, que procurarão todos ganhar lhe a a- 
mifade,cuitandolheà alguns cõíideravcis forn- 
irias de dinheiro annuaes pelos terem propíci- 
os^ promptos para aceitarem o íeu foldo , 6c 
militarem nos feus exércitos. Não tem Cidades 
grandes, excepto a de Berna, cabeífa da maior 
deitas Republicas, porque quaíi fòelte cantão 
iguala em terreno,& povos a todos os mais jun- 
tos. Mas ainda que Bafilea na extenção dos li- Bajilea, & 
mites do feu dominio,lhe he muito inferior, no^/^ T; " 
que toca à grandefa da Cidade , a excede conhe- 
cidaméte. Occupa as duas margés do celebrado 
Rhim , unidas com húa ef paço la ponte. Nafce Rh?no°% 
efte grande rio ( que em Europa na copia das a- /<»««/«»*- 

to (É Liirlo 

goas, & extenção da corrente, fò reconhece vé- ' 
tagemaoDanubio,devendolheelle muitas ou- 
tras) em os montes Alpes fecundos progenito- 
res de femelhantes partos,naquella montanha? 
que pelo crefpo de fua afperefa, & pelo elevado 
de fua eminência fe conhece como nome de 
Criípalta,& tafendo feu curfo pelo pais dosGri- 

D iiij iões? 



44 Embaixada doExcellent. Senhor 

fóes,ck Helvécios entra no lago Brigantino, ou 
de Conítancia 5 fendoja deídeaqui navegável, & 
o fora athe a fua f os defde Cóftácia, fe o não im- 
pedira huma grande Catadupa? ou precipício 
em que fe dei penha junto à Cidade de Schafu- 
fa; mas pouco mais abaixo antes de entrar em 
Baíilea,ferena tanto aquelle furor com a bran- 
dura de terreno lhano, que cede docilmente ao 
feu impeto,que defde ali athe o Oceano Batavi- 
co, onde deíagoa, fofre fcm interrupção vario 
género de embarcações commodaspara otrãf- 
porte de tudo o neceííario. Eítà por húa , &: ou- 
tra majgem cingido de tantas Cidades , & villas 
ricas pelo terreno,que lhe fertiliía , & diliciofas 
pela corrente viítoía de fuás agoas , Ôc amenida- 
de de feus campos,que neíla parte pelo comum 
fentir dos Georgrafos excede fem controveríia 
a todos os rios, que Europa celebra por maio- 
res. Nem he Baíilea das que menos lhe illuftrão 
amargem occidental, porque agrandefa de feu 
cirtuíto,a fermofura do feu íitio,ck a magnificé- 
cia dos feus edifícios , a podem fafer competir 
com as melhores Cidades que fe conhecem ; & 
ainda que parece que o numero dos habitantes 
não correlponde às mais partes,he(não obítante 
iíío)húa das maiores de Alemanha.Orna-fe com 
húa iníigne Univeríidade,que fuíiienta illuítres 
profeíIores,principalmentenas letras humanas> 
ól lingua Grega , 6c Hebraica;mas o que fobre 
tudo ennobreíle cfla Cidade he o Concilio que 
nella fe celebrou pelos annos de 1430. 

Ao dia feguinte vieráo os Seoadores/upremo 

magiítra- 



man- 
e- 
ni- 



CONDE DE VlLLAR MAIOR, &C. 45 

magiftrado daquella republica vifitaroConde oyfw ^ £) ^ 
Embaixador? hum dos quaes fes húa breve , & Bafika ví/í. 
obfequiofa oraçáo,exaggerando o goíro que ha-^£ wíw " 
viáo recebido com a lua chegada 3 que avaliavaó 
por grande fortuna ,pois lhe dava occaíião de 
proteítarem na peíToa de hum tão grande Mi- 
niírro o íummo refpeito com que venerão a re- 
al grandefa de Sua Majeílade,&reconheciãoos 
merecimentos 5 & luperiores qnalidades que 
refplendecião na peííba defua Excellencia;& 
refpondendo o Embaixador a efe obfequio, e lhe 
primeiro na lingoa Portuguefa por decoro do 4*6k*mr 
caracter, & depois na Latina por facilitar a m- l ) ço . ' * J 
telligencia 5 fe defpediráo muito fatisfeitos da 
affabilidade,com que forão trattados , & igual- 
mente admirados da facundia,& elegância Lati- 
na do Embaixador ? & logo mandarão com ap- 
parato publico hum prefente igual aos que cu£ 
tumaó ofFerecer aos Príncipes , quando paíTam 
por aquella Cidade; & os meílageiros experi- 
mentarão na generofidade com que o Conde 
lhe mandou gratificar o trabalho,que naó o ex- 
cedia nenhum Príncipe, & fora adequada a 
equiparação. 

Ao outro dia fahio delia o Conde Em baixa- Corteis 
dor,achando pelas ruas , & ponte por onde paf- V! e f as M 

f \ 1-jtt- 1 Embaixa. 

lou algumas companhias de Inrantana em 'àvàdoraofabir 
falvandoaomefmotempoa artilharia da Cida- d * Ullade ' 
de;& continuando efte caminho com grande 
trabalho por caufa dos gelos 3 & alagadiços 5 & 
muito mais por eftar todo elte pais tam alíolado incommodi. 
das armas Francefas 5 que apenas havia ondefe^J^ 

pudeíTe 



Btifoc. 



46 Embaixada do Excellent. Sfnhor 

pudeíTe recolher 5 & a fua família das inclemên- 
cias do inverno, chegou a Spira em 5. de Março 
ha vedo aviftado nefta eftrada na parte efquerda 
a forte praça de Brifac , fentada na margem do 
Friburg. Rhim, & Friburg na direita 5 adquiridas ambas à 
Coroa de França pelo valor do Duque de Vei- 
mar,contra os intereíTes da fua pátria 5 & mais 
Thiiipf- adiante a de Philipsburg , que fultentão hoje as 
urg ' armas Imperiaes , ck he a Capital de todo aquel- 
ledeílricT:o para defenfa delle 5 que quaíi todo 
pertence à cala de Auílria, como pais hereditá- 
rio , ou à dos Marquefes de Badem 3 & de Dur- 
lac. 
Entram Antes do Conde Embaixador entrar em a 
Sfir*&a Q' c j a( j e (j e Spira? que foi aos cinco de Março, 

hcreçtbido. achou fora dos muros delia nua tropa de Cavai- 
los, lufidamente montadas que o cfperavão pof- 
tos em fileira ? &: dentro na Cidade havia três có- 
panhias de Infantaria ? que eílavão repartidas 
por três praças por onde o Embaixador paíl ou 
aquém lalvaraô com cargas de moíquetaria ac- 
companhadas pouco depois da artilharia da Ci- 
'Difcri^s àzde. He Spira Cidade livre do imperio,fituada 
át s^ira. em húa fértil , & aggradavel planície não longe 
da margem eíquerda do Rhim,& junto de hum 
pequeno rio que com dar o feu nomeaeítail- 
luífre Cidade,recompenfa o perdello brevemé- 
te no Rhim. A fua fortificação he antiga ? & pa- 
rece que como por eífa rafaó eílà expolta ao po- 
der das armas viíinhas, & os moradores não fião 
delia a fua defenfa?faó muito menos dos que pu- 
dera comprehender o feu âmbito , que não he 

peque- 



Conde de Villar maior, &c. 47 

pequeno. Reíide nella,&: a fas celebre a Camera 
Imperial,que lie íupremo tribunal do Império? 
em que fe decidem em ultima inílãcia as caufas 
Civeis, não havendo nelle outro igual em jurif- 
dição , mais que o Coníilio Aulico do Empera- 
dor,que aíEfte na Corte , & he livre a cada hum 
efeolher para appellar,ou eíte,ou a Camera Im- 
perial de Spira. Tem húa Igreja Cathedral in- 
ligne pela fua grandefa,fabrica, 6c mauíoleos de 
vários Emperadores , ck Príncipes queahitem 
fuás fepulturas. He feu Bifpo o Eleitor Arce- 
bifpo de Ti everis , João Hugo da efclarecida fa- 
mília de Grsbec, que he tão bem Regedor, ou 
como elles chamão Juis da Camera imperial, de 
fatisfas à ambos os Minifterios Eípritual , & Po- 
litico por peífoas que fubítituem a fua aufencia, 
porque elle reíide nas terras do feu Eleitorado. 
Pouco depois mãdaráo os Senadores do Regi- 
mento da Cidade pedir hora para virem viíitar 
ao Códe Embaixador , & iníinuando-felhe que 
qualquer do outro dia pela manhã , feria com- 
moda, vierão com effeito pelas nove o Conful, Re Z m 



irnen- 



&Syndico que fiferão grandes exprefsóes de todaUda - 
obfequio,& a efta vifita fe feguiu logo hum grã- Bmíaixa- 
diofo regalo. Nefte mefmo dia à tarde , chegou dor - 
hum Capitão mandado pelo Governador de 
Philipsburg,que he o Conde de Staremberg, ir- 
mão de aquelle outro grande heroe deíle mef- ° Co " de de 
mo titulo, que defendeu a Corte de Vienna das Governa-* 
armas Ottomanas;& vinha pedir licença, & ho- **** ephi - 
raparão Governador vir viíitar ao Conde, & wjiuSr? 
vindo ao outro dia de tarde acompanhado de f * A "" M " 

hum 



48 Embaixada do Excellent. Senhor 

hum feu fobrinho , & de alguns cabos em hum 
coche feguido de huma manga de Cavallaria 
de Dragões. O Embaixador o recebeu no topo 
da eícada. Encareceu com aggrado , & cortefa- 
nia,de que he íingularmente dotado efte Cava- 
lhero,a eftimação que o Emperador feu Senhor 
faíia da nova alliança , que EIRei Noíío Senhor 
queria eítabelecer com a Sereniííima Caía Pala- 
tina? porque de prefente eftava tão intereífada 
com a íua 5 como fuppunhão os cafamentos recí- 
procos de húa , & outra , & fe podia efperar por 
efta rafaò,que com ella fe feguraria a boa corref- 
pondencia entre as Coroas de Portugal? 6c Auf- 
triacas; & fatisfafendo o Embaixador a eftecó- 
primento com a repofta conveniente, fe defpe- 
diu o Governador, vindo o Códe accompanhá- 
do-o the a ultima porta. 
Vem tom- Partido o Governador vierão dous Preíiden- 
w^T/w- tes da Camera Imperial viíitar tão bem oEm- 
riaifafer baixador da parte daquelle illuítre Senado, & 

vi fita ao i • ' r r r " 

tonar. pouco depois veio a raier o meimo compnme- 
Eiogojun- t0 Governador daquelleBifpado,em nome de 
GovemadêY S. A. Eleitoral de Treveres. 
7» B nlmtdo Nefta Cidade lhe pareceu ao Embaixador 
Eiàíor de que devia parar,& não entrar nas terras do Pala- 
'awjII*' tinado que em pequena diftancia confinão com 
£wi^/A-flior o feu território ?fem primeiro conferir alguns 
"jtudbng pontos Preliminares com os Miniftros de S. A. 
deferihega- £ # Palatina; & a efte fim deu avifo àquella Cor- 
S/íi/co»-telogo que chegou, de eftar naquella Cidade, 
femae. pedindo conferencia com o Secretario de Efta- 
do de S. A. EJa a eíle tempo fe tinha anticipado 

efta 



Conde de Villar maior, &c. 49 

efla noticia por muitas vias aS. A. E. & havião W^^í 
íido nomeados para conferentes do Códe Em- ^^ 
baixador o Conde de Caítel,& o Barão de Irfch, *»,&)*** 
ambos Miniítros de toda a confiança de S. A. E. ql,a!taa<it 
& da maior authoridade, não menos pelo feu il- 
luílre fangue,que pela fua prudência , ck occu- 
paçóes; porque o Barão de Irfch he Cavaíhero 
de nobre naicimento, fk Gran Chanceller de S. 
A. E. com o qual titulo na forma do eíHlo da- 
quellas partes exercita o officio de Secretario 
de Eítado , & o Conde de Caftel , he Conde do 
Imperio,& Mordomo mor de^S. A. E. & de tão 
antiga nobrefa, que apenas fe achara outra igual 
em Europa; porque alem de fer opinião conf- 
iante dos efcritores , que a fua origem fede 
dus dos antigos Duques da França Oriental , ou 
Franconia,conta feus ill nitres afcendentes pelo 
largo efpaço de mil annos, athe Gosberto Du- 
que de Franconia fem a menor interrupção , & 
afíim entre os Condes do Imperio,quaíi que he 
reputado peio primeiro daquella Jerarquia. 
Chama-fe Volfango Theodorico , & fe intitula 
Conde , & Senhor em Gaitei , & Burgravio de 
Alecia. 

Mas fendo neceílario ajuítar primeiro qual 
havia fer o lugar das conferencias;mandou S. A. 
E. por hum feu Secretario faber do Embaíxa- 
dor,onde fe queria ver com os Miniítros , & ef- 
cufando-fe elle civilmente de íinalar o lugar 
pelo pouco conhecimento de pais , apontou o 
mefmo Secretario,que poderião vir os mefmos 
conferentes àquella Cidade, & que no Collegio 

E da 



50 Embaixada do Excellent. Sfníhor 

da Companhia,que nella ha ? quando a Sua Ex- 
cellencia lhe pareceíTe ,fe faria a conferencia. 
Approvou o Embaixador a proporia aífentan- 
do-fe juntamente, que o dia delia foíTe o de do- 
fedaquelle mes de Março, por não poderem 
aquellesMiniftros defembaraçar-fe antes diíTo 
das occupaçóes da Corte. 
ba! x °ado7a Aos nove do referido mes de Março mandou 
Thiupburg Qr£<anidfe Embaixador pelo Tenente General 
teZTtari- Manoel da Serra pedir licéça ao Conde de Staré- 
berga-vifita. bérglpaca o ir vifitar ; o que executou no dia 
feguinte em húa carroça de féis cavallos , que 
aqui comprou,accompanhado de feu rilho João 
Gomes da Silva* do Vif-conde de Barbacena , & 
Fernão Correia de Lacerda,& em outra de algús 
gentil-homés. Antes de entrar na praça o efta- 
vão efperando fora duas companhias de Dragõ- 
es muito luíidas com algús Cabos principaes, 
que o forão conduíindo ao mefmo tempo que 
aartelharia da praça com tresíalvas cada húa 
de dofe tiros de canhões reforçados attrova a cã- 
panha. O Governador veio receber o Conde à 
nl tinia porta,ck depois de gaitarem algum efpa- 
ço na praclica , lhe foi moítrar a fortificação da 
Fortifica praça ? que he de fette grandes baluartes, cingi* 
IpsbJte. ; ^ os ^ e mu i tas obras exteriores, tudo na fua ulti- 
ma perfeição. Eftã lituada na margem ulterior 
do Rhim , ôc deve a fua fundação a Philippe 
Bifpo de Spíra depois Eleitor de Treveres , que 
naquelles baluartes eregiu ao feu nome hum 
munumento eterno. 

Ao dia feguinte que era o que fe havia figna- 

lado 



Conde de Villar maior, &c. y i 

lado para a conferencia, chegarão a Spira o Con- 
de de Caítel,ck o Gran Chãceler,& logo no Col- 
legio da Companhia fe aviltarão com o Conde 
Embaixador com grandes moítras de aggrado, 
& aíFabilidade de húa,& outra partcôc dando-fe 
principio à negociação neíta primeira confe- 
rencia pelos pontos Preliminares , houve tam 
bem outra conferencia fobre os mefmos no dia 
feguinte em cafa do Embaixador , onde vierão 
aquelles Miniítros para eíTe eíFeito , & tão bem 
para fe defpedirem , porque lhe era neceílario 
darem conta a S. A. È. da primeiaa abertura da 
negociação , & executando-o aííim,aos quinfe Volta* jegti. 
do mefmo mes voltarão a Spira, & buícando lo- %7mosmi- 
go o Embaixador fem difputar do negocio lhe ni fi ros de ?' 
propuferão, que por quanto S. A. E. os não po- A ' E ' 
dia efcufar da fua prefença, por ferem os feus 
primeiros Miniítros, & as conferencias feitas 
em Spira havião confumir muito tempo , devé- 
do-fe participar ao Senhor Eleitor o que nellas 
fe trattaíiè,& efperar as fuás repofhs , feria mui- 
to conviniente,que fua Excellencia entraíTe no 
Palatinado,&jà que reparava em não eítar pre- 
venido decentemente para poder entrar na 
Ccrte , 6c os appreítos que tinha mandado fa- 
fer pediáo efpaços largos; S. A. E. por facilitar 
as difpoçóes deite negocio veria fem o fauíto da 
fua Corte à praça de Manheim , que diítava três 
legoas daquella Cidade, & outras tantas de Hei- 
delberg; & Sua Excellencia podia ir à mefma 
praça incognito,& ali com a prefença de S. A.E. 
fepoderia trattar, & ajuítar o negocio com mais 

E ij faci- 



ys Embaixada do Excellent. Sfnhor 

facilidade. 

Havendo o Embaixador coníiderado eftas* 

Sc outras rafões não menos forçofas, condefcen- 

deu com a propoíla dos conferentes; & ajuftan- 

do-felogo que S.A. E. veria àquella praça em 

Vai o Em- defafete de Março , partiu o Embaixador para a 

b inwwto a mefma em o dia feguinte,deixando a maior par- 

Manbetm te da família que tinha,em Spira,levando fòmé- 

TemveZs'. te aquellas peíToas que lhe erão inexcufaveis ao 

a. e. para minifterio da Embaixada , & ferviço da fua pef- 

fe conferir r • j " V 

o negocio, loa , porque queria em tudo parecer incógnito. 
Em chegando o Embaixador o vierão logo but 
caros conferentes, & opertenderão alojar em 
hum Palácio do Senhor Eleitor, junto do que 
habitava S. A. E. de que o Conde fe efcufou pe- 
la mefma rafaó de querer parecer incógnito por 
íer affim conveniente , ck precifo antes de fe te- 
rem ajuílado os Preliminares. 

^íE^liã- ^° outro ^ la mandou S. A. E. vifitar o Em- 
^ro£»»^i-baixadorcom hum regalo de confervas digno 
lltVeZl. da UJa grandcfa, & magnificência ; & comeíian- 
do-fe as conferencias com todo o calor fe difcu- 
tirão largamente os pontos preludiaes da ne- 
gociação, que erão fobreajuftaro tratamento 
que o Embaixador havia receber de S. A. E. nas 
funções da Embaixada , & cuftarão a vencer ao 
Embaixador fumma induftria , &: defvelo por 
fer matéria nova, & não haver exemplar ade- 
jjuftao quadopor onde fe regulaíle;& ajuftadoseítes 
Embaixa- p5t os f e paliou aos fubílanciaes do Tratado:& fe 

aor r>s pontos r 1 ••• i n r _r i 

Treiimma. concluirão também eítes conforme pedia o de- 
TríaJ" coxo & conveniência do ferviço de EIRei Nof- 

fo 



Conde de Villar maior, &c. 53 

ío Senhor, & reputação defta Coroa , em que o 
Embaixador moítrou bem o feu heróico zelo, 
& íingular prudência ; noticiou aos Miniitros 
Eleitoraes que elle traíia carta de Sua Majeítade 
para a Seriniííima Princefa futura Rainha , que 
havia entregar quando S. A: E. o ordena/Tc ; o 
que fafendo-fe prefente ao Senhor Eleitor por 
ieus Miniitros mandou S. A. fignificar ao Em- 
baixador pelo Conde de Caítel , que teria gran- , 
de goíto que Sua Excellencia não dilataffe a en- hllxadZ\ 
trega daquella carta à Sereniílima Princefa , & ?*p inda 
hindologoo Embaixador a efteeffeito falou a ZnÃgar °à 
Sereniílima Princefa em huma antecamera, em ^ rtni ^ ma 

n rs ^ y Trmcefa a 

que eítava io com a Camareira mor , como em carta de Fua 
aólo particular. Ao entrar o Embaixador na an- Ma i f fi éd€ - 
tecamara deu a Sereniílima Princefa paíTos athe 
porta , & depois o mandava afTentar em húa ca- 
deira de efpaldas , de que o Conde fe efcufou có 
refpeitofa,& prudente cortefania; porque nam 
faltando nefte acto privado àsprerogativas do 
caraéter de Embaixador de El Rei N. Senhor, 
deqnellenãoufava,entédeuqeíl:etéperaméto 
era mais cógruente a veneração que devia a Sua 
Majeítade,&: podo nas mãos daSereniffimaPrin- 
cefa a carta de S. Majeítade , f es a S. A. da parte de 
El Rei noíío Senhor as exprefsòes , que pedia a 
occafião,que forão refpondidas com as da gran- 
de eítimação que S. A. f afia delias, & da carta de 
Sua Majeítade. Logo ao outro dia refpondeu S. meilws 
A. a carta , ôc hindo o Embaixador receber a re- penhor 
poíta,& eílando falando à Sereniílima Princefa, tuularttn- 
na forma do dia antecedente , entrou na anteca- u - 

E iij mera 



54 Embaixada do Excellent. Senhor 

mera por porta interior S. A. E. que com aggrà- 
davel , & rifonho femblante dice ao Embaixa- 
dor^ ue ainda que elle eltiveííe incognito,fenão 
pudera conter que não vieiTe conhecer a íua 
peiToa de que ja muito anticipadamente conhe- 
cia as virtudes,& qualidades, & pedindolhe no- 
vas de EIRei NoíTo Senhor, lhe íignificou a 
grande veneração que f afia da alliança , que Sua 
Majeftade queria contrahir na íua caía 5 & a fir- 
me efperança que tinha de que a boa educação 
da Sereniílima Princefa,íoubejre merecer o leu 
Real aggrado. 
Remate o Ajuííados os pontos principais doTrattado 
^ro'7Vojv-Dotal,Cv condução da Sereniílima Princefa a 

èiodo Trat- e: ft e Reino por graves , & poderofas rafóes pare- 
ço por hu -r- i • j - j r j r nr« , 

exfrejto a ceu ao Jimbaixador os nao podia reduíir a 1 rat- 
EiRnNof- tac | f em p r inieiro os fafer preíentes a Sua Ma- 

foSenh*r. • /L i o r r " 

jeítade,cx elperar a lua approvaçao , mas procu- 
rando com toda a anciã , queeíle recurfonão 
prejudica/Te a mais importante circunítancia 
do negocio , que era poder tranfportar aquelle 
annoa Rainha NofTa Senhora aeíta Corte, fe 
defvelou incanfavelmente por anticipar aquel- 
les avifos a Portugal ; &c aílim em o primeiro de 
Abril dcfpachou correio de pofta com o proje- 
clo pela via de Paris ? que chegou a efta Corte em 
dcíanovedo meímo,ôc alegrou a EIRei Noíío 
Senhor , & ao Coníelho de Eirado , pelo ajura- 
mento dos pontos Preliminares , & condições 
Dotaes, & as mais noticias que o Embaixador 
participava a Sua Majeítade. 

No meímo dia que o Conde expediu o cor- 
reio 






Conde de Villar maior, &c. 55 

reio para eíte Reino por não perder hum íò inf- 
tante de tempo,& adiantar os appreltos que lhe 
erão neceffarios para as funções publicas da 
Ernbaixada,partiu para Francfort, onde naquel- <p arteo es. 
Ia occaíião podia achar com abundância todo o ^fara 
neceííàrio para o luíimento da entrada por fer o ^eSZjê 
tempo da feira da Pafchoa, que naquella Cidade kjfr***?* 
fe celebra todos os annos acudindo a ella todas aclu-La. 
as riquefas>que produíio a naturefa , & fabricou 
a arte , fafendo-íe por eílà raíàó amais memorá- 
vel que fe conhece em Europa. Difta Francfort 
de Manheim para o norte íituada fobre o no Menrio ' 
Men , que nafee no monte Pinifero , ou como 
vulgarmente lhe chamão os Alemães Fichtel- 
berg, &: difeorrendo com vários giros pela Frã- 
conia fertiliía o MarquefadodeCulmbach,os 
Bilpados de Bamberga,& Herbipoli,cujo prela- 
do fe intitula Duque deíía Província, & poucas 
legoas abaixo de Frãcfort defemboca no Rhim 
de fronte de Moguncia, havendo também rega- 
do algumas Cidades deíle Eleitorado. Francfort Framfor, 
rnetropoli de Franconia he cidade Imperial, tão {™[™&J" 
privilegiada que quali parece republica nbfolu- prerogati- 
ta,& independente;nella le fas a eleição do Em- VãSm 
perador por cólHtuíção da Bulia Áurea do Em- 
perador Carlos IV. He fortificada 5 & bem bafte- 
cida de petrechos de guerra, principalmente de 
artilheriadebronfe,deque tem muita muito 
bem reparada,aífim nos baluartes , como em ar- 
mafés. 

Feitas as prevenções para as galas , & adorno 
de cafa( porque as carroíías,cavallos , & tudo o 

Emj mais 



56 Embaixada do Excellent. Senhor 

mais íe fafia ? & comprava em Holanda pelo cui- 
dado, & induítria do thefoureiro da Embaixada 
Miguel Diogo da Gama 3 & do Agente Jerony- 
VoiuoEm- mo Nunes da Coita ) voltou o Embaixador pa- 
Aianbtimsj ra Manheim, a efperar repoíta de Portugal 5 que 
'dc"f l j £ defejava anciofamente para acabar de concluir o 
feio Conde Trattado. 

í JSfí ' J Logo q ue chegou o Embaixador o mandou 
pra huma vifitar S. A. E. pelo Conde de Caílel con vidan- 
cajfada. ^ QQ p ara j uima C aífada 5 que tinha prevenido 

para o dia feguinte, no qual veio o Códe de Caf- 
íel em hum coche de S. A. E. bufear o Embai- 
xador ? & nelle o conduíiu ao íitio deítinado? 

'Deferiras *l ue era ^ ua * ma Dre ve 5 que fas o Rhim > & hum 
dãcaffaáa. braço do Necar 3 que fendo deítituida do alinho 
da arte,íe fas natural mete táo deliciofa pela fret 
cura das agoas, que a cercão, pela verdura das er- 
vas que a veftem 3 pela fombra das fermofasar- 
vores,que a cobrem,& pela melodia das canoras 
aves que apovoão,fervindo de abrigo à innume- 
ravel caíía que produíiu a fua fecundidade , que 
parece fer húa porfia ? Ôc hum defempenho da 
naturefa contra a arte. 

Quaíi no meio delia ha hum íitio a que fafé 
praça por três lados foberbas arvores 5 & pelo 
quarto as criílalinas agoas do Rhim. Eílava cer- 
cado com húateia 5 &ahum dos lados havia hú 
palanque onde aífiftirão a Sereniffima Senhora 
Eleitrix 5 & Princeíàs Eleitoraes com S. A.E. que 
teve fempre junto a íi o Embaixador? à fua mão 
direita. 
Acharão-fe também prefentes o Príncipe de 

Dur- 



Conde de Villar maior, &c. ^j 

Durlac,& aPrincefa fua mulher.Heefte Prínci- 
pe Soberanojòk húa das linhas da caía de Badem, 
muito parente do Senhor Eleitor,aquem havia 
vindo viíitar neíta occaíiaó , & a Princefa íua 
mulher he filha dos Duques de Holíacia do 
mais illuítre fangue de Alemanha. A função foi 
mais entretinimento que caífada, mas muito 
aggradavel ; porque de repente entrarão na teia 
tantas lebres, & rapofas , que depois fe contarão 
mortas outenta deitas , & noventa , & fette da- 
quellas ; & a forma de as caífar era obrigalas a 
paííarpor cima de humas mantas, pelas quaes 
pegavão os Principes,& Cavalheros ; lançando- 
as para o ar , 6c quando neíle movimento não a- 
certaváo o golpe pelos faltos , quedava a caf- 
fa , cahião muitos dos que tinhão as mantas , 
fafendo aquelle jogo mais jucundo com o 
rifo que atodos occaíionavão as quedas. 

Acabado eíre divertimento entrarão na teia 
cervos,a que era mais diíficultofo mantear, por- 
que erão maiores os feus faltos. Seguirão-fejava- 
lis,que os Principes,ckCavalheros matarão com 
partafanas, efperando-os a pè , dos quaes o Sere- 
niílimo Príncipe Carlos có valor íingular ? & có 
aquella deítrefa,& agilidade, q moítra em todas 
as fuás acções matou o mais avultado, & feros. 
Ultimamente entrarão lobos na mel ma praça, 
a que fe deitarão caés de fila, de quem fe defen- 
derão largo efpaço. 

Toda eíla caífa havião os monteiros antecedé- 
temente obrigado a entrar em outra praça mu- 
rada , donde paíTou para a teia > & efta , ô: outras 

formas 



58 Embaixada doExcellent. Senhor 

pobuffefa formas de caíla mais violentas exercita vão S. A* 
%ator° r E- os Sereniííimos Príncipes feus filhos, quaíi 
quotidianamente todo o tempo que aílifiiu em 
Manheim 5 em que o Senhor Eleitor a peíar dos 
annos moítrava 3 & alimentava a íua natural ra- 
fo uftefa,fervin do jà de exemplo , ja de emulação 
aos Sereniííimos Príncipes , que o imitavão tão 
deítramente,que muitas felvas ficarão enno- 
brecidas com os íucceílbs que nellas obrou o et 
forço 3 & a agilidade,ôc muito mais com as acer- 
tos i que nellas confeguiu a deítrefa das Serenit 
íimas Princefas , matando repetidas veies cer- 
vos^ javalis. Para todas eflas caíTadas mandava 
S. A. E convidar o Embaixador , que hia a todas 
as vefes que a occupa çáo o permittia 5 recebendo 
em todas ellas Angulares honras de S. A. E. dos 
Sereniííimos Principes,ôc Princefas. 
EmbZhcl A vintc,& íeis de Abril celebrou o Embaixa- 
dor os annos dor o felice dia dos annos de EIRei Moílò Se- 
% E sfnLr nnor ' 9 ue Portugal contará fempre com a mais 
preciola pedra. Veíliu-íe de alegre 5 & euftofa ga- 
la ,& feguiua maior parte da íua família eíre 
exemplo , procurando cada hum manifeílar a 
anciã com que defejava viver dilatados annos 
debaixo de regimen do mais benigno Príncipe 
que conheceu a nação Portuguefa. Mandou tão 
bem o Embaixador convidar os Miniftros 5 & 
Cavai heros da Corte de S. A. E. & os regalou 
com efplendido banquete , depois do qual mã- 
dou lançar ao povo que acudiu à praça 5 fobre 
que cahião as janellas das cafas do Embaixador, 
nua boa íomma de dinheiro que com algumas 

íontes 



Conde de Vxllar maior, &c. 59 

fontes de vinho, que nellacorrião,deu grande 
motivo de gofto a todos,& augmentou muito o 
feftejo daquelle dia. Ao feguinte quis táo bem o £**/&»«- 
Senhor Eleitor , & a Sereniffima Princeía ceie- kbra o Se. 
brar os meímos annos com ricas galas , a que ac- y ' hor f F e í' 
compannarao os mais rrincipes , <x os maiores remjfima 
Cavalheros da Corte;& poucos dias depois, que TrníCe í a - 
foi em o primeiro de Maio fefcejou a Senhora 
Eleitrix,em obfequio do Senhor Eleitor ítupeítejaa 
Conforte aquelle dia, porque conforme o eítilo Sínhora %- 
de Alemanha he naquelles paífes mais celebra- de Sao Thi- 
áo o dia que deu o nome,que o que deu o nafci- h M e ' 
mento,tal ves com a coníideração de que huma 
vida fem nome naõ merece applaufos,& quefò 
eíle he digno dos feírejos,pois eternifa a vida na 
memoria da posteridade. 

Fora do paço de Manheim em pequena dif BadeReai. 
tancia fica huma cafa de efpaçofà grandefa dedi- 
cada ao ufo dos feraos , táo ufados agora em Ale- 
manha, como em algum dia o foraó em Portu- 
gal. Efta fes a Senhora Eleitrix ornar rica , & ai- 
r oíam ente para feftej ar com hú baile Real a ce- 
lebridade daquelle dia. Deu-fe principio a eíle 
feftejoaos primeiros crepufculos danoute,& 
as lufes furtadas , que tremolavão com o feu ef- 
plendor incerto, faíiáo íintillar maravilhofamé- 
te o lufido ornato daquelle ialão. Enchia o âm- 
bito da cafa,& fuavifava os ouvidos huma accor- 
de harmonia de inítrumentos,& vofes; na fren- 
te do tablado efta vão dous excel lentes muficos, 
que no trage,infignias,& poftura reprefentaváo 
os dous rios Rhim,& Danúbio. O ornato delles 

era 



6o Embaixada do Excellent. Senhor 

era rico,& viítofo;as infignias thyrfos nas mãos? 
Ôc coroas de parra na caberia em final da fertili- 
dade com que hum?&: outro rio produfema- 
quella planta ; & recortados fobre duas urnas de 
prata?de que corria outra liquida? cantavão com 
alternados accétos a felicidade daquelle dia? per- 
tendendo cada hum com profiada mas harmó- 
nica contenda?arrogarfe a maior parte da gloria 
delle. Pouco depois fahirão a dançar os Serenif- 
íimos Príncipes, & Princefas?que com o habito 
paitoril de que vinhão veftidos ? faíião enveja ao 
cortefaó. Dançarão Suas Altefas com tanta có- 
poftura,& graça>que fe não devertirão os olhos 
dos que vião hum fò inílante?elevados dogof- 
to 3 & admiração. Seguiu-fe S. A. E. & a Senhora 
Eleitrix?que aífim no adorno ? como nos movi- 
mentos diííimulavão bem os annos,& as damas? 
& Cavalheros da Corte da primeira jerarquia 
entrarão a companhar a Suas Altefas com accor- 
des paííosjformandohuma bem ornada confu- 
â Senhora faó. A Senhora Eleitrix de que era aquelle dia? 
raadançar defejando que foífe feítejado? não fòdosAle- 
ao filho do niães,mas tam bem dos Portuguefes ? tirou por 
áor.&to varias veles a dançar a João (jomes da òilva n- 
^'Jlafeaa lho do Conde Embaixador?&: ao Vif-conde de 
& a condi.' Barbacena, que fuppofto pertenderão efeufarfe 

ífJem. qHe com ° P ouco u ^° q ue daquella arte havia em 
Portugal?foi forçoío obedecer aos foberanos ro- 
gos de Sua Alteia? mas propondo primeiro? que 
pelo decoro,& veneração que devião à Majelta- 
de de EIRei Noífo Senhor?lhe não era licito dá- 
çar no mefmo tempo que dançaífe a Sereniííi- 

ma 






Conde de Villar maior, &c. 61 

ma Princcfa futura Rainha;o que fe lhe conce- 
deu,& aííim fe executou. Ao outro dia feílejon 
também o Embaixador a mefma celebridade 
com rica gala,& com hum magnifico banquete, 
para o qual convidou os fidalgos da Corte de S. 
A. E. correfpondendo dignamente à demonf- 
tração que Sua A. havia feito pelos annos de El- 
Rei Noífo Senhor. 

Em trefe de Maio chegou exprefíò de Por- Volta oex- 
tugal com approvação do Projeóto , que o Em-Ç,f^ /£Í 
baixador havia remettido,ck trouxe duas cartas «pprovafaa 
de Sua Majeílade para o Embaixador,huma a li- °t rojLC °- 
nada por lua Real máo,& outra mais particular 
efcrita toda do feu punho, em as quaes ambas íi- 
gnificava Sua Majeítade ao Conde o goílo com 
que recebera o Projeclo , & a grande fatisfação 
com que ficava do acerto,& prudência com que 
o Conde íouhera confeguir naquella negocia- 
ção as condições mais decorofas para a fua Real 
Coroa. Procurou logo o Embaixador reduíir o 
Projeclo a Trattado , & como as couías no exa- 
me individual defcobrem dificuldades , que fe- 
não encontrão quando fe difputáo na fua gene- 
ralidade; houve ainda algumas circunftancias 
que vencer não pouco concideraveis em que fe 
debateu,mas finalmente fealcanfou tudo o que 
fe defejava. E em vinte & dous do mefmo mes 
de Maio aífinou o Embaixador com osconfe-^,,^, 
rentes CommifTarios de S. A. E. o Trattado Do- u ^ e ot ; rat - 
tal de Suas Majeffodes , & aos vinte 6c quatro o a Sm cMa- 
remetteu pela poíta à eíle Reino , onde chegou^^- 
em nove de Junho, alegrando a ElReiNoíTo 

F Senhor 



62 Embaixada do Excellent. Sfnhor 

Senhor , & toda a fua Corte. E por dar felices 
aufpicios a efta acção , ordenou SuaMajeflade 
com pia , & devota attenção que efta noticia de 
ter ajuftado o feu cafamento com a Sereniffima 
Princefa Eleitoral , & eftar concluído o Tratta- 
E Sua Ma- do Dotal fe publicaíTe em os vinte, & três do 
dapubikaro mefmo mes dia do grande Santo António , & o 
ajuftedejeu ma j s f au fto,& alegre que celebra a iníigne Cida- 
de de Lisboa,& toda a naçaó Portuguefa, & nef- 
o qudfe te meímo fe deu principio aos três dias de lumi- 
iLulnZ, narias,& faívas com que fe feftejou efta taó felis 
fàvaiy nova,tam eftimada univeríalmente dos coraçó- 
legua. es de todos os VaíTallos de Sua Majeftade, que 
bailava efta prova para dar a conhecer ao mun- 
do o quanto excede a naçam Portuguefa a to- 
das as mais , em amar a feus Príncipes natu- 
raes. 

Com efta noticia ,&: com a certefa de que a 
cpre f? ra jy* Rainha Nofi Senhora entraria nefte Reino a- 
Isflrllm- quelle verão,fe commeílou a dar calor a todas as 
whaWo^a' P reven Ç oes q ue pedia o decoro, ck Majeftade da 
Penhora niais celebre acção que cuftuma obrar o poder, 
ntfit Remo. ^ a f berania,& deputando Sua Majeftade quã- 
tioíâs fommas de dinheiro para efte fim, fem ha- 
ver gravado para iftb a feus VaíTallos com a mais 
leve contribuição , para que por todas as circúf- 
tancias fofíe efte matrimonio plauíivel , & ama- 
vel,encarregou o cuidado , & difpofição dos ap- 
preftos para a vinda , & entrada de Sua Majefta- 
de ao Conde da Ericeira Dom Luís de Menefes 
Vedor de lua fafenda,& do feu Confelho de Ef- 
tado,quecom o feu grande zelo, diligencia , & 

aclivi- 



Conde de Villar maior, &c. 63 

actividade, ordenou tudo com a magnificência, 
efplendor,& acerto quefe refirirà em feu lu- 
gar. 

Não fe trabalhava menos a efte tempo em A- Avijta o 
lemanha pelas prevenções que erão neceíTarias ? mbai **' 
para a entrada 3 & mais funções da Embaixada,&: defa* tn- 
logo que eftiverão em termos de fe poder efpe- tr f a ' & f* 
rarque nos últimos de J unho ncariao acabadas 
todas,fe ajuftou com os Miniftros de S. A.E que 
no ultimo daquelle mes entraria o Embaixador 
na Corte de Heidelberg , & faria a fua primeira 
funçao,& nos três dias íèguintes as mais que pe- 
dia aquella acção,de forte que aos dous dejulho, 
em que a Igreja fefteja a celebridade da Viíita- 
ção de Saneia ífabel , fe celebraífe o recebimen- 
to de Sua Majeífade com aSereniífima Prince- 
fa,& aos quatro voltaífe o Embaixador para Ma- 
nheim , onde veria tão bem a Rainha Noílà Se- 
nhora a embarcarfe no Rhim. 

Ajuítados nefta forma os dias das funções , & 
prompto tudo para fe poderem executar com 
oluíimento,& grandeía que requeria aquella 
acção ; interveio hum accidente que pudera per- 
turbar os prafos deíHnados com notável prejui'- 
fo do negocio , & deminuír muito o efplendor, 
& goilo com que fe devia celebrar; porque teve 
S. A. E. avifo por correio de pofta que a Serenif- ^pt' 
íima Archiduquefa molher do Príncipe Eleito- s*r<nijfim* 
ral feu filho Duque de Juliers , ficava deftituída iulfaXui. 
de toda a efperança de vida,ôt reduíida ao extre- daào em w 
mo delia pela malignidade de huma febre. Eítaj^tT 
noticia fes no Conde Embaixador grande com- E J 7nbaixa - 

Jb ij moção 



64 Embaixada do Excellent. Senhor 

moção pelas danofas confequencias,que pruden- 
temente receava refultaffem daquelle fucceffo, 
&com efte jufto temor defpachou à Corte de 
Heidelberga para onde S. A. E. fe havia ja reco- 
lhido a ordenar as difpofiçóes daquella acção ao 
Secretario António Rodrigues da Cofta , para 
que falando com o Gran Chanceler lhe pediííe 
reprefentaííe a S. A. E. o difgofto com que fe 
achava com aquella noticia, pelo muito que de- 
fejavaveraS. A.E. & a toda a lua Sereniííima 
Caía todas as occaíióes do maior contentamen- 
to 5 fem ferem interpoladas domais levediíía- 
bor;que efperava que o fegundo avifo que vief- 
fe de DuíTeldorp livraíTe a S. A. E. daquelle cui- 
dado; mas que quando a foberana providencia 
difpufeííe outra coufa,não podia deixar de fafer 
prefentes a S. Altefa as perniciofas refultas que 
íe feguirião fe por occaíião daquelle fucceífo fe 
dilataíTem os termos prefixos para as acções da 
fua Embaixada? de recebimento de Sua Majef. 
tade,dos quaes entre outros era eftar ja tão en- 
trado o verão, que não fofreria demoras largas o 
embarque da Sereniííima Princefa para haver 
de fer o tempo com que fifeíTe viagem com to- 
da a fegurança , como era rafão , & que como 
EIRei da Grão Bretanha dava a S. A. E. a arma- 
da para a condição, & ella havia de eftar promp- 
taavintedeJulhonoportodaBrila para nave- 
gar a tempo que pudeííe depois de tran fportar 
Sua Majeftade a Lisboa,hir aos mares de Levan- 
te,pedia tam bem efta coníideraçaó fe cortaífe 

por 



Conde de Vill ar maior, &c. 6$ 

por todo o embaraffo, 6c que também efperava, 
que eíle cafo não alterafleas galas, ôtmaisde- 
monítraçóes de alegria que fe tinhão prevenido 
para aquelles dias ; por não fer jufto que húa ac- 
ção tão í âuíra , & tão foberana le hTeífe de outra 
lorte. Depois do Secretario haver referido ao 
Gran Chanceler eítas exprefsóes , & propofta 
do Embaixador,elle as participou logo a S. A. E* 
que por fafer honra ao Secretario , & fegurar 
melhor o receio do Embaixador , as quis ouvir 
da boca do mefmo Secretario, & darlhe a repof 
ta;& fendo introdufido a fua prefença pelo mef- 
mo Gran Chanceler , expôs outra ves a S. A. E. 
o que ja havia ditto àquelle miniftro. O Senhor s.a.e. oU. 
Eleitor lhe refpondeu ; podia fegurar a Sua Ex- vradtlle - 
cellencia que fafia huma íingular eítimação do 
cuidado, & affeclo comquefeintereílavanos 
feus pefares;que quando o Ceo foífe fervido caf- 
tigar a fua cala com a perda de húa Princefa por 
todos os requiíitos digna de mais larga vida ; ti- 
nha elle bem coníiderado os inconvenientes 
que fe feguirião de fe prolongarem os prafos fig- 
nalados>& as raíóes que havia para não faltarem 
naquellas funções o efplendor,& alegria que el- 
las pedião , & que afiim podia eítar certo Sua 
Exceílencia que nenhum accidente que fobre- 
vieííe, impediria a execução do que fe tinha a- 
juírado,tanto pelo que tocava ao tempo,como à 
forma em que fe tinha convindo feobraífea- 
quella acção;& com eíta repoíta,cx grandes mo- 
ftras de fua innata benevolência? de aggrado def- 
pediu S. A. E. o Secretario,que veio logo aliviar 

Fiij oCon- 



a. 



66 Embaixada doExcellent. Senhor 

o Conde Embaixador do cuidado que juílamé- 
te lhe caufava aquella novidade. 

Defembaraçado o Embaixador deite receio? 
& a Corte tão bem com o fegundo avifo que re- 
cebeu de DuiTeldorp da melhora da Sereniílima 
Archiduquefa, ficou tudo prompto para fe dar 
principio à função. E íuppoíto que ie havia a- 
juítado,como fica referido,queno ultimo deju- 
nho faria entrada publica na Corte de Heidel- 
berga,o Conde Embaixador em obfervancia do 
i la f ao , eítilo que praéticão os Embaxadores de pedi- 
feair em fu- rem com ceremonia publica o dia para ella pe- 
biuoauáitn- los Secretários da Embaixada: o mandou pedir 

aaae entra- r > . r . 

a S. A. E. pelo becretano António Rodri- 
gues da Coita, que foi a eíta função a vinte & 
leis de Junho em hum coche de féis cavallos , & 
voltando com arepoítaja aíTentada de que feria 
Mandão no ultimo daquelle mes,mandou o Conde Em- 
ffeutrtm "* baixador em vinte & nove as carroílas, & caval- 
ar* Lan- \ os p ara a Villa de Landemburg, íita na margem 
m urg ' ulterior do Necar fronteira a Heidelberga , & 
húa legoa diítante delia 5 porque daquelle lugar 
por mais propinquo fe podia mais commoda- 
mente formar o trem , 6c faferfe a marcha com 
apparato publico. No mefmo dia veio bufcar ao 
Conde Embaixador o Governador da praça de 
Manheim,accompanhado dos Cabes, & officia- 
esdafuajurifdição pedindo lhe quifeííe difer a 
hora que ao dia feguinte havia de íahir daquella 
praça porque tinha ordem de S. A,E. para lhe 
fafer todas as maiores corteíias militares. 
Aos trinta pelas féis horas da manhã fahiu o 

Em- 



Conde de Villar maior, &r. 6? 

Embaixador accompanhado, nãofò de todaaJV^m- 
fua familia,mas tam bem do Governador, & of- b Zuí7tm- 
ficiaes que o vieráo bufcar à cafa para eíle efFei- farg.a ccr : 
to. Na praça de fronte das cafas do Embaixador ^f/í/^íw 
eftaváo formados do us terços de infataria mui- CMmbeim. 
to lufida,de que fahião duas alas , que fe prolon- 
gaváo the o lugar da embarcação , & parlando o 
Embaixador pelas Vanguardas com eíle accó- 
panhamento lhe abaterão os Alferes as bandei- 
ras,©^; os Capitães lhefiíerão a maior demonf- 
tração de cortefia,ôc dando a mofquetaria fal vas 
fe feguiráo as da artilheria da praça. O Governa- 
dor , & ofíiciaes accompanharão o Embaixador 
the a margem do Rio , em que eílavão preveni- 
dos três bergantins ; em o melhor delles entrou 
o Embaixador , & foi aíTentado em húa rica ca* 
deira de efpaldas , pofta debaixo de hum toldo 
em que entrarão tam bem os Cavalheros, Secre- 
tario,Gentis-homens,& Capellães ; no fegundo 
hiáo os pagés com o meftre falia ; ôc no terceiro 
os lacaios, & mais família inferior. Na villa de 
Landemburg, onde defembarcouàs dòs horas 
de manhã, tomarão os moradores as armas , & 
vindo recado pelo appofentador da Corte , que 
poderia o Embaixador fahir às três horas da tar- 
de, porque às mefmas fahiria também deHei- 
delberg o Sereniíílmo Príncipe Carlos, & fe en- a ranha do 
contrarião no camin ho. f rJ#*Sw- 

Na hora conftituida fahiu o Embaixador em krg/j em 
hú coche de veludo Carmefim bordado de ouro ^£**lf 
interior,&exteriorméte có franjóes de ouro,& feujequtto. 
retrós da mefma cor do veludo,da obra q fe cha- 

Fiiij ma 



68 Embaixada do Excellent. Senhor 

ma de cãpanas muito levantada,& rica ; as corti- 
nas erão da melhor tela,a caixa de bello talhe,& 
pintada pelos mais primorofos artífices , com as 
molduras douradas,como també era ojogo,& as 
guarnições de veludo carmeíim, &ouro, &as 
borlas correfpódétes à obra dos franjóes. Era ti- 
rado por féis gentis cavallos de cor iíabella có 
cabos , & crinas alafás enfitadas de fitas carme- 
sis 3 & o accompanhavaó pelos lados vinte & 
quatro lacaios. Seguia-fe o Capitão Manoel da 
Mota de Araujo,que ferviu neíta Embaixada de 
Eltribeiro em hum bom cavallo com cairel, & 
coldres de piírolas bordado tudo de ouro,& pra- 
ta 5 & huma manta de veludo verde , guarnecida 
a três paílemanes de ouro , ôc prata , & junto ao 
Eftribeiro hiaó dofe pagés ordenados em duas 
alas a cavallo com mantas do meímo veludo 
verde guarnecidas com hum paífamane. Logo 
marchava o coche de refpeito, que era de velu- 
do alui com fundos de ouro, franjóes da mefma 
matéria , 6k obra , que os do primeiro ; cor- 
tinas de tela da mefma cor , caixa dourada , & 
guarnições da mefma forte , tiravaó-na féis ca- 
vallos ruços queimados com as crinas , & cabos 
brancos. Seguiaó-íe quatro coches, nos quaes 
hiaó os cavalheros, & gentis homens todos rica- 
mente veíHdos de caíacas cubertas de ouro,& 
prata que por todos faíiaó vinte & huma pefíoa. 
Os coches eraó de damafco de dirf erentes cores, 
com boas franjas de feda,as caixas pintadas com 
as molduras douradas , & cada hú era tirado por 
féis fermofos cavallos murfellos. A libré dos 

pagés, 



Conde de Villar maicr, &c. 69 

pagés, cocheiros? & lacaios,era de pano fino en- 
carnado guarnecido de dous paíTemanes de feda 
aíul ? & ouro encerrados entre franjas de prata 
ligeiras, meias de feda aful,plumas aíuis,& bran- 
cas nos chapeos, & por cairel renda de prata 5 & 
os pagés para diítinção levaváo veílias de feda 
lavrada cor de ouro. Meia legoa de Heidelberg , T . . 

r f-t 1 * ■ .1 r -n • Nomeio do 

le encontrou o Embaixador com o rrmcvpe caminho bc 
Carlos , que ao chegar o feu coche junto do em ZTer?M°(fi- 
que hia o Embaixador , mandou voltar o feu có moTrwupe 
a proa para Heidelberga para lhe ficar o coche ^lu/f ÍO m 
do Conde à mão direita , & apeando- fe Sua Al- p< U rect- 
tefa,& o Embaixador juntamente, depois de fe ídode ?" /i 
comprimentarem entrou o Embaixador pri- 
meiro no coche do Principe, que deu ao Conde 
a cadeira de detrás, & tomou para íi a de deante, 
& pofto , em ordem o accompanhamento , fe 
comeífou a marcha, na forma feguinte. 

Hia diante hum efquadráo de Dragões bem Wf" 7 p** 
montados ; & lufidos , feguiáo-fe os lacaios, 8èf ™J^ a 
cavallos à deítro dos Cavalheros da Corte, def- ^rtnape^ 

1 i • 1 1 • 1 11 do Embai- 

pois dos quaes hia numa companhia de cavallos xador junta. 
dos Cavalheros da Univerfidade de Heidelber- menU t ara . 
ga,logo marchaváo os cavallos de mão de S.A.E. éadc. % 
em quinto lugar hião as carroífas dos Officiaes, 
& Miniírros da Corte , & as de S. A. E. para as 
quaes forão convidados os Cavalheros , & gen- 
tilhomés Portuguefes , fendo nellas accompa- 
nhados dos fidalgos Alemães. Detrás deftas car- 
roífas hião os Tróbetas, & Atabales a cavai lo,aos 
quaes fe feguiao immediatamente as carroífas 
de corpus de S. A. E. & mais rica , 6c ultima del- 
ias 



7o Embaixada do Excellent. Senhor 

ks o Embaixador com o Príncipe Carlos. Logo 
junto a efta carroffa fe feguia o Eítribeiro do 
Embaixador da parte direita com os pagés mais 
atras ; & o Eftribeiro de S. A. com os íeus pagés 
da outra parte 3 obfervando-fe também o mefmo 
entre os lacaios do Embaixador, & do Príncipe. 
Depois marchava hum efquadrão da guarda de 
corpus de S. A. E. bem montado , & lulido , ôc 
junto a elle as carroffas do Embaixador ; ferrava 
Libré ííafa- o fequito outro efquadrão de Dragões. Era a li- 
miUainjtn- \y V £ <ja família de S. A. E. de pano aíul guarneci- 
e. É da de paílemanes de prata ? & comprehendia 
grade numero de lacaios,moços da eftribeira?co- 
cheiros,Trombetas 5 Atabaleiros, & hum efqua- 
drão de guarda de corpus , & os pagés. Os Cava- 
Iheros da Corte hião também luíidamente vef- 
tidos , competindo ambas as nações em moftrar 
o goílo deíla acção. Erão quaíi féis horas quando 
cita rica ? & viílofa pompa , chegou de fronte da 
Cidade, que eílàíituada na margem fetentrio- 
ukaatdt a nal do Nccar, entre humas ferras , que fomente 
Hotidberg. dão lugar à corrente daquellerio, & o iitio da 
Cidade,queporeííàrafaõ he nimiamente pro- 
longada 5 não lhe permittindo a montanha que 
adomina terreno para outra fòrma,porèm com- 
penfa eíte defeito com a amenidade , & frefeura 
das agoas , que logra na continuada viíinhaça do 
rio que afãs mui diliciofa 5 & appraíivel. Tem 
bons edifícios, & alguns templos de mageítofa 
fabrica ? que ainda que profanados hoje com as 
abominações de Luthero , fe efpera q por meio 
do ardente zelo , & rara prudência de S. A. E fe 

vejáo 



Conde de Villar maior, &c. 71 

vejão cedo purificados , reftituindo-fe ao verda- 
deiro culto da Igreja Romana. Quafi no fim da 
Cidade em meia ladeira da ferra? que lhe fas 
coitas eftà hum Caftello , ou para melhor diíer 
hum Palácio em forma de Caftello, que aílim 
na extençáo , como no artificio pode fer digna 
habitação dos maiores Monarquas. Ainda que o 
íitio a condena,he fufficientemente fortificada, 
parte com architeótura antiga , & parte moder- 
na. Ao chegar à ponte que eftà fobre o Necar,ck 
dà o tranfito para a Cidade difparou a artilheria 
do Caíteílo, 5c alguma que eftava pofta junto ao 
rio para efte eíFeito. Da porta da Cidade em que 
entefta a ponte the o Palácio eftava infantaria 
pelas ruas em duas alas,ôt no terreiro do Palácio 
hum efquadrão que depois de paífar o Embai- 
xador deu falva , & toda a artilheria do Caftello, 
& Cidade a repetiu mais duas veies. 

Ao entrar do Palácio fora das primeiras efea- é»trao 
das no pateo defeuberto efperavão ao Km baixa- d^Z^à- 
dor os Sereniíiimos Príncipes Friderico 5 & Phi- f°& íorU - 
Jippe , & no topo da mefma efeada que não he herdado 
de muitos degraos,&: defeuberta a todo o pateo, j os ?'£".'/' 
eftava S. A. E. que tanto que o Embaixador fe l^el 
apeou do coche com o Sereniílimo Príncipe 
Carlos,andou para elle , & o encontrou , tendo 
fubido poucos degraos , feio logo cubrir indo 
todo o maisaccompanhamento defcuberto,em 
que havia Cavalheiros do mais eíclarecido fan- 
gue de Alemanha , & Príncipes do 1 mperio , & 
tomando-o à fua mão direita, & dandolhe as en- "Primeira 
tradas das portas o condufiu athe a ultima ante- 

camara> 



audiência. 



72 Embaixada doExcellent. Senhor 

camara,aonde eílavão duas cadeiras de efpaldas; 
& fentando-fe nellas, o Embaixador , que ficou 
na de melhor lugar,deu a S. A. E. a carta de El- 
Rei Noííò Senhor accompanhada com asex- 
prefsoes, que pedia o ack>. O Senhor Eleitor a 
recebeu com íingular aggrado, ôc refpondeu 
com grandes demonftraçóes da veneração , & 
refpeito que tinha à foberana peíToa de Sua Ma- 
jefl:ade,& à fua Real grandeía ; exaggerou a eíti- 
mação que faíia daquella Embaixada de hum 
tão grande Monarqua 5 & que devia a Sua Majef- 
tade particulariílima obrigação por haver eíco- 
Ihidopara ella hum Miniílro de tão fuperiores 
méritos 9 qualidade, & prudência? como reco- 
nhecia na peííoa do Conde. 

Eíte trataméto deprecedécia,& lugar de hora 
ijpSjLE. 4 S.Á.E.deu nefta audiécia , & em todas as mais 
ácuaoEm- ao Embaixador , faó as q os Príncipes Eleitores 
fuafinguk- do Império cuítumao dar aos Embaixadores ex- 
riaaàt. traordinarios do Emperador,em os actos públi- 
cos , Ôc de q athegora não havia participado ne- 
nhuma outra teíta coroada,havedo-o pertédido 
as maiores da Europa nas occaíióes de maior 
empenho de húa, & outra parte ; mas a reputa- 
ção da grandefa de Sua Majeííade , reprefentada 
dignamente na peílba de hum tão grande Mi- 
niitro,& a fua prudência , & deftr eia, granjearão 
a efta Coroa huma prerogativa tão íingular. 

Acabada eíta audiência veioS. A.E. accom- 
panhando o Embaixador the a primeira ante- 
camera da Sereniílima Eleitrix,onde ella,& três 
das Sereniílimas Princeías mais velhas eílavão, 

&fem 



Conde de VillAr maior, &c. 73 

& fem embargo de que repetidas vefes oferece- 
rão ao Embaixador entrar primeiro a porta da 
fegunda antecamera; pareceu ao Embaixador 
não devia aceitar 5 por não fer decente tomar a 
precedência às Princefas , principalmente con- 
ièguindo-fe toda a aucloridade da Embaixada, 
tendo-a do Senhor Eleitor. 

Na íegúda antecamera efta vão duas fileiras de 
cadeiras enfrente húa da outra 5 6c como na Caía 
não havia docel , né por ondeie regular mão di- 
reita 5 ou fe deftinguiífe o melhor lugar , ficou a 
Senhora Eleitrix no topo de húa fileira ? feguin- 
do-íe as Senhoras Princefas; 6c o Embaixador na 
outra fileira/eguindo-fe o Príncipe Carlos;& da- 
do à Senhora Eleitrix a carta q també trafia de S. 
Majefta depara S. A. fervindo-fe de femelhantes 
termos? aos q havia pafiado có o Senhor Eleitor, 
& recebédo igual repoíla deu fim a audiencia,6c 
a Senhora Eleitrix com as Sereniííirnas Prince- 
fas fahiu foraà primeira anteccmeraaccompa- 
nhando o Embaixador 5 aquem os Príncipes feus 
irmãos com todos os Cavai heros da Corte con- 
duíirão athe a ultima antecamera de hum quar- Heappcfe 
to que fe lhe tinha preparado , 6c eftava rica- t ^ m ^ m 
mente adereíTado. Havia também no Paço ou- 'pZmío/j 
tros quartos para os Cavalheros,6c gentilhomés ft™ tdo P c - 
Portuguefes, 6c o refto da família mandou S. A. ifaimaci. 
E. accommodar na Cidade,6c toda vinha comer A - B " 
ao Paço. Forão nomeados para aííiftirem ao Em- 
baixador os Barões de Creuter, 6c Spir , queaf- 
íiftiáo na antecamera do feu quarto , 6c lhe levã- 
tavão a cortina para entrar às portas 5 & hum 

G delles 



en- 



74 Embaixada do Excellent. Sfnhor 

deites lhe fervia a eopa na mefa 5 & outro a toa- 
lha dagoa às mãos. 
K nn ^:f' Pouco depois veio o Conde de Caftelcom 
conde ao hum recado de Sua A. E. para o Embaixador, 

Jcu quarto. çm ^^ ^ m ^ j^e jy^ ^ ^^ ^^ Q q uer j a v j r 

vifitar > & o Conde o foi efperar à ultima por- 
ta do quarto, que lhe eítava dcíhnado , ôc como 
elle fe reputava por cafa do Embaixador , deu 
nefla viíita a porta, & a maó a S. A. È. & no fim 
delia o tornou accompanhar the a mefma porta 
onde havia cfperado. E como o Príncipe Carlos 
havia conduíido o Embaixador ao feu quar- 
Vai o Em- to, pareceu ao Conde hir no mefmo dia viíital- 
baixador-ui- \ ao feu,& mandando-lhe para iíTo recado veio 
niffmo ne o Príncipe recebelo a ultima porta do feu 
Trincipe q Uar to, & lhe deu a maó,entrada , & melhor ca- 
feu qLrto. deira , & no fim da vifita o veio accompanhar 
athe a mefma parte onde o havia recebido. O 
Governador da praça veio pedir o nome ao Em- 
baixador,& depois da declaração da Rainha N. 
Senhora fempre Sua Majeftade o deu , & o Go- 
vernador o traíia ao Conde. 
ceia o Em- A horas de ceia veio o Conde de Caftel , & o 
baixadorti Gran Marichal dar recado ao Embaixador que 
eòte os fere- S. A. E. o efperava para ceiar, & o accompanha- 
S^V rão com tochas os pagés de S. A. & hum dos Ba- 
oalprÚo o róes q lhe aííiítião cõ húa vela em hú caftiçal. S. 
A. E. efperava o Conde na entrada do feu quar- 
to,& dãdo-lhe a mão direita, & fempre a entrada 
das portas o códuíiu athe a mefa, & lhe deu agoa 
às mãos primeiro q ao Senhor Eleitor o Barão 
que taó bem a deu a S. A. E. A mefa eílava 

de- 



tntlhor lu 
gai 



Conde de Villar maior, &c. 75 

debaixo de hum docel,& no topo delia duas ca- 
deiras ; na da mão direita fe fentou o Embaixa- 
dor,&: na outra S. A. E. & os Príncipes Varões 
fe feguiraó pelos lados pref erindo-fe pelas ida- 
des,& oTrinchante que f aíia os pratos dava fern- 
pre o primeiro ao Embaixador. Neíle acto, & 
em todos os mais foi taó grande o concurío de- Comur{oàt 
nobrefa , que fe affirma que fenão vio outro fe- nchre f ad 

-*■ * . IJCt' OS ãCÍOS 

melhante em Alemanha 3 & que demais de ou- deUas Rea. 
tenta legoas de diftancia concorrera gente a ve- esf/r ° das * 
lo,& que paífavão de quarenta os Príncipes , & 
Princefas que fe acharão em roda damefaem 
pè 5 & defeubertos, pondo fomente diante de íl 
algum Cavalhero feu criado por íinal de eiva- 
rem incógnitos. Os primeiros brindes forão à 
faiide de EIRei Noíío Senhor,5c depois do Em- 
perador; a todos refpondeo o Embaixador com 
íigoa,pedindo para iííb permifsão por não beber 
vinho. Toda a mefa fe continuou com fuaves 
muficasde voíes,& inftromentos , & acabada 
ella veio o Senhor Eleitor accompanhando o 
Conde athe a primeira porta do quarto em que 
eftava appofentado, trafendo-o íempre à mão 
direita,& aílim neíta, como em todas as mais oc- 
cafíóes accompanhava o Conde de Cafcel , & 
Gran Manchai ao Embaixador the a ultima an- 
tecamera do feu quarto. 

Efta noute chegou à Corte o Conde de Mar- che &* * 
tinis da primeira jerarquia da nobrefa de Bohe- alLtraor 
mia por Enviado Extraordinário do Em pêra- d ™ ariod * 
dor, que veio dar a Suas Altefas Eleitoraes , & à adlrnfZ 
Sereniílima Princefa futura Rainha os perabés ^^ 

G ij da 



IVI' 



y6 Embaixada do Excellent. Senhor 

da parte do Emperador,8c da Emperatrix. Teve 
audiência ao outro dia de todos os Príncipes, 8c 
da Rainha Noíla Senhora ainda como Princefa 
por fenão ter feito athe então a declaração de 
Rainha, 8c lhe trouxe hum annel de grande va- 
lor que a Emperatrix mandava à Sereniílima 
Princefa fua irmã. Não fe cobriu, nem aífentoil 
diante de Suas Alteías,8c em nenhuma occafiáo 
teve precedencia,8c lugar a que chamão de hon- 
ra,8c fe aquartelou na Cidade fora do Paço. 

No dia feguinte que foi o primeiro de Julho 
mandou o Embaixador pedir audiência a S. A. 
E. por hum dos Barões, que lhe aíliítiáo para 
Tedt o Em- nella faíer a função de pedir a Sereniílima Prin- 
haixadorje. cc f a p ara efpofa de EIRei NoíTo Senhor , como 
££££/■ fe tinha ajuítado;8c o Senhor Eleitor o veio et 
haStrenij- perar à primeira porta por onde fe entra para o 
cl}%JrTe[- leu quarto,8c dando-lhe fempre a mão,8c entra- 
t?] a i c r E J~ da o conduliu ao quarto da Senhora Eleitrix, 
aonde S. A. ellava com a Sereniílima Princefa 
na forma da primeira audiencia,8c offerecendo- 
Ihe a entrada a não tomou às Princefas, mas fo- 
mente a S. A. E. 8c eílando as cadeiras poílas pe- 
lo mefmo modo , ficou o Embaixador na pri- 
meira de huma das fileiras precedendo ao Se- 
nhor Eleitor, que ficou na fegunda. E fafendo o 
Embaixador a petição a Suas Altefas Eleitoraes 
com o obfequio devido à Sereniílima Princefa, 
refpondeu S. A. E. moftrando grande venera- 
ção a EIRei NoíTo Senhor , 8c à vontade com 
que Sua Majeítade fe queria aparentar na fua 
Cafa,8c tanto que diíle que concedia a Sereniíli- 
ma 



RáNofJo 
Senhor 



Conde de Villàr maior, &c. yy 

maPrinceíapor efpofa de Sua Majeftade, fe le- 
vantou logo o Embaixador por lhe não parecer 
decente haver de ficar aflèntado diante da Sere- 
niffima Princefa depois do Senhor Eleitor feu 
pae haver declarado a concefsão;ck como o Em- 
baixador fe pos em pè, fe levantou também lo- 
go Sua A. E. & as Sereniílimas Princeías , & ex- 
primindo o Conde a grande eíHmação que Sua 
Majeftade faíia de ter a Sereniffima Princeía por 
efpofa , & repetindo S. A. E. a honra que defte 
Real conforcio fe feguia a íua caia, íe acabou a 
audiência, &S. A. E. veio conduíindo o Em? ?™ e ! E ? ' 
baixador para a mefa , onde teve fempre o Em- gunàa ves 
baixador o melhor lugar,& em tudo fe feguiu a c t ° e 7 a miú- 
mefma forma, que na ceia da noute anteceden- rai. 
te,& íb accrefceu comer também na meia o En- 
viado do Emperador o Conde de Martinis , no 
ultimo lugar depois de todos os Príncipes. 

Como íe tinha ajuftado que na tarde deite dia TMa-je* 
fe havia de publicar a declaração da Rainha N. J/bmI 
Senhora, à hora deftinada trouxe o Conde de m^ív- 
Cafiei recado ao Embaixador , que fahiu do feu n 
quarto accompanhado de toda a fua família , & 
achou S. A. E. que o efperava na parte cuítuma- 
da,& dando-lhe fempre a mão direita , & a por- 
ta oconduííu à principal antecamera do Palá- 
cio , que eílava requiffimamente ornada , & ti- 
nha os retratos dos Príncipes da cafa Palatina, 
ckalliados delia, tendo entre todos o melhor 
lugar,& com íigularidade de ornato o de EIRei 
NoíTo Senhor,que S. A. E. havia mandado fafer 
por outro que o Conde Embaixador havia mã- 

G iij dado 



78 Embaixada do Excellent. Senhor 

dado fafer por outro que o Conde Embaixador 
havia levado. Eftava a Rainha NoíTa Senhora 
debaixo de hum grande,&: rico docel, & ao lado 
direito fora delle a Senhora Eleitrix , & Prínci- 
pes de ambos os fexos , & ao efquerdo a Cama- 
reira mòr,& aias das Princefas,Guarda maior, & 
damas. O Senhor Eleitor conduíiu o Embaixa- 
dor the a tarima , & beijando primeiro a mão à 
„ .. r Rainha NoíTa Senhora o Embaixador,fe feguiu 

Beija o Lm- \ <* a n 

baixara Sua A. E. a darlhe os parabes,cx moltrou querer 
vÍTJw* à tarnDem beijar a mão , o que Sua Majeflade não 
RambaN. confentiu , & fe feguiu a Senhora Eleitrix, & 
yeu/wa. ma j § p r i nc jp es a faíerem a mefma demonftra- 

Senhor cão ; depois delles fe feguiráo a beijar a mão à 

matormiof R a j n i ia NoíTa Senhora a Camareira mòr , & da- 

fajeVomef mas com a differença aos Portuguefes de não 

moobjtquio porem joelho no chão, o que fenão fas em A- 

vfiaàt. lcmanha nem ao Emperador ; a ellas le leguirao 

os Cavalheros Portuguefes ? gentishomés, &pa- 

^és;& de pois delles os Cavalheros da Corte, a 

que fuccederão os pagésdo Embaixador. 

Acabado o aóto deu o Senhor Eleitor a mão à 

Rainha N. Senhora 5 & lhe levou a cauda da vef- 

te a SereniíTima Princefa Dorothea,fua irmã , & 

o Embaixador deu também a mão à Senhora 

Eleitrix,& fe recolheu a Rainha NoíTa Senhora 

com todo o accompanhamento ao feu quarto, 

que era o mel hor adereífado de Palacio,& depo- 

Embãxa- is de eílar na fua ultima antecamera lhe deu o 

TatJaN Embaixador a jóia que Sua Majeflade havia mã- 

Stnboraem dado para efte eífeito,que atodos pareceu dig- 

f ?*""*- niffima da Real grandeía,& generofidade de 

B h EIRei 



Conde de Villàr maior, &c. 79 

EIRei NoíTo Senhor. A Rainha Nofia Senhora 
a recebeu com grande eíl:imação,& feito efle ac- 
to fe recolheu o Embaixador ao feu quarto, vin- 
do-o accompanhando S. A. E. athe o lugar cuí- 
tumado. Depois de breve efpaço mandou S. A. 
E. recado ao Conde para alliftir à Comedia pelo 
Conde de Caftel,& Gran Marichal , que erão os b *l x ° ad ™~ 
que fempre traíião eíles recados, accompanhan- ver a comt- 
dofempre toda a Corte ao Embaixador âcídc ^mZ*'' 
que fahia de feu quarto theque íe recolhia ou- neileajjuie. 
tra ves;ôc S. A. E. que o elperava em a parte cuf- 
tumadao conduíiu the o quarto da Rainha N. 
Senhora onde dando o Senhor Eleitor a mão a 
Sua Majeftade,& o Embaixador à Senhora Elei- 
trix, vierão the o lugar em q havia ver a Come- 
dia^ ue era huma tribuna em hum grande falão 
do Pí.ço onde fe res ó tablado , 6c tribunas para 
a Corte, 6c Cavalheros eftrangeiros. E porque 
o Embaixador havia declarado, que fenão havia 
fentarna mefma tribuna em que eíhveífe Sua 
Majeftade, fe fes nella huma divifaó , ficando a 
Rainha Noíía Senhora em huma parte com a 
Senhora Eleitrix fua mãe , & as Sereniílimas 
Princefas fuás irmãs,precedendo Sua Majeílade 
a todas , como fempre precedeu a feus pães de- 
pois de declarada Rainha , & na outra parte fi- 
cou o Embaixador fentado em huma cadeira de 
efpaldas à mão direita de S. A. E. Rcprefenu- 

A Comedia foi catada ao modo de Itália com X* 
muitas aparencias } em q fe oílenton tudo o q có- 
prehédem os limittes do eíplédor,& da magni- 
ficécia.Era o titulo da Comedia Ulyífeia,& o ar- 

G iiij gumento 



8o Embaixada do Excellent. Sfnhor 

gumento a fundação de Lisboa? em que a for- 
ni ufura da nympha Calypfo, & os aíFeclos de 
UlyíTes davão matéria ao poeta para allegorifar 
a acção prefente, concluindo fempre com faut 
tas acclamaçóes à felicidade deíle Real confor- 
cio;& como a Comedia era grande , & a muíica 
com que fe reprefentava a faíia maior occupou 
a fua reprefentação duas tardes 5 rematando-fe o 
Baiku Re- aclo com hum bailete,em que entrarão os Prin- 
aL cipes Varões mafcarados;& a Rainha N.Senho- 

ra ? Embaixadores mais Principes 5 fe recolherão 
pela mefma forma que havião vindo ; & depois 
do Embaixador eftar no feu quarto o vieráo vi- 
litar os Sereniílimos Príncipes Friderico 5 8c 
Philippe 5 & o Embaixador lhe foi logo pagar a 
viíita,& voltando para os feus appofentos o Có- 
de de Caílel 5 & o Gran Chanceler ( que erão os 
feus conferentes 5 como fica ditto ) lhe trouxe- 
rão a jóia que S. A. E. lhe mandou, que conftava 
de hum bofcte 3 dous veladorcs,íeis placas 5 hum 
candieirode defafeis caftiçaes, dous vafos para 
flores 5 ck tudo de prata branca lavrada com todo 
o primor da arte. 

Efta noute comeu Sua Majeílade privada- 
mente com feus pães , 6c o Embaixador em 
comine di. publico n o feu quarto com os Príncipes , man- 

wc nto do r -i „ r 

Embaixa- dando-ielne primeiro pergutar a que nora que- 
tuenJaUo rVà com er,a querefpondeu que à que quifeíTem 
decoro da Suas Al tefas?& ainda que repetidas veks fe oíFe- 
Majestade. receu ao Embaixador ? que comeífe na mefma 
mefa em que comia a Rainha Noílà Senhora 
inftando-felhe como argumento de queneíla 

ac- 



Conde de Villar maior, &c. 8i 

acção reprefentava a pefiba de EIRei NoíTo Se- 
nhor^ não quis fafer por lhe parecer que era af- 
lim mais conforme ao íeu reípeito. 

Quarta feira pela manhã não fáhiu o Embai- 
xador do feu quarto por não haver função que 
oobrigafleaiílojòcnellecomeu com os Prínci- 
pes como o dia de antes. Entre as cinco, & as féis 
da tarde veio o Sereniffimo Príncipe Carlos 
com toda a Corte bufcar o Embaixador ao &Uj£j 0( i ore . 
quarto para o conduíir à Cappella à celebração "fomento. 
do recebimento de Sua Majeítade,& fe orde- 
nou o accompanhamento na forma feguinte. 

Hiaó diante os lacaios da Corte,& de trás del- 
les os do Embaixador , feguiaó-fe os pagés de S. 
A. E. & a eíles os do Embaixador, logo os Cava- 
lheros da Corte,depois os gentishomens, & Ca- 
valheros da Embaixada, & em o ultimo lugar o 
Embaixador com o Príncipe Carlos que fos hi- 
ão cubertos. Neíle dia deu o Conde feguftda li- No f y a j^ è 

j k 1 ' íii i do Embai xa* 

bre aos lacaios que era de veludo verde guarne- dor, 
cida com dous paíTemanes largos de eíleira de 
prata,cV curo forrada de chamalote encarnado, 
meias de feda da meíma cor , chapeos guarneci- 
dos com renda de prata,& ouro por cairel , com 
plumas brancas, & encarnadas. Os pagés veíli- 
ão de tela verde com capa , & calções guarneci- 
dos de rendas largas de prata, & ouro,& as capas 
a três rendas, forra das de chamalote encarnado, 
jubóes de tela tão bem encarnada com guarni- 
ção das mefrras rendas,meias de feda da cor dos 
jubóes,& forro das capas ; chapeos guarnecidos 
de renda de prata,ôc ouro com coquetes de plu- 
mas 



82 Embaixada do Excellent. Senhor 

mas brancas 5 & encarnadas; luvas com rendas 
da meíma forte , & fitas encarnadas. OsCava- 
Jheros, Secretario ? & Gentilhomens deitarão 
novas galas? 6V mais ricas que as primeiras ; & o 
Embaixador foi vertido de capa pela gravidade 
do aclo da quelle dia? & fendo o veítido do mais 
rico brocado de ouro ? que tecerão os teares de 
^am^uow Paris,era cuberto de renda de ouro de ponto q 
^EmZÍÍcV C ^ am ^° de Heípanha? & todo o mais ornato 
dor. correfpondente a eíla riquefa?em quefobrefa- 
hião os diamantes? que guarnecião o peito?cha- 
peo?& fivelas dos fapatos ? que também erão ri- 
camente bordados. 

Da porta publica do Palácio para a da Capella> 
fe f es hú pafladiíTo pelo pateo cuberto por cima, 
& aberto pelos lados.Por elle fe feguiu o accópa- 
nhaméto, & no pateo eftava formado hú efqua- 
CapdhE- drão de Infantaria. A Capella?q he de boa capaci- 
l H(°idciÍ!r- dade?& exceli ente architecrura?eftaua armada de 
g«. ricos panos de Arras ? & fedas 5 & nella grade có- 

curfo de Príncipes eítrangeiros q eílavão a com- 
modados pelas tribunas? de que he cercada toda 
em roda?& concorrerão em todos os aclos ? co- 
mo tenho referido. Defronte do altar mor ef- 
tavão dous íitiacs de requifíimo brocado de ou- 
ro?hum para a Rainha NoíTa Senhora , & outro 
para o Embaixador, & da parte do Evangelho 
duas cadeiras de veludo encarnado com banco 
diante cuberto do mefmo. Na primeira fe fm- 
touoEmbaixador,& o Príncipe Carlos na fe- 
gunda?the que chegou Sua Majeílade, aquém 
foi bufcar toda a Corte de S. A. E. depois de 

dei- 



Conde de Vill ar maior, &c. 8 3 

deixar o Embaixador naCapella. Veio a Rai- 
nha NoíFa Senhora a companhada dos Cava- 
lheros da Corte,& Príncipes ; o Senhor Eleitor 
lhe deu a mão , & a Senhora Princefã Dorothea 
lhe traíia a cauda davefle. Tanto que íua Ma- 
jeítade entrou na Igreja fe levantou o Embai- 
xador^ a veio a companhar,&: tomando a Rai- 
nha Noíla Senhora o fitial da mão direita paf- 
fouparaodaefquerdao Embaixador , ficando 
o Senhor Eleitor , & a Senhora Eleitrix em os 
lugares onde havia eirado o Embaixador com o 
Príncipe Carlos, o qual com os mais Principes, 
8c Princefas todos tomarão lugar no outro lado 
íronteiro 5 eítando em pe,ou de joelhos, confor- 
me pedia a ceremonia da Igreja , porque depois 
que entrou fua Majeítade ninguém fe fentou. 
Sahiu logo da íancriília o Biípo Coadjutor do 
de Spira reveílido de Pontifical , a companhado 
de dofe pagés de S. A. E. com tochas , & entre- 
gando o Embaixador ao Bifpo a procuração 
que tinha de EIRei Noífo Senhor para aquelle 
a6to,fe celebrou com grande folemnidade, na 
forma definida pela Igreja Romana;& no fim 
delledeu três falvas a artilharia , &mofqueta- 
ria da praça,& fe recolheu Sua Majeítade ao feu 
quarto,dandolhe a mão o Senhor Eleitor, &à 
Senhora Eleitrix o Embaixador , que depois de 
beijar a mão a fua Majeítade na fua antecamera, 
& todos os Portuguefes,fe retirou aos appofen- 
tos,accompanhando-o o Senhor Eleitor na for- 
ma coftumada. As horas de ceiar veo o Conde %J*tf£' 
de Caítel.ôc o Gran Marichal dar recado ao Em- scnboraU 



84 Embaixada do Excellent. Senhor 

baixador l q o efperavaó os Príncipes para ceia- 
rem em huma antecamera contigua à em que 
ceiou a Rainha Noffa Senhora em publico para 
delia poder ouvir a muíica ; porque(como fica 
dito)o Embaixador naó quis comer na mefa de 
Sua Majeítade,nem na mefma cafa. Na rcieía da 
Rainha N. Senhora eílava Sua Majeftade íétada 
na cabeceira delia debaixo de docel,& o Senhor 
Eleitor , & a Senhora Eleitrix feus pães ao lado 
direito, Sc ao efquerdo as Sereniffimas Princefas 
Marianna,& Dorothea fuás irmãs. Na mefa do 
Embaixador efteve elle no topo , &c pelos lados 
fe feguião os Príncipes precedendoííè pelas ida- 
des, & em ultimo lugar o Conde de Martinis 
Enviado Extraordinário do Emperador;& ao 
Embaixador fe deu primeiro agoa às mãos,& os 
primeiros pratos,como fempre em todas as me- 
las ; & a cabada efta fe recolheu ao feu quarto a 
companhando-o os Príncipes , como coítuma- 
vão. 

Ne/te dia, 3c no feguinte em obfervancia do 
eírilo de Alemanha repartio o Embaixador ri- 
cas jóias pelas damas 5 & Cavalheros da Corte de 
S. A. E, & deu groíTas manchas a toda a família 
inferior correípondendo dignamente em todos 
aquelles lances a Real grandefa defuaMajeíta- 
de,& reputação de nome Português. E como 
a todos era notória a erudição do Embaixador, 
& o eftudo das boas letras, & igualmente fe ma- 
nifeftavaa fua munificência, naó houve enge- 
nho erudito no Palatinado,que ou na Latina,ou 
naTofcanaMufa náo cantaíle doutos Epitha- 

lamios 



Conde de Villar maior, &c. 85 

lamios a tão auguítas vodas; & que logo naõ ex- 
perimentaffemagenerofa liberalidade do Em- 
baixador. 

Aos três pela manhã mandou S. A.E. convi- 
dar ao Embaixador pelo Conde de Cairel para 
aíliíHr à Miffa cantada,que fe havia de difer em 
acção de graças pelo Calam en to de fuás Mzjet- gr c // as p!/a 
tades, & eíperando S. A.E. o Embaixador noí eUadua< da 
principio do leu quarto,o accompanhou athe o dcSimtM*- 
da Rainha Noíla Senhora , aonde ja eífava a Sef )&****• 
nhora Eleitrix , Ôc mais Princefas ,6c dando a 
mão S. A. E. a fua Majeltade,& o Embaixador à 
Senhora Eleitmvccompanhadosdetoda a Cor- 
te foraó para a tribuna da Capella, que na mef- 
ma forma da Comedia fe dividiu, ficando a Rai- 
nha NoíTa Senhora em o melhor lugar com a 
Senhora Eleitrix em huma parte,& o Embaixa- 
dor com o Senhor Eleitor em outra preceden- 
do também aS. A. E. & dando-felhe primeiro 
a pax, 6c incenfo. Acabada a Miífa , que fe ofi- 
ciou com grande folemnidade, fe recolheu Sua 
Majeítade ao feu quarto pela meíma forma que 
o dia antecedente,6c depois de ficar nclle veio 
S.A. E.accompanhando o Embaixador athe a 
parte coítumada , 6c à hora de jentar vierão os 
Principes comer có dle ao feu quarto, precedé- 
do o Embaixador em tudo como iépre;6c neíre 
dia 6c em os que fe feguirão comeo a Rainha N. 
Senhora privadamente com os Sereniílimos 
Principes feus pães. As quatro horas veio o 
Mordomo mòr difer ao Embaixador que S.A. 
E.efperava por elle para irem para a Comedia, 

H & 



86 Embaixada do Excellent. Sfnhor 

&c fahindo o Conde do feu quarto o veio but 
car S. A. E. à parte cofíumada, & conduíindo-o 
ao quarto da Rainha N. Senhora, & dando-lhe 
as enrradas , & a mão como em todas as mais oc- 
caíióes 5 obfervando-fe também uniformemen- 
te em todas ellas dar S. A. E. a mão à Rainha N. 
Senhora , & o Embaixador a Senhora Eleitrix; 
ck aílim forão para a tribuna , onde viraó a ulti- 
ma parte da Comedia 5 na meíma forma que a 
primeira. No fim delia houve hum bailete em 
que entrarão os três Príncipes & as três Prince- 
las 5 todos ricamente veiados em traje paftoril 
57^«/w<-femmafcara 3 & no fim do baile vierão beijara 
Tífeqmo mão a Sua Majeítadeemdemonítraçaóde que 
dos Sercnij- em feu obfequio fiferão o baile publico? & fe re- 
íyelÍÃat colheu a Rainha NoíTa Senhora para o feu quar- 
nha Nofia to na mefma forma que havia fahido delle , & o 
Embaixador como coíhimava para o feu; & às 
horas de ceiar fe mandou o Príncipe Carlos ef- 
eufar por ficar moleítado do baile, & vierão os 
Príncipes Friderico , & Philippe comer com o 
Embaixador. 

Em quatro de Julho pela manhã naó fahiu o 
Embaixador do íeu quarto,&: nelle comeu com 
TnnoEm. os Príncipes Friderico,&: Philippe,& às quatro 
baixaaorau-fa tarde o veio bufear o Príncipe Carlos com 
dtfcdiáa. toda a Corte condulindo-o ao quarto de S. A. E. 
que o efperava na parte cuftumada 5 & dando- 
lhe a mão direita,& entrada das portas the a ul- 
tima antecamera,& nella a melhor cadeira 3 co- 
mo fempre hauia feito em todas as outras occa- 
fióesjfes o Embaixador a cerem onia da deípedi- 

da? 



' Conde de Villar maior, &c. 87 

da,& S. A. E. tirou do dedo hum annel de hum 
diamãte grade, & o deu ao Embaixador,difédo- 
Ihe o f aíia,para q cóíervaíTe a ília memoria,repe- 
tindoas exprefsóes de eítimaçaó,&afrabilidade 
com que fempre tratou o Embaixador ; ao que 
o Conde refpondeu com o refpeito devido,pro- 
teftando que o feu obfequio , & a fua memoria 
feria eterna , ainda íem lhe fer neceífario que a- 
quelle íinal lha defpertaíTe,mais que para acref- 
centar o reconhecimento das fuás obrigações. 

Finda efta audiência , veio o Senhor Eleitor 
conduíindooCondeathe a antecamera da Se- 
nhora Eleitrix,onde eftavão também as Senho- 
ras Princefas Marianna,& Dorothea, &: não fua 
Majeftadepor fer aífim precifo, para que o Em- 
baixador podeífe lograr neíla occaíião as honras 
do feu caracter. A Senhora Eleitrix, & Prince- 
fas fahirão a fegunda antecamera a receber o 
Embaixador na forma da primeira audiência da 
entrada, &z ao aííentar-fe nas cadeiras ficou a Se- 
nhora Eleitrix,& Prineeías em húas das fileiras, 
&: o Embaixador na primeira da outra fileira, fe- 
guindo-fe a elle S. A. E. na fegunda. Depois de- 
feito o comprimento fahiu a Senhora Eleitrix, 
& mais Princefas à antecamera de fora , & S. A. 
E.veio a companhando o Embaixador the a ul- 
tima efcada defcuberta , que fahe ao ultimo pa- 
teo do Palacio,& defcendo algús degraos delia 
fedefpediu do Conde, efperando que elle en- 
tra/Te no coche,& os dous Príncipes Friderico, 
& Phihppe chegarão the o eílribo , & não fe re- 
colherão fenão depois de andar o coche,no qual 

H ij entrou 



88 Embaixada do Excellent. Senhor 

jv* o £?» entrou o Conde primeiro 5 & fe fentou na ca- 
b t£uZt à ^ e ^ ra ^ e detràs 5 & o Príncipe Carlos tomou a de 
firma em diante,8c fe feguiu o acompanhamento,6c tudo 
íZhldo,& na mefma forma que na entrada? 6c quando o 
tratuttode Embaixador houve de paííar ao feu coche, que 
y a a s s / foihumefpaço largo fora da Cidade, fe apeou 
também o Principe Carlos , & depois de recí- 
procos comprimentos entrou o Embaixador 
primeiro em o feu coche que o Principe fe re- 
colheíTe ao feu, andando primeiro o coche do 
Embaixador que o de S. A. 
Checa à Ma- Tanto q o Códe aviltou a praça de Manheim, 
f qul forte he comeíTarão as falvas da artilheria,q foraó três ge- 
recebtdo na rães,& détro na praça, & Cidadella o efperava a 
fraca infãtariaformada,&: o Governador fora das por- 
tas,onde por fer ja noute eítavão féis pagés de S. 
A. E. com tochas,que accópanharão o Conde às 
eítribeiras the as cafas de S. A.E. que lheefta- 
vão perparadas de fronte do Paço,& o Gover- 
nador lhe veio tomar o nome à noute; & ali foi 
fervido por ordem do Senhor Eleitor com o 
mefmo efplendor , òk ceremonia, que em Hei- 
delberga, íeis dias que ali fe deteve. 
nhTNtfT Ao feguinte q foi aos cinco de Julho pelas fe- 
Seuborafa- te horas da tarde chegou a Rainha noílaSenhora 
'im.íían' * quella praça,não incógnita com o ao principio 
que forma. f e entedia ,mas em publico,para qaííim fe viíTe 
melhoro decoro coque Suas Altefas Eleitora- 
es trattavão a Sua Majeftade , que vinha em hum 
coche na cadeira de detrás fomente, & na de di- 
ante os Sereniííimos Príncipes feus pães. Dian- 
te vinhão duas tropas de dragões a que fe fegui- 

ao 



Conde de Villar maior, &c 89 

ão quatorfe carroflàs deS. Á. E. tiradas todas 
de íeis fer moios cavallos cada huma, & occuoa- 
das de lufida nobrefa, tendo vindo na mefma 
tarde muitas outras carroflàs com a recamem 
de fua Majeítade,&: de Suas Alteias. 

A artilharia , & mofquetaria da praça falvou 
três vefes Sua Majeílade ao entrar nella. Ao ou- 
tro dia fe f es a fefta dos fogos,que pelo cuflo , &■ ^TfmMa 
artificio com que fe obravão moítraráo bem a nheim - 
magnificência de feu dono,& pelo bom íuccef- 
fo com que arderão , alegrarão toda a Corte. 
Os três dias intremetidos athe o de des em que 
Sua Majeílade partiu da quella praça fe gaitarão 
em difpofiçóes para a jornada. Chegado o dia 
fahiuoConde Embaixador dos feus appofen- y^,^,». 
tos com todo o trem de carroflàs, & cavallos , & fixadora 
ria mefma forma 5 em que havia commefíado a&XV. 
marchar de Lan demburg para Heidelberg. Na s ' 



nb 



oran» 



praça enfr enredo Paço eilavão formados dous Íwq U /\ 
terços de Infantaria muito lufidos , & ao entrar 
acarroífado Embaixador pelo efpaço que fica- 
va livre entre a vantgnarda dos terços,&cPa- 
ço,lhe fiferão os Cabos tod^s as corteíias que in- 
ventou a difciplina militar. Q Conde, &: todo 
o íeu fequito fe encaminhou para a margem do 
Rhim , que fica em breve efpaço fora dos mu- 
ros da Cidadella,& ahi eítaváo os bergantis para chega?™ 
a embarcação, & a peandofle ali o Embaixador \M«)tftade 

1 r • • r t rc a ° 'uígt dã 

com toda a lua comitiva, elperou que cnegaíle embarcais. 
Sua Majeílade que naó tardou muito , & veio 
com hum grande,ôclufidocortejo,em hum ri- 
co coche com fuás Alteias Eleitoraes feus pães 

H iij na 



9<3 Embaixada do Excellent. Senhor 

na mefrria fbrte,que viera de Heidelberga, 

AoapearfeSua Majeftade chegou o Embaí-» 
xador,ôk dando Sua Altefa Eleitoral a mão à 
Rainha NoíTa Senhora a deu o Conde à Senho- 
B 7 g iihu ra Eleitrix. Nefta forma entrarão no bergan- 
jej/ade. *' tim que eftaua prevenido para Sua Majeftade,& 
era de Sua Altefa Eleitoral de Moguncia, com. 
tão cómodos agafalhos que tinha duas cam eras 
Embarca-fe grandes que eftavão ricamente ornadas. Aqui fe 
p^f^ defpediu Sua Majeftade dos Sereniffimos Prin- 
defpedejse cipes feus pães , & irmãos , havendo de am bas as 
í^wíl partes tão affeâuofas demonftraçóes deternu- 
upesfeus ra , que não houve quem fenão enterneceífe, 
* a "' porque calando a boca è fò falou o coração pelos 
olhos; mas confolava de alguma forte efta pena 
aSuaMejeftade,o levar ainda em fua compa* 
fitnl r 4ní nn * a a Sereniffima Princefa Marianna fua irmã, 
céfaMari- que obrigada do particular affeéto com quea- 
a p Zlaa Ôm ' ma a Sua Majeftade aquis accompanhar athe 
Rainha n. Duífeldorp.No bergantim ficarão com fua Ma- 
% n upt£l jeftade alem da Sereniffima Princefa a Condef- 
fade Vviefel , que ferviu a Sua Majeftade de 
Rainha n. Camareira mor athe Holanda,donde fenão at- 
Senhora, treveu apaílar pelo receio da navegação ; a Con- 
deílà de GraveneK , q ferviu de Guarda maior, 
& de Holanda athe efta Corte f es officio de Ca- 
mareira mor ; &: as Baroneías de de Speth,& 
Rhits todas de illuftre nobrefa de Alemanha,6c 
asduasBaronefasvinhão por damas da Rainha 
Noíla Sen hora, & accommodavão-fe também 
no mefmo bergantim Real algumas moíTas da 
Camera;&aoutra família femenil inferior do 

fervi- 



Conde de Vill ar maior, &c. 9 1 

ferviçode Sua Majeítadefe embarcou em ou- 
tros bergantis. Vinha també fer vindo a Sua Ma- 
jeítade por ordé de S. A. E. o Códe de Caíiel leu 
Mordomo mor ? os Barões de Creu ter >& No- 
vel li gentil homens da Camera de S. A. E? 5c 
quatro pagés também do Senhor Eleitor ? que 
tem o foro ? 5c qualidade correlpondente a de 
moflosridalgos,comtodaa mais família inferi- 
or ? que fe dividiu por vários bergantis. O do 
Embaixador era do Eleitor de Treveres? tam- 
bém muito capas? 5c ornado? 5c todos juntos 
com os barcosjque traíiáo a recamera fafião nu- 
mero de trinta,5c cinco,5c reprefentavão huma 
forma de armada naval?levando os bergantis , 5c 
barcos do Embaixador as armas Reaes deite 
Reino arvoradas ; 5c feguramente fe pode affir- 
mar?que foi a primeira ves que as virão tremo- 
lar as agoas do celebrado Rhim ? 5c não forão 
mais veneradas ? 5c applaudidas das auríferas do 
Tejo,como a baixo fe verá em a narração da via- 
gem deite Rio the Roterdam. 

Accompanhavão também a Rainha Noíía 
Senhora por fafer obfequio a Sua Majeítade ? & 
ao Sereaiílimo Senhor Eleitor feu pae,o Conde 
de Hohenloe primogénito do Conde de Ho- 
henloe Luis Guítavo Conde do Império ? gen- 
tilhomem da Camera do Emperador? 5c feu 
Embaixador ao Circulo de Franconia ; da illut 
tre?5c antiga nobrefa de Alemanha; fendo certo 
que paíía de outo centos annos?que feus proge- 
nitores erão Vigários do Império em Itália? ou 
Vice-Emperadores ? & tem travafsões antigas?ôc 

H iiij mo- 



93 ExMeaixada do Excellent. Sfnhor 

modernas com as mais illuftres cafas de Alema- 
nha. O oxemplo do Conde de Hohenloe fe- 
guiu também o Barão de SeKÍng fobrinho do 
Eleitorde funto de Treveres 3 illuílre não fò 
por eíia prerogativa , mas também pelas de feu 
eíclarecido naicimento.- 
Tartea Logo que Suas Altefas fahirão do bergantim 

Rainha n. Real ? fe defaf errou , & comeflbu a artilharia da 

Senhora áe N *V - 

Manbàm. pfcaçà atroar os ares com cargas tao continuas, 
que paredão huma fucceíliva , accompanhan- 
doas as das tropas de dragões ? & guarda de 
corpus 3 que eftavão formadas na margem do Rio 
em que também havia muita artilheria pofta na 
quella occafião para ajudar a da praça , fendo 
que eila era tanta , & tal , que por íi fò baftava a 
fafer turbar o Rhim, ck eítremecer a campa- 
nha. .Defta forte fe foi alargando obergantim 
de Sua Majeítade,feguido dos mais > & perden- 
do brevemente a vilta da quella Cidade, jade 
c^ega a jjoute chegou à Cidade de Vormes, ou Vorma- 
cia íituada na margem efquerda do Rhim , en- 
tre Spira,& Moguncia 3 & trcs legoas diílante de 
Sitio dcjja Manheim. He Cidade Imperial? & cabefla de 
aáade. Bifpado , hum dos mais antigos de toda A lema- 
D .„ Ãm nha. O feu Bifpo he Príncipe do Império ,& 
Vermes, amaa que as rendas nao lao m uito grandes 5 nao 
deixa de ter grande reputação ? & ordinariamen- 
te paílà aos Eleitorados. O prefente heFran- 
cifco EmeriKo Gafpar da illuftre 5 & antiga fa- 
Mandâhum rmlia de Valtpot deBaíTenheim , que logo em 
l7nd U eros% Sua Majeílade apportando mandou o Capitu- 
*s rifemos lar de maior aucloridade a f aferi he as exprefsó- 

afuaMagef L 

tade. ■ €$ 



Conde de Villàr maior, &c. 95 

es do feu refpeito. O Conde de Caftel com os 
Cavalheros Alemães , &: Portuguefes o con- 
duíiráodafaluaem que veio,the a primeira ca- 
mera do bergantim Real em que Sua Majeftade 
lhe falou aííiftida da Camareira mor,Guarda ma- 
ior,ôc Damasjôc do Códe Embaixador, que não 
íahiu da Camera, & aquém o Cónego fes també 
comprimento da parte do Príncipe; & efta foi a Forma tm 
forma que fe obfervou em todas as occaíióes fe- <&< be , «*. 
melhantes que fe offereceráo n efta j ornada do bt °' 
Rhinvaílirn pelo que toca à condução, como às 
audiências de Sua Majeftade , não fe obrando 
nunqua coufa aílim nellas como em tudo o ma- 
is,fem approvaçáo , & confelho do Conde Em- J £ e "$* m 
baixador.Porque ainda que a Rainha NoíTa Se- nhorEMur 
nhora vinha fervida por parte do Senhor Elei-J^^ 
tor feu pae pelos Cavalheros , que temos referi- tros queu- 
do,ordenou S. A. E. ao Conde de Caftel, aquém "conTeEm- 
pertencia a difpofiçãodo ferviço de Sua Majef- *«****■. 
tade, direção da família Alemã, & defpefas da 
jornada , que em tudo o que fe ofTereceífe fou- 
beíle primeiro o parecer,& vontade do Embai- 
xador^ o executaífe inviolavelmente,& efta 
ordem dice S. A. E. ao Embaixador repetidas 
vefes-,q dava aos feus creados , & q lhe entrega- 
va a Rainha NoíTa Senhora fua filha para a fer- 
vir com a fidelidade, zelo , & cuidado, com que 
lhe tinha vifto , que fabia fervir a EIRei feu Se- 
nhor. 

Paliada efta noute, que foi nos bergantis , 6c 
barcos fem fahir em terra como fe fes em toda 
a viagem deite rio excepto em Dufleldorp , era 

que 



• • 



94 Embaixada do Excellent. Senhor 

que fua Majeftade defembarcou,pela manhã ce-i 
do partiu Sua Majeftade aviltando vários luga- 
rc. c ? 6c Villas de huma 5 & outra parte do rio , das 
quaesade maior coníideração he a de Gppe- 
nheim pertencente ao Palatinado , & ao paílar a 
Rainha Nofía Senhora deu grandes falvas de 
moíquetaria,& artilheria-a que também ajudou 
huma tropa de dragões de S. A. E. que accom- 
panhava a Sua Majeftade deíde Manheim athe 
qui pela margem do rio. Pelas fete horas da tar- 
de chegou Sua Majeftade a Moguncia. 
Mogumia. jj Q Moguncia^a que os Fran ceies chamão 
Maiança 5 & os Alemães Ments, Cidade grande? 
& populofa. Pela banda de terra eftà fortifica- 
da ao moderno ? & pela do rio tem muros anti- 
gos com torreões 5 & por toda a parte bem pro- 
vida de artilheria; tem huma ponte de barcos 
fobre o Rhim 3 que fe engroíTa aqui com as agoas 
que recebe do rio Meno ? que deíemboca nelle 
de fronte da Cidade. He cabeça do Arcebifpa- 
FJatorât çj ^ Eleitorado do feu nome que hoje oceupa 
jttasprero^a. Amelmo Jbridenco rranciico da eíclarecida 
profapia de íngelheim,que he pela qualidade 
de Eleitor annexa infeperavelmente à de Arce- 
biípo da quella Cathedral? Decano do Collegio 
Eleitoroalj & lhe compete convocar os Coelei- 
teres na vacância do Império , & prefidir nas 
Dietasjou Cortes Imperiaes , com muitas outras 
prerogativas. O Senhorio deite Príncipe foi an- 
tigamente mui eftendido >, porque comprehen- 
dia aTuringia , que hoje poíTue a cafa de Saxo- 
nia,& a Haííia , que he das Lants graves 5 dada 
í. huma 5 



■ 



tivas 



Cidade. 



Conde de Villar maior, &c. §5 

huma, & outra provinda em feudo àquelles 
Príncipes pelos Arcebiípos; mas ainda agora có- 
ferva hum eítado muito coníideravel. Não af- jj, - f<> 
íiília neíle tempo o Eleitor na Cidade, mas o fõescomquc 
Governador delia ufou com Sua Majeítade to^títeL 
dos os termos do maior refpeito , & veneração, bieia à <ft<* 
fendo-lhe aííim ordenado pelo Príncipe feu' 
amo; porque tanto que o bargantim Real che- 
gou defronte da Cidade o falvou três veks com 
toda a artilharia da praça có bala, & a Infantaria 
com os mofquetes,eítando pofta em ala na mar- 
gem do rio. Era infinito o povo que concorreu 
à praia a ver,& grande a alegria que todos mof- 
travão nos femblantes; o que le experimentou 
em todos os povos deite rio , parecendo verda- 
deiramente que mais veneraváo huma Prince- 
fa própria, que hum a Rainha eítranha. Apor- 
tou o bargantim hum pouco abaixo da Cidade, 
como fe fes fempre nefta viagem, por não obri- 
gar as Cidades,ou villas onde fe parava , que pe- 
la manhã ao partir fifeífem outras falvas. Veio 
Logo o Deam com outra dignidade da quella 
Cathedral vifitar a Sua Majeítade da parte do 
Arcebifpo Eleitor,& fendo recebidos na forma 
que fe havia ufado com o Capitular de Vormes 
flferão a Sua Majeítade as reprefen tacões de ma- 
ior obfequio,& veneração do Príncipe feu amo 
para com a íua Real peííoa. 

Vierão também duas companhias de Infan- 
taria para faferem guarda aquella noute em a 
praia,&arTaftarem agente que tumultuariamé- 
te concorria , & o Embaixador gratificou com 

larga 



96 Embaixada do Excellent. Senhor 

larga mão aos Capitães,Ôc Soldados o trabalho da 
fcntinella. 

Aos dofe pela manhã parlou Sua Majeftade à 
viíta das Villas de Elf Valuf Eixtreim Vin- 
que], & Rheidefum,que todas celebrarão a paf- 
íagem da Rainha Norlà Senhora com falvasde 
mofquetaria,& alguma artilheria , excedendoas 
_,. _ neíta demonftração a Cidade deBinç, que he 

Bin**J pua , „, . 1 a yr -o 1 i to ^ 1 

torr %. go Eleitor de Moguncia , & conhecida por hu- 
ma torre que tem dentro do rio a que os Ale- 
niáesjvulgarmentechamão aTorre dos ratos por 
elles haverem comido nella , fegundo he tradi- 
ção,ahum Arcebifpo de Moguncia , que guar- 
dava o trigo para augmentar os ganhos, quando 
perecião os pobres por falta de luftento- Junto 
a eira Cidade ha hum paíTo algum tanto perigo- 
fo por caufa de hús penedos que tem o rio, mas 
paífou-íefem dano algum, nem ameaíTo delle 
pelas três da tarde,& pouco depois pela Villa de 
Bacharach que he do Senhor Eleitor,& celebre 
entre os Alemães pelos generofos vinhos que 
prodiísjcom que mereceu que os Romanos eri- 
giífem nella huma ara ao Deos Baccho , de que 
coníerva ainda o nome, & os viítígios. Fcs Sua 
Majeftade noute mais abaixo deita Villa em 
hum lugar pequeno chamado Sangueber, on- 
de veio huma companhia de Infantaria de S. A. 

£ 

E. a fafer fcntinella. 

Ao Domingo trefe do fobredito partiu Sua 
Majeftade do lugar referido , & a pouco eípaço 
le aviltou a Villa de BrubaK , que fica ao pè de 
humarocha,&dehum .Caftello que nella eítà 

fun- 



Báiharach, 



Conde de Villar maior, &c. W 

fundado de fabrica antiga? & mais abaixo a Vil- 
la de Lonfteim , que he do Eleitorado de Mo- 
guncia,& pelas nove horas a Cidade de Conflu- r « u „ uia 
encia , ou como os AJemaes lhe chamao Co- 
blans; he povoação nobre,& luíida pelo nume- 
ro dos habitadores , & efplendor dos edifícios; 
o feu íitio he onde fe miítura o Mofella com o 
Rhim, tomando o nome do ajuntamento das 
agoas deftes dous rios. Pela parte do Rhim tem 
muro de fabrica antiga;pela da terra, & Mofella 
fortificação moderna, & fobre eíte rio huma 
fermofa ponte de cantaria ; na parte fronteira 
da Cidade para a banda de Alemanha eítà hum 
Caftello chamado Hermanfteim,quepelo íitio, Hermanjte* 
6c fortificação parece inexpugnável , & he re- m c °' 
putado por hum as das melhores fortalefas de 
Alemanha ;& ao pè delleeítãhum viftofo ,& 
Magnifico Palácio de obra moderna, em que 
coitumarefidiro Arcebifpo Eleitor deTreve- 
res de quem he a Cidade de Confluência , & o 
território viíinho,que fe eítende pela ribeira de 
MoíTella the Treveres Cidade Capital da quelle 
Arcebifpado,cVEleitorado. IntitulaíTe efte Pre- 
lado Gram Chanceler do Império em França, Eleitor de 
& no Reino de Arles,q era de Borgonha. Cope- &j™ r A'; 9 
telhe o primeiro voto nas eleições dos Empe- hcmincna- 
radores,& nos accompanhamentos públicos'' 
vai junto immediatamente à peífoa doCefar. 
Eílas prerogativas logra hoje João Hugo, do il- 
luftre fangue da cafa de OrsberK no Ducado de 
Juliers,que he também Bifpo de Spira, &c Preíi- 
dente da camera Imperial da quella Cidade. 

I Ao 



98 Embaixada doExcellent. Senhor 

Ao pairar S. Majeftade por Cófluécia lhe fes af- 
íim a Cidade como a fortalefa de Hermaníleim 
repetidas falvas de artilharia com bala ; ck íup- 
Enviado d* poifo que aquelle Principe íenão achava ali 5 vie- 
EUitor de r ão Wo de ordem fua viíitar a Rainha Noíla 
farávijit&r Senhora>o Bi fpo Coadjutor deS. A. E. 5 o Barão 
a J*V tt í 3a de Kelfeftat feu fobrinho, que accompanhou a 
nhorl l ' Sua Majeftade athe Rotercfam,ck o feu Graa 
Maricha^òk depois de falarem a Sua Majeftade, 
Keif'/Ufo .&reprefentaremosobfequiosde feu amo fife- 
^•/'«^^^-rlotambemviíita ao Embaixador da parte de 
fanbaSua S. A. De tarde fe aviftou a vil la de Andrcnac 
Aiayjiade g ue fc Q ^o £l e itor de Colónia ; tem fortificação 
*afc:{ antiga^ck falvou a Sua Majeftade com a artilha- 
ria ? òk fe fes alto mais abaixo à vifta da mefma 
vil la. 

Aos quatorfe paífou S. Majeftade por Zand- 
fcorf povoação pequena do Eleitor de Treve- 
res,ck logo pelas Vil las de Arniefteim 5 Rheim- 
bruc , ck Lints , que he do de Colónia 5 ck todas 
ainda que fem fortificação feftejaraó a Rainha 
N. Senhora com falvas de moíquetaria. Pou- 
co depois aviftou a Cidade de Bonna 5 que he 
Corte do Eleitor de Colónia , òk tem muita fe- 
melhança com Confluência 5 aílim em o recin- 
cto do terreno 5 numero dos moradores 5 òk ef 
píendor dos edifícios, como na fortificação que 
he também moderna pela parte da terra > ôc an- 
tiga pela do rio. Eftà na margem ulterior, 
fronteira à Cidade hum Palácio , em que cuftu- 
ma refidir aquelle Principe , ck no rochedo que 
lhe fica emminente hum bom Caftello provi- 
do 



Boima. 



Conde de Villàr maior, &c. ^ 

dodemuitaartilheria 5 &aíTim eíla, como a da 
Cidade falvou com bala a Sua Majeítadeao paf- 
far,ajudando também a mofquetaria efte fcííivo 
eílrondo,pondo-feem alana praia algúas com- 
panhias para eíTe effeito;& íe fes noute hum 
pouco mais abaixo deita Cidade. 

Ao dia feguinte pelas nove horas de manha 
aviílouSuaMajeítadea Cidade de Colónia que . . . , 

r . J ~ ri* Colónia de 

lendo tantas as que os Romanos rundarao , me- AgTipm. 
receu pela fua grandefa confervar aquelleno- 
me,como por a ntonomafia. He Cidade livre 
Imperial 5 & nella não tem o Eleitor outra ju- 
rifdição mais que a Ecclefiaítica 5 fuíl:entando 
os moradores eíla liberdade com grande refolu- 
ção contra o empenho , & poder dealgús Arce- 
bifpos que pertenderão com armas dominala. 

O povo he numerofo 3 os edifícios nobres, 
principalmente os templos > entre os quaes ex- 
cede com fuperior ventajem a Igreja Cathe- 
dral , que he de infigne eírruélura , & grandefa. 
Nella, & nas mais feguardão tantas relíquias fa- 
gradas, que chamão os Alemães a eíla Cidade 
a Roma de Alemanha. Não he confideravel pe- 
la fua fortificação , & por iíTo eftà expoíta à âe£- 
crição das armas Francefas. Occupa hoje eíte Eleitora 
Arcebifpado Eleitoral o Sereniífimo Principe Col6nÍA - 
Maximiliano Henrique filho de Alberto Du- 
que de Baviera,& de Mechtilde Landsgravia de 
Leucbtenberg , intitulaffe Gran Chanceler do 
Império em Itália; St he também Bifpo de Hel- 
desheim,& de Liege,Duque de Vveirfalia , An- 
garia ? & Bulhon. Tanto mje o bargantim da 

Iij Rainha 



ae. 



ioo Embaixada r>o Excellent. Senhor 

jfffhufos, Rainha Noffa Senhora cómeflbu a aviftar os 
%m J quehe S muros da quella grande Cidade, ccmeílou ella 
recebtdaa também a ferir os ares com poderofa artilheria* 
feítorí cu j° eílrepito fe alternava com outro das falvas 
àefia Liga- da mofquetaria , que davão as milícias que efta- 
vão formadas na praia. A gente que conduíida 
da curioíidade > &: do goíto havia concurrido a 
ver , era infinita? & não cabendo nas margés do 
rio havia occupado muitas embarcações para 
lograrem de mais perto a viíla que defejavão. 
Logo veio o Regimento da Cidade faíer à Rai- 
nha Noíla Senhora o devido obfequio , ofrere- 
cendo também hum regalo a Sua Majeftade em 
reconhecimento da fu a veneração, &c otraíião 
grande numero de Officiaes do Senado com fu- 
ás iníignias,que faíião hum apparato muito dig- 
no da grandefa daquella Cidade. Depois de ha- 
verem reprefentado a Sua Majeftade os feus ob- 
fequios vierão ao bargantim do Embaixador a 
fafer lhe também comprimento da parte da Ci- 
dade, & elle os recebeu com agrado,nmda que 
fem declaração de trattamento pelo premittir 
aílimo lugar. 

Efte dia fes Sua Majeftade noute abaixo da 
Vil la de Suns, que he povoação pequena, onde 
fe deteve athe as duas horas da tarde do dia fe- 
guinte,em que partiu para Duífeldorp Corte 
do Sereniffimo Príncipe Eleitoral João Gui- 
lhelmo , irmão mais velho da Rainha Noíla Se- 
nhora, que fe intitula Duque de Juliers. He 
Duííeldorp Metropoli do Ducado de Mons,ou 
Berges , 6c huma das Cidades que mais ornão a 

mar- 



'Duflddorp. 



mao. 



Conde de Víllar maior, &c ioi 

margem ulterior do Rhim, pelo feu íitio, forti- 
ficação,&: efplendor. Antes de chegar a ella em 
diftancia de meia legoa eftaváo armadas junto à 
margem do rio três tendas de campanha,ôc fen- qiefembar* 
do todas muito magnificas,a do meio fe avãteja- f 4 f «f Ma - 

r \ 1 o i i Jtjiade em 

va lupenormente as duas, & era de cor verde ■Dufjekorp, 
com huma efpaçofa teia da meíma cor. De hum & P°™P acS 
lado deftas tendas the aborda dagoa fe eftendia o.-àape/o 
huma luíidiffima tropa demais de Cem cavai- ^ erem J^ no 

r Duque de 

los , que era das guardas de S. A, & eírava toda íuhersjeu 
veílidade efcarlata com as armas daSereniíhV" 
ma cafa Palatina bordadas nas coitas. Do outro 
lado que era mais propinquo a DuíTeldorp efta- 
vão também em fileira mais de quarenta carrof- 
fastodasa íeis cavallos. Chegado o bargantim 
de Sua Majeftade defronte do efpaço que ficava 
entre eftas duas alas de Cavallaria , ÔccarroíTas, 
aílím como foi chegando a huma ponte de ma- 
deira que ali eftava fabricada para a defembarca- 
ção , abalou da tenda verdeonde eftava? o Sere- 
niffimo Príncipe Eleitoral com a Sereniffima 
Archiduquefa lua mulher, ôc com feus irmãos 
os Príncipes Franciíco Bifpo de Braslavia, de 
Governador de Sileíia, & Alexandre Bifpo Co- 
adjutor ,& fueceífor do deAugufta.&vinháo 
accompanhados de grande numero de Nobrefa 
entre Cavalheros,& Damas,todos com requiíli- 
mas galas. A Rainha Noíla Senhora fahiu da 
Camera do feu bargantim a tempo que encon- 
trou ja no bordo a Suas Altefas,onde com fum- 
ma alegria,& ternura fe faudarão moftrando to- 
dos alíim os Principes,como Cavalheros,& Da- 

I iij mas 



io2 Embaixada do Excellent. Senhor 



O Conde de Caílel deu neíla occafrão o bra- 



mas da Corte o íingular obfequio com que reC 
pcit avão a Sua Majeílade. 

Cafti l tià o 

%7°h n Ç° ' à R amna Noíía Sen hora,porque como a Se- 
Sc«hora,& renifiima Archiduqucfa a não coílumavão le- 
pc> que um- var fe braço lenão o leu Mordomo mor foi eííà 
a caufa porque o Sereniílimo Príncipe Eleito- 
ral não deu a mão a Sua Majeílade, & íubílituiu 
eíte lugar o Conde de Caílel, & não o Embai- 
xador ;attendendo-fe a que fe o Embaixador 
deííeobraço a Sua Majeílade, & o Mordomo 
mor a Sua Alteía,irião os Príncipes cubertos, 
éVelle não; o que feria em diminuição do feu 
caraéter. Defembarcou a Rainha Noílà Sen ho- 
ra, & fe feguiu o caminho das tendas que era 
breve,indo diante todaaCorte,&logoosSere- 
niffimos Príncipes cubertos, & a mão direita do 
Príncipe Eleitoral o Embaixador também cu- 
berto; Sua Majeílade hia a mão direita da Sere- 
niffima Archiduqucfa, & a Sereniííima Prin- 
cefa Marianna à efquerda ; 6c eíla foi a forma 
que fe obfervou em todas as occaíiócs que 
concorrerão eílas Sereniílimas Princefas. Re- 
colhida Sua Majeílade , & Suas Altefas à ten- 
da em breve elpaço fe pos em ordem o ac- 
^Jccompa- companhamento. Hião diante os Coches dos 
"que?™ Ma. Cavai her os da Corte, ôc logo os deSuaAltefa 
\ e Jt? de /fra cm que entrarão os Fidalgos, & Gentilhomés 
<Dtí/Mdorf. Portuguefes com os Alemães,& entre eftas car- 
roílàs hião também Cavalheros da Corte a ca- 
vallo, & vinte,& quatro cavailos de mão de Sua 
Altefa ricamente ajaefados. Os Príncipes mó- 

tarão 



Conde de Villar maior, &c. 103 

tarão em huma carroíTa , montando primeiro o 
Embaixador ? que ficou na cadeira de detrás à 
mão direita do Sereniílimo Príncipe Eleitoral? 
& a outra cadeira occupavão os Sereniííimos 
Príncipes Francifco,& Alexandre. A cite coche 
fe feguia o da Sereniííima Archiduquefa , em 
que competia a arte com ariqueía. A Rainha 
N. Senhora ficou na melhor cadeira,& lugar có 
a Senhora Archiduqueía,& a Sereniííima Prin- 
cefa Marianna na cadeira de diante. Scguião-le 
logo à carroíTa Real as guardas de corpus de S. A. 
& no fim delias os coches das Damas,forman- 
do tudo hum viftofo, & magnifico apparato. 

Chegando à diífancia proporcionada , co- 
meííou a Cidade a diíparar a artilheria , que 
deu três falvas gerães , & eírava a Infantaria das 
milícias da terra em duas alas the a porta da Ci- 
dade, & dali atheo Palácio continuava a Infan- 
taria paga ? & em duas praças por onde paliou o 
accompanhamento , havia dous efquadróes da 
mefma,que todos fiferão falvas, & entrando no 
Palácio fe apearão os Sereniííimos Príncipes em 
o ultimo pateo,& fe feguiu o accompan hamen- 
to na mefma forma,hindo fépre o Embaixador 
cuberto à mão direita do Príncipe Eleitoral , & 
tomando fempre as entradas das portas, & à 
Rainha Noíía Senhora precedendo em tudo a 
Senhora Archiduquefa , & ella à Sereniííima 
Princefa Marianna , ck todos juntos forãoac- 
companhando a Sua Majeítade the o quarto, 
que fe lhe tinha deíf inado,que eftava magnifica- 
mente adornado. E depois de Sua Majeítade fi- 

I iiij car 



io4 Embaixada do Excellent. Spnhor 

Cone/ias a car nos feus appofentos > condufiu o Sereniffi-; 
uJooEm- mo P rmc ip e Eleitoral ao Embaixador à ante-. 
baixddordo camera do leu quarto 5 dando-lhe fempre as en- 
4rinctç™E- twdas 5 & na caía a melhor cadeira. 
leitcrat <Du- Q Embaixador fes a S. A.da parte de S.Majeíla- 

qucdehdi- 1 r ' " ■ > r* ' c * 

\ n% de as expreisoes covementes a occaíiao?q torao 

refpondidas do Príncipe com iguaes termos* 
encarecendo o muito que eftimava a honra 5 que 
lhe reíultava de que hum Monarca tam pode- 
rofo 5 & tam remoto 5 como EÍRei Noílo Se- 
nhor íe quifeíle apparentar na fua caía; que fen- 
tia que a Auguftilíima Rainha fua irmã não pu- 
deílè fer fervida com o eíplendor,que fe lhe de- 
via 5 & elle deiejara; acrefcentando a grande efti- 
mação que fafia do caracter ,&: peílòa do J±m- 
baixador. Accabado o comprimento veio Sua 
A. a companhando o Embaixador the a antcca- 
mera de bum quarto , que fe lhe tinha prepara- 
do, dando-felhe dous Barões para o fervirem 
nelle, como em Heidelberga. E pouco depois 
veio Sua Altefa apagar a viíita ao Embaixador; 
o qual lhe deu a mão ,& a melhor cadeira pela 
mefmarafãoqueahavia dado ao Senhor Elei- 
tor em Heidelberga em occaíião femelhante. A 
Rainha NoíTa Senhora ceiou na antecamera do 
feu quarto com a Sereniííima Archiduquefa, & 
Princefa Marianna,Principes Eleitoral,6c Fran- 
cifco,ficando no topo da mefa debaixo do do- 
celSua Majeítadeà mão direita? a Archiduque- 
fa à efquer da , & nos dous lados os dous Princi- 
pesco Conde ceiou no feu quarto com o Prín- 
cipe Alexandre. 

Ao 



Cdnde de Villar maior, &c. 105 

Ao dia feguinte que foi quinta feira defafete 
dejulho chegou à Corte o Marques de Bedmar, o Marques 
Capitão General da artilheria de Flandes , man- Envia™*' 
dado por EIRei Catholico por Enviado Extra- ^xtraordi- 
ordinario a dar a Sua Majeftade os parabés de ReicJtko- 
feus felices defpoforios , & fignificarlhe quanto l Íf? v JZ ã 

n' • -r -i 10 w • n 1 'Dufseidcp 

eitimana que a vilinhança de bua Majeftade aos a dar os p/- 
feus eítados lhe offereceííe occaíião de nelles "f^uTe 
poder moftrar a fingular eftimaçáo com que 
refpeitava a Real peíTòa de Sua Majeftade, & a 
fiel correfpondencia que tinha com EIRei N.S. 
Accópanhava eftas exprefsóes de Sua Majeftade 
Catholica oMarques deGaftanhagaGovernador 
de Flandes com huma carta para a Rainha N. S. 
em que expendia com os mais refpeitoíos ter- 
mos as ordés que tinha de EIRei feu Senhor pa- 
ra pôr aquelles eítados as Reaes ordés de Sua Ma- 
jeftade. Foi condufido o Marques à preíenía da Fn 
Rainha Noíla Senhora pelo Barão de Novelli, w} 
que foi bufcalo a elle , êc a fua família, que era ih^£Zi 
numerofa,& lufida,em três carro/Tas do Serenif- *™ ia > 
íimo Príncipe Eleitoral,& Sua Majeftade o tra- 
tou em tudo da mefma forma que as Rainhas 
de Portugal cuftumaváo tratar aos Enviados 
Régios. Naantecamera em que Sua Majcfta- 
de lhe deu audiência aíliftião a Sua Majeftade da 
parte efquerda a Camareira mor , & as Suas Da- 
mas^ Senhoras da Corte,ck na parede direita o 
Embaixador cuberto por raíão do feu titulo , & 
o Conde de Caftel,& mais Cavalheros Alemães 
todos defcubertos. Depois de acabada a audi- 
ência de Sua Majeftade a teve também oMar- 
ques 



^rmaern 
.> na 



io6 Embaixada do Excellent. Senhor 

quês do Príncipe Eleitoral, &: da Sereniffima 
Archiduquefa,náo em nome de EIRei Catholi- 
co, porque veio fomente mandado à Rainha 
Noífa Senhora 5 mas por corteíia do Marques 
que a quis ter com eftes Príncipes ? por vir a ília 
caía. 
V M$ciudt Logo que fe findarão eítas audiências , quis 
vijuara.Se. f ua Majeítade hir pagar a vifita à Sereniffima 
'fbuu^efa Archiduquefa, & mãdãdo-lhe recado, refpódeo 
aofai quar. Sua Alteia ,que ella vinha bufcar a Sua Majeíta- 
de,& lahindo com tudo a Rainha Noíla Senho- 
ra do íeu quarto , achou jà a Sereniffima Archí- 
duquefa fora da fua antecâmara accompanhada 
dos Príncipes , & períiitindo Sua Majeítade em 
que queria hir ao quarto da Sereniffima Archi- 
duqueía,foi para elle accompanhada de fuás Al- 
tcfas,do Embaixador , & de toda a Corte , na 
mefma forma que fe obfervou em todos os mais 
accópanhamétos publicos,& entrando Sua Ma- 
jeítade na ultima antecâmara com a Sereniffima 
Archiduquefa,eíleve com S.A. hum breve efpa- 
ço,&o Embaixador ficou na antecâmara ante- 
cedente com os Sereniffimos Príncipes a huma 
janella vendo hum diliciofo jardim. Ao reco- 
Jherfe a Rainha NoíTa Senhora para o feu quar- 
to a accompanhou a Sereniffima Archíduquefa, 
5c os mais Príncipes the a fua ultima antecame- 
ra,onde jentou Sua Majeítade aquelle dia fò có 
lenta o Em- a Sereniffima Archiduquefa , & o Sereniffimo 
tultZr Duque dejuliers,& mais Príncipes feus irmãos 



com o 



sSerc vieraó comer com o Embaixador ao íeu quarto; 
<;S^í. dandolhe também o Príncipe Eleitoral a me- 



lhor 



ver 



Conde de VillAr maior, 8cc. 107 

lhor Cadeira na meia, ôc todas as preferencias 
quenaquelle aéto pode haver; & querendo o 
Embaixador no fim da mefa accompanharaos 
Principes,o SereniffimoDuque de Juliers o não 
confentiu,& lhe ferrou a porta, para que não fa- 
hiíle da cafa. 

Pelas quatro horas da tarde mandou o mef- 
mo Príncipe avifar o Embaixador,queSua Ma- rr >o %M 
jeítade queria hir ver nua caíiada , que le lhe ti- j ji ade vei 
nha preparado;6c hindo o Embaixador aoquar- £*«««/* 
to da Rainha NoíFa Senhora,achou ja nelle a Se- 
reniílima Archiduquefa com todos os Prínci- 
pes, ôc le feguiu o accompanhamento , tudo na 
mefma forma que na entrada. A caífa fe fes em 
huma teia,onde entrarão os Veados,que eftavão 
prevenidos para efte fim;& os Príncipes , & Ca- 
vai h eros os montearão a cavallo atirandolhe cõ 
piítolas com que matarão des. A Rainha Noílà 
Senhora, a Sereniílima Archiduquefa , ôc Prin- 
cefa Marianna,as Damas , ôc o Conde Embaixa- 
dor com alguns Cavai heros da primeira Ordem 
ficarão em hum palanque todos em pè,& acaba- 
da a caífadafe recolheu Sua Majeftade com o 
mefmoaccompanhamentOjck: de caminho viíi- 
tou dous Conventos , hum de Religiofas Celef. 
tinas da Ordem da Annúciada, & outro de Car- 
melitas defcalças, onde entrarão também os Se- 
reniííimos Principes,Embaixador , & Cavalhe- 
ros da Corte,que da vão o braço às damas. 

Recolhida a Rainha NoíTa Senhora ao Paço, . 

1 i"Ai-i r Academia 

houve hua Academia de mulicanaantecame-^Afa/fo. 
ra da Rainha Noíla Senhora, onde cantarão fet- 

te 



io8 Embaixada do Excellent. Senhor 

te damas elegantes verfos > & recitarão difcretas 
profas em louvor de Sua Majeftade, tudo na lin- 
goa Italiana , & com tanta fuavidade , que fu£ 
penderão as attençóes de todoaquelleilluftre 
auditório. Sua Majeftade aíTeftio a efte aóto corri 
a Sereniffima Archiduquefa , & Princefa Mari- 
anna, ôc feita huma divifão com hum anteparo, 
ficarão fentados os Sereniffimos Príncipes em 
cadeiras de efpaldas , & na melhor delias o Em- 
baixador^ toda a Corte efteve prefente , &: em 
pè,excepto as fette damas,que no aòto de repre- 
sentarem fefentarão em tamboretes rafos. A- 
cabadoefte feftejo fe recolheu a Rainha MoiTa 
Senhora à fua camera,&: a accompanharão, a Se- 
reniffima Archiduquefa,& Príncipes Eleitoral» 
& Alexandre com que ceiou; & o Embaixador 
foi condufido ao feu quarto pelo Sereniffima 
Príncipe Francifco, dandolhe fempre o melhor 
lugar no accompanhamento,& mefa, como nas 
mais occaíióes. 

dritrtiudâ ^ e ^ a ^ ra 5 ^ ue ^ e contar ^° defouto pela ma- 
L àí^Lm nhã deu a Rainha NoíTa Senhora audiência de 
de Bedmar. jefpedida aoMarques de Bedmar na mefma for- 
ma que a primeira, & depois delia veio a Sere- 
niffima Archiduquefa com o Serenifíimo Du- 
que de Juliers , & mais Príncipes feus irmãos a 
vifitar a Sua Majeftade àfua camera,onde tam- 
bém eftava o Embaixador , òc como as iguarias 
eftiveráo na mefa o Sereniffimo Príncipe Ale- 
xandre veio accompanhando o Conde athe o 
feu quarto,onde comeu com elle na forma cuf- 
tumada. E como fe tinha ajuftado que Sua Ma- 
jeftade 



Conde de Víllar maior, &c. 109 

jeftade parteria na tarde deíle dia ; pelas quatro 
horas veio o Gran Manchai do Príncipe Elei- 
toral avifar o Embaidor da parte de Sua Alteia? 
que tudo eílava prompto para apartida,& vindo 
logo o Códe à Camera da Rainha Noíla Senho- 
ra achou la a Sereniflima Archiduquefa, Sc to- Mn * Rai. 
dos os Principes,& fe feguiu o accompanhamé- Vbl^^m- 
to,aííírn dentro do Paço, como fora dellcda^"^^- 
mefma forte que na entrada,& fem embargo de ™S£" ,r 
que Sua Majeílade podia entrar no bargantim 
junto ao Paço,a accompanharão Suas Alteias có 
todo aquelle iequito meia legoa fora da Cidade, 
ondeeílavão também tendas como na occaíião 
da entrada;& apeando-fe nellas todos os Princi- 
pes,& Archiduquefa,accompanharão a Sua Ma- 
jeílade the a ultima camera do feu bargantim,& 
nella fe defpedirão de Sua Majeftade,que não fa- 
hiu deíle appofento, & o Embaixador accom- 
panhou a Suas Alteias athe o bordo do bargan- 
tim, & ficando os Sereniílimos Príncipes na po- 
te entrou toda a Corte a beijar a mão à Ramha*fr«f/* m 
Noííà Senhora , & Suas Altefas fenão moverão *£™ t M *' 
da ponte the que o bargantim Real não ishruhimadtÇ. 
marrou. Fes grande commocão no Real animoí/^í' 
de Sua Majeílade eíla defpedida, porque nella 'Primipu 
acabou de fe apartar dos Sereniffimos Príncipes'"" nmao$ * 
feus irmãos, & como Sua Majeílade amava com 
mais ternura a Sereniflima Princefa Marianna, 
que accompanhou athe eíla Corte , foi grande a 
violência que padeceu o feu.affeclo no aparta- 
mento de Sua Altefa, & igual a pena da Serenif- 
íima Princefa. Nella Corte fes o Embaixador 

K nova 



Caijcrvcrt, 



no Embaixada do Excellent. Senhor 

novademonftraçãode generofidade, repartin- 
do pelas damas ,&: Ca valheros jóias de preço, 
acreditando em toda a parte a reputação da 
Coroa. 

Ao fom de trombetas 5 & atabales fe forão a- 
largando os bargantins da praia ? & a húa legoa 
andada íe aviílou a praça de Caiíeríuert , que he 
do Eleitor de Colónia 5 pequena mas bem forti- 
ficada ao moderno , & hum pouco mais abaixo 
fe iãçou ferro the o dia feguinte 5 no qual fe pai- 
fou pelas Villas de Hermenhà Duisburg,Orfoy, 
Rambng. Denfelig,ck Ramberg ; das quaes a primeira 5 Ôc 
ultima iáo do Eleitor de Colónia? & as mais do 
de Brandemburg, & todas de medíocre grande- 
fa 5 & fem fortificação , excepto Ramberg que 
excede a todas em povoação,& eílà bem fortifi- 
cada, & como he praça de armas eítavão na praia 
féis companhias de infantaria luíírofamente 
vefridas , que ao paflàr o bargantim Real derão 
três cargas com lingular ordem , a que fe fegui- 
rão as falvas de artelharia com bala , & logo veio 
o Governador da praça a bordo do bargantim 
accompanhado de alguns Cabos beijar a mão a 
Sua Majeítade. 
n uj* ■ No mefmodia pela manhã vierão dous Ca- 
tores Lo* vúheros Enviados pelos Directores do Duca- 
do* c/r- ^ Q ^ Q eves a comgratular a Sua Majeflade , & 

{eus 'Deputa fignificarlhe tinhão ordem de S. A. E. de Bran- 
^aiâjk' demburg, paranaquelle deítriáto dos feus do- 
Senhora. minios lhe tributarem os maiores obfequios de- 
vidos à fua Real grandefa, & contribuírem com 
todas as forças para tudo o que fofle do aggrado 

de 



Conde de Villár maior, &c i i i 

de S. Majeflade,& offcrecerão hum regalo mag- 
nifico de doces, & vitellas. 

Aquella noute fe pafiou abaixo de Remberg, 
& ao dia feguinte que foi Domingo 20. do mes 
fe aviftou pela manhã a villa de BurÍK , ck mais 
abaixo a praça de Veílel , que he do Eleitor de 
Brandemburg bem fortificada , & com fuffici- 
ente âmbito. Eítavão na margem do Rhim,que 
fe engroíla aqui com a corrente do Lipa , féis lu- 
íidas companhias de infantaria,que falvarão a S. 
Majeílade na forma cuítumada, como também 
o fes a praça com a artilharia. Aqui veio vi fitar a 
S. Majeíhde o Serenifíimo Principe Philippe mo ^"nít 
Guilhelmo filho primogénito do íegundo ma-/ f '?/•%/>« 
trimonio de S.Á. E.de Brandéburg. Vinha S. A. deVrandt 
accópanhado de muitos,& m ui lulidosCavalhe- b m*xm 
ros,& chegando ao bordo do bargantim Real, r1Í7Jn. 
achou nelle o Embaixador , & o Conde de Caf- Senbora - 
tel com outros fidalgos Alemães , & Portugue- 
fes , que o receberão com a refpeitoíà urbanida- 
de,que fe lhe devia , & o Embaixador o condu- 
íiu a antecamera da Rainha No fia Senhora, a- 
quern falou em pè,&: defcuberto, oíFerecendo a 
Sua Majeítade em nome do Serenifíimo Eleitor 
feu pae, & de toda a cafa de Brandéburg os mais 
officiofos obfequios,& Sua Majeílade íatisfes có 
a reporta conveniente, dandolhe o trattamento 
de Dilecção,na forma que fe obferva có todos 
os Principes Eleitoraes. 

Na tarde deite mefmo dia chegarão dous Ca- 
valheros de Duífeldorp,Enviados pelo Serenif- 
íimo Duque de Juliers , & pela Sereniílima Ar- 

K i) chidu- 



ii2 Embaixada do Excellent. Senhcr 

chiduquefa a viíitar a SuaMajeftade em nome 
de Suas Altefas 5 & a faber como havia paílado 
depois da fua parti da daquella Corte. Virão-fe 
também na viagem deíle dia as villas de Sãtem, 
Emirikfrt- Rheos,& Creit, que fão do Eleitor de Bran- 
meiraudé. demburg, & a Cidade de EmiriK, que he dos 
lande. Eítados de Hollanda,ck a primeira daquella Re- 
publique íe encontra indo por aquella parte. 
He boa povoação 5 nias fem muralhas por 
lhas haver demolido EIRei de França na ulti- 
ma guerra que teve có os Eítados. Pouco mais 
abaixo deíla Cidade ancorarão os bargantins , ôc 
paííadaaqui a noute, pela manhã cedo a pouco 
eípaço da viagem,fe aviítou a praça de Eíquen- 
EEfquen- queíchans,íituada em huma peninfula , & bem 
quesi/jans. fortificada ainda que fem artelheria,que por eíla 
cauíà não deu mais que as falvas de mofquetaria 
com o prefidio que tem. 

Não muito longe deíla praça fica a Cidade de 
Nimega. Nimega fentada na margem citerior doVa- 
haljhum dos braços em quefe devideofamofo 
Rhim. He celebre efta Cidade pelo congreíío 
da pas geral que nella fe celebrou no anno de íe- 
tenta,& fette,mas não merece menos nome pe- 
lo feu aggradavel íitio , numeroía povoação , & 
luílrofos edificios;a fortificação he em parte mo- 
derna? mas tem grande preíidio , aílim de in- 
fantaria, como de Cavallaria. Nas praias eíta- 
vão muitas companhias formadas, todas luíídif- 
íimas veítidas de alvadio com carapuíTas de fel- 
pa aful , ôc penachos brancos. Logo em ampa- 
rando 



Conde de Villar maior, &c. 113 

rando com a Cidade o bargantim Real derão 
falvas a mofquetaria , & artilheria concorrendo 
aver infinita multidão de gente , que occupava, 
não fò a praia , muros , & eirados , mas também 
grande numero de bateis , 6c barcas com que fe 
chega vão de mais perto para íatisfaferem à ília 
curioíidade. Abaixo da Cidade mandou S. Ma- 
jeftade lançar ferro para ouvir os Deputados 0s EfJados 
dos Eftados Geraes das Províncias Unidas ; 8c Genes aas 
porque acudia infinita gente aver , veio húacó- í P> 0Vinm 

Jr ~1 _ . , f. . . .D y maus man • 

panhiade infantaria a fafer guarda aos bargan- dâyifitar* 
tins,que eílavão junto à terra, & logo chegarão fZltu^' 
os Deputados , que vinhão em quatro carroíTas 
accompanhados de vanos Cavalheros,& depois 
de S. Majeftade lhes dar audiência , em que elles 
reprefentarão grandes obfequios dos Eftados 
Geraes, ckoíFerecerão hum magnifico refrefco, 
mandou S. Majeftade levar ferro, & defceu nua 
legoa mais abaixo, difpondo o Embaixadoras 
viagens com efta demora , porque tinha por có- 
veniente não chegar a Rainha NoíTà Senhora 
a Roterdam fem primeiro ter noticia de fer 
chegada à Brila a armada Inglefa , por não fer 
conveniente que S. Majeftade efperaffe por ella 
à vifta de huma tão populofa Cidade, em que 
podia caufar embaraço a multidão da gente. E 
porque ainda fenão tinha noticia da armada, JdeLaftei 
partiu o Conde de Caftel a procurala , & ajuftar abufcamo- 
com o General os com modos de Sua Majefta- lZ"aín-' 
de,& da fua família. Como o bargantim em ^A 
que vinha a Rainha NoíTa Senhora,pornãoter 
quilha ? & fer rafo pelo fundo,não era feguro pa- 

Kiij ra 



U4 Embaixada doExcellent. Senhor 

ra continuar nelle a viagem daqui por diante, 
StuMu\ef havia o Sereniílimo Príncipe de Orange ante- 
Z°!»f?tl? vendo efte inconveniente mandado dous fer- 
ào Trmcipe mofos íaques da fua pefiba,no melhor dos qua- 
voEmíal cs ( fendo ambos coalhados de ouro , 5c ricamé- 
xadorfas o te adereíIados)entrou S.Majeftade 3 6c no outro o 

nu' Imo. x-> i • i 

Embaixador. 

o Sereniffi. Na manhã do dia fcguinte chegou Monfieur 
plcotan- de Bentinch,Gentilhomem daCamera do mef- 
gemànda mo Príncipe de Orange, & Coronel do Regi- 
mo?/?*™ mento das fuás guardas de Cavallaria,que vinha 
for Enviado Enviado por S. A. & pela SereniffimaPrincefa 
íuamoiher para comprimentar aS. Majeftade 



nano. 



em nome daquelles Príncipes , de quem trou- 
xe cartas , que entregou na audiência a Rainha 
N. S. em que Suas Altefas reprefentavão a Suas 
Majeftades, que fentião que a prefía da fua via- 
gem lhe não deíle lugar a elles poderem vir à 
lua prefença? como defejavão para lhe rende- 
remos obfequios devidos, &fe oíferecerema 
feu ferviço. Eiras exprefsóes das cartas expen- 
deu o Enviado mais diffufamente , &c S. Majef- 
tade recebeu huraas , & outras com o aggrado 
merecido, &c feita reporta às cartas de Suas Alte- 
fas foi defpedido o Enviado no dia feguinte; ha- 
vendo-fe aviftado em o primeiro a villa de Fiel, 
Fortt de o forte de Sanei: André íituado em húa peque- 
SjmãA7i~ na Ilha , junto onde o rio Mufa defagoa no Va- 
hal, & a ilha,&: Cidade de Bomel,abaixo da qual 
fe paííou a noute; & em o íegundo que foi o de 
vinte, ck três fe aviftou o forte de Louvefteim 
de cinco baluartes regulares, 6c as Cidades de 

Vorcum 



dre 



Conde de Villar maior, &c. ny 

Vorcum,Gorcum, & Dorte , que he Cidade T>orte< 
grande,ôcappraíível cheia de innumeravel po- 
v T o,que acudiu à ver a praia,ôc aos bateis. 

Aqui paíTou Sua Majeílade a noute de vinte, 
ôc três com os dous dias feguintes por efperar 
pela noticia da armada Inglefa. Aos vinte , Ôc 
quatro pela manhã deu audiência aos Deputa- 
dos da província de Hollanda, que não íe dando yyeputados 
por fatisfeita com obíequio que havia feito a S. f!a frovin. 
Majeílade por meio dos Deputados dos Eilados "fndl. 
Geraes, mandou particularmente viíitaraSua 
Majeílade por entender concorria nella mais 
rafaó para eílas demonílraçóes,por S. Majeílade 
fafer jornada pelos limites do feu domínio. 

Aos vinte,& cinco fe foube fer chegada a Bri- chegaaar* 
h a armada Inglefa,ôc o Duque de Grafton Ge-™itfaaBri- 
neral della,íilho de El Rei Car los fecundo veio /ájí ^ ■?*'- 
em hum bargantim dedoie remos bem elqui-/*o»v«» 
pado vifitar aliaínha N. S. da parte de Sua Ma- ™£ a e r /J; 
jeílade Britannica,ôc pondo em fuasReaes mãos ao taque. 
húa carta de EIRei leu Senhor , em que S. Ma- 
jeílade lhe congratulava affediuoíàmente os fe- 
us felices defpoforios , difendo que mandava a- 
quella armada à fua ordem ; acreícentou o Du- 
que grandes exprefsócs dos feus obíequios , Ôc a 
íumma eílimação,que faíia da honra que lhe re- 
fultava de poder fer vir a S. Majeílade, 6c obede- 
cerlhe. Acabada eíla audiência falou o Duque 
ao Embaixador , que depois de comprimentos 
particulares lhe repetiu tinha ordem de EIRei 
leu Senhor para por aquella armada à obediên- 
cia de S. Majeílade como o Serenilíimo Senhor 

Kiiij Eleitor 



n6 Embaixada do Excellent. Senhor 

Eleitor Palatino havia mandado pedir a S. Ma- 
jeítade Britannica ; ao que o Embaixador íatif- 
res com as repoítas con decentes. Trattarão-íe 
reciprocamente de Excellencia, ôc voltou logo 
o Duque para a armada , & ao outro dia tornou 
OTrincipe eni companhia do Príncipe Filtre Jemes filho 
Filtre ic deElReiJacobofegundo. He eíte Príncipe de 
mes ' quatorfe annos de idade de excelente Índole , e- 

ducado na doutrina Catholica com grande cui- 
dado de EIReifeupae, que lhe tem deputado 
meftres,& creados , não ío Catholicos , mas vir- 
tuofos 5 ck prudentes. Sua Majeítade o recebeu 
com grandes moítras de honra, ck benevolên- 
cia, como merecia por feu grande pae, ckpela 
fua peílba. 
ÍSK. Nefte mefmo dia pela manhã que forão vin- 
Senhoraan- te , & féis commungou a Rainha N. S. dando 
VanalnT " exemplo com eíta Catholica acção a que toda a 
armada. f ua família a imitafle , havendo-o ja feito o Em- 
o Embai, baixador com todos os Portuguefes; & logo fo- 
xador/j os rão os bargantins deícendo athe Roterdam,que 
fesfíjfmo ne Cidade grande,& populofa , & íàlvou a Raí- 
mefmo. nha N. 3. com húa continuada carga? que du- 
rou deíde que S. Majeítade a aviltou , the que a 
perdeu de viíta. Os bateis , òk barcos, cheios de 
todo o género de peíloas erão innumeraveis. A 
Cidade mandou comprimentara Rainha N. S. 
pelos íeus Deputados , que trouxeráo também 
hum refrefeo ; & os Deputados dos Eirados 
Geraes tornarão a ter aqui audiência de S. Ma- 
jeítade de deípedida, & paííada a noutehum 
pouco abaixo da Cidade, onde o Conde ds Gai- 
tei, 



Conde de Villar maior, &x. 117 

tel, & as mais peflbas de fuppoíição, que não ac- 
cópanhavão a Rainha N. S. para paílar a Portu- 
gal , beijarão ultimamente a mãoaS. Majeílade, 
Scfe defpedirão, renovando aqui outra ves o 
Embaixadora liberalidade de que havia ufado 
em Heidelberg; & DuíTeldorp , & aos vinte & 
fette havendo paíTado S. Majeftade para hum 
iaquel ngles por íêr mais feguro para fulcaro 
mar alt o, onde eítava a armada , que não podia 
fubir mais acima pelo perigo dos baixos daquel- 
le porto , fe largou vela em demanda da armada, 
& pelas duas horas da tarde ferrou o iaquea <p a ff 4 s UA 
Capitania Real , que eítava viftofaméte guarne- M«yjtade 
cida de flamulas,& galhardetes , & os marinhei- JL/a.*' 
ros vertidos todos de huma mefma libré poítos 
pelas vergas, ôc enxárcia, ocos foldados pelos capitania 
bordos,queao ponto de hir chegando o iaque 
derão todos, três falvas com vofes ao ufo daquel- 
la nação. 

Por falta de vento não foi poffivel levar ferro 
eítedia, mas crefcendo favorável ao feguinte 
depois de jentar fe largarão as vellas, hindo com 
a fonda na mão por fer neceíTaria toda a cautela 
neítes mares em refpeito dos muitos bancos, 
que tem,& continuando o vento,ao dia feguin- 
te fe aviítou a coita de lnglaterra,& nella a Vil- 
3a de Del , que fal vou a armada com a artilheria, 
ck mais adiante as Dunas, &c logo Dovres , & de 
fronte da coita de França Cales; & aos trinta,&: 
hum de Julho, primeiro , & fegundo de Agoíto 
feefcorreu the dofelegoas abaixo de Piem uth; 
mas voltando-fe ali o vento ao fudoeíte, foi pre- 

cifo 



1 1 8 Embaí x ada do Excellekt. Senhor 

Arrll -■ i 

a ciío arribar a Plemuth,& ao lançar ferro a arma- 
da no porto a falvou a Cidade com vinte & qua- 
tro peíías, & a fortalefa de Jlhacom , que fegura 
nquelle bahia com vinte > &Iiuina , & a Capita- 
nia lhe refpondeu com vinte,ck três àquella , 8c 
defouto a cila , 6c feita aqui demora the o dia fe- 
guinte à tarde , em que fe pòs o vento em popa 
Fe ícguiu a viagem 5 the que em outo fe houve 
jvifia-je o v ij{ a ^q Cabo de Finis tern£,& em nove da cot 
Jsterl re, ta defte Reino 5 & em des da Berlenga, & confie- 
er a BcrUn- ce ndo a guarnição fer a armada inglcfa , em que 
vinha a Rainha N. S. deu três falvas Reaes,a que 
logo fe feguiu a fortalefa de Peniche; a ambas 
reípondeu a Capitania com algumas pefTas me- 
Encontro de nos ' & aviítando a armada nefta paragem dous 
Jóia lu-vws naviostJhe fes final para que arreaíTem; mas não 
ácTurus. Q q Ucrenc { c lles fafer deu caíTa a hum delles 
que lhe ficava a fotavento, cingindo-o com cin- 
co nãos da armada, & depois de alguma porfia 
lhederão alcance, &c conhecerão íer navios de 
guerra Turcos de Argel com quarenta peíías, 
que fafendo o final de obícquio , que íe lhe pe- 
dia,forão defe baraífados para proíeguir a fua der- 
rota, por ter a nação Inglefa pafes comaquelles 
Coílarios , & efeorrendo com vento em popa 
brando anouteceu a armada de fronte da Roca, 
&ao diafeguinte que forão aos onfe amanhe- 
ce a ceu à vifla de Cafcaes, onde logo chegou à Capi- 
armada a tania o Piloto mor da Barra , que com mais doíe 
pilotos, todos bem adereílados andavão havia 
quiníedias em três barcos , efperando a armada 
entre os Cabos para a metter dentro do porto 

com 



Conde de Villar maior, &c. 119 

com a fegurança neceílària , tudo pela diípoíi- 
ção, & defvelo do Conde da Ericeira Vedor da 
fafenda da Repartição das Armadas, que com o 
feu inexplicável £elo, & actividade rara havia 
difpoíto tudo o que incumbia ao feu cuidado 
com incrível brevidade. 

Antes que chegaífe o Piloto mor havia o Có- 
de Embaixador avifado a EIRei Noífo Senhor Jvifao 
a toda a diligencia de fer chegada S. Majeílade Embaixa- 
uquella paragem , com os mais avifos que pedia ^ r J k f^ 
o negocio , & occaíiáo preíente ; mas ainda que vhorMfer 
eíta teliciílima nova fe havia antecipado algúas '&%%* 
horas por induítria do Conde de Atouguia,Go- 
vernador de Peniche , da qual praça fe lhe fes a- 
vifo,tanto que a armada a aviftou , he indiíivel o 
alvoroço, & alegria,que caufou nos corações de 
todos a confirmação deite annúcio. Entregou 
o Piloto mòr duas cartas ao Embaixador, huma 
do Secretario de Eítado Mendo de Foios Perei- 
ra,& outra do Conde da Ericeira, nas quais de 
mais de outras noticias que fe lhe pedião , & da- 
vão,fe lhe difia que tãto que dcíle vifta de qual- 
quer das fortalefas da barra , ftíeífe tirar cinco 
peífas para íinal ; & fafendo o Embaixador exe- p asaarmdm 
cutar logo eíta ordem , como todas as fortalefas Masfir- 
eítavão prevenidas com ordem do Duque Mef- ^^rlhTga. 
tre de Campo General junto à peífoa de S. Ma- Jj *J±i inf x 
jeílade, para que ouvindo o referido íinal tirafle ^rl ' 
a primeira as mefmas cinco peílas , & o mefmo 
obfervaífem as mais athe a torre de Belém; n eíta 
forma com pouca dirferençade tempo fuece- 
derão os íinais ao avifo. E querendo o Ceo ma- 

nitef- 



120 Embaixada doExcellent. Senhor 

nifeífar aos olhos de todos a efpecialidade com 
que favorecia eílas auguítas vodas , difpòs com 
maraviihofa providencia, que o vento que para 
navegar the aquella paragem fora favorável , 6c 
Mudança âc era contrario para embocar a barra , acclamaífe 
Vnlwlpo- P or e ^P a Ç° de tres,ou quatro horas, que a arma- 
de? entrar adi efleve à viíta de Cafcaes , & logo fe mudaííe à 
popa para poder entrar no porto, faíendo ju- 
cunda a memoria daquelles veríos de Claudia- 
no , que parece forão feitos para aquella oc- 
caíião. 

O H1MIFU DILECTE VEO, Tl<Bl MILITAI 2ETBE% 
ET COKjy^ATl VEKWHT JD Ca^aSa VãKTl 

Pelas nove horas de manhã foltou a armada o 
pano,& paffando pelas fortalefas a feftejarão to- 
das com triplicadas falvas de artilheria , a que o 
Duque de Grafton mandava refponder com 
huma de deíanove peífas. Era pouco mais de 
de meio dia,quando a Capitania Inglefa deu fú- 
do de fronte da Igreja de São Paullo, & junto 
delia os mais navios inglefes. 

Neíle mefmo ponto na forma que fe tinha 

ordenado, deu íinal o Caftello deita Cidade có 

hum tiro de Canhão,que excitou nos corações 

■■ . ' de todos huma tão verdadeira alegria, que não 

Alearia dos , * • i i i i r r 

Tortugnt- cabendo no peito de cada hum delarogou em 
fescoma vo f es de jubilo , que acclamavao a felicidade 

(lutada da . 11 ■• o 1 r 1 ■ 

Rainha n. daquelíe dia ; oc concorrendo numeroía muiti- 

Serèora. fáo de povo de toda a esfera , em hum inírante 

fe virão,não fò as praças cubertas de gente , mas 

todo 



Conde de Villar maior, &x. 121 

todo o rio coalhado de faluas,& barcos , pcrten- 
dendo todos com huma affeâuofa impaciência 
anticiparfe o goíto de venerar com a viíta a Ma- 
jeftade da Rainha Nofla Senhora. Eítavão os na- Navios da 
vios da armada Real deita Coroa enfiados huns ar ^ e í ã a ^i a J 
pelos outros em boa ordem , & todos de verga noporto. ' 
d' alto com toda a gente de mar, & guerra da lua 
lotação,com cabos que a governavão,tremolan- 
do brandamente as bandeiras, flâmulas, & ga- 
lhardetes de que fe ornavão, & junta eftà fer- 
ra ofa pompa bellica com a riqueih das poupas» 
&c proas deites navios foberbamente entalha- 
dos,ôc dourados , faíião húa viíta náo menos ag- 
gradavel que mageítofa, fendo certo que a Capi- 
tania a penas admittirà igualdade com qualquer 
outra do Mundo } &c as mais não fofrem prefe- 
rencia , aílim pela opulência com que eítão or- 
iiadas,como pela fua fabrica,que tem apurado o 
ultimo primor da arte por maravilhofa direcção 
de S. Majeítade. Todos os mais navios Portu- 
gueíes, & eítrangeiros que eítavão no rio fe em- 
pavefaráo,& íiferáo foar toda a fua artilheria em 
repoíta de huma falva geral , que deu a Capita- 
nia^ os mais navios da fua coníerva , logo que 
acabarão de ancorar. 

Não havia ainda bem ancorado a Capitania f */£**£ 
Real quando chegou a ella o Conde da Ericeira, tyitf* o 
que vinha em hum bargantim,excellentemen- C /J, !d d e a 7e~ 
te entalhado , & dourado com columnas torci- partição do 
das no toldo de cor de nogueira com ramos de mar ' 
ouro , teclo , cortinas, & almofadas de da mafco 
carmiílm com franjas ; os remeiros com cafa- Bargante 

t em que vet$. 

Lé casj 



122 Embaixada do Excellent. Senhor 

cas,& calções de pano com paíTamanes de feda. 
Em a poupa que era dourada fe via a Fama de 
hum lado com a fua trombeta, de que pendia 
huma bandeirola có as armas dos Menefes da fa- 
milia do Conde, & a outra mão da Fama íulten- 
tava huma cadeia dourada , que paíTava ao outro 
lado a prender a Fortuna à roda com que a pin- 
táo. A bandeira do bargantim,que lhe toca pe- 
los privilégios de Vedor da fafenda da Reparti- 
ção do mar , era de damafco branco , com as ar- 
mas Reaes bordadas de feda. 

Accompanhava o Conde feu filho Francifco 
lufimento Xavier de Menefes , não menos conhecido pela 
àújuafami- efclarecida nobreía de feus illuítres pães, que 
pelo raro,& peregrino de feu felix engenho.Se- 
guirão-no des gentishomens da fua família vcf- 
tidos fem guarnições de ouro pela prohibição 
da pregmatica, mas de fedas lifas de diíFerentes 
cores guarnecidas as cafacas com alam ares de 
plumas das cores que melhor ajuítavão , rema- 
tando cada hum das alamarcs em huma pérola 
fina com veífes tão bem de diíFerentes fedas , & 
cores. Os vertidos dos pages erão de chamalote 
cor de fogo cortado em rendas fobre tafetá do- 
bre branco, veíles brancas com rendas, & todos 
com plumas , & os mais adereífos competentes. 
Vinhão também no bargantim três trombetas 
veftidos à fua ufanca de veludo verde cuberto 
de paflamanes de ouro,ôc prata. Os clarins erão 
de prata de que pendião bandeiroks de damafco 
verde com armas bordadas de ouro. Subiu o 
Conde a bordo ,& achou nelle o Embaixador, 

&fe 



Conde de Villar maior, &c. 123 

&fefaiAdarão ambos com inexplicável alvoro- 
ço; & depois do Conde dar ao Embaixador o £^jjf ^ 
parabém da felicidade de fua jornada 5 6c do fin- ao 2>^ 



,quc 



guiar acerto , com que havia confeguido a mais %£%£** 
importante negociação da Monarquia, paíTou a 
falar ao Duque de Grafton General da armada 
da parte de S. Majeitade fafendolhe oíterta de 
tudo o que foíTe neceílario dos Armafés Rcaes 
para provimento da armada , 6c fem dilação en- 
trou na Camera a beijar a mãoRamha NoíTa Se- 
nhora,íafendo também feu filho Dom Francil- 
eo Xavier a mefma função que com a rara in- ,. 

-, 1 , . t _ ■* .* r Ltitra com 

dole do leu engenho , lupenor aos léus annos, feu filho a . 
explicou à Rainha NoiTa. Senhora o feu obíè- b(j )v\ a ! naô 

K . 1 !• r r r i í a Rainha 

quio em hum breve diicurío formado de cinco NofiaSt- 
lingoas. nlma - 

Pouco depois chegou o Conde de Saneia o cmie 
Crus Mordomo mòr de S. Majeitade, guq dà M ^ ot}JO 

d*. n 1 1 • • ri •■ mor -vtfít/jé 

o ditto benhor hia compnmentar a Rai- Rawòa n. 

nha Noíla Senhora. Accompanhavão-no outo %f r l r c a J* 

gentishomens de fua família, de féis pages veíri- Sua Majcf- 

dos todos ricamente de gorgorão cor de fogo tade ' 

com as cafacas guarnecidas de rendas brancas r«* comitt- 

creípas,que faíião viftofo efmalte,plumas , cha- va - 

peos , & adere/Tos correfpondentes. Vinha o 

Códe riquiííimaméte veftido ; & fendo a rique- 

fa da gala exceíiiva, não era menor a decência otond< 

devida a fua reprefen tacão; 6c feita eíla , 6c rece- v*idt r<h 

bida a repofta da Rainha NoíTa Senhora voltou Tm*£l7e- 

para o Paço a dar conta a S. Majeitade. Quaíi ao m ™ft™ção 

mefmo tempo veio o Conde de Vai de Reis, Sncnijjim* 

Nuno de Mendoca do Confelho deEílado,Pre- £'■*"" 

JLij lidente 



124 Embaixada doExcellent. Senhor 

úâcnte do Ultramarino , & Mordomo mòr da 
Caía da Senhora Infante , que vinha da parte de 
S. A. íignificar à Rainha NoíTa Senhora o gran- 
de alvoroço com que efperava a S. Majeftade, & 
os júbilos comquefeítejavaa fua fel is chegada. 
rtragau. & Veítiâ o Conde riquiffimo brocado com capa, 
hJ, m ' & accompanhava-o Jufida familia,que confiava 
de outo gentishomens , & féis pages vertidos 
de fedas varias com guarnição de rendas neva- 
das,garavatas , chapeos > plumas , & adereços de 
valor , & aíTeio. Beijou a mão à Rainha Nof- 
ía Senhora , & fafendo as referidas exprefsó- 
es da parte da Senhora Infante ; refpondeu Sua 
Majeftade com carinhofas demonftraçóes do 
feu affeóto; com a qual reporta voltou o Conde 
para o Paço , havendo também viíitado da parte 
Viíitatam- de EIRei No/To Senhor ao Excellétiílimo Fil- 
Trimipe tfi Jemes , filho de EIRei de Gram Bretanha Ja- 
IjtriU- cobo II hoje reinante. 

Neítemefmo tempo fe trabalhava em aju£ 
tar na Capitania huma magnifica efcada , que fe 
havia fabricado em Hollanda para a Rainha N. 
S. poder deíembarcar por ella,com a commodi- 
dade,& fegurança conveniente. Sua Majeftade 
fe deteve no Paço fomente o tempo, que fe gai- 
tou em accornmodar a efcada em forma que 
pude/3 e fervir , mandando repetidas vefes faber 
do Conde da Ericeira pelo Tenente General da 
artilharia ,& Porteiro da Sua Camera Manoel 
Ferreira Rebello o efpaço que fe dilataria; mas 
logo que a efcada efteve prevenida,que foi pou- 
co depois das trcs horas da tarde fes o Conde a- 

vifo 



vi es 



< 



Conde de Villar maior, &c. 125 

vifo a EIRei NoíTo Senhor,o qual íem a menor 
dilação fe embarcou do Paço da Corte Real ao E ^t rc tfÍ 
companhado dos Grandes do Reino,&Qfficiaes/ò sllibJr 
da Cafa Real?Preíidentes dos Tribunaes, & mais *^™J£? 
peílòas que cuftumão accompanhar os Reis em caraRai- 
iunçóes publicas, que para iíío tíverão avifoj^^f* 
indo todos veílidòs de caíacas cubertas de ou- 
ro,& prata,com tanta opulência , & aíleio , que 
pudera fervir qualquer delias de primoroíoa- 
dorno para os maiores Príncipes. 

El Rei NoíTo Senhor veília huma cafaca cor 
de fogo bordada de ouro , & prata de inextima- 
vel preço; o efpadim,& baftão erão guarnecidos 
de riquiílimos diamantes, fendo de incompará- 
vel valor hum que levava na garavata , & os que 
ornavão o habito de Chriílo,& o chapeo; efplé- 
dor que fe desluíia com a foberana,& magnifica 
prefença de S. Majeítade. Entrou elRei noflb 
Senhor no bargantim Real, & com o ditto Se- 
nhor,Dom Pedro de Menefes Marques de Ma- Grandes que 
rialva,Gentil-homem da Camera de S. Mrjeíla- «**/>«£«* 
de ; Dom João Mafcarenhas Conde de Saneia tadenolar- 
Cruz,mordomomòrde S. Majeílade; Dom)o-z ãlif>tReal 
feph de Menefes Eftribeiro mòr de EIRei Nof- 
fo Senhor; Dom Francifco Mafcarenhas , Eftri- 
beiromòrda Rainha NoíTa Senhora; Manoel 
de Mello Porteiro mòr , & Grani Prior da Or- 
dem de São João de Malta em Portugal; Dom 
Nuno de Mello Álvares Pereira Duque de Ca- 
daval ,Marques de Ferreira, Conde de Tentúgal 
dos Confelhos de Eífado, & Guerra , Meftre de 
Campo General junto à peíToa de S. Majeítade, 

L iij das 



Bargantim 
Real. 



126 Embaixada do Excellent. Senhor 

das armas da Corte,õc Província da Eftremadu- 
ra,Mordomo rnòr da Rainha NoíTa Senhora; 
Henrique de Soufa de Tavares Marques de Ar- 
ronches do Confelho de Eftado, Governador 
da Relação , & armas do Porto , & feu deftriéto. 
Embaixador que foi nas Cortes da Haia, Ma- 
drid, ck Londres; Luís de Soufa Arcebifpo de 
Lisboa,Cappellão Mor de S. Majeftade,do Con- 
felho de Eftado ; Dom Luis de Soufa Arcebifpo 
de Braga Primas de Hefpanha do Confelho de 
Eftado,& Embaixador que foi na Cúria de Ro- 
ma;© jà referido Nuno de Mendoça Conde de 
Vai de Reis; o Conde Dom Fernando de Me- 
nefes do Confelho de Eftado, que foi Governa- 
dor da praça de Mafagão , ck Regedor da Cafa da 
Supplicação ; o Bifpo Dom Frei Manoel Pe- 
reira do Confelho de S. Majeftade, do Geral do 
Saneio Officio , ôk Secretario de Eftado ; èk por 
particular privilegio de S. Majeftade (porque os 
mais referidos tinhão juílo titulo para aquella 
hóra,pelas prerogativas dos feus Minifterios)cn- 
trou também no mefmo bargantim com Sua 
Majeftade Dom Frei Domingos de Gufmão 
Arcebilpo de Evora,do Confelho de S. Majefta- 
de. 

O bargantim era de tão rica , èk euftofa fabri- 
ca pelo entalhado , êk dourado,èk mais adornos, 
que bem podia pòr em efquecimento os que 
celebra a antiga fama, com que Cleópatra per- 
tendia fafer oftentação da opulência do Egyp- 
to, òk admiração à grandefa Romana. Cobria a 
fua circunferência de popa à proa huma rica ta- 
lha 



Conde de Villar maior, &c. 127 

lha dourada 5 & nos dous lados da popa fe viáo 
duas tarjas das armas Reaes de Portugal , & das 
Eleitoraes Palatinas , as quaes fuftentavão duas 
airofas,& brilhantes figuras. A camera era tam- 
bém dourada com vidrarias criftalinas ; o toldo, 
& cortinas erão de cetim de ouro carmelina có 
franjas de ouro, & a cadeira, almofadas,& alcati- 
fa do mefmo ; os remos erão vinte dourados , 6c 
pintados , & os remeiros quarenta veftidos ao 
uíb Africano de efcarlata com paíTamanes de 
prata , o patrão de brocado encarnado com os 
mefmos paíTamanes , & o patrão mor de pano 
cuftofamente guarnecido de ouro; os chapeos, 
ck garavatas correfpondião no aíleio,& cuílo 
aos vertidos. O Eftendarte do bargantim, que 
levava as armas Reaes era ricamente bordado de 
ouro,& prata,& as trombetas de prata com ban- 
deirolas com as armas Reaes bordadas , & com 
cordóes,& borlas de ouro , & prata occupavão a 
proa do bargantim. 

Depois de S. Majeftade fe embarcar com as 
peílbas referidas entrarão também os mais gran- 
des em vinte & quatro bargantins;que para iíío 
eftavão prevenidos , todos cuftofamente pinta- 
dos , ôc adereífados de toldos de íedas de diffe- 
rentes cores , com grande numero de remeiros 
veftidos à proporção do mais,& ternos de trom- 
betas da mefma forte. Remarão eftes deante , & 
o de S. Majeftade em ultimo lugar,& todos jun- 
tos faíiáo húa reprefentação não menos feítiva 
que majeftofa. Logo que S. Majeftade entrou 
no bargantim colheu a Capitania Real a ban- 

Liiij deira, 



128 Embaixada do Excellent. Senhor 

deira,6c difparou toda a artilheria três veies, que 
fe alternarão com outras tantas cargas de moí- 
quetaria , & o mefmo fiferão os mais navios da 
armada. 
chega Sua Chegou EIRei NoíTo Senhor a Capitania 
depois de haverem fuhido os grandes,& baixou 



à Capitania 

&e -^«.jttí ao bargantim Real o General Duque de Graf- 
fe/uTrece. ton a quem S. Majeííade falou com grande aga- 
bdo a bordo f a ] ho , como merecia pela fua peíloa , & poíío. 
t ° m " rgan ' Baixou também o Conde Embaixador , & Có- 
duclor abeijar a mão a EIRei Noílb Senhor,que 
rbumnjira rece ! jeu com Angulares moítras de Sua Real 

çots de «g- . £3 

grado icm benevolência , encarecendo a particular i? tisfa- 
V/J/lude Ç<*o, & aggrado com que íe achava do Conde 
receteo poraquelle grande ferviço que acabava de Jhe 
fofalaude f afer , em que conf eíTava dever ao íeu zelo , tra- 
ibebnjaa £> a ] { 1G ? & prudência a alegria imcomparavel da- 
^antim/ quelle fauilo dia,& as firmes efperanças , que ti- 
nha de que delle fe feguirião as felicidades de 
que neceírltava a perpetuidade de Sua Real ca- 
ía , &aconíervação, & eftabelicimento da fua 
Monarquia : demonílrnçóes que S. Majcítade fe 
dignou de repetir ao Conde mais dirf uíamente 
em outra occafião de menos embaraílb, quando 
]he fes a honra de lhe difer lhe queria dar o ti- 
'Daibeoti- tulo de Marques da Villa de Alegrete, de que 
tuhdt em g en j-j 0r p 0r cu j a mercê beijando o Marq ues 

da Viiia de a mao a b. Majeltade lhe reprcíentou que lo o 
jtkgrtu £ zeío 5 & delejo de acertar no feu Real fervi- 

jc Iri lhe J . 

pedir. ço podia merecer a S. Majeííade os feus favores; 
que aquella honra ,affim como a não pedira, a 
não devia rejeitar, porque o feu intereíle era fo- 
mente 



Conde de Villar maior, &c. 129 

mente fervir a Sua Majeítade com acerto. O 
que bem juítificou o Marques em todas as fuás 
acçóes,&: particularmente neíta em que não re- 
parou nos empenhos da fua Cafa,&: difcom mo- 
dos de h uma jornada tão dilatada para hir fer- 
vir ao feu Principe,& à fua patria,não aceitando 
ajudas de cuíloque S. Majeítade lhe mandava 
dar antes quepartiíTe,nem mefadas,nem pedin- 
do outra retribuição de hum tão grande fervi- 
ço,mais que o aggrado do feuPrincipe ; & a utili- 
dade do Reino. 

Sahiu S. Majeítade do toldo do bargantim 
parafubir à. Capitania, & havendo baixado o 
Conde da Ericeira a exercitar a fua occupação 
dentro do mefmo bargantim Real,& fendo nu- 
ma das fuás preeminências dar a mão a S. Majet 
tade ao fahir do bargantim, fuccedeu que quan- 
do houve de pòr o pè na efcada daCapitania,on- 
deeítavaoDuque de Grafton ao mefmo tem- 
po que o Conde da Ericeira foi dar a mão a Sua 
Majeítade,fes o mefmo o Duque , & S. Majeíta- 
de não querendo faltar a agafalhar o hofpede, & 
a honrar o vaííallo , com difcreta promptidão Vifirtta^ 
deu a mão aos dous,difendo que a dava a ambos; *™s%!mL 
& fubindo à Capitania falou com aggradavel k-j^udc. 
veridade aos fidalgos Alemães, & lnglefes , que 
accompanhavão a Rainha Noífa Senhora, 6c ef- 
peravão a S. Majeítade no bordo ; & com parti- 
cular benevolência a Filtrijemes, filho de EU 
Rei da Grani Bretanha. 

Entrou S. Majeítade na Camera em a qual Pw*«*w 
eítavaa Rainha N. Senhora veltida de riquif-yL^v/- 



130 Embaixada do Excellent. Senhor 

íi ma tela de ouro branca,ornada toda de tantos, 
<k tão cuftofos diamantes , que fafião ineítima- 
vel o preço delles ; foi reciproca a íatisfação das 
duas Majcítades nem ha termos tão adequados 
quepoflàó explicar dignamente a decoroía Ma- 
jeftadequefe admirou na acção deftas primei- 
ras viítas. Difparou nefte tempo a Capitania,& 
mais navios lnglefes toda a artilheria , & fiíeraó- 
fe todas as mais cerimonias devidas à grandefa 
dos Monarquas , a que fe didicavão. E dando o 
Conde da Ericeira parte a EIRei NoíTo Senhor, 
que citava tudoprompto para Suas Majeftades 
poderem deíembarcar no bargantim,fahiu Sua 
Majeítade com a Rainha Noíía Senhora , & as 
clamas que a accompanhavão , & a Marqueía de 
Alenquer Camareira mor , que antes de chegar 
EIRei N. Senhor havia entrado a beijar a mão à 
Rainha N. Senhora , & exercitar a íiia occupa- 
ção,accópanhada de feus fobrinhos o Conde de 
Aveiras, & o Conde de Vil la- Verde. 
Embanão Entrarão unicamente as duas Majeítades na 
itftadesna camera do bargantim Real,& fora della,de mais 
bargantim <J s grandes que havião vindo nelle,forão tam- 
bém o Marques Conduâorjck: o Conde da Eri- 
ceira. A Marquefa Camareira mor entrou logo 
no bargantim,em que havia vindo , & as damas 
Alemãs fe embarcarão em outro, que eftava 
prompto para eíle effeito , condufindo-as nelle 
o Conde de Oriola, Barão de Alvito, Veador da 
cafa de S. Majeítade , & eftes dous bargantins fe 
adiantarão aos mais , para que a Camareira mòr, 
& damas defembarcaflem a tempo que quando 

chegaíle 



Conde de Villar maior, 6cc. 131 

chegaíTe o bargantim Real aponte, pudeíTem 
accompanhar a Rainha NoíTa Senhora. Logo fe 
embarcarão todos os Grandes que havião vindo 
com EIRei NoíTo Senhor , & os navios repeti- 
rão as falvas de artilheria,6c mofquetaria , & nos 
intervallos fe ouvia grande multidão de trom- 
betas , Ôc charamelas , cuja confonancia fe con- 
fundia alegremente com as acclamaçóes do po- 
vo , que cobria o mar em faluas , & enchia as 
praias. 

Havia- fe deputado para lugar de defembar-^^^'- 
cação a ponte da Cafa da índia por fer o traníito TefemZr- 
mais com modo , 6c breve para paííàr do bargan- q» e : 
tim aos Paços da Ribeira,em que Sua Majeííade 
determinou celebrar as fuás Reaes vodas , 6c pa- 
ra eífe effeito eítavão adornados com a mais rica, 
6c foberba magnificência achando-fe os três 
quartos que eítavão divididos para as duas Ma- 
jeílades, 6c para a Senhora Infante com tantas 
cafas tão ricamente adereííadas,que difficil men- 
te fe achara outro Palácio de mais commodida- 
des , 6c grandefa. Abordou o bargantim Real a 
ponte , 6c ao defembarcar acharão Suas Majeíla- 
óes nella todos os Grandes , & mais peííoas que 
os havião accompanhado com toda a Nobreft, 
Miniítros, 6c Cavalheros particulares , todos có 
ricas galas,6c a guarda Real em ala, veltida de li- 
bré de cafacas bem guarnecidas de paílamanes 
de feda verde, 6c branca , como também era oj^i^f*^ 

pano. asejiaaas 

Sobre as efcadas da ponte fe havia erigido hú TIjTalíl 
pórtico, de que pegava huma galaria, que fe- <"«• 

guindo 



íranfiio á& 
pente para o 



232 Embaixada doExcellent. Senhor 

guindo todo o comprimento delle pa flava n ró- 
per o pateo 9 & armafés da Caía da Índia donde 
íàhia attraveííando a rua da Capella por onde 
entrava em o pateo , & hia anteítar com as efca- 
cadas que fobem à Capella Real. Todo efte gra- 
de traníito comprehendia mil , & trinta & leis 
h-uJ(i ]a P amios 5& fe compunha de quatro corpos , que 
adorno. fe dividião com fachadas de viítoía,ôc rica eílru- 
clura. O primeiro corpo, que era o da ponte, 
fc prolongava deíde o referido pórtico que fica- 
va fobre as efcadas, que decem ao mar the o pri- 
meiro armafem da Caía da índia por quatro cé- 
tos,& rrinta 5 & três palmos , ck; quarenta de lar- 
go^ tinha por cada lado defafete arcos para re- 
ceber a 1 us ; por fima dos arcos corria huma ma- 
geíloía íimalha?affim por dentro , como por fo- 
ra? da qual fahia huma fingida abobeda de pouca 
curvatura 5 & o alto defle primeiro corpo fe co- 
roava pela parte exterior com grades primora- 
íamente douradas,& pintadas. 

No fim defte primeiro corpo , que era onde 
fe terminava a ponte, havia hum portal com 
duas columnas Mofaicas de cada lado , que fen- 
tavão fobre pedeílaes , pilares , 6c trefpilares , & 
fuiientavão capiteis,íimalha , & frontiípicio de 
obra Dórica. Por eíla portada fe entrava no fe- 
gundo corpo deita obra,que fe eftendia pelos ar- 
mafés , & pateo da Cafa da índia por efpaçode 
trefentos & dofe palmos com a uniforme lar- 
gura de quarenta palmos,como a ponte, & com 
outo arcos de cada parte , & fobre elles a mefraa 
íimalhajde que fubião as abobcdas fechadas de 

barrete, 



Conde de Villar maior, &c. 135 

barrete , ou por areíla em rafaó de fe accomoda- 
rem os arcos dos próprios armaíés , & pateo. A 
eíte fegundo corpo fe feguia o terceiro que cor- 
tava a rua da Capella,que corre entre o Paço, & 
ainda que menos prolongada , porque fò conti- 
nha fetenta & cinco palmos , como a largura era 
de feíTenta formava huma efpaçofa íala 3 & tinha 
três janellas por banda , & huma íimalha interi- 
or,que fechava huma abobeda avançada por to- 
das as engras. 

No portal que entra para o pateo da Capella 
em que terminava efte terceiro corpo , ec co- 
meflava o quarto fe fes huma magnifica fachada 
com duas columnas por cada lado , & no meio 
huma que dividia as duas entradas que tem eíle 
portaljck encoífadas em íkus três pilares deícsn- 
íavão nos embafamentos,& pedeftaes da ordem 
Dórica, fafendo realçar mais a perfeição da obra 
huma fimalha Real com feus refaltos,que corria 
por cima das columnas. Sobre cila havia huma 
viftofa baranda de balaiiíres bem torneados em 
cuja barra no plumo das columnas, fe vião húas 
eílatuas de mininos , que efpalhavão flores , & 
formavão capellas. Nos intercolumnios dos 
lados ficavão dous painéis , & nelles pintados de 
primorofa mão dous Anjos de avultada eftatu- 
ra,dos quaes o da parte direita fuftentava o El- 
cudo das armas de Portugal , & o da cíquerda 
outro das armas da Sereniffima Cafa Palatina. 
Daqui fe entrava no Palácio por diítancia de 
dufentos , & féis paífos , & íò trinta de largura 
por fe accommodar a obra aos arcos do pateo, & 

M foi 



Emblemas 
cu ví qne fe 

ornava e/fa 
fabrica. 



134 Embaixada do Excellent. Senhor 

foi o quarto,& ultimo corpo repartido com on- 
fe arcos por banda fobre columnas iguaes à for- 
ni a 5 & proporção das que fuftentão o periftylio 
deite átrio , & por cima delias corria a fimalha 
donde nafeia a abobeda , que fechava por todos 
íeus lados,como as mais. 

Defte pateo havia ainda hum breve tranfito 
que defte quarto corpo com igual por porção de 
obra, dava paílb para a efcada que íbbe agram 
íala dos Tudefcos , porque a tenção de S. JVtajef- 
tade era fubir primeiro à Capella Real , & lèm 
paífar delia ao Paço , tornar a decer pela mefma 
efcada para fubir por eftoutra. Era toda eíta gra- 
de maquina fabricada de madeira , mas tão ajuf- 
tada aos primores da archite&ura na ordem Dó- 
rica pelas fuás columnas , embafamentos , fima- 
lhas,& abobedas,de que toda era cuberta , òc tão 
viíloía pela riquefa de que eírava reveftida , que 
juftamente pudera competir com as fabricas da 
mais celebrada grandeía , a fer a fua períiftencia 
mais durável. Ofeu adorno era tão magnifico 
que o mais primorofo pincel lhe fingia no por- 
tico,arcos , & fachadas os mais finos Mármores, 
Jafpes, Porfidos , & A Jabaftros ; & os mais ricos 
brocados, telas , & fedas de diverfas cores a orna- 
vão,& matiíavão toda , tendo em os arcos , & ja- 
nellasque lhe davão lus , cortinas de damafco 
com fanefas de tela franjadas de ouro. 

Mas tinha eíta fabrica ainda outro adorno 
mais preciofo , porque não fò lifonjeava a vifta, 
mas recreava o entendimento,^: erão figuras de 
exccllente pintura , que íervião de corpo às int 

cripfóes 



Conde de Villar maior, &c. 135 

cripfões com que fe animavão, formando enge- 
nhofos Emblemas, com que a fidelidade Portu- 
guefa proteftava a feus Príncipes a fua incompa- 
rável conftancia , & lhe aufpicava as maiores fe- 
licidades defte Real conforcio; fafendo que para 
efte fim as quatro partes do mudo, em que havia 
feito triumphar as íuas gloriofas bandeiras , fe 
moftraííem reverentes , & obfequiofas a Majef- 
tades tão Auguítas,&: as principais Cidades , que 
em todas quatro conferva o valor Português of- 
ferecefíem os feus tributos , & manifeítafTem a 
fua alegria em doutos elogios. E porque efta 
expoíiçáonão poderá íer ingrata a curiofidade 
erudita , a defcreveremos com toda a individua- <Difcritfão 
ção;& dando principio pelo portico,era eífe pe- fj T or í co ' 
la fua grandeíajarchite&ura, &c ornato digniíli- buT 
rno da primeira viíta de Suas Majeílades, & pro- 
porcionada cabefTa ao vafto corpo de tão luíf ro- 
ía fabrica. Tinha quarenta palmos em quadro 
com quatro faces ; todas as fuás partes eftavão a- 
dequadas à difpoíiçáo Dórica como eraó pedef- 
taes,em bafam en tos, columnas, capiteis , trefpi- 
lares , ck íirnalha ; & tudo fingido das mais ricas 
pedras có o pincel mais fino. Havia cm cada húa 
das três faces que ficavão livres quatro colum- 
nas ; a principal que ficava fobreas efcadas,& 
olhava aoMeio dia tinha entre as quatro colum- 
nas outros tantos nichos hum fobre o outro,re- 
partindo-fe dous a cada intercolumnio , & neí- 
les quatro figuras de vulto,que adornadas de fu- 
ás inlignias , reprefentavão as quatro partes do 
Mundo, & fe mo/travão reconhecer humildes a 

M ij feus 



:mas. 



136 Embaixada do Excellent. Senhor 

feus Principes?ofrerecendolbe tributos do mais 
preciofo que produfem. Separavão-fe os ni- 
chos íuperiores dos inferiores com tarjas 5 em 
que eftavão as letras das figuras ; como também 
havia íemelhantes tarjas debaixo dos nichos in- 
feriores entre os pedeilaes;&aílim fe puferão tã- 
bem em cada pedeítal das columnas três qua- 
dros com feus Emblemas?com que vinhão a ter 
os pedeftaes defta face em altura dos embaía- 
mentos quatorfe painéis de huma medida? ex- 
ceptuando os que dividiáo os nichos fuperiores 
por ficarem mais altos?& a meíma ordem fe ob- 
fervava nas outras duas faces, que fò diverfifica- 
vão deita nas figu ras? letras , & em blemas. Nos 
pedeíf aes deíf a primeira face fe vião as tarjas ? ôc 
letras feguintes. 

A FIGURA de EUROPA era hÚa avulta- 
da donfella de bello gefío?& rico adorno? na 
forma que fe cuftuma pintar eíla nobiliílima 
parte do Mundo? & tinha na fua tarja efta letra 

Ofove Digna Viro 

A ÁSIA que era outra figura da mefma pro- 
porçãojÔc iníignias competentes? reprefentava 
queimar feus odoríferos aromas emfacrificioa 
tantas Majeflades? & na fua tarja a letra 

— Fumabit ad aras 
Hocfemfer %jgina tuas 

A AFRICA ofFereciao feu marfim por tri- 
buto>& difia a letra da tarja Talibus 



Conde de Vill Ar maior, &c. 137 

Talibus invitat donis->dextraque gerendum 
Regina committit ebur 

A AMERICA tinha por letra. 

„— Tibi mi/file ferrum 
Spargit,(s* objequio núlitat tila tvo. 

Cada huma deitas quatro partes do Mundo 5 
tinha nos três quadros do pedeítal 5 que lhe cor- 
refpondia outros três Emblemas. O primeiro 
tinha por titulo. 

Europa Imperijperpetuitasjub Sere- 

nijjtma %egina adLújita- 

riiam extenfa. 

Era a pintura deite primeiro quadro huma 
Águia com duas cabeílas,que olhavão húapara 
Oriente, & outra para Occaíò 3 & a letra era. 

Imperiumfine fine gerit 

II. EMBLEMA. 
TITULO. 

Europa fapientia, tn Lufitaniapraci- 

puè^fub Sereniffima 

Sopbia vigebit 

Era a pintura do quadro a imagem daDeufa 

M iij Palias 



ig8 Embaixada do Excellent. Senhor 

Palias figurada em huma doníella veílida de ar- 
mas brancas com capacete na caberia, lança na 
mão direita,& efeudo na efquerda, & junto del- 
ia em lugar mais inferior o Deos Vulcano com 
os íinaes, & gefto do íbrdido miniíterio das fuás 
officinas, & a letra era. 

'Pallacíe cum do&a, doclas acceperit artes. 

III. EMBLEMA. 
TITULO. 

Europa fereniífimam T^eginam verte- 
r abunda fufpictt. 

A pintura deferevia hum refplandecente, & 
fereno Ceo em que brilhava com mais lufes a 
elrrella do Norte , influindo na terra 5 que fe 
moífrava por baixo dilatada em campinas 5 & le- 
vantada em montes 3 benignos 5 & lufentes raios 5 
& a letra era. 

Vnamfemfer tejujpicit ArBos 
Tars Orbis melior. 

O primeiro dos três quadros da ÁSIA tinha 
por 

TITULO. 

I^eçina Serenif/tma divitem JJiam> 
ditioremreddit. 



Conde de Villár maior, &c. 139 

Era a pintura defte quadro hum grande ef- 
paço de terra cheio de J ufcntes veias de ouro , & 
prata regado de vários rios , cujas preciofas mar- 
ges fe vião enriquicidas d^s áreas deites nobres 
metaescom algumas pérolas ,& pedras precio- 
fas^ em hum Tereno Ceo eltava hum Sol in- 
fluindo com feus aâivos raios aquellas rutilan- 
tes producçóesjòk defia a letra 

Diftans magit ditai 

O fegundo Emblema tinha por 
TITULO. 

Félix ab adventu Serenif/ima 1{e- 
gina Jjitf augurium. 

Continha a pintura do quadro húafermofa 
Águia com os olhos fitos em o Sol, que da parte 
contraria fe moftrava ir fahindo do Oriente, 
desfafendoos vapores que feoppunhaóàsfuas 
brilhantes luíes,6c tinha por letra 

Orientem ajpicit 

O terceiro Emblema tinha eíte 
TITULO. 

Aconnubio JÍuzuftifftma T^eginee 
l^eligionis augmentnm in 
Afia. 
A pintura confiava de dous pivetes poftos 

Miiij fobre 



140 Embaixada do Excellent. Senhor 

fobre hum altar aos quaes ambos accendiaao 
mefmo tempo huma tocha ? & delles íe moítra- 
va íahir hum odorífero fumo ? & era a letra 

Hoc mage Ccekftes Jfix fumabit úâ aras 
Gratus odor. 

O primeiro Emblema da Africa tinha por 

TITULO. 

Afnaejubjettio Ser enlj Cima Lufi- 
tanta T^egina. 

Via-fe pintada no quadro huma gentil car- 
roíla tirada de dous fermofos Leoés,&: nella fen- 
tada com grande majeítade a Deofa Cybeles 
com feptro, & coroa na cabeíTa como mãe dos 
Deufesj £c diíia a fua letra 

Currum Domina? fubiere Leonês 
Era o titulo do fegundo Emblema. 

Novus terror Jfricae obortus^quod 

Serenijfema 7{tgma t ex Germânia^ 

in Lufitaniam transfe- 

ratur. 

Tinha efte quadro por pintura omãppa dá 
barra de Lisboa , & nella huma fermofa Nao có 
bandeira de Capitania ? ornada de muitos galhar- 
detes? 



Conde de VillAr maior, &c. 141 

detes,coni as vellas largas, 6c cheias de profpero 
vento, & muitas outras; nãos de menor porte 
com bandeiras Inglefas , que vinhão em iegui- 
mento da Capitania, hum pouco dii tantes. De 
fronte deita armada para a parte Meridional le 
divifava a coita de Africa , & nella a figura com 
que fe reprefenta eira parte do Mundo còm o 
turbante cahido da cabeíTa , pallida , & attonita 
de admiração,& terror de tão grande armada, & 
era a letra 

(jermania tota feratur 

Navibus, &focia comittentur Claffe TSritanni 
'Pallida translatum jamfentiat AfrkdR^enmn. 

O terceiro Emblema tinha por 

TITULO. 

Africana Luna occafus in adven- 
tu Serenijfima c Rcgina. 

Eftava pintada no quadro huma meia Lua, 
poíta no Occafo com as pontas quebradas , fu- 
gindo da Aurora , figurada por huma fermofa 
eílrella, que brilhando da parte do Oriente faíia 
oppofição à Lua,& tinha por letra. 



Ccrnibus infraBisfc me difeedere cogit 
Aurora fácies. 

EM- 



142 Embaixada do Excellent. Senhor 
EMBLEMAS DA AMERICA. 

I. EMBLEMA. 
TITULO. 

T^egna Augujliffima bárbaros Jhni- 
rictcpopulos benignitate allicit . 

Era a pintura huma grande pedra Lydia? ou 
Himan , que com a fna virtude attrahia muitos 
ferros 5 & a letra era. 

Lapidem fuus ardor agit^ferrumque tenetu^ 
lllecebris. 

II. EMBLEMA. 
TITULO. 

America erga Sercniffimam%t- 
ginam veneratio., 

Continha o quadro a figura da Deufa Diana 
em traje de caíTadora com arco 5 6c frecha na 
mão,aljava ao hombro 3 cabello folto , os braços 
meios defcubertos , Sc os veílidos apanhados 
com hum rico cinto de pérolas 5 & em hum di- 
latado bofquefevíáo aJgúas feras as quaes per- 
feguia eíta Deufa feguida de alguns homés > que 
na cor, & gefto moftravão bem fer os índios de 
America que fervião, & ajudavão a Deufa ncíte 

exerciciojôk a fua letra era 

Confortem. 



Conde de Villar maior, &c. 145 
Confortem Tbiebi gens colit iíta Deam. 

III. EMBLEMA. 
TITULO. 



O 



Regime Serenijfimte Connubiunhts 

proficuumy &- gr atum Lufi- 

tanis. 



Diviíava-fe em o quadro huma verde, & fer- 
moía cana de aíiucar,de cujo pè fe diílilava hum 
preciofo licor,& diíia a letra 

Omne tulit pun&um>qui mifcuit utile dulci. 

A face, que olhava para o Oriente tinha nos 
quatro nichos dos dous intercolumnios outras 
tantas figuras que reprefentaváo os quatro Ele- 
mentos. Dividiáo-fe os nichos com íuas tarjas, 
que continhão a letra de cada huma das figuras, 
éc nos pedeftaes das columnas correfponden- 
tes três Emblemas na forma da face principal, 
que acabamos de efcrever. Occupava o melhor 
lugar o Fogo,& a letra 

Lumineproditnr ufquefuo. 

O Ar tinha por letra 

nimium T>ikjla Deo, tibi militai JEther. 

A Ter- 



144 Embaixada do Excellent. Senhor 
A Terra ornava-fe com a letra 

Flor if eros aperit Terra benigna finus 
Era a letra da Agoa 

fíac c R^ rr J dicite ve slro 
Hauà rwòis pelagi imperiumfavumque tridenteni 
%^yn^Jed forte datum. 

I EMBLEMA. 

Dos três que pertencião ao Fogo 

TITULO, I 

Screnijjtma %egma ignis dominatrix. 

A pintura deíle Emblema era a Deufa Palias 
em figura de luima gentil doníella armada com 
peito de polido crutilante aço 3 capacete na ca- 
beílà 5 lança na mão dircita 5 & Ra efquerda hum 
efeudo. Eílava aos feus pès a informe figura de 
Vulcano 5 Deos do fogo com o gefto afrontado? 
& fordido do exercício das fuás officinas 3 & ti- 
nha a letra 

Imperai j£tnao tua magna potentia fabro. 

II. EMBLEMA, 
TITULO. 



Conde de Villár maior, &cc. 145 

Serenifjimi%egis erga JÍuguílifJimam 
%eginam amor. 

Moftrava o quadro hum ícreno Ceo 3 em que 
brilhava humaformofa Lua para aquallàhiáo 
da terra ardentes chamas de fogo,ôc a letra era 

Quarunt omneS)te>Cyntbia)fiama. 

111. EMBLEMA; 
TITULO. 

Seremfjtmo Lufo anise c Rcgi nuptura^ 

Vlyífipwtm Regina jíuguj- 

tiffima properat 

O quadro reprefentava huma brilhante ef- 
trela com fua cauda em forma de Cometa? que 
corria pelo Ceo 5 & illuítrava-fe com huma letra 

Stelláfacem ducens multa cum luce cucurrlt. 

O Ar occupava o fegundo nichos no pedef- 
tal correfpondente os três Emblemas feguin- 



tes. 



I. EMBLEMA. 
TITULO. 

7{egma Serenifjima Jkm 
domiuatrix. 



N No 



146 Embaixada doExcellent. Senhor 

No quadro fe via pintada a Deofa Juno velH- 
da de roupas roçagantes com grande majefta- 
de 5 cabello folto 5 & coroa na cabeílà ; eftava co- 
mo falando com EIRei Eolo fenhor dos ven- 
tos \ que fe moftra obfequiofo 3 & obediente às 
firas ordés \ refpondendolhe com a feguinte le- 
tra 

TíiUSi ó^egina^uid optes 

Exflorare labor^mibíjujfa cafefferefas e/l. 

II. EMBLEMA. 
TITULO. 

Vlyffíponenjis felicitas. 

Reprefentava-fe no quadro huma bifarra 
Naojiníignia da Cidade de Lisboa com velas lar- 
gas navegando com vento em popa ? & no Ceo 
iereno fe divifava huma Lua brilhante com húa 
1 us encendida 3 ck: diíia a letra 

Hacfauílè rubicunda fat. 

III. EMBLEMA. 
TITULO. 

Connubij ftecunditas. 

Na pintura deite quadro fe via huma precio- 
fa, chuva de ouro que fecundava hum ameno, 
&aprafivel jardim cheio de muita variedade de 
flores peregrinas,&pompofas arvores 5 carrega- 

o as 



Conde de VillAr maior, &c. 147 
dás de deliciofos fruétos, & tinha por letra 

Faictmdis imbribm ather 
T)ejcendit. 

TERRA. 

I. EMBLEMA. 
TITULO. 

Regina Serenifftma Lujltaniam 
claritudinefua illuslrat. 

A pintura defcreviao mappa da terra cuber- 
ta de trevas , as quaes hião fugindo da Aurora? 
que apontava no Oriente , fobre o mar em húa 
carroíTa tirada de dous galhardos ginetes rica- 
mente ajaefados com jaeíès de ouro , de pérolas, 
3c do carro cahia huma fútil , & precioía chuva 
de liquidas pérolas com que fe matifavão as bo- 
ninas,& os campos,6c dava realce a efta pintura 
a letra 

Qarefcit^Hmfulchrafuos Amor a colores 
Explicai. 

II. EMBLEMA. 
TITULO. 

^gime Seremfjimteaufpicata 
facunditas. 

Nij No 



148 Embaixada do ExcellExN:t. Senhor 

No quadro eílava pintada a Deufa Cybeles 
cm huma magnifica carroíía tirada de ferofes 
Leóes,& junto à Deufa muitos mininos de lin- 
do gefto, que moftravãoferem feus filhos, & ef- 
tavão todos coroados, ôc era a letra 

Félix prole virum^qualis Tlericinthia mater 
Invebitur curru. 

III. EMBLEMA. 
TITULO. 

I^egintfprtfcla riffimafuílitia] 
O- Conjlantia. 

Tinha por corpo eíle Emblema a terra pin- 
tada em hum formofo globo pendente no meio 
do ar, 3c difia a letra 

Tonderibui libratafuisjlat. 

A G O A. 

I. EMBLEMA. 

TITULO. 

Serenifjim£e%egin#fáecunditas. 

Viaó-fe nefte primeiro quadro muitos ho- 
més que debaixo das ondas fabião de mergulho 

acima 



Conde de Villár maior, &c. 149 

acima á mofírando os meios corpos defpidos, 
com óculos em os olhos, que he modo de peícar 
as pérolas nas partes da Aíia,& nas mãos moííra- 
vão quantidade de conchas madre pérolas , & a 
letra diíia 

Çemmarum quidquidfelicibus undis 
Nafcitur^una dabit. 

II. EMBLEMA. 
TITULO. 

I 

hufitariue dejiderium. 

Continha o quadro huma varonil donfella, a 
cuja mão direita eftava hum mar , & à efquerda 
hum rio , & deixando eíte fe inclinava toda fo- 
breomarpara extinguir huma infaciavel fede, 
6c era a letra 

Ncquit illafetim reffinguere rivo; 
Trona fetit Maria. 

III. EMBLEMA. 
TITULO. 

Sereniffimaj %ezin<e fulchritudo. 

A pintura era huma chriílalina fonte rodea- 
da de varias taflas de ouro , & prata>cujo remate 

Niij era 



150 Embaixada do Excellent. Senhor 

era huma coroa Rcal;ôc manava deita fonte brã- 
damente puriíiima agoaahum artificiofo tan- 
que,fobre o qual eítavao mancebo Narcifo vé- 
do-fe nas agoas delle 5 em que fe reprefentava na- 
tural mente a fua figura ? 6c era a fua letra 

Hic teferfficuum melius Narcijfe videres. 

TERCEIRAFACE DAPARTE 

do Occafo. 

Nos quatro nichos deita terceira face fe mof- 
travão as figuras das quatro citações do anno 3 & 
occupava o primeiro 

A PRIMAVERA^ 

' A fua letra era 

Ver erit aternum^Zefhyrique tepentibus auris 
Mulcebunt natos Sophia de femine flores, 

O ESTIO. 

Tinha por letra 

Ditior oblateis mirabitur íncola mejfesl 

O OUTONO. 

Explicava-fe com a letra feguinte 

Htfctibifacra Aatur -, fortunatumque tenebis 
Autiwmum& fuhisfcmpr ditabere gomis. O 



Conde de Villar maior, &c. 151 
O INVERNO. 

Diíia na íua letra 

Efficit angujlos non tibi bruma dies. 

Tinha cada huma das quatro eítaçóes os feus 

j. 3 

três Emblemas nos pedeftaes correfpondentcs, 
como nas outras duas faces. 

PRIMAVERA. 

L EMBLEMA. 

TI TULO. 

Felix%jgin£efutur£e])rolisprognojlicoti. 

Defcrevia o quadro hum alegre prado mati- 
fado de varias cores , íintilando entre ellas com 
mais foberba gala aquella que toma o nome dei- 
ta eítação do tempo , chamando-fe Primavera 
por fer a que com mais certo,& anticipado pro- 
gnoftico,annúcia a fertilidade da terra , & ador- 
nava-fe có a letra 

Sifuperantfloresrfariterquoquepomafequentur. 

II. EMBLEMA. 
TITULO. 

Exfeliciffimis miptijs Lufitam 
Ifygum arbor revirefcit 

Niiij ' No 



1^2 Embaixada doExcellent. Senhor 

No quadro femoílravahumaformoía arvo- 
rejem cujo troco fe vião as armas Reaes de Por- 
tugal 5 ck: no mais alto delia hum ramo cortado, 
& nelle enxertado hum garfo,que eítava attado 
com hum formofo liítáo ; mas era tão bello, & 
viítofo o enxerto,que bem moftrava na íuagala 
fer peregrino,&: exceder a formofura da arvore, 
& tinha por letra 

- - Sic ramúm ramus adoptai^ 
Statquepercgrinis arbor aperta conns. 

III. EMBLEMA. 
TITULO. 

Afuiua Sereniffimorum l^egum Te» 

tri , & Scpbia? aci twptias pro» 

penfo. 

Formava o corpo deite Emblema hurna põ- 
pofa arvore,à qual pertendião fubir quatro Leõ- 
es rapantcs 3 hum de prata com coroa de ouro 
em campo negro 3 outro negro em campo de ou- 
ro,o terceiro de purpura cm campo de prata , Sc 
o quarto de prata em campo vermelho. Na ar- 
vore fe vião muitos cetros, & alguns ramos de 
ouro entre os verdes ; coroavão-le com huma 
coroa Eleitoral , & entre os mais ramos eítava 
hum mais formofo, & crefcido pelo qual pu- 
xava com a mão direita hum gent.il mancebo, 
veítido com opa Real,coroa na cabefla , òk cetro 
na mão efquerda; a letra era 

Volens 



Conde de Villàr maior, &c. 153 

Volensfacilijqucfeqttetur. 

ESTIO. 

I. EMBLEMA. 
TITULO. 

F^er deitas eejlatis ex Serenijfima 
TfygiHíe adventu. 

Ornava-fe o quadro com a figura da Deofa 
Ceres com grande copia de efpigas de trigo na 
mão; & oceupava huma majeftofa carroíTa? pela 
qual tiravão dous Dragóes ? & tinha por letra 

Jride data populisf ruges. 

II. EMBLEMA. 
TITULO. 

Concórdia Hiffani^O- Lufítania. 

Reprefentavaa pintura do quadro hum fer- 
mofo mappa do Ceo ? no qual íe via o Sol na ca- 
ík de virgo ? que eítava no Zenith 5 & o figno de 
Leo antecedente a efte o eílava vendo por lhe 
hir diante,& a letra diíia 



Obfervat amice] 
Torva Qeoneijubajideris. 



III-. Em- 



154 Embaixada doExcellent. Senhor 

III. EMBLEMA; 
TITULO. 

Menfe duguslo& vitam qnondanh 
O- nunc Lufoania coronam csl 
aufpicata. 
Em o quadro defcrevia-fe hum Ceo 5 & nellc 
occupava o Sol o íígno de Leo ? & na terra que 
lhe ficava inferior fe via em hum efpaçofo pra- 
do huma formofa arvore , & no mais alto delia 
hum gétil pomo 3 raiado de vermelho , que bem 
moítravafermaçãjdasquechamão de Capella 3 
ck da rama pendia a letra 

Ex tunc Sidónio crhútur nwrice pomum. 

OUTONO. 

I. EMBLEMA. 
TITULO. 

Lufitania vigtlantia erga Scre- 
nijftniam%mnam. 

Via-fe no quadro hum bello jardim > & no 
meio delle huma pompofa arvore de cujos ra- 
mos pendia hum pomo de ouro ; ao pè da arvo- 
re eftava hum Dragão, não menos feros que vi- 
gilante pela guarda daquelle preciofo fructo; 
junto a elle eftava a figura de Hercules rcpre- 
ícntadaem hum aggigantado mancebo cuberto 

com 



Conde de Villar maior, &c. 155 

com a p elle de hum Leão com maíTa nas mãos, 
& lançando mantimento ao Dragão procurava 
divertilo para fafer roubo em o pomo ; mas a vi- 
gilância do Dragão lhe fruíra va toda a íua induí- 
tria 5 &: defenganava a Hercules com o verfo íe- 
guinte que tinha por letra 

Lumina cuílodh fuccumbere nefciafomno. 

II. EMBLEMA. 

TITULO. 

Sereniffima %evjnce Majeftas. 

Tinha por pintura hum fecundo pomar com 
muitas arvores carregadas com vários f ruc~tos,& 
entre todas fe moílrava fuperior na gala 5 & fe- 
cundidade huma Romeira com feus pomos co- 
roados 3 & a letra diíia 

- - - Excelfa corona 
Enúnet. 

III. EMBLEMA. 
TITULO. 

Ex novo cmjugio Lufitanorum 2^ 
gum arbor SereniJJima Regina 
novisfatibus ditefcit. 

-' Formava-fe o corpo do Emblema com húa 

copada 



156 Embaixada doExcellent. Senhor 

copada arvore carregada de viíloíos fructos 3 6c a 
letra era 

Exijt ad Calnm ramisfelicibus arbor 
Adir atur que novas frondes&poma. 

INVERNO. 

I. EMBLEMA. 
TITULO. 

Serenlffima %cgina orta in %jgione, 

cniíe hiberna nive perpetuum 

ablicat. 

Eflava no quadro hum grande monte cuber- 
to de neve 5 & fobre elle a Deofa Flora coroada 
deíIores 5 & com o veílido primorofamente ma- 
tiíado das mefmas;& moftrava eílar plantado 
naquclle monte hum formoíò ramo de rofeira, 
que fuílentava huma bella rofa encarnada 3 ôc ti- 
nha por letra 

Nofcit) ú> algentes pingere Flora nives. 

II. EMBLEMA. 
TITULO. 

Serenifjtmx Regina adventu nova 
fácies rei Lufitana. 



.. 



Via-fe no quadro húa ferpe com afãs na for- 
ma 



Conde de Villar maior, &cc. 157 

ma que fe pinta no timbre do efcudo das armas 
Reaes deíia coroa , ôc vinha fahindo debaixo da 
terra ornada de nova pele por ter 7 defpido a ve- 
lha,ôc a letra diíia 

Quem bruma tegebat 
T>epofois novus exuvijs. 

III. EMBLEMA. 

TITULO. 



Serenijjima %eginapos~thabito na- 
t ah Joio amore capitur Lufoa- 

Na pintura deite quadro fe figurava hum 
formoio rio gelado cingido de montes cubertos 
de neve , & muitas arvores , a quem o rigor do 
frio havia defpojado da fua verde pompa. Da 
outra parte fe via huma dilatada Região,que pe- 
los benévolos influxos defeu clima eftava re- 
vertida de muitas flores,& formofas arvores car- 
regadas de aggradaveis,& fafonados fruéèos , có- 
vidando todo eíle viftofo afpeclo a huma alegre 
recreaçác,& aflim fe via ir voando huma Águia 
Real daquella parte para eíta,& a primeira parte 
tinha por letra 

Non %beni glacies non nos 'RJoipbaa ttnebmt 
Frigora. 

E na fegunda era a letra 

O Terras 



158 Embaixada do Excellent. Senhor 

— - Terras alio calcntes 
Sole mutamus. 

Sobre os pi u mos dascolumnas das três faces 
deite pórtico havia quatorfe figuras de outras 
tantas virtudes artificioía mente coloridas 5 & or- 
nadas das fuás infignias,& tarjas,que em dil ticos 
engrandeciáo os louvores de Suas Majeftades 3 & 
nos auguravao as maiores felicidades; 

A primeira era a Fidelidade , que fuftentava 
huma taifa em que feviáo muitos corações 5 & 
difia a letra 

Corda tibi ojferimus Luforum b<ecfida catino: 
Nulla magis certum eslferculagrata fore. 

A fegunda era a verdade 5 & a fua iníignia hú 
chriftalino efpelho na mão ? & a letra 

Vera locjuorrfulchramSophia? qui dicere formam 
Jddtéitatyjpeculmn confulat ille meum. 

A terceira,aObediécia có jugo,& afãs na mão> 
& a letra. 

Qua dat collajugo,ZepbyrisJpirantibus aliam 
Téiidih ut imperijsjit mora nulla tuis 

4 A Fortalefa có lança,& columnaj& o dif« 
tico 

Âlterafert telum^manus altera nixa columna eH 
Vtracjiiepro Sopbiajirma^ arnica marms» 



Conde de Villár maior, &c. 159 

5 A liberalidade efpalhádo jóias, 6c dinhei- 
ro 3 & o feu diílico 

< Dextera quidquidbabet pertij difiunditiad omue 
Sopbia eft múnus fie tua larga manus. 

6 A Victoria com palma 3 de coroa , & por 
letra 

Cum palma attollit viaforia lata coronam\ 
Vtraque nec mentis aqua : Sopbia, tuis. 

7 A Vigilância com as roupas que veília íe- 
meadas de olhos;6c o diílico era 

Adfum altcr-p^gina-, Argus, nec vera négabo\ 
Vna adeò vigilem me tua forma facit. 

8 A Prudência 5 & tinha hum livro , & húa 
cobra na mão direita,& na tarja a letra 

Mente libros dextraque angues innoxia trácio: 
Ha quoquefunt artes^docla Sopbia^tua?. 

9 AFè Catholica com Crus >&Calis com 
Hoítia 3 ôc o diílico diíia. 

Ama triwnpbali cum fie circunjpicit ar cu, 
Ter Sopbiam àicit cr ej cere in orbe , Fides. 

10 A Juíliça com efpada, & balança , & era 
o feu diílico 

Quis neget Afirmam Lyfta regnare , Sopbiam 
Cum yideat Lyfijs applicuijfieplagis, 

O ij t 1 A 



i6o Embaixada do Excellent. Senhor 

ii A Sapiencia 5 com capacete? & efcudo de 
Palias? &c o diftico 

T alias ego f fed cedo loco,Neoburgica T alias 
Cum Lujo irradiai do&a Sophiapolo. 

12 A Efpcrança com as afãs foltas para íu- 
bir ao Ceo 5 & o feu diftico era 

Vhra quodjperem nihil esljiihil amplms opto 
Aíetafuit votis^una Sophia méis. 

13 A Piedade com hum pi vetario de pratai 
& moftras de fumo;&; a letra diíia 

Thuraoffertpietasfupcristfro thure Sophia 
Nosler in objequium non minus ardet amor. 

14 A Clemencia 5 a qual fuftentava hum ef- 
cudo em que eftava pintado hum Leaó , que ti- 
nha aos fcus pès hum homem fem lhe fafer da- 
1105& o feu diftico era 

Subjeílis parcit Clementia^nulla Sophia:^ 
Àd ateriam vénia culpa futura dabit. 

Sobre efte majeftofo corpo fubia outro de 
igual grandefa,& adorno de quatro faces em ca- 
da huma das quaes havia duas columnas fingi- 
das de precioiò jafpe,que fentavão fobre feus 
pedeftaes , &c embaíFamentos 5 & fe ornaváo de 
capiteis 3 & fimalha Real ? tudo da Ordem Dóri- 
ca , & nas engras fobre majeftofas quartellas fe 
di vifavão quatro figuras 3 que em grave ? & rico 

traje 



Conde de Viixar maior, &:c. 161 

traje repreíentavão as quatro principais Cidades 
deíle Reino. Era a primeira a inclyta Lisboa 
iiobiliííimo aíTento dos Monarcas Portugueíes, 
ôc a mais intereifada na lua confervação , & feli- 
cidades. Sufpendia na mão direita o efcudo das 
fuás armas,que eraó huma foberba nao à vela , Ôc 
tinha por letra 

Vrbs orbem^ navis clavum tibi fuhjicit ; urbis 
Cea Nce in bac írbem nave Sopbia regei. 

Na parte oppofia eftava Évora com o Efcu- 
do das fuás armas, que he a effigie do íeu liberta- 
dor Giraldo -j aquém a illuftre acção de tirar do 
tyrannico jugo efta Cidade, deu juílamente o 
heróico titulo de fempavor. Montava hum for- 
moíb cavallo com a efpada nua em huma mão, 
& na outra duas cabeílas,& era a fua letra 

Ne capitarem jnimic a time\ tibi militai enfe 
Elbora,& hoc viclrixjceptra Scphia geres. 

A terceira Cidade era Coimbra , digna deíle 
lugar pelo feu aggradavel,& deliciofo iitio , ma- 
jeftofos edificios , & muito mais por fer promp- 
tuario das ciências , & domicilio das Muías. Ti- 
nha por armas em hum efcudo de campo aful 
huma torre , & fobre ellahuma molher entre 
Leão rapante de cor roxa, & hum Dragaó ver- 
cle,& a letra era 

Quam Leotfuam íerpens obfervat Talladis arcenh 
Afr dnbitesJe dem bane e/Te Sophia tuam. 

Oiij ' A 



i62 Embaixada do Excellent. Senhor 

A quarta Cidade era a do Porto , celebre não 
fò pelo feu commercio, & opulência , mas mui- 
to mais por haver denominado o Reino de Por- 
tugal , chamado antes Lufitania. Tinha no feu 
eícudo duas torres cm campo vermelho coma 
Sagrada imagem da Mãe de Deus , que íuítenta- 
va em feus braços , & na orla do eícudo eílavão 
eí cri tas eílas palavras. 

CIDADE DA VIRGEM. 

E difia a letra 

Me fervant gemina MarU^fub federe % turre S' y 
His tutafoc Tortum federe du&a tene. 

Entre eftas quatro figuras havia no meio de 
cada huma das faces hum viftofo arco de recor- 
tados guarnecido com faítóes deflores tãoarti- 
ficiofamente coloridas que fe equivocavão com 
as verdadeiras. Em cada hum deíles arcos cita- 
va huma grande figura de vulto de maior eílat li- 
ra, que a natural, recortada fobre huma urna. 
Coroavão-fe ambas de limos ,& canas, que tão 
bem cobrião algúa parte do corpo,porq no mais 
eílavão defpedidas , &c reprefentavão os quatro 
maiores rios , q regão, & fertilifaó eíle Reino. O 
Tejo que occupava o arco da primeira face ti- 
nha por letra 

famfluit unda Tagi multo pretiofeorauro', 
Cumpretiofaftio eH ve&a Sopkia yado. 

vJ 



Conde de Villar maior, &c. 163 
O Mondego 

Steilifero qui Monda cadit de vértice^ plantas 
Amne^Sophla^ tuas dumpetit^ajírajuiit. 

O Douro 

Fertur ar undineis formo/u s 'Daria rlpis\ 
Tulchrior adventufPulcbra Sophia, tuo cjl. 

O Minho 

Çurgite qui Mimas duo divit inclyta re<gia\ 
Subjicit imperijs atraque regna tuis. 

Sobre eítes quatro rios na parte que refpó- 
diaao meio do arco por cima da íimalhaReal 
defre fegundo corpo do pórtico eílavão as ar- 
mas Reaes de Portugal viftofamente ornadas de 
formofos faílóes de flores. Terminava todo o 
corpo em huma meia laranja de figura outava- 
da,cujas engras em forma de painéis íe dividião 
com molduras de fingida pedraria vermelha , de 
negra. O cume deita cúpula tinha hum formo* 
fo pedeítal 5 que fervia debaíi a huma figura ag~ 
gigantada veftida de roupas roçagantes , &: com 
hum clarim na boca moílrava bem fer a figura 
da Fama? q reprefétava entoar o verfo íeguinte; 

Vnum hotpro cuncHsfama loquatur opus. 

As paredes da parte interior do primeiro cor- 
po deite pórtico eílavão guarnecidas 3 não fò de 

O iiij pilares? 



164 Embaixada do Excellent. Senhor 

pilares 5 embafamentos,& capiteis Dóricos , mas 
de airofos quadros > que continhaó os doíe %- 
nos Celeftesj & outo conítellaçóes , que depois 
de nos armúciarem em difticos felices aufpicios 
deílas Reaes vodas 5 davão matéria a outros tan- 
tos Emblemas. 

I. SIGNO ARIES. 

Signa inter quànquarnprimumpbijemper honor em 
Qtue reliquas inter prima^ Sopbia 7 dabo. 

EMBLEMA: 
TITULO. 

Serenifjlma%eginaex Auguíliffimá 
equitum velieris atirei proja^ 
pia Lufitaniam ditai. 

Reprefentava efte quadro huma Coroa Im- 
perial de que pendia bum colar de ouro coma 
iníignia de Tufaó 5 6c a letra diíia 

Diceris aurata vcllere clives ovis. 

II. SIGNO TAU RO. 

ABra tenet^natam quòdvextt Agenor e k Taurm^ 
Si Sophiam veberet ceifar illejoret. 

EMBLEMA. 
TITULO. 

Serèniffma Regina peregrina l$ri- 

t amor um claffe adve&a. A PHX* 



Conde de Villar maior, &c. 16$ 

A pintura do quadro era huma donfelia Ten- 
tada íobre hum touro attraveíTando hum golfo 
de mar ? figura de Europa,& tinha por letra 

Tranfvehlat peregrina ratis, peregrina venuflas 
Quam decorat. 

III. SIGNO GEMINI. 

Mercurij domus in Çeminis Sophiaque Tetroque: 
Sic ea,qua Celunhfert nwdofignajolum. 

EMBLEMA. 
TITULO. 

Sub Tetro^ Soçhia Serenifjimis 
firma Jlabit Lufitania. 

Continha eíle quadro hum formoíb arco 
íuftentado de duas columnas de jafpe,& nelle fe 
vião as armas de Portugal com huma coroa Im- 
perial com a feguinte letra 

Çeminis molesfirmata columnis 

Dum sleterity neu damna time. 

IV. SIGNO CANCRO. 

Non tot habet Câncer >quot braçhia Lyjiafelix: 
Tendit in amplexum^ ^egiajponjajuum. 

EMBLEMA. 
TITULO. 

Ad prima %egi£fobolis indicia augmen- 
tumfibi auguratur Lufitania 

in Cancro adumbrata. No 



i66 Embaixada do Excellent. Senhor 

No quadro fe via hum grande Caranguejo 
aberto , & cheio de coral 5 Sc na parte fuperior 
em hum forni ofo Ceo fe moftrava hum a bri- 
lhante Lua cheia 3 & tinha por letra 

c Iunc tntus capit awgnentnm cum plena nitefch 
Lunagolo. 

V. SIGNO LEO, CASA DO SOL. 

Stemwd Leo Sopbia ejl, & T\ex Sol Lyfius\ orbl\ 
Cum fcdeant folioJ$ol>Leo jura dabunt. 

EMBLEM A. 
TITULO. 

Sereniffimam c B s ^ginam Soli Segi 
nubere decebat. 

A pintura deite quadro reprefentava a per- 
fpeâiva de hum edifício fumtuoío,&: em huma 
janella delle fe via hum Leaó coroado, de em ci- 
ma da Coroa oSoI ; ck eílaváo gravadas na janella 
eílas palavras 

Lco uniceSolis domus; Sc a letra diíla. 

Solum admitth Solem. 

VI. SIGNO VIRGO, CASA DE MER- 

enrio. 

Oitis fuh eloquij) Maia Deus orte^AIagisler 
Àde docuit Sophiam bac virgo Scpbia domo. 

EM- 



Conde de Villar maior, &c\ 167 
EMBLEMA. 
TITULO. 

Sereniffima%egtna Sopbia ipjius 
etiamfafientiíe wagsbra. 

Moftrava-fe no quadro a figura da Deufa Pal- 
ias fentada em hum Throno com capacete co- 
roado,na cabeça , & lança na mão , & o Deus 
Mercúrio aos feus pès em figura de hum gentil 
mãcebo com capacete com afas,talares nos pès, 
& caduceo na mão,& com eílas palavras junto 

Virzp domus Mercurij; & tinha por letra. 

-« VnumTlritomaT \illas 
Quem docuit^multaque injignem reddidit arte, 

VIL SIGNO LIBRA. 

Libra diem nofti cuncíis regionibus tequati 
fuslitia typus esl ■ nempeSophiarfua*. 

EMBLEMA. 
TITULO. 

SerenniffimaT^egmaprtf omni- 
bus eleBa. 

Figurava-fe no quadro hum braço, que fahia 
dehumanuvem,&íuftentavana mão humas 

balan- 



i6S Embaixada do Excellent. Senhor 

balanças,emhumadas quaes eftavão douscep- 
tros,& duas Coroas 3 & na outra huma preciofa 
pedra com humas letras qne difião 

SjfhU lápis; & a letra do Emblema era. 

^raponderat Omnibus. 

VIU. SIGNO ESCORPIAM \ CASA D E 

Marte. 

Gaudet in hac Mavors^fremh hac quando exitab AuIa 
Ne f rematam própria claude Sopbia domo. 



■ 



EMBLEMA. 
TITULO. 

Adtadas nuptiales Serenifjimo- 
rum TÇfum Mars extin- 
gtitur, 

A pintura conítava de hum circulo de encé- 
didas braías, & no meio delias eftava hum efcor- 
pião 5 que f uriofo 5 & impaciente fe eftava matan- 
do com o íeu próprio efporaó , & tinha à mar- 
gem eftas palavras 

Scorpms domns Martis; & a letra diíia- 

Infua tum rabidamconvertit vi/cera dextram. 

IX. SIGNO SAGITTARIO. 

^Pone arcum Cbrionjetheas pone fagittas: 
Nam modo conter quet Jpicu/ajolus amor. EM- 



Conde de Villár maior, &c. i 69 
EMBLEMA. 

TITULO. 

Lufoanorum amor erga Sereniffe* 
mam Tfygmam. 

Era a pintura do quadro o Deus Cupido có 
os olhos vendadosj com afua aljava 5 & arco ti- 
rando fetas , de que muitas peííoas fe viáo feri- 
das>& tinha por letra. 

•— Taphiusjixit fervida corda puer. 

c A PE R. 
X. SIGNO, CASA DE SATURNO. 

Férrea Saturnifede hac convertit in aurum 
Secula^fub Sophia t alia feda fluent. 



c 
O 



EMBLEMA. 



TITULO. 

Lujít ania felicitas Serénijjtma %e- 
gina regnante. 

No quadro fe via o Signo de Capricorno cu- 
bertodeouro comas pontas do m elmo metal, 
entre as quaes citava a eftrella de Saturno,& lan 
cava efte íigno huma chuva de ouro que cania 
no Reino de Portugal reprefentado em hum 
mappa que lhe ficava inferior, & tinha efcrito 
as palavras. P CafrU 



ijo Embaixada do Exceixent. Senhor 
Capricomusjdonms Sàturni^ &C a letra era. 

.*— %jdeunt Satutnia%egna. 

AMPHORA. 
XI. SIGNO. 

NcEfaream í fuperisjúbeor tibifundere limphami 
T)ignum equidempafci nettare numenades. 

EMBLEMA. 
TITULO. . ,„ 

Florebit Lufetanid^dum Sophiâ 
regnaverit Seretiifftma. 

Occupava ò quadro hum formofo jardim 
com variedade de flores 5 humas mal abertas? &: 
outras deímaiadas , como murchas da calma 5 & 
no meio defte jardim eílava huma Nimpha 5 que 
com hum regador de prata as andava regando, 
&c as que acabavão de lograr aquelle beneficio 
fe moftraváo logoirefcáSjcVviçofas 3 & a infcri- 
pçaó difia 

Lide vigor yohrtuj que venit. 

PISCES. 

r 

■ 

XII. SIGNO C AS A DE JÚPITER. 









fupiter nfbraifòkmjijces dantAtfuWcrJ&únQ 
Sic trina in domo dai tíbifceptrapclus. 



Conde de Vill ar maior, &c. 171 
EMBLEMA. 

T I T U L O. 

fufiter in Tifábus ícternum Sercnijfimrt 
%egin<e JmperiumpQrtemlit, 

Formavao dous peixes no quadro a figura de 
hum circulo,& fobre a parte íuperior eftava hu- 
ma Coroa Real com a letra 

Imperjum fine fine dedu 

As outo conftellaçóes que faíiáo viííofa com- 
panhia aos dofe íignos fica vão junto das engras? 
em igual diítancia,&: eraó as feguintes 

I. CONSTELLAC, AM. 
CASSIOPEIA. 

Caffiope catbedra cedatjiamjure Scpbia 
Ttebitãicui cedet docla Minerva Juam. 

II. LYRA. 

En Lyra caleílis laudes diclura Sophite: 
JSlon aliapoterant illius acta cani. 

III. CiES ARIES. 

j/áurea Cafiariesfídgctjedpurius aurum 
Sanmm Cafiareo nata Sopkia refert. 

Pij IV, 



172 Embaixada do Excelient. Senhor 

IV. ARA. 

Vnapolo nitet Ar avalias fed confecrat aras 
Lyjta %eginapefforejida íua 



• 



V. CORONA. 

Ifta Corona polo radiarjed nojtra Sophia 
In capite& Calo ejl quaqp.e corona ftiO. 

VI. AQUI LA. 

Non Afilia movet arma Dracojam Lufas m um 
Stemmate Lufiadumfaderapacis babet, 

VII: PHiE N I X. 

'Dícitur aternum Tbanix quòdvivat in avum 
Vivat y & atemos noflra Sophia dies. 

VIII. OLOR. 

& canlt albus Olor fuprema in no&e, Sophia. 
Nox abit adventuyjam canet ille die. 

O tecto deita entrada fe compunha de caixi- 
lhos 5 que com o colorido de varias pedras divi- 
dião airoíamente almofadas da meíma obra 5 & 
primor. Occupava o meio do teóto hum for- 
niofo quadro 3 em quefe via huma Águia Real 

beben- 



Conde de Villar maior, &c. 173 

bebendo com immovel afpeâo os brilhantes 
raios de hum Sol 5 aquem íeguia com aggiganta- 
dos voos,& em huma fenda encarnada moi irava 
efta letra 

■ 

c Parlor illam 
Solis fervor alit 

Na aduella do arco, que pela parte do mar da- 
va entrada a efte pórtico , & ponte eftava eícrita 
afeguinte inícripção em letras de ouro bem 
avultadas. 

Vide Calum novurn^ &• terram novam. 

Nos lados deite primeiro corpo da ponte pe- 
la parte interior entre asjanellas havia muitas 
figuras de donfellas de primorofo pincel , que 
reprefentavão as Cidades 5 & fortalefas mais ce- 
lebres que efta Monarquia domina nas quatro 
partes do Mundo , & em elogios doutos que ti- 
nhão efcritos aos pès moftravão as heróicas ac- 
çóes,que o valor rortugues havia obrado , na 
fua conquifta 5 & defenía 5 tirando delias motivo 
para fe congratularem das Auguftas vodas de 
Suas Majeftades,ôc eíperarem que por meio del- 
ias fe eftabeleceria a fua fegurança 3 & fe augrné- 
taria a Sua gloria. 

Eftevão todas pela fua ordem na forma fe- 
guinte;em o lado direito 



Piij CAS- 



174 Embaixada do Excellent. Senhor 
CASTRUM RODERICI. 

Amonte 
Cuime %ex Dionyfius impofuit, 

Jlare dicíich 
Et caslellum inconcujfum 
Caílètlehfès vidi 
Infugam converjos. 
Ca/ira caílris coritulerant, 
Hi/panh & Lufitaniy 

Steterunt Lufitana cãslra\ 
Aslativis excita funt Hijpana] 

&sleti 
Vix câílrci collocavit 

Tetrus faquefiis Magaliarièsl 
Cumpotitus eíl hoflium cajlris* 
Tartim c#fo 
Etpartim capto exercitu, 
fugit T>ux Ojpmenfes. 
Colligere vaja nonpotuih 
Quj ânimos colligebat adfugám^ 
lít expeditmsfugereh 
%eliquit impedimento 
Nccfletit vittfjiducia) 

hliji infuga\ 
Euzfitis dcnique boftibus 
Semper ameis %egibusjleti* 9 
Adeos bodie 
GratuUbundum advolaren^ 
Si montes 5 &* caslella 
moverentur. 

pha; 



Conde de Villar maior, &c. 175' 
PHARU S. 

Regendo naviganúum itineri, 

EreBafuit Tharos JE<^yfú y 
Illujlrando Lufitanorum nomini 
ConflruBafuit Algarbice Toaras; 

ília vias monjlravity 
Hac indicai vitíorias. 
Vicit in Algarbia Mauros 

Alpbonjus ter tias, 
Vicit Sancius p-imus-i 
Viát-i & Taius Corrêa j 
fofuè Lufitanus? 
Quifixo in jolts rota clavo dicmprcducens 
Mabumetani exercitus cladeluna confixit, 
Mtilta alia protelar a facínora, 
}n Algarbia %jegno catraia, 
In Incem r evocar et hac THA^RVS. 
Nijtejfent luce clariora. 
*Pro alijs vicinis urbibus, 
Htfc una loqukur. 
Vrbs enim Silven/ts 
Olim inclytajam eíl fúvcjlús 
Tavila Lacobrictc-i&Thari amula y 
T)efuojure concedit\ 
. Hoc triuphali Tetri&Marirt die-, 
OmnesLufitanitf urbes ut aqualiter impcret 
Defolafervitute contendunt. 

H E L V I A. 

Marmóreos arcus } quos hic vides, 
Non tam ducendis afãs-, quam triumpbis 
Er e fios puta, 

Piiij Nun* 



176 Embaixada do ExCellent. Senhor 

Nimquam non triumphavit Helvia: 
AMauris ter capta-) 
A tribus ^Regibus Lujitanis 

Ter vindicata 
%uinasin triumphos converta. 
; Dedere Hijpani caujam quarto triumpho 9 
Quifuit maior omnibus 9 
Si vichjpeclentur\ O* viElor. 
Máximos Hifpania Diices^ 
Haron íw,ó> San- Germafjun^ 
Maiores Hijpariue vires 
Maiores que viros-, 
Obfidenda Helvice intentos? 
Vno conflãíu profligavit 
Maior omnibus beros, 
Antonius Ludovicus Menejtusy 

Mar chio Marialb*. 
Tantum Helvia triumphum? 
Vmispojfet arcus Ccekffis exprimere 
Si bellajtgnaret. 
%egia mtnc capita coronabit Caleslis arcus\ 
Sinejagittis eji\ 
Amor in %egapcc~íora cunBas mijit. 

VILLA VIÇOSA. 

Afoli ubert atesar borumque luxurie 
hufitanicé fie di£7a, 
Fecunditatem meam coronavi 
Sceptorumferti/is&palmarumj 
^Brigantinorum T>ucum origo,&- fedes ',' 
T^roduxi heroumjilvam, 

Omnef- 



Conde de Villar maior, &c. 177 

Omnejque 'Regias Europa ílirpes 
'Ratnis aux'h &* ornavi. 
Injitas coronis palmas. 
Quis numeretl 
Vidi olim fubá fios 
Ab Alphonjo jecunào Mauros\ 
Vidi nuper 
Totam Montis Gari planitiem 
Gariffemis cmnuíatam trophais. 
Irrupit in MarchioneCarajenai 
Cafiellenjium T>ucem 
Adarchio MariabU-, 
Et profligatis obfejforibus obfidionemfolvit 
Serv aturem meumpatrice patrem quis neget} 
^egum cunas^me bofiibus intaclafervavit: 
Quis non dicat ajfertorem fltygnii 
Infoannis quarti Capite 
Hac viUoria coronam firmavit. 
Redeo a d Caslellenfes, 
Siquos forte invenerimj 

Nam quinque millibus ccefis, 
'Totidemque captis 
T>ecumano fluffu 
Abfortus çvanuit Hifpanus excrcitus 
Rigatis hosliumfanguine capis 
Villa Viçofapulchrius florui\ 
Nunc ornando %egum Tioalamo 
Rofeas corollas texo* 



CONIMBRICA, 

^Bellommprius cokiy 



Quam 



178 Eaísáíxada do Excellent. Senhor 

Quàm Minervam, 
Ohm in libcrtatem vmdicata 
A bellatore 
Dm decies&fepties Mauros vicerat. 

Comes Henricus is esl, 
Omnes inje beroas collegerat-y 
Vt unus omnes Chrifii hojles difflparet. 
InUiUita deinde fui, 
Afoanne tertio 
Lufitanitf Academia^ 
Vt ejfem Europa magiftra. 

Abalijs urbibusy 
^ebus omnibus differo'^ 

Sunt erim mibi > 
T^ro ícdibus Scbok: 
<pro incolis Mufa\ 
Tro divitijsfcientitfy 
Tro armis litera^ 
Tro ducibus Magiftri; 
Tro militibus difeipuli; ■ 
Suas in clajjes centuriati\ 

Tlus triginta leucis y 

Ab Aula diílo^ 

Me tamen habitas] 
Augujliffima Sopbiay 
Sum enim domiciliam fapicntjéC, 

EBORA. 

(jerarãus^cognomentoimpavidusl 

Omnem ab Ebor 'apavorem depulit, 

Çum Mauros ejecit. 

Nullum 



Conde de Villar maior, &c. 179 

Nullumpofte.t timuit koslem 

Gvitas, 
Qux ipfos Dei kojles vicerat. 
Sic 9 manjit Ebora impávida, 
Sednon ilUja'. 
Percuti bellopotuit t non metu. 
Vix enim captafuit 
Cum recepta, 
Ne locus daretur timori. 
Vt citius ad Eboram viUoria afflueretj 
3Pugnâ 9 a Canali di£ta 7 tranjmeavit. 

Nvllas egit r adices palma v'áioris\ 
lilamexfaannis Auílriaci manu 
Sancius EmmanualComes de Villa-flor 
No» .dum firmat4m 
Eripuit, 
Etpro&ravtt Hi/pania, aàhuc triupbãtem: 
Procuthinc timoris umbrcc\ 
Novis femper clarefcet viBorijs 

E^O^J. 
Si armispugnabitur) 
Habetin %ege,Martem: 
Si certarint ingenia 
In 'Kggmaobabet Talladem. 

BRACCARA AUGUSTA. 

Me 

Vigmti cptíâtHor civitatumprincipatu, 

ÂHguslamfecerat 

Ceefar JugnSIus'. 
AntjquffimoHifpamarumprimatu. 

jíuguslio- 



i8o Embaixada do Excellent. Senhor 
AVq VSTIO XEMfccit* 

Jãcobi dijcipulus. 
Sub mauromm tyrannide y 
Augusla ejje defo. 
Defijt t andem fervitttSy 
Et a Lufitanix %egum parente 
JEdificijs auBa^O- ornata, 
Adpriflinam redij majcjlatenh 
Vt Lufitanix %egibus 
Augujlius Jervirem. 
Me bodiefecijjet Maria. 
Augujlam 
Ni/i invenijfet 
Auguftum illa menfenty 

Augujlif/imumfecih 
IllHmfuo adventu coronavit. 

OLYSIPO. 

Olyfiponi cedat olympus % 
Stpties adCrtlum afcendit civitas 9 
Suprajeptcm montes pofita\ 
Nec montibus tantum ajcendit, 

Sed mentibm: 

Habetenim civesy 

Animi altitudine 

Calo conterminos. 
Olim 
In Maurorum manus cecidit', 

Vrbs tamfublimisy 

Sed^egia manu èreBa\ 

Surrexit altius^ qua ceciderat. 
Super ducentaoccifomm milita 

Libertatis 









Conde de Villàr maior, &c. i8i 

Libertatis trophxumftatuit 
Alpbonjus primus, 
Tam alti animi Tfax, 

(Secudum arcani divinitus patefaUi verba) 
In eo,& in ejusjemine 
Imperiumfuum Habilire deçreverit 
Jltijjímus. 
Malta OlyJJtponenfes^ad alta, 
Ex montium jugis 
Novam gloria accef /tonem profpicitei 
Altijjimijideris exortu, 
Hodiefeipfà altior eft 
Olyjjtpo. 

EUROPA. 

Terra? partiam minor EV% OT A 9 

Sedpracipua' y 
Vt vtrtuti primas darem^molem refpui. 
Téjlis mibi esl Lufitania, 
Hac módica meiportio. 
Magnatn Or bis partem donmit, 
Totum terruit. 
TSÍullum tamen babuit illa 
Maius thcatrum vi&oriarum, 
Quàmfe ipfam y 
In qua omncspenè nationes viàt, 
Vixiatijs- Sertorij gladio Romanos , 
Varietate teporwn, &/ortuna? vicijjitudine 
Suecos, Alanos-) Çotbos, 
AlphonsiTrimi%egis dextera Mauros, 



(82 Embaixada do Excellent. Senhor 

Etfoannis Quarti consilijs,amiJque 

Hifpanos. 

Decrat Lufetaniae, 

Vt in Talatinatu Çermaniam v\nceret\ 

Amor obtinuit vicloriam > 

CUm obtinuit Mar iam, 

AFRICA. 

In hoc novofpcHaculo 

Quid novi ajferat AF% ICA, 

Nefcit. 

Vetera repetet y 

Etiam nunc admiranda. 

Monslrorim quamvisferax regio^ 

Ignorabam^quid ejfent moslrafortitudinisl 

hujitanos vidi, &*fcivi. 

Mea vix littora attigerant, 

Cum ex ungue kones agnovi. 

Lnpuliífent me in measjolitudines^ 

Mtofque%eges inferaruluslra copulifset^ 

Si viftoriarum curfum 

Longms voluijfent promover e. 

Quje in oris maritimis 

"Bcllo compararunt > 

Hicpatent. 

Gemina^quce nunc jungunttir^ Sidera^ 

Clariorafunt > 

Quàm ut aliquidjinant latere. 

An referet novas de me viclorias 

Lufitania} 

Adagnum aliquid protendit 

Máxima çonjunclio tantorum fiderum. 

MAZA- 



Conde de VillAr maior, &c i 83 

MAZAGANUM. 
Hk 

Nunquam Mars otéatur, 

Struntur bella ex bel/is, & ipfa 
(Si quando interponitur^) 
Tax 
EsJbellum^ 
Jut enimfunt milites in armis, 
Aut conclamai adarma, 

Ne areis Jecurit atem debeant 
Vel tempori , vcljorti. 
Eirmum adeopropugnaculum<> 
Nejemper mirar i cogeretur, 
Semel expugnare cogitavit 
Muleyus JbdalafRcx Marroci. ■ 
Centumjexaginta Maurorum millibus 
Et viginti quatuor bellicis tormetis 
Adafaganum objedit; 
Obfidionem tulcrunt\ 
Solver unt que feliciter 
Tampauapropugnatores, 
Vtjidempaucitas exceder et ^ 

í^ijtconslarety 
Milites fuijfe Lujttanos-> 
Et ^dericum Soj ampareis Trafecíum. 
Vm adhuç Mafagano, 
O mm frenatur Africa'^ 
Eruftra tentabit illa 
Hoc frcmim excutere\ 
fungjmtur bodiey 
Et Lu/itani Imperij babenas regunt 
Manus orbi regendo pares. 

QJ TINGI. 



184 Embaixada doExcellent. Senhor 

TINGI. 

Fejpini regni urbs> 
Extra columnas Herculis . 

Tcfita 
%ationis etiam metas tranfúiens % 

NunquamJpeBaviy 
Quidres->& tempusposlulircnt. 

Lufitanos effugi-, 

Cum me quarerent > 
Eifdem me obtuli, 
Cum vix de me contarenti 

Accedentem admea mania 
Eduardi < Rggis exercitum rejeci. 

Alfhonjum quintum 

ArfiU triumpho occupatum 

Advocavh 
Et ne viBorite gloria delecíarçtur 

Me fine pugna dedi^ 
Africanarum denique urhium 

TrotbeM') 
Me in omnem figuram verti: 
Modo lihera^íodò captiva^ 
Alias Mabometana y pofiea Catholica^ 
Deinde Lutheri, rursus Mahometis 
Difcipula'^ 
Atrocibus bellis,dotalibus donis^ 
InexpeBatis ruinis 
Nominati/fima 
AMauris ad Lufitanos, 
ALufitanis ad Anglos tranfiviy 
Tcfilimino ad Mauros redij. 
Et mibi me ipjam rcddidi' y 

Tr<e. 



Conde de VillAr maior, &c 185 

^Pnefdionudam^dirutam^complanatam^ 
Et face magis^quam bello affiiBam, 
Verum etiam inter minas 
(jr at a eíl libertas. 
Si mei me Trincipes rejlauraverint, 
Nova Hercúleo freto f rena injiciam? 
Herculeifque slabofirmior colmnnis, 
N ifi me forte 
Duo Lufitaniíe columina y 

^etrus-, & Alaria) 
Suo iterum império junclam 
FaBo coerceant inenuclabili. 

INSULTE CAPITIS VIRIDIS. 

Omnis k capite decor eft è 

Et decus omne. 
Decem Atlantici maris infida 

A capite viridi denominantur. 
Amamfsimum Caput t 

Adventantibus Lufitanis, 
Frondenti viriditatejpefladmnfe prabuit, 
Vt maris dominós coronaret. 
Nifidicere malueris 
l^rimis Oceani domitoribus 
Detonàendmnfeprabuijfe 
Comatwnpromontorium 
Inargumentumfervitutis. 
IZrevi inveniendum áLufitanis 
^ona fpei Caput y 
Viridis capitis inventio prtemonflravit; 
E$~l enim próprias fpei color 
Viriditas. 

Qjij Ft 



i86 EmsaixAda do Excellent. Senhor 

Vt in maioris incrementifpem vemat 

Lujitania 1 
Regiorum conjugumpedibus advolvitury 
Suas quefubjicit infulas 

Caput vir ide. 
Supra omniumfpem 
Florebit regnunh 
Cujus augujla fundamenta 
Obfequentijfima viriditate slemuntur. 

INSULA S. THOMjE. 

Ad Africa Jalutem^ 
Quam 'Thomasjndix Aposlolus, 
'Frocurare nequiveraty du viverei} 
Incumbere volenspofi mortem 9 
Hujus injula mventione y 
Sacrumfibi diem hilaravit. 
Sub ipíafolis orbita^ 
Jacens in tencbris régio 
Illuslrata esl Cbrijlifde-y 
Et in fde Lujitanorum manfit^ 
T>onec illam occupavit 
batavo dominatu bairejís, 
Vt bac quoque ealigine probaretuq 
Omnes in hnea Ecliptica^ 
Fieri eclipfes. 
T)iem tamen reduxit^ 
Félix Lujitanorum regrejfusl 
A/i? diutius aberrarei injula y 
Quam Solperluslrans, 
De própria mnquam via defeBit 

Excepto 



Conde de Villar maior, &c. 187 

Excepto/olé 
Nulliplanetarum licet, 
Lineam in médio Zodiaci dcjcriptam-, 

Tercurrere 
Infulam/ub hac Une a fitam', 

Vnus obúneat %ex Luíitanus. 
N unquiá 'foi alter esi Tetrusl 

Illum Maria-, 
Vt aquila contemplatur\ 
llli confecratur, 
Vt Tbcemx. 

MOMBASA. 

Iteratafingulari clade, 
Mombajam afflixerunt 
Lusitani belli duo fulmina 
Francijcus Almeyda-, 
índia Tro regumprimus^ 
Et Nonius à Cunia 
índia Çubernatorum decimm\ 
Tetebat uterque Afiam-, 
Cum me-,Africanam urbem y 
T?er vices uterque impetivit; 
Sic 
Obliquo tramite feruntur fulmina 

Vt ubique timeantur. 
Hi duo hufitanice Scipiones, 
Civitates ita occuparunt\ 
Acji nemo propu<giaffet\ 
Ita commiferunt pralia, 
Acfi de bosliu ' manibus arma cecidijfent 

Qiiij Quis 



i88 Embaixada do Excellent. Senhor 

Quis enim cbMíetur fulminibus} 
Ouitoa %egem Almeyda %egnopePulit) 

Cocim %egem in ^Jiegno obfrmavit\ 
t DienJem ar cem evertit a Ctmia, 
Cbaknjem conftruxir, 

Sic ambíguo furore fulmina 

Fcriunt&fulgurant. 

Mibi ipfi honor ifuity 

c Bis fulminaria 
l{aro enim afflantur fulmine hnmilia 
Tíerumque fumma. 

Sunt et ia mfeliciafulmina, 

Qua gemmas^ubi cadunt^ 
(jenerant. • 

Ca dite in me gemmif era fulmina^ 

In c R s jgij diadema conjugis 

Çemmas transferam. 
Sed omnesfpemit uniones^ gemmas^ 

Qui Alariam tenet 
Omnibuspretiofioremmargaritis. 



URBS SANCTI PAULI I N 
Loanda. 

Nigritarum régio 
Fatum habui candidmn 
Occupaverat me c Batavus> 
T)evãflabat me %egma Onuga^ 
Sitviebant conjurati Sova> 9 
Et mala malis congerebat 
l&x Conzi 

n 



Conde de Villar maior, &c. 189 

Vt adverjus tot pondera fur gerem 

Traftofuit 
c Plnrimarnm palmar um homo 
Salvator Corrêa de Sd: 

Hoffes expulit, 
Casligavit perduelles^ 
Et una expediúone 
Tribus in l^egnis viclor, 
Angulam fuis reftituit, 
c B^fonc'diavit Congum, 
' 'Benguelamjubegit 
Aíedios inter Nigritas, 
lmmortalis gloria candidatus. 
Candidi deinde mibi diesfluxere^ 
Sedfelieiorem omnibus 
Et candidiorum ajlimo 
Hunc dienu 
Illum 
Candidi ffima Heidelberga gemma 
Tetri Corona indita 
Albojtgnat lapillol 

MOSAMBICA, 

Mofambicam 
Aurífera Sof ala portam^ 
ATSataw Hercule bis tentatam, 

'Bis tutampraslitit 
Hefperidum T>raconè vigilantior y 

Stephanm Attaydim\ 

Nec malajedmettalla 
Servavit áurea 
Quibus^O- walapellantur> Et 



190 Embaixada do Excellent. Senhor 

Etfanentur vulnera: 
Omnes enim in índia 
Infliclas Lufitanis plagas 
Vniuspotejl SofaU aurum 

Medicari. 
Illic efi ceiebris régio 
Oíim dicía Ophir, 
Nttnc corrupto vocábulo, À 'fura', 
Nam velipja rerum nomina 

Corrumpit aurum. 
Illinc adpacificum Ifygem 

Salomonem 
c Deferabatur aurunh 
Confluentibus inpacis finum 

Divitijs. 
Tetro imperante 
TSellum in Lusitânia nonfuit' y 

Nec timetur futurum 
%egnante cum Tetro 
Ãmabilifsima T^cgina. 
Àffluite adTrincipeSypacis sludiofos^ 
Liquata gáudio metalla\ 
Aurarijs SofaU venis 
Aureum Lusitânia rejiuetfeculwn. 

SEPTA. 

Septem declivitate collium, 
Aíauris in Hijpaniam aditum 
Trabuerat Septa. 
Fatalem hanc portam 
Joannes primus Lujítanitf %£X 

Claufit. - Cum 



Conde de Villar ai aior, &c. i 9 r 

Cumfibi aperuit 
Everfos tormentorum vi muris, 
Versifque mfugam Mauris, 
Vrbem occuparunt Lufoani. 
Árdua expeditioms consilium, 
%exprudentijjlmui 
Sibi uni crediderat, 
Vt omnibus celaretur 
Teclo plujquam ducentis navibus 

VlyJJiponenJi portu 
Nemopotuit expifcari arcanum. 
Solvit éportu Gafes 
Et capta Septa, 
Tranfivitin Utam admirai tonem 
Tímida Europa fufpenfeo. 
Sub Hifpanorum poteílate 

l^emanfet 
Empta Lufo ano fangttine chitas^ 
Satis enim habent Lu/itani, 
Si vicloriarum gloria potiantur, 
Martis amulus amor^ 
Secretis et iam comilijs 
Magna molitur^ 

Etperfecit. 
TE7%0 Secundo, 
Omnibus pradito virtutibus , 
Siminus erat cxpugnanda Septa, 
^Ai il/i ducenda erat uxor^ 
Omniumjepta virtutum prasidijs. 

NV quidhaberet vulgar e> 
Latuit in occulto conúlium 'fogis. 
Cahgante vero Europa 

Ad 



192 Embaixada doExcellent. Seniíok 

Adea^qua %ex meditabatur^ 
Solus amor y adeonon erat cacus y 

Vt ejfet ipje oculatij 'simus, 
Et omni attentione circumfpiceret^ 
Neproderetur %egis arcanwn. 
Sic 
Occultata amwis pharetrà) 
Et vijapriusplagay 
Quim fagittoy 
Nullapotuit dexteritas icium eludere] 
Quopropofitnm in Heidelberga fignwn 
Amor tetigit, 
Maria tandem prafentia 
T?atet arcanum. 
Novum tamen ipfa myfierium eft. 
Maior a enimfunt, qua vir tus animi tegit% 
Quam qua forma dignitas ojlendit. 

Na mefma forma fe feguião no 
lado efquerdo as Cidades,ôc inferi* 
pçóes feguintes. 

ÁSIA. 

Adefle 

'Afia urbes^regnày 

Qua per nunquamfulcataprius aquoYÀ 

" Líifitanorum navigatio in*vcnit l 

Fortitudo expugnavit, 

Expiavit religio. 

Orient ali s plaga officium ejl 

Auroramfalutare. 

Ha\ 



Conde de Vill ar maior, &c. 193 

Hac hodie ajfulget Occidenti, 

Sedrefpicit Orientem, 
Vt extinguat utriujque invidiam 

In utroque regnat^ 

%egnaretque latim in Oriente, 

Si slarent regna. 

Quafitas fidei %elo regiones 

Cum Lujitanis cripuit, 

Injlabilitatemjuamfignificavit 

Fortuna, 

'Demonftravit c achatem, 

Cum alijs tradidit: 

Hdudtamen aufa eHextinguere Imperium, 

Cujus occajus dedecorajfet Orientem, 

Et iam num imperant in Jfia 

Lufitani, 

Non aviditate regnandi, 

Sedutper ipfos Chrijlus imperet, 

Vbi vix nojatur, 

Capefe MA%IA Sceptrum, 

QuodadEoa mar ia protenditur, 

Tui fines Imperij 

Sunt Soiis cuna: 

Spkndidam Ifygio thalamofobolempromittíít 

Inçunabula 'Patris luminum. 

CALECUTUM. 

- 

Fundatoresfuos 

Lnudabunt alia arces^ urbes. 

Arx Calecutana 

Ever forem meumpr adiço 

R HenrU 



194 Embaixada do Excellent. Senhor 

Henricum Menefium? 

Toe viBorijs notum,quotpr#lijs. 

Vt glorio se c aderem y 

Aíeam ad minam 

Ingenti viBoriapralusit. 

Incumbe bant adme expugnandam 

Cum Zamorino ^ege 

Nonaginta armatorum maia, 

Ingenti hojliumjlrage 

Obsidionemjolvit 

InviBus Afenesius, 

Et me incendit. 

T>e viBricibus flammis 

Adhuc gloriantur mei cineres. 

Adbunc enim diem celebrandmn 

Feílis pralusi ignibus 

Cum exarsi. 

Tojlulabat faces 

Multis annis pravias 

Hymenceus-) 

Secuhs omnibus venerandas. 

BOMBAINUM. 

Mm olim teBis Lusitanos recepi 

HofpiteS) &■ viBores 

Fufo Mabometanoexercitu} 

yiultis oppidis& viginti navibus incenfis\ 

Touque late regione vaflata, 

Ad!BQMBÂINVMappuh 

Antonius Sylveria, 
Et explicatâ ingenti prada* 

Totam 



Conde de Villár maior, &c. 195 

Totam infulam induit bcjlium exuvijs, 

Tbt divitijs onufta-,0* ornato 

Alibi vide bar Tfygtna injularum. 

Ifygaíium nuptiarwnpralufio 

Fuit hoecpompa\ 

"Bis enim nuj?ji } 

T>uobus regnis junEla* 

Lufitan ico primam, 

"Deinde Anglico, 

Cum c B s ex Carolas Sccundus habuit uxorem* 

Joannis Quarti Lufitania? Regis filiam-» 

Augujlijfimam Catbarinam. 

Imanta tamen Regina dotem 

Notf confeci: 

Ulam dotarunt virtutes, 

Vt ipfa ditar et Angliam. 

Mea cum domina adLufitanos redirem\ 

Nfime Angli retinerent. 

. Vobis tame n Lufitania 'Reges 

Adbuc jervio-) 

^Dum slatutam ab antecefforibus 

Sérvio fiervitutem\ 

Vcfiraaue plaudofielicitath 

Vréiti plaudere potesl 

Captiva. 

MACAUM. 

Ab Orientalis Oceanilittoribus 

Hucfie afferat MACAVM, 

Lufaria dominatwnis miraculum. 

Hac una chitas 

R ij Totim 



196 Embaixada do Excellent. Senhor 

Tbtius Imperii Sinenjis viribus patet, . 
Etpermanet. 
Toleratam a Sinis creàeres, \ 
Nifiejfet Chrijliana: 
Doleres cxpugnandam, 
Nifiejfet Lusitana. 
Illam hojles pattuntur inviti, 
Illam eives tuentur inviBi. 
Tanta fortitudinis miraculum 
Sinas commoveret-, 
Si miraculisfidem haberènt 
T>olisjuis credunt&fuis idelis. 
TwgiantiumJeBarmm monjlris 
Abíterritum ab introitu Xaverium 
Crederes, 
Nisi intrajffet: 
Trogredi nonpotuit t vocatus adctflum. . 

Aliam aperit viam Ádacaum, 

Chrijliana T^jligonis porta ad Sinas. 

Hujus porta clavis data efi Tetroy 

Conversionis miraculum 

A Maria precibus exjpeclamus. 

CIAULUM. 

Fr bem Ciaulum 

ConHruxit urbanitas'. 

Illam tedificandi poteslatem dedera^ 

T>idaco Lupio Sequeiria 

Tyrannus Nifamaluchusy 

^Pojlulantis comitate vitlus. 

ffocprsejlant urbani mores, 

Etiam 



Conde de Villar maior, &c. 197 

Et iam a lyrannis 
Extorquent beneficia. 
Mutua humanitatis argumenta interrupit 
^afij hoslis barbáries, 
Sednon dijfolvit* 
Confççit enim Sequer ia bosliles copias. 
Et opus perfecit. 
Sic 
Inter officia,&- certamina 
Erexcre CUVLVAdLufitani, 
'Beneficio devinUi, 
Sedfortitudine victores, 
Ne exiguum terra fpatium occuparent 
Inglorij. 
Hoctibigratulor 
Lufitania? %egnatrix<i 
Ifygendosjufcipis populos, 
Qm nulla re magis^uam gloria dtleclantur* 

BASAINUM. 

Lufitams non cefififfem, 

Nifihabuijfent Hetíorem. 

Àd meaprcpugnacula 

Adverjo licetflumine 

Feliciterjubijt 

HeEíor Sylveria. 

Fidebam triumpcditum millibus, 

Ecjuitibus quingentisj 

Tórmentisfexaginta, 

Contis y gIadijs,fagittisinnumeris, 

Riij & 



198 Embaixada doExcellent. Senhor 

Et auxiliaribus Cambaite %egis copijs. 

Fugavit omnesj 

Superavit omnia 

Lusitanas HeEor. 

Denique 

JEquatum e II Joio 'Bafawum, 

Siiijquefepultum cineribus' y 

SedpaullopoH rejurrexit 

Ne quid Lusitana Brenuitate comparatum 

Teriret. 

1(edivivo 'Bafaino^ 

T>ivofojepho templum extruijufsk. 

Lusitânia %exfoames Tertius. 

^egijs conjugibus epithalamium canafy 

Oppidum, Maria maritojacrum: 

Invocatus fponja? Dei/ponfus, 

Regalem Hymenteumfortunabit. 

DAMANUM. 

In Cambaico Tutore 

Arx Damaniy 

Quam Suloccidens Turcicam reliqueraty 

Oriens invenit Cbriftianam. 

Vnius noclis beneficio 

Clari/fiwum boefacinuspatravit 

Martinns Âlphonjus Sofir y 

Venit nocíe intempeffay 

Et Ccefarefelicior-i 

Vicit, quodpenè non vidit, 

Minus illujlris viHoriafuifJetl 

Si viclorum gratia 

Sol 



GoNDE DE VlLLAR MAIOR, &C. 1ÇÇ 

Sol, &- Luna sletijfent, 

Vt diemfacerent longwrem. 

Lucem tollunt Jiderea faces, 

Vbi de gloria detrahunt. 

Hoc unum optarent Lufitani 

'Tanta latitia diem produci. 

Voto rejpondet eventus. 

Nam in datafibifide 

SimulsJare nunc vident 

Solem, O" Lunam, 

TET%VM, & MA%IAM. 
DIUM, 

©/# afpice \diutlus mirare 

T>l\fM. 

'Diu oppugnatumfui y ç> diu defenjum, 

Vtjemper ejfem invi&mn. 

Medux JEzyfti Solymanus oppugnavit, 

Me Jlrenuijfimus Sylveria defendit. 

Ale rurfus objedit 

Totentifftmus Cambaya ^ex Mamud\m\ 

DisjeUis undequaque muris, 

Luftanorumpeclora 

*Pro muris Majcarenias cbjecit. 

Singulis militibus dedijjct %oma 

Coronam muralem. 

Ohjtdionalem meruit ^Prorex Castruts, 

Qui obfidionemjolviti 

. Adfuit tewpeslhè cumjuis, 

Etjolus rcm confeciffct, 
Qujjolus, erat alter exercitus. 

R iiij Tanta 



2co Embaixada do Excellent. Senhor 

Tanta vicloria gloria, 
Ne tota Caffrio tribueretur* 
Tarticeps ejfe voluit calum. 
Tugnabant Lusitani armis, 

Et ca? km mirâcidis. 

Dam acerrimè pugnaretur} 

Vljá eHJuper arois templum 

Augufia majejlatis fcmina-, 

Qua obsidentiu óculos fulgore perflringens^ 

Et ânimos timore turbans-, 

Objejfie civitatis nubila difpuliL 

Maria foxjanprafidio 

Servatum e$~l T>iumj 

Vt tibi i Maria y fervaretur. 

Diu vive, diu impera, 
\Diumpro te vota nuncupdt 

GO At 

Me 

In Infida fitam] 

Terra-, mariquepugnans 

S/j expuguavit 

Magnus Albuquercius] 

In utroque fimul elemento viffor, 

Mars in terra, in mari Neptunusl 

Mepofleapene obruit Hidalcanes^ 

Àldiítum centum mil!ibui > 

S/j millibus elepbantorum, 

Trecentis muralibus tormentis. 

Ex immincntibus mahs, 
Ludovici Ataidij fortitudine] 

Emerfi. 



CôNDEDE VlLLAR MAIOR, ôtC. 201 

Emerfi. 
Tot tamen adhuc kjlibus cingor, 
Quot fluchbuSy 
Ommbus invija vicinis: 
Sed multa ejlmihi 
A paneis militibus firmitas. 
Augetur enim in Lujttanis robur^ 
Cumfidem defendunt. 
Fidem excedity 
Médios inter injideles> 
Tamdiu Jervata fides. 
Ipja^quam ego hedie 
Méis %egibus fidem preito, 
Meam erga Chrislumndem imitatur\ 
Smn enimfubjeUa í 3 E T!Z^ 0, 
Et devota MA%IjE. 

AMERICA. * 

Qua parte in Meridiem vergoi 

Ego AMERICA, 
Lufitanorum tropia vid'h 
Meridiano, lucéclariora. 
*Bis oceuparunt ^Brafeliúm-, 
Vteodem in loco bis triumpharent: 
Mc barbarçs domuerunh 

Ignotos Itymamsi 
Etfubegerunt Cbriíto terras^ 

Vix notas Aposlolis. 
Adeó uihilefl impervium 
l . Jjufoana fortitudini, 
Etpietatu 



102 Embaixada doExcellent. Senhor 

Trtftereo domitaru amplitudine regionu. 

'Tota Europa longms patet c BraJilia > 

Afluvio Argênteo 

Adfluvium Ama^onumextenja. 

Inveniret Ma 

Furttorem omnibus Ama^omml 

Si Tagumpojfet att ingere. 

Híc enin^veljine armis 

MA^IAtriumpbat; 

Nec decjfet fluvius Argenteusl 

Vbi%egaiium nuptiarum magnijicentia 

Tantas T ETJ^VS dhitjas ejfundiL 

BAHIA. 

£ A 'Hl AM, 

SanHi Salvatoris civitatem 
In omnium Sancíorumjirm 
'Pojitam, 
i^onfolhautfali effe credasy 
Sede ali. 
Illam ctfhim redemit-, 
i Batavorum armis captam^ 
Eandcmjcrvavit, 
ANajfovice Comité tentâtamr. 
Erant Lufitani viribus impares^ 
Scdpro iííi í pugnabat ca/um, 
Quiapro Sanais omnibus 
Lujitanipugnabant. 
TamJ anela fuit ba?e pugna, 
Vt L velipjos hojles Jubjcrit peenitentia: 
Ijlospcenituit 

Magna 



Conde de VillAr maior, &c. 203 

Magno gloria fu tf damno 
Taram nocuijje Lufitanis: 

T>oluit illis y 
Irrito renavigare labor e y 
c Paucorumque menjiumfpa tio per der e, 
Quodin multa fécula comparajje 
Credidcrant. 
Mirum videripoterat, 
Siéos nonpcenituijfet-i 
QtdLufitanos lacejferant. 
Sic 
Salvts rebus permanfit, 
Salva fide>&*Jaho honor e, 
Salvatoris chitas. 
Mune 
Salvam adveniffe ÀuguBam Mar iam 
Çaudeat, 
Et Sanótos omnes obfecret, 
Vt ctflum efjiciat matrem, 
Quambodic Olijipo%eginam jalutat. 

OLINDA. 

OLÍNVA 

(Lujítanice o pulchra?) 

Novi Orbis Helena, 

Troianum in America bellum 

1{efufcitavit. 

Hujus Helena amatoresfuère 

Hollandi, 

Fuere & raptores. 

Excitatumposleà incendium 

Ipfa 



± 



204 Embaixada do Excellent. Senhor 

• Ipjamariafoverimt. 
Advexit Oceanus 
Ar dentem in arma clajjcm Hifpanam. 
Arjít bello Ternambucencis régio, 
Arjerunt ira milites, 
Et gloria cupiditate duces\ 
Arferunt izpibus ades^arces , ç> oppida\ 
Ardebant denique omnia, 
Quia de reipulchrapojfejjtonepugnabatur. 
Tandem infelici expeditione 
Hifpani recejferunt, 
Satisfelices afortuna aftimati, 
] uodtunc Lusitânia imperarent. 
oannis Quarti inaugurai ionem 
ExpeBavit vicforia, 
Vtfola Lusitânia bellum conficeret] 
Quod tota nequicquam Hifpaniajufcepèra\ 
Tlenis velis traje cit aquora 
'Plenus consilijy acfortitudinis 
Francifcus Barretus Menefius^ 
Etpulchram Olindam cripiens, 
Now tam trajecit bricas, 
Quam corda Batavorum. 
Ntftf excitava bic Taris incendia) 
Sedjopivity 
Et reslin&o veteri bello, 
Nullum-flammis locum reliquit. 
Ni/t nbi Utitia faces 
Triumphanti MA%IjE pulchritudinl 
Tulchra Olinda accencíeret. 



FLUVL 



Conde de Villar a^Aíor, &c. '} 205 
FLUVIUS JANUARIJ 

fANVA^S 

America fluvius^ 

Europa infenfusj 

Indigenarum iras in alienígenas derivavi. 

Secunda fortuna fluebant 

Ifys Europaorumpiratarwn, 

Qui in mea littora dejccnderanf y 

í\am noviquamvis hojpites, 

fam domini videbantury 

Arce,&- arte munitifjtmk 

Cum invifis amnicolis 

'Defcendit Mendius de Si in arenam\ 

Cólon iam ejecity 

'Propugnacula evertity 

TinBis hoslilijanguine aquis 

Accrevit mihi tumor ex vitloria. 

Inière paucifuperjlites 

Fadum cum 'Barbar is fadus^ 

Et pugna recruduity 
Statim adfuit Statius de Sa, 
Et j acra Divo Sebajliano die> 
Çrandinantibus incajfumfazittiSi 
Eifecit menfemfanuariwn, 
Et pr alio Aíartiunh 
Et trinmpho Auguilum. 
Impiáfis alacriter flublibhs 
(jraúiimconcitavh 
Vtfelicem ocius nuntium deferreit§ 
Ficinifque allabcm rupibus, 

S Qua 



2o6 Embaixada do Excellent. Senhor 

Qhíc organicarum inflar fislularum 

Gradaúm afcendentes 

Ameis incolis dicuntur Organa 5 

Adodulata verberatione 

Latitiam exprej sijfem^ 

Nisi dilatus fmjfet concentus 

In felicem hunc diem? 

Quo 

Decantando líggiorum conjugú concórdia^ 

Saxorum afperitas 

In melodiam manfuefàt. 

URBSS. PAULLI IN PI- 

ratininga. 

Be 

%enovariputares Çígantum bella* y 

Super additi montibus montes 

In calum minantur. 

Imo 

Hac effe crederes 

Virtutis iter adcalum, 

Tam ar tia esl via, 

^uaper abruptas cautes x 

Tulto labore afeenditur. 

Sacrum Divo í?aullo locum 

Ex hoc intellige; 

Tertium quaficrtlum attingit. 

Alijs inlocis vincerefolent 

Lufitanh 

Hk vinei nequennt 

Ipsa, quamjuçerarunt) altitudint 

Injuperabilejé 



Conde de Villar maior, &c. 207 

CongeHorum montiumjuga 

Supernè conneBit^aquatque 

Ingens planitks, 

1{erum omnium, 

Quas Lujitania creat 

FertiliSy 

Vi Europaà ubertate coronctur, 

Quafurfum tendit 

America. 

In hac avia^ devia, invia> 

Et quaji inacccjfa regione, 

hufitanh non deejl 
Çloritefeges amplijsima' y 
^Bárbaros enim idigenas 9 

Autfraiijs vincunty 

Pmt erudinnt praceptiSy 

■{ . Haudtamen ipsijatis 

Adobedientiameruditi. 

Sunt enim quandoque indocilesl 

Quod sibi indcmabiles videantur* 

Neminife fubje&os exiUimant^ 

In immensa altitudinepositi. 

^Kjegijs conjugibus benepr exare 

Gem sfmúma fuperis. 

Votisfacdè cícIwh Superabitis y 

Qui digito tangitis calam. 

URBS SPIR1TUS SANCTL 

Inter rerum principia, 

'Dejlruftorem rerum igncml 

Numerar ene dubites. 

Sij VBh 



2o8 Embaixada do Excellent. Senhor 

ViBoriarum aliquando elementum 

EJl ignis. 

Ignefuuduntur hoslesy 

Fufis hoslibus 

Fundantur urbes, 

Aquo 7 nifiab igne duxijjet wtiurn, 

Sacra Spiritui SanÚo civitai} 

In OrientaliBrafilia ora, 

Fr bis conslrucliouem meditam ,' 

Vafquius Fernandius Cotiniusy 

Trofundamentis 

Iecit fulmina^ 

Et adverfantes "Barbar oram globos 

Igneis globisfugavit. 

Conjlrublam urbem 

Idemposlea elementum fervavit. 

In oppugnatores "Batavos 

T>etonuerunt ex editiore loco 

Ignivomis tormentis Lujltaniy 

Et Vulcano 
In Neptuni regna involante 

Exarjit claffis, 
Vtjlammis addiceretur hoslis} 
Spiritui Sanéto adverjus. 

Extin&o quamvis bello^ 

Nondum ignis exúnttus ejl. 

Martis facibus 

Succeditfax maritalis. 

Nunciato Ifygali connubio, 

Fiet repente de calofonus^ 

Templispia gratulatione refonantibus' 7 

Ignetjquepluet lingnis 9 

Adel 



Conde de Villar maior, &c. 209 

Adeo calcnt animh 

Ingenti gáudio perfufi. 

Exardefcite populi 

Ad fpem felicijjtma tranquiilitatis, 

Flammijque magis plaudite , quàm linguis: 

Augusios cônjuges frigidè laudat > 

Quifquis laudandi ar dor e non incenditur. 

FÀNUM SANCTÍ GABRI- 
elis oppoíitú Arei Boni Aeris. 

TZellico/x gentis 
Vel brevis deambulam 

Sufpe&a eff. 
Inambulabant Lujitani 
BONI AEXIS regionem, 
Qusfiauram capt antes , 
Amena cteli temperie, 
Etfluvio argênteo iileWu 
Haudtamen egrcjjifunt 

Extra términos, 
Quos olim conílituerat 
Cbrijli VicariuS) Alexander Sextas y 
Cum in Lufítanosy& Hijpanos 
Orbem dividens^ 
Veras dijfidicrum çaufas 
Imaginaria linea diremit. 
Fimtimos tamenpcpulos adeo commovit 
Advenarumpropinquitas % 
Vt ex vicinis, bofles 9 
Lceferint Lujitanos, 
Quippc impar atos, 

Siij Acçhi 



■ 

r 






i io Embaixada do Excellent. Senhor 

Accingebatur Europaa Lujitania 

Mulúonemmalh 
O uodyratcr omnium expe&at tonem 
/SOAífâ AE\afflúverat. 
Advolavit CasJelU %egií orator* 
'Duxfuvenacij-) 
Turgavit Tetro Carolum, 
Etofficiojis antidotis malum avertensl 
Ammorumnubilajeneravit 
%emigrarunt in S. Çabrielis ar cem 
Lufetani) 
Aâhuc ambulantibus fimiles\ 
EH enim ambulantium,. 
Eundem in locum pedem re ferre. 
Tnumphalem bancporticum 
Tutò ambulate 
'Regij cônjuges; 
Topulos regitis, 
Oui vel cum ambulante 
Terrent HiJ panos . 

ARX SANCTI LUDOVI- 






ci in Maranania. 



j 



JEquinocliali quamvis \ine<& 

Eeré fubjaceam* 

jEqualifemper lance nonjletu 

JEquus mihi (jallus nonfuit) 

Nam me dereliquit; 

Ttivi tamen Ludovici nomen 

Adhuc retineoy 

1{egis Çallici 

Sial 



Conde de Villar maior, &c. 211 

Sine defeFíionisjujpicione 
StudioJa<y 
'Probatur enimfides erga patriam-, 
Cumjan&is devovetur. 
Haud aquior Gálio 
Mihifuit IZatavuSy 
Occupaverat me iniquè^ 
Sed aquis licet viribus 
, No« ejfiem^ 
Sola hoíiemjujlinuiy 
Etfola repuli-, 
Ne cum auxiliar ibus copijs 
ViUoria gloriam pari irer. 
Et méis incolis extcros amarem. 
Vt aliquâ tamenaquitate uterer-y 
( jEquoJemper animo tuli 
Lufitanos. 
Illis judant mea balfama, 
Illis mea dulcejcunt arsndines, 

Illis halant mea aromata, 

Illis denique mitto cariophylla-, 

Clavor um figuram refpuentia, 

Ne méis videar delicijsfavire. 

: Alios mihi clavos nolo, 

Quam firma iludia in l^egws cônjuge Sj 

Quorum corda-) 

*Pro populorumfalute y 

Amor confixtt. 



< 



r. - . 






'- 



Siiij PA' 



212 Embaixada doExcellent. Senhor 

PARA. 

FrbsTA^A, 
In 1$ ore a li ^Br a filia par te fita, 
Versus osliafluvij Ama^onum, 
Lufitante in America dominationis 
Non tam finis ejl, 
Quamprincipium. 
Amplwrapromittuntjpatia 
Fluidi limites. 
Tiaras pr a finierit columnas Hercules^ 
Vbinon l^lus ultra, prafcripfiti 
Lufitani fines Imperij 
Suntfiumina, 
Invitant adpríetergrediendumy 

T)um terminant. 
fam metas tranjilierunt Lufitani) 

'Pcrcurrerunt littora, 
Lufirarunt infulas vajlifipmifiuvij 
Inveneruntque piufijuàm centum nationes 
Fatrice língua dijcrepantia difjunBas^ 
Omncs aliquandofociabit 
Vna Lufitanorum dominatione 
Vnus fermo. 
Nullis deniquefe claudi finibus firnm^ 
Lufitani' y 
Aut Marti s, aut amor is têlis 
c Pratcrvolant. 
Afiorificra hufitania defiderabdtufj 
Fios imperialis, 
Augufta Maria, 

AÇerma* 



Conde de V illar maior, &c. 213 

A Germânia Imperatoribus oriunda, 

c Pulcberrimum hunc florem* 

Vt maior i pompa 

Omnes femul flores adducerent-i 

Afittendus erat 
VILL^E MAIOXIS dominus. 

Ttefegnatusfuit 

Comes EmmatwclTelleJíits Sylvws, 

Nobilitatejngenio, e> virtutum ornametis 

Eloreutijfimus: 

Jvitper TyrenaaS) Alpinafque nives 3 

Floribm y quos fecumferebat, 

Ntbilmetuens. 

Ta Çermaniampervenit, 

Et in %fieni circulo* 

Inferior is 1? alatinatus centrum attigtt^ 

Vlteriusprogreflurus, 

Si quid Maria praslantiuS) 

Et Tetro digntus 

OrbispoJJÍderet. 

No meio do teòto deite primeiro corpo da 
ponte eftava hum mageítoíò quadro , & nelle 
deexcellente obra? o retrato de huma bi farra 
donfella, que reprefentava a Luíitania. Moftra- 
vaveftir riquiífimas roupas de cor branca , 6c a 
marella corh manto carmiíi ; tinha peito eípal- 
dar guarnecido de pérolas, o cabello airofamen- 
te folto,& na cabeíía plumas brancas ; dous An- 
jos lhe íuftentaváo dos dous lados o laurel , & 
palma; eftava íentada fobre hum tropheo de ar- 
mas , & junto aíli tinha hum Globo terráqueo, 

& 



. * 



ai4 Embaixada do Excellent. Senhor 

& parte fuperior a elle hum eícudo das anuas 
ReaeSjSc tinha ao pe efta infcripção. 

AVE 

AuguJliJJInthú^ optatifjima 

MAPJA 

'Palatina Palias , Germana ^unoj 

Ex c Bavarica > SaxonicãyAuJlriacà Stirpe 

Flospulcherrime > 

SOP HIA denique coronata. 

Solam decet corona SAPIENTIAM, 

Solique fapientw jungi debút i 

P^exfapientifsimus, 

Vt jungerettur pari. 

Te PETÈJD calumjmxit 

Vt imperijconjors ubique regnarès] 

Lufoanitf ditionis immenfitatem 

Certatim tejlantur 

Europa^Afia, Africa^ America^ 

Et teHaretur aujlra/is terra^ 

Nifiejpt incógnita 

Propagandunh 

Adquintam hanc terra? plagam 

Lufitatanum imperium> 

Pranunciant mfignia 9 

Quiuque Chriílipiagis munita. 

fam latiorem occipiunt Lufo mi 

Ltftioremqnc dominatum, 

QuodTtbi-) Pagina ,Jerviiwt. 

Hanc fibi felicitai em gratulatui) 

Lusitânia 

Tam alfueta triHWpbis, 



Conde de Villar maior, &c. i i ? 

Vt Utitia triumfhet inter vincula, 

Quibus Sanclus Hymen> 

Calejles animas junxit, 

Injalutem populorum. 

Por efte pórtico , Ôc ponte , que acabamos de 
referir , não menos jucunda aos olhos , que ag- 
gradavel ao entendimento fe encaminharão 
Suas Majeftades acompanhadas , como reíeri- 
mos,de toda a nobrefa do Reino , para a Capella 
Real , ôc ao chegarem Suas Majeítades ao pateo 
delia, acharão a hi a Sereniffima Senhora Infan- j! ?'?<**/• 
te que accompanhada de todas as Damas , & Se- I7injmte° 
nhoras de honor , havia baixado a encontrar a $* ix * ao 
Rainha NoíTa Senhora. Veftia S. A. primavera ptilL "»* 
de ouro fobre cetim encarnado , guarnecido de € v^ a ra L a - e r 
todo aquelle adorno , que fò pôde conciderar a taâes. 
idea,& náo he pofíivel explicar a pena. As Da- 
masjaffim as da Rainha N. Senhora como as da 
Senhora Infáte fe ornavão ja de brocados , guar- 
necidos de renda de ouro , & prata , ja de diíFe- 
rentes fedas efmaltadas de engenhofa , & rica 
bordadura. Intentou S. A. em obfequioía de- 
monítraçáo do feu verdadeiro affeclo , Sc filial 
relpeito beijar a mão à Raínha,& Sua Majeítade 
o não permitio,levandoa nos braços com tão ca- 
rinhoíàs expreíToes de goílo , & palavras , que 
bem fe viu eraó correfpondidos com igualdade ^ d(m 
aquelles recíprocos afíeclos. Subirão os três cw$0a- 
Principes à Capella,que eftava magnificamente tmtirt 
adornada dos mais ricos, & luíidos paramentos, ceberas^ 
queexcogitou a arte , & a opulência; receberão £ s ttu t" a ' 

Suas 



Luminar i- 
4s,Z$faivas. 



216 Embaixada do, Excellent. Senhor 

Suas Majeítades as benções do Arcebiípo de Lif- 
boa 5 Capellão mòr , 5c tornando a baixar ao pa- 
teo da Capella , fubiraó pelo tranfito que no 
meio do Clauílro fe havia fabricado , & remata- 
va no principio da efcada , que fobe à fala dos 
Tudefcos,& fe recolherão ao quarto da Rainha 
NoíTa Scnhora,on de erlavão as mais das Senho- 
ras da Corte com diíFerentes , & ricos veílidos, 
& jóias de maior preço. Segui u-íe a noute , mas 
náo o parecia,porque fe equivocava coita o mais 
luíido dia , porque as luminárias , de que fe or- 
nou toda a Cidade , & os navios da armada para 
fubílituírem a aufencia do Sol de tal forte def- 
terraraó as fombras nocturnas , que antes pare- 
cia huma porção da Efphera mais luminofa, 
que parte do hemisfério terreítre deítituída da 
prefença do Sol. Fafia mais formofo eíte luíi- 
mento o concerto das danças,& a harmonia das 
muíicas que no mar? & na terra recreavãoos 
olhos , & fuavifavão os ouvidos , interrompen- 
do-fe a brandura deites feftins com o bellico ef- 
trondo da artilheriado Caftello , baluartes, &c 
navios , & com a varonil confonancia das trom- 
betas,com que igualmentefeexcitavãoos ani- 
mos,ôc fe rccreavão os fentidos. 
Mandada Logo que Sua Majeílade defembarcou da 
cM*W*Je Capitania entrarão Domjoaò de Soufa,&D. 
:d^»/gc- João de Almeida Veadores da Cafa de SuaMa- 
nnã,Hm jeftade , que os mandou a convidar, Dom João 
Filtre u- de Souía ao Duque de Grafton,& Dom Joaó de 
Almeida ao Príncipe Filtre Jemes íiího de El- 
Rei de Inglaterra para os levarem as holpeda- 



mes. 



Conde de Villar maior, &c. 217 

gés,que Sua Majeftade lhe havia mandado pre- 
venir com toda a magnificência nas caías de D. 
[ofeph de Menefes, & Alexandre de Soufa; mas 
como as ordés do Duque lhe não permitido dor- 
mir em terra,não defembarcou então, nem elle, 
nem o Príncipe Filtre Jemes , & fò o Meílre de 
Campo Gonçallo da Coita de Menefes condu- 
fio os Cavalheros Alemães,que accompanharaò 
a Rainha às cafas de João Vieira Matoío, onde fe 
lhe havia preparado a hoípedagem , que fe lhe 
continuou todo o tempo, que affiftiraõ na Cor- 
te the voltarem para Alemanha. 

PaíTados poucos dias , pedio o Duque àtEibtáàau. 
Grafeton audiência de EIRei Noífo Senhor, &*«»«* 
fendo condufido a fua Real prefença por Dom 
João de Soufa, Sua Majeftade falou ao Duque, 
& ao Príncipe Filtre, & mais Oíflciaes.& peífo- 
as de qualidade da armada em hum gabinete in- 
terior com moftras de grande agafalho, & be- 
nevolência ; particulariíando muito os favores 
de feu Real agrado com as peíToas do Príncipe, • 
& Duque,como pedião as fuás eminétes prero- 

gativas. 

Ao fahir da audiência de Sua Majeftade , con- 
vidarão os dous veadores Dom João de Souíà, 
& Dom João de Almeida ao Duque, 6c Prínci- 
pe para as hofpedagés,& como o Príncipe fenaò 
quis íeparar do Duque, condufio Dom João de 
Soufa a ambos ao lugar que eftava prevenido 
para o Duque, & nelle foráo aífiftidos affimo 
Príncipe , &: Duque , como toda a comitiva de 
ambos com toda a magnificência, & regalo dig- 

T no 



2i& Embaixada doExcellent. Senhor 

Manda fua no de maior grandefa. Em outro dia deu Sua 
fumgnMe Majeíhde audiência feparadamente ao Príncipe 
refrejco a Filtre Jemes , &: lhe falou no mefmo gabinete, 
em que lhe havia talado na primeira audiência, 
faíendolhe novas demóítxacóesdehonra,&a 
fabilidade. Tinha Sua Majeíhde mandado pre- 
venir hum grande refrefco para a armada Ingle- 
fa , o qual levou a Capitania João Rebello de 
Campos corretor da faienda Real , & foi tanta a 
abundância de carnes? imitas , & doces , que de- 
pois de íatisfeitos todos os Jnglefes venderão 
muito do que lhe fobrou , & fuppofto que Sua 
Majeíhde dcfejava que o Príncipe , & o Duque 
fe detiveíTem para ver a entrada da Rainha à Sèi 
& as feiras , as ordés que o Duque de Grafeton 
traíia lho não difpenfaraó,&: paíTando algús dias 
partiu a armada , havendo Sua Majeíhde man^ 
dado antes ao Príncipe a grafe, ou broxe de 
e jóias ao grande valor , & ao Duque o mefmo efpadim, 
bosStava- & baíhó de diamantes, que havia levado quan- 

Iberos, i C ] Q f j ao niar? & j Q j as (j e p re çO a todos OS Qffici- 

aes,& Cavai heros da armada , ck quantidade de 
dinheiro à família inferior que veio íèrvindoa 
Rainha Noífa Senhora. 
Sobe ostri- jg m j g j rne f mo mes j e Agoiro fubiraó to- 

íaramãoa dosos tribunaes a beijar a maõàSuasMajeíh- 

\adl s Maj ^~ des com luíido efplendor de galas , fignificando 

na quelle feílivo rendimenao, aílim os obfequi- 

xadoflsti'' os ^ e ^ ua fidelidade, como a alegria com que 
miniftros ef- feítejavaó aquella ditta ; & os dias fubfequentes 
c^l 5 tiveraó audiência de Suas Majeíhdes Mon Se- 
asiasMa- nhor Francifco Nicolini Arcebiípo de Rho* 



Conde ds Villar maios, &cc. 219 

des Núncio Apoííolico de Sua Santidade neftcs 
Reinos , o Vidame de Eihoval Embaixador de 
Sua Majeftade Chriftianiílima , o Arcebifpo 
Bifpo de Ávila Embaixador de EIRei Catholi- 
co 5 & o Reíidente dos Eítados geraes , que 
todos fiferaò à Suas Majeftades officiofas repre- 
fentaçóes em nome de ieus Príncipes , congra- 
tulando a felicidade de taó auguftas vodas. 

Para Suas Majeftades haverem de fafer a en- sv-fw»/*, 
trada publica do Paço à Sè a dar graças na quel- '* ??*"": 

* ~ ° D3 i #> titula publi- 

la Cathedral ao fupremo Aclor de tanta felici-w. 
dade íe haviaó erigido vinte arcos de Majefto- 
fa fabrica^empenhando-feaffim naturaes, como 
eftrangeiros em moftrarern à Suas Majeftades 
com aíFecluoía profia quem mais celebrava os 
felices aufpicios de feu auguíio thalamo. 

Era o primeiro arco o dos Atafoneiros , que o j rco dos 
erigirão na entrada da tanoaria com húa ío face, 4tajòneiros. 
de tinha de largo 36. palmos , de alto 6j,& 6. de 
groííb. A fua fabrica fe cepunha da ordé Dóri- 
ca , Corinthia , & compoíita com quatro co- 
lumnas, & fuás Pirâmides nos prumos dos pila- 
res,& no prumo do arco tinha hum nicho , em 
que eftava Sanâo Antão tutelar dos officiaes 
dcfte officio,& era toda a fabrica de madeira, co- 
mo a dos mais, mas também diílxmulada com o 
artificio da pintura que parecia dos mais primo* 
roíòs mármores. 

O Arco da nação Italiana era erigido aos cu- <*™ do * 
bertosde airofa, & elegante eftru&ura, ainda Ji 

1 y que 



22o Embaixada doExcellent. Senhor 

que não teve a fua ultima perfeição,porque por 
falta de tempo foipercifo que lhe ialtaíTemos 
últimos remates da obra 3 de feito que diffimula- 
va bem a bifarria da architectura , & a viveía 
coque a pintura fingia nella os melhores mar- 
moresjafpes ? & porfidos de Itália. Tinha duas 
facesjhuma obliqua emforma de peripeéliva? & 
outra que corria direita 5 & cornprehendia 70. 
palmos de alto,de largo 50. 6c 1 5. de groílo. A 
obra era compoíita com quatro columnas de 
cada húa das faces,6c rematava a primeira em húa 
tarja,que fuílentava huma tiara, & duas chaves, 
que tudo moftrava fer do mais preciofo metal; 
& a letra que tinha ao pè eraó os dous diíticos 
feg uintes. 

Lujtúàumflaujus inter gèns nata triumpbis 

ítala regales, munera prima gerit\ 

Vt que diu vivant %egum connubia,fervant 

Saxo ineija manus,corde perennis amor. 

No pè direito da aduela eftava a figura da Lu- 
fitania veítida de armas brancas com ceptro na 
mão direita,ôc na efquerda muitos menores , & 
pifava airofa, & valente muitos defpojos de ar- 
mas de todo o género , & fignificava o feu obfe- 
quio com eíla letra 

ceptro que domina oberço ao dia 
Que impera as urnas->onde o Sol fenece^ 
Lufitania em j eus cultos offerece 
AMajeJlade Au^usla de Maria, 



Conde de Villar maior, &c 221 

A tarja que ficava ao pè da Lufitania conti- 
nha o íeguinte epigramma ao profpero in- 
greílò da Majeftade da Rainha NoíTa Senhora. 



EPIGRAMMA. 



Se fois fecunda planta , que afelices 
Campos veio a ceder fatal tributo^ 
bebendo humor de eslrellas as raifes 
Dareis defeu verdor copiofofrucíor. 
ISIaÕfe temaojj trances infelices 
Nem dá forte variável o eslatutOy 
Se em retratos de forque ao Lufo o/lentas^ 
Symbolo de ejperança reprejentas. 

Em o outro pè direito da parte efquerda fe 
via a imagem de hum Rei fentado em hú thro- 
no,& diante delle a figura de Saturno Deosdo 
tempo poítrado de giolhos 5 ofrerecendo humil- 
de 5 õc reverente o feu ceptro 3 & diíia a letra 



O monarca dosfeculospoftrado 
De ^Pedro a Majejlade reconhece , 
Ecomo tributário lhe ojferece 
Defeu domínio o ceptro Matado. 

Eáopè em tarja. 

Tiij ANA- 






222 Embaixada do Excellent. Senhor 

ANAGRAMMA ARITHME- 

tico. 

MARIA y 5 6 

SOFIA 931 

1687 



EPIGRAMMA. 

T>efafeis veies Tbeío a lui criador a 
Emjeculos reparte ,& defafete 
Em lus7ros,0- dous giros mais repete 
Tara nos vir trajer taobella aurora. 

Do fecho do arco pendia húa formofa Águia 
coroada 5 voando com huma laureola nas gar- 
ras? ôc dilia a letra 

Avoffo triumphojo T^egias Majeslades % 
Trimeira a nação ítala fe inclina, 
Ea vi&oria tão alta,& peregrina 
Implora por laurel felicidades. 

Na parte mais fuperior da fegunda face deite 
arco fe via em hú painel de primorofamão a fi- 
gura do Applaufo,pegãdo de dous papeis, q lhe 
offerecião a Poefia 3 & a Oratoria,como tributan- 
do cultos poemas? & difcretos panegericos à fo- 

lemni- 



Conde de Villar maior, &c. 223 

lemnidade de tão faufto dia. Ao pè deite painel 
eítava huma Águia volante, que prendia do bi- 
co hum efcudo das armas Reaes, & por cima 
delia íuítentaváo dous Anjos o feguinte quar- 
teto 

Tara fechar dejle edifício auguslo 

pórtico eminente, a Águia triumpbante 

^Por decreto do altijfemo Tonante 

^Bufca a çedra mais firme em "Tedro ojuslo. 

Na aduela da parte direita eftava Júpiter com 
raio na mão direita, 6c aos pès a Águia , ôc a letra 
dilia 

T>os T>eofes o Monarca foberanoy 
Em Marcial idea eílafingidoy 
Sò por moílrar ao bárbaro atrevido 
Que vibra os feros raios de Vulcano. 

Ao pè tinha huma ara com muitos corações 
abrafando-fe 3 & fobre ella a phenis,& a letra 

Eflasferan Ias vi&imasprimerasy 
Que en ara de Supremas Majcjlades 
Midan defiglo enfiglo eternidades. 

A aduela da parte efquerda moítrava Hercu- 
les com a clava , & pele de Leaõ embraçada , & 
na letra 

Tiiij ÈXé 






224 Embaixada doExcellent. Senhor 

EJle inviBo Coloffo de alta gloria 
He dofamojo Alcides fiel 'u/ura, 
Alcides que do berço ajepultura 
Teve os Tropheos pendentes da vicloria. 

Eaopè em tarja eftava huma cfphcraparaa 
qual olhava huma Águia coroada;& era a inícri- 
pçao. 

Ouanta lus dei Oriente baila elOccafo 
Gira el Sol por la ejpbera Lufitana^ 
Empleo es de ju viftajòberana. 

jrcofos o Arco dos Confeiteiros eftava naCalceta- 
n t;/<,;w - r j a £ m ^ e viftoíà fabrica compoíita com 65-pal- 
mos de alto, 40. de largo,& 8. de groíTo 3 & no fe- 
cho do arco em huma tarja tinha efte diftico 

TrincepS) %ex, Conjux->tribuit>contemnit> hone&at 
Cams^fortisy amans^munera^ bella^thorum, 

A mão direita em hum quadro havia huma 
figura de hum galhardo moço 3 o qual eftava em 
aòto de lançar húa cadeia a hum foberbo leão> 
que lhe ficava na frente ,& em huma tarja que 
tinha na mão eiquerda difia 

intellectvs çwrjosvs fiafej. 

Eaopè em hum nicho huma donfellacom 
rcíplendor na cabeça lobre que eftava a figura 

do 



Cdnde de Villar MAIOR, &CC. 11^ 

do Efpiríto Sanéto;na mão direita tinha hum ra- 
mo de oliveira, & na efquerda huma taça,Ôca 
infcripçãodifia 

g%ÃTU VEI &?E%biA Taul. ad%jm. c.6. 

Na parte efquerda em outro quadro eftava 
a Fortalefa apontando para hum diamante, o 
qual eftava lançado entre as chamas de hum 
hraíeiro,& a letra era. 

<DE CjELO F0K?ITVI>0 Macbah. 3. 

Ao pè em outro nicho íe via à Fidelidade, & 
hum homem que fuftentava huma maíla na 
maó direita>& na efquerda duas chaves, 6c tinha 
ao pè a letra. 

Qui atitem fideliter aguntrflacent ei < Prov.c.i2.n t i2. 

Nafegunda face em o fecho do arco havia 
também outra tarja igual à da primeira face , & 
nella efte diftico. 

QuxfBfgmai Tarem ampleBitur^ allicit^uget 
Caftaypotensfelixftederatfordaidomum, 

Em o nicho da parte direita a figura da Conf- 
tancia com columna, & efpada? & ao pè húa ur- 
na com a letra; 

fírilfr 



226 Embaixada doExcellent. Senhor 

Virilitcr agite , &■ confortavam i . ad Corinlk c. 1 6. 

Em o da parte efquerda a Cócordia com do- 
ns corações unidos na mão direita, & duas pal- 
mas na eíquerda,&; a letra. 

Legem m concórdia dijpojjuerunt S.tpicnt. c\ I 8. n.Q. 

Havia também em eíle arco quatro em blc- 
masjdous em cada face, oprim eiró na anterior 
huma agulha de marear bufeando a eflxella do 
Norte, que fe devifava no ceo com eíta letra. 






Ccn&anícr refpicit unam. 



2 Hum efpelho em que feriaõ os raios do 
Sol com a letra. 

Hinc ffkndor } &- ardor. 

Na face pofterior i. huma fermofa pérola 
fobrehum bofete,ck era a letra. 

Tnlcbritudine tuaprocede^ regna 

2 Huma phenis coroada fobre as chamas,& 
aletra 

Multiplica lo dies* 

Em 



Cdnde de Villar maior? &c. 227 

Em a mefma Calcetaria junto à porta da Ca- 
fa da moeda erigirão os moedeirosbum majef- 
toio arco de duas faces de obra Corinthia?& Có- 
poíita com nichos em os intercoiumnios de 
huma ? & outra parte occupados de varias rigu- 
ras. Tinha de alto fetenta palmos? & quarenta? 
& cinco de largo?doze de groíío. 

Em o remate da primeira face tinha a figura 
da JuíKça com a fua infignia das balanças ? & na 
tarja o verfo que diíia. 

Solajides nojlra eHpretiojo digiior amo 

Inferior a eíta figura ficava bum quadro em 
que fe reprefentava hum varaó de majeítofo 
afpecto ? figura de Portugal veítido ricamente 
com colar de ouro pendente do peícoíío ; na 
mão efquerda hum globo Geográfico ? & com 
a direita efpalhando moedas de ouro ? as quaes 
tragava huma phenis. Da parte direita ficava 
Mercúrio, & da efquerda a figura da Pas com a 
oliveira ? & fobre a cabeça de Portugal fe via hu- 
ma Águia volante com laurel nas garras? & na 
tarja le viáo as letras que diíião. 

Ofelixl^egma. 

Em o remate da fegunda face eftavaoAnjo 
Cuftodio do Reino com a efpada defem bainha- 
da em huma maó ? & na outra o Efcudo dasar^ 
mas de Portugal?& a letra da tarja era. 

Çuffos 



228 Embaixada do Excellent. Senhor 

Cuffosjum ^egnujdeo Auri. 

Em o quadro que ficava ao pè deíla figura fe 
via pintado OlvíTes^quem Lisboa em figura de 
huma gentil donfella offerecia huma palma. 
Eftava accompanhada de outra figura que tinha 
huma cornucopia , & huma cithar, 6c tinha por 
titulo Hilaritas,&: a tarja continha os íeguintes 
difiicos. 

Nonformofus eratjederatfacundior ai:ro: 

jíurath verbispulfat amore T>eas. 

Cuncía aiirum vincit^juperi vincuntur ab aure: 

Hoc viefam augujlosponitur ante pedes. 

Fuhkados Os Ourives defempenharão a obrigação de 
Ouriva. erl gj r arco com fabricar junto à entrada da fua 

rua hum theatro,no qual fe moftrava hum mo- 
te reveílido de verdura? & regado de duas fon- 
tes, reprefentando o monte lda,& nelle a fabu- 
la do juifo de Paris , p qual em figura de hum 
galhardo jovem offerecia à Majeífade da Rai- 
nha Noílà Senhora a maçã de ouro, que la per- 
tenderão antigamente as três Deofas,Pallas , Ju- 
no, & Vénus , como prerogativa da fua bellefa,' 
tk agora fe moftravaó alli reverentcs,& obfequi- 
ofas reconhecendo as foberanas ventagés , que 
havia na Real peífoa de Sua Majeftade para fe 
lhe tributar aquelle premio. 

Arca dos q Arco dos Alfaiates eftava junto ao referido 
theatro dos Ourives do ouro à entrada da rua 

nova 



Conde de Villar maior, &c. 229 

nova. Occupava com 6$. palmos de alto 35. de 
Iargo,& 11. degroí]b,&:a ordem da íua fabrica 
era Corinthia, & comporta com duas faces,co- 
lumnas, ck no corpo íuperior tinha vários qua- 
dros de differentes pinturas , & por remate hu- 
ma flor de lis,& era todo revertido de volantes 
brancos guarnecidos de folbagé de cera verde. 

Encoftavafe ao cbafaris da Rua nova o arco 
dos Efparteiros,ck era todo fingido de jaípes de j rcoelos 
differentes cores, ôc fabricado íobre quatro co- ^ít arUtros 
lumnasCorinthias com huma fonte no meio 
de forma ovada , & fe rematava com as armas 
Reaes de Portugal collocadas fobre hum trofeo; 
tinha delargo 60. palmos, de alto 55. & de groí- 
ío 8. 

Em o meio da Rua nova fabricou a nação Fia- J™ da va . 
menga o feu arco,que era de majeítoía fabrica, f r a a ° Flame " 
& rematava com huma fermoía tarja em que 
tinha em letras de ouro efte diítico. 

r 

: 

Terrejlres adfert, calefles accipic orbes: 
Nimirum mundos hxc çapti una duos, 

L Na primeira face tinha féis emblemas que 
oceu pavão os pedeftaes. 

1 Huma Águia olhando para o foi com 
os olhos fitos em feus raios, & diíia a letra. 

Non terret fulgor. 

U 2 Hum 



230 Embaixada do Excellent. Senhor 

2 Hum coracaó cora aletra. 

Cor ^Principtm in manu Dei efl. 

3 Huiiia arvore com hum machado, que 
rcpreíentava haverlhe cortado hum ramo 3 ck a 
letra. 

Ec vulnere vigar, 

4 OCaduceo de Mercúrio , & tinha por 

letra. 

Concili.it animei. 

5 Huma garça remontada com aletra. 

Sublimitritejecurior. 

6 A Pheni-bCx aletra. 

Nutrix iffifuL 

Na fegunda face em o remate do arco tinha 
em outra tarja eíte diítico. 

Anguc rcHi celebrat connubia menfe 9 

Et mènfmj& %e*em auguflum benèvirgo coronot. 

Havia nos pedeíta es deita parte outo emble- 
mas. 

1 A ave Alcyon em o feu ninho com ale- 
tra. 

Agiofck t empas. 

a Huma 






Conde de Villar maior, &c. 231 

2 Huma columna groíTa 5 & aletra. 

^Pondere firmicr. 

3 Hum braço íufíentando humas balan- 
ças 3 & aletra era. 

Optimus modus. 

4 Hum annel de diamante 3 & aletra, 

fungi amantes, 

5 A flor girafol inclinada para o feu planeta 
com aletra. 

Ctfleslesjequitur motus. 

6 Duas viílofas palmeiras 3 & aletra. 

Mutua facunditas. 

7 Hum braço de que pendia hum thuri- 
bulo 5 6c por letra. 

Et f acro car pitar igne. 

8 Huma bella rofa armada de efpinhos 3 &: a 
letra era. 

funcía arma decori 

Levantarão os homens de negocio Portu- Jmâoi u* 
guefes na meíma rua nova defronte do poço JSsw 
da roteia hum foberbiffimoarco, & naó menos #*/** 

Uij viftofo 



232 Embaixada do Excellent. Senhor 

viftoíb pela fua architecl:ura ? que pela fua gran- 
ciefa. Tinha duas faces trãíparentes 3 & era fecha- 
do de barrete em quadrojtio meio com luas per- 
chinas revertido todo de ricas telilhas,Ôc volan- 
tes de varias cores , guarnecido de palTemanes, 
& fitas de ouro? ck roías encarnadas. A fua altu- 
ra era de 70. palmos 3 largura de 45. & groíTura 
20. tinha por remate hum globo terráqueo fuf- 
tentado de quatro figuras , &: ao pè a feguinte 
copla. 

He dejle %e'mo a me lhor 
foiao commércio\ & me fundo 

Em rafao taofuperior 

Que do Commercio o Senhor 

Sòpòdefer %ei do mundo, 

A tarja em que fechava o arco continha eftà 
copla. 

Nesle arco infanta de amor 
Temos grandes interejjes 9 
%ãinha->fendo o maior^ 
Que nos deis aos nove mefes 
Hum 'Príncipe fucceffor. 

Tinha quatro virtudes 9 duas em cada face 
Santa Juftiça 5 Prudencia 5 Temperança 5 & For- 
talefa com as feguintes coplas. 

JUSTIÇA. 



Se afu&iça que he confiante 
Conforme certa premijph 



m 



m 



Conde de Vill ar maior, &c, . 233 

Às coroas leva adiante 
Tarafer da noffa Atlante 
'Tem belLtmao afuítiça. 

PRUDÊNCIA. 

Esla tem a Trovidencia 
Que a qui a Coroa tem mao 
Tois fromete permanência 
*Hnm c R^ino que com rafao 
Se acha na mao da Trudencia. 

TEMPERANÇA. 

Àcor oa ha de ter balança •> 
Sem nopejoexcejfòdarfe, 
Torijfo a nojfa defeonfa 
À finfo de ctemifarfey 
Em a mao da Temperança. 

FORTALESA: 

• A Coroa Tortuguefa 
A/o Abundo taorefpeitada 
Sobre o luslre dafinefa 
Se mojlra fer fuflevtada 
Tela mao da Fortalefa. 

- 

Nosintercolumnios,& pès direitos dos ar- 
cos eítaváo em quadros de boa pintura as effigies 
dos Reis de Portugal athe o Senhor Rei Dom 
Joaó o IV. dafaudofa memoria? exceptuando 

U iij duas 



234 Embaixada dò Excelleot.Seniàdr 

duas que craó de vulto ? & ficaváo em nichos 3 
que havia no corpo íuperior do arco, cada hum 
cia fua face; no primeiro o Simulacro do Senhor 
Rei Dom João o IV. & no fegundo o do Se- 
nhor Rei Dom Sebaftiaó. Tinha cada hum def- 
tes Príncipes ao pè huma oétava glofa de verfos 
das Luííadas do Príncipe dos poetas vulgares 
Luis de Camões. 

DOM AFFONSO I. REI I. 

Que outro valor mais altofe levanta Cam. cant. i, 8. 3. 

Armas %ein o fortunas & viclorias 
Lograsles excelfoy contra os Mauritanos 
Com que Àjfonfo nos bronfes das memorias 
Ser as j empre primeiro eternos annos: 
para admiradas ofendo as tuas glorias 
Terdcm muito de preço as dos %omanos 
Eaffimque ovalorfeuja nada efpanta 
Que outro valor mais altoje levanta. 

DOM SANCHO I. REI II. 

Que de talpac, tal filho fe ejperava Cam: çant. 3.8.28. 

Foi Sancho fingular o teu cuidado 
Tovoador teus bnpulfos tefijerao 
*De teupae nas aepeesfoftes hum tr estado 
Torque em ti fuás obras revheraÕ. 
Se das águias fò águias Je bav gerado, 

Sefenf 



Conde de Villar maior, &c. 235 

Sefempre dos l&oes leões nacerao 
Afama, com rajaode ti voava , 
Que de talpae t ai filho Je ejperava. 

DOM AFFONSO II. REI III. 

Alça ff are do f ai por derradeiro Cant. 5. 8. 9. 

Aos dom anteceffores que tivefíes, 
Se naò os excedeHes os iguala fie^ 
Como Sancho teupae, tombem vencesse 
Como Affonfo avo teu também triumphasle y 
Se ofal aviva o goslo<> o maior desle 
• A todo o Portugal quando ganha fie 
Segundo Affonfo claro y &- c R < ei terceiro 
Alcaffare do j ai por derradeiro. 

DOM SANCHO II. REI IV. 

No templo da Suprema eternidade Cant. 1. 8.17. 

T>a fortuna inconjlante a inclemência 
Sancho fegundo, fatalmente dura 
Tefes perder do 'Povo a obediência, 
Que athepara ^ein arfe quer ventura 
Negandote a dei graça apreheminencia 
T)o lugar que na terra à Ceofe apura, 
Maior gloria te deu a Sanclidade 
No templo da Suprema eternidade. 

Uiiij DOM 



256 Embaixada do Excellent. Senhor 
DOM AFFONSO HL REI V. 

Na tetra que aos de Lujo coube cm forte Cant. 3.8.95. 

'Bem que tefesfgundo o nafcimento 
'Tara o Ceptro ja mais tefesfegundo, 
Quando he certo que o teu merecimento 
Te deu a conhecer per < Bfinomuri(k i 
Sò tu terceiro Ajfonjo o vencimento 
Confcguisle total do Alouro immundo 
Abjoluto Senhor ficando^ forte 
Na terra que aos de Lufo coube em forte 

DOM DINIS I. REI VI. 

T>a liberalidade Alexandrina. 

Vnico T)om T>mis> único em tudo 
Amante dajujliçoió- da verdade 
^Da pátria pae^do povo forte ejeudo 
Arbitro de dous %eis com igualdade: 
Honrastes as armas, premiajles o ejludo 
Liberal tanto^que em qualquer idade 
A menor obra tuafe imagina 
*Da liberalidade Alexandrina. 

DOM AFFONSO IV. REI VIL 

Nu nqua no mundo viu taograo viUoria Cajnt. 3 . 8 . 1 1 5. 

'Bravo nas ondas, ndcapmanhabravò 

"Bravo 



Conde de Villar maior, &c. 237 

Bravo contra outro Ajfonfo, & vingativa 
'Bravo lhe naojofrcslc algum aggravo 
'Bravo Jicasle no valor altivo 
Sem querer mais dejpojos que hum efcravo 
Que apenas dofoldado ej capou vivo 
Tefatisfes somente de que a hijloria 
Nunquano mundo vio tao grão vi&or ia. 

DOM PEDRO I. REI VIII. 

T)e latrocínios ,mortes,&- adultérios 



ue errado, &- que cr hei o mundo inteiro, 
Cruel te chama, Tedrofoberano^ 
*Porquefaber hum T^eijer jusliceiro 
Naohe chegar as raias de tyrano: 
Sendo por naturefa o mais guerreiro 
Logrou feu T^jino apas de OBaviauo 
Sem perdoar z^elofo os vitupérios 
X>e latrocínios, mortes-& adultérios. 

DOM FERNANDO I. REI IX. 

ue a fraca humanidade^ amor defculpa Cant. 1 0.8.46. 

^Todos te arguemfem raf ao urgente, 
*Porque tanta brandura em ti Fernando 
Naote privou da gloria de valente 
Muitas vefes as armas manejando: 
Que varaÕJabio y que héroe prudente 
Tòde vencerte finamente amante} 

Culpa 



238 Embaixada do Excellent. Senhor 

Culpa foi teu cxcejfo, porem culpa 

Que a/rata humanidade fs> amor defeulpa. 

DOM JOAM I. REI X. 

Ameaçando a terra, o mar 9 &> o mu n do 

Magno, &milvefes magno conhecido 
O primeiro João, %éi bellicofo, 
Que à força do teu br aço foi vencido 
O Castelhano JoaÕT^eipoderofc 
fafeguro no throno engrandecido. 
Venerável tímido jfr ventar of o 
Viefle a tomar Ceita furibundo 
Ameaçando a terra, o mar, c> o mundo* 

DOM DUARTE I. REI XI. 

Mais o publico bem que o feu refpeita Cant. 4. 8. 3 2. 

Na f ciência dejer %ei quem com mais J ciencia 3 
Ou na arte de reinar quem com mais arte 
Tara canonijarfe huma paciência 
*e defgojlou tal ves o fero Marte: 
Também pareces fanUo na prudência 
Com que te houve sle então \ o gr ao "Duarte 
Que he refoluçaof anela a que perfeita """" 
Mais o publico bem, que o feu refpeita. 






DOM 



Conde de Villar maior, &c. 239 
DOM AFFONSO V. REI XII. 

Maravilhas em arruas efiremadas Cant. 4. 8. 56. 

Jpefar d c agpa ferra, fogo, & vento 
Scipiao Português bem que Africano 
Quinto Affonfo temido em toda a guerra 
P)uvidoja a vicloria,o CaHelhano 
Se dis que tevenceofe engana y ou erra 
T>e Ar fila, Alcafer, Tanger, jempre ufano 
Fosle hum raio, &- trovão da A ff rica terra, 
Onde for ao por ti executadas 
Maravilhas em armas efiremadas. 

DOM JO AM II. REI XIII. 

T)e ajfirios Prefas, (jregos, &• %omanos 

De Ajfirios Perfas, (/regos, &■ %omanos 
Semjegundo Monarca foaojegundo 
Maior ainda que o maior conceito 
'Para exemplar dos Príncipes do mundê 
Te applaude o mundo Príncipe perfeito. 
Se nas rafoes de efiado o mais profundo 
Magnânimo nas armas, cujo peito 
Merecia os impérios fober anos 
T>e Ajfirios , Perfas,Çregos,&- Romanos. 

DOM MANOEL I. REI XIV. 

Da índia, Per fia Ar alia, £?• da Ethiopia Cant. 4. 8. 1 o I ♦ 

Apefar d e agoa,terra,fogo> (?• veuto 

Çrefiá 



24^ Embaixada do Excellent. Senhor 

Creria a tua fama celebrada 

Na Africa comfrcejas cento a cento, 

E na Ajia a força de buma,& outra armada. 

Contigo Manoel fe vio opulento 

Torturai na idade mais dourada 

T^ei primeiro, &• Senhor com acç ao própria 

T>a índia, Ter fia, Arábia, ç> da Bthiopia. 

DOM JOAM III. REI XV. 

Que lustre foííe a nojfa Lufitania 

No tempo em que o arje dej atava 
Em tormenta,^ horror emt ao Terceiro 
foao naceíle, como quem mofirava 
Ser contra as trevas o melhor lujeiro. 
Tacifico teu r I{einofemgmentava >j 
Epor zelar afè mui verdadeiro 
Tanto o trigo apartafle da çifania 
Que lufire fcfie à nojfa Lufitania. 

DOM SEBASTIAM I. REI XVI. 

Tara do mundo a T)eos dar parte grande Cant. I. 8. 6. 

Se teu valor SebaJliaÕ pudera 
Azpuros defprejar da infauíla forte 
Quefe contigo Je moHroufevera 
Eofie a pejar da mefma o T^ei mais forte. 
O teu nome ainda reverbera, 
E bem poderá fer triumpho da morte 

Tor 



Conde de Villar maior, &c. 241 

Tor mais que o tempo corra ,&- velos ande 
'Para do mundo a Deos dar parte grande. 

DOM HENRIQUE I. REI XVII. 

Qu efempre houve entre muitos diferenças Cant.^. 8.12. 

Henrique em ti repare o mundo^es- veja 
Seres %eija logrando ej clareado 
A purpura de Trincipe da Igreja 
t Baculo,& ceptro juntamente unido: 
A/o meio da jurídica peleja 
One então Jeoccaftonou de ver rendido 
"Da praça , O- logooTieino dasfentenças 
uejempre houve entre muitos diferenças 



DOM JOAM IV. REI XVIII. 

Outro foanne inviclo cavalleiro Cant. 1.8. 13. 

'Depois de annosfcjfenta eslar defunto 
Teu 'J^eino o vivificas com teus raios 
T>a ejphera quarta oJol y que ncjle ajfunto 
Receios foraoprojperos enjaios. 
Sem valer lhe o poder que tinha junto 
Caslella, lhe caufou mortaes dej maios. 
Ver ac clamado emfi qual o primeiro 
Outro foanne invião cavalleiro. 

No fim da Rua nova onde defemboca em o € 4os 
pelourinho eftava o arco dos mercadores àos Mercado^. 
vinhos fabricado em forma refalceada com fuás dos vlTllm > 

X quar- 



242 Embaixada do Excellent. Senhor 

quartellas ? & mais ornato correfpondente , tu- 
do reveílido de viftofos volantes brancos com 
paíTamanes de ouro , & eftrias de cera verde ma- 
tilado de roías encarnadas com q ficava muito 
apraíivel.A fua altura era de 45.palmos ? a largura 
de 30. & groífura de 6. tinha pelos pilares ? & 
friíò das limai has os retratos dos Senhores Reis 
deite Reino com os epithetos , que parecerão 
mais próprios, & adequados às acções 5 & virtu- 
des heróicas em que cada hum deftcs Prínci- 
pes illuftrou o leu nome com íuperiorventa- 
gem, de erão os que fe leguem. 



D. 
D. 
D. 

D. 

D. 



L 

II. 

III. 

IV. 

V. 

VI. 

VII. 

VIII. 

IX.. 

X. 

XI. 

XI í. 

XIII. 

XIV. 

XV. D. 

XVI. D. 

XVII. D. 

XVIII. D. 
^lI-a.. xj. 



D. 
D. 
D. 
D. 
D. 
D. 



Affonfo Hériques. 

Sancho I. 

Affonfo IL 

Sancho II. 
Affonfo m. _ 

Dinis I. 

Affonfo IV.— 
Pedro I. 



Fernando I. - 

Joaó I. 

Duarte 1. 

Affonfo V- — 

Joaó II. 

Manoel I. — 

Joaó III. 

Sebaítiaól — 
Henrique I- 
Joaó IV. — 
Affonfo VI. 



- Conquijlador. 

— ^Povoador. 
Legislador. 
~ Aíagnijico. 
-^Restaurador, 
—pilo. 

— Oufado. 
—Jujllçofo. 

— Cjentil. 

— Vingador. 
—Eloquente. 

— Çuerreiro. 

- ^Perfeito. 

- Felis. 

~ Tledofo. 
~ Defejado. 
■ Casio. 
Libertador, 

- ViHoriofo. 

Remata- 



Conde de Villar maior, &c. 245 

Rematava a fabrica do arco com a figura da 
Fècollocada entre as duas virtudes Juítiça, & 
Fortalefa , & tinha ao pè em huma tarja a íe- 
guinte copla. 

A coroa deíle arco be 
AFe\ & que coroa igual?. 
Logo com rajao fe vè 
Que de todo Portugal 
O maior timbre he a Fe. 

Mais abaixo defta tarja ficava hum quadro em 
que fe via pintada de gentil maõ a figura de hú 
Emperador dando a maó a da Lufitania, que pi- 
favaó ambos em hum globo fobre queeílavaó 
mil defpojos bellicos; & no alto fe reprefentava 
huma íerpente unida a huma águia inílgnias 
das Coroas Portuguefa, & Imperial,& diíia a le- 
tra da tarja. 

jFPortugalsò convinha 
Tara bem dafua c/phera 
Que lograjjepor Cainha 
Huma Jguia queje venera 
Imperial pela linha. 

Na entrada da Rua nova da prata ficava o ar- Arco dos 
co dos Carpinteiros,^: Pedreiros,que era de 70. ^ intti ' 
palmos de alto; 40. de largo , &: degroíTo 12. 
com duas faces , & cada huma delias ornada có 
quatro columnas Corinthias com feus nichos, 
& tarjas tudo de boa pintura, que fipgia a me- 

Xij lhor 



244 Eméaixadá dc* E&cellent. Senhor 

íhor pedraria ; & no corpo fuperior tinha o 
grande Patriarcha Saó jofeph com o rumino 
jcsvs pela maó ricamente veítido dentro em 
hum ovado tranfparente, cercado com huma 
grinalda deflores, & lebre elle huma majeftofa 
tarja com as armas Reaes de Portugal, & nos la- 
dos feus obeliícos que accompanhavão , & real- 
favão a obra. Em os quatro nichos,que havia 
em as duas faces,eítavão ricas,&airofas as quatro 
figuras das quatro virtudes,Fè,Efperança Cari- 
dade , & Purefa , que todas íe ornavaó das fuás 
iníis;nias diítinclivas. 

Ano dos Na parte fuperior da mefma Rua nova da 
Ourives da prata junto à porta principal da Igreja da Mag- 
frata daíena erigirão os Ourives da prata o feu arco 
fobre quatro columnas Corinthias tranfparen- 
tes com fuás pyramides nos prumos, & por re- 
mate as armas Reaes ; era todo cuberto de vdi- 
lho branco ornado de paílamanes de ouro ,& 
matifado de rofas de feda encarnadas ; tinha de 
alto 55. palmos, 30. de largo, & 15. de groíío. 

AnodosS- Junto a porta traveífa da mefma Igreja da 
fatetros Magdalena citava o arco dos Sapateiros fabrica- 
do íobre pilares de obra compoíita toda de pe- 
draria fingida de bom pincel tk fobre o arco da 
entrada tinha hum vão tranfparente devolta 
abatida > onde eílavão as armas Reaes de Portu- 
gal de hu ma parte, & da outra as da Sereniflima 
eafa Palatina;era de 65. palmos de alto? 30.de 
largo;, ck 10. de groífo* 

Encot 



Conde de Villar maior, &c. 245 

Encoftado à Porta do ferro junto a Igreja de 
Santo António eítava o arco ? que levantarão os 
Cerieirosj que era em forma de portico 5 porqua Ano dos 
a fua largura ou comprimento occupava todo Cermios - 
o vaó do arco do ferro , & da Ermida de NoíTa 
Senhora da Conceição. As columnas eraó de 
ordem Corinthia 5 & todo o arco veílido de la- 
vores de cera de meio relevo com muita varie- 
dade fobre cor aful,& encarnada •> que faíiáo re- 
alfar muito a obra;& no remate eftava em hum 
nicho a figura de huma fermofa ? ôc varonil 
donfella com as iníignias de Lisboa que repre- 
fenta va 5 & tinha em ambas as mãos duas Coro- 
as Imperiaes , & aopè três mininos cada hum 
com fua letra; o do meio diíia. 

Lisboa como leal 
Sò a tanta Majestade 
EJlas Croas ojferece 
T) ç amor^ &■ fidelidade 

O da maó direita diíia. 

'Pedro Monarca excellente 
Cante afama eternamente. 



O da maó efquerda. 



Com tal%ainha& Senhora 
Ditofafera Lisboa. 



Xiij Ao 



246 Embaixada bo Excellent. Senhor 

Ao pè do nicho da figura de Lisboa em húa 
tarja, que fervia de feeho ao arco da entrada* eíta- 
vaeíteauarteto. 

i, 

^Principio me der ao flores, 
Efoi tal meu naj cimento-. 
Que a T)cos firvo de ornamento, 
Eao mundo de louvores. 

^lolvanct ^ n 2Çá° Franceía levantou hum foberbo ár- 
ia, co encoítado ao frontifpicio da Jgreja da Sè, 1 
que cobria quaíi todo , ôc tinha 120. palmos de 
alt o , 90. de largo , ôc de groílb todo o vaó do 
pórtico da Sè. Afuaarchiteclura era de ordem 
Coriuthia com féis columnas pintadas de ver- 
de, Sc ouro,& todo o mais corpo da obra fingia 
fer das mais excellentes pedrarias. Entre as co- 
lumnas lobre feus pedeílaes eítaváo quatro a 
vultadas figuras duas de cada parte, que repre- 
fentavão as quatro partes do mundo. A Euro- 
pa tinha ao pè em huma tarja a feguinte outava. 

Monarcas fuperiores, quantas glorias 
Em vos admiroyem vos venero, b quantasl 
Com todos i eus trópbeos,juas viííorias 
fas afoberba Europa a vojfas plantas: 
Receitai ncíla copia ejlas memorias 
T>e tantos fruflos,& deflores tantas 
Onde falta ariqueJa,o aifeclo Jobre 
T>eJ culpe ojer roubada, o ejlargobre. 

pA ; ASIA 



Conde de Villar maior, &c. 247 
ÁSIA. 

Príncipes altos defde a esfera donde 
Em berços de rubis ojolje embala 
Confagro ao culto vojfo quanto ej conde 
Emjuas minas ^Pegu^ondas 'Bengala 
N ao menos minha fè vos correfponde 
Com quanto a Arábia cjconde^ Ajfiria exhala 
~Naõbe de hum grande amor pequeno indicio 
Se antes mais do que objequio hefacrifcio. 



AFRICA. 

Soberanas T)eidades^tánto império 
T)e lujes ofentaes, armas de raios 
Que ja padece em pálido Emisferio 
A Sarracena lua altos defmaios: 
Coroe cada cfpiga boje hum mijlerio 
Meus Agoffos dedico aos vojjos Maios 
Sirvaomais a ejçerança que ao tributo 
Najça de tantas flores tanto fruto, 

AMERICA. 

Auguras MajeJlades,desJaJorte 
Venera a vojfa pompa o meu cuidado 
Se em digno rendimento esle arco for te 
Lanço altamente a vojfospés quebrado: 

X iiij EapH* 



248 Embaixada do Excellent. Senhor 

E a furando a fine f a mais de corte 
f Apara ojolio voJfio-> &- vojfio c fiado 
^Tem meu J elo inda vafio, inda fecundo 
Çuardado hum %eino& ej condido hum mundo. 

No vaó dos intercolumnios a cima deitas fi- 
guras ficavão vários quadros, que reprefenta- 
vão diverfos Príncipes da Cala Real de Portu- 
gal 5 ck Palatina comfeus nomes? ôcepithetos 
na forma que fe fegue. 

PhiJippus. II. Impcrialis domus tutela. 

Joannes. IV. Monarchitf%efiaurator. 

Vvolfgangus. — - Harcfieosflagellum. 

Rodolfus. I. Eleclorum Talai, fiundatorl 

Toannes. I. *P ater pátria. 

Emmanuel. I. Aditus fie cit ad árdua. 

Em o corpo íuperior fobre os prumos das 
féis columnas eftavão outros tantos planetas de 
vulto cada hum com hum terceto. 

S A T U R N O. 

Lyfia, parabém vosfieja 
Que torna em igual thejouro 
Outra ves a iàade de Ouro. 

VÉNUS COM A MAC, AN NA MÂO. 

Se Marta Taris vira 
Touca duvida tivera^ 
Não amim^ d vos a dera. 

APOL- 



Conde de Villar maior, &c. 249 
A P O L L O. 

Meus raios Mia Senhora 
He bem quefintao àe [maios 
Onde eslao os v ojfos raios. 

MARTE. 

Quem Tedrofe apellida 
Melhor bajlao lhe pertence 
Se antes depeleijar vence. 

LUA. 

l?or vos y ò Tedro y do ceo 
^Baixara com mais rafao 
l^erdoeme Endymiao. 

mercúrio. 

Levarei por todo o mundo 
T)e %eino em %eino aporfia 
Novas de tao fauslo dia. 






Neftamefma parte fuperior em o meio del- 
ia eftava hum nicho, &nelle a figura de huma 
belladonfellaquereprefentava a Aurora efpa- 
lhando flores,& ao pè em huma tarja tinha eíle 
quarteto. 



i<yO Embaixada do Excellent. Senhor 

Qye rio,& choro a/firmais-, 
< Principes,/em muito esludo y 
c Bjo porque vos dou tudo, 
•Choro forque nao dou mais. 

Havia também nos pedeftaes das columnas 
vários emblemas. 

i Duas rolas fafendo ninho dentro dehú 
capacete com eíla letra. 

TSella gerant ali]. 

2 Huma arvore de dpus ramos coroada 
no centro de hum jardim com eira letra. 

Spes altera %egni 

3 Jaíbn defembarcando a porta de hum 
palácio fobre cujo pórtico eftava pendente o 
o veloíino de ouro? o qual guardava hum feros 
dragão 5 que reíiítia ao intento do heroe, que 
pertendia roubalo, &: a letra. 

Jccepit fabula pr ifc a fidem. 

4 Sobre huma mefa huma concha aberta^ 
& pelo ar voando Cupido 5 & a letra. 

Âmplexu avellere matris. 

j Seis 



Conde de Villar maior, &c. 25T 

5 Seis pyramides para onde corrião três 
moços pertendendo cada hum delles chegar 
primeiro. 

Tíuxitjuapranna vi&or. 

6 Hum coração coroado abrafandofe pelo 
reflexo dos raios do foi que íeriaó nelle de hú 
efpelho,& difia a letra. 

Acrius urit. 

7 Hum rio que precipitado defcia de húa 
ferra a meteríe no mar. 

Iterum revolutus in ortns. 

8 Cupido quebrando no giolho as Tetas 
defpois de haver paífado dous corações com 
huma, & a fua letra era. 

fam que opus exezj. 

Em o Pelourinho na quella parte que delle £Í?i da , r \ a 
ie entra para o terreiro do raço ncava o arco 
que erigio a naçaó Inglefa , o qual era de duas 
J:aces,huma que olhava para o Pelourinho, 3c 
outra para o terreiro do Paço. A fua eftruclu- 
ra era de obra compofita, & a forma fextavada 
fobre féis columnas de cada parte com outras 
tantas no corpo fuperior , ôc humas , & outras 
pintadas de verde, & ouro , fingindo também 

nellas 



252 Embaixada do Excellent. Senhor 

nellas o mefmo pincel vários embutidos das 
melhores,& mais polidas pedras. Sobre a cima- 
malha do primeiro corpo corria huma varanda> 
que faíia viitofa guarda ao íegundo, & era de ba- 
la uílres primorofamente torneados, & colori- 
dos 5 & íobre os pedeítaes,que faíiáo ordenada fe- 
paração aos bala uífres eífavão mininoscom fru- 
teiros a que a architeòhira grega chama Carpo- 
phoros. Neíhs grades íe via em huma tarja da 
parte do pelourinho huma letra que diíia 

-- Churm Vlyjfes condidit ohm 
Hanc tibi nos^gencrique tuo expagnavinms nrbem. 

Na parte do terreiro do Paço havia eíloutra 

Semter Lufem adjuviffe lubcblt. 

Sobre o fecho da entrada do arco pendião de 
cada huma das faces as armas Reaes de Inglater- 
ra 5 & acima delias eftava hum quadro, em que fe 
vião pintados com valentia,& primor o invicto 
Rei Dom AfFonfo Henriques , & o General 
Guilherme de Longa Efpada \ que capitanea- 
vão dous exércitos com que fitiavão huma ci- 
dade 3 quepe3afua íituação moftrava fer Lisboa* 
£c tinha por letra 

His amor unus erat^eiriterque in bella ruebãnt 
Na face do terreiro do Paço na parte correi- 

■ 

pon- 



Conde de Villar maior, &c. 253 

pondente ficava femelhante quadro , & fò o di- 
verfificava a infcripçaó,que era 

Nunc cjuocjue communi regnum ftatione tuentur. 

Em os intercolumnios havia differentes fi- 
guras,& emblemas, que referiremos fem diítin- 
çáo da ordem, & lugar que occupavão pelo não 
pedir,nem a intelligencia,nem o ornato 

A figura da Fortuna tníle , & chorofa com a 
letra 

Império fpoliat a gemit. 

Sobre a Fortuna fevia o foi fahindo do Ori- 
fonte,& nas praias do mar muitas perolas,& co- 
ral^ tinha por infcripçaó 

Me clarior^fecundior» 

Saturno reprefentando o tempo, & a letra 

Tcmpori ne cedant. 

Mais acima eftava humceo femeado de e£ 
trellas , & nelle húa de maior grandefa,& tinha 
junto a íi 

Novunh ut novafaciat. 

X A 



254 Embaixada do Exçellent, Senhor 

A enveja com cobras por cabellos morden* 
do hum coração 

Frujlra fremit invidia. 

Sobre eira figura eítavão dous corações uni- 
dos,6c coroados ambos de buma coroa 5 íobre a 
qual eftava a letra 

De cada hum dos corações fahia outra letra> 
que diíia 

Ab ijlo felicitas. 

A Dcofa Difcordia com as veftiduras rafga- 
das,cc mordendo o pomo,& a letra 

In j fitam invehitur dijcordiapctmm 

Em cima fe reprefentava humleaõ 5 &húa 
ferpente dormindo,ôc a fua epigraphe 

Securè dormient. 

Por dentro em o vão do arco havia outras 
infcripções, Ôc emblemas, q não devemos ora- 
mittir. Tinha dous portaes 5 & fobre hum 

Felicitati ereclum. 

Efo- 



Conde de VillAr maior, &c. 257 

E fobre o outro 

fano dicatum. 

Cybele mai dos Deofes acompanhada de 
muitos mininos todos de íuperior lindefa 5 ôc 
fentada em huma carroíla pela qual tiraváo fe- 
rofes leóesjôc diíia a letra 

Qualis ^Bericynthia mater 

—. — Centum complexa nefotes. 

Amaltheia com a fua infignia da cornuco- 
pia,Ôc a letra 

Vivitefelices. 

Tinha efta figura acima de fi huma cobra en- 
golindo a cauda ,Jeroglyfico da perpetuidade, 
&: a letra 

In tsvmn. 

Hum efcudo cuberto de abelhas,& a letra 

— - %çze incolumi mens omnibus una. 

Humas portas fechadas,que a infcripfaó mo- 
ftrava ferem do templo de Jano. 

Et vacHum duellis 
fartum Quirini claujtt, 

AFidelidade,& fua letra 

Qermanafidei germana. 

Y ij Dous 



25*6 Embaixada do Excellent. Senhor 

Dous foldados fegando trigo com as efpadas» 
& a letra diíia 

— fam In foices verfajuvabunt. 

O Arco celefte , & a epigraphe 

'Paris confimatio. 

Havia também em o corpo íuperior deíle ar- 
co emcima do quadro que temos referido hum 
retrato de EIRei Moííò Senhor veítido de ar- 
mas brancas,tendoàmáo direita a Marte, que 
lhe rendia a efpada, & à efquerda Neptuno,que 
lhe tributava o tridente , &: fobre a cabeça dous 
anjos, que com a efquerda íuftentavaó os cla- 
rins^ nioftravão coroar a EIRei Noífo Senhor 
com duas coroas , & ambos nas bandeirolas dos 
clarins tinhaó eílas letras 

Solhfalique moderatori: 
Âb utroque magnus. 

Ao pè deite retrato de EIRei Noífo Senhor 
havia eíla letra 

Tiíl meliorijure debentur. 

Coroava-fe eíte arco com huma foberba eíra- 
tua equeftre, que reprefentava o incigneeapi- 
tão S.Jorge patrono emas batalhas das duas na- 
ções Portuguefa , & Inglefa , & ao pè pelo frifo 

corria 



Conde de Villar maior, &c. 257 

corria hum letreiro de grandes letras de ouro 
que diíiaõ 

MARINE AUG. PORT. REG. 
ANGL. V. D. C. 

Tinha efte arco 80. palmos de alto, 45. de 
largo 5 & 10. de groíTo em quadro. 

Em o terreiro do Paço defronte do açougue JrC9 dos 
fabricarão os OfEciaes da bandeira de Saó Jorge offiaaes d* 
hum caftello de madeira fingido de pedraria £$£* ' 
em forma fextavada com fuás efcarpas, & guari- 
tas nos ângulos, & bandeiras? & alabardeiros pe- 
las ameias das muralhas,& no meio do fegundo 
corpo ? quemoítravafer a torre de homenagem 
eítavaem humvaó tranfparente huma eítatua, 
equeítre de Saó Jorge com fuás guardas de fol- 
dados armados de figuras de vulto , & na parte 
maisfuperior deita torre fe via arvorada huma 
bandeira das armas Reaes de Portugal. Tinha 
de largo em todo o comprimento de angulo a 
angulo 50. palmosjde alto 70. de groíTo em qua- 
dro 20. 

No meio do mefmo terreiro do Paço junto - , , M 
a porta por donde le entrava para a ra brica dos imfa %{ 
paíanques,ou amphitheatro , a nação Alemam, 
como mais empenhada no feílejo das auguílas 
vodas de Suas Majeílades 5 fabricou hú arco de 
fuperior grandefa, & magnificência com féis la- 
dos todos tranfparentes ? que comprehendiáo 
90. palmos de alto, 60. de largo,& 30. de groílò 
em quadro. A obra era Jónica ?& toda por be- 

Yiij neficio 



258 Embaixada do Excellent. Senhor 

nericio do pincel moílrava fer de finos mármo- 
res liítados de ouro ; & o primeiro corpo íe for- 
mava íobre pilares , em cujos pedeíiaes íe v i- 
aó pintadas dofeilluílres cidades de Alemanha 
na ordem feguinte. 

I Heidelberg. 7 Ifyzembruch. 

1 Neuburg. 8 Colónia. 

3 Lubel\^ 9 Vifmar. 

4 Bremen 10 Nurembtrg. 
J BoftocK^ II Natiburg. 
6 T>úntfiK^ 12 Vlmis. 

Emospès direitos, & aduelas dos féis arcos 
defte corpo inferior fe viaó da mefma forte ou- 
tras dofe figuras 5 que por emblemas fignifica- 
vão difcretamente a fua alegria 3 & repetião os 
feus applaufos. 

A primeira era a Fama em figura de húa gen- 
til donfelía,como também eraó as mais diveríi- 
ficadas pelas íuas iníignias;& tinha a Fama o cla- 
rim na boca,ôc bua peça de artilheria aos pès, & 
por cima hu telefcopio 5 ou óculo de Joga mira, 
q tinha por objecto hu cavaleiro,& a letra dilia. 

Trícfentia maior. 

A fegunda tinha por titulo , Latitia publica, & 
fe ornava com muita variedade de inítrumen- 
tos muíicos nas mãos 5 &aospès 5 &: por cima a 
flor Gigante bebendo os benévolos influxos 

dos raios do fol,& a letra 

Hoe 



Conde de Villar maior, &c. 259 
Hoc ajficiente rident omnia. 

A terceira fe denominava Spes na] cens , &- adulta 
tinha húa arvore em a mão 5 ck ao pè huma an- 
cora 3 & na parte fuperior duas efpigas de trigo 
com a letra 

CumfeminefruUus. 

A quarta intitulava-fe Saksftélmi apontava 
coma mão direita para o foi , & na efquerdaa- 
pertava cobras 5 & o emblema era humadonfel- 
la tirando leda , & a letra 

Nata fomento ceçrisfanifcjue, 

A quinta era a Fortuna có o mudo na mão 3 & 
coroa na caberia ? & por emblema huma eítrel- 
la com cinco crufes na forma das armas de Je- 
rufalem? 6c a letra 

Felicifcmperjidcre. 

Afextaeraa^x có húramo de Oliveira na 
mão direita 5 & na eíquerda os inflrumentos bel- 
licos attados,& afãs na cabefla ; 6c o leu emble- 
ma era d uas mãos pegando no caduceo de Mer- 
curio ? & a letra 

Hancfemper tepofàmm omnés. 

Fabricados eíles arcos na forma que deixa* 

Y iiij mos 



2Óo Embaixada do Excellent. Senhor 

mos referida , todos nas ruas, & lugares por 
onde Suas Majeftades havião fafer entrada pu- 
blicados Paços da ribeira àSè,& voltar outra 
ves ao Paço ; eftando todo eíte âmbito, alem do 
ornato dos arcos,paramentado com diferentes 
ledas ? que no rico , & no viítoíò moftravão 
bem a opulência , & alegria de huma das mais 
iníignes cidades do mundo, qual he a nobiliíli- 
Entraáafu ma cidade de Lisboa. Sinalouíeparaefta acção 
bit -a de suão fabbado 30. de Agofto dia de Saneia Rofa,&: 
àSè. pelas quatro horas da tarde baixarão Suas Ma- 
jeftades , & a Sereniffi ma Senhora Infante ao 
pateo da Capella a entrar no coche Real ac- 
companhados de todos os officiaes de fuás ca- 
fas ,Grandes > Preíidentes dos tribunaes > Minif- 
tros , & Fidalgos, veftidos todos das mais ricas 
galJas, & ornados das mais preciofas jóias a que 
apenas pode chegar o encarecimento , & íe 
guiofe o accompanhamento pelo arco de 
Luis Cefar, Tanoaria, Calcetaria, Rua nova dos 
ferros , Rua nova da prata , Magdalena , Porta 
do ferro , & por todas ellas athe a Sè, & no Pe- 
lourinho eílavaõ em duas alas alguns dos ter- 
ços da ordenança da Cidade , & no terreiro do 
Paço defde o Pelourinho athe o Palácio os da 
armada, & guarnição , feruindo igualmente pa- 
ra o defembaraço do caminho? & para o deco- 
ro das Majeftades, 

JmpZha* Davão principio ao fio da Real comitiva os 
memo. d ous Procuradores da Cidade Miguel de Mel- 
lo, & Francifco Pereira de Viveiros veftidos de 

galla 



Conde de Villar maior, 6cc. 261 

galla , & a cavallo com cuftofos jaefes , 6c a de- 
reífos , 6c junto aelles todas as varas do provi- 
mento do Senado com as fuás infignias, 6c lego 
varias danças adereíTadas todas com luílmento; 
ôc depois delias ia o Guarda tapeçaria da Caía 
Real ? 6c féis Repoíleiros, que levavão huma al- 
catifa de veludo carmeíim bordada de ouro , & 
três almofadas de borcado também carmeíim, 
& ouro para haverem de fervir quando Suas 
Majeílades,6c Altefa adoraílem ao entrar da Sè 
o Signum Crucis. Seguiaó-fe féis Porteiros das 
maças a cavallo bem ornados com as maças de 
prata aos hombros, & a ellesosMiniífros, & 
officiaes de Juítiça j cujo provimento naó per- 
tence ao Senado ? & eraó feguidosdos Reis de 
armas , Arautos , 6c Paífa vantes que iao a ca- 
vallo com as fuás cotas das armas Reaes deíies 
Reinos, 6c fuás Conquiítas, 6c com feus colares 
de ouro, 6c junto a elles íaó em fermofos ca- 
va lios os dousCorregedores do Crime da Corte 
o Doutor João de Andrade Leitão, 6c o Dou- 
tor Domingos Nogueira de Araújo com fuás 
garnachas da melhor feda forradas de rica tella, 
6c depois dos Corregedores fe feguião as litei- 
ras , 6c atras delias os coches fem precedência, 
em que lufião com magnifica, 5c louvável pro- 
digalidade as primorofas talhas douradas , 6c fe- 
das, as tellas , 6c os borcados , 6c muito mais a 
nobrefa que os oceupava , indo aíllm nas litei- 
ras, como em os coches os officiaes das Caías 
Reges, Grandes do Reino , Preíidentes, Mi- 
niífros dos tribunaes, 6c Fidalgos. Depois dei- 
tes 






262 Embaixada do Excellent. Senhor 

tes coches iáo os dous Eílribeiros mores pri- 
meiro o da Sereniíiima Senhora Infante, em 
que naò ia o Eflribeiro mòr de Sua Altefa o 
Conde de. Pontevel por fer preciía afuaaffif- 
tencia com o Senado da Camera, de que era 
Preíidente. Seguiafe mais atras o da Rainha N. 
Senhora oceupado de íeu Eítribeiro mor Dom 
Francifco Mafcarenhas , 6c em ultimo lugar o 
de EIRei NoíTo Senhor, em que ia o Eílribei- 
ro mor de fua Majeítade Dom Jofeph deMe- 
nefes , ambos com cuítoíifíimas gallas. Mar- 
cha váo logo im mediatamente os coches de ref. 
peito com a mel ma preferencia. 

Seguiafe o coche Real taò rico, & euftofo 
como pedia a foberana grandefa das Majeítades 
& o fautto eíplendor da quelle dia , 6c fuppoíto 
que a fua fuperior magnificência merecia as 
attenções de todos, todas fe empregarão ema 
admirar, &c venerar como mais afTechiofo ref- 
peito de fideliffimos vaflallos as Majeíbdes, 6c 
foberana Altefa , que oceupavão eíta luminoía 
carroífa , na qual a Rainha noífa Senhora oceu- 
pavão lugar da maó direita de Sua Majeílade na 
mefma cadeira de detrás difpenfando Sua Ma- 
jeítade no inveterado eftillo deite Reino para 
tributar aos íoheranos méritos da Rainha Nof- 
fa Senhora a fmgularidade deita demonílra- 
çáo. Hiaocoche entre duas alas de Archeiros 
das guardas Reaes, guiadas diante pelos Tenen- 
tes delias Belchior Rodrigues de Matos , 6c 
Francifco Rodrigues de Almeida veílidos de 
ricas gallas , & montados em bons cavallos 

com 



Conde de Villar maior, &c 263 

com cuftofos adereços ; & atras do coche íáo 
os Capitães das meímas guardas , o Conde de 
Pombeiro , &DomPhilippe deSouía em ca- 
vallos do maior preço,adereçados de jaeies,&de 
fellas de grande valor , fendo excelíivo o das 
fuás gallas, & jóias de que fe ornavaó. 

Hum pouco diante do mefmo coche Real 
ião os moços da Eftribeira , 8c logo quarenta 
mofibs da camera todos com boas gallas ; detrás 
ào coche Real , ôc das guardas marchavão os 
coches das Damas, de Donnas de honor da Rai- 
nha Noíla Senhora 3 & da Sereniiilma Senho- 
ra Infante. 

Neíta forma foi marchando o accom panha- 
mento contribuindo muito para a boa ordem 
da marcha a actividade , & diligencia dos Cor- 
regedores do Crime, que portos em bons ca- 
vallos, &: veftidos de toda a galla procurarão 
que nem fe confundiíle , nem fe perturbaífe o 
fio , & entre vivas, & acclamaçóes de numero- 
fiilimo concurfo de toda a esfera,íexo , & idade, 
que cubria as ruas,praças,& janellas , repetindo- 
fe ao mefmo tempo os repiques em todas asl- 
grejas^oraó Suas Majeítades com vagarofo paf- 
fo,vendo nos triumphaes arcos, & ricos para- 
mentos de que eftava ornado todo aquelíe tran- 
íito,o amor, & alegria com que feus vaífallos ce» 
lebravão as fuás Auguftas Vodas. 

Chegou o Coche Real de fronte da porta de o Senador 
Santo António , & nella eftava o Senado da Ca- Camera * 
mera para tributar a Suas Majeítades o obfequio 

devido, 



quiocojhi 
t/j a do 



264 Embaixada do Excellent. Senhor 

devido 5 & cuítumado em accóes femelhan- 
SmsMat tes * Era o feu Prefidente o Conde de Pontevel 
jiadts o obje- Nuno da Cunha de Ataíde, que ficou mais pro- 
pinquoao Coche, feguindo-íe logo os Verea- 
dores pelas fuás antiguidades , os Deíembarga- 
dores joaõ Coelho de Almeida, Ignacio do Re- 
go de Andrade, António da Coita Novaes,Fran- 
cifco da Fonceca , Sebaífião Ruis.de Barros» 
Franciíco Ferreira Baião , o eícrivão da Came- 
ra António Rebello , & os Procuradores da Ci- 
dade Miguel de Mello , & Francifco Pereira de 
Viveiros,& os Procuradores dos mefteres,& to- 
dos os Officiaes,6c Miniítros do Senado veftidos 
de galla,ck parando aqui o coche ceílàraó os re- 
piques dos íinos da Sè , & das Igrejas mais viíi- 
nhas,& logo o Doutor Joaó Coelho de Almei- 
da hum dos Vereadores do Senado a quem por 
mais antigo tocou reprefentar a Suas Majeftades 
em nome de todo elle , & da Cidade a incompa- 
rável alegria , & fidelidade com que os corações 
de feus vaíTallos feftejavão tão fauílo dia , o exe- 
cutou com a oração feguinte. 

MUITO ALTOS, MUITO PODE- 

rofos , & amados Reis,& Senho- 
res noflos. 

<Praciica d$ Nefte memorável dia, tão íingular, tão eífcre- 
iS coelho mado,tão unico,digno fò de fç elcrever com pe- 
de Âimeiaa d ra branca ( na candura imitação viva da neve, 

aSuas Ala- ,* r v • 1 1 /* \ v-> 

jijiades. na firmela perenne competência do bronlejpo- 
dejuítamente difer Portugal * vendo-fe no ma- 
ior 



Conde de VillAr maior, &c. 265 

ior auge de fuás glorias 5 na dittofa poíTe de feus 
defejos ? que tem logradas fuás efperanças , can- 
tando com júbilos de amor,ck alegria ? com fes- 
tivos applaufos,com felices aufpicios os epitela- 
mios deltas tão altas ? como fufpiradas vodas 3 & 
Reaes Hymineos de voífas Majeftades. 

Nem no mundo fe podião achar, entre as fu- 
ás tão celebradas maravilhas, duas columnas tão 
íingularesjtáo preciofas ? em que fe gravaffe com 
maior acerto o Non plus nitra das noílàs dittas, 
como huma 5 & outra Majeílade. 

A Divina pos hum Pedro por columna da 
Fè 5 & nos dà hum Pedro 3 &: huma Maria por co- 
lumnas do Imperio 3 que prometteo eftabelecer 
para íi; & com maravilhofa providencia? parece 
infpirouem Voíía Majeílade tão acertada elei- 
ção: dandonos para Rainha , ck Senhora noíTa, 
huma precioíiííima jóia Palatina , rilha de Sua 
Altefa Eleitoral o Senhor Príncipe de Neu- 
burg,defcendentedaquelles iníignes Empera- 
dores Auftriacos ? Friderico 5 Fernando , Maxi- 
miliano, Sc outros muitos. 

Achando-fe VoíTas Majeftades ( por fuperior 
deílino ) tão iguaes nas lianças 3 & parentefcos, 
que faó nonos netos do Senhor Rei Dom Pe- 
dro o primeiro; undécimos do Senhor Rei D. 
Dionis,& da Rainha Sanita Ifabel, a quem todo 
efte Reino roga, todo efte Reino empenha 5 em 
auxílios , & patrocínios , para tão foberanos ne- 
tos; efperando que efta nova Rainha de Portu- 
gual,efte portento de admiraçóes 3 efta Ifabel Pa- 
latina 3 por luas altas virtudes ? feja hum vivo 

Z traslado 



$66 Embaixada do Excellent. Senhor 

traslado daquella Iíabel Aragonefa. 

Ambos por huma , & outra linha , ( confor- 
me os cômputos genealógicos mais ajuítados) 
iaó VoíTas Majeftades decima fexta geração , na 
defcendencia do Senhor Rei Dom Affbnfo 
Henriques na qual Chrifto Senhor noíTopro- 
metteo de olhar, & ver. 

Nãodeixãode annunciar tantas maravilhas 
myiterios grandes, em que juílamente efpere- 
mos,feja eíte tempo o promettido,para le dar 
principio ao Império ha tantos feculos vatici- 
nado;& que deita efclarecida Rainha, & Senho- 
ra noíTa nos de VoíTa Majeftade tanta defcendé- 
cia,que o Senhoreem , éc fc alarguem a todo o 
univerfo; Sendo húa grade parte,da Sereniffima 
Senhora Xnfante,admiravel flor Portuguefa,que 
por luas iníignes virtudes , pelas perfeições , &z 
graças,que compõem tanta bellefa , & por filha 
de Voíla Mageítade, he merecedora das maiores 
felicidades. 

Tudo efpera efte Reino , tudo efpera efta 
muito nobre,& fempre lealCidade,quefe fin- 
gularifa a todas as do mundo pelo fitio , &pelo 
clima ; cujas margens lava o celebrado Tejo , & 
enriquece o Oceano , fendo em íi hum mundo 
abreviado , por tantos títulos grande , & maior 
por fer pátria de VoíTa Majeftade , aquém o Se- 
nado, os illuítres Cidadóes , & numerofo Povo> 
proftrados todos ( com o devido culto , & aca- 
tamento) aos Reaes pès de tão íoberanas Majef- 
tades, ( as portas donde nafceo , & he venerado 

oGlo- 
- 



Conde de VillAr maior, &c. 267 

o Glorioío António , fcu Tutelar Patrono , Jus 
da Igreja Univeríal, llluítriílimo Cidadão neíta 
Corte , & grande na do Empyrio) offerecem as 
chaves deita Cidade , & com ellas os galhardos, 
& generolbs corações , que fempremoí trarão 
em iua defenia , òv na âcfte Reino ; & mof- 
traó agora , fervindo a voílàs [Majeftàdés em 
diataó agradável , tão bem eílreado , jde tão 
fnblime apparato 5 & de tão pompoía entrada; 
com oítentaçóes amoroías , com furnptuofiffi- 
mas maquinas, tanto arco triumphal , £c tanta 
pompa, com que applaudem , celebraó , & pu- 
blicão eftas tão defejadas feítas,acclamando com 
vivas aperpetuidade de VoífcsMaj cila des, que 
vivão, vivão; reinem , vivão , & de noílbs annos 
lhes augmente Deos a vida. Vivão vivão. 

Repetio o concuríbtodo cem viva alegria, 
& ardor inteníb efta ultima vos , & Suas Majeí- 
tades moftrarão no agrado dos femblantes re- 
ceber com benévola attenção , áffim a gemina- 
ção de tão fauftas acclamaçóes,como todo o dif- 
curiò do Orador que a exprimio com grande 
energia, òv efficacia. 

Acabada efta pratica oífereceo o Preildente a 
Suas Majeítades as chaves da Cidade em huma éílfiLlte 
íalva dourada , em nome do Povo delia , & El- **ú*™*** 
Rei Noílò Senhor as acceitou , & tornou logo SuaMajef. 
a cntregallas ao mefmo Preíidente. tade - 

Findo efte acl:o chegou a carroíFa Real às ei- 
radas da Sè , cujo frontifpicio, como fica referi- 
do, fe ornava com o arco que nelle fabricou a 

Z ij nação 



£08 Embaixada do Excellemt. Senhor 

nação Francefa 5 & ali apeandofe Suas Mnjeíla- 

des,& Altefa os recebeo o mefmo Senado com 

hum palio de excellente brocado branco com 

ramos, franjas 5 & borlas de ouro , &c nas varas* 

que erão outo ? pegarão oPrcíidente, &os féis 

Vereadores por fuás antiguidades , &c na ultima 

pcgouoConfervadordaCidadeo Doutor Ni- 

culao de Torres Cordeiro Corregedor do Crime 

da repartição do bairro de São Paullo affiítindo 

có beca có os Vereadores,da qual Sua Majeílade 

lhe fes mercê para efte a£lo , como he cuílume 

em occafióes femelhantes 5 & nefta forma fobi- 

raó Suas Majeílades ? & Altefa , hindo a Rainha 

EntrcoSn- Noíla Senhora à mão direita de Sua Majeílade, 

asMajejta- & a Sereniffima Senhora Infante da outra par- 

& em mu te 5 &c chegando à porta daquella Cathedral, 

forma/aô achou ncllao feu llluftriffirhò Cabbido coma 

recebidos do .- 1 -n 1* ' j i* r^ .• 1 

Jrcebijpo, íagraoa Relíquia do lignum Cruas 5 que tinha 
têubiâo. o Arccbiípo debaixo de hum excellente palio 
de tella, & ali fiferaó Suas Majeftades , &c Altefa 
adoração fobre a alcatifa 3 & almofadas que os re- 
poíleiros trouxeraó no accompanhamento , Sc 
o Marques de Alegrete como gentil-homem da 
Camera de Sua Majeílade 5 que aíliília de forna- 
na acommodou a almofada para EIRei Noílò 
Senhor ajoelhar ? & o mefmo fes o Duque a al- 
mofada da Rainha Noíía Senhora t &c o Conde 
de Vai de Reis a da Senhora Infante.Feita a ado- 
ração accompanharaó Suas Majeílades 5 & Alte- 
fa a Sacrofanta Relíquia athe o Altar mor, onde 
havia hum rico fitial de oração , ou genufleélo- 
rio de damafeo deouro^ carmefim.com féis al- 
mofadas 






Conde de Villar maior, &c. 269 

mofadas do mefmo fobre huma alcatifa de ve- 
ludo verde bordada de ouro , o que tudo eftava 
cuberto com hum pano de tafetá carmeílm có 
rendas de ouro , que chegando as peffoas Reaes 
foi tirado pelo fumilher da cortina, queaffiítia 
de fomana. 

Nelle fe detiveraò Suas Majeftades, & Alteia 
dando graças ao Senhor dos Reis pelo benefi- 
cio da felicidade daquelle dia? que na firme et 
perança de Sua Divina Clemência feguravão a- 
perpetuidade de felicidades. 

Eftava aquelle grande templo ( fabrica na Ornat0 ** 
melhor opinião do Emperador Conftantino 
Magno ) todo alcatifado de cuftofas alcatifas 
deíde o taboleiro da porta athe a Cappella mor, 
& todo o corpo da Igreja fe vio guarnecido de 
excel lentes fedas, tellas ? & borcados por difpo- 
íição do Àrcebifpo, fendo a maior parte daquel- 
le adorno das caías do mefmo Prelado, ôc das de 
feu irmão o Marques de Arronches , em que o 
Àrcebifpo moílrou bem. a fua grande magnifi- 
cencia,6V efplendor. 

Cantados os hymnos , & orações , que cuftu- 
ma a Igreja em femelhantes acçóes,voltarão Su- 
as Majeftades na mefma forma pelo terreiro do 
Paço,repetindo-fe os applaufos, & acclamaçóes 
de todos,& os repiques dos íinos, &: logo à nou- 
te fe cobrio toda a Cidade de feftivas lufes , & o 
terreiro do Paço de differentes dancas,& a mof- 
quetaria,artilheria do Caftello, 6c fortalefas aju- 
davão as acclamaçóes dos vafTallos com voíes, 
ainda que horrifonas mais altiloquas. 

Z iij O dia 



2yó Embaixada do Excellent. Senhor 

Trimeira O dia de 6. de Setembro fe deftinou para ^ 
fifla de toa-, p r j me i ro fa feíla dos touros ; em que fe acabou 

de pòr em a fua ultima perfeição a fabrica dos 
palanques,queera de forma quadrilatera? como 
he cuítume, compondo as galarias de Palácio os 
dous lados occidental ? & boreal , & os outros 
dous as galarias que fe erigirão de madeira em, 
quatro ordens de varandas , que corrião do arco 
dos pregos the junto do bal uarte , & dali volta» 
vão a fervir no forte do Paço. Eraó todos for- 
mados em arcos 5 & pintados de encarnado , & 
ouro,& emcima nos remates tinbão quarteis 3 & 
obelifcos 5 que realça vão muito a architeítura. 
Neftas varandas tinhão feus lugares os MiniíV 
trós,&: Officiaes dos Tribunaes,na forma que 
por antiga difpofiçáo lhes faó determinados 3 6c 
as Senhor as,&: Damas da Corte occupavão a va- 
randa fuperior a todas>& nos dous lanços do Pa- 
ço por baixo das janellas havia de grãos com tã- 
boretes 5 ficando todo efte recinéto dos quatro 
lados rodeado de huma trincheira pintada de 
yarias cores. 

A penas comeíiava a declinar o foi para o 
occafo quando ja toda efra grande fabrica efta- 
va occupada com uniforme alvoroço, & excef- 
fiva alegria de todo s ? quefeaccédia com os cla- 
rins^ charamellas, que ao mefmo tempo en- 
chendo os ares pregoavão as felicidades do dia. 
Era huma hora quando Suas Majeírades>&: aSe- 
reniffima.Senhora Infante chegarão-a huma ja- 
B.elk do Paço , eni que havia hum foberbo po« 
dio a ou balcão de talha dourado fabricado para 

aquelle 



Conde de Villar maior, &c. %ji 

aquelle intento com cortinas de fetim douro, 
& carmeíim,& repetindo os clarins , & as vofes 
as fuás accla mações , &: applaufos com a viíh de 
Suas Majeítades,entraraó logo na praça ( confu- 
fa ainda com o feítivo tumulto da plebe ) gran- 
de numero de danças vertidas de veJilhos de pe- 
fo de ouro , ôc prata guarnecidos de rendas , & 
com pouca dilação entrou Álvaro de Souía Ca- ^f ro c de . 
pitão da Guarda de Sua Majeítade, governando tlmda ^ 
elle, & o Tenéte Belchior Rodrigues de Matos Guar4a * 
aguarda Real que vinha dividida em duas alas 
veftida de verde com paílamanes de feda verde, 
& branca que faó as cores do Reino. 

Os lacaios que feguião o Capitão da guarda 
erão dofe, porque na forma da pragmática de S. 
Majefíade , não podião entrar os Capitães da 
guarda com maior numero , Ôc veftião de verde 
com guarnições de entretalhos de feda ;& de- 
pois de feitas as coírumadas corteíias a Suas Ma- 
jeftades defpejaraó a praça da plebe , & logo que 
fe fahirão delia entrarão a agoala trefe carroíías, 
dofe com diíTerentes,& foberbas figuras de mõ- 
ftros marinhos que lançavão agoa por vários 
modos , & divididas eftas dofe em duas fileiras* 
fauma fe encaminhou para o lado direito, Sc ou- 
tra para o efquerdo ,occupando o meio outra 
carroíla de maior grandefa em que vinha fenta- 
da húa figura de Coloffo reprefentãdo ao Deos 
N"eptuno,aquem faíião companhia quatro Ce- 
rcas, & diante h um Tritão. O tridente era dou- 
rado,ôc fahia pelo mais alto delle aagoacoin ti- 
tã violência, que havendo defde o chão athe 

Z iiij Neptu- 



272 Embaixada doExcellent. Senhor 

Neptuno 11. palmos 5 fobia a agoa por cima do 
tridente outra tanta diítancia ; eráo todos os co- 
cheiros 5 que governavão as carroífas veftidos em 
forma de Tritóes,& os cavallos com pelles pin- 
tadas da cor dos marinhos, & toda a fabrica das 
carroífas era porporcionada à idea marítima , 3c 
havendo feito Neptuno as demonftraçóes de 
feu rendimento a Suas Majeítades r &agoadaa 
praça que íè fes com gentil difpoíição , trocan- 
do- fe os carros em forma dehuma bem ordena- 
da dança; logo que fahirão eftas carroífas entrou 
grande numero de toureiros caítelhanos , & 
portuguefes veftidos com calções 9 & oetas de 
tella encarnada,capas para as fortes guarnecidas 
deouroj 6c prata, ck morto por elles o primeiro 
touro em preludio da fefta 5 entrou ao íegundo o 
Conde de Atalaia Dom Luis Manoel de Távora 
coIL i>. do Confel ho de Guerra , Governador da torre 
Íi^tTI' ^ e Belem 5 & Embaixador que foi de Sua Majef- 
tê. ' tadena Corte de Turim. Seguião ao Conde 
cincoenta lacaios veftidos com cafaquas de ve- 
ludo encarnado bordadas de froco de prata > & 
os chapeos , plumas , garavatas 5 & eípadas eraò 
de igual 5 ou fuperior valor ; &: como o Conde 
com difereta 5 & generofa attençao quis moftrai* 
que as quatro partes do m undo 3 aííim como re- 
conheílem o Império Português 5 tributavão 
também ncfte dia todos os feus applaufos , fes 
efta demonftração nos trajes dos lacaios acco- 
modando-os à moda de cada huma daquellas 
partes do mundo , de aííim íendo dufentos os 
lacaios que o Conde veftio 5 eítes cincoenta que 

trouxe 



Conde de VillAr maior, &c. 275 

trouxe eíta primeira ves na forma , & moda de 
veftir reprefentavão Europa a mais nobre, 6c 
politica parte do mundo. 

Feitas as corteíias a Suas Majeftades com o 
acerto que fe conheíTe em todas as acções do 
Conde, fes tantas , & tão airofas fortes , matan- 
do também àefpada alguns touros, que igual- 
mente defempenhou a arte , & o valor. As pri- i urmeriU 
meiras três vefes que mudou de Cavallo entrou àof 3 uj e qui 
na praça com outras tantas librés a cincoenta z< 
lacaios cada huma , que como fica referido re- 
prefentavão as outras três partes do mundo ; & 
deites os primeiros reprefentavão Africa , & 
veftião debrocado aful, os outros de varias fedas 
guarnecidas de rendas de ouro tomadas as rou- 
pas com bandas , & guarnições luíidiífimas, 
que bem moftravãoa opulência da Afia; os úl- 
timos íimbolifavão a America ,& eraó índios 
vertidos de plumas com arcos , & fíexas , & pé- 
rolas nos braços. Acreditão-fe muito os lances 
de valor , & deílrefa , que o Conde obrou neíle 
dia, com huma circumftancia que não he para 
omittir , porque ao puxar pela efpada para ma- 
tar hum daquelles ferofes brutos fe ferio no 
braço efquerdo com hum tão grande golpe, 
que fahindo da praça depois de o matar , & fem 
nellafe conhecer aquelledefaítrc, pareceo im- 
poííivel aos Cirurgiões tornar a entrar nella; 
porém mandando ligar aferida montou logo, 
& tornou a entrar na praça , & com o meímo 
valor , & defembaraço continuou athe extin- 
guir todos os touros; Erão os jaefes dos caval- 

los 3 



1274 Embaixada do Excellent. Senhor 

los, que o Conde mótou todos de grande pre- 
ço ,&:tinhãoas crinas muito bem adereçadas, 
óc ricas , & as ferraduras de prata. 
Trimzird Acabouíe a fefta com o dia, &ao feguinte 
pjtaâejogo, que fe havia dedicado à primeira do fogo, que 
era no mar, ao amanhecer appareccrão cinco 
fragatas diante do forte do Paço, três na frente, 
duas em os claros , &c de poupa aproa das três da 
frente oceupavão os vãos barcos pintados em 
figura de vários peixes, &c dos dous extremos 
da Capitania , &: Àlmiranta corrião duas linhas 
de barcos pintados na mefma forma , que pro- 
jongando-íethe junto ao forte delineavão húa 
área na inconftancia das agoas. Em o meio def- 
ta área , ou praça fe via fabricado hum forte cõ 
quatro baluartes, & todas as mais difpofiçóes 
militares, que encobriãoa quantidade de fogo 
de que eífava todo guarnecido. Junto aos bar- 
cos de huma , & outra linha eftavão doíe mon- 
llros marinhos de boa architeclura armados 
fobre bateis com vários inftro mentos de expug- 
nação , & guarnecidos com diverlas , & ex- 
quiíitas invenções de fogo,& em cada hum 
dos bateis deites monftros havia hum cabo 
que prendia no plano exterior do forte com 
huma roldana para com maior fegurança,& 
boa ordem navegarem os monftros marinhos 
àexpugnação do forte que era o fim defteap- 
parato; os navios eftavão guarnecidos de toda 
agente de mar , tk guerra , & com todos os ins- 
trumentos neceflàrios para a deferi íà de hum 
affalto , & em cada hum dos barcos entrarão des 

folda- 



Conde de Viixar maior? &c. 275* 

foldados? & hum cabo que tinhão ordens por 
efcrito para fem confufão executarem as diffe- 
rentes operações, que eílavão determinadas? 
ôc em cada hum delles havia duas girandolas de 
grande quantidade de fogo , & muitas rodas de 
foguetes, que ardião por debaixo dagoa donde 
fahião ao ar a diíparar com outras divcrías en- 
vençóes de fogo? & de huns a outros barcos 
eílavão prefas cordas para correrem por ellas 
foguetes na iuperfice da agoa? & faíerem pare- 
cer o mar de fogo. 

Suas Majeílades deílinarão para ver eíla fef- 
tahumadasjanellas do quarto baixo do forte; 
& das mais virão as damas ? & família da Cafa 
Real ; ôc das janellas do terceiro andar ? exten- 
do-íe o que pareceo neceílàrio? de huma ? & ou- 
tra parte fe fabricarão varandas com differen- 
tes appofentos ? & efcadas ? fervindo a alta para 
as Senhoras? a immediata para os grandes? & 
fidalgos? &c a ultima pegada com a agoa para 
a gente da Cidade ? & na ponte da cafa da índia 
eílavão também aiTentos para que a feíla fe lo- 
graíTe de toda a parte com mais deíafogo. Ser- 
rou fe a noute?& apparecerão os navios cubertos 
de luminarias?os barcos?& forte de tochas de ce- 
ra preparada para reíiílir à força do vento ; dili- 
gencia que a tranquilidade do ar fes efcufada. 

Deu final de que ha vião chegado àjanella as 
peíloas Reaes o fom de vários clarins , que fe 
tocarão das varandas altas do forte ;& feito fi- 
nal com hum foguete para íe dar principio à 
feita entrarão na praça marítima féis íaluas chei- 
as de 



iy6 Embaixada do Excellejntt. Senhor 

as de lufes, &: de excellentes coros de muficaj 
feítejando com a fuavidade das vofes, & inf- 
trumentos a celebridade da noute, & encami- 
nhando-fc com bem formada ordem para o ter- 
ceiro lado da praça que debaixo dasjanellasdo 
Paço, que eftava por cobrir occuparão em pro- 
porfionadas diítancias; & logo com outro fo- 
guete fe fez fegundo final j a que fe feguio húa 
carga de artilheria, & mofquetaria dos navios> 
& barcos, 6c fe forão feguindo todas as mais op- 
peraçóes do fogo na expugnaçãodo forte pela 
forma, es: difpoíição referida , & todas fiferão a 
noute tão viítofa com os multiplicados giros 
de lufes, & acordes eítalidos dos foguetes alter- 
nados com os clarins , charamellas, & marim- 
bas, que bem puderão envejala muitos dos mais 
lu fidos dias. 
m r Entrepuferãofe alguns dias entre eíta fefta* 

\Dctn Leu- l o T 

rmo át ai- et a íegunda dos touros, que tocou a Dom Lou- 
TajtguZa *^fÇ0 de Almada ; & antes das duas horas de- 
fefta aas pois do meio dia apparecerão as peílòas Reaes» 
cm o balcão. Agoarão , 3c ornarão a praça os 
carros, danças, & toureiros na forma do primei- 
ro dia , & entrou a difpejar a praça o Conde de 
o Conde do Pombeiro Capitão da Guarda Real, que haven- 
Toihheno ç] antecipadamente feito diligencia, para que 
Sua Majeftade difpenfaífe a ordem que havia 
dado,para que não podeflem os Capitães da fua 
guarda levar à praça mais de doíe lacaios fem 
guarnições de ouro,a interpretou a favor do lu- 
iimento da feita veftindo quarenta pagés com 
calçóes,prop6es 5 & capas de veludo verde , for- 
radas as capas de chamalote de prata alaranjado, 

& 



Conde de Villar maior, &c. 177 

Òc guarnecidos os veítidos de rendas de ouro, & 
prata com chapeos de plumas 3 & voltas borda- 
das. 

Ao quarto touro entrou Dom Lourenço de 
Almada com cincoenta lacaios com cafaquas u ™^£ 
de gorgorão aful cubertas de rendas de prata ; a cMosde d. 
fegunda libré foi de outros cincoenta lacaios à L tif0 ' 
Mourifca com gafetóes de tella branca,ck: cape- 
Ihares de tella carmeíim , huns , & outros com 
alamares de ouro? & por cima dos gafetóes ban- 
das carmeíins com rendas de ouro, & na cabeíía 
turbantes com martinetes , & vinte , Sc quatro 
negros com calças,gorras , & manteos enrroca- 
dosjdofe delles veftidos de gorgoraó encarnado 
cubertos de rendas de prata , &c os outros doíe 
de gorgorão aful guarnecidos de rendas de ou- 
ro. 

• Os cavallos que teve para tourear f orão não 
fò muitos,mas excellentes com jaefes muito ri- 
cos, crinas luíidas , &cuftofas :& fobre tudo o 
que fes a fefta mais plauíivel foi a iníigne deftxe- 
fa, ôc valor íingular com que toureou faíèndo 
maravilhofas fortes , & matando muitos touros 
ja com o rojaó, ja com a efpada , não menos def- 
iro naquelle, que valente neíta. 

O terceiro, & ultimo dia de touros foi do 
Conde de Villaflor. Defpejou a praça D. tSb^SfJI^ 
Jippe de Soufa Capitão da Guarda Real ; & le- 
vou dofe lacaios conforme a Id veftidos de ef- 
carlata com cafaquas bordadas de entretalhos 
de feda branca com troçaes afuis, calções da 
mefma cor? meias cor de fogo , & nos chapeos 

Aa plumas 



2j% Embaixada do Exceluent, Senhor 

plumas afuis ,Sc brancas , & j tinto ao cavalio em 
breve diftancia cincoenta pages com capas cte 
fernandina encarnada todas cubertas de ren- 
das de prata, & forradas de brocado aful , 8c 
prata? propões do mefmo brocado , guarne- 
cidos das mefmas rendas , calças itnperíaes du 
damafco aful guarnecidas de fitas encarnadas, 
brancas , 6c afuis , ck meias cor de pérola , &c 
todos os mais adereííòs erão correfpon dentes; 
plumas de prata em os chapeos , & ao fahir 
da praça Dom Philippe íe accomodarão todos 
em hum palanque que lhes tinha prevenido. 
Viíuflíl ílu Entrou com pouca dilação na praça o Conde 
rtaottrcii- deVillafior , &compunha-fe o feu íequitode 
Zfáu.' vinte ôt cinco gentishomens veítidos todos de 
Suacomfti- cafaquas de bons eítofos com guarnições de ou- 
va. ro, Sc prata ? &c veítes de brocado; os pages de- 

brocado branco com calças imperiaes guarne- 
cidas de fitas encarnadas; os lacaios erãodufen- 
tos , & cincoenta, cincoenta veítidos de cafacas 
de tella gemada guarnecidas de rendas de prata, 
cincoenta de tella cor de fogo guarnecidas de 
ouro;cé ao ufo Hefpanhol 3 5c deites os cincoen- 
ta de feda negra 5 & os outros cincoenta de par- 
da ; & cincoenta a moda Mourifca de fedas vari- 
as , todos com elpadasj ou alfanges com as guar- 
nições douradas , & prateadas conforme o eítilo 
da nação que reprefentavão, circumítancia que 
fe obfervou em todos os mais lacaios que fahi- 
ráo à praça igualmente em os dous dias anterio- 
res. Obrou o Conde neíta tarde acções dignas 
defuadeítrefa> matando muitos touros com o 

rojão, 



Conde de Villàr maior, 8ec. 279 

rojão , & com a efpada ? & merecendo coroar 
com os feus acertos a celebridade deita feita. A- 
cabada ella mandou o Conde por hum feu gen- 
til-homem efpalhar dinheiro , que motivou na 
plebe grande alvoroço , & applaufo , & logo ao 
fahir da praça defpedio livremente aos gentii- 
homés , pagés , & lacaios com os veítidos que 
lhe havia dado , generoíidade que havião obra- 
do igualmente o Conde de Atalaia, Ôc D. Lou- 
renço de Almada, naó deminuindoa multipli- 
cidade do exemplo a gloria da íingularidadeda 
acção fafendo com ella eítas feitas tão magnifi- 
cas, 8c foberanas,que dignamente puderao com 
petir com a magnificência dos jogos do amphi* 
theatro Romano, quando aquella nação domi- 
nando o mundo, orientava a fua grandefa. 

Acabada eita feita dos touros fe comeííou lo 
go a preparar no meio da mefma área outra de tà 
fogo, formando-fe hum jardim ideado pelo do 
Conde da Ericeira , defmanchando-fe ao mef- 
mo tempo os palanques por evitar o perigo, 
que poderão ter na voracidade do fogo, ficando 
tão contíguos. Comprehendia o fitio do jardim 
trefentos palmos de comprido , & dufentos, & 
outenta de largo, & as ruas que faíião diítinção 
aos quadros eráo de vinte palmos de largo ; & 
entrava-fe a ellas por dofe portas de madeira bé 
fingida em pedraria com columnas torcidas , & 
remates de vidraífas dourados , que fervião de 
ornato ; & de faroes outo janellas da mefma 
obra,& com os mefmos remates ,& nos vãos 
das portas > & janellas grades de pedra fingida, 

Aaij ôc 



VeguȈa fef~ 

de 'fogos. 



280 Embaixada do Excellent. Senhor 

& veítida com trinta? & duas arvores de fogo 
diílimulado com ramos de loureiro. Os qua- 
dros que fe formavao de fogo eraó quatro, & fe 
cobriãocom o primoroío alinho de hum bem 
cultivado jardim , & a efpaços ordenados fe 
guarnecido de vafos de flores , & por todo o cir- 
cuito das grades eítavão quantidade de rodas , ôc 
artifícios de fogo ornando-fe muito com vin- 
te figuras de pedra 3 mas de elegante efcultura. 
As dos quatro cantos reprefentavão os quatro 
ventos principaes, & as deíafeis os quatro tem- 
pos do anno , as três graças , os três eumenidas* 
Marte , Vulcano , Vénus , Proferpina, o Amor, 
& o Ódio todas em oppofiçaó,& com infcripçó- 
es , que difcretamente explicavão o intento. 
Cada hum dos quatro quadros tinha cinco gi- 
randolas com grande numero de foguetes ,& 
no meio de todo o jardim fe via humaairofa 
fonte tirada peia do Conde da Ericeira ultima 
fabrica do iníisme Eflatuario Romano o cava- 
lhierBernino, quefe forma com hum grande 
tanque de excellente lavor , & nelie quatro tri- 
tões voltados para hum jardim, fuílentando ca- 
da hum delles na mão direita hum buíiopor 
onde lanção agoa com grande força, & nas ef- 
querdas diverfas tarjas ; entre os tritões eítão 
outros Delfis, que ficão mais inferiores, ck com 
as gargantas abertas moftrão tragar a agoa que 
deitãoos tritões. No meio do tanque le levan- 
ta hum pedeftal fuftentado de outros quatro 
Delfis , que com os roftros para o ar lança cada 
hum delles três efguichos em grande altura , & 

levan- 



. - 



Conde de Vill ar maior, 8cc 2 8 1 

levantadas as caudas fuftentão huma concha , & 
fahem fora delia a formar hum aílento, em que 
fefirmahuma excellente ellatuade Neptuno 
com manto, ôc tridente de cujos pès arrebentaó 
quatro canos de agoa , que com grande força fo- 
bem ao alto. Todas eílas figuras eítavão com 
grande propriedade imitadas ,& dentro delias 
artifícios de fogo 5 quelançavão com amefma 
fúria 5 & com outros tantos canos quantos a 
fonte original lança de agoa , & no tanque fe 
via fogo artificial 5 que o enchia a imitação da 
agoa , Be defronte do Paço entre dous Delfis fe 
via huma tarja com a feguinte inferipção. 

Si quis maré velai rajjiat de flumine flamam 
ígneas ejl ardor^flununamoris erit. 

Com poria toda eíla fabrica dilatou a execu- 
ção da feita huma febre, que fobre veio à Scre- 
mflima Senhora Infante, que juílamente abf. 
trahio as attençóes dos divertimentos , mas ref- 
tituidaa faude a Sua Altefa com uni verfal ale- 
gria da Corte , &: de todo o Reino íinalou Sua 
Majeílade o dia de 8. de Outubro para a execu- 
ção deífa fefta, & logo que fe cerrou a noutefe 
secenderaó todos os faroes das portas, & janel- 
jas do jardim , & outros que eílavão nos pedef- 
taes das figuras , & huma tocha de cera prepara- 
da com outros ingredientes para dar maior lus> 
& fe fegurar do vento , que cada huma das figu- 
ras tinha na mão , & entre os Delfis para dar Jus 
à fonte quatro grandes faroes ,& juntamente 

Aaiij pen* 



£$2 Embaixada do Excellent. Senèor 

pendião das arvores vários frutos , como limõ- 
es, & laranjas , que tirada a íuftancia interior ar- 
diãoartificiofamente. Chegarão Suas Majeíla- 
des àsjanellas do Paço •> tk logo entrarão pelas 
quatro ruas que caminha vão direitas à fonte 
outros quatro coros de muíica. com vários in£ 
trumentos , & tochas nas mãos polidamente 
veftidos com roupas de tella , & velilhos de pe- 
io, & caminhando com igual compaílo fe foraò 
cheando à fonte cantando a feguinte letra. 



Hà de las ondas dei Tago 
Venid, llegad,y vereis 
Qmunjolempicça a lufir 
Chiando oiro acaba de arder. 

Hà de ia tierra,ha deflora 
Adonde unidos Je ven 
Lo purpúreo deljafmin 
Alo blanco dei claveL 

Hà delaire-) hà de la Aurora 
Que hoy nos infpira, corred 
Ala mancion dei candor 
hl velo dei roficler. 

Hà dclfucgo-, ha dei influxo 
T>e ejfti nueva ^Diofa^ a quien 
Todo brilhante holocaujlo 
Arde viclimajieL 

Hàdel 



Conde de Villar maior, &c a8g 

Ha dei fuego otra ves digo 
Ha dei incêndio otra ves 
Que en las lides dei amor 
Bi incêndio ha de vencer. 

Saetas defuego vibrem 
Arcos triumfhales') forque 
Las lufes delabrajar 
Noje dexen de encender. 

Como todas as vofes fe união ao mefmo pon- 
to faíião mui agradável confonancia ; & tor- 
nando a fahir com o mefmo compaíTo com q ue 
havião entrado, logo ao mefmo ponto que de- 
íoccuparão o jardim entrarão pelas outo portas 
das ruas outo coros de danças também com vá- 
rios iníirumentos muficos, &: vertidos có igual 
Juíimento,& deípois de dançarem hum bre- 
ve eípaço de repente enviítirão varias tropas de 
fogueteiros com efpadas, rodellas , & montan- 
tes de fogo, & os fiíerao deípejar a praça , & Re- 
fle tempo ioaraó por toda a circ uni fere n cia do 
jardim grande quantidade de trombetas , & 
charamellas , & teve principio o fogo lançando 
a fonte torrentes de chamas, & ardendo os qua- 
dros em varias formas bem ordenadas deípe- 
dindo as figuras , as murtas , as arvores , as poi% 
tas , ck as janellas tantos raios de lufes , que com 
os eftalidos dos foguetes faíião hum eftrepito 
igualmente luminoío , & agradável , & tudo 
com taldifpofiçao,que na parte donde reben- 
tava o fogo ficavão penduradas lufes , que dura- 
« Aaiiij vão 



284 Embaixada do Excellent. Seníhor 

vão largo efpaço; correndo juntamente de hu- 
ma a outra parte pelo ar grande quantidade de 
foguetes de corda ; & muitos fogueteiros fe 
chegarão à fonte com quartas , moíirando que 
as querião encher de fogo , ck logo que as appli- 
cavão às chamas as punhão ardendo à cabeíía, 
que pegando nos materiais que íevavão dentro 
fe desfaíiáo as quartas em girandolas , ôk em ou- 
tras differentes formas de bom goto , ck galan- 
taria 5 que fe não lograrão com toda a fua per- 
feição; porque parece que envejofo o elemen- 
to da agoa de que o fogo lhe uiurpaíle as fuás 
próprias moradas, intentou ajudado do ar , def- 
truillo ; mas não de forte que deixa/Te de fe dar 
remate àfe fia. 

Ao dia feguinte fe desfes a fabrica do jardim» 
fejad"f . ck fe comefíòu a difpor terceira fefia de fego di- 
í os - latando-fe mais a trincheira do que eítava no 

jardim, ek no meio fe fabricou hum forte de fé- 
is baluartes, que reprefentava a praça de Neu- 
■fel ganhada pouco antes aos Tureos felicè , 6k 
gloriofamentè pelas invencíveis armas ceíareas. 
Era de madeira fingida de pedra, ôk eítava guar- 
necido de grande quantidade de fogo com húa 
girandola encada baluarte, ck no meio do forte 
outra que fuítentava hum grande eftandarte 
turquefeode feda carmefim tendo por colla- 
terais duas pyramides , que rematavão em duas 
meias luas. Diante da cortina dos dous baluar- 
tes íe levantava hua meia lua que cobria a porta 
daquella parte, ck no extremo da trincheira 
que ficava debaixo dajanella de Suas Majefta- 

de$ 



Terceira 



Conde de VillAr maior, &c. 285 

des fe levantarão duas batarias de des roqueiras 
cada huma com feítóes , & toda a mais apparen- 
cia militar, as quais havião de bater as duas faces 
dos baluartes diítinadas para fe arruinarem, & 
deitas duas batarias íahirão dous approches , que 
artiflciofamente fe hião levantando para fe 
moítrar a forma em que fe coítuma ganhar ter- 
reno athe defembocar o foífo das praças íitiadas; 
& havia outras duas batarias vefinhas ao forte de 
des roqueiras cada huma, que eítavão abatidas, 
& fe levantarão tanto que os dous ramais das 
trincheiras chegarão a ellas. Nos dous lados da 
praça junto à trincheira eítavão dous bofques 
de arvores de fogo diffimulado com ramos de 
varias arvores naturaes.Hum dos dias q fegaíta- 
rão na cópofiçao deita fabrica por fe divertir a 
moleítia da dilação,fe fes no Caítello deita Cida- 
de húa maquina femelhante à q em Roma fe vè 
có applaufo em varias feitas do anno no Caítello 
de S. Angelo. Fabricoufe de madeira huma 
girandola de tal capacidade , que fe aífentarão 
nella nove mil foguetes, & toda a frente do 
Caitello,que olha para o PaíTo , &: para a maior 
parte da Cidade fe compôs de arvores de fogo, 
& defpois,que cerrou a noute fe accendeo gran- 
de multidão de fachas por todo o Caítello, Ôc 
difparando-fe a artelheria ao fom de trombetas, 
& tambores fe deu fogo ao mefmo tempo a to^ 
dos os roítos do fogo fabricado , que breve , & 
inítantaneamente povoou o ar de tanta clarida- 
de, que parecia que a terra fe transformava em 
nova esfera de luíès. 

Mas 



a%6 Embaixada do Excellent. Senhor 

Mas pofto ja em fua perfeição o forte deufe 
ordem para que todas as bocas de fogo dos ter- 
ços da armada? & guarnição da Corte fe formaí- 
íèm de trás das batarias ? guarnecendo-fe tam- 
bém o forte com aquellas que pedia a fua capa- 
cidade aííiftindo o Conde da Ericeira a todas ef- 
tas operações. Cerrada a noute ? & oceupan- 
do a janella as peífoas Reaes teve principio a fef- 
ta com fegunda girandola do Caifello > que en- 
cheo viílofamente todo o ar de foguetes 5 de ao 
mefmo inftante fe alumiou a praça com gran- 
de quantidade de tochas deceraconfecionada? 
ck poftas por ordem nos quatro lados em qua- 
tro grandes 5 & levantados candieiros tendo as 
tochas nos pavios raftros de pólvora tam liga- 
dos, que ao mefmo tempo feaccenderão todas 
juntas; £c a eíle final havendo o Conde deftri- 
buído todas as ordes comeílarão as batarias a la- 
borar contra o forte ? & fe forão levantando os 
approches 5 ck continuando-fe com cargas de 
mofquetaria fe defendia o forte com quantida- 
de de bombas ? & artifícios de fogo 5 ck para dar 
lus ao perigo do a/Falto fe lançava fogoconfe- 
cionado? que como não podia fubfiílir o efpaço 
que era necefíàrio, ao mefmo tempo fe forão em- 
palhando pela praça grande numero de lam- 
peões de vidrafisis ? que multiplicarão a clarida- 
de moftrando todos os effeitos da quella mili- 
tar operação. Brevemente chegarão os appro- 
ches ao lugar das fegundas batarias 5 & ao mef- 
mo inftante fe levantarão? embatendo com gra- 
de fúria as faces dos baluartes referidos 5 cahi- 

rao 



Conde de VillAr maior, &e 2S7 

rão ambas por eftar affim prevenido artificiofa- 
rnente, & moltxarão por dentro ruínas de pe- 
dras fingidas em pintura. Sahiráo por efías ruí- 
nas os defen fores vertidos em traje de Turcos,& 
fiferaó huma vigorofa fortida com efpadas , ôc 
rodellas , & montantes de fogo retirando-fe al- 
guns foldados dos approches ; mas tornando 
Jogo com repetidos foccoros a occupar os pon- 
tos ao fom da artilheria , & mofquetaria acom- 
panhada de grande multidão de trombetas , & 
caixas que fe tocavão fora 5 & dentro do for te> 
fe preparou o aflalto , & os defenfores moftran- 
do defconfiar da defenfa derão fogo ao forte «, & 
fe lahiráo delle por portas occultas ? Ôc foi de 
forte a multidão de fogo em quefedesfes efta 
apparente maquina , Ôc tão viflofa a opperação 
das cinco girandolas,q povoarão os ares de fo- 
guetes 5 & também ordenadas as difpoíiçóes 
militares do aíTalto ? que mais parecia verdadei- 
ro que fingido. 

Rendido o forte ? & abatida a bandeira Tur- 
quefca fuperaraó às duas meias luas duas cru- 
fes que parecerão levantadas fobre eiJas com 
duas tochas ao lado de cada huma, & íem fe in- 
terpor dilação fe deu fogo às arvores dos dous 
bolques fendo cada huma delias formada em 
differente invenção , & rematando todas em 
girandolas, E ao mefmo tempo do arco da na- 
ção Alemã, que perfiítia ainda em pè 5 fe lan- 
çou huma exceífiva quantidade de foguetes, 
como em celebridade da entrega da praça. Se- 
guiraó-fe repetidas falvas de artilheria , & mof- 

c^uetarâ 



Vcjiejati Ji' 
em todo o 
Reino as 
a uguftas 10 
áâ$ de Snas 
M«jeJ?a4es. 



2B8 Embaixada do Excellent. Senhor 

•quetaria 5 & fe obrou tudo com tão bom fuccef- 
ío ? & tanto a ponto pela boa ordem , & tran- 
quilidade da noute 5 que univerfalmente foi 
.muito agradável toda eita operação. 

Ào meímo tempo fe celebravão era todo o 
mais Reino os auguftos Hy meneos de Suas Ma- 
jeftades com luminarias 5 feílas de touros 5 & ou- 
tras muitas com que todos os vaííàl los manifef- 
tavão a fua verdadeira alegria 5 & nella bum fiel 
annuncio de verem também logradas as fuás 
efperanças daquelle felis coníbrcio,para que na 
excelta defeendencia de tão foberanas Majef- 
tades fe conferve por numeroíos feculos 
excelia memoria de fuás heróicas vir- 
tudes íuperiores ainda aos hyperbo- 
hs da pena mais altiloqua 3 & 
fe perpetue a liberdade, 
& gloria do nome 
Português, 

LAVS DEO. 




289 




INDEX 



A 



AFRICA. 



VA figura, 

©RJ ^ wAew- 

■ > $$£, as.fol.126. 

f II crippaS,& 

fci^Wfcasv^*5ii#iiíBi emblemas. 

foi. 140. 

&« r/cg/0 #w applaufo de S. 
Majeflades. fol.1%1. 

ALEGRIA. 

Alegria dos "Tortuguefes na 
chegada da Cainha Nojfa Se- 
nhora, foi. 120. 

ÁLVARO DE SOUSA. 

Álvaro de Soufa Capitão da 
Çuarda %çal entra a dejpejar 



a praça no primeiro dia de tou- 
ros,&-feu lufimento. fol.271. 

AMERICA. 

Sua figura > &- infignias. 

foi. 137. 
Sua iffícrippao , &> emble- 
mas, foi. 142. 
Seu elogio em applaufo de Suas 
Afajeslddes. foi 201. 

ANTONI O DE 

Freytas Branco. 

O Doutor António de Frei- 
tas r Branco vai a Hidelbergaà 
dar Principio à negociação do 
cafamento de Sua Aiujeílade 
co a SereniJJtma Senhora Trin- 
cefa eleitoral Maria Sophia Ifa- 
bel. foi. 3. 

SaÕ bem recebidas as fuás 
proposlas nacjuetla Corte , <& re- 
colhefe ao %eino. Ibid: 

Bb ACA- 



290 



INDEX. 



ACADEMIA. 

academia de mu fica com que 
fefeíleja a Cainha Nojfa Se- 
nhora emDuJfeldorp.fol. 107. 

ARCEBISPO DE 
Lisboa. 

Da as benções nupciaes k 
Suas Majeííades na Capeila 
fyãl. foi. 2 1 6. 

Recebe ajuas Majefiades a 
for ta da.Jua Cathedral com o 
LignumQucis. fcl.2%6. 

Magnificência com que orna 
cjle te» pio para o ejfeito refe- 
rido, foi 29o. 

ARCHIDUQUESA. 



ARCOS. 



Arco dos Atafoneiros fuafa* 
brica,& feitio, foi 219. 

Dos Italianos. ibid. 

Dos Confeiteiros, foi 224. 

Dos Ourives, foi 12%. 

Dos Alfaiates. ibid. 

Dos Efp arteiros, foi 229. 

Dos Flamengos. ibid. 

"Dos Homens de negocio por- 
tuguejes. foi 2 gr. 

Dos Mercadores de vinhos. 

foi 241. 

Dos Carpinteiros foi 143. 
,.. Dos Ourives da prata. 

foi 244. 

Dos Sapateiros. ibid. 

Dos Gr ie ir os. fel. 24,5. 

Dos Francefes. foi 246. 

Dos Liglejes. foi 2 j 1. 

Dos Officiaes da bandeira 

foil^j. 
ibidem. 



ASereniffimà Archiduquefa 

molher do Trincipe Eleitoral deSamfJre. 
Duque defuliers enferma com Tios Alemães, 
gavdeferigo. foi 63. 

t he refiituida brevemente a A v » /f . ^ . TXTr ^ T rc . 

perfatajLde. foi 66. ARMADA INGLESA. 

Forma com que recebe a%a- Armada Inglefa em que fe 

inha Nojfa Senhora em Dnjfcl- hade embarcar a %jinha N. 

dor P- foi 102. Senhora chega a 'Brillafol. 1 1 5-. 

A Sereniffima Archiduquefa Cjeneral delia o Duque de 

he vi fitada nofeu quarto pela Çrafetoncomo Trincipe Filtri 

Cainha N. Senhora, foi 1 06. Çemes vem a cogratular a "Cai- 
nha 



INDEX. ^ 29Í 

nha Nojfa Senhora da parte do Sua infcripçao 5 ç> embk- 

feu %ey. foi 115. mas. foi 138. 

Embarcafe nella Sua Ada- Seu elogio em appiaufo de S. 

jestade. foi. li J. M^jcfiaces. foi. 192 > 

'Parte de Hollanda ? & arri- 
ba a Plemut. ibidem. 

Aviria o Cabo de Finis ter- n \ n aí 

ra?& chega à Cafcaes.fol. 1 1 8 * 

Forma em que refponde ás ç VAfigura,t> elogio em ap~ 

f alvas ^aue lhe f afiem as fortate- jj> plaujo de Suas Majejta- 

fas da "Berlenga J &> Teni- fô 5 , foi 1Ç) j t 
che. ibidem. 

E às da barra de Lisboa. BACHARACH. 

•r- 1 i- - 1 ' 'B achar ach Vi lia do Palaú* 

c hntra no porto de Lisboa vi- 11/ \ r r 

, r n 1 nado celebre pelos eus género/ os 

randoe lhe o vento para o poder . , L J r / •■ 



vinhos. foi OÓ. 

fajer. wid. ; ■> J 

Eanchora defronte de Sam BAHIA. 
Paulo. foi 120. 

%efrefco que Sua Majefta- Sua figura , &• elogio em ap- 

de lhe manda , &joyaspara os pH° de Siias Majeftades. 

cabos. foi. 202 1 

ARMADA POR- BAILE. 

tuguefa. 2 ^ c^ eal m Mm y mh 

Forma cm que os feus navi- J™* 59* 

os recebem no porto de Lisboa a %*& ^"' em Hidelberga. 

armaàa Inglefa que condus a J '" °°* 

Sua Maje&ade. foi 121. "R A Y O N A DF 

ÁSIA. França. 

Sua figura ? O- infignias. Sua fortificação, fel 30. 

foi. 136. Bbij 



^i INDEX. 

"R A R O F KT ^ EfJRgy Noffo Senhora quando 

vai à Capitania. foi. 127. 

BASILEA. 

foi. \1i 

BERLENGA. 



'Barão de Irfch Çram Cban- 
celler de Sua /llteja E-, confe- 
rente do Emhaxador. foi 49. Sua defcripçao. 

Baroens de Creuter,& No- 
velli gentis borne ns da Camera 
de Sua ÁE.acompanbao a c E s aU 
nha Nojfa Senhora athe a esle 
B^eino. foi. 91. 

Barão de Scl\hig ítbrinbo 
do Eleitor de Preveres acompa- 
nha a Bainha N.S. fol.yi. 

Barão de K^elceslat fobri- 
nho do Eleitor de 'Trevercs vifi- 
ta da parte do Eleitor a Bainha 
Nojja Senhora & acompanha a 
Sua May:slade athe %oter- 



Ajuafortalefafalva a Bai- 
nha Nojfa Senhora, O- forma 
em quefe lhe refpondefol. 118. 

BING. 

Cidade do Bjoim do Eleitor 
de Moguncia. foi 96. 

BOMBAIM. 



dam. 



Baroncfas de Speth,&- BJn- 
ts damas da Cainha Nojfa Se- 
nhora, foi. 90. 

BARGANTIM. 

Bargantim em que o Conde 
da Ericeyra vem à Capitania 
Real Jua defcripçao. foi 121. 

BargantimB^eal em que Sua 

ALijejlade vem a Capitania buf 

car a Bainha Nojfa Senhora 

fua defcripçao. foi 126. 

Barzantius auc acompanhao 



Sua figura 5 ç> elogio em ap« 
foi 98. plaufo de Suas Adajeftades, 



foi 170. 

BOMEL. 

Cidade de Hollada. foi. 1 14. 

BONA. 

Cidade , ç> Corte do Eleitor 
de Colónia jua deJcripção.ficjS; 

BRAGA. 

Sua figura, & elogio emap- 
plaufo de Suas Majeflades. 

foi 179. 

BR IN- 



INDEX. 2 93 

BRINDES. CALECUT. 

ct> • ; v r í h n~n . Sua fizura-> & elozio em ap* 
JBnndesafaude d BW« ^ £ ^ M ' v&í/j f (> 

i\ o/J o benbor na mejade bua ri 

AltefaE fd 7í . CAMER'1" 

B R I S A C. &/M/& ^ Camera dc Li ^ 

Traça fobre o ^im.folâfi hoa trihuta a ^ ms M^ejkdes 

o J eu primeiro ob/equio. f.2.6^. 
BRUBAK. Eao apearêmje Suas Ma* 

7/7/ r r. * r i t jeftades 5 C> ditei a do coche as 
Vdla uahtuaçao. rol. qo* J t , J n /n 

J J J y recebe com falto. foi, 26 o, 

BULLA. CASSADA. 

*Bulla áurea feita pelo Em- r rr 1 c * r~ 

j r 1 frr r t Li acta com que bua A. b. 

per ador Carlos LV* foLl*. ", r r- j n , 

f- J JJ convida ao embaixador foi. 56. 

BURGOS. CASTEL-RODRIGO. 

Cidade, &- cabeça de CaíleU cr > • 

t T r 11 r 1 àua nzura , ct* dono em av- 

ia a Velha. follK. . r J fo ha -a ' ' 

o t ■ r ,1 j 1 j " pMulo de duas Majestades. 

bua Igreja tat bedr ai de gr a- £ J J ri 

diofa fabrica. fol.26. P"PT ATTT ' 

Milagroja Imagem do Cbri- 
fto y que a hije venera, ibidem. Sua figura, ç> elogio em ap» 

Convento das Huelgas. ihid. p] au [o de Suas Majejlades. 

foi 193. 

Ç CID. 

Cid%uy Diasfuafepulturd 

CAISERSVERT. emZurgos. folzj* 

%iça do%him. foi. uo> COIMBRA, 

Sua figura 5 c> elogio em tò» 
Bb iij flaujo 



p 



-94 IND 

plaufo de Suas Maje fades. 

foi. 17 7. 

COLÓNIA. 



v 



X. 



Qdade Imperial fua defcrip- 
çao. foi. 99. 

COMEDIA. 

Jpplaujos*) ç> obfequios com 
que recebe a %rinha Nojfa Se- 
nhora, foi. 100. 

Comedia reprefetada no Pa- 
lácio de Hidelberg. foi 79. 

\Datjçao nella os Trincipes 
em trage pa&oril. foi. 8 6. 



CONDE EMBAI- bra 



c Pejfoas de que fe acompa- 
nba najornada. foi. 2 2 . 

Cor te fias com que bc recebido 
narayade Caslella pelos Gene- 
mes d? EfRei Catholico.fol.2^ . 

A Senhor a Conde p a de Oro- 
pefa o manda viííiar em Tala- 
vera de la K l{ein a. foi. 24. 

Entra em França por São 
João da Lus. foi 3 o. 

Chega a Leão. foi. 37. 

Adanda vi fitar o Arcebifpo 
Governador da 'Frovinciaf.^y 

Detem-je aqui quatro dias y 
& Jegue o caminho de Çene- 



ide? 



Xàdor. 

O Conde Manoel Telles da 
SyhaJ:ojc Marques de Alegre- 
te Jje nomeado por Embaixador 
extraordinário para ir tratar o 
ca/amento i EÍRej^ Ncjfio Se- 
nhor com a Serenijjima Senhora 
Trinccfa Eleitoral Talatina 
Maria fsophiajfábel. fol\\. 

Apflaude o Concelho d"Es~la- 
doiNcbrefa , c> Tovo esla no- 
meação, fol.^. 

Procura o Conde a clareja 
nos dej pachos, foi 1 9. 

Tarte de Lisboa para Ale- 
manha por terra. foi. 2 1 . 



ibidem. 

Sae de França pela Fortale- 
ja da Clufa junto a Genebra. 

fol. 3 S. 

Entra em Çenebra , &- for- 
ma em que he recebidjpelo Se- 
nado daquella Cidade, foi 3 9. 

Chega a "B afie a. foi\\. 

He vifitadopclo Senado da- 
quella Republica 3 &• tratado 
como L^rincipe. foi. 45^. 

Incommodidades que acha no 
caminho dejdeefta Cidade athe 
Spira. ibidem. 

Entra em Spira , modo em 
que he recebido. foL^.6. 

O Regimento da Cidade o 

vifita. 



INDEX. 29? 

yifita. foi 47. E falia a primeira ves par ti- 

O Conde Eflaramberg Go- cularmente ao Senhor Eleitor, 

vernador de Hlisburg o vai ta- ibidem, 

bem vifitar. ibid. Forma desle primeiro aboca- 

Acamera Imperial f as o mej- mento. foi. 54. 

mO}& o Çovernador doPSifpa- Ajujla o projeUo do tratado 

do cm nome do Eleitor de 'Tre- dotal-) &■ o remette a efe %ei- 

yeres. foi. 48. noporexprejfo. ibid. 

'Para na Cidade deSpiraJem Parte para h'ancfortef.^<y 

entrar no Palatinado^ a cau- Vokapara Manbeim , <> 

fa. ibid. he vi fitado de parte deS.A. E. 

Eas avijo à Corte de Hidel- pelo Conde de Caficl-><& convi- 

berg dajua chegada a ella. ibid. dado para huma cajfadafol. 56. 

Ncmeãoje-lhe parafeus co- Celebra os annos i El\ei 

ferenteso Conde de Cafiel, cí> Nojfo Senhor. fui 5$. 

oPtaraodelrfcb. foi. 49. Rda mefma forte o dia de 

E tem as primeiras confe- Sao Philippe em obfequio do Se- 

rencias em Spira no Collegio da nhor JLleitor. foL6 1 . 

Companhia. fol.^o.&- foi*} I . 'Recebe a appr ovação dopro- 

Vai a Filisburgpagar dvifi- jeclo do tratado dotal , redu fin- 
ta ao Conde de Eflaramberg. do-o a tratado formal o remette 

foi. 5 o. a S. Majeflade pchpoflaf.6 1 . 

Ea Adanheim inccgnitopa- Ajuífaos dias dajua entra- 
ra conferir. foi. 52. da& funções da Cor te de Hi- 

Hevifitaào com hum regalo delberg. foi. 62. 

da parte de S. A. E. ibid. Cuidado que lhe cauja o pe- 

Difficuldade que encontra rigo da doença daSereniffima 

em ajufiar os pontos pr elimina- Archiduqueja molher do Princi- 

res. ibid. peHLleitoralT)uque de fuliers. 

Entrega à SereniJJima Se- foi. ibid. 

nhor a Princeja a carta de Sua S.A.lL.o livra delle. fcl.65. 

Majestade em aclo privado Manda pedir em publico au~ 

foi. 53. Bb iiij diencU 



296 INDEX. 

diencia à S. A.E. fol.66. feu quarto mandandolhe primei* 

E/abe de Manheim haven- ro recado feio Conde de Caslel. 

do mandado o feu trem para La- fol.jâ^. 

dcmburg. fol.66. Vai vi ft ar o Príncipe Car- 

Cortefias militares com que los aojeu quarto. ibid. 

he tratado aojahir de Aíanhe- Ceia com S. A. E. &* com os 

im-fC?- forma em queje embarca Serenij/tmos 'Príncipes occupa- 

parapajfaroNocar. fol.6j . doo melhor lugar. ibid. 

Sae de Landemburg com ap- P^efponde aos brindes com 

par ato publico para entrar em agoa pedindo permijfao par ai f- 

Heidelbcrga. ibidem. Jo. f ^'7S' 

E he encontrado meia legoa 'Tem fegunda audiência de 

dejla Cidade pelo Serenijjimo Suas Altejas. fol.76. 

Príncipe Carlos. foi 69. Come fegunda ves com o Se- 

Forma com que fe faudaÓ,ó* nhor Eleitor 5 c> Príncipes * 

marchao para a Cidade, ibid. f°l-77* 

Corte fia com que he recebido 'Beija a primeira ves a mao 

dos Príncipes^ de S. A.E& à Prainha N. S. &- entrega em 

jua primeira audiência. fol.J l. afio particular a jóia que El- 

Singularidade do tratamen- P^ei Ncjfo Seuhor havia man- 

torf lhe da o Serenijfimo Senhor dado para esle ejfeito. foi. 7 8. 

Eleitor , ç> prerogativa que Forma em que ajfífle a hua 

grande a a efia Coroa, fol.71. Comedia, que J e reprejenta no 

Tem audiência da Senhora Valado de Hidelberga. fol.J cy 

Eleitrix , e> das Serenijfmas Seu comedimento, & atten* 

Princefas. ibid. çao ao decoro da Aíajejlade. 

E at tenção com quefe ha fol.So. 

nella k re [peito das Seremjfimas O Sereniffmo Príncipe Car- 

Princejas. fà*7%* l° s ° condus a Capella de Hidel- 

He apojentado em hum quar berga. foi. 8 1 . 

to do Palácio , &• fervido feios P^quefa , O* decência com 

Cavalleiros de S. Ã. E.fol. 73. que vefle. fol.%2. 

He vijitado de S. A. E. no ^cebe por procuração a Se- 
nhora 



INDEX. 297 

reniffima Trincefa por efpofa tihado do Trincipe Carlos f. 88. 

d'.ki1{ei Noffo Senhor na Ca- Forma em qne he recebido na 

pella de Hidelberg. fol.8%. praça de Manheim. ibidem. 

è %epar te feias Damas , &* Sae a ejperar a %ainha N. 

Cavalíeirosda Corte ricas joi- S. m 'lugar do embarque. f.8o. 

as , & g y ojfas manchas pela f ~a~ Forma com que he trattado 

milia inferior de S. A. E. no dia em Duffeldorppelo Serenif/ímo 

do recebimento da Cainha N.S. 'Duque defuliers. foi 1 02. 

foi. 84. Attençao com que difpoem a 

. Munificência cem que remu- demora das viagens da Cainha 

r.era os engenhos do Talatinado JST. S. foi. 1 1 2. 

pelos Epithalamios com que ce- Comunga com todos os Tor- 

lebrao as au^uslas vodas de S. tuguefes em T^therdamf. 1 1 6 

Majestades. ibid. ^ Avifa a EtRfi Nofo Se- 

Aj filie na CapAla de Hidel- nhor de. haver chegado a 1\ai- 

berg em acçdo de graças pelo nha N. S. a Cafcaes,com outras 

caj amento de S. Majeslades-i^jr- noticias mais do fervi ço de Sua 

he condufidoaellapelo Conde de Adajeslade. foi. 11 o. 

CaHeh&por S.A. E. foJMif. Baixa ao Bargantim ^Real 

Torna a ir alfislir a Come- a beijar a mm a El^Rci Nojfo 

dia que Je reprejenta no Taco. Senhor. foi. 12 8. 

ibidem. Demonílraçoes com que Sua 

He conditfido pelo 'Príncipe Mdajêflatk o recebe. ibidem. 

Carlos ao quarto de S. A. E. pa- . Dallc o titulo de Maraues 

ra a audiência de defpedida. da Vi lia de Alegrete. ibid. 

foi. 86. Singular dejintereffe com que 

Forma em que nclla he recebido ferve a E^Rei Noffo Senhor, 

de S. A. E da Senhora Eleitrix^ ibidem. 

O-SerenijjtmasTrinceJas.ibid. Accommoda a almofada d 

Sua A.E.o acompanha athe El%ei Noffo Senhor como f eu- 

a ultima ej cada de Talado de f- Gentil-homem da Camera na 

cendo alguns degraos. fol.87 adoração do Lignum Crucis. 

Sae de Hidelberg acampa- ; foi. 268. 

Cc CON- 






298 INDEX. 

lhe f as da farte de Sua Majef- 

CONDE DE CAS- tade. foi. 123. 

tel. Entra na Cameia a beijar a 

mao à %*jnha N. S; <s Jeufi- 

O Conde de Ca ih! conferen- lho f as a Sua Majeítade bum 
te do hmbaixadw JHa nobreja^ breve dijcurj o formado ide finco 
C> títulos. foi. 4.9. hngoas. ibid. 

Acompanha a c B s àinba A/. S. T>ijcrctta prompúdao com 
athe Holianda. foi. 91. que Sua Aíajejlade ^at tende a 

T>à o braço a S.Alajeslaàe, honralo aojair do bargantim. 
& porque cauja. foi 102. 

K Parte a procurar noticia da 
armada Inglefa em cjue hade em- 
barcar ã Todinha Noffa Senho- 
ra, foi. 113. 



CONDE DA ERI- 

ceíra. 



foi 129. 

CONDE DE MAR- 
tinis. 

Conde de Martims Envia- 
do Extraordinário do Empera- 
dor vem a Hidelberg a congra- 
tular a Serenijfima c Princefa 
futura Cainha. foi J 5. 

Forma em que he tratado 

foi. 76. 



O Conde da Ericeira 'Dom 
Luís de Menejes ; Sua Majef- por S. /IA. 
tahe lhe encaneça a dijpojiçao 
dos apreBos para a entrada da CONDE DE HO- 
%à\nha N. Senhora, foi 62. henloe. 

Ejcreve ao Conde Embaixa- 
dor antes de entrar no porto de Conde de Holenloe primoge- 
Lisboa. foillQ). mto do Conde Luís Cjiélavoa- 

Chega a Capitania ^alcom companha a Rainha N. Senho- 
jeufiíhoT>om Francifco Xavi- ra. foiçi. 

er de Menejes jeu lufemento, 
O-defuafiimilia. fal.121. CONDE DA AT- 

Fala ao Duque Çeneral da touguia. 

armada > & oferecimentos que Conde da Jttcuguia he o 

primeira 



primeiro que da noticia da ar- 
mada Ingleja , que condujia a 
T^ainha N. S; haver chegado à 
cosia defe%eino. foi 119. 



INDEX. 299 

Lisboa rjferece a Suas Aíf.jej- 
tâdes ai chaves da Cidade. 

foi. 267. 

CONDE DE ATA- 

laia. 



CONDE DE SANTA 

Crus. 

Conde de Santa Crus Aíor- 
domomòr d' El%ei NoJfoSe- 
nhcr vai à Capitania '\Real da 
farte de Sua Aíajeslade a com- 
primentar a Cainha Ncjfa Se- 
nhora , £> lufimento dejua co- 
mitiva, foi. 123. 

CONDE DE VAL- 
dos-Reis. 

Conde de Valdos-T^eis vai da 
farte de S. A. a reprcjentar o 
Jeu ohjetjuio a c R s Jnka Ncjfa Sc- 
nI:ora'Jua gala, O- de Jua famí- 
lia, foi. 124. 

Vfita também da parte dei- 
tei Nojfo Senhor o Trincipe 
Filtri (j emes. Ibid. 

CONDE DEPON- 
tevel 

Conde de T^ontevel TrcJÍ- 
dente do Senado da Camera de 



Conde de Atalaia Dom Lu- 
ís Manoel de Távora em ap- 
plaujo das augfflas vodas de S. 
Àdajejlades tourea o primeiro 
dia, 6> lufimento 5 ç> acerto co 
que o f as. foi. 27 '2. &feqq. 

CONDE DEPOM- 
beiro 

Conde de Tombeiro Capitão 
da Guarda c B s ecàdeJpeja apreça 
nojegundo dia dos tcuros^eaesy 
O* jeu lufimento. fel. 2 7 6. 

CONDE DE VILLA- 

flor. 

Conde de Villa-flor tourea o 
terceiro dia cm applaufo das an- 
gu lias vodas de Suas Adfaj: fa- 
des, &jeu lufmeutOyO- acerto 
com que ofas. foi. 2 J 8. 

CONDECA DE Vi- 
ciei. 

Conde f a de Viefel ferve a 
Cc ij %ainJM 



$oo INDEX. I 

'Rainha Noffa Senhora de Ca- Manoel Telles da Silva, foi 4. 
marareira mor atbe Hollanda 

f oL 9°- r\ 

CONDECA DE L, 

Gravenek. DAMÃO. 

Conde ç a de ÇravewK^ fer- Q VA figura & ek<zjo em ap- 

ve a %ainha Nojfa Senhora de C5 plaujo dejuas Alajejlades. 

Guarda maior athe Hollanda > f l. 198. 
& dahiatle cíta Corte de Ca- 

marareira mor. foi. 90. D E L P H I N A D O. 

^^^TT^i-o-n * -nr r* Trovincia annexa aosprt- 

CONDESTABLE. mgmhos % jy^ fúL ^ 

<~ j a il ' r a II r ^ a " a fí en ' & moMUOp) 

dondcslablcs ac Cajteua J eu ri ,T/C 

MaufolcoeinBurgos. fol.26. VenfeligVilla doT^im. 

CONFLUÊNCIA. fol.no. 

Confluência cu Coílans Ct- DIU. 

dade do %bim do Eleitorado de Suafgura, 6> elogio em af. 

Mogunaajua deferirão £ r £ ^ AíljàhdcL 

f oL 97- fol. 119 , 

CONCELHO D' ES- DORTE. 

tado. 

Cidade dos EJlados de Hol- 

%eccbe um grande applaufo ^ foi. 1 15. 
arCjOuçao de bua Ada/ejtade 

querer cafar na Se) eniffma ca- nnTCBTTDr 
ja Eleitoral Talatina \ <?de D U 1 ò B U K Cr. 
haver eleito por Embaixador pa- 
ta aquella negociação ao Conde Vdlado%h'mh foi. 120. 



INDEX. 501 

DUCADO. DUQUE DE CAN- 

ç 

Ducados de Clcves^uliers, 

C> Mom;difputaJe da/uafuc- "Duque de Ganfano Çover- 

çef ao entre o Duque Tbiiippe nador de Bi/caia be vi fitado da 

de Neuburg-, &> o Eleitor de parte do Embaixador, foi. 28. 
Brandemburg. fel. 11. 

Forma em quefe accommo- DL QUE DE J U L I- 

da ejla contenda. ibid. ers « 

DUCADO D£ CLE- OSereniffmoVrindpefcao 

ves. Çuill.elmo Duque de fulier ser- 
mão da %ainha Ncjf Senhora, 

Osfeus dire&ores mandão feu naf cimento. fd-tZ, 

Enviados a congratular a Sua CaJacomaScrèniJfma Ar- 

Majeslade, &■ bum regalo de chiduquefa Mariana fofepba. 

doces, &- vitelas, foi. lio. jfrfâ 

DUCADO DE BA- ^comfycccbc a %a- 

„ • „ tnha JN o/Ta Senhora em Du - 

viera. rn JJ ri J 

Jeldorf). pi. 101. 

Ducado de Baviera divU E como fe despede de S. Má- 
dido doCondadoTalatinofol.6. fôfádé fil. iça. 

Confervafe na mejma fa- Manda Enviados a jaber 

milia da Cafa Talatina na linha de S. Majeflade. foi. 1 1 1 . 

qdhelnnana foi. 7. DUQyE DE G R A . 

DUQUE DE BAVIE- feton. 

1*3. 

Duque de Grafcton Gene- 

Mâximilimo Duque de ralda Armada hwle] a veio vi fi- 

Baviera vence a Frederico V. tar a Cainha Nojfa Senhora 

Eleitor Tala tino na batalbade da parte de S. MajcfladeBú- 

"Traga. fol.S. tannica fol.il^ 

Forma em que fala ao hm- 
Ce iij t^ x . a . m 



INDEX. 

ibid. 



E 



202 

baixaaor. 

'Baixa aoBargantim Real a 
receber FJHjti Noffo Senhor 

foi 128. 

Dij creta pYonpúd.,o de que 
Sua Adajejlaáe uja catre o Du- 
que, e> o Conde da Ericeira. 

' foi 129. 

Sua Adajeslade manda con- 
vidar o Duque for Dom foao 
de Soufa Vedo" da cafa Re- 
al, foi. 216. & foi. 217. 

fJa que Jua Aíajeílade 
manda ao Duque. foi. 21 8. jeBades, ^Jltefa à SÍf.260. 

DUQUE DO CA- ELEITOR PALATO 

daval. na 

Seu voto conferido ao Du~ 

Ordens que paffa as for tale- que de 'Baviera Maximilia- 

fas da bana de Lis loa para je no. q. 

anticipar a noticia da chegú da da Ej uas prerogativas.fol.iÒ. 



EMERIK. 

C/D JT> E de Hollan- 
da. foi. 112. 

ENTRADA. 

Entrada do Embaixador na 
Corte de Hidclberg. diaprefiai- 
doparaella. foi. 62. 

Entrada publica de S. Ada- 



Cainha N. Senhora, foi. 119. 

Accommoda a almofada a 

Cainha Ncjfa Senhora como 

Jeu mordomo mor na adoração 

doLignumCrucis foi. 268. 

DUSSELDORP. 



ELEITOR DEMO- 
guncia. 

Eleitor de Montucia oii 
Maianha fua spre rogativas. 

foi. 94. 

ELEIMOR DE TRE- 

Corte do Sercnijfimo ^Prin- 
cipe Eleitoral foao Guilhelmo. Eleitor de Preveres fuás 

foi. 100. prerogativas. foh.yy. 

Ojeu 



INDEX. 303 

O fieu c Bifipo Coadjutor , o de Namfiike da opinião de va- 
larão 3e K^elcejlat, e> o /eu krofios. foi. â^. 
fram Manchai vi fttão dajtia c A XT ~, r v 
»tea%ainbaN.S.fol. 9 $. ESPIRITO SANTO. 

Cidade,/ uafigi.ra, &• elogio 

ELEITORADO. m a ^\ au j Jg Suas Majeíta- 

r:/ • j • a- -j des ' fcl.20J. 
t lei torado outavo injtit tado 

ara Carlos Ludovico primoge- E S QU E N QJJ E - 

,ito de Frederico V. que havia, fchans. 

■k 'do privado do Eleitorado , cr ^r, , T7 í/ee , r , 

; 4$ K*. M8. ^ deHo^a.fii.122. 

ELEITRIX. ESTADOS. 

^* o • r c / z7/ * ' Oí cílados zeraes das *Pro- 

Mòereniiimabenboratlet- . . -j / c-n •• - / • 

• r a ■ J- à„ c <z>£ •/•#,#, vincias unidas dos lai/es bãi~ 

trtxfe leia odiade ò. rbilippe I 

if - J q . /•,.. T?/„.v™. xos mandão D tputados a ton- 
em obieciíuQ do benLor Eleitor. . ,J. x 

r/ _ Q gratulara Jsamba ISojJa òe- 

Tira a dançar ao filho do f cra e " Nme & > & f™ao 

Embaixador, & ao Ft/ conde de ^rejrejco. fol.il 3 . 

ÍSarbacena. foi. 60. ÉVORA. 

E o Li U K1AL. Sua figura , ç> e/cg/o ?w á/>- 

/^ r^ > J -cr .- )r * plaulode Suas Adaieílades. 

U Convento do tf curial lua r J J 

>r f 1 ir foi. I7Õ. 

granaeja. foi. 7 5. EUROPA. 

ESGUISAROS. p r ^ . ' . 

Sua figura , Cr m/igmas. 

T)ividcm-fe cm 1 3 . G»f 0- foi 1 3 6. 

e; , diver /idade de c T\eligiao que Sua infcrippaÒ \&emblemas. 

profejfia o> liga que tem entre/l. foi. l^J. 

fiol./[2. Seu elogio em applaujo de S. 

Sem ■ Colliga dos. A batalha Majejlades. fiol.181. 

Cciiij FA- 



3 o 4 INDEX. 

nado inferior. foLiZ. 



F 



FRIBURG. 

FARO. Traça fobre o T(him. f. 5 6. 

VA fi?vra*& elogio em ap- 

plaujo de Suas Àlajeflades. í 

/tf/. 175. ^ J 

FOGOS. GENEBRA. 



'Primeira fcjla de fogos com TJ Ebela-fe aos T>uques 
?a Cidade de Lisboa fefleja - M * Sabóia. foi.: 



de 

/juea Cidftde de Lisboa fejlcja ~M 1 Sabóia. fol.%%. 

as %eaes Vodas de Suas MajeJ- Seufitio->&fortalcfa. f g 9. 
tades. foi. 2.74. Cor tt fias com que recebe ao 

Segunda. foi 279. Embaixador. foi. ibid. 

Terceira. foi. 284. Seu Lago bum dos maiores 

da Europa. foi. 4 1 . 



FONTE-RABIA. 



GOA. 



beufitio. foi. 29. Sua figura, & elogio em ap- 

plaujo de Suas Àlajejlades. 

foi 200. 



FORTE. 



GORCUM. 



Forte de Santo André dos 
E/lados de Hollanda. foi. 114. 

FRANCFORTE. Cidade dos Eslados de Hol- 

landa. fol.115. 

Cidade Imperial fua deferip- 

f a5',&-prerogativas. fol.55. GRAM CHANCEL- 

FRANQUENDAL. ]en 

Traça principal do Talati- Grani Cbanceller de S. A. E. 

o<Ba- 



IND 

orarão de bfcb\ he nomeado 
fará conferente do Embaixador. 

foi 49. 

Çram Chanceller titulo com 

que je nome ao os Secretários de 

B/lado em Alemanha , ç> na- 

quellas fartes Seftentrionacs. 

foi, 49. 



H 



S 



HELVAS. 

VA figura& elogio em af» 

flauj o de Suas Majejlades 

foi 175. 



HERMANSTEIM. 

Cajlello fortiffimo defronte 
de Confluência. foi. 97. 

HERMENHA. 



Filia do T^Joim. foi. 1 1 o. 

HIDELBERG. 



Entra nella o Embaixador. 

foi. 71. 

Eílructura , 6> ornato da 
Cabeila que nella temos Eleito- 
res 5 &feu ornato na occajtao 
do recebimento da Cainha N. 
Senhora. /è/,82. 

HOLLANDA. 

Manda cfla Provinda T>e~ 
futados funiculares vi fitar a 
Sua Majeíladc. foi 1 1 5. 



I 



ILHA. 



1L HA de Cabo Verde ju a 
figura^ elogio em afflaujo 
de Suas Majestades, foi. 185. 
Ilha de Sam c Thomè fua ti?u- 
ra,&- elogio em afflaufodeSu- 
as Majejlades. foi 186. 



INFANTE. 



A Senhora Infante manda 

vifitar a %ainha Nojfa Se- 

nhora aCafitaniafelofeu Mor- 

Corte dos Eleitores Talaú- domo mor o Conde deValdo%eis. 

nos-juafituaçao. foi. 70. foi. 1 24. 

Dd Vejce 



3 o6 INDEX. 

Defcèao fatio da Capella a I R U M. 

receber a Cainha Moffa Senho- 

tú. fol.216. Villafituada aopè dos Ty- 

renneos, foi 29. 

JOAM GOMES DA T 

Sylva* m-j 

foao Comes da Syha Con- LEAMDEFRAN- 

de 'Tarouca filho do Conde Em- Çà . 

baixador acompanha a Jeu Pae 

na embaixada. fol.11. {^VA riquefa,. fol.%6. 

He tirado a dançar em hum *J 
baile %ealpela Senhora Eleitrix LINHAS. 

'Palatina^ & condição com que 

ofas. foi. 60. Linhas da Cafa ^Palatina, 

Çui!helmiana ) & c R$dolpbina. 

JOAM COELHO _ Mz« 

de Almeida. T>ivifaÕ da Linha ^cdol- 

phina. ibidem. 

foao Coelho de Almeida Ve- Linha Palatina Simerênfe. 
vcador do Senado da Camera de fol.g. 

Lisboa fas humaprallica a Suas LISBOA. 

Àdãjejlades najua entrada pu- 
blica à Se. foi. 264. Alegria com que fesleja d 

chegada de Sua Àdajeflade ao 

JOSEPH DE FARIA, feu porto. foi. i2o : 

E Salvas com que a fesleja o 
fofepb de Faria Enviado de asfortalefas da barra. foi. 1 20. 
Sua Majefiade na Corte de Ma E os navios da armada %eal. 
dridvcmvifitar o Embaixador foi. 121. 

a Ale ala , &pa rticiparlhe algu- Sua figura , &* elogio em ap- 
mas noticias. foi. 25. plaufode Suas Adajeslades. 

fol.lSo. 

DOM 



INDEX. 307 

DOM LOURENÇO J^/J 

da Almada. 

, ' 'Tourea ofegando dia emap- MACAU. 

plaufo dasÀugufias vodas de S. 

Maje Hades &- lufimento , &-. Ç Vd figura , &■ elogio em 
acerto cem que ofas. foi 276. O applaujo de Suas Majefia- 

des. foi 195. 

LOUVESTEIM. 

MANHEIM. 

o forte dos e fiados de Hollan- 

da. /0/.114. Traça principal do Tala ti- 

nado inferior. fol.ij, 

LUMINÁRIAS. 

MANUFACTURAS. 

Luminárias ? &falvds com 
'que hefeftejada a noticia de ej- Verdadeiras riquefas da %e- 
tar concluído o trattado dotal de publica. foi. ^6. 

Sua AdajesJade. foi. 62. 

■ %epetemfe na chegada de MAR QU E S E S. 
Sua Majefiade. foi: 216. 

Adarquefes de duílria ex- 

LUSITÂNIA. tinUos. fil.6. 

Sua figura , & elogio em ap- M A R J^ E S D E 
plau/odeSuasMajefiades. tfedinar. 

foi 21 2. cum feqq. r . . ,. . „ 

J J J ll bnviacio extraordinário a 

El%ei Catholico vem aDujfel- 

dorp a dar os par abes à Tainha 

ISSoffa Senhora, foi. 105. 

Dd ij For- 



3o8 INDEX. 

forma em que Sua Majef- „ 

tade lhe ã audiência. Hl M O G U N C I A, Ç>U 

Tkffede-fe. folio*. Maiança. 

MARQUESA DE Smfituaçaí fiLo^. 

A leni quer. Demonfiraçoes com que re- 

cebe a Suas Majejlades.fol.o,*;. 
Vai a CapitanidR^alk exer- Seu eleitor veja-fe Eleitor, 
citar o officio de Camareira mor 
da Rainha N. 5*. foi. 130, MOMBAÇA. 

M A Z A G A M. Sua figura , &• elogio em it£ 

plaufodeSuas Aíayjlades. 
Sua figura , &~eiogio em ap+ foi 1 87» 

pkujo de Suas Majefladcs. 

foi. 18 3 , fsf 

MEN. 

NIMES. 

2^ró de Franconiafeu nafeí- 
mcnto-,0- curfo. fol.55. j^ idade antiga de Franfã. 

MIGUEL DIOGO 

da Gama. NIMEGA. 

Tteíoureíro da embaixada. Cíla J e de Hollanda Juafi- 

fol. 5 6. maf «°- f° l ; l \ 2 - 

ror ma com que applaudea 

MOQAMBI QUE. JÊT^^Éif. 

Sua figura^ <& elogio em ap~ 
piãptjb de Suas yiajcftades. 

foLlZo.. NO- 



INDEX. 509 

N O B R E S A. Talatinado inferior fua def- 

cripçao. fol.vj. 

Nobrefa que concorre de Suas excellenc ias. fol.iS. 
Alemanha a ajfijlir as vodas de 
SnasMajeslades. fol. 75 . CASA PALATINA. 

O Defende de Carlos Magno. 

foi 5. 
Travoçoes que tem com as 
OLINDA. mais poder oj as de Europaf. 1 5. 

Eslados quejenho rea.f. 1 6, 
VA fgura ) &■ elogio em ap- 

plauJçdeSuas Majefiades. PARA. 

/Õ/.203. 

Cidade Sua figura , &■ elogio 

■ O P E N H E I M. em applaufo de Suas Majefia- 

des, foi. 212. 

• Cidade do c Palatinadofalva 

a %ainba Noffa Senhora ao, PENICHE. 

paffarpor ella. foi. 94. 



s 



p 



Salva abainha Nojfa Se- 
nhora > & forma em que je lhe 
refponde. foi. 1 1 8. 



PALATINADO. PHILIPPE GUI- 

lhelmo. 

P AL ATINADO, ouco- 

dado Palatino do R/j/jm te O Sereniffimo TrincipeTbi- 

por infepar avela dignidade elei- lippe Çuilhelwo Eleitor 'Talati- 

toral. fol.6. noTae da c Rajnha Noffa Se- 

Divide-feemjuperior •> &- nhorafèusTaeSy&Juas beroi- 

inferior. fol.J. ças virtudes. foi. 12. 

Talatinado fuperior je an- Seu naj emento, foi. 13. 

nexa ao Ducado de Baviera. Trinccfas co que cajou.ibid. 

■ ~ ' fol.g. Ddiij $Hê 



3 io INDEX. 

Sua glorio/à dejcendencia. 

ibil PHILIPPE GUI- 

Suarobuslefa. fol.^S. lhelmo. 

Fala a primeira ves ao Em- 
baixador. fil. 5 j. q StYen] rr im TrmcipeTbH' 

Cnvma-opara humacafa- } ; pfe g ui}heIm de <B raM km- 

*%' _ , . . X° 1 '^' bwz vem vijitar a %ainha N. 

Celebra os annos deitei N. Sedora aQ Bargantim ^ 

%0 K )*M?& & forma em que te recebido. 

tcrma com que d.t audiência ~ fJii-í 

publica ao Embaixador foL 71. 

J^fàMT*- . PHI LIPSBURG. 

Mcflr a querer beijar a mao 

à %dinba Nofa Senhora jua fi- Traça fobre o T^him. f. 46. 

lha. ~ fol.78. Sua fortificação, foi 50. 

Forma em que condus aT\ai- Vai o Embaixador a ella vi' 

nha Nojfa Senhora a fraca de fitar o [eu (governador o Cond^ 

Manheim. fci.%%. de EJlaremberg. ibidem* t 

Defpede-fe da %«jnba N. 

Senhora. fil.cjo. PONTE DA CASA 

Atenção quo manda ter pe~ da índia. 
los J cus Alinistros ao Embai- 

x*dor- f o/ -93- Tonte da Cafa da índia onde 

Suas Adajeíiades defembarcao 

DOM PHILIPPE DE fua fabrica^ adorno. foi 1 3 1 
Soufa. 

PONTDE SANT- 

Capitao da Çuarda %/ S P irit - 

dcfpejaapraçano terceiro dia. ■ 

de touros. folijç). Filia da Trovincia de Lan- 

Efeulufimento. ibid. n Ue dock fol.^ 

6 POR- 



INDEX. 311 

PÓRTICO. Serem/fim Trinape 

Philippe Çuiihelmo Juguslo Ir- 

Tortico da ponte da Cafa da mão da Prainha N. Senhor a^/eu- 

índia onde Suas Adajejlades naj cimento. foí.i^. 

de/embarcaoJua defcrippao. O Sercniffmo Príncipe A- 

/Ò/.135. xandrê Sigij mundo Irmão da 

PRACTICA. %ainhaNoJJa Senhor a-f eu naf- 

cimento. foi 14. 

P > raflica que o Vereador He eleitoPiifpo Coadjutor do 

João Coelho de Almeida fas a deAugusla. ibid. 

Suas Adajejlades em nome da O Serenifjimo Príncipe Car- 

Cidade de Lisboa nafua entra- los Philippe Irmão da T^ainha 

da publica d Sè. foi. 264. Nojfa Senhor -a ^J eu naf cimento. 

foi. 14. 

P R E L I M I N A RES. Cajá com a Princeja Luija 

Carlota. ibidem. 

"Preliminares da negociação $eu valor,& deslrefa na caf- 

do Embaixador ?jua dfficulda- r a ^ fol.<7. 

de ,ç> ajustamento. f.72. Saemeia legoafora de Hi- 

•nr» ccTnt-MTPC delbetg. a bujcar o Embaixador, 

PKEÒlDEJNllLb. ^p mm em qHe rec ébe f 60 . 

Pref dentes de Cafiella fua ° Cmde ° ™iviftar ^ 

pertençao com os Embaixadores ^to no Paço de Htdeberg. 

%ezios. fol.24. ' , , . J oL 74- 

Pref dente da Cameralm- fondus o Embaixador a Ca- 

*, • ia 'o*,- . -f* z: pel a de Hidelberp.para lecee- 

penal cie bpira vjita ao Em- ?. ,. br , ** 

1 • j J „ „* j o. J br ar o recebimento de òuas Ma- 

Oaixador da parte do benado. . _ , rín 

ri o jesiades. /0/.01. 

PRÍNCIPES.' ! •■ )® SerenifllmoTrincipefoj 

TrmcipesfibosdoSereniffi. 9 u f elm W ^ ue de 

mo Senhor Eleitor -Talai 'ino, &• J 1 ,' .,- r m . r 

JrmSos da Cainha NofaSe- A ^emjfinm Tnmefa 

nhera. Ddll, J V? 



ji2 INDEX. 

Dorothea Sopbia Irmaa da %ai riana Irmam da Rainha Nojfa 

nha Nofpt Senhora , /eu naja- Senhor a feu nascimento, f. 1 5. 
mento. f°t- l 5- acompanha a c B s ajnba Nof- 

ASereniffima^ Attguftifr fa Senhora jua Irma athe 
fim a Empcra trix Leon or Ma g- Duffeldorp. foi. 90. 
dalcna Thereja Irma da Rai- 
nha Nojft Senhora Jeu nafei- PRÍNCIPE FI L T R I 
mento. M 1 ?- Gemes. 

O Screntffimo Trincipe 
Erancifco Ludovico Irmão da O Trincipe Filtri Çemesf- 

< B s ainhà ISojfa Senhora , feu lho del%cifacobo II. Jua indu- 

naj cimento, foi. 1 5. le -& criação. foi 116. 

He eleito Bifpo de 'Eras la- Eorma em que he recebido da 

via. ibid. %ainba Nojfa Senhora, ibid. 

O Sercni/fimo Trin cipe Fre- El%ei Nojfo Senhor o man- 

derico Guilkelmo Irmão da liai- da vifitar a Capitania pelo Con- 

nhaNoffa Senhor a ^ Jeu na jei- dedeValde-%eis. /Ò/.124. 
mento. foi- 1 5. 'Benevolência bom que he re- 

Sereniffimo Trincipe Lu- cebido d'EIRei Nojfo Senhor 
dovico António Çram Adejlre nobargantiml^eal. foi. 1 29. 
Ordem T^heu tónica Irmão da T)om foao de Almeida Vea- 
%ainha Nojfa Senhora , feu dor da Çafa%ealo cenvida pa- 
na [cimento, foi. 14. ra a hojpedagem per ordem de 

He eleito em Çram Alejlre. Sua Mayflade. foi. 216. &- 

ibid. foi. 217. 

A Sereniffima Trincefa Forma em que Sua Majef- 

Hedvizes Ifa bel Amália Irma tade lhe da audiência, fol.i 1 7. 

da c l{ainha Nojfa Senhora >jeu Jóia que Sua Majeflade 

naf cimento. f°^ l 5- manda ao Trincipe. foi. 218. 

ASereniffima Trinceja Le- 
opolina Irma da %ainha NoJ- 
ja Senhor a feu nafeimentof. 1 5 

ASereniffima Trincefa Ma 

JJ RAI- 



Q 

R 



INDEX. 315 

Marianna a acompanha athe 
'Dti/Jeldorp. ibid. 

^Parte de ManheimfoLyi. 

O Cabido de Formes manda 
hum Capitular de maior authori- 
dade a congratular a Sua Ma- 
RAINHA. jeflade. fol.92. 

Alegria,^ applaufo com que 

A Sereniffima, &AuguJ- he feflejada pelos povos do 
tijfima Cainha Nojfa ^him. f°^9S' 

Senhora "Donna Àdaria Sophia . De/embarca cmTtujfeldorp-, 
Ijabelfeu naj cimento, foi. 15". ç> forma em que he recebida pe- 
'Tublica-Je a declaração de h Serenijfimo Príncipe o c Du- 
Cainha àeíle Reino em Hidel- quede faliersjcu IrmãO)&fe* 
berg. f°}-77' I a Sereniffima Archiduquefa. 

E o Embaixador lhe beija a foi. l o I xum feqq. 

primeira ves a mão 5 jeguido dos Conde de Cajleldá o braço 

Cavalheiros, &- Çentis-homens aSua Majeílade , £> porque 

Tortuguefes que o acompanha- caufa. foi. 102. 

rao. fol.y%. Marques deTSemarvem 

Senhor Tíleitor intenta a dar lhe os parabéns a T>uJ]el- 

fajer o mefmo. Ibid. dorp. da paree d"El%ei Citholi- 

Ceia em publico emHidelberg co, foi. 1 05. 

com os Streniffemos Príncipes Forma em que Sua Majef- 

JcusTaes. /Õ/.83. tade lhe da audiência. ibid. 

Forma em que he condufida Vai vifetar a Sereniffima Ar» 

por S. A. Eleitor aes a Ma nhe- chiduquefa ao jeu quarto. 

im. foi. 88. foi 1 06. 

Sae a embarcarfe no PJoim. E a huma cajfada. foi: 1 07. 

foi. 8 9. Sae dcDuffeldorp a embar- 

T)efpede~fe dos SereniJ '/imos carfe. foi. 109, 

Trimipes feusTaes. foi. 90. T>efpede-fe ultimamente dos 

A Sereniffima Trincefa Serenijfimos Principesfeus Ir~ 

Ee mmu 



314 INDEX. 

mãos. foi. 109. que Inglês 5 & Je embarca na 
O 'Príncipe Thilippe Gui- Capitania. fol.nj. 
lídimo de Urandamburg vem Parte de Hollanda > avijla 
vifitar a Cainha Nojfa Santo- as ccjlas de Inglaterra^- lura- 
ra ao bargantim 'Real. foi. III. pa 7 & arriba a Plemut. f.IIJ. 
Forma em que o recebe 5 <> Avisla o Cabo de Finis ter- 
(rat amento que lhe da. ibid. r*e. fol.i 18. 
O Sereniffmo Duque defu- Afortaleja da ^Berlcnga^ &• 
liersy &a Serenijfima Ar chi- a praça de Peniche falvao aS. 
duqueja mandão Enviados fa- Majeslade 3 & forma em que 
ber de Sua Majeslade. ibid. Uje rej ponde a Capitania. f.iiS. 
Hevifitada emNimegape- Chega a Caj cães. idid. 
los Deputados dos E fiados Çe- Salvas que lhefafem as tor- 
rões, foi. 113. res da barra. fol.llO. 
Taffaahumfaque doTrin- Muda-je o vento para Sua 
cipede Orange. /0/.I14. Majejlade entrar no porto de 
Efe Trincipc manda bum Lisboa. ibidem. 
Enviado a comprimentaraSua Alegria com que os Portu* 
Majijlade. ibid. guejesfeslejao ajua chegada. 

 'Provinda de Holladaen* ibidem. 

via ao mcfmofm Deputados El%ci Nojfo Senhor a man- 

f articulares, foi 1 1 5. da vifitar a Capitauia pelo J cu 

O Duque de Grafeton ge- Mordomo mor o Conde de Santa 

neralda armada Inçlejavemco Crus. foi.li^. 

o Príncipe Filtri Çemes congra- Ea Senhora Infante fas o 

tular a Sua Majeílade do parte mejmo pelofeu Mordomo mor o 

dojcu Príncipe. foi. 1 1 5 Conde de Valde-%eis. /Õ/.124. 

Communga a %njnha Noffa Vai a bufcar Sua Majeffa- 

Senhora. foi. 116. de no bargantim 'Real foi. 125. 

Fafem fegunda vifita os Embarca-Je com EiReiN. 

Deputados dos Estados Çe- Senhor no bargantim%çal. 

raes. ibidem. foi. 1^0. 

Pafj a SuaMajeslade aofa- De] embarca na ponte daCa- 

J* 



INDEX. jij 

fada índia. foi. 131. aomefmofim. foi. 2. 

TV f //^yi encaminha fará Dejpoes de algum tempo per- 

a Capella ^ea l. foi. 2 1 5 mitteje lhe proponhao ca] ame n- 

Forma em que a Senhora In- tos. ibidem. 

f ante f as o primeiro objequioa 'Prefere a todos o da Sere- 

Sua Majejlade. fol.ibid. nijfima Senhora Trinccfa Elei- 

%ecebem Suas Majeslades toral MariaSophia Ijabel.f^. 

as benções nupciaes do Ar-cebij- Manda dar principio a ejla 

fo de Lisboa Capellao mcr. negociação pelo Doutor António 

foi. 216. de Freitas 'Branco. foi. 3 . 

Fas entrada publica a Se com Nomeia por Embaixador pa- 

a Cainha Nojfa Senhora , ç> 4 rao mefmo c ff eito o Conde Ma- 

Senhora Infante. fol.160. noel Teles da Silva. fol.^. 

O Embaixador lhe remette o 

A RAINHA DONA projeclo do trattado dotal f. 54 

Maria Francifca. Celebra ofelicè dia de fens 

annos. fol.5%. 

A %ainha Dona Maria O Senhor Eleitor fas omef 

Francifca Ij abei de Saboyajeu mo. f°l-59* 

falej cimento. fol.l. Approva Sua Majejlade o 

projecto. foi 61. 

REI. O Embaixador remette a S. 

Majestade o trattado a [finado. 

EFRei Noffb Senhor jfeu ibidem. 

fentimento pela morte da I{ai- Dia em que S. AL je fade 

nha Donna Adariat Francifca mandapublkar efla noticia. 

Ifabel de Sabóia. foi. I . fol.62,. 

Inslancias dos maiores Mi- Recebe em Hidelberg. por 

nislros vara pajfar a fegundo feu procurador o Embaixador a 

matrimonio. ibidem. Serenijfimal^rinceja. /o/. 83. 

Sua San&idade exhorta a Manda vifitar a Capitania 

Sua Majejlade for hum breve * %ainha Nojfa Senhora pelo 

Ee ij Conde 



gi6 ^ INDEX. 

Conde Mordomo mor. foi 123. Fas entrada publica a Se cú\ 
Manda vifitar a Capitania ao a Ikainha N. S. no bargantim. 
Tiincipe Liltri Çemes.f 124. 

Embarca-fe no bargantim 
c I{eala bujcar a Cainha N. S. 
a Capitania j foi. 12 5. 

Çr andes que acompanhao v 
S. Majeslade. ibidem. 

Chega a Capitania. foi 128. 

Dcmonslraçoes com que re- 
cebe o Duque General^ o Co- Cidade de *Bing. 
de Embaidor no bargantim. 

foí.12%. 

T>à o titulo de ÀíarqueS da 
Villa de Alegrei te ao Embaixa- 
dor. . abidem. 

Dijcrctta vromptidao de q 
uja a refpeito do T>uque zene- 

r.al,&- do Conde da Ericeira ao RIO DE JANEIRO. 
fahir do bargantim. fol.l2(). . ; 

'Benevolência com que recebe Sua figura^ elogio em ap- 
ao Trincipe Filtri Gemes tio plaujo de Suas Ma/ejlades. 



foi. 260. 

RHIM, OU RHE- 
no. 

Sen naj cimento, &• curfo. 

/0A43. 
Taco perigojo nelle junto d 

fol.^6: 

RHODÁNO. 

R/o de Fraçafeu nafcimè** 
to&.cnrfo. foi 34. 



mejmo bargantim. ibidem. 

Entra na Camera em que ci- 
tava a Cainha Nojfa Senlma. 

ibidem. 

Embarca coma %ainha N. 
Senhora no bargant im .foi. 130. 

T)ej embarca na ponte da Ca- 
já da índia. foi 1 3 1. 

Sobe â Capella 'Reata tomar 
as benções nupciaes do Arcebij- 
po de Lis boa Capellao mor. 

fol.2l6< 



fol.205. 



s 



SALVAS. 



SALVA?> com que as for- 
talefas da Berlenga , £<7* 
Teniche feslejaoa armada In- 

glefa 



INDEX. 317 

glefa que cotjcíus a Cainha N. 

Senhora. foi. 118. S A M P A ULLO E M 

E as da barra de Lisboa. Piratinenga. 

foi 120. 
Salvas com que a Capitania ViUa^jua figura^ ç> elogio em 

l^eal recebe EfRei Nojfo Se- applaujo de Suas Adajejladcs. 

nbor. fol.iij. fol.206. 

- 

SAM GABRIEL. SEITA. 

Colónia fua figura 5 &• elogio Sua figura , ç> elogio em ap- 
em apçlaufo de Suas Afajeffa- plaufo de Suas Majejlades. 
des. /Ò/.209. /Ò/.190. 

SINAL. 
SAM LUÍS DO MA- 

rannao. g/ W4 / com ^ úe as f orta i e j- as 

da barra de Lisboa annunciao a 

Sua figura 5 O- elogio em ap» chegada da Cainha Nojfa Sf- 

plaufo de Suas Àdajejlades. nbor a, foi. 119. 

fol.210. 

SALINAS. 

SAM PAULLO DE 

Loanda. *** co fi a > & 4í ere J a ' 

fol.28. 

SPIRA. 

Cidade jua figura , &• elogio 
em applaufo de Suas Majesla- Cidade livre do Imperiofva 
ás. foLi$$. fituaçao. fol.46. 

Eeiij TAN- 



3 i8 INDEX. 

'Publica-fe ofeu ajuflamen* 
- to em dia de Santo António. 

, fol.62. 



T 



V 



TANGERE. 

SVA figura , O- elogio em 
applaufo de Suas Majefta- VALENÇA. 

des. foi. 2 84. 

CIDADE do Delpbina- 
do. fol.tf. 

Sua defcripçao. fol.%2. VESSEL. 

TOUROS. <p raça do Eleitor de <Bran- 

ddmburg. . foi. Ill, 

Trimeira fefla de Touros, 

&fuadejcri f fão. fol^JO. VICTOR IA. 

Segunda, foi. 276. "lercei- 
M. fol.2%\. 

Cidade cabeça da Trovitt- 
TRATADO DOTAL, cia de Alava. fol.27. 

Tratado dotal de Sua Ma- V I D A S O A; 

jeflade, ajufta o Embaixadora 

jeuprojeHo , & o remete a El- m^ CQfH aQ{è dos <p 

^iNofoSenborporexprejfo. ^ ' r d 

foi 54. J 

E torna appr ovado por Sua __ T __ ._ A 

Myeflaà. K "foiM. VIENNA. 

He redujído a tratado for - 
mal, & enmiado a Sua Majef- Cidade do Delpbinado.f.^. 



t*ide por pofla. ibidem. 



VIL- 



INDEX. 319 

VJLLAVICOSA. . VORCUM. 



Sua figura , &■ elogio em ap- 
plaujo de Suai Majefiades. 

foi. Ij6. 

VISCONDE DE 

Barbacena. 

acompanha ao Embaixador 

na jornada. fol.li. Cafituhr de maior author idade 

He tirado a dançar em hum congratular abainha Nofd 

baile %e ai pela Senhora Elei- Senhora. ibidem, 

trix Talatina& condição com FmmA em que he recebido 

que o f as. fol.60. peladinha Nofa Senhora. 

foi. 93. 

F I N I S. 



Cidade dos Ejlados de Hol- 
landa. foi. 115. 

VORMES. 

Cidade Imperial. foi. 92. 
Adanda o feu Cabido hum 










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