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Full text of "Inventario dos documentos relativos ao Brasil existentes no Archivo de Marinha e Ultramar de Lisboa"

/ , 



INVENTARIO 



DOS 

DOCUMENTOS RFI.ATIVOS AO BRASIL 

KXISTKNTi:s NO 

Archivo de Marinha e Ultramar 

1 )i; lilHl^OA ^ 



IIIII.VMvUMi \'\\\\ \ 
RIMLIOTUKCA NACIONAL DO UIO DK JANEIRO 

POR 
\ 

Iiduardo de Castro e Almeida 

!• Conservador da Bibliotheca Nncional de Lisboa 
e Director da Secção IX (Archivo de Marinha e Ultramar) 



1 



B -A- ti I -A. 

i{;i;M7(i2 




-^ dO 




RIO DE JANEIRO 

Offioinns Ompliion?; da l^ibliotlieoa !Xacionnl 

lOi:^ 



MADRID 7 



Extr. do Volume XXXI dos Annaes da Bibliotheca Nacional 
Edição de quinhentos exemplares. 




INTRODUCÇÃO 



Entre os milhares de docuiiientos officiaes que foram incorporados á 
Bibliotlieca Nacional de Lisboa e desde 1901 iilli fonstituem uma secção 
á parte sob a denominação de Archivo de Marinha e Ultramar é conside- 
rável o numero dos que são relativos ao Brasil, muitos dos quaes de grande 
importância para o estudo da nossa historia. 

Não só os papeis do Conselho Ultramarino, extincto em 1833, e os do 
.Vrchivo de Marinha, mas também nmitos outros documentos, concer- 
nentes ás colónias portuguezas, foram recolhidos á nova secção da Biblio- 
theca Nacional de Lisboa. 

Avultado como é o numero dos manuscriptos avulsos assim reunidos, 
a sua inventariação vae exigir dilatado tempo. Certo embora de que por 
mais persistentes que forem os seus esforços não poderá ver concluída a 
árdua empreza, tomou-a a seu cargo o Sr. Dr. Eduardo de Castro e Al- 
meida, 1° conservador daquella Bibliotlieca e director da referida secção, 
começando-a pelos documentos referentes á Madeira e Porto Santo, dos 
quaes publicou o "Inventario" nos annos de 1907 a 1909. 

Dada a preferencia, na continuação do trabalho, á parte relativa ás 
ilhas e ás colónias portuguezas actuaes, só muito tarde poderia vir a ser 
inventariada a parte que diz respeito ao Brasil. 

A' Kbliotheca Nacional do Rio de Janeiro foi dado acceitar, com 
auctorisação do Sr. Dr. iVugusto Tavares de Lyra, quando Ministro da 
Justiça e Negócios Interiores, a proposta do Sr. Dr. Eduardo de Castro e 



IV 

AlnieiíLi pura se oncarrogar (Vã orguniaayão do iiiviMitaiio dos documentos 
relativos ao líra.sil, segundo o plano por elle ado[)tado no seu trabalho 
concernente á Madeira e Porto Santo, isto é, ordenal-os geographica e chro- 
nologicaniente, extractar os trechos que, segundo o seu critério, offere^-am 
maior interesse liigtorico ou mesmo transcrever integralmente os do- 
cumentos c accrescentar a cada volume três Índices alphabeticos, um 
dos quaes de nomes, outro remissivo por appellidos e o ultimo conforme 
os assumptos. 

E' assim que por pessoa competente vae sendo organisado para a Bi- 
Miotheca Nacional do Rio cíe Janeiro, que agora começa a publical-o, o 
inventario de tudo quanto diz respeito ao nosso paiz na numerosíssima 
collecção de manuscriptos avulsos do Archivo de ^larinha e Ultramar. 

A parte brasileira comprehende as capitanias da Bahia, Ceará, Goyaz, 
Maranhão, ]\latto Grosso, Minas Geraes, Pará, Parahyba, Pernambuco, 
Piauhy, Rio de Janeiro, Rio Negro, S. Paulo e S. Pedro do Rio Grande do 
Sul e vae de 1750 a 1822, sendo relativamente poucos os papeis anteriores 
áquella data. 

Enriquecem o primeiro volume do "Inventario" agora .publicado 
(Bahia. 1613-1762) numerosos extractos e transcripções que dão a medida 
da importância dos documentos cuja existência se torna conhecida. 



M. O. 



t.\ 



INVENTARIO 



DOS 



DOCUMENTOS RELATIVOS AO BRASIL 

KXISTKNTKS 

Archivo de Marinha e Ultramar de Lisboa 



liAlIIA 



Ano lavrado pelo Escrivão da Coroa e Fazenda na Relaçáo do Brazil, 
António da Motta Lucena, por ordem do Desembargador Affonso 
Garcia Tinoco, Juiz dos feitos da Fazenda Real e cm cumprimento 
das provisões regias que mandavam proceder á cobrança e arreca- 
dação das dividas do imposto de i % sobre os contratos dos dizimos, 
cujo producto era destinado a obras pias. 

Bahia, 8 de julho de iói3. i 

Rf.presicntaçÁo de Manuel do Rego Siqueira, como procurador dos Offi- 
ciaesda Gamara da Gidadede S. Salvador, Bahia de todos os Santos, 
queixando-se dos prejuizos causados pela guerra com os hespanhoes 
e sollicitando diversas providencias regias, entre ellas a isenção de 
impostos durante 2 annos. S. d [1626). 

Tem annexos 3 documentos^ entre os quaes se acha a informação 
do Desembargador António das Povoas. 

«Dizem os Officiaes da Gamara da Cidade de S. Salvador, Bahia de todos 
os Santos do estado do Brazil que os moradores daquella Capitania, em todo o 
seu districto, padecem grandes misérias causadas das muitas mortes dos negros 
quê os annos atraz ouve, de maneira que por sua falta não mohião os engenhos 
e as çafras passadas o não fizerão por causa das guerras e de os inimigos porem 
o foguo aos cannaviaes, nas quaes guerras os dittos moradores consumirão tudo 
o que de seu tinhão e hoje estão mui pobres e necessitados, de tal maneira que 
á muitos annos se não poderão restaurar de suas perdas, pelo que movidos elles 
de tão grandes necessidades e perdas que a todos abrangeo, assi pobres, como 
* ricos, e por essa cauza padecem muitas misérias, fazem a V. M. como a seu 

Rei e Senhor, em seu nome e de todos aquelles povos por commum consenti- 
mento de todos, os apontamentos seguintes, em que pedem a V. M. lhes conceda 
as cousas nelles declaradas e receberão mercê. 

— Que V. M. mande passar provisão para que o Governador do Rio de Ja- 
neiro faça vir para esta Capitania todos os índios dos quintos dos que ora des- 
cerão do certão de S. Paulo e se faça por ajuntar nas ditas capitanias gentio 
para se fazerem duas aldeãs e se manuem buscar cm dous navios á custa da 
miposiçâo dos vinhos. 

— E assi mesmo se lhe conceda que á custa da mesma imposição se mandem 
navios aos portos a descer gentio de paz até mil almas, porque por falta delle 
se vai cada vez mais empobrecendo esta Capitania, nem o tem que a ajude a 
defender. 



— Que mande V, M. passar provisão para que o Governador dé licença para 
sehir ao certão descer gentio donde o ouver e para isso dé poderes a lingoas e 
ao Padre Provincial da Companhia da parte de V. M. 

— Que dé V. M. licença para se acrescentar dous vinténs em cada pataca para 
que assi se não leve deste estado o dinheiro, que he cauza de abat>;r muito os 
preços dos fructos da terra. 

— Que V. M. nos conceda licença para fazer gengivre em conserva emandal-o 
a esse reino. , , . . 

— Que V. M. conceda licença para que neste estado se batão até 3o mil cru- 
zados de moedas de cobre c outros tantos de vinténs e dous vinténs, porque são 
mui necessários para o commcrcio e uso da terra. 

— Que' V. M. nos mande passar provisão para que neste estado se não cosáo 
meles brancos, nem se despachem. 

— Que V. M. lhes faça mercê aos moradores daquella Cidade e seu districto 
que não paguem direito de seus fructos nestes primeiros dous annos visto per- 
derem a meia çafra dos assucares do anno de 62^ e toda a de 62^ e muita parte 
da de 625 e visto terem a metade da cazaria daquella Cidade derribada e as que 
cm pé ticarão os soldados espanhocs lhe não deixarão porta nem fechadura e 
ouve saque geral dado pellos ditos espanhoes e ficarão todos os moradores da 
dita Cidade desbaratados de todos seus bens e avendo mister muita fazenda para 
reedificar suas cazas e moveis de seu uzo : pelo que pedem a V. .M. ponha os 
olhos nesta petição e apontamentos, considerando o miserável estado em que 
esiá aquella Capitania e seus moradores concedendo-lhes o que nesta lhe pedem». 

2 — 3 

Carta regia nomeando Desembargador da Relação da Bahia, por espaço 
de 6 annos, o Baciíarel Manuel Carneiro Ramos, ex-Ouvidor Geral 
da Ilha de Santiago de Cabo Verde. 

Lisboa, i3 de dezembro de i632. Em pergaminho. 6 

Carta do Conde de Sabugosa, remettcndoa D. João V. os docflmentos se- 
guintes. 

Bahia, 29 de maio de 1734. 7 

Carta do Coronel Francisco Alvares Camello, morador nos Campos da 
Comarca de Alagoas, para o Capitão Bernardo Vieira de Mello, mo- 
rador no Engenho da Pindoba, freguezia de Ipojuca, relatando uns 
acontecimentos extraordinários e de pura ph-.intasia, que Manuel 
Lopes Cabral, morador na Serra Limpa, dizia terem sido observados 
por suas hlhas. S. d ( 1734). 

Tem annexa a declaração feita por M. Lopes Cabral e escripta 
pelo Alferes Manuel de Abreu Lima. 8—9 

Carta do Provedor da Fazenda Luiz Lopes Pegado Serpa, para Diogo de 
Mendonça Corte Real, em que se refere ás grandes difficuldades que 
encontra para evitar as fraudes nos despachos da Alfandega e á 
escassa produção dos assucares e tabaco naquelle anno. 

Bahia, 19 de agosto de 1737. 10 

Officio de Domingos da Costa de Almeida, remettendo ao Provedor _e 
Officiaes da Casada índia e Mina, a relação dos direitos cobrados na 
Alfandega da Bahia e pertencentes á Casa da índia, a relação das 
pessoas que estavam em divida d'esses direitos e dois conhecimentos 
de remessas de dinheiro. 

Bahia, 3i de dezembro de 1740. Tem annexos 4 documentos. 

1 1 — 15 

Officio de Domingos da Costa de Almeida, remettendo á Casa da índia e 
Mina, uma nota acerca do movimento de lettras, na Alfandega. 

Bahia, 6 de janeiro de 1741. Tem annexo um documento. 16 — 17 



OiKicio dl) iMovcdnr ila la/.ciul.i. Luiz Lopt". I^c^aiiu Serpa, participando 
ler a Náu du Iiulia ciint^;íul<) tabaco, assucar c sola, com dciiino a 
Lisboa, f rcmcitcndo vurios documento» relativos ús cargas de diffc- 
rentcs nuvio». 

Babiti, r» de janeiro de 17.}!. Tem annexo um documento, alem 
dos 'j seguintes. 18 — 19 

Ki.i.A(;Á() dos escravos, que desembarcaram da Náu N. S." da Conceição, 
vindn do Kstado da Indiu a esic porto da Bahia c nella dcráo fiança 
seus donos aos dircii»)s que hão de pagar na Casa da Iiulia da Cidade 
de Lisboa (a) João Dias da Costa. [Annexo ao w.« /<V. 20 

Traslado do termo da chegada da Náu N. 5.« da Conceição ao porto da 
Cidade de S. Salvador da Bahia, sob o commando do Capitão de 
mar e guerra, Josc Theodoro de Carvalho, no dia y de junho de 
1740. (Annexo ao n." i<y.} 21 

Carta do Vicc-Rci do Bra/.il, André de Mello e Castro, para Diogo de 
Mcndont;a Còrie Real, cm que se refere aos acontecimentos políticos 
da Kuropa e á passagem pelo Hrazil de uma esquadra ingleza c outra 
hcspanhola, compostas cada uma d'ellas de sete naus. 

Bahia. 10 de junho de 1741. 22 

Carta do Provedor da Fazenda, Luiz Lopes Pegado Serpa, para Diogo de 
Mendonça Corte Real, participando a chegada á Bahia em 8 de abril, 
da Náu iV. 5"." da Victoria, conduzindo a bordo o Conde de Sandomií 
e cm 10 de junho, a Náu .V. .V.» da Esperança, sob o commando do 
Capitão de mar e guerra Hilário Gomes Moreira. 

Bahia, i3 de setembro de 1742. 23 

Okficio do Provedor da Fazenda, Luiz Lopes Pegado Serpa, participando 
ao Provedor da Casa da índia a chegada das embarcações a que se 
refere a carta anterior, as reparações de que careciam e pedindo 
instrucções para a execução de diversos serviços, etc. 

Bahia, 19 de setembro de 1742. Tem annexas 2 relações e o 
doe. seguinte. 24 — 26 

Tr.RMO da chegada da Náu da India Nossa Senhora da Victoria, de que era 
Commandante o Capitão de mar e guerra, António Carlos Pereira 
de Sousa. 

Bahia, 10 de abril de 1742. (Annexo ao n.° 24). 27 

Carta do Vice-Rei, André de Mello e Castro, sobre fardamentos militares, 
queixando-se da má confecção da ultima remessa, que recebera de 
Lisboa e fazendo varias considerações sobre o assumpto. 

Bahia, 8 de novembro de 1742. 28 

Mappa das Guardas de Cavallaria apostadas da banda do Sul e Norte, (a) 
Coronel de Dragões, Diogo Osório Cardoso, 7 de setembro de 1742. 
(Annexo ao n.° 28). 29 

Carta do Provedor da Fazenda, Luiz Lopes Pegado Serpa, para Diogo de 
Mendonça Corte Real, referiado-se entre outros assumptos, sem 
importância, aos serviços prestados pelo Patrão Mór do porto. 

Bahia, 26 de novembro de 1742. 3o 



Officio de Domingos da Costa de Almeida, para o Provedor da Casa da 
índia e Mina, acerca da transferencia para Lisboa das importâncias 
cobradas na Alfandega. 

Bahia, 4 de dezembro de 1742. Tem aunexos -2 documentos. 

3i — 33 

Carta do Provedor da Fazenda, Luiz Lopes Pegado Serpa, para Diogo de 
Mendonça Córte líeal, acerca dos serviços da Alfandega, qucixando- 
se da infediiidade de alguns funccionarios e participando a chegada 
á Bahia da Náu da índia N. S.^ da Conceição, commandada pelo 
Capitão de mar e guerra Francisco l^inheiro dos Santtjs e da Xáu 
ultimamente construida nos estaleiros d'aquella cidade, sob o com- 
mando do Capitão de mar e guerra António de Brito Freire. 

Bahia, 23 de junho de 1743. 34 

Carta de António de Brito Freire, Capitão da Náu S. Francisco Xavier, 
para Francisco Pinheiro dos Santos, Capitão de Náu A^ S.^da Con- 
ceição, sobre um incidente da viagem, que ambas as embarcações 
faziam, acompanhando-se, da índia para Lisboa. Fragata S. Fran- 
cisco Xavier, i de fevereiro de 1743. {Annexo ao n. 351. 35 

Carta de Francisco Pinheiio dos Santos, Capitão da Náu N. S.°- da Con- 
ceição., para Diogo de Mendonça Corte Real, narrando a tormentosa 
viagem que tivera desde Gòa e as difíiculdades com que luctára, por 
se achar muito reduzida a tripulação, pois tinha havido muitas doen- 
ças e mortes a bordo da Náu, depois da sua partida de Lisboa. 

Bahia, 24 de junho de 1743. Tem annexos os seguintes do- 
cumentos. 3ó 

RklaçÁo dos casos mais notáveis e dignos de que devo dar conta a S.R.Ma- 
gestade, succedidos no discurso da viagem que de Lisboa fiz aos 29 
de abril de 1742, embarcado em a Náu N. S."^ da Conceição, com- 
mandando-a, como também a Náu S. Joam e S. Pedro, com o soc- 
corro que o mesmo Senhor foi servido mandar no referido anno ao 
Estado da índia. (Francisco Pinheiro dos Santos). S. d. 1 Annexo ao 
n. 35). 37 

Regimento dado pelos Governadores do Estado da índia ao Capitão da Náu 
A^. S.^ da Conceição, Francisco Pinheiro dos Santos, para por elle 
se regular na sua viagem de regresso a Lisboa. Gòa, i de fevereiro 
de 1743. (Annexo ao n. 35). 

E' assignado pelo Bispo Governador, D. Francisco de Vascon- 
cellos., D. Lui:; Caetano de Almeida e Lui^ Affonso Dantas. 38 

Carta do Provedor da Fazenda, Luiz Lopes Pegado Serpa, para Diogo 
de Mendonça Corte Real, informando acerca dos serviços d:; Alfan- 
dega, das cargas dos navios, e da partida para o Reino de João Ma- 
chado Ribeiro, administrador do contrato dos dizimos. 

Bahia, 29 de setembro de 1743. 39 

Traslado da procuração de .íoaquini Ribeiro da Costa, constituindo vários 
advogados e procuradores para a cobrança de suas dividas. 

Villa deN. S." do Rosário da Cachoeira, 24 de outubro de 1743. 

40 



iMiocuRAçÁo de Munucl Josc de Carvalho residente na Bahia, constituindo 
diversos advo^ados e procurudorcs para a cobrança de dividat e 
outros netos de administração. 

Bahia, 9 de novembro de 1743. M 

OiKicio do Provedor da Fa/enda, Manuel António du Cunha Sotif)maior, 
participando ao Provedor da casa da índia ter chegado ú Bahia a Náu 
.V. 6'.» Ja PicíiiJiie, sob o cominando do Capitão I). José de Mello 

Manuel. 

Bailia, 2.\ de junho de 1744. 42 

rKASi.ADo do termo da chegada da Náu da índia Nossa Senhora da Piedade 
ao porto da cidade de S. Salvador da Bahia tle todos os Santos, sendo 
seu conimaiulante o Capitão de mar e guerra, I). José de Mello Ma- 
nuel. 

Bahia, 3i de maio de 1714. (Annexo ao n. 421. 43 

Oiiicio do Provedor da Fazenda, Manuel António da Cunha Sottomaior, 
renieitcndo o termo da diligencia a auc procedera para averiguar 
as causas que motivavam o atrazo da cnegada á Bahia, da Náu 
.V. Pedro c S. João, sob o com mando do Capitão Fernando Coelho 
de Mello. 

Bahia, 24 de junho de 1744. 44 — 42 

PuocimAÇÁo judicial de Henrique de Sousa de Carvalho, constituindo 
vários procuradores. 

Bahia, 4 de fevereiro de 174?. 46 

REQUERIMENTO dc Placido Fernandes Maciel, pedindo o andamento de uma 

execução que contra elle movia João Telles de Menezes. 5. d. '1745). 

Tem annexos 2 documentos. 47 — 49 

Carta de Luiz Cardoso e Silva, para Placido Fernandes Maciel, acerca de 
uma remessa de livros, para venda, do Dr. Luiz do Souto Telles, 
de Lisboa, cuja relação insere. 

Bahia, 19 de julho de 1746. Tem annexo um documento. 5o — 5i 

Procuração judicial de Domingos da Costa de Almeida, constituindo seus 

procuradores Félix Teixeira de Azevedo e Placido Fernandes Maciel. 

Bahia, 5 de Janeiro de 1747. 32 

Requerimento de Domingos Lucas de Aguiar, como tutor de uma filha de 
Miguel Passos Dias, pedindo certidão de uns termos de execução 
movida pelos capitães João Gomes de Figueiredo e Manuel Quares- 
ma contra D. Brites de S. Miguel e Mello viuva de António Rodri- 
gues Pinto de Aguiar, e Manuel Francisco Gomes. S. d. (1748;. 5? 

Requerimento de Manuel Francisco Gomes, acerca da execução que con- 
tra elle moviam João Gomes de Figueiredo e Manuel Quaresma. 
5. íí. (1748). 

Tem annexo um documento. 34 — 53 

Requerimento de Domingos de Araújo Barbosa, queixando-se contra Ma- 
nuel P^rancisco Gomes, por este o haver convidado a fazer depoi- 
mento falso contra Placido Fernandes Maciel. S. d. (1749 • 36 



Carta particular de Gaspar Pereira Montalegre, para Plácido Fernandes 
Maciel. 

S. António de Cotegipe, 26 de abril de 1749. 37 

Cartas (3) de Domingos da Costa de Almeida, para Plácido Fernandes 
Maciel, acerca da execução que aquelle movia contra o coronel Ma- 
nuel de Araújo e outros processos pendentes em juizo, referindo-se 
na primeira á venda da Villa da Cachoeira pelo coronel João Rodri- 
gues Adorno, 

22 de outubro de 1749- Copia. 58 — Go 

Carta particular de António Cerqueira Torres, para Plácido Fernandes 
Maciel. 

Lisboa, 29 de novembro de 1750. 61 

Requp:rimentos (3) de Plácido Fernandes Maciel, acerca de processos pen- 
dentes em juizo, S. d. (17501. 62 — 64 

Requerimento do Capitão João Gomes de Figueiredo e Manuel Quaresma, 
relativo á execução que moviam contra Manuel Francisco Gomes e 
D. Beatriz de S. Miguel e Mello. S. d. (1750). 65 

Carta de Manuel Ribeiro da Costa, para Plácido Fernandes Maciel, sobre 
assumptos de interesse particular. S. d. (175.). 66 

Requerimento de Josepha Maria da Conceição, viuva do Dr. José Pereira 
Manajo, acerca de uma acção judicial com seu pae Manuel Dantas 
Barbosa. S. d. (1750). 

Tem annexo iim documento. 67 — 68 

Officio do Vice-Rei do Brazil, o Conde de Athouguia, para Diogo de Men- 
donça Corte Real, acerca do provimento de diversos postos militares. 
Bahia, 25 de março de 1751. 

«...Os postos de que trata a carta de V. Ex." e a consulta do Conselho, são 
o de Capitão de huma companhia, que aqui ha de Ordenanças, composta de 
mulatos e se costuma prover em hum mulato e mulato era o ultimo que o gover- 
nava ; outro de Sargento Mór dos assaltos e entrada do matto, cujo exercício he 
hir ao mesmo prenderes negros fugidos a seu Sr. e retirados no matto, e tam- 
bém he estylo conferir-se a hum mulato ou negro. Outro he cabo de hum balu- 
arte, que não tem guarnição, cuja data foi sempre arbitraria dos Governadores, 
como nessa corte, sem dependência de ser ou não militar, mas ainda quando o 
seja, he hum soldado com a sua praça e o privilegio de trazer bastão e de ne- 
nhuma sorte pode ter conta a quem houver de pedir remuneração. 

Logo que tomei posse deste Governo, mandei publicar a Pragmática de 24 
de maio de 1749 e prohibindo ella ás pessoas de baixa condição, como são apren- 
dizes de officios mecânicos, lacayos, moxilas, marinheiros, barqueiros e fraga- 
teiros, negros e outras pessoas de igual ou inferior condição o uso do espadim 
ou espada, recearão dois mulatos, homens de negocio com cabedal e bom tra- 
tamento que a dita lei se entendesse com elles naquella prohibição ; mandarão 
offerecer jooo cruzados para a Fazenda Real, se lhe permittisse trazerem espadim, 
o que não lhes admetti...» 

69 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, remettendo uma lettra saccada 
contra o Thesouro da Casa da índia, para pagamento das despezas 
eftectuadas com as reparações das Naus N. S.^ do Monte Alegre e 
S. Francisco Xavier. 

Bahia, 25 de março de 175 1. 70 



Oiiino (lo V u c-Kci, (^onílc dc Atlinuguia para l>io^<> tlc Meu I .'ric 

Hcal, iníorninndo acerca iias cuusas que dcicrminnrani us- 

penso, durante i8 anuo», o procedimento ii ' '|uc, em virtude 

das devassas cfleciuailas por morte do Dczci; -r Luiz de Sousa 

Pereira, se tinha inteniailo contra sua mulher iJ. 1 hcre/a Lui/a Leite, 
a ijual por ileterminuvâo se encontrava reclusa no Kccolhimento da 
Mizericordiu. 

Hahía, 25 de mar^ode \ybi. Tem attncxos j documentos. 71—73 

Oiiicio do Vicc-Kei, Conde de Ath(Mi!"iI.i rrl.ulvd n P.ntl.i dn 'í.inta Cru- 
zada. 

liahia, 2<') de mars'o de 1731. 7; 

Oi Kicio do \'icc-I<ei, Coiule de Athouguia. para Diogo de Mendonça Córic 
Keul, relatando os festejos públicos realisudos na liahia para celebrar 
a acclamat;âo de 1). Jo^^é I. 

Bahia, 6 de abril de 1731. 76 

Cauta do Provedor da Alfandega, Domingos da (.u>ta uu Almeida, kiici- 
tando Diogo de Mendoni;a Corte Real pela sua nomeação de Mi- 
nistro e Secretario dos Negócios do Ultramar. 

Bahia, 20 de abril de 1731. /« e i?" via. 76 — 77 

Carta de D. Jeronymo da Silveira c Albuquerque, felicitando Diogo de 
Mendonça Corte Real, pelo motivo já referido no documento ante- 
cedente. 

Bahia, 28 de abril de 173 1. 78 



Carta do Provedor da Fazenda, Manuel António da Cunha Sottomaior, 
para Diogo de Mendonça Corte Real, referindo-sc á morte de 
D. João V em ?i de julho e á acclamação de D. José em 7 de dezem- 
bro, á remessa de madeiriís para o Reino e protestando contra a con- 
cessão feita a Manuel de Mattos Pegado Serpa, filho de Luiz Lopes 
l^egado Serpa, da propriedade do seu logar de Provedor da Fazenda. 
Bahia, 3o de abril de 1751. 'fcui anticxos 2 documentas. 70 — 81 

Okkicio do Vicc-Rei Conde de Aihouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real. participando ter dado posse ao Desembargador João Gonçalves 
Pereira do logar de Ouvidor Geral do Crime e ao Desembargador 
Wencesláo Pereira da Silva e informando acerca da situação dos 
Desembargadores da Relação da Bahia Carlos António da Silva 
Franco, Acursio José de Magalhães e Manuel da Fonseca Brandão. 
Bahia, 2 de maio de 1731. 82 

Okkicio do Vice-Rei conde de Athouguia, communicando que as grandes 
chuvas haviam prejudicado muito as colheitas e que por carta do co- 
ronel Mathias Coelho de Sousa soubera da partida do Governadordo 
Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrada para Minas Geraes, onde 
ia dar execução á lei sobre o pagamento dos quintos. Refere-se aos 
presentes que o gentio Odomé lhe enviara e á necessidade que havia 
de manter o commercio dos escravos de Ajuda. 

Bahia, 3 de maio de 1731. Tem annexo um documento sobre ex- 
portação de tabaco. 83 — 84 



Okficio do Vice-Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, cm que se refere á nova lei que extinguiu o imposto de capi- 
tação e restabeleceu o pagamento dos quintos e á reabertura da Casa 
í/e í'"m;2í/u'íío na Villa de Jacobina, participando ter nomeado Inten- 
dente desta casa, Luiz de Távora Preto, Escrivães da Receita Domin- 
gos Ferreira Corrêa e João Plácido e Fundidor João P"rancisco Lis- 
boa e communica ainda a nomeação de Álvaro Pereira Sodré e 
António Alvares de Araújo Soares para íiscaes dos mineiros nos 
sitios da Cachoeira e Boqueirão e de Simão Gomes Monteiro para o 
logar de Escrivão do Intendente Geral dos Quintos. 

Bahia, 4 demaiode lySi. 85 

Carta particular do Patrão M(3r da Bahia António de Araújo, para Diogo 
de Mendonça Corte Real. 

Bahia, 3 de maio de ijSi. 86 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, acerca do manifesto do ouro, 
dinheiro, diamantes e outras pedras preciosas, remettidas para o 
Reino pela Náu A''. S.'^ do Bom Despacho, sob o commando do Ca- 
pitão João Ribeiro Corço e do producto do respectivo imposto de i%. 
Bahia, 5 de maio de lySi. Tem annexo iim documento. 87 — 88 

Carta de José Pereira de Sousa para Plácido Fernandes Maciel, sobre 
assumptos de interesse particular. 

Lisboa, i3 de maio de lySi. 89 

Officio do Conde de Athouguia, remettendo o auto de investigação a que 
mandara proceder e pelo qual se provava o bom e correcto procedi- 
mento do Desembargador Carlos António da Silva Franco no exer- 
cido do seu cargo. 

Bahia, 2Õ de maio de lySi. 90 — 91 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, acerca da annullação da sen- 
tença, em que injusta e arbitrariamente fora condemnado Manuel 
de Jesus Maria por malévola accusação de Francisco Pinto Torres. 
Bahia, 26 de maio de lySi. Tem annexos 3 documentos. 92 — 95 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, em que se refere ao Regimento das Intendências e casas de 
Fundição das minas do Estado do Brazil e á Casa da Fundição esta- 
belecida na comarca de Jacobina, informando-o da nomeação do 
respectivo pessoal e seus vencimentos. 

Bahia, 18 de junho de lySi. 96 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, participando a installação da 
commissão ordenada pelo novo regimento da Alfandega e a falta 
que havia de juizes da Relação, informando acerca do estado e situa- 
ção de alguns desembargadores. 

Bahia, 18 de junho de lyõi. 97 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, participando ter chegado á 
Bahia o navio Wasun Van Hoo?'n, da Companhia Oriental da Hol- 
landa, sob o commando do Capitão Jacob Greve e as providencias 
que havia tomado a seu respeito. 



9 

Hnhiji, .!() de junho de lySi, Tem anncxo o processo das dili- 
geuiias a que se procedeu c em que se encontra a copia de vários di' 
piomas régios relativos aos navios estrangeiros q»" '"''avam nos 
portos do Iira:{iL 98—99 

Hkprf.skntaçáo do Desembargador da Kclaçáo áa Bahia, Joáo Luiz Car- 
doso Pinheiro, supplicando a nomeação do 1- ' '• ' !» 
(livel, por haver perdido o de Superintendem i 

nomeai,»!) dos novos Inspectores da Allandcga, 

Mahia, 20 de junho de i;?!. Tem annexos 3 documentos. /• 
c :."• via. 100 — 107 

Cakia do Provedor M(»r da Fazenda Manuel António da Cunha Sotto- 
niaior. acerca da arribada ú Bahia do navio holh.iuic/. a ()uc já se 
referiram os does. 100 a io3. 

Bahia, 20 de junho de 1731, >o8 

Carta do Marquez do Alorna. nara Diogo de Mendonça Córic Hcal, cm 
ijue se refere á sua chcgacia ú Bahia e á noticia que alli recebera do 
fallecimenio de F]l-rei D. João V. 

Bahia, 2b de junho de lySi. 109 

DriM.iCADo do doe. n.» 96. 

Bahia, 28 de junho de \'j5\. 2* via. no 

o do commissario das Fragatas, Victorino Monteiro Machado, acerca 
das ordens regias relativas ás diligencias dos Oíficiaes da Fazenda 
a bordo dos navios nacionaes c estrangeiros e das reparações a que 
procedia na Fragata A^. .S.» da Gloria c Náu A"". S.^das Necessidades. 
Bahia, 3o de junho de lySi. iii 

Carta do Provedor da Fazenda, Manuel António da Cunha Sottomaior, 
participando, entre outras cousas, a chegada á Bahia da Náu da 
índia N. S.'^ das Necessidades, sob o commandodo Capitão Manuel 
de Crasto Ribeiro, conduzindo a bordo o Marquez de Alorna e da 
chegada do Arcebispo a bordo da Náu N. S.^ da Caridade e S. Fran- 
cisco de Paula, de que era Capitão José Sanches de Brito, e de ter 
fallecido n'esta, durante a viagem, o Desembargador José Sarmento de 
Figueiredo. 

Bahia, 3o de junho de ijSi. Tem annexos 2 documentos. 

1 12 — 1 14 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, referindo-se á chegada do Vice-Rei da índia Marquez de Alor- 
na, do ex-Arcebispo de Gòa, D. Fr. Lourenço, á cultura do arroz, 
do assucar e do tabaco, etc. 

Bahia, 3o de junho de 1731. Tem annexos varias documentos. 

«...Em companhia do Marquez de Alorna se embarcaram em Gòa 6 cana- 
rins que o Marque^ de Távora, Vice-Rei, mandou para n'esta cidade se empre- 
aarcm na cultura e beneficio que se deve tirar ás palmeiras, dos quaes morreu 
Vium na viagem e dos 5 que se conservão, depois de alguns dias de descanso 
começarão a empregar-se nos seus destinos... Fico entregue dos engenhos de 
arroy para fazer delles o uso que S. M. ordena, se se poder conseguir que aqui 
se mude o antigo costume de descascar este género em pilão, não oDstante haver 
muitos annos que os P.P. da Companhia usão de similhante engenho ou de agua 
na sua fazenda dosllhéos: procurarei que se augmente o cuidado desta lavoura, 



Offici 



10 

de que por ora só se colhe o preciso rara o sustento da maior parte desta gente, 
mas o que aqui nasce hc de qualidade tal que sempre se procura o que vem do 
Maranhão para se fazerem as sementeiras. 

O linho de que S. M. recommenda se dê calor á cultura, he necessário que 
desse Reino venhão as sementes de diversas qualidades que por hora são mais 
úteis, como o mourisco, o cânhamo, que hc o mais próprio para a marinha, e 
o gallego para o uso domestico, e não se faz menos preciso que também venháo 
pessoas praticas da cultura e beneficio desta herva, não só para escolherem a 
terra proporcionada para as sementeiras, mas para depois de secco o benefi- 
ciarem...» 

I l5 — 121 

Lista dos officiaes e soldados licenciados para hirem para o Reino na Náu 
N. S.^ da CãJ-idade e S. Francisco de Paula. S. d (lySi;. ( Annexo 
ao n. 1 15). 

Nomes dos officiaes : Vicente da Silva da Fonseca, Tenente Coronel do Regi- 
mento do Coronel Filipfe de Valladares Suttomaiar ; João Marques Pragana, 
Capitão de Infantaria do mesmo Regimento ; 'J home Corrêa da Rocha, (Capitão 
de Infantaria ; Martinho Pereira Pato, Tenente da Companhia de Cavallos de 
Bardè^ ; Veríssimo dos Sa)itos, Tenente da Companhia de Ignacio Ltii^ Car- 
neiro do Regimento de Pierripont ; João Cardanha Torres, Tenente da Compa- 
nhia do Capitão João de Faria Pinheiro do mesmo Regimento ; Silvestre de Al- 
meida Ferreira, Sargento da Companhia de Granadeiros do Capitão Ignacio de 
Sousa e Brito do Regimento do Coronel Felippe de Valladares. 

1 22 

Lista dos officiaes e soldados licenciados para hirem para o Reino na Náu 
A^. S.^ das Necessidades. S. d. (lySi). (Annexo ao n." 1 15). 

Nomes dos officiaes : José de Vasconcellos Sarmento e Sá, commissario geral 
da Cavallaria e Capitão de Cavallos da Comp.' da Guarda; Manuel António 
de Meirelles, Sargento Mór de Artilharia e Engenheiro ; Alexandre António de 
Sousa Pereira, Capitão de Granadeiros do Regimento do Coronel D. Lui::; Pier- 
ripont; João de Faria Pinheiro, Capitão do mesmo Regimento ; Manuel da Silva, 
Capitão de Infantaria do mesmo Regimento ; Manuel António da Paixão, Capitão 
de Infantaria do Regimento do Coronel Filippe Valladares Sottomaior ; António 
Ferreira Fontes, Alferes da Comp.-' de Cipaes ; José Henriques Pereira, Tenente 
da Comp:* de João Marques Pragana do mesmo Regimento ; Ventura Gomes da 
Silva, Alferes da Comp." de Cipaes. 

123 

Okkicio do Vice-Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, acerca do conimercio com a Costa da Mina e das embarcações 
que faziam esse commercio, indicando os motivos porque fizera 
reduzir a 24 o numero d'essas embarcações. 

Bahia, 3o de junho de lySi. Tem annexa a relação dos donos 
d' esses navios. 

«...O commercio da Costa da Mina foi estabelecido por disposição do Governo 
deste Estado e confirmação real do anno de 1699, com o numero de 24 navios 
ou embarcações^ que d'alli em deante forão sempre áquella Costa negociar com 
tabacos e outros géneros o resgate dos escravos, ainda que nunca com\anta afflu- 
encia como de alguns annos a esta parte ; e ainda que as embarcações erão 24 
os donos delias erão muito menos, porque alguns homens de negocio rinhão 2 e 
3 navios do n.» para aquelle commercio, o q"ue era causa de descontentamento 
na praça, pela desigualdade das conveniências que a cada hum resultavão...» 

124 — 125 

Officio do Marquez de Alorna, para Diogo de Mendonça Corte Real, refe- 
rindo-seaos perigos que ameaçavam a Praça de DÍu, aos preparativos 
da expedição Naubandel para a soccorrer, á sua chegada a Bahia em 8 
de junho e aos canarins que para aqui trouxera afim de aperfeiçoar e 
desenvolver e cultura das palmeiras. 

Bahia, 2 de julho de lySi. 126 



n 

r.AiMv panicular Jo Míiri|uc/- tlc Morna, para Diogo de Mendonça Corte 
Kcal, rccomnicndondo-Ihc uma pretensão do Descmbaríiador Joáo 
Liii/, Cardoso Pinheiro. 

Bahia, 2 de julho de 1751. 127 

1<i;im«i;si:nta<;áo do Arcebispo da liahia, I). José Botelho de Mattos, diri- 
gida ao liei, expondo-lhe as tliiviílas que linha em deferir o pedido 
das Hecolhidas do (!orak,ão de Jesus da Bahia, que pretendiam pro- 
fessar e transformar o seu Recolhimento n'um instituto Ursulino. 
Bahia, 20 de julho de 1731. / .» c 2.' via. 

•i,..ilc o instituto convento ou collcsio (ursulino) em tudo o rncumo que o 

tios l'adrcs dii Compjinhia, sem mais ililTcrcnça, que o cnKinarcm c <!outrir>arcin 
cllcs o sexo masculino c aqucilas o fcmiiiitio, tanto assim c|ije na noticia preli- 
minar lia sua regra se está lenJo, que na conlirmaçáo da regra dos Padres da 
(lompanhin se achava a das tirsulinas confirmada... 

K sendo, como he, a obrigação de classes e ensino no Collegio das Ursulinas 
o principal e essencial, não cabe nem tem logar nesta terra, por se conservar o 
mullierio delia e sem embargo dos continuos clamores dos Prelados, Missioná- 
rios, (Confessores c Pregadores, com tal reclusão, que parece impossivel o con- 
seguir que os pães e parentes consintão que suas tilnas c mais obrigações saião 
de casa á missa, nem a outra alguma função, o que geralmente se pratica não 
só para com as donzellas brancas, mas ainda com as pardas e pretas chamada» 
croolas c quaesquer outras que se confessam de porta a dentro...» 

128—129 

l<i:oi luiMi-NTo de St)roi- Beairiz Maria de JcMis, .^ujici iuia do Convento do 
Coração de Jesus da Cidade díí Bahia, acerca do assumpto a que se 
referem os documentos antecedentes. 

Bahia, 4 de setembro de lySi. i3o 

MKNSAGr.M do Arcebispo da Bahia, D. José Botelho de Mattos, felicitando 
D. José I pela sua acclamação. 

Bahia, 5 de agosto de 175 1. i3i 

OiKicio do Vice- Rei Conde de Athouguia, informando acerca da applica- 
ção que tinha o rendimento da consignação annualmente determinada 
para a f^orialeza de Ajuda. 

Bahia, 20 de agosto de i/Si. i.^ e 2.^ via. Tem annexo um do- 
cumento. i32 — i35 

DiPLiCADOs dos doe. n.°s 92 a 95. 

Bahia, 4 de outubro de 1751. 2.^ via. i36 — 139 

Ofkicio do Vice-Rei Conde de Athouguia, acerca do recurso que o The- 
soureiro e Escrivão dos Defunctos e Auzentes, Capellas e Residuos 
da cidade da Bahia interpozeram para o Juizo da Coroa do procedi- 
mento judicial contra elles intentado pelo Vigário Geral do Bispado 
Gonçalo de Souza Falcão, por causa da arrecadação dos espólios de 
vários ecclesiasiicos fallecidos. 

Bahia, 4 de outubro de 1751. Tem annexos 3 documentos. 

140 — 143 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, acerca da plantação das amoreiras e creação dos bichos de seda, 
iníormando que as arvores se desenvolviam bem e que seria preciso 
que fosse enviado ao Brazil alguém que conhecesse o tratamento dos 
bichos e ensinasse a fiar a seda. 

Bahia, 6 de outubro de lySi. 144 



12 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, informando que o Desembarga- 
dor Acursio José de Magalhães estava doente havia muitos mezes c 
remettendo um requerimento em que este pedia para se retirar para 
o Reino. 

Bahia, 9 de outubro de lySi. Tem annexos 5 documentos. 

145 — i5o 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, acerca do desvio do dinheiro destinado ao pagamento das tropas 
da guarnição, do alcance do Thezoureiro Domingos Cardoso dos 
Santos e da fuga do commissario de amostras Gregório da Silva Souto. 
Bahia, 9 de outubro de ijSi. Tem annexos 3 documentos. /.» 
e 2.8 via. i5i — 158 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, participando a Diogo de Men- 
donça Corte Real, que o D. Abbade do Convento de S. Bento da 
Bahia hia remetter ao Procurador Geral da Província do Brazil, Fr. 
Pedro de S. Caetano Pontes, o dinheiro preciso para pagamento de 
uma divida ao P.<= Affonso Corrêa de Sousa. 

Bahia, iode outubro de lySi. Tem annexos 2 documentos, i .^ 
e 2.°^ via. 159 — 164 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, participando ter arribado á Bahia 
a Náu Auguste da Companhia Real de França, sob o commando de 
Noel de Santhons c informando das providencias que tomara a seu 
respeito. 

Bahia, 11 de outubro de lySi. Tem annexo um extenso do- 
cumento. i65 — 166 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, referindo a pouca utilidade que produzem as palmeiras do 
Brazil, os serviços prestados pelos canarins que tinham ido de Gòa 
para a Bahia, destinados a ensinar o melhor aproveitamento d'aquellas 
plantas. 

Bahia, 12 de outubro de lySi. 

111."° Ex." Snr. Já fiz aviso a V. Ex.' de ficarem nesta Cidade 5 canarins, 
que o Marquez de Távora V. Rei da índia me remetteo por ordem de S. M., para 
aqui se empregarem no beneficio das Palmeiras, afim de retirar delias neste 
Estado a mesma utilidade que produzem na Ásia, de que a principal he o licor 
a que chamáo Urraque. 

Também dizia a V. Ex." que cu os tinha mandado para hum sitio pouco dis- 
tante desta Cidade, onde ficavam já trabalhando no seo ministério e que na frota 
remetteria uma amostra do que produzisse o seu trabalho, porém não obstante 
terem sangrado neste e difterentes outros logares conforme o uso da índia, muitas 
palmeiras, a que aqui chamam coqueiros, não poderão tirar delias suco ou licor 
correspondente e o mais que extrahirão seria meio quartilho de siira, que é o 
primeiro de que se faz a distillação do urraqiie e como esta porção não e suffi- 
ciente para se metter no alambique, fico impossibilitado para satisfazer a 
V. Ex.* com a remessa promettida. 

As palmeiras deste Paiz, conforme dizem os canarins, são muito differentes 
das de Gôa, porque estas lanção de si grande quantidade de suco e conservão 
muitos dias aberta a sangria, que se lhe faz para se lhe tirar: porém aquellas 
além de não produzirem o suco, que se procura, immediatamente que se lhe faz 
o golpe, fica unido, e observão que fazendo cortes no tronco em que embutem 
os degráos para subira ellas, acha o ferro no páo tanta resistência, como se esti- 
vesse secco. 

Isto he o ^ue até agora tem produzido as diligencias que se fizeráo sobre esta 
matéria, na forma das ordens de S. M., afim de se aproveitarem aqui, como na 
índia, os coqueiros e sempre se hirão continuando até ver se em outros sitios se 
encontrão capazes de algum fructo, ainda que não haja logar para esperanças 
de melhor successo. pela total differença da terra. 



Cuido que nem por ímo virá ii ptTíter mui»'» o Rm/il, ponpie nelle «c com- 
pciiNÚM as utilidadcH i|uc Hc tirfio kl I T 

ciuf me pareceu iiilortiiiir n V. I 
AJavq^ne^ de Aloiua Kdbrc o ti*-" 

i.iii primeiro lo^ar i|u:ii)i' 
a i]iie chamán ccntalas com <>> 
as lio co(.|Uciro, í)uh mesman un.io p.tia t.ij 
la/em entcirus, nem lia nccesHiilade, por^jue 

(^iiaiiti) iiK hcliidaK, da (|iic usa a gciitt ii;i.im.i. i 

sedisniia tia primeira limpuiliira do :issucar e se vende poi 

modado. Ha tamhem a^oa arileiíte, i|iie ne ta/ da canna >i' 

hc de dtiaH cantas, a quu chaiiião de cabeça c a Hc^unda aiiidu hc tuiii b<>a, que 

se embarca muita para esse Keino, para o de Angulla, para a-í Ilha» de S. Thorné 

e do Príncipe, para a (>)li>iiia do Sacramento, Maranli > ' lieu, c por haver 

^ratldes ijUiiiitiilades ile alambiques desta fabrica, se '. ia. 

Tem iiiiiis osvinlios do Keino e (i^'oaíiri/í'»//e, que 11.^ ,..;,., :/•■■• "■•■■ ■■^-'•n. 
daiicia os navios do Porto c das Ilhas, como gener<j principal dn ; 

e quanto ao assucav he bastante a quantidade que ha dellc. Ma . ;c 

ascite e todo se vc-nde barato ; para as lu/es da }<eiite ordinária hc i>erveiii do de 
baleia e de hum fructo a que cnamão mamona e de jandirnba c para comer ou 
lujjros, de huma semente, a que chamáo dettde, o que abastece tanto a terra, 
que taz que poucas vezes suba a preço grande o que vem por negocio de Por- 
tugal. 

O vinagre também aqui se tem cm abundância ; porque ou se considerem 
08 vinhos, que neste clima facilmente degcneráo ou os mesmos vinagres que se 
renicttem do Reino c das Ilhas, c he certo que lambem o fazem das bananas, de 
milho e de outras dilíercntes cousas. Da casca do coco interior se fazem copos 
para beber de diversas castas, a que chamáo cúyas. E quanto ao carvão ha 
muitas raizcs de diversos páos, de que se faz, que na Bahia se vende pelo mes- 
mo preço, que em Lisboa. 

Quanto ás cardas, também das palmeiras bravas, que dão o coquilho, se tira 
a casca, que se desfaz em fios, a que chamáo piassaba, a qual se torce e delia se 
fabricão todas as amarras c cabos de toda a maior grossura, de que se servem 
embarcações ainda da maior grandeza. Ha mais outras cascas de arvores, a que 
chamáo imbira e imbiriba que se torcem e servem para o mesmo uso. A madeira, 
he bem sabido que o Brazil hc o mais fértil de toda a casta de arvores excel- 
lentcs para todos os usos e fabricas e que daqui se remettem por negocio para 
esse Reino em grande quantidade. He o que por hora se me offerece dizer a 
V. Ex." sobre esta matéria, segurando-lhc que mando continuar as experiências 
dos canarins até receber novas ordens de S. M, sobre o seu destino...» 

167 

Do uso que se dá no districto de Gôa a tudo o que produzem as palmeiras. 
(Annexo ao n. i6j). 

Xs palmeiras de Gôa são de differente espécie que as da America, porque 
ainda que a arvore e o fructo differe pouco na figura, os cocos servem para 
outros uzos ditíerentes e aquelles C}ue em Gôa se chamáo cocos barcas sáo da 
mesma qualidade que os da America e servem para comer e por isso não são 
communs e os cultiváo os senhores dos palmares só para seu regalo e não para 
o seu interesse. 

Folhas. As das palmeiras servem depois de seccas para se cobrirem as casas 
da gente baixa em logar de telha e cercallas com paredes. Delias se fazem 
capas com que a gente baixa se cobre no tempo da chuva, e servem tão bem 
para se cobrirem as náos de guerra e toda a sorte de embarcações para as pre- 
servar das muitas chuvas do inverno. 

Destas tolhas se fazem tão bem esteiras muito boas e de varias cores, cestos 
e cabazes, em algumas partes, como na Ilha de S. Lourenço e Ilhas de Carimba 
e se tece delias uma espécie de estofo bastantemente fino da cõr da camurça e 
côr de café, capaz de se vestir qualquer pessoa delle. 

Sueco. O primeiro que se extrae desta arvore se chama sura e esta he a 
única bebida de que uza o povo em logar de vinho. Delia se faz tão bem 
excellehte vinagre branco, pondo-se ao sol até ficar azedo e depois pondo-se ao 
fogo de casca de arroz. Distillada produz o licor a que chamáo urraca e serve 
de agoa ardente naquelle paiz. 

Da mesma sura se extrae huma espécie de assucar, a que chamáo iagra, que 
difere pouco do mascavado, mas muito mais negro. 



14 

Fructo. Temperam-se quasi todos os guizados e doces da índia com o leite 
do coco. Ao coco partido pela metade e secco chamasse copra <'. se extrac dclle o 
a\cite para allumiar e temperar os guizados e não ha outro nenhum para estes 
uzos. Da casca do coco ou copra a que se chama charetas se fazem copos para 
beber c outras obras. Desta mesma se faz o carvão^ nem ha outro de que se 
possa uzar. Aos tios que o coco tem entre a casca ex<terior c anterior se chama 
cairo, os quaes se mettem no lodo da maré athé apodrecer c estar cortido e 
depois amassasc com páos athe ficar capaz de se fiar e fazer em novellos de 
que se fazem amarrações de navios, embarcações e todo o género de cordas. 

Madeira. Serve esta somente de se fazerem esteios e barrotes das cazas da 
gente humilde e por ser o páo muito direito e muito comprido serve para se 
fazerem canos para regar hortas e jardins...» 

168 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia em que se refere á Casa de Fun- 
dição de Jacobina^ informando acerca da necessidade de fundar 
outra fundição no Rio das Contas ou nas Minas Novas de Arassuahy 
e das providencias que havia tomado para evitar os descaminhos do 
ouro. 

Bahia, 12 de outubro de lyS). Tem annexos 3 documentos. 

169 — 172 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, expondo as difficuldades que o 
Desembargador Agostinho Félix dos Santos Capello apresentava 
para realisar a sua viagem para Goyaz, como lhe fora ordenado, in- 
formando que a despeza era grande, por causa da enorme distancia 
a percorrer, da inclemência dos caminhos e do clima e dos assaltos 
do gentio, que tornavam necessário ir aquelle magistrado bem acom- 
panhado e provido de todos os recursos. 

Bahia, i3 de outubro de lySi. Temannexo um officio do Desem- 
bargador Santos Capello. lyS — 174 

Carta particular de D. .leronymo da Silveira e Albuquerque, felicitando 
Diogo de Mendonça Corte Real, pela sua nomeação de Ministro do 
Ultramar. 

Bahia, i4de outubro de 1751. 175 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, participando o fallecimento de 
António Rodrigues Neves e informando acerca das reparações feitas 
nas Naus A^. S.^ das Necessidades e A''. S.^ da Caridade e das 
representações da Camará e da Mesa do Commercio que lhe foram 
dirigidas sobre o embarque das mercadorias e a difficil carregação 
dos navios por causa dos temporaes. 

Bahia, 14 de outubro de 1751. Tem aniiexos i o documentos e 
entre elles as referidas representações. ijG — 186 

Representação do Vigário de N. S.'^ da Piedade do Lagarto, Affonso da 
França Còrtd Real, sobre diversos assumptos religiosos, pedindo 
também um subsidio para a conclusão da Egreja Matriz da sua fre- 
guezia. 

Villa de N. S.^ da Piedade, 21 de outubro de 175 1. 187 

Representação da Camará da Villa N. S.^ da Piedade do Lagarto, pedindo 
um subsidio para as obras da Egreja Matriz. 

V.^ de N. S. a da Piedade, 23 de outubro de 1751. 188 



15 

Skntknça Ja Uclíisúo da Bahia, CdiiJcmiiando António da Costa Gonçal- 
ves, Francisco da Fonseca íloclho, João Francisco Lima, Manuel 
da Silva Soares, Francisco Vieira, João da Silva Kan^ej, 'I'liomú Al- 
vares Pessanha. António de Oliveira Furáo e Murianna de Sousa 
Harreto, como principaes instigadores da rehclliáo popular de Para- 
hvha, quando o procurador do donatário Visconde de Asscca, prc- 
icndia tomar posse da cai^itania e dos terrenos de Qoyiacazcs. 
Bahia, 2 de mar^o de lyíi. 

«... K cniiu» por parte da jumica «c tnontra que alcançando o Visconde de 
.Asscca, Martim Cont^j de Sá c liettavidcs, caria de confirmação e ordem do 
dito senhor, para continuar c tornar ponse >l;i Capitania de Parahyba do Sul e 
(^ainptis de (íoytncazcs, »ie que he il mandando para este etfeito pro- 
curação bastante e coiniiicttendo os le» a A/avtim Corria de Sá, que- 
rendo este tomar a pretendida possi <.... ..■■.,,1; do «cu c"""'" ,...,,•.. 

da ordem re^ia, se lhe opposcráo e impedirão Cfitn s 

armada, os réos acima nomeados unidos com muitos out; 1 

Capitania, obri^^ando a alguns por torça c constituindo lium giundc cor)>o ciii 
tumulto e conjuração popular, q-te depois vieráo a declarar publicamente e prin- 
cipiarão a commetter, sem receio nem temor, muitas desordens c insolências, 
com as quaes poserão em total perturbação toda a (Capitania...» 

189 

Okkicio do Vice-Rei Conde de Athouguia, acerca das licenças concedidas 
aos navios para transportarem tabaco para os portos de Angola e 
S. 'l'homc. 

Rahi;i. ? de janeiro de x-jbi. /." c -j.^ via. 190 — 191 

Okkicio do \ ice-i<ci Conde de Athouguia, informando acerca de um reque- 
rimento de António Teixeira de Moraes, praça de Infantaria do Ke- 
gimento do Coronel Manuel Domingues Portugal. 

Bahia, 4 de janeiro de 1752. /.« e 2.^ via. Tem annexos 2 do- 
cumentos. 192 — 197 

Okkicio do Vice-Rei Conde de Athouguia, remettendo um recibo de José 
Pires de Carvalho, a quem fora entregue uma barra de ouro, perten- 
cente á Rainha Mãe, como vintena das Minas Novas e Minas do 
Rio das Contas. 

Bahia, 6 de janeiro de 1752. 198 — 199 

Okkicio do Vice-Rei Conde de Athouguia, participando a Diogo de Men- 
donça Corte Real, a prisão do Alferes de Infantaria Manuel de Brito. 
Bahia, 6 de janeiro de 1752. Tem annexo um documento. 

200 — 201 

Carta do Desembargador .loão Luiz Cardoso Pinheiro, Procurador da 
Coroa da Relação da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte Real, 
pedindo para ser nomeado Ouvidor Geral do Civel. 

Bahia, 9 de janeiro de 1752. Tem annexo um documento. 

202 — 2o3 

Okkicio do Vice-Rei Conde de Athouguia, acerca da partida do Desembar- 
gador Acursio .Tose de Magalhães para o Reino. 

Bahia, iode janeiro de 1752. Tem annexo um documento. 

204 — 2o5 



16 

Oi-Kicio do Vice-Rei Conde de Athouguia, participando que o Desembar- 
gador Manuel da Fonseca Brandão tinha ido a Pernambuco sindicar 
dos conrticios entre o Bispo e o Juiz de Fora da Cidade de Olinda, 
António Teixeira da Matia e que este partira clandestinamente para 
o Reino. 

Bahia, 20 de março de 1752, 206 

Carta de Agostinho Félix dos Santos Capello, para Diogo de Mendonça 
Corte Real, participando a sua partida para o Rio de Janeiro, como 
lhe fora ordenado. 

Bahia, 25 de março de 1752. 207 

Okficio do Vice-Rei Conde de Athouguia, participando ter mandado ar- 
ruar os ourives de ouro e prata, com o fim de melhor se fazer a 
fiscalisação e evitar que clandestinamente fundissem ouro extraviado 
das minas e desencaminhado ao direito dos quintos. 

Bahia, 6 de abril de 1752. Tem ajinexo um docmnento. 208 — 209 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, enviando a Diogo de Mendonça 
Corte Real, 2 lettraspara serem cobradas do Thesoureiro da Casa da 
índia e a sua importância ser destinada ao pagamento das despezas 
do casamento real. 

Bahia, 9 de abril de 1752. Tem annexas as 2 lettras. 210 — 212 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, participando ter sido nomeado 
Thesoureiro da Casa da Fundição de Jacobina Eusébio de Proença 
e Silva, com ordenado de 400S000 rs. 

Bahia, 19 de abril de 1752. Tem annexo um, documento. 

2i3 — 214 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, acerca da pagamento dos orde- 
nados dos officiaes da Casa da Fundição de Jacobina. 

Bahia, 19 de abril de 1752. Tem annexo um documento. 

2i5 — 216 

Informação do Provedor da Casa da Moeda, Francisco Xavier Vaz Pinto, 
acerca da cunhagem da moeda de ouro e das excessivas violências 
que se empregavam com os indivíduos, suspeitos de desencaminha- 
rem o ouro aos direitos. 

Bahia, 22 de abril de 1752. Tem annexo um documento. 

217 — 218 

Officio de Manuel António da Cunha Sottomaior, acerca do pagamento 
das despezas da Casa da Fundição de Jacobina e das duvidas que 
■ apresentava o Thezoureiro Geral a esse respeito. 

Bahia, 25 de abril de 1752. Tem annexos 6 documentos. 

219 — 225 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, acerca da cultura do linho. 

Bahia, 25 de abril de 1^52. ínfoj-ma que o terreno é próprio para 
esta cultura, mas que o linho nunca poderia em preço competir 
com o do Reino. 226 



17 

Okkicio do Vicc-Rci CoiuK de Aihouguiu, participando ter comtnunicado 
nos Dcscinbar^^adorcs Agostinho Fclix dos Santos Capcllo c Manuel 
da l''()n.sccn Brandão, u ordem regia que os mandava ao Rio de Ja- 
neiro íundar u novu Relação. 

Bohia, 23 de abril de 1752. Tem anncxos 2 documentos. 

237—229 

Officio do Vice-Rci Conde de Athouguia, participando terem fallccido 2 
dos canariíis enviados pelo Marquez de Távora por causa da cultura 
c nprovcitanicnio das palmeiras e informando que esta tentativa não 
dera resultado. 

Bahia, 23 de abril de 1732. 23o 

Carta de Manuel António da Cunha Sottomaior, remcttendo as amostras 
de pedras que lhe havia mandado das Minas Novas, Pedro de Amo- 
rim Bezerra. 

Bahia, 2 de maio de 1752. Tem annexos 3 documentos. 

23i — 234 

Carta do Arcebispo da Bahia, acerca de uma pretensão do V." Nicoláo 
Soares Nogueira. 

Bahia, 6 de maio de 1752. 235 

Officio do Vicc-Rci Conde de Athouguia, rcfcrindo-sc á abundância de 
viveres, á producção do assucar e do tabaco e communicando ter 
chegado a Buenos Ayres o Marquez de Valdelirios, primeiro com- 
missario de Hcspanha para a demarcação dos limites. 

Bahia, 10 de maio de 1752. Tem annexo um documento. 

236 — 237 

Officio do Vicc-Rci Conde de Athouguia, cm que se refere a necessidade 
de crear o legar de Juiz de F"óra na Villa da Cachoeira c aos desca- 
minhos descobertos na Alfandega, ctc. 

Bahia, 11 de maio de 1732. Tem annexos 4 documentos. 

«... tenho pela mais efficaz (diligencia) que S. M. seja servido mandar crear 
o luí;ar de Juiz de Fóra da Cachoeira^ sobre que já dei conta e depois respondi 
com as diligencias que se me mandarão fazer a este tim, porque esta Villa he 
situada em lugar aonde se dirigem os principaes caminhos, que trazem os com- 
boios, que das Minas vêem buscar os portos do mar; e supposto que as dili- 
gencias de os examinar estejão encarregadas a hum official que alli se acha 
com hum destacamento e mais justiças da dita villa, não se pôde esperar, que 
as executem tão pontual e acertadamente como hum ministro...» 

238 — 242 

Carta do Patrão Mor da Bahia António de Araújo dos Santos, para Diogo 
de Mendonça Corte Real, referindo-se a assumptos de pouca im- 
portância. 

Bahia, 12 de maio de 1732. 243 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, remettendo a certidão do ma- 
nifesto do ouro, dinheiro, diamantes e outras pedras preciosas, envia- 
das para o Reino pela Náu N. S.^ do Bom Despacho., comxnAnáeiáa. 
pelo Capitão José Ribeiro Corso. 

Bahia, 12 de maio de 1732. Tem annexo um documento. 

244—245 



18 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, participando ter arribado á 
Bahia a Galera S. José e N. S.= do Rosário, commandada pelo mes- 
tre Felippe Rodrigues F"reire e informando acerca das providencias 
para o seu carregamento e partida para o Rio de Janeiro. 
Bahia, 6 de agosto de 1752. Tem annexos 4 documentos. 

246 — 25o 

Carta particular do Patrão Mor António de Araújo dos Santos, para Diogo 
de Mendonça Corte Real. 

Bahia, 10 de agosto de 1762. 25i 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, remettendo a Diogo de Men- 
donça Corte Real, os documentos seguintes e as amostras de minério 
a que elles se referem, 

Bahia, i3 de agosto de 1752. 252 

Portaria do Conselho Ultramarino acerca das explorações de diamantes e 
esmeraldas nos Rios Doce e Jequitinhonha e proximidades da Villa 
de Jacobina, pelo Mestre de Campo Manuel de Queiroz e Gregório 
Affonso da Torre. 

Lisboa, 24 de julho de 1732. Copia. (Annexo ao n. 2 52). 

253 

Carta do Rev.«ío dr. Albano Coelho Pereira, para o Conde de Athouguia, 
acerca da sua exploração de diamantes e pedindo providencias para 
garantia da sua segurança e dos trabalhos executados nas minas, 
sempre em risco das investidas do gentio. 

Villa do Bom Successo, 4 de maio de 1752. Copia. (Annexo ao 
n. 252). 254 

Carta de Pedro Leolino Mariz, para o Conde de Athouguia, informando-o 
das suas explorações de pedras preciosas e remettendo as amostras 
de esmeraldas, amethystas, jacinthos, etc. 

Villa do Bom Successo, 5 de maio de 1752. Copia. (Annexo ao 

n. 252). 255 

Planta das ribeiras situadas entre os Rios Pardo e Jequitinhonha e da ri- 
beira Piauhy Novo. Por Pedro Leolino Mariz, o,"^245xo,"^245. 
(Annexo ao n. 2 55.) Acha-se encadernada em um dos álbuns da 
colleccão especial de mappas e plantas, sob o n. 21']. 256 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, referindo-se á soltura de Ma- 
nuel Francisco Gomes e a um conflicto entre o Desembargador 
Francisco Marcellino de Gouvôa e o Provedor da Casa da Moeda da 
Bahia, Francisco Xavier Vaz Pinto. 

Bahia, i3 de outubro de 1752. Tem annexos 5 documentos. 

257 — :262 

Officio do Provedor da Casa da Moeda da Bahia, Francisco Xavier Vaz 
Pinto, para Diogo de Mendonça Corte Real, informando-o dos 
factos a que se referem os documentos anteriores. 

Bahia, 16 de outubro de 1752. Tem annexas uma carta do Des- 
embargador Francisco Marcellino de Gouvêa e a copia de um offi- 
cio do Conde de Athouguia. 263 — 265 



\9 

IniohmaçÁo do Desembargador Francisco Marccilino de Gouvéa, acerct 
das ciueixas contra os Dcsernhurgadores da Keluváo da Bahia, que 
Plácido Kcrnondes Maciel aprcscmáru n'uma rcpreseniavúo dirigida 
ao Hei c na iiuai refere graves irregularidades na administraváo da 
justiv;a, accusando-osde parcialidade nos seus julgamentos por influ- 
encia de interesses próprios, do que lhe resultara os maiores pre- 
juízos e constante perseguirão dos seus inimigos. 

Bahia, 2 1 de ouiuhro de 1752. Tem annexos 24 documentos. 

266 — 290 

Rf.gimknto para o Provedor Mór da Fazenda do F!stado do Brazil, cm 

3UC «se dá a f<)rma para o bom governo e administraváo da dcspeza 
os costeamenios das Nãos de comboio, guarda oosta c índia, que 
forem á Cidade da Bahia.» 

Lisboa, 3i de outubro de 1752. 291 

Tkrmo de fiança, pelo qual Manuel Gomes da Silva, Capitão do Navio 
Santa Rosa c Senhor do liomjim. se obrigou a tomar como capelláo, 
na sua viagem para a Bahia, ao 1^.= João dos Anjos. 

Lisboa, 20 de novembro de 1732. Certidão. Tem annexos 2 
documentos. 292 — 294 

Rkpreskntaçáo de Matheus Dias Ladeira, dirigida a El-Rei D. José, na qual 

se refere á fabricação de folhas de lata feita por António Rodrigues 
Gomes e as peripécias que se deram por esie não querer revelar o 
segredo do fabrico ; aos abusos e desvios praticados por empregados 
da P'azenda e militares; aos nascimentos de muitos filhos que os 
brancos tinham de suas escravas e que escravisavam também ; ao 
facto de ter sido vendido por seu pae apesar de estar publicamente 
reconhecido como tal, etc, concluindo por pedirão Rei providencias 
que obstassem as faltas c injustiças que apontava. 

Villa de N. S." do Bom Succcsso do Fanado, 26 de novembro 
de 1752, 295 

Sentença que se acha dada nos autos de Plácido Fernandes Maciel com 
D. Maria da Gama de Figueiròa, pelo Conservador dos Moedeiros o 
Desembargador João Luiz Cardoso Pinheiro. 

Bahia, i5 de abril de 1752. Certidão. 296 

Okkicio do Vice-Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça 
Corte Real, acerca dos vencimentos arbitrados aos Fieis dos Regis- 
tos das minas, Capitão Domingos Alvares Dias, Manuel Dias Mas- 
carenhas e António Alvares de Araújo Soares e remettendo a rela- 
ção das pessoas que deviam ser nomeadas para os novos postos que 
era necessário estabelecer. 

Bahia, 24 de abril de 1752. Tem annexos 3 documentos, sendo 
um d'elles a certidão da sentença que julgou a tomadia do ouro 
que António Gomes Bernardes pretendera furtar ao pagamento do 
imposto do quinto. 297 — 3oo 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça 
Corte Real, acerca da cultura do arroz e dos engenhos para a de- 
bulha. 

Bahia, 8 de dezembro de lySi. i.^e 2.^ via. 3oo — 3o2 



20 

Ofkicio do Vicc-Rei Conde de Athouguia, informando que os postos dos 
registos das Minas de Jacobina c Rio das Contas se achavam guarne- 
cidos de forças militares para segurança e garantia da autoridade 
dos Provedores dos registos, e que estando o sertão muito mais po- 
voado de gente e fazendas e com muitos caminfios, abertos de novo, 
por onde seguiam os comboeiros que transportavam o ouro para os 
portos, se tornava necessário augmentar o numero de postos nos 
sitios indicados na relação junta. 

Bahia, 19 de dezembro de lySi. Tem annexos 3 documentos e 
entre elles uma carta do mestre de Campo e Intendente das Minas 
Novas de Arassuahy Pedro Leolino Mari\, principalmente sobre 
a necessidade de alli estabelecer uma casa de fundição^ para melhor 
evitar os descaminhos de ouro ao pagamento do imposto /.^ e 2.^ 
via. 3o3 — 3 10 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, sobre a remessa de dinheiro para o Reino. ^ 

Bahia, 24 de dezembro de ijSi. Tem annexos 4 documentos, i .^ 
6 2.^ via. 3ii — 320 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, acerca da ordem regia de 20 de 
outubro que determinava que as lettras passadas pela Provedoria 
Mór da Fazenda do Estado do Brazil, para pagamento das despezas 
das reparações das Naus do Brazil, fossem pagas pelo Thezoureiro 
dos Armazéns e não pela Casa da índia, como antigamente se fazia. 
Bahia, 28 de dezembro de lySi. i .^ e 2.=» via. 32i — 322 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, communicando que os tempo- 
raes estavam prejudicando muito o carregamento dos navios da 
frota e retardando a sua partida para o Reino e que a bordo da 
Náu A^. S.^ da Gloria embarcava o Brigadeiro D. Juan AUonso Es- 

■ pinosa y Roxas, Governador de Tucuman. 

Bahia, 29 de dezembro de lySi. Te7n annexos 6 documentos e 
entre elles os seguintes mappas. 323 — 327 

Mappa dos Regimentos de Infantaria e Terço de Artilharia, que guarne- 
cem a Cidade da Bahia, (a) António Lopes da Silva Pereira. [An- 
nexo ao n. 323). 328 

Mappa geral da carga dos navios que em janeiro de 1762, vão na frota 
da Cidade da Bahia, comboiados pela Capitania N. S.^ da Gloria., 
de que he commandante o Capitão de Mar e Guerra Francisco 
Soares de Bulhões». (Aiínexo ao n. 323). 

Compunha-se a frota de 28 navios e o mappa itidica os nomes 

■ dos navios, os nomes dos respectivos capitães^ a carga especificada 
de cada um., etc. 329 

Duplicados' dos n. os 323 a 329. 2.^ via. 33o — 336 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, acerca da licença concedida a 
Feliciano Velho Oldemberg para enviar a Colónia unia embarcação 
com um aviso urgente e com a expressa prohibição de conduzir 
qualquer carga. 

Bahia, 3o de dezembro de 175 1. 337 



21 

Oi-Kicio do Vicc-Rcí Conde de Athou^uia, acerca dos recursos interpostos 
pelo Desembargador Custodio Correu de Mattos, nas cau&as que 
ira/An pendentes com sua mulher I). Maria da Cinza de S. José. 

Huhiu, 3o de de/.emhro de 1731. 1 ." e 2.* via. A /.• via tem an- 
nvxo um documento. 338 — 340 

Rkqimf.nto do Relação da Mahia. 

Lisboa, 7 de murso de irjocj. 

Fste documento, como os /5 que se seguem encontravam-se 
appensos a ojjicios do Conde de Athouguia do anno de fjSi, sem 
que todavia tivessem qualquer relação com os assumptos tratados 
nesses ofjicios e por este motivo vão descriptos n'este logar cm grupo 
separaJo. 

uDoin Phulippc pnr arncn de Dcos Rcy de Portugal, etc. Faço aaber que 

tciulo consiílcraçno, a que El-Rcy meu Senhor c Pay, que hajn ' -• - - usia» 
causas de hi>ni ^dvciiio que a issf) o moverão e ouve por bem ii mos 

E assados, ao listado dolirazil huma Relação com numero di i' ^ lorc» 

astaute para boa administração da justiça c expediente do5 ne^^ociu» o que 
então náo houve efleito, por os succcssos do mar, a qual parece qnc hoje hc 
mais importante e necessário por razão do descobrimento e conqu: iva» 

terras e augmento do commercio com que se tem dilatado muito :. ido, 

asim em numero de vassallos como cm grande quantidade dei..-v ,; por 

cujo respeito crescerão as duvidas e demandas que cada dia se movem em úuc 
se não pode administrar inteiramente justiça na forma que convém, por o ÍJu- 
vidor Geral somente ; hey por bem de ordenar a ditta Rellaçúo na forma e com 
o Regimento seguinte : 

llavorá na "dita Rcllaçáo dez Desembargadores, entrando neste numero o 
(Chanceler, o qual servirá de Juiz da chancelaria, três Desembargadores dos ag- 

fravos, hum (mvidor Geral, hum Juiz dos feitos da Coroa, fazenda e fisco, hum 
"rocurador dos feitos da coroa, fazenda e fisco, o Promotor da Justiça hum Pro- 
vedor dos defuntos e residos e dous Desembargadores extravagantes. 

Hey por bem e mando que a Rellação e despacho se Faça nas casas que 
tenho na Cidade do Salvador e ver se ha se a cadéa da dita Cidade hc forte e 
segura ou se tem necessidade de se fortificar em forma que os dcliquentes que 
forem presos estejão a bom recado e que náo possáo fugir e náo sendo a cadeya, 
qual convém, se ordenará huma casa forte e boa com as mais casas necessárias 
para boa guarda e vigia dos presos com os grilhões e cadeas de ferro com que 

os presos possáo estar seguros 

.\ntes de entrarem em despacho se dirá todos os dias missa por hum capel- 
lão que o Governador para isso escolher e será pago á custa das despezas da 
Rellação c acabada a missa começarão a despachar e estarão quatro horas, ao 
menos, por hum relógio de área, que estará na mesa grande cionde, o Gover- 
nador estiver. E os Desembargadores, emquanto estiverem em despacho na Rel- 
lação com o Governador estarão aseniados em escabellos de encosto na mesa 
grande e em cadeiras rasas, nas outras mesas por a ordem que se costuma na 
Casa. da Supplicação. Os ditos Desembargadores não entrarão na Rellação com 
armas, nem trarão vestidos de còr e andarão vestidos assim na Rellação como 
na Cidade com as opas que costumáo trazer os Desembargadores da Casa da 
Supplicação de maneira que representem os cargos que tem 

As finanças nas causas que conforme a ordenação se perderem se aplica- 
rão ao Hospital da Bahia de todos os Santos sem embargo depor a ordenação 
estarem aplicados ao Hospital de todos os Santos de Lisboa e o Ouvfdor Geral 
será Juiz executor delias com seu Escrivão, o qual reverá e executará todas as 
que athe o presente estiverem perdidas...» 

341 

Consulta do Conselho Ultramarino sobre o estado das missões do certáo 
da Bahia e informando acerca dos remédios apresentados para evitar 
os damnos provenientes da falta de parochos e missionários. 

Lisboa, 18 de dezembro de 1Ó98. £" assignada pelo Conde dos 
Arcos, Miguel Nunes de Mesquita e Francisco Pereira da Silva. 



22 



Tem annexas uma representação anonyma e a informação do Se- 
cretario do Conselho Ultramarino, Roque Monteiro Paim, sobre as 
quaes versou o parecer do mesmo Conselho. 

«...descreve (a representação) os sertões em tal forma e os legares com 
nomes tão confuzos, que os faz desconhecidos aos mesmos naturais, entre os 

auaes se escapar á censura de curiozo mal informado, ficará com a desculpa 
e forasteiro pouco pratico. Vendo-se o equivoco mais claro, na demonstração 
com que os inculca povoados; porque nella mesma as publica tão desertos, que 
somente mostra as suas povoações pelas beiras de três caminhos, que diz se 
achão da Bahia athé o Rio de S. Francisco, sendo a verdade que os caminhos 
principaes que entrão no dito Rio da parte daquella Cidade e seu recôncavo são 
sete, a saber : Jacaré, Jeremoabo, Va:{a Barris, Jacobina, Morro do Cltapéo, 
Rumo e Peroasú, e por entre estes se achão outros muitos que todos guião ao 
mesmo Rio a quem de qualquer parte o busca; com moradores por elles e por 
todas as mais terras adjacentes, em que se descobrio capacidade para suas vi- 
vendas e na mesma forma se achão povoados todos os sertões do Brazil, dos 
âuaes para que se forme algum conceito será forçoso dizer que do Cabo de 
anto Augusto buscando o interior do sertão, do nascente para o poente athé 
chegar ás ultimas povoações do Rio Grande do Sul estão descobertas e povoadas 
perto de 6oo legoas. Deste logar buscando o Norte se acha o mar entre o Mara- 
nham e o Gram Pará ; e para o Sul se vae cahir sobre S. Paulo e todos os sertões 
que ficão dentro destes braços estão povoados de moradores brancos, os quaes 
situarão suas fazendas e cazas em todas as partes daquelles dezertos, em que 
acharão agoas, campos e terras capazes de criarem seus gados e cultivarem suas 
plantas, excepto alguns logares que defende o grande numero de Bárbaros, que 
os habitão, como forão athé agora os Negros nos Palmares e são ainda hoje os 
gentios da grande Serra do Araripe, que defendem as ribeiras circumvizinhas 
do Asú, Piranhas, Jagoripe e outras muitas que estão ás sombras daquelle dila- 
tadíssimo e afamado cerro, tudo o mais se acha povoado com homens brancos 
e catholicos, que vivem de 2 em 2 e de 3 em 3 legoas, pelo modo acima dito. 

Entre estes brancos ha tantas nações de índios que passão de 5oo de diflé- 
rentes lingoas, que se achão communicando com elles em amigável trato; cada 
huma destas nações tem tantas aldéas e almas que podem formar hum grande 
Reyno e com efléito o fazem com a sua rústica politica, porque tem as suas ter- 
ras divididas em que cação e buscão suas comedias, (sicj sem poderem sahirdos 
arrayaes do seu limite e se acazo o fazem acodem os do Reyno a que passão 
e tem entre sy aquellas differenças e guerras com que actualmente se distroem 
para nossa conservação, porque se todos fossem unidos, em nosso damno, obra- 
riáo os estragos que a sua ferocidade e multidão nos faz temer. 

Todos estes moradores estão dezamparados de mestres da fé e ministros da 
Igreja, ainda com mais lamentáveis damnos do que encarece o papel junto, por- 
que dos brancos se achão muitos com tam prolongadas faltas de sacramentos, 
que passão 10 e mais annos sem verem sacerdotes. Os índios, supposto milha- 
res delles são baptizados de christãos, não tem mais que o nome, para lhe ser- 
vir de honra entre os seus parentes, que o não são, porque humas vezes para 
se louvarem, outras para se vituperarem dizem «Eu sou christão» mas só com 
este accidente o são, porque na realidade se achão tão gentios, como os que 
do baptismo nunca tiveram noticia, pois a fortuna que os avantajou em rece- 
bello, os igualou a todos na falta de quem lhe explicasse a sua virtude e os mais 
mistérios da fé. Sendo ainda mais dignos de compaixão tantos innocentes, que 
sem peccados actuaes ficão privados da graça e fora do céo...» (Doe. n. 343). 

«Senhor. Hum Religioso entre todos os vassallos de V. M. o mais inhabil 
e como tal indigno de mais expresso ou avultado nome, mas todavia aftectiva- 
mente zeloso do serviço de Deos e do de V. M. e tanto mais em as matérias, que 
pertencem ao bem das almas, quanto mais lho persuadem assim as attençoens 
da sua profissão : achando-se com algumas noticias do que actualmente está 
succedendo em os sertoens do Brazil, as quais houve de varias pessoas religio- 
zas e fidedignas, com quem nestas matérias praticou, as quais tendo andado 
por diftérentes motivos pelos tais sertoens, sinceramente lhe relatarão o que 
nelles virão. 

E formando, já de humas, já de outras informações, hum conceito ultimo 
do que os tais sertoens são em sy e da forma, com que nelles vivem e morrem 
quasi innumeraveis vassallos de V. M., todos portuguezes e quazi todos ou nas- 
cidos ou por seus pays oriundos deste Reino. 

Entrando no urgentíssimo escrúpulo de que talvez, o não chegarem a 
V. M. e a seus Reays Ministros, a quem toca esta incumbência, as individuaes 
noticias dos lamentáveis detrimentos, em que perecem tantas almas, será a 
cauza de se não applicar algum efficaz remédio a tantos, tão ponderozos e tão 



23 



ponderáveis damnot, digno» vcrdudcirumciitc de te chorarem com lagrimas 

de Hiinguc, Rc deliberou ii toiniir por «uu conta a diligencia de rezuniir neste 

piipel o i|tie con) certe/u deHtu» niutcriuM lhe coniitu, kcim nutro fim, riini* <pio 

nieninicntc o Herviço de DeoH c o iiiipuUo de huinu ar : 

então he tivera por Hiiiniiiiinienle leli/., quando e»te pc| 

ca/ clamor itúo pouco para ouvido, por lhe faltarem 

nuiior oppinião) ba^taNHc pura que aquclIaH aIniUH inter 

ritual melhora. Mas quando níjo nucceda aKitim, itempri 

oln-ilecendo a ailvertencia de S. Ciregorio, que com tiuita scvciiUml'- icj itljcnde 

a quem si-inelhantes matérias sabe e mí\o a» diz, para se poilercni remediar, 

chamando aos tais n«o só complices nos males, m.is Imn ' ' 

A ordem pois i|ue seguirá este papel, paru maior c sua, 

será redu/ir-se a três pontos: <j i" será huma breve reiíK , «rlle» 

sertoens (especialmente os da Bahia e Pernambuco, assumpto principal deste 
papel) a fórmu e dispo/ição que tem no ICstado espiritual, théonde se achão ao 
IMe/ente descubcrtos e competentemente povoado». O 2* será expor as rezultas 
e lastimo/as consequências que do tal estado necessariamente se seguem. O '.j' 
.será ponderar os remédios, que vulgarmente se lhe applicáo e o como depois 
de upplicailos muitos, vem a ticar os males essenciaes sem remédio. 

.\ estes 3 pontos bem poderia este papel acrescentar outros 3. O i*, o apon- 
tar algum meyo uo parecer, mais profícuo e eflicaz, de que prudencialmcntc 
poiiia esperar-se mais ctlectivo e opportuno remédio a tantos damnos. a* as 
úteis coiisequciicias, que do tal meyo podia também esperar a boa razão, não 
só em oniem ao mesmo lim espiritual das almas, mas ainda (e não com nicnor 
verosimilidade) ao augmento temporal da Monarchia, a qual, dos poucos pre- 
zados embrioens daquelles territórios, pôde, a poucas expensas de fadigas, lucrar 
niuy consideráveis grandezas. O 3° uc antemão satisfazer c desfazer todas as 
duvidas, todos os reparos c ditTiculdades, que mais racionalmente em contrario 
se poderiam oppór. 

Mas como o que este papel unicamente intenta, he ser e parecer não mais, 
que huma proposta pia, náí) procurará incorrer em a temerária ouzadia de ante- 
cipar arbítrios, quando sobre todos resplandescem as soberanas dispoziçõcs de 
V. M. mostiando em iodas a experiência, que levão as condiçoens de pruden- 
tissimo.> acertos, seus soberanos acordos, com total independência, de quem 
sempre tão inferiormente discursa. E assim não se atreverá este papel mais, 

aue meramente a propor aquillo que parece que não sofre, nem em advertir-se, 
issimulacáo, nem em rcmediar-se intermitencias de demoras. 

Porém antes de entrar no seu argumento este papel, declara ingenuamente, 
que não he a sua intenção nem com a mais leve nota de omissão aos Reveren- 
dos Prelados Diocezanos, que se achão no Brazil, antes, com toda a verdade, as- 
segura constar por infaliveis evidencias, que nos ministérios dos seus ofíicios 
pastorais obráo tudo o que pôde e deve esperar-se de forças humanas: E que 
assim também o (izerão todos seus predecessores, porque as impossibilidades de 
inassequiveis distancias, não devem nem p('>dem ao seu muito zelo e vigilante 
cuidado imputar a menor culpa, nem arguira mais leve falta; antes dessas 
mesmas impossibilidades deduz toda a matéria este papel em o que a V. M. 
determina propor. 

1° ponto. A tnateria deste 1° ponto, como já fica dito, será expender em 
ligeira relação a forma, em que se dividem e prolongão aquelles vastos sertoens, 
servindo somente os da Bahia de exemplo para os mais por maior brevidade e 
clareza. E outrosy referir a forma e numerozidade de seus habitadores, que 
nascendo neste Reino, enteados da fortuna, pellos disfavor, com que lhes negou 
na pátria subsidio para alimentar a vida, se embarcão cada anno nas frotas do 
Porto e de Lisboa (não fallando em muitos que também vão das Ilhas) e todos 
fazem hum tão excessivo computo só de passageiros, que não haverá anno, em 
que não cheguem a mil e em alguns a muitos mais. E como as Cidades e seus 
recôncavos, por estarem já plenissimos*de gente, não seria possivel poder erri 
cada anno accommodar em sy a tantos hospedes, em continente passão quazi 
todos a buscar a vida nos sertoens, cuja amplíssima grandeza e franca fertilidade 
da terra facilita, sem o menor custo, o sustento; porque ally pródiga a natureza 
nam vende as suas liberalidades pelo cansado preço das diligencias da industria. 
Mas para mais individual noticia da vastidão daquelles territórios, pello modo 
possivel se descreuem assim. 

A sahir da Cidade da Bahia, ou de suas circunferências, se abrem três ca- 
minhos mais cominuns para aquelles dilatadíssimos sertoens : chama-se hum 
a estrada da Costa, por se ir encostando a ella pela parte do mar ; o 2' o ca- 
minho da mata oj do sertão do meyo ; o 3° pella Agoa fria da Cachoeira, bus- 
cando a Piudd, e mais em breve o caminho do sertão de sima. 

Estes 3 caminhos são entre sy separados em distancia transversal, porque o 
i" distará do 2° mais de 3o legoas, e o 2» do 3° mais de 60 e todos três vão 



24 



cortando como para o seu centro, para o Ryo de S. Francisco, distante da 
Bahia luo legoas e por algumas partes mais, segundo o maior ou menor gyro das 
estradas, que a clle se encaininháo. 

Este Ryo pela sua notável grandeza e pela fertilidade de seus campos, que 
como margens de huma e de outra banda, em incomprehensivel distancia, a 

Eerder de noticia, se dilatáo, he o termo, que foráo buscando e descobrindo os 
omens, por serem ally mais verosímeis os meyos de remediar sua pobreza ; 
já nas lavouras das farinhas, já na creação dos gados, os quais conseguem em 
tanta abundância, que servem de copiosíssimo provimento para a innumeravel 
gente das (Cidades e de todos os mais povos. 

Vav este Ryo cortando desde o mar, em que desemboca, por esses sertoens 
asim atné distancia de 6o legoas, aonde a elle o corta huma cachoeira de pedras, 
que o atravessa todo ; mas passado esse tropeço, que ally pôs ao tranzito de 
embarcações a natureza, vay continuando o mesmo Ryo pelos sertoens asima, 
com tão distante transmigração de suas agoas, que ainda hoje se ignora aonde 
pára ou aonde principia. Está descubertoe de huma e outra banda povoado thé 
distancia de 3oo legoas : e isto se entende, computando-o somente por dimensão 
directa, seguindo o curso ao comprido da mesma agoa ; porque computando-se 
pellos lados, não se lhe sabe conta certa, assim porque a vastidam dos campos 
transversais, parece quazi immensa, como também, porque neste Ryo maior 
vão a desagoar e a incorporar-se por huma e por outra banda outros muitos 
Ryos os quais vão cruzadamente retalhando esses sertoens; e esses ryos trans- 
versais também por huma e outra banda estão em muy gf-ande distancia de 
legoas descubertos e povoados, porque a agoa he o reclamo, que convida para 
a habitação de suas margens, por ser na sua vizinhansa mais commoda a 
vivenda. 

Assim da parte daquem do Ryo de S. Francisco se achão por muitas legoas 
povoados o Rio do Corassã ; o Ryo do Salitre ; o Ryo Verde ; o Ryo do Pará ; o 
Ryo das Raus e o Ryo das Velhas. Da parte dalém se achão em niuita distancia 
povoados o Ryo de Pajaú ; o Ryacho ; o Ryaclio da Serra ; o Ryo do Pontal ; o 
Ryo do Pilam marcado ; o Ryo Grande ; o Ryo das Cariiranhas ; o Ryo do San- 
tossé. Todos estes ryos e outros de huma e outra parte são, como braços, que 
vão a unir-se com o corpo do Ryo de S. Francisco e todos elles foi seguindo a 
povoação de muitos moradores, pella conveniência de vizinhansa de agoa. 

E este Ryo de S. Francisco he o que, como marco, divide as repartições 
da Bahia e Pernambuco. 

Presupposta pois esta noticia previa da dilatadíssima largueza daquelles 
territórios, entra no seu assumpto principal este papel, relatancío o como vivem 
seus habitadores, quanto ao espiritual. 

E para se fazer disto cabal conceito, he de advertir, que sendo tantos os 
Portuguezes, que em cada anno recolhem em sy aquelles sertoens, se não tem 
já por .elles muitos pouos congregados, não nasce de os moradores serem 
poucos se não de serem as terras tão prolongadamente vastas, que para encher 
em povoação mystica qualquer daquelles sitios, apenas bastaria toda a gente 
deste Reino e para encnellos todos, não bastarião todos os da Europa juiíctos, 
e como cada hum dos moradores vay buscando sitio acommoJado, com terras 
que lhe bastem para o seu sustento e dos seus gados, sendo ellas muitas, vem 
a não avultar a situação em povos, sem emèargo de serem os povoadores 
muitos mil. 

Mas todavia nas partes aonde considerou a gente maio res conveniências 
ha povoações congregadas e outras que a passos lentos se vão pouco a pouco 
formando, como depois se dirá e a razão de assim ser. E ainda considerados os 
moradores como meramente dispersos e occupando indifferentemente qualquer 
daquelles sitios, não vem a ser tão pouco que cada hum desses moradores não 
componha a sua familia de considerável numero de pessoas, sem as quais 
mal poderia reger sua fazenda. De tal sorte, que cada uma delias consta de num 
dono seu ou de hum feitor; consta de mais alguma ou algumas pessoas brancas, 
por quem reparte o ajudarem no no cuidado da tal fazenda ; consta de algum ou 
alguns officiaes de artes mechanicas, de quem precizamente se vai para os seus 
ministérios; consta de escravos para guarda e serviço da fazenda. E sendo isto 
o de que consta a familia de cada huma daquellas cazas, como ellas sam muitas 
e muitas, pois tudo o que está descuberto se acha em esta forma povoado, fica 
fácil de inferir o como em tão innumeraveis cazas será nestes sertoens a gente 
muito mais innumeravel. 

Assentada por certa esta verdade, faça agora a consideraçam outra vez fez 
atraz e comece outra vez desde a Bahia a discorrer por cada hum desses três ca- 
minhos athé o ultimo termo, que se acha povoado, para que conste com toda a 
individuação e clareza o espediente que tem tantas almas para os seus remédios 
espirituaes. 



Í26 



A I* i-Ntriiila que huRcn ao RyodeS. Fratir--f" • -•' • '» • ha 

hoje iiiuy copioMiincnic povoada thó (linliiricia tde 

de Sergipe dei Rey, pnriíiic u vi/inhaiiHa Jo m ca- 

Miiiiho miuíh Kcguuio c para aqucllu nurtc foi pciulciulo <> nunor coucuièo. E 
cHta ho a razam porque também »c ncna main n<t*i«tíi<(i «l»- K;uiTilfitc*«, cm fre- 
gue/ian, em ca/an ile mÍK.Hfto e em capellait. V. ' mui 

moHtra a cada pasHo a experiência eiti muitas i du 

morte faitu coulesHar, i|ue m'io »áo tanto» Oh .M....... .. — , -,..4JíIo» 

tanta multidão de gente havia miftter. Mat todavia aasim ou aanim por eata 
banda »e experimenta muito menor Inlta 

I'eli() 1' caminho do mevo, já he a falta iiuii» HenHivcl, porque na di»tancta 
dnn ditas itH) legoas thé o íiyo de S. /'taucisco, não hnviáo n)aiit que trcN frc- 

gue/ias, a saber em 7'apicuru, em o Lagarto e em Itabayatta ' ' • '■ "•< u 

C8ta parte se lhe acrescentou mais huma em Oeromnabo), c. e 4 

cnppellas particulares, ha por essa parte sinco ca/as de mis istut 

(Ih Sagrada (Companhia de Jesus em Aldeãs de índios, a saber cot .V. S.' do 
Succorro ; cm Cattabraua ; em o Sacco dos Moriegos ; cm Natúba ; cm Man- 
gtthilio, aonde os seus Reverendos Missionários como varões ver! ' ■ ntc 

apostólicos fa/em grandíssimos serviíjos a Deos com seu costuma. I pi- 

rito. Também por essa parto ha duas ca/as de Missão da Sagrad.i i'.,..^...ít de 
S. Francisco, huma dieta .S'a«ío /1»i/ohío, outra de nr>uo dieta a Santíssima Trin- 
dade, aonde também se fa/ muito exemplar o seu zelo. 

Mas com ser tanto cm os Religiosos dessas Missões, comtudo, como a 
muita distancia e o numeroso de tantas almas, que occupâo o cumprimento e 
os largos desses grandes districtos, excedem e superão as forças (posto que in- 
cansáveis) dos obreiros, prcciozamente se experimentáo muitas e infeliccs faltas. 
Mas esta não hc a maior necessidade, com ser muita. 

O 3° caminho do sertão de sima con.cça com alguma ventura nas proximi- 
dades da Bahia, porque em distancia de 17 ou 18 legoas tem trcs freguczias. 
y. S.' do Rosário na (lachoeira ; e a de 5. Gonsalo; e a de 5. Joscph das 7a- 

f^arorocas, e as duas capellas de N. S.' da (Conceição e .V. S.' do Desterro. Mas 
0^0 para diante se vay discontando essa fortuna, pois seguindo-sc as povoações 
das Tocas c da Pinda com bastantes moradores, não ha em cilas Igreja alguma, 
estando distante da ultima mais de 20 legoas. 

Passada adiante a Travessia, sitio innabitavcl, por falta de agoa, se seguem 
adiante os dilatadíssimos e fertilissimos territórios chamados a Jacobina nova, 
e a velha, ambas muy numerozamente povoadas c ambas tão grandes em cir- 
cuito, que podem competir na largueza com hum Reino. Em todo este amplís- 
simo âmbito se não acna mais que huma única Igreja que pella necessidade dos 
moradores se fez curada. 

Aqui já entrão a ser as faltas muito mais lastimozas ; porque quem se 
acha morador em mais de 3o, 40 e 5o legoas de distancia, quanto tem que ca- 
minhar para ouvir huma missa, enfermando, como he possível recorrer a aquelle 
único Parocho ? E dado cazo, que recorra, he couza incertíssima ser tanta a sua 
piedade que lhe acuda, e cazo dado ou negado, que assim o faça, como he pos- 
sível ser á tempo, que não ache ao enfermo, ou )á morto ou já livre de perigo. 
Assim em esta, como em outras freguezias de tão excessivo circuito, e em que 
não ha mais sacerdotes, que hum único Parocho e quando muito mais algum 
clérigo seu coadjutor, o viverem e morrerem as suas ovelhas sem missa e sem 
confissão, he lastima preciza. 

Seguindo-se também o enterrar-se daquella mesma forma, com que se pôde 
enterrar em hum campo a qualquer bruto ; sem haver mais ditferensa ou mais 
lembrança de que ally esta sepultado hum catholico (e talvez hum homem 
honrado por nascimento), que a divíza de se lhe põr huma mal formada cruz 
na sepultura. E se faleceo com tanta lembrança de catholico, que mandou o 
sepultassem em sagrado lhe vem a servir do tumba hum cavallo em osso; de 
alcatifa o quebrar se ao cadáver o cspinhasso, para melhor se acommodar em 
tal tumba ; de toalhas ou tafetaz huma corda de embira, com que se assegura 
a carga ; de conductor hum negro de quem se suppõem lhe não irão entoando 
responsos. 

A verdade he que só os vizinhos próximos de huma destas Igrejas e da 
rezidencia de hum destes Parochos tem o exercicio de catholicos. Os mais dis- 
tantes, nem o virão nunca, nem talvez lhe sabem o nome. E ainda os mais visi- 
nhos, como dependentes, daquelle sujeito único que, como homem, pôde ter 
contra qualquer dolles huma paixão natural, lhes he necessário muito tento em 
conservar a sua graça, para não ticarem impossibilitados a conseguirem a de 
Deos pellos sacramentos, pois havendo impedimento para aquelle tal não ha 
em semelhantes dezamparos outro a quem se recorrer. 

Verdade seja, que qualquer destes Parochos únicos, em semelhantes dis- 
tancias contuma mandar em cada anno a algum clérigo seu substituto de caza 



26 

cm caza a aquillo que lá se chama desobriga. Este chega athc onde chega e no 
que aonde chega, obra, não se interpetra pclla acçáo mais pia; porque aquella 
desobrigação em verdadeiro sentido, vem a ser huma obrigação de estipêndios 
excessivos, em cjue o Parocho e o commissario são meeyros, dando assim pella 
taxa do seu arbítrio, muy apparentes vizos de venacs os sacramentos. 

Mas chegue já a consideração ao i^yo de S. Francisco e entre a discorrer 
por elle acima, olhando para huma e outra banda e ahy achará muito mais 
que ponderar e muito mais que sentir, lembrando-se que tem nelle que vér de 
numa c outra parte 3oo iegoas ao comprido e muitas mais ao largo, com o expe- 
diente de sacerdotes ciuc logo se dirá. 

Considerado esse Ryo da parte daquém da Bahia, se acha logo no principio 
huma Capella de Santo António, onde não rezide sacerdote. Adiante huma caza 
de Missão em Aldèa de índios, em que rezide hum dos Religiosos Capuchos 
F"rancezes chamada a Patacúba; dahy a 4 ou 3 Iegoas está a Villa Sova de Se- 
bastiam de Britto de Castro, em que ha huma cappella curada. Adiante i5 
Iegoas em terras do Mestre de Campo Pedro Gomes outra caza de Missão de 
índios, dieta S. Pedro em o Porto da folha, em que rezide outro Capucho Fran- 
cez. Isto hc o que se acha de Igrejas thé onde a Cachoeira atravessa o Ryo, sendo 
o numero de seus 4 sacerdotes improporcionado para sacramentar tanta gente, 
quanta occupa 60 Iegoas de terra. 

Passada a Cachoeira, dahy a 11 Iegoas entra o Ryo das Rodelas, que vay 
transversalmente cortando hum grande sertão, também muito povoado ; e neste 
districto ha huma caza de Missão em Aldêa de índios da Sagrada Companhia 
de Jesus. Adiante 26 Iegoas, entre varias Ilhas, que forma o Ryo no centro de 
suas correntes, em 6 delias se acháo 6 Aldeãs de índios, cujos nomes são a do 
Porca, a do Axará ; a da Vargem; a de Pambú ; a de Aracapd e a do Cavallo. 
Estão todas 6 addictas a três Padres Capuchos Francezes. 

Adiante fica outra caza de Missão de índios dictos os Gualha^, que nova- 
mente crigio a Sagrada Religião de S. Francisco. Adiante outras duas cazas de 
Missão, também nouas em Aldéas de índios, chamadas o Ctirral dos Bois e os 
Caruru;^, a cuidado de Padres da Sagrada Companhia. 

Thé aqui tem a piedade christam situadas Igrejas, nas quais por boas contas 
se acharão nove ou dez sacerdotes, tendo já a nossa consideração por esta parte 
caminhado perto de 100 Iegoas desde a Cachoeira. Daqui para sima não ha 
Igreja alguma, restando ainda quazi ontras tantas Iegoas de povoação, em que 
he muito o numero de brancos, mamelucos, escravos e Inaios mansos. 

Agora vadeemos para a banda dalém do Ryo de S. Francisco, a agoa e 
mais a magoa, para a parte que cahe já na repartição de Pernambuco; e tor- 
nando por essa parte a tomar o Ryo desde a barra: daquella banda se acha logo 
no principio a Villa de Penedo, tem freguezia e hum Convento de Religiosos 
Franciscanos. Dahy para sima, sendo huma mesma a distancia e huma mesma 
a numerozidade de gente, athé o anno passado se não sabia, que houvesse mais 
Igreja alguma. 

Todavia pelas noticias da frota passada constou, que em difterentes para- 

fens novissimamente se erigirão 4, a saber huma Cappella no Pajahú, outra no 
^eiiagui (região vastíssima), outra no Ryo Grande e outra Parochiaí de N. S. 
da Conceyçam no Carabobo ; e este he athe qui o expediente de 4 Cappellas com 
outros tantos ou poucos mais sacerdotes, para acoairem a almas, que occupão 
Soo Iegoas de distancia, não se fallando nos seus centros, tão vastamente gran- 
des, que se lhes não computáo limites...» (Doe. n.° 344). 

342—344 

Carta do Padre António de Abreu para o Padre Luiz Velloso, dando-Ihe 

noticia de diversos factos escandalosos succedidos na Cidade da 

Bahia, com alguns Desembargadores- da Relação e com os Frades do 

Carmo, de um projectado attentado contra o Ouvidor do Crime, etc. 

Bahia, 16 de setembro de 1728. 345 

Carta do Conde de Sabugosa, referindo-se entre outros assumptos ás reso- 
luções do Conselho Ultramarino, geralmente tomadas sem as prévias 
e necessárias informações dos Governadores ; ás viagens das frotas, 
á arrematação dos contratos do Brazii, aos direitos que pagavam 
os escravos que iam para as Minas, á Feitoria de Ajudá, á explo- 
ração do ouro nas Minas Novas, á prisão do Capitão Mór António 
Velloso da Silva e informando muito desfavoravelmente acerca de 
Manuel Francisco dos Santos Soledade e das suas pretenções. 
Bahia, 23 de agosto de 1730. 



2t 

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cobrarAo por hutciís por ic nlo achnrcm ot que ou devíàn quando o* procurarão 
para oh pn^nr... 

Ah mina» lorão n total Pcrili(,rio do Hni/il c i rá a »ua 

ultima ruina ; ncHlas se acha num totiniil.ivi-l L^hcd s da Ma* 

rinha c ainda de toilo o Rcvno e ilc ' uro, 

iiurodu/cm as sua» mcicatíonas por lla- 

(jocns as remessas que muitos inteic , , por- 

que as demoras doH pa^amentíts, sáo de 3 e 4 annos, quando mam bem »uc- 
cedidos e muitas vezes se procura o devedor cm huma parte c náo «e acha, 
nem auem dê noticia delle 

Por causa delias se abnndonáo engenhos c muitas fazendas de cannas e a 
lavoura do tabaco, veiulo a pouca sahida que tem os cfleitos i- ■ ■■-.-• in a que 
subirão os escravos, não havendo hcmiem branco que se i| itar ao 

excrcicio de feitor e a outros empregos, porque todos os que ; )<> Rcyno, 

vem com o sentido nas minas, para donde passáo logo que chcgáo, ao que náo 
descubro remédio, nem se lhe pode applicar providencia pela largueza do 
certáo...» 

346 

Parecer de Wencesláo Pereira da Silva, em que se propõem os meios mais 
convetiietites para suspender a ruina dos três principaes géneros do 
commcrcio do Brazil, assucar, tabaco e solla. 
Bahia, 12 de fevereiro de 1/38. 

«Com paternal cuidado soUicita S. M. que Deus guarde, o bem commum 
de seos vassallos e por isso sendo informado dos damnos públicos, que pade- 
cem os deste Estado, querendo remediallos, manda agora ouvillos e que confi- 
rão e digáo os meyos, que lhe parecerem convenientes e mais efficazes para 
suspender a total ruina, que os ameaça e fas temer a perda das suas fabricas, 
dos três principaes géneros, açúcar, tabaco e solla, com que se mantém, tratáo 
e sustentáo o seo commercio, que sendo cm outro tempo o mais florescente e 
bem reputado, se acha hoje tão decahido e attenuado. 

Para este elíeyto foi o dito Senhor servido expedir ordem ao Governo Geral 
do Estado, que participando-a ao Senado da Gamara desta Capital, se congre- 
gou logo em junta extraordinária, convocada a nobreza, mercancia e povo; e 
sendo proposta a importante matéria, sobre que se devia discursar e informar a 
S. M., por se não poder concluir iti você, o que se pretendia arbitrar, foi precizo 
ouvir por escrito os pareceres de alguns repúblicos mais intelligentes ; e porque 
fui tamhem consultado e rogado pôr parte dos cidadoens da principal nobreza 
para concorrei no estudo do remédio de hum damno que a todos toca : levado 
do zelo da cauza commúa e attento ao serviço do Soberano, me animo a escre- 
ver o que sinto, fundado no conhecimento pratico, que tenho adquirido em o 
exercicio do ministério publico. 

Notório he a todos os moradores desta Capital e seo recôncavo o calami- 
toso e deplorável estado, em que se achão os Senhores de Engenho e os Lavra- 
dores do Paiz, que são os nervos do corpo politico c civil. 

Também he manifesta a decadência do commercio mercantil e sensivel a 
falta de dinheyro e em consequência de tudo a indigência e summa mizeria 
popular, achaques todos perigosos e ditíiceis de remeaio, de que está enfermo 
agonisante o corpo deste Estado, por peccados de seos habitantes, que sáo a 
pVimeiía causa dos males, tanto mais reiterados, quanto mais incuráveis por 
me3'os humanos... 

X dous géneros de males se podem reduzir as indisposições que padece o 
corpo deste Estado, huns internos e outros externos. Estes últimos sáo os que 
procedem do grande abatimento e falta de consumo dos três referidos géneros, 



28 



principalmente o açúcar, que não tem sabida por cauza das fabricas que os es- 
tningciros augmentarâo nas suas colónias, para destruição das nossas, a que 
deráo motivo os scos interesses acompanhados da sua muyta industria e cobiça 
e os nossos descuidos nascidos da nf)ssa confiança c da inconsiderada emula- 
ção dos nossos fabricantes, solliciíos e cuidadosos em fazer copiozo numero de 
arrobas sem apurar as qualidades ; e sobre estes defeitos, reputar os géneros 
e subillos a excessivos preços, que juntos com os direytos, fretes e commissões, 
ficarão sendo exhorbitantes para os mesmos Estrangeiros, os quaes não se 
descuidáo, nem sabem perder hum passo no adeantamento do seo commercio. 
Ao que se devem também attribuir os grandes empenhos, com que se 
achão gravados os Senhores de Engenho e Lavradores, pois ne sabido, que vendo 
estes a máxima reputação dos scos géneros naquelles annos florentes, não 
cuidarão em se conservar, nem prudentemente considerarão o que podia sobre- 
vir, mas só tratarão de exceder as suas possibilidades e ampliar as fabricas c 
lavouras, fazendo grandes despezas e valendo-se para ellas de dinheiros alheyos 
com avanços, que depois crescerão e não pagarão, por se seguir immediata- 
mente o abatmiento dos mesmos géneros e a falta do consumo delles; detri- 
mento e damno irremediável para todos os interessados, ficando huns e outros 
carecidos e cada vez mais empenhados. 

As lavras de ouro e diamantes, que de annos a esta parte se tem desco- 
berto e augmentado consideravelmente nas terras mineraes deste Estado, não 
contribuirão pouco para a destruição das lavouras, fabricas e engenhos. Porque 
carecendo estes e aquellas de escravos, cavallos e.bois, que he o de que se com- 
põem o seo principal fornecimento, ao mesmo passo, que os cabedais foráo 
crescendo com as riquezas das minas, foram também subindo os preços dos es- 
cravos com tão exhorbitante excesso e demazia, que de 40 athé 5o mil reis, 
porque antes se comprava cada hum dos melhores, chegaram depois a valer 
e se estão actualmente vendendo por mais de 200 mil reis e os cavallos e os 
bois também subiram de preço pelo consumo e sabida que tiveram para as 
Minas. 

A fama e cobiça daquelles thezouros escondidos nos erários da natureza, 
attrahiram a sy a mayor parte dos homens nacionaes de Portugal e do Brazil, 
que por seos estipêndios se occupavam nos ministérios das lavras, fabricas e 
manufacturas dos Engenhos com diversos empregos de Feytores, mestres e 
purgadores do Açúcar ; banqueiros, caixeiros e outros officios fabris, precizos 
para aquelle traíico e laboriozo exercício, que carecendo indispensavelmente 
delles, se não acham promptos, como em outros tempos e os que apparecem, 
se não accommodam sem grandes interesses e exhorbitantes sallarios, no que 
se dispende a maior parte dos rendimentos. 

Ultimamente sobre todos estes accidentes do tempo ainda carregam outras 
desordens de mayor pezo para o abatimento de muitos homens, que sem terem 
as qualidades e possibilidades precizas para sustentarem os titulos e satisfaze- 
rem as obrigações de Senhores de Engenhos, temerariamente se atrevem a com- 
prallos ou rematallos em praça a pagamentos, tanto que tem com que supprir o 
primeiro que he o gasto, que fazem com a escritura daquelle contrato ou arren- 
damento. Outros nimiamente confiados se animam a levantallos e fabricallos de 
novo, tanto que acham quem delles fie algum dinheyro para o primeiro sorti- 
mento de alguns escravos, e preparos competentes áquella administração, de que 
não sam capazes por defeyto do modo, agencia e criação em semelhante trato ; e 
por isso quazi todos logo na primeira safra ficam empenhados e na segunda ou 
na terceyra já se declarão perdidos; sendo juntamente a cauza de se arruinarem 
muitos engenhos e quebrarem os seos credores, outros zombarem da sua mal 
fundada presumpção, que tão depressa converteo em paJha seca aquella pri- 
meyra verdura de huma apparente, mas enganoza esperança. 

Todos estes motivos e desconcertos do tempo concorreram e conduziram 
para a immoderada reputação e carestia dos nossos géneros e também foram a 
cauza da sua ruina. Porque os Estrangeyros obrigados dos mesmos motivos se 
exforçarão e resolveram augmentar as fabricas de Açúcar nas suas Colónias, 
que depois de estabelecidas com muitas commodidades, como a de se servirem 
de homens brancos e outros meyos fáceis, que nós não temos, sobrjtudo as 
muytas liberdades e franquezas, que lhe concederam e dispensaram os seos Mo- 
narchas, bastaram para produzir tão abundante copia daquelle género, que não 
só proveram delle os seos Paizes, mas também encheram todos os mais dn Eu- 
ropa, com tanta affluencia e barateza, que supposto seja inferior ao no^so na 
qualidade, deste se não uza e daquelle he que se gasta e tem sabida em toda a 
parte; eo peor de tudo he, que também tem a entrada no nosso Reyno. 

Os males internos, não menos sensíveis, por mais Íntimos e communs a 
todos, são os que se contrahem dentro do corpo deste Estado, com o demasiado 
luxo, venenoso e depravado vicio, nascido de huns negros fumos exalados 
das officinas do Inferno, que cruelmente inficciona, destroe e consome estes 



ao 



inoradorcH iiiiil morif?''';i.iriH i ,,.i,.i. >. k,.tii».tii td.ioK *«• .iii#Mi>uni «. ♦,.,<,.« ^ 
lutiicnliitn perdiddii ; n i<i, 

iicin nJmittciii corrcctiv ' ^cr 

ao iin|UiUi> (Iti vuiJiiile, a «.jual nu \n,i ., unto 

OH prciloiniiiii, i|uc o» fu» ciii|ucccr : >• niii» 

uiil pelo luiii» vho. K por i»*o ,■■•■ m^^ propaga 

ciulii wt iiiiiík o contagio com : rognotticam 

iirrÍHCiKiii a kuu coiucrvav'>iin c n < , , .cn. 

Teve o luxo Hco principio nooiíginui pcccuilo c lic liuni mui ifto calumí- 
tOHo c coevo no nuinito, que (|(ni/.i naM«*o com clle o «IfRcncroii em »nortHl con- 
lofíio para inficionar v corromper ai' ' do, 

i iijo lnali^nll etleyto irreniciliiivclnui u- 

blicaH, que cnlcrinanilo Jo uiennio in ^ 1. , .. ,,*<>, 

a Koniana, tome Je omic emanou toda a )uri»pruiicncia e a melhor politica, 
oliRcrvou por apophthcnui e máxima certa, que puni »c preservar c connervar 
as i*royincia.s cunquÍKtadaH c mai» appartadas do centro do Império, era prccizo 
prohibir aos vassallo» todo o género de luxo, entatuindo para c»tc cffeito táo 
severa» penas, varias ley» sumptuárias proporcionadas ao estado dos temnoK e 
dos Cíistumes, que sempre com eiles alicrnm ; como forão as Icys ÍJpia, 'íano- 
ria, Didia, Licínia, Kmilia, Cornélia, Antonina, Antia e Júlia ; para cuja ex- 
ecuçfio forão logo criados e deputados censores, ministro* publicoí de grande 
rcputa<;úo naquclla antiga Republica. 

A mesma máxima, que a experiência mostrou sempre ser acertada, adver- 
tiram e observaram muitos 1'rincipes e Monarchas da Kuropa, os mais peritos 
na sciencia e praxe de governar homens : especialmente os nossos serenissimos 
Reys de Portugal, que com catholico zelo e paternal cuidado attenderam sem- 
pre ao cominodo de seos vassallos, procurando rcdu/illos áquella moderação, 
parcimoiiia competente e proporcionada á sua qualidade e cabedaes, com cujas 
virtudes se souberam distinguir entre as outras nações do mundo e dominar 
tanta parte delle. Ultimamente cm tempos mais modernos, attento aos mesmos 
respeytos o Senhor Rey D. Pedro 2.° de gloriosa memoria com singular provi- 
dencia estabeleceo aquélla justíssima pragmática sobre esta matéria, pronibin- 
do todo o excesso e demazia dus gastos, luxo e prodigalidade nos ornatos, trajes 
e vestidos. 

Kste Estado do Rrazil se acha ainda no da innocencia ou da ignorância a 
respeyto daqucllas Icys sumptuárias, porque aqui náo ha noticia, nem obser- 
vância delias, mas cada hum se regula pelo seo apetite e veste como lhe parece 
sem diHcrcnça alguma no modo e no excesso do immoderado luxo, nos trajes e 
adornos de ouro, prata e sedas ; e com tantas dezordens que se não conhecem 
as pessoas de hum e outro sexo pelo ornato dos vestidos ; porque estes lhes con- 
tundem as qualidades e só pelos accidcntes das cores se distinguem huns dos 
outros, excedendo quazi lodos cm muito as suas possibilidades. 

Não sendo menos intolerável o uso ou abuso de cadeyras guarnecidas de 
ouro e sedas, que são as carruagens da terra, moda introduzida ha 9 ou 10 
annos e ha poucos permittida a pessoas de inferior condição, no que fazem 
excessivas despezas com o fornecimento, sustento e vestiário de muitos escravos 
occupados inutilmente e caríssimos no tempo presente, como he notório. 

bobretudo he digno de reparo e admiração ver que padecendo quazi todos 
as indiscripções da necessidaue e vivendo no mais calamitozo estado de pobreza 
por falta de cabedaes e abatimento de fructos, de que não recebem proveyto, 
nem lucro, para o supérfluo lhes não falta suprimento, nem se modera, antes 
se augmenta mais o luxo! Mas por isso mesmo crescem os empenhos e dividas, 
que não se pagam ; quebram e fojcm muitos fallidos ; não ha honestidade se- 
gura, virtude sem perigo, nem rectidão incorrupta ; e se commettem innume- 
raveis uzurpaçoens, rouhos e latrocínios, sem escaparem nem ainda os sacrários 
e templos, indícios todos manifestos dos perigozos achaques, de que enferma 
e agoniza esta Cidade... 

Ultimamente a carestia e falta de escravos prejudica e deteriora muito aos 
moradores desta Capitania pela grande diversão e sabida, que tem para a das 
Minas, cm que se occupam mais de i3o mil. O commercio da Costa da Mina, 
donde se exirahiani e conduziam muitos todos os annos, de alguns a esta 
parte está attenuado de sorte, que já não ha metade das embarcações, que cos- 
tumavão andar naquclla carrcyra e as poucas que hoje a frequentáo, navegam 
com tanta dezordcm, hindo muitas vezes humas sobre outras, sem proporcio- 
narem espaço sufliciente para o consumo da carga, que pela mayor parte per- 
dem no negocio, ticando este só útil para os negros daquelle Paiz, porque 
compram os Tabacos por . mais inferiores preços, frânqueando-lhcs a occurren- 
cia dclles e a preciza necessidade que os commissarios tem de lhos deixarem 
na terra ou perdellos, se os quizerem trazer ou reservar para tempo mais 
opportuno. Muito mais proveitozo hé aquelle negocio para os Olandezes e 



30 



Zclandczes, interessados na Companhia Occidental de Olanda, porque como pela 
maior parte dominam a Costa da Mina c tem ali estabelecido o sco commercio 
com os negros, os provem dos géneros e drogas, de que se agradam, de que 
já o8 tem feyto dependentes, vendendo-lhos a troco dos memores escravos, 
que escfilheni e no que intcressáo gramles avanços, revendendo-os depois aos 
nossos Portugue/es a troco de ouro; e o mesmo negocio fazem os próprios 
negros industriados pelos Olandezes, a cujas máons vay parar o ouro, que se 
extrahe do Brazil nas embarcações daquelle transporte, que certa e occulta- 
mente o levão a todo o risco para sortirem e darem consumo aos effeytos das 
suas carregações, comprando os melhores escravos e por isso os nossos com- 
mcrciíintes se empenham c não utilizam hoje de tal negocio, que tem perdido 
a muitos... 

O primeyro remédio competente para os males internos cauzados da intro- 
ducção do luxo, he o que rectamente applicarão os políticos mais versados 
nas razões do hstado, aconselhando que para evitar tanto damno, se lance hum 
rigoroso tributo sobre os géneros estrangeiros, que sendo desnecessários para 
D precizo sustento e decente trato, só servem de fomento para a vaidade... 

Com este remédio e impozição de tributo sobre os géneros estrangeyros da 
qualidade appontada se poaerá fácil e suavemente conseguir, náo só a utilidade 
de os vedar e poupar o que nelles superfluamente se gasta neste Estado, sem 
queixa justa, nem olTensa dó commercio dos Estrangeiros ; mas também o com- 
modo de fazer cessar o luxo e evitar o escândalo, vicios, dezordens e incon- 
venientes, que tenho ponderado. E se conforme o dictame gallenico, todo o 
remédio simples ou composto deve ser administrado com adequação á espécie 
da cauza morbifica e a essência dos males referidos consista em que o veneno, 
que os produzio, se difundio e cauzou huma total dissolução dos costumes ou 
humores deste corpo; claro fica que o remédio applicado he mais specifico e vi- 
gorozo antídoto para destruir e vencer aquelle morbo maligno, pois tirando a 
cauza delle, sem duvida fará cessar o seo effeyto... 

Para se evitar o introduzido abuzo e excessivo custo das novas carroagens 
ou cadeyras da moda, de que vaidozamente se servem estes moradores sem 
distinção de pessoas, fazendo excessivas despezas e occupando inutilmente 
muitos e os melhores escravos, se podia também lançar hum novo tributo ou 
impozição annual sobre as mesmas carroagens, ao menos a respeyto dos que 
por direyto não podem uzar delias, como em semelhantes occurrencias e de- 
zordens aconselham muitos políticos... 

O segundo remédio para os males procedidos da falta e carestia de escra- 
vos, que são as mãos e os pés deste corpo, sem os quais não podem subsistir, 
consiste em se applicar todo o cuidado e buscar meyo de o prover delles todos 
os annos com abundância, para que cresça a lavoura e se augmentem as fabri- 
cas e lavras das minas em utilidade commua das Reaes Rendas, dos vassallos 
e do commercio nacional. Para este etfeyto o melhor e mais proporcionado 
arbítrio, que se offerece na conjunctura prezente he o estabelecimento de huma 
nova Companhia Geral á imitação das que ha em outros reynos, cujo trafico e 
principal emprego será resgatar escravos, conduzillos de Africa e vendellos nos 
portos do mar do Brazil. 

A experiência tem mostrado ser este hum dos mais úteis e convenientes 
meyos para a conservação e augmento dos Estados e seos interesses, de que 
se valeram muitas nações, as mais politicas da Europa, para enriquecerem e 
ampliarem o seo commercio. Dentro do nosso Revno temos o melhor exemplo. 
Pois achando-se no mayor apperto, falta de dmheiro e commercio attenuado, 
se appontou e praticou relismente o mesmo arbítrio, constituíndo-se a Compa- 
nhia Geral do Comtnercio no anno de 1640, a qual sem duvida alguma sérvio de 
tanta utilidade á Monarchia, e aos vassallos, que os ajudou a pôr em estado de 
defeza e sustentar a guerra de Castella, restaurou o commercio, salvou as frotas, 
conservou as conquistas e suprio com promptas e grandes quantias de dinheiro 
as occurrencias precizas e de mayor importância. 

Aos moradores deste Estado, no que de prezente se acha, não poderá dei- 
xar de ser útil e proveytoza a proposta companhia. Porque além de se poderem 
interessar nelia muytos particulares, facilita e offerece a todos em commum 
aquillo mesmo de que tanto necessitam, que he o provimento de escravos com 
abundância, em melhores commodos, do que agora experimentam. Pois he 
provavelmente certo, que sendo este negocio administrado, como deve ser, por 
bons directores com toda advertência e cuidado, será mais bem regido e se- 
guro, que o de particulares e com proporcionadas commodidades resgatarão e 
conduzirão os escravos para os venderem por racionaes preços, quando logo 
se lhe não queyra taxar o que parecer justo. 

Além disto se fas evidente o risco, que se deve temer e pôde seguir da 
decadência do negocio desta praça, cujos commerciantes estão attenuados pelas 
poucas utilidades, que recebem e má forma, que observam no modo de fazer 



st 

«• nua» t'>r>.i. ,..-.-..■. 'ictpedindoflt »cn) aqudla bua direc^&u e opporiuniJado 

do tciiif 

Sii|) i hcgH ocin i|iic KC «Ir/.iíiim.im <lf to. If. c cnfr;ií]u< cem de 

HdItC, i|Ui. i>U lllC» ll.iw ICIIl CM' '»• 

iiuviun Jiiqucllo rcH^atc, coiiio ja ip> 

iMir cxta lalla c ' n.m t- u/mkik do 

HraidI .' (jticiii o quac» náo ptnlc 

«ul^kintir, nc iiúi) I . , , 

i-liituhvlcciiiu CMiM nc piiilc iiitcrcs»ur iicilu > I com ■ 

dcHto l-Hfii.)<>, coiicorrciulo todfxi «• f.t/cn<|n o (w Mi/ndos 

ilr .1 1 1 II «I» primcyi ■ i o 

rc^ .cravdH ti»ta .; iho 

Vciu . (......(), Cotta dã AJiu.i ;., 1.....Í, lia, 

para dcmro dn Cabo Jc lioa hspcrança iciii a i '/o- 

çambiijuc c Jiio de Settna, Joiuic se p<uicm iir.i <>« 

utinos por prcco» iiiuy ucconiinodailoa : mas como toJai» cam» ultiui^» luve- 
|tH<õc8 cncoiitruiu 0» perigos do i.nbn e aio cunloza», comprida» c arriscadas, 

SC devera implorar c chj^crar ila Kcal Clr n ' ' S. M. Inc ' 1 c con- 

ccila almmuis íraiK|Uc/as jio monos por ili s aniion, ; ■><» Cf>m- 

incrciaiiti-s se animem h imprcndcr táu nu, :. ncgucio l ■ ; „ . na cspc- 

raiiv'ii de lucro.,. 

O tabaco, que náo hc gcncro de menos conveniência e utilidade para a 
Kcal l-'a/cnda, para os vassallo* ileste Kstado e para o comnicrcio de Portugal, 
cuja reputação corre igual puralielo que a do assucar, parece se pôde regular 
pelo mesmo modo cm sua proporção, franaueaiido-Ke licença para que depois 
de teyta a escolha pelo contratador do que Ine lór preciso para íornccinienlo do 
SCO contrato, dentro do prefixo termo, que se lhe consignar, o resto se possa 
vender e navegar livremente paru onde parecer a seos donos depois de pagos 
os dircytos, evitando-se os embaraços e de/ordens, que costuma mover em 
Lisboa o dito contratador c nesta Bahia seos Procuradores por conveniências 
particulares com o pretexto da preferencia e escolha, que diferem por muytos 
mezes em prejuizo das partes. 

A sola e courama do Brazil, como náo necessita de extracção para fora do 
Reyno, pois dentro delle pôde ter consumo, fácil será o remédio, administran- 
do-se o que já se lhe applicou em outro tempo, observando o disposto no 
Alvará de 12 de mayo de lOiSo, porque se ordenou as Camarás fizessem pos- 
turas, em que prohibissem aos sapateiros o uzo e gasto de outra sola, que 
não tosse fabricada dentro do mesmo Keyno e suas conquistas debaixo de certas 
penas, que restabelecidas e augmentadas agora de novo e cumprindo-se com 
etieyto o contheudo no dito alvará, Hcará sem escrúpulo, nem queixa do com- 
mercio dos Kstrangeyros, cessando o gasto dos seos atanados e tendo consumo 
aquelie género nacional, que se considera perdido. 

Por ultimo accrescciíto aos mais remédios applicados, que coroo os Se- 
nhores de Engenho e 1-avradores deste Estado, se acháo no mais deplorável, 
a que j">oJião chegar, carregados de dividas e de empenhos em termos de náo 
poderem subsistir, rarecc devem implorar e esperar da Real grandeza e beni- 
gna piedade de S. M. se digne conceder-lhes huma moratória geral por alguns 
annos, para dentro delles náo serem executados, nem vexado» pelos seos cre- 
dores. È láo bem seria útil e proveitozo a todo este Estado, supplicar-se ao dito 
Senhor seja servido mandar fabricar hama sufficiente porção de moeda provin- 
cial de ouro, c prata, muy preciza para o commercio, que padece grande de- 
trimento com a falta delia, pois a que avia lavrada no anno de 1693, em o 
decurso de tantos continuados até o prezente, se difundio e consumio a maior 
parte delia, circulando por todo o dilatado corpo deste vastissimo Estado... 

Noticias sobre os Bispados da Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ma- 
ranhão, Grão Pará, Goa e Arcebispados Primaz do Oriente e Cran- 
çanor. Bispados de Cochim, Miliapòr ou S. Thomc, Nankim, Pekim, 
Malaca, Macáo, Santiago de Cabo Verde, S. Thomé e Angola. 

(Lisboa), 7, 8 e 10 de julho de lySS. 

(a) Manuel Caetano Lopes de Lavre. 

((Cidade de S. Salvador da Bahia. Foy erecta a Igreja da Cidade da Bahia 
em Cathedral em o anno de ibbi pelo Pontífice Júlio ^* e o seu primeiro Bispo 
foy D. Pedro Fernandes Sardinha e no anno de 167Ô foy elevada a Metropolitana 

for Innocencio XI sendo-lhes suUraganeos os Bispados de Pernambuco, Rio de 
aneiro, Angola e S. Thomé. 



32 



Tem o Arcebispo da Cidade da Bahia de côngrua annual pelas provisões que 
se expedem pelo Conselho Ultramarino 4<xk> cruzados, entrando nesta quantia 
8o cruzados para esmolas, 20 cruzados para hum pregador, 100 mil rs. para o 
Provedor e Vigário Geral da mesma Cidade e outros i<x) cruzados para o da Pa- 
rahiba que será Icttrado e 10 cruzados para o mestre de ceremonias pela assis- 
tência dos Pontificaes. 

Na folha ecclesiastica da Bahia que se paga pela Fazenda Real vem a adição 
do Arcebispo em 1910 cruzados por onde se vê pagar-se-lhe os 4000 cruzados 
de côngrua livres para elle Arcebispo e os 3iO cruzados das despezas assima 
referidas, mas não acho ordem ou provisão porque se lhes fizesse este accres- 
centamento dos ditos 3io cruzados que demais se lhe pagão além dos 4000 
cruzados. 

A ajuda de custo que se deo ao ultimo Arcebispo D. Ltii^ Alvares de Fi- 
gueiredo foi de hum conto de reis, pagos nesta Cidade havendo sido a de seus 
antecessores da mesma quantia paga na Cidade da Bahia, 

Tem mais todos os Arcebispos e Bispos ultramarinos por ajuda de custo 
a tripartita do rendimento da Sé vacante para ajuda de compor sua casa, repar- 
tindo-se o dito rendimento huma parte para as Bulias, outra para o Bispo, 
outra para as obras da Sé. 

Tem de rendimento incerto segundo as informações particulares que tomei 
6 ou 7 mil cruzados cada anno das pensões impostas nos officios que provê e 
algumas multas e das visitas. 

Ha na Cidade da Bahia hum collegio da Companhia e Casa de noviciado, 
dous conventos de S. Bento, hum dentro da Cidade, outro fora delia junto á 
Barra. Ha mais os conventos seguintes do Carmo, de S.Francisco, de Carmelitas 
descalços e de Agostinhos descalços e hum de Barbadinhos italianos e de novo 
hum hospício de Dominicos com a sua Ordem Terceira estabelecida. Ha mais 
hum convento de Freiras de Santa Clara ; estão se edificando mais 2 conventos 
com licença de V. M. 

No mesmo Arcebispado ha em varias villas alguns conventos ; na Cachoeira 
o Seminário de Belém, fundação de religiosos da Companhia, Conventos de 
S. Francisco, do Carmo e S. Bento, porém são pequenos e ha pelo certão 
muitas aldéas de índios e residências por toda a costa em que assistem religiosos 
com subordinação aos conventos da cidade. 

O clima do Brazil he ordinariamente mui sadio e o seu terreno mui fértil, 
ainda que não em todas as partes pelos grandes arêaes e terras alagadiças que 
tem e mui difficultoso ser visitado de qualquer dos seus Prelados pela grande 
vastidão de terra que comprehendem cada num dos seus Bispados. 

Do que gasta cada hum dos Bispos na sua diocese me não consta, e me pa- 
rece não gastarão nada por ser feita a despesa da Fabrica da mesma Sé e de 
todos os seus Ministros pela Fazenda Real na folha ecclesiastica, porém consta- 
me darem muitas esmolas e fazerem muitas obras pias, que certamente exce- 
dem a sua côngrua. 

Pernambuco. Foi erecta a Igreja de Pernambuco em Cathedral pelo Pon- 
tífice Innocencio XI em o anno de 1676 e o seu primeiro Bispo foi D. Estevão 
Brioso de Figueiredo. 

Tem o Bispado desta Capitania de côngrua annual 2 mil cruzados que se 
lhe estabelecerão por provisão de 9 de abril de 1707 e outros 2 mil cruzados de 
acrescentamento com a declaraçãode que emquanto V. M. não ordenasse o con- 
trario 80 cruzados para esmolas e 120 para as côngruas de seus officiaes em que 
me parece entra o Provedor e Vigário Geral. 

Tem de rendimento incerto segundo as informações geraes que tomei 3 mil 
cruzados pouco mais ou menos. À ajuda de custa que se deu ao ultimo Bispo 
D. Fr. José Fialho, foi de hum conto de reis pago nesta Corte na mesma forma 
que se havia praticado com seu antecessor. 

Tem mais o dito Bispo por ajuda de custo para compor a sua casa a tripar- 
tita do rendimento da Sé vacante, repartindo-se o dito rendimento huma parte 
para os Bulias, outra para o Bispo e outra para as obras da Sé. 

Ha na Capitania de Pernambuco, assim na Cidade de Olinda como na Villa 
do Recife e Capitania de Paraiba, Collegios e casas da Companhia de Jesus, 
Conventos de Carmelitas calçados e de Religiosos Franciscanos de S. Bento, de 
Carmelitas reformados e Casa dos Padres de S. Felippe Nery e todos estes re- 
ligiosos tem aldéas e missoens em todo o Bispado de Pernamouco que he muito 
dilatado. 

O clima desta Capitania he ordinariamente sadio, porém padeceu antiga- 
mente terríveis epidemias. O seu paiz he summamente fértil e cheio de muitos 
e bons engenhos e os seus campos e os da Paraiba e Ceará crião grande copia 
de gados vacuns e cavallares. 

Do que gasta cada hum dos Bispos na sua Diocese me refiro ao que já disse 
do Arcebispo da Bahia. 



aa 



('idade de S. Schasliam dn Rio df Janeiro. l-'ní elevMtla ii Igreja da Cidade 
lio lUn tic Jnnviro a ('.uihotml no nium Av lõyt* pelo INiiuilice liinocencio XI e u 
hcu piiincíri) Hihpn Ini />. ,\/it»iu-l {'cima. 

Tcni cHtc HiiiPfulo (iu coii^riin hiiiuiiiI hum conto de rciíi, ciitraiiiio iic«la 
i|iiaiitía Ho cru/iuíoH para c»ti)i)laft e i3m cru/adoM parn u congrim de «cua ofli- 
ciacf*. Tem inaiii mIciii do iclcri I ... - ,,,|_ 

lUiiiliticDiu ao Viitario (iornl c <m mIí- 

mciitc incerto i) «ui io mil cru/ i ic» 

uue tonioi. A ajudii dv cilHto que He deu ao uIhí />. /*>-. A" >ua- 

aiilupe foi lie hum cont»i tie rein paj;o.s ne»ia ( . inai» o .; por 

ajuda do cuiito parn conip('ir a Hua caHa a tripartiu il" icndimcnir» da Sc vacunte, 
rcpartindo-Mc <> dito rendimento huma parte an HuIIuh, outra para o Hi»po e 
outra para as ohms tia Sé. 

Na Cidade do Rio de Janeiro hn C.ollcgio da ('ompunhia de Jckus, Convento 
de (".arniciiias ilescalçriH, de Kranci*canf»H, de Capucho» c de Hcnto» c de todo» 
exieN riligíoNOH ha Convento* nu Cidade d« S. Paulo, na Villa de Santos e na 
Capitrtnia do Kiipirilr) Santo. 

Na Ilh.\ (irando e na Ilha de S. Seliaminm, Taiil ' Vi ' ' ',, mcitmo 
MiHpado lio Kii. de Janeiro ha Cnnvcnios de S. I'r;i no» nu- 
merosos e na Nosa Colónia do Sacramento ha C; .. . ; .., le Jcnut, 

como também cm Porto Senuro, que no cnpirituai purtctice ao Hinpado do 
Rio de Janeiro c no temporal ae governo da linhia e em todo o Kispado do 
Ui(>de Janeiro ha mnitnn aldóas c residência» cm quc assistem religiosos c nas 
mais delias Padres da Companhia. 

O clima do Rio de Janeiro he o mais exccllentc de todo o Brazil, como 
também o de todas as Capitanias que comnrehende este graiulissimo llispado, 
excepto no novo descobrimento das Minas de Cunaz chatnado dos Tocantins em 
que nouve uma epcilemia mui semelhante á peste. 

O seu terreno hc fertilissimo e mui abundante de todos os géneros comestí- 
veis e produz ijraiidissima copia de ouro, diamantes e mais pedras preciosas, 
que continuamente estão entrando neste Reino, com invejo de todas as nações. 

Do que pasta cada hum dos Bispos na sua Diocese me refiro ao que já 
disse do Arcebispado da Bahia. 

Kstado do Aíaranliáo. Vn\ erecta a Igreja da Cidade de S. Luiz do Maranhão 
em Cathcdral no anno de Knô pelo S. Pontífice Innocencio XI, sendo seu pri- 
meiro Bispo I). Fr. António de Santa Maria, que não chegou a passar áquelle 
estado ; o 2" na ordem, mas o i* que a ellc passou, foi D. Gregório dos Anjos. 

Tem o Bispado do Maranhão de côngrua hum conto de reis, entrando nesta 
mesma quantia Mo cruzados para esmolas e i4o cruzados para as côngruas de 
seus ofiiciaes, em que me parece entra o Provisor e Vigário Geral que certa- 
mente tem. Poderá ter de rendimentos incertos kx) cruzados. 

A ajuda de custo, que se deu ao ultimo Bispo D. Fr. José Delgaste foi de 
4ix) cruzados pago» nesta Corte, com a declaração de que não fazia exemplo. 

Tem mais o dito Bispo por ajuda de custo para comporá sua casa a tripar- 
lita do rendimento da Sc vacante na forma referida nos mais Bispados. 

Na Cidade do Maranhão ha 4 conventos, hum dos Religiosos de N. S." do 
Carmo, outro dos Capuchos da Província da Conceição, outro de Religiosos de 
N. S." das Mercês e o Collcgio da Companhia de Jesus com estudos de latim, 
philosophia e theologia. 

O clima da Capitania do Maranhão he mui temperado e suininamente sadio 
e o seu terreno produz huma grande copia de algodão e os campos de Piauhy, 
que lhe são annexos, produzem huma grandíssima copia de gado vacum e cavallar. 

Do que gasta cada hum dos Bispos na sua Diocese me refiro ao que já 
disse do Arcebispado da Bahia. 

Grão Pará. Vni erecta a Igreja da Cidade do Pará em Cathedral em O anno de 1720 
pelo Pontífice Clemente XI e o seu primeiro Bispo foi D. Fr. Bártholomett do Pilar. 

Tem este Bispado de côngrua hum conto de rs. entrando nesta quantia 80 
cruzados para esmolas e lao cruzados para côngruas de seus officiaes em que 
entra o Provisor e Vigário Geral c os 800 cruzados que fica vencendo o aito 
Bispado lhe são pagos a metade nos fructos da terra, que correm por moeda no 
Estado do Maranhão e a outra metade paga-se-lhe em dinheiro na Bahia pela 
folha ecciesiastica. 

O rendimento incerto poderá ser de 200 cruzados pouco mais ou menos cada 
anno se os Bispos se abstiverem de mandar canoas á colheita das drogas do 
certão e outros modos de adquirirem e quando se não abstenhão poderá render 
cada anno 4 mil cruzados pouco mais ou menos. Deu-se de ajuda de custo ao 
dito Bispo 3 mil cruzados para ornato de sua casa, por ser o primeiro que foi 
para aquelle Bispado, coin declaração que o que se comprasse com os ditos 3 
mil cruzados ficaria para a Mitra e seus successores. Teve mais 400 cruzados de 
empréstimo por conta das suas côngruas. 



34 



Tem mais o Bispo que lhe succcder por ajuda de custo para compor a sua 
casa a tripartita do rendimento da Sé vacantc, na forma já referida. 

Tem a Cidade do Fará 6 conventos, 3 de (Capuchos das 3 Provincias de Santo 
António, da Piedade e da Conceição e os outros 3 do Carmo, das Mercês c da 
Companhia. 

O clima he igual ao do Maranhão e produzem as suas terras os preciosos 
géneros do cacáo, cravo, salsa e café e he igualmente abundante de iodos os 
géneros comestiveis. 

Do que gasta cada um dos Bispos na sua Diocese me refiro ao que já disse 
na Bahia» (Doe. n.° 348). 



índia 

Bispado de Góa e Arcebispado Primando Oriente. A Sé de Santa Catharina 
de Gõa foi erecta em Bispado pelo Papa Paulo III no anno de i534; foi o seu 
primeiro Bispo D. Francisco de Mello, filho de Manuel de Mello, Resposteiro 
Mór do Sr.""" Senhor Rei D. João o 2.° c morreo estando para se embarcar. 

D. Fr. João de Albuquerque da Ordem de S. Francisco da Provinda da 
Piedade foi o seu segundo Bispo por Bulia passada a u de abril de i537 *^ "^ 
seguinte passou a Goa, onde falleceu a 8 de fevereiro de i553. 

Foi erecta a metropolitana e Primas do Oriente pelo Papa Paulo 4.* no anno 
de 1557 a instancias do Sr."'° Senhor Rei D. Sebastião. Foi seu primeiro Arce- 
bispo D. Gaspar de Leão, a que alguns chamão Pereira; foi cónego de Évora e 
tomou posse do Arcebispado no anno de i56o e no de iSóy celebrou synodo em 
Gôa, renunciou a Dignicfade e lhe succedeu D. Fr. Jorge Temudo da Ordem dos 
Pregadores, que tinha sido Bispo de Cochim. 

Tem o Arcebispado de Gôa 12 mil xeratins de côngrua annual que fazem 9 
mil cruzados e tem o mesmo Arcebispado seu Provisor e mais Ministros e offi- 
ciaes da Sé Primacial, de que se paga annualmente na folha ecclesiastica 8 mil 
xerafins cada anno, que fazem 6 mil cruzados. Tem de rendimento incerto 3 mil 
xerafins annualmente que fazem a importância de 900 mil reis, segundo as in- 
formações particulares, que procurei nesta matéria. 

Tem mais o Arcebispo que succeder por ajuda de custo para compor a sua 
casa a tripartita do rendimento da Sé vacante, tirando-se do monte maior o gasto 
das Bulias e as duas partes, huma para o Bispo e outra para as obras da Sé. 

Não consta nesta Secretaria, que as ajudas de custo dos Arcebispos se dêem 
por esta repartição, mas sim pelo Conselho da Fazenda por onde se pagão tam- 
bém as dos Ministros seculares, que vão para a Relação d'aquelle Estado e na 
provisão que se passou ao Arcebispo actual D. Ignacio de Santa Tliere-{a, para 
o vencimento da sua côngrua e ordenados dos mais Ministros ecclesiasticos da 
sua Sé se acha posta huma verba em que se declara que por provisão de 1 3 de 
fevereiro do anno de 1721, passada pelo Conselho da Fazenda ordenou V. M. ao 
Thesoureiro da Casa da índia desse ao dito Arcebispo 2 mil e 3oo cruzados por 
conta da côngrua que hevia de vencer no Estado da índia. 

Ha na Cidade de Gôa 3 conventos da religião de S. Domingos e tem mais a 
mesma religião hum em Damão, outro em Dio, outro em Chaúl, outro em Ba- 
çaim e outro em Caranjá. 

Tem os Religiosos da Campanhia de Jesus hum Collegio, hum Seminário, 
huma casa professa e huma residência em 5. Paulo o Velho. Tem mais os mes- 
mos Religiosos hum Noviciado do Chorão e Rachol, em Chaúl e Baçaim, e em 
Taná, em Damão, em Dio e a residência de Bandorá. 

Tem os Gracianos em Gôa hum convento, hum Collegio e hum Seminário, 
outro em Chaúl, outro em Tanã, outro em Baçaim e outro em Damão. 

Tem os Franciscanos hum Convento em Gôa, outro em Chaúl, outro em 
Baçaim e outro em Trapos. 

' Tem os Religiosos de S. João de Deus em Gôa hum Convento, outro em 
Damão, outro em Dio. Tem mais no norte outro Convento e hum Seminário. 

Tem os Capuchos em Gôa 3 conventos, tem outro em Chaúl, outro em 
Tanã, outro em Dio, outro em Damão e outro em Trapos. 

Tem a Congregação do Oratório de S. Filippe Nery duas casas em Gôa. 
Ha na mesma Cidade de Gôa hum Convento de Freiras Monicas. 

O clima da Ilha é mui sadio, exepto aonde chamão a cidade velha, que ao pre- 
zente se acha quasi deserta pelas repetidas doenças, que nella se experimentavão; 
o seu terreno he fertilissimo e abundantíssimo de todos os çeneros comestiveis. 
Parece-me não gastão cousa alguma os Arcebispos de (jòa na sua Diocese. 
Arcebispado de Cranganor e Serra. Foi erecta a Igreja de Cranganor em o 
anno de i6o5 com o titulo de Arcebispado pelo Papa í^aulo V, transrerindo-se a 
ella de Angamale. 



pa 



35 

Foi o Hcu primeiro ArccbiNpo />. h'ia»ci»co Rodriguc» lia Companhia de 
JcHUK, que foi Nii^niilo liitipo de All^lllllíllc etii ('m)| |V)r Hulla de Cleiíiciite VIII e 
4 iiiiiioH ílepiii» tiuulaiiilo u Cranganuv a (latlieilrul o l'upu Paulo V itic deu a 
iliftuiiiailu lie Arcchinpo. 

'fem cMte ArcebtH|nuio de côngruo nnnual i mil cruzado», pago* nu l-citoria 
lie Damão. 

Níio MIC consta lenha remliniento incerto, como tutnbcin I'rovizor c »/<- 
mente consta haver hum Arceiliago do dito Arccbiupo, que me parece lhe po- 
derá nervir de Provizor e vence eate de nua ordinária annualmente l5o xerahn», 
que fa/cm quarenta c cinco mil reis. 

Não couHia lia ajuda de cuhií), que hc dente por eHtn repartição do Conielho 
Ultramarino a esteH ArcebispoH c aHHÍni me parece lhe poderia ter dada pela 
repartição do (Conselho cia l'ii/enda. 

O clima deste Arcebispado he muy Radio e igualmente fértil. Neste Arcebis- 
do assistem somente Heligosos da Companhia. 
liisrjjn iic Cdcliim. Noanno ile if»?; foy erecta a Cathedral de Santa Cruz 
do Cocnini pelo Pana Paulo IV a instancia do Sr."' Sr. Rey I). .Sebaitiam. 

Aos Bispos de ('.ochim se concedeo por Bulia de Gregório VIII em o anno 
de 157a, que no caso que vaj^ue a Primasiul de Gòa a vúo governar, deixando Go- 
vernador na Igreja de Cochim. 

l''oy o seu primeiro Bispo D. Fr. Jorge Temudo, da ordem dos Pregadores e 
loy sagrado a 4 de fevereiro de i558. 

Tem este Bispado de côngrua 3833 xcrafins, huma tanga c 40 reis, que fa- 
zem 8.S0 reis da moeda deste Keino, a saber ao<j mil reis de dote do Bispado e 
G3o mil reis de acrescentamento que tudo se lhe paga annualmente. 

Não consta tenha este Bispado Provisor, nem rendimento algum incerto, 
nem de ajuda de custo por esta repartição do Conselho Ultramarino, o que per- 
tence ao Conselho da Fazenda e Casa da índia. 
O seu clima he mui sadio e egualmcnte fértil. 

Biscado de Meliapór ou S. Tliomé. No anno de iG<j6 no Pontificado do Papa 
Paulo V SC eregio esta Cathedral com o titulo de S. Thomé, por nella estar o 
corpo deste Santo Apostolo, como diz a Bulia da sua erecção. 

Foi o seu primeiro Bispo D. Frei Sebastião de S. Pedro, da Ordem de 
S. Agostinho. 

Tem este Bispado de côngrua 83o mil reis de côngrua annualmente, impostos 
na I^eitoria de Damão. 

Não consta ter este Bispado Provisor, nem rendimento algum incerto por 
serem Bispos Missionários e da ajuda de custo deve constar no Conselho da 
Fazenda e Casa da índia. Também me não consta do seu clima. 

Bispado de Nankim. Não me consta do tempo da sua erecção, nem quem 
foi o primeiro Bispo. 

Tem este Bispado de côngrua annual 85o mil reis impostos na Feitoria de 
Damão, a saber 200 mil reis de dote do Bispado e 65o mil reis de acrescenta- 
mento. Não tem Provisor, nem rendimento incerto por ser Bispo Missionário. 
I"orão dados a este Bispo de ajuda de custo pelo Conselho da Fazenda 4 mil 
cruzados, como consta de hum aviso do Secretario de Estado Diogo de Men- 
donça Corte Real, que se acha registado nesta Secretaria, e por decreto de V. M. 
de 3o de setembro do anno de 1719 lhe forâo dados mais 200 mil reis de ajuda de 
custo por esta repartição do Conselho Ultramarino. 

Os Religiosos que ha neste Bispado são somente os da Companhia e da Pro- 
paganda. 

O seu clima he bom e summamente fértil. 

Bispado de Pekim. Não consta da sua erecção, nem de quem foi o seu pri- 
meiro Bispo. Tem de côngrua este Bispado annual 85o mil reis, a saber 200 mil 
reis de dote c 65o mil reis de acrescentamento. 

Não tem provisor, nem rendimento incerto por ser Bispo Missionário e 
também não consta de ajuda de custo, que se lhe desse, o que pertence ao 
Conselho da Fazenda e Casa da índia. 

Tem os Religiosos da Companhia de Jesus em Pekim hum Collegio e huma 
casa de residencm ; ha outra casa de Padres Francezes e huma da Propaganda. 
No demais do império da China tudo são Missões e residências dos Religio- 
sos da Companhia de Jesus, aonde havia muitas e boas Igrejas, que se lhe con- 
fiscarão. O seu clima he bom e o seu território summamente fértil. 

Bispado de Malaca a quem pertence o Reino de Sião e Timor. A Igreja Ca- 
thedral de N. Senhora da Assumpção de Malaca foy erecta pelo Papa Paulo IV 
no anno de i557, a instancia do Sereníssimo Sr. Rei D. Sebastião. 

Foi o seu primeiro Bispo D. Frei Jorge de Santa Lu:iia, da Ordem dos Pre- 
gadores e sagrado no anno de ibbS. 

Tem este Bispado de côngrua annual 840 mil reis, a saber 200 mil reis de 
dote e 640 de acrescentamento. 



96 



Não consta de rendimento incerto, nem que tenha Provisor, nem também 
de ajuda de custo por esta repartição. 

Desde que os (Mandczes ganharão Malaca ficou residindo o Bispo cm Lifau 
na Ilha de Timor, cujo clima he doentio, mas mui fértil. Neste Bispado ha Re- 
ligiosos IJominicos, a quem pertence esta Missão. 

Bispado de Macáo. l'oy erecta em í^athedral a Igreja de Macáo com o titulo 
de Santa Maria, pelo Papa (Iregorio XIII no anno de i375, a instancia do Sere- 
níssimo Sr. Rei I). Sebastião. 

Não tenho noticia de quem foy o seu primeiro Bispo. Não consta que tenha 
rendimento incerto, nem que tenha Provisor. 

Tem esta Cidade hum CoUegio de Religiosos da Coropanhia e hum Semi- 
nário, hum Convento de Dotninicos, outro de Gracianos, outro de Capuchos 
e outro de l''rciras de Santa Clara. 

O seu clima he mui sadio e mui férteis as terras, que partem com a mesma 
Cidade...» (Doe. n.° 34g). 

AFRICA 

Illia de Santiago de Cabo Verde. Foy erecta a Igreja de Cabo Verde em 



íispado, em o anno de i333 pelo Papa Clemente V'II, no reinado do Serenissi- 
no Sr. Rei D. João o III e o seu primeiro Bispo foi D. Bra\ \etto. 



Bi 

mo 

Tem este Bispado de côngrua ánnual paga pela Fazenda Real na tolha eccle- 
siastica, hum conto de reis para o Bispo e para o seu Provisor e Vigário Geral 
e para os mais Officiaes e esmolas ; e nesta mesma forma se lhe expedem as 
Provizoens. 

Tem de rendimento incerto 800 até 900 mil reis cada anno, pouco mais ou 
menos, em três fazendas que possue na mesma Ilha, nas luctuosas dos Clérigos 
e nas condcmnações e visitas que fazem. 

Teve o ultimo Bispo de ajuda de custo 2 contos de reis pagos nesta Corte, 
como já se havia praticado com o seu antecessor. 

Ha na Ilha de Cabo Verde hum Convento de Religiosos da Piedade e tem 
os mesmos religiosos hum Hospicio em Cacheu e outro em Bissau e antigamente 
tinhão outro na Ilha do Fogo, que não se sabe certamente se ainda existe. 

O clima destas Ilhas he summamente mão e em varias epedemias, que tem 
tido a Ilha de Cabo Verde inorreu huma grande parte da gente branca que a 
habitava ; mas os seus terrenos são summamente férteis e abundão de grande 
copia de gado vacum, muitas cabras, muitos porcos e todas as castas de aves e 
de exceJlentes fructas. 

Não consta que os Bispos gastem cousa alguma na sua Diocese, antes me 
parece não gastarão nada nella. 

Ilha de S. Tliomé. Foy erecta a Igreja de S. Thomé (cuja jurisdicçâo se ex- 
tendia aos Reinos de Congo e Angola) em Bispado pelo Papa Paulo III em o 
anno de i534 a instancia do Sereníssimo Sr. Rei D. João o III e foi o seu primeiro 
Bispo D. Diogo Ovti:^ de Villegas. 

Tem de côngrua este Bispado annual, paga pela Fazenda Real na folha 
ecclesíastica, hum conto de reis para o Bispo, para o seu Provisor Vigário Geral, 
mais officiaes e para esmolas. 

Teve o penúltimo Bispo de S. Thomé hum conto de reis de ajuda de custo 
e he mui provável, que o ultimo Bispo daquella Ilha tivesse a mesma ajuda de 
custo, ainda que não acho clareza por onde lhe fosse dada. 

Não me consta a renda incerta que tem, antes me parece será cousa de pouca 
quantia, pela pobreza a que se acha reduzida a dita ilha. 

Ha nella hum Convento de Agostinhos descalços, a que neste Reino chamão 
Grillos, e outro Convento de Barbonios Italianos e tem também estes hum 
Hospicio na Ilha do Príncipe, que está sujeito ao Governo e Bispado de Cabo 
Verde. 

O seu clima he máo, como quasi todos os da Costa da Africa, mais he mui 
fértil. Do que gasta cada hum dos Bispos na sua Diocese, me refiro ao que já disse. 

Reyno de Angolla. A Igreja de Santa Cruz do Reino de Angolla foy erecta 
em Bispado no anno de i5yt) pelo Papa Clemente VIII e foy até tempo da juris- 
dição do Bispo de S Thomé, de que se desmembrou e foi o seu primeiro Bispo 
D. Fr. Miguel Rangel. 

Tem o Bispado de Angolla de côngrua annual hum conto de reis cada anno, 
entrando nesta quantia a despeza do seu Provisor e Vigário Geral, que certa- 
mente paga, ainda que se não faça expressa menção desta despeza na Provizão 
que se lhe passa para o vencimento do conto de reis. 

Não consta que os dous últimos Bispos de Angolla tivessem ajuda de custo, 
mais que tão somente o empréstimo de 3 mil cruzados adiantados a Cc\da hum, 
por conta das suas côngruas. 



87 

o rClulilllCIIIO ilICCrtn llcHtC |ii»|>:i.li. h.- I.'«i. .ilinimit.. .Mil- i.ldiuilii :ilL>un« 

tiniioH 111) Itinini II tiiiiiiir pura »i i' ■>% 

C 11 lUCCIliir iloK |MClCtulclltCft Cdlli i<-> 

xuliavAo iiuiriiiuniçocnt ; c uindii u ic/crvar (uira »i u Piovt&tjtia, Ucãiiãu »u com 
o Viuiirio (ícnil. 

li ■ "■ " ' ' ' iJe Rcligintioit lia Cnmpaiihist, ouirn Jc 

Ptiti buihuiiio» Imlittito» c outro de i-'raiici«- 

CHIl" I ' 

O HCii iliiiiti lic pchHittiM v iMui c^ual uo» maí» da CoMa de Africa c o teu 
tcnuiiii iiúo hc doM iiiuím Icrtci». ilktc. ».' USo). 

348— 33o 

itAuiiiiHK) para SC cvitaiani os descaminhos cios direitos dos dez por cento 
v|uc SC pugáo \u\s AlIaiiJcgas do Bruzil». 

Lisboa, 18 de abril de 1740. (a) Wcncesláo Pereira da Silva. 

35 1 

l<Ki'UKSKNiA(,:Áo dc Wcncesláo Pereira da Silva, pedindo para se mandar 
por cm cxecuv'ão o seguinte projecto sobre o novo estabelecimento 
da renda das tef^-as do Kstado do Brazií. s. d. (17401. *^ • 

«Novo projecto para no Kstado do lirazil se estabelecer e redu/.ir a i^oa 
lorma a arrecadat;ão das tcrt;as das rendas publicas das Cidades, 
Villas e Concelhos do mesmo Kstado, assim como se pratica neste 
Rcyno; e para se cobrar o importante cabedal, que se está devendo 
pertencente a esta consignarão, applicada para as fortiticações.» 
Lisboa, -jo de abril de 1740. (a) Wcncesláo Pereira da Silva. 

353 

Carta do Conde das Galvèas, André de Mello e Castro, para o Rei Dogmé, 
queixando-sc de sua deslealdade para com o Hei dc Portugal, con- 
sentindo que Francisco Nunes Pereira arbitrariamente usurpasse 
o logar de Director da Fortaleza portugucza de Dogmé. 

Bahia, 2 de setembro de 1746. Copia. 354 

Re;.a(;áo das Camarás do Ultramar comprehendendo as do BraziL Ilhas 
de Cabo Verde e S. Thomc, Angola, Moçambique e índia. s. d. 

Tem annexu um documento. 355 — 356 

Okkicio do Vice Rçi Conde de Athouguia, informando acerca de um reque- 
rimento de Francisco Manuel da Silva, em que apresentava queixa 
contra Manuel Fernandes da Costa e João Lopes Fiúza Barreto, 
Hlho e genro de sua mulher D. Thereza de Jesus Maria, casada em 
primeira núpcias com o sargento mór Manuel Fernandes da Costa. 
Bahia, i7dc janeiro de 1753. Tem annexos 6 documentos. 

357 — 363 

Okkicio do Vice Rei Conde dc Athouguia, participando que o Provedor 
da Casa da Moeda da Bahia, Francisco Xavier Vaz Pinto man- 
dara ampliar o ediíicio e as officinas sem estar devidamente autho- 
risado e sem cumprir as formalidades e preceitos regulamentares. 
Bahia, 20 de janeiro de 1753. Tem annexos i3 documentos^ 
comprehendendo copias de vários artigos do Regimento da Casa 
da Moeda, alvarás e provisões, que lhe di^em respeito. 364—377 

Ofkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, informando acerca do reque- 
rimento do Desembargaclor João Luiz Cardoso Pinheiro, em que 



38 

pedia para accumularo logar de Ouvidor Geral do crime com ode 
Procurador da Coroa e Fazenda. 

Bahia, 2 de fevereiro de 1753. Tem annexos 2 documentos. 

378—380 

Carta do Arcebispo da Bahia, participando a Diogo de Mendonça Corte 
Real, que nomearia o Cónego Manuel Gonçalves Souto para a pri- 
meira dignidade que vagasse, satisfazendo assim á sua recommen- 
dação. 

Bahia, 18 de fevereiro de 1753. 38i 

Carta do Arcebispo da Bahia, acerca do Recolhimento Ursulino N. S.^ 
da Soledade e Coração de Jesus, fundado em 1735 por D. Úrsula 
Luiza de Monserrate e do Convento de N. S.^ da Conceição da 
Lapa, fundado por Provisão de i3 de outubro de 1733. 

Bahia, 22 de fevereiro de 1753. Tem, annexo um documento. 

«...Da parte do mesmo Senhor me ordena V. Ex.* informe com as rendas 
que tem o Recolhimento das Ursulinas de N.S.' da Soledade e Coração de Jesus. 
Mandando vir os livros á minha presença achei terem em renda dé juros de 6 
e 4 por cento 754S e tantos reis e de fazendas de raiz consistem em 3 ou 4 mo- 
radas de casas e huma fazenda que por conta do mesmo Recolhimento se 
cultiva, SioSoooreis. Segundo o juizo que fiz dos livros, poderão ter em dinheiro 
8000 cruzados pouco mais ou menos. 

Além do sobredito tem mais huns legados de pouca monta deixados em 
testamentos por cobrar. Não me consta tenhão mais rendimento algum, que se 
possa contar em património. 

Antes de passar a dar o meu parecer, como mais se me ordena, devo dizer 
que na Provisão Real de S. M. que Deus tenha em eterno descanso, lavrada a 
23 de janeiro de 1735, pella qual fez o ditto Senhor graça a D. Úrsula Luiza de 
Monserrate o poder fundar nesta Cidade ou seu subúrbio hum Convento Ursu- 
lino, declarou e ordenou, que não serião as Freiras mais de 5o e que os dotes de 
cada huma consistirião em looS reis de renda vitalícia, ficando o Convento sem 
acção de pedir maior dote, nem de succeder em bens alguns por qualquer titulo 
que fosse, outorgando-lhes o poderem receber looSooo rs. de propinas na pro- 
fissão de cada hiima, com exclusiva de qualquer outro peditório, como para peça 
de sachristia, enfermaria, etc. 

Isto mesmo havia o mesmo Senhor mandado em outra Provizão lavrada 
em i3 de outubro de 1733 a favor da fundação do Convento de N. S." da Con- 
ceição da Lapa, só com a difterença, que nesta mandou, que pello Arcebispo e 
Vice-Rei e Cabido Sede vacante, em os mesmos looSooo rs. Ao que me pareceo 
justo accrescentar, que depois de fallecida qualquer freira destes Conventos, co- 
brarião estes tooSooo rs. vitalício do anno chamado de mosto para com elles 
satisfazerem os funeraes, que mais lhes determinei e alguns gastos, que com- 
mummente se fazem mais crescidos nas doenças finaes...» 

382—383 

Carta de Manuel António da Cunha Sottomaior, participando a Diogo 
de Mendonça Corte Real, ter cumprido as ordens que recebera, re- 
lativas ao Provedor Mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado 
Serpa. 

Bahia, 23 de fevereiro de 1753. Tem annexos 3 documentos. 
1.^6 2.^ via. 384 — 391 

Representação do Conselho da P^azenda do Estado do Brazil, informando 
que da Casa da Fundição de Serro Frio tinham ido para Casa da 
Moeda da Bahia barras de ouro sem que tivessem pago o quinto 
ou o imposto de capitação e pedindo instrucçóes que regulassem o 
proceder do Conselho da Fazenda e do Provedor da Casa da Moeda 
n'estes casos. 

Bahia, 23 de fevereiro de 1753. 



30 

i: iissi finada velo Vica-Rei Presidente, Conde de Átlmu^ttia, 
Dioffo \'icira de Sonsa, Manuel de Mattos Pecado Serpa, João Ko- 
driffnes (Campelo, Francisco Marcellino de (íoiivéa e João htiseu 
de Sousa. Tem annexo o traslado de muitos documentos. 

392—393 

Oi-i-icio lio Vicf-Kcl Conde de Athoiimiia, acerca da execu(;ão da lei de 9 
de novembro de 1732, sobre as lornialidades que se deviam observar 
^os.pa^a^le^tos ilas Minas. 

Ikiliia, .:!> Jl' iLVLMeiro de it.^*^. 3^4 

()iii( 10 dl) Viif Kci (,oiuli.'de Aili()u_miia, soImi- i;ii aainenios militares. 

Bahia, 23 de fevereiro de 1733. 393 

Oiiicu) do Vice Rei Conde de Athouguia para Diogo de Mendonça Corte 
Keal, acerca das duvidas iiue se suscitavam para o provimento do 
logar de Patrão Mór da Ribeira das Naus da liahia, por se haverem 
apresentado o Capitão Tenente Manuel de Siqueira com a carta 
regia de nomeai,ão para esse logar c o Capitão Thomaz de Sousa a 
reclamar, como proprietário, o direito de nomear o respectivo ser- 
ventuário, terminado o triennio do que o estava exercendo António 
de Araújo dos Santos. 

Bahia, 27 de fevereiro de 1753. Tem annexos iG documentos e 
entre clles o atlesíado dos Capitães, Pilotos e proprietários de 



navios da Praça da Bahia. 



396—412 



Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca da execução da lei de 
21 de dezembro de 1752, que revogou a de 11 de outubro de 1751, 
sobre a forma de se fazerem nas Minas Geraes os pagamentos das 
dividas da Fazenda Real e dos particulares com ouro em pó. 

Bahia, 28 de fevereiro de 1753. 41 3 

Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, participando ter naufragado nos 
recifes da Torre de Garcia d'Avila o Hiate portuguez Santo André 
e SantAtína e as providencias que tomara sobre o caso. 

Bahia, 28 de fevereiro de 1753. Tem annexos 4 documentos. O 
Hiate procedia de S. Thomé e era seu capitão Florêncio José da 
Frota. 414—418 

Okkicio do Intendente Geral do Ouro, Wencesláo Pereira da Silva, para 
Diogo de Mendonça Corte Real, accusando varias irregularidades do 
Provedor da Casa da Moeda, Francisco Xavier Vaz Pinto. 

Bahia, 28 de fevereiro de 1753. Tem annexos 3 documentos. 

419—422 

Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, acerca do projecto do arrendamento do imposto dos quintos 
das Minas. 

• Bahia, i de março de 1753. 423 

Okkicio do Vice-Rei Conde de Athoiiguia, informando que as Minas de 
S. Félix e Trayras pertenciam á Capitania de Goyaz. 

Bahia, i de março de 1753. Tem annexo um documento. 



4 

«...Ignacio Dias da Silva, Mathias Borges Lopes e José Theotonio da Silva 
declararão que por terem assistido nas Mina<t de S. Félix e Tvayras sabem, 
que pertencem á Capitania de (loyazcs e que o Arraial de Trayras comprehen- 
de o de S. José, o de Santa Rita, Amaro Leite e dos Qtiocaes, que ficam cir- 
cumvisinhos c tem 2 freguezias de pequena povoação, mas com bastante con- 
curso de gente viandante, que para aquellas partes concorrem a S3u negocio do 
Rio de Janeiro, S. Paulo e Bahia. E que o Arraial de S. Félix comprenende o 
da Chapada, o do Cavalcanti, das Arraias e .0 de -V. S.' da Satividade, que fica 
distante da Villa dos Goyazes 180 legoas, que he a melhor povoação que ha na- 
quellas Minas pelo grande concurso de gente que a frequenta com maior ne- 
gocio e utilidaue para a Real Fazenda, sendo todos estes Arraiaes os mais flores- 
centes e de maior rendimento, que excede no seu tanto a Capital de Villa Boa, 
por ser o ouro de maior toque c opulentos os seus moradores...» (Doe. n. 42 5). 

424—425 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, referindo-sc ao fallecimento do 
Director da PYMioria de Ajuda Luiz Coelho de Brito e á necessidade 
de prover promplamente aquelle logar. 

Bahia, i de março de 1753. Tem annexo um documento. 

«Hum navio dos do numero e navegação da Costa da Mina, que veio de 
Ajuda, me trouxe carta do Tenente da l'\)rtaleza, que alli temos em que me dá 
a noticia de ter tallecido em 21 de setembro o Director Líí/jj- Coelho de Brito, 
que poucos mezes antes tinha tomado posse daquelle emprego. Persuade-se o 
dito Tenente, que a morte se lhe originou da jornada que fez ^o legoas para 
terra dentro a cumprimentar na sua Corte o Daomé, de quem foi tão bem rece- 
bido que o dilatou muitos dias na sua companhia, porem quando se recolheu á 
Fortaleza vinha já tão enfermo, que não durou mais 48 horas e com tal pertur- 
bação de cabeça, que com trabalho se confessou, mas não me pôde escrever para 
me informar do que tinha resultado das conferencias que teve com aquelle po- 
tentado sobre as matérias que lhe mandei propor...» 

426 — 427 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, ein que se refere aos contra- 
tadores dos contratos do sal e do tabaco. 

Bahia, i de março de 1753. 428 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, participando ter arribado á 
Bahia com grossa avaria a Náu N. S.^ do Monte Alegre, sob o com- 
inando de António de Brito Freire, tendo morrido a bordo durante 
a viagem o general de Batalha Luiz Pierrepont e o Tenente Coro- 
nel San-Martin. Informa acerca das providencias que tomara para 
o concerto da Náu e para arranjar outra embarcação que condu- 
zisse ao Reino os passageiros. 

Bahia, i de março de 1753. Tem annexos 6 documentos centre 

elles a relação dos officiaes militares que iam, para o Reino em goso 

de licença. 429 — 435 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca das explorações de dia- 
mantes no Rio Jequitinhonha e Rio das Contas. 

Bahia, i de março de 1753. Tem annexos 4 documentos. 

436 — 440 

Carta do Desembargador João Eliseu de Sousa, para Diogo de Mendonça 
Corte Real, participando-lhe ter chegado á Bahia e queixando-se 
da insufficiencia dos seus vencimentos, pede para ser provido no logar 
de Ouvidor Geral do Civel. 

Bahia, i de março de 1753. 441 



I 



4f 

Onicio d«) (lliatUL-lki da Kclnçóo, para Diopo de MciuI-mis.í Clòric Hcal, 
acerca ila anilvuia da Náu ^V. .V.» iio Monte Alcf(rc\di) Capitão An- 
tónio de Miito Freire, a que jú se reteremos documentos ns. 429 
a 4:^3. 

Bahia, 3 de março de 1733. Tem annexos d documentos. 

442-448 

9 

OiKicio do iiiiendeiHf Cjeral do ouro, Wcncesláo Pereira da Silva, para 
Diogo de Mendonça Corte Keal, acerca do projecto de arrenda- 
mento do imposto do quinto sobre o ouro das minas. 

Bahia, 2 mar^o de 1733. Tem annexos .^ documentos e entre 
estes os pareceres do Intendente (icral do Rio de Janeiro. João Al- 
vares Simões, do Intendente da (.'asa da 1'iindiçáo de Jacobina, 
Luiz. de 'Távora Preto e do Ouvidor da Comarca de Jacobina o 
Desembarf^ador Manuel da Fonseca Brandão, i' e 2* vias. 

449—460 

Carta do Provedor M«')r da Fazenda, Manuel de Mattos Pegado Serpa, 

participando a Feirei 1). José ter tomado posse do seu logar em i3 

de janeiro e ter já Hxado a sua residência nas casas da Provedoria. 

Bahia, 2 de março de 1753. 461 

OiKicio do Provedor Mor da P\azenda, Manuel de Mattos Pegado Serpa, 
acerca da arribada da Náu N. S.=^ do Monte Alegre, do Capitáo 
António de Brito Freire, informando das providencias que ordenara 
para a reparação das avarias que trazia. 

Bahia, 2 de março de 1753. Tem annexos 3 docuyncntos. 

462—463 

Okficio do Vice Rei Conde de Athouguia, participando a chegada á Bahia 
dos navios da frota, commandada pelo Capitão de mar e guerra, 
Gonçalo Xavier de Barros Alvim e informando que a falta de chu- 
vas estava produzindo grandes prejuizos na agricultura e ameaçando 
uma terrivel crise de fome. 

Bahia, 2 de março de 1753. Tem annexo um documento, rela- 
tivo d arribada ao Rio de Janeiro da Ndu N. 5.= da Piedade. 

466 — 467 

Carta do Desembargador Francisco Marcellino de Gouvca, para Diogo 
de Mendonça Còrte Real, participando ter cumprido as ordens que 
recebera sobre um determinado serviço, 

Bahia, 2 de março de 1753. Tem annexo um documento. 

468—469 

Carta do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Còrte Real, com- 
municando-lhe que nomearia o seu recommendado. Cónego Ma- 
nuel Gonçalves Souto, para a primeira dignidade que vagasse na Se'. 
Bahia, 2 de março de 1753. 470 

Carta do Ouvidor Geral do Crime, João Luiz Cardoso Pinheiro para 
Diogo de Mendonça Còrte Real, agradecendo-lhe a sua nomeação e 
queixando-se de lhe ter sido tirada a propriedade da Superinten- 
dência dos tabacos. 

Bahia, 2 de março de 1753. 471 



42 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, remettendo uma carta de João 
Rodrigues Pereira Serpa para Sebastião Alvares da Costa, na qual 
se diz ter apparecido nas Minas do Fanado um operário ferreiro que 
affirmava ter descoberto o segredo do fabrico da Folha de Flandres, 
como provava pela amostra que apresentara e que se tratava de 
fornecer ao mesmo individuo os utensílios por elle requisitados 
para realisar o seu invento. 

Bahia, 2 de março de 1753. Tem annexa a carta, coma amos- 
tra da folha, na qual se não refere o nome do operário e apenas 
se di{ ter 28 annos e ser natural da Ilha das Flores. 472 — 473 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 

Real, relatando os conflictos que o Desembargador Diogo Vieira de 

Sousa frequentemente tinha com os seus CoUegas da Relação e 

especialmente com o Desembargador Raymundo Coelho de Mello. 

Bahia, 3 de março de 1753. 474 

Representação de Matheus Dias Ladeira, dirigida ao Rei, expondo varias 
queixas contra o Capitão Ignacio da Luz, por factos por este pra- 
ticados em detrimento da Fazenda Real, indicando as testemunhas 
que poderiam depor na devassa a que se procedesse. 

Villa do Bom Successo, 3 de março de 1753. 475 

Officio do Intendente Geral do ouro, Wencesláo Pereira da Silva, quei- 
xando-se da falta de dinheiro para o pagamento dos ordenados dos 
funccionarios da Intendência e da perturbação que este facto pro- 
duzia nos serviços. 

Bahia, 3 de março de 1735. Tem annexos 3 documentos e entre 
elles a provisão do Conde de Athouguia, nomeando Simão Gomes 
Monteiro, Escrivão da Intendência Geral da nova cobrança dos 
quintos do ouro da Bahia. 476 — 479 

Officio do Intendente Geral do ouro, Wencesláo Pereira da Silva, para 
Diogo de Mendonça Corte Real, acerca das diligencias a que pro- 
cedera para a averiguação dos descaminhos e irregularidades nas 
cobranças, e pagamentos do Donativo Real estabelecido na Cidade e 
Capitania da Bahia em 1727. 

Bahia, 3 de março de 1753. Tem annexos 4 documentos. (V. 
does. ns. yi2 a 722). 

«...Em o anno de 1727 veio carta de S. M. expedida em 6 de abril do mesmo 
anno, para os Povos desta Capital contribuírem com hum grosso donativo para 
os casamentos dos Sereníssimos Príncipes e ofterecerão logo três mílhoens, 
pagos em 20 annos, á razão de ido mil cruzados por anno, tirados dos efteitos 
arbitrados e declarados no termo que se fez deste estabelecimento, continuado 
em 3o de junho do dito anno. 

Immediatamente se passou logo á execução desta diligencia, que me foi 
commettida e conferindo-a repetidas vezes com os Officiaes da Gamara e os 8 
árbitros adjuntos, nomeados pelos Povos^ como seus procuradores, depois de 
feitas todas as averíguaçoens e dispoziçoens necessárias para o regularem e 
acertarem os meios, se assentou por todos uniformemente, que a Cidade da 
Bahia e seu termo contribuiria em cada hum anno com 1 10 mil cruzados, tirados 
dos géneros seguintes. 

A saber na cai-ne de i>acca se ímpoz 160 rs. por arroba, regulando-se que se 
poderião gastar cm cada hum anno 12 mil bois e produzir 42 mil cruzados. Na 
agoa ardente da terra 80 rs. por canada e gastando-se mil pipas em cada anno 
renderia 12 mil cruzados. No a:^eite da balèa a 80 rs. por canada e gastando-se 
mil pipas em cada anno, renderia outra tanta quantia de 12 mil cruzados. No 
aceite doce a 600 rs. por barril, produzirião 6 mil cruzados. Pelos negros trazidos 



43 

>lil *.l■.^lll tl;| Miiiil |'ilf;iirÍflO XCUK JonOH 3 mil in. |'<M tail.i iiiiiii, U produ/iri.Ki iiuli-^ 

uniios p(ir (iiiiroH 411 mil cru/ados cuJa utiiKi, o que tudo fariu a importuncitt do» 
ditoK 110 mil cru/adoH piomcitiilos. 

O» povo» diiH Villas c lo|jarcH ila Comarca detta Cidade c mais Capitarhaii 
umu'xuN a chic governo, ticuriao obrigudon a contribuir com Hixt mil cruzado», á 
ra/íio ilu 4(1 mil cruzado» em cadu anuo, tirados doi gcncrut ou pelo» meios que 
lhes |iarcccssc. 

(.niicluída assim esta dcstribuição c forma da cobrança estabelecida, com 
huma relação liellu, dei coiitn a S. M. que toi servido aprovala como consta da 
carta copiada a tis. iili e a experiência mostrou depois que foram também dis- 
postas as coMsas e tomadas as medidas, que sahiráo certas as contas c confirma- 
da» UH espcraiiçus do rendimento promettido, complctando-se os parlamentos 
estipulados nos primeiros lo annos sefíuintes. Mas passados estes, em que corrco 
direito a arrecadação, remilaila pela (orma antif{a, que fica ponderada, foi haven- 
do descuido nella e os Otliciaesda (gamara entrarão a alterala e introduzir nova 
mudança, com a qual se converteu cm dezordem, foráo minurando considera- 
velmente o» pagamentos e havendo grandes descaminhos que averiguei c decla- 
rarei por capítulos separados, para melhor clareza, na forma seguinte...» 

480 — 484 

OiKicio do Intendente Geral do ouro, Wencesláo Pereira da Silva, acerca 
da exportarão do tabaco para o Reino. 

Bahia, 3 de março de \jib.Tem annexos 2 documentos. 485 — 487 

Okkicio do Intendente Geral do ouro, Wencesláo Pereira da Silva, cen- 
surando o procedimento do Provedor da Casa da Moeda, Francisco 
Xavier Vaz l^into a respeito dos incidentes que se davam com o ouro 
que entrava na Casa da Moeda e sobre que havia duvida de ter ou 
não pago o respectivo quinto nas Casas de Fundição, por onde pas- 
sara e ainda por elle se negar a receber o ouro proveniente das to- 
madias a favor da Fazenda Real. 

Bahia, i5 de março de 1735. 488 

RrpresentaçÁo do Provedor da Casa da Moeda, Francisco Xavier Vaz 
Pinto, e a resposta que á mesma deu o Desembargador Intendente 
Geral do ouro e a resolução do Conselho da Fazenda da Bahia, 
acerca das duvidas que se suscitavam sobre o pagamento do quinto 
do ouro, que dava entrada na Casa da Moeda. 

Bahia, 9 de janeiro de 1753. (Copia annexa ao n. 488). 489 

Representação do Desembargador Intendente Geral do ouro, Wencesláo 
Pereira da Silva, queixando-se ao Conde Vice Rei do Provedor da 
Casa da Moeda se negar a receber em deposito o ouro confiscado 
para a Real Fazenda. 

Bahia, i3 de novembro de 1752. (Copia annexa ao n. 488}. 

490 

Informação do Desembargador João Eliseu de Sousa acerca da queixa apre- 
sentada em juizo por D. Thereza de Jesus Maria, contra seu segundo 
marido Francisco Manuel da Silva. 

Bahia, 16 de março de 1753. Tem annexos 7 documentos, e 
entre elles o auto da inquirição das testemunhas sobre os factos 
arguidos. 491 — 498 

Carta do Arcebispo da Bahia acerca do Recolhimento Ursulino de N. S.* 
da Soledade e Coração de Jesus e do Convento de N. S.^da Concei- 
ção da Lapa. 

Bahia, 27 de março de 1753. 499 



44 

Lista de todas as recolhidas, educandas, servas e escravas do Recolhi- 
mento de N. S." da Soledade c Coração de Jesus da Bahia. S. d. 
(1753). (Annexa ao n. 4()()). 5oo 

Okficio do Vice Rei Conde de Athouguia, participando ter mandodo tirar 
copias authenticas do Livro dourado da Relação e dos diversos as- 
sentos n'ella tomados, para servirem de norma na Relação do Rio 
de Janeiro. 

Bahia, 27 de maio de 1753. Tem annexo um documento i^ e 2" 
vias. 5o 1 — 504 

Okficio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca da remessa de moeda pro- 
vincial expressamente cunhada para a Capitania de Pernambuco. 
Bahia, 28 de março 1753. i^ e 2^ vias. 5o5 — 5o6 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, informando que o Provedor 
da Casa da Moeda se recusara a receber o ouro proveniente da 
Casa da Fundição de Jacobina e pertencente á Fazenda Real, deso- 
bedecendo ás suas portarias e resoluções do Conselho de Fasenda, 
em que se ordenava que esse ouro, producto do imposto do quinto, 
alli fosse depositado, até ser enviado para o Reino. 

Bahia, 3i de março de 1753. Tem annexos ^documentos e entre 
elles a certidão de alguns capítulos do Regimento da Casa da Moeda 
da Bahia. Soj — 5i5 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, participando-lhe que tinha levado para a Bahia, como Ca- 
pellão, o Padre Fr. Francisco das Chagas, Frade observante da 
Custodia da Ilha de S.Miguel e consultando se o podia conservar em 
sua companhia ou o devia enviar para o Reino, em cumprimento 
da ordem regia a que se refere o documento seguinte. 

Bahia, i de abril de 1753. 5i6 

Portaria do Conselho Ultramarino, determinando que recolhessem ao 
Reino todos os Frades de Portugal que estivessem no Brazil. 

Lisboa, 20 de novembro de 1^52. Copia. (Annexa ao n. 5 16). 617 

Licença concedida por Fr. João da Torre, Commissario Geral da Ordem 
menor de S. Francisco, ao Padre Fr. Francisco das Chagas, Pre- 
gador jubilado, Commissario do Santo officio. Penitenciário geral 
da Ordem e ex-Diffinidor da Custodia da Conceição Immaculada 
das ilhas de S. Miguel e Santa Maria, para acompanhar, como 
Capellão, o Vice Rei do Estado do Brazil Conde de Athouguia. 

Madrid, 22 de agosto de 1749. Em hespanhol.( Annexa ao n. 5i6). 

5x8 

Certidão do passaporte do Conde de Athouguia e sua família, na sua 
viagem para a Bahia, datado de 29 de outubro de 1749. [Annexa ao 
n. 5 16]. 519 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia participando ter arribado á 
Bahia a Náu franceza Diana. 

Bahia, 11 de abril de 1753. Tem annexo o traslado do auto da 
diligencia a que o Vice Rei mandara proceder acerca da referida 
Náu. 520—521 



45 

(^AKiA do Mcstru de Campo du Coiuiiiista João da Silva Guimaries, nur- 
ticipniido a descoberta de umus minn» de prutu no sertão contíguo 
ú Oidude da Huliia. 

Sertão do Parníassu, 12 de abril de 1753. 5'i2 

Okkicio do Provedor da Fazenda, Manuel António da Cunha Sottomaior, 
pariicipando ler mandado fazer um carreuamento de madeiras, en- 
viadas para Lisboa á ordem do Provedor dos Armazéns da Cuiné c 
Índia e tlcsiiiiadas á construc<,ão de navios. 

lialiia, i3 de abril de 1733. YVm annexos ij documentos. 

«...Iiiloriiui o <iit(> mestre ^coiiMructor da Ribeira dat Náo») que n&o tem 
noticia ilc iiutttiis propriiiH de S. M. e que as madeiras qne vecm para esta Ribeira 
são de niiittas purticulures e scnliorios...» 

523—532 

Oii icio do Vice Rei Conde de Aihouguia para Diogo de Mendonça Corte 
Real, participando ter-se aggravado muito a sua doença, o auc o for- 
Vava a pedir a sua demissão e licença para regressar ao Kcino. 
Haliia, 10 de abril de 1753. /" e i'" vias. 533 — 534 

Okkicio do Vice Rei C^ondc de Aihouguia participando ter passado licen- 
ças a alguns navios para carregarem tabaco para Angola e S.Thomé, 
obrigando-os a prestar fiança c o compromisso de não se dirigirem 
á Costa da Mina, sob pena de 6 mil cruzados de multa. 
Babia, 20 de abril de 1753. Tem annexos 3 documentos. 

535—538 

Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, informando acerca da situação 
cm que se encontravam diversos desembargadores da Relação. 
Bahia, 26 de abril de 1753. /" e 2=» vias. Vk) — 540 

Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, informando acerca do reque- 
rimento de Thomaz Velloso RebcUo, administrador da Fabrica dos 
atanados da Bahia, pedindo para ser admittido c preferido na arre- 
matação dos talhos da carne para assim poder obter mais facil- 
mente os coiros necessários para o fornecimento da referida fabrica. 
Bahia, 3o de abril de 1753. Tem annexos 10 documentos e entre 
elles os officios da Camará da Bahia, oppondo-se do estabelecimento 
da fabrica de atanados e d pretensão de Tlioma^ Velloso como pre- 
judiciaes ao commercio e aos interesses da mesma camará e da 
Fazenda. 541 — 55 1 

Duplicados dos ns. 541 c 544 a 55i. 2^ via. 552 — 56o 

Carta do Arcebispo da Bahia, acerca do assassinato de João de Araújo Ri- 
beiro Villas Boas e do conflicto de jurisdicção que se dera por causa 
do supposto autor do crime Manuel Ferreira de Araújo Novaes. 
Bahia, 2 de maio de 1753. Tem annexo um documento. 

56i — 562 

Parecer do Juiz de Fora Luiz Coelho Ferreira acerca das representações 
dirigidas ao Rei pelos proprietários dos Engenhos dos assucares, 
pelos cultivadores do tabaco c ainda pela mesa do Commercio de 
Lisboa, sobre os impostos lançados sobre os assucares e tabacos 



46 

produzidos no Brazil, sobre os fretes e cargas dos navios e ainda 
sobre o pretendido monopólio do commercio dos escravos da Costa 
da Mina. 

Bahia, 3 de maio de lySB. 563 

Officio do Vice Rei Conde de Atiiouguia, acerca do carregamento do 
tabaco nos navios das frotas e pedindo instruccões para evitar que a 
demora d'estes nos portos estivesse ao arbitrio dos capitães, com 
grave prejuizo do commercio. 

Bahia, 6 de maio de 1753. Tem annexos 5 documentos. 

564 — 569 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, remettendo a Diogo de Men- 
donça Corte Real as amostras de folha de Flandres, fabricadas por 
António Rodrigues Gomes e participando que este partia para Lis- 
boa, oude pretendia apresentar o segredo da sua descoberta. 

Bahia, 9 de maio 1753. 570 

Carta de Pedro Leolino Mariz, Mestre de Campo e Commandante das 
Minas Novas de Arassuahi, participando ao Conde de Athouguia a 
descoberta de António Rodrigues Gomes, a que se refere o do- 
cumento antecedente. 

Villa do Bom Successo, 26 de fevereiro de 1753. (Copia annexa 
ao n. Sjo). 

111."° Ex."" Sr. A esta Vijla do Bom Successo das Minas do Arassuahi veio 
do Certáo aonde he morador António Rodrigues Gomes, e me apresentou huma 
folha do tamanho de um quarto de papel ou pouco maior^ a qual parecia em 
tudo ser folha de Flandres e só tinha a differença de não ser estanhada ; repre- 
sentando-me a remettesse com toda a segurança á presença de S. M. que Deus 
guarde a cuja Real ordem queria como seu fiel vassallo revelar o segredo em 
que tinha dado de fabricar a folha como a de Flandres e que não reparassem em 
ser pequena e por estanhar porquanto a fabricava sem engenho adequado a tal 
manobra, o qual assentaria concorrendo para tal despesa a Fazenda Real quando 
assim fosse servido o mesmo Senhor. 

Duplicados dos ns. 570 e 571. 2^ via. 572 — 573 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca da exportação das ma- 
deiras do Brazil para a construcção de navios e do seu carrega- 
mento para Lisboa em náus de guerra e navios mercantes. 
Bahia, 9 de maio de 1753. Tem annexos 11 documentos. 

574 — 585 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, participando que os canarins, 
que estavam na Bahia para o fabrico da urraca., pretendiam regressar 
a Gôa e informando acerca da cultura do linho. 

Bahia, iode maio de 1753. Tem annexos 3 documentos. 

«...Pela qual (declaração) se manifesta não serem os coqueiros ou palmei- 
ras das que produzem sura para a fabrica da urraca, estarem estas em terras 
differentes ás da índia, terem os ditos índios feito muitos exames por tempo con- 
siderável em diversas partes em as palmeiras, sempre com a infelicidade de as 
acharem sem o fructo desejado para a dita fabricn e quererem ser remettidos 
desta cidade para a de Lisboa e desta para os Estados da índia...» 

586—589 



47 

Mknsac.km do Cahiiio lia Sc tia Bahia, auradcccndo ao Hei o augmcnio dflS 
coiifíiuas dos (Cónegos c Capcilucs du ntcsnia Sc. 

Hahiu, 10 de muio de 1753. K' assiffnada por /3 Cónegos. b(jo 

Ofkicio do Vice Hei ('onde de Aihouguia rcmcitcndo a copia do processo 
instaurado contra Manuel Ferreira de Araújo Novaes pelo crime de 
assassinato de João de Araújo Hibeiro Villasboas. 

Bahia, \C) de ninio de 1733. "- • 

Cahia do Chnnccllcr da Helaí;áo, Manuel António da Clutiha Sotto Maior 
para Diogo de Mendonça (^m te Heal, participando ter chegado á 
Bahia a Náu france/a Diana coniniandada pelo Capitão Laiandra e 
ter-lhe sido prestado o auxilio de que carecia. 

Bahia, 18 de maio de 1733. Sqz 

OiKirio do Intendente (íeral do ouro, Wenccsláu Pereira da Silva, para 
l)iog() de Mendonça Corte Heal, inlormando acerca das irregulari- 
dades uue encontrara na Casa da Moeda da Bahia e accusando o Pro- 
vedor Francisco Xavier Vaz Pinto. 

Bahia, 20 de maio de 1733. 393 

Ai;to da conferencia que fez o desembargador Intendente Geral do ouro 
o Doutor Wenccsláu Pereira da Silva com as guias que se acha- 
ram na Casa da Moeda da Bahia, onde entravam com as barras 
de ouro que acompanharam desde o primeiro de agosto de 1731 té 
3i de mar»;o de 1733. 

Bahia, 20 de maio de ly 53. (Copia annexa ao n. 5g3). 394 

Carta regia dirigida ao Vice Rei e Capitão General do Estado do Brazil, 

determinando que em todos os portos de mar fossem devidamente 

registadas e conferidas as barras de ouro provenientes das minas e 

confiscadas as que não tivessem pago o quinto para a Fazenda. 

Lisboa, 14 de fevereiro de 1723. (Annexo ao n. 5fj3). 393 

Ordens da Intendência Geral da Bahia, determinando que nas Casas de 
Fundição do Serro Frio e de Goyaz fossem conferidas e examinadas 
as guias das barras de ouro, que tinham sido apresentadas, em dupli- 
cado, na Casa da Moeda. 

Bahia, 26 de abril de 1753. (Annexo ao n. 5g3). 396 

Certidõrs relatando a forma como procedeu o Provedor da Casa da Moeda 
quando o Intendente Geral realisou a syndicancia que alli fora or- 
denada para descobrimento das fraudes que havia nas guias do ouro 
das minas. 

Bahia, 12 de março e 7 de abril de 1753. (Copia annexa ao 
n. 5(j3). 397 

Ofkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, informando acerca de um reque- 
rimento dos Officiaes da Secretaria do Governo da Bahia sobre a 
repartição dos emolumentos da Secretaria e a nomeação de António 
Pinheiro da Silva para o logar de OfiBcial maior, vago pela aposen- 
tação de João de Sousa de Mattos e Vasconcellos. 

Bahia, 20 de maio de 1753. Tem annexos 2 documentos, sendo 
um d'elles o auto do inquérito o que se procedeu acerca dos referi- 
dos assumptos. 398 — 600 



48 

Carta do Arcebispo da Bahia para Diogo de Mendonça Corte Real, ac- 
cusando a recepção de uma outra cm que este lhe recommendava 
Miguel Nunes da Cunha. 

Bahia, 22 de maio de 1753 601 

Requerimento do Capitão Christovào Soares Nogueira sobre assumpto de 
interesse particular. S. d. (maio de lySSj. 602 

Okficio do Vice Rei Conde de Athouguia dando conta da informação que 
recebera do Commandante das Minas Novas do Arassuahi, Pedro 
Leolino Mariz c do Mestre de Campo João da Silva Guimarães, acerca 
da descoberta das minas de prata, que annos antes tinham sido reve- 
ladas por Belchior Dias Morêa, por alcunha o Moribeca. 

Bahia, 25 de maio de 1733. Tem annexos 5 documentos e entre 
elles as copias das cartas de Pedro Leolino e Silva Guimarães, a 
certidão da analyse que se fizera ao mineiro e uma planta das minas. 

«111."' e Ex.""» Snr. Havendo dado conta a V. Ex.* de tudo quanto respeita a 
estas minas do Arassuahy e das dependências desta commandancia, só omitti 
o descobrimento da mina, que achou o Mestre de Campo João da Silva Guima- 
rães e ainda que pelo emprego em que me acho e por haver sido o primeiro 
movei daquella expedição devera tão bem ser o primeiro a fazer sciente a V.Ex." 
de tal descobrimento assim que o dito Mestre de Campo me participou a noticia 
delle ; quiz esperar primeiro a confirmação do tal aviso, porque tendo-se por 
tantas vezes divulgado por certo o descobrimento da prata da Moribeca, sem 
nunca se chegar a vei, estava quasi reduzida a fabula a tradicçáo, dessas minas; 
mas agora que a providencia vae dispondo os meios de as mostrar, parece-me 
ser da minha obrigação o dizer quanto sei nesta matéria, de que poucos haverá 
possão fallar, para que V. Ex.' com a certeza destas noticias, se persuada a crer 
ter chegado o tempo de se verem e darás providencias que lhe parecerem conve- 
nientes para hum importante e suspirado fim. 

O Aloribeca (assim chamaváo a Belchior Dias Morêa) foi o mais apotentado 
homem deste Estado cm tempo de Filippe 4°, Rei de Castella ; tinha aggregado 
a si muito gentio de diversas nações, que occupava em conquistar outros, de que 
se servia como captivos. Huma nação destas lhe trouxe humas pedras com 
signaes de prata e por este principio entrou no projecto de a descobrir, como 
com etíeito descobriu com muita conta, depois de varias entradas e explorações, 
em que achou alguns signaes de a haver; porém como não entendia de minasse 
hia governando pela direcção de hum homem, que tinha estado nas índias de 
Hespanha, o qual tão pouco tinha as experiências necessárias para abrir taes 
minas, pelo que parecendo-lhe invencível o trabalho e insupportavel a despeza 
em tal serviço, ficou quasi de todo despersuadido de o proseguir. 

Soube disto pelo que ouvi a homens antigos e ainda descendentes do Mori- 
beca, João Corrêa, que tão bem esteve no Potocy, grande alquimista e muito 
pratico em minas de prata, escreveo ao Moribeca, mandou-lhe algumas instruc- 
ções e o desenho cuja copia ponho na presença de V.Ex.', com que cobrou mais 
animo e aggregando a si o dito João Corrêa fez varias explorações, de que se 
tem visto algumas, que derão motivo a crer eslava já descoberta a mina, té que 
achando prata de conta abrio as minas de que se diz tirara quantidade deste 
metal. 

Muitos tem duvidado ser verdadeira esta tradicçáo, porém com menos fun- 
damento de discurso, pois ha certeza de que dera conta á Corte por seo pro- 
curador, o qual ou por dilatar a agencia de que lhe resultava interesse ou por 
não ser attendido nada conseguio. 

Passou á Corte o mesmo Moribeca pelo que dizem, por duas vezes : da pri- 
meira lhe não foi favorável o Conselho de Hespanha, que não cjueria em Portugal 
riqueza, que o fizesse poderoso a disputar-lhe o direito : porem o Moribeca que 
não podia penetrar este segredo instou em seus requerimentos e prometteo dar 
tanta prata como ferro podia dar Biscava; isto fez ponderar mais este ponto e 
reparando-se nas despezas que tinha feito no seo tratamento e no fomento de 
boas correspondências que tinha adquirido (cousas que se não effectuão sem 
muito dinheiro), entrarão a acreditar a grandeza do seo descoberto, que sendo 
assim lhe não pareceo conveniente deixal-o só na administração dos Portugue- 
zes ; a por cobrirem a desconfiança resolveo Elrei Filippe 4° mandar 2 Fidalgos 
nacionaes com o Moribeca, a quem despachou com grandes promessas de dis- 
tinctas mercês, sendo certo o que dizia, pretendendo deste modo fazer commum 



49 

o TlicHoiiro ilu priitu ii ambutot nac^fcii, mat que Uu llcitpunhola (ivcMc tempri 
u KtípcriíiUMuicncia. 

Já cmiiciilc o \f---i-- • - II ■ ■-•■■ I ... . I ^ . i.i.i ' vjfn 

lutiiii'» me iiAo Icii te- 

rcnciíiH nobre ii» im tia 

Hc^urlul(l Moriòcca, iiia» 0.1 jclu itacto da (^"i a 

uiniHiulc 'Ic hum criiido íIhn .im «cr «cienic dou >,ln 

Hriidn iiiiiíh Iu-I iiii hcd pr<'i .1 

quem Houbc loiíipriir 11 nua .1 1 

noite o» 3 tidalfjix» eiitrc ni, II: , t 

pnrii que quer tuiitUM mercén o (.iihocM|ii--c iii«»ini lhe iuivirtiii no 

KC artiuiva com 05 |'idal);oit. Ou lonKe verdade ou emlMiitie uii< "Ui, 

afim tie melhorar o graiif^ein, entrou o Muribeca na ultima de!»contia:i(;a c m; 
armou de cautellaH j>ara tudo. 

(lhe^altoK que foríio á «erra da Itabayana diuc anu f-- ••<:■■- ......... \- Se- 
nhorias com peH quaHÍ Mihre as minaik lia prata, que pronq ti- 
les assim que for empossado das mercês, i|ue S. M. me i' 1 _ i áo 
que nessas uíio havia iluvida, mas que primeiro devia elle mobtrur úh niiiiiii», que 
linha promettido : ultercarfio tanto sobre inito, que o Muribeca quÍ2 ante» su|eí- 
tar-se á prisão ilo que mosirai-as primeiro que fosse empoi»»ado das mercês, 
do i|ue nascerão pesailos des^oslos, entre os qiuies acabou a vida, v com ella 
ticou sepultado o descobrimento du prata até o dia de hoje. 

A noticia do referido fez crer a todos que na dita Serra ila Itabayana estaváo 
as minas da prata e tão commua e acreditada foi esta opinião, que áté os Olan- 
dezes no tempo que estiverão de posse deste Kstado, fi/eráo memoria delia em 
seo.s aiinaes ; porém examinada nos annos vindouros aquella Serra »c veio no 
cotihecimento do contrario e só se achou nella ouro e outros mctacs. 

Quem podia seguir as pisadas para o tal descobrimento era Rebello Dias 
filho do Moribccj, porém nada fez ou por desgostado d(» successo de sco Pai ou 
por que este no tempo dos seus trabalhos persuadiao das cautellas de que se 
tinha armado, tirara d<i seo roteiro as folhas que podiáo encaminhar para as 
suas minas, que he sem duvida, pelo que eu mesmo vi, se passava pela Itabavana 
e scuuindo na eiuiireitura da yiJCo/>/;ía, passava pela serrado Tiuba q dahv en- 
trando no terreno da mesma Jacobina fez alpuns exames, de que se tem achado 
vestígios; e campeando por toda a parte explorou a serra ón Acufuá, que tor- 
nou a entupir e senão pode saber o porque. Kntrou no Rio das Contas, aonde 
entre outros signaes achei os 2 marcos de pedra levantados e postos em boa 
ordem mais altos, que hum homem, ambos de pedra distincta e calçados com 
outras pedras grossas, que metterão para os segurar na cava, mas não pude con- 
iecturar o para que; agora venho a conhecer que o Moribeca poraquclle pream- 
bulo que seguio ou guiado dt) gentio natural daquellas partes, ou pela commo- 
didade de viveres ou convidado de outras esperanças, veio dar na mina que 
agora acharão. Não faltarão muitos certanistas que depois da morte do Moribeca 
.se cansarão nas diligencias daquelle descobrimento, porém sem fructo e se per- 
suadirão que as minas de prata que o Moribeca tinha promettido estavão em 
terras do gentio bravo e assim era na realidade pelo que vae mostrando o suc- 
cesso das cousas ; porq^uanto aonde se acha a nriina era terra infestada dos Ma- 
raca:{e_s e outros gentios até á serra do Orobó, os quaes conquistarão depois 
Estevão Ribeiro Barão seo tilho João Amaro; porém o Moribeca pelo seo muito 
poder campeava e entrava em toda a parte sem o niinimo obstáculo; assim o 
insinuarão a Elrei estando já este Estado na posse de seos legitimos soberanos 
e princines naturacs. 

Os Monarchas de Portugal que sempre cuidarão em assegurar a grandeza 
do seo império na base da religião passarão etticazes ordens, como V. É\.' sabe, 
para a conquista do gentio a tini de o reduzir á nossa Sancta Fé e descobrir tão 
bem os haveres que esconde o dilatado c desconhecido Paiz e por estes passos 
veio o Mestre de Campo João da SUva a dar na mina, que deo conta ter acnado.» 
Villa de N. S." do Bom Successo das Minas Novas de Arassuahy, 7 de dezembro 
de 1732. (a) Pedro Leolino Mariz. (Doe. n. 60 jj. 

6o3~6o8 



Carta do Chaiiceller da Relação, Manuel António da Cunha Sottomaior, 
para Diogo de Mendonça Corte Real, consultando-o sobre se as des- 
pezas feitas no Hospital da Misericórdia, com o tratamento e sus- 
tento dos doentes dos navios de guerra deviam ser pagas pelos soldos 
dos tripulantes ou pela verba dos soccorros. 

Bahia, 25 de maio de 175?. 609 



50 

Carta do desembargador João Eliseu de Sousa, para Diogo de Mendonça 
Corte Real, queixando-se da perseguição que lhe moviam os seus 
collcgas da Relação. 

Bahia, 25 de maio de 1753. 610 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia para Diogo de Mendonça Corte 
Real, informando-o dos temporaes que impediam a partida da frota, 
da carga que levavam os navios, do fallecimento do Brigadeiro Ma- 
thias Coelho de Sousa, etc. 

Bahia, 25 de maio de 1753. 611 

Carta de D. António Rollim de Moura, para o Vice Rei Conde de Athou- 
guia, informando-o da creação da Villa Bella da Santíssima Trin- 
dade. 

Villa Bella, i3 de maio de 1752. Copia. (Ánnexa ao n. 61 1). 

«111.""' Ex."" Snr. Do Cuiabá dei a V. Ex." conta de haver chegado aquella 
Villa e agora o farei da principal incumbência do meo governo, que he a crea- 
ção desta Villa. Para este effeito me puz a caminho a 3 de novembro e sendo a 
jornada de i3o legoas, scjgundo o meu parecer, pela qualidade do caminho, que 
he quasi todo despovoado cheguei a estas Minas de Matto Grosso a 14 de de- 
zcmoro. No rio Guaporé 8 dias distante das povoações, me embarquei em huma 
canoinha, mandando a comitiva partir por terra e rodei por elle abaixo para 
examinar a sua navegação e de caminho ver o sitio, que pelas informações que 
me havia dado o Juiz de Fora parecia mais conveniente para Villa. Com effeito 
depois de examinado e vistosos Arraiaes que ha da chapada de S. Francisco Xa- 
vier e de Sant'Anna e de considerados os mais logares, que podiam lembrar 
para este fim, me pareceo o mais próprio de todos, por ficar ao poente das 
mesmas minas, com o que as fica cobrindo da parte de Castella, ser m.uito des- 
afogado, com agoa, lenhas e madeiras perto e ultimamente por ficar á borda de 
rio navegável e tal rio, que he o mesmo qne vai ao Pará, de donde somente pode 
vir a esta terra o seo remédio, conduzindo-lhe as fazendas por preços, que 
tenhão conta aos mineiros no estado que as minas estão. 

Escolhido o sitio se doo principio á Villa a 19 de março com o nome de 
Villa Bella da Santíssima Trindade, que hade ser o orago da Matriz ; mas para 
que venha a ser não somente bella, mas villa necessita de tempo, de geito e de 
trabalho, por se achar dia e meio distante dos Arraiaes e estarem elles tão faltos 
de gente, que não chegão os brancos a 70. Da minha parte vou pondo, o que 
posso, que he a continuada assistência, que aqui faço desde janeiro, com o que 
alguma cousa vou conseguindo, não sem grande custo meo, porque desde abril 
que estou com sezoens, ainda que não tem sido de cuidado. Como pelo que 
tenho dito vai isto com vagar precisamente hade ser grande aqui a minha de- 
mora, pois me não convém largar a villa em estado, que possa na minha au- 
sência tornar ao que era dantes...» 

612 

Carta de Patrício Manuel de Figueiredo, participando ao Vice Rei Conde 

de Athouguia, ter fallecido no dia 24 de março, das 6 para as 7 da 

manhã, o Governador da Capitania da Rio de Janeiro, o Brigadeiro 

Mathias Coelho de Sousa, e ter assumido o Governo da Capitania. 

Rio de Janeiro, 6 de abril de 1753. Copia. (Annexa ao n. 61 1). 

6i3 

«Mappa geral dos navios, que em o primeiro de Junho de 1 753 fazem viagem 
na Frota da Cidade da Bahia, comboyados pela Capitania S. António, 
de que he commandante Gonçalo Xavier de Barros e Alvim e pela 
Náu da índia iV. S.^ do Monte de que he Capitão de Mar e Guerra, 
António de Brito Freire». S. d. (Annexa ao n.6ii). 

Contem os nomes dos 84 navios, que compunham a frota, os 
nomes dos capitães e a especificação da carga de cada um d'elles. 
Productos exportados : tabaco, mel, madeiras, solla, couros em ca- 
bello, farinha, assucar., etc. 614 



^- "''^%. 






SI 

Ri:pni:si;NTA(;Áo do Provedor da Cn«n dn Moeda da Rnhia, Francisco Xavier 
Vuz Pinto, cxpomio os motivos í|uc o dctcrniiiiarum a rccusar-se a 
rccclK*r na Cixsa da Moeda o ouro proveniente de tomadias ou da 
cobrança do imposto do cjuinto pura a Fazenda. 

Hahia, 'i() de maio de 17S3. Tem anncxos 2 documentos. 

Gi5 — 617 

Oii i<:io lio Vice Kei Conde; de Aiiiouguia, inlorniando Diogo de Mendon^'a 
Còrtc Heal, que o (jovernador das Minas Geraes, José António 
Freire de Andrade lhe havia reouisitado a prisão de Manuel Ba- 
ptista Landim por se ter ausentado clandestinamente do Arrayal do 
Tejuco, expondo os motivos porque não satisfizera aquella requisição. 
Huhia, 27 de maio de 1733. Tem anncxas as copias de um ofíicio 
do Governador Freire de Andrade e da queixa feita por José Al- 
vares Maciel, Administrador Geral do contracto de Diamantes. 

618—620 

Carta do Chancellcr da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior, 
acerca dos motivos que determinavam frequentemente o atrazo da 
partida das frotas, com prejuízo do commcrcio c da Fazenda. 
Bahia, 28 de maio de 1733. Tem annexos 4 documentos. 

621 — 625 

Okficio do Vice Rei Conde de Athouguia, participando o fallecimento 
do Deão da Sé, José Ignacio dos Passos Ribeiro, a checada á Bahia 
do Navio N. S.» dos Prazeres, do Capitão Manuel Caetano, a 
remessa do rendimento das terças, etc. 

Bahia, 29 de i^iaio de 1733. Tem annexo um documento. 

626 — 627 

Informação da Mesa da Inspecção da Alfandega da Bahia, acerca da ex- 
portação do tabaco e do assucar. 

Bahia, 3o de maio de 1753. Tem annexo um documento. 

628 — 629 

Okficio do Intendente Geral do ouro, remettendo a Diogo de Mendonça 
Còrtc Real, o seu parecer e o do Inspector Luiz Coelho Ferreira, 
acerca das representações dos Proprietários dos Engenhos dos Assu- 
cares c dos Lavradores do tabaco sobre as taxas impostas no Regi- 
mento da Mesa da Inspecção e no decreto de 27 de março de 1731 e 
ainda sobre a carga dos navios. 

Bahia, 29 de maio de 1753. Tem annexos 3 pareceres, todos 
lar gamente fundamentados . 63o — 633 

Carta do Provedor morda Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa, para 
Diogo de Mendonça Corte Real, informando-o de haver tomado 
posse do seu logar em i3 de janeiro ultimo e queixando-se da insuffi- 
ciencia do ordenado e dos emolumentos que percebia, etc. 

Bahia, 3o de maio de 1753. Tem annexo um documento. 

634—635 

Okficio do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior, 
informando Diogo de Mendonça Corte Real de um grave contlicto 
que se dera entre o Provedor Mor da Fazenda Manuel de Mattos 




52 

Pegado Serpa c o Juiz de Fora Jorge Luiz Pereira e o Alcaide João 
da Silveira Torres, qucixando-sc de estas duas auctoridades pre- 
tenderem exercer a sua jurisdicção dentro da Alfandega sem as devi- 
das attençócs pelo I^rovedor M(')r. 

Bahia, 3o de maio de 1733. Tem annexos 5 documentos. (V. 
ns. 676 e 677). 636 — 641 

Carta do Provedor da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa, para 
Diogo de Mendonça Corte Real, acerca do conflicto a que se referem 
os documentos antecedentes. 

Bahia, 3o de maio de 1753. 642 

Carta do Provedor da Fazenda, acerca da remessa de madeiras do Brazil 
para as obras do Paço e quintas reaes. 

Bahia, 3o de maio. Tem annexo um documento. 643 — 644 

Officio do Intendente Geral do ouro, Wencesláu Pereira da Silva, para 
Diogo de Mendonça Corte Real, dando-lhe informações acerca de 
cada um dos Intendentes das Casas de Fundição de Jacobina, Hen- 
rique Corrêa Lobato e Luiz de Távora Preto, de Villa Boa de Goyaz, 
Anastácio da Nóbrega, do Sabará, Domingos Nunes Vieira, do Serro 
Frio, José Pinto de Moraes Bacellar, de Villa Rica, Domingos Pi- 
nheiro e de Paracatú Manuel Isidoro da Silva. 

Bahia, 3i de maio de 1753. Tetn annexos 18 documentos, copias 
da cojvespondencia trocada entre o Intendente geral e os referidos 
Intendentes e ainda com os Ouvidores de Pernambuco e Piauhy, 
João Bernardo Gon:;af[a e José Pedro Henriques da Silva, sobre 
o pagamento do imposto do quinto e contrabando do ouro. 

645 — 663 

Officio do Intendente Geral do ouro, Wencesláu Pereira da Silva, pedin- 
do a approvação de varias medidas tendentes a repressão do contra- 
bando do ouro e informando acerca das Casas de Fundição, opina 
que a de Jacobina deveria ser transferida para o Rio das Contas e 
que era necessário construir uma nova Casa no Arraial de S. Feliz 
na Capitania de Goyaz. 

Bahia, i de junho de 1753. Tem annexos 5 documentos, além 
dos mappas seguintes. 664 — 669 

«Mappa do ouro que se extrahio com guias da Intendência desta Capita- 
nia de Goyaz para os portos do mar, desde o mez de julho até o 
ultimo de dezembro de \']b\^). (Atvtexo ao n. 664). 670 

«MAPPa do ouro que entrou na Real Casa da Fundição de Goyaz para se 
fundir no presente anno (de 1752) e do quinto que do mesmo se tirou 
para a Fazenda Real». (Annexo ao n. 664). 671 

«Mappa do ouro que se fundiu na Real Casa da Fundição de Goyaz, livre 
do quinto.^ no anno de 1752». í Annexo ao n. 664). 672 

«Mappa chronologico do rendimento da Casa da Fundição da Villa de 
Jacobina e das noticias principaes do anno de 1752». (Annexo ao 
n. 664). 673 



53 

Ofkicio do Vice Rei Conde de Athoumiia, para Diogo de Mendonça Corte 
Kcal, utcrcn do contlicto i|uc iiouvcra entre o Juiz de hora c o 
Provedor du l''u/.enda, n que outros documentos anteriores se 
relerem. 

Hnliia, (ide junho de 1733. Tem annexo um documento. 

674—675 

Cakta do Chanccller da Relação Manuel António da Cunha Sotiomaior, 
sobre o conllicio enire o Provedor du Fazenda Manuel de Mattos 
Pegado de Serpa e o Juiz de F«>ra Jorge Luiz Pereira. 

Bahiu, 8 de junho de 1733. i* c 2* vias. (V. ns. 636 a 641 ;. 

676 — 677 

()»•!• icio dl) Intendente Cíeral do ouro, Wenccslúu Pereira da Silva, par- 
ticipando as remessas de correspondências que fazia pela Náu de 
guerra Que Deus salve Santo António^ do mestre Bernardo Qua- 
resma. 

Bahia, 9 de junho de 1753. Tem annexos 4 documentos. 

678—681 

Carta do Chanccller Ja Relação para Diogo de Mendonça Corte Real, 
queixando-sc de um desacato praticado pelo Official de Infantaria 
ás Ordens do Vice Rei, Domingos Borges de Barros. 

Bahia, 14 de junho de 1753. Tem annexa uma noticia circum- 
stanciãiia do facto, i" e 2" vias. 682 — 685 

OiKicio do Vice Rei Conde de Aihouguia, participando que o desembar- 
gador Diogo Vieira de Sousa tora accommettido de alienação men- 
tal e que depois de praticar muitos actos de manifesta loucura 
fugira da Cidade c que sendo encontrado fora por ultimo recolhido 
no Hospício dos Religiosos Agostinhos Descalços. 

Bahia, 17 de julho de 1753. Tem annexos os attestados dos 
médicos Francisco de Sá Coutinho e Lui\ José de Chaves. 

686—688 

Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca da remessa de moeda 
provincial para a Capitania de Pernambuco. 

Bahia, 20 de julho de 1753. Tem annexo um documento. 

689 — 690 

Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça 
Còiie Real acerca da remessa de madeiras cortadas na Capitania 
dos llhéos c destinadas á construcção dos navios, 

Bahia, 22 de julho de 1733. Tem annexa uma relação das ma- 
deiras e dos preços. 691 — 692 

Carta do Chanccller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior, 
referindo-se á alienação do desembargador Diogo Vieira de Sousa 
e participando o seu fallecimento no dia 20 de julho, no Hos- 
cio dos Agostinhos e ter ficado sepultado, a seu pedido, no Colle- 
gio dos padres da Companhia. 

Bahia, 3o de julho de 1733. Tem annexos 2 documentos, sendo 
um d'elles a descripcão minuciosa da doença de Diogo Vieira de 
Sousa, /a e 2^ vias. 693 — 698 



54 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, participando a loucura de que 
fora accommcttido o desembargador Diogo Vieira de Sousa e o seu 
faliccimento. 

Bahia, 3i de juliio de \j53. 699 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia acerca do carregamento dos 
navios e da exportação do tabaco. 

Bahia, i de agosto de 1753. Tem annexos 6 documentos e entre 
elles 2 representações de José Machado Pinto. Contratador Geral 
do tabaco. 700 — 70G 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, desculpando o procedimento do 
seu Ajudante d'Ordens Domingos Borges de Barros, accusado pelo 
Chanceller de ter praticado um desacato na sala do despacho da 
Relação. 

Bahia, 2 de agosto de 1753. (V. doe. ns. 682 a 685). 707 

Officio do Intendente Geral do ouro, Wencesláu Pereira da Silva em que 
se refere á melhoria do commercio do interior, á falta de moeda, ao 
máo serviço que estava prestando a Casa da Moeda, á producção e 
progresso das minas de ouro e ao contrabando que se fazia para 
fugir ao pagamento do quinto. 

Bahia, 2 de agosto de 1753. Tem annexos 2 documentos., sendo 
um elles uma carta do Ouvidor do Piauhy João Pedro Henriques 
da Silva, sobre os descaminhos do ouro. 

«...As minas de Goyaz estão mui numerosas e cada vez se vão descobrindo 
e ampliatido mais por aquelles dilatadissimos certões, que confinâo com os de 
Piauhy e Maranhão, por onde todos me affirmáo, que são certos e inevitáveis 
os descaminhos, alguns delles procurados e commettidos de necessidade pelos 
moradores dos Arraiaes da Natividade e S. Feli:^, a quem causa muito incom- 
modo irem buscar de propósito a casa de fundição de Villa Boa, cabeça da 
comarca, para nelle reduzirem o seu ouro, ficando-lhe em distancia de 200 
legoas, com passagens de rios caudalosos e muitos cheios de gentios, negros 
fugidos e ladrões, de que não podem escapar se não associados huns com os 
outros em ranchos ou tropas grandes, ficando entretanto ao desamparo e deser- 
tas as suas lavras ou postas em poder de negros a seu arbítrio o que vale o 
mesmo. 

Estes povos pedem com muita instancia providencia ou casa de fundição ; 
e eu dissera que se lhe concedesse, com a declaração que a comarca, que he 
muito grande, se dividisse em duas, com 2 ouvidores lettrados, os quaes ser- 
vissem também de Intendentes nas casas divididas, ficando huma delias em 
Villa Boa, aonde agora existe e outra no Arraial de S. Feli:{, reduzindo-se este 
a Villa, que será a cabeça da nova comarca, accrescentada com todo o seu dis- 
tricto circumvisinho e que fizer mais commodo aos moradores e assim ficarão 
todos satisfeitos e a justiça mais bem administrada e muito melhor defendida 
a prohibição da extracção do ouro...» (Doe. n. 708). 

«...Nesta Capitania do Piauhy pela sua grande extensão quasi toda deserta 
ou pouco povoada não se pôde por modo algum vedar que por ella passem os 
desencaminhadores do ouro pelos dilatados certões que se compõem de mattos 
geraes com entradas e sabidas incógnitas e assim naturalmente se faz impos- 
sível prohibir de todo neste districto semelhantes passagens; e cuido eu que 
só na Capitania do Maranhão se poderão vedar totalmente estes descaminhos 
porque para Cidade de S. Lui^ pela parte da terra firme, seja donde_^ quer que 
fôr, ninguém pôde entrar senão pelos dous rios Itapecurú e Ignara e em se 
pondo nas bocas destes 2 rios guardas capazes que bem facão a sua obrigação, 
não he possível entrar ouro desencaminhado, sem ser visto c confiscado...» 
(Doe. n. yog). 

708 — 710 



1 



66 

Cakta lie Uodiigo lia Cosia de Almeida, Procurador da Alfandega da 
lialua, inira Plácido I''ernaiides Maciel, sobre assumpto de interesse 
pariiciifar. 

(Bahia), 22 de agosto de 1733. 711 

()i I icio lio Vice Rei Conde de Aihouguia para Diogo de Mendonça Cónc 

Kcal, acerca do Donativo imposto pela carta regia de G de abril de 

1737 para pagamento das despezas com os casamentos dos I*rincipc8. 

íinliia, iode setembro de 1733. Tem annexos O documentos além 

dos seguintes. 1 V. doe. ns, 4S0 a 4S'4). 

«III.""' c lix."*" Sur. Piirciuta ilc f* ilc ahril de 1757 Im s. M. mi^i.í.. .»i(n.iiar 
que a (lamara desta (^iilade e toilas as mais desle (jovcrno coiitrilnii»i>cni com 
hum avultado Donativo para os augustos casamentos de S. M. e da Sereníssima 
iiainlia Oatholicu e em cumprimento dessa Kcal resolução se obrigou a Camará 
desta Cidade por si e pelas mais Villas e Capitanias á satisfação de 3 milhões 
pagos em 3u annos, que se distribuirão pela torma seguinte. 

A esta Cidade e seu termo ficou pertencendo o pagamento de 2 milhõc» c 200 
mil cru/.ados pagos por iio mil cruzados cada anno e os 800 que faltáo, se 
distribuirão pelas mais camarás ila jurisdicção e todas em 40 mil cruzados an- 
nuaes e para haverem de tirar com mais suavidade dos povos, determinarão o» 
géneros, em que se havia de estabelecer o seu pagamento. 

Por cada escravo ou escrava, que viesse para este porto, de Cacheu, Cabo 
Verde, Costa da Mina, Ilhas do Principe e de S. Thomé pagariáo 2000 rs. por 
cabeça ; toda a aguardente da terra que entrar nesta cidade e seu termo e a que 
se fabrica no districto delia e se vende aquartilhada e ainda ao pé do alambique 
pague iSo rs. por canada ; cada barril de Azeite do Reino pague por entrada 
nesta Cidade õoo rs. e vindo em pipas 3o(X) rs. cada huma e por caaa arroba de 
vacca que se vender nos açougues dessa mesma Cidade se pagará iGo rs. 

Estabelecida assim a forma Ja contribuição para o pagamento dos 2 milhões 
e 200 mil cruzados, repartirão os 800 pelas Capitanias e Villas da jurisdicção 
desta Bahia. A cidade de Sergipe d'klrei com as villas da sua jurisdicção 
96.o<)<iSooo, pagos por 4.&)oS rs. ao anno. A Villa da Cachoeira 64.0008000, pagos 
por 3.200S rs. A Villa de Maragogippe 28 contos pagos por i.4(x>S rs. A Villa de 
Jagoarippe i2.<xx)So<k), pagos por i.o<x)$ rs. A Villa de S. Francisco de Sergipe 
do Conde, 24.()0O.S()oo pagos por i.2ik)S rs. A Villa do Camamú 14.oo<jSooo pagos 
por 700S rs. .\ Villa uo Cairú fi.cxxiS pagos por 3ooS rs. A Villa de Boipeba 
2.oooS(xx) pagos por io<jS rs. A Villa de Santo António da Jacobina ió.oooSckx) 
pagos por 800S rs. A Villa de .V. 5. do Livramento I2.(xx)S<kk> pagos por 6o(jS rs. 
A Capitania do Espirito Santo 4.oaoSixx) pagos por 200S rs. A Capitania de 
Porto Seguro 4.oooS<xx) pagos por 2(xjS rs. A \'illa de S. Jorge dos Illiéos 6.000S000 
pagos por 3ojS rs. cada anno, o que tudo faz completamente a importância dos 
3 milhões. 

Feita assim esta distribuição e assentada a forma da arrecadação desse Do- 
nativo pelos géneros a que se impoz, deu conta a S. M. o Conde de Sabugosa e 
approvando S. M. tudo o que se tinha obrado, se continuou na sua cobrança 
athé o presente mas com tantos e taes descaminhos, que tendo-se pago muito 
mais dos 3 milhões, ainda esses não estão satisfeitos...» (Doe. n. ~ 1 2). 

712 — 718 

Carta regia de 6 de abril de 1727 estabelecendo um Donativo para paga- 
mento das despezas com os casamentos dos Príncipes, (Annexo ao 
n. J12). 

«Vice Rey e Capitam General do Estado do Brazil, amigo. Eu ElRey vos 
Ínvio muito saudar. Por carta do Secretario de Estado vos mandei já participar 
haverem-se ajustado os preliminares dos recíprocos cazamentos do Principe meu 
sobre todos muito amaao e prezado Filho com a Sereníssima Infante de Espa- 
nha D. Maria Anna Victoria e o do Principe das Astúrias com a Infante 
D. Maria, minha muito amada e prezada rilha : e porque para se concluírem os 
ditos cazamentos mandey por meu Embaixador extraordinário o Marque:^ 
d' Abrantes e vem rara esta com igual caracter por parte de El rey Calholíco o 
Marque:; dos Balbares, Me pareceo dízer-vos que sendo preciso fazerem-se 
grandes despezas nas occasiões desses matrimónios, além do dote que tenho 
promettido á Infante minha Filha, e achando-se os vassallos deste Reino atte- 
nuados com os tributos que pagarão por occasiáo da guerra passada, de que 



56 

continuáo ainda alguns para o pagamento das tropas, que mandei conservar 
para a dcfcza dos mesmos Reynos, e sendo grandes os empenhos, em cjue se 
acha a minha Real Fazenda por cauza da mesma guerra, será necessário que 
os Povos desse Estado concorrão com hum considerável Donativo e assim sop 
servido, que logo que receberes esta carta manifesteis aos moradores desse Go- 
verno e Gamaras delle, a obrigação que lhes occorrc para se esforçarem á con- 
tribuir com hum bom donativo para com elle se supprir a maior parte das ditas 
despezas e dote, igualando este donativo o bom animo, que sempre mostrarão 
e a vontade e o amor que lhes tenho, como já experimentarão os Reys meus 
predecessores em occazióes semilhantes, sendo agora mayores os motivos pela 
occasião do cazamento do Principe deste Estado, na qual devem mostrar a sua 
lealdade e gosto, com que recebem esta plauzivcl noticia, certificando-os que 
tcrej muito na minha lembrança o zelo, com que espero me sirvo na prezente 
conjunctura...» 

719 

Carta do Vice Rei do Estado do Brazil Vasco Fernandes César de Me- 
nezes, dirigida a Elrei D. João V, acerca do Donativo para os casa- 
mentos dos Principes. 

Bahia, 3o de julho de 1727. Copia. (Annexa ao n. 'ji2). 

«Senhor. Pela Frota do Rio de Janeiro fiz presente a V. M. haver arbitrado 
3 milhões de Donativo nesta Gapitania por V. M. se servir ordenar-me, que 
devia ser considerável aquella quantia, suppostas as despezas dos casamentos 
dos nosso augustos Principes com os de Castella e dote cia Sereníssima Infante 
D. Maria. Agora represento a V. M., que depois de eleitos 8 homens bons por 
todo o povo desta cidade para com o Senado da Gamara, não só conferirem, mas 
assentarem na forma deste estabelecimento, sem vexame ou prejuízo grave destes 
moradores, se resolveo ultimamente com assistência minha na mesma Casa da 
Gamara o que V. M. verá da copia do termo que então se fez, entrando-se logo 
na cobrança deste novo imposto. 

Por muitos motivos se escolheo este meyo, não só porque se fazia suare este 
tal excesso no preço dos géneros, mas porque sendo por lançamento, como se 
fez no Donativo applicado ao dote de Inglaterra e Paz de Ulanda, çxperimen- 
tarião todos estes vassallos a desigualdade e vexação, que ainda hoje chorão, 
sem que por nenhum caminho se podessem evitar os distúrbios que causavão 
os lançadores e cobradores; além de que, sempre he menos sensível o desem- 
bolso quotidiano, que o de huma vez, pois a viuva e a necessitada e a esta pro- 
porção os miseráveis se lhes tomavão as saias e muitas vezes as roupas, com 
que se cobrião para satisfação do em que estavão lançadas e só se utilizavão 
as pessoas de respeito, que por attençáo ou motivos particulares não contri- 
buiâo á proporção da sua possibilidade. 

Em a carne se accrescentou mais oito vinténs em cada arroba para este 
donativo, não se podendo nunca alterar o preço de 640 rs., ficando desta sorte 
480 para o cieador ou marchante e os 160 para V. M., conseguindo-se assim con- 
correr a carne em tanta abundância, que a quantidade delia faça baixar o preço 
e haver occasiões (como já tem succedido) em que se compre mais barata : 
Quanto mais que os chamados marchantes, que são 5o e tantos atravessadores, 
lhes convinha trazer para a Gidade menos cabeças de gado do que se fazião ne- 
cessárias para o gasto delia, ficava ao seo arbítrio venuerem-na pelo preço que 
querião, sem que pessoa alguma tivesse repugnância ou fizesse reparo em dar 
9, 10 e mais tostões pela arroba vendida em os curraes; e como nesta resolução 
se evitarão todos aquelles excessos e prejuízos, são só os marchantes e os que 
se interessavão com elles os pouco satisfeitos. 

Em os géneros que vem da Costa da Aíina, Ilha do Príncipe e S. Thomé, 
Gacheo e Gabo Verde, se pozerão mais 2 mil rs. em cada cabeça, excesso tam- 
bém acceito, que não houve contradicção alguma. No a:^eite de peixe se lançou 
mais 4 vinténs em cada canada, advirtíndo que esta medida na Bahia faz 4 cana- 
das em o Reino e desta sorte fica sendo o imposto hum vintém em cada canada 
e o mesmo se praticou com a giritiba ou aguardente da serra. No aceite doce, 
que he o que vem desse Reino se impuzerão também 6 tostões em cada barril, 
e como no consumo de todos esses géneros poderia haver alguma fallencia se 
fez o arbítrio de sorte, que nunca deixará de chegara quantia de 110 mil cru- 
zados por anno lançados nesta Gidade e os 40 que restào para se completar a 
de i5o, com a qual se hade contribuir todos os annos athé á iiltíma satisfação 
dos 3 milhões, se repartirão com muita suavidade, como se deixa ver cm o 
mesmo termo incluso...» 



20 



57 

Ti;i(Mo da rcsolut;no que o Scnndo da Camará da Bahia tomou com 8 adjun- 
tos, para saiisla»,ão *.\o Donativo ou finta dos ires inilhóes, ijue S. M. 
niaiula cobrar para ajuda dos gastos dus dotes c casamentos dos Sc- 
renissimos Príncipes N. Snrs. 

Bailia, 3o de )unho de 1727. fAnncxo ao n. j rjl. 

/i" assignado pelo Vice Rei Vasco Fernandes César de Menc' 
;es; Jui^ de Fora e Presidente do Senado, \Vencesid(> Pereira da 
Silva, Vereadores o doronel Sebastião da Rocha Pitta, (losme de 
Moura Rollini, Diogo da Rocha de Albuquerque, Procurador Custo- 
dio Rodrigues Linux e pelos eleitos Jialthasar de Vasconcellos Ca- 
valcanti, Manuel da Silva Vieira, Miguel de Passos Dias, Manuel 
(ioncalves Vianna, Paschoal Marques de Almeida e os Coronéis 
José Pires de Carvalho, José de Araújo Rocha e José Alvares 
Vianna. 721 

Ai.vAuv rcgio de i.f de março de 1707, encarregando o desembargador da 
Helas'iu> da Bahia, André Leitão de Menezes «de cobrar e mandar 
cobrar na Capitania da Bahia e suas annexas, tudo que se devesse 
do promettido donativo para o dote de Inglaterra e paz da Olanda». 
Copia. lAnnexa ao n. ji-j). 723 

Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca do processo crime re- 
querido por Manuel José Telles e D. Maria Sehermen contra o Pro- 
curador e Mamposteiro Mor, cujo nome não refere. 

Bahia, i5 de setembro de 1753. (V. ns. 733 — 740J. 723' 

Okficio do Vice Rei Conde de Athouguia, acercada exportação de cavallos- 
para o Reino de Angola, destinados á cavallaria. 

Bahia, 17 de setembro de 1753. 724 

Okficio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca da arrematação do for- 
necimento de madeiras para a construcção das naus. 

Bahia, 18 de setembro de 1753. Tem annexos 3 documentos, 
sendo um dellcs o mappa dos preços das madeiras. 723 — 728 

Informação do desembargador João Eliseu de Sousa acerca de um desfal- 
que nos dinheiros dos defunctos e ausentes attribuido ao desembar- 
gador Wencesláu Pereira da Silva, quando Juiz de Fora, das irregu- 
laridades nas cobranças dos impostos, etc. 

Bahia, 18 de setembro de 1753. 729 

Portaria regia ordenando ao desembargador João Eliseu de Sousa que 
averiguasse serem ou não verdadeiros certos factos irregulares attri- 
buidos ao Vice Rei Conde de Athouguia, que se dizia estar inte- 
ressado na navegação com a Costa da Mina, associado com João 
Dias da Cunha, Joaquim Ignacio da Cruz e Theodosio Rodrigues 
de Faria, administradores do Tabaco. 

Belém, i de dezembro de 1752. Copia. (Annexa do n. j2f)J. 



Informação do desembargador João Eliseu de Sousa acerca dos factos a 
que se refere o documento antecedente. 

Bahia, 20 de maio de 1753. (Annexa ao n. yjqi. 7?i 



58 

Carta do desembar£'ador João Eliseu de Sousa, para Diogo de Mendonça 

Corte Real, sobre os factos a que se referem os documentos anteriores. 

Bahia, i8 de setembro de 1753. 732 

• 

Officio do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior, 
acerca da queixa apresentada em juizo por Manuel José Telles e 
D. Maria Sehermen, viuva de João Schermen, contra o Juiz de Fora 
e Mamposteiro dr. Domingos Joaquim Potte. 

Bahia, 19 de setembro de 1753. Tem annexos 3 documentos. 
ja e 2» vias. 733 — 740 

Representação do Juiz de Fora e dos Orfáos, Domingos Joaquim Potte, 
na qual pretende justificar o seu procedimento acerca do cumpri- 
mento das disposições testamentárias de Jacinto Barbosa. 

Bahia, 21 de setembro de 1753. Tem annexos 2 documentos. 

741—743 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, informando acerca do rendi- 
mento dos direitos do tabaco, exportado da Bahia nos últimos 10 
annos para a Africa, Rio de Janeiro e Costa da Mina. 

Bahia, 20 de setembro de 1753. Tem annexos 5 documentos. 

744-749 

Carta do Arcebispo (para Diogo de Mendonça Corte Real) communicando- 

Ihe ter desconfiança de que o Conde Vice Rei d'elle fizesse qualquer 

queixa e pedindo, para ser ouvido se effectivamente o caso se desse. 

Bahia, 20 de setembro de 1753. 760 

Officio do Chanceller da Relação, no qual se refere á cobrança do Dona- 
tivo para os dotes e casamentos dos Príncipes, a uma execução da 
Fazenda contra o Tenente Coronel Barnabé Cardoso Ribeiro e á 
construcção de um quartel para um novo regimento. 

Bahia, 20 de setembro de 1753. Tem annexos 5 documentos re- 
lativos aos três assumptos. jbi — 756 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca do processo crime ins- 
taurado a requerimento de Damião Pinto de Almeida contra o Sar- 
gento Mor Miguel Francisco de Araújo. 

Bahia, 22 setembro de 17Õ3. Tem annexas as copias authenticas 
do processo e de uns autos de justificação. 

ti. ..Damião Pinto de Almeida viveo sempre a lei da nobreza, sérvio nesta Ci- 
dade de Thesoureiro Geral dos Contos da Fazenda Real, he Capitão da Orde- 
nança na Companhia dos Familiares de Santo Officio, que tem os mesmos pri- 
vilégios e goza de igual nobreza que os pagos, he rico e com a estimação dos 
homens graves desta terra, por cujo motivo Miguel Francisco o injuriou gravis- 
simamente, assim pela razão da pessoa, como do lugar, occasião e do dia...» 

757—758 

Representação do Juiz de Fora e Ofíiciaes da Camará da Villa do Prin- 
cipe. Comarca do Serro do F"rio, reclamando contra os excessivos 
emolumentos que cobravam os Ouvidores e Corregedores, cujos 
abusos determinavam frequentemente queixas geraes. 

Villa do Príncipe, 17 de outubro de 1753. 760 



69 

Hi;i'I(i:si:ni AçÃo do Juiz ijc bóra c OfFiciaes du Camarada Vílla do Prín- 
cipe, Comarca do Serro do Fricj, queixando-sc do» excessos de juris- 
dÍL\â(jdos Ouvidores e pedindo providencias para obviar aos con- 
sianies conHicios i|ue por esie motivo se davam entre us diversas 
autoridades. 

Villa do Principc. 17 de outubro de 1753. 761 

Kl iMusiM a(,:a() do Juiz lie l'(>ra e (Jlliciaes da Camará da Villa do l'rin- 
cipe, Comarca do Serro do Frio, pedindo auctorisa^áo para que 
os credores do contratador dos diamantes Felisberto Caldeira Brant 
íossem pagos pelos bens aue lhe estavam sequestrados. 

Villa do Principe, 17 de outubro de 1733. 762 

Ri:prí:si:ntaçÁo de Fr. José de Santa Catharina, em nome dos habitantes 
da Comarca de Sergipe, qucixando-se das graves irregularidades 
commctiidas pelo Ouvidor dr. Domingos João Vieira e o seu Es- 
crivão Amónio de Távora da Silveira. 

Sergipe, 20 de outubro de 1753. 763 

Oii-icio do Vice Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, iníormando-o acerca da disposição do Regimento das Minas 
do ouro, que prohibia a assistência dos ourives e dos officiaes fun- 
didores nas minas do Ultramar. 

Bahia, i de novembro de 1733. Tem a ti nexos 2 documentos. 

764 — 766 

Carta do desembargador João Eliseu de Sousa, para Diogo de Mendonça 
Còrie Real, queixando-se mais uma vez das constantes perseguições 
que sortVia e accusando a falta de probidade dos funccionarios da 
Fazenda, da Camará, da Misericórdia, etc. 

Bahia, 14 de novembro de 1753. 767 

Carta do desembargador João Eliseu de Sousa, informando o Rei de serem 
falsas certas accusações feitas contra o Vice Rei Conde de Athou- 
guia, cujo caracter e zelo muito elogia. 

Bahia, 14 de novembro de 1753. 768 

Carta do desembargador João Eliseu de Souza, informando o Rei dos 
desfalques que havia na cobrança do donativo real c accusando o 
Thezoureiro Pedro Moniz de faltas graves. 

Bahia, 14 de novembro de 1753. 769 

Carta do desembargador João Eliseu de Sousa, accusando o Juiz de Fora 
Jorge Luiz Pereira, de receber dinheiro e presentes dos contracta- 
dores das aguardentes, das carnes, etc. e de favorecer os seus inte- 
resses em prejuízo da Fazenda Real. 

Bahia, 14 de novembro de 1753. 770 

Officio do Provedor da Casa da Moeda Francisco Xavier Vaz Pinto, in- 
formando acerca da quantidade de solimão que annualmente se gas- 
tava na fundição do ouro. 

Bahia, 18 de novembro de 1753. 771 — 773 



60 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia acerca do deposito do imposto 
do quinto na Casa da Moeda, que o respectivo Provedor Francis- 
co Xavier Vaz l^into se negava a receber. 

Bahia, 18 de novembro de lySS. Tem aiinexos kj documentos, 
comprehendendo copias dos officios trocados sobre esta debatida 
questão, dos diversos artigos do Regimento da Casa da Moeda, 
que regulavam o assumpto, das resoluções do Conselho da Fazenda, 
de varihs informações, etc. 774 — 793 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia participando ter recebido do 
Director da Fortaleza de Ajuda, na Costa da Mina, Theodosio Ro- 
drigues da Costa, os pannos de algodão c 2 escravos que o Rei de 
Dahomé lhe mandava de presente. 

Bahia, 20 de novembro de 1759. Temannexos 5 documentos e 
entre elles a copia de 2 cartas do Tenente Theodosio Rodrigues, 
e 2 certidões do Cirurgião Domingos António de Sousa. 

«...recebi a carta de V. Ex." acompanhada do caixote com a roupa de xam- 
bre e barrete que V. Ex.* remeteo pata entregar ao Rey de Daomé. Logo que 
receby o dito caixote puz em execução a sua entrega, sendo eu o próprio porta- 
dor, por ver hera occazião aceitada para conseguir do dito Rey a entrega da 
gente do Director João Ba^ilio, que ainda pára èm sua mão e pondo-me ao ca- 
minho em 10 de março a fazer a dita entrega, foy bem socedido em a minha 
viagem pelo recebimento que do dito Rey tive com mostras de agradecimento 
ao mimo que V. Ex." lhe mandou e recebeu e expondo-lhe a falta que nelle 
havia da entrega, que devia fazer dos cativos, que paravão em sua mão, perten- 
centes ao dito Director, promptamente me satisfes a minha proposta, entregan- 
do-me 3 negros e huma negra para o serviço desta Fortaleza e que pelo tempo 
adiante o faria entregando os mais que aparecesem, o que soced';ndo assim avi- 
zarey a V. Ex.". 

Depois de me haver recolhido a esta Fortaleza, que foi em 19 do dito mes 
de março, me veyo o Aboga, Governador deste prezidio, entregar hum negro e 
huma moíecona, dois panos de locomim, que o Rey Daomé otlerecia a V. Ex.", 
a quem ficava muito obrigado pelo mimo que lhe havia mandado e ao mesmo 
tempo pedia a V. Ex.° a sua amisade e que mostrando o tempo a boa armonia 
que havia de haver com os portuguezes que aquy viecem comerciar fosse V. Ex.* 
servido ordenar aos navios que navegão para esta Costa seja o seu porto o prin- 
cipal em que facão o seu resgate. ..Fortaleza de S. João de Ajuda, 27 de mayo 
de 1733. (a) Theodosio Rodrigues da Costa. (Doe. n. "gj). 

794—799 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca das concessões ou pri- 
vilégios de que gosavam os contratadores e donatários das Saboarias 
do Reino, rcferindo-se ás que tinham sido especialmente conferidas 
ao Conde de Castello Melhor. 

Bahia, 29 de novembro de 1753. Temannexos g documentos e 
entre elles as copias de diversas provisões regias, portarias e edi- 
taes do Vice Rei. 

« — 111."° e Ex."" Sr. Pela provizáo de 19 de abril de 175a foi S. M. servido 
declarar-me, que aos contratadores e donatários das saboarias do Reyno, que 
tem permissão de venderem sabão no Brazil, não he concedida outra faculdade, 
mais que a de poder vender livremente sem a isso se lhe pôr embaraço, nem 
elles mutuamente o poderem pôr huns á outros, nem estorvar que os moradores 
o façáo, não lhe sendo permittido género algum de estanco, nem outras algu- 
mas faculdades ou privilégios, nem se lhes detirirá quando o requeirão, ainda 
que seja com o pretexto das condições do seu contrato, cuja ordem mandei re- 
gistar nos Livros da Fazenda Real e o Provedor da Alfandega a fez publicar por 
editaes, que se fixarão nos logares mais públicos desta Cidade. 

Mas depois desta ordem, a requerimento do Conde de Caltel-mellior, dona- 
tário das saboarias, foi S. M. servido por especial resolução sua de 3 de mayo de 



61 

■ 7^3, toiíiiulit cm coiiHultu lio CoriHclho Ultramarino, que o ('onde donatário foste 
cnnHL-rviiilii miih huiih iloav'<')VH c CHtylo de iih praticar «cm alteração, que auim o 
fi/cssc eu executar...» (Doe. ti. Soo). 

800 — 810 

Cauta do Provedor M()r da Fazenda Manuel de Mattos Penado de Serpa, 

acerca dos privilégios cspeciaes, concedidos ao Donatorio das saboa- 

ria, o Conde de de (2astelIo Melhor c da sua execução no Brazil. 

Bahia, 1 de dezembro de 1753. Tem annexo.s d documentos. 

ja c !'« vias. 81 1 — 824 

Oiiicio do Vice Rei Conde de Athouguia, participando ter passado pela 
Bailia a Náu Nalividacie, sob o cominando de Pedro Luiz de Olival, 
conduzindo a bordo o Conde de Lavradio. Nelle se refere também 
á chegada de António Alvares da Cunha a Loanda e ao novo me- 
thodo estabelecido nas Minas Novas. 

Bahia, 3 de dezembro de 1753. Tem anncxa a copia de uma carta 
do Mestre de Campo., commandante de Minas Novas, Pedro Leolino 
Mari:{. 825—826 

OiKicio do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior, 
acerca da acção criminal movida contra o Mamposteiro Jeronymo 
de Barros e outros, por causa da herança de .lacinto Barbosa. 

Bahia, .\ de dezembro de 1753. Tem annexos 2 documentos. 
/" e -j" vias. 827—832 

Okkicio do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior, 
sobre a liberdade de commercio concedida aos navios de numero da 
navegação da Costa da Mina. 

Bahia, 6 de dezembro de 1753. Tem annexos 2 documentos. 
/'• e 2» vias. 833—838 

Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca do provimento de Tho- 
maz de Sousa, no logar de Patrão Mór do porto da Bahia, por no- 
meação do respectivo proprietário o Tenente Manuel de Siqueira. 
Bahia, 7 de dezembro de 1753. Tem annexos 2 documentos. 

339—841 

Carta de António de Araújo dos Santos para Diogo de Mendonça Corte 
Real, queixando-se da nomeação de Thomaz de Sousa para o logar 
de Patrão Mór, que estivera exercendo inierinamento por incupi- 
bencia do respectivo proprietário. 

Bahia, 8 de dezembro de 1753. Tem annexos 2 documentos. 

842 — 844 

Okkicio do Provedor Mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado de Serpa, 
acerca do provimento do logar de Patrão Mór da Bahia, duvidando 
da competência de Thomaz de Sousa para o exercer. 

Bahia, 8 de dezembro de 1753. Tem annexos 9 documentos. 

845—864 

Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, participando ter arribado á 
Bahia o navio hollandez Meerfliet^ do Capitão Rodrigo Rodrigues 
Klynhout, com falta de mantimentos e a tripulação victimada pelo 



62 

escorbuto e informando acerca dos soccorros que lhe mandara pres- 
tar, fazendo tratar os doentes em terra e em logar isolado fora da 
Cidade. 

Bahia, 8 de dezembro de^753. (V. ns. 912 a 920 e ioi5 a 1017). 

865 

«Traslado do auto da diligencia feita no Navio Olandez, chamado Meer- 
Jliet, do Capitão Rodrigo Rodrigues Klynhout», 

Bahia, 5 de dezembro de lySS. (Annexo ao n. 865). 866 

Carta do Arcebispo da Bahia, informando Diogo de Mendonça Corte Real, 
acerca das chrismas ministradas no sertão. 

Bahia, 9 de dezembro de 1753. Tem annexa uma relação dos 
logares e do numero de chrismas em cada um d'elles, feita pelo P.^ 
António de Oliveira. 

«...Cincoenta e tantos annos ha que o Reverendo Arcebispo D. João Franco 
de Oliveira visitou o sertão de baixo, de que he cabeça a Cidade de Sergipe dei 
Rey, sem até aquelle tempo haver sido visitado de outro Prelado ; nelle chris- 
mou 40 mil combatentes, palavras porque se explica a constituição deste Arce- 
bispado no catalogo dos Bispos e Arcebispos delle no logar próprio do sobredito 
Prelado. 

Passados 12 annos, com pouca differença, tornou a ser visitado pello R. Ar- 
cebispo D. Sebastião Monteiro David, razão porque de 44 annos para cima todos 
os residentes daquelle sertão se achavão chrismados por aquelles Prelados e sem 
embargo daquelles tempos a esta parte haverem muitos recebido nesta Cidade 
este sacramento, por haverem perdido o medo ao caminho, que lhe tinhão tão 
grande antes daquelles tempos, que nenhum se attrevia a vir a esta Cidade sem 
tazer testamento e de haver eu chrismado naquelle sertão ha 5 annos 19682 
almas na visita, que nelle principiei, que não quiz Deos continuasse, impedindo- 
me os passos e amda as esperanças da vida com huma grande enfermidade, que 
me sobreveio e me obrigou a recolher a esta Cidade depois de 40 e tantos dias 
de cama, em que estive naquelle sertão. Com esta causa recorri a S. Santidade 
significando-lhe o que me havia soccedido, etc. e pedindo-lhe faculdade para 
mandar chrismar pellos meos Visitadores não só naquelle ramo, mas em outros 
nimiamente distantes desta Cidade e ma concedeo por dez annos. 

Sahio a vizitar aquelle sertão de baixo o P." António de Oliveira, em que 
gastou i5 mezes; nelles andou 634 legoas ; visitou 18 matrizes, 88 capellas e 
chrismou mais em i3 aldêas de índios, as almas que se contém no rol incluso 
(115.268), que he escrito por letra do mesmo Visitador e por me parecer grande 
o numero dos chrismados me segurou o Vizitador e seo Secretario, que fora 
muito maior se o contador dos chrismados se não descuidasse a miúdo de passar 
as contas de hum rosário por onde as contava...» 

867—868 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, communicando a Diogo de 
Mendonça Corte Real ter recebido participação do Governador de 
Pernambuco, José Corrêa de Sá, de haver arribado a Moçambique 
uma náu da índia. 

Bahia, 14 de dezembro de 1753. Tem annexa a copia da com- 
municacão do Governador Corrêa de Sá, a qual se refere também 
á arribada de outros navios ás Ilhas de Fernando de Noronha e 
Mauricia. 869 — 870 

Officio do Chanceller da Relação para Diogo de Mendonça Corte Real 
acerca da cobrança do donativo real, á divida de Barnabé Cardoso 
Ribeiro á Fazenda real, á construcção de um novo quartel, etc. 

Bahia, 20 de dezembro. Tem annexos 5 documentos^ sobre os 
diversos assumptos. 871 — 876 



68 

Oii icio do Vice Rei Conde de Athoiif;iiia, acerca do provimento de Tho- 
nia/, de Sousa no lof^ur de {•íitrão M(jr do porto da Huhia, para o 
uual loia nomeado pelo respectivo proprietário o Tenente Manuel 
de Siijucira. 

Huhia, 22 de dezembro de 1733. Tem annexos i3 documentos. 
1» e -'" vias. 877—899 

Okkicio do Provedor áa F'azenda Manuel de Mattos Pegado de Serpa, para 
Diogo de Mendonça ('.órte Real, sobre o provimento de Thomaz de 
Sousa no logar de Patrão Míir. 

Bahia, 25 de dezembro de 1753. Tem annexos 6 documentos. 

900—906 

DfPiJCADo do oíTicio n. 900. i»" via. 

Tem annexos -j documentos, comprchcndendn a copia de alguns, 
auc instruem a primeira via, a carta de propriedade do oficio de 
Patrão Mór, etc. 907—909 

Oii-icio do Vice Rei Conde de Athouguia, rcmcttendo uma lettra para pa- 
gamento da despcza feita com a Náu da índia Nossa Senhora do 
Monte Alegre. 

Bahia, 17 de janeiro de 1754. Tem anncxa a lettra. 910 — 91 1 

Oi-Kicio do Vice Rei Conde de Athouguia, informando Diogo de Mendonça 
Corte Real, acerca do auxilio prestado á charrua hollandeza Meer- 
Jlietc do estado dos tripulantes doentes com escorbuto. 

Bahia, 28 de janeiro de 1754. Tem annexos <V documentos. (V. 
ns. h'65, <SV>6' e ioi5 a loij). 912 — 920 

Okficio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca da necessidade de adqui- 
rir uma barcaça para serviço do porto, mostrando o grande prejuízo 
que causava a sua falta. 

Bahia, 4 de fevereiro de 1754. Tem annexo um documento. 

921 — 922 

Okficio do Arcebispo da Bahia, D. José Botelho de Mattos, informando 
acerca de uma representação da Camará da Villa de Viila Nova Real 
dei Rey do Rio de S. Francisco, contra o Padre Joaquim Marques 
de Oliveira. 

Bahia, 24 de fevereiro de 1754. Tem annexos 6 documentos e 
entre elles a representação da Camará, assignada por José Gomes 
Pinheiro, Lourenço Nunes da Costa, José Vieira Dantas, Ignacio 
Pereira Peixoto, Bento de Mello Pereira e a in/onnação do Missio- 
nario /*.*= António de Oliveira, etc. 923 — 929 

Okficio do Capitão de mar e guerra Caetano Corrêa de Sá, commandante 
da Ndii S. Francisco Xavier, narrando a Diogo de Mendonça Corte 
Real, a sua viagem de Góa até á Bahia, onde chegara no dia 20 de 
fevereiro. 

Bahia, 28 de fevereiro de 1754. oSo 

Okficio do Vice Rei Conde de Athouguia, participando ter mandado pu- 
blicar cm bando o novo Regimento da Alfandega do tabaco e a Pro- 
visão do Conselho Ultramarino em virtude do decreto de 28 de no- 
vembro de 1753, sobre a partida das frotas. 

Bahia, 28 de fevereiro de 1754. 93i 



64 

Ofkicio do Vice Rei Conde de Athouguia sobre as ultimas instrucçóes que 
regulavam a sahida das frotas do I^razil c informando acerca da 
exportação do tabaco e da interpretação que devia dar-se a algumas 
disposições do respectivo regulamento. 

Bahia, 28 de fevereiro de 1754. Tem annexos 4 documentos e 
entre elles uma representação da «Mesa da Inspecção,» assignada 
por Wencesláii Pereira da Silva, Amaro de Sonsa Coutinho e João 
Martins dos Rios. (j'Í2 — g?>6 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca da eleição dos Inspe- 
ctores da Intendência dos assucares e dos ta baços ^Afe.va da Inspecção), 
participando que a Camará elegera Manuel de Saldanha e Domin- 
gos Lucas de Aguiar, os proprietários dos engenhos o Capitão de 
Infantaria Amaro de Sousa Coutinho e os homens de negocio João 
Martins dos Rios e informando sobre as duvidas que se tinham le- 
vantado sobre a sua elegibilidade. 

Bahia, 28 de fevereiro de 1754. Tem annexos 5 documentos e 

entre elles a certidão da escriptura de dote feita por Simão da 

Affonseca Pita e sua mulher D. Antónia Lui:;a de Vasconcellos 

Villas Boas a favor de Amaro de Sousa Coutinho, marido de sua 

filha D. Aldonça Maria de Lapenha. 937 — 942 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia participando a chegada da Ga- 
lera A Sacra Familia, do mestre Manuel Gomes Ba vão e a Náu 
S. Francisco Xavier, do Capitão de Mar e Guerra Caetano Corrêa 
de Sá e informando que a bordo desta estavam o Coronel de Infan- 
taria Barão de Vielorie, o Capitão Francisco Rodrigues Duarte e o 
Fisico mór Bernardo d'Almeida Torres. 

Bahia, 28 de fevereiro de 1754. Tem annexos 5 documentos e 
entre elles a copia de um officio do Vice Rei da índia Marque^ 
recominendando vigilância sobre o Barão de Vielorie (ou Barolyi 
por haver ordem de prisão contra elle. 943 — 948 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, participando que o Provedor 
Mór da Fazenda pagara a despeza da Gapella Mór da Egreja Matriz 
de S. Pedro do Fanado da Villa do Bom Successo das Minas Novas 
do Arassuahy, como fora superiormente ordenado em virtude do 
requerimento do respectivo Vigário, o Padre Jacinto Soares de 
S. Miguel. 

Bahia, 28 de fevereiro de 1754. Tem annexos 2 documetitos. 

949—95 1 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca da demora que deviam 
ter na Bahia os navios das frotas e informando sobre o carrega- 
mento destes navios e de outros procedentes do Rio de Janeiro. 
Bahia, 28 de fevereiro de 1764. Tem annexos 5 documentos. 

952 — 957 

Officio do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior, 
acerca do processo crime intentado a requerimento pelo Coronel 
Domingos Fernandes de Sousa contra Victorino Pereira da Silva. 
Bahia, i de março de 1754. Tem annexos 3 documentos. 

938 — 961 



I 



05 

(Crucio do Provedor M<')r lia r Munuclil !■ —.a, 

informando acerca iliis i s c forii' . a 

NAii da índia .V. Francisio Aavier, do (^api i »no Correu de 

Si\, para continuar a viagem para o Kcino. 
Bahia, 2 de marso de 175.}. 
'/'(•tn iintwxns ■• .{iirinth-iifiK, i" c •j'> vias. 

962 — 967 

OKKtcio do Chanccllcr da Rela^áo sobre os concertos da Náu .V. Francisco 
Xavier, a que se referem os documentos anteriores. 

liahia, 2 de marvo de 1754. 968 

Okkicio do Intendente Geral do Ouro e Casa da Inspecção, Wencesláo Pe- 
reira da Silva, acerca do carregamento dos navios das frotas c da 
eleição dos Inspectores da Meza, Amaro de Souza Coutinho e Joád 
Martins dos Rios, a que outros documentos anteriores se refe- 
rem. 

Bahia, 3 de março de 1734. 

Tem anncxos 5 documentos e entre elles uma representação e a 
certidão de varias resoluções da Me^a da Inspecção sobre os refe- 
ridos assumptos. 969 — 974 

Okkicio dl) Arcebispo da Bahia para Diogo de Mendonça Corte Real, sobre 
a falta de sacerdotes que havia no seu Arcebispado e mostrando a 
necessidade de que fossem para ali os do Reino. 

Bahia, 5 de março de 1754. 975 

Okkicio do Arcebispo da Bahia participando terem desapparecido da Ci- 
dade todos os religiosos extrangeiros, de maneira que s(i podia en- 
viar pela primeira náu o Padre Fr. Félix Peixoto, da Ordem da San- 
tissima Trindade, o único a quem fora possível intimar a ordem 
regia que os mandava regressar ao Reino. . 

Bahia, 5 de março de 1754. 976 

Okkicio do Arcebispo da Bahia informando acercado máu comportamento 
do Padre Fr. D. António Rodrigues da Silva. 

Bahia, 6 de março de 1754. 977 

Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, informando acerca do re- 
querimento de Victorino José Fernandes Neves relativo ao ar- 
rendamento que fizera a José Rodrigues da Costa da serventia do 
logar de Juiz da Balança da Alfandega e da arrecadação do ta- 
baco. 

Bahia, 14 de março de 1754. 

O requerimento está instruido com i3 documentos., compre- 
hendendo vários attestados, a certidão do rendimento annuai do 
officio de Juiy da Balança da Alfandega da Bahia, etc. 

978—992 

Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca da licença cjncedida a 
alguns clérigos do Reino para residirem nas cidades onde houvesse 
Prelados, com a condição de estes velarem pela sua vida e costu- 
mes. 

Bahia, i5 de março de 1754. 993 

1. 5 



66 

Officio do Vice Rei Conde de Aihouguia, acercada Ordem regia que 
mandara annullar a sentença da Relação da Bahia, proferida contra 
os Officiaes da Gamara de Villa Rica, nas Minas (jeracs e pela qual 
fora determinado que na falta de dinheiro as despezas de justiça 
fossem pagas pelos rendimentos da Gamara, 
Bahia, i5 de março de 1754. 
Tem annexo um documento. 994 — 995 

Officio do Chanceller da Relação Manoel António da Gunha Sottomaior, 
justificando o seu procedimento n'um incidente que se dera com o 
cairegamento dos navios das frotas. 
Bahia, i5 de março de 1754. 
Tem atinexos (j documentos • 996 — ioo5 

Duplicados dos ns. 996 6999 a ioo5. 2^ via. 1006 — ioi3 

Carta do Arcebispo da Bahia na qual se refere aos horríveis effeitos que 
uma prolongada secca estava produzindo, ao Padre Nicoláo Soares 
Nogueira, a D. Thereza de Jesus Maria que pretendia conservar-se 
no Recolhimento da Misericórdia, etc. 

Bahia, 18 de março de 1754. 1014 

Carta de Manuel de Mattos Pegado de Serpa, para Diogo de Mendonça 
Corte Real, communicando-lhe as providencias tomadas para soccor- 
rer e abastecer a charrua hoUandeza Meer/lict, de que era capitão 
Rodrigo Rodrigues Kleinhaut. 

Bahia, 2[ de março de 1754. 

Tem annexos 2 documentos ioi5 — 1017 

Officio do Governador Conde de Athouguia para Diogo de Mendonça 
Corte Real, participando que dera as necessárias ordens para que 
Feliciano Velho Oldemberg podesse facilmente adquirir todas as 
madeiras de que carecesse para a construcção dos navios, destinados 
ao commercio da índia, China e Gosta do Goromandel cuja ne- 
gociação lhe havia sido concedida por dez annos. 

Bahia, 25 de março de 1754. 1018 

Officio do Governador Conde de Athouguia, informando acerca de uma 
representação dos Oííiciaes da Administração do Tabaco do Casa 
da Inspecção da Bahia, na qual pediam melhoria de vencimentos. 

Bahia, 25 de março de 1754. 

Tem annexos 4 documentos e entre elles a copia da portaria de 
28 de fevereiro de ij4i, ordenando que todos os officiaes da arre- 
cadação do tabaco pagassem donativo dos seus provimentos e a 
relação dos ordenados, ajudas de custo e outros emolumentos, 
que recebia cada um dos officiaes da Casa da Inspecção da Bahia. 

IOI9 — I023 

Officio do Conde de Athouguia acerca do fornecimento de utensílios para 
a projectada casa de Fundição na Capitania de Pernambuco. 

Bahia, 26 de março de 1754. 1024 

Officio do Governador Conde de Athouguia para Diogo de Mendonça 
Corte Real acerca de um conflicto entre o \ adre Fr. Félix Peixoto, 



67 

Rfli^ios*. i mio tia S.S. Trindade c o CapitSo de Auxiliares Fran- 
cisco Viciru da Silva. 

Bahia, iG de nun\() Jc 1734. 

7Vm atttwxo um documento. io25 — 1026 

Cauta do Arcebispo i.\(\ Bahia participando que o Padre Fr. Fclix Peixoto 
não podia embarcar para Lisboa, como lhe fora ordenado, por mo- 
tivo de doença. 

Bahia, 27 de março de 1754. 1027 

Attkstado do medico António Ribeiro Sanches, certificando estar grave- 
mente doente Fr. Félix Peixoto. 
Bahia, 26 de março de 1754. 
[Annexo ao n. lo-jj) 1028 

Attkspado do Cirurgião António da Rocha Neves, certificando, como o 
anterior, a grave doença que estava soHVendo o Padre Fr. Félix 
Peixoto. 

Bahia, 26 de março de 1754. 

{Antiexo ao n. lo-jji. 1029 

Carta particular de António de Araújo dos Santos para Diogo de Men- 
donça Corte Real. 

Bahia, 28 de março de 1754. io3o 

Ofkicio de António Corrêa de Sá, Commandante da Náu S. Francisco 
Xavier, dando noticia da sua via-cm desde Côa, de onde partira a 
9 de fevereiro de 1753, até á Bahia onde fundeara a 20 de feve- 
reiro. 

Bahia, 29 de março de 1764. io3i 

Okkicio da Mesa da Inspecção da Bahia acerca da exportação do tabaco 
e descrevendo a forma como se verificava a sua qualidade e estado de 
conservação. 

Bahia, 29 de março de 1754. 

Tem annexos 2 documentos e é assignado por \\ encesláo Pe- 
reira da Silva, Amaro de Sousa Coutinho e Joaquim Martins dos 
Rios. 

«...Estes homens, assim como todos os mais que costumão escolher tabaco, 
tem observado por único meio, desde que principiou a havel-o neste Estado, 
picar cada hum rolo com huma faca para isso prevenida, metendo-a até o cen- 
tro e pelo cheiro que exala, vem a conhecer a qualidade do género e do estado 
actual em que se acha ; a mesa ainda com mais escrúpulo inventou e mandou 
praticar de novo, que todo o rolo do tabaco, que se otferecesse a exame e se 
duvidasse da sua qualidade ou mal se distinguisse pelo pique da faca, se descoza 
e abra pela cabeça donde se tira primeira, segunda e terceira amostra das voltas 
da corda e por esta maneira se averigua e conhece perfeitamente a qualidade 
e estado em que se acha o tabaco e assim se regula a escolha ou refuga a par- 
tida do que está capas de aturar e ser embarcado...» 

io32 — 1034 

Officio da mesa da Inspecção para Diogo de Mendonça Corte Real, pe- 
dindo providencias acerca da exportação do tabaco e que garan- 
tissem o respeito e obediência ás order>s emanadas da Mesa e 



68 

queixando-sc do atrazo que havia no pagamento dos salários a vá- 
rios operários. 

Bahia, 29 de março de 1754. 

Tem annexos 4 documentos. io35 — loBg 

Officio do Intendente Geral do Ouro, Wencesláo Pereira da Silva, acerca 
dos diversos assumptos a que se referem os seguintes annexos. 

Bahia, 29 de março de 1754. 1040 

Exposição que o desembargador Intendente Geral Wencesláo Pereira da 
áilva fez perante a Mesa da Inspecção sobre os meios que se deviam 
empregar para a prompta expedição das frotas. 
Bahia, 1 5 de fevereiro de 1754. 
Copia. (Artriexa ao 71. 1040). 1041 

CkrtidÁo do termo da resolução tomada pela Mesa da Inspecção da Bahia 
sobre a carregação e partida dos navios das frotas. 
Bahia, i5 de fevereiro de 1754. 
Copia. [Annexa ao n. 1040]. 1042 

Representação da Mesa da Inspecção dirigida ao Vice Rei Conde de Athou- 
guia pedindo instrucções e providencias para a execução do Alvará 
de 29 de novembro de 1733, relativo ao carregamento e partida dos 
navios das frotas. 

Bahia, i5 de fevereiro de 1754. 

Copia. [Annexa ao n. 1040^. 1043 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, dirigido á Mesa da Inspecção, 
em resposta á representação antecedente. 
Bahia, 16 de fevereiro de 1754. 
Copia. [Annexa ao n. 1040). 1044 

Informação da Mesa da Inspecção acerca da venda e exportação do tabaco. 
Bahia, 4 de março de 1754. 
Copia. (Annexa ao n. 1040)., 1045 

Ordem regia determinando que sc5 fosse embarcado para a Costa da Mina 
o tabaco de infima qualidade. 

Lisboa, 9 de setembro de 1743. 
Copia. [Annexa ao n. 1040) 

...E porque sou informado que todo o tabaco que vem para este Reyno he 
de terceira e infima qualidade, embarcando-se para a Costa da Mina o melhor, 
sem embargo das minhas ordens, com grave prejuízo da minha fazenda, o que 
procede da pouca exactidão com que se fazem os exames, não cumprindo os 
officiaes dessa arrecadação com aquelle zello, cuidado e vigilância com que 
devem exercer as suas occupaçoens, faltando inteiramente a ellas e vos recom- 
mendo muito efficazmente não consintaes que para a dita Costa da Mina se em- 
barque tabaco algum sem que primeiro por homens peritos seja julgado de ter- 
ceira e infima qualidade... 

1046 

Termo das resoluções tomadas pela Mesa da Inspecção sobre o exame, 
apuro e classificação dos tabacos e assucares. 
Bahia, 24 de Julho de 1752. 
Copia. I Annexo ao n. 1040). 1047 



í 



69 

Wi pRF-SENi A<,:Áo da Mcsn dn Inspccvúo dirigida no Vice Hei Conde de 
Athouguia, pedindo que lhe tosse consignada verba para paga- 
mento dus dcspcicai». 

i^ahia, 2H de julho de 1752. 

Copia. {Anncxa ao n. 1040}. 1048 

Informação do Escrivão da Fuxcndu António Pereira da Silva, «obre a 
rcprcscniaváo precedente. 
Fínhia3: dcjiilhodc 1752. 
Copia. lAiDwxa ao. n. 10401. 1049 

Inkokmaçáo do Provedor Mór da Fazenda Manoel António ila f^unlia 
Sottomaior, sobre a mesma rcprcseniaçáo. 
Bahia, 2 de agosto de 1752. 
Copia. (Annexa ao n. 1040) io5o 

Df.spacho do Vice Rei Conde de Athouguia determinando a forma de se 
pagarem provisoriamente as despezas da Mesa da Inspecção. 
Bahia, 3 de agosto de 1732. 
Copia. (Annexoao n. 10401. io5i 

Rrprksenta(;Áo da Mesada Inspecção, mostrando a impossibilidade que tinha 
encontrado para obter dinheiro, para o pagamento das suas despezas. 
Bahia, lô de outubro de 1732. 
Copia. I Annexa ao n. 10401. io52 

CicRTiDÁo do Escrivão da Intendência Geral do Quinto do Ouro e Mesa da 
Inspecção do assucar e tabaco da Bahia, Simão Gomes Monteiro 
certificando não ter encontrado nenhum homem de negocio que se 
promptiticasse a emprestar o dinheiro preciso para as despezas da 
Mesa da Inspecção. 

Bahia, 7 de outubro de 1732. 

Copia. (Annexa ao n. 1040). io53 

Rkpreskntaçõks (2) da Mesa da Inspecção do assucar e do tabaco da Ba- 
hia, dirigidas ao Rei, queixando-se de não haver dinheiro para o pa- 
gamento das suas despezas e pedindo providencias a esse respeito. 
Bahia, 11 de agosto e 20 de outubro de 1732. 
(Annexas ao n. 1040). 1054 — io35 

Officio do desembargador Intendente Geral do Ouro, Wencesláo Pereira 
da Silva, dirigido ao Ouvidor de Pernambuco, informando-o das 
novas providencias regias destinadas a regular cm beneficio do com- 
mercio a navegação e partida das frotas e esclarecer varias disposi- 
ções do regimento das Casas de Inspecção dos assucares e tabaco, 
estabelecidas no Brasil. 

Bahia, 12 de fevereiro de 1734. 

Copia. ( Annexo ao n. J040J. 

...Por noticias autenticas que de Lisboa vierão a esta Meza se alcança a 
certeza da pouca sabida do açúcar e tabaco pela carestia que tem cheg^ado nos 
annos antecedentes, sem que aos nossos fabricantes convença a razão de não se- 
rem elles sós no mundo os que sabem e costumam fabricar estes dois géneros 
e que perdidos estes por falta de sua constante reputação e prompta extracção 
para fora do Reino, he infalível a total decadência deste Esrado, ponto que 
Iam alto tem sobido e chegado a occupar o Real pensamento do nosso Soberano, 



70 

que piadosamente obrifjou a quitar a metade dos direitos que cobrava de 
hum e outro género, diminuindo por este modo, considerável parte do ren- 
dimento do seu erário e que sendo isto notório aos vassalos do lirazil que sáo 
os mais prejudicados, se mostram tam endurecidos e duvidosos dos benefícios 
que a Real benignidade lhes concede applicando-lhes saudáveis meyos e ar- 
bítrios tendentes todos á sua conservação e duracçáo dos seus eíFeitos ou he ce- 
gueira, dos olhos ou preoccupaçáo dos sentidos. 

Os Estrangeiros Inglezese Francezes, que também hoje occupam huma gra- 
de parte da America, experimentando a carestia a que sobiram os nossas açucares 
e tabacos, uzando da sua industria tentarão a fortuna de plantar e fabricar os 
mesmos géneros nas suas colónias e com effeito a conseguirão tanto á medida 
dos seus desejos e interesses que de poucos annos a esta parte não só dcsprezão 
e não dão entrada nos seus Paizes aos nossos açucares e tabacos senão fabricão 
os seos com tanta abudancia, que livremente os transportam para onde que- 
rem e com elles abastecem quasi todos os portos do Norte e mediterrâneo e neste 
caso que remédio temos nos para os embaraçar e enfraquecer os progressos das 
suas fabricas, mais que ferilos pelos mesmos fios e por os preços dos nossos gé- 
neros num tal equilíbrio a respeito dos dos Estrangeiros, que só por casos fortui- 
tos e especíaes deixarão de ter consumo e extraçáo para fora do Reino...» 

io56 

Extractos de uma carta do Intendente Geral do Ouro Wencesláo Pereirada 

Silva, para o Intendente de Goyaz, Anastácio da Nóbrega, eda resposta 

deste, sobre a creação de uma casa de fundição no arrayal de S. Félix. 

Bahia, ig de fevereiro e Goyaz, 26 de Setembro de lySB. 

(Annexos ao n. 1040). loSj — io58 

Officio do Intendente Geral do Ouro, Wencesláo Pereira da Silva, para o 
Intendente de Goyaz, sobre o estabelecimento da casa de fundição 
do arrayal de S. Félix. 

Bania, 2 de janeiro de 1754. 

Copia. (Annexo ao n. 1040). loSg 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, ordenando que o Intendente 
Geral do Ouro desse certas informações sobre a nova casa de fundi- 
ção do arrayal de S. Félix, na Capitania de Goyaz. 
Bahia, 11 de março de 1754. 
Copia. (Annexo ao n. 1040). 1060 

Extracto de um officio do Governador das Minas de Goyaz, dirigido ao Go- 
vernador da Capitania do Rio de Janeiro e relativo á casa de fundi- 
ção do arrayal de S. Félix. 

[Annexo ao n. 1040). 106 1 

Officio do Intendente Geral Wencesláo Pereira da Silva, dirigido ao Vice 
Rei com as informações que este lhe havia pedido sobre a casa de 
fundição de S. Félix. 

Bahia, 1 1 de março de 1754. 

Copia. (Annexo ao n. 1040). 1062 

Officio do Intendente de Goyaz, Anastácio da Nóbrega, para o Intendente 
Geral do Ouro da Capitania da Bahia, Wencesláo Pereira da Silva, 
informando-o das diligencias que empregara para reduzir a cobrança 
do quinto na comarca de Goyaz, á capitação de quota certa e annual. 

Villa Boa, 5 de julho de 1753. 

Cópia. [Annexo ao n. 1040). io63 

Extracto de uma carta do Intendente de Goyaz, Anastácio da Nóbrega, 



71 

participando que partia com o Governador para os Arrayaes da Capi- 
ta nin n promover u quotisaçáo, destinada a crcavúo da casa de fun- 
ilivão de S. I''elix. 

Villa Boa, de 2() de setembro de 1753. 

Anncxo ao n. 1040). 1064 

Oi-iicio do Intendente Geral Wencesláo Pereira da Silva, para o Inten- 
dente de Goyaz, cm resposta ao oífício antecedente e elogiando os 
seus scrvii;o.s. 

lialiia, '3i de janeiro de 1734. 

Copia. lAnnexo ao n J0401. io65 

()i iic.io dl) Intendente Geral Wencesláo Pereira <ki Silva, para o Provedor 
da Fazenda c ke|?ist() do Ouro das Minas Novas do Arassuahi, Pe- 
dro Leolino Manz queixando-se da diminuição que se estava dan- 
do na cobrança do quinto do ouro e das innumeras fraudes que se 
commcttiam. 

Bahia, Kjde outubro de 1752. 

Copia. {Annexo ao n. 1040) 1066 

Okkicio do Provedor da Fazenda Pedro Leolino Mariz em resposta ao an- 
tecedente. 

Villa do Bom Succcsso, 1 1 de novembro de 1753. 

Copia. I Annexo ao n. 1040) 1067 

Okkicio do Intendente Geral Wencesláo Pereira da Silva, para o Provedor 
Pedro Leolino Mariz, sobre o mesmo assumpto dos documentos 
anteriores. 

Bahia, 20 de dezembro de 1753. 

Copia. [Annexo ao n. 1040). 1068 

Okkicio do Ouvidor da Capitania de Pernambuco, João Bernardo Gonzaga 
para o Intendente Geral da Bahia intormando-o de uma tomadia de 
ouro em pó, feita a Manuel Luiz Barreira. 

Recife, 3o de novembro de 1753. 

Copia. (Annexo ao n. 1040) 1069 

Okkicio do Intendente .Geal Wencesláo Pereira da Silva, para o Ouvidor 
Geral de Pernambuco, em resposta ao oíiicio antecedente. 
Bahia, 10 de dezembro de 1753. 
Copia. (Annexo ao n. 1040). 1070 

Portaria do Vice Rei Conde de Athouguia ordenando que a Mesa do 
Negocio da Cidade da Bahia expozesse os niotivos em que se fun- 
dara para eleger João Martins dos Rios para deputado da Casa da 
Inspecção do assucar e do tabaco. 

Bahia, 3o de janeiro de 1754. 

Copia. (Annexa ao n. 10401. 1071 

Okkicio do desembargador Intendente Geral do Rio de Janeiro, João Alva- 
res Simões, para o Intendente Geral da Bahia, sobre a apprehensão 
do ouro feita a xManuel Luiz Barreira, na Capitania de Pernambuco. 
Rio de Janeiro, 3i de janeiro, de 1754. 
Copia. I Annexo ao n. 1040,. 1072 



72 

Okficio do Provedor c Fiel do Registo do Ouro da Morityba, para o Inten- 
dente Geral da Bahia, queixando-se do destacamento militar lhe não 
prestar o devido auxilio nas buscas, rondas e outras diligencias para 
evitar os descaminhos do ouro. 

Morityba, 12 de março de 1754. 

Copia. ^Annexo ao n. 1040). 1073 

Ofkicio de D. José Miralles, Tenente Coronel de Infantaria do Regimento 

novo da Praça da Bahia, para o Tenente Coronel António Alvares 

de Araújo Soares, Provedor do Registo do ouro da Morityba, acerca 

do assumpto a que se refere o documento antecedente. 

Bahia, 10 de fevereiro de 1754. 

Copia. [Anite^o ao n. 1040) 1074 

Ofkicio do intendente Geral Wencesláo Pereira da Silva, para o Provedor 
do Registo da Morytiba em resposta ao seu officio anteriormente 
referido. 

Bahia, 25 de março de 1754. 

Copia. [Annexo ao n. 104Q). 1075 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, sobre a remessa de 20 mil cruzados annuaes, destinados a Pro- 
vedoria de Pernambuco. 

Bahia, 29 de março de 1734. 1076 

Carta regia determinando que a Casa da Moeda da Bahia remettcsse todos 
os annos á Provedoria de Pernambuco, a quantia de 20 mil cruzados, 
para pagamento dos fardamentos em divida. 

Lisboa 18 de setembro de 1753. 

Copia. [Annexa ao n. lojó). 1077 

Extracto de um officio do Governador da Capitania de Pernambuco 
para o Vice Rei Conde de Athouguia, sobre o mesmo assumpto dos 
anteriores documentos. 

Recife, II de janeiro de 1754. 

Copia [Annexo ao n 1040] 1078 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, participando o rendimento do 
imposto do ouro, dinheiro, diamantes, e ortras pedras preciosas en- 
viadas para o Reino pelo navio de licença .V. Senhora das Neves e 
SanfAnna, do capitão Pedro de Araújo dos Santos. 
Bahia, 29 de março de 1754. 
Tem annexo um documento. 1079 — 1080 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia para Diogo de Mendonça Corte 
Real, sobre o corte, compra e remessa de madeiras que deviam em- 
barcar para o Reino. 

Bahia, 29 de março de 1754. 

Tem annexos 8 documentos e entre elles as relações das madei- 
ras compradas a Manuel de Sou:{a, António Fagundes, Capitão 
Francisco Xavier e Angelo Corrêa, moradores nas Alagoas., com a 
nota dos respectivos preços. 

1081 — 1089 



73 

Okkicio do Iiiicndcnte (icral Wcnccsláo Pereira da Silva, para Diogo de 
Mc'nd()in,a C.órtc Kcal, informando acerca de um requerimento dos 
olliciaes da ('«asa da arrecadação do tabaco, allegando excesso de tra* 
bailio e pedindo melhoria de vencimentos. 

Bahia, 3o de mart,<) de 175.}. 

Tem anncxos 1 3 documentos c entre elles a nota do donativo que 
pix^ava cada ofjicial da Casa da arrecadação do tabaco, a rela<^áo 
dos mesmos ojficiaes com a dcsi^na^^áo dos respectivos vencimentos, 
a informaq.ío do Guarda Mór ao tabaco José Joaquim de Lalanda 
de Jiarros, etc. 1090 — iio3 

Okkicios Í2) do Vice Hci (^onde de Aihouguia, o primeiro sem importância 
e o segundo participando que rcmeitia preso para Lisboa o commis- 
sario Manuel de Mendonça, ao cuidado do Capitão Pedro Araújo 
dos Santos 

Bahia, 3o de março de 1754. 

O 'j" officio tem annexos 2 documentos. 1104 — 1107 

Okkicio do Vice Rei Conde de Aihouguia, participando a Diogo de Men- 
donça Corte Real, que enviava para Lisboa a bordo da Náu N*. 5*. 
das Neves o coronel de Infantaria Barão de Viéiorie, sob prisão e ao 
cuidado do Capitão Pedro de Araújo dos Santos. 

Bahia, 3o de março de 1734. 

Tem annexos (S' documentos e entre elles uma certidão do me- 
dico dr. Bernardo de Almeida Torres attestando que o Barão de 
Viclory soffrera um insulto apopletico e que o seu estado de saúde 
exigia o seu immediato regresso ao Reino. 1 108 — 1 1 16 

Okkicio do Arcebispo da Bahia referindo-se a uma representação dos Offi- 
ciaes da Camará de Villa Nova d^Elrci do Rio de S. Francisco, pe- 
dindo para não ser confirmado Vigário o Padre Joaquim Marques 
de Oliveira. 

Bahia, 20 de abril de 1754. 

Tem annexos um abaixo asssignado a favor do Padre Marques 
de Oliveira e duas representações contra, sendo uma d'ellas do Ca- 
pitão Mór de Villa Nova d^Elrei António Lui\ Fialho e 4 documentos 
relativos á syndicancia que fora confiada ao Vigário João Cardoso 
de Sousa. 11 17 — 11 24 

Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça 
Corte Real, agradecendo ter sido nomeado o Conde dos Arcos 
( Governador das Minas de Goyaz 1, para lhe succeder no cargo de 
Vice Rei do Brasil e participando que desejava regressar ao Reino 
na primeira frota. Refere-se também aos escravos de Moçambi- 
que chegados ao Rio de Janeiro, á posse do Desembargador da 
Relação Francisco António Berquó da Silveira, á escassa co- 
lheita do assucar e do tabaco, por causa da falta de chuvas, etc. 
Bahia, 22 de abril de 1754 ii25 

Carta de D. António Rollimde Moura, para o Vice Rei Conde de Athou- 
guia, informando-o do desenvolvimento da Villa Bella de Maito 
Grosso. 

Villa Bella, 2 de agosto de 1753. Copia. [ Annexa ao n. 

II 25.'} 



74 

« Meu Primo c Senhor... O estabelecimento dcsia Villa tem continuado, 
ainda que com limitado augmento comtudo sempre mavor do que u esperava 
da grande distancia destas minas da pouca (sic), que neílas se acha e da terrível 
opinião que ha por toda a parte do seu clima e com effeito me vay já parecendo 
povoação pelas cazas, que se vão levantando e por conter hoje assim as logeas, 
como os officios mais percizos para a vida humana. Ate os mesmos ares parece 
se tem humanizado com a communicação, porque são poucas as doenças que este 
anno se tem padecido nesta Villa de cu)o beneficio participo eu também ha- 
vendo muitos mezes me não repetem as cezões, pelo que me acho com mais for- 
ças para empregar-me no serviço de V. Ex." ao que desejo me não poupe...» 

I 126 

Carta do Vice-Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, participando-lhe a chegada da frota e agradecendo ter sido 
nomeado seu successor, o Conde dos Arcos. 

Bahia, 24 de abril de 1754 1127 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia para Diogo de Mendonça Corte 
Real, em que se refere a creação da Villa da Barra do Rio Grande 
do Sul, a propósito de communicar as providencias que tomara para 
evitar que alli corresse ouro em pó como moeda, contra as expressas 
determinações do Regimento. 
Bahia, 24 de abril de 1754. 

« II. "'° Ex."'° Snr. Pela copia da carta do Conde dos Arcos e das mais que me 
remetteu ficará V. Ex.'-'" informado do aviso, que me fez e recebeo, de que na 
Barra do Rio Grande do Sul corre ouro em pó e se tem por certo ser extraviado 
das Minas Geraes e Paracatú e que indo o Ouvidor da Comarca, à^. Jacobina, Hen- 
rique Corrêa Lobato crear em \'illa a dita Povoação, mandara fixar editaes para 
que o ouro em pó corresse alli pelo preço de mil e duzentos a oitava, para que 
cessasse com esta determinação a duvida que entre aquelles moradores havia 
em o receberem. 

Como esta resolução he toda contraria ao disposto no Regimento, por ficar 
aquella povoação fora do gyro mineral, em que só ha esta liberdade, ordeney 
logo ao dito Ouvidor mandasse recolher os editaes e evitasse pelo meyo mais 
eíhcaz e prompto semelhante practica... » 

II28 

Carta do Conde dos Arcos, D. Marcos de Noronha, para o Conde de 
Athouguia, participando-lhe o caso a que o documento anterior se 
refere. 

Arrayal de Trahiras, 8 de fevereiro de 1754. Copia. ( Annexa ao 
n. 1 128.) 1 129 

Carta de João Velho Affonso para o Conde dos Arcos, sobre o mesmo 
assumpto dos documentos antecedentes. 

Tabatinga, 28 de agosto de 1753. Copia. ( Annexa ao n. 
1128. ) ii3o 

Carta de Damião José de Sá, Alferes de Dragões incumbido das rondas nos 
certões ao Norte da Villa Boa de Goyaz, para João Velho Affonso, 
informando acerca do referido assumpto. 

Tabatinga, 4 de setembro de 1753. Copia. ( Annexa ao n. 
1 128. ) I i3i 

Carta do Conde dos Arcos, D. Marcos de Noronha, para JoãoVelho Affonso, 
em resposta á sua carta antecedente. 

Arrayal de Papoam, 25 de outubro de 1753. Copia. { Annexa 
ao n. 1 1 28. ] 1 132 



75 

(!\HiA do Descnilnugiiclor joiio líliscu de Sousa, pura hiogo de Mcndí)ns'a 
ílòitc Kcal, iiilormaiulo-o dos serviços c|uc estava prestando na 
Bahia c- que lhe davam ilireito a uma iutura recompensa. 

Hahia, 3o de abril ile 1734. ii33 

OiKicio do Arcebispo da Bahia, consultando sobre o numero de freiras que 
podiam ser admiuidas 110 novo convénio de S'" Úrsula de N. S". da 
Soledade e Coração de Jesus. 

Bahia, ide maio de 1734. /" e 2» vwí. 

«Dx."* e R.™" S."' Por duas vias recebo a resposta que V. Ex." foi servido 
ilar-mcá carta que lhe escrevy em 27 de março do anuo pretérito sobre vários 
particulares do novo Coiivento de S. (irsula tie N. S." da Soledade e Coração de 
Jesus. Nclla me diz V. Kx.", que S. Magestade resolvera que eu de nenhuma 
sorte coiiseiuisse que por nenhum principio se augmente o numero de 3o 
trcyras neste Convento, com que toy creado por Provisão de 2? de janeiro de 
I j^^S. Devo dizer a V. Ex." que esta l»rovisão e este numero toy concedido ao Con- 
vento de S.'" Úrsula de N. S." das Mercds e não ao Recolhimento da Soledade 
e Coraçãodc Jesus, porque só depois de quatro annos teve sere nome, por haver 
principiado no fim do anno de SH. K como o mesmo Senhor por mão ue V, Ex.» 
toy servido approvar o numero de 40 neste Convento, de que lhe dey parte na 
primeira conta lavrada em outubro de 732, peço a V. Ex.' me tire desta duvida...» 

1 134 — 1 135 



Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, participando ter dcmittidoo Des- 
embargador João Luiz Cardozo Pinheiro dos logares de Pro- 
curador da Coroa, Fazenda e Promotor da justiça, por incompatíveis 
com o que exercia de Ouvidor do Crime. 

Bahia, 3 de maio de 1754. ii36 

Oin-icio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca do provimento do Desem- 
bargador João Elyseude Sousa no logar da vara da correição do 
eivei, na vaga do Desembargador Jorge Salter de Mendonça. 

Bahia, 4 de maio de 1754. i^ e 2^ vias. 11 37 — 11 38 

Okficio do Vice Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, acerca da disputa que havia entre Francisco Manuel da Silva, 
João Lopes Fiúza Barreto e Manuel Ferreira da Costa, marido, genro 
e tilho de D. Thereza Jesus Maria, por causa de partilhas no in- 
ventario por morte do primeiro marido d'esia. 

Bahia, 7 de iViaio de 1754. Tem annexos 4 documentos e entre 
elles um termo de responsabilidade assignado por João Lopes Fiu\a 
Barreto e Manuel Ferreira da Costa. 11 39 — 1143 

« EscRiPTLRA de transacção e amigável composição, que entre sy fazem Ma- 
nuel Ferreira da Costa e sua mulher D. Catharina Josefa de Araújo 
Azevedo, João Lopes Fiúza Barreto e sua mulher D. Luiza Thereza 
de Sant'Anna, com Francisco Manuel da Silva por seu bastante 
procurador António Mendes do Rego» 

Bahia, 3i de maio de 1753. 1 Annexa ao n. i i3g. 1 1 144 

Okficio do Vice Rei Conde de Athouguia, remettendo a conta prestada pelo 

Thesoureiro Geral do Estado do Brasil Pedro Francisco Lima, sobre 

as despezas eftectuadas na Bahia com a Náu S. António e Justiça, 

que servira de comboio á ultima frota. 

Bahia, i3 de maio de 1734. 

Tem annexa a referida conta, 1145 — 1146 



76 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, participando o fallecimcnto do Desembargador dr. Bernardo 
de Araújo Velho, poucos dias depois de haver tomado posse do seu 
logar na Relação. 

Bahia, 3 r de maio de 1754. i'^ e 2^vias. 1147 — 1148 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, sobre o serviço dos Armazéns 
Reaes. 

Bahia, 5 de junho de 1754. Sem importância. 1 149 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia remettendo a informação judi- 
cial, a que mandara proceder sobre o procedimento do Desembar- 
gador João Luiz Cardoso Pinheiros nos diíferentes logares que 
accumulava illegalmente com o de Ouvidor Geral do Crime, de que 
era proprietário. 

Bahia, 8 de junho de 1754. ii5o 

Auto de devassa a que se refere o documento anterior. 

Bahia, 20 de maio de 1754. Annexo ao n. 1 i5o. 

Depuzeram como testemunhas nesta investigação judicial, João Vieira de 
Macedo Sousa, advogado ; Francisco Xavier Moniz, Escrivão da Ouvidoria Geral 
do Crime; Miguel Caetano de Abreu, idem; António Pereira da Silva, Official 
Maior da Fazenda Real; António Pinheiro da Silva, Official Maior da Secretaria 
do Governo; Manuel de Almeida Mar, Sargento Mór; Bernardo Franco da Silva, 
Escrivão dos Aggravos da Relação; José Pereira de Sousa Feijó, Cavalleiro Pro- 
fesso na Ordem de Christo e Guarda Mór da Relação e Manuel Domingos de 
Portugal, Coronel do Regimento Velho. 

I i5i 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, sobre o requerimento do 
Beneficiado Affonso Corrêa de Sousa, exigindo ao Mosteiro de 
S. Bento da Cidade da Bahia o pagamento de certa quantia. 
Bahia, 10 de junho de 1754 
Tem annexos 6 documentos. 11 52 — ii58 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, informando acerca do pro- 
cedimento do Desembargador Jorge Salter de Mendonça nos lo- 
gares que exercera na Bahia de Ouvidor Geral do crime, do 
eivei, Desembargador dos Aggravos e Conservador dos Moedei- 
ros. 

Bahia, 10 de junho de 1754. 11 59 

Auto de investigação judicial a que o Vice Rei Conde de Athouguia man- 
dara fazer, para averiguar o modo de proceder do Desembargador 
Jorge Salter de Mendonça nos ditferentes cargos que desempe- 
nhara. 

Bahia, 7 de maio de 1754. ( Annexo ao n. i i5g. ) 

Depuzeram como testemunhas neste auto, o dr. Luiz Ventura Alvares 
de Carvalho^ advogado; Francisco Xavier Moniz e Miguel Caetano de Abreu, 
Escrivães da Ouvidoria Geral do Crime; Francisco Xavier da Costa, Mes- 
tre de Campo dos auxiliares da Bahia ; Pedro Parreira Lemos, tabcllião; 
Bernardo Francisco da Silva, Escrivão dos Aggravos; José Pereira de Sousa 
Feyo, Guarda Mór da Relação e Manuel Domingues Portugal, Coronel do Re- 
gimento Velho. 

1 1 60 



I 



77 

Oi-KicK) do Arcebispo ila Buhia acerca de assumpto relativo ú successáo 
do Ciovcriio do Kstado do Hra/.il. 

Bahia, ii de junho de I/D.j. i" c j" vias. 
Sem importância. 1161 — 1 16a 

Oki-icio do Vice Rei Conde de Athouguia, informondo acerca do procedi- 
mento do Dcscmbarfíador Luiz. da Cunha Varclla, nos logares que 
exercera na Bahia lÍc Juiz da Coroa, Desembargador dos Aggravos, 
Ouvidor Cieral do (2ivcl e Conservador dos Moedeiros. 

Bahia, 12 de junho de 1734. ii63 

Alio de investigas-âo judiciai a t]uc o Vice Rei Conde de Athouguia 
mandara proceder para averiguar a forma como o Desembarga- 
dor Jorge Salicr de Mendonça desempenhara os cargos acima re- 
feridos. 

Bahia, 25 de maio de 1754. ( Annexo ao n. 1 163. ) 1 164 

Okkicio do Vice Rei Conde de Atliouguia participando que prestara todo o 
auxilio ao Desembargador da Reiaçáo António Ferreira Gil, no des- 
empenho de uma diligencia a que este tinha de proceder na Pro- 
vedoria da Fazenda. 

Bahia, i5 de junho de 1754. /" e 2^ vias ii65 — 1 166 

Okficio do Vice Rei Conde de Athouguia relativo ao carregamento dos 
navios das frotas e das ordens que regulavam a sua partida para o 
Reino. 

Bahia, 17 de junho de 1754. 1167 

Okficio do Commandantc da frota, António Pereira Borges sobre o mes- 
mo assumpto do documento anterior. 

Bahia, 28 de maio de 1754. Copia. {Annexo ao n. i i6y. ) 1168 

Okficio do Vice Rei Conde de Athouguia para Diogo de Mendonça Corte 
Real, participando-Ihe haver falta de Desembargadores na Relaçáo, 
por haver fallecido Bernardo de Araújo Velho e terem sido man- 
dados recolher ao Reino Joaquini Rodrigues Campello, Francisco 
Marcelino de Gouvêa e Raymundo Coelho de Mello. 

Bahia, 19 de junho, de 1754. 1 169 

Representação do Intendente Geral do Ouro da Bahia, Wencesláo Pereira 
da Silva, consultando sobre a interpretação das disposições da lei 
de 3 de dezembro de 1/5 o., que regulava a cobrança do imposto do 
5° do ouro, relativas ás penalidades em que incorriam aquelles a 
quem fossem apprehendidas barras de ouro, que não tivessem sido 
fundidas nas Reaes Casas de fundição. 

Bahia, 20 de junho de 1754. 1170 

Okkicio do Intendente Geral Wencesláo Pereira da Silva, acerca dos des- 
caminhos e tomadias do ouro. 
Bahia, 22 de junho de 1754. 
Tem annexos 2 documentos. 1 1 7 1 — 1 1 73 

Okficio do Vice- Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, acerca da cultura do linho e plantação de amoreiras para 



78 

creação dos bichos da seda, referindo-se também a uns engenhos 
para descascar arroz. 

Bahia, 25 de junho de 1754. 1174 

Officio do Vice-Rei Conde de Athouguia, informando acerca das dis- 
posições em que estavam as Gamaras para acceitarem o enca- 
beçamento em quantia certa para o pagamento do imposto dos 
quintos das minas dos seus districtos e o rendimento da Casa da 
fundição da Jacobina. 

Bahia, 25 de junho de 1754. 

« ... (A Casa da fundição da Jacobina ^ rendeu em 2 annos, 8 mezes e 
2Q dias, desde 26 de julho de 1752 em que começou a laborar alhci 27 de 
abril próximo passado 5oi marcos, 2 onças, 3 oitavas, 6 grãos e 8 quintos 
do ouro... » 

I 175 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, relativo á resolução que tomara 
de mandar sahir das Minas da sua jurisdicção os officiaes de ourives 
e outros officios que assistiam n'ellas com prohibição do regimento 
e ás ordens regias que recebera acerca da saboaria, de que era do- 
natário o Conde de Castello Melhor. 

Bahia, 25 de junho de 1754. 1176 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, acerca dos descaminhos que houvera na cobrança do donativo 
para os casamentos reaes, da exportação de cavallos para o Reino de 
Angola e da exportação de madeiras para o Reino. 

Bahia, 25 de junho de 1754. 1 177 

Carta do Governador do Reino de Angola, D. António Alvares da Cunha, 
para o Vice Rei Conde de Athouguia, agradecendo-lhe uns presen- 
tes de doces e os cavallos destinados ao Real serviço. 

S. Paulo d' Assumpção, s. d. 1754. 1 Annexa ao n. 11 Jj) 

... Passo, Ex™" Snr. com o rigor e trabalho deste clima no qual tudo he no- 
civo á saúde e agora estou no principio de ter mais em que cuidar, porque me 
fazem certo haver minas de ouro no certão, o que no ultimo de março mandey 
averiguar; se assim fôr não faltará que fazer; no fim d'cste mez poderei saber 
a realidade destas avulças noticias, que presentemente aqui correm como infa- 
líveis, pelo que no primeiro navio darei a V, Ex". conta do que na verdade hou- 
ver a este respeito. 

Os cavallos que V. Ex*. tem mandado são muito bons e se fôr possível que 
em cada hum navio venhão dous e mais será muito útil ao real serviço...» 

I178 

Officio do Commandante da tVota António Pereira Borges, acerca do car- 
regamento de madeiras para o Reino. 

Bahia, i de junho de 1754. Copia. ( Annexo ao n.iijj.) 1179 

Relação das madeiras que este presente anno de 1754 se remettem dos Ar- 
mazéns dos materiaes da Coroa para Nãos, por conta e risco da 
Real Fazenda para os da Corte e Cidade de Lisboa, á ordem do Pro- 
vedor dos Armazéns da Guiné e índia. 

Bahia, 2 de julho de 1754. ('^««exa ízo «. 7/77. ) 1180 

Carta de Pedro Leolino Mariz, para Diogo de Mendonça Corte Real, na 



70 

qual SC refere aos descaminhos do ouro, á descoberta de diamantes 
e de minas de salitre, 

Villa do Bom Succcsso das Minas novas, 27 de junho de 1734. 

1181 

Oiiicio do Chanceler da Kelavão, Maiuiel António da Cunha Sotiomaior, 
informando acerca de uma representav'âo de Appollinario José da 
Silveira Collaço, em nome dos Mamposteiros Menores da Rcdem- 
p»,ão dos Capiivos, pedindo para que tossem respeitados os seus 
privilégios e o recurso para o Mamposiciro mòr. 

Bailia. 3o de junho de 1734. 

ícm anncxos 4 documentos e entre elles a provisão regia de 'jS 
de janeiro de i j-^j, qne regulava -o assumpto. 1 182 — 1 186 

RiiQULRiMKNTO de Fraucisco Fernandes Maciel, de 14 annos, exposto em 

casa de Plácido Maciel, pedindo tolha corrida atim de embarcar 
para Lisboa. 

( Bahia, 4 de julho de 1754. ) 1 187 

Okkicio do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte Real, par- 

ticipando-lhe estar completamente restabelecido Fr. Félix Peixoto 

e o seu embarque para Lisboa na primeira frota, apesar do grande 

desgosto de desamparar sua mãe. 1 188 

Bahia, 12 de julho de 1754. 

Okkicio do Provedor Mor da Fazenda Manuel de Mattos Pegado de Serpa, 
rcf"erindo-se á nomeação de Thomaz de Villa para commissario da 
trota e informando que se não cobrava emolumento algum das vis- 
torias eíiectuadas nas Naus da índia e Fragatas de guerra. 
Bahia, 12 de julho de 1734. 
Tem annexo um documento. 1 189 — 1 190 

Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca da ajuda de custo de 3oo 
mil reisannuaes, que fora mandada abonar ao Chanceller da Rela- 
ção, Manuel António da Cunha Solto Maior, pela accumulação do 
serviço de Provedor mòr da Fazenda. 

Bahia, 12 de julho de 1734. 1191 

Provisão regia mandando dar posse a Manuel de Mattos Pegado de Serpa 
do logar Provedor Mòr da Fazenda da Bahia. 

Lisboa, 21 de novembro de 1752. Copia. Annexa ao n. ik/i.) 

'1192 

Okkicio do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte Real, re- 
ferindo-se a um Recolhimento de mulheres, fundado no sertão por 
uma tilha do Mestre de Campo da Conquista João da Silva Guima- 
rães e pedindo instrucções a este respeito. 
Bahia, 14 de julho de 1734. 

« Ex.""" Rev.""" S."'' Bastantes annos ha, que de palavra e por letra tenlio rece- 
bido e tomado varias informações sobre hum Recolhimento de molheres, de que 
he fundadora e governante huma D. Isabel Maria, tllha do Mestre de Campo da 
Conquista JoãodaSylva Guimarães, que ha muitos annos, que ajuizo por mais de 
vinte, que com alguns homens brancos e escravos vive entranhado naquelies ser- 
tões, sem comercio de outras creaturas racionaes, mantendo-se do que trabalha 
e de algumas porções de ouro, que os Governadores deste Estado lhe tem man- 



80 

dado dar para descobrimentos cjue lhes representa e segura muito capazes, para 
o que tem dom especial. Está sito este Recolhimento na parte mais remota deste 
Arcebispado, apartado 4 legoas da mais vizinha povoação, e em lugar solitário, 
montuoso e tanto que me seguram causa horror. 

Pellas primeiras noticias me não resolvi mais que a não desprezalas, vendo 
porem que cada vez eráo mais as recolhidas, e que viviáo não só recolhidas, mas 
clausuradas, vestidas uniforme no habito de S. Anna e que em breve tempo 
cresceria muito o material daquella obra e numero das recolhidas, pellos muitos 
mineyros, que procura vão recolher suas filhas no tal recolhimento, ine resolvi 
a mandar tazer a diligencia, que consta da ordem e da portaria inclusa, porem 
logo que esta chegou áquelle sertão, se fes manifesta de sorte que me escreveo 
esta molher, o que até aqui não havia feyto, nem outro algum requerimento, 
a carta que mais remetto com attestação e abaixo-assignados. 

Não estranho já esta manifestação, por ser uso practico e universal em todos 
os sertões e minas, que se tem introduzido em huns pella cobiça e em outros 
pello temor, de que os mattem. 

E se isto succede a respeyto de ordens e procedimentos, contra pessoas par- 
ticulares, não he muito succeda no presente caso, por verter contra todo áquel- 
le Districto e muitos outros, pello interesse que tem naquelle receptáculo para 
as suas obrigações... Pello sitio ser indigno e abominável para aquella fun- 
dação acho em consciência que se não pôde tolerar...» 

I 193 

Representação de D. Isabel Maria, fundadora e directora do referido Re- 
colhimento, justificando a sua fundação e o estado em que se en- 
contrava. 

Minas Novas, 2 de março de 1753. (Annexa ao n. iifj3.) 1 194 

Attestado de Pedro Leolino Mariz, Mestre de Campo, Commandante das 
Minas Novas do Arassuahy, acerca de D. Isabel Maria e do seu Re- 
colhimento. 

Villa de N. S.^" do Bom Successo, 28 de fevereiro de 1754. ( An- 
nexo ao n. 1 1()3.) 1195 

Attestado de varias pessoas, certificando o bom comportamento de D. Isabel 
Maria. 

Villa do Bom Successo e Minas do Araçuahy, 19 de janeiro de 
\']'b^. [Annexo ao n. 1 1 Cf3. ) 1196 

Auto de investigação a que procedeu o Padre Nicoláo Pereira de Barros, 
Vigário da Matriz de Santo António e N. S.= do Bom Successo do 
Corvello, por ordem do Arcebispo da Bahia, sobre o Recolhimento 
fundado nos limites da freguezia do Fanado. 

Bahia, 6 de junho de 1754. [Annexo ao n. i iqS.j 1197 

Okkicio do Provedor Mor da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa 
para Diogo de Mendonça Corte Real, participando haver prestado 
todo o auxilio ao Desembargador António Ferreira Gil, encarregado 
de uma syndicancia a diversas contas do tempo em que serviu o 
Thesoureiro Domingos Cardoso dos Santos. 

Bahia, i5 de julho de 1754. 

Tem annexos 2 documentos^ contendo varias copias da corres- 
pondência trocada sobre o assumpto. 1 198—1200 

Carta do Intendente Geral do Ouro Wencesláo Pereira da Silva, dirigida 
a Elrei D. José, informando-o de varias providencias que adoptara 
para evitar os descaminhos do ouro. 
Bahia, 19 de julho de 1754. 



81 

7Vm annexos 4. documentos, sendo um d'elles a carta regia de 5 
de mar\o de i "jliO, ordenando ao Vice Rei do lira:{il. Conde das 
(íalvèas, que procedesse ás devassas necessárias para o descobri- 
mento dos crimes de moeda falsa, descaminhos do ouro, marcas 
falsas, fundições clandestinas etc. 1201 — i2o5 

Carta do Arcebispo da Bahia, D. Josd Botelho de Mattos, para Diogo de 
Mendonça Corte Real, sobre o provimento da Capclla de Nossa Sc- 
niiorn da Penha de França. 

Bahia, 20 de julho de 1754 1206 

RbpreskntaçÁo do Intendente Gerai da Bahia, Wencesláo Pereira da Sil- 
va, dirigida a Klrei 1). José, consultando se o ouro extrahido na 
Cosia da Mina e importado no Brazil devia ou não pagar o imposto 
do quinto. 

Bahia, 20 de Julho de 1754. 

« ... He certo que a lei fundamental da cobrança do quinto só obriga a pa- 
calo de todo o ouro produzido c extrahido das minas deste Estado; logo nâo 
no devido do ouro criado e conduzido de fora dellc das terras de diferente do- 
mínio; e por isso se está vendo praticar sem escrúpulo e passar sem obrigação 
de pafíar (.minto todo o ouro nacido e extrahido das minas de Castella, sendo 
manitestauo e reconhecido por tal e que por algum caso fortuito passa para 
aquelle Reino pelos portos de mar deste testado. 

No vasto certão da costa Occidental de Africa se descobre muyto ouro em 
pó e por isso lhe chamáo a Costa da Mina ; toda aquella terra, excepto algum 
pequeno pedaço da marinha, se acha e esteve sempre povoada de varias nu- 
vens de negros gentios, que a habitão e domináo como senhorios delia por di- 
reito das gentes e nunca foram conquistados pelos brancos, porque nunca pas- 
sarão estes dos limites das prayas do mar, aonde só chegão a comerciar com 
os negros da terra, que ali os vão buscar e levar escravatura, marfim, madeira e 
ouro em pó, o qual por nacido e conduzido por negocio de Pais estranho, parece 
pelo mesmo fundamento asima ponderado, que não está sujeito ao quinto, como 
está o que se cria e extrahe das terras deste Estado Brasilico. 

Se o dezembargador Intendente Geral do Rio de Janeiro quiz levar e resol- 
ver aquelle negocio por outro principio, supondo que da Costa da Mina se não 
extrahia e conduzia ouro para este Estado, antes d'aqui se levava por negocio e 
tornava a trazer para o livrar do quinto por modo furtivo; parece que isto se 
está convencendo com a evidencia do facto, pois a experiência está mostrando 
haver e vir muyto ouro nativo daquelle continente de Africa e a considerada 
razão da morae risco do mar a que se expunha quem para a Costa da Mina 
levava ouro em pó e o tornava a trazer para o Biasil a fim de livrar e lucrar 
vinte por cento do quinto, quando empregando o valor desse mesmo ouro a 
risco ou em effeitos do licito e principal negocio daquella navegação podia 
ganhar quadruplicado avanço de cento por cento no iroco e resgate de escravos 
daquella terra, conduzindo-os e vendendo-os n'esta cidade pòr exhorbitantes 
•■ preços...» 

1207 

Sentença do Desembargador Intendente Geral do Ouro do Rio de Janeiro, 
Joaquim Alvares Simões, mandando cobrar o quinto do ouro proce- 
dente da Costa da Mina e introduzido no Brasil pelos portos da sua 
Capitania. 

Rio de Janeiro, 5 de março de 1754. Copia. (Annexa ao n. i20j} 

1208 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, participando-lhe que Fr. Félix Peixoto partiria em breve para 
Lisboa, a bordo da Galera S.^ do Bom Successo, ao cuidado do Ca- 
pitão Francisco Barbosa de Sousa. 

Bahia, 20 de julho de 1734. 1209 



82 

Okficio do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior 
participando ter tido umaconferencia com o Arcebispo c Reitor do 
Collcgio da Companhia de Jesus, acerca do assumpto a que se re- 
fere o documento seguinte. 

Bahia, 20 de julho de 1754. 1210 

Okficio de Diogo de Mendonça Corte Real, participando ao Chanceller da 
Relação que fora ordenado ao Reitor do CoUegio da Companhia de 
Jesus da Bahia, que alli tivesse um cofre para guarda dos diplomas 
que regulassem a forma de successão do Governo, na falta do Gover- 
nador. 

Salvaterra de Magos, 24 de fevereiro de 1754. Copia. { Annexa 
ao n. 120'] ). 

«S. Magestade foy servido mandar fazer huma via de suceção para o Governo 
desse Estado, que vae remetida ao Reytor do Coilegio da Companhia dessa 
Cidade, ao qual ordena o mesmo Senlior que mande fazer huma caixa com três 
chaAes entregando huma ao Arcebispo e outra a V. M." ficando o mesmo Rey- 
tor com a terceyra e que se conserve a dita caixa no mesmo Coilegio, para 
cazos semelhantes e as chaves nos mesmos lugares, do dito Bispo, de V. Mercê 
e do dito Reytor e nos seus successores, ficando em cada sucesão hum dos 
termos na dita caixa remettendo hum a esta Secretaria de Estado. 

E que a dita via de sucesão se abra no caso que faleça o Conde Vice Rei 
ou no dia que elle partir para este Reyno, sendo a dita abertura na prezença 
de V. Mercê, Chanceller edito Reytor, que assignarão o termo delia...» 

121 I 

Carta do Desembargador João Eliseu de Sousa, continuando a accusar 
alguns dos seus collegas da Relação de falta de probidade no exer- 
cício das suas funcçóes e agradecendo ter sido provido na vara 
eivei. 

Bahia, 22 de julho de 1754. /^, 2^ e 3^ vias. 1212 — 1214 

Carta do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte Real, na 
qual se refere á deficiência dos rendimentos da Mitra para pagamento 
das passagens dos frades, que forão mandados recolher ao Reino, ás 
boas qualidades do desembargador do Paço António José da P^on- 
seca, á successão do Governo interino por não haver ainda noticia da 
chegada do novo Vice Rei, o Conde dos Arcos, á remessa á Mesa da 
Consciência de uns novos Estatutos da Sé da Bahia e á concessão que 
pedira para augmentar o numero de religiosas do Convento da 
Conceição . 

Bahia, 23 de julho de 1754. i°- ^2=» vias. A i^ via tem annexa 
um documento. Os Estatutos da Sé tnccntram-se encadernados na 
Colleccão dos Códices. 2 ex. 121 5 — 121 7 

Carta do Desembargador João Eliseu de Sousa, dirigida a Elrei D. José, 
dando conta da syndicancia, que lhe fora ordenada, para averiguar 
as irregularidades de alguns desembargadores da Relação e quei- 
xando se das ameaças e intrigas que estes lhe moviam. 

Bahia, 23 de julho de 1764. /=• e 2^ vias. 1218 — 1219 

Carta do Desembargador João Eliseu de Sousa, para Diogo de Mendonça 
Corte Real, encarregando-o de entregar a Elrei D. José a carta an- 
terior e participando-lhe a prisão do Escrivão da Fazenda João Dias 
da Costa e do Escrivão do Thesouro Manuel Fernandes da Costa. 
Bahia, 25 de julho de 1754. 1220 



88 

Kkphkskntaçáo dn Mesa da Inspccçíoda Bahiti, acercada navegação c coni» 
mcrcio da Cosia da Mina. 

Bahia, 27 de julho de 1754. 1221 

Okkicio do Chanccllcr da Rehívão, Manuel António da Cunha Sottomaior, 
informando acerca dos requerimentos de Francisco Vieira da Silva, 
que lhe estão an nexos. 

Bahia, 27 de julho de 1754. 1222 

PoHiAniA iL-gia, assignada por Diogo de Mendonça Corte Kcal, mandando 
o Chanccller da Rclasão da Bahia informar sobre o assumpto a que 
se relerem os requcrinicnios seguintes. 

Belém, 3o de novembro de 1753. { Annexa ao n. 1222) i223 

RiíQUERiMicNTOs ( 2 ) do Capitão de Auxiliares Francisco Vieira da Silva 
pedindo procedimento criminal ccMitra Fr. Félix Peixoto, pelos in- 
sultos que lhe dirigira no ex^rcicio de suas funções de almotacé. 
6\ d, [i'j5'i).( Annexos aon. 1222). 1224 — 1223 

Ai!To de inquirição de testemunhas a que procedeu o Chanceller da Re- 
lação da Bahia, sobre os factos a que se referem os documentos ante- 
cedentes. 

Bahia, 22 de julho de 1754. ( Annexo ao n. 1222). 122C) 

Okkicio do Intendente Geral do Ouro Wencesláo Pereira da Silva, remet- 
tcndo as contas das dcspezas da Casa da fundição de Jacobina, pagas 
pela Fazenda Real e informando que não havia verba consignada a 
esse pagamento. 

Bahia, 28 de julho de 1734. 

Tem annexos 3 documentos. 1227 — i23o 

Ofkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, acerca do requerimento que lhe tizera José Machado Pinto, 
Contratador Geral do Tabaco, para a partida do Patacho N.^ 5." do 
Rosário, que de ha muito se achava carregado e informando que a 
longa secca produzira uma grande mortandade no gado bovino o 
que prejudicava enormemente os transportes dos assucares e tabacos. 
Bahia, 28 de julho de 1754. 
Tem annexos 3 documentos. i23i — 1234 

Carta do Provedor Mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa par- 
ticipando a Diogo de Mendonça Corte Real não ter chegado ainda a 
Não da índia N.'^ S.^ da Caridade e S. Francisco de Paula, nem ter 
noticia de haver arribado. 

Bahia, 29 de julho de 1754. i235 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia para Diogo de Mendonça Corte 
Real, informando acerca dos motivos que retardavam a partida dos 
navios da frota, sendo um d'elles a falta de bois para os transportes 
por terem morrido muitos em consequência da enorme secca, o que 
tinha provocado varias representações dos capitães dos navios, dos 
commerciantes, da Mesa da^ Inspecção, etc. 
Bahia, 29 de julho de 1754. 
Tem annexos 1 3 documentos, i236 — 1249 



84 

Carta do Governador da Colónia Luiz Garcia de Bivar, para o Vice Rei 
Conde de Athouguia, communicando-lhe varias noticias interes- 
santes. 

Colónia, 8 de junho de 1754. ( Anitexa ao n. i236). 

«Ill.""> Ex.^oS."' Recebi acarta de V. Ex." escripta a 3o de novembro do anno 
passado pela Corveta iV.° S-", Santo António e Almas, que chegou a este porto 
a 21 de janeiro do prezente anno, a que faço resposta pela mesma corveta, segu- 
rando a V. Ex.' o grande sentimento que me cauzou a noticia de haver tantos 
mezes que padecia o ataciue de gotta e o mal da sarna que produz a terra, de 
cujas queixas desejo ver V.Ex.' livre e assistido de saúde perfeita : a minha ao 
presente he boa, porem no mes de outubro padeci de huma doença tão perigosa, 
que estive no risco de perder a vida, mas como o l)r. José Mini a conheceu Togo, 
me applicou os últimos remédios com que tive o bom successo de salvala, para 
poder ofterecela ao serviço de V. Ex.', pois terei pela maior honra, queira dar 
exercício á minha obediência. 

Agradeço a V Ex* a promptidáo com que me mandou satisfazer a letra pela 
Fazenda Real a Manuel Botelho de Paiva, para o pagamento das madeiras que 
lhe encommendey comprasse para os Armazéns de S. M., das quaes já remetteu 
algumas, mas as que devia embarcar no navio de Manuel Ferreira dos Santos, 
como V. Ex.' me aviza, athé o dia de hoje não tem aqui chegado e me tem feito 
grande falta a sua demora, pela precizão que tinha delias para o concerto das 
embarcaçoens e factura de carros para a presente expedição e por isso rogo a 
V- Ex.° se sirva de ordenar se faça este transporte com a brevidade possivel 
por ser assim conveniente ao Real serviço. 

Os índios das Aldeyas do Uruguay que ainda se conservão suble- 
vados, em o dia 23 de fevereiro atacarão a nossa guarda da Forqueia do Rio 
Pardo, composta de 60 homens de que era commandante o Tenente Francisco 
Pinto, o qual fazendo-lhes togo com huma peça de artilharia carregada de 
baila meuda, os obrigou a retirar deixando no campo 21 mortos e levando 
bastantes feridos, que largarão lanças, flexas, e ponches e da nossa parte forão 
3 os mortos e 2 os feridos e o Tenente com hum braço passado de uma Hecha, 
o que sendo prezente ao Tenente Coronel Pascoal de Azevedo que governa o 
Rio Grande, mandou logo soccorrer a guarda com 60 granadeiros, 20 Paulistas, 
hum Esquadrão de Dragoens e duas peças de artilharia de ameudar, encarre- 
gando o governo de todo este corpo ao Tenente Coronel de Dragoens Thoma:^ 
Lui\ Osório. 

Depois recebemos a estimável noticia de que estando o dito Tenente Coronel 
no posto da mesma Guarda levantando terra para fortificar huma fortaleza deno- 
minada V ictoria, em o dia 29 de abril se avizinharão a ella os indios das mesmas 
aldeãs, rezolutos a batela com 4 peças de artilharia do calibre de huma linha e 
depois de 2 horas de combate sanio da Fortaleza o Tenente Coronel referido e o 
Tenente Francisco Pinto, com huma companhia de Granadeiros e alguns Dra- 
goens a desalojalos, o que conseguirão com a felicidade de se retirarem os índios 
deixando nas mãos das nossas tropas, 2 peças de artilharia, 4 armoens das mes- 
mas, hum saco de bailas de mosquete, huma bandeira, huma caixa de guerra, 
28 arcos, 3i aljavas cheias de ttexas, 10 formas de fazer bailas, 11 cavallos, y 
lanças, duas meyas luas, 6 índios mortos e 53 prizioneiros e da nossa parte so 
morrerão dous soldados. 

Em 29 de março se juntarão em conferencia na Ilha de Martim Garcia os 
dous Senhores Commissarios principaes das Diviroens de Limites desta America 
e o General D. José de Andonaegue, Governador de Buenos Ayres, que veio pe- 
dir auxilio ao General Gomes Freire de Andrada, que lhe concedeu e se ajus 
tarão em hir atacar os índios das Sete Missões rebeldes, marchando logo o meu 
General pelo Rio Grande a atacar a Aldeã de Santo Angelo e Andonaegue 
desde o Arroyo das Gallinhas passaria á Aldèa de S. Nicolau signalando o 
dia prefixo para o ataque a i5 de julho e que conforme o successo se regularia 
o que ao diante devião obrar. 

Estamos na esperança de que vendo-se os índios atacados por duas 
partes com tropas reguladas que governão dous Generaes, tão scientes da 
arte militar e de tão conhecido préstimo, cedáo de sua teima e pessão 
perdão. 

Se assim o fizerem em breve tempo poderemos ver o fim desta expedição 
na qual já começo a trabalhar, porque a evacuação desta Praça hade ser huma 
das mais laboriosas que se pode imaginar... 

P. S. D meu general sahio desta Praça para o Rio Grande a 22 de abril e 
o General Andonegue também marchou a 23 de mayo para as Missões, sem que 
lhes sirva de obstáculo a grande invernada que levão. 



I 



85 

l.txi o I" ilotc mcK lulecco o (loronci Manitel HotcHio âc Lacerda c deixou 
on^c JilliDX cjilltai! cm idades muy avançadas ». 

I230 

Duplicado do doe. n. I236. W^ via. Tem annexos tj documentos 

123 1 — 1263 

Okkicio Jo Vice Kci Conde de Aihouguia, para Diogo de Mcndons*a Corte 
Kcal, rcmettciido-lhc a seguinte carta do Governador de Angola 
relativa á descoberta de minas d'ouro nas margens do Kio Lombige 
e varias amostras de minério que lhe havia enviado Lourenço 
António Bragança. 

Bahia, 29 de julho de 1754. 

« ... As tninas de nurn nns margens ilo Rio Lninbigc, não só são já certas, 
mas do graiuic pinta se continuarem como o principio que tiveráo...» 

12G4 

Cauta do Governador do Reino de Angola, D. António Alvares da Cunha, 
para o Vice Rei Conde de Aihouguia participando-lhc o apparcci- 
mento de minas d'ouro nas margens do Rio Lombige. 

S. Paulo d'Assumpção de Loanda, 24 de junho de de 1754. 

{Annexa ao n. 1264). i2õ5 

Carta de Lourenço António Bragança, para o Vice Rei Conde de Athou- 
guia, participando-lhe a descoberta de minas de prata e remcttendo- 
Ihe amostras de minério. 

Pau-apiquc, 24 de maio de 1764. Copia, (Annexa ao n. 1264). 

« ... 111.""" e Ex.""" Snr. Ao depois que me auzentei da 111."" Casa do II"* Ex."* 
Snr. Conde de S. Vicente, entrou a tortuna a fazer divorcio commigo, por cujo 
motivo me inclinei nesta parajem aonde habito a tantos annos a explorar estes 
certões, particularmente chegando a esta parte o Mestre de Campo João da 
Silva Guimarães, que com a sua Bandeyra cultivey esta parte na diligencia de 
buscar estas encantadas minas de prata, que em outros séculos prometteo a S. M. 
que Deus guarde, Melchior Dias Moreyra, conhecido por antenomazia o Muri- 
bcca 

E como neste mes de mayo entrando para huma destas partes, que explorei 
naquelle tempo revistei huma Serra com a minha pequena comitiva que levava 
e nella achey muitos serviços de Minas antigas e em numa delias essas pedras 
mais claras que a V. Ex.' remeto em hum .saquinho de seda pequeno, como 
também essa pedra que em sy mostra algum metal, que vem a ser a de que se 
compõe a mesma serra. 

È distante desta parte oito ou dez legoas descobri hum riacho com as pedras 
mais turvas e essas alambriadas, que remeto a V. Ex.'... » 

1266 

Informação do Ensaiador da Casa da Moeda da Bahia, Manuel Alvares 
Guimarães, aífirmando que, pelo exame a que procedera, nenhuma 
das amostras enviadas por Lourenço António Bragança continha 
prata e classificando as outras pedras de topázios brancos. 

Bahia, i5 de julho de 1754. (Annexa ao n. 1264]. 1267 

Officio do Com mandante da Frota .Vntonio Pereira Borges, informando 
Diogo de Mendonça Còrie Real dos motivos que determinavam a 
demora no carregamento e partida dos seus navios. 

Bahia, 3o de julho de 1754. 1268 

Officio do Desembargador João Eliseu de Sousa, para Diogo de Mendonça 



86 

Corte Real, referindo-se a vários furtos e descaminhos na Fazenda 
Real e á syndicancia de que fôra encarregado o Desembargador 
António Ferreira Gil nas contas do Thezoureiro Domingos Car- 
doso dos Santos. 

Bahia, 3o de julho de 1754. 1269 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia participando ter chegado á Bahia 
o Bacharel Paschoal de Abranches Madeira e ter em seguida tomado 
posse do novo logar de Juiz de Fora do Villa da Cachoeira, em que 
fora provido. 

Bahia, 3o de julho de 1754. 1270 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia paritipando ter sido preso e 
sequestrado Pedro Moniz Barreto, Thezoureiro do Donativo Real, 
por alcance e falsificação de documentos. 

Bahia, 3i de julho de 1754. i^ e 2^ vias 1271 — 1272 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia participando ter reprehendido 
como lhe fora ordenado, o Juiz do Crime Francisco Xavier Pereira 
Brandão, por ter dado uma sentença iniqua contra 4 escravos do 
Padre Velloso Paes. 

Bahia, 3i de julho de 1754. 

Tem annexos 4 documentos 1278 — 1277 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, acerca da syndicancia na Relação da Bahia de que fora encar- 
regado o Desembargador do Paço António José da Fonseca Lemos 
e participando ter intimado os Desembargadores Jorge Salter de 
Mendonça, Luiz da Cunha Varella, João Luiz Cardoso Pinheiro, 
João Rodrigues Campello, Francisco Marcellino de Gouvèa, Ray- 
mundo Coelho de Mello e o Juiz dos Órfãos Domingos Joaquim 
Pote á embarcarem immediatamente para o Reino, como fora supe- 
riormente ordenado. 

Bahia, 3i de julho de 1754. Tem annexos 6 documentos . 1278 — 1284 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, informando ser falsa uma par- 
ticipação do Intendente Geral acerca de determinada ordem que este 
dizia ter sido dada ao Com mandante do Registo da Moritiba. 

Bahia, 3i de julho de 1754. 

Tem, annexos 3 documentos sendo um delles a copia da Provisão 
do Vice Rei Cotide de Athouguia, de 29 de junho de i j 5 1 , f aderi- 
do mercê ao Tenente Coronel Ajitonio Alvare?^ de Araújo Soares 
do logar de Provedor do Registo do Districto de S. Pedro de Mo- 
ritiba. 1285—1288 

Duplicados dos n.°s 1285 a 1288 2^ via. 1289 — '-9^ 

Carta do Vice Rei Conde de Athouguia para Diogo de Mendonça Corte 
Real participando-lhe que a frota devia partir para o Reino no dia 7 
de agosto e que n'ella embarcaria, aproveitando a licença que lhe 
tinha sido concedida, de se ausentar ainda antes da chegada do seu 
successor. 

Bahia, 3i de julho de 1754. 

Tem annexo um documento. 1293 — 1294. 



I 



87 

Ofkicio do Vice Hei (^onJc de Athou^uia, participando que, a pedido do 
DeseinliaiuíKlor Amónio I*"crrcirn Ciil, encarregara o Alferes d'In- 
luntaria {•raiicisco da Cunhu, de prender os Oíliciacs da Fazenda 
Heal, Manuel Fernandes da (>osta e João Dias da Costa c que 
para o logar de Kscriváo, que este ultimo desempenhava, nomeara 
interinamente, á requisição do Provedor Mór, Anumid Pereira da 
Silva. 

Bahia, 2 de agosto de 1754. 1395 

Okkicio do Vice Hei Conde de Aihouguia acerca das despezas que a Fa- 
zenda Real fazia com os preparativos c abastecimentos dos navios das 
frotas. 

Bahia, 3 de agosto de 1734. 

Tem annexo um documento. 1296 — 1297 

Oki-icio do Vice Rei Conde de Athouguia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, no qual se refere á nova Casa de fundição no Arrayal de S. 
Félix no Districto das Minas de Goyaz e á chegado de Francisco 
Xavier da Silveira, nomeado Director da Fortaleza de Ajuda, na 
Costa da Mina. 

Bahia, 3 de agosto de 1754. 1298 

Carta do Chancellcr da Relação Manuel António da Cunha Sotto Maior 
para Diogo de Mendonça Corte Real, communicando o auxilio que 
prestara ao Desembargador António Ferreira Gil na syndicancia a 
que este estava procedendo e informando acerca do alcance do The- 
soureiro Domingos Cardoso dos Santos. 

Bahia, 4 de agosto de 1754. 1299 

Carta do Chanccller da Relação Manuel António da Cunha Sotto Maior, 
acerca da exportação de madeiras para o Reino. 
Bahia, 4 de agosto de 1754. 
Tem annexos 3 documentos. i3oo — i3o3 

Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia, participando a Diogo de Men- 
donça Corte Real vários actos de desobediência praticados pelo 
Provedor da Casa da Moeda da Bahia, Francisco Xavier Vaz Pinto, 
que arbitrariamente mandara proceder á ampliação do edifício 

Bahia, 6 de agosto de 1754. 

Tem annexas as copias de 2 portarias do Conselho Ultrama- 
rino, que o Provedor Va:[ Pinto desacatou. 004 — i3o6 

Okkicio do Vice Rei Conde de Athouguia remettendo os mappas dos Re- 
gimentos, pagos e Batalhão de Artilharia da guarnição da praça da 
Bahia e o mappa da carga que levavam os navios da frota. 

Bahia, 6 de agosto de 1754. i3o7 

Mappa do Regimento de Infantaria de que he Coronel Lourenço Mon- 
teiro. 

Bahia, i de agosto de 1734. (Ámiexo ao n. i3oj). i3o8 

Mappa do Regimento de Infantaria de que he Coronel Manuel Domingues 
Portugal. 

Bahia, 3 de agosto de 1754. (Annexo ao n. i3o~i. i3o9 



88 

Mappa do Batalhão da Artilharia de que he Tenente General João da 
Rocha . 

Bahia, 4 de agosto de 1754. (Annexo ao n. i3oj). i3io 

Mappa geral dos navios, que em 7 de de agosto de 1754 vão na P'rota da 
Cidade da Bahia comboyados pela Capitania N.^ S.^ das Necessida- 
des^ de que he Commandante António Pereira Borges e pela Náu 
da índia S. Francisco Xavier e Todo Bem de que he Capitam de 
mar e guerra, Caetano Corrêa de Sá . 

Bahia, 6 de agosto de 1754. (Annexo ao n. iSoy). 

Contem os nomes dos navios que compunham a frota^ os nomes 
dos commandantes e a relação especificada da carga, composta de 
66.055.1 18 rs em dinheiro, 22.1 28 oitavas de ouro em pó, assucar 
tabaco, atanados, sola, coiros em cabello, mel, farinha, coquilho, 
madeira de vignatico, Jacarandá, etc. Eram 20 os navios que for- 
mavam a frota. i3ii 

Carta do Reitor do Collegio da Companhia de Jesus Thomaz Linceo, par- 
ticipando ter cumprido todas as ordens que recebera acerca da 
guarda dos documentos relativos á successão do Governo e que, 
tendo partido nesse dia para o Reino o Vice Rei Conde de Athou- 
guia, tomara posse o Governo interino, composto segundo as ordens 
de S. M. , pelo Arcebispo D. José Botelho de Mattos, Desembar- 
gador Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior 
e Coronel Lourenço Monteiro. 

Bahia, 7 de agosto de 1754. i^ 2^ vias. i3i2 — i3i3 

Ofkicio do Provedor Mór da Fazenda, acerca da remessa de madeiras 
que fazia pelos navios da frota, destinadas ás obras do Paço Real 
da Corte. 

Bahia, 7 de agosto de 1754. 

Tem annexa uma relação. i3i4 — i3i5 

Officio do Provedor Mór Manuel de Mattos Pegado de Serpa acerca do 
fornecimento das provisões de que carecera a Náu de guerra N.^ S.^ 
das Necessidades e informando sobre as diligencias empregadas para 
o conseguir. 

Bahia, 7 de agosto de 1754. 

Tem annexos 4 documentos. i3i6 — i32o 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia para Diogo de Mendonça Corte 
Real , participando a sua partida para o Reino e a posse do Governo 
interino, por não ter ainda chegado o seu successor o Conde dos 
Arcos, D. Marcos de Noronha, ex-Governador de Goyaz. 

Bahia, 7 de agosto de 1754. 

Tem annexos 3 documentos. 

« Hoje sete do corrente pela manhãa se abrio a via de successão que se 
achava no Collegio da Companhia cm um cofre fechado, com três chaves, de 

aue estavão entregues o Arcebispo, o Reytor do mesmo Collegio e o Chanceller 
a Relaçam. 

Forão declarados para interinamente governarem este Estado o Reverendo 
Arcebispo desta Dioceze, o desembargador desta Relação António da Cunha 
Sottomaior e o Coronel mais antigo Lourenço Monteiro, os quaes todos vierão 
ao palácio da rezidencia dos VV. Reys jurar homenagem na forma do estylo e 



80 

um «ihKc-niiiiLi.i uciK. iiiL-i lui dar poMe e larguei o governo tM Timplo df 
Sà. 

Tciuin iiqucllc acio a flHHiKlcticia do» Minitlrnii da Rctncani, Scnadn da Ca> 
incru, l'rcludoH dn» Kctif;i(icnH, OfliciucR inilitarc* c dn Fazenda e nobreza da 
tcrru, «c iiiittin|(ui(> cm o nAo tcHtcmuiiharo dczcmbargador Intendente do Ouro 
Wcnccsláo Pereira da Silva... (|uc deixou de «cr preiiente a esta ac^fto como 
devi». 

l32l — 1324 

Carta do Provedor M()r du Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa, 
participando a remessa de niudciras a bordo da charrua sueca do 
commandanie Krasmus Hamm. 

Bahia, 4 de novcnihro de 1734. i325 

Okkicio do Conimissario da Fragata de guerra iV. .S. das Necessidades 
dando contadas despezas deste navio durante a viagem que fizera á 
Bailio, comboiando a trota e informando acerca do» fornecimentos 
das provisões que alli recebera. 

I Lisboa ), 18 de outubro de 1734. 

Tem annexo um documento. i326 — 1327 

Okkicio do Commandanie da frota António Pereira Borges, participando 
ter chegado da Bahia com 73 dias de viagem, tendo d'alli partido só 
no dia 8 de agosto por ter o Vice Hei embarcado na véspera a hora 
a que já não havia maré para largar. 

(Lisboa), 19 de outubro de 1754. i328 

Rklatorio do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sotto- 
maior, dirigido a KIrei I). José. sobre o alcance do Thesoureiro 
Domingos Cardoso dos Samos. 

Bahia, 20 de outubro de 1734 

Tem annexos 5 documentos. 1329 — 1334 

Okkicio do Chanceller Manuel António da Cunha Sottomaior acerca da 
prisão do Escrivão da Fazenda João Dias da Costa e do sequestro de 
seus bens, como cúmplice do alcance do Thesoureiro Domingos 
Cardoso dos Santos, alíirmando que o julga innocente. 
Bahia, 3i de outubro de 1754. 
Tetn annexos 10 documentos. 

« ... Kste official ( João Dias da Costa) pelo que tenho experimentado he na 
minha opinião e na de todos que fallarem verdaJe de procedimento inculpável; 
razão porque estou, emquanti» não vir o contrario, em que padece innocente e 
só por ter servido ao mesmo Senhor com a honra e inteireza que deve; «- que 
não experimentaria se consentisse nos descaminhos da Fazenda Real obrados 
pelodescaminhadores que eu hoje conheço sua capacidade...» 

i335 — 1345 

Okkicio do Governo interino da Bahia, participando ter carregado madeira, 
a charrua sueca Gram Almirante, do Capitão Erasmus Ramm, 
que em breve partiria para Lisboa. 

Bahia, 2 de novembro de 1734, 

Tem annexos 4 documentos, sendo um delles a relação de toda 
a tripulação da charrua. '1346 — i35o 

RepresicntaçÃo do Vereador da Camará da Bahia Francisco Xavier de 
Arauio Lasso, protestando contra a extraordinária exportação de 



if 



90 

farinha de mandioca que se estava fazendo para a Costa da Mina e 
Reino de Angola, com grave prejuízo da alimentação do povo. 
Bahia, 6 de novembro de 1754. 

«Senhor. O lugar que exerço actualmente de primeiro vereador da Camará 
desta Cidade da Bahia e a obrigação que por isso me impõem a leyde zelar os 
fruitos da terra e o bem commum deste povo, me precizão a por na Real Pre- 
sença de V. M., que sendo o maior e de que mais carece o dito povo, o alimento 
quotidiano, que he a farinha que produz a mandioca, por ser esie o seu pão, de 
que vivem e sustentão e com tal afteiçáo a elle, que na sua falta lastimossissi- 
mamente se observa que os naturaes e muito principalmente os rústicos, mu- 
lheres, meninos e escravos ainda que outro de trigo ou milho succeda haver (o que 
sóhe por preços muito altos, a que a pobreza não chega) clamáo se lhes de a dita 
farinha, para com o dito pão a comerem ; e a falta disso estão sempre famintos 
e em termos de perecerem; de todo este bem o costumam privar os senhorios 
dos navios, que navegão desta Cidade para a Costa da Mina e Angola, a lesgate 
de escravos, extrahindo em cada um anno milhares e milhares cie alqueires da 
dita farinha, parte para sustento dos ditos escravos e outra parte para negocio 
roeste Reyno de Angola, onde a vendem por altíssimos preços, que em muitas 
dobras excedem aquelles, porque a comprão nesta Cidade e este tão extraor- 
dinário interesse lhes fomenta a ambição, carregando navios delia para seme- 
lhante commercio, tão prejudicial ao povo...» 

, . i35 1 

Alvará régio suscitando a observância da lei de i5 de fevereiro de 168S 
obrigando os habitantes da Capitania da Bahia á plantação da man- 
dioca. 

Lisboa, 27 de fevereiro de 1701. Copia. (Annexo ao n. i35i). 

Eu Elrei faço saber aos que este Alvará de declaração em forma de ley 
virem, que havendo consideração a me representarem os officiaes da Camará da 
Bahia de Todos os Santos em carta de 14 de julho de 686, que a mayor parte do 
provimento da farinha se conduzia de mar em fora das três Capitanias do Ca- 
mamú cuja navegação impedia muitas vezes o rigor do tempo e se experimentava 
grande falta deste mantimento, ficando nas occasioens do inimigo de todo impe- 
dida a entrada das embarcaçoens ; e tendo também respeito ao que sobre esta 

; matéria me informa o Governador Mathias daCiinha e a resposta do Procurador 

de Minha Fazenda a quem se deu vista : Mandei estabelecer huma ley em i5 de 
fevereiro de 1688, de que se passou alvará em 23 do mesmo mez e anno, que os 
Moradores do recôncavo da dita Cidade da Bahia, des legoas ao redor delia 
fossem compellidos a plantarem cada anno 5oo covas de mandioca, por escravo 
que tiverem de serviço e particularmente os que lavrão por engenho as canas 
e os que plantão tabaco e possuem terras para o poderem fazer. 

E porquanto em consulta do meu Conselho Ultramarino de 27 de outubro 
de 1700 me constou haver-se relaxado esta ley de maneira, que não só se deixa 
de plantar o dito numero de covas de mandioca, mas nem ainda a fabricão os 
moradores do Recôncavo para o sustento de suas famílias, donde rezulta notável 

' falta deste mantimento e damno publico dos moradores daquella capitania pelo 

exorbitante preço, a que tem subido e das mais das Conquistas, que experi- 
mentão a mesma indiger.cia ; sendo também motivo de se retardarem as 
frotas, por lhes faltar para a viagem o sustento; antes assim os ditos niora- 
dores do Recôncavo, principalmente em Maragogipe e Saiibara, Campinlios, 
Cappanema e mais partes circumvezinhas, como os das ditas três Capitanias 
do Camamú se divertirem para outras plantas, tendo muitos delles novamente 
gado de criação, que impedem aos outros lavradores que o não tem, fazerem 
roças de mandioca, com o temor de lhas destruírem e a vir a ser inútil a 
providencia das ditas terras, que sempre forão as mais próprias para produ- 
zirem mandioca, que se costumavão plantar nellas para sustento commum. E 
querendo Eu em conservação das ditas Conquistas e utilidade dos meos vassallos 
dar o ultimo remédio a tão considerável damno: Hey por bem ampliar e decla- 
rar a dita ley e mando que não somente tenha effeito em as ditas dez legoas do 
Recôncavo ao redor da Bahia, mas em toda a parte onde chegar a maré, correndo 

' as ditas dez legoas da margem dos rios pela terra a dentro e que em nenhum dos 

ditos sitios, nem as ditas 3 Capitanias do Camamú haja a innovação de gado de 

, , criar e só lhes seja licito terem o do serviç'o, fazendo-os as pessoas que tiverem 
pasto fechado, com cercas tão fortes, que não possa sahir a fazer prejuizo em as 
roças e lavouras visinhas e que toda a pessoa que não tiver de 6 escravos para 



01 

híiiui, iiAo pinntc canau, ante* juntnndn-tie dmi« oii mait com a» *vntn fahrícas • 
pliititiirciii caiuiH por hocíviIiuIc, í.w rode ctcr.i- n, nÍo 

tendo ciulii hum lie per HV miíiíh ilr > rclcviid' 'arem 

tatiiluMii mandioca!», na íorma oiiU,,,i.i.i .■■ •'■• '•■•■• ''—'•» 

lio cana c laltntos, ijiic livcrcm torra» para i n 

lifio ilc plantar lantaH cova<t cm numero cjuc- < ,;i 

parte do rcnilimcnto dclluH suKtcntnr kuu ruiiiiliit c lubricu du t>un iu/.muln e *» 
duan partcK destinem parn vender aopnvo: K que n» Oovcrnadurc» e CapittM 
mores na parte ipie a cada hum tocar e He poder em teo dí»trito accomodar etu 
ley. coniMHo com oh Ouviíloren geraen c da» (Comarca* e Officiaet das Camarás 
delinH e.sia matéria, para que inv'í(davclmentc todii a pcsftoa de qualquer qua» 
lidade e condição que «eja, hc não eHcu/e de plantar na forma referida ; c ha- 
vendo para o» homeiíH de negocio, que navegúo e comercéão com patuxo c tu- 
macas para a Costa da Mitta, híiíos cnpa/cH aonde possfio (azcr a planta que 
liaste para o mantimento du viagem, Kejáo obrigadan a fazer roçai e para melhor 
execilç&o e observância desta ley, os Ouvidores da» ditas conquista*, cm as 
Cidades, Villas dus suas Comarcas em as devassas gcrues da correição pergun- 
tarão se com efleito se observa esta ley e tomarão as dcnunciaço^ns que lhes der 
qualquer do Povo (núo sendo inimigo) e sem remissão condemnarão aos culpa- 
dos em trinta dias de cadéa c em 3o mil reis de multu... 

i352 

PoMi UAs f 3 ) da Gamara da Cidade da Bahia, obrigando os donos das em- 
barcações, que mantinham o commercio com a Costa da Mina, a 
phmtarcm a mandioca necessária para o consumo das suas viagens. 
s. d. Copias. lAnncxas ao ti. i35i.i i333 — 1355 

Inkorma(;Áo da Mesa da Inspecção acerca de um requerimento do Procu- 
radt)r do Contracto Geral do Tabaco, Joaquim Ignacio da Cruz, 
pedindo que não tosse permiitido aos navios das Esquadras e da 
navegação da Costa da Mina o carregarem tabaco da nova colheita 
sem que fosse escolhido o preciso para a carga dos navios de licença 
e trota por conta do contracto. 

Bahia, ii de novembro de 1734. 

Tem annexos 7 documentos, comprehendendo vários requeri- 
mentos do contractador geral José Machado Pinto. i356 — 1363 

Carta de Diogo Alvares Guimarães para Diogo de Mendonça Corte Real, 
avisando-o de que o Capitão de navio José Alvares transportava 
para Lisboa ouro subtrahido aos direitos. 

Bahia, i de agosto de 1754. 1364 

Ofkicio do Provedor Mor da Fazenda, Manuel de Mattos Pegado Serpa, 

para Diogo de Mendonça Corte Real, informando acerca das des- 

pezas feitas com as reparações e fornecimentos de diversos navios. 

Bahia, 2 de agosto de 1754. i3ó5 

Certidão das importâncias despendidas com as Fragatas de guerra N'^. 5.» 
da Gloria e N.^ S.^ do Vencimento e S. José., sob a administração 
do Comissário Thoniaz de Villa Nova. 

Bahia, 17 de maio de 1734. ( Annexa ao n. i365. ) i366 

a Relação dos materiaes que este prezente anno de 1754 se derão destes 
Armazéns dos Materiaes da Coroa ao Commissario da Fragata N. 
S.^ das Necessidades Thomaz Villa Nova, comboio da presente 
frota para o apresto e preparo delia. » 

Bahia, 17 de julho de 1754. [Annexa ao n. i365.) i36j 



62 

GertidÃo da despeza Feita no anno de lySi com a Fragata de guerra N.^ 
S.^ da Gloria, sob a administração do Commissario Victorino 
Monteiro Macliado. 

Bahia, 26 de julho de 1754. ( Annexa ao n. i365. ) i368 

Certidão da despeza feita com a Fragata de guerra Santo António^ que 
comboiou a frota em 1753. 

Bahia, 20 de Junho de 1754. { Annexa ao n. i365.) iBóg 

Carta do Commissario da frota Thomaz Villa Nova, para Diogo de 
Mendonça Corte Real, informando-o dos concertos que precisara 
fazer na Náu N^. S'^. das Necessidades. 

Bahia, 2 de agosto de 1754. * 1370 

Carta de D. José Caetano Sottomaior, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, communicando-lhe que pelo commandante da frota lhe envi- 
ara de presente"» um frasco de arca de malacacheta dourada, para 
poeira de cartas que novamente se descobrio no Rio das Contas » 
Bahia, 4 de agosto de 1754. 1371 

Offício do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior, 
acerca de remessas de madeiras para o Reino, destinadas á constru- 
cção de navios. 

Bahia, 4 de agosto de 1754. 

Tem annexos 3 documentos. 1372 — 1375 

Ca.rta do Provedor Mor da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa, 
para Diogo de Mendonça Gòrte Real, acerca do alcance do The- 
soureiro Domingos Cardoso dos Santos, remettendo as copias de 
dois documentos relativos á prisão e sequestro dos bens do Escrivão 
João Dias da Costa. 

Bahia, 4 de agosto de 1754. 1376 — 1378 

Officio do Desembargador do Paço António José da Fonseca Lemos, 
para Diogo de Mendonça Corte Real, referindo-se á suspensão da 
cobrança do donativo para os casamentos reaes, aos desfalques na 
Fazenda Real, ás devassas ordenadas sobre actos irregulares prati- 
cados por alguns desembargadores, que tinham determinado a sua 
suspensão e a sua immediata partida para o Reino. 

Bahia, 5 de agosto de 1754. 1379 

Okficio do desembargador António José da Fonseca Lemos, ampliando as 
informações sobre alguns dos assumptos a que se refere o docu- 
mento antecedente. 

Bahia, 5 de agosto de 1754. i38o 

Officio do Vice Rei Conde de Athouguia, acerca do embarque de madeiras 
para Lisboa, destinadas á construcção de navios. 
Bahia. 5 de agosto de 1754. 
Tem annexo um documento., contendo a copia de vários. 

i38i — 1382 

Carta do Provedor mor da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa, 
participando ter sido paga ao P.<= Filippe de Almeida, Procurador 



08 

do Collcgío da Companhia, a despeza fcíia com a consirucçáo do 
cofre destinado a guardar os papeis relativos á successão do 
Governo. 

Bahia, f> de ngosio de 173.1. 

/Vm annexit o respectivo doctimeutn. i383 — 1384, 

C.AK IA do (juvcrnador c Capitão General da» Ilhas de S. Thomé e Príncipe, 
1). Josc Caetano Sottoniaior, para Diogo de Mendons'a Corte Keal, 
pedindo para lhe enviar com brevidade ordem para seguir para o 
seu governo e recommcndando-lhe o Capitão José de Abreu 
Marques, que pretendia ser promovido a Cupitáo Tenente. 

Hahia, (■) de agosto de 1734. /» e w* vias. i385 — 1386 

Okiicio i.\o Vice Rei Conde de Athouguia, remctiendo a relação das 
nuuiciías que eram enviadas para Lisboa pelos navios da frota. 
l>ahia, () de agosto de 1734. 
Tem aiwexa a relação. 1 387 — 1 388 

Carta do Provedor M(')r Manuel de- Mattos Pegado Serpa, para Diogo de 
Mendonça Córte Kcal, sobre o mesmo assumpto do documento 
anterior. 

Bahia, ú de agosto de 1734. 

Tem annexos 2 documentos, sendo um delles a relação de fer- 
ramentas e instrumentos destinados d Casa de fundição de Pernam- 
buco. i389 — 1391 

Okkicio da Governo interino da Bahia participando a D'ogo de Mendonça 
Corte Real. a abertura do Cofre que se encontrava no Collegio da 
Companhia de Jesus e continha o diploma régio que regulava a 
successão do Governo na ausência do Vice Rei. 

Bahia, 7 de agosto de 1754. 1392 

AiTO da abertura e novo encerramento do cofre a que se refere o docu- 
mento antecedente. 

Bahia, 7 de agosto de 1734. [Annexo ao n. i"}» ff 2.1 i393 

Okkicio do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte Real,par- 
ticipando-lhe a posse do Governo interino realizado na Sé com toda 
a solennidade. 

Bahia, 7 agosto de 1734. 1394 

Auto da posse do Governo interino, a que se refere o documento ante- 
cedente. 

Bahia, 7 deagosto de 1734. /'.4«neA:o ao n. i3g4.) 

« Aos sete dias do mes de agosto do prezente anno de mil setecentos e 
sincoenta e quatro nesta Cidade do Salvador Bahia de todos os Santos e Templo 
da Sc se acharão presentes o 111.""" Ex."° Senhor Conde de Athouguia V. Rei e 
Capitão General de mar e terra deste Estado, Juiz de fora, Vereadores, Procu- 
rador do Senado da Camará, Ministros da Relação, Provedor mór da fazenda 
Real e da Alfandega e mais Ministros, Otiiciaes de Guerra, Fazenda e Justiça, 
Prelados das Religioens, nobreza, Cidadoens e Povo desta Cidade. E havendo 
eu José Pires de Carvalho Albuquerque, Secretario d'Estado do Brasil lido 
perante todos a carta de S. M. tirmada pela sua Real mão de 18 de fevereiro 
do presente anno, porque foy servido nomear ao dito 111.""* e Ex."* Conde de 
Athouguia, no lugar de V. Rey deste Estado ao Conde dos Arcos Dom Marcos 
de Soronlta, actual Governador de Goyaz e que como este não podia ser avisado 



94 

nem chegar tempo de lhe largar o Governo antes da partida da frotta e da 
sua parte tinha representado ao mesmo Senhor a necessidade de voltar nella 
para o Reino, lhe concedia a licença pedida e que largasse o Governo ás pessoas 
que se achassem na via da sucessão, a qual sendo por mim também lida no 
mesmo acto, por se acharem nomeados nella o Kx."" e Rev."" Senhores Arcebispo 
D. José Botelho de Mattos, o Chanceller da Rellação Manuel António da Cunha 
Sottomaior c o Coronel Lourenço Monteiro, que se achavão prezentes e por 
haverem já tomado preito, homenagem e juramento nas mãos do dito 111."* e 
Ex.'"" Snr. Conde de Athouguia, com as solemnidades do estillo lhes fes o mesmo 
Senhor entrega do Governo deste Estado e se houveráo por empossados delle... 

Okkicio do Intendente Geral do Ouro Wencesláo Pereira da Silva, para 
Diogo de Mendonça Corte Real, referindo-se entre outros assumptos 
ao augmento do rendimentC) do quinto cobrado nas casas de fun- 
dição, á descoberta de minas de ouro no Reino de Angola e muito 
perto da Cidade de Loanda, á posse dos novos membros da Mesa 
da Inspecção dos assucares e tabacos, Sebastião Gago da Camará e 
Manuel Alvares de Carvalho, ás difficuldades que havia para o 
carregamento regular dos navios das frotas, eic. 
Bahia, 7 de agosto de 1754. 

Tem annexos 25 documentos relativos aos diversos assumptos 
de que trata o officio e entre elles cartas do Intendente Geral do Rio 
de Janeiro João Alvares Simões^ do Intendente da Fundição de Jaco- 
bina Lui{ de Távora Preto, do Intendente de Goya\ Anastácio 
da Nóbrega, do Jui^ de fora da Cachoeira, Paschoal de Abranches 
Madeira, do Commandante da frota António Pereira Borges repre- 
sentações da Mesa de Inspecção, da Mesa do Negocio e uma inqui- 
rição' de testemunhas sobre o apparecimento das minas de ouro em 
Angola. 1396 — 1425 

Carta particular do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, communicando ter nomeado um seu protegido para o logar 
de Capellão da Capella de N.^ S.^ da Penha de Itapagipe. 

Bahia, 5 de outubro de 1754. 1426 

Carta do Arcebispo da Bahia para Diogo de Mendonça Corte Real, com- 
municando-lhe a partida do Vice Rei Conde de Athouguia, a grande 
opposição que havia na Freguezia de Villa Nova d'Elrei do Rio S. 
Francisco contra o Vigário Joaquim Marques de Oliveira e as ordens 
que sobre este facto enviara ao Governador da Cidad e de Sergipe 
d'Elrei e a chegada a Pernambuco do novo Prelado coadjuctor 
daquella Diocese, etc. 

Bahia, 16 de outubro de 1754. 1427 

Carta do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mondonça Corte Real, refe- 
rindo-se á escolha de S. Francisco Xavier para Padroeiro da Cidade 
da Bahia, explicando as diligencias que empregara para averiguar a 
historia d'este facto. 

Bahia, 17 de outubro de 1754. 

« 111.""" e Ex.""" Snr. Não dey athé ao presente parte a V. Ex. do recurso 
que fiz á Santa Sé Apostólica em louvor do glorioso S. Francisco Xavier, e em 
satisfação dos louvores, com que esta cidade lhe tinha faltado, por me parecer, 
que de semelhantes matérias só deve o Prelado dar conta depois de conseguir a 
graça. 

Passados bastantes annos de rezidencia neste Arcebispado ouvy fallar, 
bem acaso, em huma grave epidemia, que nelle se padecera no anno de 1686, 



96 

niiHilcpri. »o fizorAo c nn •' - 

<»»o S, h'i.i i\'ier ác Podrocyro >! n 

entrar im V,. ,1111 1 initiito í) ■ .» 

i|uc Kl' iicliiirAo luift Cl 'o 

Santo ciii iNiiliocyr*) ttcKi < ' i- 

ilailc c C(MiHcgui(l() do 1'ontihcc iiullu de u(>|>rovíiÇHo c de l*.i-Kcv 1>. i'(;dro de 
glotio/u niciiinría, nAo sft rntilicacâo, mu» ordem pnrn no Oollcgío cm todo* n« 
nntioH Hc cclcbnír htiiiia IcNta ao dilto Santo ú cuftia ún Kciil fa/cnda. t{U« he o 
com i|uc Hc lembrava CHia r.iiladc ila promckita i|iic a vo^c» havia ícyto, 

A' vima lio i|iic cntrcy na tíclif;cnfia »lc lahricar huma 1'; •' - '""r 

ajui/ar com ill^unl rtindamcnto, i|iic Kcm cml^iirgo da Pastor.' U 

haver quem duvidasnc do que nclla ne mnndnHKc, me rcsolvy, | i 

diiviíla, a recorrer u Koma com uma exprcHitào Icgalinada de ludo o 
havia passaiio, de que rezultnu o mandar-mc a declaração que rcinctto ii; 
já li/ publicar por PaHtorai, que cuido aceytaráo todoH com snfto c algum aivo- 
rov'o. V. i''.x/'' o fjirá assim presente a S. Magesiude, que Ocu» guarde c maii' 
ilai-iiif, LMii i|iu- liii' Plissa diir ^ostn... >. 

1428 

I)i;cLARATio Congrcgaiionis Sacrorum Riiuum. Romac. 1734. Imp.lAnnexo 
ao n. i4'2^.) . 

«Bahicn. ('um Rcvcrendissimus ArchiepiscopusCivitatis Bahiee, alias Sanctis 
Salvatoris nuncupaiic occasione controvérsia; in sua civitatc exorta: circa com- 
niemorationem taciendam inter commuma sutVragia de Sanctissimo Salvatorc 
Titulnri Civitatis pra-dictii;, cjusque Cathedralis, ac de.S*a«c/o Francisco Xaverio 
Patrono l'rincipali rito electo, et contiriMato ejusdcm (Civitatis per suppliccm 
libclluni humiliiiic supplicaverit Sanctissimo Domino Nostro Benedicto Papa: 
Xiy. pro solutionc scquentium duorum dubiorum, ac Sanctitas Sua preces ora- 
turis Sacrorum Kiiuum (]oiigrcgaiioni remiserit, pra;dicta dúbia ab Plmmincn- 
tissimoct Reverendissimo Domino Cardinali 7'<2wiPHr/Ho Socrorum Rituum Con- 
gregationis Pra't"ccto, et Ponente in ea proposita fucrunt, ncmpe : 

I. — An Archiepiscopo prceedicto liccat declarara per li terás Pasíoralcs, 
Sanctissimtim Salvatorcm nou esse Patronum, scd semper fuisse, et esse Titu- 
larem (livitatis Baltietisis, cjusque Cathedralis; adeoque imposterum pro Titu- 
lari liabendum, et colcndum sub eodcm ritu, quem nunc liabet, et semper liubuit, 
quam diít Patronus existimabattir? 

II. — ^>i eidem liceat declarare per literas Pastorales, Sanctum Franciscum 
Xaverium esse Patronum pricipafem Civitatis Rahiensis nte constitutum; 
adeoque imposterum pro Patrono Principali liabcndum, et colcndum sub eo 
ritu, qui Patronis Principalibus Civitatum conceditur ; ita ut infra annum in 
Ojficio Divino quando dicuntur suffragia Sanctorum, de co ut Patrono Princi- 
pali Jieri debeat commcmoratio loco competenti, et prceterca in Missa, quando 
dicitur Oratio A cunctis sub litera .V. cjus nomen exprimi debeat? 

Et Sacra eadem Congregatio, audito prius voto ab Apostolicarum Ccerc- 
moniarum Collegio scriptis exarato typisque vulgato rescribendum Censuit. 

Ad I. Licere Proul in dúbio. 

Ad II. Pariter licere prout in dúbio, dummodo non omittatur in metropo- 
litana commcmoratio Sanctissimi Salvatoris tamquam Titularis ejusdcm. Et ita 
dcclaravit, Die 16. Fcbruarii ij54. D. F. Card. Tamburinus Prcefectus *. 

1429 

Informação do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sotto- 
maior, sobre os desfalques na Fazenda Real de que era accusado o 
Thesoureiro Domingos Cardoso dos Santos. 
Bahia, 20 de outubro de 754. 
Tem annexos 5 documentos. 1430 — 1435 

Informação do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sotto- 
maior dirigida a Elrei D. José sobre os desfalques na Fazenda, 
incriminados ao Thesoureiro Domingos Cardoso dos Santos e 
outros, como cúmplices, entre os quaes se encontrava o Escrivão 



96 

Manuel Fernandes da Costa, que na sua opinião era victima irres- 
ponsável dos factos praticados pelo principal accusado, 

Bahia, 26 de outubro de 1754. 

Tem annexos 10 documentos. 1436 — 1446 

Representação do Intendente Geral do ouro Wencesláo Pereira da Silva, 
dirigida a Elrei D. José, referindo-se ao ouro procedente da Costa 
da Mina que entrava no Brazil, ás buscas que mandara fazer para 
evitar o contrabando, e a uma importante apprehensão feita a bordo 
de uma galera de Francisco Xavier de Almeida, queixando-se do 
Provedor e Officiaes da Casa da Moeda não cumprirem as ordens 
que lhes dera para a analyse e classificação do ouro apprchendido e 
pedindo providencias que obrigassem esses funcionários a obede- 
cerem-lhe. 

Bahia, 28 de outubro de de 1754. 

Tem annexos 3 documentos. 1447 — 1450 

Informação do Intendente geral Wencesláo Pereira da Silva, dirigida 
a Elrei D. José, sobre o apparecirnento de moeda falsa. 

Bahia, 3o de outubro de 1754. i45i 

Informação do Intendente geral Wencesláo Pereira da Silva dirigida a Elrei 
D. José, sobre uma reclamação do Intendente de Sabará, contra a 
Casa da Moeda da Bahia, por alli se negarem a fazer os ensaios do 
ouro que lhe remettia. 

Bahia, 3i de outubro de 1754. 

Tem annexo um documento. 1452 — 1453 

Officio do Chanccller da Relação Manuel Anonio da Cunha Sottomaior, 
acerca da prisão e sequestro de bens do Escrivão João Dias da 
Costa. 

Bahia, 3i de outubro de 1754. 1434 

Officio do Chanceller da Relação, Manuel António da Cunha Sotto- 
maior, para Diogo de Mendonça Corte Real, remettendo-lhe o 
seguinte auto de devassa a que procedeu e pelo qual se averiguou 
o correcto e regular procedimento do Vice Rei Conde de Athouguia 
para com os navios estrangeiros durante o seu governo. 

Bahia, 3i de outubro de 1754. 1455 

« Treslado da devassa que tirou o desembargador Chanceller e Gover- 
nador deste Estado Dr. Manuel António da Cunha Sottomaior, do 
Conde de Athouguia, Vice Rei que foi deste Estado do Brazil». 
Bahia, 2 de setembro de 1754. [Annexo ao n. i455.) 
Comprehende os depoimentos de 3 1 commerciantes da Bahia. 

1456 

Carta do Intendente Geraldo Ouro Wencesláo Pereira da Silva, dirigida 
ao rei acerca da nova Casa de fundição no Arrayal de S. Felix, 
na comarca de Goyaz, elogiando o respectivo Intendente António 
Luiz Lisboa. 

Bahia, 3i de outubro de 1754. 1457 

Officio do Intendente da Casa de fundição de S. Felix, António Luiz 



07 

ljsl>()n, iiiiicttc-ndc) a relação do ouro que se fundira naquclla casfl 

no mcz ilc )ulho, o primeiro da suu lahorasão. 

S. Félix, 3 de «gosto de i7?.|. ( Annexo ao n. 145"/. i 

A relação segue o texto do ojfuio. 1438 

Carta do Inieiulenie Geral Wcncesláo Pereira da Silva, dirigida a Elrci 
I). José sohrc o apparecimcnto de moeda falsa. 

Bahia, ó de novembro de 1734. 1469 

(' y\i\ \ lio Ouvidor e Intendente da Comarca áfx Jacobina Henrique Corrêa 
Lobato, para o Intendente Cieral da Bahia, particínando-lhc a de»« 
coberta de moeda lalsa na Villa do Urubu e as diligencias que em- 
pregara para averiguara sua origem. 

Rio das Contas, \2 de outubro de i73.|. (lopia. 1 Anttexa ao 
n. i4.>ií I. 1460 

CAi<r\ do Intendente Geral Wenccsh'10 Pereira da Sil\'a para o Intendente 
da Jacobina, cm resposta á carta antecedente. 

Bahia, () de novembro de 1734. Copia. Annexa ao n. i45(f.} 

1461 

Cxurv regia dirigida ao Governador c Capitão General do Rio de Janeiro 
Gomes Freirde Andrade, mandando abrir uma devassa permanente 
para descoberta do fabrico de moeda falsa. 

Lisboa, 3o de outubro de 1733. Copia. > Annexa ao n. i45q.) 

1462 

« Arre da devassa que mandou fazer o desembargador (jcral do Ouro 
Wencesláo Pereira da Silva, para averiguar a falsidade de huma 
moeda de ouro, que por tal se reconheceu na Casa da Moeda. » 
Bahia, 23 de setembro de 1734. Copia. (Annexa ao n. i45g.) 

1463 

Carta do Intendente Geral Wencesláo Pereira da Silva, dirigida a Elrei 
D. José remettendo-lhe o documento seguinte e informando-o que 
era desnecessário conservar na Cachoeira o destacamento militar, 
depois de alli estar o novo Juiz de fora Paschoal Abranches Ma- 
deira, ao qual faz as mais lisongeiras ref^írencias. 

Bahia, 8 de novembro de 1734. '4^4 

« Regimento que se deve observar no registo do ouro de Sam Pedro da 
Moritiba, assim pelo seu Provedor, como pelo commandante do 
Destacamento, que o vay auxiliar, em tudo quanto pertence ao Real 
serviço » (a ^ Wencesláo Pereira da Silva. 

Bahia, 20 de outubro de 1754. Copia. 1 Annexo ao n. 1464.) 

1465 

Representação do Intendente Geral Wencesláo Pereira da Silva, dirigida 
ao Governo Geral, acerca da requisição de forças militares para os 
serviços da Intendência Geral do ouro. 

Bahia, lõ de agosto de 1754. Copia. 'Annexa ao n. 14641 146Ó 

Okficio do Secretario de Flstado Diogo de Mendonça Corte Real para 
\\'cncesláo Pereira da Silva, em resposta á carta anterior. 



98 

Salvaterra de Magos, 4 de fevereiro de 1754. Copia.. (Annexo 
ao n. 1464. } 1467 

Carta regia dirigida ao Vice Rei Conde de Athouguia, censurando-o por 

certas ordens que fizera transmittir ao Commandante do Reginjento 

da Moritiba e ordenando que prestasse ao Intendente Geral do Ouro 

todo o auxilio de que carecesse para o desempenho de suas funcçóes. 

Salvaterra de Magos, 4 de fevereiro de 1754. Copia. { Annexa 

ao n. 1464. ) 1468 

Extracto das disposições do Regimento das Intendências do Ouro, relativas 
á jurisdicção dos Intendentes. 

[Annexo ao n. 1464). 1469 

Certidão passada pelo Escrivão da Intendência geral do Rio de Janeiro 
Pedro Fagundes Varella sobre o que se achava estabelecido naquella 
Capitania a respeito do auxilio prestado pelas tropas nos serviços da 
Intendência. 

Rio de Janeiro, i de fevereiro de 1754. 

Copia. (Annexa ao n. 1464). 1470 

Representação do Guarda Mor do Tabaco José Joaquim de Lalanda de 
Barros, dirigida ao Intendente Geral do Ouro da Bahia, queixando-se 
da falta de pessoal e da sua má remuneração. 

Bahia, i3 de agosto de 1754. Copia. í Annexa ao n. 14Ò4 . 1471 

Despacho do Governo interino da Bahia sobre o assumpto a que se referem 
os documentos anteriores. 

Bahia, 20 de agosto de 1754. 

Copia. (Annexo aon. 1464). 1472 

Representação da Mesa da Inspecção da Bahia, dirigida ao Rei, sobre as 
irregularidades que se praticavam no carregamento dos navios que 
faziam o commercio para a Costa da Mina. 

Bahia, 8 de novembro de 1754. 1473 

Carta regia determinando a forma de se effectuar o carregamento dos navios 
do numero da Costa da Mina. 

Lisboa, I de dezembro de 1752. 

Copia. [Annexa ao n. i4-j3j. 1474 

Alvará de licença para Simão Pinto de Queiroz navegar para a Costa da 
Mina a sua galera Santo Estevão e A^.^ 6".^ do Bom Successo e Penha 
de França, de que era Capitão André Alvares Maciel. 

Bahia, i^ de setembro de 1754. 

Copia. (Annexo ao n. 14^3). 1475 

Requerimento do Capitão José de Sousa Reis pedindo licença para carre- 
gar o seu navio e partir para a Costa da Mina. 

S. d. (1754). [Annexo ao n. i4j3i. 1476 

Requerimento de Simão Pinto de Queiroz e João António Monção, acerca 
do carregamento dos seus navios, destinados á Costa da Mina. 

S. d. Í1754) (Annexo ao n. i4j3). i^jj 



_ 00 

Dr.spACHo ciu Mcsn dn Inspccsúo da Bahia, sobre o assumpto a que se refe*< 
rcm us documentos unicccdcntcs. 

Bahia, 14 dcoutubiude 1734. Copia. (Annexo ao n. 14^3). 1478 

C.AU IA rc^ia determinando que o julgamento dos apgravos cappcilaçôcs dos 
dcspailjos do Superiniendenie do tahací; seja da competência da Junta 
da Adiniiiisira(,'ã(j do tabaco. 

Lisboa, iS de setembro de 1754. 

Copia. [Annexa ao n. i4-j!i). 1479 

PoKTArtiA regia commettendo á Mesa da Inspecção o regulamento da navc- 
gas'ão da Costa da Mina. 

Lisboa, i'i de janeiro de 1734. 

Copia. {Annexa ao n. i4y3i. 1480 

CkrtidÁo do Escrivão da Intendência geral do ouro, Simão Gomes Mon- 
teiro, acerca do carregamento dos navios da Costa da Mina. 
Bahia, 4 de novembro de 1734. 
Copia. {Annexa ao n. i4/3) 1481 

Representação da Mesa da Inspecção acerca dos assumptos a que se refe- 
rem os documentos anteriores. 
Bahia, 8 de novembro de 1734. 1482 

Ofiicio do Intendente gerai Wencesláo Pereira da Silva, para Diogo de Men- 
donça Corte Real, recopilando resumidamente os diversos assumptos 
de cartas e otiicios anteriores e referindo as extraordinárias despezas 
que se faziam com as Casas de fundição e Intendências do ouro. 
Bahia, i3 de novembro de 1754. 1483 

Carta do Desembargador António Ferreira Gil, para Diogo de Mendonça 
Corte Real, informando-o das diligencias que continuava a empre- 
gar na investigação do alcance do Thesoureiro geral Domingos Car- 
doso dos Santos e Manuel Fernandes da Costa. 

Bahia, 14 de novembro de 1754. 1484 

Ofkicio do Governo interino da Bahia informando acerca do manifesto que 
se Hzera do dinheiro lemettido para Lisboa pela charrua sueca Gran 
Almirante e do producto do respectivo imposto. 

Bahia, 14 de novembro de 1754. 

Tem annexa a respectiva relação. 1483 — 1486 

Procuração de D. Antónia Josefa de Sousa Pereira, constituindo seu pro- 
curador principal Plácido Fernandes Maciel, advogados os drs. Ma- 
nuel Dias, João Vieira de Macedo e Joaquim Lopes de Araújo Lassos 
e solicitadores Manuel de Brito e Francisco Xavier Quaresma, 

Bahia, 24 de novembro de 1754. 1487 

Officio do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior, 
acerca da restituição de direitos ao contratador André Marques, or- 
denada pelo accordão que annullára o despacho do Provedor da Fa- 
zenda, que indevidamente os mandara pagar. 
Bahia, 2 de dezembro de 1754. 
Tem annexos 2 documentos. 1488 — 1490 



100 

Relatório geral do Desembargador António Ferreira Gil, sobre a syndi- 
cancia a que procedeu para a averiguação do alcance do Thesoureiro 
Geral Domingos Cardoso dos Santos e Escrivão Manuel Fernandes 
da Costa, tendo como cúmplices o Contador Luiz Teixeira de Car- 
valho Sottomayor, o Escrivão da Fazenda João Dias da Costa e 
António Francisco Barbosa. 

Bahia, 14 de novembro de 1754. 

Tem annexos i3 documentos e entre elles a certidão de um pro- 
cesso crime instaurado contra Valério da França Pontes^ Almoxa- 
rife dos mantimentos. 1491 — i3o4 

Carta de Thomaz da França participando a sua chegada á Bahia no dia 10 
de fevereiro, descrevendo a viagem, arribada a Moçambique por 
causa de um grande temporal e communicando ter assumido cm 
4 de janeiro o commando da Náu, por haver tallecido n'esse dia o 
Capitão de Mar e guerra, Joaquim Pedro Roquette. 

Bahia, 3 de março de 1755. i5o5 

Officio do Governo uterino da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, participando a chegada da Nau da índia N. S.^ da Caridade e 
-S*. Francisco de Paula, de que era capitão de mar e guerra Joaquim 
Pedro Roquette, fallecido durante a viagem, entrando a Náu a cargo 
do Piloto Thomaz da França. Communica também que depois do 
exame a que procederam os peritos estes declararam estar a referida 
náu condemnada para a navegação e incapaz de receber qualquer 
concerto. 

Bahia, 4 de março de 1755. 

Tem annexos 5 documentos e entre elles o termo da chegada da 
ndu, antes das vistorias., etc. i5o6 — i5ii 

Duplicado do doe. n.° i5o6. 2^ via. 

Tem annexos 5 documentos. 1 5 1 2 — 1 5 1 7 

Carta do Desembargador António Ferreira Gil, ipara Diogo de Mendonça 

Corte Real), referjndo-se, entre outros assumptos, ao alcance do 

Thesoureiro Domingos Cardoso dos Santos e ao restabelecimento do 

Desembargador João Eliseu de Sousa da grave doença que sotfrera. 

Bahia, 4 de março de 1755, i5i8 

Carta dos Vereadores Rodrigo da Costa de Almeida e António Gomes Fer- 
rão Castelbranco (para Diogo de Mendonça Corte Real) remetten- 
do-lhe a seguinte representação e pedindo-lhe para a apresentar a 
Elrei. 

Bahia, 5 de março de 1755. i5i9 

Representação dos Vereadores Rodrigo da Costa de Almeida e António 
Gomes Ferrão Castelbranco, protestando contra a resolução da Ca- 
mará da Bahia, tomada por maioria, de ser pedido a Elrei o estabe- 
lecimento naquella Cidade dos Padres da Congregação de S. Felippe 
Nery de Pernambuco. 

Bahia, 5 de março de 1755. 

[Ajinexa ao n. i5ig). 



101 

•< . ICKtn Cidade, Senhor, tem doze comtnunidadci rcliginKas, ds( quact «eu 
Húo ilc KeligidiioH, i|uiilro de kcligioHuii, c hum f <o, que já anda 

fnzcDklo klilí^cllciu para nc fu/cr prolcHNo. Da» de K( i ' quatro vivem de 

HuiiH rciuliiH, auc vctn u Hcr, dou» du ' IV )• ■ ' ■» p. p. 

MciilnH, v|uu iiiio muito ilintiiiite il'ai{iii ' i/ i . i i o teo 

luiinero a l.< convento», ak-ni do //ojr/?;i ////(.; iZ/s i;; ilt;oi;o% 

outro» trc» hAo de Mendicante» c «em exu^crar couhu ulguiiiii (>udemon atririiuir 
n V. M. que toda cKta multidAo de gente conv^ntiinl hc tiAo n/i inútil á (jdude, 
maHoiierozu: o» Mendicante», porque lic i illo»; c o» outro» 

porque Por viu de herança» ou ilc compras icnic cm ti todo 

o cabeual do» morudorc». O menino rei i .1, a rcHpcíto dat 

iU'ligio»a». porque iifto havendo no Hra»il i -ci», com que po»ftáo e»ta- 

beleccr-Acn» renda» do» »co» convento», aiiili: mdo toda» quanta» pronric- 

dade.H de ca/as haver podem para cada (loiívcnio jr empregando aluum dinheiro 
do muito que se ilispende em tomarem a» Religiosas ohubito, prou.'«»arcm c fa- 
zerem as testas dos seos institutos alem das herança» o que tudo incluc cm aí 
huma ruína próxima e inevitável tiesta (jdadc, para a qual concorrem lambem 
não pouco us ordens 3.", herdeira» qua»i certas do» homens de negocio. 

Neste» termos, ainda que S. M. »eju servido de consentir no entabelccimento 
que pretendem os Padres de Oratório deve ser sempre com a clausula de náo 
odquirircm de novo bens alguns de raiz ou »c o» adquirirem, sejam obrigados o 
veiulellos dentro de hum anno na tormada Icy, porque de outro modo cm lugar 
de serem ulcis, virão accrescentar os graves prejuízos, que aqui se cxpcrimentáo 
com tantas communidadcs...» 

l520 

Cauta do Chanccllcr Manuel Amónio da Cunha Sottomaior, para Diogo de 
Mcndont;a Corte Real, comniunicando-lhe varias noticias, que rece- 
bera, sobre as viagens de diversos navios e que em 22 de agosto 
partira de Mot;ambique para Gòa o Vice-Rei da índia Conde de Alva. 
Bahia, 3 de março de 1755. i52i 

Cauta de Alexandre Xavier da Silva, sobre a Náu N. S." da Caridade e S. 
Francisco de Paula que íòra dada como incapaz para navegar. 

Bahia, 5 de março de 1753. i32:í 

Cauta do piloto Thomaz da França para Diogo de Mendonça Corte Real, 

pedindo-lhe para ser embarcado em outra Nau, visto ter sido dada por 

incapaz a de N.'-^ S.^ da Caridade e S. Francisco de Paula, onde andava. 

Bahia, 3 de março de 1735. 023 

Requeuimknto do Piloto Thomaz da França e maisofficiacs da Náu .V^. 5=". 
da Caridade e S. Francisco de Paula, sobre o mesmo pedido do 
documento anterior. 

Bahia, 6". d. i t755.] 1524 

Ofkicio do Governo interino, para Diogo de Mendonça Corte Real, consul- 
tando sobre o destino que devia dar-se ao casco, apetrechos c carga 
da Náu N.'^ 5." da Caridade e S. Francisco de Paula, que pelo seu 
estado linha sido condemnada a desarmar. 

Bahia, 3 de março de 1735. i323 

Portaria do Governador e Capitão General Affonso Furtado de Mendonça, 
referindo-se á carta regia de (5 de maio de 1671, que n'um caso aná- 
logo ao referido no documento anterior, mandava avaliar e vender o 
casco e as ferragens do navio arruinado e quando nào houvesse com- 
pradores se queimasse o casco e se armazenassem as ferragens. 

Bahia, 9 de junho de 1671. 

Copia. [Annexa ao n. i525]. i526 



102 

Carta regia dirigida a Roque da Costa Barreto, determinando que a carga 
das Naus da índia, que por qualquer motivo não podessem seguir 
viagem passasse para as navios da Junta do Commercio geral ou para 
os navios de licença. 

Lisboa, 17 de março de 1679. 

Copia. [Annexa ao n. i52:)]. 1527 

Alvará régio, em consulta do Conselho da Fazenda, determinando que a 
carga dos navios da índia arribados á Bahia, fosse entregue a seus 
donos, prestando estes fianças e as declarações que aponta. 

Lisboa, 2 de abril de 1709. 

Copia. [Annexo ao n. iS^S). i528 

Carta do Vedor da Fazenda Marquez de Fronteira, dirigida ao Provedor 
Mor da Bahia, ordenando que a carga dos navios arribados e que não 
podessem seguir viagem, fosse enviada para o Reino pelos navios do 
comboio, fragatas da Coroa e mercantes. 

(Lisboa), 1 1 de março de 171 1 . 

Copia. [Annexa ao n. i525). 1529 

Officio do Provedor Mor Manuel de Mattos Pegado Serpa, para Diogo de 
Mendonça Corte Real, acerca do mesmo assumpto de que trata o 
officio antecedente. 

Bahia 5 de março de 1755. 

Tem annexos 4 documentos. 1 .'^ o. 2.^ vias. i53o — í53g 

Officio do Provedor Mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa, 
para Diogo de Mendonça Corte Real, acerca da Nau A^.^ S.^ da Cari- 
dade e S. Francisco, da sua viagem, arribada, estado de ruina, visto- 
rias, etc. 

Bahia, 5 de março de 1755. 
Tem annexos 8 documentos, i^ e 2^ vias. 040 — 1557 

Carta do Arcebispo da Bahia para Diogo de Mendonça Corte Real, na qual 
se refere entre outros assumptos á precária situação dos lavradores 
do assucar e do tabaco, aos novos estatutos da Sé, ao convento da 
Conceição da Lapa, á doença do Coronel Lourenço Monteiro, (que 
diz ter 80 e tantos annos), aos bons serviços que estava prestando o 
Desembargador António José da Fonseca Lemos, á passagem dos 
Marquezes de Távora pela Bahia, etc. 
Bahia, 6 de março de 1755. 

« ...N'esta casa com grande gosto e honra minha ncão hospedados os 111."" 
e E."" Sr." Marquezes de Távora, que saindo de Goa a 21 de dezembro, entrarão 
neste porto a i3 ae março, não só colmados de felicidades e victorias, mas assis- 
tidos da mais perfeita saúde. Como o procedimento deste Vice-Rei em todos os 
sentidos seja notório a V. Ex." não he cançallo com a individuação delle, mas o 
certo he que deste calibre são muy poucos os que tem passado a Gôa... » 

i558 

Carta do Reitor do Collegio da Companhia de Jesus da Bahia Thomaz 
Linceo, para Diogo de Mendonça Corte Real, sobre o desejo que 
Elrei manifestara de que o cofre dos depósitos geraes do Estado 
ficasse sempre guardado no seu Collegio. 

Bahia, 24 de março de 1755. i559 



103 

OiKiriodo Vicc-Kci lia Iiulia Marque/ Jc Távora, para Di<»».'." I M'n- 
ilonva (lôrtc Kcul, ctn ijucsc refere ao fallecimcnto do í^i; iic» i u.ar 
e guerra Joaquim Pedro Koquetie, aos louvores que recebera de hirci 
pelos servidos que prestara no exercício do seu cargo c a vários íuncci- 
onarios france/cs c ingle/.es que se encontravam na índia, a uma nova 
Feiíoria hollandeza, ctc. 

Bahia, 25 de março de lybb. 

«... Estimo, como devo ter nccrtnJo com o goHto de S. M. l-'idcli»ii>itn8 nat 
Ciuitcllus que tive com o Governador Ocncrnl Ucj» Francezc* Mr, Dufleix, de 
i|uem iiAo posso dur a V. T-Ix.* iiidividiiaes noticins porque a Núo, que tinha hido 
buscur madeira uo porto de (lalicut, que era a que u» podia trazer, iiáo tinha 
chegado a (iòa, quando eu de lá sahy, porem supponho que o dito Dupleix, te 
não foi alguma n(jva politica, que ainda agora não pcrcclni, Ke perturbou 
con» as novas disposições de Sír, Goudeux. porciuc conservando no» em boa 
correspondência me núo escreveu e só o te/ Madame Dupleix á Marquesa de 
Távora, cuja carta me remcttco o Governador de Mahi e supponho que a sua 
idéa he de não voltar para a índia sem hir a esse Reyno, porque dizia na Carta, 
que as ordens que Mr. Dupleix acabava de receber a fazião hir para Kurona 
respirar novos ares, c que isso a punha na esperança de a ver, porque tinna 
noticias de que a Marquesa de Távora se recolhia tfiobem a Portugal. Eu vy 
huma carta particular do irmão de hum conselheyro de Pondichcri, em que dizia 
que Mr. (ioudcux tinha chegado com um numeroso soccorro, que Mr. Dupleix 
hia para a Europa tão apressadamente, que nem tivera tempo de reconhecer o 
estado dos seus ncltçocios c que Mr. de Lery Director da Feytoria Chandernagor 
cm Bcngalla era nomeado para o governo de Pondichcri c que Mr. Goudeux 
emquanto se demorasse na Ásia seria nella o Commandante General de todos os 
domínios da Companhia e dizia o authoi da carta, que entendia, que os pro- 
gressos das armas se trocariáo com os do commcrcio, porque para isso se viáo 
)á varias disposições. 

Dos Inglezes sey, que de oito Náos que elles diziam terem-sc expedido de 
Inglaterra para a .\siá só huina tinha chegado a Bombay, tendo ido as mais para 
Madrasta. Poucos dias antes de eu partir de Gôa tive noticia de que o General de 
Bombay estava com grande cuydado em ter o Maratá dado licença aos Hollan- 
dezes para construírem huma Feitoria no Cassabè de Bassaim, que he assim 
chamado o sitio, onde os moradores daquella Praça tem hortas; e por ordem do 
mesmo Maratá forão notificados os habitantes da Ilha de Bombay para que não 
executassem nenhuma fí/cy do General inglez, porque o seu mando era restricto 
para dentro da praça, por ser unicamente o lugar que a Nação Portugueza cedera 
á Britannica. 

Este estabelecimento dos HoUandezes tão bem nos deve dar cuydado e eu 
assim o disse ao meu Successor, porque o Maratá tinha arrendado o corso da 
Costa do Norte a hum Bragmene seu súbdito em trezentas mil rupias cada 
anno^ e não duvido que os HoUandezes para adiantarem as suas pretenções lhe 
forneção marinheyros, armas e munições de guerra ; se assim succeder, para 
segurança das Praças de Dio e Damão será indispensável entretermos na Costa 
do Norte a Armada, que em todos os annos do meo Governo tive naquella Costa 
e talvez seja necessário reforçalla mais, mas do que para isso pode ser precizo 
cuydoque não deixará de dar conta o Conde de Alva...» 

i56o 

Procuração judicial de Filippe Marques de Oliveira, constituindo seus 
advogados os drs. António de Costa Agra, Leandro Alvares de 
Sá e Amaral e Joaquim Vieira de Macedo e seus procuradores Fran- 
cisco Rodrigues Cavalheiro, Manuel de Brito e Francisco Xavier 
Quaresma. 

Bahia, 25 de março de lySS. i5ói 

Carta particular do Marquez de Távora para Diogo de Mendonça Corte 
Real agradecendo-lhe o ter sido exonerado do logar de Vice-Rei da 
índia. 

Bahia, 26 de março de 1755. i562 



104 

Officio do Vice-Rei da índia Marquez de Távora, para Diogo de Mendonça 
Corte Real, no qual refere ter chegado a Góa o seu successar Conde 
de Alva, a sua partida da índia e chegada á Bahia, as licenças conce- 
didas a diversos officiaes para irem ao Reino, vários successos da 
índia, etc. 

Bahia, 27 de março de lySS. 

«... pela (carta) que tive de V. Ex* fiquei sabendo que Elrei, meu Senhor, 
usando da sua real benevolência me tinha feito a honra de deferir as minhas su- 
plicas mandando me render daquelle Governo. 

Pela mesma carta de V. Ex.' fiquei sabendo que o meu successor era o 
Conde de Alva c tive logo noticia de que clle se achava com muito boa saúde a 
bordo da Náo A'. S.' das Brotas, de que he Capitam de Mar e Guerra Gaspar 
Pinheiro da Cantara Manuel e sendo a mesma que estava á vista da barra vejo 
surgir nella pelas 'i horas da tarde do dito dia i5. Logo que ficou surta fui a 
bordo buscar o meu successor e o conduzi ao Collegio dos Reis Magos na 
forma doestillo; no dia 20 lhe entreguei com a formalidade costumada o Go- 
verno do Estado da índia, composto do que eu tinha recebido e da parte que lhe 
acresceo na conquista que fiz ao Rey de Sunda das Praças de Piro e Ximpim, 
achando-se tudo em socego, porque navia pouco tempo, que tinha concluído hum 
vantajoso tratado de suspensão de armas por tempo de seis mezes com o mesmo 
Rei, como será presente a S. Magestade Fidelíssima pela Carta n.° i, em que lhe 
dava conta pela Pérsia deste novo ajuste, o que não pude conseguir, porque 
mandando-a no navio pertencente a Nicoláo Grenier voltou duas vezes arribado 
a Gòa, obrigado do tempo e ultimamente tornando a sahir quazi nos fins de 
setembro, já não hía, a Surrate a tempo de se incontrarem as caravanas que cos- 
tumáo passar a Alepo. 

O emissário que o Bonsiiló tinha mandado a pedir-me a paz havia sete mezes 
que se achava em Gôa tractando desta dependência. De Nana tinha também rece- 
bido cartas em que não só me protestava a continuação de boa amisade, mas 
também me pedia que na guerra qne eu tinha com o Sunda quízesse fazer-lhe 
a attenção de poupar as aldéas de Mordol, Manque:^ e Quida que ficam na Pro- 
víncia de Pondd e são pertencentes a hum cabo poderoso do mesmo Maratá 
chamado Ramachandra Malara. 

O Angaria que me tinha declarado a guerra me escreveo também pedindo 
me que me esquecesse de toda a má inteligência que entre nós tivesse havido 
e que quízesse contínuar-lhe não só a minha amizade, mas também a pro- 
tecção do Estado para o soccorrer comas forças delle contra os seus inimigos 
quando o necessitasse. 

Com o Nababo de Saunur e Dessai de Quitur, que são poderozos e confinão 
comnosco pelas partes de Gates me conservava em boa correspondência e 
não perdi nunca a precisa com as Naçoens Européas que na Azia se acham estabe- 
lecidas... Quando o meu Successor chegou á índia estava eu tractando com o 
Bonsuló a paz, corno já assima digo e com esperanças muito bem fundadas de a 
concluir com utilidade do Estado e com muita decência, o como eu a fazia foi 
declarado na instrucção que lhe dei; elle concluio esta paz com condíçoens díffe- 
rentes das com que eu a concedia e como hade dar conta do ajuste que fez me 
parece desncecessario repetíllo...» 

IÕ63 

Mensagem de Manuel Alvares de Carvalho, agradecendo os louvores que 
Elrei D. José lhe mandara endereçar pelos seus serviços, como vogai 
da Mesa da Inspecção. 

Bahia, 27 de março de 1755. 1564 

Officio do Provedor Mor da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa, 

participando a chegada á Bahia da Náu da índia N^. S'^. das Brotas, 

commandada pelo Capitão de mar e guerra Gaspar Pinheiro da 

Camará Manuel e informando dos concertos que precisara. 

Bahia, 28 de março de 1755. 

Tem annexos os autos da chegada e da vistoria i565 — 1567 



Orneio (Jo Governo interino participando a chceada à Bahia da Náu da 
Imlia N. S. lias lirotas, conduzindo u bordo o Vice Rei da índia, 
Míirqucz de Távora c u pariidu para o Keino daSào N.' S.» das 
News e Sania Anna, cDiiunandada pelo Capitão l*cdro de Araújo 
dos Santos. 

Bahia, 28 de março de 1755. 

Tem annexos 3 documentos. 1 568 — 1 57 1 

Okkicio do Vice Rei da índia Marquez de Távora, para Diogo de Mendonça 

Corte Heal, rclcrindo-se a concessão feita a Feliciano Velho Oldcm- 

berg nara exercer durante 10 annos o commercio da Ásia c inlor- 

manao acerca do commercio de Mo(,nniMque, da sua producçáo ctc. 

Bahia, 28 de março de 1733. 

« Km carta de 54 de março de 1734, que recebi de V. Kx,' na índia, me dizia 
V. Ex.' que Feliciano Velho Oldembet-ff, u quem lilrci rncu Senhor tinha conce- 
dido por tempo de de/ aiuxw o comercio da Azia na forma das condiçõcns que 
V. Kx." me remetteo otVerecia cem mil xeratins para aquelle Kstado em cada anno 
pafços em (iõa pelo comercio de Mossambiquc, comprchcndendo-se nesta quan- 
tia pertenccr-lhc também os direitos da Alfandega do mesmo Mossambique, 
porem que o dito Senhor não quizera por ora admittir proposição alguma sobre 
este particular, sem que primeiro tcnna informaçoens dos estabelecimentos cjue 
foi servido mandar fazer naquella (^osta de Africa oriental e me declara V. Lx.» 
também que S. M. l-idelissima era servido, que cu mandasse tirar huma relação 
de todas as dividas que se devem deste comercio de Mossambique e que soubesse 
o folgo das pessoas mais capazes que ha naquellc Kstado para arrendarem o 
ditt«> comercio, do que podenáo dar nor elle sem comprehender o direito de 
Alfandega, para que o mesmo Senhor com estas instrucçoens possa tomar neste 

f articular a ultima rezolfiçâo em beneficio deste comercio e do Estado da 
ndia. 

A deligencia de tirar a conta das dividas do comercio de Mossambique 
era preciso fazerse em Góa, Dio e Damão e como para isso precizava mais tempo 
que o de cinco dias, que estive no Governo depois do meu successor chegar a 
Gõa, registei esta ordem que V. Kx.* me mandou na Secretaria d'Estado e logo 
que elle começou a governar lha communiquei para que a executasse e sei que 
passou as ordens necessárias, tanto em Gôa, como nas Praças do Norte afim de se 
tirarem extractos, que se lhe havião remeter pelas fragatas que tinhão ido ao 
Norte, suponho que para dar conta com elles pela Náo de viagem que determi- 
nava expedir. 

Quanto a haver pessoas na índia que tenhão cabedaes competentes para 
poderem arrendar o comercio de Mossambique, não conheço naquelle Estado 
nenhuma que por si só possa emprehender este contracto. Acha-se em Gôa 
António Moreira, sobrinho de Monsenhor Moreira, que quando eu vim para 
a índia tinha acabado de ser feitor em Senna e se recolheo daquelle lugar com 
algum cabedal, o qual eu considero que está já mui deminuto, porém adquirio 
naquelle sitio bastante conhecimento do seu comercio e por elle soube que o 
Coronel FelipF^ ^^ Valadares, que he sem duvida o homem mais rico que hoje 
tem a índia, mostrara desejo de fazer huma sociedade com elle e com D Luiz 
Caetano de Almeida, para fazerem este arrendamento, porém como para isto era 

Êrecizo lerem algumas conferencias, náo pôde havellas por se impossibilitar 
». Lui:{ Caetano de hum estupor que lhe deu, do qual se náo tinha ainda resta- 
belecido quando sahi da índia. 

V. Ex." me não declara na sua carta se os cem mil xerafins que Feliciano 
Velho olierece são livres do pagamentos das tropas que guarnecem toda a Capi- 
tania de Mossambique, cujo pagamento antes do soccorro que se lhe mandou 
importava em 8o mil cruzados cesta duvida algum embaraço me faz, porém digo 
a \ .Elx.* que sendo o principal património das Praças de Dio e Damão os direitos 
que recebem dos navios que mandão a Mossambique e náo tendo os moradores 
de Gôa hoje outro nenhum comercio, parece-me que não pode convir o arren- 
damento se não dos géneros que Elrey meu Senhor tinhalhe agora vedado 
para a sua real fazenda, sendo o rendeiro obrigado a comprar em .Mossam- 
oique o que lhe fõr necessário da carga dos navios de Dio, Damão e Gôa, 
sem que lhe seja permitido conduzillos em outra nenhuma embarcação a Mos- 
sambique adonde o comercio deve ficar livre, como athe agora o tem sido 
porque de outro modo experimentarão os moradores de Mossambique hum grave 
prejuízo e os portos da Índia huraa total ruina. 

1. 14 



106 

Se Elrey meu Senhor quer beneficiar aquella Conquista, para tirar delia os 
lucros que pode dar, tendo clesde logo hum subsidio annoal mais avultado que o 
de cem mil xeratins, intendo eu, que isto se pode conseguir deixando aquelle 
comercio livre aos seus vassallos por alguns annos com a cominação de que lhe 
pagassem em Mossambigue dez por cento de todos os géneros que se introduzirem 
para dentro ou se extraírem para fora e que o marco de oiro pague dez cruzados 
e só o trigo e o arroz que se conduzir a Mossambique seja livre de direitos, para 
que á terra lhe não falte nunca os mantimentos de que necessita, e me parece 
que nesta matéria não pode haver nenhum escrúpulo, porque o menor comercio 
que ali se faz deixa de utilidade cento por cento e em alguns géneros me consta 
que o lucro he de 400 e Soo por 100 e nestes mesmos annos em que o comercio 
rôr livre a mayor utilidade que S. M. pode fazer áquella Conquista he mandarlhe 
em cada anno hum navio com os casaes de gente que se poder transportar, a 
qual eu intendo que se pódc tirar ou das Ilhas ou da pobreza que anda nessa 
Corte pelas portarias dos Conventos e para que o mesmo Senhor possa tomar 
nisto a rezoluçáo que lhe parecer mais útil á sua Real fazenda, me seja licito dar 
aqui noticia do que pude examinar no tempo que estive na índia. 

A carregação que ha muitos annos se manda de Mossambique para Senna 
por conta da fazenda real he 5ooo massos de velórios e quinhentos bares de 
fato, mas consomem se outras tantas quantidades, sem embargo de que no. 
tempo prezente se acháo os rios de Senna, em tal decadência, por falta de habi- 
tantes que em Quilimane, Senna, Maniquete, 'I'ete, Mano e Zumbo, em todas 
estas povoaçoens se não achão mais do que 3o athe 35 Portuguezes, comprehen- 
dendo cazados e solteiros, os quaes vivem em tal dezordem, que muitos delles 
possuem a e b propriedades de terras, que cada uma delias he mayor que 

aualquer das Províncias desse Reino e por isso parece preciza huma repartição 
e todas as referidas terras pelas famílias que de novo entrarem para os rios 
com a obrigação de as cultivarem, para que seja mayor a abundância de 
mantimentos e fructos e quando houver mais moradores com que os negros 
possão frequentar o comercio poderá elle ser mayor porque haverá consumo 
para toda a quantidade de fazenda que se quizer introduzir. 

Dos Rios de Senna são infiinitas as utilidades que se podem tirar, porque se 
podem extrair 80 bares de marfim em cada anno que comprados com fato custarão 
21.600 cruzados em razão da differença que o mesmo fato tem em Mossambique 
e Senna e vendido o bar deste marfim em Mossambique pelo preço corrente de 
mil cruzados, importa o lucro dos 80 bares 68400 cruzados. 

Todo o paiz de Senna produz muito e bom tabaco, porem os cafres não 
costumão cultivar mais do que aquella quantidade que intendem lhes pode ser 
necessária para o seu uzo; se houver gente que trabalhe nesta cultura poder- 
se ha extrahir em cada anno 400 candis e cada um delles custará a 1 5 cruzados, 
e sendo comprado com o fato, transportando-se os dittos 400 candis a Gôa e ven- 
dido ao rendeiro do tabaco á razão de i5ocruzadoso candil, preço porque o 
mesmo rendeiro costuma pag-ar o que transporta da Costa do Malabar, importáo 
os dittos 400 candis 60.000 cruzados, abatidos seis que ha de custar em Senna 
ficão de lucro 54.000 cruzados 

Produz todo aquelle paiz"excellente algodão, mas também he preciso quem 
anime aquella cultura: se assim se fizer poder se hão extrair em cada anno mil 
bares, que custarão cada hum a 5o cruzados; computado este preço com o do 
fato que vai para dentro importará a compra em 54000 cruzados; transportados 
estes mil bares de algodão a Bengalla produzirão pelo preço que lá costuma ter 
36o mil cruzados e abatido desta quantia 54000 que he o valor do fato com que 
se hade comprar este género ficão de lucro 3o6 mil cruzados. 

Pôde haver muita conveniência em huma tundição, para fundir /erro, por- 
que em muitos lugares ha abundância delle', porem adonde convirá mais o esta- 
belecimento da ditta fundição será junto ao rio pequeno em hum sitio chamado 
o Sagavir por ser mais fácil a conducção. 

Também será conveniente outra fundição para cobre, porque ha naquelles 
sitios muito e na Azia ha occazioens em que tem tanto valor como o oiro. 

Considero que Elrei meu Senhor pode tirar grande utilidade de estabelecer 
huma Casa de moeda em Tete ou em Senna, na qual se deve receber o oiio 
pelo pezo daquelles rios e por cada pasta dar se ao dono mil xerafins que 
importão 3oc mil reis em moeda corrente, porque assim se evitará a grande 
confusão e prejuízo que se experimenta nos taes nos na variedade de pezos falsos 
em que são prejudicados, tanto os que compram como os que vendem e rece- 
bendo a Casa da moeda o tal oiro por pezo de pasta, no avanço do toque e 
valor ficará para a fazenda real em cada pasta i5o cruzados livres athe do 
pagamento dos officiaes da Casa da moeda e na decadência em que Senna se 
acha actualmente ainda assim se intende que entrará em cada anno na referida 
otficina da moeda hum milhão, cuja quantia pôde dar livre para a fazenda real 



107 

i>) mil cruzado», com o que te evitará também ca rouboa que já ae praticio, <!• 

miiturarcm urèn c liit&o nn ouro que *c cxtrnc paru fína. 

Tive noticia de que em lodn a juriHdicc&o ue Tete havia grande quantidade 
de salitre, porem isto nfto o aífirmo, porque nAo tive tempo para bem o exa* 

minar. 

Mil barcH de futoquc iictualincnte «c conftomcm noa rio» dão muita utilidade, 
Aendo ruHgutiidoH cotn oiro. ponjuc ou ditlon mil ha rcn comprados pelo preço de 
fora quehe 370 cruzadoii, trunHportadoK dentro ue vende á razfto de 480 cruzado* 
que em mil bares he o seu custo 370 mil cruzados e deixão de lucro 310 mil. 

Sc o comercio por este modo hc ti'tr iiugmentando será de srandissima im- 
portância cuidar cm fa/cr alguinuH lortidcacoenv no Reino de Manica aonde já 
a houve e laiubcni no lunar chamado aH Feiras de Ambarará c no Zumbo, c 
que dentro nestas tortaie/as haiTio povoaçoens nossoK e uue ali assistáo comit- 
sarioH porque nestes três lugares se dará consumo a mil bares de fazenda que 

Srodu/irâo hum niilhúo de pardiW>s c considerado o preço da compra «c lucrarfto 
60 mil pardáos. 

O porto lie Sofalla deve seguir a mesma natureza doa rios de Senna ou 
para se vedar ou rara se arrendar, porque hc porto aquellc por onde se podem 
introduzir fazendas nos mesmos rios. 

Para que o comercio se possa frequentar he precizo que haja abundância de 
cmbarcaçoens; em Quilimane ha madeiras para se fabricarem todas as que se 
quizerem fazer, e para que se saibão construir será necessário que se mande hum 
constructor e que ao General vá ordem para que conserve sempre certo numero 
de escravos naquelle serviço, para que aprendão a fazello c mandando se mestres 
de outros officios se façáo aprender também aos cafres, assim como aqui no 
Brazil fazem os Senhores de Engenhos em todos os otficios que se necessita no» 
mesmos Engenhos. 

Com grande sentimento meu sei, que a Elrey meu Senhor lhe não podem hir 
boas noticias do soccorro que mandei para Mossatnbique c devo dizer a V. Ex 
que para a conquista àc Senna nenhumas tropas sáo tão próprias como as com- 
panhias de Sivacs, porque são as que mais facilmente pcnetráo os mattos; no 
transporte delias considero alguma dilíiculdade, porque sipaes moiros não con- 
vém pelo cuidado que tem em fazer propagar a sua maldita seita, as dos 
gentios que não tem este risco seriáo muito boas, mas he empreza muito difíi- 
cultosa pello horror que elles tem a separarem-se do lugar em que nascerão e 
isto me impacientava mais que tudo na índia, porque para fazer os rendimentos 
das Praças que ficáô vizinhas a Gôa para onde as guarniçoens vão por fora da 
barra, me era necessário muitas vezes as companhias de sipaes prezas : sem 
embargo de tudo isto intendo que aplicando o Vice Rei da índia o cuidado neces- 
sário poderá formar algumas companhias de Sipaes canarins e que estas são as 
que se poderão mandar para Senna adonde farão muito bom serviço, ainda que 
não sejão nunierozas, porque os pretos daquellas partes tem bem pouco conhe- 
cimento do uzo da pólvora e quaesquer tiros de espingarda ou de laitoca os põem 
em respeito. 

Toda noticia que dou a V. Ex.* nesta carta intendo que será útil ao serviço 
de Elrei meu Senhor, para qualquer resolução que for servido tomar...» 

1372 

Carta do Desembargador António Ferreira Gil (para Diogo de Mendonça 
Corte Real), sobre assumptos de interesse particular. 
Bahia, 29 de março de \jb5. 

073 

Carta particular de Francisco Xavier da Silva, \para Diogo de Mendonça 
òòrte Real) dizendo estar á espera de receber a sua patente e as 
instrucções regias para seguir para a sua missão na Costa da Mina. 
Bahia, 29 de março de 1755. 

1574 

Carta do desembargador António Ferreira Gil, (para Diogo de Mehdonça 
Corte Real), referindo-se á devassa a que estava procedendo para 
descobrimento dos desfalques na Fazenda Real e agradecendo os 
louvores que o Rei lhe mandara endereçar pelos seus serviços. 

Bahia, 29 de março de 1753. i575 



108 

Carta do Provedor da P'azenda Manuel de Mattos Pegado de Serpa, para 
Diogo de Mendonça Corte Real, remettendo varias informações 
sobre os ordenados e emolumentos que venciam os diversos funcio- 
nários da Provedoria Mór da Fazendfa Real. 

Bahia, 29 de março de 1755. 076 

«Relação dos ordenados, propinas e emalumentos que consta n'esta Prove- 
doria mór levão o Provedor mór, Procurador da Fazenda Real e 
Officiaes da dita, cujos ordenados são pagos pela folha geral desta 
Capitania e pela consignação ou rendimento do contracto dos Dizi- 
mos». 

Bahia, 22 de março de 1753. 

(Annexo ao n. i5y6}. 

Designação dos funcionários que formavam o quadro da Prove- 
dória da Fa\enda ; i Provedor mór da Fa:[enda Real — 2 Escrivão 
da Fazenda Real — Contador geral — Escrivão dos Contos — Escri- 
vão dos feitos da Fazenda — Thesoureiro geral — Escrivão do The- 
souro — Almoxarife dos Arma:{ens dos materiaes da Coroa — Escri- 
vão deste Almoxarifado — 6 officiaes do Escrivão da Fazenda — Aju- 
dante do Thesoureiro — Requerente das causas da Coroa, Fa:{enda 
e Fisco Real — Porteiro da Casa da Fazenda e Contos — Meirinho 
das execuções da Fazenda Real — Escrivão da vara d'este Ministro 
— Patrão Mór — Almoxarife dos Arma:{ens dos materiaes do Presi- 
dio do Morro de S. Paulo — Almoxarife das armas, Casa da pólvo- 
ra, e munições de guerra — Escrivão doeste Almoxarifado — Almo- 
xarife dos armazéns da Farinha e mantimentos — Escrivão d'este 
A Imoxarifado . ibjj 

«Lista dos emolumentos que vence o Provedor mór da Fazenda Real». 
Bahia, 22 de março de 1755. 
[Annexa ao n. i5y6). i5jS 

«Lista dos emolumentos que vence o Escrivão da Fazenda Real e se não 
acham declarados no Regimento de 1 3 de Abril de 1709». 
Bahia, 22 de março de 1755. 
(Annexa ao n. iSjó). 079 

«Propinas de cera e de luto que vence o Contador geral pelas festividades 
religiosas e fallecimentos das pessoas reaes». 
Bahia, 22 de março de 1755. 
[Annexa ao n. iSjô). i58o 

«Propinas de cera e de luto que vence o Escrivão dos Contos pelas festivi- 
dades religiosas e fallecimentos das pessoas reaes». 
Bahia, 22 de março de 1733. 
[Annexa ao n. :5j6). i58i 

* Propinas de cera e de luto que vence o Escrivão dos Feitos da Faz?nda 
pelas festividades religiosas e fallecimentos das pessoas reaes». 
Bahia, 22 de março de 1733. 
[Annexo ao n iSjô). i582 

«Lista das propinas que vence o Thesoureiro Geral d'este Estado, |>or rate- 
ação dos contractos dos subsídios dos vinhos, agoas ardentes do 



i 



Í0O 

Kcino, azeites óeeen e sahtdas dos escravos c das propinas de ccta e 
de luto pelas tcsiividadcs religiosas e fallecimcntouas pessoas reacs». 

Bahiu, 22 de inurvo de ijbb. 

iAnttcxa ao n. iS-jO). i583 

«Lista á&s propinas que vence o P^scrivóo do Thesouro d'este estado, por 
rntent,n" dos contratos do Donativo das caixas e rollos de tabaco, da 
ciiancelluria, do subsidio dos vinhos, a/.eites doces e ugoas ardentes 
do Keino, di/inios do tabaco e das propinas de cera c de luto pelas 
festividades religiosas e fallecinientos das pessoas reaes». 

Bahia, 22 de março de 1735. 

( .1 nnexa ao n. tS-j 6] . 1 584 

«Lista das propinas de cera e de luto c]ue vence o Almoxarife dos Armazéns 
dos materiaes da Coroa, pelas tcsiividades religiosas e tallecimcntos 
das pessoas reaes». 

Hahia, 22 de março de 1735. 

[Annexa ao ;i. i^jf*). i383 

«Lista das propinas de cera c de luto que vence o fciscriváo dos Armazéns e 
Aliiioxaritado dos materiaes da Coroa, pelas festividades religiosas 
e fallecinientos das pessoas reaes», 

Bahia, 22 de março de 1753. 

[Annexa ao n i5y6]. i386 

«Lista das propinas que vencem os officiaes do Escrivão da Fazenda Real 
nos diversos contratos e das propinas de cera e de luto, pelas festi- 
vidades religiosas e fallecimento das pessoas reaes». 
Bahia, 22 de março de 1753. 
Annexa ao n. i5j6) 087 

«Lista das propinas de cera e de luto que vence o Ajudante do Thesou- 
reiro geral pelas festividades religiosas e fallecimentos das pessoas 
reaes». 

Bahia, 22 de março de 1 733. 

(Annexa ao n. i5j6j. i388 

«Lista das propinas de cera edeluto que vence o Requerente das Causas da 
Coroa, .Fazenda e Fisco Real nos diversos contratos e das propinas 
de cera e de luto pelas festividades religiosas e fallecimentos das 
pessoas reaes». 

Bahia, 22 de março de 1733. 

[Annexa ao n. iSjô) 1589 

«Lista das propinas de cera e de luto que vence o Porteiro e Guarda livros 
da Casa da Fazenda, Contos e Thesouro, pelas festividades religiosas 
e fallecimentos das pessoas reaes». 
Bahia, 22 de março de 1735. 
[Annexa ao n. iSjô). 1590 

«Lista das propinas que vence o Meirinho das execuções da Fazenda Real 
pelas festividades religiosas e casamentos das pessoas reaes». 
Bahia, 22 de março de 1733. 
[Annexa ao n. i5y6). 1591 



110 

«Lista das propinas de cera e de luto que vence o Escrivão da vara do Mei- 
frinho das execuções da Fazenda Real pelas festividades religiosas e 
íallecimentosdas pessoas reaes». 

Bahia, 22 de março de 1755. 

[Annexa ao n. i5j6]. 1392 

Carta de João de Mello para Diogo de Mendonça Corte Real, na qual se 
refere á sua viagem até a Bahia, dando diversas noticias sobre vários 
navios, sobre os Marquezesde Távora, doença do Coronel Lourenço 
Monteiro, etc. 

Bahia 3o de março de 1-55. i5g3 

Representação de Sebastião Gago da Gamara, vogal da Mesa da Inspecção 
dos Tabacos e Assucares, mostrando a conveniência de ser permittida 
a reeleição dos vogaes d'essa Mesa, pois que só a pratica podia habi- 
lital-os a bem desempenharem as suas funcçóes. 

Bahia, 3o de março de 1755, 1594 

Carta do Inspector Geral Wencesláo Pereira da Silva, para Sebastião Gago 
da Gamara, acerca da sua eleição para vogal da Mesa da Inspec- 
ção. 

Bahia, 10 de junho de 1754. 

[Annexa ao n. i5g4). 1595 

Carta do Ghanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior, 
para Diogo de Mendonça Corte Real, na qual se refere ao seu regresso 
ao Reino, a chegada á Bahia dos marquezes de Távora e do Briga- 
deiro Columbano Pinto da Silva, etc. 

Bahia, 3o de março de 1755. 096 

Carta do Provedor Môr da Fazenda Manuel de Mattos Pegado de Serpa, 
para Diogo de Mendonça Corte Real, referindo-se especialmente aos 
ordenados e emolumentos dos empregados da Fazenda Real e quei- 
xando-se do pouco que recebia. 

Bahia, 3o de março de 1755. 1597 

Officio do Governo interino, para Diogo de Mendonça Corte Real, infor- 
mando acerca do manifesto do ouro, dinheiro e pedras preciosas 
embarcadas na Náu A^. S.^ das Neves e Santa Anna e do producto do 
respectivo imposto de i 0/°. 

Bahia, 3o de março de 1755. 

Tem annexo um documento. 1 598 — 1 599 

Officio do Provedor da Casa da Moeda da Bahia, Pedro Fernandes Souto, 
para Diogo de Mendonça Corte Real, acerca de um exame nos livros 
e papeis naquella repartição, a que tinha de proceder o Desembar- 
gador António José da Fonseca Lemos. 

Bahia, s. d. (abril de 1755). 1600 

Officio do Governo interino para Diogo de Mendonça Corte Real, acerca 
do pagamento dos ordenados e outras despezas da Casa da Inspecção 
dos Tabacos e Assucares. 

Bahia, 3 de maio de 1755. 

Tem annexo um documento. /* e 2^ vias. 1601 — 1604 



Ill 



Okficio do Governo interino para Diopo de Mendonça Corte Real, acerca 
da exportasáo de cavallos para o iU-ino de Angola. 
Haliia, 4 de maio de 1753. 
Tem anncxo um documento, i* e u* vias. i6o5 — 1608 

Oi I icio do Arcebispo da Bahia para Diogo de Mendonça Córic Real, acerca 
do (Convénio llrsuliiiodo Coração de Jesus c N. S*. da Soledade. 
Bahia, 11 de maio de 1753. i*e'j*vias. 1609— 1610 

Okkicio do Arcebispo da Bahia para Diogo de Mendonça Corte Real, 

acerca da autorisação ciue havia sido concedida a Fr. Bonifácio de 

Saniissima Trindade, Religioso menor da Regular observância, para 

ir ao Brasil visitar seus pães e alli aggregar-se a algum Convento. 

Bahia, 14 de maiode 1755. 1611 

Ori-icio do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte Real, sobre 
o Recolhimento, de que era Directora D. Isabel Maria, Hlha do mestre 
de Campo João Silva Guimarães. 

Bahia, 14 de maio de 1755. 1612 

Carta do Arcebispo da Bahia para Diogo de Mendonça Corte Real acerca 
do provimento do logar de Chantre da Sd e dos embargos apresen- 
tados pelo Cónego Miguel Honorato Giraldes. 

Bahia, 18 de maio de 1755. i6i3 

Informação secreta do Arcebispo da Bahia, sobre o Padre António da Silva 
Porto. 

Bahia, 18 de maio de 1735. 1614 

Relatório do Desembargador António José da Fonseca Lemos, sobre a 
syndicancia que procedera para averiguar as irregularidades e con- 
trabandos que havia no commercio da Costa da Mina, indicando os 
meios de os evitar. 

Bahia, 25 de maiode 1755. 

«...O meio mais adequado para evitar os ditos prejuizos e dezordens será 
a liberdade deste comercio para todos os que o quizerem fazer e mandar embar- 
caçoens ao dito resgate, abolindo-se não só a methodo das esquadras, mas 
ainda o do numero dos navios, porque supposto seja muito antigo o das 24 em- 
barcaçoens daquelle comercio com probioição de outras; os fundamentos, que 
para isso houve e constáo das ordens, porque assim se determinou, de que vão 
as copias juntas, consistião em que coma total liberdade deste comercio se pode- 
ria pellos portos da Costa da Mina transportar muito tabaco para os Reinos 
estrangeiros da Europa em prejuizo do contracto geral do Reino e que para o 
fornecimento deste faltaria o tabaco necessário, entendendo-se, que a porção do 
dito género, que em aquellas ordens se taxou e só se permittia hirem as 24 
embarcaçoens, era o que bastava para prover de escravos o Estado, que nesse 
tempo só necessitava aelles para o serviço particular dos seus moradores e para 
as fabricas de Engenhos e lavouras que so havia por não estarem ainda descu- 
bertas as minas ; mas ao presente, em que ha notória necessidade de mais escravos 

Eara o serviço das minas e por virtude do dito Regimento da Alfandega do ta- 
aco se prohibe o transporte para o Reino do de terceira qualidade, por cuja 
causa fica muito sem outra sabida que a da Costa da Mina, cessão totalmente 
aquelles fundamentos e não menos o do transporte para os Reinos estrangeiros 
que be impraticável depois que o Conde de Sabugosa, sendo Vice Rei deste 
Estado, para occorrer aquelle prejuizo, probibio por ordem de 9 de outubro de 
1725, de que vai a copia junta, o levarem-se para os ditos portos da Costa rolos 
de tabaco de mais de 2 arrobas e meia cada hum e assim se tem observado 
atbe o prezente, porque no pequeno corpo daquelles rolos não pode o tabaco 
conservar muito tempo a sua substancia e bondade e com pouca demora, que 



U2 

tenha nos ditos portos da Costa se seca e fica reduzido a palha, o que não suce- 
dia nos rolos grandes, que hiáo antes da dita prohibição. Alem de que antes do 
methodo dns esquadras não se observava com tanto rigor a prohibição de mais 
navios alem dos do numero e os Vice-Reis com facilidade concediáo licenças 

fiara navios dispersos a muitos senhorios, que lh'as pedião, pello que e pella 
iberdade da sanida, que tinháo os navios do numero, não era praticável o refe- 
rido monopólio e hião desta Cidade em cada anno mais de doze navios e por isso 
traziáo escravos de todas as qualidades e se podiáo os lavradores e senhores de 
engenho aproveitardes mais inferiores, que compravãocom maior commodidade 
e eráo os que bastaváo para aquelles serviços, o que ao prezente não podem 
fazer, porque os ditos senhorios pella melhor reputação do tabaco nos poucos 
navios que elles unicamente mandão aos ditos portos, fazem nelles as carre- 
gaçoens dos escravos escolhidos e melhores com intuito do maior lucro na 
venda delles aos mineiros pellos altos preços, a que os lavradores e senhores de 
engenho não podem chegar, nem os dito senhorios lhes querem vender, por 
reservarem todo o lote delles para os mineiros, como he notório ; e com adita 
liberdade do comercio virão escravos de todas qualidades e em mais abundância 
e por preços mais moderados, terá maior sahida o tabaco e se não perderá muito 
como agora sucede e se animarão mais os lavradores áquella cultura e os senho- 
res de engenho á das suas fabricas, que he impossível conservem, se durar o 
presente sistema deste comercio e finalmente terá á fazenda Real maior utilidade 
nos direitos daquelles géneros, em que tem havido considerável perda depois do 
dito methodo...» 

i6i5 

Carta regia ordenando ao Desembargador António José da Fonseca Lemos, 
que procedesse ás investigações necessárias para se informar dos 
descaminhos e contrabando que se praticavam no commercio da 
Costa da Mina. 

Salvaterra dos Magos, i6 de fevereiro de 1754. 

Original. [Annexa ao n. i6i5). 1616 

Auto da investigação testemunhal a que procedeu o Desembargador Antó- 
nio José da Fonseca Lemos, em cumprimento do que lhe fora orde- 
nado pela carta regia antecedente. 

Bahia, 20 de março de 1755. 

[Annexo ao n. i6i5). 1617 

Carta regia dirigida ao Governador e Capitão General do Estado do Brasil 
sobre a exportação de tabaco para a Costa da Mina. 
Lisboa, 12 de março de 1698. 
Certidão. [Annexa ao n. 16 15). 1618 

Carta regia dirigida ao Governador e Capitão General do Brasil, determi- 
nando que só podesse embarcar para a Costa da Mina e Rio de 
Janeiro a quantidade de tabaco que se achava superiormente auto- 
risada 

Lisboa, 8 de janeiro de 1699. 

Certidão. [Annexa ao n. 16 15]. 1619 

Carta regia dirigida a D. João de Lencastre, Governador e Capitão General 
do Estado do Brasil, sobre a arrecadação do tabaco. 
Lisboa, 20 de janeiro de 1700. 
Certidão. [Annexa ao n. 161 5) 1620 

Carta regia dirigida a D. João de Lencastre, Governador do Estado do 
Brasil sobre á exportação do tabaco para a Costa da Miníi. 
Lisboa, 20 de janeiro de 1701. 
Certidão. Annexa ao n i6i5 . 1621 



\ 



na 

Ai VAKA rcf^io dirigido ao Superintendente do Tabaco da Capitania da Bahia, 
Alexandre liotclho de Morues, determinando a livre cxportaváo do 
tabaco de intinia qualidade. 

Lisboa, I de abril de 1712. 

(Certidão. {Anncxo ao u. 16 13]. 1622 

PoRTAUiA do Vice Rei do Brasil, Vasco Fernandes César de Menezes, 
determinando que os rolos de tabaco que se exportassem para 
a Costa da Mina, não tivessem de peso, mais de 2 duas arrobas c 
meia. 

Bahia, j) de outubro de 1725. 

Certidão. [Anncxa ao n. idtS). >-,^., 

Oki icio da Mesada Inspec^;ão da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, sobre uns incidentes que se haviam dado com a partida de 
alguns navios da frota. 

Bahia, 2C) de maio de 1735. 

/«. <? 2". vias. A primeira via tem annexos <f documentos e entre 
elles as copias de correspondência trocada entre o Governo interino, 
a Mesa da Inspecção e o Commandante da Frota, João de Mello. 

O officio é assignado por João Bernardo (Jon:;aga, Guilherme 
de Oliveira e Silva, e Caetano Camello Pessoa. 1624 — 1633 

Okkicio do Governo interino, para Diogo de Mendonça Corte Real, in- 
formando acerca de um requerimento de Pedro Francisco Lima, 
Thcsoureiro Geral do Estado do Brasil, sobre liquidação de con- 
tas. 

Bahia, 3 de junho de 1755. 

Tem annexos 7 documentos. /" e 2^ vias. 1634 — 1649 

Okficio do Governo interino para Diogo de Mendonça Corte Real, sobre a 
ajuda de custo annual que fora concedida ao Chanceller da Relação, 
Manuel António da Cunha Sottomaior. 

Bahia, 3 de junho de 1755. i^e2'^vias. i65o — i65i 

Ofkicio do Governo interino, para Diogo de Mendonça Corte Real, acerca 
da prisão de vários indivíduos accusados do crime de moeda falsa, 
na comarca de Jacobina. 

Bahia, 5 de junho de 1755. 

Tem annexos 3 documentos, i'^ e 2^ vias. i652 — lóSg 

Ofkicio do Governo interino para Diogo de Mendonça Corte Real, partici- 
pando que tinham sido dadas as necessárias ordens para o forneci- 
mento dos contingentes militares que o Intendente Geral do Ouro 
requisitasse para auxiliar os serviços da Intendência. 

Bahia, 5 de junho de 1753. i^ e 2^ vias. 1660 — 1661 

Carta do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte Real. infor- 
mando sobre a situação em que se encontrava o arcediago Manuel 
Gonçalves Sotto. 

Bahia, 3 de junho de 1733. /=> e 2^ vias. 1662 — 1663 

Officio do Governo inierino para Diogo de Mendonça Corte Real, acerca 
da suspensão de vencimento do Tenente da Companhia do Sargento 



114 

mor do Regimento novo da guarnição da Bahia, João dos "Santos 
Ala, durante o tempo em que estivesse ausente no Reino. 

Bahia, iode junho de lySS. i^ e 2'-^ vias. 1664 — 1665 

Okkicio do Governo interino participando ter transmittido ao Ouvidor de 
Piauhy as ordens regias que mandavam suspender a demarcação que 
se estava fazendo nas terras de sesmarias pertencentes aos herdeiros 
Garcia dAvila e Domingos Affonso Certáo. 

Bahia, 10 de junho de 1733- i'^ e 2^ vias. 1666 — 1667 

Officio do Governo interino, para Diogo de Mendonça Corte Real, sobre 
as ordens transmittidas ao Commissario da Frota. 

Bahia, 10 de junho de 1753. i'^ e 2^ vias. 1668 — 1669 

Officio do Governo interino sobre a prisão de vários frades. 

Bahia, 12 de junho de 1755. /=■ e 2=» vias. (Sem importância). 

1670 — 1671 

Carta do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte Real, remet- 

tendo-lhe vários attestados relativos ao Padre dr, Joaquim Marques 

de Oliveira, Vigário de Santo António de Villa Nova Real d'Elrei. 

Bahia, 14 de junho de 1733. 

Tem annexos 3 documentos. 1672 — 1675 

Officio do Governo interino participando ter transmittido ao Mestre de 
Campo Pedro Leolino Mariz, commandante das Minas do Aras- 
suahy, as ordens regias sobre a exploração do salitre. 

Bahia, 19 de junho de 1733. i^ e 2'^ vias. 1676 — 1677 

Officio do Governo interino, para Diogo de Mendonça Corte Real, partici- 
pando ter chegado a Nau da índia N.^ S ^ da Conceição., comman- 
dada pelo Capitão de mar e guerra António Carlos Furtado de Men- 
donça e informando acerca dos reparos de que precisava. 

Bahia, 19 de junho de 1733, 

Tem annexos 3 documentos, i'^ e 2^ vias. 1678 — 1685 

Officio do Governo interino informando acerca de um requerimento do 
Capitão e Oíficiaes da Náu A^. S.^ da Caridade e S. Francisco de 
Paula., pedindo para embarcarem na Não da índia N. S.^ da Con- 
ceição, commandada pelo Capitão de Mar e guerra António Carlos 
Furtado de Mendonça. 

Bahia, 20 de junho de 1735. 

Tem annexos 4 documentos, i^ e 2^ vias. 1686 — 1693 

Officio do Governo interino para Diogo de Mendonça Corte Real, infor- 
mando acerca das experiências que se tinham feito na cultura do 
linho e plantação de amoreira. 
Bahia, 20 de junho de 1733. 

Tem annexa a informação de Domingos Pinheiro Requião., 
testamenteiro do Coronel Lourenço Monteiro, i^ e 2^ vias. 

« ... Sendo chamado a esta Secretaria Manuel Alvares de Moraes, para me 
informar da producção que tivera a sementeira do linho canimo, disse que com 
effeito o cemeára não só em terras do districto desta Cidade, mas fora delia ; 
porem que não produzira cousa alguma e que pela experiência que tinha de 



U6 

flemolhantc ccincntcirii, iiiicii'' '■" •>••.'•-'•• í»'" •""■ ' »'"Mí»nic vcllin c qud 

loiíiiiriii por Kua coiitn pura < i'> d'et>c Keyiio 

vicHHc Diiira c{uc (n»*c iinva, ii ipadii para livrar 

Ja corrupv&o. 

K nn que rcKpeita a amorerrai, que vicráo d'ei«e Rcyno e ae tranaplantarlo 
lia roswa do (loroiifl I^urciis'<> Mou' — --i ' ; mu» de ftortc nfio engroa« 

Haríiu, que iiic ití/ <i dito Manuel A ', que o irotico nlo paaaa 

(la urosHuru ilo huiiia vide ilc |>ait< !o, anlc» kc tem alattrado 

peita terru, por cuja caii/a tem hcciihío u iiuiinr parte dcllaa e a» que perma- 
iiesseiii »e nchfto com a folha tâu anperu que qua«i não Ictii fcmclhança corn u 
das amoreiras...» (I)oc. n.* nji>6). 

«{^oiiio lestamcntciro que sou d(» (Coronel Lourenço Montcyro catou entregue 
de todo» os seus bens c entre ellcsde huma rOKHU cm que »c jir'''"' iii.i.ii.i-iv 
us amoreyras que vieráo de I'ortugal, as quacs kc achúo ti" 
Seis pes estam plantado» á bcyra de hum riacho em Ingur Hualli< 
ou cou/a que lhe faca mal e coatro pés cittam plantados em terru alta c unxuila 
porém humas e outras se ncham tiio mal medradas i|ue parcsRc «eccarflo todas, 
como já tem feito a mayor parte delias, porquanto as que existem não tem 
feito roda nem creseiii para cima, antes estão alastradas nu terra e com a folha 
tão áspera que não tem semelhança de amoreyras, o que se presume ser por 
cau/.a do clima, por ser o desta terra muito frio e ot ares muito quentes...» (Doe. 
n. i()97). 

1696—1699 

Okkicio do Governo interino participando ter chegado do Reino, a bordo 
do navio Santo António c Santa Quitéria do Capitão António Corroa 
d'01iveira, o Padre Fr. Bonifácio da Santissima Trindade, com au- 
thorisa»;ão paia se incorporar nas Provincias de Santo António do 
Brasil ou da Conceição do Rio de Janeiro. 

Bahia, 20 de junho de lySS. /" e 2» vias. 1700 — 1701 

Ofki^io do Governo interino para Diogo de Mendonça Corte Real infor- 
mando acerca dos vencimentos do Secretario e Officiaes da Secre- 
taria do Governo. 

Bahia, 20 de junho de 1755. 

Tem annexos (V documentos. 1702 — 1710 

Okkicio do Provedor Mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado de Serpa, 
sobre a Náo N.^ S.^ da Conceição, commandada pelo Capitão Antó- 
nio Carlos Furtado de Mendonça. 
Bahia, 24 de junho de 1755. 
Tem annexos 3 documentos, i^ e 2=" vias. ijii — 17 18 

Inkormação do Arcebispo da Bahia, D. José de Mattos Botelho, acerca de 
uma representação de Fr. Francisco de S. José e Sousa, Prior do 
Convento de N.^ S.« do Monte do Carmo, contra os Provinciaes Fr. 
João de São Bento e Fr. António de Santa Eufrazia, accusando-os 
de varias irregularidades. 

Bahia, 25 de junho de 1755. 

i(... Mas não ha duvida que os Religiosos deste Convento e de toda a Pro- 
vincia vivem mais larga e licenciosamente, do que lhes permittem os seos Insti- 
tutos, mas também a não tenho, em que o Padre Prior Capitulante Fr. Francisco 
de S. José e Sousa nesta conta que deo a V. M., procedeo náo só levado, mas 
cego da paixão, pois todo o zelo que a si abroga em fazella consistio em falta 
rem-lhe os vogaes em termos, que quando se suppunha sairia Provincial, se vio 
sem votos para o ser... 

Devem-se mais atalhar os excessivos gastos, que fazem os Conventos e 
suas fazendas os Provinciaes e Visitadores nas visitas, que são obrigados a fazer- 
Ihes, evitando-se a demaziada pompa e ostentação nas conduções, abolindo-se 



116 

o abominável abuso e pratica escandaloza de lhes prestarem os conventos e 
fazendas visitadas não só o viatico em dinheyro, que lhes he necessário para 
passarem ao immediato Convento c juntamente o mantimento, cavallos, c 
escravos, que com excesso lhes dão com notório prejuizo dos ditos Conventos e 
fazendas delle...» # 

1719 

Altos de investigação testemunhal que o Arcebispo da Bahia mandou fa- 
zer sobre os factos arguidos na representação de Fr. Francisco de S. 
Josc e Souza, a que se refere o documento antecedente. 

Bahia, 22 de abril de lySS. 

iAnnexos ao n. ijiQ.) 1720 

Informação do Desembargador Sebastião Francisco Manuel, acerca dos 
bons serviços do Bacharel Paschoal de Abranches Madeira, presta- 
dos no desempenho do seu cargo de Juiz de Fora da Cachoeira, 

Bahia, 26 de junho de 1755. 1721 

«Autos de residência que tomou o dr. Desembargador Sebastião Francisco 
Manuel ao Bacharel formado Paschoal de Abranches Madeira, Juiz 
de fora e orfaons da Villa da Cachoeira, do tempo que sérvio o dito 
cargo.» 

Villa de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira, 3i 
de abril de i j55. 

[Annexos ao n. i']'2i.) 1722 

Informação do Desembargador Sebastião Francisco Manuel, sobre certos 

factos de que era accusado o Juiz de Fora da Cachoeira Paschoal de 
Abranches Madeira. 

Bahia, 27 de junho de 1755. 1723 

«Autos da devassa a que procedeu o Desembargador Sebastião Francisco 
Manuel, para averiguação da veracidade de certos factos irregulares 
de que era accusado o Juiz de Fora da Cachoeira, Paschoalde Abran- 
ches Madeira.» 

Bahia, 24 de abril de 1755. 

(Annexos ao n. 1723.) 1724 

Officio do Desembargador António José da Fonseca Lemos, para Diogo de 
Mendonça Corte Real, sobre a cobrança do donativo para os casa- 
mentos reaes, 

Bahia, 27 de junho de 1755. 

Tem annexos g documentos. 1725-1734 

Officio do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior, 
para Diogo de Mendonça Corte Real, participando que o Marquez 
de Távora havia embarcado de noite e ás escondidas, por causa de 
um desaguisado que tivera com o governo interino. 

Bahia, 9 de julho de 1755. 1735 

Officio do Marquez de Távora, ex-Vice-Rei da índia, dirigida ao governo 
interino da Bahia, queixando-se de uma falta de consideração que 
haviam commettido para com elle. 
Bahia, 8 de julho de 1755. 
Copia. [Annexo ao n. 1735.^ 1736 



117 

Oriício do Uovcriu) inicrino, para <« Vt;u.|<i</ .!<• Tnvor.i í-m rí»n"<ta ao 
oliicio anicccJcntc. 

Miihia. (» ilc julljo de 1755. -*-' 

(lopia. iÁnncxo ao n. íy35.) 

Okkicio do Marco António de Azevedo Coutinho, para o Conde das Gal- 
vòas, communicando que Klrei lhe recommendava a obriga(;áo que 
tinhum todos o.h (Inpiíacs das Núos da índia de obedecerem ás or» 
dcns e si^^ues do cummandante da fragata .de guerra que os com- 
boiasse. 

Lisboa, 22 de julho de 1747. 



o tie 1747 



Copia. A n nexo ao n. ij.i.^. 1738 

()i I icH) do Govcnuj interino, para Dioj^o de Mendon»;a Corte Real, infor- 
mando acerca de uma representação do Sargento M<>r I^nacio Pe- 
reira de Brito, pedindo para ser provido no posto de Capitão mór e 
na vaga que se dera por fallecimento de Sebastião Rodrigues Braga. 

Bahia, 2 de julho de ijbb. 

Tem annexos 1 1 documentos. 

«Para poder informar a rcpresuntação induza que a S. M. fez o Sargento 
inór da Conquista do gentio bárbaro leitacio Pereira de Brito, ordcncy ao pro- 
vedor inór da l''a/etida Keal e an Juiz ile !'"óra da Cachocyra me informasse sobre 
o deduzido nella e vendo a resposta do dito Provedor, que ponho na presença 
de V. Hx., consta que o supplicante serve o referido posto desde iS de agosto de 
1738 até o prezente ; e que por não satisfazer então algumas obrigaçoens do seu 
cargo fora mandado advertir c por falecimento de Scoastião Rodrigues Braga, 
(Capitão mór da dita conquista f«>ra provido neste posto José de Sou^a de Me- 
ncy^es pelo Conde de Athoujíuia, Vice Rey que foi deste Kstado 

Mostra-se da informação junta do Juiz de Fura e do summario de testemu- 
nhas, que o supplica (s/c) sargento mór he diligente em executaras ordens dos 
vscus superiores, que tem feito muytas entradas pelos mattos e certoens, aonde 
habitão os gentios com evidente risco da sua vida; que del'e se não queixáo os 
soldados e vive somente de seos soldos por não ter outra agencia. 

No que respeita ao Capitão mór actual José de Sou^a de Meneses, depõem 
que era notório fora provido naquelle posto sendo soldado desta praça, aonde 
era publico padecera alguns lúcidos intervallos e que depois de estar servindo o 
mesmo emprego, sendo mandado pelo Conde ue Athouguia fazer huma en- 
trada ao Gentio, indo para ella, voltara do caminho louco verdadeyro ou fin- 
gido, como suppunháo muytos, por se livrar de ir á Conquista...» {Doe. n. 1 73g). 

1739—1750 

Officio do Governo interino, para Diogo de Mendonça Corte Real, remet- 
tendouma lettra para pagamento da despezas feita com as reparações 
e preparo da Náu da índia São Francisco Xavier e Todo liem. 
Bahia, 2 de julho de lySS 
Tem annexa a lettra. i^ e 2^ vias. 1751 — 1734 

Officio do Desembargador António José da Fonseca Lemos, para Diogo 
de Mendonça Còrie Real, sobre os descaminhos que se praticavam 
no commercio da Costa da Mina. 

Bahia, 2 de julho de 1755. 

Tem annexos 3 documentos e entre elles a informação do 
Desembargador João Eliseu de Sousa sobre o commercio da Costa 
da Mina. 

«Também V. M. me manda que averigue e o informe do modo de se fazer 
com mais utilidade publica o commercio da Costa da Mina por ser o mais útil 
para o Brasil, sem o qual não pode subsistir o Estado. Nesta matéria tenho ouvido 



118 

vários discursos e todos vem a parar que para a utilidade dos vassalios e ainda 
de V. M. orneio mais seguro, mais útil e mais commodo he pór V. M. este con- 
trato livre para que cada hum que quizer possa mandar para a Costa da Mina a 
sua embarcaçam, como e quando quizer e extinguir o numero e tudo o mais athé 
qui praticado ; porque desta sorte terá V. M. mais direitos e os vassalios mais 
utilidades porque havendo muitos que mandem haverá muitos que comprem os 
tabacos e vendão os escravos, evitar-se-háo os descamirthos que ha n'esta ma- 
téria, chegarão a todos estes interesses, que por agora são particulares dos donos 
dos navios do numero e eu acresentaria que isto se fizesse livre porem com 
huma cautela que he que todo o navio ^ue chegasse a hum porto da Costa da 
Mina a trocar tabaco por escravos e la achasse já outro navio com o mesmo 
negocio, este segundo seria obrigado a trocar pelo mesmo que o primeiro tivesse 
ajustado e só lhe ficaria livre o baratear depois que o primeiro sahisse daquelle 
porto, para que os Mestres dos navios não fizessem damno huns aos outros com 
o interesse de se recolherem primeiro a este porto e poderem vender e reputar 
melhor os escravos em damno dos compradores e disto serião obrigados a 
fazer termo antes de sahirem sujeitando-se a alguma grave pena, todas as vezes 
que contraviessem esta regulação, que se devia mandar executar á risca; e creio 
que emquanto V. M. o não fizer assim não ha de nunca evitar as desordens que 
dizem succedem ainda entre os mesmos mercadores e isto he o que nesta parte 
julgo, segundo o que tenho alcançado, o mais útil a V. M. e ao Estado e ao bem 
commurn. ..))/'Z)oc.° «." iy5y). 

1755 — 1758 

Officio do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior, 
informando acerca de um requerimento de Thomaz Villa Nova 
contra o dr. António da Motta Silva, accusando-o de estar compro- 
mettido na venda que se fizera do logar de Guarda Mor do tabaco, 
cuja propriedade havia o supplicante adquirido por 3 annos, para 
seu filho Francisco Thomaz Villa Nova. 

Bahia, 2 de julho de 1755. 

Tem annexos 4 documentos e entre elles os autos das investi- 
gações a que se procedera para averiguar os factos referidos. 

1759 — 1763 

Recibo de João Marques de Oliveira de uma certa quantia que Plácido Fer- 
nandes Maciel lhe pagara por conta de Felippe Marques d'01iveira. 
Bahia, 2 de julho de 1755, 1764 

Officio do Provedor mór da Fazenda, Manuel de Mattos Pegado Serpa, 

para Diogo de Mendonça Corte Real, acerca da forma como o 

Desembargador António Ferreira Gil pretendia examinar os livros 

da Fazenda, com prejuízo do expediente do serviço. 

Bahia 3 de julho de 1755. 

Tem annexos 8 documentos. 1765 — 1773 

Officio do Provedor mór Manuel de Mattos Pegado de Serpa, acerca da 
exportação de madeiras para o Reino e do seu carregamento a bordo 
das Náos. 

Bahia, 3 de julho de 1755. 

Tem annexos 4 documentos 1774 — 1778 

Officio do Provedor Mór Manuel de Mattos Pegado de Serpa, informan- 
do acerca da vistoria que se fizera á Náu da índia A'^.'* 5." das 
Brotas, de que era commandante o Capitão de mar e guerra Gaspar 
Pinheiro da Camará Manuel. 

Bahia, 4 de julho de 1755. 

Tem annexos 2 documentos. i^e'2^vias. 1779 — 1784 



iNKonMAçÁo da Mesa lin Inspccçno acerca da classííicaçáo dos msucarcs e 
do seu carrcganicnio noK navios da frota. 
Hahia, 3 Jc julho de \y^b. 

l'.' its.signada por Wenccsldo Pereira da Silva, Sebastião Gago 
da Camará e Manuel Alvares de Carvalho. 1785 

Okficio do Governo interino para Diogo de Mendon«;a Còrtc Real. no (^ual 
se refere ao fallecimento do (Coronel Governador Lourcn<;o Monteiro, 
á partida dos Marque/.cs de 'l'avora para o Hcíno, á falta de chuvas, 
á produc^úo do tabaco c do assucar, ctc. 

Hahia, 3 de julho de 1755. 

Tem aiinexos 7 documentos e entre elk.s o mayya dos navios da 
frota, indicando os nomes dos respectivos capitães, os géneros expor- 
tados., etc. /• e !'• r/ti.v. A' 2* via falta este mappa. 

« Os coiitituiados calores que se tem expcrimcniado n'estc clima desde o 
anno passado até o prezcnte pela falta da» cnuva», que na estação do inverno 
costuma haver, tem produzido variedade de doenças e cauzado muytas mortes 
nos moradores desta Capital: no dia 29 de Abril deste anno falecco o Coronel 
Governador Lourenço Muntcyro de huma tal dcHelidade c continuadas vertigens 
ijue totalmente o foráo impossibilitando a dar hum só passo: e no acto do seu 
uncral se tizer&o as demonstrações costumadas...» (Doe. n.* 1786). 

1786 — 1800 



l 



Okficio do Provedor mór da Fazenda, Manuel de Mattos Pegado Serpa, 
accusando a recepção de maieriaes que eram enviados aos armazéns 
da Coroa, de Lisboa, e destinados aos concertos dos navios das frotas. 

Bahia, 5 de julho de 1735. 

Tem annexa a respctiva relação. 1801 — t8o2 

Representação dos vereadores da Gamara da Bahia, Rodrigo da Costa de 
Almeida e António Gomes Ferrão Castelbranco, protestando contra 
o estabelecimento que os Padres da Congregação de S. Filippe Nery 
pretendiam fundar na cidade da Bahia. 

Bahia, 3 de julho de 1733. t Vide o n. i520i. i8o3 

Officio do Intendente Geral do Ouro Wencesláo Pereira da Silva, para 
Diogo de Mendonça Còrie Real, acerca da nova transferencia da 
Casa da fundição de Jacobina para as Minas novas de Arassuahy, 
das providencias que adoptara a tal respeito e para evitar os desca- 
minhos do ouro, da prisão do provedor da Moeda Francisco Xavier 
! Vaz Pinto, das minas de ouro de Angola, etc. 

Bahia, 5 de julho de 1753. 

Tem anncxos i.^ documentos e entre ellcs a lista dos funcionários 
. da Casa da fundição da Jacobina, indicando os respectivos vencimen- 
tos i,a correspondência trocada com Pedro Leolino Mari\. por causa 
da transferencia e nomeação do pessoal para a nova Casa de Aras- 
suahy ,etc. 

Em observância da resolução de S. M. que se me participou por provisão 
do Conselho Ultramarino, expedida a i5 de fevereiro do presente anno. mandei 
logo prevenir os preparos necessários para a Casa de fundição transferida da 
Jacobina para as Minas novas do Arassuahy, aonde existe ainda a antiga casa 
que laborava antes do sistema da capitação, com que ficou supprimida... Para 
evitar niayor despeza á Real Fazenda, me parece o necessário a providencia de 
coartar a que se havia de fazer naquella casa com os sallarios dos ofHciaes della^ 
se fossem de novo procurados e providos em qualidade e numero que prescreve 



120 



a lei e novo regimento das Intendências, sendo aquellas minas de táo pouca con- 
sideração e deminuto rendimento, differente do das geraes, que quazi lodo se gas- 
taria no pagamento de tanto* officiaes e dos preparos para o ensayo, levados de 
tão longe como da Bahia por terra á Villa do Arassualiy, que fica quasi na 
mesma altura e cm pouca distancia das Minas do Serro do Frio... Dos officiaes 
niechanicos dispuz que só houvesse hum fundidor escolhido e pratico não só no 
seu ministério, senão também inteligente do verdadeiro conhecimento da quali- 
dade, pezo e toque do ouro, dando-lhe também hum Ajudante da mesma cathe- 
goria e finalmente hum porteiro e guarda livros o qual serveria também de aju- 
dar a marcar as barras, e que para a assistência da Casa haveria mais dez 
moedeiros e huma guarda de soldados Dragoens, que ali havia, e fazia a mesma 
assistência quando antigamente laborava... Só podia haver algum escrúpulo a 
respeito do ensayador que parecia preciso para o conhecimento da qualidade 
do ouro, mas facilmente me livrou deste embaraço o lembrar-me estar certifi- 
cado agora que quando antiguamente laborava aquella casa, nunca nella houvera 
ensayador, nem se carecia de ensayo, porque a experiência tinha mostrado, que 
todo o ouro que se extrahia daquelle continente mineral, era o mais puro e da 
mais subida qulidade, que sempre tocava como ainda hoje toca de 23 quilates 
para sima, o que facilmente conhecia depois de fundido e reduzido a barra 
qualquer pessoa intelligente e pratica no officio de ourives, que na pedra do 
toque observa e costuma assegurar a qualidade e verdadeira certeza do metal 
em que trata. Devo porém a este respeito trazer também á memoria o que não 
ha muito tempo succedeo, quando se estabeleceo a Casa da fundição da Jacobina. 

Dizia eu então que se escuzava ensayador porque nunca ali o houvera no 
tempo antigo pela mesma razão de se ter experimentado que todo o ouro 
daquellas minas, assim como o das novas do Arassuahy era perfetissimo e 
tocava de 23 quilates alguns grãos para sima, e ponderava que a officina do 
ensayo havia de fazer hum grande dispêndio desnecessário, mas emfim se 
veyo a seguir o contrario parecer e foi nomeado pelo Governo Geral para ensaya- 
dor hum João Corrêa da Silva, que nunca fora ourives do ouro, nem tinha mais 
pratica que a de haver assistido e ter visto ensayarouro na Casa da moeda desta 
Cidade, aonde seu Pay se exercitara e fora bom ensayador... (Doe. n. 1804,1. 

«Manda Elrey Nosso Senhor, que todo o ouro extrahido das Minas da 
Jacobina, e Rio das Contas venha em borrachas com cartas de guia para a Casa 
da Moeda da Cidade da Bahia, e nella se quinte e reduza a dinheiro aprezentan- 
do»se primeiro o viandante ou despachante perante o Juiz ordinário da terra e villa 
respectiva e dando ali huma fiança edonea a trazer e metter na dita Caza da 
Moeda, a quantia afiançada e mencionada na mesma caita de guia dentro do termo 
prefixo e determinado nella e levar disso certidão authentica para desobrigar a 
prestada fiança. Com declaração porem e obrigação precisa, que o próprio despa- 
chante ou quem por elle conduzir o ouro, tanto que chegar a Cidade da Bania 
hirá logo manifestallo na Intendência geral para se ver e examinar judicialmente 
com toda a exacção, se ha dolo, frauíle ou engano na partida declarada na guia 
coni que vier legitimada se descobre falsidade nesta, a qual sem falta alguma 
hirá numerada e a borracha fechada, lacrada e sigilada por fora e com o pró- 
prio numero correspondente ao da mesma guia, para se justificar a identidade, 
como se pratica por solemnidade precisa na forma de passar as guias nas barras 
de ouro... (Edital de 2 de junho de ij55. Doe. n." iSoj). 

« Snr. Desembargador Intendente Geral Wencesláo Pereira da Silva. — A 
instancia dos officiaes que servirão nesta Intendência não posso excuzar-me de 
representar a V. M. a esperança em que estão de que a sua benignidade e rectidão 
praticará com elles o mesmo que se praticou com os da antiga Casa da fundição 
qnando se extinguio, occupando-os na Intendência da capitação assim que se 
estabeleceo e agora que S. M. manda restabelecer esta, espera o Coronel João 
Soares Dantas, do qual fiz menção na carta de officio que V. M. se digne admitilo. 

O Sargento mór Francisco Jorge dos Santos, que sérvio de Fiscal desta 
Intendência, tem bem fundadas as esperanças de ser preferido pelo merecimento 
de 14 annos de serviço sem a minima nota, com muita honra, limpeza de mãos 
e boa acceitação de todos: trabalhando continuamente mais que os outros com- 
panheiros, sem interpolação de tempo por passarem pela sua mão e corre- 
reni pela sua direcção (por ser nisto mais perito) todos as contas e espirada a 
capitação e com ella o seu ordenado, nem por isso deixou de continuar com o 
mesmo zelo thé este mez de Junho do presente anno, em que se puderão fechar 
as contas, servindo todo este tempo também de Fiscal nesta Provedoria, aonde 
se apresenta o ouro, que vay com carta de guia, que também assigna, para Casa 
da tundição da Jacobina, sem ter recebido premio algum, nem nunca ajuda de 
custo por se não requer [sic) nesta Intendência. O Dr. Ouvidor Geral desta comarca 
que vio e examinou exactamente as nossas contas informará cabalmente do seu 
procedimento. 



I 



t2í 

I)!i iiirKinii iiiaiicyrii continuou thc o fito .hi-. i': 
rciro o Si^r^elll<) iiiór C.tistíuiio da Rocha ('.nrlhn, ai; 

mento foriM) piiuaiulri os habiiadorcK ilcntasi tiuiias i. - , - .„ 

últimos annoN de continuntia Rcca, que por neccado ainda dura Hincaçando ■ uU 
timu denolncAo, hc u Mi/cricordiudc Dcuff nào acodir, hc cagado, de regular pro- 
cedimento ubasiadn de bens, geralmente bem vitto c sem duvida terá a» melhores 
thinçn» para o abono. 

Apcira devo por pnrtciio serviço de Flrcy c nor todos o» motivo* de justiça e 
de coiiHciciicia representar a V. M. que Pedro Paulino de ()liueira,tti:rvc a S. M. 
ha 14 aiiiioH completos noollicioilc l^scriváoda l-'u/endn Real c da Coiiimandaiicia 
Hem ordenado al^uin e o tenho conservado cmtam cançado trabalho com a espe- 
rança da Real piedade, tani pobremente vive, por ser limpo de mãos, e ainda 
curto no pedir aos pobres o que lhe toca, que eu podciulo hoje menos, tenho 
applícado todas as minhas assignaturas a huina minha afilhada irman dos muitos 
que o dito tctn. Sem duvida não poderia subsistir se ná(j tivesse comprado 
o officio de tabaiiáo, que está a espirar, em que tem procedido, como em tudo 
o mais, com toda a satisfação e foy o único em quem o I)r Ouvidor não achou 
culpa, nem motivo de reprehcnçáo e o distinguio dos mais cncarregando-lhc o 
o othcio de Kscrivão da Ouvidoria nu sua vacantc, mas se agora V. M. se não 
dignar pôr nclle os olhos da sua piedade, provendo-o em alguma das escriva- 
ninhas, ncni elle poderá mais subsistir, nem eu poderei com as pençoen» desta 
Comandancia, porque não obstante parecer pequeno o governo delia, por falta 
de meyos e outros motivos tem hum continuo trabalho; de mais do que hc este 
homem dotado de raras habilidades e faz quanto quer pela agilidade natural 
e experiência, que adquirio em Lisboa donde he natural. 

Todo o referido he sem a niinima paixão e ditado somente por impulso da 
minha obrigação e do respeito ao Real serviço. V. M. mandará o que fí*)r servido. 

Por cumprir com todos, não devo excluir desta lembrança João Barbosa 
da Costa, que ha mais de 8 annos serve de Thcsoureiro da Fazenda Real, por 
impedimento do actual, também sem ordenado algum com todo o zelo, limpeza 
de mãos e fidelidade e com o trabalho que V. M. supporá ter quem lida com 
soldados, mayormente quando o cofre está pobre... (a) Pedro Leolino Mari^. 
{Doe. n\ 181 3). 

1804 — 1819 

Okkicio de Rodrigo da Costa de Almeida, para o Chanceller da Relação 
da Bahia, acerca de um requerimento de Thomaz de Villa Nova, 
com missa rio da Náu de guerra N.^ S.^ das Necessidades. 

Bailia, 5 de julho de ijSS. 

Tem annexos 14 documentos. 1820 — 1834 

Carta do Provedor da Fazenda Manuel de Mattos Pegado de Serpa, para 
Diogo de Medonça Corte Real sobre a remessa de madeiras para o 
Reino. 

Bahia, 6 de Julho de 1755. 

Tem annexa uma relação dos navios que conduziam, as madeiras 
indicando as quantidades e os nomes dos Capitães, i^ e 2^ vias. 

i835— 1838 

Carta do Coronel honorário Jeronymo Velho de Araújo, para Diogo de 
Mendonça Corte Real, pedindo para ser nomeado eftectivo na vaga 
do tallecido Coronel Lourenço Monteiro. 

Bahia, 6 de julho de lySS. 1839 

Carta do Desembargador Luiz Rebello Quintella, para Diogo de Mendonça 
Corte Real, allegando os seus serviços e pedindo que em recompensa 
lhe fosse dado um logar na Casa da Supplicação. 

Bahia, 6 de julho de 1735. 1840 

I. 16 



122 

Carta do Governador das Ilhas de S. Thomé e Príncipe, D. Josd Caetano 
Sottomayor, para Diogo de Mendonça Corte Real participando-lhe 
a remessa de uns presentes que lhe oíTerecia. 

Bahia, 6 de julho de ijbS. 

Tem annexo um documento 1841 — 1842 

Officio do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior, 

para Diogo de Mendonça Corte Real, informando acerca de um 

requerimento do Commissario Thomaz de Villa Nova, a que se 

referem documentos antecedentes. 

Bahia, 6 de julho de lySS. 

Tem annexo um documento. • 1843 — 1844 

Carta do Governador das Ilhas de S. Thomé e Príncipe, para Sebastião 
José de Carvalho, referíndo-se á sua chegada á Bahia no dia 23 de 
abril, á falta de embarcação que o conduzisse ao seu governo, á 
transferencia da Cathedral de S. Thomé para a Ilha do Príncipe, ao 
estado em que se encontrava o commercio do Brasil com aquellas 
Ilhas e a Costa do Mina, etc. 
Bahia, 6 de julho de 1755. 

«Pela volta da frota em que o anno pasado vim da repartição desta Bahia 
dei a V. Ex. conta de haver aqui chegado a 23 de Abril e de que por falta de trans 
porte não continuava viagem para as Ilhas do meu Governo, do qual não trouxe 
a patente porque não ouve tempo pelo repente em que que se resolveu a minha 
partida de expedir-se, me chegou nesta frota e nella também tive pelo Sr. Diogo 
de Mendonça avizo se mandava a Náo N.' S.* da Atalaya com o Bispo para 
nos levar a ambos para as ditas Ilhas, e que nella vinhão asinstrucçoense ordens 
do que S. M. havia resoluto sobre a mudança de Governo e Cathedral da Ilha 
de S. Thomé para a do Príncipe, que ainda se espera, e sem que [chegue será 
impossivel que possa passar para aquelle Governo, pois me pedem pelo frete do 
navio que procurava para levar me oito mil cruzados, que eu não tenho e náo 
encontro menor difficuldade em fretallo sem frete, como também se me offerece 
com a condição que procure eu alcançar ao dono delia a licença de levar carga 
de tabaco e facultar-se-lhe passar das Ilhas para a Costa da Mina ao resgate de 
escravos, pois sendo os Governadores interinos fáceis em conceder estas licenças, 
das quaes tem dado de agosto a esta parte que ficarão encarregados deste Go- 
verno quinze, estas só se alcanção pelas intervençõens de conhecidos compadres 
e amigos dos Governadores e se não fazem estas negociaçocns, sem o interesse 
dos emissários que solicitão estas graças; que eu não hei de pedir por estas vias, 
nem ainda que achara outras licitas entrara nesta pretenção, porque se náo 
presumisse aqui e nessa Corte, que neste negocio poderia eu interessar-me com o 
dono do navio... 

Aqui chegarão em novembro e dezembro duas sumacas, huma da Ilha de 
de S. Thomé e outra da do Príncipe com géneros da terra e buscar tabacos que 
S. M. manda se lhes dêem para o resgate dos escravos da Costa, com que os 
moradores daquellas Ilhas cultivão as suas fazendas, das quaes tirão os manti- 
mentos, que vendem aos navios, que voltão da mesma Costa para estes Brasis e 
se lhes não tem dado, nem me parece alcançarão a faculdade de os carregarem 
e já o da Ilha do Príncipe, cu)o dono he o capitam Joam Rodrigues Viatina, 
morador e casado na dita Ilha, desenganado de não poder alcançalla sahio deste 
porto para o de Pernambuco, a ver se aly alcançava licença de carregar e se lha 
dificultarem, como aqui lhe succedeo, venderá a embarcação e se recolherá per- 
dido á sua casa, como tem sucedido por este mesmo motivo a outros, de que 
tem rezultado acharem-se as Ilhas, aonde havia muitas embarcaçoens que fazião 
estas viagens, hoje com muito poucas e serão ainda menos, que se não ani- 
marão aquelles habitantes a mandallas, vendo em cabeça alheya os prejuizos 
que virão a experimentar ejá representei a S. M. pelo Conselho a preciza neces- 
sidade que havia de se facilitarem para as Ilhas os tabacos para resgatar escravos, 
que supposto sejão estas muito férteis, não podem produzir mantimentos sem 
haver quem beneficie as terras ; e as embarcaçoens que destes portos do Brazil 
váo despachadas para as ditas Ilhas, creya V. Ex." que não vão a ellas, se não 
a despachar na volta que fazem da Costa os escravos que ali resgatão e buscar 
mantimentos para sustentalos e nada levão ali e só infecionão a terra com as 



123 

(incMÇfiH que triijtcm c cK- ,.,.í,..-,:.,~ ^. „«,..„.,-.. •'■icadoi o Ce M nfo 

pii/i-r rcinoilio u cMtiu d' '-gaçlo da Cotta 

c Nc cxpcriíiiuiiiiirH a toi.ii i .^ para a cultura 

das terraa, oue terá ímpo»»tvcl liavcllo*...'» 

1845 

Carta do Dcscmbarf?ndorCyriaco António de Moura, para Sebastião }n%é de 
Carvalho o Mello, pariicipando-lhc lUic tendo adoecido l». is 

do sua checada á Bahia, cm 7 de abril, não poderá ainda jm á 

s\ nJicancia do Ouvidor da Bahia Henrique Corroa Lobato. 

Bahia, (> de julho de 1753. 1846 

Ini oRMAçÁo do Juiz de Fora da Bahia Jorge Luiz Pereira, dirigida a EIrci 
1). José, acerca dos vencimentos que percebiam os ofíiciacs do Ju-zo 
* de Fíira do Gernl. 

iiahia, 6 de julho de 1735. 1847 

«Extracto dos emolumentos que percebiáo os Escrivaens e Tabeliaens, 
Distribuidor c Contador c Inqucridorcs dos Auditórios dfesta Ci- 
dade do Salvador Bahia de Todos os Santos.» 

S. d (Annexa aon. 184^]. 1848 

CkrtidÁo do numero de cscripturas distribuídas pelos quatros Tabelliáes 
da Bahia, nos annos de 1731 a 1734. 
Bahia, 3 de julho de 1735. 
{Annexa ao n. iò'4jj. 1849 

Carpa do Chanceller Manuel António da Cunha Sottomaior, para Diogo 
de Mendonça Corte Real, manifestando-lhc o seu desejo de regressar 
ao Reino. 

Bahia, 6 de julho de 1735. i85o 

Officio do Governador das Ilhas de S. Thomé e Príncipe, D. José Caetano 
Sottomayor, para Diogo de Mendonça Corte Real, queixando-se de 
que as torças militares e sentinellas lhe não prestavam as devidas 
continências. 

Bahia, 6 de julho de 1735. i'^ e 2'^ vias. i83i — 1832 

Carta particular de D. José Caetano Sottomayor, para Diogo de Mendonça 
Corte Real. 

Bahia, 6 de julho de 1753. i833 

Officio do Governador das Ilhas de S. Thomé e Principe, D. José Caetano 
Sottomayor, acerca de alguns presos enviados de S. Thomé e que 
injustamente se conservavam enclausurados na Cadeia da Bahia, 
havia muitos annos. 

Bahia, 6 de julho de 1735. 

Tem annexa a relação dos presos, i'^ e 2^ vias. 1854 — 1857 

Ca^ta do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomayor, 
para Diogo de Mendonça Corte Real, referindo-se á sua retirada 
para Lisboa, e á boa intelligencia que sempre tivera com o Desem- 
bargador João Eliseu de Sousa. 

Bahia, 6 de julho de 1735. i858 



124 

Ofkicío do Chanceller da Relação Manuel Antohio da Cunha Sottomaior, 

panicipando que partira para o Reino o Desembargador António José 

da Fonseca Lemos e fazendo a seu respeito as melhores referencias. 

Bahia, 7 de julho de 1755. 1859 

Officio do Provedor mor da Fazenda Manuel de Mattos Pegado de Serpa, 
acerca da difficuldade que havia no carregamento das madeiras para 
o Reino. 

Bahia, 7 de julho de 1755. 

Tem annexos 3 documentos. 1^ e 2^ vias. 1860 — 1867 

Carta do Desembargador Luiz Rebello Quintella, para Sebastião José de 
Carvalho, pedindo a sua protecção para que lhe tosse dada coUocação 
em Lisboa, em recompensa dos serviços que prestara. 

Bahia, 7 de de julho 1755. 1868 

Qfficio do Provedor mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado de Serpa, 
acerca do abastecimento dos navios de guerra e da frota. 
Bahia, 7 de julho de 1755. 
Tem annexos 4 documentos, i^ e 2°^ vias. 

EDITAL., Manuel de Mattos Pegado Serpa, Fidalgo da Casa de S. M. e Cava- 
leyro professo na Ordem de Christo, Proveuor mór Proprietário da Fazenda Real 
deste Estado, Juiz Privativo da arrecadação delia, Vedor Geral da Gente de 
Guerra do exercito e Prezidio desta Cidade de Salvador Bahya de todos os 
Santos, por S. M. que Deus guarde, etc. 

Toda a Pessoa que quizer dar para os mantimentos dos officiaes e mais equi- 
pagem das Naus da Índia iV.* 5." da Conceição e N.' 5.* das Brotas os géneros 
seguintes, á saber: farinha de guerra, feijão de varias castas, carne de vaca, ga- 
linhas, milho, arroz de casca e pilado, doce de varias castas, asucar, alfazema, 
algodão, alguidares, almotolias grandes de folha de Flandres, panelas e tigelas, 
pano de linho, louça branca, bombas de folha de tonel, bombas de folha de pipa, 
'■ cadeados, achas de lenha, venha á Casa da Fazenda segunda, terça e quarta leira, 

que se ham de contar nove, dez e onze do corrente, pellas oyto horas da manhã 
para se ajustar o preço dos ditos géneros... (Doe. n." i8ji). 

1869— 1878 

Officio do Intendente Geral do Ouro Wencesláo Pereira da Silva, para 
Sebastião José de Carvalho e Mello, acerca da partida dos navios da 
frota e sobre os preços de venda dos assucares. 

Bahia, 7 de julho de 1755. 1879 

Carta do Ouvidor da Comarca de Pernambuco João Bernardo Gonzaga, 
para Wencesláo Pereira do Silva, acerca das novas leis sobre a Mesa 
da Inspecção e do carregamento e partida dos navios da frota. 
Recife, 18 de abril de 1755. 
[Annexa ao n. iSjg). 1880 

Edital da Mesa da Inspecção da Bahia, sobre os preços dos assucares. 
Bahia, 14 de abril de 1755. 
[Annexo ao n. iSjg). 

«O Conselheiro Presidente e Deputados da Meza da Inspecção da Cidade da 
Bahia, etc. 

Fazemos saber aos Senhores de Engenho, Lavradores de açúcar e a todos 
os homens de negocio desta praça e mais pessoas a que tocar, que S. M. foy ser- 
vido ordenar pelo Alvará régio de 2 5 de janeiro do prezente anno, que nesta 
cidade se observasse exactamente o Regimento da Inspecção, Alvará e Decreto 
de 16 e 2j de janeiro de lySi, a respeito dos preços que hão de ter os açucares 



12S 

ncntc Kittnilo, coinminaiuiu pcnii« grave* ■ todo» «•« 'V'" ""«'""'.tir^i,, <.,,ii..ii4>( 
|>ruv'i)H, i|iic I) tncftini) Scnlior tiiiiiuloii taxiir no '« 

açucjr branco Jlno da primeira qualidade sem me '/- 

cenlosa aniba ; it branco redondo de que te conifóc a ■■■ /'. •' <■ 

du^fntos ra.a aròba e o branco baixo te vendera pela j i i 

ilc fa/cr pori.|Uc »c nfto deve Riim-itai <• • .<: 

iKi Ktminciilo i»c iiuiiulii coiiiT piitítri'. i- 

vado macho a selleccntos r.%. a aròba; o n. _ '■,% 

rs. a aròba e o mascavado baixo ou broma a quatrucenUn rt. a aroba, prcv<'* livre* 
e liquiJoA paru oA LavrailnrcH, com a pena lic que cxccilcn-ío *(• e-»!»-* prc<,oH <^vm 
licciívn lia Mc/a da hiHpccgáo, pcnicrão nn traii^rcftftXK ur 

d<i aguçar vendido por niayor preço, metade para o d ta 

nK obras publicas lieste listado; ser lhes ha com tUílo ......; e 

ajustar por menos se assim se convierem com os con ; e paru que *e 

execute irremissiveimente a ditn pena contra os trans^: lo» nrcço» acima 

taxados, como inobedientes ás Keaes Ordens de S. M., por lezoíuçáo do dito 
Senhor tem o (Conselheiro Pre/idente da Mcza, huma devassa aberta emquanio 
neste porto estiver a frota, na qual podem ir dep('ir todas c quacsqucr petvm», 
que souberem ou tiveretii noticni, cjue se altcráo os preços taxados nos dou*ge- 
nernsde açucare tabaco, a quem S. M. manda dar palavra de inviolável scgreooe 
que nunca seos nomes hiráo nem serão vistos em autos públicos c o tncsmo se 
hade practicur com os denunciantes, que por tal cazo quizcrcm denunciar, sendo 
admittidos com todo o segredo; e para que venha a noticia de todos c náo possio 
alienar a minima ignorância contra a execução da referida pena, se mandou 
passar e atlixar o prezentc edital...» 

1881 

Okiicio Jo Governador das Ilhas de S. Thomc e Principe, D. José Caetano 
Soitomayor, para Diogo de Mendonça Còrie Real, expondo os mo- 
tivos que o obrigavam a demorar-se na Bahia e retardar a partida para 
o seu Governo e queixando-sedo Governo interino embaraçar o car- 
regamento de tabaco a alguns navios de S. Thomé e Principe, mos- 
trando os graves prejuizos que este procedimento causava ao com- 
mercio d'aquellas Ilhas. 

Bahia, 7 de julho de 1755. i^e2'^vias. 1882—1883 

Officio do Arcebispo da Bahia para Diogo de Mendonça Corte Real, acerca 

da partida de vários religiosos que mandara recolher ao Reino. 

Bahia, 7 de julho de 1755. 1884 



Declaração do Capitão da Náu Santa Rosa, Manuel Gomes da Silva, de haver 
recebido abordo Fr. João de Santa Maria, Monge de S. Bento, res- 
>onsabilisando-se por o entregar em Lisboa ao Secretario de Estado 
>iogo de Mendonça Corte Real. 
Bahia, 7 de julho de 1755. 
(Annexa ao n. 18^4). i885 



E.Í 



Relação dos Religiosos embarcados nos navios da frota, por ordem do 
Arcebispo da Bahia. 

S. d. [Annexa ao n. 1884). 

«...O Padre Fr. João de Santa Maria, ex abbade do Mosteiro de S. Bento 
desta Cidade por haver professado ao transitado Fr. Alexandre Chaveto, em 
cumprimento de humas lettras de Marcos António Cassones. 

D. António Rodrigues da Sylva, religioso que foy de Santa Thereza, o mais 
antigo dos tranzitados dos Conventos desta Cidade, para Santo Espirito de França; 
náo só pello máo exemplo que deu, mas pella sua inquieta vida e menos bom 
procedimento náo merece ser restituído a esta Cidade. 

O Religioso Fr. João de S. Tlioma^, da ordem de S. João de Deus dessa 
Corte pello que me segurarão também embarcará nesta frota, e não fazendo 
assim ficará experimentando prisão, mais rigorosa que a que prezentemente tem. 
A causa da sua remessa he por não ter nem haver tido passaporte real e ter 



126 

andado alguma cousa inquieto e orpulhoso para fundar hum Hospício ou Con- 
vento na Villa da Cachoeira, onde thé aqui tem rczidido, o que me parece escu- 
zado. Não tenho contra clle razão de queixa, porque todos me seguráo que o 
seu procedimento he de bom religioso... 

Mais se me ordenava remetesse o Padre Fr. António de Jesus Maria, ex- 
Abbade do Mosteiro de N.' S.' da Graça dos Arrabaldes desta Cidade por haver 
professado a Fr. Francisco Félix de Santa There^a c noviciado a Fr. José dos 
Paços e a Fr. Caetano Gomes, todos professos em N.* S.* do Monte do Carmo 
desta Cidade, e a Fr. António dos Reis, Religioso de Santa Thereza e rezidente 
que era no Convento desta Cidade, em virtude de humas letras de Marco Antó- 
nio Cassones, para tranzitarem para a Religião de S. Bento de P' rança; não vay 
pellos seus achaques serem taes, que não só o farião cahir em huma loucura 
consumada, mas na mesma morte; as suas queixas não são menos que as 
incertas nas duas certidões inclusas...» 

1886 

Requerimento do Padre Fr. António de Jesus Maria, Religioso de S. Bento 
no Mosteiro da Graça, pedindo para não ser obrigado a embarcar para 
o Reino, por se achar gravemente enfermo. 

S. d. (Annexo ao n. 1886). 1887 

Attestado de António Ribeiro Sanches, Medico pela Universidade de Co- 
imbra, certificando que Fr. António de Jesus Maria, se encontrava 
gravemente doente e impossibilitado de embarcar. 
Bahia, 19 de março de lySS. 
[Annexo ao n. 1886). 1888 

Attestado do Cirurgião António da Rocha Neves, certificando que Fr. 
António de Jesus Maria soffria doença incurável e estava impossi- 
bilitado de embarcar. 

Bahia, r de julho de lySS. 

[Annexo ao n. 1886). 1889 

Duplicados dos n. os 1884 a 1886. 2^^ vias. 1890— 1892 

Declaração do Capitão de Náu A^.:* S,^ das Necessidades, João de Mello, de 
haver recebido a bordo o Padre D. António Rodrigues da Silva. 
(Bahia), 7 de julho de 1755. 
(Annexo ao n. i8go). . 1893 

Officio do Intendente Geral do Ouro Wencesláo Pereira da Silva, para 
Sebastião José de Carvalho, acerca das explorações do Salitre por 
Manuel Dias Mascarenhas e remettendo umas amostras de pedras 
encontradas por Lourenço António Bragança e a planta a que se refere 
um dos documentos annexos. 

Bahia, 7 de julho de 1755. 1894 

Carta do Fiel do Registo do Ouro do Rio das Contas Lourenço António 
Bragança, para Wencesláo Pereira da Silva, participando ter desco- 
berto umas pedras que considerava de valor e das quaes enviava 
algumas amostras. 

Estrada Geral das Minas, 24 de maio de 1754. 
Copia. (Ajtnexaao n. i8g4). 

«...A esta parte adonde habito chegou o Mestre de Campo da Conquista 
João da Silva Guimarães na deligencia de buscar as encantadas minas de prata; 
para esta fes o dito elleiçáo na minha insuficiência nomeando-me para cabo da 
sua bandeira, em que explorei parte destes certões e de tudo lhe dei inteira 



127 

HiitinfiiçAo. F como ncttc monde hm '■> cu ca«u<' 

Hciiciu por humu dcNtim partf», - imn «rrr > t 

iiiiiitiH imiito iiniigtiH o cm lii< .liiruA que u V. M.** 

rciiictid cm hum niiquinho (!• n MMS qu« parcftM 

tcicm al)(um metal que hAo i > n. ,i„ .^ ..■>,. ,pdc, e distante dc4ta 

piirtc dito ou tIcK lc^()aH, chuíi'. >.i» turvi» c alambriada» que achei 

cm hum riacho, o que tudo rcii . i ■.„• 

1895 

Okkicio do Capitão Engenheiro Bernardo Jos<5 Jordão, para o Intendente 
(ícral do Ouro, remcticndo a planta da Fabrica de rerina<;áo da pól- 
vora da Bahia ia ze 11 d o a sua descrip»;â<) e informando acerca do seu 
apruvcitanicnto para a preparat;áo do salitre, que vinha do sertão. 
Bahia, 6 de julho de 1735. 
{Annexa ao n. iif()4). 1896 

Planta, perfil c córic da Casa que servira de Fabrica da refinarão da pól- 
vora, na Bahia e que se projectara adaptar para a preparação do 
salitre que se explorava no sertão. 

Delineada pelo Capitão Fngenheiro Pjcrnardo José Jordão. 

(),'"2()3 Xo,'"4i(). I Annexa ao n. iS'(i4i. 

Kncontra-sc na Collecáo especial de mappas e plantas sob o n. 
■jiO.—Enc.XV. ' 1897 

Caim A do Intendente Geral Wenccsláo Pereira da Silva, para Sebastião José 
de Carvalho e Mello, agradecendo ter sido nomeado para o Conselho 
lliraniarino e indicando para o substituir na intendência o Desem- 
bargador Sebastião Francisco Manuel, a quem taz os maiores elogios. 
Bahia, 7 de julho de 1735. 

« ..Dos Ministros que vieráo nesta frota faço o mesmo conceito que V. Ex.* 
forma na sua carta e me parece satisfarão muito bem as suas obriçaçóes ; entre 
tíulos na minha opinião se distingue mais o Desembargador 5fèj$(/<ío Francisco 
Manuel porque o considero não só bem instruido na profissão de direito para o 
despacho das causas forenses, se não também agil, esperto e prudente para a 
execução de quaesquer diligencias, qne se lhe encarregarem, e sobre tudo o vejo 
inuy inclinado ao ministério da Inspecção, porque repetidas vezes me tem per- 
guntado, mostrando ter zelo c grande desejo de se instruir bem no conheci- 
mento pleno de todas estas dependências e eu o satisfaço com lhas manifestar e 
explicar e o acho ministro de conhecido zelo e talento e com suficiente capa- 
ciuade para ser empregado n'estas intendências e meu substituto nellas e se 
attendidas as minhas razões fõr eu bem deferido c mandado recolher á corte 
aonde poderei ser mais útil, que neste Estado... 

1898 

Relatqrio do Desembargador António Ferreira Gil, sobre a syndicancia a 
que estava procedendo nas contas e serviços da Fazenda Real, para 
averiguação dos desfalques e irregularidades de que era accusado o 
Thesoureiro Geral Domingos Cardoso dos Santos e seu Escrivão 
Manuel Fernandes' da Costa e outros e informando acerca de ditTe- 
rentes medidas que era necessário adoptar para garantir uma melhor 
íiscalisação. 

Bahia, 7 de julho de 1755. 

Te?7i annexos 2 2 documentos e entre elles os autos dé perguntas 
feitas a Domingos Cardoso dos Sajitos e Manuel Fernandes da Costa, 
a lista dos autos de execuções e sequestros pendentes na Provedoria 
da Fa\enda^ termo de juramento e exames de contas^ etc. 

1899 — 1921 



128 

Okficio do Intendente Geral Wencesláo Pereira da Silva, para Sebastião 
José de Carvalho e Mello, referindo-se ás reclamações dos Capi- 
tães dos navios por causa dos carregamentos c partida da frota e á 
injusta indisposição que havia contra a Mesa da Inspecção. 

Bahia, 7 de julho de lySS. 

Tem annexos 2 5 documentos^ comprehendendo copias de varias 
resoluções da Mesa da Inspecção^ de representações do Commandante 
da frota e Capitães de navios, do auto de devassa, de informações do 
Intendente Geral, de editaes, portarias, etc. 

«AUTO DE DEVASSA. Aniio do Nascimcnto de Nosso Senhor Jesu Christo de 
mil sete centos cincoenta e cinco aos vinte e dous dias do mes de abril do dito 
anno nesta Cidade do Salvador Bahia de todos os Santos e Casa da Inten- 
dência, em que reside o Doutor Wencesláo Pereira da Silva, do Desembargo 
de S. M. seu Conselheiro do Conselho Ultramarino, Intendente Geral e Prezi- 
dente da Mesa da Inspecção, aonde eu escrivão de seu cargo estava, por elle 
me foi dito que em observância e inteiro cumprimento do Alvará de 25 de janeiro 
do presente anno e por razão de seu cargo queria devassar e conhecer individu- 
almente se algumas pessoas de qualquer qualidade ou condição que sejáo, dire- 
cta ou indirectamente fomentão transgressão e fraude oppostas contra o Regi- 
mento, Alvarás e Decreto de 16 e 27 de janeiro e do l° de abril de lySi, 28 e 29 
de novembro de 1/53, com que S. M. foi servido estabelecer e criar de novo a 
Mesa da Inspecção do açúcar e tabaco nesta Cidade e se com efteito sentem ou 
fallão mal da creação delia, publicando temerariamente que os mesmos alvarás 
e ordens do dito Senhor a esse respeito não são justas e úteis aos seus vassal- 
los, nem delias se lhes segue proveito, mas sim descontentamento e vexação aos 
povos e fabricantes e somente utilidade aos negociantes, e com este rumor dam 
calor a huma total opposição aos ditos regimentos da Mesa, Alvarás e ordens de 
S. M., fazendo conventiculos, palestras em parcialidade e illusoens para malquis- 
tarem e destruírem o ministério da Mesa da Inspecção: como também queria 
saber e averiguar, se os lavradores do tabaco os venderão, a saber o da primeira 
qualidade por mais de des tostoens, e o da segunda por mais de 900 rs e se na 
conservação destes preços se lhe tem seguido utilidade; e se na mesma forma 
os Senhores de Engenho e lavradores de açúcar venderão na presente frota, o 
branco fino por mais de 1400 rs a arroba: o redondo por mais de 1200 rs. e os 
brancos baixos por mais da avaliação da sua respectiva qualidade e outro sim 
se venderão os mascavados machos por mais de 600 rs a arroba e os redondos 
por mais de 5oo rs e as bromas por mais de 400 rs e se huns e outros fabricantes 
dos referidos dous géneros do açúcar e tabaco os misturão e falsificão as suas 
naturaes e respectivas qualidades introduzindo e mesclando os da segunda e 
terceira com os da primeira e os da terceira com as da segunda, para com este 
dolo fraudarem o commercio e se utilizarem furtivamente e juntamente se al- 

fumas pessoas de respeito, fabricantes e homens de negocio tractão de preposito 
e retardar a condução para esta Cidade dos effeitos que se hão de carregar na 
prezente frota, afim de que se não possa expedir no tempo em que S. M. ordena. 
E junctamente se os Capitãens ou mestres dos navios, carregadores, procura- 
dores, commissarios e mais interessados na carga da frota tractão de fraudar e 
alterar os fretes do açúcar e tabaco taxados no regimento da Mesa ou não guar- 
dão pontualmente a destribuição da carga que lhes foi regulada e destribuida 
pela Mesa na forma do Alvar-á de 2g de novembro de 1/53, além de que queria 
também conhecer e averiguar se os ofiiciaes da Casa e Mesa da Inspecção subor- 
dinados, serventes e mais pessoas occupadas no serviço e ministério delia 
cumprem pontualmente com as suas obrigaçoens ou as excederão ou faltarão 
a ellas e se disso ha queixas das partes...» (Doe. n.° ig32). 

' 1922 — 1947 

Okficio do Provedor mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa, 
sobre o destino que tivera a carga da Náu N. S. da Caridade, que 
fora dada como incapaz de navegar. 

Bahia, 8 de julho de 1755. 

Tem annexa a relação da carga e a dos materiaes fornecidos 
d Fragata de guerra N.S. das Necessidades. 1948 — 1950 



120 

Carta dos vereadores Rodrigo da Costa de Almeida e António Gome» 
Kerrão (^iistelbrunco, recomendando a rcprcseniavão que tinham 
dirigido ao Hei contra o estabelecimento que pretendiam fundar na 
lialiia os 1'ailresde S. Filippe Nery de Pernambuco. 

Bahia, 8 de julho de 1755. 1951 

Okkicio do Governo interino sobre a exportação de madeiras para o Reino. 
Bahia, 8 de julho de 1755. 
Tem anttexa uma relação das madeiras embarcadas. igS2 — 1953 

Okkicio do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior, 
participando c:iviar para Lisboa, sob prisão, o ex-thesourciro Geral 
Domingos Cardoso dos Santos. 

Bahia, 8 de julho de 1753. 

Tem annexos -i documentos, /"e 2" vias. 1954 — 1959 

Okkicio do Chanceller Manuel António da Cunha Sottomaior, para Diogo de 
Mendonça Corte Real, sobre um incidente que se dera com o Marquez 
de Távora, que se julgara desconsiderado pelo Governo interino. 
Bahia, 8 de julho de 1735. 

Tem annexos 7 documentos e entre elles a copia da correspon- 
dência trocada sobre o assumpto. 1*6 2* vias. 1960 — 1974 

Okkicio do Chanceller Manuel António da Cunha Sottomaior, para Diogo 
de Mendonça Corte Real, participando que o Marquez de Távora 
havia partido para o Reino, tendo embarcado de noite e clandesti- 
namente. 

Bahia, 9 julho de de 1755. 

Tem annexos 2 documentos, relativos ao assumpto a que se refe- 
rem os anteriores. 1973 — 1978 

Okkicio do Chanceller da Relação sobre a remessa de correspondência offi- 
cial. 

Bahia, iode julho de 1753. 

Tem annexos 3 documentos. 1979 — 1982 

ProciraçÁo judicial de Alexandre de Compôs Lima, constituindo seus 
advogados os drs. Vicente Pereira Real e António Ribeiro Migueis e 
procuradores João Texeira de Mendonça, Manuel de Brito, Manuel 
da Cruz Rego e Plácido Fernandes Maciel. 

Bahia, 22 julho de 1733. io83 

InkormaçÁo do Juiz dos Órfãos António José dos Reis Pinto e Sousa, dirigida 
a EIrei D. José, sobre o tempo de serviço e vencimentos dos escrivães, 
avaliadores e partidores, seus subordinados. 

Bahia, 26 de julho de 1733. 

Tem annexos 3 documentos. 1984 — 1987 

Okkicio do Provedor mor da Fazenda Manuel de Mattos Pegado de Serpa, 
communicando as diversas providencias que se tinham adoptado a 
respeito da Náu da índia N. S.^ da Caridade e S. Francisco de 
Paula, da respectiva carga e tripulação. 
Bahia, 3o de julho de 1753. 

Tem annexos 10 documentos. 1988 — 1998 

1. 17 



C^Ki^CK) (#0 Governo Mterino para Dto^o de Mendonça Corte Real, cortimu- 
rtica'ndo enviar para Lisboa vários soldados que haviam desertado da 
índia, 

Bahia, s. d. (jurho de lySS). 1998* — 1998B 

Tem annexa a respectiva relação. 

R-BLitORio do Desembargador António Ferreira Gil, sobre os exames a gue 
procedera nos livros e contas dos thesoureiros geraes e Almoxarifes 
dos Armazéns reaes. 

Bahia, s. d. (julho de lySSj. 

TeVA annexos f) documentos 1999 — 2008 

Officio do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte Real, acerca 
da licença que fora concedida a Fr. Bonifácio de S. S. Trindade para 
irá Bahia, visitar seaS pães. 

Bahia, 14 de agosto de 1755. 2009 

C-àrTa do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte Real, sobre 
ò numero de freiras que podiam ser admittidas nos Conventos e os 
prejuízos que causava ao convento das Ursulinas da Soledade e Co- 
ração êe Jesus o náo poder augmentar o numero das que tinha. 
Bahia, 3o de agosto de 1755. 

«Com a chegada a esta Cidade do R. P.° João Honorato, Provincial da Com- 
panhia desta Provincia do Brazil e entrega que me fez no fim de julho, de huma 
carta de V. Ex.', lavrada em Mafra em 3 de outubro do anno de 1734, na qual da 
parte de S. M., que Deus guarde, me ordenava desse cumprimento a dous Bre- 
ves, que nella vinháo incluzos, foi preciso divulgar-se com bastante magoa desta 
Cidade o que V. Ex.° da parte do mesmo Senhor me havia mais ordenado em 
duíts vias, que me chegarão pela frota, escritas em 5 de janeiro deste anno de 
1755, para não consentir, nem ainda em virtude de Breve, que nos Conventos 
. deste Arcebispado entrassem mais freiras, que as numerarias; sem esta recom- 
mendação o havia eu assim executado até aquelle tempo e em virtude delias 
não acceitei o Breve, em que o Summo Pontífice fazia graça ao Convento das 
Ursulinas da Soledade e Coração de Jesin de maior numero, sem embargo de 
ser hum dos sobreditos dous', que se me mandavão executar e de bastantes 
rasoens, com que se pretendeo convencer a minha repulsa. O exposto me preciza 
a i^ecòrrer á benignidade e Real clemência de S. M. por meyo da protecção de V. 
Éx." com as rasoens seguintes. 

Professas que se virão estas Religiosas, cuidarão, supposto o grande aperto 
em que viviáo em hum limitado dormitório, na factura de dous mais, para 
poder cada huma ter sua cella e algumas mais em que recolhessem e ensi- 
nassem as educandas, a que com approvação minha derão logo principio, mas 
muito lentamente por falta de meyos; porém chegada que foi a noticia de S. M. 
haver mandado executar a graça Pontifícia na forma do mesmo Breve, que 
admitte não muito mais de 5o freiras, cujos termos conforme a intrepretação 
commua se entendem até 54 ou quando muito até 55 e não mais; concorreram 
promptamente alguns pães e parentes de 11 educandas, que havião neste Con- 
vento, com offertas de dinheiro prometendo á Superiora, que professando suas 
filhas naquelles logares dariâo e logo derâo alguns de esmola para as obras, 
além do vitalício, 2 mil cruzados por cada huma 

Acceitaram as freiras esta esmolla, e por se verem com dinheiro e em 
vésperas de acceitarem maior numero de noviças na forma do Breve, fizerão 
continuar na obra com todo cuidado e vigor: á vista do que, se esta graça não 
tiver seo devido effeito nem as obras se acabarão, nem o Convento se desem- 
penhará em tempo algum por não ter com que; e o que mais he, ficará esta Ci- 
dade com este Seminário imperfeito, em que não só se ensinão e exercitão as 
virtudes respectivas ao sexo feminino, mas todas as mais artes liberaes e prendas 
qilè o podem condecorar em hum e outro estado, como se está vendo nos santos 
exercidos, em que se empregão e no fervoroso zelo com que ensinão a doutrina 
christan, ler, escrever, contar, solfar, instumentar, coser, bordar etc. 

Muito mais poderá dizer nesta parte, mas por não parecer encarecido, sus- 
pè'hdo a penna. No principio da creáçao deste Convento me pareceo bastante 



O numero ilc 4- - -'i^ffammm^m^^g^^^ 44. uccupío 

^^^^^^^^Kft lÃcço que 

11)11 i». 

Hcm Rci qtic ha pcMou», que ajuizAo por touiiiM ai freira*, (yuA ha netia 
Ciiliulc, til ' > 11 V. Kx.* que ente juizo nfto icrn outi 'it^pio maia, 

qucu ilcs < il^uii» prciciuiciitc» por nicyo dellc mh que conca* 

bem lie Cl..-. ■ ...^ iiín» quererem '■• ■■■■- ••i''-- ■•■•■ ■■. -i- --•■( rnagoa 

<iR Icrú obrigado u ilarcm coiitii n loa de 

l-'reiruit, que lia iiesiu Ciduiic, não \ •■ •vfMÊf- 

vaçfto do negocio, cuja temeridade »c ctmvciicc i,oin u» dauínuu ãçaviin êtgmÃ- 

tCH. 

Demonstruç&o i* quanto á nr-r ' ' f^ 'í "^ • ^' ' ' la Ba- 

hia no aniiii Jc i70<), como ne vc i ueziaa 

que cm tal tempo somente tinha, 4, _ .'■ ^. i 

No pre/cntc anno de fjbb tem nas otn ? maít, que 

delias se desmembrarão S.Tltj fof^oi c 3, i 

Demniistraçáo a*. O l<. "Arcebispo l>. Juao l-iamn d<: '• i ;■- 

cessor, loi o primeiro Arcebispo que penetcou o sertão d< .U: 

Scrf^ipe dct lifY c o visitou até chegar ao Rio de S. Francisco, ^j^.v .......v v.-...- ..ivc- 

bispado do Bispado de Pernambuco, pouco antes do anno de 1700. Nesta visita 
administrou o sacramento da chrisniu u 40 mil pehsoiu, como se L£ tias consti- 
tuiçoens deste Arcebispado no n.* — quarto Arccbi-spo d^i Bahia. — A este bom 
Prelado imitou o seu successor o R. I). Sebastião Monteiro David, cbriajnando e 
vi/itaiuio inteiramente todo aquellc sertão no anno de 170»). Levado cu do desejo 
de imitar os passos dos sobreditos Prelados me rezolvi no aouo de 74^ a fazer 
a mesma visita, para o que passando por mar desta Cidade ate á Villa da (Cacho- 
eira, que são 14 legoas, delia continuei por terra a minha peregrinação c depois 4c 
haver andado 12 ou mais legoas rae achei na frcguezia deS. José das ItapororocM, 
primeira daquclle sertão: tindn que foi etita vizita, continuei na jornada até a 
Villa de S. João de Agoa l''ria, de/ legoas adiante du 4c Itapocorocgs, donde 
estando em termos de continuar a marcha para a 3' freguezia de Ijthambupe, 
distante i3 legoas da de S. João, adoeci tão gravemente, que depois de "io e tantos 
dias de cama me recolhi a esta Cidade, onde cheguei com vida por especial favor 
de Deos, deixando chrismadas nas sobreditas duas freguezias 18 mil e tantas 
almas. Vendo-me sem esperanças de poder satisfazer e ejUa. m^oh^ ob^ixaçiv» 
consegui da Sé Apostólica Breve para mandar chrismar pelos meos Visitadores 
neste sertão, no de cima, e Vilias do Sul. 

Foi o primeiro Vizitador o P.* António de Oliveira, Missionário Apostólico, 
que mandei com a jurisdicçáo de chrismar. no anno de l^ò% e dos Livros que me 
entregou , constava que chrismara iiS.aóõ pessoas. Destes números encontrados 
huns com os outros se colhe com evidencia a temeridade com que se deu a dita 
conta a S. M. Este mesmo augmento de almas, que se acha nesta Cidade e 
naquellc sertão, mostrara sem duvida a V. Ex.* no sectáo de cimg, '^ih?^ v<lo 
sul e recôncavo desta Cidade, se não temera o molestallo com tão dilatada leitura, 
nos quaes três ramos se contão duas até três vezes mais almas, do que nesta 
Cidade e Sertão de baixo e da mesma sorte vigararias. 

Nos 4 conventos, que ha nesta Cidade e seo Arcebispado não chegão a haver 
200 freiras numerarias, pois com estas, que na torma dp Breve peço para a Sole- 
dade e Coração de Jesus, e com mais li, que ha tempos estou pedindo para o 
Convento da' Lapa, prefazem todas o numero de 20$ ate 2i3, ç dando a numas 
por outras 40 annos de vida depois de professas, virão a faltar em cada aano 
num por outro 5 freiras; e havendo nesta Cidade e Arcebispado tantas almas, 
como fica dito, não posso deixar de ajuizar por arrojo, mais que temerário, a 
conta que se deo a S. M. de que farião falta 3 mulheres, que em cada anno tomáo 
estado religioso e se desposâo com Christo, para a procreação humaqa. 

Quanto á conservação do negocio, se nelle ha decadência, são os seus moti- 
vos os seguintes. Primeiro, porque os que conhecerão pays e avós dos prezentes 
negociantes, estão dizendo, que andavão a pé, sem caaeyra, nem lacayos, vesti- 
dos muito chãmente, sem adereços de custo nas suas cazas, sem a multidàp 4c 
diamantes e joyas,que prezentemente se estão vendo, sem o excessivo iramefo 
de escravos e escravas, o que tudo no tempo prezente se pratica pelo contrario, 
ecomo os gastos sejão excessivos, não he muito, que o rendimento do negocio se 
consuma e acabe. Segundo, porque prezentemente são innuraeraveis os que 
negoceâo sendo antigamente contados, e como o rendimento que então dava o 
negocio se repartia por menos, não he de admirar, que pareça que vai decahindo, 
repartindo-se por tantos. 

V. Ex.' por serviço de Deus, e por quem he, me ponha aos re^^s pés de 
S. M., pedindo -lhe humildemente o pumerpde íeJi^ipsas ija Cpj.Wj* ^'^ Breve para 



132 

o Convento de S. Úrsula da Soledade e Coração de Jesus e de 33 para o da 
Conceição da Lapa de que muito necessitão, para como boas e santas religio- 
sas, que são, satisfazerem com perfeição c como manda a sua Regra aos actos da- 
quella communidade e poderem coni as esmollas oara as obras, que espe- 
ram das i3 intrantes, concluir a fabrica da sua Igreja, de que já dei conta a V. 
Ex.*,.. 

2010 

Procuração de Domingos Luiz Moreira, constituindo seus advogados e 
procuradores Plácido Fernandes Maciel, António Ribeiro Migueis, 
Agostinho Rodrigues Real, Manuel de Brito, João Teixeira de Men- 
donça, Francisco Fiodrigoes Cavalheiro, Cietano de Mendonça e 
Francisco Xavier Quaresma. 

Bahia, 3 de setembro de 1755. 201 1 

Procuração judicial de Sebastião Borges de Barros, constituindo seus ad- 
vogados e procuradores os drs. PVancisco da Cunha Torres, Agos- 
tinho Rodrigues Real e António Gomes Bezerra Calvacante e Albu- 
querque e os solicitadores Manuel de Brito, José Quaresma e João 
Teixeira de Mendonça 

Bahia, 5 de setembro de lySS. 2012 

Carta do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte Real, rete- 
rindo-se á concessão do Hospital da Villa da Cachoeira que Elrei 
D. José fizera aos Religiosos de S. João de Deus da Província do 
Brasil. 

Bahia, i5 de setembro de lySS. 2oi3 

Carta do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte Real, par- 
ticipando que nenhuma noticia tinha ainda da chegada do Vice-Rei 
e que o bispo de S. Thomé ficava hospedado no Collegio dos Jesuí- 
tas, esperando navio que o conduzisse á sua Diocese. 

Bahia, 16 de novembro de lySS. 2014 

Officio do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte Real, 
communicando-lhe que, em cumprimento das ordens que recebera, 
faria embarcar no primeiro navio para Buenos Ayres Fr. José Ca- 
mello, religioso hespanhol da Ordem de S. Francisco. 

Bahia, 16 de novembro de ij55. 2oi5 

Informação do Intendente Geral do Ouro Wencesláo Pereira da Silva, 
dirigida ao Rei, sobre a extincção da casa da fundição de Jacobina, 
restabelecimento da que houvera nas Minas Novas do Arassuahy e a 
cobrança do quinto do ouro das Minas do Rio das Contas e Jaco- 
bina. 

Bahia, 17 de setembro de 1755. 2016 

Officio do Intendente Geral Wencesláo Pereira da Silva, para Sebastião 
José de Carvalho e Mello, sobre os assumptos referidos no docu- 
mento anterior e ainda sobre o pagamento das despezas da Mesa da 
Inspecção, a necessidade de fazer rusgas aos vadios para evitar os 
muitos roubos que se davam, a suspensão do Juiz do Crime Fran- 
cisco Xavier Pereira Brandão e a morte repentina do Provedor da 
Moeda Francisco Xavier Vaz Pinto. 

Bahia, 20 de setembro de 1755. 2017 



138 

Cauta cio Intciuicnic Geral Wencesláo Pereira da Silva, para Sebastião 
Ju.s(í de Cnrvulho e Mello, sobre a descoberta de minas de salitre, 
ouro e praia na (Capitania de Pernambuco. 
Bania, 22 de setembro de 1733. 

ul)c|'>oÍM ilc ter ocripio u V. Kx* u carta que vai íiicluta nota mciima botas, 
recebi huiiiu do Ouvidor de I*criiuiiihuco João Bernardo Gonzaga, cm que me 
dá noticiai!, que lhe pedia de algutm iiovoa dcacobrímctito» de minat de lulílre, 
ouro c prata iiaquellaH partcH auKtraeH, o que participo a V. Ex* para tirar dcllaa 
ns iiiforinnçóeH primeiraN, ouc tiverem al^llma Kcrvetitia. 

A critica que eu laço uestas couhuh, he que aH luinas do talítre fio certaf, 
mas u uspere/.a daH terraH, donde ne tira ente tnuteriul, tuz dcamayar c fugir aa 

Sentes do Mrasil, jviuco ou nada aplicadas ás artes e sobretudo dcniasiudarncnte 
udas au ócio e a preKuiça, de tal maneira que pciu tnayor parte dcsprezúo a 
sua conveniência c passAo inalissiinainentc, faltos de tudo aquillo, uue tem e 
taciltnente podiáo descobrir e beneficiar nas suas terras e para exemplo rcftrirei 
a V. Ex* o que expcrinicntanios todos os dias. 

São as costas inaritinias do Hra/il muy abundantes de producçôcs de peixes 
e de outros iiuc vem arribados de outras costas e paragens rcrotas c com tudo 
hc tanto a falta de pescado, que custa carissimo, por os pescadores, que são os 
mais pobres, se vão ao mar num dia e tiveráo ganância, emquanto esta lhe 
dura, cessa u pescaria, e não se occupáo cm cousa alguma, nem sahem da casa 
da palha, que lhe serve de cobertura, deitados sempre na tipoya ou rede de al- 
godão, com o pito ou caximbo na boca, que he toda a sua delicia, e quando se 
lhes acaba a ganância, tornão outra vez á pescaria ; c assim em todo o género 
de occupação falta sempre geralmente a probidade e boa economia, que nao ha 
no Brazil. 

Em tudo ò mais pelo conseguinte reina sempre o ócio e tudo he tnal gover- 
nado ; ha muito ouro e prata em todo o Brazil e parece que a Divina Provi- 
dencia fez deposito nestas terras, mas tão escondido nellas, que he necessário 
muita diligencia e inuitu paciência para se buscar e achar e se logo no mesmo 
dia não da mostra de grandeza c abundância para saciar a cobiça, não se 
espera outro, mas logo se larga a obra e por isso se vive sempre em esperança, 
com indigência. 

Emhm falta aqui a curiosidade e aplicação ; e eu não vi, nem li, que hajáo 
terras mais cómodas para a producçáo de todo o género de drogas, assim hou- 
vera aplicação para artes mecânicas, porque seriao infinitas as obras estando 
sempre dispostas as matérias, que a natureza aqui produz. Eu por curiosidade 
ando trabalhando hum papel, que traído entre mãos para dar noticias a V. Ex* 
de muitas cousas, que se a Providencia Divina concurrer para que se ponha de 
alguma maneira em pratica será a terra mais felicissima atègora descoberta, 
ainda que considero e bem vejo, que a preguiça, a estultícia e a formiga no Bra- 
zil são os mortaes inimigos ou vicios connaturaes, que impedem e destroem as 

artes » 

2018 

Carta do Ouvidor de Pernambuco João Bernardo Gonzaga, para o Inten- 
denie da Bahia Wencesláo Pereira da Silva, sobre a partida da frota 
e as minas que se tinham descoberto nos sertões da Capitania de 
Pernambuco. 

Recife, 21 de julho de lySS. Copia. [Annexa ao n. 20181. 

«...Sobre a incumbência do salitre tenho tomado as informaçoens que pude 
de pesssoas inteligentes nos certoens desta Capitania, e tenho achado noticia 
certa de que em três ou quatro partes o ha em abundância. 

Tenho mandado vir de caaa parte huma carga de huma besta em dous sur- 
roens e faço tenção mandar purificar aqui huma parte de cada huma por pessoa 
que me parece inteligente para o remetter assim e também em bruto para que lá 
se veja huma e outra couza; porem fazem-me certo de que ha annos mandou o 
Governador actual vir hum pouco e que fazendo experiência delle com o boticário 
da Congregação lhe disserão que não prestava para couza alguma, veremos se sou 
melhor sucedido na minha diligencia e de tudo darei parte a V.* M." 

Seguram-me que o Governador de Paraíba tez huma sabida a certo lugar do 
certâo do seo governo a examinar as minas de prata, de que sempre aqui hou- 
verão noticias desprezadas, não sei se por inveja de que não fossem outros os 
descobridores ou se por ignorância, pois fazendo-se aqui huma experiência em 



ÈQ4- 

huma pouca de pedra do tal citio no tempo do Snr. Henrique Lui^ e sahindo 
delias prata finíssima, se não fez cazo porque foi pouca c que não fazia conta, de- 
vião querer que sahisse tanta prata como pedra, sendo que até esta experiência 
me seguráo que foi muito mal obrada. 

O dito Governador é ágil para tudo, queira Deus seja bem sucedido. O en- 
canto das nossas minas dos Cararis não o sei entender. He constante que se tira 
muito ouro, e que todo sae furtado aos quintos, de que nesta frota somente foráo 
92 oitavas; o Intendente não sei o que diz delias, porque o nosso General nada me 
comniunica ; os que estão nellas lavrando choram-se que nada tirão porém não 
o posso crer, .porque se assim fora, não creyo que os Findares, homens mineiros, 
estivessem ahi ha mais de dous annos com trinta negros, sem lucros propocio- 
nados; seguram-me os moradores que o mesmo Intendente está comprando o 
ouro aos que o lavrão occultamente...» 

2019 

Capita do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior, 
para Diogo de Mendonça Corte Real, pedindo que lhe fosse dado 
successor, porque terminando o seu tempo de serviço em dezembro, 
desejava immediatamente recolher ao Reino. 

Bahia, i5 de novembro de lySS. 2020 

Officio do governo interino, participando ter sido entregue ao Bispo de 
S. Thomé D. António Nogueira a parte do espolio do seu antecessor 
o Bispo D. Fr. Luiz que tendo fallecido na Bahia, alli deixara vá- 
rios objectos, alguns d'elles pertencentes á Sé da sua Diocese. 

Bahia, i5 de novembro de ijSS. 

Tem annexos 3 documentos. 2021 — 2024 

Carta particular de António de Araújo dos Santos para Diogo de Men- 
donça Corte Real. 

Bahia, 16 de novembro de lySS. 2025 

Officio do Governo interino para Diogo de Mendonça Corte Real, acerca 
da partida de D. José Caetano Sottomaior, do Engenheiro José An- 
tónio Caldas e Piloto pratico António José de Abreu para a ilha do 
Príncipe a bordo da Náu N. S. da Natividade, referindo-se também 
aos officiaes de pedreiro e carpinteiro contractados para prestarem 
serviços naquella Ilha e aos motivos que o governador de S. Thomé 
D. José Caetano apresentava para adiar a sua partida até março 
próximo. 

Bahia, 16 de novembro de lySS. 2026 

Officio do Governo interino para o Governador das Ilhas de S. Thomé 
e Príncipe D. José Caetano Sottomaior, participando-lhe que o Ca- 
pitão da Náu A^. S. da Natividade trazia ordem de o conduzir ao seu 
governo. 

Bahia, 16 de novembro de 1755. 

Copia (Annexo ao n. 2026.) 2027 

Officio do Governo interino para o mesmo governador de S. Thomé, com- 
municando-lhe que estando quasi decorrido o tempo que a Náu Na- 
tividade podia demorar-se na Bahia, era forçoso que alguma cousa 
decidisse sobre a sua partida. 

Bahia, 14 de novembro de 1755. 

Copia [Annexo ao n. 2026.) 2028 



135 

OiMirro do ('npiíno da Náu .V. .V. íia Natividade Francisco Mii.' cf 

pura o governo interino, participando que tcndo-lhc com. lo 

o governador de S. Thomé que s(') embarcaria em março para o seu 
governo, tinha que partir com a Náu para o Rio de Janeiro. 

Hahia, 14 de novembro de 1733. 

Copia. lAnnexo ao n. 2026.1 2029 

í)i I icio do Capitão Francisco Miguel Ayres para o governo interino, com- 
municando-lhe que tendo de partir para o Rio de Janeiro precisava 
descarregar as mercadorias que a Náu N. S. da Natividade trazia 
com destino á Illia do Principc. 

Jiahia, 14 de novembro de 1755. 

Copia. lAnncxo ao n. uoih.) 2o3.0 

Ofkicio do governo interino para o Capitão Francisco Miguel Ayres, em 
resposta ao anterior. 

Bahia, i5 de novembro de lySS. 

Copia. [Annexo ao n. 2026.1 2o3i 

Okkicio do Governador e Capitão General das Ilhas de S. Thomé e Prín- 
cipe D. José Caetano Sottomaior, participando que adiava a par- 
tida para o seu governo ate ao mez de março, expondo as razoes 
porque o fazia. 

Bahia, i5 de novembro de 1755. 

Copia. [Annexo ao n. 2026.) 2o32 

Carta do Provedor Mor Manuel de Mattos Pegado Serpa, para Diogo de 
Mendonça Corte Real, participando que o governador de S. Thomé 
se demorava na Bahia, adiando para mais tarde a sua partida. 

Bahia, 17 de novembro de 1755. 2o33 

Carta do Reitor do Collegio dos Jesuitas Thomaz Linceo, para Diogo de 
Mendonça Corte Real, participando-lhe, que na sua passagem pela 
Bahia, se hospedara naquelle Collegio o Bispo das Ilhas de S. 
Thomé e Príncipe D. António Nogueira e que em poucos dias par- 
tiria para o Rio de Janeiro. 

Bahia, 17 de novembro de 1755. 2034 

Carta do Bispo das Ilhas de S. Thomé e Príncipe, D. António Nogueira, 
para Diogo de Mendonça Corte Real, participando ter chegado á 
Bahia e ticar hospedado no Collegio dos Jesuitas, queixando-se da má 
accommodação que tivera a bordo da Náu N. S. da Natividade e de 
ter que seguir para o Rio de Janeiro, por se recusar o Capitão da 
Náo Francisco Miguel Ayres a conduzil-o á Ilha do Príncipe. 

Bahia, 20 de novembro de 1755. 

Tem annexos 2 documentos. 2o35 — 2037 

Carta de António de Araújo Santos para Diogo de Mendonça Corte Real, 
telicitando-o por não haver soíFrido com o terramoto e informando 
sobre o fabrico da nova Náu N. S. da Caridade. 

Bahia, 27 de fevereiro de 1756. 2o38 



136 

«Relação dos termos em t|ue se acha a fabrica da Náu N. S. da Caridade 
desde que se deo principio em 7 de janeiro de lySó e dos preços das 
madeiras e importância dos gastos até ao dia 27 de fevereiro.» 

[Annexa ao n. 2o38.] ■ 20?>g 

Carta de António Araújo Lima para Plácido Fernandes Maciel, remcttcn- 
do-lhe os documentos seguintes. 

S. l. 29 de fevereiro de 1756. 2040 

Carta de João da Rocha Pessoa Marinho para António Araújo Lima, en- 
viando-lhe a planta e a descripção respectiva, que se seguem. 

S. d. [Annexa ao n. 2040.) 2041 

«Mappa da terra com suas divisões, que foi roça de Jeronyma Teixeira, a 
qual se arrematou em praça por execução que fez João Nunes 
Mendes a D. Thereza de Jesus Maria.» 

[Annexo ao n. 2041.) 2042 

«Descripção e demarcação da sorte de terra em que fez penhora João Nunes 
Mendes por divida que lhe devia Francisco Xavier Gonçalves a qual 
arrematou António de Araújo por 35 1 $000 rs e è a própria em que 
teve roça Jeronyma Teixeira.» 
[Annexa ao n 2041 .) 

«Pello mapa que se remete em que se mostram as paragens dos dous Rios 
de Seregi e das Piraunas e vai numerado na primeira passagem com o numero 
«i» he chamada do alveitar por onde corre o rumo direito a outra passagem 
da Pirauna e dahy ticando dentro para o nascente o sitio em que morou o 
Meyrelles correndo pello taboleiro athe topar com terras que foram do Padre 
Francisco de Araiijo e hoje de António de Araújo que he athe o numero «3» e 
dahy cortando rumo abaixo pella passagem do Rio Pirauna abaixo athe se en- 
contrar outra vez com o Rio Sergi a fechar na primeira passagem do alveitar 
nesta demarcação fica comprehendida a sorte de terra de que se trata, sem pas- 
sar das passagens apontadas para o Norte, nem para o Sul, concordando fiel- 
mente com o mapa para a melhor precisão de sorte que pella parte do Nas- 
cente e do Sul, fica confinando com terras do R. P. Francisco de A raujo e pella do 
Poente com terras do Sargento mór Feliciano Pereira Bacellar, e pella do Norte 
com terras da viuva Antónia de Lima Barros, ficando com o comprimento de 
Soo brassas e de largo 180 ditas pouco mais ou menos.» 

2043 

Officio do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior 
informando acerca de um processo crime promovido pelo Coronel 
Domingos Fernandes de Sousa contra Victorino Pereira da Silva. 
Bahia, i de março de 1756. 
Tem annexos 3 documentos. 2044 — 2047 

Carta do Desembargador João Elyseu de Souza, para Diogo de Mendonça 
Corte Real, rererindo-se ao terramoto de Lisboa e á syndicancia 
feita ao Juiz do crime Francisco Xavier Pereira Brandão pelo Des- 
embargador Sebastião Francisco Manuel. 

Bahia, 18 de março de 1756. 2048 

Okkicio do Vice-Rei Conde dos Arcos, D. Marcos de Noronha, para Diogo 
de Mendonça Corte Real, em que se participa não ter ainda chegado 
á Bahia, Fr. José Camello, Religioso hespanhol da Ordem Terceira 
de S. F"rancisco, que Elrei D. José, fizera recommendar ao governo 



137 

interino, pnrn i|uc csiu o Hzcssc seguir immcdiatamcnte para Kucnot 
Ayres, de onde partiria paro a Ciduile do Chile nas índias de Ca»- 
tella. 

Bahia, 2 de maio de 1756. 2049 

Ckrtidáo de Josd de Mattos Cardoso, Tenente de Granadeiro» do Regimento 
de Infamaria do Coronel Manuel Domingues Portugal, em que de- 
clara que, leiuio procedido, ás necessárias investigações, se certifi- 
cara que Fr. Josc Caniello não havia ainda chegado á Bahia. 

Bahia, 12 de novembro de 1736. 

{Annexa ao n. uo4(f). 2o5o 

Okkicio do Vice-Rci Conde dos Arcos, em que se communica a checada 
á Bahia de 1 1 casaes de ciganos, procedentes do Reino sob prisão, 
dos quaes alguns tinham já seguido para Angola, devendo os res- 
tantes partir em breve. 

Bahia, 3 de maio de 1756. 2o5i-2o35 

Tem antiexos 4 documentos. 

Okiicio do Vice-Rei Conde dos Arcos, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, em que se participa o apparccimento de uma moeda de ouro 
falsa, levada á Casa da moeda por um escravo do Tenente de Infan- 
taria, António Gomes de Sá. 
Bahia, 4 de maio de 1756. 
Tem annexos 2 documentos. 2o56 — 2o58 

Ofkicio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte 
Real, em que communica ter a Provedoria da Fazenda Real abonado 
a José Rodrigues Bernardes, Commissario da Fragata de guerra N. 
S. da Natividade o dinheiro necessário para o custeamento da 
mesma fragata. 

Bahia, 5 de maio de 1756. 

Tem annexos 3 documentos. 2059 — 2062 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos, em que se communica ter sido en- 
tregue a João Ribeiro das Chagas, mestre de uma sumaca, a corres- 
pondência official vinda de Lisboa para ser entregue no Rio de Ja- 
neiro ao governador José António Freire de Andrade, Intendente 
Geral do ouro João Alvares Simões, ao Desembargador Agostinho 
Fclix dos Santos Capello e João do Couto Pereira. 

Bahia, 6 de maio de 1756. 

Tem annexo um documento. 2o63 — 20Ó4 

Ofkicio do Vice-Rei Conde dos Arcos, para Diogo de Mendonça Corte Real, 
em que se refere á prisão do piloto António José de Abreya, excel- 
lente pratico^ da Costa da Africa^ por se recusar a embarcar na 
Fragata N. S. da Natividade. 

Bahia, 7 de maio de 1756. i^ e 2" vias. 2o65 — 2066 

Carta do Desembargador João Eliseu de Sousa, para Diogo de Mendonça 
Corte Real, em que lhe pede para se interessar por uma sua preten- 
são. 

Bahia, 8 de maio de 1756. 2067 

I. 18 



138 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte 
Real, em que relata as providencias que adoptara para evitar os ex- 
cessivos preços que os commerciantes tinham posto em todos os 
géneros depois da chegada da noticia do terramoto de Lisboa, na 
supposição de que esta grande catastrophc teria impedido a remessa 
dos géneros provenientes do Reino, necessários para o consumo e 
portanto valorisado os que existiam para a venda. 

Bahia, 9 de maio de lySó. 2068 

Representação da Camará da Bahia, dirigida ao Vice-Rei, na qual pede 
providencias para obstar ao augmento de preços que os mercadores 
e os negociantes pretendiam estabelecer na venda dos géneros seccos 
e molhados. 

Bahia, 17 de março de 1756. 

Copia. [Annexo ao n. 2068). 

E assignada por João Ferreira Bittencourt e Sá, António José 
Leite de Vasconcellos, Pedro de Albuquerque da Camará, Francisco 
Gomes de Abreu e Lima Corte Real e António Duarte da Silva. 

2069 

Bando mandado publicar na Cidade da Bahia pelo Vice-Rei Conde dos 
Arcos, D, Marcos de Noronha, promulgando as providencias que 
houve por bem ordenar a fim de evitar o augmento de preços dos 
géneros de consumo, a que se referem os documentos anteriores. 

Bahia, 26 de março de 1756. 

Copia. ^Annexo ao n. 2068.) 

«Dom Marcos de Noronha, Conde dos Arcos, do Conselho de S. Magestade, 
Vice Rey e Capitão General de mar e terra do Estado do Brazil, etc. Porquanto 
tem mostrado a experiência em muitas occaziões, que por qualquer leve inci- 
dente do tempo se costumáo alterar os preços dos géneros, que são preciza- 
mente necessários para a sustentação e trato da vida humana, honesta e 
civil, e sou de prezente informado, que com a infausta noticia do grande e 
sempre lamentável estrago de Lisboa, os mercadores e todos os mais negociantes 
desta Praça certificados tlaquella infelicidade e que por cauza delia haverá falta 
assim da fazendas secas, como molhados que vem do Reyno e fora delle, vão 
uzando impia e cruelmente da industria de esconderem e sobirem a preços exces- 
sivos os geneios, que tem em suas cazas, trespassando-os para fora desta Ci- 
dade e ainda da barra para fora, razão porque brevemente poderão ficar os mo- 
radores desta Praça tolerando a grande falta dos sobreditos géneros e vexação 
dos exorbitantes preços, não devendo piamente considerar-se catholico, mas 
sim cruel na conjunctura prezente o ardil de todos os negociantes, que pre- 
ocupados da ambição não advertem ser injusta e totalmente illicita a ganança que 
pretendem tirar dos estragos geraes, que permittio a Omnipotência Divina em 
castigo das oftensas, que se tem feito : e devendo eu como devo a beneficio do 
povo tão gravemente affligido cohíbir semelhante impiedade. Ordeno e mando, 
que nenhum commissario, mercador ou taverneiro altere o preço natural dos 
géneros ou sejão fazendas secas ou molhadas, conservando-se os preços no es- 
tado em que corriáo e porque se vendião as fazendas trez dias antes da publi- 
cação deste bando e sem que me seja prezente nova cauza, que possa fazer li- 
cito o excesso e augmento do preço natural, porque se está vendendo todo o gé- 
nero de fazendas, ou sejão secas, ou molhadas, se conservará em todas as ven- 
das, que se fizerem o sobredito preço natural sem a menor alteração, emquanto 
o tempo não mostrar, que he precizamente necessário acodir com novas provi- 
dencias. Outrosy ordeno e mando que não possão sahir para fora desta Cidade 
géneros alguns e que dentro nella se não possão ocultar maliciozamente com 
ambição de vencerem mayores gananças á custa do po\ o, e havendo pessoas ne- 
gociantes, que de hoje em diante obrem o contrario e sejão denunciadas pelas 
mesmas pessoas, a quem com excesso venderem os géneros ou conste por outro 
algum modo que seja verídico, serão prezas por tempo de três mezes e os géne- 
ros, em que commetterem a transgressão deste bando, serám dados aos mes- 
mos denunciantes por preços muito inferiores e serám obrigados os vendedores 



180 

a rcpAr da prixftn o oxcoMo do procn aíH cnmpra.ir.re* ilenuncianieii. Oo- 
triiKv (Ictcriniiitt, que hiivcrulo algutiM ii> • comprchcndídn» na 

niiilicin lie ocultiirLMti o» uciicro» c lic < :.i para í&ra ou lam- 

boin pura t ' ' ' ' ' i pena 

ilc Kciík tj dcttc 

baiulo COM ' ^ ' ' p ' c ao 

Jui/ ilu forii lio cnnic, iinii quuca iicrúrii rciiictlido» copiaa deite por 
turiíi do K«tudo. K pura que vcnhu ú noticia de todut e %c n&o pt>, 
iuiioriincin, kc iniblicarii u nom do caixat pelat ruas publicas desU Lidadc c 
1'i'ayii dcila nu rorniu do c»lyto...» 

3070 

Oi Kicio do Vice Kci Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte 
Reul, no qual se refere á eonstrucváo da nova Náu N. S. da Cari- 
dade e dos veneimenios arl>iirados ao Patrão Mór António dos San- 
tos Araújo pela inspect;ão dos respectivos trabalhos. 

Bahia, 10 de maio de ijbC. 

Tem atinexos 5 documentos. 2071*2076 

Carta do Arcebispo da Bahia para Diogo de Mendonça Corte Rcai, em 
que participa a chegada do Vice-Rei Conde dos Arcos e refere 
os rcHexos que teve na costa do Brazil o terremoto de 1 de 
novembro. 



f: 



Bahia, 12 de maio de lySó. 

«Pella prczente Não de Licença, que se acha a partir brevemente, passo 
cr esta a dar conta a V. Exa. que com Hd dias de jornada chegou o bxmo. 
'.onde dos Arcos á Villa da Cachocyra, que dista desta Cidade por agoa 14 
Icpoas, onde promptamentc o foy buscar o Chanceller deste Estado, como meo 
Companheiro que era no governo e chegando a esta Cidade no dia 22 de dezem- 
bro, da I para as 2 horas da tarde, o fuy receber ao ultimo degráo do Cães da 
llibeira, com a Relação, Camará, Cabido, Prelados das Religiões, Nobreza e 
muita companhia, e por ser tanto nas vésperas da festa e para poder antes delia 
tomar posse do governo c prezidcncia da Relação, lhe dey posse e entreguey o 
governo na tarde seguinte de 23 de dezembro para assim poder aos 24 tomalla 
na Relação : tudo se tez com a formalidade costumada e geral applauzo. 

Dos que teni os olhos abertos e os sabem pôr nas matérias, como hé justo, 
não ha quem não espere delle hum felicissimo governo, porque tem muitas e 
boas prendas para nelle se dezempenhar : hé limpíssimo de mãos, com claro 
entendimento para resolver, resolução para executar e sem demora por ser 
incansável na expedição do Governo, dando-se a temer e respeytar, sem nelle 
haver sombra de soberba, nem execução de castigo por meyo de procedimentos 
de facto... 

Como me conste que nessa Corte se entende que o horroroso terremoto 
que nella houve, tivesse também comprehendido esta America, dou mais parte 
a V. Exa. que supposto não houvesse novidade, que se contasse, nem em que 
se reparasse no dia primejro de novembro contudo logo depois de chegarem 
dessa Corte as lamentáveis e horrorosas noticias do terremoto, que no dito dia 
a arruinou, se começou a publicar que nella houvera alteração nos mares e 
chegarão as sua agoas ondenunca se virão, como fora ao Cruzeiro da Boa 
Viagem, etc. O mesmo se conta por certo succedera no Bispado de Pernam- 
buco, onde se diz levara algumas sanzallas dos pescadores. Do Rio se publica 
o mesmo e que em certas prayas se ouvia hum grande ronco, que dera o mar, 
de que os animaes espantados fugirão sem parar athé o mais alto dos montes». 

2077 

Carta do Desembargador João Eliseu de Sousa para Diogo de Mendonça 
Corte Real, na qual renova o seu pedido para que este se interessasse 
n'um despacho que pretendia. 

Bahia, 14 de maio de 1756. 2078 



140 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte 
Real, no qual se refere ao terremoto de Lisboa e ao donativo oífere- 
cido pelos habitantes da Capitania da Bahia para a reedificação da 
Capital do Reino. 

Bahia, 14 de maio de 1756. 

«Juntamente com a carta de 16 de dezembro do afino passado (em que V, 
Ex" me participa a triste noticia da calamidade, que affligio a essa Corte e a 
todo o Reyno, no dia i de novembro com hum successo tão infausto, que a não 
suspender a Omnipotência Divina o castigo, com que ameaçou, podia ser de 
mais tristes consequências) recebi a carta para a Gamara desta Cidade assignada 
pela Real Mão de S. M., na qual o mesmo Senhor lhe participa esta infeliz 
nova, por confiar da lealdade dos seus vasallos, que não só tomaram huma 
grande parte em tão justificado sentimento, mas que nesta vigente occazião o 
serviram com tudo o que lhe fôr possível, deixando ao arbitrio do seu amor e 
zelo do Real serviço a eleição dos meyos, que achassem mais proporcionados 
para se conseguir o importante fim da reedificação dos edifícios públicos, sa- 
grados e profanos da Capital deste Reino e seus Domínios. 

Dos documentos que vae de fl. X athé fl. 12 se verificáo todos os factos que 
precederão nesta matéria, a qual se concluio com fazer a Camará desta Cidade 
com assistência de 8 adjunctos nomeados pela nobreza e povo, o offerecimento 
a S. M. de huma contribuição voluntária de 3 milhões, que serám pagos no de- 
curso de 3o annos, a razão de 100 mil cruzados em cada hum anno. 

Destribuhio-se esta quantia com toda aqucUa regularidade, que pareceo 
mais justa, de sorte que viessem a pagar todos os povos á proporção das possi- 
bilidades e dos interesses, que tem naquelles Destrictos adoncie vivem : e como 
nesta Cidade e seu termo se julga serem mais ventajozos os lucros dos seos ha- 
bitantes, veyo a caber nesta distribuição á mesma Cidade e seo termo a quantia 
de 875 contos de reis, para os pagar a razão de 29.166S660 reis cada anno e os 
325 contos que faltão para ajustar os 3 milhães, se distribuíram pela Cidade de 
Sergipe d'hlrey com toda a sua Comarca e por todas as mais Villas, que com- 
prehende este governo, a qual quantia será satisfeita a razão de io.833S333 reis 
em cada hum anno ; porque desta sorte fica inteirada a somma de 100 mil cru- 
zados em cada hum anno, ate S. M. ser inteiramente satisfeito dos sobreditos 3 
milhões offerecidos. 

O modo que escolheo a Camará desta Cidade com os Adjunctos para co- 
brarem a parte que lhe corresponde nesta contribuição foi examinarem pelos 
Livros do Donativo passado o rendimento dos géneros sobre que elle se tinha 
imposto, e achando que pouco mais ou menos podião renderem cada hum anno 
2g.20oSooo reis, fizerão eleição dos mesmos géneros para por elles fazerem a sua 
arrecadação, impondo em cada arroba de carne de vacca lõo reis, com condi- 
ção que nunca poderia exceder o seu preço de 640 reis por arroba, vindo a ficar 
livre para o creador ou marchante 480 reis e os 160 para a contribuição. Na 
agoa ardente da terra impuzerão 160 reis em cada canada e que este género se 
contrataria, por ter mostrado a experiência ser o melhor meyo para se poder 
cobrar o producto delle. No a\eite de peixe impuzerão 80 reis em cada canada 
e no aceite doce, que vem desse Reyno, vindo em barris 6 tostões em cada hum 
e vindo en'. pipas 3 mil reis em cada huma. Nos escravos que vem da Costa da 
Mina, Caclieu, Ilhas de S. Tliomé e do Príncipe 3 mil reis em cada hum, que se 
despachasse pela Alfandega desta Cidade. 

Isto o que se venceo por pluralidade de votos ; sem embargo que forão 
de parecer contrario os Vereadores Pedro d' Albuquerque da Camará, Francisco 
Gomes de Abreu Lima Corte Real, e o Procurador do mesmo Senado o Dr. An- 
tónio Duarte Silva, que uniformemente votarão todos 3, que se não devia o£fe- 
recer a S. M. mais do que milhão e meyo, em razão de se achar este Povo com 
mayor decadência e pobreza da que estava no tempo, em que se offerecerão 
os 3 milhões do Donativo passado : também forão conformes estes 3 votos em 
que se não devia impor contribuição alguma na carne de vaca, por ser esta pre- 
ciza para o sustento natural. 

Não forão attendidos estes votos, porque uniformemente todos os mais vo- 
gaes forão de parecer contrario e pela pluralidade de votos veio em tudo a ven- 
cer-se o que deixo dito. Consta pelo termo de aceitação, que vai de fl. 10 thé fl. 
12 haverem os moradores da Villa Cachoeira uniformemente convido, que a 
parte que lhes tocava nesta contribuição voluntária se tirasse por huma impo- 
zição de 40 reis em cada arroba de earne de vaca, que entrasse nos açougues 
daquella Villa e os mais do termo que a Camará costuma arrematar, não fi- 
cando por esta impoziçáo em mayor preço de 480 reis cada arroba de Carne 
de vaca : e attendendo a mesma Gamara a que os moradores do sertão nã 



141 

devilo Hcar izontoi deatn cnntrihtiiçftri, porque a dfutancl» cm qtic Uchn lhe nlo 
dii liiuur u i|iic mniuictn *en lerrn' :ii« 

ctutu ntiMi tii>N rcfcriíloN cadu 3 w cx 

ou 4 mil rei» por il' .-» 

de ciiucrihii que tr< m 

CDiitrÍDuiçri», itAci < , Cf 

do Uiido piirn o kcu gunitt <>u iu/.ctidu-o« kuiuhutr da» nua* Iti/ciulu» ; ncatc ui/o 
•criuo obrigudo» ii contribuir com 400 rei* por cadu rcx que itiat;i«iiem, por «cr 
e*la quuntiH ii que corrctpondo a cadu huma daa rezct que m matio 
noi llv'ou^ucll. 

Nfto cube no tempo o podcr-nc nubcr ainda o meyo, que ««colh*-»-"" ™« ('.a^ 
nuiruH duH miuíh VíIIuk e Cidaile», nuru tirur cuda hutna delia» a tu.> -a 

coniríbuivAo ; porcnt conui eftin diligencia ticou uo urbiirio da> hm a- 

murn* com u iisKÍHtcncia do novo, crivei he que ocnihiio aquellc tncvo que |ul- 
gurem mui» conveniente. Como me peraundi que <>* Jui/e» c (/fliciuo daa 

meitnniK ('.iiniuruK, nem uinda pcluK (!nrtUK que lhe eK( • — ' ■ ' ' ' rar 

em semclhaiiie matéria para a coiickiircm com a i<n \- 

saria, ordeney ao Ouvidor dcHta (lomarcu, que íiihip . , ito 

nesta mesmn (^idnde paru o estubeleciniento desta contribuirão pait»a»ic a fazer 
o mesmo em nlguma» da» (lamarun pertencente» á nua me»mu Comarca : e 
como niko podia chegar a todas, sem que gastasse muitos me/cs pela grande dU- 
tancia em que lição humas das outras, ordenei ao Juis de t<'>ra da Nilla da Ca- 
clioeira, que depois de estabelecida a C()ntribuii;áo pertencente ãquellu Villa pas- 
sasse a mais '.\ que lhe destinei : e como crão fl^ra do seu Dcstricto fui pre- 
cizado a dar lhe para esta diligencia especial jurisdicçáo, taxendo avÍ2o ás mes- 
mas Camarás da determinação, que tinha tomado, para por este modo evitar 
logo todas as cr>ntendas, que lhe podiáo provir, por não poder exercer jurisdição 
em território alheyo. 

Aos Ouvidores da Cidade de Setffipe d'Elre^f, Villa da Jacobina^ Capitania 
dos Ilht'os e Capitania de Porto Seguro remctti as cartas respectivas as Ca- 
marás das suas Comarcas, para que cada hum dclles nas que lhe pertencem, 
facão o estabelecimento necessário para esta contribuição, procurando que seja 
com a mayof regularidade que f(^r ptissivel, deixando sempre aos Povo» na 
plena liberdade de escolherem modo e os meyos que julgarem lhe são mais 
convenientes. Do que estes Ministros avizarem renderei conta a V. Exa. para 
que seja prezente a S. M. á ultima concluzáo desta dependência. 

No termo de resolução que tomou a Camará desta Cidade com o» Adjun- 
ctos declaráo, que emquanto durar a cobrança desta contribuição, será a exe- 
cução delia administrada pela mesma Camará, superintendendo nella com o seu 
Prezidente e executor o Juis de Fina, por julgarem que assim he mais conve- 
niente ao bem commum e ao serviço de S. M. e declaráo mais que além da 
obrigação que devem ter os Ofliciaes de todas as Camarás em cada hum anno, 
que servirem, de lançarem e cobrarem a quantia que lhe corresponder e reme- 
tella ao Thezoureiro, que nesta Cidade se elegeo para este recebimento se deve 
impor a pena a todos os Juizes, Vereadores, Procuradores do Concelho e Els- 
crivães da Camará de pagarem da sua fazenda o que deixarem de cobrar c re- 
metter ; e que em todas aquellas Comarcas, em que houverem Ministros de 
vara branca com o cargo de Juizes de fora ou Ouvidores, se dé conta a S. M, 
para que se lhes imponna a pena de que se lhe não sentenciaram as suas resi- 
dências, nem se lhes haverám por boas, sem que cada hum delles appresente 
certidão em como no seu tempo satisfez em remetter a quantia que estava im- 
posta ás Camarás da sua jurisdição. 

Ultimamente assentou a Camará desta Cidade com os Adjunctos, que os 
Officiaes, que fossem necessárias para o serviço e regulamento da cobrança 
desta contribuição, serião propostos pela Camará e providos por huma simples 
portariíi do Vice Rei deste Estado, sem que para este effeiío hajáo de pagar Do- 
nativo meya anata, encargo ou despeza alguma, e que esta condição seria pre- 
ciza e indelével, de tal sorte que provendo-se alguns destes oflicios por Dona- 
tivo ou Provizão do Conselho Ultramarino ou ainda por decreto, se não dará 
á execução a fim de evitar serventuários sem eleição, nem escolha e conheci- 
mento de sua verdade e procedimento ; e da mesma sorte não poderá prover 
por Donativo os tais officios o Vice Rey que fõr deste Estado e só sim na forma 
sobredita, precedendo proposta e eleição da Camará e que os ordenados, com 
que forem creados os ditos otíicios se não poderám em tempo algum alterar, 
nem darem-se ajudas de custo, e no cazo que estas se deém as pagaram os 
vereadores das suas fazendas... 

Como era infallivelmente certo que estabelecida esta contribuição volun- 
tária e enlrando-se na cobrança delia todos os Eccieziasticos e regulares entra- 
rião a mover questões sobre a izenção, que lhe compete de pagarem tributos 



142 

Donativos ou Contribuições, para me livrar de semelhantes contendas, puz de 
parle a variedade de opiniões que ha nesta matéria e assentando que a mais 
scf^ura opinião he o serem os Eccleziasticos izentos de toda ou qualquer contri- 
buição, cuidei só no modo, com que se havia de practicar a sua izenção, sem 
que por cauza delia se franqueasse caminho para deixarem de pagar aquellas 
pessoas, que por ninhum direito lhe he devido semelhante privilegio. 

Para pôr em practica este projecto, fiz que viessem á minha Caza os Pre- 
lados das Religiões e propondo-lhes que o meyo mais aproposito para se evi- 
tarem os descaminhos era o pagarem elles como qualquer secular os effeitos 
que comprassem, com condição porém de no fim década hum anno se lhe resti- 
tuir aquella competente quantidade, que tivessem despendido em razão da mesma 
contribuição ; que não devião ter duvida neste arbítrio, porque era practicado 
em Reynos Cathloicos e zelosos da imunidade eccleziastica. Com efteito não 
tiveráo duvida em convir os Prelados das Religiões, nem tão pouco o Reverendo 
Arcebispo pela parte que pertencia aos clérigos, aos quaes fez publico um edital, 
que devião satisfazer o que comprassem pelo mesmo preço, que satisfazião 
os seculares; porque sem duvida se lhes havia de restituir aquella parte que ti- 
vessem dispenaido de mais por occazião da mesma Contribuição. 

O motivo que me obrigou a seguir este caminho foi para me livrar de que 
se puzessem vendas e açougues separados para se fornecerem os Eccleziasticos 
de todos os géneros, que lhe fossem necessários para a sua subsistência, porque 
era infallivel que se houvessem de aproveitar muitas outras pessoas debaixo do 
especiozo pretexto do privilegio dos Eccleziasticos para injustamente haverem 
de ficar livres de pagarem o que erão obrigados... 

2079 

«Termo de Vereação de quando se abrio huma carta de S. M. em que mani- 
festa á Vereação o infausto e lamentável successo da Corte e Cidade 
de Lisboa.» 

Bahia, 16 de março de lySó. 

Copia. [Annexo ao n. 20 jg). 2080 

«Termo d'a Eleição dos votos que se tirarão para Árbitros e Procuradores 
do Povo» 

Bahia, 27 de março de 1756. 
Copia. [Annexo ao n. 20 jg). 

«Aos vinte e sete dias do mez de Março de mil setecentos e cincoenta e seis 
annos nesta Cidade de S. Salvador Bahia de todos os Sanctos. nas cazas da Ca- 
mará prezente o Doutor João Ferreira Bettencourt e Sá e os Vereadores^ ?Jíio 
José Leite do. Vasconcellos, Pedro de Albuquerque da Camará, ambos fidalgos 
da Caza de S. Magestade, Francisco Gomes de Abreu Lima Corte Real e o Pro- 
curador o Douxor António Duarte Silva e a mais nobreza e Povo, que tinhão 
sidos chamados todos abaixo assignados depois de lida a carta de S. Magestade 
em que ordena aos vasallos desta Capitania que attendendo ao funesto successo 
do primeiro de Novembro, cauzado por hum horrível terramoto que em menos 
de cinco minutos se viu reduzida a numa quasi total ruina a Corte e Cidade de 
Lisboa para o que fiava dos vassallos desta Capitania concorresem para o re- 
paro da dita Cidade com aquillo que a sua lealdade e amor lhe tosse pos- 
sível e procedendo-se a votos para que nomeassem 8 homens de governança, 
que junctos com a mesma Camará conferissem o quanto e o como se devia 
tazer este pedido e depois tirados os dictos votos e apurados sahirão com mais 
votos o Capitão José Pires de Carvalho, Fidalgo da Caza de S. M., .ílwíire de 
Britto de Castro, também Fidalgo da Caza do dicto Senhor, o Coronel Hyero- 
nimo Velho de Araújo, o doutor Francisco da Cunha Torres, Pascoal Marques 
de Almeyda, Lourenço da Silva Ni:;a, Thomaz da Silva Ferra^, Simão Gomes 
Monteiro, todos da Nobreza desta Cidade e do seu governo equinomico, os quais 
aprovara a mesma Nobreza e Povo, os quais tinhão sido chamados a som de 
smo corrido e nelles se comprometerão para que elegendo e arbitrando quantia 
com que se devia concorrer e satisfazer com o pedido do dicto cuidassem nos 
meyos suaves para a sua contribuiçam e para clareza de tudo se fez este termo 
em que todos asignarão. E eu Joam de Couros Carneiro Carneiro aue o es- 
crevy. Bettencourt e Sá aLeitev nAlbuquerque-n nCôrte Reah Silva. Manuel de 
Almeida Sande, Francisco Xavier de Oliveira Telles, Francisco Xavier de 
Araújo Lassos, António Lui:^ do Valle, Francisco da Cunha Torres, Pedro No- 
lasco Ferreira Peres, Antomo Barbosa de Oliveira, Matheus Pereira dos Santos 



143 



Caval/ftinte, Simão Mendes fljneto, Franclico Caetano Ribeiro Coellio, Joié 
Pedri) dv Almeida, José da lincha Urancn, Dominifot da Cotia Dfnn, .Imé An- 
tuncí l/c Carvalho, J»am Jlavíisla '/'fixrn.i, Anionin Teixeira, Abreu 

f-ialhti, Manuel da Cunha Riheini, Manurl FernandeM da ('.•• m de 

Crastu, Joam Mach i '■■ U '• ' '• ^ '•• '- '• /■ • • •••^,, 

An li mm da Silva I , 

Affoslinho de Mnau < > .-t 

dos Reis, Thomaj Pereira Jf Samyan), JkrnarJu Manuel de Vaneunf >- 

cisco de Almeida Alvares de Vasconcellos, José Carvalho da Silva. ./■ i- 

^ues Pereira, Anlnniu dos Santos l*allieirus, .\íanuel da Silva de Jtsus, jnsi 
António 'Iroyano, Francisco Xavier Monij, Joam da Costa Lima, Manuel da 
Costa Carneiro, I.ui/. Franco da Silva, Jerunymo Velho de Araújo, André de 
Uri to de Castro, Rodrigo da Costa de Almeida, Francisco de Araújo e Azevedo, 
l)r. Francisco de Sd Coutinho, Manuel dos Sanctos Pereira, Manuel de Sd de 
Araújo, Ciregorio l*ereira de Ahreu, Pascoal Rodrigues Mava, Francisco do- 
mes l.ourcs, Pedro Rodrigues líandeira, José Alvares da Silva, Manuel Car- 
valho Litna Lassos, Francisco Xavier de Almeida, Jeronymo de Araújo Pimenta, 
Domingos Pinheiro Reauião, João Dias (iuimaráes, António Francisco Pensa, 
Pedro Alvares de Araino, Manuel Rodrigues Rios, Lourenço da Silva .Vi^a, 
Joáo Teixeira de Mendonça, António Gomes de Sd, Ignacio de Araújo Lassot 
de .\ícUo, Joaquim Lopes de Araújo Lima, Manuel Álvares de Carvalho, Joáo 
Vieira de Macedo c Sou^a, Domingos Rodrigues da Costa e liraga, José Lopet 
Ferreira, Francisco Gomes Salgado, Joáo da Costa Braga, Paulo Franco 
da Silva.» 

2081 



«Tkrmo da Conferencia que fez o Senado da Gamara e árbitros a auantia 
com que devia contribuir esta Cidade e sua Capitania ao pedido de 
S. Magestade». 

Bahia, 3o de março de 1756. 

Copia. lAnttexoao n. 2oygi. 2082 

«Tkrmo de Segunda Conferencia que fez a Vereação e Árbitros para ajus- 
tamento do pedido de S. Magestade.» 



Bailia, I de abril de lySG. 
Copia. (Aniiexo ao n. 20 jg). 



2o83 



aTERMO de resolução que o Senado da Gamara tomou com oito Adjunctos 
para satisfação da precisa e voluntária contribuição de três milhoens 
para S. Magestade mandar cobrar para ajuda dos gastos e despezas 
que hade fazer com o reparo das officinas e Tribunais da Cidade de 
Lisboa, destruídos e arruinados por cauza do terramoto e concluída 
na prezença do Exmo. Snr. Conde dos Arcos Dom Marcos de 
Noronha». 



Bahia, 7 de abril de 1756. 
Copia. [Anttexo ao n. 20 jg). 

«Termo de vereação e declaração do novo Donativo». 
Bahia, 22 de abril de ijdó. 
Copia. (Annexo ao n. 20 jg). 



2084 



»o85 



«Tkrmo da aceitação, estabelecimento e resolução que se tomou para a 
contribuição do voluntário donativo, com que os moradores desta 
Villa e seo termo ham de concorrer a S. Magestade». 

Villa de N. S^ do Rosário do Porto da Cachoeira, 8 de maio 
de 1736. 

Copia. í Annexo ao n. 20 jg). 2086 



f44 

Requerimento do Capitão Tenente Manuel de Siqueira, proprietário do 
officio de Patrão Mor da Ribeira das Naus da Cidade da Bahia, 
sobre assumptos referentes ao exercício daquelle logar. 

5. d. (iy56). 

Tem annexos i u documentos e entre elles uma carta do Conde 
dos Arcos para o Marque^ de Marialva. 2087 — 2099 

Carta do Chanccller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior 
para Diogo de Mendonça Corte Real, em que se refere ao terremoto 
de Lisboa, á chegada do Vice Rei Conde dos Arcos, á sua posse 
e participando-lhe que tendo terminado o tempo de serviço pretende 
regressar ao Reino. 

Bahia, 20 de maio de 1756. 2100 

Officio do Provedor Mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa 
para Diogo de Mendonça Corte Real, no qual se refere ao terremoto 
de Lisboa, informando que nesse dia houvera na Bahia uma formi- 
dável trovoada e também ás pretenções do Proprietário do logar de 
Patrão-mór de Ribeira, Manuel de Siqueira, já referidas em do- 
cumentos anteriores. 

Bahia, 21 de maio de i856. 

Tem annexos 6 documentos relativos a este ultimo assumpto. 

2101 — 2107 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, em que lhe participa ter chegado á Bahia a Náu de licença 
do contracto do tabaco A^. S^ das Neves e SanfAnna^ commandada 
pelo Capitão José Lopes Barreto, e que depois de substituir muitos 
dos seus tripolantes que estavam gravemente doentes com febres 
malignas partia em direcção a Lisboa. 
Bahia, 21 de maio de 1756. 

Tem annexa a relação da carga que a Náu conduzia para o 
Reino : tabaco^ assucar, mel, sola, couros em cabello, madeiras, etc 
i'^ e 2^^ vias. 2108 — 21 II 

Carta do Vice-Rei Conde dos Arcos D. Marcos de Noronha, para Diogo 
de Mendonça Còrie Real, em que se refere especialmente ao terre- 
moto de Lisboa. 

Bahia, 21 maio de 1756. 2112 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte 
Real, em que lhe participa ter recebido carta do Governador interino 
da Capitania do Rio de Janeiro José António Freire de Andrada, 
dizendo-lhe que chegara alli a PVagata de guerra N. S^ da Conceição 
e São Vicente, sob o commando de Rodrigo Ignacio de Barros 
Alvim, para comboiar a frota, que ha muito deveria ter chegado e de 
que ainda não tinha noticia. 

Bahia, 22 de maio de 1756. 2ii3 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte 
Real, enviando-lhe a seguinte copia da carta que havia recebido de 
Gomes Freire de Andrada, escripta do Campo das Estancias de S. 
Luiz e felicitando-o pela victoria das armas portuguezes. 
Bahia, 22 de maio de 1756. 



146 

«...Participo a V. Kx. c«ta noil. ! i ' • j- 

mentc o (tomo c conicnininciiKi i|' u 

a$ sunit Trnpnii na pro/onic occu/.i , ^- ■ ■. .- i-v .111 

muitaft outra* tem dado no mundo mayor tckicmunho....» 

2114 

Cakta de Gomes Freire de Andrada para o Vicc-Rci Conde dos Arcos, cm 
que lhe dá parte do auxilio prestado pelas tropas portuguezas ás tro' 
pas hcspannolas eos successos que se haviam dado no combate com 
os índios. 

Cumpo das Kstancias de S. Luiz, 29 fevereiro de 1756. 
Copia. iAnncxa ao n. 21 14.] 

111"' c Kx"* Sr. A iniiihu obrigação c o inexplicável desejo de que V, Kx.* 
concluisHe fclizmeiuc a sua jornada a essa Cidade me Icvào & prezcncu do 
V. Ex.' a pedir-ihc i^ueira scrvir-se de dar-nic este Hcguro c de acreditar n&o %n 
o aíTecto. auc lhe tributo, mas o muito, que me será estimável a certeza de 
V. Kx.* dcslrutar a inteira sauitc, que lhe apeteço. 

I)<i Rio fivandc de S. Pedro avi/.ci a V. Kx.* me punha em marcha a auxi- 
liar na forma do Tratado de limites com as nossas tropas as de S. M. Catholica 
como havia ajustado com o General D. José de Andonae/fui e sahindo da dita 
\"illa cm 14 de dezembro consegui com grande trabalho e fadiga o mcorporar-mc 
no dia i<) de janeiro. No diário junto verá V. Ex.' o succcdido c que no dia 
Io batemos c destruímos os Rebeldes, que em hum lugar estreito se resolverão 
a disputar-nos o passo: c não obstante a grande mortandade, como sabemos, que 
cm soccorro dos que forão batidos vinnão inoo com 2 pcssas de artilharia de 
ferro, c SC achaváo na sua retaguarda o dia do combate em distancia de 8 
léguas entro a persuadir-me, que em outro estreito passo, que ainda dista de nos 
outras tantas legoas estavam cobertos esperando provar novamente o succeoso 
das Armas. Se elic nos fôr feliz, estou na determinação de ir invernar com as 
nossas Tropas ao PuvA de S. Angelo, por me ticar mais fácil a Communicaçâo 
com a Villa da Laguna e Ilha de Santa Catharina, donde me podem vir as 
monicões para a subsistência. Do mais que occorrer farei ciente a V. Ex*., a 

quem desejo sempre servir com u mais prompta vontade » 

21 l5 

«Diário da marcha dos Exércitos de Suas Magestades Fidelíssima e Catho- 
lica, do dia I de fevereiro de ijSó em diante e successos delia.» 
Copia i Annexo ao n.^ 21 1 5). 

«Em o ultimo do mez de janeiro camparão os Exércitos no Campo de 
Santo António próximo a hunia povoação de índios, que tem o nome deste Santo, 
a qual elles havião queimado logo que souberão da nossa próxima chegada 
aquelle lugar. 

Em o primeiro de fevereiro se continuou a marcha; cainpamos junto do 
ArroYO Jaguari, onde faltarão 16 Espanhoes, que em huina patrulha descobriâo 
e vigiavão o campo do lado direjto do Exercito e se suppoz seria surprendida 
pelos índios, como depois se verificou no dia quinto do dito, em que dous aven- 
tureiros Paulistas apresionarão dous índios, os quaes confessarão que topando a 
dita partida, huma de índios, estes pozerão bandeira branca e segurarão estaváo 
de paz e muito perto o seo commandante o qual estava prompto a darnos vacas 
e o mais que tivessem, que indo debaixo de boa fé aonde estaváo os mais índios, 
e depois de os haverem segurado de amizade, desarmados para comer, os lan- 
cearão a todos e os dous índios trazião vários trastes dos mortos. No dia 6 não 
houve mais novidade, que continuar-se a marcha. 

No dia 7 marchamos 3 legoas té camparmos junto do Rio Vacacay, que des- 
agua para o Rio Grande; na tarde desse dia vierão alguns índios inquietar a nossa 
guarda de campo e saindo hum pião nosso para fora delia o matarão, dando-lhe 
cento e tantas lançadas e depois de morto lhe ab/irâo o peito e tirarão o cora- 
ção; também faltou outro pião Espanhol no mesmo dia. O general espanhol pedi«> 
ao nosso i3o Dragões, que com 3oo soldados seos fossem castigar os ditos índios, 
indo commandando o governador do Monte Vidio e com os nossos o Coronel de 
Dragões Tlioma:^ Lui:{ Osório: logo forão segundos corpos de reserva de hum e 
outro Exercito por se dizer erão muitos os índios. 

O Corpo principal seguio os índios e a distancia de legoa e meya os atacou, 
matando o cabo principal que era hum índio de grande valor, chamado Sepé e 

I. 19 



f46 



morrerão mais 6 ou 7 índios, e dos nossos só hum soldado portuguez veyo ferido 
cm hum braço de huma lançada. 

No dia 8 deo parte a Guarda do Campo de avistar muitos índios e logo o 
nosso General a mandou reforçar com os piquetes. O General Espanhol mandou 
hum corpo de 600 homens seos e nossos com ordem de os ir atacar. Marchou este 
meja legoa e deo parte de que era muita a Indiada quis o dito General mandar 
retirar o corpo; porem o nosso não conveyo, dizendo que era dar mais valor aos 
ditos índios, vendo que nos retirávamos, com o que assentarão ambos que mar- 
chasse todo o exercito e pelo meyo dia se poz em marcha, passando primeiro 
o Rio e chegando o nosso ao lugar aonde ia estava o corpo qiie havia saido, fez 
alto formado em batalha, esperando as ordens do General Espanhol, que chegou 
ás 2 da tarde, ordenando acampássemos nesse lugar em que não houve nem 
agua, nem lenha. 

No dia 9 veyo a noticia de que os índios haviam morto dois Espanhóes, 
que andavam carneando alguns touros que havia pela Campanha. 

O dia 10 marchamos quasi ao rumo do norte e tendo andado couza de três 
quartos de légua avistamos grande multidão de índios formados, que depo'is se 
soube, erão 1800. Logo se meterão as nossas tropas em batalha e ordenou o 
General Espanhol que desta forma marchássemos para os índios, o que se exe- 
cutou em distancia de meya légua té que fizemos alto quazi a tiro de mosquete 
dos ditos índios; vierão destes alguns falar ao General Esoanhol com repetidas 
arengas e ultimamente propozerão que escrevesse o dito General aos seos 
Padres e Casiques que elles se retirariáo para o norte de hum arroyo que havia 
na sua retaguarda emquanto não chegavão as respostas, que poderião vir no dia 
seguinte. Deo-lhe o General huma hora de tempo para se poderem retirar, 
segurando-lhe lhe não faria mal. 

Findo o termo entrarão com novas arengas disendo' que elles se não querião 
retirar daquelle lugar que caminhássemos nós sobre o seo lado direito, onde 
havia um arroyo em que poderíamos acampanhar. Respondeu-se-lhe que elles 
não nos governavão, que se retirassem logo, quando não abriríamos caminho. 
O empenrio de demorar nos era estarem levantando terra e cobrindo-se com 
toda a força, pelo que se lhe cominou que se retirassem e se o não fazião em 
ouvindo tocar as caixas de guerra, certo hiamos *a castigar a sua rebeldia. Em 
todo este tempo não quiz o nosso General resolver nada por sy, como querião 
os Escanhoes e sempre respondeo estava prompto para executar as ordens do 
General Espanhol, que era o auxiliado e sabia as que tinha de sua Corte. O 
Governador de Monte Vidio prevenio ao nosso General tanto que no Exercito 
Castelhano se desse fogo a huma pessa, fizesse o mesmo a nossa Artilharia, 
porque os índios teirnavão e querião que se metesse a noite para nos fazer 
alguma e que ao mesmo tempo se seguisse o ataque. 

Mandou o nosso General ordem a 3 Esquadrões, 2 de Dragões da esquerda, 
que tanto se desse principio ao ataque carregassem o lado direito dos índios pelo 
seo flanco e por se dizer que ali tinhão a sua artilharia mandou huma pessa de 
amiudar com huma Companhia de Granadeiros para os flanquear e que no ataque 
carregasse sobre o mesmo flanco. Deitarão os Capelaens absolvição aos soldados e 
se seguio o viva Elrey. A pouco espaço deo fogo a pessa de sinal e logo correspon- 
deo a nossa artilharia com a felicidade de matar o commandante dos índios, como 
foy grande o fogo se pozerão os índios em precipitada fuga e os nossos os alcança- 
rão e forão matando tè se meterem por humas barrancas, que havia a hum e 
outro lado do seo corpo (lugar estreito) aonde fazendo-se fortes tiravão com flexas, 
porem a nossa Infanteria os forçou com repetidas descargas de mosquetes; por 
todas as mais revinas as tropas Castelhanas matarão a tiro e lança quantos 
encontravão. 

Os nossos Esquadrões de Dragões da esquerda e a gente de correntes, 
homens valerozos, carregarão os do lado direyto e por distancia de mais de 
huma legoa forão matando índios, e se julgou pelos que se contarão e deixarão 
de contar mais de 1200 mortos e i5o prizioneiros: haveria na trincheira quando 
se deo principio ao combate 1800 entre cavallaria e Infanteria e era do mesmo 
numero o nosso Exercito atacante, por estar groça escolta guardando as bagages 
da nossa retaguarda. 

Dos Portuguezes ficou o Coronel de Dragões Tlioma^ Lui:^ O:{orio ferido de 
flexas em três partes, sendo a mais perigoza a das costas; morreo hum soldado 
e 20 feridos, em que entrou hum Alferes de Infantaria; dos Espanhóes morrerão 

2 soldados e 10 feridos e principiando a acção ás 2 horas da tarde se concluiu ás 

3 e 10 minutos. 

Deixarão os índios todos as suas bandeiras, caixas de guerra e Artilharia, 
cujas pessas eram da grandeza de pedreiros feitas de madeira e forradas de couro, 
carregadas com bala miúda e a nenhuma derão fogo: também tinhão algumas 
pequenas minas mal feitas, que ficarão sem effeito. 



147 

Potulo-Hc ri lixLTiJiK) eni innrchu caniiiihaiiio» couza de hum tor^u do logoa, 
aonde acainpiiinoH junto c hum |>ci|ucii<i arrnyo. 

Achnr&o-KC vuriaii ciiriun no» niorinn, pchi» «iniu*» »<• kmh no <-iiiihr<-íniento 
de scrcin om ditou IndioH cxhiirtadoH c i:alltí^aliot p< m ao 

Hcu Soberano c iKualtnctitc cn|;anud"ii piiH cllc», i- ^ rcpu» 

blicuiKM NC tendo já declarado a hum com o titulo ik r 

O Kxorcitu continua u marcha havendo o (íenci iiano exhorudo 

com nova» cartUH noH rcbcldcn a devida obediência ao »> ■• ^>ii.ciano, veremo« o 
elVcilo e entrottinto hiremo!» continuando a cumpanhu, que putta já de a mezet té 
que vejanioN o lim de tanta» fadiga»,» 

3li6 

Carta do Provedor Mòr da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa, para 
Diogo de Mendon(;a C6rtc Real, cm que participa que o capitão do 
corsário SanfAttna e Rainha de Portugal António Quaresma Figuei- 
ra o tinha avisado de i]uc uni violento temporal acossara a Náu 6'. 
Francisco Xavier e Todo liem, receando-se que houvesse naufragado 
perto do Cabo da Boa F)spefança. 

Bahia, 24 de maio de 1736. 

7\'tn annexa a declaração do Capitão de Mar e Guerra António 
Quaresma. 211 7 — 2 1 1 8 

Caria do Bispo de S. Thomc, I). António, para Diogo de Mendonça Corte 
Real, em que se queixa do Capitão Francisco Manuel por se recusar 
a conduzil-oao seu Bispado, participando também o fallecimento do 
Governador das Ilhas de S. Thomé e Príncipe, D. José Caetano Sotto- 
maior e de terem fugido da sua comitiva o Missionário Manuel do 
Nascimento e o familiar António Mexia Olayo, natural de S. Eulália, 
termo d'Elvas. 

Bahia, 18 de junho de 1756. 
Tem annexo um documento. 

«...Estando compondo-se a embarcação, faleceo o dito Dom José Caetano 
de huma apoplexia em 26 de mayo na rossa de hum seu amigo para donde tinha 
hido convaleser. A.' vista deste sucesso me persuado fica suspensa a obra da nova 
Sé, e passo até que S. M. seja servido despachar novo Governador para as ditas 
Ilhas. 

21 19 — 2120 

Carta do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomayor, 
para Diogo de Mendonça Corte Real, em que lhe communica ter che- 
gado da índia a Náu S. Francisco Xavier, sob o commando do Ca- 
pitão Luiz Pereira de Sá e Saldanha e em tal estado de ruina que fora 
condemnada para a navegação. Participa também o fallecimento do 
Governador das Ilhas de S. Thomé e Príncipe D. José Caetano 
Sottomayor, que fora sepultado na Egreja dos Religiosos Carmelitas 
Descalços, e a próxima partida do Bispo de S. Thomé para a sua Dio- 
cese. 

Bahia, 20 de junho de 1756. 2121 

Officio do Desembargador Procurador da Fazenda na Relação da Bahia 
Luiz Rebello Quintella, em que consulta sobre um arrendamento 
que o Desembargador António Ferreira Gil pretendia fazer de umas 
casas sequestradas ao Thesoureiro Geral Domingos Cardoso dos 
Santos e que se achavam arrendadas pela Provedoria Mór da Fazenda 
a outro inquilino. 

Bahia, 20 de junho de 1756. 

Tem annexos 2 documentos. 2122 — 2124 



148 

Carta do Provedor Mór Manuel de Mattos Pegado Serpa, para Diogo de 
Mendonça Corte Real, em que participa que a Náu S. Francisco 
Xavier fora dada por incapaz para navegar, por se encontrar com- 
pletamente arruinada. 

Bahia, 22 de junho de lySó. 2125 

Officio do Provedor Mór Manuel de Mattos Pegado Serpa, sobre o mesmo 

assumpto da carta antecedente. 
Bahia, 22 de junho de 1756. 
Tem annexos 6 documentos. 2126 — 21 32 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte Real 
em que communica varias informações sobre a tormentosa viagem 
que lizéra a Náu S. Francisco Xavier de Gôa até a Bahia, o estado 
em que chegou e as resoluções que se haviam tomado a respeito e da 
carga que conduzia, participando que durante a viagem tinham falle- 
eido vários tripulantes e passageiros e entre estes o Governador 
António José de Mello. 

Bahia, 22 de junho de lySó. 

Tem, annexos g documentos. 21 33 — 2142 

Representação do Cabido da Sé Metropolitana da Bahia, queixando-se das 
desconsiderações que lhe faziam o Juiz de Fora e Officiaes do Sena- 
do da Camará da mesma cidade, nas festividades e procissões, que 
pof ordem regia se celebravam na Sé e outras Egrejas com a assis- 
tência do Cabido e Senado. 

Bahia, 22 de junho de 1756. 

Tem annexos 3 documentos. A representação é assignada pelos 
Cónegos Manuel Fernandes da Costa, João Borges de Barros, Ma- 
nuel Gonçalves Souto, Theodosio Martins da Rocha, António da Cos- 
ta Baptista, José' Pereira de Albuquerque, Manuel de Jesus Bahia, 
António de Araújo, Manuel de Mattos Baptista, António Gonçalves 
Pereira, António Honorato Guerreiro, Bernardo Geicmano de Al- 
meida, Jorge Cofyêa Lisboa, Lui^ António Borges de Barros e José 
de Oliveira Bessa. 

«... Prezenteniente achando-se restituído o Cabido por reconsiliaçáo feita 
com os Religiosos da Companhia de Jesus, á sua antiguissima posse de hir á 
Igreja dos ditos Religiosos celebrar a Missa e acompanhar a Procissão, levando 
nella a Custodia o mesmo Cónego celebrante, no dia 10 de mayo, em honrado 
glorioso Apostolo do Oriente S. Francisco Xavier como Padroeiro principal da 
Cidade da Bahia, pelo voto, que se lhe fez por occazião do achaque da bicha, 
em observância da ordem de V. M. de 2g ae outubro de i6g3. È tendo com 
effeito hido executar aquella celebridade"© anno passado de "1755, assim como 
também a da Procissão e Missa na mesma Igreja aa Companhia de Jesus em o 
dia primeiro de dezembro pela felicíssima Acclamacçâo do Senhor Rei D. João 
IV e ambas com beneplácito e assistência do Senado e contribuição pelo mesmo 
do estipendio dos Mmistros do Altar, que vem a ser 9S600 rs. na festa e Procissão 
de tarde do voto de S. Francisco Xavier e 40S000 rs. na festa da Acclamação, na 
conformidade da ordem de V. M. de 26 de dezembro de lõgS, as quaes funçoens se 
havia abstido de fazer o Cabido, por experimentar repugnância nos ditos Reli- 
giosos, por respeito de se ter mandado continuar a missa que na Sè se celebrara 
na festa da Restauração daquella Cidade em o primeiro de Mayo de lySi, em 
razão de que hindo pregar nella hum Religioso da mesma Companhia por su- 
gestão industrioza das pessoas, que então servião no Senado e sinceridade do dito 



149 

Padre, como dopoia «o «oubo captara este vénia «nmentc an Senn>io sem fazer 
cuNo uIkuiii d«i Cabido, cnnirn o dcorn que lhc<i ■%tu 

niutcriíi, ilc i|iic ucinm hc fex iiicii*,-.'i'i c po»m3 in . Jc 

Ko lhe toinur vénia «óiticntc u cllc (Subido ou dv inc- unii.ii i itiiii vcum ptuticirn 
do que uu Scnudu da Catnura...» 

2143—2146 

Ofkicio do Vice Uci Conde dos Arcos para Dioao de Mctidonva CAric Real 
cm viuc comiiuinicn terem fundeado na Huhia os Corsários S. José' 
Rei de J'ortuf;al e Santa Anua- Rainha de Portugal, ambos perten- 
centes á Companhia da Índia Oriental e da (Ihina. 

Bahia, 22 de junho de ijSO. i*e2*viax. 2147—2148 

Officu) do Vice Hei Conde dos Arcos, para Diof^o de Mendonça Córtc Real, 
em que lhe participa terem chegado á Bahia as (lalcrus N.' S.» da 
Conccii^âo e SantAnna, sob o commando do mestre Manuel José da 
Cunha e S. José e Almas, do mestre Joaquim Alvares Corrêa. 

Bahia 22 de junho de 1756. 2149 

Ofkicio do Vice Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte Real, 
acerca do fornecimento de madeiras do Brasil, destinadas á constru- 
cção do navios nos estaleiros da Ribeira das Naus de Lisboa. 
Bahia, 21 de junho de 1736. 
Tem annexos 14 documentos, 21 5o — 2164 

Duplicado do documento n. 21 5o. 

Bahia, 23 de junho de 1756. •j'^ via. . 2i65 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte Real, 
em que diziter sido avisado de que o Conde de S. Miguel, seu suc- 
cessor no Governo da Capitania de Goyaz, havia recebido varias 
representações sobre assumptos que havia regulado e resoluções 
que tomara durante o seu Governo, pedindo que no caso de essas 
representações serem enviadas a El-Rei, nada se decidisse superior- 
mente sem elle ser ouvido. 

Bahia, 28 de junho de 173Ó. 2166 

Officio do Commandante da Frota Gaspar Pinheiro da Camará Manuel 
para Diogo de Mendonça Corte Real, participando ter chegado na 
véspera á Bahia comboiando 6 navios. 

Bordo da Náu N.'* S.'» das Brotas, 29 de junho de 175Ó. 2167 

Carta do Arcebispo da Bahia para Diogo de Mendonça Corte Real, em que 
lhe participa terem entrado para o Convento Ursulino de N. S." das 
Mercês, três filhas de Lourenço Pereira da Silva, Capitão do Terço 
de Henrique Dias. 

Bahia, i de julho de 175Ó. 2168 

Officio do Provedor Mor da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa, 
para Diogo de Mendonça Corte Real, em que pede instrucções acerca 
do pagamento das despezas que se faziam com os trabalhos de con- 
strucção da nova Náu Caridade. 

Bahia, 10 de julho de 1756. 

Tem annexos 3 documentos, copias de diplomas que regulavam 
o assumpto. 2169 — 2172 



150 

Officio do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte Real, in- 
formando acerca de um requerimento do Contractador dos Dizimos 
José Machado Pinto, em que este pede que nenhum Parocho des- 
obrigasse do preceito quaresmal as pessoas que os seus procuradores 
e rendeiros indicassem como não tendo pago os dizimos e que a 
desobriga d'estas só se fizesse em presença do competente recibo. 

Bahia, 17 de julho de lySG. 2173 

Officio do Arcebispo da Bahia para Diogo de Mendonça Corte Real, em 
que participa ter chegado á Bahia D. António Rodrigues da Silva e 
as grandes difficuldades que encontrava para fazer embarcar para o 
Reino vários frades. 

Bahia, 7 de agosto de 1756. 2174 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte Real, 
em que participa ter dado licença a dois Frades Franciscanos para 
pedirem esmolas de madeiras para a reedificação do s*eu Convento 
de Lisboa, que soffrera grandes ruinas com o terremoto. 

Bahia, 9 de agosto de 1756. 2173 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos participando ter recebido o .aviso 
régio em que se lhe communicava não ter sido concedido ao novo 
contractador do tabaco o privilegio de ser o único avisado da chegada 
da frota á Bahia. 

Bahia, 9 de agosto de 1756. 2176 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte Real, 
em que participa ter sido preso a bordo de um dos navios da frota o 
mulato que fugira da casa do Dr. Raymundo Coelho de Mello. 
Bahia, 9 de agosto de 1756. 
Tem iinnexo um documento. 2 1 77 — 2 1 78 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte Real, 

no qual se queixa do Commandante da Frota, o capitão de mar e 

guerra Gaspar Pinheiro da Camará Manuel, por não ter salvado á 

terra como era de uso, censurando-o pelas explicações que lhe dera. 

Bahia, 9 de agosto de 1756. 2179 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos acerca de um requerimento do The- 
soureiro Geral Pedro Francisco Lima, sobre liquidação de con- 
tas. 

Bahia, 10 de agosto de 1756. 2180 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte Real, 
em que informa acerca de um requerimento de Victoria Thereza 
Nunes Vianna e suas irmãs, Religiosas professas do Mosteiro de S. 
Domingos das Donas, da Villa de Santarém, e filhas do Mestre de 
Campo Manuel Nunes Vianna, pedindo a conclusão de uma exe- 
cução que pendia em juizo. 

Bahia, 10 de agosto de 1756. 
Tem annexo o requerimento. 

«...Esta cauza corre em nome da Madre Prioreza do Convento de S. Domin- 
gos das Donas de Santarém contra Miguel Nunes Vianna, que foi penhorado 
em huma morada de cazas de sobrado grandes. A esta execução se oppoz com 



!S1 

embargo» de terceiro prejudicntio Caetano Rodrigueu Soarei com o fundamento 
de que Hcu Puy Manuel Rodvtaua Suare» Utta »(kío com o Mestre de (^amfM> 
Manuel Sunes Vianna c com cílciío alcançou •cntcnça u teu fa«^or na instancia 
inferior..." 

3i8i— 3i8a 

Ofkicio do Vice Rei Conck*dos Arco» para Diogo de Mendonça Corte Real, 
acerca da exploração do salitre c das informações que a tal respeito 
dera o Intendente das Minas Novas Pedro Leolino Mariz. 

Bahia, lo de agosto de 1756. 3i83 

Carta do Arcebispo da Bahia, em que informa da protecção c|ue tem dis- 
pensado ao Escrivão da Camará ecclesiastica, o Arcediago Manuel 
Alvares «Souto. 

Bahia, 11 de agosto de 1756. 2184 

Okkicio do Arcebispo da Bahia para Diogo de Mendonça Corte Real, em que 
insiste para que fosse augmeniado o numero de freiras nos Conventos 
da Conceição da Lapa e Coração de Jesus da Soledade. 

Bahia, 12 de agosto de 1736. 2i83 

Okkicio do Arcebispo da Bahia para Diogo de Mendonça Corte Real, 
informando acerca de um requerimento do Missionário da Congre- 
gação deS. Filippc Ncry da uidade de Pernambuco, o Padre Fran- 
cisco Pinheiro c Luiz de Lima, na qual pedem licença para fundar na 
Bahia, uma casa da sua Ordem, em cumprimento do legado que dei- 
xara Manuel da Fonseca. 

Bahia, i3 de agosto de 1756. 

« Deixou (Manuel da Fonseca) por seos herdeyros e testamcntcyros, cm pri- 
meiro jogar ao referido Missionário e em segunão ao Companheyro, ficando 
nesta Cidade e estabelecendo nella a Gaza de Congregação, para cujo etfeito dizia : 
os constituo por meos testamenieyros e herdeyros para administrarem a testa- 
menteria e seos bens por sy e seus Procuradores, por emquanto náo estivesse 
formado corpo de congregação nesta Cidade e havendo Prepozito ou Superior na 
dita Congregação passará a administração e testamentária ao Prelado e Pro- 
curador que então forem da ditta Congregação e a seos successores im per- 
petuum, ete. 

Peço e rogo aos dittos Padre e seos successores que ao tempo do meo falle- 
cimento, como tenho justo, me recebão deytando a ropeta de S. Filippe Neri, 
q^ue pello amor de Deos lhes peço. E meu corpo será sepultado na Casa da dita 
Congregação se a houver ao tempo do meo fallecimento e não a havendo elles 
meos testamenteyros elegerão etc. 

Depois de huma larga dispoziçâo de funeraes, dotes a donzellas, esmolas 
a Conventos, Hospício de Jerusalém, Recolhimentos e a muitas pessoas parti- 
culares, liberdade de escravos, etc, passou á dizer que os seos bens de raiz erão 
notórios e os moveis constavão do seo livro de razão. 

Morto e enterrado o ditto Manuel da Fonseca ficou o Missionário e o seu 
companheyro nas próprias casas do defunto que reduzirão brevemente a Hos- 
pício com seo Oratório. O que estes Religiosos expõem a S. M. na sua petição 
causa brevitatis affirmo ser tudo verdadeyro pello que me parece justa e sancta 
a sua supplica, não só pello que expõem, mas porque naquella Praya se achão 
collocadas a freguezias inteyras, aa Conceição e Sacramento do Pillar, que 
ambas terão 10 para 11 mil pessoas de sacramentos com mais parte de outras 
2 e muytas outras pessoas de fora, que por desembarcarem neilas, commum- 
mente durante o seo negocio, neilas rezidem e a da Conceição serem parochianos 
todos os que vivem sobre as agoas naquelle porto. Accrescé mais os innumeraveis 
cathecumenos, que os homens de negocio neilas residentes tem em suas cazas 
e recorrerem aquella Prava muitas pessoas de fora a buscar absolvição das suas 
culpas, dispensas, conselhos e direcções para se desencarregarem. E por nã<T 
haver no tal sitio Convento, quantos o deixarão de conseguir o que buscão por 
não virem vestidos em termos para subirem a Cidade e não terem carruagens 
para o fazerem, etc. 



1S2 

Quanto aos estudos que prOmettem será de grande bem espiritual e utili- 
dade áquelles moradores, porque se estragão seos filhos espiritual e corporal- 
mente cm decorem c subirem duas vezes as compridas e ásperas ladeyras, 
que ha da Praya ao Collegio da Companhia, ncando-lhes por esta cauza pouco 
lugar para o estudo e distrahindo-se no procedimento por se acharem distantes 
dos olhos de seos Pays e por isso acompanhados de quem devião fugir. E sendo 
estas razões efficazes a favor da fundação, ainda tenho por mayor a das praticas 
que estes Congregados fazem nos Domingos e dias sanctos, em que explicáo em 
certos tempos a doutrina christáa... 

2186 

Officio do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte Real, acerca 
do numero de freiras do Convento das Ursulinas do Coração de 
Jesus e N. S.'' da Soledade e da licença concedida ás congregações 
religiosas e ás freiras em particular para herdarem bens de raiz. 

Bahia, 17 de agosto de 1756. 

Tem annexas duas minutas de officios que Diogo de Mendonça 
enviou ao Arcebispo da Bahia sobre os referidos assumptos. 

2187 — 2189 

Officio do Provedor mor da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa para 
Diogo de Mendonça Corte Real, sobre a exportação de madeiras 
para o Reino. 

Bahia,. 18 de agosto de 1756. 

Tetn annexos 6 documentos. 2190 — 2196 

Officio do Desembargador António Ferreira Gil para Diogo de Mendonça 
Corte Real, remettendo-lhe a conta da divida á Fazenda do ex-the- 
soureiro Domingos Cardoso dos Santos. 
Bahia, 19 de agosto de 1756. 
Tem annexos 2 documentos. 2197 — 2199 

Officio do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomaior, 
no qual informa acerca do processo crime promovido pelo Coronel 
Domingos Fernandes de Sousa contra Henriques Victorino Pereira 
da Silva. 

Bahia, 20 de agosto de 1756. 

Tem annexos 5 documentos. 2200 — 22o5 

Officio do Provedor Mor da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa para 
Diogo de Mendonça Corte Real, no qual mostra os grandes inconve- 
nientes e graves embaraços qne estava causando aos serviços da 
Provedoria a forma como o Desembargador António Ferreira Gil 
procedia ao exame dos livros da Fazenda demorando-os largo tempo 
em seu poder, recusando-os quando lhe eram pedidos e accusando-o 
também de varias outras irregularidades. 

Bahia, 20 de agosto de 1756. 

Tem annexos 3 documentos. 2206 — 2209 



Officio 



o do Vice Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte Real 
informando acerca do requerimento dos Officiaes do Náu da índia 
S. Francisco Xavier e Todo o Bem., pedindo transporte para o Reino, 
visto a sua embarcação ter sido dada como incapaz para navegar. 

Bahia, 20 de agosto de 1756. 

Tem annexo um documento, 2210 — 221 1 



163 

Okkicio do Vice Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mcndonsa (^iric Kcal, 
acerca do mesmo assumpto a que se relerem os ducumento.% antece- 
dentes. 

Bahia, 32 de agosto de 175C. 

Tem anexos 3 documentos. • 2212 — 221 5 

Okficio do Vice Rei Conde dos Arcos para Diogode Mendonça Corte Hcol, 
pnrticipundo que Amónio de Novaes de èousa dono da Corveta N.» 
S.» da lioa Viagem c Três Reis , se otfereccra para conduzir gratuí- 
tamcnie t'i Ilha do Principc o Bispo de S. Thomé e Príncipe, se lhe 
losse pcrmittido carregar tabaco para com cllc negociar nos portos 
daqucllas Ilhas e nos da Costa da Mina e cjue ouvida a Meso du Ins- 
pcçáo acccitára o orterecimcnto restringindo sonjentc ao dono da 
Corveta o poder niandal-a fazer negocio de escravos nos portos de 
Aguitú ate Badagre. 

Bahia, 23 de agosto de lySG. 2216 

Okkicio do Vice Hei, Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte 
kcal, cm que participa ter partido para a Ilha do Príncipe a Corveta 
N.« S." do Crato, S. Roque e Almas, conduzindo o Desembargador 
Ouvidor Christovão Alvares de Azevedo Osório, um Engenheiro para 
tirar a planta daquclla Ilha e das foniricaçóes que precisasse, pe- 
dreiros, e carpinteiros contractados para as novas obras, dois oleiros 
prelos, alguns presos para irem servir de soldados, etc. 
[ Bahia, 23 de agosto de 1756. 2217 

; Okkicio do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sottomalor, 

j para Diogo de Mendonça Corte Real, cunimunicando-lhe que tinham 

l sido condemnados 18 réos á pena de degredo para a Ilha do Anno 

f Bom. 

', Bahia, 25 de agosto de ijbô. 

Tem annexos 4 documentos. 2218 — 2223 

Okkicio do Desembargador Cyriaco António de Moura Tavares para Sebas- 
tião José de Carvalho e Mello, em que lhe participa os obstáculos 
que encontrara para proceder á syndicancia ao Ouvidor da Bahia, 
Henrique Corrêa Lobato, que lhe tora ordenada. 
Bahia, 26 de agosto de lySó. 
Tem annexo um documento. • 2224 — 2225 

Ofkicio do Provedor mór Manuel de Mattos Pegado Serpa para Diogo de 
Mendonça Corte Real, acerca do alcance do Thesoureiro geral Am- 
brósio Alvares Pereira. 

Bahia, 26 de agosto de 1756. 

Tem annexos 4 documentos. , 2226 — 223o 

Okkicio do Arcebispo da Bahia para Diogo de Mendonça Corte Real, acerca 
da entrada de D. Leonor de Castro, filha natural de Luiz Freire, 
para o Convento de Santa Clara do Desterro. 

Bahia, 28 de agosto de 1756. 223i 

Carta do Chanceller Manuel António da Cunha Sottomaior em que allega 

os seus longos serviços na Bahia e insiste pelo seu regresso ao Reino. 

Bahia, 3o de agosto de 1756. 2232 



154 

Okficio do Vice Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte Real, 
em que informa do rendimento que tivera o quinto do ouro na Casa 
da fundição das Minas de Santo António da Jacobina, no anno de 
1755 e i"semestrede 1756. 

Bahia, 3o de agosto de 1756. 

Tem annexos 4 documentos. 2233 — 2237 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello em que informa das providencias que tomara para o cumpri- 
mento do Alvará com força de lei de6 de dezembro de 1735, que pro- 
hibia «como prejudicial ao Real serviço e ao bem commum dos vas- 
sallos que os ofíiciaes marinheiros dos navios de guerra e mercantes 
tragáo fazendas a este Estado, para nelles as venderem». 
Bahia, i de setembro de 1756. 
Tem annexos 3 documentos. 2238 — 2241 

Officio do Provedor Mór Manuel de Mattos Pegado Serpa, para Diogo de 
Mendonça Corte Real, acerca da Náo da índia S. Francisco Xavier 
e Todo o "Bem, que fora condemnada para a navegação e das reso- 
luções do Conselho da Fazenda sobre diversas representações dos 
Ofíiciaes da mesma náu. 

Bahia, 3 de setembro de 1756. 

Tem annexos ig documentos. 2242 — 2261 

OFFICIO do Vice Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte Real, 
em que se refere á demora que soffrera a frota por causa do terremoto 
de Lisboa e aos diversos incidentes que se deram com o carregamento 
dos navios e partida da frota para o Reino. 

Bahia, 3 de setembro de 1756. 

Tem annexos 1 5 documentos. 2262 — 2277 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho 

Mello, acerca das providencias adoptadas para impedir os desca- 

• minhos das fazendas e da hscalização que exercia para evitar que os 

ofíiciaes dos navios de guerra e mercantes fizessem contrabando. Re- 

fere-se também ás vantagens concedidas aos donos dos navios que 

conduzissem madeiras para o Reino. 

Bahia, 3 de setembro de 1756. 

Tem^nnexos 10 documentos. 2278 — 2288 

Officio do Provedor mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa, 
requisitando vários materiaes para a construcção da nova Náu X.^ 
S.^ da Caridade e informando dos trabalhos que nella se tinham exe- 
cutado. 

Bahia, 3 de setembro de 17Õ6. 

Tem annexos 7 documentos. 2289 — 2296 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 

Mello, sobre a cobrança do Donativo para a reedificação de Lisboa 

Bahia, 5 de setembro de 1756. 2297 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte Real, 
sobre o mesmo assumpto do documento antecedente. 

Bahia, 5 de setembro de 1756. 2298 



ISB 

Officio cios Vice Rei Conde do» Arcos para Diogo de Mendonça CAric Real, 
em que inturma fav(jravelmcnte umu rcnrescniasúo dos officíac» da 
Sccrctariu do Governo da Capitania da Bahia, pedindo melhoria de 
vencimentos. • 

Bahia, 5 de setembro de 17S6. 
Tem annexos 2 documentos, 

«Ok onicíac* da Sccrctariu Jc«tc (iovcrno me fizcrfto a rcprezenu^fio inclukfl 
a qual ncnla iiicHina occuniâo ponho na prczcnçu de S. M. pelo »cu f>iniieiho 
Ultrantarino, porque julguei devia upplicur n» diligencia» prcciza» put.i n 

clVeito alcancem o que tani juntamente pertcndem : pela razfio de que i '• 

relatiM) na Nua petição he verdade e nfio podem «ubniittir com tfio pci|iiii>'' <<>..t- 
nudn, que de nenhunui maneira correitponde ao grande trabalho qnc tem ncMa 
Secretaria, da qual lhe não licu nem um kó diu em todo o decurso do anno, pura 
poderem applicalln ás sua» dependências; circuniiluncia» toda» cttas, que obri- 
garão ao (.onde das (íalvéan. Vice Rei que foi deHte K>tadu, na informação a ue 
deu a S. M.. quanilo por Provirão de ih de dezembro de rj35 o mandou ouvir 
sobre a quantia que se devia arbitrar aos supplicantes, declarar que ao oficial 
mayor se deviúo dar mais loo mil reis de ordenado em cada hum anno e Ho mil 
reis a cada hum dos mais otliciaes c se naquclle tempo era bem regulado e»tc 
arbitramento, muito mais o hca sendo ngora pela grande diminuição que lhes tem 
accrescido nos emolumentos da Secretaria, cm consequência da nova creaçáo <ta 
Relação do Rio de Janeiro, ç>orque antes de a haver nao havia Governo algum do» 
desta* America, de onde se não viessem tirar provisões c Alvará cm todos uquellcs 
casos em que se pode passar o Desembargo do Paço, c como estes se lavraváo 
na Secretaria, recebião aquellcs emolumentos, de c^ue hoje se vem privados e o 
estão também de todos os mais de que fazem menção na sua petição...» 

2299 — 23o I 

Okficio do Vice Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte Real, 
sobre o transporte da carga da Náu S. Francisco Xavier e Todo o 
Bem, a que outros documentos anteriores se referem. 

Bailia, 7 de setembro de 1756. 

'Tem annexos 2 documentos. 23o2 — 2304 

Carta do Arcebispo da Bahia, para Diogo de Mendonça Corte Real, em que 
se refere á nerança de Manuel da Fonseca e á fundação da Congre- 
gação religiosa que deixara instituída no seu testamento. 

Bahia, 7 de setembro de 1756. 

«Sem intervenção de pessoa alguma e só obrigado do zello e bem da salvação 
das almas passo a dar av. Ex." a seguinte conta. 

Manuel da Fonseca morador na Praya desta Cidade achando-se enfermo de- 
terminou tazer o seo testamento e deyxar a seu Parocho todos ou a mayor parte 
de seus bens, não tanto como a Parocho, mas como a amigo e obrigado... Succede4) 
neste tempo a esta Cidade fsicl o Padre Francisco Pinheiro em seguimento de 
huma demanda da sua Congregação de Pernambuco e hospedar-se com o seo com- 
panheiro no Convento de Santa Thereza. Logo que soube o sobredito doente e 
que o ditto padre era bom Missionário e hum grande servo de Deos, o mandou 
chamar e com elle se confessou geralmente e muita outras vezes e para o fazer 
com a continuação que desejava e tratar com elle sobre o particular e da fundação 
da sua Congregação nesta Cidade o rogou e instou para que por emquanto fosse 
vivo passase com seo companheiro para a sua caza, a que o dito Padre assentio 
por não desconsolar aquelía alma e por evitar o grande cançaço com que já se 
achava de sobir e descer as grandes ladeyras, que medeaváo entre o Convento e 
caza do enfermo. Chegou este a fazer testamento, em que nomeou ao Padre e 
seu companheiro por testamenteyros e constituio herdeyros sob a clasula da funda- 
ção nesta Cidade. Desta dispozição se sentio tanto o Parocho, que intentou justifi- 
car que dos dittos Padres se não necessitava nesta Cidade e muito menos naquclle 



156 

sitio, de que dando-me parte o desvanecy; mas vendo que não podia dezafogar a 
má sua vontade e vingança em seo nome, me dizem está fazendo a requerimento 
de hum vereador chamado Francisco Gomes, em que mais poderá entrar hum 
advogado /l«/o«iO Duarte, procurador da mesma Camará, este por offendido do 
ditto Padre Francisco Pinheiro lhe não acceitar hum filho para a Congregação, 
que justamente repellio...» 

23o5 

Carta particular do Provedor mór Manuel de Mattos Pegado Serpa, para 
Diogo de Mendonça Corte Real, em que especialmente pede augmen- 
to de ordenado. 

Bahia, 8 de setembro de 1756. 

Tem annexos 4 documentos. 23o6 — 23 10 

Officio do Provedor Mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa, 
sobre a exportação de madeiras para o Reino. 

Bahia, 8 de setembro de lySó. 

Tem annexos 2 docum.entos. 23ii — 23i3 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Corte Real, 
em que participa a partida da Frota, composta de 24 navios mercantes 
comboiados pela Náu de Guerra A^.^ S.^ das Brotas^ sob o commando 
do Capitão Gaspar Pinheiro da Camará Manuel. 

Bahia, 10 de setembro de lySó. 2314 

Carta particular do Vice Rei Conde dos Arcos (para Diogo de Mendonça 
Corte Real), em que se refereao seu estado de saúde e lhe rende agra- 
decimentos por vários serviços. 

Bahia, 10 de setembro de 1756. 23i5 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos acerca de um diamante que fora en- 
contrado por um preto nas serras de Jacobina e que era enviado para 
Lisboa a fim de ser examinado e reconhecer-se o seu verdadeiro valor. 
Bahia, 10 de setembro de 1756. 
• Tem, annexos 3 documentos. 

«... Feito o termo de declaração procedeu o mesmo Ouvidor (de Jacobina) 
a fazer exame na tal pedra com officiaes da Caza da fundição estabelecida naquella 
Villa, que affiirmarão ser diamante legitimo e ter o pezo de onze grãos e hum 
quarto • com esta noticia foi chamado á prezença do Ouvidor o tal preto e fazen- 
do-se-lhe perguntas judicialmente, confessou haver achado aquella pedra em 
huma xapada, que faz vertente para o Rio do Payayá grande no meyo do compri- 
mento da Serra para a parte de Leste, o qual sitio íica dentro do continente 
daquellas minas (Jacobina)...» 

23 16 — 23 19 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, em que lhe participa a partida da frota e expõe os motivos que 
determinaram alonga demora que tivera na Bahia. 

Bahia, 11 de setembro de 1756. 2320 

Mappa geral da carga transportada para o Reino pelos navios da Frota com- 
boiada pela Náu de Guerra N. S.^ das Brotas., sob o commando do 
Capitão Gaspar Pinheiro da Camará Manuel. 
Bahia, 11 de setembro de 1756. 



157 

Contem os nomes dos ub navios aue compunham a frota ^ os nomes 
dos respectivos Capitães e a espec(fíca<^âo das mercado ias expor- 
tadas: assucar, tabaco, sola, atanados, couros em cabclío, prata, 
pimenta, salitre, mel, coquilho, farinha, madeira, etc. 

lAnnexa ao n. uJttj) ■j.yj.i 

Okiicio do Vicc-Rci Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Cftrtc 
Real, cm auc se refere á partida da frota e em especial á Galera 
.V. José e Almas commandada por Joúo Alvares Corroa e ao Brigue 
liom Jesus de lioui^as e S. José por António da Costa Porto. 

Bahia, 17 de setembro de 1756. 

Tem annexo um documento, i* e 2* vias. 2322 — 232^ 

Officio do Vicc-Rci Conde dos Arcos para Diogo de Mendonça Côrtc 
Real, sobre o mesmo assumpto dos documentos anteriores. 

Bahia, 19 de setembro de tjSó. 2326 

pROciRAÇÁo judicial de D. Anna Maria Pereira da Rocha constituindo seus 
advogados os drs. Amónio Ribeiro de Migueis, Bernardo Manuel 
de Vasconcellos e Agostinho Rodrigues Real e procuradores Fran- 
cisco Rodrigues Cavalheiro, João Ferreira, Manuel de Brito e Plá- 
cido Fernandes Maciel. 

Bahia, 3 de outubro de 1756. 2327 

Protkstos de três lettras por falta de acceites e de pagamentos, saccadas 
na Bahia por Plácido Fernandes Maciel contra Filippe Marques de 
Oliveira. 

Lisboa, 28 e 29 de novembro de 1756. 2328 — 2329 

«Extractos de varias cífrtas e officios dirigidos pelo. Vice-Rei do Brasil á 
Secretariado Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar.» 
Varias datas. 1756. 
Cada extracto tem d margem, em resumo, a minuta das respostas. 

233o — 2332 

«Extractos de diversos ofíicios do Chanceller da Relaçáo da Bahia, dirigi- 
dos á Secretaria de Estado da Marinha e Ultramar.» 
Varias datas. \j56.' 
Conteem d margem as notas das respostas. 2233 — 2334 

«Extractos de vários ofHcios do Provedor mor da Fazenda da Bahia, diri- 
gidos á Secretaria de F^stado dos Negócios da Marinha e Ultra- 
mar.» 

Varias datas. 1756. 

Teem d margem as notas das respostas. 2335 

Carta de Luiz Pereira de Sousa para Plácido Fernandes Maciel sobre as- 
sumpto de interesse particular. 

Lisboa, 16 de janeiro de 1757. 2336 

Carta de José da Gosta Ribeiro para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real, em que dá o seu parecer sobre o pedido do Arcebispo da 



158 

Bahia, relativo ao augmento do numero de freiras nos Conventos de 
A''. S. da Conceição da Lapa c Coração de Jesus. 

Lisboa, i8 de janeiro de lybj. 

Tem annexo um documento. 2337 — 2338 

Requerimento de Plácido Fernandes Maciel, pedindo a propriedade do 
logar de Escrivão das Execuções do eivei na comarca da Bahia. 

S. d. (1757.) 2339 

«Extractos de vários officios do Arcebispo, do Provedor mór da Eazenda 
e da Meza da Inspecção da Bahia, dirigidos á Secretaria de Estado 
de Negócios do Ultramar.» 

Varias datas. ijÓj. 2340 — 2342 

Cartas (2) de Alexandre Palhares Coelho de Brito para Plácido Fernandes 
Maciel, sobre assumpto de interesse particular. 

Monção, 20 de abril de 1757. i^ e 2^ vias. 2343-2344 

Officio do Provedor mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa para 
Diogo de Mendonça Corte Real, em que lhe participa as diligencias 
que havia mandado fazer para o abastecimento e reparações do navio 
hespanhol S. Julião. 

Bahia, 24 de abril de 1757. 

Tem annexo um documento. 234$ — 2346 

Carta do Arcebispo da Bahia para Thomé Joaquim da Costa Corte Real, 
felicitando-o por ter sido nomeado Ministro e Secretario d'Estado 
dos Negócios do Ultramar e Ilhas adjacentes. 

Bahia, 25 de abril de 1757. 2347 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos, para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, em que o informa do dinheiro fornecido ao Procurador dos 
contractadores do Tabaco Joaquim Ignacio da Cruz, sobre lettras 
saccadas por este contra os contratadores de Lisboa, Duarte Lopes 
Rosa e António Francisco Jorge, e das obras da nova náu que se 
estava construindo no estaleiro. 
Bahia, 28 de abril de 1757. 

Tem annexos 6 documentos, i^ e 2^ vias. A 2^ via só tem 
annexos 3. 2348 — 2359 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, acerca da nova Companhia da extracção do Vinho do Alto 
Douro e das duvidas que se haviam suscitado para o seu estabeleci- 
mento na Bahia e informando sobre as resoluções que a tal respeito 
se haviam tomado. 

Bahia, 29 de abril de 1757. 

Tem annexos i5 documentos e entre elles as copias do bando 
annunciando a fundação da companhia, da resolução da Camará., fi- 
xando os preços dos vinhos^ vinagres e aguardentes, etc. 

«...fui entregue da carta de V. Ex.* de 18 de outubro do anno passado, em 
que me participa que S. M. havia acabado de mandar estabelecer huma utilíssima 
Companhia para a extracção dos Vinhos do Douro, á qual era o mesmo Senhor 
servido, que eu desse todo o favor e ajuda, de que necessitasse e em especial a 
Joaquim Ignacio da Cru:^ administrador delia nesta cidade... 



163 

Piirn n cHinboteciítiento iln ('.- ' nckia cidade occorrerlo a« duvUlM 

quo vou II piirticipur a V. Ex.* c n < « i|uc vibre cltu» »e loniárAu. 

Na c()tiilii;&() 3<i Hc coiiHiiiue n^i.i . i ., ^^^^ ^cve ler a me*- 

ma ('.(titipaiiliia, á qual ticvciii ficar Im i<czas o» |5 c l6 por 

cciiio, «]uc Hc lhe dctcriníiuirAo : para iti ndiçio nAo deixava <lc 

«cr dillicuitozo o dcRCobrir-ftc hum rc^uiamctlto ino u|u»tttdo, que do» t 
quu Hc impuxcMcm no» vinho», vinagrei c ugoa» ardente» rci»ulliif»c a uik. 
conccilida á (Companhia, »cm prcjuixo cuii»ideravcl dot povos, que lhe ha m;i mi 
de tiar o hcu coiihumio. 

l)uviJo/()H com juKtoK futidamcntofi n* ndmíniMradore* delia nekia cidade 
du rcsoluçiMi que havião de tomar cm negocio de tanta importância, porque não 
dó lia cohdiçAo 20, ma» em nenhuma das outra* ite declarava por conta de quem 
dcvifio fazer a» avaria» coinmua» e attento» orúinario» e o Provedor e Deputado» 
da Mexa da Companhia na carta de orden», que lhe remetter&o, Ihec ordenão, 
que devem fa/cr por conta do» compradores, ficando sempre livre» para a Com- 
panhia os i? e i6 por cento ilctcrminado» na condição ni; c no que rc»pcíta a 
toda» as avarias extraordinárias succedida» por cazo» fortuito», como »cjáu dam- 
niticaçócs ou faltas «raves procedidas de broca c arrombamento de pipa» e 
muitos outros acontecimentos que ordinariamente experimentão os coinmer- 
ciantcs, que ncgoccão em semelhantes effcitos, não dcráo resolução alguma poii- 
tiva sobre este particular, deixatuio-os ficar em confuzáo. A esta duvida accrea- 
cia outra de muyto mayor pezo, porque hc impossivcl o fazer-»c coAta certa ás 
avarias chamadas attestos, que devendo ser contadas, não se podia formar delias 
um calculo também ajustado, que não houvesse de prejudicar a (Companhia ou 
aos compradores, que lhe derem consumo aos seos eíTeitos, vindo além disto 
também em consideração o disposto na condição i8, se o aluguer dos armazéns 
cm que nesta cidade se recolhessem os mesmos cfTeitos. (s/c) rostos os adminis- 
tradores no mcvo de todos estes embaraços e sendo-lhe impossivcl o poderem ter 
com a brevidade necessária resolução de S. M. ou do Provedor e Deputados da 
Meza da Companhia, tomarão o expediente de armarem huma conta a cada 
hum dos géneros de per sy e ajuntando ao preço principal porque vicráo carre- 
gados do Porto todas as mais dispezas, lucros e interesses, que athe o acto da 
venda se lhe deviáo ajuntar, sahirão ahnal com huma demonstração do preço, 
porque jiodc ria ser vendida cada huma das pipas dos referidos géneros; mas 
como nao quizessem fiar só de sy este negocio a que podia seguir-se o não ser 
bem recebido dos povos o excesso do preço, tízerao ao Dezembargador Conse- 
lheiro e Intendente Geral Wcticcsldo Pereira da Silva como Juiz Conservador da 
Companhia a representação, que consta do documento de Hs., para que consul- 
tando aquella matéria com pessoas intelligentes e practicas na venda de seme- 
lhantes efleiíos, declarassem os seus pareceres, tanto sobre a conta, que aprezen- 
tavão, como sobre o mais, que se deduzia na sua reprezcntação. 

Resolveo finalmente o Dezembargador Conselheiro Intendente geral man- 
dar convocar 8 homens de negocio dos mais principaes desta praça e que tives- 
sem já commerciado antecedentemente em semelhantes elTeitos {Manoel Alva- 
res ae Carvalho, Luij Coelho Ferreira. Friictuoso Vicente Vianna, Francisco 
Borges dos Santos, Simão Pinto de Queiroz, António dos Santos Palheiros, Fran- 
cisco Xavier de Almeida e Domingos Ribeiro Guimarães,) dos mais fazendo 
-lhes vér a conta dos novos administradores e tudo mais que se continha na 
sua reprezcntação, lhes deu o juramento dos santos Evangelhos, para que de- 
baixo delle dicessem os seos pareceres, no que com facilidade convierão e uni- 
formemente assentarão que cada huma pipa de vinho tinto ou branco não podia 
ser vendida por menos preço de 718844 rs., as de vinagre a 42S031 reis e as de 
agoa ardente a 98S635 reis e cada numa frasqueira de dez frascos de agoa ardente 
a 5S637 reis, fundando-se para arbitrarem esses preços, que erão na realidade os 
mesmos aponta dos pelos administradores nas suas contas nas razões e funda- 
mentos, que largamente expenderão no termo, de que vay a copia... 

Em execução desta ordem determinarão os Ofnciaes da Camará, ouvidas as 
partes interessadas, que os Taverneiros e mavs pessoas, que vendião vinho, vinagre 
e agoaardente por medidas miúdas não podessem vender por mayor preço cada 
canada de vinho pertencente á Companhia do que pelo de iSíSoreis e cada caiiada 
de agoaardente pelo de iSybo reis e cada canada de vinagre pelo de 8o3 reis, o 
que íizerão publico pelo edital, cuja copia remetto, nelle determináo as penas em 
que hão de incorrer as pessoas, que transgredissem ao que nelle se contem... 

Devo dizer a V. Ex.", que supposto as canadas do Brazil não sejam em to- 
das as comarcas de igual tamanho pela ditíerença que ha de humas ás outras 
comtudo sempre cada uma canada destas corresponde a perto de 4 canadas das 
desse Reyno, o que participo a V. Ex." para evitar toda a duvida, que possa 



cauzar o preço que se lhe arbitrou. 



236o — 2375 



160 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para o Ministro do Ultramar Thomé 
Joac^uim da Cosia Corte Real, em que lhe participa ter mandado de- 
molir uma das torres da Sé, por ameaçar ruina e ter averiguado, 
pela vistoria a que procedera, que se abatesse destruiria o edifício da 
Sé, da Mizericordia, Hospital e muitos outros que lhe estavam pró- 
ximos. 

Bahia, 3o de abril de 1757. 

Tem anncxos 10 documentos e entre elles uma representação do 
Cabido, o auto de vistoria, o auto da arrematação (por 3 mil cruza- 
dos e 1 5oÈooo rs.) das obras de demolição da torre, etc. 

2376-2386 

Officio do Provedor mor da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa 
para o Ministro e Secretario de Estado do Ultramar, acercada co- 
brança dos donativos dos officios e as fianças das respectivas terças. 
Bahia, 3o de abril de 1757. 
• Tem annexos g documentos. 2387 — 2396 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, acerca dos ordenados e emolumentos dos officiaes da Fa- 
zenda, da Alfandega e da Camará da Bahia, das duvidas que se sus- 
citavam sobre os emolumentos do Escrivão dos contos e a interpre- 
tação de varias disposições do Regimento de i5 de abril de 1709, que 
re'gulava os vencimentos dos referidos funccionarios. 
Bahia, i de maio de 1757. 

Tem annexos 41 documentos e entre elles a copia do mencionado 
Regimento de lyoq. 2397 — 2438 

Procuração judicial de Jeronymo Sodré Pereira, constituindo vários advo- 
gados e procuradores. 

Bahia, 2 de maio de 1757. • 2439 

Carta do Conde dos Arcos, D. Marcos de Noronha, felicitando Thomé Joa- 
quim da Costa Corte Real, por ter sido nomeado «Secretario de Es- 
tado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos» 

Bahia, 2 de maio de 1757. 2440 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, em que participa estar vago o posto de coronel commandante 
de um dos Regimentos de Infantaria pelo faliecimenio de Manuel 
Domingues Portugal, propondo a nomeação de Manuel de Saldanha 
tilho de João de Saldanha, antigo Vice-Rei do Estado da índia. 
Bahia, 2 de maio de 1757. i^ e 2^ vias. 

«...Nesta cidade assiste ha mais de 23 annos Manoel de Saldanha, filho de 
João de Saldanha, Vice Rey que foi do Estado da índia; este cavalheiro, alem de 
ser de costumes muito bem regulados, he de hum tão louvável procedimento, 
que justissimaniente o tem feito credor da distinta attenção, que lhe rendem 
todos estes habitantes, nem tem nem nunca teve destas partes, emprego algum 
no serviço de S. M.... 

Devo dizer a V. Ex." que sendo as Tropas da Bahia as mais bem soccorri- 
das e as que têm menos trabalho em todos os Domínios de S. M., não ha ne- 
nhuma que esteja em maior abatimento, porque tem concebido tal horror os 
nacionaes, que das pessoas de distincção, não ha huma só que voluntariamente 
sente praça a seu filno e o que mais he, que nem os próprios officiaes militares 
tendo muitos prodigioza quantidade de hlhos, inclinão hum só para semelhan- 
te vida, de sorte que havendo nesta Cidade 2 Regimentos de Infantaria e 6 



161 

Coinpiiiilii.i ii Anilharia, nAo m acha em tndo este ri .,/, 

(toMukiii •• pi' I " <ii Jar o nome de purtictitur ou. ca > .c 

c»lc» Hc iiao L<>iii|>õcin Jc outra qualiaadc de gcnlc, »(■ ..:a« 

partes e de mulatos nacionaei ao paiz...» 

Okkicio do Vice Rei Conde dos Arcos para Thomd Joac]uim da Costa 
Còrtf HcuI, cm t)iic lhe communicu ter recebido pariicipaçáo do Go- 
•vcrnudor interino do Rio de Janeiro José António Freire de An- 
drade, de alli ter sido dada como incapaz para a navcf<as'ào a Náuda 
índia N. S. da Latuvado^a, sob o commando do Capitão de mar c 
guerra Pedro Luiz de Olival, e explica as inrorma(;óes oue tranxmit- 
tira ao dito Governador do Hio de Janeiro sobre o que navia de de- 
terminar a respeito daquelle navio e do destino que devia ter a re- 
spectiva carga e iripulasáo. 
Bahia, 2 de maio de lySj. 
Tem annexos 3 documentos. 2443 — 2446 

Okkicio do Vice-Hei Conde dos Arcos para Thomd Joaquim da Costa Corte 
Heal, pariicipando-Ihe ler ordenado a todos os Ouvidores das Co- 
marcas «que mandassem a iodas as Gamaras das mesmas Comarcas 
fizessem cada huma delias huma rela»;áo dos lugares epovoaçócsdo 
seu Destricio com os nomes e as distancias, que ha de numas ás ou- 
tras, practicando-se a mesma descripçáo dos rios, que pelas ditas 
povoações passão, individuando os seos nascimentos e os que sáo 
navegáveis e que em cada huma das Villas se declarariáo a distancia 
de léguas ou dias de jornada, que hião ás outras Villas circumvi- 

\ sinhas.» 

[ Bahia, ó de maio de lySy. 2447 



l Okkicio do Provedor mór Manuel de Mattos Pecado de Serpa para o Mi- 

j nistro e Secretario de Estado dos Negócios do Ultramar, sobre o 

, excrcicio do serventuário do officio de Patrão mór da Ribeira. 

i| Bahia, 6 de maio de 1757. 

I' Tem annexos 3 documentos, 2448 — 2451 

\^ Okkicio do Provedor mór da Fazenda Manuel de Mattos i^egado Serpa 
'; acerca da execução movida contra Bernabé Cardoso Ribeiro e da 

!' venda dos bens que lhe foram sequestrados. 

»f Bahia, 7 de maio de 1737. 2452 

Certidão do termo do primeiro lanço que deu D. Caetano de Bettencourt 
e Sá por seu procurador no Engenho da Grama e suas terras e fabri- 
cas sequestradas pela Provedoria mór da Bahia a Bernabé Cardoso 
Ribeiro. 

Bahia, 8 de fevereiro de 1757. [Annexo ao n. -j^S-j.) 2453 

Ckrtidão dos autos de avaliação e arrematação do Engenho da Grama, se- 
questrado a Bernabé Cardoso Ribeiro. 

Bahia, 4de maio de 1757. [Annexo ao n. •245-2.) 2434 

Okkicio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real, em que lhe participa ficarem brevemente concluídas as obras 
da nova náu Nossa Senhora da Caridade. 
Bahia, 9 de maio de 1757. 



162 

Tem annexa a respectiva informação do Mestre da Ribeira, 
Manuel de Araújo Silva. 2435 — 2456 

Ofkicio do Vice-Rei Conde dos Arcos para o Ministro do Ultramar, com- 
municando-lhe ter recebido uma carta do Capitão mór da Ilha do 
Príncipe Vicente Gomes Ferreira, em que este lhe participa ter arri- 
bado áquella Ilha uma Esquadra franceza «que vinha dos Portos da 
Costa da Mina de dar caça aos inglezes». 
Bahia, 10 de maio de lySy. 
Tem annexa a copia da carta de Vicente Gomes. 

0...O mestre desta embarcação me entregou a carta de 23 de março deste 
prezente anno de Vicente Gomes Fei'reira, Capitão mór da Ilha do Príncipe, de 
que remetto copia, em que me participa, que em 28 de fevereiro deste anno arri- 
bara aquelle Porto úma Esquadra Francesa, de que era Commandante Mr. Ka- 
rice, que se compunha de 2 Náos de guerra, huma de 74 pessas e outra de 64, 
hum Corsário d6 36 peças e outro de 18, que vinha dos Portos da Costa da Mina 
de dar cassa aos Inglezes, a quem tinham reprezado 1 1 navios, e que além destes 
diziáo haver mettido 3 a pique, e que nos mais que se senhoriarão, ficarão senho- 
res de goo escravos e de alguma fazenda mais, que nas mesmas embarcaçoens se 
conduzia, e que na entrada do Porto da Ilha do Principe haviâo feito preza em 
mais uma corveta ingleza, que vinha do Porto de Benim com a carga de 3i8 
escravos. 

Ainda que a carta deste Capitão mór não diga mais couza alguma essencial- 
mente a este respeito, comtudo por algumas cartas particulares, que nesta 
mesma occazião chegarão da Costa da Mma e da Ilha do Principe se tem feito 
publica a noticia de que a Esquadra franceza sahira do Porto de Bestre em no- 
vembro do anno passado com o designio de destruir as Fortalezas que os In- 
glezes tem naquella Costa, principalmente a da sua capital que he Cabo Corço, 
a que atirarão 40 pessas com baila, com que lhe matarão 6 pessoas, havendo-lhe 
feito, além deste damno o de lhe encalharem naquelle porto 3 galeras. 

Muitos mayores seriâo as prezas, que se fizessem aos Inglezes, se estes não 
tivessem tido a fortuna de lhe haver escapado hum Batelão fora do Cabo das 
Palmas, que avistando a Esquadra franceza, toi por todos os portos da Costa da 
Mina dando avizo aos navios da sua nação, que tiverão tempo de fazer-se á vela 
18, que se achavão em Anna Babú, negociancio com os negros da terra. 

Esta Esquadra franceza veyo fornecida de muito boa artilharia e de grande 
numero çie gente, porque a Náo de 74 pessas trazia de sua equipagem 900 ho- 
mens; a Náo de 64 trazia 700 homens; o corsário de 32 pessas, 3oo homens, eo 
segundo corsário de 18 pessas iio homens e se tivesse encontrado com mais duas 
Nãos, que havião expedido para na altura de Angola fazerem corço aos Inglezes, 
terião intentado contra elles mais algumas outras acções, mas vendo que as náo 
achavão na Ilha do Principe, donde entenderão estarião já de volta, tomarão a 
resolução de não esperarem por ellas e de carregarem em 3 navios dos que haviâo 
reprezado todos os escravos e mais fazendas, de que se haviâo feito senhores e 
deixando encalhadas as embarcações se fizerão á vella, julga-se que em direitura 
á Ilha de S. Domingos...» 

2457 — 2458 

Officio do Arcebispo da Bahia participando ter fallecido na Ilha do Prin- 
cipe o Bispo de S. Thomé D. António Nogueira, 34 dias depois de 
alli ter chegado. 

Bahia, 10 de maio de lySy. 2459 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real em que se refere á posse que se pretendera tomar da Ilha do 
Anno Bom, relatando os acontecimentos que se deram com a che- 
gada alli do Padre Missionário Fr. Francisco Pinto da Fonseca. 
Bahia, 1 1 de maio de lySj. (V. n.°* 2661 a 2665.) 

«Em carta de 28 de agosto do anno de 1753 assignada pela Real mão de 
S. M. foi o mesmo Senhor servido determinara/). José Caetano Sottomaior, Go- 
vernador e Capitão General, nomeado para as Ilhas de S. Thomé e Principe, 



168 

«.|uc conio a /lha de Auuo Hum tinho cKtado aihtf ■f|orN cwn Ii>m> i.>i/> -<<•«. 

prcxo prciíKliciíiliHKiino no Kciil «crvico, ao hein de ncti» li :i- 

vcrHAn A Santa l''à Caiholicn Kiiriiaiiu, devia emendar c»ii »> 

Koaltiiciiic iW|Uclla Ilha ou iiiaiulaiido a cila sciii denioni .ilfju m 

ccrtílicaHKc aoK ncii» iiutrailorc» ila cupeciul nroieccAo de S. M. < m 

uiic Hc lhe )»e^ilia »le iitTcm hiijcíiok íim hcu Kcal ) ■ - imniiii m a 

rii-i|iiciite coiiiiiuiiiicacii" di* mitras Niicx-n ila i i diligencia 

para i|ue u iiieonia lllia Iohhc CMinitidiiuada | ' M. »U|eiloii 

iii|ticllc Ciovcrno ; c (|iie como a mcitnia Ilha e»iá iiitciiitiiiciiie incurporaJa no 
Kcal doMiiniii pelo aiuHlc, (|uc »e havia feito com o Donatário, mandaria tomar 
poHKC delia, noincando In^o pcnitoa, i|uc a poilcMc governar, ciiuiuunio m! iiAo 
dava outra providencia, nciiiIo cila liil, i|nc o h/etue com graniic docilidade c 
prudência, o que muito mc lhe rccoinmcndaria, parn que a»»im o cxecuiutM ; v. 
como o mcyo maia juitlo e maiii importante cuidado he a exteiutio e a propaga- 
çAo da Kc' em toduN as conquinian, que a Providencia Divina entregou ao Kcal 
dontinio de S. M., era o meitma Senhor «crvido rccommcndar-lht:, que naqucllu 
matéria, mnin do que em outrn, hc conformuKnc com a» huu» Hcae» inicncóca, 

ravorcccndc» e prruuovciulo tudo o que ne cncaminhaKKe a hum fim t- ■ ■' ri* 

dctciulciuio os l>arochnii c oa MinHionarios. dando conta de tudo o q m; 

neccK^ario, c que conviesse para ellcs seiíi taitu cumprirem com oh i<»- 

terios, o que mais especialmente se determinava a respeito dos dou» ntiKkiona 
rios, que vinhAo para n Ilha de Aunojiom, que os faria estabelecer nella, man 
dando-lhe põr proniiMo tudo o de que necessitassem para a sua habitação t; 
subsistência, dmido-lhc a ajuda, que lhe pedissem, pura se conservarem com <• 
respeito e authoridade conveniente aos Ministros da Igreja. 

(]omo o Cinvernador, a quem se dirigia esta ordem morreo nesta Cidade, 
sem que chegasse a>tomar posse daquelle (loverno, não vcyo a ter aquella de- 
vida exccuváo pelo meyo e modo, que devia ser, porque por parte dos OffíciaeK 
da (Gamara, em que hoje rezide auuelie Governo não sei, ijuc se fizesse diligen- 
cia alguma ; consta porem, que o l)ezembargador Christovao Alvares de A^eved» 
Osório, Ouvidor actual da Ilha de S. Thomé e do Príncipe por ordem vocal qui! 
deu ao Kngeiíheiro Josc António Caldas lhe determinou que toina<ise posse da 
Ilha de Anuo liom cm nome de S. M., mandando em sua companhia ao Kscii • 
vão da (Correição José de Mello e Silva, com os quaes foi juntamente o Vigai io 
Fr. Francisco Pinto da Fonseca, Freire da Ordem de Christo mandado por 
S. M. para Vigário e Missionário daquelles Povos. 

Km 7 de fevereiro deste prezente anno sahirão da Ilha de S. Thomc para a 
de Anno Bom. donde chegarão em ao do mesmo mez e dando fundo naqucllc 
porto, vierão grande numero de canoas a seu bordo, e mandando o Missionário 
chamar á terra o capitão mór, Joio Dias Raposo e António Teixeira, cirurgião, 
por serem estes dous homens os que governão aquelles povos; veyo o Capitão 
mór e o Sachristáo da Igreja de X. Senhora da Conceição, e declarando-' hes 
que por ordem de S. M. hia para aquella Ilha para Parocho e Missionário, in» 
mesmo dia pelas 4 horas da tarde desembarcou e tanto que chegou á Praya foi 
acompanhado pelo povo em modo de procissão athé á Igreja, donde pregou na 
mesma tarde, assistindo-lhc grande multidão daquelle povo; porem recolheu- 
du-se depois ao Hospício, que tinha sido óos Padres Barbadlnhos italianos, ás S 
horas da noite repentinamente se ajuntou a maior parte do povo no terreiro v 
dentro do Hospício com grandes alaridos e gritarias, dizendo, que não obedeciã<i 
a Klrei de Portugal e que assim não aceitaváo o padre por seu Missionário por sei 
Portuguez, pois só querião por seu Parocho Missionário aos Padres Italianos 
Capuchinhos, pois eráo os senhores daquella terra e que o Padre portuguez se 
recolhesse logo a bordo. 

No dia successivo ás 5 horas da manhan tornou outra vez o povo ao ter- 
reiro do Hospício com grandes vozes e gritarias, fallando o Capitão mór poi 
parte de todos, que o Padre fosse para bordo, porque já na noite antecedente as- 
sim o tínhão determinado e dízendo-lheo mesmo Padre lhe dessem a cauza <^uc 
tinháo para o não quererem aceitar por seu Parocho e Missionário, responderão, 
que se aceitassem Padre portuguez, logo havia de ser aquella Ilha povoada tlc 
Portuguezes e que ticavão sendo capiivos d'Elrey de Portugal, pois assim IIiíí 
haviâo dito os seos Padres Italianos, e que o Senhor Rey D. Pedro os tinha 
feito libertos. 

As 8 horas da manhan foi o Padre levado pelo Capitão Mór e pelo Sa 
christão em huma canoa a bordo da embarcação e voltando depois á terra em 
companhia do Capitão, do Engenheiro e do Escrivão da Correição, para todos 
juntos verem se podião accommodar aquelle povo e reduzirem-no a que o rec<^- 
nhecessem por seu Parocho e Missionário e juntamente para se haver de tomai 
posse daquella ilha em nome de S. M. A nenhuma destas couzas conveyo aquelle. 
povo, que em altas vozes declarou, que estaváo pelo que tinha dito no dia 



164 

antecedente: á vista do que se rezolverão o mesnrío Padre, o Capitão, o Engenheiro 
e o Escrivão da Correição a fazerem o termo, que por copia remetto. e pou- 
cas horas depois se fizerão á vela para a Ilha do Principe, de donde me deu 
conta o capitão mór Vicente Gomes Ferreira da parte deste successo em carta 
de i3 de março, que por copia remetto, e querendo tomar delle mais individuaes 
noticias, não pude ter outras, senão as que consta da carta de 28 de março do 
Engenheiro José António Caldas, que rem-etto a copia, que toda se refere ao 
mesmo termo assima mencionado. Devo dizer a V. Ex." que supposto aquelles 
Povos regeitassem o Missionário por não quererem outros, senão Padres Barba- 
diiihos Italianos, comtudo naquclla Ilha são passados 3 annos, que não assiste 
Padre Barbadinho; e como aquelle clima se não faz o mais appetecivel, não 
persuade a razão a que elles sugerissem nos ânimos daquelles moradores a que 
não acceitassem outres Misiionarios, que não fossem da sua Religião, a qual foi 
mandada aqueila Ilha a substituir o pouco cuidado que tinhão os Padres Agos- 
tinhos Descalços em soccorrer espiritualmente aquelles povos, que lhe estaváo 
encarregados...» 

2460 

Extractos de uma carta do Capiíão mór da Ilha do Principe, Vicente Gomes 
Ferreira, para o Vice-Rei Conde dos Arcos, referentes aos aconte- 
cimentos relatados no documento anterior. 

Santo António da Ilha do Principe, 23 de março de lySy. 
íAnnexo ao 11. 24601 2461 

Carta do Engenheiro .Tose António Caldas para o Vice-Rei Conde dos Arcos, 
em que se refere aos acontecimentos da Ilhadoy^nno Bom. 
Principe, 28 de março de 1737. 
lAnnexo ao n. 2460). 2462 

«Termo de desobediência e rezistencia que fizerão o Capitão Mór João Dias 
Raposo, moradores e povo da Ilha do Anno Bom contra S. Mages- 
tade Fidelíssima e ao Reverendo Parocho Missionário da mesma Ilha 
Fr. Francisco Pinto da Fonseca, Freire Professo na Ordem de 
Christo.» 

Ilha do Anno Bom, 20 de fevereiro de 1757. 

(Annexo ao n. 2460). 2463 

Okficio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, sobre a cultura e preparação do tabaco no Brazil e as novas 
experiências que se iam fazer no Districto do Villa da Cachoeira 
para as aperfeiçoar. 

Bahia, 1 1 de maio de 1757. 

«Nas cartas que dessa Corte chegarão a esta Cidade no mez de Fevereiro 
vindas pela frota de Pernambuco, veceioxiu Joaquim Ignacio da Cru:^ a noticia de 
que lenibrava o projecto de hum novo modo de plantar e colher o tabaco: com- 
municando-me este negocio, de que eu já tinha alguma noticia adquirida por huma 
pouca de especulação, mostrei-lhe o methodo, que se observa em Virginia, 
Mariland e Olanda, a respeito da cultura e preparação dos tabacos e as advertên- 
cias que os P"rancezes desejavão ver praticadas pelos nossos lavradores, para que 
os tabacos do Brazil podessem servir ao seu uzo, o qual hoje se tem reduzido 
quasi universalmente ao tabaco rapé, que elles inventarão e tem communicado 
as mais nações. 

Com hum destes papeis mandou Joaquim Ignacio da Cru^ consultar no dis- 
tricto da Villa da Cachoeira a Manuel da Silva Pimentel e na minha prezença 
foi consultado também D/og^o Alvares Campos, ambos lavradores de tabaco e 
summamente práticos na sua cultura: nenhum delles duvidou que sem embargo 
do differente clima poderia o tabaco do Brazil ser igual ou ainda muito melhor 
do que he o das mais nações, porem toda a duvida consiste a respeito do preço 
porque este poderá vender-se, attendendo aos maiores gastos e aos muitos des- 
perdicios, que necessariamente Ra de haver com este novo methodo, porque 



166 

julf^Ao que ftó aproveitai í rimeira e •eaumliiii folhac, fic«n*i'> ««-'«io <le 

muito ptiuco (lu iiviihutn proveito piiru o liivraiTor lodii» u» mui» tjc 'i- 

ího, fu/ciulo-ite o luhiico ho iiiodo tio hni/il ; ma» como cm *c i.trrr -i . c- 

rieiícia hc iiAo pcriliu luiiia muít do que o trabuiltu, forii .% 

CHtcN hninciift Jc fazerem a» aiii<i»traii, i{ue (v)ttc»»cm, p.i 
n e.sMa Corte, haver Je »e ta/er nellii» al^um género de et 

piiileni ser por ugora tmin ode que ne iiec'e<i»ita, por lerem i> 

táii lura de tempo, que jii o» iavradnre» tiiih&o u» »ua» fahth ■■% 

de HC não poiter lahorar nella»; ma» como nu áv Manuel d^ Silva J'init:iHi'l, atiida 
oue muito ca/ualmcnte, poderão ('n/.cr-Ke 5 barrica», que ne»la mcikfiia Náu 
(ie licciwa ite remcttem ii Jasi' Francixa» àa <'.ru\: deliu» huma» »fio de folhai 
cmcamada» e apcrtadaH cm tal ou quul empreii»a c outra» tie manoca» ligadaa 
c apertada» em volume» ncpariído», paru quo vendo-ne o ektudo em que chegAo 
u eHHa (lôrte poder Haher-»e qualdcKte» dou» miKlo» »crii o iiuli» provcilo»o para ae 
continuarem Hemelhuntes reme»»aH. K«tundo e»te negocio no» termo», que deixo 
dito, chegou a Niíu de liceiKn do Contrato do tubaco, cm que veyri João l.opei 
Jio^ii, irmão do Coiitratailor iictual do tabaco, Duarte Lopes Hoja, por ellc fui 
entregue da curta <le V. l'.x.' de ;<o de janeiro de»te anno, em que me purticipa, 
que este homem pa»»avu ao Hra/il a a»Hociur-He com Joaquim Jguacio da (Iruf 
cm hum negocio, que podia ser muito útil uo Real serviço c muito vantajo»o a 
este Kstaiio no aumento du navegação c comercio do tabuco. 

Sabendo eu i|ue na Hua Companhia, tinha chegado André Moreno, que vem 
encarregado de plantar e colher tabacos para ver »e pode no Brazil p<'tr cm pra- 
tica este novo iiiothodo, procurei primeiro ouvillo discorrer sobre a matéria; 
mas como esta he iiuciramcnte alheyada minha proli«»ão, para me instruir tiella 
quanto bastasse, mandei vir a esta Cidade o Juiz de Fora da Villa da Cachf*eira 
e n Manuel da Silva Pimentel e ouvindo todos o que disse João Lopa Ro\a e 
vendo-se juntamente as instrucções que havia recebido ./oa^///m Ignacioda Cru\, 
foi também ouvido André Moreno, que concluhio dizendo que para as primeiras 
experiências necessitava de terra, em que podessc plantar athe 3oo arroba» de 
tabaco, o que logo se lhe franqueou, como também o haver de se lhe pôr prompto 
tudo o mais que diccssc lhe era nrecizo, para o que lhe passaria Joa^Mim Ignacio 
da Cru'{ todas as ordens, que Ine podesscm ser necccssarias e que tanto da mi- 
nha parte, como da do Juiz de Fora da Cachoeira se lhe faria promptamente 
todo o auxilio de que necessitasse. 

Rezolveo-sc rinalmente a que André Moreno passasse logo para a Villa da 
Cachoeira para ver c examinar as terras e escolhendo delias a que lhe parecesse 
mais a propósito para pelo seu mcthodo poder fazer as plantas e todos os mais 
beneticios de que necessitar o tabaco. Em carta de 2 de maio, escrita a Joaquim 
Ignacio da Ci-i/^, aviza André ^oreno que tinha visto e examinado vários sities 
de terra, que lhe parecerão muito bons para fazer o que pretendia, tanto pela 
qualidade da mesma terra como pela sua extensão e todas as mais circumstan- 
cias necessárias e ultimamente conclúe que tinha escolhido o terreno que possa 
produzir athé Soo arrobas de tabacos ou mais e que como a planta estava em bom 
estado, que dentro em i5 dias poderia ter dado principio a transplantalla...» 

2464 

Okkicio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real, em que o informa da despeza feita com a compra e custeamento 
da Corveta N. Senhora do Crato, S. Roque e Almas e lhe transmitte 
varias noticias que recebera do Engenheiro José António Caldas 
sobre as Ilhas de S. Thomé e do Principe, onde fora mandado 
n'uma com missão. 

Bahia, r? de maio de 1757. 

«...Nesta mesma embarcação passou de ordem de S. M. o Engenheiro José 
António Caldas, a ver e desenhar a Fortitícação que se deve fazer na Ilha do 
Principe; como esto moço tem bastante intelligencia e huma grande actividade, 
encarreguei-lhe que me mandasse huma distincta informação das couzas mais 
principaes que achasse no Governo daquellas Ilhas: com elFeito assim observou, 
porque em carta de i5 de outubro do anno passa-lo, que por copia remetto, faz 
expressa menção de quais sejão os interesses dos habitantes da ilha de S. Thomé 
o modo com que regulão o commercio assim com os naturaes, como com os 
extrangeiros e quais sejão os privilegiou e izenções, de que gozão... 



166 

Devo dizer a V. Ex.* que tenho por sem duvida, que o projecto, em que se 
tinha entrado de se mudar assim a Cathedral como a rezidencia do Governador 
da Ilha de S. Thomé para a Ilha do Principe não virá a conseguir-se sem huma 
grande repugnância dos moradores da Ilha de S. Thomé, que uniformemente 
seculares e ecclesiaticos, o impugnão como a S. M. será prezente pelos requeri- 
mentos dos mesmos moradores...» . 

2463 

Ckrtidáo da despeza que se fez com a compra e todo o mais custeamento 
da Corveta N. S. do Crato^ S. Roque e Almas, que se adquirira por 
conta da Real Fazenda, para o serviço das Ilhas de S. Thomé edo 
Principe. 

Bahia, i3 de maio de 1757. 

(Annexa ao n. 2465). 2466 

Carta do Engenheiro José António Caldas para o Vice-Rei Conde dos 
Arcos, em que lhe dá diversas informações sobre a Ilha de S. Thomé. 
Ilha de S. Thomé, 1 5 de outubro de 1756. 
(Annexa ao n. 2465). 

«... Cheguei a esta Ilha de S. Thomé com 44 dias de viagem a salvamento, 
com 33 avistamos a Ilha do Principe, porém sentarão os officiaes da Corveta e 
Ouvidor se seguisse derrota para S. Thomé ; eu senti esta rezolução pelo danno 
que me cauza a demora nesta terra na qual ha 22 dias espero embarcação para 
o Principe, que a não ha menos de novembro. Nestes dias procurei saber quaes 
herão os rendimentos da Real Fazenda .e sua despeza, negocio dos habitantes 
e o mais de que vou dar inteira copia. 

Da relação inclusa se vê o rendimento annual que tem S. M. nesta Ilha na 
qual não ha contiactadores e se cobra tudo por conta de Elrey ; também se vé 
a despeza que tem. Da segunda relação se vêm as munições e petrechos que ha 
nesta Cidade que não tem mais que huma Fortaleza. 

Os moradores não pagão direito algum das fazendas que lhe são necessá- 
rias para o seu gasto, de molhados também não pagão direito algum ou seja 
para gasto ou para negocio. Dízimos só dos mantimentos que vendem para 
tora ; não são prezos ou seja por crime ou por divida tem por homenagem a 
Cidade ; a pragmática que prohibe galoeiís, espadar., etc, ainda se não promul- 
gou nesta Ilha e menos a ley das armas curtas-; o seu negocio com os navios 
Portuguezes he a troco dos mantimentos a ouro em pó e com os Extrangeiros e 
também a fazendas, as quaes transportão para Benin, Calaba e outros portos 
da Guiné em 3 embarcações, que aqui ha actuaes; também contractão com 
saboens e azeite de palma que são os géneros da terra. 

Não remetto a V. Ex' o numero de fogos e almas com certeza, porque não 
achei na Camará Ecclesiastica livros por onde me guiasse, porque como os habi- 
tantes não pagão conhecenças não ha nisso muito cuidado e sem embargo de 
que me asseverão haver i5 mil almas para cima de communhão tico comtudo 
vendo o meyo por onde virei nesta averiguação com mais certeza. 

Também me certificão que S. M. tinha aqui bastantes cavallos dos que não 
existem mais que 5 ou 7 egoas no matto, os mais me dizem matarão os roceiros 
para obviarem o estrago que estes lhe faziâo nas suas lavouras e me asseverão 
serem mais de 3oo mortos. 

Tem esta ilha na sua circumferencia com pouca differença, 60 legoas pela 
marinha ; está a sua ponta do Sul 6 minutos ao Norte e o seu porto com 19 
minutos da parte de Leste em huma pequena planice ; as cazas dos habitantes 
são todas de páu e cobertas do mesmo, são muito poucas as de telha e muito 
menos de pedra e cal. Estou fazendo a planta da fortaleza para a remetter a 
V. Ex" na primeira occazião e também faço conta se tiver saúde de tirar a desta 
Cidade e o seu prospecto... 

2467 

«Relação dos petrechos de guerra e munições que se achão na Fortaleza 
de S. Sebastião desta Cidade e Ilha de S. Thomé em 12 de outubro 
de 1756.» 

[Annexo ao n. 246/). . 2468 



167 

«Rklaçáo de todu a dcspeza que annualmente faz a Fazenda Ueal com a 
folha secular, militar e ecclesiastíca n'eiia Ilha de S. Thomé c mais 
dcspc/as incertas com petrechos e munições de guerra e gastos 
miúdos e com a despcza que se faz na Ilha do Principe.» 

S. Thomé, 12 ae outubro de 1756. 

(Annexa ao n. u4tiy.) 

De»pe\a annual da folha iecular, 3.N53%'jfi6 réit ; da folha militar, 
i.t^y%'Uin réis; da folha eccieMiattica, .'i.7of(t04o ; total da deãpe^a, 
I n.i) < <i4<>f> réis. Rendimento das receitas^ 6.tif<'i%yf)6 réis. Deficit annual, 
4.::4(f$joo réis, 

Alffuns ordenados: Governador c (Capitão General, t.tjoo$ooa rs ; liispo, 
i..'ion$o<tn rs; Ouvidor geral, i .otiOSúOO rs ; sargento mor^ ioo$ooo n. ; 
cónegos, ho$noo rs. etc. 

3469 

Okkicio da Camará municipal da Ilha de S. Thomé para o Vice-Hei Conde 
dos Arcos, acerca do destino dos degradados, dos rendimentos da 
Fazenda Real, da commissão de serviço que alli estava desempe- 
nhando o Engenheiro J«sc António Caldas, etc. 

S. Thomé, 14 de outubro de 1757. 

Copia. [Anncxo ao n. •J4fi5.) 

/T' assignado petos vereadorci, Vicente Dias Monforte^ Manuel 
Dias Pires Bandeira., Francisco de Sou^a e Távora e José Soares de 
Alva e Nogueira. 2470 

Carta do Engenheiro José António Caldas para o Vice-Rei Conde dos 
Arcos, em que lhe dá diversas informações sobre a Ilha do Prin- 
cipe. 

Ilha do Principe, 28 de março de 1757. 
(Annexo ao n. •2465.) 

«... dou parte a V. Ex* de que Domingos Pires Ribeiro, nesta Ilha mora- 
dor, se offerece a fazer á sua custa huma das fortificações que hadc haver no 
logar chamado ponta do JUiéo Roque, com tanto que o faça S. M. Capitão do 
mesmo Forte com soldo competente, por sua vida. 

Do mais que posso noticiar desta Ilha dou a V. Ex* relação á parte; e 
q^uanto a Freguezias não ha aqui mais que huma invocada Nossa Senhora da 
Lonceiçáo com mais de it mil almas». 

2471 

« Relação de todas as peças de artilharia e munições de guerra, que se acháo 
na Fortaleza ca Ponta da Mina na Ilha do Principe, em 28 de 
março de 1757.» 

{Annexa ao n. i4/i.) 2472 

Relação da despeza que annualmente faz a Fazenda Real na Ilha do Prin- 
cipe e também de todas as despezas incertas. 
Ilha do Principe, 28 de março de 1757. 
{Annexa ao n. 24 ji.) 

Despeza annual da folha militar, q37S36o rs ; da folha secular, laoSooors; 
da folha ecclesiastíca, 88S640 rs; total aa despeza, 1.498S480 rs. 

2473 

Okkicio da Mesa da Inspecção da Bahia felicitando Thomé Joaquim da 
Costa Corte Real, por ter sido nomeado Ministro e Secretario d'Es- 
tado d«5 Negócios do Ultramar. 
Bahia, 16 de maio de 1757. 



168 

E' assignado por Wencesláo Pereira da Silva, Andrade Brito 
e Castro e Lourenço da Silva Ni\a. 2474 

Informação da Mesa da Inspecção dirigida a Elrei D. José, sobre a expor- 
tação do tabaco e o desenvolvimento que estava tomando a sua cul- 
tura. 

Bahia, 16 de maio de lySy. 

Tem annexo um documento. 2475 — 2476 

Ofkicio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real, acerca de um processo crime movido contra o.Piloto Manuel 
Nogueira e Silva. 

Bahia, 16 de maio de 1757. 2477 

«Traslado dos autos de injurias que propóz Francisco de Souza Rosa 
contra Manuel Nogueira e Silva.» 

(Annexo ao n. 24JJ.) 2478 

Officio do Provedor mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa, 

informando acerca da chegada da Náu Santo António e Justiça^ sob 

o commando do Capitão de Mar e guerra Isidoro de Moura, e das 

reparações que fora preciso fazer-lhe. 

Bahia, 17 de maio de 1757. 

Tem annexos 2 documentos. ' 2479 — 2481 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, em que lhe communica a partida para Lisboa da Náu 
do Contracto do Tabaco N. S. das Neves e SanfAnna^ e que n'eila 
embarcara o Capitão Tenente Francisco Xavier de Alencastre. 

Bahia, 17 de maio de 1757. /^ e 2" vias. 2482 — 2483 

«Mappa da carga que leva a Náo de licença N. S. das Neves e SanfAnna, 
que em 18 de maio de 1757 sae d'este' Porto da Bahia para o de 
Lisboa. Capitão Thomaz de Santiago.» 

[Annexo ao n. 2488 ) 2484 

Officio do Vice-Rei Conde, dos Arcos em que participa remetter para Lis- 
boa correspondência confidencial do Governador interino do Rio de 
Janeiro José António Freire de Andrade, sobr^ a entrega das Mis- 
sões. 

Bahia, 17 de maio de 1757. 

Tem annexos 2 documentos, i^ e 2^ vias. 2485 — 2489 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos, informando acerca do rendimento 

que produzira o imposto de i o|° do ouro e dinheiro embarcados na 

Náu N. S. das Neves e SanfAnna., do Capitão Thomaz de Santiago. 

Bahia, 17 de maio de 1757. 

Tem annexo um documento. 2490 — 2491 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, em que se refere á chegada da Náu da índia Santo An- 
tónio e Justiça^ aos passageiros que conduzia e entre elles aos Desem- 
bargadores João Alberto Castello Branco e Francisco Raymundo de 



169 



Moraes Pereiri e D. António Henrique (sob prisáo), á morte do Vice- 
Rei da índia Conde d'Alva, etc. 

Bailia, 17 de maio de 1757. 

Tem annexos 2 documentos. 



«... A carga que trouxe etia Náo he correspondente ao dt^plortiv^l ettado, 
em ijuc (icuvu (íAii quiiinin cila parlin, que nin poilía cspi > ' maia 

HciiKivcl, nctn niiiiii pcnctnintc do que o du iti«>ric do Vif Uva; 

[v)rquedctcrtninund<)-»c 11 ir atacar a Fortalexa de /*(i'i:^i 'r .ic 

içar morto do campo c com cllc alguti» cavalncíroit r ; <%, 

que o ucoti^puiiharúo n ctiu infclix cxpcdiçfto. cm que <% 

bagagcnH c artilharia, que kc havia conduzido... Com c»tc accidcntc u> 
poHftc do governo interino ilauucllc Ki^iado o ArccbUpo Primaz, o Choi 

3UC acabou Judo de Mesquita Mattos Teixeira e o Coronel Filippe de \ ana- 
ares Sottomayor...» 

2492—2494 

Carta particular do Vicc-Iíci Conde dos Arcos para Sebastião José de 
Carvalho e Mello, sobre diversos assumptos. 

Bahia, 18 de maio de 1757. 2495 

ProclraçÁo de António Mendes do Kej^ò, constituindo seus procurado- 
res os Drs. António Kibeiro de Migueis e Henrique de Lemos Lobo, 
Francisco Xavier Quaresma, Caetano de Mendonça e Vasconcellos 
e Francisco Rodrigues Cavalheiro. 

Bahia, 28 de maio de 1737. 2496 

Carta particu"ar de Plácido Fernandes Maciel para o Dr. Diogo Carneiro 
Henriques de Chaves. 

Bahia, 2 de agosto de 1757. 2497 

DkclaraçÁo do Padre Thomaz Dantas Barbosa, filho de Manuel Dantas 
Barbosa e Anna Ramos da Assumpção, affirmando ser falso que elle 
tivesse accusado Plácido Fernandes Maciel d'um facto criminoso. 
Bahia, 6 de agosto de 1737. 2498 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, acerca da suspensão do Desembargador da Relação João Eli- 
seu de Sousa e da prisão de Plácido Fernandes Maciel. 
Bahia, 10 de agosto de 1757 
Tem annexos 3 documentos. 2499 — 25o2 

Officio do Vice-Rei Conde dos Aríos para Sebastião José Carvalho e 
Mello, em que se refere á separação das Minas Novas do Fanado, do 
Governo da Bahia, e á sua annexação á Comarca do Serro do Frio e 
Governo das Minas Geraes. 

Bahia, 12 de agosto de 1737. 25o3 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real, em que informa acerca das despezas feitas na Bahia com as re- 
parações e custeamento de diversas Naus da índia. 

Bahia, 12 de agosto de 1737. 

Tem annexos 4 documentos. 2504 — 25o8 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real, sobre o destino que devia dar-se ao casco e materiaes da Náu 



170 

S. Francisco Xavier e Todo o Bem, que fora dada como incapaz para 
a navegação. 

Bahia, 14 de agosto de lySy. i'^ e 2^ vias. 2609 — 25 10 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos, participando que, em cumprimento 
das ordens recebidas, fora o Inspector António de Araújo dos Santos 
suspenso do serviço na Ribeira das Naus e intimado a embarcar para 
o Reino, 

Bahia, i5 de agosto de lySy. 

Tem annexos 2 documentos. 1^ e 2» vias. 25 1 1 — 25 1 3 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real, sobre a commissão de que fora encarregado o Capitão de mar e 
guerra António de Brito Freire junto da construcção da nova Náu 
N. S.^ da Caridade. 

Bahia, lódeagostode lySy. i^e2^vias. 25i6 — 2517 

Offjcio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real, em que se refere á ordem regia determinando que os Capitães 
de mar e guerra tivessem nos actos offiiciaeso mesmo logar dos Co- 
ronéis d'Infantaria. 

Bahia, 17 de agosto de 1757. 

Tem annexo um, documento, i^ e 2^ vias. 25 18—2521 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real, sobre a organisação das frotas. 

Bahia, 17 de agosto de 1757. i^ e 2^ vias. 2522 — 2523 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real, em que lhe participa o fallecimento de Wencesláo Pereira da 
Silva, Intendente Geral do Ouro e Presidente da Mesa da Inspecção 
da Bahia e ter nomeado o Desembargador Sebastião Francisco Ma- 
nuel para interinamente exercer aquelles logares. 

Bahia, 17 de agosto de 1757. /=» e 2^ vias. 2524 — 2525 

Requf,rimp:nto de Leandro Fernandes M'aciel, cúmplice no assassinato de 
António de Araújo Carneiro, na Villa de Urubu, pedindo que tosse 
perdoada a fiança, que por si prestara João Dias Guimarães. 

Bahia, 18 de Agosto de 1737. 2526 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real, sobre o tratamento que era costume dar-se a difterentes funccio- 
narios e em especial aos Capitães de mar e guerra na correspondên- 
cia official. 

Bahia, 19 de agosto de 1757. i^e 2^ vias. 2527 — 2528 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 

Mello, em que lhe dá parte da prisão de Plácido Fernandes Maciel, 

informando-o das dimculdades que o Juiz de Fora do Crime João 

Ferreira de Bettencourt e Sá, tivera para eíTectuar esta diligencia. 

Bahia, 19 de agosto de 1757. 

Tem annexo um documento, i^ e 2^ vias. 2629 — 2532 



171 

Okkicio do Vicc-Kci Comie doB Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Hcul, cm ciuc Hc rcicrc a uma nova vistoria feita á Náu .V. Francisco 
Xavier c Todo o liem, e ús dií^cuidadcs que o Provedor da Fazenda 

opputiha ú sua destruição. 

Hahia, 21 de a^(^s^o de 1757. 

Tem anncxos to documentos. 1* eu* vias. a533 — a554 

Okkicio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, em ciue participa u chegada da frota de 10 navios, comboiada 
pela Náu N. S. das lirotas, sob o commando do Capitão de mar e 
guerra Anioni(»de Hriío Freire, referindo-sc também ao fallecimcnto 
do Intendente do Ouro Wcnceslúo Pereira da Silva, ás providencias 
tomadas para o carregamento e partida da frota para Lisboa, e quei- 
xando-se du maneira incorrecta como se lhe dirigira a Mesa de In- 
specção. 

Bahia, 21 de agosto de 1757. 

Tem anncxos J documentos. /", 2*e 3* vias. 2555 — 2566 

Okficio do Commandante da Náu N. S. das Brotas., António de Brito 
Freire, em que dá diversas informações sobre a viagem dã frota e a 
sua chegada á Bahia, varias noticias sobre differentes navios, rcfe- 
rindo-se por tini ao próximo lançamento da nova Náu A^. S. da 
Caridade. 

Bahia, 22 de agosto de 1757. 2567 

Okkicio do Vicc-Rci Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, em que lhe participa o fallecimento do Intendente Geral do 
Ouro Wencesláo Pereira da Silva e a nomeação do Desembargador 
Sebastião Francisco Manuel para exercer interinamente aquelle logar. 

Bahia, 22 de agosto de 1757. 

Tem annexos 4 documentos. 2568—2572 

Okkicio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real, em que o informa de ter mandado dissolver a Mesa do 'Bem 
Commum ou do Commercio da Hahia, narrando a historia da sua 
creação. 

Bahia, 24 de agosto de 1757. 

Tem annexos 6 documentos e entre ellesa copia da Provisão de 
14 de junho de 1^26^ que areou a Mesa do Bem Commum da Bahia. 

«Em carta de 27 de maio deste arino me avisa V. Ex.* que S. M. era servido 
q^ue eu fizesse exhibir á Me^a chamada do Bem Commum ou do Commercio desta 
Cidade a licença regia, que teve ou não teve para se congregar e achando que tal 
diligencia não houve, e que o referido Congresso consistia em hum mero con- 
venticuio reprovado por direito, ordenasse aos seos congregados se abstivessem 
das sessões, que athé agora fazião, não só por serem pronibidas semelhantes 
Juntas, erectas sem preceder auihoridade regia, mas porque depois da erecção da 
Caza da Inspec'ção não podia servir a referida Junta, se não de fazer as confu- 
zões e desordens, que se virão nos annos próximos precedentes sobre o commer- 
cio e navegação deste Estado; e para que tudo seja dirigido com o maior acerto 
na referida Casa da Inspecçã»), sendo governada por mavor numero de votos, 
havia S. M. por bem criar nella mais 2 Deputados escolhidos dos que servissem 
ou tivessem servido na Me^a do Bem Commum, sendo hum delles homem de 
negocio e o outro lavrador de tabaco. 

Logo que fui entregue desta cana e certificado do que S. M. nella determi- 
nava ordenei á Me^a do Bem Commum remettesse á Secretaria deste Estado a 
licença, que obteve de S. M. para a sua primeira creação ou para poder con- 
tinuar nas sessões, que athé agora fazia. 



172 

Dos documentos que me remetteu, que sáo os que por copia vão a fls., se 
mostra que não houve ordem real alguma para este estabelecimento; mas atten- 
dendo o Conde de Sabugosa, Vice Rei que roi deste Estado, a contusão que havia 
nos requerimentos mercantis e as varias reprezentações, que os homens de ne- 
gocio desta Praça lhe faziáo por beneficio do Bem Commum, resolveo crear esta 
Meza para o regulamento mais útil do mesmo commercio: tomada esta deter- 
minação em 14 de junho de 172b, lhe mandou passar provizão para a sua erecção, 
na qual por convir a Praça se estipulou os redditos, que havia perceber para a sua 
subsistência, tirando-se porém esta do mesmo commercio, emquanto S. M. não 
mandava o contrario. Esta provizão teve toda a boa aceitação dos homens de 
negocio desta Praça, porque fazendo com ella varias supplicas a S. M. para que 
se servisse confirmaíla, nunca o poderão alcançar, porque também o nao tinhão 
conseguido as Me^^as do Bem Commum de Lisboa e Cidade do Porto, e deste 
principio proveio o ficar sem ser approvada por S. M. a creação desta Meza, 
mas com exercicio e tolerância athé o prezente. Sendo como foi esta a sua pri- 
mitiva creação e a continuação do seu instituto, sem que por huma ou outra cousa 
precedesse ordem ou licença de S. M., pareceo-me que na conformidade da carta 
de V. Ex.» assima mencionada estava nos termos de dever ser, como com efíeito 
foi logo abolida, para o que lhe passei a ordem, que por copia remetto, orde- 
nando aos congregados, que não devião continuar mais nas sessões que fazião, 
a ue todas serião nullas e de nenhum vigor, sem que precedesse primeiro ordem 
e S. M. que desse por derogada a que eu lhe passava...» 

2573 — 2579 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, em quecommunica o resultado da devassa a que se pro- 
cedera para descobrimento do autor da moeda faJsa de ouro, apre- 
sentada pelo Tenente de Infantaria António Gomes de Sá. 
Bahia, 24 de agosto de 1757. 
Tem annexos 2 documentos. 258 >-2582 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos, requisitando pólvora para as For- 
talezas e Navios de Guerra. 

Bahia^ 25 de agosto de 1757. 2583 

Officios (2) do Vice-Rei Conde dos Arcos, referindo-se o i» á remessa e 
entrega de correspondência e o 2° á ordem regia que determinava 
pertencer privativamente á Mesa de Inspecção a administração do 
commercio da Bahia que se fazia para a Costa d'Africa. 

Bahia, 25 de agosto de 1757. 2584-2585 

Officio do Vice-Rei Conde do Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, em que se refere á nomeação do Desembargador Thomaz 
Robi de Barros Barreio para ologar de Chanceller da Relação. 

Bahia, 25 de agosto de 1757. 2586 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, sobre o pagamento dos fardamentos militares. 

Bahia, 26 de agosto de 1757. 2587 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, em que dá informações sobre o dinheiro que fora forne- 
cido pela Provedoria da Fazenda ao Commissario da Fragata N. S. 
da Natividade^ José Rodrigues Bernardes. 

Bahia, 26 de agosto de 1757. 

Tem, annexos 3 documentos. 2588 — 2591 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, sobre a forma de pagamento dos fardamentos militares 



173 ♦ 

e o estabelecimento de uma Caixa Militar para n'clla se recolherem 
08 descontos dos soldos destinados aos fardamentos. 

Bahiu, 27 de agosto de 1757. 

Tem annexos b documentos. 

« Vence cada hum dos soldado* de Infantaria por me« 6 cruzados de sol» 

do, que tazcm a aonima de 3400, de que se lhe abate para o seu fardamento cm 
cadii hum incz ttjo reis, e no fim do anno importa este abatítnentu, que se 
lhe tem feito 13.440. 

Vcncu cada nuin dnn noldados de Artilharia em cada hum mcz 7 cruzados, 
que fuzem u sominu de 3800, de q^ue lhe abatem paru o seu fardamento em cada 
hum mez isoo e no fim Jo iiiino importa este abatimento 14.4110 

De 3 em 3 aniioH pertence a cada soldado de Infantaria ou Artilharia o rece- 
ber huma farda, que consta de cazaca, vestia e calcftu, 1 pares de meyas, hum 
chapeo, 6 varas de pano de linho puru 2 cumizas e i3 lottócs para feitio da 
mesmii farda, feita a conta á fazenda de que esta se compõe por aqueltes mes- 
mos preços, porque vem carregada dessa Corte, importa tudo com o feitio 
It. ("kjo reis 

Alem d'isio devo dizer a V. Ex.* a forma, com que se paaav&o antigamente 
uos soldudus estes mesmos descontos, que annuulmente se lhe fazem para os 
fardamentos vencidos no fim do segundo untio; era esta. Rcmatava-se o contra- 
to dos Dízimos com a condição de que o contratador seria obrigado a dar fardas 
aos soldados, vinhão as fazendas, rccolhiáo-se em huma casa destinada para 
isso e na prezença do Provedor Mór e Procurador da Coroa se avaliaváo por 
homens de negocio desta I^raça, como se fossem compradas a dinheiro de con- 
tado, e por esse mesmo preço se carregava no assento de cada soldado a que 

escolhia M 

2592 — 2598 

Okficio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 

Corte Real, em que informa não ter obtido qualquer noticia do 

Padre hespanhol Fr. José Camello, apesar de todas as diligencias 

empregadas pelo Alferes dMnfaniaria, Francisco da Cunha Araújo. 

Bahia, 27 de agosto de 1737. 

Tem annexo um documento. 2599 — 2600 

Ofkicio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, informando-o das providencias que tomara sobre os ser- 
viços dos Fieis dos Registos do ouro e Intendentes das casas de fun- 
dição acerca do ouro procedente das Minas Geraes. 

Bahia, 27 de agosto de 1757. 

Tem annexos 3 documentos. 2601 — 2604 

Ofkicio do Arcebispo da Bahia para Thomé Joaquim da Costa Corte Real, 
em que se reíere ao breve pontifício do Papa Benedicio XIV, elevan- 
do S. Francisco de Borja da Companhia de Jesus á Dignidade de 
Protector e principal Patrono contra os terremotos nos Reinos e 
Domínios de Portugal. 

Bahia, 28 de agosto de 1757. 2605 

Carta pastoral do Arcebispo da Bahia, D. José Botelho de Mattos, annun- 
ciando aos seus diocesanos a graça pontifícia a que se refere o do- 
cumento antecedente. 

Bahia, 2 de agosto de 1757. 

[Annexo ao n.^ 2 60 3). 2606 

Ofkicio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, acerca da licença que concedera a António de Novaes e 



174 

Sousa para carregar tabaco para as Ilhas do Príncipe, com a condi- 
ção de alli conduzir de graça o respectivo Prelado. 

Bahia, 28 de agosto de lySy. /"> e 2° vias. 2607 — 2608 

Okkicio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, sobre a substituição do Patrão Mor da Ribeira. 

Bahia, 28 de agosto de 1737. 2609 

Okficio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, acerca da jurisdicção da Mesa da Inspecção sobre os 
navios que faziam o commercio para a Costa da Mina e do recurso 
das suas resoluções. 

Bahia, 28 de agosto de 1757. 

Tem annexo um documento. 2610 — 261 1 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, em que participa a chegada á Bahia dos bacharéis João 
Pedro Henriques da Silva e Francisco de Figueiredo Vaz, ambos 
nomeados Desembargadores da Relação e inforniando que havendo 
apenas a vaga do Desembargador suspenso João Eliseu de Sousa, 
n'ella entrara o primeiro, por assim o resolveremos Ministros da 
Relação, apesar do protesto de Francisco de Figueiredo Vaz. 

Bahia, 28 de agt>sto de 1757. 

Tem annexos 3 documejitos. 2612 — 261 5 

Carta do Governador das Ilhas de S. Thomé e Príncipe, Luiz Henriques 
da Motta e Mello, para Thomé Joaquim da Costa Corte Real, em 
que participa a sua chegada á Bahia e estar preparando as suas cou- 
sas para partir para o seu governo. 

Bahia, 29 de agosto de 1757. 2016 

Okficio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real, sobre o corte de madeiras e o seu transporte para o Reino. 
Bahia, 3o de agosto de 1757. 
Tem, annexos 7 documentos. 26 1 7 — 2624 

AvTKSTADos (2) de Fr. Benedicto de Santo António, Monge da Ordem de 
S. Bento, certificando a confiança e bom conceito que lhe merecia 
Plácido Fernandes Maciel. ^ 

Bahia, 3o de agosto de 1737. 2625 — 2Ó26 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real, informando acerca de um requerimento de Manuel de Almeida 
Salgado, Meirinho da Casa de fundição das Minas novas do Aras- 
suahy, pedindo o pagamento de ordenado. 

Bahia, 3i lie agosto de 1757. , 2627 

Carta do Arcebispo da Bahia para Thomé Joaquim da Costa Còrie Real, 
em que se refere a 4 breves pontiricios, apresentados pelo Padre João 
Honorato, Provincial da Companhia de Jesus; o 1° auctorisando 
maior numero de freiras no Convento Ursulino do Coração de Jesus 
e N. Senhora da Soledade; o 2° permittindo que as Religiosas rece- 
bessem legados; o 3" concedendo licença aos Missionários para chris- 
mar nos sertões, e o 4° determinando que os Seminaristas durante 



176 

a sua estada no Seminário estivessem isentos da jurísdícçáo paro- 
chial. 

Bahiu, 1 3 de setembro de 1757. 

l'cm txnnexos os u primeiros breves, em perffaminho. 

3638—2630 

Okkicio do Vicc-Hei Conde dos Arcos paraThomc Joui|iiitn du Costa (!6rtc 
Kcul, acerca da jurisdicçáo privativa da Mesu da Inspecção sobre us 
navios do Commcrcío da Costa da Mina. 
Hahia, 3 de setembro ae 1757. 
Tem annexosS documentos. 3tí3i— 3639 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Tiiomé Joaquini da Costa Corte 
Real, sobre a explorat;ão do salitre na Serra dos Montes Altos. 

Bahia, 4 de setembro de 1757 

Tem annexa a copia cie uma carta do Desembargador João Pedro 
Henriques da Silva, sobre o assumpto. 

«Etu ciirta de 27 de inaio deste prezcnte anno, me aviza V. Ex.*que o salitre 
da Sena dos Montes Altos, ác que no anno passadu mandei as amostras, se 
achou neste Rcyno ser não só boin, mas tão excellente, que a pólvora, que com 
clle se tez provou muito melhor do que a outra, que foi composta de salitre da 
Aziu e que verdadeiramente se faz ho)C este negocio hum dos mais importantes 
objectos dos interesses desse Reyno c da infatigável providencia de â. M., do 
que resulta o fazer-se indispensavelmentc necessário, que antes de tudo cu no- 
meye hum Ministro desta Relação c hum Otficial militar deste Estado, que achar 
maisdipnos da minha confiança para irem incorporar-se com Pedro Leolino a 
examinarem com elle, se com effeito ha do referido material huma tão grande 
abundância, que valha a despeza, que se fizer para o conduzir, encarregando a 
estes emissários todas as mais diligencias e exactas ayerigoaçõcs, que me insi- 
nuào na referida carta. Em execução do que nella se me c^etermina nomeei ao 
Dezembargador João Pedro Henriques da Silva, porque entre todos os desta 
Relação, julguei que era o mais practico dos Sertões cfesta America pelos haver 
frequentado em todo o tempo que sérvio de Ouvidor na Comarca de Piauhi, 
donde havia de adquirir as instrucções necessárias para tractar com Sertanistas 
e poder na mesma rudeza e confuzáo com que fallão tirar todas aquellas noti- 
cias, que possáo ser proveitozas para o bom êxito da diligencia de que o tenho 
encarregado. 

Para acompanhar a mesma diligencia, tenho nomeado ao Alferes d'lnfan- 
laria Francisco da Cunha, que he igualmente practico nesses sertões oelos 
haver circulado bastantes vezes e juntamente nomeey ao Sargento mór Enge- 
nheiro Manuel Cardoso Saldanha, de quem confio, que fará as mais exactas 
averigoações, que couber no possível, assim a respeito da pozição das terras, 
como da demarcação do cammho, que for mais direito, breve e praticável e 
haver de formar hum calculo sem grande excesso ou diminuição a despeza, 
que se fará em abrillo. 

Depois de feitas todas estas nomeações, pela carta que por copia remeito, 
me participou o Desembargador João Pedro Henriques da Silva, que pela expe- 
riência que tinha dos Sertões e pela informação que tinha tirado de pessoas 
experientes e que morâo nas circumvisinhanças das Seri-as dos Montes Altos, 
que o tempo mais hábil e idóneo para fazer a jornada e se executar a diligencia 
a que ella se dirigia com o mayor acerto e commodidade, era o de verão, que 
naquelles Districtos principiava em mayo, porque no tempo do inverno, que he 
agora, principião as agoas, em que alem das doenças que com ellas sobrevem, 
costumão haver enchentes nos rios, que impedem as jornadas e a continuação 
das agoas poderá servir de obstáculo para o descobrimento dos caminhos que 
forem mais commodos para o transporte do salitre, circunstancias todas estas, 

aue o precizavão a não poder sahir desta Cidade antes dos últimos dias do mez 
e abril do anno futuro, reprezentando-me mais, como consta da mesma carta, 
as despezas que vinháo inherentes á mesma jornada, ás quaes eu devia acodir 
com a providencia necessária. 

As razões deste Ministro pelo que pertence ao tempo em que determina 
fazer esta jornada, me parecerão attendiveis, porque supposto elle a podia fazer 



176 

na estação prezente athé á Serra dos Montes Altos sem risco considerável, com- 
tudo para entrar a tazer os exames na mesma Serra e as mais averiguações que 
serão precizas fazerem-se no Rio de S. Francisco e suas vizinhanças, o tempo 
em que elle costuma ir cheyo, he impróprio para semelhantes averiguações, 
termos em que me pareceo que em condescender com o que nesta parte me 
reprezentou, não vmha a demorar consideravelmente esta diligencia ; e como a 
ella deve assistir pessoalmente Pedro Leolino (Mari^) e a sua edade he tão avan- 
çada, que não permitte que emquanto continua o inverno possa andar vagando 
pelos sertões; reflectindo em todas estas circunstancias sugeitei o meu entendi- 
mento á sua determinação, rezervando-me para no mez de abril lhe dar as in- 
struções necessárias... e como Pedro Leolino vive nas Minas do Arassuahi, que 
ficão em grande distancia das Serra^ dos Montes Altos, logo o avizo para que 
nos últimos dias do mez de maio venha a encontrar-se como o mesmo Ministro 
na própria Serra dos Montes Altos...» 

2640 — 2641 

Offícios (2) do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, o 1° sobre a partida da frota e o 2° sobre a remessa de 
madeiras para Lisboa. 

Bahia, 5 de setembro de 1757. 

2° officio tem annexos 2 documentos. 2642 — 2643 

Officio do Arcebispo da Bahia para Thomé Joaquim da Costa Corte Real, 
queixando-se do extraordinário números de individuos que preten- 
diam ordenar-se e do incommodo que lhe causava a quantidade de 
pedidos e cartas de empenho que lhe dirigiam por este motivo. 

Bahia, 5 de setembro de 1757. 2646 

Requerimento de Plácido Fernandes Maciel, pedindo certidão de folha 
corrida. 

Bahia, 6 de setembro de 1757. . 2647 

Okficio do Arcebispo da Bahia expondo umas duvidas que se suscitavam 
no Convento Ursulino daquella cidade sobre as rezas do coro. 
Bahia, 9 de setembro de 1757. 
Tem annexos 2 documentos. 2648 — 265o 

Officio do Provedor mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa, 
em que participa a remessa de madeiras para a Quinta Real, em 
Alcântara. 

Bahia, 9 de setembro de 1737. 

Tem annexos 2 documentos. 265 1 — 2653 

Officio da Mesa da Inspecção da Bahia para Thomé Joaquim da Costa 
Córie Real, sobre o carregamento e partida dos navios da frota. 
Bahia, 9 de setembro de 1757. 

E' assignado por Sebastião Francisco Manuel, Amaro de Sousa 
Coutinho, Lourenço da Silva Niza e Fructuoso Vicente Vianna. 

2654 — 2657 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Còrie Real, em que consulta se a jurisdicção privativa concedida 
á Mesa da Inspecção sobre os navios que faziam o commercio para 
os portos d'Africa, se extendia também aos navios que se dirigiam 
para os portos da America. 

Bahia, 10 de setembro de 1757. 2658 



177 

Okkicio do Provedor mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpi, 
accusaiido a recepção de muicriacs destinados á construcçáo da Náu 
N. S. da Caridade. 

Bahia, lo de setembro de 1757. 

Tem annexo um documento, lôSg — 2660 

Okkicio do Governador dos Ilhas de S. Thomé e Príncipe Luiz Henriques 
da Mutia e Mello pura '1'homé Joaquim da Costa Córie Heal, em 
que SC rclere à posse que se pretendia tomar da Ilha do Anno Bom, 
por causa do desleixo e abandono dos Donatários. 

Bahia, iode setembro de 1737. 2661 

Okkicio do Kngcnheiro José António Caldas para o Governador da Ilha do 
l'rincipe Luiz Henriques da Motta e Mello, em que lhe dá infor- 
niaijóes sobre a Ilha do Anno Bom e a rebeldia do seu povo, 
Bahia, õ de setembro de lySj. 
(Annexo ao n. 206 1.) (V. n°* 2460 a 2463.) 

«V. Ex.* me ordena que segundo as Instruçoens participadas por carta de 
Sccreiurio de Estado na qual ordena 5. M. que por lhe ser premente o dezamparo 
a que se uchúru reduzida a Ilha do Anno Bom, pelo descuido dos Donatários se 
sérvio incorporai-a na ('or<'>a, e como por esta providencia ficou annexa ao Go- 
verno a Ilha do Príncipe devia V. Ex.' cuidar em pAr nella huma pessoa habil 
com o cargo de Capitão Múr para a governar e reduzir os seos moradores á devida 
sogeiçáo e obediência a S. M. pelos meyos mais suaves. Porem primeiro que tudo 
devia V. Ex. informar-se das uispoziçoens dos ânimos dos referidos moradores e 
dos tractainentns com que receberão ao Missionário que o mesmo Senhor lhe 
mandou econstando-lheque estão totalmente alienados e obstinados na rebeldia, 
daria V. Ex.* conta a S M. da qualidade e numero dos rebeldes, da rezistencia que 
poderão fazer e das forças que parecer serão necessárias para os sugeitar, a hm 
de que o mesmo Senhor sobre este claro conhecimento possa tomar a compe- 
tente rezolução e como V. Ex.* tinha noticia que eu f<')ra áquellas Ilhas com o 
emprego de Engenheiro e também lhe constava tinha ido á ilha do Anno Bom, 
como Juiz Commissario a tomar posse delia por ordem de S. M. e com commissáo 
vocal do Ouvidor delias, por se achar impedido de moléstias, quizesse daV o meu 
parecer nesta parte segundo a ordem de S. M. 

Obedecendo ao referido se me oferece dizer a V. Ex.' que já dei conta ao 
111."* e Ex."* Vice Rei deste Estado do procedimento com que se ouveráo os habi- 
tantes de .i4mmo Bom, como se vê das copias do termo e attestaçáo juntas e sem 
embargo de eu lhe afear o seu crime e desobediência a nada se moviam e por 
não haver ordem de os violentar, pacatamente nos retiramos dando á vela 
para a ilha do Príncipe. Isto mesmo me constou iá executarão em outra occaziáo 
que lhe mandava S. M. Missionário e Capitão Mór portuguez para os domar e 
reconhecerem a escravidão que a S. M. devem. Ex vi destes procedimentos julgo 
q^ue só á força de armas se poderão sugeitar e aceitar Parocho portuguez e 
Capitão mór, pois ha mais de 3 annos não tem aquclle povo pastor e vivem como 
hereges. 

Está a Ilha de Anno Bom em hum grau e 40 minutos ao sul; do seu pro- 
specto que junto ofereço verá V, Ex.* pela sua explicação a qualidade do seu porto 
e mais circunstancias na qual habitão, segundo a informação que me deráo, 
3 até4mil pessoas de ambos os sexos: toda é inaccessivel pela marinha e só se 
pôde dar fundo e fazer dezembarque em 3oo braças de marinha que mostra o 
prospecto A B, em cujo porto está a povoação. Não pude averigoar o numero dos 
rebeldes, porem os que falarão em minha prezença por parte do Povo, o mais 
empenhado era hum preto ancião o qual não tinha exercício algum, o Capitão 
mór João Dias Raposo, o Sachristáo da Igreja N. Senhora da Conceição, 
o Piloto e hum que o denominavão Escrivão; e me constou que o segundo Capi- 
tão mór e hum apotentado António Teixeira o cirurgião junto com a gente do 
niatto forão os princípaes motores da rebeldia, osquaès nunca aparecerão. Todos 
os que tenho nomeado são pretos e não ha na dita Ilha hum só branco ou pardo. 

Para se fazer huma escalada nella se carece de huma Náu mediana de 20 
a 3o pessas de artilharia, i3o soldados de Infantaria ou 3 companhias com os seos 
ofliciaes, 10 soldados artilheiros e hum condestavel ; 16 quintaes de pólvora e 
outros tantos de bala miúda de chumbo, j5o ou 3oo bailas de artilharia, 200 

i. a3 



I 178 

granadas reaes e hum morteirete para as lançar e a palamenta necessária para la- 
borar a artilharia e morteiro; a goarniçâo da Náu toda de gente branca e nada de 
pretos, cuja expedição me parece se lará melhor desta Cidade ou da Corte, do 
que de S. Thomé ou Ilha do Principe, porquanto os seos naturaes são muito fra- 
cos, de pouco segredo e confidencia e não ha nellas pessoas capazes para o 
exposto. 

Se se entrar com manha no porto levando hum Missionário Capuchinho 
facilitará melhor o dezembarque, em ordem a romar hum paço no monte D. que 
mostra o prospecto do qual vantajozamente se podem defender os habitantes, é 
tomados os dous passos que ha pela marinha, com os soldados que forem sufi- 
cientes e tirados /^o homens de rezerva entrará o resto da goarniçâo a queimar e 
cortar alguns habitantes e se não puder conseguir com manha tal paço se entrará 
com força descoberta. 

Pella terra dentro ha muitos cazaes ecommummente vivem todos de pescar 
e assim expedidas 2 lanxas preparadas com mosquetaria huma para Oeste e 
outra para Leste da dita Ilha a impedir sayão as Canoas a pescar e não consen- 
tindo também o facão pela marinha e ao mesmo tempo deitar huma sortida por 
terra a queimar as lavouras, julgo que em vendo neste vexame sem demora se 
renderão á devida obediência e sugeição; e para que esta se conserve e fiquem 
sempre sugeitos será necessário construhir alguma obra de terra e faxina que o 
terreno der logar e formais conveniente para defender a marinha e flanquear a 
povoação para que cazo se queirão segunda vez rebelar, sejáo fostigados...» 

2662 

«Elevação e faxada que mostra em prospecto a Ilha do Arino Bom. Pelo 
Engenheiro José António Caldas.» 

o,'n295 X o,™i70. Colorida. [Annexo ao n.° 2662). Encontra-se 
na Colleccáo especial de mappas e plantas^ sob o n.° 226. Emm. 

2663 

Termo de desobediência e resistência que íizeráo o Capitão mór João Dias 
Raposo, moradores e povo da Ilha do Atino Bom contra S. M. Fide- 
lissima e ao Reverendo Missionário Fr. Francisco Pinto da Fonseca. 

Ilha do Anno Bom, 20 de fevereiro de lySy. 
, Copia. [Annexo ao n.° 2662). 2664 

AttestaçÁo do Missionário Fr. Francisco Pinto da Fonseca acerca dos 
factos occorridos na Ilha do Anno Bom e a que se referem os do- 
cumentos antecedentes. 

Bahia, 1 1 de maio de lySj. 

Copia. [Annexo ao n.° 2662). 2665 

«Lista das informações e discripções" das diversas freguezias do Arcebis- 
pado da Bahia, enviadas pela Frota de lySy, em cumprimento das 
Ordens regias expedidas pela Secretaria d'Estado do Ultramar, no 
anno de 1755.» 

Relação das Freguesias 

«Cidade : t — Sé, Salvador de Todos os Santos ; 2 — Nossa Senhora da Con- 
ceição da Praya ; 3 — Santíssimo Sacramento' do Pillar da Prava ; 4 — Santo An- 
tónio além do Carmo ; 5 — Santíssimo Sacramento da Rua do Passo ; 6 — Santís- 
simo Sacramento e Sant'Anna ; 7 — S. Pedro Velho ; 8 — Nossa Senhora dis 
Brotas ; 9 — Nossa Senhora da Victoria. Destas nove freguezias se compõem a 
Cidade e seus Subúrbios. 

Ramo das Villas do Sul : 10 — Invenção da Santa Cruz da Villa dos llhéos ; 
II — S. Boaventura de Poxim ; 12 — S. Miguel da Villa de S. José da Barra do Rio 
das Contas; i3 — Nossa Senhora da Assumpção da Villa do Camamú ; 14 — 
S. Sebastião do Marahú; i5 — Santo António de Jequiricá ; 16 — Nossa Senhora do 
Rosário da Villa do Cairú ; 17 — Espirito Santo da Villa de Santo António de 



170 



Boipcbti ; |H— NoHiitt Senhora du AjuJn da Villn de iagunrippe 
iiliiini da Nn/urctli ; 30— Satitu Vera Ou/ da Ilha ilc liaparicii ; 
de DcoN lie firajucá ; 33 Saiilo Amaro da Ilha de It.ip.iru:! 
freguexiuH kho lodan u% c|uc He coiiiéin no ramo dai» Vii 
Kcconcavu da ('.idade: 7'^ -~Ni>*»u Senhftru iitt Pu 
Aniart; 34 ~S. l^cdro »lc Tararinpc e Ki<» Funtio; 3.S- S«-^- 1 
doH (^aiiipínhoii; jli -NoMa Sennora do Monic; 37 -No»i».i s> nh 
jH— S. (ioiiçalo da \'illa ile S. l-'rancii»co: 3</ -S. Scb«»iiini ' 
l'iiHsé; jki— S. Pedro do Monte; 3i— Sunio KktcvAo do Jaciiipe ; 



10 

i3 



meu da Villa de Mara^ouí|>(>e; 33 — Nomhm Senhora da Kiicarnaç.K 
-Noima Senliora do O Je ' 



Villa de Santo 
nr;i ,i.T Oliveira 
I I' -^-ccorro; 
' -ii '-i '-ira» do 
-^ fviriholn» 
Ir \'.i%%é; 34 
Parippe; 3Í>— S. Miguel de (^«tigippe ; »<»-:>. liartho- 
lonieo de 1'irajii; ^7 -NoHHa Senrxira do Deittcrro do Outeiro Uetlondo. 

liamo du sertão de Jiaixo: .4K— Nomhu Senhora du Victoria da Cidade de 
Sergipe d'Klrey; ;><> -Santo António de Villa Nova Keal dr| Kio de S. l-'ranci<K;o; 

fo -Santo António do (Iruhú de Baixo Rio de S. Kranciíio: 41 — Noitita Senhora da 
'leiladeda Villa do Lagarto; 43— NoiiHa Senhora de Na/.aretn \la Villa do liapicurií 
de (lima; 4<— JeHUs Maria Johó c S. Oonçalo do l»é ilo Mnnco; 44 — No»t»a Senhora 
do Soccorro du (iotinguiha ; 4f> — l)iviní> Kspirito Santo do Coração de Jei^undo 
Inhambupe de Cima; 4G— Santo António e Almas da Villa de llabayanna; 
47— Nossa Senhora do (^ampo do Certão do Rio Real de Cima; 48— S. Joáo Ba- 
ptista do Jeromoabo; 41)— Sunt'AnMa e Santo António do Tocano. (As duas ultimas 
8A0 do scrlAo de cima).» 

2666 

Di:scRiP(,:Áo da Freguczia da Sé da Cidade da Bahia, feita pelo Cura da 
mesma Caihedral, Gonçalo de Sousa Falcão. 

1757. [Annexaaon. 2666). 



«A treçuezia da Sé, que V. Ex.* me manda relatar conforme a ordem de S. M. 
he do modo seguinte. Comprehende o Corpo interior da Cidade; e correndo do 
Sul para o Norte, principia nas Portas de S. Bento onde está o Castello do corpo 
da guarda, e vai continuando, como em circulo, pela parte de terra até chegar 
as Porias do Carmo, onde está o outro Castello do Corpo da guarda, do qual 
torna pela parte do mar a ir buscar e das Portas de S. Bento, onde principia. 
Neste logar parte com a Freguezia de S. Pedro velho extramuros, e continuando 
pela mesma parte de terra, que hé a direita, torna a partir com a mesma Fregue- 
sia no fim da Ladeyra das Hortas. Continuando pela mesma parte de terra 
farte depões com a Freguesia de S. Anna do Sacramento no fim da Ladeira do 
ravatá, servindo de divisão hu regato de agoa. que vem das Hortas de S. Bento ; 
e com a mesma Freguesia torna a partir segunda e terceira vez, no fim da rua 
chamada de S. Miguel, e no fim da ladeira que desce pelo canto do Seminário, 
a buscar o Bayrro de N. Senhora da Saúde, servindo em ambos os lugares de 
divisão o mesmo regato de agoa acima ditto, que vem das Hortas de S. Bento. 
Continuando pela mesma parte de terra, chega ao Castello do corpo da guarda 
das Portas do Carmo onde parte com a Freguesia do Santíssimo Sacramento 
da Rua do Paço, servindo de divisão o mesmo Castello. Continuando deste pela 
parte do mar a ir buscar o das Portas de S. Bento, de onde se começou a relatar 
a Freguesia, parte com a de N. Senhora da Conceição da Praya somente; na 
Ladeira chamada da Misericórdia, servindo de divisão as casas do Cónego 
Bernardo Germano de .\lmeida, e as que estão ao pé do muro grande, que sobe 
acima a fazer adro na frente da Se, e na ladeira chamada da Conceição, servindo 
de divisão as casas das janellas de ferro, e as que lhe estão contíguas. Tem esta 
Freguesia de presente ao todo oito mil quatro centas, e quarenta, e duas Almas, 
sendo de comunhão oito mil cento e noventa. Tem mil quatro centos e trinta e 
seis fogos. Tem dentro em si a Sé Cathedral, a Igreja aa .Misericórdia, a de S. 
Pedro Novo dos Clérigos, a dos Reli^osos da Companhia de Jesus, a dos Reli- 
giosos de S. Francisco, a Capella dos Terceiros da mesma Ordem, a dè S. Miguel, 
e a de Nossa Senhora da Ajuda, e a dos Terceiros de S. Domingos.» 

2667 

NoTici.\ sobre a Freguezia de Nossa Senhora da Conceição da Praia da 
Cidade da Bahia, pelo Vigário Wencesláo Pinto de Magalhães Fron- 
teira. 

1757. [Annexa aon. 2666}. 



ISO 

«Esta freguezia de Nossa Senhora da Conceição da Praya desta Cidade está 
povoada na marinha do norte ao sul tem de longitude hum quinto de legoa, e 
principia pela mesma parte do norte no Cays chamado do Sodré, aonde finda a 
Freguezia do Sacramento do Pillar, para a cjual se tirou parte desta Freguezia 
da Praya ; e pela parte do sul chega em thé á ladeyra de Santa Thereza aonde 
principia a Freguezia de S. Pedro. Compoemse de hua rua direyta, que lança 
alguns beccos, com pouca distancia para a parte de terra, por estar esta Matris 
contigua a hua rocha, e outras para o mar. 

Não tem rios alguns, tem duas Capellas, hua do Corpo Santo, que fica no 
meio da Freguezia, e a poucos passos outra de Santa Barbara; na do Corpo 
Santo, se acha por ora a Matris, por se ter derrubado a própria, que se anda fazendo 
de novo. Tem 4 mil almas de communhão.» 

2668 

DescripçÃo da Freguezia do Santissimo Sacramento do Pillar da Cidade da 
Bahia, feita pelo Padre Coadjutor Nicacio Franco Campos. 
(1757). (Annexaao n. 2666). 

«A Freguezia do Santissimo Sacramento do Filiar está cituada na Praya desta 
cidade da Bahia e principia no cães chamado do Sodré, em cujo logar se divide 
com a Freguezia de Nossa Senhora da Conceição da Praya e vem se dividindo na 
ladeira chamada da Fonte dos Padres com a Freguezia do Santissimo Sacra- 
mento da rua do Passo, e d'ahi vem sempre correndo por rua direita athé onde 
chamam o Forte de S. F'rancisco para a parte do Caminho novo com a mesma 
Freguezia do Sacramento da rua do Passo, e vem correndo sempre por rua direi- 
ta pela Praya até chegar ao Guindaste dos Religiosos de Nossa Senhora do Carmo 
e d'ahi se vai dividindo pela Praya, e rua direita com Freguezia de Santo Antó- 
nio alem do Carmo até á Igreja de Nossa Senhora de Monte Serrate dos Religio- 
sos de S. Bento pela Praya do Mar thé a dita Igreja. Não tem esta Freguezia 
mais do que uma Capella filial da invocação Nossa Senhora do Rosário, e a San- 
tíssima Trindade, cuja distancia da Matriz a ella, não é muita, ficando-lhe a 
frente da parte do Mar onde está o quartel dos Soldados da Guarnição das Frotas 
que vem a esta terra, e nesta freguezia fazem a sua desobriga quaresmal, e não 
tem rio algum navegável, porque toda a Freguezia está situada na Praya, e corre 
sempre por huma rua direita, e cazas de meias ladeyras, e da Matriz a Igreja de 
Nossa Senhora do Monte Serrate, não é bem uma legoa. Consta esta Freguesia 
de Almas de confissão e Communhão três mil e duzentas, de fogos quatrocei^as, 
e cincoenta, os que se confessarão, e não Commungarão cento e cincoenta.» 

2669 

<»NoTiciA sobre a PVeguesia de Santo António alem do Carmo da Cidade da 
Bahia, pelo respectivo Vigário Balthazar Rodrigues dos Reis.» 
[ijS-j) (Annexa ao n. 2666.) 

«A Freguezia de Santo António alem do Carmo, está cituada nos subúr- 
bios da cidade da Bahia, e principia do Guindaste do Convento dos Religiosos 
de Nossa Senhora do Monte do Carmo, e parte nesse logar com a Freguezia do 
Santissimo Sacramento da rua do Passo, e dahi se comessa ahi dividindo com 
a Freguezia do Santissimo Sacramento do Pillar nos fins das Ladeiras que vão 
para ella, e dahi se vai dividindo sempre com a dita Freguezia thé á Igreja de 
Monsarrate dos Religiosos de S. Bento, cuja distancia è pouco mais de um 
quarto de legoa da Matriz lá, e da dita Igreja para diante vai sercando o mar 
salgado o lugar de Itapagipe de baixo, cuja povoação é de Pescadores e no dito 
sitio e povoação ha três Capellas filiaes, a primeira da Invocação de Nossa 
Senhora dos Mares, que da Matriz a ella não chega nem a meio quarto de legoa, 
a segunda é da Invocação do Senhor Jesus do Bomfim, a distancia que vai da 
Matriz a ella será quasi dous quartos de lesjoa, a terceira é da Invocação de 
Nossa Senhora da Penha.de França, e do Senhor da Pedra, a distancia da 
Matriz lá não chega bem a uma legoa, e estas todas três Capellas tem Capel- 
lães e do dito logar e povoação de ítapagipe de baixo rodeando o braço do mar 
salgado até o liigar de Itapagipe de cima aonde chamam O Enforca mentiras 
partindo com a Freguezia de b. Bertholomeu de Pirajá, cujo logar é cituado de 
alguns Pescadores, e de varias rocinhas, e algumas de varias pessoasmoradores 
na cidade nas quaes tem alguns escravos. 



181 

iiii no ilito CHIO uma Capella com a Invocacfio du Viff^cm Scnhoru No«»a 
dii (loiíccíviio lilial, cuja dittancia da Matriz lá é niciu Icftoii pouco maia uu 
inuiioM, c lio dito logar chamado emforca mentirut correndo j>uru o iiordcMc par- 
tindo sempre com ii ditu Frcguezia de S. Itcrlolamco de i*iru|ú, uté a ia/eiida do» 
KeliuioHOH de S. Mento, cuja dÍRtancia du Matriz lá é uma Icuoa, c du ditu tazciidu 
doH Reii^iosoK partindo com a Krcgucziu de Santo Amaro tia Ipitunga uté chegar 
no iogur chamado u 1'irangué aonde principia a Frcguezia de NokKu Senhora 
das MrottuH Buburbios deata cidade, cuja povoacSo que tica dentro deMa» divi- 
sões c toda povoado de roaaaa, e a maior parte deliu de pesHoa» morudorc» nu 
'; cidude que oeneficiam as ditas rossus com alguns eKcravo», e do dito citio cha- 

.\ mudo Pirungué partindo sempre com a dita Fregue/ia de Nosita Senhora das 

i| Brotta uté o rio chamado Cumurugipe, cujo logar é tambcm citundo ile varias 

l' rossus, e a maior parte delias de homens pretos libertos, e do dito rio Cumaru- 

,| ^\y>v, partindo pela fazenda c mutto» doa Religiosos da Companhia uté onde 

y chumfio o Sangrador partindo com u Fregucziu de Santa Anna do Sacramento 

T extra muros desta cidade, e dahi partindo sempre, com a dita Fre^uezia pelaa 

y hortas dos Religiosos do Carmo, e dahi tornando a partir com a Krcguezia do 

^h Suntissinio Sacramento da rua do Passo thé o Guindaste dos ditos Rcligiosf>s do 

Y^ Carmo aonde principia esta Kiegue/ía e dahi correndo para u Matriz em pouca 

>y distancia por uma rua direita tem u Capella de Nossa Senhora da Conceição dos 

gi homens pardos tilial, e da dita Matriz por uma travessa tem a Capella do Se- 

;j' nhor Jesus dos Perdões filial e nella um recolhimento de mulheres, e deste 

% logar pouca distancia para diante tem a (Capella do Patrocínio do Senhor 

São José dos agonisantcs também tilial, e logo adiante desta pouca distancia 
tem a Capella de Nossa Senhora da Soledade tambcm tilial cm cujo logar está 
cituado um Convento de Relitçiosas Ursulinas do Coração de Jesus, e tem »ó 
dentro desta Freguczia o rio já dito chamado Camarugipe, o qual não é nave- 
gável nem fundo, porque em todas as paragens se passa a váo, e este nasce na 
Freguezia de S. Barthoiomeu de Pirajá, e vai entrar no mar na Freguezia de 
Nossa Senhora das Brotias aonde lhe dão o titulo de Rio Vermelho. E tem esta 
Freguezia pessoas de Communhão três mil novecentos sessenta e oito.» 

2670 

«Relação da Freguezia do Sacramento da rua do Passo» da Cidade da 
Bahia, pelo respectivo Vigário Francisco Xavier Marques da Rocha. 

1757. (Annexa ao n. 2666). 

«Obedecendo á ordem de S. M., que Deus guarde de i3 de junho de 1736 
para fazer clara, e distincta relação desta Freguesia do Santíssimo Sacramento 
da rua do Passo, em que sou vigário collado pelo mesmo Senhor digo que — A 
Freguesia do Santíssimo Sacramento da rua do Passo he no subúrbio desta cidade 
da Bahia. Foi desmembrada da freguezia da Sé Cathedral desta cidade no anno 
de 1718 dando-se por Matriz interinamente a Capella de Nossa Senhora do Roza- 
rio dos Pretos única do seu Continente. He tão pequena que a sua longitude con- 
siste em duas Ladeiras uma que desce das portas da cidade chamada do Carmo, 
e outra que sobe, e se termina no Convento dos mesmos Religiosos; a sua lati- 
tude é do Riacho, que a separa, e divide da freguesia do Desterro, hoje chamada 
de Sant'Anna do Sacramento, pela Ladeira por onde se sobe para a Capella de 
Nossa Senhora da Saúde filial da dita Freguezia. Este Riacho, que serve de 
divisa ás duas Freguezias do Sacramento, e de SantAnna por um lado, tem o 
seu nascimento dentro da Cerca do mosteiro de S. Bento, e corrente por uma 
baixa continuada entre as Freguezias da Sé, e de Sani'Anna do Sacramento com 
sua pouca agua rega algumas hortas, e se vai metter no tanque dos Padres da 
Companhia de que se forma o rio Camurugippe, e continua o seu curso pelo 
continente da Freguezia de Santo António alem do Carmo. 

Está situada esta Freguezia entre a da Sé, que lhe fica ao Sul, a de Santf» 
António alem do Carmo ao Norte, a de Sant'Anna do Sacramento ao Oriente, 
a de Nossa Senhora do Pillar na Praya ao Occidente. .\ sua Matriz é da Invoca- 
ção do Santíssimo Sacramento, que se abriu em Janeiro, de 1744. .\s ruas, que 
inclue, é a do Passo onde está situada: as duas Ladevras sobreditas que é a rua 
principal: a rua dos Cortumes, que vai dar ao Riacho: outra rua chamada do 
Taboão, que se divide em duas Ladeiras; uma que faz o caminho novo, e outra, 
que vai ler á fonte dos Padres, esta termina na Freguezia de Nossa Senhora da 
Conceição da Praya e aquella na Freguezia de Nossa Senhora do Pilar. Esta 
Freguezia ainda que pequena pois não tem de longitude mais do que trezentas e 
ciucoenta braças, pouco mais ou menos, e outras tantas de latitude, he bem 



182 

povoada com boas cazas, c todos os fogos d'ella são 408, com 2028 alfr.as, das quaes 
quarenta e duas são de Confissão e todas as mais de communhão. Esta he a 
relação que po*sso fazer e dar desta Freeuezia.» - 

2671 

«Mappa em relação das distancias, que occupa a P^reguezia do Sanctissirtio 
Sacramento e Santa Anna, extramuros da Cidade da Bahia», pelo res- 
pectivo Vigário António José Gomes da Costa. 
i']5'/. (Annexo ao n. 2666.] 

«Divide pela parte do sul com a Freguezia de São Pedro Velho, e do norte, 
com a PVeguezia de Santo António alem do Carmo, e correndo em linha recta 
de norte a sul desde o Trem da Artelharia, onde principia, e parte com São 
Pedro Velho emthé o Rio chamado das Tripas, que divide com a Freguezia de 
Santo António alem do Carmo, occupa a distancia de setecentas e oitenta 
braças. 

Nasce este rio das Tripas da parte do sul na cerca dos Religiosos de S. 
Bento e em nenhum tempo é navegável. Divide pela parte do leste com a Fre- 
guezia de Nossa Senhora das Brotas, e do Oeste com a Freguezia da Sé ; e cor- 
rendo em linha recta do leste e oeste principia do leste em o Dique chamado 
Tororó, e delle correndo para o oeste acaba a distancia e largura da dita fre- 
guezia com o Mu-^o da cerca dos Religiosos de São Francisco, cuja distancia é 
duzentas e setenta braças. 

Comprehende uma figura irregular, porque pela parte do norte na divisão 
do Rio chamado das Tripas vai finar quasi em angulo agudo, e por linha cir- 
cular vem encontrar-se com a Freguezia do Santíssimo Sacramento da rua do 
Passo que faz divisão em angulo saliente na ponte que vulgarmente chamar» 
dos Cortumes e da dita ponte corre em linha concava a buscar as ortas da 
Fonte nova, e o muro dos Religiosos de São Francisco defronte da Matriz, e da 
parte do sul principiando no trem comprehende uma figura de triangulo obtuzo, 
descendo pelo Hospício dos Religiosos de Santo Augustinho a buscar a ponte da 
rua do Gravata, aonde faz o dito angulo e parte com a Freguezia da Sé correndo 
deste angulo em linha recta a buscar o mesmo muro dos Religiosos Francis- 
canos, onde está a mesma* Matriz. 

O Dique chamado Tororó está pelo lado do Leste pelo comprimento da dita 
Freguezia prolongando-se sempre nos baixos das montanhas da Caza da Pól- 
vora, que tazem huma figura de pequena volta, e prolongando sempre para a 
parte do leste sendo os extremos do dito Dique de norte a sul. 

N'estas distancias comprehende dois Bairros um da Palma, com duas Ca- 
pellas filiaes, uma de Nossa Senhora do Rozario do Regimento Velho, e junto a 
ella os Quartéis dos Soldados do dito Regimento, e outra de Santo António da 
Mouraria, e o Hospício de Nossa Senhora da Palma dos Religiosos de Santo 
Augustinho. Tem dez ruas e um beco, e outro de Nossa Senhora da Saúde, 
aonde tem uma Capella filial com a mesma invocação. Tem sete ruas. Tem 
a Capella de Nossa Senhora da Nazareth filial, e huma pequena povoação indo 
para o Rio das Tripas, que divide pela parte do norte. É no meio dos dois 
Bairros está a Igreja Matriz e o Convento das Religiosas de Santa Clara do 
Desterro. Tem 4;>i3 almas... e 1020 fogos.» 

2672 

DescripçÁo da Freguezia de S. Pedro da Cidade da Bahia, feita pelo res- 
pectivo Vigário Bernardo Pinheiro Barreto. 

ijb'/. [Annexo ao n. 2666.) 

«A Freguezia de S. Pedro da cidade da Bahia, que se acha edificada além 
das portas da Cidade de S. Bento e finda antes da Fortaleza de S. Pedro ; 
consta de mil e duzentos vizinhos, além de alguns edifícios, que se achão sem 
gente; tem cinco mil e nove centas e vinte e seis Almas de confição e comu- 
nhão, e sam as que nam comungão cento e sincoenta, que são alguns párvulos, 
e pretos rudes ; terá de comprimento oito centas brassas, estando a ditta Matriz 
no meyo desta distancia, em terreno plaino, e agradável, e de largura terá mais 
athé a pancada do mar; Compõe se esta Matriz de soldados de hú e outro re- 
gimento e de gente de pouca utilidade, sendo os nobres poucos, por não ha- 
verem nesta Matriz grandes edificios, por ser a mayor parte cazas pequenas, a 
que vulgarmente chamâo térreos ; Conipõe-se esta Matriz de varias ruas, na pri- 
meira a que chamão a rua grande de S. Bento, e hé a principal, está o Mosteiro 



183 

do S. Sebaiti&o. que hé dos Monges do Patriarcha S. Iknio, e logo dcftccndo a 
liideyrn dcMc Montcyro, CKtii cdilicuda » (liípclla da Senhora da haroqumha to- 
inuiido cHtc nome do mcHmo Citio, onde purlc como a frcguczíu de Suncia Anna 
do Sticrumcnto cluimudu luitigumctitc du Senhora do Desterro, c pclla» porias 
de S. Mento parte tunibeiii com ii Mniri/ CatteJul da See, c Mutrí/ de Nommi Sc- 
nhorii da (^mccpçáo da I'rayu, omle Ke acha o (lonveiito doK Murianno», 
chunuiilo de Sta. Therexu ; tem eiita Matriz, outra rua grande, com o tíiulo da 
rua grande de liaíxo, e diian maÍH chamadas do primeiro e »egundo Areal, c Hoa 
VJKtu, pella banda do mar, e nesta He aclia o hospicio do» Kcligio»OH francis- 
canos, que ugenceâo aH esmohiH dos tangares Sanctos de Jerusulctn, c correndo 
para o Sul tem dctrax duas ruas, com o titulo hun da l''orca, e outra do Fogo, 
e outra mayor, com o nome da Senhora dan MerccH, oruie esta hú (ionveiito 
de l''reyrus Ursulinus, onde parte com primeira Mutriz deMu (lidade, com a In- 
vocuç&o de Nossa Senhora da Victoria da Villa Velha, e húa travesitu cha- 
mada os Coqucyros do Govéa, onde He acha fabricando hú recolhimento para 
molheres pobres, com o titulo de S. Raymundo Nonnatum, tomando ente appel- 
lido de seo fundador que o faz á sua custa ; e vimlo correndo, para o Nordeste 
cm hú largo, se acha a Capclla de Nossa Senhora do Rosário dos pretos 
desta Mutri/, na rua grande de João Pereyra Guimarães, e corre para diante 
a rua de Nossa Senhora da IMedade ; com os curraes du matança dos gados, e 
nella o hospicio dos Padres Capuchinhos Ituliannos, frequentado de grande 
povo, pella devossáo deste Santuário, e finda esta Matriz com a rua de Nossa 
Senhora tia Lapa, pello convento, que ha nella de Religiosas da Concepção e he 
o de que consta esta iVIatriz de S. Pedro da Cidade.» 

2673 

Noticia sobre a Freguezia de Nossa Senhora das Brotas da Cidade da Bahia, 
pelo respectivo Vigário Pedro Barbosa Goiídim. 
(1757) {Ahnexa ao n. 2666). 

«A Freguezia de Nossa Senhora das Brotas do Caminho grande subur- 
bana desta Cidade da Bahia tem três Legoas de extensão e mil e quarenta e 
sinco almas, das quacs somente vinte c sinco não são de communháo. Além do 
mais povo, que habita espalhado, ha dous lugares pequenos, hum chamado o sitio 
da Pitúba, c em distancia de meia Legoa, e outro, que contem duas Armações 
de pescaria, chamada a primeira Armação do Saraiva, a Segunda Armação do 
Gregório. Ha hum rio, chamado das pedras nas cabiceiras da Freguezia, que 
dizem tem sua derivação do Reconcovo desta Cidade. Outro rio também ha com 
duas denominações pelos dous Lugares, por onde corre; que circulando pelo 
meio da Freguezia por hum lugar chamado o Camorogipe, se denomina rio de 
Comorogipe, e passando por outro Lugar, a que chamão Urucaya, se denomina 
rio do Urucaya. Este rio de dous nomes tem sua origem de outro rio grande da 
Cidade chamado Diques e vai desagoar á costa do mar que cerca a Freguezia por 
hum lado. Do rio do Urucaya ao de Camarogipe vae a distancia de meia Legoa 
com Pouca difFerença : e do de Camorogipe ao das pedras hua legoa imperfeita. 

Nenhum destes rios hé navegável, posto que nos tempos do inverno costu- 
mão encher, e restagnar de Sorte, que negão passagem, ficando esta fácil ao 
depões com a diminuição das agoas por beneficio do verão. He o que se pode 
dizer n'este particular segundo as clauzulas da relação, que se me ordenou.» 

2674 

Relação da Freguezia de Nossa Senhora da Victoria da Cidade da Bahia, 
pelo respectivo Vigário Manuel de Lima. 
1757. [Annexa ao n. 2666). 

«Fica esta freguezia de Nossa Senhora da Victoria no subúrbio desta Cida- 
de ao Sul delia para a parte da barra, hum quarto de legoa ou pouco mais dis- 
tante da principal povoação da Cidade, em o logarchamado da Villa Velha, onde 
foi sua primeira fundação. Tem de extenção quasi uma legoa correndo da parte 
da mesma Cidade the a costa do mar: porque pella parte do Norte, ou da 
mesma Cidade, parte com a freguezia de S. Pedro Velho, que medea entre esta 
e a freguezia da S. Sé ; pella parte de Leste se divide da freguezia de N. S.* 
das Brotas com o ryo chamado vermelho; o qual he hum pequeno regato, que 
correndo de Norte a Sul se mete no mar quasi em distancia de húa legoa de 
costa desta Matriz : pela parte de leste acerca a marinha, ou costa do mar, como 
também pella parte do Sul. A sua Igreja matriz está situada em hum alto, e 



184 

sobre a marinha olhando para o poente. Tem sinco capelias fíliaes: a saber da 
parte direita olhando para o mesmo poente está a Capelia de N. Senhora da 
Conceipção do Unhão na extrema que divide da de S. Pedro; da parte esquerda 
a Capelia de S. António da Barra, quasi na entrada da mesma barra; ambas 
estas pouco distantes desta matriz. Em distancia de quazi hum quarto de legoa 
da (Japella de S. António correndo pela costa fica a Capelia de S. Lazaro Men- 
dijí'); e. pouco mais de outro quarto pella mesma costa a Capelia de S. Gonçallo 
chamada. do ryo vermelho; e no centro deste terreno a Capelia da Madre de 
Deos quazi em igual distancia das mais. 

Tem em si mais esta freguezia dous conventos hum de Religiosas Ursulinas 
que fica na extrema da parte da Cidade; e outro de Monjes de b. Bento, que he 
o mosteiro de N. S. da Graça pouco distante da matriz. Contem em si a fregue- 
zia 3oo fogos espalhados pelo seu terreno com i5oo almas: e destas são de co- 
munhão 144) neste presente anno de 1757.» • 

2675 

«Relação das Povoações, Logares, Rios e distancia, que ha entre elles, 
na Freguezia da Invenção de Santa Cruz da Villados Iliiéos, pelo Vi- 
gário Luiz Soares de Araújo». 
1757. [Annexa ao n. 2656). 

«Esta Freguezia da Invenção da Santa Cruz da Villa de Ilhéos, não consta 
mais que de hua povoação que he a villa de Sam Jorge, Capitania dos Ilheos, por 
ser cabeça das mais villas do Sul : Tem a dita povoação desta villa varias ruas a 
saber, a do porto, a rua nova da Matriz, a de S. Sebastião, a da Cadeya a do 
CoUegio, a de S. Bento, a da praça, a travessa da Matriz, a de João de Souza e 
a de ígnacio Jorge. Está a dita villa situada em hua baixa quazi junto da barra 
dos Ilhéos e só se mete em meyo hum morro; nesta barra vem a desembocar, ou 
a dar hum caudaloso rio chamado o da Cachoeira da villa capas de navegar 
sumacas, barcas, lanxas e canoas ; não ha quem lhe saiba do seo principio por vir 
muito de dentro do Certáo e quasi todos affirmão que vem destas minas; da villa 
navegando pello rio acima da parte do poente ha vários lugares em que habitão 
moradores, a saber Gupipe, Maria Jape, S. João, Tanguape, Tabuná, Pasto 
Matendipe, Camurupy, Banco do Furtado, Pirataquicé. Neste dito rio da Ca- 
choeira vem a dar outro rio tão bem grande, chamado o de S. Anna aonde os 
Reverendo Padres da Companhia de S. Antão tem hua famoza fazenda de enge- 
nho; pello dito rio acima tão bem ha vários lugares de moradores, como Mam- 
hape, Aitinga, Saguipe, Tibiripe, Rocha, tem o seo principio lá muito dentro do 
Certão, dizem que na baixa de dous oiteiros; vem tão bem a dar neste mesmo rio 
da Cachoeira da villa outro rio chamado o do Fundão o qual acaba na distancia 
de legoa tem tão bem seos lugares a saber, Jaguaripe, Jacaraipe, Sam Francisco. 
Todos estes lugares estão circumvisinhos huns dos outros e os mais longes dis- 
tarão huns dos outros legoa athe legoa e meya, e tão bem os dous rios chama- 
dos o de S. Anna eo do Fundão são navegáveis de barcos e lanxas de pescaria, e 
canoas. 

E da villa passando o dito rio da Cachoeira da outra banda, para a parte do 
Sul, tão bem tem seos lugares, em que habitão os moradores a saber : Cururupè, 
Ariope, a Barra do Cururupè que he hum rio pequeno que nem canoas podem 
navegar por elle ; Aldeya dos Socos e Aldeya de Nossa Senhora da Escada dos 
Reverendos Padres da Companhia tão bem todos estes lugares são circumvisi- 
nhos distão huns dos outros hum quarto de legoa meya atHé hua; esó da villa a 
ditta Aldeya são coatro legoas: Da Aldeya acima dita caminhando para a parte 
do Sul sempre para a praya vay a dar em hum rio caudalozo chamado Una, o 

3 uai dizem que tão bem se não tem dado com o seo principio por vir muito de 
entro do Certão; Este rio chamado Una serve de diviza desta freguezia lios 
Ilhéos com a de S. Boaventura de Poxi: com declaração que da dita Aldeya 
caminhando para Una não ha morador por ser hua parte deserta e costumar 
andar também por ella o gentio chamado Pataxôs e do dito rio da Cachoeira 
da villa para o rio de Una gastão-se no caminho dous dias, e ás vezes mais por 
não haver no rio de Una ernbarcação para se passar. 

Da villa ou barra dos Ilhéos em que vem a dar o rio da Cachoeira da villa 
caminhando para o norte hua legoa vem se a dar em hum rio chamado Itaipe, 
que tãb bem nelle podem entrar lanxas de pescaria, porém sumacas e barcos 
com grande perigo por a barra ser estreita e de pedras ; tão bem he rio cauda- 
lozo ; tem tão bem seos lugares onde assistem os moradores, como: Barra de 
Itaipe, Iguapé, Rozario, S. João, Santa Cruz, Barreiro, Santiago, Agoa Branca, 
Cabarunema, Pico, Trumbauba, Drutuca, Caju, Catinga, todos estes lugares são 



I8g 

circuiiivininhoH c dinifio huiM dou outros hum quarto d« lego* e o maU dístanM 
icrii lio legou. 

Ncmr ' ít.iipc vem u tlar outro rio chamado o dn '■ ' — ■•■- '- f -..i 

lAo bem I o iiko MC lhe icm tiuil<* com n »co pri ', 

dedentro I i loen», o iiellc não ha Itiuiirc», que iciih.> , i') 

inuto, c »ó iie»iiii (iiichociru chamiidii n da lagon n»»iiilc o Oironcl Pajuhual de 
Fiffueiredu c Francisca de Sirqueira, viuva; ente rio de Itiiipe díretn que rioft^e 
de humi f(rundio/ii lu^oIl, que de lurgo c comprido icm ti dintancia de legoa, 
diutu e»ta dn burra dv Itaipe hum din de viagem ; on lugarcn que- lu-lla ha, aio 
pruinhu», I.agoa tte liruiihuem que ticAo ambon vÍHÍnhoH; diiit.i chIc rio de Itaipe 
do rio da Oachoeini ila villu hun legoa, puKHnndo o rio de Itatpc da outra parte 
puru o Norte caminhuiulo pellu prayu vai ite a dar na (íj c dahi ao Pé du Serra 
e desta pnru o rio de TQuipe quu iterve de divikto dcHiu freguesia com a do rio 
da* CoDtuH. eHtcH lugarex dÍHtko nialii entre «i por que cttAo na diatancia de 
duas trcs uthc contro legous entre elles e o dito rio de Tuuipe tfio bem di2cm 
que vem muito ilc dentro do (lerifto c por ii»so n&r) «c lhe sabe do sco principio. 

K desta villa ao dito riu Ttíuipc aonde ucuba o destricto desta freguc/ia %ko 
dout dius du viagem. 

(Consta estu fregueua da Invençfio da Santa Cruz da villa dos Ih^os de ii3o 
almas de coinunh&o.n 

2676 

DEScmpr.Áo da Freguezia de S. Boaventura de Poxim, no Arcebispado da 
Bahia, pelo respectivo Vigário Roberto de Brito Gramacho. 

Poxim, 20 de janeiro de t-jòô. 

{Annexa ao n. 2(i6ti.} 

Inclite uma planta dos rios da freeue^ia com as seguintes co- 
tas: «i — Barra do Rio Grande ; 2 — Aldeya dos índios Alenkans ; 
3 — Barreta das Farinhas; 4— Povoação do Embucagrande ; 5 — Po- 
voação do Embiiquinha ; (i — Povoação de Patipe ; 7 — Barra de Pa- 
tipe\S — Rio do Jucia ; (f — Porto do Matto\ 10 — Barra do Poxy ; 
II — Barra de Commandatuba ; 12 — Povoação do Poxy ; i3 — Barra 
de Una ; 14 — Rio de Una ; 1 5 — Edificio da Capella que ahi houve; 
ití — Rio da Commandatuba, que nasce das serras visinhas ; ij — Rio 
do Poxy ; nS—Rio de Patipe ; kj—Río da Salsa, que nasce da Ca- 
choeyra do Rio Grande; 20— Rio Grande. 

«Manda-me V. Ex* descrever as povoações desta Parochia com a individua- 
ção, que expressa a ordem de S. Magestade, qué proximamente recebeo. Sem de- 
mora vay correndo a penna, que de assim como he de escrever, fora de voar, 
mais promptamente obedecera, c ainda assim em doze legoas de tanto despo- 
voado, primeyro havia de cansar como a pomba da Arca, do que chegasse a 
descobrir povoação. Bem mostra ser esta Parochia a extrema, e principio do 
Arcebispado, pois de tal sorte tem em si unidos o fim com o principio, que sem 
jamais passar do seo principio se vé quazi reduzida ao fim. Todas as suas coe- 
tâneas que não são menos de 19 se vem augmentadas nas Igrejas edificadas á 
custa da Real Fazenda, no culto, e officios Divinos, e pelo conseguinte no povo, 
nocommercio, e opulência ; so ella em tudo he a mais ténue, e deminuta ; e tra- 
zendo os inesmos requerimentos ha mais de dez annos na Corte jamais chegarão 
ao despacho, e agora totalmente perecerião na ruina universal de Lisboa, e com 
elles as esperanças. 

I — Divide as duas Dioceses do Rio de Janeiro e da Bahia o Rio por anteno- 
mazia grande, pelo copioso das agoas, impetuoso da corrente, e precioso dos 
cabedais, e não menos grande pelo poder de dar c tirar jurisdicção : nas mar- 
gens do Sul a dá ao Rio de Janeiro, e a tira á Bahia: nas margens do Norte a 
lira ao Rio de Janeiro, e a dá á Bahia. Traz o seu nascimento ao Serro do Rio, 
donde pobre de agoas, e rico de ouro, e diamantes vem fertilisando as Minas, e 
engrossando cada vez mais com outros muitos rios, que desagoáo nelle, faz barra 
finalmente nesta costa pela qual somente podem entrar, e sahir barcos e so- 
niacas. Nas fabricas do contracto dos diamantes, se denomina este mesmo rio 
Giguitinkonka, o que refiro por relação, que me cfeo sua Bandeyra de Paulistas, 
(sic) que porelle descerão a esta freguezia. 

2 — Não consta a distancia que há da ultima povoação das Minas a barra do 
dito Rio ; o que sei he que subindo por elle alguns dos meos freguezes chegarão 



186 

cm l5 dias á Cachoeyra grande, onde não poderão mais passar as canoas, que 
he no ultimo cordão de serras a sahir já nos campos gerais, e quando vol- 
tarão rio abaixo gastarão somente 6 dias, pelos quaes se pôde regular a dis- 
tancia. Estes descobridores subindo ao altíssimo e dilatado assento da dita Ca- 
choeyra, pelos lugares, onde seca o rio, a que chamâo intaipabas, ainda tirarão 
suas amostras de ouro, que trouxerão a três, e a quatro oitavas cada hú, mas 
não assistirão senão húa semana por lhes sahir o gentio. 

3 — Duas legoas da barra para cima não se pode navegar por este rio senão 
em canoas com boas varas, assim pela violência com que corre, como porque 
dos fins de Outubro athe Mayo, passadas as cheyas, o mais tempo fica tão seco, 
que se passa a váo excepto alguns caldeyroins, ou canais. He muito alegre, e 
aprazivel á vista com espaçosos bancos, ou como vulgarmente chamão, coroas de 
areia em todos os cabos das voltas, varias ilhotas pelo meyo, largo, e espraiado 
mais de 3oo passos, ou braças ; e assim vay athé a primeyra Cachoeyra oito dias 
de viagem para sima e três. para baixo, e d'ahi por diante outra tanta distancia 
tudo he lagedo de pedra duríssima por húa c outra parte, e muitas ordens de 
cacho eyras nos fechos das Serras atné chegar á grande. 

4 — Costumão os moradores hir por elle acima quando está seco somente 
por divertimento á caça, levando comsigo índios e gente armada de guarda. He 
para ver de húa, e outra parte os sítios admiráveis para moradia, as terras 
excellentes para toda a lavoura, vistosos montes, dilatadas vargens, tudo coberto 
de matas virgens, e madeyras de ley e especiais da America, vmhaticos, jacaran- 
dás, salsafrás e páo Brazil, que daqui o levava antigamente o contrato, e ainda 
hoje se conserva no lugar, onde elle se pezava a denominação do Pezo do 
páo. Tudo porem infestado, e possuído das suas Nações de Pataxós e Anaxós, 
que corridos do poder das Minas se vieráo acoitar nesta grota de matto, que 
corre a beira mar onde não sentem forças, nem ha quem os persiga, antes victo- 
riosos passam por estes bosques como dentro de muralhas, e de traz de cada pé 
de páo se teme hú Tapuya, porque donde menos se cuida vem a frecha. 

5 — Logo no Pontal do Norte do dito Rio grande, onde chamão o Pezo do 
páo pela razão acima declarada, estão aldeados os índios Menhans arbitraria- 
mente administrados por hú capitão da Conquista sem a forma e direcção do 
Regimento das Aldêas, porque não tem Igreja, nem querem vir a esta Matriz, 
ou Capella vizinha para os instruir na doutrina christan, e nem ainda se su- 
jeitão a apprendela na mesma Aldeya com hú instruidor a quem os tenho 
recommendado, e o peior he morrerem como brutos sem sacramentos pelos não 
procurarem. Apenas trazem os filhos para se baptisarem, e já depois da Festa do 
Espirito Santo se vem confessar, sem terem os mais deíles capacidade para 
isso. 

6 — Desta pouca sujeição, e voluntariedade dos índios resulta primeyro, que 
por húa parte intimidão, e impedem o passo ás invazões do gentio, pela outra 
destroem os moradores com contínuos latrocínios em suas lavouras, dos quaes 
não he privilegiado o pároco, antes esses só são os benezes, que delles tira. Re- 
sulta segundo, que de mais de cem índios maiores de 14 annos, todos nascidos, 
e creadòs no grémio da Igreja (porquanto não existem mais os progenitores ex- 
trahidos do gentilísmo) somente 21 são de communhão, aos quaes accrescem o 
referido capitão da Conquista e seus aggregados, que por todos fazem o numero 
de 35 pessoas de communhão. 

7 — Partindo da dita Aldeya para o Norte andada húa legoa bem puxada, 
já se carece de canoa para passar a barreta chamada das Farinhas. Provem esta 
barra e a sua denominação de que por aquella parte entra o Rio de Patipe com 
hú braço athé o combro da praya, e alli se embarcão as farinhas das rossas 
circumvisinhas, e quando descem as cheyas do sertão, e vem o rio de monte a 
monte, tresborda por aquelle combro por ser a parte mais baixa, e abre a dita 
barreta, a qual brevemente entupe o mar ; agora porém por peccados vay em 
6 annos ficou perenne causando-nos o prejuiso de salgar o rio, e afugentar o 
peixe para cima em busca do natural da agoa doce, onde foi creado. 

8 — Ajuntando-se o Rio de Patipe com o mar por esta barreta faz húa ilha 
que se estende por espaço de quatro legoas athé á barra geral do mesmo rio, e 
não tem mais largueza, que a de 200 ou 3oo passos, ou braças em partes con- 
forme as enseadas. Na primeira legoa imediata á dita barreta esta situada a 
povoação dividida porem, ou distribuída em três lugarejos. O primeyro se 
chama Embucagranue, que vale o mesmo que enseada grande, e nelle existem 62 
pessoas de communhão, e tem capella da invocação de S. João Baptista feita de 
adobes de barro, e rebocada de cal, sem mais paramentos, que para haver de 
celebrar nella o pároco traz os ornamentos da Matriz. Segue-se dahi a hú 
quarto de legoa a Embuquinha, que quer dizer enseada pequena, e ahi se achão 
43 pessoas de communhão, e mais 35 no restante da legoa athé o ultimo lugar 
chamado Patipe, que por todos fazem o numero de 140 pessoas de communhão. 



187 



9—0 nome Pniipc hc gcncricn a todo o rio, e próprio •om""''- -<<•»•- l'<(»n- 
rcju, por(|uc tiiiubcin tov ^crul a iiuiiicroNJiliidc de Pato» <'doit ;i 

vcx uppurcce al^ii) doiuic nu liiiuua Hrtixílica *c dedu;; u »u.i c 

vul o incftiMO Patipc ,i|uc rio doH Piíton. A muu hurrii hc tonictitc cupa, \, 

c somacuH, c aniiin) cniixi todan aii outra» tlctta OMlu >to de aréa, c c 

poiic paHHar de hfi ijuario de maré chcvu por diuiitc, poruuc entra u .urc-ocu- 
tuçAo do biinco para dentro, e »<> te pcuiera puMur em húa Doa cunoa de quatro 
paimoH de Itoca com bon» remou, c ainda aMirn com neu ritco. 

IO— Hc navegável aihc a povuuv&o da Kmbuca^randc, e dahi para cima quanto 
»e poder romper a corrcntc/a e em canoa athc a» «uaa cachoeyrat, que corre- 
hpondcm na dÍNtancia a» do no urnndv negando a ordem das «crraa, eo gentio 
cm variaM piirtcit tem CKtradas de nu rio paru outro. Conata de pcMoat que dc»- 
cer&u por cttie rio que tem o hcu nuHCimcnto na» minas, onde se chama o Rio 
pardo, Hcm duvida porque lá por cima o sombrio do arvoredo na estreiteza de 
33 ou 5o pasHOH, e em partes menos o fazem espesso, e tristonho. Não lhe faltio 
tumbem madeyras e terras fertilissimus com muitas commodidadcs. 

II. — No cabo, ou I'ontal do Norte do dito Kio de Putipe mctte o mar hu 
riuxo, que vuy obra de hu quurto de Icgoa ín/.eiuin pcninsula, pouco maia larga de 
3u ou (h) passos geométricos. No principio chatna-sc o itio do Juciá, corrupto o 
vocábulo Bra/iiico Yuceia que quer dizer sede de ugoa, porque alli a nfto havia, 
sendo salgada. Iloje porem cessou u origem desta denominação, porque obrigados 
os viandantes da necessidade deráo em cavar, c fazer cacimbas, c a poucos pal- 
mos de fundo achão agou perfciíissima com admiração de que cm tão pouca 
distancia tirem uqucllas arcas ao mar todo o amargo, c salobre. 

13 — Por detrás do Juciá trcs ou quatro legoas pela terra dentro nasce o Rjo 
do Poxy de hua lagoa, c vindo cm busca do mar como querendo partir o Juciá 
de meyo a mcyo, deixa entre ambos espaço de 3o passos de terra, onde chamão 
o Porto do Matto c se arrastão canoas de hu rio para outro, e desviando-se 
para a Norte com scos gyros abre a sua barra hua boa legoa distante da barra 
de Patipe formando entre meyo península eiH partes mais larga de meya legoa. 
Continua por diante com mais uilatadas voltas, e formando ilha com largueza 
em partes de quarto de legoa abre outra barra chamada da Comandatuba nome 
Brazilico que signinca frequência, de favas, talvez porque em algu tempo houve 
abundância delias no lugar. 

i3 — Por ambas estas barras,' e por todo o Rio athé o Porto do Matto navega 
qualquer barco, ou somaca. Porem que hão de vir buscar barcos, ou somacas, 
onde não se vê senão as fazendas despovoadas e dezertas por hua e outra parte 
do Rio ? com tal extinção que á fazenda das Coroanhas, logo abaixo do porto do 
matto, que só ella tinha mais de loo almas, lhe não valeo servir-lhe o Rio de 
fosso, para que não passasse o gentio a nado sem se sentir senão quando frechava, 
ou matava. Hoje só existem no Pontal do Sul da dita barra do Poxy 76 pessoas 
de comunhão, os quaes por viverem nas suas datas de sismaria se sugeitão a 
estar como sitiados plantando em arcas safas e cheyas de formigas, e o peior 
he q^ue para haverem de comer o peixe, que he o sustento ordinário o vão pescar 
dahi a nua legoa, na barra de Patipe, pelo não haver, e ser muy vasqueiro no 
Rio do Poxy. 

14 — Este hé o Poxy de quem toma geralmente a denominação toda a tregue- 
zia por estar nelle fundada no meyo da povoação a Igreia Matriz de que he Orago 
S. Boaventura. Hé adita Igreja fabricada de adobes de oarro, e rebocada de cal, 
sem mais retábulo nem de taboa liza, com quatro tintas grossas, nem mais orna- 
mentos, que para rezar a missa sem rubrica de cores. Athé no q^ue respeita a 
Deos, e aos Santos, no que não devera, se conforma o Poxy com formal signi- 
ficado do seo nome, porquanto esta dicção Poxy he vocábulo Brazilico que signi- 
fica couza féa e ruim. Cuido quiz Deos, que assim opermitte, debuxar nesta fre- 
guezia hu emblema, cuja letra héoseo titulo 5. Boaventura do Poxy para nos 
esforçar com a memoria da bemaventurança significada em S. Boaventura e 
com o dezengano de que a ella se não vay, senão por penalidades significadas no 
Poxy, conforme o texto recepiti bona in vita tua. 

i5 — Entre tantas penalidades goza o Poxí a segurança das penas das frechas 
do Tapuya, das quaes não escapáo nem ainda os que de caminho passão da 
Comandatuba para Vna, senão hé de baixo das armas e com cautella. A metade 
da freguezia do Poxí para o Rio grande está povoada de Christaons, a outra 
metade do Poxi para Vna he vagamente habitada do gentio, e como está dividida 
em dous rebanhos, catholico e gentílico, vem a ser nieya christam, meya gentia, 
sendo certo, e repetidas vezes definido da Cadeyra Vaticana, que hu e outro reba- 
nho hé de ovelhas por quem deo o Divino Pastor sua preciosa vida, que por isso 
lhe chama suas e alias oves habes quce non stint ex hoc ovili; e talvez sejáo estas 
predestinadas para se* uniram ao rebanho Universal da sua Igreja. Oh quem fora 
digno instrumento de sua conversão! 



188 

iG — Mas como pelo officio estou ofFerecido aos perigos, náo recuso dar hum 
salto a Vna, para pôr ali o fim á narração, onde também finda a freguezia o seu 
terreno. He o Rio Vna a diviza, ou divizivo entre esta freguezia, e a dos Ilheos. 
Referem, que nasce das Minas onde tem o mesmo nome de Vna, que no idioma 
dos naturaes significa couza preta, e taes parecem as aguas deste rio pelo opaco 
e frondoso das ribeiras. Foy navegado de muitos barcos e somacas por espaço 
de três legoas desde a barra athé a sua cachoeyra, o que tudo estava por hua e 
outra parte povoado, e só da parte desta freguezia haviáo mais de 200 almas. 
Hoje só apparecem os lugares e se está logrando o Bárbaro dos trabalhos dos 
christãos em muitas arvores fructiferas que ficarão por aquellas fazendas, e o 
que he mais para sentir servindo-lhe de rancharia a Capella que foy da invo- 
cação de Nossa Senhora da Conceição, cujo edificio ainda existe. 

Tenho exposto a V. Ex.' quanto por noticia e experiência de quinze annos, 
que sou parocho nesta freguezia, tenho adquirido, do que se pode fazer juizo 
não só do que ella he, senão também do que pode ser; e não satisfeita a minha 
obediência, olíereço a recopilaçáo topográfica inclusa, cujo impolido lhe não muda 
a natureza de ser o modo mais expressivo, e praticado para por diante dos olhos 
os lugares mais remotos. 

A Ex."" Pessoa de V. Ex." guarde Deos como havemos mister os seus 
súbditos.» 

2677 

Relação do logar e povoação da Freguezia de São Miguel da Villa de 
S. José da Barra do Rio das Contas, pelo Coadjutor António Telles 
de Menezes. 

(1757). [Annexa ao n. 2666). 

«A Freguezia está cituada na Barra do Rio das Contas com 1027 pessoas de 
comunhão que com os índios da lingoa geral faz 1060 pessoas sem que tenha 
asy Cappella alguma anexa, maz do que a de Nossa Senhora dos Remédios da 
Aldeya do gentio Grêm que ao presente se acha extincta sem Missionário, 
cituada no Rio da Cachoeyra distante da Barra 3 legoas; oditto Rio das Contas 
he navegável e povoado por elle asima 4 legoas viagem de hum dia, com a sua 
origem pelas partes das minas e sertões ; comprehende mais a ditta Freguezia 
para a parte do sul á beyra mar dois Rios o primeiro chamado Hiaoarabucassu, 
e outro Tijuhipe que desta Villa ao primeiro tira distancia de hua legoa, e deste 
ao segundo, outra pouco mais ou menos, e por qualquer delles se passa pella 
Barra a pé de maré vazia os quaes não sam navegáveis, e tem os seus nasci- 
mentos para o sertão ; e da parte do Norte comprehende o termo desta Fregue- 
zia : outro Rio chamado Piracanga que náo he navegável e ainda não chega a 
ter hua legoa da Barra desta Freguezia a elle com o seu nascimento para o ser- 
tão como os mais Rios desta Gosta». 

2678* 

Noticia sobre os logares e povoações que compõem a Freguezia de Nossa 
Senhora da Assumpção, na Villa do Camamu e Arcebispado da 
Bahia. 

(1757). [Annexa ao n. 2666). 

«A Villa do Camamú, que contém em si a matriz e dá nome á freguezia, 
está situada em huma ponta do continente ao Esudueste da barra, 3. léguas para 
dentro, toda cercada de rios : no largo, que faz da barra, athé á bocca do rio, 
está adjacente hua Ilha com huma pequena rotura no meyo, a que chamão fu- 
rado, e a Ilha do Camamú, habitada somente de 7 moradores. Estão mais adja- 
centes, e mais sobranceiras ao travez do rio, ou da bocca do rio três Ilhotas com 
o nome de marangoaz entre si divididas, e não habitadas ; na distancia pois que 
ha desde a Barra athé a bocca, ou foz do rio da Villa. que dista delle hum ter^o 
de legoa, e da bocca do rio té a mesma, desaguão todos os rios, que a cercão 
tanto da parte do Sul como da parte do Norte. 

Primeiramente da parte do sul os dous a que chamão do Acarahi, e o da 
caxoeira da Villa, que juntando as suas aguas, pouco antes de chegarem a 
mesma, jamais copiozas, e abundantes de cabedal banhão e fertilizão as faldas 
do seu monte, e perdendo ahi os nomes o ilam ao da Villa, para poderem na- 
vegar por elle, inda barcos e somacas grandes. O do Acarahi está povoado pela 



í 



189 

torra dontro trei logosâ, e tem o teu na»ciincnto da Serra grande distante dctu 
Villa oito Icf^uu». O du Caxocira, que hc mui» caudulo»o, que o <i< <.e 

de huiiH brc|OH, n que chiiinfio o rojr), inaí» uvaiiic da Serra f{r n, 

pouco ituiiii ou ineiioN da parte de Alocntc : ambo» k&o »ó na vcfi<i ><.■■> uc í.,i„,uê 
em dintiincia de hua Icuoa dcKtu Villa, ijuaiido ha abundância de a^oa», c nio 
maiK pcluH muiia» (lutadupaii que coiitiiiuamento facein. 

Fora da bocca do rio »e vé o rio chamado (^unduru, que tem de cumprido 
treii quarto» de legoa : no tim do dito rio ha huu caxocira, aquechaináo d<i i'íco, 
com a mure cheia he navegável de pequcnuH lancha» até qua/e o tim, e habita- 
da» n» Hua.s murgen» de vario», e babtante» moradorc». Abaxo dc»te eRtá outro 
rio a quechaniúo os Mutaperus, o que tem meya Icgua de comprido: hc navega* 
vcl de lanchas pequenas emté o meyo; nus suas margi-n» habitam pouco» mora- 
dores. Alem destes corre outro rio mais aliaixo, a que chumáo Aldeã velha, hc 
curto e de lum pouco fundo, que só te faz capaz de canoas: nelle habitâo4 mora- 
dores pouco mais, ou menos. 

Abaixo destes todos se encontra o grande rio do Mayrahá, que tendo de 
comprido cinco léguas, he tam largo e luiulo, que podem navegar por elle gran- 
des emburcaçoens, e indu de mais alto bordo, cuja descricam nao pertence u esta 
freguesia por ser da de S. .Sebastião do mesmo Mliyrahú. Da outra parte do 
norte que corresponde u outra ilharga da villa corre hum rio ba»tantemente 
estreito, curto, c seco, pelo qual só navegam canoas, e no lim delle se descobre 
húa Caxocira peaueiiu, a que chumáo Tiriri, donde o mesmo rio se denomina, 
cujas margens huoitam 3 moradores. 

Mais abaixo, e fora do rio da Villa se vé da mesma parte o rio Pinaré, que 
tem meya legoa de comprido, dando passagem cmthé o meyo a embarcacoens 
pequenas, e dahi se reparte em 3 braços: o primeiro chamado Copo pela parte 
do sul: o segundo paru o suduestc donde nascem duas Caxociras grandes: e o 
ultimo para a parte do lesnoroeste, donde se descobre outra cachoeira, porem 
não tam copioza como as duas primeiras; nas margens destes rios habitam 
bastantes moradores. Mais abayxo para a mesma parte do Norte se estende 
outro rio de niayor comprimento que de húa legoa, cujas margens habitam 
vários moradores: no tim se descobre hua cachoeira grande, que correndo de 
longe, e do centro do mato da parte do Sudueste, com o nome de Garapiuna, 
ahi vem desaguar. 

No meyo deste se vê outro rio para a parte do Sul, dahi caminha para sima 
por espaço de meya légua, ao qual denomináo Camossim, e tanto este, como o de 
Garapiuna, são de tal sorte baixos e tão secos, que só de maré cheia dam passa- 
gem a canoas, e lanchas pequenas. 

Finalmente na bocca da barra giande se descobre outra barra para a parte 
do Norte, por onde desagua hum no, a que chamáo Sirinhaem, fundo, e largo, 
capaz de embarcacoens mais avultadas: no meyo deste se reparte outro no, 
só capaz de canoas, chamado Maracajanema. Mais acima, caminho do Norte, se 
divide o de Serinhaem, em outro braço, a que chamáo rio do Campo, cujas 
margens habitam poucos moradores; ambos são só navegáveis de canoas, e 

Eequenas lanchas, com maré chèa; mais asima caminho de Norueste faz outro 
raço, que tem de comprido húa légua, a que chamáo Cubatan; no fim do que se 
descobrem duas Caxociras, chamadas Mutum, e Cubatan. Dahi parte outro 
braço, o qual caminhando mais de húa légua, faz duas cabiceiras ou repartiçoens; 
húa caminho do Norte, a que chamão Tabaraué, pelo qual vem hua ribeira de 
pouca grandeza da parte do Sueste, e se mistura com as aguas do rio : he nave- 
gável de lanxas, e em suas margens habitam bastantes moradores. 

Na outra se descobrem quatro Caxociras, a primeira chamada do barro, 
outra da Aldeya dos Padres da Companhia de Jesu, e daqui para sima, ou daqui 
para a parte do Sul por espaço de meya légua, donde acaba a navegaçam do 
dito rio, se descobre outra caxoeirada parte de Alueste, e da do Sudueste vem a 
caxoeira grande, e he a mayor, que ha neste termo, estendida muitas léguas pelo 
mato dentro, donde traz o seu nascimento, e o cahir na distancia sobredita tem 
huma tam alta e ruidoza pancada, que se faz nos efeitos mui parecida as catadu- 
pas do Nilo. Fazem desta villa as cabeceiras do dito Serinhaem, pelas voltas, que 
tem, seis legoas de comprido, que por terra caminhando para o Norte, rumo 
direito não podem ser mais de quatro. 

Estes são os lugares, e povoaçoens de que se compóem esta freguezia, por 
quanto tomào os nomes emprestados dos rios asima descriptos, que por toda ella 
passam, constando o numero de seus moradores, capazes da sagrada Commu- 
nhám, de 32oo pouco mais ou menos, e de 5oo os seus fogos, sem haver em toda 
esta treguezia capela algúa anexa, mais que a da Senhora do Desterro dentro na 
mesma vila.» 

2679 



190 

«Relação das Povoações e sítios que contém o Rio do Marahú, districto da 
freguezia de S. Sebastião e moradores delia, no Arcebispado da 
Bahia, pelo Vigário collado Pedro do Espirito Sancto.» 

Marahú, 14 de maio de 1757. 
{Annexa ao n. 2666.) 

«A Freguezia de S. Sebastião está rodeada de hum rio navegável por quaes- 
quer embarcações ainda grandes, pois thé a freguezia ha fundo para qualquer 
Náo ; do lugar da freguezia para o Sul capaz de barcos e lanxas ; tem o tal rio 
pequena largura em partes, mas em todo o comprimento terá seis legoas pouco 
mais ou menos acompanhado de alguns braços com difterentes nomes; pellos 

auaes estão espalhados os moradores da freguezia : o dito rio faz barra ao mar 
onde nasse, e chama-se a barra grande do Camamú, e se extende ao espacio 
de 6 legoas que asima digo thé fnidar em hu sytio ou braço que se chama 
Caubi. b"esta freguezia a da villa do Camamú de Nossa Senhora da Assumpção 
dista 4 legoas boas, com a qual parte pella parte do norte, e pella do sul com a 
de S. Miguel do Rio das Contas, que dista outras 4 legoas grandes : todo o longe 
da freguezia se pode caminhar em dous dias sendo por mar ainda que nas 
partes mais distantes se pode gastar mais tempo, sendo no do inverno, em que o 
rio costuma estar mais alterado dos ventos : o dito rio quando comprehende a 
freguezia tem 7 braços grandes além de alguns pequenos ; os grandes se deno- 
minão=Caulú, Caybro, e Trimembeca, Sacoira, Prategy, Aldeya Velha, Tay- 
pús ; e nestes braços estão a mayor parte, e distantes huns dos outros mora- 
dores alguns hma legoa, e outros de meya para baixo distâo, e na situação, e lugar 
da Matriz tem 26 fogos, e as pessoas de communhão, que tem toda a freguezia, 
são 11 3o. 

2680 

«Relação da Freguezia de Santo António de Jequiriçá, no Arcebispado da 
Bahia, pelo respectivo Vigário Félix Gonçalves da Silva. 

Cachoeyra de Jequiriçá, i5 de maio de 1757. 
(Annexo aon. 2666.) 

«A Freguezia de Santo António de Jequirissá a sexta das Villas do sul, fica 
distante da cidade da Bahia barra em fora, 9 legoas, tem de comprimento, ou 
longetude do pontal da barra, thé o lugar onde está Aldeya dos índios, de Nossa 
Senhora dos Prazeres, ultima povoação do continente três legoas e meia, toman- 
do-se o caminho por terra, e sendo pello rio asima do dito pontal athé á fre- 
guezia, se contam 4 legoas e hum quarto navegável de embarcaçoens piquenas, 
como barcos, lanchas e canoas : e ao pé da freguezia athé dita Aldeya tem de 
distancia 3 legoas, porém se não pode navegar pelas innacessiveis cachoeyras 
que se estendem pello rio asima thé essas minas do sul. Divide-se* este rio em 
distancia de sete legoas antes de chegar a Aldeya dos índios em dois; hum com o 
mesmo nome de Jequirissá, e outro que o apellidão Rio de Vna que corre e vay 
desembocar no lugar chamado Taypus. De latitude ou extenção conforme os 
lugares dos moradores de leste a oeste tem quatro legoas, do lugar estiva thé o 
lugar Mapendipe e, ambos estes citios com seus rios navegáveis de embarcaçoins 
piquenas, e todos de Agoa salgada que acabão logo: o primeiro Estiva no lugar 
chamado Tapirema, o segundo Mapendipe no citio chamado Cachoeyra do 
Lobo. Este rio Mapendipe he hum braço de mar que entra da barra do Morro 
Prezidio de S. Paulo e pode navegar-se com navios thé o lugar chamado Taipuz, 
e dahy para sima só embarcaçoins pequenas. O Rio Estiva hé outro braço de 
mar que vem da' Villa de Jagoaripe e penetrando pela terra dentro acaba no 
lugar Tapirema com três legoas de comprido, o rio que desemboca na barra de 
Jequirissá que sendo o do meyo he o terceyro, tem, o mesmo nome de Jequi- 
rissá he todo de agoa doce the o lugar chamado quilombo, e dahy thé a barra 
he salgado. A barra he de marés pois não pode entrar nem sahir por ella em- 
barcaçoins carregadas, senão em marés grandes ou cabeça de Aguas, mas es- 
tando descarregadas pôde em qualquer occazião entrar e sahir, não estando 
a maré vazia. Tem esta freguezia nove lugares, ou povoaçoins, com grandes 
matas e campos de huas povoaçoins a outras. A primeira chamada barra de S. 
João de hua Capella do mesmo Santo cituada junto á Costa do mar, e tem i3 fo- 
gos e 55 pessoas todas de coníiçáo e comunhão, excepto duas que não comungão. 



191 

Dn bnrra de S. Jofto xhú o lugnr Volta grande, tegunda povoaçlo a heíri 
rio, nicdcyu hiiu legou ; tem nove togo» e 36 petiouH, todn» de cunhftftão e 
cdiimuiiihHo, rczcrviindo huii i^iic iiTio cinirnungii. I)n lugar Volta «nitulc ih^ 
o (labrestiiiitc icrccyra povítiiçao a hcira rio coiitace trc» quarto» Jc icgoa, tem 
■i.\ fogos e ip pcHNouH, todan de coiilishão c comunhão, e %à .^ tikn comuiigáo. Dm 
lugar Cabrestante he a í^nchoevra quarta povoa^Ao onde ne acha a Krcgue/ia a 
hcyra rio, inedeya a dintancia Je lucya legou e hutn (lunrto, c tiellu» «c contáo 
.^1) fogo», e iM) nc.sftoaH, todait decontiHKÚo e comutinAo rc»crvaiulo áci que 
iiíio con)ungáo. l)o lugar da fregue/iu lhe a Aldeya doH índio» de No»»a Se- 
nhora do» Prazeres iiuinta povoação hn hua legou de extençáo e consta de 63 
logos e 17!^ pessoas todas de conhssá') e comunhão, e todo» e»tes Índio» dot 
Topinaeiís. Ksta povoação sendo a quinta nu ordem, he u ultima du ireguczia, 
por se seguirem duhv para sima tão somente Mata» acompanhando o rio thé 
essas minas do sul. Kstes 5 legares ticúo em linha rectu de leste u ocRtc, que hc 
da burra de S, Joân primeira povoação athé Aldeya dos índio» quintu povoacáo 
Tornando porem lio lugar da Iregue/ju caminho do norte em distancia de duat 
legous fica o lugar chamado Kstivu sextu povoação. Tem 30 togo» e ii6pe»Roa», 
todas de coiitissão c comunhão, excepto 3 que não comungáo: I)o pé da mesma 
tVegue/iu, caminho do nordeste cm distancia de trcz quartos de Icgua fica a 
sctima povoação chamada o Tiriry de hum pequeno no que nascendo perto 
desemboca no rio grande Jei|uirissá. Conta-sc neste lugar i5 fogos, e 4O pessoa» 
todas de confissão e comunhão, duas porem náo comunjçáo. Deste lugar para sima 
por linha recta em distancia de um quarto de legoa hca a oitava povoação cha- 
mada Pancada de agoa fonte ou principio do rio Tiriry, Consta de ih fogos e 62 
pessoas, todas de confissão c conimunnão, reservando 4 que náo commungão 
e aqui se termina esta freguezia de Nossa Senhora da Ajuda da Villa de Jagoa- 
ripe. Tornando outra vez ao lugar da frcfjuezia e delia indo ao caminho do sul, 
cm distancia de duas legoas e ineya esta a iKMia e ultima povoação chamada 
Mapeiulipe, conta 2() fogos e i3d pessoas todas de confissão e comunhão 
excepto .■) que não cõmungão, c aquy se dá fim ou termo a esta freguezia de 
Santo António de Jequirissá, dividindo-se da parte do sul, com a freguezia de 
Nossa Senhora do Rozario da Villa do Cayrú.» 

2681 

Rki.açÁo da Freguezia de Nossa Senhora do Rosário da Villa do Cayrú da 
Comarca da Bahia, situada no principio da Capitania dos Ilhéos e a 
primeira da parte do norte. Pelo Vigário encommendado Joaquim 
Pereira da Silva. 

(1757). [Anjiexa ao n. 2666], 

«Principia esta Freguesia do Cayrú na costa do mar que corre de Norte a 
Sul em a ponta chamada do Curral, que faz frente com a Barra da Fortaleza do 
Morro de ^. Paulo; cuja Barra terá hum quarto de légua de'largo, pela qual 
podem entrar Nãos de alto bordo sem perigo, entrando chegadas bem a terra á 
parte da dita Fortaleza, que fica da parte do Leste, e a dita ponta do Curral 
fica da parte do Oeste, e entra-se por esta Barra caminho do Sul-sudoeste athé 
vencer da Fortaleza para dentro somente e dahy para sima faz volta o rio, e 
baixa, porem com pratico pode navegar hua Náo athé hua légua pouco mais ou 
menos pelo rio asiina. 

Nesta ponta do Curral, pela parte de dentro deste rio (que pela parte de 
fora hé Costa de mar) está situado o primeiro morador desta Freguezia que 
parte com a deJaquiriçâ, pela parte do Norte; e discorrendo por este rio, que 
entra pela dita Barra do Morro asima, caminho do Sul, ou sudoeste, conforme as 
voltas, que faz o rio : da parte do Oeste que he terra firme consiste a Freguezia 
do Cayru e, da parte do Leste deste rio he hua Ilha, em cuja ponta está situada 
a dita' Fortaleza do Morro, e discorrendo desta Fortaleza, tanto pela parte de 
fora, que he Costa de mar, como pela parte de dentro do rio, caminhando para 
o sul tné distancia de nove, ou dez legoas faz outra barra pequena, por onde en- 
• tram somente lanxas e barcos ; e a esta chamam Barra de Boupeva ; a mesma, e 
a do Morro como rio, que corresponde de hua a outra, formão hua Ilha, em que 
consiste a Freguezia de Boupeva, que se devide desta do Cayrú pelo dito rio, 
e discorrendo por este dito rio asima, da parte do Curral se segue o sitio cha- 
mado o Campo grande e segundo morador desta Freguezia do Cayrú, e logo 
aqui entra hum rio pequeno chamado Patipe, que entra pela terra dentro, enca- 
minhado para o Norte, o qual poderá ter de largo na entrada quinze, ou vinte 



192 

brassas, e dez, ou doze palmos de fundo e pode navegar por elle asima ou a lan- 
sinha, ou canoa thé distancia de hua Icgoa, ou legoa e meya, e contina em 
mattos serrados, e em hum limitado riacho de agua doce. 

Deste rio Patipe, discorrendo para o sul, pela costeyra do rio do Cayrú, 
segue-se o sitio, chamado Taynuz, e terceiro morador desta Freguezia do Cayrú, 
e logo se segue o rio, chamatio de Vna, o qual nasce de hua caxoeyra grande 
de agoa doce, e podem por este rio entrar oarcas e barcos grandes the distan- 
cia de meya legoa, pouco mais ou menos, donde a agoa se despenha por ro- 
xedos abayxo ; e aqui está situada hua Capella de Nossa Senhora do Amparo, 
filial desta Freguezia do Cayrú, tem seu Capelláo, 5o moradores, e 430 almas 
no circuito, tanto da parte do norte como da parte do sul do dito rio, chamado 
Vna que caminha pelos Certoens dentro em busca do Oeste, e compoem-se de 
vários riaxos, que a elle se ajuntão ; cujos fins se não tem ainda descuberto : 
e em altura de hua legoa está fundada a Aldeya de Fideliz regida por reli- 
giosos Capuchinhos para defeza do gentio bárbaro, que muito combateo, e de- 
struio aos moradores desta Freguezia, e despois que a esta Aldeya se fundou 
por meyo delia se conse^uio, ou para melhor dizer por intercessão do Senhor 
S. F^ideliz, e dos mais Santos, que este povo invocava em tão irremediável 
afflição, alcançarão de Deus Nosso Senhor reduzisse a paz, e ao grémio da 
Igreja catholica hua Aldeya do gentio bárbaro que mais combatia esta Fregue- 
zia, e caminho das Minas, que atravessava quando vinha fazer guerra a estes 
povos, e gastavão hum mez de viagem da sua Aldeya athé chegarem a estes 
mattos do Cayrú, e despois disto senão experimentão assaltos do gentio thé o 
presente. 

Segue esta Freguezia para o sul por terra firme, beyra rio com seus mo- 
radores, e possuidores das ditas terras, áquem 100 braças, 200, e 3oo de largura 
de norte a sul, e do fundo para o Oeste, e sertão hua legoa, ou legoa e meya, 
que dahi para sima são mattos grossos, sismarias, e terras inhabitadas, posto 
que tem alguas estradas, que vão por estes mattos dentro, thé três ou quatro 
legoas a tirar alguns paos para as Náos de S. Magestade que Deus Guarde 
que se fazem na Ribeira da Cidade da Bahia; alem de muitas que se tirarão 
os annos passados para a Ribeira das Náos da Cidade de Lisboa, que vinham 
Xarruas por esta Barra do morro dentro a carregalas. 

Segue-se o rio chamado de Maricoaba, que he estreito, e baixo, e desagoa 
no dito rio do Cayrú, e só pode por elle navegar algua lanxa, ou canoas, cousa 
de meya legoa, e dahy para sima he hum limitado riacho de agoa doce, donde 
está fundada a Capella de Nossa Senhora do Desterro: não tem Capellão, e terá 
46 moradores, 36o almas para a parte do Norte e sul da dita Capella, que para 
o Oeste são mattas e certão, e para o leste corre o rio desta Freguezia do Cayrú ; 
e indo caminhando para o sul segue-se o rio da Galé, que se compõem dos rios 
Pitanga e Sarapui, e de outro chamado do Engenho, cujos rios são de agoa doce, 
que vem de dentro dos mattos, ou certão, cujos fins ou princípios se não tem 
ainda averigoado : São navegáveis de lanxas e Canoas thé a altura de hua 
legoa, pouco mais, ou menos : tem seis moradores e 5o almas. 

Segue-se, continuando para o sul pelo rio do Cayrú asima, que he de 
agoa salgada, o rio chamado de Camorogi, que he de hua caxoeira de agoa 
doce, pelo que entrão lanxas e canoas the a altura de meyo quarto de legoa 
pouco mais ou menos, e dahy para sima são pedras por onde se despenha a 
agoa ; vem de sima dos mattos e certoens, cujo fim inda se não tem averiguado, 
em cujo rio está a Capella de Nossa Senhora da Ajuda : não tem Capellão, e 
terá 10 moradores, e 160 almas, tanto para a parte do Norte do no, como 
para a parte do Sul. 

Vão-se seguindo os moradores por esta terra adiante, caminhando para 
o sul, e possuidores das mesmas terras, como fica dicto, thé o sitio chamado 
Taparóa donde está situada a Capella do Senhor S. Brás : tem seu Capel- 
lão, os moradores cincoenta e quatro almas, 58o no circuito, e para a parte 
do norte, e também para a do sul, vão-se seguindo mais moradores e possui- 
dores das ditas terras thé o sitio chamado Engenho, donde se finda esta Fre- 
guesia do Cayrú e principia a de Boupeva ; porquanto a dita Freguezia de Bou- 
peva não só se devide desta do Cayrú pela parte do Leste com o rio, que entra 
pela Barra do Morro e saye pela de Boupeva, mas sim atravessando a dita Barra 
de Boupeva para a terra "firme, vem confinar com esta Freguezia do Cayrú pela 
parte do sul, ficando esta V^illa do Cayrú situada em hua Ilha, que está no 
meyo deste rio do Cayrú, e terá de largo em quadra meya legoa donde os an- 
tigos fundarão a dita v'illa por se livrarem da invasão do gentio bárbaro, na 
qual está fundada a Matriz, e hum convento de Religiosos cie Santo António, 
e terá esta Villa dentro em si i35 moradores e 56o aimas, e toda a Freguezia 
contem em si 3(X| fogos e 2210 almas. A mais desta gente são negros, e pardos 
captivos. Ocupam-sc os moradores em lavouras de mandiocas, e algum arroz e 



103 

nmitim cru riiiulcyriíH, c labcMldotS e de prctcntc cm madcirat para a Náo, que 
HO c»iii tii/ciulo nu Kil>eira da Cidade du Uiihia. 

Tem cKtu l-'rc|(uczitt du Cayrô de c«inprimcnie, comcMando da díia poma 
d«) (^iirrtil thc o dito kitio do Kiif^ciiho, cinco Icgoaa |Níuco mui» ou mciio», c a 
lurguru hc ftomciitc o fundo du* icrriu, auc poaaucm o» rnoradorc», àcuic a 
bcyra do rio paru o (Icrtfto, caminho do c)c»lc hua Icgoa, ou Icgoa c incya, 
conforme u» cicripturoit ou titulou de cada hum, que at mai» tcrru» ou maito», 
pelo (lertfto dentro, s&o •iimariu» ; c ■<> a» ferai onças e gcnii<« ai habiifto de 
presente. 

Kste 6 o melhor m(xlo que pude discorrer para dar relaç&u e noticia do que 
contem estu Frcguezia do Cayrú. 

2682 

DkscripçÁo da Frcguczia do Espirito Santo de Bovpeba, pelo Vigário 
cncommendado José Borges de Scrqueira Mcrciío. 
1757. — (Annexu ao n. 2666). 

«Obedecendo devidamente ao que me ordenou V, Ex* R."* pela sua por- 
taria de 4 de Dezembro ilc i7!>t) entrei u informurmc com as pessoas, homens 
mais antigos assim tiaturaes, como moradores desta frcguczia sobre as clausulas 
contexto lia dita Portaria, c a noticia, ou informação, que de todoft elles colhi 
com uniforme rezoiuçáo he a seguinte. 

Desta Villa de Santo António de Boypeba thc o Prczidio de S. Paulo do 
Mourro se contáo cinco legoas caminho de mar, costa braba, e sendo por terra 
se cotitãu seis leçous e no meio delia ha hua enseada chamada Carapinha, 
que dá entrada somente a embarcaçoens peaucnas. 

Do dito Prezidio do Mourro dentro pello rio asima thé a Villa do Cayrú 
roderá haver distancia de duas legoas e meya e no meyo desta distancia em 
num lugar alto ou outeyro está edificada hua Capella vocassáo S. Francisco 
Xavier vulgarmente chamado o tal Outeyro Galliáo. 

Da diia villa de Boypeba rio asima thé o citio chamado Canavieiras, fa- 
zem haver distancia de nua legoa, e deste citio a outro chamado Caratingui 
fazem ser outra legoa, e deste citio thé a dita villa do Cayrú fazem ser outra 
legoa pequena, e por este modo são cheyas as três legoas, que já se disse ou 
duas e meya que na de distancia do dito Prezidio the a villa de Cayrú para 
onde não ha caminho de terrra, e só por mar. 

Da Villa de Boypeba pelo rio asima buscando o porto chamado Giquihé só 
podem navegar embarcaçoins pequenas, e canoas, e no tal porto para, e finda o 
Rio Giquihé, e dista sinco legoas e meva pouco mais ou menos da dita Villa de 
Boypeba, e partindo delia thé o citio chamado Vtinga, thé onde partem, e divi- 
dem seos rios do Giquihé, e Mutupiranga poderá haver distancia de coatro legoas 
e meya, e da boca desta repartissão, ou divisão dos rios ao porto chamado \íutu- 
piranga poderá distar legoa e meya e assim se completáo seis legoas desta Villa 
de Boypeba, ao dito porto Mutupiranga, e para este porto não podem navegar 
sjenão canoas, ou embarcaçoins pequenas. 

Thé esta divisão ou repartissão dos sobreditos rios poderá haver distancia 
de hua legoa e desta partindo pello mesmo rio abaixo buscando a Barra cha- 
mada de Boypeba poderá haver distancia de legoa e meia pouco mais ou me- 
nos ; nesta Barra entráo somente embarcaçoins pequenas, que demandem de 
agoa, senão thé dez palmos, e da boca desta Barra para a parte do oeste faz 
hum brasso de rio chamado do Amam sem commercio algu e no seo fim ha 
hum portinho chamado Passagem, onde desembarcão os caminhantes e passa- 
geiros que vão para a Villa do Camamú e dessa tal passagem thé a dita Villa 
de Boypeba poderá haver distancia de sinco legoas pouco mais, ou menos tudo 
de navegação por não haver caminho por terra. 

Ha neste meyo hum rio chamado Taenga ; he como inhabitavel, pois nelle 
ha somente três, óu quatro habitadores. 

Poderá ter esta Ilha e Villa de Boypeba de comprido Norte ao Sul seis 
legoas, e de leste a Oeste duas legoas, e meya. 

Segue-se a Relação das pessoas entradas e sahidas, desta Villa de Boypeba 
para a parte do sul. 

Sahindo desta Villa de Boypeba pela Barra fora parte do sul se encontra 
hum porto chamado Taixinmerim, o qual he perigoso, em que não podem 
entrar senão embarcassoins pequenas com marécheya, e com pratico da terra ; 
dista da dita villa por mar me_yo quarto de legoa, e por terra hum quarto. 

Deste mesmo porto Taixinmerim sempre para a parte do sul a buscar 
outro porto chamado Moraré pode haver distancia de meya legoa da dita Villa 

I. . 25 



194 

assim por mar, como por terra, este he também perigozo, e nelle não pode 
entrar senão canoas, e embarcassoins peauenas dependentes de practico. 

D'este porto thé o outro chamado Bainema em costa braba, também não 
entráo nelle senão embarcaçoins pequenas com practico, menos alguas embar- 
cassoins que o trazem, e vem da Villa do Camamú, dista este dito porto desta 
Villa por mar hua legoa, e por terra hua legoa, e quarto. 

D'este porto Bainema á boca do rio chamado Catú tudo na mesma costa 
poderá haver distancia de hua légua e quarto por mar, e por terra legoa e 
meya ; a barra d'este rio he muito perigosa para a entrada, e por isso como 
inhabitavel, e apenas está povoado com ires pobres moradores; poderá ter 
este rio de comprido da sua boca, ou principio athé o fim meya legoa, e hua 
legoa e três quartos pouco mais ou menos de distancia desta Villa. 

D'este porto Catú para o chamado Ponte dos Castelhanos, porto de pes- 
cadores, poderá ter distancia de hum quarto de legoa; he despovoado de gente, 
dista da Villa por mar hua legoa e meya, e por terra hua legoa e três 
quartos. 

Deste porto dos Castelhanos ao chamado da Enseada, que também he 
perigoso, e nelle entráo somente embarcassoins pequenas e com practico, 
ainda que he porto de toda maré, dista delle para esta Villa por mar hua 
legoa e meya, e por terra legoa e trez quartos. 

Desta Enseada finalmente thé a dita Barra chamada Boypeba haverá dis- 
tancia desta Villa por mar hua legoa e três quartos, e por terra duas legoas. 

Tem esta freguezia e Villa de Boypeba coatro Capellas annexas a ella, a 
saber hua de Nossa Senhora da Luz no Prezidio de S. Paulo do Mourro, 
outra de S. Francisco Xavier no Gallião, outra de Nossa Senhora da Boa 
Morte no Jordão, e outra de Santo António em Mutupiranga, e juntamente dois 
Oratórios particulares hum no rio do Taénga, e outro no rio do Giquihê. 

Tem toda esta freguezia 2417 pessoas de cominunhão. 

Esta he Ex"". e R."* Sr. a rellaçâo que specifica e miudamente pude 
haver dos sugeitos mais antigos naturaes, e moradores desta Villa. Deuz 
Nosso Senhor guarde a pessoa de V. Ex* por muitos annos.» 

2683 

«Relação dos lugares e povoaçoens, distancias de humas ás outras e suas 
denominaçoins, dos navegáveis rios e innavegaveis, seos nomes e 
nascimentos, das legoas e horas de Jornada de huns a outros e o 
numero das almas de Communhão da Parochia de Nossa Senhora da 
Ajuda da Villa de Jaguarippe, feita pelo Vigário Bento Luiz Pereira.» 
1737. (Annéxa ao n. 2666). 

líDos rios. Seis legoas ao sul da Cidade da Bahia está a barra chamada de 
Jaguarippe por onde o Mar lansa hum braço que dividindo-se logo ahi em dois 
rios (ficando a terra triangulada no meyo) o da parte do Norte atravessando a 
a freguezia de Santo Amaro de Itaparica vay encontrar-se com as agoas da barra 
da Bahia : O da parte do sul chamaao Jaguarippe (do mesmo nome da barra e 
da Parochia) caminhando pelo meyo de alguns seus habitantes perto de quatro 
legoas até onde está sitta a Capella de Santo António das Barreyras filial desta 
Matriz; e dahi tendo já feyto volta para Leste sahe do continente desta freguezia 
continuando seu caminho pelos de outras Parochias até o seu nascimento, onde 
chamão Genipapo correndo de oeste para leste quinze legoas da barra; porém 
só navegável cinco legoas até a Matriz da freguezia de Nossa Senhora de Naza- 
reth de embatcações de 8 até 9 palmos de fundo; o que também se entende por 
todos os mais braços navegáveis, que a este rio se a)untão. 

Da barra pois emté á referida Capella de Santo António das Barreyras desa- 
goâo neste rio quatro braços, cujos nomes Cahippe Macujó o da Aldeã e Mara- 
gogippe: da boca deste que da parte de sudueste distante da barra três legoas e 
três quartos, emté o seu nascimento que hé nos mattos da mesma Parochia são 
duas legoas e delias só hum quarto de legoa navegável, hum quarto de legoa 
distante do de Maragoeippe e três legoas e dois quartos da Barra está da mesma 
parte a bocca do Rio da Aldéa (chamado assim por passar por ella) até a qual, 
desde a sua bocca, he hua legoa pequena navegável, e dahi sem o ser mais 
prosegue mais duas legoas a buscer ao pé das rocas da mesma .Aldeã o seu nasci- 
mento. Da parte do norte defronte da villa e duas legoas da barra está a boca do 
rio Macujó, desde a qual até o seu nascimento, aonde chamão Tramahoé do dis- 
tricto já de outra freguezia são três legoas, porem só hua navegável não sempre, 
mas só em marés não vazias. 



a 



196 

O chnmniloCnhippe, que hc o mnynr brtço do rio Jnguaríppc il^t iMn.in do 
Hul huu lc^••u c incyii du biirrii hc i]uc tem ■ MM boccu, du i|uul rc uiiiI:i íjiiiiizc 
IcgouH u IniftCiír o hcu nuKciíiiciito jii muito fora do limitt* dc»iu l'iir<>it)iii, nn 
friiKlu de hunt nutcyro uoiidc chaiiiAo u l'edra-brancii ; pori'iii %í> hc kalffiiiJlo e 
nuvcgiivel (rc» leuouH ale onde cuia «itta a (iliiil C.apclla de S. Hcrnurdo, c u (xivoa* 
);h<i chiitTiiidu do l-!iif(cnhn, c utc onde tumbeiii tiellc dcKagoáo quuiro rio» 
pciiuciiOH, cujos nomcH «Ao; O do ('outo, Tropomungú o du Kntivii c Jacirú : O pri- 
incirii perto du »uu bocu hum quarto de leKoa dn purtc de Aloe»tc chuinado do 
(]ouio ou (como outro» o denomiiifto) da CaRtelhunu, cm quaiii legou e mcya 
utc' o HCU tiuscimento nos campos da mesma Parochia, c sA hum quarto de Icgoa 
navegável. 

O segundo que he o de Tropomungú outro quarto de legoa distante dn do 
Couto ; pelo rio nsimn dn mcsmn pnrtc tem duus Icgoas dn suu boca ao seu nas- 
ciiiictii) que hc DOS cntnpoH du trc^uczia de Sunto António de JequeriMá, e só 
hna Ic^oii tiavcgiivcl. I'cla nicsnia parte de AlocHte Icgoa c meya da boca do 
rioCuhippe, dcsagoa neste o terceyro rincho chamado du Kstivu nascendo de bua 
lagoH aonde chamÁo 'lapirenmn meya Icgoa dn sua boca e qua/i toda navegável, 
e toda do districto da trcguezia de S." António de Jcriquittsá. i) quarto e ultimo 
riacho hc defronte c da outra banda do da Kstiva chaniadf) Jaciru de cuja boca 
ao seu nascimento, que hu nos inuttos desta trcguezia de Jaguarippc fazem meya 
icgoa e s/) hum quarto de lct;oa navegável. 

Das Almas. Ma nessa Parochia de Jaguarippc 3i8i almas de comunhão; das 
unvs i(H) são Iniiios moradores na Aldca; i.^oi pessoas livres, i3io captivas, tudo 
<ic num e outro sexo, entrando neste numero sete homens que navegão sem 
habitarem cm terra, 3 prezos de fora da frcguczia, e 3 vagabundos. Tutu> cxtra- 
hido do rol dos Confessados do presente anno de 1757. 

Das povoações e logarcs. Compõc-sc esta Parochia de Jaguarippe de 11 luga- 
res e de 4 povoações: os nomes d'estas são a da villa, a do Engenho, a da AIdéa, e 
a da Barra, chamada assim não por ticar junto a ella porque desta dista meya legoa 
mas sim por ser a ella a povoação mais próxima da parte do sul : Os onze luga- 
res denominão-se: Ilha do Freytas, o do Couto, Tropomungú (estes dois da parte 
do sul do rio Cahippe) Toque-Toque, Oytá, Caynema, Mocurandii da parte do 
sul do rio Jaguarippc, Jacaracica, Barreyras da parte do norte do mesmo rio, «» 
de MaraÈogippe da parte do norte do riacho do mesmo nome, o do Porto da 
Espada da parte do sul do Rio da Aldeã : cujas distancias de huns a outros para 
mayor clareza se mostram no seguinte Mappa por quarto de legoa. 

He de saber que os caminhos de huns lugares a outros são por agoa em 
que se gasta hua nora por legoa, em canoas sendo com maré favoravele com 
bons reineyros, excepto da povoação do Engenho para a da Aldêa, que he hua 
legoa por terra ; alem de outros lugares que se communicáo assim por agoa 
como por terra sendo por hua e outra quasi a mesma distancia; e por hua e 
outra se gasta ordinariamente o mesmo tempo. Tombem se presupõem que os 
dois lugares Oytá e tlaynema como estão juntos e tem para os outros a mesma 
distancia também vão juntos no mappa e nelle se não faz menção dos outros 
dois lugares do Couto c Toque-Toque este por ficar distante da villa só Soo 
braças, e aquelle por não ter mais distancia da mesma Villa do que a largura do 
rio Cahippe que inedéa. (Segue o nfappa). 

Do riacho Tropomungú para sima por distancia de hua legoa ha 3g fogos, 
que guarnecem as margem do rio Cahippe todos disjuntos, que nem todos nem 
parte\ielles formão lugar ou povoação, e a toJos e cada hum se chamão mora- 
dores do Cahippe como também nos mattos do Continente desta freguezia ha 33 
fogos, que por serem os donos lavradores de mandioca, vivem distantes huos 
dos outros distando os mais propinquos hum quarto de legoa; os quays toJos 
por estarem separados na forma ditta, não formão também lugar ou povoação, 
e todos são chamados moradores das roças e o que destes he o mais remoto da 
Villa rica em distancia desta quatro legoas, e da dica povoação da Barra ? legoas 
e meya. Todas as legoas das referidas distancias não são medidas mas julgadas 
pella fantazia dos homens mais experimentados desta freguezia de .Nossa Senhora 
da Ajuda da Villa de Jaguarippe.» 

■2684 

«Rki.açÁo dos lugares, povoações e rios da Freguezia de Nossa Senhora da 
Nazareth, no Arcebispado da Bahia, pelo Vigário .losé Torcaio Cruz.» 
1757. lAnnexa ao tt. 26661. 

«MandameW Ex.' faça hua Relação dos lugares, e Povoaçoens desta Fregue- 
zia, as distancias que há de huns a outros, e os seos nomes declarando também 
os rios, que pelas ditas Povoaçoens pasão, e os nomes com que se denomináo. 



196 



se são navegáveis, e os seos nascimentos, as legoas e dias que há de jornada de 
hum rio a outro, e as pessoas que ha de communháo, e as Capelias annexas a 
esta Freguezia, ao que obedeço, e satisfaço na forma seguinte. 

O Lugar que verdadeiramente pode ter o nome cie Povoação he o que se 
intitula de Nazareih, honde se acha a Capelia da mesma Senhora fundada á 
margem do rio, que por remédio serve de Matrix, sugeita ás innundaçoens do 
mesmo rio e tão destruida, não só por cauza deste como também pela sua anti- 
guidade por ser fundada no anno de 1649 *^^ qual por duas vezes se tem tirado 
as sagradas Imagens em conôa da mesma Capelia ; este he o mayor lugar e 
Povoação que tem esta freguezia, porque além dos moradores, que existem tem 
a mayor parte dos lavradores suas cazas por cuia rezão se tem feito grandiozo 
na extensão, e mais poderá ser pelos annos adiante por rezão do Comercio e 
neste mesmo lugar assisto com o meo Coadujutor para administração dos 
Sacramentos, não só a estes mais ainda aos lavradores meos freguézes, que já 
muitos me ficam em distancia de 5 legoas. 

Ha nesta Freguezia outros lugares, que se intitulão por sitios, como são 
Saúde, Tujuqua, Cabouto, Jundiâ, Cupioba, Outeiro, Arasâ, Catheara, Con- 
ceipçáo, nestes assistem alguns moradores disperssos. 

Todos estes sitios ficáo em distancia da Povoação em que se acha a Ca- 
pelia que serve de Matrix, huns legoa e meya, outros hua legoa, e tão bem se 
achão outros com menos de meya legoa, excepto, o da Conceipçáo, porque este 
se avista do lugar desta Povoação, mediando o rio, que suspende muitas vezes 
a communicaçào por cauza da sua enchente que dificulta a pasage no tempo 
de Inverno. 

Os rios, que passáo por esta F^reguezia ; são, o rio grande a que huns cha- 
máo, de Nazareth ou de Jaguarippe, Tujuqua, Cupioba, meyrim, Cupioba Sú, 
Jequitibá, Onha, Tatinga estes dois nascem nesta Freguezia distante desta Po- 
voação três legoas, o rio de Jequitibá tem o seu nascimento da serra do bo- 
queirão distante desta Freguezia 12 legoas; o rio grande chamado de Nazareth, 
ou de Jaguarippe, tem o seo nascimento das Alagoas do Genipapo, distante desta 
Freguezia 10 legoas ; neste fazem barra os referidos, a saber Jequitibá, Onha, 
Tatinga, que no tempo de Inverno o fazem tão rigoroso, digo tam grandiozo 
que muitas vezes suspende por mais de oito dias a pasage, e todos estes se 
passáo quando he percizo administrar Sacramentos ; este rio chamado de Naza- 
reth ou de Jaguarippe vem dar a esta Povoação batendo suas agoas pelo adro da 
Cappela que serve de Matrix, e se mete no salgado trazendo sua corrente the 
esta Povoação sobre Cachoeiras. 

O Rio chamado Cupioba sú, tem o seo nascimento de hua serra assim cha- 
mada distante desta F"reguezia 4 legoas, a este vem fazer barra outro chamado 
Cupioba meyrim, que tem o seo nascimento da mesma serra, e se vem meter 
no salgado. O Rio chamado Tujuqua, tem o seu nascimento 4 legoas desta Fre- 
guezia, e neste fazem barra dois riachos hum chamado Camarão, e outro rio 
grande que se vem encontrar com o salgado. 

A devizáo desta Freguezia principia por três brassos de mar a saber hum 
que se vai encontrar com o rio chamado Tujuqua, outro com o rio chamado 
Cupioba síi, e outro com o rio chamado de Nazareth ou de Jaguarippe. 

Estes três brassos de mar, que pertencem a esta Freguezia tem de distancia 
o da Te)uqua hua legoa, e os outros dois, três quartos de legoa por onde navegão 
embarcaçoens, e assistem á margens destes vários moradores; estes são os rios 
navegáveis que ha nesta Freguezia, que finda esta distancia se emcontra com 
cachoeira ou bachio, nem as marés sobem a ?naior distancia. 

Os ditos rios pelas suas cabeceiras ou meyos se passão pelos lugares asigna- 
lados, dando as agoas lugar, e todos tem seo nascimento fora desta Freguesia, 
excepto os que nela tem seo nascimento dos quais faço menção. .\s distancias 
que medeya de hum rio a outro não posso aseverar, com certeza pela rezão de 
serem por suas cabeceiras ou meyos aterra que medeya entre hum e outro rio, 
em partes mais, e em outras menos, sem embargo que nela assistão meos fre- 
guézes que vivem de suas lavôras de mandioca, que nem estes o podem verdadei- 
ramente ajuizar por rezão dos rios fazerem muitas voltas, mas pelo que respeita 
aos rios navegáveis nunca excedem de huns aos outros mais de h um dia de viage. 
Esta Freguezia tem duas Capelas filiaes distantes da que serve de Matrix hua 
quazi 2 léguas, e a outra em pouca distancia da Povoação que medeya o rio 
chamado de Nazareth ou Jaguarippe, que com as suas enchentes suspende o 
transportarem-se os moradores de hua para outra parte no tempo de Inverno e 
fora deste nem a todos he fácil o poderem no fazer quando querem por lhes faltar 
a proinptidão de canoa. As almas que comprehende esta Freguezia, e consta do 
roída dezobriga são 2.200 sendo somente de communháo 1.900.» 

2Ó83 



197 

RklaçÁo í\a Frcauczia de Santn Vera Cruz da Ilha de Itaparica, do Arce- 
bispado lia Kahia, pelo Vigário Chrlstováo dos Santos. 
1757. lAnnexa ao n, -jOOd). , 

«A FrcKiicxiii da Snnta Vera Ou/ áa Ilhi f- i..-.-.- , qy^ f^çf^ \ 
ciiluilc (iii Hiihia cm iliniaiiciit Jc »itico para ^ ifl na oppi 

Colima JoH Ncoit iiaturacK, c hahiiadorc», de ... <iue M • 

1'niiiu da» lialca» cm lhe o hiIío da l'arJpallll^a donde (vriiiína m tal l 
c c<>incv'a u de Santo Ainarnda inc»nia Ilha. A povoa(áo que icin a lai i 
hc lia l*oiita já inciiHÍonada dan Italéa», que hca direita uo Norte, c icrit nua 
(lapolla de S. I.oureiiyo glorioto Martyr, c Levita cm que »c acha colocado o 
Saiitiitftiiiio, e AugiiHtÍHHimo Sacramento do Altar, e rexidc nclla o Uevcrendo Vigá- 
rio da dita l■'rc^uczia, que adminiNlrn ok Sacramenln» ao povo que contta de 400 
PCHKoas no tempo de oito meze» do unnn, em que »e acha mcno» povo por %c 
haver já cm tão levanudo u arma<áo da» 4{al<}aK, que iie cokiuma levantar por 
Santa Thcrexa, (|ue iioh outroH quatro mexcM 'ic cada hum anno ; que ȇo 
Julho, Ago.Hio c Setembro, e outubro, em que hc labora na oílicina de tazcr a/eitc 
da.H Maleas que hc contrato Kcal de S. MngcMade que Dcoh guarde, umíaIc na 
tal povoação milhor de 3000 pesHoas, que concorrem da Cidade, c Recôncavo a 
trabalhar na tal occupaçáo. 

Também tem hua Fortaleza a dita povoaç&o na qual mora o Capitlo e sol- 
dados artilheiros, e liça á bcyra mar para a mcHma parte do Norte em hua 
ponta a que chaniâo 1'ontal. Do tal lugar se vay estendendo a Frcguezia da ma- 
neira seguinte : 

Tem estrada, e caminho pelo qual se vay buscando a parte da cidade que 
licaa purte do leste, e cm distancia*de hua Icgoa, se achão os tnanguinhos, que 
hc hu lugar que se expressa na carta de marcar e no tal sitio Hca a Capella de 
Nossa Senhora da Assumpção e S. João do Mangiiinho com alguns moradores, 
ca/as, e tazendolas, mas poucas, e no caminho se achão bastantes pedras grandes. 
Seguindo a mesma estrada c caminho e rumo se etncontra com a Capella de 
Nossa Senhora do bom Dcsnacho em distancia de meya Icgoa que também tem 
alguns moradores, e fazendas, e também bastantes lages pela praya, que empe- 
dem bastuntcmcnte o caminho. 

Continuando a tal estrada couza de meya Icgoa se avista a Capella de Santo 
António dos \'alasques, lambem em hua ponta que Hca fronteira á cidade da 
Bahia ; no sitio da tal Capellu que he delicioso, tem hua vista admirável porque 
se vè toda a cidade, muita parte do recôncavo, e Barra da Bahia, avista-se clara 
e distintamente os Navios que estão ancorados no rio da mesma Cidade, e os 
que entrão, e sahem pela Barra fora : Está situada a Capella de Santo António 
nosso Portuguez que ue novo se reediHcou a custa da sua Irmandade, com campas 
das sepulturas de tabuado, caza de rumeyros, e caza do P." Capellam que assiste 
continuadamente, e com licença do Ordinário, e do Parocho administra os sacra- 
mentos ao povo daquelles lugares aue distão já duas Legoas da Ponta, povoação 
mayor da tal Freguezia, e defronte da dita Capella correndo para a parte do sul 
comessãoos recites das pinaunas, que vão seguindo do tal lugar em thé a barra 
falça da Bahia, lugar pertencente á Freguezia de Santo Amaro, por cuja cauza 
não navegào senão embarcaçoens pequenas, como Lanchas, e saveiyros, que dos 
portos entrão, e saheii) com lenhas, e tructas para, a cidade e recôncavo. Logo 
em distancia menor de hum quarto de legoa se acha situada a Capella de Nossa 
Senhora das Mercês com poucos moradores, e barreia pela qual entrão e sahem 
as ditas embarcações pequenas para as partes mencionadas, e pouco mais abaixo 
Hca o rio chamado Jaburu que sahe ao mai, e faz tal, e qual barra por onde 
lambem entrão a sahem as taes embarcaçoens. Seguindo dahy para baixo o 
mesmo caminho, estrada que he a pancada do mar, e todo de fazendas, ou rossas 
em distancia de 4 legoas pouco mays ou menos fica o rio da Penha, que nasce 
da mesma Ilha em distancia de hua legoa pela terra dentro, e de hua alagoa 
a que chamáo a lagoa grande, e com maré grande ou cheya empede passagem 
da parte do sul; em pequena distancia fica a Capella de Nossa Senhora da Penha 
de França com hua fazenda bastantemeiite grande que pertence a dita Capella e 
escravatura bastante, e fica já a tal capella fora da Barra da Bahia, mas em 
pequena distancia, com bastantes recifes, que dificultão a navegação, e fazem 
arriscada. E seguindo a mesma estrada para baixo, e parte do sul em distancia 
de hua legoa hca a barra do Gil, e em terra está situada a Capella de Nossa 
Senhora da Conceyçâo, ficando pela terra dentro em distancia de hua legoa a 
Capella de S. José, que está situada em lugar dezerto com bastantes atoleiros e 
riacho. Dahy em distancia de hua legoa hca a barra chamada Potte, e entre 
hua, e outra fica o rio Paratigippe navegável quazi, distancia de hua legoa da 
pancada do mar emthé o meyo da Ilha; que hé hua barreta pequena, que hoje 



198 

não se segue, logo em distancia de meya lagoa outra similhante a que chaniáo 
barreta ; c abayxo delia couza de meya legoa, pouco mays, ou menos fica a barra 
grande chamada assim por ser mays larga que as outras, e não porque porella 
entre outras embarcaçoens mayores, mas defronte delia na terra tem povoação 
mayor que em nenhua das outras ; e continuando a mes maestrada, ou caminho, 
que todo elle se compõem de grandes emciadas, se emcontra com o lugar da 
armação de xarcos chamada Parapatinga, que se compõem de hum rio que faz 
.o mar morto pela parte do sudueste emthé quasi acosta; mas não chega a ella; 
e volta pela parte de dentro da mesma Ilha de Itaparica pela dita parte do su 
dueste donde fica a Pirajuhia barra de Parauasú costa da Sambara. 

Este tal rio chamado Parapatinga que serca a Igreja Matriz da Santa Vera 
Cruz de Itaparica em distancia de hua legoa finaliza, porque se mette no mar 
salgado, e vem buscando a roda da dita Igreja Matriz, os sitios do Inganasú, 
Emg." Ilha das Ganas, Mucambo e ponta sem haver em toda a Ilha rio algtim 
navegável in totum, mays que algum braço de mar salgado que entra pela dita 
•terra cousa de quarto de legoa; a Ilha das Canas hé limitada, tem poucos 
moradores, e fica em meyo das Igrejas Matriz, e S. Lourenço da Ponta, 
e pertence á mesma Ponta ; na administração dos Sacramentos o Reverendo 
Vigário assiste oa mesma Ponta administrando, ou mandando administrar os 
Sacramentos desde a ponta emthé o Rio da Penha pela parte da cidade, e pela 
parte Pirajuhia, barra de Parausú & emthé o rio Ingauasú; porquanto dahy 
para sima recorrem á Igreja Matriz, donde de ordinário os administra o Padre 
Coadjutor que nella assiste, que com authoridade do ordinário do lugar, e do 
Reverendo Vigário da mesma Freguezia vem administrar os Sacraitientos a oito- 
centas pessoas; administrando o Reverendo Vigário na parte da Ponta a 1200, 
que todas juntas fazem o compito de 2000 almas, alem de 400 pouco mais, ou 
menos que não são de communhão.*A Freguezia he das mays antigas do Arce- 
bispado, e se acha situada hoje em lugar dezerto ; porquanto depoys que na 
Ponta se estabeleceo o contracto c^as Baléas, foy o povo dos outros lugares reti- 
rando-se para ella, e por isso ficando ella mays situada, ou povoada ficarão os 
outros mays dezertos 

Está plantada a arvore da Santa Vera Cruz em hu Monte, que bem se pode 
dizer Monte Calvário por dezerto, e no meyo da Freguezia, olhando mays para 
a parte da Pirajuhia, que se avista do que pêra a parte da cidade, que do tal 
lugar não se vê; nelle mora sempre o Padre Coadjutor muytas vezes só, e ou- 
tras vezes com hum, dous, ou três moradores. A Igreja está pouco paramentada, 
e de presente quasi demulida em ordem a concertarem; mais isso já ha mays de 
sinco annos que assim se acha, e por falta de dinheiro está parado o concerto.» 

2686 

Relação da Freguezia de Pirajuhia no Bispado da Bahia, pelo Vigário 
João Baptista dos Santos. 

S. d. [annexa ao n. 2666.) 

«Consta esta de 3 legoas de longitude com huma de latitude. A longitude tem 
principio da parte do Sul em hum limitado rio, que nasce de muito perto e 
desemboca no mar chamado Pratigi — , que divide esta Freguezia da de Santo 
Amaro de Itaparica e vay correndo direita ao Norte até a Ilha chamada «Lobato» 
em distancia de três legoas e meya do Pratigi. Desta ilha corre então o resto da 
longitude caminho direyto de Oeste, e faz limite no sitio da barra do rio uPará- 
açw) aonde pelo continente se divide esta Freguezia da deS. Bartholomeu de 
Maragogipe. Dista a Ilha Lobato do referido sitio da Barra legoa e meya que 
com três e meya, que ha de distancia do mesmo Lobato ao Rio Pratigi faz tudo o 
computo de cinco legoas certas, que tem de longitude, e extensão esta Freguezia. 

O rio Paraaçú he o mais caudaloso, e navegável dos que ha em todo o recôn- 
cavo da Bahia. Tem seu nascimento nos mais remotos certoens, e he o de 
mayor commercio; porque todo o tabaco e milho que se colhe na Cachoeyra, e 
em todas as Freguezias circumvizinhas e de alguns certoens, e todos os Miney- 
ros, que com seus cabedaes descem das minas para a Bahia saem por este rjo, 
e não menos todas as farinhas que se lavram em Maragogipe, e outras Fregue- 
zias, açucares, arrozes, feyjoens, legumes, e todos os mais viveres que produz o 
Iguape, que abundão a Cidade. 

Pelo Rol que foi para a desobriga deste anno de 1757 consta ter esta Fregue- 
zia 247 casas, a que vulgarmente chamam os fogos, nos quaes se contem 1126 
almas. Destas tem 819 cie communhão e 307 que não comungam. 

Todos os moradores desta freguezia vivem á beyra do mar, que a acompa- 
nha em toda a extensão, e longitude, uzando a mayor parte delles de pescarias. 



199 

outroi de livrarem tcnhae, e outro» de faxerem na» «uat oliiia» fArmae qwt 
vciulem uo» Scnhorc* de Kngenhna pura iicllat «e purgarem o» aftftucarc», e por» 
rocii», cm que n» Scnhorc* i.U>» lutnníquc» faxem aa garapa* do* mclle* quee*- 
lilliiii cm a^fiardciilc». 

i-'ciru lia hcyru mur, he lodu u mui* Icgnu de latitude dcxcrta de moradore», 
cheia klc hoitqticH arrole», cumpina*, c uTguii» mato», c «upp»»)" *rii ili%\cK%e 
que linha CHia Kregucxia hua Icgoa de lalilude, he porque no li> .1 

«e dciiuircam a» cyumariaK da» terra» dcuten mornitore* dividiu.)' 
rudorcH da treguc/.ia de S. liartholomcu de Maragogipc pelo contiiiciMc de Oeste. 

Ah dintiincias que cu declarar, que ha de huai» u outra» povoaçoeii» «e iii- 
tciidAo comei;aiidii ixi rio —I'ralif(i— aic á barra do l'arAa^i!k. 

Logo Junto do rio /'ratíKÍ, divi*>a dcfttu frcguc/ia cittá hua Ilhota, a que 
chumAo —r.assuins- com algun» vizinhou, á qual kc iiáo pa»»a do continente, 
«cnAo cm canoa» na* nccu»ir)CH de mure» grHiide», porque a cerca toda oníar. 

DcKta Ilha cm diittancia do quani trc» quarton de Icgoa, está outra Ilha, 
chamada —éMuttá — com muytoH vi/inho», que nupponto nu* maré» grande» liça 
toda ccrcaila de mor Kcmprc do continente »c panna C(im mai» ou tnciK'» tra- 
balho conforme a grandeza das marcH nas coujunçucn» de Lua, em que «ónicntu 
a cerca o mar em redondo. 

Desta Pha cm menos distancia de meia legoa, e»tá a Igreja Matriz, cujo 
orago he — a Santa Madre de Deos — com bastantes vizinho». E tomou e»ta po- 
voarão o nome da mesma Senhora. 

l)u Igreja Matriz cm distancia de hua Icgna, está hua Capella íílial, que 
hc da Virgem Nossa Senhora da Kncurnacúo com bastantes vizinhos, cuja po- 
voação também tomou o nome da mesma Senhora, c immediata a esta po*- 
voação, está outra com poucos vizinhos, a que chamâo Marápé. 

Desta Canella em distancia de hum quarto de Icgoa, está outra Capella 
filial, que hc da Senhora Santa Luzia, só com hum morador, que hc o seu Ad- 
ministrador, ao pé da qual desemboca hum pequeno rio, que nasce d'cntre o» 
mattos do continente, chamado — Congo—. Este em todas as marés cheias (por 
atravessar o caminho e passagem geral) impede o transito ; e para o» viadore» 
em semelhantes occasioens seguirem suas derrotas, he necessário girarrm mai» 
de meia legoa para dentro do continente, atravessando o dito rio bem por cima, 
uoiule não chegáo as niarés. 

Desta Capella e rio Congo, em distancia de hum guart»» de le^oa, estam 
dous sitios ambos já hoje com poucos vizinhos, hum chamado — Fazenda de 
baixo — e outro — Una do Cordeyro, cercado de apicum á maneira de Ilha. 

I)'estes dous sitios em distancia de hua legoa, está a Ilha chamada — Lo- 
bato aonde termina o rumo dircyto, que do sul, principio da Freguezia, vem 
buscando o norte, como no principio d esta Rellaçáo digo. Tem poucos vizinhos, 
que só por mar em canoas se communicáo com os do continente, por ser toda 
cercada de mar. 

D'esta Ilha, com distancia de um quarto de legoa, estão dous sitios, e po- 
voações de muytos vizinhos — hum chamado — Porto da telha — e outro — Par- 
naoà — ambos cercados de mar somente nas marés grandes, por serem á ma- 
neira de Ilhas, por causa de huns apicuns q^ue tem da parte do continente, 
donde se transita em canoas na occasião das ditas marés. 

Destas duas povoações, em distancia de hum quarto de legoa está um 
sitio chamado — Ponta da Margarita — , que he hua tromba ou língua de terra, 
que do continente busca o mar, e faz hua enseada da parte do Oeste, em que 
se abrigão as embarcaçoens, que com a grande fúria dos ventos mareyros não 
podem navegar. Consta de hum só morador. 

Desta ponta, em distancia de meia legoa, fica outra Capella filial que he 
da virgem Nossa Senhora da Conceyçáo, cuja povoação que consta de poucos 
vizinhos, tomou o nome da mesma Senhora» 

Desta Capella em distancia de meia legoa está o sitio da Barra do rio Pa- 
raaçu, termo e limite desta Freguezia, aonde se acha situada a ultima Capella 
filial, que he da Virgem Nossa Senhora da Esperança, cuja povoação que he de 
muitos vizinhos, se aenomina — Barra — , ou sitio da Esperança. 

Supposto que eu tenha feito menção das povoações desta Freguezia pelos 
nomes, com que se denominão, declarando que nellas habitam mais ou menos 
vizinhos, com tudo, também nas distancias, que ha de huas a outras povoaçoens, 
se acham alguns moradores dispostos por vareda direyta cujos sitios de cazas, 
por não terem nomes os não expresso". 

Esta he a Rellaçáo da Freguezia da Santa Madre de Deos da Pirajuhia, 
que como Pároco delia, por ordem do meu Ex."" e Rev."* Prellado foi de 
minha letra e signal. 

2687 



200 

«Relação da Freguezia de Santo Amaro da Ilha de Itaparica, Arcebispado 
da Bahia. Feita pelo Vigário João Vieira de Barros.» 

S. d. iy5j. (Annexa ao n. 2666). Tem annexa a relação das 
pessoas de communhão da freguesia e das capellas annexas. 

«A vista do presente mappa teito pelo Pilloto João Gomes Palma que por 
linhas vai nomeado, e mais claramente ; alem de feito se explica, a saber, co- 
messando pela barra de Jaguarippe districto desta dita freguezia he o seguinte. 
Da barra falsa de Jaguarippe buscando o Norte rumo direito está o canal nave- 
gável de embarcaçoens pequenas, como lanchas, e barcos pela dita barra náo 
ter sufficiencia para embarcaçoens de alto bordo. Este dito com distancia de 
duas legoas athe a Ilha chamada da Cal fim desta freguezia. 

E da parte de Leste está a Ilha de Itaparica desta freguezia com os luga- 
res e povoaçoens seguintes de poucos moradores, e correndo pela fazenda do 
Cattu, fica hum braço do dito canal a que o povo vulgarmente chama Rio de 
Agoas Mortas, que este com a enchente do Canal fica rio e vazando em lama 
com meia legoa, buscando dentre os mangues onde finda. 

E do dito lugar, Caxa pregos, em distancia de huma legoa fica o lugar cha- 
mado Xiqueiro também povoado, e entre esta legoa fica outro braço de Canal 
chamado — Rio de Sobrado — que mete pela terra dentro athe findar pelos man- 
gues com meia legoa de comprido povoado de poucos moradores. E do lugar Xi- 
queiro buscando a Matriz fica em meio um pequeno braço do dito Canal cha- 
mado Rio dos paos, que está constituhido pela enxente do maré e finda onde 
ella acaba. E o lugar onde fica a dita matriz povoada de alguns moradores. 

E da dita Matriz distante de hum coarto de legoa fica o lugar chamado 
Cajazeiras povoado de alguns moradores. E da dita Cajazeira, fica em distancia 
de outro coarto de legoa a Capella de Sam Joam, lugar povoado de Senhorio 
delia pela qual mette ao dito Canal hum grande braço a que chamão rio de San 
João, navegável de embarcaçoens pequenas e fazendo circumferencia bastante e 
vay topar com o mesmo canal, ficando em meio desta circumferencia a Ilha de 
Burgos e da Cal. 

E da dita Capella em distancia de meia legoa da mesma circumferencia 
está o lugar chamado Matange. E da dita fazenda na mesma circumferencia está 
hum braço do mesmo canal chamado : Rio dos Poropatingas com distancia de 
três coartos de legoa, onde finda esta dita freguezia por esta parte de Leste. E 
nas costas desta mesma freguezia está a costa da Aratuba pelo mar grande. E 
da ponta da Ilha de Burgos athé a Ilha da Cal, cuja he povoada, como também 
toda a de Burgos, com o comprimento de duas legoas cuja Ilha acaba pela parte 
de Sul no lugar e povoação chamado Funil. 

E passando pela parte do Oeste comessando na mesma barra de Jaguarippe 
está hum pequeno braço do dito Canal chamado Cambaguira que não he nave- 
gável estrema do grande braço de Canal onde vay ter o no da freguezia de Nossa 
Senhora da Ajuda da villa de Jaguarippe estrema desta dita freguezia de Santo 
Amaro. E da pontta do Tapirigue fica o lugar chamado Maganbeira povoado 
este com distancia de meia legoa athe a Capella de Santa Anna, que tudo he 
huma Ilha grande chamada de Santa Anna. 

E do dito canal entra hum braço chamado rio de agoas mortas com meia 
légua o qual passa pela dita Ilha ; E do mesmo canal huma grande bucaina 
chamada O Furado que por ella fazendo âmbito por dentro se navega em lan- 
chas, e barcos e canoas em marés grande*s athe a Villa de Jaguarippe; e neste 
dito Furado se acha a Capella de Nossa Senhora da Purificação no lugar cha- 
mado Mocujó distancia da Capella de Santa Anna a este lugar duas legoas. E 
neste mesmo bucaina pela pontta da Ilha de S. Gonçalo e entre a Capella de 
Santa Anna entra hum grande braço chamado rio da Jocorunna com duas le- 
goas de comprido navegável de embarcaçoens pequenas, no fim do qual está a 
Capella de Nossa Senhora da Encarnação, lugar e povoação chamada, a Miseri- 
córdia. 

No ditto Canal para a mesma parte correndo rumo de Norte defronte da 
Capella de Santa Anna está a Ilha e Capella de Sam Gonçalo, acima nomeada, 
lugar povoado em distancia de huma legoa. E pellas costas da dita Ilha mette 
o Canal outro braço a que chamão o Rio Covunga com hum coarto de legoa 
navegável de embarcaçoens pequenas e pelo mesmo braço para a mesma parte 
do Este está a Ilha chamada dos Cassoys onde finda esta dita freguezia, lugar 
pequeno e solitário e sem moradores.» (Doe. n.° 2688.) 

«Consta esta freguezia pello rol da desobriga feito em este anno de 1737 de 
I.32I pessoa a saber : Na capella de Sam João 88, na capella de Sam Gonçallo 



% 



201 

sH, na capella de Noau Senhora da PurificaçAo 55. na capella de Santa Anna 
73^ na capella de NoMa Senhora da Kncarnaçko 116. E para ajustar o numero 
acima pertencem a eaia dita frcgucjeia.» (Umc. n.* 3689.) 

2^188.2689 

Planta da Ilha de Itaparica, abrangendo as Ilhas do Sal e de Burgos e 
parte da cusia. 

(»,"'425Xo,«»»3io. {Annexaao n. 116S8). 

J\nconira'se na Collecçáo especial de tnappas^ sob o «.* 22/ 
Fmm. 26go 

Rklaçáo da Freguezía de Nossa Senhora da Purifícação de Santo Amaro 
do Reconcavb da Bahia, pelo Vigário José Nogueira da Silva. 
1757. (Annexa ao n. •jfJtíti). 

«Teve CHta frcsuezia a suu primcini Igreja Matriz no sitio do Engenho do 
Condu de Linhares fundailu na inargcnt do Kio Sergipe e por esta razio se íntí» 
tulava naquellc tcnipo com o nome íie N. Senhora da Puriíicaçáo de Sergipe do 
Conde, e como o dito sitio nàò era conveniente, no anno de 1704, meya legoa 
rio acima se fundou nova Matriz em hú sitio chamado S.'*Amaru por haver nelle 
húu capella consagrada ao mesmo Santo c hQa pequena povoação de alguns 
visinhos; ficando a nova matriz distante da capella, também rio acima hum tiro 
de pessa. Cresceo esta povoa(;áo pelas grandes conveniências que neste sitio 
tinnâo os seos moradores, por ser abundante de carnes, pescadas, farinhas e todo 
o género de legumes, e por haver nelle três Engenhos de fabricar assucar, de 
que hoje se descobrem algumas ruinas, c por ser tambetn grande a communi- 
cacão para os Kngcnhos do Matto do Tararippe e Subahe, que todos conduzem 
os seos efeitos para o dito sitio por ser o porto de mar mais conveniente com 
Trapixe para receber as caixas, e com muitas embarcaçoens, que no rio nave- 
gavao, e navegão. lie esta Matriz Templo Magestoso pela sua Magnificência 
porque na sua grandeza compete com a Freguezía de S. Bartholomeu de Mara- 
gogipe e excede a todas as mais Matrizes do Arcebispado, e ainda as da Cidade 
da Bahia, e se faz mais agradável por fazer frente a hua praça que tem de largo 
quarenta braças e mais de sessenta de comprido ornado de hua e outra parte 
de cazas além das que ha por outras ruas, em que habitáo os moradores; tem 
na frente três portas principaes alem das duas travessas, que tem para hum e 
outro lado, todas com portadas, remates de pedra mármore, com janellas, e 
semalhas da mesma pedra e da parte de dentro se sustenta o Coro sobre duas 
columnas também de mármore de singular artiticio servindo de base a cada hua 
delias as pias de agua benta fabricadas com primorosa arquitetura ; o que tudo 
mandarão buscar os Freguezes daquelle tempo a Lisboa que com dispeza sua 
tizerão esta magestoza matriz. Vem cinco altares, além destes hua Capella fei- 
xada com grades de ferro com retábulo de talha, dourado, com as paredes todas 
cobertas do mesmo modo, onde está depositado em hum primoroso sacrário o 
Santíssimo Sacramento. Pela decadência dos tempos, não podendo os Freguezes 
põr esta Matris na sua ultima perfeição, recorrerão a S. Magestade para que 
fosse servido mandar-lhes dar hua esmoUa, com que a podesse acabar, e foy 
o dito Senhor por sua Real grandeza servido de lhe i^andar dar doze mil cruza- 
dos que se despenderão na factura de hum grande retábulo de talha para a 
Capella Mór, grades de jacarandá de talha para corpo da Igreja, e seo coro, e 
nas portas da mesma Matriz, que tudo ficou na ultima preparação. E como 
o dito Senhor mandou dar a referida esmoUa com denegação de se lhe pedir 
outra se acha o retábulo por dourar, e a mesma Igreja por forrar para o que não 
podem concorrer os Paroquianos pela impossibilidade dos tempos presentes. 

Está fundada esta Matris quaze no meyo do território, que comprehende 
dentro dos seos limites, porque por três lados dista das extremas das treguezias 
com que confina duas leaoas pouco mais ou menos, e do da extrema da freguezia 
de S. Gonçalo da Barra de Sergipe do Conde dista hua legoa ; porque pela parte 
do Sul confina com a Freguezia de S. Domingos da Sambara. O território que 
em si comprehende na distancia de duas legoas todo se intitula com o nome 
cerai de Patatiba, suposto que cada sitio tenha seo nome particular com que se 
distinguem huns dos outros ; neste continente ou paiz se achão oito Engenhos 
de fabricar açúcar, a saber dous do Collegio de S." Antão da Cidade de Lisboa, 
hum chamado do Conde que por haver sido do Conde de Linhares de quem o 
dito Collegio o houve por legado ainda conserva o nome de Engenho do Conde. 
Está este Engenho fundailo á margem do rio de Santo Amaro que algum tempo 

I. 36 . 



202 



se chamou Sergipe do Conde, muito navegável de embarcaçoens que carregão 
sincoenta, e mais caixas de assucar, porque as aguas deste rio unidas com as 
aguas do rio da Piricoara, e muito mais com as aguas do mar que nas enchentes 
das marés entráo peia barra do Sergipe do Conoe o fazem navegável das ditas 
• embarcaçoens; tem este Engenho hua Capella dedicada á Gloriosa S. Quitéria, 
que sérvio de primeira Matriz desta Freguezia. Outro Engenho do mesmo Col'- 
legio se chama da Pitinga e tomou o nome de hum rio, em cuja margem se 
levantou ; nasce este rio, em hua matta chamada campo do Criollo quatro legoas 
fora dos limites desta Freguesia e correndo pelo território da Patotiba no sitio 
chamado da Penha por haver nelle nos tempos passados hua Capella dedicada a 
mesma Senhora, e hum Engenho de fazer assucar, o que tudo está hoje demo- 
lido, e se recebem as suas aguas em hum grande tanqqe feito de paredoens de 
pedra e cal donde se encaminháo por distancia de meya legoa por hua levada 
feita a este intento para o Engenho do Conde que mohe com estas aguas, e pas- 
sando antes de chegar ao Engenho do Conde pelo sitiç do Engenho da Pitinga, 
se diverte da dita levada hum anel de agua, com que também mohe este Enge- 
nho e as sobras das agoas deste rio, que se não recebem no tanque, buscando 
como seo curso o mar, segundo a disposição do terreno correm por hum lado 
do mesmo Engenho, a quem deo o nome, hé navegável do sitio do Engenho 
para baixo buscando o mar, no rio de S. Amaro de barcas, que entráo carrega- 
das de lenha para as moages dos Engenhos, e das que sahem carregadas de Cai- 
xas de assucar dos mesmos Engenhos para os Trapixes da Cidade; esta navega- 
ção não hé pela abundância de agoa do mesmo rio, mas sim pelas da maré que 
por elle entra. 

Os mais Engenhos deste território são o Engenho de S. Bra^, o de Santa 
Catharina, o de Santo António, assim chamados por terem Capellas consagradas 
aos mesmos Santos; são estes três Engenhos de oeira mar, porque entrando este 
nas enchentes das marés com grande abundância de agoas pela barra de Sergipe 
do Conde, e dividindo-se em vários braços á maneira de rios chega aos ditos 
Engenhos que também em barcas grandes recebem as lenhas necessárias para 
as suas moages, e conduzem para a Cidade os seos efteitos. Os mais Engenhos 
deste território são o Engenho da Preguiça, o do Coligy, o de S. Cosme, assim 
chamado por ter hua Capella consagrada aos Santos Cosme, e Damião, eo 
Engenho da Pitanga com hua Capella consagrada a N. Senhora da Aurora. 
Tomou este nome de hum rio não navegável chamado Pitanga, que nasce nas 
mattas da Pitanga duas legoas distante do dito Engenho; e ao depois de moer 
este com as agoas deste rio, correndo estas segundo a disposição do terreno três 
quartos de legoa pouco mais ou menos se metem no rio chamado Sergiassu ''.') ; 
do qual daremos noticia no seo logar. Houverão na vizinhança deste Engenho 
três lugares, povoaçoens, que no tempo presente estão quase desertos, porque 
como os seos habitadores vivião de plantarem mandiocas em terras arrendadas 
vendo-se perseguidos das formigas, que decepão, e absolutamente destroem a 
tal lavora, se forão mudando para outra Freguezia de Mattos Novos. Chamáo-se 
os lugares que se desertão. Irará, Tatta e Piraunas. E por esta razão tem esta 
Freguezia muita terra infructifera. 

Pela parte do oeste parte esta freguezia com a de N. Senhora da Oliveira 
dos Campinhos tendo também de distancia dentro do seu terriorio duas legoas, 
e todo elle se nomea e intitula com o nome de Subahé, por razão de hum rio 
assim chamado que corre por todo este terreno buscando o mar. Achão-se nesta 
distancia sinco Engenhos de fabricar assucar : a saber o Engenho de Pantaliáo 
assim chamado p!?r conservar o nome do seo primeiro fundador; o Engenho do 
Tanque; Engenho dos três Reys; que se honra com o nome de hua Capella dos 
Santos três Reys Magos; Engenho do Taraquanhd, e o Engenho de Jericó, que 
todos forão fundados á margem do dito rio por receberem delle o beneficio 
das suas aguas. Tem este tio Subahé a sua nascença no sitio chamado do Li- 
moeiro, termo da villa da Cachoeira e ao depois de fazer o seo curso pelo sitio de 
N. Senhora dos Humildes, termo da dita villa, o dirige pela Freguezia de Nossa 
Senhora da Oliveira dos Campinhos e com sete legoas de distancia entra nesta 
Freguezia de N. Senhora da Purificação, peias terras a que deo o seo nome e 
chegando ao Engenho dos Santos Três Reys recebe em si as aguas do rio 
Sergiassu ; que nascendo nas varges Ferrubilhas destricto da villa da Cachoeira, 
e depois de correr sete, ou oito legoas por lugares despovoados, vem a morrer 
nos braços do rio Subahé, porque nelle perde o nome de Éergiassu ; e continuaudo 
o dito Subahé o seo curso hua legoa adiante na entrada desta villa recebe taml-em 
em si as aguas de outro pequeno rio chamado Sergimirim, que nasce desta 
Freguezia no sitio chamado Aldeã, e ao depois de hua legoa de curso per- 
dendo também o nome se mete no mesmo Subahé que já mais enrequecido de 
agoas com as dos dous pequenos rios, que nelle entrão, costeando por hum lado 
toda a longitude desta villa, chegando á Capella de S. Amaro também perde o 



203 

nome, chamando-M rio de Santo Amuro, dahi até a barra de Sergipe do Conde 
por onde «c incic no mnr. Me ente rio navegável de canout, cmbarcacocn* pequenas 
ath< o Kn^cnho Joit trei Rey»; e de barco», e barca» athé o Trapitc, que tem 
esta villa tuiiiiuJo pouco iilxiixo ilu ditu (lupelia de Santo Amaro. 

1'cllu puric do Norte confina e»ia Freguexia com a de S. fcdro do rio fundo 
em dintuncia Uc duu» Icgouii pouco tiiui», ou nicno», c todo e»»e terreno »e de* 
noniina com o nome de Iiirarippe, nupoKio iiuc o» iiiiíoi, que nellc »c compre- 
hendeni hc diHlinguom com ok uouich purticularc». l)eo a cmc terreno nome O 
rio Tararippe, que nutce na» vur^enii do Bom Je»uft, Frcuucxia de N. Senhora 
du Oliveira iloR (himpinhoN, e dando muita» e grande» volta», «egundo a di»po- 
fticíio do Terreno entra nc»ta IVeguc/ia com dua» legou» de curfto peto »itio da 
.\iunbeca, cujo Kn^enl)o mohc com an HUa» agou», e ao depoí» »c exiendc coro 
outra» duatt legoait ilc cutho athé o i-jigenho do Mamão, e ahi recebe em »i as 
pouca» ugoa» do rio Tapítingui, que também na»cc na i-'reguezia de N. Senhora 
du Oliveira do» (!ampinhoH no hitio chumado do» l>aiA», c correndo mcya Icgoa 
peluH terruH do Tararippe iiue nem com o Hoccorro du» ugou» do Pítungui que 
cm »i rccchc hc navegável ilc emburcugúo alguma ne Kepultu no ditr) Kngenho do 
Mumno em o próprio rio Tararippe. \L correndo paru o mar ou no grande de 
S. Amaro nellc se sepulta, mas com o nome ditfcrente porque correndo entre 
montes de Áricoara c Pirkoara do ultimo toma o nome, com tiue morre. Tem 
este terreno Joxe Kngenhos de moer assucur : a saber o Kngenho da Muribcca, 
o Engenho do Mamão, o luigcnho du Passage de Sima, o Knj^cnho de D. Hyt- 
rotiimo, com hua (^upellu intitulada da Transflffuracán do Senhor, o Kngenho 
dos lialJcrcs, com nua (^apclla consagrada ;i Scnliora do Desterro, o Knge- 
nho da Matta com (^apella consagrada á Seulwta do liom Despacho, o do Ilapi- 
mirim com hua Capclla da Senhora do Rosário, f> Engunho Novo, o Kngenho 
do Amor de Deus, o Kngenho de S. Miguel, que se honra com este glorioso 
nome por ter hua Capclla consagrada ao mesmo Archanjo, o Kngenho da Co- 
rumbá e o Kngenho da Passage de baixo do rio Tararippe, que derige o seu 
curso por todo este paiz com beneficio grande de todos os sobreditos Engenhos. 

Pela parte do Leste contina esta Frcguezia com a de S. Gonçallo da barra 
de Scrgippe do Conde, ou villa de S. Francisco com hua legoa de terreno, c o 
mesmo rio de Tararifipe com este nome, e depois com o nome de rio Piricoara 
serve de divisão a estas duas Freguezias. Hé todo este pequeno terreno cha- 
mado Piricoara, e toda a sua povoação consta de 73 fogos, ou choupanas, cujos 
moradores vivem pobremente de alguns legumes que plantão, os mais delles 
por sco braço em terras, que arrendão por cuja razão não são moradores per- 
manentes, e o grande damno e prejuizo que lhes fas a formiga os faz mudar de 
sitio e Freguezia. Porem ha no mesmo sitio hua Capella consagrada ao Senhor 
do Pillar, que ainda se conserva da antiguidade ; porque o seo fundador a dei- 
xou dotada de hum rico património, para reparar as suas ruinas, e conservar 
nella Capelão, que diga todos os dias missa pela sua alma, o que tudo se ob- 
serva. 

Consta toda a Freguezia de 800 fo^os de 6.429 almas : destas são de comu- 
nhão, e confissão 3.ooó e os de confissão somente por rudes são i.i63, meno- 
res de confissão e comunhão, i37, menores que não comungão por falta de 
discrição 123 ; porem a mayor parte dos fogos desta Freguezia ne de gente 
muito pobre, escravos, forros, velhos, e miseráveis, e a mayor parte das Almas 
são negros escravos, que trabalham nos Engenhos, e lavouras de canas,* porque 
ha Engenhos que tem mais de cem escravos, e lavradores de canas, mais de 
trinta, havendo em suas casas poucas pessoas brancas e quando muito molher e 
filhos, se são casados, porque com poucos escravos não faz conveniência lavrar 
canas e com menos de quarenta nao pode Engenho algum fabricar assucar, 
moendo redondamente. 

Esta é a razão de viverem os Senhores dos Engenhos, e lavradores de can- 
nas nos tempos presentes tão atenuados e de se acnarem muitos Engenhos de- 
molidos e Fazendas de cannas desertas. E suposto he grande a extensão de terra 
desta Freguezia, ha nella muita terra despovoada em todo o seu território, que 
em outros tempos se lavravâo. 

Não ha em toda a Freguezia povoação, ou lugar permanente, mais que a 
povoação da Matris, que se erigiu em villa no anno de 1727.» 

2691 

Noticia sobre a Freguezia de S. Pedro de Itararippe e Rio fundo, no Arce- 
bispado da Bahia, pelo Vigário coliado Manuel Lobo de Sousa. 

5. d. [Annexaao n. 2666). . 



204 



«Foi esta Freguezia erecta no anno de 1718 desmembrada das Freguezias de 
Nossa Senhora do Monte e da Nossa Senhora da Purificação da villa de S. Amaro, 
está cita em hum logar fúnebre, e falto de agoas: parte com sete freeuezias pella 
parte Sul com a de N. Senhora do Monte, S. Gonçallo, da Villa de S. Francisco 
de Sergipe do Conde, e N. Senhora da Purificação da Villa de Santo Amaro, e 
pela parte de Leste com a Freguezia de São Sebastião das Cabeceiras do Passe 
e pella parte do Norte, com a Freguezia do Espirito Sancto do Inhambupe de Cima, 
e a de S. Joeé da Itapororocas e pella parte do Este com a de N. Sennora da Oli- 
veira dos Campinhos: tem de comprido seis legoas e de largo cinco, distante 
da Cidade da Bahya dezaseis legoas. 

Tem 474 fogos, com 4252 almas, das quaes a mayor parte são escravos: 
destas 3819 são de confissão e comunhão e 453 são só de confissão. 

Tem esta Freguezia sete Capellas annexas, a saber, a de Sancto António, 
S. Gonçallo do Camarogipe, N. Senhora da Ajuda do Bom Jardim, S. Pedro, N. 
Senhora das Brotas, N. Senhora do Amparo, N. Senhora do Rosário, e S. Cae. 
tano das Religiosas do Patriarca S. Bento, nos quaes se administram os Sacra- 
mentos por ordem do mesmo Parocho; ha mais três Oratórios em cazas parti- 
culares com Breve Pontificio. 

Regáo as terras desta Freguezia os seguintes rios — Poijuca, que nasce nos 
dilatados campos da Villa da Cachoeira Freguezia de S. José das Itapororocas, 
junto á Capella de Santa Barbara, em hum sitio chamado Campo Limpo, de hua 
humilde vertente, vay fazer barra ao mar na Freguezia de Santo Amaro da Ipi- 
tanga — Camorogipe abundante de agoas que nasce nas Ourissangas Freguezia de 
S. João da Villa ae Agua fria e fas barra no rio Poijuca adiante do Engenho do 
Camorogipe Cabussú abundante de agoas que nasce no Continente desta Fregue- 
zia, no sitio chamado Estalleiro, e entrega as suas aguas no rio Poijuca junto 
ao Engenho do Aramara-Salgado que nasce do districto desta Freguezia no sitio 
chamado Picado, e fas barra no rio Poijuca junto ao Engenho Velho — Rio da 
Prata que nasce no território desta freguezia no sitio chamado fazenda grande, e 
e entrega suas cristalinas aguas ao rio Cahupú-Jucuipe que nasce no termo da 
Freguezia de N. Senhora da Oliveira, e vay fazer barra ao mar na Freguezia de 
Santo Amaro da Ipitanga — Rio das Pedras que nasce no districto desta Fregue- 
zia nos Mattos do Tombadouro, e faz barra no ^io Jacuipe no sitio do Engenho 
chamado do Brito — Rio fundo que nasce no Engenho do Buraco desta Freguezia. 
e he tão umilde que em em qualquer verão se extinguem as suas agoas, faz barra 
no rio Jacuipe no districto da Freguezia de S. Gonçallo da Villa de S. Francisco 
de Sergipe do Conde; e nenhum desses rios he nesta Freguezia navegável de 
Barcos, Lanxas e Canoas, excepto o rio Poijuca e Camarogip^i nos- invernos chu- 
vosos, que em certas occasioens de suas enchentes, empedem o passar e se neces- 
sita de canoa. 

Tem esta Freguezia quinze Engenhos a saber, correndo rumo do Sul a 
Norte os seguintes, o Engenho do Buraco, por este passa o Rio fundo, e em dis- 
tancia de dous quartos de meya legoa, o do Pandalunga, e distante deste três 
quartos de meya legoa, o de Santo António, e em distancia deste hum quarto de 
meya legoa, o do Pernagohá, junto a este Engenho está cituada a Igreja .Matris, 
e distante deste meya legoa, o Engenho da Terra nova, e distante deste hum quar- 
to de legoa, o do Aramaré, pelo qual passa o rio Poijuca distante deste meya 
, legoa, o do Papagayo e na distancia de húa legoa, o do Camorogipe, pelo qual 
passa o rio Camorogipe e lhe dá o nome, e em distancia deste meya legoa o do 
Jacu e distante deste nua legoa o do Bomjardim por onde passa o rio Camorogipe, 
e desta Matris correndo rumo direito do Leste a Este, estão os seguintes em dis- 
tancia de meya legoa o Engenho do Britto por onde passa o Rio das Pedras, o 
do Jacuipe unido a elle e poV ambos passa o rio Jacuipe, e dá o nome a este, e 
distante deste meya legoa, o de Sam Pedro por onde passa também o rio Jacuipe 
e distante deste meya legoa, o do Inhumata dos Religiosos do Patriarca São 
Bento, e na distancia de hua legoa deste o de N. Senhora da Brotas. 

Estas são as maiores povoações de que se compõe esta freguezia porque 
além de trabalharem nesta officina do assucar quantidade de escravos, e officiaes 
forros, são os Senhores delles ordinariamente pessoas distinctas; e ha também 
muitos Lavradores que plantão canas para se moerem nos taes Enhenhos, tiran- 
do a sua meação, como he costume, e posto que vivião muitos delles em suas 
fazendas á parte, fazem um só Corpo com o mesmo Engenho. 

Ha mais nesta Freguezia trinta e seis sitios, que por umildes não merecem 
nome pois nelles habitão hum athé quatro visinhos, os quaes vivem de plantar 
tabacos, e mandiocas, para venderem farinha, e também se não pode fazer dis- 
tinção certa de hum a outro sitio, porque a instante se mudão os seus morado- 
res, ou por canssarem as terras, ou pellos perseguira formiga.» 

26q2 



205 

Noticia sobre a Frctfuczia de Nossa Senhora da Oliveira dos Camninhos, 
no Arcebispado da Bahia, pelo Vigário Amónio Moreira Telles. 

ijSj. (Annexa ao n. 2666). 

A freguezia de Noisa Senhora da Oliveyra dot Campínhot, hc húa dat 90 
larcjas Parochiaes que te crcarfto de novo nette Arcebikpado da Hahya, aiino 
de 171M, para cuja creaçfio se dismembrou parte da freguezia de NoMa Senhora 
da Purifícaçflo^ c pane da de S. Gonçallo dos Campot da Cachoeyra, e te princi- 
piou a administrar os Sacramento» ncllu, no primcyro de novembro do dito 
anno, em húa capella do referido titulo, que era filial da hobrcdiia Matriz de S. 
Gonçailo, a ciual se demolio com o tempo; e de presente tem Igreja de ripa e 
barro. Mu n ditn freguezia do termo da Villa de Nossa Senhora da Purificação e 
Santo Amaro; tem por tiliaes a capella de Nossa Senhora da Lana que diMa 
delia bua Icgua, e a de S. Francisco da Chagas, que dista duas, c núa da outra 
outras duas, confina com as duas referidas freguezias, e com a de S. Joseph das 
Itaporocas, c S. Pedro do Peranjie, e o rio Fundo. No Sitio da Matriz não ha 
povoação al^úa, no da (Capella da Lapa aigúa de poucos vizinhos. No continente 
desta tregue/ia nascem dous rios Paranjie c Jacuipe; não são navegáveis; dista 
hú do outro hQa icgua. Correm pelo dito Continente o» rio Pojuca, e Sobahé 
que nascem na dita freguezia de S. Joseph das Itaporocas, e dista hú do 
outro duas legoas; não sãu navegáveis. Contem esta freguezia 1640 almas de con- 
fissão das quacs commungão i.iou. 

2693 

Noticia sobre a Freguezia de Nossa Senhora do Monte do Recôncavo da 
Bahia, pelo Vigário Collado Miguel Teixeira Pinto. 

7757. [Annexa ao n. 2 606.) 

Tem esta freguezia de Nossa Senhora do Monte 460 fogos, 3884 pessoas; 
das quaes são 323 de confissão somente, e 336i de comunhão. Tem a sobredita 
freguezia 3 legoas de comprido e legoa e meia de largo. 

Está esta freguezia situada lu legoas distante da cidade da Bahia para a 
parte do norte. Parte pelo sul com a freguezia de Nossa Senhora do Soccorro; 
servindo-lhes de divisa o rio chamado Paramerim, o qual he navegável de bar- 
cos, lanchas e canoas. E pela parte do norte com a freguezia de S. Gonçailo da 
Barra de Sergippe do Conde servindo-lhes de divisa o rio chamado da Guaiba, 
também navegável de barcos, lanchas, e canoas. Parte pelas cabeceiras na lar- 
gura do leste para o norte coin a freguezia de S. Sebastião, e já no seu compri- 
mento com a freguezia de S. Pedro do Rio fundo. 

Tem esta freguezia tg engenhos, os quaes se distinguem pelos sitios em 
que estão fundados a saber. O engenho do Monte, o engenho de Bernainerim o 
engenho chamado Engenhoca, o engenho da Sapucaya, o engenho da Maracan- 
galha, o engenho do Quibaca, o engenho do Cabaxi, o engenho do Mucuri, o 
engenho do pouco ponto o engenho da Natiba, o engenho da Bombaça, o engenho 
doLimueiro, o engenho da Grama, o engenho da Lagoa, o engenho da Santa 
Cruz, o engenho do Garuacu, o engenho novo, e engenho baixo; o engenho da 
agoa ; em os quaes actualmente se lavra assucar. 

Ha na mesma freguezia u capellas, cujas invocações são as seguintes: 
Nossa Senhora do Vencimento, a Santíssima Trindade. O Santíssimo Sacramento. 
Nossa Senhora da Conceyçam. S. Roque. Nossa Senhora do Monte do Carmo. 
O Espirito Santo, a Santa Cruz, S. José, Nossa Senhora da Conceição. Nossa 
Senhora do Desterro. O Bom Jesu de Bouças, em as quaes, e em 8 oratórios 
particulares da mesma freguezia se celebra actualmente o Santo Sacrifício da 
Missa. 

Não tem esta freguezia povoação junta mais do que a do sitio do Paramerim, 
e as dos sitios dos sobreditos engenhos, são de poucos vizinhos. Nem tem em si, 
ou pelo seu ineyo rio alguém permanente; e so se vem aigúas enchentes pelos 
invernos rigorosos. 

Tem finalmente a sobredita freguezia do .Monte ao poente húa Ilha chamada 
das Fontes de 3 quartos, de legoa em seu cumprimento, e hú quarto de largura; 
a qual somente contem em 3 fazendas com outros tantos fogos, e nella ha hum 
dos oratórios sobreditos. 

2694 



206 

Relação dos logares, povoações, extensão de legoas e rios que ha na Fre- 
guezia de Nossa Senhora do Soccorro do Recôncavo da cidade da 
Bahia, pelo Vigário Ignacio Jardim. 

1757. [Annexo ao n. 2666.) 

«Tem esta Freguezia de extençáo de poUo a pollo 3 legoas, comessando 
pelo Norte no Engenho de São Gonçalo e Capella do mesmo Santo ihc o rio 
chamado Gahype ; e nesta extençáo tem as povoações seguintes : o lugar cha- 
mado sincorios com Engenho e Capella de Santo António ; meya legoa mais 
abaixo tem o Engenho de Lapa Cabana com capella de Nossa Senhora da Lapa, 
da matriz hua legoa pequena. O lugar e Engenho do Tanque ; assim mais a 

Kovoaçáo de Matarippe com engenho e capella de Santo António, que dista da 
latriz hu quarto de legoa; e buscando em direitura para o rio chamado Ca- 
liype meya legoa está o dito rio, navegável de todas as embarcações e terá de 
comprido Soo braças e vem do mar salgado ; e junto ao dito rio tem povoação 
e capella da Santíssima Trindade ; e passando o dito rio corta meya legoa bus- 
cando pela praya o rio chamado Curuntpêba, o qual vem do mar saldado e vay 
circulando esta freguezia do Soccorro em distancia de três legoas the chegar ao 
Trapixe das Almas, cujo rio se vay embocar e misturar no no chamado Para- 
merim, que divide esta freguezia com a freguezia de Nossa Senhora do Monte 
pela parte do nascente e desta freguezia pelo sul; e na barra do dito rio Curu- 
rupèba divide esta freguezia com a de Nossa Senhora da Madre de Deos Bo- 
queirão, navegável de todas as embarcações e n'esta extençáo tem as povoações 
seguintes : o Engenho de Santo Estevão com capella ; o Engenho de Baixo com 
Capella de Nossa Senhora do Desterro; assim mais o lugar chamado a Ponta, 
o Engenho do Meyo com capella de S. Lourenço e a povoação das Almas com 
capella das mesmas almas ; tudo á beira do rio Paramerim donde desagoa o rio 
Cururupêba e ahy finda o dito rio no Trapixe das Almas em hu braço e no outro 
no Trapixe de Peramerim : he rio navegável de todas as embarcações. 

Correndo do norte para o sul hua legoa está o lugar chamado da Pitanga 
dos Religiosos da Companhia de Jesus, que vem thé o lugar chamado 5. Paulo, 
que vem do mar salgado e tem capella e Engenho cujo no tem duas legoas de 
comprido, por cauza das voltas que o dito faz rio : he navegável de todas as em- 
barcações; o qual rio divide esta freguezia com a de Nossa Senhora da Encar- 
nação de Passe, que fica ao leste e esta freguezia ao sul, e da barra do dito rio 
correndo ao sul estão as povoações seguintes : o lugar chamado dos Coqueiros, 
a praya do Sutil thé dar com o rio chamado Matarippe, que terá de comprido 
200 braças; he navegável de todas embarcações. São 4 os rios, a saber. Curu- 
rupêba S. Paulo, Matarippe e Cahype. Tem esta ireguezia 1684. pessoas de com- 
munháo...» 

2695 

Noticia sobre a Freguezia de S. Gonçalo da Vllla de S. Francisco da 
Barra de Sergipe do Conde, pelo Vigário collado V^alentini dos 
Santos Neves. 

S. d. (1737; [Annexo ao n. 2666.) 

Tem 325 fogos com 2724 almas das quaes 25oo são de confiçam, e commu- 
nham e 224 sam só de conhssam, e tem a dita freguezia três legoas de com- 
prido, e duas e meya de largo. 

Principia esta freguezia da barra de Sergippe do Conde para a parte do 
Norte, onze legoas distante da cidade da Bahia, donde está situada a Villa de 
S. Francisco da barra de Sergippe do Conde, primeyra villa que se erigio no 
recôncavo da cidade da Bahia. Corre a Freguezia pelo rio de Sergippe do Conde 
buscando o oeste legoa e meya, rio navegável de barcos, lanxas e canoas e 
nesta distancia dezemboca o rio Pericoara. Também navegável de lanxas, 
barcos e canoas e buscando o mesmo norte por espaço de legoa e meya ; acaba 
o mar salgado em hum engenho de canas moente, e corrente chamado Peri- 
coara. 

Pella parte do Leste desta dita freguezia principia o rio Guaiba, buscando 
o Norte, navegável de barcos, lanxas e canoas o qual rio, buscando o dito 
Norte legoa e meya acaba no engenho de baixo, ficando esta freguezia de S. 
Gonçalo nela parte do oeste, e a freguezia de Nossa Senhora do Monte para a 
parte de Leste. 



207 

Tem cata freguezia dout cunvcnio* de Rcligiotoa, hum de frades capuxo* 
de S. Antnnin mo no meftmo iiitin da villu, c outro huN.lcftoii dittante da Ma» 
triz doN rcligioiío» do Putriaichu Sum Hciito, c teitcapellu* filiac». 

Tem estn Ireauc/iu cator/c ciípcnhoft ; a »aber o de Sum Mento do» Rclí- 
giotoa do meiimo sanio, o du IVriconni, o da Coloniu, o do Macaco, o do Ho- 
rahen, n dn Capimmerin), o de Sum Joam, o de Nazaré, o de Gorogaya grande, 
o de Cntingui, o de Goroguya pequena, o do Rio da» Pedra», o da Guaíba, c o 
*de Mn rapé. 

Nam tem c«ta frcgucxia povoaçTio mui» que o do titio da villa donde príti" 
cipia, que uh muiii constam de cada hum do» engenhos; nku tem rio» navegáveis 
pelo meyo, excepto no» inrcrnoN chuvosos alguns rios de asoa doce, que em 
cenas occa/incns impciicm o passar. Parle esta freguezía nella nurie ilo Ix-stc 
com a freguc/ia de Nossa Senhora do Monte, c nela parte do Sul e Kste com a 
de Nossa Senhorn da Puriticaçam da villa de S. Amuro donde tra» seu nasci • 
cimento <» rio Sergippc do Conde, e da parte do Norie com a de S. Pedro de 
Traripe. Tem mais esta freguezia huma ilha chamada Cajaiba pella parte do 
Sul, a qual terá hum quarto de legoa c está hoje quasi despovoada, só com 
viu, .. moradores, e outra ilha mais pequena com hum morador somente. 

2C96 

Noticia sobre a Freguezia de S. Sebastião das Cabeceiras de Passe, do Ar- 
cebispado da Bahia, pelo Vigário collado o Reverendo Licenciado 
Felippe Barbosa da Cunha. 

S. d. (1757). (Annexa ao n. u666.) 

Tem esta freguezia 400 fogos com 2600 almas, das quaes são de commu- 
nham 23oo e as mais, que são >oo somente são de confição. 

Principia esta freguezia no citio chamado Pinheyro, distante da cidade doze 
legoas, que lhe fica para a parte do Sul, por onde parte com a freguezia de 
Nossa Senhora da Encarnação de Passe; corre a dita treguezia para o Norte com 
catorze legoas de comprido, e termina na citio da Bona da Matta, onde se di- 
vide com a freguezia do Kspirito Santo de Inhambupe de sima. 

Tem de largura seis legoas ; divide-se pelo Leste com a freguezia de S. 
Amaro da Ipilanga e pelo Oeste com a freguezia de Nossa Senhora do Monte, e 
com a freguezia de S. Pedro do Traripe, e Rio Fundo, toda em terra firme. 

Ha nesta freguezia três capellas filiaes, nas quaes por ordem do Parocho se 
administraram os Sacramentos: a saber: a de Nossa Senhora da Soledade, cita 
no Engenho do Retiro, o de Nossa Senhora das Mercês cita no Engenho da 
Pojuca, e a de Nossa Senhora do desterro cita no Engenho das Larangeiras. 

Ha também três oratórios approvados com Breves Pontifícios em cazas de 
pessoas particulares: e ha mais além das referidas capellas e oratórios húa 
capella de Nossa Senhora da Conceyção dos Religiosos de Nossa Senhora do 
Monte do Carmo cita em hum Engenho de fazer açúcar chamado Terra Nova. 
que tem a sua religião nesta freguezia no qual assistem sempre dous Religiosos 
Sacerdotes. 

Ha nesta freguezia oito Engenhos de fazer açúcar: a saber o Engenho das 
Larangeiras, o engenho da Po)uca, o engenho do Retiro, o engenho de Agua 
Boa, o engenho do Pimentel, o engenho das Larangeiras Novas, o engenho do 
Papussú, o engenho da Terra Nova dos Religiosos de Nossa Senhora do Monte 
do Carmo: distão estes engenhos de hum a outros húa, e duas legoas. 

Estes engenhos são as mayores povoações, de que se compõem esta fregue- 
zia. porque além de serem os senhores delles ordinariamente pessoas distintas, 
trabalham nesta otíicina quantidade de escravos e muitos homens forros; 
havendo também nclles muitos lavradores de cannas, que as plantam para 
moerem nos ditos engenhos dando-se-lhe a meação do açúcar como he estiUo, 
vivendo estes em suas fazendas distintas que fazem corpo com os mesmos enge- 
nhos. 

De sessenta e dois citios mais se compõem esta freguezia, os quaes não che- 
gam a ter nomes de lugares nem povoação pella pouquidaile de moradores, 
que tem, pois o maior não passa de oito vizinhos descendo té o numero de hum, 
quaze todos pobres, que vivem de plantar mandiocas para fazer farinha, distando 
hum do outro hum quarto de legoa, meya e hua legoa. 

Cortão e passam por esta freguezia três rios grandes, e caudelozos no tem- 
po de inverno, mas nenhum delles nanegavel de género algum de embarcaçoens, 
por darem sempre vão no tempo de verani, e no inverno uzam os moradores de 



■a 



208 

canoas somente nas passages, tendo também suas pontes de madeira nas estra- 
das mais seguidas, e nas outras partes huns troncos de paos grossos, e compri- 
dos, a que chamam pinguellas. 

Hum dos tais rios he o da Pojuca, que nasce na freguezia de S. José das 
Itapororocas, e travessa pela freguezia de S. Pedro de Traripe, e rio fundo, corta 
por esta freguezia e desemboca no maf junto á Torre de Garcia de Ávila na fre- 
guezia de S. Amaro da Ipitanga. 

O Rio de Jacoippe, que tem sua nascente em Nossa Senhora da Oliveira do 
Campinhos, passa pela freguezia de S. Pedro da Traripe e Rio Fundo, corta por 
esta )unto á igreja Matriz, e vae acabar no mar na freguezia de S. Amaro da 
Ipitanga, três legoas distante da mesma Torre de Garcia de Ávila. 

CJ Rio de Joannes que tem seu principio na freguezia de S. Gonçallo da 
villa de S. Francisco, passa por esta e vai morrer ao rr.ar na freguezia de S. 
Amaro da Ipitanga distante da mesma Torre de Garcia de Ávila seis legoas. 

Distam estes três rios dentro dos limites desta freguezia duas legoas, e mais 
de huns a outros. 

Ha mais nesta freguezia quatro rios muito humildes, os quaes tem sua 
origem nesta mesma freguezia, e nella mesmo acabam, entregando suas agoas 
nos três rios asima referido» denominam-se estes; Jerembé que nasce no Retiro 
e se mete logo na Jacoippe: Taquipe, que tem sua origem no mesmo Retiro, 
e se mete também no mesmo rio Jacoippe: o Beiraba, que nasce no citio do 
Arassá, e desemboca no rio de Joannes; o Jaquimmerim, que nasce no Brejo e 
faz barra no dito rio de Joannes. 

Ha innumeraveis fontes por todo o destrito desta freguezia, nas quaes 
bebem os moradores delia e de alguas se formam no tempo do inverno alguns 
córregos, ou riachos, a que os naturaes, não deram nome pelo não merecerem. 

Tem fogos 410, almas 2640. 

2697 

Relação da Freguezia de Nossa Senhora da victoria do cidade de S. Chris- 
tovão de Sergipe d'Elrei, pelo Vigário Manoel Coelho de Carvalho. 
S. d. [Annexa ao n. 2666.) 

Esta freguezia de Nossa Senhora da Victoria tem a sua matris na Cidade 
de S. Chritovão de Sergipe d'El Rey, Cabeça da Cappitania deste nome, sita 
sobre o Regato Peramupama que quaze hua legoa abaixo, entra no vazabarris. 

Está a dita Cidade em pouco mais de onze gráos ao sul da linha Equinocial. 
Tem a dita freguezia para a parte do sertão oito, ou nove legoas de extenção 
pello vazabarris de Sima e sinco para seis pellos rios Poxim grande e Merim, e 
este a divide da Freguezia do Soccorro da Cotinguiba com quem comfina por 
Nordeste, assim como a da Itabayana pello Norte, com a do Lagarto por Oeste 
e coma de Santa Luzia de Piggohy, por sudueste, ficando-lhe o mar e barra ao 
Sul e leste. 

A Cidade tem fogos trezentos e noventa, e almas mil quinhentas e noventa 
e sinco, e a treguezia toda novecentas e oitenta e três fogos, e almas de Sacra- 
mentos quatro mil seiscentas quarenta e quatro. 

Tem além da dita Matris dous Conventos de Religiosos hum de Cramelitas 
Galssados, e outro de Franciscanos reformados, Gaza de Mizericordia e huma 
Capella do Rozario dos pretos; tem no território seis Capellas filiais, e trez de 
Religiosos húa dos padres da Companhia, e duas dos do Carmo; e onze Enge- 
nhos de fazer assucar a saber: quatro nas margens dos dois Poxins, e sete nas 
do Vazabarris; todos estes rios são vadeáveis; o vazabarris nasce de huma serra 
que está além do Gerimoabo, correndo a sul dezagua no mar; o Poxim grande 
nasce de hum tujucal áquem da serra da Itabayana: dista do Vazabarris três 
legoas na fós, e duas no seo nascimento. Não há na Freguezia, fora da Cidade, 
povoaçoens nem lugares como em Portugal ; está o referido povo espalhado por 
toda ella. 

2698 

RklaçÁo da Freguezia- de S. Estevão do Jacuibe, pelo Vigário António 
Rodrigues Nogueira. 

1757. [Annexa ao n. 2666). 

Esta Freguezia de S. Estevão do Jacoipe que lhe dá o nome o rio assim 
chamado, e húa antiga Capella que nesta parte houve com a invocação do 
mesmo Santo, foi creacla de novo no anno de i75i por ordem de sua Mag." pella 
inacesivel distancia em que ficavão estes moradores dj|s suas Antigas Matrizes, 



209 

3U0 orAo, ■ de Nom« Senhora do Rosário do porto da f luchocira, e a de S, iotè 
iiit Itnpororocas, para te lho acudir com o prompio i' > naudavcl pacto 

cHpiritiial tl(i« Santo» Sacramento» d<i»i]uuctt «cm gniii'! iude nào poJiAo 

Kcr Hocorridn» iiitjni pcllii rcxAo du dmianciíi cm que tK.ivúu de dé* lc((«ti« de 
hÚN u outra Antiga l-'rcguc/ia, como pclla» conlinuii» inundações do lio Jncoipe 
no tempo du» irovoudat», i|uc IhcH vmpcdia o paMo, c tomava a pa««agcm por 
nfio dar ván cm «cmclhnntc tempo, nem haver canoa i|uc facilite o tranxiio; 
poÍH ainda no caxo de haver, pelo ftrono cabedal, t|uc recebe, he túo rápido na 
fervecenciu da nua corrente i|uc «e fa» intran»itavei, porem paaaada eaia, a pé 
enxuto Ko lhe pizfto o» nua» aréu» nn mayor parle dn anno. 

Tem eittu l-Veuucxiu de circumferencia vinte legou» com pouca diferença. 

Tem jle latitude, c ile profundidade ia ou 14", cn» algfju» parte» moi», em 
íiutra.H nicnoH. I'ica posta no Outro, ou no meyo do» dou» Hio» l'aragoa»ú, o 
Jacoipc <|ue a cercão, c dividem. O Jacoipe pclia parle de baixo que a divide 
da l-'reguc/ia de NnR»a Senhora do Koxario do porto da (Cachoeira e da de S. 
JoNC das Itapiiroroca» O l>eragoa»ii pellu parte de ftima que a devide da Fre- 
guc/.ia de S. Pedro ila Moritíba. 

O Jacoipc que lhe dá «» nome tem o »co na»cimcnto da remontada dialan- 
cia do sertão do M«)rro do Ohapeo, que serfto mais de Kesseiita legou», c faz 
barra no rio iVragoasú por entrar ncllc, e ser e»te rio mayor que o Jucoipe. 

O rio Peragoasik he de profundo pego, c tem partes donde podem nadar 
embarcnvóes de alto bordo : porém he innavegavel assin) pela» muita» c alta» 
caveiras que tem, como porque lhe o presente senão navegou. O ditf» I*cra- 
goasu Icin seo nascimento em outro rio mais pequeno chamado o 1'cragoasij- 
/inho que hé no (Caminho do sertão que vai para as Minas no lugar chamado 
da chapada, c na distancia de cincoenta legoas desta Frcguezia, cujo Peragoa- 
súzinhu entra no rio chamado de Uno, c este com a grande copia de agoas, 
que em si recebe de outros rios, he que faz rico do seo cabedal ao Peragoaiii 
grande, que isso hé o que quer dizer Assú na lingua da terra. 

Kstc Pcraçoasú grande desagua no mar na distancia de 7 legoas, auc hé o 
rio chamado Cachoeira, em cuja ribeira está situada a villa assim chamada 
com a Matriz de Nossa Senhora do Rozario, de donde se desmembrou a mayor 
parte desta Freguezia de Santo Estevão do Jacoipe. 

Hé navegável este rio da Villa da Cachoeira para o mar na distancia que 
digo de 7 legoas por embarcações de pequena quilha pellos muitos bancos de 
área que tem, e por isso hé necessário esperar as marés para poderem passar 
os barcos que vão carregados de tabaco para a cidade. Fica distante o rio Ja- 
coipe na parte donde comessa esta Freguezia do rio Peragoasú 2 legoas, em 
outras partes pelo centro da mesma freguezia he mais longe hum rio do outto, 
conforme a proporção dos sitios, que huns tição mais a sima pella terra dentro, 
e outros mais abaixo aproximados ao mesmo rio. 

No meyo desta Freguezia tem outro pequeno rio chamado Coromatahy, o 
qual somente corre no tempo das inundações, e fora delias apena conserva 
agoa em alguns Poços mais fundos, donde bebem os Gados Vacum, e cavallar 
que na sua ribeira se crião, e só para elles serve a dita agoa por ser muito pe- 
zada, e salobre. Da mesma sorte hé a do rio Jacoipe com o addito de ser em 
mais abundância nos seos Poços por serem mais altos; e em todo o tempo fié 
agoa pestilente e cezonaria asim nas enchentes que toma, como nas vazantes 
que lhe cauza o Estio, pois com o calor do sol se fás tão caldoza, e insopor- 
tavel que só para os brutos serve. 

O rio chamado Coromatahy tem o seo nascimento perto, porque hé nos 
limites desta Freguezia, e nos seus mesmos limites acaba thé se meter, e entrar 
no rio Peragoasú donde fás barra, e donde perde o nome. Em nenhúa parte 
desta Freguezia tem agoas nativas ^quero dizer Fontes) e somente na paragem 
chamada o Salgado tem hum olho lie agoa nativa, que hé o lugar donde se tem 
determinado levantar a Is^reja Matris que Sua Magestade foi servido mandar 
fazer nesta Freguezia, e donde não ha Capellas niais do que a de S. Estevão, 
de que no principio desta relação fis menção, a qual deixou de todo aruinar o 
seo Administrador o Padre Jozé da Costa de Almeida em ódio a Creação da 
dita Freguezia, e só porque nella senão administracem os Sacramentos na falta 
da Igreja Matris, e com efTeito asim o conseguio o seo inexorável animo porque 
os áacramentos, se administráo em húa Gaza de palha donde rezido : nem a 
Igreja Matriz que Sua Magestade foi-servido mandar levantar, se tem levantado 
athé o prezente, e menos "a Gaza que mandou fazer para a rezidencia do Pa- 
rocho neste agreste e áspero sertão. 

Consta esta Freguezia de i35o almas, das quaes as mil com pouca dife- 
rença são de comunhão. Em toda esta gente somente se contão 20 homens bran- 
cos ; tudo o mais são Mulatos, Mamalucos Místicos, e escravatura de negros, 
que plantão tabaco, e crião alguns gados Vacum e Cavallar. 

27 



210 

Muitos dos próprios donos das Fazendas náo residem nellas pela aspereza 
do Pais, que fora de crcar algum gado, e de plantar o Tabaco, hc esta terra em 
que verdadeiramente, e em todo o sentido se perde o beneficio, pois nem ad- 
mite a planta da Mandioca para farinha, nem outra algúa que produza em 
tempo género algum de frutto mimozo para o passadio da vida hnmana. Apenas 
prodús algum milho, e algum teijão, que hc sustento provincial destes Paizanos ; 
isto hé quando os Invernos são favoráveis, no Inverno se planta, e no Inverno se 
colhe, poraue como a produção destas duas drogas hé prefixa, e mathematica no 
termo de o mezes, chovendo dentro da computação dclles se fás a colheita, 
e fora deste tempo, não ha outra algúa planta que exista em semelhante 
porção de terra, nem que possa rezistir á intemperança do Clima excéto a planta 
do Tabaco, cuja folha, e cuja erva parece que he aquella de que fallou São Gre- 
gório Nazianzeno que a fabuloza gentilidade creou na sua idca, que contra o ferro 
peleja, florece estando cortada, e vive depois de morta : Est autem in fabulis 
planta, quce excisafloret, adversus ferrum certat, morte vivit. Asim tenho obser- 
vado na natureza desta planta do Tabaco; pois contra o rigor mais vehemente 
da Parca universal de toaas as plantas ; que he o rayo solar, que neste continente 
fere activamente, só a planta do Tabaco lhe rezistc pelejando contra tão intenso 
calor, e quanto mais se corta e desépa, tanto mais crece e reverdece : e depois 
de cortada, e morta então hé que vive pelo beneficio de murchar ao sol para se 
trocer, e curar, e por isso com verdade se pode dizer que vive depois de morta. 

Aqui tão bem morre a sementeira Divina nesta inculta Seara, donde náo 
prodús o gram do Evangelho, porque cahe sobre pedras que não tem humidade, 
quaes são estes inermes Paizanos, e estes bizonhos colonos, que suposto sejão 
nascidos alguns delles, e outros creados no grémio da fé, vivem comtudo tão 
disonantes dos bons custumes, e da suave armonia dos Santos Dogmas da 
mesma fé Católica, que a mayor parte delles pellas suas adjastas figuras mais 
parecem feras que homens. Nelles o habito de viverem desalmados os fás pa- 
recer sem Alma, pouca religião, nenhúa politica civil, porém muita humildade 
pella pobreza em que vivem ; e a falta de não verem trilhado o Caminho do 
Ceo com os officios do Culto Divino, que lhes infunda respeito, temor, e atten- 
ção, por não haver Caza dedicada a Deos para os ministérios da sua adoração, 
os confirma, e estabelece na relaxação dos vicios, na depravação dos custumes, 
e na frouxidão do espirito, cuja contagioza epedemia no estado da natureza 
cabida vai transcendendo por natureza de Pays a Filhos para se connaturalizarem 
em hum profundo esquecimento da vida eterna, da qual só se lembrão (se hé 
que o fazem) nas confusas vozes dos trovões. 

Aqui não há povoação, nem rebanho junto porque tudo são ovelhas des- 
garradas pellas distancias em que moráo huns dos outros, o que tudo fás não 
haver Igreja Matriz donde se possão juntar ao menos nas festas principaes do 
anno, e pelo santo tempo da Quaresma para ouvirem a palavra de Deos. 

Hé precizo ao Parocho andar viajando continuamente levando comsigo 
viatico não só para sustentar a vida própria, mas tão bem a vida dalma destas 
Almas compassos tão ásperos, e trabalnozos, como se pode colegir da expen- 
dida cituação deste Pais, e da sua intemperança... 

2699 

Noticia sobre a Freguezia de S. Bartholomeu da Villa de Maragogipe, 
Recôncavo da Bahia. 

Não está assignada nem datada. (Annexo ao n. 2662). 

Na altura de treze grãos, e poucos minutos, no merediano, e longitude 
(segundo Guilherme Danet) de trezentos e quarenta e dous gráos contados 
da Ilha de Ferro, a mais mais occidental das Canárias, na distancia de onze 
legoas, e a pouco mais de quarta ao noroeste da Bahya, capital dos Estados do 
Brazil, três legoas para o Sul quarta a Sueste da villa da Cachoeira, nas prayas 
do Ryo Paraguassu a três legoas da sua barra, em huma de varias penínsulas está 
fundada a Freguezia de S. Bartholomeu da Villa de Maragogippe, que na lingoa 
dos naturais vale tanto — como — Agoa ou Ryo de Mosquitos pelos mesmos de 

3ue hé infestada quando lhe faltão viraçoens nos lançamentos das marés. Está 
entro ahinda do segundo clima da parte Austral, e o seo mayor dia he de doze 
horas, e cincoenta minutos. 

Desmembrou-se da freguezia da Ajuda da villa de Jaguarippe que lhe fica 
sette legoas paaa o Sul, pelos annos de 1680. Foy creada villa em 22 de Fevereiro 
de 172^, pelo Ouvidor Geral da Camará Pedro Gonçalves Cordeyro Pereira com 
Portaria do 111."° Ex."" Conde de Sabugosa Vasco Fernandes Cezar de Menezes 
Alferes Mor do Reyno e Vice Rey do Estado, em virtude da ordem de S. Mages- 
tade de 17 de Dezembro de 1693. 



211 

llc^ a cabeço da Capitania do ParaguiMU, dada a Goncallo da Costa, Arma» 
lioi-Mór, pcloH KcrviçoH tic kco Av/'i l)unrte da Conta, Armador-Mór, c «c-gundo 
^nvciiiiulor lia tiiihyu, capiítil já Jo Kitiado, o confirmada por S. Magcftlndc em 
13 do Outubro de 1730 u Uoin Ji>»é du (>)«tn, Arincíro Mor que tomou po*»e cm 
34 de Ndvcinbro de tf.^ c por carta do Oxitclho Ultramarino de I3 de Julho de 
f}^2, c PruviaAo de 17 do inckino incz do uiino de 1733, puMou ditta Capitania á 
JuriddicçAo Uca! cm que kc conHcrvu aihc oj>rc/cnie. 

C.iiinpocni-Hc de ncttc ic^oa» (ou klc inaiiti de comprido I^Kte oc»tc, da Ponta 
da Buriu do Kyo Pa^u^uaKllU uthc n Serra c Kyo Coniobu ; e de quatro Icuouk de 
lur{;o contada» da embocadura do Kyo Surunga no ParaguaxKU athc u linna que 
da parte «to Sul divide acima dait CiipancnutH chIh villa tle Jaguuríppc. Purlc pelo 
Sul na Ponta da liarra com a i'°rc^uc/ia da Mudrc de Deo» da Pirajuhia, c iret 
lc^oaH acima com a da Senhora da Ajuda de Jaguarippc : pelo Poente com a de 
S. Phillippc, que se desmembrou: e pelo norte com a da Senhora ilo Dcuterro 
do Outeyro Redondo, Santiago do Iguappe e S. Domingo» da Saubára. 

A peninsuta desta villu, c Fregucziu, que a menos de trinta annos se com- 
munica com a terra firme por hum isthmo de cem braças, em que se fundou a 
a rua nova, he banhada toda das agoas do Paraguassu que misturado com as sal- 
^adas liu- traiujuea vários portos o de canoas, lanchas, e barcos na preamar, para 
a communicaçao e comercio com a Bahya, e mais povoações do seo Recôncavo: 
os dous mais celebrados são, o do (laja para o nacentc na barra do Ryo Quelcmbc 
e outro chamado o (irande com fermozo cacs de alvenaria sobre o mcsnio Ryo 
que da parte do norte vay lavando a vilia aihé o isthmo, no qual soflrc hua 
ponte de arcos de alvenaria e onde ha menos de trinta annos receoia as lanchas, 
c barcos, que o decurso das arcas detém agora a mais de cem braças de dis- 
tancia. 

No mais elevado da Península se vè hua muy dilatada Praça para os festejos, 
que costumão, de cavallo e teatros de comedias; a que os moradores sáo incli- 
nados. Nellu estão as cazas da Camará, edifício nobre que os mesmos fízerâo, e 
se lhe lançou a primeira pedra no primeiro de Março de 1737, com bastantes 
repartimentos para os presos de ambos os sexos, cazas de audiências, e vereações, 
e decentes agasalhos para os Ouvidores da Camará que entráo na villa em cor- 
reyçáo, ou governadores Vice Reys que chegão de vizita. O mais corpo da villa 
he em tudo irregular, segundo os vários caprichos dos particulares; e por isso 
com grandes quintaes, vistas e virações livres. 

Não tem fonte aígua, servem-se de vários comuns, e particulares do Ryo 
Quclembe, Brandão, Pedrinhas, e outros mais distantes, já por terra, já por mar. 
Na Ilha, isthmo e subúrbios se contáo ^46 fogos e 128G almas de communhão. 

A meya legoa da Ponta da Barra, está a capcUa da Senhora das Necessidades 
de boa arquitectura de alvenaria, cunhais, e arcos de cantaria, grande e bem 
alfayada de prata e ornamentos, hé seo administrador Francisco Mendes Ribeiro, 
com fazenda de Gaeloz, Lenhas, Quoquilho e Piassaba: tem 20 fogos e 96 pessoas 
de communhão vivem de pesca, piassabas e coquilho. Ahy desagoa o Ryo Batta- 
tan, que nasce huma legoa distante para o sul na Pirajuhia no seo porto admitre 
lanchas, e barcos, e por mais dous tiros de mosquete canoas grandes. \ mais 
meya legoa está Capella da Senhora da Victoria, grande de alvenaria, cunhais e 
arcos de cantaria : hé administradora D. Antoiiia"de Menezes, viuva do coronel 
Bernardino Cavalcante de Albuquerque, com fazenda de gados, madeyras, 
lenhas, piassabas, e olaria, tem 25 fogos e i3o almas de communhão; vivem de 
pesca e piassabas, aqui entre o Ryo Camussigippe com porto para lanchas, bar- 
cos e por mais braças canoas. 

Segue-se a mais hu quarto de legoa o Ryo Itaporandé com bons portos 

Cara lanchas e barcos, em toda a maré, na raiz do Pão de açúcar, outeyro cele- 
rado pela sua muita elevaçam, e figura cónica, e piramidal, com que parece 
ameaçarão Paraguassu, e capella de S. Sebastião contigua grande, de alvenaria, 
e bem paramentada, hé seo administrador Manoel João Pires clérigo in Mino- 
ribits, com fazenda de gados, madeyras, lenhas, coquilhos, piassabas, tem 10 
fogos com 45 almas de comunhão que vivem da pesca, esteyras, tapetiz e pias- 
sabas. 

Hum quarto de legoa pelo ryo acima se encontra a fortaleza de S. Cruz com 
sette peças de ferro de seis a oito livras de baila, de que he capitão Christovão 
Soares, e defronte, aberto na viva pedra o forte da Conceyçam, obra dos Olan- 
dezes, com duas peças de ferro de calibre de oito, hé seo capitão, António da 
Costa de Faria. 

Na distancia de hú tiro de peça eminente ao rio está a Capella da Senhora da 
Conceição do Engenho novo, grande de alvaneria, com bons paramentos, e retá- 
bulo dourado, a Imagem de "muita devoção, e tem jubileo no dia de sua festa, 
concedido pello Ex."" Rev."" Arcebispo actual a seo administrador D. António 
Manuel Sarmento Carrero, Professo na Ordem de Christo com o foro de fidalgo 



212 

de S. Magestade, Alcaide-Mór da Vidigucyra, Ouvidor Geral que foy desta 
comarca, da principal nobreza da villa de Vinhais, tem fazenda de gados, e 
lavouras de mandioca, e tabaco, madeyras, lenhas, piassabas, coquilhos, dendes, 
e lambique de agoa ardente, tem cães de toda maré em hú ryo que depois de 
fertilizar aquella fazenda, faz na confluência hú grande, e estimável viveyro de 
peixes em que entra a maré; tem i8 fogos e 8o pessoas de comunhão, que vivem 
da pesca, piassabas, e esteyras. 

Sobindo mais hum terço de legoa pelo ryo Paraguassu faz a terra da parte 
do Sul a Ponta chamada do Ferreyro; e pouco antes de chegar a ella se actia na 
viva rocha hua fonte, chamada Bicca, de agoa excellente e tam perenne no ve- 
rão, como no inverno delia se prove a villa que lhe fica por mar ao poente a 
distancia de hua legoa. Entre esta fonte e aquella Ponta, e bem no meyo do Pa- 
raguassu está a Una dos Francezes, chamada assim desde o tempo, em que 
Christovão Jaques, fidalgo da Casa dei Rey D. João o 3", e primeiro explorador 
da Bahia, entrando neste ryo, achou nella dous navios daquella nação, fazendo 
resgate com os naturais e respondendo soberbos a satisfação, que lhes pedio, 
daquella ouzadia nos descobrimentos dei Rey de Portugal, os metter ambos no 
fundo. Athe esta distancia da sua barra, que são mais cie duas lagoas, conserva 
o Paraguassu para navios de alto bordo. 

Aqui se alarga elle, fazendo para o norte hua enseada de mais de duas le- 
goas pelos valles do Iguappe, freguezia de Santiago, e outra semelhante para o 
sul pelas vargens da Capanenia. Correndo a costa da Ponta do Ferreyro a tiro 
de peça entra o rio Tororó, que admitte canoas para extracção de agoa e lenhas, 
de que a villa se serve. Em igual distancia correndo a mesma costa para o sul, 
se acha o ryo Grande somente no nome, e facilita suas agoas para o uso da 
villa. 

Na extremidade das Capanemas, e fim desta enseada, está a capella de N. 
Senhora das Necessidades, pequena, nova e bem paramentada, junto do rio 
Guahy, que tem porto de toda maré. Hé seo administrador, Rodrigo da Costa 
de Almeyda, Provedor da Alfandega da Bahya. Tem fazenda de canoas, e ma- 
deyras. Tem 22 fogos com 84 almas de comunhão, que vivem de suas roças, 
piassabas, esteyras e tapetiz. 

No meyo da enseada e Capanema pequena, está a capella de S. António, 
grande de alvaneria com retaoulo novo, moderno, e bem paramentada do ne- 
cessário, he seo administrador Pedro, Paez Machado de Aragão, capitão mór da 
villa, e senhor do único Engenho de açúcar, que no mesmo sitio se acha nesta 
freguezia, tem 65 vezinhos e Soo almas de comunhão, vivem de roças comercio 
de farinhas, e outras agencias. Aqui dezagoa o Ryo Cachoeira, que já traz com- 
sigo o Surunga, o Bacalhao, recebidos no descenso que faz das roças da fregue- 
zia situadas ao poente. Das mesmas desce a chamada Ribeyra entre a Capa- 
nema, e villa a quem serve para beber e lavar. 

Ao norte da villa, e distancia de quarto de legoa, está a capella da Senhora 
da Saúde, de alvaneria, de que he administrador António da Silva Rodrigues, 
na sua visinhança se achão 36 fogos e pessoas de comunhão 160. Segue-se a hu 
quarto de legoa para o norte o Ryo Itapecerica com porto para lanchas e bar- 
cos, tem 28 fogos e 120 pessoas de comunhão, que vivem de pesca, e alguas 
roças de legumes. 

A legoa e meya de distancia da villa para o nordeste no lugar do Magé 
está a capella da Senhora do Livramento, de que he administrador o Padre 
Miguel de Souza Barboza ; ahy entra também o Ryo Magè com portos. Hum 
quarto de legoa acima está a capella da Senhora do Rozario, grande, e bem 
paramentada, he seo administrador o Padre Ignacio da Costa Peyxoto. Acham-se 
em ambos sitios 75 fogos e 325 pessoas mayores, vivem de pesca, e plantas de 
legumes. A mais hum quarto de legoa entra no Paraguassu o Ryo Sumunga 
que por hum grande tiro de peça recebe lanchas e barcos, e divide pelo norte 
esta da freguezia da Senhora do Desterro do Outeyro Redondo. 

A hua legoa de distancia da villa para o poente quarta a nordeste está na 
entrada do Caminhaoá a capelia de S. António da Aldeã, que o fora dos 
naturais, he de alveneria, grande e bem paramentada, e com muita prata. A 
Imagem hé de vulto antiga e pequena, milagrosa e de muita romagem ; está 
no altar mór em retabolo dourado, no mesmo sitio em que sobre hua arvore, 
em que appareceo e a que se restituhia todas as vezes que a mudavam, o seo 
admmistrador he Boaventura Pereyra Lassos. Tem aquella estrada 45 foi;i'S e 
225 almas de comunhão que trabalhão roças para legumes. 

Ao poente da villa, e distancia de duas lego.-^s na estrada de S. Miguel esta 
a capella de S. António de alveneria, e Taypa áe mão da qual he administrador 
Manoel Alvarez de Souza, tem 28 fogos e iio pessoas de comunhão, que vivem 
de suas roças e legumes. Seguida mais hua legoa para o poente atravessa do 
norte desta freguezia em que nasce para o sul, onde acaba no de Jaguarippe, o 



218 

Ryo Copioba peUs fraUln» da Scrru Jo mesmo nome, onde ambot pelo poente 
ucrvem de divizu dcsia frcguczia com u de S. Phillipre da» Cabcceyras. . 

N'ciilc (titio, o iiinÍH jiKi>cio du incnmii ucrrii, tucccden u biiiumu que Mem 
de Sá, Irin&o de l-'raiiciftCo lic Sú c Miraiulu (o Sciiccu p()rtu|(uc/^ lerccyro gover» 
iiudor Jii Huhyii, ilco peloHuniinH de ibint uo» indioR de itiuiit de du/eiiiaft uldciaa 
do l'ulll^lta■ftu, por de/afrontar kcox aliado», de quem uquclla» haviúo matado, 
c comido trex lioineiis, i|ue (iatloH em Kua» aliiiiicait, efttaváo pc/cuiido »etri tiiua 
eiiuniio, e loi a rexulta tiio ulorioKu, que ao terccyro diu da «ua re»tituhi(&o h 
Hanyu recebeo eiiibuyxadu diiquella» c mum uldeuit pela qual >e Die» »ubmcttiúo 
á» ieiii, que aittc» publicara ; u continuando confederado», »e ajudarão c «ervíráo 
reciprocamente noH mais unnos ilo hco ^overno. Na» mui» roça» do termo %e 
coniíio 64 to^o», c i'()3 almas de comuiiliáo. 

A Matri/. dcsiu tregue/ia e villa de S. Hnrtholomeu de Marugugippe, feyta 
petos moradores, com ajuda de custo de S. Magefttude, que concorreo com 
seltenta mil cruzados, na l'rai;a, e angulo do poente, hc reputada pela mayur 
da» Parochiaes do Arcebispado. Debaixo de hum só telhado se cobrem seo» 
pórticos, capellas, conseitorios, sacribtias e mais oílicinus, que circumdáo o 
Corpo principal da igreja, toda de estructura magnitica. A sua entrada prin- 
cipal he para o poente de trez portas na lachuda entre duas grandes e elevada» 
torres dos sinos, para o norte e sul lhe ficáo as travessas dcbayxo de pórtico», 
sobre arcos de alvenaria, que sustcntúo os conseitorios, são humas e outras de 
preciosas madeyras curiosamente lavradas, a tachada todos os vários por- 
tais, urcos das capellus, c presbytcrio hc tudo de fina cantaria c da ordem Tos- 
cana. 

Do corpo da igreja se divide o Cruzeiro com grades altas de jacarandá, 
torneadas, c as quartcllas de folhaucm. A capciia mor he toda coberta de ma- 
madeyra apayne lada, c distincia com grandes Horões, e magnifico retabolo do 
mesmo, c ordem composta. NelLe se venera de vulto, grande; e estofada de ouro, 
a Imagem do Orago, e Apostolo S. Bartholomeu, a quem alumea uma grande 
c antiga alampada de prata. A sua Irmandade se administra, e serve pelos 
orticiais da Camará, que por provimento dos ouvidores da Comarca da Bahya 
lho fazem a festa no seo aia. Tem hum vinculo, que administra o capitão José 
da Silveira de Gusmão, cuja família tem sepultura dentro do arco, c toda a 
península lhe é foreira. 

E outrosím a Imagem de S. Gonçallo, de vulto, grande, e estofada também 
de ouro, com sua Irmandade rica, que no seo dia lhe faz a sua festa. Dá a 
mesma capella mór comunicação para a sacristia do povo e fabrica, que he 
grande, e formoza, com duas janellas para o sul', e porta para os pórticos, e 
púlpito da parte da Epístola : e também secomuniqua com a sacristia da Irman- 
dade do Sacramento que para o norte tem janellas, portas, e officínas em tudo 
íguaes da outra. 

A capella do Santo Chrísto, cuja Imagem grande de vulto, e muy devota, 
se venera no scu grande retabolo de talha da ordem composta, he separada do 
Cruzeiro, e fechada com altas, e formozas grades de madeyratorneada, com o 
remate de lavores de relevo pintados, e dourados. Nella está collocado o San-- 
tíssimo Sacramento, servido de huma grande, e devota Irmandade, com muitos, 
e ricos paramentos, e alfayas de prata iguais na perfeyção, e na grandeza. Faz 
a Irmandade a sua festa na prímeyra Dominga de outubro, e toda a despeza da 
Quaresma, e semana em que se costumão solemnisar os officios Divinos, com 
perfeição : concorre o Juiz, alem da funcção, que faz, do Lavapez com trezentos, 
e oito mil reis ; tem imagens de vulto grandes para todas as tuncções. 

Ha nesta Irmandade hum legado, para arder de continuo na capella huma 
grande alampada obrada primorosamente, que o deyxou com rendas certo de- 
voto. O Padre Pedro de Arahujo Patto lhe deyxoU as que bastão para sempre 
arderem na mesma capella duas Tochas de cera branca. Tem a mesma Irman- 
dade em huma cruz de prata, de quasi três palmos de alto, lavrada com grande, 
e curioso primor, e ornada de pedras de muita estimação, huma relíquia do 
Santo Lenho que em attenção a Pedro de Arahujo e Souza Juiz que foi da Ir- 
mandade deu, e poz no relicário da cruz do Reverendo Prior de Santa Thereza 
no anno de 1724. 

Defronte na Capella colateral da Epistola, em retabolo novo de talha de 
madeyra do moderno, se venera de vulto, estofada de ouro; a Imagem da Se- 
nhora dos Mysterios, grande, formoza, e de muita devoção. 

Tem Irmandade muy numerosa, erigida por authoridade Apostólica com 
sujeyção ao Prelado de S. Domingos da corte de Lisboa. Entre esta capella, e a 
mayor está na face o altar do Archanjo S. Miguel, com grande, e formozo reta- 
bolo de Talha da ordem composta, pintado, e dourado, em que se venera a sua 
Imagem de vulto muy formoza alumeada de hua antiga alampada de prata. Tem 
Irmandade das Almas, que lhe faz hum anníversarío, e outros sufTragios. 



214 



Na sua correspondência em tudo uniforme lhe fica da parte do Evangelho 
o altar da Senhora da Conceyção, Imagem de vulto, grande, estofada de ouro, 
formosa, e muy devota: Tem sua Irmandade, que a serve com missa de verso 
nos sabbados, e lhe faz a festa no scf) dia, e tem bons paramentos, e alfayas de 
pi ata ricas e perfeitas, e alampada antiga do mesmo. 

Do Cruzevro para baixo sahem do corpo das paredes dous muy vistosos 
púlpitos de talha de madeyra de branco, e ouro, sobre base de cantaria douradas. 
Acima das portas travessas estão á face dous altares da Senhora do Amparo 
hu, e outro da Senhora da Piedade, e S. António, com retabolos grandes de talha 
dourada, são as Imagens de vulto, estofadas, e muy devotas, servidas das suas 
respectivas Irmandades que lhes fazem suas festas. 

Por baixo das portas travessas outros dous altares de retabolos modernos, 
e dourados, hu de São Benedito, e Santa Ritta, e outro da Sagrada Kamilia, 
ambos com Imagens de vulto grandes, estofadas de ouro, e servidas cada huma 
de suas Irmandades que as festejam. Da parte do Evangelho, e no vão da torre, 
se acha fechada com grades altas de jacarandá, em tudo conforme ás do Cru- 
zeiro, pia baptismal de huma grande, e bem lavrada taça de cantaria sobre hua 
muy polida columna de mogno. 

Entre ambas, as torres grande e coro largo, espaçoso, e recebe quatro gran- 
des janellas que, alem, das cmco portas enchem de luz a toda a igreia : para ella 
tem grades de jacarandá, em tudo semelhantes ás das cinco tribunas, que a 
mema tem por banda e rodam no mesmo nivel do coro com os consistórios: nelles 
podem os Ex."»' e Rev.""" Prelados accomodar decentemente toda a sua familia, 
querendo nas suas visitas hospedar-se nellas, e logar das melhores vistas, e vira- 
çoens mais livres de toda villa. Para a fabrica desta igreja dá S. Magestade a 
côngrua de seis mil reis que lhe consignou antes de ser villa. 

O seu parocho é vigário perpetuo, nomeado pelo Ex."" Rev."» Arcebispo 
em concurso, e confirmado por provisão de S. Magestade como administrador, e 
gráo-mestre da Ordem de Christo, e como tal lhe paga de côngrua annual com 
ajuda de custo para o cavallo, e canoa, que não escuza para aprompta adminis- 
tração dos Sacramentos gS.ooo reis pagos na Casa dos Contos e com o Pé de Altar 
rende hoje ao vigário 400 cruzados e delles dá ao segundo coadjuctor a quantia 
em que ambos convém, e 40:000 reis ao primeyro a quem S. Magestade manda 
também pagar 25 cruzados, e ao sachristão que todos servem por provizoens 
annuaes dos Ex.""" Rev.""' Ordinários. 

Sam 987 fogos os de que se compõem esta freguezia de S. Bartholomeu de 
Maragugippe moradores na villa e differentes sitios do seu Districto e Termo, 
em que se achão 45oo almas de comunhão. Não ha nesta freguezia, comercio, 
trafico, ou officio, que prezentemente mantenha a seos moradores com decência, 
mais, qye quatro cortumes de sola vermelha, duas fazendas de cannas, sinco lam- 
biques, hum Engenho de açúcar, duas olarias, e todos os mais officios se acham 
em continuada inacção. Todos tinhão exercício e floreceu esta freguezia emquanto 
no Termo, e terras contíguas, e adjacentes se conservarão para lavrar suas man- 
diocas, as matas virgens; porque estas em pé (impedem?) o impulso dos ventos, 
que as destroem, movendo e quebrando-lhes as raízes; e queimadas eram suas cin- 
zas o melhor condimento da siias lavouras. Se porem hoje ficaram inúteis para 
mandiocas, seus únicos effeytos athe agora, não são para outros infecundas; 
são aptas, c proporcionadas com distribuições accomoda (s/c) segundo a qualidade 
e situação differentes, para os mais géneros do paiz, a que os lavradores quizerem 
applicar-se. 

Para seo governo militar tem doze companhias da villa, e termo, governadas 
com seos officiaes subalternos por hu capitão mór da eleyção da Camará, e con- 
firmação de S. Magestade, que he ao prezente Pedro Paez Machado de Aragão, 
senhor do Engenho de S. António de Capanema, e da principal nobreza deste 
Recôncavo. Tem Alcayde mór data de S. Magestade a Manoel Nunes Vianna 
quetomou posse em 3o de Dezembro de 1728, succedeo-lhe immediatamente o 
Dr. Joseph Pires de Carvalho Cavalcante e Albuquerque professo na Ordem 
de Christo, secretario que foy deste Estado em propriedade, e da principal no- 
breza da bahya, tomou posse em 22 de Dezembro de 1753. Passa provimen- 
tos ao Alcayde Carcereyro e seo Escrivão, Meyrinho do Campo e seo Escri- 
vão. 

Assistem ao Governo Civil dous Juizes Ordinários, três Vereadores e hum 
Procurador da Camará, hu Juiz dos Ortãos triennal, tudo por pelouros. Escrivão 
da Camará, Orfaons, Almotacaria, dois Tabeliaens, Inquiridor, Contador, Dis- 
tribuidor, Porteyro, dous Avaliadores, Meyrinho, e Escrivão do Nagé, tudo da 
nomeação da Camará, e providos hoje por S. Magestade, mediante certo gratuito 
donativo. 

Tem vigário da vara que ao prezente he o mesmo Parochial, com esta juris- 
dicção limittada em algumas matérias eccleziasticas, e ordinária somente nos 



215 

rezidunii cnm Kncrivftn, Promotor, o Moyrinho, que huni c ouiroi servem por 
pn)vuôciii» uiiiuiiiík do» Kx."" Rcv,"-* Ordiíiurío». 

2700 

Pi.ANiA Jíi Ircfiuc/.ia de S. Bnriholomcu da Villa de Maragugippc, no Hc- 
cuncavo Jn Huhiu. 

o, •" 165X0, '"263. iAtimxo ao n. ■jjouj. 

/•'ncontra-se na uCollecí^ào especial de mappas c plantas» sob o 
n. -j I if. A Ibtim X V. 270 1 

Ri:i.AÇÁ() da Frcgiiczia de Nossa Senhora da Kncarnasáo de Passe e dos 
sitios ou lof;ares, rios, seus nomes e distancias e juntamente dus pes- 
soas que nV-lIa e nas capellas suas tiliaes uo presente se compre- 
liendem, pelo Vigário António da Costa Pereira. 
1757. {Annexa ao n. 'jfififi). 

l-Ista tV(.■^ucvia de Nossa Senhora da lOncarnaçáo do I*uskc, que cvta situada 
a beira mar pela parte do poente correndo do sul para o norte «c divide com a 
de Nossa Senhora do Soccorro por hú braço de mar uue entra pela terra dentro 
distancia do húa legoa, e termina no Kngeiího de S. Paulo, que he de André 
de Britto de (-astro, e dahi caminhando pelo mesmo rumo terra firme se vai 
devidindo com a mesma fregue/ia do Soccorro, e em parte pequena com a de 
Nossa Senhora do Monte distancia ile duas Icgoas até topetar com o rio chamado 
de Joanne o qual tendo a sua origem no Engenho dos Gunigaya, que era de 
lira:; Vieira pertencente a Freguezia de Nossa Senhora do Monte, c correndo do 
poente para o nascente em forma circular vai desembocar ao mar; c assim por 
este rio pela parte do norte se divide esta freguezia de Passe com a de S. Se- 
bastião, que delia foi já . criada cm tempo do Sercnissimo e Fidelissimo Rei 
Nosso o Senhor D. Joam quinto de Saudosa memoria, e pela do nascente em 

[>equena parte com a de Santo Amaro da Ipitanga;c pela do sul correndo do 
*ocnte para o nascente distancia de duas legoas e meia, pouco mais ou menos, 
athé topetar com o mesmo rio de Joanne se divide com a Freguezia da Nossa 
Senhora da Piedade de Mathoim. 

C) que supposto — Os sitios, ou lugares, que se achão denjro dos limies desta 
Freguezia de Passe são os seguintes — Primeiramente o sitio da Matriz, que no 
terripleno occupará hú quarto de legoa em quadra; adiante logo correndo do sul 

[>ara o norte, pela parte do poente na distancia de meia legoa está o sitio da 
*itinga — onde se' acha hú engenho do Capitão Mathias Vieira de Lima e Menezes, 
e huà Capella da invocação de todos os Santos: segue-se em distancia de meia 
legoa o de S. Paulo chamado assim por pertencer ao engenho de André de Brito, 
em que se acha húa Capella do bem aventurado Apostolo S. Paulo, porem 
tanto a Capella como o engenho pertence á Matriz do Soccorro. Adiante mais 
distancia de meia legoa está o lugar da Pitanga, em que tem o seu engenho os 
Reverendos Padres da Companhia de Jezus, e húa Capella da Senhora das — Can- 
dcas — Distante deste hua legoa segue-se o das Pindobas, em que tem hu engenho 
Simão de Aftonseca Pitta com hua Capella do glorioso Santo António, e he o 
ultiirio lugar, que por este rumo se compr,ehcnde nos limites desta Freguezia. 

E deste lugar, correndo do poente para o nascente distancia de duas milhas, 
está o engenho do Cobé que toi de António Alves Fiúza situado já á beira do 
rio de Joanne, e correndo pelo mesmo rumo, e margem do rio distancia de meia 
leçoa está o sitio do Carauassú, onde tem hu engenho feito da, novo o capitão 
acima dito — Mathias Vieira de Lima e Menezes com hua capella do glorioso 
Patriarcha S. Francisco. Segue-se na distancia de legoa e meia o sitio do Lama- 
ram; adiante mais distancia 3 e meia legoas o do Camassari, que he o ultimo 
com que se termina a freguezia por este rumo. 

Pela parte do sul correndo do occaso para o oriente, por onde se divide com 
a de Mathoim esta Matriz distante delia meia legoa está o sitio ou logar do 
— Engenho novo — onde tem seu engenho Clemente Luiz Moreira, e hua capella 
de Nossa Senhora da Conceição, diante mais 5oo braças está o sitio do Engenho 
de agoa, onde tem hu engenho de agoa o coronel Domingo da Costa de Almeida 
Provedor da Alfandega, com hua capella da invocação de Jezus Maria José 
— adiante mais na distancia de hua milha o sitio de Jacaracanga — onde está outro 
engi-nho do mesmo coronel com hua capella do glorioso Santo António; e dis- 
tancia deste meia legoa o sitio do — Corraybassu — onde está hum engenho de 
agoa que foi do Coronel Luis da Rocha Pitta e de prezenie dominado por seu 



216 

irmão e testamenteiro Simão de Affonseca Pitiaj e hua capella de Nossa Senhora 
da Conceiçam — Adiante mais distancia de meia legoa ou duas milhas está o 
logar chamado — Tombadouro — que é o ultimo, com que por este rumo se ter- 
mina esta Matriz de Passe. 

E principiando delia outra vez correndo do Sueste para nornordeste dis- 
tancia de meia legoa está hu logar intitulado — campo do Diogo Netto — dis- 
tante mais meia legoa o do Mamão — em que se acha hua capella do glorioso 
Santo António, e hu engenho que já não faz assucar pertencente tudo a D. 
Anna Subtil de Figueiró viuva de Sebastião Subtil de Sirqueira, adiante mais 
distancia de meia legoa o logar chamado — Madeiras dei Rey intitulado assim 
por ser em algu tempo imposto das madeiras que se tiravam para as náos de 
S. Magestade; por este lugar passa hum rio chamado — Bunhussú — o qual 
tem sua nascença no tanque do engenho da Pittanga acima já declarado, e cor- 
rendo do poente para o nascente distancia de três legoas pouco mais ou menos 
se vai introduzir em o mesmo rio de Joanne — este rio em tempo de verão se 
passa a vão e de inverno por riba de hua ponte que tem, mal beneficiada, e 
quando ha cheias impede a passagem, e he necessário canoa, ou jangada para 
se passar alem. Deste rio até topetar com o de Joanne correndo este mesmo 
rumo haverá distancia de legoa e meia e dentro desta senão acha mais que 
hum sitio chamado — Cedro — que dista do Bunhussú meia legoa. 

E tornando outra vez a Matriz correndo do sudueste para o nordeste 
distancia de duas milhas está o sitio chamado — Olaria — adiante deste outro 
tanto o da — Petecaba — adiante rnai> distancia hua legoa o sitio chamado 
Bunhussú de Ignacio Alvares — adiante mais meia legoa segue-se o sitio do 
Canassari — e he o ultimo, com que por este rumo se termina a Freguezia. 

Acha-se também distante da Matriz para a parte do sul — 5oo braças hua 
ilhota cercada de mar chamada — Topete — que consta de 3 fogos; carece -se de 
canoa para se ir a ella. 

Estes são os sitios, ou lugares de que consta esta Freguezia de Passe, e em 
todos elles se acham de presente 3o3 fogos, pessoas maiores — 2243, menores 
— i35, de communhão-^ 2346, cuja maior parte sam os escravos dos Lavradores 
de assucar. 

F^oi esta P>eguezia em algu tempo, e antes da divisão hua das melhores, 
que havia no recôncavo; no tempo presente se acha muito atenuada por vive- 
rem os lavradores de assucar, maior e principal trafego desta terra quasi todos 
empenhados e airastados pela carestia dos escravos, e mortandade d'elle5, se he 
que não he por peccados, de sorte, que não chegam os lucros, para as despezas. 

2702 

Noticia sobre a Freguezia de Nossa Senhora do O' de Paripe, pelo Vigário 
Domingos Gonçalves da Silva. 

1757. [Antiexo ao n. 2668.) 

«Esta freguezia de Nossa Senhora do O' de Paripe pella costa de mar se 
divide da parte do Sul da Freguezia de Sam Bartholomeu de Pirajá por um 
riacho chamado do Peripetumba e dahy vay fazendo a mesma divisão da dita 
Freguezia e vay accabar no riacho chamado Ipitanga e dahi se divide da Fre- 
guezia de Sto. Amaro da Ipitanga thé o principio do ditto riacho donde chamão 
Ipitangiiinha ; e dahy buscando o poente se divide da Freguezia de Sam Miguel 
de Cotegipe thé o mar da parte de dentro do rio de Mathoim pella enseada do 
rio de Sam Gonçalo na fazenda chamada da Vara, ficando lhe sempre a Fre- 
guezia de Cotegipe da parte do Norte. Pella parte do Poente se divide da Fre- 
guezia de Nossa Senhora da Piedade de Mathoim por hum estreito de mar sal- 
gado navegável e por hua ponta de terra chamada ponta da área, e outra cha- 
mada Toquetoque. Tem de comprimento esta Freguezia desde o riacho da 
Ipitanga por donde se divide da Freguezia de Sto. Amaro da Ipitanga de Leste 
aò Oeste the a ponta da área e Toquetoque por donde se divide da Freguezia 
de Mathoim trez Legoas. Tem de largura pella parte do mar Legoa e meia em 
linha recta do Sul a Norte. E pella parte da estrada do sertão, e riacho da 
■ Ipitanga tem duas legoas de Sul a Norte. Os riachos que tem são estes, Peri- 
petumba, Inema, Paruaçú, Itapaçarica, Macaguo, Coruripe, Carrapato, Rio das 
pedras, Ipitanga, Agoa de Santos, todos estes são rios pequenos, que se passão 
a váo. Não tem povoação de moradores juntos, por viverem apartados huns dos 
outros e distantes. Os nomes dos lugares são estes, Peripitumba, Pedra 
* das Almas, Paripe, Sofoca, Sto. Thomé, ' Inema, Toqueoque, Bocca do Rio, 
Gororó, Moribeca, S.t" Cruz, Outeyro, Aratu, Vara, Macaguo, Campos, Sto. 



217 

António do rio dai pedras, Carrapato, Ipitanguinha, Ipiunga, eat«s nomea aio 

doa luaareK maia principaea. 

Conatu tuitibcin cata l'rcguczia de 656 peaaoaa de comunhio. Toda eata 
l''rcguczia ae pode em hum dia correr toda. Eata he a relaçfto qae poaao dar.» 

2703 

Noticia sobre u Frcsuczia de S. Miguel de Cotigíppe, distante 6 legoasda 
cidade da Bania, dentro do termo da dita cidade. Pelo vigário 
Manoel Cardoso dos Santos. 
iT^"] [Annexa ao n. 26ti6.) 

«dcTtificn que cstu Frcguczia (S. Miguel ilc Oitigippc) tem duaa Icgoaa de 
longitude ; e u mesma ilintancia tem de latitude, c »e poile entender circular. I*ara 
u p(ivoa<;iMi desta l-Veuue/ia eiitrâo cinco estrwytí»» rios de tnar, a aabcr, o primeiro 
para o porto destii MÍitri/, <> rio chamado o porto da (lapella de N. Senhora de 
(iuadeluppe ilo l-jif;eiiho ilc Cotigippe, o rio do porto do Salgado, o rio porto do 
Hispo, o rio porto do Kngeiího invocação Senhor do liomfim. Todos eatcs navc- 
gão os moradores das suas margens em canoas para virem a esta Matriz e para 
se lhes assistir com os Sacramentos. Tem esta l''reguezia quatro (lapcllaa íiliaca, 
a saber, N. S. de Guadcluppc, S. (lonçalo, S. Bernardo, N. S. da Guia. Conthem 
onze mayores Destrictos, o primeyro o desta Matriz, o do Engenho do rio de 
(-otigippc, o da Cachoeyra, do S." I.uzia, o de S. Gonçalo, o de S. Bernardo, o 
do Salgado, o de Itaniboatá, o da Gamboa, o da Moritiba, o da Estrada caminho 
da GiJadc. Outros menores Destrictos ha nominados com os nomca doa seus 
possuidores. 

Gonthem esta Frcguczia i336 almas a saber: Homens brancos 43. Mulheres 
brancas 5S. Pardos forros 36. Pardas forras 43. Pretos e pretas forras 78. Os mais 
são escravos. De todo este numero acima de almas, são de communhâo 1143.» 

2704 

Noticia sobre a Freguezia de S. Bartholomeu de Pirajá, pelo Vigário 
Francisco Baptista da Silva. 
I j5j (Annexa ao n. 2666.) 

«•Obedeàendo á ordem de Vossa Exceliencia Reverendíssima envio a relação 
na maneyra seguinte. Tem esta freguezia de Sam Bartholomeu da Pirajá e de 
presente fazendo-se nova freguezia juntamente a Virgem Santissima May de 
Dcos da Piedade ao pé da Crux duas legoas em quadro: Tem cinco capellas, três 
. filiaes. e duas dos Religiosos de Nossa Senhora do Monte do Carmo, a saber: 
Santa Luzia na sua Ilha, Sam Caetano que dista de Santa Luzia três tiros de 
pedra: S. Joam que dista de S. Caetano hua legoa, S. Braz que dista de S. Joam 
meyo coarto de legoa, e Nossa Senhora da Escada que dista de S. Braz meya 
legoa. 

Não tem em si lugares povoados mais que sinco logarejos com meya dúzia 
de fogos cada hum que sam: Bananeyras, Crux de Pirajá, lugar escolhido de 
próximo para a nova Matriz, e dista das Bananeyras hua legoa, Fragoso que dista 
da Crux meyo coarto de legoa, Itabaranha, Praya grande que ficão conjuntas e 
distão do Fragoso hua legoa; as mais pessoas morão em sèos sítios disperços 
com as denominações seguintes: 

Sam Caetano; Ilha de Lucas Pinto, sitio de Maria Thereza, sitio.de Manoel 
Germano, sitio do Capitão Manoel dos Santos Dias, sitio da freguezia Ilha de 
Joam de Sousa, S. Joam Passage, sitio do Capitão Mór José Pires, S. Braz, Nossa 
Senhora da Escada, Camposde Lamarão, Jaquaira, Quiaya, S. Braz velho, 
Cachoeira, Cangurungu, Guiqa, Estrada Geral do Sertam para a cidade, Terra 
Nova, sitio da Conceição, Pedras Pretas, Buraco do Tatu, Mangueiras, Terras de 
S. Bento, Pituassu, Barreyras, Cajazeiras, Dendezeiro, Campma, Camorogippe 
que todos distão hum dos outros dois e três tiros de espingarda exsepto o da 
Conceição que dista dos seus circonvisinhos meya legoa. Tem goo pessoas de 
comunham. 

Os rios q^ue nella tem seu nascimento, e outros que por ella passam sam os 
seguintes, o no denominado Inforca Mentiras, que diviae esta freguezia com a 
de Santo António alem do Carmo da Cidade, tem seu nascimento na referida 
freguezia de Santo António e nasce da parte do Sul atravessa a estrada real do 
Seriam e desagoa no mar da parte do Este em pequena distancia do seu nasci- 
mento. 



218 

O rio Pituassu tem seu nascimento nesta freguezia da parte do Leste, e di- 
vide esta freguezia com a de Santo António e passando pela de Nossa Senhora 
das Brotas do Caminho grande, faz barra no mar da parte do Sul, e dista do 
Enforca mentiras hoia legoa. 

O rio Camorugippe, atravessa a estrada do Sertam, tem seu nascimento 
dentro desta freguezia da parte do Leste, divide esta freguezia com a de Santo 
António, e faz o seu curso para a parte do Sul, chamado então rio vermelho e 
desagoa no mar, e dista do Pituassu meya legoa. 

O rio chamado Dcndczeiro tem seu nascimento nesta freguezia da parte 
do Este atravessa a estrada do Sertam e fazendo seo curso de meya legoa se 
faz encontradiço com hum riacho chamado Cabrito, e fazendo aly hum só 
corpo, fica o tal Dendezeiro nominado Cabrito, e desagoa no mar da parte do 
Este por detraz da freguezia que foy ; e dista do Camorugippe meya legoa. 

O rio chamado Pirajá tem seu nascimento na freguezia de Nossa Senhora 
do O' de Parippe da parte do Norte, e faz seu curso para esta freguezia com 
distancia de legoa, e meya, e nella desagoa no mar da parte do Sul e dista do 
Dendezeiro hum coarto de legoa. 

O rio chamado Cangurumgu, tem seu nascimento na freguezia de Nossa 
Senhora do O' de Parippe, atravessa a estrada do Sertam da parte do Este, e 
divide esta freguezia com a de Parippe ; este mesmo Cangurumgu faz barra em 
outro rio chamado Cururippe distancia de hua legoa, e fazendo seu curso para 
a parte do Leste distancia de meya leeoa, fazem barra em outro rio chamado 
ò Ipitanga, e pela parte do Este íivide esta freguezia com a de Santo 
Amaro ío Ipitanga e desagoa no mar da parte do Sul, dista do Pirajá em 
seu nascimento hua legoa. 

O rio chamado Jagoarippe tem seu nascimento nesta freguezia da parte 
do Leste, e fazendo seu curso de três legoas, em cuja distancia se incorpora 
com hum chamado Agoas Claras, em distancia de meya legoa, que faz barra 
no mar da parte do Sul e, divide esta freguezia com a de S. Amaro do Ipitanga, 
e dista do Cangurumgu meya legoa e as taes Agoas Claras, nascem nesta fre- 
guezia da parte do Leste. 
! , O rio Peripitumba tem seu nascimento nesta freguezia da parte do Norte, 

e desagoa no mar, distancia de meya legoa do seu nascimento, e divide esta 
freguezia com a de Parippe, e dista do Jagoaripe hua legoa ; nenhum dos refe-' 
ridos rios é navegável. He o que posso noticiar.» 

2705 

Relação da Freguezia de Nossa Senhora do Desterro, sita no logar do 
Outeiro Redondo, pelo Vigário encommendado José da Costa Valle. 
1757. [Annexa ao n. 2666.) 

«Principia esta dita freguezia de Nossa Senhora do Desterro á beira do rio 
. Cachoeira chamado Perauassu e navegável, em o lugar da Varginha donde tem 
a capella de Nossa Senhora da Conceição com povoação de hua dúzia de casas 
de pescadores e desta povoação se sobe para este Oiteiro Rec^ondo, Lugar da 
Matriz com a distancia de legoa e coarto e logo se segue o lugar de Caminhave 
donde estão situadas rossas de farinhas e tabacos athe o logar da Cruz das 
almas em distancia de legoa e trez quartos pouco mais ou menos donde tem a 
capella de Nossa Senhora do Bom Successo com povoação de dez ou doze mora- 
dores e dista e se vay do lugar da Embira em distancia de meya legoa donde 
tem a capella de Nossa Senhora da Conceição em lugar dezerto que apenas tem 
a dita capella e a casa da administradora e do seu Cappellão e daqui o lugar 
dos Cedros cituado da rossas athé os Foins em distancia de duas legoas e meya 
e deste lugar se vay ao Ginipapo em distancia de duas legoas por caminhos 
dezertos sem povoação e neste lugar do Ginipapo se acha a capella do Senhor 
S. Joseph e apenas com a fazenda e casa do administrador. Sendo o visinho 
mais chegado de legoa : e daqui se segue para o lugar das Mangaoeiras em dis- 
tancia de coatro legoas sem morador alguui desta freguezia e neste lugar tem 
seis ou sette moradores e alguas rossas poucas pelos seus lados e daqui das 
Mangaoeiías se vay ao Boqueirão donde finda a minha jurisdição em distancia 
de meya legoa sornente donde se achão coatro moradores e em todos estes ditos ™ 
lugares e povoaçoens não ha rios correntes nem navegáveis e apenas alguns H 
ribeiros seccos e só tomão agoa nos tempos do inverno que passado este ticão M^ 
seccos. fl 

Como também certifico que nesta dita freguezia neste presente anno tanto ^ 
na Matriz como nas suas capellas fi.liaes assima notadas, segundo o meu rol da 
desobriga acho que comungarão 2619 pessoas o que tudo passo na verdade. 



219 

Dcvcfic iiotnr c niiher que CtIU TcWaçin fcitii por ' ? meticliiilo Jo Oí- 
tciro Kcttoiítlf), lifto coinprchcndc iiiuu i|iir tncvii ^ itii pouci difc- 

rciKU ; pi>u|tic logo que clicftuiunit u ckIc ArcLhyupad - .<> Ju »um longi- 
tude que iiAo «ím iiiciioH ilc <j«) Icguii», tnllaiido com n viuiirio coIlMdo 1'hilipe 
1'iiito lie Aguiar lhe propu/cinoH »eriii inuilo do agrado de Deot o dividirmos 
eNia Creguc/ia para «cr purochiadu, cujn figura hc u de huiiia líla por (cr o com« 
pniHcuto retendo, c iiào pa»»ur de dua» legou» de largo e que encolheu clle 
metade para re^iilir, e iin outra metade uprcAentariu o ordinário KncotiiciidHdo 
cobrando clle vigário collatlo o ordenado real ; agradeceu u propotta e elegeo 
para Hua rvmdcncia a parte cita no certho de «ima nonde etiá havarA doze ou 
ire/e unnoa c o Kncomendado que He lhe nomeou ae acha retidindo na Matriz 
cituada no recôncavo denta cidade percebendo por inteiro at oblações, dcM>bri- 
gas e inaÍH emolunientoH thé o citio do Boqueirko, distante 3o legoai da vargia 
da (Cachoeira que he onde tem principio ctta frcguezia.» 

270< 

Noticia sobre a Frcguezia de S. Pedro do Monte, no Arcebispado da 
Bahia, pelo Vigário Kemualdo Ferreira Villas Boas. 

5. d. {Annexa ao n. 2666.] 

Tem esta frcguezia de SAo Pedro do Monttc o seu principio navegando da 
ciilado da Itahia rio asitna na boca do rio (lapivary qucfas barra no rio Ca- 
chocyra, alias Paragoassu, quo traz o seu naciíncnto da chapada du caminho das 
minnas, onde se lho ajunta outro — rio du Una, em distancia o dito nacímcnto, 
a boca do tal rio Capivary sincocnta Icgoas, com pouca diferença, e corre do 
ocazo para o leste dosagoando no mar da Bahia. • 

Do principio e boca do dito Capivary pelo rio Paragoassu asima, em dis- 
tancia de meya legoa, está uma povoação chamada o Portto de São Félix, e ahy 
hua capella do dito Santo, tilial desta Matriz, c tem a tal povoação 33o pessoas 
de comunhão, c comtVoíita com a frcguezia de Nossa Senhora do Rosário villa 
da Cachoeyra, mediando o sobredito rio Paragoassu, pouca distancia, de cujo 
portto rio abayxo, podem navegar, como navegam, barcos, e rio asima só he 
navegável de canoas hum auarto de iegoa, por cauza de cachoeyras, ilhotas, e 
pedras, por cujal^eyra rio nam poucos moradores e pobres, e alguas passajes 
nelle, em tempo de secca, que dão vao e em outras se atravessa em canoas e 
deste portto distante cinco legoas rio acima ha hua barca. 

Do portto de S. Félix ao lugar da igreja Matriz dista meya legoa morro 
asima, e neste meyo se acha a Capella de São Pedro Velho, com três moradores 
97 pessoas de comunhão. 

A dita Matriz cita um sitio plano chamada Moritiba, em que abitam 83o 
pessoas de comunhão, e do dito citio se apartam duas estradas gcraes, hua para 
a frcguezia de Nossa Seiíhora do Desterro de Outeyro Redondo ; com quem 
parte esta du São Pedro, distancia de hua legoa pela parte do Sul, e desta da 
Moritiba foy dtismenibrada, cuja entrada he juntamente caminho para as mais 
rossas, correndo pela terra dentro em distancia de quatro legoas, vay sahir a 
nacenssa do rio Capivary donde se acha hua capella de São José chamada o 
Capivary lambem filial desta Matriz de São Pedro, corn. dous moradores 3o 
pessoas de comunhão. 

A outra entrada busca, digo he caminho dos certois para as minnas, e té 
desta Matris vinte legoas, ham delia alguns freguezes, que iindáo no lugar cha- 
mado Boqueiram sem embargo de ser a sua extenção te o Rio Grande das 
Contas, com oytenta legoas, que tem principio no Boqueiram, caminho dizerto, 
infestado do .gentio brabo, não obstante haver por elle alguas fazendas de gado 
em distancia de mais de quinze legoas huas a outras, sete, seis, sinco, três 
pouco mais ou menos. 

No tal citio do Boqueyrão se acha hum Oratório em caza particular, em 
que se diz missa, havendo occazião do sacerdotte, e na mesma parajem ha Cymi- 
terio em que se interrão os defuntos que por aly morrem, e tem três moradores, 
35 pessoas de comunhão daquy treguezes. Os mais e dahy para sima delles se 
tem, apossado o vigário do Outeyro Redondo. 

Pela dita estrada que da Moritiba vay para o Outeyro Redondo, e rossas 
desta frcguezia, atravessa o rio Capivary em distancia de hum quarto de legoa 
e menos do citio Moritiba, cujo rio se passa de cavallo, e a pe, excepto em, 
tempos de chuva, e da nacenssa do tal rio a estrada sobredita do certois, será 
hua legoa, cuja entrada, passa pelo Boqueyrão, e deile té o rio Paragoassu, 
pela parte do Nortte, será duas legoas, com pouca diferença. 



220 

Item distancia da sobredita passaje do Capivary hua legoa atravessa hum 
riacho, chamado do caminho Aquá, tãobem de pouca agoa, excepto em tempo 
de chuva, que tem o seu nacimento na fazenda grande e freguezia do Outeyro 
Redondo e desagoa no dito Capivary, como tãobem vários Corgos que não tem 
premanencia. 

Não ha lugares, ou povoações mais alguas, excepto rossas disperssas, huas 
das eutras, em que morao vários lavradores, com pouca conveniência porque 
alem da muyta formiga, ser já em terras canssadas, e por isso em termos de se 
retirarem para mais longe, a outros limites, buscando mattas : e ao todo tem 
esta freguezia 4080 almas, e no espasso delia hão mais seiz oratórios em fa- 
zendas de sacerdottes. Não tenho noticia que mais possa rellatar. 

2707 

Relação dos logares, povoação e distancias da Freguezia de Santo António 
de Villa Nova Real do Rio de S. Francisco, pelo Vigário Joaquim 
Marques de Oliveira. 

1757. (Annexa ao n. 2666). 

«Tem esta freguezia 10 legoas de comprido de nascente ao poente, e lo de 
largo de norte a sul, hc a sua divisa com a capitania de Pernambuco pela parte 
de norte, o rio de S. Francisco, que he navegável de embarcações pequenas 
que vem a esta villa a carregarem; começa esta freguezia da barra que faz o 
dito rio no m\ir por elle acima thé chegar a hum braço ou córrego que abriu o 
rio pela terra dentro, que serve de diviza a esta freguezia, hem iraducçáo antiga 
era hvima camboa sem saida ao Rio de S. Francisco pela parte do sul, mas pela 
continuação das enchentes e ventos nortes que açoutam a costa do sul desta 
freguezia foi quebrando terra como costuma, e a abriu para aquella camboa, e 
formou assim hum riacho por diíFerente rumo da corrente do rio de S. Fran- 
. cisco, o qual hoje the chamam Prauna, cujo circula grande parte de terra desta 
freguezia, a qual chamam Brejo grande, de cuja está de posse intruza a Capi- 
tania de Pernambuco, e acabado este riacho de circular esta terra torna a sanir 
no niesmo rio de S. Francisco, e se vem por elle acima thé Mussuipe que he 
hu riacho não navegável que deita de si o Rio de S. Francisco nas enxentes, e 
delle pela parte do Sertam, entra a freguezia ds Santo António do Orubú de 
baixo, e pela parte do norte he diviza desta freguezia, com a de Jesus Maria 
José e S. Gonçalo do Pé do banco; o rio da Japaratuba Meirym, riacho não 
navegável, o qual nasce das nascenças da Fazenda da Catinga, este faz barra 
em outro riacho não navegável, chamado Japaratuba grande, abaixo de huma 
Missão dos Religiosos do Carmo, e juntos vão desagoar ao mar, donde fazem 
barra, e desta pelo dito riacho expresado Japaratuba meirym acima thé a Fazenda 
chamada Pam de assucar, finda esta freguezia; pela parte do poente divide 
com a freguezia do Orubú do rio de baixo, pelo rio Mosuipe acima thé a lagoa 
da Cotenguiba, e dahi pela estrada que passa pelo Jaboatâo the á Fazenda do 
Pam de assucar que ali topa com a Japaratuba meirym que já expressei e pela 
nascente com o mar costeando-o da Barra do rio at- S. Francisco thé á barra 
da Japaratuba meirym. Está esta villa nova Real cituada em hum alto e aprazí- 
vel, alegre, e vistozo, a margem do rio de S. Francisco, de donde se está avis- 
tando da oytra parte do Rio de S. Francisco, hum tanto acima a Villa do 
do Penedo do bispado de Pernambuco e de parte a parte se ouvem tocar sinos 
e as luzes accezas a noite, tem esta pobre villa huma pobre matriz velha feita 
de vara e barro, junto a esta está levantada parte das paredes da nova Matriz 
de pedra e cal, certamente com notável direcção e pela suma pobreza destes 
freguezes, se não pode findar, confrontando a esta se acha hua Capella de 
pedra e cal de Nossa Senhora do Rozario, e ao lado da dita Capella a cadeia 
de pedra e cal, e casa da Camera com boas vistas e alegre e fora das cazas dos 
moradores desta villa narn se acha mais nel'a coisa alguma digna de expressa 
menção. Desta villa a praya do mar julgam por caminho de terra 8 legoas e 
em canoa que he hua limitada embarcação sete legoas, pela margem deste Rio 
de S. Francisco se achão moradores dispersos habitando nelle. Doesta villa três 
legoas ha hum logar que chamam Pindoba, neste tem huma Capella da Senhora 
Santa Anna e alguns moradores, tem neste logar hum riacho não navegável de 
de agoa muito clara e perfeita, nasce logo acima neste mesmo logar de entre 
huns carroçoens, e vai desagoar ao rio de S. Francisco, a este lhe chamáo riacho 
da Pindoba, e logo deste logar adiante três legoas está a fazenda ou lug^ar cha- 
mado Jaboatam dos Padres da Companhia com sua Igreja de Nossa Senhora 
do Desterro bem exornada e aprazível alem do mesmo hospício e morada dos 
Religiosos, ser muito claro e vistoso e saudável com as casas de seus escravos 



2H- 

nrrundu» c luJo com muita dirccckn, tem humn — ^••-"f -i^-í'- -«-. •■-— , «So 
iiiivcf(iivcl que lhe ctiuinri(* riuclio JoIMurquc im m 

Kii/ciidii ou lu^ilr Jaltoiítiiiii hiitiiii Ickiih, cmá <> i ••- 

Siivul, uli inorfto ulf;uiiiiift |ieik)t(iiii«; coii* riucho iiaiH.c tU> hino <>u UiCt .1- 

a (juebruilim, l)e»la povnavAn ou la/ciiJuchaiiiuiia Juboutiko a ir«*» l< .«i 

mtiixiu inciioit «c achu uui rincho, oti ribeira S.iy ' c cha- 

luaiii 1'oixyin, ettc nuftcc Ja la^oil .la faxcnda il ;i peia 

ta/ciula ilo (wiinpo grande, c dcitagoa no no Jc r. j . , jbeyra ; 

inoraiii alguii» inoradureit di»pcr»oH. Dcntu villa dmtaiiic 4 Icgoa», ftcuundo «e 
iulgain, pouco inai» ou nicnon iic ucha huinu Mí»iiiio de Indin», com u igreja do 
)'. Sum rclix cm que aH»ÍHicm a miitHioiíarioit capuxiiiho», cftta ciluada cm hum 
ulto muito icvanludo que kc caiu avÍMiuiido o mar, lugur cm hí alcfM|[e c muito 
divertido, tem huina ribeira de agua não navegável, que natcc da Tapera que 
chamAo Passugcin ^^ll^dc, vai detagoar ao Poxym, c e»te ao rio de S. Francisco, 
logo diHtnnte desta MishAo huma legoa buccando a villa, %c acha hum engenho 
c algunii moradorcH, neitte lugar tem hum riacho nfio navegável que chamam 
Anhumas, titulo do mcAmo lugur, este nasce citio ou logar, das l^adciras, e 
dcsugoa cm brejos ou alagadiços das Anhumas, que vâodcsagoar ao Rio de S. 
Francisco c mais adiante deste logar se acha hum riacho chamado Cadós, cujo 
titulo tem o Ingur, que nasce da Fazenda chamada Vargem dos Paços, e vay ter 
do mesmo Poxym. 

Desta villa distante duas legoas tem hum logar que chamam Agoa quente 
com aljfuns moradores dispersos, nellc tem hum riacho muito claro, e per- 
feito nao navegável com o mesmo nome, que nasce do Aracare. Junto a esta 
villa tem hum riacho não navegável de agoa singularissima, que chamam Cais- 
saru, que nasço logo perto de liutis barracões, c vai desagoar ao rio d« S. Fran- 
cisco, e se acham iilguinas mais agoas nesta freguezia que não são permanentes. 
I)'esta villa distante duas legoas se acha hua Capella tilial de Nossa Senhora da 
Suudo junto a. margem dono de S. Francisco muita devota em si c alegre. Pela 
parte da Praya, lugar desta freguezia, se acha huma Capella de Santa Izabel, 
e outra de SantAnna nas fazendas dos religiosos do Carmo. Tem esta freguezia 
pessoas de communhão 2720: 

He o que me parece necessário tratar neste narratorio, auc o mais são 
agrestidóes destes sertões que expctimentão os Parochos que nelle habitáo.» 

2708 

Planta da Freguezia de Santo António do Orubií de Baixo do Rio de S. 
Francisco, no Arcebispado da Bahia. 

1757. 

o,™ 63oxo"*,3oo. {Annexa ao n. 2666.] 

Encontra-se na Colleccão especial ae mappas e plantas^ sob o 
n. 220. Emm. 

aCottas: A. Igreja matriz; B. Capella filial e única da freguezia (A'os5<i5e- 
nhora do Amparo) ; C. Igreja da Fazenda do Jaboatâo dos Padres da Companhia 
de Jesus; D. Missão de S. Pedro de Capuchos; E. Cazas do Morgado do Porto 
da Folha. Tem esta freguezia i357 pessoas de communhão.» 

2709 

Noticia sobre a Freguezia de Nossa Senhora da Piedade da Villa do La- 
garto, no Arcebispado da Bahia, pelo Vigário Joáo da Cruz Canedo. 
1757. [Annexa ao n. 2666.) 

«Esta freguezia de Nossa Senhora da Piedade da villa do Lagarto tem a 
sua Matriz no meio da mesma freguezia onze grãos a Sul da linha Èquinoxial e 
distante da costa do mar que lhe fica a Leste e Sul desassete legoas. Tem de 
distancia de Norte a Sul dez legoas, e as mesmas de Leste a Oeste. Confina 
com a Matriz de Nossa Senhora da Victoria da cidade de Sergipe de El-Rey 
cabeça desta comarca pella parte de Leste, com a de S. Lusia da villa Real pelo 
Sul, com a de Nossa Senhora dos Campos do Rio Real de cima por Sudueste, 
assim como com a de Jerimuabo por Noroeste, e com a da Itabayana pelo 
Norte. Não ha nesta freguezia rios notáveis mais do que o Vasa barris, que 
nasce sessenta legoas distante desta freguezia para a parte do Noroeste que a di- 
vide da Itabayana, e entra na costa do mar em distancia de desassete legoas, 
aonde chamáo a Barra de Sergipe de El Rey e he navegável por elle acima até 



322 

o lugar chamado Itaporanga, que dista oito legoas desta Matriz, e o rio Praguhi 
que nasce nos limites desta frcguezia pela parte de Oeste c tão bem entra na 
costa de mar com a mesma distancia de desassete legoas, pelo qual se navega 
somente sinco ate a cachoeira da povoação da P2stancia. Ha nesta freguezia 
duíis capcllas filiaes, hua de Nossa Senhora do Rosário, dos preitos, junto á 
mema villa, e outra de S. António em distancia de hua legoa para a parte 
do Syeste, e mais hua dos Religiosos do Carmo em distancia de cinco para o 
Sudueste. Tem esta villa 5g togos, e toda a freguezia 390, e ha 3:5oo pessoas de 
communhão em toda ella. Não tem lugares, nem povoaçoens de que se possa 
fazer menção, por quanto os moradores moráo em toda ella nos lugares mais 
úteis a sua cultura em distancia de três, duas, hua c meia legoa de huns a 
outros, e alguns ainda mais visinhos. 

He o que posso dizer desta freguezia.» 

2710 

Informação sobre a extensão, logares, capellas, rios e pessoas de commu- 
nhão da Freguezia de Nossa Senhora do Nazareth do Itapicurú de 
Cima, pelo Vigário José de Góes Araújo e Vasconcellos. 

1757. {Annexa ao n. 2666.) 

«Esta Freguezia de Nossa Senhora da Nazareth do Itapicurude sima, de 
que sou Parocho por mercê de V, Ex"" Rev"" e de Sua Magestade, que Deos 
guarde teve seu principio em hua pequena Ermida erigida por pessoa particular 
no anno de 1648, e começou a ser Freguezia curada no anno de 1680 e no anno 
de i6g8 foi sua Magestade que Deos guarde servido confirmar por Vigário deJla 
ao R. Gyraldo Corrêa de Lima, que começou a ter côngrua no anno de 1700,0 
que tudo sei pela nota que me derão os moradores da dita Freguezia. 

Esta fica distante da cidade da Bahia para a parte do norte 40 legoas na 
estimação dos prudentes, é não medidas, e desviada das praias do mar vinte 
na mesma forma ; donde se divide pela parte do leste das duas Freguezias Nossa 
Senhora do Monte e Nossa Senhora da Abbadia por hua corda de mattas, que 
costeião o mar, ficando aquellas nas suas praias, e a de Nossa Senhora da Na- 
zareth das ditas mattas para a parte do Certão ; correndo o comprimento do seu 
território para o Poente, e Noroeste com 20 legoas pouco mais ou menos, onde 
se termina por hua estrada real com a nova freguezia da Senhora S. Anna do 
certão do lucano, cuja freguezia foi desmembrada desta de Nazareth : pela 
parte norte e nordeste se divide da Freguezia de Nossa Senhora dos Campos, 
pelo rio real, o qual n'esta altura he rio seco e só corre havendo chuva grossa ; 
porem sempre deixa alguns poços, de cujas agoas uzão os que morão á beira do 
dito rio, e gados. E pela parte do sul parte com a freguezia do Divino Espirito 
Santo do Hyambupe de sima por huns campos agrestes, aos quaes cá chamáo 
taboleiros, terras altas com falta de agoas, esteriles, e por esta causa pouco 
povoadas, tendo de largura entre estes limites dez legoas em partes mais e 
menos : e no que respeita a circumferencia desta matriz de Nazareth, terá esta 
conforme a estimação dos homens 55 legoas pouco mais ou menos. 

No centro deste quadrangulo imperfeito se acha cituada a Igreja Matriz da 
Senhora do Nazareth com muito pouco augmento desde o seu principio pela 
pobreza da terra occasionada da sua sterilidade, e perto da dita Igreja em dis- 
tancia de hum quarto de legoa corre o rio Itapicurú denominado assim pelos 
índios naturaes da terra, e caudaloso no tempo da sua inundação: o qual tem 
seo principio, ou nascimento no certão da Jacobina conforme a opinião de 
alguas pessoas, e entrando nesta Freguezia pelo comprimento do seu terreno, 
quazi a divide em iguaes partes, Analisando o seu curso na dita Freguezia de 
Nossa Senhora do Monte, onde entra no mar direito ao leste: não he sua barra 
capaz de embarcaçoens por pouco funda, e muito esparcellada, e apenas pode 
neUa entrar, e sahir com perigo algum barco, como se experimenta, o que 
melhor dirá o Rev.**" Parocho daquella Freguezia : para cima daquella terra tem 
muitas e altas cachoeiras, por ser a terra de suas margens a maior parte mon- 
toza, e de pedraria, e por este respeito navegável atHé de leves canoas; porem 
nas passagens mais frequentes se conservão canoas para se atravessar o rio no 
tempo de suas enchentes, que fora delia, em qualquer parte dá livre passagem. 

De hua, e outra parte deste rio correm para elle alguns riachos de limi- 
tadas aguas, que tem suas origens pelo centro da Freguezia em distancia 
daquelle de hua, duas, três, e mais legoas; e outros que somente correm quando 
chove, perto dos quaes vivem os Freguezes, onde tem suas roças, fazendas de 
gados vaccuns, e cavallares , no que consiste todo trato de que vivem. 



12B 

ilu ncKtu frcguczia hua única CHpelIa dii MIc Jc Deu», com tilulo da Senho» 
ra da Haiiihu dou Anjo», a qual Uca di»tanic du Mnlrlx K Ickuu», na opínilo dos 
riiorailorc» puni u parte do Norte, na iiual ha (^opclláo, ii quciii pagAo o» tnori^ 
dore» circunivi/ínhoft, por Hcr a (lapclla pohrc de pairiiiMUiio. 

Para u parte do poente, c no íiin da l-'rcuue/iu em duiancía da Matriz dez 
legoaH na opinião do» inoradore», hc acha nua uldt^a de índio» doniinadot a 
regidos pelo» Reverendo» Padre» da (Companhia de Jc»u» chunintia Naluba, e 
outra channida a Cunahraba d<is nieHnioi» Reverendo» Padre» cni di»tancía de 
14 ief(oaN, pouco mui», ou meno», a qual liça da matriz pura a purtcdo Noroeste 
com pouca diifcrença: e vizinha da dita lurcja matriz <lua» legoa» lica outra 
Mi»H&0| ou AIdóa de índio dominado» pelo» Religíofto» Kranci»cano» e todas com 
muito iKiaH, e bem ornada» Igreja», oiule conferem lodo» o» Sacramenint. 

O» Ingare» inai» povoado», que nc»ia Iregue/ia havia ha anno», tte acháo no 
prezenle tempo qua»i Hem inoradore», como he o chamado Redondo na beira, 
daquella matta acima dita, que |>or »erem terra» de roca» inda a»»i»tcm 10 ou 
13 moradores em pouca distancia da terra, porem todo» pobre». 

O (^attú assim chamado, que he hum riacho, que tem a »ua nascença cm 
huns grandes brejaes, nos quaes viviáo muitas pe»»ou» cultivando mandioca, 
para larinha, que he o pão universal deste Bruzil, em di»tancia desta matriz 
duas lepoas, de prezentc se acha com muito poucos moradores. O riacho cha- 
mado (.aniuciatà tão bem foi muito bom lugar, onde moravâo muito» mora- 
ilores, mas no tempo presente poucos existem : tudo o mais sáo fazendas de 
criur gados, como hca dito, cituadas de huus para outras cm distancia de 1, 7, S 
e mais Icgoas, e de menos de hua, conforme permitte a conveniência de agoas, 
pastos e muttos para roças de mantimentos, em cujas fazendas vivem seus drmos 
e em muitas tem feitores, e vaqueiros, que administrão as criações dos gados c 
mais lavouras para o sustento; e destas fazendas com as casas dos escravos, c 
de varias pessoas agregadas, que ncllus vivem, ha alguasbcm povoadas; mas 
estes ajuntamentos nestas terras durão pouco, c em breve tempo se reduzem a 
Taperas, que ha bastantes nesta Frcguezia, e nas fazendas povoadas ha pre- 
zentc 3674 pessoas de communhão, sendo a maior parte os escravos. 

No mesmo citio da matriz se fundou a villa chamada Nossa Senhora de 
Nazarcth do Itapicuru da coniarca da Bahia, a qual hc tão pobre, que athc de 
casas está destituída, pois apenas tem 14 ou i3 cazas, todas térreas, de taipa, 
peauenas, c caindo, nas quaes residem o Parocho, seus coadjuctorcs, tabclliães 
c alpuas pessoas mais, cu)a villa cada vez vai a menos por estar cituada em lugar 
estéril, e falto de aguas. Esta he a informação que posso dar desta Freguezia, 
cuja informação foi approvada de pessoas cientes na matéria, e de prudência, 
para desta sorte me livrar de alguma incerteza.» 

271 I 

RllaçÁo dos logares, povoações e rios da Freguezia de Jesus Maria José e 
S. Gonçalo do Pé do Banco, no Arcebispado da Bahia, pelo Vigário 
João Cardoso de Sousa. 

S. d. [Annexa ao n. 2666). 

«Dividese esta Freguezia do Pé do Banco das ^reguezias de Nossa Senhora 
do Socorro da Gotinguiba, e Santo Antouio e Almas da Itabayana com o Rio de 
Sergipe, e das Freguezias da vila nova Real dEI-Rey, e de Santo António do 
Urubu de baixo, com o Rio chamado laparatuba meirim. O rio de Sergipe tem 
seo principio no Certão do Porto da folna, entre o rio de Sáo Francisco e Ger- 
moabo, e daqui corre pela mayor parte para o Sueste e sul por espaço de mais 
de vinte e sinco legoas : também seca do seo principio athe onde recebe as agoas 
do rio Jacarasica, sendo o verão rigorozo do Sol: vazio terá duas braças de largo 
athe adita Jacarasica, e dahi para baixo vai alargando mais echega amare athe 
apassage de S. Gonçalo, que ne onde se encontra com o rio Jacarasica, e daqui 
espaço de quatro ou sinco legoas se encontra com o riocotinguiba, onde perdi; o 
nome. Daqui para sima distancia de húa Icgoa se acha a barra do rio Gãnha- 
nioroba ; este tem seo principio e nascimento para a parte do Norte em hús oi- 
' teiros, ou serras pequenas, que lhe ciiamáo ladeira grande, corre para a parte do 
Sul por húas fragozas matas athe chegar a hum lugar chamado Maronhém, athe 
aqui com pouca abundância de agoa, porque a sua largura não excede de braça 
e nieya : daqui para baixo comessa alargar, porque lhe entra a maré e agoa sal- 
ada athe onde está o porto do Grajao, donde carregâo os barcos, e daqui para 
aixo se fas mais espaçozo athe fazer barra no dito rio de Sergipe onde lhe 
chamão o Porto das redes e terá de distancia de seo nascimento athe a dita barra 
duas legoas e meya pouco mais ou menos. 



% 



224 



Tornando ao rio de Sergipe, a chegar a dita barra da Cotinguiba se acha 
com bastante largura, que passará de trezentas brassas: he navegável, entráo 
barcos por ellc iissiina, até espaço de três legoas, ou duas e me}'a, onde vão car- 
regar, c lhe chamão o Porto dos barcos, e deste porto até a sobredita passage 
de S. Gonçalo, andão lanxas e canoas somente. Do ajuntamento destes dous rios 
procede perderem ambos o nome, e tomarem o de mar, por se achar com lar- 
gura de setecentas, ou oitocentas brassas, e daqui vão pagar tributo ao Occeano, 
com duas legoas ou mais de distancia donde rormão a barra chamada vulgar- 
mente da cotinguiba, pela qual entráo barcos de corenta até sincoenta caixas de 
assucar somente por não passar o fundo da dita barra de desasseis palmos a 
a qual he de área, e por isso sempre mudável. Da barra para dentro distancia 
de húa legoa se aparta hum rio ou brasso para a parte do Oriente chamado 
Pumonga, este se encaminha para Nordeste no mesmo paralelo da costa do mar, 
distante da dita costa hua legoa e se acaba em hus apicús chamado do corralinho, 
tem de distancia de donde se aparta do mar da cotinguiba sinco legoas pouco 
mais ou menos. Este se fas navegável pela sua capacidade de largo e fundo, e 
só o deixa de ser pela pouca comunicação ciue ha para a parte aonde elle se 
inclina, por serem terras de prayas em que nabitáo poucos moradores, e por 
elle entra agoa salgada do principio ate o fim. 

O rio laparatuba meirim tem seo nascimento para a parle do Norte em hum 
lugar que lhe chamão catingas, em quanto so, he pequeno vieiro que só pelo 
inverno, tem agoa, mais como lhe entráo varias vertentes lhe comunicão o nome 
de rio, e este pequeno, porque onde se acha com mais largura não excede de 
três brassas: este corre para a parte do Sul ate fazer barra em hum rio e huma 
do Lagamar, donde perde o nome, e terá de distancia do seo nascimento ate 
esta dita barra sete ou oito legoas pouco mais ou menos. 

Entre os rios de Sergipe e laparatuba meirim se acháo mais dous rios hum 
chamado Iparatuba grande, outro Seriri. A laparatuba grande tem seo nasci- 
mento pouco assimade hum sitio chamado Agoapi, este rio se acha com agoa 
somente em tempo de inverno, também tem o seo nascimento da parte do 
Norte e corre para o Sul no mesmo paralelo do laparatuba meirim, distante de 
hum a outro legoa e meya pouco mais ou menos; e passando este de Agoapi 
para baixo, também se lhe comuniçáo algúas vertentes donde recebe aiguás 
agoas, e com ellas vem até lhe entrar hum rio pequeno chamado Lagartixo, este 
tem seo nascimento distante da dita laparatuba grande duas legoas pouco mais 
ou menos para a parte do Occidente com bastante agoa e boa, e por cuja cauza 
se faz a dita laparatuba grande abundante de agoa, e daqui segue, direito a me- 
terse também no rio Lagamar donde perde o nome e terá de distancia do seo 
nascimento até meterse no lagamar des legoas pouco mais ou menos. 

O rio Seriri tem seo nascimento em hum lugar ou sitio chamado Seriri de 
de cujo sitio toma o nome; logo pouco distancia do seo nascimento se comunica 
com elle hum pequeno vieiro chamado sangradouro, e depois de juntos correm 
para o sul e nasce da parte do Norte. Da laparatuba grande a este rio Seriri 
naverá distancia de três legoas pouco mais ou menos. A este rio Seriri também 
se lhe comunica hum pequeno riacho chamado Ginipapo este tem seo nasci- 
mento em hum sitio chamado Sam Payo, distante três quartos de legoa do rio 
Seriri, e juntos correm a desagoar também no rio lagamar onde perde o nome, 
e daqui até onde ten; seo nascimento o rio Seriri haverá distancia de seis ou 
sete legoas pouco mais ou menos. 

O rio lagamar donde estes três rios Iparatuba merim, laparatuba grande, 
e Seriri vão desagoar, he rio caudalozo, tanto de fundo, como de atoladisso pelas 
margens: temseo principio em hús grandes lamaçais, ou brejos que nascem 
pouca distancia da barra da laparatuba meirim do districto da villa Nova; este 
corre para a parte do Sul, e terá de largo vinte e sinco brassas pouco mais ou 
menos, he rio de pouca corrente; e de seo nascimento até onde recebe agoa sal- 
gada, e chega a maré será legoa e meya, e daqui segue o mesmo rumo com 
muitas voltas e enciadas athé se recolher no mar distante e da barra da cotin- 
guiba oito ou nove legoas, e do seo nascimento até a sua barra que vulgarmente 
se chama a barra da laparatuba haverá distancia de quatro ou sinco legoas 
pouco mais ou menos: este rio se faz navegável pela sua capacidade, tanto de 
fundo com de largo e só o deixa de ser pela incapacidade da sua barra, por ser 
esta muito raza e cheia de penedos. ' . 

Entre o rio de Sergipe e o rio Seriri mais encostada a este se acha a Igreja 
Matriz de Jezus Maria Joseph e São Gonçalo do Pé do Banco com muitos poucos 
moradores: entre os dous nos para as parte do certáo que he para o Norte, dis- 
tancia de quatro legoas pouco mais ou menos se acha povoado de poucos mora- 
dores, e dahi para sima nenhú», por serem terras fragozas e inhabitaveis : entre 
os dous rios laparatuba grande e laparatuba meirim também estão situados 
alguns moradores em fazendas distantes húas das outras. Da matriz para aparte 



226 



do mnr que hc pnrn o Sul «ele o nito legon* nlhe a coata án mar te acha povoadt 
(ic biiRtiintctt niiiriidorcK, c ha hfiu villa de Santo Amaro da» hrota* dittaiiic d« 
coAta lio inur trcH Ic^ou» c lurnbcin cntúo »íiiiuJoh nove L-n|;cnho»de taxcr nk»U' 
cur; o cm lodo cale circuilu acnlo uchu lugar que por iiiai» povoado »c \u»%%» 
dclle ín/rr mcn^Ao. 

Tem cHta trogue/iu conforme o rol du dc»obriga 443«i pc»»f>aa de commu- 
nhAn, Kji de contitBfio.n 

2712 



Noticia sobre n Krcguczia de Nossa Senhora do Soccorro da Cõtinguiba, 
no Arccbispadu du Buhia, pelo Vigário Jos^de Sou^a. 

lybj. {Annexa ao n. 'jíiUfi.) 

«Eslá cnin tVegucxio dv No»Hn Senhora do Soccorro da Cotinguiba povoada 
oiiiro n rio do Poixim Mirim, e o rii> ile Scrripc que ajuntandu-Kc hum com outro 
Mirrem ao mar |Wrla mesma harra c logo na harra se aparta o 1'oixím Nirim 
iMiscamlo o poente, u tica ao stil da Iregue/ia de Nossa Senhora da Víctoria da 
viilade de Ser/ipc ; e o rio de Ser/ipo buscando entre o norte e poente a divide 
da treguc/.ia ile Jesus Maria José do pé do banco, e amboK efttcs nu» tem o» «eu» 
nascimentos junto ás serras da Itabayana, licando entre o» ditos nascimento» 
Imas terras incultas que dividem a dita freguezia da freguezia da villa da Ita- 
bayana. Iluma tegoa da barra para cima correm juntos o rio du ('otinguiha c 
de Serzipe, e se aparta o rio de Serzipe do rio da Cotinguiba, ficando o ae Ser- 
zipe da parte do norte : e mediando a tVeguezia tem «> seu nascimento o rio Co- 
tinguiba das mesmas serras du Itabayana. Ambos são navegáveis até duas Ic- 
gpas o de Serzipe trez, o do Poixim menos de Icgoa. Não tem a freguesia po- 
voações juntas como villa : porem hc povoada toda de varias fazendas apartadas 
huas das outras. Os sitios de mais nome, e concurso de gente da parte do sul 
do dito rio Cotinguiba são, Barra do Poixim, .\racaju, Saco, São Bento, Campo 
grande, Nugury," Taboca, Soccorro, Ibura, Ritiro, Ribeira, Gameleiro, Paty, 
Commcndarobá, Franandahy, Junco. Caphús. K do norte Passage da arca, 
Cambam, Boa Vista, (litirana Taleyro, Larangeiras, Quita La, Nussa Ilha, Ce- 
dros, Pedras brancas. Bom Jesus, Nanapez, Rio de Serzipe, Santa Anna. Tem 
esta freguezia no Aracaju a capella de Santo António, na Matriz Nossa Senhora 
do Rozario dos pretos na Ibura a de Nossa Senhora do Rozario, no Ritiro a de 
Nossa Senhora da Madre de Deus, e de Santo António, na Ribeira a de Nossa 
Senhora da Luz, no Gameleira, a de Nossa Senhora da Guia, todas ficam ao sul 
do rio Cotinguiba, como também na Commendaroba Nossa Senhora da Con- 
ceição, c ao norte do dito rio no Cambam Nossa Senhora da Conceição, na Ilha, 
Nossa Senhora da Conceição nas Pedras brancas o Senhor Bom Jesus, no rio de 
Serzipe Santa Anna. Tem esta freguezia de comprimento segundo se diz cinco 
Icgoas, c de largura duas. Tem de communhão 4220 pessoas, e por todas de 
confissão 5930 e tantas. Dista o Poixim da Cotinguiba na menor largura, legoa 
e meia. 

2713 

Relação da Freguezia do Divino Espirito Santo do Sertáo do Inhambupe 
de Cima, pelo Vigário encommendado Joaquim de Sant'Anna. 

1757. [Annexa ao n. 2666.) 

«Denomina-se esta freguezia a do Inhambupe de Cima ; por estar situada 
a Capella que serve de Igre)a Matriz na visinhança do Rio Inhambupe, donde 
toma o nome, em distancia de 80 braças, e como fica acima pela parte mediter- 
rânea, de outra da mesma denominação, visinha as pravas do mar, dahi lhe 
vem o sobrenome de sima. Tem esta freguezia de distancia de sul ao norte 16 
legoas e do nascente ao poente 20 legoas, pouco mais ou menos : faz termo da 
parte do sul no rio Catú, e da parte do norte no citio chamado Jenipapo, donde 
tem principio a freguezia do Itapecurú : da parte do nascente faz termo com as 
freguezias do Itapecurú e Inhambupe da praia, no citio chamado Saco, distante 
do mar 9 legoas ; c da parte do poente com a freguezia de Agoafria, no citio 
chamado Lagoa donde nasce o rio Inhambupe : este, o rio Catú, o Quericô, e o 
rio Subahúma são os que passão por esta freguezia. O Subahúma tem o seu 
nascimento nesta mesma freguezia, da parte do poente, e dahi dá o nome a 



226 

• 

esse logar cituado, Nascença da Subahúma, e vai fazer barra no mar ; o Que- 
ricò nasce nos limites desta freeuezia da parte do nascente, e faz barra no rio 
Pojuca, o Catú nasce no citio cnamado Tombadouro, termo desta freguezia da 
parte do Poente, e faz barra no rio Pojuca, o Inhambupe nasce no citio da La- 
goa, como fica dito, e faz barra no mar. Da nascença do Inhambuque á Igreja 
Matriz são lo iegoas, da do Quericò 8, da do Catú 6, da do Subahúma 6. Dista 
o Catú, que he a extrema desta P^reguezia da parte ^o sul, do rio Queric6 2 
Iegoas, o Quericô do rio Subahúma 6, o Subahúma do rio Inhambupe 4 Iegoas. 
Do rio Catú ao Inhambupe, seguindo rumo direito do sul a norte he dia e meio 
de viagem, e as mais jornadas de rio a rio nomeados não passam de meio 
dia. Nenhum destes rios se navega, só nas innundações, pelo tempo do inverno, 
não dão vao, e uza-se de canoa para o progresso dos viadores; porque correm 
arrebatados, e profundos com a copia das agoas, que ieváo, que totalmente pro- 
hibem o transito de pé. 

Alem destes rios, também regam esta freguezia 3 riachos que são ; o .Ara- 
mary, o riacho da prata, denominado assim, da sua corrente tão clara, qual 
outra derretida prata. O (Quericô mcrim, assim chamado, por ser inferior ao 
Quericò grande nomeado, o Sauhipe, c o riacho Estevão, assim intitulado do 
nome do primeiro morador, que na vizinhança deste riach(> se arranchou : este 
nasce do citio chamado Fortaleza nesta Freguezia c faz barra no Quericò grande ; 
o Sauhipe nasce no sitio chamado Tapera nesta freguezia e faz barra no Suba- 
húma, o Quericò merim nasce entre o citio Fortaleza e Tapera, e faz barra no 
Quericò grande, o riacho da prata no citio chamado do Frade nesta freguezia, c 
na mesma indircitura nasce o Aramary, que adunando-se com o riacho da 
prata fazem barra no rio Catú. Do Aramary a Igreja Matriz medeiam 6 Iegoas, 
do riacho da prata 6, do Quericò merim 8, do Sauhipe 5 e meia, do Estevão 8 
Iegoas. Todos estes também se innundam na estação das aguas; porem como 
tem pouco bojo, logo se humilham, e dão passagem de pé. 

Compõe-se esta freguezia de fazendas, ou citios donde estes parochianos 
tem cituadas suas casas ue vivenda e lavouras, de que vivem, e dani lhe vem o 
nome de citio e da cultura que fazem nestas muitas terras ou fazendas. Não 
tem povoações ; porque não ha multidão ác povo junto em hum só citio, apenas 
húa familia. As fazendas ou lugares cituados, de que consta esta freguezia são 
os denominados na forma seguinte : Borda da Matta, Capoeyra, Cagoinhas, 
Riacho, Fortaleza, Quericò, Serra grande. Olhos de Agoa, Passagem do Ara- 
mary, Citio do Sylvestre, Agoazinha, Aldeya dos índios da parte do Saco, 
Frade, Rio da Onça, Rio da prata, Jacaré, Boqueirão, Ladeiras, Tapera, Saco, 
Saco dos boys, Gameleira, Sepepirá, Retiro, Riacho, Boavista, Barra, Retiro 
Tejuco, Agoalva, Saquinho, Periperè; Sancta Cruz, Varge, Aldeya dos índios da' 

Earte do Subahúma, Aldeya fazenda, Olhos de agt)a, Subahúma, Saco grande, 
,agoa, Queimadas, Saquinho, Bebedouro, Quebradas, Agoazinha, Tojos, Tabúa, 
Sepepirá torta, Torodondo, Porteiras, Sapocaya, Coromissà, Mocambo, Retiro, 
Capoeyra, Boqueirão, Barra, Tapera, Camamú, Barreiro, Citio do Capitão Pre- 
ciozo. Saco dos Cavallos, Limoeyro, Olararia, Capoeyra, Mandacaru, Umbu- 
zeiro, Cajoeyro, Amargoso, Taperinha, Outeyro, Tapera, Lagoa, Catinguinha, 
Citio de dentro, Lagoa, Tapera, Lutanda, Catinga, Bomboary, Beretinga, Cana- 
braba. Catinga grande. Pedras, Covas, Olhos de agoa. Una, Mandacaru, Aras- 
satuba. Olho de agoa, Volta de cima, Volta de baixo, Calumby, Candeal, Ci- 
tharoba. Arvore redonda, Taboleiro, Beré, Frechas, Torodondo, Torto, For- 
mozo. Terra vermelha, Formozinho, Citio de Simão Gonçalves, Flores, Trin- 
xeiras. Lagoa de Anta, Citio novo. Catinga, Tejuco, Serra, Tapera, Canto do 
Saco, Periperi, Porteiras, Campo grande, Taboleiro, Tejuco, Apoià, Citio do 
Pessoa, Citio do Peixoto, Citio do Monteiro, Citio de Manoel de Barros, Itapo- 
roroca. Baixa grande, Citio da Viuva, Fazendinha, Curral de fora, Precatú, 
Malhadinha, Rebollo, Sacode Marcos Brabo, Cumbre, Suçuarana, Terra dura, 
Citio do Placito, Citio de Manoel Mendes, Curralinho, Candeal. Dizer as dis- 
tancias que ha de huns a outros citios, principiando por hum vespective a todos 
os outros referidos desta freguezia, he causar hiia grande confusão de Iegoas, 
que para delia fogir, digo, que as distancias ordinárias de huns a outros citios 
mencionados constão de legoa e meya, thé duas Iegoas, seguindo rumo direito ; 
exceptuando j6 citios dos nomeados, dos quaes 12 distão huns dos outros 
meya legoa, 640 visinho mais chegado, que tem, fica em distancia de 3 Iegoas, 
sendo esta a mais remontada, que na de citio a citio nesta freguezia, na qual 
estão cituadas 3 Capellas, a de Santo António das Lagoinhas, que fica em dis- 
tancia da Igreja Matriz 8 Iegoas, a de Nossa Senhora dos Prazeres em distancia 
também de 8 Iegoas, a de Nossa Senhora da Conceição do Sobrado em distancia 
de 7 Iegoas. De 2.558 almas de communhâo se ordena o corpo desta freguezia; 
estando pelo rol da desobriga, pelo qual annos ha, em que accrescem mais 
alguas. e ha outros em que menos se contão, como aconteceu no pretérito com 



227 

a geral enfcrmidaiio de febre» iT.ulígntiN, que a Omnipotente Mlot de Deo» dí»> 
trilnihio p()r unIc «ecco rccunio dd mundo, nu kuccotivu eitcrclídadc de ag"Nt, 
com quo ha buHtuntc» unno* hé opnrimido, e no pretcntc já com nova repetição 
dcutu mesmo gcncro de cnfcrmidudo principilo u gemer ette» parochiano».» 

2714 

Noticia sobre a Frcguczia de Santo António e Almas da Villa do Itabayana, 
pelo Vigário Francisco da Silva Lobo. 

1757. (Annexa ao n. ufiOd.). 

«K»tii emn Motriz de Saiicto António c AlmuH da Villa da It^ayana sita cm 
híia pinniciu cercada ao longe de «erras, á maneira de hu O, ca mayor parte do 
pdvo habita de Hcrras para dentro. Tem da âmbito da nerra do nascente ao 
poente três legoas e uieya, e do ncirte a sul sete e oito legous. A que mai» perto 
está da villa, e matriz nc a mayor e vulgarmente se julga ter húa legoa de com- 
prido, a qual se chama serra da Itabayana, que na lingua nactional quer dizer 
pedra grande o na vulgata serra graniie, que fica da parte do nascente. A esta 
se vAi> seguindo as mais chamadas serras compridas, que tão bem tem húa Icgoa 
porem mais baixa, serra de (lajaiba, serra do Botafogo, serra da Miaba, serra 
do Mathiapoam, serra do Fião, serra Redonda, serra dos Pintos, serra do Ca- 
pungn, o Borda da Matta, serra do Canguandá, serra do Sacco torto, a qual vem 
a feichar com a serra grande, por cujo boqueirão desce o rio lacaracica, buscando 
os baixos do rio de Sergipe, c todas as estradas seguem pelos buqueiroens das 
dietas serras, que t(xias sao alcantiladas e escabrosas, e petrosas e distáo da 
Matriz húas duas outras três, outras quatro, outras sinco, e outras seis legoat 
excepto a serra grande, que dista húa legoa, como já disse, e se vista do mar 
doze legoas, c todas estas serras ficão dentro do termo desta Matriz. 

Tem esta Freguezia dez legoas de seu termo, do nascente ao poente, e tem 
vinte e pouco mais ou menos para os certoens, que correm dosul para o notte. 
Pela parte do nascente confronta com as freguezias de Nossa Senhora do Soc- 

S corro da Cotinguiba, e com a de Jezus Maria Joseph do Pé do Banco da Villa de 

Sancto Amaro; e pela parte do poente com a de Nossa Senhora da Piedade da 
Villa do Lagarto. Pela parte da norte confronta com as freguezias do sertão de 
' de S. João cio Jurumuabo, e Santo António da villa nova, e pela parte do sul com 

a freguezia de Nossa Senhora da Victoria, e S. Christovão da cidade de Sergipe 
deEl-Rey. 

Tem esta freguezia quatro rios seccos, e dous mayores, e dous menores. Os 
mayores, se chamáo Vazabarris, e Rio Sergipe, em cujas distancias medeiam 
onze legoas. Os menores se chamáo Jacoca e Pacaracica ; Jacoca fas barra no 
Vazabarris, e Pacaracica no rio de Sergipe, além de outro rio pequeno chamado 
Salgado, que Hca da parte do norte para o sertão, também secco, porem todos 
são innundosos do inverno, c trovoadas, por impedirem a passagem nos ditos 
tempos, e ncnhujja é navegável no termo desta Freguezia. 

Da parle do norte tem os lugares chamados Pião, Cuité, Salgado, Baquiteré 
e Caycnaas, que distão da Freguezia, três quatro, seis, sete e oito legoas; e da 
parte' do' snl tem os lugares taobem povoados chamados .Mocambo, Cajaiba, 
Garangao, e Tapera do Távora, que distáo da Matriz quatro e cinco legoas. 
Dá parte do nascente tem os lugares povoados chamados Igreja Velha, que dista 
iÍa Matriz húa legoa, e rio de Sergipe, que tãobem dista da Matriz seis legoas e 
da parte do poente tem os lugares chamados Campo do Britto, que dista da 
Matriz duaS legoas, e Vazabarris que dista cinco legoas. 

Hé o lugar da Villa e Matriz de poucos moradores, por ser aridissimo, e tão 
falto de agoas, que as náo ha senão no inverno, razão porque se faz digno de que 
S. Magestade seja servido de o mandar prover de algúa cisterna ou agoada de 
pedra e cal para remédio dos Parochos, e dos poucos moradores que nelle 
habitão, o povo, que vem ás festas, missoens, e semanas sanctas, e mais fun- 
. ções da matriz e villa, pois só no inverno tem agoa em hú buraco chamado 

V pedreira, que dura pouco tempo pelo verão valendo se os da villa, e mais povo 

Y qne vem as festas e funcçoens da villa das cacimbas das serras, distantes da 
Matriz húa legoa grande.» 

2715 

Relação da Freguezia de Nossa Senhora dos Campos do Sertão do Rio 
Real de cima da Capitania de Sergipe d'EIrei, termo da Villa de 



■í 






228 

Nossa Senhora da Piedade do Lagarto, pelo Vigário André de Frei- 
tas Paiva. 

2 de junho de lySy. {Annexa ao n. 2666). 

«Nesta frcguezia de Nossa Senhora dos Campos do Certáo do Rio Real de 
sima não ha logaies nem povoaçoins aldeadas que constem de muitas cazas e 
vizmhos juntos senão somente de fazendas ou citios em que habitão os mora- 
dores por estes certoins, em distancia huns dos outros de legoa meya e coarto 
para com esta largueza poderem comodamente criarem as suas criaçoins de 
gados vacuns e cavalares e mais criaçoins m.eudas, e estas ditas fazendas ou 
citios se denomináo e diferençáo pf)r diversos nomes como v. g. (2anipo grande, 
Pé da Serra, a Lagoas, Retiro, Ilha, S. Jorge, Mizericordia etc. 

Ha também nesta dita treguezia outras fazendas ou citios por dentro das 
matas para a parte do mar em distancia da Igreja Matriz oito e mais legoas aonde 
se não crião gados, e só servem de plantar mandioquas e outros legumes de que 
se sustentâo os moradores deste certáo, e só uzão estes moradores das fabricas 
das farinhas que fazem das raizes da dita mandioqua, vindo-a vender pelas 
partes aonde a não ha, e também estas asituaçoins se diferençáo húas das 
outras com seus nomes como V. g. Jardim, Borda da Mata, Canafistula, Terra 
nova & havendo também a distancia de húas a outras povoaçoins de legoa e 
meya e coarto e menos, vivendo cada hú no seu citio ou fazenda com a sua fa- 
mília de filhos e escravos (quem os tem) e estes pastores e agricultores tem 
feito 125 povoaçoins em toda esta dita freguezia. 

Nesta dita freguezia de Nossa Senhora dos Campos do rio real de sima não 
ha rios correntes nem navegáveis, porque os que ha são o dito rio real que passa 
por junto da matriz, pouco mais de hú tiro de besta da parte do sul, cujo divide 
a dita freguezia de Nossa Senhora dos Campos da do Itapecurú (jesima, e o Rio 
labebiri que passa também hú quarto de legoa desviado da dita Matriz, tendo 
este a sua nascença dentro do limite da mesma freguezia^ e se vem metter no 
dito rio real pouco abaixo da dita Matriz ficando esta em meio e aqui perde o 
nome; e supposto que pelos verões se cortão estes ditos rios e ficão em poços, 
são tão caudaes pelos invernos que sahindo de suas madres alagâo os campos 
impedindo passagem aos moradores e viandantes em quanto durão os ditos in- 
vernos por não haverem pontes nem embarcações de nenhum género, nem ma- 
teriaes de que se possáo fabricar perto, por cujo motivo padecem os moradores 
nestes ditos tempos de inverno a falta da administração dos Sacramentos pelos 
parochos não poderem accudir ás sua» obrigações que muitas vezes se põem em 
precipícios por não faltarem a elles. 

Este dito Rio Real tem a sua nascença asima da dita Matriz dez ou doze 
legoas dia e meyo de viagem, e vem dividindo as ditas freguezias como fica dito 
vivendo muitos povos na beira delle da parte do sul ficando tão perto da Matriz 
do dito Rio Real que se estão ouvindo falar, sendo freguezes da Matriz de Nossa 
Senhora da Nazareth do Itapecurú de cima que lhe fica distante cinco legoas. 

Tem esta dita freguezia vinte legoas de nascente ao poente e do sul ao norte 
três compondo-se de varias serras inhabitaveis, e tem i35o pessoas decommunhão 
entre forros e captivos, e supposto pareça limitado numero de pessoas, he porque 
os Parochos das freguezias vizinhas lhe tirarão muiros dos freguezes, que se 
lhe tinhão comutado quando se criou freguezia dizendo-íhes pertenciáo os ditos 
povos ás suas parochias e nesta forma ficarão muitos povos )unto desta Matriz 
pertencendo a outra jurisdicçáo sendo desta soccorridos muitas vezes com os 
Sacramentos. Ha também nesta dita freguezia húa Capella com a invocação de 
Nossa Senhora da Conceição filial da mesma freguezia que lhe fica para a parte 
do nascente em distancia de seis legoas; como também ha hua missão com húa 
aldeia de gentio que terá Soo almas dominados pelos religiosos da Companhia 
de JeSus em que assistein dois padres em distancia desta dita treguezia seis le- 
goas para a parte do nascente, e da dita Capella de Nossa Senhora da Concei- 
ção três legoas para a parte do sul. Divide-se esta dita freguezia da do Lagarto 
pelas serras de labebiri e húa e outra freguezia pertencem á capitania da cidade 
de Sergipe del-Reí que lhe fica em distancia de vinte legoas pouco mais ou 
menos,*^ e da villa do Lagarto de que he termo em distancia de dez legoas; e 
esta he a verdadeira informação que se pode dar da freguezia de Nossa Senhora 
dos Campos do Rio Real de cima. 

^ 2710 

Relação da Freguezia de S. João Baptista do Jerimuabo do Certáo de 
Cima, do Arcebispado da Bahia, pelo Padre Januário José de Sousa 
Pereira, Parocho encommendàdo da mesma freguezia. 



^220 

S. Joúo do Jcrimuubo, a») de dezembro de I757. {Annexa an 
n. ufífiti). 

uRelação da Fvcgue\ia do Jevimuabu» 

I.— A Frcguczin de S-João MiiutÍKtu Jo Jcritnuabo tem trc» Povouçoccm, a 
subcr, húii iin HÍtio do Juriíiiuiibo onde chIÚ n Muiri/, c coiitiu de ii cu»att, ou 
chniipiinu», por Hcrcni tnduH cobcriiiit ilc pulhu excepto u do 1'urochn, c outra. 
NelIuH vivem ibi pcHiio'iH de commutihão, entre bruiicot, que iiáo pa»»am de 
cinco, pardos, miíhiícoh, IndioN e pretoH ciipiivon de 11111*11 e outro nexo. A 3* l'o> 
viiiisão he II «to MasHtiCiíiii alileyii «Ic Iihiíok cntnml>cH, e Caríri», ijue vivem 
ilcbiiixoila doutrina, c governo (los UeligioMm |-°rancÍHCunoH com huu Igreja com 
o titulo da Santissima Jrindude, v|ue em temiui» antígoK loy Ho^eitu a^** Ordi- 
nário e lilial ou annexu a Matrix uindn depois de Hcr Míhhúo de índios, e entregue 
aos Religiosos; porem hoje he izenta, como Igreja Regular, da Jurisdição Paro- 
chtal. Nesta 1'ovoavão ha mais ilc Iím) ca/ais ilc Imlios. A V Poviiaçáo he a do 
Sacco dos Morcegos, he tamhem Je Imlios Oariris doutrinados, e governados 
pelos Religiosos da (Companhia de Jesus, com sua Igreja intitulada da Asccnçáo 
do Senhor, desde seu principio isenta da jurisdição Ordinária, e I'arochial ; nclla 
como na do Massacará assistem hum athé dois Religiosos, c nesta 3' Povoação 
se achúo Soo índios, pouco mais ou menos. * 

2— Dista a Povoação do Massacará da do Jerimuabo 18 Icgoas, ou 2 dias de 
viagem com húa travessia em meyo de 12 legoas sem morador algum, nem 
agoa. Oo Massacará ao Sueco dos Morcegos ha de distancia scttc legoas, ou 
hun) dia de viagem por entre faxendas de gados sogeitos aos Parochos desta 
Freguezia do Jerimuabo, 

S — l",m todo o continento ou território desta freguezia não ha mais Povoa- 
ção uigúa que as sobreditas três. Salvo se por Povoação se entender cada hum 
sitio, ou tazenda, as quaes em 70 legoas pouco mais ou menos, que tem o ter- 
reno desta freguezia de longitude de nascente a poente, c em trinta legoas, 
pouco mais, ou menos, que tem de latitude de sul a norte, se acháo dispersas 
em distancias diversas hUas das outras, a saber, iTúas distão de outras húa 
legoa, duas, trcs, e mais athe 12 legoas. As fazendas, ou sitios são i52 promis- 
cuamente situados c nas mais delias não se acha mais que o Curraleiro com 
hum, dois, e mais escravos dos donos das fazendas para beneficio dos gados, e 
em muito poucas se chcgão a contar vinte pessoas. 1 

4— Muitas destas fazendas são de todo secas, sem fontes, nem olhos d'agua, 
nem rios, e na terra abrem covas, ou poços, que se enchem com as chuvas 
rincipalmente das trovoadas, e destas agoas cnxarcadas e de algúas alagoas 
ebe a gente, e os gados em quanto não secam, e acabada a agoa, deixam os 
ados, e se rctirão para onde ha algum olho d'agoa. Outras fazendas são situa- 
das á margem dos Rios Jerimuabo, Vasabarris, e Massacará, que são os que 
ha no terreno desta Freguezia. 

5 — O rio Jerimuabo de donde se denomina a Freguezia atravessa por meyo 
da Povoação da Matriz, que está situada, em húa planicic a margem do mesmo 
rio. Seu nascimento he acima da mesma Matriz duas legoas entre huas serras 
chamadas da Nascença do Jerimuabo, onde se acha hum sitio, e dahi hua legoa 
para baixo outro sitio, abaixo do qual outra legoa está outro sitio de gado, e 
nelle mesmo a Povoação da matriz e dahi menos de meya legoa onde faz barra 
o Jerimuabo, e entra no rio Vasabarris, está situada outra fazenda de gado. 

6 — Não he na\egavel o rio Jerimuabo, nem impede passagem senão em 
tempo de grandes trevoadas, que com as agoas, que dos montes descem, se 
põem de nado, em quanto durão as cheyas, e não da vao. Corre perennemente 
em todo o anno, c jamais secou depois de descuberto, e das suas agoas, que 
são crystalinas, bebem todos os moradores, e gados, e com ellas regão as la- 
vouras os que delias vivem, que são muito poucos, porque os mais dos 
moradores são pessoas ociosas, c sem occupação algúa. 

7 — O Rio\ azabarris passa meya legoa distanteda Povoação de Jerimuabo, 
e tanto dista de hum a outro rio. Em sua ribeira de hua, e outra parte do Norte, 
e Sul, se achão situadas 52 fazendas de gados. Corre do Poente para o nascente. 
Seu nascimento he em certão dezerto asima da Povoação do Jerimuabo 33 
legoas. Não he navegável, nem impede passagem senão no tempo de dous athe 
3 mezes, que durão as cheyas, e se põem de nado com arrebatada e violenta 
corrente. Passadas as cheyas não corre senão de 23 legoas abaixo do seu nasci- 
mento com as aguas que recebe de huns brejos, e alagoas chamadas do Pocozó, 
uc he húa fazenda de gado situada na sua margem q legoas asima da Povoação 
a Matriz , e com outras agoas que vem recebendo, a saber, com as agoas que 
nascem em hua alagoa chamada de João Barboza duas legoas ao norte, desviada 



l 



3 



230 



do mesmo Vazabarris, e dizem os naturaes, que por baixo da terra, desaguam 
no mesmo Rio, também com as agoas do riacho denominado da llananeira, que 
nasce menos de hum quarto de legoa ao sul do mesmo Vazabarris, e nelle desa- 
goa, e finalmeme se aumenta com as agoas do Rio Jerimuabo que nelle entra, 
como asima se diz. 

8 — De donde faz barra o Jerimuabo no Vazabarris corre ainda para baixo 
outras nove legoas, pelo que vem a correr, ou a ser o seu curso perenne de i8 
legoas, e ahi se some pela terra dentro, ficando de donde começa a correr, que 
he no Pocozô, para ciina athé a seu nascimento todo cortado em vários possos 
fundos, que faz o mesmo Rio em seu ventre, como também de donde deixa de 
correr, e se somem as agoas na terra, que he em húa fazenda chamada o Jardim, 
nove legoas abaixo da povoação do Jerimuabo, só se vem dahi para baixo vários 
possos de agoa no mesmo ventre do Rio Vazabarris, e as suas margens seccas 
thé entFar por entre as duas freguezias de Nossa Senhora da Piedade da Villa do 
Lagarto, e de Santo António e Almas da Villa da Itabayana, em que vay de 
distancia desta Matriz do Jerimuabo aos limites das ditas duas freguezias 37 
legoas. E destes possos de aguas, que sáo s?alobras e pezadas bebem os gados e 
moradores das fazendas situadas nas suas margens. 

9 — O nascimento d'este Rio Vazabarris he secco, porque nelle se não vê 
signal algum d'agoa, ou humidade, senão emquanto durão as cheyas, acabadas 
as quaes tica em terra, e só com a formatura de rio secco, com os possos de 
agua assima dittos somente nasce nos campos do Enhamaraman, que he hum 
cèrtáo dezerto, que divide esta freguezia do Jerimuabo da de Santo António do 
Pambú pelo Poente, e corre o dito certão dezerto athé o Rio de S. Francisco e 
dita P^reguezia do Pambú por mais de vinte legoas de despovoado athé chegar 
as primeiras fazendas do dito Rio de S. Francisco e treguezia do Pambú; 
continuando o mesmo certão dezerto do Poente para o Norte, e dividindo esta 
freguezia também o mesmo certão dezerto da freguezia do Urubu debaixo, the 
chegar as primeiras fazendas do Porto da Folha do Coronel Alexandre Gomes 
Ferrão. Pelo nascente confina esta freguezia com a da Villa do Lagarto, e com 
a da Itabayana, por meyo das quaes corre o Rio Vazabarris,*e vay fazer barra no 
mar abaixo da cidade de Sergipe dei Rey no Porto chamado Taporanga com 
as agoas que recebe* das freguezias por onde passa. 

10 — lambem pela parte do nascente confina esta freguezia do Jerimuabo 
com a freguezia de Nossa Senhora da Nazareth da Villa do Itapicurú de sima, 
da qual foy desmembrada em o anno de 1718 por Alvará de Sua Real Mages- 
tade. Pelo sul confina com a de S. Anna do Tucano, e tambemcom a da Jacobina 
Velha, mediando entre esta do Jerimuabo e a da Jacobina Velha hum dilatado 
certão dezerto, em que se diz ha mais de trinta legoas despovoadas. 

II — Da Povoação do Jerimuabo á povoação de índios do Massacará cor- 
tando rumo direito de norte a sul vão dezoito legoas, das quaes 12 são dezertas. 
Por esta Povoação do Massacará corre hum rio, ou regato chamado do mesmo 
nome. Nasce acima da Aldeya dos índios legoa e meya, em húa fazenda cha- 
mada a Cruz. Corre perennemente thé pouco menos de hum quarto de legoa 
abayxo da Povoação dos índios, onde de todo se some pela terra dentro, e di- 
zem os naturaes que corre subterrâneo mais de 3o legoas, e vay dezagoar no 
Rio Itapicurú. Corre do Poente para o nascente; não ne navegável, nem im- 
pede passagem em tempo algú. 

12^— Desta Povoação de índios do Massacará para sima buscando o sul, e 
Poente ha 3o fazendas de gados no terreno desta freguezia thé a serra do Cas- 
sucâ, huas situadas em olhos d'agua nativa e as mais somente com tanques, 
ou possos abertos na terra. Em varias distancias estão huas das outras, como 
de húa legoa 2, 3 e mais athé 7. Da dita serra do Cassucâ buscando a nascença do 
Rio Vazabarris ha 3o legoas de certão dezerto por falta d'agoas, e capacidade de 
as poderem fazer, isto he, possos, ou tanques ; porque estes só se fazem em terras 
duras, e aonde acháo vertentes, que chovendo corrão as aguas a encher os tais 
tanques, e não se fazem em areaes soltos. 

l3 — Da Povoação de índios do Massacará correndo para o Nascente vão sete 
legoas thé a Povoação, ou Aldeya dos índios cariris do Sacco dos Morcegos, nesta 
distancia, ou meyo se achão 12 sítios, ou fazendas de gados, húas em rumo direito 
outras para a parte do sul, e outras para a parte do Norte situadas também 
húas em olhos d'agoa, e outras com tanques; medião húas das outras as mesmas 
distancias já ditas. Pela dita Povoação de índios do Sacco dos Morcegos não 
corre, nem ha rio algum, e bebem de vários olhos de agoa ténues, que aper- 
tando qualquer secca, de todo secção, e dezertão os índios, e buscáo as prayas 
da comarca de Sergipe dei Rey. 

14 — Do Sacco aos Morcegos correndo para o nascente the confinar com a 
freguezia do Itapicurú, e dahi cortando ;para o norte the a Povoação do Jeri- 
muabo se acháo 58 sitios ou fazendas de gados em -distancias diversas huas 



231 



da« outratde hua até «eitlegoa*; as muitdellat em titio* «cecos, e poucas ht 
cm que SC uchc nlhoH ifuuua iiutivii, nem rio ulf(urii. 

i5— NcHta» i5a t'u/ctiduH e i*ovouçào Jo Jcriínuubo, ou cm tnJo o tcrriíoriu 
denta freuuc/iu que con»tu de 70 Ic^ruiH ile longitude de Nascente a 1'oente e 
de !<o lie laruo de Norte j Sul, iifio numerando os certoctiii despovoudo», c de- 
sertos ha (nao numerando ok Indio.sHujeitoh uok Keligioko»^ i3'J4 pcívhou» de com- 
munluMi entre brancos, que n&o chegúo a Ko pardos, mistiços c pretos captivos, 
de hú e outro sexo. 

16— Vivem esta» pessoas em 2H5 cazas, ou chopanas, porque só quatro sSo 
cubertus de telhas cm toiln a t^e^uezia, e as mais ile palha ; gente n mui» deliu 
toda pobre, c de servir de criadores ile gados ou curraleiros; de sorte qUc 
somente 12 pessoas ha em* fazendas suas prcjprius, quanto aus gados, que quanto 
a terra so hum se acha em sitio seu, que o comprou A ('.a/.ix da Torre, c o» mais 
todos são foreiros á mesma caza. 

17— i-'.xcepto os \i donos de fazendas, ou d<»s gados delias, que existem nesta 
freguezia, e os (airraleiros, que são tantos quantas súo as fuzendus, tiradas as 
mulheres, e pretos captivos também, tuiloo mais hc getite ociosa, sem f»ccupação 
aigúa, malteitores e lorragiiiios, huns naturais da terra, e outros, que ne de 
fora se vem acoitar nesta freguezia, e não píiucos vivem c«)mo bandoleiros, 
porque não tem cuza, e assim são incriveis, e indeziveis as perturbações c malc- 
ticios, que experimentão os bons, principalineate os I*arochos, contra os quais 
todos os ilias SC atlrcvcm com injurias, oprr)bríos c maicticios, tacs quaes se 
se podem considerar de hum povo, em que não ha nem temor de Deos, nem res- 
peito as leys humanas por nao conhecerem nem Justiça nem Milicia, mais que 
pelo noiue, e não haver quem os reprima, ou castigue. K ainda que esta fregue- 
zia he Termo da Villa ao Itapicurú, esta mal a pode corrigir c menos acudir 
aos insuiif)s, estando distante desta l*ovoa(;ão do Jerimuabo mais de 3o legoas e 
dos Confins da freguezia mais de 80; e menos a Milicia de Sergipe, a quem toca, 
que dista outras tantas legoas, ou mais, não havendo em toda esta freguezia 
hum só ofHcial de Justiça, nem Milicia, a quem se possa recorrer. 

18 — Em todo o Kstado do Brazil não na freguezia de peior nome, qnc esta 
do Jerimuabo, de tal sorte, que seu nome, he ouvido com temor em todas as 
partes. Os naturaes, e moradores saindo para fora negâo a pátria, e freguezia, 
os bons de envergonhados, e os mãos por temor de seus malefícios. (Js passa- 
.gciros, que se vcem obrigados a passar por ella com seus comboyos, gados, e 
cavallarias, que de outros sertões descem, principalmente de Jaguaribe certáo de 
Pernambuco, e do Piagu, o fazem com tal receyo, como se houvessem de atra- 
vessar por terra de inimigos, ou de gentio bravo e mui poucos são os que náo 
experimentão prejuiso ein"seus gados, e cavalgaduras, principalmente se pernoi- 
tão na Povoação do Jerimuabo, aonde vivem os mais insolentes; e assim muito 
do serviço de Deus, do de sua Real IVlagestade, e bem commum será, se se der 
o provimento necessário a tantos absurdos, desterrados os malfeitores para 
outras partes, onde se occupem no Real serviço de Sua Magestade. 

19 — São tão absolutos, que o primeiro Parocho desta freguezia não os pode 
softrer mais que hum mez, e deixou a freguezia dezistindo delia para sempre, 
dizendo que no Jerimuabo nem hum instante queria estar ainda que por isso 
merecesse o ser Pontifíce. O 2." se regia more castrorum, não sahindo jamais 
de caza, nem ainda para a Matriz, senão acompanhado de seus escravos arma- 
dos. O 3° muitas vezes o injuriarão, e intentarão lançallo fora da freguezia com 
dezattenção e violência. O 4° e 5° da mesma forma, chegando a tal excesso, que 
lhe entrarão pela Caza emquanto estava dizendo Missa, e lhe tirarão o cavallo 
da estrebaria, e pondo-o a porta da Igreja cellado mandarão que nelle montasse, 
e se fosse embora, que o não querião mais por Parocho. O 6" actualmente exis- 
tente são incriveis os trabalhos, e dezatenções que em oito anpos tem soffri- 
do, não lhe valendo toda a prudência, e paciência, de que se tem valido, nem 
ainda o já mais pedir em todo este tempo a pessoa algúa, os seus emulimentos 
parochiaes vencidos, que se querem, os pagão, e se não querem o não fazem. 

20 — Nem assim deixão de o desatender todos os dias, e de presente com 
mayor excesso; porque irritados por declarar o Parocho alguns, que não satis- 
rizcrão aos preceitos annuaes da confição e Communhão, se juntarão 20 pouco 
mais ou menos, em noite de Natal, e entrarão pela Igreja dentro armados de 
armas de fogo com descompostas vozes, gritando que o não querião, nem reco- 
nhecião mais por Parocho. Ouvio, e softreo com paciência necessária nos Minis- 
tros de Christo, e sem lhes responder húa só palavra, continuou nos officios 
Divinos, por não ficarem mais de 3oo pessoas sem Missa, ás quaes incitaváo e 
convidaváo os 20 malfeitores para o seu levantamento; se bem não houve hum 
só que os quizesse seguir. 

21 — Dezabrocharão a sua payxão, vendo o pouco caso, que fazia o Parocho 
actual das suas desordenadas vozes, e levantamento, e que ninguém os seguia, 



232 



em não ouvirem ja mais Missa, e fazerem hum assignado elles mesmos com looo 
imposturas, e calumiiias, que lhes dieta o seu diabólico orgulho, contra o Paro- 
cho; sitndo os mesmos do motim, dos quaes alguns se achão excommungados 
pela sobredita' cauza de não terem satisfeito os Preceitos quaresmaes, os motores 
e assignados, por não acharem húa só pessoa, que lhe quizesse assignar ainda 
que os ameação que por força de armas os farão assignar, e esta hè a emenda 
que tomáo, e o recurso que buscâo por meyos tão sinistros, e incompetentes. 
Assim que a não haver a providencia necessária a tantos excessos commettidos. 
e para se obviar os futuros, desistirá de todo, e para sempre da freguezia o 
Parocho, e sua Real Magestade, por quem foy apresentado, e collado por sua 
Ex." Rev."'-' nesta Igreja, a poderão prover em que for servido. 

22 — Finalmente não ha em toda a freguezia Capella algúa anncxa, ou filial, 
mais que húa de todo arruinada no mesmo sitio ao Jerimuabo, a qual a fez o 
povo com o titulo de Nossa Senhora das Brottas, foy erecta debaicho da Juris- 
dição ordinária, e annexa, ou Hlial a Matriz do Iiapicurú antes de se desmem- 
brar esta freguezia delia. A casa da Torre a dotou com o dotte costumado de 
seis mil reis annuaes estabelecidos, ou fundados na terra, e gado do mesmo 
sitio do Jerimuabo. Muitos annos se ccmservou esta Capella com Capellâo clé- 
rigo secular sugeita ao Ordinário^ e ao Parocho, the que deposto u Clérigo Ca- 
pellâo, deo a casa da Torre a mesma (Capella a(xs Religiosos Franciscanos, para 
que servissem de Missionários dos Índios Mungunis, e Cariacàs, que neste cer- 
tão vivião aldeyados, e nesse mesmo tempo deu a caza da Torre aos mesmos 
Religiosos a Capella da Santíssima Trindade do Massacarã para o mesmo cffeito, 
como assima se toca. 

23 — Assim se conservou alguns annos esta Capella da Senhora das Brottas, 
athé que os Religiosos Franciscanos dezertarão desta Povoação do Jerimuabo, 
ou pelo doentio do clima naquclles tempos, ou por não se atreverem a sofíVer as 
insolências do povo, e ficou a Capella sem Missionário, nem Capellâo. Neste 
estado se achava em o anno de 1718, em que por Alvará de Sua Real Magestade, 
a criou em Matriz com o titulo de S. João Bautista o Illustrissimo Arcebispo 
D. Sebastião Mçnteiro da Vide, deputada a dita Capella para Matriz Interina- 
mente, em quanto se não fazia nova Matriz. 

24 — Tanto que a Caza da Torre viu que a Capella servia de Matriz, vendeu 
os gados, que obrigados estavão ao dote da Capella e arrendou o sitio ao Capitão 
João Barbosa Rabello Comprador dos mesmos gados, e houve a si todo o di- 
nheiro que se achava junto não somente do dotte vencido, mas também de 
varias esmolas, pertendendo outro si em Portugal ter apresentação nos Parochos 
para esta freguezia, com o fundamento de ser sua a Capella de Nossa Se- 
nhora das Brottas, na qual se creara a nova Matriz de S. João Bautista do Jeri- 
muabo. 

25 — Frustrou-se-lhe o seu requerimento com a nova Matriz que o Senhor 
Rey I). João V de Saudosa Memoria, que santa gloria haja mandou fazer a 
requerimento do Parocho então existente o P.° João Coelho de Bessa, a custa 
de Sua Real Fazenda, do mais prompto dinheiro, que houvesse, e feita a Matriz, 
ou por melhor dizer, posta em termos de se poder nella celebrar, ficou ao dez- 
amparo a Capella da Senhora das Brottas, e de todo se arruinou, como ainda 
hoje se vé cuberta de matto, por cuja causa se mudou a Imagem da Senhora 
para a Mairiz, onde está. 

26 — A obra da nova Matriz foy rematada por 28.000 cruzados, e Soo.ooo rs. 
Poz-se em termos de dizer missa nella, porem foy a obra de tão pouca duração, 
que em menos de 11 annos se arruinou de todo, e abateram os telhados do corpo 
da Igreja vindo ao chão abertas as paredes todas de alto a baixo, e ameaçando 
total ruina ainda o que se ache em pé, como he a Capella mor. Sacristia, e Caza 
da fabrica. E já em o anno de 1749 em que desta Igreja tomou posse o Parocho 
actual a achou com manifesto perigo de vir ao chão. 

27 — Como de todo senão tinha acabado a obra Real, e nem o rematador 
delia a acabava, antes o não achou já na freguezia o Parocho, por se ter auzen- 
tado antes da sua chegada, entendeu o mesmo Parocho, que ainda haveria algum 
pagamento por fazer na caza dos Contos, para com elle se reedificar, ou reparar 
a obra Real; e recorrendo ao Provedor Mor deste Estado do Brazil, se achou 
quede todo tinha o remattador António Correia de Araújo Portugal levantado, 
todo o preço da rematação, com hum termo de vistoria, que aprezentou, de que 
a obra estava de todo acabada, e posta na sua ultima perfeição, segundo os pe- 
didos da architectura, e planta que fora mostrada, e ainda com mais perfeiçoení 
do que mandava a mesma Planta, porque alem dos 28.000 crusados, e 3oo.ooo 
reis preço da rematação, se achavão incluídos na mesma obra Real mais 5oo.ooo 
réis, com que concorrera o povo. São formaes palavra.v do termo de vistoria, que 
na. Caza da Fazenda Real se acha, quando a dita obra de todo a deixou o rema- 
tador por acabar, na forma que ainda se vê. 



233 



38— Km n nnno de 17.^4 de todo «e arruinou a obrn dn Mntriz de tal lorttf, 
aue foy neccasario no Parocho inudur a* Siintau linaueiiH paru tua caza onde 
(li/ia inititn, uthé i|uc cnnccriaiulo o melhor que yxHlc, Hcguiulo «uok poucas 
poKHux, c tcmic» reililiioR da trcguczia, a cuza dcHtiiiada para a l'abric-a, contígua 
li (lapella tnór, por Kcr a c|uc hc ncha com mcnon ruína, iiclla levantou altar, em 
que diz mixiia, o exerce aH fuiic«;óeH Parochiaet, por n&o cKtar a f^apcllu Mor 
capaz de «e dizer nelln MÍHHa, ainda que ne acha cm pé pelo manisfetto, c certo 
perigo que ameaça c comente nervo a Igreja de temiterio. 

3<)— Logo no mesmo anno ilo 17.V4 recorreu o Parocho actual a tua Real 
MngcHtade, que Deus guarde, pedindo ajuda de custo para a capella mor, sacría* 
tia e ca/a de Fabrica, repn-Hentando-ihe não KÓmente por petição, mat também 
por hfia senlença de justilicaçáo alcançada na ouvedoria (to (^ivcl da cidade da 
Hahia, c outros documentos «luthenticos, e curiaes, o estado en) que se acha 
a Matriz pedindo por conclusão ao ditto Senhor fosse servido mandar dar a ne- 
cessária ajuda de custo para a obra da Matriz, ou consignar para Matriz a 
Igreja ila Santíssima 'rrindade doMassacarã, visto não haver outra al^úa Capella 
annexa, ou tilíal em todo o território desta Ireguezta, na qual interinamente *e 
possa exercer as funcçocns Parochíacs. 

3o— l''ste requerimento entende o Parocho, que se perdeu no infausto ter- 
remoto da cidade de Lisboa, porque thé o prezente não teve delle notícia algúa. 
Ksta he a relação mais exacta, e verdadeira, que da freguezia de S, Joáo Hautista 
do Jerimuabo do Arcebispado da Uahia pode dar o seu Parocho actual, que reco- 
pilada he a seguinte. 

3i— Tem a l'"rcguczia do Jerimuabo trcs povoações a do Jerimuabo, ou da 
Matriz com 3j cazas, ou choupanas, nas quais vivem 3r>2 pessoas de Communhão. 
A do Massacará, que he de índios, e nella se acháo mais de loo cazaes, e dista 
esta da do Jerimuabo i.S icgoas. A do Sacco dos Morcegos também de índios, 
em que ha 8i>o almas, c dista da do Massacará 7 iegoas. 

33— As pessoas de communliáo, que ha cm toiía a freguezia tanto na povoa- 
ção do Jerimuabo, como no de mais território, que consta de 70 Iegoas de 
longitude de nascente ao poente, c de 3o iegoas de latitude de norte a sul, são 
i3()4, não numerando os índios das duas Povoaçocns, c vivem estas pessoas dis- 
persas cm i52 sítios, ou fazendas de gados, nas quaes se acháo com as caza» da 
povoação do Jerimuabo já ditas 2S3 cazas^ ou choupanas, por serem só 4 delias 
cubertas de telha, e as mais de palha. 

33 — Tem o território desta freguezia três rios, a saber o Jerimuabo que 
nasce duas Iegoas acima da Matriz, è passa pelo mcyo da Povoação chamada 
Jerimuabo: Ó rio Vazabarris que passa meya Icgoa desviado da dita povoação 
e nasce 33 Iegoas acima da Matriz: o rio, ou regato denominado Massacará, e 
nasce acima da povoaçúo deste mesmo nome legoa e meya, e por meio delia 
passa. Dista o Jerimuabo de Vazabarris meia legoa, eo Vazabarris dista do rio 
Massacará 17 Iegoas e meia. 

34 — Tem esta freguezia as Igrejas seguintes : A Matriz arruinada em muila 
parte, a Capella: de Nossa Senhora das Brottas junta á mesma Matriz de todo 
desbaratada e só com as paredes em pé. A Igreja da Santíssima Trindade do 
Massacará, que he Missão de índios sujeita aos Religiosos de S. Francisco; E 
a Igreja da Ascensão do Senhor do Sacco dos Morcegos, que também he de ín- 
dios sujeitos aos Religiosos da Companhia de Jezus. 

35 — Vive o povo desta freguezia de criar gados vacum ecavallar, e de algúa 
lavoura em annos invernosos somente, por ser pela maior parte o terreno secco, 
e estéril. São mais os ociosos, e sem occupação algúa, do que os que tem este 
ou aquelle emprego. 

36 — Os sobreditos rios não são navegáveis, nem impedem passagem, ou se 
carece de pontes, salvo para a gente calçada, e só emquanto durão as cheias se 
põem de nado, e não dão vao em parte algúa; rebaxadas as agoas das cheias, 
dão passagem franca em qualquer parte, excepto nos possos que em si faz o rio 
Vazabarris, por serem fundos. 

2717 

Noticia sobre a Freguezia Nova de Sant'Anna e Santo António do Tu- 
cano, na Diocese da Bahia, pelo Vigário Francisco Cabral de 
Sousa. 

1757. [Annexa ao n. 2666.) 

Consta a Povoaçam desta Freguezia nova de Sant'.\nna e Santo António 
do Tucano de fazendas distantes entre si hua, duas, e a mais quatro Iegoas, 
dividise em dous lugares chamados — Tiuiu, e Tucano ; o do Tmiu extendese 



234 

pelo rio do Itapecurú a sima trinta legoas, em cujas margens de hua e outra parte 
estam secenta e hua fazenda com a distancia asima de legoas; o lugar do Tu- 
cano consta de dezanove legoas sendo mais largo com cento e hua fazenda com 
a mesma distancia de duas e três enthe quatro legoas de fazenda a fazenda. 
Rios no lugar do Tiuiu o sobredito Itapecurú, o qual empede o vao com as 
continuas enchentes, e tem o seo nascimento na Freguesia de Jacobina, digo 
na Freguesia de S. António de Jacobina. No lugar do Tucano os rios que só 
correm com as invernadas, e alguas vezes também impedem o vao sam os se- 
guintes — Jacoriei, Picarassá, Pocozô, Massaté ; a saber do Jacoriei ao Piracassa 
nove legoas, do Piracassa ao Pocozô 3 legoas, do Pocozô ao Massaté 6 legoas. 
Almas de communhão icjoj. Tem huma dapella esta freguezia. • 

2718 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, em que informa acerca de certos emolumentos perten- 
centes ao Patrão mór da Ribeira da Bahia e que abusivamente esta- 
vam sendo recebidos pelo Provedor da Fazenda. 
Bahia, 18 de abril de 1757. 
Tem annexos 3 documentos. -7 '9 — 2722 

Officio do Ouvidor Geral da Comarca de Serro Frio, .loão Evangelista de 
Mariz Sarmento, para'1'homé Joaquim da Costa Corte Real, em 
que se refere ao sequestro dos bens do ex-contractador dos diamantes, 
o Capitão P^elisberto Caldeira Brant, e á arrematação dos differentes 
ofíicios da sua comarca, cuja propriedade fora mandado pór em 
praça. 

Bahia, 18 de abril de 1757. 

Tem annexos 3 documentos e entre elles a informação dos con- 
correntes e lanços que tiveram os differentes officios. 2723 — 2726 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, em que participa as resoluções do Conselho da Fazenda 
sobre os salvados do navio Nossa Senhora da Conceição e Porto Se- 
guro^ que naufragara na Praia do Rio Joannes chamada Buraqui- 
nhos. 

Bahia, 19 de abril de 1757. 

Tem antiexos 7 documentos. O navio era commandado pelo 
Capitão Custodio Francisco e transportava especialmente ca\aes da 
Ilha da Madeira para a de Santa Catharina. 2727 — 2734 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, em que participa o fallecimento do Bispo de S. Thomé 
D. António Nogueira, e a necessidade urgente de nomear novo Pre- 
lado para aquella Diocese, por causa das graves desintelligencias 
que havia entre os Cónegos, que algumas vezes tinham provocado 
aggressões pessoaes e determinado a prisão do Deão, que exercia o 
cargo de Vigário geral. 

Bahia, 20 de abril de 1757. i^ e 2^ vias. 

«Com a feliz viagem de 46 dias chegou á Ilha do Príncipe em 8 de outubro 
e desembarcando com toda saúde, que llie continuou por 3o dias, no fim d'elles 
entrou a experimentar os terríveis efleitos, que padecem os forasteiros naquelle 
clima, porque lhe sobreveio huma doença, tão precipitada, que no principio do 
quarto dia o passou deste para o outro mundo, sem que lhe desse lugar, nem a 
poder tomar os sacramentos, nem a fazer nenhuma das ultimas disposições de 
calholico e como antecipadamente não tivesse feito testamento, dos bens que se 
lhe acharão veio a tomar conta o juizodos defunctos e ausentes...» 

2735 — 273Ó 



235 



C 



AHTA Pnrticiilnr do Ouvidor de Villa Rica, Francisco Angelo Leitúo, para 
T home loiujuini du Costa Corte Real, feliciíaiido-o por ter sido no- 
meado Ministro e Secretario d*Kstado da Marinha c Ultramar. 



Villa Rica, 22 de abril de 1757. 



2737 



Okkicio do Vicc-Rci Conde dos Arcos, em que participa terem sido rcgci- 
lados pela Relação os embargos tie terceiro propostos por Caetano 
Rodrigues Soares, na execU(;ão que as filhas do Mestre de Campo 
Manuel Nunes Vianna moviam contra o Dr. Miguel Nunes Vianna. 

Bahia, 25 de abril de 1737. 

Tem annexo um documento. 2738 — 2739 

Okkicio do Vicc-Rei Conde dos Arcos, informando acerca do despacho 
na Alfandega da Hahia da bagagem do Governador c Capitão Ge- 
neral de Pernambuco Luiz Diogo Lobo da Silva. 

Hahia, 2(") de abril de 1757. 

Tem annexos 3 documentos. 2740 — 2743 

Okficio do Vice Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 

Mello, em se refere largamenic ao estabelecimento na Bahia da 
vxovà «-Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro» 
c aos preços por que se podiam vender no Brasil os seus vinhos, 
vinagres e aguardentes. 

Bahia, 29 de abril de 1737. 

Tem annexos 16 documentos e entre elles a «Instituição da 
Companhia (impresso {doc.^° n.° 2i4(j)^ o Alvará de 10 ae setembro 
de lySó, que approvou a sua constituição, a resolução da Camará 
da Bahia sobre os preços de venda, manifestos dos vinhos, vinagres 
e aguardentes^ etc. 

«...fui entregue da carta de V. Ex." de 18 de outubro do anno passsado, cm 
que me participa, que S. M. havia acabado de mandar estabelecer huma utilís- 
sima Companhia para a extracção dos vinhos do Douro, a qual era o mesmo 
Senhor servido que eu desse todo o favor c ajuda, de que necessitasse e em 
especial a Joaquim Ignacio da Cru^, Administrador delia nesta Cidade. Com 
toda a promptidão tonho feito executar o que S. Magestade determina, porque 
pariicipando-me o Dcscmbareadf)r Conselheiro e Intendente Geral Wencesláo 
Tereira da Silva, como Juis Conservador da mesma Companhia, que se fazia 
preciso fosse manifesto ao púbico o que se continha na sua Instituição e só podia 
ter lugar por hum bando mandado publicar de minha ordem ; no dia 9 de feve- 
reiro tni este lançado, como consta dos documentos queváodcfls i4athé i3. Para 
estabelecimento da Companhia nesta Cidade occorrerão as duvidas, que vou a 
participar a.V. Ex.? e as resoluções que sobre ellas se tomarão... 

Resolveo finalmente o Desembargador Conselheiro e Intendente Geral 
mandar convocar oito homens de negocio dos mais principaes desta Praça e que 
tivessem já comerciado antecedentemente em semelnantcs eúehos (Manuel Alva- 
res de Carvalho, Lui^ Coelho Ferreira, Fructuoso Vicente Vianna, Francisco 
Borges dos Santos, Simão Pinto de Queiro^, Capitão António dos Santos Palhei- 
ros, Francisco Xavier de Almeida e Domingos Ribeiro Guimarães, doc.° n° 
2j53), e fazendo-lhes vér a conta dos novos Administratlores e tudo o mais que 
se continha na sua representação, lhes deu o juramento dos Santos Evangelhos 
para que debaixo delle dicessem os seos pareceres, no que com facilidade con- 
vierâo e uniformemente assentarão, que cada huma pipa de vinho tinto ou 
branco, não podia ser vendido por menos preços de 71:844 reis e as de vinagre 
a42:o3i real e as deagoardente a 98:635 reis e cada huma frasqueirade 10 frascos 
de agoardente a 5.637 '"'^'^ fundando-se para arbitrarem estes preços, que erão 
na realidade os mesmos apontados pelos Administradores nas suas contas, nas 
razões e fundamentos que largamente expenderão no termo de que vai a copia 
de fl. 22 athetl. a6. 

Tomada esta resolução, pela carta de que vai a copia ã tt. 22, me deu o 
Desembargador Conselheiío e Intendente Geral Wenceslão Pereira da Silva 



236 

conta do que se havia assentado sobre este particular, o que me obrigou a escre- 
ver ao Juiz de fora e Senado da Camará desta Cidade a carta, que por copia 
remetto a fl. 32, declarando -lhe nella os preços porque se julgou podião vender 
os Administradores da Companhia cada huma das pipas de vinno, vinagre e 
agoardente, que lhe havião sido rem.;ttidas na prezente Esquadra do Porto, mas 
que como estas havião passar para poder dos Taverneiros e mais pessoas, que 
costunião vender por medidas miúdas, que ordenassem aos Almotacés, que em 
attenção aos preços porque havião ser compradas aos Administradores, arbi- 
taassem outro tal preço, que sem ser onerozo ao povo, podessem estes segundos 
vendedores tirar aquelle licito interesse, que lhe era devido pelo seu trabalho, e 
que como me era prezente, que assim nos armazéns desta Cidade, com oem varias 
mãos de particulares havia hum grande numero de pipas de vinho, vinagre e 
agoardente e posto que não pertencião ã nova Companhia, necessariamente 
havião de ter o seu consumo, que não estando estas sujeitas as mesmas despezas 
que tinhão tido as da Companhia, de nenhuma maneira devia o lograro benficio 
da niayoria do preço, o que aquella Camará devia prevenir determiando aos 
Almotacés, que não almotaçassem pipa alguma, sem primeiro lhe constar por 
bilhete assignado pelos Administradores da Companhia, se era ou não perten- 
cente a cila, por ser este o meyo o mais efficaz para se poderem acautelar 
as fraudas, que podiam intentar e com facilidade conseguir os Taverneiros se 
se não uzasse com elles de toda a prevenção. 

Em execução desta Ordem determinarão os officiaes da Camaia, ouvidas 
as partes interessadas e os Taverneiros e mais pessoas, que vendiáo vinho, vi- 
nagre e agoardente por medidas miúdas não podessem vender por mayor preço 
cada canada de vinho pertencente á Companhia do que pelo de 1280 reis e cada 
canada de agoardente pelo de 1760 e cada canada de vinagre pelo de 800 reis, o 
que fizerão publico pelo Edital, cuja copia remetto a fl. ig: nelle determinão as 
penas em que hão de incorrer as pessoas que transgredissem ao que nelle se 
contém. 

Outra igual carta á que escrevi ao Juis de fora e Camará desta Cidade, 
escrevi também ao Juis de fora e Camará da Villa da Cachoeira, para que pela 
parte que lhe tocasse, observasse o mesmo, que nesta Cidade se ficava prati • 
cando ; mas como em razão da distancia, em que fica aquella Villa, se náo 
podem transportar os referidos géneros, sem que na sua conducção se façâo 
algumas despezas, attendendo os officiaes daquella Camará a que estas são 
feitas por conta dos taverneiros e mais pessoas, que vendem por medidas miú- 
das, determinarão, que se vendesse cada huma canada de vinno da Companhia 
por 1440 e cada canada de agoardente a 2000 reis e cada canada de vinagre a 
960, do que fizerão o termo, que por copia remetto a fi. 34. 

Devo dizer a V. Ex% que supposto as canadas do Brazil não sejão em todas 
as comarcas de igoal Tamanho pela differença, que ha de hnmas a outras, 
comtudo sempre cada huma canada destas corresponde a perto de 4 canadas das 
desse Reyno, o que participo a V. Ex. para evitar toda a duvida, que possa 
cauzar o preço, que se lhe arbitrou. (Doc°. n. 2744.) 

Nome dos primeiros administradores da Companhia das Vinhas do Alto 
Douro : Sebastião José de Carvalho e Mello (depois Marque:^ Pombal), José da 
Costa Ribeiro, Luiz Belleza de Andrade, José Pinto da Cunha, José Monteiro de 
Carvalho, Custodio dos Santos Alvares Brito, João Pacheco Pereira, Luiz de 
Magalhães Coutinho, António de Araújo Freire de Sousa e Veiga, Manuel Ro- 
drigues Braga, Francisco João de Carvalho, Domingos Jo-?é Nogueira, Francisco 
Martins da l^uz, Francisco Barbosa dos Santos e Luiz Diogo de Moura Cou- 
tinho. (Doe n. 2y4g.) 

244 — 2760 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, no qual informa largamente acerca dos salários e propinas 
que venciam os Officiaes da Fazenda, da Alfandega e do Senado da 
Camará da Bahia, expondo varias duvidas sobre a contagem de 
certos emolumentos e diversas resoluções provisórias que havia to- 
mado sobre ellas. 

Bahia, i de maio de lySy. 

Tem annexos 40 documentos e entre elles a copia do Regimento 
de 1 5 de abril de ijoq, regulando os vencimentos dos referidos 
funccionarios (doc° n. 2j63). 

2761 — 2801 



237 

Cahta do Vice- Rei Conde dos Arcos, D. Marcos de Noronha, nnro Thomé 
loiuj^iiini dn (^JMin (^('irtc Keiil, ícliciíando-o por ter sido nomeado 
Ministro da Marinhii c Dominios Uliramarinos. 

Huhiu, 2 de tiiuiu de 1737. 2802 

Caim A panicular do Desembargador Luiz Hebcllo Quintella para Tlioni<^' 
Joai|uim da Custa Córie Kcal, iclicitando-o pur ler sido nomeado 
Ministro e Secretario d'Ivstado e pedindo-llic para se interessar por 
uma nretensão que tiiihft pendente. 

Biihia, 3 de maio de 1737. 28o3 

Ou icio do Vice Rei Conde dos Arcos, para Sebastião José de Carvalho c 

Mello, inlormando acerca de uma rcprcsentaváo dos commercianies 
da Hahia em que pediam autorisa^áo regia para organisarem uma 
Companhia com o monopólio do commercio da Costa da Mina e 
outro portos da Africa. 

liahia, 4 de maio de 1737. 

«111."* c Ex." Sr Joaqmm Ignacioda Cru^ c Lui^ Coelho Ferreira, cm seus 
nomes c dos honicns de negocio desta Cidade tnais priíicipacs do Comercio da Cos- 
ta da Mina, me tizerão a petct;!») induza, que serve de cuberta ao requerimento 
e condii;oens, com que pretendem erigir, huma nova Companhia para a Costa da 
Mina, que sendo útil aos comerciantes, seja igualmente de bencHcio aos lavra- 
dores de tabaco, aos mineiros e a todos os habitantes da America portugueza, que 
terão escravos cm abundância para a cultura das terras c extracção do ouro das 
minas, por preços taes e tão acomodados, que nunca se comprarão no Estado do 
tirazil, para que chegando a prezença de S. M. esta pretençáo, haja o mesmo 
Senhor, ser servido, pela sua Real grandeza aprouvar esta nova Companhia, na 
forma que tem aprovado a do Gram Pará e Agricultura das Vinhas do Alto 
Douro , resultando desta nova creação o pôr de huma vez termo á ruina total, 
a que se encaminha^ este comercio, com a liberdade permitida, pela Provisão 
de -Vo de março de i*j56. 

Vendo este requerimento iulgei que me não devia negar a acceitalo, e ser 
quem o fizesse prezente a S. M., porque se no anno de 1743, de ordem do 
mesmo Senhor, se tizcráo todas as uiligencias necessárias para nesta Cidade se 
estabelecer huma similhante companhia e se não pôde conseguir, a execução 
deste projecto, pela variedade de discursos, que naquelle tempo fizerão os 
homens de negocio desta mesma praça, não devia eu perder a bôa conjuntura, 
que se me ofíerecia de serem agora os homens de negocio os mesmos que volun- 
tariamnte se convidão para fazerem este estabelecimento que não sendo do Real 
agrado de S M. determinará o que tôr servido. 

Não tomarei a V. Ex. o tempo, com discursos sobre companhias, porque 
se tem escripto tanto a respeito delias, que toda a pessoa que intentar o escrever 
mais se exporá ao perigo de dizer o que os outros ja disserão e assim sem me 
afastar ilas regras geraes, direi somente que o comercio he alma dos Estados e 
e o Erário em que depozitão os Príncipes (que osdomináo as esperanças de pode- 
rem acudir ao reparo de qualquer urgência publica e repentina, com a assin- 
tencia das Companhias, valendo-se muitas vezes.das equipagens dos seus navios, 
para o fornecimento das suas Armadas, o que temos visto praticar muitas vezes 
e por isso interessáo a favor das mesmas companhias, para a conservação e 
augmento delias. 

O Comercio da Costa da Mina que hoje se acha no maior abatimento que 
teve nunca, bem considerado o modo com que sempre se fiequentou, não sei que 
seja outra couza mais do que huma sociedade informe e mal regulada. Muitas 
pessoas se interessavão nos navios que navegavão para a Costa, ainda que com 
pequenas porçons de tabaco, porque as mais avultadas de que se compunha a 
carga destas embarcaçoens, corria por conta dos seus donos, ajudados de outras 
pessoas, que tinhão parte nellas. Isto mesmo reduzindo a methodo e aos precei- 
tos com que se pretende governar esta companhia, persuade a razão, a que 
os lucros delia, venhão a ser maiores e as perdas menos contingentes. 

O dinheiro a risco, que em todo o tempo foi o principal objecto deste nego- 
cio, corre a mesma paridade porque nem os ganhos forâo nunca tantos nem tão 
seguros, como se encarecia, porque se os navios de quem tiavão o seu dinheiro, 
tornavão bem sucedidos, pagava-se o capital e o premioi, em que tem havido 



238 



grande variedade, porque sendo no seu principio de 3o ate 40 por cento, depois 
passou a 23 e ultimamente não excede a 16 até 18 e contudo estes pagamentos se 
não satisfizerão nunca, nem ainda hoje se satisfazem, senão depois de vendidos 
os negros das carregaçoens no que experimentão dilação pela pouca sabida que 
hoje tem e se os navios voltâo mal livrados, se passa tempo primeiro, que cobrem 
a importância do dinheiro que derão a risco e as vezes nem isto basta para se 
embolçarem delle; quanto mais havendo de se praticar nesta America o que 
dispõe o Alvará com foi ça de lei de i-] de janeiro deste prezente anno, em que 
S. M. prohibe, que o premio do dinheero dado a juro ou a risco exceda de 5 
por cento, fica abolida esta utilidade, porque não haverá quem portão pequenos 
interesse, haja de expor o seu cabedal aos ri«:os, que justamente se considerão 
em qualquer qualidade de navegação. 

Ninguém pode duvidar que os Escravos sejão o preço porque se compráo 
e se comutáo os mais importantes géneros da America portugueza, que sem 
elles, receberiâo hum irreparável prejuizo os seus naturaes, achando-se, como 
se acha, este comercio em tão decadente estado. O único modo que pode haver 
para se acautelarem os dainnos que ameação e já alguns delles se experimentão, 
com o grande numero de navios, que hoje negoceiam naquelles portos, donde 
o tabaco (sendo o mais importante género) pela grande quantidade que se con- 
duz, tem perdido grande parte da sua reputação, he só o estabelecimento desta 
Companhia, da qual se deve esperar tome humas medidas tão ajustadas, que 
recuperando a reputação dos nossos efieitos, venha a tirar as vantajozas conve- 
niências que se não podem conseguir deste comercio, conservando-se na fra- 
queza, em que hoje se acha, porque por mais apertadas que sejão as ordens e por 
rigorozos que sejam os castigos que se cominem, nada será bastante, para que as 
pessoas que agora o frequentão, hajão de preterir a utilidade comua delle á 
mais iigeira conveniência particular, que se lhe offereça e sendo como hé, esta 
regra geral em todos os negociantes portuguezes e principalmente nos da Ame- 
rica, donde por influencia do Paiz, domina mais ambição, para que esta não 
acabe de perveter hum negocio de tanta consequência, parece que este novo 
estabelecimento será sobre todos, o remédio mais proveitoso, porque o comer- 
cio exceptuando o da Gosta da Mina, fica livre para todo o que quizer uzar 
delle, da mesma sorte que até agora se praticou. 

Os Senhores de Engenho e os lavradores de tabaco, ficão com a mesma 
liberdade de poderem comprar os escravos ou comutalos na forma que melhor 
lhe estiver, porque supposto que a companhia lhe estabeleça preços certos e 
determinados, isto se deve entender para os não poder exceder dahy para cima 
mas de nenhuma sorte para que os não possa vender com alguma diminuição, 
porque lhe não convém, lhes fiquem em caza com o perigo evidente de lhe 
morrerem, o que sem duvida lhe sucederá á maior parte delles, porque como os 
de Angola, não se comprehendem no privilegio privativo e os senhores de 
engenho e principalmente os lavradores de tabaco se inclinão mais facilmente 
aos de Angola que aos da Costa da Mina, supposto estes sejão mais fortes e mais 
robustos, os outros são mais domáveis e em melhor preço e cada hum dos que 
compra, ordinariamente vay buscar o mais barato; quanto mais as maiores vendas 
dos escravos fazem-se por partidas que compra os mineiros, que são os melhores, 
por serem escolhidos entre todos os que vem da Costa e os conduzem para as 
Minas e nem sempre os comprão de contado, como sucedia em outros tempos 
porque muitas vezes levão fiado niayor parte delles, com a espera de alguns mezes 
que ao depois convertem em muitos annos, com perda irreparável dos vendedores. 
Isto mesmo sucede com os Senhores de engenho e lavradores de tabaco e com 
os mais. que se occupáo em cultivarem as campanhas, emprego tão neccessario 
que sem elle se não pode conservar a subsistência do paiz, e como todos estes 
homens ordinariamente comprão os negros fiados, rezervando o pagamento 
delles para o tempo das safras e estas muitas vezes não correspondem ás espe- 
ranças, em que estavão nas suas colheitas, não podem ser tão promptos os paga- 
xnentos e as cobranças, como necessita qualquer comerciante particular e poderá 
suportar a Companhia que ao tempo do seu estabelecimento são constantes 
todas as calamidades do paiz e voluntariamente se sujeitâo a todas as contin- 
genceas que para o futuro podem sobrevir. 

Devo dizer a V. Ex.' que os 12 assignantes, que se offerecem para esta 
creação são sobre todos os homens de negocio desta Cidade, os mais distintos 
pela sua capacidade e intelligencia do negocio, fazendo-se entre elles muito mais 
recomendáveis Joaquim Ignacio da Cru:^, que com todo o zelo e incansável tra- 
balho se tem empregado a reduzir á pratica este projecto, não só trabalhando 
em que as condiçoens fossem as mais favoráveis, mas persuadindo a todos os 
mais companheiros, a que se deliberarssem a entrar nesta negociação; circum- 
stancias estas porque se faz acredor, quando S. M. haja por bem aprovar este 
estabelecimento, ser elle o que occupe o lugar de Vice-Provedor, visto haverem 



230 

coiivjtuld entre wy, toJo» oh iiiíiíh hocíos, que o Provedor hiijti de KCr I.ui^ (Utelho 
Fcrveivj, i|uc t&o bem tctn iiniinado dti »uu pnrie, i|uiuito lhe lic poititivcl cfie 
iic){ocio, ficaiitlo todoH OH iiiiiÍH uKHÍgtiuiiteH luujtiellc» lii|;urc» correHpondcnic», • 
que vân doHtiiiadoH, a exemplo dun qiiae.<«, tciilio por hciii duvida, «cjiio o» ucío- 
niiitas de tal qiialidailc, que para ok amiot futuro* pokHa a Mc/u da (Companhia 
esciijhcr huiin tacH HiiccHsnrcH, que nem a menor dcncripancia fuçAo observar at 
ucertailaH determinavoeiíH, com que hc de prczumir, taçáo c»lc» huma temí- 
ihunto crcaçAn...» 

2804 

Ki;gii;uiMi.NT() dos commcrcianics da liahin, pedindo ao Vicc-Ilci para sub- 
iiicitcr á approvat;ão regia a seguinte representação c os estatutos da 
nova Companhia, que pretendiam organizar. 

S. li. lAnnexo ao n. 2S04). 

lll."*cEx."» S.^' Os homens de negocio da (lidadc da Bahia c os mais princí- 
piics da r.osta da Minnn, assignados no papel induzo, dezcjando evitar as contis 
nuas c avultadas perdas, que expcrimentão no prezente tempo os comercíantcz 
que cultiván esta n:ivcga<;áo, o que tudo hc notório a V. lix. e pór de huma ve- 
tcrmo á ruina total a que se encaminha o dito negocio com a liberdade permi- 
tida pela Provirão cie .Vo de maiu^o de ij^h, que elles tomarão unit'or»nentc o 
iney») de porem nas njãos ilc V. Kx." os Capítulos juntos, por onde se regula 
huma bem ordenada (Companhia, que sendo útil acis comerciantes, será de may<»r 
benelicio aos lavradores do tabaco, a<is mineiros c a todos os habitantes da Ame- 
rica portngueza, porque terão escravos em abundância para extracção do ouro, 
cultura do tabaco e mais frutos da terra c por preços taes e tão acommodados, 
que nunca se comprarão neste Paiz ; para que passem das mãos de V. Ex.* 
mais dignamente a Real prezença de S. M., que sendo servido aprovar a dita 
Companhia na forma que tem aprovado a do Grampará e Agricultura das Vi- 
nhas do Alto Douro, se extcnderá também este tão útil e novo beneficio aos vas- 
salos habitadores deste Continente, conseguindo-se ao mesmo passo a redução 
de muitas almas ao grémio da Igreja, a extenção dos domínios da Cor«)a Portu- 
gueza, a utilidade dos lavradores e a conservação de hum comercio, que he o úni- 
co que anima e sustenta aos moradores desta Cidade.» 

2803 

RiiPRESicNTAÇÁo dos coiii mcrcian tcs da Praça da Bahia, suppiicando a Elrei 
D. José que approvasse a organização da nova companhia que preten- 
diam estabelecer para a exploração do commercio da Costa da Mina. 

S. d. (1757.) (Annexo ao n. 2804). 

«Senhor. Os homens de negocio da Praça da Cidade da Bahia, entre elles os 
principaes que ha muitos annos a esta pane tem sustentado a navegação e com- 
mercio da Costa da Minna, animados da Real grandeza com que V. M. se incli- 
na favoravelmente a proteger, augmentar e acreditar o comercio nacional, em 
seo nome, dos moradores da mesma Cidade e de todos os mais habitadores 
do Continentes Ultramarino, chegão humildes aos Reaes pes de V. M. a repre- 
sentar- lhe o lamentável estado a que se tem reduzido esta importante negocia- 
ção, de que depende a cultura e subsistência de todos os moradores do mesmo 
Paiz, achando-se prezentemente tão decadente, que mais serve de ruina a quem a 
frequenta, do que de utilidade aos vassallos de V. M. 

Porque sendo este comercio tão útil a toJa America portugueza, depen- 
dendo delle a sua necessária conservação, já pelo fornecimento dos escravos de 
que necessitão as dilatadas Minnas para a extracção do ouro, já as lavouras 
para as plantas dos tabacos, ja os engenhos para a cultura das canas e já final- 
mente para beneficiar os mantimentos e serviço de todos os povos, que habitão o 
mesmo continente. 

Foi V. M. servido pela Provirão de 3o de março de 17 56, fazer publica 
esta navegação, abolindo o numero de 24 navios que a giravão e todos os que 
fossem grandes, ficando os seos interessados gravemente lezados na perda dos 
cascos e na falta das utilidadds que podião perceber, deixando se muitos dos 
comerciantes de cultivar o dito negocio, pelo justo receyo de que a multiplici- 
dade de embarcações os reduzisse a hum estrago total das suas fazendas, como 
aqora evidente se está experimentando com inconsolável magoa de todos os ha- 
bitantes do mesmo Paiz. 



240 



Muitas tem sido as formalidades que se tem dado a este comercio, sem que 
nenhuma tenlia sido de fiirme subsistência. Principiou este negocio por humas 
limitadas embarcações, cujo interesse principal era buscar ouro, que os gentios 
naturaes da terra colhião facilmente e com muita vantagem no Porto de Anna- 
babú; cresceu o numero destas embarcações e descobrindo-se as Minas começa- 
rão a resgatar escravos e desde então pareceo acerto de que não fossem todas 
carregadas de tabaco, taxando-se a cada huma numero certo de arrobas, para 
que a abundância não destruisse a utilidade do comercio, nem se perdesse a esti- 
mação do género, o que teve observância por muitos annos. 

Mostrando porem a experiência, que a franca navegação era prejudicial ao 
referido comercio, se tomou o arbitrio de se estabelecerem 24 embarcações 
numerarias, que só girassem, repartidas pelas cazas de negocio, que já se inteies- 
saváo nelle. Com esta boa forma continuou o referido arbitrio muitos annos, 
concedendo-se porém toda a carga de tabacos, que podessem levar os navios, 
mas adulterado este justo regulamento, fez a ambição introduzir nos annos de 
mayor abundância e barateyo deste género, a concessão de navegarem muitas 
embarcações com licenças supra numerarias. 

No decurso de alguns annos decahio tanto este comercio, que precizou ao 
Ex."" Conde das Galvêas, sendo Vice-Rei do Pastado, a pôr na prezeuça de V. M. 
o precipício a que se hia encaminhando esta navegação, por terem falhado os 
interesses que ella produzia e se arruinavão os comerciantes com o prejuízo que 
experimentavão_, enfraquecendo-se as forças de todos os habitadores daqueila 
Praça, 

A' vista do que logo se persuadio V. M. que o melhor meyo de se evitar 
esta desordem era o estabelecimento de huma Companhia, em que fossem com- 
muns os interesses, dignando-se de mandar ouvir não só a Meza do Comercio 
desta Corte, mas lambem os principaes homens de negocio da Praça da Bahia. 
Sendo porem diversos os pareceres, se não deu o ultimo estabelecimento a este 
negocio, determinando-se por então, que não houvessem mais embarcações 
supranumerárias e que as 24 do numero fizessem o seu giro em dous annos, 
preparando e sahindo as esquadras de 3 navios em cada trimestre, para cujo 
effeito expedio V. M. provizão em que declarou ser este remédio interino, 
emquanto a respeito de tão importante negocio se não tomavão as ultimas 
medidas para o estabelecer por Companhia. 

Conservou-se este metnodo com felizes successos e avultadas conveniên- 
cias dos commerciantes e mais povo de todo o continente, ate que acendidos os 
ânimos ambiciosos, pretextando queixas com diversos e aparentes motivos de 
forma tal, que pareceo ser mais útil a primitiva franqueza, com que se deo 
principio a este commercio; pela Provisão de 3o de março de íjSô expedida 
pelo Conselho Ultramarino se abolio o regulamento das esquadras, permittin- 
do-se o uzo franco da navegação para a Costa da Minna a todos os que lá 
quizessm hir, e mandar commerciar em embarcações que não excedessem o 
o numero de três mil rolos, como principal fundamento de ficarem seudo com- 
muas as utilidade e de abundarem de escravos em preços commodos o recôn- 
cavo, certões e minnas daquelle dilatado continente. 

Deixando de referii a V. M. a inexplicável distruição das principaes cazas 
de negocio da Bahia pela falta dos interesses de hum comercio de que se man- 
tinhão, sentindo ao mesmo passo a perda de seos navios, que por grandes se 
inhabiiitarão para aquella navegação : só se, poêm na Real prezença de V. M. 
ter-se conhecido não ser útil a referida providencia para a conservação do com- 
mercio e dos habitantes daquelle Pais, por ser meyo efficacissimo para arruinar 
os homens de negocio e prejudicar ao augmento da agricultura, por custar agora 
mayor preço hum escrevo na Costa da Minna, em razão da pouca estimação 
que dão ao tabaco na dita Costa, pela multidão que nella tem introduzido os 
repetidos navios, custando agora i5 e 20 rolos o escravo, que dantes se vendia 
por 7 e 10 rolos. Em tão abreviado tempo de exercício desta nova formalidade, 
tem mostrado a experiência tão consideráveis prejuízos, quantos são os navios 
perdidos que tem voltado, sendo alguns dos que inda se despacharão em esqua- 
dras, que pela falta de captivos, que lhe occazionarão as muitas embarcações que 
se despacharão para a mesma Costa, forão precizados os que lá se achavão a 
voltarem com mais de 2 mil rolos da sua carga em ser, por lhe não poderem 
dar consumo, em razão da abundância do dito género e total desprezo de sua 
estimação. 

Tem chegado pelos referidos motivos este negocio a tão deplorável deca- 
dência, que nos precizão a reprezentar a V. M. o quanto se acha trocado hum 
comercio que com as suas utilidades sustentava não sõ o Particular daqueila 
Cidade, mas o commum de toda America, cujos lucros não só lhe faltão, mas 
igualmente se lhe estão exaurindo gravíssimas importâncias, na perda que expe- 
rimentão os navios que quotidianamente estão chegando daquelle Continente, 



241 



Mm omonor intcrcMc dn uuriculiura, uiiliiiuUc dot mineírote dos mais lavrt- 
doreti por Kciitirciii, não (íiniiiiiiivâd, porviti mayor preço, sem embargo de 
haver tfto gruiulc nuincro de cncruvoK cm hct. 

Piirn Hc cviturcrn tndon chich datiiiioN c hc numcnlur o Commercio com as 
forçuB ncccHsarinii, ho fa/. preciso que u Kciil (^Icmcnciu de V. M. acuda com as 
pntcriiucH providencia» do nco rcKÍo e cattu/licounimo, catiibclccciulo huma Com- 
panhia, com a qual poHHÍio bem o» negocianteM c todos o» vaRKalItJS de V. M. 
COMHcguir n Hua cNtiil-nlidadc, creilito ecoiiveiiienciaA, mayormctite neste negocio, 
que HC tcMi) contu-cido, impoHnivcl ucr commiim a indo» em particular pela uvul" 
tadu importância que custa hum navio pela barra fora, dif!icultando-se aos nego* 
ciante» n sua cxpedii;áo com nquclle aprcHio neccAHario a viagens táo morozas e 
arriscada» c pciu dezordem com que hnn» kc prejudicáo ao» outros nos portos 
do resgate no excesso d<> preço a que sobem para mais Re adiantarem, sem que 
scjao bastantes todas n» utei» providencia», que a c»tc respeito tem V. M. applí- 
cado. 

Sc até agora, Senhor, se nos faria diíTtcil o estabelecimento de huma Com- 
panhia ou pela variedade dos animo» ou pela rusticidade dos engenhos: no 
tempo prezentc cm que o benigno e incomparável animo de V. M. nos tem fran- 
queado a grandc/a da sua protecção cm augmcnto do commercio nacional, sem 
perdoar as mais exquesitas diligencias que possáo occorrer para a utilidade do 
bem cominum, ainda com prejuízos consideráveis do Real Erário, mostrando-nos 
V. M. o quanto dczeja enriquecer o comercio, desterradas as trevas da nossa 
ignorância, vcndo-se )ú entre os nossos nacionaes Companhia» publicas, chcyas 
de credito, de poder e de grandes utilidades que os comerciantes portuguczes 
se fazem dignos das honras com que V. M. os destingue. 

Nos animamos a pôr na Real prczença de V. M. o"quanto se faz necessário 
para a conservação c au£;mciuo do negocio de Guiné, a crcçáo de huma Compa- 
nhia, não só para facilitar a entrada dos escravos na America, mas porque 
sendo estabelecida para doininios alheyos e portos ricos, será fácil o perce- 
berem-se avultados interesses para sustentação dos moradores e negociantes da 
Bahia, que hoje lhes falta todo o meyo de adquirirem o precizo para a sua 
subsistência, desterrando-se por este modo os monopólios que commumente 
se praticâo e podem praticar por outra qualquer forma, que se dê a esta nego- 
ciação. 

Os Inglezes, Francezes, Olandezes e Dinamarquezcs, todos tem compa- 
nhias para a Costa da Minna, donde tirão todos os annos perto de lo.ooo escra- 
vos para o fornecimento das suas Américas, sendo alias os géneros e drogas 
com que aly comerceão tão pouco precizas aos negros, que excepto a agoardentc 
inglesa chamada Roma, tudo mais lhe f>ode ser inútil. 

Os Portuguezes são os únicos que levão á Costa da Minna tabaco, sem o 
o qual não podem subsistir aauelles gentios: a nossa agoavdente fabricada no 
Brazil, tem igualdade com a Roma ingleza e sendo aperfeiçoada com os dispên- 
dios que pôde fazer huma opulenta Òompanhia, he fácil de ter melhor aceita- 
ção, visto ser tão antigo o seu uzo naquella Gosta. Os negros habitantes de todo 
aquelle Continente estimão o nome português com superioridade notável ás 
outras nações e com o estabelecimento da (joinpanhia, se seguirão muitos bene- 
fícios, sendo mayor o do serviço de Deos no augmento da Religião Catholica, 
com o numero de almas, que mais se reduzirão ao Grémio da Igreja. 

Ao Erário e Coroa de V. M. se seguirão as profiquas utilidades de perpe- 
tuar hum comercio, de que depende a conservação de todo o Brazil, segurando 
nas Alfandegas por entrada e sabida os reaes direitos, que ao contrario podem 
ter grande diminuição ; utilizar a opulência dos vassallos, crear um estabeleci- 
mento legal, acreditado entre todas as nações da Europa, estender o doininio 
da Coroa Portugueza por todos os portos de Giiinè com a fundação de diversas 
fortalezas, que a Companhia facilmente hade erigir e estabelecer, engrossando 
com facilidade em forças taes, que bem possa acudir ao serviço de V. M. nas 
occaziões de urgência grave. 

Utiliza-se o commum em não perder o muito que ao prezente perde e em 
perceber as utilidades, que podem rezultar deste grande ramo de comercio, em 
que se hão de interessar todos os negociantes, lucrando sem o menor incom- 
modo o que até agora perdião por mãos de pessoas menos estabelecidas, a 
quem davão os seos cabedaes a )uro e risco, que com qualquer prejuízo que 
experimentavão, instantaneamente falião cem menos reputação, credito da 
nação e fé publica do commercio. 

Utilizao-se os compradores dos escravos para as iMinas, certões e lavouras 
na diminuição dos preços porque se lhes hão de vender, sem que a Companhia 
haja de fazer vexame algum, por se compor o seo governo económico dos ho- 
mens de negocio mais distintos daquella Praça, que sendo cada hum de per sy 
conhecidamente acreditado, se faz crivei que juntos em hum corpo legal, serão 

3i 



242 

sem duvida mui justificados nos seos procedimentos: o povo além da diminui- 
ção na compra dos escravos, em nada será prejudicado, por que se lhe não in- 
novará couza alguma mais oncroza, nem se lhe fará a menor violência. 

Nesta certeza pois, animados do inexplicável disvelo e natural propensão 
com que V. M. se tem dignado em proteger e augmcntaro Comercio humilde e 
sinceramente ofterecemos a V. M. com esta supplica as mais suaves condições 
com que nos sujeitamos a crear e cultivar a dita Companhia, na qual mais que 
aos interesses que delia nos podem rezulta.r, attendemos ás utilidades do bem 
commum, ao immortal nome de V. M., extençâo da Coroa Portugueza e exal- 
tação da gloria de Deos, que a V. M. conserve por dilatados séculos para am- 
paro dos seos fieis vassalos,» 

2806 

Estatutos da nova Companhia que alguns dos principaes commerciantes 
da Praça da Cidade da Bahia pretendiam fundar para a exploração 
do commercio da Costa da Mina. 

Bahia, 3 de maio de 1757. 

(Annexos ao n. 2806). 

São assignados por Lui\ Corrêa Ferreira, Francisco Xavier de 
Almeida, José Alvares da Silva, António Cardoso dos Santos, José 
de Abreu Lisboa, Manuel Rodrigues Rios, Joaquim Ignacio da Cru:{, 
Fructuoso Vicente Vianna, José Antunes de Carvalho, Manuel Alva- 
res de Carvalho, Anto7iio Pereira de Araújo, Manuel Ignacio Pe- 
reira. 

índice dos artigos dos Estatutos: «i. As pessoas do governo da Companhia 
sua dominação e sello. — 2, Protecção de S. José. — 3. Bandeira e marca da 
da Companhia. — z|.. Qualidade dos mezarios, nomeação da primeira Meza e 
forma de darem o juramento. — 5. Tempo que hão de durar as Mezas e por- 
que razão. — 6. P^orma da eleição da Meza e suas circunstancias. — 7. Mais a 
respeito das eleições e qualidade de alguns Mezario?. — 8. Forma do exercício 
das Mezas. 9^ — Não se poderão esçuzar dos cargos da Mezas, nem de hirem a 
ella os que torem chamados. — 10. Forma de tractar os negócios da Meza e de 
poder esta eleger os serventuários de que carecer. — 11. Todos os negócios 
serão tractados na Meza e Casa da Companhia, e se lhe permitte que possão 
fazer regimento particular para a sua economia. — 12. Primeiro exercício da 
Meza, que he tomar contas á que acaba. — i3. Cofres e tempo em que hão de 
repartir os interesses. — 14 — Privilégios e mercês. — i5 — Que não poderão ser 

Írezos e outras mercês. — 16. Juiz Conservador e sua juiisdicção. — 17. O dito 
uiz e Officiaes nomeará á Meza e o como julgará. — 18. Poderá tomar a Com- 
panhia o que lhe fôr necessário e não se lhe tomará nada: hirá o Juiz á Meza 
quando fôr chamado. — ig — Apozentadoria e não quer fazer vexame. — 20. Que 
a Meza pelo Juiz Conservador poderá valer-se de alguns Ministros. — 21. Privi- 
levilegio exclusivo para somente negociar a Companhia : com que penas e a liber- 
dade que fica a Pernambuco. — 22. Capital e acções e forma das entradas delias. 
— 23. Tempo que estará a Companhia aberta para receber acções e preferen- 
cia que a ellas terão os moradores da Bahia. — 24. Até quanto poderá metter cada 
pessoa e as que poderão metter acções. — 25. Apphcação que se poderá dar 
as acções. — 26. Emprego de navios e quaes preferem. — 27 Despacho dos navios 
da Companhia e o procedimento que terá a Meza com os Ministros que a não 
servirem bem. — 28. Navegará a Companhia annualmente os navios que quizer 
e para os portos que lhe parecer, sem embaraço algum. — 29. Carga de tabaco 
que levarão annualmente e outras circunstancias. — 3o. Preços dos tabacos e os 
mais géneros. — 3i. Providencia para evitar monopólios. — 32. Pensão aos navios 
de Pernambuco para não alterarem gravemente o negocio.- — 33. Que metterá 
tabaco nas Ilhas de São Thomé e Principe que a Inspecção não dará despacho 
para isso. — 34. Que se não alterarão os direitos dos escravos e o numero delles 
que a Companhia será obrigada a metter annualmente. — 35. Preço certo dos 
escravos. — iG. Venda dos captivos. — 37. Que possa vender escravos fiados e 
com que circunstancias. — 38. Que possa mandar escravos para o Rio de Janeiro 
e que delles náo pagae direitos. — 3q. Forma da cobrança das dividas. — ijo 
Forma com que se hade haver no Juizo dos auzentes.— 41. Que não possa 
carregar para o Reyno nada por sua conta e nem delle mandar vir couza 
alguma. — 42. Fortaleza de Ajuda. — 43. Novos portos que se hão de abrir e 



í 



[ 



243 

MÍMÍniiurinH quo piirii cIIcr h&o do hir— 4^. O que «e praiicarú com a« forta- 

Ic/iia, que ilc iiovu kc criuircin, —45. Poderá a Conipunhiu inuiniur buccar 
cMcruvoH HO» p()rt<)i« iVira Uo licu privílcKÍo. — j(j. Abiititiiciito il<*« direito» do» 
CKcruyo.i, que vierem do» porto» uaíiiiii. - 47, (^>iniiii»»úo du Mc2a da Cotii- 
panhiu. — 4H. Ixciíta a Coiupuiihiii de ««do» o» tributiae». — 4/^. Trekpatke da» 
ucçoc» c ce»HÍio que delia» »e pude taxer. ~ 3o. A uiiiáo que deve haver e cuidado 
que ni»HO deve ter o Více-Kei. — 3i. Proiecç&o de S. M. c cou»ulta do» iicg'»' 
cio».,— 53. Kiiccrrainciiio. <• 

«Senhor. l'or clíeito du rcprezeiítaçAo que a V. M. fizcráo o» homcn» de 
iiettocio», abaixo asMiuiiado» e do comercio que »c co»tumu girar da (jdadc da 
liania nara a (lonta da Miiiiia, moradore» na meHina (Cidade, animado» du cupe- 
runv'a de Cu/ercm hum grande nerviço a I)co», u V. M., ú con»ervucáo e augniento 
do l-;»tado do lira/il, tem concordado entre »y erigirem huma nova (compa- 
nhia, que cultivando o seo comercio, lertilize ao meHmo tempo a agricultura, a 
extt'acv'i^o do ouru, diumuntc» c povoav'áo da» terra» daquelíc dilatado Conti- 
nente, havendo S. M. por bem de sustentar a mesma Companhia com a cunHr- 
muç&u e concessfiodos estabelecimento», privilegio», izençóesc condições »eguin- 
toa. 

t— A dita Companhia constituirá hum corpo politico para o seo governo 
económico, composto de hum Provedor, hum Vice-Provedor, hum Secretario, 
>S Deputados e hum Procurador gorai da mesma Companhia e Accionistas, todos 
homens intelligcntcs e práticos deste comercio. Além do» referidos haverão 6 
Conselheiros do mesmo corpo du comercio, que a Meza elegerá, os quaes terão 
obrigados assistir a cila, quando para isso íorem chamados por ordem do Pro- 
vedor. Será esta Companhia denominada " A Companhia Geral da Guiné". O» 
papeis de cilicio que delia emanarem serão sempre cxpeditlos em nome do Pro- 
vedor e Deputados da mesma Companhia c scllados com o scllo delia, que con- 
sistirá na Imaffcm de S. Joscph com a inscripçáo "Ecce fidelis sevvus". 

3 — Ao mesmo glorio/ó Patriarcha toma a Companhia por seo especial Pro- 
tector, não só em attenção ao Real nome de V. M., mas também pela grande 
devoção com que hoje se venera huma particular imagem do mesmo bancto, 
colocada a Capella dt Santo António da Bana da Cidade da Bahia, com Irman- 
dade erigida entre os coinmcrciantes da mesma Costa ; cuja Imagem se enviou 
por ordem do Sereníssimo Senhor Rey D. João o segundo no anno de 1481, 
para o Castello da Minna, aonde se conservou té o anno de 1637 em que foi 
tirado o Castello do poder dos Portuguezes^ sendo recolhida ou aprehendida a 
dita Imagem por hain dos Potentados gentios daquella terra e conservada no 
seo bárbaro poder, passando-a de Pays a filhos até o anno de 1731, em que o 
zello e devoção de hum Capitão dos navios da mesma Costa a resgatou do po- 
der daquella gentilidade, trazendo-a para a dita Cidade da Bahia no anno de 
1752, sem macula alguma do teinpo ou ofiensa dos mesmos bárbaros gentios, 
e com todo o devido culto foi colocada na dita Igreja de Sancto António, com 
plauzivel festividade e especial protecção para o negocio e commerciantes da 
mesma Costa, a cujo Sancto se obrigào per sy os \iensarios da Companhia e 
pelos seos particulares bens e despeza própria, a festejar annualmente, para ter 
propicio tão grande patrocínio, debaixo do qual crescerão as suas felicidades, á 
proporção do que lhes auspica o nome do mesmo Sancto. 

3 — Todos os navios e embarcações da Companhia uzarão nas bandeiras 
que trouxerem a quadra de campo de listas brancas e verdes, sobre o qual 
assentarão as reaes armas de V. M., cujo distinctivo não sendo até aqui prohi- 
bido,.e ficará sendo do estabelecimento desta Companhia em diante, que só po- 
derão uzar as embarcações da mesma companhia. As marcas de que se deve 
uzar nas remessas e retornos, serão a arbítrio da primeira meza, das quaes se 
não poderá variar, assim como também do sello. 

4— O sobredito Provedor, Více-Provedor e Deputados serão todos vassalos 
de V. M., naturaes ou naturalizados em seos domínios, moradores na Cidade 
da Bahia e não poderão servir estes empregos, sem que do menos tenhão de 
assistência na dita cidade 7 annos e de interesse na Companhia lO.OçO cruzados 
e dahy para sima. A eleição da primeira Meza hade ser V. M. servido nomear 
os abaixos assignados, aos quaes dará o juramento o Juiz Conservador delia 
na Caza do despacho da mesma Companhia, para que bem e verdadeiramente 
continuem o exercício da sua administração e de guardarem as partes seo di- 
reyto. E aos que para o tempo futuro se elegerem, dará o mesmo juramento na 
Meza da Campannia, o Provedor que acabar em hum livro separado, que ha- 
verá para este etTeito. 

5— A referida primeira Meza durará o seu exercício por tempo de 4 annos, 
na consideração de que lhe he precizo esta mayor demora para com toda a boa na 
formalidade e regimen darem principio á crêação, estabelecimento e expedição 
da Companhia e seo governo económico, como também para que nesta medeação 



244 



• de tempos possáo ter girado bastantes navios e fazerem-se as vendas dos es- 
cravos e se repartirem aos interessados os lucros, que houverem correspon- 
dentes ás suas acções e todas as outras Mezas que se lhe seguirem servirão por 
tempo de 3 annos. 

6 — As eleições dos sobreditos Proveddr, Deputados e Conselheiros se farão 
sempre na Gaza do despacho da Companhia pela pluralidade de votos dos 
interessados que nella tiverem 3ooo cruzados de acções ou dahy para sima. . . 

14 — Todas as pessoas que entrarem nesta companhia com 10.000 cruzados 
de acções e dahy para sima uzarão emquanto ella durar do privilegio de ho- 
menagem em sua própria caza, naquelles casos em que ella se costuma 
conceder : e os officiacs actuaes delia serão izentos dos alardos, c compa- 
nhias de pé e de cavallo, levas, mostras geraes e dos encargos de recebedores, 
depositários, thezoureiros, almoxarifes, tutores e outros quaesquer onerosos do 
conselho pela occupaçáo que hão de ter e o commercio que nella se fizer na so- 
bredita forma pelo meyo ue acções ou pelos cargos que se exercitarem na meza 
da companhia nos logares de Provedor e Deputados delia, não só não prejudi- 
carão a nobreza das pessoas que o fizerem, no caso de a terem herdauo, mas 
antes pelo contrario será meyo próprio para se alcançar a adquirida ; de sorte 
que os ditos vogaes confirmados por V- M. para servirem nesta primeira funda- 
ção, ficarão habilitados para poderem receber os hábitos das ordens militares, 
sem dispensa de macanica, e para seus filhos lerem sem ella no Desembargo do 
Paço ; comtanto que depois de haverem exercitado a dita occupação, não ven- 
dâo per sy em logeas ou tendas por meudo, ou não tenham exercício indecente 
ao dito cargo, depois de o haverem servido ; o que comtudo só terá lugar nas 
eleições seguintes a favor das pessoas que occuparem os lugares de Provedor e 
Vice-Provedor, depois de haverem servido pelo menos 2 annos completos com 
satisfação da Companhia. 

i5 — Faz V. M. mercê ao Provedor, Vice-Provedor, Secretario, Deputados 
desta companhia e conselheiros delia, que não possam ser prezos, emquanto 
servirem os ditos cargos, por ordem de Tribunal, cabo de gucria ou mmistro 
algum da justiça, por caso eivei ou crime (só se fòr em flagrante delicto), sem 
ordem do seu juiz conservador: e que os seus feitores e officiaes que forem a 
quaesquer diligencias fora da cidade da Bahia a executar as commissões e 
ordens de que íorem encarregados, possam usar de todas as armas brancas e 
de fogo necessárias para a sua segurança e dos cabedaes qus levarem, comtanto 
que para o fazerem levem cartas expedidas pelo Juiz conservador da Compa- 
nhia no Real nome de V. M. E todas as offensas que se fizerem a qualquer offi- 
cial da Companhia por obra ou por palavra sobre matéria de seu officio, serão 
castigadas pelo conservador, como se fossem feitas aos officiaes de justiça de 
V. M. 

16 — Terá esta companhia hum juiz conservador, que com jurisdicção pri- 
vativa e inhibição de todos os juizes e Tribunaes conheça de todas as cauzas 
contenciozas, em que forem autores ou réos o Provedor, Deputados, Secretario, 
Conselheiros, Caixeiros, Administradores e mais officiaes da Companhia ou 
com elles e terceiras pessoas de fora delia, com alimentação porém, que este 
privilegio se não entenderá nas dividas e acções eiveis, que não forem contra- 
nidas directamente com os mesmos privilegiados, os quaes não poderão cobrar 
nem ajuizar por alguma forma ou maneira perante o dito seu )uiz Conserva- 
dor os créditos e obrigações de outras quaesquer pessoas, ainda que lhe sejão 
cedidos ou doados ou por virtude da clauzula de mostrador, por se evitarem 
as fraudes de que commummente se uza em similhantes conservatórias. O 

a uai Juiz Conservador tara advocar ao seo juizo na Cidade da Bahia por man- 
ados e fora delia por precatórias as ditas cauzas e terá alçada per sy só até 
100 000 cruzados sem appellação, nem aggravo, assim nas cauzas eiveis como 
nas penas por elle impostas; porém nos mais cazos e nos que provados mere- 
cerem pena de morte, despachará em Relação em huma só instancia, com os 
adjuntos que lhe nomear o Governador da Relação da Bahia ou quem seo cargo 
servir 

21 — Para esta companhia se poder sustentar e ter lucros compensaiivos, 
não só das consideráveis despezas que hade fazer com o costeamento dos na- 
vios, que hão de girar a navegação e com os mais encargos a que por esta fun- 
dação se sujeita, mas também dos grandes beneficios, que ao serviço de Deos, 
de V. M. e do bem conimum se seguirão do comercio que pelo meyo da mesma- 
companhia, não só se hade frequentar, mas augmeutarem muito: he V.M. ser- 
vido conceder-lhe o commercio exclusivo em todos os portos da Costa da Minna 
que se comprehendem desde o Cabo do Monte ou Mo^urav em té o de Lopo 
"Gonçalves, para que nenhuma pessoa possa mandar resgatar escravos doreferido 



246 



continente, nom ilcoutru quulqucr lVirtniicommcrciarna(qucllc» porto», ncmdcllef 
cxirnhir CHCriivoH, ncin outro al^uln ucncro ilc incrc(uiorJu»Onuilo principalmente 
iloN portoH tlii (liipilaiiia ilo Uio ilc Janeiro; niaiit lio quc a nicotna conipaiiha; 
cxccpuiaiido porem ilcHta ^cMcralillUllc a navc^av'íloquc ilu (lupiíaiiiatjc l'crnani« 
buço Hu coNtumu ate o prc/ciitc taxcr para otmcitmo» norio», domo porem ckta 
purmiitiila navegação poderá Iraiular ok intcre»»e» liu (.ompunhiu comiu/indo cft- 
cruvoH a treie, por contu do me»mo gentio ou de ouirut» t|uue»qucr pekMia» que 
se acháo eittabelecidaK oii para o tuturo He CKtabelecerem nn mcktna Co»tu da 
Minna : hc V. M. serviílo prohibir-lhe» o dito tran»porte a frete |>or contu das 
refcriílait PesHous, com pena h todo» oh i|ue contruvierem ao díspoiíto nestu 
capitulo, lie perdimeiito daH embarcaçôeH e de iodou o» cHCruvos c mercado- 
rias, qne nelías transportarem e reconduzirem, upplicado o «cu valor a me- 
tade a lavor da companhia e a outra u favor doH denunciantes, que poderão 
dar as suas denuncias em segredo ou cm publico, comtunto que se justiti- 
quem pela corporal npreheiívão, diante do Juiz (^itiservador du Companhia, 

i'3— Sendo o principal objecto ilesta Companhia o aiigmeiíto do commer- 
cio no mayor numero de entrada de escravos para o beneticío da agricultura 
e irnHco oas Minnas, pura que os compradores não só os achem em abun- 
dância, mus também por preços tnais racionaes e pura que os effcitos tcnhio 
mayor extracção e logrem huma reputação tal, do que rczulte competente con- 
veniência aos que os tabricáo e respectivo lucro aos que ncIL-s ncgoceáo, evitando 
por huma parte os preços excessivos, que impossibilitando o commcrcio arrui- 
não os géneros, evitando pela outra parte, qu.; estes se abatáo com tanta deca- 
dência, que aos lavradores não possa fazer conta sustentar as dcspczas annuaes 
da sua agricultura: e sendo necessário estabelecer para estes uteis fins os fun- 
dos competentes, será o capital desta companhia de 800.000 cruzados, repar- 
tidos em acções de 2(K):ooo réis cada huma, respeitando a que na dita cidade 
da Bahia ha muitas pessoas pobres 

3o— Para que os lavradores de tabaco pcrcebão o beneficio que lhe rezulta 
do estabelecimento desta companhia c achem sahida pronta a este género, por 
hum preço tão racional e vantajoso a respeito do prezcnie: he V, M. servido, 
que na mayor abundância de tabaco, o nao possa a companhia comprar aos 
lavradores por menos preçf), que o de 640 réis a arroba, sendo são e separado 
do que estiver podre: assim como também nos annos de estirilidade lhe não 
poderá a companhia comprar por mais de 90} réis a arroba, em attcnçáo a ser 
o da terceira qualidade o que se navega para a Costa da Minna 

33 — Também he V. M. servido, em atiençáo aos particulares beneficios que 
rezulta ao bem commum da prezente companhia fazer-lhe mercê de que ella só 
possa meter nas Ilhas de S. Tliomé e Príncipe o tabaco necessário para o uzo de 
seus habitadores, em razão do muito que produzem as mesmas Ilhas e que o 
preço será regulado pelo arbítrio da meza, sem que se venha a alterar aquellepo 
que até agora se vendia regularmente ;com declaração porém que não ficão por - 
esta concessão excluídos os moradores das mesmas Ilhas de poderem mandar 
suas embarcações com os géneros da terra ao porto da Bahia e nellas transpor- 
tarem o tabaco que lhe fòr necessário para o seu uzo, com tanto que seja este 
levado em rolos grandes, na forma que se pratica: e prohibe V. M. que o tabaco 
despachado para os portos francos e ezcluzivos do commercio da companhia, 
que destes se transporte para os da Costa da Minna, pena de ser tomado por 
perdido e condemiiado em 200.000 reis para a mesma companhia o capitão que o 
levar e em 6 mezes de cadeia. 

34 — Os escravos que a Companhia ha de fazer conduzir para a Cidade da 
Bahia dos portos em que commerciar, pagarão por entrada os mesmos direitos, 
que ao prezente pagão, em que se incluem os iooo reis da contribuição volun- 
tária, pelo tempo que esta durar, cujos direytoa se lhe não poderão augmentar 
durante esta Companhia, que igualmente se obriga a metter na Cidade da 
Bahia o mesmo numero de escravos que de 10 annos a esta parte se tem me- 
itido, regulados huns por outros e deste numero para sima poderá metter 

3uantos mais lhe fôr possível; o que porém se não entenderá nos annos estéreis 
e tabaco, porque faltando este para o resgate, necessariamente hade ser dimi- 
nuta a extracção ; assim como também succedendo haver guerras civis entre os 
gentios com quem se commercea : bem entendido que os escravos que morre- 
rem na viagem, se reputarão no numero dos que annualmente se obriga a 
Companhia a extrahir da Costa. 

35— Porque o disvelo desta Instituição he regular por todos os meios os 

nut 



interesses públicos dos vassalos de V. M., sem que os de huns prejudiquem aos 
de outros e sendo o principal, alem do exposto no | 23 o da abundância dos 
escravos, por preços tao regulados, que não deixe a Companhia de perceber os 



246 

lucriis respectivos, achando-os ao mesmo tempo os compradores por preços 
muito mais favoráveis, do que até o prezente os compraváo, para que a todos 
se faça patente a geral utilidade que lhe rezulta da Instituição desta compa- 
nhia ; he V. M. servido mandar regular os preços de todas as qualidades de 
escravos na maneira seguinte, que em nenhum cazo se excederá, a saber: 

Os melhores escravos, chamados da primeira escolha ou do primeiro lote. 
140:0000 rs. — Os da segunda escolha oa do segundo lote, i3o:ooo rs. — Os de ter- 
ceira escolha ou lote, iio;ooo rs. — Os melhores molecões da primeira escolha 
ou lote, i2o;ooo rs. — Ditos do mesmo tamanho da segunda qualidade ou mais 
pequenos do primeiro lote, 100:000 rs. — .Molecões de terceira qualidade, 90:0a.) rs; 
— Molecotes tons, 85:ooo. ; ditos ordinários, 70:000 rs. — Moleques bons, 70:000.; 
ditos ordinários, 60:000 rs, — Molequetes bons, 60:000 rs.; ditos ordinários, 5o:ooo 
rs;. — Molequinhos bons, 5o;ooo rs., ditos ordinários, 40:000 rs. .\s melhores 
negras ou moleconas da primeira escolha 9o:ox) rs. As negras e moleconas 
que respeitem á segunda qualidade, 73:000 rs. — Ditas negras moleconas e mole- 
cotas da terceira qualidade, 65:ooo rs. — Molecotas ordinárias e molecas boas, 
60:000 rs. — Molequinhas bem feitas, 5o:ooo, ditas ordinárias, 40:000 rs. 

E supposto o valor dos escravos consista na mera estimação, que se lhe dá, 
regulada pelos feitios ou terras de que são naturaes, sendo tão vários os feitios 
e prezenças, que parece impossivel poder-se estabelecer regra certa, pela qual 
se hajão de regular : attendendo ao uzo geralmente praticado nas escolhas e 
lotações para as compras e vendas que até o prezente se fazião por preços muito 
mais avultados a respeito das vendas que a Companhia se obriga a fazer pelos 
sobreditos preços tão moderados, se reduzem as referidas 20 qualidades, em que 
se comprehende todos os escravos de hum e outro sexo, que não forem nota- 
velmente defeituozos 

. . 42 — Como no porto de Ajuda está situado o Castello ou Fortaleza de S. 

João, entregue á administração de hum Director, sem as seguranças e regu- 
laridades necessárias e em situação pouco commoda, sugeita as invações e vio- 
lências do Regente e poderozos daquella terra, como succedeo no anno de 1743, 
fazendo-se difficultoza a mudança do dito Castello para a praya como se tem 
pretendido, para melhor commodidade e mayor defesa dos Portuguezes; he V. 
M. servido conceder a administração do dito Castello á Companhia, a qual fará 
a nomeação de Director e mais officiaes do seo governo e com approvaçâo do 
Vice-Rey da Bahia se lhe passar patente na Secretaria daquelle Estado, com os 
mesmos, soldos, que até aqui se lhes pagavão, para que a Companhia possa de 
novo edificalo no sitio, que melhor lhe parecer e fôr mais útil a nação com 
forças proporcionadas para se defender e offender aos inimigos, fazendo-se nelle 
Cazas para morada dos officiaes e guarda das fazendas da Companhia com a 
segurança possível ; cuja obra se fará pelas despezas da Real Fazenda de V. 
M., sendo por ella tãobem pagos os officiaes e Director pela consignação do 
direyto do novo imposto por entrada dos escravos, que para este mesmo effeito 
se estabeleceo; e só será obrigada a Companhia a transportar os precizos ma- 
teriaes nos seos navios a sua própria custa, cazo gue se faça possível a execução 
do referido e de todas as referidas despezas dará a Companhia conta annual- 
mente ao Vice-Rey da Bahia... etc. 

2807 

Duplicados dos documentos n.°^ 2804, 2806 e 2807. 2='s vias. 2808 — 2809 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello em que se refere á cultura do tabaco e as experiências que se 
estavam realisando para melhorar e desenvolver a produção e aper- 
feiçoar sua preparação, de forma a poder competir com o tabaco de 
outras proveniências. 

Bahia, 11 de maio de 1757. 2810 

Carta de Wencesláo Pereira da Silva, para Thomé Joaquim da Costa Cor- 
te Real, felicitando-o por ter sido nomeado Ministro e Secretario 
d'Estado. 

Bahia, i5 de maio de 1757. 2811 



247 

Carta pariiculnr de Izídoro de Mouro commondflnicda Nau Santo António 
c Justisti pnrn riiomd J. du (^osta Còrie Healu cm que participa a 
sun c'hcf{tuin á Huhia e narra os acontecimentos da víaucm, dando 
nl^un)as inlormav^cs sobre os passageiros que tomara na Índia, sobre 
a irjpolnvóo, etc. 

hnhia, 17 de maio de 1757. 2817 

Hklaçáo ilc vários funccionarios civis e iniliiarcs du índia que. a bordo 
da Náu Santu Aniunio c Justiça, seguiam viugcni para o Reino cm 
goso de licença. 

5. d. (1757) {Annexa ao n. 2(V/2). 

Ai.niNK NOMKs: Tenente Coro/if/ Amónio Mourão ilc Mirutuln; Sargento mí>r 
João Pedro de Castro, Capitães Tenentes I). I''r!inci»co tic I.cncafttre c Jacquc» 
I"ilippc I.imdrczct, Capitão da guarda do Vice Kci Conde de Alva I.uiz Serrão 
Diniz, Capitão de Granadeiíosinsc Raposo, Capiiãcs Manuel If;nacio de Carvalho 
o l'*rancisc<i Xavier Monlenefiro, Ajudante Jnáo 1'almer Maínardo, Tenentes Joáo 
l''rancisco Silva, João l*inio de Sousa e Veríssimo Icxcira de Mattos, Alferes 
l'"rancisco de Mira, Desembargadores João Alberto de Castello Branco c Fran- 
cisco Raymundo de Moraes Pereira, etc. 

2813 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, informando acerca do carregamento e partida para o Reino 
da Náu da índia N. 5'° das Neves e Sant'Anna c participando ter 
n'ella embarcado o Capitão Tenente D. Francisco Xavier de Alen- 
castrc. 

Bahia, 17 de maio de 1757. 2814 

«Mappa da carga que leva a Náu de licença N. S. das Neves e S. Anna, que 
em 18 de maio de 1737 sae deste Porto da Bahia para o de Lisboa 
Capitão Thomaz de S. Thiago.» 
(Annexo ao n. 2cSi4). 

Gcneros exportados da Bahia: tabaco^ sola, assacar^ farinha, 
mely e aguardente. 281 5 

Okficio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, em que se refere á chegda da Náu da índia Santo António e 
Justiça aos Desembargadores João Alberto Castello Branco e Fran- 
cisco Raymundo de Moraes Pereira, á prisão de D. António Henri- 
ques, á morte do Vice-Rei da índia Conde de Alva no assalto á For- 
taleza de Pondá, ao Governo interino daquelle estado, etc. 

Bahia, 17 de maio de 1757. 2^ via. 

Temannexos 2 documentos relativos a referida Náu. 2816 — 2818 

Carta particular do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Car- 
valho e Mello. 

Bahia, 18 de maio de 1757. 

[Sem importância . 2819 

Okficio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, em que se refere á suspensão do Desembargador João Eliseu 
de Sousa e á prisão de Plácido Fernandes Maciel. 
Bahia, 10 agosto de 1757. 
Tem annexos 2 documentos. 2820 — 2822 



248 

Offiçio do Vice Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, em que se refere á annexação das Minas Novas do Fatiado á 
comarca do Serro do Frio c ao Governo da Capitania de Minas 
Geraes. 

Bahia, 12 de agosto de lySj. i^ e 2^ vias. 2823 — 2824 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, em que se refere á prisão de Rlacido Fernandes Maciel, infor- 
mando que estava encerrado na Fortaleza de S. Pedro, esperando 
occasião de embarcar para Lisboa. 

Bahia, 18 de agosto de lySy. 

Tem annexo o recibo do Commandante da Fortaleza António 
Martins Valbôa. (Copia). 2825 — 2826 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, em que participa a chegada da frota comboiada pela Fragata 
A''. S.^ das Brotas, sob o cominando do Capitão de mar e guerra 
António de Brito Freire e referindo-se ao fallecimento do Intendente 
geral Wencesláo Pereira da Silva informa que nomeara o Desem- 
bargador Sebastião Francisco Manuel para interinamente exercer 
aquelle logar, etc. 

Bahia, 21 de agosto de ijSj. 

Tem annexos J documentos relativos ao carregamento dos navios 
da frota, i^ e 2^ vias. 2827 — 2834 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello em que se refere ao fallecimento do Desembargador Wencesláo 
Pereira da Silva e a sua substituição nos logares que occupava de 
intendente geral do ouro e Presidente da Mesa da Inspecção, parti- 
cipando ter sido nomeado para exercer os referidos logares o Desem- 
bargador Sebastião Francisco Manuel. 

Bahia, 22 de agosto de 1757. 

Tem annexo 4 documentos e entre elles uma carta do Desem- 
bargador João Pedro Henriques da Silva., irmão do fallecido Wen- 
cesláo P. da Silva, dirigida ao Conde dos Arcos, i^ e 2^ vias. 

2835—2844 

Okficio do Commandante da Frota e da Fragata N. S.^ das Brotas, Antó- 
nio de Brito Freire, para Thomé Joaquim da Costa Corte Real, em 
que se refere a sua chegada á Bahia, ao estado em que se encontra- 
vam diversos navios, ao lançamento da nova náu construida nos esta- 
leiros da Bahia, á conveniência de alli se começarem desde logo os 
trabalhos de construcção de um outro navio, ao fallecimento do 
Intendente Wencesláo Pereira da Silva, á nomeação de Sebastião 
Francisco Manuel para interinamente exercer aquelle logar, etc. 
Bahia, 28 de agosto de 1757. 2845 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, em que se refere á nomeação do Desembargador Thomaz 
Robi de Barros Barreto para o logar de Chanceller da Relação da 
Bahia. 

Bahia, 25 de agosto de 1757. 2846 



\ 



240 

OiiK.io do Vícc-Rei Conde dos Arcos remcttcndo a relação de toda a des- 

pcza ijiic SC fizera com a compra da (lorvcta N. .V." do Crato, S. Ro' 

que c Almas, dcsiinada ao serviço das Ilhas de S. Thomtí c Príncipe. 

Bahiu, 26 de ugostQ de 1757. 

7'em annexa a relalí^áo. 2847—2848 

Okkcio do Vicc-Hci Conde dos Arcos para Tiiomd Joaquim da C. Côrtc 
Real. cm que o informa das rcijuisiçõcs que o Governador interino 
do Rio de Janeiro c Minas Gcracs lhe havia feito para fornecimento 
da Casa da Moeda daquella Cidade e das Casas de l''undição que lhe 
estavam dependentes. 

Bahia, 27 de agosto de 1757. 2849 

Oki-icio do Vicc-Rci Conde dos Arcos para Thomc Joaquim do C. Corte 
Real. cm que o informa das requisições que o Governador interino 
do Rio de.lanciroe Minas Gcracs lhe havia feito para fornecimento 
da Casa da Moeda daquella cidade c das Casas de Fundição que lhe 
estavam dependentes. 

Bahia, 27 de Agosto de 1757. 2849 

Okficio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da C. Corte 
Real, cm que o informa acerca da nova forma de cobrança adoptada 
para o pagamento do donativo voluntário com que os povos da Capi- 
tania da Bahia contribuíam para as reparações dos estragos produ- 
zidos em Lisboa, pelo terramoto de 1735. 

Bahia, 6 de setembro de 1757. 

« Em carta de 27 de maio do prezciite anno, me aviza V. Ex. que sendo 
prezentcs a S. M. as cartas, que dirigi a essa Secretaria sobre o estabelecimento 
do Donativo de 3 milhoeiís, que em 7 de abril do anno passado ofíereceráo os 
povos deste Estado para o subsidio da reparação da ciuaile d.; Lisboa, consi- 
derando o mesmo Senhor este negocio não só como objecto da sobredita repa- 
ração, mas também com o desejo de aliviar aos seus vassalos desta. Capital e seu 
território, não pôde deixar de entender que o modo mais util, mais fácil e de 
mayor suavidade para estes Povos, seria o de estabelecer, o referido Donativo 
nos direitos das entradas da Alfandega; e para que assim se conseguisse, jne 
mandava o mesmo Senhor, fazer a recommendação de tentar todos os meyos 
possíveis, para que se transferisse para elles, valendo-me para isto não só das 
razões, que V. Lx. me aponta na mesma carta e dos temperamentos que nella 
se referem, mas de todos os outros meyos, que podessem conduzir a este fim, 
ainda que viesse a ficar demorada a cobrança dos 3 milhões por mais dos 3o 
annos que se ofterecerão. 

« Lm execução do que determiney ao juiz de fora foi convocada a camará e 
adjuntos e de commum acordo assentarão que toda a fazenda seca, que se des- 
pachasse pela Alfandega (salva a da Frota prezente) devia pagar 2 '1., mais, a'ém 
dos 10 "i,, que pagava pelos direitos da mesma Alfandega e estes os poderiáo 
cobrar os mesmos officiaes, a que está encarregada a arrecadação da mesma 
dizima e reduzindo a termos de equidade as quantias, que em alguns géneros se 
havião lançado com excesso, de que resultava queixa aos moradores e commer- 
ciantes desta cidade, lançarão por entrada na Alfandega ou Trapiche em cada 
hum dos escravos que viesse da Costa da Minna, Cacneo, Cabo Verde, Ilha de 
S. Thomé e do Príncipe, 2.5oo reis por cabeça e pelo que pertence a cada pipa 
de azeite das que vem desse Reyno, ficarão conservando a mesma imposição 
de 3.000 reis por pipa, que se Ine havia lançado no primeiro estabelecimento 
deste Donativo ;e como agoardente da terra se achava rematada por contrato, 
e por força da fé da hasta^ publica devia o contratador completar o tempo da 
sua rematação para se evitarem demandas e controvérsias, que este poderia 
mover, assentarão gue findo que fosse o predito tempo, pagaria por entrada 
cada huma pipa de 64 canadas 5920, epor esta mesma forma se regularião as pipas 
de mayor ou menor tamanho, e igualmente os barris, e de assim haverem con- 
vindo fizerâo o termo, que por cópia remetto. 



250 

Devo dizer a V. Ex. que não pôde merecer reparo o náo se colletarem 
as pipas de vinho, vinagre e agoardente, assim como se coUectaráo no Rio de 
Janeiro e Pernambuco, porque nesta cidade estão os referidos três generes car- 
regados com huma ditlerença considerável a em que estão naquelles Governos 
Eorquc no do Rio de Janeiro paga huma pipa de vinho na Alfandega 5.ooo rs; 
uma pipa de agoardente 32oo e huma pipa de vinagre i23o; na Bahia huma 
pipa de vinho paga na Alfandega i(\<j34 reis e a de agoardente ii.2(X) e a de 
vinagre i.Soo; e sendo tão grande o excesso de huns a outros direitos qualquer 
pequena porção, que se lançasse nestes géneros, náo só se faria sensível, mas 
oastantemente oiioroza a estes moradores; motivo este porque nao se comprehen- 
derão nesta nova imposição. 

De toda a que athé agora pagava a carne de vaca e o azeite de peixe nesta 
cidade, ficarão aliviados e consequentemente cessarão os horrores que cauzava 
nos ânimos destes povos a contribuição, com que foráo lançados. 

285o 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para o Juiz de Fora da Bahia, 
ordenando-lhe que convocasse a Gamara para que esta, em harmo- 
nia com as ordens regias, alterasse a forma de cobrança do dona- 
tivo para a reedificação de Lisboa. 

Bahia, 24 de agosto de ij^J- 

Copia. (Annexa ao n. 28boj. 285 1 

«Termo da resolução, que o Senado da Gamara tomou com os 8 adjuntos 
escolhidos e eleitos pelo Povo, para effeito de reformar e modificar 
em parte o termo que se estabeleceo para a preciza e voluntária 
contribuição de 3 milhões.» 

Bahia, 25 de agosto de 1757. 

Copia. [Annexo ao n. 285o]. 2852 

Representação da Mesa da Inspecção da Bahia, expondo certas duvidas 
que se apresentavam acerca da eleição de 2 novos Deputados, cujos 
logares haviam sido creados depois de supprimida a Mesa do Bem 
Gommum. 

Bahia, 9 de setembro de 1757. 

Tem anjiexo um documento, i^ e 2^ vias. 2853 — 2856 

Carta particular do Arcebispo da Bahia para Sebastião José de Carvalho 
e Mello, em que lhe recomnienda seu sobrinho .losé de Frias de 
Moraes Sarmento, filho de Ghristovão José Ferreira Sarmento de 
Moraes, Morgado do logar de Garracedo e Mestre de Campo d'Infan- 
taria auxiliar. 

Bahia, 11 de setembro de 1757. 2857 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos, em que informa acerca de um re- 
querimento do sargento mor deartilharia, António Cardoso Pizarro 
de Vargas, sobre o pagamento de vencimentos. 
Bahia, 12 de setembro de 1757. 
Tem annexos 3 documentos. 2858 — 2861 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Gosta 
Corte Real, em que se refere a nomeação do Capitão- Tenente Igna- 
cio Lopes Figueira para com mandante da nova Nau que se estava 
acabando de construir nos estaleiros da Bahia e aos officiaes e respe- 
ctiva tripulação. 

Bahia, 12 de setembro de 1757. 

2862 



261 

Okkicio do Detembargador António Ferreira Gil, cm aue minuciosamente 
relata a syndicancia a que estava procedendo sobre os alcances do 
thcsuurciru gcrul Domingos Cardoso de Santos e seus cúmplices, 
rcfcriíulo-sc a prisão de alguns e ao sequestro dos bens, que lhes 

pcricnciam. 

Bahiu, 12 de setcmbrodc 1757. 2863 

Cauta pariicuini- Jc António Alvares de Carvalho para o dr. José Libório 
de higueiredu, na qual, entre outras cousas se refere á suspensão do 
Desembargador João Kliseu de Souza, á prisão de Plácido Fernan- 
des Maciel, ao fallecimento do Intendente Geral Wcnccsláu Pereira 
da Silva, ctc. 

Bahia, i3 de setembro de 1757. 

2864 

Carta particular do Provedor da Fazenda Manoel de Mattos Pegado Serpa 
para Thomd Joaquim da C. Còrte Real, felicitando-o por ter sido 
nomeado Ministro e Secretario de Estado. 

Bahia, i3 de setembro de 1757. 2865 

Okkicio do Vice Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Còrte Real, informando acerca da organização e disciplina dos regi- 
mentos da guarnição da Bahia e sobre o recrutamento dos solda- 
dos. 

Bahia, i3 de setembro de 1757. 2866 

«Mappa do Batalhão da artilharia de que é commandante o Tenente General 
João da Rocha Rocha, no qual se vè a despeza que faz S. M. com 
todos os soldos, fardas e farinhas, que vencem os officiaes e soldados 
delle em cada um mez e em um anno.» 

Bahia, 12 de setembro de 1757. 

{Annexo ao n. 2886). 2867 

Officio do Capitão de Maré Guerra António de Brito Freire para Thomé 
Joaquim da Costa Còrte Real, em que informa acerca de diversos 
pagamentos que mandara fazer aos officiaes e tripulantes de vários 
navios e se refere ao lançamante da nova nau, construída na Ba- 
hia. 

Bahia, i3 de setembro de 1757. 

Tem annexos 2 documentos. 2868 — 2870 

Carta do Provincial da Companhia de Jesus do Brasil, P«. João Honorato 
(para Thomé Joaquim da Costa Còrte Real) em que se refere aos 
Breves pontifícios que permittiam as Religiosas Ursulinas da Bahia o 
poderem herdar e a admittir maior numero de freiras e a 2 Breves 
pontiticios concernente aos Religiosos da Companhia de Jesus. 
Bahia, i3 de setembro de 1757. 
Tem annexos os 2 últimos breves^ ex-impressos. 

«...Esta me obriga também a espora V. Ex., çjue os 2 únicos Breves, que a 
favor da minha Província impetrei de sua Santidade na occasiáo em que fui 
mandado por seu Procurador a Guria Romana, forão apresentados ao Ex"*. Se- 
cretario Pedro da Motta, que Deos haja, o qual os deo por correntes por razão 
da matéria, que continhão. Porque hum delles he para poderem os missionários 
da companhia conferir o sacramento da chrisma nos lugares mais remotos do 
Brazil, onde não chegão nem costumão chegar os Prelados ordinários e seus 



252 

vizitadores ; c por fallecimento dos ditos Prelados, não serem privadas as almas, 
que vão desta vida, da especial gloria, que lhes corresponde na outra, por razão 
do caracter indelével impresso na alma dos que recebem este sacramento. 
Este tão santo c pio motivo moveu a Sua Santidade a conceder aos sobreditos 
missionários o conferir este sacramento aos que in articulo mortis acharem 
que o não tem recebido. Esta eraça concedida aos ditos missionários do Brazil 
no anuo de 1753, cm que me achei em Roma, a concedeo também Sua Santi- 
dade aos Missionários da Companhia de Jesus na índia e aos Dominicos nas 
Martinicas. 

O outro Breve he declarativo da exempção dos Seminaristas dos Seminá- 
rios da Companhia no Brazil, emquanto viverem em clausura com os mesmos 
Religiosos da Companhia e debaixo da obediência dos Reytores dos ditos Se- 
minários. Esta graça gozava já com posse immemoriavel no mesmo Brazil 
Seminário de Belém...)) 

2871—2873 

Officio do Provedor da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa, acerca 
de exportação de madeiras para Lisboa. 
Bahia, i3 de setembro de 1757. 
Tem annexos 2 documentos. 2874 — 2876 

Carta do Desembargador António Ferreira Gil (para Thomé Joaquim da 
Costa Corte Real), em que se refere ás irregularidades e desfalques 
commettidos por alguns funccionarios da Fazenda real, e á sua 
situação na Relação, ao tempo de serviço, etc. 

Bahia, i3 de setembro de 1757. 2877 

Officio do Desembargador Sebastião Francisco Manuel para Sebastião 
José de Carvalho e Mello, em que se refere á chegada da frota, á 
sua nomeação de Intendente geral interino, á suppressão da Mesa 
do Bem commum, á eleição de 2 novos Deputados á Mesa da In- 
specção, etc. 

Bahia, i3 de setembro de 1757. 2878 

Portaria do Vice-Rei Conde dos Arcos nomeando o Desembargador Se- 
bastião Francisco Manuel para exercer interinamente o logar de 
Intendente Geral do ouro, vago por fallecimento de Wenceslau Pe- 
reira da Silva. 

Bahia, 12 de agosto de 1757. 

Copia. [Annexo ao n. 28^8.) 2879 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, em que o informa de ter sido entregue ao Commandante da 
Náu S. António e Justiça Plácido Fernandes Maciel para o con- 
duzir, sob prisão, até Lisboa e alli dar entrada na cadeia do Li- 
moeiro. 

Bahia, 14 de setembro de 1757. 

Tem annexo o recibo do commandante. i^ e 2^ vias. 2880 — 2883 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello em que lhe participa ter sido enviada para Lisboa por Joaquim 
Ignacio da Cruz uma porção de tabaco cultivado no Districto da Villa 
de Cachoeira por André Moreno e por elle preparado a imitação do 
que se fabricava na Havana, fazendo algumas considerações sobre os 
preços do fabrico e do transporte. 

Bahia, 14 de setembro de 1757. 7^ e 2= vias. 



I 



2BS 

«...Pelo que affirma o mesmo Amird Moreno, nSo «c pode duvidar, que 

■Mim na icrruit como o clitnn lem o» iiuulítliuic» rcqiii/iia« pnrn o r«tabeteci- 
inciiti) dcHiii liihríca : hó po.lc ocorrer tluviíiii %c n prcco dn ytn lo Iara 

Cdiilti puni II cxtriicciKi |>clii ^^llulc ilillcrciiv'a que ta/ <> rciiditti' ' uco de 

corda lio de tolha, dc»oriequc hc ciiu-ti * - m lolha» qucpoiKi .-.tarpare 

fa/.cr 3 arroba* de labaco de corda, n, wi huiiin arroba do <]c follia • 

por oHtn ratho »c julga, que iifio diiiiiinn <i primeiro cumo de i6o<i r» por 

nrrobu, porêiit u este icupcim hc ficán t.«/ciid(< ma mui» «'Xacta* avcrígoaç/íct 
que couberem no pomiivel paru inteiro coiiliecimenio da verdade c com u que «e 
poder alcunhar renderei conin a V. Kx. *...)• 

2884-2885 

Opkicio do Vice-Rei Conde dos Arcos cm que participa a partida para Lis- 
boa da Náu S. António c Justi<^a, armada cm guerra, c terem n'clla 
embarcado, para rcforvo da guurni(;áo, u Tenente José da Costa Cou- 
tinhOy 37 soldados, 3 cabos, 2 sargentos e i tambor do regimento 
velho. 

Bahia, 14 de setembro de 1757. 2886 

«Mappa da carga, que n'esta cidade da Bahia se mcttcu na Náu da índia. 
Santo António e Justiça,, que cm i5 de setembro de ?) sahe deste 
porto para o de Lisboa, commandada pelo Capitão Isidoro de 
Moura.» 

Bahia, 14 de setembro de 1757. 

Mercadorias exportadas : tabaco, assucar, madeira, sola, couro, mel, fari- 
nha, pimenta e n leões. 

2887 

Duplicados dos n°» 2886 e 2887. 2»» vias. 2888—2889 

Okficio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, em que participa a installaçáo da Junta creada por 
carta regia de 27 de maio para superintender na arrecadação do Do- 
nativo para a reparação da Capital do Reino. 

Bahia, 14 de setembro de 1757. 

Tem annexos 2 documentos. 

«Tendo S. M. consideração a que o Donativo com que o serve este Estado 
para subsidio da reparação da Capital do Reyno deve ter a arrecadação prompta 
e as partes a que ella pertence, recurso expedito, foi servido por carta assinada 
pela sua Real mão em 27 de maio deste prezente anno crear hnma Junta com- 
posta de hum Prezidente em cujo lugar houve por bem nomear-me, de 2 Mi- 
nistros da Relação que me parecessem mais aptos para o dito efFeito, de outros 
2 ministros da Caza da Inspecção, sendo sempre hum delles togado e do Juiz 
de fora e Vereador que occupar o primeiro lugar na Gamara desta Cidade e 

3ue na dita Junta se decidirá por pluralidade de votos, sendo o meu de quali- 
ade nos cazos de empate, tudo que pertencer ao referido Donativo e suas 
dependências em todo o território desta Relaçam com plena jurisdição eivei e 
crime e recurso immediato á sua Real Pessoa nas matérias que forem graves e 
dignas da suprema providencia. 

Em execução desta Real determinação de S. M. aos 5 dias do mez de 
setembro foi creada a prcdicta Junta, para a qual elegi os 2 Desembargadores 
de aggravos mais antigos nesta Relação Francisco António Berqué da Silveira 
Feteira e Fernando José da Cunha Pereira: além destes foram convocados 
para a,ssistireni nelia o Desembargador Sebastião Francisco Manuel Prezidente 
da Meza da Inspecção e Lourenço da Sih>a A'í^í2 Deputado da mesma Meza, o 
Juiz de fora actual desta Cidade João Ferreira Bittancourt e Sá q António José 
de Sou ■^a Portugal, segundo vereador da Camará, que serve por impedimento 
do primeiro. 

Convocados estes Ministros tomarão os assentos, que entendi competia a 
cada hum delles pelas suas graduações e a formalidade com que lhe forão dis- 
tribuídos consta do asseiito, que se tomou da creação desta Junta, de que vay 



254 

a copia a fl. I ; delle se vê que logo foráo mettidos de posse e se lhe não deu 

juramento porque debaixo do que havião tomado em razão dos cargos e empre- 
gos, que actualiiTJiitc occupáo, se encarregasáo de cumprirem com as obrigações 
dos lugares para que novamente eráo eleitos. 

Depois de cri;ada esta Junta no dia 7 do mesmo mez fez a sua primeira 
sessão, em que se resolveo era necessário houvesse pessoa, que tomasse conta 
dos requerimentos, lançasse os despachos e puzesse em arrecadação os papeis ; 
por votos conformes foi eleito com o titulo de Secretario o doutor Francisco 
da Cnnlia Torres com premio de i5o:ooo rs. annuaes pela obrigação de escrever 
todos os despachos e papeis pertencentes ao exercício da mesma Junta, donde 
semelhantemente foi também eleito para continuo João Francisco de Oliveira 
com obrigação de asistir e preparar todo o precizo e necessário para as Juntas 
que se fizessem e estar prompto para todos os mais actos, que costumão exercer, 
os contínuos dos Tribunaes, donde servem, por cujo trabalho se lhe conferio o 
salário de 3o:ooo reis annuaes e de se haverem tomado estas determinações se 
m.andou fazer o assento de que remetto a copia a fls.» „ n 

^ ^ 2890 — 2892 

Carta particular do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Car- 
valho e Mello, de meros cumprimentos. 

Bahia, 14 de setembro de lySy. /=» e 2^ vias. 2898 — 2894 

Carta particular do Vice Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da 
Costa Corte Real, em que se refere á nomeação do Desembargador 
Thomaz Robi de Barros Barreto para o cargo de Chanceller da Rela- 
ção da Bahia e ao quanto ella lhe é agradável. 

Bahia, 14 de setembro de lySy. 2895 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real, em que lhe participa ter mandado entregar ao Com mandante 
da Náu S. António e Justiça, D. António José Henriques, que viera 
da índia sob prisão, com ordem de ser remettido para Lisboa. 

Bahia, 14 de setembro de lySy, 

Tem annexo o recibo do commandante da Nau. 2896 — 2897 

Officio do Provedor da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa para o 
Ministro da Marinha, em que lhe participa a partida para Lisboa da 
Náu Santo António e Justiça. 

Bahia, 14 de setembro de lySy. 

Tem annexos 4 documentos relativos a mesma náu e a direitos 
da Alfandega. 2898 — 2902 

Carta de António Cardoso Pissarro Vargas, sargento-mór do Regimento 
de Artilharia da Bahia (para Thomé Joaquim da C. Corte Real), em 
que lhe participa a sua chegada á Bahia e o informa acerca da disci- 
plina e armamento do seu regimento, referindo-se por ultimo a 2 
requerimentos em que pedia pagamento de soldos e que lhe fosse 
dada uma companhia, cujo commando se achava vago. 

Bahia, 14 de setembro de lySy. 

Tem amtexos 4 documentos e entre elles os referidos requeri- 
mentos e um mappa do Batalhão commandado pelo Tenente Gene- 
ral João da Rocha Rocha, i^ e 2^ \ias. 

2903 — 2910 

Carta particular de Pedro Leolino Mariz para Thomé Joaquim da C. 
Corte Real, de meros cumprimentos. 

Bom Succeso, 19 de setembro de 1757. 291 1 



258 

Carta de José Ximcnes para o Desembargador Francisco Marccilíno de 
Gouveia, sobre assumpto de interesse particular. 

Huhiu, 22 de setembro de 1737 2912 

C^.AKTA lio arcebispo áa Bahia D. Josd Botelho de Mattos para Sebastião 
h)Sii de Carvalho, remettendo-ihe a pastoral em que determinova 
i]ue se (izcsse uma procissão no dia da festa do «Patrocinio da 
virgem Maria Múe de Deus.» 

Bahin, 28 de setembro de 1757. 

Tem annexa a pastoral dataaa de 26 de agosto. 2913—2914 

Okficio do arcebispo Aa Rabia para o ministro do Ultramar, sobre a exe- 
cução que devia dar aos Breves apostólicos. 

Bahia, 8 de outubro de 1757. 2915 

Cari A do arcebispo da Bahia para o Ministro do Ultramar, cm que lhe 
di/ ter em toda a consideração o pedido que lhe dirigiu a favor do 
pe. Manoel Gonçalves Souto, Arcediago da Sé e Escrivão da Camará 
do Arcebispado. 

Bahia, 8 de outubro de 1757. 2916 

Okficio do Vice Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaijuim da C. Còrie 
Real, em que informa acerca do requerimento em que os Reli- 
giosos da Ordem de S. João de Deus pediam licença para acceitar 
qualquer pessoa que 'dispuzesse dos seus bens a favor do Hospital 
que tinham a seu cargo. 

Bahia, 8 de outubro de 1767. 

«Km carta de 2 de mayo do anno que corre, me aviza V. Ex" de ordem de 
S. M. que vendo a petição do Procurador Geral e mais Religiosos da Ordem de 
S. João de Deos da 1'rovincia deste Kstado, em que pretendem se lhe permitia 
o poderem acceitar alguma pessoa natural ou naturalizada neste Estado, que 
com a sua vocação e com a renuncia de seos bens a favor do Hospital, de que 
se achão encarregados, lhe tragáo as conveniências, de que a sua rpuita pobreza 
necessita, informe interpondo o meu parecer. 

Com beneplácito de S. M. e debaixo da sua Real protecção acceitaráo os 
Religiosos de S. Jofio de Deos hum novo Hospital, principiado a estabelecer na 
Villa da (Cachoeira, com condicçâo de que no dito Hospital não estarião mais 
de 5 Religiosos, nem cm diante se darião passaportes a outros sem certidão do 
fallecimento ou retirada de algum dos actuaes para esse Reyno. 

Achão-se prezentemente na Villa da Cachoeira 5 Religiosos, a saber o 
Prior, o Doador, hum Sacerdote e mais 2, hum destes veyo para o ministério 
da Botica e o outro para procurar o necessário para a religião; o que veyo 
para Boticário não tem exercido o seu ministério por duas razões, a primeira 
por haver experimentado algumas moléstias, que o precizáo a retirar na pre- 
zente frota para esse Reyno e a outra por não haverem os medicamentos e 
aprestos necessários para se compor a botica de forma, que podesse laborar e 
adquirir credito. 

As rendas que o fundador doou ao Hospital consistem em 4 mil cruzados, 
que devia a jurc>s o Capitão mór António Ferreira de Magaltiáes, sem mais 
segurança que a da simples hypotheca ou na realidade venda de huma sorte de 
terras, que ao depois veyo tomar de renda o mesmo vendedor e seos successores 
nos Engenhos, a que são contíguas; estas terras no tempo prezente tem muito 
diminuto valor e supposto que o actual possuidor do Engenho pague annual- 
mente 100:000 reis de renda, poderão em breve tempo reduzirem-se aos termos 
de pouco ou nada renderem, se o senhor do Engenho ou quem nelle vier a 
succeder, as largar e não quizer continuar na solução dos 100:000 reis ; são mais 
8000 cruzados, que pagão )uros em outra mão e 9 moradíis de cazas térreas fa- 
bricadas de adobes, que tendo todas alugadores o mais gue chegão a render 
annualmente he de 80 athe 90:000 reis ; estas taes cazas fabricou o doador em 
terras do mesmo Hospital e contíguas a elle. 



2S6 

O limitado rendimento deste pequeno e mal estabelecido património, que 
não pode chegar para a subsistência dos religiosos e dcspcza do curativo dos enfer- 
mos, faz com que seja precizo tirarem-sc esmolas na í>achoeira todas as sema- 
nas, como já de antes as tirava o administrador pelo Recôncavo, para cujo mi- 
nistério se necessitavão 2 religiosos, por não poder hum só acudir atirar ao 
mesmo tempo a csmolla do assucar, do tabaco, do arroz, farinha e o mais com 
que os fieis concorrem. 

No Hospital neccssita-se da actual assistência do Prior, do sacerdote e de 
2 religiosos para assistência da enfermaria, sendo porem hum destes boticário, 
que saiba a arte farmacêutica, que com zéio possa estabelecer huma botica com 
medicamentos e aprestos taes, que mereça o nome de boa; porque delia podem 
resultar consideráveis utilidades ao mesmo Hospital e aos enfermos que concor- 
rerem a c!le e a todos os moradores daquella Villa e dos seos subúrbios, extin- 
guindo-sc porem todas as boticas que ha na Villa da Cachoeira e huma legoa em 
circuito, o que seria muito fácil de conseguir sendo prezentes a S. M. os prejuí- 
zos e irreparável damno, que resulta aos' seos vassalos da inobservância da ley 
de 172c), em que se prohibe que nenhum boticário possa ser cyrurgião e aos 
cyrurgiões o venderem remédios. 

Na Villa da Cachoeira ha actualmente 3 ou 4 cyrurgiões com outras tantas 
boticas, que todas não compõem huma, que preste e os mesmos cyrurgiões não 
o são de profissão, nem boticários : em 5. Pedro da Moriíiba, que dista meya 
legoa da Cachoeira ha quasi outras tantas boticas, se nao peores, da mesma 
cathegoria ; e porque a utilidade destes chamados boticários consiste na mayor 
sahida dos medicamentos, como cada hum só receita para a sua botica, attende 
mais á utilidade que lhe resulta do mayor consumo uos seos remédios, do que 
a dos enfermos, a quem os applicão, pagando-se-lhes a seu arbitrio e pondo-os 
na precizao de lhe não poderem disputar os preços. 

Extinctas estas boticas, estabelecida huma capaz e administrada por hum 
religiozo bom professor, não só podem ser bem servidos os enfermos com os 
medicamentos, que lhe forem necessários, mas também ao publico he conve- 
niente c ao Hospital resultão grandes utilidades para a sua subsistência, conser- 
vação e augmento e concedentlo-se-lhe esta graça, que com mais hum religioso, 
além dos 5, que se lhe permitte, me parece será o que baste para poderem satis- 
fazer as suas obrigações e terem os ejifermos huma tão util, como necessária 
providencia.» 

2917 

Officio do Arcebispo da Bahia para o Ministro do Ultramar, em que se 
refere a uma pretenção das Religiosas do Convento da Conceição e 
Ursulinas. 

Bahia, 9 de outubro de lySy. [Sem importância.) 2918 

Carta do Arcebispo da Bahia para Thomd Joaquim da C. Corte Real, em 
que o informa dos motivos que o determinaram a não deferir o pe- 
dido de algumas religiosas que pretendiam ter ao seo serviço creadas 
particulares ea pretenção de alguns pães que desejavam metter suas 
íilhas como educandas no Convento da Conceição, e pedindo para 
serem mantidas as suas resoluções, embora os interessados recor- 
ressem d'ellas, como lhe constava. 

Bahia, 18 de outubro de lySy. 2919 

Informação do Arcebispo da Bahia, acerca de um requerimento de D. Ma- 
ritana Francisca dos Chagas, Irmã recolhida do convento de N. Se- 
nhora das Mercês da Bahia pedindo autorisação para fundar um 
Recolhimento na Capella de Nossa Senhora da Saúde da naesma Ci- 
dade. 

Bahia, 18 de outubro de lySy. 

Tem annexos 8 documentos e entre elles uma informação do 
Desembargador P= António Corrêa Maciel., cartas de D. Maritana 
das Chagas e Miguel da Silva Ribeiro, etc. 

«... A Capella (de N. S' da Saúde) foi instituída por Manoel Ramos Parente e 
sua mulher D. Barbara dos Reis e que por morte de ambos passasse á Irmandade 



I 



267 

I ^^"^^"^ 

du ilitu Senhora c cktii ii ilcicndctM de que nunca foMe frcguezia, nem con» 
vento lie rcligioHOH, o i|uc con»ia do humu dat verbai do icKtamcino doa 
UitoH imtiitiiiilorcK. 

l*or fui Icei mento do dito Manuel Rnnio» (içou n diin »ua mulher com a nUmi- 
nlHtrnçAo e eniii fez kco nrocurndor iio Cupitum liidoro Ijtjpei 1'erdiuáoo qual 
lic i]uc nuiliinicnlc fez ii t). Mariíana {-'nincikcu oircrccimcnto dn Cupclla e ferrai 
para fiintlaçáo do dito recolhimento com a obrif(ttv'am de lha aceitarem nelle aa 
HiniH lilhart, maH tudo ÍHto in ritce, «cm clnrezn alaumn, que lhe nAo podia dar 
o Kó com c»ta promcAitu reprczcniou n S. MaacHtndc a diiu I). Marítana que lhe 
fazia don(Ao da (^apeliu o senhorio d'clla...ii (l)oc' n. 'j<j-j5,) 

2920—2928 

Okkicio do Provedor mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa 
pnrn o Ministro do Ulirnmar, informando acerca áti arrematação 
dns lurínhas necessárias paru o fornecimento dos corpos da guar* 
niçúo niiliiur. 

Bahia, 4 de novembro de 1757. 

Tem annexos 6 documentos^ sendo um d'elles o auto d'arrema- 
taqào. 2929—2935 

Officjo do Vicc-Rci Conde dos Arcos para Thomé Joa<juim da C. Corte 
Real, cm que o informa do pânico {^eral que causara no Rio de Ja- 
neiro a chegada de uma esquadra tranceza, composta de 6 navios, 
ouc inesperadameiíie fundeara no porto, determinando uma altitude 
desconfiada c hostil da população. 

Bahia, 3 de novembro de 1757. 

Tem annexos 2j documentos e entre elles as copias de vários 
officios trocados entre o Vice Rei, o Governador interino do Rio de 
Janeiro José António Freire d' Andrade, o Commandante da Esqua- 
dra Conde de Ache, Capitão de mar e Guerra Manuel de Mendonça 
e Silva, etc, e o nMappa Geral dos 3 regimentos da guarnição do 
Rio de Janeiro.» [doe. n. 2(j(Joi. 2936 — 2963 

Okkicio do Provedor mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa 
para Thomé Joaquim da C. Corte Real, informando estar installada 
a caixa militar, destinada a guardar os descontos eífectuados nos soL 
dos para pagamento dos fardamentos. 

Bahia, i de dezembro de 1757. 

Tem annexos 5 documentos. 2964 — 2969 

Carta de Domingos da Costa e Almeida, para Thome' Joaquim da C. Corte 
Real, sobre assumpto de interesse particular. 

Bahia, 2 de dezembro de 1757. 2970 

Okkicio do Desembargador António Ferreira Gil, em que presta novas 
informações acerca da syndicancia a que estava procedendo nas 
contas da Fazenda Real, para averiguação dos desfalques commei- 
tidos. 

Bahia, 2 de dezembro de 1757. 

Tem annexos 24 documentos. 297! — 2995 

Okkicio do Desembargador António Ferreira Gil, em que participa estar 
procedendo á execução dos fiadores dos donativos e terças dos di- 
versos officios, obrigados a fiança. 

Bahia, 3 de dezembro de 1757. 

Tem annixo um documento. 2996 — 2997 



âsô 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 

Mello, em que novamente se refere á separação das Minas novas do 
Fanado do Governo da Bahia e a sua annexação á Comarca do Serro 
do Frio e Governo das Minas Geraes. 

Bahia, 5 de dezembro de ijSy. 

Tem annexos 2 documentos, i^ e 2^ vias. 2998 — 3oo3 

Officio do Arcebispo da Bahia, D. José Botelho de Mattos para o Ministro 
da Marinha, em que expòe algumas duvidas que lhe suscita a exe- 
cução de um Breve pontifício apresentado pelo Provedor e Irmãos 
da Mesa da Santa Casa da Mizericordia da Bahia, pelo qual seriam 
applicados ao seu Hospital os legados deixados a logares certos, 
egrejas e altares, que se não tivessem cumprido no tempo prefixo 
pela lei. 

Bahia, 5 de dezembro de ijSy. 

Tem annexas a copia de uma carta do Arcebispo para o Papa e 
a do referido breve^ ambos os documentos em latim. 8004 — 3oo6 

Officio do Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Souto maior, 
em que se refere ao processo instaurado pelo Capitão Mathias Fer- 
reira Guimarães contra Manuel Martins Netto, Francisco Alvares 
dos Santos e o Capitão de Dragões Ignacio da Luz. 
Bahia, 6 de dezembro de lySy. 
Tem annexo um documento. Booj — 3oo8 

Informação do Presidente da Mesa da Inspecção da Bahia, Sebastião PVan- 
cisco Manuel, acerca da devassa que se fizera para averiguação dos 
transgressores do Alvará de 5 de janeiro de lySõ, que fixava o preço 
máximo para a venda dos tabacos e dos assucares. 

Bahia, 6 de dezembro de 1757. 3009 

«Auto da devassa que mandou fazer o Dezembargador Sebastião Francisco 

Manuel, Presidente da Mesa da Inspecção para conhecer das pessoas 

que vendem assucar e tabaco n'esta Cidade por mais altos preços dos 

que S. M. estabeleceu e taxou a estes géneros.» 

Bahia, 9 de setembro de 1757. 

[Annexo ao n. 3oog). 3oio 

Officio do Intendente Geral Sebastião Francisco Manuel para Thomé 
Joaquim da Costa Corte Real, em que se refere á exploração do sali- 
tre na Serra dos Montes Altos junto as Minas do Fanado e do Ar- 
rayal do Tejuco. 

Bahia, 7 de dezembro de 1757. 3oii 

Officio do Intendente geral Sebastião Francisco Manuel para Sebastião 
José de Carvalho e Mello, informando acerca das trangressòes do 
Alvará de 25 de janeiro de 1755, que fixava os preços máximos da 
A enda dos tabacos e assucares. 

Bahia, 7 de dezembro de 1757. i^e2^vias. 3oi2 — 3oi3 

Officio do Desembargador António Ferreira Gil para o Ministro de Ultra- 
mar, em que lhe envia novas informações sobre os alcances de alguns 



260 

funcionários da Fnr.cnda c as execuçóet dai Bancas a que já ante- 
riores docuincntoH se referiram. 

Baliiíi, 7 tic dezembro Jc fjSj. 

Tem anncxos ff documentos. 3oi4 — 3o23 

Rki.atorio dirigido a Klrei I). Josc pelo Intendente geral interino Sebastião 
l''rancisco Manuel, em i|ue se refere á cobrança do imposto do 
quinto do ouro, ás Minas de Jacobina c do Cararis Novo (Òapiíania 
do Ceará grande, Governo de Pernambuco) c a varias providencias 
que alvitra a respeito das Intendências da sua jurisdicçáo. 

Bahia, y de dezembro de 1737. 3024 

Tkrmo da Junta convocada pelo Governador interino das Capitanias do Rio 
de Janeiro c Minas Cieracs para resolver sobre a cobrança do imposto 
do quinto, e o commercio do ouro e os extravios que se podiam 
dar por falta desolimâo para a preparação das barras. 

Villa Rica, de N."S.«do Pillar do Ouro Preto, i de julho de «jSj. 

Copia. (Annexo ao n. J0241. í025 

Certidão dos fundidores da Casa da Fundição de Villa Rica, declarando não 
ler dado rczuliado o emprego do sal ordinário na preparação e fundi- 
ção das barras de ouro. 

Villa Rica, 1 de )ulho de 1757. 

Copia. [Annexa ao n. 3024.) 3o26 

Carta do Intendente geral Sebastião Francisco Manuel para o Capitão 
Mor Romão Gramacho Falcão, em que lhe pede para o informar 
acerca da exploração da nova Mina de ouro da Serra do Palmar, (na 
Jacobina) e dos rczultados colhidos. 

Bahia, 2 de setembro de 1757 

Copia. [Annexa ao n. 3024). 3027 

Carta do Capitão Mor Romão Gramaxo Falcão em resposta á carta ante- 
cedente 

Jacobina, 18 de setembro de 1757. 

Copia. [Annexo ao n. 3024.) 3o28 

Carta do Intendente Geral do ouro Sebastião Francisco Manuel para o 
Ouvidor da Comarca de Jacobina dr. Joaquim José de Andrade, em 
que lhe pede informações sobre a mina de ouro a que se referem os 
documentos anteriores. 

Bahia, 2 de setembro de 1 757. 

Copia. [Annexa ao n. 3o24). 3029 

«Mappa do rendimento que deram as Minas de Santo António da Jacobina 
a S. M. do quinto do ouro que pagaram desde o mez de setembro de 
1756 até ao mez de setembro de 1757.» 

Copia. 26 de setembro de 1757. [Annexo ao n. 3o24). 3o3o 

«Certidão dos officios e occupações que ha na Casa da Fundição de Jaco- 
bina e dos vencimentos do respectivo pessoal.» 
Bahia, 26 de novembro de 1757. 
Annexa ao n. 3 024 3o3i 



260 

Okficio do Intendente Geral interino Sebastião Francisco Manuel para o 
Vice-Rei, em que o informa da despeza feita com o pessoal da Casa 
da Fundição de Jacobina. 

Bahia, 22 de novembro de 1757. 

Copia. [Annexa ao n. 3o24]. 3o32 

Officio do Intendente geral Sebastião Francisco Manuel para o Vice-Rei, 
em que declara não ser necessário ter 2 intendentes nas Minas de 
Jacobina, indicando qual deveria ficar. 

Bahia, 22 de novembro de 1757. 

Copia. [Annexa aò n. 3024.) 3o33 

Certidão da despeza effectuada com os ordenados dos ofificiaes da Casa da 
Fundição de Jacobina, desde a sua fundação até setembro de 1757. 
Bahia, 5 de dezembro de 1757. 
(Annexo ao n. 3024.) 3o34 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da C. Corte 
Real, em que se refere á prisão do advogado Pedro Nolasco P^er- 
reira Peres, accusado de andar a angariar assignaturas para um 
protesto sedicioso contra o pagamento do^ Donativo para as obras da 
reediíicação de Lisboa. 

Bahia, 9 de dezembro de 1737. 1^ e 2^ vias. 3o35 — 3o36 

Recibo do Commandante da Náu de guerra N. S^ das Brotas, António de 
Brito Freire, em que declara que o Juiz de Fora conduzira a bordo, 
sob prisão, o advogado Pedro Nolasco Ferreira Peres, para ser en- 
tregue em Lisboa a ordem de Elrei. 

Bahia, 19 de dezembro de 1757. 

[Annexo ao tt. 3o36.) 3o37 

Officio do Desembargador Sebastião Francisco Manuel para o Vice-Rei, 
enviando-lhe o seguinte auto de devassa, sobre o qual dá o seu pa- 
recer. 

Bahia, 18 de novembro de 1757. 

(Antiexo ao n. 3o36.) 3o38 

Auto de devassa que mandou fazer o Dezembargador Sebastião Francisco 
Manuel, para averiguação dos factos de que era accusado o advogado 
Pedro Nolasco Ferreira Peres e a que se referem os documentos an- 
cedentes. 

Bahia, 3 de novembro de 1757. 

(Ajinexo ao n. 3o38). 3o39 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joquim da C. Corte 
Real, em que participa ter chegado á Bahia em 3 de agosto o novo 
Governador das Ilhas de S. Thomé e do Príncipe, Luiz Henriques 
da Motta e Mello, mas que por falta de embarcação so poderá partir 
para o seu governo em 24 de novembro. 

Bahia, 9 de dezembro de 1757. 3040 

Officio do Intendente Geral interino Sebastião Francisco Manuel para 
o Ministro do Ultramar, informando acerca de certas condições 
que se pretendia impor a navegação paTa a Costa da Mina e da 



261 

impossihiliclniic de tixar o preço da compra dos escravos que alli 

crat)uuli|iii[it.i()s a trocodc rolos de tabaco câncore/<ijr de uauardcnic. 

Hahiu, IO de agosto de 1757. /* e 2* vias. 3041—3042 

Oi'Kicio do Intendente ucral Sebasiióo Francisco Mnniicl para Thomé Joa- 
quim lia (lostn (.òrie Keal, cm que informa acerca do carregamento 
e pariida dos naviosda l''rota. 

liuhiu, KJ de dezembro de 1757. (/■ e 2" viaj. 3043 — 3044 

OiKicio do Intendente geral Sebastióo Francisco Manuel para Sebastião 
José de Carvalbo e Mello, em que se refere ás descobertas de ouro 
feita pelo Capitão mor Romão Gramacbo Falcão e ao rezuliado da 
analyse das amostras para Lisboa. 

Bahia, iode dezembro de 1757. 3045 

Carta do Intendente geral Sebastião Francisco Manuel para o Capitão mór 
Romão Gramaclio Falcão, cm que lhe pede informações das suas ex- 
plorações de ouro e o anima a proseguir n'ellas com toda a actividade. 

Hahia, 2 de setembro de 1757. 

Copia. \Annexo ao ti. 3 o 45). 3046 

Carta do Capitão Mór Romão Gramacho Falcão para Sebastião Francisco 
Manuel cm respostas á carta antecedente. 
Jacobina, 18 de setembro de 1737. 
Copia. (Annexa ao n. 3 o 45). 3047 

Okkicio dt)Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomc Joaquim da C. Corte 
Real, em que lhe communica certas resoluções tomadas na Capita- 
nia de Minas Geraes para evitar os descaminhos do ouro. 

Bahia, 1 1 de dezembro de 1757. 

Tem annexos 5 documentos. 3048 — 3o53 

Officio do Vice-Conde dos Arcos para oMinistro da Marinha e Ultramar, 
em que lhe participa ter sido queimado o casco da Nau S. Fran- 
cisco Xaxier e Todo o Bem depois da vistoria a que procedera o 
Cap'tão de Mar e Guerra e Commandante da Frota António de Brito 
Freire. 

Bahia, 1 1 de dezembro de 1757. 

Tem annexo 5 documentos. 3o54 — 3o59 

Officio do Desembargador António Ferreira Gil, no qual presta novas in- 
formações sobre a syndicancia a que estava procedendo nas contas 
da Fazenda Real. 

Bahia, 12 de dezembro de 1757. 

Tem annexos 22 documentos e entre elles as contas de diversos 
Thesoureiros e as copias de vários diplomas régios regulando o as- 
sumpto. 3o6o — 3082 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, em que lhe participa o motivo que retardava a chegada á 
Bahia do novo Chanceller da Relação, o Desembargador Thomaz 
Robi de Barros Barreto e íicar adiada a partida para o Reino do ex- 
Chanceller Manuel António da Cunha Sottomayor. 

Bahia, 12 de dezembro de 1757. 3o83 



262 

Cartas (2) do Desembargador Thomaz Robi de Barros Barreto para o Vice 
Rei em que lhe participa ter recebido communicação de estar nome- 
ado Chanceller da Relação e informando-o que, por causa da sua 
commissão nas explorações do salitre na Serra dos Montes Altos, 
náo podia immediatamente recolher á Bahia. 
Tejuco, 2 I e 3o de setembro lySy. 
Copia. (Annexas ao n. 'ioSS). 3084 — 3o85 

Duplicados dos n^^ 3o83 a 3o85. 2^ via. 3o86^— 3o88 

Officio do Desembargador Sebastião Francisco Manuel para Thomé Joa- 
quim da C. Corte Real, em que se refere a uma petição dos mora- 
dores do Rio das Contas da Capitania de S. Jorge dos Ilhéos, soli- 
citando que se fizesse á sua custa a medição e demarcação dos ter- 
renos pertencentes aos Padres da Companhia de Jesus. 

Bahia, 12 de dezembro de 1757. 3089 

Officio da Meza da Inspecção para Thomé Joaquim da C. Córte Real, 
em que se refere ao dinheiro do Donativo, destinado á reedificação 
de Lisboa. 

Bahia, i3 de dezembro de 1757. 

E' assignado pelo Intendente geral Sebastião Francisco Manuel^ 
André de Brito de Castro, Diogo Alvares Campos, Lourenço da 
Silva Ni{a e Fructuoso Vicente Vianna. 3090 

OFFiciodoIntendentegeral interino Sebastião Francisco Manuel para Sebas- 
tião José de Carvalho e Mello, em que se refere ás descobertas do 
Capitão Mór Romão Gramacho Falcão e ás explorações das minas 
de salitre por Mannel Dias Mascarenhas e á communicação de João 
da Silva Guimarães de haver encontrado as minas de prata desco- 
bertas pelo "celebrado Moribeca". 

Bahia, 14 de dezembro de 1757. 3091 

Officio de Sebastião Francisco Manuel para Sebastião José Carvalho e 
Mello, remettendo-lhe novas informações que havia recebido de 
Jacobina, acerca das descobertas de ouro pelo Capitão mór Romão 
Gramacho Falcão. 

Bahia, 14 de dezembro de 1757. 3092 

Officio do Ouvidor da Comarca de Jacobina Joaquim José de Andrade para 
o Intendente Geral do ouro, em que lhe dá as informações a que se 
refere o documento anterior. 

Jacobina, 24 de novembro de 1757. 

Copia. (Annexo aon. 3og2.) Zo^Z 

Officio do Intendente geral Sebastião Francisco Manuel para Sebastião 
José de Carvalho e Mello, em que se refere á arbitraria Jurisdicção 
que pretendia ter sobre a Mesa da Inspecção e sobre o commercio 
e navegação que se fazia para a Costa da Mina, 

Bahia, 14 de dezembro de 1757. 

Tem annexos 2 documentos. 3094 — 3096 

Carta do ex-Chanceller da Relação Manuel António da Cunha Sotto- 
mayor para Thomé Joaquim da C. Corte Real, queixando-se de 



263 

nâo poder regressarão Reino por nno haver ainda chegado á Bahia 

o seu successor. o Dcscmburutulor Thomaz Rubi de Barros Barreto. 

Bahia, 14 de dezembro ae lySy. 3097 

Informação da Mesa da Inspecção dirigida a EIrei D. José, sobre o carrega- 
mento e partida dos navios da írota c os requerimentos de Luiz 
Henriques iia MottoeLuiz Coelho Ferreira, a que se referem os 
documentos seguintes. 

Hahia, 14 de dezembro de 1757. 3098 

Rkquicrimknto do Governador das Ilhas de S. Thomé c Príncipe Luiz Hen- 
riques da Motta, pedindo licença uo Vicc-Rei, para o Capitão Do- 
mingos Alvares Branco (com quem havia contratado o seu transporte 
para a Ilha do Príncipe) poder carregar tabaco para negocio nos 
portos d'Africa. 

Copia. (Annexo ao n. 3ogS.) 3099 

Reqiiicuimknto do mesmo Governador Luiz Henriques da Motta, pedindo 
a Mesa da Inspecção á licença a que se refere o documento anterior. 
Copia. {Atniexo ao n. 3o()S.] 
Insere o despacho favorável da Mesa da Inspecção. 3 100 

Rkqvkrimknto de Luiz Coelho Ferreira, proprietário do navio Sr. do 
Bomjim, S. Pedro c Santo António., pedindo ao Vice-Rci licença para 
carregar assacar para a nova Colónia do Sacramento. 
Copia, i Annexo ao n. 3op<S'.) ♦ 

Insere a informação desfavorável da Mesa da Inspecção. 3ioi 

Alvará pelo qual o Vice-Rei D. Marcos Noronha houve por bem conceder 
licença ao capitão Domingos Alvares Branco para «cultivar a nego- 
ciação da Costa da Mina e a poder carregar na forma da provisão 
regia de 3o de março de 1756». 

Bahia, 2 de setembro de 1757. 

Copia [Annexo ao n. "iogS.) 3 102 

Duplicados dos ns. 3098 a 3 102. 2»» vias. 3io3 — 3107 

Officio do Intendente geral Sebastião Francisco Manoel, remettendo as 
informações que recebera do Intendente da Casa da Fundição de Ja- 
cobina Luiz Távora Preto, sobre o rendimento que produzira alli o 
imposto do quinto no anno de 1756. 
Bahia, 1 5 de dezembro de 1757. 
Tem annexo um documento. 3io8 — 3109 

Carta de António José de Souza Portugal para Sebastião José de Carvalho 
e Mello, em que lhe pede para proteger duas irmãs que estavam 
recolhidas em um convento de Moura, no Alerntejo, e que tinham 
ficado desamparadas depois do fallecimento de seu pae o coronel 
Manoel Domingues Portugal. 

Bahia, i5 de dezembro de 1757. 3iio 

Officio do Desembargador António Ferreira Gil para o Ministro do Ul- 
tramar, em que lhe dá novas informações sobre a cobrança, a 
que estava procedendo, das dividas á Fazenda Real, referindo-se 



264 

especialmente á divida do faliecido thesoureiro geral Ambrósio Al- 
varez Pereira. 

i^ahia, i5 de dezembro de lySy- 

Tem annexos sete documentos. 3i 1 1 — 3i i8 

Carta particular do Vice-Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de 
Carvalho, de meros cumprimentos. 

Bahia, i6 de dezembro de lySy. Siig 

Officio do Provedor Mór Manuel de Mattos Pegado Serpa para o Ministro 
do Ultramar, em que lhe communica ter arribado á Bahia com agua 
aberta o navio hespanhol N. S^. da Conceição^ sob o commando do 
capitão Nicolau dei Baylle e as diligencias que este facto deter- 
minara. 

Bahia, i6 de dezembro de lySy. 

Tem annexos 14 documentos e entre elles os requerimentos do 
capitão Baylle pedindo licença para desembarcar pessoal de bordo 
e passageiros^ para proceder á reparação das avarias, etc. e um 
outro de D. Nicolau Cani-{ares ^Governador da Provinda de Ca- 
rangas no Peru», pedindo para residir na Bahia, e sua familia, 
até d partida do navio. 3 1 20 — 3 1 34 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real, no qual informa acerca de um requerimento de D. Anna Ri- 
beiro, viuvado commerciante da Bahia Alexandre Clavetto, pedindo 
que seu uni«o filho, o Padre D. Alexandre Clavetto, Religioso da 
ordem de N. S^. do Carmo, não fosse obrigado a sahir da Bahia por 
ser o seu único amparo e delle precisar para tratar os importantes ne- 
gócios da herança de seu marido. 

Bahia, 16 de dezembro de ijSj. 

Tem annexos i3 documentos e entre elles requerimentos, attes- 
tados, sentenças de justificação a favor do P^. Alexandre Cla- 
vetto, etc. 3i35 — 3148 

Duplicado do n. 3i35. 2=» via. 

Tem annexo apenas um documento. 3 1 49 — 3 1 5o 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, em que relata minuciosamente as questões constante- 
mente suscitadas entre o Provedor Mór da Fazenda, Manoel de 
Mattos Pegado Serpa e o Desembargador António Ferreira Gil, por 
causa da commissão de serviço que este estava desempenhando na co- 
brança das dividas á Pazenda e na syndicancia ás contas de vários 
funccionarios. 

Bahia, 16 de dezembro de lySy. 

Tem annexos 4g documentos comprehendendo copias de diversos 
officios, de diplomas régios determinando a jurisdicção do Pro- 
curador Mór e do Desembargador sindicante, etc. 3i5i — 32oo 

Officio do Provedor Mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa para 
o Ministro do Ultramar, sobre o mesmo assumpto a que se referem 
os documentos antecedentes. 

Bahia, 16 de dezembro de 1757. 

Tem anjiexos 7 documentos. 32oi — 32o8 



I 



266 

Ofkicio do I^rovedor M(')r dn Fazenda para o Míníitro do Ultramar, cm 
que participa a remessa de uma grande quantidade de madeiras para 
o Reino. 

Bnhia, i6 de dezembro de 1757. 

Jcni annexos (io documentos c entre elles a relação das madeiras 
exportadas c os conhecimentos, assignados pelos capitães dos 
navios. 22<Hj — 3268 

Oi'i-i(:io do Vicc-Rei Conde dos Arcos para Thomd Joaquim da Costa Córtc 
Real, em que o informa da exportação de madeiras para Lisboa, 
destinadas ú construcçáo dos navios. 
Hahia, 17 de dezembro de 1757. 
Tem annexas 2 relações das madeiras embarcadas. 3269—3271 

Oi iicio do Intendente geral e Presidente da mesa da inspecção Sebastião 
Francisco Manoel para Thomd Joaquim da C. Corte Real, em 
que o informa das difficuldadcs que tinham surgido no carrega- 
mento dos navios da trota e retardado a sua partida para o Reino. 
Bahia, 17 de dezembro de 1737. /" 2^ e 3'^ vias. 3272 — 3274 

OiKicio do Vicc-Rci Conde dos Arcos para Sebastião José Carvalho e 
Mello, cm que lhe dá interessantes informações sobre a cultura ediffe- 
rentcs processos de preparação do tabaco experimentados na Ca- 
choeira e na Moritiba c as quantidades de tabaco enviadas para 
Lisboa pelos diversos cultivadores, como amostras dos seus pro- 
ductos. • 

Bahia, 17 de dezembro de 1757. 

Tem annexa a relaqã>^ especijicada das remessas dos tabacos. 
/a e 2* vias. 

«Em carta de 14 de setembro... disse a V. E\.' o estado, em que ficava o 
novo projecto do tabaco, que aqui se tinha mandado tabricar ; depois da partida 
da mesma Nau se entrou a fazer huma exacta averiguação do seu rendimento 
a respeito do que aqui se fabrica de corda e pareceo que he mui pouca a dimi- 
nuição que tem o de folha; com este desengano se animarão mais os homens a 
continuar o novo fabrico sem embargo de alguns embaraços... O preço porque 
SC ajustou o tabaco desta remessa he o de ooo reis hum por outro, posto na Villa 
da Cachoeira por conta do lavrador, ficando a conducçáo delle para esta Cidade 
e o'enfardallo por conta dos compradores. 

Além desta quantia ((^88 arrobas) vão mais i5 barricas com 903 arrobas c 7 
libras de tabaco em manocas, fabricado por hum lavrador ao uzo de Mariiand, 
em que faz toda a esperança de que seja o mais bem aceito e de mais prompto 
consumo, cujo preço por convenção feita entre o lavrador e Joaquim Ignacio da 
Crus, ficou no de 14 tostões por arroba. 

Va) mais hum caixão com 6 arrobas de tabaco em garrotes fabricado por 
hum Francc^, que vive no sitio da Moritiba, o qual dá esperanças, que das 
suas folhas se poderá fazer hum perfeito rapé : vay mais huma arroba de tabaco 
em pó, que se fes de folhas secas ao sol, por dizer o novo fabricante, que da- 
quella mesma sorte se trabalhava na Abana o tabaco que se remete para Espa- 
nha, a que se dá a cór que costuma ter o tabaco castelhano. 

Ultimamente vão mais 2 caixões com 10 arrobas e 24 libras de tabaco de 
manojos, feito á imitação do que se fabrica no Marinháo, porem este tabaco se 
pagou a 2 mil reis por arroba, mas dizem os lavradores que o não farão por 
menos de 3 mil reis por arroba pela impertinência que tem no modo de se fa- 
bricar. O fabricante que veyo para estabelecer este methodo se satísfas muito 
das terras, porque a maior parte delias lhe dezempenhão a expectação : a diffi- 
culdade que encontra para se por em pratica esta lavoura, não he outra mais 
do que a construcção das cazas e o dispor os ânimos dos lavradores para se 
não cegarem da dezordenada ambição de reduzirem a beneficio toda a casta de 
folhase pelo que pertence ao trabalho julga que he o mesmo que o que costuma 

causar o tabaco de corda...» 1^ í 1^ o 

Í27D — 3270 



266 

Okkicio do Vice-Rci Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello em que se refere á suspensão do Desembargador João Eliseu de 
e a sua partida para Lisboa a bordo no navio Nogueira Grande. 

Bahia, i8 de dezembro de lySy. i^ e 2^ vias. 3279—3280 

Officio do Intendente e Presidente da Mesa da Inspecção para Thomé 
Joaquim da C. Corte Real, em que dá certas informações sobre a ex- 
ecução dos alvarás de ?g de novembro de 1753 e de 25 de janeiro de 
1755, que regulavam o caregamento dos navios das frotas. 

Bahia, 18 de dezembro de 1757. i^ e 2^ vias. 3281 — 3282 

Carta particular do Arcebispo da Bahia, D. José Botelho de Mattos para o 
Ministro do Ultramar , Thomé Joaquim da Costa Corte Real. 
Bahia, 18 de dezembro de 1737. 
Tem annexo wn documento. 3283 — 3284 

Carta do Provedor Morda Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa para 
Thomé Joaquim da da C. Corte Real, sobre assumpto de interesse 
particular. 

Bahia, 18 de dezembro de 1737. 3285 

Officio do Intendente e Presidente da Mesa da Inspecção Sebastião Fran- 
cisco Manuel para Sebastião José de Carvalho e Mello, sobre o mesmo 
assumpto a que se referem os doc.°s n.°s 3281 e 3282. 

Bahia, 18 de dezembro de 1737. 3286 

Carta particular de Sebastião Francisco Manuel para Sebastião José de 
Carvalho e Mello. 

Bahia, 18 de dezembro de 1757. 3287 

Officio do Desembargador António Ferreira Gil, em que relata minucio- 
samente as diligencias que fizera na syndicancia ás contas dos diver- 
sos funcionários da Fazenda Real, referindo-se especialmente ás 
dos Thesoureiros Barnabé Cardoso Ribeiro e Ambrósio Alvares Pe- 
reira. 

Bahia, 18 de dezembro de 1757. 

Tem annexos 23 documentos. 3288 — 33o3 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da C. Corte 
Real, em que o informa das grandes quantidades de tabaco expor- 
tadas para o Reino e para a Costa da Mina. 
Bahia, 19 de dezembro de 1757. 
Tem annexas as respectivas relações, i^e 2^ vias. 33o4 — 33o8 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Sebastião José de Carvalho e 
Mello, cm que o informa de vários incidentes succedidos com o car- 
regamento dos navios da frota e que haviam retardado a sua partida. 
Bahia, 19 de dezembro de 1757. \^ 2^^ e 3^ vias. 33o9 — 33ii 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da C. Corte 
Real em que se refere á suspensão do Patrão Mor da Ribeira da Ba- 
hia, António de Araújo dos Santos e o seu embarque para o Reino, a 
bordo do navio Santa Rosa. 

Bahia, 19 de dezembro de 1757. 33i2 



267 

Okkicio do Vice Rei Conde dos Arcos para Thomd Joaquim do Costa Côrtc 
Kcjtl, Lin ijiic se refere us comas, ^llarnil;úo e carregaineoio da nova 
Náu N. Senhora da Caridade, S. Francisco de Paula c Santo Att' 
tonto cun&truida no estaleiro du Huhiu e de uue fora nomeado com- 
mandanteo Capitão renenie Ignacio Lopes Figueira. 

Hahin, mj de dezembro de ijSy. 32»3 

Oii icio do Vice Hei Conde dos Arcos para Tliomé Joaquim da C, Córtc 
Heal, em que participa o lant,amento ao mar da nova Náu N. 6'." da 
Caridade^ S. Francisco de Paula e Santo António, em 28 de setembro 
relerindo^se também as dcspezas eflcctuadas com a sua contrucção 
ao embarque da tripulação e ao commandantc nomeado o Capitáo- 
tenenie Ignacio I.opes Figueira, etc. 

Bailia, 19 de dezembro de 2jby. 

Tem annexos 4 documentos e entre elles a conta ^eral de toda 
a despega feita comanáu que montou a 6f).5'i6$u48 reis. 33i4— 33i8 

Duplicado do n. 33 14. a" via. 33:9 

Carta particular do Desembargador António Ferreira Gil (para Thomé J. 
C Còric Real), em que se refere especialmente á syndicancia, que 
estava fazendo ás contas de alguns Thesoureiros e almoxarifes da 
Fazenda Real. 

Bahia 19 de dezembro de 1757. 3320 

Okficio do Arcebispo da Bahia para Thomé Joaquim da C. Corte Real. em 
que lhe dá informações desfavoráveis dos Padres D. António Rodri- 

S;ues da Silva, Religioso de Santa Thereza tranzitado para Santo 
íspirito de P^rança, D. António da Costa Santa Barbara, tranzitado 
dos Capuchos de S. Francisco para S. Bento de França, D. Theodo- 
sio Manuel de Lima e D. Alexandre Claveio, e lhe participa que o 
dois primeiros eram enviados para Lisboasob prisão. 

Bahia, 19 de dezembro de 1757. 332i 

Declaração do Commandante da GaXQvia. Jesus Maria José e Sant'Anna, 
António da Graça Corrêa Galego, de haver recebido a bordo, sob 
prisão o Padre D. António da Costa da Santa Barbara, para ser en- 
tregue em Lisboa á ordem do Ministro do Ultramar. 
Bahia, 18 de dezembro de 1737. 
{Annexa ao n. 332 1.) 3322 

Declaração do Commandante da Fragata N. S^. da Caridade, S. Francisco 
de Paula e Santo António., Ignacio Lopes Figueira, de haver rece- 
bido a bordo, sob prisão e para ser conduzido a Lisboa, o Padre 
D. António Rodrigues da Silva. 

Bahia, 18 de dezembro de 1707. 

(Annexa ao n. 332 1 .) 3323 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, em que transmiite as informações que recebera do Ou- 
vidor da Ilha de S. Thomé, queixando-se da insubordinação em que 
encontrara os moradores da Ilha do Príncipe e dos aggravos que lhe 
fizeram, 

Bahia, 20 de dezembro de 1737. 



268 

Tem annexa a copia das informações do Ouvidor . i ^ e 2^' 
vias. 3324 — 3327 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, em que lhe participa a partida da frota e lhe remette o 
mappa dos navios que a compunham e da carga respectiva. 

Bahia, 20 de dezembro de lySy. 

AJrota compunha-se de 2 naus de guerra e 33 navios mer- 
cantes. 3328 

«Mappa geral da carga que levão os navios de que se compõe a Frota da Bahia, 
que na monção de 19 de dezembro deste prezente anno de 1767 vão 
comboyados pela Capitania de A^. S". das Brotas de que he com- 
mandandante António de Brito Freire e leva em os cofres .... em ouro 
746:o55S942 rs. e em prata 239 marcos, 7 onças, 4 oitavas e 5o88 
pezos e meio.» 

Bahia, 19 de dezembro de 1757. (Annexo ao n. 3328.) 
Contém os nomes dos navios e dos respectivos commandantes e 
a designação especificada de cada um. Mercadorias exportadas : 
assucar., tabaco., sola^ atanados., couros em cabello, madeira, fa- 
rinha mel, aceite de peixe., etc. 3329 

Duplicados dos ns. 3328 e 3329. 2^ vias. 333o — 333i 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos, para Sebastião José de Carvalho e 
Mello em que lhe participa a partida da frota e envia a copia do 
mappa antecedente. 

Bahia, 20 de dezembro de 1757. 3332 — 3333 

Officio do Intendente geral Sebastião Francisco Manoel para Thomé Joa- 
quim da Costa Corte Real, em que lhe dá_informaçóo sobre a par- 
tida da frota. 

Bahia, 20 de desembro de 1737. 3334 

Officio do Provedor Mór da Fazenda Manoel de Mattos Pegado Serpa para 
o Ministro do Ultramar, informando-o acerca das madeiras enviadas 
para o Reino nos navios da frota, que partia naquella monção. 

Bahia, 20 de dezembro de 1757. 

Tem annexo 7 documentos, i^ e 2^ vias. 3335 — 335o 

DuppLiCADOs dos ns. 3332 e 3333. 2^ via. 335i — 3352 

Officio do Provedor Mór da Fazenda, Manoel de Mattos Pegado Serpa 
para o Ministro de Ultramar, informando acerca da destruição da 
Náu 6'. Fraticisco Xavier e Todo o Bem, cujo casco fora mandado 
queimar, por se achar incapaz para a navegação. 

Bahia, 20 de dezembro de 1727. 

Tem annexos 12 documentos e entre elles as copias da correspon- 
dência trocada entre o Vice-Rei, o Provedor da Fazenda e o Com- 
mandante na Frota António Brito Freire, auto de vistoria relações 
de mater iaes aproveitáveis, etc. 3353 — 3365 

Officio do Provedor Mór da Fazenda Manuel de Mattos Pegado Serpa, 
para o Ministro do Ultramar, remmettendo as contas de todas as 



I 



269 

dcspczas que se fizeram com n nova Náu Nossa S'. da (laridadc, S. 
/''ríiiicisio de Paula e Santo Aittoiíio, cuiiHtruiJu na Kibcira du Huliía. 

Hahiii, 20 de dezembro ilc 1757. 

Icm anncxo O documentos. 3366—3372 

OiFicio do Desembargador António Ferreira Gil para Thomd Joaquim da 
(^)sta (^Vte Real, enviando mais informavóes sobre os alcances dos 
Tiiesoureiros e Almoxarites da Fazenda Kcal e as execuções dai 
Hanvas. 

Habia, s. d. dezembro de 1737. 

Tem annexos 5 documentos. 33y3 — 3378 

Extractos de vários oí)icios e cartas do Arcebispo da Bahia, do Chanccller, 
do Saruento M()r António Cardoso Pisarro do Governador da Ilha 
de S. 'I home Luiz Henriques da Motta e Mello, do Desembargador 
António Ferreira Gil, de Pedro Leolino Mariz, de António Brito 
Freire, ele. 

Varias datas. ij^j. 3379 

Extractos de diversos oílicioí do Desembargador António Ferreira Gil, em 
que dava conta ao Ministro de Ultramar Ihomé Joaquim da Costa 
Corte Kcal das investigações a que estava procedendo nos alcances 
dos Thcsoureiros e Almoxarifes da Fazenda Real. 

Varias datas. ijSj. 338o 

Okkicio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, acerca do provimento do logar de Feitor da Fortaleza 
de Ajuda, vago por tallecimenio de Luiz Coelhode Brito e interi- 
namente exercido por Thcodosio Rodrigues da Costa, o qual, pelo 
seu precário estado de saúde era forçoso substituir, visto não ter no- 
ticia da chegada de Félix José de Gouvêa, que lhe constava ter sido 
nomeado para exercer o referido logar. 

Bahia, 5 de janeiro de lySS. 338i 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para o Ministro da Marinha e 
Ultramar, communicando-lhe ter recebido noticias dos navios da 
frota, que partira em 20 de dezembro, por um navio que os havia 
encontrado no alto mar. 

Bahia, 6 de janeiro de 1758. 3382 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, remettendo-lhc o mappa seguinte. 

Bahia, 6 de janeiro de 17Õ8. 3383 

«Mappa da carga que leva a Corveta Nossa Senhora da Conceição Santo 
Aníonio e Almas, que cm j de janeiro de 1758 sahe deste porto da 
Bahia para o de Lisboa, de que he mestre João Ferreira.» 

[Annexa ao n. 3383.) A carga compunha-se de assucar^ tabaco., 
sola e madeira. 3384 

Officio do Vice Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa 
Corte Real, em que parficipa ter recebido correspondência do Go- 
vernador interino do Rio de Janeiro, José António Freire de An- 
drade e do mestre de Campo General Gomes Freire de Andrade, com 



270 

a nota de urgente e que o forçara a fretar uma embarcação para 
expressamente a levar a Lisboa com a possível brevidade, relatando 
as duvidas suscitadas pela Mesa da Inspecção acerca da carga que 
esse navio devia transportar, 

Bahia, 6 de janeiro de lySS. 

Tem annexos 9 documentos e entre elles varias informações 
da Mesa da Inspecção, a copia do Alvará de 2 5 de Janeiro de 
IJÒ5 regulando a partida e carregamento das frotas do Brasil e 
a competência das Me:[as de Inspecção, o alvará impresso] de 
2g de novembro de i j53, determinando as providencias neces- 
sárias para obstar as transgressões das disposições do Regimento 
da Alfandega do tabaco de 16 de janeiro de i'jSi, etc. 

«Eu Elrey faço saber aos que este Alvará de Ley virem, que entre as provi- 
dencias, que em beneficio da navegação e do Commercio, que os meus Vassallos 
fazem para o Estado do Brasil, fuy servido dar no Novo Regimento da Alfan- 
dega do Tabaco, escrito na Cidade de Lisboa a 16 de janeiro de i~jbi, são as 
que se contem nos gg 1°, 2°, 3°, e 4° do Capitulo 7 cujo theor he o seguinte. Pa- 
ragrafo primeiro. «Por me ser presente que os fretes do Brasil para este Reyno por 
hum abuso contrario á razão e ao interesse do Commercio se encarrecerão em 
repetidas occasioens com tal exorbitância que o valor dos géneros não podia 
soffrer o custo do transporte: Ordeno que daqui em diante nenhum Mestre de 
navio ouze pedir ou receber por frete de tabaco de qualquer dos Portos do 
Brasil para este Reyno preço algum que exceda a Soo reis por arroba ou a 
16:200 reis por tonellada de 54 arrobas. Este preço ficará porem livre e liquido 
a favor do navio, a cujo fim já fica transferido no género o direito, que antes se 
pagava na Alfandega desta Cidade a respeito do casco. E os que levarem fretes 
mayores dos acima taxados, perderão toda a importância do transporte, que fi- 
zerem a favor da pessoa a quem extorquirem a dita mayoria. E ficarão sujeitos 
ás mais penas que merecerem, segundo a gravidade da mayor culpa, em que 
forem incursos. Paragrafo Secundo. O mesmo ordeno que se observe também 
invioiavelmente daqui em diante a respeito dos fretes do Assucar. Paragrafo 
terceiro. E para mais suave e fácil observância desta disposição, estabeleço, que 
nenhum navio, que passar em lastro de hum porto do Brasil a qualquer outro 
do mesmo Estado para procurar carga, a possa receber, se não subsidiariamente 
depois de haverem sido carregados os outros navios, que houverem levado carga 
deste Reyno para o mesmo Porto, onde concorrer o navio, que se achar, que 
nelle entrou de vazio ou em lastro; sob pena de que toda a importância dos 
fretes, que este ultimo navio receber, cederá a favor dos Mestres dos outros 
navios, a quem direitamente pertencia a carga; ou daquelles, que o denunciarem 
e se habilitarem na causa desta pena com o direito, de que os seus navios leva- 
rão carga para o Porto onde a carregação se achar feita. Paragrafo quarto, Se- 
melhantemente os navios pertencentes á Praça da Cidade do Porto, que nave- 
garem para os Portos do Brasil, não tomarão nelles carga pertencente a esta 
Cidade de Lisboa, se não depois de haverem sido carregados os navios da mesma 
Cidade de Lisboa. Nem pelo contrario os navios de Lisboa poderão receber car- 
ga para o Porto, senão depois de se acharem carregados os navios pertencentes 
â dita Cidade do Porto : Tudo debaixo das mesmas penas acima ordena- 
das»... 

Tanto que as Frotas descarregarem nos respectivos portos, a que são desti- 
nadas, farão os Inspectores extrahir logo huma exacta relação dos Navios, que 
as constituírem, declarando-se nella com inteira certeza a arqueação e lotação 
de todos e de cada hum delles. 

As quaes relaçõens ficarão reservadas para por ellas se regularem as carrega- 
çoens ao tempo da partida das referidas Frotas. Em tal forma, que assim como 
forem ehegando os géneros, que devem carregar-se, se irá fazendo delles outra 
respectiva Relação, pela qual os irão repartindo os sobreditos Inspectores pro 
rata aos Navios, a cujo favor estiver a preferencia; deixando-se sempre ás partes 
a escolha do navio, que melhor lhe parecer entre os preferentes: e desde que 
estes tiverem segura a sua carga ou esta se ache a bordo delles ou ainda dentro 
nos armazéns, áestinada e contramarcada para se carregar, se publicará por 
Editaes, que he livre a todos carregarem como bem lhes parecer. 

Todo o referido se entenderá pelo que respeita aos géneros principaes, que 
fazem o capital de cada hum dos respectivos portos: a saber, no Rio de Janeiro, 
assucar, tabaco, couros e sola; em Pernambuco Assúcar, tabaco, sola, couro e 



271 

p&o Braiiil ; c n<^ Maranhão e Pará cacáo, café, >aUa parrllha, cravo, algodio e 
couro», paru o ca»o, cm que nlli venha com o lempo n ler lugar a ilita prcferen- 
ciu... Uclem, 29 de novembro Je 1753. (Doe.** w.* jf.^Qt). IIQ^ 11 

Okkick) cio Intendente geral Sehnstiáo Francisco Manuel para Thom<í 
Jonquim dn (^osta C<^rte HenI, pnrticipundo que se tixera substituir 
pelo Desembargador João Pedro Henriques da Silva durante algum 
lempo, em que estivera impedido e que os factos, a que os documen- 
tos anteriores se referem, se tinham passado na sua ausência. 

Hahia, I df janeiro de 1738. 3395 

Officio do Desembargador João Pedro Henriques da Silva para o Ministro 
do Ultramar Tlionid Joaquim da C. Corte Real, em que se (gueixa 
de lhe não serem Ibrnecidos os necessários recursos pecuniários 
pura poder desempenhar a commissão, que lhe fora confiada, de 
investigar e conhecer a importância das descobertas do salitre na 
Serra dos Montes Altos, junto ás Minas do Fanado, nas visinhanças 
do Arrayal do Tijuco, pedindo que lhe seja abonado o dobro do seu 
vencimento. 

Bahia, 3o de abril de 1758. 3396 

Officio do Ministro do Ultramar Thomd Joaquim da C. Corte Real para 
o Vice-Rci do Kstado do Brasil e Governador da Capitania da 
Bahia, Conde dos Arcos D. Marcos de Noronha, traiismittindo as 
ordens regias, pelas quaes se lhe determinava que enviasse á Serra 
dos Montes Altos um Desembargador da Relação e um official mi- 
litar, da sua absokna conHança, para alli examinarem as descobertas 
de salitre realisadas por Pedro Leolino Mariz e se habilitarem a 
informar sobre a sua importância e a maneira pratica da sua explo- 
ração. 

Belém, 27 de maio de 1757. 

Certidão. {Annexo ao n. 33g6.) 

«Em carta de 10 de acosto do anno próximo passado referio V. Ex* a exe- 
cução que havia dado ás keaes Ordens expedidas em 21 de março do mesmo 
anno, em que lhe foi determinado mandar algum salitre da Serra, que tomou 
o nome daquelle mineral, fazendo a despeza por conta dessa Provedoria e decla- 
rando a importância do que se dispendesse. 

Com a mesma carta recebi os 24 surroens do mesmo mineral, que a V. Ex.' 
havia remetido Pedro Leolino Mariz e que até essa Cidade tinháo feito a despe- 
za de 782:070 reis. sendo todos da produção da Serra dos Montes Altos, junto ás 
Minas do Fanado nas visinhanças do Arrayal do Tejuco. O referido salitre se 
achou não só bom, mas tão excelente que a pólvora que com elle se fez provou 
muito melhor do que a outra, que foi composta de salitre da Azia e todo se 
achou tão puro que pouco diminuhio no refino: exceptuandt» os 3 surroens 
dos números 7, 8 e q, que herão de salitre cravados em pedras o qual vindo só 
par.i se conhecer a sua formação, se achou não ter conta. He porem tanta a 
que fez o salitre de lodosos outros 21 surroens, que verdadeiramente se faz hoje 
este negocio hum dos mais importantes objectos dos interesses deste Reyno e 
da Real e infatigável providencia de S. M. para ordenar a \'. Ex." a este respeito 
que vou referir. 

Avizou Pedro Leolino a V. Ex.' que achara na sobredita serra pela dis- 
tancia de 6 legoas salitre com grande conta e que toda a outra terra da mesma 
serrania hera salitrosa. Heste he o primeyro e principal ponto, que V. Ex.* 
deve averiguar com toda a certeza e superioridade as visoens e aos encareci- 
mentos que são ordinários nos mineiros; porque valendo o interesse de termos 
salitre na America a despeza de alguns centos de mil cruzados, se neccessarios 
forem para se facilitar a sua condução, não seria prudente fazer-se tão conside- 
rável gasto, sem toda a segurança de que com etTeito ha do referido material 
huma tão grande abundância que valha a despeza, que se fizer para o conduzir. 



272 



despeza que no caso de se verificar a referida abundância, será tão justa e 
tão vantajosa ao Real Erário, que S. M. prefere estas Minas a todas as que se 
descobrirão até agora nesse Continente. Donde rezulta que se faz indispensável- 
mente necessário que V. Ex." antes de tudo inamie hum Ministro dessa Relação 
e official militar desse Estado que achar mais dignos da sua confiança encorpo- 
rarem-se com Pedro Leolino e examinarem com elle o que na verdade passa ao 
dito respeito, antes de se proceder a outra diligencia. 

Rererio também o mesmo Pedro Leolino, que a serra que produz salitre, 
sendo abundantissima de lenhas para o refino do dito material he houco abun- 
dante de agoas, mas que comtudo se podem estas derivar de hum ribeirão, que 
ahy passa para os diferentes lugares onde se refinar o mesmo salitre. E no caso 
de haver delle a abundância que se diz, he precizo, que V. Ex." encarregue aos 
mesmos commissarios de examinarem e autuarem o que na verdade passar a 
respeito do dito ribeirão e da despeza, que será preciso íazer-se para derivar as 
agoas delle até os lugares onde o refino se poder restabelecer com mais commo. 
didade. 

Continuou o mesmo Leolino dizendo, que a dita Serra dos Montes Altos, 
onde o salitre he mais copioso e mais puro, dista da Cachoeira iSg legoas ; e 
que por isso e pela mayor facilidade que hoje havia nas conduçoens, não exce- 
deria cada quintal de salitre o preço de 12S000 réis posto na Cachoeira. O Padre 
Manuel Peveyra havia escripto ao mesmo Pedro Leolino, que custaria 8S000 
réis. E tudo isso implica contradição manifesta com o preço que custou o trans- 
porte dos 24 surroens que o mesmo Leolino remeteo a V. Ex. pois que contendo 
24 arrobas e por consequência 6 quintaes, custando estes 6S2S070 réis, já se vé 
que veyo a custar mais de i3o mil réis de condução cada quitai. 

A isto occorre comtudo o mesmo Leolino dizendo : que o transporte do 
dito material se pôde facilitar, fazendo-se nos montes voltas ou desvios, para 
evitar os precipícios e que se pjdem estabelecer roças nas estaçoens da marcha, 
onde possão jantar e dormir os conductores. O Padre Albano Pereira ponderando 

âue do Ryo de Janeiro para as minas Geraes, Serro do Frio, Paiacatú e 
oyaz, andavão almocreves com recuas de 40 e 5o bestas muares, com que 
podiam transportar de retorno o salitre com grande commodidade: o dezem- 
bargador Thoma^ Roby de Barroí> e o Conselheiro Wencesláo Pereyra da Silva 
escreverão porém sobre este ponto nos termos, que vou substanciar. 

O primeiro diz que para se conduzir por menos de S mil réis cada quintal 
de salitre he precisamente necessário porem-se os caminhos em forma que 
admitáo carretas castelhanas, que são tiradas por 6 mulas, que ao mesmo 
tempo se devem estabelecer nos lugares certos, onde jantarem e dormirem os 
conductores das referidas carretas, roças e vancharias para commodidade certa 
daquelles viandantes : que 6 das referidas carretas podião meter na Cachoeyra 
de frota em frota mais de 2 mil quintaes do dito material e que sendo neces- 
sário elle fallaria sobre esta matéria mais individualmente, dando a verdadeira 
forma de se estabelecerem as sobreditas carretas. O que contém certamente o 
modo mais útil ou antes o único, que pode fazer praticável a dita condução, 
porque em substancia he o mesmo com que em Alemanha se teansportão desde 
Vianna d'Austria até Trieste, por 120 legoas das mayores montanhas, que se 
conhecem na Europa e cada qumtal de pezo por 10 tostoens de carreto 
ou por 23o réis cada arroba na maneyra seguinte. 

Primeyramente se franquearão os caminhos e passos das montanhas, para 
por elles andarem os carros tirados por bestas emquanto he possível e por boys 
estabelecidos naquelles lugares mais difficeis, onde não basta a força de ca- 
vallos, pagando-se os donos dos referidos boys huma insignificante bagatella 
somente por tirarem os referidos carros naquelles dificultosos passos. E isto he 
o outro ponto, que deve fazer examinar pelos referidos commissarios, levando 
consigo algum engenheyro e alguns certanejos, que conheção os rumos da agulha 
e a posição das terras, para marcarem o caminho que fôr mais direito, breve e 
praticável e para orçarem sem grande excesso ou diminuição a despeza que se 
fará em se abrir o tal caminho. 

E coma o Conselheiro Wenxresláo Pereira da Silva em carta de 12 de 
mayo do anno próximo passado avisou que o Ryo de São Francisco, o qual rica 
em pouca distancia das ditas terras altas, he navegável até onde o faz incapaz 
de navegação a Cochocira de Paulo Affonso& as que a elle se seguemipor espaço 
de muitas legoas, se faz precizoque V. Ex. encarregue também aos ditos commis- 
sarios de marcarem primeyro a distancia que vay das ditas terras até o referido 
Ryo : segundo quantas legoas se podem navegar desde o porto de embarque até 
á Cachoeira de Paulo Affonso : terceyro o numero das outras legoas em que a 
dita Cachoeyra e as que ella se seguem fazem impraticável o sobredito Ryo: 
quarto se onde principião as taes Cachoeyras ou em algum lugar vizinho delias 
se pode estabelecer porto para o desembarque do salitre : caminho para daquelle 



278 

porto puittnr por icrru alé o (im da» dita» Cachoeira»: c o numero de le/joat 
i|iic terá o mi caminho uic tnrniir a encontrar o me»mo Ryo de S. Trancitco, 
nndc outra vez pode nnvcf(tir: i|iiinto cnitini, quanta» IcRoa» ha dcfttc ultimo 
lufíiir até li Villa da Cachoeira, dcoccnilo nclo Ryo, para que pelo nicv» dculet 
cxuincH Hc conclua kc hc niai» vaniaiofto ruzcr-»o o tranaportc do «afítrc pela 
navcfiacáo ilo Hohrcdito Hio, eiktabelecendo-»c a» conducoe» de terra •/imenio 
onde cllc KC nAo faz praticável. 

Km segundo lugar se deve cuidar na forma da conKirucç&o do» carro», para a 
quul mandarei ti V. Kx. hum modcllo do» que em Alemanha se praticao, ot 
quac» (tendo tirado» por .( scndeiroA do» mai» ordinarioH, co»tuni.'io carregar de 
f>o ate In) quintacK ou ilc 3<i0 até 340 arroba» cada hum, alctn do pc/o du ma- 
deira de iiuc Kão fabricados, porque o não de »orte e com tal equilíbrio que o» 
ditoH cavalloH, sem totTiarcm numa on(a de pczo, »ó trabalh&o pura o» arrrostar 
com o fácil movimento que ellcs de sy tem. 

I)e sorte que 3 hontcns guião 3oe mais dos referido» carros juntos de huma 
vez paru assim diminuircm o custo dos tuansportcs. fa/endo-os pelo baixo preço 
que deixo referido. 

Km terceiro lugar tem os sobreditos carreteiros determinadas estaçocn» 
ontie vão em horu certa, Com passo vagaroso a juntar c dormir; tendo em cada 
huma delias pasto por sua conta puru todo o decurso do anno a aveya e feno 
de que necessitáo paru o seo consumo, sem pagar nus estalagens couza alguma. 

K isto mesmo se pôde praticar no cuminíio da referida Serra até á Í2a- 
choeyra, lu/ciuio-se as rochas e rancharias que apontou o Dezembargador Tlto- 
ma/. Roby de Barros em distancias medidas para descansarem os cavallos ou 
mulas nas horas do jantar c da noite, scmcando-se naquclles Districtoj milho 
en> abundância para prover os armazéns do mantimento competente ás bestas, 

?[ue servirem ao dito tansporte e rccolhendo-sc também no» mesmos sitio» o 
eno ou capim, que melhor poder suprir o defeito da palha. 

Km quarto e ultimo lugar se deve ponderar que o custo dos repetidos trans- 
portes se diminuhirá também mui to considerável mente, se com efleito existe a gran- 
dccopia de salitre que Pedro i-eolido aflirma. porque sobre a certeza desta infor- 
mação e das mais que deixo indicadas, mandará logo S. M. passar a essa Ca- 
pital à ordem de V. Kx. 3 bons refinadores, que ahy ensinem muitos outros, com 
o numero de tachos e aparelhos necessários, para se purificarem cada anno 
muitos mil quintaes do referido material, que saindo logo da dita Serra puro, 
custará muito menos do que aliás custaria se viesse com mixto com a terra e 
fezes, que no retino cosfumáo expurgar-se. 

Finalmente havendo já ponderauó á V. Ex. o grande interesse que S. M. 
considera em ficar independente da Azia e das Naçoens extrangeiras, tendo nos 
seos Domínios hum material de tão indispensável necessidade e de tão grande 
interesse, que constitue hum dos dous pelos (■■) da Monarquia e tendo por certo 
que V. Kx. se empregará neste negocio e em todas as averiguaçoens e deli- 
gencias a ellc respectivas, com o maior desvelo : só me resta significar a V. Ex. 

3ue o dito Senhor o authorisa, para que por essa Provedoria mande fazer todas as 
espezas, que julgar necessárias, para se fazerem as exactas informaçoens que 
por hora constituem os objectos das reacs ordens que nesta se contém...» oo 

Portaria do Vice Rei Conde dos Arcos, cm que nomèa o Desembargador 
João Pedro Henriques da Silva para a commissão de serviço a que 
se refere o documento antecedente. 

Bahia, 22 de agosto de 1757. 

Copia, [annexa ao n. 33g6.) 3398 

Okkicio do Desembargador João Pedro Henriques da Silva, para o Vice 
Rei, pedindo que lhe fosse abonada a ajuda de custo de 600S000 réis, 
para a compra de cavallos e outras despezas. 
Bahia, 6 de março de 1758. 
Copia. [Annexo ao n. 33 g6.) 3399 

Portaria do Vice Rei Conde dos Arcos mandando abonar ajudas de custo 
e o dobro dos salários aos militares e outras pessoas nomeadas para 
o exploração do salitre na Serra dos Montes Altos. 

Bahia, 12 de abril de 1758. 

Certidão. [Annexo ao n. 33 g6.} 3400 



274 

Termo da fiança que o negociante Capitão Thomaz da Silva Ferraz, pre- 
stava por sua pessoa e bens, para garantir o adeantamento que a Fa- 
zenda Real fizera ao Desembargador João Pedro Henriques da 
Silva, da quantia de 3 mil cruzados, «para os gastos da jornada que 
ia emprehender á Serra dos Montes Altos ao descobrimeuto do sa- 
litre e por conta dos seus ordenados e propinas». 

Bahia, 20 de abril de 1758. 

Certidão. {Annexo ao n. 33g6.) 3401 

Carta regia mandando abonar ao Capitão Engenheiro Nicoláo de Abreu 
de Carvalho e ao Ajudante João Baptista Barreto o dobro do soldo, 
quando desempenhassem commissão de serviço fora da Praça da 
Bahia. 

Lisboa, 14 de julho de 1727. 

Certidão. (Annexa ao n. 33 (j 6. 3402 

l^ROvisÃo regia mandando abonar a ajuda de custo de 600S000 rs. ao dr, José 
de Freitas Serrão, por uma commissão de serviço para que tora no- 
meado. 

Lisboa, 16 de janeiro de 1690. 

Certidão. [Annexa ao n. 33(j6.) 3403 

Provisão regia ordenando ao Provedor Mor da Fazenda Real Bernardo de 
Souza Estreila que mandasse abonar uma certa ajuda de custo ao 
Desembargador António do Rego Quintanilha por ter ido, em com- 
missão, ás Alagoas, Capitania de Pernambuco, tirar as residências 
dos ouvidores daquella Villa, João Villela do Amaral e Manuel de 
Almeida Mattoso. 

Lisboa, 8 de abril de 1727. 

Certidão. {Attnexa ao n. 33g6.) 3404 

Carta regia ordenando que partisse para a Bahia o Conselheiro do Con- 
selho Ultramarino António de Azevedo Coutinho para alli syndicar 
das dividas existentes á Fazenda Real e dando-lhe as instrucçóes 
necessárias para proceder á sua cobrança. 

Belém, 20 de abril de 1758. Minuta. 3405 

Carta do Ministro de Ultramar para o Conselheiro António de Azevedo 
Coutinho, communicando-lhe novas instrucçóes acerca da com- 
missão que ia desempenhar á Bahia, Rio de Janeiro e Minas Ge- 
raes. 

Belém, 20 de abril de 1758. Minuta. 3406 

Provisão regia de nomeação de Luiz da Fonseca Ribeiro para servir de 
Escrivão na Commissão de serviço de que fora encarregado o Con- 
selheiro António de Azevedo Coutinho, com o vencimento de 3 mil 
cruzados por anno. 

Belém, 20 de abril de 1738. Minuta. ^4^7 

Provisão regia autorizando o Conselheiro António de Azevedo Coutinho a 
nomear serventuário na falta ou impedimento do Escrivão Luiz da 
Fonseca Ribeiro e os ofificiaes auxiliares de que precisasse. 

Belém, 20 de abril de 1758. Minuta. 3408 



275 

PhovisÁo regia pniticipmulo ao Cunsclhcíro António ilc A/.cvcilo Coutiitlio 
uuc pela sua nomearão para a Commissúo i|uc ia ilcscinpeiihar no 
Bra/il, ficava exiincia a t.|iie fòru contiadu ao Desembargador An- 
tónio Ferreira Gil oaru o mesmo fim. 

Helem, 20 de aoril de 1758. Minuta. 3409 



pKovisÁo regia conimimicando ao Desembargador António Ferreira Gil 
licar extincta a sua Commisssáo na Bahia com a nomearão do Con- 
selheiro António de Azevedo Coutinho, a quem manda entregar 
todos os autos c papeis aue se encontrassem em seu poder. 

Belém, 20 de abril ac 1758. Minuta. 3410 

Decrkto nomeando o Conselheiro António de Azevedo Coutinho Desem- 
bargador do Paço em recompensa de seus serviços. 

Belém, 20 de abril de 1738. Mhnita. 3411 

DixRETO ordenando ao official da Secretaria de Estado dos Negócios Es- 
trangeiros c da Guerra, Francisco Caetano, que entregasse 3 mil cru- 
zados por anno, pagos aos trimestres, a I). Marccllina Perpetua de 
branca Córdova e Faro, mulher do dr. António de Azevedo Cou- 
liiiho, durante o tempo em que estivesse ausente no Brazil, cuja 
iniportanria deveria cobrar annualmente do Thesoureiro da Al- 
fandega, José de Sande Nabo. 

Belém, 20 de abril de 1758. 

2 minutas, 3412 — 3413 

Provisão regia ordenando ao Provedor Mòr da Bahia, que abonasse ao 
Conselheiro António de Azevedo Coutinho 200S000 rs, por mcz, 
desde a sua partida de Lisboa até o seu regresso a Bahia. 

Belém, 20 de Abril de 1 758. 

Minuta. 34'4 

Carta regia em que se comnuinica ao Vicc-Rei Conde dos Arcos a com- 
missão de serviço para que fora nomeado o conselheiro António de 
Azevedo Coutinho. 

Bclcm, 20 de abril de ijSS. 

Minuta. 3413 

Dkcrkto mandando suspender o ordenado que o Conselheiro António de 
Azevedo Coutinho recebia pelo Conselho Ultramarino. 
Belém, 20 de abril de 1738. 
Minuta. 3416 

Carta particular de António de Azevedo Coutinho para Felippe .Tose da 
Gama, em que lhe participa que sua mulher se chama D. Marcellina 
Perpetua de França Córdova e Faro. 

Braço de Prata, 23 de abril de 1738. 34'7 

Officio do Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da Costa Corte Real, 
remettendo-lhe o mappa seguinte. 

Bahia, i de maio de 1738. 3418 



276 

«Mappa da carga que leva a Galera Bom Jesus da Pedra, Santa Rita e 
S. Domingos, que vae de aviso desta cidade para a Corte de Lisboa, 
de que hé Capitão ^Josepli Gomes». 

Bahia, 2 de junho de lySS.. 

(Annexo ao n. 3418). 3419 

Carta do Desembargador João Pedro Henriques da Silva para Thomé 
Joaquim da Costa Corte Real, em que lhe participa a sua próxima 
partida para a Serra dos Montes Altos, onde fora mandado para se 
informar das explorações do salitre, e se queixa de lhe não serem 
abonados certos vencimentos, que reclamava. 

Bahia, 10 de maio de 1758. 3420 

Carta do Vice Rei Conde dos Arcos dirigida a Elrei D. José, em que se 
refere aos differentes diplomas régios que tinham regulado o tempo 
do serviço militar e indicava a providencia que deveria adoptar-se 
para evitar o grande numero de deserções, geralmente devidas á re- 
pugnância por aquelle serviço. 

Bahia, 17 de maio de 1758. 3421 

Provisão regia dirigida ao Vice-Rei do Brazil, Conde das Galvêas, deter- 
minando que os soldados só poderiam ter baixa, quando se compro- 
vasse legalmente a sua incapacidade para continuar no real serviço. 

Lisboa, 17 de setembro 1744. 

Copia. [Anncxa ao 71. 3421). 3422 

Capitulo do «Regimento das Fronteiras» em que se prohibe o alistamento 

de soldados com mais de 60 annos e menos de /6 e se confere aos 

Governadores das Armas competência para authorizar as baixas. 

Copia. 'Anjiexo ao n. 8421 .) 3423 

Provisão regia dirigida ao Vice-Rei do Estado do Brasil Vasco Fernandes 
Cezar de Menezes, ordenando que fosse dada baixa a todos os sol- 
dados que em virtude de um bando do Vice-Rei Conde de Sabugosa, 
se tinham alistado por 5 annos e que haviani acabado esse tempo pre- 
fixo de serviço. 

Lisboa, 18 de março de 1726. 

Copia. I Annexo ao 11. 3421). 3424 

Provisão regia dirigida ao Vice-Rei Conde de Sabugosa, determinando 
que os soldados que voluntariamente se alistassem para ir servir no 
Brasil, teriam baixa no fim de 12 annos, podendo regressar ao Reino 
isentos de todo o serviço. 

Lisboa, 24 de fevereiro de 1731. 

Copia. [Annexa ao n. 3421 .) 3425 

Provisão regia dirigida ao Vice-Rei Conde de Sabugosa, declarando que a 
disposição da provisão antecedente de 24 de fevereiro de 1731, se 
referia aos soldados que se alistassem em Portugal para ir servir no 
Brasil e aos que alli residiam e voluntariamente assentavam praça. 

Lisboa, 10 de maio de 1732. 

Copia. [Annexa ao n. 3423] 3426 

Duplicado do documento n. 3421. 23vza. 3427 



277 

Oii icu) do Vicc-Hcl Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da C. Cone 
Kcal, cm 1)110 lhe pnriicina ter nomeado, em viriude da^orden» que 
receheru, o Desenihiu^udor Joúo Pedro Henriques da Silva, o Alfe- 
res de Inlantarin Fríunisco da Cunha de Arauj<j e o Sargento maior 
Kngcnlieiro Manuel Cardoso Saldanha «para irem ú Serra dos Mon- 
tes Altos c juntamente com o Mestre de (.umpo Pedro lA'olino Mariz 
fazerem as mais exactas averimuisóes assim a respeito da posiviu» das 
terras, como das demarcações do caminho, que lór mais direito, bre- 
ve e practicavel para a condusâo do salitre ate a cidade da Bahia», e 
informa das duvulas suscitadas pelo Provedor mtír da Fa/.emiu acer- 
ca do pagamento dos seus respectivos vcncimcnfos e outras despezas. 
liahia, K) de maio de 1738. 

Icm annexo.s ?// documciiiios, constanda de requerimentos^ in- 
formot^ões do Provedor mor e do I\seriváo da Fa/enda, provisões re- 
^f^iaseíc. 3^28—3437 

Officio do Vicc-Rci Condados Arcos para Thomé Joaquim da C. Corte 
Real em que communica as informações que recebera do Director 
du Fortaleza de Ajuda, o Tenente Tlicodosio Rodrigues da Costa 
acerca de uni protesto do Rei Daliomé e as ameO(;as que este fizera 
por cauza da maneira como os navios exerciam o commercio na 
Costa da Mina. 

Bahia, 23 de maio de lySS. 

Tem íiiviexos <f documentos, comprehendendo a copia da Carta 
do Tenente Rodrigues da Costa e da correspondência trocada entre 
o Vice- Rei e a Mesa da Inspecção sobre o referido assumpto. 

...O Rcy de Daoiiié expedio 2 Talhados com o seu bastão, que convocando 
aos Directores das Nações extrangeiras e a todos os Capitães portui;uezes, que 
naquelle porto se achavào, disseráo geralmente a todos em nome cio Rey, que 
elleem todo o tcn^po que governava e seos antecessores o havião feito, nunca os 
navios esperarão huns que os outros acabassem o negocio para principiarem 
com o seu, antes todos igualmente o faziáo adonde melhor lhe convinha e que 
como este estjlo de negociar nunca tinha sido practicado pelos Francezes e 
e Inglczes e so agora o era pelos Portuguezes, que também naquella occasiáo 
ordenava aos seos mercadores, que huní só fizesse negocio com cada Capitão e 
que os navios que arribassem a outros portos não cessariâo as suas Tropas a 
esperalos no desembarque, fazendo aos Capitães prisioneiros, em os quaes re- 
çarsiria todo o prejuízo que podesseter em o commercio. 

Diz mais o Director se não persuade que semelhante recado podesseser sem 
conselho algum de branco inimigo do nosso commercio, e que conforme algumas 
inferências que tinha, assim o julgava, mas que como ainda não tinha averigo- 
ado a cauza desse excesso, me não fazia ciente delle, o que faria na primeira 
occasiáo, porque como se achavão chegados os costumes do Rey Daomé, a que 
havia de ir assistir, se as suas moléstias lho permittissem, sc3 então poderia sa- 
ber com certeza de donde teve principio semelhante acontecimento e consultan- 
do com os Capitães e oíHciaesdaquella Fortaleza a resposta que iiavia de dar ao 
mesmo Daomé, com que elle ficasse satisfeito, emquanto me aava parte para lhe 
determinar o que havia fazer, convierão se respondesse que o motivo que havia 
para os Capitães não fazerem negocio huns antes que acabassem os outros, era 
a grande perdição, que os donos dos mesmos navios haviam experimentado 
com o resgate, pela desordem comque os Capitães afaziáo naquelles portos, ao que 
elle podia dar providencia, fazendo com que os mercadores vendessem os escra- 
vos por hum preço moderado, com que todos igualmente ficassem satisfeitos...» 

3458—3467 

Carta de José Procopio dos Reis Moreira paraThomé Joaquim da C. Corte 
Real, em que lhe descreve a sua visgem de Gòa a Bahia, onde aca- 
bava de chegar e lhe participava, que tendo fallecido em viagem o 



278 

(^ominandante Luiz' Pereira de Sá e Saldanha o Governo do Estado 
da índia o provera no com mando do referida náu. 

Hahia, 23 de maio de lySS. 

Tem annexa uma relação dos passageiros^ entre os quaes se en- 
contravam alguns Jesuítas e officiaes da guarnição da índia, que 
seguiam para o Reino em goso ãe licença. 3368 — 3469 

Okkicio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da C. Corte 
Real, que lhe participa que tendo terminado o sexennio do Desem- 
bargador António F"erreira Gil, o Chancellerda Relação havia reque- 
rido que fosse dada posse do seu logar ao Desembargador Francisco 
de Figueiredo Vaz, o que fora deferido em sessão por maioria de 
votos, apezar das razões que o Desembargador Ferreira Gil apre- 
sentava para não largar o logar. 
Bahia, 24 de maio de 1758. 
Tem annexos 2 documentos. ^470 — 3472 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para Thomé Joaquim da C. Corte 
Real, em que lhe participa ter partido no dia 10 de maio a commis- 
são enviada á Serra dos Montes Altos, por causa da exploração do 
salitre e Ih e transmitte varias noticias que a tal respeito recebera de 
Pedro Leolino Mariz e do Desembargador Thomaz Roby de Barros 
Barreto, e a que se referem differentes cartas que lhe estão annexas. 
Bahia, 24 de maio de 1758. 3473 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos para o Desembargador João Pedro 
Henriques da Silva, em que lhe transmitte as instrucções necessárias 
para o desempenho da sua commissão á Serra dos Montes Altos, a 
que outros documentos se referem. 

Bahia, 5 de maio de 1758. 

Copia. (Annexo ao n. 34^3.) 3474 

Officio do Vice-Rei Conde dos Arcos, para Pedro Leolino Mariz, em que 
lhe participa a nomeação e partida da commissão enviada á Serra 
dos Montes Alto e lhe transmitte varias instrucções a tal respeito. 

Bahia, 8 de maio de 1/58. 

Capia. [Annexa ao n. 34^3.) 3475 

Officio de Pedro Leolino Mariz para o Vice-Rei Conde dos Arcos, no 
qual lhe dá informações sobre a descoberta de salitre na Serra dos 
Montes Altos e os meios da sua conducção para a costa. 

Villa do Bom Successo, 10 de fevereiro de 1758. 
Copia. (Annexo ao n. 34y3.) 

«Todas as noticias que a V. Ex. tenho participado do descoberto do salitre 
e do mais respectivo á sua conducção, forão como de cousa vista por óculo de 
alcance, que em tão grande distancia não podia discernir quanto bastasse, mas 
sempre procurey adquirilas por hum indague miudissimo, que fui fazendo e de 
tudo dey conta a V. Ex, rezervando á sua vastíssima comprhensão o arbitro de 
admittir as mais receptiveis e aproveitar-se das necessárias, para deliberar as 
suas ordens ao tlm de tam importante projecto. 

Ponho agora na presença de V. Ex. o mappa da Serra dos Montes Altos, 
em que se descobrio este mineral e pela perspectiva que mostra aquella ser- 
rania, sem distincção de rumos, nem artifícios de regras geographicas que cá se 
ignorão e ainda que se soubessem, nunca por informações mendigadas se pode- 
rião acertar, verá V. Ex., que seguindo na marcha que fez para esta Capital da 



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niihia pclii ottraila ilo> Gnyaz, veyo dar no «itio do cuninho, que teve o privi» 

Icgio (te lhe fazer n pniizo, que niniitrn o Piivilhrio de v. F!v ' ■ ' ' :.i« 

le^iiiiH lia cittniilii, ciitroit V. l'.x. pura o» Montcn AIIok, pn 4 

pe ciini iiiiinciifto tnibulho, «ú n lini de iiiíorinar u S, M. tia . . . .;ji- 

tturul dai|uellH terra. 

MoNira o niapFii, quo ctia Serra vem dirivada do» Montei de Tocambira c 
por variuH uiro» vav fazer tromba ao noric cm (juc e»tii cdijicada a Capei la de 
.V. S'. da X/adrc <íc /Mm, como apftnia a letra !•., de cujo »itio cm pouca di»- 
taiicia Hc ilii principio ú Hubida do» Moiitcn Alio», tào Íngreme, como v. Ex. cx- 
pcrimciit«)U. 

Nu tromba desta Serra »e principiarão ns prova» feita» conforme diciou a 
idca de cada qual e as primeira» foráo a» que aponlAo o n. i e n. 3, que (ízcram 
na tromba ao bulo direito da nubida por onde dence o Riacho dos Aíontes Altos. 

Seguindo a mesma indircitnru ao correr da Serra pela parte em que e»tâo 
situados licvnjvdo lijrboxa e Manuel Antunes foráo proHcguindo ok exame» em 
que tizcram provas, que se mostráo desde o n. 3 até o n. ti, cem toda» achar&o 
Halitre com mais ou menos abundância. 

(!onf«>rme a figura da dita Serra kc vé, que principiando a mostrar »alitrc 
na tromba, que olha para o norte, dobrando para leste, continua a mostralo, 
como se ve nas provas assignaladas, que cotjipreheiule o espaço de 8 Icgoas ima- 
ginadas 'pela linha tortuosa, acompanhando a Serra pelos côncavos que fax 
naquclla parte e por linha recta, acompanhatulo a Serra exteriormente pela» 
informavãcs que se me tem dado, me parece serão 1 Icgoas, o que tudo mostra 
a devi/a de huma linha amarclla salpicada de vermelho, que acompanha a Serra 
até á ultima prova n. 11, que fez o descobridor antes de cu lá mandar o com- 
missario, que não sahio com a sua commitiva do recinto em que V. Ex. o deixou, 
e não fez pouco em examinar o que vio em tão breve tempo. 

Os que tom coiiheciniento desta Serra aflirmão, que acompanhando-a 
desde a parte cm que se fez a prova que mostra o n. 11 para cima, sempre vay 
mostrando varias quebradas com o mesmo aspecto daquellas em que se acha o 
saliti*e. 

He esta Serra toda na parte em que se tem visto folhada de Tissaróes c 
escalada de alto a baixo com fundas aberturas, não muito distantes huma da 
outra e quantidade de quebradas também vizinhas huma da outra, que a figura 
do Mappa mostra na perspectiva da Serra, na qual se conhecem os côncavos e 
quebradas pela cõr negra c as lombas da terra, que ha entre hum e outro, 
mostra a côr branca, se não sabe ainda se a terra das lombas he salitrosa, mas 
como a das quebradas c concavidades he muito mais çxtcnsa que as das lombas, 
chanião aquclla serra toda salitrosa. 

O pé da Serra em que os montes fazem a sua sapata e assento na varge, 
he salitroso e me persuado será de muita conta, porque desagoando as enxur- 
radas dos montes sobre a dita varge, precisamente hão de deixar nella toda a 
sustancia mineral, que de lá trouxerào e assim o mostrou a prova feita na mes- 
ma varge, que mostra o n. 12, junto ao córrego que vem da quebrada por onde 
V. Ex. subio, em que 2 bateas de terra, que tirarão daquella prova, produzio 2 
libras de salitre e de crer he que todo o pé da Serra que fór mineral no assento, 
o terá com muita conta. 

Será lambem precizo ver-se a superfície da Serra, aonde faz chapada, por- 
quanto não obstante o dizer-me que naquella parte a terra nada mostra, e que 
para chegar á parte horizontal aonde acabão os pissarões he huma altura de 
terra invencivel, direy que o será se os pissarões fizerem no centro a mesma 
chapada e o mesmo assento que a terra faz na superfície, porém como eu estou 
certificado, que em algumas partes, chegão as quebradas quazi ao cume da 
Serra e se igualâo com a capada alvejando aquelles pissarões que mostráo estar 
cobertos de salitre, devo persuadir-me que aonde houverem pissarões, haverá 
deste mineral e que estes acompanharão por dentro a figura da Serra, por- 
quanto eu ainda não vi monte de terra pura, sem que fosse constipado com 
pedras em mais ou menos altura. 

O mais que o Mappa mostra he para melhor conhecimento da locação, 
longitude e latitude daquella Serra, que se faz digna de hum