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Full text of "Historia dos soberanos mohametanos das primeiras quatro dynastias, e de parte da quinta, que ..."

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HISTORIA 

DOS 

SOBERANOS HOHAMETANOS 

BAS ntlHEIKAS QUATRO DTKASTIAS, 
S DB rAKTE DA QUIMTA, 

QUE seinábão na madbitania, 

UCBIFTA EM AJUIE 
POR 

ABU-MOHAMMED ASSALEH^ 

filho de Abdel-halim, natural de Granada^ 

e TKADUZIDA, E AMNOTASA 



Fr. yOZÈ DE SJNTO JNTONIO MX!RA, 

Ex-Geral da QuuFregação dã Terceira Ordem da Pemíot- 

da. Lente JuRtado^ e Interprete Régio da Lmgoa 

Arábica , Official da Secretaria de Ettado dqt Hf_ 

gociai Estrangàni , e Sócio da Acode- 

mia Real das Sciencias de Lisboa, 




LISBOA 

NA TYPOGB.AFIA DA MESMA ACADEMIA. 

1818. 

Cem Licaifa ie SVJ MAOESTAVE. 



245. A. áo. 



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ARTIGO 

EXTRAHÍDO DAS ACTAS 

D A 

t 

ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS 

DA SESSXO DE 4 DE MAIO DE 1827. 



V 



Etermina a Academia R,eal das Sc iene ias , que se* 
ja impressa d sua custa , ^ debaixo do seu privilegio , a 
Historia dosSoberanosMohamecanos, que reinarão n^ Mau- 
ritânia , tscripta em Árabe por Abu^Mobammed Assaleh , 
€ traduzida^ eannotada pelo seu Sócio Fr. Jozé de San* 
tê António Moura. Secre faria da Academia em iode Ja- 
neiro de iiz2. 



IManoel Jozé Maria da Costa e Sá ^ 
Vice^Secr etário da Academiíí^. 



I 



\ . . • 



(l) 



ADVERTÊNCIAS DO TRADUCTOR. 



C 



ONM£GiDA pela Aufflista Rainha D. Maria L de 8au« 
dosa memoria a necessidade de se perpetuar mcre nós o 
estudo da lingoa Arábica ^ por prever , que por falecimento 
de Fr. João de Sodza y natural de Damasco^ e Religioso 
desta minha Congregação ^ se veria o Ministério Portuguez 
precisado a procurar outro estrangeiro para interprete da 
dita lingoa , e tanto mais que se achava, a paz estabelecida 
com EiRei de Marrocos , e se percendia estabelecella tamr 
bem com as outras Potencias Barbarescas , sem que houves? 
se nacional algum apto para exercer aqqelle emprego: que- 
rendo a mesma Senhora prevenir semelhante inconveniente, 
foi servida ordenar , que hum dos Religiosos , que se dedi- 
cavão ao estudo da mencionada lingoa por disposição do. 
Ministro Geral » que então era, da referida Congregação, 
pasaasse ao Reino de Marrocos a aperfeiçoar-se na lingoa, 
e costumei daquelles povos , devendo alli passar na compa- 
nhia de Jaques Filippe de Landreset , que S. Magestade no« 
meava para hir comprímentar , e ratificar a paz* com o no« 
vo Soberano Moley Eliazid , e do sobredito Fr. João de 
Souza também nomeado para exercer nesta missão os em- 
pregos de Secretario y e interprete. - - < 

Tendo cabido- a sorte sobre mim, embarquei com el« 
les ém 8 de Dezembro de 1790 nafragata<2ysne, commao- 
dada pelo Capitão de mar e guerra ?2íálo José da Silva Ga^ 
sna; e desembarcando em Tanger no dia 30 domesmtí mez, 
fiii hospedar-me em casa do honrado Cônsul datação Jqr- 

5|e Pedro CoUaço, o qual me tratou sempre, e toda a sua 
amilia oom a maior benignidade , e attenção. 

Não me demorando em contar os incom modos , que 
soffremos no dia 25* de Agosto de 1791 , em que osHespa* 
nhoes bombardearão aquella praça para devertirem a atten^ 
^ de Eliazid , que então se achava sitiando a praça de 

A 



(O 

Ceuta \ nem os combates , que este teve cóm os dous Ba« 
xás das provindas de Abda , e Duqualla , que se tinhâo re- 
bellado contra elle , auxiliados pela mesma Hespanha , em 
bum dos quaes foi ferido , e morreo ; nem mesmo as guer- 
ras civis y que depois da sua morte se excitarão em diversas 
fttrtes daiquelles estados , e dç que cm Tanger nío ficámos 
ffVfeS) por se haverem revoltado contra ella os bárbaros das 
iribus oas montanhas , que a separ&o de Tetuâo y por eer ia» 
fo fórá do meu propósito , que náo he escnever a historia 
daquelle tempo , passarei a mencionar as eficazes diligen» 
cias y aue empreguei no meio de tantas perfurba(6ea pâiti« 
cas até Agosto de 17^ , ( em que regressei paia Bortugal 
por oídem superior ^ para exercer o emprego de Substituta 
*da cadeira arábica , pare que tinha sido ^someado por De* 
erece de ia de Abril do mesmo anno) a fim de /mter ai» 
gana manuscritos arábicos , especialmente de historia , Í4icu^ 
cados por alguns sábios Mohammetanos ^.com esquaes tna«« 
fei amizade, com o intehto de me instruir nos seus costumes^ 
o de tíaatt por sua via os mencionados livros, por ser eaie 
Q meio de poder algum dia desempenhar «qualquer commie* 
táOy oie o nosso Ministério quisesse confiar de mim. 

Tendo lido alguns, que elles me emprestarão, eoucroa 
ooe Ihea oompiei , os quaes existem em meu poder ^ 011 nt 
liTraria deste Convento de Nossa Senhora de Jesus de Lit« 
bok , encontrei bum entre estes , conhecido virfgarmcnte pe^ 
k> pequeno cartaz , que me tinha inculcado Hag^^ge Hadou , 
Moaso dos mais instruídos no seu idioma, eque por isso me- 
recera exercer por muitos annos o emprego de Secretario de 
diversos Governadores de Tanger, e o de escrivão das car» 
tas arábicas , que os Cônsules Eunopeos , alli residentes , es* 
creviâo aos Soberanos, Príncipes, Ministros, Governado- 
res , e a outros , o qual se tinha siMf irado a vir-me dar )i- 
ç6es , por se achar então privado daquelle emprego em n^ 
aSio de Eliazid haver morto pouoo antes o ultimo Governa- 
dor daquella praça , chamado Abdelmaleq , extremoso ami« 
go de Portugal , por deixar escapar os Hespanhoes alli en- 
tfio CiittÇQics 3 t achasse seduzido a grande indigência ^ 



pois he de crer , qae em outras circunstancias nãp. condes* 
cenderia com o meu desejo pela diíficuldade, qu6 tem os 
Mouros em ensinar os Christâos. Aprpveitaixlo-me do seu 
préstimo y tratei de combinar a copia do cartaz, que eu ti* 
nha comprado y com outra delle , escripta por elie mesmo, 
com todo o esmero, a qual depois de corrigida por esta , 
veio a ficar igualmente certa» 

Observando no meu regresso a PiMrtugal a graodç fiilta 
de livros Árabes para o estudo desta lingoa, aeliberei-«ie 
a traduzir para este fim o dico cartaz , mas litteralmente á 
imitação da historia Sarracena y traduzida pelo celebre Ajra« 
bista Thomaz Erpenio , e do Alcorão , traduzido , annotado , 
e refutado pelo doutíssimo Marració , oque comefieito piKl 
«m execução , empregando nes(e trabalbo a maior ditigen« 
cia , movido unicaoiente do interesse de ser útil aoi meus 
aemelhantes. 

Ainda que além da dita copia , ti? e presentes outras^ 
duas desta historia , aue também existem neste G)nvento , 

irão a 



as quaes me senrirâo de algum auxijiio, dei ordinariamente 
a preferencia á minha y quando entre esta e aquellas encon- 
trava alguma discrepância, o que aconteceo poucas vezes, 
e em couzas insignificantes, como por exemplo na mudan- 

Sa , ou troca de alguma letra , ou syllaba de alguns noaie^ 
e Cidades , Castellos , e outros lugares de Hespanha , e Por- 
tugal , ou de alguns individuos, o que pratiquei , por estar 
a minha corrigida y. e emendada pela do referido Hag^ge 
Haddu , como deixo dita 

Cortei alguns versos, ou rimas desta obra, por nada 
interessarem á historia , por estarem escriptos de diverso mo- 
do em çrande parte nas mencionadas três copias , e por se^ 
rem muitos inintelli^iveis. 

Omitti na traoucçao as deprecaç6es feitas a Peos cm 
favor de Mohammed, e dos seus proselytos, os elogios pro-^ 
digalizados aos mesmos , e as repetidas imprecações contra 
os Christâos, e seus Soberanos, e Chefes, o que entendi 
que me era licito fazer, ainda considerando-me como mero 
traductor, não so porque huma obra histórica pôde mui, 

A a 



(4) 
beoiHiisefHse inteira e perfeifa sem taes atavios ; tnat por- 
que incerfX>mpendo estes, como realmente interrompem a 
cada pa^so o fio da narração, distrahem a attençSo do lei<> 
tor , oiFerecendo-lhe no meio da» verdades históricas as mais 
ridículas , e nojentas falsidades. 

Distribui esta historia em capítulos para mais facilida- 
de^ e clareza. Usei algumas vezes da palavra Arábica- Ben 
em lusar de filho, oue he a sua significação, como por 
exétaipio =r Ben Alabamar , em lugar de filho de Alana* 
mar , especialmente naquelles nomes , que tenho encontrado 
assim escriptos nas nossas historias, e nas Hespanholas. 

Não obstante ter lido a historia do Arcebispo D. Ro- 
drigo Xemenes , a de^Mariana , e outras Hespanholas , va- 
rias Geografias, eentrQ ellas a Arábica Nubiense, não pude 
assim mesmo adquirir conhecimento claro e distincto das 
situações, em que se dei^o alguns combates, e de vários 
castellos e povoaçòeis tomadas , destruídas , ou queimadas ^ 
de que faz menção á dita historia Arábica, talvez poros 
seus nomes estarem alterados, ou serem hoje conhecidos 
por outros , ou em fim por alguma outra razão para mim 
desconhecida. ' - * k 

Tendo eu concluiob ^ã minha traduccão , da qual ja 
faz menção o tomo VIII. , parte II. das Memorias da Aca- 
deniia Real de Lisboa , com tenção de ser impressa com o 
seu ori^nal Arábico á margem para o fim ja predito, e co- 
nhecendo depois a impossibilidade de pôr em execução es- 
te meu intento, por não haverem typos Arábicos suflicien- 
tes para isso, senti na verdade não poder verificar o meu 
projecto. Nestas circunstancias resolvi-me a mandar enca- 
dernar a copia Arábica da dita historia com a minha tra- 
duccão á margem para a ajuntar á copiosa collecção de es- 
criptos arábicos impressos , e manuscriptos , que existem na 
livraria deste G)nvento, não obstante terem-se então lem- 
brado alguns litteratos , que não seria fora do propósito 
mandar-se imprimir ao menos a minha traduccão. 

Chegando-me porém alguns annos depois á mão bum 
opúsculo em Franccz^ intitulado Precis de Ja Htterãtwrt 



\ 



(O 

bistorique àu Moghrth ti a Ksa , impresso em LeSo no 
anno de 1820, de qué he author Jaques Gi-aberg, Ex-Con- 
8ul geral de Suécia em Marrocos; e tendo observado que 
este litterato está conforme comroigo em sentimentos a respeiç 
to do merecimento da dita historia , sobre o que elle se ex- 
pressa assim (€ On á beaucoup ecrit suri'histoiredecepa7S, 
9» soit en langue árabe , soit en diiFerentes langues d'Èuro- 
9» pe , cependant il n'y a qu'un seul auteur vraiment classi- 
f> oue y et qui merite le titre d'historien des Maures. Cest 
jf Abou MoJiammed Abdel-Sálam {a) Ben A'-bdel-Hha« 
99 lim el granati natif de Granade, &c., '» cujo período el« 
le conclue « Cette bistòire est assez bien écrite , surtout pour 
jy la partife qui traite des guerres des Maures en Espagne, »» 
tanto mais me inflammei no desejo de imprimir adita histo- 
ria, especialmente depois de ter também conhecido * pelo 
conteúdo do mencionado . opúsculo , que ames do meu ex- 
tracto, impresso no tomo das Memorias da Real Acade- 
mia , se havião publicado em AUemanha e França extractos 
da dita historia^ o que me confirmou ainda mais no seu me- 
recimento. 

' O que porém me resolveo , e decidio a promovef ao 
menos a impressão da minha traducçSç foi haver lido ulti- 
mamente em Francez a paráfrase de M. de Mariés, kn- 
pressa em Paris em l%^$ , sobre a historia do Dr. José An- 
tónio Conde, impressa em Madrid em 1820 sobre os Mou- 
ros e Árabes na Hespanha , e Portugal , cujo original eu s6 
pude alcançar em Novembro de 1826, não obstante as ef- 
ficazes diligencias , empregadas desde algum tempo peto 
nofso Diplomático naquella Corte o Senhor José Guilher- 
me de Lima , do qual me vali para i^so, por haver estado 
adita historia supprimlda : aquisição que estimei muito pa- 
ra me instruir, e corrigir por ella alguns defeitos da minha 
traducçâo, especialm*e;ite depois que li nas advertências de 
M. Marlés tomo I. pag. 6 a seguinte apologia ci Cet hom* 

(tf^ Gnberg discorda no appellido do author, dando-lhe ode Abdcl-$a- 
Iam , em lugar de Assakh , o que be fácil acontecer Dão le decifrando bem 
il letraa. 



t^ 



'• 



(6) 

•» me laborieux et savant s^est trouvé i Madrid; et M.Jo- 
99 seph Conde, mcmbre des Academies espagnoles, aconi* 
»> pile et traduit avec Ia pius scrupuleuse exactitude toua 
9f les écrits árabes , qu'il a trouvé dans les blbliothèques 
M publiques, ceiíx qu'il possedaic lui metne, et ceux qu'il 
99 tenait de ses amis. Son ouvrage, qui a para á Madrid 
*» en 1 8 IO et i8zi , peut etre regardé comrae ce qu'il y a 
M de plu^ complet sur cette tnatiere. '» 

Passando por tanto a Ter cotn a maior attençao e iote< 
resse a historia do predito Conde, conheci, que elle he me< 
recedor da mencionada apologia em quanto ao seu laboríoN 
so trabalho na averiguação, segando elle diz no prefacia 
éa tua historia, dos manuscritos Arábicos dilacerados ^ c 
maltratados , e na collecçâo de tantas espécies , com asquaes, 
segundo o sentimento de M. de Marlés , se poderia formar 
huma boa historia ; porém não em razão de systema , que 
elle diz adoptara c< de conservar en arábico castillanisadaa 
M las determinaciones , y cierios nombres , etppleos políticos , 
9% y militares , que traducidos suelen ofrecer ur^a significa*^ 
9f cion vaga , y en general menos clara , y distinta de Ia 
99 que les conviene en las costumbres arábicas ; 9» nem tão 
pouco por motivo da seguinte razão : cc que asi mismo coih 
»9 serva en los primeros tiempos las deprabacicnes , que loa 
M árabes hacian de los nombres de nuestras ciudades , ypnv 
99 TÍncias ; 99 pois não satisfaz á sua promessa , porque pro* 
nuncia huns nomes em Hespanhol, por exemplo Toledo/ 
Zaragoça , devendo dizer , para hir coherente , Tolitala , 
Sarcaceta ; e outros , ainda que arabizados , com letras tro- 
cadas , por eicemplo : Badalyos y Ártuxa em lugar de Bata« 
lius ( Badajds ) » e de Tortuxa ( Tortoza ) , porque assim se 
pronuncião nos mánuscriptos Arábicos. Devo pois accrescen^ 
tar em abono da verdade , e não com o fim de deprimir o 
grande merecimento de Conde, que he tal a confuso da 
sua historia relativamente á pronuncia dos nomes próprios 
de cidades , castellos , rios , empregos , e de outros nomes , 
que os mesmos intelligentes na lingoa Arábica os não pode^ 
Aó muitas Yezes perceber ^ se não tiverem lido , ou não re« 



(7) 
CD ffc re m is inestnâs historias Arábicas» de que elle $é sei^ 
yio; quando Conde podia evitar tal iabyrintho, pronuncia» 
do huns, como nós, e explicando, e dando a outros a sHt 
propria significação, porque os idiomas Portuguez cHespa- 
shol abundio em termos para significarem todos , cooio se 
yeti nesta aiinlM traducçao ; fazendo-se por isso mais repa»- 
nvéi diaer elle^ que nkto procurara nao causar obscurtdack 

'^ FioaliBeiiie não se faz menos reparavel distr Coode 
pm scii'4< pcokge pag».x3 , que pdo que bace a la época 
M de los idiaBor.Al0iorabidcs,, j Alnidiades {s} le he ser- 
99 vido interamente la historia de Fez de Abdel-Halim de 
99 Granada , escritor diligente, dei ano 716, que vio, y ex- 
>f tracto los principales historiadores de Africa , y Espana , 99 
porque, além de se encontrarem no corpo da sua historia- 
Dotáveis accrescenta mentos a respeito destas duas Dynastias , 
se referem também nella factos desfigurados , e contrários , 
(e alguns essenciaes,) ao que leio no meu exemplar A rá- 
bico , que se acha corrigido, e conforme, como íica dito, 
com os outros existentes a nt a Xonvento, e com os que 
eu li em Marrocos^ e Argel, o que eu hirci apontando em 
notas nos competentes lugares desta traducçâo: defeitos que 
eu attribuo á copia Arábica, de que Conde se sérvio, ou 
á falta de tempo, que elle teve para corrigir a sua obra, 
funda ndo-me para isto em hnma nota , que encontrei no 
tomo IL pa^. 23 da 5ua historia, na qual se diz assim: ccSe 
99 nota Ia obscuridad; pêro solo podlera aclararia el Sefíor 
99 Conde ;h e igualmente no que sele em algumas notas da 
paráfrase deM. deMarlés , especialmente nas seguintes, no- 
táveis, e terminantes passagens das notas do tomo III., 
pag. jT e 103 : 4< 1/ M. Conde n'a pas eu le temps de met- 
sf tre de Pordre et de la clarié.dans son travail; 2.* Nqus 
»> le repetons , plusieurs imperfections du memc genre de- 
99 parent Pouvrage de M. Conde, principalement vers le 

(tf) E porqtfe razão não havia incluir igualmente asDynastisR do«F.dr?i- 
sft«, Almac^atientes , c Beoi-Merines, tcndo^se servido da me in.i historia 
puê tratw dcJiiS'? 



(8) 



et Ia fin ; elles font plus vivement regretter que 
l'ait ravi auz lettres avdnt qu'il eut pcrfeçtioooé 



ff miiieu, 
ff la mort 
ff 8on travaih 99 

é Resra-me somente dizer , que foi unicamente o amor 
da verdade, e o desejo^ de se apurarem factos interessantes 
á nossa historia, e de toda a Hesoanba , o que memoyeO|^ 
c resolveo a emprehender esta minna tradução , na qjú ea 
não duvido, que se possâo encontrar defeitos e em» de eu» 
tendimentó, mas nao de vontade; e por isso confio que oi 
intdligentes, e benignos leitores se dignarão desculpaliot^ 
iembrando-se • que os mesmos sábios tem cabido neUea» 



C9) 

m 

Pr^acio do autlor o doutor de sã opinião Abu- 

Mobammed Assaleh^ filho de Abdel- 

balim y do qual Deos se agrade^ 



£m nome DB DeOS CLEMENTfi E MISERICORDIOSO. 



o 



louvor seja dado a Deos, Mudador das cousas seguii'* 
do a sua vontade , e disposição ; Facilitador do que he diF- 
ficultoso pela sua direcção , e facilidade ; Formador das crea- 
turas pelo seu poder ; e Distribuidor dos bens segundo os seus 
Decretos:, eu 1a£ rendo os devidos louvores, confessando as 
suas graças, e testificando, que elle he hum só, sem sócio , 
e puro em seu coração, em seus arcanos, e nas suas facul* 
dades intellectuaes ; e testifico que Mohammed he seu ser<- 
vo, e enviado, ao qual elegeu para a sua missão, e fez 
participante do seu amor, e predilecção. O mesmo Senhor 
lhe seja propicio , aos seus bons e puros sequazes , ás suas 
castas esposas, das quaes aparte a impureza, e favoreça os 
seus excellentes sócios com o seu amparo , patrocínio, amor, 
e estimação ; e aos proselytos destes com benefícios até ao 
dia de juizo , e em quanto alternarem as trevas da noite 
com a luz do dia. 

Façamos deprecações pela feliz , e elevada Dynastia 
Benimerinia, cuja fama Dcos exalte, engrandeça seu poder, 
e conserve sua gloria com a perpetuidade, firmeza, victoria, 
e conquista manifesta. O mesmo Senhor prolongue a exis- 
tência do Califa, e Rei, exaltador do mohammetismo, hu- 
milhador e subjugador da infidelidade, coroa, e propaga- 
dor da justiça, destruidor^ e despedaçador da iniquidade. 
Soberano do presente século, e resplendor do Mohammetis- 
mo edafé^ o Príncipe dos Mosselemanos , Abu-Said Otho* 

B 



( IO ) 

maii) filho de nosso amo o Príncipe feliz, ^victorioso, So- 
berano , adorador de Deos , desprezador das cousas caducas , 
louvado em cada huma das precedentes virtudes, recta e 
justamente elevado ao império o Príncipe dos Mosselemanos 
Abu-lussof lacub , Ben Abdel-haqque , ao qual Califa Deos 
ajude y e leve sua fama , felicite e eternize o seu reinado , 
e os seus dias, exalte com a victoria^ e felicidade suas ban- 
deiras e estandartes , eztenda o seu reinado do oriente ao 
occidente, lhe sujeite os pescoços dos inimigos na paz,' e 
na guerra , lhe dilate a Victoria manifesta , coUoque o Cali- 
fado unido e permanente na sua descendência até ao dia de 
juizo , não cesse de o vigorizar , de renovar a sua represen- 
tação , de exaltar o seu esplendor , e de fazer brilhar as suas 
luzes : a felicidade coroe os prazefes pelo seu cuidado , os 
bens unSo os seus servos , a victoria ande contiexa com os 
teus estandartes, os corações dos povos estejâo unidos á 
sua obediência ^ e ao seu amor, em quanto durar o exerci- 
cio do somno nocturno , e o melódico canto dos pombas 
sobre os ramos das arvores -, e não deixe de prorecer o Mo- 
hammetismo, de atténder juntamente para o mundo, e pa- 
ra a religiSo , e de dar que quizer , com tanto que sejSo 
donativos perennes. 

Logo que eu observei , que os egrégios e nobres ffltos 
do seu reinado , o qual Deos prolongue , eternize , e exalte 
sua Fama , se unilo como a encadeação das pérolas ; que 
as bellezas das suas boas qualidades se liio em todas as 
linguas, que a publicação do seu insigne merecimento, e 
das suas excellencias era exaltada em todas as regióes, e 
lugarte; e que o resplandor das suas 'luzes desprezava com- 
bosiçòes amatorías, e seguia a marcha da igualdade, qutz 
tomar o trabalho do seu ornato , da approximação á sua 
perfeição, e complemento , e da chegada i suavidade da 
crystallina agoa , compondo hum livro , que contendo 
agradáveis noticias, e conhecimentos insrructivos , com* 

Srehendes^e a differença dos successos históricos , seus pro* 
igios, singularidades, e raridades; e igualmente as noti* 
xias dos precedentes Soberanos da Mwritania , 's dos stw 



( XI ) 

Frincípes ejpOifo$ primitÍToa ; a historia do seu tempo « a 
memoria das suas descendências ^ e da sua duração ; costu* 
mes, pelejas, e mais successos noa seus reinados} o que 
dispçserão , e construirão ; os paizes e climas que expugoa^ 
lâo} oscastellos, ecidadesaueediíicarâo,easacç6es dignas, 
que praticarão ; mencíonanao-os : Principe depois de Prin« 
dpe. Rei depois de Rei, Califa depois de Califa, e Xeque 
depqjs de Xeque ; e isto sejundo a sua successão , nos seus 
respectivos séculos, e conforme a ordem dos tempos dos' 
seus reinados, desde o principio do reinado do Principe 
Edríz, filho de Âbdallali Al-hassani até á época actual, no 
que empregarei a minha diligencia , e mostrarei o meu en- 
genho, segundo a opportunidade , possibilidade, e ajuda 
do tempo, para cuja composição invoco a Deos Altíssimo, 
e imploro o seu auxilio na Sua. jdirecção , e disposição, o 
qual facilite o que intentei , c o faça todo agradável pela 
sua bondade , e yclã pura e admirável benção de nosso amo 
o Principe dos crentes. 

Tendo eu ajuntado este todo de partes , extrahido a 
tua substancia de livros de historia digna de credito, unido 
as suas partes dispersas, dignas de confiança pela sua vera- 
cidade, e as respostas ás mesmas, além do que bebi dos 
chefes da historia, dos observadores, e escriptores, e do 
que extrahi de authoridades seguras de homens famosos, 
expulsado a citação de authoridade alheia , temendo aceres- 
centamento, e troca, e rejeitado as narrações prolixas, e 
extensas, e removido as curtas, eabbreviadas, compuz bum 
livro, que sahisse mediano, por ser a melhor cousa', fun- 
dado a este respeito no que allegarão n^^uitos do profeta, 
quando disse: a melhor das cousas he o seu meio; e o inti- 
miei Alanossolmetrab Alcartas fiagbar Maluque l-magr eh 
Vã tarig madinate Fas , que quer dizer : O agradável' e 
divertido cartaz , o qual trata sobre os Soberanos da Mau-^ 
ritania , e fundação da Cidade de Fez. Deos fiemdito nos ' 
preserve de cometter nelle erros; nos afaste da culpa por 
palavras e obras ; nos chegue ao fim do que se procura , e 
espera i conserve a nosso amo o Principe dos Mosselemanos ^ 

B z 



exalte o seu reinado sobre os outros ; e faça seguir aos seus 
inimigos as suas ordens, e o seu império. 

Não ha se oâo hum Deos , nem bem ^ que delle 
oão proceda* 



(13) 



HISTORIA 

DOS 

* 

SOBERANOS MOHAMMETANOS, 



Qfe tem ninado na Mauritânia desde os Edrisitas Ah 

hêssanins , do estabelecimento destes nella , e da edi-^ 

ficafão da Cidade de Fez , capital do seu Rei- 

no^ para sua residência^ (escripta 

por Abu-Mobammed Assaleb ^ 

filho de Abdehhalim > 



CAPITULO I. 



A 



causa da Vinda dos Edrisitas á Maurltanfa , di7 o 
author , fei por o Príncipe Mohamfned , íilho de Abdal- 
lah 9 filho de Hassan , filho de Al-hassan , filho de Aly , 
filho de Abu-Taleb , se ter levantado contra o Príncipe 
dos Mosselemanos Abu-Jaafar Almansor Alabassi na Ará- 
bia Pétrea no anno 145" ( 762 ) (tf ) , por abominar as 
suas violências , e tyrannias. Enviou este contra Moham- 
sned hum numeroso exercito a Medina , o qual o der- 
rotou , e aprisionou multidão dos seus parentes , e fami- 
liares ; vendo-se Mohammed obrigado a retirar*se para 
a Núbia , provincia da Ethiopia , na qual permaneceu 
até ao falecimento de Almansor, e exaltação ao thro- 



CO Ftque por huma vez entendido , que o numero no pareiíthcse lie 
O da era Ghiistã) que conesponde ao antecedente àA begir^ 



(14) 
no de seu filho Mahadi , porque tendo entSo partido 
para Mecca nos dias da. peregrina ção , e convidado alli 
os povos para ^o acclamarem , logo os habitantes da 
Araoia Pétrea se prestarão a isso. Mohammed tomou 
> nessa occasiao o titulo de Naffo-zaquia , alma pura ^ em 
razão da sua religiosidade, muita devoção, reverencia y^. 
bondade, e desprezo das cousas mundanas. Tinha M^ 
hammed seis irmãos, chamados lahia , Soleiman, Ebra«* 
him , kxttz , AI7 , e Edri2 , dos quaes enviou ipatro 
para diversos paizes , a fint de excitarem os povos , e 
movemos a acclax!ia4d, e segui-lo: a Ály para a Eítn 
quia , aonde o seguirão muitos povo» das rrious doa bár- 
baros ; mas faleceu aili antes de ^ícabar a sua missão : 
a lahia para a Parthia , tonde permaneceu até que o 
Príncipe Mohammed foi morto, porque se retirou en- 
tão para Dailam ( montanha próxima do mar caspio ) , 
aonde converteu ao Mohammetismo muitos daquelies po- 
Yos y pelos quaes íbi acclamado , mas não cessou o Ca- 
lifa Raxid , que então reinyva , de lhe armar siladas ; 
e de enviar contra elle exércitos até «> obrigar a vir-lhe 
prestar obediência , e conservar^se na sua Corre , até que 
morreu enven)snado : a Soleiman para o Egypto , o qual , 
logo que alli soube da sua mbrte, pàrtio fmra a £thíã- 
pla, daqui pára a Efriquia^ e desta para Telemessan, 
aonde fixou a sua morada , reinando já então na Man« 
rítania seu irmão Edris; é alli teve crescida prole, e 
grande fortuna ; e tendo falecido nella , espalhon-se a 
maior parte de seus filhos pelas províncias de Lameta ^ 
Haha , e Susselaqça. 

Estabelecido o poder do Principe Mohammed em 
Mecca , sahio ao encontro do exercito de Mahadi 4 fren« 
te de hum numeroso exercito , formado de tropas daa 
duas Arábias, Pétrea e Feliz, e de outras provinciasw 
Encontrados os dous exércitos em Fag«ge , lugar distaii^ 
te seis milhas de Mecca » no <lia sabbado oito do mex. 
de Dul-hej-ja do anno 169 (7S6), houvç entre elles 
ituoEi obstinado 9 e porfiado combate \ no qual foi mor* 



(IS) 
to O Príncipe Mohíinimed, c o 5eu exercito desbaratado^ 
ficando grande multidão de gente morta no campo da ba* 
calha ^ e privada de sepultura , por ser grande o seu ni^- 
mero, até que foi devorada pelas aves, e feras, e fugin- 
do o resto. Tendo escapado «Ebrahim, e Edriz, irmãos 
do Príncipe Mohaqfimed / partio o primeiro pára Basra 
(Bassora), na qual se conservou combatendo sem cessar, 
os seus inimigos até que foi morto , e o segundo escapou 
<)bcultD na Arábia Pétrea ; e intentando passar á Mauri*- 
tania , sahio de Mecca , e chegou ao £gf pto acompanha- 
do do seu pagem Razed , aonde então era GovernAdor 
de Mabi^di Alj, filho deSoleiman Alahaxemi. Proseguii»- 
do elles o aeu caminho , encontrarão huma casa d^ kdl^ 
construcçao, e arquitectura, e pararão a obsierv^lla, e n 
admirar a belleza da sua estructura. Sahindo então deUg 
seu dono, lhes perguntou, depois de os saudar, a que H* 
ies corresponderão , qual era o motivo de repararem para 
flqueila casa. Gostámos , senhor nEien , lhe respondeu Ra^ 
xed , dá sua ezcdiente oonstrucçâo , solides , e figura^ 

Parece-me , que sois ^trangeicos , disse eacâp o fdor- 
AO da casa. Por certo , que assim fae , lhe tornoi; Raxed : 
de que região ? da Arábia Pétrea : e de que paiz ? dé 
Mecca. Descendereis acaso vós dos sequazes dos Hassa» 
flim^ que escaparão do combate de Fag-ge? Quizerão 
negar-lfae que erâo , e occultar-lhe os seus intentos ; ma€ 
fendo divisado nelle bondade, e virtude, respondeu^be 
'Raxed : como a tua figura 4ie Bella , e o ceu semblante 
tão agradável, não poâeri6 as tu;i« obras deixar de ser 
correspondentes ; e por iíiso me pai«ce dever-te armiMiciar 
donde cornos , e -quaes são os nossos intentos. Piomettefr- 
nos guardar segredo ? sim : jin*o-vos pdlo Senhor de Meo- 
ca , que heide occultar os nossos ioíetitos , ^i^uardar os ros^ 
«os segredos, e empregar toda? st^ miivha^ forças no sne- 
f horamento da 'vowa sorte. "Sendo este o conceito , lOuc 
me deves , e coifando em <iue 9mw ?hasde obfar , Ibè 
Wrnou Ha^xed , por rsso 4e declaro , ^pue este he Edriz , 
^W»} Hle McAommed , €lho «ée Abdaílai , íãho dt Hassaa , 



(i6) 

filho de Al-hassan , filho de Aly , filho de Abu-Taleb ; 
e.eu o seu pagem Raxed : fugi com elle, dirigindo-me 
á Mauritânia, pelo receio de que o matassem, oocegai , 
e applacai o vosso susto, lhe tornou o dono da casa, por- 
que eu sou também dos sequazes , e familiares dos des- 
cendente^ do Profeta ; e por isso empregarei todas as mi- 
nhas forças em defender os seus direitos: nâo temaes pòr 
tanto , nem vos entriste^aes , porque estaes em segurança ; 
eintroduzindo-ospara sua casa, nella permanecerão algum 
tempo por elle bem tratados , e estimados. Tendo Aly , 
filho de Soleiman ^ e Governador do Egypto , íioticia del« 
les , mandou chamar o dono da casa , eni que estavSo 
hospedados, e lhe disse: £u tenho noticia de dous sujei- 
tos, que tens occultos em tua casa : o Miramolim (o 
Príncipe dos crentes) escreveu-me, ordenando-me , quepp- 
cure os Hassanins, e faça diligencias para encontra-los; 
e mandou pôr vigias pelos caminhos , e piquetes nos con» 
fins do paiz, para que por alli não passe pessoa algu- 
ma , sem primeiro se conhecer , e saber com certeza o 
seu estado , e descendência , donde vem , e para onde vai : 
e como eu abomino expor o sangue dos descendentes do 
Profeta ; e que por minha causa lhes sobre venha alguma 
desgraça; tu, e os teus hospedes tem a minha protecção, 
e segurança: vai por tanto ter com elles, certifica-os des- 
tes meus sentimentos , e dise-lhes , que saião dos meus 
Estados, antes que Mahadi tenha noticia delles, e fiquem 
fòra da minha jurisdicçâo; e para isso lhes assigno opra* 
zo de trez dias. Tendo hido o dono da casa dnr*Ihes Io« 
go esta parte, tratarão da sua sahida para a Mauritânia , 
para a qual jornada o mesmo sujeito lhes comprou duas 
cavalgaduras, e outra para si , e lhes apromptou provisão 
suflíiciente até á Efriquia. Disse entáo a Raxed : Vai tu 
com a equipage pela estrada Real , e eu hirei com Edriz 
por hum caminho escuso , que sei não ser frequentado ; 
e o lugar da nossa reunião he a Cidade de Barca , aonde 
te esperamos, porque alli ja Edriz está livre de o procur 
rarem. Raxed approvou o conselho, e partio com.aequir 



(17) ; 

pagem pela estrada á maneira de negociante ;> Edrlz aahio 
acoftapanhado do Egypcio pelo deserto até Barca , aonde 
íizecâo alto até chegar Raxêd ; e tcndo-Jhes elle renovado 
os provimentos sufiicientes , despedio-se dcHes , e partio pa- 
ta o E^pto. Edriz sahio também com o seu pagem Raxed 
para a £friquia fazendo grandes jornadas até chegarem á 
cidade de Cairauan , donde partirão alguns dias depois com 
intento de passarem a Sussdaquessa , que he a parte mais 
Occidental aa Mauritânia. Como Raxed era animoso, ic- 
trepido^ resoluto , judicioso , religioso, e fiel aos descen- 
dentes do profeta ; por isso dirigio toda a sua attençâo pa- 
. ra Edriz ^ e q vestio , quando sahio de Cairauan , com hum 
roupão de áspera lã , e hum turbante grosseiro , tratando-o 
como se fbssc seu aiádo , e dando-lhe ordens , e contra- 
ordens, tudo a fim de melhor o acautelar, e guardar, o 
que continuou a praticar até chegarem a Telemessán , (a) 
em cuja cidade aescançarão alguns dias. Tendo partido 
^aqui para Tanger, (è) passarão o rio Maluia , e entra- 
i^o no paiz de Susseladena , o qual se estende defde este 
fio até ao de Morbea , o mais^ fértil da Mauritânia , por- 
. que Susselaquessa se estende desde os montes Atlânticos 
até ao rio Úadcnun. Chegado Edriz cdtp o seu pagem 
á dita cidade , a qual entlo era a metropoli , e principal 
cidade do paiz da Mauritânia., por ser a maior, e mais 
antiga, da qual ja fizemos menção, assim como de quem 
a edificou , na nossa grande iiistoria intitulada Níz-batol- 
bossitãfi fi-agbar-zaman (c) amenidade do jardim a res- 
peito das noticias do tempo , demorou-se nella alguns diari 
c como alli não encontrasse o que desejava , dirigio-se á 
cidade de Ualila, metropoli do piaiz deZarahon, a qual 

C 

— ^————i— —■^■— —>♦——— ^■————i^ II ^ .. ■■ ■ — ■— ^— — ^— — — 1— ^— »■ 

(á) Conde chama-lh^ Telencen. Destas isiperfei^òcs appircem em 
^asi todas as suas yginas. 

(ii) Conde ahera esta or^^So, dhendo: Dac^ui entrarão emTanja, pas« 
saion e) rio Ifuluía hasta &c. 

(O ^^ ^ Jnaicrtfs diligencias em Fei , Relate , SM , Tetuso para cn- 
eootrar, comprar, eu ao menos ver esta frande biatoiía; c nfio me foi pos- 
sifcl. A oicaDia tem feito outros , c debalde. 



Sdiio fime demedum gnmdnu , erâ Aitil , «mito «ínmi- 
atM» dc' agoas , plantas , € cliTacs , e cercada de Jhsrai 
maniha ek? ada y e de conatmccfío asciga. Tenda-«e fidrit; 
«nresentado a Abdel4iaiiikl AlâMcabi AiauMtault , S> 
mor da oieraia cídad« , eic« o recebeu beiigMiiieate , e 
tracem cooi benefioeucia ; t informado |)or efle das 
imcncoa , r da sua desceodeada ^ vMdesccmku com 
Imapedoa^o em sm casa , e dedicou^se « aonri4o , « 
dar dos teas interesses. Sendo passados seis meus desde 
ft entrada de £driz na Mauritânia^ 41 quai êx no primei* 
to de Rabia*4aual do atino 17^ (7<8 )^ e sua nesiden* 
cia na dita cidade em casa de Abdei4ianiid até ao orín- 
típio do mei do Ratnadan, coâgregon entno AbdeM»- 
«ttd os seus parentes, eas tribns deAuraba^ elfacsoNB- 
SDUiucon a descendência de Bdriz^ eparentescocomopi»- 
ftta, assiM tomo a soa bondade, religião , e aggi*endo 
de peffeitas qualidades , osquaeS ibe responderiío : A Oeos 
aqa dado o louvor, por no^ deparar, e nos krarar 
tcmn n soa piesença : eHe he nosso amo , e ods aomoe 
«ens serros, e pôr âe daremos a vida. Qne <|ucre8 de 
«lán f que o acdamenos : Sim : obediente e pnm^^ime»- 
te ; poif não ba entte nds quem obste i sua aoclani»- 
tíb, on a nSo fitetra. 



C A P 1 T tJ L O TL 



E 



Soire a acclamaçSo de Eiriz L 



miz, (Hho de Abdaliah , kc foi acdamado 
Ualila, cidade da Mauritânia no dia sexta feira 4 do 
nrez de Ramadan do anno 171 (789 )• A^ xribus da 
província de Auraba ktio as primeiras-, que o acdar 
maráo , para ette as governar , e dirigir nos sens negó- 
cios , interesses , guerras , e mais disposiçòes. Nesse teilH 
pò era Auraba a maior pfovincia da Mauritânia / a 
inais numerosa, e a de oiator valor ^ animo ^ e constan^ 



da. 'VieAa apresaitar-se-fte depois as trihm à» provliM 
cia de Zanata, e dirersas ounas de bárbaros , taw com. 
mo Tamfít , Zanana , Lemaia , Leoata , Saddafara f, 
Gaiaia , ^fafza , Maquassa , e Gamouifa , as qoact tm« 
dò^o acdamado^ c cmrado debaiio da sna obedkncia,* 
comborafão-fc por isso os seus ncgcdot , e fadicov-se. 
o seu império. Tendo-lhe finalmente chegado tin-Eat de 
homens oe todos os países, com o qae se firmou osetf 
dominío M Masndrania , organizoo him numeroso exer^ 
cito das províncias de Zaoata , Auniba , Sanabaja , Hau^H 
fa , # owras tribos ^ 4 frente do q«a) marchou a atacar 
o pai2 de TamesNiá; e accomettendo primeiramenie m 
cidade de TktWSty a etpagnotf, e svccessivameme a lô- 
db 0^ ^it» donde Aavchou depois ^para o pak» de Ta« 
èt\^ j cujw cs^^eHos , t fonatesias coiiq«ísfoir r e téth^ 
os habitantes do difo pahr erfo* Chrísfãos ^ e ]íÊÍtt% » tf 
imiifo pontos os mosseietnanos ,, converfen Mdò$ ao Mo^ 
bammetismo , e regressotr para Ualíla , m qual entro* 
nos fins db mez de l>n)*6e]jap do meneioBado anno. Teiw 
do^sc alli demorado roífe o met de Moharranv , príme»^ 
ic^ do afltio lífi^ { 7S9 ) , para dfsr algwm deseãn^O' é 
stfa^nfe, ss^ííK) a» subjugar os bárbaros, <}iie re^fsi^fe^ 
ns^ Maurifani» , e Yi»tíJo no C^fisfitfwsmo , judaiítDO , é 
majOciMié , íottiUi^iús nos^ as^JlcSs do^ tnonres , e csfSfeJfoe 
jnacee^sivd$ ; e nao ttttàu ik às combater ^té efat z^f^ 
ftfSo. voínmârfe, on íwvoriimariíimftfte o niòbammetiínw; 
t os me áe reeni^râo , fotSe iticrtos , ta eupti^*, e o* seiíí 
tfjMfflfèlr, e faiííes dt^sfrtridos, ^cndo d^í!^ ntínicfc í(i fóft^ 
tet^^ é? Fánd^I^oa , Madiuna , EabaluFá , Cth^ , Guíafe , 
ê a périf àéfòtâs. Rt^grcssamío dçpoii part Uílife, na*()ii^f 
en^mir *o me^do dè me^ de JniiHadjI-á^tref dé mwmè a** 
<6 , e cottíeíifâfld6-5e nclfe até so mesd^ d^c^ í^urnte ftíe*, 
éé Kágeb , p*T^ dAf aígimr repcBi* í s*a ftOpa , siAiià no» 
fMneiffe á atílcíír a cídet^ de T^If yfiwí^n , t é* ín^ti^ 
dvM , ííjne té]h( rç^iáiJfer , éirtf tf iftní de Magtana , e Be- 
iMfeMM*. Tendo efregadto á dhs eidadê, e aeampa^do Mill 
WÊhí y ¥tíB k^gor a|lMSUiftf-sC-]be o seft* PHÉtipe" M^tatt^ 

C a 



ired, Ben-Gazâr, Beií-Sula Almagrauense Alga7fense ^ e 
lhe pedio segurança, e paz, a qual Edriz lhe concedeu» 
Acclamado este por Mcbamined , e por todos osindividuos 
das tribtis de Zanata , que com elle resídião em Teleoies- 
'san, entrou Edriz na Cidade pacificamente, prestou se- 
gurança aos seus moradores , e edificou solidamente a sua 
mesquita còm o seu púlpito , sobre o qual gravou a seguin** 
te inseri pçâo =: Em nome de Deos Clemente « e Misericoí^ 
dioso. Esta obra foi mandada construir peio Príncipe Edriz 
DO mez de Safar do anno 174 ( 790 )• 

Tendo chegado á noticia do califa Raxld , que Edriz 
se achava Senhor da Mauritânia, e acclamado neila por 
todas as tribus ; e que também tinha conquistado a cida« 
de de Telemessan, e edificado a sua mesquita ^ einformao- 
do-se do seu estado, e grande numero, e valor das suas tro* 
pas , com as q[uae8 se propunha a atacar a Eíri^uia , re- 
ceou, que engrandecendo-se o seu poder, se dirigisse con- 
tra elle , por saber a sua bondade , è perfeições , e a ami- 
zade dos povos para com os descendentes do profeta ^ do 
que conceoeu a maior tristeza : e dando-lhe isto \> maior 
cuidado, mandou chamar a lahia , Ben-Galed, Ben-Barmaq, 
.seu Ministro encarregado dos negócios, e bem estar do seu 
Império , e lhe communicou as circunstancias de Edriz , 
dizendo-íhe, que este era descendente de Âly, Ben Ábur 
Taleb, e de r a tema, filha do profeta ; que elle tinha ea« 
tabelecido o seu Império, e augmentado o seu exercito; que 
o seu nome se tinha divulgado; que ja tinha conquistado 
a cidade de Telemessan , huma ^ das portas da Efriquia i 
e que aquelle que era Senhor da porta , fácil lhe era a en« 
trada para o interior da casa, á vista do que intentava 
enviar hum poderoso exercito a combate-lo ; mas que pen- 
sando na distancia do paiz , e em tâo prolongada jornada 
desde o Oriente até á Mauritânia , assim como na impos-^ 
sibilidade dos exércitos de Eraque poderem chegar ao dita 
paiz , se achava suspenso acerca da execução do seu pro«i 
jecto : e como estava solicito â este respeito ; por isso -lhe 
pedia o seu parecer. £ú sou de parecer, ó rqocipe do% 



• •* 



(II) 

crentes» lhe respondeu Tahía, Ben Galed, q/M envies hum 
sujeito resoluto 9 astuto, sagaz, eloquente, audaz, e atre- 
vido a matario ; e ficarás assim livre delle. Approvo o teu 
conselho, mas quero hade sçr elle ? Eu conheço , 6 Príncipe 
dos crentes ) humano meu exercito, chamado Soiaiman, 
Ben-Jarir, dotado destas , e outras qualidades, que pode- 
mos mandar. Bem : trata lá disso. Sahio o Ministro em 
busca delle , e o informou dp Intento , e do que queria 6 
Príncipe dos crentes , promettendo-lhe ao mesmo tempo al« 
tos empregos , e dignidades em premio deste serviço. Ten- 
*do-Ihe dado avultadas sommas , e preciosos donativos , e 
provendo-o de todo o necessário , sahio Solaiman de Bag«. 
dad , e apressou a sua marcha , até chegar á Mauritânia , 
e foi^^se apresentar a Edriz na cidade de Ualila. Depois de 
o saudar, pergu(||ou-lhe Edriz pelo seu nome, e genealo- 
gia , de que paiz era , e a causa da sua vinda á Mauritâ- 
nia , o qual lhe respondeu , que havendo sido hum dos fa- 
miliares de seu pai , sabendo onde estava viera com o ia- ' 
tento de o servir pela amizade , e aiFeiçâo , que consagra- 
va á familia do pjrofeta , á qual ninguém igualava , nem se 
podia comparar. Acreditando Edriz as suas expressões, ale- 
grpu-se muito com elle . o qual se senhoreou tanto de seu 
coração, que só com Solaiman podia comer, e somente 
oelle descançava , por nâo ter encontrado outro na Mauri-», 
tania, com quem tratar familiarmente, o que provava bem. 
a ignorância , ç rustlcidade dos seus povos oàquelle tem*^. 
po. Depois que Edriz collocou a Solaiman em elevado In-, 
gar, por conhecer a sua sagacidade , civilidade , graça , e 
eloquência, principiava e^te a fallar, quando Edriz «se as- 
sentava entre os chefes dos bárbaros, e magnates das trí-- 
bus , e a referir as virtudes dos descendentes do profeta , e 
a grandeza das suas bênçãos , trazendo para prova o go« 
verno de Edriz, que elle asseverava ser o único Soberano, 
o que demonstrava com argumentos tão claros , e provas 
etextostão terminantes, que Edriz se admirava, da sua 
eloquência , fecundidade , ^ conhecimentos na arre de dis- v 
pittar. Posto que Edriz o tratasse com beoevolcncÂa , e ami« ;^ 



mAt^ ÉÊê êêhsm cem tudo Seiàifmn át praforar mm:^ 
ôde*, e empfFCgv trtfMfd^mas para o-mararv mas nfo ae 
Ifte propeftionaTa mcmÍo opporr«na por cauc» dt> seu 
fagtfli Kaxed, que o nâo deixara , nem ddk se separa-» 
r*. AtfaentamxMe cooi nido e$re bum di* por niorivo de 
cerfoi sfgocÍOT eâfioo Sol»finai>; e rendo escomrado^ » 
Edriv ai^^ afssenimMt dknte deste, e poserâo-se a coii*» 
¥cMnp M ^nM' do seo cc«tunic« Cocno n3ia diriMase ?ef- 
líjgiôe AeRaxeií, «ppmmfou a occasiSo, e HtíK^oa-se da 
fl» auaeseia , e diase a EdVtz : Tendo- eu ffaaidocoinmigo do 
Orieme Ihfim redoma àé bálsamo para me perlarmaf , e 
fsiaeryaiié» ^ o^ mSo ka n^ste paiz , he ào meu derer Mm 
tepo^fe ^ e prefcnf^te a mim mesmo , porque o Soberano 
le intie merecedor dbHa p;?ra se perflmiar : digna-fe pof 
nrM& aceita-h'. Edr» a tomo«F, e depfía de lhe dar of 
tg^adechnentoa , abfk>-a, e eheirou-a. Vendo Sòtaiman',» 
q«e ftttfaa eonsegaido o seu inrenro, e e^n^plctado» as sua? 
maqmnaç6ès, levaneoo^se , ^ahio emf ar de htr fntçr tttga^ 
ím oeeessidaifc ^ eparriopara sna ca$a , aonde montoa hui» 
Jltetw e velosf eavaIfo»> que tinha disposto paraíasò^ea»' 
Itio de C^lHia procoraíldio escapar-^se. 

Como o balsamb dta redoma estata envenenado , so-^ 
ftier y e penetrou o veneno ô cérebro de Edfiz , e perfnrbai)^ 
do^ , eahio com a fcee em terra , áem ninguém saber , oy 
{MifCebef d qae rinha, nem o que Iheaeonreeera. Infefma*^ 
êò Rafeddeflil déKqim , correu apressadamente; e quandd^ 
^^gptíf J9 o eAeontn>u a acabar, e a daf o ultimo snsp^ 
m, tem podef aithnflar pala rra. Assemado à $ua eabecei^ 
fa, eattttnittf dfe »! aconfecrmcilto , sem saber o que EdHz 
itraa , metifif cwne fantô^ Sol^man terreno de permeio. Per- 
maneceu flesfc estado Edrít até aô p&t do soí db dia prí»^ 
meiro dò rtitz de Rafeialáguer dò anno fyy (7^?)', ^ 
qcM fafecen , fendo de reinado f annds , e f me^ea. ¥ú^ 
lôv-se diversamente aobfe a eausâ da aift itrorte^.pdfque 
aegundb hufts fbt pr6eedlda do ¥enem) dier redbma-, còmp 
ae acaba db reAn^if ; segutfdo outros de veneno submirtt^tf^ 
IV Ml' iiHifi* ÉíftFf e seguinw^ Mftfes ttít bunt' péiítí iMM^ 



< *J ) . 

» , f 01^ fe ipieixtya 4a8 gtnffns. Jkm hs que abe 
« cefteu âmo. 

Deitou de Edfjz ^ter falecido, recordou-se fi^UDcd de 
Soiaioiaii, « «So, o tendo encontrido mandou ptooura-ito» 
Ififormide cntâo , de que ia daili dittava mukas «Uhaa^ 
a ^ue o ^coftificou de ser elle queoEi eRveaeuou o SobeiaiMi^ 
moetou com «raiide ' multidão de barbaras a procura4e. 
Tenda apressado a sua cnarcka em «eu ae^iáeieata 4od|i 
jquetta fioite » deitando airaz oê ^itos barbaras ^ ^d tile # 
alcaagp» aa passagem do do Mdiiia i e ^isatido-lbe , àeth 
«arrcgo« sobre elie a sua espada , omu 41 ^al ihe ^ooitou « 
jrào díreira^ e il>e deu trez cotiladas sa cabeça^ c^imb 
4nurM á^rklas no oorpo; mas nenkma <iellaa foi «oitai. 
Caaçado o cavallo de Raxed , eaca|)ou SdaÂiMfi , e cji«- 
^ou a £raque ( Babylonia ). Algumas fessoas «derâo aotíoíà 
de o lerejn visto em Bagdad coei a oâo diceka cortada^ 
e com aa feridas da cabeça e coi^o Ja curadas. Tendo Aa^ 
xed i^ressado para UaliJa depois de seguir a SoLaimaa^ 
Be« Jarír, priocipiou a cuidar do fm&:sl de £drÍE. Ilkepots 
éc olaTar, amortalhar; e encommendac^ «aepukou eoiSa-* 
bara Rabeta defronte da sorta de Ualila , para os povoa ae 
abea^oarcm com a terra 00 seu aepuloro. Deos tMba áAr 
le Ataeiicordia , e Uie se}a benéfica 

Edriz náo deixou filbo algum ^ qeaodo AdeceH, tnaa 
aun huma ooacubJTia pejada. MohaaMtted, fiUio de Abdcir- 
maleq ^ ftlbo de Mahtnúd Akiaraq , ao sen liiM i ii rit i á a l t 
Áimoqiiebasse , e Albornosai , Albaqueri , t OMoSi, ^e<a»* 
creverão ^obre o reinado dos Edriittas ^ dÍMoi» ^e m9mm* 
cii^e Edriz , Boa Abdailab ^ i^^ando faleceu , mtm 4éíKmm 
uiccêsiio , mas súm inima oonoubiae «deUe ^qe^ • chaaaa- 
da Canza, e descendente dos bárbaros, no septimo msà 
da sua gravidez; e que Raxed, depois de ter concluído o 
funeral de Edriz , congregara os Chefes das tribus , e magna- 
tes dos povos , e os informara disto mesmo, accrescentan- 
do , que se lhes parecesse , espera rião que ella concubina 
desse a luz, e criariâo a criança, porque se fosse menino^ 
o acclamariáo, quando chegasse aos annos da puberdade , 



t^. — ■. 



para se abençoarem com a fâmilia, e descendência ãa*. ca«- 
sa do profeta ; e se fosse menina , então considerariâo,- e 
cscolheriâo quem lhes agradasse jpara os governar. A isto 
responderão elles : O nosso parecer , ò respeitável ancião , 
he o mesmo^ que o teu. Como nós te temos em lugar de 
Edríz, tu és quem nos hade governar em seu lugar, quem 
hade presidir ás nossas òraçòes ,' e quem nos hade julgar ^ 
como prescreve p alcorão, e os seus cânones até dar a íus^ 
a sobredita concubina , porque se parir Infante , cria4o*he* 
mos y e o acclamaremos ; c se menina , então deliberarei 
xnos } pois tu étf o mais di^no de nos governar pela ttfa 
bondade, religião, e sabedoria. Raxed lhes deu os agrade- 
cimentos , e os despedio ; e tendo-se elles retirado , iicouKis 
governando até que â sobredita concubina completou os 
mezes da sua gravidez , e deu á luz hum Infante inteira- 
mente parecido com seu pai Edrlz. Sahindo Raxed a ap* 
presenta*lo aos Xeques dos bárbaros , logo que o virão , 
disserfo : Este he o mesmo Edríz : parece que não morreu; 
Poz-lhe Raxed o mesmo nome , e continuou na regência 
do Infante, e dos bárbaros» até elle estar desmammado, e 
chegar á idade juvenil , que cuidou em dar-lhe a melhor 
educado, fazendo-o estudar o alcorão, e ensinandorlhe 
as leia, e a sciencia das cousas divinas, as bellas letras, 
08 ditos e ae{6es do profeta » a poesia^ os provérbios dos 
Árabes , e o seu regime , a politica dos Soberanos , e a sua 
administração, a mstoria aos povos, e a sua duração, a 
arte dá cavatlaria , e do arremesso das settas , e os estra^ 
tagemas da guerm. Depds de instruido em tudo isto , e de 
ter com|rfetado onze annos de idade, fe-Io Raxed accianur 
pelas tribus da Mauntaaia na nwsquíta da cidade de Uali* 



<^n 



CAPITULO III. 



De rehaâo ãe Edrif& IL 



N, 



ASCEU Edriz da concubina Oinza ^ natural de Nafe- 
n 9 no dia segunda feiía três do mez de Ragcb do aono 
177 ( 793 ) , e se appellidou Abu-Cassem. Parecia-se com 
seu pai: tinha cAr branca , e rosada, pestanas negras, ca- 
belio crespo, estatura perfeita, semblante formoso, narÍ2 
aquilino , olbos galantes , hombros largos , pes e mSos gros-, 
aas , e dentes fSilos : era elegante, eloquente, erudito, in* 
stniido no Alcorib, e observador dos seus preceitos, expo- 
sitor dos usos, e costumes do Profeta, intelligente nas 
adendas divinas, e humanas, no licito, e illicito, e na fa- 
culdade de sentenciar , temente a Deos , piedoso , lib eral , 
e generoso; valeroso, animoso , intrépido, sagaz, firme nas 
suas resoluç<$es , e inalterável nos nerocios mais importan* 
tes. Daud, filho de Alçassem, filho de Abdallah, filho de 
Jaafar Alaurabense , fallando a este respeito , ezpressa-se 
asnm : Estive presente com Edriz , filno de Edriz a al- 
guns ataques contra os barbares rebeldes, os quaes erao 
em numero triplicado; e tendo*se aproximado os dous 
exércitos , apeou-se Edriz , pprificou-se , e orou fiEKzcjido 
prostrações; e depois de invocar a p^Sr. Excelso , tornou 
a montar no seu cavallo, encaminhou-lse ao lugar do com- 
bate y e atacámos vigorosamente os ditos bárbaros. Conti- 
nuando Edriz a ferir sem cessar a hum , e outro lado até 
alto dia , voltou então ao -seu estandarte , e fez alto na sua 
frente; e como o combate não cessava, fixei em Edriz a 
minha vista*, e perseverei a ^ob$ervar con^o dle daquelie lu- 
gar inflammava, e animava asna gente: eadn^irado do va- 
lor, e coragem, que nelle divisei , me aproximei a obser- 
va-lo. Elle me perguntou então : Daud , que he o que obser- 
vas^ que movetancoa tua a^tcocão para mim ? Tenho adml- 

O 



rado , lhe respondi, 6 Principe , certas qualidades em ti^ 
que em nenhum outro tenho visto. Quaes são ellas? Â tua 
belleza , formosura ^ coragem , desaííFronáamento do semblan- 
te, e particularmente o desafogo e satisfação, que mostras 
á vista do inimigo, rfo as principaes. Tudo devo, lhe tor- 
nou Edriz, áj bênçãos de meu avô, ás suas rogativas , e 
oraç6es feitas por mim ; e ^Ío herança de meu pai AÍf ., 
filho de Abu-Taleb, ée feire memoria. Observo lambem ^ 
òiVincipe, que cospes a saliva junta, qnmdo eu nâo a 
ancòntfo aa miaâia bocea , e a tenho «oca. Isso em mim 

Cxede do meof sooego de espirito , e intrepidez nos com» 
tea , lhe respondes Edriz ; e em ti do desassocego do e^ 
prritD, e do temor que te domina. Não posso também dei« 
zar de -admirar, prosegoio Daud , o teu continuo snovimeB* 
fo na seHa, e a pouca persistência «lo mesmo lugar. A rar 
dáo disso , lhe respondeu elle , he o meu desejo de oombi'* 
ter, e a minha intreptdee, e valor, qualidades essenciíea. 
para a guerra: nSío penses por tanto, que he temor. * 

Tendo Ben«Aglab , Governador do Califa Haxtd na 
Efrtquia escripto a Babalul, íilho de Abdelua)ied, criado 
4e Edriz, e homem de grande cabeça ^ntre os do seu po* 
ipo , corrompido-o com émheiro , e artrahidoo ao seu parti- 
do a ponto de acdamar a Raxíd : como o Príncipe n^driz 
era bom poeta , escreveu-Ihe em verso a seguinte carta : Ah ! 
Bahalul , que te apartaste do caminho recto trocando a ini- 
quidade com a reaidâo : seduzio-te Ebrahim , Ben Alagtab 
n da distancia dé'^âa casa , e amanheceste Governador sem 

gvemo; conto se n^o tivesses ogvido as maquínaçòes de 
n Alagtab -, e que ette perdeu com dolo todo o paíz. Em 
fim tu ficaste inutilmente manchadb, e Ebrahim contami* 
nou-t^ com os espinhos àít alquitera. Foi Visír do Principe 
Edriz Ben Mossaad AlazedT, seu juiz da Lei Amer, filha 
èe Mohamms^ , filho àe Said" Alaquessi , eSecretario Abul- 
hassan Abdallab, filho ék Maletf Alansaft. Tendo o Prín- 
cipe Edríz completada onze arnios e cinco mezes de idade , 
tratou o seu pagem Raxed ês o fazer acciamar pelas tríbna 
doa biilNU«> e ntia poto» da Maffettania. lo&ànado <Usift^ 



filMlliim, Btn Aliglab» Goventtdor dâ Efiriquit; ma^ut* 
iMNi a morte àt Raxed , enviando 0€ciilfíinieiite certa pesooa 
a offiereoa creacidaa aôinmas aos bárbaros, teus familiares) 
« sesdo^ae detudo estes subornar , o imitarão , o que aooiH 
atceu no anno i88 (805). Succeden-lbe no regime de Edria 
Abii-Galed lazid, Beo filias Âlabeds, o qual a fn acda-* 
maf por todas as trtbus dos bárbaros , seji^undo refere Ab» 
delmafasq Alauaraq na sua bistoria , no dia aexta fetfa príh 
meiía do mez de RabtaMaai do mesmo anno, sendo entitt 
Êdrias de idade de i c aaaos e ; meii^ 

Albaqueri porém , e Albomossi dizem , âtie Raxed 
morrera depois oe ter feito acdamar Edriz na Mauritânia 
Bor todos os bárbaros no dia sexta feira 7 do mez de Ra» 
Dial«áuai da sobredito anno (19 de Março de 804) , o qual 
flsostiara na idade de 11 annos tanta agudeza, perspienetá, 
jmzo 9 e eloouencia ^ que fazia pasmar a nobres , e plebeoe } 
t que naquelle mesmo dia subira Edriz á^ tribuna ^ e falam 
ao povo da maneira seguinte :^ O louvor sc^a dado a Deos : 
eu o kwvOy e invoco, nelle confio^ e paira elk me fefiigã>^ 
a im de que me livre das más tentações , e de todo o ge* 
sero da males. Confesso que só ha hum Deos ; e que Mo- 
hammed he seu servo , e Profeta , annunciador , pregador , 
e Gonvocador dos seus sequazes para o mesmo I)eos por dia* 
posição sua , e candelabro luzente, ao qual o mesmo Senhor 
seja propicio , e a todos os seus sequazes , epura descendeu- 
da, abrando delles a impureza, e purificando-os« Nós, 6 
gentes, fomos certamente devados a este emprego para dt>» 
pHcarmos o premio aos bons , e o castigo aos máos. Sendo 
este com o favor de Deos o nosso intento^ nâo sujeiteis a 
vossa cerviz a algum outro , porque , o que procurardes a 
respeito da observância da justiça , só em nós o encontra«- 
reis. Terminada esta prática convocou os povos para a sua 
acdamação; e os instigou a prestar-ihe obediência com 
tanta eloquência, engenho, força de espirito, e firmeza de 
coração , que se admirarão em razão da sua pouca idade. 
Logo que elle baixou da tribima , procederão i sita accia* 
maf ao , e cofxerão á porfia a beijsr lhe a mão. Tendo sido 

D z 



acclamadopdas tribus dê batata, AurabaVSanaliaja ,Xhm!^ 
siara , e <ftitras da Mauritânia , e concluída esta ceremooía , 
morreu pouco depois o seu pagem Raxed. Deos he que sa« 
be a verdade. Sujeitos aoPrincipe Edriz os povos da Mau<% 
ritaoia, estabelecida a sua Soberania ,, augmentado o seir 
IiAperio > reforçados ú$ seus sequazes , é as s«as legitiçs , èa«. 
grandécidos os seus exércitos com chusmias de homens , que 
de todos os paizes corriáo a apresentar-se-lhe , entreteve-se 
o resto do anno da sua acciamaçâo em distribuir donativos^ 
receber os ^ue se lhe vinhâo apresentar , e em angariar , e 
áttrahir a- si os Xeques , e principaes magnates. Tendo vin« 
do apre8entar-se4be no anno 189 ( 804) perto de jroo c»* 
valleiros Árabes daEfriquia, eHespanha dastribus de Cás- 
sia , Alazed, Madejah, Beni-ihasseb^ Almassedaq, &€., 
alegrou*se Edriz com elles , pondo-os ao seu lado , e levan^ 
doK>s ás primeiras dignidades, e tratandoK» familiarmente 
com preferencia aps bárbaros , que 'então afastou do seu Ia* 
do, entre os quaes tinha virido solitário sem Árabe algum. 
Nomeou a Mossaab Alazedi seu Ministro , o qual era hum 
dos principaes cavalleinos Árabes em razão, de seu pai ter 
aido celebre na Hespanha , e assistido a muitos combatet 
na mesma Hespanha contra os Christâos; e a Amer, filho 
de Said , filho de Mohammed Alcaissi , natural de Gailan , 
juiz da lei , por ser homem virtuoso, e temente a Deos, o 
qual depois de ter estudado com Maleq , e Safiaan Alturi 
com grande aproveitamento, tinha passado á Hespanha » 
eoipregar-se na guerra de religião , donde regressou i Mau- 
ritânia , e se foi apresentar a Edriz com os outros Árabes. 
Como cominuavâo a virose apresentar a este Arábes , e bár- 
baros de todos os paizes, e se augmentava a populaçáo, 
estreitando^se com eiles a cidade deUalila , observa ndaEdríz , 
que os seus negócios tomavâo huma marcha regular ; que a 
seu Império se tinha estabelecido , e o seu erercito augmç»» 
tadd, e que Uaíila se rinha apertado, tratou dirse mudar 
delia , e edifica» huma nova cidade , em que residisse com 
08 seus criados , tropas, e oortezSos; e para este fim no an- 
uo i^ {Zo^) aaluo nontado hum dia com estes a prop 



( *> > 

cirar hum tetreno elevado , e espaçoso. Ten4p chqgado zú 
monte Zaleg , e gostado da sua elevação , boa qualidade àè 
terreno^ pureza oe ar, e muita cultura, marcou o sitio pa* 
ra a ^cidade no declive do dito monte do lado do Morte e 
àêa principio ásua edificaçáo. Conscruida parte da muralha ^ 
baixou buma noute do cume do monte a enxurrada , e des« 
truio quanto se achava edificado , levando as barracas , què 
estavSo ao redor, e destruindo muitas das sementeiras. Ven« 
do Bdriz tal estrago , suspendeu a obra , dizendo , que não 
convinha tal local para a edificação de buma cidade; poia 
ficava exposta ás enxurradas do alto do monte. Assim ocon«* 
ta Ben-Galeb na sua historia. Gohta-se também , que tendo 
Edriz chegado ao referido monte, e subido a elle, gostará 
tanto da sua elevaçSo, e eminência sobre o paiz, que o ro« 
deava, que congregara os seus alcaides, magnates , e corte- 
zâos, e lhes ordenara , que consfruissem as suas casas na 
encosta do mesmo , o que dles cumprirão , abrindo também 
poços, plantapdo oliveiras, vinhas, ^ Qutras arvores ^ em 
quanto elle se dedicava a edificar. a mesquita, e a muralha , 
aa qual tinha edificado mais da terça parte y maa que tendo 
chuvidoem huma noute muito , Mixara precipitadamente 
a enxurrada do cume do sobredito monte ,. e destruirá tudo 
quanto se tinha edificado, e plantado, levando tudo até ao 
no Sebu , no qual perecera muita gente , o que dera meti-* 
vo a Edriz suspender a obra , e a ficar irresoluto até entrar 
o mez de Moharram, primeiro do anno 191 (806)^ por 
que tornará então a sahir á caça , e com o intento de pro« 
curar sitio a propósito para. construir a obra, que interna* 
va ; e que tendo chegado ao rio Sebu , aonde sao as caldas 
de Gaulan, gpstara daquelle sitio por causa destas caldas, 
, e da proximidade da agoa , e se apressara a construir' alli a 
cidadt;, abrindo os alicerces, fabricando a cal, cortando as 
madriras, e construindo a' obra i mas que advertindo para 
as grandes enchentes do dito rio no tempo do inverno, re- 
ceara a perdição da gente; e por isso mudara de resolução, 
suspendendo a obra , e regressara para a cidade de Uaiila > 



St (eoáa emSo éhviado o seu vízir ârtmf , fiUie* de Mdsairfi^ 
iaakl em bosca do que dese^vii , este em observaochi ét$ 
«CO imndada penetrani pelos kigares tisiâbos a iafomnr4 
se dos terrentfs , e das^ agoas , até chegar ao sitio ^ cliaan»* 
do Fafcso^afississe , acade encolbtrata hmaa espaçosa^ pfaK 
meie com copiosas agoas, ác qoa gostam j t apeando^ 
jonto de huoia fonte de crystailina agoa no meio de ver* 
dcs prados , se faivaia oeUa , e Smn a oiaçlb neiâdíaiia 
com os que o acompanhavio / iofocando dbpois a Deoa 
Aitissimo , jpara que lhe fi^ilícâssc o que Irnseava , éo>om* 
dozisae ao lugar , que maJs tàe agradasse para o seo sem* 

£; que tendo ordenado á sua gente, qoe o ficasse especan* 
joino da dita fonte até eile allí restar , a qual tomou 
o seu oome, chamando^-se dahi em diante fentede Amir^ 
de quem descendem os Beoi-Almogeram , huma das príod* 
pães fiimilias de Fez , continuara na sua investíga^o até 
chegar aos nascentes , donde dimana o rio da mesma clda* 
de , os quaes úo mais de sessenta , cujas agoas se estendido 
por aqudia fasta planície e estavâo rodeados de hum espes* 
so bosque de tamargiieiras , zimbreiras, galbanosy&c.; que 
hcben delias , e acbando^s saborosas , dissera : Estas sgoas 
s^ doces , o ar aqui he temperado , e proveitoso , e nestas 
rislnhanças ha mais campos de agricultura do que ao redor 
do rio Sebu ; que tendo seguido as correntes destas agoas 
até chegar ao lugar da cidade de Fez, e lançado a vista 
para o espesso ^ e enlaçado bosque , que havia entre os dous 
montes , banhado de fontes , e rios , e em vários titios del« 
le as barracas, em que habitavSo as tribus da provincia de 
Zanata , denominadas Zauaga , e Beni*Iadegaxe , voltara dal* 
li a informar Edriz do terreno por elle descoberto , ao qual 
encarecera a abundância , pureza , e suavidade das agoas , 
ea salubridade, e temperança do ar, accrescentando-lhe^ 

3 lie admirado do que vira , perguntara quem era o dono do 
ito terreno , e se lhe respondera ser hum povo da tribu de 
Zauaga , chamado Beni-Âlgair ; e que tendo o Príncipe Bdrhi 
Ottviéa esta exposíçfto» dissera: Isto he hum bonipresagio) 



(30 

e mandara vir á sua presença o referido povo , ao qual com*^ 
prara o sitio da cidade por seis mil derahem {a) y e feita a 
entrega do dinhcni) na presença de testtouinlias, principia- 
ra a edificar a cidade. Segundo o sentimento de outros era 
o taiteneno Jiabirado peh» duas tribus acifâa mencionadas , 
e 08 sew povos pmfessavio diversas cvenças: huas. o mo- 
hammetisiBD ,' outros o Chrístiaaismo , e outros o jpdaismo , 
ou a seita dos.Biijysseot.y a^uoal euL pri^rativa da tribu de 
Beni-Iadegaze , residente no. sitio do bairro de Andaluz , a 
qual tinha o seu conciliábulo no lugar denominado Xabiu- 
ha; ea tribo de Znaga habitava o sitio do bairro de Ca- 
fuinj mas <pie sendo 416 combates diários entfe ellas, eachaiv 
do4» o Pâodoe Edsíz^ cttandofioi ver o sitio , que Amir 
lhe tinha inciucado , ^oni^ateiido por causa de questíSes ao»* 
fase os limites do seu território, os matidara chamar, < do> 
pois de os compor entre si , lhes comprara o bosque , «oi 
fpc edificou a cidade, o qual emâo era intransitável em 
casáo das moitas agoas , arvoredos , leòes , e javaliz; « ulti* 
mada a oompra , e feita a oessão do terreno , principiara a 
edificar. DiMe igualmente , que o Príncipe Edriz comprara 
prímeinmiente o sítio do bairro de Andaluz ^ tribu de Be- 
ni-Iadegaxe peta quantia dedousmil «quinhentos derahem} 
e que tendo eiitregado o dinheiro, e la vrado-se a e^criptu* 
ffl da oompra pelo seu Secretario o Dr. Abui-hassan Abdal« 
lah , Ben-Maleq Almálequi Alansari Algazeragi no anno 
ff^i (806), viera para alíi residir, coUocando a sua tenda 
com a sua poupa no lugar , conhecido pelo nome dr Ja* 
iswaua , ao redor da qual construirá huma parede de páos € 
canas , cu|o nome conserva até hoje ; e que depois <ompni'> 
ra o sitio do batm> de Carurn i família de BeiH-Aígueir da 
tribo de Zauaga por três mil e q^iniiemos 4erabem , e ft%»^ 
tvfimn M SM edificaçiío» 



^ CaialMi^éiiMMi irrfc^ fD« tovCisiisf«n1Mnia 



(3»> 



C A P I T U L O IV. 

• 

Noticia sobre ajkndafão de Fez peh. Príncipe 

Edriz , e descripção das suas belkzas y e sim- 

guiares exceUencias y em que realça aos 

mais paiáes da Mauritânia. 



T 



KNDO sido aenifire Fez, di2 o autlior, desde a soa edi« 
£caçâo a babiraçSo das scienctas divinas , da sabedoria , da 

SzZy e da religião ; e também a capital ^ centro y e cabeça 
o paiz da Mauritânia , a qual elegerão para sua corte os 
Ediizes Al-hassanins , os Príncipes de Beniafcnm , e Mas- 
graua , e outros , que nella tem reinado depois de piopagai- 
00 abi o mohammetismo. Os Príncipes Lametunenses no pniH 
cipio da sua apparíçâo também residirão nella \ .mas tendo 
edificado depois a cidade de Marrocos , trans£brirao>se ^ara 
alii em rasâo d4 proximidade do paiz meridional , sua pá- 
tria. S€guirão«6e a estes os Muhadins , e tombem residirão 
çm Msnocos, e a escolherão para sua capital, por eftar 
próxima do seu paiz , e no meio das suas tríbus ; mas Fes 
nunca deixou de ser a primeira do paiz da Mauritânia , a 
qual he presentemente a capital dos soberanos Benimertnes, 
cuia vida Deos dilate, exalte suas acçÔes^, e etd-nize o seu 
reinado, com osquaes elle tem tomado hum elevado lugar, 
€ huma admirável figura. Contém a cidade, de Fez boaa 
sgoas, ar temperado,, boa ventilação, espaçosos e fertda 
campos de lavoura, lenhas próximas, e abundância de ar»i 
vores, e madeiras; lugare; aprazíveis, jardins abrigados, e 
pomares frondosos *, praças bem oi^denadas , ^ntcs perennes ; 
e rios velozes, e caudalosos; arvoredos entre si enredados, 
e lindas quintas ao redor delia. Segundo o sentimento dos 
sábios a melhor situação de qualquer cidade he a. que en- 
cerra estas cinco qualidades : rio perenne , campos de Ia« 
vôura, lenhas pipíumai^ ^ . amuralha bem J6brti£i^da, e Sobe- 



( 33 ) 

rano solicito do seu bem estar, e das suas necessidades, e 
subjugador dos poderoso?. Fez não só encerra estas qualida- 
des , que fazem a perfeição , e nobreza das cidades ; mas 
além destas contém muitas bellezas, quA}uerendo Deos pas- 
samos a descrever. Tem grandes campos de Lavoura por 
todos os lados, assim de regadio, como dè sequeiro ^^ e al« 

Sns delles , como nao os ha em' outra alguma cidade da 
auritania; tanta lenha de azinho, e carvão, vindo do 
monte de Beni-bahalul , situado do lado meridional da mes- 
ma, que todos os dias amanhecem ás suas portas innume- 
niveis cargas ; e he dividida ao meio pelo seu rio , o qual 
reparti ndo-se á entrada em regatos, e pequenos canaes, pe» 
netra nas casas , jardins , quintas, caminhos públicos, pra« 
ças, banhos ) e faz moer os seus moinhos; e ao sahir da ci- 
dade leva as immundicias , e impuresas das purificações cor- 
poraes; e vai. depois regando as quintas, e outras terras 
«té se lançar no Sebu na distancia de duas milhas delia. 
Finalmente a agoa do 'sobredito rio he a mais excellente 
do mundo em doçura , e leveza , a qual nascendo acima da 
cidade á superíice da terra de sessenta nascentes do lado 
meridional , e de trez da parte occidental na distancia de 
dez milhas, e ajuntando toda esta agoa, forma hum gran- 
de rio y que estendendo-se desde^ a sua origem pela supera* 
ce da terra cheia de aipo, e junya cheirosa até baixar á ci« 
dade em huns verdes prados , o qual se conserva da mesma 
maneira de vei^o e de inverno , se devide na sua entrada 
em muitos regatos , como ja dissemos. Entre as virtudes da 
sgoa deste rio referem-se as seguintes: disfaz as pedri-. 
nhãs da bexiga; expele o máo cheiro dos sovacos, ao que 
se iaya com ella , e continua a bebella ; amacia a cútis ; 
expulsa os peolhos ; apressa a cncçáo y e bebendo-se ecn 
jejum , OM em grande quantidade, não prejudica , por cor- 
rer pelo aipo, e junca cheirosa, e ser muito leve, e 
doce : bebida em jejum , excita o apetite vencreo , segun- 
do diz o medico Ben-Jaiiun y lara-j^e " com ella a roupa 
sem sabão, e fica branca, b.ncando hiiai suave cheiro, 
ccoio se tivesse sido lavada com elle^ extrahem-se dellâ 

E 



( '34 ) 
èxcellentes conchds de pérolas , as qiiaes suppretn m fiííAs 
finas, chegando a vender-se cada huma delias por hum 
metecal (a) em ralSo da sua boa qualidade, transparen^ 
da, e grandeza ;'e éncontrão-se carangueijos , como na© 
ha nas costas de Hespanha , e diversas outras qualida* 
des de peixe, como sâo as liças, mugens, baHios, c 
savelhas , todos muito saudáveis , e saboro^s. £m huma 
^alayra as agoas deste rio sobresahem ás outras da Man* 
ritania na doçura , levesa , e muito proveito. 

He superior a cidade de Fez aos mais paízes noeran* 
ãe mineral de sal ; pois nSo sè encontra outro semelhaii* 
le em todo o mundo, o qual tem d^soito milhas de com- 
brimento desde o Vitio, chamado Biroxxalebi, até ao rid 
Magce , junto do lugar Damenal-bacul , aonde termina , 
òqual mineral dista da cidade dez milhas : bem advertido ^ 
que âelle ha diversas qualidades de sal , que senão ase» 
melhSo hum ao outro na côr , e na pureza. Concorre tan- 
to á cidade, que se vendetn dez sas (^) por hum dera- 
hem pouco mais ou menos , segundo a quantidade , que 
vem delle. Huma das bênçãos deste mineral he semeas- 
se todo de trigo , no meio do miai se encontrão searas 
viçosas com as suas. espigas pendentes , e kiclinadas , o 
(que he devido ao benefício , e benção do Altissimo, Em 
fim antes vendia-se cada carga de sal na cidade por hum 
derahem , e o vendedor não encontrava assim mesmo quem 
lho comprasse em rasâo da sua abundância. 

Ha huns montes , denominados Beni-Iazega , que dis- 
J^o trinta milhas da cidade , aonde se fazem cortes de 
madeiras de cedro , das quaes se conduz' immensidade 
para a mesma. O rio Sebu nasce dos ditos montes no 
centro de huma caverna , o qual passa a leste da referi* 
da cidade em distancia de auas milhas; e nelle pesòão 
os seus habitantes os sáveis , mugens , e outras qualidades 
de peixes, de que conduzem cargas para ella , oqualcb^ 



(a) O metecal vale ordinarhiniente 800 réis cb nosss raoediL 
Ci) Csds Sá tem pelo mesos quatro alqueiíes. 



gfk fresco sem alteração alguma; e a maior garte dos 
seus recreios y e devertimentos são oo mesmo rio. Nas 
^iaiohanças ile Fez em distancia de quatro milhas ha as 
grandes caldas, chamadas de GauJan, cujas agoas sâo quea« 
tissimas; e nas vxsinhaoças destas ha também as caldas de 
Uasetate ^ e de Abu-Iacub que sâo das mais celebres da 
Mauritânia. 

Os moradores da cidade de Fez são os mais agudos 
e engenhosos dps povos da Mauritânia , e de maior prés- 
plcacia y e penetração ; os mais compadecidos ^ e esmole^ 
rès i da mais exceílente índole , e de geoio o mais dó- 
cil i os menos rebeldes aos seus Soberanos , e os mais 
obedientes aos seus superiores : excedem finalmente em 
sabedoria , intelligencia , e religião aos sobreditos povos» 

A cidade de Fez desde o dia da sua fundação tem 
sido sempre asylo dos estrangeiros ^ porque todos aquei- 
les que nella entrarão, a habitarão e fixarão nella a sua 
residência, logo prosperarão. Tendo fixado nella a sua 
residência muitos sábios , doutores , homens virtuosos , re- 
ctoricos , poetas , médicos , e outros , foi nos tempos an- 
tigos e modernos a morada da sabedoria , e scienda do 
dirçito e cousas Uivinaâ , da historia , e da lingoa arábica ; 
e os seus doutores são os que em toda a Mauritânia tem 
sido seguidos em todo o decurso dos tempos , o quQ^ se at« 
tribue i virtude da invocação de Edriz de feliz memoria» 
o qual , logo que ^e rcsolveo a edificar a sobredita cidade» 
levartfou as iiiâos ao Ceo, e disse: permitti, ó meu Oeos, 
que ella seja a residência da sabedoria e da sciencia divi- 
na ^ e da historia; que o vosso livro (o alcorão ) seja aiii 
meditado ) e os vossos preceitos observados; e que os seus 
habitantes permdneção todos aferrados á lei^ em quanto 
vós a conservardes : Terminada esta supplica , tomou na 
oiâo o alvião , e principiou a cavar o alicerce» Com eSei- 
to tem ella sido desde o dia da sua fundaçác^ acó ao an* 
no de 726 (1325:) a morada da sciencia do direito , edas 
cousas divinas , e dos precdtos mohammeticos , e a união 
doa seus sequazes. Para em fim se mostrar a cxcellencia ^ 

El 






<30 

e a nobreaa da cidade de Fez basta so referir a profecia 
do profeta encontrada em hum livro escripto por Darras- 
se, filho de Esmáil Abu-Maimuna , a qual lhe foi con- 
tada em Alexandria por Abu-Matar, que a tinha ouvido 
de Ebrahim Almuazze, este de Abderraliainan , filho de 
Alçassem , este de Maleq, filho de Ançe, este de Mo- 
hammed , filho de Xohab , Alzahari y eéte de Said ^ filho 
de Almossib, este de Ben-Zarira , e este do profeta de fe« 
liz recbrdaçâoy o qual disse: haverá na Mauritânia huma * 
cidade^ que se chamará Fez, cujos habitantes serão os 
mais valerosos da Mauritânia , e os ma is dedicados ao exer- 
cido da oração conforme ás leis, e o caminho da verda- 
de, da oual ja mais se afastarão; e não. os prejudicarao 
os seus aaversarios » porque l>eos Altíssimo hade apartar 
delles até ao dia de juízo o que abominarem. 

Ben-Galeb conta na sua historia , que tendo* o Prínci- 
pe Êdriz, logo que tratou da edificação da cidade, parado 
no lugar, que tinha marcado para cila , viera apresentar- 
se-lhe hum anacoreta christão, ancião de mais de cento e 
cincoenra annos , que fazia vida cremitica em huma ermi- 
da próxima daquelle lugar, o qual , depois de o saudar, 
lhe perguntara , que intentas , 6 Príncipe, edificar entre es^ 
tes dous montes? erespondendo-lhe, que queria fundar hu- 
ma cidade para sua residência , e dós seus successores , e 
para se lér o alcorão, e practitarem os seus preceitos, lhe 
tornara dito monge: tenho, ò Príncipe, que annunciar- 
te ateste respeito* O que? houve antes de mim neste mos- 
teiro hum monge, tjue faleceu ha mais de cem annos, o qual 
me noticiou ter encontrado em hum livro da sua sciencia 
memoria, de que houvera neste lugar huma cidade cha-* 
mada Saf, que tinha sido destruída havia mil esete cen- 
tos annos ; a oual sería renovada , restabelecida y e restau- 
rada por hum nomem descendente de Profetas , chamado 
Edriz; e que seria famosa, e muito poderosa; e nelta 
nistería a religião moBammetana ^tè o fim do mundo. 
Seja Deos louvado, exclamou Edrjz : tu chamo-meEdrit^ 
e sou desctodeflte do profeta de ieliz recordação: lego 



( 37 ) 
CU hei-de ser , querendo Deos Altissitno , o sai edirírcaâoré 
Foi por tai)tO'€$ta socicia a» que mais animou Edríz a 
cuidar na sua edificação , principiando a abrir o alicerça 
Conduz para a verdade do que fica dito, dia ò authof^ 
o que refere Albomossi : de que estando hum judeo abrin« 
do o alicerce para Jiuma casa , que se propunha edificar 
para sua habitação na dita cidiade em o sitio , chamado 
Cantara-^arbia, o qual nesse tempo era hum bosque de gal* 
banos , azinheiras, e rarmagdras, encontrara no dito ali« 
cerce bum idolo de maràtiore branco da figura de huma 
rapariga , sobre cujo peito estava gravada esta inscripçáò 
em caraaeres indicos: cxistto neste lugar hum banho por 
espaço de mil annos; e tendo sido destruído , fei edifica* 
do bum tenrplo no mesmo sitio. ^Principiou Edriz a fundar 
a cidade de Fez^ segundo referem os historiadores, que 
escreverão de propozifo sobre este objecto , no áia quinta 
fdra , primeiro do mez de Rabiâl-áual do anno 19a (3 
de Fevereiro de VoÍ). Fundou primeiramente o bí»irro de 
Andaluz com a sua miiraiha , a qual foi principiada pelo 
lado meridional, e a sua mesquita , chamada Jameal-Axia'^ 
que, no lugar denominado Rahabálbir, para a qual no- 
meou os oradores; e passado hum anno no principio do 
mez de Rabial-agiier o bairro de Caruin , cujo local era en- 
tão hum espesso, e enlaçado bosque, donde a gente cor- 
tava as madeiras, com que. construía a sua morada. Agra- 
dado Edriz dos muitos nascentes, erios, que vio no dito 
bairro ; mudou-se do bairro dê Andaluz para elle, fixando 
a çua morada no Ingar^ denotninado Cptmuda, aonde ar- 
mou a sua tenda , e principiou a edificar a mesquita inti- 
tulada jamaaixorafá, para a qual nomeou oradores.. Con- 
cluída esta obra , principiou a construir o seu palácio no 
mesmo lugar, em que tinha armado a sua tenda, o qual 
presememente he conhecido pelo nome de Darcrinin, c 
^e- habitado pelos X a rifes de Aljarmiun , seu^ descendentes. 
Conciuido este, edificou asalcaçarias (a) ao lado da sobre^ 



«M» 



(«) Alcat^arias tlbamSo t>s mtmros a hmn inmèe «diSrio cem hum «tal» 



dita metqui» , que cercbu de mercados per todos os lados. 

Tendo ordenada ao povo qae edificasse, e plantasse; 

e dttOy que aquelie que construísse em qualquer sitio , ou 

o plantasse antes de acabada a muralha , alcançaria de 

. Deos Altíssimo o premio. ; por isso edificou a gente as 
auas casas , plantou anrores , e augmentou-se a culmra com 
a cnsúla^o, de maneira que cada individuo riscava na 
iMsque o sitio da sua casa e jardim , do <{ual cortava de« 
pois a madeira necessária para a sua obra. 

Havendo chegado a Édriz naquelles dias multidão de 
cavalleiros do paiz de Eraque , dos quaes alguns edio de 
Beni*Maluna , os aquartelou junto da fonte Ain*Aluuaq ^ 
cujo sitio era hum bosque de silvas, galbanos, funchos, 
e outras arvores silvestres, aonde havia hum negro saltea* 
dor dos caminhos, que era^causa , antes de se construir a 
cidade , da gente se abster de passar , ou transitar por zU 
Ui t dos mesmos pastores por este motivo , e em ra^o 
da espê&sura das arvores , da abundância das agoas , e dos 

, rios, e das muitas feras , que o habitavâo, se afastarem, 
e passareníl ao redor delle com os seus rebanhos ; e sd 
entrava por eile muita gente junta. Informado Edriz a res- 

Eeito do dito Aluuan, quando principiou a edificar o 
airro de Andaluz , o mandou prender. Tendo sahido al- 
guma cavallaria a procurallo , e sido elle condusido á sua 
jmsença, o mandou matar, e crucificar em huma arvore, 
que alli havia sobre a dita fonte , aonde se conservou até 
ae desfazerem os seus nervos, e cahirem as suas juntas; e 
por isso se tem esta fonte assim chamado até agora. 

Principiou o Príncipe Edriz a muralha do bairro de 
Caruin no cabeço do monte sobranceiro i sobredita fi:>nte, 
âonde edificou numa porta , que denominou porta da Efri* 
quia , e foi a primeira , que construio na cidade , donde 
baixou depois por Aindardur até chegar ao cabeço de Saa* 
tar ( do oregáo ) -, e ahi edificou huma porta , a que poz 

I 

tfo no meio, «onde estSo sis logens dos nierctdores, o qual tem huma a^ 
porta, que le fedia de noHe peim oiator Cautela. 



( 3^ ) 
9 nome de Babo-hasne-f aadun. Pnosegnio com a mcamt «n^ 
ffálha por Aglan»; e tendo construído a porta , a que poz o 
iuxiie de Babol-faras , continuou com a muralha pelo dito 
titio a«é chegar i margem do grande rio, que devide na 
•dous bairros , aonde construio a porca , a que chamou Bth 
liol*fàs5Íl , pda qual se yai para hum e outro bairro. Pastou 
depois o rio com a muralha para o bairro de Andaluz, ^ 
craciouatido a mesma á borda do dito rio; construio r 
oerta distancia a porta de Babol-^i^e , a qual se chama 
agora Babol-saisela , e ahi tornou a passar o rio com a mu« 
r^dha para o bairro de Caniin ; e foi continuando a «ubir 
•Gom dia A margem do grande rio por baixo (je Alcalá ( o 
t»stello), < pdas fontes de Ben-Al^^lassad até chegar a Àl- 
jorf , aomie edificou a porta , a que chamou Babol-hadiid , 
x}uafica no mais alto de Alcalá (castello) para a parte da 
porra da E&iquia ; e de^ta maneira veto o bairro de Ca- 
vuin a íbrmar huma mediana cidade com seis portas, « 
abundante deri«s:, fontes, e moinhos. Tendo também pria- 
-cipiado a nfujratha do bairro de Andaluz pelo lado do meio 
dia , e «dificado ahi a porta de Alfuara , pela qual se sahe 
para f>agelemassa , e que pieseotemente se 4:onhece pelo no- 
me de Babo-Zaitun BervAtki , a qual senão cornou a abrir 
-desde o anno 620 (1223), baixou com a dita muralha 
«obre Almagffia pelo rio grande até Ba^ague, aonde cons- 
truio a porta, que fica fronteira a Babol fnr^ do baim> 
de Caruin ; e dani prosegino com ella sobve Xabiulia , aon- 
«de edifico^ a porta do mesmo «ome , 4)ue fica fronCeira a 
^^bol-fassil do bairro de Caruin. Conrinuou depois a di4a 
muralha até chegar a Rasse-hagrel-ibrge, .e ahi xonstniio 
a porta de Abu-Safian, pela qual se sahe paia^i paí^xle 
-Gammara, -e de Rtf; e s^uimio com ella para .Garuaua^ 
^ez nes^ si^ío a 'porta , oonhecida pelo 4x>me de fiabol-Ca- 
«lissa aporta «da igreja ), «por onde se sahia para o paiz de 
Telamessan, e para a povoação dos enfer^nos, a-cual ae 
conservou da maneira que a edificou Edriz^at^ i apparição 
de Abdelmunien , Bon-^Aly na Mauritânia , e suaxcnquMa 
^esia cidade no>aiiao 540^ iH5 ) r^^q^ha deiiruio,jQoa- 



( 4> > 

porta 96 coAservou iw mesmo estada bo- resto do fcinackt- 
dpsZanatas, e Lametun^s até ao tempo da Pnncip(? dos 
crentes Abti-AÍ>dallaK Arínasser da dinastia dos AIrouha* 
des, que mandou reedificar a muralha da cidade^ qae ti-» 
nha destruído seu avôr Abdelmumen no anno 5:40 (1145'),. 
e construir acima da sojbirediu porca, de Agissa outra consi, 
O* mesmo ^ome,' cooservandoí aquella no mesmo estado. 
Teildo depois ^mandado publicar o nome da porta , qti^ 
elle tinha edif)Ci4a , e que contitniaase a chamar-se Baho^ 
Agissa 9 tirou^he o povoa letra Ain y pondo ^m sett lit-^ 
g^r a letra Alef, e lhe ficou chantiando Babol-Gissii ^ ^ 
qual se conservou como< Annasser a edificou até qtíe se m^, 
niiiiQitt c destruio pelo decurso dos annos , e progresso* 
dps dias e noutes ; mas constando do seu estado ao Prin- 
cipe dos mosselomanos lacub , B^n Aldel«haqque na He»» 
panha , aonde estava ^ expedio de Algeziras as suo piOr 
videntes ordens para a dita porta se .compor , e reformar» 
a. qual féi toda renovada»^ á excepção do seu arca, por- 
we se achou são; e isto no anno 684 ( iiS; )• O meçmtf^ 
rrincipe tinha também ja mandado no anno 681 ( lzÍ%J^ 
compor a muralha do bairro de Aadaluz do lado mpriéich 
nal » a maior parte da qual foi renovada , e o- resto $f»^ 
t^o^ desde Babe-Zaitun, Ben-Atiia até BabekFatuh^ por 
direcção do Doutor, e Juiz da Lei Abu-Sáid Aldakli^ 
que compoz tudo oom a maior segurança. 

A maior parte das. casas de Fez tem dous andares. », 
e. algumas trez , e quatro , o que procede do compacto da 
terra , e da muita madeira , que tem , ()e cedro , que he 
a melhor do mundo ; pois chega a durar nos tectos daa^ 
casas mil annos» sem apodrecer, oaa crear bicho, nem 
ter alteração alguma , se não lhe chegar a agoa* Desde a. 
fundação da dita cidade tem havido oradores em ambos oa 
bairros , alcaçarias, e casas de moeda* Honverão em Fe» 
no^ reinado dos Zanatas dous irmãos Soberanos ao mesma 
tempo : Alfatuh , e Agissa , filhos do Princtpe Almoazar ,. 
Ben Zaidi, o prtmeiro no bairro de Andaluz, e osegu»^ 
do 00 dé Garuln ; e cada h«Mi delics coaii sea caetatto y €. 



(41) 
fMiiliam, tàtre os quão introdnzio- Deas a iainihflde^' e 
m ódio , -procedido tudo de aspirarem aogowemo^ edeque« 
rerem aparecãr , e figurar no mundo , de maneira que ot 
comfaares entre os dons partidos forao incessamee junco dai 
margens do^nde rio, que corre entre os doiis bairros, 
no i^^^ denominado Coboíbl-Uacadin* 

Os habitantes do bairro de Andaluz aio aivimosos, 
evaleroGOs^ e a maior parte delles dedicados á ia voara .^ 
c agricultura ; c os do bairro de Caniin amantes do sea 
commodo, e aparatosos e sumptuosos nos edifícios , v€itua<* 
rios, camas , «omidas , e bebidas , e es mais delíes oflicia^t, 
mercadores , é tendeiroâ. Os homens deste bairro erão maia 
femosos y que os do bairro de Andaluz ; mas asosulherea 
ctâo ao contrario. * * 

Na cidade de Fez ha mais mialidados de ílores , e 
fincoos do que tm todos os climas dos ontros paizes. En^ 
contra-se em fim nesta cidade tudo quanto he bom , e agra«^ 
darei. 

O bairro de Caruin síngubrtaa-se na abundanda dd 
rios^, moinhos, nascentes, e poços dé escellentes agoas; e 
nas boas e preciosas romans safarias, ás quaes «lãb igiia^ 
láo na doçura , e sabor algumas .outras da Mauritânia , nos 
czcdlentes e gostosos figos , chamados da Siria e de Ceu^ 
ta, e nas iiTas, pecegos, nozes, a^feifiis, marmelos, li« 
mas, e em todas as mais fructas do outofio^ iodas eilas 
muito saborosas , doces , e gostosas. 

O bairro de Andaluz se -singularÍ9a em <erta€ espécies 
de excellentes , e gostosas fructas a saber : nas maçans de 
Tripuli , as quacs excedem ás outras de toda a Mnurita** 
■ia iia doçura ^ suavidade, gosto, leveza , fimnua d^ casca ^ 
e tamanho ; e também ha outras qualidades delias ^ chi^ 
madas Âiaiarmi , Altalah , Alcalgui ; e na« diversas ^uali* 
dades de peros, damascos^ an>eixas, e amoras « tudo <bom^ 
e eni abundância. Ao sahir «da porta de Beni-Mossafer -do 
dito bairro, ha hum lugar denominado MargeCarcá » em 
que as arvores produzem dous fructos cm c^a anno de 
SDaaeira que os iiabitantes com^m muitas iDaç^ns de v^âo 

F 2 . 



\» 



(44) 

e cie itirtrúoi e íg» sitio , chamado FahafsòlTnasrat » que 
fica aa sahir da . porra Babol-Xariá , semeasse o trifo y c 
ceifasse em quarenta diâ<. O author desta historia diz ter 
presenciado no anno 69Q ( 1 291 ) semear^se p trigo naquel* 
íe sitio a 1; de Abril ^ e ter-se ceifado no fim do mez de 
Maio 5 vindo a chegar á sua» perfeito em 4$ dias; sendo 
o motivo disto a duração do vento leste por espaço de 
quatro mezes, chamando^e por isso o anno do vento Letf- 
le\ e-i^o ter chuvido, nem ter tomado humidade^a tena 
senão no dia duodécimo do mez de Abril ^ que foi quando 
y semeou o trigo á fortuna ^ o qual prodiizio como referi* 
nos» M 

Hòma das cousâs , em que a cidade de Fez he supe- 
rior a todas as cidades do muiido , he em ter agoa fresoi 
das fontes no verão, que he quando se dezeja para refri- 
gerar o calor, e aplacar a sede, e quente no tempo do iii« 
Vemo; , quando se precisa assim ; e dos rios ao contrario 
-quente no verão , e fria no inverno , vindo assim a encçn* 
trar-se na dita cidade agoa fria , e quente de verão , e de 
inverna, o que he de grande ajuda para a religião, servin- 
do para as purifica ç6es nas oragòes. 

Tem havido diversidade de sentimentos a respeito da 
Cansa porque a dita cidade se chamou Fez. O author da 
historia denominada Quetabol-assetabçar-fi-Ajáibel*aniçâr,' 
isto he, observações a respeito tias maravilhas das grandes 
cidades diz ,^que quando Edriz principiara a edificaUa , el^ 
ie mesmo trabalhava nella com os pedreiros, e operários 
por humildade com a esperança de alcançar deDeos Altis- 
simo ó prenrio, e recompensa , para o que hum dos offi* 
ciaes lhe fizera hum alfêrce de ouro e prata , com o qual 
çlle cavava, e marcava os alicerces aos operários, osquaea 
não cessando de fazer mçnçâo do tal alferce em quanto 
duroii a obra, dizendo dai d o alferce, tonrar o alterce^ 
cavai com o atferce, fora, por esta razão que a cidade se 
denominara Fez. Díz-se também, gue, quandorse princi- 
]^oo a cavarão alicerce da cidade do lado meridional, se 
encontrara na escavaçio hum alferce da comprimento da 



(40 

• 

quatro palmos ^ e âous de lar^ra , que pesava iessentt a»- ^ 
rateis; e que este ibra o motivo dè assim se chamar. Ou* 
noa disserio que quando Edriz principiou a edificar a cida? 
de^y lhe perguntaiâo os operários como se havia chamar, 
e elle respondera , que lhe pozessem o nome do primeiro 
homem , que se lhes aj^resentasse ; . e que passando hum , 
elles lhe perguntarão , como se chamava y e ellé Ihes.res* 
pondera, que Fares; mas que supprimira a letra r em ra-* 
zSo de ser tartamudo. Como disse que. se chamava^?. peiw 
gvntou Edriz: e respondendo elles ^ que Fez, elle Ibestoi^ 
nara : chamai*a pois assim. 

'- Segundo outros chamou-«e esta cidade assim , por se 
ter. estabelecido nella hum povo de Forzc (Pérsia) ^ quaiK 
do Edriz ii fíindou , e cahindo sobrdo dito povo hum gran* 
de torrão de terra , poucos escaparão da morte , de cujo 
povo tomou o nome^ que logo foi mudado em Fares, e 
)r mais- brevidade em Faz , 5upprimindo*se*lhe a letra r, 
iz-se finalmente, que tendo-se perguntado a Edriz, de»^ 

Eois de acabada de edificar a dita cidade , como esta se 
avia de chamar, elle respondera, que a denominásseis^ 
com o nome da antiga cidade, de que o monge lhe tinha 
dado noticia, e que havia sido destruida mil e setecentos 
annos antes do elamismo, a qual se chamava Saf,'mas 
que trocadas as duas consoantes, ficara Faz, cuja etymo» 
logia se reputava por mais certa*- ' 

Tendo Edriz acabado de edificar a cidade , de a mV 
rar toda , e de collocar as suas portas , aquartelou cada ho^ 
ma das tribus em diverso. lugar : os Árabes de Altassemta 
desde a porta da Efriquia até i de BaboKhddtd , ambas do 
bairro de Caruin , e a hum lado delles os de Alaied , e ao 
outro os de Algassebíiun , e as tribus de Sanahaja, Lcua^ 
ta, Massemuda, e Assahian cada huma delias em sitio 
separado; e lhes ordenou que povoassem, e plantassem t 
ferra, o que cumprirão, pois que desde o nascimento dò 
rio em Fahasse^Assaisse até se lançar no rio Sfbu planta^ 
tio de hum e outro lado vinhas , oliveiras « t outras arvo* 
ics fructiferas , aa quaea produai)^ naquelle ireíii^ ajmo^ 



E 



-«:q«b le ileft «Mibocr ás bênçãos de Pd ris, «4é sem 
•IM amepssiados^, i& suas 4mas intençées , < á bondade 4b 
^orreno , e das agoas , e i temperatnra do ar^ le pw km 
.ãpfBnoeo a abandanoa ^ coatiiMiarib os bens^ e enesceo m 
q>o¥Oa^ I vindo ^entea de todos os paiees a proottif m 
. cocnf>aidna da f eoecDson e puta descendência de Mostafii {íAm^ 
4bnm), pordêsqjareni o sõcegd , e a craoquiUidade , uoíih- 
-do-ae nella*likiiii composto de geacea de dcveisaa íríboa, *t 
•anoítos judeoa , que procura tpSo a isaa segurança, aos t|uaea 
•ec^locóu desde Ag^ até íHassatio-Saadiin^ e impba òttri* 
buço , que chegava annualmente a triota «nl daoadais. 
9 < Aquaiteloti no bakro-de Andaluz todas aa soas tropas 
*«oin* os alcaides , aonde também poz em nãos de pessoaa 
-da sua confiança tudoiqaanto posauia de gados , a saber s 
ca^aUos, camellos , bois^ e gado lanígero, porque aò dô- 
«ou oorasieo no bairro de Caruin as outras riquezas « cruf 
dos y e todos os mercadores , tendeiros , e homens 4e offi«* 
citos« 

Consenrou-se Fez neste estado até ao reinado dos Z^ 
n<tas4 em, que ^ teado-se augmentado a população se edtfi- 
cOtt nos seus arrabaldes por todos os lados: Desde a porta 
ida Efriquia até Á fonte de Aisselatain construirão estahi- 
^ens, banhos, moinhos, mesquitas, < praçaa de mercados, 
« pela parte do meio dia, de Norte, e Leste casas ^ em 
que se estabelecerão as trlbtis de Zanata , Letmta , Mo^u^ 
la ,* Jarauaua , Haaara , e outras ; mas cada iiuma delias se- 
patada á semelhança de hum bairro: Leoata habitaira em 
Arrabde, Altaramena, e Aglan; Beni-barcuca no arrabaU 
át de Barzague; e Beni-Amer em parte do bairro de Be* 
Bil-ahmar; e á imitação destas tribus outras, de maneira 
^e Os arrabaldes da cidade íicarSo cercados , e os edifidos 
|>egayão huns com oS outros. * 

: Quando Haquem , fiiho de Hezam perseguio os habi« 
tantes de Córdova , eos desterrou da Andaiusia para a Mau^^ 
xttania , dirigirâo-se estes a Fez em numero de oito mH 
iiiaúlias ; e tendo fixado a sua morada no bairro deAnda^ 
Juzy principiarão .a^ifíear á direita icá. esquerda paca aa 



paite» de Aloidan, Maseemuda , Âlíic&ni*, Haratolbáfedae^ 
eAlcanif até Aitnila; e delles he quci tomou o nome ik 
bairro de Andaluz, assim cooio o bairro de Garpiíi o to»» 
sícu das ttesentas famílias da cidade daCaíjauan^ ^e £dk 
«Bo as primeiras que fixarão nelle a sua morada com Ediia. 
No reinado dos Zanatas edificarão-se ao baiiro de 
Cirain m> banhos de Alaniir,, Arraxaxa, e Arrabde; e n^ 
bairm de Aadabz os banhos dejarauaua ^ Âleadadasi , AI^ 
3)aÂgacii^ c Aljazira. O» mesmos Soberanoa conmiiíâo nes** 
ifi bainD estalagens ^ augmensaiâo mtiitas fDesqweas> epas» 
aaiae a pregação sagrada da mesquita de iA|IxQDaíáy ^M 
BAàoí tiiuiai. edificado oeste *.bamny por • cansa ' «da sua pop 
quenez para a mesquita de Camiir em naão da^soa grandes 
M , eonsenrandò-se. aiquvlU mesquita úDmo Edéis a tinha 
edificada, .semi que Sciberane algumi, oo» Tassallo âiagtneM 
tasse ntlk cousa algimia , e isto muitti de peopoâta pam 
9p abençoaiefli com o xpe Eànz tinha feito , até se carám^ 
m»eni.as sisas paredes, e teBudos, e achar-se ame^isdo 
luuaia tot^I: ruina- em rasao da sua antiguidade ; pois enete 
se delibesoit' a reedificalla o Don€or consoinada AUkagek« 
Jáobare^ Abu-Madian Xarb, filho do piedom Doutor iUítt* 
Abddlaii, fiHsfl» de Abu-Madian, por desejar agradaf # 
Deos, e esperar alcançar o seu pen)!io, e recompensa*; ^ 
tendo prijisipiado a demolilla , e ttedAdcsAíz no MDo 9o9^ 
^mstttoío aosevanrígo estada sem accresciítio , nem dkni^ 

Ko nrinado dos Almoralndef , e dos^ Abnuhadetf Ali 
m eidade de Fez* a mais povoada , felia , abundantie , # 
ttaaqasUa de «idae as eidades d& Mauritam2F, ehegandò p& 
MBBadar dr Almaasor A^muhadeffse , paf db A#nas€r O' mw 
mero das mesquitas a setecentas e oitenta e cinco; e qua- 
itata e dbus xafarrzes, e pescinas, Kuns comagoá cfasfon- 
tia^ o ancsoa do vio-, a nMenta e fifezr baalios paUiro^^^ e 
muiiucentoa e serenta e donir rrtnf/hm éstnm diw mtffWr 
n cidade, aWm dos que Baví^ fóra dcITes: e conrando-se 
1)0 tempo d!e Annaseje íi$ casaa^^que £a?ia. na mesi»a' cida^* 
étj eia o seu numero deoitenuseaMe «úl dusentas cimi^. 



C4«í 

U' t seii catit 9 dt desanoye mil quatrocèntiM e quármeâ e 
tioma mci^Mrtas ln)\ de qiiarro centas e sessenta esete ef« 
.Calagens, ou hospedarias para os mercadores^ viajantes ^ e 
-estfiingeiros i de note n^l c óicenta tendas , ou íojas; de 
.duas aica carias, huina no bairro de Caniin, e a outra lu» 
bairro de Andaluz sobre o. rio de Mossa meda; detrez mil 
e sessenta e quatro offiduas para téceldes de haiques (man- 
tas) i de quarenta e sete fabricas de tfabâo; de oitenta e 
seis fabricas de oortumes; de cento edesaseis de tinturarias ; 
. de doze casas de íiindir cobre; de cento e trinta e cinco 
«fabricas de pio , em que o mesmo se vende ; de fomos 
«iblicos mil.cento e setenta ; e de onze fabricas deyiílfOK 
Fora da cidade havia cento e oitenta olarias. 
/ . Nas margens do grande rio, que divide a cidade, ea« 
tSo desde a sua entrada neila até á sabida "no sitio de Af-^ 
lamila as fabricas dos tintureiros com as suas officina»; a 
fiibrica dos cortumes ; os lugares dos vendedores de trigo ^ 
dos carniceiros , e dos vendedores de bolinholos ; t>s for- 
nos de pão i e outros destinados para coser o fiado , e ou« 
trás matérias , que precisão de agpa : e nos altos destas fa- 
bricas , e offidnas estão os teares dos haiques. Somente es» 
te rio apparece na cidade , por se terem constmido sobre 
08 outros casas , messerias , e tendas ; e dentro delia não htf 
jardim , nem horta , excepto a de Zaitun , ben-atia. Haviãa 
finalmejite na mesma cidade quatrocentas • pedras para fà* 
bricar papel ; mas tudo se arruinou no tempo da tome , - o' 
guerra civil em os reinados de Âladel, de seu irmão kU 
mamnn, e de seu filho Raxid, cujos flagelos durarão por 
^pa^ o de vinte annos a saber : desde o anno seiscentos e 
desoitO' até ao anno seiscentos e trinta e sete , em que ap-* 

•^^^^■— — — — — ^— — ^^^^— ^— '— ^— "^1— — ^— — i— ^^i^ 

' (á) Mesttrías dnaáo of moufoi a iiumt espécie de agòas totadei , qi» 
potto tenMo, escada. para as mesonas casat, tem também outra indepeiiden«% 
^e para fora. Nellas costuinSo os donos .du casas hospedar os leas amigof , e, 
associar-se com elleii ; e também as áluglo a pessoas solteiras , e sem fami-^ 
lia. Dlo também o mesmo nome* aos Quartos baixos , que as meshuv pes»" 
aaai oecap^ , pata neUca itrabaMastm^ •. ^ . . 



(49) 

infeceo a dinastia dos Benimerines^ com a qual se restabe» 
kceo o paiz , e se poserâo em segurança os caminhos. 

Todas estas noticias diz o author , que extrahira de 
Iniina memoria do fespettavel e nobre I)outor Abul-hassan 
ÁI7 , Ben Ornar Alauassi , que as extrahio de huma rela- 
ção do almoxarife da cidade no reinado de Ânnaser Alrnu** 
hadense. 

Ben-Galeb diz na sua historia , que logo que o Prind^ 

Se Edriz acabou de edificar a cidade de Fez , e chegou o 
ia de Sexta feira , subira á tribuna , e pregara ao povo , e. 
que levantando as xnâos no íim do sermão disseca : vós sa- 
beis ò meu Deos ^ que eu nSo me resolvi a edificar esta ci« 
dade para ^oria , engrandecimento , ou commodidade mi- 
nha , mas sim para nella vos adorar, e na mesma se medi- 
tar o vosso livro ( o Âlcaiiío ) observarem-sé os vossos pre- 
ceitos , as leis da vossa religião , e a doutrina do vosso pto* 
feta, em quanto existir o mundo : dirigi , Senhor, os seus 
habitantes para o bem, ajudai-os, iivrai-os da voragem dos 
seus inimigos, enchei-os de bens, e embainhai a espada 
da revolta , e da miséria ; pois sois poderoso sobre todas as 
cousas. Tendo 4X>n(iado ^ povo na sua deprecaçâò, cresce- 
úó os bens na cidade , e appareceiae as bênçãos a tal pon- 
to , que no reinado de Edriz , e de 'seus descendentes , não 
$e comprava , nem vendia o trigo pela sua abundância por 
mais de dous derahem por carga, e a cevada de hum dera-, 
hem : os legumes não tinhao preço , porque não se compra- 
vâo , nem vcndião : hum carneiro custava dera-hem e meio : 
hum boi quatro derahem: vinte e cinco libras.de mel de- 
rahem e meio : e afructa era tanta, que nem se comprava 9 
nem vendia; e assim cotitinuou por espaço de ciucoenta 
annos. 

Depois que Edriz concluio a edificação de Fez trans- 
ferio-se para ella com a sua familia, e agregados, aonde 
fixou a sua residência, éscojhendo-a para sua capital. Con- 
servou*se nella até o anno cento e noveota e sete, (812) 
em que sahio a combater o paiz de Mossameda ; e tendo 
aili chegado , eatrou nas cidades de Nafiz , e Agn:at , e 

G 



eonqnistcm o mto do paÍ2. Regressoa para Fez , na cfotA 
permaiKfceo o mes de Moharram do anno i^^ (814); e 
twnoa a sahir com o intento de combater as tribus de Na- 
fezâ; e tendo-as vencido, entrou na cidade deTeiaineisaii, 
que tratou de remediar , e compor os seus arrabaldes , e a 
mesquita , na qual fez huma tribuna^ Abu-Maruan Abdel* 
xnaleq AÍauaraq fallando à este respeito diz assim : no an# 
ne ójrf (it^7) entrei na mesquita de Telamessan , e vi 
no capitel da sua tribuna algumas caboas da antiga, qoe< 
alii setinhâo pregado, e nellas estava a seguinte inscripção.: 
mandou fazer esta obra o Principe Edriz^ filho de Édriz, 
filho de Abdallah) íilho de Hassan^ filho de Al-hassan^ 
filho de AI7, filho de Abu-Taleb, aos quaes Deos sga 
propicio, nomez de Moharram do anno 199 (814)* 

Tetido-se Edriz demorado na cidade de Telamessan , 
e sna comarca por espaço de trez anoos regressou' para a 
ddade de Fez, na qual pernianeceo até ao anno 213 (828), 
em que fiiieceo, tendo entSo 36 anoos de idade; e foi $&- 

Kltado na mesquita de Alxorafá em frente da parede do 
lo de Leste. Albornosi porém diz , que Edriz , filho de 
Edriz , fílecera na cidade de Ualila do paiz de Zarhaun ft 
doze do mez dejumadil-águêr do sobredito anno, tendo 
entáo trinta e oito annot de idade; e que fora sepultado ao 
lado da sepultura de seu pai na ermida da mesma cidade , 
CQJo falecunento se attribuira a hum bago de uvas , com 
que se engasgou, morrendo immediatamente, tendo sido o 
tempo do seu reinado na Mauritânia de vinte e seis annot. 
Deixou doze filhos machos: Mohammed o mais velho, e 
que lhe succedeo , Abdallah, Edriz, Ahamed, Jaafar, Ais- 
m^ lahia , Alc^tfssem^ Ornar, Aljr, Daud , e Hamaa. 



ífl) 

CAPITULO V. 

D» reíHãdê d» PritKtpe Mobarnuud^ filho de EdríZy 
filho de Edriz JU^assami na idãuriténU, 



O 



Príncipe Mohammed era filho do Príncipe Edríz, 
filho deEdnz, filho de Abdallah; filho de Hassan, filho 
de Al-faassan , filho de Aljr , filho de ÂbinTaleb , aos quaes 
Deos $eja propício , e de Raquia , huma das mais nobrei 
mafroaas de Nafeza. Quanto i sua figura : tinha côr robi- 
ainda, estatura do corpo elegante, e juvenil na idade, sem^ 
blante formoso, e cabello cretpo. Apenas subio ao fhroao^ 
dividio o pais da Mauritânia entre seus irniaos por conser 
lho de Canza , sua avó paterna : elevou a Alçassem ao go^ 
Temo de Tanger, Ceuta, da fortaleza de Hajrennesser , 
Tetuâo , do paiz de Masmuda , e dos mais paizea , e tri» 
bus comarcans: a Ornar ao governo de Taijassasse, da d* 
dade de Targa , e de Sanahaja , e Garomara : a Daud ao 
governo dos paizes de Hauara , Altassul , Maqnassa , e mon*» 
tanhas de Gaiata : a labia ao da cidade d^ Aibassara: a 
Abaroed ao de Arsila , e Larache até ao paiz de Uar^a : a 
Abdallah ao da cidade de Agmat , e dos paizes de Nafih* 
M,'Almossaflieda, e Susel-^cssa, e a Hamza ao da cidade 
de Telamessan , e seus cespectivos estados. Mohammed po« 
rôm ficou na cidade de Fez corte e residência dos seus So»- 
beranos , e com elle os irmãos mais moços debaixo da tute* 
U de sua avd. Tendo os Edrisitas sido elevados ao$ govep* 
nos da Mauritânia , fortificarão as suas fronteiras g e regelâo 
dignamente os seus estados até que se levantou contra oPrin** 
cipe Mohammed seu irmão .jAissa em a cidade de Xila , 
so paiz de Tamessená , annuUando a sua accla mação, ne« 
gando4he a obediência , e arrogando a si o Império , o quf 
obrigou aquelle Príncipe a escrever a seu irmão Alçassem ,. 
governador de Tanger e Ceuta ordefiando-lhe que o fosee 
oombater, ao que este ae n^u allegai^do impossibilidade; 

G 2 



e por isso escrereo Mohammed a seu irmão Ornar, Seohoc 
da cidade de Taijassasse e do paiz de Gammara, dando* 
lhe as mesmas ordens , que tinha dado a seu irmão Alças- 
sem. Ajuntou elle hum poderoso exercito, composto de bar* 
baros das tribus deGammara, Aurabá, Sanahaja , e outras, 
e marchou contra Aissa ; e tendo-se aproximado dos con- 
fins dos estados deste, escreveo a seú irmão Mohammed 
pedindo-the soccorro de tropas , o qual lhe enviou mil dos 
principaes cayalleiros das tribus de Zanata ; e rendo parti* 
do á sua frente , accometteo vigorosamente a seu irmão Ais^ 
sa, e o derrotou completamente, espulsando-o da cidade de 
Xaliá , e de todos os seus estados , de que se fez Senhor. Ea* 
tão escreveo Mohammed a seu irmão Omar dando*lhe 09 
agradecimentos pelo seu fóto , eleva ndo-o ao governo dos 
ditos estados , e ordena ndo4he que marchasse contra seu ir- 
mão Ateassem , por ter desobedecido ás suas ordens. Ten- 
do-O Omar cercado em Tanger, e sahido Alçassem ao seu 
encontro, houve entre ambos hum grande combate ^ em que 
Alçassem foi derrotado , apossando-se O nar de todo o sei» 
paiz. Retiroii-se Alçassem para as praias do mar próximas 
da cidade de Assila (Arzila) , e edificou alli huma mesquU 
ta nas margens do no Tahaddartc, na qual permaneceò en*^ 
tregue ao culto de Deos , e ao despyreso do mundo até oue 
morreo. Deos tenha delle misericórdia. Conservou-se o Prín- 
cipe Omfar governador por seu irmão Mohammed dos seus 
estados , e dos de seu irmão Alçassem até que fàleceo em o 
lugar, chamada Faj-jol-farece, pertencente ao paiz de Sa* 
nahaja, donde foi condirzido para a cidade de Fez, e nel- 
la sepultada , depois de o ter encomendada seu irmão Mo 
kammed. Este Omar , filho de Edriz , he o tronca dos H^ 
mudins, que for^o Soberanos na Hespanha depois do anua 

Suatmcentos da hégira. Deixou elle dous filhos Aly, eEdríar 
e Zainab,- filha d^ Alçassem Aljaadi; e de huma concubi- 
na, chamada Uabab, outros dous Abdallah, e Mohammed. 
P. ' Sobrevjveoo Prineipe Mohammed a seu irmão Omar 
Btte mezes , e faleceo na cidade de Fez no mez de Rabia** 
tam do anno 211 (836)^ e foi sepultado na sua mesquioi 



éti parte de Leste y depois dê ter reinado por espaço de oU 
to annos, e bam mez; e ter ncoieado seu successor a sca 
filho AI7. 

» 

CAPITULO VL 

Do reinado do Príncipe Aly , filho de Mobammei^ 
fiibo de Edriz » fiíbo de Edriz AH assa fd. 



JjjfiK oPrincipeAl7Íilho deMahammed^ filho deEdrÂe^ 
filho de Edriz, filho de Abdallah, filho deHassan, filho 
de Al-hassan, filho de AI7, filho de Abu-Taleb, edeZai- 
nab, mulher livre, filha de Esmail , filho de Omar, filho 
de Mossabe Alazedi , to c}úai fioi accíamado no dia do fale- 
cimenio de seu pai, segundo a disposição deste iia sua vi- 
da, tendo então nove annos, e quatro mezes deidade. Mos- 
trou elle agudeza, penetração, e bondade, como pedia a 
sua nobrezp , e dignidade , e foi digno imitador de seu. pai ^ 
e avós na« rectidão, bondade, religião, firmeza de animo, 
observância do direito, sojeição dos inimigos, e segurança 
do paiz, e das fronteiras, de maneira que os povcs viverão 
Ba Mauritânia em os seus dias seguros , e tranquiUos até ao 
mez de Rageb do anno 234 (848) em que elle faleceo» 
tendo reinado na Mauritânia perto de treze annos. Succe>» 
deo-lhe seu irmão lahia^ 



CAPITULO VIL 

Do reinado do Prineite labia , filho de Mobammedy 
filho de JEdriZj filho de Edriz AUbassaní. 



o 



Príncipe lahia, filho dè Mohainmed, filho de Edriz ^ 
filho de Edriz, filho de Abdallab, filho deHassan, filho 
fk Al-hassan, fiiho de Aly , filho de Abu*TaJeb, subío a» 



(f4) 
^irOAo 4epo{s áo &lecíniento "àc teu irmâa Afy , e por d^ 
poÂçio desce na sua vida , e seguio a mxrcha de ara ícl 
oião, pai , e avô. Nd tempo do seu reinado crescéo a po»- 
pulaçao em Fez com avinda das gentes deHespanha, 'Eírí- 

3uia, e de todo c pai2 da Mauritânia; e tendò-se estreita* 
o a cidade pela multidão dos seus habitantes; por isso edi- 
fiçãriío ?aríos delles nos seus arrabaldes; c foi edificada no 
bairro, de Caruio a mesauiu do mesmo nome^ asako como 
alguns banhos, e hospeclarias para òs mercadores, e outras 
pessoas, que elle mandou construir, cuja memoria Deos 
esaUe. 

CAPITULO VIII- 

Sabre a edificação da mesquita de Carain ^ sma artbi^ 

iectmra , e accrescentamenios , aue teve em di^ngr» 

SOS tempos , desde o tempo da sua fundafMa 

até ao presente anuo de 7%4 ( i ^i$ ). 



E 



XBRCEO-SE constantemence a predica , diz o autlior ^ 
na mesquita de AlzoraÊl , que edificou Edriz no bainro de 
Caruin , • na de Alaxiague edificada no bairro de Anãakis 
todo o tempo do*reinado dos Edrisiras. ^ 

O assento da mesquita de Caruin era de terra branca, 
aonde se dispunhâo hortaliças , e ndle havia dívefsidaKÍ« de 
arvores , pertencentes a hum sugeito de Hauara , de que se 
tinha apossado seu pai, quando se edificou a cidade; eten- 
do-se vindo apresentar a Edriz , quando elle a constniio , 
grande multidão de gente da^ cidade de Cairauan com as 
suas fàmilias, as coUocou no bairro de Caruin ao redof.de 
si. Havia entre ellas huma virtuosa mulher,. chamada Fate- 
ma, apellidada Ommol-banin, filha de Mohammed Alfii* 
hari, natural de Cairauan, que tinha vindo da Efriqula 
com sua irmá, e marido; e se estabeleceriio na vizinhança 
do lugar da refisrida mesquita. Tendo^he morrido seu ma« 
8id0| e iroiã^ dosquaes Iieiddu avultada soma dedinheíioj 



/" 



licitamente adquirido , e sem duvida de se ter akerado com 
as compras, e vendas, e desejando gasta*lo em boas obias*^ 
t de piedade » propoz-se a edificar com elle humâ mefiquita 
cám intento de eacontrar o premio na outra vida , aond^ 
cada hum acha presente o bem , que obrou nesta ; e rendo 
ajustado a compra do iugar de Caruin com a pessoa , qtts 
estava de posse- delle , lhe entregou o dinheiro, e princi- 
piou depois a cavar o alicerce , e a edificar a mesquita no 
oia. Sábado I primeiro do mez'de Ramadan do anno 24^ 
(Bf9), ciqas paredes £>rão eoitsrruidás de taipa, e pedra 
calcaria y a qual íoi cortada de huma caverna , que se abrio 
no meio da dita mesauita , donde também se extrahio teiv 
n , e arfia .amarela de excelienie qualidade , com que $^ 
Gonstniid toda a mesquita , sem vir de fora terra algtt#' 
ma 9 nem mesmo a agoa , porque os pedreiros a tira vão do 
poço , que esta 00 clapstro da referida mesquita , tudo por 
cautela de Fatema para se livrar' de escrúpulos, a qual 
desde o principio da obra até ao fim não cessou de jejuar 
e orar a Deos Altissimo, dando-lhe graças por a ter jdiri«- 
gido a obrar bem^, (a) 

Abtt-Casiem, Ben-Janufi nawa descripçâo a respeito 
êã cidade de Fez diz , que a mesquita , edificada por F> 
*fema , constava de quatro naves com hum pequeno jc/austip , 
cujo comprímenio desde a parede do lado occidental mé i 
do lado oriental era de cento e cincoema palmos; eque 
nella ae collocara a sua tribuna em o lugar, donde se acha*- 
va preren temente o grande cat)de]&bro, mandando faser 
também a dita Fatema huma torre poiY^o elevada nosicio^ 
om que «gora está si aiccba , ou pequena caza de abi>bi^da ^ 
^fúe fica por cima da Anzá (h). 



■M 



XO Conde d« no 1. temo rfi sua historia p ag. 5SS , que fom construi» 
•fh "«m vida de Edrii , faDecido tm si ). 

ià^ No meio dt arcada de him kdofJo riaivtro^ SKioiiiea de Caiuip 
Im huma akoba, e por cima desta 4)uma morrinha,. com aliru^a de hom 
animal pareciílo com a doninha ^ a que es ir.curoii thamfo y</i»Á GaIío, 
e Gigço dizem , que este animal se costuma introduzir na ir.adte das ^h 
Mdii'} ^tnd» «eicáe ^definidas ,« ^ 'imilt. 



Disse^e também que erSo duas irmásFátema Oihmol-* 
banin , e Mariam , filhas do mencionado Mohammed Al* 
fabarí; eque Paterna edificara a mesquita de Caruin, e 
Mariam a de Andaluz com dinheiro licitamente adquirido, 
que tinhâo herdado de seu pai>^ e irmãos, as quaes se con« 
servarão, como eilas as tinhão edificado o resto do reinado 
^os Edrísitas até á sua extinção, porque tendo os Zanacas 
dominado o paiz, e estabelecido o seu Império na Mauri- 
tânia , construirão as muralhas em roda dos arrabaldes do8 
bairros de Andaluz, e Caruin, nas quaes fizerão grandes ac« 
crescentamentos , de que até ao presente apparecem vestí- 
gios : e como crescesse a população , e estivesse apertada a 
gente na mesquita de Alxorafá, por ser pequena, transfisri* 
rão a predica desta para a deCaruin emrazão da sua gran- 
deza , e extençâo , na qual fizerao huma tribuna de madei- 
ra de pinho , cujas obras , e accrescimos íotío feitos no 
anno 300 (911 )• O primeiro Orador, que pregou nesta 
mesquita , foi o iilustre e virtuoso Doutor Âbu-Mohammed 
/Âbdallah, filho de AI7 Alfaressi. 

0)nta-se aue o primeiro que removeo a predica da 
mesquita de Aizorafa , ^ a transferio f para a mesquita de 
Caruin no anno 321 ($32) fora o Príncipe 'Ahamed, filho 
de Mohammed AUhamdan , Governador de Abdallah As- 
aamai na Mauritânia ; e que igualmente a mudara da mes- 
quita de Alaxiag para a de Andaluz, tendo sido o primei- 
ro orador, que pregou nesta o virmoso Doutor A bul4ias- 
san', filho de Mohammed Assadefi. Assim se conservarão 
ambas as mesquitas de Caruin , e Andaluz até que Abder- 
rahaman Annasser LadinaMah , Rei de Hespanha , sugei* 
tou a Mauritânia, e foi acdamado ,na cidade de Fez da 
tnesma maneira que nas outras partes , o qual tendo 410- 
xneado governador da dita cidade a Ahamed , filho de Âbu- 
bacar Zanatense, homem de religião, bondade, e virtude, 
e escripto este a^T Príncipe dos crentes Annasser pedindo- 
Ihe permi^âo para compor, ratificar, e augmentar a mes- 

3 pita deCaruin, ellenão só Ihaconcedeo, mas até lhe man- 
ou crescida soma de dinheiro dos quintos das presas* dos 



Chrisfios , dfdenaiKló-lhe que o gastasfCf na dita obra , com 
o qual compoz a dita mesquita , auginentando-a também 
dos lados de Leste , Oeste, e Norte ^ e demolindo ji sua 
anripa torre , que estava sobre a Anza , em lugar da qi^al 
edinoDU a que ba presentemeate» 



CAPITULO IX. 



.; 

jí respeita da censtrucfio ia tsrre da mesqui- 
ta de Caruin , cajá fama Vees exalte. 



T 



EMDO o PriDcipe AbttUAbasse Ahamed ^ filho de Abi^ 
bacar começado a edificação da torre da mesquita de Ca- 
nim , determinou ^ que a largura de cada hum dos seus la- 
dos fosse de vinte e sete palmos , que fazem ao todo cen-. 
to e vinte oito palmos , que sâo os que ella também tem 
de altura sem a menor duvida , e a que devia ter segundo 
as regras da architectura , e da geometria ; e que a porta 
4a mesoia fieasse do , lado do meio dia , sobre a qual ièz 
escrever^ em hum quadro de gesso com filete asul esta 
inscripção: Em nome de Dcos Clemente e Misericordio- 
so 3 a quem pertence o Império, ppis he o único Omni- 
Eotente. Mandou íàzer esta obra Abamed, filho de Abu« 
acar Zanatense, a qiisl Deos encaminhe, e dirija, com 
e fim de conseguir do Ahissimo Deos o premio, e os seus 
abundantes beaeiicios , o qual a principiou no dia de Sc^ 
gunda feira, primeiro do mez de Rageb do anno 344 {9SS)i 
e a acabou com toda a perfeição no mez«de Rahial-^águer 
doannosçguinte* Em- hum lado do dit#qqadro as seguin- 
tes palavras: nâo ha.. senão hum Deos, e Mohammed seu 
enviado , ao qual Deos sejá propicio ; e no outro da parte 
do claustro da mesquita , estas : dizei , ò meus servos , vós 

aue tendtfs exposto remerarlamente as vossas * almas , nâo 
esespereis da misericórdia de Deos^ porque elle he Cie- 

H 



Aente e Miierfc»fd$cxx9 ^ t perdoa todavat cnlpas. Collb- 
(òtt sobre o remate da guarita da referida torre, chamada 
afmenara (5Ítio da alanteroa) , humas' pe<]oeiias roaçaoetat 
douradas; cno mais alto delta a espada do Príncipe Sdfisy 
filho de Edríz, Hfndador da sobredita cidade. A nizão, 

Jorqueo Príncipe Áhamed , filho de Abubacar, filho de 
tohammed Zanarense mandou collocar a dica espada na- 
quelle fitio , foi y porque , depois .de ter acabado dê edifi- 
car a dita torre , vierão alguns dos descendentes de Edriz 
litigar perante elle sobre o direito, que cada hum tinha 
áquella espada, e pertendendo ^ se lhe renkuMe} e 
perguntanoo-M)^ eUe, ae lha quenáo vender, porque aa^» 
aim termínavão a sua lite, elles lhe perguntarão para que 
a queria : e respondendo^lhes elle , que para a pór no maia 
atro da torre, que tinha edificado, para rozar dasva vir- 
tude, elles lhe tomadio: se assim o. fizeres ^ 6 Príncipe^ 
nds de boa vontade ta oíFerecemos^ e tendo aceitado a sua 
offerta , a coUocou no sobredito lugar. 

Tendo-se conservado a refirrida torrs á% maneira qur 
Ahamed , filho de Abubacar a tinha edificado de cantaria 
sabiamente lavrada , posto que com alguns boracoa, ena 
que os pombos , e zorzaes criavSo , até ao anno 7M 
(T386) (a) em que foi nomeado orador, e prelado áz 
mesquita ò virtuoso Doutor Abu Abdallah , consultou eate 
então o Príncipe dos mosaelemanos Abu-Iusiòf , filho de 
Abu*Abdel-haqque a respeito de a mandar dealbar, e com* 
x>r , oqual não só approvou a sua lembrança , mas mesmd 
he ordenou, que se servisse dos dinheiros^ procedidos d9 
trigo do dizimo, para esse fim; mas elle l<be respondco, 
que o dinheiro d^ fabrica , querendo Deos , seria para iaao 
anfficiente, e principiou a dealbar, e rebocar a referida 
torre, cravando grandes pregos entre as pedras, para pe» 
gar, e segurar o reboco^ no que gasioa treze arrobas e 
- f 

(«) Brta dbes etli catameme errads, porque Abu-Iussof, encujo re»* 
mcb foi nonaaJo prelado, e ondor da mesquita , faleceo cm 68$ } e mes* 
Qio porque osta bistopis speoai cfae^s ao anuo 7s«. 



nr, 



(59) 

Ibet2i 4ellcs: t àtfok de rebocada^ « bunuo até ficar co« 
mo hum qspelko lapidado; e teado-se assim. evitado opre* 
> jttizo dos pássaros , ficou beUa » e, formoza. 

Edi6co« igualmente sobre a porta da mencionada tor« 
re hum quarto para residência do muadden (a)^ que esoi 
de cjuarto* Cosservou-se a mesquita de Caruin no estado ^ 
em que a deixou o Principe Ahamed , filho de Abubacas 
até ao tempo de Hexam , em que , tendo-se senhoreado o 
seu Vice-Rei . Âlniansor , filho de Abu-Amer, da cidade 
de Fez , edificou na referida mesquita a alcova , que está 
sobre a Anza no maio do claustro , aoade^ estava a anti* 
ga almenára ( danterna , ou torrinha , aonde ella se iça ) j 
e ccrflocou no mais alto delia figuras magicas ^ sobre va< 
rí6es de ferro , que antes estavão sobre a alcova , que fica 
por cima do nicho, ou lugar do Ministro que preside á 
oração , algumas das quaes erâo obras dos antigos y e ou« 
trás fabricadas no tempo de diversas seitas : huma contra 
06 ratos 9 os quaes não entnavão , nem criavão na mesqui^ 
ta i e se algum entrada , era mal tratado : outra {Heserva- 
tivo contra os alacráos , a qual tinha a figura de ave no 
btco^ e de alacráo na cauda, os quaes nunca entravão, 
nem creavão nella ; e se alguns vinhão envoltos nos vesti* 
dof dos que hião i oração , fica vão amortecidos , e sem 
iBorimento. Presenciei , diz o Doutor Ben-Harun , hum 
alacráo , que veio huma Sexta feira envolto na ro^pa doa 

St vierão á oração, o qual cahio amortecido entre as alas, 
ndo iramovel, conu> se estivesse morto até se acabar a 
oração; e a gente a aíastar-se delle com receio da sua pt- 
oadura , e quando o mararao depois de acabada a oração y 
eotão he que deo signal de vive. 

Está outra das mencionadas figuras sobre, hum varão 
dé bronze com suas maçanetas , que se conta ser preserva- 
tivo coQtra as cobras , e tem tal virtude , que nem estas en-^ 

H 2 



■«M«l 



^fd) MiMKlden chamSo os mouios da íodividuo, que convoca o povo á 
Oiaqio do alto das correa d» meaqjftitaa , porque nío uzâo àç sinos, , 



trâo, nem criUo na mesquita ; e se alguma entra ,^ he omI, 
tratada , e morre. Diz-se rambem , que, as que nella se en- 
contrao , são génios domésticos (a). O que senão pode oe*. 

far he que nunca ,- nem nos tempos antigos, nem nos me- 
emos se enbontrou pessoa que fosse mordida pela cobra; 
ou alacráo dentro da referida ttiesquita. O vice-Kei Almo- 
oafar Âbdelmaleq, filho de Almansor, iilho deÂbu-Amer, 
edificou também o chafariz com a sua pia defronte da por» 
ta j chamada baboUhafá , da sobredita tnesquita , para on« 
de conduzio a agoa do rio Hassan, que fica fóra da cida- 
de do lado da porta Babol-hadid ; e construio na dita mes-> 
quita huma tribuna de madeira de acufeifa , e de ébano y 
por cima da qual gravou esta inseri pçSo =. Em nome de 
Deos Qemente, e Misericordioso. Seja Dcos propicio para 
nosso senhor Mohammed, e para a sua família , e sócios. 
Esta obra foi mandada fazer pelo Califa augusto, efâroo» 
80 defensor do mohammetismo Abdailah Hexam, (èy 
ajudado por Deos, a quem o mesmo Senhor prolongue 
sua existência , sendo o encarregado delia o seu vice^Rei 
lAbdelmaleq Almodafar, filho de Mohammed Almansor, 
filho' de Ab|]*Amer, a quem I>eos Altissimo dirija, no 
anno 375* ( p^f )• Sobre esta tribuna se continuou a pre» 
dica até ao reinado dos Lãmetunenses. Nâò cessarão em fina 
os governadores , Príncipes , e Reis de cuidar no augmen- 
to desta fãmoza mesquita, e de compor o que na mes- 
ma se arruinava para alcançarem as bênçãos , e a recona- 
Eensa de Deos Altissimo ate que se levan^râo os Almora* 
ides na Mauritânia , a dominarão toda, e reinou nella o 
Príncipe dos mosselemanos At^, filho de lussof, filho de 
Taxefin Lametunense, em cuja época cresceo a população 
na cidade , e chegou a prosperidade ; pois tendo-ce estreia» 



(á) Talvet qoe ot taes ffertfos sejío aquillo a que \*ulgó chsmSd dueil» 
def , e que este pre juíio nos ficasse ci dos mouros; 

(b) .Hexam foi Rei de Gonlova somente no nome, porque AtmansoTt 
seu vice-Rei , ou camarista , e seu filho Abdelmaleq , que ibe saccedet^ âO 
tmpregOi go?er«aváo despoticamente os seus cstiKiosb 



<6t) 

tMà» a mesquita COO) a multidão da gente âté ao^pcfotd 
de ser preciso fazer nas Sextas feiras a sua. oração. pelos 
Uinzos, e praças^ congregarão^se os Doutores , e Xéquea^ 
je mrão fàllar a este resDeito com o Cadi da cidade ^ que 
«ra o Doutor Abu-Âbdaílah Moliammed , filho de Daud^ 
hum dos mais dignos Cádis em razão da sua sabedoria ^ 
rectidão y e piedade, oijual informou o Principe dos mos* 
lelemanos do que tinha chiado ao seu conhecimento a 
sespeito da mesquita , pedindo-lhe licença para a aceres» 
ctntar, ,a qual elle lhe concedeo. Dizenclo-ihe o dito Pris^ 
cipe que estas despezas haviâo de sahir do Erário ^ elle 
Ifaerespondeo: talvez Deos de : Magestade permitia , que 
seja bStôtante para a dita obra o dinheiro da mesma mea» 

3ilita^ que estiver junto dos seus rendimentos nas mãos 
os seus procuradores. Tendo-lhe então ordenado A)/ > fi- 
lho de lussof , que por bem do serviço, e culto de Deos 
Altíssimo cuidasse no augmento da dita mesquita» na vi« 
gilancia dos seus rendimentos ,. cobrança delles , e sua dis^ 
tribuiçâo; e despedindo-o , retirou*se o Cadi para o seu 
tribunal : e perguntando pelos dinheiros da fabrica , . e 
achando , que aquelles , rm cujas mãos estavão , os tiohão 
comido , reputando-os dinheiros seus , os tirou das suas 
mãos , e nomeou outros procuradores , de cuja religião con« 
fiava. Chamou a contas os que deposera , e pedindo-lhes 
contas dos rendimentos dos quartos , e das terras da fa« 
brica , de cuia liquidação resultaiâo crescidas somas y oa 
obrigou a satisfaze*las ; e tendo accrescentado a estas os 
rendimentos daquelle anno , veio a apurar mais de oitenta 
mil ducados. Principiou então a accrescentar a mesquita 
dos lados do meio dia, nascente, e poente; e para isso 
comprou as possesstfes^ que precisava por preços justos, 
e sem engano. Como a maior parte das cazas erão dos 
judeos , aos quaes Dcos amaldiçoe; aquelles que recusavão 
vender, avaliava-se o seu prédio, e entrega va*se-]h es mais 
do seu valor , i imitação do que praticava pmar , Ben- 
Gatab , quando augmentou a mesquita de Mecca. Pepoia 
^ acabou de comprar as cazas , que quiz > e lhe tonvK 



•Mi» |iri0cipi<iu a (kinoli4a8, e a venâer ot Koft ommc^ 
9iãt$ y em que apuroa o preço , porque as diiiia cotapa^ 
4o^, ficando o terreno de lucro pela ocnçáo de Deot A^í 
fiasimoy que unio i mesquita. Tendo conecado a obraj^ 
edificou prímeirameme a porta prindpal do lado occkk» 
lai y chamada Babol*fag-garín*alcodaiDÍe ( porta doa oiet«- 
ffos aftcigOB ) , a qaal Ae conhecida presente mente pdo 
•orne de BaboK-xamináín ( porta dos ceneiroa ) » a cuja 
ftccuim «lie presidia , determinando a sua largura , com« 
Relento, altura I e extensão, aonde coUocou grandes por^ 
taa, e excellenres bases, de maneim que náo lie possível 
íaserem-se outras iguaes. Por detraz da dita porta da pd> 
ae de dentro da mesquita fes huma alooTa na qoal se adm 
eacrita i seguinte insçripçâo : edtfiooQ-se esla porta , 9 
alcova , e se completou de estructura , e ornacfo no mes 
de Dul-*hej-ja do anno ^28 ( 1334)* Qnando se cavou o 
alicerce para esta porta , encontrou-se por baixo do pos<» 
ttgo esquerdo ao entrar para dentro , aonde está a caza 
de espera , huma fonte de agoa j semelhante a hum ran-» 
que quadrado , coberta de abobeda , e da extenso ák qoa* 
tro palmos no compiimento, e*na largura, que parecia 
ter hum thesouro escondido ; mas de qtie se ignorava • 
antiguidade ; e tendo sido demolida a ai ta abobeda ape-» 
fias se encontrou hum tanque com hom oasoente de agoa , 
jt amlhado de kagados , que quizeiiio tirar , e não podb» 
ftfo. Tendo o Caoi e os Doutores da Lei feitb a sua ooih 
ferencia a este respeito , concordarão , que deixassem ficae 
os ditos kagados, e se reedificasse a mencionada abobei 
da« Bemdito seja Deos de Magestade , além do qual nSo 
ha outro ,.que sustenta as creaturas , que qaer« 

Abu-Alcassem , filho de Ganun diz, que tendo*ae 
reformado a dita abobeda , e subido sobre ella o alicer^-» 
ce , se marcara o sitio da porta , cujas bazes erao dé 
bronze. O author desta historia diz , que elle vira^hiima 
memoria da própria letra do virtuoso Xeque AbulrhassaSyr 
-filho de Monamed, filho de Faraun Alazedí, emque di- 
8ia, que a dita abobeda fiva encontrada poc bamo d» 



( ^ ) 

gfeide io postigo dó lado dirçico da- j^aite de * AIcarainA 
Coaseryou-se a referida porta da maneira , <;«ie à t*- 
aha edificado o referido Cadi até i floute vigeeiíim quat» 
tt do inez de Jumadil-iguer do anuo 571 ( IITJT )»^ ^ip 
que^ ateando^e o fogo oo mercado de Babol-seleelá , pa^ 
sou dalli para a oicDcionada porta , aonde queimou a a)* 
€DTa de madeira , que lhe estava fronteira , e umbem paj»- 
te da metauí pona , a qual Sm teixíTada no mes de Jti^ 
nadil-ágner do anno 600 (1204) por Aburliafece, |^ 
Uio do rrincipe dos tnoaselemanos lu^of » íiJiio de Abdd» 
aiumeo , Bei>*Ahr , sendo o liKpector da obra Abul-ha»* 
UBy fitbo de Mohamined Aiazraque Alattar, e paeadtf 

EDr conca do Eiario ó Cadi Abu^acub y filho de Aode}* 
aqque. Tendo falecido o sobredito Cadi o Doutor Abtt* 
Abdallah , filho de Daud , $uccedeo^lhe no enopr^ó o 
abençoado Doutor Abdel-haqque» filho de Máiiiy o ^uúp 
seguindo os seus passos , e systexna , tratou de renovar a 
dita mesquita , para o que congregou os architectos , e ji>- 
telligentcs , e lhes declarou ; que tinha em vistas coijocar 
a tribuna daquella mesquita sobre Ain-Carcaf ; mas que 
isso lhe era Impracticavel em rasâo de o impedirem as 
casas do Doutor Abu^AIy, filho de Abul-hassan. £m con- 
ttq«encia deste obstáculo concordarão unanimemente, que 
se accrescentassem trez naves com o nicho, e tribuna^ 
Jnima delias do lado.occidental, e as outras duas do la* 
do oriental , as quaes edificou com pedra calcaria , e terrs ^ 
tirada do mesmo terreno , por não se querer servir das co* 
vas, donde o povo a extrahe para as suas obras, para t> 
que cavou no meio da segunda nave da parte do sul , c 
na cova que abrio, spparecco^huma caverna tío profunda^ 
que se lhe n^o encontrava o fim , aonde os operarirs cor«- 
lavSo a pedra , e cava vão a terra , que condu^iâo i cabe- 
ça aos pedreiros , para construirein a obra , de maneira 
que não se serviâo de materlaes 4e fdra , nem frefmo da 
agoa , que se tirava do poço , que ctti no tlaostro da mes^ 
ma mesquita : vindo<« a tirar assim todos os ercrupuloi. 
Paseceo ás fcét^i vistas do lèfirôdo Domor 4af ceva forma 



^ 



(€4) 

ás |lôrtd« da mesquita chapeando*as de brodze , conshtifr 
-^m frente de cada huma dellaa huma alcova, augmentar 
*a,sua capacidade, e perfeição, mudar a torre, e princí** 
>piar â eaificar o nicho, e.a alcova, pintando tudo deou- 
Hfo ) e azul , e outras cores , obra que acabou com tanta 
^rfeiçâo, que a sua belleza pasmava aos que a viso, e 
-«strania aos que vinhão á oração -, mas obstando o Âlmu<- 
iiades a entrar na cidade no dia quinta feira <]uinze domes 
tle Rabial-águir do aniio 5*40 (114$^ ), temerão os seus 
'babitantes e xeques, que elles lhes censurassem aquella piíi* 
•tura e douradura sobre o nicho , porque elles sé tinhâo cn- 
«ronisado com o pretexto da mortificação , e despreso dat 
grandes pompas; e bavendo-lbes constado^ que o Princi* 
-pe dos crentes Abdelmumen , Ben-Àljr, entrava no dia se- 
^inte em a cidade com os xeques dos Almuhades com ò 
intento de assistirem á oração no dia sexta feira na mes- 
quita de Caruin , temerão , e vierao naqueila noute á mes« 
<)uita , e cobrirão com papel aquella pintura , sobre o quai 
poseião huma capa de gesso branqueado com alvaiade; e 
tendo-o burnido , fez desapparecer toda aquella pintura , 
TÍndo a íicar-branca. 

A tribuna , que ha actualmente , foi fabricada de ebá^ 
no , sândalo , marfim , acufeira , e outras madeiras magni*^ 
ficas , sendo o que concorreo com esta obra o instruído 
Abu-Iahia Alabad, ancião de mais de cem ãnnos, e Priq* 
.cipe da lingoa , e da poezia , o qual tendo cegado , che« 
.gou-lhe a sua demissão , quando estava a concluir*se a di* 
ta tribuna , o claustro , e a porta dos esquifes ; mas tendo 
sido depois elevado ao lugar de Cadi o Doutor observan* 
te , e ae sábio conselho Abu Maruan Abdelmaleq , filho 
da Baidál-caissi , completou este todas aquellas ooras da 
maneira que as tinha principiado Abu-Mohammed Abdel- 
haqque , filho de Maixá , excepto o chapeado das portas » 
e a mudança da torre, em que nada . alterou , parando aon- 
de este tinha acabado , as quaes obras aquelle conduio .no 
inezde Xaaban do anno 5:38 (1144). 

O primeiro orador , que pregou na mencionada tribii^ 



ita ; ft>í o virtuoso , e respeitável Doutor Âbii-Mohammed 
Mahadi, filho de Aissá, varão elo^uentissimo , e o mais 
digno de louvor , o qual pregava em todas assextas feiras ^ 
e sempre diversos sermões. Tendo porém entrado os Al- 
mubaoes ém Fez , mudaráo os tempos , e os homens , e 
trocarão-se em todo o paiz da Mauritânia os oradores, e 
ios ministros da religião ; porque estes ministérios só se exer- 
cião por aquelles que saoião de memoria o culto de hum 
só Deos na lingoa barbarica» No tempo do CacTi Abu« 
Abdallah. filho de Daud, foi ladrilhado o claustro da 
mêncionaaa mesquita , de cuja obra se encarregou SagroU 
bannãy Sen Massaud, homem dos mais intelhgentes nas 
artes de alvenaria, e carpintaria, por não ter agradado , e 
estar incompleto o ladrilhado feito antes porçutro^ ao.qual 
ajudou o mestre Abu*Abdallah , Mohammed , filho de 
Afaamed , filho de Mohanfmed Algulani ; com a condição 
de não ficar no dito claustro retenção, ou parada, e fazer 
que lançando-se da. parte mais devada do dito claustro 
porção de 9goa , descesse esta ao mais baixo' toda junta 
sem lhe (altar pinga em razão da igualdade do ladrilhado* 
Veodeo o dito mestre Abu Abdallah quatro moradas de 
cazas, que tinha herdado de seus pais, com cujo produ* 
cto fabricou ladrilhos semelhantes 9 bolachas , e do com* 
prímento da metade dos Tadrilhos ordinários, e também 
cal ; e edificou por sua mão com o dito Sagrol-banná a 
referida obra com toda a perfeição e segurança , somente 
com o fitn de alcançar o premio de Deos Altíssimo. Tem 
o mencionado iclaústio onze arcos no seu comprimento , e 
cada hum delles levou vinte fileiras de ladrilhos-, cada hu- 
ma das quaes tinha duzentos , que £azem ao todo quarenta 
e quatro mil ladrilhos; e juntos a e9tes os oito mil postos 
ao redor do mesmo claustro , vieráo a ga$tar«se sem ouvida 
djicoenta e dous mil ladrilhos. 

♦ Tanio está obfa , como a da grande porta fronteira 
a AlcarsetuA forao feitas ppr direcção do sobredito Cadi 
filho de Daud no anno yzó (• 1*131 ), o qual , apenas se 
coocluio a dica obra , ordenou , que se fizessem roldanas , 

1 



( « 



( tt ) 

coram grossos , « toMos de panno de llnlio ^alrndgratfos do 
tamanlio do sobredito claustro para lhe fazer sombra : t 
. quando vinha o verSo, e apertava o calor, aravSo^e m 
roldanas, puravâo-se os cordéis, e lovaruavíío-seos iddos 
fto ar sobre o daystro, e ficava a gente á sombra livre do 
calor do sol : e para ^ue esta liáo ficasse incomodada com 
a escuridão, «e calor, fez abnr iios mesmos toldos posti- 
gos para emrar o vento. Comi miarão os ditos toidos mi 
mesmo exercício tté «se despeda<^arem com â protongaçlo 
áos annos , « progresso dos dias, c das nouies^ s^in ^^ut 
algum outro podesse hzet outros semcitiaíites. ' 

A pia e a bacia porém , ^ue estão no meio do meii^ 
eionado claustro, forio feitas po anno 599 ( rioi) por 
Abu-Ân»raB 'Mussa , ^ho de Abu-Xamá , varão insigne na 

feometria ^ e arcliitectura ; ma$ as despezas destas obras 
Drão por conta do abençoado Doutor Abul^assan , nata- 
ral de Sagelemassa , ao qual pmsperem, e aproveitem sei» 
intensos, homem dotado de religião, e bondade, e digno 
ée se seguir, e imitar , pois em esmolas repartia diaríamen^ 
te dez ducados, ée seus bens, e lícitos interesses. Princi» 
piada a dita obra , lançou do grande depozito hym aqoe^ 
dueto , que introduzio pelo meio do claustro até cli^r ás 
mencionadas pia , e bacia. A pia he de manvkore wanto 
o mais beilo em transparência, e^lvura, que se tem visto, 
a qual tem. do lado direito vinte boraquinhos, eoutros tân« 
tos dp esquerdo, pelos quaes se eleva a agoa, e se espalha 
^ para a bacia. Esta he de bronze dourado posta sobre hum 
pé do mesmo metal piíftado, o qual se eleifa dnco pdlmot 
da terra , e he dividido pelo meio : por hum lado sobe a 
agoa , a oual borbolha no meio da bacia àt iiuma maçA ^ 
que tem ciez canudinhos ; e cheia ella , torna a borbplhar, 
pòr huns boraquinhos , mie tem pelos lados ,- porque he de 
duas conchas ^ e baixando depois pôlo outro lado do dito 
pé, estão a pia , « bacia sempre cheias de agòà corrente 
sem se perder huma só ^ota , da qual bebe a gente , o se 
utiliza para as suas precisões , ao redor das quaes ie €óU 
locarão baldes dourados com soas cadMs de cobra pata ^aa 



(é7) ^ 
fccbcr fOfcIlesi Sobre a |>ia e$iià gpffdesr de marmora 
fataitoo^ obra •admirável naquellis tempo , e por baixa a 
aqgiiiite ioscfjpçâa, gravada em buma pedra encarnada =« 
Em 9ême de tkos Clemente^ e Misericúrdhso* O mesmê^ 
^wbêr seja propich a Stid Mobatmwd ^ $ dsuafamiliaé 
Ha pedras*^ das qmaes certamente dimania os rios ^ 
mtíras^, que se dividem ^ e delias sahe a agoa\ e outras^ 

Se baixâo peJth temer de Deos, Este me está desof idade 
^11^ que fazeis. {AUerão Sura 2. Vers^ 74) Cencluie» 
et est0 ebra ne m€& de JtmiadiUdg^ir de anmí f-pj^ (i 203^ 
Os sobejos* da agoa da dica oacia e pia encaminhão* 
se para o sitio dos lavatórios de Aiixarcaf , dos quaès sô 
uliuaach aUi: t^ casas , e nas rtfgas ,. donde depois se diri- 
gem para o aiseitat^ aonde a agoa se esconde na terra ^ « 
acaba todo o seu- proveitOé 

A amiga Anaa, junto da qual se celebrava a oraçâo^ 
na estação do verão ,, era construida de magnifica madeira^ 
de cedro , e tinha na parte mais superior a seguinte iqscri* 
pção =:• Foi construiaa esta Anza no mez de Xaaban do« 
anno jrx4 ( 113o)* A que se acha alli actualmente íqí. 
mandada fazer do dinheiro da fabric-a pelo Doutor prega* 
dor 9 e Cadi Abu-Abdallah , filho de Abu-Sabar, qaando- 
fbi elevado ao dito emprego na mencionada cidade do^ 
Fez, cuja obra, foi começada no primein> do mez deDul> 
Kaada do anno ^87 ( 1191 ); e acabada, e posta no seis. 
lugar na mez de Rabial-áual do anno. 589 ( iipj.)* 

O numero das columnas da dita mesquita , assim an- 
tigas , como modernas , he de duzentas e setenta e duas ^ 
e de desaseis naves em quadro* de norte a sul , e de leste a 
oeste sem tortuosidade por lado algum , cada huma das-^ 
quaes accommoda quatro fileiras de duzentas e doze pes- 
soas cada huma. Tem cada huma destas naves vinte himi- 
arcos , debaixo de cada hum dos quaes seassentâo dez 
pessoas, vindo nas quatro fileiras a perfazer o oiimerade 
oito centas e quarenta pessoas, sem que nesta conta haja- 
a menor .duvida. Ora sendo as ditas navts de2aseis, segue- 
sc que podem conter em si treze mil quatrocentas equaren- 

I 2 



ta pessoas (a), Mèdlo-se a piam» entre âs colitmiiáfi . da' 
mesma mesquita, e se achou ter capacidade para quinhen- 
tas e sessenta pessoas , a do claustro para duas mil ú sete 
ccntas, e a do adro, em que orâo muitas pessoas sêrii es-* 
tarem em ordem , para mil e quinhentas / assim como a 
dos largos e praças , em que se computâo ofar nas Sextas 
feiras quatro tiúl e quinhentas pessoas. Rezulta por tanta 
do que fica expendido, que no dia de Sexta feira se con« 
gregão a orar vinte duas mil e sete ceíitas pes$oa9^ pôâco 
mais, ou mçnos somente com hum Ministro; mas isto 
aconteceo nos annos da abundância , e grande população 
da cidade* 

O numero das telhaç do telhado da sobredita mesqui* 
ta he de sete centas mil , e o das portas de quinze grandes * 
para entrarem os homens, e duas mais peouenas para as 
mulheres, para senão introduzirem entre ellas os homens. 
As. mais antigas delias são as dos lados de Leste, Oeste, 
e Norte , e a do Sul he moderna , a qual construio o Dou- 
tor Âbul-hassan , filho de Mohammed , íiiho de Abdelca^ 
rim o jedulense , quando foi elevado ao governo de Fez , 
assim como a chamada Babol-hafá com os seus puriíicato- 
rios , que fica' fronteira i porta do mesmo nome dá me^ 
quita de Andaluz , para as quaes condu^io a agoa dos nas- 
centes de Ben^Sádi , conhecidos presentemente pelo nome 
de Alcuzain.. Tendo chegado com a dita agoa ao mercado 
das passas, cortstruio afli hum chafariz^ que fez correr 
com parte da dita agoa , e continuou depois pom o resto 
para a mencionada porta : e todas estas obra$ forâo feitas 
no anno 689 (1290). Como a abertura da. dita pòrxa se 
' fez sem faculdade , nem ordem do PrinCipe dos mosseIema« 
nos lussof , filho de Abdel-haqque ; por isfo logo que lhe 
constou de tal obra, estranhou-lhe, e Icvou-lhe muito a 



irfita 



(à) Pela conta , ^ue o author árabe tinha acima feito , de caberem qua» 
tro Aleiras de duzentai e doze pessoas em cada nave , se conhece que devilo 
caber ao todo nas desaseis naves treze mi) quinhentas e sessenta e oito pes- 
soas, e não I {(^440, como elle diz , do que se segue que as contas, %^ 
tAt vai faceado ^ devem estar erradat 



(<9) 

lAàt o $ieu procedimento, de fazer huma tal obra na^itfo 
rida mesquita , de qu^ nâo havia nepessrídade , sem sua lio 
cença \ e ordenou que a porta se tornasse a fechar. 

O grande lampião fez-se no tempo do virtuoso', e 

Í>iedofiO Doutor , e orador AbunMohammed Abdaliafa , ft» 
ho do mestre Mussa , que foi o que se esforçou para isso^ 
porque antes havia outro de igual tamanho no mesnto lii^ 
gar 1 que se tinha 'desgastado com o longo tempo ; e tendo« 
ae quebrado, e diniinuido, sederretco com outra tanta por<* 
(io de bronze para aquelle , cujo valor , com o que se pa^ 
gou ao mestre , importou em sete centos ducados ^ e doua 
derahem e meio; e os seus candíeiros pezavâo desassete 
quintaes e meio e treze arráteis de bronze , os quaes leva* 
vâo hum quintal, e sete alceias de azeite (ii)« - ^ 

O numero dos candieiros que se accendiâo na mesquU 
ta de Caruin com azeite na noute^ vigésima 'septima dome2 
de Ramadan era de sete centos e hum , os quaes levavâo 
trez quintaes e meio de azeite, Accendeo-se sempre nesta 
noute o predito grande Lampião , até que fbi elevado ao 

«izado da cidade de Fez o Doutor AbuJacub lussof , fi- 
o de Amran, o qual ordenou oue se acccndesse desde 
a primeira noute do mez de ^amadan^até i ultima , o que 
ae praticou sempre até que faleceo o dito juiz no dia dos 
sacrifícios do monte arara (junto de Mecca) do anno 6if 
(laio) : e neste mesmo anno em o governo do dito Dou- 
tor se abrio a porta na mesquita de Caruin , sobre a <]ual 
se construio a alcova grande, estuquada com gesso. 

Accendeo-fse o dito lampiáo ainda no seguinte anno; 
mas tendo mudado os tempos , sobrevindo a fome , e as 
revoluçòes , diminuído os direitos na cidade , morrido a 
maior parte da gente de fome, faltado o azeite, e dimi^ 
nuido-se os gastos da mesquita , sccendia-se somente na so* 
bredixa noute de vinte sete , até que foi nomeado jurz Al- 
líBiuii , o qual ordenou que se accendesse unicamente hum 

% ■ 

(m) Cadi alcola tetn 13 vrtteis, que vetn a perfarer 1^4: j?aiecc-rm 
jftr tanto que o tutbor queria diíer hun qnmtal ^ ou sete >i9c«)n. 



(10) 

çtué iw o^nk rbferidbi êovrc; e naikr amk,..pwqiie, (ttsui 
ido: fu nao adboo f^ fogo » mae sÂin a DfOs.w Âsaim se ^hh 
ticou atá ao afino 687: ( i>8ft )i em qtse o JDtoiitor e-ota^ 
4or AborAbdbliaky filhioi éa Abu^Sabar foif nMiead0 juix 
4r Ftei» o tiHial* tendo Gonsultoda^or Pàncipe dae mosselftf 
naaoa Abi^latftik, filha àt Abu«*Iíi$sof ,. nlbo* d« Abdet* 
4aq(|ue a reapeka de ae ac^endbr o rofeiMo^ laciifcâo ^ llui 
«MÍOtt este indeoi (Hir» ar acceoder unitaBíieflCe na leferid» 
aoitfev cuja coacmne ae tom consenuido #cé agosa. As adu^ 
fikfl) ^ermáhos ,. que escâo sobre aa porraa da^ mesquita do^ 
lado meridional ao aaèir para< a portar dbs tsqiuíe;^ ,. esa» 
4c. Abu^Gusem ^ fiUio de Almattim,^ conhecido pelo de 6* 
Uo de Raquia , que as tinha íeito para as agoaa ilirradas 
da sua caza que ficão para a parte do bairro de Leoaca^ 
as quaes con^ as portas lhe tinhâo custado crescidas aomas 
•ela sua excellence construc^âo ; porém tendo constado ao 
Ctíncipe dos mosselemanos lacub , filho de lussof , filho 
de Abdel-haqque , que elle das ditas agoas Áirtadas desço* 
bria as cazas , e o banho chamado Masselag-hammam coaa 
a^ caza do fal^o , que lhe fica vizinha , e olhava para* atk 
Siulheres , que allt se despiâo , como testemunharão coa- 
tra* eUe perante o Califa, exoedio ordem ao Cadi da^ ci» 
dade.AmhMohammed Attadelis, o qual demolio astaes 
açoas furtadas, fazendo desapparecer os seus vestígios no 
dia quarta feira trez domezdekagebdoanno588 (1192); 
9 tendo ficado em poder dos seus herdeiros as taes ado* 
fiis , e vendo estes , que em parte nenhuma se empregavão 
ipelhor que na mesquita, lhas ofFerecerão de donativo, nas 
«laes estava escrito o seu nome, e o do mestre 'que a* 
aez , dizendo no fim , que tiohâo sido feitas no níez de IUh* 
gebdo anno 598 ( iioz). 

A caza do depozito , ou o thezouro da mesquita Ibi. 
construída no tempo do governo do virtuoso Doutor Ahvt^ 
Mohammed Iaxecar« Cavado o terreno , foi batida ao ma- 
lho a terra com cal , e por cima se poz bitume de pó de 
pedra , mármore, cal, e areia. O director desta obra atéá 
sua oonclusão fi^i o Doutor Abu- Alçassem ^ filho deHamld. 



o qool íntudán pôr trez fechaduras na pri«ieiffa |Kfita ; e 
outras tantas na segunda. Collocados nella muitos cofict 
oom aepavaçòes seguras , nem por issp deixou de se maqii- 
nar a sua entrada , e de se tomarem todos os dinhetioB de 
oflfertaa , e quartos da mesquita , que alli estavão , asate 
como os livros, edefiozitos de varias pessoas, oque accriK» 
teceo no governo do Doutor Âbu-Amran ^ mas ouooa ac* 
soube quegft €ti taU 

A parede antiga do lado de leste com aa obraa adja^ 
eetites estando ameaçando quédá no tempo da fome , anafi» 
chia , e aasolaçlo da cidade , e. nío tendo havido naquel* 
k tempo quem a podesae reedificar, cahio; e neste estado 
ae conservou àté ao anno 682 ( 1283 ) , em que Abdallak 
Aljadolense, governador da cidade , consultou o PríiiôpC 
dos mosselemanos Abo-lussof lacub^ filho de Abdallah 
aobfe a sua dissolução , e reediíicaç3(o , a qual enviou c» 
dem para isso, e para a compoziçlío de tudo quanto pr^ 
cisasse a mesquita , fazendo-se a^ despezas do Erário do 
dinheiro dos censos , e das decimas , se nSo chegasse o dt 
fabrica e offertas. Em cORseqitencia desta ordem edificou» 
ae a parede de Leste , e os telhados em redor , no que st 
asma nande quantidade de dinheiro. Achando-se a paru» 
e do lado do norte em igual estado de mina pelos nu» 
toa annos , que por ella tinhSo nassado , consultou o Dou» 
tor e Cadi Abu-Galeb Almoguiii o Príncipe dos mosseld- 
snanoa Abu-Iacub a respeito da sua reedificarão, ecumpoh 
9tçâo , o qual lhe deo huns grilhtfes de ouro do valor dt 
quinhentos ducados, dizendo-lhe que os despendeu^ nadi* 
tt obra % porque eiíSo lícitos e livres de litigiòs , por sw 
pai o Frhfcípe dos nasselemanos es ter mandado fazer pa^ 
n lua inf j dot quintos dos despojos havidos dos Chií%t^tl 
iu Htspanha ^ de quem os tiaha herdado, porque nSo via ^ 
ciD que mdhor os podesie empregar a beneficio de rodos, 
que talvei igradasfe a Deos; e tendo demolido a ftttit^ 
fkMiada parede desde a porta de Babol-haft afl Mtmt fl» 
a pose n te das muUiefea , a reedifiora eon «quelle pnèaetn 



£ 



Quanta ao grande chafariz . fironteira <la amicIofnid« 
mesquita foi elle conscruido em tempo do insigne, aben^ 

Sado, abstinente^ p desprpsador das cçusas mundanas o 
)utor Abu-Mohammed á custa do respeitarei e abençoa* 
«do Xecjue Abtí^Amran Mussa , filho de Abdallah , filho de 
Sedáfa , que tendo vindo das montanhas de Beni-Iazega a 
cstabelecer-se na cidade de Fez, e contrahido nella fami«« 
liarídiíde cont o respeitável Doutor Abu-Mobammed laxe- 
car, acima mencionados lhe participou hum dia, que trou« 
wra boa porção de dinheiro licitamente adquirido sem ser 
.por meio de compras , ou vendas , mas sim da lavoura , e 
gados, e herdado de seu pai , e avó; ç que o queria gastar 
naquilío , de que a mesquita necessitasse ; e tendo-se o dí-* 
to Doutor recuzado a aceitar delle cousa alguttia , nem gas* 
tar hum só derahem na mesquita , o induzio para que fizes* 
«e defronte desta o dito chafariz e huma caza de purifica«- 
çlio em beneficio dos que vinhâo orarj porém não consen* 
tio , que se recebesse delle o mencionado dinheiro , em quan« 
to o nâo tomou pela mãe , e conduzio para o nicho da mes* 
ma mesquita i aonde lhe apresentou huma sentença do al- 
corão, sobre a qual lhe tomou o juramento no meio do 
mesmo nicho , de que aquelle dinheiro , qqe lhe deixara 
•ceu pai , e avô , era bem adquirido e lítito , por não se ter 
4iduIterado com compras e vendas. Concluído este acto lhe 
disse: cuida agora em fazer o chafariz , e os purificatoriot 
^ou latrinas) que intentas, porque Deos Bemdito te hade 
«judar no teu intento; e tendo comprado huma hospedaria^ 
que havia naquelle lugar , edificou alli os ditos puríficafaCH 
rtos e chafariz no principio do mez de Safar do znno^fjó 
(ii8o). Escreveo entáo o Doutor Abu-Mohamined laxe» 
car ao Príncipe dos mosselemanos informando-o a esterea»» 

Í)eito , e pedindd-lhe licença para conduzir a, agoa y a ;quai 
heconcedeo por ^eu Alvará para que a pagasse ponoii>» 
de quizesse, quer fosse pelos caminhos, quer pelos luga» 
res públicos . da cidade ; e tendo congregado oa mestres ',* 
arquitectos, e povo da cidade, ordenou-lhes , que observas*, 
sem oa lugares, donde se podia conduzir a agoa^ os.quaei 



( 75 ) 
wió acharSo lugar mais conveniente do que o dos nascen* 
tes da fabrica dos cortuaies , por lhe ficarem vizinhos ; mar 
o mencionado Doutor Abu-Mohammed não approyou a 
tal agoa por causa das immundicias da dita fisibrica , e ser 
o lugar muito sujo; e tendo desestido daquella, encontra^ 
lâo na fabrica das tinturarias, que lhe fica próxima, hu* 
ma grancle íbnte, chamada Ain-Agumal, a qual comprou 
o predito Abu-Amran , filho de Abu-Sadafa , por duplica*, 
do preço do seu valor em rasao da dita fonte. Sahe esta 
fonte de hum quarto de abobeda por baixo da terra, se- 
melhante ao quarto de hum banho, aonde rebenta por duas 
£ artes de hum penedo , a qual ainda que doce , e suave , 
e pesada. Comprimida a dita agoa para entrar em hum 
aqueducto , vai -sahir a hum tanque forrado de diumbo 
Quadrado , e de dez palmos por cada face ; e fica ao lado 
do tal quarto. Sahe depois a agoa do dito tanque por hum 
aqueduao de chumbo coberto de abobéda , e cortando pe- 
lo meio do oiteiro da praça , chamada Soq-addogan pa« 
ra Alcarsetun pelo lado do meio dia da mesquita Alcora-' 
& , pela alcaçaría , pela praça dos vendedores de seda , e 
depois pela quadra dos çapateiros, chegou a dita agoa ao 
depozito , que está em Almutequin, o qual he dechumbo*, 
e nca pegaao com a mesquita. Sahe a agoa do dito dèpo« 
zito para hum tanque quadrado de chumbo ; e daqui se 
reparte para os chafarizes , para a bada e pia, para Ba- 
bol-hafii» para o purifícatorio, e seus quartos, epara ocha« 
&riz das grades : e para cada. hum destes lugares a. quanti- 
dade precisa, sem mais, nem menos. 

Ladrilharao-se as quinze casinhas do purificatorío, ou 
latrina de mármore, para cada huma dasquaes entra a agoa 
com impetuosidade, e no meio do dito purifícatorio está 
hunui pia espaçosa semelhante a hum tanque , e no meio 
desta hum pratOi de bronze dourado com canudinhot, pe- 
los quaes se eleva a agoa para o tanque com muita belleza. 
Sobre o tecto dos ditos purificatorios fez-se huma 
magnifica alcova , esmquada de gesso , e pint^tda de azul , 
c outras cores. Fica defronte das ditas cazinhas de purifi- 
i K 



(74) 
n^o a porta , difitnada BaboUhaâ da refmda meiqtátÊ^ 
e ne huma porta grande por onde se entra para o clao* 
atro; mas mais larga do que alta , junto da qual está banm 
pia de chumbo , em que se lanção as agoas das purifica^ 
(Óes , e desta espalhâo-se por mármore azul, rerde, e eiH 
earnado , sobre o qual os descalços lavâo os pés. Toda a 
entrada desta porta até ao claustro foi ladrilhada de maiv 
more peloorador Abu-Abdallab , filho de Âbu^abar^ qaanp 
do (bi Cadi da sobredita cidade, porque era do mesmo la- 
drilho do claustro. Ao lado desta porta está o antigo e 
Êimoso chafariz, que íbi construído por Ábddmalea AL* 
oiodafar para se purificar nelle a gente para a oração; e 
no meamo enchem os aguadeiros os odres , e o resta sabe 
para huma adufa^ ou tanque, donde enchem osservidore^y 
« os rapaaes. 



CAPITULO X- 

Noticia dos úraiarej da mesquita de Caruin mx 
reinados dos JUmabades , e dos Benin^ràaosw 



o 



primeiro orador , que pregou da tribuna , ou puiptta 
da mesquita de Caruin , que foi obra do Cadi Abci-Mo* 
bammea Abdei-haq(uie , filho de Máixá , fbi o Doutor vir- 
tuoso , e reoieote a Deos Abu^Mohammed Mahadí , filha 
de Aissá , varão da mais belia imlole, e criação, eo delino 
goa mais espedita, e de voz a mais clara, cujas exortaç6et 
•e gravavâo nos coraç6es em razlio da sua verdade, e pu- 
reza. Todas as sextas feiras pregava sermão diverso* Tendo 
exercido este lugar por espaço de cinco mezes , entrarão 
os Almuhades na cidade , e o d«puzerao, non^ando eai 
seu lugar o virtuoso, e abençoado Doutor Abul-hassan^ 
filho de Atia , por saber a liRgoa barbarica ; poia elles oS# 
promovido a oradores, e prelados das mesquitas , senSo os 
que sabido nesta lingoa o culto de hum Deos ; e tendo si-^ 
Qo eleyado a esce emprego na primeia aexxa feira do me» 



CTT) 
4e JmiadiWital Ao amfo ^40 ( 114^ ), comimiou a cxeiu 
oe-lo até ac dia Sábado oiio do ima de Dul^Kaada doan* 
no ^58 (1163). Sucoedeo-lhe o virmom Abu-Mohamn»ed 
laxecar, filho de Mussa Aljaruense, hum dos prímeiroa 
Xeques da Mauiitaoia em religião , bondade ^ temor de Deos , 
deipreso das cousas mundanas, defensa da religiSo; comi« 
seraçáo, generosidade, e beneficença , o qual tinha no sei» 
paiz rebanhos de gado , herdados de setis pais. Presidia á 
oraçSo ; roas não pregava , por ter grande embaraço na 
iingoa ; e por isso incnmbio deste ministério para o substi-^ 
tuir o abstínente Doutor Abo Abdallah Mohammed , filho 
de Hassan, filho deZaiadal-lah Almadni , o qual não oes* 
aoa de pregar até que faleceo no dk quarca teira do mea^ 
de JumadiT-áual do anno SS^ ( ^^S7 ) 9 ^^ <^jo ministería 
lhe succedeo o Doutor AbuUCassem Abderrahaman , filho 
de Hamid , por nomeação do mencionado AbinMohammed 
laxecar, o qual foi prelado da dita mesquita ouarenta an-i^ 
nos sem faltar hum so dia á oração em razão do seu graiH 
de fenror de estar presente á mesma ; e tendo falecido o* 
sobredito Doutor Abut-Cassem Abderrahaman , filho de Hâ^ 
Qttd , no dia segunda feira quatorze do niez de Ramadan 
do anno ç8i , succedeo-lhe por noaneaçâo do predito Abu-» 
Mohammed laxecar o virtuoso e abstinente Doutor Abu^ 
Amran Bdussa Almoallem, assim apellidado^ porque ei^ 
sinava meninos em Cantera de Abu«ruunáce, o qilal tinha 
tâo bella e maviosa voz, que fazia chorar a todos aquel- 
lea f que o ouvião ler o Alcorão* (^ando lhe cbeg/t^u a nò^ 
meaçSo de orador , ficou oerturbado, e despedio os menif 
no9 : principiou depois a chorar , e a exclamar ,^ dizendo : 
Deos meu nao me exponhas ao opróbrio entre os teus ser* 
vos : 6 Misericordioso dos misericordiosos l Ao amanhe* 
cer do dia quinta feira encaminhou^e para aermida , qiin 
está fóra da porta da cidade, chamada Babo-aisselatin , a 
po^^e a passear entre as sepulturas dos santos, exclaman** 
do., e chorando até i nouce seguinte, em que entrou na 
predita ermida , na qual pernoutou com multidão de gen- 
te orando,, meditando no Alcorão, exdaaundo, e chorão^ 

K 2 



( 7< ) . 
éú , com o que Còmóvia toda aquella gente i humtlhásio ^ 
e ao choro , até que amanheceo ; e tendo celebrado com 
esta a oração da aurora , tornou novamente a chorar , c 
exclamar até que os. pregoeiros chamarão a primeira vez o 
povo para a oração da sexta feira , porque tendo emSa 
vestido o seu mefhor^vestido , se diriglo para a mesauíta ; 
e rodeado dos ditos pregoeiros se assentou na caza aa ga- 
rrada , ou de espera até se aproximar a hora do ultimo 
pregão,^ ou chamamento, em que subio para a tribuna 
chorando, e exclamando, e toda a gente a olhar para d* 
le. Tendo acabado os pregoeiros o ultimo pregSo, princi* 
piou a pregar sem parar , nem repetir as palavras^ Passao- 
ido depois ao nicho; e tender tratado da sabedoria, e do 
artigo sobre a predica , chorou , e fez chorar aos* que esta- 
vão por detraz delle , e o ouvirão , os quaes , concluída' a 
oração , sê aproximarão delle para lhe beijarem aa mãos , 
c tomdrem4hp abençâo. Tendo-se elle conservado orador 
até á chegada do Oidi o Doutor Abu*Abdallah Moham« 
med, ilibo de Maimon* Âl-harui , e perguntado este pelo 
orador da mesquita de Caruin aos habitantes da cidade, 
estes lhe diaserão bem delle , e lhe fízerâo muitos dogios. 
Chegado o dia de sexta feira , o vio ; e não tendo gosta-» 
do da sua figura , o criticou ; mas hum dos circunstantes 
}he respondeo , que se tivesse ouvido a $u^ predica , havia 
a^radar-lbe ; e tendo-o com effeito ouvido , chorou , e pe* 
dio-the perdão , e a sua intercessão por elle. Com dSeito o 
Doutor Abu-Âmran Mussa era fkcilissimo em chorar , mui-' 
to humilde, e summamente timido; e tendo falecido o 
Doutor Abu-Mohammed laxecar no dia 21 do mez de 
Dui-Kaada doanno 5:99 ( xzo^ ), tocarão-lhe osdous em* 
pregoa de orador , e prelado da mesquita , os quaes ner^ 
ceo até ao dia vinte do mez de Safar do mesmo anno ^ 
medeando somente trez mezes entre o falecimento de hum 
ao outro. Succedeo-lhe nos. mesmos empregos seu filho o 
Doutor Abu-Mohammed Abdallah, o qual tinha desoiro 
annos,' quando subio a primeira vez ao nicho para presi^ 
dir como prdado á oração ^ e era dotado de bellcza , fo^^ 



•loscra, saMoria 9 religião solida , bon^de, multo teiAâ» 
de Deos , e de ezcellente voz ; e nunca teve rapasiadas oft 
tua mocidade , -nem desde a sua infância tinha cessado ti« 
se occupar, e appUcar ás sciencias divinas. Em fim nâo 
entrou no nicho da mesquita de Caruin desde a sua edifi« 
ca'çâo até hoje moço sem barbr, senão elle pelo grande 
conceito que todas as gentes faziâo da sua bondade , r€b 
ligiâo y e temor de Deos ^ e por ser a sua boa críaçto 
correspondente á sua elegante ngora. Tendo-se 'dito a sen 
pa^ 9 logo que adoeceo , que nomeasse seu successor no mi« 
oisterio de prelado a seu filho, porque era digno do eni» 
prego, respondeo: se Deos achar nelle merecimento , eUe 
o destinara para o serviço da sua caza. 

Morto o Doutor Abu-Amran, foi conduzido para t 
sepultura ^ e posto sobre a borda da mesma , romperão or 
ctroinstantes em prantos. ^rarondo*se então sobre quem o 
havia encomendar, disse o Cadi a seu filho : vem , e enco*^ 
menda teu pai ; e tendo*se levantado , invocou a Deos , e ^ 
o encomendbu : e retirada a gente , ficou substituindo o lu^ 
gar de seu pai. Chegado o dia de seiíta feira vçstio o ves- 
tido ) com que seu pai pregava , e o albernoz branco , que 
lhe deo Âbu-Maruan , filho de Haiun ; e tendo subido i 
tribuna, mostrou tanta sçiencia na sua pregação, e. leitura 
do Alcorão , que foi approvado por todos como moço mú£* 
10 humilde, e conrmassivo. 

Logo que o Frincipe dos crentes Abu-Abdallah An- 
nasser chegou à cidade de Fez, mandou-o vir para o ver; 
€ tendo-se dirigido á sua presença , e entrado qo seu pat 
Jacio , situado sobre o rio da mesma , chegou-se junto deU 
le , e o ss^dou. Tendo ficado a conversar com elle appro^ 
¥ando-lhe as suas express($es até chegar o tempo da ora*- 
fão, disse^lhe então : levantU-te, e prezide d nossa t)raçSo, 
o que elle cumprio. Pergi}htando-lhe então quem tinha dei- 
xado em seu lugar, elle lhe respondeo: deixei aquelle que 
he melhor do que eu, quero dizer, a meu mestre, bom o 
«)ual estudei^ o livro estimado de Deos (o Alcorão) , j^ortjtic 
Itndo recebido a tua carta ^ fiquei solicito areipeito daprer 



(7l> 
«iAratia com o fornsí Da orafâo, dizendo q«e fiSo salit 
^aada Toitaria; e cntíb «ncenooQtrei comodito mm mm* 
•re / o c)ual Jie meu amo e noeu Senhor , a^uodo o dtto úm 
|ifofeta 21 tem sma be mquellt fve tt insinmi aigum wrv 
$9 d9 Akorã^-i e o detiei no meu iu@^r« Asoasser lhe re»« 
^ondeo : Deos f e recoaipcnse o benu Tendo-Ihe dcpoia or* 
écnado que se necirasse , foi no seu iseguimeiíto fauna escrsH 
1KI com sete ▼estidos^ e hum çorrão com mil ducidot. 
VoltiiKb então á presença do dito Principe , depois de Um 
dar o8 agradecimentos, lhe disse: os Tcscidos recebi ev; 
fostm eu nSo cenho necessidade do diaheíio^ ponpie aon 
copista de livros , e com isto viro. Serve-te deite ^ e ga» 
ta-o no que te convier, lhe respondeo Amiasser. N2o me 
abm: esta porca ó Principe dos. crentes, Ibe tomou elle , 

Eefdoa^meoe o nto receber, porque tu. precisas mais dd^ 
; , do que eu , para o repanires com as tropas, e pogoa^ 
dores em favor da religião , e para o gastares em utilidade 
dos mossdemanos , e segurança das suas frontriras : e rcii* 
iiou<«e sem delle receber cousa alguma, continuando no. em^ 
prego de prelado da mesquita ate ao dia de Domingo o» 
se do mez de Rageb do aano 6ii (1214 ) , em que filie» 

teo« 

Succedeo-lbe em ambos os empregos sea mestre Abit^ 
Molimmed Cassem Aliàdaai por nomeação sua , quando 
estava doente, ao qual criticarão, ecenrararão alguns Iloo# 
4oèeSy e xeques,! diasendo t]iie eUe excitava os meninos ao 
emor das riqueaas; e ceado escrito o Doutor Abu-Mokaoi- 
ncd , filho cie Gairí ao Priflcipe dos crentes , informando-o 
disto, e respoiídendo-Hie elle, que aqudle, que o tinha n» 
meado para presidir à oraçSo confessara na sua presença, 

3ne o Doutor Abn-Mohamed esa meUior do qoe eHie, • 
eiiarâo ficar no seu^ emprego, o qual deixou a escola , e 
fel residir na caza dos prelados , e continuou no eiercicio 
do dito emprego até ao dia de quiofa feira vinte dous do 
mez de Ramadan da amio érjr ( 1218 ). Exercitou depois 
deHe oethpregò de orador o virtuoso Doutor Ab«-Abdallali 
Mohamaoed, fiiho de Abdearahaauui Assaquefi, vaHbd» 



<79) 
ttdo de sabedoria , religião » e bondade ; t de ezcdlcafè 
Toz » e com conhecimeatos da astronomia , o qual fáleceà 
no aono 6i^ (1231)* ^^^ no tempo do governo deste ^ 
que veio de Âlcaçar-Quetama o Doutor e pregoeiro Abol- 
haiaje lussof , filho de Mohammed Assaqueti : e como estt 
tinha eicellente voz para o prcgáo ^ e leitura , ordenou • 
Doutor c- Cadi Abu-Iacub lussoí^ filho de Amran ao ora« 
dor Abu-Abdallah , natural de Silves, que. o deixasse pfé» 
gar hum dia, para se fazer conhecido, e ser alistado 00 
numero dos oradores ; e tendo aqodle adaecido , pnégoii em 
9eu ii^ar. Succedeo ao Doutor Abu-Abdallah Axaauefi a 
virtuoso y humilde, e abençoado Doutor Al-hagge Algati* 
be , cujas deprecac6es eríb ouvidas , a qual íâleceo no a» 
ao 6^j ( 1237 )• rrégòu depois delle* o virtuoso , hu^iildc ^ 
e insigne Doutor Abu Mohammed Âbdel-Gaffar ^ e tendo» 
ae fctirado, ficou depois pregando o xeque, e Doutor vifp 
tuoso, e abençoada A buhh assa n AI7, filho de Al«-hagg« 
até ao anno 653 (la^rf), em que fakceo. Tendo depoii 
sido elevado aos sobreditos dous empregos o insigne prela* 
do, tabio, eflicaz, conselheira ^ virtuoso, e humilde Abu^ 
Abdallah Mohammed, filhado virtuoso, probo, e abe»* 

rio anciío Abol-Hajaje lusaof Almazedagui , encarregot 
predica a seu virtuozo , abstinente , e abençoado fXhé 
Abik*Cassem , e ficou elle exercendo o emprego de prdadé 
da predita mesquita. Tendo elle, quando M chamado pi^ 
ra exercer o dito empf ego , repetido irez vezes as segutfifél 
palavras do AloorSio = certamente nés scm0S de Deâs , e 
fora ette ctrtêtwnte bavemos tcltttr\ e pet^urttando-^^ 
M€ o oe nisto queria dizer , respondco : noticiou-me o M^ 
ciSo ODservante, virtuoso, e digno de credito Abudai^ At^ 
gaxent , cora e qnat eo estvdava a jurisprudência , ito dja 
Ml que íãleceo o prelado Abu^Mohammèd , filho de Mu#* 
so, efioí nomeado Alcadai, e^edisse vohando-se, «olháff^ 
do para min hum pequeno espaço u to ó Mchamirtd háa 
ée ler etitameme fn-elado da mesqnira de Cartiin , < i$tft 
M íim da ftw vida. Qii^riido fui chamado ptlr^ e^te ifliffiau 
«rfOkj,rccoi4ânr do dito 4o andSf, ecenhefi , ifue Miet 



(to) 

£m ertáfa pioximo; e por isso repeti aqudlâ sefitctiçt« 
Tendo falecido o prelado Âbu-Abdâílah Almazedagui, e 
idepoít teu filho o orador Abul-Cassem , foi nomeado em 
lugar daquelie o ancião , e Doutor virtuosa, abstinente , a 
humilde Abúl-liaasan Aly, filho de Hamid, e em War 
do filho Abu«Abdallah Mohammed, filho de Zaiadal-Iali 
Almadui* Por falecimento destes nomearão os Doutores, e 
xeques da cidade para' prelado o insigne, virtuoso, humil- 
de , ezcdlente , e abençoado Doutor , e lente do Aicoí^ oa 
predita mesquita Abulabasse Ahamed , filho úc Abu-Zi« 
má; e para orador o insigne, virtuoso, temente a Dêos, 
e excellente Doutor Abul-Cassem , filho de Massuça ; mai 
passados setenta dias chegou o Alvará do Príncipe dos cren* 
Cea Abu-Iussof , filho de Abdel-haqque nomeando para am- 
bos 08 ministérios o insigne , virtuoso , e probo Doutor 
Abu-Abdallah Mohamed, filho dé Abu-Sabar Aiub, cujor 
empregos ezerceo até ao anno 604 ( 1 2^4 ) , cm que fale- 
ceo. Nomeou então o mesmo Príncipe dos mosseiemanos 
Abu^Iacub lussof , filho de Abdel*haqque para o emprego 
de prelado o respeitável , e humilde Doutor de $i opinião 
Abu-Abdallah , filho de Raxed, Príncipe do seu século nas 
«ciências futidamentaes, e da fé; e para o de orador o bem 
intencionado, virtuoso, excellente, e abençoado Abul-has» 
iao f filho do fiilecido Doutor , e pregador Abul-Cassem 
Altnozdaguí; e tendo-se o dito Abu-Abdallah escusado, 
passado trez annos , de exercer a prelazia , arrogou«a Abul- 
Cassem , e ficou exercendo hum e outro ministério , até que 
cresceo na idade, e se cançou de pregar, pirra cujo lugar 
nomeou então a seu filho o excellente , virtuoso ^ e abençoa* 
do Doutor Abul-Fadel. 

Quanto á mesquita de Andaluz conservou-se como ti- 
nha sido edificada, sem haver quem nella accrescentasse 
cousa alguma , até ao anno 600 ( 1203 ) , porque então or- 
denou o Príncipe dos mosseiemanos, que se composesse» 
e renovasse o que estava destruído; que se abrisse a grande 
porta *do lado 'do norte ao baixar para o claustro; que se 
posésse abaixo delia, a pia de noasmore. vetmcUioi que ae 



fiteiseo chafíiríz y e os laTatorÍM, oo pbnficatorios ; e que 
para todas estas officioas se conduzisse a ^m de fóra da 
porta da cidade, chamada Babol-liadid. Sd Abu-Zacaría 
da familáft dos Califas mandou íàzer á sua custa a pia por 
direcção do mestre Abu^Xamá AI*haiasse. Goasenroo-se as» 
tim a dita mesquita até ao anno 69 jr ( 1 195 ) , em que ae 
reedificou grande parte delia/; pois tendo o seu orador e 
prelado o virtuoso , ezcellénte , e abençoado .Doutor AbtH 
Abdallah , filho de Massuca , feito sciente o Príncipe doa 
mosselemanos Abu-Iussof, filho de Abdel-baqque , e]^>edio4 
lhe ordem para a compor , o qual assim o cumpriu ^ reno* 
vando grande parte delia , cujas despezas fiorâo á custa dt 
£1 brica. 

A agoa para a bacia , pia , chafariz , e purifica toríok 
veio sempre da fonte , que está fora de fiabol<-hadid até aoi 
annos da fome , em que a dita fonte foi aniquilada ; e em 
iugar desta agoa veio a do rio de Massemuda , ' cuja agoa 
continuou até qlke foi acciamado o Príncipe Tsabet/ filho 
de Abdallah , filho do Príncipe dos mossdemanos laícub ^ 
filho de lussof , o qòal restituio á mesquita a agoa da pi«- 
dita fonte, que Annasser para elta fizera conduzir; maá 
como a fonte estava aniquilada ^ renovou*a , e foi encami-* 
libando a sua agoa até chegar i mesquita , e* correr ifa hz^ 
cia, pia , e cbarariz, como dantes. Fcrf director e inspector 
desta obra, feita no anno 707 ( 1307), o mestre ;Abul-Abc 
basse-Ahamed Algiani , sendo a despeza por conta do Erário* 



• 



€ A PI T<U L O XI. 



Nú qttãl se íontimm s tràiar dm dinãstim rJ»f Edrísitês, 



T 



'ekoo Fajecido o Príncipe I&hia', filho* He Mqhaínmed, 
filho de Edriz, em cujo* reinado foi edificada a mesquita? 
de Caiuin , foi ceconhecido Soberano $eu (Hho hhia, ci^á 
coodttíta foi pfssiaia , poraue hiodo ter com huma bcbrea^ 

L 



% • 



a rapariga tn«Í6 {brmosa do sen seêulo , a cfoÀl te ditmtr 
fa Janna , a qoiz forçar; mas tcodo dia pedido auxilio coiw 
fra elle, acudio a gente da cidade, e entre ella veio Abder*^ 
fahaman , filho de Abu-Sahal Aljedami. Logp que Ateca^ 
filha de kly, filho de Ofuar^ filho de Edriz , vio que cxxh 
tni sen marido lahia hía o povo com Abfderraham, filh# 
deiSahai para o matarem « ordenou-<lhe que se setirasse^ 
oi que eUe f^z fetirando*sc do bairro de Carutn para o de 
Aiidalú r sonde morreo naquella mesma noute jde desgoâr 
to c pezar pelo que tinha obrado , e pelo detca-edito, • 
deaboma , cm que tinha cabido. Tenoo Ateca sabido dn 
siottejdr teo marido, e que Abderrahaaian , filho de Abu» 
Sabal se tinha levantado com a cidade , escreveo a seu pai 
Aij, Senhor ék> paiz de Saoahaja ^ e de Gammart , infor- 
nandoto do pnocedímentt) , e morte de seu marido, e àm 
kvaotamento do dito Abderrahaman com a ciiiade. Tcsdo» 
Uie chiado, esta participação , tratou logo de ajuntar a* 
niaa tropas, e familiares, dirigio-ee á cidade de Fez, o 
^ntcoo no bairro de Caruin contra Abderrahaman, filho de 
Abtt-Sahar , revoltado na mesma , e foi acdamado tioa 
éous bairros de Caruin , e Andaluz , e decorado Soberano 
aobre todas as tribunas do paiz da Mauritânia. Fd ^esis 
Hiandra que passou o governo dos filhos de Mòkammed^ 
filho de EdrtK para os filhos de «eo tio Ornar ^ filho «b 
fidriz AÍ-hawini. 

CAPITULO XII. 

Do reinado do Príncipe Aly , fíAo de thnar , filbo* 

de Edriz na cidade de Fez^ e em todos 

PS mm €stédos dà MaMriitania^ 



o 



Principe Aly , filho de Ornar , filho de Ednz , filho 
de Edriz, filho de Abdallah, filho de Hassan, filho de 
Al-hassan , filho de Aij , foi acdamado na cidade âe Fez , 
«em todos osestatios 4a Mattriía aia -depois dii fiilnái 



mento de teu primo lahia , e conseryou*$e em socego até 
se revoltar oonira dle Abdeirezaque Alfahri , natural de 
Huesca , paiz da Hespanha, nas montanhas de Uabelan 
da coÊc m C à de Fez , qoe ficâo distantes desta dia e, meio 
de jornada, «onde o seguirão moiros bárbaros da cidade 
de ralaz , de Madiíma , Gaiata , e outros , o qual edifi- 
cou hum castello inespugnavel no monte Sallá próximo 
deMadiuna, pondo-lhe o nome de' Huesca, sua pátria', 
otjBal eÉiste xtt aopresènte, Tendo-sé diri^do depois pa- 
tà a tilla de Safru, e entrado Hrlla , aonde fei at?cIamado' 
por todM es bárbaros de Safníia , voltou com rlies paca 
roufade de Fez, da c|ual saliio o Príncipe Aty á freme 
dè àuei podesoBo exeitâto ao seu enccmtro. Depois de hum 
porfiado «ombate entre os dons exércitos , ficcni Abdenre« 
saque irictoríosD , ficaado derrotado o Príncipe Aij , e mop» 
tem naitos scJdjHlas do seu exercito ^ íuginao ellc sò para 
o paiz de Auraba. Entrou Abderrezaque em Fez , e do^» 
minou o bairro de Andaluz, iMiode toí reconhecido; po^ 
rêm os do bairro de Caruin recuzarSo-se a isso, e manda-* 
tio chamar a lahia, filho de Alçassem, filho deEdriz, 
conhecido pelo ^apál ido de Alada m; le lendo chegado, o 
acciamarâo , reconhecendò-o por seu Soberano. Comba teo 
elle a Abderrezaqoe até o desbaratar , e lexpukar do baarro 
de Andaluz ) no qoaJ entraa, e foi acobmado apelos seus 
habitantes, e por rodos os dos arrabaldes, que nelle se 
tinhâo recolhido. Nomeou governador do mesmo a Taa* 
kba, filho de Mohareb da fnnilia de Arrabet^ natural 
de Xaduna , do qual se conservou governador até falecer. 
SuCcedeo41ie seu filho Abdallah , coa^^do pelo nome de 
Abud ; e tendo falecido , fia Àomeado ^governador seu fi« 
lào Mofaareb. 



La 



/ 





CAPITULO XIII. 

Do reinado do Príncipe labia , filbo de Akãf* 

sem y filho de Edriv&Âí^bassani^ coube'' 

eido pelo apellido de Alddanu 



K 



oi elle acdamado na cidade de Fez depois da fi^dt 
de sea primo Aty , e de ter combatido ^ e expulsado do 
bairro oe Andaluz a Abderrezaque. Tendo nomeado go^ 
Ternador do mesmo a Taaleba , filho de Mohareb , sanió 
a combater os habitantes de Safirua , com os qoaes tere 
porfiados combates ^ e muitos coaflictos. Conserroo^e Ia« 
nia Soberano de Fez^ e seus domínios, até ao anno 292 
( 904 ) em que o veio atacar Rabia , filho de Solaiman ; 
e tendo sido morto , foi elevado em seu It^r o neto de 
lett tio lahia ^ filho de Edciz » filbo de Ornar» 



CAPITULO XIV. 



Do reinado do Príncipe labia , filbo de Edriz , filbo 
de Ornar , filoo, de Edriz M-bassani. 



s 



VBto labia ao throno depois da morte do sobredito sea 
primo do mesmo nome , o qual foi acdamado pelos habi- 
tantes de Fez , e dedarado Soberano sobre as tribunas das 
Bicsqiutas de Caruin, t Andaluz , tomando a soberania ra- 
ra os filhos de Ornar , filho de Edriz. Pòssuio lahia ^ fiihia 
de Omar todos os estados da Mauritânia , e foi annoncia** 
do sobre todas as tribunas das suas mesquitas, e conside* 
rado o mais poderoso, de melhor nome, possuidor de maío- 
fes«estados , e o mais reao , e generoso dos descendentea 
de Edriz. Era em fim Doutor, e observante dos precettoa 
xlo profeta ^ e dotado de eloquência , clareza ^ e facilidade 



(tf) 

CtA fatiai') ao q«c ajuntava o valor, intrepidez, ^nwil 
de animo , bondade , religião , e temor de Deos , no cpiè 
nenhum outro dos-fidrizitas o igualou. Conservou-se soort 
« throno da Mauritânia até ao anno 305 (5^17 )> eflTquè 
tendo vindo contra elle &Iossalá , filho de Habusse, nat» 
ral de Maquinez , e alcaide de Âbdallah Axxaiai , Senhor 
4a Efriquia , e sido derrotado por este , fbrtificou-se na ci* 
dade , aonde- Mossalá o sitiou algum tempo , até que lai* 
hia o compoz com dinheiro , e fez o reconhecimento dè 
M^ição a seu anio Abdallah Axxaiai , Senhor da Efrh* 
Ipua , regressando Mossalá para Caírauan* ' > 

Gomo Mussa , filho de Alafia , SenhM* de Tassul, é 
dopaiz deTaza, tinha servido a Mossalá, prezent^o-o '^ 
feito-lhe obséquios, e combatido dom elle em todas at 
•uas pelejas na Mauritânia, deixou-o governador desta ^ 
quando se retirou para Cairauan com preferencia a todoi 
os seus governadores. Como lahia , filho de Edrlz em ra« 
zâo da sua nobreza , generozidade , e religião levava a 
preferencia a Mussa , quando este queria figurar na Mauri- 
tânia , e obstava a todos os seus. intentos , sentia este em 
aeu coraçSo huma grave oppressâo , ou resentimento con«« 
tra elle; e por isso, quando Mossalá passou segunda vez 
i Mauritânia no anno 309 (921)9 tratou de o indispor 
«ontra lahia ; e de tal sorte o inflamou, eescandeceo con» 
tra dle, que se resolveu a prendello; e tendo lahia sahi^^ 
do com multidão dos principaes do^ seu exercito a sandar 
Mossalá , prendeu-os todos, e poz emgrilhjSes a lahia , íi^ 
lho de Edriz^ e entrou na cidade, levando-o a dinnte de 
ti montado sobre hum camrllo, aondú o afiigio com diver* 
SOS tormentos até lhe extorquir todos os seus bens, e the» 
souros;^ e depois o soltou , e desterrou para as vizinhança» 
de Arzila , aonde se conservou em desgraçado eistado ffcpa^ 
rado dos seus, com seus primos, osquaes IhedcriSo dinhei^ 
fo , acoflipanharao , e lhe fixerio tudo quanto o podf$se 
conservar; mas náo satisfeito com isso, retironsedellescom 
direcção á Efriquia; e fendo sido aprehendido tocsrrtinhi^ 
fotí^usBêi filho de Abu-Lafia, encarcerou- o m tidadi: 



%M^\tu^féf < iflí^ltcit dvpoí& Oniib^ sc#|9fi Cdrifty fiAtt 
êe Onar tiéha pedido a Deos t|iiie o inafà«9e eoi (em e>^ 
Mnlia de fome ^ tendo làhh saihído di( ptitao , ein que Md9** 
ki ^"Ãho de Abu Lâfia o tiaha conservado !ftua«í ?tiite âi^ 
«M i e dirigindo-se á Eíri^k erh (Mm êstack) desfireaifci:, 
fnfaerável , e tiotastímido ^ e chegado a Mah«dfa om td «► 
4ado i ibi alli encioncrar^se com a rerdiiçãe , e «io da éè^ 
«a cidade ^ posto por Abu-^id Mogaied ^ aé m èi mom» 



4e fome em terra estranha no amio 332 {94^ > 

Apenas Mossala ae senhoreou de laàia , «ho de Edrit^ 
e o prendeo , nomeou governadoí* de Fez e ma comarca ft 
Haihan , natural de Maquineft , è yoittni para BRiqQhu Coo- 
ferrouHte Kaihan governador da cidade por espaço de tret 
ÉDoot até qae se levantou ndla contra die Ai«hassan^ lilhé 
de Mohammed ^ filho de Alçassem ^ filho de £drí£ i&i« 
Wasam , c o expulsou delia. 

C A PI TU LO XV. 

• Do rernadú do Príncipe AlA^assan , filho de Mokam 
medj fiUfo de JÍlmSemj filho de Edrm^ co^ 
mbecido feio apellido de At^bãj^junL 



o 



Prindpe Al-hassan , filho de Mohamtaied , de Alcaa^ 
afcm, &c. foi apellidado Al-haj-jam , e por este nome oc^ 
lihecido, porque tendo havido entre elle, e seu tio Aha^ 
ined , filho de Alçassem hum porfiado combate , accocnettem 
Al-'bas8an a hum cavalheiro de seu tio , e o ferio tio Al* 
anobagem ( certo lugar do corpo , em que ot mouros coaim 
«rfo lançar as ventozas), o^ue repetio no nAesmo lugat 
f «unda , e terceira vez ; e por isso disse ent^ seu tio 
Ahamed : meu sobrinho he Haj-jam ; e diaserSo outrosi 
cUe foi chamado Haj-jam, nâo por o ter sido; maa^m^ 
jporque ferio no lugar de Almohájem« * ^ 

£ntfoir Al^hadMu em Fea odculcameme^ auooipaoliB* 



do de algQQs indivíduos; e tendo sido nella reconhecido^ 
ie acdamado nú aôno 310 (922:), espiáscít delia o gover* 
nador Raihan. Tendo sido acdamado peta maior parte das 
mbusdos h»rbasos^ e dominado at eidades de Leimll ^ 
Safat » Mediuna , M^in , MaijiKtnaasa.^ ^ JBésse^a , ç fir- 
mado o seu Império na* Mauritânia sahio no anno seguin- 
te a atacara Mussa, filho de Âbu-Lá(ia; e tendo-se ev 
Cflikrado ífioià dfe perto ido no Uadelmoltahea fim^ahas* 
sor^-rad , accoaiettcsu-o Al-Jiassan com tan&> ímpeto , ú haaí 
ye tao grande ooaflicto » como ja mais acanceceo no reina» 
éo dos Ediisins ( pois morrerão nelle dons mil e trezemuiB 
do ciCBcito de Mussa , enteando neste jHimeiD o mfsaQ# 
sen fiUu> Sithal^ e do eacenciío ée Al^hassan novf Cfioton 
Tendo este Toltadp soboe a cidade , deixou a su» tn>p« ^ 
ra delia., e entrou na nesm^ só enganado pdo seu gOMii 
asidor HÍtflied 9 filho de Hanôdan AMiamdani Alauarabi^ 
paural de kuma Villa da E&icpiia, o qual entron de noni^ 
se em sna cana , lan^xHi^he grilhões , reteveo junto de si.^ 
fechou as portas da cidade na presença do seu exercito, .« 
aandon avisar a Massa , fiHio de Abu*Liiia do seu ipt» 
cedimento, ordenando-lhe , <}ue viesse paca o meter dcpon^ 
se da ddade , 4> qual tendo vindo promptamen^ , o inttt> 
dbeiu no bairro de Caruin , e combateu depois o i!é A/idaí- 
luz até o vencer. SenlK>r de toda a cidade disse a HásMi^ 
filho de Hamdan, que lhe entregaste a Al-hassan, pa»4S 
matar em satiafaçio da morte de uett fiHio, aoque HimoÉ 
se negou , estranha ndo^lhe -4) atrevimento de ^juerer demi^ 
Kiar o sangue dos descendentes do profeta , e &i ter 4X)m 
Al-rfaassan , lago q«e a stonte escurecoo , tÍM>u<-}h« os gr^ 
lfa<{es , e lançando^ da muralha, abaixo sem aoida , cahiii^ 
« ancèsoo as*^amas; e tendo «ipassado ^paisi o bairro de Am 
dbanz, «HMmo ^)i «ooeuko passados t$n dias. Informada 
-émo^íihQ de Abu-Lifia , .qaic anatar afiámed, fiHio tk 
HamdaQ ,' ^De ibe tinha ««iMgado «4idaide , por tar saita* 
éo a > Al h assa a ; »«mis eUe>«sMfioii4be pasa a <ãdade. D»^ 





(Si) 



« • 



' » 



CAPITULO XVI. 

. tu reinado dê intrmso Mussa , Jilbo de Aku^Lâfia y tm 
Fez , e em eutros muitos estados da Mauritânia, 

\J Príncipe Mussa , filho de Âbtt*Lafia , filho Ae Aim 
âahal, de Aidabeq, de Magezol^ de Tajnarisse, de Pa* 
Mdiz, de Uanif , ae Maçasse, de Maqnaz, de Úasaeiif ^ 
Pnnripe de todos os estados da Maquenaz, senhoreou-se 
tia cidade de Fez , do paiz de Taza , de Tassul j c Lacai* 
aí, das cidades de Tanger, eBassera (tf) , e de outros itlui- 
Ws estados da Mauritânia no anno 313 (92; ), o qual^ 
áepms de ter sido «cciamado em Fez pelos seus morado^ 
res, e firnlado nella o seu Império , instou fortemente com 
Hamed, fílbo de Hamdan para que matasse a Al-hassan, 
o qui^ lhe estranhou a pertençâo , e se arrependeo do ença« 
ao que lhe tinha feito atraicoando*o { e por isso o foi in* 
tertendo; mas instando cada vez mais, praticou com Al^ 
iuwan d que antes mencionámos. Senhor o íitho de Abo- 
Laíiade todo o paiz <la Mauritânia , eacclamado pelas 'tri« 
bus^e xeques, desterrou a todos osEdrisitas, expulsa»» 
do-08 de soas cazaã^ e senkoreou-se de Arzila , . Aalá , e 
autras cidades do seu paiz , os cjuaes todos partirão "pêra a 
fmoima de • Hageren^asaer subjugados e vencidos , a ^al 
tinha* tido construída pòr Mobammed, filho de Ebrahim^ 
filho de Alçassem, íilhõ de Edriz: e pasto fosse inacce$«* 
aivel , e se elevasse até ás nuvens , cercouH)s nella o filho 
de Afou-Lafia , e po«los' em apertado sitio com o fim dê 
ot pepder^ e aniquila-los; mas os xeques da Mauritânia, e 
os principaes da sua corte lhe obstarão? dizendo*lhe: que« 
res tu por ventiíra separar da Mauritânia as relíquias doa 
descendente» do prohsta , e mata4os todos? nisso nâo con* 
sentimos nós , nem to permittimos. Envergonhado por isso 



■ I I I I I I IS 



(#) A cidade de fiimré oSo existe hoje. 



ptrtío pata Fe<, deitando no seu lugar o^eu Alcaide ÂbtH 
Fatah Àttassuli com mil cavalleiros para obstar aos seut 
lotemos , o que aconreceo no ânno 3 17 ( 929 ). Consenrou- 
se Mussa, filho de Aòu*Lafia em Fez até ao anno 3x0 
(93^)9 ^n> ^^ passou á Mauritânia Hamid, filho de Sa« 
hal , alcaide de Abdallàh Axxaiai , de Mahadia com hum 
' poderoso exercito y vindo com elle Hamed , filho âe Hamt*' 
dao Al-hamedaqi. O motivo da sua vinda fi^i, por p filho 
de Abu-Lafia» chegando a Fez de volta do castello de Ha-* 
jaren-nasser, e depois dedescançar alli alguns dias., ter ma* 
Sado o seu governador do bairro de Andaluz Abdallàh, fi« 
lho de Taalaba, filho de Moharebi filho de Abud, e. no- 
meado em seu lugar ao irmão do mesmo Mohammed , fi- 
Ihò de Taalaba, aó qual depoz depois, e nomeou em seu 
lugar a Taual , filho de Abu-Iavd , o qual se conservou 
govemandò*a até que sahio do poder dos filhos de Lafia; 
e ao mesmo tempo a seu filho Madin , governador do bail- 
io de Caniin. Tendo partido para a cidade deTelamessaa^ 
senhoreado-M dellá , e da sua comarca , expulsando a AI* 
bassan , filho de Alul-Aixe , filho de Edriz Âl-hassani , se* 
ahor da mesma, no anno 3x9 (9^1 )) o qual fugio pa?a 
a cidade de Meiila (a) das ilhas de Maluía ^ aonde se for- 
tificou , proseguido daqui para a cidade de Taquemr, da 
qual se apossou, e do seu termo no mez de Xaaban do an- 
uo seguinte, e acclamado, depois de se achar senhor de 
Telamessan, Taquerur, e Fez , a Abderrahaman Annasser, 
Soberano da Hcspanha , mandando fosse annunciado de 
todas . as tribunas , havendo depois chegado todos estes pro- 
cedimentos á noticia de Abdallàh Axxaiai em Mahadia, 
destacou o sobredito seu Alcaide com dez mil cavalleims', 
o qual se encontrou com Mussa, filho de Abu-Lafía^no si- 
tio chamado Fahasso-massun ; e tendo havido entre clles 
importantes combates, accometteo depois Hamid em huma 

M . 



(ú) Mel ria está situsida na costa de Rife no Mediterrâneo, epeftence aos 
He^paabors. 



ftímte ô txercitó do filho de Âbu^Lafià} e havendo-o dei» 
Karatado, fugio^para Ain-Esháq , pal2 de Tassul, aonde te 
fortificou. Partio então Hamid para a cidade de Fet, t a« 
áproximar-se delia , fugio Madin , fliko de Mussa ; e tead* 
Hamid entrado então, nomeou governador da mesma a 
Haitied, filho de Hamdan, e rerirou-se para â Efiriquia» 
Tendo* sabido o filho de Edriís em o castello de Haçeren» 
nasfier do acomecido ao filho de Abu^Lafia , ^a fíigtoa de 
tfeu filho Madin de Pez , e de se ter Hamed senhoread» 
delia no anno jik (933^9 apresenrou-se contra Abu-Fa- 
fah, alcaide do filho de A6u*Laiia , eoderrotoo, e^agueoii 
O seu exercito. Conservou-se Haitied , filho de Hamdan , 

governador de Fez até se revoltar contra elle Ahamed , fr» 
10 de Abu Bacar, filho de Abd^rahaman , filho de So- 
hait , o qual o matou , e ^nandou a sua cabeça com seu fi» 
Uio a Mussa , filho de Abu-La^a , e este ao Príncipe dos 
crentes Annasser Ladainel-Iah a Córdova. Continuou Aba* 
med, filho de Abu Bacar, governando Feâs por Mussa, fi^ 
Hio de Abu*Lafia até ao anno 323 (934)» em que Maia- 
aur Alfaiti , alcaide de Abdallah Axxaiai , passoa á Mm* 
ritania em lugar de leu pai Abidellah Alfahiri , e sirioii 
Fez alguns dias Bté que sahio Ahamed , filho de Aba-Ba«- 
cfar a prestar*lhe obeaiencia , e a ofièrecer*lhe hum rico pre^ 
sente, e grande quantidade de dinheiro-, mas èlle depois de 
receber tudo, lançou-lhe grilh6es, e mandou-^ para Ma» 
hadia. Tendo-Ihe os habitantes de Fez fechado as portas, 
e nomeado seu governador a Hassan, filho de Cassem AI* 
lau^ti , combateu-os Maissur por ef^paço de sete mezes ; e 
eòmo nada podesse conseguir delles, compoz-se com os 
mesmos com a condição de lhe darem seis mil ducados , 
cobertas, telízes, odres para agoa, e outras alfaias; e teD« 
do os mesmos escrito a prestação de obediência ao Prínci- 
pe dos crentes Abu-Cassem Axxaiai , seu amo, grarado na 
moeda o seu nome, e annunciado^o das tribunas, e sido 
tudo aceito por Maissur , partio este contra Mussa , filho 
de Abu-Lafia , entre os quaes houverâo porfiados combates y 
dirigidos pelos filhos de Edriz, os quaes o obrigarão a 6»- 



0Íf dimite ãékB pam Saiiar»» ficando miMUfoderamaior 
pmte dos eai^cloa éoáito Mu^sã , w i^iiacs govcrnaiâo coa 
s«^^ a Abtt^Casaem Axxaiai* 

Náo cessou o filho de. Abu-La6a de ra^ar por Sah«^ 

ra 9 e pelos confins do outro paiz , <fic ainda lhe restava ^ 

desde a cidade de Agerif até i de Taquerur , até ao anno 

331 (941)1 em qve foi morto em hvm higar de Maluia: 

e aeffunoo Albornosi em o anno 328 ( 939 )• Succedeo*lbe 

^seH filho Abdallah , filho de Ebrahifn , filho de Mussfi » 

afilho de Abu-Lafia , o ijual tendo Alecido no anno 360 

(970)1 adie se segiúo seu filho Mohammed, eip ouegi 

^cabai^ os descendentes de Abu4Jiiia ^ «aturaes cU Ma« 

quinex, no anno 363 (;^3'). 

Alguns authores que cratarSo do governo destes dizem , 
que depois ds bater ialacido Mobamned, 61i»o de AMai- 
lah^ fiHio de Ebrabim» filho de Mussa, fillio 4e Aba-L^ 
fia, subira ao tbrooo sen filho Alçassem, .rival dos Lam^. 
tuoenses , entie os quaes -e elle houverão porfiados cosAatea 
até que lossof, filho de Taxeíin o vencera e matara, e de^ 
vastara o seu paiz, fazendo afastar para longe da ^M^aurif 
tania adrtcendencia deMussa, filho de La fia, cuja dvraçãa 
nella fiora desde o anno 305 (917) até ao anno 445* r 105*8) , 
que vem a ser 140 ann^s, iseo h6, desde o principio do 
reinado de Abderrahaman Annasser-Ledinel-lah até á exal« 
tacão dos Lametuneases. 

(Carito ao alcaide Maisaur Alfati logo que elle paci- 
ficou os habitantes de Fez , e rccebeo delles o reconheci- 
mento de obediência para Abu-Cassem Axxaiai, Senhor 
da Ffríquiat nomeou governador da mesma a Hassan, filho 
de Cassem Abuatí , o qual se conservou exercendo o difig^ 
emprego desde o anno 3x3 (934) até 341 (95:2), em qua 
checou de Mahadia Ahamed , filho de Bacar Folto, ebon* 
radoy ao qual deixou livremeqte o que se achava em sen 
poder, 

O filho de AUabbad na sua historia intitulada Jelão- 
Aladhane-fi-açbarezrzamaoe, isto he, rcsplindor do óleo 
mAm as qotiaas dos tçmpos^ diz , que depois de se retirar 

M 2 



Mussa , f!Íhb de Láfia , eivara Maissur Alfati ao gôveno 
da Mauritânia ò filho de «Mobanimed ,, filho de Alçassem ; 
filho deEdriz Âl-hassani, chamado Alçassem Ganun^ p^ 
ferindoK-o a seu irmão Ebrahim. 



CAPITULO XVII. 

« 

Do reinado do Príncipe Alçassem Ganun , filbo ie M^ 

bammed ^ filho de Alçassem ^ filho deEdriz^ filho de 

Edriz , filho de Ahdallah , filho de Hassan , filho 

ãe Al-hassan afilho de Aly afilho de Abu^Haleb. 



F 



01 Alçassem Ganun preferido por -todos os descenden- 
tes de Edriz para os governar depois da lecirada de M a9-. 
tfa , filho de Âbu^Lana y o qual dominou a maior parte da 
Mauritânia á excepção de Fez ; e por isso residia* no cas* 
tello de Hagren-nasser ; e durou o seu governo até ao anna 
$37 (94^) > ^^ 9^ faleceo , succedendo-lhe seu filho Abur 
Alaiaxê Ahamed. 

CAPITULO XVIIL 

Dê reinado do Príncipe Abu-AlaiaíCê Ahameã ^ 
filho de Alçassem Ganun Al-hassani. 



o 



Príncipe Abu-Alaiaxe Ahamed era sábio, t>outor^ 
religioso, abstinente ) respeitador dos usos, instniido nas 
historias dos Reis > e dos povos , e nas genealogias das trí^ 
biis da Mauritânia, e dos bárbaros, judicioso, benigno i 
valeroso , e generoso \ e por isso era conhecido entre os 
descendentes de Edriz por Ahamed oexcellente. Como era 
inclinado, e propenso para os filhos de Maruan; por isso., 
•penas subio ao throno depois de seu irmão, negou a obe- 
' > e reconhecioiemo aos Abidins em todos os 



(93) 

mtzioBi e acclamou a Abderrahamaii Ânna«ter Lçdia Al* 
IfÃíj senhor da Andaluzia^ e fe-lo annuticiar como tal so% 
bre as tribunas das mesquitas dos sei» estado»; mas Ânnãs^, 
ter lhe respondeo , que nâo aceitava a sua accUma(ao> seo^ 
^ue elle prínieira mente lhe entregasse Tanger, e Ceuta;^ 
Tcndo-se Abu-Alaiaxe recusado a esta reouisiçâo , enviott 
Annasser as galeras com tropas a combate-lo ; e hayendo-Q 
posto em aperto , compoz-se com elle , entregando*lhe Ceu« 
ta , e Tanget , e fícando eile , e seus irnUbs , e^ pritnos cood, 
Albassera , e Arzilla debaixo da dependência de Annassef | 
e protegidos por elle. Abertas estaa portas aos alcaides d^ 
Annasser, atacavSo com as suas tropas jdesde a Hespanhft 
até á Mauritânia aos bárbaros, que te lhes pppunbao, dof 
niesticavâo-nos , e incitavão o obediente contra o revolto*, 
so i e Annasser auxiliava o fraco com os seus , e animava 
os débeis com o seu dinheiro até que' dominou todo opaÍ2 
da Mauritânia , e íbi acciamado pela maior parte das tri* 
bus da provincia de Zanata, e por outras aos bárbaros, 
e annunciado sobre as tribunas das mesquitas desde a ci- 
dade de Taharat até i de Tanger, á excepção de Sagele* 
massa ^ na qual se tinha então levantado hum bárbaro ^ 
chamado Monad. Foi igualmente acciamado em Fez , da 

Suai nomeou governador a Mohammed, filho de Algair-^ 
lho de Mohammed láferunense Zanatense, o qual foi o 
mais liberal y famoso , e excellente dos Soberanos de Zana; 
ta para com os Reys Beni-Omias , e de mais puras ihten* 
ç6es para com elles; e isto no governo de Othoman, filho 
de Afan; e tendo jo sobredito Mohsmmed governado Fe;^ 
perto de hum anno, partio para n Hespanha a empregara 
M na guerra sanra ^ deixando governador da dita cidade a 
teu primo Ahamed , filho de Abubacar , filho de -Aha» 
tned, filho de Othoman, filho de Zaid Zanatei\se , que 
foi o que edificou a torre da mesquita. de Caruin no anno 

334f94ir). 

No anno 347 (958) nomeou Annas?er governador de 

Tanger e sua comarca a lali , filho de Mohan.tred , Prin^ 

cípe lafemnense^ o qual a povccu com as -tribos tle Benif*-* 



(nJ 

IIAm» Logo ^ o Príacipe Afas-Alaiaxe via o {iredadM» 



Mdtitt4o4he liccBoi pan hk itppvebcBder a gwfra aai 
A nul lha cDBcedeo; e ordenou, qM àtêàfí AIsettni 
Él fionteiras do túmigo , se edtficaMc fytm patacio en 
<• liam doB hwatcs , em que Alabxe faoarcne de fioonr, 
ttfue cm cada hoin deites se lhe submiaistnmem òii' dii- 
CMos, comida, camas, e as mais atfiúas ptedsas no paljN 
^ , » <{He se {irattoou, i^ obstante terem sido tríota o» 
difts de. jornada ; mas antes de passar á Hespanha nomeoa 
âsa sbbstitato na Mauritânia a seu trmlo Ai-liaasan, filho 
éb Ganun, o qaal lhe succedeo , por dle «cr momdo em 
Inm combate contra os ChristiKM no aono 343 (9f4)> 

CAPITULO XIX. 

Do ninada do Príncipe jU-iassany filho de 
Cãnun na Mamritãma. 

\J Príncipe Al-hartan, filho dcGanon, filbo de MohtiiN 
Med, filho de Alçassem, filho deEdriz Al-faassani, íbi elc^ 
irado ao governo depois da partida de seu htnio para a 
Maia ) em que morreo ; e foi o ultimo Soberano da dinas«- 
4n dos Edrisitas na Manritania. Gonseryou-^e este sempre 
iDgeito, e fid aos Merananes até ao tempo, em<]efe ch^ 
got a noticia a Axxaiai , senhor da Eíriquia , do predo^ 
«niaio de Aonàsser sobre o paiz da Mauritaiúa » ede todas 
-BS tribos de Zanata , e dos outros bárbaros lhe terem neg»» 
^ó a sogeiçáo , entrando debaixo do domínio dos Beni* 
Omias , o que deo a Saad , seu fillio , o maior cnidado ; e 
•|wr isso mandou o seu alcaide Jauhar Cbrisâo á frente de 
Tinte mil cavalleiros das tribus de Catama , Sanahaja , c 
eutrts com ordem de discorrer pêlo pais dbi Mauritânia, 
augeifa*lo, depor os Tcvoltosos , e descarregar sobre dles o 
lãer da &eçtí. Tendo laubar saiudo de Caimuaii paia a 



(9S) 
Blauritanla m anno 347 (9^8), logo que cliegoii a mieip* 
cia da sua chegada a lalá, filho de Mohacnmed, Principt 
de laferan. Califa de Ânoasser Ledainel-lah no pak da 
Mauritânia, congregou as tríbus àe Beniaferun, e as OHtfat 
de Zaoaca , e o foi encontrar á frente de numerosas tiopac 
oas Tizinhanças da cidade de Taharat. ^cndo tomada 
fi>rça o combate entre os dous exércitos , tirou Jauhar dftt 
ahetfos » e répartío-os pelos alcaides de Catama , os quaca 
ae lhe obrigaiâo a matar o Príncipe lalá , filho de Monamt 
med ; e ^ando o combate estava no maior calor y destaco» 
ae hum . esqmdráo dos alcaides e soldados mais ajiimdsot 
de Catama , os qiiaes se dirigirão contra lalá } e tendo^lhc 
attavessaiio a caliísca , o matarão e o trouxerão a Jauhar , 
qual lhes deo iie alviçaras «vAikada quantidade de dinheí^ 
10 , e a enriou a seu amo Saad , filho de Esmail , o tpú 
a kz girar por Cairauan. Destroçado^ e disperso « exeiw 
cito de Beniaferun depois da morte do seu I^incipe^ lorooi^ 
•e a unir a seu filho ladu. 

Depois da morte de lalá partio Jauhar para Sagele^ 
flMssa , na qual ae havia levantado Mohammed , ^ho dt 
AMaioh ) bem conhecido pelo nome de Uaxul , filho éê 
Idatmun Assafàrri ,.0 qual tinha arrogado a soberania y de»- 
fiominando-se Príncipe dos crentes , apellidandcvse Axza^ 
qoeia-LcUah (agradecido a Dros) , e canhando moeda com 
o seu nome y a qual era l>em omhecida pelo nome de Aai- 
■aqueria em ra«§o da 'Sua boa qualidade , o qual tinha mo^ 
arado muita rectidão , e òbf crvaneia da lei ; e seguia a seíia 
meliqatta. Tendo Jauhar cercado, sitiado, e estreitado a 
Axxaiquero , tomou a etdode por assalto , e o aprehendeo^ 
« desperKM os seus sequases, « mortas as sens addictos, e 
)»rÍBCipaes de Aasafieria^ a iretea «m -ferros , e conãmlo 
aseravD diante de ai para a «idade de Fez , à qual pez eer- 
'OT no amo 349 X 9^ ) i ^ tenda-a sitiado , « batido par 
todos tis lados par espaça de tveM dias até a entrar á fbi^ 
, matou adia muita gente , -e prendeo o sen Prinei^ 
Alfaanted, fiNvade Abtibacar Zaaatense, que Annasser t^ 
aliar roncada f;09emidar^elia ^ ^aaada ae aaus habtiaatas 



(96) . ^ 

Vmeclamarâo'; matoa os seus principais v eXeqvea-; saqMâíí 

'm cidade; captirou os seus niocadores; e tlestraio acstias 

aniralhas: hou verão 4!m fitTiinella eanoindozos acamedinca» 

tos no dia da' entrada de Jauhar na oMsma^ queibÍJia;iMi- 

^«faâ de qninra fehra vinte do oiez 4e Ramadan do aesma 

'anno 349. Inv adio . depois as jifovincías da Mauntania^ 

anatando tteliasos. governadores dos Almeraudnes , e ooii« 

anistando-as ; obrigando as tribus de Zana ta ,. e outras % 

nigirem diante deUè. Este depois de ter exercido- o sen po^ 

der na Mauritânia por espaço de trinta meses , em que 't 

aubjúgou ^ e estragou , matou os seus defensores , e a exe« 

snto da sugei;So aos Meruanes» fàzendo-a prestar aos AIA- 

: 4ins , aos quaes fez annunciar de todas -as tribunas ^ pareio 

Êira Mahadia a apresentar-*se a seu amo Saad^ filho de 
smail Abedi , levando comsigo a Mohammed, filim de 
Abubacar laferunense, governador de Fez» com quinze x^ 
quês, e Mohammed, alho de Alfatoh , Principe de Sagiè- 
lemassa presos em gaiolas de madeira sobre camellos } e 
sobre as cabeças dos ditos presos pôz gorras de lá compii* 
da coroadas cie comos , e cfeata maneira os fez passear pe- 
las praças de Cairaun ; .e' depois os conduzio para Man* 
dia-, levando*os a diante de si , aonde os encarcerou, coo- 
«enrando^e na prizao até morrerem. 
^ Como o Principe Al-hassan , filho de Ganun , tinha 
«cdamado com os mais osAbidins, quando Jairfiar venclBo 
a Mauritânia, logo que este se retirou para aEfriquia no 
anno 349 (960) retraiou-se, e tornou a prestar obedien» 
cia aos Meruanes , sugeltando-se ao Império de Annasser , 
e de sen filho Almostansar por temor , e nao por aoiiza*- 
de, em razão da sua vizínnança; e assim se conservou , 
observando os seus mandados a ré oue Balquin , filho de 
Monade Senahagense, sahio da Efriquia com direcção á 
J&áauritania a fim de desapgravar a seu pai , o qual . com 
cflTeito tombateo, edestruio osZanatenses, edoniinou toda 

* a Manritania exemptando*a da sugeiçSo dos Ommiadas; 

• ^ tendo oiOrto os seus governadories , obrigou todo o pfib 
4 Jms^r o i^conhçciuMmto de sugciç^o a Saad, filho d« 



( 97 ) 
l^ifuil Axaiai; coito antes tinha praticado Jaubar , aendd 
o primeiro que correo a acclama-lo , a ajudar a matar oa 

Svemadoics dqa Mcarauanis , e a exclui-los do domínio na 
anrícania » Ai*ha»an f iiiiio de Ganun ^ senhor da cidade 
de Basra^ no que se esforçoCí sem disfarce. Tendo chega* 
do esta Botida a Ai-ha<^úem Almostanser , o arguio por 
isso ; e lo^ me Barquin partio para a Efiriqula mandou 
o seu alcaide Mohammed , filho de Alçassem com hum 
crescido exercito a combater o dito Al-hassan» filho de 
Ganun , e passou de Algeziras a Ceuta com hum comple- 
to trem no mez de RabiaLáual do anno 362 (972 )} e 
tendo Al-hassan marchado a ataca-lo com as tribus dos 
bárbaros y e encontrando-se os deus exércitos nas visinhan- 
cas de Tanger no lugar chamado Fahas-beni-masserague^* 
Aouve buDd porfiado combate , no qual foi morto o referi^ 
do alcaide Mohammed, filho de Alçassem com grande 
multidão dos seus , fiigindo o resto , que entrou em Ceu« 
ta 9 e se fortificou nella , 'donde escreverão a Al-haquem. 
pedi&do-lhe soccorro. Mandou«lhe o seu famoso alcaide ^ 
aenro, e. general Galeb, homem da maior coragem,, au* 
dacia, engenho, subtileza , e intrepidez,, ao qual deo avut 
fadas e crescidas somas de dinheiro, e copiosos exerci ros; 
r lhe ordenou , que combatesse os Aluins , e os expulsasse 
das suas fortalezas ; e á despedida lhe disse : vai Galeb 
coroo quem não tem permissão de voltar vivo senão triun- 
fante , ou morto não podendo cumprir a promessa : não 
sqas avaro com o dinneiro, mas sim liberal : seguir-te« 
hão as gentes. Tendo Galeb sahido de Corduva com oS 
exércitos , trem de campanha , e dinheiros no ultimo do 
mez de Xaual Ao anno 3<Stz C972), e constado da sua 
vinda si Al-hassan , filho de Ganun , temeo-se dellc , eva- 
cuou Basra, e conduzio'suas mulheres, riquezas, e the^ 
•zouros para a fortaleza de Hageren-nasser próxima de 
Ceuta , a qual escolheo, para se fortificar, ^cm razão de 
ser inaccessivel. Tendo Galeb passado de Algeziras a Al- 
easser Masmuda ( Seguer ) , foi Al-hassan , filho de Ga» 
iiun, alli ekicontra-lo com o seu exercito; e tendo ficlcijar 

N 



ió Mm elle âigóm dias, tirou Gafeb dinheimi, e 09iii|fN 
deu aos chefes dos bárbaro^, que ae acbai^ com AUIol^ 
sin , filho de Ganun, pcomectendo-lhea , '^ dando^Ihea ao^ 
gurança'^ os- quaes o abaiklomi^ ,':e ae lhe entregarão ^ 
]ito tendo ficado com Al-bassan serfto os aeitt crjaà>8> e 
famiijares.^ObservaDdo eate sefiAelhante procedimento, par«» 
tio para ocastello de Hageren-naas^r , e fortificoa^ae iieUc, 
para o qual o seguio Galeb^ e o cercou, e Sfáoy iciley 
cortando* lhe todo o soccorro. Tendo^ Ai^^tooena rcBofc^ 
$ado com todos os árabes existentes na Hcspanha , e oom 
iSutras tropas' das ^ças íronteims, chcgando4be este 80C« 
úorro no principio do mez de Moharram do anno 3^3. 
(573 )» estreitou Gaieb o sitio comra Al^hassan , filho de 
èanun ,0 qual vendo-se em tanto apuro, pedio4be sego-- 
nmça para si , aua fàmilia, bens , e comitiva, accresoeiH 
tando, que, aceitas esta^ condiçftes , se Uie entregaria , e 
biria com eftc para Córdova , aonde residiria. Tendo Gsí^ 
l^ convindo nisso, e obrigando^se ao seu cumprimento y 
bdxou Âl*hassan da fortaleza com a sua família , comi** 
tiva j e bens , e a entregou a Galeb', da qual eile tomoo 
posse. Cuidou este logo em depor, e expulsar dos caa»i^. 
los ,*e do paiz da Mauritânia a rodos os Aluins; dosqoae» 
iKb deitou hum só individuo ; e partindo para Pez , sè*» 
jthoreou*se delia , e nogieou ' governador do bairro de Ca«« 
min a Mohammed, filho de Aly , filho de Caxuxe, e dor 
bairro de Andaluz a Abdelcarim , filho de Taleba , m 
qual cidade se conservou sempre em poder dos governa* 
dores dos Beni^mian , até que a tomou Zaidi , filho de 
Atia Zanatense. Rettrou-se Galeb para a Hespanha levan** 
docomsigo a At-hassan,' filho de Gamiif, e a rodos "^ 
Príncipes descendentes dos Edrisitas , depois de ter subjuga^» 
do a toda a Mauritânia , distribuído os seas governado* 
res por roda ella ,- cortado todo o reconhecimento aos Abi- 
dins , e feito voltar todos aquelies est ado<( á obediência doe 
Omuuias; e tendo sabido de, Fez no ultimo dia do met 
de Ramadan do anno 36 j ( 974 ), chegado a Ceuta , e 
embarcado para Algeziras^ (rscreveo daUi a seu amo Al^ 



/ 



( 99 ) 
kmem AlmcMtatisavfadlah , 4tndo-Ítie jmrfc da inia che» 
gtoa, € doa Aluioit que trazia cximaigai I^igo que Uit 
diqgou ttta. caru , ordenoii ás gencet que sahissem ao sm 
eoGotttfo, e dle mesmo montou a cavallo,^ e sahio com 
toda a sua câite a encontra-los. Foi a soa eatrada cm 
Córdova no. x/ do mec de Mahairam do anão 3^64 (974) t 
dia de ^ode celebridade. Tendo AUhassan, flho d» 
Ganun saudado a Al-haquem, este o aproximou desi» 
fcrdoou4he ^ cmnprio-lhe ó que tinha pactuado « e »a ent 
cheo e aos seus oe beneficios^ estabeiecendo-iJie grossaa 
rendas., e còllocando a sua familia, eaddictos em nurne^ 
10 ' de sete centos no livro dos pensionarios com a eii^ 
cunstancia , que cada cem deilcs recebia tanto como mil 
dos outros % e ordenou que residisse em Córdova y na qual 
Al-liassaa permaneceo até ao anuo 365 ( 97; ) « em que 
tciidó chegado ao conhecimento do Príncipe dos crentes / 
Al^iiaquem, qne^ Alrbassan possuía hum pnedaço de am-* 
bar de ^o extraordinária grandeza , que lhe servia de tra^ 
vcsseiro, de que se tinha senhoreado por se haver encòn^ 
trado nas praias da Mauritânia ^ quando a governava , e 
sogando-lhe , que lho trouxesse para o collocar entre as 
preciosidades dos seus the^ouros oom a condição de ilm 
fcmunerar, escusou^se Al-hassan, e recusov-se a entregar* 
lho , motivo porque o afligio , despojou de todos os setis 
bens , e lhe tomou o dito âmbar , -o qual se conservou na 
seu thezouro até que AI7 , filho de Hamud Al-hassam se • 

declarou contra o Rei da Andahizia ^ dirigio-se a Cordo^ 
va , entrou no palácio , e se senhoreou dos thezouros doa 
Beni-Omias, aonde encontrou o âmbar de stu primo, 
lendo^e alli conservado tantos tempos 9ié voltar ao po«« 
der dos Aluins ^ seus donos; e a final ordenou o dito Al-« 
luissan y que todos* os AJuins fossem expulsos de Cordoa 
va » e desterrados para o oriente, para se livrar dos gas^ 
los , que com elles fazia , os quaes embarcarão de Alme-^ 
ria para Tunes- no anno 365* ( 97; ) ^ donde passarão ao 
Egipto y aonde ibrao hospedados, e bem recebidos. por 
Nakar ^ o ^aJ promettaó . a Al«haf$an . ajuda4o para se 

N 2 



( lõõ ) 

vingar de AI4^aqoem. Tendo Al-hatsan consemdo^ 

dle alli longo tempo até ao anno 373 (983), remandci 
ja na Hespanha Hexam Almuid , pâ9sou-lhe emSb Naiar 
o seu diploma para hir governar a Mauritânia i e escreveo 
ao seu governacior na Efriquia Baiquin, filho de Zaidi , 
filho de Afonad, ordenando-lhe.que o auxiliasse com ttom 

Ías. Dirigind<^e a Balquin^ este lhe subministrou trez mil 
omens de cavallo ; e tendo invadido com ' elles a Maori» 
tania , correrão as tribus dos bárbaros « prestara be obediet»» 
cia , e principiou a mostrar-se a sua soberania. Sabido isto 
por /ttmansor, filho de Abu-Amer, vice Rei de Hexam ^ 
e regente do seu Reino , enviou contra Al*hassan a seu 
brimo Abu«Al*haquem Omar, filho de Abdallah, filho de 
Abu-Amer , á frente de hum grande exercito , encarregaiw 
do-o do governo da Mauritânia , ao qual ordenou , que o 
informasse a respeito do dito Al-hassan , filho de Ganun* 
Tendo partido, e passado o mar para Ceuta /sahio desta 
a combater Al-hassan ; e tendo-o cercado, e sitiado alguns 
dias , veio-se-lhe depois ajuntar Abdelmaleq , filho de 
Almansor, que este tinha mandado apóz delle oom hum 
poderoso exercito para o auxiliar. Vendo isto Al-hassaa 
csmoreceo : e como não achasse meio de escapar pedie «e» 
gurança para a sua pessoa , 80geitando*se a passar á Hea* 
panha , como tinha practicado a "primeira vez. Deo-lhe 
Al-haquem a segurança , e eècreveo a seu primo Almansor 
informando*o a este respeito , o qual lhe ordenou , que o 
mandasse immediatamente para Córdova com -muita reco- 
mendaçâo ; "^ tendo-o etie enviado , e passado á Hespanha » 
informado disto Almansor^ nSo guardou a promessa de 
seu primo , e enviou ao seu encontço pessoa que o ma- 
tasse no caminho; e tendo-lhe sido cortada a cabeça, foi 
enterrado seu corpo, e aquella levada a Almansor, a qual 
lhe foi apresentada no mez de Jumadil-ánal do anno 37^ 
(9fy)' Reiflou Al-hassan na Mauritânia desaseis annos da 
primeira vez desde o anno 347 ( ^^2 ) até ao anno ^64 
( 974 )} ^ ^^ segunda hum anno e nove itiezes. 

Cc3S0U o poder dos Alulns na Mauritânia , e se dca^ 



penarfe. Em O>rdora ficaiáo alguns ). empregados nirA^ 
nau úo SoberaíDO como deputados pela pane da Mauríta% 
aia até subir ao ihrono Âiy', filho de Uamud. AUí^Bhiz^f 
ma ctrâ» tempo se fizdrSp cdebres. . . ^, 

liaorto Al«has8an, filho íleGanuo^ le?aiiUMTseimaioa. 
diatamente hum vento vehemenie, <pie levou a capa do^ 
mesnpo ^ e nib. appareceo iDaisà Era Al-hassai) , filho Â^ 
Gamia, segundo refere Bei^Albaiad , deshuinano, cruel^ 
muito temerana^ e decoraçap endurecido, e pou^oicom* 
padecidos quando se senhoreava dos seus inimigos > ou d(^ 
algum ladrão , ou roubador ^ mandava , que lho trouxessem y 
c o precipitava do cume da fortalela de Hageren-nasser ^ a. 
qual era tão alta ^ que mal se ptídia a terra em baixo avis« 
lar; e quando o individuo chegava a ella , ja estava des^ 
^i(o, e desconjuntado. . > j 

Acabou y di2 o author, a dinastia* dos Edrisitas ns 
Mauritânia com o reinado de AUhassan, filho de Ganun^* 
ultimo dos seus Soberanos , cuja dinastia durou desde, o 
dia quinta feira sete do mez de Rabiai-áual (a) do anno 
172 (788), em que Edriz foi acciamado na ^cidade de 
Ualila,4ité ao mez de Jumadil-áual do anno 375* (^f)» 
em que Al-hassan , filho de GanuD , foi morto , isio he f 
duzentos e dons annos, e cinco mezes. . . 

O seu Império na Mauritânia extendia-se desde o 
Sus até á cidade de Orão , e a sua Capital foi Fez , ^ de« 
pois Basra. 

Supportarão o jugo de dous grandes e poderosos Im* 

Sérios , a dinastia dos Abcdins no Egyptp , e Kfriquia , e a 
os Beni*Ommias na Hespanha, Di^putavão aos Califas O 
direito ao califado, ecomelles permanecia ao mesmo tem- 
po a soberania, e pouco dinheiro; e pof i^so quando a 
sua soberania crescia em poder ^ chegava i cidade de Te^ 
Jamessan^ e quando era agitada, e enfraquecia, nSo pas^ 

(s) Este mei difere do nrcnciorado no e»^II.« poffcjue o de*F ab^aT-ind 
he o terceiro^ e o de Ramadan iSiercicnado r.o dito cap. he o rrno; epor 
isso digo tUi que o anno 17a €f>iKs^cr.àt a 7I9, caqui 37(8 da eia Chri> 



C B» ) 

§ÊfM além de Bure, Arzili, e HagéreorMaKr, aié^pK^^ 
finl o8 <lcsamp9nurâo os poderosos ^ e todoi m oucm^ 
«acibaiáa seus dias, porque t duração eceroa. peneaoB 
aómeote aDeoa ^ além do qual nâo ba OMtro Soahor diga» 
dha adoração^ 

C A. P I T U L o XX. 

m 

Nêticiã d0t sucttisús mais nâtãveis acmteei^ 
éas Uê tempo des$ã dinastia Mi d smm . 
^ dissúlufJh em a Mamritamia. 



H 



ouve na Mauritânia grande barateza de t iveret des^ 
de o aano duzentos e oito até duzentos e quaicma esete, 

nie o, maior preço , a que ^ chegou o trigo na cidade 
ez , íbi de trez derahem * pouco mais ou menos por 
cada carga» No anno duzentos e trinta e dous houve na 
fíespanha tão grande secca, que perecerão os gados , quei^ 
maiâo-se as vinhas , e as arvores, cresceo a praga dos ga- 
fanhotos , e subirão os mantimentos em toda ella ; e ^eísei 
^rao conduzidos da Mauritânia. No mesmo anno &iecea 
Abderrahaman , filho de Âl-haquem , Rei de Córdova^ 
No anno trezentos e trinta e sete levantou-se para as par- 
tes deXelamessanhum certo pregoeiro , ínculcando-se pro* 
fera, e interpretando o Alcorão em diverso sentido^ aôqoal 
aeguio muita gente da plebe. ErSo alguns dos seus precei-* 
los a prohibição de se cortarem os bigodes , e o cabelio 
lodo I aparar as unhas , e rapar a penugem das partes po* 
dendaa ; e também o uso de ornatos , e enfeites , porque^ 
dizia elle, não devia haver alteração nascreaturasdeI)eosL 
-Tendo-a mandado prender o Príncipe de Telamessan , fit^ 
^io> e embarcou no porio de Hanin para a Hespanha ; 
e tendo-se divulgado nesta a sua noticia , e intento, e sid«^ 
«eguido por immensa geme idiota , mandou*-lhe dizer aquel* 
!e Soberano, que se arrependesse, ao que se nepouj e por 
iiso lhe dco morte de cruz ^ não ob&tánte elle ckmaf : pgf 



vnMa iMttes kum homem , qiie diz » Deòs lie meu 801 
filiori No afmo 4luzentos e dncoenta e trez houve na Maii% 
riuHiia. € Hespâfiba huma grande esterilidade, por não ter 
duvido, ÈÊk 9^ú arnio duzentos e sessenta. Na anno duzem 
los e dnooenra e quatro cclipsou-se totalmente atuir, eiútà 
appareceo desde a boca da noute aié ao amanhecer. N« 
ahno duzentos e sessenta foi geral ^ a carestia, e esterilidadt 
em todos os paizes da Mauritânia , Hespanha , Eíriquia ^ 
Egratô , e. Atabia pétrea , de maneira tfât a gente parti0 
de Mecca para a Siría , ficando a mesma quasi deserta , • 
farhando-se a caaba (a sua mesquita), a qíàal se conscr# 
Ton asnm algum tempo : e na Hespanha , e Mauritânia 
houve também ao mesmo tempo huma terrivel peste, da 
que morreo immensa gente. No anno duzentos c cíncoentá 
e seis appareceo hum grande signa 1 vermelho no^ Géo , co* 
mo nunca se vto, o qual durcoí' desde a prima noute do 
Sábado vsnte do met de Safar até ao fim da mesma. No 
dia quinta feira vinte é dous do mez de Xaual do ahno 
duzentos e sessenta e sete houve hum grande tremor de 
* terra , oomo até então se vâo tinha percebido , o qual de»- 
tnuo os palácios, fez cahir os rochedos, e os montes, obti- 
gOQ » íbgir as gentes das cidades para os desertos porcai^ 
aa da vehemenve concuslâo da terra , cahit^o os tettof , t 
as paredes das cazas , e abandonarão as aves os sicns tí^ 
nhos, e filhos, andando vagando no ar até que o tfbaki 
cessou. Este abalo da terra abrangeo todo o psiz desde 
Tclamessan a Tanger, toda a Hespanha , tanto montes, 
como valles, e desde o mar da Siria até aos confins occk- 
dentaes da Mauritânia ; xd^s nesta não morreo pessoa al- 
guma pela grafH deDfOs Altk^simo para toDias suas cfea- 
turas. No anno ffozcnms é «etcjira e tfct ftleceo na Hespa- 
nha o Soberano Abu Mohaftimed, filho <ieAbdcfratiamaa,* 
filho de Ai-hâquem , «ot^al 9uccedeD sen f Ibo AIiYiòndat. 
No awío thizeiytos <e *eteM« 'é sé^ fci f^al a rcvoluçSo 
Ml toda a Hespanha , MâurltrAia , e E^rtfuia. Ko â^ito 
íflzenn* « intems e ei#«) h^vie iCo nerrittl fbíhe ^tt\ tê- 
tfai % HMpMkt'^ e MmritaVMa , ^ a «gcoie M «Dfhsa 4*- 



I 



t T04 ) 

ffiá á outra, á qual -se seguirão a* peste , as enfermidade^'^' 
e multas mortes, perecendo mtiita^eote porl&lta de assis* 
tencia, e soccorros em tanto numero, que se sepultava sem 
se layar, nem encomendar. Na quarta feírii vinte e now 
do mez de Xanál dó anno duzentos e noventa e noye ás ho« 
ias da orjiçào de vésperas eclipsoo»^ o sol de maneira tai ^ 
Que chamando os {M^goeiros aa» mesquius para eUa , cor- 
riáo as gentes como que fossem para a oração do sol po»- 
to, porque se escondeo toda a esfeib do sol ^ e appareoe» 
ião as estrellas ; mas tendo apparècido depois ro(K> told«« 
do, e tomado a dar a sua luz por espaço de vinte mino- 
tps , poz-^se , c tomqtu a gente i ora^. Ino anno duzentot 
e noventa e seis conquistou Axxaiai a Efriquía , da qual 
expulsou os filhos de Alaglab , despojando^» da sobera- 
nia ; e o mesmo praticou no mesmo^paiz com os filhos de 
Alabasse no seguinte anno; e tendo manifestado os seus io* 
temos, inticulou-se Principe dos crentes , e tomou o apel« 
lido de Almahadi , tenob sido o primeiro que naquelles 
tempos se Intitulou Printípe dos crentes , esculpindo o mes- 
mo titulo na moeda. No anno trezentos e trez houve na 
Hespanha , Mauritânia , e Efriquia muitas revoluções ,,e grao^ 
de nme , semelhante á fome do anno duzentos e sessenta ; 
«pois chegou a necessidade a hum "Suge , de que não ha me« 
moria, cnegando o alqueire de trigo a trez ducados, esen^ 
«do tal a mortandade na genfe, que se cançarâode aent«r- 
•rar. No. anno trezentos e cinco no mez de Xaual queimou 
O fogo os mercados de Taharat, capital da provihcia de 
Zanata , da cidade de Fez , e de Córdova , e os arrabaldes 
•da cidade de Mequinença em Hespanha ; e por isso se fí« 
.cou chamando o anno do fogo. No anno- trezentos e sete 
-houve na Mauritânia , Hespanha , e Efriquia huma prodi- 
giosa abundância, tenivel peste, e hum vento tão forte» 
.que arrancou as arvores, ê oestruto as cazas em Fez; epor 
. isso se converteo a gente , temeo \ frequentou as mesquitas ; 
;C se afastou dos viçios , e das torp^as* No anno trezentos 
.n dei senlioreou-se o Príncipe Mussa^ filho de Abu-L^a 
4a cidade de Fez^ e dominou todos os estados da M9uri<* 



( tcV ) 
IMb. No aáno trezèotos e rinte trez entrou o alcaide Maish^ 
fttT Âxxaiai i força em Fez , e matou nella trez mil ho* 
ittens » e depois maia de sete mil usa cidades de Uazaríga, 
e Aussaja , pertencentes ao estado de Maquines. Houve na 
Mauritânia em o anno trezentos e vinte sete hum nubla- 
do por espaço de cinco dias, em que a gente náo via o 
Sol ^ nem cousa alguoMi da terra ^ a excepção da que pisa* 
va , o que causou tanto susto , que as gentes repartirão 
esflóolas , e fizerão penitencia , do qual Deos as livrou. No 
anno seguinte faleceu Mussa , filho de Abu*Laíia, Prínci« 
pe de Maquihez. No aimo trezentos e trinta e trez entrou 
Abu-Iazid, filho de Mag^d, filho de Caidade Aliafèru- 
nense na cidade de Cairauan , e venceu toda a Efriquia» 
No anno trezentos e quarenta e nove entrou Jauhar , alcai- 
de de Axxaiai , na cidade de Fez á força da espada , . na 
qual matou muita gente , cujos xeques conduziu para a Eíri- 
quia 9 e expuffoou oa^elemassa , na qu^Ji fez negar o reco- 
nhecimento de obediência aos filhos deJMaderar: e no 
'mesmo anno se apossou Abderrahamao Annasser dascida* 
des de Ceuta , e Tanger , cujas muralhas edificou , e com« 
poz : ainda que ha também quem diga , que elle se senho* 
reara delias no anno trezentos e desanove. No anno treaen* 
tos e vinte dnco arrogou o dom de profecia no paiz de 
Gammara hum homem, chamado Hamim, cuja doutrina 
seguirão muitos desta provincb. Os preceitos, que elle 
lhes prescreveu , forao Quas orações , huma ao nascer , e 
outra ao pôr do Sol com trez inclinações profundas eqi 
cada huma delias, adorando com as palmas das mãos por 
baixo das faces; e fez-lhes hum Alcorão no seu idioma pa* 
ra louvarem com elle a Deos da maneira seguinte: livra- 
me das culpas , como livraste a Annadar do mundo : tira- 
me das culpas, como tiraste a lonas do ventre da balea, 
e a Mousez do mar: e dizia depois nas siins inclinações r 
creio em Hamim, no seu companheiro Abu-Iagiielaf, eetn 
Taiit, tia de Hamim; e por fim adorava. Esta Talit era 
advinhadofa e feiticeira. Prescrevcu-lhcs o jejum' nos dias 
da s^unda e quinta feira até ao meio dia > e também na 

O 



Xto6) 

9estâ feira,, dez dias no tnn ác Ramadan, e deus no.ilies 
de Xaual. Aquelle porém que de propósito ali|K>çasse im 
qninra feira , havia dar em expiação trez bois de esmola ^ 
€ na segunda dous. Prescreveu -lhes igualnienre j>agarem % 
decima de todas as cousas : absolyeu-os da peregrinação â 
Mecca , da purifícação , e expiação das impurezas ; permita 
ttu-lhes comer carne de porca » porcjue dizia , que o Alço* 
tio de Mohammed sò tinha prohibido comer-se a de poi> 
Co : dispoz , que se não comesse o peixe senão degollado $ 
c prohibiu-Ihes a comida dos ovos, e das cabeças de todos 
os viventes.- Tendo-o Annasser, Kei ^c Heápanfaa man* 
dado procurar , foi prezo , morto , e crucificado em Alça- 
çar Massemuda ( Alcácer seguer ) , e a sua cabeça enviada 
para Córdova. Os seus proseíifos voltarão ao mohamraetis^ 
mo. No anno trezehtos e trinta e nove cahiu saraiva tão 
grossa, que cada pedra pezava hum arrátel > e mais ainda p 
as quaes matarão as aves, fiaras, e mais quadrúpedes, e 
muita gente; e quebrarão os fructos, e as mesmas* arvores ^ 
^ que aconteceu depois de tão grande secca , de que não 
consta ter havido igual; e no anno trezentos e quarenta e 
dous tornou a cahir saraiva ainda mais grossa , a qual ma« 
tou Of gados, e destruiu os íructos;' e tendo a gente pedi* 
do chuva neste mesmo anno , cahíu em tanta Quantidade 
em Ioda a Mauritânia , acompanhada de estrondosos tro« 
tâes, e de vehementes relâmpagos, que durou a tempestade 
6om grandes enchentes muitos dias; e houve no mesmo 
anno tão grande furacão de vento, que destruiu os edifícios. 
No anno trezentos e qaircnta e quatro houve a grande pe»» 
te na Mauritânia, e Hespanha , de que -morreu a maior 
parre da gente; e senhoreou-se Annasser-LedaineMah da 
ddade de Telamessan , o qual faleceu no anno trezentos e 
cincoenta. No anno trezentos ^ cincoenta e cinco houve tão 
grande vento, que arrancou os fructos , destruiu as cazas, 
c matou i gente; e no mez de Rageb do mesmo anno em 
• a noite vigésima oitava appareceu sobre o mar huma es* 
trella resplandecente .perpendicular, ã semelhança de hu» 
^ IM grande coiumoa > q^e, alumiou a noute com os raios da 



ha i f cmdhflAça da noptc de alcadar (a) até te apiOf * 
ximar a daridade dô dia. No ineemo mcz se eclipFarao 
p 60Í , e a tua : esta na^noutê decima quarta y e aquellt 
no dia desci to. No anno trezentos è cinooenta e oito se* 
«horeoiiofe Axxaiai do Egypto. No anno trezemoa e sea* 
senta e hum houve os gafanhotos na Mauritânia ; e no se* 
fluiace amio a invadirão os Almagrauenses, procedentes M 
huma das tribus de Zanata, eadoroinarao, ficando coohe^ 
eido pelo nome do anno de Naaman-Âlmagrauense ; e fa- 
leceu o digno xeque Abu-Maimuna-Derasse, filho de Es« 
mail. 

No anno trezentos e sessenta e trez faleceu. Saad, fi- ^ 
lho de Esmail Axxabi, Rei do Egypto, e da Efriquia ; 
e no anno treseatos e sessenta e seis faleceu também Al^ 
faaquem Almostanser, Rei de Hespanha» ao qual succe* 
deu seu filho Hexam-Aln)uid , sendo da idade de dez an« 
nos ; e entrou lala , filho de ladu Zanatense , em Maqui* 



No anno trezentos e sessenta enove invadiu Balquin, 
filho de Zaidi a Mauritânia , cercou Fez , e matou a Mo^ 
bammcd , filho de AI7 , filho de Caxuxe ^ senhor do bairw 
ro de Caruin, e a Abdelcarim, filho de Taalaba, senhor 
do bairro de Andalu? , donde partiu para Ceuta , e depott 
para a Efiriquia. 

No anno trezentos e sessenta e nove . dominou Zaidi ', 
filho de Atia as tribus de Zanata. No anno trezentos e scm 
tenra e cinco partiu Assecalaja da Hespaiiha para a cida^* 
de de Fez; e tendo-a dominado, e entrando nella á fprça 
fez reconhecer, e annunciar a dinastia dos Beni-Ommias^ 
e desterrou a Mohammed, fAho de Amcr Maquenense, e 
governador dos Abidins no bairro de Caruin até ao aniia 
trezentos e setenta e seis. No anno trezentos e setenta e 
sete foi geral a praga dos gafanhotos na Mauiitania ; e M 

O 2 



Cé) Atcaiiar he t celebie DOutCi em que ot moSiaminetanof cfem q/íc 
biUttSo os Anjgs» 






Afino seguinte hooVe' huma ençfaence*tal, qae todos ob 
rios transbordarão , e sahirSo da madre. No anno trezeotoi 
le aetenta e nove hou?e na Mauritânia hum vento Leste ^ 
que durou seis mezes , e no fim delle huma grande peste, 
e outras doenças. No anno trezentos e oitenta foi a cria- 
ção , e« a barateza «excessiva ; e o trigo foi tanto , que oáo 
$e achava quem o rompfassej e por isso os lavradores ã 
deixado no campo por ceifar* 



CAPITULO XXL 

2}o rei na doados Âlmagrauenses Aliaferunenses 4ã 

fravincia dè Zanata , e da sua exalta^ 

ção ao ibrono da Mauritânia. . 



z 



J AiDl , (a) íilho de Âtia , que tinha sido constituído 
Rei (das tríbus da província de Zanata no anno 368 (978)» 
fi>i o primeiro desta dinastia , que reinou na Kiâurícania ^ 
tnas com sugeição a Hexam Álmuide , Rei de Córdova y e 
ao seu vice-Reiy (ou regente) Alaiansor, filho de Âbu- 
Amer , depois da extinção dos Edrisitas , e dos filhos .de 
Âbu-Lafia os Maquenenses. Tendo vencido todos os cam* 
pos da Mauritânia , e dominado a cidade de Fez , na qual 
ja haviSo ent?Sdo os seus alcaides Assecalaja , e Abu-Baia* 
xe, fixou nella a sua residência ^ escolhendo-^ para sua 
capital , no anno 377 ( 987 )• Logo que a dominou y to* 
marâo boa direcção as suas cousas , cngrandeceif-se o seu 
poder , tomou vigor o seu Império , e exaltou-se o seu esta- 
do., Havendo-se revoltado Abu-Albahar, filho de Abo- 
Zaide, filho de Monad Sanahagense, contra o filho de 
Man>or, filho de Balqutn, Príncipe da Efriquia , prestou 
reconhecimento aos Almecauniz abandonando os AoediA; 

(a) Conde chana-lhe Zairi. A minha copia arábica também lhe dava o 
mesmo nons \ ma« foi corrigida pelo sábio Hag*ge Haddu | do qual hxfi 
•leâ^o fl|i miubas tdvcrtcocias , pof não irr nome arábico. 



(■09) 

t depoh ét fenoér at ddadcs de Telamemây Ora6, 7\ki 
aes^ Xcife, Xalral, e Mahadia, as montanha^s de Lade* 
Oiz j e grasde parte do pâiz de Zab , mandou anouDciar 
das tribunas das mesquitas a Hexam Almuid ^ e ao aeu vi-» 
ce-Rei Almansor, aos quaes enviou o testemunho de sua 
obediência no mesmo anno 277. Apenas este chegou a AU 
mansor » remetteu-Ihe hum diploma confirmando-o na pot- 
ae de todo o paiz, de que era senhor, e hum presente, e 
bum manto Keal com Quarenta mil ducados. Tendo paa» 
gado quasi dous mezes debaixo da sua dependência , depois 
de receber os mencionados donativo^ , retratou^se , e voI« 
fou para os Abedins. Informado A]mansor do seu procedi* 
mento , indignou*se , e escreveu a Zaidi , filho de Atia , ce» 
dendo-lhe os estados de Abu-Albahar, e ordena ndo- lhe ^ 

3ue por esta razão o fosse atacar. Sahiu Zaidi, filho de 
Ltia j da cidade de Fez i frente de hum innumeravel exef* 
cito das tribus de Zanata, e de outras, ^dirigindo-se con« 
tra Abu-Albahar, fugio este diante delle; e tendo-se en« 
contrada com o sobrinho Mansor , filho de seu irmão Bú^ 

3uin, retirou-se deixando-lhe o paiz. Senhor Zaidi dacida- 
e de Telamessan . e mais estados de Abu-Albahar, com 
que extendeo o seu Império na Mauritânia: desde Suz-Ala* 
quessá até Záb , escreveu a Aimansor , dando-Ihe parte des- 
ta conouista, eenviando*lhe hum magnifico presente, com- 
posto Gc duzentos caVallos os mais velozes, cincoénta dro^ 
snedarios , mil escudos de Allamet (a) , muitas cargas de 
cannas aromáticas, gatos ^e algalea , Zorafas, e diversidá* 
de de feras dos dezertos, e muitas outras cargas de tamo* 
fas de diversas qualidades, e de finas roupas dela. Alegrou^ 
ae Almansor com este presente . que lhe remunerou ; e es- 
creveu-Ihe, renoyando-lhe o diploma para continuar a go* 
'vernar a Mauritânia , o que aconteceu no anno 381 (99) )• 
Permaneceu Zaidi na cidade de Fez, em cujos subúrbios 
ftz acampar em tendas os da 5ua provin^ria , aié ao anno, 



(#) AHtmct he nome ée certa familm, á qiia) es nouros Mtrtbuem a 
ãmuuifo dos tÊoaáoÊ de tom^ 



f ft») 

^t (99O M* ^ AlmMsor o eomiàom fMfi ptmr^ 
Córdova. Então nomeou a seu fiUio Almoaize pata govfiL 
liar em teu lugar a 'Mauritânia , ordefiando4he , que resi» 
dkae em TeianiC¥saii, e nomeou goircrnador do bairro dê 
Andaluia Abdermhaman, fíiho de Abdelcarím, filho dè 
Taaleba , e do bairro de Caruin a Alj , iilfao de Mokani- 
iMd , filho de Aly , filho de Caxuxe ; e Cadi da cidadt 
•o4>efiemerJto Doutor Abu^Mohammed Casaem , filho dé 
Amer^-Ataxedi ; e panio para a Heapanha. Levou aliance 
de â hum magninco presente, em que se comprebendiâ 
kuma ave , qtie cantava nas lingoas arábica , e barbaríai ^ 
o animal do almíscar , vacas sílrestres » eoutros anímaeides^ 
conhecidos , dous grandes letfes em suas gaidas de íèrro , c 
muitas rameras tão grandes , que paredão pepinos. Levou* 
do seu povo, e escravos trezentos de cavàllo, e trezenees 
de pé, ao qual Almansor fez hum vistoso recebimento^ ho6« 
peaando-o no palácio de Jaafar-Al-hageb , e prodigalizaii* 
do-lhe com profusão o sustento diário, e as honras, apel- 
lidando-o Vizir, dando-lhe avultadas somas de dinheiro, e 
ricos vestidos ; e a final despedindo-o para o seu sover no , 
com o diploma renovado a respeito da Mauritânia , e de 
todos os otílros estados, que tinha vencido ; e tendo pa$^ 
«do o mar, e aportado a Tanger, logo que desembarcou , 

r: as mãos na cabeça , e disse : agora he que eu sei , que 
minha : e desdanhando do que Almansor lhe deu , e do* 
testando o nome de Vizir, com que o tinlia condecorado » 

Srohibiu a algumas pessoas, que com elle o rínhão rrat»* 
õ , que lho tornassem a dar ; dizendo: ai de ti ! por Deos, 
l|ue não és Vizir, mas sim Príncipe, filho de Príncipe; e 
snais admirável , do que o filho de Abu-Amer, e do que 
i sua liberalidade,, a qual comando-se hr melhor, do que 
vendo-se ! e^se houvesse na Hespanha hum homem, não o 
tinha deixado no seu estado. 

Tendo o Príncipe laddú, filho de lal4 Aliaferunense, 
aproveitado a occasião da ausência deZaidi , filho de Atia^ 
jia Hespanha, partiu para a cidade de Fez, entrou i for- 
ça 00 bairro de Andaluz, e a domuioii ao ma de Du^ 



^ ICfiadt àm anoojSi (993)* Loge que Zaldii flbod» 
Ada , passou a Tanger, e soube <}ue íaddú tinha tomadb» 
Fez 9 marchou immedia ta mente contra elle , e hou verão €•» 
tre ambos porfiados conihàtes. Ora como laddú , filho de 
lali Cíã igual a Zaidi » filho de Atia , na dignidade, ^iii> 
tudes e riquezas; e P^incipe da tribu de laferun , a qtial^ 
e a de Magrauaeraó irmãs , pcn- ambas descefxkrem dedoua 
£lhos de lasseiin » filbo de Maisséri , filho de iZacaia y filh» 
de Rassiia » filho de lana , filho de Janat ; c ja se tinbA 
levantado com os Aliaferunens depois de seu pai laJi ^ fi»^ 
lho de Mohammed, quando no anpo 347 (pfS) este (ok 
ftiorto por Jauhar por ordem de Azxaiai » e dominado mui* 
108 doa campos da Mauritânia ; pôr isso houverao entre 
dle, e Zaidi, filho de Atia, porfiados combates, e disp» 
tas sobre o governo e comando : entrando laddú humaa 
Teees em Fez , quando vencia a Zaidi ; e este outras vezea^ 
quando vencia aquclle, mas tendo a final laddu entrado 
esT\ Fez na auzeiícia de Zaidi , e matado muita geme 4a 
tribu de Magraua , accudiu este, e aproxima ndo-se aFes:^ 
houve entre cl les porfiados combírtes, em que falece4i im- 
mensa çente das duas tribus de Magraua , e lafenm .alé 
<|ue Zaidi destniio a laddú ; e entrando sobre elle á força 
em Fez , o matou dando nelle hum exemplo, no anno 3S2 
{993)9 ^j^ cabeça mandou para Coraova a Almansor^ 
£lho de AbU'Amer. Corroborado o poder de Zaidi , filho 
de Atia , na Mauritânia , sem lhe t^r ficado ncHa conténs 
4lor, reverenciado dos Soberanos, e conserva ndo-se as coi^ 
•as no mesmo estado entre elle, e Alman5or (a) , princi^ 
piou no anno g8ó (996) a edificar a cidade dcUgeda , (t) 



ym 



(jt) Para ifue n£o cause admiraçno a maneira ^ com que Almamor te 
tratado nesta histona, ruc parecr corrr^tir irais a hum Soberano , do qot 
a hum vicfr-Rei , ou vizír, e para se saber a razSo dístt), tmn!(creTerei a<)di 
« que D. Kodri^ Ximenes , Árcel^ispo de Toledo , dir na sua fiísforia dei 
«■bet a «ite respeito rr Almmníor , 4it, wlk , éicitts Afhagih , f hm/ iarfef>- 
ftgêéêmr vict^rt» ^ Ii€€i mahl pro hae fêieniia laigrasjést ^ if*€ t^munif 
mnnlrnn , pmnUmã ett prétláius ^ et sic ed te tutias regni ncgotit ree^ttegit \ 
m me íien iãtíiBm regãH mmme fTMmintnt y && 



e tendo levantado a saa muralha ^ e alcáçova, e n!ioéca^<l 
aa suas portas , foi residir nella com a sua familia , e cor-* 
tezâos y transportou para alli as suas riquezas, e tbezoufos^ 
è a nomeou capital dos seus estados. Alterada a boa intcl- 
ligencia entre eile e Almansor , e informado este , que Zài« 
dl violava o pacto , que com elie tinha feito , e faltava mal 
,4lelle, suspendeo*lhe a pensío^^que lhe dava annualmente» 
o que resolveu Zaidi a revoltar-se contra elle % e resistir- 
lhe , ordenando , que senão fizesse mençáo delle na piedica ^ 
*e se deixasse de rogar por elle , e semente de Hexam. Maiw 
dou Almansor contra elle o aeu criado Uadeh-Alíatá com 
hum podefx>so exercito para lhe fazer a guerra , ao qual 
te vieráo apresentar algumas das tribus dos bárbaros, Se- 
nahaja , e outras , logo que elle passou o mar , e deseaibar<- 
cou em Tanger , as c^aes Ibe prestarão reconhecimenta 
com a condição de combaterem a Zaidi ,> filho de Ada , 
e aa tribus de Zanata, que o seguiáo; e elle repartiu entre 
ellas ricas capas , e dinheiro. Tendo-lhe Almansor manda- 
do todos os bárbaros , que tinha comsigo na Hespanha , 
com os quaes completou o seu exercito , sahiu Uadeh de 
Tanger em busca de Zaidi , filho de Atia , o qual sahiu 
também de Fez contra elle á frente dos Zanatas i e ten« 
do-se encontrado os dous exércitos em o rio Radat , Ça) 
houve entre elles obstinados combates por espaço de trex 
mezes ; e tendo Uadeh sido derrotado , e o seu exercito 
morto, reíiigiou-se a Tânger, donde escreveu a Almansor, 
informando-o do seu ^estado, e derrota, epedindo*lhe que o 
auxiliasse com tropa de cavallaria , e infantaria , e com ái^ 
oheiros. Partiu Almansor de Córdova ; e tendo chegado a 
Algeziras , fez passar á Mauritânia a seu filho Abdelma- 
leq Almodafiir com todas as tropas da Hespanha , ficando 
elle alli só ;. e tendo desembarcado em Ceuta , e chegado 
esta noticia a Zaidi , filho de Atia, temeu-ò, e tratou de 
apromptar-se escrevendo a todas as tribus de Zanata^ epe» 
dindo4bes soccorro -, e 1endo*Ihe vindo chusmas de geore 

(é) CSoode ciuuaa-lbe SScdut. Vkfe pi|« S I7 A> seu L toma . 



("3) 
lâbs ^aizes de Za6 , Telamessan , Matuta y Sagdeoiassa , ^, ^ 
de todas aa tribus da provinda de Zanata , partiu com. 
çUaa a combater Abdelmaleq Âlmodafar, o qual sahiu de 
Tanger com Uadeh-Âlfati i (rente de bum sem.numero de 
"tropas. Encontrados os doui exércitos junto do rio Maná 
naa vizrnhapças de Tariger, houve entre elles copbates, ^ 
que nunca se ouvirão taes como elIes, durando hum diar 
inteiro desde o nascer aré ao pár do sol ; e tendo então di«: 
rigido-se' contra Zaidi hum rapaz oreto, chamado Saiam ^ 
a quem elle tinha morto seu irmão , approveitou a occa-« 
ziâo de se vingar, vC 6 feriu na garganta com intento de o 
degolar; e tendo-lhe dado trez cotiladas, nSo o "fniderão 
apanhar, e fugiu para Abdelmaleq Almodfar, ao qual in- 
formou de haver ferido a Zaidi. Approveitando Abdelma-- 
lèq 8 oficazíão , «rremesaou-se com todo o seu exercito so- 
bre. os Zanatas, que estavão angustiados por causa das fe* 
ridas do seu Príncipe, é os desbaratou; e tendo continuadp 
a derrota sobre Zaidi, eseus sequazes, cresceu nèUes a mor« 
tandade; e depois de Abdelmaleq os haver perseguido , 
matando, ecaptivando, senhoreou-se de todo o acampa* 
Biento de Zaidi, em que encontrou tudo quanto ^Ile pos« 
SDÍa de dinheiro, armas, camellos, e rebanhos de gado em 
tão grande quantidade, como senáo pode explicar, nem 
depois se observou. Caminhou Zaidi até chegar ao sitio , . 
conhecido pelo nome de Modacquel-haiia (estreito da ser- 

nte), próximo á cidade de Maquines; e tendo feito ai- 
Ito, e ajuntado-se-lhe os principaes do seu povo, tratou 
de voltar, para se oppor a Abdelmaleq. Informado este 
da sua resolução , escolheu cinco mil cavali^iros do seu 
exercito, pondo atesta dclles aUadeh-Alfati, com osquaes 
elle se encontrou, e atacou de noute o acampamento de 
Zaidi no mencionado sitio , achando-o descuidado , nomea- 
do do mez de Ramadan do anno-387 (997); e depois de 
terríveis combates, captivou qíiasi dous mil dos noorcs^da 
tríbu de Magraua; e depois de lhes lançar cm rosto os bc- 
neíicios , que lhes tinha fv^ito , os fez montar, e uniu is 
suas tropas, Reiirou-se Zaidi para Fez com poucos dos seus 

P 



4 



s 



("4) 

Anlgõè , t cótti setfis primos , e fechando-thes os teiiii hM^ 
rantes â5 portas na sua cara, pediu^Ihes que lhe posessem 
fóra o seu dinheiro, e filhos ^ e tendo elies coadescendído ^ 
e dado-Hiô.'9 provisão, e as be>ras para a jornada, pnnic 
para Sahara, fugindo diante de Almodafar, ese estabelcM 
ceu no paíz de Sanahaja ; e Àlinodafar encamiiilfOtt-ise pa«« 
m Fez , na qual entrou no utrimo do mez de Xauai áo a» 
im 387 ( 997 } , sendo recebido pelos seus habitaiAer cem 
demonstrações de satisfação, aôs qaaes elle recebeu menta 
htím. Tendo escrito a seu pai ,' dando-lhe parte da riao^ 
ria, foi a sua carta lida sobre a tribuna da mesquita de 
Zahará em CòrdõTa , e sobre as maia das metropolía ác 
Hespanha do lado oriental, t do occidental. Deu AlmaiH 
sor liberdade a mil e cincoenta (a) escravos em acção ÚA 
aças a Deos Àitissimo , repartia grande ^amiâadc dr 
nheíro pela gente recolhida , e necessitada , c eso-evmt n» 
seu filho Almodafar com o seu diploma para goveniar r 
Mauritânia, recomendando-lhe o bom comportamento , e a 
rectidão , o qual leu a sua carta sobre a tribuna da ines^ 
Cfuita de Caruin no dia sexta feira, ultimo do tnez deDiit<> 
Kaada do mencionado anno» Tendo-se retirado Uadeii pa* 
rá a Hespanha , e fitado Abdelmaleq a sua reádenda m 
cidade de Fez, administrou Justiça aos seus habitantes com 
tanta rectidão , como não tinhao antes visto de outro al^ 
gum; e têndo-se conservado nella seis mezes^ le-lo seu pai 
retirar depois para a Hespanha , enviando para o substi- 
tuir a Aíssa, filho de Said, chefe do corpo da guarda, o 
qual ficou governando a mesma e mais estados da Maori» 
tania até ao mez de Safar do anno 389 C999) , em que o 
áepoz, nomeando em seu lugar a Uadeh-AIfati ^ donde 
Aissa, filho de Said, se retirou para a Hespanha no mes* 
mo anno. 

Havendo Zaidi chegado aò paiz deSânahâja , em que 
fixou a sua residência , e encontrado os seus habitantes ro* 



(s) Conde AO seu I. toino p^ S5^ dt2| que Ibiáo Mvitf 1500 captH 
yo$^ e )00 cicnvas' chrbtái. 



(tis) 

ikAtwàm contra o seii Soberano Btdit , fitho de Mm«p^.> 
Alio de Balquio, depois do falecimento de seu pai , fee 
^eica parricipaçáo ás tribus de Zanata ; e (endo-te-lne tíndo 
unir muita gente da tribu de Magraua , e <Íe outras , apro- 
'veiíou a occaziâo , e marchou á sua frente contra Sanaha* 
jsíy penetrou na provinda^ desbaratou as suas cropas, eif 
trou na cidade de Taharat , e em todo o srais paiz íh 
SM , e tomou posse de Telamessan , Xelfe , e Almassilac, 
âzendo a Heiam Almuid esta participação; e daqui foi 
aitiar a cidade de Âzead^ metropoti do paiz de Sanabaja^» 
aobre a qual se conservou ; comoatendo^a de manhi e de 
tarde ^ até que se Ibe aggra.Tariio as feridas das estucadas 
i|ue tinha recebido do sobredito preto , e morreu no aiMio 
391 (rcxx>), tendo reinada na Mauritânia quasi vinte aoh 
nos. Succedeu*lfae seu fíibo Almoazze (a) , ao c|ual accla* 
mafâo as tribus da província de Zanata ; e depois de esta^ 
bdecer ósseos ncgodos, e^tar senhor do Reino de seu pai^ 
e ter feito a paz com Almodafar » filho de Almansor, tratou 
de dirigir os interesses da Mauritânia. 



CAPITULO xxn. 

Do reinado de Almoaz&e , filho de Zaidi , filho de Atia 
Âlmagrauense y emFes6^ i mair féizts da Mauritânia. 



A 



mSi de Almoazze, filho de Zaidi, filho de Atia AI- 
magrauense, era livre, chamada Tacaniun , filha de Mo- 
nad , filho de Taiadelat Almagrauense. Foi elevado a^ 
throno da Mauritânia , e acdamado pelas tribus de Zana- 
ta depois do falecimento de seu pai. Tendo poFto em.se- 

Siranca, e socego o seu Reino, fefc a paz com Almansor, 
ho de Amer, prestando-lhe reconhecimento, e voltando 

P 2 



«pi 



^ Csad^iia too. !• {)ag. $ f 1 chama a Aloioazs Amir AinmM. 



(tté) 

i 9X2L obediência ; e neste estado se oonsenroa omb èHe 
até que faleceu , e lhe succedeu seu filho Abdelraaleq Àl- 
modafat , ao qual igualmente acclamou , (àzendo-o annua- 
cíar das tribunas de todas a; mesquitas. Tendo AImoda« 
far demittido do governo de Fez , t dos outros estados da 
Mauritânia a Uadeh , ftzendo-o regressar* para a Hespa* 
nha, escreveu a Almoazze, en?lanao-lhe o seu diploma 
para governar os ditos estados, no anno 393 (looi), com 
a condição de Aimoazze lhe pagar annnalmeote certa quaiif 
tidade de cavallos , escudos , e dinheiro posjtos em O>r4o 
V4 , dando-lhe em reféns á seu filho Moanzar, o qual pei^ 
maneceu em Córdova até que se ateou a revolução em Hesr 
panHa , e se dis^solveu a dinastia dos Amerins , porque em 
fim a duração perpetua compete somente a Deos , além do 
qual não ha outro senhor digno de adoração , em cuja épo- 
ca Moanzar se retirou p^^a seu pai. Conservou-se o paiz 
da Mauritânia no maior socego , e tranquillidade , em sot 
gurança^ e barateza até ao anno 422 (1051), em qde Ai- 
moazze faleceu no mez de Juitíadil-áual , depois dç ha^er 
reinado por espaço de trinta e trez annos, ao qual suçcfr* 
deu seu primo Hamdma, filho de outro Aimoazze, porquft 
aquelle só tinha tido hum filho , chamado Moanzar | de 
que acima se fez menção. 

CAPITULO xxin. 

- Do reinado do Príncipe Uamama , filho de M^ 
moazze , filbo de Atia Almagrauense. 

V y Príncipe Hamama ,^ filho de Aimoazze , filho de 
Atia , filho de Abdallah , filho de Taidalat , filho de Mo^ 
hammed , filho de Hazre Zanatense Almagrauense Al* 
gazrense , subiu ao throno da Mauritânia depois do fale» 
^ cimento de seu primo Almoaíze, filho de Zaidi, o qual 
' lendo-se encarregado dó governo dos Zanatas,. e fixado a 
lua oiorada em Fez^ levantando^se contra elle na cidade 



( "7 ) 
.de SftU (Salé) o Príncipe Taroitn, filho de Zaimir ^^bo 
de Âly , filho de Mohammed , filho de Saleh Aliaferunen- 
ae , e partido para Fez a encontra4o á frente da ^ente da 
.tribu de lafenun, sahio Hamama da dita cidade com oi 
da críbu de Magraua. Encontrados o$ dous exércitos ^ hoii« 
ye entre elles hum porfiado «combate, no qual morreu mui* 
ta gcmte da tribu de Magraua , e fugio Hamama , derrota** 
do diantç do Príncipe Tamim, para. a cidade de Uge4ê 
da. comarca de Telamessan^ e entrou este em Fez* 



CAPITULO XXIV. 

Do primeiro reinada do^Principe Tamim nã 
cidade de Fez. e sua comarca. 

\J Principe Abu-Alquemal Tamim , filho de Zamur^ 
filho de Aly , Zanatense , e depois AliaTerunense , cm ra- 
zão de Principe de toda a gente da tribu de lafcrun no 
-tempo que se apossou de Fez , depois da fugida de Hama- 
ma delia , e da sua derrota , o que aconteceu no mez de 
^umadil-águir do anno 424 (1033), afiigio nella osju- 
deos, dos quaes matou mais de seis mil, tomou as suas 
riquezas , e captivoo suas mulheres. Tamim era aferrado á 
sua lei, mas ignorantíssimo, e incansável na guerra contra 
CS Barj^atas, aos quaes atacava duas vezes emcada aono, 
matando a huns, e caprívando a outros, o que pracriccu 
constantemente até ao anno 448 (iz^(^^ , cm cue faleceu. 
Quando no anno 462 (^^^9) foi morto seu filho na guer- 
jra contra os Lamtuncnses , e vierão para o enterrar ao fe- 
do da sepultura de seu pai T^mim, ouvirão da sepultura 
deste invocações, louvores, e magnificas protestações; e 
tendo aberto a cova , o acharão sem alteração alguma ; e 
naquella mesma ncute o viu cm sonhes hum dos seus pa» 
rentes , o qual tendo-lhe petguntado , que lou>orc«, e. invc» 
cagões ^íio asqije iJn|ião.ouvido> Ihcrcjjxndcu: Pws.AJ- 



'( If8 ) 

^Mlma ihctsmlmi os Anjos de idfDCUrem » dé ík olegmeor^ 
tf de louvafem m cmnlia scpuiturâ , do <}tie iif o serei [xib 
N^ádo áté o dia de juito em recompensa á mim : e torna» 
^Ãt>-thc eite a perguntar porque tinha conseguido fal disiiaí^ 
^o , e taes honras , lhe respondeu : Mdo obtive com â 
]^erra , que Êitiá todos os a mios aos cafres Bafeuatagi 

Te&ão o Príncipe Hamama diegado i l^eda , ibí 
tbaadonado , passado htm anno de residência urna , peU 
sua tropÉ. Logo que tiu tal pf ocedimento , aaihiu fará -A 
cidade de Tunes, e escreveu aahi á tribu.de^Magraua; c 
tendo-8e4he vindo aili unir a sua tropa , partiu á sua frén^ 
fe para Fez , a qual dooiiaou y retirandoi^ delia Tamim ^ 
depois de sete annos de residência na mesma , para a cida« 
de de Xalá, no anno 431 (1039^. Ditem outros que a se- 
gunda entrada de Hamama em Fez fora no mez de Dul« 
hej-ja do anno\429 (1038), ficando governando Fez, é 
outras muitas cidades , e estados da Mauritânia até ao aiw 
'áò 440 ( 1048 } , em que falecera , vindo a ser todo o seu 
iretnado na Mauritânia de desoito anno^ ; ainda qpe Ta«- 
ttim governou neste mesmo tempo a cidade de Fez por 
^espaço de cinco annos , e segundo outros )- pôr eij^ã^ de 
Mte. Succedeu a Hamama seu filho Dunas* 



C A P uru L O XXV. 



Do reinado do Principe Dunas ^ filho de HaHtímê^ 
filho de Mmoazse , fiibo de Atia Almagranense. 



o 



Príncipe Duna^ fbí reconhecido Sol>erano na cidade 
de Pez , e sua comarca , e em todos os outros estados dâ 
Mauritânia , que possuía seu pai. O seu reinado fbi de tran^ 
quíllfdade , aoc^ego , e barateza ; e nelle se engrandeceu Fez, 
povoarâo-se, e aúgmentarilo-se os seus arrabaldes com tfs 
gentes , e mercadores , que passa vão a ella de todos ob 
faizeiy cujos anabaldes. eUc cercou de tturalha. v Edifico* 



r "9 ) 

«dk mesquitas, bafiiboB, € estalagens, faseodcHi €a]>Ui| 
dr Maurícaaia. Nâo se occupou Dunas ^ desde o dia qu^ 
fái acclamado até que faleceu em Fez, ^e ibi np mcf 
4c Xatjal do anuo 45^2 < 1060), seoâo em construcçlSes^ 
e fortificações; e tendo 'governada perto de, doze anno^^ 
fucoedecâo-lfae seu$ dous nltio^ : Alfau>h no governodo baô» 
» de Aadalus » ^ Agiísa no de Caruia na dica QÍâêA9^ 



C A PI T ti LO XXVI; 



Da reinado ãês dças irmãês J^atéb^ 4 
Agissa^^ filhos de Dumás^ 



L 



OGO que .0 Bincipe J>iow faleom , subiu ao xhrom 
Alfatoh, seu filho primogénita; e tendo fixado a sua ro* 
sidencia em Fez no bairno de Andaluz, Domeou governa* 
dor do bajrro de Caruin a Agissa , seu irmão mais moço, 
do-^qoe rife , mas mais aadat ; e por tsso se levanto^ €bn* 
tn elie com o bairro de Caruin. Como os combates nâo 
cessâvâo entre ambos, edificou Alfatoh no bairro de An^ 
daluz huma grande, e inexpugnável alcáçova no It^f ^ 
chamado Caddan ; e seu irmão Agissa outra igual no fcaír* 
10 de Caraifl em o cabeço, chamado Aquebaç^aacar^ D 
que áccrescentou a inimizade entre elles, combateiMkMt 
sem intermissâo de dia , e de noute, o qoe auginentcm « 
Mauritânia cm o sra reinado o ircdo , a carestia dos-gi^ 
«eros, e a feme; e motivovi grandes turrtiltos ^ t veichsh 
^6es em tod* eila. Posto ^ue o<s Lametanenses tiressesn eo» 
tlb apMreckk) aos confins da Mavrirai}» , e se senbi^rcai^ 
sem deiles , nem por m€>^ os dous k^rr^s deixarão tie com- 
h:tver iiicetsamemente , ^em os habitantes le oeco^aresn etn 
mitra tensa soda a mxRe, e par»e do dia , até cfae ASfâioh 
nfkmf0u^k m^ nwíAo Agi«sa, e o tr^atciL Alfafnfa hH o 
^« editfkM M sruri^Hia db Kiàpfém do lado nwrídkaul a 
*]NMta, êr tj^ y&t o MM «io»e^ f^h ^l ke asia^M» 



\ 



ibnfiecidil ; *^ A^í^rt' o que edtficou a ponâdoseo ncnna 
etn Aqucbassrfafíir pélò lada dó norte , pofêm apecutt Alfa** 
t^h tnúnfou ddle , otdetíoU,^ que se altbrass^ o nome da 
referida porta ,^ *tjpprtrtiindo-9c à ptifttéítsL Jetra :A'^, • 
poodo-se^em sèti lugar o aftigo Al^ vindo a jrhanriai^se Al*^ 
'^^a; nome útké Ixinserva até ao* presente. Duroa a guerra 
en^Ds^dous irmÍC)is*3 ^annos cdotltiuos até que Aifàtch 
entrou huma líoute tom engano nó bamx> de Caniin, e se 
senhoreou de hum e" outro. Consefvou-se Alfktoh na posse 
da cidade de l^a até que os Lametuner^^ vteráo contra 
elle; e tendcM) cercado , è posto em apertado sitio, aban- 
donou a tidadé ito án6o 45:7 ( 10^4), e nomeoa. governa- 
dor da mesma a seu prtnKi Moansar , filho de Almoazze, 
filho de Zaidi , filho de Âtia , depois de a ter goveuiado 
por espaço de cinco annos , esetemezes, todos deaflí^Óes^ 
sustos 9 fome /guerras , e carestia excessiva. 

CAPITULO XXVII. 

Do reinado do Príncipe Moansar , fi/bo de Almoazsse , 
filho de Zaidi , Jill>o de At ia Almagrauense. 



D 



Efois que Alfatob demittiu o domihio da cidade de 
PeZ| foi elevado seu primo Moansar, ao qual acciamarão 
os da tribu de Magraua , residentes nella , no mez de Ra* 
mádan doanno45'7. Era MoansaY vat^o dotado decon^tan- 
cHF, conselho, direcção, valor, animo, e intrepidez , o 
ijual tendo ficado Príncipe dos dous bairros de Fez, cooi^ 
tinuou -a resistir aos LametunensA até que tendo sido posto 
etn aperto, e soSrido heroicamente em alguns confliros^ 
desapareceu ^ sem se ter sabido o que Deos dispoz delle^ 
o que aconteceu no anno 460 (1067), Tendo aesaparect^ 
do Moansar j entrarão os Lametunenses na cidade, passados 
cinco dias, com o seu Príncipe lussof, filho de Tazefin 
Sahanágense Lámetunease ; « foi esta <a primeira entr^H 
40*,. que nella fiacerão em paz^ é segurança. Depois de *])!•;» 



( III > 

mf f é haver dlK demorado alguns dias, partio para as 
montanhas de Gamara, deixando governador da mesma a 
Fares, filho de Lametnna , e tendo vindo Tamim , filho 
de Moaasar com grande multidão dos seus atiradores , ou 
sei^eíros , lançou-se na cidade sobre os Lamecunas , que nel-^ 
la tiniiâo ficado , e matou liuns , e queimou , e cructficoui 
outros ; e levantou-se nella , dominou*a , e fortificou*a ; o 
nao cessou de combater os Lametunas, e resistir-lhes , atd 
que lussof lhe poz hum apertado sitio , e entrou nella á tbr« 
f a / depois de muitos combates » na qual matou nesta se<* 
.gunda entrada , que foi no anno 462 (1069), mais de vin« 
te mil homens das triJbus de Magraua , e menin nas mes^ 
quitas , e ruas. Foi o reinado de Tamim de perto de dousi 
annos , e a duração da dinastia dos Almagrauenses Áliafe- 
runenses na Mauritânia deauasi cem annos, isto he, desde 
o anno 361 até ao anno 402 , tendo-se conservado Fez no 
seu tempo em (juietaçao , e melhorado de condição , por se 
terem entáo edificado as muralhas dos arrabaldes, segura- 
do as suas portas, augmentado muito nas mesquitas de 
Gtniin, e Andaluz , alaigado-se agente na edificação, cres- 
cido a cidade, e os seus bens, e continuado a segurança,^ 
e a: barareza em toda a extensão dos seus dias até a appa-* 
rição dos Almorabides na Mauritânia , porque enfraquecido 
então o poder dos Almagrauenses , e dissolvido o seu Im-, 
perio, tiranisarâo os. Soberanos, os seus vassallos, despo« 

ÍandoK)s de suas riquezas, derramando seu sangue, e yi<H, 
ando suas mulheres; e tendo-lhes perdido o amor, cres^ 
ceo o susto no paiz , ' encarecerão ps mantimentos , succe^ 
dendo á abundância a escacez , á segurança o medo , e á 
justiça a tirania ; pois que nos últimos teti^pos do seu .go- 
verno não se viu senão tirania , violências , c inimizades 
contra os ditos vassallos, carestia inaudita , e revoluções ter- 
ríveis, sendo tal a fome, carestia , e f;;)lra de mantimen-» 
tos na cidade de Fez no reinado de Alfatoh, c de seu fi-s" 
lho Tamim , que chegou a farinha nella , e nas suas vizi- 
nhanças a vender-se cada onça por hum deraham ; e mes- 
mo, a não se encontrar por preço algum; e por isso os che-. 



( f « ) 

fiKde Magma y e Tâferuh «ntravâo: Ms casas dos habi* 
fantes^ e apretendiáo quantos inanritnenco$ , ncllas encoiH 
travão/ violentavâo as íimilheres, e 05 rapaecs, e sacaváo 
iiiipuiíevnerH6 os diíiheirosaos negociantes.) sem baFer^quem 
Iht4 «bfita^sev Moi.r^iiràto faiUsse, porque mataráo a lodoa 
á^Ues, tfStí «elliesopfRinhãOyW lhes cbstaváo. Os estrá^ 
tagarimstKjeatweUw,e os r4eii9:. escravos subiao ao cumo 
éif^^rtiònte, ehMíado'Alaor9f 9 doade^ descobriâo aa casas 
áà cidade; te aipiettas, òo>ade mio sabir o fimio, ae diri« 
g\i& a etiás > «ntravâo >; e ^omavao a comida , que éncoo^ 
mitâdj t por cama dos aetis «procedimciítos os despojou 
Deoi do Império ; alteranáo^fiie aa^ suas graçtt j das oiiaes 
(He nâo priva hum povo ^ senão depois que este imioa 00 
sentimentos da sua alma;' 6 fez d^úxrarregar sobre elles o 
^oder dòs Almorabides ^ os quaes^ os despojarão -do seu 
Reino, despersando-QS , matando-os, e expolsando^os de 
tbdo o pait da Mauritânia. Bmhuma palavra nos dias de 
aoas tiranias , em que a fome foi excessiva na Mauritânia ^ 
Htttio os habitantes deFet tuihas, e quartos subternuneos 
tm suas cazas para armazéns ^ para moendas, e para co- 
aerem , e cozinharem , a íim de nSb se ouvir o roido dos 
moinhos ; e também certas agoaa ftirtadas sem escada ; e 
iro pôr do sol snbiio os homens por huma escada de mãò 
com as soas familiar, e írlhos; e depois a sub^ pam o 
mesmo andar , ou agoas furtadas para vfm^eai qual^mr 
surpresa. 

CAPITULO XXVIH. 

Dor successas acontecHot nos reinados d9s JÍktm'' 

grauenses , Aliaferttnensts em a Mauritmnuí ' 

dtsde o anno 338 M^ M ãnn0 4^1. 



N. 



O anno tresentos e oitenta e hum hotuve hum ^iolen» 
to vento nos paises da Mauritânia , Hespanha « « Efriquia , 
^e foi Causa de seccarem as agoas^ e neste mesmo anuo 



fecirè tfo grande enchente no tib àe Sa^^^afla » cómt 
táo coiKta de cítitra iguai» ^ que ^dmimi 9 gente, pjor 
bSo ter cahido chuva em todo o anão nni^h terra { t 
também 7)ouve huma terrível fome na Efriqpiig , Maurita^ 
nia , e Hcspanha , que durou rrez amios »;drs4e fces<$otoa f 
serénra e nove até ao sobredito anno 4e tir«sei«ÈM fi. ail99r 
ta e hrnn. liã noute de quinta feira dòi dít ytgasimo Xtflt 
cetro do mesmo anno apparoceii úi> xcé btum gmndfi tsi^ 
trella , que i vista representava htónA giái)dejx>rr^» 9 qual 
tendo nascido da parte de Leste , foi comendo etlfre Oear 
te ^ e o norte: e como delia voavâo grandes faíscas , «W^ 
lD»-8e a gente , emgou a Deos Altisaimo para que a&stmi« 
ddla tal calamidade 5 e no fim do mesmo m^z.se eçiipaoa 
o aoi, áegando diz o filho de Albaiade 00 Iivr9 de Al^ 
maquiasse ( da medição ) ; mas o fiUio de Mazín diz , q«9 
este edipse fóra no anno tresemos e oiteote. No fim do 
sobredito anno tresenros e oitenta e lutm socpprreti Deoa 
Altissimo os povos , e acudiuJlics com a soa mtseríoordia ^ 
enviando-lhes huma chuva gera) ^ o que causou abundância 
de pastos , abatimento no preço dos nnantimentos , f r^au^ 
ra^o dos quadrúpedes, e mais viventes, mas sobrev^riu hu« 
ma grande praga <le gafanhotos, que inundarão toda afle^«p 
panha ; porem, a maior ^bundanda ibi em Oordova , aond^ 
causara tanto damno , e miséria , que Almansor fez vir 
dinheiro para distribuir pela geme ; t ieodo-jhe ordenado , 
que se ajuntasse, deo-lbe morada , e passou a cada pessoa 
rama diária segundo a sua ordem , e qualidade ; e estabe^ 
leceu-lhe ao lado da praça hum mercado privativo «para 
as suas compras , e vendas. Durarão os taes g^fanhotoa 
frez annos desde tresemos e oitenta e hum até ao âm de 
tresentos e oitenta e trez. No mesmo anno tresentos e oi^ 
tenta e hum despresou laddu , filho de Tala a Tibediencia de 
Almansor, filho de Amer ; c foi o filho de Taalaba uor 
meado governador do bairro de Andaluz, o filho de Ca- 
Tuxe do bairro de Caruin , e o' Doutor Amer, filho de 
Cardem , Cadí de ambos os bairros em Fez. No anno se- 
guinte entrou laddu, fiLhp .de lalá Aliaferuncnse em Fez 

a» 



i forçar dá espada no bairro de Andaluz l e bouve hatnà 
itheia tal em Córdova , oue kvoú os mercados , elevando-ae 
tobre Azzahara ; e na Mauritânia hum vento tao rijo:, que 
filàgóu a^s casais. No mesmo anno houve hum eclipse que 
tscondeu toda a eKÍera do sol, cortou Almansor, filha de 
'Amer^o sello de Hexam Âlmuid; e rcstríngindõ-o^ cha*. 
mousse desde aqqelle anno Aimuid somente; e nasceu o 
Doutor purificado Abu-MohammedAIy/ filho de Aliamed, 
iíitho de Said , filho de Hazme , filho de Garleb , filho de 
Moley lazid, filho de Abu-Safian, o qual he author de 
varias obras sobre di.èrsas sciencias; e raleceu depois do 
dnno quatrocentos e cincoenra. No anno tresentos e oitenta 
t cinco houve táo grande furacão de vento, que a gente 
viu as feras, e mais quadrúpedes vagando no ar: livre- nos 
Deos da sua ira^ No* anno' tresentos* e noventa e hum fale- 
ceu o Príncipe Zaidi^ filho de Atia, e lhe succedeu -Al* 
moazze; eno seguinte faleceu Almansor, filho de Amer, 
Rei da Hespanlid (a) ^ no n^z de Ramadan , e foi sepul- 
tado ha cidade de Salem no mesmo pó> que tinha apanha- 
do em a roupa nas. suas gazuas , sendo então da idade de 
sessenta 'e cinco annos* No anno tresentos e noventa e no- 
ve faleceu envenenado seu filho e successor Abdelmaleq ^ 
ao qual succedeu seu irmão "Abderrahaman, a quem Ai«» 
íhoazze, filho de Zaidi, mandou hum rico presente, em 
que entravão cento e cincoenta cavallos: e como seu filho 
Moansar se achava então em reféns em Córdova , mandou«o 
o vice-Rei Abderrahaman, filho de Almansor^ vir á sua 
presença , quando lhe ch^^ou o dito presente, e lhe lançou 
o manto, ou capa mai;na, assim como ao enviado com o 
tal presente , c o enviou condecorado a seu pai , (i) que lhe 
mandou em reconhecimento^ nove centos cavallos , únicos 

que possuia , o maior presente que se mandou da Maurita-* 

I - ■ - - _ — ^^ 

(ó) Almansor tinha tanto poder, que os csalptotts lhe davâo o titulo 
de Rei , como aqui «e observa. 

(^) O que o author aqui diz sobre a causa do regresso de Moansar da 
Bespanha para a Mauritânia , nSo concorda , com o que disse sobre o mci» 
mo objecto no cap. XXII. , qué^trata do reinado de seu pai Alinoazze. 



nia. jiara a Hespanha. No anno qUattnceiítD^ e jltitti/fiiki* 
cea o Doutor e !Ca<tí Âlnj<»Moha9>fned 4iMa)lah:^ fâh&\ 4t 
Mohammed} e em quatrooentor e. aete veiKmi cxPrincrpe 
Aloioazze, filho de Aua a ctdade'de)SageleiDas8a;ítNemiiiP^ 
no trezentos e noventa e quatro- appareetu no Cmu faaw co* 
meta incendiado de prodigiosa grandona ;, «L miiito luzente^ 
e no. anoo seguinte outro, de igval graodc^a^ coin os^c^dK 
los cabidos na frente; que. cansava ràrEúr) a qual he initil 
dos abrazadores, como os doze^ de 'que os amigos fizeritt» 
/nençao^ e que os seus, sabi;á^ obsertarâb longos. tempos: V 
os quaes, julgarão, que nã& apparecia delles senão a fiar 
de annunciar alguma cousa , qtte Dooè quizesse , que succe* 
desse no mundo; mas sòelle he quem sabe os seus segre^ 
ào$. No anno quatrocentos e s^te extinguiu*se a dinastia 
dos Omtas , depois de haver reinado por espaço de duzen^ 
tos e. sessenta ânuos, e quarenta e trcz dias na Hespanha^ 
i qual succedeu a dinastia dos Hamudins. No ^nno quatn) 
centos e onze houve huma ardente secca èm todo o paiz da 
Mauritânia desde Taharat aré.Sagelemassa , crescendo na 
gente a mortandade, declararão^se no paiz da Hespanha os 
insultos ) e desejos de vingança, e principiarão os Reis po* 
pulares , arrogando cada hum o governo em sua parte. No 
anno quatrocentos equin7e houve na mesma Hespanlia hum 

frande tremor, que não sò fez abalar a terra , mas até fez 
esabar os montes ; e no seguinte faleceu em Fez o Pria* 
cipe Almoazze, filho de Zaidi. No anno quatrocentos e 
trinta faleceu o Doutor Abu-Amran, natural de Fez, na 
cidade de Cairauan; e no seguinte o Cadi Esmail , filho 
.de Abbad, que se tinha feito accl^imar em Sevilha. No 
anno quatrocentos e quarenta e oito invadio o Príncipe 
Abu*Bacar, filho de Ornar, a Mauritânia ; e em quatro 
centos e cincoenta foi morto o Doutor Abu-Mohammed 
Abdallah , filho de lassin , o Jazulense director de Lame* 
tuna , ás m^s dos majufseos de Barguata; e ror isso foi 
snartyr. No anno quatrocentos e cincoenta e oous entroo 
JAahadi) filho de Tuia nas cidades de Maquinez. 



. ♦ * . ♦ ♦ 

CAPITULO XXIX. 

LamííáHd , dè ttâ kvéfffã^nt^ ^á fúttt meridional 
éê Mà^ritafiia\^ ^ Kè p/^iít> éí Hnspãnbs^ e dêfrin^ 



M 



õhaWMied, fittid ée AMia^saU) fi<ho de Âluiiiied^ 
fitfco ét lacub Âl-hâfti^da!li , aútliòl* do litr(>) intitulado 
Alc^élUyO qttal trata da ditiaMá HemaritQ, diit, que 4 
ttibtt d^ Latnettina he httm ramo da tribu de Sanaliaja , « 
le esta desCcfide dê Abdeiamece, filho deUatel) filho 
[e Hemiar ; qiie o Rei Eíriquit , filiio igualoieACe de Ua« 
cet y filho de 'Hetniai- , logo (jae possuirá o Reino de He* 
Ibiat , sahira a combater o paiz da Mauritânia; eõue ten- 
èú penettado taesta , edificara a cidade da Efríquia , oirivan^ 
Ao-a do seo tiome, t deixara neila alguns das tribus deHe^ 
fitriar , e dos principàes deSanahaja , p%ra afastarem osbcir* 
baros dos seus usos, receberem delles os impostos, e oa 
tcgerçm. Abu-Âbida porém , fundado na amboridade do 
filho áe Alcalbi , dils , que Efriqúix tratisportara os barba* 
h)s dà Siria , e do Egypto para a Mawitaiiia , edificará 
i cidade de Efriquía , e reduzira oa árabes a liurem a $oa 
rnorada na Mauritânia , enrre os quaes deixara as duas tri^ 
bos de Dahana C^), a saber: Sanabaja, e Catama, eatis^ 
tentes até ao presente entre os bárbaros. Aízabeir , filho de 
Bacar, diz, que Sanahaja descende de Sarrabage, filho 
de AmiT , filho de Sabá , íilho de Hemiar. Abu-Fates Ab- 
delaisiz Almalzuzi de saudosa menioria diz ^a sua historia 
'em verso, denominada Serie dos filhos e dos Califas, oa 
successores; os Reis Almorabides procedem de Hemiar; e 
isua origem está distante de Modar: se Hemiar he pai At 
^unahage, este he seu fiHio ^m ra^o do valor, e nâo por 

I— — ^ III ■ IIIMI—— — l^— — ^M— — M^— I ■ — 1»^M^h—^*4*d^M— —É^ 

_ t 

(f) Dihani he huma pcovincia ni Arábia feliz. 



iJecteodencii ; ma^ honraiHse coxn elle pda ^a pura gânk 
fão, a qual não escá occulta : a sua rectidão e bondade hfi 
manifesta , e a sua gloria , e felicidade he rçcordadd (^« 
▲ tribu deSanabajg scguTido outros he hum ranro deHau;i^ 
ra, eesta bum ranao QeHeniiar;^chamoU'$e Hauara# pQ|v 
i|ue seu pai) qu;)ndo andou dxscorren<)o peloi^ pais^ç , eiF<eÍ4^ 
cabir na Mauritânia com a cribu de Aicaira^ç 4q j>av 
daEfiiqoia ^ disse : tabauuarna-ã-albelade» isto be > {K)r4#i^ 
cttiálo viemos cahir neste pais ; e pot isso ibe 'çhamarao 
Hagani. Deos hc <]tte «abe a verdade. Divide^f^ SanaJuiJA 
«m setenta trUnis^ entre as qàaes se isui^erao ^b sírguiatM:: 
Lamenina , Jedala , Massufi., L^meta., Ma^erata t Tati- 
cafia^ Madassa, BenirUaret, B^rú-SfiS^n ^ BeiH-Pçgittr^ 
Beni-Zatade^ Bcoi^Kiussa , Beoi-Almaxe^ e Bem^^tíL 
Em cada biima destas .trièns Aya auj^di^iaóes d$ pe^menoa 
xamôs, e t ri bus loais do que ae t^m .numerado ^ e iod<95 £i« 
ias habitao os desertos de Sahara para a. parte ido uà .M> 
comprimento de seis mszes de jornada ^ . e na largura éfi 

ãuatro mezes , desde o canal de Lameta atei parte injedb-. 
ional da Efriquia^ e Gairauan centre o p^íz dos bárbaros 
C a Cthiopia. Alguns destes :pofQs iSesoonbiecem a .a^kul^ 
tara de seoaenteira , ^e plantação.; e:as suas unicais riquezas 
iao lOs 'gados.; le o seu alimento a cai^e^ e o ildte : ssãjgosm 
idelles nunca em â sua «vida laomei^o ipao , a «ao pasaarosi 
feh «eu pacz lOS negociafifcs., ^que ^s obsequciao £c;cn oÍk, 
c Qom a tfancha ; anãs o »maior piart;e ^deUcs pbi^crva <o 9K1* 
itammetifmD^ eíax a guaffra aos-ftbiopcs. Oprinvexio fijej^ 
«le tâvcrão ^csi .Sahaia^ foi Tâiulutan^ filho tác TaicaUp) 
oahanagcnse Lafpetunen$c.9«>iqiu)l dofrirt>ii ítodo jp ip;;izide 
Sabara,y e estava cercado de mais de vinte Rei? da Ethio- 
pia , os quaes todos lhe pagavao fribnto. Os seus estados, 
que abrangiao a distancia oe trez me2cs de jorrada , erâo 
todos povoados, punha em campo cem mil guerreiros; foi 
contemporâneo de Abderraliam, Rei de Hc5panha ; viveu 



m 



(#^ Este período do árabe detde fs ftlairrss: Os R«ii Aloior<»bldei ttH 
^m «eiao ^ ou espécie de itmt. 



íaaài oitenta annos, e faleceu no annõ lil (Í^6y Teií* 
db^ihe succedido seu neto Alacir, filho deBatir, filho dé 
Taiulutan , conservou-se governando Sanahaja a(é ao anuo' 
^37 (8^i)> em quê faleceu, tendo sessenta e cinco annôi 
de idade. -Subiu ao throno depois delle çeu filho Ta mim i 
o qual se conservou Soberano das tríbus de Sanahaja até 
ao anno 306 (918) em que se levantarão contra elle osxe^ 
'quês das ditas tríbus , e o matado , dividindo entre si ogo^ 
<verno , os quaes não se unirão depois delle a algum outro ( 
•mas dividicios em pareceres, conservarão-se separados os 
seus Príncipes por espaço dé cento e vinte anitos até qut 
se levantou entre elles o Príncipe Âbu-Âbdallah Moham*- 
0ied, filho deTaifat, conhecido pelo nome.de Taressená 
Lametunense, ao qual se unirão, nomeando-o para os go« 
ventar , por ser religioso , benigno , probo , e observante da 
peregrinação de Mecca , e da guerra santa , o qual se con- 
servou Príncipe de Sanahaja por espaço de trez annos , e 
morreu martyr em huma gazua no lugar, chamado Faga« 
ra , contra as tríbus da Ethiopia , que habitavâo perto de 
Taicalassan do lado occidental , as quaes professavâo o ju- 
daísmo. Taicalassan he habitada pela tribu de Beni-Uaret 
da província de Sanahaja , que he num povo observante da 
religião , e inclinado ás mesquitas , o qual foi convertido 
ao mohammetismo por Âqueba , filho de Naíèa-Âlfahri no 
tpmpo, que expugnou a .Mauritânia , o qual faz a guerra 
aos Ethippes , que não seguem o mohammetismo. Tendo 
falecido o Príncipe Abu-Âbdallah, filho de Taifat Lame- 
tunense , foi elevado ao governo de Sanahaja seu genro Ia- 
hía ^ filho de Ebrabim Jedalense. 



C A P I "í U L o ^XX. 

Dd reinado dê Príncipe Ubin , filhe de Ebrabim Jeda^ 
. knse^ e da sua eleva fâe ao, governe M Sanabaja. 

\J Príncipe I^hia.» filho de Ebrahim Jedalense foi ele- 
vado, depois do falecimento, de Moha.mmed, filho deXar* 
sana Lamecunense , ao governo ^as tribxis de Jedala , e La- 
metuna , as quaes sao irmãs , por dfiscenderem do mesmo 
MÍ. Estas povoáo o ultimo paiz mobammetano, o qual pe« 
lo lado da Mauritânia está rodeado pelo .mar oceano , e 
fazem a guerra á Ethiopia. Conservou-se o dito Príncipe 
regendo Sanahaja, fazendo ahi guerra aos seus inimigos 
ate ao aono 429 ( 1037 ) , em que , tendo encarregado seu 
filho Ebrahim do governo, partiu para o oriente com o 
destino da peregrinação de jlÀ^cca , e de visitar o sepulcro 
do profeta. Tend^ allji chegado , e conduido estes intentos , 
r^essou para o. seu paiz \ e na sua passagem pela cidade 
de Cairauan, encontrou-se com o probo Doutor Âbu-Am- 
fan, natural de Fez, que delia tinlia vindo residir alli a es- 
tudar com Abu-Alhassan , natural de Cabessa , e passado 
dahi a Bagdad a frequentar o Doutor e Cadi Abu-Bacar» 
filho de Taib^ de quem adquirio muitos conhecimentos 
acíentificos, donde regressou para Cairauan, na qual se 
conservou até falecer na noitfe decima sétima do mez de 
Ramadan do. anno 430 '( 1039). Como lahia, quando cie- 
gou a Cairauan, encontrou a A\>u-Amran sf ensinar, (ire- 
quenrou-o para o ouvir; e vendo*o elle propenso, para o 
bem, gostou delle, e pergumou-Jhe pelo seu nome, descen- 
dência, epaiz, o qual o informou de ^rudo , ass)ím como 
da extenção do seu paiz, e dos seus liabitantes. Pcrguntan- 
do-lhe então, que religião seguiâo^ lhe respondeu ser bum 
povo de poucos conhecimentos, em que rtíinava a ignorân- 
cia. Tendo-o o dito Doutor cxperi isentado , perguaiando- 
Uie as cousas necessárias da sua relinião, e achando que xuo 

R V ^ 



sabia coq^a alguma da lei escrita, nem da tradicionaria ; 
mas que tinha eficazes desejos, e firme tcação de apren- 
der o que ignorava , e convinha á sua crença , lhe pergun^ 
tou, que era o. que o impedia deatJrender. A genee do meu 
paiz, senhor, lhe respondeu elle, ne geralmente ignorante , 
por não haver entre cila quem ensine o Alcorão; mas ella 
ama o bem, e o deseja: e se apressaria a abraca-lo, se en« 
Contrasse quem lhe lesse o dito Alcorão, a innruisse iia 
scicnçia, e na sua religião, a chamasse ao exercício ^àa mes^ 
ma lei, e lhe ensinasse o mohammerismo, ea vida e ao" 
ç6es do profeta. Se tu queres alcançar de Deoso premro^ 
por a dirigires ao bem , envia-lhe comigo alguns ooa teus 
estudiosos discípulos ^ que lhe ensinem o Alcorão ; ea ínstruao 
na Lei, e aproveitamento nella, porque ella os ha de ou- 
vir, e obedecer-lhes. Se tu fores a^ causa <lá mesma ee diri- 
gir ao caminho verdadeiro, hasde alcançar de Deos ExceU 
ao hum grande premio em recompensa. Ouvida esta suppli^ 
ca por Abu-Amran , instigou para este fim os seus discipu- 
los, os qaaes se escusarão, temendp a entra<la em Sah»ra, 
sem haver hum só , que lhe quizesse fazer a Tootade. Ten- 
do perdida toda a espefança , disse a lahia : eu conheço no 
£aiz de Nafis da região de Massemuda hum Doutor pro- 
o, verdadeiro , temente a Deos, e abstinente, diamado 
Uajage, (j) íilhô de Zaiuan Lametense, natural de Sui 
Alaquèssa, que me tratou, e recebeu de mim muitas instruo* 
ç6es, o qu^l presentemente está dedicado ao serviço de 
I)3os, e ao ensino das s^cieAcias, ç chamamento das gemes 
ao bem em humi ermMa ^ que alH ha , ao qual tem con- 
corrido grande numero de discípulos: eu lhe escrevo huma 
carta, para que veja se manda algum deli es comfigo : di- 
rle;e-te pois a elle , porque hasde encontrar o que queres; 
Eis-aqui a carta , que o Doutor Abu-Amran lhe escreveu : 
A paz, a misericórdia de Deo^> ea sua benção desçâo so- 
bre ti. Apenas ahi chegaf lahia, filho de Ébrahim Jeda- 
lense, portador tiesta minha carta, manda com elle bum 

• 

(4) Cxiie no líé to.n. pa^. 7 5 em iujv dç Uaja^e cbtttm^lhe Tbu log 



^ 



( nl ) 

i!os trat discipiíIoS) d^cuja religifò, boa* exemploa, mili- 
ta sdtncia , e direcção confie» , para enaínar áquelles po- 
vos o Alcorão, e proccâto$ mohaminetanoa, e^ot instruir 
na rdigiio , pelo que participarás com eUe hum grande 
premio , e recompensa ; pois Deos náo priva do premio 
aos Que fazem boas obras* Saúde. 

Tendo lahia partido com esu carta , chegou á preseot 
ça do Doutor Uajage na cidade de Nafis no mez de Ra*^ 
eb do anno 430 ( 10^9 ) , e tendo-lha entregado » e eUa 
do-a , congregou depois os seus discípulos , e lha leu ^ exhor» 
tando-oe ao mesmo tempo ao cumprimento do que nella 
ordenava oandáo ÂbuÂmran. Prestou-se hum delles» aa? 
tural de Jazula, chamado Âbdallah , filho de lassín , de to- 
dos elies o mais agudo, engenhoso, religioso , bom , teme»? 
le a Deos , inteligente , }>olitico , de recta administrado g 
e instniido em diversas scíeneias , o quar partio com lahi^ 
para o paíz de Jedala ; e tendo aÚi chegado , vierâo alegres 
cneontnHo as tri^bus de Jedala , e Lametuna , ao qual reoe* 
berfo com grande prazer , e o tratarlo com as maiores hoa* 
aas ^ vcaera$âo, e respeito. 



CAPITULO XXXL 

Nêfiría d0 entruãa de AbdãlUh , filbtk de lassin Jãzm^ 
knse , no patÁ de Sanabaja « e do seu kvantamentê 
nelle com os Morabeiins (Almorabides) de Lêmetunãf 
q$êe be buma das t ribas de Sanabaja. 



« 

D 



EPdS do ^lecimento de Mohammed , filho de Taifat 
Lametunense , apellidado, e conhecido por Teressaná, ajun^ 
tarao-sc 0$ povos a Âbdallah, filho de lassin, e o no- 
mearão para os governar, por ser varão religioso, benigno , 
virtuoso, e ecciíâdor da peregríbaçno Mcccana, e da guer^ 
ra sagrada, o qual, depois de haver g.^vernado Sanahaja 
por espajo de trez annos , padeceu manvrio em bum com*- 

R 2 



ii^te no lugar de Fagara^ a foi sepultado em Carífàtf; 
'Tendo elle cuidado de fazer conhecer áquelíes povoa, que 
aó era pcrmittido a cada homem ter ouatro mulheres legiti- 
mas , e dcdicado-se a explicar-lhes a lei, eosseus preceitos, 
.mandando-lhes o licito, e prohiblndo-lhes oiihcito: apenas 
. elles viráo, que os obrigava a deixarás iniquidades, quepra* 
ticavão, afastaráo-se delie , desampararão-nO| e o incitarão á 
retirada, o que elle lhes estranhou. Como Abdallah achou 
além disso , que a maior parte delles não fazia oração , nem 
lia o Alcorão , .e que só tinhao de mosselemanos as duas 
formuFaSfOu protestações de crentes mohammetanos, cuja 
ignorância era crassa , rasão porque se afastavâo delle , e 
segúião os seus appetites , quiz retirar-se para a Ethiopia , a 
qual ia tinha abraçado o mohamqietismQ , por nella se ha- 
ver divulgado ; maslahia, filho de Ebrahim, lhe disse: 
não consinto, que daqui saias, porque eu tnixe^e comigo 
só a íim de me aproveitar da tua sciencia , e não tenho 
* culpa dos erros do meu povo. Em taes circunstancias voo 
dar-te, senhor meu^ hum parecer, o qual deves abraçar, 
se quizeres alcançar a vida eterna. <^t he elle ^ eu o digo. 
Neste paiz ha huma ilha rodeada de mar , na qual se ei»- 
tra a pi aa maré vasante , e em peauenos botes na enchen- 
te ; e nella se encontrão as cousas licitas , em que táo ha 
de haver duvida, como são ns arvores campestres, a ca^ 
áò mato, e domar com diversidade deaves, feras , e pei- 
xes: retiremo-nos por tanto aella, eahi viveremos das cou- 
sas licitas, e serviremos a Deos Altíssimo até morrermos. 
Bem está, lhe respondeu Abdallah: vamos, e entremos nel* 
la em nome de Deos Excelso. Tendo com effeito verifica- 
do a sua entrada , levando comslgo somente sete pessoas 
da tribu de Jedala , edificou nella huma rãbaia ( ermida ^ 
ou pequena mesquita), na qual permaneceu servindo a Deos 
Altíssimo com os seus companheiros por espaço de trez 
mezes. Divulgada esta noticia entre as gentes, e constando^ 
lhes , que elles só procuravão alcançar o paraíso , e livrar- 
se do rogo eterno , cresceu o numero dos arrependidos , que 
alli se dirigirão, aosquaes Abdallah, filho delassin, pnn- 



(.«35 ) 

cipioii a iitflrair no Alcorão , a iadlna^los para o bem, ft 
fazer*Ihcs appetecer a recompensa de Deos Altíssimo , e a 
temer os tormentos do seu castigo até radicar o seu amor 
em seus corações. Nâo erâo passados ainda muitos dias^ 
se Ibetioháo aggregado quasi mil homens dos nobres deS&« 
oabaja, aosquaes denominou Morabetun, ( AlmOrabides) ^ 
por nrequencarem a mencionada rabáUa. Tendo-se dedica« 
do a ensinar-lhcs o^Akorao, os preceitos, a ntaneira dà 
purificação, da oração, e da justificação , e tudo o mais 
que Drás lhes prescreveu ; e estando ja. instniidos nescaa 
cousas, erigiu-se seu pregador, e principiou a exhorta4os , e 
inflamma-los no desejo doparaiso, fazendo-os temerofo|;o; 
ordenando-lhes a piedade, e o culto de Deos, mandando» 
lhes o licito , e prohibindo-lhes o illicito. Tendo-os em fiM 
informado da remuneração, e grande premio, que por isto 
lhes tinha aparelhado Deos Oprimo Máximo , os cpnvidott 
para q combate jdos que das tribus de Sanahaja se tinhão 
revoltado contra elles, accrescentando-Ihes: Vòs, ó socie* 
4ade de Almorabides , sois sem dtivída ja em grande nu* 
mero; sois os principaes das vossas tribus, e os chefes da 
vossa parentela : Deos Altissimo vos fez merecedores , e voa 
dirigio ao caminho recto ; e por isso deveis dar-lhc graças 
pelos beneficias obrados com vosco: ordenai por tanto O 
licito, prohibi o illicito, e fazei por Deos a guerra sagra» 
da contra os infiéis. Ordena-nos, ò xeque abençoado, o que 
quizeres, lhe responderão elles, porque nos hasde achar at- 
tentos, e obedientes; pois que se nos mandasses matar a 
nossos pais, certamente o fariamos. Sahi, lhes tornou elle^ 
coro a benção de Deos, exhortai o vosso povo , fazci-lhe te^ 
mêr o castigo de Deos , e entender os seus indubitavicis jni* 
20S. Se tornarem a si , se se converterem para Deos « e vol^ 
tarem ao caminho da verdade , aiastando>se daquelle ,' em 
que se achão, tem deixado voluntariamente a tua marcha^*; 
mas se se recusarem , e persistirem no sen erro , e insistirem 
oa sua incredulidade, imploremos de Deos o soccorro con^ 
tra elles ; e combatamo-los , até que o mesmo Senhor deci- 
da entre aòa ^ porque eile he c melhor dos juizec. .Tend<^ 



I 



•é eiitfò encmiiiibado para o seu povo, e Mrairda, m id- 
moesnidb , exhortirSo , e convidaráo a afasraç-se ào caim«* 
ato) em qus se achatão; mas nâo houve httsi sò deUet ^ 
<que aÍM'aç8sse os acua coasdhos , nem voltasse ; e por iaso 
aahio AMallah, filho de lassin, com todos oa xeques, c 
pfincrpaès daa triòas, leu^lhes o infalível juixo de Oeoa^ 
ChamousKis ao arrepenviímento , e inúmidoti-os oocn o casti* 
fo 4e D0GI6 i e tendo permanecido a exhortm-loa por espaço 
te sece dias^ não obstante isto , insiariío na corrupção , aeaa 
4lirem aaen^io ao que elie >dizia. Vendo perdidas as suas 
«spetaaças , disae aos seus companheiros : ad$ ja lhes mo&- 
tiiniús as provas, e os exhortimos : devemos portanto ago«- 
<ã coinbate4os : atacainos por serviço de Deos Altiasimo. 
Tendo principiado a combater a tribu de Jedala antes das 
outras com- três mii Almorabides , e sido derrotada , matou 
^uita gente , e o resto abraçou novamente o mobammetis^ 
mo ^ a quem tratou bem ; mas pagarao-lhe tudo aquillo t 
nue erâo obrigados , e tinhâo estipulado no mez de Safar 
lo anno 434 < 104^ )• (a) Marchou depois contra as tri- 
"bus de Lametuna ; e ^endo acampado nellas , e combati- 
ifdo-as até as vencer, sugeitarâo^se á sua obediência , arr^ 
|)endé]âo*se , e o acclamarâo com a condição de observarem 
a lei do profeta. Proseguiu logo para as tribus de Massit» 
•fii; e tendo-as combatido, sugeitarão-se, eo acclamar|o^ 
como tinhão praticado as sobreditas tribus de Lametuna^ 
^ Jedala« Logo que as outras tribus de Sanahaja virão iato^ 
" cotrerão arrependidas a acciama-lo, protestando-lhe submia» 
aâo, e obediência; e elle purificava a todo aquelle, que se 
chegava arrependido a Deos^^^dando-Ihe cem açoutes. Eosí^r 
4iava4bes depois o Alcoi^o, e as ceremonias domohamme^ 
4Íamo, e ordenava4hes a oração, a prestação «dos impo^ 
tos, e a satisfação dos diztmos, j)ara o que estabelecei 
o Srario , aonde os ajuntava ; e tratou de montar a tropa« 
o oooaprar o armamento eom o dinheiro do mesmo Eia^ 



I 






(a) Ttíâoi estes l^ot le enoontrfo desfigurados oa historia de Cbnde» 
ir«pac^7^»« 77 tom* n. 



• r 



fb, com t <fãú combatia as tríbus até que diegoii t Hém 
aiiaar to4o o paiz de Sabara. Senbor das suas tribus.^ ajua» 
CDU 08 despojos dos que morrerão naquella gazua , julgou-oi 
presa .dos Almorabides , e enviou crescida somnia de di» 
nheiro dos impostos, decimas, e quintos aos ^abioi» 9 
Cádis do paiz de Mossanieda , com o que fez patente 41 
seu intetito aos paizes de Sahara ^ AlcaUa , Mossameda , • 
em ioda a Mauritânia ; e que em Jedala se tinha levanta^ 
do bum homem, qne diamava os povos para Deos Altím^ 
sno, e para o caminho recto; que julgava conforma tinhn 
prescrito o mesmo Senhor ; e que eilc era humilde , e dea^ 
prezador das cousas mundanas , o que ae tinha tambeQi iUi> 
vulgado no paiz da Ethiopia. 

Tendo falecido lahia, filho de Ebrahim , quii A{>- 
dallab , filho de lassin , eleger outro em aeu lugar para di# 
rigir a guerra : e como a maior parte das tribus de Sana<« 
baja prestava obediência a Deos, era religiosa, e estava em 
harmonia com atribude Lametuna , áimaí Abdallah , filho 
de la^in, honrava , ennobrecia , e preferia ás tribus de Sa» 
nahaja , por Deos ter permittido que os Lametunenses ap> 
parecessem , e dominassem a Mauritânia , e a Hespanha , 
convocou , e congregou os Chefes de Sanahaja , e nomeou 
aeu Príncipe a lahia , filho de Ornar Lametunense , pos^ 
to que Abdallah , filho de lassin era verdadeiramente o 
Príncipe 9 porque elle era quem os mandava, e prohibiã ; 
c lhes dava, e tomava. Por tanto o Príncipe lahia dnfaa 
a inspecção de todos os obieaos relativos á guerra , r 
Abdallah , filho de lassin , a direcção das cousas da religião , 
• as decisões das leis, e recebia os impostos , e os diair 

CAPITULO XXXII. 

Dú reimaêo io Prittcife Jahiã^fiUê ii Omêr^ filk^ 
âe Tehksqtfm Sãnsbãgemú LãÊmtmtaist. 



L 



ooo que AbdaHab , <iiho de Iflaria foonuMreu 90 fty 
^pcrao a laèia , filào àc Qnuur LattetyaiMr , o AI^OMir 



ék\ varilo religioso I humilde « edesprezadór das cousas nutfi^ 
danas, ordenou*lhe~o proseguimentò da guerra santa. Era 
lahia absofutamcme regido por Abdallah. fílbo de lassin, 
RO qual tinha muita obediência > no que ine mandava i ou 

Êronibia , como mostra o seguinte caso. Disse-ilie Abdai- 
ih hum dia : eu devo castigar- te. Poroue motivo? meu se- 
nhor, lhe perguntou lahia. Náo to direi senão depois de 
te haver corrigido: e despi ndo-o, lhe deu vinte açoutes. 
Disse4he depois , castigueHe , por teres presenciado, eas« 
aistidô pessoalmente aos comoates, no que delinquiste, 
porque o Principe náo peleja y e cuida unicamente em ani- 
mar, einSammar os seus exércitos, porque a sua vida he 
a vida dos exércitos, e a sua morte o seu íênecimehto. 
Tendo o Príncipe lahia subjugado todo o paiz de Sahara , 
e feito a guerra ao paiz da Éthiopia , grande parte do qual 
tinha expugnado , congregaráo«se no anno 447 (105$') os 
Doutores , e os homens virtuosos de Sagelemassa , e de 
paraa , e escreverão, a Abdallah , filho de lassin , ao Prín- 
cipe lahia , e aos xeques dos Almorabides , pedindo-lhès 
ae quizessem dirigir ao seu f>aiz para o expurgarem das 
iniquidades, violências, e injustiças, informando-os tam- 
bém do desprezo, abatimento, e tyranni^, com que erao 
tratados os nomens sábios e religiosos , e todos os mosse- 
lemanos pelo seu Principe Massaud, filho de Uacud , í^ 
lho do Zanatense Almagrauense. JLogo que Abdallah , filho 
de lassin, ^recebeu a carta, congregou os chefes dos At 
morabides , e depois de lha ler , os consultou sobre o seu 
conteúdo , os quaes lhe responderão : isto são cousas , que 
nos obrigâp, e a ti : marcha por tanto com nosco , con- 
fiado no amparo de. Deos Ahissimo. Tendo-lhes ordenado^ 
a guerra santa, sahiu com eltes no dia vinte do me^ de Sa- 
far do anno 447 ( 105:5' ) , acompanhado de hum podero- 
so exercito de Almorabides até chegar ao paiz de Daraa; 
e «endo encontrado nelle o governador do Principe àé Sa- 
gelemassa , e expulsadoK) delle , encontrou cincoenta mil 
camelos, que alii pastavâo, pcftencentes ao Principe Mas- 
aaud Almagrauense ^ senhor de Sagelemassa. Informado d- 



k 



( n? ) 

le di»tô , ajuntou as suas tropas, e sahiu contra Abdallah; 
e havendo-se e rlcontrado os 4ous exércitos , houve entre: 
ambos porfiados combates ; mas Deos Altíssimo concedeu, 
a vicroria aos Almorabides, ficando morto no campo da 
batalha Massaud AJniagrauenEe com a maior parte da sua 
tropa, e fugindo o resto, ficando Abdallah, filho de Ia»- 
sin , senhor dos seus dinheiros , bestas , e armas , juntamen-^ 
te com os camelos, que tinha tomado em Daraa , do que 
tomou somente a auinta parte, que reparthi pelos Douto* 
res , e homens proDos de Sagelemassa , e Daraa ; e o resto 
o repartiu pelos Almorabides. Partiu dalli immediatamen* 
te para Sagelemassa , aonde matou quantos encontrou da 
tribu de Magraua , e ahi permaneceu até a socegar , e pa<^ 
ciiicar, corrigir os abusos, desterrar as cantilenas, queimar 
as casas de venda de vinho , suspender as contrifauiçòer 
ifiilitares, e mais tributos, deixando somente os que man- 
da deixar o Alcorão, e os preceitos mohammeticos ; e ten- 
do nomeado hum governador Lametunense , partiu para Saha- 
ra. Tendo fãlecioo o Príncipe lahia, filho deOmar em hum 
combate no paiz da Ethiopia , nomeou Abdallah , filho de 
lassin ao imiâo do mesmo Abu-Bacar , iilho de Om»r La- 
metunense em seu lugar no mez de Moharram do anno» 
448 ( ios6). 

CAPITULO XXXIIL 



Do reinado do Prineipe Ahu-Bacar ^ filho de 
Ornar , Lametunense , e Ahnorabitense. 



L 



OGo que faleceu lahia , nomeou Abdallah , filho de 
lassin , o irmão Abu-Bacar . vaiâo probo , e temente a 
Deos , em seu lugar , incumbindo-o dos negocies da guer-^ 
ra , o qual tendo instigado os Almorabicics. ao combate 
do paiz de Mossameda , e do Suz , partiu para alli coíti 
hum grande exercito no mez de Rabla-tani do anoo 44^ 

S 



( í J« ) 

(10^6), haTendo nomfaido tea tàtoécãátm (è) a lumF, 
filho de Taxefín^ seu primo» Haireodo chegado ao^pais 
do Suz , e oombafide o paiz de Jas&ula , erpugnoit as cida<? 
des de Masaa , e Tarudante , e todo o paia do Suz. Ha^ 
via em Tarodame ham poro de desertores ^ aosqaaes cha* 
maváo Âfbageliá, por descesderem de Alf^ filho de Ab« 
dallah Albaseli o desertor , o qual tendo passado ao Suz» 
qoando AbdaOak Azxaiai se levamoo na Efriquia, e di-» 
vulgado alli a sua seita , passou esta depois deUe como 
keraaça de geração a geraçSo , e de século a século , sem 
atteaderem a alguma outra verdade ; e tendoos /CombatH 
do o ]^incípe Abu^Bacar , e Abdallah , filho de lassin » 
somado-Uiea á força a cidade , na qual morrerão imoiea- 
808 dos mencionados desertores , voltando os restantes pa« 
88 o xnoihammetísmo , appreheodeu as riquezas ilos que .li'- 
iihSo morrido, e as julgou legitima jnreza mira os Aisio* 
vabides. Ten^ Deos finito oonhMer es Almorabides^ (S 
«altado sua palavra com a expugnaç^ do Stie^ « aiige^ 

go de todas as suas tribus^ nomeou AbdsUak ^ fiUio áê 
ssítt , os seus governadores pai^ os divefso8 govemoa do 
mesmo Suz , aos quaes ordenou a observância da 4efttída»- 
de y a publicação dos preceitos do profeta , a recep^ ém 
impostos, e dos dizimos, e a cessação de outras quaeaquor 
contribuições novamente impostas além destas, ç partiu 
para o paiz de Mossa meda. Tendo conqinstado os montes 
Atlânticos ,. etpugnou também o paiz de Ruda , e a cidade 
de Xafxaua á força da espada ; e depois Na fiz , e todo 
o seu paiz. Vierao apreseotaf-se^he as tribusile Ragraga; 
e tendo-o acciamado , partiu para a cidade óe Agmat , 
na qual então se achava o ' seu Princlpe Lacute , filho de 
lussof, filho de AI7 Almagráuense , junto da qual se acam- 
pou , sitiou^a estreitamente , e a combateu 'oom o maior 
vigor. Logo que Lacute viu , rque não lhe podia resiatir, 
antregou-lhe a cidade , € ^iu de noute com os seuí h^ 

^ ■ ' V I * «1 ^ ' ii I ■ 11 

(á) Almocodem be poftio milfiur, xf» ^er diísr gttit dicaoiUios 



oiSlitfct fart m ptrtes de Ttdeb ^ tende m «tabeleceu 
dciMÔxo da protecção da tribu de penHafeniii , senhora 
daqudie território ; e entrarão os Almorabides em Âgmac 
na aono '449 ( 10^7 ). GMiaer?ou«se Abdallah , filho de 
lasstn, adia dous mexes a fim de descaaçarem os Almo* 
rabidca } e teido depois sahido com elles a combater Ta^ 
dela, a espugoou, e matou quantos neUa eocootrou da 
dita tribu de lafenio, seus possuidoras» e teodo tríuo£ida 
de Lacttte Almagrauease ,' também o matou« Proseguiu do* 
pois para o paiz de Tamessená > e o eoaquisiou ; e teado 
aído informada, que nas suas praias habitavlk> as rmmoKH 
sas trihis deBarguata, foi igualmente informado; cpie es^ 
las erib infiéis^ e profossavlo a seita dos Majusscosw -^ "^ 



CAPITULO XXXIV- 

NpticiM dê €xpedifS9 de JkdalUb, filhe dê Ussm 

cêêtrê ês Mãjusse^s Bêrguêtês , € dê smê extra^ 

WêgêMe uiiê , êde^eavel religiãê. 



L 



ao que Abdallah , filho de l9«in y cb^gmi 90 paia 
de Tamesseni , soube que nas st^s pFsías habii^v$o as 
tribos de Bargima, composts3 de gemes innumcravcis , que 
▼ÍTtio no erro dos 2ii(ajusaeos , cuja despreaivet rf^ligiáo li^ 
nhâo abraçado. Disserao-lhe , que os Barguatas erâo muitaa 
tribus, oue i^o descendiSo do mesmo pai, e inãi; mas 
que ora numa mistura de muitas tribus de bárbaros , qw 
ae umráo a Saleh , filho de Tarif , que síe levantara emi 
Tamesseoá , quando no feifiado de Hexam , filho de Ab* 
delmaleq, filho de Maruan, ant^uu entre elles o dom da 
profecia. Era elle natural de Baruata , castello do terov^ 
de Sidónia na Hcspanha ; e fioi este o motivo , fooque sç 
chamava Barnati todo aquelle individuo, que seguia a sua 
crença , cujo nome os arábes arabisarâo , dizendo Bargunr^ 
ti , donde veio chamarem-se Barguatas. fira o mencipoadq 
. S z 



( Í4<5 > 

SâleH Hottiem perverso , é de origem jodaicâ da fimilia de 
Shnão, filho de lacoK, o qual rendo sido educado nomen* 
Cionado castello , partiu depois para o Oriente , aonde es- 
tudou com Abdail«)1i Almoatazeíi Alcadrí , e se exercitou 
na magica, em que adquiriu muitos conhecimentos, don- 
de passou Á Mauritânia ; e tendo-se estabelecido em Ta* 
messena, (a) e encontrado nella varias tribus de bárbaros 
idiotas , nâo só lhes fez conhecer o mohammetísmo, a de- 
voção , humildade , e desprezo das cousas mundanas , at« 
trahindo-os com a sua magica , e loquela , mas também lhes 
mostrou os .jus auspicios, e fix6eS| com que os eofbitifou 
até ao ponto de confessarem a sua bondade , e o seu im- 
pério, tngeitando-se-lhe, preferindo o seu. conselho em to- 
dos os negócios , respeitando-o , e obedecendo aos seus man- 
dados, e prohibiçóeá. Além de. ter arrogado o dom de 
profecia , também se denominou o pacificador dos crentes, 
dizendo-lhes : eu sou o pacificador dos cientes, do qual Deos 
ièz menção no seu livro , enviado por elle a Mohammêd; 
e estabeleceu a lei, que delle receberão, do anno 12; 
(741). Eisaqui os erros, que lhes prescreveu: que confes- 
sassem o seu dom de profecia ; que jejuassem no mez de 
Kageb , e comessem no mez de Ramadan , que teriSo àêi 
oraç6es , cfhco de dia , e cinco de noute ; que celebraríâo 
os sacrifícios prescritos a todos os mohámmetanos no dia 
vinte e hum do mez de Moharram (^); que na sua puri- 
ficação havião lavar o embigo , e os vasios, e fazer a ora* 
ção somente com inclinação da cabeça , e sem prostração; 
mas (jue no fim delia se prostrassem por terra cinco vezes; 
ue dissessem , quando comessem, e bebessem: em nome 
e lacasse » cuja interpretação se supp6e ser : em nome de 
Deos; e que pagassem os dizimos de todos osfructos. Pep- 
mittiu-lhcs, que cada hum delles casasse com as mulheres , 
que quizesse, menos com suas primas ; e que as podessem 
■ ■ ■ ^ » ■ 

C«) Conde chama-lKc Tamisna ; e em quast todat as pag. se adifio 00» 
mes assim estropeadoi. 

W O Alcorão ordena, . que os tae» saaiíicios se cckbrem dO mu di 
Dul-Kaada. 



3 




C MI ) 
fepudlar , e tomar a tomar mil irezes por dia , sein <^ ai 
mulheres oa podessem impedir. Ordenou-lbes , qúe mataat 
sem os ladrões , aonde aucr que os encontrassem , por lhe 
parecer^ que's# a espada os podia purificar das suas cul« 
pas ; e que sacrificassem os bois. Prohibiu*lhes comer cabe* 
ças de todos os animaes, e as galiinhas , assim como t 
degolação e comida de algum gallo^ sob a pena de dar 
Uberdade a hum escravo. Determinou4hes , que lambessem 
a salWa dos seus governadores, os quaes cuspiâo nas. pal*^ 
mas dafi suas mãos, e traziao a saliva aos seus enfermos^ 
parA.com ella sararem* Dispozlhés hum Alcorão para le* 
remnaa suas oraçées, e meditarem nas suas mesquitas^ 
dizendo-lhes , que lhe tinha baixado , e sido inspirado por 
Deos , accrescentando-lhes , que seria infiel aquelle que dm 
vidasse disso , cujo Alcorão continha oitenta suras<, ou ca- 
pítulos , ,que denominou com os nomes dos profetas , e fk» 
remos menção de algumas delias : a sura de Adão , a su« 
ra de Noé , de lob y de lonas , de Mousés , de Harâo ^ 
das tribus de Israel , de Faraun , e do Rei : a sura da per^ 
diz, do gafanhoto, do camelo, de harut e marut, do 
demónio, do dia de juiso, e das maravilhas do mundo, 
nas quaes suras se continhão para elles admiráveis conhe^ 
amentos. Ordenou*lhes finalmente, que -se lavassem sómen-^ 
te para se purificarem do ajuntamento illicito.. A respeito 
dos Barguaras , diz o author , ja nós referimos tudo qiian^ 
to se podia dizer na nossa grande obra , intitulada : Noz-* 
betol-bostane , fi aghar-az2 aman , ua-dt cro-almujude-lamf 
ma-uacaa-fi-Alugud^ isto he , amenidade do jardim so- 
bre as novidades do reirpo , e m.emoria a respeito do ec^ 
te depois de passará existência, {a) Dep<iis que Abdallah , fi- 
lho de lassin, proseguc o author, ouviu fallar do estado 
dos Barguatas , e dos erros, em que jaziao, pareccu-lhc 
do seu. dever hir combate-los primeiro que a quaesqucr 
curros , e marchou contra elles com ai tropas dos Almo 
nbides. Tendo havido entre «lie e o Príncipe, que eníáo 



procuiMf 



• (HO 

tra^dM BargQi^», Aba Hafsse, .^o de Alldallaii , €Huf 
tk Àbu-A)aQsaii , filho de Abu-Abid Moluiimned , 'fílh« 
ét Maqlad , filho de Aliasse , filho deSaJeh , tího de Ta« 
rif Bargoatense Lametunenac , porfiados OKnbaces , « do* 
«gastadoras pdôas , eiti que faieccu de ambas ês partes Wb« 
•neiísa. gente, mi tatnbetn tnartyttxado o sobredito Ab« 
âallah, £lho de lassm, guia , e chefe doa Alfnonbidea ^ 
o qoal achando-se traspasssdo de fimdas , sendo condnsu^ 
éo para o seu acampameRCo , oonTOCoa oa sequea, • 
\ |itiiicipaes dos Alnk)raDÍdea , esteado a dar o idtkM ai» 
fMiro y aos qaaes disse : Vi&s , 6 Almorabidcs , estaea carte* 
ineese no paii dos Tossoe inioi^os ; e eu oiorve kifaUed^ 
snente hoje: não desfelecaes por tasco, nem percaes o 
enimo: sede amig!(^, defensores da verdade, e trmáos: 
por Oeos Altíssimo to-Io peço : eritai as dissenste , e 
es invdas por motivo da pertenção de governar , porque 
Deos dá o seu Reino a quem quer, e concede o governo 
sui terra águelle de seus servos , que lhe aprae. Eu separo^ 
me , e retiro-me cerramente dç vos ; e por isso vede quem 
d^entre yds haveis escolher pêra vos governar, jpiar os 
• vossos exércitos , combater os vossos inimigos , dividir e»« 
Cre vòs as desgezaâ , e receber as o&rtes , e os dissi^ 
fxios; « por isso concordarão em nomear a Abu-Bacer, fi* 
lho de Ornar Lametunehse , que o mesmo Abdalbfa lhes 
linha designado para* a direcção dos negócios da guerra por 
consentimento de todos os xeques de Sanahaja, cuja no* 
neação elle lhes confirmou. 

Faleceu Abdaliah , filho de lassin , na tarde dacpielle 
anesmo dia , que era hum Domingo , vinte quatro do mes 
4e Jumadil-áual do anno 45*1 (105^9), e foi enterrado em 
Tamessená no lugar chamado Carifalá , sobre cuja sepul« 
tura ie construiu numa mesquita. Era tão escrupuloso na 
comida e bebida , que em todo o tempo que se conservoo 
com os Almorabides y nem comeu das suas carnes , nena 
bebeu dos leus leites , por não julgar licitas as suaa riqne»* 
zaa em rasão da sua crassa ignorância ; e por isso se sus- 
tentafa da ca^aj e não obstante issoj era fluiito lascivo , 



/ 



( «45 1 

«lé ae Bonto de «odos m meze s caur » com qiKKiii4a4t 
de tnolnem , e repudia-las v e de nSo ouvir íàllar em mJlt 
Iker formosa ^ eom qucai não casasse ; iras o dotç > qqf 
da?a a cada huma delias , não excedia a. quatro ducadof^ 

Hum doa seus milagres foi , qui! tendo os Aimorabir 
dea saJbido cona etle a buma das suas gazuas para a Ethior 
pia , e Êiltando^Hies a agoa até estarem para perecer » Icr 
vaAtando-^e , tomou terra para se purificar (#) ; t depoif 
de faser duas inclinaf Ika , e invocar a Deos AJtissimp » f 
ter ordeaado aoa ÀJmorabidts, qye praticassem o mesmOt 
lhes determinoii , que caVasf em np mesmo Itfgar da oração} 
€ tendoo Msim cumprido > encontrarik) a agoa oa prtwn^ 
didade de husn palmo » doce » e frena , devida i ava henr 
fSo , da qual bel>er3o 9 e cfichei^ as suas cabais* NiA- 
ca deixou de Jejuar desde a et^tiada «p dito pa^z dos Al- 
norabides até que faleceu. 

Kntre as exceljentes ac^tfes do seu governo tem o prin- 
cipal iHgar haver estabelecido entre elíes. a lei, e o coa- 
gregaren^-^ naf mesouitas para a oração , resolvendo , qup 
codo aquelle , que faltasse ^ foase castigado cad^ vez com 
yinse açoutea, e com cinco aodo o que faltasse a hH04 



s 



CAPITULO XXXV. 

Dê reiftêdê Í9 Prmcipe JÍby-Baur , félbç 4e 
Oméir Ssnab^ginsê ^ Lêmetunem^. 



VA MÂ\ ^ <bam«da Sa£a , tttí livre , e natural de Jed^r 
da. liOfo que Abdaliah , filho de Ijasaiii , elevou 90 §pr 
«erao a Abu^-Bacar, o «cdamitfSo as tribus dos Aimoré* 
bídas , asaim 4e Sanabaja , 4K)mo as 91a is ^ e t^;pido*ae ccnr 
f;luido «5ia acçito ^ a primeira cou^a , qve fez , -^i tratar 
ào entenio díp diio Ab^aDab ^ Áep^ do ^al dispoz fs 

^^— W^^'^*'-^^**'^^'^*^ Ill i f» | i i i n m i l , m i ir 1 1 1 4 ' 11" 11. K. r 

(#) Hum dos jwecehòs do AlcorSo he , que laltando y^oa ao» ,ipch«m« 
ttKtanoi pofs se pnrlficMem, « litTão do pó da tcTw' txn seu iug^r. 1^ 



C t44 ) 
m^s tropas , e dlrígUi-se immedíatamente a combata o^ 
BarguataSi confiando cm E>eos Álcissímo em todos qs seus 
'negócios, aos quaes destruiu, e perseguiu na sua retirada 
diante delle, matando huns/e caprivando outros até que 
Ds debilitou , e dispersou pelos bosques, porque tendo-se 
-então humilhado, e rendido-lhe obediência, fizerâo nova 
profissão do mohammetismo , sem que ficasse até hcje Yes- 
tigio dá sua perversa lei. Depois de ter ajuntado as suas 
riquezas , e distribuidoras pelos Âlmorabides , voltou pan 
a cidade ' de Âgmat. Tendo permanecido nellaaté aomez 
de SaFar do anno 45^2 ( 1060), sahiu para a Mauritânia 
i frente de hum innumeravel exercito de Sanahaja , Jazu* 
'h , e Mossa meda , aonde expugnou o paiz de Fazaze com 
*ás suas montanhas, todo a paiz dô Zanata , e as cidades 
de Maquenassa. Partiu dabi para a cidade de Lauara , a 

Suai poz em sitio até a tomar á força no fim do mez de 
Labial*águer do sobredito anno , na qual matou muita gen- 
te de Beni-Iaferun , de maneira que senão tornou a povoar 
até hoje. Concluída. esta conquista, partiu para a cidade 
de Agmat , aonde ja tinha casado com Zamab , filha de 
Eshak Hauarense , homem negociante ^ e oriundo de Cai- 
rauan,aqual era corajosa , prudente , judiciosa, sagaz , 
de conselho , e conhecimento dos negócios ; e por isso lhe 
chamavâo magica. Consèrvou-se Abu-Bacar com ella.trez 
mezes em Agmat até lhe chegar hum enviado «do paiz 
austral a informa-lo daattenuaçao deSahara. Como o Prín- 
cipe Abu-Bacar era homem probo, e muito temente a 
Deos , e julgava por isso nâo ser licito combater os mos- 
selemanos, e derramar seu sangue, tratou de partir logo 
para Sahara, a fim de melhorar o seu estado, e permane» 
cer ahi fazendo a guerra sagrada contra os caíres de Ethio- 
lia. Estando para marchar, repudiou sua mulher Zainab, 
qual fez esta falia na sua despedida : Na verdade tu , 6 
Zainab , és dotada de belleza , e de rara formosura ; e es^ 
tando eu a marchar para Sahara a emprehender a guerra 
sagrada > talvez alli ganhe o martyiio , e o goso do beca 
oom lium copioso premio : coBlb tu me nao podes acom^ 



r 



( »4f ) 

panliar , por seres nutrida ; por isso te repuditi , a fim 
oe que , quando completares o Tcinpo prescrito (tf)., te .des^ 
poses com meu primo lussof, iilbo de Taxe6n, que íica 
meu Califa ( Vice-Rei) no paiz da Maurícania; e tendo-a 
repudiado, partiu para Agmat porTadela, donde s^iupa-* 
ra Sagdemassa ^ na qual entrou , e $e ^emoiou alguns diaa 
até pAr emoidem a mesma. Estando para marchar, cliamoa 
a seu primo lussof, filfaode Tasefin , ao qual nomeou go? 
vernador da Mauritânia , incumbindo-o da sua administra** 
câo , e ordenando-lfae , que voltasse a combater as tribus de 
magraua, e laferun, e os bárbaros de Zanata, em cuja 
«leiçáo concordarão 4)s xeques dos Almora bidés ^ por co- 
nhecerem a sua religião, bondade, valor, intrepidez^ ro- 
bustez , rectidão , tenor de Deos , e rectas intençlSes noa 
conselhos, oomoqualficoju ametade dos Almor^ides. Ten* » 
do o Príncipe Abu-Bacar partido com a ontra ametade pa« 
ra Sahata nomez deDul-Kaada doanno 45^3 (1061)^ des*^ 
posou-se lussof oom a dita Zainab , a joual era a r^ente 
do seu R^eíjio, {b) e a conquistadora pela sua ezceuente 
direcçáo da maior parte da Mamitania , zié que £ilçceii 09 
anno 464 ( 107 1 ). 

Tendo o Príncipe Abu«Bacar , filho ' de Ornar , maiv 
chado para Sahara, depois de a socegar, e chamar áciv 
dem , ajuntou hum poderoso exercito , e sahiu para a patx 
da Ethiopia , aonde combateu até que conquistou do dite 
paiz a extensão de trez mezes de jornada ; e ao «r.esme 
tempo venceu lussof, filho de Taxefin a Boaior jurtedâ 

T 



(m^ .0 tempo prescrito iie dr trez metts, como consta <la sara s., vçt- 
so 22^^ depois do repudio , ' e teoi slles pisarem , 4iío pode 4 •miilbet tor- 
nar a caiar. 

CO Tendo D. Joze Conde no prefacio da sua historia iobre a domt- 
racio dos Mouros na Hespanha , dito que dle tírau a historia dos Altnofk* 
èiors, e doa Âlnmhadrs ds historia de Fez, qm he esta que tu aqui tmdfih 
ío , admira como elle na mesma tratando de lussof, filho de Tancfin diga, 
fue depois de ter sujeitado certas tr ibuf de bárbaros , voltara a Aftmat , e 
st catara oam Zainab , imá de Abu-&car , por<;ue da mesma ooiBta o coo^ 
tmio^aMiio fica dico neita , tHm aotecedancc p^ifta. . 



(t40 

Maurltnnia ^ e firmou o seu governo. Logo qiie Atnt4)a» 
trar ouviu íallnr da grandeza do Império de lussof , e das 
€onqui$tas, que Deos lhe tinha concedido no paix daMau*- 
Vttania , regressou de Sahara para alii ^ com o projecto de 
ú depor, e nomear outro em seu lugar. Tendo lussof pre* 
lencido isto y e consultado a sua mulher a este respeito , 
iesponideu-^lhe: teu primo he homem modetado em derrat* 
tnar o sangue : portanto quando o encontrares , trata-^ com 
menos civilidade, c submissão, do que de\rés, e mosrra^ 
lhe bum ar Imperial, como ^se íb^es igual a elíe^ mis of« 
ferece4he sempre hum avultado presente de dinheiro, maiv 
tos honoríficos {a) e outros vestidos , e mantimentos, eru« 
•^ com profusão , porque ao que vem deSabara , tudo lh« 
|iarece elegante, e bello. Achando-«e o Príncipe Abu-Ba-» 
car próximo de seu primo lussof, sáhiu este ao caminha a 
cncontra4o, ao quat fez mesmo montado buma breve sais* 
daçáo» Olhando Abu-Bacar para o crescido numero» das 
soas tropas, lhe perguntou, que fazes, 6 lussof, com to» 
daa estas tropas ? vafno-me delias y lhe tornou , contra quem 
•emeoppdzer. Tendo Abu*Bacar ficado assombrado da sua 
saudação de cavallo , e da sua resposta , divertiu a sua 
«ttençao para mil camelos carregados , que sr tinhâo apro- 
ximado, e lhe disse : que camelos sâo estes ? trouxe-te, 
6 Príncipe, lhe respondeu lussof, tudo quanto tinha ék 
dinheiro, e roupas; e também alguns mantimentos, eigua* 
fias, para te servirem de soccorro na volta para Sahara^ 
Conhecendo, e tendo Abu-Bacar sondado eniío o seu ea^ 
tado^ e que o não podia demittir do governo, lhe disse: 
XQgo-te^ meu primo, que te apeies^ e tendo-se apeado, o 
mesmo fez o rrincipe; e havendo-se ambos assentado so* 
bre a alcatifa, que se lhes havia estendido , disse Abu-Ba- 
car: havendo eu sido o que te elevei a este governo, eu íie 
que hei de ser perguntado por dle , e o que hei de satisfa«- 
Ker a Deos pelos mourds : salva-roe por tanto , e tambena 



^m) Til vtt suei mantas conopoadentin )fgpdiiiit, ét^/q» 
"fEViicas psn piemi» doi he a aiato í tcfc -•• 



047) 

• ti : nlb coonimas o que he dos vttaaHoi , porique Iras ék 
ser por isso perguntado. Deos Alcistimo te beneficie, auú- 
lie , e te dirija para praticares a virtude, e a justiça paca 
com os teus vassallos, poraue a elle he que eu encaireg» 
de Yi«ar sobre ti. Conciuida estannthortaçao , deapedm-ar 
Abu-Bacar ^ e marchou para Sahara , na quai se conservou 
fazendo a guerra aos caíres da Ethippia , aonde foi aiartyv 
tiz^tào em huma das suas gazuas , traspassado de huma se^ 
ta hervada^ de que morreu nouiez deXaaban doaono 480 
(1087) , depois de haver subjugado ao seu Império o pais 
deSsikira atd labaledahb (monte do ouro) , paú daEthicH 

f'a , cujos estados reverterSò depois para lussof , filho dv 
axeím. ^ 

CAPITULO XXXVI. 

Dújrinjido do Príncipe dos mêiseleniãms Imsrf^ fi» 
lha de Taxefin , e da sua marcha » c gãzuês. 



o 



Priíicipe dos mosselemanos luasof era filho de Tas^ 
fin , filha de Ebrahim, filho -de Tarcua^ filho de Uarzi^r 
nactín, filho deMansor, filho de Mossalá , filho deOmio» 
Uateli, filho de Tamarit Hemrense, Sanabagense, tãmor 
tuoense da família deAbdexamse, fiUio deUatel, filho d« 
Hemiar. Sua mai , chamada Facema 9 era livre , natural df 
Lametona , e filha de hum tio de seu pai , chamado Sai- 
rin, filho de lahia, filho de Uajage Uarzenactin «ciai» 
mencionado. ' 

Quanto á sua figura : era tri|;uQÍro , de estatura pcor 
porcíonada » magro, de barba rara nas faces , de voz agu- 
da , olhos pretos » nariz aquilino » com madeixas de cabelr 
lo até abaixo das orelhas , sobrancelhas arqueadas , e c^b- 
bello crespo. 

Quanto is suas qualidades : era intrépido^ ^valeroso, 
«dcsprezador dos ornatos mundanos, temente a Deos /vir- 
tuoso , e parco na comida e vestuário cm proporção das con- 
quistas mundanas, que Deos lhe çoncecku, porque o seu 
vestido era de lã , e nunca usou de outro í e a sua comid^ 

T 2 



i: 



( »4* > 

icevUidà ; e leite , e carne de camelo , (tom o que ieeontetitt-» 
ira sem nunca exceder a isto em toda a sua vida até mor* 
ter^ não obstante teMhe Deos feito a graça de bum dila« 
tado Reino t)ú munda, e muito maior do que aos outros^ 
^^quc na Hes|>anha , e Mauritânia foi anminciado sobre 
M tribunas de mil eseteccntas jncsqnitas , cujo Império era 
Hff Hespanha desde a cidade de Fraga , a mais remota àú 
lado onenta*! confinando com a França , até ao fim doses» 
tados de Santarém e Lisboa , confinantes com o mar ocea« 
no pelo lado occidemál da mesma Hespanha, vindo a ser 
o seu comprimento de trinta dias de jornada , e a sua lar- 
ra de pçuco m«no6 j e na Mauritânia desde asjlhas de 
eni-Bargata a Tanger ^ e desta até Sus-Alaçiuessá , ea 
Jabetedahab (monte do ouro) » pertencente ao paiz daEthio- 
pia : bem advertido , que na extensão dos seus estados y as- 
sim» povoações / como caoYpos , nunca impoz tributo, con- 
tribuição , ou imposto algum em todp o seu reinado , além 
dos ordenados por Deos Santo , estabelecidos no Âlcoi^o*, 
e recommendado^ pelo pfofeta, que vem a ser: a censo, os^ 
dízimos, os tributos sobre os-judeos, e os quintos das pro- 
sar fiaras aos^ associadores (a) \ do que ^umou dinheiros , 
como nenhum antes deite; pois consra, que depois do sett 
falecimento , se encontrarão no Erário treze mil arrobas 
de moedas cunhas, e cinco mil ditas de dacados em oura 
Restabeleceu aoa Juizes da bsi o direito de julgar o 
paÍ9 ; annullbu o que era contrario is decisões das leis ^ vi^ 
sitava annualmente os seus estados , e inquiria as suas cir- 
tunsttfntíar; estimava os Dootorea, e homens virtuosos, 
'apioiâmlando-os a si , antepondo os seus conselhos , e hon^ 
lanéD-Oi , aos quaet estabelecia* estipêndios do Eraiâo por 
*loda a- saa vida. 

Accrescia a tudo isto ser dotado de excellente índole , 
Ikumildjrde, e muita honestidade, propriedades unidas i 
boodaíie» Era em fim totho disse osabio* Doutor Abu-Idc*^ 

i 

(O Os múhs(iiíiinetani» cbsmio aasciadorey aos q^e ciem o M]:sttrlò 
dl» Trtodacte SsntksHMb 




Immnei â respeito àék e de seus filho?: Fe4o o AltissiiÉii 
possuidor da nobreza dos Homerius^ e YierSo estabelecer^ 
•e em Sanahaja , forilo Príncipes heróicos ^ e depois que clie^ 
garfo ao cumulo de todas as virtudes , veneeu-os o pudor, 
c cobriráo o semblante com ovéo. Kasceu lussof emopai^ 
de Sahara no anuo 400 ( 1005)^), e faleceu no anno 500 ^ 
tendo vivido cem annos ; e residia aa Mauriraaia , desda 

Sie o Príncipe Abu-Bacar , filho de Omar , o nomeou sett 
aliBi^ até que faleceu^ quarenta e sete annos, isto be, 
desde o annp 453 até ao anno ^oa O seu appelHdo era 
Abu-Iacob i e se intitulava Príncipe. Logo que elle exptt-< 
lou a Hespanha, e fea; a gazua de Zalaca (^), em que 
eos Akissimo ttit humilhon os Reis Christaos , o accla* 
mamo naqudie dia os Reis e potentados mohammetanos 
da Hespanha , que assistiráo com elle á mencionada ga* 
•zua em numero de treze^ e o saudarão Príncipe dos mos* 
selemanos; e íbi elle o primeiro dos Reis da Mauritânia, 
que se intitulou assim. No mesmo dta fbrâo expedidas 
cartas suas para o paiz da Mauritânia, c para a Hespanha 
a este resiperto, as quae» foi^o lidas sobre as tribunas das 
mesquitas , annunciando nella a batalha de Zalaca , e a 
grande, e assignatada victoria , que Deos lhe tinha concedi* 
do. Desde emâo renovou elfe o cunho da moeda , e gra* 
TOU nella a segolnre icgcnàs: Não ha senão btim Deosx 
Mobarnmed be envisÂo de Deos* lussof afilho de Taxefin^ 
Príncipe dormes selemams. No circulo: aqnelle que se- 
guir religião dinersm da mobammetana ^ de nenhuma sor- 
te Ibe será eila recebida \ e na outra vida será dotumC'- 
■TO dos eondemnadoi. No reverso ef?fa lepend^i ? O Príncipe 
Abdallãb^ Principi dos crentes Aba sida. No circulo a 
data » e o lugar, aonde foi conhada. Teve os seguintes fi« 



im) Zalaca y oa Cuala, 00 Zafa ^ eomo Hie thwmm o Arcebispo D; Kò» 

drigo, dista ck; Eadajoz ties, ou qeacro legoas. Ve-^se quç nesta Irata^ s« 

-iMÍtulotr lusuf PrincH^e dos mosselemanos , a qtta) foi em 479 ; mas D. 

Jo» Coadk d» %B» elk tonai» cilc tiuilo antes és passas i Uespítnluk cor 

4ita 



Ido»: Aly , s^unico^sor, Tatnini, Ab«*B2|car, Atnoizas^ 
•^ Ebnliim : c íilbas , Oím , e Raquia. 

Depais que Abu*Bacar o promoveu ao goveroo éã 
jM^auritaoia , t o incumbiu dos geus qegocios^ o qius aCon* 
leceu tt^ anpo 493 ( io6x ), 9eparou-9e deUe em Sagele» 
itiassa; e tendo chegado a Maluia^ passou rerista ás suas 
tropas^ e achou quarenta mil Ainionimdes, d^eotre osquaeg 
«scolhea estes quatro alcaides : Mohammed , <filhò. de Ta« 
mim , Jadalense, Omar, filho deSolaiman^Lametuoense^ 
Madraq Attalcati, e Sáír, filho deAbu-Bacar, LametuBeo» 
SC, a cada bum do6 quaes deu o comaaando de cinoo mil 
liomens da sua respeaiva tribu , e os mandou a diante de 
si a combater todos os bárbaros das tribus de Magraaa^ 
faferun, e outras > existentes na JMLauritania ; e elle mao- 
chou na sua* rectaguarda, atacando tribu depois de tribo, 
paiz depois de paiz, fugindo huns povos diante delle, re^ 
aistindonhe outros , e entrando outros debaixo da sua obe- 
diência até que venceu , e subjugou todo o .paiz. Proseguis 
a sua marcha para a cidade de Agmat; e tendo entrada 
fiella, casou com Zainab, que seu primo Abu^acar, fr- 
lho de Omar , tinha deixado , a qual foi o principio dm 
sua felicidade. Entrado o anno 4^4 (ro6i), vendo. lussof^ 
filho de Taxefin , consolidado o seu governo na Maurita* 
nia , e engrandecida, e celebrada a sua esclarecida fama, 
cuidou no mesmo anno em comprar o sitio da cidade de 
Marrocos á tribu de Mossameda a auem pertencia, cujp 
sitio elle habitou em gaimas de cabello (a) , e tratou de 
edificar a mesquita , e huma pequena alcáçova sem mura* 
lha para nella depozitar as suas riquezas, e armas (^). Prinr 

Ça) Gaima he huma espécie de barraca de tecido com cabelk) torcido , 
em que habitio os Árabes compestres; e slo amovíveis de huma parte pa- 
xá a outra em razão dos pastos, ou por oiltrús motivos de interesse. Conde 
no tom. II. pag. So diz , que Marrocos fora edificada por Abu-B»car , o que 
tilo he crivei , porque este partiu para Sábari nó annb 45 j ,' e no anno se? 
guinte he que lussou comprou o terreno pata elia. 

(éi) Segundo o que diz o autiuir neste lugar , parece nSo se poder dovâ- 
dar , que lussof , filho de Taxefin , fen .0 funskdor da cidade dé Marroco». 
Havendo pois D. Joze Conde extrahido desta mesma historia as ooticte «a 



t 



ft^nada â edificação da mesquita > diTega(iva*ie IusmF^ • 
preparava o barro, e' alvenaria para a inesisa junramenre 
com ot operários por humildade, e aba^rimento. Deos Ibe 
perdoe, e recompease as suas diligencias, c intenros. A 
parte de muralha, que lussof edifícou na cidade de Marro* 
cos, fot a do sitio conhecido pelo nome de Sur-algair^ 
tic fica ao nertc da mesquita Alcattbin ; e como na cída« 
nSa havia agoa *, tendo a gente escavado, a encontrou 
a pouca profundidade > e fíxou oella a sua residenciaé •Coiv» 
ser vou-se assim a dita cidade sem muralha , até que subii» 
ao throno seu Blbo Aly depois, delle, <^e a cditícou em 
ottfi meses no anno 52*6 ( 1 131 ). Tantbem cuidou depoia 
da sua composição e ediãcação o Priacipe do? mosselema* 
aos Abu-Iussof lacub Aimamor, filho de Abdelmumen, 
filho de Aly, Çumense, AImubiíden»eno> tempo do ,scureina*% 
do oa Mauritânia. Foi Marrocos desde a sua fundação a 
cArte, e capital dos Almora bidés < e Almubades até i dís«* 
sedução desta dynastia , porque então toroou a corte pí^ra a 
cidade de Fezu No mesmo anno 454 (loé^) formou lus-^ 
tof> efez levas de Soldados, nomeou novos alcaides, cocv* 
quístou muitos paizes, adoptou o uso de <artibores, ebaa^ ^ 
éeiras, rçaK>vett os governadores, usou de diplomas ^ for* 
tsou corpos de gozazes , e atiradores de settas y tudo f5to 
• fim de aterrar as tribus da Mauritânia ; e tendo comple^ 
tado hum eiercito de mais de cem mil homens destes , e 
daa tribus de Sanahaja , Jazub , Mossa meda , e de Zanata ^ 
partiu de Marrocos para a cidade de Fez. Havcndo-lhe 
sabido ao encontro as tribus; de Zauaga, Lamaia, Laua* 
la y Sadiaa , Sadrata , Moguila , Bahalula , Madiuna , e ou-* 



feipeítodot Afmarabkftrs , e éoi Atmubacits, ci>mf> ei)e confe!i5a no }Hrf»> 
wi» flb na hiitoifa, como he ponivef, qoo cllr ao corpo da natsnia liUtoria 
a p9g. So diga, que Abu-Facar^ antecessor de luvsef, fora o fiipHadnr de. 
Marreco»? c a pa^. S4 se contradiga, dizendo, que lussof fora o s-u hnàã- 
"^ ? sâo descuidk)9 desculpáveis a quem escreve sobre mare^Ms de 1.1) naiu^ 



tta9 em grande numero , c atacado-o ; depois de porSadd»' 
combates entre e!ie e as referidas tribus, fugirão estas dian- 
te delle , e lhe impedirão a entrada na cidade de Madm- 
nav mas a entrou á força , demoliu as fuas muralhas, de»- 
traiu-a, e matou neiU mais de quatro mil homens ,. donde 
partiu para a cidade de Fez , á qual po2 cerco , depois de 
ter erpugoado todo o seu termo , no mesmo aono de j[^^ 
Passados alguns dias , venceu o seu governador ; e- tendei 
morto, partiu para a cidade de Saíru , a qual tomou deas» 
salto no mesmo dia , matou os seus possuidores, filhos de 
Masaud Almagrauense , seus governadores , e voltou de- 
pois para Fez , a qual sitiou, até a conquistar noanno 4^; 
( 1063 ) ; e foi esta a primeira vez , que a ezpugnou* De- 
pois de se demorar nelia alguns dias , nomeou governador 
da mesma a hum Lametunense, esahtu para opaizdeGam- 
mara. Achando-se lussof ja distante delia , e internado no 

Saiz deGammara, aproximarâo-se da mesma os filhos de 
iloansar, filho de Hammád, introduziráo-se nella,e ma- 
tarão o governador , que lussof tinha deixado. Neste mes- 
mo anno acclamou Almahadi , filho de lussof Alcaznai, se- 
nhor do paiz de Maqnassa, a lussof, filho de Taxefin, e 
entrou debaixo da obediência dos Almorabides , ao qual 
lussof conservou no seu governo , ordenando que marchas- 
se com a sua tropa na sua vanguarda a combater as tribus 
da Mauritânia. Tendo Almahadi tratado de seapromptar, 
sahiu da cidade de Aussaja com a sua tropa -a incorporar* 
se com lussof, filho de Taxcfin. Informado disto Tamim, 
filho deMoansar Almagrauense, que se tinha levantado em 
Fez , e receoso que os Almorabides lhe ficassem superiores 
em força com este reforço , apressou-se , e sahiu contra el- 
le de Fez á frente das tropas de Magrauaua , c das tribus 
de Zanata; e tendo-o encontrado em hum certo caminho , 
houve entre elles hum porfiado combate , em que foi mor» 
to Almahadi , filho de lussof, e todas as suas tropas dis- 
persas; e enviou Tamim ^ filho de Moansar a sua cabeça 
a Saqra Barguatense ^ senhor de Ceuta. Tendo sido moc^ 



to Almahâdi , como as tropas dos Alcnora^ides continua* 
vâo na sua marcha , mandarão os (noradores das cidades de 
Maqnassa dar esta parte a lussof, filho de Texefin,.e 
lhe entregarão o paiz ; e depois de tomar posse delle , pio» 
seguirão os Almorabides contra Tamim , filho de Moan- 
sar , senhor de Fez , e fazendo incurs6es na sua comarca ^ 
o qual rendo que as cousas ^e aperta vão contra elle; que 
as nidigas se lhe prolongarão ; e que as agoas , prorisões , 
e mais soccorros raltavao em Fez , ajuntou hum exercito 
das tritnis de Magraua , e de Beni-Iafêrun , e sahiu á sua 
frente contra o exercito dos Almorabides ; e tendo Tamim 
sido derrotado , e morto com immensos <los seus, sncce« 
deu-lhe no gorerno de Fez Alçassem , ' filho de Mofaam« 
med j filho de Abderrahaman , filho de £brahim, filho de 
Mussa y filho de Abu-Lafia Zanatense , e depois Maqnas» 
sense, o qual uniu as tribus de Zanata , e saliiu com e!« 
las ao encontro do exercito ^s Almorabides , de çojos ca« 
valleiros matou grande multidão. Tendo chegado esta no* 
licia ao patz de Fazaz , aonde lussof , filho de Taxefin , 
se achava sitiando a fortaleza de Mahadi , logo elle par«* 
tiu, (deixando sobre eila a proseguir o sitio huma divi- 
são do seu exercito, a qual , passados nove mezes de sitio, 
a tomou por capitulação no anno 46$* (1072),) no an- 
no 45^6 ( 1063 ) <^<^^^^à Beni-Marassen j dos quaes então 
era Príncipe lalá , filho de I-ussof ; e tendo-os combatido, 
e morto ddles grande numero , «expognou a f nal o seu paiz , 
donde marchou para o paiz de Famdelaua, que igualmen- 
te expugnoii, e seguidamente o paiz deUarga , o que acon- 
teceu no anno 458 ( io6ç ). No anno 460 (toóy) con- 
uistou todo o paiz deGammara com as montmihas de Ri- 
até Tanger; e no annp 462 ( 1069 ) aproxiiiiou-^e á ci- 
dade de Fez, cercou-a com todo o seu exercito pondo-a 
em apertado sitio aré que a tomou \ por a^salro ^ na qual 
matou tanta gente das tribus de Magraua , lafcrun^ Ma- 
qnassa , e Zanata , que as praças, e mais lugares publicoai 
escava cheios de mortos: e mesmo nas mesquitas de Ga- 
ruio, e Andaluz matou mais detrez mil homens } eibi es* 

V 



% 



(mi 

td a segunda eipugna^o. (a) Os poucos que podoSo eseiH 
par fugirão para as visinhanças ae TelamessaOé Foi esta 
entrada de lussof em Fez no dia quinta feira segundo do 
mez de Jumaditaguir do mencionado anno 461, o qual 
logo que entrou ndla, a fortificou ^ e segurou; e ordenou^ 
que se demolisse a muralha , que separava os dous bairros , 
feduzindo-a a huma grande cidade. Cuidou , em mandar 
construir mesquitas ^ e compor os seus subúrbios , ruas^ e 
estradas. Se em alguma rua nâo encontrava mesc^ita , ar- 
guia os seus moradores, e ordena va-lhes , que a edificassem." 
Construiu banhos ^ hospedarias, e moinhos; e compoz, e 
ornou as suas praça s*^Tenâo^se conservado nell« até ao mez 
de Safar do anno 463 ( 1070 ) , sahiu para o paiz de Ma- 
luia, DO qual conquistou as fortalezas de Uatat. No anno 
seguinte mandou lussof chamar os principaes da Maurita^ 
oia,. e osXequea das tribuv de Zanata , mossameda, Gam- 
mara , e de todas as outras tribus dos bárbaros ^ os quaes 
tendo-se-lhe apresentado, e acdamado-o^ os vestiu todos ^ 
e distribuiu por elles dinheiros ; e depois sahiu com elles m 
recorrer todos os estados da Mauritânia , a fim de inqwrir 
da estado dos seus vassallos , e observar a sua oiarcha ^ 
e dos seus governadores, o qual por si mesmo compoz^ 
muitos dos negócios dos ditos vassallos. No anno 46^ 
( 1072) foi atacar a cidade de Addamna da comarca de 
Tanger, na qual entrou á ibrça; e expugnou o monte 
de Aludan. No antk> 467 ( 1074) expugnou as montanhas 
de Gaiata , de Beni-Macud , e de Benl-Rahina , matando 
0)ttit08 dos seus habitantes ; e neste mesmo anno distribuiu 
oa seus ^vernadores pelo paiz da Mauritânia , o que kr 
da maneira seguinte : nomeou a Baxar , filho de Bacar > pa* 
ra as cidades de Maqnassa, paiz de Maqlata, ede Fazaz^ 
a Omar , filho de Solaiman para a cidade de Fez , e sua Co- 
marca f a Daud filho de Aixa para Sagelemassa , e Daraa ; 

(#) Ytjê^ o qae diz Conde no tom. II. pag. $r) , c combine-fs com 
t> que fict aqui expendida No toou II. , pag» 94 do dito Conde ba tal cotk 
fuÀ na divizSo destes goveinoa , que parece inairel aer obn de tSo pmh- 



ca teu filho Tamim para as cidades de Agmat, eMam^ 

€08, para o paiz do Suz, e para todos oa paires de Mo*- 

aameda, Tamesaená, e Tadela. Tâmbem no mencionado 

anuo lhe escrereu" Almoatamad , filho de Abfbad , «enfaor 

de SerUba , persuadindo-o , que passasse i Hespanha a eoh 

prebenda a guerra sagrada , e auxiliar aqueUepai2; erespofH 

dendolhe lussof ser-lhe isso impraticável em ouanto naó es^ 

fivease senhor de Tanger , e Ceuta ^ tornou-Ihe o filho á% 

Abbad aconselhando^lne, que marchasse com as suas tio^ 

pas por terra sobre ellas , e que elle enviaria as suas gale^ 

tas para as cercarem por mar até elle se senhorear das mes^ 

mas , o que resolveu a lussof áquella empresa : ecom eífei* 

to tratou lussof no anno 470 (1077) oe atacar as referi^ 

das duas cidades , para o que mandou oseu Alcaide Sakbi 

filho de Amran com doze mil cavalleiros Almorabides , 4 

vinte mil das tribus de Zanata , e outras da Mainitaniâ | 

contra os quaes sahiu com as suas tropas, logo que dles sa 

avizinhai^ a Tanger, Al-hageb Saqra Barfiuaftnse , afi^^ 

ciSo venerando de oitenta e seis annos de idade, dizendo f 

por Deos , que os moradores de Ceuta ja mais h^de ou^ 

vir os tambores dos Lametunenses em quanto eu e^iver vivo j 

e tendo-se encontrado os dous exercitas junto do rio Msh 

ná , vizinho de Tanger , ateou-se o combate entre os. doitf 

exércitos, e foi mono Saqra, e o seu exercito desbatata*' 

do; e dirigindo-se os Almorabides para Tanger, entraiito 

fieila; mas ficou em Ceuta Alhageb Daiálduíá lahia, ^ 

lho de Saqra; e escreveu o Alcaide' Saleh, flho de Am^ 

ran, a lussof-, infi[>rmando-o da conquista. No anno 4711 

( 1079 ) mandou lussof filho de Taxefin o seu Alcaide 

Mazdaii combater a cidade de Tclamessan , o qual tendo 

marchado com vinte* mil Almorabides, a iuimllhou, ea 

bateu , e venceu a Maalá , filho do seu Príncipe latá , ao^ 

qual matou , donde regressou depois para seu amo , que foi 

encontrar na cidade de MarR)co5?. Entrado o anno 47^ 

(roSo) mudou lussof, filho de Taxefin , o cunho da moe* 

da em todos os seus estados, gravando nellc o seu noa>e;. 

e 00 mesmo anno expugnoa as cidades de Agressif^ eMr- 

V a 



iila com todo o paiz de Rife , assim como a cidade de 
Taqrir , que assolou , e não tornou depois a povoar^se,* 
Dirigiu-se depois lussof no anno seguinte para a cidade 
de Ugeda^ a qual conquistou^ assim como o paiz de Bem-* 
lazoaten, e suas immediaçóeç, donde marchou depois pa- 
ra a cidade de Telamessan, a qual expugnou ^ eigualmen* 
te a cidade deUahran (Orao) com as montanhas de Uan* 
zarix j e todos os estados de Xalf até Argel ; e regressou 
para Marrocos.^Tendo entrado nella no mez de RabiaMguir 
GO anno 47$* (io8z), recebeu aili carta de Almoatamad^ 
filho de Abbad , informândo-o nella do estado do paiz da 
Hespanha , e do inimigo se haver senhoreado da maior 
parte das suas fronteiras i pedindo«lhe o seu soccorro , e 
auxillb y ao qual lussof respondeu , que quando Deos lhe 
f ermittisse conquistar Ceuta » então 'se dirigiria alli , e em- 
pregaria todas as suas forças em combater o inimigo (a)m 
roeste mesmo anno sahiu Affooso orgulhoso à frente de 
iomimeravels tropas de Francezes , Biscainhos , Gallegos » 
t outros, com as quaes molestou o paiz de Hespanha , fa- 
zenda alto em cada buma das cidades ; e depois de a des« 
trair ^ assolar 9 matar, e captivar , passava a outra. Tendo 
cercado Sevilha , e conservado-se sobre ella trez dias^ de- 
vastou , e estragou os seus subúrbios , è destruiu do lado 
oriental muitas povoaçòes ^ e o mesmo praticou em Sido* 
nia e seu tern[K>) donde proseguiu a sua marcha; e tendo 
, chegado i ilha de Tarifa , entrou no mar montado no seu 
cavallo , e disse : este he o extremo do paiz da Hespanha : 
*ja o calquei pois com os pés. Tendo voltado depois para 
a cidade de Saragoça , acampou-se junto delta > e a sitiou y 
'jurando , que nSo se ausentaria delia , sem que a tomasse, 
ou que a morte impedisse o seu dezejo; e havendo-lhe maiw 
dado oSêrecer o seu Príncipe Almostain , filho de Hud ^ 
grande somma de dinheiro ,. não a quiz receber, elharecam- 

C') A' vista disto csti conbeckfo ser supposta acarta de D. AfTonsaVL^ 
cscripta a lussoF para qae viesse auxiliar aonlho de Abbad (Eeoabbad) con^ 
tra ot outros tegulos motHunnaetaiioi » como dizem vatioi esaiptores Hfl>» 



hioá , dizendo : o dinheiro ^ e o paiz ^ Meus. Teâdo 
mandado contra cada buma das metrópoles da Hespanht 
hum exercito para as estreitar, e sitiar í e senhoreado^se da 
cidade de Toledo no aono 477 (1084) > ^^go 9f^ os Prin* 
cipesy e Chefes mòhammetanos obseryaiao isto , concorda** 
râo em proiâover a passagem de lussof , filho de Taxeíiii^ 
ao qual todos escreverão , pedindo^lhe auxilio , e soccorro 
para a expulsão do inim^igo do seu paiz , unindo*se todos 
para a guerra sagrada. Logo qúe chegarão a lussof as ditas 
cartas implorando o $fiú auxilio em ajuda dos mosselema* 
nos para expulsarem o immtgo do seu paiz, mandou seu fi* 
lho Almoazze com hum exercito contra Ceuta > o qual 
tendo*se acampado junto ddla , estreitado-a ^ e sitiado^a , 
a conquistou no mesmo anno, do que deu parte a seu p^l^ 
que se achava em Fez , cuidando em .preparar-se para a 
guerra « e em convocar para ella as tribus dos Árabes , cu- 
ja participação lhe foi tão fgradavel, que sepoz immedia* 
tajnente em marcha para adita cidade, para embarcar del- 
ia para Hespanha. Logo que Almoatamad (a) iilho de 
Aboad , viu AíFonso senhor de Toledo e da sua comarca , 
e sitiando Saragoça , e ouviu , que lussof tinha expugnado 
Ceuta, embarcou, e passou á Mauritânia para mais mo- 
ver a lussof i e tendo-o encontrado defronte de Taijgerem 
hum sitio chamado Balita , que fica trez jornadas distante' 
de Ceuta , e informado-o do estado da Hespanha , da gran- 
de consternação, susto, e abatimento, em que se achava , 
da mortandade, capti^eiro, e aperto, em que Affon^o ti- 
nha posto os mosselcmanos, da força do seu exercito, e da 
brevidade da sua entrada cm Saragova , lhe respondeu lus- 
sof: volta para o teu paiz, e cuida de apromptar-tc , por- 
que eu vou , querendb Deos , após de ti. Tendo Almoata« 
mad regressado para a Hespanha, entrou lussof em Ceu- 
ta, e cuidou de a ^pacificar, e compor as suas embarca- 
ções. Tendo-se-lhe vindo alli incorporar os exércitos, e 
multidão de gentes dcSahara , do paiz meridional, de Zab , 



« 



^). Coode tioca ó ncane ét AliiioaUdis<i<m MuiKikn^ 



• das tríbus da Mauritânia, cuidou noieu embarque part 
a Hespanha , deque embarcou hum sem numeco, concluído 
o qual , e desembarcados os guerreiros nas praias de Alge* 
zíras , passou elle depois acompanhado de hum grande exer* 
cito de Alcaides , e de ferres e firtuosos Atmorabides » o 
qual , logo que embarcou , parou sobre a coberta da em* 
barcaçâo y levantou as mãos ao Ceo , e invocou a Deoa Al* 
tissimo , dizendo : meu Deos : Vós sabeis , se esta minht 
passagem he para bem, e beneficio dos mossriemanos: a 
ser assim, facilitai-me a passagem do mar; mas seoáo he, 
impedí-ma. Foi com effeito elTa a mais breve , que podia 
ser i pois tendo embarcado no dia <juinta feira ás onze do 
dia em o meado do mez de Rabial-áual do anno 4751 
( 1086) , foi ainda celebrar em Algeziras a oração de 2)^ 
ior , (he esta entre o meio dia e a huma hora), aonde o 
veiu encontrar Almoatamad com todos os Príncipes, eChe« 
fes da Hespanha. Chegada esta noticia a Affbnso, partiu 
de Saragoça ao encontro do Príncipe dos mosselemanos 
lussof , filho de Taxefin. 

CAPITULO XXXVII. . 

Reléifão da passagem do Príncipe dos mosselemanos 

lussof y filho de Taxefin , d Hespanha a emprebén- 

der a guerra santa , e da batalha de Zalaca^ 



L 



060 que o Principe dos mosselemanos lussof, diz o 
author, fez passar os exércitos dos mosselemanos a diante 
de si para a guerra santa , e desembarcarão na praia de Al- 
geziras, passou após delles, ao qual vierâo encontrar oá 
Reis mohammetanos da Hespanha , transportados de aIo« 
gria com a sua vinda. Informado AfTonso também delia , 
estando sitiando Saragoça , esmoreceu, e perdeu o animo; 
e tendo dalli partido, mandou chamar o filho de Rami- 
ro {a) , que se achava sobre a cidade de Tortoza , e m 

(«) O fiiiio de Rtmiro ho a SanchOt Re« do Antf^ 



AibarhatMx (a} ,, que sitiava Valência , os oiaM vier^ eoni 
os seus exércitos ^ e se unirão com elle. Expediu tamben» 
oriiens para os paizes deCastella , Galliza /e Baiona , doii-> 
de se lhe veio apresentar hum sem numero de Christâos. 
Logo que se ajuntarão a ÂflTonso os exércitos dos infiéis , 
e se lhe apt'eseDtarâo as suas turbas , partiu ao encontro de 
lussof , e dos seus exércitos \ e este partiu igualmente de 
Algeziras ^ diri^indo-se a elle ^ hindo na sua vanguarda Ábu^ 
Solaiman Daua, filho d« Âixá^commandandadeí mil ca« 
^alleiros^ dos Almorabidjss ; e a diante deste Almoatamad, 
filho de Abbad ^ e os maia Príncipes de Hespanha com os 
seut exércitos » que erão Damaden ^ senhor de Almeria ^ 
Abu-Habbuce , senhor de Granada , Ben-^Mosselama , senhor 
de Sagar-^AIaali , Ben-DaiMin, Ben^^AIaftax > e Benu-Garm*, 
aos quaes ordeliou lussof, que estivessem com A Imoa ta«^ 
mad , e formassem hum exercko, sendtf aquelle o comman^ 
dante V ^ que os Almorabidcs formassem outro: e prose- 
guirao a sua marcha com tal ordem y qiie duando o exerci- 
ta de Almoraamad» e mais Príncipes de Hespanha levan-* 
tava o seu arraial para outro lugar , vinha ani acampar-sc 
Ittssof com o s^u exercito: e nesta ordem fbi^ matchan* 
do até chegarem i cidade de Tortoza , na quâ^l se demora^ 
rão trez dias, donde Jussòf, filho de Tsexefiij , escreveu 9 
AflTonso convidando-o a pagar-lhe tributo^ oh á batalha, 
ou a abrasar o mohammetismo. Tanto qtie elle recebtti es* 
ta carta , encbeu-se de cólera ^ cnirou-lhe a sobcrha , e res- 
pondeu ao mensageiro da mesma: dize ao Príncipe, que 
nâo SC incommode, que en o procurarei. Tendo ambos pro- 
seguido a SU2I nvarcha até ás vizinhanç?T« deBadajrtz, acam*^ 
pGHi-se lussof em o higar, chamado Zaiaca da cmnarca de 
Badajoz, e Almoatamad com os mais Príncipes em outro 
«ilio, mediando entre o exercito de lussòf, e o de Almoa«« 
Mmad hum outeiro, que os fazia mais respeitáveis, e te* 
snidos do inimigo; e a<:h3udo-^e Afifbnso acampado junto 
de Badajoz, loediandò somente entre este e aquelles o ríò 

|í^ JÚkÊAmtam m» a Stecío, Rei ck I^ranit 



( t^ ) 

àn mesma cidade, do qual todos bebiâo. Tendo hsijdo 
por espaço detrez dias continuadas mensasens entre lussof, 
e AíFonso sobre o dia para se dar a batalha , e concorda* 
do-se, que fosse >ia segunda feira vinte quatro do mez de 
Rageb do anno 479 ( 1086 ) , mandou Almoatamad , Rei 
de Sevilha , dizer logo a lussof , que estivesse preparado, 
e prompto para a pelga, porque o inimigo era asnito, e 
sagaz na arte da guerra. Chegada a noute de quinta feira 
dez do dito mez preparou-se Almoatamad para a batalha » 
pondo em ordem as suas tropas , ^e destacou alguns dos 
' seus valerosos cavalldros para hum elevado monte, don- 
de podessem observar os movimentos dos exerciíos doa Cfaiis- 
doB i e trazerem-lhe a noticia do que divisassem ; e coo- 
servou-se toda aquella noute á lerta. Âchando-se ao romper 
da aurora do dia sexta feira na ultima iocUnaçSo da ora- 
Ao de prima 1 e ja no prindpio desta , aproximaTâo^ 
lelle os sobreditos cavalleiros , e o informarão de haver o 
inimigo marchado á semelhança de nuvens de gafanhotos 
contra os mosaelemanos. Mandou ímmediaumente fazer q^ 
ta participação a lussof, filho de Taxefin, que ja estava 
prompto para a pdeja , por se ter occupado coda aq&ella 
noute em dispor os seus batalhões, não tendo dormido 
nella pessoa alguma em o seu acampamento , o qual eo- 



t 



i 



viou logo por sua vigia o seu victoríoso Alcaide Daud , fi- 
lho de AiiSi varilo sem igual na pdeja, assim no valora 
como no animo, e intrepidez, com huma graiíde divisão de 
voluntários , e dos príncipaes magnates dos Almorabides. 

Tinha Affbnso o scy exercito dividido em dous cor- 
pos ) com hum dos quaes elle partiu contra o Príncipe ôos 
mo^selemanos ; e tendo cabido sobre a divisão , commanda- 
da pelo dito Daud , houve entre auSbos hum porfiado com- 
bate p no qual os Àlmorabides se portarão heroicaniente, 
t com o maior loffrimemo, nSo olêtante te-Ios o inimigo 
atropelado com a muItldSo dassoas tropas, chagando qua- 
ii a dcftrul-lof » e este combate foi tão dtspoudo y que as 
tapadas «« dcspedaçarlo^ e as lanças se quebraiSou A ou- 

' viado do cxef clro de Àifooeo ^ oomoiandada pdos Reis 



( í6i ) 

de Aragão , e Navarra y marchou contra o acampamento 
de Âlmoatamad ; t tendo-o involvido , e pqstô em confii* 
são 9 principiarão oa Príncipes mohammetanos dcHespanha 
a fi^ir para as partes de Badajoz , excepto o fillio de Ab- 
bad (a) , ^ae permaneceu firme com a sua tropa , o qual 
combateu rigorosamente , e supportou com honrado sofiri* 
mento o ataque dos abatidos , e cobardes. 

Tendo constado a lussof , que as tropas dos Príncipes 
deHespanha comi nua vão a fugir derrotadas, eque Âlmoa- 
tamad , e Daud , filho de Aixa , supporta^lo com firmeza 
o combate , mandou soccorre-los pelo seu Alcaide Sairí^ fi« 
lho de Abu-Bacar, que estava com elle, com as tribus tios 
Árabes , e com as dos bárbaros de Zanata , Mòssamieda ^ 
Gammara , -e todas as mais ^ e elle marchou com os Almo- 
rabides de Lametuna, e das tribus de Sanabaja, dirigindo- 
se para e acampamento de Ailbaso i c tendo-o acomettido 
ao tempo , que A^bnso estava combatendo com Daud ^ fi- 
lho de Aixa , poz-lhe o fisgo , queimou-o y e matou parte 
dos valerosos guerreiros , que AíFonso tinha deixado de guar- 
da ao mesmo , e fugiu o resto a unir-sc com elle, bindo 
jio seu alcance o Príncipe dos mosselen^anos com a sua re- 
taguarda com os stfus tambores , e estandartes , e hindo 
a diante delle os Almorabides molestando os infiéis , e en-r 
sopando no seu sangue as suas espadas. Tendo Afibnso per- 
guntado qiie era^áquillo; e sido informado da queima do seu 
arraial, da morte dos seus defensores, ecaptÍA^eiro dos seus 
companheiros, voltou a cara a combate-lo: e moveado- 
se o Principe dos mosselemanos contra elle, derâo-se entre 
elles tantos e taes combates , como nunca se ouvirão. An*' 
dava o Príncipe dos mosselemanos entre a r>etaguarda do 
seu exercitomontadoemhuma cgoaexhorcando^ iaflauunan-' 

X 



CO D. Rodrigo Ximenes, Arcebispo de Toledo^ na sua ht»totit do» 
Árabes charna-Hie Mahornet Abenhahet, e outros hhtociadores Hrspanhoes 
chamío-lhe Cenabet. Huns e otitrot lhe cononr^^m o nome, p^^iquc o seu 
verdadeiro nome era Moatamad, Beo-AUmd, isto lie^ filho de Abbad, co- 
mo eu tenho traduzida « 



'• 



do , > animando 6t leus ao combate, dizendo: tiv^oit* 
fal} ó moãsclettianòs , a pekja contra os iniieis, iirimígos àé 
Deos 5 porque dqUell« tfcntre vós^ que feceberem útMTty^ 
fio, alcançarão o paraíso;' e os que ficarem salvos, terâd 
kum grande premio, -e o despojo: c com eíFerto peleja* 
fâo os mosselemános naqueile dia, cotno^quení procaravt 
o martyrio , cdczejava a morte. Não sabendo AtmcfóCatnad 
éòthosseirs co«iipanhciros, que tiflhfto pefmanecido Brmes» 
c que ja tinhão perdido a esperança de viver , o que era fsP* 
aaoo , qaando observarão, que os Christaos fugião ertircti-» 
rada, pensando que dle^ tinhâo sido os que os obrigarSia 
á issO, disse aos seus! carregai sObre os inimigos de Deos; 
t tendo-o elles assim executado, e iguálmeme o Alcaide 
Sairi, filho dé Abu-Bacar, com os que se achávão oom 
elle dás triblis dos Árabes , é de Zanàta , Mossameda , a 
Gammara, cotitinuou a derrota dos Cbristâos ; e tendo retro^ 
cedido a divizâo dos mosselemanos, que tinha íbgido pa^^ 
ta a parte de Badajoz , logo que teve noticia de haver ú 
Príncipe dos mosselemanos ganhado a victoria, eque pfose-^ 
guião as gentes humas apoz das outras , foi o combate eiM 
tão cada vez mais desesperado sobre AíFonso até e^e ea^ 
tar certo da sua perdição , o qual não cessou àté ao pôt 
do sol. Logo que Aímnso vlti apróXimar-sé átDoute ; qa# 
a maior parte do seu exercito tinha sido morta ; o Èomi^ 
mento tios Al mora bidés , a boa vontade dos mo^eledii'* 
nos nos combates; eque lhe não era possível bate-loa, 
fugiu precipitadamente por sitios sem caminho comqainhen^ 
tos cavalleiros , sobre os quaes oa Almorabides hiâo dea^ 
carregando suas espadas, e matando nelles por campos, é 
valles, sobrevindo-Ihes inopfnadamente a fatal morte até 
que as trevas da noute os separou. Pernoutarao os mosse» 
lemanos aquella noute sobre os seus cavallos matando, 
captivando, apresando, e dando graças a Deos pelos be^ 
Deíicios , que lhes fez, até que amanheceu ; e então fizerao 
a oração no meio dos mortos. Foi esta derrota a mais fa- 
mosa , por morrerem nella os Reis dos associadores , e os 
aeus valerosos, e intrépidos guerreiros^ nao escapando dei?*- 



( i<3 ) 
Uê tenSo o iMldito AlR)nso gravemente ferido com hum 
esquadrão de cavalkiros em igunl estado, que erão quaai 
quinhentos, dos auaes morrerão no caminho quatrpcentos ^ 
ehtrando em Toledo somente com cem. Aconteceu esta 
abençoada, derrota no dia Sexta feira ti do mez d^ R^a* 
geb do anno 479 ( 1086 ) , tendo sido martyrizados na 
mencionada batalha perto de trez mil. mosselemanos , aos 
qua«i Deos anticipou b^jma honesta e decorosa morte , gra* 
▼ada , e assignalada com o martyrio. Tendo o Príncipe 
doe flUMselemanos ordenado , que se cortasseov as cabeçat 
dos Christãos, que tinhão morrido, e ajuntado-se delias 
diante dell^ hum grande monte, mandou dez mil \para^ca« 
da huma das seguintes cidades : Córdoba , Sevilha, Valên- 
cia, Saragoça, eMurcia; epara a Mauritânia quatro mil, 
que fbrâo repartidas pelas ciaades, para os povos as verem ^ 
e darem graças a Deos por tal viaoria , e beneficlos al- 
cançados. 

Sendo o numeno dos Chrlstâos de oitenta mil de aaval- 
lo, e duzenios mil de pé, segundo se conta, não escapa^» 
fâo sei^ A&nso com cem de cavallo, aviltando, e aDj|<* 
tendo Deos desta maneira os assodadores , sem terem po- 
dido levantar cabeça quasi por espaço de sessenta annos. 
Foi no dia desta batalha, qne lussof, filho de Taxeíin» 
tomou o fitiilo de Príncipe dos mosselemanos, com que até 
ancâo ae nâo tinha intitulado; e que Deos Âltissiipo mani- 
festou o mohammetismo ^ e engrandeceu , e amoii o seu povo* 

Escreveu o Príncipe dos mosselemanos para a Mauri* 
tania , e a Tamim, filho de Almoazze, e senhor de Me- 
dina, dando parte da conquista, e houve ff sras em todos 
es paizes da Efríquia , Maurítania , e Hcí^panha. Uniu-se 
o mobammexismo no mesmo sentimento , e repartirão as 
gentes esmolas , e derSo liberdade aos escravos em ac(^o 
de graças a Deos Âlri^.simo ^or táo assignalados e com- 
pletos benefícios, (a) 

X 2 ' 

. (ji) Se he v^erdade , corno supponÍx>, o. que se tem iianaio neste capi* 



( í^4 ) 

♦ _ • * 

Eis aqui hum dos períodos da carta , que o Príncifie 
dos mosselemanos lussof , filho de Taxefin, escreveu para 
a Mauritânia. 

Depois de dar louvor a Deos Altíssimo , amparo do 
povo, sequaz da Lei, que lhe agradou dar-lhe; e de orar, 
c saudar a nosso senhor Mohammed , o mais excellence 
dos seus enviados, e o mais distlncto das suas creaturas, 
continua: Logo que nos aproximámos do tyranno, nosso 
inimigo, ao qual Deos amaldiçoe, e nos achámos na sua 
frente, o convidámos a abraçar o mohammet ismo , ou« 
pagar-nos tributo, ou ao combate; e tendo preferido este, 

Í principiámos a tratar sobre $cr o encontro no dia Segunda 
eira quinze de Rageb , por elle lembrar , que o dia oexta 
feira era festivo para os mosselemanos , oSabbado para os 
judeos , de que aiaia ter grande multidão no seu exercito, 
e o Domingo para os ChristSos ; e nesta intetligencia nos 
separámos ; mas o maldito deu demonstrações ae obrar o 
contrario do que tínhamos ajustado. Tendo nós- sabido, 
que esta gente era enganadora , e mobservante das estipa- 
laçòes, principiámos a preparar-nos para o combate; elhe 
posemos espias , para nos virem informar dos seus movi- 
mentos. Tendo-nos estas vindo annunciar ao romper da 
aurora do dia Sexta feira , que osinimigo» tinhâo marcha- 
do contra os mosselemanos , parecendo-lbes , que naquclle 
momento encontravâo occaziâo opportuna, enviámos con- 
tra etles os valentes mosselemanos, e guerreiros cavalleirost 
os quaes os jantaiáo , e ceãráo antes de sereoi horas de jaíir 



tulo tobie as Instancias dos Plriíicijses mosseleminos <b Hespanha, feiras a 
tusíof , parar os vir auxiliar contra El Rei Dl Affonso, acerca da passagem 
de Moatamad Rei de Sévilfisr á Mauritânia a represenrar-lbe o abatimento 
dos Riosselenumos , a que o mesmo D. Affonso os havia redusido ^ para o 
commover á prompt» paisagem para Hespanha em seu au«i!io, e de ter a 
dito Almoatamad sido encarregado do commando de hum exercito oa batalha 
de Zaiaca , parece que se devem reputar huns romatices fabulosos o qtie di- 
zem 08 historiadores Hespanhoet acerca do casamento de Affonso com ZaW 
da, e da carta, que elles dizem escrevera este alussof , para que viesse au«^ 
xiliar a seu supposto sogro Almoatamad contra os oatun régulos âe Hespa- 
oba. 



tar, e de cear, lançando-se os exércitos dos mosselemanos 
sobre elles á maneira do arremesso do falcão sobre a soa 
presa, e do leáo sobre a sua preá; e nós marchámos .con^ 
tra Afibnso com^ o nosso feliz e victorioso estandarte desen* 
rolado á frente das tropas Lametunenses. Logo que os as- 
sociadores olharão para o dito estandarte, e repararão para 
os nossos exércitos victoriosos, e abençoados , posto que os 
ttffuscasse o resplandor das folhas das suas espadas , e os 
assombrassem as nuvens das lanças, e o estrondo dostam** 
bores fizesse estremecer as pernas dos seus cavallos , assim 
meamo accometterSo impetuosamente com Affbnso, seu 
Soberano i ma$ sahirSo-lhes ao encontro os Almorabides 
com sinceros desejoa, e sentimentos elevados; e tendo as- 
soprado com vehemencia o vento da peleja , e continuado 
incessantemente as espadas e as lanças a ferir, e trespassar^ 
e a correrem naquella confuzâo torrentes de sangue^ fez bai- 
xar Deos do Qo a estimada victoría , e a alegria , e vol- 
tou Affbnso as costas , trespassado de huma ferida em hu- 
ma perna , acompanhado somente de <juinhentos cavallei- 
ros , relíquias dos duzentos e oitenta mil, de que constava 
o seu exercitQ , que Deos tinha conduzido para a perdição , 
e apressada morte, salvando-se Affbnso em hum monte, 
donde observou o saque, e o incêndio que lançava faiscas 
no seu arraial, sem achar consolação, por não o poder re- 
bater , nem dar-lhe auxilio ; e por isso principiou a dar 
lis , e suspiros , esperando salvar^se nas trevas da noute. (a) 
Permaneceu firme o Príncipe dos mosselemanos no 
meio dos seus vicroríosos cavalleiros i sombra dos seus 
estandartes desenrolados , victorioso , e abundante de des- 
pojos, dando graças a Deos Altíssimo, pelo beneficio de 
ter conseguido o que procurava , e desejava , o qual permit- 
tiu os saques nos acampamentos, a destruição das suas cbras, 
c espoliação dos seus thezouros , para que se vi^se clara- 
mente a sua perdição , o que Affcnso observava com a vis- 

(#} r»t-9e digno óc reparo i \ista cia ^re<fente ((eK^ipiáo, que o< 
• <^tho teA Hespanhoes n coountem cm dizer , que os Cluiiièos íiuiâo venci- 
é€ê na haiaUí» de Zalacii ou Ca<;a)la^ e nada nsaisL 



ca tumdfl , tpordendo òs extremos dos deciòs ^e ira ^ e <)or* 
Os Chefes mosselcmanos , que tinhâo continuado a fbgirpa* 
fá as partes de Badajoz, e a retirar-sè para as cavernas^ 
voltarão corridos de pejo, dosquaes permaneceu fírme unU 
camente o seu maioral Abu-Alcasséni Âlmoatamad, filho 
de Abbad , o.qiiat se dirigiu ao Príncipe dos mosselemanot 
com buma mão deslocada y e enfermo das feridas , que ver« 
tiáo sangue, e o congratulou pela insigne yictoria^ e fa<> 
cnosas acções que obrarão. 

Aflfbnso recirou*se escondidamente ao abrigo das tre^ 
v^s sem socegar, nem dormir; e tendo-lhe morrido no ca* 
sninho quatrocentos cavalleiros dos quinhentos^ que o acom« 
panhavâo , entrou em Toledo unicamente com cem. Seja 
I>eos louvado por tantos benefícios: Aconteceu esta incom» 
paravel graça , e inestimável beneficio na Sexta feira doze 
do mez de Rageb do anno 479 (1086), que corresponde 
a vinte e trez de Outubro da era Christâ (a). 

O íilho de Allabana ei^pressa-se a este respeito da 
maneira seguinte : o dia de Sexta feira era o dia da ceie» 
braçâo das festas Meccanas; e tendo eu estado presente » 
cpmpete-me fazer a sua narração. 

Eis aqui como se expressarão muitos magnates :. aâo 
conhecerão os Chrjstãos, quando velu a terrível destruição, 
que a Sexta feira era o dia dos Árabes? 

Não houve entre os chefes da Hespanha , que estivei 
rão presentes á batalha de Zaiaca , quem se destingtâssc 
nella,e que por isso se louve, descreva, e mereça ser menr 
cionado, senão o filho de Abbad, e alguns do seu exerci- 
to, porque permaneceu firme, e sofireu com resignação, 
tendo sido sete vezes ferido. A este respeito dizia ellc fsth 
landò a seu filho Abu-Haxem : auebrantarão-me os fios das 
espadas ; para o que Deos me deu paciência ; e tend6-ma 
lembrado da tua pessoa , não me enfraqueceu a sua memo» 
ria , e inquirição, Havendo chegado noticia ao Principe 

■■ I I !■ ■ I ■ ■ , I II ■■■ — ■■ . ,.,,., 

(«) O author enganou-se, porque tendo principiado o anno 479 da hé- 
gira em j^ de Abril de 10S6 , e sendo o mez de Rageb o 7/ do dito ai^ 
Hdi^ deve corresponder a 6 ou 7 de Novembro ^ c oio t ai de Outubca * 



( i«7 ) 
dot mosselenianos naquelle mesmo dia do falecimento de 
seu filho Abu-Bâcar , que tinha deixado enfermo em Ceu« 
tt, teve disso sentimento, e por esta razão marchou de 
?olta para a Mauritânia, porque a náo ser isso, ainda 
MO regressava* Tendo entrado em Marrocos , e conserva^^» 
do-se nelia até ao anno 4^ (1087), sahiu no mez de 
Rabial-águir do mesmo anno a recorrer o paiz da Maurita-* 
aia , a fim de inquirir o estado de seus vassallos, observar, 
e inspeccionar os interesses dos mosselemanas , e perguntai 
peia conducca dos governadores , e Cádis do paiz. 



o 



CAPITULO XXXVIIL 

segunda passagem de lussefy filbo de Taxe^ 
fin d Hespanha no anno segninu. 



motivo desta passagem foi por Aflbnso, depois de 
derrotado , e ferido , e o seu exercito morto , ter cuidado 
de guarnecer o castello de Lobit {a) de tropas de cavalla* 
ria , e infantaria , e ordenádo-Ihes , que delle físessem incur- 
86e8 DOS confins do paiz do filho àè Abbad com preferen* 
cie a todo o outro paiz da Hespanha , por elie ter sido a 
cauta da passagem do Principe dos mosselemanos lussof á- 
Hespanha , o que diariamente executavao, matando, e ca- 
ptivando, como se fosse bum preceito, a que se tivessem 
obrigado , o que desgostava , eaffigia sobre maneira ao fi- 
lho de Abbad. Tendo este visto a perseverança da dita 
guarni'^âo, passou á Mauritania^a encontrar-se com lussof; 
e havendo-o encontrado em Mamora , povoação situada na 
embocadura do rio Sebu , {b) se lhe queixou a respeito da 
guarnição da referida fortaleza pelos grandes, prejuízos, que 
causava aos mosselemanos , pedindo-lhe ao mesmo tempo 

(0} U Jo7e Gmde cbamt*lb(; na sua historia castelto de Alid , situado 
oa Conuica de lorca. 

(i) Conde chama-H.e erradamei.te Stlue Vid.'p*?' M? » U- tom., on» 
de faz mençáo k\ç vrzn^e nutrtcro de régulos, que íe lhe vicrÃo unir, o 
yfHt he contiaTlo ;o ^ue aoui 5C conta. 



( TÍ9 ) 

o sai auxilio contra ella^ e tendo-lho Iu!Mf promettido'| 
voltou o fílho de Abbad , ao qual seguiu lussor , e embar^ 
cou de Alçaçar para Algeziras, aoisde Almoatatnad o vein 
encontrar com mil cargas de proYisães para o hospedar. 
Tanto que lussof desembarcou em Âlgeziras , escreveu da« 
hi. aos Príncipes mohammetanos da Uespanha, convidao^ 
do-os á guerra sagrada , e dizendo-lhes^ que o lugar da união 
bavia ser sobre o dito castelio. Movcu-se depois lussof de 
Algeziras no iqez de Rabial-áual do anno 48 1 ( 1088 ) 
e cercou o mencionado castelio ; ma& nâo se lhe tendo vín« 
do incorporar dos Príncipes mosselemanos da Hespanha se 
nâo o filho de Abbad ^ e AbJelaaziz , senhor de jMurcia , 
principiarão a combater, e estreitar o castelio, e lussof a 
molestar diariamente com incursões o paiz dos Christaos. 
Tendo durado o sitio do castelio por espaço de quatro me- 
zes y sem afrouxar nem de dia , nem de noute , até chmr 
a estacão do inverno, e havido questòes entre Abdelaaziz, 
eb filho de Abbad, queixou*se es^e contra aquelle ao Prín- 
cipe dos mosselemanos, o qual ordenou ao seu Alcaide 
Sair, filho de Âbu-Bacar, que prendesse a Abdelaaziz. As- 
sim o cumpriu ; e o entregou com grilhões aos. pés ao filho 
de Abbad, o que foi motivo de revolta no acampamento, 
e de se retirarem delle os Alcaides de Abdelaziz com o «eu 
exercito , por cuja razão cortarão as provizòes , e se seguiu 
a fome no mesmo acampamento^ Logo que 'Aflbnso obser- 
vou isto , preparou-se , e marchou em soccorro do sobredi- 
to castelio , para onde escreveu fazendo esta participação, 
lussof passou a Lorca , e depois a Almeria , donde 
embarcou para a Mauritânia , exasperado contra os Prínci- 
pes mohammetanos da Hespanha , por nenhum ter vindo 
cercar o mencionado castelio , como lhes tinha escripto. 
Logo que lussof se moveu delle , e passou á Mauritânia ^ 
aproximou-se AíFonso , e o evacuou , fazendo sahir o resto 
dos Christãos , aue tinhão escapado das garras da morte ^ 
e partiu para Toledo, do qual castelio se apossou o filho 
de Abbad, depois da sua evacuação, e de terem fenecido 
nelle com a mortandade, e fome os seus habitanteai não 



obstante existirem alli, quando lussof o cercou, doze mit 
combatentes , não contando as mulheres , e crianças ^ de 

Siue só escaparão cem homens , que forâo os que Àffi>uso 
ez sahir , quando o evacuou. 

Tendo lussof permanecido na Mauritânia até ao anno 
483 ( 1090 ) y tornou ' a voltar á Hespanha a emprehender 
a guerra santa. 



L 



CAPITULO XXXIX. 

Da terceira passagem âé lussof^ filha de Taxefin y 
ã Hespanha a praseguir a guerra sagrada. 



OQO que lussof verificou a sua passagem , marchou oam 
direcção a Toledo 9 na qual se achava Affbnso; e tendo-a 
sitiado, e consumido, cortado os fiuaos , devastado o seu 
termo, matado, ccaptivado, sem que se lhe viesse apre*- 
sentar hum sá dos Príncipes mohammetanos da Hespanha , 
nem tivesse com elle atenção alguma , escandeceu-se de tal 
procedimento; e logo que voltou do combate de Toledo , 
marchou para Granada , de que era senhor Abdallah , filho 
de Balquin , filho de Badis , filho de Habbusse , que se ti* 
nha aliado com Âffòoso contra lussof, enviado-lhe dinhei« 
ros, e occupado«se em fortificar o seu paiz; e a cercou. A 
este propósito dizião alguns pòliticos daquelle século : edi- 
fica para sua mesma perdição á maneira do bixo da seda : 
deixai-o edificar, que elle saberá , quando ^vier o poder do 
poderoso. 

Tanto que lussof chegou a Granada « fortificou-se Bal-. 
quin, senhor da mesma , contra elle, e fechou-lhe as por- 
tas da cidade na cara {a\ Tendo-o o PritKipe dos mosse- 
lemanos sitiado por espaço de dous mezes ; tanto que Bal-. 
quin viu que o sitio se demorava tanto sobre elle, mandou- 

Y 

ftf) No tom. II. pasT. 161 diz Conde, cjuc Bal^iii recíbera» c tiospeâ«- 
la a Beo Taxeiin benignamente era Granada^ mas acacscenu que ouciOB 
dizem o coocrario, i^co lie, o qve aqui se refeic. 



(17*) 

mo rnino dominarão os* Altnarábides' a cidade de G)ria; e 
no mez de Xaual entrou o Alcaide Daud , ãjho de Âixá ^ 
ma cidade de Murcia, e seus:e8Çado$ , do ^uf. fez scieme o 
Principe dos mosselemanos : ecomo D^ud era varão Justo e 
igual nas suas deliberaçiSes^ ^ virtuoso y etesnentie a DeoS ; pois 
nao praticava contra elle. maldades merecedoras de reprenén* 
<sâo ; por isso o amavâo olipovos. No mesmo, anno partiu 
,o Alcaide Mohammed, íilho de Aixa com hum exercito de 
Almorabides ; e tendo .cercado Almeria , fugiu delia Moáz* 
ze-Addu)a ^ filho de Samadeh , senhor da mesma , por mar 
^om a sua família, e riquezas parada Eínquia; e entre- 
gou o paiz, do qual se senhorearão os Almorabides; ;e 
oe cuja conquista o dito Mohammed deu parte a lussof , b 

?ual em anno e meio se ^senhoreou dos^ estados de cinco 
rincipes "^da Hespanha , que vem a ser os do filho de Ab- 
bad , os de Habousse , os de Alahud y os de Abdeláaziz f 
e os de Abdallah, filho deBacar, senhor dejaen, Niebla , 
e Ecija. No anno 485' (1092) ordenou o Principe dosmos<* 
aelemanos lussof, filho deTaxefinaoseu' Alcaiae, filho de 
Aixa , oue se dirigisse a Denia ; e tendo para alli marcha- 
do , a dominou , assim como a Xativa , de que era senhor 
o fílbo^ de ^oncad, o qual tendo-se retirado, tomarão os 
Almorabides posse delia. Tendo o mencionado Alcaide mar- 
chado depois para Segura , se senhoreou delia , donde se àU 
rigiu para Valência , da qual tambent se senhoreou ^ depois 
de se retirar delia o Alcaide filho de Dinnun , que na mes* 
ma commandava a infantaria , e multidão de Christâos , do que 
o sobredito Alcaide informou o Principe dos mosselemanos» 
No anno 486 ( 1093 ) ^^pugnarâo os Almorabides a 
cidade de Fraga , situada a leste na Hespanha. Não cessou 
o dito Principe de enviar para alli os seus Alcaides , e tro- 
pas a proseguir a guerra sagrada contra os Chri$tãos, e 
para depor os Príncipes, que adominavâo, até que seapos- 
sou de toda ella^ e firmou na mesma o seu domínio. No 
anno 496 (1102) fez o Príncipe dos mosselemanps accla- 
niar a seu filho Aly em Córdova, por todos os Príncipes 
da Hespanha, Lametunenses > Xeques , e Doutores da mes« 



( m ) 

ma; e isto no inez de Dul-heija do mesmo anno, achan* 
do-se Aly ausente em Ceuta. No fim do anno 498 (TIQ5') 
adoeceu em Marrocos o Príncipe dos mosselemanos , e lhe 
principiou a moléstia , de que fajeceu ; e tenâo-se^Ihe augm^n- 
tado y foi debilitando-sè de forças até que morreu no prin« 
cipio domez deMoharram, primeiro doannd 5^00 (iio6), 
tendo cem annos de idade, e de reinado desde o dia da 
sua« entrada ei;n Fez, que foi no anno 462 (1069) até 
ao seu falecimento trinta e oito annos , e mais de quaren- 
ta desde que Abu-Bacar^ filho de Ornar ^ b elegeu para 
governar a Mauritânia. 

C A P I T U L O XL. 

• Dâ reinado do Pr inche dos mosselemanos Aly , filho 
' de lussofy na Mauritânia ^ e na Hespanba. 



A 



LT, filho delussof, filho deTaxefin, tomou oappel- 
lido de Abu-Al-hassan. Suai mai por nome Camra era 
Cbrístâ de origem, g chamou-se Fad-Al-hassan. Nasceu 
lussof em Ceuta no anno 477 ( 1084). Quanto á sua fy« 
sionomia: era de semblante brcnco e corado, de estatura 

1>roporcionada , rosto comprido , dentes ralos ,^ nariz aqui-: 
ino, pouca barba nas faces ^ olhos pretos, eicabello corre* 
dio. Teve trez filhos: Taxefin , seu siiccessor , Abu-Ba- 
car, e lassar. Foi seu Secretario Abu-Mohammed, fiJho 
de Axfat. Foi acclarrsado em Marrocos por disposição de 
aeu pai no mesmo dia da sua morte, intirulando-se Prin* 
cipe dos mosselemanos, que foi, como j a fica dito , no 
principio do mez de Moharram do anno yoo (1106), 
tendo então vinte trez annos de idade. Dominou todo o 
paiz da Mauritânia desde Bejaia até ao extremo do paiz 
de Susse]*aquessa , assim como todo o paiz meridional des- 
de Sageleniassa até Jabele-dahsb na região da Ethiopia ; 
e na Hrspanha todo o pí?!z occidental e oriental ", e tam- 
bém as ilhas dé Maiorca, Minor^ , e Ivi^^a ^ e foi an« 



( »74 ) , 
AQQciádo na cotlecta sobre as tribunas de dms mil etro» 
tentas mefquic^s. 

Possuía em úm regiões , que seu pai nunca tiaba d<H 
minado , por ter encontrado o paiz tranqiúUo , ioioietisa^ 
riquezas, e os negócios em boa ordem. Tanto que aubM 
ao throno , tratou de estabelecer a justiça , de fortificar as 
fronteiras, e promover a guerra sagrada; aoitoa os pre» 
sòs , distribuiu dinheiros , restituiu aos Cádis o direito dp 
jtilgar as causas , e seguiu a marcha^ de sen pai, e codas n 
suas matimàs , pdas quaea se dirigtu. Depoz do governa 
de Córdova o Príncipe Abu-Abdailali , filho de Al-4iame^ 
e nomeou em seu lugar a Abu-Abdallah » filho de Abu-ZaU 
fi ; e tendo atacado Toledo , poz oi Chrj^tãos em tribu- 
lação y aos quaes deu hum terrível combate em a porta da 
ponte, por os ter apanhado descuidados. Disse-i^, que tan- 
to aue teu pai faleceu , e o im^lveu no seu vestido y sahi- 
ra ae mãos dadas com seu irmão Abu-Taher Tamim; que 
tendo participado aos Almorabides a sua morte, posera 
Abú-Taher a mão sobne ad« Aty., eoacdamara} qoe dis- 
sera depois aos Almorabides, levantai«voS| e«cdamaio 
Príncipe dos mosselemanos, o que cumprirão todos quaft* 
tos se acharão presentes de Lamemna , de todas as rrrbua 
de Sanahaja , e todos os Doutores, e Xeques (a) das tri* 
bus; que depois de concluída esta ceremohia em Marrocos^ 
escrevera AÍ]r para toda a Mauritânia, Hespanha,,e pais 
meridional, participa ndo-lhes a morte de seu pai , e a sua 
successão ao throno, ordena ndo-Ihes, que o declamassem, 
cuja acciamação lhe chegou de todos ospaizes, vindo de* 
putaçtfes a dar-lhe os sentimentos pela morte de seu pai , 
e os parabéns pela sua elevação ao throno , menos da cidá^ 
de de Fez, porque lahia , filho de seu irmão Abu-Bacar*, 
que se achava governador da mesma cidade pôr nomea^ 
çâo de seu avô lussof, julgara ser o negocio de grande 



(O ^^ historia de Conde tom. II. pag. 19$ em lugar da» referidas 

pressões = e todos os Doutores, e Xeques das tribus, se encontrão estas: 
y oiras tribus Alirues , j Alfakiit , as quaes querem dizer : e todu as tribos 
sábios e Doutores. 



(17S) 
fliomento , e te dedignara de acclamar a seu tio ^ rebelião^ 
do-se contra elle , no que conviera , e o seguira multidão 
dos Alcaides de Lametuna ; e que tendo o Príncipe dos mos- 
selemanos AI7, fiUio de lussof, sahido de Marrocos , tan- 
to que se apioiimou de Fez y temera lahia , seu sobrinho , 
e conhecera, que não tinha poder para o combater; epor 
kso se retirara de Fes , e a entregara a seu tio , o qual se 
ftrmoQ fio thfono \ rendo sido a sua entrada , e sahida de 
lihia delb no dia Quarta feira oito do mez dcRabiat*i* 
guir do anno fOD (iio6)* Dissesse também , que ao apro- 
ximar^e o VriRcipe dos mossekmafios Aly , filho de Ius« 
sof, da ddade de Fez, acampara tia cidade de Moguila 
do termo de Pez , donde escrevera a seu sobrinho huma 
carta rrprehendendo-o da sua acção , econvidando-o aobe- 
decer*lbe| como tinhSo praticado as mais gentes; e igual*» 
mente outra cana aos Xeques do paiz, para que o accla- 
massem , exhortandoos ao mesmo tempo , c ameaçan* 
do-os; que logo que a lahia chegara a carra de seu tio^ 
a lera a toda a gente do paiz, consultando-a a respeito 
do aitiO) e da peleja; e que nâo tendo esta concordado 
nisto com elle, tendo perdido asesperanças, safaira fugin* 
do para Mozdali ^ gOTemador de Telameasan ; mas que 
tenckvo este enoontrado em oriode Maluia , vindo prestar 
obediência ao Príncipe dos mo^selemanos AI7 , e s^tuda* 
do-o, depois de lahta Ihefíizer saber o seu intento, Mor- 
dali lhe altatfçara alcançar lhe o perdão de sen tio , e o fí^ 
aera voltar com cllc; que tendo chegado a Fez, e entra- 
do Mozdali a saud^tr^ Principc dos mo^selem^tnos , expe- 
rimentara delle tSo bom recebimento, e tâodisrínctas hon- 
ras, que D informara^ a respeiro de lahia, e de lhe ter 
afiançado o seu perdoo, a cuja snpplica" AI7 attendera , 
pefdonudo-lhe , e dando^lhe segarança *, oue vindo lahia 
apfesmrèr-se-lhe, c dado*-lhe AI7 a escolna de hir residir 
em Maiorca., otr em Sahara, escolhera este paiz, donde 
ftafrírn* para a peregrinaçSn de Mecca ; c que tendo volta- 
do defia para íeu tio, e pedidc-lhe licença para ?e contar 
no numero da sua família , c habitar com ellc em Mar- 



roços , lha concedera ; rrias que depois de ter residido alli 
algum tempo, suspeitara seu tio, que eile' intentava levan- 
tar-se contra elle; e por isso o prendera, e mandara para 
Aigeziras , na qual f ermanecera até morrer. No anno yoi 
(1107 ) depoz Aly a seu irmão Tamim do governo da 
paiz àà Mauritânia, e nomeou em seu lugar -o Alcaide 
Abu-Abdallah , filho de AUhage, o qual ncoú goveniacH 
dò Fez, e todos os estados da Mauritânia por espaço de 
seis nlezes, depois dos quae^ o removeu deste governo pa- 
ra hir governar a cidade de Valência do paiz oriental da 
Hespanha, da qual entrou em Saragoça no aniio ^oi (iio8)» 
Neste mesmo anno succedeu a^bataiha de Ucles tio in- 
Êtusta para os Christãos , sendo geoeral do exercito dos 
mosselemanos o Príncipe Tamim, filho de lussof, que 
era governador de Granada. Tendo sahido desta a assaltar 
o paiz dos Christãos , e posto cerco á fortaleza de Ucles , 
em que havia grande multidão de Christãos , os sitiou 
até fintrar nella; mas elles lhe resistirão na alcáçova (cas< 
tello ) (a). Tendo chegado esta noticia a AfFonso , cuidou 
em apromptar-se para sahir a soccorrer e seu paiz ; maa 
sua mulher Jhe aconselhou , que mandasse seu filho em seu 
lugar, porque desta sorte se oppunha a Tamim, filho do 
Rei dos mosselemanos , Saneho , filho do Rei dos Christãos ; 
e tendo-a ouvido , mandou seu filho Sancho com hum nu- 
meroso exercito todo de distinctos e valerosos Christãos ; 
e marchou até se aproximar de Ucles. informado Tamim 
da sua vinda , quiz levantar o sitio, e evitar o encontro; 
mas Abdalla , filho de Mohammed , filho de Fatema , 
Mohammed, filho de Aixa, e outros Alcaides de Lame- 
tuna , lhe aconselharão, que permanecesse, e não se reti-, 
rasse; e para o fhimarem , esocegarem, lhe 4isserâo : não. 
temas, porque vem somente trez mil homens de cavallo;- 
e entre nós, e elles aind|i ha huma jornada; e tendo. Ta- 



■«■«•PI 



(«) ^ conclusão deste período tira toda 8 duvida exprenada na nota i| 
pag. i99i tom. II., da historia de Conde, que dii assim: ii^ui hay anã 
coniradícion. Si Tamim la tomo anttt ^ camç Íê tifítã tê/a tSp^da €a m^* 



( ^77 ) 
mim coodescendido comelles nisto, apenas seria o sol poa^ 
€0 naquelle dia, quando se lhe apresentou em frente num 
exercito de muitos milhares de Christãos. Quiz Tamim 
evitar o combate; mas nâo tendo achado meio de se reti« 
rar, esalyar^se, fez partir immedíatamente oa Alcaides 
de Lametuna ao encontro do inimigo , a dar-lhe batalha. 
Tendo-se encontrado y depois de pornados combates ^ como 

Í*a mais se ourirão , ajudou Deos os mosselemanos , e des- 
>aratou o inimigo , ficando morto o filho de Affi)n80y e 
mais de vime trez mil ChristSos ; e entrai^o os mosselema- 
nos por assalto em Ucles , enr cujo assalto morrerão mui- 
tos. Havendo chegado esta noticia a Ailbnso, angustiou-«c 
pela morte de seu filho, entrada do inimigo no seu pai^, 
e destruição do seu exerci to; e tendo adoecido de desgos- 
to , morreu vinte dÍ9S depois deste successo; e Tamim e^ 
creveu a seu irmSo AÍy , Príncipe dos mosselemanos , in- 
formando-o da conquista. No mesmo anno marchou Mo- 
hammed, filho de Al-hagge, de Valência para 'Saragoça , 
na qual entrou , expulsando delia os filhos de Hud \ e de- 
pois de tomar posse delia escreveu a Aly , Principe doa 
mosselemanos, informando-o da conquista, n^qual secoo- 
servoú até ao anno jro6 ( iiii ) , em que sabiu a comba- 
ter Barcelona : bem advertido , que em quanto Mohammed 
governou Valência , e Saragoça nao cessou de pôr em 
grande angustia ,• e aperto os Christáos com as correrias 
sobre o seu paiz. Tendo elle sahido em huma das suas ca- 
valgadas, hindo com elle multidão dos Alcaides de Lame*. 
tuna , e tomado o caminho de Almería , aonde, fez muitas 
prezas e captivos, mandou a preza pela estrada Real^ 
acompanhada da maior parte da sua gente, e elle tomou 
por cinia de Almeria , por a sua proximidade das terras 
dos mosselemanos. Como este caminho, que Mohammed 
tomou , era tao difficultoso, áspero , e. escabroso, que ape« 
nas podia seguir por elle huma só pessoa', logo que se in« 
ternou nelle, e se achou no sitio mais embaraçado, e es- 
treito, encAntrou-sc alli com os Christao;?, que naquelle sí- 
tio lhe tinháo armado as ciladas 3 e tendo*os combatido 

Z 



'íc«e«pera<feTnei!f c , como q-^em tinha a certeza àe morrer-, 
>atihou com efiêiTo o martyrio, por nâo ter achado âfieio 

ít! se ^Ivar , e com ellc multidáo ào^ voluntários, have^ 
do-se salrado por industria para o paiz dos mosselemanos 
somente o Alcaide Mohammed, nlho de Aixa com al^ 
gun$ companheiros, eme não excederiâo a dez. Haveiiio 
chegado a noticia ao Principe dos tnosselemanos Aly, fi- 
tho de lussof, do falecimento deMohammed, filho deAl- 
ftagge , nomeou em seu lugar a Abu-Bacar , filha de Ebnr^ 
him , ft!ho de Tafi?lut , que era seu s^overnador em Mur* 
tía ; e tendo-lbe alli cfaegado o diploma para governar 
Valência , Tortoza , Fraga , e Saragoça , sahiu com a tro^ 
pa de Murcia para Valência ; e junta áqtieHa a tropa dea* 
ta , e a de Saragoça • partiu para Barcelona. Depois de a 
ter cercada por espaço ce vinte dias ^ amilnado-a , cortado 
òs seus fruaos, e destruído os seus lugares, ê viltas, sa-^ 
hiu-lbes ao encontro o filho de Ramiro com muiras trcK 
pas de Albacetc , Barcelona , e do paiz de Arjona , e ten*»- 
do ' havido entre ambos pcrfiadps combate^ em que mor- 
ttdío muitos dos ChristSos , fot^o também nelies oiarty^ 
rizados perto de setecentos mosselemanos. 

* No anno $^03 (1109) em quinze do mez de Mohaiw 
rám passou o Príncipe dos mosselemano» AI7 de Ceuta pa- 
ra a Hespanha (a) com o desígnio da guerra sagrada i 
frente de hum grande exercito de mais de cem mil soldados 
de cavallo ; e tendo diegado a Córdova , e conservado-se 
nella hum mèz, sahiu dâlíl depois a combater Talabut 
(Talaveira), a quaB tomou pornssalto. Expugnou seguida- 
flíiente vinte sete castellos da comarca de Toledo , e igcial* 
mente Madrit ( Madrid ) , e Uadel-bejara (Guadelaxara) ; 
e tendo chegado a Toledo,, e sitiado-a por espaço de hum^ 
mez , cortando os seus íhictos , do que lhe res^uítaráo mui^ 
tos mates; depois de a ter posto em perturbação, partiu 
para Córdova/ Nojfiez de Dul-Kaada do anno jro4 (itii) 



(è) Conde tom, II. pag. 197 itÍ2 erradamente, que ^A^y pss«ra a i.* 
t€s a Hespanha no anno $00, ou 1017 o que ainda he mtior erro. 



( 179 ) 

expognou o Príncipe Sairi, filho de AbihBacar, SantarMi^ 
Badajoz , Évora , Lisboa , e rodo o paiz occidcntal , d# 
€\\íc informou o Príncipe dos mo^selemanos Aljr » 6ibo de 
]imo£ No anno 507 ( 1113 ) faleceu o Príncipe Sairí, fi- 
lho de Abu-Bacar , em Sevillia , aonde foi sepultada , t 
foi elevado ao governo da mesma em lugar delle Moham- 
med , filho de Paterna , cujo emprego exerceu nella até &r 
leoerno anto jri6 (1122). No mesmo anno 507 combatei 
o Príncipe Mazdali Toledo, e a inquietou ; e poz em 
confozSo ; c tomou por assalto a fortaleza de Arjona y m^ 
tou todos^ os homens, e captivou as mulheres, e críailK 
ças , que nella encontrou ; e tendo chegado esta noticia • 
elRei de França , parthi naquella direcção para os auxi* 
itar , e liberta4os ; mas tendo Mazdali ouvico isto , e sa* 
hido-llie ao encontro , retirou-se aqoelle de noute diante 
delle, e Mazdali voltou para. Córdova victorioso, e carro* 
gado de despojos , ea mandou abastecer de proviaoòts , foiw 
tificar , e guarnecer de cavallaría , e tropa de diversas ar« 
mas. Informado Mazdali de rer o filho de Zande Garcez ^ 
senhor de Goadelaxara , sitiado a cidade de Salem , dirh« 
giu-se contra elle ; e tanto que Garcez teve esta noticia , 
voltou a fogir; e largando o sitio, deitou todos os seus 
roubos , as cousas pezada^ , e o mair que trouxe cootsi** 
go: e de tudo isto se apossou Mazdali, o qual faleceu 
ao anno seguinte em o paiz dos Christâos , hindo coa>* 
bateJo. Tendo-se dado parte do seu falecimento ao Prin« 
cipe dos mossrlemanos Aljr, nomeou a aeu filho MohanH 
med , governador de Córdova , o qual , passados trez me- 
xes, morreu martyr em hum combate. Noamtofo^ (fiiST) 
dominou o Príncipe dos mossdemanos Aly, fillio de lus- 
aof, as ilhas Baharía (Baleares), o quai elevou ao gover* 
no de Valência, e Saragoça a Abdallah 9 filho de Maz- 
dali no anno jrii (1ÍI7); e tendo este marchado de Gra- 
nada para o seu governo, e encontrado o fiiho de Rami* 
ro , que ja tinha feito provar o mal aos povos daqueilasr 
cidades, houve entre ambos porfiados con^bates 2r<5,que o 
destruiu 9 e expulsou 4o paiz. Tendo*se o dito Abdallab 

Á 2 



( i8o ) 

iíCòns^y^io no govêroo de Saragoça hnm aimo comple- 
<to, e falecido, havendo ficado a cidade sem governador, 
-▼eiu o filiio de Ramiro , e a cercoo; e veia também Af- 
*fi)nso á frente de povos innumeravets , e cercou Lerida. 
Tendo chegado esta noticia ao Príncipe dos mosselemaDOs 
•AI7 , escreveu aos Príncipes do lado occidental da Hespa- 
-sha para que marchassem; a unir-se a seu irroao Tamim , 
^e era governador do lado orientai a ãm de que partissem 
com elle a livrar Saragoça, e Lerida; e rendo-se apresentsk- 
^o a Tamim Âbdallah , filho de Mazdali , e Âbu-Iahia , 
filho de Taxeiin , e senhor de Córdova , com os seus excr* 
eitos , sahiu Tamim com ca Príncipes Lametunensei , edi- 
rígiu-se a Lerida. Tendo havido entre Tamim e Âfionso 
grandes combates , foi este obrigado a levantar o sitio ^ e 
a retirar-se vergonhosamente de Lerida , depois de ter fei- 
to todo o esforf o em combate-la , com perda de mais de 
dez mil homens, voltando Tamim para Valência. Veado 
isto o filho de Ramires escreveu aos povos de Franca, 
pedindo-lhes socoorro para atacar Saragoça ; e tendo4he 
dâlli ch^do tantos como formigas e ga&nhotos , pozerao- 
lhe com elle cerco, principiarão a combate-la, construi- 
iSo fortins de madríra , os quaes gyravSo sobre roldana^ 
e se aproximaváo da mesma , assestarão contra ella maqui- 
nas trovejadoras (artilharia) (a) e vinte catapultas , e mos- 
traráo tanta ambiçSaema tomar, que perseverarão 00 sí- 
tio, até que se acabarão na cidade as provizòes, e que fe- 
neceu a maior parte da ginte de fome, o que moveu 01 
seus habitantes a esaever ao Soberano de Aragão D. Aflon- 
•o ( 08 mouros chamâo-lhe filho de Radmir , ) ( de Ra- 
mires,) para que suspendesse o ataque por certo espaço 
de tempo , obrígando-se , a não serem soccorridos ndle , a 



(ú) Sendo certo ífãt 01 Ghrísiáos , le servkSo de artilharia neste sitio, 
nSq foilo 08 mourot os inveotofci da polrora , e <|ue se servirSo desta »- 
■ia no titio de.Afgeziías, e mesmo antes em 1 {14 110 sicio de fiita, co 
mo se observa na nota de M. De Marlés no seu 111, tomo pag. 17 ) ; ^ * 
pag. 19S di2 que Âiy passara a.* vez a Nespanha no anno 501 , o que r^ 
pi^gna, c lie cooinrio ao que fica eapcodido neitc ultimo período^ 



( i80 

evacttarem. o paiz^ e entrega r-l bo , no que elle con^eiu \^ 
e tendo finabsado o dito prazo , lhe entregarão a cidade, 
e sahirâQ para Murcia , e Valência , o que aconteceu Jio 
anno ^i% ( 1118 ). Depois dos Christãos estarem de pò^se 
ddiá , chegarão da Mauritânia dez mil cavalleiros , man- 
dados em seu sotcorro pelo Principe dos mosselemanos , 0$ 
quaes a acharão evacuada , e em poder do inimigo, tendo 
desapparecido ddla o doroinio, é Império de Deos. 

. No anno 513 (11x9) venceu o filho de Ramires o 
paiz oriental da Hetpanha , e senhorcou-se da maior parte 
das suas fronteiras , assim coroo do castello de Calaat-Aiub 
( Calatayud ) o mais forte daquelle paiz , e inquietou com 
correrias o paiz do fado do norte. Tendo chegado esta no- 
ticia ao Principe dos mosselemanos AJy , filho de lussof , 
passou 2.* vez á Hespanha a proseguir a guerra sagrada , 
a po-la em cardem, e socego, e segurar as suas fronteiras, 
levando comsigo immensa gente dos Âlmorabides , e volun* 
tarios das tribus dos Árabes, deZanata, deMossameda , e 
de todas as outras tribus dos bárbaros , o qual tendo che» 

Éado a Córdova com o seu exercito , e acampado fiSra del- 
i , cuidou em ^perguntar á multidão dos povos do paiz 
de -Hespanha , que veiu ter com elle, pelo estado do seu 
paiz, e fronteiras, paiz, por paiz; e tendo-o informado 
do que havia , e deposto o filho de Raxad do emprego de 
Cadi em CordoVa , c nomeado em seu lugar a Abu- Alças* 
sem , filho de Hamedain , partiu para Lisboa , a qual teve 
cercada até a tomar de assalto, donde marchou a comba- 
ter o paiz Occidental, matando, captivando ,- cortando os 
fructos, destruindo as povôa^Oes, e pondo os povos em 
tanta perturbai^So, que fugião adiante delle, e hiâo fortrfi- 
CãT^se nos castellos inacces^Iveis. No anno ^1$ (1121 ) 
regressou Aly para a Mauritânia, deixando governador de 
roda a Hespanha a seu irmão Tamim, cujo governo exer- 
ceu aié ao anno ^20 ( 1126 ) em que faleceu. Tendo Aly 
nomeado em seu lugar a seu filho Taxefin, partiu este para 
a Hespanha acompanhr.iío de cinfo mil homens de cavai- 
lo ^ c tendo u.andado ccavocar as tropas do paiz, as quacs 



f i«0 

$e lhe vief^o apresentar, sahia com dias a fint hoitiUdoiA. 
àes pára 26 partes de Toledo, aonde tomou por assalto 
biifn dos seus castellos , e ppz cm perturbação a sua ooáiar^ 
ca. 

No mesmo anno derrotoa o Príncipe Taxefin os Chríi^ 
llfos em Fahassessabab {}ug2íT dos amantes j ou namorados) ^ 
fòzendo nelles huma terrível mortandade, eexpagnou tría^ 
ta castellos no pai2 Occidental , do que deu parte a sen 
pai. No anno 528 (1133) atacou o mesmo Príncipe aCao- 
tarâ-Mahmud , e a tomou çor assalto ; e no anno 5*30 (i 135:) 
derrotou o spbredito Príncipe em Fahasse^Atia multidão dt 
Chrisiâos, dodquaea feaeceiSo muitos. No aifna «egutate 
tomou eile por assalto a cidade de Carcjuio (será Carpk>) , 
na qual não ficou pessoa alguma com ?ida. No amio ^^:i 
(T137 ) passou o Príncipe Taxefíil da HespanHa para a 
Mauritânia , depois de ter combatido , e tomado de assai» 
Vo a cidade de Segóvia , levando comsigo seis mil captivos ; 
e tendo chegado a Marrocos , veiu seu pai encontta-io coni 
grande pompa , e se alegrou com elle , e o fez acclamar no 
anno seguinte. No anno 557 (ir4i)r faleceu o Príncipe doa 
Mosselemanos Âly , fi^o de lusiof ; e subiu depois delle 
ào throno seu filbo Táxeíin por disposição sya. (tf) 

CAPITULO XLI. 



A 



Do reinado do Ptincipe dos mosselemanos Ta* 

xejin , filho de Aly , filho de lussof ^ /í- 

Ibo de Taxefin Lametunense. 



PPELLIDOU-SE Abu-Âlmoazze; e segundo o sentir de 
outros, Abu Ornar. Sua mãi era de orígem Christa , e so 

■ II ■ 11 ■mil» ■■ I. w^^— ^»,^— ^— — *i— p— — — — ^i— — — ^ii— — — — i— 

(à) Conde diz no seu II. tonio pag. 287 , que k\f falecera no anno 
5 )9. No femado deste Príncipe em 5 h C > > 19 ^ sux>nteccu a gloriosa bà* 
talha áo campo de Ourique , da qual o autbor nSo faz menção , ou porque 
foi muito desgraçada para os seus, ou porque s«S entrarão riella algum régu- 
los da Hespanha , o que he mais provável , especialmente por se achar ja en- 
tão Aly occupado nas guerras contra os AÍronhades. 



í 



( '«5 ) 
climsva Dat^Amíbah (lueda iiianbâ). Sofoiíi ào rinoMi 
depaís da- morte de seu f>ai , e por disposição do mesmo 
ainda m ma vida , no dia oUavo do mez de Rageb do an^ 
no ^57 (1143), e isto em dias de\sedi^o^ por se terem 
ja entfiaieitaotado os Almuhades , cujo poder, e soberaniar 
se tinha manifestado, e estabelecido; e ach?ndo-se possua 
dores de gn»ide parte da Mauritânia , faou^ entre os Âi« 
fhorabides , e Àbdclmumen porfiados combatçs^ e muitos 
Mnflictos; Tanco 4;|ue Abdelmuraen, íUho de Aiy, sahiu de 
Taiaaituil eon§ o interno de conquistara Mauritânia , .sábio 
S^aixefin de MflrracDS, deixando governador da mesma ci-< 
dade a seu filho Ebrahím y o qual hia seguindo ã Abdelmn^ 
men para qualdaer parte do paia, para onde este se diri* 
ia, combatenao^ diariamente até que chegou á cidade de 
'elamessaii i e tendo Taxefín entrado ntsts , r râido a en- 
trar também depois detle Ahdelmumen, safaiu Taxefín a 
combate-lo. Acattipoiírse Abdelmamen com o exercito dos 
Almuhades entre os dous rochedos, que firao nas costas/de 
Telameasan paraa parte. da montanha, e Ta^efin C3>m o 
csercito de Sanahaja na planície , que fica ffãra o lado de 
Assafsaf. Tendo partido os Almorabides a atacar os Alma* 
Ilades, e prohibioo^lho Taxefin, (iv) não se oontiverSo, e 
subirão ao monte para os atacar j mas os Almniiades bai- 
xarão sobre eiles; etendo-os denotado completamente, re* 
tirott-se Taxefio para Orâo , e acampourse fora delia. Cor 
sno Taxefin linha deixado em Teíamessan o Príncipe Mo- 
kammed , conhecido peto appellido de Xaiur , para n guar* 
dar, deixou Abdeiírumcn a lahia , filho de fumar, com 
hntn exercito de A^mnhadês a sitia-la , e partiu para Orão 
a procura? Taxeiin ; e tendo o eercado nella , tanto que o 
sitio se e^ireitfM contra TaieeftD.. sabiu e$te huma nonte a 
bater o acampa^Memo dos Almuhades ; mas carregando so^ 
bré elle cada vez mais cavallaria, e infantaria, fugiu ^ a 
diante delles: e acbando^^e em hum elevado, e escabroso 



• « 

(fl) Cohdtí no n. tom. pair. 289 dw o contrario; c pros^; uc a 
sutcessoSy àt que aqui senão craca. , 



ícferii 



( i«4 ) 
QUHité scbíé o mar , suppando q[ue o iferréoQ órarifMttray 
precipítou-se do alto do dito nionte , que está em finente da 
ermida de Orâo, por ser aneute tenebrosa^ a^qual em a de 
▼inte sete do mez de Ramadao do anno SZQ (ii^f ); e 
tendo morrido , foi encontrado morto oo aia seguinte de- 
fronte do mar , cuja cabeça Ihè foi cortada , candwKida pa<- 
ra Tainamal , e dependurada alli sobre liuma arvore i e is^ 
to depois de continuados combates no deserto com 08 Âi- 
muhades desde o dia que subiu ao throno até <jue moneu, 
cujo reinado foi de dous annos, e mez, e meio. A Deas 
pertence o fim das cousas, porque nenhuma he perpetua , 
excepto elle. 

CAPITULO XLII. 



A 



Da marcba dejta dynastia , e successos aconie* 

eidos no seu rehado desde o anno 46Z 

(1069) até ao de ^40 (i 145'). 



IN DA que o povo Lametunense era gente campestre^ 
tinha com tudo religião solida ; exerceu grande Império na 
Hespanha , e Mauritânia; administrou justiça recta nassuas 
decis($es; e promoveu muito a guerra sagrada. Benjenua 
diz , que os^Lainetunenses erâo hum povo de religião , sen- 
timentos puros , sincera verdade , e de costumes regulares. 
Reinarão os seus Príncipes na Hespanha desde a França 
até ao oceano do lado occidental , e na Mauritânia desde 
a cidade de Bejaia até Jable-Addahab, pâiz da Ethiopta ; 
e por isso nâo podiâo nos dias da sua vida recorrer todos 
os seus estados , os quaes nunca pagarão imposto , tributo » 
ou contribuição, assim nos campos como nas cidades. Fo- 
ião annunciados nas coilectas sobre as tribunas de mais de 
duas mil mesquitas; e os dias do seu reinado forao detran- 
quillidade, commodidade, paz, segurança, e barateza ; 
pois chegou o trigo a ducado e meio por quatro cargas \ 
a cevada a meio ducado por oito cargas, e os legumes nem 
sevendião, nem secompraváo, o que continuou todo o 
tempo do seu reinado. Em fim nos seus estados não se pa« 



gâfl^o tributos , impostos , estipêndios á tropa y excepto a 
censo j e os dízimos. No seu reinado ' augmentarão-se os 
bens y povoou*se o paiz y exercitarão-se os bons costumes ^ 
e não houve malvados^ nem salteadores y nem quem se re-* 
Toltasse contra elies , por os amarem os povos , até ao an- 
no 5:15* ( iixi yy em qne Mahadi se declarou contra elies. 
C^anto a successos : no anno 46a expugnadio a cida- 
de de Fez , e o paiz de Fazaz ; e se firmou o seu Império 
na Mauritânia. No anno 463 dominaiáo os castellos de 
Uatat, e o paiz de Malaia; e no seguinte faleceu Âlmoa<- 
tamad , filho de Âbbad y filho do Cadi Mohammed y ben 
Esmail , senhor de Sevilha i e foi elevado ao governo depoia 
deile seu filho Mohammed (s)n No anno 465 combateu 
liíssof, filho de Taxêfín, o paiz de Sadrata, eo jpovo de 
Safeni» No mez de Dul-hejja do anno 467 appareceu a es- 
trella chamada Almocáq. No anno 470 tomou lussof por 
assalto a cidade de Taderat y a qual está próxima de Ma- 
laia , matou o seu Príncipe Alçassem y filho de Moham- 
med y filho de Abu-Lafia , e destruiu todas as suas tropas 
até nSío ficarem relíquias delias. No mesmo anno dominouL 
lussof a cidade èe Tanger , e faleceu Xarcut Barguatense y 
senhor da mesma. No anno 471 edipsou-se o sol junto ao. 
mdo dia , € foi o maior eclipse , que consta ter aró então 
apparecido; e dominou Afibnso a cidade de Coria , da 
qual expulsou os mosselemanos. No anno 471 expugnou, 
lussof Ugeda , e as suas montanhas ; e no mesmo anno epit 
o mez de BLabiaMguir houve hum tão grande tremor, quci 
ninguém se lembrava de outro semelhante, o qual destruiu 
CS edifictos, matando muita gente debaixo das minas , ca- 
hirâo as torres, e as.almenaras, e continiiarao os abalçs. a. 
repetir de noute e de dia desde o primeiro do mez de Ra* 
biatáual até ao ultimo do mez de Jumalil-iguer. No mez 

Aa i 

^^^■^^—^^1^—i^»^——^^—^— —————— ^ip— — ^— — »i^^i^^ 

(áí) Se Abnoatamad , eseu fiib9 Mohammed fr>fãn trancados |>ara a Mau* 
ruania, quando Sairi tomou em 484 Sevillia^ he falto que aqurlle morresse^ 
em 464, e que seti filho lhe succedcsse; ou destituído de credito o que 
ames so dine. 



( »w ) 

ée Dut-ICaack d» mencionado nano febeibu-se o povo i^ 
¥btcdo comra o feu> Soberano Aicader , fiiho de Dioun » 
a matou a maior parte dos seus dmili^^res», e MiniVM»,, 
fiCtraado^saodicQ Alcadcrpara o c3steIio de Canama. Na 
aiiaa 474 conquistou lussoi a cidade die T^Iaocfssaa; e 
merreu^ «m Cwdov» o Douior obsdrvanrs Abl^Taleb , na^ 
twat de Mecca , encaitregado da pcbça: dui mercacka^ *e de 
jut^gar as sms. questtfes } e nasceu o Doutor , e C^i Ab»* 
Abdallah Mobamoied, filha de Asseb^g^ cooliecnki pelo 
fl^me Ae BecKMaTuissef , senhor de Arjona« Non mez de Ju» 
Ma4ilráguer doiiiesflM> anno faleceu oalmocadem Abu^Ja»- 
i^r^ filão de Hud, e senhor de. Saragoça, ao qual succe- 
deii se» iãho lussof Ahnutaoiea 

Ce<no> sodos os annos tem crescido^ conquistas , e vt^ 
lias outras oousaQ , e nos temos aproveitado de todar Af 
hs y lefefilasrliemos humas depois das outsas. No>anno 4^ 
iUeceii o observante Doutor Abu^Abdallah MohsKDmed y 
tthm de AltáM , o qual escreveu alemãs obras» Refere o. 
autho» da livro denominado Altaxuif , que Abu-Jabel hb^. 
Ibccra no anno 5130, e fora encerrado em frente da esna^ 
4a , que ífca. ao sahlr da porta lasselatin , que he iNuna. 
das da cidade de Fez, o qual era bum dos virtuosos san» 
tos , e escolhidos de Deos. No anno 5^14 ( 1120 ) appare*^ 
MH Miabadi Almubadi (unitário) na Mauritânia, o qual 
ao seu Mgresso do oriente se ajuntou com Abdelamcnen , 
ilbo de Aly* No anno 5*19 principiou a decahir a djnae- 
tia Lametunense, e a apparecer a sua fraqueza : e como oa 
Sius Soberanos se tinbão occupado em combater Mahadi , 
e os AJhnuhadea j seus proselytos , que se tinhâo levantado 
oontra eUes nos montes Atlânticos, não poderSo mais au* 
xiliar o paiz da Hespanha, cujos estados enfraquecerilo ^ 
^r terem sido confiados aos seus próprios recursos ; e teiK 
do tomado força o projecto dos Almuhades , dominarão 
gffande^ parte- do paiz da Mauritânia , ficando os Almora- 
bidés reduzidos a hum apertado terreno. No dia desanove 
4o mez de Rabial^iual do anno 5^21 faleceu êm Sevilha o 
Cadi Abu-Alualid Begense i mas ja então se achava depoa^ 



Clt7> 

to éo emprego. No moo 5*39 kvaiMKMMe em Corêon <i 
Czéi Abu-mmdaiii coofra os A l mo mbtdm » 4MIí ^vadl 
combateu com o povo. 

CAPITULO XLIII. 

Dâ reinado iês Jbnubãdes^ e áú sem levên tsmmi ê^ 

sendo seu Cbefe Mobammed^ fiiho de Tâ^ 

mar , o qnaíse denominoa Mabadi. 



M 



AHADi , diz O amhor , leiraittado nos confim 4a Ma«^ 
rítania com a d/aastia dos £Uioa de Âbdelmumefl » chame 
nr9e Mohammed , s^ndo cootâo os bistmiadorcs sobre 
a d^ djflastta , e era filho de AMallah ^ filho de Abdei> 
rahamaa ^ filho de Hud , filho de Gakd ^ filho de Tamatti^ 
filho de Adnan, filho dejaber» filho de lahia^ filho de 
Atai , filho de fUbah , filho de lassar , filho de Alaabat^ 
filho de Mohammed , filho de Al*hassaa , filho de klf^^ 
filbo de AbinTaleb. O filho de Matroh Alcaisse «mre 
na tua historia sobre esta nobre genealogia / <)ae eHe foteí 
hom simples oonvocador dcst^ nobre estirpe. Ditem oa*-. 
rros , que fiora hum homem , namral de Harca dtf tribos de 
Mossameda , que era conhecido ^pek) aeme/de Mohammed ^ 
fiiho de Tumar; e segundo outros natund dé Janfissa; mas 
Deos he o que sabe a verdade de tudo tsro. 

O primeiro emprego , que Mahadi exerceo no seu prio* 
cipto , foi o de Doutor^ occupando-ae em infiruir^se^ « 
sperfciçoar*se na sdenciâ ; pois era dotado de subtllesa ^ 
e de engenho; e tendo partido para o Oriente com o dese» 
jo de adquirir maior sabedoria, e vitfo varies Doutores, 
os ouviu , e recebeu delles grandes conhecimentos das ac? 
ç6es ) e ditos do profeta ; e proseguiu a estudar a sdencta 
das origens, e das cousas dignas de fi^. Hmn dos sábios, 
com quem aprendeu , foi o insigne, e incomparável Doci« 
tor Abu Hamed Âlgazalí, com o qual tratou por espaço 
de trez annos. Como Algaaali , quando Mahadi entrava , 
sondava os seus semimentoa atemos, e internos: quando 

Aa a 



^e^ft se despediu drile , dizia aos que ocommunicdTáo: esm 

tb«t}p^ío ^al certamente erigir alguma dynastia , poroue se 

revolta nos confins da Mauritânia ; e segundo o que indica 

^ na sua fyzionomia^ e mostra na sua indole, declara os seus 

■ Intentos, exalta a' sua soberania ,<e extendenella o seu do- 

minio. Divulgada esta profecia , e dada como certa , lhe 

irodterâo a noticia alguns dos seus amigos, infbrtnandò-o ^ 

de. que isto se achava escripto em hum livro do dito Dou* 

tor. Não cessou Mahadi de se esmerar em servir a Alga* 

zaii , e de o frequentar até se instruir em tudo quanto elle 

sabiá j clogo que se certificou do seu estado , implorou o 

-Êivor , e o auxilio de Deos , e tratou de se retirar. . 

Regressou Mohammed Mahadi do Oriente , dizoâu- 
tbor , procurando confiado em Deos o paiz da Mauritânia 
.com o proposftò de estabelecer os preceiros do mesaio se» 
nhor, e a lei do seu profeta, cuja sahidado Oriente íbi 
)io primeiro do mez de Rabial-áual do annovjTO (iií6). 
£m todas as cidades da Efriquia , e da Mauritânia se de- 
«dicava a ensinar , ostentando pobreza , humildade , e 
desprezo do mundo, mandando o licito, e prohibindo o 
illicito até chegar ao paiz de Telamessan ; e tendo-se esta- 
belecido em huma villa da mesma comarca ; chamada Ta- 
jura , veiu alli' encontra-lo Âbdelmumen , filho de Ály. ; e 
introduzindo-se no seu serviço , . estudou , e aprendeu com 
elle ; e sabendo dos seus desejos , e intentos de procurar a 
soberania , conformou-se com a sua vontade, seguiu^o no 
seu projecto , e o acciamou para cumprir os seus preceitos 
assim na calamidade , como na abundância ; tanto na adver- 
sidade, como na j)n)speridade , e assim nasocego, como 
DO temor-, e se encammhou com elle para a parte mais re- 
mota da Mauritânia. Como Mahadi era o primeiro do seu 
século na arte de fallar , e nas sciencias ^de fé j e conser- 
vava de memoria os preceitos do profeta , e a sciencia das 
cousas divinas ^ e era dotado de eloquência , principiou a 
divulgar entre os povos, que elle era o Principe Mahadi 
annunciado , e esperado no fim dos séculos , que havia en« 
chera terra df justiça, como se tinha enchido de injustiça; 



.t a negar a sujeito aos Almora bidés ^ Soberanos da Mau* 
rtrania, infamando-os , tracando-os de inlieis, e convidan-' 
do os povos para que lhe negassem a obediência. Andava 
pelas praças mandando as coasas licitas , e prohibindo as 
lUicítas; quebrando as iláutas, c mais instrumentos de jo- 
gos , e espectáculos públicos , e entornando o vinho aonde 
o encontrava , o que praticava em todos os lugares epaizes, 
aonde descançava, e se hospedava até chegar á cioade <le 
Fez ; e tendo-se hidp hospedar na mesquita de Tariana , e 
conservado-se nella a en^nar até^ao anno 514 (1120), par« 
tiu para a cidade de Marrocos , corte dos Almorabides y por 
saber , que nâo podia manifestar os seus intentos senão d'aU 
li. Quando elle chegpu , achava-se nelia o Príncipe dos mos- 
selemanos AI7, 61ho de lussof ; e tendo entrado na cida- 
de em habito de homem desprezador das cousas munda- 
nas , dirigiu^e i sua mesquita para nella se recolher , le^ 
vando comsigo Abdelmumen poV seu servidor» Gy;:iva Ma* 
hadi pdas praças , e lugares públicos da cidade , ordenan- 
do o licito, e prohibindo o que era illicito; entornando o 
vinho, e quebrando os instrumentos músicos, taes como a 

fuitarra , a cithara f &c. , o que praticava sem licença do 
rincipe dos mosselemanos Aly , nem dos Cádis , ou Mi- 
nistros. Tendo chegado a noticia delle ao dito Soberano , 
e mandado , que lhe fbsse apresentado , tanto que compa- 
receu, advertindo para a sua sordidez; e rotura da 5ua rou- 
pa , reputando digno de desprezo , e de vilipendio o seu 
intento , lhe disse : que he o que me chegou ao conheci- 
mento a teu respeito? n que he ? 6 Rei: Eu sou hum po- 
bre homem, que procuro a vida eterna, e nio dinheiros, 
de que nao necessito ; e ordeno , que se pratiquem as aç- 
çlSes licitas, e prohibo as iliicitas, nas quaes tu es o pri- 
meiro a incorrer, do que has de ser perguntado, porque 
he do teu dever, pois tens o prder, fazer reviver a lei do 
profeta, pelo que has de ser peiguntado, e corrigido, por 

3ue Dcos cennrra os Chefes omissos em prohibir o que hc 
licito, dizendo: não ficâo cxtmptos de censun peio que 
£zerãOj sem o terem cbrado. Logo que Aly ouviu a rua 



fMã , i^TerendoQ-o ^ e ifidinou* a ctbeça para^ a «ma |Nr 
«igum espaço áe tdnpo a meditar niB suas cousas, cn 
tua exposição, e }eyanrou*a depois para aparte, aonde» 
tavão os sevs Ministros , aos quaes ordeaou , ipe fizessem 
Tir á sua presença os Doutores , para disputarem con cÚe, 
e o experimentarem. • Havendo oompareddo os opposíi^ 

. rea, e Uoutores áe Marrocos , os Xeques de Laonetnai, c 
os Almorabídes , doa quaes se encheu a sala daaudieacai 
e infbrmando-os a respeko deMahadí, e da sua Mb, Ums 
disse : inatidelf^Toa chamar para que vqs iofbnneis do m 
negocio; pois ae for homem sábio Vsegui*lo*heHi08, e le 
£oT idiota , casciga-io-hemos. Tendo eUea fiUado muito , 
-€ principiado a questionar , como Mahidi em sábio na a^ 
ae de disputar , lhes disse : elegei d'entre vós hum , qae A- 
fiia a vossa disputa , observai a civilidade dos bomeos sa» 
4>ios , sugeitai-vos ás regms de argumentar, xleixai as sifo^ 
caçoes , e escolhei , e nomeai hum de vds , eoi cm scie» 
cia confieis. Ainda que naquella assemblea haviâo uoutarci 
instruidos na vida e feitos do profeta , nenhum ddles ti» 
nha conhecimento das regraa da disputa. £is aqui s pri^ 
meira cousa que Mahadi disse. ao eieir«) para iâUar comei- 

. le : tu , ó Doutor , que foste nomeada por esta asieeiUet 
para fallares , informa-me , se a sciencia tem , ou olo tem 
limites; e tendo^lhe elle respondido, que se limitava ao 
Alcorão, á lei, eintelligencias fundadas na mestna, llleí^ 
plicou Mahadi : eu pcrguntei-te unicamente sobne ofim(it 
sciencia , e se tinha ou nao limites; e tu aó fezes men^ 
de huma parte delia , quando a resposta deve ser conforme 
á pergunta; mas elle nâo percebeu o que lhe dizia, efr»* 
-queou na resposta. Perguntou*lhe depois a respeito das rsi^ 
zes da verdade , e da falsidade , e voltou á sua primeira 
resposta. Tendo elle visto a sua inépcia , e dos seus com* 
panheiros, ensinou-lhes a resposta, fazendo^lhes entendera 
questão: e como nâo tinhSo conhecimento da resposta i 
que devião dar, principiou a fazer-Ihes a explicação sobra 
a verdade, e a falsidade, cujar raízes são a sciencia, a 
ignorância , a duvida ^ e a opiniSo , ou suspeita ; pois > 



t 



( ijO 

aciencia ti€ a raiz da vectidáo, e a duvida, suspeita , e igiK>« 
laiicia são a origem do erro. Tendo depois principiado a 
tratar sobre o methodo da sciencia , lhes fez varias obser- 
vaçòcs ; mas serradas as porras do seu entendimento , nâo 
^oderao rei^ponder , por não terem percebido a sua expoat« 
âa Logo que eiles vicâo a eminente scieocia de Mah»- 
i ^ e a superic»*idade dos seus conhecimemos , temerão, a 
dbescFedito da sua impotência , e recorreiâo á tiúquidada de 
o indispor, e vituperar,. dizendo aoPrincipe dos moasclema- 
SOS Aly y cjiie elie era hum booMin rehdde r &noso , Icoi- 
Qfty amigo de aUercaçÒca, faUador , e^ capaz cb seduzir a 
geate igwraast y e qu» ae permanecesse na cidade , conom» 
peria. a crença áo asu. pnvoi Divulgf&i-se isto entre aa geor* 
tes, ficando grivanfo «m scua cerardes ; c por iaso ihe o^ 
4enQu o Príncipe dos mosselemanos i Â4]r, que sahisse da^ 
ôdade, o que eumprui, hindo edificai» huai» barraoa noin* 
tenor do cemiteria, vizinho da cidade ^ no meia das se* 
piltnras, na qual fiaòu a sua morada, aonde lulihâaal* 
guns estudiosos iastruir-ac; com elle. Tendo crescido oajun* 
tamenta, augmentado-se* os seus sequazes , e discípulos , 
flMiltiplieadd-ae-lhe a gente , e eochido-se seus ooraçòes de 
amor, oeverencia , e respeito para com elle » iníbfnaou os 
principaes da sua inten{Ío, e pertençòes. Começou a cen^ 
amar os Álmorabides, tratando-os pelos maiores infiéis, e 
a dizer, que todos aouelles, que sabiâo , que Deos he uni^ 
00 na sue soberania, aeviâo combate-los antes que aosChris* 
tios, e aos majusseos. Haveado«o seguido no seu senti men* 
te mais de mil e quinhentos hon^ens^ e sido informado o 
fWncipe dos mosselemanos Alj , xpie Mahadi amaldiçoava 
a sua djnastia, e a tratava de infiel; e que ttnJiâo crescido 
oe sequazes da sua doutrina, lhe mandou dizer.: p6e, ò ho- 
stem , a tua confiança em Deos : por ventura nSo te prohi- 
U eu os ajuntamentos, e os tonr.ultos, mandando-te sahir 
àã cidade? eu cumpri', lhe r<^pondeu Mahadi, a tua or- 
ásm^ sahi da cidade, edifiquei Iiuma barraca entre os mor- 
tos, c occupei-mí: cm procurar a vida eterna : não dés por 
tanto ouvidos ao$ pceversos» TratoiK) o Priocipe dos mosr 



C 19» ) 

salema nos com aspereza , amea^oa-o còm os tjrífli^es, e 
cogitou prende-lo ^ mas Deos o livrou porque 0'que elle 
decreta , he cumprido ^ e tendo-lhe o dito Príncipe ordena» 
do y que se retirasse,^ assim o cumpriu, procurando a sua 
barraca. Em auanto elle hia seguindo o seu caminho, eis 
que se enche de cólera o Príncipe dos mosselemands contra 
elle, por se lhe haverem declarado as suas maquinações, 
convidando os povos em seu favor , e afastando-os do seu 
domínio , e reconhecimento ; e por isso lhe pareceu dar 
pressa a mata-lo , mandando que lhe trouxessem a cabeça. 
Tendo ouvido esta ordem hum dos seus discípulos, correu 
apressadajnenrfe ; e parando junto da sua barraca , gritou em 
alta voz*: ò Moisés , certo conselho está deliberando a teu 
respeito para te matar : retira-te y porque eu sou hum dos 
teus sinceros amigos. Tendo repetido o meamo trez vezes , 
e calado-se depois, percebeu. Ma badi os seus avisos, safaiu 
immediatamente , e a toda a'^ pressa, procurando os cami- 
nhos mais occultos até chegar a Tainamal, que foi ootnez 
de Xaual do aono 5:14 (1121), aonde (ixcÁi a sisa residên- 
cia com os seus dez discípulos, que alli vierâo ter com el- 
le , que erao Abdelmumen , filho de Aly , Âbu-Moham- 
med Aibaxir, Abu-Jaafar, filho de lahia , Abu-Hafce 
Omar, filho de Aly Agbar, Solaintan, fiiJio <le Galuf, 
Ebrahim, filho de Esmail Al-hazragi, Abu-Mohammed 
Abdel-Uahed Algadri , A bu- Amran Mussa , filho de At- 
mar , e Abu-Iahia , filho de Baguit (a) , os quaes fbrao os 
primeiros, que acreditarão na sua orelazia , e vierao ao 
seu chamamento; e que se ^ugeitarao ao seu governo, e 
se apressarão a acc|ama-la Permanecerão estes ^com Maba- 
di em Tainaroal até ao dia Sabbado dezasseis do mez de 
Ramadan do anno 5:15: (iizi), em que este se encami- 
ohou com elles para a mesquita da mesma cidade, os quaes 
hiâo ciffgidos com as suas espadas ; e havendo subido i 
tribuna , pregou ao povo , noticiando-lhe , que elle era o 

(«) Nas tiei cop.ias arábicas desta historia , de que me teníio servida, 
oáo ic eocootn o nome do decimo discípulo de Mahadi. 



3 



simimo sacerdote Maliadi o esperado ^ que Tinha encher a 
terra da justiça : e depois' de lhe maoitestar a sua perteih 
ç&o , o convidou para oue o acdamasse y o que praticaiSo 
todos 05 habitantes de Tainamat , e os potos das suas vi^ 
zinhanças. Continuou depois a excitar as tríbus , e os naoii- 
tanfaezes , niandandoK>s convidar pelos seus discipulos, re-^ 
partindo aoudles , de cujo cuidado mais confiava y pdos 
paizes Occidental e oriental , a convidar os seus habitantes 
para a sua acclaraaçâo , a segura-los da sua prelaziia , e a 
seoiear em seus coraçòes o seu amor , pda exposição 
ue lhes 6ziãq das suas virtudes, liberalidade, desprezo 
as cousas mundanas , e manifestação da verdade ; ê tendo- 
se dirigido a elle gentes de todos os lugares a acdama-lo y 
e a gozarem da sua vista , depois de receber delles o reco- 
nhecimento de sugeiçáo , os fazia scientes , de que ^e era 
o Mahadi esperado até que se vtgorísott o seu Império. 
Chamou Âlmuhades a todos aqudles , que emraiib 4ebai« 
zo da sua obediência , o acclamarâo , e seguirib o seu sis- 
tema y aos quaes ensinou na Iiagoa barbarica o culto de 
hum unioo Ueos, pondo*lhes na mesma língoa os versos, 
divisões, e suras do Alcorão, e dizendo-lhes : aqudle que 
tíSo aprender de cór o indispensável para dar culto a huai 
90 Deos, tão he Almubade, (unitário), mas sim cafre; e 
não . sSo acceitas as suas deprecaçóes , nem merecem con- 
fiança os seus sacríficios. Passando a doutrina sobre o cul« 
to de hum unioo Deos entre astribus de Mossameda , como 
ae fosse o Alcorão , por ser hum povo ignorante de tudo 
quanto respeitava i religião , foi Mahadi dirigindo-o com 
astúcia, e vencendo-o com doçura de palavras, e com eo* 
ganos até ao ponto de se lembrar delle unicamente, de não 
attender senão ao que efle lhe ordenava^ de implorar o 
seu soccorro nas suas aflicçòes , de bem dizer a sua*memo« 
ria nas victorias , e de dizer , que elle era o prelado sabi- 
do, e o Mahadi innocente conservado nas suas tribunas; 
e por tssoentravâo os- povos em turbas debaixo da sua su* 
eiçio , e abraçavão os seus preceitos , como lei , e rejrra. 
' ^gulov Mahadi o poder dos seus dez sócios , e dos cin- 

Bb 



g 



toenra, chamando aos dez assabeama Alaitalunai isto he» 
08 que* precedem , os primeiros, e destinando os cincoeti- 
ia para o conselho. Kào tendo cessado as tribus , e tur^ 
bas de se Ihevirnn apresentar, ecomprimentar sté se achar 
com mais de vinte mil Aimuhades das tribus de Mossa** 
meda, conservoíi-se a prégar^ihes, e a instiga-los para a 
guerra sagfada contra os Almorabides, os quaes annuirio 
protestando obedecer-lhe até morrerem diante delle. Tendo 
escolhido hum exercito de valerosos Aimuhades , nomea- 
éo seu Chefe a Abu<-Mohammed Albaxir , confiado-Ihes a 
acu e^andartc brsncc, orado a Deos por eltes^ e despedi- 
éo^osy sàhiráo com direcção á cidade de Agmat, Cnega* 
da a noticia ddlea ao Príncipe dos mpsselemanos Alv , 
filho de lussof ) mandou a combate-los hum etercito ooa 
aeus príncipaes serrtdores, nomeando general a Elabual» 
afiadii de Lametuna; e havendo sido derrotado o dita 
exercito , e morto o sea general , continuou a derrota cond- 
ira os Lametunenses , aos quaes seguirão os Almuhadet 
aaé os fazerem entrar em Marrocos ; e te&do^e eon^enn^ 
do aobrè ella alguns dias a sitia4a , partiião depois par» 
as montanhas , por se terem multiplicado contra elles a» 
tvopás dos Lamemneoses, cujo successo teve lugar no dia 
terceiro do mez de Xaaban doanno $í6 (1112); ed^aqui 
procedeu divulgarem-se os intentos deMahadi por todo o 
paiz da Mauritânia, e*da Hespanha. Dividiu Mahadi a 
preza, tomada pelo seu exercito aos Lametunenses, pelos 
Aimuhades, aos quaes leu o dito doAltissimo: PromeitesH. 
%os Deos muitas prezas j que havíeis de tornar^ o qual 
vos concedeu esta em signaL 



D 



CAPITULO LXIV. 

Dos combates , e pelejas de Mahadi com 

os Lametunenses. 



EPOis que os Aimuhades, diz o author , derrotarão o 
exercito de AI7 > engrandeceu-se o poder de Mahadi ^ e to- 



inoQ forças a saa soberania ; e tendo fêito montar a maior 
parte da saa tropa nos cavaltos , que tinhão tomado ao exer- 
cito dos Almorabides , dtspoz-se para combater os aposta* 
tas e rebeldes. Havendo congregado os Almuhades ^ e disi- 
posto os exércitos , dirígiu*&e para Marrocos ; c tendo^ae 
acampado em o monte Jallz, próximo á dita cidade, pcp» 
maneceu alli trez annos, desde o anno ;i6(ii2X)atead 
anno 519 (iia;), a combater diariamente os exerctsos 
Lametunenses, altemando-se os Almuhades todos os dias^ 
mas como a sua existência alli se tivesse im^loogado, partitt 
pára o rio Naiisse; e seguindo a direcção das suas corren^ 
ses , a maior parte das povoacâes daquelles sitios y tanto 
das planícies, como das monta nbas, se lhe submettcu^ ac^ 
damando-o as tribos de Jadjabua. Atacou depois o pait 
de Ragerajá , cujos habitantes ccNiduziu por meio da pro» 
gaçâo ao conhecimento de Deos Altissimo , e á scíenda 
das leis mohaAimetanas; e tendo marchado pdo paiz do 
Mossameda, combaterão os Almuhades aquelles de sens 
hab^antes^ que desprezarão o chamamento de Mahadi , aon« 
de elle elpugnou muitas povoaç6es , e fez entrar debaixa 
da sua obediência grande multidão dos habitamea do men* 
cionado paiz; edalíi regressou para Tainamal, acmdc per-r 
maneceu dous mczes até desça nçar a sua gentes Tendo dcM 
pois sahido d'aqui á frente de trinta mil Almuhades a ata*-* 
car a cidade de Agmat, e as tríbus de Hairaja , congre«« 
garáo-«e os seus habitantes., e muitos dos principaes de 
Lametuna , e oucsos, e prepara rão^se para combater contra» 
Mahadi. Encontrados os dous exércitos, ficarão victoriosoa 
os Almuhades, maçando immensos dos seus contrários. De^ 
pois que Mahadi repartiu os despojos entre x)s Almuha- 
des, foi atacar as tribus- dos montes Atlânticos, os seas^ 
castdtos , e valles , petos quacs proseguiu a sua marcha 
matando aquelles que se lhe oppunhão, e dando segurança 
aos que 'o seguião; e tendo-se-lhe sugeh;ído as. tríbus de 
Hamata , Janfissa , Harga , e outras , residentes haquellos) 
montes, voltou dalli para Tainamaí, aonde permanecei» 

Bb 2 



C 19^) 

afgmn tempo .^té.dèscançarem as gentes, e refrescarem os 
Âtfnuhades. Ordenou então a estes , que sahissem a atacar 
Marrocos, e a proseguir a guerra sagrada contra os Âlmo* 
•rabídes , nella residentes , nomeando seus cominandantes a 
Âbdelmumén , íiiho de AI7 y e a Abu Mohaatmed Alba* 
sir, devendo ser AbdelntuoKn o seu prelado nasoraçóes» 
Tendo partido de Tainamal os exércitos dos Aimuhades 
com direcção a Marrocos, logo aue chegarão a Agioat, 
^ahiu-lbes ao encontro o Príncipe Aou^Bacar, filho deAÍjr^ 
filho de lussof , á frente de hum grande exercito de Lame- 
tuna , das outras tribus de Sananaja , dos familiares da 
fua caza , e de outroç; e tendo havido entre elles porfiados 
combates por espaço de oito dias , e sido desbaratado o 
Príncipe Abu-Bacar , seguiu-os Abdelmumen com as tropas 
dos Aimuhades, matanoo nelles por todo» os caminhos até 
os meter em Marrocos ; e tendo-Ihes fechado as portas na 
cara , os sítiarSo nella por espaço de trez dias , oonde de^ 
poii partilho para Tainamal no mez de Rageb do anno 
52^ (xi30). Na volta dos Alnuihades para Tainamal, 
sahitt Mahadi ao seu eçcontro, sáUdou-os , deu-lhes as boas 
vindas, e certificou-os das suas victorias , e conquistas, 
dos paizes , que haviSo dominar , e da duração do seu rei» 
nado; e de que morria naquelle mesmo anno, por cujo mo- 
tivo choradu) , e se entristecerão. Tendo depois adoecido 
da moléstia , de oie faleceu , e subsistido dias neste estado , 
nomeou então a Abdelmumen para presidir á oração , em 
quanto durasse a sua moléstia , a qual y foi aggravanda 
até que faleceu na manha do dia Quinta feira vinte cinco 
do mez de Ramadan do anno 524 (1130).^ 

G>nta hum dos escriptores sobre a vida de Mahadi , 
que este vira em sonhos antes do- seu falecimento hum su* 
gaito, que tendo parado á porta do seu aposemo, princi* 
piara com elle o seguinte dialogo ; 

Sugeito. -7- Parece-me estar em hum aposeffto, em 
que, teodo ja falecido os seus habitantes, se poseráo no 
esquecimento os seus vestígios, e as suas dignidades/ 



<t97) 

Mabaãi. — Tacs ^o as cousas do mundo ^ fazendo- 
se velhas as novas , porqne na verdade toda a juventude 
^de a Ma formosura. 

«SI — Cuida em preparar-te , porque estás a partir do 
mundo : tu has de ser sem duvida perguntado ; e <}ue hás 
de responder ? 

M. '— Hei de certamente dizer ^ que testifiquei (que 
nSo ha senão bum só ) Deos , de cuja palavra senão podem 
contar as virtudes. 

S. — Cuida em dispór-te para, a morte ^ porque tu es* 
tás morto. 

M. — Inibrma-me quando isso será, e do modo^ 
porque eu farei promptamente o que disseres. 

S* — Passarão vipte trez ix>utes : lá para o fim do 
mez \ mas nâo o completarás. Com effeito só viveu vinte 
oito noutes , e morreu. 

Conta-se também » que tendo-se-lhe aggravado a mo- 
léstia , e atando certo , de que morria ^ chamara a Âbdel- 
mumen ^ e lhe entregara hum livro de historia , que tinha 
obtido de Abu-Hamod Algazali; e que lhe fizera as seguin- 
tes recommendaçòes : que tratasse bem a seus irmãos ; que 
quando elle Mahacli morresse , occultasse alguns dias a sua 
morte até se congregarem os Almuhades; que oamorta? 
Ihasse no vestido , que lhe designou, o lavasse, e encom- 
mendasse; e que o sepultasse na mesquita de Tainaroal» 
do que resultara romper Abdelmumen em grande pranto. 

Albornosi diz, que Mahadi falecera na mannâ do dia 
Q^nta feira 25 do mez de Ramada n doanno 524 (1130); 
mas o íilho de Algazab qCter que fosse na Qimrta feira 13 
do dito mez. Ha outro author., que diz, que olevaniamen- 
'^to, e acdamação de Mahadi fora no principio do mez de 
MoharfSim do anno $1% ( 1121 ) , e o seu falecimento na 
mencionada Quarta feira 13 do referido mez e annoj vin-* 
do a ter reinado oito annos , oito mezes, e treze dias ; mas 
o mais ccrto^a este respeito he o que conta Abu-Aly , fi^ 
lho de Raxiq no seu livro balança do mundo , no qual diz, 
que Mahadi fora acclamado no Sabbado primeiro dia da 



iftêe de Mohâfriím ão anno ^t6 (1122), é ítAecêra na 
Qtijirta feira 13 do mcz de Ramadan do anno $14, (1130), 
cuja notícia dizem alguns historiadores, que Abu-Alj eiH 
Crâhira de huma nnemoriâ , escripta pelo Príncipe dos mof- 
telemano6 Abu-Iacub lussof, filho de Abdelmumen, aqoal 
elle composera na presença do dito seu pai, e por sua or- 
dem , e dos seus conselheiros. Foi por tanto o seu reinado , 
aegundo esta authoridade , de 3085: dias , isto he , de 8 
annos, 8 mezes, e 12 dias: havendo por oonsequencU si« 
do acdamado no Saboado , e falecido na Quarta feira. 

Descripçâo da sua figura , caracter , e de algumas no* 
tícias das suas disposiçòes. 

Mohammed, denominado Mahadi, e levantado com 
a d jnastia dos Almuhades , era de estatura elegante , tri- 

fueiro , dentes ralos , naris aquiJioo , olhos encovados y bar* 
a rala nas faces j e tinha hum signal preto na palma da. 
mSo direita. Era dotado de direcção , perspicácia , astúcia , 
e grande agudeza , e penetração ; sábio , Doutor , expoaiiDr 
da vida do profeta , a qual conservava de memoria , genea* 
lógico, sábio nas scienchas de fé, e na arte de disputar^ 
eloquente, e emprehendedor de grandes cousas; e aangui*» 
nario sem limite , nem haver para elle consideração , que o 
abstivesse da effusâo do sangue humano ; conhecedor doa 
desejos internos, e pertençoes dos homens j vigilante nas 
suas disposições^ e providente a respeito das leis do seu Im« 
perlo, o qual com as suas imposturas aplanou o Reino pa« 
ra outro. Tendo encontrado hum povo ignòrantissimo , te- 
ve grande predomínio sobre elle, induzindo os ignorantes 
de Mossameda para o acdamafem, aos quaes ensinou na 
sua lingoa o culto de bum só Deos , porque elle descendia 
delles, cujo culto observâo até hoje; enslnando-lhes tam« 
bem , que elle era o prelado Mahadi, que se havia levan* 
rsr , quando se estivesse a completar o anno de quinhentost 
Como elle tratava os Almorabides por homens corpóreos c 
infiéis , permittiu-lhes combate-los , e captivar suas mulhe- 
res, e riquezas; accrescentando-lhes: os Almorabides dc- 
lominarao-se Príncipes dos crentes , quando na verdade se 



( m ) 

oooliecem por homens de duas religiòes ; e sSo aqtielles $ 

fespçito dos quaes o profeta disse : ha duas castas de gen^ 

te , que oão entrarão no paraíso : a primeira he aquelle po«i 

vo , que lia de appareccr no fim do mundo coni azorra- 

guês como caudas dos bois, e suas mulheres humas vestidas^ 

outras nuas , humas arrogantes , e outras meigas ; e suas ca« 

becas como as corcovas dos camelos persianos. Em fim. 

tudo quanto Q profetãi narrou a respeito do$ Príficipea dg 

século» tudo Mahadi applicou aos Almorabides, com q 

que socegou os coraçâea dospusillanimes, edosidiptas, Hu* 

ma da^ suas astucíga» eae$(Ses sanguinolentas foi peg^r dft 

alguns dos aeua sequis^es > 9 enterra-los vivos , deixando»- 

lhes hum respiradouro ^ aos quaea Mahadi dis«e: qvapdo 

fordes perguntados , dizei : encontramos na verdade 9 quQ 

QOsso Çenhor nos promefteu a respeito da duplicação do 

premio pelo combate contra os Lametunenses, e eiQ pion 

porção do nosso martyrio : forçai-vos por tanto eoi cpmn 

pater o vosso inimigo, porque quem vos convida a isso h^ 

Q prelado Mahadi, vosso amigo verdadeiro. Qyando aç«r 

bardes de fallar, continuou Mahadi, eu vos extrahirei , (p. 

tereis junto de mim o fnais elevado, e distincto lugar, 9 

ue vos protesto cumprir, A causa deste procedimento de 

ahadi foi , porque tanto que os Almuhades se encontra*^ 

rjo com o exercito dos Almorabides, e se ateou o comba-. 

te entre eI|es,^oqual morreráo immensos daquelles, fez is-^ 

to grande impressão nas suas tribus, e famílias; e por isso 

usou deste estrategema , para lhes suavisar a magoa dos 

mortos, t feridos; e passando de noute ao lugar, ^ondç xi^ 

nha $ido a morta nc^ade,' com os sobreditos seus sequazes ^ 

cnterrpu-os no dito lugar; e tendo voltado depois para o 

seu arraial, disse, sendo ja passada a meia noufe, ao^Xç*- 

ques dos Almuhades: Vós, ó assemblea de Alfnuhades» 

sois a porção escolhida por Deos, sois os defensores da 

sua religião, e os auxiliadores da verdade: esforçai-vos por 

jtanto no combate contra o vosso inimigo , porque vós se- 

guiz o caminho da verd.ide, c estaes ao facto dos vossos 

negócios } mas.se duvidaes do que vos digo, hide ao sitio 



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(lOI ) 

CAPITULO XLV* 



Df reinado dê Califa Príncipe dúx er entes Jbíh 

Moòammed Abdelmumen , fiUfo de Âly , 

Cnfense^ Zanatense. 



A 



BDBLMUMEN era filho dé AI7, filho de liliy filho 
deMarauan, filho deNasser , filho de AI7,' filho deAmer, 
filho de AUmti , filho de Mussa ^ filho de Aunel-lah , fi- 
lho de laMa, filho de Uazjamaa, filho deSabtun, filho 
de Nafur^ filho de Moatat, filho de Hud , filho de Mad- 

Siice, filho de lumar, filho de Mazig , filho de Caísse, 
ho de Gailao , filho de Madar , filho de Nazar , filho 
de Maad, filho de Adnan. Assim ordena multidão de, es» 
críptores da sua dyoastia a sua geração, descendência, e 

fenealogia , a qual y segundo elles dizem , foi ezrrahida de 
um papel, escripto por seu neto Abu-Mohammed Abdel- 
Uahed ; mas Qeos he quem sabe a verdade. Abdelmumea 
era natural de Zanata , filho de Aly^ oíficial de oleiro, o 
qual se occupava em fieibricar fogareiros ; e fi3Í desde a sua 
infância frequentador das mesquitas , e do estudo do AI« 
corSo. Tendo-se Mahadi encontrado com elle , quaodo vol- 
tou ^ra a Mauritânia , o aggregou a si , por Deos Altís- 
simo por disposição sua assim o querer. O que consta dei* 
le he , que era homem Zanatense, natural deCuma-honain, 
do lugar chamado Tagira , que dista trez milhas do porto 
Honain (a). Suppondo Abdelmumen, que Mahadi o no- 
meara seu successor, fcz-se acciamar particularmente, logo 
que este faleceu , pelos dez sócios do mesmo Mahadi , os 
quaes occultarão a morte deste , e se congregarão para a 
acclamasâo de Abdelmumen , por Mahadi o ter escoihi- 

Cc 

(tf) o porto de Honaio fica do lado Occidental de Orio nos estados de 
AigeL 



•ter Mahadi nomeado 96a < successof parAa pmidéncia da 
oração , que he a base do mohanTmetismo , razfe poraoe 
deviâo eleva-^lo ao califado , imitandp o procedímeiuo aos 
80CÍ0S do profeta^ quando disserao : Abu^Bacar deve ser 
-preferido para o emprego de prelada pelos motivoa segiiin» 
tes: pela sua virtude , acçòes^ e sabedoria; e porque o pro* 
ieta o nomeou prelado na sua moléstia , e era o seu pa« 
rente mais próximo ; e que por isso reconhecerão a Áboel- 
nurnien , e se concluirá a sua acclamaçâo. 

Conta-se também , que logo que o leão fez as siias 
festas a Abdelmumen , e correu este a sua abençoada aâo 
direita sobre elle , lhe ordenara que voltasse , o que elle 
cumprira , obedecendo ao seu mapdado ; e que se elle po- 
desse fallar, o louvaria, e lhe agradeceria; mas que na- 
qiielle estado lhe mostrara , o que se divulgou por todo o 
mundo, que se eternizou no interior das paginas, e o £ez 
acreditar a respeito de iguaes prodígios. Sobre este mesmo 
objecto diz (o poeta) Âbu-Àly Annasser: Familiarizou^se 
gostosamente o leãozinho com o lèSo, e seencamínhou pa- 
ra este a congratula-lo; e á ave com a palavra victoria vo» 
instigou , por isso que determinou qual de vós era a mere* 
cedor ,. depois que chegou. OCreador fezfallar assua$,crea« 
turas em testemunho; e todas ja testemunharão, que tu és 
elevado pór elle. ao Império, depois que prolongou ásgeo- 
tes o fim da vida. 

A acciamaçâo particular de Abdelmumen pelos dez 
discípulos, e conselheiros de Mahadi foi no dia Quinta 
feira 14 do mez de Ramadan do anno 5*24 ( 1130), e a 
geral foi no dia Sexta feira 20 do mez de Rabial*áual do 
anno 526 (1132) na mesquita de Tainamal depots da 
oração , dous annos depois do falecimento de Mahadi. Os 
primeiros , que o acclamarâo , fbrão os dez preditos , de- 
pois 08 cincoenta dos Xeques Almuhades, e por ultimo ro- 
ços os Almuhades, sem se oppór hum só á sua acclama* 
ção , tendo esta sido prestada sobre hum elevado throno , 
a que elles subirao , aboli ndo-se com ella a dyhastia La- 
metunense ^ a qual desappareceu com a morte de huns , e 



( 20y ) 

'desterro de outros. Tendo Abdelmitmen expugnado to4a b 
Maurícaoía y e depois a Efriquia até Barca ^ e seguidamen- 
te todo o paiz. da Hespanha; e sido annuncia£> na col« 
kcta sobre as tribunas das mesquitas de iodos estes distri-> 
ctos : logo que se completou a sua acdamaçâo , e estaber 
leceu o Império dosAlmubades> tratou de mover-se a com- 
bater 08 seus inimigos i e os povos ?acillantes, ou pertina- 
zes contra a sua obediência , e de expugnar o^ pai^ , sen- 
do a sua primçira expedição contra Tadela, para a qual 
sahiu de Tainamai no dia Quinta feira vinte quatro do 
mez de Rabial*áual do anno 526 (1132) á frente de trin- 
ta mil Âlmuhadesj e tendo alli chegado, saqueado-a , e 
captivado os seus habitantes/ retirou-se depois a comba- 
ter o paiz de Daraa , que também expugnou » assim como 
o paiz de Taigar, e seguidamente os paizes de Fazaze, e 
Gaiata, donde sahiu depois no mez de Safar do anno 534 
(11^9) para as suas gazuas^ mais prolongadas: não tendo 
cessado oesde esta época até ao anno 541 (114^) de com- 
bater as tribus , e de conquistar o paiz , sendo o primeiro 
que conquistou nesta expedição o de Taza , e as monta- 
nhas de Gaiata, 

Continuarão as guerras entre Abdelmumefi e os Almo- 
rabides desde o dia, que aquelle foi acclamado até que fa- 
leceu Aly, filho de lussof ; e tendo subido ao throno de- 
pois deste seii filho Taxefin, continuarão os ditos comba- 
tes do mesmo modo aié que faleceu Taxeiin, depois de 
haver Abdelmumen permanecido dous annos em Aqrita , e 
Taxefin defronte delle a combate-lo diariamente, ahernan- 
do-se huns aos outros. Tendo Abdelmumen partido de- 
pois para as montanhas de Gammara , paniu Taxefin no 
seu alcance , o qual se acampou junto do rio Tahlit de- 
fronte de Abdel-Cadim; elsto na estação do inverno, aon- 
de permaneceu dous mezes até que os seus queimarão a^ 
mesnras estacas das suas tendas, as suas lanças, e os espe« 
quês dos yeus aposentos , e barracas. Tendo Abdelmumen 
partido depois para as partes de Telamessan , o mesmo 
praticou Taxc£n a marchas dcbr^das^ emrando ndld aa- 



(ta6) 

m de Abdelmumen ; e a s^guroa, e ferdfeoD. Vem este 
eofD o exercito dos Alir)uhades -, e tendo-se acamindo ao* 
bre elia entre M dous rochedos , não cesBaiik> os combatfi 
eocre ambos até que Abdelmumen marchou para Orão ^ dd«* 
xando huma divido dos. Almuhades a sitiar Tdamessaa. 
Tendo Taxefin sabido de Telamessan com os |>riocfpaes 
do seu poro, e deixado encarregada a soa defeaa a tU 

Suns Almorabides , marchou em soccorro de Orão ; e tea* 
o cabido com dle a sua egoa de noute de huma ríbancei^ 
fa sobre o mar^ morreu, e conquistou Abdêlotomen Orâo, a 
Telamessan no me de Ramadan doanno 5^37 (114^)9 se^ 
guado refere o author da obra intitulada Almanno-belemama. 
O filho de Almatroh-AIcaissi diz , que tendo Abdel- 
mumen sido acclamado em Tainamal partira com o exer* 
cito dos Almuhades para Marrocos no mez de Xaual do 
mencionado anno ^26 (1132); e que tendo^a combatida 
alguns dias^ , partira depois para Tadela , donde , depcás 
de a expugnar 9 nmrchara para Daraa , aoual também con-« 
qulstara , e seguidamente a cidade de Salé y cujos habitan-* 
tes o vierSo encontrar obedientes e submis^^os, na qual eiH 
trará no dia Sabbado vinte quatro do mez de Diu^Jiej-ja 
do referido anno de; 16 (1132), e fora annuneiado na 
collecta; que M anno çxy ( ir 32 ) expugnam o páiz de 
Taza, e no seguinte se inrittilara Príncipe dos mosselema** 
nos; que no anno 5'í9 (Í134) mandara cotlstfutr as fbrti** 
ficaçòes de Taza ; que pereeverara ^ combater Taxefin des- 
de o anno 5*30 ( 1135' ) até ao anno 5^39 ( 1144), o qual 
TCndo^se apertado como^lrio, saltifã daili para Orâo ; 
e tendo Abdelmumen hido em seu segui memo, deixan- 
ò huma ditislo do seu exefcrfo a contimt&r o' sitío de 
Telamessân , tsnto que Taxefin ^ vi^a apirrtado, sahira 
de noute de Orão com multidão das suas tropas a bater 
po acampamento de Abdelmumen; mas que se n^ a nou- 
te tenebrosa ^ se precipitara com elle a sua egoa do*ptfUH 
culo do monte , e morrera , ao qual , rendo amanhecido oa 
praia do mar morto , se cortara a cabeça , e fora levada 
a Abdelmumen^ que ordenou fosse coaduzida para Taina- 



z 



Ca07 ) 

mal , aonde fera dependurada sobre hum elevado salguei^» 
roi e que Abdelmumen entrara então em Orão por assaU 
to 00 met de Mohõrram no anuo 5*40 (1145'), c em Te- 
lamessan no seguinte mez de Safar , tendo*a ja sitiado , e 
dominado os Almuhades, donde os LametUnenses seretini- 
tío para Bejaia , os quaes havendo sido sitiados nella até 
ao aano j'44 (1149), foião então entrados de assalto pè>* 
ios Âluuthades. 

Xclamessao foi expugnada, diz AHx)rnnsi, no anno 
559 (1144); e depois de conquistada, mandou Abdelmu* 
mai hum exercito de dez mil cavalieiros pára a Hespa»- 
«ha, dosmaieesforçftdos Al mu hades, os quaes tendo desem- 
barcado nas praias de Algeziras , o primeiro paiz , que oob- 
quistarSo, e pacificamente, no mez de Duthejja de 5^9 
{11^5') foi a cidade de Gerez , estando 'nella governador 
Abul«amar, filho deGania, com tresentos cavalieiros AlnH> 
rabides , o qual tendo sahido com elles a encontrar os Al- 
muhades, acciamar&o a Abdelmumen, e entrarão debaixo 
da sua obediência y e por isso os Almuhades lhes ficarão 
chamando os dianteiros e primeiros , e deixarão livres os 
aeus bens até ao fim do seu reinado, sem cagarem o quarto, 
como pagava todo o ouiro paiz da Hespanha ; e quando 
8S deputações da Hespanha vinhao annualmente comprh- 
inentar os Soberanos Almuhades, a primeira, que se cha« 
mava, era a de Gerez, ditendo^se : aonde estão os diantei- 
ros, os primeiros, os habitantef^e Gerez? entra vão estes, 
e depois de fazerem a sua saudação, e de cnncluircm os 
•eus negócios , retiravão-se ; e então he que entravão as ou- 
tras deputações. 

IVndo os Almuhades entrado no paiz da Hespanha , 
4iz o filho de Farhaun , no anno 5^39 , e desembarcado na 
ilha de Tarifa , sendo commamiados pelo Xeque Abu-Atn- 
ran Mus^, filho de Said, o qual entrou em Tarifa,, su- 
geitando-se-lhe voluntariameme os seus habitantes ; e ten- 
do-o mandado chamar os habitantes de Algeziras, dirigiu* 
se a esta , na qual entrou no dia decimo do sobredito mez 
de Dulbej-ja^ doade fugirão os Alinorahtdes para Sevilha. 



• 

Np ànno seguinte expugnou Âbdelmumen a ddade de Fez 
depois de hum apertado sitio , o qual depois de ter atra-^ 
vessado o Vio , que nella entra , com taboas , vigas , e al- 
venaria ; e represada assim a agoa na planície, que^ca 
acima delia , soltou depois a presa y e havendo baixado a 
agoa de huma vez , destruiu a muralha da cidade , e ala- 
gou mais de duas mil casas , em que morreu immensa gea- 
te ; e pouco faltou , qudt a agoa inundasse a maior parte 
da mencionada cidade. Tendo Âbdelmumen entrada nella 
concedeu segurança aos seus habitantes, menos aoé Almo» 
rabideS, que ahi estavâo ; e nSo lha tendo acordado , ma- 
tou-os barbaramente, (^r) Ordenou , que a muralha da me»> 
/ ma cidade fosse demolida em diversas partes em certas dis- 
tancias, dizendo: eu não necessito muralha, poraueaa nos- 
sas espadas , e a nossa justiça são as nossas muralhas. Gon- 
aervoít-se a cidade de Fez sem muralha até que areedJficbu 
seu neto Almansor , o qual tendo morrido sem a acabar , 
a concluiu seu filho Mohammed Annasser nq anno 600 
(1203). No mesmo anno 5*40 (1145') foi expugnada a 
cidade de Sevilha , e dpminada pelos Almuhades , na qual 
foi reconheciclo Âbdelmumen , e conquistada a cidade de 
Málaga ; e ordenou , que fosse çonstruida a muralha de 
Tagerarte na comarca de Telamessan com a sua mesquita , 
e cidadela , a qual mutalha fez levantar. Neste mesmo an- 
|io foi também expugnada a provincia de Duquella. No 
meado do mez de Mohanim , que he o primeiro do an- 
no 5:41 (1146), entrou Âbdelmumen na cidade de Agmat 
pacificamente, e sem Combate, e successivamente em o 
mesmo anno» nas seguintes cidades: em Tanger no mez de 
Rabial-aguer , donde fugirão os Almorabides, e em Mar- 
rocos no dia doze do mez de^Xaual depois degrafides com* 
bates , e muitas derrotas dos Almorabfdes , e da apprchen- 
' são do seu Príncipe Eshaq, filho de Ajy, filho de lussof, 
filho de Taxefin, ao qual Âbdelmumen matou. Neste mes- 
mo mez se vierão apresentar todas astríbus, sem faltar iiu- 

(s) Cofoát no toro. IL pag. jio exaggen muito o precedertte suoccnou 



vflia BÓ) dò paisde MoMimeda, e ft flraioa emAbdefanv 
meu o Imporio da Mauritânia , sem lhe ficar conrendor, 
ou oppoâtor a elle. Entrado o anno 5^41 ( 1147 ) le?ail« 
toiMe contra o meamo Abdelmumen Almassio^ lavandeiío 
na cidade de Salé^ denomioando-se Al-hadi, cujo.noale 
era verdadeiramente Mohammed, filho de Hud ^ o qual erá 
adelo. Tendo sahido contra Abdelmumen, depois auecoa- 
qubtou com este a cidade de Marrocos, e o acaamou, 
venceu o paiz de Tamessená , e a maior parte do de Mos* 
aameda , e foi depois acclamado por todas as tribus, sem 
haver ficado debaixo da obedienaa de Abdelmumen senão 
a cidade de Marrocos ; mas havendo este mandado contra 
dle o Xeque Abu-Hafce com hum poderoso exercito de 
Almuhades , o cual partiu de Marrocos no primeiro do meãs 
de Dul-Kaada ao anno 5^42 ( 1 148 ) , hinoo Abdelmumen 
acompanha-lo até chegar a Tanessifat , donde os despediu , 
encommendando-os a Ueos , proseguirao na sua marcha pa-« 
ra o paiz de Tamessená, aonde se encont;^rai^ com o re- 
belde Âlmassio« Depois de porfiados combates, matou o 
Xeque Abu-Hafce com a sua própria mao o referido AI-» 
oiassid , e destroçou o seu exercito , o que aconteceu no mez 
de Dul-Hejja do dito anno ; e por iaso o denominarão os 
Almuhades espada de Deos á imitação de Galed , filho do 
Alualid de feliz memoria. Neste mesmo anno chegou hu- 
ma deputação de Sevilha, de que era membro o Odi 
Abu^acar, filho de Alarbi, a apresentar a sua obediência 
a Abdelmumen , a qual tendo-o encontrado occupado com 
a guerra de Almassio , conservou*se anno e meio em Mar^ 
roços sem o ver até ao dia da páscoa dos sacrifícios, que 
o encontrou no mesmo sitio da deprecaçâo, ou oração^ 
aonde osaudou ; mas tendo sido depois adnvirtida aaudièn« 
cia, saudado-o novamente, e apresenta ndo-ihe a obedien-* 
cia , perguntou então Abdelmumen ao sobredito' Cadi por 
Mahadi^ e se o tinha ou não encontrado, junto do prelado 
Abu-Hamed Algaxali; e tendo-lhe respondido que nâo^ 
mas que tinha ouvido fallar delle, lhe replicou: e que di-* 
zia Abu-hamed a respeito de Mahadi ? dizia, lhe tornou 

Dd 



(MO) 

celebre. E^ando adim 4eput»$6o a retimr-se pam Seriiba^ 
mandou passar 4iiMi diploma , ^o qaal corffirmara ^h ha^ 
bttantes da mtema na p09si^ -dm seus bens > a qcnl te •«• 
feentoudefle •ao anez «dé Jirmiidil-águer doa«no 543 (f r48). 
Mò principii^ 4o mesmo aafio partiu AbddanHnen para 
âigeieinassa , na q^l entrou , dando segurança aoasew ^* 
bkames \ e tendo regressado depois para Marrocos, saliitt> 
passados alguns dias , a atacar os Barguaras , pdos qitaes 
toi derrotado depois de porfiados combates; mas tendo de- 
pois catúdo sobre elles com grande ímpeto, ««mrado-os 
iom as espadas , sò escapaiâo delles os qaé «âo chegavâi 
aos annos dá puberdade. Nesta mesma oocasiâo ae levaota» 
itfo os habitantes de Cewa contra oa Almubades , depois de 
68 fierem acclamadp , e dado-lbes posse da cidade , c«o 
leirantainentò foi com parecer do seu Cadi Âiad , fiUio «e 
Mossa, os ornes mataiâo os Almuhades com os seus Clie» 
hs y t]oe iiéUasSe acharáo, e passou òdito Cadiomar oooa 
o reconhecimento de obediência para ò filho de Gania , ao 
oual pediv hum governador; e tendo mandado com eile 
Âasagrani^ logo que os Bairguatas souberâo da sabida de 
Ab^momefi contra elles^ escreverão ao dito Assagraui 
poucos diaa depois da sua chegada a Ceuta , pediodoJbe 
awilio» Foi este ter com eiles ; e tendo-o acclamado , e 
wido-se a elle, atacaráo a Abdelmumen^ e o derrotarSo; 
ttas tendoKM esie 4epoÍ8 accomettido impetuosamente oui- 
too hunS) e captivou outros; e tendo nigido Assaçraut, 
mandou pedir sqgurança a Abdelmumen, ehavendo-ína es- 
te prestado 9 oacdamou, prestando-lhedeboa vontade ube- 
dienda. Tanto que os habitantes de Ceuta virão isto , deli* 
berarfo sobre o que deyiâo obrar, e escreverão a sua ao* 
dama^ , e a enviado a Abdelmumen pelos seus Xeques , 
e sábios arrependidos do seu procedimento , aos quaes el!a 
(erdoou , assim como -ao Caai Aiad , mandandoJhe , que 
tosse residir em Marrocos , e ordenando ao mesmo tempo 
a demolição da muralha de Ceuta , o que se executou. No 
jnez de Jumadil-áual do mesmo anno 543 ( 1148) fbi lo* 



( »n ) 

madfl pK nmllo a cidade db llMfiitMs^ dMob de tit 
sttpportado sete annoa deaírie , -a qval 6)i ai^olaw » a «wior 
parte doa homens merca , e 00 mus beis qeitttadoei N» 
aieMio aana foi expugoada a cidade deCocdeva, e ado^ 
HtiaarSo os Aimuhades. Depois de lha itr entregado oaen 
governador lahia » filho de ÀI7 > fil^ho de Aixá^ sakiu dettt 
para GranUda a fallar com o seu governador LaoíecimeiMif 
para entregar esta aos Aimuhades , viato ter-lhea eUe Ja e»p 
trecado Córdova ^ e Carmona ; e ceado falecido eoí Gm^ 
tiBOà no dla^ Sexta feira vinte quatro do mea de Xaaba» do 
sobredito anno, foi enterrado na alcaoovit defíonte' de se^ 
pultura de Bades , filho de Habuase^ iMe mesma aono do» 
minou Ãbdehnumen a eidade de Gaen , naqual foi aoamai 
etado na collecta* Entrado depois o aono. ^44 (ti^) dok 
sninarib os Aimuhades a ddaae de MaKaAa ^ e ae Iman^ 
tDii eoL Támesseni hum individuo > chamado* Tacarquiq; 
e tandoH) aeelamado oaBarguatas y emuitaa tribus doaban» 
luras 9 conservoufSft tempos a combater oa Aimuhades y$íè 
cfoe esQca. trmnfaiáo deUc; e o matariio oom iouDeosos doe 
parbaioa^i seua aocpiâeea, e lhe levarão a eabe^ pêra BCam 
raoot. Tende entmdo OFaamá 5:4c (ri^> metvcu^se o Prin«» 
eipe dos ereete» para a cidade deSalé; e bvvende alli chei 
ffião , ^ fi» conduttir para eUa a agoa da fonte de Gabolar 
de Raiadet-^fatoh , e ordenou , qne entrasse na fuesrea cida^ 
de a deputação* de Hespanha , compoata de ptrto: de qui^ 
ithentoscavdleiros, todos Doutores , Cadis^ Xeqoes , e^ossi-. 
dotes, rendo-os hido encontrar na distancia de qnasi duss 
milhas d» cidTide os Visires AbuBbrahlm, Abu^Hafeoe, 
e ó Doator Abn^Jaafar , filhe de. Atia , e os. Xeques doe 
Alawhadts ^ e os oolk>caijo em bom quartel , e lhes fize** 
riíe exceli ente hospedagem. Tendo çidoadmittitbsá.audièiV' 
csa do Príncipe dbs crenres Abdelmumeti' no primeÍDO da- 
mez de Moharram do anno f^^( rifi ) rses dias depoie 
da soa chegada , fea* o Doutor AWJaafar stgoal eem pmn 
ferencía.aos dspatsdos de Córdova-, e adiântando^se o. Ca^ 
dí Abu-Cassem , filho de AUba^ge ^ d<^brou., c- expQg. 
perturbado o estada de Gordove^ dizendo : âSSmso^ ó Prin- 

Dd 2 



/ 



irlpe dos crentes , aô ouâl Deos destrua , já poz eita âda* 
de em abatimento. Abu-Bacar -porém implorou o seu.pa« 
tfòcinio em huma eloquente oração ; e rendosa Abdelmo- 
jnen approvado» considerou a todos em proporção das suas 
jerarchias, proveu i^ suas necessidades, concedeu-ihes o 
<]ue queriSo, e ordenou-lhes, que se retirassem {>ara o seu 
paiz, o que cumprirão. Entrado.depois oanno 546 (ii5'i), 
poz-se em movimentcTo Principe dos crentes Abu-Mohain*- 
med Abdelmumen , filho de Aly , para o lado oriental com 
o intento de atacnr Bejaia; e tendo nomeado a Abu*Hafce, 
filho de lahia» governador de Marrocos, seguiu asna mar- 
cha até chegar a Salé^ na qual se Conservou dqus mezes, 
depois dos quaes se moveu com direcção a Ceuta , fingia- 
do , que queria embarcar alli para a Hespanha , o qual lo* 
gO <)ue chegou á mesma , convocou os sábios de Sevilha , 
t de Córdova , e os Doutores , e Alcaides de Hespanl» ; 
^ tendo-se-lhe vindo apresentar, concedido-lhes o qae per- 
tenderão, e despedido-os , proseguiu na sua marcha. Tanto 
que chegou a Alcaçar de Abdelcarim (c]uelMr), ptssoo 
mostra ás suas tropas, pelas quaes distribuiu dinheiros^ 
ordenando-lhes , que. renovassem as suaa provisòes ; e to- 
mando por diverso caminho , proseguiu a sua marcha , det-^ 
zada a cidade de Fez á sua direita , até chegar ao rio Ma- 
luia , donde continuou para a cidade de l^lameasán , na 
qual se demorou somente hum dia , e se dirigiu para Be«- 
jaia até chegar a Argel i e tendo entrado nella pacificaiheiw 
te, ^ dado segurança aos seus habitantes, poz-se fóra ddla 
o seu governador , escapando para Bejaia , o qual deu a 
potida ao £lho de Hamad , senhor da mesma , da vinda 
de Abdelmumen , -de que até então não tinha noticia , e 
de haver tomado a Argel , o que o desanimou , e lhe cau» 
aou sentimento. Continuou o Principe dos crentes AbdeU 
«umen a sua marcha até acampar sobre Bejaia (a)^ e ten- 
do-lhe aberto as suas portas Abu-Abdallah , filho de Mai- 
mun , conhecido pelo nome de Ben-Hamdun , emrou neUa » 

(fi) &jai« pertence a Aigel, tf qual os Europeos cbamio Bugia. 



( «3 > 

fiigindo da mesma o sobredito Hamad por msr para Ge- 
qova y e desta para Castala , o que aconteceu no mez de 
Dol-Kaada do anno 547 ( irs*} )• No mesmo anno pas- 
sou o Xeque Abu-Hafce á Hespanha , mandado por Ab* 
delroumen , á frente de hum grande exercito, levando conv> 
sigo a Sid Abu?Said , filho do dito Príncipe y com o inten^ 
to de atacar os Chri^ião», e despoja-los de Almeria, por 
que ja a tinhão venvido ; e tendo marchado até se acam* 
parem junto delia , a sitiarão ^ e poserâo no maior aperto. 
Ha\rendo Sid Abu^id edificado liuma muralha , e pedido 
ós Christãos , extsteiites na predita cidade , soccorro a Af-* 
fonso, enviou-lbes este o Chrístão Salatino , e o filho de 
Mardaniz {a) com hum numeroso exercito em seu auxt^ 
lio i mas nào os podendo soccorrer , nem chegar ao acam«^ 
pamento de Sid Abu-Satd ^ por este o ter cercado de hu« 
ma alta^ e inaccessirel muralha, separarâo-se desistindo da 
cmpreza , e nlo tornarão depois a unir-se ; mas o Salatino 
cercou Ubeda , e Baeça ; e tendo-se senh<Mreado delias , as 
evacuou depois, Insistio Sid Abu-Saíd no sitio -de Almeria 
até que a conquistou, sahindo delia os Christâos com se- 
gurança em virtude da capitulação , que fizerao por inter^ 
vençâo do Vizir Abu-Jaafàr, filho de Atia. Principiado o 
anno $'47 ( ii^x ) entrou Abdelmumen em Bejaia , e sitia- 
rão os Almuhades ao filho de Hamad em Castala até que 
baixou com a promessa de segurança , acclamou a Abdel- 
mumen, e entrou debaixo da obediência dos Almuhades,' 
transportando-se para Marrocos com os seus familiares, aon* 
de Abdelmumen lhe deu dinheiro, e o coUocou em alto 

8ráo 'de honra. Permaneceu Abdelmumen dous mezes em 
gaia até a socegar,^expugnar a sua comarca, e promo- 
ver nella q^ sábios Almuhades ; e voltou para Marrocos 
no anno 5*48 (11^3); e tendo prendido lasselatin , paren- 
te de Mahadi, fazendo-o conduzir de Ceuta em rrilhtfes, 
ordenou , que fosse morto á porta^ da dita cidade. Dcpoir 



C«) Creio que o aulhor chama Karc^anix a Mohaoimed^ senhor de Vt* 
Jencia, que se uniu aaexeicito Lttitts.o, que foi soccofiec Aliuctia. 



' êst morte èswte partLo» Abdeknumen a vlsitae o amolcro êé 
Mahadi , aonde distribuiu por atjuellje povo gRUide qiiaott» 
dade de dinheiro , e mandou reedificar , e aJara^ar a sua bme» 
^ita. Partiu depoia dalli para Saié , nat qual ae conaBnm 
& rearo do diio anno; e tendo entrado o asso 549* (ii5r4), 
Bomeou seu filho Mçhamnipd Âssaid seu^suocessor por hm 
díploma^y ordenando , que se fizesse (Mnemosaçáa deUe aa 
pcedica } e assim o escreveu para todos os aéua estados , e 

ãovarnadores do seu pai£ ^ a Sid ÂburHaibe governador 
e Teiamessan, e da soa comarca ^ assodando-lhe Ah» 
Mohannned AbdeUiaaque, e do& seu secretarioa o DoMoi 
Abul-hassan Abdelmaicq , filho de Âiaxe , o qual escrs- 
veu depois disso a dous Califas; a> Sid Abu-Said. governa- 
dor de Ceuta e Tanser , associaml&*lhe Abu^MoMmmed 
Abdallah, filho deSoiaimaQ, e Abu*Othoifian Said, Sh 
lho de Maimui» , Sanahagense y e dos secretarioa o BtaútOB 
Abul-haouero , depois desre Âbu-Bacar , e depoisdesir Abo* 
fiacar, filho de Aiss», o Bejense; a Sid Abo^Mobaanncd 
Abdallah governador de Bejaia e sua oomaroft, assada»» 
do-lhe Abu-Said , fiiho de lahabte » e a Iagla£, GUim do 
"Alrhassan; a Sid lacub, filho delossof, governador deSe* 
vdlha , Silves , e scua distríetos ; e ao Xeoue Abu^Zaid de 
Córdova , e sua comarca^ Logo que Abadmumen elevou 
seus filhos ao governo do paiz, e decbioa por succeasof a 
seu filho Mohammed ^ e matou a lassclatin , paxenie de 
Mahadi, (a) declararâa^se contra dle Âbdebaais, e Ais», 
sa, irmãos de Mahadi; e achando^se em Fez, sahirâo ddw 
h para Marrocos pelo caminho da minai. Tendo, che^do 
a noticia da sua sabida de Fez a Abdelnnumen., sahii» de 
Salé seguindo também para Marrocos , depois 4e ter maiv» 
dado a diante contra elles o seu Vizir Abu-J^i^faf, fiUm 
de Atia ; e havendo-os achado ja dentro de Marrocos , on 
jo governador , chamado Abu-Hafce, filho de lafcrun, ti-- 
ahao morto, a primeira 'cousa, que Abdelmumen fim, kA 
• -— . ■ _ - - ■ , - - * 

(0) Em lugar das quatio palavras precedentes , se encontrão em Conde 
* took IL pag. }44 as seguintes zzjf hjustieia lãtãkim ic Cw«ih Jim$imdk 



Xbi 



C 4If ) 

4Mlfli-Jot y « €nidfics46s. Mo mesmo anno entrarão os Al- 
«mthades xm Ntabla depois de hum vigoroso sitio , para o 
41 ?r»dpe «» oentes cioha maaãadô o seu Alcaide 
ii«2aGnia ^ « quad a teve sitiada até qae a tomou por 
«smllo, cqos fadiitaotes mandou sahir para fóra delia; e 
iazéndo«8 pAr em fileínis , crd^nou que todos fossem mor- 
iof^aem 9«L«imo« inukUib «dos aeas Doutores » ^soKto de^ 
ffe Bumero « Doutor AÍMHÍl^quem ^ filho ide Battal Air- 
anohaddaoe, e o beoemerito^ ei virivoso Odi Abo^Amer , 
filho de Aljadde. £m fim o numero dos indradoos deNie- 
bla mortos naquelle liqpur foi de oiio mil , e da sua oomaiw 
ca de ifÊSítiO mil , suas mulheres e fiUioa vendidos , e os 
nens bens seq u estr a dos , o que pratioou o sobredito Al^ca»- 
de por smi «)rapría deliberação sem ordem de Abdelmuinen , 
o qual ttnoo mcebido esta noricia , lho estranhou , levan^ 
4o»lbe a mai o sen prooedímeoto, e mandou de Marrocos 
quem lho pnendesse . e ccuidueisae em grilhdes para a capi- 
tal i e tendo chegado a esta no dia da páscoa do Rama^ 
dan 9 o ocmservou ndla preso algum tempo ; e foi depois 
solto, e perdoado, sem ter restituído aos habitantes de 
Mietila coosa algunui detudo quanto lhes tinha tomado (ir). 
Entrado o anno jrfo (115^5) ordenou o Príncipe dos cien- 
tes , que se compotessem e reedificassem as mesquitas em 
todos os seus estados; que se emendassem. as maldades; que 
se queimassem os livros de poesias , e se dirigissem- os po- 
vos para a Leitura da vida e costumes do profeta , a res- 
peito do que escreveu* a todos os «bios do paiz da Hes- 
panha , e da Mauritânia. Depois que principiou o anno 
ffi (115:6) dominarao os Almuhades Granada , na qual 
foi annunciado Abdelmumen, cujos habitantes Iheenviaríò 
a soa acdamação ; e havendo^ recebido , enviou-lhcs o seu 
governador ; mas tendo-se retratado , e matado o dito i;o- 
Temador , levantar9o-se nella o filho de Mardanix , o filho 
<le Hamxaq , e o Christíb denominado o calvo. No anno 



(ji) Em Conde tom. H. pa^. }45 k adia o precedente período (juasi 
todo dcsfigufido , e dmoiamlo a MiebJa le/At por UebU. 



( 1x6 ) 

seguinte, segundo diz o filho de Mâtrob, ordenou ò 
cipe dos crentes o ataque de Granada , para a qual aiar» 
chou seu filho lussof, e Othoflian á frente de hum nume^ 
roso exercito , e a combaterilo até a tomareai por assalto } 
tendo sido morto o mencionado calvo com • os mais Cbrís» 
tâos^.que se acha vão com elle, e fugido, Ebrahim ^ filho 
de Hamxaq, e o filho de Matdanix; mas o filho de Saheb 
A«salá diz, que Granada (ora exougnada , e o referido cak» 
vo morto no anno ^$7 (1161). No mesmo anno depdz o 
Príncipe dos crentes o seu Vizir Abu-Jaafar , filho de Atia ; 
e depois de o ter preso algum, tempo , o matou no mex 
de Aaual do dito anno , e nomeou em seu lugar a Abde8«< 
saiam, filho de Mohammed Cuíense, com a mâi do qoai 
o pai deAbdelmumen foi casado, da qual teve huma filiia^ 

2ue elle casou com Abu«Ha£ce, que este. depois n?pudiou« 
)epois que Abdelmumen o nomeou seu Ministro , quaiH 
do matou a Abu-Jaafàr, nomeou também para lhe escrever 
as cartas, e as ordens a Abul-hassan Abdelmaleq, filho de 
.Alaiaxe, Cordovense. No anno jr 5^ 3 (1158) succedeu.a cx^^ 
pediçâo deMahadia, e a sua expugnação, e resgate do 
poder dos Christãos, que a tinhâo dominado, assim como 
a conquista de toda a È&iquia. O senhor de Mabaciia, an- 
tes dosChcistâos a possuírem, era Al*hassan, filho deAly, 
£lho de lahia , filho de Tamim , por a haver herdado de 
seu pai , e avós; mas tendo-a cercaao o inimigo, senhor de 
Sicília , pondo-Ihe hum apertado sitio até a tomar por as- 
salto depois do anno jr40, fugiu o dito AUhassan para An- 
gel, aonde fixou a sua residência. Quando Abdelmumen 
chegou a Argel , encontrou nella o referido Al-hassan , o 
qual sahiu a recebe-lo, eoacciamou; e tendo Abdelmu^ 
men casado çom huma sua filha, o trouxe para Marrocos, 
na qual se conservou com elle até ao anno ^$j ( 1158). 
Seguiu Abdelmumen a sua marcha para o oriente com o 
destino de combater Mahadia , o qual havendo alli cbega^ 
do, a cercou por terra, e por mar, e começou a comba- 
te-la até ao anno ççç (1160), em que a arrancou das mãos 
dos Christáos^ segundo diz • Albornosi» Eis aqui o que diz 



o fHKo de Jâfiufi t ette respeito: moMB-ie o Fnodfe dai 
crentes AbddmQtneo de B&anocDS paia o ataipie deMalu« 
dia fio principio do mez de Xaual do anuo jrsra ( iirS ) » 
harendo nomeado goTeraador dfe Manooos a AbiHmfGei 
fiUio de lahía , deixando cofti dfe a aeo filho Sid Âbul-haa* 
^an i de Fez , e sua comarca a Abii-Iacub lussof » filho de 
Solaiman; de Setilha, Córdova » e de todo opaiz ocddeiH 
tal^ da Hespanha a seu filho Sid Abn-lacub lussof ; e de 
Granada a seu filho Abu-Said i t tendo eiie s^uido a sua 
marcha acompanhado de innumetavel pofo , eaehum sem 
numero de tropas dos Almiihades das tribus dos Árabes , e 
de Zanata , de Àlagzazes , e de Seteiros , dirígindo-se ao 
oriente, foi Deos servido, que eUe conquistasse varias for- 
talezas no paiz da Efriquía , e em outros paizes , dando 
segurança a quem a procurava , e matando a ouem se lhe 
oppunha^ até chegar á cidade de Tuoes« Tenooa sitiado 
trez dias , partiu dalli , deixando sobre dia hum exerdto 
de Aimuhades , e proseguiu a sua marcha até chegar a Cai* 
rauan y a qual conquistou , assim como Sussa , e Safaquece ^ 
donde partiu para Mahadia ; e tendo cercado os Christâof 
adia existentes por terra e por mar, e assestado contra d- 
la catapultas , e artilharia da terra , e do mar ^ nSo cessou 
de a combater de dia e de noute^altemandcKse as tribus 
dos Aimuhades no seu ataque , até que a «pugnou , ha- 
vendo morrido ndla grande multídâo de Cbristâos. Entra* 
4o depois o anno ^^^ (ii59) ^^^ conquistada a cidade de 
Tunes no mez de JumadH*aua! , e nella annundado , e re<* 
xonhecido o Príncipe dos errares Âbdelmumen , depois da 
qual foi logo expngnada Mahadia, depois de hum sitio de 
sete mezes. No mesmo ànno conquistou Abddmumen to- 
do o paiz da Efriquia , entrando os seus habitantes debai* 
jto da sua obediência desde Barca aié Tclamessan , sem ii« 
car no dito paiz quem se lhe opposesse, pelo qual distri- 
buiu os seus governadores, e Cádis, e segurou as suas fron* 
teiras ; soce^ou , e compoz o seu estado ; e ordenou , que 
se medisse o paiz desde Barca , paiz da Efriquia , até ao 
paiz de Nun em Sussd-aquessa em Icgoas e uíilhas no seu 

Ee 



^ 



ebllfó úàt túéúíê^ , Udéi^éfà, fios , imenoÈ âtrlim^^fe , tuim*» 
f fh pMíítít^d Cf trtBírtí^í bbTÍè<^ftíts«fe Cátia *»*fe d«l^w^•►^ 

fe è:h)Ug»árá IVfáimdiá úo Mno, ou d\^ifti6 á^A do nitt d» 
Mòftaffátii dò irMi6 ^j^y (iiéó). No me^mo fttint) «ifd^ftM 
AbàelMrtiitièã, ()(1^ ^ í^aãiBcâ^se , t fortificasse Gibrâhâf; 
i f&i âiàèttdiâtf ò sèu câstello , cajh obra «e principiou a 
bòvé dò Atei de Blabiftl^ual^ e se concluiu honie^ áeDa^ 
Kâadà dò rtfêtHò ahtíú ; . ylHdô a fatse!Me em Mi€ ttieB». 
If^hcb-ae noVidO tt PHístip» dosctrht^ duBfíí^úfo ift»ffi«b>- 
Mb áhiiò ))tfra d MaurítaHía procurando T)ivrgef cHN«id4e^ 
fito rfe p^íMát i Héspanha , e hiarchado dté di^gáf b IffH* 
tttà pbtdàçSb^fe OfSo, pedi)>;lò-}he os AfèbMda E#iâeí«i 
litetaj^a {^i^ se despedirem , e voltarem para SM« «HdW 
tis y ^ t{tía\ Ihek cohc^bti , ttanspottando para ia MioritàHiâ 
thb tàdã líumà das suas tribus tnil individua Cóm ak skiêiA 
Àiniliátí e 'sSo tstes os Atabes de >tme. No seu fegMso 
edificou à cidade de Albatfaá ; e %i^ aqui á cattsa , port]«e 
tmplthéndiD eiítà obra : como se ptolongasse â sua ttls^ 
IMcia tom tte Almuhades no paiz do oriente , e a aosenctia 
^seu pãiz foste mais dilatada ^ do<]ue estes querifo, pM^ 
pDserão-se ãlgiiós delles a mata-io , accomettendo*o na sua 
tenda , quando estivesse dormindo.' Tendo concordado nisto, 
Veia hum dos Xeques , que sabião isto , ter com Abdelmu» 
íneh , o qual o informou do caso ^ e lhe disse : peitnitte-me ^ 
l}ue eu durma esta noute no teu quarto, e na tua cama em 
leu lugar, porque se fiserem o que ajustarão, livro-te sacri«- 
ticando-me a mim mesmo pelo bem dos mosselemsnos , pe- 
lo què alcançarei o premio de Deos-, e se ficar salvo, do 
mesmo Deos Altíssimo terei a remuneração em proporção 
das minhas boas intençdes ; e havendo pernourado no dito 
tauarto , foi m^rtyrisado. Tanto que amanheceu , e celebrou 
Abdelmumen a oração de prima., procurou o dito Xeque; 




e tfftâcHO e|icontn49 vpmtq^ fegpnf. ^^^ fi ^^f^f 9^ # 
brç hiuna chinela ; tí^m que ning^jeo» 9^4f{(P^ fbi cai" 
nbando, ç vagaodo ja para a direita , ia p^r$ a sm 
aié ^ueae deitou sem ser obrígad^. ^Or^ççqu «it$9 Al, 
siunimi» que ae d^poscsse o predico Xeque ;^ ai»e ,t^Kpè^ 
a camela pela rédea , e afastada do {^gax , aoade ae úa(ͧ 
peitado » se abrisse alii hiuna CQva , e íossç ^ella enteiTra:* 
do y edificapdo^se sobre a mesma l^ito^ alco?a ^ e defroqte 
desta huma mesquita , ao redor áz qjulal prifiapiou depojÊjí 
% QOQttruir a sobredita ci4ade» deixando o^a dez de ,ca$l| 
huma das tribiis da Mauritânia , í^uide fcou 9 ^pultiin» 4Ò 
Xofm em grande mpàxo para os jt^^biit^A^es da^eljie jp^i^^ 
visítaoão-ji atéjiDJe. 

A* «oirada do Príocipe doa crentes f^ Jelam^F^o 4fr 
volta dma dpediçlo prendeu 9 Âbdess^i^ ^ ffUjLO ^ Mot 
hmnmtâ cyfrme • mu Vwír « encarcerouto , e enyeneiiquio ^ 
foís «m hiMpa p(Mrç$o de kÂte^ o qu^l mqrrçn ^ ^ 
iioute. Tendo AJbdelmuoKin sahido de Telainessan , _ 
Sftaarksaiiii » conitinuou a sua marcha at^ qvexhçgou a Tfi^ 
wr DO mn àc Dulrbej-ja dp aono 5^55 ( ijU^> Efitraàcf 
depaáa o aano ^^6 ( i loi ) passou o dito Pripoipe (^^i 
paia a llcspaaha ; e teodp deseniibaEcado .em.Qibçil^^ , ^^ 
|iioro»«e nell) dous me^ea a cuidar d9 ^19 ^^ar d^gi)ieUf 
fiaiz. Vindo alii sauda-lo os Alcaides , e jeques .dpii\esma 
paie , c joodeaado que se fosse combater o p9Í7 occident^ 
de tíesptnha , dirigiurse para elle ,0 Xeque Abfi-Molumir 
aned AbdaUah , 61ho de .Abu-rHafQe d^ .Cc^^dova com htiíxi 
poderoso exesciro de Almuhades ; e .!en$)o ajspygpado a for- 
takaa de Trancoso , erutatado todos os Christâps , que ^lel- 
4a enflontoou, j^eiu Affonsp A^ Tokdp em seu auxílio, ^ 
achon )Sí explanada; e dirigindo-se os Álmuhad^a com- 
bate-lo , desrotou^ Deps , Ceando ;mpnos sejs mU homens 
do sQi eseiicito , e .oondug&indo os moeiselem^rios ps captlvos 
para Córdova , e Sevilha. No m^mo ^ni>» dominarão o^ 
Almubades Badajoz, Beja , Evoca , e o caste)Io de Alca^ 
cer; e tendo Abdelmumen nomeado governador dessas ci« 

dadies.a Mohammedv;filbo de AI7 AUtragge^ vol^u p^ 

£e 2 



''ra Miíitotos. 'Entrado ó anno 5:5^7 (1161), mandatt oPrio- 
Ci^e (dos crentes aprotnptar as serias, ou galeras em co^ 
dós os portos do seu tiaiz , ' é tratou de se aproroptar pa« 
râ hir combater o paiz dos ChrístSos por terra epor niarj 

'para o que fèzapromptar cento e vinte na embocadura, e 
praias de Ma mora ; <!iem em Tanger, Ceuta, Atuçemaa, 
e mais pbrtos de Rife; certi ira effriquta , Orâo, e praia 
de Hon^aih ; e oitenta nos portos da Andaluzia ; tratou de 
fazer conduzir os cayállos para a guerra sagrada , de ajun- 
tar crescido numero de armas de diversas qualidades j e 
mandou fabricar setas em todos os seus estados , das quaea 
se faziâo todos os dias dez quimaes , vindo a ajuntar del- 
ias ínnumeraveis. Neste estado de cousas chegou ao Prio^ 
cipe dos crentes hum grande exercito da provmcia de Gi- 
inia em numero de quarenta mil cavalleiros : e o oae deu 
causa á sua vinda , foi por ter huma partida de Âlmuiui*- 
des meditado matar a Âodelmumen , e haver morto o Xo- 
que , que tinha occupado o seu lugar ; pois veia tomar vin^ 
gança delles , a qual maquinação procedeu , delle ser estra- 
nho entre elles , e nSo ter parentes , nem tribu a que perten* 
cesse y e em queín confiasse ; e tendo por isso escripto oc*» 
cultamente aos Xeques das tribus de Cumia ; ordenando^ 
lhes 9 que se dirigissem á sua presença com todos os seus , 
|Ue podessem montar , e chegassem aos annos da puberda- 
\t\ e qne viessem no maior aceio,.e perfeita, e completa- 
mente armados, para o que lhes manaou dinheiros, e ves- 
tuário ; por isso se ajuntarão os quarenta mil , e se apre- 
kentarSo ao Príncipe dos crentes em Marrocos, a íim. de 
se empregarem no seu serviço , com os quaes firmou a sua 
authondade , posto que com a vinda deste exercito se mur- 
murasse na Mauritânia , e as gentes faltassem cada huma 
a seu modo. Tendo marchado o dito exercito até se acam- 
par junto do rio Ommo^rabia ( Morbea ) , e constado aos 
iVlmuhades da sua aproximação , derâo parte disto a Ab- 
delmumen , Príncipe dos crentes , o qual ordenou ao Xeoue 
Abu-Hafce , que sahisse cpm huma panida de Almuhades 
com os seus Xeques a in£òrmar-se delles } e tendo marchar 



3 



< MI ) 

4t até os encontrar junto do dito rio » lhes disse : x6s ten-- 
des vistas pacificas, oahostiz? elles lhes responderão: nós 
somos de paz ; somos tribus do Príncipe dos crentes Ab- 
delmuai , nlho de Aly ; somos Zanatas de Cumia : viemos 
visita-lo ; e sauda-lo. Tendo regressado Âbu^Hafce com 
os seus companheiros, e informado a seu respeito , ordenou 
Abdelmumen aos Almuhades , que sahissem a recebe-los , 
paia o que se congregarão. Foi a sua entrada em Marro- 
cos hum dos. dias festivos, aos quaes Abdelmumen coUo- 
cott na segunda Classe entre a ^província de Tainamal , e a 
que SC lhe sf gitia , aproximando-os desi^ etratando-os com 
intioia amizade , montando , e caminhando a traz , ea dian^ 
te delle, e giKirdando^)* No anno 5*^8 (1163) sahiu o 
F^incipe dos crentes de Marrocos para a Hespanha com 
projecto de emprehender a guerra sagrada , cuja partida foi 
no dia cinco do mez de Rabial-áual do referido anno^ e 
tendo chegado a Rebate, escreveu daqui para todos os 

Íaizes da Hespanha , Mauritânia , da parte meridional , da 
^friouia , doSuz , epara todas as outras tribus inSuindo-oS;^ 
e inflammando*08 para a gueira sagrada , ao que se prestou 
muiu gente ; pois se lhe unirão das tropas dos Almunades , 
e Lametunas , e das tribus dos Araber, e Zanatas mais de 
trezentos mil decávallo, e oitenta mil voluntários de cavai- 
lo , e cem mil de pé , com os quaes se estreitou a terra , 
estendendo-se , e.espalbando-se as tropas no território de 
Salé desde a fonte de Gsbula até á ae Gamiz, voltando 
em circulo até i garganta de Mamora. Tanto que lhe che- 

Í^arão as tropas , e se lhe completou o exercito , principiou- 
he a moléstia , de que faleceu* Tçndo-lhe esta continuado , 
e aggravado-se a sua afiicçáo , temendo morrer de repente , 
ordenou que se deixasse de fazer commemoraçâo de seu filho 
Mohammed na predica , por lhe narecer inepto para subir 
ao throno , no dia Quinta feira dò mez de Jumadil-águer 
do sobredito anno ; e escreveu sobre isto a todos os seus 

fMizes,' e súbditos:, com tudo continuou a moléstia , e se 
he aggravarão as aflicçòes e as dor<s até que fsicccu na 
ooute de Sexta feira deus do u.cz de Jumadil-águcr do so- 



( "O 

brediMinnô. Dtssf-se tambecn qoe Al^cera na Terça ^eC» 
fa "tlez do dito mez ao romper da aurora. Seja Deot ?iio, 
e eterno Bemdíto , o qaal não morre , i^o fenece a su àmi^ 
ração , nem se dissipa o seu Império. O filho de Algixa* 
be diz, que Abddmumen tinlia sessenta etrezaonot, quan* 
do faleceu ; e a filho de Saheb-Âssalah diz, que sesaenca 
e aoarra Foi transportado para Tainamal , e sepultado ao 
Urdo da sepidtura de Mahadi , tendo reinado trinta « txn 
^nnòs, cinco inezea^ e vinte trez dias, segundo diaem Ta»- 
íiot escriptores a respeito da sua d7naatia. 

Deixou quantidade de filhos ^ a saber: i^o^Iacub ii» 
sof , seu successor, Abu-Hafce^ sen innio uterino^ Mofam-* 
ttiedy deposto jpor seu pai da espectatiTã de seu suooessor^ 
Abdallab, ^senhor de Bqata ^ Otbofttan , senhor de Granai» 
da, Âl^hassan y Al-hassain , Solaiman , lahia, Bsoiafl^ 
Ebrahim , ÂI7 , lacub , Âbderrabaman , Daud , Aisaa , Aíuh 
fned, e Sid AbU'-Amran'o de mais merectnienio e-íastrao* 
çSo , ao quâl seu irmão lussòf nomeou governador 4^ 
COCOS} e duas filhai Aixá/e Safia. 

CAPÍTULO XLVI. 

ExpúsicM dã figura ^ cosfimesy ibeúr de vidé^ 

■e bondade de Prineipe dos cremtee jAIh 

deimmmen^fiibo de JBy. 



o 



»vernOy e direcção de Abdelmiimon foi beHo^-eoc- 
cellente. Náo houve entre os Soberanos Almuhadés <|oeci 
fosse tSo generoso > religioso ^ cavalleiro » nem mais sabio, 
-do que elle. 

Quanto á sua figura : era branco, e corado^ de olh« 
negros , cabello crespo , estatura perfeita , madeixas dos ca«- 
bclios excendida^ até aos extremos das orelhas, sobrane*- 
lhas arqueadas , nariz chato , e muito bafbudo por toda 
a parte. Pelo que respeita ás stias qualidades: era eloqueooe 
affavel , Dojjtor , sábio na maneira dedisputar, pois conhe- 
cia a sciencia por principios , observante <lo6 ditos , e ao- 



çte dó pfofèCfl^ iotelltgente em a dtaçSo das aotIiorf<|94 
dcs , universal nas scíencías divinas , e humanas ^ e o mata 
aabiò na lingoâ vernácula, naetymologia das palavras, nas' 
IraaiBiiidades , e na leitura, e com memora dor das épocas » t 
vidas das geátct ; de exceilente conducta , e penetrante coo* 
selho; dotado de pmdenda, direcção, firmeza, valor, ç 
contanda nos comoates , e nos negócios de igual pondcr 
fai(8o i afortunado , feiits , e vracedor , oão se tendo ja roais 



dmgido âpais, oueftSoconouistasse, oem oòmbaddo exer^ 
01O9 tfie táo aermifse. Era lambon liberal , generoso 
fx>r luinireza , e amante dos sabâos, e|iDlíticos apnxdroa» 
do-08 a si 5 eoobrecèDdo-os, guando vinUo ter com eUe^ 
€ coinpadccendo-M da sua oondiçào; e insigne fMWta. 

Conta- se que tendo Abddmumen sahiSo jium dia com 
• seu Viasr Ami-jMfar a divenir*se «m hum dce jaidins 
de Marrocos, hindo caminhando por huma das estradas 
da cidade, apparacera da pa|[fe de dentro das gelosias de 
huma casa o semblante de numa serva , resplandecente co- 
roo o sol , <{tte tinha alli corrido para o Ter ; e que tendo 
Abdelmumen i^ado para dia , e senhoreadonse esta de seu 
coraçSo dissera extemporaneamente em verso : rasgou as 
milinas entranhas , quando das gelosias olhou. Tomai , 6 
amantes, a minha sorte no olhar, ao ^que respondeu o seu 
Vizh* Abu-Jaaí^: assim como à divisou, a amou ardeoto- 
merne no coraçío a espada do vencedor Abdelmumen , fi- 
lho de Aly. Tendo-«e este transportado de alegria , e ap- 
. provaão a liberdade do teu Vizir; ,por isso lançou sobre 
elle a pellica , ou manto de honra , e lhe mandou avulta- 
da soma de dinheiro. 

Tinha Abdelmumen , diz o filho de Janun , qualida^ 
dcs de Príncipe , e sentimentos elevados ; e como não tives« 
se na sua casa Soberano , a ouem imitar nas delicias ; por 
isso que foi hum dos seus cuiaadosnao permanecer no cies* 
canço , nem entrrgar*se ás delicias , conquistou toda a Mau- 
Titania ; e dirigiodo-se depois para o oriente, a toda a 
Efriquie até Barca , assim como a Hcfpanha , tendo subju* 
gado os poderosos , -c tirado da f mãos dos Chri>tãos a Ma- 



(íH) 
há<!ia no páfz da Efriquia, e Almêria*, UBi^a^y^Báeça, e 
Badajoz no paiz da He$panha« 

Os seus secretários torâo Âbujaafar, ílho de Atía ., 
e seu irmão Atia, Abul-hassan, filho de Aíaxe, Maimon 
Âl-liauari, e Abidallah^ filho de label; e os seus Viziret 
Abu-JaaFiir , filbo de Atia \ depois deste Abdessalam , fi- 
lho de Mohammed , Cutnense, e depois Sid Abu-Hafce, 
filho do mesmo Soberano, ao ^ual se seguiu Edriz, filho 
de Jamea , caoiárisià do dito Príncipe; e seus Cádis Abu« 
Amran Mussa, filho de Saham^ natural deTainamal; de* 
pois. deste Abu-Iuasof Hajage , filho de lussof ; e dcpciíf 
Alassetad Abu^^Bacar, filho da Maimun, Gordpvense. 

Concluiu-se a primeka parte do Uvro, intitulado o 
agradável , c divertido cartaz , o qual trata dos Soberanos 
da Mauritânia , e da época da fundação da cidade de Fez» 



CAPITULO XLVII. 



I 



Do rehaio do Príncipe dos cremes lussqfj fi-' 
Ibo de Abdehnumen , filho de Aly. 



ussoF , Príncipe dos crentes , era filho do Califa Aba 
Mohammed Abdelmumen, filho de Aly , Zanatense, Cu- 
mense. Sua mái chamava-se Aixa , filha do Doutor e Cadi 
Abu- Amran, natural de Tainamal. Nasceu lussof no dia 
Quinta feira terceiro do me2 de Rageb do anno 5:33 (1139X 
Quanto á sua figura : tinha o semblante branco e cora- 
do, estatura bella, e perfeita , barba espessa, dentes ralos, 
nariz aquilino , e ambidextro , e desembaraçado de ambas 
as mios. A respeito das suas qualidades era judicioso , vir- 
tuoso, abstinente, benigno, cohibido na eímísio de sangue , 
humano , de excellente regime , e direcção , de recto conse- 
lho , e aíFeiçoado i guerra sagrada* Tanto que subiu ao 
throno, principiou, e seguiu o. caminho ^ marcha , e direc- 
ção de seu pai , imitou os seus finitos , e ajuntou muitas 
riquezas. Foi o primeiro Soberano dos Almuhad^, que pas- 
sou á guerra sagrada, a ptomoveu^e combateu pessoalmeo- 



( Mjr ) 

te; que possuiu fhesouros; que voou de numerosos exerci» 
tos; que poz em ordem o paiz; e que se lhe sugeitarâo os 
poTOs da Hespanha » e Mauritânia , tomando o seu Impé- 
rio o maior poder, ^o qual se extendeu desde Suiça de 
Benl-Matcuq , que he o ultimo paiz da Efriquia , até aos 
confins do paiz de Nun , pertencente ao território de Sus- 
sel-aquessa na Mauritânia ; e da hl até ao fim do paiz me- 
ridional ; e dominou na Hespanha desde a cidade de To- 
ledo pelo lado oriental até á cidade de Santarém do paiz 
Occidental da mesma , donde se lhe traziâo todos os direi* 
tos sem violência , nem oppressâo. Âugmentarão-se as ri- 
quezas na sua yida , consér?ou*se o paiz em boa ordem , 
poserlo-M em segurança as estradas , fbrtificarâo-se as fron- 
teiras 9 e composerão-se as cousas dos povos , assim nas po« 
voaçtfes , como nos campos ; e tudo em razão da sua ex- 
cellente marcha , igualdade de justiça para todos os seus 
súbditos /interesse na boa ordem dos seus paizes, tanto 
próximos, como remotos , e pessoal administração dos ne- 
gócios dos seus estados , dos quaes nada lhe era occulto ; 
e niío o dominava a preguiça para deixar de attender aos 
mesmos , ou encarrega-los a outrem. 

Teve desoito filhos : o primeiro lacub, seu successor^ 
appellidado Almansor , Esfaaq , Imtâo uterino do mesmo^ 
isto he, filhos da mesma mãi; lahia, Ebrahim, Mussa, 
Edriz, e Abdelaaziz, filhos da mesma mii ; Abu-Bacar^ 
Abdallah, Ahamcd , e lahia o pequeno, filhos da mesm^ 
mâi, eMohammed, Omar, Abderrahaman, Abdeliiahed, 
Abdel-haq-que , Eshaq , eTalâh. Foi seu tenente Rei, en- 
carregado, e incumbido das suas cousas, e do seu Reitio 
Síd Abu-Hafce, seu irmão; seu Vizir Abul-Àlá Edriz, fi- 
lho de Jamea ; e depois deste Abu-*Bacar lacub, filho de 
ladi ; seus Cádis o Doutor Abu-Iussof Hajage , filho de 
lussof, o Doutor Abu*Musia Aissa, filho de Amran, e 
o Doutor Abulabbace , filho de Almada, Cordovense ; seus 
secretários Abul-hassan Abdelmsleq, fiiho de Aiax , Cor- 
dovense na educação , e Eborense lU» ori(;em , varão insigne 
na historia dos ditos, e acçòes dt) profeta , na sua intetli* 

Ff 



gènda , e m escrita ; 6 dòtadô de câpapdade e recto come- 
lho; o exccUente Doutor Âbulfadel, filho dcTaher, natu- 
ral de Bejata y conhecido pelo appeilido de Hexua, oqwl 
era dotado de sabedoria, bondade, religião, desrreea na 
escrita , eloquência , e clareza na pronuncia, o qual escreves 
também depois a seu filho Almansor, easeu neto Annas^ 
Ser: seus iDcdicos o Vizir Abu-Bacar, filho de Tofil, na* 
turál de Guadix, vãtío perspicaz na arte da medicina, e 
na observação das feridas, o oual faleceu no anno 5*81 , o 
Doutor e Vizir Abu-Máruan Aodelmaleq., filho de Cassem , 
Oordovense , eminente na arte da medicina , o dignisaimo 
Doutor Abul-Ualid, Btn*Ârroid (filho de Arroxd) (a) ^ 
no qual o Príncipe dos crentes convidou para nr residir em 
Marrocos no anno ^78 (^1182) para exercitar a medicina;^ 
mas depois o promoveu ao lugar de Odi etn Córdova , 
(este heBen-Arroxd o neto), e Vizir Abu^Bacar, Bea-Zohr 
( filho de Zqhr ) (^) , o qual , como viesse repetidas veaes 
á capital de Marrocos , aonde se demorava . e regressava 
depois para aHespanha, se transportou afinai no anno 5:78 
(X182) para Marrocos com o seu trem, efàmilia, naquai 
se conservou, até á batalha de Santarém , áqual assistiu , de* 
pois da qual ficou pertencendo a Almansor. Era este instrui- 
do na medicina , nas bellas letras , na civilidade, trato , e 
urbanidade, ao qde unia a sciencia do direito , dos ditos, 
e acçòes do profeta, e da interpretação e explicação, area« 

(«) Eice Ben-Atroxd he o celebre íilofofo e medico , natural dè Gocdo- 
Vft, • <|uem os Poctuguezes» e Hespanhoes chamão Averroes. Foi dos mais 
iabtos Árabes da Hespanha, e o primeiro que traduz io Aristóteles do Gr^o 
para o Árabe, antes mesmo dos judeos o fazerem. Ena traducçSo Arabid, 
áqual o dito author accrescentou hum copinao commentano, dequeS.Tho- 
tnaz, e outios escolásticos se serviráo, foi por nós vertida eoi latim, antes 
snesmo deapparccer o original Grega Vid. Herbelocb bibliotheca oriental pag. 
709. 

(ft) Se attendermos a este ultimo nome , e is qualidades deste indlvi- 
duo, prece ser o celebre Ebnzohr , a quem nós chamamos Aventoar, que 
escreveu, segundo Herbeloth pag. Ss6 , vários tratados sobre medicamentos 
itmplioes , e compostos , e sobre os apmemos de que se deve usar nas «ih 
feraiidades ; mas ha discordância iios outros nomes , que o dito authoi Ifae 
dá , porque lhe diaroa « Abu Meruau , ben Abdallab. 



(217) 

peito, do qual 96 expiittie o filho de Aljudde ássim t oooacr* 
▼tva na meoioría o livro de Ainojarí ; e era dotado de I^ 
beralidade , e gravidade , e cxcellente poeta « o qual oom- 
poK veiaoi aobre o despreso das cousas munaanas , e tam* 
oem os seguintes mostrando nelles o seu ardente amor psb 
ra com hum seu filhinho : Tenho hum filhinho como o da 
ave Catto , junto do qual permanece o meu coração ; e teo^ 
do-me ausentado delle , qual não tem sido o meu cuidado 
pai;a com aquella creatura , e para com aquella £ice I , o 
qual tanto amor me tinha , e eu a elle; e por isso chora 
por mim, e eu por elle. Cançou-se por tanto o amor en^ 
tre 008, tanto delle para commigo, como. de mim para 
com dle. Faleceu na cidade de Marrocos na dia vigésimo 
primeiro do mez de Dul-hejja do anno 59^ (1x99)^ ^^^ 
do enrib de idade noventa e quatro annos. 

Do numeh) dos Doutores , que communica vâo , e hziio 
t cArte ao sobredito Príncipe , erao o observante Doutor 
Abu^Bacar, filho de Aljadde, c o Doutor e Cadi Abu« 
Abdallah, filho de Âlmodafl&r, o qual tendo sido elevado 
ao emprego de Cadi de Sevilha, otransferío depois oPríiH 
cipedos crentes lussof para a sua corte, aonae o elevou 
ao regime dos objeaos commerciaes , dos thesouros , ' e da 
Erário , por ser homem de instrucçSo ; e com elies se as- 
sentava , e communicava o Principe dos mosselemanos , fa« 
2endo ao mesmo tempo brilhar o seu lugar. Foi lussof ao* 
clamado depois do ralecimento de seu pai na manha do 
dia Qtiarta feira qnze do mez de JumadiKáguir do anno 
55*8 ( 116) ) , e faleceu martyr na gazua de Santarém do 
paíz Occidental da Hespanha no dia Sabbado desoito do 
mez de Rabial-aguir do anno 580 ( 1184) , tendo de ida- 
de quarenta e sete annos , e de reinado vinte hum ^ e al« 
guns mezes e dias. Ha porém quem diga , que elle' fora ac« 
damado no dia treze ao mez de Jumadil-águer do men- 
• cionado anno huma noute depois do falecimento de seu 
pai , como f:e achou escripto por hum deseus filhos; epos* 
to que o filho de Gaxab diga que depois qne morrera. Ab* 
delmumen , se occultara a sua mOrte por causa da ausência 

Ff a 



de seu filho lussof , seu successor imctiedUtò , no pdc da 
Hespanha ; a qual senáo publicara senão depois de ter che- 
cado de Sevilha : com tudo o testeinunho de huitia pessoa 
ia sua caza a este respeito he mais digno de credito. O 
Cadi AbuUhajjage lussof , fiihò de Ornar', chronista desta 
dynastia, refere, que lussof fora reconhecido , e acdama* 
do por todos os povos no dia de Sexta letra oito do mez 
de kabiaUáiial do anno 5:60 ( 1165 )i e isto dous aooos 
depois do falecimento de seu pai, porque tendo sido ac- 
clamado logo depois da sua morte , ficarão suspensos, e 
reçusarâo acclama-lo seus irmãos Mphammed, senhor de 
Bejaia, e Abu-Ábdallah , senhor de Córdova ^ o que o.con- 
tivera de lhes pedir oue o acclamassero , intitulando-se por 
este motivo somente Príncipe; mas não Príncipe dos cren- 
te9 , até que se congregarão todos os povos. O filho de Ma- 
troh ^onta na sua historia , que ^chando-se lussof em Se*^ 
vil ha, quando morreu seu pai Abdelmumen, sê occuicara 
a sua morte, e se mandara dar parte áqiielle, o qual tendo 
passado dalli para Salé em breve tempo,* fora acclainado, 
ao ^ue poucos se recusarão , do que não fizera caso ; e que 
os primeiros passos, que dera depois de se concluir a sua 
acciamação, forão despedir para os seus paizes as gentes, 
que alH se achavão juntas para se empregarem na ^erra 
aagrada, escrever para se soltarem os presos, repartir es- 
fliolas em todos os seus estados , e intitular*se Príncipe dos 
crentes ; que tendo partido para Marrocos , entrara neiJa , 
e fixara alli a sua residência , donde escreveu a todos os 
Almubades dos estados da sua obediência ; que lhe chega- 
ra a acclamaçSo dos paizes da fifriquia , Mauritânia , e 
Hespanha, menos de Córdova, e 3ejaia, porque os seus 
governadores, que erâo seus dous irmãos, ficarão suspensos 
sobre isto; mas que tendo*se divulgado a noticia delle até 
aos paizes mais distantes , se lhe sugeitarão os povos da 
Hespanha, e Mauritânia, em cujos paizes tinha Alcaides^ 
e que repartira dinheiros pelas tríbus dos Almuhades, edo* 
nativos por todas as tropas. No anno 5:^9 ( 1 i6j ) vierSa 
apresentar-se-lhe os referidos seus irmãos arrependidos ^ e 



(m9) 

obedienfes Sid Abu-Mohammed , senhor de Bejaia , e Sid 
Aba-Âbdallah , senhor de Córdova » acompanhados dos Xe* 

3ueSy e Doutores dos seus estados, aos qiiaes o Príncipe 
os crentes lussof recebeu benigoameme^e beneficiou com 
dinheiros, e vestidos de honra, ou capas magnas» Nomes* 
mo anno emprehendeu Mozdará Gan>n9arense Sanah^en^ 
se a conquista de Sana haja, e cuohou moeda, oa qual es- 
creveu esta legenda = Mozdará o peregrino, ao qual Deos 
ajude, está pfX>ximo. Tendo sido acciamado por grande 
multidão de gente das tríbus de Gammara, Sanaliaja , e 
Atiraba , destruído aquelJes paizes , e entrado em Taza , 
na qual matou , e captivou , mandou o Príncipe dos cren* 
tes lussof hum exercito de Almuhades coqtra elle , e foi 
morto, e a sua cabeça conduzida para Marrocos. No an« 
no 560 (1164) foi o conflicto de Algelab oa Hespanha (^i) ^ 
entre Sid Abu-Said, filho de Abderrahaman, e o exercito 
doa Christâos em numero de treze mil homens , comman* 
dado por o filho de Mardanix ^ os quaes todos forâo mor- 
tos , de cuja victoria elle deu parte a seu irmão lussof. No 
anno seguinte nomeou o Príncipe dos crentes a seu irmSo 
Sid^Âbu-Zacaría governador de Bejaia, e lhe ordenou que 
inspeccionasse o estado da Efriquia , expulsasse os oppres- 
aores, e contivesse os perturbadores, que alli houvessem. 
No mesmo anno se rebellou o filho de Af ongacad ; e ten- 
do-o lussof perseguido, e Vencido, o matou, cuja cabeça 
foi conduzida para Marrocos , o qual foi acciamado por 
todo opaiz de Gammara* No anno 5^63 (1167) secongrega* 
râo todos os povos debaixo da sua obedicncia ; e no mez 
de Jumadil-águer do mesmo anno (corresponde a 16, ou 
17 de Março de 11 68) denominou-se Príncipe dos crentes* 
No anno 5^64 (1168) íbrâo enviadas dos paizes da Efrí- 

ãuia, Mauritânia, e Hespanha as deputações, compostas 
e Cádis , oradores , Doutores , poetas, Xeques, c outros 

(ir) Aigelab significa vozeria , prande clamor. Os irouics costumão fa- 
zer grande rootim, quando atacáo; c tahez por isso d^s^em e^te nomç ao 
titio, em que drrão esta barali.a, a qual , segundo D. Jqzc Conde , foi da- 
da peito de Alurcia. 



( 230 ) . 

ifiagniit6$ ^a saudar o dito Príncipe, e â repmettfarJke 9^ 
estado de seus respectivos paizes ^ e tendo chegado a Maiw' 
roços , e saudado-o, recebeu benignamente a todos » eaca« 
da hum segundo a sua qualidade; etendo-lhes recomcneo» 
dado o que (jueria , e escripto aos mesmos as ordens pa* 
ra serem vestidos , se retirarão reconhecidos aos seus bene^ 
ficios. No anno seguinte enviou ò Príncipe dos crentes lua» 
sof para a Hespanha a seu irmão Sid Áou-Hafce aempre» 
hender a guerra sagrada , o qual tendo embarcado de Al- 
ça çar sequer para Tarifa com hum exercito de vinte aiii 
Âlmuhades , e de voluntários , marchou dalU para Tote^ 
do. No anno ^66 ( 1x70) .ordenou o dito Sooerano aue 
. se construi^se a ponte de Tansefit , cuja obra se princi[»ou 
no dia Domingo trez do mez de Safar do mesmo anno, e 
passou para a Hespanha , a fím de providenciar sobre a 
segurança das suas rrontei];as ^ e bem dos seus estados. Ten* 
do chegado a Sevilha , na qual permaneceu hum anno com- 
pI^;o, vieráo ahi apresentar-se-lhe os Alcaides de Hespa«- 
nha , e os seus Chefes, Ca^is, e Doutores , a fim de o sau- 
darem , e de o informarem da sua situação (a)^ Termina* 
do o dito anno, sahiu depois para a gazuaj e tendo com* 
batido a cidade ç|e Toledo, ezpiignado os seus castellos e 
muitos outros d^ sua comarca , e morto e captivado gran* 
de numero de Christâos , retirou-se vencedor y e victorloso 

Eara Sevilha. No anno seguinte principiou o predicto Si- 
crano na edificação da mesquita de Sevilha , e foi o prí- 
meirp orador que nella pregou no mez de Dulhej-ja do 
mesmo anno, quando se acabou de^construir, o Doutor 
Abul-Cassem Âbderrahaman , filho de Gafir, natural de 
Niebla. No mesmo anno estabeleceu o Principe dos crentes 
a ponte de barcas sobre o rio da referida cidade , edificou 
a sua alcáçova interior e exterior, a muralha de Babe-ja- 

(a) A inscripqão Arábica, gradada em huma pedra, que foi encontfaia 
junto do Convento de S. Francisco , situado nos arrabaldes da villa de Mer- 
tola alem da ribeira de Oeiras , e que se acha presentemente na nossa Aca- 
demia, a quai ja foi publicada nas suas Memorias, CeiD a data deste mesmo 
anno 566. •» 



(»30 

hutr j os dom cies de hum e outro lado do rio , Src. , € 
fez conduzir a agoa do castello de Jaber .até a introduzir 
«m^TÍlha , no oue gastou immensos cabedaes; e concluí- 
das todas estas ooras , regressou para Marrocos no mez de 
Xaaban do anno $'71 (1176 ), natréndo-se demorado em 
Hespaoha quatro annos , dez nnezes , e alguns dias. Tendo 
morrido no mesmo anno 5*67 Mohammed , filho de Said 
Mardanix j senhor do patz oriental da Hespanha , moveu^ 
•e para aquelle paiz o Príncipe dos crentes , o qual o con- 
quistou todo; e havendo sido reconhteido neUe^ voltou 
para Sevilha. No anm> seguinte eacpedhi o mesmo Príncipe 
a seu filho Sid Afau Zacaria a combater o paiz dos Chn»- 
ffios y o qual marchou até chegar z Toledo matando , ca« 
ptívzndo, e arrazando as povoações; e tendo sabido ao 
•eu encontro o Chefe dos Chrístaos Sancho , bem conheci* 
do pelo nonie de Abu-bardaa , assim appdlidado , por mcHH- 
tar em huma albarda de seda , bordada de ouro, e crava«- 
^da de diversidade de pedras , e havido entre elles grandes 
combatei ^ foi morto o mesnoo' Sancho com o seu exerci- 
to , sem ter escapado hum só, vindo a ser o numero dos 
CiiristSos, que morrerão neste combate, de trinta e seis 
mil. No anno ^6^ (1173) atacou o Príncipe dos crentes 
a cidade .de Tarragona , situada na parte oriental da Hes* 

Sanha, e penetrou na sua comarca, matando, captivando^ 
estruindo, e abrazando o paiz, e cortando, e armncan* 
do o? fructos; e voltou depois para Sevilha. No anno se* 
guinte casou o dito Príncipe com a filha de Mohammed , 
filho de Said, filho de Manlanix, áqual deu prendas de 
grande preço, como a lingoa não pode narrar ;-e regreísou 
no anno immediato para a Mauritânia. Tendo eiurado em 
Marrocos no mez de Xaaban do mesmo anno 5:72 , per^ 
maneceu nella até 574 (i 178) , cm que lhe chegou a nori* 
cia do levantamento do filho de Azzobair na cidade de Ca* 
ftssa do paiz da Efriquia , e que pozera este paiz em per- 
turbação í e tendo partido para a dita cidade no seguinte 
aai|o« a cercou, bateu, c sitiou estreitamente arí entrar nel- 
la, c vencer o dito Azzobair no anno ^76 (11 8c;; c» n:n'. 



do*o morto, regressoD no anno seguinte psra' MarrooOTV 
oa qual se lhe. apresentou no mesmo anoo Abo-SaraliaQ 
Massaud , filho do Soberano de Arraiah oom hum pode^ 
roso exercito do mesmo paiz com o destino de se empre- 
gar no seu serviço. No anno 5^78 sahio o Príncipe dos 
crentes da mesma cidade a edificar a fortaleza de Raqna, 
e a construiu sobre a mina , que alli aopareceu (iS). Entra* 
do o anno 5^79 (11S3) P^^^^u o. dinr Príncipe smindt 
vez á Hespanha a emprehender a guerra sagrada. Tendo 
pois sabido de Marrocos pda porta de Duquaila no dia 
Sabbado vinte cinco do mez de Xaual do mencionado àth 
no com tenção de passar á Efriquia y e chegado a Salé , 
apresentou-se-lhe alli Âbu-Âbdallah Mohammed, filho de 
Eshaq , que vinha da Efiriquia , e o infi^rmou da tranquil- 
lidade, e socego, *que nelia havia; e por isso sè movea 
para a Hespanha. Partiu de Salé na manha do dia Quinta 
feira trinta do mez de Dul-Kaada -do sobredito anno , e 
foi acampar fora á vista delia , donde marchou no dia se* 
guinte. Cheeou a Maquinez no dia Qyarta feira seis do 
mez de Dul-hej-ja ; e depois de celebrar nella a páscoa dos 
sacrifícios , proseguiu para a cidade de Fez , na qual per- 
maneceu o resto do mencionado mez. Entrado o atino 580 
(1184)', sahiu da mesma no dia Quarta feira, e seguia 
a sua marcha até chegar a Ceuta, na qual se conservou 
todo o mez de Moharram , ordenando a passagem para 
a Hespanha , a qual se praticou na ordem seguinte : pas* 
sarâo as tribus da Mauritânia dos Árabes, de Zanata, de 
Mossameda , de Magraua , de Sanahaja , de Âuraba , e di- 
versas outras de bárbaros, e as tropas dos Âlmuhades, 
Âgzazes, e setteiros. Concluída a passagem de todas estas 

Sentes , passou o Príncipe dos crentes no dia cinco do mez 
e Safar do dito anno com os negros , e familiares ; e foi 
acampar na praia de Jablel-íàtoh (Gibraltar), donde par» 
tiu depois para Âlgeziras, e desta -para Sevilha, passando 

(d) G>nde altera aniaiorp^Tte doa precedentes nomes proprioa. V* look 
n. paf. j»J , e JÍ4. 



C «33 ) 
(seb 'monte da Latn ^ Akalá deGauIan , Anaquez, Geres ^ 
« Tabrixa ; e tendo acampada no dia ^j do aiez de Safiur 
em o rio de Bateran , sahiu seu filho Abu-Ediaq de Sevt* 
lha com- os Doutores e Xeques da mesma a saoda-Io ; maá 
dle lhes ordenou , que esperassem em Almina até díe aUi 
chegar \ e tanto que celebrou a oração meridiana , montou ^ 
e foi alli ter com elles y os quaes , depois de o saudarem ^ 
também montarSb. Tendo-se depois movido para a expedi- 
çSo de Santarém , situada no paiz occidental da Hespanfaa ^ 
€ chegado alli no dia septimo do ma de Rabiaklual ào 
anno 580 (1184), acampou-se junto deUa^ cercou-a conà 
os exércitos , apertou oom os ataques , e wyh em apertado 
sitio , empregando nisso os maiores esrorços até á nouta 
vigésima segunda da dito mez , em que passou o seu acanti 
pamento do lado do norte para o lado occidental /.o quo 
os mossdemanos estranharão , posto* que o nâo fisessem sà« 
bedor de cousa alguma. Logo raue chegou a noute , e fe;p 
a sua ultima oraçw, mandou cnamar a seb filho Abu-Ea- 
haq y governador de Sevilha , e. lhe cnrdenou que partisse 
na manhã do dia s^inte a atacar a cidade de LisDoa , e 
fiizer incursões na sua comarca , levando somente as tropas 
de Hespanha ; (d) mas que a sua partida . fosae^ de dia i 
porém tendo percebido inal y, e julgado y que eUc lhe orde^ 
mra a partida para Sevilha i meia noute ; e exclamado o 
demónio no acampamento ^ que p Prindpe dos crentes ti« 
nha resolvido a partida naquella noute ; por isso se move^ 
tiOy e preparilo as gentes, e partiu multidáo delias de nou^ 
^« Tanto que se aproximou a aurora , moveu^se Sid Abu- 
Eshaq com os que o rodeavSo , e o mesmo praticarão aa 
gentes; e partirão, permanecendo o Príncipe dos crentei 
ao seu lugar, sem de tal ser sabedor. Logo que amanheceu, 
fez a sua oração ; e tendo aclarado o dia » 0S6 encoryoit 
ao redor de si pessoa alguma no acampamento, á ezcep^ 

Gg 



(«) Goode dtx, qne o que. levou a ordem m Ptincipe se enganara , e 
em lugar de Lisboa , dissera Sevilha 



( m ) 

-de hwía p&fMnsL porçfe dps seus fiinfiliar» « e sertidmtt , 
iiue tnarchavão com clie ^ e o acompaobavão oo sed apo» 
«mo , € dot Alcaidet Andaluzes , ponqne estes marcln^ 
aa sua Yangparda , c na rectagoarda do wen evrcifo por 
cotta àa mm ficavâa a rrflz por eançaço. T»tto que oascea 
p sdl , e pMerfsarib os Chnsrãos , sitiadas , do aito da mo* 
IsUm y <|W o acampamçpto se tinha leraatado ^ o partido o 
fpopa , sen ter ficadé ao redor delie seiuo o Prinotpe^os 
pernes oom os seos negeos , £iaHliares , e co itfafaa , doqoe 
camkev os ocnificariío os seus exploradores, afariíõb as por» 
tas ida cidade » c saiwio todos <|aamos neitâ estaítrlo , aa^v 
Uéa iofiiosiBl gritando 9s «o Hei, ao Rei n qoe cpier dir 
ser : dârigi^vw cootra o Rei ; e tendo batido o acaoip^ 
soeflto é» iifl||ios aié chegamn d.tenda do Pruiope doír 
cvimtts 9 a lasgariío,^ e o aecometmâo odia ; o posso t/m 
eUe os tepcUisie GÒoi a eiia espada, e tnataase ttm ^flUes, 
com cudo cramiao^Uie fatmia penetraote fiuidt ^ e oiaesfffo 
tiea&das soas céoeufeioás , cpie peraianeeeriío aoaider dcUe, 
Olé que foi ferido , e caÚu em terra, e gritai^ ooa catai* 
kifos, negios, Almnlndcs, « Alcaides Aadaiaaas; atosH 
do aritado os mosselemanos , oa censhata^ asè que aa 
«fiístafio da teadt á íbrfa da espda. Toaiaado «alio # 
aotaibata calor aotrc triles , e foata]kid6«ae eom o maior «»« 
oamiçameoto por espaço de huma hora , fbab desÍMatfiaT 
dos os inimigos de Deos, entregando csic Sanhor da Glo» 
fia e Magestade os hombnos dos mesnu» ás espadas das 
flsossdemanos , os qoacs os involverSo até os bxtfcm entras 
á fiarça na cidíade , tendo sido morta grande nmlHdSo dei* 
ks, pois passat^ de dez mil ; <#) mas cacid>eas foi mar» 
ijnzada mioltidáo dos mosselemanos. Tendo emÍo inomado 
Frindpe dos cremes, ejã em estado deofo poder mto* 
dar, partiu a gente sem saber para onde } e giúada pdoa 
tamboees , marcnou para Sevilha. E como se lhe aggra^rou 
a dor, e as feridas, morreu no qiíhinho, segundo diz o fi- 

Ctf) Conde no IL tomo dt sua historia acciescenra , que Santarém fora 
antíb toanda, o que me tíófmco^ Otvsl, rar4|u& a múmt toâo havia 
lar esta ciicunstaocía. 



lh& ét MMroh , nò dia Stbbado doce do ma At Rabiab 
égafír do tDOO 580 (1184) nas Tisinhaaças de Âlg^ziías^ 
querendo panér para a MMiritania » donde foi tiansnortado 
para Tainamal » e nella aepoltado ao lado da wopuitan dt 
•eir pv ; tioda que houve miem difse, que dle wo nmm^ 
n até chegar á cidade de láaiTOOOs ; e que fora sepultado 
em Tainamal (#)• Sen alho lacub, aeu sucoMor, em o 
que entrava no teu aposento , sabia , e dirigia os negockH 
desde odia, que elle foi fenda até que morreu, cuja mor- 
te fdle occnltou até chegar á cidade de Salé, aooM a pii^ 
blicou. Foi o sen reinado de vinte dous annos, hum mea, 
e seii dias. Em fim a duraçSo eterna he attribuio^ que só 
compete a Deoa , a quem perteocem todas aa oouaat , aUai 
do qnal nSo ha outro digno de ser adoçado» 

CAPITULO XLVIIl 

De ninada is Prhcipe éhs cnõtts Ueuà , 

Jilbú ét Imssrf^ filho deJkitlm^ 

m€t$ y filbê de My. 



o 



Príncipe dot cremes lacub , filho de lussof » fiJho dt 
AbdelflHimen^ filho deAl^, appellidou-^e.AlRMas^f^erfodíf 
lel^lah. Sua mai foi donativo de Ben*Ua9Ír a seu pai AbiH 
lacnbb O seti aascin^ento foi no alçaç^ de seu avó Abdflr 
mumen effl a cidade de ManMos ao anuo 5$jr ( 11^ >t 
Tomou o titulo de Abu-Iussof. A inscripgao do seu seUo 
era a seguinte : confiei em Deos. Qti^pio aos $eua dotei 
naturaes tinha estatura propoKrioiífida , eéir trigueira , olheii 
negros > hombros largas» aaris aquilino , cova sem casbelto 
entre o beiço e a barba » cará redonda , dentes ralffs » f 
madeiía^ de cabeUo continuadas, até ao extremo das orer 

Cg * 



■w^i^tpiw^i^^^^^ti**»»^»^»^^-'^— »*"y^^y< 1 1 I ii l li~ i ' J f 



(^) Poito que a descrl|>qão desta baulha seia tio succinta , o qut faê 
usual nof esaípccvet mobanunetanos, quando* referem successos, que lhes 
■éo sId sgttdsvek , • fafotird» aot sbiis 9 fom MdQ hem 19 cosbece pela 
ws inmçio quáo g^'mm íék s oMasisoBÉi hslalbs 94» m f MMgyeiti. 



( »3<) 
ihasi Erd 'liberal, e generoso , valente, sábio na historia^ 
ôa sciencia das cousas divinas, e na lingoa vernácula; uni-^ 
versai em muitas das sciencias úteis i religião , e á buma* 
fudade , amigo doa sábios ^ e seu clogiardor , e publicador 
dos seus pareceres,' muito esjnoler, e muito amante e afirr^ 
rado á guerra Sagrada. Assistia aos furteraes do^ Ddutorca; 
e dos homens virtuosos, visitavam», e lhes pedia a sua 
benção, (a) 

Teve quatorze filhos, dos quaes lhe succedci^o noca^^ 
lifado estes trez Abu-Abdallah Annasser, AbuMohammed 
Abdallah Aladel , e Abu*LaaIá Edriz Almamun. 

Os^ seus Ministros , Secretários , e Médicos fbi?!o ot 
mesmos de seu pai ; e os seus Cádis Abut-Abace o Cor-^ 
dovense, filho de Madá; e -depois Abu^Amraa Mussa ^ <fr» 
lho do Cadi Áissa , filho de Amran. 

Foi acclamado particularnfente ift)< Domingo dia deci- 
mo nono do mez de Rabial-águer do anno fSo (7184)^ 
porque a acdainaçâo publica , e universal retardop-se por 
causa . de se ter occultado a morte de seu pai até ao Sab* 
bado dia segundo do mez de Jumadil*áual do mesmo an- 
no I que vem a ser treze dias depois ; e faleceu no dia de 
Quinta feira vigésimo segundo do mez de Rabial-áual do 
anno 59; (1199)^; posto que se disse ter falecido em Mar* 
rocòs no fim da^noute da Sexta feira seguinte : foi trans- 
portado para Tainamal , aonde fioi sepultado ; tendo qua- 
renta annoa de idade, iquando faleceu, e de reinado cinco 
mil duzentos e setenta dias, isto he, quatorze annos, oiv- 
ze mezes , e quatro dias. Logo jque se conclAiu a ceremo- 
nia da sua acclamado , e lhe prestarão os povos obediên- 
cia , a primeifa cousa , que fez , fi>i eztrahir do Erário cem 
mil ducados de ouro , oa quaes distribuiu pelos pobres do 
paiz da Mauritânia ; e escrever depois para todos os seus 
estados , para <\ue se soltassem os encarcerados , e se remo- 
vesjiem as injustiças, que praticaráo os governadores em 

• (#) A deicripqfio , qiie Conde bi ck» dotes , e qtitlidides deste 
pe 00 com. II. {Mg. |9S ^ be muito differeate dou 



/ 



(H7) ' . ^ 
vida de seo paí', para qua se honrassem os Doutores , e Os. 
hons y e virtuosos j passikr mezadas do Erário á maior par-* 
te ddles , recommendár , aos seus governadores , e encarre« 
gados para se suràtarem ás decisMs dos Cádis , visitar o 
estado dos seus Reinos, e vassallos> fortificaras frontei*- 
ias, guamecendo-as de tropas de cavallo, e d^ pé, e re? 
partir pelos Almuhades , e mais tropas grande quantidade 
de dinheirOé Em . fim era dotado de conselho , valor , re-. 
ligião , e bom regime. Foi o primeiro dos Soberanos Al- 
muhades , que escreveu a firma com a sua mão. O louvor 
seja dado a hum só Deoa, que deste modo encaminha os 
feitos dos mesmos ; ainda que este he a pérola mais pre« 
ciosa do seu coUar , o qual fez realçar , e enobrecer a dy-i 
nastia } cujo reinado foi de tranquillidade , s^uranca , b!a^ 
rateaa , utilidade , satisfaçSo. , e alegria por £sposição de 
Deos y assim no oriente , como na Mauritânia , eHespanha; 
pois que buma* mulher só sabia do paiz de Nun de Lam« 
ta , e seguia até chegar a Barta.em as suas andas, sobre 
bum camelo , sem haver quem se lhe opposesse , nem lhe 
dissesse palavra, (a) Edificou a celebre cidade de Alarcos, 
c o castello de Alvalade ; fortificou as fronteiras i construhi 
mesquitas , coUe^ios , e hospitaes para os enfermos e dou* 
dos na Maurítama , Efriquia , e Hespanha ; /stabeleceu or» ' 
denados aos Doutores , e Oppositores , segundo a sua gra« 
duaçio, e jerarchias; concorria para todas as despezas dos 
hospitaes , dos de mãos cortadas , e cegos em todos o: seus 
estados ; construiu no deserto pequenas mesquitas , pontes j 
e poços , ou cisternas para agoa , e estabeleceu hospedarias 
desde SusseUaqça até Suiqua de Masquq. Em fim o seu rei- 
nado foi ornamento para o século, e nobreza para os se- 
quazes do mohammetismo , no qual foi^o os mohammeta- 
nos constantemente superiores , e subiugadores do seti iiiimi* 
go. No anno fSi ( ii^6) matou Aimansor a seus dous ir- 
máos lahia , e Ornar, e a rcu tio Abu-Arrabiá. Tcndo-se ' 

Ç$) E» aqui como se acKa esta pascem traduz tdi em Conde pa^« $90 
-^ y corric tus turrai desde Veíod Ntf/hastrt Barca : * nlo ht; mrriu: no- 
tavci o que cditiitúa no mesoio i^tcodo. 



ivbdlado PO mcsfnô anno^a cidade àc Caitsca no pais dt 
Efriquia, sahiu Almansor da capital de Marrocos contra 
dia no dia rrez do m$z de Xauai do dito aiuiov e teado 
âili chegado, a sitiou até qtie a expu^nou no amio fS) 
(1187)^ e tanto que a conquistou, saniu a combater ot 
Árabes da Efriquia , 0$ quaes , depois de haverem sido por 
^ tile desbaratados , e suas mulheres € riquezas captivas j se 
lhe viei^o apresentar submissos ; mas elle os mudou paim 
a Maurifania , e regressou para Marrocos , na qual fes a 
sua entrada no mez de Rageb do anno seguinte. No ao* 
ao 58; ( X 189) principiou o dito Priadpe a introduzir af 
agoas em Marrocos ; e no mesmo aano se moreu elle pa* 
ra a Hespanha com o projecto de hir combater o paiz oc^ 
eidental da mesma; e foi esta a sua primeira campanha 
contra os Chrísriíos ; e tendo passado de Alcater para Alge« 
airas no dia de Quinta feira oito do mez de Rabial^iual 
do aano' predito , paniu desta com direcção a Santa rem« 
Tendo^se acampado junto delia , e espalhado as incarsâea 
sobre Lisboa , e sua comarca ^ cortado os fructos , matado , 
captivado , lanado o fogo ás poYoaç6es , queimado as aea* 
ias; e empregado as suas diligencias em ferir ^ e matar » 
retirou*se para a Mauritânia com treze mil capcifos entra 
mulheres , e crianças. Havendo chegado a Fez no irftimo 
do mez de Rageb do sobredito anno , aonde permaneceu 
aleuns dias, e chegado-lhe aili a noticia da apparição da 
Maiorqui iia Bfriquia , partiu de Fez para esta no dia ot* 
tavo do mez de Aaaban ; e tendo entrado em Tunes no 
primeiro do mez de Dul-Kaada do mencionado anno , en- 
controu a Efriquia socegada , por se haver i«tirado o dito 
Maiorqui para Sahara, tanto que soube -da sua vinda. Lo- 
go que os Christâos souberáo , que Almansor se havia alon- 
gado delles y e se achava occupado na Efriquia , aprovei- 
tarão a occasiSo, e entrarão no r^nno 5*86 (1190) em 
Silves , Beja , e na Beira. Tendo chegado esta noticia a Al* 
mansor , agastou-se per isto , e abrazou-se em cólera , o qual 
escreveu aos Alcaides de Hespanha , reprebendendo-os , or- 
denando4hes a gazua do paiz ocddental^ e certificando-oa ^ 



. (H9) 
ãt ipe dle apm da soa carta hia ter com ellet , os qvaes 
se unirão a 14ohaiiiined , filho de lussof , e gorernador de 
Cordora » que sahiu com elles á frente de bum podetx>9o 
exerdio de Âlmuhades , Árabes » e Andaluzes ; e tendo-se 
acampado junto de Silves , a sitiou com todo o vigor at^ 

Kt a expugnario , e successivamente a Alcácer de Abu- 
nid (do sal ) , Bqa , e a Beira ; e regressou para Cor* 
dora, na cMulemrooiioraezdeXaual doaaoo 587* (1191)» 
levando a diante de si quínse mil captivas , e trez mil ho* 
mess 9 civMema em cada huma tadea } eaeste mesmo mes 
v»bou o Fkindpedos crentes da Efriqfiiia, e entrou na ci- 
dade de Xelamessan , na qual se eonservoa até ao fim do 
diio aMD. No i^meisè do mez de Mc^arrram do ãmaú 
fii i fx^)aamsi .^manaor enfermo de Telamesaao pa^ 
« Fea t uMAMb em buma fíteita ^ na qual entrou , e ae> 
«OMervou dttenie por espaç» de acta okms; eiendo meUioi 
sado» pMttu para Manocoi» aõflde pcrmanecaii tié aa 
MBP 591 ( 1194 )« m> ^M tahiu paim a ikspanha onoa 
o tmeato de combater > na qual deu a oelebre batalJi» da 
Alarcot. 

Naaradio da gazua de Akircoa « a aeg^ttda de Alman* 
aor , e da denosa ana Christaos nello. 

Taôto que ae psoloagou , diz o aMhor, a ausência 
dia Almansor da Hespai^a na Efrixpiia » e aa Mauritânia ^ 
a ndla fios accomertid^ de febre ^ aproMiiou o inimigo 
na Heapanha a ocoaaião daqudla pioJongada ausência ; e 
vendo conseguido dos moaselemanos o seu desejo, damnifi- 
CQU o seu pais 9 no qual repetiu as incursões com as suas 
taopas ) e o pos sodo em perturbação com às suas turbas ^ 
acm ler enconirado ndle quetn se lhe opposesse, e o com- 
batesse, nem quem obstasse aos seus intentos, ou lhe fizes-> 
ae firemc ; e por asso marchou o eiercito do maldito até* 
ae acampar á vista de Algeziras , donde elle escreveu hu* ' 
flia carta ao Príncipe dos crentes Almansor, convtdando«o 
9ella á peleja , por estar dominado da vangloria, esobei-^ 
b) , concebida no3 termos seguintes : Em nome de Dcos , 
Oemcnte, e Misericordioso. Do Rei dos Chrisrãos parii o 
i^iinupe miSM;lcauao» Sc náo podares mov6r-(e , (raas^£« 



( 140 ) 

tar-te, e vir ter com ncsco, envia-mc o« oavioí, egaferás, 
em que eu embarque para abi os aieus exércitos, a fim de 
te atacar no paiz, que mais te agradar: S£ me desbarata- 
res, he hum presente, que te chegou is mãos, e serás Rei 
das duas rcgióes 'y mas âe eu ficar victorioso , serei Sobera* 
no de ambas- as religiões (Christá , e mohammetana) : ha- 
ja saúde. Logo que Almansor leu esta carta , possuiu-se do 
zelo do mohammetismo , e mandou^i depois lér aos Alam- 
hãdes. Árabes , tribus de Zaoata, e Mbssameda, e a to- 
das as mais trqpas; etendo-se assim comprido, todos desr 
denharao delfa , alvoroçarao-se , tratarSo de se dispor pam 
o guerra sagrada , e preparai^o-se para a viagem. Chamou 
depois Almaribt>r seui filho Mohammed, seu succesaor, ao 
qual cntrcMTOU a carta , ordenando-lhe, que respondesse ao 
maldito, lendo^a lido , voltou-a , e escrereu nas costas da 
mesma : disse Deds Âltissímo : responde-lhes , que sahiremos 
a enoontrar-nds alli com elles , ' donde os expulsaremos des- 
pfeziTeiSi e humilhados. Tendo arremessado com a dita car* 
tt para seu pai , alegrou-se jeste com o admirável concei- 
to , que não podia proceder se não de hum juizo sagaz , e 
penetrante. Mandou este depois hum niensâgeíio com car- 
ta para sahirem os cordoes com a tenda de carmezim , e 
o Âlcoráo naquelle mesmo dia y ordenou aos Almubades , 
e a todas as mais tropas , que se disposessem , e preparassem 
para a guerra sagrada , e escreveu para a Efriquia y paia o 
paiz meridional , e para todos ^ paizes da Mauritânia in^ 
flammando os povos para a guerra sagrada ; e tendo*9e*lhe 
vindo apresentar moços , e velhos de todos os paizes remo- 
tos, e distantes, sahiu da capital de Marrocos no dia Quin- 
ta feira desoito domezdejumadil-áualdoanno 591 (1195') 
a marchas violentas, forçadas, e dobradas, sem esperar 
pela cavallaria , nem pela infantaria ; mas as tropas seguião 
apoz delle de todos os paizes; e regiòes, e as turbas se 
união a elle para a gazua contra os cafres, (a) Logo que che- 
gou a Alcácer seguer , principiou a embarcar as tropas ; e 



, (a) Os mobtmmetanos diamSo cafres ( infiéis} a lodos aquelles, oue 
Bio s^ttcm a sui leligiSo, nome i)ue oauchor dá ncsie higar aosCbistios. 



ainda nâo tinha acabado de passar huma divisSo , ja hia 

no seu alcance outia maior. As tribua dos Árabes fbrao as 

primeiras, que passarão; e depois por sua^ocdem as tribus 

de Zanata , de Mossameda , e de Gammara ; os volumaríoa 

das tribus da Mauritânia ; os Âgzazes; ossetteiros} osAlmu- 

hades; e os negros, (joncloida a passagem das ditas tropas, 

e desembarcadas na praia de Âlgeziras, passou então o 

Frincipe dos crentes com hum grande exercito dos Xeques 

dos Almuhades, dos guerreiros, e nobres , levando também 

comsigo os Doutores , e Santos da Mauritânia ; e tendo4hc 

Deos Attissimo facilitado a passagem, foi descançar em 

Algeziras em muito breve tempo, cuja checada foi depois 

da oração de Sexta feira vinte de Rageb do sobredito an« 

no. Tendo permanecido hum dia á vista de Algeziras, par* 

tiu a encontrar o inimigo , antes que afrouxassem os dese« 

jos dos vaierosos guerreiros , e se corrompessem as suas pu« 

tas ÍDtenç6es , o qual mardiou com todos os seus numero-* 

aos exércitos , possuídos todos de puras í ntenç6es , e valor 

constante, esem cobardia, não dando lugar ao inimigo do 

volttr para o seu paiz com os seus exércitos , que ja tinha 

tido noticia , aonuncios , e signaes certos da sua passagem f 

e chegada para o atacar no paiz por elle escolhido ; e por 

isso se coUooou AflRmso com os seus exércitos, e turoat 

defronte da cidade de Alarcos a espera-lo, ao encontro 

do qual partiu o Príncipe dos mosselemanos Almansor , 

connado no poder , e virtude de Deos , sem entrar en» 

cidade, nem esperar, ou olhar para os que se detinhãov 

ou assentavão, mas marchando velozmente para elle âtó 

i distancia de duas jornadas da cidade de Alarcos, aoado 

acampou no dia Quinta feira do mez de Xaaban do an^ 

DO fpi ( \i^$\ No mesmo dia da sua chegada tratou 4ô 

consultar os mosselemanos sobre o melhor modo de enconí 

trar os infiéis, inimigos de Deos Altíssimo, seguindo o 

roandado do mesmo ^Senhor , e o exemplo do seu proièta y 

ao qual elle di$se: cansulta-os sobre 4^ negocio \ -e quan^ 

do intentares alguma cousa , confia em Deos , porque elle^ 

ama os que nelU põem a sua confiança. Tendo chamada 

Hh 



(«40 

Ç^rfoiPÍramenfe oi ^equet ilos Alwràaifo. w^r-^ 
^ dífioií dcHtt ot mais pd» orJem «rr^::- ■: C 
d/j< Aob«, doí Zanatrnse*, e dasamrè-,-: ' -! 
«e*; e o» vítluniarioi , carta hum dojcr::? - ... 
parícji rii^no de advertência , e ií m.-:s ~ : -! 
»^>ímjr.o; , e conríoienw paraosint; js .r- , 
•l-.niA Ii,(»if cu Alcaides dr Hesço.i: . -: - 
•!)**3.^T.ra'íí,-««-lhc, «audado-«, c j^^t—^^ ^_ 

ie , Ihfs íallon (fa mnma reanén. r^. -: i -- 

*Ci';«cc?ifar..lo-Ihci : posto eme bcci.t ..i^ - :-- 
IBl-f: anrcí de yí4s , 6 AiKhI:se5. su — : - - 
■A d-íT-sia da religi&o, intrrriLzas. -«.— r_. 
»» «wnbaíei , e «forçados 13 neri et^ : t 
CCA tiKlo a vosta pcarica . o:j s^ ím nzr -- 
ladof aos Kua oonibatts > e :3k.-zi:ls ;:: %. r_ 
énpori^óet. O nosso rjrtíc-- . 1 ^tzc- z — ^ 
ponderâo clies, he <}*; ics xt^bci;. - : -- ' 

Mm de nót , (fW 31 WHC*. rytr-.- y s- r^ : 

doi fm coahecioMaiAs . — ;^j' 3'— ti :- 
fflte^igeoda nos ocMcbocs , sja s^ -rr-z — i. 
« MU vncera ■^uts^3^ títs js -if-ts- . -— - 

• noBsa lingM ; e o 33= ^= .^^^ - - 
«Iro tanpre o wk» y m . r ss &- :^ 

he omdkor, * k wn*» ::i?r-írr.r- 
■ccnada»: e «acaçapar tr^is -3=. - — 

• virtoOiD Ak&o: «.;»--^.--j-í_; - - 
o fVtndpe d» c«ars -r ,~-~ \ -y A .- 

coça tt wur.afT, a* n^ -^^ -™^.-^:^ 

^•*i * « g o r as »a^xnrr,^j3K ;-=: -^ 

O Kl -òtrat ss- -eTi-.:?^-. ^ ,-..,— .- 

■Xj com S: Trr^íia^ , r s^--.. -»:- ^. 



< H3 ) 
dos os Árabes , Afazes , Mossafnedeiises , Zanatenses ^ 
e todas as outras tnbus de Árabes, &c., e com os volan- 
taríos , aos quaes confiarás o teu estandarte vencedor , com 
cujas forças farás frente ao inimigo, e tu ficarás de reser- 
va com as tropas dos Aimuhades , dos negrçs , e da tua 
fuarda em hum lugar occulto, «próximo do sitio do com* 
ate: se triunfarmos do nosso inimigo , graças á bondade ^ 
e benção de Deos Alrissimo , e i felicidade do teu cafffa^ 
do i mas acontecendo o contrario , estás tu com o exerci- 
to dos Aimuhades para proteger os desbaratados, com 09 
quaes sahirás ao encontro do inimigo , que ja ha de tef 
quebrado a sua impetuosidade y e perdido o seu animo f 
e vehemencia. . Este he o meu parecer a este respeito : 
permitta Deos que vos agrade. Bem está , lhe respondeu 
Almansor: por Deos, que o teu parecer he o que se ha 
de seguir. Foi certamente Deos ' Altissimo' quero te inspi- 
rou o que aconselhaste. Tendo partido as gentes para as 
8uas posições , pa^tsou o Príncipe ^os crentes toda aquella 
noute y que era a de Sexta feira, quatro do sobredito mez 
de Xaaban, sobre o seu estrado occupado em genuflexões,- 
adorações, e supplicas , rogando a Úec^ Alrissifiio , e de 
Magestade para que augmenrasse as fof cas dos mosselema^ 
nos contra os infiéis , seus inimigos. Vencidos seus olhos 
de madrugada pelo somno j e tendo dormido alguma cou- 
• a na oração, despertou depois alegre, e satisfeito, o qual 
mandando chamar os Xeques dos Aimuhades, e os Douto- 
res , e apresenta ndo-çe-!he estes, lhes disse: mandei-vos 
chamar agora , para vns annunciar o que me foi annu!5cia-* 
do cm sonho nesta hora abençoada sobre a ajuda de Deos* 
Altíssimo. Estando eu fazendo na minha oraçno as genu- 
flexões , vencidos os meus olhos do somno , vi em sonhos 
hiima porra , que se tinha aberto no Céo, da qual baixava 
hum cavalleiro, montado sobre hum cnvallo branco, ho- 
mem formoso, e lançando fragrante cheiro; e na sua mao 
hum estandarte verde desenrolado, qu? enchia o mundo da 
sua grandeza ) ao oual eu saudei, edrsse: quem és tu? 
Oeos ce seja propicio i e elle respondeu : sou hum dos aeh* 

Hh 2 



jos do $eptimo Géo , que te vim anntinciar a vlctorla cfa 
parte do Senhor das crearuras , e aos teus valerosos guer- 
reiros j que vierâo debaixo do teu estandarte a procurar o 
stíartyrio, e o precnio de Dcos Altíssimo. Recitou-me de« 
pois estes versos, que aprendi de cór^ e de que merecordo, 
por ficarem gravados em meu coração. Annuncios agradá- 
veis te chegarão pela ajuda de Deos, para que saibas, que 
elle^ajuda o seu defensor; alegra-te por tanto com a siia 
ajuda , e com a victoria ; pois eiia está próxima , porque 
não ha. duvida, que os cavalleiros deDeos háo de ficar ví« 
ctoriosos , e os exércitos dos Christâos hão de fenecer com 
9 espada ^ e com as lanças ; e ficará' o paiz deserto , enão 
ae tornará depois a povoar \ e por isso fica na certeza da 
conquista) e da victoria ^ querendo Deos de Poder» e Ma- 
gestade» 

Chegado oSabbado cinco do mencionado mez de Xaa* 
ban , assentou-se o Prindpe dos crentes na sua reada de 
carmezim , destinada para a occasiâo do ataque dos inimU 
g08, e chamou depois odignissimo Xeque Abu*Iahia, filho 
de Abu-Hafce , seu primeiro Vizir (os filhos de Abtt*Haf^ 
ce eráo reputados entre os Almuhades pessoas de bondade , 
temor de Deos , e religião , cuja caza se conta entre a no- 
breza dos mesmos ) ^ e logo que se lhe apresentou , o no- 
meou Chefe das tropas de Hespanha, e dos Árabes, Zana- 
tenses , voluntários , e de todas as outras tribus da Maurita-^ 
aia , confiou-lhe o seu afortunado estandarte^, e o mandoa 
marchar a diante de si com as bandeiras desenroladas so- 
bre a sua cabeça ,' tambores batentes, e commandando a 
tribu de Hantata ; assim como - ao Alcaide Ben-Sanadid 
eom as tropas de Hespanha : a Jarmun, filho de Raiah, 
eôcaneffpu o commando de todas as tribus da Mauritânia; 
a Mazu Almagrauense das tribus de Magraua; a Maihu, 
filho de Abu-^Bacar, das tribus dos bárbaros ; a Jaber, fi- 
lho de lussof, das tribus de AbdeMJadi; a Abdelaaziz At- 
tagini das tribus de J^^gin ; a Tagerir das tribus de Has- 
aecura , e de todas as de lylassameda ; a Mohammed , filho 
de Moncad , das tribus de Gammara ^ e a Hagge Saleb » 



(MO 

iilhc deHarze, Âurabense , dos voluntários , mas todos eU 
les debaixo das ordens, e obediência de Abu-Hafce: eo 
Príncipe dos crentes ficou com todas as tropas dos Alrau-- 
JiadeSy e dosflegros. Tendo-lhes depois ordenado, que par- 
tissem , marchou a diante o Xeque Abu-Iahia com as suas 
tropas, htndo na sua vanguarda o Alcaide Sanadid com 
os Alcaides , cavalleiros , e magnates de Hespanha , cuja 
marcha fái da maneira seguinte : na lugar , donde Abu Ja« 
hia levantava ao rayar o dia , ahi acampava á tarde o 
exercito do Príncipe descrentes : e desta maneira continuou 
a marcha até que ae aproximou Abu^ahia com o exercito 
do seu commando ao acampamento dos associadores , que 
estava coUocado sobre hum elevado outeiro de quebradas 
e penedia , enchendo os terrenos planos , e os escabrosos 
na frente de Alarcos; e tendo o exercito mosselemano 
acampado na baixa na manhâa da dia Quarta feira no- 
ve do mez de Xaaban do anno 5:91 ( 1195 ) , po-lo 
Abu-Iahia em ordem de batalha desta maneira 1 a cada 
hum dos Chefes das tribus confiou huma bandeira , a 
que estivesse ligada a sua tribu , permanecendo junto del- 
ia ; e o estandarte verde aos voluntários. Collocou i siu 
direita o exercito Andaluz , á esquerda os Zanatenses, -Mos- 
samedenses , Árabes , e as outras tribus da Mauritânia ; os 
voluntários, Agzazes, e set toiros na sua vanguarda^ e elle 
DO centro com a tribu de Hantata. Depois de todos te- 
rem tomado o seu posto nesta admirável ordem, e de se 
unir cada huma das tribus á sua respectiva bnndeira , sahiu 
Jarmun, filho de Raiah, Chefe dos Árabes, e andando 
entre as fileiras dos mosselemanos , animava , einflammava 
os coraçtfes dos intrépidos guerreiros, aosquaes repetia es^ 
tcs versos ( sâo do Alcorão ) : d vós of que creis , sede 
pacientes y soffrei ^ tende firmeza ^ e confiai em Deos ^ pa-' 
ra que sejaes felizes. Ò' vós c^ue cr eis ; que haveis de 
ser ajudados \ Deos vos ajudará ^ e firmará vt^s^os pés. 
Entre tanto que ellcs estavao dtsta maneira , c o inimigo 
diante delles era o cabeço do ouieiro no \ák\o do cas- 
tcllo, eis que do seu exercito, ^c uiovc huma grande di- 



> 

íVisao de stte d oito mil cavalkiros vestidos com ferro, 
de capacetes, e polidas saías de malha , e arremessou- paca 
o exercito dos mosselemanos. Gritou então O pregoeiro do 
Xeque Abu-Iahia, filho de Hafce : turbas dos mosselema- 
nos y conservsiUvos firmes nas vossas fileiras ; não vos afas^ 
teís das vossas posições; e seiâo puras , e sinceras as vos« 
sas intenções, e as vossas obras para com Deos Altissr<- 
mo e de Magestade, recorda ndo-vos muito delle em vos« 
SOS corações; pois qualquer destas duas cousas, tahto omar^ 
tyrio , e o paraíso , Como o premio , e O despojo ^ he ex* 
cellente. Sanindo depois o Chefe Âmèr, e andando entre 
as fileiras dizia : servos de Deos ! vós , que sois esquadrões 
deste Senhor, permanecei firmes dianto de mim a. comba-* 
ter os seus inimigos , porque as tropas deste Deos Mo áê 
ser felizes , victoriosas , e vencedoras, 

Á este tempo chegou a sobredita divisão inÍYníga mar-' 
chando impetãosaménre até se cravarem as lanças dos mos^ 
selemanos nos peitos dos seus cavallos, a q^al recuou en- 
fio, e torhou a investir, o que repetiu duas vezes; e dis- 
pondo-se para a terceira investida , gritarão então em alta 
voz o Alcaide Sanadid, e o Chefe dos Árabes : ifopas mos- 
selemanas! permanecei firmes: segure Deos vostos pés cònr^ 
tra este impeto. Arremessando então osChristãos impetuo- 
samente contra o centro, em que estava Abu-Iahia , para 
o qual se encaminharão, por pensarem, que elle era o Prín- 
cipe dos mosselemanos, combateu o mesmo vigorosamente 
sofFrendo com heróica paciência até que foi martyrizado com 
multidão dos mosselemanos de Hantarp , dos voluntários, 
e de outros, a quem Deos tinha decretado o martyrio, e 
antecipado a bemaventurança. Tendo os mosselemanos sof-f 
frido heroicamente, convertido-sc o dia em noute com o 
pó, e aproximado-se as tribus dos Arabe^* , os voluntários, 
os Agzazes, e os setteiros cercarão os Christãos , que arre- 
messavão eom impeto por todos os lados; e o Alcaide Sa- 
nadid avançou com a tropa Andaluza, e com as tribus de 
Zanata , Mossameda , Gammara, e todas as. outras dos 
bárbaros para o outeiro ^ em que estava Affonso com o ezer- 



(M7) 
éto Chnttio em numero de mais de tresentos mil de ca* 
vallo » e de pé ; e tendo . os mosselemanos subido ao dito 
outeiro, principiarão a atacar os que nelle scachavâo. Ten« 
do tomado forças o combate , augmentado o terror , e crés* 
eido a morcandade fX)s"Christâos,.que primeiro tinhâo ata- 
cado, que erao quasi dez mil dos principaes, e escolhidos 
por Aflnnao i €ua vontade , sobre os quaes os Sacerdotes 
proferilo a oraçio da victoria, easpergiao agoa benta so- 
ore soas costas ; posto que eiles tivessem jurado cobre as 
cruzes, auê não se rerirariao até não deixarem hum só in- 
dividuo aos mosselemanos, com tudo Deos Óptimo Maxi^ 
fno cumfiritt a estes a sua promessa , ajudando o seu exeiv 
Ctfo^ o por isso havendo-se estreitado o combate sobre os 
infiéis,* e persuadido-^e estes da sua perdição , e destruído, 
voltarão as costas, e principiarão a sua retirada para o 
'outetffo, aonde se achava Affbnso, para netie se defende* 
rem, mas hivendp encontrado postadas as legiões dos mos* 
selemanos entre elles e o dito outeiro, voltarão sobre os 
seus calcanhares , e retrocederão para a planicie ; mas os 
Árabes , voluntários , Agzazes , setteiros, e os de Hantata 
foiçarão cambem sobre elles , e os moerão , e consumirão 
até ao ultimo, com cujo dc&barate quebrou a arrogância 
dç AfFonso , por ter nelles toda a sua confiança. Correrão 
eptão velozmente, e a toda a brida oscavalleiros Árabes a 
annunciar ao Príncipe dos crentes de haver Deos Altis^imo 
ja desbaratado o inimigo; e tendo-se tocado os tambores , 
desenrolado-se as bandeiras, e retumbado as vozes comas 
protestações de fé, (a) voano os esquadrões , avançarão os 
guerreiros e defensores ao con^bate dos inimigo.^ de Deos 
Altissimo; e marchou o Príncipe dos crentes com os exer^ 
eitos Almuhades I dírigindo-se ao combate dos infiéis; e 
tendo-se adiantado a cavailaria , e corrido velozmente a In-*' 
làntaria, dirigirão-se immcdiatamente a combater, e ferir 
os infiéis; pois entre ranto que AfFonso se dispunha , e co- 

(a') A sua prctestacáo de f c , e a c;ue basta para qualquer ^e tarer mos* 
sclemano, he a seguinte: A<ia /líi senão hum Deos ^ c Mohàmnied nu c/i- 
tssodo. 



< M« ) 
gítava carregar $ohre os messelemanos com c% tem exeiví^ 
tos j e bate*los , eis que oQ?e do sea lado direito os tambo* 
res, que atroa vâo a rerra , e as cornetas, que retumbarão 
DOS montes , e nos valles i e tendo levantado a cabeça para 
os observar , vendo então , que as bandeiras dos Atoniba- 
des ja estavão próximas , e na sua irente o vencedor escao* 
darte branco, escripto nelle: não ha senão bwm Dcos \ e 
Mobammed enviado de Deos :- não ba vencedor senão Deos ; 
que os heroes dos mosselemanos tinhâo avançado ; qiie oa 
seus exércitos ja se tinhâo unido , e seguiâo nana aos ou* 
tros } e que as suas vozes de protestação de fé reaoavSo , 
disse , que he isto ? e respondendo^e-ihe immediatamente , 
que era oPrincipe dos crentes, oue, tinha, chegado, potque, 
os que tinhSo combatido em todo aqoeile dia , eráo unica- 
mente as atalaias , e euardas avançadas dos seus jepcercitoa» 
lançou Deos Óptimo Maxitno o terror em. seu co^çSo, e 
nos corações dos seus exércitos de intieis^, e voltarão a^oo»* 
tas iugiiuio , e retrocedendo sqbre seus calcanhares ; e hin- 
do ao seu alcance os valerosos cavalleiros , os fêriao pela 
frente, e retaguarda, cravavâo neiles as suas lanças, e tre« 
çados, e ensopa vâo suas espadas no seu sangue, fkzendo-os 
provar a amargura da mone. Cercarão os mosselemanos o 
castello de Alarcoa , pensando oue Afibnso se tinha fortlfi« 
cado nelle \ mas o inimigo de Deos tinha entrado por hu- 
ma porta, e sabido pela outra do ladQ opposto; e tendo 
oa mosselemanos incendiado as portas do diro castello > e 
tomado-o de assalto, senfiorearâo-se de tudo quanto nelle 
havia , e no acampamento dos Christãos de dinneiros , ther 
souros, riquezas , armas, munições, utensilios , bçstas, 
mulheres , e crianças. Além de innumeraveis milharei de 
infiéis, queforáo mortos nestes combates» tomarao-se ca- 
ptivos no predito castello vinte quatro mil cayalleirôs dos 
principaes magnates dos Ciiritftãos , aos quaes o Ppi>cipc 
dos mosselemanos tratou benignamente, e deu a liberdade, 
depois de se senhorear delles , mostrando nisto a sua libe* 
ralidade-, mas esta acção foi sensivel a todos os Almuha- 
des 9 e mais mosselemanos^ que lha notarão como hum dos 



\ 



(H9) 
trtoi Ao9 Soberanos. Âoonreceu^esta famosa gazoa, e guin- 
de batalha no dia Quarta feira nove do mez de Xaaban do 
anno 591 ( 119$' ) » vindo a medear entre ella e a de^Za- 
laca cento e doze aonos. Esta de Alarcos he das maia ce* 
lebres entre os mosselemanos , e a maior (^ue apresentaiáa 
os Almuhades , com os quaes Deos Altiasimo encheu de 
gloria o mohammetismo , e exaltou sua fama. 

Escreveu Âlmansor, dando parte da conquista, a to- 
dos os paizes mohammetanos , que se achavlo debaixo da 
sua sujeição na Hespanha , Mauritânia , e Efriauia ; tirou o 
quinto do despojo , distribuindo o resto pelos valerosos gpc^ 
reiros ; e marchou depois com os seus exércitos pelo paiz 
dos Christãos destruindo as cidades, villas, e castellos; e 
a prezando, captivando, e matando até chegar aomcMite da 
Solaiman , donde retrocedeu , por estarem os Mouros carre* 
gados de despojos , sem se lhe ter opposto Christâo algum 
até Sevilha ; e tendo entrado nella , principiou a edificar a 
aua mesquita principal com a sua grande almenarâ. (à) En- 
trado depois o anno ^91 (119S') ^hiu o Príncipe dos mos- 
selemanos para a sua terceira gazua ; e tendo expugnadò 
Calaat-Rebah (Calatrava), UadeUhejara ( Guadalaxara ) » 
Madrid , Udes , o monte de Solaiman , e muitos castello» 
das vizinhanças de Toledo , na qual se achava Âflbnso , e 
depois de o sitiar nella estreitamente, cortado*lhe a agoa, 
queimado os pomares , arruinsdo-a , e assestado contra ella 
aa catapultas, partiu para a cidade de Salamanca, e a to- 
mou por assalto ^ e não tendo escapado hum só homem 
nella, captlvou as mulheres, saqueou as suas riquezas, quei- 
mou-a , destruiu as suas muralhas ; e deixando*a hum cam- 
po raso , voltou para Seviliia, depòisde ter conquistado mui- 
tos castellos, e entre elles Albalate, e Tarjala, ha qual 
entrou no primeiro do mez. de Safar do anno 59^ (i 196); 
e cuidou em oompfetar a sobredita mesquita , levantar a 

li 



00 .Nome que et mobamnietanos áÍo ái tones datm^quitas, dasquees 
os pregoeifos chtmio o poro pam a onçáa 



atmcnara , e fabricdr ^s melhores tnaçanefas, ou globm^ 
.l}ue fosse possível, ás quaes pela sua grandeza se Ib^ lAo 
còftbece a estimação, e valor ; mas he certo , que â do meio 
jiâo pôde entrar peia porta do pregoeiro , sem se arrancar 
o portal de mármore inferior ; e que a columna ou val^o 
sobre que as" ditas maçanetas estão montadas, tem quarenta 
arrobas de ferro. O mestre polidor Abu-AUait foi quetn kz^ 
:t tnontou sobf e o mais alto da dica almenara as taes ma- 
çanetas, cuja douradura custou cem mil ducados de oiuro. 
Quando Almansor passou para a Hespanha *i expedi* 

Silo de Alarcos , deu ordem para a ediíicaçSío da alcaçorâ 
te Marrocos, da mesquita coma sut torre, fi-onteira áquel* 
la , à^ mesquita de alcatebim y da cidade de Rebate em o 
território de Salé, e da mesquita de Hassan com a sua al« 
menara. Tanto que completou a mesquita de' Sevilha, e 
fez nella oração, ordenou que se construísse a fortaleza ao* 
^re o rio da mesma , e partiu para a Mauritânia ^ e tendo 
cke^do a Marrocos no mez de Xaaban do anno ^$OJ^, 
( 11^8) , achou completas todas as obras ,^ue tinha ofde- 
Sado se edificassem , a saber : a alcáçova , a muralha , a 
Biesqttita, e a torre , cujas despezas se iizerSo dos quintos 
das prezas doa ChristSos. Tinha-se elle ioiisposto contm 
M encarregados , e mestres, que se tinhão incumbid<>, e 
dh-jgido as ditas obras, por se lhe haver dito, ^e elles ti« 
tthSo comido o dinheiro, e feito á mesquita sete portas 
segundo o numero das portas do inferno ; mas logo aue en- 
trou nella, gostou, e alegrou-se* da mesnfia; e tenao per* 
guntado quantas e^o as suas portas, e respondido-se-ihe, 
que sete, e mais a por onde entrava o Príncipe, vindo a 
ser oito com esta , respondeu então : hão Importa que a cou» 
sa s^a cara , quando se diz que he boa ; e alegrou-se mui* 
IO (a). Logo que o Príncipe dos aentes chegou a Marro^ 
008, edescançou, trafou de fazer reconhecer a seu filho 
Abtt-Abdallah, appellidado Annasser-Ladinellah , o qual 



fd) Goode do toOM> U. psg. 408 conta de diveno modo oque aqui se 



tendo tido acclamado pelos Âlmuhades, íbi também' ac- 
damaflo em toda aHeçpanha, Mauriíania, eEfriquia dea« 
de Tripoli até Sahara do paiz iDcridional, e até ao paiz 
de Nufi de Susselaqça, aasim naa viilas, como naa cida^ 
dea > fortalezas , castellos , montes , e vallea , cujos habitais 
tes Árabes , e bárbaros submissos , e obedientes ás suas or- 
dena, e disposições lhes traziâo os seus impostos, censos ^ 
dízimos , e os aonunciavão na collecta sobre suas tribu- 
^* tta. Tanto que se concluiu a acciama^âo de Abu* Abdallah 
Aonasser , occnpou o lugar de califa de seu pai , e corre» 
fte aa disposições e negócios todos pela sua mâo em v^p^ 
ik do mesmo , entrou Aimanaor para o seu palácio , no qual 
fiermaneceu coastante^ienre , e prindpiou4he a moléstia^ 
de que faleceu. Contasse, c}ue elle clisscra , tanto que a m» 
bitía se lhe aggravou : de tudo quanto fiz no meu califii<» 
éOf sd esiou arrependido de trez cousas, que estimaria 
llSo B» ter obrado : a i.^ ter introduzido os Árabes da Efrí^ 
ooia na Mauritânia , Jpor ser gente corrompida ; a z.* ter 
aado liberdade aos captlvos de Aiarcos,^ porque sem diH 
vida hão de procurar vipgar-se ; e a 3.'' ter edificado Re« 
bate i custa do Erário. Faleceu Almansor na ultima vigí« 
lia da noute de Sexta leira vinte doiís do mez de Rabiaí* 
ioal do anno ^95* (1196) em o palácio de Marrocos, 
porque a duração perpetua só compete a Deos, além do 

Siai úié ha outro Senhor digno de ser adorado, o qual 
i o mais digno dos Soberanos dos Almuhades, e de maia 
fama , e bondade em todos os tempo5s; defensor dos Sobe^ 
ranos ailiados, e o mais nobre dos Reis poderosos. Tinha 
sentimentos elev;i dos, religiíio solida , e excelleme marcha 
para com os-mosselemanos. Deos Altissiitio teaha delle wU 
sericordia pela sua benignidade; e lhe perdoe pela sua bon« 
dade , e generosidade i pois he compadecido , e miserícor*» 
dioso» 



li z 



• 

* 

CAPITULO XLíX. 



O 



Do reinado io Príncipe dos ^crentes Annasser , fi- 
lho de Abnansor , filho de lussof^ filho de 
Abdelmmmen^ filho de Aly^ 



Príncipe dos crentes Mohammed Annasser era filho 
de lacttb Âlmansor ^ &c« , Zanatense , Cumense , Mubi«* 
4en8e. Sua mâi , chamada Âmatol-Uh , era filha de Sid 
Àbu*£shaa, filho de AbdeluiuroeD, Appellidoti-se.Amasaer 
Ladincl^lan. A cifra do seu sello era : confia em Dear %ipois 
èlle be o que tne hasta , e o melhor ptoiecíor. O sen ^muA 
nas ordois era este : o louvor seja^ dado a bnm sé Deos^ 
Qpanro á sua figura : era branco , de estatura perfeita , oor« 
po delgado , bons olhos , e pretos , baii>a espessa ^ e sobran* 
celhas grossas. A respeito da^ suas qualidades era difficil 
ém coffiprehender os negócios , e dominado de amor pró- 
prio 9 preferindo a sua opinião nos seus negócios , e gorer- 

iio» \fi) 

Os seos Vizires foiáo o filho de Anahid, e o filho 
de Almatná; eoseu vice Rei , e primeiro Vizir Abu-Said, 
filho de Jamea. Deoso amaldiçoe, po^ ter arreado huna 
« ootfo lugar. 

. Posto que Annasser tivesse sido acclamado em yida 
de seu pai , renoyou-8e4he com tudo a acclamaçâo depois 
do seu falecimento na manha do dia Sexta feira immedia- 
ta á nottte , em que tinha falecido. Tendo^e procedido á 
sua acclamaçSo em todas as regiòes da obediência dos Al- 
SDuhades , e sido annundado na collecta sobre as tribunas 
das mesquitas , permaneceu na capital de Marrocos o res- 
to do mez de Rabial-áual , e todo o mez de Rabiat-tani ; 
e sahiu no primeiro do mez de Jumadil-áual do referida 
anno %^% (ii99)> dirigindo-se para a cidade de Fez; e 

C«) Conde os psg.410 disoords ioteiniiiente do que so lefcie neste pe- 
rioda 



( tn ) 

tendo alli chegado, e conservado-se nella. até ao fittb de 
predico anno, sahiu então para as montanhas de Gamma« 
n i e tendo combatido a Âludan Gammarense nellas revol«- 
tado , voltou para a cidade de Fez ; e tanto que aili che- 
gou, tratou de reedificar a sua alcáçova, e as muralhas, que 
seu avô Âbdelmumen tinha destruído , quando nella entrou. 
Conservou-se aili até ao anno 598 (1201), em que, ha* 
vendo*lhe chegado a noticia da Efriquia , que Âlmaiorqui 
tinha vencido a maior parte do seu paiz, sahlu a procu» 
ra-lo da sobredita cidade dírígindo-se á. Efriquia (a). Teu* 
do chegado ás Uhas de Beni-Mazaana principiou a prepa-' 
rar as galeras, e as tropas para atacar Maiorca , a qual com 
efièito conquistou , tlrando-a das máos dos Almorabides no 
mez de Rabial-áual do anno 600 (1203). Tendo-se apre* 
sentado ao Príncipe dos crentes Annasser os habitantes da 
mesma ilha, saudado-o, e acclamado*o, perdoou-lhes , 
tratou-os segundo as suas graduardes, fallou^lhes com be« 
nignidade, nomeou Cadi da mesma ilha ao insigne prela<- 
do Abdallah , filho de Uutal-lah , . e partiu para. o paiz da 
Efriquia para recorrer todas as soas regi6es , e inquirir o 
estádio dos seus habitantes ; e havendo*se retirado diante 
delle Âlmaiorqui até entrar emSahara, partiu Annasser pa<^ 
ra Mahadia , por se lhe haverem ja sujeitado todos quan- 
tos se tinhão levantado contra elle na Éfnquia , i excepção 
da dita cidade, poro seu governador, nomeado por Âl- 
maiorqui y quando este a tomou , se ter recusado , o qual era 
Hag-ge (i) engenhoso, e sábio na arre, e estrategemas da 
guerra. Teodo Annasser acampado fora delia , stciado-a 
por terra, e por mar, assestando contra ella as catapultas , 
e a artilharia (r) , sustentavão as tribus dos Almuhades , e 



(O O tuthor chama Âlmaiorqui ( Maiorquens^f ) alahia, filho de Ga- 
0im, por ser Prioctpe de Maiorca, donde passou á Efriquia, e nella prati* 
cou o que fica referido. 

(è>') Hag*ge he liiulo honorifico, que seda aos que vio á peregrinação de 



(c) Ja 00 sitio desta praçi, cu^a conquista aconteceu em 1204, uf.ou 
£1-Rcí de Manocts de artilharia, como se obstrva neste lugar; e pcft isso 



( ^r4 > " 

M tropas dos Árabes o seu ataque alternativamente da dit 
e de noute ; mas o referido^ Hag-ge mostrou na soa defesa 
os estratagemas da guerra, e astúcias , que seria impratica*^ 
vei contar ,. não obstante Annasser o ter sitiado por espik- 
ço de muitos mezes ; e por isso os Almuhades lhe cfaama** 
vão o Hag-gé dos estrategemas» Assestou entáp Annasaer* 
contra elie huma grande catapulta, como aepáo conhecia 
outra igual em grandeza, poia arremessava cem arroba» ^ 
cooi a qual destruiu a cidade; e tendo cabido huma pedm 
da dita catapulta no meio da grade da porta da mesma cip 
dade , a qual era toda de ferro, firmaoa sobre huma base 
de mármore verde , e no lugar de • • . • oitenta leòes de 
bronze amarelo, a dobrou no meio.^ Tanto que o goveiv 
nador de Mahadia viu isto , e que lhe náo era possível de- 
fende-la , nem resistir ao Principe dos mosselemanos , o ac# 
clamou ) e entregou-Iha , ao qual Annasser deu segurança, 
fez grandes honrarias, e elevou a altas dignidades, por ver 
o seu respeito para com seu amo, e'o seu esforço na de- 
fensa dos seus direitos ; e ordenou aos Almuhades , que 
lhe chamassem o Hag-ge iticorruptiveL Sendo a conquista 
de Mahadia no anno 60 1 (1104), nomeou Annasser no 
anno seguinte p Xeque Abu-Mohammed Abdeluahed , filho 
de Abu-Bacar, filho de Abu-Hafce, governador de toda a 
Efriquia, e partiu para a Mauritânia. Tanto que chegoa 
liorioXelfe, sahiu-Ihe ao encontro lahia Maiorquense com 
hum poderoso exercito de Árabes, je das tribus deSanaha^ 
ja , e Zanata; e rendo coa;ba tido vigorosamente, foi o 
Maiorquense coniplerat;nente desbaratado no dia Quarta fei* 
ra ultimo do mez de Rabial-áiial do anno 604 (1107). 
No mesmo anno mandou o Principe dos crentes Annasser 
edificar a cidade de Ugeda , e a siia muralha , cuja obra 
se principiou na entrada do mez de Rageb do mencionado 



mm 



nSo lie para admirar , que os mouros usassem lambem depois dclfa em 1 140 
na bataiba do Salado^e em 1 542 no sitio de Al^eiiras, e mesmo no sitto 
de NieblaV como refere M. l>e Marlcs em hUma das suas nota^em«o L.^ |.^ 
f^, 76 parapiovar, qat eiles forfo es ftttticicos , ^ ailito dt fKrtvci» 
os Europa. 



( *íf ) 

gmo; e construiu igualmente a murilha de Âlmazema nd 
paiz de Rife, e'a alcáçova de Bades ( Àjuzemas )• Saliia 
o Príncipe dos crentes no mez de Xaual do mesmo anno 
de Fez para a capital de Marrocoá , depois de ter manda* 
do construir o chafariz no bairro de Andaluz, e fazer coa« 
duzir para elle a it.goa da fonte , que fica á sahida da por^. 
ta, denominada Babot-hadid ; ede ter feito construir a por« 
ta interior, que desce para o claustro da mesquita do dito 
bairro, emaue gastou grandes somas doEfario , assim co« 
OK) o oratório, ou lugar da oração na mesquita deCaruin, 
aoode o povo continuou, por elle ter ordenado, que senão 
orasse no oratório da mesquita de Andaluz ; mas passador 
rre2 annos, tornou a orar em hum e outro oratório de am-^ 
bas as mesquitas, depois deterem testificado, que esta era 
a pratica antiga. Tendo Annassêf permanecido em Marro^ 
GDs até ao anno 606 (1209), e chegado- lhe alli a noticia 
de Hespanha, que ASonso opprímia o paiz do9 mosseledia* 
oot, batia os seus Alcaides, e castellos, matava os ho-« 
mens, e captivava as mulheres, ao qual pediriio soccorro 
D6 seus habitames , dispoz-se para a guerra sagrada , distribuiuf 
dinheiros pelos Alcaiaes e tropas, e escreveu para os paí- 
ses da Mauritânia , Eíriquia ; e do lado meridional , insti- 
gando os mosselemanos para a gazua contra os infiéis. An- 
iittiu immensa gente; ecada huma dastribus da Mauritânia 
apromptou o seu contingente de cavallaria e infantaria pa- 
ra sahtr com elle á guerra sagrada, ao qual seaprezenrarâo 
as tropas de todas as grandes cidades, e correrão gentes de 
todas as regiões,, assim de moços, como de velhos. Tan- 
to que teve completos os esquadrões . e exércitos , sahíu da 
capital de Marrocos no dia dezenove do mez de Xaaban 
do anuo 607 (12x1); e rendo chegado a Alcácer Seguer, 
acampou-se na mesma , e pnncipiou~a passar as tropas, ca- 
Tallaria , e petrccíios de guerra , cuja passaçem durou des- 
de o primeiro do mez de Xaual até ao fim dosef^inte mez 
de Dul-Kaada. Transportados os valérosos defensores da 
religiSo, embarcou Annasser apoz dellcs; e tendo acam- 
pado nas praias de Tariía no dia vinte cinco do dito mez. 



vierão alll oncontra-Io es Alcaides» Doutores, e homens ?}r* 
tuosos de Hcspanha , ao qual saudarão; e permanecendo aU 
li rrez dias , partiu para Sevilha á frente de innumeraveis 
tropas come bandadas de gafanhotos que enchião montes e 
valWs, com as quaes se estreitarão os lugares espapsos, as 
estradas, e os baixos. Cheio Annasser de admiração da mul- 
tidão das suas tropas ^ que via , dividiu-as em cinco corpos : 
i.^ os Árabes; iZ-as tribus de Zanata , Sana haja , Mos* 
sameda, Gammara , e todas as outras diversas tribus da 
Mauritânia ; 3.^ os voluntários , que erão cento e sessenta 
mil de cavallq, e de pé; 4.^ os Alcaides da Hespanba 
com as suas respeaivas tropas ; e jr*° os Almuhades , a ca* 
da hum dos quaes ordenou , oue acampasse em sitio separa- 
do ; e tendo chegado a Sevilna no dia dezesete do seguin- 
te mez de Dul-hej«ja do mesmo anno , e demorado-se nel* 
la , alvoroçou-se toído o paiz dos Christãos com a sua pas- 
sagem , accometteu o medo o coração dos seus Reis , pria- 
cipiarao a fortificar o seu paiz , e a maior parte delles lhe 
escreveu , pedindo-lhe a paZ| e implorando delle operdâo^ 
d'entre os quaes veiu o Rei de Bayona (Navarra) submis- 
so, humilde, e reverente pedindo-lhe a paz , o qual ape- 
nas ouviu , que o Príncipe dçs mosselenunos tinha entra- 
do em Sevilha , possuiu-se do medo, apressou-se em cui- 
dar de si , e do seu paiz , e mandou o seu enviado a An- 
nasser , pedindo-lhe licença para se dirigir á ^ua presença. 
Tendo-lna ellç concedido , escreveu Annasser para todas as 
terras , por onde este maldito havia passar , para que quan- 
do elle chegasse , o hospedasse cada huma delias trez dias ; 
e quando tratasse de panir no quarto dia , se lhe aprehen- 
dessem mil cavalletros do seu exercito. Havendo sabido es- 
te maldito da capital do seu Reino, dirísindo-se para o Prín- 
cipe dos crentes , quando chegava a alguma terra do paiz 
dos mosselemanos , hião encontra-lo os seus Alcaides com 
as suas tropas, apresentavão-se-lhe os seus habitantes bem 
vestidos, e armados , e lhe fazião a melhor hospedagem ^ 
mas Qo dia da sua partida lhe retiohão mil dos seus ca- 
valleiros } e desta maoeirá , coatiouariio a praticar até elic 



'k 



<liegar i cidade de Camona y nâd lhe restando então te 
nao unicamente mil. Tendo-o os seus habitantes hospedado 
trez dias , e detidorlhe este resto ; quando hía a partir no 
quarto dia , disse então aos Alcaides da dita cidade : por 
que me defendes estes , nao me ficando outros para meacom* 
panharem ? eHes Ihe^responderâo : porque estás debaixo da 
protecção do Príncipe dos crentes , e da sombra das suas 
espadas. Tendo sabido de Carmona com os seus cortezãos^ 
mulher, e criados (o presente , que offereceu a Ânnasser^ 
e lhe apresentou , foi a carta , aue o profeta escreveu m 
Heraclio, Soberano Grego » para ÍJie servir de amparo, cer* 
tificando-o ^ que o seu Reino era herança antiga , e que 
esta carta a possuiâp por direito hettditario guardada em 
huma capa verde no meio de hum cofre de ouro , cheio' 
de almíscar por consideração x respeito á tnesma ) (a) e ha« 
vendo Ânnasser mandado , que se lhe fizesse hum aparato- 
so recebimento desde a porta de Carmona até Sevilna fez 
a cavallaria e infantaria duas alas de hum e outro lado no 
espaço de quasi. quareaíta milhaa, quç tanto, dista huma 
cidade da outra^^i gprç^cotando-se a ^ta tropa, bém vestida , 
completamente armada: de esf>adas. luzentes, e lanças bru« 
nidas. Contin|iajido o dito Rei. na sua marcha deSai^o^a 
sombra das espadas t e das lanças, do^. mosselem^inos, tan- 
to que se aproximo^ de Seivilha , ordenou o Prindpç dos 
crentes, que se lha. armasse. a tenda.de çarmezim ftSra .da 
cidade, e que ndla $e lhe posesseqi trc% assei^os. Perguqr' 
tando depois qual. dos. Alcaides sabia a Ungpa-dp.pai;;;./^ 
tendo-serllve respondido^, que^b^r^jaiuxe , mandpu-ocom« 
parecer.^ eibav^ndo*#e a{>resf|i(ado, lhe dissa^* como, e^e. i|i- 
fiel ffi.»àmghi á minhsL^pf^ença , he.hum . dever. .obsçiquia*. 
lot may se eamf^cle^iuira^ quando el^ eiHraK, .^dianto» 
me, eainfrinjo.Q.|«r^e^q dcbprofeiaiem me iefif^tar ,a este, 
homem i e s^ pf rma^fifit a«s<nuao » . nao me. leuantandQ s^ 



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^«y '^nâráíz , qiie>ia fMM nMgniíico A)corã(y^ guamacido de onío. 



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ék , falto ao que Ihè be devido , pdrqôe he bum Rei p> 
deroso , e hospede: ordeno-te por tanio , q« re aaicotei 
00 assento, que está no meio da tenda ; e quando elle en- 
trar , entro eu também ao mesmo teovpo pela porra fion- 
teira ; levantas-te tu , tomas-me pela mão , e assemaB-oie i 
tua direita ^ toma4o também pela mão ^ e assenta-lo i tua 
esquerda 9 ficando depois para nos servires de interprete, à»- 
sentado o dito Alcaide no meio da camará ^ tanto que eU 
les entrarão y assentou Annasser á direita, eoRei damyth 
«a i esquerda , ao <\wV disse: este he o Príncipe dos creiv 
Hs. Tendo^ então saudado, c converèado^ e praticado al- 
gum espaço , no que convinha , montou depois o Priocipe 
dos crentes, e o Rei de Bayona , hindo algaqn taoKi acras 
delle; e também os Almuhades com os oiaia defensores da 
religião. Como a tropa hia brilhante, c os habítantea de 
Sevilha fizei^o hum magnifico recebimento ^ foi este bom 
dos dias mais famosos. Havendo Annasser entrado nadda* 
de, e immediato a elle o Rei de Bayona, bospedoo-o 
dentro da cidade, deu-lhe preciosos donativos , estabeleceu 
,com elle buma paz perpetua , em quanto existissem oa Al« 
tnuhades, estendendo-a aos seus successores , e o despediu 
depois obsequiado , e com todos os seus n^;ocios condui- 
dos. Sahiu Annasser immedia ta mente no primeiro do mcz 
de Safar do anno 608 ( 121 1 ) para agazua de Castella, 
e foi marchando até se acampar sobre o cascello de Sariíi* 
ta ( Salvaterra ) , o qual he grande , e situado sobre o ca« 
beco de hum elevado monte , que sobe até se igualar is m* 
vens, e náo ha para subir a elle senão^^hum estreito, e es* 
cabroso caminho. Tendo*o cercado , e rodeado com os exér- 
citos^ principiou a combate-lo, assestando contra elle cjua-» 
renta catapultas ; e consumiu os seus arrabaldes , seca ter 
podido conseguir cousa alguma. Como o seu Vizir Abu- 
Sáid , filho de Jaméa nao era nobre de origem entre os 
Almuhades, tanto que foi elevado aos lugares dcTice-Rei, 
e Vizir de Annasser, principiou a reprehendçr os Oiefes 
dos Almuhades, e a desprezar os seus nobres até que afas- 
tou do lado de Annasser muitos dos Xeques ^ com <|acaa 



( ^S9 ) 

die GDiiniltdTa ; e por ism ficou elle $6 no serviço , e bom 
certo individuo, conhecido pelo nome do filho de Manxi, 
•em o parecer dos quaes Ânnasser nada resolvia. Tanto que 
este se encontrou com o predito castello, hindo^oara Ca»- 
tella , admirando-se da sua localidade inaccessivei, lhe res- 
ponderão os doQS : não passes a diante , ò Príncipe dos creií- 
tei, até o eipugnares; e será este, com o favor de Deos, 
a tua primeira conquista ; e por isso se diz , que elle se 
conservara sobre aquelle casteiio tanto tempo , quanto gaa- 
^ntio as andorinhas afazerem os seus ninhos, pArem ot 
ovos , criarem , e voarem seus filhos» Tendo*se conservado 
sobre elle oito m^zes, centrado a estação do inverno, aper- 
tou o frio, diminuiráo as forragens, acabarão is gentes as 
proviz6es , findarão as suas reservas e depósitos , afroxou 
8 sua constância „ oorromperâo-se os sinceros desejos , com 

Sue se tiohão dirigido á ^erra sagrada , e se exasperai^ 
a demora ; e de ter faltado o soccorro no acampamento , 
e encarecido nelle os viveres. Certificado de tiido isto Affbn- 
80 \ e tendo sabido , que o ardor dos mosselemanos , e o 
Ímpeto, com que setinhão apresentado, ja tinha quebrado, 
inoveu-se a procurar vingança , e arvorou as suas cruKs tou 
mo signal em todo o paiz dos infiéis; e tendo vindo 08 
Reis Christãos á frente de exércitos bem armados , e apre*- 
8entado-sé-lhe os servos de Santa Maria , ostentando hn«- 
nia louca protecção , tanto que se aproximarão de AfFon^ 
8o os seus esquadr6es e exefbitos , e se completarão as soas 
turbai, veiu marchando até se acampar junto dehuma das 
fortalezas dos mosselemanos , chamada Calaato-rdbah ( Ca- 
latrava), de que era Alcaide o digníssimo, famoso, val8^ 
roso, e intrépido Abul-Haj-jage, filho de Cadez , o qual A 
cardava com setenta cavalleiros mosselcmanos; e tendô-â 
cercado, principiado a combate-la , e posto no maior apen- 
fo, supportava o filho de Cadez os seus ataques, e escre- 
via tOGOs os dias ao Principe dos cremes Ânnasser, infor* 
snando-o do seu estado, e pedindo-lhe auxilio comra os 
seus inimigos ^ mas quando as suas cartas cbegavão ao Vi- 
zir, retinha-as, e não as mostrava ao dito Principe, para 

Kk 2 



qiie não levantasse o sitio do castello antes de oexpngoir, 
no que enganava Annasser, e a todos os mòssclemanos ^ 
por nao dar noticia alguma a respeito do paiz » nem dos 
negócios dos seus vassalios -, e por occultar os de pondera- 
-çâo, de que nâo convinha descuidasse, nem desprezados. 
Téndo-se prolongado o sitio contra o élho deCadez, ex^ 
Jiaurido-se os mantimentos e as settas, que havia no castd* 
lo j e perdido a esperança de soccorro , temendo que Afforh 
so entrasse nelle, e se apossasse dos mossdemanos , e fa- 
aiilias, lho entregou com a condição dos mosseleroanos 
sahirem com tudo quanto lhes pertencia é Logo que osmos- 
selemanos sahirâo , e tomou o inimigo posse do castel* 
lo, dirigiu*se o íilho de Cadez á presença do Príndpe 
,dos crentes , ao qual seguiu seu sogro , que era cn» iralor 
igual a elle;^e nâo obstante elle instai^lhe para que voltas* 
.se 9 e o deixasse hir só , porque elle hia sem duvida mor- 
rer, enáo vivia depois de tal acontecimento, mas que vea» 
dia a sua alma da parte de Deos Altíssimo pela salvado 
dos mosselemanos , que estavâo no castello , fiSo quiz vol- 
tar, dizendo-lhe: nao ha bem na vida depois de ti. Che- 
cados 06 dous ao acampamento de Annasser, os enoontia* 
lâo os Alcaides Andaluzes , e saudai^o ; e tendo o Vizir ^ 
filho de Jamea , noticia delles , sahiuJhes ao encontro , e 
ordenou aos negros, que os conduzissem pela cerviz, osquaes 
ibrâo levados com as mãos ligadas atraz das costas. Teu* 
do o Vizir depois entrado pati hir fallar a Annasser, e 
dito-lhe o filho de Cadez , que queria entrar com elle , res* 
pondeu-lhe : hum perverso nâo entra a fallar ao Príncipe 
.dos crentes, (a) Entrou depois o Vizir ; e tendo enganado 
a Annasser a respeito delles até manda-los matar, sahiu, 
e ordenou, que fossem trespassados com as lanças; e fi>- 
tio immediatamente mortos , cujas mortes desanimarão as 
gentes , indispondo*se contra Annasser , e corromperão os 
sinceros desejos dos Alcaides Andaluzes ; e por. isso enca- 



(O Conde tntduz esta passam de diverso modo: V.*pag. 4S2 do to- 
no II. 



Biinfioii-se o Vi»r filho de Jamea pan a tenda da recta* 

Çiarda , e ordenou » que comparecessem os ditos Alcaides; 
endo-«e ^ks apresentado , disse : retirai-vos do exercito 
dos Almofades, poroue iilo remos precisão de tós^ pois 
disse Deos Óptimo Maumo = se eÚes sabissem com v§s^ 
€ê^ wú V04 êugmentêriSosina^iníêmmâiú, e não se apres-- 
Sêriio para aquillo^ ^ue V9S be fsvaraveL (a) £>epoit 
desta' comparação, assim se ha de julgar a respeito de 
quakiuer malvado. 

Logo que Ânnasser ouviu que Affonso vinha contra eU 
le , e que se havia senhoreado do castello de Calatrava , 
o mais inexpugnável de todos os dos mosselemanos , fex- 
Ibe isto tanta sensação , que se absteve de comer e beber 
até que adoeceu da vehemencia do desgosto ; nus não de» 
sistiu do combate de Salvaterra; dispendendo avultadas 
somas de dinheiro , até que a conquistou 'por capitulação ao 
ultimo do mez de Dul-hg-ja do anno ícà ( ma )• Tan* 
to que Affonso foi informado de Ânnasser haver conquis- 
tado a dita fortaleza , moveu-se para ella com todos os So» . 
beranoSi e seus esquadrtfes, que se acha vão com clle, ao 
encontro do qual sahiu Ânnasser com os exércitos dos mos* 
aelemanoa» logo que lhe chegou a noticia da sua chegada. 
Encontrados os dous exércitos no lugar chamado Alacab (as 
Naves) , aonde foi a contenda , e armada a tenda de carinc* 
zim sobre o cabeço de hum outeiro, veiu Ânnasser coilo- 
car-se nella » e assentou-se sobre o seu escudo , e com o seu 
catallo a diante de si. Os pretos todos promptos e armados 
rodeavão a tenda por todos os lados, a diante dosquaes se 
collocou a vanguarda do exercito, as bandeiras, e os tam- 
bores com o Vizir Abu-Said , filho de Jamea. Tendo-se 
apresentado na sua frente os exércitos Chrístãos em ordem 
de batalha, como nuvens de gafanhotos, sahirSo-Ihe? ao 
encontro os vc^untarios em numero de cento e sessenta mil , 
e carregarão todos sobre eltes , arrojando-se sobre as su^s 

(«) AlcorSo verso 49 da sura da penitencia. Xarraino tr.id!iz as ulti^nas 
palavrai de diverso modo, do que lhe não aclio fundam^: 10, e pot isso me 
Aio conformo coro eJlc * 



fileiras; e carregarão hífnbcm dobre elles os etercifos Cbr» 
tâos; e tendo pelejado vigorosamente, e soilrido os mosse^ 
lemanos com neroica paciência , ibrâo os ditos ▼oluntaríos 
todes martyrisados , estando a olhar para elles os exerciíoi 
dos Almuhades, dos Árabes, e dos Alcaides Andaluzes^ 
sem que se movesse hum só delles. Depois que os Chris» 
tâos acabarão dos volunurios , arremessarao-se todos sobre 
os exércitos dos Almuhades , e dos Árabes ; arremesso ia* 
fausto ! e tendo-se ateado o combate entre os dous exerci* 
tos, retirarâo-se os Alcaides Andaluzes com as suas divi* 
s6es, peio ódio que tinhão concebido em seus ooraçtfes^ 
por causa da mone do filho de Cadez , e dos ameaços do 
Vizir, filho de Jamea, contra elles ^ e por os ter expulsado. 
Logo que os Almuhades, Árabes, e tnbus dos bárbaros tí« 
râo , que os voluntários tinhão sido mortos; que os exerci* 
los Andaluzes se tinhão retirado fugindo ; que se tinha augmeii« 
tado a mortandade nos que tinhSo ficado; eque oonira el- 
les se tinhâo os Christãos augmentado, OTindpi^râo a fa« 
gir para junto de Annasser, nindo os Cnristáos accomet-» 
tendo-os com as espadas até que chegat^o ao circulo , fêi-* 
to pelos negros, e familiares ao redor deAnnasser, que 
encontrarão como hum firme , e bem caldeado edificio ; *e 
não tendo podido penetrar nelle , voltarão as garupas do0 
cavallos contra as lanças dos ditos negros^, que estavao apon* 
tadas para elles, e penetrarão no dito circulo. Entre tanto 
conserva va-se Annasser assentado sobre o seu escudo diao* 
te da sua tenda dizendo : saãeq-Arrabaman «4 Caãeb a»* 
xaitãHy isto he, a verdade' he do Misericordioso , e a men- 
tira do demoiíio. Como permanecesse no seu lugar sem se 
afastar até estarem os Christãos a chegar perto delle , e ú^ 
vessem ja sido mortos mais de dez mil dos negros ao r&* 
dor delle, aproximou-se então a Annasfer hum Árabe , moa- 
tado sobre huma egoa , e lhe disse : até quando , ó Princi* 
pe dos crentes , te conservarás ahi assentado P a sentetrça 
de Deos ja chegou , cumpriu-f e a sua vontade , e fenecerão 
os mosselemanos. Levantou^se então Annasser para mon- 
tar o veloz cavatlo , que estava diante delle ; aias apeoii-se 



( aÍ3 ) 

O Árabe da egoa , em que estava montado , e lhe diste ! 

flDonta esta fogosa egoa, que nSo te ha de desagradar ; pois 

taWez que £kos Óptimo Máximo te salve sobre ella ; por 

que na tua salvação está todo o bem. Tendo Annasser mon« 

fado na dita egoa , e o Árabe n:i seu cavallo, fez marchar 

s diante de si bum grande esquadrio dos negros; e hindo 

0S Cluristâos no seu akance, continuarão a matança n09 

nossflennaQOS até á ooute , cujas espadas ezerciáo nelles o 

se» direiro, carregando nelles até que fenecerSo todos, es« 

apfliido «letles apenas hum de cada mil, porque o pregoei* 

10 de Alibnsoja tinha gritado, que wAo haverião captivos, 

mas nm morros j e que aquelle que trouxesse captivo , mor^ 

reria hum e outro ; e por isso nao fez o inimigo nctta ba^ 

Salha captivo algum (a). Aconteceu este fatal , e desatro» 

80 combate em o dia de Segunda feira quinze do mez de 

StÊir do anuo éoy ( 1212 );e por causa desta derrota 

desapparecca o valor dos mosselemanos na Hespanha , e nâò^ 

Majudoo a bandeira da felicidade; e estendeu o inimigo 

Beila o domimo sobre as suas fortalezas, e ap06sou*se da 

maior parte do paiz ; e chegaria a possui-la toda , se Deos 

Óptimo Máximo a nSo soccorrtf^sc com a passagem d^ 

Principe dos mosselemanos Abu-Iussof, filho oe Abdel-haq- 

que, de saudoza memoria, que vivificou as suas relíquias,. 

(s) Esta foi hama das mais memoraveis batalhas de Chritrios contra 
BK H i f O S , que se deu na HesfMmha, que fei uo dia 16 de Julho de 121S, 
EIRei D. AfTonso obteve do Pontiíioe Innocencio IIL huma cruzada , que 
P. Rodr^o Ximenes, Arcebispo de Toledo, foi pedir a Roma; e forSo 
em seu auxilio os Reis de Ara«So, e de Navana, e mui (loderosos Prínci- 
pes de França, Allemanha, e de muitas outras partem da christandade : nem 
dr ooCta aoítO se poderia obetar ao ímpeto , com que os bárbaros ameaqivlo 
tomar de novo a Hespanha. Ficou a victoria da parte doaairictSos com mor- 
te de quasi durentot mil mouros, (numero muito inferior ao que s^ refe- 
rc nesta histeria, i qual eu nesta parte dou mais aedíto*), e prizão de ou- 
tros muitos. No Arcebispo D.Rodrigo, e em D.Lucas de Tui devem prin- 
cipalmeme Icr-se as circunstancias , e st^nabdos succesios delia , por serem 
authores, que nella se acharáo, especialmente o Arcebixpo, que foi n que 
mais tralwlhou. Neste anno reinava ja em Portu?al EIRei D. Affcrso 11 , 
^nro do mesmo Rei, que a ganhou, parente ^ e vi&mho, e que i1,i men- 
nuk victoria recebia grandes interesses» 



receitou o seu rcsplandor , combate» o paíz dos initís; 
cos destruiu. Logo que Aífonso concluiu o combate de Ala- 
cab , marchou para a cidade de Ubeda ; c tendo-a toitst* 
do porarssalto, nella não escapou homem nem grande, nem 
pequeno ; e depois desta foi tomando cidade depois de d-' 
dade até se senhorear de toda a Hespanha, ficando cm po- 
der dos mosselenianos huma ocquena porção, a qual nlo 
tomarão também , por Deos Óptimo Máximo a ter pioc^ 
gido por meio da dynastia dos Benimcrines , cujo reinado 
Deos eternize. Conta-se , oue dos Reis , que estiverib pre- 
sentes á batalha de Alacab » e á entrada de Ubeda , nem 
hum Qcara , que náo morresse naquelle anno. Depois oue 
Annasser chegou a Sevilha, depois da batalha de Alacab, 
na qual eptrou nos últimos dez dias do mez de Dul-hej-ja 
do sobredito anno, encheu-se de admiração da grande mul- 
tidão dos seus familiares e exércitos , que o acompanharito 
liaqueUa gazua , porque ajuntou nella combateares de ca-> 
Tallaria , e infantaria., como nenhum dos seus antepassados 
tinha unido ; pois achavão-se no seu exercito cento e ses- 
senta mil voluntários de cavallo, e de pé, trezentos mil 
homens recrutados ; mil negros , (a) que roarchavão a dian- 
te delle na guerra , e orodeavSo^ dez mil setteiros eAgza- 
zes; e além de todos estes os armados ide dardos das tri- 
bus de Zanata , dos Árabes , e outrasy o qual poz tanta 
confiança na multidáo dos seus exércitos , que julgou oâo 
haveria quem o vencesse; mas Deos Óptimo Máximo lhe 
mostrou aquelle facto , para que soubesse , que a viooria , 
O poder , e a força vem de Deos Altíssimo , Bemdito , c de 
Magestade; e estão nas suas mãos. Logo que Annasser 
entrou em Marrojcos do combate de Alacab, fez reconhecer 
seu successor a seu filho Sid Abu-Iacub lussof , cognonú» 
nando-se Âlmontasser, ao qual acclamarão todos os Almu- 
hades, (e foi também annunciado na collecta nas tribunas 
das mesquitas ) nos últimos dez dias do mez de Dul-hej-ja 

(«) Hum' dos trei manuKritof Arsbicoí, de que me servi , dii que tíSo 
trioea niil negras , o que me pffece provaveL 






do aimo 669 (iii3)« Terminada a ma acdama^, eotnm 
Annatser para o seu palácio; e tendo-se retiraao da yista 
das gentes , engolfou-se nos seus prazeres , no qual perma« 
neceu recostado no seu leito até ao mez de Xaaban doan- 
00 610 (12 14) , em que morreu envenenado por ordem dos 
seus Vizires, que sobomarâo a huma de suas mulheres , que 
lho subministrou em hum copo de yinho , e morreu imme- 
diatamente, porque elle se dispunha mata-los; e por isso 
elies se adiantarão , cujo falecimento foi no dia Qsiarta fei- 
ra onze do sobredito mez e anno no seu palácio da alcáço- 
va de Marrocos , tendo de reinado cinco mil quatrocentos 
e cincoenta e hum dias , que. vem a ser quinze annos , qua« 
tro mezes , e desoito dias , o qual principiou no dia Sexta 
feira vinte dous do mez de Rabial-áual do anno f 95 (i 199) , 
em que foi acclaoudo depois do falecimento de seu pai , 
e terminou ao dia treze do anno acima mencionado » em 
que faleceu. 

CAPITULO L. 



o 



Do rtimãdo do Príncipe dos crentes lassrf Al- 
mantasser-Be/lab y filbo- de Annasser. 



Príncipe dos crentes lussof era filho de Âbdallab An- 
nasser , filho de lacub Âlmansor, filho de lussof, filho de 
Abdelmumen, filho de AI7, Zanatense, e Cumense. Sua 
mâi era livre, e chamava-se Fatema, filha deSid Abu*Aly 
lussof, filho de Abdelmumen. O seu titulo era Almontas- 
scr-Bellah, eo appellido Abu-Iacub. Quanto á sua fisiono- 
mia : tinha cara a meninada , estatura bella , côr branca, fi- 
gura elegante, nariz aquilino, e cabello corredio. Os seus 
secretários forao os mesmos de seu pai ; e os seus Vizires 
seus tios , os quaes governavâo com os Xeques a monar^ 
quia , porque elle , quando o acclamarao , era criança , e 
púbere, c sem experiência, nem conhecimento dos negó- 
cios ; e por isso se conservou firme o seu reinado , sem se 
lhe disputar, nem alterar, nem haver poder contra elle; 
mas depois as suas ordens não seobscrvavão^ e todos quaA* 

LI 



I 



(266) . 

009 erão i^omeados para governar o pú% , governaváo arbi- 
{rariament^, e arrogavSo hum poder abfoluco, e despóti- 
co i e por isso enfraqueceu no seu tempo o reinado dos A1-» 
múhades , aproximou^se a sua dissolução, e encaroinhou^se 
ao seu fim : com tudo o seu governo foi de tranauillidade, 
aocego, e paz. Tanto que cresceu ^ c tomou a si^o gover* 
ao, occttpando-se em dar ordens , e contra ordenb, em man- 
dar, e prohíbir^ tratou de dispersar seus tios, que tinhád 
firmado o. seu Heino, e os Xeques dos Almubades , que o 
tinhão fundado ; e aproximou , e chamou a si gentes sem 
astimaçao , nem reputação , mandando daquelles a Abu-Ma« 
baoimed Abdallah , filho de Áimansor , ,para a Hespanha 
a governar as cidades de Valência » e de Xateva i a seu tio 
Mohammed Abdallah Almansor para governador de Mur« 
cia , Dania , e suas comarcas , com o qual mandou Abu* 
Zaid, filho de Forjan, hum dos Xeques maia. lubeia dos 
Almuhades; para a Efriquia a seu tio Abul-Ali o mais 
velho para repellin a Maiorqui : efoi elle quem edificou as 
duas fortalezas y que estão sobre a porta de Mahadia , e 
fortificou esta ; e também em Sevilha, á chamada Borge- 
Dahbe , quando a governou em vLdá de seu pái ; e tendo per- 
manecido na Efriquia algum tempo, removeu«o depois oei* 
k , nomeando em aeu lugar o Xeque Abu-Mohammed., filho 
de Abu-Hafce.No anno 014 (i2i7)/orão derrotados os moa^ 
adkmanos em Alcácer de Abu-Danez (Alcácer ^o Sal) (#) ; 



i*m^immmmmmmmmmmmmmmm»m^imm-mm^mmmm^m^mmi^t^ 



Ço) Para esta gloriosa conquista , e derrota doi mçufof eooperMÍo oe 
cavalleiros Templários, e lambam as guamiçócs das armadas Ingleia , Frati- 
ceza , e Flamenga , pjae naquelle tempo tinhio aportado a Lisbc« , convida- 
das peio Bispo di mesma D. Sueiro , segundo referem niuitos dos nossos his- 
loriadotes, eai^DsdosHespanboes. Vejlo*se entre ellesprincipaiiiience Brand. 
Ménsrck, LuiiUn. part.IV. 1.^ I ). cap.1. e IL^ D. Rodrigo da Cunha Uist^ 
EceJesiast. de Lisboa parte II. cap. 15., Cardozo AgioL Lusitaa dia 29 de 
Janeiro let. b. 

Conde nó tomo 11. peg.4)0 refere este successo assim: Cid Àbu Alf ^ 
que tenia el gobiemo de Seviíia , y sus Xeques los de Sidónia , Xerex, £zh 
ia , y Carmona acudíeron a defender el Algarbe , porque los C^ristianos ha* 
bian entrado la tierra con poderoso exercito , y pusieron cerco á Alcazar de 
Abidenis. El Vi^ali de Xeris salio contra ellos con mui buena caballaria de 
Córdoba f de SevUba para socorrer aios cercados: se encontrarlo Ics e/eici« 



( 1Í7 ) 
efoi hunas das grandes derrotas, eqaasi como a deAlacab, 
|x>rque tendo o inimigo ja cercado j e sitiado o dito ca»- 
tello , sahirâo os exércitos de Sevilha , Cordoya , Jaen , e 
as tropas do paiz Occidental da Hespanha por ordem do 
Príncipe dos crentes lussof Âlmontasser-Bdlan em seu au- 
xilio e soccorro ; e tendo-sc para alli dirigido j nSo se che« 
garáo a ayistar , porque tendo o susto perturbado os cora- 
ções dos mosselemanos , voltarao as costas , e príncipiarfo 
a fugir possuidos do terror , que antes tinhSo concebido na 
denota ae Alacab : e como o inimigo ja tinha arremetido, 
animado-se ^ e íâmiliarízado-se ; por isso os accometteu á 
espada , e os matou a todos ; e tendo ÂflTonso. voltado t>t- 
ra o sobredito castdio , o sitiou até que o entrou por ior- 
ça , no oual matou todos 09 mosselemanos , que nelle en* 
oontrou. No anuo 6to (1224) faleceu em Marrocos oPriíl* 
cipe dos crentes lussof da cornada de huma vaca sobre o 
Goraçio, da qual morreu immediatamente , porque como era 
tentado com bois e cavallos y mandava vir bois de Hespa« 
nha, e'£izia creação delles no grande jardim da capital dt 
Marrocos; e tendo sahido a ve-los na tarde do dia , em que 
faleceu , andando montado sobre hum carneiro pelo meio 
delles ^ encaminhou-5e para elle huma vaca brava , e o fè* 
riu , de cuja ferida morreu immediatamente no mesmo dia 
i tarde doze do mez de Dul-hej*ja do ani>o predito , sem 
ter deixado succes^a saião huma concubina pejada. Nun- 
ca sahiu de Marrocos no tempo do seu reinado ati fâlecef; 
e nS o se observa viio as suas ordens pela maior parte porcau- 
aa da sua íraxidáo e brandura no governo , e inclinação pa- 
ra os prazeres ; e de encarregar os negócios de maior pon-* 
deraçâo do seu Reino is pessoas da iníima plebe. Durou o 
seu reinado trez mil seiscentos e vinte dias , isto he , dez 
annos, quatro mezes, edous dias, porque principiou no dia 

LI 2 



^ki 



cos enemigos f ledienon una san^ienta batalla en que lof Muzlimes hicíe- 
ron prodígios de valor; pêro cedieron el campo ai maior numero y fortuna 
de los Cristiano!, los quales sef^uieron el afcmce y mataron a ^ran numero 
de-Muzlimes, que heridos, 7 cansados da pelea no pndieron escapar, &c. 



( 2<8 ) 

Quarta feira onze domez deXari>an doanno 6iO (mt), 
em quê foi acclamado , e finalizou no dia de Sabbado do- 
ze do mez de Dul-hej-ja do aono 6io ( 1224). Assim o 
referiu quem presenciou a sua morte; e he pessoa digoa 
de credita 

CAPITULO LI. 
Do reinado do Príncipe dos crentes Abdeluabed Âlmaglu. 



o 



Príncipe dos crentes Abdeluabed era filho de lussof , 
filho de Abdelmumeo , filho de Alv , Cumense ^ Zanaten* 
se , Muhadense ^ ao qual acclamarao os Almuhades contra 
a vontade do mesmo {a) na camará de Almansor em a 
alcáçova de Marrocos na manhâa do dia Domingo dpze do 
mez de Dul-hej-ja do anno 610 ( 1124 )» sendo então ja 
velho y cujo reinado foi estrondoso. Era homem yixtuon y 
cxcellente, e temente a Deos^ ao qual se estabeleceu o Im- 
pério em dous mezes, e foi annunciado na ccdlecta sobre 
todas as tribunas das mesquitas dos estados sujtítos aos 
Almuhades, excepto em Murcia, porque era. governador 
delia o filho de «eu irmão Sid Abu-Mohammed , intitulado 
Aladel , e seu Vizir o Xeaue Abu-Zaid , filho de Moijan , 
conhecido pelo nome de Assefar , homem dos mais astutos 
dos Almuhades , a quem Almansor , quando o via , ( livre- 
nos Deos do seu mal ) dizia : quantas revoltas , ò Assefiir ^ 
correráó portua mão ? , porque tanto que chegou a Murda a 
noticia daacclamaçao doPrmcipe dos crentes AbuMoham* 
med Abdeluabed , disse o dito Xecjue Abu Mohammed 
Zaid , filho de Morjan , a seu amo Sid Abu Mohammed ^ 
filho de Almansor: livra-te de reconheceres a Abdeluabed ^ 
porque tu és o mais disno do califado , e o herdeiro mais 
próximo , como filho de Almansor , irmão de Annasser , e 
tio de Almoiítasser ; e tu tens valor » juizo , agudeza > ge- 

Qí) Conde diz <|ue crendcvte Abdcluahed com direito á herança deAk^ 
lacub^ le fisera por iso ceconbeccr em Marrocoa. 



( *^ > 

Mrostdade , e excelleote índole ; e se conridares os AIhhk 
fiades para a tua acdamaçao , não se te opporáó dous dei* 
ks: aprest;a-te por tanto a revogara sua ordem, antes que 
tome consistência. Tendo partido immediatamenfe Sid Abu- 
Mohammed para o assento da sala da audiências mandou 
convocar todos os Almuhades , Doutores , e Xeques , reai* 
dentes em Murcia , e sua comarca , e os. convidou para a 
sua acciamaçâo, ao que seprestaião. Escreveu depois a seu 
irmão Abulaala , governador de Sevilha , convidando-o pa- 
ra a sua acdamaçao, o qual o acclamou, e recebeu para 
o mesmo o reconhecimento de sujeição dos habitantes de 
Sevilha , e dos Almuhades nella residentes ; mas todo o 
mais paiz se recusou acciama-lo. Logo que Aladel viu , que 
os povos estavâo unanimes sobre a acdamaçao de Abdelua- 
hed , escreveu aos Xeques dos Almuhades , residentes na ca- 
pital de Marrocos convida ndo-os para a sua acdamaçao, 
e deposição de Abdeluahed, promettendo-lhes por isso graor 
de quantidade de dinheiro, honras, e grandes governos, (a) 
os-quaes tendo-se logo prestado ao seu convite , entrarão no 
aposento do Príncipe aos crentes Abdeluahed , e o amea- 
çarão, e intimidai^o com a morte, senão abdicasse, e ac- 
damasse a Aladel , ao que elle se prestou ; e tendo elles 
dalli sabido, e deixado no palácio pessoa encarregada de 
o intimidar, o que aconteceu no dia Sabbado vinte hum 
do mez de Xaaban do anno 621 (1224), tornarão no dia 
seguinte a palácio ; e tendo feito comparecer o Cadi , Dou- 
toreis, e Xeques, prestou Abdeluahed juramento, e accla- 
mou a Aladel. Passados treze dias depois da sua abdicação, 
fbrão ter com elle , e lhe dcrão garrote de que morreu , 
despojai^o o seu palácio, aprehenderáo as suas riquezas, 
ecaptívarão, e -violarão suas mulheres. Foi este Príncipe 
o primeiro dos filhos de Abdelmumen, que foi deposto, 
e morto, o que não tinha nunca acontecido nos Soberanos,* 
que o precederão ; e volrarão-^e os Xeques Almuhades, como 

(O Conde no tom. II. pag. 4)2 conta ettcs succcssos com muita di- 
venidide. 



C -270 ) ♦ 

M Turcos para ix>in os filhos de Alabasse,.cujo procedi- 
mento foi territel para a destruição da sua dynastia, desaj^ 
parição dos seus Soberanos , e morte dos seus Príncipes, e 
Xeques , seildo a primeira porta , oue abríi^o ao povo pari 
a revolução contra elles mesmos. Foi o falecimento de Ab- 
deluahed Almaglou (o deposto) na nome de Quarta fei- 
ra cinco do mez de Ramadan.do predito anno, tendQ rei- 
nado somente oito mezes e nove dias , o qual pribdpioo 
a reinar em hum Domingo , e acabou no Sabbado , em 
que foi deposto, (is) 



CAPITULO LH. 



D0 reinada do Príncipe dos crentes Jhh 
Mobnmmed Aodallab AladeL 



o 



Principe dos crentes Abdallah era filho delacub Al« 
Qiansor , filho de lussof , filho de Abdelmumen , filho de 
AI7 Cumense. Intitulou-se Aladel , e appellidoa-se Abu- 
Mohammed. Sua mâi era huma Christã das captivas de 
Santarém , chamada Hassanol-hassane ( formosura da for« 
mosura ). Quanto aos seus dotes : tinha a cAr branca , ea* 
tatura proporcionada , corpo bem formado , olhos aznes , 
nariz aquilino, e sobrancelhas delgadas; e era diligente nos 
seus negócios, e aferrado á sua opinião nas cousas de idi* 
iáo. Tendo-se concluído a sua primeira acclamaçlo em 
Aurcia no meado do mez de Safiir do anno 621 ( 1124), 
e congregado-se todos os Almuhades para oacdamarem, á 
excepção dos habitantes da Efriquia , foi annunciado Sobe» 
rano na capital de Marrocos , e efm todos os paizes da Mau- 
ritânia , e Hespanha , depois da deposição de seu tio Ab* 
deluahed , no dia de Domingo vinte dous do mez de Xaa- 
ban do predito anno \ porém como Abu-^aid , filho de "** ' 



ft 



(tf) Conde dh , <|iie elle £ora morto pelos mesoooi Xeques oko meies 
^"^ iua ácdamaçáa 



( »7i ) 
Abu«ÂbdaHah^, filho de lufsof , filho de Abdelmumen ^ 
senhor de Valência Xativa , e Denia , suspendeu a sua ac- 
damaçao, assim como os judiciosos governadores da £fri- 
quia 9 que arrogarão a si o governo ; j^or isso se não ulri* 
mou a Aladei o negocio. Tanto aue Abu*Abdallah , filho 
de lussof observou , que seu irmão lazid suspendeu a ac- 
clamaçaa de Aladei, fortificou o seu paiz, e ievantou-sfr 
também com Baeça , Córdova , Jaen » Quezada , e outros 
castellos das fronteiras intermédias , intitula ndo^se Baecea* 
ae , por se ter levantado em Baeça , donde procederão as 
rerolttçtfes, e principiarão as calamidades entre os descen- 
dentes de Abdelmumen, Tendo Aladei enviado contra el* 
le aseuirmáo Sid Abulaala i frente de hum poderoso exer« 
cito y e 8itiado-o em Baeça ^ logo que este lhe estreitou o 
sitio, oompoK-se o Baecense com elle fingida mente, e ac* 
clamou a Aladei ; mas tanto que Abulaala se ausentou , 
voltou á sua perplexidade, e mandou pedir auxilio a A&. 
fiiBso contra Aladei suj^itando-se a entregarJhe Baeça', e 
Quezada , sendo clle o primehro que praticou entregar o 
paiz , e os castellos aos Christãos, Ha vendo-the chegado o 
exercito de vinte mil cavalleiros , que Aft>nso lhe enviou , 
apromptou a sua cavallaria , e esquadrões , e seguiu de 
Córdova com direcção a Sevilha. Estando próximo delia» 
" sabiu-lhe ao encontro Abulaala , irmão de Aladei com as 
suas tropas , encontra ráo-se j e depois de hum porfiado com* 
bate ficou Abulaala derrotado , e o Baecense com os Chris- 
tãos , que o acompanhavão , senhores das armas , bestas , 
e de tudo o mais , que havia no seu acampamento. Vendo 
Aladei o seu exercito derrotado e morto, temeu que o 
Baecense o vencesse , é abortasse o seu projecto a respeito 
do califado, razão porque embarcou para a Mauritânia, 
checou a Marrocos , e fixou a sua residência no palácio dos 
OUfas. Tendo elle encarregado a seu irmão Abulaala do 
governo da Hespanha , conservou-se nella como seu gover- 
nador até ao mez de Xaual do anno 624 (1227)^ ei^i que 
dissolveu a sua acclainaçâo ; clevantando-se contra elle, ar- 
jpogou a si a soberania , imitulando-se Almamuo* Depois de 



ter sido ácclaniado em Sevilha, e em toãos^ os paizes da 
Uevpanha, escreveu a. todos os Almuhades, resiaentes em 
Marrocos, comcnunicando-Ihes ter convindo todo o paiz 
de Hespaoha , e os Álmuhades neila residentes na sua ac- 
damação, edepDsiçSb deseu irmão Aiadel y e convidaodoos 
ao mesmo tempo para o acdamaretn, es entrarem debaixo 
da sua obediência; etendo*ibes feito promessas , oscommi- 
peo; e pão obstante terem^-se alguns opposto á sua perteii» 
çâo , concordarão depois todos* na deposição de Alada. Eo* 
trarão depois no palácio, e lhe pedirão , que abdicasse ; e 
tendo^e recusado á isso, lhe poserâo a cabeça em hum rs 
pocho de agoa •, dizendo«lhe : não te tiraremos daaui , sen 
que abdiques ,• ou jures que assim o haa de cumprir, pira 
acdamáratos a teu irmão Almamun , aoque elle respondes : 
fazei o que quiserdes , porque eu^não fad de monec seiâo 
Pnncipe dos crentes, Tendo*lhe kmcado a f adia do turfauH 
te ao pescoço, o prenderão €X)m elia, coaser^iiido-Jke a 
cabeça mergulhada no dito reipucbo, até aue ipormi na 
dia Terça feira vinte hum do mez de Xaúal do amio 624 
(1227). Tendo elles escripto o aao de acdamafão , e eu» 
TÍado-o a Alniamun pdo correio , ^rrependerão-^e dmoís 
da partida deste, e a annuliarão; e acdanuirâa «lama^ 
filho de Annasser. 

Foi o reinado de Aladd desde que foi acclamado eaa 
Murcia até que fiileceu. de trez annos^ sete mezes, e oo* 
▼e dias. (d) 



(O Conóc conta estes suocessos de diverso modo, e conclue que Aia- 
del fora estrangulado no seu leito |)elos seus mesmos Governadores em Re«- 
psnha^ o que he diametralmente opposto ao que semeocioos nesta hisrcrm 



s 



N 



CAPITULO lãlL 

Dú rehãiú dê Frimipe dascreates UKã^filU 

de Aimasãer^ r á9s scms ãpertês com 

ês gmrnãd^res de jUmatmtw^ 



o 



Fkincipe àm crentes lahia era filho de Annasser , fi« 
^ lho de AlffifliMor, filbo de lussof, filho de Âbdelauunen» 
filho de Alv. O seu appellido era Abu-Zacaria; e segim-* 
do outros Abu-Solaiinan ^ e o seu titulo Almoatassam-oeU 
lali. Quanto á sua figura : era de mancebo ^ de corpo ^ e sem« 
blante diante » de cAr trigueira , de juntas recolhidas , é . 
cabello niivo. Congregaiaò*se os Almuhades , depois de te- 
fem acclamado a Âlroaoiun , e morto a. Aladel, e convie^ 
tão em a acclamação de lahia , porque elles ^ depois de tc- 
lem escripto a sua acdapiaçâo y e enviado-a a Âlmamun , 
se retratarão, temando a Almamun, por conhecerem a sua 
ardência , e a fot^ do seu ímpeto ; pois recearão , que ha- 
rendo elles morto á seu tio A bdeluaned , e deposto , e mor* 
to a seu irmSo Aladel, lhes pedisse vingança, por terem'' 
morto os ditos seus parentes ; e tendesse inclinado para Ia-< 
)iia pw ser de pouca idade, porque tinha dezeseis annos 
vo dia da sua acciamaçao , o acclainarão na mesquita de 
Almansor em a ddade de Marrocos depois da oração de 
vésperas do dia Q|iarta feira vinte oito do mez de Xaual 
do anno 624 ( 1227 ). Tendo porém os Árabes Golotes^ 
e as tríbus deHascura recusado-se aacclamar lahia» dizen-: 
do que ja tinhao acdamado a Âlmamun , e nao retrata- 
vão asua acdamaçâo, apromptou lahia hum exercito, que 
mandou a combatemos ; mas tendo sido derrotado por^quel- 
les, que estavão debaixo da obediência de Aloiamun , voU 
fou o resto dos Almuhades desbaratado para Marrocos, 
depois de terem morrido immensos delles , os quaes por 
isso se continuai^o a distingir peio nome de exércitos das 
denotas. Logo que se concluiu a acciamnção de lahia em 

Mm 



Marroco? , mandou, pelo Xeque Abu-Zaid , filho de Mor- 
jan, e por seu níltof A(>ãaHali , ios<qtta.#» degolou , e ord^ 
nau que se dependurassem suas cabeças sobre a porta , cha- 
mada !^o!*Cdhu(, e qiie se gyfás^e^ com (lew (3df ]M>8 pe- 
la cidade. Fsiisado hum itrez depois^ é» aecfftimf ão de Ia- 
hía em Marrocd^, a^ttKtfmoâ-se eentrá^tl^ « pais, encare- 
cerão os comestíveis, tornarSo-se temíveis os caminhos, 
isultiplicarâo-se as rapinas, e as assolações nas fronteiras 
do pai:^ pof cáusa áús multiplicadas sediçôcf^^ 6 Idrnarao 
es Aeducs dos Alitiuhádes á mandar nobre os desempedras âê 
Abdeumimen, acclámândd, fevegífuâo^ á atckttiaçte, dé- 
^ndo^, e matatidct TáMa qué laMfâ thr u ^coretâ doê 
Almuhatles cóntfa íi, e d agitarão éM sa» OMitta a nm 
fbspeito pof causa da maior paffe deHes tcf acdtffiiaAtf t 
Atnoaman , sahiu fugitido de Má^foOM ftfrt Taifla Aal M 
met de Jumadil-águer dó atino 6l6 (ti^^)^ « m Xtqm 
Afmuhades, que ^ aChavâaMi MáitMòii MMcdrão httfli 
goveráadof pafa a mesma ^ que ú gmrAáisê poa Almk 
invatf tetiovarâo-Ihe a accIámáçSo, eeBCMWraò4h« âfita» 
do-o da retirada de lahia de Marnacde pafa ai flaonta Ahas ^ 
tedindos-Ihe, que se dirigisse a ell«k (a) IMtt éepaÍÊ de 
hivtt passado quatro mes^ das monráffbaS| tfftfáott à^ re^ 
tohiçSo , e voltou para Marròco» ; e fétida êiimído âdla , t 
Anatado o governador de Almamun na mesiMv tomou a 
aahir , depois de sete mezes de residência fia <&ra cidade , 
e íbi acaitipar-se no monte de Aigelan á eipen da tteda 
èc Almamun, para o combater, ao qual tãó cessou de «e 
oppor , e a seu filho Raxid até que foi morto atraiçoada^ 
inente por hum Árabe desertbr em o valle dé Abdallah na 
cbmarca de Taza no dia de Segunda (eira vinte e oito da 
tnez de Ramadan do anno 633 ( l^z6 ), cuja cabeça Ibi 
levada a Raxid , que se achava em Marrocos* Todo o teivi* 



rftataM* 



(d) M. De MarKs na sua nota pig. $. L^ IIÍ. laitiau a ccmfusSo ám 
ielaqóes dos Árabes ; e que Conde z% nlo escraleçt , no que lhe adio raxfio a 
ttspeko desta , porque até a^^anqi, que lahia pa«sara a Hespanha a combarer 
Almamun, &c.; o que fae contrario ao que diz esta historia, de que eUe 
confessa cer-se servida 



po do rdiiado de Uhia íbi de tn$ mil cesto e ooveiKa f 
ietc dias , tendo iido o seu principio no dia de Quaita fêir 
!«', em que hi acdamado, e o seu fim no DomingOi por^ 
quf elle roi morto na Segunda feira immediata; que reqt 
a aer ix>ve jinnoa, e nove dias , todos de irrupções conas^ 
Almamun ^ e seu filho Rasid. 



CAPITULO LIV. 

J)o iêlifãík dú Primipe d0f crentes Jbulaalã ^ 
JUh de Jlmãnear , Jhnubêdense. 



o 



ss 



Princípe doa «tntes AbuUala Edriz era fiUio de Int 
cnb , filho de lusiof , filho de Abdelmumen , filho 4e Al/i 
o qual se ioiituloo Aloiamuo. Sua mli por nome $a& era 
lifre , e filha do Frtncípe Abíi-Abdaliah , filho de Morda«- 
niche. Qt^nto aos seus dotes: tinha côr branca, olhos oc^ 
ros , estatura regular , e bom semblante , e era eloquMte ; 
^utõr 9 observante doe preceitos do profeta , aferrado ia 
•uthoridadca , bom le&or , de cxcellente yoz , meditativo e 
applicado, Chefe na sciencia da locação, e no Árabe, f»» 
conhecimento da civilidade, e das genealogias; escriptor 
«loqueate, do i^oal ha diplomas admiráveis, e dignos de sf 
sneneionarem na historia , o qual nos dias do seu /califado 
siSo cessava de lér nos livros de Almutá , e Annajari , e nas 
leis de Abu-Daud \ e sábio nas cousas divinas , e mundanas 
(ou profanas)*, ao que unia ser resoluto, inircpido, temte 
vel, valeroso, e o primeiro para as grandes empresas; mas 
^era sanguinolento, para o que nSo se detinha hum pest^r 
r^ar de olho. Nasosu em Málaga no anno $%i ( uSf). 
Tanto que foi elevado ao califado; abraaou-se o paiz em 
fogo, continuando sobre elle a assolação, as feciiç6es, aesh 
terilidade, a estrema carestia, e os sustos nas estradas: inr 
iradiu o inimigo a maior parte do paiz dos mosselemsnos 
ma Heapaoha i os descendentes de Hafce arrogarão p domir 

Mm 2 



ViO da Efriquià, e 6è Benlmerines ittvâdlrSo a Maurltantai 
le apossarâose de todos os campos, apresentando nelles oi 
^eaé governadores , e guardas , sem se saber o que daqui se 
ÍBeguiria ; ê por isso se recitou oproverbio neste verso : mel- 
ÍtpIicar|o-.se os cabritos montezes sobre os gatos, e estes 
não souberâo qual faaviâò caçar. 

Tendo Abulaala sido primeiro accfamado em Sevilha 
no dia Quinta feira segundo domez deXauai doanno 624 
( 1227 ), em cuja accíamaçSo conveiu toda a Hiespanha, 
e Ceuta e Tanger do paiz da Mauritânia , tanto que esta 
ceremónia se concluiu, escreveu aos Âlmuhades, que.se 
achavâo em Marrocos, para a sua acclamaglo, e para a 
perfídia contra seu irmão ÂladeL 

Tendo-lhe elles escripto a dita acciamaçâo , e annur^ 
ciado-o na collecta sobre a tribuna da mesquita de Alman- 
sor, arrependeiiio-se depois por cousas, de que se temeiâo 
delle; e tendo annullado a sua acclamação, acclamarâa a 
lahía , filho de Axi, seu irmão, naquelle mesmo dia. Che- 

{;ada a acclamdção dos Almuhades a Sevilha , onde Abu- 
aala estava ; e tendo sido lida por sua ordem em todo o 
paiz de Hespanha , dispoz^se depois a passar á capital de 
Marrocos y e tendo marchado até chegar a Algezirai ^ara 
desta fazer a sua passagem , e chegado-lhe alli a noticia , 
que oi Ahnuhades tinbão dissolvido a sua acclamação , e 
Acdamado a seu sobrinho lahia , ficou algum espaço siien* 
cioso , e redtou depois huma sentença , semelhante ao dito 
de Hassan*, quando foi morto Othoman: ouviras ao que 
torre, n^ suas cazas na partida para o assalto de Otbo^ 
mau. 

Escreveu depois immedíatamente a ElRei de Castel- 
la , implorando-Ine auxilio contra os Aknuhades , e pedin^• 
do^lhe, que lhe enviasse hum exercito de ChrístãdS, com 
o qual passasse á Mauritânia a atacar lahia , e aos Almu- 
hades, que com elle estavão, o qual lhe respondeu , que % 
nãoMhe tacultaria o dito exercito senão com as condiç6es 
seguintes : a entrega de dez castellos , dos que rodeavão 
O seu paiz^ e escolhidos por elle^ a edificação de huma 






Igreja no meib de Marrocos , ee Deor fosse servido y qw 
efle entrasse nella , na qual os Cbrislãos -ecercesseoi publi* 
camcnte a sua Rçíigião j- podendo tocar no tMif)0 da or^sb* 
çâo os seus sinos; n^ se admittir para o mohamaetismo 
qualquer Christio , que o- quisesse abraçar, restituindo^ a 
(CUS irmãos , para o julgarem conforme as suas^^ieis ; e nâo 
poder impedir , ou embaraçar a qualquer mouro , que qui« 
zesse abraçar o Christiantsmo. Tendo Abulaala convindo^ 
em tudo quanto elle lhe pediu, enviou-lhe hum exercito 
de doze mil cavalleiros Christâos, com o fim de servirem ^ 
com dle, e passarem na sua companhia para a Mauritâ- 
nia i sendo ellé o primeiro aue passou osCnrístâos para es* 
ta, e que nella se serviu delles. H^vendo-lhe chegado o 
dito exercito no mez de Ramadan do ánno 626 ( 1229 ) , 
passou com elle para a Mauritânia , tendo deixado na He»» 
panha hom individuo Logar*teneate, posto que estivessem 
ja ndla as cousas contra elle , e tivesse' a maior parte dt 
mesma acdamado ao filho de Hud , levantado na parte 
oriental delia. Passou de Algeziras a Ceuta no mez deDui* 
Kaada do referido anno; e tendo permanecido nesta alguns 
dias , e sabido depois delia para Marrocos , ao aproximar* 
se desta , sahiu-lke seu sobrinho labia ao encontro comas 
tropas Almuhades ao tempo da oração de vésperas do dia 
Sabbado vime cinco do mez de Rabial-áual do anno 627 
(1230); e tendo lahia sido desbaratado, com a morte 
de grande parte das suas tropas, e fogido para as monta* 
nhãs, entrou Âlmamuo eiri Marrocos, ao qualiacdamarâo 
todos os Almuhades , e subiu á tribuna da mesquita de Al* 
mansor, pregou ao povo, e amaldiçoou a Mahadi, dizen- 
do:' nSo o invoqueis, 6 gentes, por defensor, mas sim 
por vil sednctor , porque elle nSo he direaor da recta , e 
verdadeira roligiSo, mas sim Jczu Christo; e por Í5So be 

Sue nós certamente temos rejeitado os seus ilikitos man« 
ados: e tanto que chegou i conclusão do seu sermão, dis- 
se : não penseis , 6 turba de Almuhades , que eu sou Edriz , 
cujo remado se extinguiu por mu livre arbítrio. Tendo de- 
pois baixado da tribuna , escreveu para todo o seu paiz 



nttidanâit^ imidar os usos 4e MfhjiJ! , t o qne rttlha ip^ 
ào aos Alinuhades; t tmdo recorrido «s obrM ds3tíe$, e % 
marcha dos seus Reis, ordenou que Mahadi fosse derrtaci-r 
do da eoUecta , e se tirasse o nm nome dos ducadoa, e doe 
«derâhcm, arredondando-se estes, ^e elle tinha euofaado 
quadrados j e coneluiu dizendo : tudo quanto Mahadi fn , 
eseguiráoos nossos antepassados, he innovaçio nafelígiác^ 
c não ha motivo para ae a>aservar. Entrando depois pan 
o seu palácio , encerrando-se nelle por espaço de ties diai 
apartado da vista das gentes, sabiu 4eUe depois ao quUf 
to dia , e . mandou chamar os Xeques , e maroatea dos At- 
muhades ; e tendo-ae-lfae ellea apresentado , lhes disse : he 
ifldubitávd, i^ue vós, ó assembíea de Alnuihades, rendes 
suscitado as discórdias contra nós , e augmcntado no paix 
a corrupçto , dissolvido os pactos , esfiorçade-vos em aoi 
combater, e matado a nossos- irmãos, e tios, sem íbt$ 
guardardes a fó, nem o direito devido. Tirou depois d^ 
carta da sua âcclamaçâo , que elles lhe tinblo mandado , e 
declarou-lhes o pacto , que eUes tinhão dissolvido ; ttm^ 
do-se estabelecido a prova comsa todos dles, íica^ at- 
tonitos , e perderão as esperanças. Voltando die então a 
cabeça para o ddi Almoquidi , que ae achava defmnte 
delle , e que tinha vindo com dle de Sevilha , fhe disse ; 
que te parece, ò Doutor , sobre o negocio destes rebeldes? 
o que Òeos Altíssimo, 6 Principe dos crenter, diz op se* 
livro, lhe respondeu elle, he, que aquelle que viola o pa* 
cto \ sem duvida o viola contra si ; e que aquelle que cum^ 
prir o que promettcu aDeos, este lhe dará hum grande 
premio. A veracidade he de Deos Ploderoso , lhe tornou 
elle: por tanto nós os Julgaremos segundo o decreto liestc 
Senhor , porque aqdelles , que não julgao segundo a iei ^ 
que Deos baixou do Ceo-, sao malvados : por tanto ordew 
nou que fossem monos todos os Xeques e nobres dos Al* 
muhades , o que se cumpriu , sem ficar hum sò delles, nem 
se respeitar pai , nem tilho , até mesmo se lhe ter trazido 
o íilho de seu irmão, moço de treze annos, e que ia tinha 
estudado, e aprendido o Alcorão , o qual, quando loi apre- 



s 



sffKtfdô ptra morrer I disse ao dito seu tio: tu , 6 Príncipe 
dds cremes , deves perdoar*me por três motivos : ^aes são 
«Itet ^ sáo a minha pouca idade , a nossa proximidade de 
paretiteico , e ter aprendido o Alcorão. Voltando-w então 
p0ta o dito Odi , como quem exigia o seu conselho , lhe 
4isse: que te parece a força de espirito deste rapaz, e ásua 
audácia em fintar nesie lugar ? se os deixares , 6 Principo 
dos creRt€:s 5 apartará^ do caminho recto os teus servos , e 
ftâo ptodu<zirw senão lúlqHOBy t míieis* Tendo ordenado , 
^e elld fo&Stf morto, mandou depois dependurar as cabe^ 
s cm Mnrievo de qdairo mil e sés ceotas sobre as mura-* 
kas j ás Cfiiá^ forão postas ao redor delias ; porém como 
era no meado 4t óútotto ^ encherão a cidade oe íèdor , do 
qeãl resultaiio moléstias ao povo » do que se 4he^ deu par^ 
te; e huma das suas respostas foi': cpie alli havia cndemo» 
ifiahados; e^ aquellas cabeças tíaháo carepa, sen» a qual 
eitital estado não favinha eMas eBistem^ porque aervi» pa« 
r» perAime dos t4ttí endemoninhados ^ e o seu ooáo cheiro 
para os odiosos , que o aborreciâa 

Tendo' Almamiun aprehendido. a Abo Mohammed , 
Abei^haqqfue , filho de Abdel-haqque , Cadi dias mesquifat 
de Marrocos , lhe laU^OU^ grith6ea*aos pét, e o entregou ai 
Halal 9 filho de Hamid , almocadem oos Golotes , o qual 
reteve pneso até se resgatar por seis mil ducados. Aima^ 
mun depois de cinco mezes de residência em Marrocos sa^ 
hiu para as montanhas a combater lahia , e aos Almuh»* 
ées , que com elle estavão, no mee de Ramadan do anno 
627 (1230); e. tendesse encontrado , foi lahia desbarata^* 
do , e mortos immensos dos montanhe2es^ do seti exercito , 
dos quaes forão conduzidas para Marrocos quHtorze mií 
Cabeças. No anno seguinte chegarão cartas de Almamun a 
todos os seus estados com ordem de se observar o licito ^ 
e de se prohibir o ilhcito; é no mesmo anno sahiu todo 
o paiz de Hespanha do domínio dos Almuhades, co pos« 
suiu o filho de Hud , que ahi se levantou. No anno 619 
(izji ) levantou-se contra Aln^amun sai irmão Sid Abu- 
Mussa Amran^ filho de Almansor. na cidade de Ceuta « 



( 28o ) 

intitula n(?o-se Al mu* d ; e tcndo-lhe chegado esta norfcia ^ 
dirigiu-se contra elle , e o teve sitiado algum «tempo ; tnas 
nada pode conseguir delle. Prolongaodo-$e a sua ausência , 
aproveitou lahia a occaââo; e baixando das montanhas » 
entrou em Marrocos , destruiu a Igreja dos Christâos» que 
nella se tinha edificado, matou immensos dos judeos, e 
de Benifargan , tomou as suas riquezas , e entrou no pala-» 
cio, e transportou para as montanhas tudo quanto ndle 
encontrou. Chegada esta noticia a Âlmamun no mez de 
Dul*hej*ja do dito anno , partiu apressadamente de Ceuta 
para Marrocos. Tanto que elle se afastou de Ceuta , pas- 
sou Abu*Mussa pai^ á Hespanha , o qual acclamou ao 6* 
lho de Hud , e Ine entregou a dita cidade ; e entSo foi de* 
vado ao governo de Almeria por Hud em lugar daqueUa , 
aonde morreu. Constando no' caminho a Almamun de se 
achar o filho de Hud possuidor de Ceuta ^ au^menttiiMe* 
lhe o desgosto , e morreu de, paixão junto do no , chaman- 
do Uadelaabid , vindo do sitio da mesma , no dia Sabba* 
do ultimo do mea^ de Dul-hej-ja do anno 6x9 (lajx)^ 
tendo sido o seu' reinado de mil oitocentos e cincoenta e 
oito dias, que correspondem a cinco annos^ três mezes, e 
bum dia , sendo o seu principio no dia Quinta feira, e o 
Hm no Sabbâdo : e todo este tempo em opposiçáo a lahia , 
por se terem dividido os Almuhaaes em dous partidos; e 
por consequência duas soberanias, ou reinados; e por isso 
foi destruída a sua dynastia , e desappareceu a sua gloria 
e elevação pelas suas próprias mãos , porque cravou nella 
a espada até a ^nniquilar *, pois que se nÍQ se tivesse altera^ 
do o estado das cousas na dita dynastia , e nâo se tives- 
sem ateado e accendido as revoltas nos Alcaides da Mau» 
ritania e Hespanha, seria Âlmamun imitador de seu pai 
Almansor , e o seguiria em todas as acçóes , emsposiçóes. (a) 



(a) D. Joze Conde conta na sua historia os succeuos deste Soberano de 
tSo diverso modo,^do que aqui se referem, e os «mpiis tanto, que laaV 
^ vezflf nlo parece ftllar do mesmo Âlmamon. 



C A P I T U L O L V. 

Do reinado do Príncipe dof crentes Jbn-Mh 

banmed Jbdetuated Arraxid , do qnni 

Deos tenha misericórdia. 



o 



Príncipe dos crentes Âbu Mohammed Abdelaahed ' 

era filho de E^riz Alfoamun, filho de lacub Almansor, 

fiiho de lussof Axxahid , filho de Abdelmumen , filho dtf 

Aljy Cumeose, AJmuhadense. O seú cognome era AIni- 

Mohammed, e o appellido Arraxid. Sua mãi era escrava de 

orísem Christâ , chamada Hobab , a qual era huroa das 

«nuberes mais perspicazes , e judiciosas. Foi elevado ao ca« 

iifado Jonto do rio Uadelabicl no segundo .dia depois do 

falecimento de seu pai^ que era hum Domingo primeiro do 

mez de Moharram do anno 630 (1232), tendo entáo qu^ 

forze annos de idade » para cuja acclamacSo concorrerão Ca.« 

nun , filho de Jarmun , Safianense , e Xaib , irmão de Car 

ret 9 Hassecurense , e Farro-Cassil , Alcaide dos Chrístãos , 

porque tanto que morreu Almamun , occulcou Hobab a sua 

morte , e mandou chamar estes trez , por serem o suKenta*- 

culo, oucolumnas do exercito de Almamun, cada hum dos 

quaes commandava dez mil de seus irmãos, e lhes rogou 

que elevassem a seu filho á soberania , e cooperassem pa* 

n a sua acdamação , pelos quaes repartiu avultadas somas» 

e lhes offereceu , além destas , a presa de Marrocos , se a 

vencessem ; e por isso o acclamai^o , observarão as suas 

ordens , e se incumbirão de receber dos outros a prestado 

de obediência , ao qual acclamarão as gentes voluntária « e 

involuntariamente temendo-se das -suas espadas. Concluída 

a sua acclamação, dirigiu-se a Marrocos, levando a seu 

pai diante de si em hum ataúde. Achando-se lahia ja resi* 

dindo na dka cidade, e tendo ouvido os seus habitantes o 

que Hobab tinha pactuado com os Christãos , e com o^ 

mencionados Alcaides sobre o saque da cidade » iiahirâ9 

Nn 



ê 



com laliia a aiacar Arraxid i e- tenda-<e (ncnntrado oi 
dous exurcicoâ, foi latiía «ie^baratsdo , e Arraxid marchou 
até que fez nUo em a porta da cidade, na i^ual se fortifica- 
rão os seus habitantes, feclando todas as cuas portas; mai 
Arrjxid IS« çoncedea segurança , t mandoa bo Alcaide 
dos Cliristâos e aos seus compaaífeciros darmas certa quan- 
tia em compensação da preza de Marrocos, a qual elles 
receberão, liavendo-se dito que fora de quinhentos mil di>> 
cados. Tendo^e Arraxid conservado ncHa até aoanno ^^3 
(1135') j mandou convocar os Xeques dos Árabes Golorei; 
e haTendo-se-lhe apresentado , mandou matar vinte cinco 
defjes no seu paUcíe j- o <]ue deu motivo a JevaMarem-se os 
BeOS ; ç entrando em Marrocos , a íaqueatâo , retirando^se 
Arraxid delia com a sua tropa para Sagelemassa ; e manda- 
ta chamar a lahia , o acdamarâo , e introduzirão na sobfe- 
dita cidade, na qual permaneceu até que Anaxid se v^r- 
çou ajuntando exércitos e dinheiros; e sahindo de Sagcto. 
nassa, marchou até chegar a Fez, na qual se demoaou al- 
guns dias, e distribuis entre os seus Doutores, esamos, di- 
nheiros, e muitos gados, que lhe penenciSo, donde pafti« 
para Marrocos. Tendo-lhe sahido ao encontro lahia como 
exercito dos Árabes, e Almuhades, e sido desbaratado per 
Arraxid, e morrido grande multidão dos seus, fogio com 
direcção a Taza ; mas os Árabes de Almaacal oenganarão, 
' c omatai^o atraiçoadamente antes de alli chegar, etrame- 
iflo asua cabeça a Arraxid. Fez este asua entrada em Mar- 
rocos , na qual permaneceu até que faleceu afb^do em hum 
tanque no dia Quinta feira nove do mez de Jumadil-iguer 
do anno 640 (1142), tendo -durado o seu reinado trcz m'A 
t setecentos dias , que vem a ser dez annos , e cinco mezes 
nem» dous dia<: , dosquaes lahia o teve em aperto na dita 
cidade dous annos e nove mezes. 

No mez de Ramadan do antio 635^ (1138) acclatna- 

rfo os habitantes de Sevilha ao dito Arraxid, e osdeCeu- 

! Xaua! do mesmo anno , em cuja época ha-. 

tania, e na Hespanha excessiva care&iia, e a 

peste, Bagellos qu^ destruiiâo a maior pane do 



fàhf tendo chegado o cafiz de trigo a trinta ducados, (dji 

CAPITULO LVI. 

« 

Da ninadú dê Primipe ios crentes Âbulrhassan Jssêid^ 



o 



Príncipe dos crentes Âssaid erá filho de Edriz Al« 
mamun, filho de lacub Àlmansor, filho de lussofi fiUiQ 
de Ábdelmumen, filho de My. Sua mâi ert escrava e n^ 
tarai da Núbia. O seu sobre nome era Âbul-hassan, c q 
appdlido Assaid : e se Intitulou Alaioatadal*bellah» Qiiaii^ 
to ás suas qualidades: "era summa mente trigueiro » 4^ esta? 
lura perfeita y e corpo proporcionado, decabello conedio, 
bons olhos ^ e de oarba igual ; de sentimentos eleviidos, 
Taleroso , intrépido , respeitável , audaz nos combates., e nsaj^ 
animoso nelles , do que os seus ascendentes. Foi acclama^ 
do em Marrocos ao segundo dia depois do falecimento d< 
teu irmão Arrazid, na Sexta feira aes do mez deJumadiU 

â;uer do anno 640 ( 12 ai ) e faleceu no dia Terça feini 
timo do mei de Safar do anno 646 (1^48), estando siy 
tiando a Jaguemarassan , filho de Zaian Alabdeluadi jí^ 
fortaleza de Tameradit da comarca de Telamessan , vind^ 
a ser o seu reinado de dous mil e vinte oito dias, que coe? 
ittpondem a cinco annos, oito mezes, e vinte hum dii$^ 
Como Assaid foi acdamado em Marrocos, tendo )a ap? 
parecido os Benimerines na Mauritânia , e dominado todoa 
08 campos; por isso tratou de mandar exércitos contfa oa 
mesmos , aos quaes elles derroiavao. Tamo cjue lhe çhf^ 
ffou a noticia no anno 643 ( 124$' ) ^que o Príncipe Abo* 
lahia, filho de Abdelhaqque tinha entrado n^ cidade deMat 
quines; que Jaguemerassan , filho de Zaian tiuha domiqadQ 

Nn z 



I ' I i> 



(m) Cada cafiz contém doze sis , e cada si quatro alqueires ; flBis enes 
flSa sSo igiiaei em toda a Barbaríar 



Telamessan , e â sua comarca; e. qtse Mohammed AImo&^ 
tafaser, governador da Efriquia^, tinha tomado o titulo de 
Principc dos jC)rentes , contra o que tinhão praticado os seus 
antepassados , em desprezo do seu feliz leirfado , dispoz-se » 
a combate-los , e sabiu da capital de Marrocos á frente de 
hum innumeravel exercito de ÂÍmuhâdeS) Árabes, e Chris* 
tâot , marchando até chegar ao rioBahat. Tendo sabido dei- 
le p Príncipe Abu-Iahia , íilbo de Abdel-haqque, sahiu de 
Maquines, e lha entregou, seguindo daaui a sua marcha pa- 
ra Tazá , e desta para o paiz de Rir , aonde se lhe uni- 
tià todas as tribus dos Benimerines. Chegado o Príncipe 
dos crentes Assaid a Maquines, sahirâo os seus habitantes 
ao seu encontro , pedindo-lhe o perdão , levandoa diante 
de si o virtuoso Xeque Abu-Aly Mansor, filho deHarzu^^ 
e 08 meninos das escolas com as taboaí á cabeça , e o Alco^ 
râo nas m^os , aos quaes perdoou. Partiu daqui para a ci* 
dade de Fez , e acampou-se em frente delia do lado do 
meio dia , aonde permaneceu alguns dias até que lhe che* 
gou a acciamaçâo de Abu«Iahia, filho de AbdeUhaqque^ 
com a oual se alegrou , investindo os seus conductores com 
mantos Reaes , e dando-lhes crescidas somas ; e tendo-Ihe 
cscrípto confirmando-o no governo de todo o paiz de Rif , 
€ suas fortalezas , partiu depois Assaid no dia quatorze do 
Inez de Moharram do anno ($40 (1^42) da cidade de Fez, 
e tendo-se eclipsado a lua toda aquelta noute, e amanheci^ 
do Assaid naquelle dia marchando, logo que monto^ , que- 
brou-se o seu v4ctorioso estandarte , o que tomou por máo 
agouro ; e por isso voltou , e não partiu se não no dia deze- 
seis do dito mez. Tendo chegado a Telamessan , na qual * 
se achava J^guemerassan , filho de Zaian, que serrinha le- 
vantado neila, sahíu este da mesma fugindo -com os seus 
bens , filho ^ e familia para a fortaleza da Tameradic , na 
ijnal se fortificou , e lhe entregou Telamessan. Tendo-o As- 
said seguido até se acampar sobre adita, fortaleza, e sitia- 
do-a por espafo de trez dias , no quarto ás horas de sésra 
montou ocoilfamente como seu Vizir , por ser o tempo da* 
l^te estar descuidada^ a fia de observar -a swi diíficul* 



( i8^ ) . . 

^ade/ e b jnelho^ modo de a combater /e tomar; Tanto 
que penetrou no monte em hum lugar escabroso , sahiiHlhè 
alli ao encontro hum cayalleiro deBeni-Âbdehiadi, chama-^ 
do tussof o satanaz , que alli estará de observação, o qual 
marchou para elle comjagmerassan, filho deZaídan^ eJU- 
çub, filho de Jaber Alabdeíuadi da caverna do monte» e ten- 
do cahldo sobre eUe, o feriu o dito lussof, e o matou eao 
seu (Vizir / fugindo para o arraial os homens ^ que oacom* 
panhavão , os quaes tendo noticiado a sua morte, e princi^ 
piado agente a fugir, baixou Jagmerassan da fortaleza com 
os de Beni Âbdeluadl» apossarSo-se de todo o arraial , eto« 
marão o que nelle havia dej^iquezas, armas , gados, tambo- 
res, bandeiras, tendas de campanha, Barracas, e famílias.^ 
Jagmerassan porém mandou trazer a Âssaid^ etendo-o la« 
vado, e amortalhado, o fez levar, e enterrar em Alabbad 
fòra da cidade de Telamessan* 



* V i, 



CAPITULO LVIL 



Da reinado dú Príncipe dos crentes Âbu* 
H/pfce Ornar AtmortaAà^ 

V^ Príncipe dos crentes Ornar era filho de Sid. Ebrahim 
Esbaq , filho do Príncipe dos crentes Jusfof , filho de Ab- 
delmumen , filho de Aly , Cumense , Almubadense. O sea 
cognome era Abu-Hafce, eoappellidoAlmorr^dá. Sua m$i .- 
era livre , filha de hum tio de seu pai. Subiu ao throno der 
pois do falecimento de Assaid ; pois tendo*se congregado 
os Xeques dos Atmubades , que ficarão em Marrocos , qí, 
mesquita deAImansor. no dia Qaarta feira primeiro domer 
de RabíaMual doanno seiscentos e quarenta eseis, toma- 
rão para o mesmo a acçiamaçâo , segundo conta o filho de ^ 
^flxiq; mas isto he simples, conjectura delle, porque A»- • 
aaid faleceu no dia Terça feira ultimo do mez de Safar • 



.emT^elamessan, e nâo he possível, que desta chegasse a 
noticia da sua morte em Jiuma noute a Maroocos. 



« 



( 2W ) 

A rerdade he , que entre a morte de Attaid » e a M^ 
damaçáo de Almortadá houve o intervallo de qnasi dcs 
dias y e então teve lugar a acclamaçao deste na mesquita 
de Âltnansor, e se escieveu com ella a Almortadá no dia 
doae do predito mn , que se achava governador de As* 
said na alcáçova de Rebate , aonde este o tinha deixado ^ 
quando se dirigiu para Telamessan ; e havendo-Ihe alli cfae- 
gado, achando-se elle nella, e sendo lida ao povo, o,ac« 
clamaiâo todos os Almuhades, Doutores, e Xeques, que 
se acharáo presentes. Partiu depois para Marrocos ; e toi» 
do entrado nella , íbi-lhe alli renovada a acdanui^o. Eb« 
tabelecidas as suas cousas, e senhor de todos os estados 
desde a cidade de Salé até ao Suz , conservou-se em Mar* 
fOCos até ao anno 6^^ ( ta^f ) , em que sahiu com o pro- 
jecto de combater a cidade de' Fez, e atacar os Beniraeri- 
nes nella existentes com hum poderoso exerdtd de oitenfa 
snil cavalleiros dos Almuhades , Árabes , A^zazes , Anda- 
luzes , e Christãos , com o aual marchou ate que se acam- 
pou em o monce de Beni-banlnl ao lado meridional da ci« 
dade de Fez. Como o medo dos Benimerines tinha pertur- 
bado os corações da gente do seu arraial , a qual se nib 
tornou a encostar de noote, dqxus que se aproximou dos 
subúrbios de Fez; tendo-se soltado hum cavallo, e corrido 
a gente atraz deile por emre as tendas para t> apanhar, 
suppozerâo as gentes do mesmo arraial , que os Bemmrri- 
nes tiohâo dado sobre ellas ; e por isso montarão , alvorp- 
jjÊÍtá<y9e humas contra as outras, e fugirão desordenada* 
xnenre , sem esperarem humas pelas outra?. 

Chegada esta noticia ao Príncipe Abo-Iahia , sabia 
da cidade de Fez, e senhoreou-se das riquezas, armas, e 
tendas, e de tudo quanto havia no acampamento; e Al- 
mortadá marchou desbaratado para Marrocos com huma 
pequena comitiva de Christãoá , e de Xeques , na qual se 
eonservou até entrar nella contra elle Abu-Dabbuce no dia 
Sabbado vinte dous do mez de Mohárram do anno 66f 
(1266), porque tendo sahido delia fiigindo, o venceu, e 
matou no dia vinte dous do mez de Safar , seguQdo|narni» 



z 



( 287 ) 

1/io vjrias pfssoas , qae se acharâq a isto presentes , tesiflA 
fido o seu reinado de seis núl , seiscentos > e noventa dias, 
e em summa são dezoito annos , dez mezes, e Tinte dous 
tas (ii)* Âlniortadá arrogava as qualidades de abstinente , 
puro, e temente a Deos, tendo-se denominado o terceiro 
dos Óxnares, fisio he^ o terceiro depois de Ornar, e Abu- 
bacar.) Era affeiçoado á mvsica , da quai nâo podia pre^ 
sckndif de dia , nem de noute« Em £m o seu reinado foi dtf 
segurança , rranquillidade , e excessiva bacaceta ^ como nua^ 
n FÍrap os iiabitantes de Marrocos. 



CAPITULO tmii. 

Ih reinado deEdriZy appellidaÃQ Abu-Dabbuce^ ^Mh 
Simo Soberano dos descendentes de Abdelmumen. 



A 



BVLAAiiX Edríz era iilho de Sid Abu-Âbdallah , filho 
de Sid Abu-Hafce, filho do Principe descrentes Abu Mo* 
hamoKed Abdelmumen , filho de A\y. Denominou-se Prin-i 
cipe dos crentes , e intkulou-se Aluateq-belJah. Sua vcâix , 
chamada Xamce (sol), era serva de origem Christâ* Quan- 
to ás suas qualidades : era suminamente branco e corado, 
corpolent<v, de barba comprida, valente, bellicoso, sagaz, 
e resoluto nos negócios. Tendo entrado cm Marrocos do-i 
losamente sobre Ornar Almortadá , o qual fugiu ^ diante 
delle, apossou-se da mesma , efoi nella acclamado na mes- 
quita de Almansor por todos os Almuhades , anciãos , Dou** 
tores, e Xeques dos Árabes , e de Mossameda no dia Do- 
Oiingo viote trez domez deMoharram doaono 665 {i%66) 
•o segundo dia da sua entrada na cidade. 

A causa de Abu-Dabbuce ^e ter apossado de Marro- 

foi ,• porque Almoríadá o quiz matar por cousas, que 

^^— '^'^*™"^'*^— II ■ ■ ■■..,,■.,1 ■■ —^11. 

(íi) Cor.dísdi?, que e^te Sr^erano fora aswssTnaHo por hiiin csaavo. 
Tugindo da prizSo, cm que o tinháo prezo os habitantes da cidade, onde 
^reíugiado. 



/" 



iAle lhe (otio cooradas-; pois tendo o dito Abu Dabboèe 
percebido isto\ sahlu de Marrocos escapando; e havendo 
chegado á presença do Príncipe dos mosselemanos Abo-Iot- 
sof lacub, filho de Abdd.*haqqiie , a imp1orar*ihe soccono, 
e encontrado-o em Fez , o qnal o receoeu , e tratou coia 
distincçâo , lhe pediu auxilio par^combater Almortadá , a&í^ 
cando-lhe a preza de Marrocc». Deu-lbe o dito Prínci^ 
num exercito de trez mil cavaileiros Beniínerines das tri- 
bus de Benimerin , tambores , bandeiras, e vinte mil duca« 
dos para as despezas} e escreveu-lhe htima carta para os 
Árabes de Joxam , para hirem com elle de commum acor- 
do , tendo Abu^DabÚhce estipulado de lhe dar ametade do 
paiz , que conquistasse. Tendo este marchado com o sea 
exercito , bandeiras desenroladas , e tambores batentes , che- 
gou á cidade de *SaIé , donde escreveu aos Xeques dos Al« 
muhades, dos Árabes , e de Mossameda , que estav&> de- 
baixo da obediência de Almortadá, convidando-os para a 
sua acclama^Soy e juramento de iidelidade. Tendo-íne sa* 
hido ao caminho multidão, ou turbas de Árabes, eHasse- 
eutènses , o acclamarâo , e marcharão com elle até chega- 
rem ao paiz de Hassecura , donde escreveu aos princípaes 
Vibres oe Almortadá para que o informassem } e havendo^ 
lhe elles respondido , que, apressasse a marcha , viesse , e 
tíio temesse, porque tinhâo dividido a tropa pelos confins 
do paiz; e que este era o tempo de aproveitar a occasiSo, 
que se lhe proporcionava ; por isso Abu*Dabusse se levou 
aquella noute , amanheceu sobre Marrocos , e enmni nella 
pela porta chamada Babossaleha a tempo de estarem de?* 
cuidados os seus habitantes no dia Sabbado de manhã ao 
nascer do sol vigésimo segundo do mez de Moharram do 
,anno 66^ ( ia66); e híndo marchando até parar sobre a 
porta da alcáçova, chamada Bobolbonud, fecharSo-lhe a9 
portas na cara , e paramo qs negros do estado junto delias , 
e o combatei^o; mas logo que Almorcádá viu, que a aU 
caçova se comniunicava com elle , sahiu do palácio fugin-* 
do só , entrou • Abu-*Dabbuce no mesmo , aonde (bi accla- 
madoj e se lhe estabelecerão os negócios. Dirigiu*se Aimor» 






( ^«9 ) 

Mtla par* a cidade de Azetnor» ita qual se achava seu geii* 
IO o filho de Atuxe seu governador nella , que sendo escra- 
vo, o resgatou Almortadá por avultada soma de dinheiro^ 
o cazou com sua filha , e nomeou governador da dita cida- 
de i e por isso tanto que fugiu de Marrocos , se encaminhou 
para alli , confiado neile , e na sua fiel amizade \ mas Atu- 
xe o carregou de ferros , e escreveu a Abu-Dabbuce ^ di- 
zendo*lhe : sabe d Príncipe dos crentes , que cu ja appreheiw 
di o miserável , e o carreguei de ferros , o qual o mandoa 
trazer, e matar no caminho ; e se ficou occupando do go« 
vemo de Marrocos , e sua comarca. Chegada esta noticia 
ao Principe dos mosselemanos Abu-Iussof , escreveu-lhe dan« 
do-lhe os parabéns da conquista , e pedindo-lhe , que lhe 
entregasse ametade do paiz , que tinha vencido , como cont^ 
elle havia paauado. Logo que lhe chegou a dita carta , e 
a leu , dominott-o a soberba , possuiu-o o amor próprio , 
e fisi infiel aos benefícios, e neeou os seus antigos auxí- 
lios , respondendo ao enviado ; dize a Abu-Abderrahaman 
lacub , filho de Abdel-haqque , que dê de graça a su^ sau- 
dação, e que se contente com o paiz, que possue, porque 
senáo , sahirei com os exércitos a encontra-lo nelle* Chegado' 
o enviado ao Principe dos mosselemanos Abu-Iussof, deu- 
Uie a resposta , e entreeou-Ihe a sua carta , na qual Iheiàl- 
lava á maneira dos Califas para os seus governadores,, c. 
dos Chefes para os seus servos ; e tendo-se certificado e.di- 
to Principe da sua violação , e engano sobre o que tinhãa 
ambos convindo , dirigiu-se a combace^Jo , sem cessar nas 
incursões contra o seu paiz , e de recrutar tropas para lhe, 
fazer a guerra até ao anno 667 (1268), em que tenda 
marchado com todas as tropas dos Benimerines , e encofl-« 
trado'Se com elle Abu-Dabbuce na provi acta de Duqual- 
la , houverão entre ambos muitos combates , em quç mor^ 
reu martjrizado o dito Abu-Dabbiice , e íbi o seu exerci* 
to desbaratado , e o acampamento saqueacio. Trazendo-se 
a sua cabeça ao Principe dos mosselemanos Abu*Iussof , 
ordenou que fosse levada para Fez, aonde andou gyrando 
pelas praças; efoi depois dependurada sobre huma das suas 

Oo 



(no) 

port;].^. Aconrc^eu ft morte 4e Abu-Dabbuce , € a ariunto chi 
ma dynflsria^ e soberania no -dia Sesta feira ultimo ao mês 
4e I)uMiej-}a do predito anno, havendo reinado mil equa^ 
rema e eres dias, on dous annos, onw meses, esere dias, 
éom cuja morte se extinguiu a dynasria dos Atmuhadea, 
porque o reinado, e a dnraçio perpetua $6 competem 4 
beos^, além do qual nlo ha outro Senhor di^no de adom* 
çio ; pois elle be o que possue a terra , e o qiia ha iiéll^ y 
t o melhor dos possuidores. 

Foi em summa o reinado da dita dinastia , desde que 
Màhadi for acclamado noann0 5'i$'atéque foi morto Abu^ 
Dbbbbce no fim do mef de Dui-kej^ja do atino 667 , de 
tento e cincoenta e dons annos i e lorâo quatorze os aeua 

Stoberaaosn 

•• • • 

CAPITULO LíX. 

ãâire $s acanteeimênhs niãis notáveis snceeMi^s ies-^ 
dê o principh -até d extincfão desta ijíMSiia. 



F, 



01 o primeiro acontecimento o levantamento, acelanMi» 
c3b, e apparição de Mahadi no anno fijr (1121 ) ctQo 
Império e soberania não deixou de ve manifestar y t vigo-^ 
ritar desde o dito anno. No anno 5^4 (lijo) faleceu o 
é\\o Mnhadf , e acclamarSo os Almuhadea a Abdelmumen , 
Alho de Allr. No anno 526 (if ji) conquistou este a ci* 
áade de Salé, e no de 5*27 o paiz de Taza. No anno 5^28 
134) eipognou os paizes de Daraa , e Tadela; e se in« 
tiCiiH)u Principe dos mosselemanos. No anno seguinte man^ 
dou edificar as fortalezas, e muralha de Taza. No anno 
537 ( ^142) dominarão os Almubades a cidade de Gerez ^ 
e forlò nella annunciados; e no mesmo anno se levantaiâo 
contra os AInoorabides em G)rdora o filho de ftazin , e o 
filho de Hamid, Cadi da mesma , e os expiflisarao delia. 
No anno 5*39 (1144) pássoa o exercito dos Atmuhades á 
Besj^nha , e dominou Tarifa ^ e Âlg»iras ^ da qual fogi^ 



rfo M Alttionbidei. No anno $4p ( 114$') destrnia Alf*; 
filio de Aifia , filhos de Mairoun LaoitUDeose , o idolo de 
Cádis , dominai^o os Almuhades Málaga , e cerooii o im- 
migo Almeria com oitenta galeras » o qual se retiiou deMia 
de ter queimado os seus arrabaldes ; e 00 mesmç anno ei^ 
pugnou Abdelmumen as cidades de Fez , Telamessan , e 
Orao com as ãias comarcas^ foi acdamado pelos habkaii# 
tes de Sevilha , da qual expulsarão os Almorahides , e oi» 
denou que se edificasse y e fortificasse a muralha , e a mea^ 
quita da cidade de Tagerarat noa estados de Telamessao^ 
]No anno seguinte oonmiistou Abdelmumen as cidades de 
Marrocos p Agmat , e Tanger , na qual matou os' Almocas- 
bides, que neUa encontrou; e o paiz de Duqualla; e se eXfr 
tingiu a djrnastia dos mesmos em todo o pais da Maurir 
fama , e da Hespíinha. Mo anno jr43 ( iif 8 ) conquisftsv 
Abdelaiiineo Sagelemassa, e Ceut», e combateu os Ba^ 
guacas i c no fim do mesmo anno levantaraoHte os habitai 
tta de Ceuta contra os Almuhades, matarão os seus govef» 
nadores, cos queimarão. Também os Almuhades conquia* 
tarto no dito anno Córdova , Carmona , e Jaen. No annv 
544 ( 11Í9 ) dominai os Christáos a cidade de Mahadit 
ao pais da Efiiquia ; e na Hespanba as cidades de Lisboa » 
Abneria ^^Tortoza « Merida , Braga , Santarém ^e Santa Mar 
i4a, as'.quaes íor^ tomadas por interrenção do filho de 
Razin'^ aaqual Deos amaldiçoe; e também o filho de 
Gania enticgou aos Christáos as cidades de Bbora , e Baer 
^ , das quaes seiapossarao , e das suas comarca^. No anna 
seguinte tomarão os Almuhades por assalto a cidade de 
Maquines depois deseteannos de sitio, e da morte da maior 
parte dos homens » e se apossarão das suas ric^uezas , e ça» 
privarão as suas mulhere?. No mesmo anno se edificou a 
nova cidade de Maquines , e se demoliu a antiga ; e ord^ 
ix>u Abdelmumen que se conduzisse para Salé a agoa da 
fonte de Cabula, ^o anno 546 (1151 ) expugnou Abdelr 
snumen as montanhas de Uanxariz , as cidades de Mclid* 
sa y e Almeria, as ilhas de Beni- marga ta , e Bejaia; e no 
sano seguinte a cidade de Bona, Cos tala , Consuntina» o 

Oo a 



í 



( ^9^^ 

pai2 de AláiiabV ^ c)e Jarid, é todo ô cie Efriquid ^ estea- 
rão os Alinuhades das mãos cios Christâos Almeria , Ebo- 
Ta^^-eBaeça, e se apossarão òs mosselema nos delias. No 
antjo 5*49 ( 115*4 )' aominarâo os Almuhades a Niebla na 
-Hespanha ; e tendo-a tomado de asfalto y matarão todos os 
lioniens , e capcivarâo as suas riquezas, e mulheres , na qual 
bòu verão grandes successos; e no seguinte dominarão os Al- 
Ihuhades Granada , mas forão depois illudidos pelos seus hà- 
'bitantes , os quaes os matarão ; porém noanno 5*5:1 ( 115*7 ) 
á expognarao os Almuhades segunda vez, depois de bum 
'porfiado ^sitioi No anno seguinte conquistou Abdelmumeii 
as cidades dç Tunes , Sussa , Cafessa^ Cairauan, Asseia- 

3uesse, Tripoli da Mauritânia ^ e Mahailia, a qual tirou 
õ poder dos Christâos. Noanno 5*5*6 (1160) mandou 
(Âbdelmumen construir o castello de Gibraltar, e no anno 
58 (1163) faleceu o*dito Príncipe, e foi elevado ao ca* 
ifado seu filho lussof. No anno 5:5^9 (xi6^) levantou-se 
o filho de Daraa em o paiz de Gammara ; e no anno se- 
guinte foi o combate de Aljallab , no qual falecerão mui- 
tos dos Christâos. No anno 5^64 (1168) faleceu 9 ancião, 
e virtuoso Doutor Abu-Omar Othoman, filho de Ábdallab , 
natural de Assalaleg, author*das demonstrações, e Príncipe 
. dos povos da Mauritânia nas sciencias de fé; e qo mesma 
anno houve a grande inundação em Sevilha. No anno ^67" 
( 1171 ) .mandou elle formar a ponte do rio de Sevilha 
sobre barcas , edificar a sua alcáçova , e as trincheiras ou 

Íarapeitos na sua muralha. Neste mesmo anno morreu Mo- 
ammed, filho de Said, filho de Mardanix, senhor do 
paiz oriental da Hespanha, e dominarão os Almuhades 
Valência, Xativa, e Dama com as suas respectivas comar- 
cas. No anno seguinte de 5^68 (1173) houve em o dia 
doze de Xaual hum grande , e formidável tremor de terra , 
o qual foi geral na maior parte daSvria, Mesopotâmia, e 
'Eraque ; porém o mais forte foi na Syria , pois destruiu gran- 
de parte de Damasco, Baalebaqae, Emessa, Hemat, Xa- 
íiarzun, e Alepo; lançou por terra as suas muralhas, e for- 
talezas ^ e fez abater as cazas sobre os seus habitantes^ £a« 



fecen^o innumerâvels debaixo das suas ramas. Deos. nos lU 
vre da sua ira , para o qual nos reiugiainos fugindo do tor- 
mento do seu castigo. Em fim ficarão destruídas as mura- 
lhas das preditas cidades , e perdida a soa magniíiirencla ; 
mas na cidade de Âlepo íia mais vestigios do tremor do 
t)ue nos outros paizes, vendo*se obrigados os seus habitan- 
tes a tugir para o deserto y por não poderem recolher-se 
para as suas habitaç6es receosos do tremor. Nurdin Aiub 
conca, que todas as muralhas, e fossos, que destruiu o tre- 
mor , forâo reedificados por medo, que os mosselemanos 
tinhâo , que os Franceees os viessem accometter de repen- 
te. No anno ^6y ( 1173 ) ^^^ desbaratado e morto ElRei 
D. Sancho com todo o seu exercito ás mãos dos Almuha^ 
des. No fim do mez de Xaual do anno seguinte faleceu o 
virtuoso e excellente Doutor Abul-hassan AI7, filho de 
Esmail, o qual foi sepultado ao sahir da porta de Fez, 
chamada Babol-fatoh. Era elle Doutor, desprezador das 
cousas mundanas, e religioso, a respeito do qual, refere o 
seu servo appellidado Abu-Carne o seguinte: chamou-me 
o ancião Abul-hassan, filho deHarzaham, pedindo-me per- 
-dâo , e desculpa , e me disse : vi em sonhos o Senhor de 
Magestade, o qual me* disse: pede AI7 o que necessitares. 
Eu The respondi peço-te , ó Senhor , jo perdão , a conservarão 
da saúde, a tranquillidade, e a felicidade neste, e no ou- 
tro mundo. Faça-se assim, me respondeu o Senhor: econi 
efiPeito nada me negou aquelle Senhor, porque me deu se- 
gurança ; e por isso he mie te chamei. Tendo entrado o 
mez de Xaaban, em que faleceu, disse a seus discípulos : 
eu não jejuo certamente com as gentes o próximo mez de 
Ramadan, nno obstante estar com saúde, e não restarem 
' senão trez dias do mez de Xaaban , os quaes se admirarão 
do seu dito ; mas elle flileceu no ultimo deste antes de en- 
trar o mez de Ramadin. Chegado o dia do seu falecimen- 
to purificou-se^-lavou-f-e, perfuirou-se, e disse aos seus $er- 
itos: só vos resta hum dia para me servirdes; e tendo de- 
pois entrado psra o seu quarto, e crado com duas inclina- 
ções , dcitou-sc a doraúr oa sua cama ; e tan:o que che- 



gHu 9 tenípo án oração meridianá/veiu hum delle8*ad6»- 
p«rta4o para a oração, e o achou morto. No anno 57c 
( 117^) faleceu o aociâo, e virtuoso Doutor Abu*Xaik 
Aiub, ^fíilio de Çaid, Sanahagense, conhecido peto nomí 
^e Saría ( columna ) , o qual lhe derão , por prolongar t 
acção de levantar-^e na oração , a respeito do qual se dft^ 
9ia 9 que elle era hum dos que se haviio conservar perpe^ 
tuaoiente no mundo. No mesmo anno houve husia terrível 
epidemia em Marrocos , e sua comarca , de que a gentf 
morria de repente ; e por isso ninguém sahia de sua cau 
$fm kvar escripto o seu nome » habitaçSo y e deacendleodt 
na sua algibeira , para que , se morresse , fosse ooaduzid^ 
para sua caza , e ramilia : e foi tio gralkle a mortandade 
em Marrocos , que chegarão a falecer por dia mil e sere 
ceritas pessoas. Também houve no mesmo anno exoesBtvt 
carestia na Mauritânia. No anno seguinte faleceu o Cadí 
Abu-Iacub Hajage. No mesmo amio escreveu o Fríacipe 
dos credtes a seu irmão Al-hassan^ o qual lhe respondeu 
9QS seguintes versos : secomettemos culpa, pedimoa-te per* 
dão : se faltámos ao nosso dever , não fíigimos de ti : a 
tua commiseraçSo.ja nos costumou á tua misericórdia > por» 
que tu em tudo estás em lugar de noaso pai : não ' amoa* 
çámos antes do estado de abatimento , nem ha atrevimeii^ 
to , ou ousadia no que diz o 61ho temerosa Logo que o 
Príncipe leu os preditos versos , elevou-o aogovemo ^e Cor-* 
dova. No mez de Xaual do predito anno faleceu o ^Pría* 
cipe do seu século, e a admiração do seu tempo Abu-Iazá* 
làllun^ filho de Abdallah Al-hazmiri , qiíe se diz descen- 
der de Beni-Sabih da triba de Hassecura ; e morreu de ida«» 
de de mais de cento e trinta *annos, vinte dos quaes paa^ 
sou entregue á devoção , e ao jejum nas montanhas de Al« * 
moxrafa acima de Tainamal , donde baixou depois para 
aa praias do mar , nas quaes permaneceu solitário dezoito 
annos , sustentando-se unicamente das plantas terrestres. Era 
elle de còr negra , e escura , alto , e delgado ; e vestia hudi 
grosso sacco, hum albornoz remendada, e hum barrete de 
palma sobre a cabeça. No anno 573 (Í177) &leceu o aiH 



, Doutor t sábio, e dtcenseUio Abu Mohamiied Ab^: 
^allah y filho de Aloialequi , Chefe dos hoqnens insfmldes 
fio seu tempo, cujo falecimento foi no mez de Dul-hej-ja 
ultimo do oito anno: assistiu ao seu funeral o Príncipe dos 
crentes Itissof. 

No anno jr78 (iiSi) faleceu o ancião. Doutor, e 
Cadí virtuoso, e temente a Deos Abu^Mussa Aissa, filho 
ée Amrao, Cadi na catíital de Marrocoa, ao qual succe* 
dêu Ab«-Ubasse, filho deMâdá Cordovehse. O Cadi Abu* 
Amraa era o mais generoso de (odos os homens dotados 
de getero^ade, e hberalidade, dopcnial ha huma admira 
td carta , escripra a seu fiiho , que deixou pequeno na ci^ 
dade de Pe< , quando ja tinha chegado aos annòs dá pvh 
berdade ; e he etta : A itieu fiiho ftilano , a quem Deos di^ 
^J^9 guarde, e orne com a' sci^ncia, e piedade, Escrero* 
TOS esta carta impellido da grande saudade, e pela vontiH 
sk de' Déos Altíssimo , segundo a oual mafcháo as cousa» 
8e ella ie achar ; úomo desejo , deoieado ao estudo , e ás 
artesa, e entregue ás sciencias dos sábios, recompensar-te- 
llei, como te agradar; e ainda mais do que o teu desejo. 
Os prelados tem con? indo , que o descanço não se alcança 
com o descanço , nem a obra com a pouca diligencia , nem 
tio pouco a sciencis^ com ócio do corpo. Applica-re, se« 
rás Chefe; estuda , aprenderás , lé, subirás na scicnera ; to^ 
dias as vczee que te entregares ao ócio, serás considerado 
no numero da gente deponca estimação; quando vires mula- 
ta gente junta a louvar, segue-a ; mas quando a vires a vi* 
tttperar , retira-te delia; e ornais acertado he que signas o 
caminho. médio; o homem não ctti se. não onde tem à 
fisa alma: emprega-a por tanto nas boas obras. Saúde. No 
ânno 578 ( 1182 ) conquistai^o os mosselemanos em Cas- 
tcUa a cidade de Ucles, na qu^l matafÕo a todos os Chris-» 
sãos, e captivarão suas truiheres , e riquezas; e no mesmo 
aiino faleceu o Xeque, Abu- Aharez lagbf , fíhn de Harze 
Aurabensc, natural da cidade de Fcz^ homem o mais ex* 
ccUente, sábio, e estudioso No anno 580 (I184) faleceu 
O Príncipe dos crentes lussof | ao qual succcdeu sèu filho 



■ ( «94 ) 
gta • tempo dK oração nerídUiu , vcÍh Iwin dcne«'ade#> 
pcna-Io para a oração, e o achou morto. No anno 57c 
( 1175* ) falecca o aociáo , e virruoso Doutor ÂbU'XaÍb 
Aiob, 6II10 de $aid, Sanahagense, conhecido pelo nooe 
de Saríá ( coluinna ) , o qual The dei^o , por prolongar a 
acçSo de levaotar-se na oração , a respeito do qual «e dn 
«ia , que dle era hum dos que se havuto conEerrar perpe- 
iMamente no inundo. No mesmo anuo houve buou tcrrivd 
epidemia em Marrocos , e sua comarca , de «le a geatt 
swnia de repente; e por isso oiocuem sahia oe wa cazi 
$fm levar esoipto o aea nome, habitaçSo, e desceodnda 
fia lua algibeira , para que , se morresse , fbiae ooaduzidt 
para sua caza, e nmilia: e foi tio graltde a OMVtaadade 
cm Marrocos , que charão a âleccr por dia roil e seif 
ccntas pessoas. Também houve ao mesmo anno exceanva 
carestia na Mandtania. No anno seguinte faleceu o Odí 
Abo-Iacub Hajage. No mesmo airao escreveu o Priacipt 
dos crentes a seu irmão Al-hassao^ o qual lhe respondeii 
aos seguintes versos : secomectemos calpa, pedlmos-ce per- 
dão : se citámos ao noeso dever , não tinimos de ti : a 
nia commiseração ja nos costumou á titt mifiericórdia , por- 
que tu em tudo estás em lugar de nosso pai : ^o' Binea- 
çimos antes do e&udo de abatim'emo, nem ha atrevimcD* 
to y ou ousadia no que diz o filho temerosa Logo que o 
Prindpe leu os preditos versos, elevouH) aogoverao deOir* 
dova. No mez de Xaual do predito anno faleceu o .IVío- 

«ipe do seu século, e a --*—■ — ~- •* **-- * — ^ 

Iallun> lilho de Abdall 
der de Bem-Sabih da trí 
de de mais de cento e t 
sou entr^ue i devoção , 
mozrafà acima de Taine 
a> praias do mar , nas ^ 
aonos, susteniando-se un 
elle de còr negra , e esct: 
grosso sacco , hum albor 
palma sobre a cabeça. ] 



*•* esir '• ' orne f„„ . """> Ãi/ann . '""O" da do. 



( *9< > 

Âlmahsori e fto âla Sexta (titã seis do mez de Xaabaa 
do mesmo entrou o Maiorquense na odade de J^jaia, cap- 
tando a gente na oração, porque antes deste acontecimento 
nao se fecha vão as portas das cidades no dia Sexta feira j 
e tendo-se dirigido á mesquita maior , a cercou com cavai- 
l^ria, e infantaria ; deixando na sua liberdade áquellea, oue 
o acclamaiio , e matando aos que suspenderão a sua acoa* 
mação. Tendo-se conservado nella sete mezes, sahiu do* 
pois do seu poder ; e desde então principiou a gente a fe- 
char as portas das cidades nas Sextas feiras ao tempo da 
oração, (a) No anno 5*94 (i 194) faleceu o virtuoso ancião , 
e Principe do seu século Âbu-Madin, filho de Xaib, filho 
de Al-hassen Alansari , natural de Otiatm castello da co- 
marca de Sevilha , em Tdamessan , e fi^i enterrado em Ja-> 
bâlel-Âbbad. Tinha elle estudado longo tempo o livro inti* 
tulado Raaiatd-mohassi com o filho deAlhassan^ fiei^Har^ 
zaham ^ o tratado das leis de Abu-Aissa Altarmodí com 
o filho de Galeb; e a instrucção sobre 0$ costumes dos Per-; 
sas com A.bu-Abdallah Addequaq. As ultimas palavras, 
. que se lhe ouvirão, estando a morrer, forâo estas: Deos 
Altíssimo , Vivo , e Eterno. Diz*se também , que elle fale* 
cera no anno 5*96 (1199). No anno 5*85' ( 11^9) fez AU 
mansor conduzir a agoa para Marrocos ; e no seguinte en* 
trarão os Christãos nas cidades de Silves , Beja , e na Bei* 
ra, situadas no paiz occidental da Heipanha. No anno 
587 (1191) expugnarão os mosselemanos Alcácer do sal. 
No anno 5*91 ( 1195) foião desbaratados os Christãos na 
batalha de Alarcos , dos quaes forão mortos muitos milba- 
res. No anno ^^:^ (1197) foi edificada a cidade de Reba-* 
te, concluída a sua muralha, e collocadas as suas portas;, 
e no mesmo anno se construiu a mesquita d^ Hassan cooi 
a sua almenara , que não se completou ; e forâo igualmen* 
te construídas as almenaras das mesquitas- de Sevilha , e a 
de Alcatebin em Marrocos. No mes»mo anno faleceu o vir* 

(«) Ainda hoje se pratica este ccMtume de se fecharem as portas dn ci* 
dhdes is horas da oraçáo nu Sextas feiras. 



( w ) 

téatój sftbio» eDotitorrespàtarel Âbu*AbdalIah Moham^ 
med f filho de Ebrahim , author do livro da direcção , q 
qual 8f ooniervou quasi quarenta annos sem faltar ao exer- 
cido da ofà^ na mesquita 9 completou«ie a. mesquita de 
Manooos , e a sua alcáçova ; e faleceu o virtuoso Doutor 
Abu-Abdallali Mohammed , filho de Abdelcarim Alfande- 
lauiy a cujo funeral assistiu o Príncipe dos crentes /o qual 
era entre os prelados da Mauritânia o mais «abio e insigne 
em diverMs adendas , e desprezador das cousas mundanas , 
desviando-se delias , e chegando-se ^s da vida eterna 5 poia 
praticou constantemente o culto-de Deos , o jejum , e a guer<- 
ra sagrada até lhe nKo ficar sa senáo a cabeça. Noanno 5:98 
(1202) em 1 1 de Dul-Kaada fiileceu o ancião , Doutor obser- 
vante y e prelado da mesquita de Caruin Abu-Mohammed 
laxAar Aljurái , o qual tendo sido creado em Tadela ^ ydu 
depois. residir em Fez, na qual estudou €o;n Abu^Garse, e 
com o filho de Abu-Rabia , natural de Telamessan ; e acom- 
panhou a . AbuUhassan-Harzaham , e a Abu-Iazzá. Ersí tio 
temente a Deos » e de tanta bondade,, que quando enteava 
o mez de Raroadan , dobrava a sua cama , e entregava-se 
á meditação passando as.ooutes levantado, lepdo o Alcorão 
em huma só saudado. Teodorse^Ihe dito huma( noute , que , 
se desse algum repouso , e a conveniente porçáo de soipno 
á sua alma , lhe seria muito conveniente , e proveitoso , fcs- 
ponden: assim he que eu procuro o seu repouso^ epor es- 
te motivp i^edtou os seguintes versos : nâo se estabdeceti 
o mez de Ramada n4>ara escarneo, epara tedivenircs iiel- 
le : sabe .portanto que tu não consegui^ a sua remuneração 
em quanto o nSo observares , e o jejuares* No anno éoo 
( 1203 ) completou-se a edificado , e renovação da mura- 
lha da cidade de Fez, coacluiu^se a porta chamadi^ Bobol* 
xaria, e collocarSo-se/OS seus postiâos. No .mesmo anno 
se levantou Alabtdi na montanha m Uarga. , o qual foi 
vencido, morto, e a sua cabeçadepeodurada sobre a -$]ita 
porta , e o seu corpo queimado no meio * delia no mesmo 
dia y em que foi acabada de, construir ; e por ís^k) se deno* 
minou fiabol-mahruq ( porta do queisoado )• No anno 601 



(«9t) 

( f2C4) eáliKMí íait, governador de Anttâsser riopatté» 
Rif^ as muralliasâat' cidade» deBadn^ AltnaaeiM ,. ctMo« 
lilia para c^tar Mtf ataques imprevistos do úÉnígo. No 
áimo ségutiíte foi Âl*hdfcÍQn elevando ao ^rãmoi ck EfvH 
i^uía^ No anuo" 604 (1207) foi neíttovalda a ^«raUm dt 
xidáde de Ugeda^ e ordenou Annasscf'^ ^iw seedificaase 
à c^tzâ das latrinas , e Xafaris defronte dar ONsquira dd 
Aikiatua em Fez, condozindo-se paca aAi a agoa da fbníe^ 

3M fica fôrá da porta de Babol<hadid; e taoabrar a gra»* 
e pòrUi , que baixa psira o pateo da mesma niasqititt, ciN 
jàs de*peaas ^nerio todas ix>r conta do Erário ; e no iMt« 
mò annó st conitniki o nifcbo , ouiagàr da deprecaçio ^ ( on- 
de se pâe o prelado que preside á oração). No aaoo úcH 
(ttii ) fdlecfeu eíti a noute de Tenp feaa Vinte seta do 
Étíeí de Dtil-h<^ia o timioso Xeque Aba-AbdalUh , filha 
de JaHr, conhecido pelo nonie de Ben-Tagoiassat^ natural 
é^ Fez y e íbi sepultado fora da porta de Aijisaa , o qual 
#rti mnito temente a Deos , mas de poucis palavraa ^ac% 
ÉS gentes. E comd tinha bom património , oodipava^ae ca 
tirar copias do Alcorild , e as dava a quem )ne parecia y 
4|ue as hãvit estimar, com o intena» de alcançar a reomn 
pensa desta boa obra» Não cessou de procurar com afier* 
ío a sciencia , de sé exercitar nelía , e procura-la até mor* 
fer; e era elle querti dizia: o amante da sciencia ainda dei 
pois de mwref vive perpetua mente, posto que os jeos 
Ibembros estejâo corrompidos debaixo da terra ^ e o igoo* 
rante está morro ^ posto qae ande sobre a terra , por se juU 
\T hum dos vivos, estando privado da vida. No anno 
(tzil) aconteceu a deirota dos mosselemanos em AJá«*^ 
caS ( nas Naves ) , na qual ficara todos os exércitos Am^ 
bes, e Andaluzes. No arnio seguinte levantou-se o filho dtt 
Alabidi-^Almahruq , o qual andou correndo pelas monta^ 
ilhas de Gammara'; e tendo^se inculcado Fatemita, o se^ 
guiu immensa gente das montanhas e planícies; mas tendo 
Annasser mandado contra eUe hum exercito, o venceu, c 
matou. No mesmo anno faleceu o Prindpe dos crentes An* 
tesser^ e subiu ao thronp seu filho Ittsaofj e tendo oa Be* 



« ^ 



XH9) 

liimerifiet cht^/Bào dt pioyincia de Zab i EiBriquIa , in?»^ 
dijâo a Mauritânia em crescido mimero , aa qpial , assiai 
como na Hespanha liouve liuma terriy^ peste no mesoi» 
•nao, e se senhorearão os Christâos da cidade de Efonu 
29o anno 613 ( 1216) desbaratai^ os Benimerines o exeiv 
dfo A^ Almuhades em Fahasseluad , os quaes. enttarâo niie 
em Fez cobertos com as folhas ouramos da almoxaala (tf)4 
e por isso se chamw a ^e anno o anno da almonala. N» 
•uno seguinte fbiâo derrotados os mosselemaoos em Alca* 
cer do sal , dos quaes o inimigo matou imnimeraveia. No 
«mo óif (ixi8) entrou A£fonso II. á força da espada no 
dito castelkí, e matou todos os míosselemaoos ^ que neUe 
encontrou* No anno 617 (ziio) houve na Mauricsnia es» 
oessif a carottia , secca » t a praga dos gafanhotos ; e 00 mes» 
SDO íoi ediicada a fortaleza chamada Boigeddahbe em • 
fio de SeviUiai No anno seguinte renoYOO-se a muralha dt 
suesma cidade , e a dnta exterior , ao redor da aual se kt 
o foste. No anno 619 (itia ) conauistaiãQ os Almuhades 
a ilha de Maiorca ; e noseguinte faíeceu lussof Almostai^ 
ser» No anno 621 (1224) foi acdamado Ãladel €m Mur- 
cia , e ^eceu o Prineipe dos crentes^Abderrabaman Alma** 
dna (o deposto). No anno seguinte le?antou*se Si4 Abu*- 
mohammol em Baeça , arrogando o Império 9 e entregou 
aos Cbfnstaos Baeça e Quezada ; e senfaoreourse o .ininifg^ 
da cidade de hiarbona no temtorlo de Murcia , na quai 
matoo todos os homens, que nella encontrou, e captiTOU 
suas mulheres ^ e filhos. No mesmo anno entregou tsmbem 
o ditoAbu Mohammed, chamado o Baeceose, p^rto de 
▼inte casiellos , e vários fortes a Afibnso , o qual se apoft* 
soo .de Marbdha, e toanou Toledo porassalio , tendo mon» 
€o nella grande numero demossclemanos : e forão igualmeii«* 
fe mortos dos habitantes de Sevilha perro de dez mil , que 
tinhão sabido a soccorrer Toledo i e grande npmero > aos 

4^p z 

- ^ 

(«> Aimoxaala he huma arvore semelhante ao pinheiro bravo , le^ndo 
a ff oificaçSOi fie çt diockNiirios itto • pabvr» Itnina TcJn» 



de Murcia , <)ue tampem sahirib em soccorro do castiáfo 
de Delaia , vindo a morrer dos Aloiuhâdes ^ habitantes das 
duas cidades, tSo crescido nuitiero, que as mesquitas, e as 
«raças ficarão vazias. No anuo «623 ( 1226 )> dominou o 
inimigo a cidade de Laxa\ sinrada no lado occidcucal dk 
Hespanha, entregoà o predito Ba ccense o rastello de Sai- 
Mterra aos Christãos, consumia Atmasser avultadas somas 
f>arao retomar, até que os mosseleouiDOs odominarlo, foi 
morto no casrello de Almodovar o dito BaeceiBe por Ben^ 
Bairuq, cuja cabeça foi conduzida para Sevilha , lomaiâo 
os ÇhrístloB a villa ^de Capilla , e coolbatetâo na Mauríta-» 
aliados Árabes Golotes axn os Almbhades , aos ouaes aonel'* 
les desbarataria No anno 624 ( 1226) foi tão grande a 
carestia na Mauritânia , ^e naHespanha , que se vendia car- 
da cafiz de trigo por vinte cinòo aucados} e houve naMao» 
ritaiiia a «praga dos gafanhotos. No mesmp anno dominai&> 
ps Cfirístaós a ilha de Maiorca 5 acclamarib os habícames 
de Sevilha a Sid Abulaala, filho de Aimansor, fiilêcen Ala« 
dei ; e foi acdamado lahia , filho de Annasser , e tatnbem 
Almamun^ No annor-^^jr (1227)' foi acdamado o filho 
die Hud, intitulado AlidotauaqueL , em o castdlo^de Ar* 
jona do páiz oriental da Hespanha^ e acdamarao os habi«* 
tantes de Mufda os Abassidas por Califas. No anno 6i6 
(1228) houve tâo grande enchente no rio de Fez, <pc áe^ 
truiu do lado meridional dous pedaços da muralha, trez m- 
¥es da mesquita de Andaluz, e muitas casas, e hospeda- 
Tias do mesmo bairro , dooiinou o filho de Hud Xativa , e 
Dania , e os Ghristíos o castello de Jablelaiun das fixmtdras 
de Valência. No mesmo anno matou^ filho de Hud em Muc^ 
cia o Cadi Alcostali, 6 dominou Granada^ na qual matoa 
todos os Almufaades, que enconomi, e também aGaen. No 
mez de Dul-hejja do dito anno acdamaiio os habitantes 
de Girdova o filho de Hud , expulsarão delia os AImuha« 
4eB, e^os matarão, denominou-se o mesmo, Príncipe dos 
oentes, e passou Almamun para a Mauritânia. ^ aia Se- 
gunda feira vigésimo terceiro do mez de Safar , que corres- 
ponde ao ultimo de Dezembro ^ houve o grande caso ea 



( 30I ) 

^Maiorca:? Deqt a tome ao mohamtMtiftino. No sínnb'62% 
( 1130) foi a derrota dos mosseleaianos em Merida , e a 
tomada da mesma de assalto pelo inimigo; e no mes de 
Xaaban do mesmo anno possuiu este a cidade de Badajoas 
€0m a sua comarca; I^o mez de Rageb do dito anno do- 
minou o filho de Hud Gibraltar, e Âlgezíras , ficando os 
Aimuhades privados em toda a Hespanaa de mandar , ou 
probibir. No anno 629(1231) levantou^-se Sid Abu Mua* 
aa em Ceuta contra seu irmão Almamun ; e igualmente se 
levantou Mohammed , filho de lussof , filho de Annaskr ^ 
vulgarmente conhecido por Ben^Alahamar , o qual tendo con- 
vidado 08 povos para a sua acclamaçSo , o acciamaiáo ot 
habitantes de Arjona , intitulando«se Príncipe dos mossele- 
manos. No mesmo anno dominou o inimigo a cidade de 
Morella, pertencente aos estados de Saragoça, No anno 
630 (1232) faleceu Almamun, subiu ao tbcono seu fii 
1ÍK> Arraxid , e dominou o filho de Hud Ceuta , a qual $ 
pastados trez mczes» se rebellou contra elle, e acdamoura 
Ahamed o Baecense, o qual se intitulou Almuafeo. No 
mestto anno voltou Córdova , e Carmona para o poder de 
Mohammed, filho de lussof, filho de Nasser^ foi accla- 
mado em Sevilha o Cadi Albagi , estabeleceu o filho dè 
Hud a paz com o inimigo, para este o auxiliar, a fim de 
combater a Ben- AUhamar , e a Albagi, obrígando-se a 
dar*lhe diariamente mil ducados, e despovoou^se o paiz 
da Mauritânia por motivo da pesce, e da fome ; pois che- 
gou o cafiz de trigo a oitenta ducados'. No anno 631 (12^3) 
succedeu o combate entre o filho de Alahamar, e o filho 
de Hud , e Albasi junto de Sevilha , e desbaratarão osdous 
ao filho de Hud ; mas depois dá derrota matou o filho 
de Alahamar a Albagi atraiçoada mente, e entrou em Se* 
vilha , o qual , depois de hum n:ez de residência na mes- 
ma , foi expulso delia pelos seus habitantes. No inez de 
Jumadil-águcr do mesmo anno revoltou-se Xaib, filho dé 
Mohammed, filho de Manafud, e tomou o titulo de AU 
icoatàssam ; e no mez de Xaual do dito anno fez o filho 
de Nasser a paz com o filho de Hud , e o acclamou entre- 



^ ( 50» ) 

gando^he Jaeo , Arjona , e Barcana. No «imo 6^z (tt^ 
Cercou o inimigo a illia de Ivica; e depois de cinco «n^ 
BCB de sitio a* tomou; ,e cercarão 08 Gcnovezes Ceuta coa 

• innumeraveis galeras , e assestarão contra ella as catapultas; 

^ mas nada pooerSo cons^ir , aos quaes , depois de hum es- 
treito e apertado sitio , e de terem assestado contra ella as 
ditas caupultas, e outras maquinas de guerra ^ GOmpozeriÍ0 
os habitantes da mesma com quatro mil ducados , e se re» 
tiraiâo. No dia terceiro do mez de Xaual do naesmo anaa 

' pdk madrugada ao cantar do gailo , que he quando se ea- 
tá nnais descuidado , entregarão os Chrístãos alado oriental 
de Córdova ; mas Deos Óptimo Máximo salvou aa mulhe- 
res e as crianças até aue tomarão o lado occidentai , nm 
qual permaneceião os nomens sustendo com elles hum ter-* 
rivel combate ^ cujo lado se conservou sitiado até que foi 
tomado , e se apossarão os Christãos de toda a cidaae. No 
mesmo anno se estabeleceu a paz «itre EIReí de Castdla 
e o íilho de Hud por quatro annos com a condição deste 
lhe pagar' em cada hum ddtes quatrocentos mil ducados; e 
matou o Príncipe dos crentes Arraxid os Xeques dos Golo- 
tes. No anno 635' ( it37 ) acdamaiâo oé habitantes de 
^vilha y e de Ceuta a Airaxid ; e foi tão terrível a peste . 
e a carestia na Mauritânia , que se comia a gente buma á 
outra i e se sepulta vão cem pessoas cm cada cova. No an- 
ftò 640 ( 1242 ) faleceu Arraxid , e subiu ao thtono sen í# 
mão Said. No anno 643 (1245') dominou o Príncipe AbiH 
lahia a cidade de Maquines. No anno 642 (1244) do- 
minarão os Christãos a cidade de Valência ; e (tio de '644 
(1246) a cidade Jaen. No anno 646 (1248) faleceu Abiil« 
hassan Assaid , dominou o inimigo a cidade de Sevilha , e 
senboreou-se o Príncipe Abu-Iahia das cidades de Fez, e 
Taza. No mesmo anno houve o fogo nas praças de Fez , 
as quaes forâo todas queimadas desde a porta chamada 
Babossasselá até ao banho do terreiro do trigo; e se levan- 
tou Almortadá em Marrocos; e no anno 65*3 (125:5) foi 
derrotado o dito Almortadá em Bani-Bahalul nas vizinhan- 
ças de Fez. No anno 665 (1266) foi mortp Almortadá^ 



«edtmfde Abo-Dibbucê em Marrocos ; e «n ajmo^ ttf^ 
guince foi este morto, o sra exercito desbaratado, e doini« 
MH o Príncipe dos crentes a cidade de Marrocos com a 
sua comarca , na qual entrou no dia Domingo nove do mesR 
de Jáobarram do anno 668 ( 1265»). 

C A P I T U L O LX. 



X>9 feUfti ninsdo da dynastU Merinia, $uja fama Deêf^ 
Jáltissimê dilat€ , à^a/fe^ e firmt^ , em que se descreva 
a wafura ieseendítmia^ ^ jnsta elecraçM cçm a rnth 
eia des sem Soherams » eetifmsiéu 1 cavãpat^s , e e^tn 
eeJietKedirt^féhf 



o 



«' 



s Beotfnerijies , di^ o audiop^ slo os mais iiobros dAt 
tàbm de SSamra, os mais distiactoir em gsrafão, Ub^alis^i 
sinoB j ghnsTf anussimos nas pròiliessas , os de emendim^a* 
to o toais prfspÍG«(, os mais intiepídos e Talerosos nos 
combates , os mais religiosos , os de mais rac^Ilente e ^ 
pensar» os mais obsesvantes dos tmtados e ajuste:?, e 0$ 
de mais amplos, 9 extensos projectos nos apertos , e diffi^ 
culdades. mo possuidores da nobresa dos Árabes Aloires, 
a guarda do viziobo , a proce«fao do desprezível , a bfinq^ 
cencia do angustiado, e ferido da esp^oa , os afastadores* 
da perfidia, ignominia, e morte, dotados debumanidadf , 
e de religião , bonradores dos sábios » e reverenciadorfs dos. 
santos, sem nunca deixarem estes amigos costumes, e re« 
ctos caminhos , por()ae em todo o tempo forâo conhecidos. 
J)eos Altissimo pela sua beneficência , e benevolência per* 
petue seus dias » e faça viftorioaos os seus estandartes. 

Nêtkia da sua pura geraçãe , e eemple* 

ta € eminente bondade. k 

Extrahi, diz o autbor, das memorias deAbu Aly Al* 

iBoUaai » escf iptas por sua o^âp , 9 ^iua se srgjM : Ps P^nf^ 



(3P4) 

inttines^ , * diz elle, sâo hum ratno de Zanata , edeiom^^nt 
de Merin, filho át Uartagen, fillfo de Masug, filho de* 
Uadegige, filho de Faten, íilho deBadro^ filho dejagfàti 
fifho de Abdallah, íilho de Uartib, filho de Almoazze, 
filho de Ebrahim , filho de Sagih , filho de Uassen , filho 
de lasselatin, filho de Masrí, filho de Zacaia, filho de 
Uarsla , filho de Zanac , filho de Janá , filho de lahla , 
filho ae Tamzit, filho de Tarice, chamado Goliat primei- 
ro Rei dos bárbaros ( Philidceos ) , filho de Zagih ^ filho 
de Madguísse Âlabtar, filho de Barr, filho de Caice^ filho 
de Gailan , filho de Madar , filho de Nazaf , filho de Maadd ^ 
filho de Âdnan. Desde Zanat, filho de Janá se aepararSo 
as tribus de Zanata , as quates sáo Árabes puros. A causa 

J)orêm delles mudarem a sua lingoa por outra , isto he^ a 
ingoa Arábica para a Barbarica , foi , segundo contâo ot 
sábios das chrondogias ^ e os intelligentes nas genealogias, 
e historias dos povos ^ pelos motivos semintes. Modar f 6i^ 
lho de Nazar , teve dOas filhos , chamados Aliace , e Gai«* 
lan ^ de Arrábab, filha de Haída-, filho de Ornar, filho* 
de Maad, filho de Adnan; e Gailan, filho de Madar, 
teve outros dous , chamados Caice , e Dahaman. Posto que 
este tivesse diminuta descendência y do qual procede a caza 
de Caice, chamada Benu-Amama, v&o succedeu assim a 
seu irmSo Caice, porque teve quatro filhos, chamados 
Saad , Ornar , Barr , e Hafza , de Nuna , filha de Asse^ ^ 
filho de Rabea, fifho de Nazar, edeBazig, filha deMage^ 
dal , filho de Magedul , filho de Ornar , filho de Maam ^ 
bárbaro Jadulense , porque como as tribus dos bárbaros ha« 
bitavâo então a Svria, e avizinhavío com os Aràbes nas 
habitaçòes, mercados, e pastagens; e associavSo nas agoas ^ 
e ajuntamentos , cazavâo huns com os outros. Como Da* 
haman, filho de Gailan , tinha huma filha chamada Alba- 
hi , a mais fisrmosa mulher do seu tempo , e a mais per- 
feita em elegância , e bdleza , e crescerão por isso os per- 
tendentes a cila de todas as tribus dos bárbaros, disserlo 
seus primos Ornar e Saad , filhos de seu tio Caice : nossa 
prima nSo ha de cazar spnáo oom hum de oós j e nâo ha 



3e pásnr áe oâs para outra ; e tendo-Ihe dado a escolher 
aqoelk que ella quizesse , elegeu a Barr , por ser. o mais 
moço , e mais bem apessoado , o qual tratou de cazar CQm 
eUa oofitra a vontade de seus irmãos y que invejando este 
casamento } cogitarão matada Receosa disto sua mâiBazi^, 
buma das mulheres mai? sagazes, mandou chamar Âlban^ 
filha de Dahaman , sua futura nora; e tendo-lhe. dado ^t^ 
noticia 9 concordado ambas de sahirem oõm Barr para a 
paiz de seus irmãos , para o parem alli em seguiança , o 
que pozerâo em execuçlo , fonandando chamar em segredo 
os seus para as acomptnharem. Chegado Barr ao paiz dos 
bárbaros , estabeieceu*se y e fixou a sua residência entre seua 
tios y desposou-se com Âlbah , sua prima > e resistiu com 
a espada aos que o procurara , aonde teve dous filhos del-« 
la, chamados Alua n , eMadguis: aquelle morreu rapaz j 
^ sem descendência , e este , que se intitulou Álabter , he 
o pai dos barbavps , ao qual elles elevão a sua origem , o 
toqos os Zanatas delle deserdem , e de seu filho. Tendo 
morrido Barr , filho de Caice , no paiz de seus tios mater- 
nos , cresceU' seu filho Madguis , e a sua descendência eur 
fre os bárbaros até se augmentarem, e chegarem ainnume* 
laveis milhares , fallando o mesmo idioa|j) , e sendo o seu 
estado conforme aodelles, pcns habitava osdesertos, mpn^ 
tavio os cavallos , e os camelos , fallando com eloquência 
zpn lingoa, e tomando optimamente as- suas praticas^ et 
costumes* v 

Notkia 4éi invãSÃQ dos, Btnimerines^nãMêuritania^ e ^ 
daprtciosét , e admirável apparição da sua soberania. . 



í? 



Quando Deos Altissimo qulz a appariçao da feliz e 
abençoada dinastia dos Benimerines , e a dissolução da 
fiel dynastia dos Almuhades, por assim estar premeditado 
na sua sabedoria , poder , e decretos ; posto que os Sobera* 
nos Almuhades, que tinbâo precedido, foFsem os priroeif- 
rgs no valor ) conselho, e jreligiâp até á infeliz batalha de 

Qa 



-* 



Âlacab , encdtDtt)lMM!-se mtáo esm dymftm ao sm 
fim , frorqúe tendo AfiiMsc»dr regressado d^lla desbaratado, 
etntrado em Marrocos , ccmcmuou «decadência do «eu Im^ 
perk) até aò anno 6io , em que Ciletcu angustiado ; eli^Tem 
do^Ilre sttccedkb i£u fiího^ Almoma<ter^ sendo menino, e 
aiijeito a diwclor, ^or nao chegar aos aniios ^a pubefdhi- 
de , t dSo Mhéo experienda dos negócios , detHse aos dí« 
^iMititttentoa , ^ ás bebidas , e enrregou â direcção ilo ftein^ 
áôsctus gotemadores , t íatnUiareS) e os seos negócios aos 
aeus VhifeSy r Xeques , <)s «quaes ttndo^se iatejado redpro^ 
camemt por caiisft da primazia entra si , veiarâ^Hie avarean 
ta eattogantémeffte huns aos outros, e dominou o ainor pt%* 
prio Os seus Cbefês; e por isso perderão os nédios, ns 
cebendo com palavras grosseiras os^mpregados , desuruade 
is ftfmltas , -aendo iiiju^tos nas readu(6es ,^ encarregando 
òa seus negócios ws detrac^oies , e vis , e aeiído governados 
^dos perversos; e tendo principiado acerrarpçBo tioiBeu R^h 
Ao, âpparecido a decadência na sua leligilo, e no paíieV^ 
auseiitado»se âs suts felicidades, priacipioo entre eftes adéu^ 
;a , e Íbf9o mandados cara as auas provifici» os iilhoa 
Terin; etendo-os Deos^judndo tontra ai^ue^Hès, fe-Ioa 
appafecer, coticedendo-lhes o pod^ na Verm , e làMndo^oa 
Kncipes , e herdeinis deilu. Os Beni^merínea gente ooèeM» 
tà ttk Á verdade habicavão o pah; meridtoiud oeaáe « 
Efviquía até Sagelemavsa , yaj^amio naquelles caifipos t de» 
sertos, sem pagarem dinheiro, ou moeda a Princife il* 
gum, nSo entrarem debaixo degQ|erno de Soberano, nem 
gostarem de sujáção, e desprezo j^^pois tinhio aeffiimeutos 
elevados, e espíritos sublimes. Desconhecia a agricultura , 
e o commercio , eseoccupavâo unicamente no exercício da 
caça , no ensino da cavallaria , e nas incuraòes : as suas prin* 
típaes rrquens etfo os cavalíos, came^ , e escravos; e 
t tm sustento as tâmaras, carne, leite, emel. Âlgvns dei* 
ies ccmi tudo entravSo em o paic da Maurítanm no tempo 
do verão a recoHier as suas producçòes , e a aparentar os 
aeu^ rebanhos; e quando chegava o meado do outono ^ dOn« 
grega vSo-se eta o paiE de sâLgenifc ^ díspunlião 4 eua tna»^ 




ckái eittin^tcMe parft o sra pai« ^ c ftil «m todo o tète^ 
po ala a wa pratica » e coirame. No aiino porém de 6|a 
( 1213 ) vicjiío do deserto na fórma do seu contorne; e ^ei^ 
do eoGoatrado a Mauiirania despovoada de seus babítao* 
tes , € observado que tiiihâo fenecido 0$ seus cavalleiros g^ 
defenores, e guerreiros, morrido todos ua gfízm de JM^ 
çtb y c prevalecido a destruição no seu paiz , sendo a suk 
povoa^ 06 Le6ey, e as raposas» coa^crvar^se oaswai 
Jbabitaçlks» e esaeverâaa seus mn$o$> iofonnandcKia ^ 
Cifado do pai«9 da sua fertilidade» aoellearea campov 4« * 
laKMira, lai;gueza de pastagens , abundância de agoai» fht^ 
Harea a pix^)oaito porá á bebida dos animaes» poa dkpOf 
nçio de arvoredos , abundância de íructaa, e de fontev f 
lioa pereonos'» e recommendandoKlbes que partissem iwMft " 
d tara mente, posque neo havia no pai« quem os içipediíf^» 
M obstasae i sua entrada nelle» Chogadá esta notitia aoi 
^eouBeriKa, apressarao-se em paasar A Alavritaoia » towf 
fiando em Dòoa Óptimo Máximo noa feus nfgpcíos, eofr 
tavio 08 campos , e oe jdeaertoa sobre os eavallos , e c«q(i«p 
loa, procurando aproximaf^e^ e ehegar^ae ao no Ta^g* 
que foi a porta por onde entrarão na Mauritânia com Oi 
cavallos , camelos ,iumemos ,^ e tendas , aooq^paiihados df 
bum exercito , semelhante a huma afrebatada enxurrada > ov 
a htnna nooie de resplandecente luar; e de povoa oe^mp 
mosquitos, e gafanhotos debandados: etudo isto para eoflv 
plemeoto da ordem, que ja estava decretada , c para que 
appareccsse o que estava occulto, e ignorado; pois amof 
decretada alguma cousa por Deos « be feita. 

Tinhâo os Almuhada naquelles aanos seus Alcaidctfy 
« encarregados pars oa negócios; e elJea occupavao^ noa 
divertimentos, e nas bebidas dos vinhos, entrc^ando^ á 
moUeza , efíoxidâo , que os acompanhava nos «eus paUcioa; 
efoi encfo, que os Benimerines entrarão na Mourtranib, ^ 
os conduzlo o fado , e aproximou ao Impcrío ; e espalhan- 
do-sc no seu paÍ2 como os gafanhotos , encherão ' Ds mon^ 
tes, ^.,03 valles com os seus e:c''rc!tos, ònão cc?síirío de se 
transportar e marchar pelos altos e baixos do seu paiz^ atr^- . 



▼èssándò-o repetidas vczíps até ao anno da klmotuU(irj; 
qiie foi o de 613 ( izi6), cm que desbaracaiâò O exerci*^ 
m Âlmuhade. 

Pessoa vbrsada na historia, em quem coniio, diz' a 
author , me contou , ' qúe tendo entfôdo os Benimerines na' 
Mauritânia , dividií^o^^a^ suas tribus (selas tomarcas da mes** 
ma, e espalharão ás incursões sobre <> seu pàiz , e regi6es ,^ 
darillõ «egurança áqoelles que htfmilhados Ihe^ presraváò' 
obediência, e comrateftdo aos que lhes resiísciâo; e oue 
fendo ^fufi;ido os poros diante delles p^ra hum e outro la ad; 
rêftfgidnGk>«se aos montes inaccessiveis para lhes serrirem 
de ca^tellos , e refugio , ao chegar esta noticia a Iu$sof At^^ 
toòntassei" , se posera silencioso a cogitar, e discorrer a 
i^speito' delles^ e convocara depois os Vizíres e Xequea 
doa Almuhades , e os consultara a respeito dos Benimeri-^ 
iiea, os quaes lhe responderão : não tenhas cuidado , nent 
tntretenhas o teu pensamento , ó Príncipe dos crentes , a 
despeito delles , jiorque são fraquíssimos, e insignificantes 
no numero; e nao os deixaremos com tudo á ^tá ,' mas 
làandareroos contra elles hum exercito de Almuhades , que 
Os dispersem immediatamente, matem os homens, tomem 
suas riquezas , captiyem suas mulheres , afugentem os que 
se lhes oppdserem , e prendão os que lhes desagradarem. 
Tendo com dBTeitò mandado vime mil Almuhacfes contra 
clles, e nomeado, seu Chefe a Abu-AI^, filho de Aadir^ 
oídenou^he a total destruição dos Benimérínes, dizendo: 
matai o pai , e o filho; e não fique delles hum só. Partia 
O exercito de Marrocos ao combate dos contrários ; e~ ten- 
do sabido os Benimérínes da sua vinda , prepararâo-se par 
ra os accometterem , e combaterem, ajuntarão-se as suas 
tríbus , e fizeilío os seus Xeques conselho entre si , os quaes 
CMvieíâo e concordarão unanimemente, em coHocar suas 
mídhereSy e riquezas no castello deTaza. Tendo víado^de- 



(0) AlmoKaah râniBoi o pinheiro bmvo^ Como «s Alombadog fkarlo 
flUf nota batalha , eobi Mo-se com os ramos desta arvore , como Ipgo se ve- 
rá ; e por isso se ficou denonioando este aooo o anno da Alrooiaala. Em 



< 309 ) 

pois procnptos para o combate do exercito dos Almuhadeg , 
encontrarâo-se os dous exércitos junto do rio Tacur , entre 
os (|uaes houve hum grande e memorável combate; e con- 
cedendo Deos Altíssimo a vicroria aos Beniínerines sobre 
os Almufaades, os desbaratarão, dando a buns prompta 
inorte, e Rigindo delles tecnerosos e assustados os que es« 
caparão; e se apossarão de tudo quanto havia no seu acam- 

S amento y tanto . alfaias y como dinheiro , armas , cavallos , 
cc. ', com o que òs Benimerines tomarão grande esforço ^ 
dando graças a Deos Altíssimo » por ás fazer participantes 
de tio grande beneficio , e por os ficarem respeitando to* 
àos w povos da Mauritânia ; e entrarSo én^ Taza e Fez 
os Almuhades fi^itivos; descalços ^ nus , è cingidos com A 
Almoxaala (Tseda) , e cobertos com as suas folhas; eco^ 
bertas suas cabeças e hombros comr o pó, mostrando nas 
suaa. pendentes lagrimas , e nos seus coraçòes , abrazadòa 
em tnsteza, o desprezo, e o abatimento ; e por£sso seficod 
chamando estearaio o da Almóxaaiâ. Tombo fwça na 
mesino anno o Império dos Benimerines , e enfraqueceu o 
Reino dos Almnhades; tendo-se despovoado o seu paiz,* 
diminuído ai soisis rendas , fenecido a sua nobreza , sido mor- 
tos os seus defensores , e posto Deos entre elles o seu mes« 
mo castigo , por os seus Xeques elevarem ao throno hum' 
Rei,, ornarem depois a outro com o manto Real, e mata- 
rem*no depois , saqueando os seus thesouros , e riquezas , 
e repartindo os seus domésticos, e cavallos; pois tendo lan^ 
çado o maoro a Abdel*Uahed , o matarão depois ; e ao- 
clamando a Aladel depois delle , dirigirao-se depois cômra 
o mesmo , e o estrangularão : escreverão a soa acclaniaçfo 
a Almamun; e tendo-a dissoivido depois, accbmarao im- 
mediatamente a seu irmáo lahia , com cujos procedimentos 
ião cessou a sua soberania de se enfraquecer ^ e o Império 
dos Benimerines de se manifestar, engrandecer, e vagorí-^ 
zar-se. 



<3») 

C A P I i; U L O LXL 

Da reinada dê Principe abençoado Âbn-Mohawnmd 
Abdelrbaqqne , filbo\ da Principe Jbn-GaledL 



o 



, Príncipe Abu MdumoMd Âbdel*haqqiie era filhou 

Príncipe Abu Gaied Mohid, filho dé AbihBacar» fiihò dft 
Hammama , filho de JáohEmmed Zaiutense ^ Merinenfe ^ 
Príncipe , e filho de Principe até Merin, filfao deRiti^aa 
Magog. Seu pai Abu-Galed Mofaid^ filho de Abu-Bacar^ 
eiteve preaente i batalha de Alarcoa oom o Itíndpe doa 
crentéa como Toiumarío ; oun o dito Fríndpe lhe coAOietteii 
naquelle dia o coimna&do de todos ea ^anatai , que ha«> 
tia ao seu exercito , supportou heroicamente naçielle coaip 
bate, e faleceu no anno 592 (fi9jr) em oseii tuuE dm 
tribn de Zab na Efriquia ^ dcDois do seu regresso do ctm^ 
flicto de Alarcos , de resultas aas Geridas 9 que alli recebeu ^ 
por se lhe terem sggraTado ; tendo morrido martyr ; Jt foi 
elerado aogotemo dbpois delle por disposição dos Bfenimeii* 
nes seu filho o Principe Abu^ Mohammed Abdel-haqqueéi 
^a Abu-Mobammed celebrado entre os Beoimerines peb 
piedade, bondade, religião, probidade, finude, e sdeii*- 
cia solida; conhecido pda aostinencia, e temperança; c 
mencionado pelas suas deliberações , rectidão ^ e justas de# 
cisòes. Sustentava os famintos, educava os orfaos, estimu^ 
va os pobres , e era compadecido para com os fracos. Ti«- 
nha bênçãos conhecidas, e rogativas ouvidas, e louvadas 1 
e o seu barrete e ceroulas cammunicavâo bênçãos a toda» 
as fisimilias de Zanata , porque trazendo^e ás mulheres po- 
jadas, que tinhao diíiiculdade nos partos, estes se lhes &«- 
ciUtavão peia sua* virtude. A agoa, em que ellé se purífi^' 
cava, era levada pelos povos, e com ella saravao os seus 
enfermos. Jejuava continuamente á imitação da gente de 
virtude , ainda mesmo na força do maior calor, e do frio; 
e nao se via que faltasse ao jejuixí senão segmente nos dias 



i 3f » ) 
ét patcoa. Era íMÍto appiicado i leitura do*Âlcoi&, tos 
louvores ác Deos , e ás mais obriga çòes da reiigiâo, ao 
^oe aio faltava mi qualquer estado que se achasse. Não 
mcnia senÍQ o licito^ o puro, e bem adquirido , a saber: 
it carnes dbs seus caoidos, t dos seus rebanhos, o kice 
áp6 mesmos , e o qae elle niesmo caçava. £in fim era eido 
MS tríbus dos BeoiíkienQcs por varão de scieacla conhed- 
áa , e por Priacipe respeitável , a cujos ma»dados , e pra« 
htÚçte ae sujeitavao : nem procediâo em Mxlos os seus 
itagocios , 4^iiio conf<moe o seu panecer. Poeco que elle ti« 
ftsse ^um aiiico fiifao, estando homa jioiite a dormir , de» 
pois de ter acai>ado a taiefa da an leinora , e aogmeacado 
ft meditaçfo , e liMvor de Deoa , via em sonhos huma tri'* 
sHo, c(K na yani eUe^ «paca a toa desceadeacia ifldklo 
áa saa> soboraneiv, c pnndpado. Vtu labir da sua invoco-* 
ção, áa ccaçao como hum âiicfeote acoeso, oae auhioão ao 
ar , ae elevava até ooaip^ar mdas as regado» aa Hjantaflia , 
c díooiinava as ouatno panes da aoesasa:} è taado coitado. 
a sua visfto a algumas pessoas virtuosas , estas lhe xesfiOBi* 
deião : náo temos deUa^ pois he para ti sfgaal de poder ^ 
a amhofidade : hc àoma vbSo magestosa , e nobre pam ti , 
r ipafa a tua deaceadenda , indicativa de soberania y gra»* 
dESB y poder , e magniiiaenda ^ e de qoe ins de cer filhoi 
vaaCSca> t|be him de ter ^ovia ^ e nobreza coniKcida ^ qaa* 
tio dos iqaats domioaidd a !Afiai?rita>nia ^ e iserao Chrfes ao« 
Ine todos oa outras ; e por isso hão de ta a piroedeacia , 
o domàaÍD , o impedp^ e o goveisio , de oaja aoberania w" 
Sêxí menção aa ^oa ^raçí^o , ^ descendentes 4 e ndlcs ipicr« 
snaoocerá êxmc o g o ve rn o na Ma perfeição : e aRonoi arao^ 
teceu, oomo Uiefoi narrafdo; pois aao «noireaaié ikt aoc* 
eeder tado quanto se ièe consou , porque os B eun i n a ui fa 
donii;naQiião tudo 9 « os aeos ájãttm £lfao6 herdarão dopMi 
érile o império. No mez de Oui-hc^^ja dn nseacjonado an« 
00 613 (i-aT7) tnanrfaou o IVmcipe Abu^Mtodiamined A3^ 
dd-hai^ue cotp os exércitos dos Benin? crmes para Taxa ; 
^ tendo f<fito ala» defroa^dos sns olivaca, sahio \o\ff^ 
mtnador éà oasraa a «omhaie^o Kwn 4)am ^paderoao taor** 



( 3'* ) _ 

cito de Almiíliades, Árabes, e prlocipMs das trtbus de 
Tassiil, Mdquenassa y e outras, o qual foi morto ^ eoseu' 
exercito desbaratado. Ajuntou depois o Principe Moham* 
med os despojos, cavallos , e armas, e repartiu tudo pelas 
tríbus dos Benimerines , sem reservar para si disto coun 
alguma; e disse a seus filhos: acautelai-vos de receberdes 
de<ta presa cousa alguma : basta-'V08 a publicação e o Iou« 
vor de haverdes vencido os vossos inimigos. No mez de 
Jumadil-águer do anno 614 ( 1^17 ) foi o encontro dos 
Benimerines com os Árabes de Raiha, e com os de Bem« 
Assecar , oue os soccorrerâo. Os Árabes de Raiha erio as 
tribos Arábicas da Mauritânia mais fortes y valerosas , e 
numerosas em cavallaria e infantaria , e as mais ricas. Taih» 
to que ellas se dirigli^o ao combate Âo$ Benimerines , e 
contou a estes da sua vinda , con^regarâo-se junto do sen 
Príncipe Abu-Mohammed Ábdel-haqque, e lhe disserâo: 
tu és o nosso Principe , e o nosso Chefe : que te parece a 
respeito destes Árabes , que vem contra ods r se vós , ò tww 
ha de Benimerines, lhe respondeu elle, fordes unidos, e 
concordes nos vossos negócios , e disposições , vos auxiliar* 
des' mutuamente no combate contra o vosso inimigo, efbr? 
dcs irmãos, como Deos qiier, nao, recrio hir com voscq 
ao encontro de todos os povos da Mauritânia; mas sedis^ 
cordardes nas vossas palavras , e se dividirem os vossos pa« 
rcceres, vencer-vos-ha o vosso inimigo. Nós» lhe tomarão, 
te renovamos a acclamaçâo, protestando^te prompta obe* 
diencia; e que não discordaremos de ti, nem te abandona-* 
remos , ou morreremos sem ti : por tanto parte com noscQ 
contra elles , confiado na benção de Deos Altíssimo. Encon-^ 
trados os dous exércitos na proximidade do rio Sebu , ai* 
gumas milhas distante de Taferatassat; e tendo havido en- 
tre elles hum grande combate, no qual foi morto oPrinci-» 
pe Abu Mohammed Abdelhaqque, e seu filho Edriz, ira- 
dos os Benimerines por causa da morte do seu Principe, 
e indignados , por ter sido morto o seu Chefe , voltarão 
bramindo como os le6es , Jurando que o não sepultarião 
antes de tomarem a vingança , e ficarem exemptos de cul- 



Ç 513 ) 

bi twb taa totílttt: « jfremesiando ^iHta o eXefdtD ^t 
kaina » como o arremesso do leâo contra a nipoza , c laiH 

Íando-se as suas tropas com a precipitação dos falctfcs so>f 
ire as aniias, softeiâo o comoate heroicamente contra o 
exercito de Raihá , porque observando , que xAo havia es« 
capatorío , nem refusio -da morte no *seu combate , tomoa 
calor entre elles a pdeja , crescerão os feridos , e os mortoe 
nos doua exércitos , e despedaçaiâote as lanças i ^ tendo 
ficado victoríooos os Benimei;^nes , e desbaratados os de 



Raiba. dos quaes fotio immensos mortos^ e os outros dea* 
baratados , e rechassados , ficarilo os Benimerines senhores 
do que havia no seu acampamento de dinheiros , armas , 
roupas 9 oavallos y camelos , e bestas muares , e goveraadot 
depois da morte do seu Príncipe Abu Mohammed Abdel- 
iMiqque por seu filho Othoman. 

Goataráo-me, diz o auehor, o Doutor e Cadi Aba 
lifohamaicd Abdallah , filho de Almuadden , e seu irm$o 
e Doutor Abu Al-haja^e lussof » que tendo elles diri^do- 
se á presena do Pnnctpe dos crentes Abu lussof Abdel« 
haqque de felis recordação na deputação dos «habitantes da 
cidade de Fez, composta dos nobres , Doutores y e hoâiens 
probos, que se lhe apresentou em Rebate no mez d^ Ra* 
madan do anno 633 (1236), quando veiu de Marrocos 
diriffíndose para a Hespanha a emprehender a guerra san- 
grada , acontecendo iallar-se na sua assemblea sobre seu pai 
Abu Mohammed Abdel*haqque , dissera o Prmcipe <i08 
crentes Abu-Iussof : por Deos , *que o Príncipe Abdel-haq- 
que era dotado de verdade^ e palavra : quando "dizia y obm- 
ya ; e quando promettia , cumpria, Ja mais jurou por Deos 
verdadeira , ou falsamente : nao bebia licor que embriagas* 
se y nem praticou cousas deshonestas. Pela benção dos seus 
lançoes davão á luz as mulheres pejadas , que unhão difi- 
culdade em parir; observava 4em altera^ a ordem do jt- 
Í*um ; e estava levantado a maior parte da noure. Se ouvia 
aliar de algum santo / ou servo de Deos , hia visita-lo^ t 
lhe pedia rogasse a DNeos por elle , dos quaes tinha muito 
medo y c lhes era obedieote ; e não obstante isto > era tu- 

Rr 



u 



stéro i^ara com cft deus inimigos , e ot trreia 6ul>jii|;af!OT3 
Em fim iiâo( nos achámos scnSo com a sua htu^io^ e a 
àos santos seus advogadof. 

» 
CAPITULO LXIf. 



D0 remate d^ Primcife Aiu-SsU Othéh 
tnajf, filho de Âidil^baqqut. 



L 



oeo qw 06 Benimtrínes , dis o auihor, acabarão d« 
combater oa Árabes de Raíhá, e folcaiâo d« os s^uir^ 
mmtacão-ae ao Fríiicipe Abii-Said Otfaoman , filho de Ab^ 
del-haq(pe , e lhe derao os sentimeatos pela» morre dt taii 
jlaiy e irmáo , e o acdamaráo por unaoiiae e tivns vonta- , 
de. Teodo tratado át láva-k>a , c sepufta-los com o oara^ 
^ traspassado com o sentimento da sua magoa , taata^ 
que ooBclttitt estM actos, parou eatte o seu povo, e irmâoS', 
aianâoo tir os despojos, e os dinheísos , eos repattiu com> 
jffualdade , e rectidão entre ti tribus dos Benimennes, Mar<^ 
raou depois para a gaaua de Raihá , e jurou , que nao ao 
conteria , em quanto lâo matasse por séu^pai cem dos seu» 
mais nobre» Aeques , dos qiiaes com e&ito matou crescida 
Bumera Logo que os Árabes de ^aihá Tirib isto , submec^ 
ier!io-se obraientes ; e por isso se conteve com a clausula 
de lhe pagarem annualmente huma «vuttada soma de dU 
nheiro. Nesta época se debilitou a dinastia doiB Alitiuha- 
des y appareceu » e manifestou«se darameaie a sua decaden^ 
cia , e passaiâo os seus Soberanos a náo exercer jiirisdicçãd 
MS campos, sendo reconhecido o seu Império, e^ manda 
unicamente nas cidades : crescerão as discórdias entre aa 
tribus, prevaleceu o medo nas estradas, e nos campos, des- 
prezai^o os povos a obediência , e abandonai^o a união ^ 
dizendo aos seus governadores : náo ha spjeiçâo , nem obe« 
diencia ; e por isso se considerava o mecânico iguaji ao no- 
bre i despojava o forte ao &acoj^ e cada bum obrava o^pift 



^)odIâ , e praticatâ o mal, qae queria, sem ter Sc^erano 
que o affiístasse, e impedisse. Ás tribus de Fazaz da pro- 
Tuida de Janana , e as dos Árabes , e bárbaros iofestaTâo 
os caminhos, e afHi^iáo as povoaçòes e os campos de dia 
e de noute , e a todos os instantes. Vendo o Príncipe Âbii« 
Said , ^ue a dynastia dos Soberanos Almuhades tmha en- 
fraquecido ; que elles tinhâo perdido o respeito , descuida- 
do-se de seus vassallos , e encerrado-se nos seus palácios , 
pondo de parte os cuidados de seos negócios , occupando- 
ae nos acessos de bebidas, e descantes, ddeitando-se cooi 
os prazeres , e em ouvirem os cantarinos ; que os seus eoxia 
estavâo públicos ^ oue a sua ãrmeza contra os poderosoe 
se tinha }z conhecido ; e que era da maior necesndade de-* 
po-los por causa da soa impotência para governarem oom 
justiça , co n gre g ou por isso os Xeques Benimerines , e oa 
instigou ao cuidado dos negodos da religUb, eadhar pa^ 
ra o oem estar dos mosselemanos 9 e tendo-os achado úm 
postos para isso , marchou com os seus numerosos , e victo- 
riosos exércitos pdo paiz , e províncias , montes , e valles 
da Maurítama ; e a todos aquelles que 'se promptificaváo 
a acclanui*lo, è a entrar debaixo da sua cmdienda., lhes 
dava segurança , « lhes impunha o tributo ^ deixando-lhes 
a sua inabalável protecção ; e aos que se afastavâo delle^ 
€ o desprezavão , os perdia , saqueando-os , e matando-oa; 
t 08 arruinava totalmente. As primeiras trftms da Mauritaii' 
nia , que o acdamarSo , forib Hauata , e Zahira , e depma 
destas segmdameme Maqnassa , Batuta , Faztala , Sadrata , 
Bahalula, e Madiuna, ás quaer impoz o tributo, e otde^ 
fiou o que devlâo observar. Concedeu a paz aos habita nset 
^as cidades de Fez , Maquinassa , Taza , e Alcaçarr de Ab^ 
delcarím (Quebir), pagando-lhe cada Imma aonualmenre 
certa porçáo de dinheiro, obrigando^se cWc a livra-las das 
incursões, e Vexações /que lhes causavâo as tribus. No an* 
no 620 (1213) combateu o Príncipe Abu Said ò paiz de 
Fazaz , e as tribus de Janana , nelle estabelecidas , nas quaes 
fez grande estrago até quesehumiHiarãtfprestando^lheobe* 
dienôa } e ae contiveiio , e tfbstiverSo de pre^dicar , e 4»* 

Kr 2 



( 3»« ) 
jiifii ficar os^pDfOS} e no annosqralnte combateu as tribos éss 
Árabes, que habiravSo eoã rabce*Azaar, dos quaes deu 
cabo , ficando o paiz despovoado dellcs. Era o Príncipe Aba 
Said , do qual Deos tenha miseticordia , intrépido , guerrei- 
IO, de animo inabalável; dotado de conselho recto , gene- 
rosidade , e insigne merecinaenio ; defensor dos seus direi- 
tos , e guarda do viánho ; de modéstia , rehgiao , e bondt-^ 
de manifesta ; exaltador dos Doutoces, e bcmrador dos vir- 
tuosos, no que seguiu a marcha, eo caminho de sca pai, 
praticando sempre o mesmo até que (âteceu , seiído morto 
is mãos de-hum acren^ado , que tinba criado desde peoue- 
nOy o quab tendo-o ferido na gaiganta com buma alaoar- 
da , morreu immediatamente no anno 638 (1140) t tendo 
sido o seu principado sobre os Benimerines , c campos da 
. Mauritânia , desoe o falecimento de seu paic^ e sua accbmib- 
^ peltt tribusdos Benimerines 'de vinte trea amos e sete 



C íl P I T U L p LXIIK 
Dto reiuaáo dúPrim:ipe Abu-Maaruf Mêbãm^ 



mêdy filho ãt^Jbdel^bãfqme. 



L 



000 que fel morto o Principe Othoman, fiUio de Ab^ 
4ldrhaqque, congr^rÍo-se os Xeques Benimerines junco de 
aett innm Mohammed^ e tendo-o yclamado piomptot e 
obedientes a combaterem aqueUes que se Ihe.oppoaesaem ^ 
e a terem paz eom os que elTe a tivesse, cuidou de dirinc 
os seus* negócios; e manchando pelo caminho de seu irm£iy 
Gonqmstou- grande parte dos monteae valles da Mauríta- 
nia. Eira o dito Principe yalerosa, intrejMdo, guerreiro, Teu* 
cedor y. victorioso, reverenciado , obedecido , muito bellioo- 
ao, de escellente regime^ e disposições , sem nunca nos setm 
dias afroxar de combater^ e de se dedicar á peleja » e aos 
estrondos da guerra , e instruído nas maquinações » e estrft«> 
tegenaa da mesna* Era em fim como o desoeffio poeuk 



( JI7 ) 
■este elogio = foi elevado Mobammed ao throno depot» 
de seu irmão ^ ecomo tinha ezcellente direcção nos seus oe-^ 
gocios , não era froxo no combate, mas judicioso na guer^ 
ra, e na peleja. A quantos exércitos, que vos eiKX)ncrarão , 
e a quantas turbas , e esquadrões , que vierao de Marrocos ^ 
deu elle fim nos combates, e nos ataques, traspassa ndo-os 
dt feridas de dia, e de nouce? mas.dle era ajudador, e 
auxiliador. 

O Príncipe Âbu-Maaruf era , além do que fica dito ^ 
afortunado no governo , Mi% nos successos , excellente nas 
iotençòes , dotado de iuizo , subtileza , conselho , verdade, 
e cumprimento de palavra : quando dava , enriquecia , e 
quando se llie proporcionava a occasiâo, a aproveitava. 
Kão cessou de combater os exerdtos dos Álmuhades , que 
vdravSo por elle batidos, aré ao anno 642 (1244), en» 

3tte, estando ja firme, e seguro no throno , informado Said 
a firmeza do sen valor constante, e agilidade, e qtie ja 
SC havia senhoreado da maior parte do paiz , enviou cond- 
ira elle bum poderoso exercito de vinte mit cavaHeifOs dos 
Álmuhades , Árabes , Hassecurenses , e Chrístãos , o quat 
narchoa dirígiado^se contra eUe. TantoqueoPkrincipeMaa- 
fuf se informou da sua vinda , dispoz-se para o seu com^ 
bate; eteodo-se encontrado osdous exércitos no lugar, cha- 
mado Sagra-Abu-Baiasse nas vizinhanças da cidade de Pez ^ 
iiouve entre elles hum porfiado combale , como não consta 
ét outro semelhante, o qual duroir desde o apontar do dia 
até ao fim do mesmo; e rendo sido nelle desgraçadamente* 
morto ao pAr do sol o Príncipe Abu-Maaruf , filho de Ah- 
del-haqque , pelo Chefe <}os Christãos, por se ter involvi- 
do com elle o seu cavaflo , aproveitando-se o dito- Chefe 
do descuido, e traspassandao , ferâo derrotados os Beni- 
merlnes, os quaes exhonando-se huns aos outros ao soflFri- 
sneoto, marcnarão toda a noute com suas mulheres, famí- 
lia , e riquezas^ e tendo amanhecido nas monranhas de 
Gaiata , con^ervatão-se nelias encerrados alguns dia?. Acon- 
teceu este conUiao, e a morte do Priíicipe Abu-Maaruf no> 
dia Qjiinta feira nona da nsez de Jum&dU-águcr do k^^sn^ 



cionado snno 64% ; e foi elevado ao thfono em seo litgtf 
seu Irmâo Abu-Iahia , filho de Ábdel^haqque. 

CAPITULO LXIV. 
Vo reinado d^ Príncipe AbihUbia afilho de Jèdel^iaq^ue^ 



o 



Príncipe Abti^actr era filho de AJidel-haqqae , filha 
de Mahaiu, filho de Abu-Bacar, filho deHamartia^ Zaná- 
tense^ Mérinense: tomou o appellido de Aba-Iahia. Sua 
xoai Abdel-U^dia era livre. Qijbanto á sua figura : era braiH ^ 
CO e corado no semblante 9 de eatatura proporcioaada , de 
çabello corredio, de corpo largo ^ de semblante fbraiofio, 
e ambidextro, fexiodo com huma e outra mão, e atirando 
ao mesmo tempo com duas Ia ocas ; e a respeito das suas 
qualidades» era cavalleifo, valeroao, e intrépido, ao qual 
nenhum igualava no seu tempo ; dotadç de «nimo , firm^ 
2a , ousadia ; no combate imxmkparavel , e único do seu ser 
culo , porque elle só valia por hum exevdto ; os valentes 
reverencia vão a sua presença , e os magnates tendão a sua 
lança ; e além disto era generoso e libem como as nuvens , 
e díava donativos » a que nâo podiâo igualar os grandes So* 
beranos : era observ|dor dos pactos , verdadeiro nas pala« 
vrás , e promessas , e superior a todos os Reis terrenos no 
cumprimento, satisfação, verdade, e honra. Foi o primei^ 
ro Soberano dos Benimerínes, que formou exércitos, tocou 
tambores., desenrolou os estandartes, possuiu castcllos, e 
cidades; e que adquiriu as possesstfes modernas, e antigas^ 
que tinhão dado a victoria > e o poder , e que erao o si-« 
gnal da felicidade dos Benimérines» Logo que se comple-* 
tou a sua acclamaç^o , e se^firmou a sua opmião no Impc« 
rio, a primeira cousa, que fez, foi congregar os Xeques 
das tribus dos Benimerines \ e tendo dividido por elles o 
paiz da Mauritânia , collocou cada huma das tribus sepa^ 
radamente, designando-lhe nclla o território da sua I^abita* 



» 



çKo , e^ p paix me lhe (bise svperabwidaote ^ra o sjP» aK- 
in«affo , sem ncile se associarefl) hooa com oa outros. Orde« 
MQ a -cada himi dos Xe<]ijes , ^e kvaatasse soldados in- 
fefitcs , eaugmentasse o numero dos caTalIeiros para ocom- 
hatc j com os quaes todos marchou depois para o monte 
Zarabun, levando comsigo tOdos os seus i^nãos, donde sa^ 
biu de manhã a combater a cidade de Maquines altenian^ 
do-se 410 combate huns aos outros até oue a venceu «e do- 
giMiott ao. aano 643 (1245) no tempo deSaid Âtmuhaden* 
se^ conquisrando-a pacificamente por meio do Xeque Abul-* 
liaaiaa ^ iíliio ဠAlHilafía. Tendoc^cgado esta aoticia a Said ^ 
Sobenno d^s Âímiihades , sahiu de Marrocos a con^t;ei? 
a Abohlafhk ci>m numerosos etercitos de Almuhades, Mes*'^ 
tanaedas , Árabes, t Christâos; t tendo ftiarchado até CheM 
gar ao rio Bahat , acampou-se jmKo dell^ , e tratou de pôí 
em €#dem os seus exércitos, O Príncipe Abu-Iahk páréw 
sahitt só de Maquines eccoltamente a observar os exer-* 
citM de Said ; e tendo camiabado até chegar ao acamj^a^ 
memo , presenciou o seu estado , e viu a grande multidáof 
dos seus exércitos, e guerreiros; e havendo conhecido, 
4|ue eâú tinha poder para se tbes oppor , evacuou-lhe a 
patSj e mandou chamar astribus dosBenimerines , asquae»' 
aniodo-se-llie de todas as partes partirão com .eite para ar 
íbrtaleaa de Tazut no paiz de R ife. Veiu então Said áté 
cercar Maquines; e tendoH) vindo encontrar os^us hz^ 
bifantes com seus filhos e fàitiilias a pedir-lhe pa|dão, ibo 
concedeu, pt^stando-Ihes segura^^^a, doode partiu para a 
cidade de Fez; e tendo acampado á vista ddta dblado me- 
ridional, vierâo encontra-lo os Ifeques da mesma , eosau"* 
dafâOa Tendo-lhes e!íe fallado , e tf^tado bem , lhe roga^ 
itfo que entrasse na cidade ; mas elte se escusou , e partíiir 

{lara Taza , escampou fora delia, aonde lhe mandou Afyjt- 
ahia a sua acciamação , a qual elle recebeu, e Ihe.escre-' 
veu dando-Ihe segurança , e a todas as tribus dos Bcnime-^ 
fines ci^m a condição de ihe mandar quinhentos dos prin^- 
cinaes cavallciros a seu servido. Responde u-lhe então Abu* 
lania: volta > ò príncipe dos cremes, para a tuaoa^^úai-, 



e reforçanne com soldados, e settdros , pot<\úi eu fafei ii 
tvas yezes«pelo que respeita a Jaraemerassan , e te conquisr 
tarei Xelamcssan com o seu distncto. Estava Said resolvi- 
do a condescender com elle \ mas tendo depois consultado 
os seus VÍ2Íres5 estes lhe responderão: nlo faças tal^ ó 
Príncipe dos crentes , porque o Zanatense, ira^o doZana* 
tense , náo o prende , nem entrega , mas antes deves temer ^ 
que ambos se confederem Contra ti , e se unãa. para tecomr» 
bater. Hávendo-lhe Said respondido^ em consequência disco , 
que permanecesse no seu lugar, ^he mandasse aquella por* 
c|o de tropa ; tenda4be enviado os quinhentos cavalleiras 
aos valerosos Benimerines , marchou Said para Telamessao, 
o qual morreu sobre a fortaleza de Tameradit no dito dis-* 
trictOy estando sitiando nella a Jaguemerassan , filho de 
Zaiam Tanto aue o Prínci|>e Abu*Iama teve noticia da sua 
morte , e lhe cnegou a divisão que tinha enviado com Said 
ao seu serviço , a qual o certificou também delia , da dis* 
persSo dos seus exércitos , e espoliação das suas riquezas, 
e femilia , apressou a sua marcha para Maquines ^ na qual 
entrou ; e tendo^ dominado' ^ e demorado*se nella alguns 
dias, sahitt para Taza , da qual se senhoreou , conquistando 
lambem todos os casteílos de Maluia ^ o que tudo aconte- 
ceu no fim do mez de Safar do anno 6^6 ( 1248 ) ; e no 
fim do mez de Rabial-águer do mesmo anno dominou a 
cidade de Fez , na cjual entrou pacificamente , e por livre 
vontade dos seus habitantes , que lhe enviarão para isso 09 
«eus Xeques y o qual tendo vindo, o acciamarâo na ermi-* 
da , situada fiSra da porta da dita cidade , chamada Babol* 
Xarla , sendo o primeiro que o acclamõu o Xeque, e vir* 
tuoso Doutor Abu^^Mohammed, e deoois deste <}S outros 
X)outores , e Xeques i e tendo**se tiraao da alcáçova a Sid 
Ábul-Abbace com a sua familia, e filhos, deu-lhe o Prín- 
cipe Âbu-Iahia segurança , e cincoenta cavalleiros , que o 
acompanhassem are ao rio Ommo-Rabla (Morbca) -, e en- 
trou o dito Príncipe na cidade de Fez no dia Quinra feira 
pouco antes do meio dia sexto do mez de RabiaMguer do 
sc^tedito anno» dous mezes depois da morte de &id} e 



( 3" ) 

Coido-se-lhe posto em ordem os k^ocbK da Ibwitaiiit ; 
e aplanado-M-lhe o Império , vierib as (^Nita(86s.a accbh 
ma4oy e coogratula4o, pacificou-«e o pais, poseilo-se em 
segurança as eftradás, crescerão asrí(jtiezas, aio?erão**se oi 
commerciantes , pacificarâo-se as piOTiocias , aplacaiib-se at 
violências , povoarilo«se as yillas , e lagares desertos , augmeo- 
tou-se a agnculnira , e embamtecerao os preços dos gaio« 
TOS. Compostas em fim as ooosas dos povos» deu a seu ir- 
mão lacuD Taza com todos os castellos de Maluia , e pecK 
maneceu elle em Fez hum anuo completo a receber as do-. 

Gtaç({tis, que se lhe vinháo apresentar de todas as regilSes. 
^ que chegou.omezdeRabial-áualdoanno647 (1149) 
sabiu o Príncipe Abu-iahia de Fez para Maadan-Alauam » 
pertencente ao paíz de Fazaz , tendo deixado seu Califa em 
Fez o seu servo Saud , filho de Garbace^AUhazemL Ten- 
do o dito Príncipe penetrado no paiz de Fazaz^ congrega- 
liSo-se alguns Xeques de Fez com o seu Cadi Abderrafia- 
man Alpoguili , e resolverão a deposição do Príncipe Abu-* 
lahia , a morte do seu servo Saua , que efle tinha deixado 
para os governar, mandar a sua acclatnaçlo a Almortadi, 
c fortificar o seu paiz até chegar o seu governador y e lho 
entregarem ; e tendo convindo nisto , mandado chamar ò 
Alcaide Christíb Xadid » com o qual conoordaiib a este 
respeito. Tinha o dito Alcaide sido elevado pelos Almuha- 
des ao governo de Fez , na qual havia duzentos cavalleiros 
ChristáM até entrarem na mesma os Benimerínes , os quaes 
o conservaiilo no mesmo estado , e emprego ; mas como o 
dito Alcaide era por tal motivo inclinado aos Alrauhadesv 
disseiío-Ihe : matemos este ncí^ro , fortifiquemos depois o 
paiz , e mandemos a nossa acclamaçSo a Almortadá , para 
nos enviar quem dirija os nossos negócios ; e elle lhes afian* 
ou a morte de Saud. Chegada com effeito a manhã do 
ia Terça feira vinte domezdeXaualdoanno 647 (1250) 
subirão os ditos Xeques á alcáçova a dar os bons dias a 
Saud; e tendo-o saudado, e as^ntado-se diante delle, es« 
te os tratou com escarneo, descompo*los de palavras, e os 
ameaçou ) ao qual elles retribuirão descompostamente ^ e o 

Ss 



s 



t J»3 ) 
qoe t Kmvc ddilet « ptMdeu os Xefiei, fiilis ià Gmetàái 
« o^es da dita cidade , iançoiHibes grillito, e pediíhlhas . 
GOACa do dinfaeira , < alfaias» que tinbão foubado do mk 

C*]CÍo, ao quai respondeu hum dos Xeques, dmnado 
•Alga£&: os que conunecterao o csitae^ sÉo seb; e por 
que nos has de perder pdo que pradcario taes loucos? se 
tu fiaesses o que te vou dizer , isip seria justo ^ e regulàn 
Efitib que he, ò Xeque? lhe porguiitou elle : Saca estes seia^ 
que firaientarib a revolta , e torfo as cabeças oue a excit»- 
rio^ e castiga-os ; e a nós inip(ie-oos a peoa da satlsâ^ 
do dinheiro. Tens razão no que dizes, lhe tomou elle; e 
por isso matou os seis , oue eiâo : o Cadi ÂburAbderraha« 
nian AlmcMniili , e aeu filno Âlnhoxeref > Ben-P«ier , e seu' 
innSo, e Ben-Abu-Tátu , e seu filho; e saqueou as suas 
casas, o riquezas-, cujas execuções foiâo feitas iòra dapoa- 
ca , chamada Babox^^Xaria no dia Domingo ottaro do in- 
ferido mez de Rageb éo anno 648 (iij^o); e apprehendea 
a todos os outros Xeques pela satisfaçSo do dinheiro» omh 
o tfkt se bumilhadio , sem haver entre elles quem depoii 
leTtntaaie a cabeça até hoie. No anno seguinte domindb 
o Príncipe Abu-lahia a. cidade de Salé, e nomeou o.filho 
de seu irmão lacub , filho de Abdel-haq-que , governadfar 
delia. No anno 653 ( iz^s ) derrotou ò Príncipe Abu4ft- 
hia a Almortadá nas montanhas de Beni-Babiul da cornai^ 
ca de Fez, e se apossou de tudo quanto havia no aeu aca»- 
pameato de dinheiros , armas , tendas , bestas muares ^ ca- 
▼allos, e camelos, em que os Benimerines adquirirão avul- 
tadas somas. No anno ófjT ( i^f?) dominou o Príncipp 
Abu-Iahia a cidade de Sagelemassa com Dacaa , oue per- 
tencia a Almortadá^ mas tendo-a Jagmera^san ambiciona- 
do , e marchado contra eila á frente de hum grande exer- 
cito de Beni-Abdeloadi , e de Árabes; logo qucchegou ei- 
ta noticia ao Príncipe Abu-Iahia, que se achava em Fez, 
congregou as tropas dos Benimerines, e apressou a mar* 
cha para Sagelemassa; e tendo encontrado a Jagmerassan 
ja acampado fora delia Junto da porta de Tahefsenat , e 
havido entre ambos pornados combates , foi Jagmcrassan 

Ss 2 



( 3»^ ) 

CAPITULO LXV. 

Da reinada do Príncipe dos mosseUmsnos Ahifi- 
lussof lac0Í , fiJéfo de J^ieUêfjme. 



O 



Principe dos mosselemanos Abdallah lacub crt filho 
do Principe Abu-Mohamincd AbdcUhaqque , filho de Ma« 
hiu, filho de Abu-Bacar, filho deMohamraed, Zanateose, 
e depois Merinense Haitiaiamense. Sua tnâi , chamada Al« 
bahar, era livre , filha de Albateri , Zanatense, a qual , sen- 
do doRzelia, viu em sonhos a lua, que parecia sahir delia 
até.sobir aoCeo, cuja luz resplandecia sobre a terra ; e ten- 
do ella contado ao pai a sua visio , fisi este ter com o vir* 
tuoso Ancião Abu-Othoman Aluariageli , e narrou-lhe a ví-^ 
fâo de sua filha , o qual lhe respondeu : se for verídica s 
vi^ desta rapariga, sem duvida ella ha de parir hum Ret 
poderoso^ virtuoso, e justiceiro, que encherá os povos de 
seus bens, e benç&>s: e com effèito assim aconteceu. De« 
pois^ que o Principe Abu-Mohammed AbdeUhaqque casou 
com ella , disse4he seu pai Aly : Deos te felicite com ella. 
Que queres significar nisso ? dle lhe tornou : por Deos, que el- 
la he a mais eminente e abençoada r e ta certataente has 
de conhecer a sua virtude, e benção; pois parirá hum gran- 
de Rei , honra para ti , e para o teu povo até ao fim dos 



aeculos. Foi o seu nascimento no anno &y; ( 1210); ap* 
pellidou-se Abu-lus^of; e intitulou^se Almansor BellaL 
Quanto ás suas qualidades : era decôr branca , estatum per<* 
feita, corpo proporcionado, belto semblante, largo dos 
hombros, e de barba perfeita, igual, e branca, como hum 
pedaço de neve em razão da sua alvura , agradável no sem- 
t>lame, cortez no encontro de qualquer , muito corado, be* 
tiefico em perdoar, humilde, compadecido, generoso, li« 
beral , victorioso, e defensor do seu estandarte , ao qual 
Ja mais derrotou algum outro, nem se dirigiu contra inimi- 
f^^ que o nâo subjugasse^ nem cooira exercito, que o não 



derrotasse, nem contra paiz, que o náo conquistâsM : obser- 
vante do jejum , e vigiLm , muito piedoso , e applicado in- 
cessantemente de dia e de noute 4 lekora do Alcorão, ten- 
do a ffiaior parte do tempo nas mão$ aa suas contas ) hon- 
rador , e v.enerador dos homens virtuosos ; exaltador y e res- 
peitador dos sábios , e seguidor dos seus conselhos nos seus 
mais importantes negócios ; vigilante no bem estar dos mo»- 
selemanos, e muito compadecido dos pobres, e miseráveis; 
e por isso logo que subiu ao throno , e se lhe firmou o po^ 
der, construiu iiospicaes para os enfermt)S, e doudos, anu 
correndo oom as despezas , e com tudo quamo oecessitavía 
és sustento , e bebida , ordenando aos médicos , que coalie» 
cessem dos seus estados todos os dias de manhi e 4c tar» 
de, fiizendo-se as despezas, e os ordenados do Erário; c 
igualmmte huma pensão sabida para os de mãos cortadas^ 
ceffos , e ipdigences , que elles percebião mensalmente doc 
tributos dos judeos. Fundou coilegios, e estabeleceu nellcc 
professores para o ensino do Alcorão , e estudo das sdeo» 
cias, aos qoaes estabeleceu moisaimente os seus ordenados; 
c tudo isto com o intento da recompensa de Deps Altissífii 
mo, ao qual o mesmo Senhor ajudou emseitt santos inte» 
tos. Forâo seus Cádis em Fez o Doutor Abul-hassan , filfa# 
de Abamèd , conhecido pelo nome de Ben*Gaz)Eaz, o Dou» 
ior Abu*Abdallah , filho de Amran , o Doutor AbB-Jaaíklr 
Almazdagui , e o Doutor Abu<>Ommia Almadlani ; e na ca« 
pitai de Marrocos o sábio Doutor, Cadi , e Conselheiro 
Abu-Abdallah Axxarif, e o Doutor eCadi Abu-Fares Ala* 
merani. Ósseas Vizires forão o Xeque Abu«Zacaria lahia^ 
filho de Hazem Alalui, o Xeque Abu-Aly lahia, filho de 
Abu-Madin Hassecurense , o Xeque Abu^lem Fatohok 
lah Assadcratense; Tenente Rei foi o seu Pagem e Alcaii- 
de Atiq; e os seus Secretários forão o Doutor JLbu-AbdaU 
lah Alconani, seu irmão. o Doutor Abu-Attaib Saad At- 
conani , o Doutor Abu-Abdallah Alameruni , e o Doutor 
Abu-Abdallah , filho de Abu Madin Alotomant. 

Foi acclainado no dia* vigésimo sexto do mez deRa* 
geb do anno 6^6 ( iifS ) > oito dias depois da morte de 



C 3^7 ) 

seu irmão lahla , tendo então quarenta e seis anno5: de ida* 
de. Tendo-se-lhe estabelecido o governo^ ccMiqaistou todo 
o paiz desde Susselaqça até Ugeda , e a cidade de Marro- 
cos; dissolveu o Iir.peiio dos Aloiuhades , e fez desappa- 
recer es seus vestígios ; expugnou a cidade de Sagelemassa 
com o paiz de Daraa, e a cidade de Tanger; acclamarao- ' 
no òs habitantes de Ceuta , pagando4he annualinente cer- 
ta quantia de dinheiro; e passou á Hespanha a imprehen- 
der a guerra sagrada , na qual se senhoreou de mais de cin- 
coraia fortalezas entre cidades è castellos, sendo deste nlb* 
mera Málaga , Roada, Algeziras, Tarifa, Alcnonhecar, 
Jáarbeiba, Sidónia, e todos os mais castellos, vilias, e 
fortes exisfemcs entre aouelles. Foi annunciado na cellecta 
sóbfn as tribonas de todas as mesquitas da Mauritânia , o- 
priorófo Rei dos Benimerines , que de&néeu o mofcamme-^ 
tfsmo, que dispersou as cruze», que combateu o paiz dos- 
CliristSios , pondo-os em penurbaçSa, e que sobjugot» . os 
sns Rrets» Por meio delle corroborou Deos Altíssimo a re» 
ligião, e exaltou em o seu reinado o explendor dos mos* 
sâemanos, porque antes disso ja os Christaos tinhSo esten* 
dído as suas máo», e dominado a maior parte da Hespa- 
nliai sem nella ter havido estandarte^ que ajudasse osmo- 
lUMnmetanos desde a derrota de Alacab (das Naves) , acon- 
tecida no anuo ^09 , até que passou á guerra sagrada o seu 
ièKz estandarte, com os seus victorioses- exercitou no anno 
464 ( iz6^ ) , em qse dominou as duas^ regimes (Maurira^» 
nia e Hespanha ), e occupou as duas capitães; e tendo ti» 
do combates faincsos , assignalados , e celebres, marcha 
kMiTâvel , virtudes manifestas, piedade, religião, recridso, 
• benignidade com os pobres ; e sido famoso has victorias 
sobre os que se lhe opposerão, e vencedor sobre os seus 
inimigos, nâo cessou de continuar nesta marcha até que lhe 
chegou a morte. 



( 3^9 ) ' 

jrnadamente, e dirigia os negócios, e as cousas 

s ; pois náo SC dorme a noute senão vigilante. Fo- 

^cculta e manifestamente a guerra sagrada , e eu 

!era4a diiígeateníente. Abençoada e afortunada 

1 do seu nascimento j pois segurou a Mauritânia 

saques , e rapinas , e defendia a justiça sobre os 

Deos , váo consentii^o na mesma quem praticas- 

nnia. Cessarão os terrores , e as de^ayaçoes , fau- 

-se os Beoimerines debaiso do seu poder, obede- 

suas prohibi(6es, e ordens; afastou aoppresdo 

allos , e subjugou os tjrrannos ao deserta Tendes 

irido huma marcba semelhante, eacçòes rik> di^nac 

toria , como as que elle antigamente tinha praticar 

•im pois he que eile obteve o Império e a graad&s 

.ato que se lhe firmarão as cousas, e se lhe sujettou 
. io , sahiu de Fez para Taza , para desta averígiiac 
ias de Jagmerassan , filho de Zaian ; e tendo eathi'* 
.lesoia oo primeiro do mes de Xaaban do anno ^8 
, e peraumecido nella até ao dia ouarto^do mez de 
oaae lhe cb^ou a noticia dos CnristSos terem eu- 
ji Salé dolosamente , cravado a espada nos seus ha<v 
^ , matando" os homens , e apresando as mulheres , c 
s , e fortificado*se nella , cuja entrada aconteceu no 
,ttndo do mez de Xaual do predito anno , partiu iow 
.amente apressando-se a vinga-la , ^empregando nes« 
,ocio a maior diligencia ; pois tendo sido a sua sa? 
le Taza para alli depois que fez a oraçáo de vespor 
i dia quarto do dito mez, em que lhe chegou a oo- 
. acompanhado de cincoenta cavalleiros, e caminhado 
aquella noute, no dia seguinte fez a oraçio de vespc)^ 
vista de Saié , aonde chegou em hum dia e huma noo^ 
Tendo cercado os Christâos, que havia nella , « aprch 
ido-se*lhe as tropas mosselemanas das províncias , e 
iitarios de todas as partes da Matjritania , sitiou nella 
Jiristãos, pondoos em aperto; e náo levantou o ata- 
da mesma , assim de nouce , como de dia , até que a 

Tl 



( 5P ) 

€otiC[i}i^o , acendo sahir da mcima os OiristSos oonstnrii» 
•gidamentc, depois decjuatorze diaa da sua entrada tsetta. (4) * 
Tanto que expulsou delia os Christios, edificou a sua for- 
te muralha , que (àz frente para o rio , por a nio ter da« 
quelie lado^ e por onde foi a entrada dos ClirtstSos, a 
qual edificou desde o principio do arcenal até ao mar, as^ 
dstitido pcssoaloiente á sua «DnsrrucçSio , e segurando a at«> 
^miaria com «a suaa próprias ttitos , procuraiado a ttooto^ 
fiõnsa de Deos Altíssimo^ a submissão ao inesmo Senhor^ 
e a «ec[iiraoça para os mosKlamaaiM até que se acaboU/ a 
Mumlka àe edííicav, e fortificsn Neste inesmo' anuo domi^ 
MRS a Principc dos moaselemanoa o paiz de TauMmeoá , • 
a cidade de Aofii; e lhe chegou o presente e caita de Al^ 
aaorcadd , Sealior de Marrocos , pedindoJke aella a. paa i 
a qual eUe lhe concedeu , estabelecendo o rio Morbea por 
Ikaite eaite atnbos. Ne arnio , eaíque foi elemdo ao thro- 
w o Prisicspe doa tnossetemanos Amt^lussoí 9 diz o «achar, 
briXDQ Deoa AJrisaiaio as beaçáos sobre o aett pof^^ e Ika 
finoqwtoa os bena ; pois via ndie a geme a tnMquiUidade^ 
•a ben^áoa, a.oa beaa, que ae ate aadem fwrrar, nen hâ 
quem aaaaa aa possa kwvar y chegaMfaa á yeaãep^ nellr e* 
m^ a íàriflha , assim ooiao* aos ouitioa múaes da Maama^ 
«ia; a darshtm por arrabaj o moio ae rrigo poc seia de* 
fahan, a o de cerada por trea; as favas» e rodos oaaaiii 
Iqiuflies por neabaiti preço; pois nte se enoaniraaa quem 
aa coaifwme ; o mel a trea arráteis por faum ArtabeMj o 
aveite a quaveata òoçaa por Imm deraàetn ; as passas a da* 
sabem e meio por arroba ; aa camaraa a derabem par ottd 
arntaia; aaamendoaa a derabem por cada aá; os sáveis 
fieacoB a maraveéim cada hum; o sal a derabem por car^ 
Sa-} a carne de vacca a derahem por cada cem aoçaa y a 
le\cameiro a derabem por cada setenta onças ; ecada car^ 
aieíro por cinco derahem : tudo isto devido i benç^ , pros« 



mim 



Çà) BRei D. AíRmsoX. de Castella, para fazer huma divevfáo, enviou 
liuma armada contra Salé , da qual se senhoieou , mas ella a abandooou Io» 
IP ao apfoxiflur le ddUa aquellc Soberana 



( M« > 

pcfí^tée, e {clíeichde âo «es eaíiâdo , emttettB Mordit » 
t boas inteoçâes. 

No aaao 659 ( it^o ) altcroiHe a boa iotdUgendt 
cone o Príttcipe dot monelemaaos » e Almortailá» Sevbm 
de Manocof 9 o qual aadou Tagando opa oonfioa do ata 
paiz } c ibouTC o cosflicto de OauBoIragUa entre o VAíb^ 
çipe doa moaselemaiioa luanf e o dercico de Almoicadá^ 
composto de Aiibes , e AlmiilifldQS i e tendo este sido deo» 
baratado, e mortos oa sei» defensores » fiigiu o resto, defa^ 
lindo Ê» suas riquezas , para ei^o combate Âlmonadá ao 
tinha preparado com grande apparato, enviando a cUe ot 
friocipaea^ e oa Xeqnea dos Âunubadea^ todos os Árabes 
MIS loqnazaa doa Goloces , ^Mefianes» de Abftage, deBeoi» 
Jaber» e Bni-Haatan; os Alcaides ChiistfiDs^ oa AndafaN 
asa, e oa Agcazes, nio tendo deixado na capital da sua 

SI seiA» Juioi in$igaificaote dratacamemè; e todoa forfe 
amadoa , deixando as anaa rtqitezaa» as coosss pesa« 
das» €s petrechos » e tt anuas» do que sesenhoreon oFbéIí 
cipe doa moaidcaianos lasaof. No anno 660 ( iiái^ ■«■> 
cboa o dito Príncipe para IdatrooQS » e teod<>-ae acampa» 
do em o monte de Agdiz» adianioii*se depois » e apreie» 
loii á dita cidade o mais exceUente espcctacnlo » fcrmanén 
coa alaa os seus exércitos , e deseniGÍandQ os icua esiaodar^ 
taa; e havendo aitiado nella a Almostadá , ficchourlhe eatf 
as portas » reconcentrando-se na mesma. Tendo eUe ,dcpoia 
sabido a oppor^e a Sià Abdaala Edhx» appeilidado Abi» 
Dabfattcey houvetio entre elks porfiados, cotitbates » em qM 
foi mcrto o Príncipe Abdallab, filbo do Príncipe dosnao» 
aelemanos Abu^Iussof , o qual per causa > da nsorts ife sn 
fiiho partiu de Marrocos para Pez , aonde entiou no ultiiiw 
do mez de Rageb do anoo 661 ( i2j6}). No mesmo juino 
appareceu a est relia ^ denominada Addauatb ^ em a oouta 
de Terça feira doze do mez deXaaban, a qual continnof 
a mostrar-se todas as nouies de madrugada por espaço dè 
deusmczes; e passou o intrépido cavatleiro Edriz coaa 
multidão de Benimerines, e vcrfuntarios em numero demais 
clc titz mil a imprehender a gqerra sagrada , aos qoaes o 

Tt 2 



Fríhcipe dos mosselemanot loKof coníiott o seti riámosa 
eçtanciarte , e lhes deu arinafi , e cavallos ; e tendii-os des- 
|MSÍído, os en^conitiiciKiou aDeos. VtA este oprímeiro exer- 
cito de Benímeríries , que passou á Hcspanba. No anno 66^ 
(1263) faleceu A4>i^ata Edrtz, filho de Abii«Cades, Oo- 
yernadôr da Príncipe dos mosselemanos na Maantauia. No 
seguinte anno íkiandoii oEtoutor Alraefi, Senhor deCeoia, 
«s su?s gateras a destruir a maralha de Arzila , e a soa al- 
Qiçova^ ô que se po2 em execução , por temer que o Ui- 
migo a dominasse , e se fisiesse forte netta ; e 'marchou o 
Pfincipe dos crentes para Man^rocos com o projeão de eo* 
mer as suat sedras; e tendo diegado á sua comarca , caí- 
do acdamado por todos os Árabes da mesma , reciíoo-se 
para a cidade ae Fez. Depois que o Príncipe dos mossde* 
manoa se retirou de Manocos, e fixou a sua residência em 
Fez , mandou Almortadá chamar aSid Alm-Dabbuce^ che- 
fe das suas tropaa ; por se ter dito que elle escreria aoá 
Benimerines ; e queria prende-lo : poron Abu Dabbnce es- 
capou-Ifae 9 e foi ter cem o Príncipe dos mòsademanos ius- 
iof na capkal da Fez , o qual lhe fez a melhor recepj^o , 
e lhe disse: que foi o que aconteceu , ò Kdfis? fiigi da 
iDorte y lhe respondeu eHe ; e venho procurar a taa piotec-^ 
(âo ^ para que me auxilies , e ajudes contra o meu inimi- 
go ^ e me facultes hum exercito de Benimerines ^ tambores ^ 
bandeiras , e dinheiso para os gastos j pois eu te affianpo 
a tomada de Marrocos :e se eu a tomar, ametade he pa- 
ra ti , e a outra parte para mim. Tendo-w prestado o Prín- 
cipe dos mosseremanos á sua pertençáo; e pactuado com 
clle sobre isto , entregou-the , confiado na fé promettida e 
estipulada , hum exercito de cinco mil homens das^ tribos 
de Zanata , tambores y bandeiras , e dinheiro para castar no 
caminho » escreveu ás trrbus dos Árabes , e de Hassecura 
pafa serem em sua ajuda , e o despiu. Partiu Abu-Dal>- 
buce até chegar ao paiz de Hassecura ; e tendo acampada 
nelle , escreveu para Marrocos aos seus confidentes , infbr* 
tnando-os da sua vinda, e perguntáhdo-lhes sobre o estado 
do paiz 9 c do ReioD^ os quaes lhe respondera : que av^yo.* 



(333) ' 

Sftste , poi^oe d gente estava descuidada , e os exercitoi 
ivididos pelos confins do paiz; eqne nSo acharia tempo | 
nend occasiâo como esta. Partiu então velozmente Abu-Dab-> 
buce , e apressou a marcha com os exércitos para alli até 
que entrou nella pela porta , chamada Babo-Saleh na crés» 
cença do dia , -estando a gente descuidada ; e tendo domi-» 
nado a capital de Marrocos, e fixado a sua residência no 
seu akaçar , fugiu delia Alonortadá , o qual foi morto fora 
da mesma no mez de Moharram -do anno 66j (1266). 
Tendo o Príncipe dos mosselemanos Abu-Iussof escrípto a 
Abu-Dabbuoe sobre, o cumprimento do pactuado entre am* 
faot, respondeu este ao enviado : não ha entre mim e elle 
pacCD senãa a espada : dize-lhe por tanto que mande a sua 
acclania^o pára eu o confirmar na posse do paiz , que tem 
nas suas mãos , porqu^ aliás q hirei alli mesmo combater 
Gom os exércitos. Chegado o dito enviado á presença do 
Príncipe dos mosselemanos Abu-Iussof ^ deu-lhe a resposta » 
é certificou-o da sua rebeldia , e declinado do justo e ra* 
cionaveU Sahiu então 'O dito Príncipe de Fez a combate-lo ; 
e tendo<4e acampado á vista de Marrocos , a sitiou t d^-w 
tastou a sua comarca , e comeu as suas searas. Logo que 
Abu-Dabbuce viu o aue se lhe seguiu i vehemencia do ata- 
e, e do sitio, a saoer : a destruirão das searas, o roubo 
as provisltcs , o aperto da fome , e a carestia dos manti- 
snentos , escreveu a Jagmerâssan , filho de Zaian , pedindo- 
Ihe adjutorío , e rogando-lhe se colligasse com elle contra 
o Príncipe dos mosselemanos ; e tendo pactuado, e convio- 
do nisso, espalhou Jagmerâssan as incursltes nos confins do 
paiz do mesmo Príncipe. Havendo-lbe chegado esta noti- 
cia, estando sitiando Marrocos, levantou o campo, e dirn 
§iu-se para Telaroessan a combater Jagmerâssan , filho de 
laian, por lhe pasecer dever combate-lo antes de tudo, 
por ser cavalleiro de Zanata , guerreiro , e valeroao ; e ten- 
do proseguido a sua marcha até chegar á cidade de Fez , 
demorou-se nella alguns dias até descançar, e sahiu depois 
no dia quinze do mcz de Moharram do amio 666 (1267) 
para Tclamcssan, acompanhado de grande cooútiva , e ad- 



s 



C 3J4 ) 
mirtiFel acompanhainentQ em famiiU, teadat» nutOMMM 
exercias, dinheiros, e cávalleiros. Tendo cetstado a jãgt 
merassan da sua Yinda ^ sahiu de Teiamessan ao aea encom* 
HO 5 e combate. Enooiícrados o$doua exércitos emorio Tt« 
lag y encontrarao^se os bcroes com os heroea , misturarÂo-so 
os semelhantes com os semelhantes , ajuotarao«se oa caml^ 
kiros com os cavalleiros, aproximarao-se as familtat, eaa 
tendas de ambos os lados , e marchou hum exercito cootm 
O oqtrq ; e tendo havido entre ambos porfiados combates^ 
cr tumujtos beliicos » como ja maia se vii€o ; pois sAo se 
observada sçoâo os cavalleiíoa a toaspasaar, e ferir ^ e ot 
poYoa a «ahir desenfreadamente ao eocostro boos dòa ott» 
tios 9 durou o combate entre osdoua exércitos desde o nta» 
cer do sol até ao meio dia, supportando aa tribua doaB»« 
aimerines com heróica paciência o Qpmbate do inimigo^ a 
tendo-lhes Oeos Altíssimo .concedido a yictoria sobre 00 
aeus inimigos y senhorearao-se de suas cervizes , e deshara* 
tai^o as tríbus de Beni-Abdeluadi « fazendo-ihea oa Bem» 
merínes gostar a nobre morte naqueile rio; e Jagmeraasta 
iligiu*desbaratado , ficando morto seu filho na» rclbo Amar , 
seu successór» e alegria dos seus olhoa. Marchou entib o 
Príncipe dos mosselemanos Abu-Iussof 00 seu alcance y ci^ 
jas lanças se cravavâo nelles , e suas espadas ae cny r ^ a»» 
váo nos seus pescoços ; e entrou Jagmerasaan em TekoMS» 
aan perdido ; miserável , e desbaratado y ^canda os Bcni* 
merines senhores de todo o seu acampamento, riquezas, fi* 
lhos, e mais família. Foi a gazua do rio Talag no dia Se» 

?unda feira doze do mez de Jumadil-águer do anno 666 
4268 ). Tendo o Príncipe dos mosselemanos voltado d^ 
dita gazua victorioso , vencedor , triunfante , e canteaee , o 
augmentado*se a miséria sobre Abii Dabbuce , permaneceii 
na cidade de Fez até a apparLçao da lua do mez de Xaa« 
ban do mesmo anno , em que sahiu para Marrocos a com* 
bater o dito Abu-Dabbuce, violador do pacto, ao qual 
bSo deixou na sua marcha de acompanhar a felicidade , e 
a prospcrídade até chegar ao rio Morbea ; e tendo alli 
acampado y e espalhado os seus exércitos no paiz de Abur 



DáUiDceparâ (^ cômesseín as sua$ searas, e desfmlsjem 
16 tuaa habitais, conservou-se alli até á cotrada do anna 
fegoinre, em qu« partiu para as partes de Tadela, aonde 
combtfieo M Árabes Gdlotes, aos quftes despojou de seus 
b^m^ t riquezas, e captívou sues mulheres; evoltaficio pa-* 
n Todda ^ acampou-se em o rio , chamado Alabid ( Aoê 
Mgf0«), junto ào qual permaneceu alguns dias. Invadiu 
depois o paic de Siinah^jd , e o fustigou , donde principiou 
t g/râr ftòi Tizinhaiiças de Marrocos aré ao fini do tú^z 
ée Ehil-Kaâdi Aò áuno 66y {if6^)^ cm ^e se congrega^ 
rto 09 Xequft d#s trilws dos Ar^beif , e d« Mossameda , 
íòffto ter com Abu^Dabèucif , e llie dissei^o : srté ^i tem^ 
M tt dMettft san Mml^mv os Betiin^riMS , t ierts posiN 
mkme em lhe» s*hir m ettdoMto? por véMíãfir nâó vé$ a 
HM!» tHfi* deM^i^, as «òsMi^ riqu^jíM «dq^eiadás, ft M>^ 
sés nfufheroi «fi^klvM? i«hé 4 «Mife^Mm, f«f6 he oppòip^ 
rum a Odrasiáè para dsdsMni^re^^ purqué iSo kun:^^ itfSf^ 
gf^ficame ^r^iio, chomef^^étateátertr*, po!Si|U#atUaiOf 
pMte dcnei ficdu env Tms i gu^fcbf siq^lfiis fh»Me}M« fé', 
iMfldtMe áM de BtAi^Abtféluáfd}. EogSnado Abtt^&a^btl^ 
Ce Mm M suas pàl^vrsa ^ mtffehou a a]udflf*)09 , e sahiâ é 
fieMe drgnMfes emmemsds etereirm de Akfíuhades , Af^ 
brOi Cmístâosf, e das tríbus de Mossaittédb. Logo epftf 
CMSIM â(^ Prificipe dos mosselemaMS éá sud séfiidflf , vo!^ 
tbtt MMdosameiíre para o lado òceideniál, a^fldf dedafátf^ 
tOf Al ^Mr eupiíat. Tttíèt^ ehcgsdo esfa notkb' a Abu^EKliBH» 
hfkdt , penso» que á sua retirada era p6r med<f detie ; e p<^ 
isso fct amaiordírígeiiciaem'seguí4(i, de modo que, qusii^ 
db' o Fríncípe dos rro^seTemarros lus^f pariia dé hum Uf- 
gif , vfnhb Abe Dsbbuce acampâr^se nefle; e desta máMi^^ 
ra o ÍM' seguMo com o é^eer eiercho aré chegsr ao rio Ga^ 
fará 9 aonde o Prlíicipr dos mos9ekman(te tornou a totiar 
pam elte ^ dispondo^se a ataca-lo , c tíòn)(>àee-lb ; e wvíãq^ 
se encontrado os dòuí exércitos, atfcomertierãd' os Benimerí-' 
Jiet como os felc^ , tombo calor a peleja , e mosfrarao o^ 
se» íoffri mento no combate dos seus inimigos. Como Abu^ 
DÉèbuce* rissi« ^ qtie aão tinhA partido eonttá o dico Frin^ 



/ 



:( 3s« ) 

fòero erilò M^hamíned^ iilho deEdrtz, fiHio dt Abdél-kii^ 
jqiie, Mussâ Biho de Rahha , filho de ÁbdeKiiaqque , e C!0- 
4o8 os 601» filhos , meoos as mulheres , e cntrchaTão. naquela 
ia mesma noike para b moate de Abraça , nooual àe txer^ 
cicaráo na isoa impiedade ; mas tendo sahidn o rrincipe doi 
anosseiemanDa no ^eu seguimento , maBdou htr a diaore de 
aí a aeu iiliio Abu-Iacub com dnoo mii ca.TalleirDs , o quai 
<os cercou , e sitiou no dito monte. AJcaoçon^o depois seu 
irmfto Âfatt-Maleq ao dia sl^undo ■ ào seu cerco com 019» 
4TOf ciooo mil cavaUeiros; e tendões elles principiado a 
combater, os alcaaçou depois o ftriocipe dos mossekmni^ 
-ua , seu pai , no terceiro dia oom todos os exeroitt» dot 
fienimerincs ; e tendo«>os sitiado por espaço de dous dias , 
ongeitBi&)*se á obediência , e peduao aq^ança , aipial d^ 
ie ihea prestou, perdoa odo<^ihes; mas com â condiçio do 
partirem para Tekmessan ; e bávtndo elhá pom ãtíi jtiaf*» 
chado , passaria depois dahi para a Hesjpanka» Nb raes^ 
«o anno íaledeu lacub , filho de Jaber AÍabdid-UBdi ,\go* 
^remador de Jagmerassan nm Sa^hmassa, nor lhe tér na» 
áào hum fhincho no membro viril , de cpm morreiL Mb ts^ 
aio 670 ( X271 ) sahia Abu-Iusaof para a g/xzm de Teia-» 
snessan, e combate dejagmeraasan ^ filko decaias y ema» 
é&ã seu filho Abu^Maleq para o território de Marrocos « 
«eauiar neUe tropas das tribus dos Árabes , edeMossane» 
da , com cojas recrutas»se deveria àtr unir a elle; « teodo 
$ahido no primeiro do áiet de Safar do dito aooo i freo^ 
te de todos os exércitos de Benimerines , «os qaaes Deos 
exalte , ac2|mpou-<e junto do rio llfiaiuia , aoodè peranroe^ 
ceu alguns dias até que aiti chegou o mencionado seíi fiHio 
com hum poderoso exercito, composto das tribos db^ Ara^ 
bes j de domésticos , Andaluzes , Àgsases , ie Chmtâos bem 
preparados , e armados. Tendo*se demorado alU depois da 
sua vinda mais tncz dias a passar mostra aos seus eseicttos^ 
partiu para Telamessan , aonde lhe chegou hum mensagei- 
ro de Ben*Alahmar , pedindo-lbe que ajudasse a reKgSo^ 
€ Gocoorresse os mosselemanos na Hespanha; e noticiandcH 
4be , que D. AShoso tinha poeto em grande afierta o seo 



fiilt; Pafstodo entSo o sobredito Príifdpe á feftda in té^ 
«tagDarda ; e mandando alli chamar os Xecnies dos BefiU 
«fsrifics^ e dos Árabes, os infermoo do estado, em que dê 
aehavlio os mosselemanos na Hespanha , pedifido-lhes so^ 
bre isto o seu oonseilio. Tendo*lhe eUes aoonseUiado a com* 
posi^o com Jagmerâssan, a pacificação do paiz, e a patf* 
^^cm para a guerra sagrada , enviotí todos os Xeques dtt 
ttibas oe Zanaca , e dos Árabes a pedir a pat a Jagm^ras^ 
saa y diceiído-Ihes : a pas he certamente melhor do qutf tW^ 
do : por tanto se- Deoi abrir camfnho para ella , e Jâgineii 
nsMMi entrar em si , será bom ; e se se recusar , querendA 
áncQH e^dottbste,. vinde-me immediatameme ayiaár. Dl* 
Agnàa^ os ditos XécMes á presença de JágiAeMssan , 6 
ragad»^ para a néx , liMfigeando^y iiisio com bcttffÉ piht^ 
ttãi^ Ihef resj^òAaAi : depois da morfe de mim fitáé^ nuA* 
ca barefá pa« tuttt mitif e eito: por Dtòs^ que nttnca i§^ 
ao acomecm*, nem ja tiiais detearei de o cottbarer , e i» 
radir o seu páh , até \tm3t deHe vingança* Tendo ehtf' 
gado o memageim com ei^ta resposta , apréissdu ó FrínctpA 
dos crentes a sua marcha comra elle, intòeando a Deòs^ Ah 
(issimoem soa ájodaf, e fayor; e fendo fahido Jagmeraa* 
ssi^ ao encontro com íbfça, resoluç^^ einnumeAveíS tíUt* 
eitos eomo bandos de gafanhotos, eWíontrart^^se ôs doM 
Mereimt em o rio AMfi na proximidade de tJgedsf, ateou^ 
se o combate entre ellcs , f atttndeiihse , pmpagou^e ím* 
mediatamente , e árrebemou ô fogo do tnmolito , e do pi* 
vor; e tendo- o Principe dos mosíelemános pô^o écví fifho 
Aba-M^Ieq a commandsr a ala direita , e a seu filKo la^ 
cub a esqfíeraa , arançou este , e o scguin Abn-Maleo para 
o ataque e pciqa , a poz dos quaes yciu seu pai ô^ Prmcipé 
dos mo^elemanos *com o centro e rectaguarda. Ha7%ndo-se 
ateado entSo o combate, e crescido os alaridos, foi Jag^^ 
merassan desbararado^ e fiigiu com alguns de $e«s filhos, 
e^c^ando debaixo dos fios das espadas, fcando morto sen 
filho Fares com grande multidilo das rríbiis de Beni-Abde*» 
laadi, e de Beni-Raxed , e todos osChrisrãojr, qne reacha-- 
fio no seu arraial : « senão se metres«em de permeio as tn^ 

Vv 1 



vas 'da hoate\ não escapava litim só dê BcnHÀHfleluddn 
Ateado o fogo no acampamento de Jagroerassan , fugiu 
este derrotado até entrar em TeJamessan , ao qual aconte- 
ceu, como disse Deos AUissiniQ no^tu livro (o Alcorão); 
destroem suas . babiiéÇõès com as, suas tnesptas nêSos \ e 
com as dos crentes. Tendo dfsrruido o fogo f> «eu, acam- 
pamento com as rique^zaa , mQveis, efamilip-, partiu q.Prin-. 
cipe dos mosselemanos Abu-Iussof no dia ;seguÍQte ems^iii^ 
mento de Jagmerassan até entrar em Ugeda , na qual . f^ 
alto ^te que foi destruída , edesapparecerâo seus vestígios^ 
revolvendo-a de cima, para baixo, e deixando-a huip cani- 
po rasOy doBde partiu, então , cuja derrota aconteceu no 
meado do mez de Safar do anno 670 i lyji )• Tanto que 
o Príncipe dos mosselemanos destruiu Ugeda sem deixar del- 
ia vestigioa , partiu contra Jagmerassan com o. iiitento de 
devastar as suas casas , e tomar as suas riqueza» a^é chegar 
a Telamessan^ e lendo^-se acampado junto deli», e cercado 
a$eu arraial com muralhas, poz em apertado sitio os seua 
habitantes, e principiou a combate-la. Achando-se sobre 
eila , veiu apresentar-se4he o Principe Abu-Zaian Moham^- 
med , filha de Abdelcaui com hum poderoso exercito , e 
grande apparato de tambores , e banaeiras. Tendo monta» 
do o Principe dos mosselemanos com os seus exércitos , e 
guerreiros , e hido cncontra-Io no maior aceio , e mais com» 
pleto apparato, estreitou-soFOsitio contra Jagmerassan , to- 
mou vigor o combate, e apertarão as tribus de Tagiin a 
cidade de Telamessan para tomarem vingança de Jagme- 
rassan, filho de Zaian, as quaes cortarão os iructos, e as 
vinhas , devastai as habitações , destruiião as searas 1 e 
demolirão as villas e as aldeãs , sem terem deixada naqneU 
las regiões alimento para hum dia á excepção dos fructos 
dolodâo, edas palmeiras sylvestres. Logo que foi saquea-*^ 
do o paiz de Jagmerassan, e mortos os seus exércitos, or- 
deiíou o Principe dos mosselemanos a Abu-Zaian, iilbo de 
Abdelmaleq AÍcaui, que regressasse para o seu. paiz , e 
]he deu mil camelas dos bens das tribus de Beni-Ábdelua^ 
Aip cem cavallos da sua remonta ^^ hum mamo Real> 011 



pélirça y espââas 9 escudos , t outras armas tíffenslvas ; econ^ ^ 
8erVòu*se o predito Principe á vista de Telamessaa até sa* 
ber, que o dito Âbu-Zaian tinha chegado aUanxaris, pór 
se recear, que Jagmerassan fosse em seu seguimento, o qual 
logo que soube da sua chegada ao seu paiz com todos os 
gados, que lhe tinha dado, mo^eu-s6 de Telamessan , e 
vpltou victoríoso , e triuníante para a Mauritânia ; e tendo 
chegai a Taza no primeiro do mez de Dul-hejja do an^ 
no Ó70 (1272 ), passou neUa a páscoa dos sacrifícios, e^ 
paffiu depois para Fez^ na qunl entrou no principio dose«' 
guinte mez de Moba^ram o primeiro doanno 671 (1272).* 
Tendo permanecido neila até ao dia undécimo do mez de 
Safar do mesmo ánno, em que faleceu seu filho Abu Ma« 
leq, cuja falta o angustiou, posto (jue depois se conformou: 
çom gosto , e heróica resignarão com a disposição de setir 
Çenbor , parciu para Marrocos ; e tendo entrado nella no^ 
primeiro do mez de Rabiat-tani do predito anno, e demo*. 
rado*se ahi, compoz o $eu estado, pacificou o seu paiz, ei. 
comarca , e sahiu depois delia para Tanger, aonde chegou 
fio mez de Dulhejja do anno 071 (1273). Tendo-se acanK 
pado junto dcUa , sltiado-a , e principiado a combate-la , 
perseverou aracando-a de manhã, ao meio dia, e á noute 
por ^/^ÇO de trez mezes. 

Tinha dominado Tanger, desde que foi morto Ben* 
Al-hamar, e os íilljos de Abu-Iahia , o Doutor Abu-Cas«. 
sem Algarfi, Senhor de Ceuta , o qual , tcndo-a fortificad^- 
le conservou governando-a com os Xeques da mesma, Ten- 
do^se prolongado a existência do Principe dos mossclema- 
sos sobre ella , quiz auzentar^se dalli ; mas entre tanro que 
elle se dispunha em hum dia para partir no seguinte, apre* 
sentou-se então em frcnfe delia o Principe dos crentes com 
os seus exércitos diante de si, a combate-la ; e sendo ja per- 
to da noute, eis que se levanta mdtidno de seiteiros da 
cidade em hum dos seus fones com hum dos Xeques e Al- 
caides , chamado lahia, o cual fez signal para o arraial 
.çom huma bandeira branca, doniíc partitíío sprcNsadamen-* 
• ;c para elle os combatentes j e tendoros fvito scnliorcs do* 



( 54^ ) 
ferte, ccmsenráfâD-^ ndle combatendo d6 habitantes^ ci«^ 
Ããde toda a nootfr Crescendo, logo que amanheceu ^ oa^ 
homens I e setteiros sobre os ditos habitantes, tomou fov|ai 
ò conflicto; e tendo' sido estes desbaratados , desampararam 
as muralhas resolvidos a fugir, e foi a cidade entrada áfor-» 

e contra m duos habitantes ; ma» o Príncipe dos mosse^ 
sianos , perdoou , e mandou apregoar, segurança , nSo ten-« 
do por isto morrido ndia, senão baoia insignificante porçfo 
4os que resiseirSo , e desembainharSio a espada no momeo- 
(o da estrada, cuja expugnac^o, e entrada do Príncipe dos 
fliosselemaáos neila á força foi no mez de Rabial-áual do 
suíno 672 ( IZ73 )• Logo que o dito Príncipe conqyktOtt 
Tanger, mandou seu filho o rrincipe Abinlacuo contra Ceu* 
ftr, o qual tendo sitiado nella alguns dias a Alazefi, o áe* 
efamiou eçte, e compor-se com elle coma condição deUrt 
pagar todos os annos certa contribuição ; e tendo contiado 
Bfsso, 9e retirou. No mez de Rageb do mesmo amo sa-* 
hiu o Priocipe dos mosselemanos^ para a gazua da cidade 
de Sagelemassa , a qual estava debaixo dodcmimo dejag^ 
merassan, filho de Zaian , e dO( Árabes de Almonàí&bámi 
e mandava aquelle para a mesma cidade todos osaifrios huttT 
de seus filhos para a guardar , e receber os impostos coM 
os ditos Árabes, que a govemavâo; e tendo o^Pri^eip^ èoé 
mossetemanos Abu lussoT marchado para ella ccMit osexer* 
eitos dos Benitaerines , e dastribus dos Árabes , e^hfadb-a', 

Í)rincipiou a combate-la, e a estreita-là, esforçando-^ Mt 
azer-flie guerra , assestou contra ella as catapultas ^ e a af-^ 
tílhariâ , e reduziu a afflicção oi seus habitantes por an^ 
sa da violência do sitio, e do combate; e por |sso subíâtl 
ás muralhas, proferíâo impropérios, c maldiziáo com- pala- 
vras descompostas. Tendo huma catapulta arruinado hunr 
baluarte com porção da muralha , e cabido a mesma , fb? 
por alli entrada de assalto contra o seu governador Abdef- 
maleq , filho de Hanica , o qual foi nella mono com o^ 
das tribus de Beni-Abdcluadi , e com os Árabes de Almo- 
nabbate, què se achavâó com elle, cuja conquista foi no 
(tia de Sexta feira terceiro do oiez de Rabial-aual do aano 



( J43 ) 
^i 0^74) i ^ segi^n&o outros no dm do tnez de Safar do 
mesíDO amx>« Prescoii o Príncipe dos ir.osselemanoá segura n*^ 
^n aos seus habitantes, pcrdoou-lhes, e pozem boai esta*" 
00 a ^t sitUAçâo ; e tendo permanecido na dica cidade fU- 
guns dias aié socegarem as suas regiòes, e os seus cambos , 
ç ae porem em segurança assuas estradas, pariiu dalli , dei-» 
xaada iiella o «eu governadgr* 

Logo que o rrincipe dos mosselemanoa regressou dx 
Cooqoiata deSageiemassa, conoebea no seu alto iutendimeo^^ 
10 o. piojecio de passar i guerra sagrada , ^isto náo Ifae ce» 
ficado cootendor 00 p^i?; ^ tendo-lhe chegado' neste mea« 
01a tçmpo.csrta de Joen^Alabamar pediado4he'> aeu ann 
ulio:,âiiiploraodpiièe a ^na ajuda a favor da iiespaifta , O 
lafibnBalubHS do «estado , cm ^ue te adia^iSo os tnosseio^ 
«anos, -procedido das imortety cp^iueiros, e iocursftes.if 
lodos oa isBtantes ; è achados resolvido ú guerra ia^sda | 
c dtsej e i o de passar a eila, coatíauaiâo os BMiaagMWi 
de fien AlafcamaYi a insiap^lhe, dizendo: m , 6 Priacipé dM 
nossefemanos , «és o Rei do secnio, e o «ea oometnpladM 
fcatta «eapos } t por isso )ie do teu dever apodar ^os mossa^ 
\dtB9Êm^ € :sampanT os fmoos ; poít ae tu nSb ajudairea oa 
ac yj c a do cnoinmietisaM), qttem oa ha de ajudar? Cornai 
m .Acme Abo^AUaliaJi linlia necMMtieAdaAo a aeu filho á 
hom oa sua nsorae^ €fat 4)0fti^dasse o Prmcipe 4oè fnosse^ 
kflMDoa fará a guerra aa^gf^a , « lhe «desse ofiaift > ^ el^ 
k i^KÍttise , ^)mtoa«fe o memo ao seu cotiv ite , a)«id«sjceii^ 
^u proanptaxiRate , t)iiviiKÍo a má wpptiea , e saliia da (^ 
dade de ¥éz com t> desígnio da guerra sagrada. 

C A P I T V'L © LXVI!. " 



T 



Imsscf para a Heipmimã ; e fn esta n tmã pfi^ 
Vieira gazua n$ fam ábs éssâchàorés. 



xm)0 continuado os^neAi^a^rros c6m as^ ^árta^ defien» 
Alahaowar mBt\fiàfftàmmo96tííêmímo$^ dito^utlof ^ Ooti* 



\ 



(f44) 
viflatiScHO á passagem , e pdcKndo-ihe adjutorio contra o iA^» 
migo ) sabiu da cidade de Fez noprimeiro domez deXaual 
do anno 673 ( 1 275 ) ^ e tendo chegado a Tanger , man^ 
dou ordem ao Doutor Abu^Cassem Alazefi , que tripulasse 
as galeeas para a guerra sagrada contra os associadores , e 
cómposesse, e alistasse as embarcações para a passagem 
dos deiènfores da religião, recommendando^lhe a sua coo* 
Béração pela justiça e temor de Deos. Encarregou a seu &^ 
ftio Abu-Zaian o commando de hum exercito de cinco mit 
cayalleiros dos valentes Benimerines , e dos cavalleiros Ara-» 
bes, eotregou^lhe o seu viccorioso estandarte, reçommen- 
dou-lhc a temor de Deos cm occulto e em publico , e o 
despediu , o qual seguiu para Alcaçar Seguer , onde enoon-« 
trott o Doutor Abu-Cassem Alazefi coniTmte embarcações, 
que ja alli lhe tinha preparadas ^ para a passagem dos va*- 
lerosos defensores da religião; e tendo o -Príncipe Abu** 
Zaian- embarcado com todas as. suas tropas , ibi desèmbar* 
W em Tarifa no dia decimo sexto do mez de Dul-Kaada 
do mesmo anno 673 ( 1275 ) > na oual permaneceu trez 
dias até descançar agente, eoscavalíos dossustos^domar; 
e tendo sabido dalli para Albahara (Bejer) , esaqueado-a , 
mandou a presa para a Mauritânia. Rrose^uiu a«8aa'mr« 
cha pelo paiz do inimigo, matando, captivando , .arraaan^ 
do as villas , e os castellos , queimando as searas, coitando 
06 fructos , e destruindo pelos fundamentos os- edtficios até 
chegar a Gerez , sem ter podido hum só Christâo sabiivlhó 
ao encontro ,- donde voltou depois para Algezirascom as 
presas, e captivos em cadeas, com o qual se alegraiáo os 
mosselemanos da Hespanha , pois que no seu paiz não ti«* 
nha havido estandarte , que ajudasse os nK)sselemano8 des« 
de a gazua de Alacab , em que os Christâos desbaratarão 
os Almubades no anno 609 y porque tendo Dees Altissimo 
Iançadai.no6Coraç<Ses.dosmohammetaD08 o terror dos Chris- 
tâos , não podiâo con)bate-]os , nem sahir*ihes ao encontro ; 
e por issa dominarão os ditos Christâos o seu paiz, cas-- 
tellos, e metrópoles até que passou o victorioso estandarte 
4o Príncipe dos mosselemanos Abu-Iussof , com o qual for* 



ttieem Deot Alrimao o mohamaatíiina» ajodoo o pota 
da Yefdadçim cceoja , e abateu com a sua passagem os im? 

Logo que o Príncipe Abu-Zaian se foi pata a Hespa* 
aha com o TÍaoríoso estandarte de seu pai , mandou esta 
seu neto o Fíriocípe Taiefin » filho de Abdel-Uahed , a Iag< 
Bemssan^ filho de Zaian, a pedir4he a paz, e auniio tSi 
palavra do mâbammetisnio, pa» passar a guerra sagrada^ 
UTre de cuidados a respeito ao seu paiz ; e tendo-se con^ 
dtttdo a paz entre ambos pela bondade de Deos Altíssimo^ 
unindcvse os sentimentos dos sequazes do mohammetismo ^ 
, conciliando o mesmo Senhor a amizade entre jkus ooractfes» 
c chegado o sobredito Príncipe de Tdamessan y tenoo ja 
finto a paz com lagmerassan , alegnKMe muito o Príncipe 
dos mossdemaaos oom este successo» e distribuiu emesmo^ 
las grande soma de dinheiro em reoonhecimenso > eag^e* 
cimento a Deos Altíssima 

EscreTeu depois aos Xeques dos Benimerines , das trí- - 
Inis doa Árabes , das de Mossameda » Sanahaja j Gammara ^ 
Auraba , Maquinassa , e de todas as outras da Mauritânia 
inflanmiando-os para a guerra sagpida ; e tendo expedido 
as cartas para as províncias , e paizes , paniu para Akacer 
Seguer, aodde principiou a aprestar os exércitos com cavai* 
los , armas » e mais preparos , a escolhe-los , e a embarcar 
os valerosos defensores da religpiSo para a Hespanha » fiizen- 
do passar diariamente huma tribu dos Benimerines , e bum 
batalhão dos preditos defensores da relieiâo ; e desta ma- 
neira continuou a passar batalhão apoz oe batalháo, e trí« 
bu ^epols de tribu ; mas os voluntários passavâo separados 
em embarcações para elles somente designadas , nas quaea 
nenhuns outros embarcaVâo. Concluída a passagem de toda 
a gente, e acampada nas praias de Hespanha desde TarI-< 
fa até Aigeziras com os seus estandartes desenrobdos , pas« 
sou depois de todos o Príncipe dos .mosseK-maaoa a tempa 
que aquelles poyos esta vão descuidados, e acampou emTa*^ 
rifa, aonde celebrou a oração de noa, cuja passagem foL 
na crescença do dia Qyinta feira vigésimo primeiro do mm 

Jkx 



•> 



4e Salor da;ifiiio.é74 (1^7; )• Tendo-te ímmediátanmÁe 
Mirado paiu Algesúras , encontrou nçsta os. Brincipes Beo* 
Âiahamar , c Bea-Âxquilula , Soberanos da^ Hespanfaa ^ 
«companfaadM dos seus exercites., e fâtniliarçs, c{uealli o 
esperarão ; e tendo-se encomrado cocn dles ^ os saudou : 
eomo entre os deus havia rivalidade eanioiosidadc, desiu^ 
oeceu huciia e outra^^ e fez a pas catre araboe; eteiídacoM 
Qprdádo as express&es , convindo* oa coraçtfes^ com a inicr^ 
ees^ de Deos Ahissioio, e ponderado auentamence ettti^ 
aí sobre o cfue convinha aos tnossekmaBos , rcomo scpnK 
tí caria , e faria a guerra sagrada contra os associadorst, 
de^^disão-se depois delle Bei^Alahatnar , e Ben* Axequihs^ 
1*, retírando-se par» o seu pai^, opruneira pa» Gwiada, 
^ O segunda para Málaga; e^o Ftíaeifff dos mosscieinano» 
Abu4lissof partiu com oenrcúo dos defensoNs^daret^àa^ 
dcrigii:Klo^$(S</ao aoflábatedosâníieis^ sem p^Mur, nemsçd»-* 
morar, não cogitar dos que paravSo, e* iícaváio atMx^ ncnii^ 
MCap^as dosseuaolbos «>sta|ec» osoinnq, nem ú^ pou- 
CD* aohar gosto na -cohiim , Du Brcbida atá cliegar a^ \h^ 
èúfBjfãtíUt ^eiis), por leoier <|ue^ os Cbristlofs percebessi^ 
#suâ utoda, ou houveisse quem os;'^^isasse; e^t^ndl^ con- 
fiado a seu &hú AhuJacub a* sui ^nguarda^ o maadou a 
diante diS' si- com huma divisão de cinco mil caváUkiros ^ e 
Hm deu* tambores e bandeiras , os quaes se espaHlSfte pe- 
las margens daqueltie ria á semelhança- da« ensurrada^ die co- 
rAs chuvas y e de bandadas de gafanhotos , nla passan- 
por arvore, que não cortassem > por povoaçaa, que não 
apresassem , por bens, que nâo apresarem ^ e por searas, 
oae não oueimassem. Em huma palavra apresarão quantas 
iiquezas navia naqaella regiSio , matarão osnomens, que a»-- 
contrario, e captivariio as mulheres, aianças efamilia, 
e fei seguindo a sua marcha até chegar ao casteUo de AU 
modovar da comarca de Córdova , matando , captlvando , 
ttteimando as searas, as villas , e as habitações até que 
oestruiu todas as comarcas de Córdova , Ubeda , e Bbeça ^ 
Onde matou innumeravel quantidade de Christaos, ecapti^ 
^tonà suas mulheres , e filhos. Tomou, igualmente pop assal^^ 



tb o èattéUò de Boléa y e saque^âo w ffiráieletianò^ todatt 
m riquezas , que nelle encontrâráo , e eoehmio^e m wMob 
dos Benimerines com as presas; et^ndo o Príncipe dosmosi^ 
sdetnanos mandado vMa» todas, sahirib as vacadas, tti 
febanhos de ovelhas , os cavalloa , as bestas muares , w 
arrenegados 9 as Chrisâs, os rapazes, e as crianças, de que 
acopiou tanta abundância , que enchião os montes , e oe 
valies y sem se poderem contar, nem numerar j e tudo llie 
foi apresentado. Destruiu em fim^ o mencionado Prindpe 
com o fogo , ferro , e devastação tudo quanto enoontrM, 
accendea o fogo naquelie paiz até se fazer Termelbo oonM 
no kisco iiísco da iQadrugada , ou da noute, e ajuntou aK 
li 08 captívOB, e os sacjues semelhantes á enchente do N»- 
lo. PaYtitt depds o Príncipe .dos mosselemanos legando «a 
presas diame de si, e os Chrístibs em grilhões a dona 
e dous àté se aproximarem á cidade de Exja, (Ecijk) , ao»- 
de veiu ter o explorador com o dito Principe , e o infov- 
ftiou , que todos os Christâos se tinhâo ja \inido ao sei 
superior, e Chefe; que Ja tinha sahMo com grande exerei^ 
to, e com muitos familiares; eque ndquelle fne^mo dia sè 
encontraria com etie disposto a combate-lo, e fazer vdtar 
ae presas , libertando-as das suas mãos. 



/capitulo lxviil 

Dd combate ão Príncipe das mósseiemanôs Ahu-íussff 
Contra .D.Nune {dt Lara) , General dos Cbristã^s^ 

T 

JLVoGO que o Príncipe dos mosselemanos cbegn^^aEci- 
ja, lipresentou-se á vista delia coraosscns vtiícedotes exei»- 
eitos , e rom as presas, de que Deos lhe fez mero*'*, e teà- 
do-lhe chegado o cxploradoí' com a noticia da aproximi(- 
çâo de D. Nuno cohi os exércitos dos Christâos, convocou 
Os Xeques dos Benimerines para -os cpnsuhnr, toiro se de* 
véfia obrar no encontro dos infiéis ^ pois que as gemes viâo 

. Xx 2 






■"ti, 



-fea- 









aimerines i dos Árabes , e das tríbus , aos (]ttaes fallou as^ 
sim: este dia, ó turba de mosscl^manos , e caterva de dè* 
feosores da rcli^iáo, he grande, e famoso testemunho da 
tempo : o paraiso ja vos abríq as suas portas, e ornou seiís 
pavimentos; e por isso esforçai-vos em o procurar, por(]ue 
Peos Altissimo comprou aos crentes suas almas , e rique* 
'zas, dando-lbes em recompensa o paraiso. Apressai-vos por 
tanto, ó assemblea de mosselemanos, ao combate dos as^ 
sociadores , porque aquelle que morrer d^entre vós , morre 
isartyr;'e o que sobreviver, viverá rico, premiado, e Iou« 
vado. Soffirei em fim , tende paciência , permanecei constan* 
te^ e temei a Deos , para que sejaes telizes. Logo que asT 

gentes ouvií^o esta falia , inflammarSo-se seus espíritos no ' 
esejo do martyrío, abraçarâo-se huns com os outros ades<« 
pedir«>se, tendo oscoraçòes despedaçados, èsuas almas dis* 
postas para a mone, as quaes venderão a sèu Senhor pelò 
paraiso antes de acabarem i elevantarão-se suas vozes, pro-» 
^ teriado a segurate "protestação de ft: nSo ha senãa hum 
Deos , e Mobammtd seu enviado \ dizendo também todos 
dies : servos it Deos tende cautella , e i^o façamos menocr 
dloqtiedqwnioi» Tende- ^tto adiantado-se os guerreiros dois^ 
móssdeovanos para <is Ckristios', e ençontrado-se os doufc 
exércitos, tomou, calor o combate, e foi tenaz a peleja, pois 
sdb se. via senão as setas a cdhir sobre os ChristSos como 
as ardentes chamas, e fazer sobre òs immigos o effêito do 
perpetuo tomiento: as espadais ensopadas em osangue ame^' 
drontavâo; as cabeças tos infiéis coitarSo-se, e dividião^ 
se de seus corpos ; e os valentes Bcaimerines . ôs rodeavão 
á semelhança dos Le({es do bosque , cravando netles as es*^ 

Sdas, e dando*lhes a gostar » amargura da morte j e ten^ 
I estes soflF/ido com heróica paciência no combate contra 
ca. infiéis, protegeu Deos Ahissimo os seus exércitos, a}u« ' 
dou òs seus escolhidos, e fortaleceu os seus sequ^^zrs ; tendo ^ 
sido morro D. Nuno , General dos infiéis» e desbaratado e 
morto ^o seu exercito , de mapeira que cm hum abnr e fe- 
char de olhos, nâo deixou a espada noticia , nem a laaça^ 
resto algum delles. Ordenou ei^tão o Príncipe dos moesele* 



( iso) 

TMtho^ «[ue se cortassem as cabeças dos ChristSos, que tU 
nhSo «ido ifiortos no campo da batalha , eque se coatasseni ^ 
ãs quaes erao mais de desoito mil, (a) ê levando-ee á se* 
melhança de hum monte, sobre as quaes subiu o pregoeiro 
n ichamar o povo para a oraçáo, aonde celebrarlo os mos* 
selemaoos no m^io do campo da batalha as orações de noa , 
e de tesperas entre os mortos, manchados no seu sangue» 
Logo que o Príncipe dos mosselemanos concluiu a oraçío 
4c resperas , inspeccionou os seus exerdtos para observar 
6s mosselemanos, que forão martyres naquelle combate ^ 
aos quaes Deos adiantou a paraíso , e coroou com a bem 
aventurança , e achou terem sido nove pessoas dos Benime^ 
rines ) quinze dos Árabes , e Andaluzes , e oito dos volan* 
farios , aos quaes todos cobriu com a terra ; e louvou ^ € 
éeu graças a Deos Excelso em huma extensa oração cort- 
ferme o seu mandado. Aconteceu esta grande, e utilíssima 
batalha , com que Deos Altíssimo exaltou o mo&ammeris- 
mo , e envileceu os seus inimigos , no dia dècltno quintA 
do mez dô Râbiai-áual do anno 674 ( ti75)« ^creveu • 
Príncipe dos mosselemanos para todos os palies mdiamme^ 
tdnos^da Hespanha e Mauritânia sobre a victotia; e tendo 
sido lidas as suas cartas sobre as tribunas das mesquitas ^ 
celebrarâo-se festas de alegria em todos os paÍ26s , e èUtá* 
buirão 09 povos esmolas , e derlo liberdade; ao» ^cscravM 
em acçáo de graças a Dras Altissimo. Tendo chegado ò 
Príncipe dos mosselemanos a Algezirds Côm as prezas, ft 
captivos, entrou nella no dia vigésimo quinto do m^smo 
mez e anno em grande pompa , eapparato, levando a dian^ 
te de si os grandes c magnates dos GhristSos presos com 
eadeas e cordas, c Jigados com gargalheiras; e mandou a 
cabeça de D. Nuno a Ben^Alahamar, pára que visse òcpe 
Deos tinha obrado sobre seus inimigos, eoque tinha aju* 
dado aos seus escolhidos; e tendo-^a recebido, a poz em 
almiscar, e alcanfor, e a mandou a Affbnso, querendo^ 

to Conde no tomo Iiri pag. 62 diz, que ficarSo iio*anipo da bttiBa 
ftais de oito mil cadtveres dos Christáor. ■ 



( 351 ) 
Mie render iiisto serviço , e mostrar-Ihe a soà amisade. Fto^ 
immeceu o Príncipe dos mossclemanos em Âlge2iras par» 
dWidiras presas , qoe Deos lhe tinha concedido/ o qual, 
depois de separar o quinto para o Erário , dividia o resto* 
peiM defensores da religião. Constava esta preza de sete 
eencaa e vinte quatro inil cabeças de gado vacum , de in«' 
aumerarvcl gado lanígero, q qual era em tanta abundância, 
Que seveMlia em Algeziras cada ovelha por hum derahem, 
jeaete mil oicr/centos *e trinta captivos entre homens, niu-* 
Uieret , e crianças , de« seiscemas e quatbrze mU cabeçaa- 
tatse cavatlos , bestas^ muares, e jumentos, e de hvKd sem 
^Muieso de sayas de malha , empadas , e outras armas , com- 
que» encherão aa nâoS: dos mosselemanò», e melhorou o^ 
seu estado i r circmlstancias. (^a) O Príncipe dos mosselema^ 
8ot porém deu a sua pane ao forte , e ao* fraco , ao esaa^ 
fOy • ao nobre, o oual tendo permanecido em Algetiraa o* 
lestoidD mex de&anlaUáual, e todo o mez de RabiaP^ta- 
aà; logo que princi{>k)tt o mn de Jomadiláual sahiu daUl 
» combater Sevilha. Qiando o predito Prindpe chegou a 
AJgesiraa eKreveu4he oArraea Abu Mohammed, fil^ de 
AaiyMuia , hama carta dando-lhe os parabéns pela victo« 
Ml , e knptoraado o se» fbvor. 



s 



CAPITULO 

DestpiffSo dã si^ttnél'} expéái^ão do Primipe ãos 

mossekmanos Abu-Iitssrf^ io qual Deos tenba 

misericórdia , na sua passagtm á Hespanba. 



ahiu o Príncipe àos mossclemanos Abu lussof de Alge- 
siras , diz o author , para a segunda expedição no primeiro 
dia cte mez de Jumadil-áual do anno 674 (1275); e tendo- 
se dirigido para Sevilha, continuou a marcha aní seacam- 



>A** 



(a) Ruim tali reb^ hf tio exai^erac^a-, que não pcidir nieKi;er credi'9. 
Pode ver*5ie a relação dctta batalha cm Mai iana liv. 1 3 , Zufita liv. ) c^^,, 
jf-jC Ganl^ar, liv. ip^cap- 1 j. 



Ciro 

ptr sobre illa noli^ari chamado Alfanxe, donde es|Mlfcofi 
4S inairs6e& pela sua comarca , e oa seus exércitos "peUs 
suas regiòes e limites a $aqtiear o que havia nellas. No se- 
gundo dia montou marchando até se aproximar a huma das 
suas portas com tambores batentes , e bandeiras nesplaodo- 
cenres ; e tendo os Christão; siibido ás muralhas , e siistciH 
tadto-se sobre a trincheira , não houve entre os seus maiores 
quem se dirigisse contra elie , nem General algum áeUps^ 
que sahisse ao seu encontro» o qual logo qiie a saqueou^ 
4]ilacerou a sua contarca , queimou as suas povoaçtfes , e de* 
moliu os castellos, partiil oara Gerez, onde praticou o 
mesmo que cm Sevilna; e depois de se conservar três dias 
sobre ella » ' partiu para Alçeziras , na qual eninxi no dia 
tigesimo-septimo do sobredito mez; e tendo reparddo aUi 
as prezas , que conduziu ; vendeu-se cada huma Christâ a 
ducado e meio , em razSo do seu crescida numerou Eotnn 
^da a esta^ do inverno , permaneceu o Priocipe dos mos^ 
selemanos residindo toda ella * em o seu acsmpamento so« 
bre p rio das mulheres nas visinbanças deÀlgeziías; et/n^ 
do impedido, aõs ChristSos a lavoura daqudle anua, enca» 
recerâo os mantimentos , debilitou*se o seu paiz , e deses* 
peraiâo os Benimerínes da sua demora em Hespaoha, «»» 
pirando por seus filhos , e casas. Logo que Ti rrindpe ãos 
mosselemanos soube isto delles , passou para a 'Mauritânia 
no ultimo dia do mez de Rageb do* anno 674 ( t^7S)^ 
tendo sido o tempo da sua permanência em Hespaoha de 
seis mezes ; e marchou para a cidade de Fez , na qual en- 
trou no meado do mez de Xaaoan. Ao ch^ar alU, re- 
voltou-se.Salah , filho de AI7 Albatui, contra elle^ tomou 
os seus parentes, e fortificou- se com elles em o monte de 
Azru^ do paiz de Fazaz ; e tendo marchado contra éit o 
Príncipe aos mossélemanos , e cercado-o com os seus eier-- 
eitos, voltou á obediência; e por isso lhe perdoou , o que 
aconteceu no meado do mez de Ramadan do referido an- 
no. No diá segundo do mez de Xaual do mesmo anno le* 
vantou-se o povo em Fez contra os judeos , dos qtlaes ma- 
tou quatro mil : e se o Príncipe dos mosseleoianos nSo 



( 5« ) ,4 

ihbfinini, e'ti»pm(kMeo dito poro; mandando apregoar , 
Que ninguém oa oiSbodeiae» nSo ficara dellea hum aó. Nq 
dia 'aeg^nte ordenoa o mesmo Príncipe , que se edificasse 
a nora cidade de Fer, a qual fiii fimdada junto do rio da 
momiai e se principioci nai sua constnicçto» e escaTas$o 
do alicerce naquelle . mesmo dia, o oual montou ^ e fi^i as- 
aistir até ae iàzer e fbrnuir o dito alicerce. Tendo-lhe tt>- 
mado o horosomo os Doutores Abul-hassan » filjio de At 
cataa . e Abu-Abdallah , filho de Al^liabbaqiíe » achaifb 
ter sido a- sua fundaclo em hum horóscopo feliz , e em 
hum tempo afbrmnado; sendo fiuma das suas bendioa» e 
das ÍUiciaades^do seO horóscopo nío morrer nella Sobaa* 
oo algum 9 nSo ter sahido ja mais delia estandarte, que 
aib yencesse , nem ezerdto , que nSo triunfasse. No mesnx^ 
mes de Xaual mandou o Prindpe dos mosselemanos edifi- 
car â alcMo?a , e a mesquita de Maauioés» No anno 
éTjr ( 1170 ) sahiu o Fríoape dos mosselemanos Abu-Ius- 
aot de Fez pam Martoces} e tendo chegado alli no mea- 
do do dito mez , e permanecido nella até ao primeiro do 
nez de RablaUáual do dito anno , sahiu para o paiz do 
Sm f donde voltou depois para Marrocos ; e passados al- 
guns dias , sahiu desta para Rebate , na 'qual entrou no prí- 
meíro do mez de Xaaban , donde escreveu aos Xeques das 
tríbua dos Benimerínes , dos Árabes 9 e de todas as outras 
cribus da Mauritânia instiga ndo-os á guerra sagrada: eco* 
mo lhe tardassem ^ náo cessou de os tornar a instar para a 
mesma; e elles a desculpar-se , e a retardar a sua vinda até 
que entrou o anno 675 (1Z76), (s) porém logo que viu 
as diflSculdades da gente para a guerra sagrada , e a soa 
froxidiopara a passagem, cuidou de apromptar-se com oa 
seus familiares ; e tendo sahido de Rebate no primeiro do 
mez de Moharram do anno 676 ( 1277 ) , e marchado até 

Y7 



(ú) Aqãí ht engano do aaithor na data, porque ja tinha dito acima ^ 
qoe o I^iocipc Abu-Iiwof sahin oeice aKno tnoo de Fex pata MarocOfc 







CATITUtO IXIL 



pterrM s0grMU ^ e he m sms êemmm 




1/ 



asa ^ftt oFrivdpe das u Bi mkii— os Mm 
tfudiui 9 <pe M gtBlcj Dana wCcoUm 

IW6 ufWC pfff>flORtO ; € tendo SJilifla M H.C80K 90 pflDM^ 

m^ado mes de Mohimiiii do aao» ^7^ {^i^^}, dh^ 
|;m a Akacer Sqgoer, inodo u jgeotts em tn -sflBobM»» ^ 
yaUflo TUBO a soa fntxo^So , e simIkiIo ^dã vn fMMesi ; 
« teiié»-a legmdo as tribos dot B e m nie ni ica', tdo» Afatef , 
Y os retootainos das ttilms da Maomama , tsâm^êe li o» 
ttimeda , como deSaoahaja , Arnosa, Gamtaani^ lia<)Ma^ 
tt y e ootnu, priatípiotr a passar os exen^os, e uá w n t io do 
«Me depois , tis qnaes acampsrio na praia de Taiift aodit 
^estmo oitavo do ptedito mez, donde^dte paftm depois 
toa Algezíras^ie da qoal sahia, passados tres^Us^ pam 
Koflida ; e tendo acampado fóra ddla , veia álli ter comtA- 
le o Afraes Abo-Eshaq , filho de AxquUuIa , Seidmr deGoa- 
êtty e também o Arrares Abo-Mohammed , Senhor de Ma- 
lilga , os tjoaes o saadarão , e mardiarlo deiiaim do ara es- 
tandarte para a gazoa de Sevilha. Tendo partido de Ron* 
da ao pn m eíiD do mez de Xabnd-áaal do referido aime , 
€ chegado a Sevilha ^ acampòu-se perto delia , achando-se 
na mesma ElRei D/ Aflbnso , o qual logo que soube achar* 
se cercado pelo Príncipe dos mosséTemahos , e que nSo po- 
dia deixar de sedirigir contra ^le, safaíu o^raosseus cKr* 
dsoS'} e •fii0ODdo ako com eUes ao 4;edor da cidade, os pa« 



«h tiu 8iAy0 m mftfg^B» 4e Qwi4»kpAw com grMi4t 
tpeo^, eappactio, ledosclUs vaiados comcompridaf nym 
Íê, fsaUu , capacetes hize&tes , espadas afiadas, alabarda»^ 
f ^mcm resplandecentes » qoe cegavâo a vkta , e pernirlMK 
vio Qs. imenidimefitos , « as cogitações ; e teodo iDaichado 
entra elle o Prkicipe dos mosselemanos com os exercilot 
dos defensores da religUlo, e valerosos Beoiverines y e i$to 
loi dia do naaciíneiito do profeta , logo qqe se aproximado 
oa doiM tzercitos, e se encontrarão êm frente nusi 4a oo^ 
tpo» apepu«se o Príncipe doe mosselemanos, fez dnaa iwJir 
QafÒes segando o seu costume , invocou a Deos Altiasimo 
em SOI aiixtllo > e soooorro , e fez depois aos seus esta ftl^ 
k : pi^ai ^ 6 tnrha de Benimerines , por Deos , oomo TOf 
cmnpfe em sua did&nsa , e recordai-voa delle, parvos filr 
ser mosselananos, pelo qual eu vos juro, <yue niaka do 
vèt jo calor do &go equelle qjue se emular em eosobacef 
na inieis sena incaojgen; pois que o seu psofeta disse a Ten* 
dade. nestas. eipressUes: 9m st ãmntaté no^gt 9; if^ 
ttsiu matadút.. Poeto que a fencidade seje pam acpsdle 
ne aultipticn at ciquezna,. sení ttc preaencuido.aa conte» 
Sy eas ftndas, na verdade^ jun>voa porDeoa^ 9160 
pseoDo.da guerra . sarada iu» certamente gnande^.e a^ 4na 
estiBUif âo para. ocra Deos ÂltssBHsio fae podemsai aquetts 

£r tinsta qtte:^nsorrev JMlia, está viro irecebeado o premio^ 
1% aba mgaidade nm se akaaea de outra . imaneiía^ r;. r 
r L(^ que ooTnossdemanos Ihe-onviíâo wraia. cihoffli^ 
^, e 06 heroes: fieoimeríncs virão em frem» os éxerettoa 
dos infiéis, tornaifr*se o posillinime conio hnm Leão, :e 
covarde cornai byeaa , e a oiosca 2oaidDra ;, e. tendo ai^ 
femesaado impetuosamente ooattâ eties òs esqoadrées doa 
moaselèmattor antfmdios da victoría, felkidade,..eisua pmv 
ficipágio , e mardiaído o Principe « Abu-Iacofc com d em 
feli2 estandarte V e..CQfm mil dos intrépidos cavalletrosBe^ 
nimerines a diante de seu pai o Príncipe dos^ rnoaselema»- 
nos, accomerreu temerária mente os exércitos dos Ctitistâos ; 
e teado-se levantado o p<S, e feito os rodsselemaho» estron- 
doso tumuha com aa iovocaçóea, e protestações de fé ^ hou- 



da 



(5írO 

ve «litre liúns^ é â\i(tÔs hum poríhído cottibiiK , e gmade 
disputa* Vindo depoiâ o Príncipe dos mosdeiemanai apoz 
de sèu fíf bo com a vanguarda dos teus excrciros , tambores y 
e bandeiras} logo que òs Chiiédos ouvirão o estrondo dos 
ditos taoibóres, e vA^o o resplandor do seu victtfiozo es^ 
tandarre , e as suas bandeiras, retrocederSo sobre os seus 
calcahháres , e voltarão as costaá a fugir á semelhança de 
hum jumento espavorido , que foge espantado a diante da 
Leão; e teiido-os os Benim^rines constrangido á retirada 
para a parte do rio , e exercitado sobre ell^ as espadas e 
as lanças , todos , quantcís andavão vagando pelo campa, 
ibrâo oelle mortos, os que se lançai^o ao rio, neUe se afo- 
garão , e os que permanecerão no campo da batalha , fa- 
rão mortos , ou captivos. Em fim morrerão afb^dos no ria 
muitos milbafes , porque os mosselemanos se arremessavâo 
á agoa nadando atraz delles, e^oa matavio em táo prodi* 
giosa multidão, que se fez o rio vermelho com o seu saiv- 
gue: e como os seus cadáveres sublão á superficie da ama, 
a sua vista era signal para hirem atraz deíles no seu akan« 
ce. Tendo sido estragados inteiramente os seus ezeititos , 
t dispersos os seus esquadrões , andarão as tropas dos mo^^ 
sekmanos g^ndo naqoelías visinhanças , maundo , capti* 
Tandò, qneimando, e destruindo até á noute, na mialae 
conservou o Príncipe dos mosselemanos montado sobre o 
seu cavallo junto da porta de Sevilha , e os tambocM a to- 
car, os fogos a atear-se até se tornar a noute como o dia, 
e os Chrisdos* a tocar os sinos , e a fazer a guarda nat 
muralhas. Dissipada a noute com as suas trevas , e chega- 
da a manhã com o seu resplandor sobre o Priodpe dos 
ABOsadeoMnos celebrou elle a oração matutina ; e conduida 
esta , pprtiu para o monte de ÂixorafS ( Alzarde ) , aonde 
constantemente se conservou a pé, e alerta distribidodo os 
defensores da religião, que se occupavãojcm matar, capti* 
var, atear o fogo, e destruir. 

Tendo entrado o Príncipe dos mosselemanos i forçfí 
nos qistellos de Niebla, Jasseliana , e Alcali, matou to- 
dos os homens^ captivou suas mulheres, e filhos > esaquea- 



* ( 357 > 

das suas ri quesas , amtados seus castellos , quèii&iclaf snt 
casas , e prosegoida a queima e devastaçSo sobre a maior 
parte das tíIUs de mais bella estructura, e sobre os seus 
castellos , voltou o dito Principe com os despojos , c capti^ 
TOS para Algeziras , na qual entro^ )lio dia vigésimo oitava 
do mez de KabiaUáual do anno 676 ( Í277 )• Havendo 
permanecido neila até repartir as presas pelos defensores da 
religiio , e descanjai^m as gentes^ sábio depois a continuar 
agueira contm Gerez. No primeiro do mez dejuouidil-áual 
do mesmo anno faleceu em Málaga o Arraes Abu^Moham** 
ned y filho de Axquilula 00 seu regresso desu campanha.* 

CAPITULO LXXI. 
Sobre m quarts expedição do Frincipe dos nusseUmanos, 

X EMOO regressado o Príncipe dos mossdemanos Abatias* 
aof da expedido contra Sevilha ^' e os montes de Alxara*- 
ttj t peimanecido em Algeziras algum tempo até distri* 
buir as prezas , e descançar a sua gente , sahiu depois no 
dia vigésimo quinto do mez de Rabial-iguer do anno 676 
( »77 ) contra Gorez com o intento de a destruir , e arra- 
sar ; e tendo continuado a marchar até alli se acampar , si* 
tioiHi, oombateo-a vigorosamente » ç principiou a cortar os 
olivaes 9 aa vinhas » e 'mais arvores » a queimar e estragar 
as searas , e a destruir e consumir as villas e os castellos , 
a que praticava pdas suas próprias mãos para exemplo; 
pois teodo-o visto as gentes , se esforçavSo em imita-lo , cu- 
jo procedimento era para regime e melhor beneficio 4a 
guerra sagrada » até ae converter aquelle paiz em casal des* 
povoadas de habitadores , e terem sido mortos todos os ca- 
vallriroa ChrístSos com as suas tropas , que nçlle se encon- 
trarão , chegando por isso os Christâos so ultimo ext/:mQ 
de afHicçâo, Tanto que o Príncipe dos mossdemanos subju- 
gou aquelle paiz^ e o destruiu > mandoir«i*u filho o Princi- 



|W *Abii»Ueab,eom Ihama divisão de etez núl ettraUwot i» 
combater eis. castellos de Goadal^Uir, o ()ual ptoseg^ 
pscft aUi a :sin mairha ^ edjepois de ter saqueado a casccik» 
decota, & Litcar^ Altan»^ e Aficanater, (js Pomes) £94 
marcha if do á margemr do dito rio estragando ^ destriMdOf 
màtatido^ e captivando até chegar a Sevilha v ^ teado aar* 
qiteado, cpcsto empertnrBação asua comarca, voltou com 
i» .joresas^ e captivos para seu pai , que o estava e&peraadoí 
làavisrrihaDças de Geres , com cuja vinda aeakgroo» a 
qoal partiu ^tíb para Algeziras^ onde repaatíu asr ditam 
presas pdoa» Benioierines , eyaIerosas.tribiis..Gongrqgou\def 
]30is os Xeques das tribus dos Benimerines , e dos Ajabes^ 
os Agzazes, e Andaluzes, e os instigou para a guerra sa- 
grada , dizendo-lhes : S^vilBa^ Gerez, e suak comarcas , 6 
turba de defensores da religião , ja enfraquecerão , e acaba- 
do } e Córdova e sua comarca he hum paiz fotii ,. ^mivósí^ 
do , e o sustentáculo , e firmeza dos Christâos , donde rirSo 
a sua força e sustento : por tanto se a combatermos ^ d^ 
trmriaos soas sementeiras 9 e cortarmos os seus fimcm^ mor- 
fedo de fòxne os Christâos, e enfraquecerá todo opafa dm 
Gbrístandade. A^ visu disto tencicHio atacaria : que vos f a« 
psceí Dirija^ D^os, ò Príncipe dos mosselemaaos^ o era 
desígnio, responderão elles , ajitdo-te , e eoaccda-teo quo 
imeatas ; ê nós te seguiremos ndle , ^obedientes aos . teui 
mandados, € prohsbLçties; pois se vadeares o mar,, o via« 
dearemos comtigo y e se marchares com nosco oootra* 8as^ 
que-Lád , o matafremos. Tendo<>lhes «dado^ os agvadeetmea^» 
tos, 08 chamou, edistriòaiu entre elles pelUças e dinhei* 
los, tratou-08 com distincçâo, e os encnen debeneficjosi 
Escreveu então a^Ben-^Alahamar , Senhor de Giranada;, mm 
ti ciando*] he o sendezejo de hir combater Córdova , e ona^. 
vidando-o para o acompanhar nesta ex^diçâo , dizendo» 
lhe: se sahires commigo contra ella, seiíis respeitado no 
coração dos Christâos , em c^anto viveres , e terás- de Tkot 
Altíssimo hum grande preroto. 



... « A P I T :U L o LXXII. ... '-■ 

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''i^ ^bre ji^mintu iexphdifS9 do JPtinvhe fhs qrAf* > 



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seiemimn ^ tf «p»/ ^fn icvním Cor^wOé 



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MÉvo Prindpedos iiUDsselejiiaisoB. jAkl»u«IalMf , dis^ 

(att^crícxwmOB ^exoicitos , <r felizes e v^eiicedoiM' «sqiutdf^ 

r b «WKDO ppatieoB o IPrijidípe iiéo*Àlalia«iQr ée Graqffátt 
C0A1 ^BSfiOB -esecckas; € ien^k^se enooívMcki «uttbÓ6 «M 
Hinmel-Uivd ck> WfrÂR>rto deSidoma., ^eiii mcebe-lo tf 
páDCÍpe.Jos iiiosselemRiiQB:^ "e ^grou«9e oofneUè^ 4S4JHÍt| 
pm Aitiasínioa palavra 4o moliafiiFnetkipo , e^oiUdiibtt 
m çoniçfSes d^ wn f on». Tendo sido agradav^d ttòí lAès^ 
mkfímxios 'M noticia da peleja^ e vigormdose os seds ^ii^ 
«URT deseja^ fweptfaTSo^ee ^para a guemi .sagrada ; e hà^ 
«Mtfo asmdo ocmdbi de oevn-BattTi fe| a (xmquítfta^^ 
e« 'lÉPtoria hum agradável annundo; pok o totaiarao \tí^ 
fJawditamcDte por «ssalm , 'C ^râo ncUe iRmwfi tockxí M 
ioíakns^ caprâiraa mas «ntilh^és ^ filhos, saqueaclas $ikt 
akMnaa, « destruído depo» «o dito fiá^tdlo até n^ 6<3af 
ánlc fesi^i«. Tendo o f^riftcipe dos fM^eni2»ios «penMk^ 
tiio M incuivòes cm ttod^s as regís5e8 dd paiE dos Chri^ 
ttea^ 'todoS' aqa^ea rnòsseUrnanos , qnie *sie «alforeavSò 4è 
al|gji»i» lugar , o dc^tmiâo , ^onde «sacpeariío os bois , o gsí^ 
do lam|ero t de xab^o , os ca^allM , machos , e jumtHL 
fOB, e inusema «piawídaée de «^^iie , «lamèiga , trigo , t 
tevaéa , com cujas pretos cresceu a ta^un^srncia nò arraral 
doa mo9ádcmwnoBj4í íkarâo cheias «uas mãos. ?afrii^o ^ 
puis até « acaffrpareM Junto de Oordova ; «e fendo-se apre^ 
«Mtado á irisca drilA o Prrndve dos Tnos^ecnanos «com a 
Viwguarda do wêrcHo^ -c ^aBroores iratetites , e as vopcs do4 
tRoasdõmanDS a return^afem iwp 'íouvores a Dtms , citidaráe 
ata Ckmáot '«de ae de^wier e&m as iHuralhas , e oettem^^ 



( Jfo ) 

Marchou entSo o dito Príncipe debaixo da sombra dat MM 
bandeiras , levando, a diante de-n os setis valeroáos guerrei- 
ros , e os seus exércitos até parar junto da porta da dttt 
cidade; e depois roftou ao redor, das suas muralhas aobser* 
var , como a poderia melhor combater , conservando-se en- 
tre tanto Ben«Alahamar diante do acampamento dos moa- 
selemanos com o exercito Andaluz a guarda-lo, por temer 
íAq acontecesse alguma cousa da parte dos Chriatfos ; e 
tendo-se espalhado os exércitos, dos Benimerines , e Ârabet. 
pela Conuirca de Córdova , e pelos seus castdlos , YÍUaa. 
e cidades 9 matando » captivaodo , e devastando, entrai á 
fi>rça no casteUo de Zanará. Consekvou-se o IVinctpe dot 
snosselemaoós trez dias sobre Córdova até a arruinar , d»* 
truir as suas povoações , queimar as suas searas , e p6r etn 
perturbaç&> o seu território , e partiu dalli para Barcuna ; 
e tendo entrado á força nos seus arrabaldes , queimadora ^ 
e cortado os seus fructos , partiu para Arjona , na miai pnu 
tjoou o mesmo , que em Barcuna , mandou os exerOkos pa^ 
ra a cidade de Jaen , e espalhou destacamentos por tooat 
as partes , os quaes se diffundirâo por -aquelles paizes. Vea^ 
do Affonao a mina e destruição do seu paiz , é a mortan^i» 
dade , e captiveiro , que tinha cahida sobre os seua vassal* 
los, indinott-se para a paz, e a procurou, enviando a^noa 
Sacerdotes , e Religiosos ao Príncipe dos mossdemaooa a 
aauda-lo , e comprímenta-lo , os qúaes tendo chegado á sua 
porta humilhados e submissos implorando-lhe a pai^ elle 
lhes respondeu : eu sou hospede ; por tanto i^o vos conce^ 
derei a paz , sem que primeiro à façaes com Ben-Alaha« 
snar« Em consequência aesta resposta , forlo ter com este , 
e lhe disserto i o Príncipe dos mossdemanos tem-te submet* 
tido esce negocio; e por isso vimos ter comtigtf, para oue 
AOS concedas huma paz perpetua, e duradoura ate ao nm 
dos séculos; e que permaneça em quanto succeder a aoute^ 
ao dia. Tendo-lhe entSo jurado pelais suas cruzes , que n^ 
estando satisfeitos de Aitonso , o tinhSo demittido de seu 
Soberano , por não ter defendido as Cruzes , guardado as 
fronteiras, e segurado o paiz; e por ter deixaw roubar oa 



rassaUos pelos ifiimigos ; e que se permanecessem em tai. 
estado , nâo teria ficacU^ delles hum só , reiu Bcn-Alahamar 
ter com o Príncipe dos mosselemanos , ao qual dedarou as 
caasmM , e o informou , que a Hespanha náo sooegava senáo 
com a paz conforme os antigos tempos , a cuja paz Deos 
Altíssimo chamara benu Estipulada com eflíeito a paz eth 
tre Ben^Alahamar e os ditos Religiosos , lhes disse : vinda 
em nleo seguimento á presença do Principe dos mosselema« 
aos y perante o qual se ratincari a dita paz , e se darfo 
testemunhas da mesma da minha e da vossa parte ; que- 
rendo Deos., Tendo o Principe dos mosselemanos partido 
de Ârjona com direcção a Algeziras , e tomado pelo cami« 
«ho <Íe Granada, deu a Ben*Alahamar todas as prezas em 
obsequio, e signal deestimaçlo para com elle, dizendo- 
lhe : a boa sorte dos Benimerines nesta gazua será o pre- 
mio , e remuner^o dos mesmos. Havendo Ben-Alahamar 
fliarchado para Granada , proseguiu o Principe dos mosse- 
lemanos por Málaga paní Algeziras, na^ual entrou no dia 
vinte do mez de Raeeb do anno 676 ( 1277) i mas acam- 
pou fora delia. Teoao adoecido na sua chegada i mesiúa , 
coaservott«fe doente setenta dias , vinte do dito mez de Ra* 
geb. (a) , todo o mez de Xàaban , e os primeiros vinte da 
mez de Ramadan : e como os povos da Mauritânia ja iàl- 
lavâo da sua morte; por isso mandou alli seu. filho oftÍA4 
cipe Abo-Iacub,a padfica-Ibs , e. aplacar o seu temor. 

Lego que o Principe dos mosselemanos experimentoa 
alivio da sua moléstia , tierâo apresentarrse-lhe os Envia«% 
dos do Ríei de Hespanha com os Religiosos e Sacerdotes 
a confirmar a paz , com os quaes se compoz no ultimo' do 
predito mez de R amada n. Neita mesma óccasiâô mandou 
dizer o Arraes Ben-Axquilula ao dito Principe » que rece^ 
hesse delle Málaga, accrescentando4he : que a nao podia 

Zz 

» 

(«) Se elle entfou em Algextras no do 20 de Rageb, reste mez dSqí 
pode ter ma» de 30 dias , segue-te , que %ò esteve dez dias do mesmo alli 
doente , os quaes juntos a )0 de Xaual , e a ao de Ramadaa vem a pef-' 
hiff limeate 60 dias. 



4 



éonseirar; .e que.se nÍo fosse recebe<^Ia dáç sites wtòs^ -m 
eotrecaria aosChrhtaos ^ pois dtie Bro-AIabacnar são áiia** 
fia dominar , porcfue ja tinha dado pot eila^ a Affbnso oro»' 
ci(k) numero de cidades e casteUos^ eoatro tanto tinfaa^da^ 
do por ella. dle Ben-Axqoilula ; e tendo o Príncipe dos rooa-« 
seicmanos mandada seu íilho Âbu-Zaiàn a recebe-la àAli^ 
entrou na stssi alca^ora fx> dia decimo do sobredito mes 
ée Ràmadanv e o Príncipe dos mossekmaaoa oonsenrcn^ 
le em Alge^iras até ao fim do referido roez.^ eoique, .de« 
poòr dp passar alU a pascòa , sahiu também pam Málaga. 
wa dift terceivo do seguinte mes de Xauai , na qual entrou 
iiO' djia sexto do mesmo , tendo^ vindo encontrar os seos 
kabimitss em grande pooapa y alegrando^e com a sua rin-* 
da , oodi a qcial se aplacoo o seu temor | e aocegou o sdis 
paisb- 

Permaatoeu o dito Príncipe aejUa o resta do mcz de 
Xaaal ^ e Tince cnto dias do mtz de Dul-he^)a , jem xfo» 
finim para Algeziías com o intento de passar á Maarha«- 
aia ^ depoBs de lançar aortes para ficarem naqueUa itúl ca« 
talkin» doa Benimerinea-^ e Árabes com Ornar, fiilio de 
JidhaUa, que nomeou Governador da mesma ^ a da aaa 
Wbp^ f o qoai babitou a aaa alcajpova* Passou o Psindpé 
êOÊ oiossélemanoa para a Mauritânia nos primeifos dea diaa 
d0 ibee dè Moharram ào anno 677 (1^78); e tendo che* 
gado a Fea, demoroiMe nella alguns dias, e sabia depoia 
f«ía Marrocos» Certificado AâEbnso dá sua passagem para 
a Mauritânia , e residência na capital de Marrocos , vidois 
a fé, dissolvea q pacto , e esqoeceu*se dos beneficies; poia 
aace be o caracter dos associadores segundo a descríp^o , 
aaé Deos Akissimo fez delles no seo livro manifesto (o 
Alcorão), o qual disse, e o seu dito be verdadeiro; dis^ 
solvem # si0 pacto cm todas as circunstancias , porqna 
elks não temem a Deos \ e enviou jl armada a cercar Al- 

Seziraa , e interceptar a passagem. Logo que Omar , filha 
è Mòhallá , Governador do Príncipe do$ mosselemanos em 
Málaga, viu isto, portou-se perfidamente, levantando^e 
siella > e tendo^he Ben-Âlahamar escripto a respeito da 



(3<J) 

inèsauí j .lha rendeu , e o castdlo ét Salobrénha por da- 
coeou rnU ducados no meado do mez de Ramadan do 
aano 677 ( 1279)9 o qual veiu com os seus exércitos; e 
fendo entrado nelk , a dominou , levando o dito Omar # 
armamento e dinheiro ^ que o Príncipe dos mqpselemanos 
sella tinha deixado para pagamento dos sddos'^ e despo» 
«as das galeras e gazuas. Intormado com toda a individua^ 

Sao o Príncipe dos mosselemanos da perfidia de Omar, e 
e faarer Tendido Málaga a Ben-Âianamar , sahiu inune* 
diatamente de Manocos no dia trez do mez de Xaual do 
dito anno para a Hespanha; e tendo checado á alçaria de 
Macul da profÍDcia ae Tamesseni , contmuado-ihe ince»- 
santeoacnte aa chuvas , ventoa , e enxurradas , snocedendi 
Jmmaa ás outras , e a chuva sem^essar de dia e deinouts, 
por cujo floptivp A« nio era possivd marchar ; achando-ae 
aesDestio, chcgou^lhea notida , que osCbristfos tinhi» 
cercado A^ezinaa, por terra oom os exercites, e por mar 
com a* armada , adiando^ae esta alli bloqueaado^ desde o 
meado do tMz deRabikl4nal , e Aífbnso com os seus exer^. 
eitos ceitándo^' por terra desde o :dia seis do loeooionadf 
anez de Xaual-; e ^endâ «andado marchar para Ttai^ger;<A 
fim déattendefá passageaif para afiespanha para^livrar Áh» 
geairas; entre taoto ^ue a <geove. dispaalia a fsni/^; ^e» 
Cfoe se espalha a noticia no arraial , de se mi . rwQitwim 
Menaud , iilho dé^Canun, Ch^fe dos ÂrabeaSeíianea / «f» 
paiz dê Naiice da ^omattca^de Marrocos^ e de oi haf^rMi 
seguido todos os Árabes ^ 4» que obri^|ou o Pfindipè 'dlpt 
mosselemanos a volfar iiHiii^diâtamente para MtfrrOcca^ 
porém logo que atli c^egCd, fibgiu o di(t> Mesaaud dianu; 
delle para Assaque^sira- , ^ònde «e (&z fofte, ven^o abatid^t^ 
nado as stias «riquezas e mobília, -qiíè^ ô Pnncipe dos moa^ 
ielqnnanes distrrboiu pelos Benimeri^à; ^e {erãjo-ó cercado, 
e sitiado no monte d^ AssaquesÃra 1 jurDu ^ qae^náo h:ivia 
partir dalli até o sujeitar ao ^eu dominio; dn morrer, sfe 
o nâo conseguisse , c^ja r sbs Uí aQ fiai 4ia dia Domingo ciJa* 
CO do mez de Dul-Kaada do anno 677 ( 1279). Tendo o 
dito Príncipe permanecido a sitia-lo , mandos seu ftlho d 

Zz 2 



/ 



Prindpe Abu^Ziian para o paiz do Sus, o.qoaltçnéo eii^ 
trado oellc, socegado-o , sujeitado os revoltosos, e recolhi* 
dQ[ os impbstos , voltou para seu pai , ao <]aai. se apresea-* 
tou no ultimo do mez de. Dui*hejja do predito anno. Como» 
se prolongasse a permanência do Príncipe dos mosselemai 
nos no btoqueo do rebelde Massaudi , fílno de Canun , che-% 
gourlhe a noticia da vehemência do sitio , e da attenua^âo ^ 
«iq que ^e achava Algeziras por motivo de peleja, e<apâw 
to de diai è de; noqte , do lado do mar por quatrocentos na-* 
vlos e galeras entre grandes e pequenas (if) ; e do lado de 
terra por Aifonso com hum^ exercito de trinta mil cavallei* 
ros , e trezentos mil infantes, o qual estreitava sobre a mes» 
ma o sitio,, tendo cercado, os seus arraiaes de muralha, e 
rodeado a. dita praça ,*tMio o bracelete obiaço; assestao» 
do contra .ella as catapultas , e a artilharia y è pondo^ no 
maior aperto, até^ nâo poder entrar^ nem sahir delia físn 
soa alguma^ sem os seus habitames ouvirem seoSo ^ noú» 
das 9 que lhes vinhâo pelas pombas de G^xaltar,.que Ikca 
tnzião alguma carta , e lhes ievavto a resposta , a maior 
l^arte dos.quaes feneceu de afHic^o; fome, mortes^ vigí- 
lias de nome oas praças , nas guardas , e nos combates de 
4icute e de dia ate chegarem os que nella restavâo quasi . a 
acabar 9 e a perder a esperança da vida, os quaes ajunta^ 
.rik> MIS filhos e familiares, e os circuncidariio , temendo 
^e mudassem de religião , por estarem certos , ^ue eutranr 
400 os Chrisâos na cidade , es convidariâo para iisoii Lego 
..^oe o Principe dos tnossekmaiiop ouviu o que^ se lhe coa- _ 
iou a respeito de Âlgeziras , como tinha precedido o seu 
juramento » que tAo havia retirar-stf" do filho de Cabun até 
o vencer, e sujeitar ao seu domínio, chamou seu dignisii* 
mo filho o Príncipe AbuJacub, e lhe ordenou, que marchfs* 
se para Tanger , a fim dç cuidar em livrar Âlgeziras , e 
apromptar as galeras para hireçi atacar a armada Hespa- 
imola } e tendo partido no mez de Moharram do anno 678 

(a} A corona sotica diz, que i armada constava aóinentc de 14 navtef 
4e «Ito boido, t&ÍQ galerai. V. iL ati. 



(1279), e chegado a Tanger no principio dp seguinte méx 
de Safar y mandou armar as galeras nas cidades de Ceuta,- 
Xanger, Âlucemas^ e Saié; e distribuiu diaheiros, e ar^' 
mas pelos combatentes, e defensores da religião. Emprega* 
rão os habitantes de Ceuta neste armamento , e ataque con^r 
tra a frota inimiga grande esforço , porque o Doutor Abu^* 
Ha tem Alaze&, do qual Deos tenha misericórdia, lo»> que 
lhe chegou carta «do Príncipe Abu-Iacub ordenando-lhe qui^ 
armasse as galeras , congregou os Xeques, Alcaides, Ár« 
tãizcSj e combatentes, deCeuta^; etendo^ instigado pa- 
ra . a peleja , e exhortado para o auxilio dos habitantes de 
Algezinu , e livramento da perdição e flagello , em que se 
achavâo , correio todos os moços e velhos da mesma a 
embarcar nas galeàs , das quaes trípularâo quarenta e cii>* 
CO entre grandes e pequenas, embarcando nellas .yolunta* 
líamente todos os Doutores, santos, negociantes, mercadí>- 
res , e outros, ignorantes da arte da guerra, que se acha» 
irao oella , determinados todos a sacnficar suas vidas por 
Deos Ahissimo, tendo ficado nella somente as mulheres, 
os grairados com o peso doe anno^, os anciSos destituídos 
de forças, e os rapazes, que iÃo tinhâo ainda chegado áot 
annot da puberdade. Ben-AIahamar armou em Almanqueb 
(Almoohecar) , Aliena , e Málaga doze galeras , e o rrin- 
cipe Abo-Iati^ em Tanger , Salé , e Alucemas quiuze , 
tiodo a perfazer ao todo setenta e duas galeras. Juntas to^ 
datem Celita, desaferrarão todas para Tanger, para as 
vêr o Priacipe Abu lacub, aonde aportarão oprima e per* 
^ feitamente preparadas, e esquipadas, nas quaes embarcou 
também alli multid^ dos valentes Benimerines, que de^e* 
lavlo empregar-se na guerra sagrada. Tendo-ihes c^^^to 
Príncipe entresado o seu feliz , e vicf oríoao estaadarte , di- 
zendo-lhes : ide confiados na bençiio e favor de Deos, te- 
tumbarão então as vozes dos valerosos' defensores da religião 
com as proeéf taçtfes de fé , e exclamarão as gentes , invor 
caodo', e fazendo supplicas a Deos Alri^sírro por e tles , 
para que os ajudasse , e fi%es$e victorioscs conira o seu ini* 
VÚgp, os quaes desaferrarão de Tanger no dia oitd\o do 



m« de UabiaF-ioal do anno 678 (1279) , ficando a ges« 
te a chorar., e resignada na vontade de Deos ; e tanto os 
habitantes de. Tanger» coroo os de Ceuta » e de Alcacáp 
Seguer conservarão-se quatro dias com as suas noutes senea 
nenhum delles dormir , nem fechar a sua porta , porque os 
relhos, e os rapazes, que ficarão, subirão ás muralhas, e 

Êrincipiarâo a encommenda-los, e a rogar a Deos por cU 
■8 de dia e de noute. 

Desenroladas no mar as velas das embarcacòea dos 
tnosseleínanos , avançarão os seus esporòes , £izenaa«e4ii€8 
as ondas como hum pacifico lago , aplacando Deos os vett« 
tos, para se lhes suavizar o mar, é'o susto; e auando som 
cegarão os mares , e as suas agita^âes, e encapeíiamentoa» 
deixarão correr as galeras , as quaes , tendo-se dirigido a 
Gibraltar , e passado alli amarradas aquella noote com ot 
defensores da religião^ occupados na leitura emedicação do 
Kvro de Deos Altíssimo, e invocando o mesmo Senhor^ 
logo úue rompeu a manhã do dia Quarta feira , deciçao do 
sobreaito mez , celebrarão immediàtamente a ora^o de pri^ 
ma. Leva ntarSo-se então entre elles alguns Doutores, saiH 
108 , c oradores , e lhes referirão os grandes e snagnifioot 
prémios , que Deos Altissimo tinha preparado para ob de^ 
misores da religião até seus olhos verterem lagrimai, «eut 
cora^6es se suavizarem , seus espirítos se fortiocarenv, ^t 
tenções serem sinceras, desejarem a guerra aagraida , deis'' 
pedirem:se, e abraçarem-se huns com m outros , é perdMi^ 
rsm o que havia entre elles. Tendo^se feitp depma à6* yúfí 
com direcção is galeras dos associadores , logo que estêt 
vifão as velas dos mosselemanos encammhando-se para é,^ 
les, os quaes ja tinhão fechado os caminhos, que sedirn 
gião para a peleja , imprimiu Deos o susto em seus cora* 
çdes, uhlrão^se com tudo huns aos outros para que houves- 
íe difficuldade em combate-los. Tendo o seu Almirante su* 
bidoá coberta do seu navio para vér as galeras dos mos- 
selemanos, contou mil Relias; e pensando, que o resto era 
cm maior numero , contarão«nas os officiaes ; e convierão » 
que sem duvida excedião a mil, por Deos Altissimo^s ter 



tugmèntado i sua vista , e desanimarlo r ecertof da sn& nii« 
na e perdição , resolverão a retirada e fugida ^ mas reado* 
se aproximado as galeras dos mosselemanos, aos^úuaes Deos 
ÍBLçm victoriosos, poserao^se em linha diante delles á semcM 
Ihança. de huma muralha , confiados em Deos em todas a9 
suas cousas, e todos ja dispostos para a morte, epara ven* 
^crtm seus espíritos a Deos Altíssimo pelo paraixo antet 
delia » apresentou*se contra eilas^o valeroso Chefe da frota 
em hum galeão , que tinha preparado , e com die multidSo 
<ic officiacs e combateotes em embarcações armadas , e com 
sáooa lio altoí e todos elles restidos de ferro, e ostentando 
numero , e apparato. Sobre a maior galera dós mosselema* 
nos , que era o Gorro , se elevava o navio commaodaoté 
inimigo como hum escarpado monte, e quando ac desenn>« 
lava a sua vela , corria huma carreira , <:ofno a carreira de 
kom veloz cavallo por terra. Tendo fomado entlio calor o 
eombate enue as duas armadas , e feito oa moaselemanoa ê; 
^roteaiaçâo de fé ; disserão : não |)a reffeióes , ou conject»* 
XBtj depois de se estar vendo. Applicadas aa setas dos mos* 
sdeoianos directamente para eUes , como a copiosa chuva ^ 
e o vefaemente vemo , píenetra vão os escudos e as couraças ^ 
éispeisarãose as cokortes , e as turbas , e ajudou Deos Al^ 
tissimo os seus fieis servos ; e teodo-se retirado ircz das ga« 
leras inimigas , augmentado-se a mortandade , e as fèridatf 
nas que fioirão, e continuado o arremesso daa setas , e o 
iraspassamento das lanças ; logo que os infiéis virão as des^ 
graças e infortúnios, que lhes sobrevinhão, voltarão ascos*-' 
tas, e príndpiarão a retirada, dizendo: viagem infeliz y e 
ataque ruinoso ! e rendo-se lançado os mo«selemanos com 
cUes nas galeras, matarão innumeraveis dos mesmos. Gv 
010 a maior parte se lançou ao mar nadando, como as 
rans; e se arremessou a etie como se se atirasse á cama , 
as mosselemanos os matai^o com as lanças hervada?, e 
com as espadas afiadas i e tendo as suas galeras appareci^ 
do vasias, as dominarão os mosselemanos , c se :?po$çarãõ 
do armamento , que havia ncilas. Alegrarão-5e os mo^sele* 
nauos ^ que esiaváo <kauo de Algetisaa caaa a derrota da 



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■■ III 



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jnoMefemaoos, e as embarca^^ dos DiristíSos mais de 

quatrocentas , fbi^ estas veiicidas. Marchou en^ o alvi* 

careiit> a dar parte ao Priocipe Âbu-Iacub ; e cendo-o in« 

roraiado da íkaiosa yictoria , e decorosa acção » que Deoa 

Altiasimo concedera aos moáselenoanos seus servos yv louvou^ 

e deu graças ao mesmo Senhor » e escreveu immediatameiH 

fe a MU pai ^ fazendo-lhe esta participaçáo , cujo erande 

beneficio 9 e incompaiavel mercê teve lugar no dia diK)de^ 

cimo do mez de Rabiai-áual , dia do nascimento do pnn 

fina , do anuo 6^9 (i^79)* Chegada a carta sobre a victm 

ria ao Pirincipe dos mosselemanos , que se achava sítianda 

a Messaud ^ filho de Canun , no mome de Saipiessim » praa*' 

trou-se adorando a Deoa Altíssimo^ sem oessac de IhertS!* 

der gradas, e louvores, depois do. que ordenou que se r&« 

Bartiasem esmolas, e soltassem os presos; eque sefizessen 

Msua 9 e se tocassem os tambores em todo o seu paiz, ao^ 

qual (Deoa tenha ddle misericórdia )« desde que. lhe che» 

gou a noticia do sitio de Algeairas • vAo tinha sido got^ 

toso o somno, nem saborosa a oomida até que lhe chegou 

a noticia da conquista , derrota da £rora , e retirada do ezer^ 

cito , e sua ausência de Âlgézinr. Tendo passado o Pria« 

cípe Abtt-Iacub a AlMziras logo depois desta victoria nopri^ 

meiro do mez de Rabial«4guer , temeráo^eosCfarístáos em 

todoa os paizes , nomearib governadores para oa caatdloe 

em todas- as regimes, e tratarão com elle suspensio dehos4 

tilidades; e peia inv^ de Beo-Alahamar ter tomado Man 

laga , por is» o dito Príncipe fez a paz com Aflbnío coo» 

a conoiç^ de hir com elle cercar Granada. Tendo passa<9 

do á Mauritânia, fbrto com elle os magnates dos Chrif« 

tSos , com os quaes marchou á presença de seu pai , pafa 

lhes confirmar a paz diante delle , por pensar , que o (jua 

tinha obrado , sería do seu agrado -, mas logo que o Pruvi 

eipe dos mossdemos tal ouviu, irou-se contra elle, nÍo 

deu a soa approvacSo, e partiu para o palz de Suz, Juran^ 

do, que nSo-^veria num só dos Jitos magnates, que tinh^i^ 

^ i^iodo.com seu filho senão , se os visse no.seu paia, «squaea 



^inrMb Vb^esse ; qué a noticia^ que tfiAá tido aelire a pás 
com Ben-Âlahaitiar , era tcridíca ; e que lhe dissesse se di|^ 
posene para oseu éni!ontrò, e se p r ep a r a sse para ò sea eonii» 
Date y e pdcga : quando o Embaixador Ibe deu está rei^posi* 
ta ^ ezdamou o dito Príncipe : ajnda^me contra elles , éOpti^ 
mo doa auxiliadores. Sahíu depois de Tanger regressaixto 
para Fez , na qual entrou no ultimo do mez de Aaual do 
anna678 (laSo) ^ (tendo sida a sua permanência em Tait^ 
ger de trez mezea e sete dias) o qual tendo fixado nella á 
sua residenda j enviou* semimla ym o sett Embaixador á 
lagmeRtssaa à esiabelecer-lhe oa argumentos, eaoclarav-Uie 
o caminho rectos , diaendo-lhe : até quando, ólagmerasaatf^ 
éatuí <ateerrOy t Uluadoí néa detemos deacobrir oa ani^ 
mos ,r • ttrmtnar estea «ales 1 por teAtura nSbaabaa, qrit 
a tdMea ja cbegMi, e que se foi a mocidadei e ie avni^ 
nhou aanlpo dttitiorw? chega por riMto á paz , bem, qui 
0eoa dlapM pátt os Mia servow: segue o camkiiio da pM^ 
dsKltf, e ncttdão; apMsa^te a cooperar para a bemicwda^ 
e demência { concorre para a guerra sagrada ; e possue-Cfc 
éa emuladto rm gazua contra ói$ dhrtstáós. Até qoaaKf^ ^ 
âté quando aaráa a«gtftd0 ) a bebida da fiione ht indabin^ 
yiel para ú menlMé Se w ireco^fes iMfchar |kafta a gOM^ 
ssgrada, fe apartares' do recio eaininhò , ddaa hír^po^ 
yৠa étáy fieis tín defensa do seu pai2 : assentaste ^ e nSé 
te lef aftte^ Mmra a tilbu de Tagin , pôrciue eHá está altía^ 
dar cêm éH Bemmérinef. Tendo-lne chegado o Bmbaitâdor^ 
ea(teg)ido4bd a eatta ^ e c^nifirmtdô-lhe o seu cornei) 
t^nfd ^ue otívia fairer meaç^ da tribu de Tagia coni^ ro^ 
deids^ de- eiípres«6cs , éon$éf^Ado-s^ a9^i(?nrâdo sem pod<t 
di3eefAir còtfú âtgutfia pdr eia^Tsá da colerá , di9se de^ist 
puf Deos, q«e nSo hd-de d^ampársíf a tribu de iTi^ii ^ 
ainda qi)eea vis^e a alma nas' profbndtóaa 'dd lAfmvsri ^of 
fartfo penha íbda a sua ditigeActa, c prepnre^e ptirz SP^ 
lêja ; pois lhe he o mais útil. Tanto que Almansof perdeft 
as espieranças da p9t cont elle , sâhiu da' capftal de Fea 
*o mez de Dul-hejja do artfto 67^ (1181) a coittbafe^to», 
t proseguitt a sua «Ufcln até I^agge AMclIah 1 6í|d6 se 

Aaa % 



\ 



ajuntou còfii sêii filliò o Príncipe Abihlacub. Partiu dirpo i tf 
para Taza ; e tendo pernranectcio alli alguns dias , sakm 
dolla^ e fbi acampar em o rio. de Maluia. Nao hareodo 
no seu exercito quinhentos cávaUeiros i por isso permajieceti 
àlli alguns dias ; e tendo-se vindo unir a elle.os exércitos^ 
e os valerasos guerreiros, e cliegado-lhe a$ tribus dos&e- 
oimi^rines , e jnais tropaá i semelhança, de huma enxurr»-' 
da^ivindo o sfu acampamento a encher os niootes eo&vai-. 
2es, marchou dalli até se hir acampar em Namá, onde fa- 
íeeeu seu fiiho Ebrarhim* Proseguiu depois a sua marcha ^ e 
^i «campar nas margens do ; rio Tafeihat; e tendo^se Iag« 
jnerassan acampado diante deUe com ^s riquezaa , fkmilia , 
€ com todas as cousas as inais insignificames , acompanha»^ 
do^o. as tribus doa Árabes com ás ovelhas e camelos ; por 
isso o Friacipe dos mosselemaaos prohibiu ás gesttea o com- 
bate , posto que oa Benimerinea o desejassem. Teado aahi- 
dó multidío destes a ca^ar , é a vér o acainpame/ito de 
lagmerassan^ e havendoos conduzido o d^evertimeato da 
caça a chegar i extremidade do dito acampamento , athi- 
rÉo^hes os de. Beni-Abdeluadi , e forSo ao seu eiicootra 
os Árabes^ como gaíâ^hai(o$, os quaes os aHuçeotaráo até 
chegarem á borda do no. hcíg^} que o Principe dos mossele» 
manos viu os de Beni^Abdeluadi no alcance da wa cavai** 
laria (e estava como tinha acabado da oração meridiana) , 
montou no seu cavallo , e mai^diou com as tropas dos Be- 
pimerines y Árabes , e todas as outras , as quaes vierâo pa-^ 
ra elles como Leóes^ hindo a cavaliaria em duas divisâea^ 
huma das quaes se dirigiu pasa a acampamento de lagme- 
rassan , e a outra para o acampamento dos Árabes , que ti- 
nfaâo vindo com elle, ficando na rectaguarda o Principe doa 
inosselemanos , e seu filho com perto de ddus mil valero- 
0OS guerreiros dos Benimerines^ Tendo tomado calor o com- 
bate , ardido a batalha > e continuado com vigor a pel^a 
entre os dous partidos , exclamou o demónio , e nâo ces- 
60U o combate de tomar maior vigor até i oração de ves-^ 
^as I em que tendo vindo o Principe dos mosselemanoa 

com perto de ttil cafaHeiíos Beoúnçria^, e seu filho o 



<073 ) r ' 

ppe !?.ba-IatQb ^:cutro lado ccín tguál fiumerd, ca«i 

uai ddies coro tambores bateates , e bandeiras desei&.. 

las f 06 rodearão por todos os lados , e òs cíngirSo €(>• 

tormento perpetuo j àlterríafido nelies as lanças , e as 

las t afiadas espadas. Tendo visto lagmerassan ^ qué 

^40 podia resistir, soltou derrotado a fugir deixando 

das ^ diobdros, utensílios, e famHia ; e retirpihse pa* 

desenos na fórnna do seu costume i sem cogitar das 

, Q^ da família ; e tendo sido moftbs os seus éter-' 

y ;e conriilas as suas bandeiras, saqueatloas gentc9- 

'ff^ o seu atampáiMiUo y nâq tendo cessado em toda tf 

- e até ao-anlanbecer de jpoubar em todo o pais , e os* 

.' ' ooM do Prífiope dos mosselemanos de tocar nas gar«> 

(#) , e ibfão tomadas todas as riquòas dos Árabes , 

ittfo cbeias as o^os dos BenimenDes dos seus rebanhos 

jfellias , e de camelos. jCbegado Ábu-Zaian , filho de 

' iflloaui» á presença do Priocipe dos mosselemanos , o ac- 

10U y e permaneceu com elle no pak de lagmerassan , 

f iBtendo-se com a sua tribu de Beni-Tann em captivar , 

f inar , e destruir ; e logo que o dico rrindpe estragou 

>o seu paiz, cornou as searas, e demcdiíi as suas ca- 

y ordenou aos de Beni*Tagin, que regres^sscm para o 

paiz , aos quaes 4eu abundante^ riquezas para suas ca-^ 

; eelle permaneceu sobre Tehimeissan até elles chegarem 

' ieu paiz. Partiu depois de volta para a Mauritânia ; e 

ido cnegado^ Fez, e entrado nella no mez de Rama* 

o do anno 68o ( iiSi ), conpervou*«e alH até ao fim do 

ez de Xaual , donde partiu pard Marrocos no primeiro 

3 segiunte oiez de DuWKaada do dito anno ; e tendo en« 

ado nella no priroeiít) do mez de Moharram dó anno 69a 

iz8z), e desposado-se alli com a mulher de Messaud, 

ilho de Caoim, enviou seu JUho Abu^lacub para a Hcspa-» 

lha , e ficou dlÇrcm; Marrocos, onde lhe chegou oEnvia* 

do d^EJRÂ D* Affiuiso com caru sua , na quai o chama* 



•fc^i 



(4) Cêlmu iio m lenAii, tnim «k cahello , ou <*a tf t ciof p4lrnttat , 
tm 99 k^kfo çt i^t9^m ssaiarttir^ » ai c;ttaes «Ucs niudáo mixúm vras 
^Jmbi Jifar pui dmo cm isilo «fat ^ím^ patt^sfciis, 9uc. 






\ 



( 374 ) . _ 

ifê etííien nxtiWa^ àitenAo\he: osChnkMj rfUei ViScfiàk 
ncfêc^f vidlsfia o meu pacto, e tkhdhrífíhse comnoám 
com itiett filho , e dis^erão: a hum Cheffe relho ;ja ccBmm 
6 seu coumI&o, e dctbou o majaltú: a]uda*me por taow^ 
ê m^tchát&i coani^tp cotitn elles (a), Approtc^ando AU 
ttáuâOf «sti occaziâo, responden-ihe imtMdiatacoeiíM > e 
paititt de Marrocos no mez de Rabial-aual sem entrar em 
pòiúíK^Of nem se deter até chegar a Alcácer Segoer} a 
teodo oaasado dalií para Algèziras no raex de Raoit-aiil 
do preaito antio, onae TÍe»o apreaeniar^se^he os magat^ 
frs da Hespanba a saud^-to , e encommdo os ChrisiSo» eof 
hum extremo abatimento, e em grande dWisâb, paniii djrf^ 
K , e fei-ae acampar em Sagra-Abad ( Zahara ) , aonár «• 
ireiu enòofitraf com elle Affonso bnmilde, e siibnuissó, M 
^al o Priíieipe dos mosselemanos honrou , e eogtándtiMki) 
étendo-se4he queixado da^ua feita de meios | accrescrafttftt« 
dò**l)»e, que nâo tinha auxiliador, nem pmrector Bt nflo a 
elle, e que tAò lhe restando sen^ a coroa, que tinha tam^ 
bem sido de seu pai e slvót; e achando-se em neeésshtadé 
^fa aqueHa campanha , a tomasse de penhor pof alguiH 
dinheim, e fhe desse que dispead^ naqMlIa ét€ám&*, 
aubministcM^he o dito^Pritití^èx^m n»il dUcadòS^, e^mar^i 
chou com ette a combater o pa»^ dos Chtistâos afév che^* 
^ar a Cordõva ; e teirdo-se acampado jvtfHé átlh\ a céMi 
bateu alguns dias , ácharido^se ná mesiifa » itlho ài Alfoit^ 
80 sitiado ; e mat^dòu contra Jaeit^ hunr éscfú^têrâê^ o qaãt 
destruiu as suas searas* Partto dépo?#o ftiwèi ff<? doS' .tnoiM 
aelematios para as visinh»nças de Toledo ma!értclb,'éa'f^ 
▼ando, saqueando, e di^struindo a^ viltfts , é os c^MrèllM 
àxé chegar a Madrid, perteUeenre á tomartó de> iTohído * 
donde regressou para Algezifas;. por se acharem as^maos 
dos mosselemanos cheias de captivos , e de d^spr^os , eúji 
gazua foi tão grande j qii\? adfa^se niú ptíAt igualar al]gU->. 

ia) No tom, III. pag. 69 diz Conde = Luego que el, Rei Al fo i w a «H f 
teiidtolôs tratos de su hijo coo MubtoMki-kemwl ntudio ét iu« alikozltf ^ j 
esaíbio ai Rei Juzef , que euaba en su aiie?aolta ic Algetiia^ ^^yê 
continua akerandoos wpecmfiu ^ •> ^---i .n» ' .. - ^ \ ' ,• .umj* 



tm Msub dm - p w? c d k nt ai ^ecuto,^ be.^ta a sexta; e ten« 
oo enteado ^Sit Alpeziras oo ^tnçz 4e Xaaban do sobredito 
#1100 « e fiArannecido neila até ao mcz de Dul-hejja , 9a«* 
Uii jPopricocirpdocDez.df Mofaarram doanno 68z (i2B3)9 
f •laeraDii látaUai^tm cuja comarca expiu;nou muitos caà« 
tdloe, emre^es ^artat^ D;tí:uanvi? Sabu. 
c . . KcAe <adDfio. i^ostou a p«z p íilfaa ác Afibnso com Ben<« 
Ainlianar por causa da paz de seu pai» com o Priocipe 
'^9i, mò^s^masKts Ahó^IttKof ; e teodo-se abrasado a iles*. 
pasJML^enjfegOf.cbegott este a Málaga > e eatreUon-sè o 
tttfldp cxHicni £ea-ÂlaJbamar; e por isso mabdouoseu Eu* 
^do a0 PiBiitípfi Aàík]M9o£ y^ qae se achava na Mauríta^^ 
ttla.y Mdâodo<il)e, .qae mraassc a p^sár a compor estas 
pa rm rhaig^ea^ to .^aí éosrcofla embarcado para a JHespanfaa 
n> mess' de jSafar daranqo j6Ba .<<aS3^, depois de ter da« 
Mdo al^uitt tempo a iiestiucUigehdaL«éntm ambos, ^xscabe» 
. kmi Ikos AittBsimo . a oocoordía eatce os laosaideaHnpf 
por «íu meio, cuitou cotu al^a: benção, os ettaodaitei da 
idiglã^ y utm os seafbncitioa do mobatinnrtismo ^ voltarão 
çt gttfitmns jQDBCra os seus inimigos, e espalhou o Princi«* 
ye úos moa sdcoaa oos aesaas cohonles pelo paiz dos cafres ^ 
afi;^eaafBesaiaD|. e c^ptivariío; e aepoia sabiu dê Algo* 
tinM til oomhaser Girdwa; e he ^sta a gazaa de Alam> 
fíL (#) .... 



C A PI T U LO LXXIIL 



JSflfcrr is imiuU ào Prhiâpe éos wwsjekmã- 
UH < fw0 a g0fat$ã de AUkerã. 



s 



Mê» t) ^to PrNicâpe para JcHa no primeiro ^ Rabiai 

asuddo aono iM% ( 12S3 ) \ à fendo macchado até chegas 

-^ — — ■ - - - • 

♦ • 

X^f) Ahibera suppcfiliQ eu.sét a viUa de AUmhra na Muiicfaa fctio de 



é CorcSova , aijo país! combateu j lal^Àtt; ^seai oMreHoi^ 
e çlestruiu a sua pavoaçao , paitiu ^ra AlaiMa , deixan- 
do o 6CU acampamento com as presas, e cousas pesadas 
etts Baeça y guardado por cinco mil cavalltíios dos mais 
intrépidos j no qiie houve direcção, e regime, porque oonr 
estes iicou rodeado o seu paiz, donde proseguiu com graiv« 
de diligencia^ pafa .Âlabem { e tendo marciuido - dous dias 
por terra deserta até chegar á povoada , satiiu etitSo a ca- 
vallária i pilhagem até chegar ás visinhapças de Toledo^ 
medeando entre esta e o Príncipe dos mosselemanos sòmen* 
te ^uma jornada ; e o que o impediu de a combater Sh 
âchareni*se os mosselemanos carreados de despojos , e de 
captivos. Tendo sidç mortos nesta expediçSo iomimenvreíe 
Cnristâos , voltou o Príncipe dos mosselemanos por outny 
caminho , queimando^ devastando ^ captivando , e oiatando 
até ch^ar á cidade de Alabera „ è tendp*a combatido poc 
espago de huma hora , arremessou hum arrenegado com 
huma setta de cima da mnralfia , maltratou o cavallo to*^ 
bre qãe estava montado o dito Principe, sal?ando-o Deos 
Altíssimo; e por isso partiu dálli pam o seu acata^meota» 
quç havia deixado em Baeca ; e tendo permanecido nestas 
por espaço de trez dias até descansar a sua ^te; partiu 
delia Qepois de a estragar , e proseou na mia moarcha pet* 
n Algeziras, levando a diante de si innumeraveis capjiyoa"} 
riquesas , e gados , na qual entrou no mez de Rageb do 
anno 6Íi (1^83^ > onde tepartíi^^AS presas entre os mosse- ' 
lemanos. No primeiro do seguintv mez de Xaaban passou 
para a Mauritânia; e tendo permanecido trez dia^emTan* 

Ser, partiu depois para Fez , na qual entrou nos últimos 
ez dias do predito mez. Havendo jejaado nella oracz de 
Ramadan , e passado na mesma a páscoa , partiu para Mar- 
rocos ; mas tendo chegado a Recate , e aemorado-se nesta 
dous^ mezes , proseguiu depois , e entrou em Marrocos no 
mez de Moharram do anno 683 ( 1284), donde ^mandou 
seu filho o Príncipe Abu-Iacub para o paiz do Suz a êubol 
a gyerrà aos Araoes, e ás tribuk rebeldes do. mesmo paiz; 
é tendo-se retirado diante deUc os Arabfs para Sahara | .• 



(377) 
peneguido-os até ch^r a Saaaial-hamtá (o rio teniidho); 
morreu a maior parte delles de fome. 

Tendo adoecido perígosameotc o Pdfldpe dos mo6fe« 
lemanos Ábu^ussof em Marrocos , escreveu a seu filho o 
Príncipe Abu-Iacub , para que viesse sem demora , antct 
que o arrebatasse a morte i e tendo partido para Marro- 
cos , logo que chegou a seu pai , alegrou-se este com elle, 
e com a sua vinda , e principiou a experimentar alivio , e 
a decHnar a moléstia. Âchanao-se restaoelecido , partiu im» 
mediatamente de Marrocos no ultimo do mez de Jumadil- 
águer do sobredito anno ; e tendo entrado em Rebate no 
meado, do mez de Xaaban do mesmo anno, e jejuado al« 
li o mez de Ramadan , onde fàleceii a virtuosa e abençoa- 
da Omrool-Âzze, filha deMohammed, Ben-Hazem, emSi 
do Principe AbuJacub , cuja morte foi no .dia vijKCsimo 
septimo dorefisrido mez, apresentarâo-se»lhe alli os Aeques 
e jQoutores do paiz da Mauritânia a sauda-lo^ e dar*lhe 00 
jiarabens do seu restabelecimento. Neste annp tinha havi^ 
do terrivel secca até ao mez de Ramadan , dia da morte 
da mencionada Ommdi-Azze. No ultimo dòmez deXaual 
do predito anno partiu ó Principe dos mosselemanos de Re« 
bate para Alcácer Seguer, donoe escreveu ás tribusdaMap* 
ritania , instígando-as para a guerra sagrada. Tendo princi* 

Siado depois a embarcar os exércitos para a Hespanna to« 
o o resto daquelle anno, quando chegou o primeiro do 
mez de Safar, que he o segundo do anno 684 (1285') » 
tinha-se completado a passagem da gente , e acampado em 
Tarifa y donde passou depois para AÍgeziras, 



p 



CAPITULO LXXIV. 

Sobre a quarta passagem do Principe dos mos^ 
selemanos AbuAussrf para a Hespanba. 



ASSOU o Principe dos mosselemanos Abu-Tússof , diz o 
author, a quarta vez para a Hespanha a imprehender 4 

Bbb 



^itfl sagrada, nd dia Qulota fdra oncò do tnw €t S^fàe 
dô fliyio 684 (1285) ;. c tendx) acampado na ilha de Tari* 
fê^ marchou dalli para ÁlgeziraS) donde ^ passados alguns 
dias y saliiu a p,elejar contra t> paiz dos ChriatSos ; e tra-» 
do marchado até.chegar a Uad-Latrc (rio Guadalete), e 
encoq^Tvãdo ^s searas na sua sazão , -^ vs bens no seu auge ^ 
espiai hou as incursões pdo . paiz dos Christãos^ Pâitk de- 
pois dalii,. e hindo acampar juom da Cidade de Gercz^ a 
sitibu ,^ prindpiou a destruir assearas, cortar aa^uas pfo«- 
diicçôea^ e a estragar as vinhas , € as arvores da mesma y 
( a sua iftençao , quando se fosse do paiz de Gerez y era 
jpiassar a outro paiz doa CliristSoa , e deste a outro / e as-> 
sim successivamente até cfai^r aò ultimo dos què avízinJia^» 
iSo com o paiz dos mosselenKinos ^ e cercar at>riacipál dae 
mas metrópoles até consumir com a mina -^ destruição as 
iuas produções e mantimentos ) ^e tendo depois cuidrao cm 
distribuir as suas tropas pelos Alcaides das merauis para 
continuarem a sitiar aquella cidade até Deos decretar iobre 
isto conforme a sua Tontade , com 1 qual die esuva oon-^ 
Ibrme; desde o dia vinte do met de Salar do amto 674^ 
acima referido, em que a cercou , depois de ôeiebrar a ora- 
ção da mahhâ , continuou sempre a montar còm codos os 
defensores da religião ; e fazendo alto sobre a porta da ma«* 
ma cidade , distribuia as tropas pela sua comarca para dc^ 
truirem as searas , cortarem os íructos , e queimarem as 
povoações; e elle conserva va-se postado junto da dita por- 
fa. desde o raiar do dia até á oração de vésperas, concluí- 
da a qual voltava para o seu aposento, eos mossdema« 
nos para o seu acampamento , aos quaes elle não cessava 
de instigar, e de ser assiduo em os vigiar; por cauza de 
ter sabido, que os Christãos tinhao ja etbaurido os seus 
celleiros do trigo , ' que a carestia era geral no seu paiz , e 
que a fome se {^túiz propagado por todos os confins do 
mesmo;. pois tenieu, que se apossassem deste território , e 
ae provessem nelle do que lhes fosse suíficiente para vive* 
rem ; e por isso i];^istiu na sua destruição , e a fazer a dili« 
gencia para lhes cortar todos os meios da subsistência. No 



(379) 

Aa Tigesimo qaarto do mendonado inez de SslGlt cfieg^ 

rSa ao acampamento osBeflemerinea, e Árabes , que tinhâo 

ficado sobíe Bejer e seu termo , depois de terem destruído 

no espaço de tempo y aue alli permaneceiio , todas as soas 

searas , vinhas , arvoredos y e quintas ; e igualmente , pasr 

tando pela cidade de Ben-Salim , as suas searas , e matap 

do e captivado os seus habitantes. Chegario igualmente 

neste dia os cavalleiros mosselemanos , que esta vão em Ta* 

rifa ^ e a infiintaria , que se acliava destacada em os^ caste^ 

los da Andaluzia , com o seu trem , e armamento. Unidog 

os yictoriosos exércitos , mandou o Prindpe dos mosselema- 

nos no dta vigésimo minto do mez de Safar marchar Aiad 

Alassemi para o cattello de S. Lucar , o qual fez incurstfes 

contra etle , onde matou multidío de Christãos. No dia vÍp 

gesitno sexto do sobredito mez mostou o Príncipe àps mo9^ 

selemanos; e tendo feito alto sobre a cidade de Geiez^^ 

mandou a ^avaliaria , e mdeteiros a ceiftr o trigo , e coo- 

duzi-lo para o acampamento : e tão ficou neste besta , qua 

tio viesse catrepada com trigo e cevada « de cujos genetot 

licou bem provido o dito acampameato. Mandou o ttio 

mo Príncipe o seu Vizir Abu-Abdaliab Mohanmed/ filho 

de Atú, e Ab«i*AbdâUah Mohamir.ed, filho de Amran a 

fim de observarem oscastetlos das Pontes , e de Rudá (Ro* 

ta) ; e rendo montado , e marchado com perto de dncoeii^ 

ta cavalleiros ,. andario ao redor das suas muralhas por np 

dos os lados, e observado a fraqueza dos Chrísiios oelte^ 

residentes, alegnh^o-se, e voharaa depois, do que fnfbr* 

mai^o o Príncipe dos mossetemanos. No dia vigésimo sex^ 

to do mesmo mez ficoti» o mesmo Príncipe socegado no seu 

acampamento, isem ter montão, para iUodirosCbríSi^^ * 

e ficarem r^cegactos , os ouaês tendo sabido^ que ellé nSo 

montava naquelle dia^ sanirão com o seu gado vacimv, t 

lanígero a apascentá-lo ao redbr da cidade; mas tendrvie 

embuscado o Príncipe Abu-Iatá Maní<ir, filho de Abdelua- 

hed, no olival com trezentos cavalleiros mosselemanos es* 

palhados , correrão sobre elle^ , nf»:rtarSo o^ guardas , e apre- 

sarStf os rebanhos : por tanto com a permanência io Sriti* 

Bbb X 



cipe dos tnósselemanos nat]uelLe «dia em oa^mpatívDftfv' 
nem por isso. os vaierosos def€nsores> da rcligiáo suspende^ 
rão as correrias. No dia vigésimo oitavo do predito mez 
montou o referido Pripcipe com todos os defensores da reli** 
giâo^ e tendo marchada até parar sobre a cidade de Gerez^ 
a combateu por espaço dq huma hora. -Eetiròu-se depois, e 
ordenou á sua gente 4 que cortasse as^ uv^s , e. as mesmas 
vinhas, e tendo cortado grande quantidade, voltou á tarde 
para o acampamento. No dta segui^nte Domiiaga confiou ò 
mesmo Priacipe a seu neto Ábu AIv Maosor^ '6Iho éú 
Abdeiuahed: hum estandarte de mil : cavaileiros , ê o mao* 
dou . contra Sevilha ; e elle montou na forma do seu cosiu* 
me. contra Gerez , e havendo feito alto sobre eUa , mandbti 
tamíbem á sua gèrite, que: destruísse as searas ^ . e cortasse as 
vinhas ,. e os olivaes:; e tende marchado o dito Abu^Aly 
Mansor com os mil .cavaileiros dos Bejiimerines , Arâbes 
de Alassam , Golotes , e Agzazes de^de o amanhecer até 
ao meio dia, acampou junto do. monte Farinf; e feita ai- 
li g oração de vésperas, tornou a montar com a sua gente ^ 
€ proseffliiirao a sua marcha até se lhes p6c o sol sdbre a 
ponte . abaixo dos Arcos ; c tendo-ae allí acampado a fim 
de dar alguma cousa de comer ás bestas , marcnou depois 
oom a cavallaria até que amanheceu entre os montes de 
Anrahma (da misericórdia) e Sevilha , onde se poz embus* 
oado até levantar o sol ; e tendo convocado os Chefes do 
exercito dos mosselemanos , e consultado com dles a fc^ 
peitd dosqueh^viáohir fazer correrias sobre Sevilha, edos 
que. haviâo ficar com elle , conveiu*se oue fossem quinhen-» 
tos i e ficassem com o dito Príncipe Ábu-Aly outros qui«* 
sihento^. Sahirâo á pilhagem os ^quinhentos cavallein)s so- 
bre Sevilha, em sedimento dos quaes hia lentamente o di- 
to Príncipe, matando os Christâos , e caprívando-os , e a 
auas mulheres á direita e á esquerda y e queimando as suas 
cazas ; e tendo huma partida de mosselemanos , composta 
de Benimerines, Beni-Nojjum, e de alguns Barguatas, sa* 
Ilido a fazer correrias, e encontrado multidão deChristâos, 
os «tarou vigorosamente i e ajudados por Deos * AUissimo ^ 



( 3^1 ) 
nratafSo, ^captlvaráo multidão ddies. Rfonidotodcr oexer«' 
ciio ao Príncipe Âbu-Aly Mamor , veia o Xeque Abul-kra* 
san Aly , filho de lussof , filho de larjan , a perguntar por 
que caminho feria a volta , o qual lhe respondeu , que o pa- 
recer abençoado , querendo Deos , era tomar o camioho , 
que passava entre Carmona , e Alcali ; e tendo o Princi«* 
pe Abu-Aly mandado vir as prezas y juntas estas , as por 
eni n^o fiel, mandando*as a diante de si, e fbi-se para^ 
Carmoha^ mas havendo apertado o calor sobre os mosse* 
lemanos, e também a sede /mandou o dito Príncipe cha- 
mar o cavalleiro Abu-Somair, e lhe ordenou, que seadiaiK 
tasse y e procurasse haver noticias a respeito de .Ormona , 
o que este cumpriu ; e tendo encontrado huma partida dá 
mosselemanois , dos que tinhâo sabido a fazer correrias ao 
principiar o dia, a correr ligeira e precipitadamente, lhes 
perguntou, que tinhâo; e elles lhe responderão:] aproxima'* 
iBO*nos de Carmona, e sahiu delia sobre nós a cavallaria^: 
e a infantaria : ei-la pois apoz de nós por detraz deste ok 
teiro. Tendo então parado alii o dito Abu-Somair com. os' 
mosselemanos até chegar Abu^^AIy com o exercito , e infbr* 
mado-^ sobre isto , dirigiu-se para os Christâos , os quaes 
tendo fugido a diante delle, e alcançado-os perto da por- 
ta, matou multidão delles , e o resto fortificou^e na cida-» 
de. Mandou depois queimar as searas de Carmona , e cor« 
tar os seus fhictos ; e tendo permanecido assim até is ho- 
ras de vésperas , paniu , e recolfaeo-se com a sua presa ao 
pAr do sol, pemoutando com ella em Guadalcte. Partiu 
daqui para os Arcos , onde permaneceu até celebrar a ora- 
Çâo de vésperas ; e tendo destruído as searas , prosc^ia 
com as mesmas presas para o rio Salgado , donae partiu 
depois para o acampamento, ao qual chegou oom saúde, 
e telicidade no dia sc^inte. No dia de Segunda feira trio»' 
ta do mez de Safar cto anno 684 ( 12P5 ) montou o Prín- 
cipe dos mosselemuinos , e ordenou a todos os defensores 
da religião, que cortassem as vinhas, e os olivaes, e quei- 
ma6sem as searas , no que fizctâo muito grande estrago, 
€9Aicrvanda-6e o diio Príncipe a ioflammar os moiselema- 



nos para \:^ estragassem as riquezas dòs Chtigtíos 
lebrar ar oração de vésperas. Como aquelte dia era de in* 
tensissimo «calor, ordenou o mesmo aSaid, filha delaglaf, 
e a multidão de Árabes , que se apresentassem oom Mret 
de agoa doce, e parando com os vasos delia na rectaguarda 
dos defensores da religião , a subministrassem aos oue 4 
quisessem , o que cumprirão todo o tempo do aperto 00 cat 
lon No dia de Terça feira primeiro do seguinte mez de 
Rabiai-áual dcf lAesmo anno tornou a montar o Priocipe 
dos mosselemanos , e mandou apregoar pelo seu pregoeiío 
aos seus, que sahissem a destruir as searas, e cortar asar* 
vores , donde não regressou para o seu aposento até que C6« 
lebrou a qrai^o de vésperas. Neste mesmo dia ordenou el* 
b aos Árabes de Atassem, que rondassem sobre as portas 
de Gerez , a fim de apprehenderem os que fugissem del!a ^ 
• matarem os que quisessem entrar na mesma ; e que fizesr 
sem incursóes sobre o castello de S. Lucar, o que executa* 
fio i e tendo encontrado os seus habitantes socegados , e 
fbra delle com todas as suas riquezas , tanto bois , oomó 
gados lanígeros e machos, apresarão tudo, e captivaito 
quatorzc homens de seus moradores, com cuja presa yeiíi 
Aiad Alassemi coni hum esquadrio para o acampamento. 
No dia de Quarta feira segundo do referido mez mandou 
a Príncipe dos mosselemanos huoMi partida de quinhentos 
eavalieiros a combater Ecija e sua comarca ; e no nMsmo 
dia chegou o Príncipe Abu-Aiy Ornar, filho de Abdelua- 
hed da Mauritânia ao acampamento; e com elle grandei 
multidão de defensores da religião, e de 'voluntários de cn^ 
valio e de pé com apparatosos vestidos , e completos ar« 
mamentos. Chegou também neste dia o Doutor Cass6m, 
filho do I>outor Alçassem Alarfi com os combatentes deCcu*- 
fa, que erâo quinhentos lanceiros, com cuja chegada se ale- 
grou o Príncipe dos mosselemanos. Ordenou este no mesmo 
dia a Mahlahal, filho de lahia , Golotense, qne escolhes-» 
se cem eavalieiros dos Árabes Golotes , e que permaneces-» 
s^m sobre Gerez aguardar os seus habitantes, para que ne- 
nhum destes sahisse , e para que lhes interceptassem as pro* 



C 383 ) 

vi5(>es ) ós tfúaes n!lo cessarSo de rondar ao redor delia de 
dia c de nouic* No dia de Quinra feira terceiro do predito 
mez coniiou o" Príncipe dos irossclenianos o seu estandarte 
com milcavalleiros trossélémanos a seu afortunadíssimo ne« 
to Abu-Aly ômar, tilho de Abdeluahed com o tim desa-» 
htr a fazer incursões sol)re o paiz dos infiéis; e tendo sahi« 
do do arraial ao nascer do soi , depois de se ter despedido 
de seu avô na tenda da rectaguardâ , fez com a sua tropa 
bunà marcha forçada até ád Aonis de vésperas; e tendo-se 
acampado em o prado da maHnha para' dar a façâo á ca? 
vâilaria, caminhou depois desde a bocá da noute, e foi 
aiDaoliecer*íhe âobn a tonaleM dejab^r. Tendo^e embo»- 
cado jomo delia até ao sol po^o , càmínliou depois còm a 
sua tropa por espaço' de hvmá terça parte da ntHite, e acann 
pou em o rio Guadalete, onde per^Dafiecea até amanhecet ; 
e iieUc fioM de emboscaua até ao meio dia còm o intenta 
de deixar espalhar osChrístlos pela terra, o qual ^ logo que 
celebrou a sua oração meridiana , repartiu a sua tropa em 
duas divisSes , e orãenou a hâma , que fizesse a)rrerias so« 
brc os Christíos , e á outra , que permaneceste com- elle. 
Subdividiu depois a primeíta em duas, huma dasquaes foi 
'fater incursões sobre Maschena ^ e a outra sobre Carmona. 
Aqvella apressou a marcha até parar sobre a porta de Mar<* 
chena ; e teodo-se depois difiunaido pelas suas vizinhanças ^ 
matou muitos dos Cbrísrâos, e apresou suas mullieres e 
filhos, e aquamos encontrou nos caminhos, hortas , e eiras; 
e se conservou naquellas vizinhanças até acabar o dia , em 
que concluiu a sjua preza para o rio Guadalete ; e esta , 
que tinha sido destinada para fazer correrias sobre Cp f mo- 
na , seguiu o seu destino, apoz da qual. marchou o Prind- 
pe Abu-Hafce até que parou sobre hum forte , que aiii*ha« 
via oom trezentos CIbristãos, acsquaes combateu vigoroéa* 
mente até que o ajudou Deos Altissimo na presa do dito for* 
tê ; e tendo-se senhoreado os mOsselemanos de todas as ar- 
omas , alfaias, riquezas, e Christâs, matado todos os ho- 
mens alli encontrados, e destruído o mesmo forte, retirou- 
•e salvo > e vkwikmi até dregar ao rio Goadalete > ^úáe 



(3»4) 
le ^iu. também incorporar a divisão , ^ue rinha hido fk^ 
^er correrias 6obre Marchena, oncte pernoutarâo todos Jqih 
tA^enre, com as suas presas. Logo que amanheceu, fez o 
di(p Príncipe hir a preza a diante de si, e marchando na 
sua rectaguarda, foi pernoutar aos Arcos; e tendo piose- 

Suido .para o acampamento, alegrou-se com elle o Príncipe 
os mosselemanos , e lhe agradeceu o seu bom servt^. Na 
mesma Quinta feira tree do sobredito mez de Rabial-daal 
do anno 684 (1285^) íizerão incursões os lanceiros de Ceu* 
ta sobre hum dos casteUos dos Christâos ; e tendo appreheiH 
dido oitenta pessoas eiitre homens , mulheres , e filhos , di« 
tigiiâorse com elles para o arraial ^ e escolheu o Erinctfw 
dos mosselemanos clfico para si , e repartirão os mais entre 
elles. No diia seguinte montou o Príncipe dos mosselema*** 
oos , ç Qiarchafâo com elle todos os defensores da religião , 
que se achavão no arraial , aos qaaes elle ordenou que des^ 
truissem as sementeiras , e cortassem as arrores na íbrm^ 
do seu costume; e tendo os mosselemanos c^iegadò aos caai^ 
pps das searas , e principiada a ceifa-las , e debulha-las , 
inarchou o dito Príncipe para o olival de Gerez , onde aé 
Çftacionou, para que nao sahissem alguns dos Christâos^ 
que prejudicassem os mosselemanos ; e tendo alli permaneci 
cidç até celebrar a oração de vésperas, e sabido., c]^ todos 
os defensores da religião tinhão voltado para os seus apo« 
sentos , regressou para o seu arraial. No Sabbado quinto 
do mencionado mez montou o Príncipe dos miosselemanos 
depois de ter celebrado a oração de noa ; e tendo parado 
sobre a porta de Gerez , a combateu vigorosamente até que 
entrarão os mosselemanos nos seus arrabaldes, e os queima* 
rão, onde matarão mais de setece;ntos homens, sem ter 
morrido neste combate se não hum único do$ mosselema*» 
nos. No Domingo seguinte tornou o dito.Prijicipe a moo* 
tar; e tendo parado sobre a dita cidade , ordenou ás gea» 
tes que fosseni a ceifar as searas.; e elle fícòu no .olival até 
celebrar a oração do sol posto de guarda ao$ mosselemanos. 

Sara que não sahisse da cidade o inimigo contra elles, don« 
è regre^ou pa/a q acampamento deppis . de ^/i ver sabido ^^ 



ros tnódselemancs tiohão sahtdo dá ceifa das searas , è 
seu recolhimento» Neste mesmo dia sahiu Aly > filha 
de Ajage Alangebi , com setenta cavalleiros de seus itítíSoa 
a fazer correriassobre Rota ; e tendo-a saqueado , e morto 
nella quantidade de Chrístâos , regressou para o acampai 
mejito com a sua* presa. No dia de Terça feira oitavo do 
mesmo mez mandou o predito Príncipe hum esquadriio de 

r'nhentos cavalleiros defensores da i^giSo, os quaes ten-i 
invadido a Arcos , a saquearao , apprehendendo nella oU 
tenta mulheres , bois , bestas , e gado lanigero , e matando 
muitos homens, com cuja presa vieilo para o acampamen-i 
to. No dia seguinte encarregou o Príncipe dos mosselenKH 
nos o commando de mil cavalleiros defensores da religiáo^ 
a seu filho b^rincipe Abu-Maaruf , e lhe ordenou oue fos^ 
se devastar Sevilha , e talar a sua comarca , para onde mar« 
chou* No mesmo dia fbrão alguns Árabes Golotes fazer 
correrias sobre hum forte da comarca de Gerez ; e tendo 
tomado oito mancebos , e trezentas cabeças de gado laní« 
gero , e cento e setenta entre bois , machos , e egoas , voK 
taião para o acampamento ; e também sahirao setteirosy 
e combatentes de Ceuta oontn alguns castellos dos Chrís« 
taos , onde mataiâo muita gente , e captivaiâo treze entre 
rapazes, mulheres, e Sacerdotes; e tendo achado em pò«*. 
der destes muito ouro do cunho dos mosselemanos , Inês 
sacou o quinto o Príncfpe dos mosselemanos. Sahirao no 
mesmo dia alguns Alcaides Andaluzes a fazer incursões conw^ 
tra hum dos rortes dos Chrístâos ; e tendoo tomado de as** 
salto, matarão á gente que estava oelle-, e captivarão sei» 
mancebos, e quatro Chrístâs, e^ igualmente tomarão cem 
bois; e tendo vindo para' o acampamento com tudo, Ihea 
tirou o dito Príncipe o quinto , como tinha praticado cont 
o; setteiros de Ceuta. 

Tendo partido o Príncipe Abu-Maanif com a tropa', 
que lhe estava confiada , montou com elle seu pai , e o foi 
acompanhando até que o despediu, encommendando^lhe,. 
e recommendando-lhe o temor de Deos em occulto, e em 
publico i e também a paciejjcia ^ e a firmeza j e tendo-sQ 

' Ccc ^ 



• ' ' I 



I. 



CA PI T U L O LXXV. ' 

Naticia da cbegaàs do Príncipe Abu-^Iacui da 
: : . Mauritânia, tom o destino de se em* 
pre^ na guerra sagrada ^ 



^^oodque o Prindpc Abu^Iacub cbc^D da Mauritaiuc 
á' Hespanha com copiosas tropas dcsde^nsons^religiãd, 
e dos voluntários^^; foi niarchando até. se aprosím»' do ar* 
laial do Principa;4os .mosselemaoos seu. ipai ; . e tmdo4iie 
mandado dar a notícia da. sua vinda, xnoatou este.com to^ 
dos os iQOssclemanos , vpiQ estayãD«iP sau acampanientò^ 
parr o hir encontrar ;.^imiii^e ^asiàst, hnin dos:jBeiihnerines/* 
Árabes y è Agsazes ás seas trihus^xbandmras , coi^regou- 
aela/ gente para areacontroy^^pp^neceM^cadaobuina das tri* 
bus» çom os pr^paios^cyBe ítinkay^ficottoootvserfl infantariai e 
aetteiros na vanguarda da cadraliaria ^ -^ tendb-^e contado, na* 
^elle.dia tnezejfnil ^dos voluacarioa , e de .Mossameda ,Jie 
oito mil dastribus de Auraba, Gammam, Sanahaja, Ma» 
^aasa , Sadrata , Lamta^^ Benu*iarga ^ e dií outras ^ é apro* 
zimacSo-se as tropas , e as tribus* sepatadas humas das ouv- 
iras. Logo que o Príncipe Abu^Iscuo se aproiimou de seu 
Ei , apeou-«e este do seu cavallo^ e parou' diaoteidcHe por 
milhaçãç a Deos Altíssimo; epoz*se cambem a pé cPrin« 
dpe Abu«Iacub,.e foi andando em ^correspondência ao en- 
contro de seu pai humilde ^^ e civilmente ^ ei logo que che-. 
gou!j^e)le y lhe beijou a mão , e o saudou» Montou depois 
o Príncipe àoé moaselenitanos , e ordejipu a «eu filho qiie 
montasse; e tendo*o asetm comprido, aproximarâo-aeas 
gentes saudando-^, haiBas ás outras, unirão^se os exércitos, 
tocarão o^tambores até tremer a terra, e marcharão para 
o acampamento; e tendo-se recolhido o Príncipe dos mos* 
selemanos á tenda da rectaguarda com seu filho, e os Xe- 
ques dos Benimerines, e dos Árabes, vicrâo as iguarias, e 
depois de comer a gente ^ retírou-se o Príncipe Abu-Iacub. 



• ( J9* ) 

pdb, continuou msrchnndo até chegar ao monte deEbrir/ 
onde deu o penso á sua cavallaría. Marchou depois, para 
0^ Arcos ^ em cujo lugar se levantarão as vozes dos moi-. 
selemanos de noute mencionando , engrandecendo, e louvan« 
do a Deos Âltíssinfo até estremecer a terra com ósseos stU^ 
ridos ; e tendo proseguido aquella noute a sua marcha cooi 
os defensora da religilo , em que continuarão nos seus Ioih 
yores até lhe amanhecer junto de Âin-Assagra (Zahara)^ 
celebrou alli a gente a oração da n^anhS , onde permanecei 
até ás horas de vésperas. .Partiu depois o dito rriocipe , é 
seguiu a marcha com a sua gente ; e tendo-lhes escurecida 
eín o rio Guadalete, encontrado os mosselemanos charcos, 
sitios difficultosos , espinhos, e lugares pedregosos, eapres* 
8ado Abu-Iacub a marcha naquelles embaraços , a a gente 
atraz delle a desunir-se; por isso se separou, e apartou dei- 
le nas trevas da noute a maior parte doditotexerciro, sent 
saber para onde tinha marchado o seu companheiro; e ten- 
do o rrincipe Abu-Iacub procurado os mosselemanos, e 
sabido que se achava retirado delles huma grande jornada^ 
parou , e ordenou á cavallaría , que voltasse para os defen^ 
sores da religião, que tinhâo ficado atráz, e ás trombetas 
qúe tocassem , para que as ouvissem da escuridade do ca^» 
xninho, e se encaminnasseme dirigissem a ellas, osquaea 
com eiFeito as ouvirão , e se encaminharão para. as me^ 
mas de todas as partes, conserva ndo-se o.din> Príncipe np^ 
seu lugar , sem delle se afastar até que se lhe unirão ti^ 
dos os mosselemanos , que tinhão ficado atraz , com osquae/s 
todos marchou até amanhecer^ e tendo celebrado a oraçãa 
matupina perto de Guadalquivir, -avançou alguma cousa coia 
os mosselemanos até nascer o sol; apeando*se do seu ca- 
vaflo, vestiu a say^a de malha, e preparou-se {Jara o en** 
contro do inimigo ; e o mesmo praticou 'a sua gente , a qualv 
renovou as suas puras intençòes para a gqerra sagrada , e 
exclamou com invocaç6es a Deos Altíssimo. Tornou a- 
montar o dito Príncipe com os defensores da religião; e 
tendo vadeado o dito rio , ordenou ái gente as incursões ^ e 
a dispersão pelo paiz dos associadores j e tendo partido ca« 

j 



( 3?3 ) 
éã bnma das divisóes para sua parte , e «sabida a- de Béni* 
Assécar, e dos Árabes Golptes para hum lado, apenas se 
teria passado huma hora , eis que se vicrâo apresentar ao 
Princípe Abu^acub Com innumeraveis presas de gado va- 
cum , e lanígero , bestas , e multidão de homens e mulhe- 
res: Os Árabes Sefianes iizerao incursões sobre hum dos cas* 
lellos do^Christáos ; e tendo entrado nelle por força » e atear 
do o fogo ás suas portas , matarão os homens, captivarâo 
9S mulheres, e as crianças , apresarão os t)ens, ere^ssarâo 
oom a sua presa para o predito Príncipe , que hia marchao^ 
do apoz dos incursores , acompanhado de multidão da tn^ 

Sa dos Beniní^rines 9 e dos Xeques dos Árabes. O Xeque 
os Agzazes sahiu com cem cavalleiros contra AlcaU do 
rio; e tendo-a accomettido, combatido , e matado sobrç 
a sua porta m^is de. seteiita Christâos , e captivado . outros 
tantos y principiarão depois os mosselemanos a queimar aa. 
searas ) e a destruir a^ mais cousas úteis até ár horas 4a 
vésperas ; e tendo voltado as gentes, e chegado com as pre« 
sas de todas as partes, principiarão a degoliar os caraei« 
ros , de que. matarao quasi dez juíL Ordenou depois o Prin^f 
cipe Abu-Iacub, que se ajuntassem, e contassem as presas; 
e lançado o seu numero em hum rol , e postas nas oiaoa 
dos fieis, pernoutarão alli os defensores da religião em prí* 
zereSj e divertimentos; havendo ordenado que trezentos 
defensores da religião. ficassem guardando os mosselemanoa 
aquella.noute, os^quaes andarão rondando até amanhecer '; 
e tendo o dito Príncipe celebrado a oração matutina ; orde- . 
nou que se toca^ssem os tambores, o que se cumpriu; e 
juntia a gente , c monta-la , entrou com cila nas.povoaç^ - 
do' bosque, e na$ de 44farafi?; e se dedicarão os mossele* : 
manos a queimar, roubar, arrazar, destruir, queimar. as 
searas, cortar os fructós, ç demolir as casas.,, nas <|uacs for 
tão mort^ muitos milhares de Qiristãos , c ca.p{ jvou igual 
numerode mulheres > e crianças ;t e. tendo al!i p^ççiançcido 
o dito Príncipe dous, ^dias até nao deixar luquc^as povpa^ 
ç6es aos.. Christâos cousa, dq que se podçssem servir, par- 
tiu de volta, 9té chegar «..Guadalquivir; e liavcodorO pas- 

Ddd^ 



C »4 > 
úto cdtn ZÈ pté$M z diáttte de ti v entrou filll 8 força eii 
luim cflstells, matou todos os ChrisrSoB , que nelle eneon» 
ff ou 5 t apptòhendeu os seu6 bens| onde o8 defensores dart- 
iigiáó passarão aquella fioute; tââs logo (que amanheceu , 
partiu o referido Príncipe^ marchando com as presas Jeti^ 
támente, cmit as quaes pernourou junro de Carmona. Par^ 
tiu depois aó outro dia ) t tendo tiaarcliado todo elle até 
«Gàmpar em ós Arcos , « nó tftoate do *Ebrit ^ permaneceu 
alli átéd tofceira vigília a uhlftia daoudla i^oute^ e partiu i 
ti tendo eamittfaado o resto da tuMite, roi4he amanhecer per^ 
to dõ a^mpamento. Chegada esta noticia ao Príncipe dM 
lAósselemanôs, itiontou tom as suas tropas a recebei, « 
M edcontrarSó ao lado de Gertfât nú dta Dmningo ^ínro 
00 tííet ét RabiaMgUff, trazendo a diante aa presas, qo« 
tttchilo á terra na kr^ra ^ e comprimento ) e tendo paa» 
lado os defensores da religião com as Mas presas , tludd 
M homens em gargalheiras, e asmulhefes ligffdas tom còt* 
6fi9, a ftprésentad(>sô comellas á vista da cidade para áfUt* 

gà ê tettior dos Christáos ^ qnè se athavflo lieUa , parou o 
intlpe dos tnos^elemanps j^tò da iuk Mtta coui òs seus 
Atimerdsos eirercitos , e vlctorioso «státdait^) tnârakanáo 
áa pi^eSas a diante ddle, tocando oiraiAborés, 6 éMCiamaiH 
éé tt gente em louvores a Deos j pois hl este hbm grafid« 
4ia y Ti/} qual os defensores da religiáo se transportarão d« 
Mater y e ae dilatado suas esperanças. No dia de/Sèguoda 
feita sfcjtto do predito ttilz chegou de Tarifa O Pk'iâcipa 
Abu Zaian com hum poderoM exercito de settèifòa e vo-* 
liintarioe , e quinhentos cavalleíros dos Árabes tle Béni^Ja* 
fter, ò qual se apresentou còm todos etles sobre a cidade 
ale Gerez , è a combateu vigorosamente naqueUe dia. No 
éh segdime encarregou o Priiicipe dos mõséelemanos a seu 
filho Abu-Zaian o commando de mil cataHeiros dosdefen*^ 
Sores da religião, e lhe ordenod, qtie fõs^ fazer correrias 
k)bré o território de Guadalquivir ; e tendo elle aàhido dd 
tenda da reaaguarda com o estandarte de seu pai , e cot0 
€s mil cavàlleiros, trezentos dos qnaes ei^ dos Árabes dt 
Scni-Jaber> comínaildados por XusSof^ filho 4a Caktia^ eoi 



( i9S ) 
•fteeelmM dos Bcaimerlnet , marchou to^o squ^Jle ^ia «t^ 
á aoute ; c havendo pernoutado perto dos Arcp^ ^ partiu à^ 
pois ^ levando na sua vanguarda cincoeota cavi^Ueiros , aop 
quaés mandou , que fizessem incursões sobre Qirmpga » o 
que cumprirão; e tendo matado muhidâo de Chrbtâos, f 
tomado as mulheres» e os bens, 9a hiu sobre eUes a çavalh 
laría da .dita cidade , e apoas desta a infantaria ; e nSo ce«« 
sarilo de os combater até se encontrar com elles o Prindr 
ne Abii^-Zaian , que desbaratou os Christaos, e matou deJU 
fes ccescido numero. Marchou elip depois para hum fortev 
que alli havia 1 no qijal se tinhâo ajuntado muitds Christâoa 
com suas mulheres , e riauezas ; e tendo*os combatido oelr 
ie por cspaeo de huma nora « poz^se a pé multidío dos 
cavaUdros ae Beni-Jabcr ; e tendo tomaao os seus escudos 
paa mios , e despedido as settas , entrarão no forte de assahr 
10, np miai matariui os homens , captíva^ as muUm^^ 
e apresarão soas riquezas, depois do que principiou o dtC9 
Arincips a queimar as searas , cortar os jrructos » e arrasar 
as. povoaçtfes ^ o que continuou a praticar desde Carmonai 
sté a hum forte fronteiro, e próximo de Sevilha , que com* 
baterão 96 mossdemanos accendendo o fogo ao redor del« 
Ie atè que o tomarão á força. 

Escolheu depois o Principe Abu-Zaian quinhentos est 
nlèeiíos da sua tropa , com os quaes foi fszer correrias so- 
bre Sevilha, fora da qual captivou cento ecincoenta mulher 
m^ e ousCfooentDs homens » e matou em huma seara mais 
de qninnentos , que schqu ceifando nclla, rera de^EIRjcí 
D. Aflíbnso , dos quaes não escapou iHim só ; e apresou iíu 
numerável quantidade de bestas muares , bois, e gado la- 
nígero. Junita depois esta presa , fe-la marchar o dito Psmp 
cipé na sua vanguarda, apoz da qual marchou <99eti ae^Af'- 

f^amento; e tendo ahi chegado ao sol posto, pernoqtou aú 
i , e partiu no dia seguinte para o acampamento de.$eu 
pai. 

No dia decimo terceiro do predito mez de Rabíírf» 
águer do anno 684 (izSy) mo;irou o Príncipe Abu-IactíB 
com trez mil soldados decavallo, e outros tantos de infan- 

Ddd 2 



/ 



tarlâ e seUeirós para a ilha de Ô^butar (à) K-oncdri do 
rio de Ebora , depois de haver mandado as galeras por mar 
com os guerreiros mdsselemânos ; e tendo estes cbegado 
a ella , veiu a cavaltaria , e lançou-se ao rk> ; t entrando 
na ilha , matarão os pastores e mais gente , que havia nel« 
Ia, apresarão os bens , cavaltòs, machos, jumentos , e ga- 
do lanígero 9 e captivarão as mulheres , e crianças , ém> ca-* 
jo combate beneficiou Deos o Chefe do mesmo, e a seu 
primo. Na Quinta feira dezeseis do' sobredito mez Voltarão 
as galeras <]a dita ilha para Algeziras com as catapultas , 
settas, e mais instrumentos de guerra j e todos foiâo asses- 
tados contra Gerez, 

No dia seguinte fizerão os Árabes Safiâoes correnaa 
contra alguns castellos, donde «aqneai^o trezentas cabeças 
de gado vacum , quatro mil de lanígero, trinta Cfanstis^ 
e dezeseis homens , dos quaes matarão quantidade ; e re- 
gressarão para o acampamento com as presas^ 

Na Terça feira vinte hum do mesmo loez mandou 
o Príncipe dos mosselemanos hum esquadrão de tresento» 
cavalleiros a fazer correrias contr;i Carmona e sua comar- 
ca , o qual apprehendeu grande riqueza de bestas, bois,. ga-«. 
do lanígero I mulheres, e crianças , e conduzia tudo pára o 
«fraial. > 

No dia trinta Quinta feira ultimo do mencionado mez 
foi fazer incursões Âiad , filho de Abu-Âbad Alassemi com 
multidão de seus irmãos contra hum dos castellos.de Gua- 
dalquivir; e tendo entrado á força no seu baluarte ou fbr- 

(O A geografia Arábica Nubíense cfiama^Ihe Cabtur , e dh ser huma 
povoaqSo, que está situada com a oatra^ drnominada Gibtal , no meio cb 
rio: e posto oío diga o nome deste , segundo a dtscripçlo, que rai fazea- 
do da navegaqSo-de Rota para Sevilha, nSo deixa de estar situada na boca 
de Guadelquevir , o que mais se confirma pela seguinte passagem, que 
Iransctevo da geografia Hespanhola do Padre Pedro Moriltò Velarde tonu h 
IL 57 : o rio Guadelquivir, diz elle , entrava antigamente por duas bocat, 
4ue faiiio huma grande illui: nella fundarão os Tartezeos a cidade de Ebo* 
rã, (meiKionada peb autbor Árabe) de que ainda ha alguns vestfgioi: 
agora entra-se por huma boca; porôm junto de Rota coascrva^se ainda o 
oinal da outra boca. 



(Í97) 
tsíTúzt , ò queiÃiou , e matou nelle tnais de trezentos fao* 
tnens, e capcivbu vinte, e^serenta e seis mulheres, com ca*- 
ja presa se dirigiu para o acampamento. 

No dia Sexta feira primeiro do mez de Jumadil-áuat 
do* anna 684 ( 122$ ) sahirâo os Christiós de Gerez com a 
intento de procurarem provis6es, e de devastarem ^ porém 
tendo-se metido os Árabes Saíianes entre elles e a cidade ^ 
matarão delles mais de cincoenta. No Sabbado segundo do 
dito mex confiou o Príncipe dos mosselemanos ocomman* 
do de cem cavalieiros a Hagge Abu*Zobair Taleh , filha 
de Aiy^, d lhe ordenou, que se dirigisse com elles para Se^ 
vilJia aezpíeriínentsà^ai^ ea adquirir oorícias d^ElRei D. 
Sancho, porque hão tinha nenhumas dellej e igualmente 
para este esquadrão fazer inciu-sòes^ informar-se do estada 
do paiz , e saber noticias , com o qual n^andou os espiai 
de Hespanha , e os judeo5. 

Montou o Príncipe dos mosselemanos oa Segunda f^« 
ra quarta do predito mez com todas as tropas dos defbn« 
Mfes da religião, assim de cavallaria , como de infantaria , 
c marchou para o castello de S. Lucar , e o combateu até 
entrar ndle i força , e queimou os seus arrabaldes , e casas ^ 
snatou os homens, captivou as mulheres, e saqueou os bens ^ 
advertindo que neete dia nao ficarão no acampamento dos 
valeroaos guerreiros senão os Árabes Safianes a guardar o 
mesmo. 

Na Quinta feira sete do referido mez poz-se de em« 
boscada Aiad Alassemi com a divisão dé seus irmãos na 
caverna de Gerez , donde marchou depois com quatro dei* 
les, levando na mão a bandeira encarnada, até chegar á 
porta da mesma , deixando os outros embo^cados ; c ten* 
do^o visto os Christãos , sahiu delia a cavallaria e infanta-* 
ria , como huma lavarcda , projectando agarra-lo ; e tendo 
diligenciado attrahi^los até os passar além da dita caverna, 
e sahido sobre elles a, emboscada , os cortou da cidade , dos 
quaes matou setenta e trcz. Era o dito Aiad o maÍ5 acer* 
rimo dos mosselemanos em maltratar os Cltrisiaos, não ces* 
sando de dia c de noute de fazer correrias cooira o seo 



(598) 

fãity nem tendo écmio z.gucmí sagrada hiima hora 
ão que c^ moasclcnsanos cercarão -Çcrez até q^e se ausettpi 
tarão delia. ^ 

Náo eesaou o Prlncifse dos tnofselémanos Abinlussof^ 
desde o dia tia sua partida de Tarifa , e tea acampaaeiH 
10 em A^n-Âzxajar (na fonte da arvore), qu^foi no dia 
Çabbado septimo do mez de Sa&r do anno 684 ( Abril 
de 1 285 ) , e na ma prolongada demora no sitio ooatra 
Gerez, até cue partiu dalii no dia vigésimo oitavo domes 
de Jumadil-áual do dito anno (principio deJttUio)» do 
•spalliar todos os dias incursòes m> paiz da imoiigp do U^ 
ào oriental , e do occidental , d&repartir por elle os enia^ 
drtfes; crescendo por isso nas suas regi6es a mortandísmè 
o saque ^ e de confiar a seus filhos e netos os seus estandaff 
tas , t fiaanda-Ios com grandes exércitos aos combates; poia 
em todo o teinpo que teve Gerez sitiada , logo que celeora* 
va a oração matutina , chamava algum delles, oubum dos 
Xeques dos Bcniinerines , eonfiava-lhe o estandarte , eomanf 
da^a com hum esquadrão de cem cavalleiros , ordenand» 
lhe que fosse fazer incarsâss sobre aquella região do paiz 
inimigo 9 que quizesse combater atè cjue destruiu os paiíea 
próximos ae Gerez^, e os remotos ainda muitos diaa de 
k>rsada, taes como Niebla, Sevilha, Carmona, Ectja^ 
Jaen, os montes de Alxarafe, &c. , o qual^ logo que cow 
sumiu e destruiu aquellespaizes,' comeu as suas searas, apr» 
sou os seus bens , e cortou as suas arvores até n4o ficar aos 
Christâos cousa , com que se aiinlentarem , chegou a esta^^ 
çâo do inverno, diminuirão as provisóes no acampamento^ 
è encarecerão os seus preços, partiu dalH para o seu paiz; 
mas tendo-lhe chegado a noticia, achando^e em marcha, 
que os Christâos tinhão armado a sua frota para cruzarem 
no estreito, e cortarcm-lhe a passagem, apressou a sua 
marcha para Tarifa , onde se acampou , e ordenou que se 
arma5<sem as galeras, das quaes se armarão immediatamen^ 
te em Ceuta , Tanger , Rebate, paiz de Rife, Algezirasj 
Tavifa, e Alinunhecar trinta e seis , tripuladas deseueiroe; 
e combatentes, e completamente armadas. Logo que afro* 



(399) 
tê dòs Chrlstfes soabé do armamento das galerar dos mofi^ 
telemanos, e se certificou dá sua vinda , e chegada para i^ 
combater , desenrolou as ^uas velas , e fugiu diante delias ^ 
Mmeitdp encontra-las, e^tjue fenecessem os seus defensores;, 
# tetido "vindo a^^ galeras dos mosselemanos até chegarem á 
l^resenja do Prínai|)e dos mosaelemanas , que estava em AU 
getiralí, e apresentadonge no porto diante delle, achando*-^ 
«e o mesmo assentado na sola da audiência do seu palácio 
UÈ nota cidade ) fitoerâo diante delle as suas evoluções ,. co- 
fto AiiSoiiQs seus combâtesr, o qual oa mandot^ louvar | 
oitf«niadi>llM OM s« fetif ansem até too tempo de serem prc-» 
fdBOir ^tn que Ines ordenaria) que viessem. Tamo que EU 
Hd IX Sancho tiit) que o seu pàix tinha sido estragado^ 
èe sefei táttrosos gji^r^mi^ moftoi^, os bens dos seus tai^ 
tallos sdqiteados e M>ubdâos ^ luàs Aiulheres captivas , t à^ 
soa ftata ^ qfiie. elle tinha ftiandadé ^ir pâfa impedir i j^s»' 
Éegetn ^ é ív^ir ) e úm derrota » propetidea pora à pacifica* 
Sfti» y « (»brii0nèiá j i ú poiSttiu o pejo ^ e humilhif ãOé 



/• 



CAPITULO LXXVI. 



^nttiã «/tf «yVufo à>t Mmges « Sacerdotes Cbrit' 

tãèí d pv^Sií»ç» âò 'PtíMcipe d»t mMssk" 

maiu* a fedir-lbt » pa». 



L 



ooo qw t ?f\nápt áú% fnossêlembnoá partiti áe 6e^ 
rei, úit ^ ftlitlior^ e voltou pata o seu paiz por cau«a â« 
Itôver ch^do â «átaçKo do iiivetno » Sahi» ElRei D. San* 
^hõ àt Sevilha pára Gcre^ ; e tendo visto os vestjgio» dot 
l^rilicoft, e desenfadais dos defensora da religião nó seii 
pUiíZi e èfssufiis olárab dedeva^taç^o^ incêndio, niortandade^ 
Mptiteit^) e dilacefaç^ nas suais tropM, eo^a fibati^eA^ 
16, o que accendeu ú (bgo etn silas enttahhas, e tMieou o 
fM eoftino pelA vigilia; por isso nlândou hutiia d<eputRç^o , 

ftMmpom ^e S^eeNtote^ ^ &lengc«> e prijici|>âes guerivirw 



N. 



C 400 ) 
dt tua con6ança , á presença do Príncipe dos friossclemii* 
oos; e cendo-se-lhe apresentado submissos, postrados, o 
humilhados, nâo deu atrençâo ás suas propostas, nem lhes 
respondeu cousa sincera, nem justa; e por isso volt^o ac-> 
terrados para quem os tinha enviado , o qual os tomou a 
mandar segunda vez., dizendo-lhes: voltai á sua presença; 
pois talvez que elle abrande ; e tendo cumprido o seu man- 
dado Ihé disserão : viemos ter comtigo , 6 victorioso Rei^ 
com os corações despedaçados, e as entranhas quebradas» 
c angustiados, esperançados no teu perdão, procurando « 
tua paz. Esta he hum bem: por tanto não- fnistres os. nos* 
SOS intentos , nem rejeites as nossas rogativis. Não coQce« 
derei a paz ao vosso Soberano , lhes rçspondeu elle, senão 
debaixo das condições , que eu lhe dictar : mandar^he-hci 
o meu Enviado: se elle as admittir, tenho fbito com elle 
a paz ; e se se afastar delias , far-lhe-hei guerra aberta. 
Chamou depois o Xeque Àbu-Mohammed Abdel-haooue 
Arrabamani, e lhe disse: vai ter com Sancho, e dize-Ihe: 
o Príncipe dos mosselemanos te manda dizer, que não ^é 
concederá a paz, nem deixará de te fazer a guerra , e de 
combater o teu paiz , se não debaixo da; ^uintes condi*- 
ções: i.« não commetteres para o futuro hostilidades contra 
o paiz dos mosselemanos , nen^ contra alguma ' das suas to* 
barcacões, nem tão pouco dirigir^e contra elles com appa* 
ratos bellicos por terra, ou por mar, sejão ou não seus vjis* 
sallos : 2.' ficares sendo seu servo em tudo quanto te orde-' 
nar ou prohibir : 3.* consentires , que os mouros andem ^ 
dia e de poute commerciando em todos o^eus estados, sem 
sereoi incommodados , nem obrigados. a p4gar algum, im<« 
posto , ou alcavala : e 4.* não te introduzires entre os mos^ 
selemanos a fallar huma só palavra , nem assentar-te com 



algum delles. Tendo marchado o predito Abu-Motiarnsiied 
Abdel-haqque a levar esta mensagem a D. Sancho, e p 
ctuar com elle segundo as cpndiçóes, que o Príncipe dos 



mosselemanos lhe tinha referido, e' chegado á capital de 
Sevilha , onde elle estava , o. saudou , eotregoulhe a carta 
do. dito Príncipe, de que elle era portador, e o informoa 



C4or ) 

das "coricliç6et , que dle lhe itnpanha ; e tendo-se obrigadci 
e sujeitado a eilas , lhe disse então Abu-Mohamed Abdel* 
haqque:' na vetdade ja aceitaste /ó Rei , asoondi(6es; po« 
léoi ouve o que te vou dizer : dize o que quizeres , lhe res^ 
pondeu elle. He constante, ó Rei, entre os sequazes daa 
duas rdigiòes, e está gravado em seus coraç6es, que oPríiH 
cipe dos mosseiemanos Àbu*Iussof he dotado de religião» 
fé ) e compriaiento e observância dos tratados ; e que ^q« 
do estipula , cumpre ; e quando dá , perdoa ; porém a n náo 
se te conhece o oiodo de peiisar , porque obraste com tea 
pai o que obraste; sahiste contra elle injustamente» e tío« 
usie o pacto ; e por isso ibrão as gentes retirando-se de ti 
pela sua falta de confiança para comtigo. Tendo-lhe dito 
entáo EIRei D. Sancho , que se elle soubesse , que ElRei 
" Abu-Iussof gostava , que elle fosse do numero dos seus ser*« 
vidores promptamenteo faria, respondeu4he Abu*Moham« 
mcd : se tu entrasses no serviço * de nosso amo o Príncipe 
dós mosseiemanos , e lhe mostrasses sincera amizade nelle^ 
por Deos, que acharias nelle tudo quanto quízesses. Per« 
guntando-lhe entilo Sancho qual seria a primeira cousa , que 
elle faria, com que lhe agradaste, lhe respondeu : a primeis 
ra cousa, que deves fazer, he, não te ^ntremetteres , nem 
dizeres huma só palavra a respeito dos negócios dos me»t 
sdemanos, e deixares entre elles a disputa; náo feres adver-» 
tario 10 seu paiz ; e se houver entre ti e Ben-AIahamar 
palavras , ou vehemente disputa , deiza-o , nâo lhe repU<f 
quês totalmente , e escreve ao Príncipe dos mosseiemanos^ 
com o que este se ha de agradar, e te ha de pacificar, í 
segurar o teu paiz. Como porém Ben-Alahamar tinha j4 
mandado os seus enviados a Sancho , a fim de firmarem 
com elle a paz a respeito do seu paiz, e ser o poder de 
ambos unido para combater o Principe dos mosseiemanos; 
e Sancho tinha no rio muitas galeras promptas para fazer 
viagem , logo que Abdel-haqque acabou de f^illar , disse-ljif 
Sancho : á manha ouvisás o que eu digo , e verás o que ee 
faço. Tendo com eflèito montado no dia fej^uinte para a 
margem do rio, e feito alli -alto, vierâo os Enviados 4^ 

• Ecc 



OOs: 
ilurr 

Icr.v 



£ 




ífit Ja tnaU haverá qift fiilbr enttt mkn , e dle sobre tal 
objecto , por eu yér que isto me he conveniente , e ao mett 
jpaix , e vassallos* Sabei além disto , que tâo podendo cm 
* fepeUir de mim o Príncipe dos moaseiemaoos , como o po<* 
dprei repellir dos outros? , e que o dinheut), oiie recebi de 
vds para «star em vosso fiivor , foi conscrangiaa mente sub*» 
mettido á força do Principe dos mosselemanos. Desp^idoa 
os Enviados de Ben-Alahamar com as esperanças peroidas de 
os auxiliar âancho , disse*Uie então Âbu»Mohammed Ab* 
del-haqque: os Enviados de Ben-Alabaoiar ja«teretirarlo; e 
eu de que oianeâra me retiro para meu amo o Príncipe do§ 
Mosselemanos ? eu, lhe respondeu Sancho^ sou bum dM 
seus servidores , e execuior dos seus mando^os^ m pcofaibi^ 
(((es ; e estou promptiK ^rá o que lhe agradar. He ào se«« 
agrado , lhe lomiu Abodkhaqque , que tu té dmjaa á sua 

J presença , « te unas cpm dle. Sam , gostosa , e iivremeati>^ 
he respondeu Sancho^ perêm iogo xxie edte se dispoií a 
sahir paira se ajuntar oom o Príncipe dos crentes ^ congro 
garSo^eos ChristSlos em redor deHe^ fediarâo as portas de 
Sevilha sem sua ordem , e lhe probibirâo a sahida « e a hl^ 
da , dizendo: nós na verdade recisamos que teacooteça^ 
guma cousa da parte de Prinoipe dos niosselemanos';^efei^ 
do4hes elle respondido , que tiidia jurado bir ter com ^ 
)e, e principiaria fallar com o dito a reapeitò da fisz mf- 
tre ambos; e que por isso o deixassem íaEcre dnw vmnt 
quisesse ; ta mo que virão a -sua reSoluçlo , o deixarão^ Ha^ 
vendo 4íiarcha<iô aié á distancia de 4nima jw nada de Sevi^ 
lha ^ sobreveiu-lhe o medo , e entrou-Uie o afrependimehto^ 
b disse a Âbu Mohsmmed Abdel^haqque ; que <ifra o inMiw 
prete: eu ilao jUlgo, que os meus súbditos em àmpédir^^ma^ 
URxasfem de ter algum motivo evidente : qci««o por Cantif, 
que me protestes e jures, que eu eaiou seguro "^da sua bon 
íéy- e que da sua parte Mão hei de experimemar «en^o O 
queime alegrar; e tendo-Ihe.-Abdel-ha^uejiinido sobre is- 
to no Alcorão, que tinha còmsigo, iic^u o^M^U^Oração su^ 
cegado no exterior, e proseguiu d^poisa tfna marcha aié 
chegar a Gerez, onde^ augmentatodo^ii«4he ^o susto ^ disae 

Eee 2 " 



i Abcfel-hácjqae ; cú fíáo tne dirijo^ á presença do Frihcfptf 

idos mosselemados Âbu-Iussof , sem primeiro me ajuntar 

/Xom o escolhido para seu successor Abu^Iacub , o qual dacH 

•do-me segurança , socegará o meo espirito, c me apresentar 

Tei cbm elle a seu pai debaixoda sua tutela , e segurança. 

-Logo que Abdei*baqquc ouviu isto ^desconfiou , e temeu, 

jqiie se disposQsse alguma .maquinação contra os mossde* 

manòsL; cpor isso lhe respondeu : bem} elle virá ter com- 

tigb; poréoi sendo elle numgrajide e poderoso Rei, se 

teapresíentae com a.áiá tropa, etu, achando^te no tíni 

tpaiz, IbepeidireSf queseja teu intercessor para com seu pai, 

'deves sâhiT' do dito paiz , porque a dignidade Real assim 

o demanda ve £omo te nSto bé possivei a s^ahida de Qctet 

ao séu eiKontro, quarião dle entrar nella, nâociâzendo^ 

faltas ao que lhe ne devido , e abates o seu poder: consi* 

dera por tanto, como o has de satisfazer, porque quanto a 

^ dle vir ter dtHiitigo , eu té aífianço isso. 

Logo que Sancho ouviu esta falia ^ com que Abu-ldo« 
hammed Abdel-faaqque se pmpunha , a que elle desistisse 
da suá vontade da entrada do Principe Abu-Iacub em. Ge* 
^ez, retratou a sua primeira .falia, dizendo:, eu sahireí tãto^ 
bem^ eo htrei encontrar fóra da, cidade. Tendo marcha?* 
-do ,tk dito Âbu*Mohammed Âbedel«haqque para o Priaci* 
pe Abu-Iacub , o informou a respeito oe 'Sancho , da sua 
aproximação , e da inclinação do mesmo para elle, eofès 
•«ciente da sua satisfação com a sua aliança , eque elle de- 
sejava estar debaixo da áua protecção para chegar com el- 
le á presença do Principe dos mosselemanos. Tendo-se pres« 
tado a isso o Principe Âbu-Iacub voluntariamente, safaiu 
eom Abu-Mohamnied Âbdel-baqque ao encontro de San« 
dio na distaacia de algumas milhas de Gerez , aa qoai ále 
eaildott , e mostrou muito contentamento , alegria , e satisfa- 
ção , e fez dar boa hospedagem a todo o exercito; e tea* 
do ordenado o Principe Abu*Iacub , que se collocassa o 
acampamento fóra da cidade , armou-sea sua tenda , apeou* 
se nella , e entrou com elle Sancho' na mesma , o qua^t Ibe 
.disse ; sabe, d Prineipe felicissimo , e Soberano abençoado 



(4oy ) 

e« mak devado^que ai quero ser teu familiar ^esidr^le-^ 
baixo da tua protecção , e da sombra do teu amparo até 
me ajuntar com o Príncipe dosmosselcmanos teu pai. Tea^ 
do^lhe o Principe lacub dado a sua protecção, obrlgado-se 
«conseguir de seu pai o que lhe agradasse, e promettido^ 
Ibe alcançar delie todas as suas pcrtençóes , lhe disse San-^ 
cbo: agora socegou a minha alma, e voltei aos meus sen-« 
tidos. Na tarde di^quelle dia montou o Principe Abu lacub' 
para fora do seu arraial ; e tendo feito alto , sahiu toda 21 

tente, que havia em Gcrez, para o vér; e montarão xany^ 
em osheroes dosBenimerine^, que se cnterti verão nas evo-» 
IttÇlies e jogos diante delle. Tendo Sancho igualmente mon« 
tado, parou defronte do dito Principe, e disse: eu tam« 
bem quero brincar em signal de alegria pelo beneficio , que 
Deos me concedeu , por me admittirdes, e concederdes a 
paz 9 e tranquillidade ; e por isso devo ser o primeiro .noa 
regosijos; e tendo tomado depois na sua mão o escudo e 
a Jan;a , fez com elles as evoluçòes e os brincos juntamen^ 
te com os seus cortezãos diante do Principe Abu-Iacub acé 
que se poz o sol. Na manhã <io dia seguinte partiu o Prin* 
cipe Abu-Iacub com §ancho ao encontro do Principe doa 
inosaelemanos v e tendo-se ajuntado em Sahara sobre o rio 
Guadalete, e disposto-se o dito Principe a encontrar San* 
cho naquelle mesmo dia , ordenou aos seus exércitos , que 
se vestissem de branco, e com armamento completo, de 
inaneira que se esclareceu a terra com a alvura dos mosse* 
lemaoos. Chegou Sancho com os seus , o que causou admi- 
façSo aos raciocinadores ; e tendo saudado o Principe dos 
mosselemanos, e assentado-se diante deile convidadío pelo 
mesmo 9 lhe fallou depois assim: Deoa Óptimo Máximo 
me fez certamente feliz, <S Principe dosmosselcmanos, nes- 
te teu encontro , e me enobreceu neste dia com a tua vis- 
ta ; e eu na verdade espero alcançar parte da felicidade , 
qac o mesmo Senhor te conccdea , para com ella subjugar 
08 Reis dos Christâos: pão penses, que me dirigi a tua 
jnresença por meu gosto, e de livre vontade, tiias sim con* 
straogidamcmc^ o que ce juro por Deos, por teres destrui* 



dèohòssa|^aÍ£i ^^ptivado. as nossaã malfieres e filhos , 0a« 
fado os nossos valerosos defensores -, e por não poderm9É 
Comba ter-te, nem resistír-te; e por isso cumprirei tudo quatt« 
to me ordenares , 6 obrigar-m^-hei ^ e supportarei quantai 
condições* me ioVposeres ^ e a tua generosa mâo sobre lodii 
.o meu paiz evassallos governará tudo, como quizer* Olfe* 
recéu-lhe depois e a seus filhos preciosos presentes , e nít* 
gnificos donativos em reconheciítíento da sua gratidão , aa 
qual recompensou ó Príncipe dos mosselemanós duplicada*» 
inéhte. Conciúidâ a paz entre aitibos no dia Domingo via^ 
té do-itiez de Xaaban do anno 684 ( 1185* ) , tanto que dk 

. 1^ se retirou pata o seu paiz , ordenou-4he o dito Prindpe , 
qúe ih6 mancasse os livrordos mosselemaiHM , e Àlcoroea^ 
due encontrasse no seu paiz nas mãos dos Chríst4o$ e jti^ 

. éeos ,0 qual lhe envioif treze cargas, ^ entre elles quantia 
dade de AlcofÒés , e dt interpretes ao níesmo , taes como : 
Beh«Atià , e Atraalebi , de livros <]os ditos, eacçòes do pro* 
feta , € dòs sètta expositores , laes como Attahdib , e A149» 
Utúckt ; ílòÈ ramòis, e genealogias; do idiQma,.e da lin^oa 
Arabita^, âi bellas letras, &c.; e tendo ordenado, que ma* 
ictn êònduzidòs pára a cidade de Fez, ^ os destinou para o 
tetudo das ^dericias na Academia , òue elle tinha edifíe^ 
*dò helia para esse fim (a). Depois aaVetrráda de ^ocbo 
Jfara o seu ^aiz, vòltoti o^ Príncipe doS mpssélcttrànòs pata 
Álgeziras, nâqtfal ehtt"Ou nodia Vinte seis dbtefetído ttfeíi 
e tendo encontrado completo e^aCabado o Alcaciír, que M 
hhe havia edificado na nova cidade de Algezitas a^sim CB^ 
mo a 'Salà da audiência, e a mesquita, foi residir no dito 
Alcácer, em que permaneceu o mez de Ramadan, 'hindè 
Celebrar a ora^o de Sexta feira á mesqirita , e a das preceè 
na dita sala, a que nSo faltou huma só noute 4 penpane*- 
cendo constantemente de pé desde O principio ate ao fim 
da oração, .e continuando neste exercicio até acabar oditd 
ínez , cm que concluiu a sua obrigação do jejum , e de esi- 

- - 

(a) Quem for afeitado a-ouvir fabulas , e romances , náo disgostaiíl 
de l£r este. . 



( 4^7 ) 
Mr a pé , com o qual passa vão os Doutores toda a iioute ; 
f elle a recordar-lbes diversidades de sciencias ;r porém quan* 
do era a lerceira parte da noutc , lévaotava^se. para a tare* 
fk da sua leitura, epara fallar emocculto com sea Senhor , 
9 quem pedia a salvação da sua alma. Chegado o dia de 

Ciscoa retirou-se para o seu palácio, onde, assentado nasa« 
•da audiência, entrarão os Xeques dos Benimerines edos 
Árabes i e ae assentarão diante dclle a tomar a refeição. 
Concluída esta , trduxe-lhe o erudito , e insigne Doutor Âbu« 
Fares Abdelazíz Almaqnafsi da casa de Almazuzi hum' 
fóttM , i>o qual mencionava as expedições do Príncipe doa 
mosscknaanos, e de seus filhos e netos naquelle anno, 'oa 
kaivoívs ás tribifs dos Benimerines , as suas jerarcbias se* 
gMdoaa suaa ^duaç6es ^ as suas virtudes , e a sua firme- 
aana guerra sagrada ^ e nas cousaa da religião; e igual men«» 
^e a variedade das tribus dos Árabes, a ediftcafão da qo« 
#va ci^dé de AJgeziras , e a casa , e resideocu do Prinal* 
pt áoê mossdemanos ndla , a ^a oração na sua mesquita , 
a mbrc tribuna da mesma , as festas depois de condiuido 
O jejuo do Ramadan , e a 3cçío de gt^ças ao mesmo Prih* 
cí|ie pela sua firmeza em as cousas da religião, c vigilân- 
cia e caidado nas cousas adentificas , cujo poema recito» 
em sua presença no lugar da sua^residencta o seu leitor o 
DoiyiQr Abu^Zatd , natural de Fez, da casa de Algarabe- 
li « estafldo o Princlpe dos mosscleinanos arteoro á sua re« 
citação 9 e todos os jCeques dos Benimerines e dos Árabes 
ouvindoa até ao fim; e tendo beijado a sua generosa mão, 
mandou ao leitor duzentos ducados, e ao author do dko 
poema mil, buma pelliça , e buma cavalgadura. 

. «Nos últimos des dias do mez de Ramadan do annn 
íBa (laSjT ) mandou o Príncipe dos mosselomaiit» , diz o 
autnor, a seu filfoo o Príncipe Abu-Zaian cornam nuilic* 
toso exercito postaj-sc nos Uaiiies ootre o seu pniz è o de 
fienrAlahamar, crdconndo^ihe , que não pratlcaise novida* 
de alguma no paiz deste, nem llve causasse damno , ru pre« 
juizo; c tendo seguido' para o castcllo da Dacunn, situndo 
do lado occidemai de Màl^^g;! , acaopou-se fi6ra delle. No 



(4o8 ) 

iRBsmo met de Ramadan faieceti em Algesiras o Vitlú 
Âbii^ÀIy lahia, filho de Âbu-Madian, Hassecarensc. tfo 
fim do mez de Xaual do sobredito anno ordenou o PríocU 
pe do^ mo;seÍemano9 a Aiad, filho de Abu-Aiad AIisse« 
mi , que partisse com todos os seus irmãos para Estupooa p 
6 a occupasse , o que cumpriu , na qual se aposentou dq 
principio do mez de Dul-Kaada do anno 684 (ii8â)» Na 
dia dezeseis do mesmo mez passou o Príncipe Abu-Iacub 
de Algeziras para a Mauritânia a examinar o seu estado 
na ausência do valeroso Alcaide Abu-Abdallah Mohara* 
nted , filho do Alcaide Ben-Alcassem Arragerragi , o qual 
se acampou em Alcácer. Seguer. Neste mesmo anno ae edi- 
ficou o santuário de Tafartassa sobre a sepultura do Frii^ 
cipe Abu-Mohammed Abdel-haqque ; e em memoria desta 
obra deu o Príncipe dos mosselemanos quarenta dotes. No 
fim do predito mez principiou a moléstia do dito Príncipe ^ 
de que faleceu ^ nâo tendo cessado as dores de o arormeiK»- 
tar, ca natureza de se hir enfi^aquecendo até que faleceu 
no seu Alcácer da nova Algeziras na manhS do dia Teiw 

ri feira vinte dons do mez de Moharram do anno 6Sf 
1286), donde foi transportado para a cidade de Rebate 
na Mauritânia ) e alli sepultado na mesquita de Xallá, cu« 
jo reinado foi de vinte noveannos, contando**se desde que 
íbi acdamado na cidade de Fez^ depois do falecimento 
de seu irmSo Abu-Iahia; cdedèzesete annos, erinte dias, 
desde que dominou Marrocos , e extinguiu a dynastia de 
Abdelmumen , iicando-lhe por isso livre e desembaraçado o 
governo da Mauritânia ; pois como nds pertencemos aDeos^ 
para elle havemos seni duvida voltar, com cuja morte se 
dividia o mohammetismo, e com o seu falecimento se en- 
cheu o iDKmdo de affiicçòes e angustias. Deos Óptimo Mà^ 
zimo o redpba com misericórdia , beneficência , clemência , 
agrado , e satisfação ; consolide por meio delle as divisòea 
do mohammetismo, «conserve perpetuamente asna sobem^ 
nia e benção nos seus filhos , e netos. .y 



» . 



• . . >•#!*• 



• 



(409) 
CAPITULO LXXVIL 

Dê reinado do Prinche dos mossekmanos Mihlaeuhi^ 

filbo do Príncipe dos mossekmanos Jbu^Iusscf^ 

filho de lacub , filbo de Jbdel-baqque. 



A 



bv-AbdaUíAr , denominado Abu-Iacub , e intituladtf 
Aonasser-Ladín-Alhah» era filho do Príncipe dos mossele* 
manos AbiHiussof, filho de lacub, filho de Abdel-haqaue ^ 
e deOouDolazze , filha de Mohammed , Ben-Al-hazem Ala« 
lui. Nasceu no mez de Rabial-áual do anno 63:8 ( x 240 ) ; 
e foi acclamado em Algeziras , paiz da Andaluzia , no dia 
do falecimento de seu pai , achando-se então em huma ez« 
pedíçâo no paiz da Mauritânia ; e tendo os Vlzires , e Xe« 
quês obtido , e enyiado-lhe a acclamaç^o, do que lhe che» 
gou a noticia , achando-se nas vizinhanças de Fez , apres* 
aott a marcha para Tanger , onde encontrou as galeras a es-i* 
pera-lo , nas ouaes passou o mar i)ara Algeziras , na qual 
ae achavâo todas as tríbus dos Benimerines, eonde Ihere^ 
novarfo a dita acclamaçáo ; o que também praticarão to« 
dos 06 mais mosselemanos , que se achavâo na Mauritânia i 
e na Hespanha, no principio do mez de Safar do anno 68jr 
(1286)9 sendo elle então de idade de quarenta e dnco an^ 
aos y e oito mezes. Logo que as eousas se lhe poserao em 
ordem, e se lhe firmou o Império , distribuiu dinheiros por 
todas as tribus dos Benimerines e dos Árabes, e pelos An^ 
daluzes, Agzazes, e todas as mais tropas, beneficiou os 
Doutores, e santos, distirouiu as esmolas pelos miseráveis^ 
poltou os presos em todo o paiz , repartiu avultadas esmo* 
las pelas gentes no dia da páscoa do Ramadan , tirou os 
tributos, ordenou a destruição do máo, subjugou os tyraa- 
aos, perdeu os insolentes, assegurou as estradas, e tirou 
multidão de pensões, ealcavalas, que havia na Mauritânia, r' 
excepto as que havia nos paizes despovoados, e nos deser- 
tos retirados ; e tendo-«e humilhado os Benimerines dcbai* 

Fff 



( 4W ) 
xo do seu poder , compozerâo-se as cousas dos povos oof 
seus jdias y e Áisse : aduelle a quem convier aperfeiçoa-las , 
dê esmolas por sua alma , quando quizen Suspendeu em 
fim os aquanelamentos tias casas dos vassallos ^ conteve os 
oppre^àoret ^ e os governadores contra os povos ^ aboliu os 
mburos , « mandou destruir. • . . » » 

Quanto á sua figura : tinha côr branca , estatura gen- 
til , semblante formoso, e nariz aquilino; e além disto era 
6 dito Príncipe tSo respeitável , que ninguém se ádiberav*^ 
a principiar com elle a conversação ; e igualmente dotad» 
de governo, e actividade; e por isso quando se propunha 
.a alguma cousa, a imprehendia vigorosamente} e Quando 
tomava , acabava de todo» Obrava conforme o seu dictame 
independentemente dos seus , Vi2Íres , e como senhor abso* 
hito. Quando dava , enriquecia } e miando mudava de pa^ 
recer, consumia. Era compadecido dos miseráveis, Inqúi^ 
rídor do estado dos súbditos, e do seu piiZ) e de dímctl 
flccesso, ao qual senão podia chegar seoSo depois degrtn* 
dt diligencia» Foi seu Tenente Rei , o seu servo Atiq , e de- 
pois o seu servo Anbar j seus Vitires AbUi-Aly Amran, fr> 
lho de Saudd-babxi , e Abu-Salem Bbrahim , filho de Am* 
ran; enofimda sua vida fel também seu Viair laglaf ^ -fr» 
lho de Amran ; e seus secretários o Doutor Abu-Iazid Al* 
garras, o Doutor Abu*AbdalIah Aianu-ani , e depois o dí* 

Sissimo Doutor Abu-Mohammed Abdailah , filho de Abtt* 
adin, que esteve encarregado dos negócios de todo o Rei* 
lio, por cuja mSo se dirigiâo as suas cousas*, o insigne Dou» 
tor Abu-Andallab Âlmoguili , que estava incumbido da re» 
vista , e formação da tropa , em cuk mão esteve o estandar* 
se até morrer, o qual ibi depois Acarregado ao digníssimo 
Doutor Abu-Mòhammed Abdallah , (ilho de Abu*Madian ; 
t o dignissimo , único, emais famoso do seu século o Dou* 
tor Abtt-Aly, filho de Raxique, o qual governava os ne- 
gócios do interior. Forlo seus Cadi^ na capital de Fez o 
virtuoso e abençoado Doutor Abu-Hamdnin Annacal, esuc* 
.cessivamente oIX)utor eorador Abu-Abdallah , filhode Abn- 
Assabar Aiub ^ e o Doutor Abu-Galcb Âlmoguili i e na ca* 



Sital de Marrocos o Doutor Abu-Farst Alameraoi , o Doutor 
.bu-Abdallah Assaqti, e o Doutor Ab'u*AbdalIahAImaUii| 
e na nova Telaroessan o dignimmo Doutor,. famoso, edc 
conselho Abulhassan AI7 ,* filho de Abu^Bacar Al-ha^ili, 
Os seus poetas íbrâo o Doutor insigne Abul«haquem , íilhtf 
de Marhel , o eloquente Doutor Abu*Farez Almaqnassi , q 
Doutor Aba Alabbas Alfaxtali, e o Doutor Abu-Alabbax 
Algamxini y a cujos poetas, que estavão empregados noser* 
vi^o da sua nobre casa , corriâo os ordenados , e beneficibs} 
c ôs seus médicos o Vizir Abn-Abdallah , filho de Alnlid^ 
Sevilhano, e o Vísir Abn-Mohammed , filho de Amv^ 
natural de Maquines, 

Loco que se completou a ceremonia da acdaiBa^ 
ao Príncipe dos mosselemanos Abu-Iacub, diz o author, 
aahiu de Algeziras para M^rbelha ; e tendo acampado fi^ 
ia delia, e aiaodadoo aeu EuTiado a Ben-AlahamaF part 
que se TÍesso «juntar cem elle, dirigiu-se este immediat9« 
meifte á sua presença com pomposo apparato, e buip gnm-» 
de esereito , o qual , havendo-«e umaç alli com elle , ' Ih^ 
deu 08 sentimemos pelo falecimento de seu pai , o os pai^*» 
bens pda sua aocl«ma(âo. Composto o Príncipe dos mq#f 
ademanot Abu-Iacub com elle, resiituiu-lhe tudo quanto li^ 
pha em seu poder, e lhe tinha sido tomado do pai} -d% 
Hespanka, a cxcepçáo de Algeziras, Ronda, Tari£i, f 
Ouadix com as suas resjpeetivas comarcas, cujo congresso ^ 
e pacificação com elle toi nos primeiros dez dias do pred}^ 
to mez de Rahial-áual do an«o 687 ( it26 )i c regreisoo 
para Algeziras. Tendo permanecido nella resto do dita 
mez, no dia de.Domingo segundo do seguinte mez de Ra* . 
fcial-íguer se lhe apresentarão osEaviadps deSaneho, coiii 
p qual renovou a paz , que tinha estabelecido' com seu pai 
Abu-Iussof. Logo que elle acabou de pacificar, secegar , f 
aplacar o paiz dê Hespanha , chamou a seu irmáo o Print 
cipe Abu«Atia, filho do Príncipe dos mosselemanos AbuT 
lussof , ao qual encarregou do paiz » <iue possuia na Hespa-» 
nha , recommendando4he o temor de Deos Altipsimo, « 
segurança djis suas fronteiras^ c a yi^ilsncia em todos Of 

FfFz 



I 



( 4" ) 

ècus negócios. Chamou depois o guerreiro Xeque ÁbuM 
san Aly, filho de lussóf, fillio de lartageo, aequai incuni«« 
biu: as rédeas do governo da cavallaria, e mais tropa ds 
Hespanha , assim como o manejo da peleja , e guerras da- 
mesma > deixando com elle trez mil cavalleiros dos Becri- 
merines; e passou para a Mauritânia no dia Segunda feir» 
septimo do ínez de Rabial-dguer do sobredito anno ; e tea-> 
do acampado em Alcácer Seguer ^ marchou depois para a 
cidade de Fez, na qual entrou no dia dous do mez de Ju- 
madil-áual do mesmo annp. Logo que fixou a sua residen-* 
cU na nova cidade de Fez , declarou-se contra elle Mo» 
hammed, filho de seu irmão Edriz, filho de Abdelhaq- 
[ue com multidão de seus filhos nas montanhas de Uarga 
a comarca da mesma cidade; e tendo marchado contra 
elles o Príncipe Abu'MaarufMphammed, filho do Príncipe 
dós mosselemànos Abu-Iussof , os seguiu na smi rebelliáo ^ 
aggregandp'se ao seu numero, contra os quaes oâa ces- 
sou o Príncipe dos mosselemànos de mandar exércitos , e 
de empregar para com elles a sua politica até se lhe vir 
apresentar seu irmão ; pois tendo-lhe prestado segurança , 
voltou á sua obediência. Tendo Mofaammed , filho de Edriz, 
fiigido com seus filhos para Telamessan , forãò presos na 
caminho^ metidos em grilhões, e conduzidos para Taza, 
Onde o Príncipe dos mosselemànos mandou seu irmão oPríii« 
cipe Abu Zaian para os matar , cuja execução foi fdta fo- 
ra da porta da dita cidade, chamada Babol-Xaria, nomes 
de Rageb do anno 685 ( 1286 ). Neste mesmo anno revol- 
tou-se contra o Príncipe dos mosselemànos Abu lacub o 
Príncipe Omar, filho de Otboman, filho de lussof Hasse- 
curense, na.fortaleza de Fandelaua, situada nas montanhat 
de Beni-Iarga; e tendo ordenado ás tribus deBeni-Assecar, 
e ás outras dos bárbaros daquellas visinhanças, a saber: 
Saderata , Beni-Uaretin ^ Beni-Iazega, Beni Saitan , e outras , 
que o sitiassem, e combatessem; e havendo^ sitiado por 
espaço de hum mez, sahiu depois o mesmo Príncipe dos 
mosselemànos contra elle, o qual foi marchando até chegar 
á villa de Fandelaua do paiz de. Beni-Uaretin^ levando na 



( 4^3 ) 
SÚa Vanguarda os setteiros, as catapultas, e outros lnstru« 
mentos bellicos; porém sabendo Ornar da sua vinda, e 
vendo , que nâo tinha poder para supportar o sitio , nêm 
para repellir o Príncipe dos mosselemanos , eoviou-lhe os 
sábios para lhe alcançarem delle a segurança ; e tendo-lha 
elle concedido , e vindo-se-lhe apresentar , o acclamou , aa 
qual o dito Príncipe enviou para Telamessan com toda a 
sua família, e bens. No mez de Ramadan do mesmo an« 
no partiu o Principe dos mossclemanos Âbu*Iacub da cida- 
de de Fez para a capital de Marrocos, oa qual entrou no 
wguinte mez de Xaual ; e tendo permanecido nella até ao 
dia decimo lerceiío do mez de Dul-Kaada do predito an- 
noy e sabido que Hage Talah, filho de Âly Albatui tinha 
fugido para o paiz de Suz , fixado nelle a sua residência , 
e arrogado a si a soberania , chamou o filhb de seu irmão 
o Principe Âbu Aly Mánsor , filho do Principe Âbu-Mo^ 
iiammedf ^ filho de Âbdel*Uahedy ao qual confiou ogover^ 
no do Suz ; e tendo*lhc mandado^dar tropas, e dinheiro, 
lhe ordenou , que combatesse a Taleh , íflho de Aly , re« 
bellado no dito paiz , e ás tribus de Beni*Hassan , que al- 
li o tinhão seguido. 'Havendo o dito Principe marchado pa-* 
ra o dito paiz i frente de hum poderoso exercito , comba- 
teu nelle os Árabes de Beni-Hassan , dosquaes matou gran* 
de numero no mez de Dul-hejja- do dito anno , e marchou 
depois a combater Taleh , ao Z)ual sitiou ; e entrado o an« 
no 686 (1287), matou ao dito Taleh no combate no 
dia decimo terceiro do mez de Jumadil-águer, cortou-Ibe 
a Cabeça , e a enviou a seu tio o Principe dos mossclema- 
nos Abu-íacub , o qual ordenou, que fosse conduzida por 
todo o seu paiz , e dependurada depois sobre a porta de 
Taza , onde se conservou todo o tempo do seu reinado , 
snetida em huma gaiola de bronze. 

No mez de Kamadan do mesmo anno sahiu de Mar- 
rocos o Principe dos mosselemanos Âbu-Iacub, acompa« 
nhado de 12 mil cavalleircs Benimcrincs, a combater os 
Árabes do paiz meridional de Daraa , que sahiío a roubat 
nas estradas de Sagclcirs«^a j e tendo íprctsailo a «ua mar* 



(4T4) 
dia pelas montanhas de Hassecura até saliir ao pats db 
Daraa , continuou depois a mesma até que os alcançou na 
parte meridional, que se inclina para o lado deSabara, aot 
quaes combateu, matando crescido numero delJes, e ajxe* 
sando seus bens , cnjas cabeças mandou cortar , e gjnr 
por Marrocos , Fez , e Sagelemassa ; c que fossem deooif' 
dependuradas nas suas muralhas ; e regressou dalli para JOar* 
roços , . na qual entrou no fim do roez de Xaual do sobre* 
dito anno , c nella permaneceu o resto do anno adnde cda- 
broa a páscoa dos sacrificios. No méz de Safar do aooo 
éÒj (.1288 ) concedeu o Príncipe dos mosselemasos aBcB- 
Alahamar a cidade de Guadix, e os castellos de Rooda, 
Baena , Ermida , Alatenir , Gaur , e Gurab (a). No maa* 
do do mez de BLabial-ágder do dito anno saUtt o dito RriB* 
cipe "dos mosselemanos da capital de lAamooo» para a da 
Fez , e lhe ebegarâo os Enviados de Ben*Alabamar com a 
filha do Príncipe Mussa , filbo de Rahui, com a qml ar 
^espozou } e conaenrou-sc em Fez ; e repdo*/lie chegado 
aqui a noticia de seu filho o Príncipe Abu-Amer se ter le«* 
vantado contra elle, marchado para Marrocos no dia ?i0te 
quatro do mez de Xaual , e entrado isella , e revo/rado-aa 
com q seu governador Mohammed, filho de At tu» baibaio 
Janatease^ no prímeiro do mez de Dul-Kaada do wfsmo 
anno, apressou a sua marcha para aquella cidadã ^diag^ 
allj y e acampou-se fóra delia , e isto na estação do íovodp 
no. Sahindo então o dito seu filho acombate^io, vokoQ etr 
te desl^aratado , entrou na cidade , c fechou as porftt da 
mesma na cara de seu pai; e tendo permanecido no sen AU 
cácer até á noute, matou o seu Almoxarife Befi-AbihAl« 
barcat) carregou cora o que havia no thezoufo, e saJiiu'da 
cidade .á meia noute tugindo para opaiz meridional, een* 
tregou a cidade , na qual entrou o Príncipe dos naosacieoaa* 
nos seu pai no dia seguinte nove do mez de Dul-hejlja do 



(/) NSo tendo encontrado estes trez últimos nomes , posto que os 

curasse em diversas historias , e geografias : supponho que estarão mal escríftos 
no Árabe , ou que cães castellos ^o boje conhecidos por outros nomes | oa 
oSo existem. 



>" 



MMio €Í7 (itSp), o qual perdoou aos seus habitantet» 
Tendo partido o Príncipe Abu^Âmer com o filho de Attu 
para o paíz meridional ^ marchou daqui passados seis m.e- 
«ea para Telamcssan^ onde chegou no dia ii do mez de 
Rageb. Entrado o anno 688 (1289) voltou o dito Prínci- 
pe paia seu pai o Príncipe dos mosselemanos ^ o qual lhe 
peraoott. No mesitio anno escreveu este a Ochoman , filho 
de lagmerassan, Príncipe de Telamessan, para que lhe en« 
criasse o seu goternador, filho de Attu, que se havia pa* 
ra aili refugiado , o qual se recusou a isso , dizendo : por 
Deos I que nunoi o hei de entregar^ nem vender a minhjk 
piocec$loy nem deixar áqueUe que me corresponder até mor-» 
Ytr : fiiça por tanio o que lhe parecer. Tratou o meqiagei'^ 
IO coro palavras grosseiras e indecentes; e certdo-o postos 
eta ferroa, levou o Príncipe dos mosselemanoa Abu-íussof 
ino imiiio a mal , e tratou deohif combater^ eomm oqual 
mafcboQ no dia vihre sete do mez de Rabial^áual da ca^ 
cal de Fe2 para atacar Tdamessan , e os da tribu de Be-^ 
iii^Abdeiuaai nella residentes; e foi esta a sua primeira ex* 
pedicte contra dia} e tendo para alli marchado, foi se* 
«indo pda sua comarca comendo as suas searas , appre^ 
Sendendo as suas riquezas , e arrasando as suas povoações^ 
aem aue o seu Príncipe sabisse contra elle. Logo que oPriíi'» 
dpe 4o( mossetemanos viu a sua impotência para o hir eA** 
contrar , dirigiu-se a sitia-lo ; e rendou cercado no primei** 
fo dia do met de R;fl!nadan do anno 689 { la^o), e si^ 
tiou, apertou comos combates, assestando contra a ew 
dade as catspultas } e desta maneira se conservou sobre çU 
la por espaço de dezaSeis dias , depois dosquaes partiu de* 
Toka para a Mauritânia , e enfrou em Taxa no dia reitie»^ 
ro do mez de Dul-hej>ja do predito anno. 

Entrado depois o anno 690 (1191), e alterado-se nel«' 
le a paz entre o Príncipe des mo.<selemanos ^ eSancho, ev» 
creveu aqu€lte ao Alcaide da sua confiança nopaiz daHea- 
panha o Xeque Aly , filfto de lussof , filho de lartagen, 
ordenaudo-lbe , que cercasse G^ez , e que espalhasse ae 
correm» pelo pais; dos Clirisiãas ^ laoco peio Inda osienial $ 



como occideoMlj^e ^bvetffMMhou- este .{3pm osdefaucv 
fies dd reiitgiao, qw mhn çoffWgPv «;Ceccou Gerez nomez 
de RalHâi^guer. 4(i».d|te:ifiWQ3i^iMpio^ a xofnbate4a , e 
espalJ^QUAiai j^ffô^SsrpsilMIll «6BM]1»r^]!^o|tle8mo^gMez uf 
hiu otPçwHttpç doft viqo83iJw)WiQS)i^ll?ifl^b£/)a çâpibil de 
V» p4WAJíFift!9er)S^gMrt<PfR 9 ^es^9f}^icdp.|iassar li^Hes- 
j^nliik »:f^zçz>ft.e^^9safte^ e^à^mbi^N^ibus da Main 
ritaiva ioib«[viifi}|iâpHi%^ ; :f) t«odo alli cb^ft- 

do iw, iD«% 4è/juiQa4M4f«i/ á? 9<|t¥f4«f!;MWI}o , prkic^ioia 
afaziH:^pas8|f.op^4QÍÍP!^<?!r88/1^^ c 

do3 AvI^^^iiXtoáQ M99^;0rdi^O9tí«^ d^iisua vÍA4a9 quis 
embarasaírjybc » if»mgm^^ím^:à:^ ^«^«'«9" flP gW» i 
c as mandQM ,p§s?^o esff^iw, o{td^,,«fi;>ço$f^i9Q ;; « tendo o 
Príncipe dos mosselemanos siaç^i^kipj^da : em Álcacff . da 
passagem^, ,:nMfi4pi^;fV[iPAr ,<B5 s}|»^.áleraf para.opm cila» 
se oppôr ^8 dos. Q^q^^.f^f^^.iqèz ge Xaaban do uyBMOo 
annoj)erderâaTSQ no £streiix> asigajlqf^s dos mos^eliMBaiioo^ 
e forao .mprtps os sw^^cosnniafKlaate^^.pjjjr^o idos scw 
conibaf^ntes,! e por isscK pefp)j^lieceu o |!rii|cipe: dos moait^y 
lemanos eoi Âlca$:eç até^se aroivc^ ^?s.gsflef9S9)«.ppp4i* 
xarem para apa^gem^ q cyial se verJ^^kxuj , dqmnbarcaii* 
^o em Taríi^ no$ últimos. 4^ djas^ do mesfe de Ramadaa 
do anno 690 (1291), doi^e ^ahiu c^epoi^ >, embater o 
paiz dos jChrístãos} e havç^do-5Ç;sac;uiig44p sobrç o caa- 
tello de Bèj^r , , peirnanoavi >9.11i trisz me2ei;^^sili»4o^ de oh 
jo acampanjento.sabiao todos os dias q[s.s^as,^opas .a iàn 
zer incursões sobre Gerçz^ 3^i^b4 esuas comarcas até, que 
estragou todo, aquelle paiz. Entrada depois a estação dojn^ 
yerno , levantou o sitio , e voltou para Algeziras^ . ^pde 
embarcou para a Mauritânia no inez de Moharratn OQ an- 
uo 691 ( 1292 ) , havendo-se ja então perdido a boa inteU 
ligencia entre elle , e Ben-Alahamar. Nq mesmo anno fez 
este a paz com o filho de Âfibnso y e coitveiu com este em^ 
cercar Tarifa até a dominar para cortar a passagem do. 
Príncipe dos mosselemanos para a Hespanha com a condia 

00 Creio ser eno das copias pôiem Affooso em lugar dç Saochoii 



t 



lo de Beá^Alahamar coococitr com as suas despnaa, e* 
o aeu exercito todo o tempo , que permanecesse sobre d- 
hi e tcfldo-a Sancko oercado oo primeiro do mez de Ja^ 
nadil-á^er do tMncioflMido amo ^ conservoo-se a combate* 
la de dia e de noute por mar e por terra ^ assestando con- 
tra dia aa catapulta» , e a artilbaría; e Beo-Âl^hamar a 
maodar4he asprovizòes , armameMoa , settaa , e tiido quafH 
to ))reci8»Ta até que â doouooa por capitdaçâo comos seua 
habkaiitea, entrando neOa no mtimo do mez de Xaoai do 
predito anoa Tinha dle oonrindocom Ben^Alahatnar » quo 
ae a tomasse, lha entregaria ; porém logo que a dominou; 
f0tefo*a em seu poder ; e tendo^lbe aquelle oiêreddo por 
dia o caatello de Monmiix , Tamisa , Cassella , e Almof«' 
sebahin , nada lhe ^^ram>u. 

No mez de Xaaban do mesmo anno aprozifnoD-ie 
Omar, filho de lahia , filho do Yizir Aluattassi , do cas« 
leUo de Tazuta do paiz de Rife , no qual entrou de nootQ 
fot perfidia dos seus habitantes:, e acbando-se.nelle oPrin* ^ 
cipe Abo Air Mansor» filho de Abdd-Uahed, sahiu estQ^ v 
escapando ao pda mda noute , o qual alcançou Taza ; e 
Ibiáo tomados os seus bens , e a sua gente morta , de- cu« 
jo castdb ae apossou o dito Ornar , filho de lahia , com 
rodo o dinhdro , armas , alfaias > e decimas dos Christâos , 
qúe nelle se achavSo depositadas. 

Havendo chteado esta nótida ao Príncipe dos mosse-» 
lemanos Abu-Iacuo mandou immediaramente contra o di« 
to castello o seu Vixir Abu*Aly , filho de Assaud , o qual 
seguiu a sua marcha com hum poderoso exercito até sq 
acampar sobre elle; e tendo-o sitiado alguns dias com q 
Príncipe Abu-AIj Mansor , adoeceu depois , e morreu de 
paixão ; e foi sepultado na mesquita de Taza. No mez de^ 
jCaual do anno 091' (1291) sahiu o Príncipe dos mòssele- 
manos Abu-Iacub de Fez a sitiar Tazuta » levando com- 
sigo Amer , fíUio de lahia , e irmão do sobredito Ornar , 
levantado nelle, o qual lhe afiançou a sahida de seu irmão 
do mesmo, e lhe pediu licença para hir ter comclle; eten« 
do*lha dado ^ entrou no castello , e fallou com seu irmão 

Ggg 



I • 



tohre o ^que qiíiz , o qtzal tomou tudo quanto ha^U neOe 
de riqoczas^ e alfaias, t sâhia com tuw iiOflifidtataiiicnie 
de^ooute áseicoadldas dasgem«&, dirigÍQ*Be para 'Tebmo* 
gaa/e entregoa o castcllo a stú itíú&o Aimrf mm haveiF 
do chegado á nocicia deste , qne o Príntípe ^los mossekma- 
flos Abu*Iacttb se dbpunhá a mata-lo em lagar, da iilho 
de seu ínnao Mansor , e por lhe ter escapado satu'^ imáo 
Qmar, que tinha obrado injóatamenle o^fitni dle, wteve 
• tásteilo^ recosou-se abaixar, e permaftectniBcUc satér qgb 
tliegoti de Hespanfaa o Arraès Abl^Saidy íitho ideEsoiaal, 
fiiho de Alahamar, Senhor de Mdaga; com hum pcisente 
para o Prtncipe dos iBoaselemanos Abo-Iacid^^ af cogar^Uio 
taízeise £a2:e^ a paz com Ben-Alahaoiar , oqual wado abor- 
dado com as suas galeras á. praia de A«82»sa » 8iandou41ie 
pediro éico^Amer» 'fSfafode I^hiá fissse-sM imrcanor pa- 
ia coot o Príocipe dos inosselen^aiios; teodof^Uie mfjSuSa 
pof elle , e mostradò-se o diro Príncipe beMÍioo pa» isao ^ 
9ÍO se juígou Ather seguro ; tnandoo algyfta sà/m «ms acr^ 
lidoras hnm dia pai^ '^la^ fíraí^ ;' è Wèiido- èn^ 

CTto deites oas galeras do dito Arraer, ^iátsk poisarem nel^ 
( á Hespanha , firou elle até i mda noote, 'ew&iu da 
fenaleza cohio qoeoi se dirigia i pioiá , '« íú^ mm To* 
lamcssan^ e posto que a cavalaria sakisse apoxdellei «lef* 
teu pernas á egóa , e escapou ; mas ttitdo údo^ arpanháio 
aen filho Ab»-Algalil , fóí morto e crucificado em Fez , e 
M seus ^familiares desembarcados das galeras do dito Ar- 
faes, cujos pescoços lhes forâo cortaTOS. Tendo' o Princi*- 
pc ào$ mósseiemanos vencido os que "e^tatão no castelo , 
p erten c entes ás duas fortalezas , e a outros , os mararfo ro* 
lios j e soas mulheres com as suatf riquezas forilo conduzi- 
das para Taza , ha qual ficarão retidas. Neste mesmo ao» 
AO aii%iu-se á presença do Principe dos ttrosselemanos hum 
Cbristao Genovez com hum magnifico presente, e neste ba- 
tia huma arvore dourada , sobre a qual estavâo huns pas» 
taros, que canta vâo por meio de movimentos geomenícos, 
i semelhança da maquina ^ que se havia construído par» 
Almotuaqud-Alabassi* 



Diralçado neste me«(90 annd o eisgaix) dos filhos do 
Príncipe •Abu*lahia 9 filho, de Âi)del-haqque ^ fugirio pata 
Telaoiósan , e permanecerão nelU a(é que o Priocípe dos 
mosselemanos os ms^ndoa voltar ^ e.tendo-se diríg-Jo pata 
a cidade de Fe^^e ouvido isto oPrinciçe ÁEm-Amer , «jue 
te achava wof piz.de Rife, pcoÀhcé vjgias; e tendo vin- 
do a espia , ^, lAformfdo-a da vinda dos mesmos ^ sahia de ' 
improviso a ferderloa; e teodo-oa alcançado em o monte 
da arôa junto do ck> Makia , . çs ' ipatpu ^ ^e voltou para Âl- * 
meziâa , moistrandOb <]He seguia 9 p^recier.de seu pai ^ e • 
aeu. dezejo na aiQrte dos |DescQos> mas tendo dK^do a no* 
cicia ao £riocip^ dos tnosselemacipa Abu-Iacub^^ mostrou 
«star livie , 0^1^ tçr lido .parte no fi^itp de seu nlho Abo- 
Amer, afasta odo-^/ e «termin^ndo-o , o qual ficou desteiv 
sado vopnt d«>I^i&, e.dei Gammara ate qiie morreu ne . 
paia de £Mi-*Said dasninonMudms dç Gaoittiaca ^ donde £bi 
awidttiMk) para a cid%de.d0>^e:&^ ^ sepultado na ermida, 
ene fica fixa da Msiafdarditá fidade^ denominada Ba1)c^ 
Fatoh » 1)0 m« ae I^^bej^ja-oodAuo ^$9^ '( 1I09 ) , há- 
irendo dei^oado tre^ filhos Amer^ âolaiman, e Daud^ éot 
quaes tXMiteve nos limicei^o Principe dosinosseletpanès Abu^ 
lacub aié morrer. Succedai Atner no califado a seu aVÂ ; 
e depois do seu falecUnemo succédeu-lhe seu irmão Solai^ 
oian , de cujos maado^ se &rá mençlo.com favor de Deot 



No me^^de Dui^Kaad^^o aono ^$91 (1392) entregou 
Ben-Alamar o castello de Lobeto a j^Rei U. Sancho, é 
WD mez de Rabial-áual mandou o Príncipe dos mosselema^ 
nos Abu-Iaa)b celebrar cojn magnificência o nascimenM 
ào pnofietâ, eque se congregassem para isso em todo opaiz', 
cuja ordem dimanou delle , estando em Saberá do paiz de 
Rife, Qo ultimo do mez de Safar do dito anno; e clie^ 
goa a Fez ocmi o destino de a pôr em execução o Dóutof 
e orador Abu4ahia, filho de ÂDu-*Sabar. Emrado o M»m 
de 692 (1293 ) no mez dejumadil-áual chegarão áprefenr 
ça do Príncipe dos mosselemanos os Enviados do filho dt 

Ggg 2 



( 4« ) 
Hcnrídãe , Rei de Portugal (a) , do B.ci de Bayòna , di»Se> 
n})òr' de Telamessan , e do Ret de.Tiu^cs* .No,iit4 Scnt 
fòjra onze do mez de Jumadil-águsr ^,,nie«^o «doQ' fíi 
conquistado o castello de.X^zUt. Nps dez dus mediíEb d» 
seguinte mez de Rá^eV rètirajrap-^ oqJÉJjiy4ado8,d(eBenrAla- 

■ " ■ ' «ae de 
tJwUb 

/id« «i» 
[fliRríta*. 



deTfr> 

IfiCea- 
m«aii- 

:Oth(h 

nez de 
.Priodi- 
M Abii-Abdallàh Ãrrahaman laçuE»,^ .^bu Ãaivr.. Dp|KUs 
M oração de vésperas do nvesmo dís.^ viste -dops «ebia o 
Frincipe dos tnosselemanps de Fez , -acofnp4Q]ud». de to- 
dos os seus filhos, dos q^uaes falecei) .00 ,cafiuohoov Prínci- 
pe Abu Mohainined Àbdelmutpen do dia irini? da referi- 
00 mcB^ donde foi levado para Fez, e seju^lradAAO pft- 
4tOy que ha no lado meridional da inesquUa da 'cidade.^ no- 
va; fioPrincipe dos mosselemanos Abu-I^c^b. se^iu «tnur' 
cha para' Tanger, na qual se ajunt(Mí com Ben-AlaJiaioar, 
«quem mostrou maior agrado, do que elle esperava ,tratan- 
do-o com beneficência e honra , concedepdo-lhç tudo quan- 
ta) Em 119a icim*««n PoMugilJlt AfiOMo IT., filho de D. DioR, 
fl silo de D. Ucoiiqut. 



to llie pediu, e tiâo lhe lançaiido 6m rosfb cou^ àlgutná 
tio que rinha dcllc precedido; e rendo-lhe dad<j> hqm gran- 
dfiTpresence em dobrôi do qae cUe lhe trouxe, retirou-se pa-. 
n atHéf^âfnlwi nO dia^^ihte der Aieí^ dê Dvil-hej-jà do anno 
ép2 <*fÍ93)í tendo-lhé o PVfAcibe dos tnossçlemanos ce- 
dido no^hesnio anno Âlgezirás e Korida com todos os ca8« 
t^loa dáf^ependendá da^tne^stDas^ taes como tamejoá , Age^ 
roíuy, iVíMÍsiy -Aésaçu&ra , ^uWg, "Algar, 'Naxebat, Tadui^ . 
diite-^ Mtííai*,' Atite, Almeriii,*Setenilj, Áttanamcr,, Ben- 
AddelU/^Bsttipicmá., Marfut ^ Xômena , Aftriagur , Tanfiil ; 
AdlttveNógdrèlí(i^; DéfW^ 69? (<:Z9J) 

pNWO o ^eMiti!^^Qrl^*tici^tltíisijÍo^selemano8 Abu-Iacub 
and o^sÉfii ^^k^A}ín^A)jOth2iT;fítho deAssáuc^.pára a; 
He$|Mttbtf^â«kiftr T&rifá^, é tenâo^e 'acampado juoro 4ellat. 
a fkiíbtti^akum 'iâiti]k>. No tife^rílp annó hoave, n;i^ Maurica-p 
iiiatarriwrfttaè;^e girtfíidé peste j e por^içso seTan^vão 
os i:Éá)f(bf^'qfit!Í^ e dous em hum s() IaVâtQi:iOr..e 

bum dt rtriícm pôr ' sè5«f tW^à^^ wdehíiii . q Pxmcipe, dp^ mos-^ 
seleaiaA0lí'My'di¥dátMè. ou^ isé alterásseis ípeâld^s^^^os 
8^8, e8e'fcgulà^nt'^gundó o almúde do prof^tài^, exista 
segundo a wrccÇ^ do' Boútbr '[Ábu Fayes^ Almaí^uzi AI* 
moípUMu ' Binf radO' o áimo ^6p4 composerao-se as cousas 3o8 
poros , coridolMou-^ oiíeú estado', e baixarão os{)^çç<;^ dos 
mgritime^iitos em todas as r^gi6es .chegando Oitfigp,;! .veo- 
der-se ^or víflíe titó-àlitm taaa rnoió^ e 'a cevada por oito. 
»Depoís dtíe eittròú o anho 695* (U9V) sahiu o Prínci- 
pe dosknttsseletriâriès A6u-Iacub a combater qp^iz d^Tc^ 
lamcssanv * tetidò^^hcgá^ío aíicâstello deTauarj;;ir, ame^.' 
fade do qual ^^tenciá^Si 'Òthómán^ filho de t^gmorassau, 
e, a oufra ametáiie' aò IVIdcipe dos ínossejtcmáups,, por ser 






^ú) Nlo me foi possível encontrar em diversos {reografísM , diccioiíarios^ 
c historias Hespanholas grande parte destes nomes , àlgtuis dos quaes se achlo 
escriptos divenamente nos outros dons OfiaiMfscritos Arábicos, 91*^ me tem 
seivido para corr binar com o de que uso. Talvez ^fue estará castelt^ ja não 
cxlstáo , ou que se Hies d^m outros nonirs , ou ^ue em âm nJi súaa copiai 
<M ixxMaps os teobãe «iterado, c cst^opeada 



<4") 

• 'limite entre os doQs paizes , foi dclle repellido o 
no de Othoman ; e havcndo-se depois tratado de 
o dito castello, principiou-se aconstrucção da aua muraUui 
oo primeiro d» ojez út Kamadan do anno^^ ( f%^6), e 
acabou-se de fortificar, e de^se collocaretn as suas porfas 



dos sacrifícios junto do viò Maiuia, depois tjueporooa o 
sobredito caeteílo' com as tribits de Befii-^Âssecar^ e aoméoa 
governador das mesmas a sea^irmlooPríacipe Abo-Iahia, 
$lho do Principe dost mosseiemanos' Âbu4«moí. No aaa^ 
á^6 (U96) cTOibatau íb^ Pnncipe dos mossdemanos Abu- 
lacob o pai:& de 'Belamessain ^ o qual tendo sabido de Fez 
pata este psiz» ^ presegpido até se acampar junto da ci« 
^ade de Nadenima , a sitiou , c se esforpa no seu €CMnba« 
le alguns diair. Tendo depbis partido deila, e bido acam* 
par-se junto àé Ujzeda ; ordenou a sua reedificaçio ,-0 ii|ae 
se cumpriu, fortincando^a 'as^fCMs muralhas , e (azetido 
edificar huma casa , banho ^'e mesqtnca , pata cuja"" cidade 
fez transportar a tribu de Beni-Âssecar •com seu irmão o 
Príncipe AbuJahia, ao qual ordenou, queíbsse fazer fai- 
cursôes contra Telamessan e sua comarca com os Saraaras 
e Agebanes , e voltou para Fez. Entrado depois o atino 
6^7 (1197) tornou o Principe dos mosselemanos a fair 090^ 
bater a cidade de Telamessan , a qual cercou^ e aitíou, « 
nella lançou de si com despreso multidão dos que liie fa^ 
ziâo a corte, sendo deste numero o poeta Abu Farez AÍh 
delaaziz, e o Doutor Abu-Iahia, íilho de Assabar; leferao 
mortos os Xeques de Marrocos Abdelcarim , filho 4e ^^^ 
sa , e AI7, íilhò de Mohammed Al-hantati, ao qu» ma-* 
tou Q filho, do Principe Aly , conhecido pelo nome do fi- 
lho de Zarig^, pela carta ,* com que o intrigou o secreta*- 
rio de seu pai Abu-Alábas Almohani; c morreu o Prínci- 
pe Abu-Zaian. Entrado o anno 698 (1298) poz o Prin- 
cipe dos mosselemanos Abu-Iacub o ultimo cerco a Tela- 
messan^ do qual senão afastou senão morto. 



J> I* • 



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CAPITULO LXXVIIK 

t 

S«ire â xith de Telamessatk 



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mxwmào titio > de TelaraessaD 9 e át eziincçâo da 
iKÍbii de.$wi Abdtluai^» fbi:^:(Hz o author, porque depoit 
^o fiiho.de Atttt fazer o áfÉe f62/é itfugiar*€e para lagme^^ 
riisaao » Soboraiio^quellftcidadr, tendo4iiee8GriptooPrín4' 

€i^ dos mosKskoiaw AliaJaóub, ^ue Ihç entregasse^ ;t 
nqpfldo-it eUe^aiiiiOj â»^ por 4sta causa , que.o íbi comba^ 
ie9«lílo:aeNiof9»âimdMade entre os doiis'aié que o foi se^ 
gnria/vm; aMdM «O ÉMi^de ^i^f^ do anno 6^ (1297)} 
eteiMÍo.cbM;ado rTdanfeèiaii, tahi» aoritta dle Othoman^ 
Sobmmo da- lAésma ; « haverido^o combatida £lra deHa y 
fei eate^ derrotado, entncm na cidadã,. fechou aêfuáar porta^y 
c <cnifioa^néUa*a respiro ám skioi Depqiade o ter sitiado 
Kdla alguns dias« retiroiMef-e Toltóu para Fez y deixando 
jiscu ievíAo Abu^èhâa na -cidade' de Ugeda com a tribu 
ée BeninAssecar y >e ordeaajido-lht , que fizesse a guerra a 
Telaoaessaii^.Nadruma ^ e ás suas respectivas comarcas. E 
como Abu-Iahia aão suspendesse bum momento as incur*' 
t6es, yeodo-se por isso os habitantes deNaderuma em gran- 
de aperto, vieiio os Xeques da mesma apresenta r-^e aodi* 
to Príncipe, os quaes lhe prestarão obediência , e Ibe pedi« 
fio segurança ; e tendo-lha elle concedido, lhe entregarão 
c paiz, de que se ap05Sou, mandando a participação da 
conqukta com os ditos Xeques a seu irmão o Principe dos 
inosseUmanos*Abu-Iacuh no dia desoito do mcz* de Rageb 
^o attoo 698 ( 12^0') e tendo- lhe clles pedido se dirigis^ 
•e ao seu paiz para os descançar do seu inimigo; por isso 
(lartiu immedistamente para a cidade de Telamessan, so- 
l>re a <(ual se acampou no dia Terça feira de madrugada 
dons do mez de Xaabao«do predito anno, e se senhoreou 
ét Nadruma , Hanain , Uahran (Orão) , Tuna , M;ig7.aran , 

iiámagamai^ Coise^ ]iUiial^ Bauaque; Aibttahá, Mozu^ 



< 



'fc *-«»-!» ■^>'-»»- Alc«ssebit,Al!iimi,Tií(n!rí, 

:*ri-r: ^ ^-^"^^ Tt;'-» Senlior deAr^;apnairaK- 
:- -:^ ■^?^'^-*»* y^tójie^ TuMíomiwp!» 

-s?- -*•--.- vc íT-rr- K baivaoRs de Bejaia , e ifc Ci» 

-»..- - -rr- "írs- -3^ eM>anm»-9e sitiaAdo a Ti* 
j?- r<: <- *- 'isc: :r?-c»Ã wi» sen ãrtjrúi , taram, 

. -», : -.^«^ -«■ irás» tBMB ftlliiitii,HMbimn> 
^Ev- ^ : > ?ri--.-i. Ás 9é «r «im «'«sáffo ddiíroio; 

-^-i -— 1.":»« c«nBB«r*9ã pútdtovíWm ^ 
^r A. <~ -^^ c- JsMàr hon snadè ftoonn ié» 
T :í ^ r- ■ttttjjc- . m mi. iam O m J uwj ; «ntaM J*gn- 

. ^^.-.-! «r^V ^ icf!« õ^fe ^ TUTMff , euji 

>,"?r-~ ~-- f :r^ -è . ' /' -w^ -yy^ wi».. »CpgOPg^ 
: : 1 •-■n-.-.-ctT :j> fcí-i :5^^, « wém m tiiww) mb 
,-i O.X.V -.'x.-j; w ^.Tszíe jcs iiiBiir ■!— i AW-IksS 

; — ,._xv "«^svv- ^sírm-T.» t Cí^jce- «r '^ 'm» lii" ---* 
,.^---1---:^ í^-^cTí* A7r-,;í«Er. Seiiàir À^Sfer^. ^.'' 

:, ^•■:-^ j*"."^ s^!'v Tarrc? ^lísinc; , e£_KBis icx-í - ' 
.■.■». ?i-rrjs^tí n>c«:arus . os iiísn'^*». « i;— : r-'" 



qual consterna homa tnagQÍí\ca almeoara , .^ sobre ct^o ca« 
pitei collocou humas: ma^^eras. da ouro do. pi^ de setecen- 
tos' ducados ^ ordenou, aos virtuosos da Mauntania , que fos- 
sem a Mecot)» á)pi9 osquaes maqd^ )^»m ^Icorip^ crave- 
jado de pérolas , e diamantea^ qvie dk.ò(!erecia á Inesq^L« 
tB da mesma > ee crescida portão de dinheiro ^ para aerdl^ 
tribtiído p«los seus^abUantQs, e pdos, 4^ Mô^ii^^j mao- 
dou a9 SobvM&OxAjmKier qua(rpçfÇQtjC)^ S».yaPQa da ip^bqr 
rafa .cotsb 09.9$9fi cvmpateot^ j^cus^ p^rf Ih^ sietir irem ' na 
«em sagrada i'«s poas /sqn^ipjc^Ofiii^çOfbfMHUitte^ à^*^P^ 
bMessaa làtà «tai^fw prc^mf|s4xf«diçáo,. . > r 

No dia vigesimci ^t^QU) ^snnçz Ú9 X^u4 ^ ^^imo 
705: (1306) ei^narao o^jKiitos.d^ J^esp^a abalubítaii* 
tes da Ceuta , cuj»estado)a.e^av^ ituif^QQ ^perafitç o Pjiii« 
cipe doa wnossékvmjw t «^ l(iesr(t^i|^ iCprUQQ .tpfdo b soc« 
corro, na qual cptB^i. 4olqiBà^^fiPtp ^,Arra^ Abi^-Said , se^ 
phoreando4e det|a ^«^ e ^f)ssou«4Ç. dpi tod^s «s. seus ^bens ; 
mas lendo ch^do est^ noticia ^o^Pfincipe dos n^osseléma- 
IMis Abi^Iacub , e ^m9rai^ít(|. Án^^ a tínhá dofníaada. por 
coBviCD «de Alma^aQ ^ fwrlím 4sto j^rande sensa^^o i e pot 
isso mandou seu fi^a Abt^alem £brahim com hum gran- 
de exercito a sitiada ^ a|vntando-se contra ^a as tribus de 
Bife» e de Taza)i a, usíq, tmâo aproveitado cousa alguma, 
nella, e retiradorse desbaratada; por iaso o desterrou seu 
pai , em cujo desterro^ permanecei}* 

No dia de .Quarta feira septimo do me?; de Dul*Kaa« 
ia do anno 706 ( (307 ) foi morto o Príncipe dos mosse- 
lemanos Abu-Tacub fraudulentamente no seu palácio da no* 
Ta cidade de Telamessan;' pois. estando dornúndo, veiu 
ter com dle huín eunuco ^ cnamado Lassaada » que era de 
Abu^AIy Almaliani, e lhe apresentou huma estocada na 
barriga , de aue faleceu perto das horas de vésperas daquelr 
le dia , donde foi levado para a cidade de Xalá > situada 
junto de Rebate ^ e alli sepultado* Em fim a existentia 
perpetua pertence só a Deos , Senhor das cousas pretéritas^, 
e futuras. 

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do 

Lrisnf Ls*n;r • iJic Ce Abcbd-iiacíjecj c to- 



."Ti 1 i — r',.,:n jff A-:tt-Tií?«t, Soa ttSu^ r^jm^rta Ba- 

õe liLixiainned y £Ilio de 
za sscimro ãil k priíceim do mer 



>^í.:c 



l^^a :d xnrc a.J^ ' ril^\ Doroa o seurarario des- 
J ^« Cl^rrix -ki:! .s srsnu cc sicz àt Dúl-Kaada do 

s:; :r2£ :^ nr- '.rr,>:i? js. ^TTiHÚ 4Ji sc^a TrfjfTHfap por 
si<--2£ as r^iziic? . e Tcr -^g^-^**^^ Tpr^*» òcv X^tpes dos Be-* 

s ics Arxre^ ^esôa e:co 04 anno&Y e alguns 
^Jí^jjs ^ 2:2 ao Zjcaiéjz^ ousva dia do xnez de 
S^.-úr iii a:iDO "TTa ' :a:J \ <s çie £ikccii sa aicaçova 
Ti.TÇfT^ xne^ yr.TSvio ^jiimanno^ trci xxieacs, anviva 
? seí3 Vxrs Einilax» ^IkaícAbdeljalilÀloacK 
psszai, c Ei«-ii-3 , il^o ie Aifsa ZaQâtessc; seu sccre* 
ctjl^ <^ k^oujcs io Ri^ao o Dòctor Abi^Abdallali , £« 
Ico ii5 Axr}íiá^z y Sk3i T«ctfuce-Rci Farage, seu serro ^ 
c lise^ois dfsre Ab^iLla!l Aziaracuai^ e seu CÍadi o Dou* 

Lo^o cce fc: escrado ao throno, e concluiu a cere« 
ia dl sla acdamapo a assemblca dos. Xeques Benune^ 
fines c Árabes, c dos príiidpaes da naçap, lhes pedis eon^ 
selho a pe5pe::o do negocio de Telamessajô ^ isco.lie^ se 
Jeria proseguir do seu sitio, ou aus6otar*se delia, e todos 
lhe aconselharão a retirada, dizendò-Jhe: acode ao paia 
da Mauritânia, e pôe o snesnio .em cjuieraçSo, porqiK 
Ochoman, filho deÁbu-Laala, ja soube em Ceuta damcr* 
te de teu avô^ e aahiu dirigiudo-se para as partes de Fez^ 



(417) 
e ja tomou Alcácer Catama (queylr); e Assila (Arzila); 
€ ot povos ja estão desesperados neste patz ^ por se ach»» 
tem ausentes das suas £itnilias e filhos na quatorze annos : 
marcha por tanto para o teu paiz ; e depois 8e o pores em 
socego e segurança y cntio atteiídeiási querendo Deos, para 
o que quizeres. Logo que eile ouviu o unanime sentimento 
das gentes y mandou chamar Abu-Zaian Mohammed , fãhm 
de Othoman , filho de lagnkerassan ^ com o qual fez a paz^ 
cedendo-lhe todo o paiz, que seu avô lhes tinha tomado^ 
i ezcepçSo da nova Tefamessan / (|ue o Príncipe dos mo^ 
seíemanos Abti lacub tinha escolhido no tempo ddattiis; 
porque lhe inrpoz as condiçtíes de ião entrar ndia « e de 
a conservar no tnesmò tstado 9 obri^ndo*se a compor at 
suas mesquitas e palácios > e o mais que fosse preaso, e 
ãe ningoem podkr obstar a qualquer tios povos aa Mmn^ 
tania ^ que^oirizÁse àonserva^se nella ; e tendo-^lhe imposc* 
ãs ditas condirdes ', mandoa* chamar os exercitt^s^ e mais 
tropas; setteinos/e cnados de seu avô, que estavSo dispecw» 
^ |)0t divenos hmáte /éi quàes^^fiifrgd ^iffião eiitre^^ado 
õ paiz aós' sèxkH hautanteã^ escftrea para as metropolis da 
Mauritânia infbrmando^as áb falecimento de sen avA^v da 
sua acdama^ , e maftdou a diante de si para a cidade 
de Fiez a seu piimo o PHndpe Abu-Aljr Al-hassao , fiUie 
do Ftrindpe Amer, filho do Príncipe Ãús mosseiananae 
Abu-Iusiof com hum nameroso exerdto , onienando-lhe qae 
a tomasse , soltasse os" presos , repdlissc os seos oppresso* 
res, e distribuísse dinheiros pelos ocfcres^ e plebeos, oqoè 
cumpriu. Depois de matar o Príndpe Abu-iahia , tio de 
seu pai , e segmdamente a seu tio o Príncipe Abu*Salem, 
filho do Priadpe dos mossdemanos Abu4acab , parthi de 
Telamessan paia a Mauritânia acompanhado de hradmera- 
vel' povo no prindpio do mez de Dul<*faej-ja do anno 706 
( 1 307 ) i e tendo celebrado a páscoa dos sacríficios no ca* 
ininho entre as ddades de Ugeda eTelamesssn, partiu de- 
pois para Pez , na qual entrou no mez de Moharram do 
anno 707 ( 1307)* Havendo permanecido ndla até ao dia 
aeptimo da mu de Bageb , e achado emâo a notícia^ qoe 

Hhh 1 



IÚSS5F/ ílho (íè Gmar , filho^áe Abu Aiad', sen Alal^ 
-çm Marrocos i se tirtha leva^ntado nesta comra cile , arro^ 
;adt) a si of Imp^ei^ic^, emorlo o governador <ia mesma : Al* 
lage AssAuá'-, sahiu á corEibãte4o\ mandando a diante «de 
Si a AbuMiajage Tus6ôF, fllho de lahiaj Al-ihíixemi ,• c a 
lacub V filho dé- Azeiragt cóái hum rxordtot^de/ ciaco^ mil 
ovaUeirôs^ e tendo^ô' estes éhcontrado<nã*5>assa^tn'dD*:ria 
«Morbe^. e desbaráfadp*Oy volimp^va 'M^vrOQosidtnòn^ 
Áo\ donde, depois de-matar ntultT<33o de Ch^Utâb^, néUa 
•residentes , e de saquear ás snas' casas , sahiu^para Agmat, 
,tia qual não fixou a sua ifesidencia, mas^fègia^ ara x) mon- 
te de Hassecura; e tendo^^^seihído hospedar em casa delnint 
dos seus Xeques , chamado •6alaf/ filho* de Hoâtt; eitevsou 
com elle côm perfídia, prendendo^ 4òm'íeiros.T«enda!efl«* 
^rado o:PrÍYici*pe dos mòsáelettianosAbirTabeb na. cgpital 
^e Marrocos no prr metro do mez deXa<afean;ttoinno 707 
(1308), onde lhe for mandado o sobreáíro lussof, élha 
-de Omar carregado de grilhões, mi^ou com açoutes» fa* 
«ehdo-lhe corfar *déf)di%<3 «tfbisçav^l^&iváoti parar ^dda* 
de de Fetj onde andou gyratido '^tXíítirríi^y ejuatamem 
te com elle matou os íseus Viaires/eniais sócios no sea 
feito em numero de mais áe seiscentos , fa2endo aiuniar os 
seus anojados junto delles desde ti porta de Airub até ' ao 
forte de Darel-harte. Iguaés mortandades fez em A^maf. 
^Tendo o dito Príncipe sabido depois no dia decimo quitito 
do dito mes de Xaaoan para o pai2 de Tamzarára oom o 
intento de combater Assaqciri , e as tribus de Raquena , ao 
x:hegar alli , enviou-Ihe Assaqciri a acdama^o , hum {ire- 
sente, e o mais para a sua hospedagem. Enriou o dito nin^ 
cipe dalli o seo* Alcaide lacub^ filho de Aznagi com Bum 

Sande esquadrio de tresentos ^rallefros para optâz de 
aha a combater as tribus deRaqoena ; e tendo .estas fu- 
gido á* diante delle até entrar no paiz meridional , regres- 
sou dalli para Tamzarura j atmde eacorítrou o Príncipe dos 
mosselemanos Abu-Tabet A sua espera ; e tendo-o iníbr* 
mado do socego e quietação do paiz, partiu para Marro- 
cos no dia Sabbado primeiro do mez ae Kamadan do aik 



( 4^9 ) 

tb ^^ (T3Ò8) 9 na qual enrrou , e sf coMcrvou até ao 4^t 
quinze do mesmo, em q^ie sahiu para Rebate ^ tomando 
o caminho sobre Sanahaja-) e.depqis.ide passar o rio Mor* 
bea «m Lanclias pelo porto dç- Ca ta ma por causa da sua 

frandeza, partiu para< o paizde Tamessená, onde lhe sa- 
irão: ao encomromrb^ w Árabes Goiptes, d^ Alas$em, 
de.BeDU*Ja|>er^ de Haxam |- f de outras trib^^ a íim de o 
aj^iodarein -^ e^de. w despedirem delle, ^ í^q Uies nao per^ 
mittiu até qite se acatstpou fóraidacUlade deÂnafá. CÍia« 
mou depois os Xeaues das ditas tribus , dos quaes prendeu 
sessenta na cadé^ da dica cidade, e partiu parq Rebate, na 

3 uai entrou «-iio.disivigeaitnq septitDo^dqp/e^ito mez; eten- 
o alli celebrando "n páscoa do Ramadan^tonde matou trin* 
ta t^Crrerios e (emerario9 cniciScando-os' sobre as miuralbas y 
parti» Qpm. o Jntearo' de* combater os Arai^qs de Raiana, 
residentea em Abu<-Tajiil,!Arj?zair3 eFahc<'^A2;gary no dia 
quinze do mes de Xau^í do sobredito anno; e tendo*os 
combatido 9 anatado graiide iiumero deJles^^ e apprehendida 
nas. mulheres^ e ríqucms, piu^ti para {^cz, na qual entrou 
I)a.a3ie2'4e Dut^Kâada do m^smo. anno< Tendesse conser* 
vado nella até celebrar a. páscoa dos sacrificios, sahiu no 
dia qiiatorze do mez seguinte de Dul-hejja , e seguiu a ma 
asansbaaté chegar a Alcácer de AbdelcarÍA) (quebir)i e 
4endo permanecido junto delia por espaço de três dias' até 
lhe chegarend as tribus dos B^nimerines, e dos Árabes, 

J)arnu dalli para a fortaleza de Aludan» na qual entrou á 
orça, assim como no paiz de Addamná, onde matou os 
liomenSy e tomou as mulheres, crianças, c riquezas, Si:ndo 
causa dçste procedimento com clles o terem ja accbmndç 
a Othoman, filho de Abu- Ala-la, eofinado-UiQ^ocaoiliiho, 
dado-lhe pasaagem pelo seu paiz , e hospedadoo e obse- 
quiado*> iniroduzido^o cm Akacer quevir, c Arzila , e to- 
mado muitas das suairiquezas, oqu<»I logo que, acabou com 
OB habitantes da montanha de Aludan, partiu, centrou cm 
.Tanger no > rimeiro do me? de Aioharram do nnno 708 
Xi3o8)« Tratou dtpois demandar prepnrar os exércitos 
contra Ceuta ^ principiou na ediíica^ilo de T^^iuáo, e maa* 



don o Dõutdr Âbu-IaYn« , filho de Abo-Assabar Enviado 
n Ben-Alahamar^ a pedir-lhe que lhe evacuasse Ceuta; t 
tendo permanecido na alcáçova de Tanger a esperar a res« 
posta f que lhe havia trafzer o dito seu Enviado, unteá* 
' pou -se-lhe a morte, e faleceu no dia Domingo oito domes 
de Safar do predito anno , dddde foi conduzido para Xa< 
lá perto de Rebate, e nella sepultado cotri os seutaotepas^ 
aados , depois do qual foi devado aochtoivo sàl iroão ^ 
laiman , filho do Fríncipe Abdtftfah. ^ A ... , ^ 

-C A P t<^'^U ti O ''LXXI!? •••'• 

Dâ ninado iêPfincipe dúíírmtilimmy Mifí^téiê 
Súiahnan ^ fUho do Priítcipe AMaiííh\ 0^di^ 
PriMipe dat mòsstkmànosAtm-Iacifí^i''^'' 

OLATMAK^éfâ âho^do Privicipé' Aílidaflali , filbò^ dfaí^ríif^ 
cipe dos mosseiemanos Abitf4«(nib , Í9fié dtt-PAitdpèr dM 
tnosselemaaos Abu-Inssof, filho de^^del^1ia(}^t^^eosea 
appellido era Abu-Rabia. Sua mâi''t;báteâta^«e ;2Jaiiiáb , e 
era escrava d^ceadente dos A rabeS. O iía St^crèíaáo iõi 
o mesmo de âeu irmâó o Doutor Abu-MoKamraed ,' fitho 
de Abu-Madain; e foi quem regeu b seu^Rtáriò até' Qued 
matou, a cujo emprego promoveu oti^âõdbttieshnooDtMi-» 
lor Alhaije Abu-Abdafiah, filho de Abo^Madflin; e seus 
Vizires Ébrahim, filho de Ai$sa Aliártassehi i é Abdwa- 
haman, filho de lacub Aluatassi. Foi aeclathàdb^íio AVca* 
ccr de Tanger por vontade do Secretario, e dos Vizírís de 
seu irmão no dia Segunda feira nono do mez' d6 Siiíar do 
anno 708 ( 1^08), tendo então dezencíve' aiknd^^e quatro 
mezes de idaae ; e tendo apprehéndido a «etí ti6 Aly , bem 
conhecido pelo nome de Zaija^ por e!l6 barer arrogado 
o Império, e o terem declamado muitosf ^os povos ^ opreft- 
deu , e mandou chamar a quantos se acbayão no acampa* 
mento de Tctuão , os quaes se lhe vierâo apresentar *, ^ 



4fpo!s de distribuir dinheiros pelas tribos dosBemmerines, 
A/abes, e pelos Andaluzes , Âgzazcs, e Christâos, partiir 
pára a cidade .de Fez ; mas tendo sahido o filho de Abu* 

âiaald de Ceuta coni grande .multidão dos seus criados^- 
hpa^ e irmãos, para atacar de noi^e o seu arraial , infor^ 
mac|o disto. a. Príncipe dosrmosselmnanosvSokiiman, partiu 
aaqúella tiQute peU m^iarioute;; ;â tendo-se encontrado com 
dlet hiodo nurcJbaDda)i>e. lia vido («Dtre ambos algumas csr- 
caramu^as^ Bigiu Abu^loala, ficou prizloneíro seu fitho 
çom multidSo do seu exercito y e forâo mortos outros. 

Mtrchoo o Principe dos mossetemanos para a cida<|e 
de Fca., na mé ^entroa no dia dez do mez de Rabial«i 
á«il do refiecioo anoo , passou oella a festa do nascimento 

poutíohScÁhe em ordem as oonfas^: reiideráo«41ie serviço» 
ot Soberanos ^ e.fenovQu a paa cm» o Senhor doTelamea* 
saiu Ko ultimo dia do mez de Dul-Kaada matou o dita 
Frincipe o seu Secretario , e encarregado doa seus negodosr 
AbaMcbammed Abdattali ,-£Uid 'tic Abu-Madain, de* 
pois de ter çiercida oa ditos empregos por espaço de nove 
mexes ^ e Tinte hum diast . \ 

Mo principio do mez de Dil-hej-ja do mesmo anão 
aiandou o Prbcípe dos mosselemanos Solaimaa o seu Al« 
caide Taxefin Alatiatasst sitiar Ceuta; e tendo marchado 
contra ella com hum. grande exercito de Benimerines, s 
tomou de assalto de acordo comos seus Xeques, è por con- 
sentimento dos seus priocipaes, porque abomíttavão o go« 
ve^no da Hespanha , cuja conquista aconrcceu no dia deci« 
aM> do mez de Safar do anno 709 ( i ^09 ). Escreveu Ta- 
xefin ao Principe dos mosselemanos Àbu-Rabia Solaiman. 
dando-ihe pane da conquista, cuja carta lhe mandou, com 
ot sflus . Xecpies « c prendeu o seu Alcaide ^ encarregada da 
sua defeza o Xeque Abu-AIy Ornar, filho de Rahu, filho 
de Abdd-baqque. No primeiro dia do mez deJumadtUáual 
depox o Priítdpe dos niosselem^ioos o seu Cadi Abu-Ga* 
leb Almoguili do jui«do de Fez, e nomeou para esta em- 
yvgo m èmãUu: e coaseUwiro Abul*-ba9«o j eenhaeide pe* 



Io pequeno. No mesmo mez fez a paz o Princlpe dos mof^ 
seletinanos com Ben-Âlátiamar com a condição oeste lheea« 
tregar Algeziras , e Roada com as suas comarcas , e lhe 
pediu sua irmã para esposa \ e teodo-lhe este concedido riH 
do , lhe enviou dinheiros, ecavallos para .prosegnir a guer- 
ra sagrada por Othoman, filho* de Âissa Aliazanari, pes« 
6oa da sua confiança» Entrado o aono 710 ( 13 10) fugiu 
*]]o mez de Jumadil-áual o seu Vizir Abderrahaman, filho 
de^Iacub Alauatassi oom o Alcaide dos Christãos para o 
governador de Taza , os quaes tinhão convindo cora mui* 
tidâo • dos Benimerines na deposição do Príncipe dos mosse- 
lemanos Solaiman, e elevação de Abdel*haqque , filho de 
0(homan , filho de Abdel-haqque ; e logo que se estabele« 
cerão em 3Íaza , ipandarão por Abdel-haqque ; e tendo-^e« 
lhes apresentado, o acdamailo Intitulando^se Príncipe dot 
crentes , o qual tratou de ajuntar tropas , e' escreveu ^oê 
Xeques e aos princi pães dos Benimerines/ e dos Arabea coti^ 
vidando-08 para á sua acciamaçãò. Informado disto o Pciii« 
cipedos mossclemano^ , sahm contra elle para Taza, Ie« 
Tando na sua vanguarda lussof , filho de Aissa Al-baxml^ 
e Omar , filho de Aissa Alfaduli com hum numeroso exer^ 
cito de Benimerines ^ e elle foi marchando na sua recta« 
guarda. Logo que chesou a noticia a Abdel-haqque , e t 
Rahu , filho de lacub da vinda do dito Frincipe ; pois pen* 
aavâo , que elle não hiria contra elles , conhecerão que não 
tinhão forças para guerrear com elle, fugirão de noute de 
Taza , e marcharão para Telamessan , donde passaiáo pa^ 
ra a Hespanha. Tendo o Príncipe dos mosselemanos Solai-' 
man tomado Taza , matou aquelles que tinhão acclamado 
a Abdel-haqque , e seguido-o no seu projecto ; e havendo 
permanécidornella , sobreveiu4he a moléstia , chegou o ter- 
mo, e faleceu alli na noute de Quarta feira entre as duas 
vigílias , ultin»a do mez de Jamadiláguer do- sobredito zth 
no'y e na mesma noute foi sepultado no pateo da mesquita 
da dita cidade, tendo reinaao dous annos e cinco mezes, 
cujo tempo foi todo de carestia, conservando sempre otrí- 
gO| e mais mantimentoa, hum. prejojaUo aposto queseh|i 



( 433 ) 
vivendo assim mesmo : efacareceriío nó seu rei nado as {Mm 
priédades ; pois se ch^ou a yender huma casa por mil do* 
cados; e os povos provertfo-se de bestas, e .vestuários, è 
cmarSo , e firmariío os seus^ edifidos com azukjos , marmòr 
res lavrados , &c. 

A fuga do Vizir Hahu , fijiio de lacub , e de outros 
da capitai de Fa , dia o avdior , foi no dia Sabbado vin- 
te trez do mes de Rabtet>áKuer do referido anno de. 710»; 
Em êm a durado eteru sa pectence a Deos^ e aníngueiB 
ttáis. 

C A P I TU L O LXXXI. • 

* 

m 

Do reiMdú .dê Rei do preíettt lermta^ e resplandêr ijS» 

temp§^ SiéierãfÊO fèUsi^'0^ Califa mto^ o Prinvipedêt 
' ^msselemanof jÊkuSaid^ que bt ãciumlnume # n0ss9 

^l^msfe^ anuo de 710 , a quem Deus frutMgue seus 
• dias , H^trâioe ^ seà reiuíuhj fuça victmipsus es seut 

esiwndurtes ^ épenetrãureéymr^wteiàpusfuiiÊrosat 

suse itpêduy^ ê af suas disfofições^ ^ 



o 



Príncipe dosmosselemanos Oihomao era filho 
cipe dos' mosselemanos, ajudado e<iustamente elevado por 
Deos, Abu4u8Sof , filho de Abdel^haqque , cujo appellida 
era Abu^^id , p o seu titulo Aasaid-Befadlellah. Sua wAi ^ 
chamada Aix£| , era livre , e filha do Príncipe Arbi Golo- 
tense, Abu Acia MohaUhal , filho de lahia Golotense. O 
teu nascimento fbi no dia de Setra feira vigésimo nono do 
snts de JumadíMguer -do anno 6^^ ( 129^). 

Qaanto á sua figura*^ e mais qualidades: era de côr 
branca e luzidia, estatura proporcionada, bom semblante, 
figura formosa , betlcza agradável , e hombros largos \ hu*- 
milde nas cousas de Deos , exacto na observância dos seus 
preceitos , compadecido , benigno, liberal, generoso, im« 
snigo da eíRisão de sangue , dotado de brandura , mansidifo, 
subtileza^ direcção^ e juizo. Em fim entre os melhores So^ 

lii 



(434^ 

feeranos tí\e éra o primeiro. Os seus Vizires no príncrpft» 
Ão seu reinado foráo Abu-Ai-hajage lussof , filho de Aisn 
Al-haxmi , c Abu Aly, filho de Ocnar^ filho dé Mossa ^ 
filho de Amran Alfiadudt ; e depoU do faledoieiua destes, 
Abu*AbdalIah Mohammed , filho de Abu-Bacar y filho de 
Aly , e Abu^Salem Ebrahhn , filho de Aissa AHasenati. 
Porão seus Secretários oDoucpr Al-hag-ge Abo Abdaliah^ 
filho de AbinMadaifi , e Abo» Almoçarem Alcanam; e de- 
pois destes falecerem, lhe escreirerSto o digníssimo EkMinar^ 
e instruidissimo escrivão, e o mais benemérito Abu^lác>• 
hammed Abdelmohimen, filho do estudioso Doutor , coii«- 
selheiroy e Cadi recfissime Abo-Abdalbih Mohammed Al- 
hsdrami , e o Doutpr e escriváo Abu-Mohammed Saieh , 
filho de Hajage, eo Doutor t escrivlo Abdaabat, fiUia 
áe Alfaraque. Os seus Cadk fbrSo o Domor AbinAmran , 
fiho de Azztrhuni , o Dooror dignissiiiio , «nico sábio <)e 
conselho , e Cadi esforçado da mssquit» Abi>*A&daUah 
Mohammed , filho de Axxigue i e o Doutor , tabio ^ vir- 
Ateso, esforçado, abençoado, è C^i ds BMsquita Abul* 
bassan , filho de Abu-Bacav Almeliii. 

Os seus médicos forâo Abu-Abdallah , filho de Alga* 
lid , Sevilhense ; e depois deste seu filho o Vizir Abulbas* 
sáA , e o Vieir Abu-Mohammed Xaurensc. 

Tendo o dito Príncipe sido elevado ao cali&do na uU 
taçova de Taza na noute de Qjiarta feira ultima do meai 
de Jumadil-águer do anno 710 (1310), e accbmada pe* 
los Vizires, Secretários, Xeques, epríncipaes, escreveu iui« 
queUa noute as cMrdens, e expediu com ellas o correia para 
és paizes, tnmmciando o falecimento de Solaiman, s asna 
acclamação. Mandou séu digníssimo , felicissimo , ^ JP^* 
feitissimo filho Abul-hassan AI7 (ã) para a cidade de Fez; 

M^— »——i——i^— ^——^—*— —■——*— ^——— ■ • ■ ■ ■ ■ — — — ^i—^— — — ^^^ 

(tf) Este Abul-hassan , que succedeu a seu pai Abu-Saíd , depois da suâ 
annada ter desbaratado a Hespanhola na bahia de Gibraltar, dsiqttaf em Ge* 
nera) Dl Affonso Tenório , que ficou aNi morto, passou á Heapanha, c cot» 
hpudo com Ben*AlalniiiMr, Rei ^ Granada, Foi sitiar Tarifa; roas o» 
Reis de Portugal , e Caslella voarão em seu soccprro , o a sahrarão, e d«« 
fotarão os mohammetanos junto do tio Salado, coma se pode \ix tm 
sas historias , e nas Hespanholaa* ' 



f43S') 
t tendo alli chegado is horas de veiperas do dia Qjiartt 
feira , primeiro do mez de Rageb do dito anuo , e entrado 
Ba cidade nova » casa dos seus Soberanos ^ e habita;ia 
dos seus Reis , senhoreou-se delia , dirigiu as suas cousas ^ 
apossou-se do Alcácer, Erário, armazéns, e armas, eman* 
doo tocar os tambores ; e que se celebrassem festas. Logo 
que amanheceu o dia de Qjiarta feira primeiro do referido 
mez, oiontou o Princípe dos mosselemanos Abu-Said, 9 
sahiu para fóra da cidaae de Taza maravilhosamente or 
do , e com magnifico apparato , onde se lhe renovou a au 
clamado , e o acclamarâo todas as tribus dos Benimerinea 
e Árabes , os Andaluzes , Agzazes , Alcaides , e Chrís^os; 
e depois os Doutores , Cádis , santos , e Xeques da cidade 
com todo o povo com pl^zer de seus coraçòes, e piuwt 
de aentimentos , escolbendoo d'entre os mais, porDcos ter 
unido nelle piedosas qualidades , indole agradável , signacf 
louváveis , elegantes e famosos costumes , religilo , valor, 
oommiseração para com todos os mosselemanos, copiosas 
virtudes , e regime sahitiftro , com o qual somente se coab 
porá , e porá em ordem o Império. Conduida a acclama» 
^o , e postas as cousas em^ boa ordem , distribuiu dinhen 
fos pelas tribus dos Benimerines, e Árabes, e pelos exercia 
tos ; deu donatifos aos Doatoses , e homens virtuosos , fes 
beneficios á nobreza , e povo , dedicou-se ao cuidado dot 
n^odos do seu paiz , e vassallos , e ao mais que lhe ert 
conveniente ; removeu das gentes as oppressòes , perdoou oi 
impostos, sotton os que estavao prcms, menos os saltea* 
dores , e matadores , e os que tinhâo sido presos segundo O 
direito da lei , mandou distribuir esmolas pelas gentes im<» 
possibilitadas, e recolhidas, e aliviou os habitantes deFes 
do que erao obrigados a pagar para estipendio das tropas 
todos os anno^. Consolidou*se no seu tempo a condição dos 
povos , e crescerão os bens nas suas mãos. Os dias no sea 
reinado forSo serenos > os bens continuados, e os povos pe« 
la graça de I>eos Altíssimo nascidos entre quintas, pcrfii» 
mes aromáticos , doces bebidas , sombras opacas , lugares 
defendidos , e completos e communs bens ; e por isso ai 

lii 2 



( 43» 5 
tuas nòutes fbrâo reíplandecentes,' e os seus dias festas» e 
soIemniJades: tudo isto devido á fdicidade do califado do 
Frincipe dos mosselemaaos > e á benção do seu principado, 
no qual principiou a verdade, dominou sua mão afortuna, 
ecircubu em seus estados o dinheiro entre os poderosos, 
e B-acos. Levantou em 6m o seu véo para os rogos do cp- 
prímldo , abriu aos pobres liberalmente a sua porta, cxten- 
deu sobre os vassallos a sua protecção e tutela » fez a)m- 
inuiii a todos a sua justiça , e Ities liberalizou as suas bon* 
dades. Deos dilate 9 sua vida, e eternize o seu reinado^ 

Nós últimos dez dias do mez de Rageb sahiu o Frín- 
tipe dos moseelemanos Ãbu-Said de Taza para a. cidade 
de Fez; e tendo entrado nella , vie^o-se-lhe apreseotar tur- 
bas do paiz , e os seus Doutores , Cádis , e Xeques para 
o saudarem , e lhe darem os parabeos pda sua elevação ao 
Califado , na qual permaneceu , e celebrou a páscoa do Ra* 
tnadan. No mez de DulKaada do dito aaoo sablu o prC' 
dito Frincipe de Fez para Rebate com o iatenio decmdar 
dos negócios dos seus vassallos, atteader ao estado dqpaiz 
da Hespanha , e armar as galeras para a gazua do ioimi- 

fo ; c tendo alli chegado no ultimo do mesmo mez, cele- 
rado oella a páscoa dos sacrificios , e composto o seu e9> 
tado, mandou lançar ao mar as ditas galeras promptas, e 
voltou para Fez. No anno 711 (1311 ) recommendou o 
Príncipe dos mosselemanos Àbu-Said Otboman a seu irataa 
Abul-Bacár, que guardasse naHespanha Algeziras, eRoo* 
da com as suas comarcas , e. ordenou , que no arceoal de 
Salé se apromprassem as galeras, a fím de birem peidar 
contra os Chris^os. Neste mesmo anno houve esterilidade ; 
e por isso sahiu o Príncipe dos mosselemanos Abu-Said 
cm observância da lei a pedir chuva , o qual caminliou a 
pé até chegar ao lugar , em que se celebra a oração , hin- 
do a diante delle os Doutores e santos fazendo rogativas , 
e tudo isto por submissão a Deos Altíssimo, humildade a 
, e observância da lei do profeta ; e levan- 
liante de si os seus esmoleres distribuindo di- 
sccsGÍtados : cuja sabida a pedir cbuva A» 



( 437 ) ^ 

no diá de Quarta feira vigésimo quarto do mez de Xaabao^ 
do predito anno , e oo dia vigésimo septlmo do mesmo 
mez marchou com todos os seus exércitos para o monte, 
de Alcandar a visitar o sepulcro do santo Abu-Iacub Âla- 
xecar; e tendo alli feito as suas rogativas a Deos Altisd- 
mo , aceitou-lhas o mesmo Senhor , compadecendp-se delle 
e do seu paiz , e soccorrendo os seus servos ; pois nSo vol* 
tou dalli senão com copiosa chuva para os segs estados. * 
^ Não deixou o Príncipe dos mo^selemanos Abu Said, 
cujos dias Deos prolongue, desde o primeiro dia do seu rei- 
nado de visitar os enfermos , de assistir aos íuneraes dos 
homens virtuosos , ededartodososannos aosXarífes, Dou-^ 
tores 9 e santos pellijas , trigo , e tudo o mais y de que ne- 
cessitavâo. 

No anno 713 (1313) levantou-se contra o Príncipe 
dos mosselemanos Abu-Said em o paiz de Hassecura Aly , 
filho de fílnnu Hassecurense ; e tendo sabido o dito Prin« 
cipe até se acampar sobre a sua fortaleza > e senhoreado-o 
Deos Altíssimo aelle, entrou no seu paiz*, saqueou as suas 
liquezas , meteiM> em. ferros, e o conduziu a diante de si 
com as mãos presas ao pescoço para a cidade de Fez, onde 
O prendeu. No mez de Dul-hej-ja do anno 714 (i3r<') 
confiou o Príncipe dos mosselemanos a seu filho o Príoci* 
pe Abu^AIy Omar o governo dos paizes do lado meridio- 
nal , de Sagelemassa , de Daraá , e dos desertos , que os 
circundáo, authorízando-o para receber os impostos, e pa- 
ra tudo o mais , assim como o governo de Ceuta ao Al« 
caide lahia, filho do Doutor Abu-Taleb Alazefí, incum- 
bindo-o *de todos os negócios da mesma. No anno seguln» 
Ce mandou o mesmo Príncipe edificar aporta, que fica dian- 
te da ponte de Algeziras , ao redor da qual fez Sepoi? pór 
a trincneira , ou tranqueira. No mesmo anno marchou o 
Príncipe dos mosselemanos para Marrocos *, e tendo perma- 
necido nella alguns tempos até compor as suas cousas , re« 
Srrssou para Fez. No anno 716 ( 1316) cercou o Alcal- 
e lahia Gibraltar, e a sitiou alguns dir.s ^\é que entrou 
suas fcíiiCca^Òes) e 90 mesmo anno desuuiu no cstrei- 



C 43« ) 

<0 39 galeras dos CErist^os , cujo general , cliamado JaHbío {é) , 
hoâiem tnuiro astoto contra ps mosseicmanos , fei morto, 
livra f»do-os Deos delle. 

No mez de Xaaal deste mesmo anno levantoa-se Ia<« 
hia Alazeíi em Ceuta , escusando-se de hir á presença da 
Príncipe dos mosselemanos Abu-Said; e por isso mandoa 
este o^eu Vizir Abu-Salem Ebrahim, filho deAissa Aliais 
tageni, skia-lo; e tendo marchado contra elle com haoi 
grande exercito, o cercou, e teve sitiado algum tempo. 

. No anno 719 ( X319) sahiu o Príncipe dos mosielew 
snanos Abu-Said da cidade de Pez para Tanger còmodc»^ 
tino de attender ás cousas de Ceuta , e da Andaluzia ; e n*^ 
denou que se construíssem as dsternas em o cabeço da9 
sepulturas dos Agzazes , o que se executou ; e tendo per* 
snanecido em Tanger alguns dias, voltou depoiapara Fez« 
No anno 720 (1320) $ahiu o dito Príncipe para Man* 
locos; e tendo permanecido nella algum tempo até a pâr 
«m ordem , examrnar os negócios dos sei» vassalloa ^ e se^ 

furar as sua^ fronteiras, nomeou governador delia a Jau* 
ur, filho de Othoman, e voltou para Fez, na qual entroa 
no flm do predito anno , donde se moveu no anno seguinte 
para Taza, na qual permaneceu trez mezes, emaadoo ^edi* 
ficar o castello de Turidat, que guarneceu de cavailaria, 
setteiros , e infantaria ; e no mesmo anno mandou coastroic 
a muralha da cidade de Agerassif. 

No mez de Rabíal-águer do anno 722 (1322) tomou 
asahir o referido Príncipe para Marrocos, conservou-se nel* 
Ia até compor as suas cousas, e segura-la; e voltou para 
Fez. 

No anno 723 (1323) sahiu agente, e também oMií- 
cipe dos mosselemanos em observância da lei a pejdif chu» 
va , levando a diante de si esmolas para distribuir. No an- 
no 724 ( I3H)> ^ P^rte de 725* houve a fome na Mauri- 
tânia , e subiu o preço dos mantimentos tanto em todas as 

(a) Outro dos manuscritos Arábicos , gue tenho picscntet^j diama-lbf 
Jarnanu, 



(439) 

nrgiâes , qae dwgou o moio de trigo a setf nta ducados ^ € 
cada alqueire a quinze derabem , a farinha a derahem por 
cada quatro onças , a carne a <icraheni por cada cinco on« 
$as, o azeite e o mel a derahem por duas onças, as passas 
a derahem por trez onças, e a manteiga a derahem porca<* 
da onça emeia ; e a hortaliça faltou totalmente desde oan-* 
AO 724 até ao mez de ]umadil-áual do seguinte anno, em 
^pc Deos soccorreo o sen paiz, e se compadeceu dos seua 
•erros. Nesta calamidade , e fome fez o Princi pe dos mos« 
sdeinafX)s o que se não pode narrar, abrindo os celleiroi 
do trigo f e tiraodo-o para se vender a quatro derabem pot 
alqueire , estando as gentes a tenãc<*Io a dezeseis derahem 5 
e mandando dar esmolas, sem ter cessado em todo o tem« 
po da calamidade de hirem com ellas os esmoleres por to« 
da a cidade a da-bs ás pessoas recolhidas , pobres, e m^ 
cessitadas i proporção do sen estado , e miséria , que as re« 
cebiâo desde hum ducado até quairo. Em fim não cessoa 
Q diso Príncipe , desde o dia da sua elevação ao tlirono aré 
fcme , de mandar vestidos e roupas aos débeis , e necessi- 
taoos no tempo do inverno, de mandar amortalhar os e»- 
traogmos, que morriSo, em mortalhas novas , edeossepul*» 
tar, ordenando que se lhes fizesse o mais beUo «nrerro. Deo9 
lhe remunere as suas obras , e conserve aos mosscIemano9 
4)$ HM dias, e a sna bradade. 



CAPITULO LXXXIl. 

Sêère os suaessos oecorrHúT na Mauritânia iesàè 
amiP 656 ( I2j8 ), nn que menciwàmos fora 
úulamaáo o Principt dos mossettmanof 
Ahu-lussikf na cfdadt de 



N, 



O d?a ícgundodo mez deXí»al doanna 6^Í ^iiío) 
Mimnarão os ChrÍ5r€os a cidsde de Sa!é; e tendo enfrado 
MM á ibrja y h^nftfêíb má mirstta gniisán desj^^s». K^ 



C 44^ ) 

àiino áyp ( 1 2^0 V houve o conflicto de Ommerrajoldin cií* 
rre o Príncipe dos mossektnanos Abu-Iussof , e o exercito 
de Almortadá ; e no anno seguinte desceu o Príncipe dos 
mosselemanos sobre Marrocos , e sitiou nella aa dito Ál-* 
mortadâ. No anno 661 ( 1262) faleceu o Príncipe Abdal* 
Id^) filho do Príncipe dos mosselemanos Abu-Iussof , jun^ 
to de Marrocos; e no dia Terça feira doze domez de Aaa* 
ban do mesmo anno appareceu o cometa , chamado Abu-* 
Adduaib, e ficou subindo todas as noutes ao tempo dama*' 
drugadá por espaço de dous mezes. Neste mesmo anna 
passarão os guerreiros dos Benimerínes voluntariamente p» 
ra a Hespaiuia a fim de imprehender a guerra sagrada, de 
que erão Chefes Amer y filho de Edriz ^ e Al-haj*ie Atta*' 
harati. No anno 66:^ ( 1264) destruiu o Dioutor Ãlazefi a 
muralha da cidade de Arzila , é a sua alcáçova^ No anno 
seguinte veiu-se apresentar Abu-Dabbuce .ao Príncipe doo 
mosselemanos Abu-Iussof em Fez , pedindo-lhe auxilio^ No 
anno 666 (1267) foi roubado o Érario da cidade, de Fez^ 
do qual roubarão doze mil ducados, e trinta e trez brace* 
letes. No anno 667 (1268) faleceu o virtuoso Xeque ÁbíH 
Maruan na cidade de Ceuta , e combateu o Príncipe AU 
mostanser os Árabes de Raihá; e tendo-os morto, saqueai 
do seus bens , e captivado suas mulheres , voltou para Tu« 
nes; e no mesmo anno chegou hum presente deAImansor, 
Rei da Efriquia , ao Príncipe dos mosselemanos Abu-Ius-> 
sqf , «endo conductor delle Abu-Zacaria, filho de Saleh* 
No mez de Maharram do anno 6^8 ( 1269 ) entrarão os 
Chrístâos na cidade de Larache ^ declaranao abertamente 
inimizade contra os 4)ortos da Mauritânia ^ e tendo morto 
os homens , tomado suas mulheres e bens , e posto-Uie o 
ibgo , partirão delia nas suas galeras. No mesmo anno ma« 
tou Taleh, filho de AI7, alacub, filho de Abdallah ; e 
no dia da páscoa dos sacrificios do mesmo anno nasceu o 
Príncipe Masaud,. filho do Príncipe dos mosselemanos Abu<> 
lacub , o qual faleceu em Tanger. No anno 676 (1277), 
foi o combate , dado pelo Príncipe dos mosselemanos ^ 
lagmerassan^ filho de.Zaian, em Uade-Talag. No anno 



• l * 



. €ÍIÈ (ii^) entregou Ornar, filho de Mandil ÂlmagraueM 
«e a cidade de Moiiana a lagtnerassan. filho de Zaiaa^ 
da qual tomou posse ; e no dia Quarta feira depois da oraf 
(So de vésperas » e na noute seguinte de Qjiinta feira vinte 
cinco do mcE de Dul-faej-ja do roesnio anno 668 ( 1270 ) 
.cercou ElRei de França a cidade de Tunes com innume- 
raveis navios , e tendo-se acampado em terra junto ao mat 
com tropas , de que se não sabia o numero , pois somente 
o numero da cavallaria era de quarenta mil , os setteiros de 
cem mily e a infantaria de outros cem mil , tomarão ocas* 
tello de Almoquelá ; cnodia vinte cínoo do mez de Ra^ 
|>iaMguer do anno 66^ ( 1270) faleceu o dito Rd, estan* 
«lo cercando a dita cidade de Tunes; e por causa do sea 
falecimento desistirao da empresa. No principio do inez de 
liloharram do anno 668 ( 1269) donnnou o Príncipe dos 
inosselemanos Âbu-Iussof a capital de Marrocos , na qual 
fez a sua entrada ; e no anno. seguinte combateu os Araoes 
de Dana. «No mesmo anno levantou-se Mohammed , filho 
de Edriz , e Mussa » filho de Rahhu no monte de Ama^ 
gu da comarca de Fez ; e tendo-os o diro Principe sitiado 
por espago de trez dias , e submettido-se á obediência , lhes 
perdoou. No mez de Rageb do anno 670 ( 1272 ) foi o 
IVincipe dos mosselemanos atacar a lagmerassan no seii 
paiz ; e tendo-o' desbaratado em o rio de Aissila y fiigiu 
para Telamessan, na qual o teve sitiado algum tempo. 

No anno 672 ( 1273 ) conquistou o predito Príncipe a 
càdade de Sagelemassa } e no seguime a cidade de Tanger ; 
e cercou Ceuta. No dia terceiro do mez de Xaual do anno 
€74 ( 1276 ) fbrmou-se o alicerce da nova cidade de Feai 
junto do seu rio , e no dia seguinte fbrâo mortos os jo^ 
deos na velha cidade de Fez. No mesmo anno passou o 
Príncipe dos mosselemanos Abu-iussof com o destino da 
guerra sagrada pata aHespanha, e dominou Âlgeziras^ 
Xarifa , e Ronda , foi a gazua de Danuna , e se reedificou 
a cidade de Maquines. 1^ anno 67f (1276) mandou o 
élto Príncipe edificar a nova Algeziras; e no anoo seguijH 
te fti a sua segunda passagem para a Hespanha ^ e faleceu 



Ml Mahgá o Arrues Alm-Mohantoed, flbo de XtqUllii"^ 

No m» de Rabial-áual do.ioeçmo anno cercpv a ai^ 
tnad/i dos Chris^s a Algeziras, chcfpn o pre«enie de Ja^ 
]iia ^ Al^uateq ^ Rei da £fri(}uia ; € no we^ dç Xaabaa do 
mesmo aoso rol Omar , £lho de Aly , governador do Ptíih 
cipa dos mosselemanos Abn-Iossof . em Malaca , faliar a 
B/^Q-AlahaoMir aobre fiyta , elhz efitregoiu No mef 4c.Xaual 
do i^&ndo anno tcyókóBã^sf Masiw4» âUid de Canun, 
Sfifianif} e edifiçoiMe a metquiía da Aova adade 4e Fexà 
No afina 67S <i?79) idestruíráo os sxKKisekoianâs ^ ^ta 
dos ChristSoSy queaitiaira a aova Algeziraa. Nt^anoo.^i 

Íni% ) passou o Príncipe dos moaseleaiSQQs a terceira ves 
Hespaaha, o qual foi marchando até passar a Alambra; 
combatendo tamèem a TpUdo^ e noaono i^reoedentc ti« 
nba o mpfflio Príncipe combalido^ a lagmenssan » fUho xk 
Zaian » e. desbaratados em Aloaolaab da comarca, de Te^ 
lamas^an. Neste anno 6B0 bowrã a .pfi|fli.dosrKafiiid)fitQs 
Bo . paiz da Mauritânia , os jqiiaes: cotpcrao as aeaias , sem 
deixarem delias folha verde ^ e isecpUocoao JhisiM ou kn^ 
pada na mesquita da nova tídade .de Fe&|. o -qual físar» 
seis quintões y e v^nte daco anateis; iS a nnmeco doa tem 
yuàíM era de duzentos o oitenta e aete« No mesmo anno 
cercou o Arraes Abul-bassan^ filho de XaquUula, e EiRes 
D. Afonso a cidade de Granada , e faleceu Afadd-Ualied 
Assaquessiri y lerantado nas «izinhancaa. d^ Marmoos; e 
coíbem Massaud^ filho de Canun Alazefi. No anno 6Sa 
^1282) &leceu o Alcaide Azzandagi em Ceuta, e paisoo 
O Príncipe dos mosselemanos Abu-Iussof com o destino do 
proseguir a guerra sagrada , e se ajuntou oom ElRà IX 
AíFonso em Sagra^-Ahad (Zahara)^ o qual. lhe deu a sua 
coroa em penhoF. por cem mil ducados. No mesmo anno 
fugiu o Christâg Aimolando da alcáçova de Fez , entrou 
Aou-Amara na cidade de Tunes , e faleceu lagmerassan , 
filho de Zaian-, e no mez de Moharram do seguinte aa<9 
no morreu EIRei D« Àfibnso , e Taxefin , filho de Abdc<» 
luahed Priíiâpe no paiz da Çesp^nha. No anno éS) (1184^ 



cfiegoii a tgoi de Gabuk á alca^ora de Rebate , e moiw 
reu em Tunes o filho de Ábu Amara, onde foi acckim«* 
do BeiHHafce; No dia sexto do ooez de Ramadan do me»*' 
mo anno faleceu em Rebate Ommolazze , ^ha de Moham* 
sied , filho de Haxem y e foi sepultada em XahL No mes 
de Moharram do anno 69$ (1284S) faleceu o Príncipe dot 
mosBelemanos Âbu-Iussof , e fei collocada a grande non 
ao rio de Fea. No anno seguinte conquistou ElRei Aknan* 
sor , Senhor das poyoaçóes flgjrpciacas a cidade de TripoU 
da Syiia. No afino 68^ (1290) sahiu o Príncipe dos ixíot>i 
jelemanos Abu-Iacub a combater a cidade deTelamessaii ^ 
€ a sitíou; e faleceu o Xeque e Doutor Abu^Iacob Alais» 
quarí em Alcandenia da pais de BahloL No anno segoiíto 
te cerooa ElRei D. Afionso Tarífa , o qual a átioif ani 
oue se senhoreou delia , expugnou o Rei Ahxraf a cidadã 
éc Mecca , e oídenou o Príncipe dos mossdemaaos Abu^ 
lacub o augmento e engrandeciro^ro da festa do nasdiheiH 
to do ptofmi em todo oseu paiz; No anno 692 (139»') 
bk expugnado opaizde'Ta2ata. No anno seguinte cmduni» 
te a ediica^ ca mesquita de Taza , e coHocou-se neUil 
a candelabro , ou lâmpada , a qual pezava tríma e dòu» 
quintaes de bronze , e tinha quinhentos e cjuatorze copoe 
dtt Tidios , tendo-se gastado na obra da dita mesquita e 
lâmpada oito mil ducados. No anno ($99 ( 129^ ) cerrou 
o Príncipe dbs mofsdemanos Abu«Iacub a ddade de Tet- 
lumes^n ; e rendosa skiado alguns dias* , regressou para a 
capind de Pez. No anno 70X ( 1 301 ) morrcti Ben-AIâh»^ 
snar , Rer da Andalutià ; e no anno 706 ( i ;o6 ) faleces 
o Príncipe dos mosselemsnos Abu-Iacub. No anno 708 
(1308) faleceu o Príncipe dos mosselemanos Abu-Tabef 
na alcáçova de Tanger. No fim do mez de JumadrMguer 
do anno 710 ( ijio) fiileceu o Príncipe dos mossefemanot 
Abu-Rabia , e foi acclamado o Príncipe dos mos5eIeaianoa 
Abu-Said Otboman. No anno 720 ( 1320) mandou o dito 
Príncipe edificar o Seminário , ou Academia na nova cida* 
de de Fez, cuja obra foi feita cOm segurança ; e nella es« 
tabcleccu* os oppositorcs para se empregarem na leitura do 

Kkk 2 • 



t4Hl ^ 

AlcorSío , e os Doutores para o etisiiio , âM <fnts ntíhde^ 
ceu o sustento e ordenados mensaea, designando para adi- 
cta Academia os quartos: e tudo ieio que fez^ foi com o* 
fim de agradar a iJeos. e com a esperan^ Ido seu perdao« 
No anna -721 ( 132O mandou -o .digníssimo e virtuoso 
Príncipe Âbul-hassan Aly, filho do^ Príncipe dos mofi»ele- 
maflos AburSaid edificar oSemínafio solado Occidental da 
mesquita de Aosbluz na cidade de Fez^ o .qual .foi con- 
struída com â oMi^r» c mtM completa segurança ^ e belle» 
sa , ao redor 'do qual «dificou^ l\um xa&riz » latrina , ou pu* 
lificatorío^ e hospedaria para habitação dos que ae quizes» 
9em dedicar ao .estudo ;^]e para>4odas;0sta8 offidnas fez con^ 
duzir^goa de humafonie* qpie^^^íim d^ parte de fiSra da 
poeta > ;<^{)9mftda Babojadid^^ no (pie gastou mais de ceai 
mil ducadoa^ Q>llocou ^1a.íi( Qoutores para ensinarem ^ 
€ povoouiQ de oppositores parasse dedicarem ds aciencíM- 
e á lQÍtur9(,d9.AlQpfâo^i conconendo para ^s^despessís do 
mesmo ».e,dediça;ido para o dito Ssaútana^muitos quartos. 
No dia detínào sescto do oiez dé Dul-Kaada do anno jzz 
( 13x2) soprou hum vento yehemente nas cidades de Ala* 
quinei 9 F») e ÇLebate^.e nas suae>a)avircas; e tenda 
continuado a soprar por espaço de dous dias com as suas 
Boutes» destruiu as casas, arrancou as arvores , impediu as 
jornadas ; e em Maquines arrancou imntensas oliveiras 
antigas. No ànno seguinte houverâo no paiz da Mauritânia 
copiosas chuvas , e muitas nçves ; e por isso se chegou a 
vender o carvão na cidade de Fez a aous derahem por ar* 
ratei. No mez de Moharram primeiro do predito anno cor* 
reu a ibnte , que continua para o lado do nascente das fbn« 
tes ãe Sanahaja , sangue fluido desde o meio da tarde até 
á terceira parte da noute, e tornou ao seu estado. No prin- 
cipio do mez de Xaaban do mesmo anno mandou p rrín-» 
cipe Abu«-Said edificar ogrande Seminário defronte da mes« 
* quita de Caruín por direcção do virtuoso Xeque Abn-Mo« 
hamméd Abdallah, filho de Cassem Almazuar, oqualPrín*^ 
cipe assistiu ao lançamento do seu alicerce, até se concluir, 
com 08 Doutores da lei ^ e os homens virtuosos* Priocipiso. 



(445) 
4Sa a soa consfracçSo, ^«e íbi hom mcomiento do século, 
ftz correr alli a agoa da fonte de Alcarinas, nomeoii os 
Doutores para o ensino das sciencias, mandou^o habitar 
pelos dçdicados aos estudos « nomeou prelado para o otes- 
iBO , e Almoaddcs ; desmando propriedades , com que or* 
dotou para satisfazer a Deos Altíssimo, e com a esperan* 
fa do seu premio. No cnez dejumadil-áual do sobredito an-* 
no queimou^se a praça dòs grandes vendedores de perfumesf 
na cidade de Fez , a qual mandou\ reedificar , e renovar o 
Frincipe dos mossclemanos , e se renovou desde a porta êo 
predito seminário até ao cume do oitfeiro dos carnicdroa» 
onde.se construiu huma grande porta chapeada de ferro , e 
aobre o seu remate huma bella arquitectura ; e por isso pa« 
lecia ser poeta de huma grande cidade , para cuia praça 
desde a clita porta até ao Seminarip mancou Asioir os di-** 
tos vendedores de perfiimes e aromas , sem se misturarem 
nella com elles outros alguns. No me$mo ànno houve sec« 
ca , sahiu o povo le-fazer preces a pedir agoa > encareceu o 
preço dos comestiveis , e principiou a fome. No anno 72A 
i 1 3^4 ) bouve na Mauritânia a grande carestia , e terriva. 
lome y e no dia Qyasla kin treze do mcK de Ramadan do 
inesmo anno depois de vésperas elevatâo-se fóra da dda« 
de de Fez pelo lado do norte nuvens acompanhadas de inten- 
tas trevas » e ventos impetuosos , a que se seguiu muita e 
copiosa saraiva de tâo desmarcada grandeza , que cada pe- 
dra pezava quatro onças pouco mais ou menos; e cahiu 
tanta , que formou montes ; e por fim cahiu huma chuva 
ti(o iDopiosa^ que correu huma grande enxurrada, a qual ar- 
rastou gentes, bestas, e gados. No rio lasseduag foi tão 
grande a torrente, qu^ perecerão nellemais de cento e ciív 
coenta pessoas, e^odas as vinhas, olivacs, emais arvores, 
que havia em Zaieg. Ng noute de Sexta feira vigésima f ex* 
ta do «lez de Jumadil-duql do aúno 725: ( 132$' ,) veiu hiA 
iiúi enchente ao rio de Fez , como não ha memoria de ou* 
ira igual, a qual destruiu a muralha, levou as grades e as 
arvores, devastou as hortas, arrancou as grandes arvores, 
^cairoiu as postes e as casas , e arrasou os armazéns de Bar* 



coca, e as cztas do recife; c depors ^s casss de B^r^ag, e 
o mercado dos tincoreiros ; destruiu a grande ponte , sobm 
â q^al estava o mercado de Babe-Assaisela, e a praça de 
Ârramila , havendo perecido de gemes coafiecídas^ peloa 
êeus nomes , sem contar as desconhecidas , setecentas e trio* 
ta pessoas , e sido destruídas mil e cem casds, cinco tnck* 
quitas, oito casas de moinhos, dous fornos, e noventa ^ 

Suatro tendas. No mez de Rageb do referido anno maa* . 
ou o Príncipe 4os mosselêflianos reedificar a grande pón* 
te, sobre t ^ual estava a mercado de fidbo-Assalsela , e aê 
tendas , que estão dê hum c outro lado, e a praça dostin^ 
ttireiros, assim coma as duas mesquitas de Ben-Barcuca , ^ 
dos ferradores. No anno 7x6 omudoo elie tambem^ edifica» 
a ponte no fim da praça dos tintureiros , cuja obra se pria« 
cipiou no dia desanove do mez de Xaaban. 

Deos Altissimo pela sua benignidade e beneficêncuL 
lhe aproveite nisto, e seja propicio para com aprvíêtã^ 
< á sua faffiiUa e amigos conceda 9i mai« tsuberantc beft« 
^y e a mais pura saudarão* 

O /MVor seja dada a Deof , Simlwr dês cnatwtaSm 



Gonduiu^e a segunda parte do fivro intit^slado ^ 

davel , e divertido cartaz , o qual trata dos Soberanos dal 
Mauritânia , e da época da fundação da cidade de Fez ^ « 
com o seu fim se acabou a summa de todo o tratado ^ ^9» 
cripto pelo seu auchor , que espera o perdão e a misèricor^ 
dia de seu Senhor. 



F I M. 



X 447) 



||^j|(»«4^^«j|(4(*^^«*^««i|e«^«*««4í«4^)|^«^«*4t 



ÍNDICE 



DO QU£ CX>NT£M ESTE LIVRO» 



A 



da Traãié€têr. « # • • pag. z 

frrf^cio dç autbor o Dõuíor de sã ãpiniao ^bu-M(h 

bammed Assakh ^ filho de Abdeioalim , dú qual 

Defis se agrade. • « - 9 

ÍBstQriai das Síoberanos M^bammetanos , que tem rei- 

naiê na Mauriiania àesdt «r Edrisitas Alhassa^ 

mne^ da estabekâtneuH destes nella^ e daedifica^ 

«. .$Ío da Cidade de Fez ^ capital do seu.ReiuOi pa* 

ra sua residesscia » ( eseràptà pot JBbehòãabammed 

Atsahb afilho de Ahdel^balm\ •.-••• 13 
CAPITULO I. itícT 

CAP. IL Sabre a accUmaeSo de Edriz I. . . ^ i9 

CAP. UL Do reisÊado de Edriz IL 2J 

ÇAP% IV. Noticia sobre a fundação de Fez pehFrin* 
cipe Edriz^ e descripfão das suas beJlezas ^ e 
sim^uhres exeelkucias , em que realfa aos mais 
paezes da Mauritânia. . ;. «31 

CAP« V. Do rtíuado do Priucipe Mobammed , fiího 
de Edriz , filho de EdrJz Al^bassani na Mauri* 
tama. 51 

CAP* VL Do reinado do Príncipe Ah^ filho deMo^ 
bananed , fiibo de Edriz , filho de EJriz AhhassatiL $ 3 

CAP« VIL Do reinado, do Príncipe lábia , fiUJo de 
Mobammed^ filho de Edriz y filho áe Edriz Al- 
bassaní. IbicL 

CAP* VIII. Sobre a edificação da mesquita de Ca^^ 
ruin , sua architectura , e acere sctnt amentos , que 
teve em diversos tempos , desde o temj o da sua 
fundarão atá ao presente anuo de 726 ( 13^; )• • 54 



X 



l 



\ 



f44M 

CÀP. IX. A respeito da construcçSú ãa térre ás 
mesquita de Caruin , cuja fama ueos exalte, pag. 57 

CAP. X. Noticia dos oradores da mesquita de Ca^ 
ruiu nos reinados dos Mmubades y e dos Bemmc' 
rines. ••••••••• 74 

CÀP. XI. No fual se continua a fratar da dynas^ 
tia dos Ednsitas. •••,••....«» 8r 

CAP. XIL Do reinado do Príncipe My^ filho de 
Ornar ^jUbo de^Edriz na^cidade de Fez^ e em tot 
dos os mais estadas da Mauritânia. . • > ^ Si 

CAP. XIII. Do reinado do Príncipe labia , filha da 
Alçassem y filho de Edriz Al-bassani^ conhecida 
pelo appellido de Alddam. « « • 84 

CAP. XIV. Do reinado do Prinche lahia^ filho de 
Edriz y' filho de Omar^ filho de Edriz AUmnã^ 



^ nu 



« 



CAP. XV. Do reinada do Príncipe Al-basswn afilho 
de Mobammad afilho de Alçassem^ filh^d^^Ár\z% 
conhecido pelo appellido de Al-hajjam. • # « • 8if 

CAP. XVI. Do reinado da intruso Mussa , jUbo de 
Abu-Lafia y em Fez , e em outros mmtos estedoa 
da Mauritânia. .».,.«••••• 8S 

CAP. XVII. Do reinado do Príncipe Alçassem Ga* 

V nuuy filho de Mohammed^ filho de Alçassem afilha 
de Edriz, filho de Edríz^ filho de AhdalUb afilha 
de HassaUj filho de AIrhassan afilho de Aly afilho 
de Abu-Taleb., ............ ^i 

CAP. XVIIL Do reinado do Príncipe AhurAlaiaxe x 
Ahamedy filho de Alçassem Ganun Alhassani. ibid# 

CAP. XIX. Do reinado do Príncipe Al-hassan, filha 
de Ganun na Mauritânia. . . . . .^ ^ . . ^4 

CAP. XX. Noticia dos successos mais notáveis acan^ 
tecidos no tempo desta dynastia ate d sua dissobt^ 
cão em a Mauritânia xoa 

CA^. XXI. Do reinado dos Almagrauenses Aliafc'- 
runenses da provinda de Zanata , e da sua e^salr 
tafão ao tbrono da Mauritânia. lot 



C449) 

CAP, XXIIk Do reinado de Jlmoazoe , filbo de ZaU 
di y fiiho de At ia Almagrauense , em Fez , e mais 

paizes da Mauritânia pag. x i j^ 

CA.P« XXni. Do reinado do Príncipe Hamama^fir 

Ibo de Almoazze y filho de At ia Alijtagrauense. . itS 
CAP. XXIV. Do primeiro reinado do rrincipe Ta^ 

mim na cidade de FeZy e sua comarca. • • • H/ 
CAP. XXV. 'Do reinada do Príncipe Dunas , filho 
de Hamafna , filho de Almoazoe y filho de Atia 
Ahnaffrauense. %•••••>»•.«•• itS 
CAP. Xa VI. Do reinada dos dous irmãos Alfatob , e 

A^issa y filhos de Dunas. . . . ^ . . . . XXJI 
CAFC XXVIL Do reinado do Príncipe Moansaryfi- 
. lho de Almoazze , filho de Zaidi , filho de Asia Al'- 

magrauensc. . i^ 

CAP. XXVIII. Dossuccessos acontecidos nos reina^ 
dos dos Almagrauenses em a Mauritânia desde o 

anno^x% mté mo anno 462 • . • . \x% 

CAP. aXIX. Do reinado dos Morabetins {Almora-^ 
èides) 9 naturaes de Lametuna , do seu levantamen^ 
to na parte meridional da Mauritânia , e nopaiz > 
de Hespanha y e do principio do seu governo até ao 

seufimyodesapparição . iiS 

CAP. XXX. Do reinado 'do Príncipe labia , filho de ^ 
Ebrahim Jedaknse , e da sua elevação ao gaver^^ 

no de Sanahaja. X29 

CAP. XXXI. Noticia da entrada de Abdallab , > 
lho de lassin Jazulense , no paiz de Sanahaja , e 
do seu levantamento nelk com os Morabetins {Al* 
ntorabides) de Lametuna , que he huma das tri- 

bus de Sanahaja 13X 

CAP. XXXII. Do reinado do Príncipe labia, filho . ) 
^e Ornar y filho de Teldcaquin ySanabagense y Lanie^ 

tunense. IJST 

CAP. XXXIII. Do reinado do Príncipe Abu-Bacary 

filho de Omar y Lametunense^ e Almorabitenre. .137 
CAP. XXXIV. Noticia da expedição de AbdaUab, . 

LU 



* 



( 4r« ) 

filho de Jasstn CôHtra os Majuistos" Bargíf^tss^ 
e da sva extravagante seita , € desprezível re/i- 
g'^ão* P^g- 139 

CAP. XXXV. Do reinado dê Priítcift Jbu^Bacar ^ 
'filho de Ornar j Samihagtnte ^ Lametumnu% • «143 

CAP. XXXVI. Do reivado^ do Prinche dos mossele-- 
manos lussqfyfiibo dtTaxefin^ eia rua mareba^ 
e gazuas é « X47 

CAP. XXX VIL Re/afãa Ja pojsagãm dêPrincipe .. 

'. dos rwsselemauos. lussof afilho de Taxffisk^ éBtJh 
p/mks a emprebender a guerra sof^a ^ e iê àaáa^ 
MíAdeZalaca. . . 158 

CAP. XtXXVIIL Da seguia passagem de lus^j 
filho de Taxefin^ dHespãnba no anna seguinít^ ^ ^ 167 

CIAP.. XXXIX. Datenceira passagem de luss^^fi^ 
lb& dx Taxefin^ d Hespanba a proseguir a gyerra, 
sagrada •...»• 16^ 

CAP«» XL« Da reinado da Priwip^' dmcmff-rrff^v^f*^^ 
^fyy fit^o^ de^ ly^of^ na MaurrtairiSy e na Eks^ 
panèa^ \. . B75 

CAP; XLI» Da reinãã» da Fi^ineipe dormassehmáh . 
nor Taxêfift^ filho de Aly^ filbo d^Iussof^ filhet de 
Vaxefin^ Lametunense. > ...••«•.. « 1S2 

CAP. XLII. Da marcha desta dynastia y é sseccts^^ 
sor aeonteeidos no sen neinada ãesde anna ^é/% 
(loílp.) até ao^de 5*40 ( 1145'). 184 

CAP. ^LIII. D9 reinada dos Alnmhadas , e do sem 
levantamento , sendo seu Chefe Mobanmed^ filha dt 
TumaTy o qual sedenonunon Mahadi. • • • • 187 

CAP. XLIV. Dos combates ^^ pelejas de Mahadi 
com os- Lametunenses. . X94 

CAP. XLV. Do reinado do Califa Príncipe d&scren^ 
ter Ahu-Mobamsned Abdebnumen , fiÚ)o de Mj , 
Cufense y Zanatense 20 x 

CAP.. XLVI. Exposição da figura y costumes^ tbeor 
de vidaj e bondade do Príncipe dos crentes Ah^ 
delmumen^ filho de Aly. * ^ ^ «.«..«•» zzi 



f 4?! ) 

CAP, XLVII. Bõ reinado d^ Prmeípe dos crentes 

lussrf^ filho de Ahdelmumen , filho de Aly. pag. 124 
Sobre a derrota do mesmo em o sitio de Santarém. 233 
CAP. XLVIII. Do reinado do Príncipe dos crentes 
lacub j filho de lussofy filho de Abdelmumen ^ filho 

^^ Aly 235r 

CAP. XLIX. Do reinado do Príncipe dos cremes - 

JÊnnasser , filho de Almansor , filho de Inssof^ fir 

lho de jíidelmmnen j 0bo de Aly • . %^% 

Sobre a derrota do mesmo na batalha das Naves. . 061 
CÀP« L« Do reinado do Príncipe dos crentes lussof 

Almotttasitr-Bellah ^ filho de Asmas ser. « • . 26^ 
No reinado deste Priueipe forÃo derrotados osmonros 
c completamente Junto Àe Alcácer do Saly e tomado 

depois askê casttílo y como confessao os mesmos. . i66 
CAP« LI. Do reinado do Príncipe dos crentes Abde^ 

luahêd Almaglu. . . 2^8 

ClAP# Lll. Do T€inad9^ do Príncipe dos cresUet Abu^ 

Mohancmed Ahdaliah Aladel. . . . . ^ . . 27A 
CAPr LIIL Do reinado do Príncipe dos crentes la^ 

bia^ filho de Amtasser^ e dés tens apertos, com os 
\ íovernadores de Almamnn. • • • ^ • # • • 173 
CAP. LIV. Do califado do Príncipe dos crentes Absi^ 

laalÉ^ filho de Almansor^ Almwhadense. • • • 275* 
CAP; LV>. Bo reinado do Princife dos crentes Abu^^ 

Mohammed Aidelwahed ,Arraxid , do qnal Deos 

tenha misericórdia* «••••«.... 28Í 
CAP. LVI. Do reinado do Príncipe dos cre/ttes Abnl^ . 

bassan Axsoid. • . • • . 283 

CAP. LVII. Do reinado do Príncipe dos crentes Abu* 

Hafce Ornar Ahnortadd. ........ %Sf 

CAP. LVIII. DoreinadodeEdrisi, appeifídado Abn^ 

Dãbbiice , e ultimo Soberano dos descendentes de 

Ahdelmumen. %%f 

CAP. LIX, Sobre os acontecimentos mais notáveis 

succedidos desde o principio até d extinafão des* 

» ta dynastia. . • » . XQO 

Lll 2 ' 



* 



CAP, LX. Dâ felisí reinado àa ãynastut Merinia ^ 
cuja fama Deos Àhissimo dilate , exalte , e fir^ 

: me, em que se descreve a sua pura descendência , 
€ justa elevação com a noticia dos seus Sobtra^ 
ms^ conquistas y campanhas { e excellente direc* 
Çào. . . pag. 305 

Noticia da sua pura gerafão , e completa e . eminen-. 
te bondade. . • ^ • ibícL 

Noticia da invasão dos Benimerines na Mauritânia , 
e da preciosa , e admirável appariçao da sua s(h 
berania •.,.••• ^OJT 

CÃP. LXL Do reinado do Príncipe abençoado Aba* 
Mobammed Abdel-haqque , filho do Príncipe Abu^ 
Galed. .•..«.. ^O 

CAP. LXII. Bareinado do Príncipe AburSaid Otbo- 
fnan , filho de Abdel-haqque • » • 3 ^4 

CAP. LXIII. Do reinado do Príncipe Abu^Maaruf 
Mobammed , filhúAe AkdeLhãggu^^ - « • • ' 1. • 316 

CAP. LXIV. Do reinado doPrincipe Abu^abia ^ fi- 
lho de AbdeUhaqque • » • • . 318 

CAP. LXV. Do reinado do Príncipe dos mosselema^ 
nos Abu-^TUssof lacub , filho de Abdet-haqquCé . Jij 

CAP. LXVI. Sobre a sua eminente , e elegante mar- 
cha y a qual nós mencionaremos abbreviadamente , 
e a contaremos' y como a referiu a author do poe^ 
may composto em versos d^ seis cesuras^ « . . jzf 

CAP. LX VIL Da passagem do Príncipe dos mos- 
selemanos Abu-Jussof pata a Uespanba\ efoi es^ 
ta a sua primeira gazua no paiz dos associado^ 
ris. ^ . 343 

CAP. LXVIIL Do combate do Príncipe dos mossele- 
manos Abulussqf contra D. Nuno ( de Lara ) , 

General dos Cbristãos. . . . • 347 

CAP. LXIX. Descri pção da segunda expedição do 
Príncipe dos mosrelemanos Âbu-lussof y do quat 
Deos tenha misericórdia , na sua passagem d Hes- 
panha.^ . . . . , .351 



^ 



C 45'3 ) 

CAP* LXX. Noticia da 2.* passagem do Frincipe 
dos mossekmanos Abu lussof para a Uespanha a 
imprebender a guerra sagrada ^ e be a sua tercei^ 

^ >ta campanha. • « pag. 354 

tAP. LXXI Sobre a quarta expedição do Príncipe 
dos mossekmanos •35.7 

CAP. LXXII. Sobre a quinta expedição do Vfinci- 
pe dos mosselemanos ^ a qual foi contra Córdova. 359 

CAP. LXXI II. Sobre a sabida do Principe dos mos- 
selemanos para a gazua de Alabera 375* 

CAP. LXXIV.^AS^ír^ a quqrta passagem do Pr inci- 
te dos mosseJemanos Jbu-Iussrf para a Hespanba. 377 

CAP. LXXV. Noticia da chegada do Principe Abu- 
lacub da Mauritânia com o destino de se empre* 
gar na guerra sagrada. 389 

CAP. LXXVI. Noticia da vinda dos Monges e Sa- 
cerdotes Cbristãos d presença do Principe dos mos^ 
selemanos a pe Air- lhe a pas;. 399 

CAP. LXXVll. Da reinado do Principe dos mosse- 
Jemanos Abu-Iacub , filho do Principe dos mos sele- 
manos Abu-Iussof , filho de lacub , filho de Abdtl- 
haqque. % 409 

CAP. XXXVIII. Sobre sitio de Telamessan. . .423 

CAP. LXXIX. Do reinado do Principe dos mossele- 
tnanos Abu-Tabet Anier 426 

CAP. LXXX. Doreinado do Principe dos mosselema- 
nos Abu-Rabia Solaiman afilho do Prvcipe Abdal^ 
lab , filho do Principe dos mosselemanos Abu-Ia- 
cub. . . . 430 

CAP. LXXXI. Do reinado do Rei do presente sécu- 
lo y e resplandor do tempo ^ Soberano feliz, ^ e Cali- 
fa recto j o Principe dos mosselemanos Abu-Said^ 
que ke actualmente o nosso Califa neste anro de 
710 y a quem Deos prolongue seus dias ^ eternize o 
, seu -rei nado ^ faça victoriosos os s(us estandartrs ^ 
e penetrantes para os tempos futures as suas es- 
padas , e as suas disposições» * 43 J, 



< 4f4 ) 
CAP. LXXXH. i^úhre os suctessõs occorrídâj m 
Mauritânia desde o anno 6$6 (125*8), rmqae 
mênciondmús fira atelamado 9 Príncipe dí^s nwfse-^ 
iemams Almlussof na vidade de Fez. . • pâg« ^f 



C A T A L o <J O 

t>0f Ottmè imprefiúi^ e m^nJadas publicar f<la Ataienãa JUit 

dms Scitncias dt Lisboa ; c&m •/ prcfês , pçr q^g coda 

uma deitas se vende brochada* 



* í 



• *• 



I. Bi 



1828. 



RBTES Instruc^s '108 Gtsnespondentes da Aoaidemfa , lobit 
'• «5 remessas do» productos naturaes , para formar um Museu Na* 

cional , y*/A<:l' ^m 8.^ laofc 

II. Memorias sobre o modo de aperfeiçoar a manuíaetur» do Azei* 
Ce em i^mal , remetridas á Academia por Joâe Ancoiiío Dal* 

la £elia , Sócio da mesma , 1 vol. em 4.^ 480 

ni. Memorias «obre a Cultura das Oliveiras em Portugal , pelo mes- 
mo. Secunda edição accretcewtadã pelo Soclo dã Academia Sebas* 
tiáo Francisco de Mendo Trigozo , 1 yol. em 4.^ 48;> 

IV. Memorias de Agricultura premiadas pela Academia , s yoL em 

8.^' . . pto 

V. Paschalis Josephi Mellii Fieirn Historise Júris Civi^is Lusitani 
Líber «ingularis , 1 vol. em 4.^ ' . . • 64O 

VI. EJQidem Institutiones Júris Civilis et Crimtnalís Lusítam , 5 

voL em 4.° .2400 

VII. Osmia, Tragedb coroada pela haàemià^Jalheio em 4.® • 240 

VIII. Vida do Infante D. Duarte , por André de Rezende ^foihe- 

<> eril 4.0 160 

IX. Vestígios da Lingoa Arábica em Portugal , ou Lexicon Etymo- 
iogico d» palavras » e nomes Portuguezes , que- tem origem Ará- 
bica , composto por ordem da Academia , por Fr. Joio de Sou- 
sa, i vol. em 4.^ •• 480 

X. Dorpinicí Vandelli Viridarium Grysley Lusitanicun Lionacanis 
noniinibus illustratum, 1 vol. «m 8.^ a€0 

XI. Ephemerides Náuticas , -ou Diário Astronomigo desde o anoo de 

1789: cada anno i voi cm 4.* |éo . 

O mesmo par» o anno de 18S9 ••.,•• 480 

XII. Memorias Económicas da Academia Real das Sciencías de 
Lisboa y para o adiantamento da Agricultura , das Artes ^ e da 
Industria em Portugal , e suas G)nquist3S , 5 vol. em 4.^ . . 4000 

XIII. Collecçfio de Lh^ros inéditos de Historia Portu^ueza , desde o 
Reinado do Senhor Rei D.Dínu, até o do Senhor Rei D. Joáoll , 

S vol. tmjoiio • • • ' • 9000 

X3V. Avkos inteiessantes sobre as mortes apparentes , mandados 

recopilar por ordem da Academia,y#/Ar/0 em 8.^ . « • . . gr. 
ZV. Tratado de Educação Fysica para uso da Na^o Portugueza, 

^lor Fiancbco de Mello Franco , i vok em 4.^ |tfo ' 

ZVI. Documentos Arabicot da Historia Portugueza, copiada dos 

Originaes da Torre do Tombo com permíssio de S. M^estade , 

« fcrtidos em Portuguez , de ordem da Academia , por Fr. João 

9 de Sousa , i voL em 4.^ « 4I0 

XVIL ObscsvaçOas iobie as fviíicipaaa canv -dadecaiieBcit doaPoH 



C A ¥ 4 C o Q o. 

VBtgÊHm WÊ Afítr «•oripeas por Diogo <k Ga«t«. •» (imm êg • 

Dialoga I com o úCuIo de Saldada Pratica ^ por Aotociid CiNta* 

na dó Annrel , Sócio EíEsaivo da me^n» , i tomo em S.^ • 4to 

XVIIL Flora Cochinchincnsis , sistens Plantas, in Regno Gochindi»- 
nae nascentes : quibus accedunt aliae otnervatae in Sioensi Im- 

. perlo , Africa Orientali , Indiaeque locis variis ; labore ac stadio 
Joanni^ do Loureiro, Regiae Scientianun Academiae UlysMpo- 
nemia Socii ; 2 vol. em 4.*^ /fuiMr. •••••....; a^po 

XVL* Sypopsis . Ghronolqgica de Subsídios , ainda os mais raros ^ pa- 
ra a Historia^ e Emido critico da Legbla^ Portuguesa; por 
José Aria^tasio de Figueiredo , Correspondeikte doNumeto dames« 
ma Academia, a vol. em 4.^ \ . . itoo 

XX. Ttatado dt Educação Fysica para uso da Nação Portvgweai, 

por Fcancisco José de Almeida, i vol. cm4.^ . $60 

XXI. Obras. Poéticas de Pedro de Andrade Caminha , publicadas ^de .' 
ordem da Academia , i vol. em S.^ 60Q 

XXII. Advertências sobre es abusos , e legitimo uso d2i$ Agoas mi- 
neraes das Caldas da Rainha , por Francisco Tavares , Sócio Li- * 

vie da mesma Academia , folheta em 4.° •....• • iso 

XXIII. Memorias de Litteratura Portugueza , 8 vol. em 4.^ « • é^po 

XXIV. Fontes Proxinàs do Codiga FUippino , por Joaquim José 
Feneira Gordo , i vol. era 4.° ••••...«•• • 400 

XXV. biccionario da Lingoa Portugueza , 1 vol. em folia maior. 4(00 

XXVI. Gmipendio da Thcorica dos Limites , ou Intrbducç5o ao 
Methodo das FluxÓes , por Francisco de fiorja Garção Stockler ^ 
Sócio, da Academia, em S.** 140 

XXVII. Ensaio Económico sobre o Gommercio de Portugal, e suas 
Colónias , ofTerecido ao. Sereníssimo Príncipe da Beira o Senhor 
D. Pecfao, pelo Sócio IX José Joaquim da Cunha de Aaesedò Cou- 
tinha Segttada Edição corrigida ^ a accraucidada pela mesmo An^ 

dor , 1 ?ol. em 4.'' ... - 4S0 

XXVIII. Tratado de Agrimensura , por Estevão Cabral , Sócio da 
Academia, em 8.^ •••••• 240 

XXIX. Analyse Chymica da Agoa das Caldas, por Guilherme Wh 
thering , em Portuguez e Inglez , folheta em 4.° • . • • • 340 

XXX. Princípios de Táctica NavaJ , por Manoel do Espirito Santo 
Limpo, Correspondente do numero da Academia» i. vol. em 8.^ 480 

XXXI. Memorias da Academia Real das Sciencias, 9 vol. tm folia, 18000 
XXKII. Memorias para a Historia da Capitania de^S. Viceme , 1 

vol. em 4.0 . • 4ta 

XXXIII. Observaçòes' Históricas e Criticas para servirem de Memo- 
rias ao systema.da Diplomática Portuguesa, por João Pedro Ri» 
beiro, Sócio da Academia, Parte I. em 4^ ••.•••• 480 

XXXIV. J. H. Lambert Supplementa Tabularam Logaritiunicarum » 

. et Trigonoinetricaram , i. vol. em 4.^ 9^0 

XXXV. Obras Poéticas de Francisco Dns Gomes, 1 voi em 4.^ 800 

XXXVI. Compilação de Reflexões de Sanches , Pringie àc sobie 
as Causas e Prevenções das Doeoçis dos Exércitos , oor Akxaii» 



C K T A Ij o (k(í 

ée MstOÊÍo i»fksvtBi p» dÍ9ifiboiM> aoEticito f oitii gii e a # ' 

^^Aci# em ia. gA 

luVlI. Advertências dos meiof para preffrvv da Feslc Segaada 
eéiçiú 0eçres€fiitãdm cpm # Opuscnio de Hkihms AItirs sotm a 
Fesce de 1^69 ,y^Atfl« em 13 « . lao 

XXXVIII. Hippdyto, Tragedia de Earipides^ Tcvtida doG^go em 
Pòrtujuez, pelo Directoi de uma das Classea da Academia; «mi 

# Uxto^ 1 vol. em 4.^. ,.,,.. « 4S0 

XXXIX. Taboas Logtridiinkas ,. calaitxfaa aié á jeima caia deci- 
mal , por J. M. D. P. , I voL em 8.^ • • • 4(0 

XL Indíoe GbrotK>)oj;ico Remissivo da Li^isiaçSo Boftugueza pos- 
terior á puhiica^o do Código Filippino, por Jofto Pedia Rmi» 

ro, 6voLem4.^ ••».\.« 54001 

XU. Obras de Francisco de Borja Gar^ Stoçkler , Seaetario da 

Acadfmia Real das Sciencias, i.^ vol. em 8.^ • • * • • . too 
XUI. G)lkcção dos principaes Auctores áà Historia Portuguesa , 
publicada com nota^ pelo Director da Classe de Litteratuia da 

Academia Real das Sciencias, S Tom. em S.® • 48QQ. 

XUII. DisKrtai^ Ciironologicas , e Criticas ^ por João Pedro Ri* 

beiro ^ ) voJ. em 4,^ ^400 

OTomo IV. Patte I 400 

3LLIV. Gollec^o de Noticias para a Historia e Geografia <bs Na- 

^6es Ultramariíns , Tonru I. e IL em 4.^ • . . « « , , 1400 

O Tomo III • • . . . Soo 

O Tomo IV. N.« l.« itfOÍ 

XLV. Hippolyto, Tragedia de Séneca; e Pbe<ka, IV^ia de Ra* 
cine : traduzidas em verso pelo &>cio da AJcademia Sebastiáo 
Franci&co de Mendo Trigoao , €õnk #1 iexUs , em^.^ .... 60O' 
XLVI. Opúsculos sobre a Vaocina: Números I. até XIIL em ^ . jço 
XLVII. Elementos de Hygiene, por Francisco de Mello Franco , Só- 
cio da Academia. Tcrçtirm tdi^ãê cêrrigiJa , § êmgmtBUdã fu 

lê mesniú Àactor , 1 vol. em 4.** • • . , 9^ 

XLVIII. Memoria sobre a necessidade e utilidades do Plantia da 
novos bosques em Portugal, por José Bonifácio dr Andrida e Sif- 
va , Secrnario da Academia Real das Sciencias , 1 voL em 4.^ 400 
XLIX* Taboadas Perpetuas Astronómicas para uso daNavqpaçSoPor» 

toguea , I voL em 4.^ . fqo 

L» Bementos de Geometria , por Fritficisco Villela Barbosa , Sodo 

da Academia Real das Sciencias. Seguadm pOfãê^ i voL em S.° çfo 
LL Memoria paia servir de Indioe dos Foraes das Tema do Reino 
«fe Portugal, e seus dominiot , por Francisco Nunes Franklin. 
Segunda edifãê , i vpl. em 4.^ •••....... . 6oc^ 

Uh Tratado de Policia Medica , no qual se comprebendem todas 
as matérias., que podem servir para organizar um Regimento de 
Policia de Saúde para o interior do Reino de Portugal , por Jo» 

aé Pinheiro deFreitas Soares, em 4.^ tOO 

Un. Tratado de Hygieoe Militar e Naval , pelo Sócio Joaquim Xa- 
vier da Siita, r voL em 4»^ .••.»..•«. . 400 



C A T A L o cr d- ^ 

UV. Princípios de Musica, *ou EMpOiUpio Methodica dat iiotitrtqtf» *. 
^ sua composiçío e execução, pelo Sócio Rodrigo Feifeita da • 
Costa ,' a voL etn 4.^ ••••...•• * ú^s^ 

LV. Tratado de Trigonometria Rectilínea e Spherica, por Mat- 
tbeus Valente do'G>uto. Segunda ediçf0 ^ 1 vol ém 4.^ . . §60 

LVI. Ensaio Dermosogrâphico, ou Succinta e *Systeinatica Descrt> 
pçáo daa Doenqas Cutâneas , &c. , por Bernardino António Gonaes , 
x< voL çm 4.^ • 1200 

LVIL Memorias para a Historia da Medicina Lusitana, por José Ma- 
tja Soares, 1 vol. em4.^ joo 

IJVIU. Ensaio sobre alguns Synonymos da Língua Portuguesa, por 
D. Fr. Francisco de S. Luiz. Stganda télfSo^ 1 vol. em 4.° » 740 

UX. . Gsammatica Philosophica da Língua Portugueza , ou princ»- 
pios da Grammatica geral applicados á nossa Linguagem, por 
Jeronymo Soares Barboza , 1 vol. era 4.^ • 9^0 

IX Collecçáo de Cortes. Congresso do Braço da Nobreaa nas de 

1697 €1698 , 1 vol. foi. boro papel 600 

tu. Diário da viagem , que em visita e correição das povoações 
da Capitania de S. José do Rio Negro fez o Ouvidor e Inten* 
«lente geral da mesma Francisco Xavier Ribeiro de Sanpaio, s 
vol- eni 4.O' , i^o 

XSlh Fiora Fatmaceutíca^ fi^lmentar PoftMgacza , ou trvudo da- 
*quêlles vegetaes indígenas de Portugal , e outros neile cultivados, 
per Joronymo Joaquim de Figueiredo, i voL em 4.° • • • 1440 

UUIL Glossário das palavras e frases da lingua francesa , que se tem 
iotrodusido na locu^o portuguesa moderna , por IX Fr. Fiancisco 
de S. Luiz, 1 vol. em 4.^ • \' . . . 4fo 

UQV. Noticia dos Manusaiptos pertencentes ao Direito Publico £x* 
temo «Diplomático de Portugal, e á História, e Littenrtura do 
tnésmo Palz, que existem na Bibliotheca R. de Paris, e outras, 
da mesma Gipital , e nos Ârchivos de França, examinados, ecot* ^ 
ligidos pelo H. Visconde de Santarém, em 4.^ * J^^ 

'LXV. Historia dos Soberanos Mohametanos das primeiras quatro df- 
nastias, e de parte da quinta, que reinarão na Mauritânia , es- 
'cripta em Árabe pdt Abu-Mohammed Assaleh , fíUio de'AbdeUia- 
lim, natural de Granada, e traduzida, e annotada por Fr. José 
4» Santo Antomo Aloura, 1 vol. em 4.° • • • loeo 

Nova Carta do Erasih e da América Portugueza. 1 200 

Veaéem^sc em Lishoa nas hjas dos Mercadores de livr§s na ma ^mf 
féfias de Santa Catharina ; a em Caimbra , c na Patia aa Jafã ét F/w^ 
átcê £«i« de Aadrad€* 



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