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Full text of "Jornal de sciencias mathematicas, physicas e naturaes"

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JORNAL 



DE 



SCIENCIAS MATHEMATICAS 



PHYSIGAS E NATURAES 



JORNAL 



DE 



SCIEMMS MATHEMATICAS 

PHYSICAS E NATURAES 



PUBLICADO SOB OS AUSPÍCIOS 



DA 



TOMO XI 



DEZEMBRO DE 1885 -FEVEREIRO DE 1887 




LISBOA 

TYPOGRAPHIA DA ACADEMIA 

1887 



ÍNDICE 

DOS 

ARTIGOS CONTIDOS NO DECIMO PRIMEIRO VOLUME 



Num. XLI— DEZEMBRO DE 1885 

PAG. 

Projecto de legenda symbolica para a elaboração e interpretação da Carta 
de archeologia histórica do Algarve — por Sebastião Philippes Martins 

Estacio da Veiga 3 

Troisième session du Congrès géologique international — par Paul Choffat. 12 
Movimento do solido livre — por José Manuel Rodrigues 23 



Num. XLII -JULHO DE 1886 

Notas psychologicas e ethnologicas sebre o povo portuguez — por Arruda 

Furtado 49 

Reptis e amphibios de S. Thomé — por J. V. Barboza du Bocage 65 

Reptiles et Batraciens nouveaux de 1'Ile de St. Thomé — par J. V. Barboza 

du Bocage 71 

Lista das aves colligidas em Africa de 1834 a 1885 pelos srs. Capello e Ivens 

— por José Augusto de Souza > ° • • 76 

Lista das aves colligidas pelo sr. Serpa Pinto no lbo em 1885 — por José 
Augusto de Sousa 82 

Sur la dénomination deP«Helixtorrefacta», Lowe, des Ganaries — par Ar- 
ruda Furtado 86 

Sobre o logar que devem occupar nas respectivas familias os molluscos nús 

— por Arruda Furtado 88 

On a new or criticai species of Monkey, and a sytematical arrangement of 
a group of Cercopithecus — by prof. F. Mattozo Santos 95 

Sur le tétard du «Cynops (Pelonectes) Boscai» — par le prof. F. Mattozo 
Santos 99 

Note additionnelle sur les reptiles de St, Thomé— par B. B 103 



Num. XLIII— DEZEMBRO DE 1886 

PAG" 

Catalogo geral das collecções de molluscos e conchas da Secção Zoológica 

do Museu de Lisbea — por Arruda Furtado 105 

Additamento á lista das aves colligidas em Africa de 1884 a 1885 pelos srs. 

Capello e Ivens — por José Augusto de Sousa 151 

Aves d'Angola — por José Augusto de Sousa 154 

Typhlopiens nouveaux de la Faune africaine — par Barboza du Bocage . . 171 

Primeiros subsídios para a Fauna do Estado do Congo 175 



Num. XLIV— FEVEREIRO DE 1887 

Mélanges erpétologiques — par J. V. Barboza du Bocage 177 

Sur un mammifère nouveau de l'Ile de St. Thomé — par J. V. Barboza du 

Bocage 212 

Note sur la découverte en Portugal d'une variété de la «Certhilauda Du- 

ponti» — par J. V. Barboza du Bocage 213 

Aves de Dahomey — por José Augusto de Sousa 217 

Liste des crustacés des posséssions portugaises d'Afrique occidentale dans 

les collections du Muséum d'Histoire Naturelle de Lisbonne — par Bal- 

thazar Ozorio 220 

Contributions à la Faune malacologique du Portugal — par José da Silva e 

Castro (suite) , 232 

Oiseaux nouveaux de 1'Ile St. Thomé — par J. V. Barboza du Bocage. . . . 250 




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joi^nsr -A.L 



DE 




SCIENCIAS MATHEMATICAS 



phisicíis e naturais 



publicado sob os auspícios 



DA 



ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA 



NUM. XLI.— DEZEMBRO DE 1885 





LISBOA 

TYPOGRAPHIA DA ACADEMIA 

1885 




INDEX 



Archeologia: 

Projecto de legenda symbolica para a elaboração e 
interpretação da Carta de archeologia histórica 
do Algarve — por Sebastião Philippes Martins Es- 
tado da Veiga 3 

COMMUNICAÇÕES DA SECÇÃO DOS TRABALHOS GEOLÓGICOS: 

Troisième session du Congrès géologique internacional 
— par Paul Choffat 12 

Mathematica : 

Movimento do solido livre — por José Manuel Rodri- 
gues 23 



I 



Depois da publicação do ultimo numero d'este jornal, so- 
brevem um triste acontecimento que cobriu de luto a Academia 
Real das Sciencias e a Nação. 

O fallecimento d'el-rei o Senhor D. Fernando II foi uma gran- 
de perda para o paiz, pois que, no longo periodo de 49 annos sem- 
pre o vira associado a todas as idéas generosas, que podessem im- 
pellir este reino, efficaz e vigorosamente, pelas amplas vias do 
progresso ; que o vira constantemente sollicito nos seus esforços 
para promover o lustre do bom nome portuguez. 

Eram muitas as suas virtudes; algumas d'ellas pouco com- 
muns nos individuos, que a fortuna colloca no fastígio das gran- 
desas ; mas só nos referiremos a duas, que mais sobresahiam nelle, 
as duas mais sublimes virtudes, que podem fazer pulsar com mais 
força um coração nobilíssimo, e ás quaes o nosso paiz é devedor 
de immensa gratidão : — a caridade e o amor da pátria. As pen- 
sões annuaes que dava a familias necessitadas ; as mesadas a ar- 
tistas juvenis, de talento mas faltos de meios, para que fossem 



JORN. DE SCIENC. MATH. PHTS. E NAT. — N.° XLI. 



aperfeiçoar-se na sua arte nos paizes mais cultos que o nosso ; as 
esmolas avulso á pobreza envergonhada ; e finalmente as subscri- 
pções para emprezas de melhoramentos públicos importantes re- 
presentavam annualmente uma somma de contos de réis muito 
avultada. 

O amor acrisolado que o augusto principe consagrou a esta 
sua pátria adoptiva, manifestado por tantos e tão grandes bene- 
fícios públicos, foi um exemplo explendente d'essa santa affeição, 
que os filhos devem aos pães, e que um patriota em toda a alteza 
da significação d'este vocábulo, deve á terra que lhe serviu de 
berço ; exemplo tanto mais salutar, quanto era elevada a posição 
em que brilhava, e quando é tristemente certo, que esse nobre 
sentimento, de que depende a gloria e a grandeza das nações, vae 
affrouxando entre nós cada vez mais, salvas poucas excepções. 

A Academia Real das Sciencias deplorou sinceramente o 
passamento de tão bondoso e esclarecido soberano. Conservando 
bem vivas na memoria as provas de estima e consideração, a par 
de importantes serviços, que recebeu de Sua Magestade, no de- 
curso de quasi meio século, que o teve por seu Presidente, tem 
manifestado, e manifestará o seu profundo pesar, e a sua saudade 
por todos os modos por que os pode patentear uma academia. 

Ignacio de Vilhena Barbosa. 



AECHEOLOGIA 



PROJECTO DE LEGENDA SYIOLICA PARA A ELABORIÇIO E INTERPRETAÇÃO 



DA 



CARTA DE ARCHEOLOGIA RISTORICA DO ALGARVE* 



POR 



SEBASTIÃO PHILIPPES MARTINS ESTACIO DA VEIGA 



Nas mais adiantadas nações, em que os estudos da archeologia 
monumental vão logrando incalculável progresso, está reconhecida, como 
indispensável, a utilidade das cartas archeologicas, porque são estas 
cartas a base fundamental adoptada para o reconhecimento e manifes- 
tação das antiguidades de cada território, o quadro synoptico dos seus 
monumentos e o repertório ou Índice remissivo dos logares que fica- 
ram caracterisando as nacionalidades extinctas. 

Escusado é enumerar as vantagens que em si resume o systema 
de representar as antiguidades de uma nação ou zona territorial nas 
suas respectivas cartas geographicas ou corographicas por symbolos 
convencionaes, cuja interpretação seja universalmente comprehendida, 
como formando uma legenda fácil e accessivel a nacionaes e estrangei- 
ros, e até mesmo aos menos versados em assumptos archeologicos, 
porque essas vantagens estão hoje ao alcance de todos os entendi- 
mentos. 

São numerosas as cartas archeologicas já publicadas e preparadas 
para a publicidade em quasi todas as nações; mas pela maior parte a 
sua legenda está subordinada a uma lista de arbitrários signaes de con- 



1 Este projecto foi enviado em 1884 ao congresso de Pamiers e entregue a uma 
commissão nomeada em 1885 no congresso de Montbrison, para ser incluído na le- 
genda internacional que deve ser apresentada no congresso que a Sociedade Franceza 
de Archeologia ha de celebrar em Nantes no mez de julho de 1886. 

I* 



4 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMAT1CAS 

venção, de modo que, para cada uma poder ser comprehendida, obriga 
a um estudo especial. Havendo, porém, necessidade de serem confron- 
tadas duas ou muitas mais, quer seja para se formar idéa da distribui- 
ção geographica dos critérios ethnographicos referentes a cada periodo, 
época ou edade, ou para quaesquer outras combinações ou deducções, 
faltando a uniformidade nos typos convencionaes, a confusão é a pri- 
meira difficuldade resultante da diversidade dos symbolos com que cada 
carta representa os mesmos critérios, e estes symbolos não poderão 
ser entendidos pelas pessoas que não conheçam todos os idiomas em 
que estejam descriptos ou explicados. 

Notados estes e outros inconvenientes, a Sociedade Scientifica de 
Cracóvia propoz-se destruil-os, nomeando uma commissão, presidida 
pelo conde A. Przezdzieki, para organisar um systema pratico e fácil 
de signaes de convenção para ser adoptado em todos os paizes, e com 
effeito, um assaz desenvolvido relatório foi n'este sentido apresentado 
pelo dito presidente em 1871 no congresso de Bolonha, não tendo po- 
rém seguimento em razão da subsequente morte do sábio relator. 

Coube ao sr. Ernesto Chantre, a quem a sciencia deve importan- 
tíssimos serviços, a mais efficaz renovação do pensamento enunciado 
pelos sábios d'aquella sociedade, propondo-a em 1874 ao congresso de 
Stockholmo. 

Foram finalmente encarregados os srs. Ernesto Chantre e Gabriel 
de Mortillet de redigirem a legende Internationale des cartes préhisto- 
riques, publicada em Tolosa no anno seguinte pelo sr. Emilio Cartai- 
lhac no tomo vi da sua revista mensal illustrada, intitulada Matêriaux 
pour Vhistoire primitive et naturelle de Vhomme, e avulso n'um opúsculo 
supplementar. 

Ficou portanto estabelecida a lei das convenções de representação 
paleoethnologica, que pela primeira vez n'este paiz foi rigorosamente 
observada e seguida na carta prehistorica do Algarve. 

Com relação, pois, á paleoethnologia nacional, tudo está compe- 
tentemente regulado, podendo apenas sentir-se que não tivesse havido 
no congresso de Stockholmo um representante assaz conhecedor das 
nossas antiguidades prehistoricas para propor a inclusão de alguns si- 
gnaes, com que nos é mister representarmos certos critérios, que pa- 
recem privativos do território peninsular; o que me obrigou a apresen- 
tar um, de que carecia o Algarve, para indicar as cavernas, grutas ou 
furnas naturaes com vestígios archeologicos ou tradição de terem sido 
utilisadas. 

As antiguidades históricas ficaram, porém, sem regulamento con- 



PHYSICAS E NATURAES O 

vencional e os auctores de cartas de archeologia histórica consequen- 
temente forçados a inventarem livremente os signaes de época e os que 
em cada época devem representar os seus diversos critérios. 

Esta falta está sendo sentida ha muitos annos, como já em 1879 
a denunciou o sr. Cazalis de Fondouce na sua primorosa carta archeo- 
logica do departamento do Herauld. 

Concluídos os meus trabalhos paleoethnologicos do Algarve, respe- 
ctivos aos descobrimentos que fiz até novembro de 1882, os quaes se- 
rão representados e descriptos nos dois primeiros livros da minha 
obra, devo immediatamente occupar-me dos assumptos históricos, an- 
teriores á conquista portugueza; e não me dispensando de seguir o 
systema que estabeleci e julgo ser mais racional e profícuo para se po- 
derem ordenar geographica e archeologicamente as varias antiguidades 
de diversas épocas com referencia áquelle território, é indispensável 
indical-as na carta corographica, substituindo a legenda arbitraria com 
que foi apresentada em 1880 ao congresso de Lisboa, logo que uma 
legenda internacional esteja determinada. 

Não tanto por conveniência própria, como principalmente por ter 
em vista que este systema de indicar as antiguidades históricas nacio- 
naes não pode deixar de ser adoptado pelos archeologos portuguezes, 
que queiram acompanhar os progressos da sciencia, quando hajam de 
tratar do estudo de uma qualquer zona geographica; e porque da ado- 
pção d'este género de trabalhos depende o futuro regulamento que 
deve presidir á organisação scienlifica dos museus, a fim de que os 
destinados a representarem as antiguidades do reino possam juntamente, 
pela sua regular ordenança, manifestar as phases de progresso, de va- 
riação ou de decadência da industria e da arte nas diversas épocas da 
historia do trabalho sob a influencia da organisação social, dos usos e 
crenças das nacionalidades que senhorearam este solo anteriormente á 
triumphante restauração do chrislianismo, firmada pela conquista por- 
tugueza: considerando haver diversas épocas com differentes critérios 
typicos, que é mister indicar nas cartas parciaes e na futura carta ge- 
ral de archeologia histórica por signaes de convenção, que possam ser 
percebidos em todas as nações, embora as epigraphes explicativas se- 
jam redigidas em lingua portugueza, entendi que os signaes arbitrários 
não podem corresponder a estes fins de geral utilidade, e com este 
fundamento enviei em 1884 ao congresso de Pamiers, promovido pela 
Sociedade Franceza de Archeologia, a que tenho a honra de pertencer, 
uma proposta para a regulação da legenda internacional que deve ser 
empregada nas cartas de archeologia histórica, em conformidade dos 



O JORNAL DE SCIENC1AS MATHEMATICAS 

critérios archeologicos de cada paiz, e dos seus alcances históricos, se- 
melhantemente ao que ficou ordenado para as cartas de archeologia 
prehistorica. 

Sendo a minha proposta mui honrosamente admittida, o congresso 
de Pamiers nomeou dois dos seus membros mais esclarecidos para a 
examinarem, os srs. conde de Marsy, e Júlio de Laurière, secretario 
geral d'aquella sapientissima sociedade, ao qual as antiguidades de 
Portugal mereceram uma das mais lisonjeiras apreciações que tiveram 
publicidade após o congresso de Lisboa. Estes dois illustres commis- 
sarios ficaram pois encarregados de incluírem o assumpto no programma 
do seguinte congresso, reunido este anno em Montbrison, e pelo re- 
latório, que acabo de receber, com o titulo de «Congrès Archéologique 
de France — 51° Session», vejo que no congresso do próximo anno de 
1886 o projectado regulamento ficará definitivamente concluído. 

A conveniência, porém, de se uniformisar a legenda das cartas de 
archeologia histórica parece-me ter ficado esclarecida, e por isso julgo 
dever-se aproveitar a occasião, em que vae ser tratado este importante 
assumpto, para fazermos incluir no quadro geral dos symbolos de con- 
venção internacional os que melhor possam indicar os critérios das nos- 
sas antiguidades históricas, acompanhados das suas correspondentes 
epigraphes; pois d' este modo teremos a certeza de serem entendidas 
nos reinos estrangeiros as cartas que houverem de representar as an- 
tiguidades de Portugal, e de ficar estabelecida a symbologia que de- 
vem usar os archeologos portuguezes nos seus trabalhos d'este gé- 
nero. 

Dignou-se o sr. Mio de Laurière, meu illustre confrade no Con- 
gresso de Lisboa e na Sociedade Franceza de Archeologia, encarregar- 
me de compor uma relação das épocas, com a indicação das antigui- 
dades históricas de cada uma, que devam ser symbolisadas nas futu- 
ras cartas parciaes ou geraes de Portugal, sendo cada epigraphe pre- 
cedida de um signal arbitrário. 

Entendo, porém, não dever tomar exclusivamente a meu cargo 
esta incumbência, pelo simples facto de ter limitado os meus estudos 
especiaes á zona do Algarve. Á falta de interprete mais lidado nos es- 
tudos archeologicos d'aquella província, servi-me dos descobrimentos 
que tinha feito e dos que já anteriormente eram conhecidos para os 
coordenar em épocas distinctas e designar os característicos de cada 
época até então verificados, propondo ao mesmo tempo os symbolos 
com que serei obrigado a representar arbitrariamente na carta de ar- 
cheologia histórica do Algarve, tanto as épocas como os seus respecti- 



PHYSICAS E NATURAES / 

vos critérios; mas este trabalho é restrictamente parcial, e pecca por 
incompleto, por não poder abranger a totalidade das antiguidades his- 
tóricas do reino, entre as quaes deve haver característicos, não ainda 
observados no Algarve, que é mister symbolisar. 

Já se vê, pois, que a cooperação dos institutos scientificos e dos 
sábios nacionaes, que se occupam dos estudos históricos, geographicos 
e archeologicos, não pode deixar de ser invocada como serviço muito 
valioso, dedicado á sciencia e á consideração do paiz, para se poder 
completar o quadro geral das nossas antiguidades históricas. 

Com referencia ao Algarve, dividi os tempos históricos, compre- 
hendendo a instituição da monarchia portugueza, em tantos períodos, 
quantas foram as nacionalidades que senhorearam aquelle território, 
sendo cada periodo subdividido em épocas e estas representadas por 
seus mais typicos característicos, como vou mostrar com o quadro se- 
guinte; mas este quadro ficará incompleto, se não reunir a represen- 
tação symbolica das antiguidades que sejam privativas de outras zonas 
geographicas do reino, cujo estudo não está a meu cargo, nem deve 
estar, porque não me tendo sido officialmente incumbido, parece-me 
pertencer com superior primazia á Academia Real das Sciencias de Lis- 
boa, bem como a todos os mais institutos scientificos, aos archeolo- 
gos e escriptores, que em assumptos históricos e geographicos honram 
o paiz com seus importantes estudos. 



8 JORNAL DE SCIENC1AS MATHEMATICAS 

Projecto da legenda proposta aos congressos da Sociedade Franceza 

de Archeologia para representar as antiguidades históricas na 

Carta Archeologica do Algarve 

SIGJVAES RADICAES 

Ponto archeologico # 

Povoação antiga— existente , . q 

» )> — extincta ou arrazada (fo 

» » — com fortificação antiga q 

» » — com fortificação destruída £5 

Fortificação ou torre — isolada Q 

» » — destruida £ 

Construcção isolada Q 

Monumento architectonico q 

» epigraphico Q 

» sepulchral J3 

Sepultura exhumada ,_ 

» com inhumação ,_, 

Cemitério de inhumação ^ 

Sepultura com incineração ^_ 

Cemitério de incineração ^ 

Celleiro subterrâneo q 

Estrada antiga _ 

Porto, ou ancoradouro antigo J, 

» » » extincto ou destrido £ 

Descoberta de objecto isolado A * 

» de objectos reunidos $ , 

Mina explorada com trabalho antigo T « 

Fundição antiga 4 * 

Signal de exploração (junta-se sob o symbolo radical) 

Cidade ou villa com museu archeologico <«) 

Obs. — Cada um d'estes signaes designa o género da antiguidade 
local; para se indicar a época que representa, junta-se-lhe superior- 
mente o que lhe corresponda, exarado na columna das convenções do 
quadro seguinte. Quando no mesmo logar se achem antiguidades de 
épocas diversas, marcar-se-hão sobre o signal radical os signaes re- 
spectivos a essas épocas. Quando, finalmente, houver de se indicar um 
logar em que existam varias antiguidades das que são symbolisadas 
pelos signaes radicaes, haverá na carta archeologica uma columna, em 
que todos serão registrados. Os signaes com asterisco á margem são 
os mesmos da legenda das cartas prehistoricas. 



PHYSICAS E NATURAES 



Quadro dos tempos, edades, períodos e épocas 
a que pertencem as antiguidades históricas descobertas no Algarve 



Tempos 


Edades 


Períodos 


Épocas 


Convenções 












Moderna 


>o3 


n 










Portucalense 




C/3 












Renascença 


r T 


n 










(Do século xn au xix) 












aí 
íh 
• *-< 




Ogival 


Q3 aí 

C 

icí efi 

c/3 O 


n 


Mahometano 


Árabe 




1/3 






(Do século viu ao xm) 


Mosárabe 


"• ff 

co - 

4J 






Wisigothica 




O 


F-l 




Wisigothico 




U9 

PH 




•3 




effl 








(^ 




O 


c/3 


O 




(Do século v au viu) 




O 






ffi 






Da invasão do Norte 


s4 


i 








aí 


Polytheistico 




•cá 

CO 


i 








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Romana 


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03 
CO 


(Do século i ao v) 










í/5 








Préromana 


i 




O 








(Parcialmente histórica) 




o 




rt 


Luso-punico-romano 








c/3 




CP 

s 




Primeira edade do ferro 


? 




CU 




Oh 









Combinações praticas dos signaes radicaes com os de época. 
Exemplos: 

Povoação existente, originariamente romana ^ 

Torre destruída, da época árabe Cã 

Sepultura com inhumação, da época romana J* 

Monumento epigraphico, da época wisigothica 

Construcção isolada, da época ogival — explorada £l 

Objecto isolado, da época árabe A 



10 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Todos os signaes radicaes e bem assim os de época, já indicados, 
á falta de legenda internacional, representam completamente os desco- 
brimentos por mim effeituados no Algarve; mas serão elles suficien- 
tes para symbolisarem todas as antiguidades históricas das outras pro- 
víncias do reino? 

Não poderá ainda apurar-se mais alguma época, ou mais algum 
diverso critério archeologico, que deva ter especial designação? 

Pertence, torno a repetir, aos institutos scientificos e litterarios, 
aos archeologos e escriptores, que por obrigação ou dedicação se occu- 
pam de estudos archeologicos, geographicos e históricos, concorrerem 
com as indicações que julguem ser proveitosas á conclusão complemen- 
tar do quadro geral das antiguidades históricas nacionaes, não deixando 
perder a occasião em que vão ser firmados os indispensáveis preceitos 
que devem reger os nossos futuros trabalhos archeologicos para pode- 
rem ser equiparados aos das outras nações. 

Não levei ainda este assumpto ao exame da Academia Real das 
Sciencias, comquanto me proponha apresentar-lh'o mui brevemente e 
pedir o seu auctorisado auxilio: emquanto, porém, não for annunciada 
a direcção que devem ter as correspondências aqui reclamadas, me 
oífereço para recebel-as na posta restante de Lisboa e reunil-as até o 
dia 31 de janeiro próximo futuro, reservando-me para em seguida or- 
ganisar uma commissão, que tome a seu cargo examinar as propostas 
e deduzir os novos signaes de convenção que devam juntar-se aos que 
ficam indicados, se a mencionada Academia, por estarem ausentes mui- 
tos académicos, entender não lho ser possivel arrogar-se este trabalho 
especial, em que tem superior competência. 

Constituido, pois, o quadro geral dos symbolos que devem repre- 
sentar nas cartas archeologicas as antiguidades históricas de Portugal, 
encarrego-me de envial-o á commissão, incumbida de apresentar o re- 
gulamento geral ao congresso, que a Sociedade Franceza de Archeolo- 
gia ha de celebrar em Nantes no mez de julho de 1886, advertindo 
que as correspondências podem também ser directamente endereçadas 
ao sábio secretario geral da referida Sociedade, o sr. Júlio de Laurière, 
em Paris, R. des S. Peres, 12, se os interessados julgarem ser assim 
mais conveniente. 

É, a meu ver, de elevada importância scientifica este assumpto, 
porque tende a desenvolver com todo o preciso alargamento a base 
fundamental dos trabalhos que me coube a honra de encetar, e que o 
paiz ha de necessariamente proseguir com enérgica actividade, se não 
quizer ficar excluido de figurar com os que estão continuamente acom- 



PHTS1CAS E NATURAES i i 

panhando e promovendo o progresso da sciencia, e portanto equiparado 
aos que não podem, pelo seu rebelde atrazamento, e como refractários 
a todas as exigências da civilisação moderna, concorrer aos grandes 
certames do entendimento e da sabedoria, por não estarem prepara- 
dos nem tratarem de preparar-se para alcançarem logar distincto en- 
tre os povos mais cultos. 

Julgo, finalmente, que não devia este assumpto deixar de ser re- 
presentado por um arcbeologo portuguez no congresso de Nantes; e 
não aventuro este alvitre com a reservada astúcia de me inculcar para 
esse honroso serviço, porque desde já declaro, que mui formalmente 
recusaria ao governo um tal convite, como recusei o que se serviu di- 
rigir-me em 1882 para representar este paiz no congresso de Avinhão. 
Mesmo particularmente, presumo não me ser possivel ir occupar o lu- 
gar que me compete n'aquelle congresso como membro correspondente 
estrangeiro da Sociedade Franceza de Archeologia, e por mais esta 
circumstancia entendo ser assaz conveniente que o mencionado assum- 
pto seja oííicialmente auxiliado por um representante que mereça a 
confiança do governo. 

Se alguém, pois, chegar a ser nomeado, seja quem for, pode con- 
tar com todos os esclarecimentos que estejam ao meu alcance. 



12 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



MMMICAÇOES BA SECÇÃO DOS TRABALHOS GEOLÓGICOS 



XI 



Troisième session du Congrès géologique international 



PAR 



PAUL CHOFFAT 



La 3' session du Congrès géologique international, qui devait avoir 
lieu en 1884, fut renvoyée à 1885, à cause du terrible fléau qui sèvis- 
sait dans le midi de 1'Europe. Elle vient d'avoir lieu à Berlin du 28 
septembre au 3 octobre. 

Le comité d'organisation n'avait rien négligé pour faire dignement 
les honneurs de la capitale de 1'Allemagne. Tous les établissements 
scientiflqaes et artistiques étaient ouverts aux membres du Congrès, 
1'heure d'ouverture des musées avait été avancée et leurs directeurs en 
faisaient les honneurs avec une complaisance et une amabilité qui ne 
sauraient être dépassées. 

La direction de 1'Opéra avait aussi voulu participer à la réception 
et avait envoyé des billets d'entrée, qui furent distribuas aux membres 
du Congrès. 

D'un autre côté, les géologues allemands étaient accourus en grand 
nombre et rivalisaient avec les géologues de Berlin pour faire les hon- 
neurs de leur pays. Quelques-uns eurent du reste 1'occasion de le faire 
plus directement encore, dans les excursions qui se firent après la 
clôture du Congrès. Ces excursions comprenaient le Harz, les mines de 
sei gemme de Stassfurt et quelques points de la Saxe. 

Les séances du Congrès avaient lieu dans le palais du Parlement 
de 1'Empire (Reichstagsgebãude), bâtiment offrant tout le confort dé- 
sirable et ou l'on oubliait complètement la température désagréable qui 
régnait à 1'extérieur. 

Le deuxième étage de 1'Académie des mines avait été affectê à une 



PHYSICAS E NATURAES 13 

exposition géologique internationale qui eút sans doute presente un in- 
térêt encore plus grand si 1'invitalion à y prendre part n'avait pas été 
faite un peu tard. 

Le catalogue publié par le comité d'organisation ne contient pour- 
tant qu'une partie des objels exposés; il ne comprend pas 1'importante 
collection de cartes de tous pays qui y figuraient., ni celle des publica- 
tions géologiques. 

La section des travaux géologiques du Portugal y avait envoyé: la 
carte géologique du Portugal par MM. Ribeiro et Delgado; une grande 
planche représentant des coupes des vallées liphoniques et un proíil et 
des vues ayant rapport au granit post-cénomanien de Cintra, par M. 
Choffat; des échantillons de ce granit; deux mémoires du même au- 
teur publiés en 1885: le premier fascicule de la description de la faune 
jurassique du Portugal et une étude sur le Crétacique des environs de 
Cintra, de Bellas et de Lisbonne, et en outre la partie publiée et les 
42 planches d'un mémoire de M. J. F. N. Delgado sur les bilobites du 
Portugal, actuellement sous presse. 

Le Congrès a été frequente par 255 personnes, représentant 17 pays. 
Bon nombre d'entre elles étaient sans doute venues dans le but de faire 
un voyage scientifique ou scientifico-artistique à Berlin, ou encore de 
faire de nombreuses connaissances parmi leurs confrères, celles-là ont 
dú être pleinement satisfaites. II en est par contre d'autres qui se ren- 
daient au Congrès dans 1'espoir d'y entendre traiter les questions qui 
en forment le but, et celles-là sont je crois à peu prés unanimes à re- 
connaitre que ce but a été un peu délaissé. 

Remarquons d'abord combien la lumière jetée sur une question 
est plus vive lorsque cette question est discutée par une assemblée de 
représentants de presque toutes les contrées du monde, que lorsqu'elle 
se fait par publications qui font attendre une réponse pendant des móis 
et souvent même pendant des années. 

Les débats sur les questions fondamentales soumises au Congrès 
formaient donc la partie la plus instructive de la session et pourtant c'est 
à ces débats que fut attribué le moins de temps. 

En effet, le comité d'organisation avait décidé que les matinées se- 
raient consacrées à la visite des musées et que les séances commen- 
ceraient à 2 heures du soir; il fut ensuite convenu que les séances ofB- 
cielles du Congrès ne dureraient que jusqu'à 4 heures, et que le reste 
de l'après-midi serait destine aux Communications particulières sur des 
sujets n'intéressant pas directement le Congrès. 



14 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Cétait donc journellement deux heures consacrées aux débats, 
mais comme les séances ne commençaient pas exactement à 1'heure in- 
diquée et qu'elles étaient précédées de la lecture des avis officiels, lis- 
tes de dons, etc, il arriva parfois qu'elles ne commencèrent que vers 
3 heures. En outre, la dernière séance fut en grande partie consacróe 
aux discours de clôture. 

En admettant une moyenne de une heure et demie par séance, 
nous avons pour les quatre séances affectées à la discussion, un total 
de six heures! 

Les conférences n'ayant pas trait au Gongrès étaient sans doute 
fort interessantes, mais la plupart d'entre elles seront plus profitables á 
ceux qui les liront qu'à ceux qui les auront entendues. 



On se souvient que le congrès de Bologne nomma un comité in- 
ternational pour 1'exécution de la carte géologique de 1'Europe, et une 
commission internationale pour 1'unification de la nomenclature géolo- 
gique. II decida en outre que ces commissions auraient deux séances 
avant le congrès de Berlin pour en préparer les travaux. 

La première de ces deux réunions eut lieu à Foix en septembre 
1882 et motiva une circulaire datée du 21 mars 1883, par laquelle le 
président de la commission internationale de nomenclature demandait 
1'avis des comités nationaux sur certaines questions motivées par 1'exé- 
cution de la Carte de 1'Europe. Les rêponses devaient subir un exa- 
men préliminaire à Zurich en 1883 à la 2 e réunion des comités. 

Le compte-rendu des séances de Zurich nous dit que la circulaire 
du 21 mars 1883 a obtenu de nombreuses rêponses, non seulement de 
la part des comités nationaux, mais aussi d'un certain nombre de sa- 
vants agissant spontanément. 

II ne nous fait pas connaitre ces rêponses, ni même les noms des 
pays et des savants qui les ont envoyées, et il n'en est plus question 
dans le rapport general distribué à Berlin aux membres présents au 
Congrès. 

A la suite de la réunion de Zurich, plusieurs comités nationaux 
jugèrent utile de donner leur manière de voir sur les délibérations de 
cette réunion. Ce sont ces derniers rapports qui ont été reproduits dans 
le rapport general. 

Ce rapport contient en outre: I o la reproduction des décisions 
prises à Bologne; 2 o le désir de déterminer les termes des langues 
étrangères correspondants aux mots français assise et couches; 3 o le 



PHYSICAS E NATURAES 15 

désir (Tintervertir 1'emploi assigné à Bologne aui mots groupe et série; 
4 o la reproduction des articles du rapport de 1881 qui n'ont pas pu 
être discutes à Bologne, légèrement modifiés par suite des délibéra- 
tions de Foix et de Zurich et en considération des rapports des co- 
mités nationaux'; 5 o les principales résolutions adoptées lors de la 
réunion de Zurich; 6 o le rapport du secrétaire sur les opinions émises 
au sujet des divers systèmes. 

En séance du conseil on decida de n'entrer en matière que sur ce 
dernier chapitre. 

La séance d'ouverture eut lieu le 29 septembre à 1 1 heures du 
matin. Un premier discours fut prononcé par S. E. Monsieur le minis- 
tre des cultes, qui souhaita la bien-venue aux membres du Congrès au 
nom du gouvernement. II fut suivi d'autres discours de MM. von De- 
chen, président d'honneur, Gapellini, président sortant, et Beyrich, pré- 
sident effectif. 

II fut ensuite procede à la nomination du bureau, duquel j'eus 
1'honneur de faire partie, étant le seul représentant de la géologie por- 
tugaise, présent au Congrès. 

A la 2 e séance générale qui eut lieu le même jour à 6 heures du 
soir se fit la lecture du rapport de la commission de la carte. La base 
topographique comprendra 49 feuilles, dont 32 sont dèjà gravées. Le 
travail géologique est par contre peu avance; le rapport se plaint de 
ce que plusieurs comités nationaux n'ont pas envoyé les mater iaux 
qu'ils devaient fournir. 

La raison pour laquelle ces comités nationaux n'ont pas envoyé 
leurs cartes coloriées est fort simple, et existe malheureusement en- 
core. Les limites à assigner à chaque division ne sont pas fixées; en 
adoptant telle ou telle limite, on risque donc de recevoir au bout de 
peu de temps 1'invitation de faire un nouveau trace. 

Cest cette incertitude qui a empêché le comité portugais de four- 
nir le coloriage de la carte du Portugal avant le Congrès de Berlin. II 
est vrai qu'il a publié des rapports et des brochures dans le but d'éclair- 
cir des points douteux, mais le directorium n'a pas pu prendre les bro- 
chures en considération, ainsi que l'a declare M. Hauchecorne à la 2* 
séance générale du 29 septembre. 

Le rapport de la commission de la carte demandait la sanction du 
Congrès sur les points suivants: 

I. M. de Moeller, démissionnaire, est remplacê dans la commission 
par M. Karpinski. 



16 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

II. Le système Carbonique soit Permo-carbonifère, será represente 
par la couleur grise, en 3 nuances distinctes. 

III. Au système Dévonique seront affectées les nuances du brun. 

IV. La couleur du Silurique est laissée au choix de la Commis- 
sion de la Carte. 

V. Les roches éraptives seront représentées par 7 teintes, allant 
du rouge vif clair au rouge brim foncé. 

VI. La solution des autres questions mentionnées dans le Rapport 
est de la compétence de la Commission de la Carte. 

La 2 e proposition ne fut acceptée qu'avec la reserve que 1'adop- 
tion d'une même couleur pour le Carbonique et le Permien ne devait 
être considérée que comme un simple expédient cartographique et ne 
préjugerait en rien la question de la réunion de ces deux terrains en 
un seul système. 

La 4 e souleva aussi de vives protestations de la part de MM. De- 
walque, Hughes et Jacquot. Le premier demandait à ce que le nom de 
Silurique ne soit pas appliqué à une division qui comprend le Cambrien. 
Les deux derniers demandaient en outre à ce que ces deux systèmes 
ne soient pas reunis sous une même couleur. 

La 6 e proposition comprend lespoints suivants: I o la représenta- 
tion sur la carte de terrains d'un système connu, mais dont on ne peut 
pas préciser la subdivision; 2 o la représentation de subdivisions ne 
pouvant pas íigurer sur la carte à cause de la petitesse de 1'échelle; 
3 o les terrains d'âge douteux; 4 o les subdivisions d'affinités controver- 
sées, comme le Gault et le Rhétien. 

En fin de compte les propositions du comité furent votées à mains 
levées et déclarées adoptées. 

Les quatre dernières séances devaient être consacrées à la dis- 
cussion purement scientifique des questions se rapportant à la nomen- 
çlature, mais comme on devait s'y attendre, on n'y parla guère qu'au 
point de vue de la carte, ce qui devrait donner à réfléchir à ceux qui 
admettent que cette carte n'est qu'une première édition qui servira de 
base aux discussions des congrès futurs et ne préjugera pas des ques- 
tions scientifiques ! 

Dans la 3 e séance, on proceda donc à 1'examen du rapport du se- 
crétaire de la commission de nomenclature; j'indiquerai paragraphe par 
paragraphe ce qui a été adopte. 

A. II fut décidé d'admettre un groupe archéen, comprenant toutes 
les roches précambriennes. Ce groupe ne será pas divise en systèmes 



PHYSICAS E NATURAES 17 

mais les caracteres pètrographiques en seront distingues d'une manière 
quelconque pour les pays qui ne voudront pas reunir le tout sous une 
même teinte. Les distinctions que l'on pourra y faire comportent le 
gneiss, les schistes cristallins et les phyllites. 

B. Admission d'un système silurique comprenant le cambrien, ce 
système comprendra trois séries dont les noms seront discutes au pro- 
chain Congrès. 

C. I o Les trois séries du système dévonique porteront les noms de 
Rhénan, ftEifelien et de Faménien. 

2 o La série eifelienne comprendra les coiiches à calcéoles, mais ne 
comprendra pas les couches à Rhynchonella cuboides. 

3 o La limite supérieure du Dévonique se trouve à la base du cal- 
caire carbonifère, c'est-à-dire que ce système comprend les psammites 
du Condroz, 1'Oldred supérieur, etc. 

La 4 e séance fut une des plus interessantes, quoique fort courte, 
car ce n'est que vers 3 heures que fut terminèe la lectnre des rap- 
ports et des projets d^excursion. 

II s'agissait de se prononcer au sujet des paragraphes D et E, 
comprenant le Carbonifère et le Permien. La discussion fut vive, les 
principaux orateurs qui y prirent part sont MM. Blanford, Hughes, de 
Lapparent, Newberry, Renevier et Stur. 

A la suite du discours de M de Lapparent, M. Neumayr dit que 
les questions de príncipes doivent être résolues par Fopinion publique 
éclairée par la libre discussion dans les publications scientifiques, et 
non pas par le vote d'une assemblée dont la majorité peut varier avec 
le pays ou elle siège, ou se laisser entrainer par Téloquence de tel ou 
tel orateur. 

On profite de 1'impression laissée par ces paroles pour faire vo- 
ter le renvoi de Ia décision à une autre session. Mais la carte ne peut 
pas attendre, et quoique cette question ait déjà été résolue sous ce 
rapport à la deuxième séance, elle revient sur le tapis et il est décidé 
que dans la legende les termes Carbonifère et Permien ne seront pas 
reunis par une accolade. 

La 5 e séance générale avait été précédée d'une séance du conseil, 
dans laquelle il avait été décidé de terminer 1'examen du rapport le 
plus vite possible, afin de réserver du temps pour le Nomenclator pa- 
laeontologicus, pour le dictionnaire géologique et pour les nombreuses 
Communications sur divers sujets qui n'avaient pas encore pu se faire 
entendre. 

La séance se ressentit de cette décision et les sujets furent à peine 

JORN. DE SC1ENC. MATH. PHTS. E NAT. — N.° XLI. 2 



18 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMATIGAS 

eííleurés. On decida que les systèmes triasique et jurassique seraient 
divises en trois séries, mais on renvoya à une autre session la fixation 
de leurs limites et de celles de leurs subdivisions, en laissant chacun 
libre de faire comme il 1'entendrait dans les cartes à fournir au direc- 
torium. 

Le Crétacique será divise en deux séries et le Gault será reuni à 
la série inférieure partout ou il será possible de le distinguer. 

Quant au tertiaire, on Iaissa au directorium la liberte de choisir 
lui-même le mode de division. Ce será probablement celui en Eocène, 
Oligocène, Miocène et Pliocène. 

On consacre ensuite quelques instants aux formations plutonien- 
nes, M. von Dechen propose de ne pas établir de différences entre les 
volcans éteints et les volcans en aclivité. M. Blanford voudrait que l'on 
adoptât pour les roches plutoniennes la même classification que pour 
les roches sédimentaires, afin d'éviter que les unes soient classées chro- 
nologiquement et les autres pétrographiquement. 

Le président declare que le directorium fera de son mieux pour 
satisfaire tout le monde et 1'examen du rapport est declare termine. 

La fin de la 5 e séance et le commencement de la 6 e sont consa- 
crés aux rapporls sur le Nomenclator palceontologicus, sur le diction- 
naire polyglotle et sur la revue géologique internatiónale. 

M. Neumayr, rapporteur pour la première question, donne lecture 
du rapport qu'il a presente à la conférence de Zurich. 

M. Neumayr propose de ne suivre ni le plan du Prodrome de d'Or- 
bigny, qui inscrit les espèces suivant leur répartition dans les étages, 
ni celui du Nomenclator de Bronn, qui ne suit que 1'ordre alphabéti- 
que. 

M. Neumayr prefere avec raison une division systématique d'après 
les grands groupes biologiques. D'après ses calculs, il faudrait environ' 
15 volumes de 400 à 800 pages gr. in-8°, dont trois seraient destines 
à 1' Enumerator et à Xlndex. 

Je ne puis naturellement pas reproduire ici les nombreux détails 
que contient le rapport de M. Neumayr sur 1'organisation de Pouvrage 
et de sa rédaction. 

Les volumes paraitraient séparément au fur et à mesure qu'ils se- 
raient termines, et 1'ouvrage complet pourrait être 6ni en 10 années; 
les dépenses totales pourraient s'élever à 200:000 francs; elles seraient 
couvertes au moyen de mille souscriptions par les établissements scien- 
tifiques, sociétés savantes, etc. 

Le Gongrès decide que le Nomenclator será publié sous ses aus- 



PHTSICAS E NATURAES 19 

pices d'après les príncipes presentes par M. Neuraayr. II nomrae un 
comité de rédaction chargé d'en discuter les détails et les moyens 
d'exécution. Ge comité est composé de MM. Etheridge, Gaudry, Neu- 
mayr et Zittel. 

II est à espérer que cet important ouvrage ne será pas commencè 
avec la hâte qui a preside à la publication de la carte géologique et 
qui a pour résultat de préjuger de questions importantes avant qu'el- 
les aient été présentées au Congrès. 

Le Congrès de Bologne avait demande à ce qu'il fut fait des dé. 
marches auprès des sociétés zoologiques et botaniques afin d'arriver à 
un Congrès spécial de biologistes; nous sommes surpris quel'onn'ait 
pas tenu compte de ce désir. 

En paléontologie, il est bien des points purement conventionnels 
sur lesquels 1'entente pourrait se faire; il est fâcheux qu'ils n'aient pas 
été examines par le Congrès avant que le Nomenclator ne fut commen- 
cè, ce qui lui aurait attiré 1'adhésion de la presque totalité des paléon- 
tologistes; il est au moins à désirer que l'entente se fasse entre tous 
les collaborateurs de cette oeuvre. 

Si elle presente réellement les qualités que l'on est en droit d'en 
attendre, on pourrait simplifier considérablement la rédaction des ou- 
vrages géologiques, en substituant le nom d'auteur qui suit celui de 
Fespèce par la date de la dernière année prise en considération dans le 
Nomenclator ou dans ses suppléments lorsqu'il en existera. 

M. Vilanova presente son Ensayo de diccionario geográfico-geoló- 
gico, publié en 1884, et dit que la traduction en hongrois est déjà faite 
et qu'il espere que les traductions en allemand, en anglais et en rou- 
main ne se feront pas longtemps attendre. 

M. Fontannes fait connaitre les conclusions de la commission char- 
gée d'examiner une proposilion de M. De Gregório, tendant à fonder 
une société géologique internationale et une revue internationale de 
géologie. La première de ces propositions est jugée impraticable et la 
seconde est laissée à 1'initiative privée. 

Après avoir accepté 1'offre des géologues anglais, demandant que 
Londres soit appelé à recevoir la session de 1888, celle de Berlin fut 
close par les discours et les acclamations d'usage en pareille circonstance. 

II est un point du rapport general que je tiens à relever, car c'est 
la deuxième fois qu'il est mal interprete par le secrétaire de la com- 
mission de nomenclature. Cest ce qui concerne les terminaisons ho- 
mophones. 

2* 



20 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Je renvoie le lecteur à la rectification qui a paru dans le rapport 
de la section portugaise en vue dn congrès de Berlin 1 , et je me borne- 
rai à répéter les propositions qui out été formulées: 

l r ordre — groupes: aire, ary, ar, ario, ara (Primaire, Secondaire). 
2 8 » systèmes: ique, isch, ic, ico, ic (ti) (Triasique, Jurassique). 
3 C » séries: sans terminaisons fixes (Lias, Dogger, Maliu). 
4 e » étages: ien, ian, ian, iano, ian (Toarcien, Néocomíen). 
5 C » assise: in, in, in, ense (Vesulin, Tenuilobatin). 

Quant à appliquer la terminaison ique aux divisions de 3 e ordre, 
ainsi que le demande le comité belge, ce serait augmenter la confu- 
sion au lieu de la diminuer. 

Quoique la question des terminaisons homophones n'ait pas en- 
core été discutée au Congrès, nous avons pu remarquer que son adop- 
tion a fait des progrès sensibles. On plaisantera certainement aux dé- 
pens de ceux qui les emploieront en premier lieu, puis on les imitera 
sans aucun doute dans tous les pays de langue latine. 

En terminant, nous devons considérer la session de Berlin sous 
deux points de vue. L'un non oííkiel, consideram le pays de réception, 
les expositions, les excursions, les conférences. les conversations par- 
ticulières et les visites de musées. Sous ce point de vue nous avons 
emporté d'excellents souvenirs, ce qui n'est pas complètement le cas 
en considérant le Congrès au point de vue officiel. 

Je ne suis pourtant pas aussi pessimiste qu'un de mes collègues 
qui y voyait 1'agonie des congrès internationaux de géologie; je crois 
que ce ne sont que les symptômes d'une maladie organique qui risque 
fort d'entrainer le malade si on n'y apporte pas remede. 

Une première erreur a été de commencer la publication d'uue 
carte géologique avant d'avoir fixe les príncipes sur lesquels elle doit 
reposer. 

Les príncipes adoptes ne seront plus ceux qui 1'auraient été après 
une discussion libre, par une assemblée réunissant des géologues de 
tous les pays du monde; ce seront presque forcément ceux qu'auront 
adoptes deux ou trois personnes plus spécialement occupées à la carte. 

J'en prends à témoin les discussions hâtives de la dernière ses- 

1 Page 23 du tirage à pari, ou page 145 des Communicações da Secção dos traba- 
lhos geológicos . 



PHTSICAS E NATURAES 21 

sion, et en outre les passages suivants du rapport de M. Neumayr sur 

le Nomenclator: «En ce qui concerne 1'habitat de 1'espèce , il faut 

en tous cas mentionner la division de 1'échelle de la carte géologique 
votée par le Congros, dans laquelle se trouve le fossile» (page 5). «En 
outre il y aura des tableaux pour les espèces et les genres re- 
unis en classes d'après leur apparition dans les divisions chronologiques 
adoptées pour la carte géologique d' Europeu (page 6"). 

Voilà donc 1'introduction de divisions non fixées par le Congrès 
dans un Nomenclator dont la publication a été approuvée par ce même 
Congrès. 

D un autre côté, 1'organisation du Congrès est fort défectueuse en 
ce sens que les votes émis dépendent essentiellement du pays dans 
lequel la session a lieu. Cest ce qu'a dil M. Neumayr dans une phrase 
que j'ai reproduite plus haut, c'est aussi ce qui est ressorti de la dé- 
claration d'un des membres les plus influents du Congrès, demandant 
à ce que certaine question revienne sur le tapis: «A Zurich, j'avais la 
minorité, j'espère que dans une autre assemblée j'aurai la majorité.» 

Les chiffres sont du reste suffisamment éloquents: 

Paris 1 : 194 français; HO élrangers appartenant à 20 pays 
Bologne: 149 italiens; 75 » » » 16 » 

Berlin: 163 allemands; 92 » » » 17 » 

II faut en outre tenir compte de ce qu'un bon nombre de mem- 
bres ne prennent part au Congrès que par simple curiosité, et qu'un 
nombre encore plus grand n'ont nullement étudié préalablement les 
questions sur lesquelles ils voteront. 

Quel est le géologue qui voudrait sacrifier ses convictions au vote 
d'une assemblée aussi hétérogène ! 

De là cette appréhension de voir le Congrès entamer certaines 
questions et tous ces pretextes pour éviter la discussion. 

II est pourtant bon nombre de questions sur lesquelles 1'entente 
pourrait et devrait être faite. Si le retard dans ces résolutions n'est pas 
de grande importance pour les pays qui sont depuis longtemps rivés à 
la nomenclature actuelle, il n'en est pas de même des pays qui for- 
ment actuellement leur littérature géologique. Ces derniers sont obli- 



1 Pour la session de Paris je n'ai pas les nombres des membres présents, mais 
ceux des membres inscrits; la proportion est probablement la même que pour les 
deux autres sessions. 



22 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

gês d'adopter une nomenclature provisoire qu'il faudra peut-être chan- 
ger dans quelques années, ce qui est d'autant plus regrettable qu'il 
est bien difficile de revenir sur une habitude prise. 

II nous semble que pour un vote rationnel le nombre des votants 
doit être limite à un petit nombre de représentants, non pas de cha- 
que pays politique, mais de chaque bassin géologique. Ge bureau de- 
vrait donc varier pour chaque question; il serait três difficile, sinon 
impossible, de le fonner, mais on doit chercher à se rapprocher le plus 
possible de sa composition, et si l'on ne peut pas y parvenir, éclairer 
la questiou par une discussion aussi longue que possible, mais s'abste- 
nir d'émettre un vote. 

D'un autre côté nous nous permettrons d'ajouter que les sessions 
du Congros n'auraient qu'à gagner à être ténues écartées des grands 
centres., ou beaucoup trop de distractions détournent 1'attention. Le 
nombre des participants serait sans doute moins grand, mais ceíte di- 
minution n'aurait pas lieu aux dépens de la valeur du Congrès. 

Pour cette raison, il eut peut-être été préférable de choisir Cam- 
bridge au lieu de Londres pour la réception de la prochaine session. 

Malgré tous les points faibles que l'on peut reprocher aux trois 
sessions du Congrès on ne peut pas nier qu'il ait déjà rendu de bons 
services à la géologie. Directement, par Temente qui a eu lieu sur cer- 
tains points et par 1'attention qu'il a attirée sur d'autres, et indirecte- 
ment par le zele qu'il a développé dans le releve géologique de diffé- 
rents pays. 

Nous n'hésitons pas à considérer aussi comme fruit du Congrès 
cette magnifique carte de France, à 1'échelle de 1:500 000, dont deux 
géologues n'ayant pas d'attaches officielles n'ont pas craint d'entrepren- 
dre la coordination et la publication. 



MATHEMATICA 



MOVIMENTO DO SOLIDO LIVRE 



POR 



JOSÉ MANUEL RODRIGUES 



INTKODUCÇÃO 



I 



As equações differenciaes do movimento de translação e rotação 
de um solido invariável inteiramente livre são, como se sabe: 






m d2y Y 

m -d7 = Y 



dt 2 



A. ( £ + (C-B).qr = L * 



B.^ + (A — C).pr=M ) 
at 



C^j + (B-A).pq=>N 



24 JORNAL DE SCIENC1AS MATHEMATICAS 

sendo 

X, Y, Z 

as componentes das forças exteriores segundo três eixos fixos, coor- 
denados e orthogonaes, e 

L, M, N 

os momentos das mesmas forças em relação aos três eixos principaes 
de inércia. 

Os movimentos de rotação e translação do solido invariável são 
simultâneos, e não podem, em ger.il, considerar-se como independen- 
tes; porque sendo as forças motrizes funcções das coordenadas angula- 
res da rotação e das coordenadas lineares da translação do centro de 
gravidade, a integração d'estes systemas de equações depende recipro- 
camente uma da outra, e portanto os dois movimentos não se podem 
calcular separadamente. 

Na mechanica racional conhecem-se porém dois casos particulares, 
muito importantes, em que os movimentos simultâneos se podem con- 
siderar como independentes, porque as equações são integráveis se- 
paradamente: — um é relativo á natureza das forças exteriores e o ou- 
tro á forma do solido invariável. 

As equações são integráveis separadamente: 

1.° — Quando o solido fôr submettido unicamente á acção da gra- 
vidade; 

2.° — Quando o solido fôr uma esphera composta de camadas ho- 
mogéneas e concêntricas, attrahidas para um ou mais centros fixos na 
razão inversa do quadrado das distancias. 

Além d'estes casos especiaes na mechanica racional não se sabem 
integrar as equações do movimento do solido invariável. Todavia existe 
um novo caso de integrabilidade, muito notável, mas desconhecido, de- 
pendente da forma do solido e da lei da variação das forças exteriores. 
É o seguinte: 

As equações são integráveis, quando o solido fôr de revolução e a 
resultante das forças exteriores existir no plano do movimento determi- 
nado pelo eixo de figura e pela tangente á trajectória e variar segundo 
uma dada funcção da obliquidade. 

Neste caso notável a rotação è independente da translação, por- 
que as suas equações são integráveis separadamente; mas a transia- 



PHTSIGAS E NATURAES 25 

ção depende da rotação, porque a integração das equações respectivas 
depende immediatamente do primeiro integral das equações d'Euler. 

O problema reduz-se pois ás quadraturas; e o movimento do so- 
lido livre será um movimento periódico, quando os integraes se redu- 
zirem a funcções ellipticas ou hyperellipticas. 



II 

Seja O a origem de um systema orthogonal de eixos fixos 

OX, OY, OZ; 

G o centro de gravidade de um solido de revolução inteiramente livre 
n'um ponto qualquer da sua trajectória; 

GX iy GY X , G Z, 

os três eixos principaes de inércia, e 

GX', GY', G7I 

um systema orthogonal de eixos moveis, coincidindo o eixo dos Z' com 
a tangente ou com a direcção do movimento. 

O plano XI Y é o plano normal ; o plano Z' Y' será o plano proje- 
ctante do movimento sobre o plano dos ZX\ e a inclinação do eixo 
de figura GZ { , com a tangente mede a obliquidade do plano normal so- 
bre o plano equatorial J, F,. 

Se a resultante das forças exteriores existir no plano do movi- 
mento Z % GZ ! , determinado pelo eixo de figura e pela tangente á tra- 
jectória, e se as componentes segundo a tangente e a normal forem 
funcções da obliquidade: 

e<=-^(0) 



o valor da resultante 



p n = F t (B) 

p=VpMT 



26 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATÍCAS 

será também uma funcção da obliquidade 

p=V / /i(0) 

Transportando as forças exteriores, parallelamente a si mesmas, 
para o centro de gravidade, gera-se um binário que tende a imprimir 
ao solido um movimento de rotação em volta da linha dos nódos GN. 
plano do binário será ainda o plano da resultante das forças exte- 
riores, determinado pelo eixo de figura e pela tangente á trajectória. 
O momento do conjugado será pois uma funcção da obliquidade 

e o seu eixo coincide com a linha dos nódos. 

A componente normal p„, existente no plano da força, pode de- 
compor-se segundo a perpendicular G Y' ao plano projectante e se- 
gundo a normal principal GX' existente no mesmo plano; por conse- 
quência, designaudo por <£ a inclinação do plano da força com o plano 
projectante do movimento, resulta 

p„'=p„.sen<J> 

P„"=Pn'COS^ 

p a 9 =P„ f2 +Pn" 2 ; 

P = V / ?Tp7+Pn 



d'onde se deduz 
logo 



m 



é a expressão analytica da resultante, dependente de três forças prin- 
cipaes. 

A componente p„ actuando segundo a tangente á trajectória em 
sentido contrario do movimento pode denominar-se força retardatriz. 

A componente p n ', actuando perpendicularmente ao plano proje- 
ctante produz a derivação do movimento, e por isso pode chamar-se 
força derivatriz. 

A componente p„", actuando segundo a normal á trajectória no 
plano projectante será a força central do movimento. 



PHTSICAS E NATURAES 27 

Suppondo pois um solido inteiramente livre, submettido unica- 
mente á acção d'estas forças, a these que pretendemos demonstrar 
pode ennunciar-se na seguinte proposição: 

Se um solido de revolução inteiramente livre fôr submettido unica- 
mente á acção das forças — retardatriz. derivatriz e força central — va- 
riáveis com a obliquidade do eixo de figura, as equações differenciaes 
do movimento são integráveis. 

Demonstrando a existência de um novo caso de integrabilidade 
das equações d'Euler, apresentamos também n'esta memoria as con- 
dições da possibilidade da reducção ás funcções ellipticas dos integraes 
do movimento do solido livre. 

Nos desenvolvimentos ulteriores d'esta memoria faremos uma ap- 
plicação d'esta doutrina á Mechanica Celeste, deduzindo uma theoria 
nova do movimento elliptico dos planetas. 



28 JORNAL DE SCIENCIAS MA THEM ATIÇAS 



PRIMEIRA PARTE 



THEORIA DA ROTAÇÃO 



Equações DiíTer^enciaes 



As equações d'Euler 



A^ + (C-A).qr=L 



A^ — (C — A).pr=M\ (a) 



dt 



definem o movimento de rotação de um solido de revolução inteira- 
mente livre em volta do seu centro de gravidade, como se fora um 
ponto fixo. 

As componentes da rotação instantânea 

p, q, r 

segundo os três eixos principaes de inércia exprimem-se em funcção 
das três coordenadas angulares d'Euler 

pelas formulas 



PHYSICAS E NATURAES 



29 



dty „ dO 

»= — .sen9 sen + -r- . cos 9 
r dt T r dt T 



d<p d0 

= -— .cos ? sen —.sen 9 

* dt T dí r 



d9 , dvp 
r=-^- + — .cos0 



(P) 



Os eixos principaes de inércia 

G Xj, G F 15 GZj 

são eixos moveis, ligados invariavelmente ao solido de revolução com 
a sua origem no centro de gravidade. Concebendo pois três eixos fi- 
xos orthogonaes 

GX', GT, GZ' 

com a mesma origem dos eixos moveis, coincidindo o eixo dos 71 com 
a direcção do movimento, o plano dos X T será o plano normal á tra- 
jectória, e a sua inclinação com o plano equatorial do solido de revo- 
lução será, portanto, a obliquidade do eixo de figura. A linha dos 
nódos ON, intersecção do plano equatorial com o plano normal, for- 
mará pois com o eixo fixo O Y', perpendicular ao plano do movimento, 
um angulo <J> e com o eixo movei um angulo 9. 

As três coordenadas angulares d'Euler definem respectivamente a 
nutação, a precessão e a ascensão recta do movimento 

Se a resultante das forças exteriores, que actuam sobre o solido 
de revolução, existir no plano determinado pelo eixo de figura e pela 
direcção do movimento e fôr uma funcção da obliquidade, o momento 
do binário resultante será 

SM=F{Q) 

O eixo do conjugado sendo pois a linha dos nódos, as projecções v 
do momento sobre os três eixos principaes de inércia são : 

L = SM* cos 9 

M= — <íyW.sen9 

JV=0 



30 JORNAL DE SGIENCIAS MATHEMATICAS 

por consequência 



A-P-\-(C— A).qr= SVf.cosç 
dt 



A-j- — {C—A).pr= — <£W.sen 9 



dt 



c.£-o 

dt 



são as equações differenciaes do movimento de rotação de um solido 
de revolução inteiramente livre, submettido á acção de forças variáveis 
com a obliquidade do eixo de figura. 

A ultima equação dá immediatamente 

r=r =const. 

e portanto resulta o seguinte theorema, que traduz uma propriedade 
notável do movimento: 

Theorema. — Se o eixo do conjugado coincidir com a linha dos nó- 
dos, a velocidade angular é constante em volta do eixo de figura. 

As equações differenciaes da rotação reduzem-se pois a um sys- 
tema de duas equações simultâneas: 



dp 
A-f- + r (C—A).q= óM.cosy 

ti l 



A~— r (C — 4).p=— SW.sen? 

(I L 



Multiplicando a primeira por p, a segunda por q e sommando, e 
multiplicando depois a primeira por sen 9, a segunda por cos 9 e som- 
mando, vem 

^\P~dt~^~y d ) = £M*(p cos <?— tfsen 9] 



PHTSIGAS E NATURAES 



31 



A^.seny-h ^-.cosçWroíc— ij.^cosç — gsencpj 



mas deduz-se das equações (b) 

dQ 



dt 



=p cos <? — q sen cp 



sen 9 . -r 1 =p sen 9 + g cos ? 

aí 

por consequência 

dt dt 



(dp . dq . dQ\ 

Hi* sen?+ ^ ,cos?+v ^ =ío 



dQ 
~dt 



Ora 



e derivando 



sen 2 9 . -i =p . sen 9 sen 9 -f g . cos 9 sen 9 
dt 



í dy\ 

li sen 2 9 • t~ 1,1 1 \ 

A ^ = ^.sen ? + ^-cos ? ).sene 

áí \dt r * dt V 

á^ ácp\ d9 



/ d4> á«A n dQ 

+ (cos9.^ + -Msen9.- 7 
1 \ dt dt J dt 



mas 

d? . . dy 
r __l + CO s9.- 

portanto 

dy 



d 



\ SenÍQ 'll) /dp dq iB\ . 

\ ^== (^. sen9 + ^. cos ç + r oT -). seno; 



32 JORNAL DE SGIENCIAS MATHEM ATIÇAS 



logo resulta 



dt dt 



d ( sen 2 . -r- 



inas 



\ dt J „ ácosG 

À it — = - r ' c -ir 

SW=F(S) 



*+<-■(£)'+— •©■ 



por consequência 



d sen 2 0.-M =— r — .rfcos 



são as equações differenciaes da rotação, que definem a precessão e a 
nutação do movimento. 



II 



Integração das Equações 

Contando o tempo a partir de uma dada época do movimento, te- 
remos para 

t=t 

dt dt 

porque n'esse momento a precessão e a nutação tem um valor constante 



PHYSICAS E NATURAES 33 

e inicial; por consequência 



sen 2 . — - = a (cos O — cos 0) 

(l l 



l) s + sen,e - (S) -»-j[V« 



onde 



C 
«=r,- ; 



-i 



são os integraes de primeira ordem das equações differenciaes da ro- 
tação. 

Fazendo 

a'=a.eos O 



'0 
f(cose)==&. I F(9)d0 

'0o 



resultam as equações differenciaes 

dty a' — a.cosô 
dt ' 1 — cos 2 

rf 9\ 2 */ m (a' — a. cos 0) 2 



(-)=/ ( COS0) — 



cos 2 9 / 



que definem a precessão e a nutação do movimento. 
A terceira equação (b) 

d? dty 

— i -=r j-.cos 9 

dt ° dt 

JOHN. I>E SCIENC. MATH. PHTS. E NAT. — N.° XLI. 



34 

dá 



JOKNAL DE SCIENCIAS MA THE M ATI CAS 



a' — a. cos 9 
= r n : „ — .COS 9 



dt 



1 — cos 2 Q 



e exprime a ascensão recta em funcção da nutação e da rotação pró- 
pria do solido em volta do eixo de figura. 

Operando uma simples mudança de variável independente para 
simplificar as equações 



u—a.cos 9 



vem 



e Jazendo 



de 



du 



dt 



s/a 1 — u 2 d t 



x (u) = ^ — u*).f( K ~)—(aa'--a.uf 



resultam as equações differenciaes da nutação, precessão e ascensão 
recta do movimento : 



du 
dt 


= ^X(m) 






dty 


aa'- 


-a.it 




dt 


a % - 


-u* 


dy 


— ** n 


a'u — 


-tt 2 



dt ° 



o 2 — u 1 j 



logo os três integraes das equações d'Euler são 



t—t, 



Jo \ 



du 



^ — ^=0. 



Vxwi 



u aa' — au du 



f Q a 2 -« 2 v/ x ( M ) 



9 — ?o= r o(« — h) — <* 



U„! 



a'u — u z du 



a z — u 2 x(u) 



PHYSICAS E NATURAES 35 

sendo 

as constantes da integração relativas á origem do movimento. 

As equações precedentes demonstram pois o seguinte theorema, 
que contém um novo caso de integrabilidade das equações d'Euler. 

Theorema. — Se o eixo do conjugado resultante das forças exterio- 
res coincidir com a linha dos nódos, e se o seu momento fôr uma funcção 
da obliquidade, as equações d'Euler são integráveis pela reducção ás 
quadraturas. 

Suppondo as integrações effectuadas, as formulas precedentes ex- 
primem as coordenadas angulares d'Euler em funcção do tempo, e con- 
duzem á investigação da curva descripta no espaço pelo polo instantâ- 
neo da rotação, e á imagem sensível do movimento. 

As quadraturas reduzem-se ás funcções ellipticas nos casos seguin- 
tes: 

I — quando o momento do conjugado resultante das forças exterio- 
res fôr -proporcional ao seno da obliquidade ; 

II — quando fôr proporcional ao producto do seno pelo coseno da 
obliquidade. 

Com effeito 

f(cosO) = b. j F(Q).de 

por consequência, quando fôr 

£/lf=^.sen 



resulta 

e quando fôr 
resulta 

logo a funcção 



f(~) = --(u — u), 
\a J a 

çM<=h. cos sen 
x (?i)x»(o» — u *).f(£\ — (aa' — auy 



3* 



36 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

é um polynomio do terceiro ou quarto grau, e por consequência os in- 
tegraes das equações d'Euler reduzem-se ás funcções ellipticas. 

A reducção opera-se ainda quando o momento do conjugado fôr 
tal que dê 

(a a' — a.iif 



(i*\ (aa' — a.uY 
-)=— i — r^ + ncw) 
a] a 2 — u 2 



sendo II um polynomio do terceiro ou quarto grau. 

Se porém o momento do conjugado dér para a funcção x um po- 
lynomio de um grau superior então os integraes das equações d'Euler 
reduzem-se ás funcções hyperellipticas. 

A immagem sensível do movimento de um solido inteiramente livre 
em volta do seu centro de gravidade obtem-se facilmente n'estes casos 
notáveis de integrabilidade das equações d'Euler, porque depende da 
lei da variação do conjugado resultante das forças exteriores. 

Quando o momento do conjugado variar proporcionalmente ao seno 
da obliquidade, a funcção x é um polynomio do terceiro grau, e os in- 
tegraes das equações d'Euler reduzem-se ás equações do movimento do 
pêndulo cónico. O polo instantâneo da rotação descreverá pois no es- 
paço uma curva semelhante á curva descripta por um ponto material 
sobre a superfície de uma esphera, e o eixo instantâneo terá portanto 
uma oscillação cónica em volta da tangente á trajectória, como a do 
pêndulo cónico em volta da vertical de suspensão. 

O movimento de oscillação cónica do eixo instantâneo constitue 
pois a immagem sensivel do movimento de rotação do solido livre. 

A precessão e a nutação sendo pois funcções periódicas, o plano 
do conjugado e o eixo de figura oscillam simultânea e periodicamente 
em volta da tangente á trajectória; portanto o eixo instantâneo e o 
eixo de figura descrevem no espaço duas superfícies cónicas ondu- 
ladas. 



PHTSICAS E NATURAES 



37 



SEGUNDA PARTE 



MOVIMENTO DE TRANSLAÇÃO 



Eqnaçõcs Differenciaes 



movimento de translação de um solido livre reduz-se ao movi- 
mento do seu centro de gravidade, e portanto ao movimento de um 
ponto material, sollicitado pelas mesmas forças exteriores. 

As equações differenciaes do movimento são pois 



d 2 x 
m.-—=X 
dt 2 



m 



• ??-F 



dt 2 



ire»-— = Z 

dt 2 



e a trajectória será uma curva de dupla curvatura. 

N'um dado ponto da trajectória, que tomaremos para origem do 
movimento, consideremos três eixos fixos orthogonaes 



e designemos por 



OX, OY, OZ 



«', P, i 



38 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMATICÁS 

os ângulos que a tangente e a normal, existente no plano da força, 
formam com os três eixos coordenados. 
A força motriz 

- P =v/^HV 

é a resultante da força retardatriz e da força desviatriz e existe no 
plano determinado pelo eixo de figura e pela tangente á trajectória ; 
por consequência as componentes das forças exteriores segundo os três 
eixos coordenados são: 



X== — p, • COS a. -f- p„ • COS a! 

F= — p, • cos (3 -j- p rt . cos (3' 

Z = — p, • COS y -\- p u . COS / 

COS 2 a -j- COS 9 (3 -f COS 3 y = 1 

COS 2 ot!-\- COS 2 (3'+ COS 2 /= 1 

COS a . cos a' 4- COS [3 . cos j3' -f COS y • COS / = O 



sendo 



as condições de orthogonalidade a que devem satisfazer os seis ângu- 
los n'um ponto qualquer da trajectória. 

As equações differenciaes do movimento de translação do centro 
de gravidade do solido inteiramente livre, submettido á acção das for- 
ças dadas, são pois: 

d 2 x 
m . — = — p, . cos a + p n . COS a! 



cPy 

m . — = — p, . cos (3 -f p„ . cos 0' 



d z z 
m- — \ = — p, • cos y -f p„. cos / 



PHTSICAS E NATURAES 



39 



Mas a força desviatriz p„ é a resultante de duas forças principaes: 
a força derimtriz p„', que actua perpendicularmente ao plano proje- 
ctante do movimento, e a força central p„" existente n'este mesmo plano 
segundo a normal á trajectória; por consequência, designando por i e 
o) a inclinação e a derivação do movimento, resulta immediatamente 



COS a = COS t • COS W 



cos |3 = sen i 



cos 7 = cos ^.sen w; 



e, como a projecção da resultante é egual á somma algébrica das pro- 
jecções das componentes, vem 



p, i .cosa'=p i / .cosf-^-l- «Wp/.cosí^-f n.cos 



ta 



6 )( . cos j3' = p„" . cos i 



p, ( .cos y'=p»' «cos<» 



n 



ff,/' -cos (y + ij.sen 



'.i 



logo as equações differenciaes do movimento de translação do solido 
livre são: 



m.-— = 
dt* 



— p, • cos i cos m — p,/ . sen w — p n " . sen i cos « 



wi. — = — p,.sen* +Pn".cosí 



d 2 z 

»«• — = — pecos i sen w-|-p n ".cos w — p„"«sen t sen &> 



(«) 



40 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

onde 

p,/ = p„ • sen ^ 

p»"— ?»• cos ty 
As componentes da velocidade segundo os três eixos coordenados 



sao; 



~r~ = v . cos i • COS o) 
dt 

dy 



dt 

dz 



= v.seni } (b) 



dt 



= v.cos z.senw 



logo 



d 2 x p, da; ., cosw dy 

d 2 w p, di/ 



d 2 ^ Pi d 2 „ sen» dw 
m.-— = ._-_ p 7'. ^L_L.p n '. e0Sw 

dt 1 v dt l í> dí 



são as equações differenciaes que é necessário integrar para obter as 
equações da orbita descripta pelo solido livre, submettido unicamente 
á acção das três forças principaes. 

Este systema de equações não é integrável pelos methodos conhe- 
cidos na Analyse; todavia consegue-se a sua integração, eliminando as 
variáveis entre os systemas equivalentes (a) e (b). As quadraturas re- 
duzem-se ás funcções ellipticas nos mesmos casos do movimento de 
rotação; e, as coordenadas da orbita, sendo pois funcções periódicas,, 
o movimento de translação do solido livre será também um movimento 
periódico. 



PHTSICAS E NATURAES 



4i 



II 



Integração das Equações 



Derivando em ordem ao tempo as componentes da velocidade, 
resulta 



UíSs d V dl 

-r- = cos i cos w . — v sen i cos w . -— 

dt 2 dt dt 



v cos i sen w . 



(O 



</í 



drv . dv , . di 

— í =a sen » . — -f v cos i . — 
dí 2 áí ' dí 



d 2 z . dv . dt dw 

— - = cos i sen«.- v sen i sen &>.— — \-v cos s cos w. — 

dt* dt dt dt 



e, substituindo nas equações (a), vem 



m 



( .di . dw\ ih. .1 ) 

(í;coswseni.-T-+ycosí sen oj.—-)=/^ cos? cosw+p,;'. sen? cos w+p,/. seno; 
\ flí dí/ I 



rw t> cos « • —r- =■ 
dt 



R . sen 1 4- p„" . cos t 



di . d M . 

mlusenwsení.— — vcosscosw .— =.ANcosiseno>-l-p,"semsen'» — p/.cosw 



dí 



dt 



sendo 



_, dv 



Multiplicando a primeira equação por cos m, a terceira por sen w 



42 



JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



e sommando ; e inversamente, multiplicando depois a primeira por sen w, 
a terceira por cos w e subtrahindo, resultam as equações: 



di 



mv . sen «—-=/?. cos t-f p„"sen i 

dt 



• ^* r, ■ I II 

mv .cos »-r- = — /c«sen »-f-p„"cos & 



iw 



mw «cos i— — =p„ 



Multiplicando agora a primeira por cos i, a segunda por sen i e 
subtrahindo; multiplicando depois a primeira por sen i, a segunda por 
cos i e sommando, vem 

R = 



di 
mv.-— = o a 

dt r 



H 



mv 



dt cosi 



mas 






logo resultam as equações differenciaes 



dv 



di , 

aí 



mv 



da _ p.' 
df cos i 



PHYSICAS E NATURAES 



43 



que definem respectivamente a acceleração tangencial, a acceleração 
centrípeta e a acceleração derivatriz do movimento relativamente a uns 
eixos moveis. 

A primeira e a segunda d'estas equações definem o movimento do 
centro de gravidade no plano osculador á trajectória, e a terceira ex- 
prime a derivação ou o movimento angular do plano osculador no es- 
paço e demonstra o seguinte theorema, que traduz uma propriedade 
notável do movimento. 

Theorema. — No movimento do solido livre a projecção da accelera- 
ção angular ê egual á acceleração derivatriz : 



d « 
v -r- . cos t 
dt 



ft/. 
m 



As equações differenciaes do movimento dos eixos moveis são as 
componentes da volocidade segundo os três eixos fixos; por conse- 
quência as três equações diferenciaes de segunda ordem (c) de trans- 
lação são equivalentes ao systema das seis equações differenciaes de 
primeira ordem: 



dv 
m. — = 

dt 



— Pi 



7/J. 



di 

7t 



V 



(p) 



d w 
Ifl.-r- = 

dt vcosí 



?" 



dx 



dt 



dy 



v . cos i . COS ca 



dt 



dz 



dt 



v.sen i 



(?) 



= t>.cos i «sen » 



44 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMAT1CAS 

cuja integração se obtém immediatamente pela reducção ás quadra- 
turas. 

Com effeito a força motriz existe no plano determinado pelo eixo 
de figura e pela tangente á trajectória e é a resultante de três forças 
principaes: 



sendo 

p n ' = p B .sen4/, 

Pr/ — P n • COS ty, 

mas as componentes tangencial e normal são dadas em funcção da obli- 
quidade 

e o angulo <\> define a precessão do movimento e exprime-se também 
em funcção do angulo 0, como se demonstrou na theoria da rotação; 
por consequência resulta 

p. = F> (9) 

?J = F i '(B) 

mas 

u == a . cos 

logo, eliminando o angulo 0, virá 

P« =Xi («) 
P*'=X»(*0 

P."=X 3 (W) 



PHYSICAS E NATURAES 45 

As equações differenciaes do movimento de translação serão pois: 



dv 
m -77 = — Xi(m) 



mas 



di 



dt cost 



= /x(«) 



dí 



como fica demonstrado na theoria da rotação; logo resultam imme- 
diatamente as equações differenciaes do movimento com as variáveis 
separadas: 

1 X3 (") àu 



d\=* 



m U(u) ^/ X ( M ) 



1 X s («) du 



m II' (u) / X ( tt ) 

sendo II o primeiro integral e II' o producto do primeiro pelo coseno 
do segundo. 

As equações differenciaes do movimento exprimem-se pois em 
funcção da obliquidade do eixo de figura. 

A integração das equações dá immediatamnnte a volocidade, a in- 
clinação tangencial e a derivação angular, i e w, em funcção da variá- 
vel u; por consequência as equações differenciaes da orbita descripta 
pelo solido livre no seu movimento de translação exprimem-se tam- 
bém em funcção da obliquidade : 



46 



JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMÀTIGAS 



dx 
dt 



■ X(U) 



Í-7 W 



dz 

~dl 



Z{u) 



Eliminando o tempo por meio da equação da nutação 

d u /^7- N 



dl 



resultam as equações differenciaes 



dx = X(u). 



dy=Y(u) 



dz = Z(u). 



du \ 



•xõõ 

du 
du 



/*(«) 



onde as variáveis estão separadas. 

Logo as coordenadas da orbita do solido livre exprimem-se em 
funcção da obliquidade: 



x x„ 



Vx{u) 



.du 






z — z n 



sendo 



'o /X(«) 

/o V/XM 



.du 



as constantes da integração. 



PHYSICAS E NATURAES 47 

O movimento de translação do solido livre depende pois do seu 

movimento de rotação. 

Quando as funcções 

X, Y, Z 

forem polynomios racionaes e inteiros da variável u as equações inte- 
graes do movimento de translação reduzem-se ás funcções ellipticas 
nos mesmos casos do movimento de rotação. Se a fnncção x fôr po- 
rém um polynomio de grau superior ao quarto então os integraes das 
equações do movimento reduzem-se ás funcções hyperellipticas. 

A orbita descripta- pelo solido livre, submettido unicamente á ac- 
ção das forças dadas, é uma curva de dupla curvatura; mas. se alguma 
das três forças principaes for nulla, a orbita è uma curva plana. 

Com effeito, suppondo nulla a força derivatriz o,', o solido seria 
então actuado constantemente pela força retardatriz p, e pela força cen- 
tral p„"; por consequência as equações differenciaes do movimento são: 

dv 



di 
dt 



mv --J7 = P» 



dc>y 
mv.——— O 
dt 

A terceira equação dá immediatamente 

w =const. 

por consequência o plano projectante do movimento sobre o plano dos 
xz forma um angulo constante com o plano dos xy e toma no espaço 

uma posição invariável. É o plano da orbita. 

As equações differenciaes da translação do centro de gravidade 

serão pois: 

.. i x/(«) A 

ae= — » - ■ » a u 



m 



•x(«) 



48 
com 



JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMAT1CAS 



ds . * 

• = V . COS l 



dt 
dy 



=t;.sen i 



dt 



e por consequência as equações integraes do movimento do solido li- 
vre são : 

X(u).du 



í 



x x — 




Vx{u) 



y — y. 




Y(u).du\ 



Estas equações sâo muito notáveis, porque conduzem facilmente 
a uma theoria do movimento elliptico. 

Exemplifiquemos. Quando as funcções X e Y forem dadas por 



X (u) =a.\/x («) • sen . u 

Y(u) = b^x (w) • cos . u 



resulta 



x — x =a,cosu 
e 

y— y =& -senti 

sendo x e y constantes da integração. 
A equação da orbita é pois 



a a 



b* 



ogo o movimento do solido livre é um movimento periódico e elliptico. 



y-o 




~^W 



JODRnSTJ^IL. 



DE 



SCIENCIAS MATHEMATICAS 

PHVS1CAS E Mim® 



publicado sob os auspícios 



DA 



ACADEMIA REAL OAS SCIENCIAS OE LISBOA 



MM. XLII.— JUNHO DE 1886 





LISBOA 

TYPOGRAPHÍA DA ACADEMIA 

"^1886 
v 




INDEX 



PSYCHOLOGIA E ETHNOLOGIA I 

1. Notas psychologicas e elhnologicas sobre o povo 
porluguez — por Arruda Furtado 49 

Zoologia : 

1. Reptis e amphibios de S. Thoraé — por J. V. Bar- 

boza du Bocage 65 

2. Reptiles et Batraciens nouveaux de Tile de St. 

Thomé — par J. V. Barboza du Bocage 71 

3. Lista das aves colligidas em Africa de 1884 a 1885 

pelos srs. Capello e Ivens — por José Augusto de 
Sousa 76 

4. Lista das aves colligidas pelo sr. Serpa Pinto no 

Ibo em 1885 — por José Augusto de *Sousa 82 

5. Sur la denomination de r«Hélix'torrefacta», Lowe, 

des Canaiies — par Arruda Furtado 86 

6. Sobre o logar que devem occupar nas respectivas 

famílias os molluscos nús — por Arruda Fur- 
tado 88 

7. On a new or criticai species of Monkey, and a syte- 

matical arrangement of a group of Cercopithe- 
cus — by prof. F. Mattozo Santos 95 

8. Sur le tétard du «Cynops (Pelonectes) Boscai» par 

le prof. F. Mattozo Santos 99 

9. Note addilionnelle sur les reptiles de St. Thomé 

— par B. B 103 



PHYSICAS E NATURAES 49 

PSYCHOLOGIA E ETMOLOGIA 



NOTAS PSYCHOLOGICAS E ETHNOLOGICAS 

SOBRE O POVO PORTP/GUEZ 

POR 

ARRUDA FURTADO 

Addido á Secção Zoológica do Museu de Lisboa 



I 

Nomes vulgares de peixes 

Para a elaboração da memoria Maleriaes para o estado anthropo- 
logico dos povos açorianos, tive de reunir um avultado numero de fa- 
ctos de toda a sorte, a fim de tomar d'elles o numero sufficiente ou 
as conclusões geraes necessárias para o meu ponto de vista. Alguns 
d'estes factos são inéditos e de muito interesse; tencionei logo, por 
isso, preparar segundo trabalho em que os diversos pontos que, n'aquella 
memoria, eram, com o rigor scientiflco, tomados no sufficiente, fossem 
agora desenvolvidos mais ou menos sob o ponto de vista próprio de 
cada um. Não perdi a idéa de proseguir messe trabalho, estabelecendo 
tanto quanto possivel a comparação do povo açoriano com o continen- 
tal que começo agora a observar e a conhecer por mim próprio, con- 
vencendo-me cada vez mais de que as minhas apreciações do povo mi- 
chaelense não tiveram muito de exageradas quando consideradas, ao 
menos, nas suas linhas geraes. 

Todos sabem que o estado da lingua de um povo é a imagem fiel 
do seu estado mental e social, e, como diz um notável escriptor mo- 
derno, se nos não restasse d'um povo mais que o seu vocabulário po- 
deríamos seguramente traçar toda a historia da sua civííisação. Por 
isso indiquei summariamente, como me permittia o ponto de vista em 
que me collocàra, o modo de construcção da phrase do povo michae- 
lense, e a influencia que teria sobre o seu fundo de idéas a pobreza 

JORN. DE SCIENC. MATII. PIIYS. E NAT. — N. XLII. 4 



50 JOHNAL DE SCIENCIAS M ATUEM ATIÇAS 

da fauna e da flora, as quaes, não apresentando em que se exercesse 
uma importante parte do vocabulário trazido pelos colonisadores, teria 
feito esquecel-a em poucas gerações, e com ella ter-se-iam ido todas 
as idéas correspondentes. Isto é incontestável e os exemplos são fá- 
ceis de encontrar; mas será muito interessante desenvolver o mais 
possível a exemplificação. Procedendo a esse trabalho, que consiste na 
confecção de listas dos nomes vulgares de animaes e plantas de lá e 
de cá, para constatar não só a sua differença numérica, mas o grau 
de persistência, a applicação diversa, a substituição que soíTreram, pre- 
senti, ao fazer a lista dos nomes vulgares dos peixes de Portugal, fa- 
ctos muitíssimo interessantes, não só como podendo estabelecer rela- 
ções etimológicas, mas sobretudo por contribuírem seguramente para 
o conhecimento completo do estado psychologico do povo portuguez. 
A presente nota tem por fim pôr esses factos em evidencia, não 
devendo a sua publicação esperar pela dos que são propriamente aço- 
rianos, e que certamente terá de fazer-se muito mais tarde. 



* 
# # 



No Catalogo dos Peixes de Portugal, por Félix de Brito Gapello, 
Lisboa, 1880, é raro enconlrar-se uma espécie, nas 267 indicadas, que 
não tenha o seu nome vulgar e ás vezes dois e três na mesma locali- 
dade. Este facto é por si só muito eloquente e lisongeiro para um povo 
que assim possue um vocabulário guasi tão completo em numero como 
o dos homens da sciencia, e denota immediatamente um poder de ob- 
servação enorme. As denominações vulgares, como os exemplares cor- 
respondentes, foram pela maior parte recolhidas no mercado de Lis- 
boa; ha também bom numero de Setúbal e do Algarve, umas particu- 
lares, outras communs. No fim do Catalogo ha uma lista por ordem 
alphabetica dos nomes vulgares recolhidos até então, a maior parte 
dos quaes se encontram na ordem systematica do Catalogo juntos aos 
seus equivalentes scientificos; uma outra parte não se encontra na or- 
dem systematica do Catalogo, mostrando assim que não tinha ainda 
sido possível saber precisamente a que espécies eram applicados, ou 
que o povo conhecia, pelos seus nomes, mais um bom numero de for- 
mas que, na localidade, não tinham ainda vindo ás mãos do naturalista. 
O numero total dos nomes vulgares que se encontram no catalogo sys- 
tematico e na lista é de 290, dos quaes 71 (quasi a quarta parte) não 
tinham sido ainda identificados. 



PHYSIGAS E NATURAES 51 

Temos pois que, para uma fauna conscienciosamente explorada, 
em que ha 267 espécies scientificamente observadas, tem o vocabulá- 
rio popular 200 nomes. Como se viu, os nomes vulgares foram só re- 
colhidos nos mercados e populações marítimas de Lisboa, Setúbal e 
Algarve, e portanto a lista deve ser ainda muito incompleta; nos po- 
vos marítimos acima de Lisboa, especialmente no norte do paiz, muito 
haverá que explorar, já em synonymos, já também em nomes differen- 
tes applicados a espécies próprias d'aquellas paragens, ou, ao menos, 
n'ellas menos raras. Porém a lista, já confeccionada, é já bastante 
grande para demonstrar o que eu esperava poder demonstrar em ponto 
grande. Os peixes dos Açores não estão ainda estudados; no gabinete 
zoológico do Lyceu de Ponta-delgada acha-se já um bom núcleo, mas 
tudo leva a crer que o numero das espécies seja avultado; ora os no- 
mes vulgares recolhidos até hoje da boca dos pescadores açorianos 
não chegam a 100; alguns, muito poucos, não existem na lista do con- 
tinente. De duas, uma: ou a fauna ichtyologica dos Açores é menos 
rica do que a de Portugal, e então deu-se o que na nossa memoria an- 
thropologica summariamente indicámos: os vocábulos levados do conti- 
nente perderam-se por não terem a que se applicar — o que é defeito 
de Meio; ou a fauna é tanto ou mais rica do que a de Portugal e os 
povos açorianos contentaram-se em applicar denominações genéricas, 
chamando simplesmente chicharro a todos os chicharros, bodião a to- 
dos os bodiões, porque a importância culinária dada ás differentes es- 
pécies, o saber aproveital-as, era lá muito menor (o que actualmente 
é um facto) e não tornava necessária a meuda distincção do intuito 
commercial — o que é defeito de Raça. . . Mas deixemos para depois a 
questão particular: 

Todos sabem a importância culinária enorme que tem o peixe em 
todo o continente e especialmente para a população de Lisboa; por 
isso ; iode explicar-se o grande numero e variedade dos nomes vulga- 
res: cada vez que a uma differença de coloração ou de forma corres- 
pondia uma differença notável para o paladar, era necessário adoptar 
uma denominação que bem alto annunciasse a existência da particula- 
ridade estimada. Encontramos alguns exemplos que parecem demons- 
trar isto: Linguado é a mera denominação genérica dada a cinco es- 
pécies do gen. Solea, mas uma sexta é distinguida pelo nome de Aze- 
via; Bodião é uma denominação tão genérica para o gen. Labrus que 
até o povo a estende a todas as espécies do gen. visinho, Crenilabrus, 
mas uma das seis espécies de Labrus é distinguida no mesmo mer- 

4* 



52 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATIGAS 

cado de Lisboa pelo único nome de Margota. O nome de Galinha do 
mar, por exemplo, é até um qualificativo positivamente ditado pelo 
paladar. 

Ao passo porém que encontramos d'estas distincções que me pa- 
recem determinadas pela razão que apontei, mas que nem por isso 
deixam de ser admiráveis porque recaem muitas vezes (o que é o caso 
para um dos exemplos citados) nos géneros mais difficeis para o na- 
turalista experimentado; ao passo, dizia, que encontramos d'aquellas 
distincções, encontramos o contrario: nomes vulgares eguaes em pon- 
tos muito distantes do catalogo methodico, isto é, applicados a espé- 
cies pertencentes não só a géneros mas a famílias muitíssimo distinctas, 
o que traduz ou o facto da não necessidade de se distinguir essas es- 
pécies com denominações esjeciaes pela sua pouca importância com- 
mercial, ou o da difficuldade invencível que tem o povo em compre- 
hender e formular certo. género de distincções materiaes. 

Nós sabemos de ha muito que as distincções que o povo pode fa- 
zer, não são de modo nenhum eguaes ás que pode fazer o sábio, que 
só este pode ver certos caracteres, e que mesmo alguns dos que pa- 
recem metter-se pelos olhos, só elle os vê; mas nós sabemos isto dum 
modo geral. Vendo que n'uma mesma localidade e para um dado ra- 
mo, o povo tem uma nomenclatura tão completa (ainda que em nu- 
mero) como o sábio, indo mesmo este muitas vezes buscar o nome 
especifico á denominação vulgar que não é um simples nome de ba- 
ptismo, mas uma denominação qualificativa, de valor descritivo, como 
Centrophorus crepidater e Centrophorus crepidalbus — Sapata preta e 
Sapata branca, para nos contentarmos com os exemplos do nosso ca- 
talogo; vendo isto, vemos que a incapacidade popular não é tão grande 
como se suppunha, e que ha, para esta ordem de factos, uma grande 
esphera de desenvolvimento fora do estimulo scientifico. 

A elaboração da lista dos nomes vulgares dos peixes de Portugal 
trouxe-me a estas considerações, e a ver que a medida exacta da fa- 
culdade de distincção que este ou aquelle grupo popular chegou por 
si só a possuir, não é ainda conhecida, sendo aliás possivel de averi- 
guar-se e de exprimir por um numero, na ordem do factos em ques- 
tão, tornando-se assim susceptível de medida um traço de psychologia 
descriptiva. Vou pois apresentar a lista dos nomes vulgares com os 
seus equivalentes scientificos, e depois a classificação psychologica a 
que procedi, e os resultados interessantes d'essa classificação. Eviden- 
temente a classificação não podia ser feita senão nos nomes de uma 
mesma localidade: que no Algarve se dê a uma coisa o mesmo nome 



PHYSICAS E NATURAES 53 

que se dá em Setúbal a outra muito differente, nâo tem isso mais do 
que uma significação ethnologica, ou então uma psychologica consis- 
tente apenas no grau de acerto do qualificativo, mas não aquella que 
buscamos. Ao menos n'esta ordem de factos, não é possível conside- 
rar como um todo mais do que um limitado grupo de população. É 
por isso que as minhas investigações se limitam á população de Lis- 
boa, como sendo o mercado ahi muito mais abundante,, o numero de 
nomes vulgares recolhidos maior, e a sua identificação com os nomes 
scientificos necessariamente muito mais perfeita. 



Lista dos nomes vulgares 

das espécies de peixes observadas no mercado de Lisboa 

com os seus equivalentes scientificos 

1 . Abrotea 1 . Phycis blennioides, BI. 

2. mediterraneus, Del. 

2. Albacora 3. Thynnus brachypterus, G. e V. 

3. Albafar 4. Hexanchus griseus, L. 

4. Alfaquim 5. Zeus faber, L. 

5. Anchova 6. Seriola Lalandi, C. e V. 

7. Engraidis encrasicholus t L. 

8. Temnodon saltator, L. 

6. Anequim 9. Oxyrhina gomphodon, M. e H. 

7. Arreganhada 10. Centrophorus squamosus, M. 

e H. 
11. Scymnodon ringens, Boc. e 
Cap. 

8. Atum 12. Thynnus thynnus, Gunth. 

9. Azevia 13. Solea azevia, Gap. 

10. Bacalhau 14. Gadus merlangus, L. 

11. Badejo 15. pollachius, L. 

12. Balhadeira 16. Labrax punctatus, Bloch. 

13. Barbo 17. Barbus Bocagei, Steind. 

18. comisa, St. 

14. Bargéla 19. Peristedion cataphractum, C. 

e V. 



54 JORNAL DE SCIENC1AS MATHEMATICAS 

15. Barroso 20. Centrophorus lusitanicus, B. 

e C. 

16. Bêbado 21. Trigla lineata, L. 

22. cuculus, C. e V. 

17. Bebo =Bebedo. 

18. Bezouro 23. Ma cr urus trachyrhynchus, 

Risso. 

19. Bezugo 24. Pagellus Oweni, Gunth. 

25. acame, C. e V. 

20. Bica 26. guntheri, Cap. 

21. Bicudo 27. Mugil capito, C. 

22. BiqueirãO Engraulis encrasicholus. 

23. Biqueirão branco 28. Argentina hebridica, Yarr. 

24. Boca-doce 29. Heptanchus cinereus, Raff. 

25. Bodião 30. Labrus Donovani, C. e V. 

31. comber, Penn. 

32. turdus, C. e V. 

33. reticulatus, Lowe. 

34. mixlus, L. 

35. Crenilabrus pavo, Briinn. 
36. Bailloni, C. e V. 

26. Boga 37. Box vulgaris, C. e V. 

27. Cabaço 38. Trigla hirundo, C. e V, 

28. Caboz 39. Gobins capito, C. e V. 

40. ■ algarbiensis, Cap. 

41. Blennius tentacularis , Brúnn. 

29. Cabra 42. Trigla lyra, L. 

30. Cabrinha da mourama — YSm- 

géla. 

31. Cação 43. Mustellus vulgaris, M. e H. 

44. Icevis, Rond. 

32. Cachucho 45. Dentex macrophlhalmus, C. 

e V. 

33. Canário Labrus mixtus. 

34. Canário do mar 46. Anthias sacer, BI. 

35. Cangulo 47. Balistes capriscus, Gm. 

36. Cantarilho 48. Sebastes Kuhli, Lowe. 

49. filifer, V. 

37. Capatão 50. Dentex filosus, V. 



PHYS1CAS E NATUKAES 55 

38. Carapau 51. Trachurus trachurus, L. juv. 

39. Carocho 52. Scymnus lichia, Bp. 

40. Carta 53. Arnoglossus Boscii, Risso. 

41. Cavala 54. Scomber eólias, L. 

42. Cavalo marinho 55. Hippocampus brevirostris, 

Kaup. 

43. Chaputa 56. Brama Raji, Bleck. 

44. Charréu 57. Trachurus fallax, Cap. 

45. Charrôco 58. Batrachus didactylus, Bloch. 

59. tau, L. 

46. Cherna 60. Serranus cernioides, Cap. 

47. Cherne 61. Polypnon cerniam. C. e V. 

48. ChicharrO Trachurus trachurus. 

49. Chicharro francez fallaxjuv. 

50. Chicharro w^rão=Charréu. 

51. Choupa 62. Cantharus lineatus, Gunth. 

52. Congro 63. Conger vulgaris, C. 

53. Corvéu 64. Mttgil cheio, C. 

54. Corvina 65. Scicena aquila, C. e V. 

55. Denlão 66. Dentex vulgaris, C. e V. 

56. Dentelha 67. parvulus, Cap. 

57. Dentudo 68. Galeus canis, Rond. 

58. Donzella 69. Molva vulgaris, Fiem. 

59. Dourada 70. Chrysophys aurata, C. e V. 

71. Lichia amia, L. 

60. Dourada fêmea 72. Chrysophys crassirostris , C. 

e V. 

61. Eiróz 73. Ànguilla latirostris, Yarr. 

62. Emprenhador 74. Trigla gurnardus, L. 

63. Enchova= Anchova. 

64. Engenhim 75. Serranus goreensis, C. e V. 

65. Enguia 76. Ànguilla acutirostris, Yarr. 

66. Enguia macha 77. Briboni, Kaup. 

67. Escolar 78. Trichinus preliosus, Gunth. 

68. Faneca 79. Gadus luscus, L. 

69. Fataça 80. Mugil cephalus, C. e V. 

capito. 

cheio. 



56 JORNAL DE SC1ENCIAS M ATUEM ATIÇAS 

70. Ferreiro 81 . Pagellus mormyrus, C. e V. 

71. Fm'ra=Chaputa. 

72. Gaiado 82. Thynnus pelamys, C. 

73. Galhudo 83. Acanthias Blainvillei, Risso. 

84. vulgaris, Risso. 

74. Galinha do mar 85. Sebastes imperialis, C. e V. 

75. Garoupa 86. Serranus scriba, C. e V. 

87. cabrilla, C. e V. 

76. Garrento 88. Mugil auratus. Risso. 

77. Gata 89. Scillium calulus, C. 

78. Goraz 90. Pagellus centrodontus, C. e V. 

79. Ilhalvo 91. Mugil constantice, C. e V. 

80. Imperador 92. Be.ryx decadactylus, C. e V. 

81. Judeu 93. Auxis Rochei, Risso. 

82. Judia 94. Coris julis, Gunth. 

83. Juliana 95. Malva elongata, Otto. 

84. Lacrau do mar 96. Gadus poutassou, Risso. 

85. Lampreia 97. Petromyzon marínus, L. 

86. Leitão 98. Pristiurus Ârtedi, Risso. 

87. Lingua de vaca 99. Synaptura lusitanica, Cap. 

88. Linguado 100. Solea vulgaris, Quens. 

101. Capelloi, Steind. 

102. oculata, Rond. 

103. variegata, Don. 

104. monochir, Bp. 

89. Lirio ferro 105. Alepisaurus ferox, Lowe. 

90. Lixa de lei 106. Centrophorus granulosus, M. 

e H. 

91. Lixa de pau Centrophorus squamosus. 

92. Lua 107. Orthagoriscus mola, Schn. 

93. Margota 108. Labrus bergylta, Ase. 

94. Marinha 109. Syngnalhus açus, L. 

95. Masca-tabaco 110. Uranoscopus scaber, C. e V. 

96. Mera 111. Serranus fimbriatus, Lowe. 

97. Mero 1 12. gigas, C. e V. 



PHTSICAS E NATURAES 57 

98. Moreia 113. Murcena helena, L. 

99. Mugem Mugil auratus. 

100. Mugueira — . cephalus. 

101. Olho-branco 114. Carcharias lamia, Risso. 

102. Olho de boi 115. Sargus cervinus, Lowe. 

103. Olhudo 116. Pomatomus telescopus, Risso. 

104. Oréga 117. Raja lintea, Fries. 

105. Pailona. 118. Lcemargus rostratus, Risso. 

Scymnus lichia, Bp. J. 

106. Pampo 119. Stromatens fiatola, L. 

120. microchirus, Bonelli. 

107. Papa-tabaco=MdiSca-tabaco. 

108. Pargo 121 . Pagrus vulgaris. C. e V. 

122. Bocagei, Lowe. 

Dentex vulgaris. 

109. Pata-roxa 123. Scillitm canicula, C. 

110. Pattrussa 124. Pleuronectes flesus, L. 

111. Peixe-agulha 125. Belone vulgaris, Fiem. 

112. Peixe-anjo 126. Squatina vulgaris, Risso. 

113. Peixe-aranha 127. Trachinus draco, C. e V. 

128. vipera, C. e V. 

114. Peixe-cobra 129. Ophisurus serpens, Lac. 

115. Peixe-coelho 130. Chimcera monstrosa. L. 

116. Peixe-dourado 131. Carassius auratus, L. 

117. Peixe-espada 132. Lepidopus lusitanicus, Leach. 

118. Peixe-espada lirio 133. Trichiurus leplurus, C. e V. 

119. Peixe-espada preto 134. Nesiarchus nasutus, Johns. 

120. Peixe-ga lo = A I fa quim . 

121. Pm;e-/í'ma ==Bezouro. 

122. Peixe-martello 135. Sphyrna zygama, L. 

123. Peixe-pau 136. Callionymus lyra, L. 

124. Peixe-pimenta— Peixe-pau. 

125. Peixe-porco 137. Cen trina Salviani, Risso. 

126. Peixe-prego 138. Echinorhinus spinosus, L. 

127. Peixe-rapozo 139. Alopias vulpes, L. 

128. Peixe-rei 140. Âtherina presbyter, C. e V. 

129. Peixe-voador 141. Exocotus lineatus, C. e V. 

130. Perna-de-moça==Denluáo. 



58 JORNAL DE SC1ENC1AS MATHEMATICAS 

131 . Pescada 1 42. Merlucius ml 'garis, Fiem. 

132. Pescada preta 143. Centrolophus pompilus, C. e 

V. 

133. Pico d'el-rei 144. Motella tricirrata, BI. 

145. maculata, Risso. 

134. Pimpim 14G. Capros aper, L. 

135. Pinta-roxa =Pata-roxa. 

136. Pom&o= Pampo. 

137. Pregado 147. Rhombus maximus, Will. 

138. Quelme=Lha de lei. 

139. Raia 148. Raja microcellata , Mont. 

149. macrorhyncha, Raf. 

lintea. 

140. Raia pintada 150. capensis, M. e H. 

151. asterias, M. e H. 

141. Raia pregada 152. clavata, Rond. 

153. fullonica, Rond. 

142. Raia quatro olhos 154. miraletus, L. 

155. ncevus, M. e H. 

143. Rascasso 156. Scorpoena scropha, C. e V. 

144. Ratão 157. Myliobates aquila, C. 

145. Rebeca 158. Rlúnobalas columnce, M. e H. 

146. Robalo 159. Labrax lúpus, C. e V. 

147. flocaz=Rascasso. 

148. Roda j 

149. Rodim. . . ) 

150. Rodovalho 160. Rhombus la?vis, Rond. 

161. panctatus, Gnnth. 

151. Romeiro 162. Naucrates ductor, L. 

152. Ruivo 163. Trigla obscura, L. 

164. pwciloptera, C. e V. 

hirundo. 

153. Saboga 165. Clupea finta, C. 

154. Safio Conger vulgaris, juv. 

155. Safio preto 166. Conger niger, Kaup. 

156. Salmão 167. Salmo salar, L. 

168. Cyprinus carpio, L. 



PHYSICAS E NATURAES 59 

457. Salmonete 169. Mullus surmuletus, C. e V. 

158. Salmonete preto 170. Mera mediterrânea, Risso, 

159. Sapata preta 171. Centrophorus crepidater, B. 

e C. 

160. Sarda 172. Scomber scomber, C. e V. 

161. Sardinha 173. Clupea pilchardus, Walb. 

162. Sargo 174. Sargus vulgaris, Gunth. 

175. Rondeleti, C. e V. 

176. vetula, C. e V. 

163. Sargo-veado=0\ho de boi. 

164. Sável 177. Clupea alosa, C. 

165. Savelha =*Saboga. 

166. Serra 178. Pelamys sarda, C. e V. 

Auxis Rochei. 

167. Sd/Aa=Patrussa. 

168. Solho 179. Acipenser sturio, L. 

180. Naccarii, Bp. 

169. Tainha Mugil cephalus. 

capito. 

auratus. 

cheio. 

170. Tamboril 181. Lophius piscatorius, L. 

171 . TentelhãO Crenilabrus Bailloni. 

172. Tintureiro 182. Carcharias glaucus, Rond. 

173. Toupeira Sebastes Kuhli. 

174. Tremelga 183. Torpedo oculata, Bel. 

184. marmorata, Risso. 

175. Truta 185. Salmo farto, C. e V. 

176. Tubarão 186. Carcharodon Rondeleti, M. 

e H. 

177. VerdelhãO Crenilabrus pavo. 

Bailloni. 

178. Zorro=Peixe-rapozo. 



60 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMAT1CAS 



RESUMO : 

Numero de espécies observadas no mercado de Lisboa e que tem 

indicados os nomes vulgares 186 

Ditas, idem, idem, sem indicação de nome vulgar 8 

Total das espécies observadas 194 

Nomes vulgares indicados para as espécies observadas no mer- 
cado de Lisboa 178 

Numero de verdadeiros synonymos 19 

Numero real dos distinctivos vulgares. . . . 159 



Classificação psychologica das denominações contidas na lista precedente 

A. Falta de distineçâo por iiidiflereuea 
ou por diffieuldade real 

a) Confusão de espécies pertencentes a famílias distinctas 

(Nomes eguaes em famílias diferentes) 

1. — Em famílias muito distantes: 

Anchova — Carangidce (Seriola), Clupeidce (Engraulis). 
Dourada — Sparidoe (Chrysophys), Carangidce (Lichià). 

2. — Em famílias próximas: 

Caboz — Gobiidce (Gobius), Blenniidw (Blennius). 
Pargo — Pristipomatidce (Dentex), Sparidw (Pagrus). 
Salmão — Salmonidw (Salmo), Cyprinidce (Cyprinus). 



PHYSICAS E NATURAES 61 



b) Confusão de espécies pertencentes a géneros distinctos 

(Nomes eguaes em géneros differentesj 
1. — Em géneros distantes: 



2. — Em géneros próximos: 

Anchova — Seriola, Temnodon. 
Arreganhada — Centrophorus, Scymnodon. 
Bodião — Labrus, Crenilabrus. 
Pailona — Lcemargus, Scymnus. 
Serra — Pelamys, Auxis. 

c) Confusão de espécies pertencentes ao mesmo género 

(Meras denominações genéricas) 1 

1. Denominação genérica abrangendo todas ou quasi todas as espé- 
cies conhecidas na localidade: 

Bodião — 4 Labrus. 

¥ 
Linguado — 5 Solea. 

6~ 
Àbrotea — 2 Phycis. 

¥ 
Barbo — ZBarbus. 

Y 
Cação — 2 Mustellus. 

Y 
Charrôco — 2 Batrachus. 
Y 

1 Sem synonymo algum distinctivo. 



62 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMATICAS 

Galhudo — 2 Acanthias. 

~2 
Pampo — 2 Stromaleus. 

~i 
Pargo — 2 Pagrus. 

Peixe- aranha— 2 Trachinns. 
Pico (Tel-rei— 2 Motella. 

Sargo — 3 Sargus. 

T 
Solho — 2 Acipenser. 

T 
Tremelga— 2 Torpedo. 

2~ 

2.— Denominação genérica abrangendo apenas uma pequena parte 
das espécies conhecidas: 

Bebo— 2 7W#to. 

y 

Bezugo — 2 Pagellus. 

J 
Ruivo— 3 Trigla. 

y 

Raia — 3 Raja. 
~9 



B. Exemplos iBaaâs eloquentes tle elSstineeâo 

(Denominações altamente especificas) 

1. — Géneros com distincção incompleta das espécies: 

Raja— 5 1 — Raia, Raia-pintada, Raia-pregada, Raia quatro- 
~9 olhos, Oréga. 

1 Quer dizer que era 9 esp. do gen. Raja observadas no mercado de Lis- 
boa, o povo faz 5 distracções, e assim os números seguintes. 



PHYS1CAS E NATURAES 63 

Trigla — 4 — Ruivo, Bebo, Cabra, Emprenhador. 

y 

Serranus— 4 — Garoupa, Mero, Cherna, Engenhim. 
Pageílus — 4 — Goraz, Bezugo, Bica, Ferreiro. 
Mugil— 4— Tainha, Mugem, Ilhalvo, Corvéu. 

2. — Géneros com distincção completa das espécies: 

Anguilla — 3 — Enguia, Enguia-macha, Eiroz. 

T 
Dentex — 4 — Dentão, Cachucho, Capatão, Dentelha. 

T 
Gadus — 4 — Bacalhau, Faneca, Lacrau do mar, Badejo. 

T 

Centrophorus — 4 — Lixa de lei, Barroso, Arreganhada, Sapala- 
T preta. 



C. ©istiaieça® mal ânterpB^etada. baseada 
em diííerei&ças sexaiaes ou de eclade 

Carapau= Trachurus trachurus (Chicharro) juv. 
Chicharro francez= Trachurus fallax (Charréu) juv. 
Fataça=Mugens de grandes dimensões. 
P aúona. = Scymnus lichia (Carocho) 5. 
Safio= Conter vulgaris (Congro) juv. 

RESUMO DOS QUADROS PRECEDENTES : 

Numero Relação com o n.° real 
absoluto dos distinct. vulg. (159) 

Nomes eguaes em famílias differentes. . . . 5 3 °/o 

Idem, idem em géneros differentes 5 3 % 

Meras denominações genéricas 18 MM % 

Denominações altamente especificas 36 22,5 % 

Distincções mal interpretadas 5 3 o/o 



64 JORNAL DE SGIENCIAS MATHEMATICAS 



# # 



Parece-me ter descoberto e demonstrado, d'um modo claro e pre- 
ciso, uma inesperada e poderosa aptidão, no grupo de população ob- 
servado, para apanhar e formular características materiaes. Uma per- 
centagem de 3 °/o para nomes eguaes em famílias ou em géneros dif- 
ferentes, é realmente insignificante e está muitíssimo abaixo do que 
se linha o direito de esperar; 11,5% de meras denominações gené- 
ricas está no mesmo caso, attendendo ainda a que quasi todas ellas 
abrangem apenas o limitadíssimo numero de duas especias; emquanto 
que 22,5 °/o de denominações altamente especificas, é realmente muito 
considerável, aítendendo ainda a que tomamos somente os exemplos 
da mais notável distincção e, por isso, ao contrario do que fizemos 
com as denominações meramente genéricas, não incluímos as distinc- 
ções que recaiam apenas sobre 2 espécies. 

Uma coisa altamente interessante seria vèr também o grau de 
acerto dos qualificativos populares; alguns teem um alto valor descri- 
ptivo, envolvendo comparações sagazes e de admirável justeza, e, o que 
é muito importante, feitas com os outros animaes; taes são, por exem- 
plo, Peixe-aranha, Peixe-coelho, Peixe-galo, Lacrau do mar. A persis- 
tência ethnica de certos nomes vulgares é também muito curiosa: Pei- 
xe-rapozo é já uma denominação aproveitada por Plinio (Vulpes ma- 
rina) e conservada pela sciencia actual (Alopias vulpes). 

Ahi fica iniciada, como pude fazel-o com os dados que actual- 
mente a sciencia possue, uma ordem de investigações que quasi o 
acaso me fez descobrir e que me parece de valor. Classificações idên- 
ticas no vocabulário d'outros povos seriam porém indispensáveis para 
d'esse valor seguramente se ajuizar. Preparo, com o indispensável au- 
xilio de M. Jules Daveau, idêntico trabalho para os nomes vulgares 
das plantas de Lisboa e arredores, que, pelo numero indicado por Bro- 
tero e explicado pelas exigências da medicina popular e do grande com- 
mercio dos herbanarios, é de crer que apresente resultados ainda mais 
curiosos. 

Lisboa, 18 de janeiro de 1886. 



PHYSICAS E NATURAES 



65 



ZOOLOGIA 



i. Reptis e Amphibios de S. Thomé 



POR 



J. V. BARBOZA DU BOCAGE 



A fauna da nossa ilha de S. Thomé é pobre em vertebrados ter- 
restres comparativamente com a de outras ilhas africanas. Se podesse 
ainda haver algumas duvidas a tal respeito ficariam cabalmente des- 
truídas pelos resultados das investigações do dr. Greefif, professor da 
Universidade de Marburg, que ali residiu alguns mezes, de 1879 a 1880, 
e poude durante esse tempo visitar uma boa parte d'aquella ilha e o 
ilhéo das Rolas, situado a mui pequena distancia da sua extremidade 
meridional. 

Na lista publicada recentemente pelo dr. GreeíT 1 figuram apenas sete 
mammiferos: Cercopithecus mona (Schreb.); Viverra civetta (Schreb.); 
um mustelideo, que não poude determinar; dois morcegos, Cynony- 
cteris slramineus, Geoff. e Phylloi hirta caffra, Sundev. ; e dois roedo- 
res, Mas decumanus, Linn. e Mus rattus, Linn. 

D'aves eram já conhecidas trinta e tantas espécies, ás quaes o dr. 
Greeff não logrou accrescentar nenhuma mais. Deve notar-se que al- 
gumas d'estas espécies por serem privativas de S. Thomé imprimem 
á sua ornithologia uma feição especial. 

Foi mais feliz com os reptis e batrachios o illustrado professor de 
Marburg. Quanto aos primeiros tinha-se por bem authentica a existên- 
cia de Ires ophidios: Philothamnus thomensis, Bocage, Boodon capense, 

1 V. Die Fauna der Guinea Inseln S. Thomé und Rolas, Sitz. d. Gesellsch. 
z. Bef. d. Nat. zu Marburg n.° 2, 1884, p. 41. 

JOIIN. DE SCIENG. MAT1I. PIIYS. E NAT. — N. XLII. 5 



C6 JORNAL DE SCIENCIAS MATHKM ATIÇAS 

Dum. á- Bib. e Naja haje, Linn., var. nigra. Dos segundos era apenas 
conhecido um ccecilidio muito notável, que eu descrevera em 1873 sob 
a designação de Siphonops thomensis 1 . dr. Greeff teve a fortuna de 
encontrar mais seis reptis, dois dos quaes novos para a sciencia, e mais 
um batrachio. 

Depois do regresso do dr. Greeff á Europa foi, por fins do anno 
passado, incumbido pelo nosso governo o sr. Francisco Newton da ex- 
ploração zoológica de S. Thomé, missão que tem desempenhado com 
louvável aptidão e zelo. As duas remessas já por elle effectuadas, e em 
que se comprehendem também alguns specimens zoológicos colhidos em 
Ajuda, habilitam-me a accrescentar á lista do dr. Greeff duas espécies 
mais de batrachios, a que este professor parece alludir por informa- 
ções vagas que lhe haviam dado, mas que nunca vira, embora se en- 
contrem nas proximidades dos logares onde residira: ambas as espé- 
cies paivcem-me inéditas e como taes as descreverei. 

Eis pois a relação dos reptis e amphibios até hoje observados em 
S. Thomé e ilhéo das Rolas e que se acham, á excepção de duas espé- 
cies, representados por exemplares aulhenticos nas collecções do nosso 
Museu Nacional. 



I.— REPTIS 

1. Sternothaerus Derbianus. 

St. Derbianus, Gray, Proc. Z. S. L. 1863 p. 194; Greeff, loc. 
cit. p. 48. 

Diz o dr. Greeff que esta espécie vive nos rios da Cordilheira 
de S. Thomé. Não o encontrou nunca nas suas excursões, mas 
obteve quatro exemplares que refere á espécie citada. Ainda a não 
recebi de S. Thomé, o que nos faz crer que seja rara como o dr. 
Greeff affirma. 

2. Hemidactylus GreeíOi, nova sp. 

Hemidactylus mabouia (non Moreau de Jones), Greeff, loc. cit. 
p. 48. 
Concorda na verdade esta espécie pelo seu aspecto geral com 

1 V. Jorn. Ac. Sc. Lisb. n.° xv, 1873, p. 224, e Jorn. Ac. Sc. Lisb. n. B 
xxvi, 1879, p. 8Ge87. 



PHYSICAS E NATURA ES 



67 



o H. mabouia, tanto que a principio julguei dever conformar-me 
com esta determinação; porém o exame mais attento do exemplar 
que com esta denominação fora offerecido pelo dr. GreefT ao Mu- 
seu de Lisboa revelou-me a existência de caracteres que não per- 
mittem referil-o áquella espécie: d^lla e de todos os hemidactylos 
até hoje conhecidos se distingue pela singular estructura do pol- 
lex ou dedo interno das extremidades anteriores, o qual, seme- 
lhante aos outros na sua porção basilar, difiere de lodos elles pela 
ausência completa de phalanges terminaes armadas de uma unha 
adunca e ponteaguda. 

Se se tratasse de um exemplar único poderia occorrer a sus- 
peita de que esta singular conformação do pollex anterior fosse 
uma simples anomalia individual e, como tal, sem importância. 
Hesitei em presença d'esta natural objecção; mas o sr. dr. Lopes 
Vieira, naturalista-adjunto do Museu de Coimbra, teve a bondade 
de examinar a meu pedido dois exemplares colhidos em S. Thomé 
pelo sr. Newton, que pertencem actualmente âquelle estabeleci- 
mento scientifico, e o seu exame confirma a ausência total das 
phalanges em forma de garra nos pollegares ou dedos internos 
das extremidades anteriores em ambos os exemplares. O pollex 
acha-se reduzido á sua porção basilar, dilatada e revestida infe- 
riormente de laminas parallelas e imbricadas, parecendo ter sof- 
frido a mutilação da garra, que em todos os outros dedos, inclu- 
sivamente nos pollegares das extremidades posteriores, é bastante 
desenvolvida. Deve portanto considerar-se esta disposição como 
um caracter permanente da espécie. 

Haveria talvez motivo para constituir com esta espécie um género 
distincto, quando se não quizesso attender a que por todas as ou- 
tras condições da sua organisação é um verdadeiro Hemidacty- 
lus, muito próximo do H. mabonia e de outros preponderantes na 
fauna africana '. 

1 Existe ha muito tempo no Museu, remettida do Dondo (Angola) em 1869 
pelo sr. Bayão, uma pequena osga com notáveis anomalias nas extremidades, as 
quaes, a verilicarem-se em mais alguns indivíduos, anctorisariam a creação de 
um género novo. É pouco maior que o H. Bouvieri, mas pertence pelo conjun- 
cto dos seus caracteres exteriores ao grupo de que fazem parte outras espécies 
africanas como H. mabouia, H. Brooki, H. longicephalus e esta espécie nova de S. 
Tliomé, sem que a nenhuma das espécies já conhecidas possa ser referida, além 
de outros caracteres, pela estructura anormal das extremidades posteriores: as 
extremidades anteriores teem, como se vé também no H. frenatus, o pollex muito 

5* 



68 JORNAL DE SCIENCTAS MATHEMATIGAS 

Notarei ainda de passagem que, independentemente do caracter 
que imprime nesta espécie uma feição especial, a sua compara- 
ção com o H. mabouia manifesta differenças importantes que jus- 
tificariam em todo o caso a sua separação. 

3. Scalabotes thoraensis. 

Scalabotes thomensis, Peters, Monatsb. Ak. Berl., 1880, p. 795; 
Greeff loc. cit. p. 48. 

Descoberto pelo dr. Greeff no ilhéo das Rolas, onde é muito 
commum; vive nas arvores, principalmente nas arvores de cacau, 
movendo-se n'ellas com muita presteza e vivacidade. Parece não 
existir na ilha de S. Thomé e por isso acha o dr. Greeff que me- 
lhor lhe competeria a designação de Rolasi. É certo que o sr. 
Newton, que não poude ainda visitar o ilhéo das Rolas, não incluiu 
esta espécie nas duas remessas que já effectuou. 

4. Euprepes notabilis. 

E. notabilis, Peters, Sitz. Gesellsch. Freunde Berlin, 1879, p. 
36; Greeff, loc. cit. p. 48. 

Eíste encontra-se, tanto em S. Thomé como no ilhéo das Rolas, 
nas maltas, procurando principalmente as clareiras expostas ao 
sol. Devo á amabilidade do dr. Greeff dois exemplares d'esta es- 
pécie, adulto e joven; lambem vieram dois exemplares adultos 
n'urr,a das remessas do sr. Newton, os quaes trazem a indicação 
de haverem sido capturados na roça Saudade, na região nordeste 
da ilha de S. Thomé. Alem d'esta ilha, o E. notabilis somente tem 
sido encontrado em Chinchoxo, localidade comprehendida nos ter- 
ritórios do Congo onde, depois de porfiada lucta, conseguiu Por- 
tugal estabelecer o seu dominio. 

5. Mocoa africana. 

Mncoa africana, Gray, Cat. Liz. B. Mus. p. 83; Greeff loc. cit. 
p. 48. 
Vive no ilhéo das Rolas debaixo das pedras, do musgo ou da relva. 

curto e a garra sessil, mas nas posteriores o pollex, também muito curto e na 
máxima parte adherente ao segundo dedo, é fendido na extremidade e parece 
constituído pela reunião de dois dedos rudimentares, em cada nm dos quaes se 
acha inplantada uma garra também rudimentar armada da sua respectiva unha. 
As extremidades posteriores vêem a ter portanto seis dedos, quatro perfeita- 
mente desenvolvidos e dois rudimentares. 



PHYSiCAS E NATURAES 69 

Diz o dr. Greeffque o não encontrou em S. Thomé. Na primeira 
remessa do sr. Newton vieram 3 exemplares, mas não trazem in- 
dicação alguma quanto á procedência. Encontra-se também na ilha 
do Príncipe, d'onde trouxe o dr. Dohrn o exemplar que o pro- 
fessor Peters examinou e descreveu em 1874. (Monatsb. Ak. Berl. 
1874 p. 162). 

6. Boodon capense. 

B. capense et quadrilineatum, Dum. & Bibr. Erp. gen. p. 363, 
364; Bocage, Jorn. Ac. Sc. Lisb. xxvi, 1879, p. 87; Greeff, loc. 
cit. p. 48. 

Commum em S. Thomé; é a única cobra que se encontra nas 
Rolas, onde também abunda. Chamam-lhe os indigenas de S. Tho- 
mé Cobra agita e consideram-a, como realmente é, inoffensivá. 

7. Philolliamnus thomensis. 

Ph. thomensis, Bocage, Jorn. Ac. Sc. Lisb. xxxm, 1882 p. 11. 

Ph. irregularis, Bocage, Jorn. Ac. Sc. Lisb. xxvi, 1879 p. 87; 
Greeff loc. cit. p. 48. 

O dr. Greeff dá por habitat a esta espécie a península logo-Iogo 
na extermidade sul da S. Thomé; porém os dois exemplares que 
nos mandou o sr. Newton provêem de outras localidades na re- 
gião nordeste da ilha, as roças Rodio e Saudade. É conhecida ali 
pelo nome de cobra Soá-Soá. Vive nos capins e arvoredos. É te- 
mida pelos indigenas. 

8. Naja haje. 

Caluber haje, Linn. Mus. Ad. Fried. ii p. 46. 

Naja haje, Bocage, Jorn. Ac. Sc. Lisb. xxvi p. 87; Greeff, loc. 
cit. p. 47. 

Esta é bem conhecida em S. Thomé pelo nome de Cobra-negra. 
Segundo o dr. Greeff abunda mais na parte sueste da ilha de S. 
Thomé, com quanto a encontrasse também na cordilheira do nor- 
deste, desde 300 até 900 metros de altitude. Os exemplares man- 
dados pelo sr. Newton foram colhidos nas roças Minho e Saudade. 

9. Onychocephalus caecus. 

O. ccecus, A. Dum. Rev. Zool., 1856, p. 462 pi. 21. fi. 4, 4a, 

kb, 4 c; id. Arch. Mus. Paris, x, p. 188; Greeff loc. cit. p. 48. 

Vive escondido debaixo das pedras e na terra, e particularmente 



70 JORNAL DE SC1ENC1AS MATHEMATICAS 

nos cepos e raizes de arvores mortas. Não fez parte das remes- 
sas do sr. Newton. Não o encontrou o dr. Greeff no ilhéo das Rolas. 



II.— AMPHIBIOS 

1. Siphonops (Dermophis) thomensis. 

Siphonops thomensis, Bocage, Jnrn. Ac. Sc. Lisb. xv, 1873, p. 
224; ibid. xxvi, 1879, p. 88; Greeff, loc. cit. p. 50. 

Siphonops brevirostris, Peters, Monatsb. Ak. Berl. 1874 p. 617, 
pi. i fig. 2. 

Os primeiros exemplares que recebi d'este curioso amphibio 
devo-os ao sr. Craveiro Lopes; serviram-me em 1873 para a des- 
cripcão da espécie. É commum a S. Thomé e ao ilhéo das Rolas. 
Nos exemplares remettidos pelo sr. Newton vem marcada como 
procedência a Roça Saudade. Chamam-lhe Cobra-bóbó. 

2. Arthroleptis calcaratus. 

Hemimantis calcaratus, Peters, Monatsb. Ak. Berl., 1863, p. 
452. 

Arthroleptis calcaratus, Peters, Monatsb. Ak. Berl., 1975, p. 
210; Greeff, loc. cit. p, 49. 

Encontra-se em S. Thomé e no ilhéo das Rolas, mas é n'este 
muito mais raro por faltarem ali aguas permanentes. Abunda nas 
pastagens do Iogo-Iogo na extremidade sul de S. Thomé. 

3. Rana Newtonii, nova sp. 

D'esta espécie e da seguinte não faz menção expressa o dr. Greeff; 
mas refere que algumas pessoas da ilha, bons observadores, lhe 
haviam dado noticia de outros amphibios e designadamente de 
uma rã verde-escura com o ventre branco-acinzenfado e de outra 
de uma côr mais violácea, indicações que, com quanto vagas, lhes 
podem na verdade ser applicadas. Uma e outra espécie não vivem 
comtudo em logares muito afastados dos pontos visitados pelo 
dr. Greeff, pois que os exemplares da R. Newtotni trazem a nota 
de haverem sido colhidos no Rio da Agua Grande, e o do Hype- 
rõliits na roça Saudade. 

4. Hyperolins thomensis, nova sp. 



PHYSICAS E NATURAES 



71 



2. Reptiles et Balraciens nouveaux de File de St. Thomé 



PAR 



J. V. BARBOZA DU BOCAGE 



\. Hemidactjlus Greeffii, nova sp. 

Fácies de YH. maboiíia, Tète allongée; museau plus long que 
la distance de 1'oeil à 1'ouverture auriculaire; celle-ci três petite, 
ovale, ayant à peine un tiers du diamètre de 1'orbite, front con- 
cave. Corps légérement aplati; membres réguliers; doigts des 
membres antérieurs libres, ceux de derrière reunis à la base pour 
un petit pli de la peau, les uns et les autres modérément dilates; 
le ponce des membros antérieurs rêduit à sa portion basnle, qui 
forme un disque oblong assez developpé, mais un peu plus étroit 
que chez les autres doigts; 7 lamelles infra-digitales à chaque 
pouce et 9 à 10 au 4 e doigt, tant aux mains qu'aux pieds. Museau 
couvert de granulations convéxes: celles du dessus de la tète plus pe- 
tites et entremelées de petits tubercules arrondis. Plaque rostrale 
quadrangulaire, avec une incision au milieu de son bord supé- 
rieur, deux fois plus longue que haute; narines placées entre la 
rostrale, la -i. e labiale et 3 ou 4 nasales; mentonnière large, 
triangulaire, enclavée por son extrémité postérieure entre Ia pre- 
miére paire de gulaires, qui est suivie de deux autres plus pe- 
tites. 10 ou H labiales supérieures et 9 sous-labiales. 

Corps en dessus et ílancs granuleux, garnis de 20 rangéeston- 
gitudinales de tubercules arrondis, convéxes, plus ou moins dis- 



72 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

tinctement carénés, disposés reguliérement et assez rapprochés en- 
tre eax; le derniére rangée de chaque côté située précisement 
sur un pli de la peau qui separe la région ventrale des flancs et 
composée de tubercules plus grands, prismaliques et justaposés. 
Région abdominale recouverte décailles pétites, arrondies et im- 
briquées. Queue tetragonale vers la base, arrondie dans sa moi- 
tié terminale; en dessus couverte de petites écailles et herissée 
de six rangs longitudinaux de gros tubercules prismatiques et 
pointus; en dessous présentant une série mèdiane de larges pla- 
ques hexagonales. Douze pores pré-anaux en serie continue chez 
le mâle ; pas de pores fémoraux. 

Coloration. En dessus gris-brunâtre avec quelques vestiges de 
bandes transversales, étroites et onduleuses, d'une teinte plus fon- 
cée sur le trone et la queue; en dessous d'un blanc sale légére- 
ment teint de rose; un trait brun de la narine à la région tempo- 
rale traversant 1'oeil; un autre trait, paralléle à celui-ci passant 
au-dessus de l'oeil. 

Dimensions: 

Longueur totale 126 mm. 

» de la tête 19 » 

Largeur de la tète 15 » 

Longueur du trone 41 

» de la queue 66 

» de membre ant 23 

» de membre post 31 

La conformation du pouce de la main chez YH. Greeffii suffit, 
ce me semble, à le bien distinguer non seulement de YH. mabouia, 
avec lequel il a été confondu, mais aussi de tous ses congéneres. 
Ce caractere a été dúment constate chez trois individus récueil- 
lis â Tile de S. Thomé, parmi lesquels il faut citer spécialement 
un qui nous a été obligeamment envoyé por M. le dr. Greeff; il 
faut donc écarter Thypothese d'une anomalie individuelle. 

Indépendamment de ce caractere il y a encore d'autres, comme 
on peut bien juger par ma descriplion, d'aprés lesquels il serait 
impossible de ne pas accorder au geckotien de S. Thomé le rang 
d'une espèce distincte; il me suffira de citer: le nombre et la dis- 
position réguiière des tubercules dorsaux; le pli longitudinal bien 



PHYSICAS E NATUKAES 73 

marque de chaque côtè du ventre, garm* de tubercules serres, 
plus forts et pointus, la présence de douze pores pré-anaux avec 
exclusioa de pores fémoraux chez le male; le nombre des labia- 
les et des lamelles infradigitales. Je crois que ces caracteres ne se 
trouvent pas associes de la même manière chez aucun autre He- 
midactylus connu. 

2. Rana Newtoni, nova sp. 

Dents vomériennes disposées en deux rangs obliques entre les 
orifices internes des narines, en contact avec 1'extrémitè interne 
de leur bord antérieur. Tète aussi longue que large, à museau 
un peu allongé, conique, non saillant; espace inter-orbitaire plat, 
plus étroit que 1'ouverture palpébrale; narines plus rapprochées 
du bout du museau que de 1'oeil; tympanum distinct, medíocre, 
égalant à peine en diamètre deux tiers de la paupiòre supérieure. 
Doigts et orteils moderes; le premier doigt un peu plus court que 
le deuxième; le quatrième orteil dépassant le cinquième d'un tiers 
de sa longueur; membranes natatoires un peu échancrées; un seul 
tubercule allongé, mousse, un peu comprime sur le bord externe 
du metatarse. Membre postérieur long; ramené en avant le long 
du corps il atteint le museau, chez le mâle, par la moitié de la 
jambe; il est relativement plus court chez la femelle. La peau du 
dessus du corps est granuleuse et presente plusieurs plis longi- 
tudinaux courts et interrompus; derrière 1'ceil un pli glanduleux 
contourne le tympan et vient aboutir par son extrémité à 1'ex- 
trémitè dun autre pli glanduleux qui s'étend de dessous Toeil à 
1'épaule; sur la poitrine on remarque un pli transversal bien dis- 
tinct derrière Tinsertion des membres antérieurs. En dessus dun 
brun-cendré (dans 1'alcool) sans taches distinctes; une bande noire 
commençant à 1'extrémité dn museau traverse Tceii et vient couvrir 
le tympan et la région temporale; les lèvres sont blanchâtres; les 
ílancs d' une teinte plus claire que le dos présentent quelques pe- 
tites taches brunes; la face externe des membres de la couleur 
du dos ornée de bandes transversales noiràtres ; face postérieure 
des cuisses noiràtre, vermiculée et pointillée de blanc; pieds en 
dessous et membranes natatoires brun foncé; parties inférieures 
blanchâtres, avec des petites taches brunes sur la gorge et la face 
interne des cuisses. Chez le mâle des sacs vocaux externes, dont 
les fentes três rapprochées du bord de la machoire supérieure 



74 JORNAL DE SC1KNCIAS MATHÉMAT1CAS 

commencent au-dessous de í*ceil et finissent sur 1'extrémité du pli 
glanduleux que va de la partie inférieure de 1'oeil à 1'épaule. 

Dimensions: 

Màle — de 1'extrémité du museau à 1'anus 57 mm. 

longueur de la tête 22 » 

» du membre antérieur 35 » 

» du membre postérieur 126 » 

» du 4 e orteil 35 » 

» du 5 e orteil 24 » 

Femelle — de 1'extrémité dn museau a 1'anus 68 » 

longueur de la tête 25 » 

» du membre antérieur 38 » 

» du membre postérieur 135 » 

» du 4 e orteil 41 » 

» du 5 e orteil 29 » 

Par 1'ensemble de ses caracteres cette espèce me semble par- 
faitement distincte de loutes les grenouilles observées jusqu'à pré- 
sent en Afrique. La R. oxyrhyitcha, Sundev., est peut-êlre celle 
dont elle se rapproche davantage, mais la disposition toute par- 
ticulière des fentes des sacs vocaux chez la nouvelle espèce ne 
permettrait pas de les confondre, indépendament d'autres caracte- 
res différentiels faciles à établir d'après la diverse disposition des 
dents vomeriennes, la conformation de la téte et du museau, le 
developpement des membranes natatoires, la taille etc. 

L'habitat de celte espèce parait ètre restreint à Pile St. Thomé, 
d'oú nous avons reçu deux individus, màle et femelle, par M. F. 
Newton, à qui nous dédions 1'espèce. 

3. Hvperolius thomensis, nova sp. 

Langue cordiforme, peu profondement fendue en arrière. Tête 
plus large que longue, aplatie, à museau court et pointu égalant 
à peine en longueur le diamètre de Foeil; tympan cache; yeux 
grands et saillants. Doigts reunis à la base par une petite palmure; 
orteils à palmure complete, mais légérement échancrée; les uns 
et les âulres termines par de grosses pelotes. Quand le membre 
postérieur est couché le long du corps, le talon dépasse Foeil sans 



PHYSICAS E NATURAES 75 

atteindre la narine. Chez quelques individus la peau est lisse en 
dessus; chez d'autres, le dessus de la tête, du trone et des mem- 
bres est couvert de petits tubercules épineux regulièrement dis- 
semines; la peau du ventre, de la face inférieure des cuisses et 
du partour de 1'anus forteraent granuleuse. La coloration des par- 
ties supérieures varie du vert-cendré au brun-violacé (dans l'al- 
cool), sans taches; les parties inférieures variées de taches noires, 
plus confluentes sur la poitrine et 1'abdomen; les cuisses de la 
couleur du ventre avec quelques taches noires en dessous et mar- 
quées en dessus d'une bande longitudinale de la couleur du dos; 
chez un de nos individus d'une teinte plus pâle, gris-cendré en 
dessus, les parties inférieures sont d'une leinte uniforme blanc-jau- 
nâtre sans taches. 
Dimensions: 

De 1'extrémité du museau à 1'anus 38 mm. 

Longueur de Ia tête 12 » 

» du membre antérieur 28 » 

» du membre postérieur 56 » 

Notre regretté ami le professeur Peters publia en 1875 la des- 
cription et la figure d'un hyperolius rapporté de Camarões par M. 
Buchholz qui porte cornme quelques-uns de nos individus de St. 
Thomé de nombreux tubercules épineux dissemines sur la tête, 
le dos et les membres, ce qui lui a valu le nom de Ihjperolius 
spinosus '. J'ai pense d'abord que nos individus pourraient bien ap- 
partenir à cette espèce; mais en les comparant à la description 
et à la figure publiées pour le dr. Peters, je suis reste convaincu 
du contrairei la conformation de la tête, à museau plus court, me 
semble constituer un caractere différentiel bien plus important que 
la présence de quelques tubercules épineux, caractere transitoire, 
coincidant probablement avec 1'époque des amours et pouvant se 
rencontrer chez des espèces parfaitement distinctes. 



!V. Peters— Monatsb. Ak. Berl., 1875, pag. 208, pi. I, fig. 3; Boulen- 
ger, Cat. Batr. Sal. B. M. 1882, pag. 130. 



76 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMAT1GAS 



3. Lista das aves colligidas em Africa de 1884 a 1885 
pelos srs. Capcllo e Ivens 



POR 



JOSÉ AUGUSTO DE SOUSA 



A presente lista comprehende uma parte das aves colligidas du- 
rante a notável travessia do continente africano, de 1884 a 1885, pelos 
illustres exploradores os srs. Capello e Ivens. Dizemos uma parte, 
que outra foi perdida durante a sua arrojada empreza. 

Consta esta eollecção de 30 espécies encontradas entre 1 I o e 22' 
e 15° e 38' de latitude sul e 23° e 43' e 30° e 21' long. E. São de 
uma região cuja fauna começa apenas a conhecer-se. A maioria das 
espécies são representantes da fauna ornithologica do sul d'Africa. O 
Amaureslhes fringilloides, talvez agora só encontrado ao sul de Zan- 
zibar, dá á fauna d'esta curiosa região um cunho da avifauna africana- 
oriental. As espécies que tèem citada a Ornithologie d' Angola pertencem 
também á Africa occidental e entre estas é notável a Mmophaga Ros- 
sae, também pela primeira vez achada em longitude tão oriental. É 
seguida esta lista das espécies que os nossos illustres exploradores 
primeiro remetteram ao Museu de Lisboa do rio Coroca, juntamente 
com animaes de outras classes. 

1. Circus pygargus, Sharpe. 

Layard and Sharpe, Birds of South Africa, p. 12. 
Um exemplar novo. íris amarello. N. indig. «Cabempa.» Cap- 
turado em M. ne Tenque em 22 de novembro de 1884. 



PHYSICAS E NATURAES 77 

2. Melierax gabar. (Daud). 

Bocage, Ornith. cVAngola, p. 15. 

Um exemplar novo. íris amarello. Capturado em M. ne Tenque 
em 30 de dezembro de 1884. 

3. Milvus aegypíius. (Gm.) 

Bocage Ornith. d'Angola. p. 43. 

Um exemplar. Capturado em M. ne Tenque em 18 de novembro 
de 1884. N. indig. «Pungua.» 

4. Falco subbuteo. L. 

Bocage. Ornith d'Angola, p. 48. 

Um exemplar. íris escuro. N. indig. «Cabemba. «Capturado em 
M. ne Tenque em 21 de novembro de 1884. 

5. Dendrobates cardinalis. (Gm.) 

Bocage. Ornith. d'Angola, p. 76. 

Um exemplar y capturado em 21 de novembro de 1884 em 
M. ne Tenque. N. indig. «Mubanga.» 

6. Coracias caudata. L. 

• Bocage. Ornith. dWngola, p. 84. 

Um exemplar adulto. íris castanho capt. no Zumbo, em 12 de 
maio de 1885. N. indig. «Muzia.» Come insectos. 

Um exemplar novo. íris castanho. Capturado em M. ne Tenque em 
13 de dezembro de 1884. 

7. Eurystomus afcr. (Lath.) 

Bocage. Ornith. d'Angola. p. 85. 

Um exemplar. íris castanho. Capturado em M. n8 Tenque em 10 
de dezembro de 1884. 

8. Merops apiaster. L. 

Bocage. Ornith. d'Angola. p. 86. 

Um exemplar novo capturado em 11 de novembro de 1884 em 
M. ne Tenque. 

9. Merops bullockoides. Smith. 

Bocage. Ornith. d'Angola, p. 93. 

Um exemplar. Capturado em 6 de maio de 1885 no rio Lua- 
pula. N. indig. «Pelobe.» 



78 JORNAL DE SG1ENCIAS MATHEMATICAS 

10. Pogonorhynchns frontatus? Cab. 

Jour. f. Orn 1880 p. 351 pi. n, f. 1. 

Um exemplar novo. íris escuro. Capturado em 13 de dezembro 
de 1884 em M. ne Tenque. 

Hesitámos em referir este exemplar ao Pogonorhynchus diade- 
matus. As malhas triangulares em que terminam as coberturas 
alares levam-nos a não o considerar esta espécie. O nosso exem- 
plar está n*um estado de plumagem muito parecido com a estampa 
citada do dr. Cabanis. 

11. Tockus melanolcucus. (Licht.) 

Bocage. Ornith. d'Angola, p. 116. 

Um exemplar. J. íris cinzento. Capturado no rio Aruangua em 
2 de maio de 1885. 

12. Tockus erythrorhynchus. (Temm.) 

Bocage. Ornith. d' Angola, p. 120. 

Um exemplar 5. íris amarello canário. Capturado no rio Aruan- 
gua em 2 de maio de 1885. N. indig «Nhamegôto.» 

13. Corythaix porphyreolopha. Vigors. 

Layard and Sharpe, Birds of South. Afr, p. 142. 
Um exemplar capturado em Litete, (20 de abril de 1885). N. 
indig. aMucuco» íris escuro. 
Um exemplar. íris escuro. Rio Mulonguigue, 22 d'abril de 1885. 

14. Mnsophaga Rossae. Gould. 

Bocage. Ornith. d'Angola, p. 133. 

Um exemplar capturado em Luapula em 9 de fevereiro de 1885. 
íris escuro. 

Esta notável espécie é a primeira vez que é encontrada em re- 
gião fora dos limites da província angolense. 

15. Platystira peltata, Sundev. 

Ibis, 1873, p. 160, pi. iv, fig. 2, 3.— Sharpe. Cat. of. B. Mus. 
iv, p. 147. 

Um exemplar com a indicação de 5 tendo a garganta branca, 
toda a parte superior e o collar preto coracino. Membrana pal- 
pebral encarnada. íris escuro. Capturado em 18 de fevereiro de 
1885 no rio Luapulâ. 



PHYS1GAS E NATURAES 79 

Um exemplar com a indicação de fêmea tendo a cabeça acin- 
zentada, dorso de um cinzento ferruginoso; coberturas alares bor- 
dadas de um ruivo claro, remiges orladas exteriormente da mes- 
ma côr; garganta e peito tingindo-se levemente de fulvo que se 
pronuncia mais no collar: rectrices preto esverdeado orladas de 
cinzento muito claro, as lateraes orladas de branco, sendo na parte 
terminal mais larga. íris castanho. Capturado no rio Luapula em 
18 de fevereiro de 1885. 

16. Dicrurus divaricatns. Licht. 

Bocage. Ornith. d'AngoIa, p. 241. 

Um exemplar. íris vermelho. Capturado em 1 1 de novembro 
de 1884 em M. ne Tenque. N. indig. «Meiengo». 

Um exemplar capturado em G de maio de 187o no Zumbo. 
Esta espécie ataca o milhafre no ar, só ou acompanhado. 

17. Fiscus collaris. (L.) 

Bocage, Ornith. d' An gola. p. 215. 

Um exemplar. íris escuro. Capturado em M. ne Tenque. 21 de 
novembro 1884. N. indig. a Mulo la tá Cumo.» 

18. Telephonus erytliropterus. (Shaw.) 

Bocage. Ornith. d'Angola, p. 223. 

Um exemplar. Íris escuro. Capturado em M. ne Tenque em 28 
de novembro de 1884. N. indig. «Bala.» 

19. Oriolus notatus. Peters. 

Bocage. Ornith. d'Angola, p. 236. 

Um exemplar. Íris vermelho. Capturado no Litete em 19 de 
abril de 1885. N. indig. «Igenege.» 

Um exemplar $>. íris vermelho. Capturado em M. ne Tenque em 
11 de novembro de 1884. 

20. Turdns libonvanus. (Smith.) 

Bocage. Ornith. dWngola, p. 266. 
Um exemplar capturado em M. ne Tenque. 

21. Thamnolaea Shelloyi. Sharpe. 

Cat. of. Birds. Brit Mus. vn, p. 52. 

Um exemplar. íris escuro. Capturado em 10 de dezembro de 
1884 em M. ne Tenque. 



80 JORNAL DE SCIENC1AS MATHEMATICAS 

Tem a parte anterior da cabeça de côr isabella, como um exem- 
plar descripto por mr. Shelley nos Proceedings of the Zool. Soe. 
of London, de 1881, p. 572. spec. a. Este exemplar é de Ugugo 
que dista quasi 200 milhas para oeste de Zanzibar. 

22. Gorvultur albicollis. (La th.) 

Layard and Sharpe, Birds of. South. Afr, p. 417. 
Um exemplar capturado passado o rio Lucanga, paiz monta- 
nhoso, em 10 de abril de 1885. Raro. íris castanho escuro. 

23. Penthctria ardens. (Bodd.) 

Bocage. Ornith. cTAngola, p. 559. 

Capturado em Caponda em 18 de janeiro de 1885. 

24. Vidua principalis. (L.) 

Bocage. Ornith. d' Angola, p. 345. 

Um exemplar capturado em M. ne Tenque em dezembro de 1884. 

25. Amanresthes fringilloides. (Lafr.) 

Finsch. u. Haiti. Võg. Ost. Afr. p. 434. 
Um exemplar capturado em M. nc Tenque. 

26. Cursorius seiíeplcnsis. (Licht.) 

Bocage. Ornith. d'Angola, p. 419. 

Um exemplar capturado em M. ne Tenque (planícies alagadas) em 
5 de novembro de 1884. 

27. Laomedonlia oarunculata. (Gm.) 

Bocage. Ornith. d'Angola, p. 436. 

Um exemplar capturado em 17 de outubro de 1884 no Zam- 
beze. N. indig. «Quibanda» íris amarello canário. 

28. Mycteria senegalensis. Shaw. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 452. 

Um exemplar capturado em 8 de abril de 1885 na planície de- 
pois de Quinfunpa. N. indig. «Luapanja.» íris amarello canário, 
joelhos e pés côr de rosa. Vive nos rios. Come peixe. 

29. Nettapus auritus. (Bodd.) 

Bocage. Ornith. d'Angola, p. 498. 

Um exemplar capturado no rio Luapula em 24 de fevereiro de 
1885. N. indig. «Luipué.» Mergulha quando è perseguido. 



PHYS1CAS E NATURAES 81 

30. Dendrocygna viduala. (L.) 

Bocage. Ornith. cTAngola, p. 489. 

Um exemplar. Capturado em 28 de fevereiro de '885 no rio 
Luapula. N. indig. «Uirire» (chora). Assobia, vôa largo, appa- 
rece na Huilia de arribação. 



Aves do rio Coroca 

Capturadas em março de 1884 

31. Saxicola Ieucomelaena-monticola. Seebhom. 

Cat. of. B. Brit. Mus. v. p. 379. — Saxicola leucomelaena, Burch. 
Bocage, Ornith. d'Angola, p. 271. 

Um exemplar $. N. indig. «Tiatra.i É também conhecido dos 
portuguezes por Gallo das pedras. 

Um exemplar $>. Concorda a plumagem d'este exemplar com a 
diagnose de um novo de anno descripto por mr. Seebhom. 

32. Merops superciliosus. L. 

Bocage, Ornith. d'Angola. p. 87. 
Um exemplar. íris amarello escuro. 



JORN. DE SCIENC. MATH. PHYS. E NAT. — N.° XLII. (5 



82 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



4. Lista das aves colligidas pelo sr. Serpa Pinto no íbo em 1885 



POR 



JOSÉ AUGUSTO DE SOUSA 



Apresentamos a lista das aves remettidas pelo illustre explorador 
Serpa Pinto ao Museu de Lisboa, colligidas quasi todas na parte da 
Africa oriental comprehendida entre 12° 21' 21" e 12° 26' de lat. S. 
e entre 40° 38' e 40° 41' 45" de long. EG. e algumas em Porto Bocage 
qne fica um pouco mais ao sul. Entre estas espécies são notáveis: o 
Smithornis ca pernis e o Erylhrocercus Thomsoni, Shelley, descripto e 
representado nos «Proceedings of the Zoological Society, 1882: sendo 
portanto uma espécie de bastante interesse ornithologico. O nosso exem- 
plar foi capturado em Porto Bocage e o do Museu de Londres foi re- 
mellido pelo sr Thomson do rio Rovuma que fica mais ao norte d'aquelle 
porlo. As espécies que indicamos serem comprehendidas na «Ornitho- 
logie d 1 Angola» do nosso sábio director, pertencem também como se 
deprehende, á avifauna da vasta região angolense. 

As espécies que forem seguidas da indicação «Íbo» lêem a seguinte 
posição geographica: 12° 21' 21' L. S. 40° 41' 45". Long. EG. 

As espécies que o forem seguidas da indicação «Quissanga (íbo)» 
são da seguinte: 12° 26' lat. S. 40° 38 long. EG. Nivel do mar. 

i. Coracias caudata. L. 

Boc. Orn. cTAngola, p. 84. 

Um exemplar. íris vermelho. N. indig. tGambêa.* Quissanga 
(íbo). 

2. Merops superciliosus. L. 

Boc. Orn. d'Angola, p. 87. 

Um exemplar. íris amarello torrado. N. indig. «Nichibuibo* Quis- 
sanga (íbo.) 



PHYSIGAS E NATURAES 83 

3. Corythornis cyanostigma. (Riipp.) 

Boc. Orn. d'Angola, p. 96. 

Um exemplar. íris lilaz e amarello, I. Ibo (março de 1885.) 

4. Halcyoo chelicutensis. Finsch u. Hartl. 

Boc. Orn. cTAngola, p. 101 . 

Dois exemplares. íris e bico vermelhos. N. indig. «Chéride» 
Quissanga (Ibo.) 

5. Nectarinia gutturalis. (L.) 

Boc. Orn. cVAngola, p. 164. 

Um exemplar. S. íris castanho escuro. N. indig. «Bébessura.» 
Bebe seiva de palmeira. Ibo. 
Dois exemplares. $ e 5. Quissanga (lho.) 
Um exemplar. $. íris cinzento esverdeado, Ibo. 

6. Cinnyris mkrorhynchus. Shelley. 

Gadow. cat. B. of the Brit. Mus., vol rx, p. 47. 

Um exemplar. S. Oihos negros. Porto Bocage. 

Um exemplar $ e dois j. j. N. indig. vBcbessum.» Ibo. 

7. Smitbornis capensis. (Smith.) 

Sharpe, Cat. of h. Mus. vol. iv, p. 388. 
Um exemplar. Olhos pretos. Porto Bocage. 

8. Terpsiphone cristata. (L.) 

Boc. Orn. d'Angola, p. 191. 

Um exemplar. íris cinzento claro azulado. N. indig. «Berdebão.* 
Ibo. 

9. Erythrocercus Thomsoni. Shelley. 

Proc. Zool. Soe. 1882, p. 303 pi. xvi. 
Um exemplar. íris amarello. Porto Bocage. 

10. Enneoclonus collurio. (L.) 

Boc. Orn. d'Angola. p. 213. 

Um exemplar. íris cinzento claro. N. indig. «Hiré.» Quissanga 
(Ibo.) 

6* 



84 JORNAL DE SGIENCIAS MATHEMATIGAS 

11. Dryoscopus cubla. (Shaw.) 

Boc. Orn. d'Angola. p. 227. 

Dois exemplares. íris negro. Habita lagoas e terrenos alagados. 
N. indig. «Berdegol.» Ibo. 

42. Andropadus flavescens. Hartl. 

Sharpe. Cat. B. Mus. vol. vi, p. 112. 

Um exemplar. íris amarello canário. Porto Bocage. 

Um exemplar. íris amarello pouco vivo. N. indig. «Esse.» Ibo. 

13. Oriolus lamtns. Licht. 

Boc. Orn. cTAngola, p. 238. 

Um exemplar. íris alaranjado. N. vulgar «Uamumbi.» Quissanga 
(Ibo.) 

14. Cistiscola erythrops. (Hartl.) 

Boc. Orn. d'Angola, p. 553. 

Um exemplar. íris amarello. Quissanga (Ibo.) 

15. Phylloscopus trochilus. (L.) 

Boc. Orn. d'Angola, p. 283. 
Um exemplar. Quissanga (Ibo.) 

16. Antlms rufulus. Vieill. 

Sharpe, Cat. B. Mus. x, p. 574. 

Dois exemplares. íris amarello. N. indig. «Malanche.» Quissanga 
(IboJ 

Um exemplar. N. vulgar «Esse.» Ibo. 

Dois exemplares teem o tom fulvo em toda a parte inferior e 
mais pronunciadamente no peito, ao terceiro exemplar falta-lhe 
esta côr quasi completamente, â excepção do peito onde ella ainda 
se nota. Este ultimo é muitissime similhante ao exemplar typo 
do Anthus Bocagei, Nicholson, e que o sr. Sharpe considera uma 
forma cinzento-clara do Anthus rufulus. 

17. Macronyx croceus. (Vieill.) 

Boc. Orn. d'Angola, p. 297. 

Um exemplar. íris amarello vivo. Habita lagoas e terrenos ala- 
gados. N. indig. «Esse.» Ibo. 



PHYSICAS E NATURAES 85 

18. Hyphantornis nigriceps. Layard. 

Boc. Orn. d'ADgola, p. 324. 

Dois exemplares. Irisamarello claro. N. indig. «Esse.» Quissanga 
(Ibo.) 

Estes exemplares são mais pequenos do que os que o museu 
possue d'Angola mandados pelo nosso distincto explorador o sr. 
Anchieta. 

19. Hjphantornis Cabanisi. Peters. 

Finsch u. Hartl. Võg Ast-Afr. p. 390. 

Utu exemplar. íris amarello. N. indig. « Esse. » Quissanga (Ibo.) 

20. Euplectcs flammiceps. Sw. 

Boc. Orn. d'Ango!a, p. 335. 

Um exemplar. Olhos negros. Quissanga (Ibo.) 

21. Spermestes cucullata. Sw. 

Boc. Orn. d'Angola, p. 350. 
Um exemplar. 

22. Passer diffusus. (Smith.) 

Boc. Orn. d'Angola, p. 364. 
Dois exemplares de Quissanga. 

23. Aegialites hiaticula. (L.) 

Boc. Orn. d^ngola, p. 431. 

Um exemplar. N. indig. «Tchocoi.» Vive nas praias e lagoas. 
Quissanga (Ibo.) 



86 JORNAL DE SCIENCIAS M ATUEM ATIÇAS 



5. Sur la denomination de 1" « Helix torrefacta » , Lowe, des Canaries 

PAR 

ARRUDA FURTADO 

Attaché à la Section Zoologique du Musée de Lisbonne 



En 1881 Lowe* a décrit une Hélice des Canãries, cantonnée dans 
l'ile Lançarote, sous le nom de Helix torrefacta. Cette denomination a 
été maintenue par Mousson dans sa Revision* et par Pfeiffer dans sa 
Monographia 3 ; Mousson a toutefois rapporté Fespèce au genre Pa tuia. 
Wollaston 4 , qui n'a point partagé 1'opinion de Mousson, a maintenu 
1'espèce dans le genre Helix ce qui 1'obligea a en cbanger le nom 
(car il était depuis 1849 employé pour une espèce de Jamaica, H. tor- 
refacta, Adams), en le substituant par Loweana. Si le genre Patula se- 
rait incontestablement un vrai genre et non un simple sous-genre, et 
si 1'espèce en question serait incontestablement une Patula, la corre- 
ction de Wollaston serait inutile, d'aalant plus que YH. torrefacta, Ad. 
avait été à son tour placée dans un genre à part, Sagda. Cependant, 
comme ce n'est point le cãs, et que le genre Patula aussi bien que le 
genre Sagda seront à jamais des coupes liiigieuses, les deux espèces 
doivent être considérées comme des Hélices pour Teífet general de 
l'application des régies de la nomenclalure, et ia correction de Wol- 
laston doit ètre admise comme indispensable; seulement elle se trouve 
encore faisant double emploi, car Loweana el Lowei (hélice de Madère 
nommée en 1835 par Férussac), sont, d"apròs la recente codification 

1 Ann. SÇ Mag. hist. nat., 1861, p. 106. 

2 Mousson, Bcvision moll. Cartar., 1873, p. 27. 

3 Pfeiffer, Monographia hei., 1876, vn, p. 297. 

4 Wollaston, Testacea Atlântica, 1878, p. 382. 



PHYSICAS E NATURAÍiS 87 

des régies de nomenclature, généralement san^tionée, une seule et mê- 
me chose, Loweana devant ètre corrige en Lowei. Cest, je crois, un 
exemple de synonymie pas assez vulgaire. Or il est vraiment assez 
peu gloiieux de faire cette petite découverte et d'aller rendre cette es- 
pèce deux fois adoptive, sans, au sur plus, la connaitre que d'aprês la 
description et le dessin; mais les régies de la nomenclature s'imposent, 
et pour les conchyliologistes qui nadmettent point Pálida ni Sagda 
comine des coupes de valeur générique, et qui respectent et prati- 
quent les régies modernes de nomenclature (et ils soní nombreux), la 
dénomination de Loweana, pas plus que celle de torrefacta, ne peut 
plus ètre conservée. Celle qui dériverait du nom de Wollaston étant 
dèjà employée (H. Wollastoni, Lowe, de Madère) et une H. lancerot- 
tensis existant déjà aussi, je proposerais le nom de usurpam pour cette 
curieuse espèce, qui 1'est vraiment. En réalité les deux noms qu'on lui 
a appliqués, torrefacta et Loweana, et les deux autres qui lui con- 
viendraient, Wollastoni et lancerottensis, ne sont que de vraies usur- 
pations ! 

La synonymie de ceite espèce atlantidéenne (si elle ne deviendra 
tôt ou tard une simple variété de IH. Imliginosa) resterait donc: 



Ificlix usiirpaiis 

Helix torrefacta, Lowe (nec Adams, 1849), Ann. & Mag. nat. 

hist. 1861, p. 106. 
Lowei, Wollaston (nec Férussac, 1835), Testacea atlântica, 

1878, p. 382. 

D'après mes recherches dans le Zool. Bccord, cette correction nou- 
velle n'avait pas encore été proposée. 

Section Zoologique du Musée de Lisbonne, 4 juin 1886. 



88 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMATICAS 



6. Sobre o logar que devem occupar nas respectivas Famílias 

os Molluscos mis 

POR 

ARRUDA FURTADO 

Addido á Secção Zoológica do Museu de Lisboa 



A simples noção da concha faz com que alguns maiacologistas con- 
siderem ainda como géneros malacologicos superiores, aquelles cuja 
concha tem o desenvolvimento mais perfeito. Por esta razão, collocam 
no principio das suas listas (querendo significar que começam do infe- 
rior para o superior) os molluscos nús da respectiva classe ou família. 
Ora é precisamente o contrario: se se adopta o systema de começar 
do inferior para o superior, são os molluscos nús de cada família que 
devem ser collocados no fim, porque não só a perfeição da concha 
nada tem com a perfeição do mollusco que a segregou, mas a supe- 
rioridade d'elle está mesmo na razão inversa da perfeição d'ella. 

Todos os molluscos que vivem dentro d'uma concha perfeita, 
typica, isto é, dentro d'um tubo enrolado em espiral, tem necessaria- 
mente impresso na sua organisação o cunho d'esle modo de viver fe- 
chado por todos os lados — lodos os órgãos de relação convergem para 
a cabeça, para diante, para o único logar por onde tudo pode sahir 
de dentro do tubo fechado. O recto é dirigido para diante, o orifício 
respiratório abre-se para diante juntamente com o orifício anal; o ori- 
fício reproduetor abre-se n'um dos lados da cabeça, por debaixo d'um 
dos grandes tentaculos e ao lado da boca ; a sola ventral ou plano lo- 
comotor dos gasteropodes, as duas azas dos pteropodes, os braços ten- 
taculares dos cephalopodes, são dependências exclusivas da cabeça. 

Ora todos os molluscos nús apesar de não viverem n'um tubo fe- 



FHYSICAS E NATURAES 89 

chado, tem impresso esse mesmo cunho — a lesma tem, do mesmo 
modo que o caracol, o recto dirigido para diante e o orifício repro- 
ductor debaixo do grande tentaculo direito; ella apresenta-se-nos pois 
como se tivesse vivido primitivamente dentro d'uma concha semelhante 
e da qual ainda conserva um rudimento interno. Cnvier definia o ca- 
racol como uma lesma cuja cavidade visceral tivesse feito hérnia e se 
cobrisse depois de uma camada calcarea; considerando porém o resto 
da morphologia externa, o que é evidente é o contrario, que uma hér- 
nia, em vez de se produzir, se dissipou. 

Se não é o caso para todas as lesmas, algumas pelo menos, e 
todos ou quasi todos os outros molluscos nús, especialmente os ma- 
rinhos, se não possuem concha no estado adulto, possuíram uma no 
estado embryonario, ou mesmo emquanto foram novos. Aqui dá-se 
pois o facto positivo, e não meramente hypothetico, de que, tornan- 
do-se adultos, se desembaraçaram d'ella. 

Uma lesma muito commum nos arredores de Lisboa, ParmaceUa 
Vale?)ciennesi, apresenta a este respeito um facto curiosíssimo. Quando 
adulta é uma verdadeira lesma, com uma concha rudimentar escon- 
dida debaixo dos tegumentos, e que mal lhe protege os órgãos respi- 
ratórios; mas, na sua primeira phase de desenvolvimento, ella possuía 
apenas a parte espiral da sua concha adulta, a qual tem a forma d'um 
pequenino caracol e aonde o joven mollusco, não só se podia recolher 
inteiramente, mas até fechar-se com uma sorte de operculo. como os 
molluscos cuja concha, ajudada por esta peça suppíementar, offerece 
o mais completo azylo. «Que l'on compare inaii tenant, escreve Moquin 
Tandon 1 , les différentes relalions de coqnille à mollusque que la Par- 
macelle a présentées dans son évolution, et l'on reeonnaitra quelle a 
successivement passe par une série de phases organiques qui caracté- 
risent 1'état normal des Cyclostomes, des Ifrlices úes Ambrcites, des Vi- 
trines, de la Testacelle et des Limaces. . . Dou il parait résullér que la 
complication dun mollusque est en raison inverse du développement 
de sa coqnille. » Expnmindo-se assim, tão claramente, a propósito das 
phases de desenvolvimento da Paimacelln. o illustre malacologista não 
viu porém no desenvolvimento individual do mollusco a imagem do seu 
desenvolvimento histórico. 

As larvas dos pleurobranchios nús possuem uma concha externa 
e o mesmo facto se observa nos dermatobranchios que são todos nús 
no estado adulto, etc. 

1 Hist. moll. terr. France. 

JORN. DE SCIENC. MATH. PHYS. E NAT. — N.° XLH. 7 



90 JORNAL DE SGIENGIAS MATHEMAT1CAS 

Edmond Perrier demonstrou l que os molluscos que habitam uma 
concha espiral são muito comparáveis e mesmo próximos parentes dos 
vermes que habitam também um tubo fechado, e tem por consequên- 
cia os mesmos traços de cephalisação dos seus principaes órgãos: — 
«Tout d'abord, la prémière forme, que revêtent les mollusques durant 
leur développement n'est autre que cette forme de trochosphère com- 
rr.an à tous les vers annelés. Les mollusques se rattachent donc étroi- 
tement à ces animaux. Chez eux, peu de temps après sa formation, 
le trochosphère s'enveloppe dans une sorte d'étui solide, qui s'allonge 
assez souvent, plus tard, en un tube enroulé en spirale, Cest lá le 
trait caractéristique des mollusques: ils habitent une coquille; ceux là 
même qui á Tétat adulte en son dèpourvus en possédaient une dans 
le jeune âge. Or il existe précisément un gruupe nombreux de vers 
annelés qui habitent, eux aussi, des tubes solides. Si les mollusques 
sont comparables à des \evs, c'est de ceux-là quils doivent être rap- 
prochés. Or vers sont eux-mêmes identiques aux vers annelés ordinai- 
res à cela prés que 1'anímal nátant plus en relation avec le monde exté- 
rieur que par son premier anneau, celui-ci prend un développement 
exceptionel et cumule tnutes les fonctions de relation. 11 doit en être 
ainsi chez les mollusques: tous leurs organes de relation doivent aussi 
se concentrei* vers la tête: ainsi les bras d'un poulpe sont comparables 
aux anlennes des annélides;. .. — toute Torganisation des mollusques 
découle de la façon la plus simple de celle des vers tubicoles, tels que 
les serpules 2 .» 

Ora os vermes são inferiores aos molluscos, e portanto, dentro 
do próprio grupo dos molluscos, devem ser considerados como mais 
inferiores aquelles cuja vida dentro duma concha largamente desen- 
volvida os faz approximar mais dos vermos tubiculos, e como supe- 
riores os molluscos nus que, de facto, ou por hypothese mais do que 
legitima, se desembaraçaram já d'esse invólucro que, se é um meio de 
protecção, é também um cárcere. 

Vejamos agora se, nalguns exemplos eloquentes, a superioridade 
que nos é revelada pela ausência de concha, se acha realmente tra- 
duzida n'uma superioridade orgânica correlativa. 

Consideremos os molluscos terrestes. Elles acham-se moderna- 
mente divididos em muitas famílias, cada uma das quaes possue ao 
mesmo tempo molluscos nús e molluscos com concha perfeita. Quasi 

1 Colonies animales e artigos sobre transformismo na Revue acientifique. 

2 Ed. Perrier — Le transformisme (Rev. scient. 28 de agosto de 1880). 



PHYSICAS E NATURAES 9i 

sempre, ou sempre, quer entre estas diversas famílias, quer entre os 
géneros de uma mesma família, os molluscos nus apresentam uma ou 
mais particularidades que podem ser consideradas como superiores. 

O género Helix é aquelle cujo apparelho reproductor é o mais 
complicado. A sua glândula hermaphrodita, porém, apparece-nos por 
vezes como uma massa informe quasi, e muito difficil de isolar dos 
lóbulos do fígado; o canal deferente só se separa aonde se termina o 
oviducto, com o qual vem mais ou menos confundido; as glândulas 
vaginaes são simples vesículas multifidas. Nos gen. Plutonia (Viques- 
neliaj, Limax e Arion a glândula hermaphrodita apresenta uma incon- 
testável superioridade morphologica, e não adhere aos lóbulos do fí- 
gado; em espécies do gen. Limax apparece-nos a goteira definitiva- 
mente convertida em canal, isto é, o canal deferente separa-se, tor- 
na-se perfeitamente independente do oviducto,, logo no principio d'es- 
te, á sahida da glândula albuminipara; nos dermatobranchios, mollus- 
cos marinhos todos nus, de que já falíamos, o canal deferente sepa- 
ra-se lambem logo, dirigindo-se directamente ao órgão intromittente 
depois de ter descripto muitas circumvoluções ; as verdadeiras glân- 
dulas vaginaes compactas da Plutonia, dos Urocyclus, Vitrina e Heli- 
carion são bem superiores ás simples vesículas dos Helix. 

Na classe dos Cephalopodes, os Polvos que não possuem nenhum 
rudimento de concha, nem externa nem interna, são os molluscos mais 
superiormente organisados, e são-o mesmo incomparavelmente mais do 
que os Argonautas cujas fêmeas teem uma concha simples, e do que 
os Nautilus cuja concha é tão admiravelmente conformada. 

# 
# # 

Como acontece com cada uma das bases de classificação, não se 
poderia tomar em absoluto estas idéas, porque, como é bem sabido, 
a classificação dos molluscos está feita hoje, não em serie única par- 
tindo dos de concha rudimentar ou simples a terminar nos de concha 
bem acabada, e não considerando senão a concha, mas sim em peque- 
nas series de desenvolvimento paralello em que se toma por base a 
anatomia profunda do animal; em Famílias cujos géneros constituem 
termos mais ou menos equivalentes, com respeito ao desenvolvimento 
relativo da sua concha. Hoje é malacologia que se estuda, e não mera 
conchyliologia. Outr'ora os molluscos terrestres, por exemplo, anda- 
vam dispostos nos manuaes, nas collecções e nos catálogos segundo 

7. 



92 



JOPNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



pouco mais ou menos esta ordem, do simples para o composto: Arion. 
Limax, Testacella, Parmacella, Vitrina, Zonites, Helix, Buli mus. Estes 
géneros formavam duas Famílias, nas quaes se lançavam para uma os 
que não tinham concha, para a outra os <.;ue a tinham. Actualmente 
Arion e Helix estão n'uma familia, Limax, Vitrina e Zonites n'outra, 
Testacella n'outra, com parte das espécies que eram classificadas nos 
géneros Zonites e Helix; os molluscos nus da Hehcidcp são o termo 
equivalente aos termos que são constituídos pelos molluscos nús da 
Limacidw e da Testacellidw, etc. 

O que nós queremos pois simplesmente, é fixar a convicção de 
que a concha, como caracter primário, só tem importância para a dis- 
tincção das espécies (nem mesmo já dos géneros, pois ha antigos He- 
lix, Fusus, etc. espalhados hoje por diversas famílias), e que, não só 
com respeito á antiga disposição seriaria, se aprouver ainda a alguém 
conserval-a, mas ainda dentro de cada uma das modernas famílias, os 
molluscos nús devem ser collocados todos no fim nu todos no princi- 
pio, mas de modo que se conheça que elles ahi estão porque os con- 
sideramos superiores; isto é, no principio, se ao contrario dos con- 
chyliologistas puros, começamos do superior para o inferior; no fim, 
se adoptamos o systema contrario. 

Assim, por exemplo, no primeiro caso, colloca remos: 



Fam. Testacellidse 



Chlamydophorus . . (Concha reduzida a uma placa interna). 

Testacella ) , ,. 

rudimentar externa). 



( 



Daudebardia .... 

Strebelia 

Guestieria 

JErope 

Paryphanta 

Rhytida 

Streptaxis 

Streptostylus . . . . 

Glandina 

Gibbus ( 

Pseudosubulina . . . 
Streptostele 



( » na phase de Vitrina). 



( 



( 



( 



de Helix). 

de Bulimus), 

de Papo). 
de Slenof/ym) 



PHYSICAS E NATURAES 



93 



Fam. Limacidse 

Limax (Concha rudimentar completamente coberta pe- 
los tegumentos). 

Mariplla (Concha menos rudimentar). 

Urocyclus j (Um poro na couraça deixando ver a concha 

Parmarion j rudimentar interna). 

Parnvicella (Concha interna mixta). 

Vitrina 1 

Vitrivopsis | ( » na phase de Vitrina). 

Helicarion ) 

Vitrinoconus ) . , '• . . 

„ . ( » » de Zoniles). 

Ariophanta ( » » de Helix). 

Se porém, exigindo-o a organisação interna e a distribuição geo- 
graphiea combinadas, os molluscos nus de cada família não possam 
ser collocados todos a um lado e os de concha todos ao outro, o cri- 
tério em nada fica prejudicado, pois que o primeiro resultado d'aquella 
exigência é a creação de duas sub-familias e dentro de cada uma del- 
ias elle pode livremente, e indispensavelmente, ser applicado. Dá se 
este caso na Teslacellidoe: 



Fam. Testacellidse 



Sub-fam. Testacellinse 
(Radula sem dente central) 



Sub-fam. Grlandininsa 
(Radida com dente central) 



Testacella 
? Dandebardia 
? Strebelia 

Gwstieria 
fJErnpp, 
? Pnryphanta 

Rhytida 



Chiam ydophorus 

Streptaxis 
? Slreptostylus 

Glandina 

Gibbus 
? Pseudosubulina 

Streptostele 



94 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMATICAS 

Tornando inteiramente extensivo este criterium aos Pulmonados, 
ainda d'entre os molluscos nús com concha rudimentar interna ou 
mesmo sem ella, escolheríamos, para os collocar no logar mais supe- 
rior, aquelles aonde a couraça não existisse, pois que ella deve ser 
.considerada como um rudimento da hérnia visceral e o seu bordo li- 
vre como um órgão rudimentar representando o collar dos Caracoes; 
é escusado lembrar que os géneros ou espécies de concha vitrinoide 
devem ser collocados tanto mais superiormente, quanto mais amplos 
são os lóbulos do manto e mais completamente escondem a concha. 

Tal me parece ser o criterium que deve guiar-nos na detalhada dis- 
posição seriaria das nossas collecções, todas as vezes, bem entendido, 
que elle for completar a disposição mais geral que os manuaes de con- 
chyliologia apenas podem expor, e não contradizel-a nos importantes 
conhecimentos e idéas adquiridos a respeito dos casos especiaes que 
possam apresentar-se. 

Secção Zoológica do Museu de Lisboa, 20 de maio de 1886. 



PHYSICAS E NATURAES 



95 



7. On a new or criticai species of Monkey, 
and a sytcroalica! arrangement of a groiip of Cercopilhecus 



BY 



PROF. F. MATTOZO SANTOS 



In the year 1799 Audebert, in his Histoire naturclle des Singes et 
des Makis, fam. 4, sect. 2, pi. 13, typified and described, under the 
designation of Cercopithecus ascanias, a monkey very remarkable among 
the Cercopilhecus whitespotted on the nose for its having face blue. 
In 1849 Gray published in the Proçeedings of the Zoological Society of 
London, pari. xvu, p. 8, fig. 2 a diagnosis, and printed a design of a 
Cercopithecus, which he denominated C. ludio, and which Schlegel 
(Monographie des Singes, p. 88) classiíles as identical with Audeberfs 
C. ascanias: therefore according to the latler naturalista opinion, there 
is a single species of Cercopithecus with a white spot on its nose, 
and blue face. 

Confronting Audeberfs, Gray's (1. c. and Cat. of Monkeys, Lemurs 
and Fruit-eating bats in the British museum 1870, p. 21,6) and Schle- 
gel's (1. c.) discriptions with a Monkey offered to the Museum of Lis- 
bon by Mr. José Augusto de Sousa to whom it had been given by Ma 
jor J. Fortunato Barreto, who got it from Quimpampala, fazenda 6 
miles from Ambriz, the Monkey being then about six months old, I 
have found in the latter the following characteristics different from 
those ascribed by Audebert and Schlegel to the C. [ascanias and by 
Gray to the C. ludw: 

i.° — the ears are neither naked, nor ílesh coloured (Audebert): 
they are covercd ali over by reddish brown slrong hairs, except on the 
anterior region where they are blue violet; 

2.° — on the temples sky coloured hairs, neither white (Aude- 
bert), nor black (Gray); 

3.° — the under lip is puré white, not flesh coloured (Audebert); 

4.° — the chin and throat are white, not deep grey; 



96 



JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMAT1CAS 



5.° — the rump is coloured like the back, and not dark reddish 
brown (Gray); 

6.° — the terminal */s of the tail are reddish, neither olive-coloured 
(Àudebert), nor while on the under region of de basis two third parts 
(Schlegel), nor blackish on the taiPs extremity and the underside of 
basis dark reddish brown (Gray). 

This difference of characteristics cannot be impuled to the diffe- 
rence of age, beeause there exists in lhe Zoological Garden of Lisbon 
another young exampler, olTered by dr. Ramada Curto, surgeon in 
western Africa, who defines them eqnally by the lail's colonr; and be- 
sides, the same Garden possesses another Monkey agreeing perfectly 
with Aiidebert's description. 

The parallel between the above alive individuais, and the impos- 
sibility of harmonizing Audeberfs and SchlegeFs descriptions with 
GrayV induce me to admit in these Cercopithecus white spotted on the 
nose the three different externai appearences characterised as follows: 



C. ascanias 

Fur olive-coloured. 

Chin, breast and belly, and 
inside of arms and legs 
dark grey. 

Tuft of yellowish white 
hairs on the temples ; 
yellowish white whis- 
kers bordered black. 

Rump and back of the same 
colour. 

Tail olivatre ali over, or 
white on the underside 
of two third paris of ba- 
sis, and reddish yellow 
on the terminal third 
part. 



C. ludio 

Fur blackish minutely yel- 
low grizzled. 

Throat, upper part of the 
inside of arms and lower 
part of the body whit- 
ish. 

No white on the cheek or 
temples. 



Rump dark reddish brown. 

Underside of basis of tail 
dark reddish brown and 
end blackish. 



New form. 

Fur dark bluish grizzled 
ringed yellow. 

Chin and throat bluish 
white. Breast and upper 
part of arms and legs 
grizzled (gris Payen). 

Tuft of bluish white hairs 
on the temples. Black 
whiskers (bordered yel- 
low dirty, juv.) 

Bump and back equal in 
colour. 

Tail on the upper side of 
the fifth part of basis 
the same colour of the 
back, on the underside 
colour of tbe belly, the 
remainder four fifth parts 
copper reddish. 



^eally, Àudebert, establishing the difference between the Blanc-nez (G. 
petaurista, Erx.) and his Aseania, says: «L'Ascagne a de plus un touffe de poils 
d'un beau blanc sur chaque tempe* and Gray writes with the same purpose 
<í. . .and especially by the absenee of any white on the cheek or temples » and 



PHYSICAS E NATURAES 97 

The above differences are larger and of easer apprecialion than 
those separating other forms accepted as well defined species by the 
most particular authors. Leaving quotations aside, I point out the two 
congenerous: — the C. nictitans, Erxleben, and the C. melanogenys, 
Gray, accepted by Schlegel. These two species only diíTer «par sa (C. 
melanogenys) poitrine et le dedans de son avant bras blancbâtres tem- 
ais que cette teinte tirant un peu au grisátre oceupe également le ventre 
jusque sur la base des cuíssqs (Schl. 1. c., p. 90)». It seems to me, 
contrary to Schlegel, that this difference does not separate them «d'une 
manière tranchée», principally because it exists between the two spe- 
cies the C. martinii, Waterhouse, considered by Schlegel as a variety 
of the C. nictitans, which still more reduce the above difference, as in 
the C. martinii «la teinle dominante est moin foncée et tirant au gri- 
sátre notament sur le dessous ...» 

The tail's colour, so steady and unvarying, separatey perfectly the 
three forms I speak of, and, together with the olher characteristies, au- 
thorize me lo consider them different species. 

This group of the Cercopithecus wilh a white spot on the nose 
may be ihen defined as follows: 

Basis of the triangle for med by the white hairs that covered a part 
of the nose turued upwards : 

I) Face not blue C. petaurista 

II) Face blue. .* Erxleben 

1) Tail olivaceous or olivaceous on the 
upperside, and white on the under- 
side turning reddish yellow un the 
extremity C. ascanias 

Audebert 

2) Underside of basis of tail dark 
reddish brown and end blackish.. C. ludio 

Gray 

Schlegel (1. c, p. 86) says: aJoues teintes de blanc sur une étendue plus ou 
moins grande». According the Audebert the tail is ((olivâtrei>, according the 
Schlegel «le blanc du dessous de la queue change dès le deuxième de la lon- 
gueur de cet organe au roux rougeatre» , and according the Gray «. . .end of 
the tail blackish» . . . «and underside of bases of tail dark redJish brown*. 



98 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMATICAS 

3) Basis of tail with the body's colour, 
the upper und under sides of the ter- 
minal four fiíth parts copper red- 

dish C. PICTURATUS 

n. s. 

The diagnosis of the new species will be then: 

Cercopitiiegus picturatus, n. s. mihi. — Head, nape and back dark 
yellow mixed, each hair showing yellow rings. A black frontal band. 
Round lhe eyes a broad blue ring eye glass shaped. A white cordi- 
form nasal stain with the point turned downwards. Black whiskers. 
Near the back part of the whiskers pale yellow, and from here as far 
as lhe ears bluish yellow white. Temples light sky blue. Ears blue in 
the fore part, and flesh coloured behind, with light brown strong stiff 
hairs. Small moustache bluish white; lips white. Chin and the whole 
of the inferior jaw dirty white. Throat white, somewhat bluish, chiefly 
on the upper side. Breast, belly, legs and inner part of the thighs 
gray. The iriside of arms deep grey. Tail brown red over and under, 
except on the underside of the basis, when it has the same colour as 
the belly. Bluish scroton. 

Rubbing the hand against the hair in ali parts of the body a blue 
colour is observed, which seems to predominate ali over the skin, 
and which appears through in the white and greyish regions of lhe 
animal. 

Habitat west of Africa. 

The variety of colours adorning this species serves as a reason for 
the designation by me proposed of — picturatus. 

The animal, upon which the anterior description has been based 
is a male adult, nearly 14 years, which was sent to Europe 10 years 
ago, and living now (july 1886) in the Zoological Garden of Lisbon, 
whitber it was removed together with ali the others animais of the 
small Menagerie of the National Zoological Museum. 



PHYSICAS E NATURAES 99 



8. Sur le têtard du «Cynops (Pelonectes) Boscai 



PAR LK 



PROF. F. MATTOZO SANTOS 



En dehors de la diagnose en latin publiée par M. F. Lataste dans 
la Bevue Internationale des Sciences, t. m, p. 275 et par lui comrau- 
niquée à la Société Zoologique de France dans la séance du 18 février 
1879 '; et de la três complete description de M. A. Tourneville 2 , rien 
de plus, que je sache, n'a été écrit au sujet de 1'Urodèle que M. La- 
daste dénomma Pelonectes Boscai, créant pour lui un genre nouveau, 
mais que je crois, avec M. Bolanger 3 , devoir être rapporté au genre 
Cynops Tschudi 4 . 

On ne parle cependant en aucun des écrits ci-dessus du têtard de 
cette espèce, et si M. Boscai en fait mention: «Des larves de cet Uro- 
dèle que j'ai trouvé dans le móis de juillet à Extremadura étaient déjà 
três développées (0,035)» 5 il ne le décrit pas. Possesseur depuis la fin 
de mars d'un grand nombre (plus d'une vingtaine) de ces larves, que 
j'ai obtenu vivantes, j'ai cru qu'il pourrait y avoir quelque intérêt d'en 
faire la description, complétant ainsi Thistoire de cette cuiieuse es- 
pèce péninsulaire. 

1 Bulletin de la Société Zoologique de France, 4.° vol. Proc. verb. pag. iv. 

2 Idem, idem, p. 69. 

3 Idem, idem, p. 37. 

4 Ce genre à été établi par Tschudi pour 1'espèce connue depuis long temps 
Molge pyrrhogastra, Boié ou Salamandra sub-cristata, Schlegel. Si on y eom- 
prend le Pelonectes Boscai de M. Lataste, 1'aire géographique de ce genre s'éten- 
drait à la péninsule Ibérique, à la Chine et au Japon. II será dono. represente 
dans ces deux dernières contrées par trois espèces et par le seul Cynops Boscai 
dans la Péninsule. 

5 Buli. de la Soe. Zool. de France, vol. v, pag. 247. 



100 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

A 1'époque ou j'ai reçu les têtards dont je moccupe dans cette 
note, ils mesuraient depuis le museau jusquà 1'extrémité de la queue, 
le plus petit 27 milimètres, le plus grand 43 miiimètres. De reste je 
dorme ensuite les dimensions de leurs diíTérentes parties, par rapport 
au plus petit et au plus grand de mes exemplaires. 

Dimensions: Longueur Largueur Longueur Largueur 

Tête = O ra , 005XO m ,00'i5; O m , 007X0 m , 006 

Trone =0 ,0105X0 , 003; O 3 017X0 , 007 

Membres antérieurs =0 , 005; - O ,0085 

» postérieurs. . . =0 , 004; - O , 008 - 

Longueur Hauteur Longueur Hauteur 

Queue =0 ,0115X0 , 004; O , 019X0 , 006 

Forme. — La tète est relativement grande, presque aussi longue 
que large et nettement séparée du trone. Le contour vu en dessus est 
un ovale três aplati poslérieurement, les bords en étant presque parallè- 
les en arrière des yeux. Du reste Ia tête presente dans son ensemble 
la configuration de celle de Tadulte. Si dans cet age les lobes susla- 
biaux ne tombent pas latéralement, dépassant en bas la lèvre inférieure, 
ni même ne la couvrent encore, ils sont cependant déjà assez grands 
et épaississent la lèvre supérieure au dessous des yeux de façon à don- 
ner à la fente buccale une forme particulière: elle semble être courbe 
dans sa partie postérieure, la concavité de cette courbure étant tournée 
en haut. Cela, joint au large pourtour du museau, à 1'aplatissement de 
la gorge et à la forme des yeux, qui sont três saillants, donne dês cet 
âge, à la tête de ces têtards, le faciès si caractéristique de cette région 
dans le C. Boscai adulte, faciès si justement compare à celui de la tête 
d'un bulldog. 

II y a des dents aux deux màchoires. Au palais il y a aussi deux 
plaques dentaires assez robustes convexes en dehors, et qui viennent 
se rejoindre sur la ligne mediane; la surface d'implantation de ces 
dents aurait ainsi une forme semblable à celle d'un fer à cheval dont 
le contour serait parallèle à celui de la mâchoire, et 1'ouverture tour- 
née en arrière. 

Les yeux sont saillants, de grandeur moyenne et a pupille ronde. 
L'iris en est dorée vermiculée de brun. 

Trois paires de branebies finement ramifiées, courtes, transparen- 
tes et d'un brun rougeâtre ornent les côtés du cou. 

Les membres sont greles; les antérieurs un peu plus longs que 
les postérieurs et aussi un peu plus greles. 



PHYSICAS E NATURAES 101 

La queue est haute, sa plus grande hauteur éfant au niveau du 
tiers postérieur, d'oú elle décroií graduelement vers la base, et obli- 
quement vers la pointe, qui est obtuse. Elle est entourée par une 
membrane mince, qui part de 1'anus, suit la tranche inférieure et va 
aboutir, se courbant un peu brusquement, sur le milieu du dos. 

A cet âge le cloaque est represente par une fente longitudinale 
ouverte à la base de la queue sur une élévalion à peine sensible, rien 
de saisissable n'indiquant encore la forme différente que ce cloaque 
aura dans les deux sexes, lorsqu ,- ils seront arrivés à Tétat adulte. 

Coloration. — La tète supérieurement est brune tachetée de brun 
foncé, parfois même d'un brun foncé uniforme. Latéralement toute la 
région suslabialo ainsi que les cotes du cou jusqu"aux membres anté- 
rieurs sont vermiculés de brun sur un fond clair. 

Toutes les surfaces supérieures du trone et des membres sont bru- 
nes plus ou moins foncées, tachetées de noir ou de brun noirâtre. Ces 
taches, plus confluentes sur le dos et sur la partie non meinbraneuse 
de la queue, se fondent parfois, ces régions présenfant alors une colora- 
tion três foncée, presque noirâtre, mais rarement une teinte uniforme. 

Depuis 1'aisselle jusqu'à la base des membres postérieurs, ou voit 
une première rangée de points de couleur métallique, cuivre doré, 
parfaitement alignés et pas plus éloignés entre eux que la longueur 
de leurs diamètres. Ces points se détachent sur un fond légèrement 
roussâtre, également à reflets métalliques saupoudré et pointillé de 
brun. Une tache oblongue argenlée oceupe la base des membres. Une 
seconde rangée de points métalliques aussi, mais d'une nuance plus 
dorée que celle des précédents, part des branchies, court toul au long 
du trone parallèlement à la première rangée et va se perdre sur la 
queue, qui est elle même parsemée de points semblables et de petites 
taches également à teintes métalliques, mais três irrégulièrement dis- 
tribuées sur sa surface. On trouve encore, tout en haut des flancs, 4 à 
6 points semblables à ceux de la seconde rangée et três rapprochés 
d'elle. Ils sont placés sur une ligne droite parallèle à cette même ran- 
gée et presque à une égale distance les uns des autres. 

Outre ces trois séries il y a dissemines sur les flancs des points 
plus ou moins gros, encore à reflets dores. 

La gorge et le bas ventre sont bleuâtres. Toutes les autres sur- 
faces inférieures sont d'un blanc laiteux transparent. La poitrine pre- 
sente une ligne centrale rougeâtre, et ses côtés sont souvent teints en 
rose, teinte qui se prolonge quelques fois comme une tache sur les 
aisselles. 



102 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEM ATIÇAS 

L'alcool, comrae on sait, a la fâcheuse propriété cTattaquer prom- 
ptement toutes les couleurs, et surtout les nuances métalliques qui de- 
viennent blanchâtres ou plutôt laiteuses, après un séjour même três 
court d;ms ce liquide. II ne faut donc pas s'attendre à trouver dans 
les échantillons ainsi conserves ni la variété ni 1'éclat du coloris de 
1'animal vivant: il ne reste sur un fond brun plus ou moins foncé que 
quelques taches noirâtres, et lout au plus des points et des taches 
d'un blanc sale indiquant la place auparavant occupèe par les teintes 
métalliques. 



Ces têtards ont des mouveraents três rapides et três gracieux. II 
était extrèmement curieux de voir 1'agilité avec laquelle ils fondaient 
sur les daphnis et les vers qu'on leur jettait dans le bocal ou je les 
conservais. S'ils sont capables d'endurer de longues privations, leur 
appétit par contre n'est jamais satisfait, s'attaquant avec le même achar- 
nement à leur proie après un jeúne prolongé ou après un copieux re- 
pas. Leur voracité est telle que de deux que j'avais mis à part dans 
un petit bocal pour mieux les observer, et qui étaient d'ailleurs assez 
abondamment nourris, l'un étant venu à mourir, j'ai rencontré 1'autre 
en train d'avaler son frère. 



PHYSICAS E NATURAES 



103 



9. Note additionnelle sur les repliles de S.* Thomé 



Après 1'impression de mes articles précédents sur les reptiles de 
File S. 1 Thomé, j'ai pu examiner, grace à l'obligeance de M. le dr. Lo- 
pes Vieira, aide-naturaliste au Muséum de Coimbra, deux geckotiens 
recueillis à S. 1 Thomé par M. Newton, qui appartiennent incontesta- 
blement à YHemidactylus mabouia. 

L'individu que j'ai décrit sous le nom de H. Greeffii ayant été ap- 
porté de S. 1 Thomé par le dr. Greeff, il faut en conclure que deux es- 
pèces àe- Hemidactyhis, au lieu d'une seule', se trouvent dans cette ile, 
l'une largement répandue sur 1'Afrique continentale et sur plusieurs 
iles africaines, 1'autre, à ce qu'il parait, exclusive de 1'ile S. 1 Thomé. 

Le tableau ci-joint, en permettant la comparaison des principaux 
caracteres de ces deux espèces, aidera sans doute à mieux saisir leurs 
différences. 



II. miíil>oiiiíV 



H. Gi-eeffli 



Front concave; 

Museau plus long que la distance de 1'oeil 

à Touverture auriculaire; 
Ouverture auriculaire étroite, oblique; 
Narine bordée par la rostrale et 3 ou 4 

nasales ; 
11 à 13 labiales supérieures et 9 à 10 la- 

biales inférieures; 



Front concave ; 

Museau plus long que la distance de l'oeil 
à 1'ouverture auriculaire; 

Ouverture auriculaire ovale, oblique; 

Narine bordée par la rostrale, la I a la- 
biale et 3 nasales ; 

11 labiales supérieures, 9 labiales infé- 
rieures ; 



104 



JORNAL DE SC1ENCIAS WATHEM ATIÇAS 



Dos et flancs couverts do petites granula- 
lions entrenièlées de tubercules arron- 
dis, convexes, non carénés, disposés 
irregulièrement et assez espaces; 

Un pli longitudinal de la peau de chaque 
côté de 1'abdomen, non garni d'une 
rangée de tubercules; 



Doigts libres, pouce complet aux extré- 
niités antérieures et postérieures, arme 
d'une griffe; 
4 ou 5 lamelles infra-digitales au pouce 

ou doigt interne, 6 à 8 au 4 e doigt; 
Queue faiblement déprimée, conique, he- 
rissée sur les faces supérieure et latéra- 
les de six rangées longitudinales de tu- 
bercules chiliques espaces, une série mé- 
diane de larges plaques transversales sur 
la face inférieure; 
Chez le male une série non interrompue 
de pores fémoraux, 15 à 30 de chaque 
côté. 



Dos et flancs couverts de petites granu- 
lations entremèlées de tubercules con- 
vexes, carénés, disposés longitudinale- 
ment en 20 séries regulières, assez rap- 
prochés entre eux dans chaque série; 
Un pli longitudinal de la peau de chaque 
côté de 1'abdomen, sur lequel se trou- 
ve implantée une rangée extreme de 
tubercules plus forts que les autres, 
prismatiques et pointus; 
Doigts libres, pcuce incomplet aux extré- 
mités antérieures, réduit à sa portion 
basilaire, sans griffe; 
7 lamelles infra-digitales au pouce, 9 à 

10 au 4 e doigt; 
Queue presque tétragonale, portant sur 
les faces supérieure et lalérales six ran- 
gées longitudinales de gros tubercules 
prismatiques juxtaposés, une rangée mé- 
diane de larges plaques transversales à 
la face inférieure; 

Chez le m;11e une petite série à peine de 
12 pores pre-anaux. 



B. B. 




^Fãaf) 



c&Ur. ç>,m. 



JOttlXIJ^Tj 



DE 



^ 



SCHNCIAS MATHEMATICAS 

PHYSICAS E MTOIAES 



publicado sob os auspícios 



DA 



ACADEMIA REAL OAS SGIENCIAS OE LISBOA 



NU1I. XLIU.— DEZEMBRO DE 1886 





LISBOA 
TYPOGRAPHÍA DA ACADEMIA 

1886 




tf.'*r-v 



INDEX 



Zoologia: 

4. Catalogo geral das collecçôes de molluscos e con- 
chas da Secção Zoológica do Museu de Lisboa — 
por Arruda Furtado 105 

2. Additamento á lista das aves colligidas em Africa 
de 1884 a 1885 pelos srs. Capello e Ivens — por 

José Augusto de Sousa 151 

3. Aves d'Aogola — por José Augusto de Sousa 154 

4. Typhlopiens nouveux de la Faune africaine — par 
Barboza du Bocage 171 

Bibliogràphia: 

Primeiros subsídios para a Fauna do Estado do Congo. 1 75 



' À 



J; . ■ 



Y, 






.• 



PHYSICAS E NATURAES 105 



ZOOLOGIA 



CATALOGO GERAL 

DAS 

COLLECÇÕES DE MOLLUSCOS E CONCHAS 

DA 

SECÇÃO ZOOLÓGICA DO MUSEU DE LISBOA 

POR 

* 

ARRUDA FURTADO 



ADVERTÊNCIA 



Em fevereiro de 1885 fui encarregado da revisão e catalogação 
das collecções de molluscos e conchas da Secção Zoológica do Museu 
de Lisboa. As collecções compunham-se de dois grandes núcleos — a 
chamada Collecção Antiga, e a chamada do Museu Real. Ambas estas 
collecções se achavam expostas ao publico, cada uma em sua respe- 
ctiva sala, e ambas, na minha entrada para a Secção, se achavam cui- 
dadosamente guardadas, mas dispostas segundo o antigo systema de 
classificação, actualmente inadmissível, e havendo mesmo muitas de- 
nominações visivelmente incorrectas. Havia além d'isto, em deposito, 
uma enorme quantidade de conchas de todas as proveniências, talvez 
egual ou maior do que a que estava exposta. 

Não me demorarei aqui com a historia detalhada d'estas collecções, 
nem com a exposição dos motivos pelos quaes ellas assim se achavam, 
tendo de fallar n'isso nos catálogos em volume, e limitar-me-hei a di- 
zer que, com aquelles três elementos, se resolveu, sob plena approva- 

JORN. DE SCIENC. MATH. PHYS. E NAT. — N.° XLIII. 8 



106 JORNAL DE SCIENC1AS MATHEMATICAS 

ção do illustre director d'esta Secção, formar duas collecções — uma 
Collecção typica, a qual somente estaria exposta âo publico, e uma 
Collecção geral, que se conservaria reservada, satisfazendo-se assim ás 
exigências da falta de espaço para tudo expor convenientemente, e tam- 
bém á convicção da utilidade que n'isso ha; as duas razões harmoni- 
savam-sc inteiramente. Estas duas collecções não excluíam, bem en- 
tendido, as collecções locaes que o Museu tem sempre conservado á 
parte, em salas próprias, de Portugal, das Possessões portuguezas de 
Africa e das Possessões portuguezas do Oriente. 

A Collecção typica, tal como a comprehendo, isto é, podendo ser- 
vir de atlas vivo ao melhor manual até hoje publicado, o do dr. Paulo 
Fischer, contendo pois não só representantes de todos os géneros e 
sub-generos, recentes e fosseis, mencionados n'esse manual, mas, além 
d'essa parte systematica, contendo também uma parte taxinomica, está 
muito adiantada e tem-se conservado sempre exposta ao publico, em 
todas as suas phases, nas carteiras da chamada i. a Sala, ou da Collec- 
ção Antiga; mas, requerendo a parte taxinomica moveis especiaes e ha- 
vendo numerosíssimos typos difficeis de obter, não é possível affirmar 
que essa collecção typica esteja concluída em breve. Mal que o esteja 
porém, estará também concluído o seu respectivo catalogo, ou Guia 
popular, que inquestionavelmente lhe compete e cuja redacção temos 
inteiramente planeada. 

Á Collecção geral, composta somente de espécies recentes, per- 
tence também depois d'isto o seu catalogo especial, em volume para 
que o publico mais estudioso saiba como, nas collecções d'este Museu, 
se desdobram os diversos typos da sua predilecção, ou que formam 
mesmo a sua especialidade, e para em qualquer occasião solicitar o 
exame d'essas espécies que, exactamente por só a elle na verdade apro- 
veitarem, não estão expostas ao geral do publico. Os elementos d'este 
outro catalogo, não só não é possível preparal-os rapidamente (está 
bem visto), de modo que a sua publicação possa esperar até que es- 
teja completo o volume; mas ainda a sua publicação parcial não pode 
seguir a ordem systematica em que a collecção será disposta definiti- 
vamente, e que, evidentemente, não pode ser outra senão a da col- 
lecção typica: o Manual de Tryon, segundo o qual vamos fazendo a 
revisão, é, como se sabe, bastante differente do de Fischer no syste- 
ma de classificação adoptado, e está além d'isso em via de publicação, 
e, para ir pondo as espécies da collecção geral em harmonia rigorosa 
com a collecção typica, como é o nosso desideratum, é preciso estabe- 
lecer mais de uma discussão melindrosa e accumular centos e centos 



PHYSICAS E NATURAES 107 

de observações e de notas; mesmo, em muitíssimos casos, por falta 
do conhecimento dos animaes, essa harmonia rigorosa nunca se po- 
derá estabelecer. A publicação pois de um catalogo perfeito só ao fim 
de muitos annos de continuado trabalho se poderá fazer. 

Mas o registar publicamente aquillo que se vae apurando como 
tendo de compoF as futuras collecções malacologicas e conchiliologicas 
d'esta Secção, é indipensavel, embora essa publicação, além de par- 
cial, não seja feita na ordem desejada. Assim, tendo de seguir, na re- 
visão das espécies, a ordem de publicação do Manual de Tryon, á ma- 
neira que tivermos cada família completa, iremos publicando, n'este 
Jornal e n'essa mesma ordem, o seu respectivo catalogo. 

Sendo as nossas collecções, como é bem de esperar, essencial- 
mente conchiliologicas e estando por consequência quasi inteiramente 
por formar a de Cephalopodes, começámos pelos Gasteropodes, cuja 
primeira familia tratada por Tryon é a murichle, da qual, como fare- 
mos para as outras, damos aqui o Catalogo geral, de todas espécies 
possuídas, quer se contenham na Collecção geral, quer também (e ás 
vezes só n'esta) na Collecção typica, quer ainda nas collecções locaes. 

Devo também advertir que, tendo este primeiro catalogo, pélas 
razões expostas, de ser necessariamente um simples inventario geral, 
mais de uso particular, e não o verdadeiro catalogo official, expressa- 
mente auctorisado e prefaciado pelo director d'esta Secção, desejei que 
ficassem n'elle tombadas todas as indicações, inclusive o estado de con- 
servação e de classificação em que encontro cada exemplar, indicações 
á primeira vista insólitas, mas que serão utilíssimas tanto para a his- 
toria detalhada das collecções, como para resolver futuras duvidas, e 
ainda como meio de fiscalisação. E assim não deixei também de o apro- 
veitar para uma sorte de relatório da commissão que desempenho. 

Secção Zoológica do Museu de Lisboa, 7 de agosto de 1886. 



A. Furtado. 



8* 



108 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEM ATIÇAS 



Class. GASTEROPODA 

Fam. MURICIM 

(Tryon, Man. Conch. i." 1 ser. II) 

Sub-Fam. Muricta 

Gen. MUREX 

Sub-Gen. Tribulus 

1. IHarex tribulus» L. 

Murex tribulus, L. S. Nat. 12 ed. p. 1214. 

tribulus, Reeve, f. 82. 

mgrispinosus, Reeve, f. 79. 

Martinianus, Reeve, f. 72. 

ternispina, Reeve, f. 73. 

tribulus, Tryon, Man. II. p. 77. est. 9. f. 107 e 109. 

ternispina, Tryon, p. 78. est. 9. f. 110. est. 10. f. 114. est. 11. f. 218. 

2 sem loc; C. A. 1 ; (sob crassispina); 
4 índia; M. R. 2 ; (idem); 

1 Timor; ex sr. Rafael das Dores; (sem denominação) ; — CoIIecção 

Possessões Portuguezas do Oriente. 

2 Madagáscar; ex. Museu Paris (Lacaze Duthiers); 
2 s. loc; G. A.; (pequenas dimensões); 

2 (1 juv.) s. loc; M. R.; (no exemplar adulto são distinctissimas 
as linhas de manchas trigueiras typicas que faltam em todos 
os outros exemplares); 
2 juv. s. loc; M. R. ex Rar. Castello de Paiva; (s. denom.); 
j_Oc indico; ex Aubry Le Comte; (com operculo); (s. denom.); 
16 

1 CoIIecção Antiga. 

2 Museu Real. 



PHYSIGAS E NATURAES 109 



2. SI u rei: tenuispina, Larn. 

Murex tenuispina, Lara. p. 566. 

Reeve, f. 85. 

Tryon, p. 78. est. 10. f. 113. 

1 s. loc, G. A.; (com quanto incompleto é ainda um bello exem- 
plar medindo 15 cent.); — Collecção typica; 

i Oc. indico; M. R.; (exemplar em admirável estado de conser- 
vação, comprado a Verreaux por 20 fr.); — idem; 

5 China ; M. R. ; (apenas 1 ou 2 soffrivelmente perfeitos) ; 

1 juv. s. loc; G. A. 

"8 

3. Mures rarispina» Lam. 

Murex rarispina, Lam. p. 567. 

Reeve, f. 86. 

Tryon, p. 79. est. 10. f. 115. 

2 s. loc; G. A. 

~2 

4. Murex fcrevispina, Lam. 

Murex brevispina, Lam. p. 567. 

Reeve, f. 77. 

Tryon, p. 79. est. 11. f. 121. 

2 s. loc; C. A.; — Coll. typ.; 

1 s. loc; G. A.; 

3 índia; M. R.; 

2 Zanzibar; ex Museu Paris (L. Duth.); 

i Moçambique; ex sr. Barreiros; (s. denom.); — Coll. Poss. port. 
Africa; 

3 índia?; ex ...?; (s. denom.); 

1 s. loc; ex Conselho de Saúde Naval; (s. denom.) 
13 

5. Murex haustellum, L. 

Mures: haustellum, L. p. 1213. 

Reeve, f. 95. 

Tryon, p. 83. est. 13. f. 137. 



110 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMATJCAS 

3 s. loc; C. A.; 

2 índia; M. R. ex sr. Falcão;— Coll. typ.; 

1 Zanzibar; ex Mus. Paris (L. Duth.); 

2 Moçambique; M. R. ex sr. Benevides; (s. denom.); — Coll. Poss. 

port. Africa; 

3 juv. s. loc; ex Cons. S. Naval; (s. denom.); 
1 s. loc; ex ...?; (s. denom.) 

12 

Sub-Gen. Pteronoíus 



6. Míirex triqueter, Born. 

Murex triqueter, Born, Mus. Cces. p. 291. est. li. f. 1 e 2. (fide Lam. &.) 

Reeve, f. 4. 

Tryon. p. 85. est. 40. f. 506. 

1 s. loc; C. A.; 

2 China; M. R.;— Coll. typ. 
i China; M. R.; 

1 Timor; ex. Mus. Colonial; (s. denom.): — Coll. Poss. port. Oriente; 
i s. loc; ex. Mus. Paris (L. Duth.) 

"6 

7. Murex língua» Dillw. 

Murex lingua, Dillw., Cat. II. p. 688. (lide Lamarck, &.) 

lingua-vervecina, Reeve, f. 121. 

lingua, Tryon., p. 86. est. 40. f. 513. 

i s. loc; ex Mus. Paris (L. Duth.) 

T 

8. Murex pinnatns, Wood. 

31urex pinnatus, Wood, Index, Supp. est. 5. f. 20. 

Reeve, f. 57. 

Tryon, p. 87. est. 41. f. 526. 

2 Asia; C. A.; (sob tripterus); 

2 China; M. R.; (idem); (1 com operculo); — Coll. typ.; 
J_ s. loc; ex Mus. Paris (L. Duth.) 
"5 



PHYSICAS E NATURAES 111 



Sub-Gen. Cliicoreus 



9. Súurex nitfima-rosae» Lam. 

Murex palmar osae, Lam. p. 572. 

■ Reeve, f. 30. 

Tryon. p. 89. est. 14. f. 140. 

2 s. loc; C. A.; 

2 M. Roxo; M. R.; (2 bellos exemplares);— Coll. typ.; 
_2 M. Roxo; M. B. 
6 

10. Murex maurim, Brod. 

Murex maurus. Brod. P. Z. S. 1832. p. 174. 

affinis, Reeve f. 182. 

■ maurus, Tryon, p. .89. est. 14. f. 138. 

2 Moçambique; M. R. ex. dr. Peters; (sob rufus);— Coll. Poss. 

port. Africa. 
~2 

11. Murex niicropnyllus, Lam. 

Murex microphyllus, Lam. p. 575. 

Reeve, f. 40. 

Tryon, p. 89. est. 14. f. 14i. 

1 s. loc; G. A.; (s. denom.); 

3 China; M. R.; (sob elongatus); 

1 s. loc; compr. sr. dr. Bocage em Baris; (s. denom.) 
"5 

12. Murex microphyllus. Lam. juv.? 

2 Africa; M. R.; (sob acanthopterus). 
"2 

Obs. — Dois bonitos exemplares, muito distinctos, perfeitos e 
frescos, d'um Murex que, na collecção do M. R., estava sob o 
nome de acanthopterus, mas que è d'um typo inteiramente di- 



112 JORNAL DE SGIENGIAS MATHEMATICAS 

verso. Pela sua coloração e forma geral assemelham-se á f. 20 
de Reeve, do palmi feras, mas as frondes são outras; a localidade 
e a margem denticulada do lábio columellar aproximam-o da des- 
cripção do microphyllus; mas devemos confessar que, com os ma- 
teriaes que o Museu por emquanto possue, nos não é possível ten- 
tar a sua classificação segura. Como o rubescens, Brod. (Reeve, 
f. 45), elle é muito solido e d'uma «estructura rude» ; mas differe 
um pouco na forma geral e muito nas frondes, e em ter duas e 
mesmo três ordens de tubérculos entre as varizes e não apenas 
uma. 

13. llnrex Banksi, Sow. 

Murex Banksi, Sow. P. Z. S. 1840. p. 140. 

Reeve, f. 38. 

Tryon, p 89. est. 14. f. 141. 

1 s. loc. ; C. A.; (s. denom.) 

14. Murex adustus, Lani. 

Murex adustus, Lara. p. 573. 

Reeve, f. 29. 

Tryon, p. 90. est. 15. f. 149. 

4 s. loc; G. A.; 
3 índia ; M. R. ; 
i juv. Singapura; M. R. ; 

1 Timor; ex Museu Colonial; (s. denom.); — Coll. Poss. port. Oriente; 
1 Timor; ex sr. Rafael das Dores; (s. denom.); — idem; 
i s. loc; compr. sr. dr. Bocage em Paris, 1859; 
i s. loc; ex . . .? 
12 

15. Murex rnfti*. Lam. 

Murex rufus, Lam. p. 574. 

Reeve, f. 19. 

1 s. loc; comp. sr. dr. Bocage em Paris, 1859; (s. denom.); 
1 s. loc; ex ...?; (idem). 

9 



PHYSICAS E NATUBAES 113 

Obs. — Não posso convencer-me, como Tryon, de que este Mu- 
rex distinctissimo seja o novo do adustus. O primeiro exemplar 
condiz exactamente com a descripção de Reeve, tendo as «elegant 
leaf-like fronds, coated internally with one or more peculiar la- 
minas of enamel.» A rectitude das frondes é também um caracter 
de que não encontro forma de transição em nenhum dos adustus 
que possuímos, e a respeito do qual, como de nenhum dos ou- 
tros, Tryon se não exprime cathegoricamente. 



16. Hnrex monodon, Sow. 



Murex monodon, Sow. Tank. Cat, app. p. 19. (fide Lamarck e Reeve). 

aranea, Kiener, Sp. p. 34. est. 36. f. 1. 

monodon, Tryon, p. 92. 

1 índia; M. R.; (sob calcitrapa). 

T 

17. Murex axicornis, Lam. 



Murex axicornis, Lam. p. 574. 

Reeve, f. 37. 

Tryon, p. 91 est. 16. f. 161. 

\ s. loc; M. R.; (sob calcitrapa). 
1 

18. Murex anguliferus, Lâm, 



Murex anguliferus, Lam. p. 588, 

■ Reeve, f. 43 o. 

Tryon, p. 93. est. 17. f. 165. 

1 s. loc; C. A.; (s. denom.); 

1 índia; M. R.; (sob inflatus); (bello exemplar medindo 17 cen- 
tímetros de compr. max.); 

1 M. Verm.; ex Mus. Paris; 

1 Renguella; ex sr. Anchieta, jan. 1867; (s. denom.); — Coll. Poss. 
port. Africa; 

3 juv. s. loc; C. A.; (s. denom.); 



114 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMAT1CAS 

var. ferrugo, Wood. 

Murex ferrugo, Wood, lnd. Supp. est. 5. f. 16. 

anguliferus, var. ferrugo, Reeve, f. 43 b. 

var. ferrugo, Trvon, est. 17 f. 166. 

1 s. loc; C. A.?; (s. denom.); 

vâr. ponderosus, Chem. 

Murex ponderosus, Chem. Thes. f. 67. (íide Tryon). 
anguliferus, var. ponderosus, Tryon, est. 24. f, 216. 

2 China; M. R.; (s. denom.) 

Tõ 

Obs. — O exemplar enviado de Benguella pelo explorador sr. An- 
chieta é bem o anguliferus. No Man. de Tryon, o anguliferus vem 
porém indicado como do M. Verm., Oc. ind., Seychelles, Bour- 
bon, e, a ajuizar por esta indicação, seria a primeira vez que a 
espécie teria sido encontrada na outra costa d' Africa. Porém se, 
como Lamarck, Sowerby a não confundiu, a indicação das para- 
gens do Atlântico para esta espécie data já d'este ultimo auctor *. 

19. Murex senegalcnsis» Gmel. 

Murex senegalensis, Guiei. Syst. Nat. p. 3537. num. 40. 

Reeve, f. 101. * 

Tryon, p. 94. est. 16. f. 139. 

2 s. loc; C. A.; (s. denom.); — Goll. typ.; 

3 s. loc; C. A.?; (idem.); 

2 s. loc; M. R.; (sob anguliferus); 

2 Africa Occ; ex . . .?; (s. denom.); — Coll. Poss. porl. Africa? 
~9 



1 Fide Tapp. Canefri, Studio muric. M. Bosso (Ann. M. C. St. Nat. Gé- 
nova, 1875. p. 579.) 



PHYSICAS K NATURAES 



20. Hnrex cagmcinus, Lam. 



115 



Murex capucinus, Lam. p. 576. 

Reeve, f. 10 

Tryon, p. 94. est. 19. f. 174. 

1 Asia; C. A.; (s. denom.); 
3 índia; M. R.; 

1 s. loc; ex . . .? 
~~5 

21. Blurex infllatus, Lam. 

Murex inflatus, Lam. p. 570. 

ramosus, Reeve, f. 3. 

Trvon, p. 95. est. 1. f. 1 e 2. 

2 s. loc; C. A.; (grandes exemplares); 

3 s. loc; C. A.; (ex. meio adultos, muito perfeitos e elegantemente 

frondosos) ; 

2 s. loc; M. R.; (grandes e bellos ex.); — Coll. typ.; 
i s. loc; M. R.; 

1 índia; M. R.; (coloração escura bastante pronunciada); 

3 s. loc; G. A.; (73 do desenvolvimento max.); 

1 Timor; ex sr. Rafael das Dores, 1882; (grande ex.); — Coll. 

Poss. port. Oriente: 
1 Moçambique; C. A.; — Coll. Poss. port. Africa; 

1 Moçambique; ex sr. Guilh. Capello, maio 1865; — idem; 

3 s. loc; ex Cons. Saúde Naval; (diversos tamanhos; coloração 
escura muito pronunciada); 

2 G. Verde?!; ex ...?; (muito novinhos); — idem; 
1 s. loc; ex .. .?; (idem; bello ex.); (com opere) 

2T 

Obs. — Hanley 1 e Tapparone Canefri 2 ensinam-nos que a syn. 
d'esta espécie está bastante embrulhada ainda, por Linneu, tanto 
no Systema como no Mus. Ulrkce, ter citado figuras que perten- 
cem a differentissimas espécies. É fora de duvida que Linneu não 



1 Shells ofLirmaus, 1855, p. 282. 

2 loc. cit. p. 575. 



116 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

pode ser tomado como auctor da espécie. A querer-se conservar 
o nome ramosus, seria Rumphius * o creador d'ella, segundo o pró- 
prio Linneu que lhe respeitou a denominação correcta e lhe citou 
a figura; mas isto só poderia fazer-se se esta figura fosse suffi- 
ciente, como o é a de Gualtieri 2 , e se não podesse confundir 
com a de nenhuma outra espécie; pelo contrario, ella pôde pa- 
recer-se com algumas outras espécies mais pequenas e tem até 
as varizes desenhadas ás vessas. Gualtieri, que cita Rumphius 
para outras espécies, não quiz associar a figura do auctor alle- 
mão á sua que, attendendo á época, satisfaz perfeitamente. Lin- 
neu, confundindo as duas figuras e respeitando a denominação de 
Rumphius, e traçando uma diagnose que até certo ponto exclue 
a espécie que ellas representam, só in part. deve ser citado. Con- 
siderando isto, que Linneu erradamente denominou «antes um 
grupo do que uma espécie», Hanley propõe ou que o nome por 
elle empregado seja votado ao esquecimento, ou que, sendo con- 
servado, seja applicado ao infiatus, Lam. «como sendo o ramosus de 
Rumphius, e o de Linneu in part.» Tapparone Canefri, comquanto 
não tome o parecer para si e faça reviver (fide Mõrch) a denomi- 
nação de incarnatus, Bolten, aconselha que, «para evitar toda a 
confusão, se ponha de parte todos os antigos auctores e se ado- 
pte para esta concha o nome especifico de Lamarck.» É isto o 
que fazemos, sendo aliás a denominação de Lamarck a que estava 
já adoptada, provavelmente segundo as figuras de Kiener, nas 
antigas classificações d'este Museu. 

22. Harex elongatus» Lam. 

Murex elongatus, Lam. p. 571. 

sinensis, Reeve, f. 25. 

elongatus, Tryon, p. 95. est. 20. f. 183. 

3 s. loc; C. A.; (s. denom.); 
1 juv. s. loc; G. A.; (idem). 
~4 



1 Thesaurus, 1739, est. xxvi. f. à 

2 Index, 1742, est. xxxvm. 



PHYSIGAS E NATURAES 117 



23. Hnrex brevifrons, Lam. 

Murex brevifrons, Lam. p. 573. 

calcitrapa, Lam. p. 573. 

Reeve, f. 13. 

— — elongatus, Reeve, f. 26. 

brevifrons, Tryon, p. 95. est. 18. f. 171 e 172. est. 19. f. 175. 

i s. loc; G. A.; (em péssimo estado); (s. denom.); 

1 juv. s. loc; (idem); (idem). 

~2 

24. Murex pomum» Gmel. 

Murex pomum, Gmel. Syst. Nat. p. 3527. 

Reeve, f. 35. 

oculatus, Reeve, f. 36. 

pomum, Tryon, p. 97. est. 20. f. 182. 



3 s. loc; C. A.; (sob asperrimus==); 

3 s. loc; M. R.; (1 completamente incrustado, mas tendo muito 
fresca a coloração da abertura; o exemplar mais pequeno tem 
escripto na abertura «Africa»!). 
"6 

Sub-Gen. Rhinocantha 

25. SSíeecx bramlaris, L. 

Murex brandaris, L. p. 1214. 

Reeve, f. 96. 

Tryon, p. 98. est. 21. f. 193-195. 

3 s. loc; C. A.; 

3 Sicília; M. R.; 

4 s. loc; ex . . .?; 

2 Portugal; M. R.; (1 com opere); — Coll. typ.; 
1 Portugal; M. R.;— Coll. Portugal; 

I s. loc: CA.?; (individuos com 3 ordens de espinhos = Murex 
trifariospinosa, Chem., caracter que, ao menos n'este exem- 
plar, apresenta um cunho inequivoco de monstruosidade); 
1 juv. s. loc; ex . . .?; 
individuos em álcool e preparações de radula. 
15 



118 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMATICAS 

26. Murex cornutas, L. 

Murex cornutus, L. p. 1214. 

Tryon, p, 98. est. 21. f. 196 e 197. 

1 s. loc; C A.; 

1 Africa occ; M. R.; ex sr. Vise. da Carreira; (exemplar figurando 
no M. R. como da índia, o que evidentemente é engano. Ad- 
mitlindo, como única coisa provável, que o V. da Carreira 
o trouxe cTAfrica, na sua passagem, collocamol-o na) — Coll. 
Poss. port. Africa; 

1 Loanda; M. R.; (com opere): — idem; 
4 juv. s. loc; C. A.; 

var. lacteus, Reeve. 
Murex cornutus, var. (3 testa láctea, Reeve, f. 71. 

2 Africa occ; M. R.; (magníficos exemplares aos quaes cabe a 

mesma nota do exemplar acima); — idem. 
~9 

Sub-Gen. Homalocantka 



27. Murex scorpio» L. 

Murex scorpio, L. p. 1215. 

Reeve, f. 106. 

Tryon, p. 98. est. 2o. f. 225. 

i s. loc; C. A.; — Coll. typ.; 

T 

28. Murex rota, Sow. 

Murex rota, Sow. Conch. ill. f. 119. (fi.de Revê). 

Reeve, f. 105. 

Tryon, p. 99. est. 25. f. 219 e 220. 

^M. Roxo; M. R.; (sob scorpio). 
"2 



PHYSICAS E NATURAES 119 



Sub-Gen. Phyllonolus 



29. Murex ros.irinni, Chem. 

Murex rosarium, Chem. Conch. Cab. X. est. 161. f. 1528 e 1529 

Reeve, f. 14 b. 

Tryon, p. 99. est. 22. f. 199. 

2 s. loc; C. A.; 

3 s. loc; M. R.; 

'1 s. loc; compr. sr. dr. Bocage em Paris; 

1 0. Verde; ex sr. Sá Nogueira; — Coll. Poss. port. Africa; 

i Í3issau; ex sr. Ferreira Borges; — idem; 

4 S. Thomé; M. R.; ex sr. António Gomes Roberto; — idem; 

1 S. Vicente — C. Verde; ex sr. Custodio Duarte; (com opere); 
(prep. radula); 3^ Exemplar de transição, pela sua for- 
ma; — idem; 

var. blínscâaít:s ? Sow. 

Murex bifasciatus, Sow. Tlies. f. 155. (fide Tryon). 

rosarium, var. p, Reeve, f. 14. 

Tryon, est. 28. f. 255. 

1 C. Verde; ex sr. Sá Nogueira; IC^" Exemplar de transição, pela 

coloração das bandas ainda misturada de côr de rosa; — idem; 
4 G. Verde; ex sr. Sá Nogueira; — idem; 

2 C. Verde; ex sr. Capello; — idem. 
1 Africa; M. R.; — idem; 

18 

30. Murex forassica, Lam. 

Murex brassica, Lam. p. 581. 

-Tryon, p. 100. est. 22. f. 200. 

1 s. loc; M. R. 
1 



120 JORNAL DE S CIÊNCIAS MATHEMATICAS 



31. Harex regias, Wood. 

Murex regius, Wood. Supp. est. 5. f. 13. 

Reeve, f. 59. 

Tryon, p. 100. est. 22. f. 201. 

1 s. loc; M. R.; ex sr. Batalha; (soberbo ex.); — Coll. typ.; 
1 s. loc; M. R.; ex sr. Mengo; (idem); — idem; 
1 juv. Peru; M. R.; 

1 juv. s. loc: M. R.; (com opere) 

T 

32. Murex saxatilis» Lam. 

Murex saxatilis, Lam. p. 382. 

Reeve, f. 8. 

Tryon, p. 101. est. 21. f. 245. 

2 s. loc; C. A.; 

JHndia; M. R.; (os 2 grandes são magníficos). 
"5 

?33. Mnrex noplites, Fischer? 

Murex hoplites, Fischer, /. de Conch. 1876. p. 236. est. VIII. f. 3. 
saxatilis, var. hoplites , Tryon, p. 102. est. 26. f. 22b. 

J_Loanda; M. R.; (s. denom.); — Coll. Poss. port. Africa; 
i 

Obs. — Este exemplar não condiz exactamente com a figura de 
Fischer, por causa, principalmente, da proporção da espira que é 
muito menos elevada, e tem apenas 7 varizes na ultima volta; tem 
muita semelhança com o M. saxatilis; mas o seu umbilico estrei- 
tíssimo e a linha de denticulações supplementares do bordo livre 
que não existe nos verdadeiros saxatilis do Oc indico, fazem 
com que não possamos deixar de admittir a espécie de Fischer, 
ainda que em duvida, pois a authenticidade do nosso exemplar e 
a sua semelhança muitíssimo grande com os verdadeiros saxatilis 
que temos á vista, faz com que também respeitemos muito a opi- 
nião de Tryon que, no seu Man. de Conch., diz que o Museu da 
Academia de Sciencias Naturaes de Philadelphia possue uma bella 



PHYSICAS E NATURAES 121 

serie da Costa do Gabão, tendo alguns exemplares exactamente a 
mesma forma, riqueza de colorido e tamanho dos verdadeiros sa- 
xatilis do Oc. indico, e que isto faz com que elle não possa duvidar 
da identidade do hopliles com o saxatilis, considerando-o apenas 
como resultado de uma pobreza de alimentação, manisfestada cla- 
ramente no maior numero de varizes ou períodos de estaciona- 
mento. 

34. Murex sp? 

9 C. Verde; ex sr. Ferreira Borges; — Coll. Poss. port. Africa; 

2 C. Verde; ex sr. Ferreira Borges; (nanismo); — idem; 

Obs. — Parece-me uma forma intermediaria entre o rnsarium 
e o saxatilis e cuja identidade (ou novidade) ainda não pude com 
certeza averiguar. A forma geral é do saxatilis, as varizes nal- 
guns exemplares tem as frondes simples e erectas, mas na maior 
parte são decumbentes e laciniadas; a estriação é do saxatilis; o 
bordo direito espesso, denticulado, colorido de encarnado bri- 
lhante, é todo do rosarium. 

35. Murex endívia» Lâm. 

Murex endívia, Lam. p. 583. 

Reeve, f. 27. 

Tryon, p. 102. est. 26, f. 227. 

3 índia; M. R.; 

1 s. loc; ex Mus. Paris?; (sob inflatus). 

~4 

36. Uarex fasciatus, Sow. 

Murex fasciatus, Sow. P. Z. S. 1840. p. 144. 

Reeve, f. 27. 

Tryon, p. 104. est. 20. f. 191. est. 26. f. 233. 

3 s. loc; M. R.; (sob festivus); — Coll. íyp. 
3 



JORN. DE SCIENC. MÀTH. PHTS. E NAT. — N.° XLIII. 



122 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMAT1CAS 



37. Hnrex nítidas, Brod. 

Murex nitidus, Brod. P. Z. S. 1832. p. 176. 

Reeve, f. 70. 

Tryon, p. 105. est. 26. f. 233. 

1 juv. s. loc. M. R. 
T 

38. Murex rntlix, Gmel. 

Murex rctdix, Gmel. S. Nat. p. 3527. num. 10. 

Reeve, f. 69. 

Tryon, p. 105. est. 27. f. 244. 

i s. loc; C A.; (magnifico exemplar); — Coll. typ.; 
i s. loc; M. R.; (idem); — idem; 

1 s. loc; M. R.; (ex. incompletamente desenvolvido). 
~3 

39. Murex nrinceps, Brod. 

Murex princeps, Brod. P. Z. S. 1832. p. 175. 

Reeve, f. 23. 

Tryon, p. 106. est. 28. f. 250. 

_3 s. loc; C. A.; (s. denom.) 
1 

40. Murex turninatus, Lam. 

« 

Murex turbinatus, Lam. p. 586. 

Reeve, f. 15. 

Tryon, p. 106. est. 28. f. 252. 

2 s. loc; CA.; (sob saxalilis); 
1 juv. s. loc; C. A.; (idem); 

1 juv. s. loc; M. R.; (sob brassica). 
T 



PHYS1CAS E NATURAES 123 



41. Murex variais, Sow. 

Murex varius, Sow. P. Z. S. 1840. p. 144. 

Reeve, f. 34. 

Tryon, p. 107. est. 28. f. 253. 

1 s. loc; M. R.; (s. denora.) 

42. Murex (rnncolos, L. 

Murex trunculus, L. p. 1215. 

Reeve, f. 22. 

Tryon, p. 108. est. 29. f. 258 e 259. 

9 s. loc; C. A.; (illustrando diversas variedades de fornia e de 
coloração); 

2 Sicília; M. R.; 

2 Portugal — Setúbal; M. R.; (bellos ex.; 1 com opere); — CoII. 

Portugal; 
2 Portugal; ex sr. dr. Bocage; (1 com opere); — idem. 

indiv. em álcool, prep. radula, opere. 
15 

43. Murex cristatus, Brocchi. 

Murex cristatus, Brocchi, Conch. Foss. p. 394. est. 7. f. 15. (fide Reeve). 

Reeve, f. 112. 

Tryon, p. 10P. est. 29. f. 263 e 267. 

2 s. loc; compr. sr. dr. Bocage em Paris; — Coll. typ. 

44. Murex fealteatus» Sow. 

Murex balteatus, Sow. (ex Beck) P. Z. S. 1840. p. 146. 

Reeve, f. 135. 

Tryon, p. 110. est. 30. f. 278. 

\ N. Caledónia; ex Gassies. 
T 



9* 



124 JORNAL DE SCIENC1AS MATHEMATICAS 



45. Murex pudicas* Reeve. 

Murex <pudicits, Reeve, f. 137. 

Tryon, p. 122. est. 37. f. 431. 

8 s. loc; G. A.; (s. denom.); 

1 s. loc; M. R.; (idem); 

1 juv. s. loc; G. A.; (idem); (com opere) 

Tõ 

Obs. — O operculo d'esta espécie, que nos parece ter encontrado 
pela primeira vez, é um perfeito operculo muricoide, que dese- 
nhámos á cam. cl. e cujo desenho se conserva junto do exemplar. 
A espécie deve pois passar do sub-gen. Ocinebra, no qual se acha 
no Man. de Tryon, para os Phyllonotus. 

Sub-Gen. Cerostoma 

46. llorex foliatus, Martyn. 

Murex foliatus, Martyn, Uviv. Conch. est. 66. (fide Reeve). 

Reeve, f. 12. 

Tryon, p. 113. est. 34. f. 370. 

_2 China?; M. R. 
2 

Obs. — Tryon dá a Ásia como localidade duvidosa para esta es- 
pécie. Procurámos nas relações do M. R., que temos archivadas, 
a historia da acquisição d'estes dois exemplares que tem a indi- 
cação «China», mas não nos foi possivel descobril-a. Tendo en- 
contrado algumas das indicações, do M. R. em erro evidente não 
podemos affirmar nada sobre a authenticidade da localidade in- 
dicada. Nos catai, de venda que tenho visto, a espécie continua a 
ser indicada como procedente da Califórnia. 



PHYS1CAS E NATUBAES 125 



47. Murex monoceros, Sow. 

Murex monoceros, Sow. P. Z. S. 1840. p. 143. 

Reeve, f. 7. 

Tryon, p. 115. est. 35. f. 388 e 389. 

1 Califórnia; M. R. 

T 

Sub-Gen. Ocinebra 

48. Murex erinaceus, Gmel. 

Murex erinaceus, Gmel. (ex Linneu) Syst. Nat. p. 3530. num. 19. 

Reeve, f. 11. 

Tryon, p. 116. est. 36. f. 400 e 401. 

caliginosus, Reeve, f. 141. 

5 s. loc; C. A. 

2 s. loc; M. R. 
2 s. loc; M. R.; — Coll. typ.; (in Ocinebra, Geri.); 
4 Mancha; ex sr. dr. Bocage; 

9 Costas de Portugal; ex sr. dr. Bocage;— Coll. Portugal; 
2 Setúbal; M. R.; — idem; 

4 juv. Costas de Portugal; ex sr. dr. Bocage; — idem; 
indiv. em álcool, prep. radula, opere 

var. clngullferus, Lam. 

Murex cinguliferus, Lam. p. 597. 

Kiener, Spec. est. 46. f. 1. 

erinaceus, Tryon, est. 36. f. 402. 



6 C. Verde; M. R.; (1 completamente branco); — Coll. Poss. port. 
Africa. 

var. torosus, Lam. 

Murex torosus, Lam. p. 598. 

Reeve, f. 180. 

erinaceus, var. torosus, Tryon, p. 118. est. 36. f. 404. 

3 s. loc; M. R.; (s. denom.) 
34 



126 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMATICAS 

Obs. — Julgo não dever seguir os diversos auctores que citam 
Linneu como aucíor do M. erinaceus, pois a sua descripção é in- 
sufficienlissima e a figura de Gualtieri, a única que elle cita, im- 
possível de referir-se á espécie. Se a figura de Born que Gmelin 
cita, é boa, deve ser este o verdadeiro auctor da espécie, se não 
é, deve ser Lamarck, como se vê ualguns auctores. As series 
que possuímos permittem-me identificar perfeitamente o erinaceus 
com o caliginosus, comquanto Tryon identifique este ultimo com 

M. lugubris, Brod.; temos caliginosus typicos e exemplares em 
que os caracteres do caliginosus, do erinaceus e até do torosus an- 
dam perfeitamente combinados. 

49. llurcx EtSwaircSsí, Payr. 

Murex Edwardsi, Payr. 

Reeve, f. 179. 

■Tryon, p. 118. est. 36 f. 411. 

5 s. loa; compr. sr. dr. Bocage em Paris. 

50. Maarex aciceslatug, Lam. 

Murex aciculatus, Lam. p. 600. 

Tryon, p. 119. est. 36. f. 405. 

1 s. loa; compr. sr. dr. Bocage em Paris; — Coll. typ.; (in Ocine- 

bra, Gen.) 
~i 

51. Murex tetragomeas, Brod. 

Murex tetragonus, Brod. P. Z. S. 1832. p. 174. 

var. breviculus, Sow. 

Murex breviculus, Sow. Conch. 111. f. 37. (fide Reeve). 

tetragonus = breviculus, Reeve, f. 118. 

var. breviculus, Tryon, p. 121. est. 36. f. 425. 

i N. Caledónia; ex Gassies; (sob breviculus); — Coll. typ. 



PHYS1CAS E NATUKAES 127 



52. Mures cyclostoBtaa, Sow. 

Murex cyclostoma, Sow. P. Z. S. 1840. p. 146. 

P.eeve, f. 154. 

Tryon, p. 121. est. 36. f. 426. 

\_ s. loc; M. R. 
T 

53. Uorex crassa la Itr um, Reeve. 

Murex crassilabrum, Reeve, (ex Gray, MS.) f. 146. 
Tryon, p. 126. est. 38. f." 452 e 453. 

1 s. loc; M. R.; (s. denoin.); — Coll. typ.; (in Ocinebra, Gen.) 

T 

Obs. — Reeve, Fischer, Tryon, etç., dão Gray como auctor da 
espécie; mas, segundo a única citação que vejo, em Reeve, pa- 
rece que elle só consignou a denominação em manuscripto, nas 
etiquetas do Rritish Museum. 

54. Hurex pumilus» A. Àdams. 

Murex pumilus, A. A Jams, P. Z. S. 1853. p. 60. 
Tryon, p. 130. est. 38. f. 470. 

1 s. loc; M. R.; (s. denom.) 

T 

Sub-Gen. Vitularia 

5d. Murex miliaris. Gonel. 

Murex miliaris, Gm. Syst. p. 3536. num. 39. 

——Reeve, f. 102. 

Tryon, p. 133. est. 35. f. 397. 

i Africa?; M. R.; (sob vitulimis); (figurava no M. R. como do Oc 
indico!) 

T 



128 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



56. Murex salebrosus» King. 

Murex salebrosus, King, Zool. Journ. V. p. 347. (fide Reeve). 

Reeve, f. 98. 

-Tryon, p. 133. est. 35. f. 398. 

1 s. loc; C. A.; (s. denom.); 
1 America; M. R.; — Coll. typ.; (in Ocinebra, Gen.); 
"2 

Numero total das espécies de Murex 56 

dos exemplares 316 



Gen. TYPHYS 



1. T.rphi* tetrapterus, llronn. 

Typkis tetrapterus, Bronn, Leth. Geogn. 1077. est. 41. f. 13. (fide Tryon). 
Tryon, p. 136. est. 30. f. 292. 

_l_s. loc; (sob Sowerbyi=); — Coll. typ. 

T 

2. Typhis pinnatus, Brod. 

Typhis pinnatus, Brod. P. Z. S. 1832. p. 178. 
Tryon, p. 138. est. 30. f. 305. 

i Mazatlan; M. R.; (sob tubifer); — Coll. typ. 
T 

Numero total das espécies de Typhis 2 

dos exemplares 2 



PHYS1CAS E NATURAES 129 



Gen. TROPHON 



i . Troplion muricatus* Mont. 

Murex muricatus. Mont. Test. Brit. I. p. 262. est. 9. f. 2. (ex. Reeve). 

Fusus muricatus, Reeve, f. 88. 

Trophon muricatus, Tryon, p. iiO. est. 3i. f. 308 e 319. 

2/wv. Sicília; compr. sr. dr. Bocage em Paris.— Coll. typ. 

~2 

2. Trophon Gevemianam« Pall. 

Buccinum Geversianum, Pall. Spic. Zool. est. 3. f. 1. 

Fusus Geversianus, Reeve, f. 2. 

Trophon Geversianum, Tryon, p. 144. est. 32. f. 339. 

2 America; M. R.; ex sr. Batalha. — Coll. typ. 

"2 

3. Troplion xanthostoma. Brod. 

Purpura xanthostoma, Brod. P. Z. S. 1833. p. 8. 

Reeve, f. 24. 

Trophon xanthostoma, Tryon, p. 146. est. 33. f. 349 e 350. 

2 Rio de Janeiro; M. R.; ex sr. A. Fortuna.— Coll. typ. 

"2 

4. Trophon horridus. Brod. 

Murex horridus, Brod. P. Z. S. 1832. p. 176. 

Reeve, f. 128. 

Trophon horridus, Tryon, p. 146. est. 33. f. 353 e 356. 

1 China?; M. R.; (sob Murex lamellostts, Lam.=Trophon lacinia- 
tus, Martyn). 

T 

Numero total das espécies de Trophon 4 

dos exemplares 7 



130 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Gen. UROSALPINX 

1. tTa^tóaaSfiSMBsis. eincreap Say. 

Fusus cinereus, Say J. A. N. S. Phil. II. p. 236. d 821. (fide Tryon). 
Urosalpinx cinerea, Tryon, p. 152. est. 39. f. 487. 

3 Massachussets — Yineyard Sd.; ex Smiths. Inst. 1880. (com 
opere.) — Coll. ijp. 
~3 

Numero total das espécies de Urosalpinx 1 

dos exemplares 3 

Gen. PURPURA 
Sub-Gen. Purpura s. s. 

1. Pus-pura paísala, L. 



Buccinum patulum, L. p. 1202. 

Purpura patula, Reeve, f. 3. 

Tryon, p. 159. est. 43. f. 19. 

_2 índia; M. R.; ex V. da Carreira. 
"2 

2. Pua-paira la a eas Cr ca rua, Martyn. 

Buccinum haustrurn, Martyn. Univ. Conch. est. 9. (fide Lamarck). 

Purpura haustrurn, Reeve, f. 6. 

Tryon, p. 160. est. 43. f. 25. 

I s. loc; C. A.; (sob patula). 

T 



PHYS1CAS E NATURAES 131 



3. Purpura pérsica, L. 

Buccinum persicum, L. p. 1202. 

Purpura pérsica, Reeve, f. 8. 

Tryon, p. 160. est. .43. f. 24. 

1 s. loc; C. A.; (s. denom.); 

2 s. loc; C. A.; (grandes exempl.); — CoII- typ. 

2 juv. Peru; M. R.; 

1 s. loc; ex Mus. Paris (L. Duthiers). 
"6 

4. Purpura RurfoSpEii, Chem. 

Buccinujn Rudolphi, Chem. Conch. X. est. 154. f. 1467 e 1468. (fi.de Lam.) 

Purpura Rudolphi, Reeve, f. 10. 

Tryon, p. 160. est. 44. f. 26. 

3 s. loc; C. A.; 

1 Philipinas; M. R.; ex V. da Carreira. 

T 

5. Purpura euocolaitun)* Duelos. 

Purpura chocolatum, Duelos. Ann, Sc. Nat. XXVI. (?!) est. 2. f. 7. (fide 

Reeve e Tryon). 
Reeve, f. 22. 

Tryon, p. 160. est. 44. f. 27. 

4 Peru; M. R.; ex V. da Carreira. 
T 

Sub-Gen. Purpnrella 

G. Purpura coflumclSaris» Lam. 

Purpura columellaris, Lam. p. 62. 
Reeve, f. 9. 

Tryon, p. 161. est. 44. f. 31. 

2 Peru; M. R.; ex V. da Carreira. — Coll. typ. 
1 juv. s. loc; C. A.; (sob patula). 

"3 



132 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEM ATIÇAS 

Sub-Gen. Tribulus 

7. Farpara plnnospira» Lam. 

Purpwa planospira, Lam. p. 71. 

Reeve, f. 14. 

- Tryon, p. 161. est. 45. f. 32. 

_2 Oc. Pacifico; M. R.;— Coll. lyp. 
2 

Sub-Gen. Thallessa 

8. Parpura hippocasíanum» Lam. 

Purpura hippocastanum, Lam. p. 64. 

Reeve, f. 34. 

Tryon, p. 162. est. 45. f. 42 e 43. 

5 s. loc; G. A.; (sob plicata=); 

2 Moçambique; M. R.; — Coll. typ.; 

5 Moçambique; M. R.; — Coll. Poss. port. Africa; 

2 Madagáscar; ex Mus. Paris; (sob plicata—); 

2 Timor; ex Mus. Colonial; — Coll. Poss. port. Oriente. 

var. bitubercularis, Lam. 

Purpura bitubercularis, Lam. p. 64. 

Reeve, f. 37. 

hippocastanum, var. bitubercularis, Tryon, est. 45. f. 36. 



2 Moçambique; M. R.; — Coll. Poss. port. Afriea. 

var. alveolata, Reeve. 

Purpura alveolata, Reeve, f. 60. 

hippocastanum, var. alveolata, Tryon, est. 45. f. 40. 

1 Angola; M. R.; (s. denom.); — Coll. Poss. port. Africa; 
_\_ Moçambique ; ex sr. Barreiros; (idem); — idem; 
20 



PHYSICAS E NATURAES 



9. Purpura nica, Blainv. 

Purpura pica, Blainv. Nouv. Ann. Mus. I. p. 213. est. 9. f. 9. 

Reeve, f. 36. 

Tryon, p. 163. est. 46. f. 46. 

2 Moçambique; M. R.;— Coll. Poss. port. Africa; 

1 Madagáscar; ex Mus. Paris (L. Duthiers); (com opere); 

2 N. Caledónia; ex Gassies; (com opere); 

1 Timor; ex Mus. Colonial; — Coll. Poss. port. Oriente. 

"6 

10. Purpura armigera, Lam. 

Purpura armigera, Lam. p. 64. 
Reeve, f. 27. 

—Tryon, p. 163. est. 46. f. 50. 

2 Oc. Pacifico; M. R. 
~2 

11. Purpura «lcltoidea, Lam. 

Purpura deltoidea, Lam. p. 85. 
Reeve, f. 18. 

Tryon, p. 163. est. 47. f. 55. 

1 America; M. R.; 

2 s. loc; M. R.; (1 com opere); (var. sem tubérculos). 

~3 

12. Purpura melones» Duelos. 

Purpura melones, Duelos, Ann. Sc. Nat. 1832. est. I. f. 2. 
Reeve, f. 19. 

Tryon, p. 164. est. 47, f. 56. 

2 Peru; M. R.; ex V. da Carreira; 
1 Panamá; ex sr. Paz; 
1 juv. s. loc; C. A. 



133 



134 JORNAL DE SCIEXCIAS MATIIEMAT1GAS 



13. Purpura mancánellat L. 

Murex mancinella, L. p. 1219. 

Purpura mancinella, Reeve, f. 2. 

Tryon, p. 164. est. 47. f. 61. 

4 s. loc; C. A.; 

2 Cacheu (?!); M. R.; 

1 N. Caledónia; ex Gassies. 

var. echinatn, Blainv. 

Purpura echinata, Blainv. Nouv. Ann. Mus. est. 11. f. 2. (fide Reeve). 

Reeve, f. 33. 

mancinella, var. echinata, Tryon, f. 63. 

_2 índia?; M. R. 
6 

Obs. — Não estando nos andores indicada esta espécie senão 
como do Pacifico, devo considerar a proveniência dos ex. do M. R. 
como muito duvidosa e conserval-os na Coll. geral. 

14. Purpura neritoisSea, L. 

Murex neritoideus, L. p. 1219. 

Purpura neritoidea, Reeve, f. 12. 

Tryon, p. 165. est. 48. f. 72. 

6 s. loc; C. A.; 

1 M. Roxo (?!); M. R.; ex M. Barrot; 

2 C. Verde; C. A.; — Coll. Poss. port. Africa; 

5 C. Verde; ex sr. Capello; — idem; 

1 S. Thomé; M. R.; ex sr. António Gomes Roberto; — idem; 

3 Cacheu; M. R.; (1 com opere.) — idem. 

var. asceusSon&s, Q. e Gaim. 

Purpura ascensionis, Q. e G. Voy. Astrolabre. Zool. II. p. 559. est. 37. f. 20- 
23. (fide Reeve). 

Reeve, f. 11. 

neritoidea, var. ascensionis, Tryon, est. 48. f. 73. 

3 s. loc; C. A.; (muito rolados). 
Ti 



PHYSICAS E NATURAES 135 



15. Purpura bufo» Larn. 

Purpura bufo, Lam. p. 69. 

Reeve, f. 7. 

Tryon, p. 165. est. 48. f. 66 e 70. 

4 s. loc; C. A.; (s. denom.); 

1 Moçambique?; M. R.; ex sr. Barreiros; (idem); 

2 s. loc; M. R.; (idem); 

1 s. loc; ex Mus. Paris; (idem). 
~5 

Sub-Gen. Stramonita 

16. Purpura cônsul» Lam. 

Purpura cônsul, Lam. p. 63. 
Reeve, f. 4. 

çjigantea, Reeve, f. 17. 

cônsul, Tryon, p. 166. est. 49. f. 74 e 79. 

2 s. loc; G. A.; (ex. grandes mas muito rolados). 

3 índia; M. R.; 

2 s. loc; M. R. 

1 

17. Purpura luteostoma, Chem. 

Buccinum luteostoma, Chem. XI. p. 83. est. 187. f. 1800 e 1801. 
Purpura luteostoma, Reeve, f. 35. 

Tryon, p. 166. est. 49. f. 77. 

3 índia; M. R.; (sob hcemasloma). 
~3 

18. Purpura rustifa» Lam. 

Purpura rústica, Lam. p. 83. 
Reeve, f. 54. 

Tryon, p. 166. est. 49. f. 75. 

4 s. loc; C. A.; 

2 s. loc; M. R.; (s. denom.) 
~6 



136 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMAT1GAS 



19. Purpura htemastoma, L. 

Buccinum hcemastoma, L. p. 1202. 
Purpura hcemastoma, Reeve, f. 21. 
Tryon, p. 167. est. 49. f. 80 e 84. 

2 C. Verde; G. A.;— Coll. typ.; 

6 G. Verde; ex sr. Capello; — Coll. Poss. port. Africa; 

1 G. Verde; ex sr. Sá Nogueira; — idem; 
6 C. Verde?; ex ...?; — idem; 

8 Loanda; ex sr. Bayão; (com opere.); — idem; 

2 Loanda; M. R.; — idem; 

10 Africa occ; ex dr. Welwitsch; — idem; 
4 Açores (S. Miguel); ex sr. dr. Eugénio do Canto; — idem; 

3 Açores (Pico); ex Drouet;— idem; 
2 Sicilia; M. R.; 

2 índia; M. R.; 

3 Ericeira; M. R.; — Coll. Portugal. 

var. floridana, Conr. 

Purpura floridana. Conrad. J. Ac. Nat. Sc. Phil. VII. est. 20. f. 21. (fide Reeve). 

Reeve, f. 44. 

hcemastoma, var. floridana, Tryon. p. 167. est. 49. f. 85. est. 50. f. 86- 



4 s. loc; C. A.; (s. denom.); 
2 America; M. R.; 

var. fasciata, Reeve. 

Purpura fasciata, Reeve, f. 45. 

floridana, var. fasciata, Tryon, est. 50. f. 90. 

d Antilhas; ex Gassies; 

var. bicostalis, Lam. 

Purpura bicostalis, Lam. p. 82. 

Reeve, f. 28 a. 



hcemastoma, var. bicostalis, Tryon, i. 93. 



_3_Brasil; M. R.; (sob biserialis). 
59 



FHYS1GAS E NATURAES 137 



Sub-Gen. Trochia 

20. Pnrpnra cingiilata, L. 

Buccinum cingulatum, L. Mantissa. p. 549 e 550. (fide Deshayes). 

Purpura cingulata, Reeve, f. 76. 

Tryon, p. 169. est. 51. f. 110. 

1 Africa; M. R.; (sob trochlea=); 

2 C. B. Esp.; ex Mus. Paris; (idem);— Coll. typ. 
"3 

21. Purpura succincta» Martyn 

Buccinum succinctum, Martyn. Un. Conch. II. est. 45. (fide Reeve). 
Purpura succincta, Reeve, f. 23. 

Tryon, p. 170. est. 51. f. 118 e 120. 

2 N. Zelândia; M. R.; ex V. da Carreira; 

var. «íriutu, Martyn. 

Buccinum striatum, Martyn, Un. Conch. II. est. 45. 
Purpura succincta, var. p, Reeve. 
4 s. loc; C. A.; 

var. squamosn, Lam. 

Purpura squamosa, Lam. p. 74. 

Reeve, f. 48. 

succincta, var. squamosa, Tryon, est. 51. f. 113. 



1 s. loc; C. A.; 



var. textillosa, Lam. 



Purpura têxtil iosa, Lam. p. 77. 
Reeve, f. 66. 

_2_S. loc.; C. A. 
"9 



JORN. DE SCIENC. MA.TH. PHTS. E NAT. — N. # XLI1I. 10 



138 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMAT1GAS 

Sub-Gen. Polytropa 

22. Purpura lapillus, L. 

Buccinum lapillus, L. p 1202. 

Purpura lapillus, Reeve, f. 47 a. 

Tryon, p. 171. est, 52. f. 134, 139, 140 e 144. 

2 s. loc; C. A.; — Coll. typ.; 
4 s. loc; C. A.; 

4 Islândia; ex Mus. Paris; 

5 Casco Bay, Maine; ex Smiths. ínst.; 

6 Gloucester, Mass.; (idem); (em álcool); 

7 Portugal; M. R.; — Coll. Portugal; 
6 Ericeira; M. R.; — idem; 

5 Portugal; ex sr. dr. Bocage; — idem; 

2 Setúbal; explorações no paiz; (em álcool); — idem; 

var. Imbrica» a. Lam. 

Purpura imbrica/ta, Lam. p. 80. 

lapillus, var. imbricata, Tryon, est. 52. f. 131. 

_J_ s. loc; compr. sr. dr. Bocage em Paris. 
42 

23. Purpura crispata, Chem. 

Purpura crispata, Chem. Conch. Cat. XI. est. 187. f. 1802 e 1803. (fide 

Tryon). 
Tryon, p. 175. est. 54. f. 163 e 164. 

2 s. loc; C. A.; 
_j_s. loc; M. R. 
3 



PHYSICAS E NATURAES 139 



Sub-Gen. Cronia 



24. Purpura buccinca. Desh. 

Purpura buccinea, Desh.; Lam. p. 92. 

Reeve, f. 16. 

Tryon, p. 179. est. 55. f. 176. 

1 Sydney; M. R. ex sr. Ferreira Santos; (ex. em mau estado). 
T 

Numero total das espécies de Purpura 24 

dos exemplares 219 



Gen. JOPAS 



1. «Jopas sertum, Brug. 

Buccinum sertum, Brug. Ene. Meth. Dict. num. 25. (íide Reeve). 

Reeve, f. 42. 

Jopas sertum, Tryon, p. 180. est. 55, f. 188-190. 

2 s. loc; C. A.; — Coll. typ.; 

1 s. loc; C. A.; 

2 N. Caledónia; ex Gassies. 
"5 

• 

Numero total das espécies de Jopas 1 

dos exemplares 5 



10* 



140 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATlCAS 



Gen. RICIXULA 



1. 'Ricinula hystrix, L. 

Murex hystrix, L. p, 1219. 

Purpura hystrix, Reeve, f. 13. 

Ricinula hystrix, Tryon, p. 183. est. 56. f. 195. 

2 0. Pacifico; M. R.; (1 com opere); 
4 juv. 0. Pacifico; M. R. 
"3 

2. Ricinula claàhrata, Lam. 

Ricinula clathrata, Lam. p. 49. 

• Reeve, f. 9 6. 

hystrix, var. clathrata, Tryon, p. 184. est. 56. f. 197. 



2 s. loc; G. A.; (maus ex.); 

3 Taiti; M. R.; 

1 Is. Marquezas; ex . . .?; 
3 N. Caledónia; ex Gassies; 

1 s. loc; ex Mus. Paris. 
10 

3. Ricinula iotlostoma, Lessem. 

Ricinula iodostoma, Lesson, Mag. Zool. 184-2. Moll. est. 58. (fi.de Reeve). 

Reeve, f. 4. 

Tryon, p. 184. est. 56. f. 199. 

_2_N. Zelândia; M. R. 
2 

4. Ricinula hórrida, Lam. 

Ricinula hórrida, Lam. p. 47. 

Reeve, f. 3. 

Tryon, p. 184. est. 56. f. 201 e 202. 

2 s. loc; C. A.; 

2 M. Roxo?!; ML R.; 



PHYSICAS E NATURAES 141 

i M. Roxo?!; M. B.; — Coll. typ.; 

1 s. loc; ex Mus. Paris (L. Duth.); 

4 s. loc; ex Mus. Paris (L. Duth.); — idem; 

1 Philipinas; compr. sr. dr. Bocage em Paris; 

2 juv. s. loc; M. B. 
TÕ 

5. Ricinula ricinus» L. 

Murex ricinus, L. p. 1219. 
Ricinula arachnoides, Reeve f. 5. 

ricinus, Tryon, p. 184. est. 56. f. 200. 

2 s. loc; G. A.; (sob arochnoides=); 
4 M. Boxo; M. B.; (idem); 

3 N. Caledónia; ex Gassies; (idem). 
~9 

6. Ricinula digitata» Lam. 

Ricinula digitata, Lam. p. 50. 

Reeve, f. 2 a. 

Tryon, p. 18o, est. 57. f. 203. 

1 0. Pacifico; M. B.; 

1 s. loc; ex Mus. Paris; 

\ s. loc; compr. sr. dr. Bocage em Paris; 

var. lobato, Blainv. 

Purpura lobata, Bainv. Nouv. Ann. Mus. I. p. 210- (fide Tryon). 
Ricinula digitata, var. p, Reeve, f. 2 b. 

var. lobaía, Tryon, f. 205. 

_í_ 0. Paciflco; M. R. 
4 

7. Ricinula biconica» Blainv. 

Purpura biconica, Blainv. Nouv. Ann. Mus. I. est. 9. f. 1. (fide Tfyon). 
Ricinula chrysostoma, Reeve, f. 12 b. 

biconica, Tryon, p. 185. est. 57. f. 211. 

2 N. Caledónia; ex Gassies; (sob chrysostoma=). 
2 



1 42 JORNAL DE SGIENCIAS MATHEM ATIÇAS 



Sub-Gen. Sistrum 



8. Ricinula tranerculata, Blainv. 

Ricinula tubercidata, BI. Nouv. Ann. Mus. est. 9. f. 3. (fide Reeve). 

Reeve, f. li. 

Tryon, p. 186. est. 57. f. 220. 

2 M. Roxo?; M. R.; (sob morus); 
2 M. Roxo?; M. R.;— Coll. typ.; 
2 s. loc: ex Cons. Saúde Naval; (s. denom.) 
"6 

9. Ricinala anaxeres. Duelos. 

Purpura anaxeres, Duelos; Kiener, Icon. p. 26. est. 7. f. 17. (fide Reeve). 

Reeve, f. 61. 

Ricinula anaxeres, Tryon, p. 186. est. 57. f. 219. 

2 s. loc; M. R.; (s. denom.) 
"2 

10. Ricinula chaidea, Duelos. 

Purpura chaidea, Duelos, Ann. Sc. Nat. 1832. (fide Reeve). 
Ricinula chaidea, Reeve, f. 21. 

Tryon, p. 187. est. 58. f. 241. 

2 N. Caledónia; ex Gassies. 
~2 

11. Riciuula mutica, Lam. 

Ricinula mutica, Lam. p. 51. I 

Reeve, f. 6. 

Tryon, p. 188. est. 58. f. 246. 

_2^I; Maurício; ex Mus. Paris. 
~2 



PHYSICAS E NATURAES 143 



12. Riciuula muricina, Blainv. 

Purpura muricina, BI. Nouv. Ann. Mus. est. 10. f. 2-5. (íide Reeve). 

Reeve, f. 59 a. 

Ricinula undata, Tryon, p. 189. f... .? 

_[ índia; M. R. 
1 

Obs. — Como Tryon declara que adopta a denominação de Chem- 
nitz (Purpura mulata) com alguma hesitação, por ser elle um 
auctor pouco constante em nomenclatura binaria, e como nenhuma 
das figuras dadas pelo auctor americano condiz com o nosso exem- 
plar, mas apenas a de Reeve, da Purpura muricina, adoptamos 
a denominação de Blainville, que é por Tryon considerada como 
synonymo e é mesmo a que está na etiqueta do Museu Real. 

?13. Ricinula sqnamosa. Desh.? 

Ricinula squamosa, Desh.; Belanger, 427. est. 2. f. 6-8. (íide Tryon). 

undata, Tryon, p. 255. est. 59. f. 263. 

1 s. loc, M. R.; (s. denom.) 
T 

14. Ricinula concatenada» Lam. 

Murex concatenaíus, Lam. IX. p. 599. 
Ricinula concatenata, Reeve, f. 18. 

Tryon, p. 189. est. 59. f. 269. 

J3 índia; M. R. 

3 

15. Ricinula muslva^ Kiener. 

Purpura musiva, Kiener, Icon. p. 38. est. 9. f. 22. 

Reeve, f. 52. 

Ricinula musiva, Tryon, p. 192. est. 59. f. 284. 

3 Moçambique?; M. R.; (sob Purpura tuberculata). 
"3 

Numero total das espécies de Ricinula 15 

dos exemplares 60 



144 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMATICAS 



Gen. MONOCEROS 

1. Honoceros muricatum, Brod. 
var. tuberculatum. Gray. 

Monoceros tuberculatum, Gray; Sow., Conch. ill. i. 9. 

Reeve, f. 5. 

muricatum, var. tuberculatum, Tryon, p. 193. est. 60. f. 289. 



1 s. loc; M. R.; (sob Purpura limbosa, Lam.) 

T 

2. Monoceros lúgubre, Sow. 

Monoceros lúgubre, Sow. Gen. f. 3. 

Reeve, f. 9. 

Tryon, p. 193. est. 60. f. 291. 

J^ Califórnia; M. R. 
1 

3. Monoceros nrevidentatum, Gray. 

Monoceros brevidentatum, Gray ; Wood, lnd. Supp. est. 4. f. 10. 

Reeve, f. 4. 

Tryon, p. 194. est. 60. f. 294. 

j^Peru; M. R. 
2 

4. Monoceros calcar, Martyn. 

Monoceros calcar, Martyn, Univ. Conch. II. est. 10. f. 50 (fide Tryon). 
var. i 9ii t>ric atum, Lam. 

Monoceros imbricatum, Lam. X. p. 118. 

Reeve, f. 10 a. 

calcar, var. imbricatum, Tryon, p. 19 i. est. 60. f. 296. 



1 O. Pacifico; M. R.; — Coll. typ.; 



PHYS1CAS E NATUBAES 



var. craNslIaforum, Laca. 



145 



Monoceros crassilabrum, Lam. p. 120. 

Reeve, f. 14. 

calcar, var. crassilabrum, Tryon, p. 194. 



3 Brasil; M. R. 

1 Valparaizo; M. R.; ex sr. Barreiros; 

var. glabratum, Lam. 

Monoceros glabratum, Lam. p. 120. 

Reeve, f. 15. 

calcar, var. glabratum, Tryon, est. 61. f. 300. 



1 0. Pacifico; M. R.; ex sr. Barreiros. 
"6 

Numero total das espécies do Monoceros 4 

dos exemplares 10 



Gen. PSEUDOLIVA 

i. Pseudoliva plúmbea* Chem. 

Buccinum plumbeum, Chem. Conch. Cab. XI. p. 86. est. 188. f. 1805 e 1807. 

(fide Reeve). 
Monoceros plumbeum, Reeve, f. 8. 
Pseudoliva plúmbea, Tryon, p. 196- est. 61. f. 310. 

J_ Moçambique; M. R.;— Coll. Poss. port. Africa. 

T 

Numero total das espécies de Pseudoliva 1 

dos exemplares 1 



146 JORNAL DE SCiENCIAS MATHEMAT1CAS 



Gen. CONCHOLEPAS 

1. Concbolcpas peruviana! Lam. 

Concholepas peruvianus, Lam. p. 126. 

Tryon, p. 199. est. 62. f. 314, 315, 317. 

2 Peru; M. R.; 
j^Perú; M. R.;— Coll. typ. 
4 

Numero total das espécies de Concholepas 1 

dos exemplares 4 



Gen. CIMA 

i. Cuma Uiosquiformis, Duelos. 

Purpura kiosquiformis, Duelos, Ann. Sc. Nat. XXVI. est. 1. f. 5. (fide Reeve). 

Reeve, f. 31. 

Cuma kiosquiformis, Tryon, p. 200. est. 62. f. 321. 

2 s. loc; M. R.; (1 com opere); 

2 s. loc; ex. . .?; (s. denom.) 

T 

2. Cama carinifera, Lam. 

Purpura carinifera, Lam. p. 73. 

Reeve, f. 26. 

Cuma carinifera, Tryon, p. 200. est. 62. f. 319. 

3 Goa; C. A.; 

2 índia; M. R.;— Coll. typ.; 

1 índia; M. R.; (Purpu ra diadema, Reeve, f. 62?) 

3 Africa?; C. A.; (2 com opere.) 
"9 



PHYSICAS E NATURAES 



3. Coma coronala. Larn. 

Purpura coronata, Lam. p. 72. 

Reeve, f. 25. 

Cuma coronata, Tryon, p. 201. est. 62. f. 326. 

li s. loc; C. A.; 

5 Africa Occ; ex . . .?; — Coll. Poss. port. Africa; 

3 S. Thomé; M. R.;— idem; 

1 s. loc; M. R.; (ex. anormal); 

J[_ s. loc; G. A.; (idem). 

21 

4. Coma tectum, Wood. 

Buccinum tectum, Wood. Ind. Supp. est. 4. f. 13. 
Cuma tectum, Tryon, p. 201. est. 63. fig. 330. 

1 Panamá; M. R. 

"T 

5. Cuma rugosa, Bom. 

Murex rugosus, Bom. Mus. 305. est. 11. f. 6 e 7. 

Purpura sacellum, Reeve, f. 58. 

Cuma rugosa, Tryon, p. 201. est. 63. f. 329. 

2 China; M. R.; (sob Purpura sacellum=). 
~2 

Numero total das espécies de Cuma 5 

dos exemplares 37 



Gen. RAPAM 
1. Rapana bezoar» L. 

Buccinum bezoar, L. p. 1204. 

Pyrula bezoar, Reeve, f. 15 b e c. 

Rapana bezoar, Tryon, p. 202. est. 63. f. 333. est. 64. f. 339 e 340. 

3 s. loc; C. A.; 
2 China; M. R.;— Coll. typ. ; 
1 s. loc; M. R. 
"6 



147 



148 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



2. Rapana bulbosa, Sol. 

Pyrula bulbosa, Solander; Dillwyn, Cat. II. p. 63 i. 

Reeve, f. 14. 

Rapana bulbosa, Tryon, p. 203. est. 63. f. 336. 

2 s. loc. ; G. A.; (sob Pyrula rapa, Lam.=); 

3 China; M. R.; (idem); 

1 Madagáscar; M. R.: (idem); 
J_ s. loc; ex M. Paris; (idem). 

7 

Sub-Gen. Laliaxis 



3. Rapana 3Iawa?« Gray. 

Pyrula Maioce, Gray ; Griffith, Cuvier An. King, est. XXV. f. 3 e 4. (fide Reeve). 

Reeve, f. 25. 

Rapana Maww, Tryon, p. 203. est. 64. f. 344. 

^ China; M. R.;— Coll. typ. 

Numero total das espécies de Rapana 3 

dos exemplares lo 



Gen. RBIZOCHILUS 

Sub-Gen. Coralliophila 

1. Rhizocbilas neritoõdeus, Larn. 

Pyrula neritoidea, Lam. IX. p. Si 9. 

Purpura violácea, Reeve, f. 70. 

Rhizochilus neritoideus, Tryon, p. 206. est. 66. f. 375. 

2 Taiti; M. R.; (com opere); (sob Purp. violacea=); — Coll. typ.; 

i Taiti; M. R.; 

i s. loc; C. A.; 

i_ Timor; ex M. Colonial; — Coll. Poss. port. Oriente; 

5 



PHYSÍCAS E NATURAES 



2. KBsiaocíailaa» galea, Ch. 

Murex galea, Chem. Cab. V. p. 237. (fide Reeve). 

Purpura galea, Reeve, f. 65. 

Rhizochilus galea, Tryon, p. 207. est. 65. f. 363. 

Zjuv. s. loc; M. R.; (sob Purpura abreviala=). 
"2 

Numero total das espécies de Rhizochilus 2 

dos exemplares 7 



Gen. MELAP11M 

1. sielapiurn lineatum, Lam. 

Pyrula lineata, Lam. p. 520. 

Reeve. f. 28. 

Melapium lineatum, Tryon, p. 213. est. 67. f. 395. 

1 s. loc; M. R.; (ex. rolado, ou polido artificialmente). 

T 



149 



Numero total de espécies de Melapium. 
dos exemplares 



Gen. RAPA 
1. Rapa papyraceai Lam. 



Pyrula papyracea, Lam. p. 516. 

rapa, Reeve, f. 21. 

Rapa papyracea, Tryon, p. 214. est. 67. f. 393. 

2 China; M. R.; — Coll. typ.; 
J^ China; M. R. 
3 



150 



JORNAL DE SCIENGIAS MATHEMAT1GAS 



Obs. — Um dos dois exemplares que estão na Coll. typ. apre- 
senta o curioso exemplo de instincto em falta, n'um furo prati- 
cado no canal por um Murex ou Purpura. 

Numero total das espécies de Rapa i 

dos exemplares . . . . : 3 



Gen. MAGILUS 

1. llagilas antiquns» Lam. 

Magilus antiquus, Lam. V. p. 639. 

— - Tryon, p. 216. est. 68. f. 400. 

1 M. Roxo; M. R.; (comprado com um outro mais pequeno que 
está na collecção taxinomica, por 70 francos); Coll. typ. 

T 

Numero total das espécies de Magilus 1 

— • — dos exemplares 1 

Numero total das espécies de muricuxe 122 

dos exemplares 691 



ERRATAS 



PAG. 




LIN. 


ONDE SE 


LÊ 


LEIA-SE 


108 




9 


Reeve, f. 82. 




Reeve, Conch. lcon.í. 

82. 


109 




2 


Lam. p. 566. 




Lam. An. s. vert. ed. 
Desh. p. 566. 


130 


entre as 


linhas 8 e 9 






Sub-Fam. PurpUim 
(a intercallar). 


131 




23 


Lam. p. 62. 




Lam. op. cit. X. p. 62. 



PHYSICAS E NATUHAES 151 



2. Addiíaraenío á lisia das aves colididas em África 



O' 



de 1884 a 1883 pelos srs. Capelão e Ivens 



POR 



JOSÉ AUGUSTO DE SOUSA 



Tendo ultimamente dado entrada na Secção Zoológica do Museu 
de Lisboa as seguintes onze espécies de aves colligidas na Huilla e 
margens do Cunene pelos nossos distinctos exploradores os srs. Ca- 
pello e Ivens, de entre as quaes é notável o Neophron pileatus, que 
ainda não estava comprehendido na «Ornithologie d' Angola» do sr. 
conselheiro Bocage, por não haver noticia da sua existência n'aquella 
província, apressamo-nos a dar conhecimento d'ellas pelo interesse 
que nos merece o estudo d'esta importante parte da fauna angolense, 
tão bem representada no Museu de Lisboa, graças ao nosso amigo e 
distincto naturalista o sr. José d'Anchieta, que desde longos annos tem 
sabido com os seus incansáveis esforços e proficiente conhecimento da 
zoologia trazer suspensa a attenção de naturalistas nacionaes e estran- 
geiros, como é notório nas muitas publicações estrangeiras onde o seu 
nome está muito vantajosamente consignado. 

I. Neophron uileatas, Burchell. 

a. 5. íris escuro com reflexo azulado. Huilla. 

É a primeira vez que vem para a riquíssima collecção do nosso 
Museu Nacional um exemplar d'esta espécie da província de An- 
gola. É portanto uma espécie a additar á fauna ornithologica d'esta 
nossa bella possessão. 



152 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMAT1CAS 

2. Buteo augur, Rúpp. 

Bocage, Ornith. d^ngola, p. 24. 

a. $. íris amarello. Nome Indígena Gonga. Huilla. 

3. flaliectus vocifer, (Daud.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 40. 
a. íris castanho. Nome indígena Qualucua. 
Margens do rio Cunene (entre 16° e 17° lat. S.) 
«Come peixe e quando este é grande ajuda-o a fêmea a co- 
mel-o.» 

4. Irrisor erythrorhyncbus, (Lath.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 126. 

a. íris escuro. Nome indígena Maiola-iola. Margens do rio Cunene 
(entre 16° e 17° de lat. S.) Come insectos. 

5. Schizorhis concolor. (Smith). 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 134. 
a. Huilla. Nome indígena Quele. 

Dá gritos semelhantes aos da cabra, de que lhe provém o no- 
me de «pássaro cabra.» 

6. Prionops Retzii, Wahlb. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 221. 

a. íris amarello canário. Nome indígena Quiolila. Margens do 
rio Cunene (entre 16° e 17° de lat. S.) 

7. Laniprotornis Mewesi, (Wahlb.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 303. 

a. íris escuro. Nome indígena Junjo. Margens do rio Cunene 
(entre lt>° e 17° lat. S.) 

8. Herodias alba, (L.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 442. 

a. íris amarello. Margens do rio Cunene, (entre 16° e 17° lat. 
S.) Nome indígena Nhangue. 



PHYSICAS E NATURAES 1 53 

9. Butoridcs atricapillus, (Afzel.) 

a. íris amarello canário. Nome indígena Dombaella. Margens 
do rio Cunene (entre 16° e 17° lat. S.) 

10. Falcinellus ígneas, (Gm.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 458. 

a. Margens do Cunene (entre 16° e 17° lat. S.) Nome indígena 
Candongobisa. 

11. Ibis aethiopica, (Lath.) 

Bocage, Ornitb. d' Angola, p. 459. 

a. Margens do rio Cunene, (entre 16° e 17° lat. S.) Nome in- 
dígena Combo-combo (Cabra). 



JORN. DE SCIENC. MATH. PHTS. B NAT. — N.° XLIII. li 



154 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



3. Aves de Angola 

POR 

JOSÉ AUGUSTO DE SOUSA 
Conservador da Secção Zoológica do Museu de Lisboa 



A •seguinte lista comprehende as ultimas três remessas de aves 
feitas pelo nosso estimado e benemérito explorador o sr. José de An- 
chieta que durante um já bem longo período tem contribuído para tor- 
nar conhecidos, de um modo que perpetua o seu nome, vários grupos 
da fauna de Angola, e de entre estes, com mui particular esmero, a 
ornithologia d"esta nossa belia possessão. 

Constam estas remessas de 154 exemplares capturados em Ca- 
conda, Cuce e Quando, Benguella e Fazenda Maravilha, e são referi- 
veis a 92 espécies, notando-se como novidades para a nossa preciosa 
collecção o Syrnium nuchale, Barbatula Bocagci (nova sp.), Bradior- 
nis benguellensis (nova sp.), Oriolus galbula, Drymoica sp.?, Hyphan- 
tornis sp.? 

1. Lophogyps occipitalis, Burch. 

Bocage, Ornithologie d'Angola, p. 3. 

a. «Caconda. 5. íris castanho. Bico roxo pallido, escurecendo 
no bordo e na ponta, Cera gridelim azulado. No estômago carne 
de antílope». 

2. Xisaetus spilogaster, Dubus. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 29. 

a. «Benguella. S. íris amarello folha secca. Parte superior da 
cera amarello esverdeado sujo, cinzento sobre as narinas». 



PHYS1CAS E NATURAES 155 

3. Scelospizias polyzonoides, (Smith.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 19. 

J. Gaconda. íris, cera e pés amarellos. 

4. Gypohierax angolensis, (Gm.) 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 38. 

a. «Fazenda Maravilha. 5. íris amarello de canna levemente 
açafroado. Pelle nua da face e parte da maxilla inferior corres- 
pondente á cera amarello levissimamente açafroado. Cera esver- 
deado claro sujo. Bico com um leve tom de gridelim pouco vivo. 
Tarso róseo claro sujo, mais escuro nos dedos. No estômago fru- 
ctos de Elaeis. Nome indig. Bemba». 

b. «Fazenda Maravilha. íris olivaceo claro. Bico tostado claro 
menos o bordo e ponta da maxilla superior e toda a inferior que 
é gridelim sujo. Cera e parte correspondente na maxilla inferior 
esverdeado claro sujo. Tarso amarello claro sujo, terroso nos de- 
dos. No estômago fructos de Elaeis. Nome indig. Bomba. 

. • ,. .,, i Caracteres idênticos ao precedente, 

c. lazenda Maravilha. 9. . . , . • . , . . •'« 

* > a excepção da cor do bico que e 

+ ) tostado escuro. 
O exemplar a é adulto e os exemplares b c d teem a pluma- 
gem de novos. É a primeira vez que o sr. Anchieta conseguiu en- 
contrar esia espécie. 

5. Faico coinmunis, Gm. 

Bocage, Ornith. d'Àngola, p. 45. 
«Jj. Cassequel. íris castanho». 

6. Cerchiieis Dickersoni ! , (Sclat.) 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 54. 

a. b. 5. 5. «íris amarello. Nome indígena Quicungomiapia. No 
estômago orthopteros. Quando. 

7. Bubo maculosus, (Yieill.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 57, 
Benguella. íris amarello. 

1 Depois da publicação da Ornithologie d' Angola pelo sr. conselheiro Bocage, 
tem o sr. Anchieta remettido de Caconda vários exemplares d'esta espécie. 

ii» 



156 JORNAL DE SCIENC1AS MATHEM ATIÇAS 

8. Scops leucotis, (Temm.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 58, 

a. «$. íris amarello vivo. Benguella. Nome indígena Cacutocu- 
tobo». 

b. «$. íris côr de laranja. Quando. Nome indígena Caxuiuxuco» . 

9. Syrnium nuchale, Sharpe. 

Cat. Birds Brit. Mus. n, p. 265. 

«$. íris amarello áureo. Quando. Nome indígena Xicuculo». 

Este bonito exemplar em que predomina a côr de castanha, 
mais viva na parte inferior do que na superior, não tem, como 
descreve o sr. Sharpe na obra citada, a cabeça mais escura, mas 
sim o mesmo tom das pennas do dorso e escapulares. 

É a primeira vez que o sr. Anchieta remette para o Museu de 
Lisboa esta espécie. O sr. conselheiro Bocage incluiu-a na sua 
Ornithologie d Angola por lhe ter o sr. Sharpe communicado ha- 
vel-a recebido do Quanza. 

10. Pionias Meyeri, Búpp. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 68. 

«$. íris castanho. No estômago milho. Nome indígena Xiken- 
gue. Caconda». 

11. Psittacula roseicollis, (Yieill.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 73. 

a. b. $. íris castanho. Nome indígena Caxikengue. Fazenda Ma- 
ravilha. 

12. Dendrobates cardinalis (Gm.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 76. 

«S. $>. íris avelã vinoso. Nome indígena Bangula. Caconda». 

13. Coradas spatolata, Trimen. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 536. 

«S. íris esverdeado folha secca. Bico preto baço. Pés esver- 
deado claro sujo. No estômago gafanhotos, coleopteros. Quando. 
Nome indígena Hobia. Capturado em julho de 1882. 



PHYSICAS E NATURAES 157 

14. Coradas naeiia, Daud. 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 83. 

«íris castanho. Caconda. Nome indígena Hobia. 

15. Merops snperciliosus, L. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 87. 

. * " * ' * "[ íris vermelho. Fazenda Maravilha. Nome in- 
f í \ digena Lengue. 

16. Merops crythropterus. Gm. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 92. 

íris vermelho. Benguella. Nome indígena Lengue. 

17. Merops hirundinaceos, Vieill. 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 93. 

a. $. íris vermelho. Benguella. Nome indígena Lengue. 

b. c. d. $. 2- 2- I r i s vermelho. Caconda. 

18. Merops bullockoides, Smith. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 93. 

a. 5. íris castanho. No estômago formigas. Caconda. Nome in- 
dígena Lengue. 

b. c. S. j. íris vermelho. No estômago do exemplar J. formi- 
gas, no do exemplar $ coleopteros. Quando. Nome indígena Len- 
gue. 

19. Corythornis cyanostigma, (Rúpp.) 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 96. 

a. $. b. íris castanho escuro. íris carmezim, tostado escuro um 
centímetro além das narinas. Pés encarnado coral rosa. No estô- 
mago peixes pequenos. Fazenda Maravilha. Nome indígena Sun- 
goanguluve. 

c. 2- Ir i s castanho. Bico róseo encarnado claro, amarellado 
transparente dois millimetros na ponta da maxilla superior. Pés 
da côr do bico. No estômago insectos aquáticos. Caconda. 

20. Ceryle rudis. L. 

Bocage. Ornith. d'Angola, p. 97. 



158 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

a. b. íris castanho. Bico e pés preto. No estômago peixes. Fa- 
zenda Maravilha. Nome indígena Sumbo. 

21. Cerjle máxima, (Pall). 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 98. 

J. íris côr de café. Bico preto, esbranquiçado na ponta. Pés 
chocolate terroso. No estômago orthopteros. Cuce. 

22. Halcyoa senegalensis, (L.) 

Bocage. Ornith. d'Angola, p. 101. 

a. íris castanho. Mandíbula vermelho roxo, preto na ponta com 
a maxilla. Pés preto. No estômago coleopteros. Fazenda Maravi- 
lha. Nome indígena Sungoanguluve. 

23. Balcjon chclicutensis, Finsch A- Hartl. 

Bocage. Ornith. d' Angola, p. 101. 

£. íris castanho. Maxilla superior e ponta da inferior tostado 
escuro, o resto da inferior róseo encarnado. Pés tostado róseo. 
No estômago larvas de lepidopteros. Caconda. Nome indígena 
Nungulule. 

24. Pogonorhynchus torquatus, (Dumont.) 

Bocage. Ornith. d'Angola, p. 106. 

a. b. c. d. S. $. $. $. íris vermelho. Bico preto. Pés terroso 
chocolate. No estômago figos sylvestres e outros fructos. Cacon- 
da. Nome indígena Mundue. 

e $ No estômago coleopteros. Quando. 

25. Pogonorlsynchus leucomelas, (Bodd.) 

Bocage. Ornith. d'Angola, p. 107. 

a. b. J. íris castanho. Bico preto baço. Pés preto castanho em- 
poeirado. No estômago fructos. Benguella. Nome indígena Can- 
gongo. 

26. Barbatula Bocagei, nova sp. 

Esta espécie muito semelhante cá Barbatula leucolis, Sundvall, 
é comtudo muito mais pequena e tem a seguinte característica: 

Cabeça, pescoço, garganta preto; região postocular, faces, linha 
supraciliar, meio da garganta branco; dorso, azas, cauda pardo 



PHTSICAS E XATUKAES 159 

* 

escuro; peito, ventre, subalares, coberturas inferiores da cauda 
branco; remiges secundarias orladas exteriormente de branco. 
Comprimento do vértice á ponta da cauda O m ,15; aza O m ,07; bico 
O m ,023; tarso O m ,02. 

Habit. Caconda. 

São três exemplares os que nos servem para descrever a espé- 
cie, mas infelizmente vieram com os corpos em álcool. 

27. Stactolaema Anchietae. (Bocage). 

Bocage. Ornith. d' Angola, p. 110. 

è. 5. 6. á. íris castanho. Bico preto. Pés castanho quasi claro. 
No estômago coleopteros. Caconda. Nome indígena Munúue. 

28. Colius crvthromelas, Vieill. 

Bocage. Ornith. d'Angola, p. 128. 

5. íris castanho. Face nua carmim. Mandíbula preto na ponta, 
o resto até á raiz do bico roxo-roseo, Pés roxo-roseo argilloso. 
No estômago fruetos. Benguella, Nome indígena Xipipi. 

29. Colius castanonolus, Ed. et J. Yerreaux. 

Bocage. Ornith. d'Angola, p. 129. 

6. íris castanho marginado de cinzento. Mandíbula castanho tos- 
tado, cinzento claro, azulado largamente no culmeu. Maxilla unha 
córneo, azulado escuro sujo junto ao bordo e em torno da base. 
Pés entre coral e rosa. No estômago fruetos. Benguella. Nome in- 
dígena Xipipi. 

30. Schizorhis concolor, (Smith). 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 134. 

a. íris gridelim, Bico e pés preto castanho. No estômago fru- 
etos. Benguella. Nome indígena Guere. 

b. c. ç. $. Benguella. Nome indígena Onguele. 

31. Centropus superciliosus, Hempr. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 150. 

a. b. íris carmezim. Tarso cinzento ardósia. No estômago for- 
migas. Nome indígena Ucúcu. 



160 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMAT1CAS 

32. Nectarinea bifasciata, Shaw. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 168. 

a. b. c. í. ç. íris castanho. Bico e pés preto. No estômago 
pollen. Benguella. Nome indígena Canjonjo. 

33. Melaenornis diabolicus, Sharpe. 

Melaenornis ater, Bocage, Ornith. d'Angola, p. 208. 
ç. íris castanho. Bico e pés preto. No estômago insectos. Quan- 
do. Nome indígena Xinganja. 

34. Bradyornis beoguellensis, nova sp. 

Bradyornis sp.? Bocage, Jorn. Sc. Lisboa, vm p. 293. 

Esta espécie sendo muito análoga ao Bradyornis murinus, Har- 
tl. et Finsch, é comtudo de dimensões maiores e tem as grandes 
e pequenas coberturas alares orladas de branco isabelino, bem 
como as rectrices que são linearmente marginadas d'esta côr, sen- 
do nas lateraes a orla um pouco mais larga nas barbas exteriores 
e também na extremidade apical. íris castanho. 

Dimensões:— Comprimento total O m ,203; aza O m ,105; cauda 
O m ,083; bico m ,02; tarso O m ,028. 

Habit. Benguella. Nome indígena Cachirialanhe. 

a. 6. íris castanho. Bico preto baço. Pés castanho empoeirado. 
No estômago insectos. 

b. ç. íris castanho. Bico e pés castanho. No estômago formigas. 

35. Dicrurus divaricatns, Licht. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 211. 

a. ?. íris roxo terra. Bico e pés preto. No estômago insectos. 
Quando. 

b. íris vermelho. Benguella. Nome indígena Kinganja. 

c. $. j. íris côr de avelã. Bico preto. Pés castanho. No estô- 
mago orthopteros e coleopteros. Caconda. Nome indígena Ganja. 

36. Fiscns subcoronatus, (Smith.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 217. 

íris castanho. Bico e pés preto. No estômago insectos. Ben- 
guella. Nome indígena Undolo. 
Obs.— É o segundo exemplar que o nosso illustre explorador 



PHTSICAS E NATURAES 161 

remette de Benguella, região mais septentrional do que aquellas 
em que esta espécie tem sido encontrada. 

37. Fiscus Souzae, Bocage. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 549. 

íris castanho. Bico escuro castanho levemente arroxeado tor- 
nando-se unha claro para a base da maxilla inferior. Pés casta- 
nho pardo escuro. No estômago térmitas. Gaconda. Nome indí- 
gena Ximutue. 

38. Eurocephalus anguitimens, Smith. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 218. 

5. íris castanho. Bico e pés preto. No estômago insectos. Ben- 
guella. 

39. Prionops talacoma, Smith. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 221. 

a. 6. íris amarello. Rebordo das pálpebras amarello, leve- 
mente açafroado. Bico preto. Pés coral róseo claro. No estômago 
gafanhotos pequenos. Benguella. Nome indígena Etna. 

b. c. &. ç. íris amarello claro como as carunculas. Bico preto. 
Pés entre alperche e encarnado claro. No estômago coleopteros. 
Gaconda. Nome indígena Etua. 

40. Telephonus erythropterus, (Shaw.) 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 223. 

6. íris cinzento. Bico preto. Pés cinzento ardósia. No estômago 
coleopteros. Caconda. 

41. Dryoscopus cubla, (Shaw.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 227. 

a. íris vermelho. Maxilla superior castanho escuro; inferior 
azulado d'aço. Pés ardósia. No estômago gafanhotos pequenos. 
Benguella. 

b. ç. íris castanho. Bico preto. Pés ardósia cinzento. No estô- 
mago coleopteros. Caconda. 

42. Dryoscopus neglectus, Bocage. 

Ornithologie d'Angola, p. 136. 



162 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMA TlCAS 

ç. íris castanho escuro. Bico e pés preto. No estômago fructos 
e térmitas. Benguella. 

43. Orioíus galbula, L. 

Sharpe, Cat. Brit. Mus. m, p. 191. 

ç. íris castanho. Bico roxo terra. Pés ardósia. No estômago in- 
sectos. Benguella (março de 1886). 

Obs. — É a primeira vez que o sr. Anchieta encontra esta es- 
pécie nas suas explorações. 

44. Orioíus notatus, Peters. 

Bocage, Ornith. d'Angola, pag. 236, 

5. íris vermelho. Bico roxo terra. No estômago sementes. Ca- 
conda. 

4o. Oriolas larvatus, Licht, 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 238. 

Ç. li is olivaceo. Bico preto. Pés ardósia. No estômago formi- 
gas e coleopteros^ Caconda. Nome indígena Ongologombia. 

46. Pvcnonotus nigricans, (Vieill.) 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 242. 

ç. íris roxo terra. Rebordo das pálpebras côr de laranja. Bico 
e pés preto. No estômago insectos. Benguella (agosto de 1885). 
Nome indígena Sacanjuela. 

47. Criniger ilaviventris, (Smith). 

Bocage, Ornith. d^ngola, p. 245. 

íris entre roxo terra e castanho. Bico pardo escuro gridelim. 
Pés ardosia-pardo escuro arroxeado. No estômago fructos. Ben- 
guella. 

48. Crateropus Hartlaubi, Bocage. 

Ornithologie d' Angola, p. 252, pi i, fig. 1. 

a. íris vermelho. Bico preto. Pés castanho pardo escuro. No 
estômago coleopteros. Caconda. Nome indígena Ganyairo. 

b. ç. íris vermelho. Bico preto. Pés castanho pardo-escuro. 
Quando. Nome indígena Eiabairo. 



PHYS1CAS E NÀTURAES 163 

49. Crateropus gymnogenys, Hartl. 

Bocage, Ornith. (1'Angola, p. 253. 

ç. íris amarello claro. Bico preto. Pés pardo castanho. No es- 
tômago insectos. Benguella. 

50. Neocichla gutturalis, (Bocage). 

Ornithologia d'Angola, p. 253, pi. i, fig. 2. 

íris amarello gemma d'ovo cosida. Bico preto. Pés cor de fo- 
lha secca, mais escuro nos dedos. No estômago coleopteros. Quan- 
do. Nome indígena Xiauxiau. 

Obs. — Ê notável que entre os cinco exemplares que o sr. An- 
chieta tem mandado d'esta espécie para o Museu de Lisboa se 
não encontre algum com a indicação de macho, 

5d. Cictiladnsa ruíicauda, (Verr.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 255. 

a. b. 6. 5. íris chocolate. Bico preto. Pés ardósia levemente 
arroxeado. No estômago formigas. Benguella. Nome indígena Um- 
bueto. 

52. Cossypfra subrufescens, Bocage. 

Ornithologie d'Angola, p. 258. — Jorn. de Sc. Lisboa, num. 
xxiv, p. 273. 

íris castanho. Bico preto. Pés arroxeado escuro. No estômago 
insectos. Caconda. Nome indígena Gundo. 

53. Turdiss strepitans, Smith. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 262. 

a. í. íris castanho escuro. Maxilla superior e ponta da inferior 
tostado escuro quasi preto, o resto da inferior canna sujo. Pés fo- 
lha secca claro. No estômago insectos e terra. 

b. í. No estômago formigas e térmitas. 

c. ç. No estômago gafanhotos. 

d. No estômago térmitas. 

Todos estes exemplares são de Caconda. 

54. Moaticola brevipes, Waterh. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 287. 



164 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMAT1CAS 

a. b. c. i. ê. 2- I r »s castanho. Bico preto. Pés castanho. No es- 
tômago formigas e coleopteros. Caconda, Quando. 

55. Mirmecocichla nigra, (Vieill.) 

Bocage, Ornith. d'Ango!a, p. 268. 

a. 6. íris castanho escuro. Bico e pés preto. No estômago or- 
thopteros. 

56. Saxicola Arnotti, Tristr. 

Bocage, Ornith. d' Angola. 

5. íris castanho. Bico e pés preto. No estômago térmitas. Quan- 
do. Nome indígena Xitiaquenpne. 

Obs. — Este exemplar que parece não ter attingido o completo 
desenvolvimento, sendo um pouco mais pequeno do que o des- 
cripto pelo sr. conselheiro Bocage, tem comtudo a cauda mais 
comprida do que a espécie precedente, Myrmecocichla nigra, e 
tem do lado esquerdo a facha supraciliar a desenhar-se, e as pen- 
nas escapulares terminadas por uma facha preta na extremidade 
apical. 

57. Saxicola Ieucomelaena, Burch. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 271. 

ç. íris castanho. Bico preto. Pés preto empoeirado. No estô- 
mago formigas. Benguella. 

Obs. — Este exemplar tem a plumagem do individuo de anno 
tal como descreve mr. Seebhom no vol. v, p. 378 do Catalogue 
of the Birds in the British Museum. 

58. Pratincola torquala, (L.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 274. 

6. íris castanho. Bico e pés preto. No estômago coleopteros. 
Cuce. Nome indígena Xilache. 

59. Drymoica, sp.? 

íris côr de avelã. Maxilla superior tostado escuro superiormente 
com o bordo e a maxilla inferior entre córneo e folha secca, como 
os pés. No estômago insectos. 

60. Motacilla vidua, Sundev. 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 291. . 



PHYSICAS E NATURAES 165 

5. íris castanho. Bico e pés preto. No estômago orthopteros. 
Cuce. Nome indígena Congombo. 

61. Anthus campestris, Bechst. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 292. 

a. b. íris castanho. Maxilla superior e ponta da inferior pardo 
gridelim, o resto róseo claro arroxeado de unha não vivo. Pés 
córneo um pouco pardo. No estômago formigas e coleopteros. Ben- 
guella. Nome indigena Tioco. 

62. Anthus erjthronotus, Steph. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 295. 

ê. íris avelã. Maxilla superior e metade anterior da maxilla in- 
ferior tostado escuro, o resto da inferior entre canna e unha claro 
sujo. Pés pardo folha secca. No estômago insectos. Caconda. 

63. Macronyx croceus, (Vieill.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 297. 

íris castanho. Bico córneo escuro, um terço posterior pardo 
claro sujo. Pés pardo róseo. No estômago térmitas, ç. Cuce. No- 
me indigena Xilongo. 

64. Buphaga africana, L. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 299. 

ç. íris amarello alaranjado. Bico amarello na base, encarnado 
na metade anterior. Pés preto pardo. No estômago larvas d'insec- 
tos. Benguella. Nome indigena Luanda. 

65. Conus scapulatus, Daud. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 300, 

í. íris castanho. Bico e pés preto. No estômago insectos. Ben- 
guella. Nome indigena Kiquamanga. 

66. Lamprocolius acuticandus, Bocage. 

Ornithologie d' Angola, p. 309, pi. vi. 
á. íris amarello. Bico e pés preto. No estômago coleopteros. 
Quando. Nome indigena Xiunjo. 

67. Lamprocolius bispecularis, (Strickel.) 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 311. 



166 



JORNAL DE SCIENCiAS MATHEMATICAS 



5. íris cor de laranja. Bico e pés preto. No estômago fructos. 
Benguella. Nome indígena Eiabairo. 

68. Amydrus caffer, (L.) 

Bocage, Ornith. d' An gola, p. 316. 

a. b. 6. íris amarello olivaceo. Bico e pés preto. No estômago 
fructos. Benguella. Nome indigena Colombe. 

69. Hyphantorais niíjriceps, Layard. 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 324. 

$. íris amarello. Maxilla superior e ponta da inferior tostado, 
o resto ósseo claro mascarrado. Pés gridelim. No estômago inse- 
ctos. Ben r ualla. Nome indigena Gmge. 

70. Hyphantorais velatus, (Vieill.) 



Bocage, Ornith. d' Angola, p. 325. 
a. íris ar 
gena Genge 



a. íris amarello. No estomacro insectos. Benguella. Nome indi- 



71. Hypltantoriiis xaníhops, Hartl. 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 327. 

íris amarello claro. Pés córneo roseo-pardo. No estômago ga- 
fanhotos. Benguella. Nome indigena Genge. 

72. Hyphantornis, sp.? 

ç. íris castanho. Maxilla superior unha tosíado. Maxilla inferior 
córneo. Pés pardo gridelim. No estômago orthopteros. 

Este exemplar mede 148 mill. de comprido, tem as cores na 
parte superior de um pardo esverdeado, com largas riscas cen- 
traes ao longo das pennas dorsaes negras, o uropygio uniforme- 
mente amarello pardo; a cauda parda escura com reflexo ama- 
rello; garganta até ao peito de um amarello isabellino, abdómen 
esbranquiçado no centro e tornando-se isabellino para os flancos 
e nas subcaudaes. 

A penna bastarda mais larga do que no H. velatus. O desenho 
das azas similhante ao das d'esta espécie. 

73. Amadina crythrocephala, (L.) 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 352. 



PHYSJCAS E NATURAES 167 

6. 6. á. ?. ç. ç. íris olivaceo claro. Bico gridelim azulado claro 
sujo. Pés róseo, roxo claro sujo. No estômago sementes. Ben- 
guella. Nome indígena Janja. 

74. Passer arcuatus, (Gm.) 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 363. 

a. b. 5. íris entre vermelho e âmbar. Maxilla superior e ponta 
da inferior tostado escuro, o resto unha pardo sujo. Pés pardo 
levemente arroxeado sujo. No estômago dejectes. Benguella. Nome 
indígena Embolia. 

75. Xanthodira ílavingula, Sundev. 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 365. 

5. íris avelã claro. No estômago sementes. Caconda. 

76. Mirafra africana, Smith. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 374. 

5. íris castanho. Maxilla superior tostado escuro, bordo d'esta 
e maxilla inferior róseo claro sujo. Pés entre córneo e folha sec- 
ca, escuro nos dedos. No estômago insectos. Benguella. 

77. Treron calva, (Temm.) 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 378. 

íris escuro gridelim. Bico, da base até ao meio encarnado,, o 
resto branco gridelim. Pés amarello vivo de milho. No estômago 
fruetos. Caconda. Nome indígena Nequengua. 

78. Turtsir damarensis, Finsch & Hartl. 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 385. 

5. íris castanho. Bico preto baço. Pés roxo argilloso. No estô- 
mago milho e areia. Benguella. Nome indígena Nende. 

79. Chalcopelia afra, (L.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 389. 

?. íris avelã. Bico, da base até além do meio sangue secco, o 
resto açafroado. Pés róseo roxo. No estômago sementes. Caconda. 

80. Pternistes rubricollis, (Gm.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 400. 

6. íris chocolate. Face e garganta encarnado não muito vivo. 



1 68 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Bico da mesma côr um pouco menos vivo, levemente tostado ao 
longo, um pouco transparente na ponta. Tarso encarnado como o 
bico. No estômago areia. Fazenda Maravilha. Nome indígena On- 
guari. 

ç. íris castanho. Face, garganta e cera encarnado. Bico encar- 
nado menos vivo, um pouco transparente na ponta e crista. Pés 
encarnado pouco vivo. No estômago milho. Caconda. 

81. Lobivanellus lateralis, (Smith.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 428. 

á. íris amarello esverdeado. No estômago gafanhotos. Quando. 
Nome indígena Qualquerquer. 

82. Aegialites pecuarius, (Temm.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 432. 

a. b. c, d. 5. $. ç. íris castanho. Bico preto baço. Pés pardo 
gridelim. No estômago insectos, areia. Benguella. Nome indígena 
Caniapraia. 

83. Ardea purpúrea, L. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 438. 

$. íris amarello claro. Face nua amarello esverdeado com man- 
cha triangular castanho desde a base da cera; na região labial 
outra mancha castanho. Maxilla superior castanho com uma facha 
amarello açafroado sobre todo o bordo. Maxilla inferior anterior- 
mente amarello açafroado, posteriormente amarello esverdeado. 
Perna e articulação tibio-tarsica amarello esverdeado com a face 
posterior do tarso e inferior dos dedos amarello sujo, face ante- 
rior do tarso e superior dos dedos preto sujo. No estômago peixe, 
camarões, rãs. Fazenda Maravilha. Nome indígena Caruico. 

84. Bubulcns ibis, L. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 444. 

S. íris amarello vivo. Bebordo das pálpebras, face, bico ama- 
rello claro. Perna l f$ inferior amarello claro esverdeado sujo. Pés 
cúprico sujo com manchas esbranquiçadas. No estômago cama- 
rões, gafanhotos. Fazenda Maravilha. Nome indígena Mangue. 

85. Butorides atricapillus, (Afz.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 446. 



PHYSIGAS E NATUBAES 169 

a, íris amarello. No estômago camarões. Nome indígena Tem- 
boaquitata. 

86. Ciconia abdimii, Licht. 

Bocage, Ornith. çTAngola, p. 451. 

ç. íris castanho. No estômago serpente (echidna). Caconda. 

87. Totanus canescens, (Gm.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 464. 

?. íris castanho. Bico cinzento azulado no { jz posterior da man- 
díbula e no '/a da maxilla, o resto castanho quasi preto. Pés lo- 
doso esverdeado claro. No estômago orthopteros. Benguella. No- 
me indígena Kinhapraia. 

88. Actitis hypoleucus, (L.) 

Bocage, Ornith. cTAngola, p. 468. 

íris castanho. Bico castanho escuro levemente arroxeado, tor- 
nando-se menos escuro no '/s posterior da maxilla inferior. Pés 
pardo gridelim. No estômago areia. Benguella. Nome indígena 
Kinhapraia. 

89. Machetes pugnax, (L.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 471. 

íris castanho. Bico preto. Pés pardo esverdeado lodoso. No es- 
tômago insectos. Benguella. Nome indígena Kinhapraia. 

90. Nettapus auritus, Bodd. 

Bocage, Ornith. dVVngola, p. 498. 

$. íris castanho. Maxilla superior castanho arroxeado tornan- 
do-se nos lados para a base menos escuro esverdeado sujo. Ma- 
xilla inferior amarello pouco vivo arroxeado na ponta e nos bor- 
dos. Pés castanho arroxeado com laivo esverdeado lateral poste- 
rior. No estômago areia, peixes. Cuce. 

91. Anãs xanthorhyncha, Forst. 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 500. 

í, 6, íris castanho. Maxilla superior amarello, com castanho 
arroxeado escuro na ponta e 3 /* posteriores da crista comprehen- 
dendo as narinas. Maxilla inferior castanho escuro arroxeado com 

JORN. DE SCIENC. MATH. PHYS. E NAT. — N.° XLIII. 12 



1 70 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMAT1CAS 

zona amarello entre o terço e o quarto exterior. Pés castanho es- 
curo arroxeado. No estômago peixes. Cuce. 

92. Graenlus africanus, (Gm.) 

Bocage, Ornith. cTAngola, p. 322. 

a. b. c. S. á. íris esverdeado sujo. Bico amarello ósseo sujo, 
tostado escuro em toda a crista e ponta com manchas tostado es- 
curo dos lados um pouco regulares, No estômago peixes, coleo- 
pteros, Cuce. Nome indígena Bundabunda. 

d. $. íris encarnado. No estômago peixe. Fazenda Maravilha. 
Nome indígena Ombundabunda. 

Museu de Lisboa, Secção Zoológica, 4 de novembro de 1886. 



PHYSICAS E NATURAES 171 



4. Typhlopiens nouveaux de la Faune alíicaine 



1. Typhlops (Onycbocephalns) humbo. 

Garact. : Corps cylindrique, plus étroit vers la tête, légèrement 
aplati. Tête aplatie; museau prnéminent à bord tranchant et ar- 
rondi. Rostrale en ovale allongée en dessus avec les bords la- 
téraux presque paralléles, arrondie au sommet et uri peu rétrécie 
en bas. Rostro-nasale plus large que la pré-oculaire et plus étroite 
que 1'oculaire, à bords latéraux un peu échancrés et à sommet 
tronqué. Pré-oculaire aussi haute que 1'oculaire, recouvrant par sod 
extrémité supérieure, qui termine en pointe, la moilié anlérieure 
de 1'ceil. Sillon nasal partant de la ligne qui separe la I e de la 2 e 
labiale, marchanl parallélement au bord de la rostrale et s'arrê- 
tant à la narine. 4 labiales, dont la l e se trouve en contact avec 
la nasale, la 2 e touche à la rostro-nasale et à la pré-oculaire, la 
3 e à la pré-oculaire et à 1'oculaire, la 4 e à Toculaire. Queue três 
courte et mucronée, légèrement courbe. 38 rangées d'écailles vers 
le milieu du trone cbez l'un de nos individus, le plus grand; 36 
chez 1'aulre; la queue revêtue de 9 séries transversales d'écailles. 

Nos deux individus portent les mêmes couleurs: en dessus brun 
olivâtre, en dessous jaune-orangé; Textrémité du museau de cette 
derniére couleur. La ligne de séparalion des deux couleurs snr 
les flancs est fort irrégulière. 

Le plns grand de nos individus mesure 775 mm. de 1'extrémité 
du museau à celle de la queue; longueur de la tête 19 mm.; de 
de la queue 9 mm.; largeur de la tête 15 mm.; diamétre du trone 

12* 



1 72 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

23 mm.; diamétre à la base de la queue 17 mm. L'autre individu 
est moins long et sortout moins épais: long. tot. 576 mm.; de la 
tête 14 à 15 mm.; de la queue 7 mm.; longueur de la tête 12 mm.; 
diamétre du trone 14 mm.; diamétre à la base de la queue 11 mm. 

Habit.: Quissange dans 1'intérieur de Benguella, par M. d'An- 
chieta. Son nom indigéne Humbo fgrosse aigUille) lui vient de sa 
forme et de son habitude de creuser des trous profonds ou il se 
cache. 

Ressemble par ses couleurs au T. (Onychocephalus) dinga et 
au T. (Onychocephalus) riparius, de Moçambique, décrits et figures 
par le dr. Peters 1 . Le nombre de ses rangées d'écailles le rap- 
proche surtout de la première de ses espèces, mais l'écaiílure de 
la tête presente quelques particularités parmi lesquelles nous avons 
surtout à signaler la forme de la rostrale, plus allongée et plus 
étroite chez lespèce de Benguella. 

Un autre typhlopien, voisin du T. dinga, découvert à Biballa 
par M. d' Anchieta et que nous avons décrit sous le nom de Ony- 
chocephalus Petersi 2 , a aussi des rapports assez intimes avec nos 
deux spécimens. Us diíférent sensiblement par les proportions du 
corps, YO. Petersi étant d'une taille beaucoup moins élancée, et 
par leur système de coloration; et ces différences ne nous perme- 
tent pas, dans fétat actuei de nos connaissances, de les reunir 
sous une dénomination commune. 

2. Typhlops (Orjchoceplialus) Ancliietae. 

Corps cylindrique; tête bombée en dessus; museau saillant à 
bord légérement aigu. Sillon nasal partant du bord de la rostrale 
et décrivant une courbe assez prononcée en dehors avant de ter- 
miner dans la narine. Rostrale ovale, large, bombée, arrondie au 
sommet. Rostro-nasale bien développée, saillante, à bord posté- 
rieur légérement concave, tronquée au sommet. Pré-oculaire moins 
haute et plus étroite que la rostro-nasale et 1'oculaire; celle-ci 
grande. 4 labiales supérieures; la \ e touchant à la rostrale et à la 
rostro-nasale; la 2 e à la pré-oculaire; les 3 e et 4 e à 1'oculaire. Yeux 
invisibles. Queue courte, grosse, un peu courbe, terminant par une 
petite épine; elle a à peine en longueur la moitié de son diamétre 



et 3 



1 Peters, Reis. n. Mossamb. Amph. p. 98, pi. xiv, fig. 1; pi. xiva, fig. 2 

2 Bocage, Jorn. Ac. Sc. Lisboa, iv, p. 249. 



PHYSICAS E NATURAES 173 

à la base. 32-30 rangées d'écailles sur le trone; 7 séries trans- 
versales (Técailles sur la queue. Longueur totale 119 mm.; de la 
tête 4 mm.; de la queue 2,2 mm.; largeur du trone 5 min.; lar- 
geur de la queue à la base 4,5 mm. 

Colorat. : Jaune-pâle nuancé par places de brun-cendré; la tête 
et l'extrémité de la queue d'un jaune plus vif. 

Habit. Huilla (Angola). Un seul individu envoyé par notre zélé 
naturaliste M. d'Anchieta. 

Voisin du T. Hallowelli, Jan. ', mais bien dislinct par la dispo- 
sition du sillon nasal, qui commence sur la partie inférieure du 
bord lateral de la rostrale et décrit une courbe à forte convexité 
avant de terminerdans la narine. Lenombre des labiaíes, 4 au lieu 
de 3, et le nombre des rangées d'écailies, 32-30 au lieu de 28, 
aident également à éviter toute confusion. Chez Tespèce d'Angola 
la tête est bombèe en dessus, et la rostrale, la rostro-nasale et la 
pré-oculaire présentent une convexité centrale qui rappele, quoi- 
que à un moindre dégré, une disposition semblable signalée par le 
professeur Pelers chez le T. Forrtasini, disposition qui avait valu 
à celui-ci le nona de Onyehocephalus trilobiis*. 

3. Slenostoma rostratum. 

Museau proéminen!, un peu incline en bas et à bord aigu. Ros- 
trale formant un bec saillant, grande, ovale, lar ge en dessus, dé- 
passant les yeux par son soramet tronqué, rétrécie en bas. Nasale 
petile, séparée de la rostro-nasale; celle-ci moins large que l'ocu- 
laire. Oeil três distinct. 2 labiaíes, la i e sèparée de la 2 e par l'ocu- 
laire, qui couvre le bord de la machoire. Écailles surcéphaliques 
de la rangée moyenne plus larges que celles du dos. Queue courbe 
et mucronée, revêtue de 20 séries transversales d'écailles. Lon- 
gueur totale 192 mm.; de la tête 3 mm.; de la queue 12 mm.; 
diamétre vers le milieu du trone 3 mm. 

Teinte générale d'un brun-clair avec les bords des écailles plus 
pàles. 

Ressemble par la conformation de la rostrale au St. macrorhyn- 
cham, Jan. 3 , du Sennaar; mais chez notre individu, envoyé du 
Humbe, sur les bords du Cunene, par M. cVAnchieta, les dimen- 

1 Jan, Typhlop. p. 29; leonogr. gén. Liv. 4, pi. iv et v, fig. 6. 

2 Peters, Reise n. Mossamb. Amphib. p. 94, tab. xv, fig. 3. 

3 Jan, Typhlop. p. 29; leonogr. gén. Liv. i, pi. v et vi, tíg. 2. 



174 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMATICAS 

sions de la portion supérieure de la rostrale, qui forme une large 
ovale dont 1'extrémité dépasse 1'oeil, et le grand développement 
des écailles sur-céphaliques sont en complet désaccord avec les 
détails que nous fournissent à ce sujet la description et la figure 
publiées par Jan. 

4. Stenostoma dissimile. 

I 

Hostrale medíocre, en languette, arrondie au sommet, un peu 
rétrécie en bas. Nasale distincte de la rostro-nasale, qui est un 
peu plus large que 1'oculaire. 3 labiales: la l e medíocre touchant 
à la rostro-nasale; la 2 e três développée, placéeaudessousdeTocu- 
laire. Yeux distincts, recouverts par 1'extrémHé supérieure de 1'ocu- 
laire. Plaques sur-céphaliques de la rangée centrale medíocres, ne 
dépassant pas en largeur celle du dos. Queue légèrement courbe 
et mucronée avec 29 à 30 séries transversales d'écailles. Longueur 
totale 104 mm.; de la tête 2,5 mm.; de la queue 9 mm.; diamé- 
tre du trone 2,5 mm. 

Un individu de 1'Afrique centrale, Nil-blanc, provenant du voyage 
de M. Peteani de Steinberg. 

L'êtat de conservation de cet individu laisse à désirer; cepen- 
dant 1'examen de la tête nous a permis de bien constater la pré- 
seneesurles deux côtés d'une 2 e labiale siluée au dessous de 1'ocu- 
laire, qu'elle separe du bord de la màchoire. Ce seul caractere 
suffit à bien distinguer notre espòce de ses congéneres. 



Barboza du Bocage 



PHYSICAS E NATURAES 



175 



BIBLIOGRAPHIA 



Primeiros subsídios para a Fauna do Estado do Congo 



Nos últimos números do Bulletin du ftlusée (PHistoire Naturelle de Belgi- 
que, deparamos com algumas publicações acerca das collecções zoológicas reu- 
nidas pelo capitão Storms no Tanganyka, que bem se podem considerar como 
os primeiros subsidios com que contribuem para a historia natural do vasto 
império do Congo os operários d'essa creação phantastica. 

Gomprehendem essas publicações uma breve noticia sobre os reptis e ba- 
trachios d'aquella região pelo sr. L. Dollo, naturalista-adjunto ao Museu de Bru- 
xellas, outra do sr. Pelseneerque diz respeito aos molluscos, uma lista das aves 
por M. Dubois, conservador do Museu de Bruxellas, emfim a descripção de 3 
espécies novas de aves pelo dr. G. Hartlaub, o mais recommendavel por certo 
dos quatro escriptos. 

Encarregára-se o sr. Dollo, segundo affirma, do estudo das collecções er- 
petologicas na sua qualidade de chefe da secção dos reptis, batrachios e peixes, 
vivos e fosseis, o que de certo lhe deve ser garantia da máxima competência no 
assumpto, conseguindo em resultado do seu exame determinar 19 espécies, 17 
de reptis, que se subdividem ainda em 6 saurios e 11 ophidios, e 2 de batra- 
chios. 

Cita o sr. Dollo duas espécies novas na ordem dos ophidios, uma cobra 
que refere ao género Grayia e a que dá o nome de Grayia Giardi, e uma ser- 
pente venenosa das colubriformes ou Elapidae, que considera digna de represen- 
tar um novo género, porelle dedicado, sob a appellação de Boulengerina^ ao seu 
compatriota M. Boulenger. De uma e outra espécie porém dá-nos o sr. Dollo 
escassa informação, que nos não permitte formar um juizo seguro do que se- 
jam, nem nos habilitam a reconhecel-as quando o acaso nol-as deparasse. As 
outras espécies, salva uma só excepção — o Bamphiophis rostratus, Peters, 
acham-se representadas nas nossas collecções de Angola, onde pela maior parte 
se encontram largamente disseminadas. 



176 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMAT1CAS 

Não será inteiramente destituído de interesse o mencional-as: 

Saurios: Agama alricollis, Smitli; Agama planiccps, Peters; Varams nt- 
loticus, L. (=Monitor saurus Laur.); Euprepes varius, Peters; Chamaeleon di- 
lepis, Leach. ; Ck. gracilis, Hall. 

Ophidios : Typhlops Schlegeli, Bianc; Boodon infernalis, Gíinth.; (=B. 
unicolor, Schleg.); Bucephalus capensis, Sm.; Philothamnvs Smithii, Bocage; 
Psammophis sibilam (L.); Bamphiophis rostratus, Peters; Atractaspis Bibroni, 
Sm.; Causus rhornbeatus, (Licht.); Vipera (Bitis) arietans, Merr. 

Batrackios: Hyperôlius marmoratus, Rapp.; Bufo regularis, Beuss. 

A lista das aves de Tanganyka pelo sr. Alph. Dubois abrange 202 espécies, 
entrando n'esse numero três novas, que vemos descriptas em separado pelo emi- 
nente ornithologista allemão o dr. Hartlaub. Dá relevo e importância a esta 
collecção de aves, além das três espécies novas, a presença de algumas, embora 
já conhecidas, muito apreciáveis quer pela sua raridade, quer pela authentici- 
dade do novo habitat que as investigações do capitão Storms lhes assignala. As 
espécies novas descriptas pelodr. Hartlaub são: Turdus Stormsi, de cores mui 
caracteristicas ; Ploceus Duboisi, alliado mas distincto do PI. capitulis, Lath.; 
Lagonosticta nitidula, bastante parecida, como muito bem nota o dr. Hartlaub, 
com a Lag. rufopicta, Fras. 

Ao citar as publicações a que nos temos referido, um jornal belga, o Mou- 
vement Géographiquê, órgão quasi official do Estado do Gongo, parece estranhar 
que se houvosse confiado ao dr. Hartlaub o exame e descripção das aves do 
Tanganyka em vez de se haver commettido esse encargo ao pessoal scientifico 
do Museu de Bruxellas. Uma vez que se querem trazer para a sciencia rivali- 
dades mesquinhas suggeridas por um mal comprehcndido patriotismo, quer-nos 
parecer que com muito melhor fundamento deveria lastimar-se o Mouvement 
Géographigue de que tamanha irreverência se houvesse praticado para com os 
sábios ornithologistas do Congo, d'esse vasto império tão propicio á cultura das 
sciencias como favorável á implantação das instituições liberaes. 

Bem mal cabido é por certo aquelle reparo precisamente quando vemos o 
Museu Britannico recorrer ao talento e provada competência de um súbdito 
belga, o sr. Boulenger, para eííectuar a revisão da suas collecções erpetologicas 
e a publicação de novos catálogos. 




jODRnsr^.L 



DE 




SCIENCIAS MATHEMATICAS 

PHYSICUS E MTOMES 



publicado sob os auspícios 



DA 



ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA 



NUM. XLIV.— FEVEREIRO DE 1887 





LISBOA 
TYPOGRAPHIA DA ACADEMIA 

1887 




ÍNDEX 



Zoologia : 



Mélanges erpétologiques — par J. V. Barboza du Bo- 
cage '. 177 

Sur un mammifère nouveau de 1'Ile de S. 1 Thomé 
— par J. V. Barboza du Bocage 212 

Note sur la découverte en Portugal d'une variété de 
la «Certhilauda Duponti» — par J. V. Barboza du 
Bocage 213 

Aves de Dahomey — por José Augusto de Sousa. ... 217 

Liste des crustacés des posséssions portugaises d'Afri- 
que occidentale dans les collections du Muséum 
d'Histoire Naturelle de Lisbouue — par Balthazar 
Ozorio 220 

Contributions à la faune malacologique du Portugal 
— par José da Silva e Castro, (suite). 232 

Oiseaux nouveaux de Tile S/ Thomé — par J. V. 
Barbosa du Bocage. 250 



PHYSICAS E NATURAES 177 



ZOOLOGIA 



MÉLANGES EEPÉTOLOGIQUES 



PAR 



J. V. BARBOZA DU BOCAGE 



Reptiles et Batraciens dn Congo 



Les reptiles et batraciens dont nous publions la liste font partie 
de trois petites collections de produits zoologiques du Congo, cette 
vaste région de 1'Afrique occidentale dont la politique internationale 
et 1'opinion publique en Europe ont eu tant à s'occuper dans ces der- 
nières années. Par suite dune satisfaction tardive et incomplète aecor- 
dée aux droits incontestables du Portugal, les localités ou ces reptiles 
et batraciens ont été récueillis se troiwent actuellement pour Ia plu- 
part sous notre domaine effectif. 

Ayant repris avec bonheur, après une interruption de quatre an- 
nées consacrées à de pénibles devoirs, la direction du Muséum de Lis- 
bonne, nous allons poursuivre nos anciennes études sur la Faune des 
posséssions portugaises d'Àfrique. 

Comptant employer nos loisirs à la publication d'un ouvrage sur 
1'Erpétologie, qui doit faire suite a notre Ornithologie d'Angola, nous 
aurons 1'occasion de publier, de temps en temps, quelques notices sur 
les résultats de 1'examen auquel nous allons souraettre les collections 
de reptiles et de batraciens dêposées dans le Muséum de Lisbonne. 

JORN. DE SCIENC. MATH. PHYS. E NAT. — N.° XLIV. 13 



178 JORNAL DE SCIENC1AS MATHEMATICAS 



SAURIA 

1. Chamaeleo dilepis. 

Ch. dilepis, Leach, Bowdich's Ashantee, App. 4, p. 493; Bocage, Jom. Ac. 
Lisboa, I, p. 59. 

Deux individus jeunes de cette espèce largement répandue en 
Angola: 1'un rapporté de Mayumba par M. G. Capello, actuelle- 
ment gouvernenr general d'Angola; 1'autre envoyé de S.' Salva- 
dor du Congo par le R. P. Barroso, l'un de nos plus respectables, 
plus zélés et plus intelligents raissionaires. 

Le Ch. dilepis est connu des indigènes de S. 1 Salvador sous le 
nom de Lunguenka. 

2. Monitor saurus. 

Stellio saurus, Laurenti, Syn. Rept., p. 36. 

Varanus niloticus, Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, I, p. 42. 

Un individu jeune de Mayumba par M. G. Capello. 

3. Hemidaetylus longicephalus. 

ff. longicephalus, Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, IV, 1873, p. 210. 
ff. Bocagii, Boul. Cat. Liz. B. M. I, p. 125. 

Un individu de $.' Salvador du Congo par le R. P. Barroso. 
Cet animal inspire une grande aversion aux indigènes, qui Tap- 
pelent Lofiloniundo. 

4. igama planiceps. 

,4. planiceps, Peters, Monatsb. Berl. 1862, p. 15; Boul. Cat. Liz. B. M. I, p. 

358. 
Agama laevigata, Bocage, Mss. 

Deux individus de S.' Salvador du Congo par le R. P. Barroso. 
Nom indigène — Valia. II se trouve surtout sur les Baobabs. Les 



PHYSICAS E NATURAES 179 

indigènes 1'emploient comme remede pour quelques maladies et 
ils s'en serveut également dans leurs opérations de sorcellerie. 

Cette espèce reraplace VA. colonorum depuis le Congo jusqu'au 
pays des D amaras. 

5. Euprepes Bayonii. 

E. Bayonii, Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, IV, 1872, p. 75. 

Três abondant à S.' Salvador du Congo, ou il est connu sous le 
nom de Diachilla. Le P. Barroso nous a envoyé un individu adulte, 
identique sous tous les rapports à nos exemplaires d'Angola. 

6. Ablepharus Cabindae. 

A. Cabindae, Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, I, p. 64. 

Un individu adulte de S. 1 Salvador du Congo. 
Cette espèce découverte à Cabinda par M. d' Anchieta en 1864 
parait avoir une aire d'habitation assez restreinte. 

7. Feylinia Currori. 

Feylinia Currori, Gray, Cat. Liz. B. M. 181o, p. 129; Bocage. Jorn. Ac. Lis- 
boa, IV. p. 214. 

Acontias elegans, Hall. Proc. Ac. Phil. 1852, pi. 64; Anelytrops elcgans, A. 
Dum. Bev. Zool. 1856, p. 420; id. Arch. Mus. Paris, 1861, t. 10, p. 182; 
Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, I, p. 45. 

Deux individus jeunes de Mayumba par M. G. Capello. 

Cette espèce se trouve représentée dans les collections du Mu- 
séum de Lisbonne par plusieurs individus de diverses provenan- 
ces: 

i.° — Un individu jeune du Gabon donné par M. Aubry Lecomte 
et provenant de son voyage, comme celui qui a été décrit en 1856 
par le professeur A. Dumeril et qui doit se trouver encore au Mu- 
séum de Paris. Notre individu, dont le queue est cassée prés de 
rextrémité, est long de 220 millim., sa queue incompléte mésu- 
rant 49 mm. Le diamètre du trone est de 8 mm. Nous lui com- 
ptons 22-23 séries d^cailles. 

2.° — Deux individus adultes de Cabinda par M. d'Anchieta: 

13* 



180 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMAT1CAS 

l'un ayant 390 mm., sur lesquelles 130 mm. appartiennent à la 
queue, et un diamètre de 20 mm.; 1'autre dépassant à peine 330 
mm. et ayant 18 mm. de diamètre. L'un et l'autre ont 25 séries 
d'écailles. 

3.° — Deux individus jeunes de Mayumba; l'un à queue mutilée 
est long de 195 mm.; 1'autre a 197 mm. de longueur totale, et 
la queue 51 mm. Hs sont à peu-près de la même grosseur, 6 à 
7 mm. de diamètre au trone, et le nombre des séries d'écailles 
est identique, 22-21. 

3.° — Deux individus de Ylle du Prince remarquables par leur 
taille plus ramassée et par un plus grand nombre de séries d'écail- 
les. L'un de ces individus, dont 1'extrémité de la queue est de 
nouvelle formation, a 207 mm. de longueur totale, dont 43 pour 
la queue, et 11 mm. de diamètre; 1'autre est long de 215 mm., 
dont 51 pour le queue, et le diamètre du trone est de 9 mm. 
Hs ont 29 rangées d'écailles. 

Chez tous ces individus 1'écaillure de la tète est parfaitement 
identique, sauf quelques petites anomalies individuelles lout-à-fait 
insigniíiantes. 

L'examen comparatif, que nous venons de faire, de tous ces exem- 
plaires d'une provenance authentique confirme 1'opinion que nous 
avions déjà émise sur 1'identité du Feylinia Carrori, Gray, et 
Anelytrops elegans, A. Dum 1 . A cette espèce unique nous rap- 
portons tous nos individus du Congo et celui du Gabou. Quant à 
nos 2 individus de Ylle du Prince, nous pensons qu'il vaut mieux 
les cunsidérer comme constituant une variété à part, var. polyle- 
pis, que les rapporter à une espèce nouvelle. 



OPHIDIA 

8. Typhlops (Ophthalmidion) Kraussu. 

Typhlops Kraussii, Jan, Typhl., p. 26; leon. gén., liv. III, pi. VI, fig. 2. 
Onychocephalus angolensis, Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, I, p. 46 et 65. 

Un individu de S.' Salvador du Congo, ou il porte le nom de 
1 V. Jorn. Acad. Scienc. Lisboa, iv, pp. 214 et 215. 



PHYS1CAS E NATURAES 181 

Quizengle. Suivant le R. P. Barroso, qui nous l'a envoyé, cette es- 
pèce vit sur les terrains humides à proximité des lagunes. 

Les caracteres de noíre individu nous semblent bien d'accord 
avec ceux du T. Kraussii, Jan. Corps étroit et deprime prés de 
la tête, três épais et cylindrique dans le reste de sa longueur. 
Museau saillant à bord obtus. Rostrale large, ovale, retrécie en 
bas, tronquée au sommet; rostro-nasale large, lègérement échan- 
crée en arrière, montant plus haut sur la tête que la pré-oculaire; 
celle-ci plus étroite que 1'oculaire et recouvrant par son extrémité 
supérieure une partie de 1'oeil. Sillon nasal partant de la l e la- 
biale et s'arretant à la narine. 4 sus-labiales: la l e touchant à la 
nasale et à la rostro-nasale; la 2 e à la rostro-nasale et, par son 
bord postèrieur, à la pré-oculaire; la 3" à la pré-oculaire et à 
1'oculaire; la 4 e à l'oculaire. Corps revêtu de 28 rangées d'écail- 
les sur le cou et de 26 vers le milieu du trone. Queue três courte 
couverte de 8 séries transversales d'écailles; les éeailles des ran- 
gées moyennes du dos et du ventre sensiblement plus larges. Lon- 
gueur totale 470 mm.; la tête 10 mm.; la queue 7 mm.; largeur de 
la tête 8 mm.; diamètre du trone 16 mm. 

Brun-noirâtre avec une petite tache quadrangulaire jaunàtre au 
centre de chaque écaille, ce qui lui donne 1'aspect d' une sorte de 
marqueterie; ces couleurs s'affaiblissent graduellement sur les 
flancs et sont remplacées en dessous par une teinte jaune-oran- 
gée presque uniforme. 

Ce qui donne surtout à cette espèce un aspect particulier, qui 
doit aider à la bien distinguer de ses congéneres, c'est la grande 
épaisseur du trone, dont le diamètre est double de la largeur 
de la tête. La figure de Jan est d'une grande exactitude. 

Le T. líber ietisis, Hall., regardé par les auteurs com me identi- 
que au T. congestus, Dum. et Bib., doit sous ce rapport lui res- 
sembler beaucoup. Nous n'osons pas cependant nous prononcer 
en faveur de leur identité, parceque ni la description et la figure 
publiées par Hallowell 1 . ni la description de TErpétologie géné- 
rale 2 ne nous semblent pas convenir à 1'individu du Congo et à 
trois aútres individus d'Angola, que nous rapportons également au 
T. Kraussii. Jan a publié aussi une description et une figure du 
T. liberiensis 3 , qui ne sont pas d'accord avec la description et Ia 

1 Hallowell, Proc. Ac. Phil., 1848, p. 59, pl.-fig. 1. 

2 Dum. et Bib., Erp. gén. vi, p. 333. 

3 Jan, Typhl., 1884, p. 26; Icon. gên. Oph. liv. 5, pi. v et vi, fig. 1. 



182 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

figure originales de Hallowell; et la figure du T. congestus, qui 
accompagne 1'ouvrage récent de M. Rochebrune sur les reptiles de 
la Sénégambie, vient encore augmenter notre perpléxité. En pré- 
sence de ces éléments d'information contradictoires nous n'arri- 
vons pas même à savoir si le T. liberiensis ou congpstus est un 
Ophthalmidion, comme le veut Jan, ou un Onychocephalus, com- 
me le prétend M. Rochebrune. 

Une espèce voisine du T. Kraussii, le T Eschrichtii, Schleg., 
mais dont le trone est rélativement moins épais, à été récerament 
observée au Gongo; le professeur Peters a fait mention sous ce 
titre de deux individus rapportés de Chinchocho*, et les considere 
comme appartenant l'un à la var. lineolata, Jan, Fautre à la var. 
intermédia, du même auteur. Nous navons pas encore rencontré 
cette espèce parmi les envois du Congo et d'Angola, mais elle se 
trouve représentée dans notre collection par des individus d' Aju- 
da et de Bissau. 

Une autre espèce découverte également à Chinchocho, et que 
le professeur Peters a nommée T. (Onychocephalus) crassatus 2 , 
nous est inconnue. 

9. Microsoma collare. 

Microsoma collare, Peters, Sitz-Bericht. Berl. Gesellsch. nat. Freunde, 1881. 
p. 148. 

Un individu du Congo, localité indéterminée, par M. J. Bernar- 
dino d'Abreu Gouveia, ancien secrétaire du Gouvernement gene- 
ral d'Angola. 

Caract.: Gorps grele et allongé. Pré-frontales plus larges que 

longues; frontale hexagonale, un peu plus large que longue; pa- 

riétales longues, terminant en arrière par un bord étroit coupé 

obliquement; deux nasales; une pré et deux post-orbitaires; 7 la- 

biales supérieures de chaque côté et autant de sous-labiales, les 

i 

3 e et 4 e labiales supérieures touchant à 1'oeil; temporales 1 + -7-; 

1 

deux paires de sous-mentonnières, celles de la l e paire les plus 

longues. 15 séries d'écailles lisses et luisantes autour du trone: 

1 Peters, Monatsb. Ak., Berlin, 1877, p. 614. 

2 Peters, Sitz. Berl. Gesellsch. nat. Freunde, 1881, p. 50. 



PHYS1CAS E .NATURAES 



183 



201 plaques abdominales, anale divisée, 20 paires de sous-cau- 
dales. Longueur totale 376 mm., de la queue 24 mm. 

En dessus brun-cendré avec uq étroit liséré noirâtre autour de 
chaque écaille; en dessous jaune pâle. La tête jaune avec une ta- 
che triangulaire noire couvrant les pré-frontales, la frontale, Tceil 
et la 4 e labiale de chaque cóté; sur la nuque un étroit collier noir, 
qui tranche sur le jaune de la tête et se confond en arrière avec 
la teinte brun-foncée du cou. 

Un autre individu recueilli à Cazengo (Angola) ressemble à ce- 
lui-ci, mais il a les temporales disposées différemment (1 + 4 au 

lieu de 1 -f-r) et un plus grand nombre de plaques abdomina- 
les et de sous-caudales, 209 au lieu de 301, pour les prémières, 
et 22 paires au lieu de 20, pour les secondes. II est d une taille 
plus forte, mésurant 512 mm. de longueur totale et 36 mm. pour 
la queue, et d'une coloration plus accentuée, noirâtre foncé en 
dessus et jaune ocracé sur la tête et en dessous. Sur chaque côté 
de la tête 2 posl-orbitaires, eomme chez 1'individu du Congo. 

Malgré les légères différences que nous venons de signaler, ces 2 
individus nous semblent appartenir à une seule espèce, dont les ca- 
racteres s'accordent bien avec ceux dont s'est servi notre regretté 
ami le dr. Peters pour établir le M. collare, d'après un individu 
rapporté par le major von Mechow du Cuango, station non éloi- 
gnée de Cazengo, ou 1'un de nos individus a été recueilli. Nous 
avons cependant hésité à nous prononcer d'une manière décisive 
en faveur de leur identité, parceque le dr. Peters a oublié dans 
sa description d'indiquer le nombre des post-orbitaires constate 
chez 1'individu du Cuango. 

Nos deux individus ressemblent aussi au Palaemon Barthii, 
Jan 1 , mais celui-ci a, d'après le savant erpétologiste de Milan, une 
seule post-oculaire et des sous-caudales simples, à 1'exception de 
celles de la l e paire. La présence de sous-caudales doubles ra- 
proche nos individus d'un petit serpent du Vieux-Calabar que le 
dr. Gúnther a rapporté au P. Barthii*. Cet individu fait partie des 
collections du Muséum britannique. 

1 Jan., Prodr. Icon. descr. 1859, p. 9, pi. 5, fig. 1-8; Iconogr. gén.,\W. 15, 
pi. I, fig. 3. Le P. Barthii a, d'après ces figures de Jan, 16 sous-caudales, la l e 
double et les autres simples. 

2 Giinther, Ann. áf Magaz. Nal. Hist., febr. 1865, p. 90. 



184 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

La connaissance acquise des nombreuses variations que peu- 
vent éprouver certains serpents africains doit nous mettre en garde 
contre la tendance, trop généralisée de nos jours, d'accorder à 
de simples anomalies ou différences individuelles la valeur de ca- 
racteres spécifiques. II y a un important travail de révision à ef- 
fectuer, duquel doit resulter, selon nous, plutôt la diminution 
que l'augmentation du nombre des espèces; mais malheureuse- 
ment la réalisation d'un tel travail demande la comparaison d'un 
grand nombre d"individus, ce qui n'est pas toujours facile d'ob- 
tenir. 

10. Meizodon longicauda. 

Meizodon longicauda, Gtinther, Ann. & Mag. Nat. Hist. 1863, nov., p. 352, 
pi. V, fig. A. 

Deux individus du Congo par M. J. Bernardino d'Abreu Gou- 
veia. 

Caract.: Plaques du dessus de la tête en nombre normal; les 
deux internasales plus petites que les pré-frontales; frontale à 
bord antérieur droit et terminant en pointe en arrière; pariétales 
plus longues que la frontale et terminant en pointe arrondie. Na- 
rines placées entre deux plaques; une frénale carrée, une pré-or- 
bitaire assez développée en hauteur et trois post-orbitaires dont 
linférieure est la plus petite. 8 sus-labiales, les 4 e et 5 e touchant 
à Tceil, les 6 e et V les plus hautes; 8 à 10 sous-labiales, celles 
de la l e paire en contact sur la ligne médiane. Temporales l-J-2; 
la temporale du i er rang en contact avec les 6 e et 7 e sus-labiales, 
la 2 e post-orbitaire et la pariétale. Deux paires de sous-mentales, 
celles de la 2 e paire les plus allongées. Écailles rhomboidales lis- 
ses, disposées en 17-19 séries longiíudinales. Gastrostéges 132 et 
128. Anale entiére. 57 paires d'urostéges chez Tun de nos indi- 
vidus, 27 chez 1'autre, mais la queue de tous les deux est incom- 
plète. 

En dessus d'un brun plus ou moins foncé avec un large collier 
noir sur la nuque suivi, après un espace plus étroit jaune, de deux 
ou trois bandes noires, plus ou moins distinctes, séparées égale- 
ment par des intervalles jaunes; sur la première moitié du dos 
• une double série longitudinale de petits points jaunes. En dessous, 
d'un blanc jaunâtre avec un liséré noir sur les bords libres des 



PHYSICAS E NATURAES 185 

gastrostéges et des urostéges. La couleur brune du dos couvre 
sur le bas des flancs les extrémités latérales des gastrostéges. 

Le plus grand de nos individus mesure 390 mm. de 1'extrémité 
du museau au bout (mutile) de la queue; celle-ci a 106 mm.; lon- 
gueur de la tête 15 mm. 

L'individu type de cette espéce, qui appartient aux collections 
du Muséum britannique et dont la queue est aussi incompléte, est 
originaire de Ylle Fernão do Pó. Suivant M. Rochebrune cette rare 
espèce se trouverait dans la basss Sénégambie, ou elle serait mê- 
me assez répandue '. 

11. Philothamnos beterolepidotus. 

Ahaetula heterolepidota, Gílnth. Ann. & Mag. nat. hist. 1863, p. 283 
Philothamnus heterolepidotus, Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, IX, p. 8 (fig. de la 
tête). 

Un individu de S.' Salvador du Congo. Suivant le R. P. Barroso, 
qui nous Ta envoyé, il vit sur les tiges des hautes graminées et 
sur les arbres. Regardé généralement comme inoffensif par les 
indigènes, qui 1'appelent Lolengue-lengua, nom dérivé de sa cou- 
leur. 

Le Muséum de Lisbonne posséde une nombreuse suite d'indi- 
vidus de cette espèce envoyés de plusieurs localités d'Angola; il 
semble abondant surtout au nord du parallèle de Loanda. MM. Ca- 
pello et Ivens nous avaient rapporté de leur premier voyage un 
individu de la région du Cuango. 

12. Philothamniis dorsalis. 

Leptophis dorsalis, Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, I, 1866, p. 69. 
Philothamnus dorsalis, Bocage, íbid., IX, 1882, p. 9 (fig. de Ia tête). 

Un individu de S.' Salvador du Congo par le R. P. Barroso. Nom 
indigène Chi-telle, c'est-à-dire, bois qui mord. Habite dans les ar- 
bres; sa morsure n'est pas dangereuse. 

D'après 1'état actuei de nos connaissances, 1'aire d'habitation de 
cette espèce s'étend de Benguella à 1'Ogouoé sur le littoral. 

1 Ro:hebrune, Faune de la Sénégambie, Reptiles, p. 158. 



186 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

13. Philothamnus hoplogaster. 

Ahaetula hoplogaster, Giinth., Ann. <5t Mag. nat. hist., 1863, apr., p. 284. 

Un individu de S. 1 Salvador du Congo par le R. P. Barroso. 

Cet individu nous presente les caracteres du Ph. hoplogaster, 

i 
sauf la disposition des temporales, dont la formule est 1 + 1 + — 

au lieu de 1 + 1. Du reste accord complet: quant au nombre des 
sus-labiales, 8, dont les 4 e et 5° seulement touchent à 1'oeil et la 
l e ne se trouve pas en contact avec la frénale; quant au nombre 
des gastrostéges et des urostéges, 149 et 103; quant aux dimen- 
sions relatives de la queue, ne dépassant pas le tiers de la lon- 
gueur totale; et quant à 1'absence de carènes sur les gastrostéges. 
Sa coloration est d'un vert-olivâtre sur le dos avec de petites ta- 
ches blanches apparentes sur le bord externe des écailles dor- 
sales. 

14. Hapsidophrys smaragdina. 

Dendrophi$ smaragdinus, Schleg. Ess. Phys. Serp. II, p. 237. 
Hapsidophrys coeruleus, Fischer, Abh. Geb. Naturw., 1856, p. lll,pl. II, fig. 

5-6; Hapsidophrys smaragdina, Peters, Monatsb. Ak.. Berlin, 1877, p. 

615. 

Deux individus, adulte et jeune, du Congo, par M. J. Bernar- 
dino d'Abreu Gouveia. 

Le professeur Peters comprend cette espèce dans une liste de 
reptiles de Chinchocho publièe en 1877 (loc. cit.) Nous ne con- 
naissons pas 1'exacte provenance de nos individus, mais il est fort 
probable qu'ils aient été recueillis sur la région littorale du Congo, 
au nord de ce fleuve, et non loin de Chinchocho. 

15. Dipsas pulverulenta. 

Dipsas pulverulenta, Fischer, Abh. Naturw. Hamb. 1856, p. 81, tab. III, fig. 
1; Gíinther, Cat. Snak. B. M., 1858, p. 173; Peters, Monatsb., Berbn, 
1877, p. 615. 

Un individu du Congo par M. J. Bernardino d' Abreu Gouveia. 

Cet individu, dont le système de coloration reproduit exacte- 

ment la description du dr. Gúnther (loc. cit.), est identique à un 



PHYSICAS E NATURAES 



187 



individu d'Angola et à un autre de Fernão do Pó, qni existent 
depuis de quelques années dans nos collections. Le professeur 
Peters avait déjà fait mention de 1'existence de cette espèce à 
Chinchocho *. 

16. Atractaspis congica. 

A. congica, Peters, Monatsb. Ak., Berlin, 1877, p. 616, pi. a, fig- 2; id. Sitz. 
Gesselch. nat. Fr., Berlin, 1881, p. 150. 

Un individu adulte du Congo par M. J. Bernardino de Abreu 
Gouveia. 

Caract.: 5 labiales supérieures, dont les 3 e et 4 e sont les plus 
hautes et se trouvent en contact avec roeil; 6 labiales inférieures 
à droite et 5 à gaúche, la 3 e de l'un et de 1'autre côté três lon- 
gue, celles de la l e paire sêparées par Tinterposition de la men- 
tonnière et de la l e paire de sous-mentales. Une grande tempo- 
rale au l er rang en contact avec la pariétale, la post-orbitaire et 
les 4 e et 5 o sus-labiales; derrière cette temporale d'autres plus pe- 
tites, disposées irrégulièrement et en nombre différent de chaque 
côté de la tête, 5 à droite et 7 à gaúche. Corps long et fort, cou- 
vert de 23 séries d'écailles. Anale simple; 20 i gastrostéges ; 25 
urostéges, dont les premières 15 sont simples et les 10 derniè- 
res doubles. D'un noir violacé en dessus, plus pâle en dessous; 
les bords libres des gastrostéges d^me teinte plus claire. Lon- 
gueur totale 514 mm., de la queue 42 mm.; diamètre du trone 
12 à 13 mm. 

Notre spécimen ressemble sans doute beaucoup à un individu 
de Chinchocho dont s'est servi le professeur Peters pour la créa- 
tion d'une espéce nouvelle, VA. congica; mais il nous semble aussi 
três voisin de VA. irregularis, Reinhdt. et de VA. corpulentas, 
Hall., sans avoir toutefois 1'ensemble complet des caracteres dif- 
férentiels qui forment la caractéristique de chacune de ces 3 es- 
pèces. Le nombre, 5, des labiales supérieures lui est commun 
avec toutes ces espèces, ainsi que la présence d'une 3 e infra-la- 
biale très-allongée; mais 1'anale simples le rapproche davantage 
de YA. corpulentas, tandis que les sous-caudales en partie simples 
et en partie divisées Téloignent de cette espèce et le placent dans 

1 Monatsb. Ak. Berlin, 1877, p. 615. 



188 JORNAL DE SGIENCIÀS MATHEMAT1GAS 

le voisinage plus immédiat de VA. congica et de /' A. irregularis. 
11 est aussi mieux en rapport avec ces deux espèces quant au nom- 
bre et à la disposition des temporales. 

Le système de coloration, uniforme chez ces 3 espèces, est 
identique à celui de notre individu. Quant au nombre des gas- 
trostéges, nous ne pouvons pas lui accorder une grande valeur, 
parcequ'il varie extrémement dans le genre Atractaspis chez des 
individus spécifiquement identiques, suivant 1'avis des auteurs 
qui se sont occupés de leur étude; chez VA. congica ce nombre 
pourrait varier, suivant le dr. Peters, de 206 (chez un individu de 
Chinchocho ') à 237 (chez un individu du Cuango 2 ); 230 à 243 
plaques sus-abdominales ont été ohservées chez VA. irregularis et 
179 à 182 chez VA. corpulentos. L'épaisseur du trone et le chif- 
fre des gastrostéges seraient toutefois mieux en rapport avec ce 
qiron observe chez VA. corpulentos. 

II y a cependant un caractere sur lequel nous n'osons pas trop 
insister, mais qui semble appartenir en propre à notre individu 
du Congo avec exclusion des espèces qui lui sont plus proches; 
nous voulons faire allusion à la disposition particulière des sous- 
labiales de la I o paire, qui, au lieu de se trouver en contact sur 
Ia ligne médiane derrière la pointe de le mentonnière, comme 
c'est le cas des 3 espèces citées, sont au contraire bien éloignées 
1'une de 1'autre par 1'interposition de la mentonnière et des sous- 
mentales de la l e paire, en contact. 

Les considérations qui précedent serviront à faire comprendre 
pourquoi nous nous sommes décidé à inscrire provisoirement no- 
tre individu du Congo sous le nom de A. congica, en attendant 
quune étude plus complete de ce genre remarquable par ses nom- 
breuses varia tions morphologiques, permette 1'établissement d'es- 
pèces moins nombreuses et mieux caractérisées. 

Le genre Atractaspis comprend actuellement une douzaine d'es- 
pèces, dont la plupart n'ont été soumises à un étude comparatif, 
qui permettrait sans doute d'en réduire le nombre. 



Peters, Monatsb. Âk. Berlin, 1877, p. 616. 

2 Peters, Sitz.Gesselsch. nat. Fr. Berl. 1881, p. 150. 



PHYSICAS E NATURAES 189 

17. Causas rhombeatus. 

. Sepedon rhombeata, Licht. Verz. doublet. Mus. Berl. 1823, p. 108. 
Causus rhombeatus, Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, I. p, 51 ; Peters, Monatsb. Berl. 
1877, p. 618; id. Sitz. Gesellsch. nat. Fr. Berl. 1881, p. ISO. 

Deux individus envoyês de S.' Salvador du Congo parle R. P. 
Barroso. Num indigène Quimbanda, c'est-à-dire, qui se cache, par- 
cequ'on le rencontre en general sur les terrains couverts de gra- 
minées. La tète sert aux indigènes dans leurs opérations de sor- 
cellerie. 

18. Atheris squammigera. 

Echis squammigera, Hall., Proc. Ac. Phil., 1854, p. 193. 

Atheris squammatas, Cope, Proc. Ac. Phil., 1862, p. 337; Peters, Sitz. Ge- 

selsch. nat. Fr., Berl., 1881, p. 150. 
Pcecilostolus Burtonij Gunth. Ann. & Mag. N. H., 1863, p. 25. 
Atheris Burtoni, Giinther, Proc. Zool. Soe. Lond. 1863, p. 16, pi. III. 

Trois individus du Congo par M. J. Bernardino de Abreu Gou- 
veia. 

Ces trois individus ont précisement les mêmes couleurs: en 
dessus ils sont d'un vert-olivâtre clair avec la pointe des écailles 
jaune, en dessous d'un jaune-verdâtre ; le dos et la queue varies 
de bandes transversaies étroites jaunes, plus ou moins régulière- 
ment espacées et plus ou moins distinctes. Ils ont le même noru- 
bre de rangées longitudinales d'écailles, 19, vers le milieu du 
trone; maia 1'écaillure de la tête presente quelques variations qui 
méritent d*èlre signalées. Chez le plus grand de nos individus (A) 
nous. comptons 10 labiales supérieures à gaúche et 9 à droite, les 
4 8 et 5 e de celles-ci se trouvant seules au-dessous de 1'oeil et sépa- 
rées de lui par une simples série d'écailles; à gaúche il y a 3 sus- 
labiales, les 4 o , 5° et 6 e , en contact medial avec 1'oeil. LMndividu 
immédiat en longueur (B) a 10 labiales supérieures à gaúche et 
10 à droite ; mais des deux côtés deux labiales seules sont au-des- 
sous de 1'oeil. Enfin le troisième individu a, comme le premier, 9 
labiales supérieures d'un côté et 10 de 1'autre, et il ressemble au 
second quant au nombre des sus-labiales placées au-dessous de 
1'oeil. 

Le nombre des gastrostéges et urostéges varie três peu: 155 



1 90 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATIGAS 

sous-abdominales et 55 sous-caudales chez 1'individu A, 153 et 55 
cbez l'individu B, 159 et 53 chez 1'individa C, le plus petit des trois. 
Le premier mesure du bout du museau à celui de la queue 573 
mm., la queue 104 mm.; le second 570 mm., la queue 100 mm.; 
le troisième 470 mm., la queue 91 mm. 

Des trois espèces admises dans le genre Atheris l'une, VA. 
chloroechis (Schleg.), est certes bien distincte des deux autres, 
surtout par le nornbre assez considérable de ses rangées d'écaii- 
les, 31 á 37. Au contraire, les caracteres différentiels altribués 
aux 2 autres espèces, A. squammigera, Hall. et A. Burtoni, Giinth., 
nous semblent insuffisants d'après ce que nous avons observe 
chez nos 3 individus. Pour les auteurs qui admettent leur sepa- 
rata, la différence en moins d'une rangée d'écailles et la pré- 
sence de 3 sus-labiales, au lieu de 2, au dessous de 1'oeil séraient 
d'excellenles caracteres différentiels de YA. squammigera par rap- 
port à YA. Burtoni. Nous ne pouvons partager une teile manière 
de voir. L'examen de nos individus du Congo nous a fait constater 
que ces variations de nombre et position des sus-labiales sont loin 
davoir la tixité indispensable pour constituer de bons caracteres 
spécifiques ; en nous laissant guider par elles nous sérions amené 
à considérer l'individu A comme appartenant par son côté droit à 
l'une de ces espèces et par son côté gaúche à 1'autre. Quant au 
nombre des rangées d'écailles, il peut varier de 18 à 19 et même 
à 20 chez le mème individu selon 1'endroit du trone, mais c'est 
le chiffre 19 qui se mantient le plus constant. Cest ce que nous 
avons pu constater chez nos individus. 

Um individu recueilli au Cuango par le major von Mechow a été 
rapporté par le dr. Peters à YA. squammigera. 

19. Bitis arietans. 

Echidna arietaiis, Merr. Syst. Amphib., p. 152; Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, 1 
p. 33. 

Um individu de S.' Salvador du Congo par le R. P. Barroso. Nom 
indigène Tavilla par allusion à la lenteur de ses mouvements. 

De tous les serpents vénimeux c'est le plus répandu en An- 
gola et au Congo; mais on prétend qu'il ne fait pas beaucoupde 
victimes à cause de son peu d'agilité. 



PHYSICAS E NATURAES 191 

20. Bitis rhinoceros. 

Vipera rhinoceros, Schleg. Versl. Med. Acad. Wett. III, p. 315. 
Echidna rhinoceros, Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, I, p. 53 ; Echidna {Bitis) rhi- 
noceros, Peters, Monatsb. Ac. Berl.. 1877, p. 618. 

Un individu jeune de SJ Salvador du Congo par le R. P. Bar- 
roso. Nom indigène Uta (gueteur). 

En 1865 M. Anchieta nous apporta vivant de Cabinda un ma- 
gnifique individu adulte, actuellement placé dans les galéries du 
Muséum. 

BATRACHIA 

21. Rana porosíssima. 

R. porosíssima, Steindachn. Novara, Amphib., p. 18, pi. I, fig. 9. 
li. mascareniensis, (part.), Boul. Cat. Batr. sal. B. M. 1882, p. 53. 

Deux individus, mâle et femelle, de SJ Salvador du Congo par 
le R. P. Barroso. Nom indigène Soamba. Les indigènes s'en ser- 
vent comnie aliment. 

Pour M. Boulenger R. porosíssima, Steind., sérait identique, ainsi 
que bien d'aulres espèces, à R. mascareniensis, Dum. & Bibr. II 
nous semble que cette fois-ci Bi. Boulenger c'est laissé emporter 
trop loin dans sa croisade contre les espéces nominales: indépen- 
damment des pores qu'on trouve presque toujours dissemines sur 
la face ventrale du mâle, un museau plus long et plus pointu et 
des orteils aussi plus longs, á palmure plus courte et plus échan- 
crée, donnent à R. porosíssima un fácies particulier, bien distinct 
de ce qu'on observe chez R. mascareniensis et chez les autres es- 
pèces inscrites comme synouimes dans le Catalogue du Muséum 
britannique (loc. cit. p. 52 et 53). 

22. Hyperolius insignis. 

H. insignis, Bocage, Proc. Zool. Soe. 1867, p. 844, fig. 2. 

Rappia marmorata (part), Boul. Cat. Batr. sal. B. M. 1882, p. 121 & 122. 

Deux individus de S.' Salvador du Congo par le R. P. Barroso. 
Nom indigèue Tuendi. 



'o' 



192 JORNAL DE SCIENC1AS MATHEMAT1CAS 

Ces individus ressemblent exactement à ceux que nous avous 
décrit en 1867 (loc. cit.) provenant de Benguella; d'autres indivi- 
dus recueillis en diverses localités d'Angola présentent les mêmes 
caracteres de forme et de colora tion. 

Dans la 2 e édition du Catalogue des batraciens anoures du Mu- 
sée britannique par M. Boulenger cette espèce se trouve reléguée 
dans la synonimie du H. marmoratus, Rapp (loc. ctt.) Espèce ou 
variété, elle est assez bien caractèrisée pour qu'on ne puisse pas 
lui réfuser un nora spécial. 

24. Bufo regularis. 

Bufo regularis, Reuss., Mus. Senckenb., I, p. 60; BouL Cat. Batr. sal. B. M. 

1882, p. 298. 
Bufo pantherinus, Bocage, Jom. Ac. Lisboa, I, p. 56. 

Un individu de S.' Salvado?- du Congo par le R. P. Barroso. 
Nora indigène Quiula (laid). 



II 



Reptiles de Dahomey 

Nous devons à 1'explorateur portugais, M. F. Newton, les pre- 
miers spécimens zoologiques parvenus en Europe d'une contrée d'Afri- 
que occidentale tristement célebre par ses moeurs sanguinaires. On dé- 
vinera sans peine qu'il s'agit du Royaume de Dahomey, ce pays légen- 
daire que le Portugal vient de placer sous sou protectorat, s'inspirant 
exciusivement du désir, aussi noble que desinteresse, d'y mettre un 
terme aux sacrifices humains, et ayant réussi par le seul asceudant 
de son prestige moral ou les plus puissantes nations auraient certai- 
nement échoué par la force. 

Les nombreuses superstitions de ce peuple barbare, qui lui font con- 
sidérer comrae sacrés bon nombre d'aniraaux, ont suscite -à M. Newton 
des diííicultés presque insurmontables pour se procurer une petile col- 



PHYS1CAS E NATURAES 193 

lection d'oiseaux, de reptiles et cTinsectes dont il à fait clon au Muséum 
de Lisbonne. 

«II y a, nous écrit M. Newton, un grand nombre d'animaux sa- 
crés dans toutes les classes: mammiféres, oiseaux, reptiles et même 
des insectes. La surveillance soupçonneuse des indigènes m'a empe- 
ché d'obtenir un certain nombre, que favais la plus grande envie d'em- 
porter d'ici. Pour quil me fut permis de prendre quelques animaux 
dans Fintérieur du pays, il m'a faliu m'adresser au roi, en lui faisant 
croire que ces animaux seraient envoyés en Europe afln de les faire 
représenter sur les tissus de calicot peints destines à ses sujets. Ces 
explications ayant satisfait Tamour-propre du roi, il m'a accordé la 
permission demandée, sous la reserve toutefois de ne pas prendre cer- 
tains animaux, qui sont 1'objet de la plus haute vénération. 

«Les tortues d'eau douce, les caméléons, plusieurs serpents, quel- 
ques chauves-souris jouissent de la plus complete immunité. Le camé- 
léon est un des plus vénérés. II y a deux móis, un des eunuches du 
roi m'a fortement réprimandé pour avoir osé tirer sur un vautour, qui 
est précisement un des oiseaux de fetiche. 

cUn naturaliste anglais, qui a visite le pays avant moi, n'a pu em- 
porter un seul échantillon de la faune dahomeyenne; la mème chose 
me serait arrivée avant Tétablissement du protectorat du Portugal.» 

La collection zoologique envoyée par M. Newton comprend à peine 
treize espèces de reptiles; mais parmi ces espèces il y en a une nou- 
velle et quelques unes rares; par leur provenance elles sont toutes 
interessantes. On doit certes bien regretter les obstacles qui ont em- 
pêché M. Newton de faire une plus abondante récolte. 



SAURIA 

1. Cbamaeleo senegalensis. 

Ch. senegalensis, Daud. Rept. IV, p. 203; Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, IV, p. 73. 

Deux individus jeunes d' Ajuda. Ils sont connus des indigènes 
sous le nom de Agamá. 

2. Hemidactylus -Brookii. 

H. giiineensis, Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, IV, p. 209. 
H. Brookii, Gray, Cat. Liz. B. M. p. 153. 

JORN. DE SCIENC. MATH. PHTS. E NAT. — N.° XLIV. 14 



194 JORNAL DE SCIENC1AS MATHEMATICAS 

Plusieurs individus & Ajuda. Nom indigène Nhogué-Nhogué. 

3. Agama coloaorum, var. picticauda. - 

Ag. picticauda, Peters, Monatsb. Ak. Berl., 1877, p. 612. 

Un individu áWjudá et ua autre à*Àbomey. Vit sur les murs 
des habitations. Nom indigène Alótô-aderopô. 

4. Monitor saurus. 

Stellio saurus, Laur., Syn. Rept., p. 56. 

Varanus niloticus, (part.) Dum. et Bibr. Erp. géa. III, p. 476 ; Bocage, Jorn. 
Ac. Lisboa, I, p. 42. 

Un individu jeune & Ajuda. Abondant sur les bords des lagu- 
nes. Nom indigène Vé-Vé. 

5. Euprepes (juineeDsis. 

E. guineensis, Peters, Monatsb. Ak. Berl. 1879, p. 773, tab.-fig. 1 (la tête). 

Un individu en três bon état trouvé sous des feuilles sêches à 
Vodunhem-Bamé prés d' Ajuda. Remarquable par son agilité (New- 
ton). 

Tous les caracteres de cet individu s'accordent avec ceux des 
spécimens $ Acera ayant servi à 1'établissement de 1'espèce; 1'écail- 
lure de la tête et la coloration sont absolument identiques. 28 sé- 
ries d'écailles auíour du milieu du trone. Long. tot. 103 mm., de 
la tête 11 mm., de la queue 49 mm. Les doigts et les orteils 
três courts. 



OPHIDIA 



6. Stenostoma bmicauda, nov. sp. 

Ressemble par 1'écaillure de la tête au St. nigricans, Schlegel, 
(Jan, Typhlop., p. 38; Icon. gén., livr. 2, pis. v, vi, fig. 8), mais 



PHYSICAS E NATURAES 195 

sa queue est beaucoup plus courte, mésurant à peine en longueur 
2 fois son diamètre à la base, et ses couleurs sont diffé rentes: il 
est d'un brun-chocolat en dessus et blanc-grisâtre en dessous. 
Long. tot. 151 mm.; de la queue 5 mm.; diamètre du trone 3 mm. 
La queue est revêtue de 13 séries transversales d'écailles. 

Un seul individa de Dahomey par M. Newton, sans indication 
precise de la localité. 

7. Tjphlops (Opbthalmidion) Eschrichtii. 

T. Eschrichtii, Schleg. Abb. Amph., p. 37, pi. 32; Jan, Icon. gén. Oph. Lirr 
I, pi. V. fig. 4. 

Un individu d'âge moyen, à" Ajuda. Nom indigòne Glibó. 

8. Grayia triangularis. 

Coronella triangularis, Hall., Proc. Ac. Phil., 1854, p. 100. 
Grayia triangularis, Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, I, p. 47. 

Un individu recueilli par M. Newton dans la lagune ftÂjudd, 
identique à un individa dans nos collections rapporté du Rio Zaire 
en 1863 par M. d' Anchieta. Nom indigène Todam. 

9. Scaphiophis albopnnctatus. 

Scaphiophis albopunctatus, Peters, Monatsb. Ak. Berl., 1870, p. 645, tab. I 
fig. 4. 

Un magnifique spécimen adulte à' Ajuda. Nom indigène Kada. 

Cette espèce a été décrite par le dr. Peters d'aprés un individu 
jeune ayant à peine 352 mm. de longueur totale; celui que M. 
Newton nous a envoyé $ Ajuda mesure 729 centimètres du bout 
du museau à celui de la queue ; la tête a 44 mm. et la queue 200 
mm; largeur au milieu du trone 34 mm. 31 rangées d'écailles 
au cou prés de la tête et 25-23 vers le milieu du trone. En des- 
sus brun-grisâtre avec la peau entre les écailles jaunâtre; en des- 
sous de cette dernière couleur. 

Le type abyssinien décrit par M. Bocourt sous le nom de Sc. 
Raffreyi, établi d'après le nombre un peu plus ólevé de rangées 

14* 



196 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEM ATIÇAS 

d'écailles, 27 au lieu de 25-23, ne nous semble pas suffisamment 
distinct du Sc. albopunctatus ; la coexistence des 2 espèces au Se- 
negal, signalée par M. Rochebrune 1 , serait encore une probabilité 
en faveur de notre manière de voir. 

10. Pbilothamnas Smithii. 

Philoth. Smithii; Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, IX, p. 12 (fig. de la tète). 

Deux individus $ Ajuda. Les indigènes 1'appelent Kada, nom 
qu'ils appliquent également à d'autres espèces de serpents. L'ha- 
bitat de cette espèce serait assez étendu; elle est três répandue 
en Angola et a été récemment rapportée du Tanganika par M. 
Storms 2 . 

1 1. Dipsas Blandingii. 

Dipsas Blandingii, Hallowell, Proc. Ac. Phil., 1844, p. 170; Peters, Monatsb. 
Ak. Berl., 1877, p. 615. 

Un individu dune forte taille, dont les caracteres s'accordent 
parfaitement avec ceux de 1'individu de Libéria décrit par Hallow- 
ell. Les indigènes d' Ajuda la regardent comrne dangereuse; ils 
l'appelent aussi Kada. Cette espèce a été observèe au Gabon et 
au Congo (Chinchocho). 

12. Ãtractaspis dahomeyensis, nova sp. 

Corps aplati en dessus et comprime des 2 côtés, à section qua- 
drangulaire. 

Caract: Museau saillant, pointu, à bord aminci; une prè-oculaire ; 
pas de post-oculaire distincte, elle est réunie à la sus-orbitaire; 
temporales 1 -4- 3; 5 labiales supérieures, les 3" et 4 e en contact 
avec 1'ceil, la l e fort petite; 6 labiales inférieures, celles dela l e 
paire séparées l'une de 1'autre par la mentonnière et la l e paire de 
sous-mentales, la 3 e égalant en longueur les 3 e et 4 e sus-labiales 

1 Rochebrune, Faune de la Sénégambie, Rept., p. 163 et 164. La figure 
publiée par M. Rochebrune du Sc. Raffreyi laisse beaucoup à dósirer. 
2 Dollo, Buli. du Mus. R. de Bruxelles, iv, 1886, p. 156. 



PHYSICAS E NATURAES 197 

réunies. 29 rangées d'écailles derrière la tête et 31 vers le milieu 
du trone. Gastrostéges 240; anale simple; urostéges 24, la l e di- 
visée, puis 5 simples, 13 divisées, 3 simples, et les 2 dernières di- 
visées. Longueur totale 490 mm.; de la tête 15 mm.; de la queue 
32 mm.; diamètre au milieu du trone 13 mm. 

D'un noir-bleuâtre luisant en dessus, tirant au brim en dessous 
avec les bords des gastrostéges et des urostéges d'une teinte plus 
pâle. 

Voisine de YA. microlepidota, Giinth. 1 et de VA. fallax, Peters 2 , 
par le nombre de ses rangées d'écailles; mais distincte de 1'une et 
de 1'autre: par 1'absence de la post-oculaire, confondue avec la sus- 
orbitaire; par le nombre des supra-labiales, 5 au lieu de 6; par la 
forme três allongée de la 3 e sous-labiale, courte chez les 2 autres 
espèces; par la séparation des sous-labiales de la l e paire, en con- 
tact chez les autres espèces; par le chiffre plus élevé des gastros- 
téges; par la disposition des temporales. Elle a les urostéges en 
partie simples et en partie divisées, comme VA. fallax, mais en 
nombre inférieur, 25 au lieu de 39; chez YA. microlppidota les 
urostéges sont simples. LA. fallax est de Kiriame, afrique orien- 
tale; 1'habitat de YA. microlepidota est inconnu. 

La forme du museau chez notre individu rappele YA. rostrata, 
Giinth. 3 ; mais il est bien distinct sous d'autres rapports de cette 
espèce, que le dr. Pelers regardait dernièrement comme identi- 
que à YA. Bibroni, Smith 4 . 

M. Newton nous a envoyé un seul individu de cette espèce, que 
nous croyons inédite, pris à Zomai. Elle ne doit y être rare, car 
les indigènes la connaissent sous le nom de cobra Zamdam. 

13. Bitis arietans. 

Echidna arietans, Merr., Syst. Amph., p. 152; Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, I, 
p. 53. 

Un individu jeune cY Ajuda. Nom indigène: cobra Amamonu. 



1 Gúnther, Ann. and Magaz. N. H. 1866, n, p. 29. 

2 Peters, Monatsb. Ak. Berl., 1868, p. 890. 

3 Gunther, Ann. and Magaz. N. H. 1868, i, p. 429, pi. xix, fig. I. 

4 Peters, Reise n. Mossamb. Amphib. p. 142, tab. xix a, fig. 3-3 c, tab. xx, 



fig. H. 



198 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMAT1CAS 



III 



Reptiles de 1'Ile du Prince 

Une petite collection de reptiles de 1'Ile du Prince, composée de 
4 espèces représentées par 8 individus, que le Muséum de Lisbonne 
vient de recevoir de M. Francisco Newton, nous apporte une nouvelle 
preuve du zele avec lequel notre explorateur cherche à bien remplir 
sa mission. 

Tout ce qui peut contribuer à la plus exacte connaissance de la 
faune de cette lie africaine ne peut manquer d'inspirer un véritable in- 
téret. 



SAURIA 
i. Feylinia Currori, Gray, var. polylepis. 

Deux individus à peu-près de la même taille, mais d' une colo- 
ration différente: l'un, ressemblant aux individus de F. Currori 
d'autres provenances, d'un brun foncé avec les bords des écailles 
plus pâles; 1'autre d'une teinte grisâtre, avec les bords des écail- 
les blancs et l'extrémité du museau et de la queue jaunâtre. Ils 
sont plus trapus et plus épais que les individus à peu-près du 
même âge de F. Currori dans notre collection; mais ce que sur- 
tout les distingue c'est le nombre des rangées d'écailles, qui sole- 
ve à 29, au lieu de 21 ou 22. L'examen comparatif de l'écaillure 
de la téte ne nous permet de saisir aucune différence appréciable. 



PHYSICAS E NATURAES 



OPHIDIA 



199 



2. Typhlops (Ophthalmidion) elegans. 

T. elegans, Peters, Monalsb. Ak. Berl,, 1868, p. 4o0, tab. 2, fig. I. 

Trois individus, dont le plus grand est long de 350 mm. Leur 
système de coloration est identique à celui décrit par le dr. Pe- 
ters: uq beau jaune-orangé vif avec des raies longitudinais noi- 
res marquant la separa tion des écailles; ces raies sont un peu 
plus effacées en dessous et disparaissent tout-à-fait sur la tête et 
à 1'extrémité de la queue. Le nombre des rangées d'écailles est 
de 22-20 ou 20-18. La queue est revêtue de 9 à 10 séries trans- 
versales d'écailles. 

La provenance de 1'individu qui a servi de type á 1'espèce 
était également de 1'Ile du Prince, ou il avait été recueilli par 
Dorhn. 

On a cependant découvert à Camarões un typhlops, décrit en 
1875 par Bucholz et Peters 1 , qui lui doit ressembler beaucoup, 
les caracteres dififérentiels signalés par ces auteurs consistant à 
peine dans le nombre un peu plus élevé, 24, des rangées décail- 
les, la forme du museau moins obtuse et les sus-labiales moins 
hautes. 

Suivant M. Rochebrune 2 , l'une et 1'aulre espèce se trouveraient 
en Sénégambie précisement dans les mêmes localitès, ce qui éta- 
blirait à notre avis une forte présomption en favenr de leur iden- 
tité. 

Le nom de cette espèce à 1'ile du Prince est Cobra maniussa. 

3. Boodon geometricum? 

Lycodon geometricum, Schleg. Ess. I. phys. Serp. II, p. 111. 
Eugnatus geometricus, Dum. et Bibr. Erp. gén. VII, p. 406. 
Boodon geometricum, Jan, Icon. gén. Oph. Livr. 36, pi. III, fig. 2. 

Le B. geometricum, nommé Lycodon geometricus par Bóie, a été 

1 Buch. et Peters, Monatsb. Ak. Berl., 1875, p. 199. 

2 Rochebrune, Faune de la Sénégambie, Beptiles, p. 139. 



200 JORNAL DE SC1ENC1AS MATHEMATICAS 

décrit potir le première fois par Schlegel cTaprès un individu dont 
on ignore la patrie et provenant du voyage de Peron et Lessueur. 
Ce qui parait surtout distinguer cette espèce de ses congéneres 
cest le nombre moins èlevé de ses rangées d'écailles, 23 au lieu 
de 27 et 29, qu'on trouve chez les autres espèces de Boodon ayant 
avec elle les plus grands rapports de coloration. Une grande au- 
torité en erpétologie, notre regretté ami le dr. Peters, après avoir 
rapporté, cumme bien d'autres, au B. geometrícum des individus 
recueillis en diverses localités de 1'Afrique continentale resume en 
quelques mots, que nous allons reproduire, ses dernières convi- 
ctas à cet égard : 

«On a confondu cette espèce (Boodon quadrilineatus) avec le 
B. geometricus. J'ai pu examiner, grace à 1'obligeance de M. Vail- 
lant, ce dernier qui se trouve represente sur la pi. 3, fig. 2, de 
la livr. 26 de 1'Iconographie de Jan. On ignore sa provenance, 
mais on ne l'a pas rencontré dans les collections dernièrement 
recues de Madagáscar. II semble plus vraisemblable que les spéci- 
mens qui existent au Muséum de Paris, rapportés par Lesson et 
Coquerel, de même que la Leptoboa Dussumieri, soient originai- 
res de quelques unes des petites iles africaines». 

L'individu de 1'ile du Prince, envoyé par M. Newton, compare a 
un individu du B. quadrilineatum, de S. Thomé, qui a à peu-près 
la même longueur, est sensiblement plus épais que lui; d*un brun- 
rougeâlre uniforme en dessus et sur les flancs, il porte sur la 
tête, mais seulement sur la tête, les bandes jaunes bordées de 
noirâtre dont la figure de Jan donne la représentation bien exa- 
cte. Nous lui comptons derrière la tête 25 rangées d'écailles, vers 
le milieu du trone 23 à peine. Longueur totale 146 centim.; de 
la tête 3,9 centim.; de la queue 24 cent.; diamètre du trone 3,2 
centim.; circonférence 9,8 centim. Gastrostéges 229 et 63 paires 
d'urostéges. 

On comprendra, nous 1'espérons, d'après ce qui precede, la dif- 
ficulté que nous éprouvons à considérer cet individu comme ap- 
partenant au B. quadrilineatum, et notre hésitation à le rapporter 
au B. geometrícum sans pouvoir nous appuyer sur le résultat 
d'une comparaison directe avec les types déposés au Muséum de 
Paris. 

Sous le nom de Catapherodon geometrícum, M. Rochebrune sem- 
ble faire mention de cette espèce comme se trouvant, quoique rare, 
dans la Sénégambie. II serait sans doute fort à désirer que par de 



PHYSICAS E NATURAES 201 

plus amples informations 1'auteur de la Faune de la Sénégambie 
nous mit à même de juger s'il a découvert en effet la véritable 
patrie de cette malencontreuse espèce, ou s^l n'a fait que grossir 
le nombre des auteurs qui ont cru la reconnaitre dans des indi- 
vidus rapportés de plusieurs localités africaines. 

4. Hapsidophrjs smaragdina. 

Dendrophis smaragdina, Schleg. Ess. Phys. serp. II, p. 237. 
Hapsidophrys imaragdina, Peters, Monatsb. Ak. Berl., 1877, p. 615. 

Deux individus adultes. L'espèce est connue à Tile du Prince 
sous le nom de Cobufio. 

EUe se trouve aussi largement répandue sur les régions occi- 
dentales du continent africain. 



IV 



Reptiles du dernier voyage de MM. Capello et Ivens 
à travers r Afrique 

Les intrépides officiers de notre marine royale à qui l'on doit le 
dernier voyage d'exploration à travers 1'Afrique, le plus fécond peut- 
être en résultats utiles, n'ont jamais oublié les intêrets de la science, 
malgré les difficultés et les soucis inhérents á leur héroique entreprise. 
Une partie des spécimens zoologiques recueillis pendant leur heureuse 
traversée ont pu être ramenés à Lisbonne et se trouvent actuellement 
deposés dans notre Muséum National. Nous allons rendre compte des 
reptiles et batraciens qui s'y trouvent compris. 



202 JORNAL DE SGIENCIAS MATHEMATICAS 



CHELONIA 
1. Pelomedusa galeata. 

Testudo galeata, Schoepf, Naturg. d. Schildker, p. 14, tab. 3, fig. 1. 
Pentonyx capensis, Dura. et Bibr., Erp. gén. II, p. 350, pi. 19, fig. 2. 

Un individu jeune, dont la carapace a un peu plus de 5 centi- 
mètres de longueur; de 1'intérieur de Mossamedes. 

Les plaques pectorales da plastron se trouvent chez cet spéci- 
cimen en contact sur la ligne médiane par leurs bords internes 
assez étendus, ce qui est le cas de la P. galeata, type; mais chez 
une nombreuse suite d'individus recueillis par M. d'Anchieta à 
Capangombe, dans 1'intérieur de Mossamedes, nous trouvons re- 
présentées les 2 formes extremes, P. galeata et P. gehafie, et 
d'autres formes intermédiaires, dont M. Sclater a été le premier 
à signaler 1'existence 1 . Nous partageons à ce sujei la manière de 
voir de M. Boulenger, qui admet l'existence d'une seule espèce 
dans le genre Pelomedusa 2 . 



SAURIA 

2. Cbamaeleo dilepis. 

Ch. dilepis, Leach in Bowdich's Ashantee, App. 4, p. 493; Bocage, Jorn. Ac. 
Lisboa, I, p. 42. 

Un individu de l'intérieur de Mossamedes. 

3. Pachydactylus Bibronii. 

Tarentola Bibronii, Smith, 111. S.-Afr. Zool., Rept., pi. 50, fig. 1. 
Un individu adulte. Rio Coroca. 



1 Proc. Zool. Soe. Lona., 1871, p. 325 et 326. 

2 Boulenger, Buli. de la Soe. Zool. de France, y, p. 146. 



PHYSIGAS E NATURAES 203 

4. Rhoptropus afer. 

Rh. afer, Peters, Monatsb. Ak. Berl. 1869, p. 59, pl.-fig. 2; Bocage, Jorn. 
Ac. Lisboa, IV, p. 212. 

Un individu en mauvais état. Rio Coroca. 

5. Agama armata. 

Ag. armata, Peters, Monatsb. Ak. Berl. 185, p. 616; Beise n. Mossarab., 
Amph., p. 42, pi. VII, fig. 2; Boul. Cat. Liz. B. M. I, p. 352. 

Ag. aculeata, Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, I, p. 43; Boul. Cat. Liz. B. M. I, p. 
351. 

Deux individus en mauvais état, de 1'intérieur de Mossamedes. 

6. Gerrhosaurns robustus. 

G. robustus, Peters, Monatsb. Ak. Berl. 1854, p. 618; Beise n. Mossamb. p. 
58, pi. IX. 

Ur individu jeune de 1'intérieur de Mossamedes. 

7. Ercmias sp.? 

Un individu jeune, en mauvais état, de 1'intérieur de Mossame- 
des. 11 est voisin de notre E. benguellensis l et ressemble aussi à 
E. namaqumsis, Smith. 

8. Eaprepcs sp.? 

Un individu jeune en mauvais état, dépouillé de son epiderme, 
difficile à déterminer. De 1'intérieur de Mossamedes. 

9. Typhlacoatias punctatissinius. 

Typhl. punctatissimus, Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, IV, p. 213. 
Un individu adulte en bon état. Rio Coroca. 
1 Bocage, Jorn. Ac. Sc. Lisboa, i, p. 229. 



204 JORNAL DE SL1ENCIAS MATHEMATICAS 

Notre première description publiée en 1873 rTaprès deux indivi- 
dus en mauvais état, recueillis aussi à Rio Coroca par M. d'Anchieta, 
contient quelques inexactitudes, que nous sommes maintenant à 
même de pouvoir rectifier après un examen plus complet de l'in- 
dividu rapporté par MM. Capello et Ivens. 

Caract. génér.: Yeux recouverts par une petite plaque trans- 
parente. Pas de memores. Narines latérales percées dans la ros- 
trale, à sillon postérieur légérement courbe. Palais non dente; lan- 
gue squainmeuse, faiblement échanerée à la pointe; dents coni- 
ques, petites et nombreuses. Pas d'ouverture auriculaire. Pas de 
pores prè-anaux. Écailles lisses. 

Caract. spécif.: Extrémité du museau emboitée dans une large 
rostrale aplatie, à bord libre rond et tranchant, qui avance sur la 
machoire inférieure; 1'extrémité de celle-ci également enveloppée 
par une grande plaque triangulaire; uue supéro-nasale petite, 
triangulaire, placée entre la rostrale, linternasale et la l e la- 
biale; internasale, prè-frontales et frontale représentées par 3 ban- 
des transversales étroites, qui couvrent la partie antérieure de la 
tête; derrière la frontale une inter-pariéfale enorme, triangulaire, 
bordée de chaque côté d'une pariétale étroite et allongée. Oeil re- 
couvert d'une petite plaque transparente enchassée par 4 plaques, 
une super-orbitaire, une prè-orbitaire, une post-orbitaire et la 2 e 
labiale. 4 labiales supérieures, dont la dernière est fort petite. 2 
sous-labiales seulement; la 2 e três allongée, égalant en longueur 
les 3 dernières sus-labiales. Derrière la m^ntonniòre une sous-men- 
tale grande, pentagonale, suivie de chaque côté de trois plaques 
quadrangulaires, qui touchent à la 2 8 sous-labiale. Écailles lisses, 
à bord libre arrondi, en Í8 rangées longitudinales. Longueur to- 
tale 115 mm.; de la tète 8 mm.; de la queue 24 mm.; largeur 
du trone G à 7 mm. 

Teinte générale gris-perle; une série iongitudinale de petits 
points noirs au milieu de chaque rangée d'écailles; la tête d'un 
gris-perle uniforme sans taches. Chez un des individus envoyés 
par M. d 1 Anchieta il y a sur le front un dessin noirâtre en forme 
de fer de lance, et les côtés de la tête sont marbrés de brun. 



PHYSIGAS E NATURAES 



205 



OPHIDIA 

10. Philottaamnus irregularis. 

Coluber irregularis, Leach in Bowdich's Ashantee, App. p. 494; Bocage, 
Jorn. Acad. Lisboa, IX, p. 4. 

Un individu de 1'intérieur de Mossamedes. Le Muséum de Lis- 
bonne avait déjà reçu, en 1873, 3 individus de Capangombe par 
M. d'Anchieta (loc. cit.) 

11. Psamniophis sibilans, var. nova steiiocephalus. 

Corps grele à queue mince et pointue. Tète étroite et allongée, 
peu distincte du trone, faiblement bombée en dessus. Frontale 
longue et étroite, arrondie à son sommet; pariétales bien develop- 
pées, obiiquement tronquées en arrière; frénale longue et étroite; 
deux préoculaires et deux post-oculaires (3 à gaúche), la préocu- 
laire supérieure en contact avec la frontale. 8 labiales supérieu- 
res, dont les 4 e et 5 e touchent à 1'oeil; 9 sous-labiales, les 4 e et 
5 e les plus grandes. Les sous-mentales de la 2 o paire plus étroi- 
tes et beaucoup plus longnes que celles de la l e paire. Tempora- 
les 1+2 + 3 + 3. 17 rangées d'écailles sur le trone. Gastrostéges 

93 
171; anale simples; urostèges —. 

Dimens.: Long. lot. 775 mm.; de la tête 21 mm.; de la queue 
234 mm. 

Color.: D'une teiníe fauve avec le centre des écailles plus rem- 
bruni; les écailles de la série médiane du dos marquées d'un 
point noír sur chaque côté; d'autres petits points noirs dissemi- 
nes sur les écailles du trone. Dessous de la tête tirant au roux 
avec quelques lignes parallèles de petits points noirs. En dessous 
jaune-pâle; les labiales inférieures et les gastrostéges de la partie 
antérieure du trone marquées de petits points noirs disposés sans 
régularité. 

Un seul individu recueilli par MM. Capello et Ivens dans Tin- 
térieur de Mossamedes. 



206 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

Le Psam. trigrammus 1 , décrit et figure par le dr. Gúnther 
d'après un individu de Mossampdfís, nous semble ètre, parrai les 
nombreuses variétés du Ps. sibilam, celle dont notre individu se 
rapproche davantage; mais en comparant nolre description à celle 
du savant erpétologiste dn British-Muséum, on se rendra facile- 
raent compte des différences qui ne permettent pas de les confon- 
dre: 1.° la forme de la tête plus allongée et plus aplatie en des- 
sus; 2.° le nombre différent des sus-labiales; 3.° la présence de 
2 pré-oculaires; 4.° le nombre beaucoup plus réduit des urosté- 
ges (93 au lieu de 134); 5.° la queue sensiblement plus courte; 
6.° le système de coloration. 

12. Psammophis sibilans, var. nova, Ieopardinns. 

Le dessin de la tête ressemble à celui de 1'individu figure dans 
la Description de VEgypte (Reptiles, pi. 8, fig. 4). Sur le milieu 
du dos, depuis le cou jusquà la base de la queue, une raie étroite 
jaune, occupant la rangée médiane des écailles, plus ou moins dis- 
tinctement bordée de noir; de chaque còté de cette raie, de la 
tête aux 2 /s du trone, une rangée de grandes taches oblongues 
brunes à centre roux, lesquelles forment par leur coníluence sur 
le tiers postérieur du trone deux bandes regulières brun-roussâ- 
tre, qui se réunissent sur la queue en une seule bande; une au- 
tre bande longitudinale brune, séparée de la precedente par un 
espace plus clair, s'étend de la tête à 1'extrémité de la queue; à 
la partie antérieure du trone, elle est constituée comme 1'autre 
par des taches brunes plus ou moins confluentes. Sur le milieu 
de la dernière rangée d'écailles, de chaque côté, une ligne noire 
separe la couleur brune des flanes de la teinte jaune d'ocre des 
parties inférieures. Une série longitutinale de points noirs assez 
rapprochés marque, de chaque côté, sur les gastrostéges et les 
urostéges la séparation de la région ventrale et des flanes. La face 
inférieure de la tête est variée de taches rousses bordées de noir. 
De nombreux points noirs, plus ou moins régulièrement distri- 
buas, entre les 2 rangées de points qui marquent les limites de 
la face ventrale. 

L'écaillure de la tête ne nous semble rien présenter de parti- 
culier, le nombre, la forme et la disposition des plaques cephali- 

íGiinther, Ann. and Mogaz. N. H., 186o, febr., p. 7, pi. n, fig. E. 



PHYSICAS E NATtJRAES 207 

ques se trouvant d'accord avec ce qu'on observe chez la plupart 
des variétés de cette espèce, si remarquable par ses variations et 
anomalies: frontale allongée, à bords latéraux légérement échan- 
crés et à sommet arrondi; frénale mésurant en longueur plus de 
deux fois sa hauteur; uae pré-oculaire, qui ne touche pas à la 
frontale, et deux post-oeulaires: 8 labiales supérieures, dont les 
4 e et 5 e en contact avec 1'oeil, et 11 sous-labiales; temporales ir- 
regulières. La conformation de la tête, longne à museau étroit, 
rappele la figure publiée récemment par M. Fischer * de la tête du 
Ps. biseriatus, Peters 2 ; mais le nombre des rangées d'écailles sur 
le trone, 17 chez nos individus d' Angola et 15 chez le Ps. bise- 
riatus, suffit à bien distinguer les deux variétés, indépendamment 
d'autres particularités de 1'écaillure de la tête. 

Un individu de Fintérieur de Mossamedes par MM. Capello et 
Ivens. II est long de 650 mm.; la tête 23 mm.; la queue 20 mm. 
Chez ce même individu nous comptons 459 gastrostéges et 107 
paires d'urostéges; 1'anale est double. 

Un autre individu de notre collection, envoyé récemment de Ca- 
tumbella par M. d'Anchieta, est plus grand: long. tot. 870 mm.; 
de la tête 28 mm.; de la queue 273 mm. Le nombre de gastros- 
téges et des urostéges est à peu-près le même: 161 pour les pre- 
mières et 97 pour les secondes (le bout de la queue manque) ; 
1'anale est également double. 

13. Causus rhombeatus. 

Sepedon rhombeata, Licht, Verz. d. Doubl. Mus. Berl. p. 106. 
Causus rhombeatus, Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, I, p. 51. 

Un individu de Fintérieur de Mossamedes. 



1 Fischer, Jahresber. f. 1883 iiber das Naturh. Mus. in Hamburg, 1884, 
p. 13, pi. i, fig. 4. 

2 Peters, Setz. Ber. Ges. Nat. Fr. Berl. 1881, n.° 6, p. 81. 



208 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

BATRACHIA 

14. Hemisus marmoratus. 

H. marmoratus, Peters, Reise n. Mossamb. Aniph. p. 173, pi. XXX, fig. 1; 
pi. XXVI, fig. 10 

Un individu de 1'intérieur de Mossamedes, dont les caracteres 
morphologiques et la coloration se trouvent parfaitement d'accord 
avec ceux de 1'individu figure par le dr. Peters (loc. cit.) 

M. Boulenger se prononce, contre 1'avis du dr. Peters, en fa- 
veur de 1'identitè de cette espèce et du H. sudanense, Steindach., 
qui nous est inconnu '. M. Rochebrune partage cette manière de 
voir 2 . II nous semble que pour trancher cette question il ne suf- 
fit pas de pouvoir comparer 2 ou 3 individus. 

15. Bufo regularis. 

B. regularis, Reuss, Mus. Senck. I, p. 60; Roul. Cat. Ratr. sol. R. M. p. 298. 
B. pantherinus, Rocage, Jorn. Ac. Lisboa, I, p. 56. 

Deux individus pris en route de Mossamedes à Huilla. 



Reptiles et Batraclens de Quissange (Benguella) 
envoyés par M. J. cTAncMeta 

Après un repôs de quelques móis à Benguella et à Catumbella, 
pour se remettre un peu des dégâts éprouvés par un long séjour dans 
des localités malsaines de 1'intérieur, M. d'Anchieta s'est décidé der- 

1 Boul. } Cat. Batrach. sal. B. M., p. 179. 

2 Rochebrune, Faune de la Sénégambie, Amphib., p. 9. 



PHTSICAS E NATWUES 209 

niérement à entreprendre une petite excursion au Quissange, à deux 
jours de voyage du liltoral, el il s'est bien trouvé d'avoir pris une telle 
résolution, car, d'après ce qui nous écrit noire infatigable explorateur, 
le Quissange par ses condition> topographiques spéciales doit recom- 
pensei' libéralement ses efforts. 

Un premier envoi de produils zoologiques recueillis pendant quel- 
ques jours à peine par M. dAnchieta dans cette localité. vierge de tou- 
tes recherches scientifiques, vient d'arriver au Muséum de Lisbonne. 
II se compose d"oiseaux, de reptiles et de quelques mammifères. CTest 
des reptiles que nous allons nous occuper. 



OHELONIA 
1. Cinnixys belliana. 

C. belliana, Gray, Syn. Rept. p. 69 ; id. Cat. Sheeld Rept., p. 13, tab. 2 ; Bo- 
cage, Jorn. Ac Lisboa, I, p. 40. 

Un jeune individu à carapace assez courte et large. 

Nom iudigène: Umbéo. Suivant M. d'Anchieta, il est nb. ndant 
mais difficile à trouver, parcequ'il vit la plupart du temps cache 
sous la terre, ne sortant que pendant les grandes pluies; durant 
la saison séche il se maiutient presque en hybernation. 



SAURIA 

2. Chamaeleo dilepis, Leach. 

Un jeune individu. Nom indigène: Lungatro. Les indigènes s'en 
servent pour leurs opérations de sorcellerie; ils croient que cet 
animal torrefié devient un poison énergique et sur. 

3. Pachydactylns Bibronii, Smith. 

Un individu adulte. Nom indigène: Ongueia-cocolo. Les noirs 
prétendent que cet animal ne craint pas de s ? attaquer à d'autres 
plus forts que lui et que sa morsure est mortelle; de cette croyance 

/ORN. DK SCIENC. MATH. PHTS. E NAT. — N.° XLIV. 15 



210 JOHN AL UE SC1ENC1AS MATHEMAT1CAS 

vient le nom qu'ils lui donnent et qui sigaifie — la panthère des fé- 
zurds. Se Irouve partout sur les murs des habitations. 

4. Agama planiceps, Peters. 

Deux individus adultes et trois jeunes. 

Chez l'un des adultes, d'une teinte olivâtre sur le trone et les 
membres, la tète et presque toute la queue, sauf rextrémitè qui 
est d'un noir profond, sont d^ine rouge vif de minium; cette cou- 
leur doit cependant disparaitre bientot par Faction de 1'alcool, car 
chez 1'autre la tête a pris déjà une coloration rousse et les deux 
tiers antérieurs de la queue sont à peine nuancés de roux sur 
un fond jaune. 

Les jeunes ont le corps varie de noir sur un fond brun-cendré 
et leurs tètes portent en dessus un joli dessin symétrique jaune; 
un de ces individus presente de chaque côté du dos une bande 
irregulière rouge, interrompue au centre. 

5. Gerrhosaurus nigrolineatus, Hallowell. 

Trois individus, deux adultes et un jeune. Nom indigène: Can- 
gala. 

OPHIDIA 

6. Typhlops humbo, Bocage, Jorn. Acad, Lisboa, XI, p. 171. 

Deux individus adultes (Types). Nom indigène: Humbo. 

M. d' Anchieta nous écrit qu'il a surpris un de ces individus s'oc- 
cupant à creuser dans le sol humide un trou d'environ 5 centi- 
mètres de profondeur et 4 centimètres de largeur à la base, pour 
lui servir de demeure. 

7. Rhagerrhis tritaeniata, Gúnther. 

Un individu adulte remarquable par une longue série de taches 
rouges de chaque côté du trone, oceupant justement le milieu de 
la dernière rangée décailles depuis la tête jusqu'à la base de la 
qneue. 

Suivant M. d' Anchieta, les indigènes de Quissange regardent 



PHYSICAS E NATURAES 211 

ceite espèce comme vénimeuse et la croyent même plus dange- 
reuse que le Causus resimus. 

8. Causus resimus, (Peters). 

Heterophis resimus, Peters, Monatsb. Ak. Berlin, 1862, p. 277. 
Causus rostratus, Gtinther, Ann. and Magaz. N. H., 1863, p. 261. 

Deux individus, adulte et jeune. 

9. Bitis arietans, (Merr.) 

Un individu jeune. Nom indigène: Buta, 

BATRAOHIA 

10. Rana oxyrhjnchus, Smith. 

Deux individus. Nom indigène: Sononga. 
Chez l'un de ces individus le dessus de la tête et le dos sont 
d'un rouge carmine vif. 

ti. Rana angolensis, Bocage. 

R. angolensis, Bocage, Jorn. Ac. Lisboa, I, p. 73; Boul. Cat. Batr. solcB.M. 

p. 50. 
R. Delalandii, Smith, 111. S. Ali. Zool., Reptiles, pi. 77, fig. 1. 

Un individu jeune. Nom indigène: Sononga. 

12. Pyxicephalus rugosus, Gúnther. 

P. rugosus, Gunther, Proc. Z. S. L. 1864, p. 479, pi. 33, fig. 1. 
Rana tuberculosa, Boul. Cat. Batr. sal. B. M., p. 30. 

Deux individus adultes et deux jeunes. Commun et connu des 
indi genes sous le nom de Kimboto. 

L*un des adultes et les deux jeunes ont le dos olivâtre, 1'autre 
adulte l'a d'un roux-cannelle. 



lo* 



212 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMAUCàS 



Sur un mammifère nouveau de Me S/ Thomé 



PAR 



J. V. BARBOZA DU BOCAGE 



Sorex (Croeidura) thomensis, nova sp. 

Rufescente-fuscus, rostri lateribus, ingluvie, manibus pedibusque 
pallidioribus ; cauda longa, longitudinem corporis fere aequante, crassa, 
rotundata, ápice alba; rhinario bifido; vellere longo, molli; unguibus 
aequalibus; dentibus superioribus utrinque octonis. 

Long. ab ápices rostri ad caudae basin 100 mm.; long. caudae 90 
mm.; capitis 31 mm. 

Habitatio: Insula Sancti Thomae (Afr. occ.) 

D'un brun-roux, plus pâle sur les côtés du rauseau, les lèvres 
et la gorge; les mains et les pieds d'une teinte encore plus claire. 
Oreilles grandes. Sur le museau de longues soies noires et Man- 
ches. Queue longue, épaisse, arrondie, garnie de poils courts 
clair-semés et entremeies à d'autres beaucoup plus longs; l'ex- 
trémité de la queue blanche sur une longueur de 6 à 7 mm. Poils 
du corps longs et fins, cendrés à la base, couleur chocolat vers 

1'extrémité. 28 dents (A+I + l+|+A^ 



PHYS1GAS E NATURAES 213 

Longueur totale, du bout du museau à la base de 

la queue 400 mm. 

Longueur de la queue 90 » 

» de la tête 31 » 

» du la main 14 » 

» du pied 21 » 

Distance de 1'extrémité du museau à 1'ceil 16 » 

» » » à 1'oreille . . 25 » 

Hauteur de l'oreille 10,5 » 

Largeur » 8,5 » 

Le dernier envoi de M. F. Newton contient un seul individu de 
cette espèce, le premier mammifère insectivore observe dans Tile 
de S. 1 Thomé. M. Newton nous écrit que cette espèce doit ôtre 
fort rare, car elle avait echappé aux recherches de ses devanciers 
et il n'a pu obtenir que ce seul individu pris par hasard dans la 
Roca Minho l , à 800 mètres d'altitude. 

Crocidura thomensis nous semble bien distincte par ses cara- 
cteres de tous ses congéneres africains. 

1 Roça cest le nom quon donne à Saint Thomé ainsi qu'au Brésil aux pro- 
prietés agricoles d'une certaine importance. 



214 JORNAL DE SG1ENC1AS MATHEMATICAS 



Note sur la découverte eu Portugal crime variété 
de la «Cerlhilauda Duponti» 



PAR 



J. V. BARBOZA DU BOCAGE 



Certhilauda Duponti, var. lusitanica. 

Caract. : Tête, dos et parties supérieures brunes avec le centre 
des plumes noir et les bords d'un blanc grisâire, sans le moin- 
dre vestige de roux; une strie, plus ou moins distincte, blanche 
sur le milieu de la tête; une autre strie blanche au-dessus de 1'ceil; 
espace entre la base du bec et i'cei! de la raême couleur; tache 
auriculaire brune striée de blanc. Parties inférieures blanches; 
teintes de gris sur la poitrine, qui est variée de taches allongées 
brun-noirâtre. Scapulaires semblables aux plumes du dos. Rémi- 
ges primaires noires; la i e blanche sur les barbes externes; les 
autres et les secondaires lisérées et terminées de blanc. La l e 
rectrice de chaque côté presque entièrement blanche, avec un pe- 
tit espace triangulaire noir vers la base des barbes internes; la 
2 e noire, largement bordée de blanc en dehors et avec un étroit 
liséré blanc en dedans; les autres noires, lisérées de blanc, à l'ex- 
ceptiou des 2 centrales qui portent des bordures plus larges Man- 
ches ou grisâtres. Bec noirâtre dans sa moitié supérieure, brun 
de corne sur les bords de la machoire et sur la mandibule. Pieds 
brun-clair avec les ongles d'une teinte plus foncée. 

Dimensions: 









PHYSICAS E NATURAES 




212 






Long. tot. 


bec (culm.) aile queue tarse 


doigt post. 


ongle 


a. 


6. 


180 mm. 


21 mm. 95 mm. 62 mm. 22 mm. 


1 1 mm. 


1 1 mm 


b. 


?• 


175 » 


20 » 87 » 57 » 21 » 


10 » 


10 »> 


c. 


í. 


183 » 


21 » 97 » 63 » 20 » 


10 » 


10 » 



Habit. : Quinta do Alfeite, au sud du Tage, vis-à-vis de Lisbonoe. 

Le système de coloration est identique chez nos trois individus, 
et ils différent três peu par leurs dimensions, comme on peut ju- 
ger par le tableau ci-dessus. 

Ils sont d'une taille inférieure au type africain et de dimensions 
en general un peu plus restreintes, quoique gardant les mèmes 
relations da propoitionalité 1 . Compares à 2 exemplaires de la C. 
Duponli, d'Algérie, dans nos collections 2 , ils présentenl avee eux 
les plus étroits rapports de conformation, mais en différent com- 
pletement par leurs couleurs: chez nos spécimens les teinles noi- 
res et noirâtres remplacenl le brun et le brun-roussâtre du plu- 
mage de la C. Duponti, et les teinles rousses de eelle-ci dispa- 
raissent entièrement, remplacées par le gris el le blanc. En rc- 
sultat de cette comparaison nous airivons naturellement à cunsi- 
dérer les individus de Portugal comine les représentants d' une 
variété locale bien caractérisée. 

Celte interessante découverte est due à M. J. A. de Sousa, iin- 
telligent el devoué conservateur du Muséum de Lisbonne. 

Cest un ancien garde de la Quinta do Alfeite qui a appelé le 
premier sou attention sur cet oiseau, qui s'était fait remarquer 
.de lui, depuis plus de douze ans, par un chant melodieux el varíé, 
distinct de celui des aulres oiseaux. Ce mème garde prétend avoir 
trouvé, il y a quelquc temps, un nid appartenant à cette espèce 
avec trois ceufs tachetés de brun foncé sur un fond blanchàut). 

Des 3 individus, acluellement déposés dans nos collections, òeiix, 
mâle et femelle, ont été pris le 6 octobre 1886; le troisième, un 
màle, le 5 janvicr de 1'année courante. 

Jusqu'à présent la C. Duponti n'avait jamais été observée en 

1 Voici les dimensions d'un de nos individus de 1'Algérie: long. tot. 187 
mm.; bec (culm.) 22 mm.; aile 98 mm.; queue 68 mm.; tarse 23 mm.; doigt 
post. 11 mm.; ongle 10 mm. 

2 Un de ces spécimens a été achélé à M. Fairmaire, de Paris, en 1860. II 
a donc la même provenance que 1'individu figure par M. Dresser dans son ma- 
gnifique ouvrage sur les Oiseaux d'Europe (Dresser, Birds of Europe, iv, p. 
277, pi. 



216 JORNAL DE SCIENC1AS MATHEMATICAS 

Portugal. Sa présence accidentelledans le midi de 1'Espagne n'avait 
été constatée qu'une seule fois, en 1877, aux environs de Málaga 1 . 
Un prétendait qu'elle se montrait de temps en temps en Provence 
et dans le midi de 1'Italie; mais quelques ornithologistes, parmi 
lesquelles il faut citer MM. Jaubert et Barthelemy Lapommeray, 
niaient leurs occurrence accidentelle au nord de la mediterranée 2 . 
En Algérie mème, d'après le témoignage du capitaine Loche et 
de M. Tristram, elle n'habiterait que la partie la plus méridionale 
du Sahará Algérien 3 . 

La découverte authentique en Portugal dMndividus de la C. Du- 
ponti avec leurs couleurs caractéristiques serait donc d'un intéret 
scientifique incontestable, car elle nous fournirait la preuve de 
son apparition accidentelle dans cette partie de 1'Europe; mais la 
présence dument constatée d'une colonie sédentaire de ces oiseaux 
dans une station circonscrite, paraissant y avoir déjà subi 1'action 
du milieu de manière à constituer une variélé distincte, nous sem- 
ble un fait scientifique d'une bien plus haute portée. 

^aunders, Proc. Z. S. L. 1877, p. 368; Col. Irby, Ibis, 1879, p. 345. 

2 Dresser, Birds of Europe, iv, p. 278. 

3 Tristram, Orn. of Northern- Africa, Ibis, 1859, p. 427. 



PHYSICAS E NATURAES 217 



Aves de Dahomey 



POR 

JOSÉ AUGUSTO DE SOUSA 
Conservador da Secção Zoológica do Museu de Lisboa 



Na primeira remessa de productos zoológicos enviados pelo sr. 
Francisco Newton á Secção Zoológica do Museu de Lisboa encontra- 
va-se a seguinte collecção de aves, em bom estado de preparação, a 
que damos publicidade pelo interesse que tem a fauna da região de 
onde provêem. São de Ajuda e de outras localidades do reino de Da- 
homey. 

1. Eurystomus afer, (Lath.) 

Bocage, Ornith. (PAngola, p. 85. 

ç. íris castanho-escuro. Savi Dahomey. Nome indígena Apquám. 
Capturado em janeiro de 1886. 

2. Merops bieolor, Daud. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 89. 

5. 5. íris vermelho. Zomai-Dahomey. Nome indígena ZôUêblê. 
Capturado em janeiro de 1836. 

3. Ispidina picta, (Bodd.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 99. 

S. íris escuro. Ajuda. Nome indígena Dôghè. Capturado em ja- 
neiro de 1886. 



218 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMAT1CAS 

4. Pogonorhvnehus bidentatus, (Shaw.) 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 105. 

5. íris castanho-escuro. Casse. Nome indígena Mingue Átimb- 
guê. Capturado em janeiro de 1886. 

5. Tockus nasutus, (L.) 

Bocage, Ornith. d' Angola, p. 118. 

6. ?. Abomey (abril de 1886). Nome indígena Sagóli. Pouco 
vulgar. 

6. Irrisor erythrorhynehus, (Lath.) 

Bocage, Ornith. d^ngola, p. 126. 

6. íris castanho-escuro. Zomai-Dahomey. Nome indígena Agom- 
dgi hé. Capturado em janeiro de 1886. 

7. Chrysococcjx cupreus, Bodd. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. Ii3. 

5. íris encarnado. Bamé. Nome indígena Ié dié diè. Capturado 
em janeiro de 1886. 

8. Centropus seneplensis, (L.) 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 149. 

9? íris vermelho. Ajuda. .... )' ._. . .. - 

* „ ■ Nome indígena O tu tu. 

?. » » Zomai.. . \ & 

Capturados em janeiro de 1886. 

9. Melanornis edolioides (Sw.) 

Catalogue of the Birds in the British Museum, III, p. 315. 
5. íris escuro. Zomai. Capturado em janeiro de 1886. 

10. Laniarius barbarus, Vieill. 

$. íris castanho-escuro. Zomai. Nome indígena Alé. 

11. Cossjpha verticalis, Hartl. 

Godomé. Oíferecido ao sr. Newton. 



PHYSICAS E NATURAES 219 

12. Corrinella eorvioa, Shaw. 

6. íris castanho, circulo em volta dos olhos amarello desvane- 
cido. Canná, abril de 1886. 

43. Corvus scapulatus, Daud. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 300. 

6. íris castanho-escuro. Abomey, abril de 1886. Nome indígena 
Avumsó cô-ô. 

li. Lamprocolius auratus, (Gm.) 

5. íris amarello alaranjado. Canná, abril de 1886. Nome indí- 
gena Agó hé. 

15. Hyphantornis textor, Gm. 

í. íris vermelho. Savi, janeiro de 1886. Nome indígena Gulêms- 
sibó Muito vulgar. 

16. Bubulcus ibis, Bp. ex Hasseiq. 

Bocage, Ornith. d'Angola, p. 444. 

S. 5. íris amarello gemma d ? ovo, pés e bico amarello sujo. Abo" 
mey, ahril de 1886. Nome indígena Ádôué. Acompanha as mana- 
das de gado. Commum. 



220 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



LISTE DES CRUSTACES 

DES 

P0SSÉSSI0NS PORTUGAISES F AFRIQUE OCCIDENTALE 

dans les collections du 
MUSÉUM DHISTOIRE NATURELLE DE LISBONNE 

PAR 
BALTHAZAR OZORIO 



L'étude des crustacés de la collection du Muséum de Lisbonne, 
que nous poursuivons depuis seize móis, nous a permis de classer et 
d'exposer dans les galeries de cet établissement scientifique un nom- 
bre considérable d'espèces provenant de 1' Afrique, de 1'Inde, de Sa- 
marang, du Japon et de la Chine, de Timor, du Portugal, etc. 

Ce travail était termine quand M. Barboza du Bocage nous a chargé 
de publier la presente notice et d'autres qui la suivront de prés. 

La faune carcinologique de 1'Afriqne occidentale, encore si peu 
connue, est extrêmement interessante au point de vue de la répartition 
géoirraphique des espèces. 

On avait déjà signalé aux iles Canaries (Weeb et Berthelot), du 
Cap Vert (Alph. Milne-Edwards), et à Angola (Capello) des espèces du 
Nouveau Monde, qui semblent y avoir été portées par les courants ma- 
rins. II nous a été permis d'observer de nouveaux faits du même geure 
Cest ainsi, pour n'en citer qu'un exemple, que YAchelous ruber (La- 
marck), qui vit sur les cotes du Bresil, dans le golfe du Méxique et à 
Vera-Cruz, vient d'être recueilli à 1'ile Saint Thomé et à Loanda. 

Nous donnons la description de quelques espèces nouvelles ou 
peu connues. 



PHYSIGAS E NATURAES 221 

Que ce modeste travail puisse, en augmentant nos connaissances 
sur la faune cTAfrique, être de quelque utilité pour la science, c'est ce 
que nous désirons. 



Liste des crustacés des iles de Saint Thomé et das Rolas 

Ordo PODOPHTALMIA 
Subordo EUBRANCHIATA 

Tribus BRACHYIRA 

1. Leptopodia sagittaria, Fabr. 

6. Envoyé par M. le lieutenant P. Diniz. 
Habitat: I. S. 1 Thomé. 

t. Ghlorodius loogimanus, Edw. 

Habitat: I. S. 1 Th. 

3. Neptunus hastatus? Linn. 

Baie d'Anna Chaves. Envoyé par M. Newton. 
Habitat: I. S. 1 Th. 

4. Achclous ruber, Lamk. 

?. Envoyé par M. Pires. 
Habitat: I. S. 1 Th. 

5. Thelphusa margaritaria, A. Edw. 

5. 2- Rivière Agua Grande. Plusieurs individus envoyés par 
U. Newton. 

Habitat: I. S.* Th. 



6. Thelphasa dúbia, Capello. 
?. Habitat: I. S. 1 Th. 



222 JORNAL DE SGIENCIAS MATHEMATIGAS 

7. Ocypoda ippeus, Oliv. 

á. $>. Envoyés par Sa Magesté le Roi D. Louis. 
Habitat: I. S. 1 Th. 

8. Calappa rubroguttata, Herkl. 

C. Bocagei, Capello. 

6. ç. Baie d'Anna Chaves. Envoyés par M. Newton. 



Trlbua iVMHllt 

9. Ranina serrata, Lamk. 

6. ç. Habitat: I. S. 1 Th. 

10. Cenobita rugosus, Edw. 

Logé dans la Purpura neritoidea, Lamk. 1 Envoyé par M. le do- 
cteur J. A. de Sousa. 

Logé dans YAchatina barbigera. Rivière Manuel Jorge. Envoyé 
par M. Newton. 

Habitat: I. S. 1 Th. 

M. Cenobita rubeseens, Greeff. 

Ile das Rolas. Envoyé par M. le Prof. Greeff. 
Logé dans le Cantharus variegatus, Gray; Bulia perdicina, Mke?; 
Purpura sp? 

Tribos Jl AfllOl K % 

12. Atya seabra, Leach. 

S. $. Nora indigène Izé. Rivière Agua Grande. Plusieurs indivi- 
dus envoyés par M. Newton et par M. le Prof. Greeff. 
Habitat: I. S.* Th. 

1 Je dois à 1'obligeance de mon collègue et ami M. Arruda Furtado la déter- 
mination des espèces de coguilles, raentionnées dans ce travail. 



PHYS1CAS E NATURAES 223 

13. Palaemon Olfersi, Wiegmann. 

5. Envoyé par M. le Prof. Greeff. 
Habitat: I. S. 1 Th. 

Subordo ANOMOBRANCHIATA 

14. Síiuilla Hoevenii, Hakl. 

Envoyé par M. Custodio de Borja. 
Habitat: I. S.* Th. 

Liste des crostacés d'Angola et du Congo 

Ordo PODOPHTALMIA 
Subordo EUBRANCHIATA 

Tribug IIHKUIIKl 

1. Micropisa violácea, A. Edw. 

5. $. Loanda. Envoyés par M. Bayão. 

2. Micropisa Bocagei, Sp. n. 

Caract. : Carapace presque aussi large que longue, épineuse, pu- 
bescente ainsi que les pattes et la face inférieure du corps. Duvet 
peu serre sur la face inférieure, rare et clair-semé sur la cara- 
pace. Front comme chez la Micropisa violácea (A. Edw.), mais les 
cornes moins robustes. Orbite de raême forme que chez 1'espèce 
precedente. Article basilaire des antennes externes arme en de- 
hors d'une dent large et arrondie. Région gastrique marariée de 
six epines, dont quatre petites situées à peu prés sur une même 
ligne transversale, l'une sur le lobe mesogastrique, la dernière 
sur le lobe urogastrique. Deux épines sur la région cardiaque. Li- 
gne médiane du corps présentant ainsi quatre épines de plus en 



224 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMATICAS 

plus robustes. Région branchiale armée de quatre épines, dont 
trois petites situées sur le lobe épibranchial, et la quatrième sur 
le lobe mesobranchial; de petites épines sur les lobes metabran- 
chiaux. Régions hepatiques et bords de la carapace garnis d'épi- 
nes comine chez la Micropisa violácea. Pattes ambulatoires greles. 



Dimensions du mâle adulte 



\ Largeur de la carapace ra ,028 

* ' j Longueur » m .029 

_. . , , „ „ , ,. \ Largeur de la carapace O m ,020 
Dimensions de la feraelle adulte. L ~ m ~ 10 

fLongueur » O^OIS 

6. $. Habitat: Angola (Renguella). 

Nous dédions cette espèce au vénérable savant portugais M. Bar- 
boza du Bocage en témoignage d'admiration, de reconnaissance et 
de dévoueraent. 

3. Xantho vermieulatus, Lamk. 

Ç. Envoyê par M. Bayão. 
Habitat: Angola. 

4. Xantho rhulosus, Risso. 

$. $. Envoyés par M. Bayão. 
Habitat: Angola. 

5. Panopeus Herbstii, Edw. 

$. ç. Plusieurs individus envoyés d'Angola et de Loanda par 
MM. Toulson et Bayão. 

6. Oeíus eorrugatus, sp. n. 

La carapace de cette espèce un peu bombée et comme corrodée 
antérieurement. Moitié postérieure lisse et plane. Front quadri- 
denté. Dents arrondies, les médianes plus larges. Les bords late- 
ro-antérieurs ne sont pas divises en lobes, à peine s'ils sont mar- 
quês par quatre dents três petites; les deux postérieures plus sail- 
lantes. Pattes antérieures três inegales et rugueuses comme chez 
YOzius rugolosus (Stimpson). Grosse main large (plus de la moi- 



PHYSICAS E NATURAES 225 

tié de la largeur de la carapace) et renflée. Les doigts de la pe- 
tite main sonl três greles, cannelês, comme infléchis en dedans, 
se touchant dans toute leur longueur et armes de três petites 
dents. Tarses tomenteuses. 

Largeur de la carapace du mâle adulte m ,020 

Longueur » » » O m ,(M4 

Largeur de la carapace de la femelle adulte. . . O m ,019 
Longueur » » » . . . O m ,010 

6. $. Angola. Envoyés par M. Bayão. 

7. Pilumnus africanus, A. Edw. 

S. j. Envoyés par M. Bayão. Loanda. 

8. Neptunus diacanthus, Latr. 

á. ç. Plusieurs individus envoyés par MM. Bayâo et d'Anchieta. 
Habitat: Angola, Benguella, Loanda, Lobito. 

9. Neptunus marginatus, A. Edw. 

S. Bissau. Envoyé par M. Pimenta. 

10. Neptunus validus, Herkl. 

J. j. Benguella. Envoyés par M. d'Anchieta. 
li. Achelous ruber, Lamk. 

J. Loanda. Envoyé par M. Bayão. 

12. Thelphusa Bajoniana, Capello. 

í. Habitat: Duque de Bragança et Caconda. 

13. Thelphusa Bayoniana, var. a. Capello. 

S. $. Plusieurs individus envoyés par M. d' Anchieta. 
Habitat: Rio Cunene, Huilla et Caconda. 

JORN. DE SCIENC. MATH. 1'HTS. E NAT. — N.° XLIV. 16 



226 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

14. Thelphusa Anchieta©, Capello. 

i 

J. 2- Plusieurs individus envoyés par MM. Bayão et d'Anchieta. 
Habitat: Dondo, Pungo Àndondo, Quilengues et Quando. 

45. Thelphusa perlata, A. Edw. 

< 

5. ç. Plusieurs individus envoyés par M. d'Anchieta. 
Habitat: Biballa et Caconda. 

16. Thelphusa dúbia, Capello. 

6. 2' Plusieurs individus envoyés par M. d'Anchieta. 
Habitat: Angola, Humbe et Rio Cunene. 

17. Cardisoma armatum, Herkl. 

5. ç. Plusieurs individus envoyés par M. d' Anchieta. 
Habitat: Benguella, Novo Redondo, Lobito et Rio Coroca. 

18. Cardisoma guanhumi, Margraff. 

5. ê. Envoyés par MM. Toulson et d'Anchieta. 
Habitat: Angola, Benguella. 

19. Gelasimus Tangeri, Eydoux. 

6. 2- Plusieurs individus envoyés par MM. d'Anchieta, H. Ca- 
pello et Apparicio. 

Habitat: Barre du Dande, Benguella et Lobito. 

20. Ocypoda ippeus, Olivier. 

5. 2- Plusieurs individus, envoyés par MM. Bayão, d' Anchieta, 
et Toulson. 

Habitat: Angola, Benguella, Novo Redondo e Lobito. 

ái. Sesarma angolensis, Capello. 

6. 2- Envoyés par M. H. Capello. 
Habitat: Angola. 



PHYSICAS E NATURAES 227 

22. Sesarma africana, ?.àw. 

$. ç. Eavoyés par M. d'Anchieta. 
Habitat: B-nguella. 

23. Sesarma yioiacea, Herkl. 

$. Envoyé par M. d' Anchieta. 
Habitai: Lobito. 

24. Grapsus pictus, Latr. 

6. ç. Plusieurs individus eavoyés par MM. Bayão et d' Anchieta. 
Habitat: Angola, Benguella et Rio Coroca. 

25. Goniograpsus cruentatns, Latr. 

6. 5. Envoyôs par MM. d' Anchieta et Toulson, 
Habitat: Angola et Lobito. 

26. Metopograpsus messor, Edw. 

&. Envoyé par M. Toulson. Angola. 

27. Plagnsia squamosa, Lamk. 

$. Habitat: Angola. 

28. Calappa graulata, Linn. 

$. Envoyé par M. d'Anchieta. 
Habitat: Benguella. 

29. Calappa gallus, Herbst. 

Habitat: Benguella. 

30. Calappa rubroguttata, Herkl. 

í. ç. Plusieurs individus envoyês par MM. d' Anchieta et Newton. 
Habitat: Benguella et Baie de Mossamedes. 

16* 



228 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMAT1CAS 



TrtbuM 4XOHCRA 



31. Dorippe armata, White (inéd.), Miers. 

$. Envoyè par M. d' Anchieta. 
Habitat: Benguella. 

32. Clibanarius rui garis, Dana. 

í. 2- Plusieurs individus envoyés par M. d' Anchieta. 
Logés dans la Purpura cônsul, Lamk. et dans le Triton oca- 
rium, Lamk. 

33. Clibanarius Yirescens, Krauss. 

Plusieurs individus envoyés par M. le lieutenant Moreno. 
Habitat: Zaire. 

34. Petrachirus? cavitarius, sp. n. 

Pedoncules oculaires longs et renflês au bout, plus longs que 
la portion basilaire des antennes externes, mais depassés par le 
troisiéme article des antennes internes. 

Palpe arme de dix ou onze épines. Avant-dernier article des 
antennes externes arme de trois épines. Mains aussi longues que 
la carapace et herissées, aussi bien que 1'avant-bras, en dessus, 
d'une multitude de grandes et petites épines, cornées vers la pointe, 
tournées en avant et plus fortes sur le bord supérieur de Tavant- 
bras. Sur la face supérieure de la main du côtè interne de la li- 
gne médiane, tout proche du pouls, une cavité ovalaire, longue de 
trois à quatre mm., garnie de poils. Face infêrieure de la main 
couverte de tubercules presque papilliformes. Doigts longs (plus 
de la moitié de la longueur de la main), creusés, crochus, à termi- 
naison calcaire, bordes de petits faisceaux de poils sur ses bords 
tranchants. Pattes des deuxième et troisiéme paires comprimées, 
herissées d'épines sur le bord supérieur des trois demiers arti- 
cles. Tarses garnis de soies rudes. Abdómen avec quatre plaques 
cornées transversales. 



PHYSICAS E NATURAES 229 

í Longueur du mále O m ,302 

Dimensions-H , de la femelle. . . (T,251 

L'existence d'une cavité sur les deux mains du mâle et de la fe- 
melle, dont nous ne connaissons pas d'autre exemple chez les 
nombreuses espèces des Paguridae, vérifiée dans quatre indivi- 
dus (un mâle de Loanda et trois femelles des lies du Cap Vert), 
associée à la terminaison calcaire des doigts, nous porte à ranger 
d'une façon douteuse cette espèce dans le genre Petrochirus (Stim- 
pson). Peut-être il nous serait permis d'en faire un genre nou- 
veau. 

á. Envoyè par M. Toulson. 

Habitat: Angola. 

35. Porcellana Mattosi, sp. n. 

Carapace marquée de lignes saillantes, plus visibles sur sa moi- 
tié postérieure, légèrement bombée, ovalaire. Front peu incline et 
termine par un bord droit. Mains renflées, inégales. Petite main 
garnie de poils sur la moitié externe de sa face supérieure, doigts 
se touchant dans toute leur longueur. A 1'autre main les doigts 
ne se touchent, pas même au bout; ils sont tournés en dehors; 
Tinfèrieur arme d'une dent, le pouce semblable à une toute pe- 
tite corne. Bord externe garni de poils. Carpe plus large que la 
main, lisse, renflé au bord postérieur. Pattes ambulatoires velues. 

Longueur O m ,007. 

á. ç. Plusieurs individus envoyés par M. Bayão. 

Habitat: Loanda. 

Nous dédions cette espèce à notre maitre et ami M. Mattoso 
Santos, illustre professeur de Zoologie à 1'École Polytechnique de 
Lisbonne, comme un gage d'amitié et de reconnaissance. 

36. Porcellana bella, sp. n. 

Carapace garnie en dessus de lignes saillantes tranversales, plus 
visibles sur les régions branchiales, et latéralement d'un rebord. 
Front infléchi. Mains inégales, renflées, sillonnées et couvertes 
sur sa face supérieure, d'une façon tout à fait irregulière, de três 
petites granulations disposêes en groupes; granuleuses en des- 
sous sur la moitié externe de la petite main. Prolongement lamel- 



230 JORNAL DE SCIENGIAS MATHEMAT' AS 

leux decoupé par trois dents. Deux entaille mr le carpe bordèes 
de granula tions. Une dent lamelleuse sur íè Ifòrã antérieur de 
1'avant-bras. Trois derniers articles des palias ambulatoires velus 
sur leur bord supérieur. 

Longueur m ,006. 

í. $. Envoyés par M. Bayão. . 

Habitat: Loanda. 



Trlbus MAÍRIBI 

37. Panulirus regius, Capello. 

$. Envoyé par M. d' Anchieta. 
Habitat: Benguella. 

38. Atya seabra, Leach. 

6. ?. Plusieurs individus envoyés par M. tyãô* 
Habitat: Duque de Bragança. 

39. Alplieus paraerinitus, Miers. 

Plusiei rs individus envoyés par M. Bayã< 
Habitat: Loanda. 

40. PalemoD Jamaicensis, Herbst. 

Plusieurs individus envoyés par M. d'AD 
Habitat: Benguella, Catuinbella, Biballa. 

41. Penaeus caramote, Risso. 

Envoyé par M. d' Anchieta. 
Habitat: Benguella. 

42. Penaeus eanaliculatus, Oliv. 

Plusieurs individus envoyés par M. (TA»cilietJa:. 
Habitat: Benguella. 



PHYSICAS E NATURAES 231 

Subordo ANOMOBRANCHIATA 

43. Squilla mantis, Rondelet. 

Envoyé par M. Toulson. 
Habitat: Angola. 

44. Squilla Hoevenii, Herkl. 

Un individu provenant du Musée du Roi D. Pedro V. 
Habitat: Angola? 

CIRRHIPEDIA 

45. Balanus tinliiinalinliim, Linn. 

Var, Communis, Darwin. 

Envoyé par M. d'Anchieta. 

Habitat: Angola, sur les rochers de la baie voisine de Lobito. 

Crustacés de Da&omey 

1. Remipcs scutellata, Fabr. 

9. Envoyé par M. Newton. 

2. Squilla mantis, Rondelet. 

Envoyé par M. Newton. Nom vulgaire Degon-hosm. 
Habitat: Lac d'Ajudá. 



232 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEM ATIÇAS 



Contributions á la faiinc malacologique du Portugal 

PAR 

JOSÉ DA SILVA E CASTRO 

Memore de la société malacologique de France 

(Suite) » 



§11 

Hélices du groupe de la revelata 

Helix salmiirina 

Helix salmurina, Servain, Et. moll. Esp. Port., p. 54, 1880. 

Le type de cette espèce, découvert par le dr. Georges Servain 
aux environs de Saumur (France), a été retrouvé par ce même mala- 
cologiste à Cacilhas, prés de Lisbonne. D'après le savant président de 
la société malacologique de France, V Helix revelata de Michaud (Compl. 
hist. moll., p. 27, pi. xv, f. 6-8, 1831) n'est qu'une variété minor de 
cette espèce. 

Pour notre part, nous avons rencontré à Praia da Granja une va- 
riété presque des mêmes dimensions que le type (diam. 6| millim., 
haut. 4| millim.), à test três mince, dont le péristome est simple, ou 
à peine épaissi. 

Helix Nevesiana 

«Testa depressa, umbilicata (umbilicus tantum pervius, in centro 
angustus, in ultimo anfractu dilatatus), non pellucida, parum nitente, 
solidula, uniformiter subolivaceo-luteola, rugoso-striata, (striae validas, 

1 V. Jorn. Acad. Sc. Lisboa, ix, 1883, p. 121. 



PHYSICAS E NATURAES 



233 



valde retusae, crispulatse), ac pilis minutis, irregulariter dispositis ves- 
tita; — spira parum convexa, compressa; ápice nitido, lsevigato, tantu- 
ium proeminente; — anfractibus 4 convexis, regulariter, sed tantulum 
celeriter crescentibus, sutura valde impressa separatis; ultimo magno, 
bene rotundato, supra convexo, subtus convexiore, superne antice valde 
descendente, ac ad insertionem tantum deflexo; — apertura obliqua, vix 
lunata, rotundata; — peristomate simplici, in margine supero recto, in 
casteris, praesertim in columellari, expanso et reflexo; marginibus valde 
aproximatis; — alt. 4 milllm.; diam. 6| millim.» 

Nons avons rencontré cette coquille, que nous dédions à notre 
ami M. A. das Neves e Mello, aux environs de Sernacbe dos Alhos, 
d'oú nous n'en avons rapporté que deux échantillons. 

Par son ombilic assez ouvert cette espèce parait vouloir s'éloigner 
de toutes les autres formes de ce groupe. La plus voisine est Vocciden- 
talis, dont elle est, cependant, bien différente par son sommet proémi- 
nent; par ses tours plus convêxes, separes par une suture profonde; 
par son accroissement spiral bien plus graduei du premier au dernier; 
par son dernier tour moins dilate, mieux arrondi, etc; par son ombi- 
lic, qui dans Voccidmtalis, est réduit à une perforation três resser- 
rée; etc. 



Hclix occideutalis 



Helix ponentina, Morelet, Moll. Port., p. 65, pi. vi, f. 4, 1845. 

ocoidentalis, Reduz, in Rev. et Mag. Zool., p. 311, 1845, 

et Servain, Et. moll. Esp. Port. p. 55, 1880. 

Nous connaissons cette espèce de Cintra, de la Serra de Monsanto 
et des environs de Lisbonne, ou elle est assez commune, et ou elle va- 
rie un peu quant à sa taille. Nous en avons rapporté un échantillon, 
qui ne mesure que 5^ millimètres de diamètre pour une hauteur de 
3 millimètres. 

En outre du type, nous avons rencontré la variété suivante, qui 
habite aux environs de Coimbra: 

Var. B. pellucida. — Diffère du type par un test plus mince, assez 
fragile, à poils un peu plus développés et dont le péristome est á peine 
épaissi par une callosité três faible. 



234 JORNAL DE SC1ENC1AS MATKEMATICAS 



Helix revelata 

Helix revelata, Ferussac, Prodr., n.° 273, p. 44, 1821, et 
Bourguignat, Malac. Alg. I, p. 165, pi. xvn, f. 12-16, 1864, et Servain, 
Et. moll. Ésp. Port., p. 53, 1880. 

Le type a été découvert par le dr. Georges Servain dans les allu- 
vions da Tage, au dessous de Lisbonne. Nous n'avons pas encore ren- 
contré que la variétè suivante: 

Var. B. major. — Cette coquille, d'une coloration un peu plus fon- 
cée, à dernier tour un peu plus descendant, a 7f millimètres de dia- 
mètre pour une hauteur de k\, (le type a 6 millimètres de diamètre 
pour 4 de hauteur). Cette variété se rencontré aux environs de Porto, 
à Gaya. 

Helix venetonim 

Helix venetorum, Bourguignat, in Servain, Et. moll. Esp. Port., 
p. 50, 1880, et in Locard, Prodr. Malac. Fr., p. 73 et 316, 1882. 

Nous avons rencontré cette espèce à Povoa de Varzim. Elle se 
separe de la revelata, Ferussac, par sa coquille ornée de poils encore 
plus courts et plus caducs; par sa spire comprimée; par ses tours plus 
convexes, comprimes supérieurement et renflés le long de la suture; 
par son dernier tour fortement descendant; par son ombilic plus étroit; 
par son ouverture bien plus obliquo, à bords marginaux plus rappro- 
chés, etc. 

En outre du type nous avons rencontré aussi à Povoa de Varzim 
la variété suivante: 

Var. B. major. — Cette coquille comptant un demi tour de plus et 
possédant un ombilic un peu plus ouvert, a un diamètre de 8 millimè- 
tres pour une hauteur de 5. 



PHYSICAS E NATURAES 



235 



Helix conimbricensis 

«Testa subgloboso-depressa, perforata, tenui, subpellucida, subvi- 
ridulo-cornea, obsolete striata (striae valde retusae, crispulatulae), ac pi- 
lis minimis, albidis, tenuibus, tantum regulariter dispositis, ornata; — 
spira parum convexa, obtusíssima ; ápice minimo, nítido, laevigato, in- 
tensiore colorato; — anfractibus 3 5 convexis, valde rapide crescentibus, 
sutura fere profunda separatis; ultimo valde magno, globoso-rotun- 
dato, antice tantum longe, sat descendente;— apertura sat obliqua, ro- 
tundata, in directione obliqua suboblonga;— peristomate simplici, acuto, 
in margine columellari expanso et reflexo, perforationem plus minusve 
tegente, in caeteris recto; marginibus aproximatis; — alt. 4 millim.; 
diam. 6 millim.» 

Habite à Coimbra. Nous tenons de M. A. das Neves e Mello un 
seul échantillon de cette espèce trouvè par lui au Bussaco. 

La conimbricensis se rapproche surtout de la villula, dont elle se 
separe surtout par ses tours moins nombreux, s'accroissant avec plus 
de rapidité; par son dernier tour plus globuleux, plus descendant; par 
son ouverture plus oblique, suboblongue dans une direction inclinée ; etc. 



Helix villula 

Helix villula, Bourguignat, in Servain, Et. moll. Esp. Port., 
p. 56, 1880, et in Locará, Prodr. malac. Fr. p. 74 et 317, 1882. 

De toutes les espèces du groupe, c'est assurément la villula celle 
que l'on rencontre le plus communément aux environs de Coimbre et 
à Porto et ses environs. Cest aussi, avec Voccidentalis, l'une des plus 
anciennement découvertes; seulement elle a toujours été prise soit 
pour cette dernière espèce, soit pour la revelata, Ferussac. 

On distinguera facilement la villula de la revelata à sa coquille 
plus déprimée; à sa spire aplatie; à ses poils plus développés en lon- 
gueur, disposés réguliêrement en rangées obliques; à son dernier tour 
plus dilate dans le sens transversal, descendant vers 1'ouverture d'une 



236 JORNAL DE SCIENC1AS MATHEMATICAS 

façon plus prononcée; à son ombilic plus ouvert; à son ouverture plns 
ample, à bords marginaux écartés, peu convergents, (dans la villula 
le péristome est toujours évasé et reflechi sur toute 1'étendue du bord 
basal de linsertion du eoluraellaire à la moitié de la hauteur du bord 
externe). 

Nous avons recueilli cette espèce à Povoa de Varzim, à Porto et 
ses environs, ou elle est três commune, notamment au cemitière de 
Prado do Repouso, sur les bords du Douro, au Roncão (Tras-os-Montes), 
aux environs de Coimbra, on elle est aussi três abondamment répan- 
due, etc. 

Var. B. major. — Cette variété d'un diamètre de 8 millimètres, à test 
assez mince et fragile, se trouve aux environs de Porto, à Gaya. 



Helix platylasia 

Helix platylasia, Bourguignat, in mss., 4886. 

Le type de cette espèce, d'après notre ami M. Bourguignat, a été 
découvert à la Bouzagra à 1'est d'Alger, et il se rencontre encore, en 
Algérie, à Roknia, Constantine, etc. En Portugal elle habite à Serna- 
che dos Alhos, oú nous 1'avons rencontrée. 

Dans cette espèce le test d'une coloration corné-jaunâtre ou ver- 
dâtre (quelques fois tout-à-fait verl) est hèrissé de petits poils blancha- 
tres, presque toujours couchés sur la coquille, en proportion plus forts, 
que ceux de la villula. 

La platylasia est caractérisée par une coquille três dèprimée, à 
spire comprimée, presque plane; par un enroulement spiral graduei; 
par un dernier tour non dilate, bien arrondi en dessous, et descendant 
vers 1'ouverture, d'abord d'une façon lente et graduelle ensuite prés 
de sa terminaison, d'une façon plus prononcée et rapide; par son ou- 
verture oblique, peu ample, bien ronde, à bords marginaux assez rap- 
prochés; enfin par sa perforation ombilicale de beaucoup plus ouverte, 
que celle de la villula. 



PHYS1CAS E NATURAES 237 



Helix Rosai 

«Testa minuta, depressa, pervie umbilicata, uniformiter palide- 
cornea, tenui, subpellucida, supra complan;Ua, subtus convexa, argute 
striata ac raris pilis albidis, tenuibus, relative sat elongatis (longitudo 
0,5 millim.), rigidulis ornata; — spira fere plana, ápice lsevigato, vel, 
sub lente, impressionibus piliferis prasdito; — anfractibus 3| — 4, con- 
vexiusculis, regulariter crescenlibus, sutura tantum profunda separa- 
tis; ultimo majore, superne parum convexo, ad aperturam vix descen- 
dente, inferne valde convexo, rotundato; — apertura obliqua parum lu- 
nata, rolundata; — peristomate recto, acuto; margine columellari supe- 
rius circa umbilicum provecto; marginibus aproximatis; — alt. \\ mil- 
lim.; diam. 3} millim.» 

Habite aux environs de Coimbra, on elle a été découverte par no- 
tre ami M. J. M. Rosa de Carvalho. 

Nous avons à signaler une variété, dont nous avions depuis long- 
temps, trouré un éehantillon sur les bonls du Douro à Roncão, et qui 
diffère surtout du type par un dernier tour descendant. Cette même 
variété se rencontre aux environs de Coimbra. 

La Rosai n'appartient déjà plus an groupe de la revelata. De moi- 
tié plus petite que f helix anasina, Servaim (Et. moll. Esp. Port., p. 
56), elle est três voisine de cette espèce, quoique bien distincte. 

La coquille est presque toujoures salie par une incrustation ter- 
reuse rougeâtre. Sa forme plane en dessus et convexe en dessous donne 
au dernier tour une apparence anguleuse, vers le plan supérieur. Les 
poils sont assez longs en proportion de la coquille, três minces, effi- 
lés, raides; qaoique, sur certains échantillons, la partie terminale, qui 
est três mince, se presente enroulée sur elle même. Ils sont plus ca- 
ducs en dessus, qu'en dessous, et assez persistents sur le cote externe 
du dernier tour. Sur les individus complétement adultes on ne les ob- 
serve même pias que sur cette dernière partie de la coquille. 



Helix aporina 

«Testa subglobosa, anguste perforata, tenui, subpellucida, fragili, 
obscure corneo-viridula, obsolete striolata (striaa in ultimo superne, 
prope aperturam ac circa suturam irregulariter validiorae, crispulatulae), 



238 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATIGAS 

ac corneis pilis cylindraceis, ad extremitatem obtusis, sicut truncatis, in 
base dilatatis, minutissimis (longitudo 0,1 millim., dianietrus 0,02 mil- 
lim.), incurvis, fragilibus ornata;— spira convexa, ápice obtuso; — an- 
fractibus 4 convexiusculis, rapide crescentibus, sutura fere profunda 
separatis; ullimo sat magno, ad aperturam tantum dilatato, inferne ro- 
tundato, superne declivi, ad insertionem labri lente descendente; — 
apertura obliqua, parum lunata, in directione declivi exacte elíptica 
(diâmetro majore parum minorem superante); — peristomate simplici, 
recto, acuto; margine columellari circa umbilicum dilatato, perforatio- 
nem plus minusve tegente; marginibus mediocriter aproximatis; — alt. 
3f millim.; diam. 5-| millim.» 

Nous avons recueilli cette espèce à Famalicão, à Guimarães et à 
Praia da Granja. 

Nous n'avons jamais rencontré cette espèce qu'en automne. A cette 
époque de 1'année nous 1'avons observêe en grande quantité, même 
pendant le jour, attachée sur un mur à Famalicão. Pendant l'été et en 
hiver elle se cache, ne paraissant même pas au printemps, époque à 
laquelle nous l'avons toujours vainement cherchée. 

Cest cette même espèce que uous avons distribuée, dans le temps, 
sous le nom de helix autumnalis, Castro, nom qu'il nous a faliu chan- 
ger, parcequ'il faisait double emploi. 



III 



Planorbes du groupe du Dufouri 



Les espèces de ce groupe, essentiellement hispanique, sont três 
répandues en Portugal. Si jusqu'à presente on n'en a mentionné qu'une 
seule, réunissant sous un même nom toutes les formes, qui puissent 
avoir été découvertes, c'est que, apparemment, l'on n'a pas voulu se 
donner la peine de les examiner avec attention. Ces formes spécifiques 
se distinguent, en effect, par des caracteres bien nets et précis, se re- 
produisant avec une constance parfaite, comme nous avons pu nous 



PHYSICAS E NATURAES 239 

enconvaincre, cTaprès 1'examen d'un grand nombre d'échantillons de 
différentes localités, que nous avons été assez heureux, pour pouvoir 
nous procurer. 

Ce sont les suivantes: 



Planorbis Duíbiiri 



Planorbis Dufourii, Grãdls, Moll. Esp., p. 11, pi. i, f. 11-15, 
1846. 

Planorbis legatorum, Rossmâsler, in Zeitschr, f. malac, p. 173, 
1846. 

Planorbis Dufourei, Rossmâsler, Iconogr. xvn et xyiii, p. 135, 
f. 967, 1859. 

Planorbis Dufouri, Bourguiguat, Amen. malac, n, p. 133, 
1859, et Malac. Alger., n, p. 147, pi. ix, f. 4-6, 1864. 

Nous avons rencontré cette espèce aux environs de Coimbra et 
prés de Lisbonne, à BeinQca. M. le dr. Georges Servain, lors de son 
voyage en Portugal, l'a aussi cneille dans les alluvions du Tage, au des- 
sous de Lisbonne. (Servain, moll. Esp. Port., p. 140, 1880). 



Planorbis nietidjensis 

Planorbis metidjensis, Forbes, Moll. Alger., in Ann. of nat. 
hist., p. 254, 1838, et suplém., pi. xii, f. 5, 1838: et Bourguignat, 
Amen. malac. ii, p. 132, 1859, et Malac. Alg., n, p. 146, pi. ix, f. 
1-3, 1864. 

Cette espèce me parait un peu rare en Portugal. Elle a été ren- 
contrée par nous à Bemfica, prés de Lisbonne, d' ou nous avons rap- 
porté un seul échantillon non adulte, et aux environs de Coimbra. De 
cette dernière localité nous avons même rapportê, dans le temps, de 
beaux écbantillons bien caractérisés à peristome borde d'un bourrelet 
três fort; mais, ayant oublié la place sur laquelle nous les avions 
cueillis, cette coquille n'a pas été retrouvée depuis par notre ami M. 



240 JORNAL EE SC1ENCIAS MATHEMAT1CAS 

J. M. Rosa de Carvalho, malgré toute la peine, qu'il s'est donnée pour 
cela, et quoique cet infatigable explorateur m'ait envoyé des quantitès 
de planorbes de presque toutes les sources et ruisseaux des environs 
de Coimbra. 



Planorbis algericus 

Planorbis Dufouri, var. algerica, Bourguignat, Amen. malac, 
ii, p. 139, pi. 17, f. 7-9, 4859, et Malac. Alg. u, p, 148, pi. ix, f. 
7-9, 1864. 

Planorbis Algericus, Bourguignat, in mss. 1870. 

Habite aux environs de Porto, notamment à Sobreiras, ou nous 
1'avons rencontré extrémeinent multiplié dans un petit reservoir, et 
aux environs de Coimbra, ou il a èté découvert par M. Rosa de Car- 
valho. Nous le connaissons encore des environs de Lisbonne. 

Var. B. major. — Cette variété, ayant 12 millimètres de diamètre, 
a été découverte aux environs de Coimbra par M. Rosa de Carvalho. 



Planorbis aclopns 

Planorbis aclopus, Bourguignat, Amen. malac, n, p. 135, pi. 
xvii, f. 4-6, 1859, et Malac. Alg. n, p. 149, pi. ix, f. 10-12, 1864.. 

Le type a été découvert par M. Rosa de Carvalho aux environs 
de Coimbra, on il habite notamment à la Quinta do Espinheiro, prés de 
Cellas. Nous l'avons recueilli à Sernache dos Alhos. 

Cette coquille, três constante quant à sa forme, varie beaucoup 
en Portugal quant à sa tailke: ainsi, entre la variété máxima des en- 
virons de Lisbonne d'oú nous possédons un échantillon ayant un dia- 
mètre de 18 millimètres, et le type, dont le diamètre n'est que de 7 mil- 
limètres, on rencontré, pour ainsi dire, toutes les dimensions intermé- 
diaires. 

Les principales variétés, que nous avons à signaler sont les sui- 
vantes : 

Var. B. major. — Cette variété, dont le diamètre mesure 11 milli- 
mètres, me parait la forme la plus commune aux environs de Coimbra. 



PHYSICAS E NATURAES 241 

Var. C. máxima. — Diamètre 17 à 18 millimètres. Environs de Lis- 
bonne. 

Var. D. ornata. — Cette variété, d'une coloration plus foncée, est 
caractòrisée par ses stries spirales beauconp plus prononcées. Eile a 
un diamètre de 14 millimètres. Ericeira. 



Planorbis Castroi 

Planorbis Castroi, Bourguignat, in mss. 1882. 

a Testa fragili, subpellucida, córnea, argute striatula ac subtilis- 
sime spiraliter lineolata, supra profunde umbilicata (umbilicus in centro 
angus tus, in ultimo anfracto excenlrice dilatatus), subtus planulata; — 
anfractibus 4, celeriter crescentibus, transverse compressis, subtus 
valde convexis, sutura profunda separatis; ultimo máximo, subtus 
circa suturam sicut subangulato, ad aperturam paululum ascendente, 
supra inflnto-rotundato, penultimum tantulum suprescandente; — aper- 
tura verticali, etiam alta quam laia, inferne prope insertionem labri, 
subangulata, superne circulari; — peristomate simplici, recto, acuto; 
— alt. 5 millim., diam. 10 millim.» 

Cette espèce que se rencontre aux environs de Porto, est assez 
distincte des autres formes du même groupe. Elle est surtout caractè- 
risée par un perforation ombilicale supérieure três peu ouverte, ne 
laissant voir qu'un tour et demi, les autres restant caches. Dans 
cette coquille le dernier tour est relativement assez haut à son ori- 
gine. 



Planorbis lepidophorus 

«Testa fragili, subpellucida, palide-cornea, subtilissime striatula ac 
squamiformibusspinulis minutissimis, in lineolis spiralibus dispositis or- 
nata, (spinulae adeo exiguae, ut sub validíssimo lente vix perspicuae), 
supra pervie umbilicata, subtus in centro concaviuscula; — anfractibus 
k\, parum convexis, in duobus primis, valde exiguis, sensim, dein ra- 
pide crescentibus, sutura in primis impressa, in ultimo fere profunda 
separatis; ultimo magno, subtus oblique compresso, circa suturam in- 

JOUN. DE SCIENG. MATH. PHYS. E NAT. — N.° XL1V. 17 



242 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

flatosubangulato, supra compressiusculo, ad umbilicum abrupte defle- 
xo; — apertura parura lunata, subcordiformi-rotundata ; marginibus pro- 
pe insertiones arcuatis, convergentibus; — peristomate simplici, recto, 
acuto, ad insertionem marginibus vix expansiusculo; — diam. 14 mil- 
lim., alt. 6 millim., diam, apert. 5| millim. 

Quand on examine cette coquille avec une loupe ordinaire, on n'y 
observe que de três minces costulations spirales, disposées avec beau- 
coup de regularité. II faut plus d'attention et recourir à une plus forte 
amplification pour découvrir que ces cotes sont formées par des spi- 
nules écailleuses, placés à la suite les unes des autres. Ces écailles sont 
élargies à la base, éffilées vers le sommet et recourbées. EUes sont des 
plus caduques. 

Le type se rencontre à Praia da Granja et aux environs de Porto. 
A Povoa de Varzim nous avons rencontre la variété suivante: 

Var. B. fragillima. — Cette variété se separe du type par un test 
beaucoup plus mince et fragile, d'une extreme ténuité; par son der- 
nier tour plus globuleux, plus renflé-arrondi en dessous, et par son 
ouverture mieux arrondie. 



Planorbis Renei 



«Testa valde depressa, sat fragili, subpellucida, palide-cornea, sub 
lente spiraliter lineolo-costulata, supra lalissime umbilicata, subtus sub- 
concaviuscula;— anfractibus 4| celeriter crescentibus, convexis, sutura 
in ultimo profunda separatis; ultimo magno, rotundato, inferne circa 
suturam magis inflato, superne prope aperturam tantulum vix compres- 
siusculo; — apertura parum lunata, suboblongo-rotundata; — peristo- 
mate simplici, recto, acuto; marginibus aproximatis; — diam. 10 mil- 
lim.; alt. 3| milUim.; diam. apert. 4 millim.» 

Habite aux environs de Lisbonne à Bemfica. 

Quand on examine cette coquille sous une amplification suffisante, 
on voit que ses costulations linéaires, prés de 1'ouverture, sont cou- 
vertes d'écailles épidermiques à 1'instar du planorbis lepidophorus. Sur 
les premieres tours ces écailles finissent par disparaitre et l'on n'y 



PHYSICAS E NATDRAES 243 

peut observer, que des stries élevées, três fines, assez néttement mar- 
quées. 

Notre espèce se distingue de la precedente, la seule avec laquelle 
elle peut être confondue: par sa coquille plus petite et plus déprimée; 
par son dernier tour relativement moins haut, moins obliquement com- 
prime en dessous de bas en haut, etc; par son ouverture différente 
suboblongue arrondie; surtout par son ombilic supérieur peu profond, 
três largement ouvert, laissant tous les tours de la spire à découvert. 



Planorhis lusitanus 

«Testa tenuissima, perfragilis, pellucida, palide-cornea, argutis- 
sime striatula (striae in ultimo ad aperturam magis signatse), supra pro- 
funde umbilicata (umbilicus mediocris, pervius), subtus plana; — anfra- 
ctibus 4 1, rapide crescentibus, subtus convexis, sutura profunda sepa- 
ratis; ultimo sat magno, inflato rotundato, convexitate ad partem su- 
peram omnino projecta, inferne coeteros non excedente; — apertura ver- 
ticali, regulariter rotundata; — peristomate simplici, recto, acuto; mar- 
ginibus aproximatis; — diam. 13 millim.; alt. 16 millim. 

Cett espèce est voisine comme forme de Yaclopus, dont elle dif- 
fère: par sa coquille bien plus mince et plus fragile; par sa surface 
três plane en dessous; par son dernier tour, dont la convexité est tout- 
à-fait portée vers la partie supérieure (dans le lusitanus le plan infé- 
rieur de la coquille est tangent au bord basal de 1'ouverture); enfin par 
sa concavité ombilicale plus étroite et plus profonde à son centre. 

Nous avons, pour la première fois, rencontré cette coquille dans 
un petit ruisseau prés le Douro au Roncão. Depuis elle a été décou- 
verte aux environs de Coimbra dans la colline de Balêa par M. Rosa 
de Carvalho. Les échantillons de Coimbra sont parfaitement identiques 
à ceux de Traz-os-Montes. 



Planorbis Carvalhoi 

«Testa fragili, subpellucida. albido-cornea, epidermide tenuissimo 
nigrescente induta, argute striatula (stria3 in ultimo perspicuae), subtus 
planulata, supra umbilicata (umbilicus mediocris); — anfractibus 4, in 

17* 



244 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

primis gradatim, in ultimo rapide crescentibus; ultimo sat magno, 
subtus rotundato ad aperturam súbito expanso; — apertura verticali, 
permagna (diametrus aperturas dimidium testae diametrum superans), 
patula, circulari, margine inferiori subrectiuscula; — peristomate acuto, 
proesertim supra, valde expanso et reflexo; marginibus aproximatis, 
callo tenuissimo junctis; — diam. 12 millim.; alt. 6 millim.; diam. apert. 
6| millim. 

Cette jolie espèce, découverte aux environs de Coimbra par M. 
Rosa de Carvalho, à qui nous nous faisons un plaisir de la dédier est 
surtout remarquable par son ouverture três grande, fortement dilatée 
en pavillon de cor de chasse. 



Planorbis Rosai 

«Testa valde depressa, fragili, córnea, epidermide tenuissimo cas- 
taneo indutu, supra mediocriter umbilicata, argute striolata, (strise in 
ultimo anfracta, ad aperturam validiorae); — anfractibus 4, in primis 
sensim, iu ultimo rapidissime crescentibus; ultimo permagno, majorem 
amplitudinis testai partem formante, ad aperturam transversim valde 
dilata to, in inicio rotundato, inde ad terminum majis majisque utrin- 
que oblique compresso, subtus circa suturam subangulato, supra circa 
umbilicum tantum inflato; — apertura tantulum vix obliqua, depressa, 
transversim perelongata, e dextra ad sinistram in altitudinem amplians, 
inferne rectiuscula, superne mediocriter arcuata; — peristomate sim- 
plici, acuto, recto; marginibus aproximatis; margine supero vix arcuato 
provecto; — diam. 12 millim.; alt. 5 millim.; diam. apert. 7 millim. 

Cette belle espèce découverte par M. Rosa de Carvalho aux envi- 
rons de Coimbra, ou elle parait três rare, est surtout caractérisée par 
sa forme comprimée et par son dernier tour excessivement dilate dans 
le sens horisontal. 



PHYSIGAS E NATURAES 245 



IV 



Hélices du groupe de la pygmaea 

Helix Henriquesi 

«Testa depressa, supra sat convexa, subtus profunde umbilicata 
(umbilicus mediocris), subpellucida., sat tenui, uniformiter córnea, sub 
lente oblique striata (in juvenis tenuissime lamelli-costata); — spira con- 
vexa, tantum elata, obtusa, ápice lcevigato; — anfractibus 4| convexis, 
regulariter sat tantum rapide crescentibus, sutura in primis sat im- 
pressa in ultimo fere profunda separatis; ultimo máximo, rotundato, 
ab inicio ad aperturam regulariter descendente; — apertura parum obli- 
qua, vix lunata, rotundata; — peristomate simplici, recto acuto; margine 
columellari superius expansiusculo; marginibus conniventibus; — alt. 
If millim; diam. 2 millim.» 

Dans cette espèce les petites lamelles épidermiques sont encore 
moins saillantes, plus serrées et plus caduques, que celles de la pou- 
pilieri. Dans les individus âgés ces costulations flnissent par disparai- 
tre et Ie test, vu à la loupe, parait seulement strié. 

Par sa spire assez élevèe et par son dernier tour seulement des- 
cendant, notre espèce se rapproche beaucoup de la pornce de Toscane 
(helix pornoe, Servain, Et. Moll. Esp. Port. p. 63, 1880). 

Nous 1'avons rencontrée à Praia da Granja, à Povoa de Varzim et 
à Porto. 

Helix ponpilieri 

Helix ponpilieri, Bourguignat, Malac. Alg., 1, p. 181, pi. xix, 
f. 5-8, 1864. 

Nous connaissons cette espèce de Cintra, des environs de Coim- 
bra, Porto, etc. EUe est três commune dans le nord, ou on la rencon- 
tre extrémement multipliée. 



246 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



Helix bussacona 

«Testa globulosa, profunde umbilicata (umbilicus mediocris, tantum 
pervius), parum nitida, subpellucida, argute striatula, uniformiter cór- 
nea;— spira valde convexa, elata, obtusa; ápice valido, obtuso, loevi- 
gato; — anfractibus 4|, sat convexis, regulariter crescentibus, sutura 
tantum profunda separatis; ultimo vix majore, cylindraceo, antice non 
dilatato nec descendente; — apertura obliqua, parum lunata, exacte cir- 
culari; — peristomate simplici, recto, acuto; margine collumellari ad 
insertionem provecto, expansiusculo; marginibus aproximatis, conni- 
ventibus; — alt. \{ millim.; diam 2 millim.» 

Habite au bois de Bussaco. 

Cette nouvelle espèce du groupe de la pygmcea ne peut être con- 
fondue qu'avec la Debeauxiana. On l'en separera facilement: à sa spire 
plus bombée; à son dernier tour moins grand, plus cylindrique; à son 
ouverture sphérique; enfin à son ombilic plus grand et plus profond 
à son centre. 

Helix Debeauxiana 

Helix Debeauxiana, Bourguignat, Malac. Alg. 1, p. 183, pi. 
xix, f. 13-16, 1864. 

La Debeauxiana a été signalée, pour la première fois en Portugal 
par mr. le dr. Georges Servain (Et. moll. Esp. Port.) comme habitant 
aux environs de Lisbonne. Nous la connaissons encore de Cintra, Coim- 
bra,, Praia da Granja, Porto, Famalicão,, etc. Elle est três abondamment 
répandue, surtout à Porto et dans le nord. 

Cest la debeauxiana, que nous avons presque toujours vu dans 
les collections portugaises, étiquetée helix rupestris, Draparnand. Pour 
cette dernière espèce, nous ne la connaissons pas encore que de la 
Serra de Monsanto, ou le type habite avec la variété conoidcea, Drapar- 
nand. Cette variétè y parait même plus abondante que le type. 



PHYSICAS E NATURAES 247 



Helix pygmíea 

Helix pygmsea, Draparnaud, Tabl. moll. p. 93; 1801, et hist. 
moll. p. 114, pi. viu, t. 8-10, 1805, et Boiírguignat, Moll. nouv. (2 e 
dec), p. 28, pi. v, f. 1-4, 1863. 

Nous avons rencontré cette hélice aux environs de Lisbonne, à 
Lumiar, ou elle vit en compagnie de Yhelix costata, Múller. Cest la 
seule localité, d'oú nous connaissons la pijgmcea en Portugal. Toutes 
les coquilles qu'on nous a montrées sous ce nom étaient des espèces 
mal nommées. 

Helix gallxciana 

«Testa minutíssima, subglobosa-depressa, profunde umbilicata, su- 
btus parum, supra sat convexa, pellucida, nitida, uniformiter córnea, 
sub valido lente argutissime striatula; — spira convexo-rotundata; ápice 
lcevigato, obtuso; — anfraclibus 4 — 4|, regulariter, lenteqae crescenti- 
bus, parum convexis, sutura impressa separatis; ultimo vix majore, 
antice non descendente, rotundato, superne tantum declivi; — apertura 
vix obliqua, valide lunata, rotundata; — peristomate simplici, recto, acu- 
to; — alt. 0,9 millim.; diam. 1,5 millim.» 

Habite à Famalicão (Minho), ou elle parait assez rare. 

Cette espèce se distingue: 

1.° De la pygmcea par sa coquille d'un tiers plus petite; par ses 
tours de spice moins convexes, separes par une suture moins marquée 
et dont le dernier est relativement moins grand; par la forme toute 
différente de sa spire; par son ouverture moins ample et plus forte- 
ment lunée; par son ombilic plus étroit, ne prenant pas de développe- 
ment au dernier tour. 

2.° De la Massoti, par sa coquille non comprimèe, moins convexe 
en dessous, à spire três convexe arrondie et non planulée; par ses tours 
de spire separes par une suture bien moins profonde, et qui ne sont 
pas comme canaliculés vers celle-ci; par son dernier tour, dont le mode 



248 JORNAL DE SC1ENCIAS MATHEMATICAS 

de convexité est différent; par son ombilic étroit, et non évasé et pers. 
pectif, comme celui de la Massoti. 

Par la convexité ronde de sa spire, notre espèce parait vouloir se 
rapprocher de VAucapitainiana; mais elle s'en separe par ses autres 
caracteres. 



Helix uiicrostigmaea 

«Testa tantum anguste umbilicata, valde minutíssima, depressa, 
subnilida, peliucida. pallide-cornea, sub valido lente elegantissime stria- 
ta; — spira convexa, obtusíssima; ápice obtuso, loeviga to; — anfractibus 
i, parum convexis, regulariter ac tantulum rapide crescentibus, sutura 
fere profunda separalis; ultimo majore, sub-oblongo-rotundato, antice 
non descendente; — apertura vix obliqua, valide lunata, rotundala; — 
peristomate simplici, recto, acuto; marginibus valide remotis;— alt. 0,7 
millim.; diam. 1,3 millim.» 

Nous avons rencontré cette espèce à Praia da Granja, aux environs 
de Porto et à Famalicão (Minho). 

La microstygmwa offre, surtout, de grands rapports de ressem- 
blance avec 1'espèce precedente et avec la Massoti, dont elle se distin- 
gue: 

De la gallociana par sa coquille déprimée, plus convèxe en des- 
sous, á spire três peu élevée, non ronde bien convèxe, comme dans 
cette dernière; par sa suture un peu plus marquée; par son dernier 
tour en proportion plus dilate, plus convèxe en dessus, non un tant 
soit peu declive. 

De la Massoti par sa suture qui, quoique três marquée, n'est pas 
canalifère; par son ouverture plus fortement échancrée; par son der- 
nier tour non descendant; par son ombilic assez étroit. 

De toutes deux par sa coquille, encore plus petite; par son en- 
roulement spiral moins lent; enfin, par sa spire comptant un demi 
tour de moins. 



PHYSICAS E NATURAES 249 



Helix spermalia 

«Testa minuta, globulosa, perforata, supra valde convexa, rotun- 
data, subtus convexa, sat pellucida, nitida, corneo-succinea, sub lente 
elegantissiraelamelli-costata; — spira rotundato-elata, obtusíssima; ápice 
lcevigato; — anfractibus 5|, parum convexis, perlente regulariterque 
crescentibus, sutura impressa separatis; ultimo superne haud majore, 
vix convexo, antice non descendente, inferne rotundato; — apertura fere 
verticali, tantum stricta, valide lunata, rotundata;— peristomate sim- 
plici, recto, acuto; marginibus valde remotis;— alt. If millim.; diam. 
2 millim.» 

Cette jolie espèce, que nous avons rencontrée au bois de Bussaco, 
n'appartient déjà plus au groupe de la pygmaea, mais bien à celui de 
la lamellata, Jeffreys (helix scarburgensis de Turton, helix seminulum 
de Rossniassler) . D'après notre excellent ami et savant maitre mr. Bour- 
guignat, ces deux coquilles doivent former un petit groupe à part, que 
l'on doit placer à la suite des pygmseas. 



250 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 



Oiseaux nouveaux de File S. 1 Thomé 



PAR 



J. V. BARBOZA DU BOCAGE 



CINNYRIS NEWTONH 

C. Hartlaubi similis, sed diversus: minor; supra cinerascente-olivaceus, 
pileo saturatius tincto, loris nigricantibus, genis, dorso imo, uropygioque con- 
coloribus; tectricibus alarum remigibusquebrunescentibus; gutturetoto violas- 
centi-chalybeo; pectore late ac laetesulphureo; hypochondriis, abdoinine, crisso 
et subcaudalibus pallide flavescente-albis; cauda valde gradata, rectricibus ni- 
tide nigris, medianis x / x exceptis, albo terminatis; rostro et pedibus nigris; iride 
fusca (F. Newton). 

Long. tot. vix 100 mm.; culm. 15-16 mm.; ai. o2-54 mm.; caud. 40-42 
mm.; tars 18 mm. 

Habit. : Tile de S. Thomé. 

Tels sont les caracteres que nous présentent trois males adultes, deux en- 
voyés de 1'ile S. Thomé par M. F. Newton, tous les deux pris en déeembre 1886, 
le troisième provenant du voyage de M. Moller et appartenant aux collections 
du Muséum de 1'Université de Coimbra. 

Ge dernier individu a les parties supérieures d'un cendré presque pur et 
la poitrine d'une teinte jaune moiDs intense, mais ces légères différences me sem- 
blent le résultat d'un long séjour dans Talcool. Chez les deux autres individus 
les plumes du dos, d'un cendré de plomb, portent seulement à leurs extrémi- 
tés la teinte olivâtre, qui donne le ton general au plumage. 

La femelle m'est inconnue, mais elle doit ressembler à celle du C. Har- 
tlaubi, dont la gorge est d'une teinte olivâtre. 

Le Muséum de Lisbonne ne posséde pas dans ses collections le C. Hartlaubi, 
qui paraít habiter exclusivement 1'ile du Prince; mais en consultantles descri- 



PHYSICAS E NATURAES 251 

ptions de cette espèce par divers auteurs, en comparant surtout nos individus 
à la description et à la figure publiées par M. Shelley danssaremarquablemo- 
nographie des Nectarinidae 1 , je constate chez les individus de S. Thomé des dif- 
férences suffisantes pour en constituer une espèce àpart: outre la différence de 
taille, qui est sensible, le mode de coloration des parties inférieures, d'unbeau 
jaune de souffre sur la poitrine, à peine plus pâle sur 1'abdomen et tirant au 
blanchâtre snr le crissum et les couvertures inférieures de la queue, chez le C. 
JSewtoni, d'un jaune olivâtre, au contraire, sur la poitrine et les flancs, plus pur 
sur le bas-ventre et le crissum, chez le C. Hartlaubi, établit nettement la sépa- 
ration des deux espèces. C. Newtoni est jusqu'à présent 1'unique représentant 
de la Fam. Nectarinidae dans 1'ile S. Thomé 2 . 



PRINIA MOLLERI 



Supra cinerascente-plumbea leviter rufo tincta, pileo magisrufescente; te- 
ctricibus alae obsourioribus marginibus cinerascentibus; remigibus nigricanti- 
bus, primariis stricte, secundariis late griseo-albo limbatis; loris, stria supra- 
oculari et capitis lateribus pallide rufis; gutture refescente-albido ; abdomine 
médio albo, pectore crissoque cinereo adumbratis; pectoris lateribus hypochon- 
driisque cinerascentibus; tibialibus rutts; subalaribus niveis; cauda valde gra- 
data; rectricibus supra nigris, subtus cinereis, anteapicem álbum, medianis 2 / 2 
exceptis, distincte nigro fasciatis; rostro fusco, demidio basali mandibulae fla- 
vicanti; pedibus, ut videtur, rubellis. 

Long. tot. 135 mm.; culm. 12-13 mm.; ai. 52 mm.; caud. 74 mm.; tars 
23 mm. 

Habit. : 1'ile de S. Thomé. 

Je dois à 1'obligeance de M. le dr. Lopes Vieira, aide-naturaliste au Mu- 
séum de 1'Université de Coimbra, d'avoir pu examiner un individu de cette cu- 
rieuse espèce rapporté par M, Moller de son récent voyage d'exploration, pen- 
dam lequel il s'est plus particuliòrement occupé de la botanique. 

L'individu de St. Thomé se rapproche beaucoup par 1'ensemble de ses ca- 

IV. Shelley, Monogr. Néctar, pag. 295, pi. 94; Hartl. Ornith. Westafr. pag. 50; H. 
Gadow, Cat. Birds Brit. Mus. IX pag. 79. Voici les dimensions en pouces anglaises de 
1'individu mâle de C. Hartlaubi décrit par M. Shelley: long. tot. 5-6; culm. 0-8; aile 
2-5; queue 2-3 ; tarse 0-55. 

2 Le dernier envoi de M. Newton comprend, outre les deux individus de C. Ne- 
wtoni, Milvus aegyptius, Scops leucopsis, Corythornis coeruleocepluila, Zosterops lugubris 
et Vidua principalis. 



252 JORNAL DE SCIENCIAS MATHEMATICAS 

ractères d'un certain nombre d'espèces africaines du genre Prinia, que notre 
ami M. Sharpe vient de reunir sous la dénomination commune de P. mystacea 1 , 
mais il nous est impossible de le rapporter avec confianceàaucunedeces for- 
mes déjà connues. La description sommaire, mais exacte, que je viensdedon- 
ner, permettra aux naturalistes qui s'occupent plus spécialement de 1'ornitho- 
logie africaine de bien aprécier les raisons qui irTont determine à établir une 
espèce nouvelle. 

M. Hartlaub avait déjà signalé la présence à St. Thomé d'une espèce de 
Cisticola assez répandue en Afrique, C. ruficapilla, avec laquelle cependant il 
serait impossible de confondre la notre 2 . 

Parmi les oiseaux recueillis à St. Thomé par M. Moller j'ai remarque un 
bel individu de Treron crassirostris, espèce considérée par M. Shelley dans une 
recente publication sur les Columbidac de la région africaine comme identique 
a T. calva. L'examen de cet individu laisse, au contraire, dans mon esprit la 
conviction de la parfaite authenticité de 1'espèce décrite et figurée por Fraser: 
sa taille, supérieure à celle de T. calva; son bec, qui rappellebeaucoup mieux 
que celui des autres espèces du genre la forme et les dimensions du bec de Stri- 
(jops; les couleurs sombres du plumage, tirant au cendré sur la téte, le cou et 
la poitrine, d'un vert-olivâtre sur le dos, sans collier apparent gris sur la région 
interscapulaire, avec les plumes du crissum et les sous-caudales variées d'un 
jaune plus vif et plus pur; voilà un ensemble de caracteres différentiels qui doit 
satisfaire 1'esprit le plus méticulex. 

Long. tot. 310 mm. ; bec (culm.) 20 mm. ; bec (à rictu) 25 mm. ; haut. du 
bec 10 mm. ; aile 180 mm. , queue 120 mm. ; tarse 23 mm. 

La diagnose ci-après resume les caracteres différentiels de T. crassirostris: 
Olivascente-viridis; capite,, collo pectoreque magis cinerascentibus, torque 
interscapulari nullo, abdomineflavescente-viridis; tibiis citrino-flavis; crisso vi- 
ridi-cinereo flavo vario; sub-caudalibus cinnamomeo-rufjs flavo terminatis; re- 
etricibus supra nigricante-cinercis, viridi marginatis, faseia late cinerea termi- 
natis, infra nigris faseia apicali griseo-alba. Rostro robustíssimo, ápice plúm- 
beo; pedibus flavis. 

Comme nous Tavons déjà écrit ailleurs 3 , nos individus d'Angola de T. calva 
compares à des individus d'Afrique occidentale (y comprise 1'ile du Prince) et 
du littoral du Gongo, se font remarquer: 1.° par sa taille, en general, plus for- 
te; 2.° par les teintes jaunes de son plumage, plus accentuées sur la téte, le cou 
et les parties inférieures. Le coloration du dos et du dessus de la qneue ne dif- 
fère pas chez eux de ce qu'on observe chez les individus de T. calva d'autres 



i V. Sharpe, Cat. Birds Brit. Mus. VII, pag. 191-195. 

2 V. Hartlaub. Beitr. Ornith. Westafr. pag. 1; id. Orn. Westafr. pag. 57. 

3 Bocage, Ornith. d'Angola, pag. 379. 



PHTSIGAS E NATURAES 253 

provenances, tandis que chez T. Walcefieldi c'est principalement sur ces parties 
que les teintes jaunes dominent. 

Pour moi il y a 3 variétés ou races géographiques de T. calva: ia variété 
occidentale, habitant 1'Afrique occidentale et se répandant jusquau littoral du 
Congo; la variété d' Angola; la variété orientale (T. Wakefieldi). 



ERRATA 



Pag. 252, ligne i7 — Au lieu de Strigops. lisez: Didunculus strigirostris. 



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Harvard MCZ Libra 




3 2044 066 304 700 




Date Due 






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