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Full text of "A Lavoura : boletim da Sociedade Nacional de Agricultura Brazileira"

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Anno XII — Ns. I E 2 



Rio he Janeiro 



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Capital Federal 



SOCIEDADE NACIONAL DE .AGRICULTURA 

Fundada em 16 de janeiro de 1897 

Caixa-postal, 1245 Sede: Ruas da Alfandega n. 102 

Endereço Telegraphico, AGRICULTURA e General Camará n. 105 

Telephone n. 1416 Rl ° DK » NE 'R<> • 

DIRECTORIA 

Presidente — Dr. Wencesláo Alves Leite de Oliveira Bello. 

i° Vice-presidente — Vago. 

2 o Vice-presidente — Dr. Sylvio Ferreira Rangel. 

,V Vice-presidente — Dr. Domingos Sérgio de Carvalho. 

Secretario Geral — Dr. Heitor de Sá. 

i° Secretario — Dr. Francisco Tito de Souza Reis. 
2" Secretario — Dr. Benedicto Raymundo da Silva. 
3 o Secretario — Dr. |osé Ribeiro Monteiro da Silva. 
4" Secretario — Albe'rto de Araújo Ferreira Jacobina. 

i° Thesoureiro — Dr. João Pedreira no Couro Ferraz Júnior. 

2 o Thesoureiro — Carlos Raulino. 



Directores das Secções 

Fazenda de Santa Mónica Dr. Sylvio Rangel. 

Applicações do Álcool Dr. Sérgio de Carvalho. 

Secção Technica e Bibliotheca Dr. Heitor de Sá. 

Museu Dr. Benedicto Raymundo. 

Plantas e sementes e Horto da Penha . . Dr. Monteiro da Silva. 

Propaganda e estatística Alberto Jacobina e Carlos Raulino. 

Secretaria Dr. Souza Reis. 

Thesouraria Dr. Pedreira Júnior. 



Conselho Superior 

Dr. Elias António de Moraes, Dr. Eduardo Augusto Torres Cotrim, Ernesto Du- 
risch Dr Carlos de Rezende, Dr. Arthur Getulio das Neves, Joáo da Silva Gandra 
(renunciado), Dr. Alfredo Aug-usto da Rocha, Dr. Ernesto Ascoly, Luiz Henrique Lins 
de Almeida Dr. Carlos Oscar Lessa, Comm. Domingos Theodoro de Azevedo, Dr. 
Leandro da Costa, |oão Dale, Dr. Ernesto Cândido da Fonseca Portella, Luiz Felippe 
de Sampaio Vianná, Manoel Galvão, Dr. Antonino Fialho, Dr. J. F. Soares Filho, 
Dr Alfredo Bandeira, Dr. Álvaro Mendes de Oliveira Castro, Dr. Henrique Borges 
Monteiro, Coronel Cornelio de Souza Lima, Dr. João de Carvalho Borges Júnior, 
António de Medeiros (fallecido) e Edgardo Ferreira de Carvalho. 



OollaboraçBO 

Serão considerados collaboradores não só os sócios como todos que quizerem ser- 
vir-se destas columnas para a propaganda da agricultura, o que a redacção muito 
agradece. A lista dos collaboradores será publicada annualmente com o resumo dos 
trabalhos. ... . . 

A redacção não se responsabilisa pelas opiniões emittidas em artigos assignados, e 
que serão publicados sob a exclusiva responsabilidade dos autores. 

Os originaes não serão restituídos. 

As communicações e correspondências devem ser dirigidas á Redacção d' A LA- 
VOURA na sede da Sociedade Nacional de Agricultura. 

A LAVOURA não acceita assignaturas. 

E' distribuída gratuitamente aos sócios da Sociedade Nacional de Agricultura. 



Condições da publicação doe aiimincios 



Uma pagina 20$ooo 

Meia pagina i2$ooo 



p 


or 3 VEZES 




Uma pagina. . 




5o$ooo 


Meia pagina. . 




3o$ooo" 



)s annuncios são pagos adeantadamente. 
Tiragem 5.000 exemplares 




ALAMEDA DE SERINGUEIRAS NO JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO 



Anno XII — Ns 



Rio de Janeiro Janeiro e Fevereiro de 1908 



EDITORIAL 



à influencia da lua 



UBRAR\ 

NEW YCVK 
BOTANICAL 



E' sabida a attraoção da lua sobre os corpos existentes na terra, 
e isto não é mais do que a ratificação da grande lei de Newton. 

E' também conbecido que as marés estão sujeitas a esta influ- 
encia e que os phenomenos a ellas referentes reproduzem-se de 13 
em 13 annos, por observações feitas nos portos de mar. 

Além desta influencia que é um dos factores, si bem que dimi- 
nuto, do peso dos corpos sobre a terra, ha outra da luminosidade 
da lua. 

Como se sabe lia quatro phases da lua, que são meros pheno- 
menos de sombra, pela posição relativa dos três astros. 

Ha evidentemente noites em que actua a luz reflectida, da lua, 
sobre a terra, chegando ao máximo na cheia. 

Sendo a luz um factor importante da vida dos vegetaes, por 
força esses representantes do segundo reino da natureza modificam 
ou activam a sua circulação de seiva com a acção não constante dos 
raios lunares. 

Fica provado o augmento de excitante enérgico da actividade 
vegetativa e isto vem em parte explicar a crença popular da influ- 
encia da lua sobre o corte das arvores. 

Henri de Parville explicou, porém, que esta acção da lua nos 
climas da zona temperada é nulla, o mesmo não se dando em re- 
lação a região tropical onde não ha inverno. 

Nestas regiões ha calor bastante para alimentar a vida das 
plantas, o que concorre para ser mais efficaz a acção da luz. 

Desla sorte foi verificado que os grãos semeadas na lua nova 
portaram-se melhor do que os que o foram na cheia, devido a que 
receberam a cooperação durante a noite, de luz, quando despontavam 
de sua germinação. 

Assim é justo que não sejam derrubadas as arvores quando 

estas estiverem em pujança de seiva, isto é, depois que a acção da 

lua tenha sido exercida durante a sua plenitude. A razão existe 

10 porque ellas apodrecerão por causa da rápida fermentação da seiva 

que se suppõe circular com mais intensidade nessa época. 

2166 1 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Isto agradará, por certo, áquelles que teem taes crenças, sem 
saber talvez a sua causa, como fica dito. 

E' a verdade e deve ser e«cripta, e a bem dessa mesma verdade 
é que venho mostrar que nada pôde ter a lua com a previsão do 
tempo, sobre os meteoros, isto é, phenomenos que se passam no meio 
atmospberico. 

Rem que deseja o povo prever o tempo, procurando estabelecer 
relações com a lua, para que lhe sirvam de guia as phases deste 
salellite. 

Esta prophecia foge por emquanto ás nossas observações, dentro 
dos limites em que é julgada possível. 

A influencia da lua de noite é só devida á sua luz, porque a 
attracção também se exerce de dia, occasião em que o pequeno astro 
é offuscado pela luz solar, múrmenle quando se acha em conjuneção. 

O pbenomeno primordial no seio da atmosphera é a temperatura 
e será o sol e não a lua o astro do systema planetário que possa 
influir sobre os effeitos oriundos da modificação desse elemento. 

Com pequena antecedência e por meio de instrumentos apro- 
priados é que se prevê o tempo, sendo ás vezes impossível ser 
noticiado o facto. 

Com mais acerto se procuram estabelecer as communicações 
telegrapbicas dos meteoros entre os paizes limitrophes. Tenta-se, 
desde 1902, este desejo na America do Sul e é para louvar que o Estado 
de s. Paulo se tenha collocado á frente de tal movimento scien ti fico. 

Desta sorte sim, ha possibilidade, mas não como muitos querem, 
que sejam determinados os factos de um para outro anuo, havendo 
quem se lembre de dar credito ás folhinhas, mormente nos paizes 
novos, onde não ha observações meteorológicas seguras para a pre- 
visão. Como é possível determinar que chove em tal dia em um dado 
ponto, quando pôde haver um vento que tudo desvie, o este é resultado 
dadifferença de temperatura entre as camadas da atmosphera? 

Sobre o assumpto refere Flammarion, o grande astrónomo, ex- 
emplos da falta de previsão do tempo, synthetisando nestas palavras 
a .sua opinião: « As certezas astronómicas são absolutas ; saiamos o 
quese dará daqui a 100 annos, até 1.000 ; mas ninguém sabe o tempo 
que fará amanhã.» 

Citam-se casos engraçados do modo por que são feitos os calendários 
nesta parte, tudo por supposição sem base alguma . 

Nos paizes antigos e bsm orientados é tomada a média de 50 annos 
emais de observação dos postos meteorológicos, paia que sirva de guia 




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•A.VILHAO DA SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 
NA EXPOSIÇÃO DE I908 



LAVOURA 



aos seus habitantes em suas necessidades quotidianas, mas não passa 
de uma approximação que, fora de duvida, já adianta. 

E neste intuito é que foram estabelecidos em S. Paulo os postos, 
pelos pontos mais convenientes do Estado ; eeis ahi indicada sua utili- 
dade. Taes serviços são de vantagem, principalmente para a agricultura, 
mas não immediata ; dependem de longo prazo para ser colhido o 
provento. 

Assim, pois, como pôde a lua ter influencia, quando nau nos foi 
dado colligir regularidade nos meteoros, tendo estes por elemento 
gerador a temperatura, que depende do eoI, o qual chega a produzir, 
em seus annos de maior numero de manchas, os mais sensíveis effeitos 
sobre a terra ? 

Queira Deus que ainda se venha a conseguir tal predicção, a liem 
dos interesses da humanidade ! 

HlilTOB Dii SÀ. 



A Sociedade Nacional de Agricultura na Exposição de 1903 

O certamen que em breve deverá ser inaugurado nesta cidade, 
objectivamente representado por uma Exposição Nacional, ao qual 
têm de, por certo, concorrer todas as modalidades do trabalho, ha d j 
pôr aos nossos olhos e aos dos que nos visitarem o grão de intensidade 
attingido pelas forças vivas de que dispõe este abençoado paiz. 

Para muitos, si não paru todos, será motivo de culminante admi- 
ração o avantajado adeantamento com que, acreditamos, se hão de 
apresentar naquella grande feira os vários departamentos do trabalho 
e da actividade nacional, representados pela lavoura, pela industria c 
pelo commercio. 

Todos os que tomaram o honroso c árduo compromisso de para 
lá mandarem os seus produetos, esforçam-se, com vivo interesse, 
para que estes sejam do melhor quilate possível. E que não erra- 
remos nas nossas esperanças, aliás muito bem fundadas, dil-o-á, 
dentro em breve, depois de inteirada e apercebida para o fazer a 
opinião competente. 

A' Sociedade Nacional de Agricultura não podia escapar o alto 
alcance de tão útil e arrojada tentativa. E assim, envidando todos os 
elementos de que podia dispor de par com outros que lhe foram em 
boa hora concedidos, ella terá também o seu logar em pavilhão 
próprio, onde procurará de modo exuberante e palpável salientar 
as estupendas riquezas da nossa flora e tudo quanto interessar possa 
á lavoura e industrias connexasdo nosso paiz. 



SOCIEDAUK NACIONAL DK AGRICULTURA 



Osea programma está distribuído do seguinte modo ; 
1.° Serviço de informação. 
2.° Codificação da legislação sobre agricultura. 
3.° Mappa de distribuição de culturas. 
4.» Collecção de plantas medieinaes. 
5.° » » » taniferas e oleoginosas. 
6.° » » » textis e matérias corantes. 
7." » » » ornamentaes. 
8." » » » de arborização. 

9.° Exposição dos trabalhos de propaganda da Sociedade; coope- 
rativas, syndicatos, ele. 

10. Estudos da situação económica do Brazil, do ponto de vista 
agricola . 

11. Collecção de animaes e insectos úteis e nocivos á agricultura 
em geral. 

12. Collecção de produetos agrícolas do paiz. 

13. » » fruetos e tubérculos do paiz. 
li. Jardim do pavilhão . 

15. Applicações industriaes do álcool. 

programma acima referido será distribuído por seis secções 
differentes, e da maneira por que vae exarado : 

l. a Projecto e construcção do pavilhão— projecto e construcção dos 
jardins.— Dr. Souza Reis. 

2. a Collecção de plantas medieinaes, taniferas, oleoginosas, textis, 
corantes, ornamentaes e de arborização.— Dr. Monteiro da Silva. 

3. a Collecção de animaes úteis e nocivos á agricultura, collecção de 
produetos agrícolas, fruetos e tubérculos do paiz.— Dr. Benedicto Ray- 
rriundo. 

4. a Applicações industriaes do álcool e serviço de informações. — 
Dr. Sérgio de Caroalho. 

5. a a) Estudo económico do Brazil debaixo do ponto de vista agrí- 
cola.— Dr. Syloio Rangel. 

b) Codificação de legislação sobre agricultura.— Dr. Souza Reis. 

G. a Mappa da distribuição das culturas. Esboço geographico do 
Brazil, tendo em vista a agricultura. Exposição por meio de diagram- 
mas das cooperativas, syndicatos, credito, ensino agricola, associações 
de propaganda.— Drs. Paulino Cavalcanti e Sousa Reis. 

CONGRESSO DE AGRICULTURA 

Além da Exposição levará a effeito a Sociedade um Congresso da 
Agricultura, á guisa de um outro por ella effectuadoem 1901, para tratar 
de assumptos cuja importância torna-se desnecessário encarecer. 



A LAVOURA 5 

Para conhecimento dos interessados fez ella distribuir o seguinte 
appello acompanhado do respectivo regulamento do futuro Congresso, 
assignado pela competente commissão para esse fim escolhida: 

Itlm. Sr.— Na derradeira sessão do Congresso Nacional de Agricultura, a 7 do 
outubro de 1901, o preclaro congressista, Dr. Manoel Victorino, propoz que se convo- 
casse nova assembleia da lavoura, dentro em breve prazo, porque: « Os esforços 
da classo não deviam ficar na primeira toutativa, tu 'o dependendo da tenacidade 
no advogar seus interesses, aceroscendo que muitas das questões sobre que so 
havia deliberado reclamavam novos e mais profundos estudos.» 

O voto unanime da assembléa approvou a indicação o mais a incumbência, 
confiada a Sociedade Nacional de Agricultura, de convocar e organizar o segundo 
Cong-esso, como convocara o organizara o primeiro. 

E' o que vimos fazer, por delegação desta Sociedade. 

E' intuitivo que, limitar-se o esforço da agricultura áquelle primeiro tontamen, 
fora anniquilar-lhe o mérito e dosconhecsr os resultados práticos alcançidosno 
já celebro Congresso, onde accumulando os elementos de sua energia intollectual, 
até alli inutilizados pela dispersão o inactividade, ella conseguiu apresentar, 
melhor do que poderiam fazel-o velhas e repetidas queixas, um sóbrio informe de 
seus padecimentos e necessidades e o cabal formulário dos remédios quo lho pare- 
ceram mais indicados. 

N?,s sociedades modernas os interesses que se não agremiam, organizam e for- 
talecem, em prol da sua exusa especifica, preferindo eníregar-ss á tutela discri- 
cionária dos poderes públicos, são esmagados na concurrencia dos mais acti- 
vos, bem avi-ados de que a acção offlcial é deficiente, illusoria ou atrophia- 
dor.i, quando se não exercita de dar com a actividade colligada dos co-interessados. 

Os Congressos de classes ou profissionaes cada vez se repetem com mais fre- 
quência, constituindo já uaia como funeção orgânica normxl. E' que es iastinctos 
de conservação e de melhoria, e também a experiência longamente adquirida, os 
suggerem como preciosos e insubstituíveis promotores do congraçamento das ener- 
gias indiviluaes nos agrupamentos de esforços, por semelhança ou affiniladede 
interesse» ou de fios ; elles approximam, combina n e formulam as idéas e os seu- 
timentos, deliberando a orientação da classe unida e os pont)s de convergência da 
acção coordenada. 

São a iniciativa dos immediatamonte interessados e, portanto, particularmente 
instruídos, influindo nos poderes públicos, collaborando com ellos na promoção das 
reformas, informanio-os das realidades apuradas pela pratica, em vez de deduzida 
dos princípios theoristas ou dos expedientes empíricos. 

O primeiro Congresso conseguiu um exitJ que, por ser limitado, nem por isso 
foi menos meritório e eflectivo. Das conclusões em que consubstanciou o seu pro- 
gramma, algumas conseguiram impressionar bistante o critério deliberativo dos 
poderes públicos pira sí cjrpjri ficarem em reformas promissoras, entro os insti- 
tutos legaes do paiz ; outras recebem execução, cada dia mais animadora, pelo 
esforço espontâneo e associado dos lavradores. 

Os syndicatos, as cooperativas, o Ministério da Agricultura, a melhoria da 
technica agronómica e da apparelhagem agrícola, a instrucção agraria, etc, 
ideas e providencias pelas quaes o Congresso pugnou, tendem, ou já começam a 
ser realidades, de presente ou de futuro próximo. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Melhor quo tudo isso, porém, elle despertou a consciência da agricultura, 
como classe. Dantes era ella a disseminação egoistica ou o ajuntamento acci- 
dontal ephomoro; hoje, sugestionada pela affinidade dos interesses collectivos, 
propende acceutuadamento para a associação e para o cooperatismo definitivo. 

Aos que se afigurar que o primeiro alcançou pouco, como resultado posi- 
tivo, dada a vastidão do programma que redigiu, lembraremos que o terreno já 
conquistado ó vasto e por si só basta para glorificar aquelle tentamen. 

Competirá ao segundo rever as conclusões do primeiro, confirmal-as, insistindo, 
ou remodelal-as, si a experiência apurada ou a superveniencia de novas circum- 
stancias o aconselharem ; competir-lhes-á confrontar os resultados obtidos com a 
integridade do pensamento do programma adoptado, e dizer sobre o valor pratico 
das leis e dos expedientes do governo o da classe, inspirados nessas conclusões, indi- 
candc-lhes os defeitos, as reformas o os complementos, como provas experimentaos, 
sempro sujeitas á revisão. 

Marcando a reunião do Congresso para 18 de julho do anuo corrente, a com- 
missão não tem em vista simplesmente concorrer com mais um numero para o 
programma das festas commomorativas quo o Brazil então celebrará, mas princi- 
palmente aproveitar a feliz opportunidade de poler aquelle funecionar durante a 
vigência da Exposição Nacional, onde a lavoura brazileira do modo positivo e pra- 
tico poderá ser estudada no seu desenvolvimento e progresso, nas suas necessidades 
e aspirações. 

Por assim entender, a commissão oxecutiva propõe, como assumpto de delate, 
em theso, tudo quanto interessar á agricultura brazileira ; pensa que limitar, po- 
deria valer como excluir, o não se quer arriscar a preterições desazaias. 

EntreUnto, tomará a seu cargo inculcar algumas questões, que lhe pareçam 
proeminentes, na actualidade, ao estudo e delibsração do Congresso, premunindo-se 
do mais copioso acervo de informações que puder rounir. Essas theses sor-vos-ão 
communioadas, em tempo útil, e para ellaa desde já solicita a collaboracão da 
vossa autoridado technica. 

Rogae espera a commissão que, na formado regulamento juuto, adlierireis ao 
Congresso e que, comparecendo, ajuntareis o valioso concurso da competência que 
vos distingue. 

Rio de Janeiro.— Silvio Ferreira Rangel, presidente.— L. A, L. de Oliveira 
Bello, vice presidente.— João de r ar valho Borges Júnior, secretario geral.— João 
Baptista de Castro.— Heitor de Si.— Carlos Oscar Lessa.— Alfredo Rocha.— An- 
tonino Fialho. — Alberto Jacobina. 

REGULAMENTO 

Art. l.»0 Congresso de Agricultura, promovido pela Soei da le Nacionil de 
Agricultura, no iotuito de estudar sob o ponto de vista technico a situação, in- 
teresses goraes e especiaes da lavoura, assim como os meios mais enicazes para 
o seu desenvolvimento e prosperidade, reunir-S9-â por occasião da Exposição de 
1908, de lõ a 30 de julho. 

Art. 2 o . Serão membros do Congresso: 

a) Os representantes das sociedades, instituições e associações agrícolas ; 

6) Os delegados dos Governos Federaos, Estaduaes e Municipaes ; 



A LAVOURA 



c) Os membros da Sociedade Nacional do Agricultura ; 

d) Todos os interessados na lavoura que so propuzerem, até a véspera da in- 
stallaç r io do Congresso, o forem inscriptos pela Commissão Executiva. 

Art. 3.° Os membros do Congresso receberão um cartão do entrada intrans- 
forivel para as sessões e terão um distinctivo próprio. 

Art. 4.» O Congresso comprehenderá sessões plenas o de commissões. 

Art. 5.° Somente os membros do Congresso poderão assistir ás sessões que 
não forem publicas, apresentar trabalhos e tomar parte nas discussões. 

Art. d.» O Congresso discutirá e apresentará conclusões sobre a situação actual 
o necessidades da agricultura em geral, da pacuaria e demais industrias ruraes, 
recebendo a Commissão Executiva desde já, e até 30 dias antes .da installaçâo do 
Congresso, ostraballns quo sobre esses assumptos lhe forem romettidos para 
serem encaminhados. 

Aut. 7.° Os trabalhos de cada sossãodo Congresso serão coordenados por uma 
Commissão Especial designada pela Commissão Directora. 

Art. 8.° Os pareceres elaborados sobre os alludidos trabalhos serão examinados 
no seio'das Commissões Especiae9, antes de sorem apresentados ás sessões plenas. 

Art. 9.» Nenhuma questão será discutida em sessão plena antes de ter sido 
estudada pela respectiva Commissão, que emittirá parecer. 

Art. 10. Na sessão de abertura a Commissão Executiva entregará seus poderes 
á Commissão Directora do Congresso, que preencherá dahi cm diante as suas 
funeções. 

Art. 11. A Commissão Directora doCong.-essoo as Commisões Especiaes serão 
eleitas em sessão preparatória, realizada. 48 horas antes da abertura do Congresso. 
Na mesma sessão se.ú apresentado pela Commissão Executiva, para discussão o 
upprovação, o projecto do Regimento Interno do Congresso. 

Art. 12. As Commissões Especiaes se entenderão com a Commissão Directora, 
para lixar a urdem do dia das sessões plenas. 

Art. 13. As conclusões submettidas ás sessões plenas serão sempre apresen- 
tadas por escripto . 

Art. 14. Os oradores quo tomarem a palavra em cada sessão devem entregar 
ao Secretario, dentro de 24 horas, o resumo de suas communicações para os rela- 
tórios. No caso em que esse resumo não fòr feito, se.-á supprido pelo texto redigido 
pelo Secretario. 

Art. 15. Os oradores só poderão oceupar a tribuDa por espaço de 15 minutos. 
Art. 16. Será publicado pela Commissão Executiva um relatório dos trabalhos 
do Congres o. 

Art. 17. Todas as publicações concernentes ao Congresso serão distribuídas 
gratuitamente aos respectivos membros. 

Art. 18. A Commissão Directora do Congresso resolverá em ultima instan?ia 
sobre qualquer incidente não previsto neste regulamento. 

Esse Congresso, como aquelToutro, trará aos interesses da lavoura os mais 
benéficos resultados. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Madeiras e vegetaes úteis do Brasil 

(Continuação) 

Monographia n. 41 — Amostra n. 44. 

FAMÍLIA das lauraceas 

Canellst nhumirim branca 

? 

Synonimia — Anhuiba-mirim (?) — Canella-mirim(?). 

Habitação — No littoral dos Estados de S. Pauloe Paraná, entre 
Peruhybe e Guaratuba. Vegeta em terras regulares, argilosas ou sili- 
cosas, mas nunca em mattas virgens. 

Descripção — Arvore de caule geralmente tortuoso, até 5,00 de 
altura e 0,20 de diâmetro; casca fina, até 5 n '/ m de espessura, aromá- 
tica ; folhas bonitas, simples, intuíras, quasi sempre alternas, peciola- 
das, mais ou menos G5 '"/„, de comprimento e 21 "'/,„ de largura, e cori- 
aceas, verde-escuras e vernicosas na pagina superior, deixando ver a 
nervação ; flores pequenas, axillares. 

Madeira — Côr amarei lo-esverdeada, tecido compacto, fibras di- 
reitas, dispostas em series longitudinaes de i/2 — 1 centímetro de 
largura, alternadamente macias e revessas. Talhe duro ; rebelde ao 
cepilho e dócil á serra. 

ApplicaçAo — A madeira é utilisada em obras internas ; as cascas 
poderiam servir para a industria da perfumaria. 

Variedades — Ha a « Canella nlmmerim vermelha ». Yid. 

Monographia n. 42 — Amostra n. 4. 

FAMÍLIA das lauraceas 

Cnnella nliuiuirim vermelha 

? 

Synonimia — Anhuiba-mirim (?) — Canella-mirim (?). 

Habitação — No littoral dos Estados de S. Paulo e Paraná, entre 
Perubybe e Guaratuba. Prefere as terras húmidas, silicosas ou sili- 
co-argilosas; é raríssima nos terrenos de argila pura. 

Descripção — Arvore de grande copa, porte bonito e caule recto, 
até 8,00 de altura e 0,50 de diâmetro ; casca grossa, amarella, muito 
aromática ; folha menor que a da outra variedade descripta ; frueto 
preto, apreciado pelos pássaros. 



A LAVOURA 

Madeira — Similhante á da variedade precedente, mas a côr ama- 
ro] Ia tem uns lindos tons côr de ouro. Talhe duro; dócil á serra 
e rebelde ao cepilho. 

Applicações — Madeira para canoas, de longa duração ; o de pri- 
meira qualidade para esteios, vigas e quaesquer obra* do chão ou expos- 
tas ao ar; resiste a humidade. As cascas conservam forte e agradável 
aroma mesmo durante annos após a sua extracção; podem servir para 
a industria da perfumaria. 

Variedades — lia « Canella-nhumirim branca». Vid. 

Monographia n. 43 — Amostra n . 132. 

família das lauraceas 

Canella nhungurira branca 

Syxoximia — ? 

Habitação — Ilha do Cardoso, município de Cananéa, littoral do 
Estado de S. Paulo. Prefere as torras seccas, de qualidade regular. 

Descripção — Grande arvore, de caule geralmente recto, até 20,00 
de altura e 0,90 de diâmetro ; casca avermelhada, até 20 m / lfl de espessura, 
de sabor adstringente, contendo em seu tecido uma substancia gor- 
durosa, epiderme pardo-esverdeada ; ramos pardacentos ; folhas simples, 
inteiras, pecioladas, mais ou menos 90 m / m de comprimento e 28 m / ra de 
largura, membranosas, acuminadas, verde-escuras na pagina superior e 
saliente-nervadas na pagina inferior ; flores pequenas. 

Madeira — Al burno de côr branca e cerne de côr bruno-claro- 
avermelhada; fibras deseguaes, revessas, aspecto assetinado, lembrando 
o cedro ; ondeada e de talhe macio, dócil ao cepilho e á serra. 

Applicações— Madeira para mobílias, canoas, vigas, caibras.tgboado 
de soalho e obras internas em geral, para o que é uma das melhores. 

Variedades — Este vegetal pertence ao mesmo género da « Canella 
nhopissuma». 

Observações — A madeira da « Canella nhunguvira branca », si 
fosse bem conhecida, substituiria a do cairo na maior parte de suas 
applicações industriaes. 

Monographia n. 44 — Amostra n. 84. 

FAMÍLIA DAS LAURACEAS 

Canella Paulo Teixeira 

LAURUS ODORÍFERA, VOL. 

Syxoximia — ? 

Habitação — Serra do Mar, desde o Estado de S . Paulo ao de Santa 
Catharina e valle do rio Ribeira de Iguape. Vegeta apenas em terras 
argilosas, de primeira qualidade. 

21CG 2 



SOCIEDADR NACIONAL DK AGRICULTURA 



Descripção — Arvore de caule recto, até 15,00 de altura e 0,45 de 
diâmetro; casca vermelha, até 15 m / m de espessura, verrucosa e aro- 
mática. 

Madeira — Còr amarello-fulva, tecido fibro-vascular compacto, 
ondeada, macia, de peso regular e aroma que lembra o da «Canella 
sassafraz amarei la», mas não tão intenso. Quando velha, a madeira 
torna-se pardo-avermel liada, mas conserva sempre aquelle aroma. Dócil 
ao cepilho eá serra. 

Applicações — Madeira para marcenaria, vigas, caibros, taboado de 
soalho e todas as obras internas. As cascas poderiam servir para a in- 
dustria da perfumaria. 

Observações — Consta-nos a existência da «Canella Paulo Tei- 
xeira » nas proximidades da capital de S. PauL >, o que nos surprehende 
porque só conhecemos este vegetal em terras de primeira qualidade. 

Monographia n. 45 — Amostras ns. 52 (terras silicosas) e JOt 

(terras argilosas). 

FAMÍLIA das lauraceas 

Canella s:issí»ÍV:>z amarelln 

LAURUS SASSAFRAS, L. 

Synonimia — Anhvyba — Anhwjba pe-ayba — Louro — sassafraz 
— Pau-funcho, dos hespanhoes — Sassafras — Sassafrai amarello. 
Todos estes nomes são communs, em differentes logares dopaiz, a 
diversas lauraceas de aroma idêntico ; na Guyana franceza, á Licania 
guianensis, quando o individuo é velho ; e na Austrália á monimiacea 
Alherosperma moschata . 

Habitação — Em todos os Estados marítimos, desde o do Amazonas 
ao de Santa Catharina ; e provavelmente nas Guyanas, nos paizes vizi- 
nhoseaté nos Estados Unidos da America do Norte. Vegeta indistincta- 
mente nas terras argilosas ou silicosas. 

Descripção — Arvore de caule mais ou menos recto, até 10,00 de 
altura e 0,45 de diâmetro ; casca vermelha, até 10 mm de espessura nos 
indivíduos que vivem em terras argilosas e mais grossa nos que vivem 
em terras silicosas, verrucosa, aromática; ramos aromáticos, mesmo 
quando seccos ; tolhas simples, inteiras, membranosas, penninervias, 
pecioladas, mais ou menos 150 m/m de comprimento e 53 m/m de 



A LAVOURA 11 

largura, oblongas, acuminadas, verde-escuras na pagina superior e 
verde-claras na pagina inferior, nos indivíduos que vivem em terras 
silicosas; o. Pilhas simples inteiras, pergamentaceas, pecioladas, mais 
ou menos líOm/m de comprimento e 48 m/m de largura, oblongas, 
acuminadas, saliente-nervadas na pagina inferior e nervação averme- 
lhada, nos indivíduos que vegetam em terras argilosas; raiz aromá- 
tica, de lenho amarello e casca de côr bruna. 

Madeira — Côr amarella, tornando se depois amarello-pardacenta ; 
tecido flbro-vascu lar compacto, apezar da visibilidade perfeita das fibras 
lineares um pouco revessas, intercaladas de pequenos e raros veios lon- 
gitudinaes, de côr bruna ; ondeada, assetinada, sabor picante, muito 
aromática, talhe macio. Dócil ao cepilho e á serra. Pesos específicos 
verificados (e alguns decerto appl içáveis a outros vegetaes que teem o 
mesmo nome vulgar) : — 0,866 (Santa Catharina e Rio) — 0,900 
(S. Paulo) — 1,021 — !,048— 1,002 — 1,080 (S. Paulo) — 1,082 — 
1,102 — 1,135 — 1,185. Resistência ao esmagamento : carga perpen- 
dicular, 405 ; carga parallela, 670 ; sem determinação da posição da 
carga, 772 e 792 kilogrammas por centímetro quadrado. Peso especifico 
do carvão — 0,182 ; da essência a 10° — 1,090. 

Applicações — Madeira para cohstrucções civis e navaes, dor- 
mentes de primeira classe, marcenaria, vigas, esteios, taboado do 
soalho e demais obras internas e externas em geral, durando longos 
annos quando em contacto com a terra; contém um óleo essencial 
aromático, do qual se obtém a essência de sassafraz, empregada na 
medicina e na perfumaria. As raizes e as cascas são sudoríficas e uti li - 
sadas nas affecções rheumaticas, syphiliticas e cutâneas, parecendo 
efflcazes, em infusão simples ou assoeiando-lhe gemma de ovo, para a 
cura de moléstias do estômago e cólicas intestinaes. 

Os fruetos teem as mesmas propriedades mediei naes da raiz e das 
cascas, talvez em porcentagem mais elevada, e por isso são preferidos 
na therapeutica local. 

Variedades — Conhecemos a «canella sassafraz preta», que repu- 
tamos muito superior a esta, quer para a medicina, quer para as indus- 
trias ; é um pouco rara. Ha diversas lauraceas conhecidas pelo mesmo 
nome, mas que não estudámos. No Estado do Rio ha um «Sassafraz» 
cuja madeira é de tecido frouxo, pouco resistente e muito leve. De um 
outro «Sassafraz», ou talvez do que descrevemos, diz-se ter nos poros da 
madeira uma massa parda ; é possível, mas nós nunca a encontrámos. 

( Ibservações — Em França e na Allemanha, o lenho da raiz e as 
cascai deste vegetal e dos similares são objecto de commercio, hoje re- 



12 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

duzido, mas ainda assim do certa importância. Dividem-no actual- 
mente em quatro typos: — achas grossas, lascas grossas, lascas finas 
ecascas; estas são as mais caras: preparadas, vendem-nas em quan- 
tidades grandes, ao preço approximado de dois francos por kilogramma. 
— Quando se iniciou a construcção das estradas de ferro, os 
dormentes de «sassafraz» só eram recebidos como de terceira classs ! 
Entretanto duram, em média, onzeannos, exactamente o mesmo tempo 
queo jatahy, a peroba-rosa eo ipê-tabaco ! 

(Continua.) 

COLLABORACAO 



à cultura do coqueiro 

O coqueiro pertence, inquestionavelmente, ás plantas, a cuja cultura 
não se tem prestado no Brazil a devida attenção ; tanto mais quando o 
Brazil, mais do que qualquer outro paiz do mundo, possue vastos 
terrenos que podem ser utilisados da melhor forma para essa cultura, 
e 6 ologar onde se pôde tirar um lucro cerlo e compensador, tanto para 
o plantador como para a nação cm geral, da expartação do coco e de 
seus produetos. 

Ao ter-se conhecimento de que cm Ceylão (uma pequena ilha do 
tamanho do Estado da Parahyba do Norte, aproximadamente), em uma 
área de 650.000 hectares, existem 50 milhões de palmeiras, póde-se. facil- 
mente avaliar a importância que tem attingido a cultura do coqueiro 
em outros paizes. 

Não nos devemos, por conseguinte, admirar si a estatística de- 
monstra que no annode 1904 nada menos de 8.293.000 cocos verdes, 
dos quaes 6.733.000 para a Inglaterra, 535.000 para a Allemanha e 
802.000 para a Africa, foram exportados. Na importância de mil e 
oitocentos contos de róis (1 .800:000$000), lambem subiram cocos seccos, 
além disso, 48S.000 quintaes de óleo de cô:o, 68.000 quintaes de fibras 
de coco, 62.000 quintaes de cordas, 14.000 quintaes de cabos, attingindo 
a um total de trinta e dous mil e duzentos contos de réis (32.200:000$), 
cuja cifra, certamente, não representa um valor de somenos importância. 

O que, anles de tudo, deve ser tomado em consideração é que esta 
cultura não produz géneros facilmente susceptíveis de superproducção, 
mas sim géneros de primeira necessidade. Todos os produetos do 



A LAVOURA Í3 

coqueiro são, tanto na Europa como nas demais partes do mundo 
civilisado, tidos em grande conta ; o óleo de coco, por exemplo, de ha 
muito empregado na fabricação de sabão, tem tido um constante 
augmento no seu consumo e é também empregado no fabrico de velas, 
alem de ser recentemente adoptado na preparação de uma manteiga 
aromática de coco, muito apreciada na Europa. 

A fibra do coco serve para atadores automáticos usados por 
occasião das ceifas dos cereaes, cuja applicação tem-se de anno para 
anno, cada vez mais, adoptado tanto na Europa como na America do 
Norte. Os bolos de coco (resíduos prensados provenientes da fabricação 
do óleo de coco) constituem um alimento muito apreciado para os 
aniinaes na cultura intensiva; e a applicação de fibras de coco é de 
anno para anno empregada em maior escala na confecção de escovas, 
vassouras, saccos, redes, capachos e outros artefactos de industria, 
etc... Devido a sua barateza tem tido applicação para substituir as 
amêndoas. 

De tudo quanto fica acima exposto, se deprehende que o plantio do 
coqueiro, da forma por que é feito em Ceylão, pôde também constituir 
uma cultura, cujo prospero futuro está, de antemão, marcado em certas 
e determinadas localidades do Brazil. 

Por esssa razão, não é ocioso procurar-se indagar como deva ser 
installada e tratada essa cultura ; e si, portanto, passarmos a discri- 
minar quaes são as principaes condições vitaes do coqueiro, chegaremos 
a conclusão que a productividade desta palmeira limita-se a certas 
localidades situadas á beira-mar, dentro dos trópicos, comquanto que, 
fora dessa zona e afastado do mar, o coqueiro também cresça, sem 
todavia produzir fructos. 

Nos terrenos ondulados das planícies pode-se plantar o coqueiro 
até uma distancia de 150 kilomelros longe do mar, além desse limite, 
porém, o seu desenvolvimento decresce e a sua productividade resente-se. 

A influenciada brisa marítima torna-se quasi que indispensável 
ao bom desenvolvimento do coqueiro, porque pela maior evaporação 
das folhas estabelece-se uma mais intensa circulação da seiva, e 
também porque fortalece mechanicamente o tronco da palmeira. 

A cultura do coqueiro não se adapta ás culturas das montanhas ; 
e a sua producção em altitude de703 metros— mesmo nas proximidades 
do Equador— diminue, e quanto mais a sua altura se afasta daquella 
linha, tanto mais baixa deve a sua cultura ser feita. 

No que se refere ás suas necessidades calóricas, o coqueiro exige 
uma temperatura média de 22° c. de calor regularmente uniforme, 
cuja pressão mínima pôde cifrar-se a 10° c, podendo, por outro lado, 
supportar como máxima uma temperatura limitada de calor, em 
terreno sufficientemente húmido. 



\i SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Com relação' ao solo, o coqueiro, salvo nos terrenos pedregosos, 
cresce indistinctamente por to h parte, mas, sempre que encontra um 
terreno argiloso e profundo, cresce melhor. 

Quanto ú humidade, porém, o coqueiro não é tão frágil, e si a al- 
tura máxima das chuvas annuaes mantem-se a 1,209 "'/,„, a pro- 
porção dessa quantidade é sufficiente ; no caso, porém, em que sejam 
irregulares ou menos copiosas, uma irrigação do terreno é então precisa 
para produzir o mesmo effeito. 

Si se pretender explorar, em um terreno que corresponda ás neces- 
sidades precisas, dos quaes ha grande quantidade no Brazil, a cultura 
remunerativa do coqueiro, deve-se também attender a outros pontos, 
taes como: a escolha de boas sementes, a natureza do clima, o acurado 
plantio, o cuidadoso trato ea racional adubação. 

O processo da sementeira é, naturalmente, de importância capital, 
devendo presidir todo cuidado 3111 dar-se preferencia âs sementes, cuja 
variedade seja mais fecunda, e, dentre essas, tomar as sementes das 
palmeiras que, pela continuidade de sua produclividade, mais se 
tenham distinguido. 

Ao ter-se diversas variedades para esse fim, pode-se então proceder 
á cultura das differentes variedades do coqueiro, tendo sempre o 
cuidado de evitar a confusão em seu plantio, de modo que cada va- 
riedade tenha a sua cultura separada. 

Os côccs, destinados a servirem de sementes, devem ser apanhados 
bem maduros, sem entretanto estarem passados, e, por occasiâo de 
sua colheila, não devem ser atirados ao chão, porque da sua queda 
da arvore, geralmente, soffrem contusões, que, de antemão, os inuti- 
lisam pára a sementeira ou concorrem para que, mais adiante, 
venha a ser gerada nina planta doentia. 

Devem lambem ser somente empregados cocos de completo desen- 
volvimento. 

Após a sua maturidade, os cocos devem ser conservados, pelo 
menos, durante o espaço de quatro semanas, antes que possam ser 
preparados para a sua plantação, a qual pode ser levadaa effeito de três 
differentes modos: tanto pela sementeira em viveiro, do qual oppoilu- 
namente serão as plantinhas transplantadas para o logar de sua cultura 
definitiva, como também, por meio da suspensão sob um tecto que os 
proteja, ou finalmente, por meio da collocação, em um logar húmido, 
uns ao lado dos outros, sombriamente cobertos, e no qual o terreno 
seja fofo e poroso. 

As despezas de plantação e custeio para a sua exploração ficam, 
em virtude desse augmento de producção, consideravelmente reduzidas, 
do momento em que ellas cifram-se á mesma s >mma tanto para 10J 
como para 150 cocos. 



A LAVOURA 15 

Si quizermos indagar qual seja o modo mais apropriado de • 
adubação, deve-se repetir o que já acima ficou dito, de que, por 
occasião de se abrirem os buracos para o plantio das mudas, cumpre 
misturar-sea terra, delles extrahida, com estruma da curral, compo3to 
e de adubos chimicos afim de ser a mesma torra aproveitada para 
encher os buracos. 

Por occasião do plantio nunca se deve esquecer o estrume do 
curral ou o composto, porque estes estercos produzem, por meio do 
enriquecimento do solo cm bumus, um melhor desenvolvimento do 
systema radicular e por essa razão facilita um consumo mais intensivo 
de agua e bem assim dos elementos nutritivos. 

Nos terrenos ailtícienlemenle ricos, estes dois estercos talvez 
sejam, com os elementos contidos no solo, bastantes para fornecerem 
ás plantes a alimentação necessária para um anno. Si, porém, o 
terreno for muito pobre, então deve-se-lhe addicionar, conjunctamente 
com o estrume de curral e de compostos, uma maior somma de 
elementos nutritivos, por meio dos adubos chimicos, cuja dosagem deve 
ser approximadamen te a seguinte por 500 palmeiras : 

200 grammas de acido phosphorico. 
» » » polassa. 

» » » azoto. 

Deve-se, entretanto, ter o cuidado de que todos esses elementos 
nutritivos sejam dados, pa-rque a falta de qualquer um delles na 
adubação importará em insuecesso. E' de bom aviso dar-se esta 
substancia em superphnsphato em saes potássicos de 30 %, ou kainito 
eem sulfato de ammoniac > de conformidade com a seguinte dosagem: 

Superphosphalo com 20 °/o de acido phos- 
phorico solúvel, cerca de 1,030 grammas 

Saes potássicos de 30 °/o com 30 °/o de po- 
tássio 600 » 

Sulphato de ammoniaco com 20 °/o de azoto, 
cerca de 500 » 

O melhor é misturar previamente esses adubos chimicos e depois 
distribuir a quantidade total de 2.160 grammas acima indicada, 
medindo-a em uma lata de folha ou em outro qualquer vasilhame que 
contenha essa porção, então misturar essa mesma porção á terra 
extrahida, para, com ambos, encher 15 dias antes da plantação os 
buracos dos quaes foi a lerra retirada, como já tivemos occasião de 
mencionar mais adiante. 

Os elementos nutritivos empregados na occasião do plantio, todavia 
não são sufficienles para lazer com que a planta attinja a um bom 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



e completo desenvolvimento e para que venha a produzir abundante 
colheita e fructos de primeira qualidade, o que facilmente se pôde 
deprehender das investigações feitas pelo naturalista Dr. Bachhofen, e 
pelas quaes ficou provado que 1.000 cocos extrahem do solo : 

3,'J kilos de azoto. 

1,088 » » acido phosphorieo. 

8,482 » » potassa. 

9,707 » » sal. 

1,043 » » cal. 

Cumpre, entretanto, addicionar-se a essas quantidades o que a 
planta ainda carece para a formação do tronco e desenvolvimento das 
folhas, etc.,para o que devemos, de dois em dois annos, calcular para 
cada mil palmeiras : 

50 kilos de azoto. 

15 » » acido phosphorieo. 

106 » » potassa. 

19 ») » cal. 

136 » » sal. 

Na pratica, porém, esta norma deve ser modificada, sempre que a 
palmeira deixar de florescer ou de produzir os seus fructos, em cujo 
caso cumpre elevar a dose de acido phosphorieo. 

A quantidade de potassa, quando as cascas dos cocos ou cinzas dos 
mesmos forem restituídas ao solo, pôde ser diminuída. 

Os coqueiros precisam tão pouco de cal que, raras vezes, o seu em- 
prego torna-se necessário e, só quando se trata de um terreno argiloso, 
é que talvez seja útil uma certa porção de cal, para o melhoramento 
da constituição mechanica do solo. 

O sal é indispensavelmente preciso, c o seu emprego é mais facil- 
mente applicavel sob a forma de kainito contendo 12° 4 de potássio 
por 40 °/„ de sal. 

Nos terrenos ricos, pode-se economisar o emprego dispendioso de 
azoto. 

Assim si, todos os dois annos, se tiver de dar estrume de cur- 
ral, e, bem assim cinzas de cocos, então cumpre addicionar-se a 
esses estercos a seguinte dosagem de adubos chimicos por 500 pal- 
meiras: 

20 kilos de chlorureto de potássio 50 °/ ; 

45 ditos ds kainito 12 °/ u ; 

70 ditos do superphosphato 20°/ ; 

45 ditos de sulfureto de ammoniaco 20 °/ ; 



A LAVOURA 



140 kilos de kainito ; 
70 ditos de superphosphato ; 
45 ditos de ammoniaco . 

Esta mistura deve ser espalhada em redor do tronco, e a uma dis- 
tancia de cerca de 20 a 50 centímetros e logo após enterrada no solo, 
com todo o cuidado de modo a não offender seriamente o systema 
radicular. 

No caso em que se não possa obter cada dois annos estrume de 
curral ou composto para a estercada, então deve-se augmentar a quan- 
tidade dos elementos chimicos até a seguinte dosagem: 

90 kilos de ammoniaco ; 
100 ditos de superphosphato; 
60 ditos de kainito ; 
30 ditos de chlorureto de potássio. 

Afim de se tirar toda a vantagem possível desses elementos solúveis 
de nutrição, é preciso prestar toda a attenção aos seguintes pontos: 
manter constantemente o circulo em redor do tronco do coqueiro limpo 
de gramas ouhervas damninhas para evitar que ellas possam absorver 
os elementos nutritivos que devem aproveitar ao coqueiro, e também 
espalhar os adubos em redor do tronco do coqueiro com todo o cuidado, 
enterrando-os logo após com o ancinho sem offender as raizes. 



{Do Centro das Experiências Agrícolas do Kalisyndikat, Allemanha. Ru 

Alfandeija 93, sob. Rio de Janeiro.) 



imos a seguir as duas gravuras referentes a este artigo. 



SOCIEDADE NACIONAL DK AGRICULTURA 



EXPERIÊNCIAS REALISADA3 PELOS SRS. H. M. ALLEIN E G. T. TAYLOR EM SUA 
FAZENDA DE LOXTON E PALMBANE EM CEYLÃO 




Em u na área de 



lira de terreno sem adubação algu na uu tejs 
4050 metros quadrados 




Eru uma área de uma geira de terra adubada 



A LAVOURA 19 

A carreira agrícola 

O illustrado engenheiro agrónomo, professor Hector Raquet, na 
sessão solerane de abertura dos cursos do Instituto de Gembloux, para 
o anno lectivo de 1907-1908, proferiu a sabia lição seguinte que ver- 
temos devido ao interesse que desperta, pois que se trata da carreira 
agrícola . 

« Senhores — Uma tradição estabilecida exige que nesta cir- 
cumstancia um professor deste Instituto vos falle de algum assumpto 
que se relacione com a tarefa qu3 devemos effectuar juntos. 

Cabe-me a honra de fallar hoje. 

Pensei, a principio, tratar da parte do programma dos estudos, que 
ides emprehender ou continuar, mas cedi a uma preoccupação que me 
domina todos os annos, neste momento em que nos achamos reunidos. 

Tenho vindo aqui, todas as vezes, com uma curiosidade e uma 
emoção. 

Curiosidade que se liga aos novos estudantes e que me leva a 
inquirir si elles serão numerosos e o que poderão ser ; uma emoção que 
me leva a formar a irrealisavel aspiração de ver no futuro o que será a 
carreira dos moços que nós preparamos ao papel importante, ao papel 
essencial consistindo em fazer, com o auxilio da sciencia, a terra pro- 
duzir com toda fecundidade. 

Portanto, si esta aspiração é irrealisavel, si é impassível pedir 
ao futuro osegredo dos destinos indiviluaes, póde-se ser um sonhador, 
perscrutar esses destinos quando se tratadas collectividades. Si não se 
pôde prever o que fará cada um de vós, póde-se mostrar a todos que a 
carreira que abraçaram, que a missão que escolheram e para a qual vos 
queremos armar, offerece nobres fins ás intelligencias e ás energias, nas 
proporções da actividade que exercerem, ella permittirá servir á huma- 
nidade, sendo homens uieis e dando grandeza á vossa vida. E' disto 
que vos desejo fallar. 

Pretendo mostrar como a carreira do agricultor, do criador, é digna 
do trabalho que vos exige. Esta carreira, durante o tempo, tem gosado 
de pouco favor, está ainda muito desconhecida. 

O prestigio das profissles liberaes exerce um attractivo frequente- 
mente enganador. O salutar, o necessário respeito de tudo que repre- 
senta o pensamento, de tudo que nãn exige meios e forças sinão da 
intelligencia, faz considerar ainda cjm um certo desdém a profissão 
de que o rude trabalho de lavrador é auxiliar. 



20 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Em todas as classes da nossa sociedade democrática, parece que a 
nova nobreza seja concedida pelo trabalho exclusivamente intellectual, 
independente de tudo que se faz pelas mãos do homem . 

Costuma-se dizer, é até mesmo uma «chapa», de que a satyra 
tomou conta que — á agricultura faltavam braços. Com a mesma 
exactidão se poderia ter dito que faltavam intelligencias á agricul- 
tura. 

Um moro, lilho de burguezes ou camponezes, cujos pais no com - 
mercioou no trabalho da terra tivessem adquirido abastança, esta lhe 
facultando emprehender estudos, elle sonhava subir intellectualmente, 
sendo medico, advoga lo, engenheiro. Nisto consistia somente o seu 
modo de ver as cousas, a actividade superior . 

Estava entendido que, sahindo do gymnasio ou do collegio, era 
para a Universidade que se devia entrar. Seguir os cursos de alguma 
escola de agricultura, embora ornado com o titulo de superior, era 
decahir ou ao menos não se elevar. 

E quando alguns se resignavam a estes estudos de agricultura era 
talvez, porque pensavam que o diploma de engenheiro agrícola fosse 
mais fácil de obter de que outros pergaminhos. 

Uma opinião ainda bastante divulgada actualmente é que um 
homem bem dotado de intelligencia não se pôde consagrar a dirigir, 
a desenvolver uma exploração agrícola, ou melhorar, ou tornar mais 
lindos e mais puros os animaes de um rebanho. 

Agora, este preconceito começa a perder sua importância, o seu 
credito em breve ficará arruinado, pois era um preconceito em absoluta 
contradicção com o espirito novo, com a nova da sciencia da vida que 
o progresso dos conhecimentos humanos estabeleceu, com a concepção 
racional que o homem esclarecido tem principalmente dos seus esforços. 

Para rehabilitar a profissão de agricultor ou de criador, não ha 
mais necessidade de appsllar para santimentos de egoísmo, nem 
mostrar que é mais invejável a existência livre, na aprazível opulência 
da natureza, o trabalho que em cada dia lhe dá um novo aspecto, menor 
que os esforços regulares e monótonos no gabinete de trabalho, cujo 
êxito é também problemático. 

E' supérfluo invocar laes cousas ; póde-se, para exaltar a missão que 
nos preparamos aqui a desempenhar, somente invocar a nobreza da 
tarefa, seu caracter inclinado á formação do espirito scientifico, a 
educação do pensamento livre, soberano e claro, mostrar que elle 
offerece, exactamente, e num gráo superior, tudo o que attrahiria os 
moços para as profissões liberaes. 



A LAVOURA 21 

Si as producções do artista, do orador, si os labores do medico, si 
algumas vezes mesmo o génio de um grande militar excitam a nossa 
admiração, é sempre vorque achamos nisto alguma cousa com que 
augmentar o nosso orgulho, ou com que acreditar um pouco mais nu 
poder dos homens, no eterno combato a que elles se entregam. 
homem não tem sinão uma nobreza : é aquella que lhe dão as 
suas victorias sobre as forças que o cere \m . Elle cresce cada dia mais 
quando consegue superar algumas dessas forças, tendo destruído suas 
causas ou as submettido ao serviço das suas necessidades. 

O altista é grande porque deu á matéria aspecto de belleza ; o 
medico é grande porque elle vence os males que desagregam essa 
mesma matéria de que depende a nossa vida ; o militar nos parece 
grande quando elle detém as forças humanas puramente destruidoras 
e cuja acção ameace o que nós consideramos como indispensável ao 
nosso trabalho pacifico ; o engenheiro é admirável quando imagina 
algum meio novo de oppor uma barreira ás forças inconscientes ou de 
utilizar estas diminuindo o nosso esforço. Em resumo, o individuo se 
ennobrece, torna-se heroe todas as vezes que a sua acção pessoal excede 
em resultado o que deve aproveitar só a elle, cada vez que se augmentam 
um pouco os meios de vida de que a humanidade dispõe, cada vez que 
se allivia um pouco a tarefa da humanidade. 

Este resultado pôde ser sempre mais considerável do que quando 
os homens afrontando os rigores de clima, os perigos, vão para os 
immensos territórios dos paizes novos, da Austrália, da America do 
Sul, do Canadá, da Africa Central, emprehendem com a terra ainda 
inculta uma lueta paciente e cheia de perigos, e, armados de sua sci- 
encia, impõem a esta terra uma fecundidade, trazem á humanidade 
novos recursos devida. Pensae na repercussão que exerce esse simples 
phenomeno: pela acção desses homens, um cereal cultivado mais 
abundantemente se vende um pouco menos caro, torna-se accessivel 
a milheiros e milheiros de homens que se achavam privados delle. 

Supponhamos quanto isto concorre para formar vidas mais vi- 
gorosas, mais saudáveis e tudo porque a sciencia nos mostrou as soli- 
dariedades da carne e do cérebro. Não ha mais claro pensamento! 

Os homens fizeram isto, e estes homens eram agricultores e cria- 
dores. Haverá missão mais nobre, mais brilhante, mais digna de 
admiração do que aquella que elles assim exercem? E nas emprezas 
de expansão, de colonisação, que outro fim justificável não têm anão 
ser o de fazer a terra produzir toda a riqueza que ella contém, pondo 
á disposição dos homens todas as forças e todos os recursos que 



2;' SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

pode fornecer sua fecundidade dirigida pelo saber ; neste empre- 
hendimento formidável, o agente mais precioso, mais indispensável 
— não será sempre o agricultor ? 

Mas, não lemos necessidade de evocar estas remotas tentativas, 
esta obra de conquista nova e aventureira, para mostrar quanto é 
nobre e digno de attrahir as organi sacões de escola missão do agri- 
cultor e do criador . Sobre a nossa velha terra da Europa, existem 
ainda grandes coisas por fazer; desta terra é preciso conservar, au- 
gmentar, regularisar a fertilidade e por terem trabalhado ahi os 
homens mereceram a verdadeira gloria. 

Quero citar exemplos. 

Emquanto os criadores consagravam sua actividade na valori- 
sação dos imrnensos territórios dos paizes novos e lançávamos seus 
abundantes rebanhos através das immensas planícies de pastagem, 
nas duas Américas e na Austrália, onde as diversas raças animaes 
submettidas á acção dos agentes naturaes, cuja influencia ellas tinham 
de soffrer, encontravam, com a sua liberdade, essas condições de 
existência primitiva, empenhavam a luta pela vida, obtinham mais 
vigor, mais robustez ; outros criadores, operando num campo mais 
restricto, applicando os methodos da sua experiência e das suas 
observações praticas, conseguiam augmentar a força transformadora 
das machinas animadas e submettidas ao seu império. 

Criavam essas admiráveis raças de varias aptidões que tê n feito 
sua reputação, sua gloria, sua fortuna.. . 

E' na Inglaterra, nesse berço de renovação agrícola, que se vê o 
apparecimento desses práticos de génio que illustraram a agricultura 
no seu paiz e adquiriram uma celebridade universal pelos progressos que 
conseguiram realizar na criação, pela nova orientação que souberam 
imprimir ao melhoramento do gado ; emquanto que o agricultor da Eu- 
ropa continental não achava justificação de alimentar animaes, anão 
ser pela necessidade de produzir carne salgada e declarava o gado « um 
mal necessário » — os criadores inglezes proclamavam que a ma- 
china animal tem por fim essencial produzir trabalho, leite, carne, e o 
mais ; por conseguinte, deve-se tirar o máximo proveito da sua ex- 
ploração, obtendo a maior producção co.n despeza minima. 

Elles resumiam nessa formula simples todo problema zoote- 
chnico e para resolvel-o, a ppl içaram methodos que são a base de toda 
criação realmente progressista: a selecção dos reproductores, a alimen- 
tação racional, r os cuidados da hygiene. E' preciso lêr a vida desses 
grandes criadores: os Bakewell, ^os Collings, os Jonas Webb, para se 



A LAVOURA 23 

vêr com que incansável perseverança, admirável tenacidade, fé pro- 
funda nosuccesso final, elles proseguiram sua tarefa. Esses esculptores 
de matéria viva, esses organizadores de formas animaes transfor- 
mando conforme os seus desejos seres animados submettidos ás leis 
naturaes, creando a belleza útil como o cinzel do artista modifica o 
mármore, ennobrecee idealiza os traços, não são génios iguaesdeum 
Phidias ou de um Miguel Angelo? 

Arrancar seus segredos á natureza, advinhar, presintir o futuro, 
impor sua vontade ás forças que agem sob a égide de leis ainda parcial- 
mente desconhecidas, haverá fim mais elevado, acção que mais nos 
desvaneça ? 

Eis o que elles fizeram. 

A zootechnia pratica hauriu nos trabalhos de Bakewell, de Gol- 
lings, do Jonas Webb, de Malingié, os preceitos que constituem hoje as 
leis fundamentaes. 

O desenvolvimento exacto de diversas aptidões, o alto poder de 
assimilação, a reducção da ossatura entre os animaes de corte, a rapi- 
dez do crescimento e a propensão para a engorda levada até aos limites 
compatíveis com o equilíbrio das leis physiologicas, tal foi o fim deter- 
minado aos seus esforços, a tarefa constantemente executada. 

Sabe-se que Bakewell não se limitava a observar seus animaes 
durante a sua existência e a comparar o seu augmento no peso e a 
alimentação consumida ; elle procurava completar suas apreciações ou 
a confrontar o seu julgamento por meio de autopsias minuciosas que 
se executavam em cada animal, abatido, entre os da sua criação para 
o consumo. Bakewell com um orgulho legitimo amava mostrar esses 
resultados fornecidos pelo systema novo que adoptava e se differen. 
cava do até então seguido nestes dois pontos : 

Reducção da ossatura em vêzdo esqueleto volumoso ; criação em 
consanguineidade em vêz da mistura perpetua de raças e de sangues 
extrangeiros. 

Estes dois princípios foram a base de todas as suas operações 
para criação ; pela judiciosa applicação elle conseguiu em vinte e cinco 
annos, apurar essa preciosa raça ovina de Disbley que conquistou rapi- 
damente uma grande reputação, e quando em 1760 Bakewell apenas 
obtinha pela locação dos seus carneiros 20 a 25 francos, por cabeça para 
a época da reprrducção, em 1791, trinta annos mais tarde, três carnei- 
ros lhe deram, pela locação de um anno, a quantia de 75 . OOOfrancos ! 

O seu celebre carneiro Two Founder lhe rendeu, só em uma época, 
31.500 francos! 



SOCIHDADK NACIONAL DE AGRICULTURA 



A celebridade e a fortuna foram a dupla recompensa para a sua 
beila o útil carreira. 

Foi ao lado do criador de Disbley Grange, que praticava a 
hospitalidade mais franca, que Carlos o Roherto Collings vieram 
aprender os ensinamentos de que tiraram proveito maravilhoso para 
melhoramento da raça de Durham a qual elles ligaram seu 
nome. 

A criação consanguínea praticada ao principio com uma certa 
hesitação, depois melhor approveitada e continuada através de uma 
ininterrupta successão de gerações, com o auxilio de reproductores 
cuja forca hereditária nunca enfraquece, a preoccupação constante 
de apurar productos para obtenção da maior vantagem quanto á carne, 
deram aos rebanhos dos irmãos Collings uma homogeneidade sem 
igual e extraordinária precocidade. 

Os successos que os reproductores das herdades de Ketton e de 
Barpmton obtiveram nos concursos e a admiração que despertaram 
no mundo dos criadores pela belleza e regularidade de suas formas 
conceituaram rapidamente a sua celebridade. 

«Toda a imprensa, diz um escriptor da época, celebrava a as- 
sombrosa maravilha, e todo « gentleman » que quizesse principiar o 
melhoramento do seu rebanho ia comprar um touro dos Collings 
até que chegou a occasião de se considerar um grande favor obter 
um desses reproductores. Quem falava dos Durhams melhorados apai- 
xonava-se agora pelos Collings ; os adeptos dessas espécies, que se 
considerassem capazes e dispostos a pagar preços elevados, acudiam 
em multidão a Ketton e a Barpmton...» 

listas operações de mr. Collings concluíram em 1810 pela venda 
geral do seu gado que produziu 177.920 francos; o touro «Comet» 
vendeu-se por 26.250 francos e um criador que appareceu logo após a 
venda desse animal declarou que teria dado por elle até 42 .000 francos ! 
Os admiradores e amigos de Carlos Collings quizeram perpetuar a 
lembrança da sua brilhante carreira e para este fim offereceram-lheuma 
rica taça de praia, «en vermeib, com esta inscripção : 

« Offerta a mr. Carlos Collings — o grande aperfeiçoador da raça 
Durham, pelos criadores cujos nomes seguem como uma prova do seu 
ieconhecimento pelos serviços que elle lhes prestou com os seus 
criteriosos aperfeiçoamentos e também como um testemunho de estima 
pela sua pessoa. — MDCCCX.» 

Como bem disse Sanson : isto vale perfeitamente um titulo de 
nobreza . 



LAVOURA 



RobsrfcoCoIIings terminou sua carreira de criador em 1818 ; a venda 
do sou galo rendeu 196.325 francos ; opreoo médio de animal saiu a 
mais de 3 000 francos ! 

A raça de Durham melhorada adquiriu fama universal, póde-se 
consideral-a uma das glorias da agricultura ingleza e consagra as 
victorias dos methodos zootechnicos modernos. Sua rápida extensão 
causou entre os criadores de todos os paizes uma salutar emulação para 
o melhoramento da conformação das raças bovinas, de que ella represen- 
tava o typo ideal, e, neste ponto de vista se pôde dizer que a disseminação 
desses representantes exerceu em toda parte uma influencia feliz sobre 
a criação bovina. 

O methodo que produzira entre as mãos hábeis de Bakewell e dos 
irmãos Collings tão brilhantes resultadas conduziu egualmente ao 
successo outro illustre criador de carneiros Jonas Webb. 

Observador de génio, pratico, esclarecido e experimentado, elle 
conseguiu após 18 annos de esforços incessantes fazer do carneiro 
Southdown um modelo de perfeição para a producção da carne. Jonas 
Webb conheceu todos os triumphos que um criador possa ambicionar; 
em todos os concursos em que participaram os seus Southdowns 
melhorados, elle obteve as mais altas recompensas. 

Em Pariz, nos certamens de 1855 ede 1856 foram concedidos os 
primeiros prémios e os seus esplendidos reproductores levantaram 
grande enthusiasmo no mundo dos criadores. 

O gado ovino de Babraham estava conhecido em todo mundo e 
foi único acontecimento nos annaes da criação o da venda geral dos 
carneiros de Jonas Webb que se realisou a 10 de julho de 1861. 

Mr. Robion de la Tréhonnais dando conta desta memorável jornada, 
escreveu : 

« O gado de Jonas Webb não existe mais reunido : os famosos 
carneiros cuja locação foi disputada durante um quarto de século e, 
que exerceram tão grande influencia para o melhoramento das raças 
ovinas, em todo mundo, estão agora dispersos o para nunca mais se 
juntarem sob avara do eminente criador. Ha, accrescenta o mesmo 
escriptor, na existência de cada homem um instante decisivo em que a 
responsabilidade da vida activa se torna excessivamente pesada, ou, 
como o viajante afadigado, o homem sentindo que a energia necessária 
ao cumprimento de sua missão começa a enfraquecei', depõe o seu fardo 
e descança. 

Foi talvez este sentimento que determinou Jonas Webb a realisar 
afinal o fructo do seu génio. » 

2160 4 



SOCIIÍDADK NACIONAL DK AGRICULTURA 



Jamais testemunho tão esplendido <le estima e de respeito foi 
offerecido a algum agricultor depois que a agricultura, nutridora do 
género humano, se tornou objecto de altenção e do estudo dos homens 
sérios . 

Os annaes da agricultura ingleza, tão ricos em acontecimentos de 
todo género nada offereeem que seja tão notável. 

Ao lado desses nomes de que se ensoberbece a agricultura ingleza, 
seria injusto não mencionar aquelles que em França trouxeram o 
concurso da sua sciencia e «la sua dedicação absoluta ao progresso da 
criação. 

Embora a sua celel ridade seja menos considerável, sua ohra mais 
modesta, elles merecem figurar em bom logar entre os práticos aos 
quaes a zootechnia moderna deve pagar um tributo de homenagens 
justas. 

Si os criadores inglezes proseguiram no melhoramento da raça 
pela raça e fizeram da «selecção» o seu methodo de preferencia, a 
mistura de sangues, o « crescimento», a ((mestiçagem» conservaram 
em França um favor real . 

Preoccupados com fazer beneficiar a criação nacional com os 
resultados adquiridos pelos práticos de ultra-Mancha e desejosos de 
cons?rvar em seu primor essas qualidades tão preciosas de adaptação 
ao solo e ás condições do meio em que operavam os iniciadores do 
progresso zootech nico, em França, recommendaram a importação dos 
reproduetores inglezes para o melhoramento pelo «crescimento», dos 
gados indígenas. 

Já uma importante empreza zootechnica, á qual Tessier eGilbert 
ligaram seus nomes, exercera sua feliz influencia para a criação ovina, 
pela introducção na França dos carneiros Merinos, de Hespanha, ea 
criação do celebre gado de Rambouillet, no domínio comprado por 
Luiz XIV ao Duque de Penthièvre, no fim do XVIII século. 

A ovelha de Rambouillet, destinada á producção e melhoramento 
da preciosa raça de lã fina que constituía o factor essencial da for- 
tuna agrícola da Hespanha, e que este paiz tivera a previdente sa- 
bedoria de manter nos limites de suas fronteiras até o dia em que 
as intervenções regias e os tratados políticos a obrigaram acederas 
rebanhos ao estrangeiro — a ovelheira de Rambouillet disseminou os 
seus reproduetores entre os rebanhos de raças communs indooecupar 
as differentes zonas do território. 

O progresso que resultou foi dos mais consideráveis e a ovelheira 
de Rambouillet cujo papel tem sido tão efficaz para o melhoramento 



A LAVOURA 27 

das lãs indígenas adquiriu rapidam ente uma nomeada universal. De 
lodos os paizes vêm emissários em procura dos reproductores, attin- 
gindo alguns a preços excedentes dez mil francos!» 

(Do Estado de S. raulo. ) 

££**íjK— « 



EXPEDIENTE 



Secretaria 

Syndicato Agrícola Alegrense-Ao Sr. Presidente da Socie- 
dade Nacional de Agricultura foi communicado em ofticio pela directoria do 
Syndicato Agrícola Alegrense. reeentemento installado na Villa do Alegre, que 
este syndicato tomou a deliberação de inscrever-se como associado desta Sociedade, 
sendo na mesma occasião resolvido solicitar desta mesma Sociedade parecer sobre 
os seus Estatutos. Tomando na devida consideração tão honroso officio, a Direc- 
toria desta Sociedade confiou a analyso dos estatutos ao Sr. Dr. João Baptista de 
Castro que se desempenhou desse encargo, emittindo o seguinte parecer que 
publicamos na intrega : 

« Tenho a honra de informar lhe que, acquiescendo ao seu honroso convite afim 
de emittir o meu parecer sobre os estatutos do « Syndicato Agrícola Alegrense », 
achei-os perfeitamente correctos, já no que respeita a lei, já nos institutos 
propostos. 

Por feliz coincidência, ao ser-me ommettida essa tarefa, pude verificar com 
satisfação que a associação em questão é o resultado final de uma propaganda que 
desempenhei, ha bastante tempo, na Villa do Alegre, junto de djis amigos que alli 
tive — o vigário — Reverendíssimo padre Martins Teixeira e o fin ido juiz de direito 
da Comarca Dr. Wanderley, aos qnaes se juntou mais tarde o P.omotor Publico. 
Tendo os meus filhos uma vasta fazenda no Alegre, onde estive algumas vezes, 
adquiri acolá relações e delias lancei mão para divulgar as nossas doutrinas, como 
posso provar com as cartas que nesse sentido possúj. 

Os estatutos pareceram-me um tanto rigorosos de mais, em certos pontos ; 
mas, a experiência adquirida na pratica é quem ensinará as modificações que por 
ventura forjm reclamidas pelos nossos costumes, contanto, po--ém, que fiquem 
mantidas em sua essência os sãos princípios básicos dess;s s dataras instituições. » 



Correspondência 

Evpedída em j moiro : 

Cartas, ollicios, telegrammas o circulares . 
Irapresscs . • 



88 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Expedida en fevereiro : 

Tolegraramas, cartas o òfficios 4"2 

Impressos 45S5 

Recebida em janeiro : 

Cartas 189 

Circulares 3 

Memoranda 10 

Oiiicio.; 33 

Telegrammas .......: 6 

Idem em fevereiro : 

Cartas 302 

Circulares 1 

Memoranda 10 

Offleios 39 

Telegr immas , 11 

GAFANHOTOS— Do Sr. Arthur Baroneim, lavrador residente em União da 
Victoria, recebeu a Secretaria a seguinte carta que damos á publicidade: 

« Kas minhas lavouras tive três passagens suecessivas de gafinliotos. Na pri- 
meira em 20 de outubro, pararam só um dia e desovaram pouco ; a segunda no 
dia 1 de novembro, pararam nove dias e desovaram muito; na terceira no dia 22 
de novembro, pararam cinco dias e desovaram também muito. 

Nos últimos dias de novembro começaram a apparecer saltões que foram 
augmentando diariamente. 

Tendo a Sociedade Estadoal de Agricultura publicado no jornal uma receita 
usada no Transwaal, para envenenar os pastos e as^im extinguir os gafanhotos 
eu experimentei, porem modificanJo a receita, supprimindo por não o ter, o 
carbonato de soda e augmentando a proporção do arsénico, tendo achado o 
liquido nas primeiras experiências muito fraco. 

A solução por mim usada fti a seguinte: 100 litros de agua, um kilo 
de arsénico e dous kilos de assucar. 

A solução eu applicava com uma bomba; primeiro nos pastos onde estavam as 
manchas de saltões, porém, tendo observado quo os saltões attingidos pelo 
liquido morriam, applicava directamente sobre os mesmos. 

O resultado obtido foi acima da minha e-peetativa, pois em poucos dias livrei 
completamento a minha lavoura dos pequenos gafanhotos. 

As minhas lavouras oceupam uma área de 40 alqiuires, porém a parte mais 
infestada de gafanhotos era só de seis alqueires. 

A despjsa por mim feita na matança dos saltões foi a seguinte ; 

1 1 kilos de arsénico 22$000 

22 kilos de assucar 11$009 

Cinco dias de serviço de um operário 15,^000 

Total 48$000 



A LAVOURA 



Julguei dever enviar estas noticias, conheconio quanto esta Sociedaie se 
interessa pela lavoura e por tudo o que pode ser do vantagem para a mesma. 

Esta exporiencia já tom silo feita pjr muitos e a Sociedaie terá noticias 
antecedentes do bom resultado que se obtém na extinccão dos gafanhotos cora o 
arsénico o por isso ponso que osti minha não terá outro resultado quo confirmar 
o que já muitos terão noticiado. » 



Secção Technica 



INFORMAÇÕES —Em 18 de fjvereiro de 1908. 

O Sr. Jarbas Guimarães, em carta datada de Quoluz de Minas, pediu infor- 
mações sobre um tratado de criação de gallinhas. 

Indicou-se em primeiro lo r ar o livro de C. Voitelier — VAokullure —Paris; 
sendo também indicado: 1", Jacquo— Le Pomlaller— Paris— 2 o , Lemoina —Lélevage 
des animaux de basse cour — Paris — 3 o , II. II — Stoddard — The New Egg. 
Varm. 

O Sr. Adolpho Rollemberg— emcarti ditada do «Engenho Ejcurial», Sorgipa 
—pediu informações sobre um automóvel para Uvras e outros trabalhos agrícolas. 

Respondeu-se que S.S 1 . encontrará o que deseja, lendo o n. 11 da Livoura, 
de novembro de 1906 eo 10 do outubro de 1907. 

Além disso, para informações de caracter comraercial S.S' poderá dii-igir-se 
aos Srs. Arens & Comp. , que são agentes da casa Suul, no Brasil. 

O Sr. Joaquim Cândido Noves, era carta datada do 11— peliu informações di- 
versas, sendo: I a qual a melhor formicida? 2 a qual o preço da machina des- 
tinada á extracção da fibra da piteira ? 

Quanto ao I o quesito — informou-se não haver estudo serio e seguido quo 
habilite a se dizer qual o melhor formicida. 

O producto que se venda sob osta denominação, quando applicado com pe- 
rícia e repetidamente, dá sempre resultado, qualquer que seja o fabricante. 

Quanto ao preço da machina de ext-r ihir a Abra da piteira, vem na A Lavoura 
de outubro de 190S, pagina 538. 

O Sr. Domingos Zatti — pede informações, sobre onde pode encontrar ramas 
de inanahivas das mandiocas — Manipeba e Saracura ? 

Não sabemos quem possua essas variedades, todavia o Sr. Domingos Zatti 
pôde informar-se na DisliUaria Franco-Brasileira da Várzea, em Jundiahy — São 
Paulo, pois ahi fazem grandes culturas de mandioca e ê bom possível que conhe- 
çam essas duas variedades. 

O Sr. Agrippino Duarte — de Januaria — Minas — pedo informação sobre 
qual o processo para desnaturar o álcool e qual o melhor processo para o fabrico 
dos vinhos artiflciaes ; 

Qual o melhor processo para extrair borracha da maniçoba. 

Informou-se quanto ao I o quesito:— para desnaturar o álcool omprega-se, en- 
tre outras, a seguinte formula: 

Para 100 litros de álcool — 10 litros de methyleno e 1/2 litro de benzina ; 

2 o — Ler — J. Andibart — L'art de faire le vin de raisin sec — Paris , Ja- 
cqueim — Les levrúres — Paris. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



3 o — O único meio até agora empregado é o das tigelinhas, usado no Pará, 
para a seriDgueira e no Sul para a maniçoba. 

O Sr. Arthur da Silva Bernardes— de Viçoz i — Minas — pede informações 
sobre se a lei federal que concado prémios aos seriícieultores está em vigor e em 
execução. 

Informou-se— que a lei está em execução o quanto aos demais esclarecimentos 
— acham-seno regulamento, ás paginas 390 de 2 do setembro d'A Lavoura, de 1907. 

A. GrevyZebra- No numero do novembro d'A Lavoura demos noticia 
da Estação Zootechnica que os Srs. Herm Stoltz & C. fundaram no Jardim Zooló- 
gico desta Capital. Os mesmos senhores, na qualidade de representantes do Sr. Cari 
Hagenbock, de Hamburgo, acabam do receber um prospecto no qual, vem 
expostas todas as vantagens que os criadores poderão tirar com a iutrodueção^da 
Grevxj-Zebra. De muito bom grado accedemos ao pedido que nos fez, no sentido de 
transcrevermos o prospecto, o que fazemos, reproduzindo a gravura que acompa- 
nha o mesmo, para melhor orientação dos nossos leitores : 




«A Grevy-Zebra (Equus Greoyi),— dos paizes Somali & Galla é entre as diversas 
espécies de zebra a maior, a mais bonita e a mais forte. Ella é quem tem depois 
da zebra das montanhas (Eiuuí Zebra) o mais verdadeiro typo de jumento e é de 



A LAVOURA 



ura tamanho considerável, de modo que no seu completo desenvolvimento ella 
alcança a altura do 1 m. 45 cm. ató 1 m. 48 cm., medida esta tomada di cruz. 
Pela grandeza e belleza do seu corpo ella 6 especialmente dotada para a criação de 
zebroides mulas. As zebroides que até agora se tom ganho pelo cruzamento da 
zebra de Burchell, Chapman & Bohm com os cavallos tem se mostrado animaes 
muito bons e tenazes para o trabalho. Elias possuem pelo menos a mesma tena- 
cidade e capacidade de trabalho que possue o burro criado pelo cruzamento entre 
cavallo e jumento e toda a sua apparencia é mais nobre e mais bonita. 

Como as Urevy-Zebras em tamanho são somente um pouco menores do que os 
jumentos de criação hespanhóes, eu considero estas zebras o mais nobre e o melhor 
material de criação para produzirem em seu cruzamento com as diversas raças 
decavallos uma zebroide-mula da primeira ordem. As grevy zebras têm por isso 
ura valor especial para a agricultura. 

Especialmente possuem estes animaes uma tão boa Índole, que uma vez aman- 
sados são tão seguros como o mais dócil cavallo. 

Por causa do typo evidente de jumento nestes animaes tenho a grande espe- 
rança que os seus descendentes produzidos polo cruzamento com os graudes ju- 
mentos do criação hespanhóes se provarão fecundos. Para provar a verdade destas 
minhas presumpções, farei experiências logo que chegar o meu transporto de grevy- 
zebras, e para este fim reservarei para mim para tirar a raça e também para 
cruzamento com grandes jumentos de criação hespanhóes duas zebras inteiras o 
seis éguas. Comeste intuito já tenho comprado em Stellingen ura terreno de mais 
ou menos seis hectares, o qual será especialmente arranjado para isto. Se pelas 
minhas experiências ficar provada uma fecundidade do bastardo produzido pelo gre- 
vy-zebra e o jumento, é fácil coraprehonder que valo/ extraordinário tem este pro- 
ducto de cruzamento para conseguir excellentes animaes de trabalho para a agri- 
cultura. Grandes jumentos de criaç lo hespanhóes foram lia alguns mezes vendidos 
em America para criação de burros, pelo preço exorbitante de 3.200 dollars cada 
um. Como a experiência tem mostrado que os productos de cruzamento sempre 
ficam maiores do que foram os pães, eu espero que o bastardo da grevy-zebra com 
o jumento, pelo menos alcançará uma altura de 1 m. 60 cm. 

Tenho actualmente para vender quatro zebras inteiras e oito éguas; mas, 
vendo somente uma inteira junto com duas éguas, peloproço minimo de Mk. 18.000 
incl. emballage, fornecidos livre estação ou navio Hamburgo. Desda o dia 20 de 
fevereiro estirão provavelmente as grevy-zebras expostas em Stellingen em meu 
jardim zoológico, o rogo aos senhores interessados de me enviarem eventl. as suas 
valiosas ordens o mais cedo possível ». 

Propaganda ii^i-icola, — Está sendo feita a distribuição do folheto 
n. VII da serie que esU Sociedade está publicando. Procedeu-se também á reim- 
pressão dos seis prinuiros que se tinham esgotado, tendo sido introduzidas nelles 
algumas illustrações para melhor elucidação do texto. Damos, para conhecimento 
de todos aquelles aosquies possa interessar, os títulos destas publicações que são os 
seguintes : I Cultura do algodoeiro, II Cultura do lúpulo, III Cevada, IV Consolida, 
V Alfafa, VI Quatro importantes leguminosas forrageiras e VII Plantas produeto- 
rasde borracha. Este ultimo ó um folheto de 58 paginas ; na sua primeira parte 
encontram-se estudos sobre a maniçobeira, sua cultura e exploração ; sobre a se- 



32 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

ringueira, sobro ocaucho ou castilloa elástica, e finalmente, sobre a Landolphia Se- 
negalensis. Vêm depois excorptos do parecer elaborado pelo Sr. Dr. Miguel Cal- 
moD, como membro da Comrmssíio de Agricultura e Industrias Conn;xas da Camará 
dos Deputado-:, a orca do projícto n. 83, de 1936, do Sr. Deputado Passos de Mi- 
randa Filho, que estabelece a mouopolização do commorcio da borracha-seringa. 

Segue-se uma noticia suecinta sobre a nova planta proJuetora de borracha —o 
Guayule, extrahida do boletim d:i Secretaria de Fomento do México. Em ultimo 
logar traz dados estatísticos concernentes á cotação da borracha brasileira do varias 
procedências e qualidades, nos mais importantes mercados nacionaes e estrangei- 
ros. Não comportando as pequenas dimensões do folheto a gravura em que vem 
reproduzida a bellissima alameda de seringueiras do Jardim Botânico do Rio do 
Janeiro, incltiimol-a abrindo o presente numero, para que melhor se grave o 
que então atflrmou o autor de um estudo sobre a questão, publicado naquelle 
mesmo numero, sobro as possibilidades aqui da cultura da Hevea Brasiliensis . 

De grande bellez.i e exprimindo uma vista do Jardim Botânico desta Capital, 
a cargo do orapetento naturalista, Dr. Barbosa Rodrigues, julgamos assim bem 
illustrar a nossa revista com este quadro nacional. O mesmo Dr. Barbosa Ro- 
drigues já publicou um estudo sobre « As Heveas ou Seriugueiras», editado em 
1900, o qual rejommendamos aos interessados. 

A.s gravuras das capas — As gravuras deste numero representam 
bellos produetos bovinos, que já figuraram no opúsculo sobre o inquérito do gado 
Zebú, ultimamente distribuído pur esta Sociedade. 

A da frente é do gado Caracú, de propriedalo dos irmãos Castro, era Minas, e 
a do fundo 6 de mescla dos gados Caracú e Crioulo, de propriedade do Sr- Visconde 
de Ururaby, no Estado do Rio. 



A LAVOURA 



Secção de plantas 2 sementes 



Distribuição feita pela Sociedade Nacional de Agricultura, 
durante os mezes de janeiro e fevereiro de 1908 



£ 


SPE^IFICAÇÃO 


PESO 

Kilogrammas 


VOLUMES 






1.350 

40.000 

13.750 

16. COO 

5.310 

4.550 

1.9S2 

1.228 

55.450 

32.000 

8i0 

80.000 

5.000 

4.500 

15.000 

30 000 

1.400 

500 


13 




6 




25 




2 


Ccbollos 


78 




IS 




124 




112 




52 




17 




36 


Algodão do Maranhão 


32 
16 




Í5 




15 




15 




3 




1 










SOS. 910 


5S0 







■ lOYIMI.NTO DA SEC; 



Foram satisfeitos 00 pedidi 
» expedidas 6 cartas. 



-&»&$> jj(€€€4- 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGKICUl.TUKA 



NOTICIÁRIO 



Sindicatos agrícolas — Damos a seguir o regulamento da lei dos 
syndieatos agrícolas, que muita utilidade virá prestar aos interessados. 

DEi RETON. G.532 -de 20 de junho de i i07 



Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brasil, usando da auctori- 
zação que lhe confere o art. 48, n. 1, da Constituição, decreta : 

Artigo único. Fica approvado o regulamento que com este baixa, assignado 
pelo ministro de Estado de Industria, Viação e Obras Publicas, para a execução do 
decreto legislativo n. 979, de 6 de janeiro do 1903. 

Rio de Janeiro, 20 do junho de 1907, 19° da Republica. 

Affonso Augusto Moreira Penna.. 

Miguel Calmon du Pin o Almeida. 

Regulamento dos Syndrctos Agrícolas, a que se refere o decreto n. 6.532, dista data 

Art. l.°E' permittida a organização de syndicatcs agrícolas, que, para os 
effeitos legaes, são as associações formadas entre profissionaes da agricultura o 
industrias ruraes de qualquer género, para defesa dos interesses de ordem econó- 
mica, social ou moral, communsaos associados. 

Art. 2.° Os syndicatos terão uma denominação particular ou quó indique seu 
objecto de modo a se differençarem de qualquer outrj ; sua duração poderá ser in- 
definida : poiem organizar-se independente de auctorizaçãj do govc.io e são 
isentos de quaesquer restricções ou ónus. 

Art. 3.° São característicos essenjiaos dos syndicatos agrícolas : 

n) o numoro mínimo de sete associados; 

b) a qualidade pe:uliar a tolos os associado3 de profissional da agricultura ou 
de industria rural de qualquer género ; 

c) a existência do um património constituindo capital da associação; 

d a fórraa de rnutualidade em todis ai operações e actos dos syndicatos. 

Art. 4.° Consideram-se profissionaes para toios os eleitos da lei : 

O proprietário, o cultivador, o arrendatário, o parceiro, o criador de gado, o 
jornaleiro c quaesquer pessoas empregadas em serviço dos predius ruraes, bem 
como a pessoa jurídica enj v existência tenha por fim a exploração de agricultura 
ou outra industria rural. 

Paragrapho única. Perderá essa qualidade todo aquello que deixar de per- 
tencer a qualquer das classes de que trata este artigo, 

Art. 5.° O património do syndicato agrícola poderá ser limitado ou illimitado, 
mas pertencerá ao fundo da associação, não podendo em caso algum reverter aos 
associados. 



A LAVOlikA 



Paragrapho único. Será ordinariamente constituído: 

a) pelas jóias, mensalidades ou annuidades estabelecidas nos estatutos para 
que os associados possam gosar das vantagens e serviços da associação ; 

h) pelas commissões sobre compras e vendas feitas ou agonciadas por conta 
da associação ; 

c) pelas taxas que forem estabelecidas para outros serviços ; 

d) pelas multas determinadas em estatutos ou regulamentos ; 

e) por empréstimos, subvenções, donativos e legados. 

Art. 6." Todos os saldos e proventos applicam-se ao augmento do património, 
não podendo ser distribuídos lucros aoi associados. 

Art. 7.° Poderão estas formar entro si caixas ospeciaes, de soccorros e d i apo- 
sentadorias ou quaesçiuer instituições de mutualilalee cooperação, sem prejuízo 
do património social, e constituindo ellas associações distinctas com inteira dis- 
criminação de responsabilidades. 

Art. 8.° O associado que se desligar do syndicato poderá, todavia, continuar a 
fazer parte das caixas especiaes a que se refere o artigo anterior, mediante as 
condições quo nos estatutos forem fixadas. 

Art. 9." O numero de associados poderá ser illimitalo, c nos estatutos devem 
ser determinadas as condições do admissão c eliminação, as vantagens e ónus, bem 
como a responsabilidade dos mesmos associados. 

Art. 10. E' livre a todos os associados retirarem-se em qualquer tempo, per- 
dendo, porém, todos os direitos, concessões e vantagens inherontes ao syndicato, 
em favor deste, sem direito a reclamação alguma o sem projuizo das responsabili- 
dades que tiverem contrahido (Dec. n. 979, art. 6 o ). 

Paragrapho único. Taes respjnsabilidales subsistirão, emquanto não lerem 
liquidadas. 

Art. 11. A responsabilidade a que se ro.ere o art. 10 só se considera effectiva 
para o associado que se retira, em relação ás ob.w-iações coutrahidas pelo syndicato 
até ao dia da commnnicação escripta da su:i retirada. 

Paragrapho único. O asso 3 ia lo que so retira ó respjnsavel pelai cneommenJas 
quo tenha feito directamente ao syndicato ou a terceiro por intermédio delle, 
asfim como pela cotização do anno, caso não tenha sido satisfeita. 

Art. 12. A organização do cooperativas de prolncçãoou de coes imo, caixas 
ruraes do credito agrícola, associações de seguro, de previdência, de assistência, 
etc, não involve responsabilidade directa do syndicato nes transacções, sendo a 
liquidação de taes organizações regida pela lei coaimum das sociedades civis (Dec. 
cit. n. 079, art. 10). 

Paragrapho único. Os bens empregados nessas organizações não ficam sujeitos 
ao disposto no art. 30. e sua liquidação corre sob a responsabilidade dos respectivos 
sócios. 

Art. 13. Os syndioatos agrícolas constituemse por deliberação da assembléa 
geral dos associados, que será convoc.vla para eao fim pelos fandxiores, depois do 
organizados e assignados os estatutos por todes os associados. 

Art. 14. No dia desiguado, reunidos os associados em assembléa geral, os fun- 
didores apresentarão os estatutos e, lidos estes, será sub eaettida a votos a reso- 
lução de estar o syndicato definitivamente constituído. Seudo essa resolução 
appr-ovada por dois terços pelo menos, do numero total dos associados, lavrar-se-á 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



á acta da install.ição em duplicata,, p vim ser assignada por todos os associados 
presentos. 

Art. 15. Approvada essa resolução por dois terços pelo menos, do numero 
total dos associados será eleita, o em segui la, impossado. a primeira admi- 
nistracção, devondo a acta da installação do syndicato lavrar-se em duplicata 
e ser assignada por todo; os associados presentes. 

Art. 18. Dois exemplares dos estatutos, da acta da installação e da lista 
dos associados, autheniicados pelo presideute e pelo secretario do syndicato 
agrícola, serão depositados no cartório do registro de hypothecas do districto 
respectivo, aui ficando archivado um de cada exemplar (Dos. cit. n. 979, art. 2). 

Art. 17. O exemplar será paio oílicial do registro de hypothecas, enviado 
dentro de oito dias coutados da apresentação, á Junta Commercial do Estado 
respectivo. 

Art. 18. Outro deposito dos estatutos e da lista dos associados será pela mesma 
forma renovado sempre que no anno anterior houverem solfrido modificações, 
e cm todos os casos o recibo passado pelo offlcial do registro bastará para 
provar o mesmo deposito. 

Paragraptio único. O registro dos documentos e respectivo recibo ficam 
isentos de quaesquer ónus o serão feitos no acto da apresentação dos mesmos. 

Art. 19. Os estatutos declararão o seguinte: 

§ 1.° Denominação, fins, formas, duração e sede do syndicato agrícola. 

§ 2." Modo pelo qual este é administrado, e representado em juizo e,em 
geral, nas suas relações para com terceiros. 

§ 3.o Responsabilidade dos associados. 

§ 4.° Condições de admissão e eliminação dos direitos, vantagens o ónus 
dos associados. 

§ 5.° Condições de dissolução do syndicato e destino que nesse caso será dado 
ao produeto do acervo social, nos termos do Decreto n.-079. 

Art. 20. O registro indicará mais : 

§ 1.° A data do deposito de documentos. 

§ 2." Os nomes dos administradores ou directores do syndicato. 

§ 3." A entrega do recibo a que se refere o art. 18. 

Art. 21. Desde a dita do mencionado deposito e registro, o syndicato 
agrícola adquira personalidade jurídica, como pessoa distincta da dos respe- 
ctivos assoei ado3 e pó le exercer tolos os direitos civis relativos aos. seus in- 
teresses. 

CAPITULO III 

DOS ADMINISTRADORES 

Art. 22. Os syndicatos agrícolas serão dirigidos por dois ou mais admi- 
nistradores, eleitos pela assemblea geral, entre os associados inscriptos e quites, 
auxiliados por um conselho administrativo com o numero de associados que 
os estatutos determinarem. 

Paragrapho único. E' requisito indispensável ao presidente do syndicato 
ser cidadão brazileiro no go;o de seus direitos. 

Art. 23. E' expressamente vedado aos administradores e bem assim aos 



fundadores o ineorpjradores dos syndicatos ou uniões de syndicatos agrícolas 
auferirem lucros uii vantagens do qualquer especio ou natureza. 



CAPITULO VI 

DAS UNIÕCS DE SYNDICATOS 

Art. 40. Os syndicatos agrícolas podem fundar uniões de syndicatos ou syn- 
dicatos centraes, com o intuito de regularizar o funccionamento dos syndicatos 
locaes, coordenando o concentrando seus esforços, augmentando seus meios de 
acção, de modo a poder prestar a maior somraa possível de serviços aos as- 
sociados. 

Paragrapho único. As uniões deverão abranger syndicatos ligados por in- 
teresses communs, territoriaes ou profissionaes (Dec. cit., n. 979, art. 11). 

Art. 41. As uniões de syndicatos e os syndicatos centraes adquirirão per- 
sonalidade jurídica separada, do mesmo modo que os simples syndicatos. 

Art. 42. Constituir-si-ão na forma prescripta para os syndicatos o terão 
es mesmos característicos que estos, sendo também regidas pelo presente re- 
gulamento. 

Art. 43. Alôm dos syndicatos organizados e constituídos, de accordo com 
este regulamento, poderão ser admittidos como associados das uniões de syn- 
dicatos o syndicatos centraes as associações agrícolas ou do industrias ruraes o, do 
mesmo modo, os sócios destas instituições. 

Art. 44. As uniões de syndicatos o os syndicatos centraes gosarâo de todas 
as faculdades que o presente regulamento confere, estão sujeitos ás suas pros- 
ei ipções, quanto a fundação, modo do agir e do liquidar. 

Art. 45. Estas associações, b3m como os syndicatos agrícolas organizados 
do accordo com o presente regulamento, ficani isentos para a sua orgini- 
zação e funccionamento, de quasquer ónus. 

CAPITULO VII 

DISPOSIÇÕES GERAES 

Art. 40. Não gozarão dos fivores aqui cmsigo\do3 03 syndicitos locaes, 
as uniões o os syndicatos centraes qu3 estiverem om desxecor Io com este re- 
gulamonto. 

Art. 47. Não 6 permittido a nenbum syndicato especular com títulos de 
qualquer espécie, podendo, porém, adquirir bans immoveis, sem outra restri- 
cção, a não ser a applicação destes aos serviços e fins previstos nos respe- 
ctivos estatutos. 

Art. 48. São da exclusiva competência do juizo comme rcial as questões 
relativas á existência do syndicato agrícola, aos direitos e obrigações dos as- 
sociados para com ello e entre si e á dissolução e á liquidação do mesmo. 

Art. 49. Oi livros de escriptutação dos syndicatos açricolas serão rubri- 
cados, pira torom fé em juizo, pilo membro do conselho administrativo que 
o presidente djsignar, e são isentos de sello. 

Art. 50. Revogam-seas disposições em contrario. 

Rio de Janeiro, 20 de junho de 1907.— Miguel Calmon du Pine Almeida. 



3S SOCIEDADK NACIONAL DE AQUICULTURA 

— A exportação do café cm Santa Catliarina vai augmentando pouco a pouco. 
A exportação, principalmente para as republicas do Prata, vai tomando pro- 
porções quo os mais Estados c tfeeiros não devem desprezar. 

No 2' semestre do l'»07 importaram-se no porto do Montevideo 684.000 
saccas do café procedentes do Rio de Janeiro, 55.400 do Santos e 477.200 do Santa 
Catliarina. 

— Os Drs. Nabor Jordão, Coronel Moraes Salles o Lins de Almeida, nomeados 
pelo Governo de S. Paulo, partiram para o interior do Estado, com a missão de 
proceder á avaliação da futura safra do café. O Sr. Dr. Carlos Botelho, Secretario 
da Agricultura, pretende desdobrar om três a commissão incumbida da avaliação 
da safra pendent \ afim de que ella possa apresentar o seu relatório o mais brovo 
possível. 

Cada uma dessas commiísões porcorrorá uma das grandes linhas férreas do 
Estado:— Mogyana, Paulista e Sorocabaoa e a inspecção consistirá em apurar 
nas diversas fazendas, por meio de questionários, a quanti lado de café colhido 
até o dia da inspecção; dividida essa quantidade polo numero de pessoas encarre- 
gadas da colheita e pelos dias de serviço, dará, na proporção dos cafeeiros, a 
quantidade corta da produção do cada uma das fazendas. 

— Em Páod"Alho, Pernambuco, fui effectuada uma reunião de agricultores 
e proprietários, convocada pelo Dr. Severino- Montenegro e coronel Abílio Pessoa 
afim do ser fundado um syndicafo agrícola. 

— No dia 10 do mez de fevereiro findo realisou-so na sede da Escola Agrícola 
de Goyana, a quinta reunião annual de sua assembléa geral. 

Esta instituição é a primeira que se fundou no Estado de Pernambuco o cuj^s 
resultados têm sido os mais animadores. 

O Dr. Luiz Corroía de Brito, presidente, perante numerosa assistência usou 
da palavra, extendendo-so em conceitos proveitosos sobro ávida lisongeir.i qu3, 
para gáudio ge ai, ia tendo o Syndicato Agrícola. 

Destinado — disso elle— á realisição de dois grandes idoiaes que eram — a 
creação do credito agrícola e o banimento da ignorância entro o proletariado — 
notava com máxima satisfação quo o syndicato attingira a meta de seus intentos 
com o surprehendente desenvolvimento que se operava nos dois básicos elementos 
instituídos para a consecução de seus fins — A caixa rural o a Escola agrícola. 

A primoira, acereseentou ainda, fundada para a creação e manutenção do 
credito agrícola, já se podia julgar consolidada, pois durante quatro annos reali- 
sava, com grando regularidade, todas as suas operações. 

A segunda, tendo apenas uns oito mezes de existência não ora monos lison- 
jeiro o seu resultado, cujo testemunho deram os exames prestados por uma turma 
do alumnos c que naquella occasião iriam receber o justo premio do seus e-:forços. 
Numa nova plnso, portanto, entrava a agricultura de Goyana, por isso mesmo 
quo levantando o seu credito, dispunha, em melhores condições do operariado que 
deixando de ser o homem — machinasem cultura o sem estimulo, se transformava 
agora no auxiliar intelligente que, culturanio a terra iria sabendo emoregvr os 
melhores msios. E concluindo se i bailo discurso, fez sentir quo, so a quirta reu - 
nião da assembléa geral ínvia sido solemnisada com a inaugurarão da Escola Ag •{- 
cola, a actual so salemnisava com mais elfusão ainda, porquanto o faria com a dis- 
tribuição de promios, provas dos doces fruetos que ia produzindo a mesma Escola. 



A LAVOURA 39 

— O Estado do S. Paulo importou ora 1907 machinas agrícolas no valo? de 
5.30o contos, contra 925 cm 1903. 

As machioas para a lavoura importaram om 333 o 451 contos, respectivamente. 
Outras machiuas, apparulhos o utensílios diversos variaram nos dois annos, do 
5.437 contos a 9.919. 

Tiveram também sensível augmento os valoros de alguns géneros alimentícios, 
que do 7.758 conlos elevou-se a 10.967 ; o b.ualhau teve t inibem um accrescimo 
de 865 contos, a farinha de trigo subiu a 7.661 contos om 1907, contra 6.695 om 
1906; vorifiía-se também no augmento do trigo o:n grão, cujo valor foi, respecti- 
vamente, de 8.220 o 0.215 contus ; em compensação, o arroz, do qno se faz actu- 
almente larga plantação em todo o Estado, soffreu sensível reducção no valor 
importado, que, tendo sido, de 2.400 contos em 1906, foi apenas d) 321 contos em 
1907 ; quanto a importação do vinho também foi augmentida, achando so repre- 
sentada por 9.838 contos em 1907, contra 0.885 cm 1906. A industriado papel o 
suas applicacões também revelou accrescimo, passando de 1.646 contos a 2.388. 

Em 1900 o Estado do S. Paulo importou algodão em bruto, om tecidos e em 
manufacturas diversas no valor de 6.5'JO coutos, elevado em 1007 a 10.800; observa-se 
o mesmo facto em relação á lã em bruto, em lio, em toeidos c om manufacturas 
diversas, cujo valor, em 1903, foi de 3.000 contos, elevado no anno seguinte a 
5.300; a juta em fio importou, no anno findo, em 5.035 contos, ao passo que cm 
1900 não passou da 4.702. 

Tlie Bly.rn.yer Ii-on Works — Inserimos em o nosso boletim a se- 
guinto tralucção de uma noticia publicada num jornal da Cuiapas que nos foi 
remottido pela casa cuja firma encima estas li.ihas, dispeann lo-nos do quaesquer 
eommentarios, pois o quo ahi se lê e mais que significativo, limitan lo-nos a solicitar 
a attenção dos leitores para o annuncio que a importante '/asa americana começa 
a publicar em o nisso periódico. 

NOSSO ESTADO PROGRIDE 

Comprazer temos assignalalo o desenvolvimento que têm tido em nosso Es* 
tadoas transacções commorciacs da grande fabrica «The BlymyeL' Iron Works, do 
Estado de Ohio. da Republica Norte Americana, representada pelos Sr. Cueto y Com- 
panhia, banqueiros de Tuxtla Guticrroz y Tonalã. 

Dissemos « com prazer », porque esto doson volvimento não somente interessa 
áquolla casa americina, mas também a nossos conterrâneos o a nossa terra. Si 
aquella fabrica disso aufere lucros, a quo faz jús por sua io.telligo.icia, operosidade 
e honradez, de maior importanoia o mais estiveis são os dos nossos fazendeiros. 

As machinas da casa a quo vimos do nos referir, têm contribuiJo pira fomentar 
nossas riquezas agrícolas, já pela facilidade do seu manejo, j i pela economia que 
deriva do seu emprego ; vieram converter em verdadeiro prazer trabalhos que 
anteriormente se faziam com grande difficuldade, animar a todos aquollei que 
delias se servem, porque o estudo do sou engenhoso mecanismo, e a observação do 
perfeito rythrro com quo funceionam, inspiram confiança ao observador que não 
mais so arreceia do so atirar ás grandes emprezas modernas o desse modo onvero'a 
pela única trilha quo dove libertar a clle, a nosso Estado o a nossa Republica, da 
concurroneia das raças progressistas que lançam mão do tudo quanto é moderno 



40 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

o grande. Com estas idéas que circulam cm outro cérebro e com o natural aflecto 
por tudo quanto é de nossa terra e pátria, não é da admirar que nosso peito se 
encha de alegria e satisfação todas as vezes que vemos entrar em nosso Estado uma 
das installações das excellentes machinas modernas da casa Blymyer, pcis bem 
«mprehon lê nos quo este facto significa um passo mais na senda do progresso. 

Em parto alguma encontra-sj casa mais afiavcl e que sirva com mais interesse 
a seus clientes do quo a destes senhores; cora a paciência de um mestre possuído 
da maior consideração para cjm seus discípulos, elles instrenm a seus clientes da 
maneira mais minuciosa e acertadi que so póle conc3b:r. A fabrica tem a seu ser- 
viço engenheiros ospeaialistas em cida ura dos ramos agrícolas para os quaes 
constroe machinas, o os senhores agricultores só teriam a lucrar em os consultar, 
podendo terá certeza de que seiãoattoa lidos com a dovidi cortezia e intelligencia. 

(Do El Heraldo de Chiapas.) 



ITopliiiisi, Cíiussei- «Ss Iloplcins — Abrimos os annuncios deste 
numero com um novo desta importante casa, para o qual chamamos a attenção 
dos leitores. 



Marine liada de cavallo —A leguminosa conhecida por este nome, 
que é o desmolium leocarpum, dá excellente forragem para o gado e óptimo adubo 
vorde, não se deixando crescer muito para não endurecer. 

A sua producção em ramas pôde avaliar-se em 19.000 kilos por alqueire e o seu 
rendimento em grãos attinge a 225 hectolitros. 

Essa planta cresce bem no moio do milho. 

O trevo da Florida, sua varieiade, rende as mesmas utilidades. Pôde ser cor- 
tado tws vezes por anno e dá em cada corte, antes da floração, corça de 48.000 
kilos por alqueire. 

No dia 16 de fdvereiro do corrente, foi installada na quinta d j Pirajá, com a 
presença do Governador do Estalo do Piauhy, uma escola pratica de agricultura. 

— Acaba de ser fundada era S. José dos Pinhaes (Estado de S. Paulo) a Sociedade 
de Agricultura e Protecção aos Animaes. 



A LAVOURA 



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-OCIKDADE NACIONAL D!i AGRICULTURA 



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4,718,049 
5,5S3,014 
5,41S,540 
5,170,916 
4,786,493 
3,941,688 
4,599,149 
3,870,107 
4,032.10(3 
4,70S,5S3 
3,719,952 
3,599,291 


s 


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4.: :92,337 
4,151,703 
í,24 i,185 
:;.374,933 
2.S90.172 
2,467,137 
2,813,784 
4,391,3S2 
5,051,055 
6,252,413 
7,029,327 
5,405,003 


1 


1 


4,029,795 

3.978,530 
3,997,009 
3,217,92) 
8,143,810 
1,854,705 
2,43S,736 
3,76S,044 
4,562,221 
5,71S,727 
4,675,171 
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Janeiro . 

Fevereiro 

Maio . . 
Junho. . 
Julho . . 
Agosto . 
Setembro. 
Outubro . 
Novembro 
Dezembro 


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A LAVOUKA 



PARTE COMiYIERCIAL 



Movimento do mez de janeiro de 1903 

Oítfó 

Existência era 15 de janeiro 569.028 sxecas, coatra 574. 4 43 no dia 31 de 
dezembro. 

Existência ora 31 de janeiro 521.693 sacoas, coatra 569.028 no dia 15. 
Entradas em janeiro : 

Saceas 

Estrada de Ferro Centnl ih Rrazil 54.061 

Cabotagem 17.878 

Barra Dentro 1-18.532 

Total 220.474 

Venleram-se 336.000 saceas, coatra 268.000 nj mez anterior. 

Na primeira quinzena, em Nova- York, o n. 7, disponível, foi cotado a c. 
por libra, até o dia 9 o a 6 1/8 c. de 10 em diante. 

Na Bolsa, os preços estiveram sempre em alta, registraadosa : 5.75 c. em 2, 
3 c 4 ; 5 80 c. em 7 o 8 ; 5.90 c. desde 9 até o fim da quinzena. 

Na segunda, em New- York, o typo n. 7, disponível, foi cotaio a 6 1/8 c. por 
libra até o dia 20, a 6 3/16 c. em 21 e a 6 1/1 c. dalii por dianto. 

Os preços extremos da Bjlsa foram 5.90 c. om 16 o 6.10 c. em 25. 27 o 31. 
vigorando nos outros dias 03 seguintes : 5.95 c. em 17 ; 6 c. em 18, 20, 21 o 29 ; 
0.05 c. em 22, 23, 24, 28 o 30. 

Os embarques do mez foram de 268.216 saccw, contra 270.393 no mez 
anterior. 

Os extremos das cota;3es foram : 

PRIMEIRA QUINZENA 

Por arroba Por 10 kilos 

Typo n. 5$100 a 5$501 3§172 a 3s71 1 

» » 7 4^800 » 5-5200 3$268 » 3$54o 

» » 8 4$600 » 5$003 3$ 132 » 3$404 

» » 9 4$400 » 4$300 2$&98 » 3$268 

SEGUNDA QUINZENA 

Por arroba Por 10 kilos 

Typo a. 6 5$400 a 5$700 3$676 a 3$881 

» » 7 5$100 » 5$400 3^472 » 3$076 

» » 8 4$900 » 5$200 3$336 » 3^540 

» » 9 4$700 » 5$000 3$200 » 3$404 



SOCIEDADE NACIONAL DS AGRICULTURA 



Café 

Movimento do mez de fevereiro 

Existência om 15 do fevereiro 529.319 saccas, contra 521.606 em 31 do 
janeiro. 

Existência om 29 do janeiro 493.303 saccas, contra 529,319 no dia 15. 
Entradas em fevereiro : 

Saccas 

Estrada de Ferro Central do Brazil 73.106 

Cabotagem 24.245 

Barra Dentro , 173.837 



Total 271.188 

Venderam-se 388.000 saccas, contra 333.003 no mez anterior. 

Na primeira quinzena de fevereiro, em Nova-York, o typo 7, disponível, foi 
cotado a 6 3/8 c. por libra de 3 a 10 e a 6 1/4 c. em 1 e de 11 em diante. 

Na Bolsa houve três preços para a opção mais próxima (março) : G. 10 c. em 
1, 5, 6 e 7 ; 6.05 c. em 3, 4 e 8 ; 6 c. de 10 em diante. 

Na segunda, em Nova York, o typo 7, disponível, foi cotado a G 5/16 c. por 
libra em 17 e 18, a 1/4 e. de 19 a 20 e a 6 3/16 c. em 29. 

Na Bolsa houve três cotações: 5.95 e. em 17 o 18 ; 5.90 c. em 19, 20, 24, 26 
e29 ; 5.85 c. em 21,25, 27 e 23. 

Os embarques do mez foram : 

294.616 saccas, contra 268.216 do mez anterior. 

Os extremos das cotações furam : 

PRIMEIRA QUINZENA 

Por arroba Por 10 kilos 

Typo n. 6 5$300 a 5$600 3$608 a 3$813 

» » 7 5$000 » 5$300 3$ 104 » 3$608 

» » 8 4$800 » 5$103 3$268 » 3$472 

» » 9. . . '. . . 4$690 » 4$900 3$132 » 3$336 

SEGUNDA QUINZENA 

Por arroba Por 10 kilos 

Typon. 6 5$400 a 5$500 3$Ô76 a 3$744 

• 7 5$ 100 » 5$200 3$472 > 3$540 

» 8 4$900 » 5$000 3$336 » 3$404 

» » 9 4$700 » 4$800 3$200 » 3$26S 

Géneros importados em janeiro e fevereiro 

Qualidade Quantidade JaQeir0 p ™*» Fevoreiro 

Alfafa 19.454 fardos $550 a $560 9150 a $160 o kilo 

Arroz 3.121 saccas de 18$000 a 3J$000 60 kilos 

Feijão .... 2,341 » a 18^000 a 22$000 o sacco 

Farinha de trigo. 36.942 barricas 



A LAVOURA 45 



Janeiro : 

Preços 

American i (barrica) 25$000 a 25$500 

» (sacca) 24$000 > 2i$503 

Por duas siceas 

Rio da Prata : 

I a qualidade — 25 000 

2> » — 24$000 

3 a » 22$000 a 

Moinho Inglez : 

Nacional — 24$5G0 

Brazileira 23$700 a 23$750 

Buda nacional 27$700 » 27$750 

Moinho Fluminense: 

S. Leopoldo 24$000 a 23$C00 

O. 23$000 » 24$000 

Fevereiro : 

Americana (barrica) 25$000 

» (sacca) Não ha 

Por duas saccas 
Rio da Prata : 

I a qualidade 24$503 

2 a » 23.J500 

3 a » 22$000 

Monho Inglez : 

Nacional 24$500 

Brazileira 23$700 

Buda nacional 25$700 

Moinho Fluminense : 

S. Leopoldo 24$000 a 24$5Ó0 

O. 23$000 » 23$500 

Manteig-a, 

2.369 caixas. 

Janeiro : 

Preços 

Dcmagny, Isigny 2$500 a 2$58D 

Brétel Fròres (latas sortidas) 2$280 » 2$320 

Lepelletier 2$500 » 2$540 

Modesto Galione 1$850 » 1$950 

Esbjusen 2$550 » 2$580 

L. Brum . 2$600 » 2$620 

Btisclc Júnior 2$500 i 2$540 

Mosdst 2.|200 » 2$250 

Outras mares 1$850 » 2$003 

A nacional vendeu-se: a dj Minas de 3$ a 3.J400 e a do Su! de 2$000 a 2$4C0. 



40 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Fevereiro : 

Domagny, tsigny (latas sortidas) 2,^550 a 2$530 

Brétel Frères (latas sortidas) 2$300 » 2$320 

Lepelletier 2$500 » 2$5?0 

Modesto Gallono (sortidas) 1$850 » I$950 

E^bouscn Não ha 

L. Brum ã$560 a ã$600 

Buselc Júnior 2$500 » 2$520 

Mosdst . . . ■ 2$í00 » S$830 

Outras marcas 1$S50 » 2&000 

A nacional vendeu-se: a de Miuas de 3$ a 3$460 e a do Sul do 2$203 a 2s50(). 

Gensros nacionaes 

Aii-u:n'tloiito 

Na primeira quinzena o mercado deste artigo continuou muito firme, lendo 
es preços adquirido alta de 5$ por pipa. 

Na segunda, devido ás constmt33 oíTertas, os compradores mostraram-so 
receiosos de baixa provável nos preços, o que no são deu, foclian lo com os mesmos 
preços da quinzena anterior. 

480 litros — base de 20 grãos. 

Janeiro : 

Preços 

Campos 175$000 a 183$000 

Angra 185$000 » 190$000 

Paraty 190$000 » 105§000 

Maceió 180$000 » 18">$900 

Aracaju, 1SO$000 » 185$000 

Pernambuco 1801000 » 185$000 

ISilna 175^000 » 180$000 

Parahyba 180*000 » 185$000 

Laguna 170$000 » 175$000 

Itajahy 170$000 » 175$000 

Mangaratiba 185$000 » 19f$000 

Paranaguá 170$000 » 175*000 

Álcool 

Muito firme esteve na primeira quinzena o mercado deste género, tornando 
frouxo, o com biixa nos preços, na segunda. Ainda assim as entradas foram 
regulares. 

Regularam os seguinte; ['roços som o casco : 

PRIMEIRA QUINZENA 

Preços 

40 grãos 2J3$0J0 a 3J5$000 

38 » 280$000 > 285$000 

36 » 270$000 » 275$000 



A LAVOURA 



SEGUNDA QUINZENA 

40 gráos 290$000 a 300$000 

38 » 275$000 » 280$000 

36 » 265$000 » 270$000 

Algodão 

Estevo regularmento firmo esto mercado na sexuada quinzona. O que houve 
de nolavel durante o mez fui a firmeza de preços da segunda quinzena, sondo 
importantes as vendas realizadas a preços aseen lentes o fechando o mercado 
firme. 

Assucar 

No principio do mez que passamos em revista, o mercado deste produeto 
oiteve em constante movimento, em tolas as qualidades, com mui ti firmeza 
e sensível melhora nos preços, desorte que esteve em condições favoráveis. 

Na segunda quinzena notou-so menjr movimento, cujas cotaçõ:s, no emtanto, 
mautiveram-se sustentadas e por fim comsignaes de alta. 

PRIMEIRA QUINZENA 

Pernambuco : 

P recos 

Brancj usina $500 a $540 

Dito crystal $515 » $520 

Dito 3 a sorte $520 » $540 

Crystal amarcllo $410 » $460 

Mascavinho $330 » $370 

Somenos $440 » $150 

Mascavo tom $315 » $320 

Dito regular — » $310 

Dito baixo — » §300 

Sergipe . 

Branco crystal $500 a $510 

Crystal amarello $440 » $460 

Mascavinho $380 » $460 

Mascavo bom — » $320 

Dito regular — » $310 

Dito baixo — » $300 

Bahia : 

branco crystal — a $54C 

Campos : 

Branco crystal $515 a $520 

Dito 2 o jacto. — _ 

Mascaviulio . . , — — 

Santa Calharina : 

Mascavinho $370 a $380 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Pernambuco : 



SEGUNDA QUINZENA 



Preços 



Branco usina $545 a $550 

Dito crystal $510 >» .$520 

Dito 2 a sorte $520 » $540 

Cryatal amarello $140 » $160 

Masca vinho $400 » $175 

Somenos s430 » $440 

Mascavo bom . $310 » $320 

Dito regular — » $305 

Dito baixo $230 » $300 

Sergipe : 

Branco crystal 8510 a $520 

Crystal amarello $140 -» $460 

Mascavinho $400 » $160 

Mascavo bom $310 » $330 

Dito regular — » $305 

Dito b.ixo $230 » $300 

Campos : 

Branco crystal $540 a $550 

Mascavinho $153 » $160 

Bahia : 

Branco crystal $540 a $550 

Mascavinho $370 » $380 

Ooroa.es 



PRIMEIRA QUINZENA 

Feijão proto de Porto Alegre novo. . . 

» velho 

» Sanfca Catharina .... 15$000 

» Paraná 16$0OJ 

» mulatinho 18$000 

» manteiga 24$000 

» enxofre 18$000 

» de cores, nacional 12$000 

» branco extrangeiro 22$503 

» amendoim extrangeiro .... 18$030 

Farinha de imniioca especial. . . . 8$800 

» » » fim 7$S0O 

» ■» » peneirala . . . 7$400 

» » » do Norte ... — 

» » » grossa, Laguna . 6$600 

» » » gros, Porto Alegre. 6$400 

Arr^z nacional U5$000 

> inferior 19$000 



Preços 



20$000 
19$000 
16$000 
17$030 
19$000 
2C$000 
20$900 
15$030 
23$000 
19$000 
9$000 
8$200 
7$300 

6$ 300 
6$600 
2S$000 
20$;00 



A LAVOURA 

Milho amarei lo do Norte Não ha 

» » da terra 7$000 a 7$500 

» branco » » 5$200 » 5$500 

Amendoim em casca — » 7$500 

Canjica 14$000 » 16$000 

Favas — > 9$000 

Kilogrammas 

Alpiste $400 a $440 

Batatas nacioaaes ........ $100 » $200 

Ditas estrangeira Nominal 

Fubá de milho $120 a $200 

Matto em folha $400 » $500 

Tapioca $300 » $400 

Polvilho $180 » $200 

Carne de porco $760 » $800 

Línguas do Rio Grande (uma) .... 1$000 » 1$500 

SEGUNDA QUINZENA 

Preços 

Feijão preto de Porto Alegre, novo . . — a 18$500 

» velho 16$000 » 17$000 

» » de Santa Cathariua . . . Não ha 

do Paraná Não ha 

» mulatinho 18$000 a 19$0n0 

» manteiga 22$000 » 23$000 

» enxofre — » 17$000 

» de cores, nacional 12$000 » 16$000 

» branco, estrangeiro — » 22$000 

amendoim, estrangeiro. ... — » 19$000 

Farinha de mandioca, especial .... 9*000 » 9$400 

>» » » tina 8$000 » 8 >400 

» » » peneirada . . . 7$000 » 7$800 

» » » do Norte ... — — 

» » » grossa, Laguna . 6$200 » 6$5oO 

» >» gros. Porto Alegre. 6s400 » 6$600 

Arroz nacional 25^000 » 28$000 

» inferior 18$000 » 22$000 

Milho amarello do Norle Não ha 

» » da terra 7$500 » 8$000 

» branco » » — » 6$000 

Amendoim em casca 8$000 » 8$600 

Cangica I4$000 » 16$000 

Favas 9$000 » 9$500 

Kilogrammas 

Alpiste $360 a $400 

Batatas nacionaes $120 » $180 

» estrangeiras Nominal 

2166 



50 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Fubá. de milho $120 a $200 

Matte em folha , . . $400 » $500 

Tapioca $340 » $400 

Polvilho $180 >> $200 

Carne de porco $800 » $900 

Línguas do Riu Grande (uma) .... 1$000 » 1$400 

Fumo ena rolo 

Houve durante o mez regular movimento Deste mercado. 03 preços conser- 

varam-se estacionários. 

As cotações foram : 

Preços 

De Minas, especial 1$500 

Dito superior 1$300 

Dito 2 a 1$000 

Dito ordinário $800 

Goyano, superior 2$400 

Dito 2» 1$700 

Baixo Nom. 

Rio Novo, superior 2$400 

Dito 2» 1$700 

Dito baixo 1$200 

Pomba, superior 1$600 

Dito 2 a 1$20C 

Dito baixo Nom. 

Carangola 1$500 

Picú, especial 2&800 

Dito I a 2$000 

Dito 2 a 1$200 

Bahia 1$100 

Pernambuco Não ha 

Fumo em f"< >l H.« 

Rio Grande 12$000 a 15$000 



40 litros 1$800 a 1$900 

Fevereiro 

A.g- uardente 

O mercado deste género esteve um tanto paralysado na primeira quinzena, 
quanto ao movimento de vendas, porquanto, do género recebido foi quasi tudo 
para entrega de compras anteriores. 

Os preços contiuuaram sem alteração. 



A LAVOURA 51 

Na segunda quinzena entraram 714 pipas de diversas procedências e o mer- 
cado continuou sem uniformidade e a varejo. 

Preços de 480 litros, 
base dé 20 gráos 

Campos 170$000 a 175$000 

Angra 185.i;000 » 190$000 

Paraty 190$000 » 195$000 

Maceió 180$000 » 185$000 

Arocajú 180$000 » 185$000 

Pernambuco 180$000 » 185$000 

Bahia 175$000 » 180$000 

Parahyba 180$000 » 185$000 

Laguna - 170$000 » 175$000 

Itajahy I70$000 » 175*0C0 

Mangaratiba 185$000 » L90$000 

Paranaguá 170$000 » 1 75.5:000 

Álcool 

O mercado até o dia 15 conservou-se em boa posição, não tendo os preços 
soffrido modificação alguma. 

A procura do género foi de pouca importância. Entraram 497 volumes. 
Na segunda quinzena o mercado consnrvou-se com as cotações mais ou menos 
inalteradas, não obstante as entradas que foram de 635 volumes. 
Os preços continuaram os seguintes, por pipa, sem o oasco : 

40 gráos 290$000 a 300$000 

38 » 280$000 » 285$000 

36 » . . • • 265$000 » 270$000 



Algodão em rama, 

Apezar da baixa persistente em Liverpool, os preços aqui conservaram-se 
firmes, embora ainda sejam inferiores aos pedidos pelos centros productores do 
Norte. 

Na segunda quinzena, manteve-se estável, com negocio pouco activo, tendo os 
preços soffrido ligeiras baixas. 

PRIMEIRA QUINZENA 

Preços 

Pernambuco 1?$600 a 12$950 

Rio Grande do Norte 12$500 » 12$800 

Ceará 12$500 » 12$800 

Parahyba 12$500 » 12.4800 

Penedo Nominal 

Sergipe » 

SEGUNDA. QUINZENA 

Preços 

Pernambuco 12$600 a 12$900 

Rio Grande do Norte 12$400 » 12$700 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Ceará 12$-i00 a 12$700 

Parahyba 12$400 » 12$700 

Penedo Nominal 



Assucar 

Durante a quinzena até o dia 15, o mercado deste artigo esteve em constante 
firmesa, fazendo-se negócios bem regulares em todas as qualidades e a preços 
elevados. 

Convém notar que a maior parte dos negócios foram realizados no intuito de 
especulação, para revendas, visto ter havido sahida para o interior. 

Na segunda quinzena, os preços soffreram sensível reduc«,-ão devido ás fortes 
entradas e também á alta violenta e rápida, fechando o mercado muito calmo e 
com poucos negócios. 

PRIMEIRA QUINZENA 

Os preços regularam como se segue : 
Pernambuco : 

Branco usina Não ha 

Dito crystal $590 a $600 

Dito 3» sorte $560 » $000 

Crystal amarello $470 * $500 

Mascavinho $480 * $500 

Somenos $470 » $490 

Mascavo bom $360 » $370 

Dito regular — » $350 

Dito baixo — » $340 

Sergipe : 

Branco crystal $590 a $600 

Crystal amarello $490 » $500 

Mascavinho $430 » §500 

Mascavo bom $360 » $370 

Dito regular - » $350 

Dito baixo — » $340 

Bahia : 

Branco crystal $600 a $640 

Santa Catharina : 

Mascavinho . . $400 a $440 

Campos : 

Branco crystal $600 a $620 

Dito 2° jacto $470 » $480 

SEGUNDA QUINZENA 

Os preços regularam como se segue : 

Pernambuco : 

Branco usina Não ha 

Dito orystal , . . . $570 a $580 



A LAVOURA 



Dito 3- sorte $540 

Crystal amarello $450 

Mascavinho $400 

Somenos $460 

Mascavo bom $340 

Dito regular $330 

Dito baixo — 

Sergipe : 

Branco crystal $550 

Crystal amarello — 

Mascavinho . $370 

Mascavo bom $340 

Dito regular $330 

Dito baixo — 

Bahia : 

Branco crystal $600 

Santa Catharina : 

Mascavinho $400 

Campos : 

Branco crystal - $560 

Dito 2 o jacto 

Cereaes 



a $550 
» $460 
• $470 
» $470 
» $350 
» $340 



a $570 

» $470 

$350 

» $340 



a $440 
a $570 



PRIMEIRA QUINZENA 

Preços 
Feijão preto de Porto Alegre, novo ... — a 1S$500 

Dito velho 15$000 » 16$000 

Dito idem de Santa Catharina — » 17$000 

Dito do Paraná Não h i 

Dito mulatiuho 17$000 a 18$000 

Dito manteiga 22$000 » 23$000 

Dito enxofre — » 17$000 

Dito de cores, nacional 12$000 » 14$000 

Dito branco, estrangeiro — » 2E$000 

Dito amendoim, idem 18$000 — 

Farinha de mandioca, especial 9$000 » 9$400 

Dita idem flna 8$000 » 8$400 

Dita idem peneirada 7*600 » 7$800 

Dita idem do Xorte — — 

Dita idem grossa, Laguna 6$200 » 6$500 

Dita idem idem, Porto Alegre 6$400 » 6$600 

Arroz nacional 25$000 » 28$000 

Dito inferior 18$000 » 22$000 

Milho amarello do Norte . . .... Não ha 

Dito idem da terra 7$400 a 7$600 

Dito branco idem — » 6$000 

Amendoim em casca 8$000 » 8$500 



M SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Caogica 14$000 a 16$000 

Favas 9$Õ00 » 10$000 

Kilogramma 

Alpiste $360 a $400 

Batatas nacionaes $li0 » $180 

Dita estrangeira Nominal 

Fubá de milho $120 a $200 

Tapioca $320 » $400 

Polvilho $180 » 200$ 

SEGUNDA QUINZENA 

Preços 

Feijão preto de Porto Alegre, novo ... - a 18$500 

Dito velho 15$000 » 16$0o0 

Dito idem de Santa Catharina 16$5O0 » 17$000 

Dito do Paraná Não ha 

Dito mulatinho 17$000 a 18$000 

Dito manteiga 21$000 » 22$000 

Dito enxofre 18j000 » 19$000 

Dito de cores, nacional 12$00u » I6$000 

Dito brauco, estrangeiro 20.$' 00 - 2! $000 

Dito amendoim, idem 18$000 » 19.; 000 

Farinha de mandioca, especial 9$000 » 9$400 

Dita idem, fina 8$000 » 8$400 

Dita idom, peneirada 7$600 » 7$S00 

Dita idem, do Norte — — 

Dita idem, grossa, Laguna 6$200 » 6$500 

Dita idem idem, Porto Alegre 6$400 » 6$600 

Arroz nacional 25$0O0 » 28$00 I 

Dito inferior 18$000 » 22$000 

Milho amarello do Norte Não lia 

Dito idem da terra 7$400 a 7$600 

Dito branco, idem 6$000 » 6$500 

Amendoim em casca 8$000 » 8$500 

Cangica 16$000 » 18$000 

Favas 11$000 » 11$500 

Kilogramma 

Alpiste $360 a $400 

Batatas nacionaes $100 » $200 

Dita estrangeira Nominal 

Fubá do milho $120 a $200 

Matte em folha $400 » $500 

Tapioca $300 » $360 

Polvilho $180 » $220 

Fumo em rolo 

Durante o mez o movimento do mercado deste artigo ficou estável, 
sando-se os negócios com preços regulares. 



A LAVOURA 55 



As cotações foram : 

Preços 

De Minas, especial ...... 1$500 

Dito superior 1$300 

Dito 2 a 1$000 

Dito ordinário $800 

Goyano, superior ... 2$400 

Dito 2» . . . 1$700 

Baixo Nominal 

Rio Novo, superior 2$40d 

Dito 2 a 1$700 

Dito baixo . . • 1$200 

Pomba, superior . . 1$<500 

Dito 2 a 1$200 

Dito btixo Nominal 

Carangola 1$500 

Picú, especial 2$800 

Dito I a 2$000 

Dito 3 a . . 1$200 

Bahia 1$100 

Pernambuco ... Não ha 

Puriio em foi lia. 

Rio Grande 15$000 a 18$000 

Sal 

Entraram 626.262 kilos por cabotagem, do nacional, que se cotou de 2$ a 
8$100 por 40 litros. 

Mercado monetário 

Janeiro 

PRIMEIRA QUINZENA 

A existência dp ouro, na Caixa de Conversão, em 15 de janeiro, ora : 

Libras esterlinas 5.849.868—10 

Francos 10.584.120 

Marcos — 

Dollara 39.085 

Coroas austríacas 1 10 

Pesos argentinos .... 1.190 

Pesetas hespanbolas 90 

Ouro portuguez 5$000 

» nacional 100:330$000 



56 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

SEGUNDA QUINZENA 

Em 31 de janeiro era : 

Libras esterlinas 5.826.111—10 

Francos 10.578.240 

Marcos ... 8S0 

Dollars . 120.415 

Coroas austríacas 110 

Pesos argentinos 1.195 

Pesetas hespanholas 90 

Ouro portuguaz 5$000 

» nacional 103:6I5$000 

A importância do notas conversíveis em circulação era : 

Primeira quinzena 100.633:870$000 

Segunda » 100.522:440$000 

O preço de soberanos, (ora da Bolsa, tbi de 16$023 a 16$025. 

CAMBIO 

Vigoraram, na primeira quinzena, as taxas officiaes de 15 3/16 d. nos bancos 
do Brazil o 15 1/8 e 15 3/16 d. sobre Londres, ofíeetuando-se os negócios bancários 
a esses extremos contra o outro, papel, de 15 3/16 a 15 7/32 na segunda quinzena. 

As transacções elfectuadas foram pequenas. 

Os extremos das cotações officiaes foram : 

Londres, 90 d/v 15 1/2 a 15 3/16 d. 

Paris, 90 d/v $629 » $632 

Hamburgo, 90 d/v $776 » s779 

Portugal, 3 d/v 325 » 337 % 

Itália, 3 d/v $640 » $643 

Nova York, a vista 3$310 » 3?330 

Vales, ouro — 1$793 

O valor official de mil réis foi de 560 a 563 róis, ouro, e da libra de 15$802 a 
868. 

Ágio de ouro 77-77 a 78, 51" „. 

Fevereiro 

PRIMEIRA QUINZENA 

A existência do ouro, na Caixa de Conversão, em 15 de fevereiro, era : 

Libras esterlinas 5.786.392— 10 

Francos 10.067.930 

Dollars 122.655 

Liras 4.590 

Coroas auscri.icas • . 110 

Pesos argentinos 1.695 

Pesetas hespanholas 110 

Ouro nacional I04:330s0()0 

A importância de notas conversíveis ein circulação era de 99.8 



A LAVOURA 57 

SEGUNDA QUINZENA 

Em 29 de fevereiro era : 

Libras esterlinas 5.764.665—10 

Francos 10.559.430 

Marcos 150 

Dollars 124.545 

Liras 3.710 

Coroas austríacas 110 

Pesos argentinos 1.7^5 

Pesetas hespanuclas 1 10 

Ouro nacional . . 109:200$000 

A importância de nntas conversíveis em circulação era de 90.561 :950$000. 

O preço dos soberanos, fora da Bolsa, foi de 1(3$025 a I6$076. 

CAMBIO 

O mercado continuou estável, vigorando as taxas offlciaes de 15 1/18 e 15 3/16 
d. sobre Londres, sendo as transacções bancarias •ifTectuadas a esses extremos e 
as de outro papel a 15 3/16 e 15 13/64 d. 

Foi de pouca importância o movimento realizado. 

Os extremos das cotações foram : 

Londres, 90 d/v 15 4/8 a 15 3/16 d. 

Pariz, 90 d/v $629 » $632 

Hamburgo, 90 d/ v $776 » $779 

Portugal, 3 d/v 325» 3 56 »/, 

Itália, 3 d/v $640 » $643 

Nova York, á vista 3$306 » 3$330 

Vales, ouro — l$793 

O valor ufflcial de mil réis foi de 560 a 563 réis, ouro, e o da libra de 15$80 
a 15$868. 

Agiodoouro 77,77 a 78,51 %• 



-§&&»$ *£■*' 



SOCIEDADE nAClONAL DE AGRICULTURA 



BIBLIOGRAPHIA 



Temos recebido mais as publicações periódicas seguintes : 

Boletim do Instituto Agronómico.— A.ooas:xmos com prazer o recebimento do 
n. 1, da série I a , desse boletim, que é mais uma publicação da Secretariada 
Agricultura, couimercio e Obras Publicas do Estado de S. Paulo. 

Revista Polytechnica. — Órgão do «Grémio Polytecnnico» de S. Paulo.— 
N. 18. 

Annuario Estatístico da Associação Commercial do Amazonas. — Anno de 1904. 

Revista de la Secciân Agronomia de lo Universidal de Montevideo. — tf. II, 
correspondente ao mez de novembro de 1907. 

Bolelxn dei Ministério de Industria i Obras Publicas, da Republica do Chile.— 
Anno VI, n. 2. 

Estnción Central Agr .nemica, de Santiago de las Vegas.— Circular n. 26. 

Kolonial Handels Adressbuch 1908.— Publicação do comité colonial de Berlim. 



As Necessidades Alimentícias das Heveas por Ernst Mager. E' uma reprodu- 
cção em folheto do artigo publicado no Jornal dos Agricidtores de 30 de setembro 
de 1907 e impressa nas oilicinas do mesmo jornal. Rio de Janeiro, 1907. 

A Cultura do Coqueiro por Ernst Mager. — Parahyba, 1907. Editada pela re 
dacção A' A Republica. 

Ei Salitre ò Nitrato de Sódio de Chile en los Cereales ; El Salitre de Chile en 
el cultivo de lu Cana de Azucar ; Carlilla PrdCica sobre el uso y aplicu.cion dei sa- 
litre por Rojas Huneeus, do Instituto Agrícola do Chile ; Dosagem de Adubos ; A 
Adubação Racional na Citricultura pelo Dr. Vincenzo di Mattel. Todas estas pu- 
blicações foram-nos remettidas pelo Centro das Experiências Agricolas do Kiii- 
syndicat que tem a sua sede, no Brazil, á rua da Alfandega n. 93. 

Estatutos da Cooperativa Tc.vtil Sanseviera. — 1908. 

Mensagem enviada á Assembléa dos Representantes do Estado do Rio Grande 
do Sul pelo presidente Antjnio Augusto Borges de Medeiros. 

Relatórios dos Negócios da Fazeai i, do Interior e Exterior e dos Negócios 
das Obras Publicas apresentados ao presidente do Estado do Rio Grande do Sul 
pelos seu-s secretários em 1907. 

Relatório do capitão Dr. Juvenal Octaviano Miller intendente do Rio Grande, 
apresentado ao Conselho Municipal em sessão de 1 de setembro de 1906. 

Memoria apresentada pela commissão directora da Sociedade de Criadores Me. 
rinos, de Montevideo, na assembléa geral de 29 de novembro do 1903. 

Lepidopteros do Brazil pelo Dr. Benedicto Raymundo.— A esta obra já toda 
imprensa desta Capital teceu os mais justus encómios, quer quanto ao seu alto 
valor scientifico, quer quanto aos desenhos, na realidade primorosos, e magnifica 
execução graphica ; por isso curupre-nos tão somente levar ao seu illustre autor, 
direcior desta Sociedade, os nossos parabéns, agradecendo-lhe a offerta de tão 
valioso trabalho á nossa bibliotlieca. 



A LAVOURA 



La* Aves Chilenas por Carlos S. Reed. Concepción, 1907. E'uraa brochura de 
132 paginas, que nos foi romettiila pela Sociedade Agrícola dei Sur. 

Estatística Agrícola e Zootechnica no anno agrícola d de: Ribei- 

rãozinbo. Monte Alto e Pinheiros. 

Relatório d> anno do 1906 apresentado ao Dr. Miguel Calmon <lu Pin e Al- 
meida pelo actual direstor da Estrada de Ferro Central do Brazil Dr Aa no 
Reis. 



CATÁLOGOS 

Encyclopédie Agricole.~Ca.t.\\ogo das obras que constituem es f a encyclopedia, 
publicada por uma reunião de engenheiros agrónomos sob o . Wéry, 

e que está sendo editada pela livraria dos Srs J. B Baillière et Fils. com 
a sua sede em Pariz, a rua Hautefeuille, 19. 

Malèriel pour le Balayage et VArrosage — L. Papin, rua Baudrieourt, 68- 
Pariz. 

Up to date Cranes.— Bedford Engineering Co., Bedford, Inglaterra. 

Avery Manufacturing Co.— Peoria, Illinois, Estados Unidos, 1907-08. 

Williams Llot/d Machinery Company. 337-339. Dearborn St., Chicago. 

The Blymyer Iron Works Co. Cincinati, Ohio, Estados -Unidos.— Catalogo de 
machinas modernas para fazendas de canna de assucar, arroz, café e em geral 
machinas para a agricultura tropical. 



Para a bibliotheca foram feitas as seguintes acquisicões : 

Dizionario di Agricoltura por Arturo Bruttini. Ed. Francesco Vallardi, Milão. 
—2 volumes. 

Le Viti Ameicane e la Viticottura Moderna pelo prof. Ferdinanlo Vallese. 
Ed. Frincesco Vallardi, Milão.— 1 volume. 

Tra i Carnpi polo Dr. Domenico Pinolini. Kd Francesco Vallardi, Milão.— 
1 volume. 

La Fienagione polo Dr. Domenico Pinolini. Rd. Francesco Vallardi, Milão. — 
1 volume. 

Frutticoltura pelo Dr. Alessandro Vivenza. Ed. Francesco Vallardi, Milão. — 
1 volume. 

Agricoltura por Alfredo Viappiani. Ed. Francesco Vallardi, Milão,— 1 vo- 
lume. 

V Allevamento dei Bestiame pelo Dr. Giuseppe Santini. Ed. Francesco Val- 
lardi, Milão. — 1 volume. 

YW Congrès Lnternntionale d'Arjriculture, Borne, Abril— Mai 1903 Ed. Im- 
primerie de 1'Unione Cooperativa Hditrice, Roma. 1904.— 4 volumes. 

Le Mouvemenl Syndical et Cooperalif dans V Agriculture Francaise por Elie 
Coulet. Ed. Masson et Cie., Pariz 1898.— 1 volume. 

VEcole Nationale d' Agricullure de Montpellier. Eds. Coulet et Fils, Montpel- 
lier, 1900. — 1 volume. 

Traitè de Chimie Agricole por P. Dehérain. Eds. Masson et Cie, Pariz, 1902. 
— 1 volume, 

Naitveau Traitè de Mécanique Agricole por L. Fontaine. Eds. Coulet et Fils, 
Montpellier, 1901.— 1 volume. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Guide pratique pour V Analyse des Terres et son Utilisation Agricole por H. 
Lagatu e L. Sicard. Eds. Masson et Cie., Pariz, 1901.— 1 volume. 

Traite sur le Ver d Soie du Murier et sur le Mirier p ir E. M.iillot e F. Lam- 
bert. Eds. Masson et Cie., Pariz, 1906.-1 volume. 

Séricirutture por Pierre Vieil.Els. J. B. Bailliere et Fils, Pariz, 19)3.-1 vo- 
lume. 

La Rectification </■■ 'Álcool por Ernest Sprel. Eds. Masson et. Cie., Pariz.— 
1 volume. 

VAlcool por Albert Larbalétrier. Eds. J. B. Bailliere et Fils, Panz. — 1 vo- 
lume. 

Ulndustrie Lailière . Soas produits et Residues por Antonin Rol -t. Eds. J. B. 
Bailliere ot Fils, Pariz, 1905. — 1 volume. 

V Industrie Agricole por F. Convert. El». J. B. Bailliere es Fils, Pariz, 1901. 
— 1 volume. 

Les Culiures Colonioles por Henri Jumelle. Eds. J. B. Bailliere et Fils, Pariz. 
—2 volumes. 

Cullurc-s da Ilidi, de VAlgêrie et de la Tunisie por Ch. Riviòie e H. Lecq. 
Eds. .T. B. Bailliere et Fils, Pariz, 1U06. — 1 volume. 

Céréales por C. V. Carola. Eds. J. B. Bailliere et Fils, Pariz, 19u5. — 1 vo- 
lume. 

Arboricidture Fruitière por Léon Bussar et Georges Duval. Ed. J. B. Bailliere 
ot Fils, Pariz, 1907. — 1 volume. 



Chamamos a attenção dos nossos leitores para a seguinte noticia abreviada 
da obra— Loiíerie— que os Srs. .1. B. Bailliere et Fils acabam de editar e da 
qual tiveram a gentileza do nos enviar um exemplar : 

Laitei-ie, por Charles Martin, ancien directeur do 1'Ecole nationale 
d'industrie laitière de Mamirolle, 2 e edilion. 1 vol. in-18 de 421 piges, avoc 128 
flg., broche : 5 fr.; eartonné, 6 fr. (Encyclopèdie agricole) (Librairie J.B. Bail- 
liere et Fils, 19, rue Hautefeuitle, à Paris). 

Ce livre s'adresse à tous ceux qui ont des intérêts dans 1'industrie laitière, 
soit à titre de producteurs, soit comme exploitants. 

L'ordre adopte est le suivant 

Uètud du lait viont en tête. Ce liquid est de composition três variablo 
et il importe de bien connait.ro les éléraents qui interviennem dans sa produ- 
ction, afin de chercher à 1'obtenir avec les qualités voulues. 

Les microbes joueut un role si important dans la laitèrie, qu'un chapitro 
spécial leur a été consacré. 

Les procedes pratiques de controle sont decrits en détail. 

M. Martin déerit ensuit le commerce du lait en nature, puis la préparation 
du lait sterilisé. 

Vindustrie beurriére est ensuito traitée. Elle a subi des perfectionnemonts 
notables depuis Fintroduction de 1'écrémeuse centrífugo. 

Vindustrie des fromages presente des difficultés plus grandes, car des ler- 
mentations complexes intervionnent. Viennent ensuito les installations, le pesage 
et le mesurage du lait, la traite, lo conditionnement, après la traite, le trans- 
port. La fabrication du gruyére a été particuliérement dévoloppóe. 



A LAVOURA 61 



Un chapitre a été consacré aux industries diverses, lait condense, lait séché 
képhyr, et, un nutre aux sous produits, lait écrémô, lait de beurro et petit 
lait. 

La eoopération laitiêre, trôs en progrôs dans notre pays, ne pouvait être 
passée sous silence. M. Martin l'a signalée en donnant les détails nécessaires sur 
le fonctionneraent des beun-eries coopératives et des fruitières. 

A peino les prerniers volumes de V Encyelopèdie agricole, publiés par la li- 
brairie J. B. Baill ; ére et Fils. som la directi ,n de M. Wery étaient-ils pu- 
bliés que la Sooiété natiooale d'agriculture , sur le rapport de sou secrétaire 
perpetuei M. Louis Passy (de 1'lnstitut), leur aceordait dans sa séance du 28 
décembre 1!»04 sa grande mèdaille d'or á Veffigie d'Olivier de Serres. Aujourd'hu 
que la publicatiou est arrivée à son quatrième volume et que les promesses du 
directeur et des éditeurs ont été, et au dela, realisées, elle vient, dans sa séance 
solemnolle du 8 janvier 1908, de lai accorder la plus haute recompense dontelle 
dispose, le Gro.nd Prix quadriennal Eeuzè. 

Cest dire en quelle haute estime elle tient cotte collection, ceuvre unique 
en son genre, véritable monument élevó à la gloire de 1'agriculture au com- 
mencement du xx» siécle. 

Le catalogue détaillé et illustré de V Encyelopèdie agricole est adressé grátis 
et franco à toute personne qui en fait la demande a MM. J. íi.Baillière et Fils, 
19, rue Hautefeuille, â Paris. 



Rio de Janeiro — Imprensa National — 19U8 



ESTATUTOS 



CAPITULO Ií 
dos sócios 

Art. 8.° A socideade admitte as seguintes categorias de sócios : 

Sócios effectivos, correspondentes, honorários, beneméritos e associados. 

§ i ." Serão sócios effectivos todas as pessoas residentes no paiz que forem 
devidamente propostas e contribuírem com a jóia de 15$ e a annuidade de 2o$ooo. 

§ 2.° Serão sócios correspondentes as pessoas ou associações, com residência ou 
sede no estrangeiro, que forem escolhidas pela Directoria, em reconhecimento dos seus 
méritos e dos serviços que possam ou queiram prestar á sociedade. 

§ 3. Serão sócios honorários e beneméritos as pessoas que, por sua dedicação e 
relevantes serviços, se tenham tornado beneméritos â lavoura. 

§ 4. Serão associadas as corporações de caracter offlcial e as associações agrícolas, 
filiadas ou confederadas, que contribuírem com a jóia de 30$ e a annuidade de 5o$ooo. 

§ 5. Os sócios effectivos e os associados poderão se remir nas condições que lorem 
preceituadas no regulamento, não devendo, porém, a contribuição fixada para esse fim 
ser inferior a dez (10) annuidades. 

Art. 9 ° Os associados deverão declarar o seu desejo de comparticipar dos tra- 
balhos da sociedade. Os demais sócios deverão ser propostos por indicação de qualquer 
sócio e apresentação de dois membros da Directoria e ser acceitos por unanimidade. 

Art. 10. Os sócios, qualquer que seja a categoria, poderão assistir a todas as 
reuniões sociaes, discutindo e propondo o que julgarem conveniente ; terão direito a 
todas as publicações da sociedade e a todos os serviços que a mesma estiver habilitada a 
prestar, independentemente de qualquer contribuição especial . 

§ i.° Os associados, por seu caracter de conectividade, terão preferencia para os 
referidos serviços e receberão das publicações da sociedade o maior numero de exem- 
plares de que esta puder dispor. 

§ 2. O direito de votar e ser votado é extensivo a todos os sócios ; é limitado, 
porém, para os associados e sócios correspondentes, os quaes não poderão receber votos 
para os cargos de administração. 

§ 3. Os sócios perderão somente seus direitos em virtude de expontânea renuncia 
ou quando a assem bléa geral resolver a sua exclusão por proposta da Directoria. 



REC3-XJL-A.lvrE3SrTO 



CAPITULO VI 
dos sócios 



Art. 18. A sociedade prestará seus serviços de preferencia aos sócios 1 
quando estiverem quites com ella. 

Art. 19. A jóia deverá ser paga dentro dos primeiros três mezes após a sua 
accei tacão. 

Art. 20. As annuidades poderão ser pagas por prestações semestraes. 

Art. 21. Os sócios e os associados se poderão remir mediante o pagamento das 
quantias de 200$ e 500$, respectivamente, feito de uma só vez e independente da jóia, 
que deverão pagar em qualquer caso. 

Art. 22. Os sócios e associados não poderão votar, nem receber o diploma, sem 
terem pago a respectiva jóia. 

§ i.° O sócio que tiver pago a jóia e uma annuidade, poderá remir-se mediante 
a apresentação de 20 sócios, desde que estes tenham igualmente satisfeito aquellas 
contribuições. 

§ 2° Para esse effeito o sócio deverá requerer á Directoria, provando seus direitos 
nos termos do paragrapho anterior. 

§ 3. Serão considerados beneméritos os sócios que fizerem donativos á sociedade, 
a partir da quantia de um conto de réis. 

Art. 23. Para que os sócios atrazados de duas annuidades possam ser considerados 
resignatarios, nos termos dos Estatutos, é preciso que suas contribuições lhes tenham 
sido solicitadas por escripto, até três mezes antes, cabendo-lhes ainda assim o recurso 
para o conselho superior e para a assembléa geral. 



SUMMARIO 
9 



Pags. 

A Influencia da lua i 

A Sociedade na Exposição de 1908 3 

Madeiras e vegretaes úteis do Brazil 8 

A cultura do coqueiro 12 

A carreira agrícola 19 

Expediente 27 

Noticiário 34 

Parte commercial 43 

Bibliographia 58 




Anno XII — Ns. 3í-i 



MARÇO B ABRIL DK 1908 



DA . 

S«IE1ÍÍEJ1«IÈ] 
ií topiBulèupa 

EXPOSIÇÃO PECUÁRIA DE BELLO HORIZONTE 




Capital Federal 



„Stjl de Minas" — 
^^'^1&í VIRIBUS UNITIS 1^4?^ 4 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Fundada em 16 de janeiro de 1897 

Caixa-postal, 1245 Sede: Raai da Alfandega n. 10S 

Endereço Telegraphico, AGRICULTURA e General Camará n. 105 

Telephone n. 1416 rio db jan«iko 

DIRECTORIA 

Presidente — Dr. Weticesláo Alves Leite de Oliveira Bello. 

i° Vice-presidente — Vago. 

2° Vice-presidente — Dr. Svlvio Feuheira Rangel. 

3 o Vice-presidente — Dr. Domingos Sérgio de Carvalho. 

Secretario Geral — Dr. Heitor de Sá. 

i° Secretario — Dr. Francisco Tito de Souza Reis. 
2° Secretario — Dr. Benedicto Raymundo da Silva. 
3 o Secretario — Dr. José Ribeiro Monteiro da Silva. 
4" Secretario — Alberto de Araújo Ferreira Jacobina. 

i° Thesoureiro — Dr. João Pedreira do Couto Ferraz Júnior. 
2 o Thesoureiro — Carlos Raulino. 



Directores das Secções 

Fazenda de Santa Mónica Dr. Sylvio Rangel. 

ApplicaçCes do Álcool Dr. Sérgio de Carvalho. 

Secção Technica e Bibliotheca Dr. Heitor de Sá. 

Museu Dr. Benedicto Raymundo. 

Plantas e sementes e Horto da Penha . . Dr. Monteiro da Silva. 

Propagan la e estatística Alberto Jacobina e Carlos Ra 

Secretaria Dr. Souza Reis. 

Thesouraria Dr. Pedreira Junior. 



Oonsellxo Superior 

Dr. Flias \ntomode Moraes, Dr. Eduardo Augusto Torres Cotrim, Ernesto Du- 
risch, Dr. Carlos de Rezen le, Dr. Arthur Getulio das Neves, João da Silva Gandre 
renunciado), Dr. Alfredo Augusto da Rocha, Dr. Ernesto Ascoíy, Luiz Henrique Lins 
de Almeida, Dr. Carlos Oscar Lessa, Comm. Domingos Theodoro de Azevedo, Dr. 
Leandro da Costa, loão Dale, Dr. Ernesto Cândido da Fonseca Portella, Luiz Felippa 
de Sampaio Vianna, Manoel Galvão, Dr. Antonino Fialho, Dr. J. F. Soares Filho, 
Dr. Alfredo Bandeira, Dr. Álvaro Mendes de Oliveira Castro, Dr. Henrique Borges 
Monteiro, Coronel Cornelio de Souza Lima, Dr. João de Carvalho Borges Junior, 
António de Medeiros (fallecido) e E dgardo Ferreira de Carvalho. 



Oollaboraçêo 

Serão considerados collabora dores não só os sócios como todos que quizerem ser- 
vir-se destas columnas para a propaganda da agricultura, o que a redacção muito 
agradece. A lista dos collaboradores será publicai-la annualmente com o resumo dos 
trabalhos. 

A redacção não se responsabilisa pelas opiniões emittidas em artigos assignados, e 
que serão publica.los soba exclusiva responsabilidade dos autores. 

Os onginaes não serão restitui los. 

As communicações e correspondências devem ser dirigidas á Redacção d'A LA- 
VOURA na séJe da Sociedade Nacional de Agricultura. 

A LAVOURA não acceita assignaturas. 

E' distribuída gratuitamente aos sócios da Sociedade Nacional de Agricultura. 



Condições <1a puhlicstção «los annuncioi 



Uma pagina 2o$ooo Uma pagina 5o$ooo 

Meia pagina i2$ooo Meia pagina 3o$ooo 

Os annuncios são pagos adeantadamente. 



Tiragem 5.000 exemplares 



An no Xll — Ns 



Rio ue Janeiro 



EDITORIAL 



Exposição d3 animaes sm Bello Horizonte 

Esta Sociedade fez-se representar no eertamen realizado em 24 
de Fevereiro, em Bello Horizonte, pelo seu director i.° Secretario, 
Engenheiro Civil Francisco Tito de Souza Reis, que apresentou á 
Directoria, o relatório que em seguida publicamos: 

« Exmos. Srs. Presidente e mais membros da directoria da Socie- 
dade Nacional de Agricultura — Tendo recebido a honrosa incumbência 
ile ir á bel la capital mineira representar esta Sociedade na exposição 
de pecuária que ahi se inaugurou em 24 do corrente, com a presença 
dos Exmos. Srs. Dr. Miguel Calmon du Pin e Almeida, Ministro da 
Industria, Viação e Obras Publicas, marechal Hermes da Fonseca, 
Ministro da Guerra, e Dr. João Pinheiro da Silva, Presidente do Estado, 
cumpre-me apresentar-vos o resultado das minhas observações no 
eertamen que, demonstrando uma das riquezas do grandioso Estado, 
marcou nova era na historia da industria pastoril mineira. 

Si, ao termos conhecimento de que em Bello Horizonte ia reali- 
zar-se uma exposição de animaes, foi grande o nosso contentamento, 
pelos rates benefícios que provas desta natureza trazem ao desanvob 
vimento económico de um povo, maior o foi ainda quando pessoalmente 
tivemos occasião de observar os bellos produetos expostos, mormente 
das raças cavai lar e suina, produetos que nos deixaram a convicção 
de que um pouco mais de esforço, trabalho e parsistencia, darão a 
Minas Geraes, em futuro próximo, o logar a que incontestavelmente 
lerá direito entre as regiões pastoris, principalmente produetoras dos 
bellos espécimens das raças bovina, cavallar e. suina. 

A acção decisiva e patriótica do illustre Presidente do Estado, 
Dr. João Pinheiro da SUva, que nenhum esforço tem poupado para 
desviar o riquíssimo Estado de Minas da apathia que a rotina e os 
interesses individuaes de ordem politica collocavam acima dos inte- 
resses geraes com evidente prejuízo da situação económica do Estado, 
começa a produzir os benéficos effeitos, despertando nas classes pro- 
duetoras o estimulo, o amure o aperfeiçoamento do trabalho em todos 
"-"os ramos da actividade humana, unidos em uma só força, que aponta 
o terra de Tiradentes o caminho do progresso. 

3124 1 



UBRARY 
NEW YORK 

CjAKOBIN. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Na exposição de 24 de fevereiro, o numero de expositores foi uma 
pequena fracção do numero de criadores do listado; não foi uma expo- 
sição de quantidade e sim de relativa qualidade, a que assistimos, e que 
representava a selecção dos productos de vários municípios e ainda o 
primeiro louro, que, auxiliado por parte dos criadores solícitos em 
attender ao appello do Governo Estadoal, colhia este na obra de legi- 
timo patriotismo em que se empenha, promovendo o progresso e de- 
senvolvimento da agricultura. 

As dificuldades de transporte, os effei tos perniciosos da epizootia 
aphtosa que ainda assola os campos de criação no Brazil, concorreram 
poderosamente para a diminuição do numero de expositores, facto 
aliás, que nada prejudicou a qualidade dos productos expostos, — frisante 
attestado da nova éra de trabalho que surge para o povo mineiro. 

O successo alcançado pelo primeiro ensaio, que na verdade foi 
esta exposição, excedeu em geral a toda a espectativa e deixou patente 
o interesse e o amor que ao desenvolvimento económico de Minas 
dedicam os agricultores já conscientes do primordial papel que repre- 
sentam na obra progressista do governo actual, e que a grande somma 
de trabalhos empregada na abertura da picada, oude deve trilhar victo- 
riosa a agricultura em todos os seus ramos, têm encontrado o apoio 
tão necessário ao bom exilo da causa agrícola, base da nossa riqueza 
e progresso. 

A perfeita e benéfica orientação politica do Governo Estadoal, 
secundando a politica federal, tem dispertado nas classes productoras 
o estimulo do trabalho, levantando no seio da população rural a 
esperança de que melhores dias surgirão para a lavoura, cessando a 
oppressão que a tem subjugado. 

A diffusão do ensino, a creação das fazendas modelos, a propaganda 
dos syndicatos e cooperativas, têm trazido á população rural o incen- 
tivo do progresso, desvendando-lhe claro horizonte circumdando um 
vasto campo de acção á iniciativa privada, e, oxalá a sã politica, que no 
momento actual paira sobre Minas, não venha a ter solução de conti- 
nuidade, para que a obra iniciada em tão boa hora pelo patriota il lustre 
que dirige os destinos desta parte do Brazil, possa attingir ao benévolo 
fim que tem em vista, encaminhando o povo na fecunda actividade que 
elevará a Nação ao lugar que lhe compete pelas innumeras riquezas 
existentes ainda em estado intrínseco, em seu seio. 

Antes de relatarmos as nossas observações sobre as varias secções 
da exposição, daremos as instruccões organizadas pela Commissão 
Central para o trabalho das coin missões julgadoras. 



EXPOSIÇÃO PECUÁRIA DE BELLO HORIZONTE 




PASSEIO DOS ANIMAES 




APOSIÇÃO PECUÁRIA DE BELLO HORIZONT 















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MONTENEGRl 




ITUINA ,, — Puro sangue inglez 



A t.AVOUKA 



1 1 julgamento dos animaes da raça cavallar foi feito, levando-se em 
conta: 1°, maior perfeição nas qualidades carac ler ist iças da raça, qual- 
quer que esta fosse ; 2 o , tamanho, belleza, velocidade e bondade de 
andar. 

O tamanho foi dado pela altura tomada do casco de uma das patas 
dianteiras até á cernelha e a velocidade era tomada pelo percurso de mil 
metros na raia do Prado Mineiro. 

Para os touros, levou-se em consideração a maior perfeição nas 
qualidades características da raça, qualquer que esta fosse, o maior 
paso em funcção da idade, suppondo para os fins da classificação, que 
o animal não augmente de peso, de cinco annos em diante. 

A maior quantidade de leite, expressa em litros, produzida em 24 
horas, sendo as vaccas esgotadas 24 horas antes da ordenhação des- 
tinada ao julgamento, foi o criterium seguido para a classificação das 
vaccas leiteiras. 

Para os reproduetores suinos, o julgamento foi feito tomando-se 
o producto das dimensões — circumferencia tomada no thorax e com- 
primento — eo peso do animal, ambas em funcção da edade, conside- 
rando-se para os fins da classificação que o crescimento do animal, 
estaciona depois de três annos; os cevados gordos foram julgados pelo 
peso vivo. 

Os carneiros foram julgados pelo peso antes da tosquia ; pelo peso 
da lã depois de tosquiado o animal ; pela quantidade da lã, debaixo do 
ponto de vista da forma, do comprimento e da resistência. 

Finalmente, para que o concurrente, pudesse receber o premio 
que teve o seu animal, exigia a commissão, apresentação de documentos 
provando ser o expositor proprietário do animal premiado pelo menos 
seis mezes antes da exposição. 

Foram os seguintes os prémios concedidos: 

Reproduetores cavallares extrangeiros: 3:000$, 2:000$, 1:500$, 
1:000$ e 500$000; 

Reproduetores cavallares nacionaes: 3:000$, 2:000$, 1:500$, 1:000$ 
e 500$000 ; 

Gado bovino extrangeiro: 3:000$, 2:000$, 1:500$, 1:000$ e 

500$000 ; 

Gado bovino nacional: 3:000$, 2:000$, 1:500$, 1 : 000$ e 500$000 ; 

Gado bovino leiteiro extrangeiro (hollandez e outros) e vaccas lei- 
teiras nacionaes: 3:000$, 2:000$, 1:500$, 1:000$ e 500$000. 

Parao gado caprino e suino os prémios foram os seguintes: 1:000$, 
400$, 300$, 200$ e 100$000. 



66 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Aos reproductores suinos extrangeiros e aos productos nacionaes, 
os prémios concedidos foram: :!:000$, 1:200$, 700$, 600$ e 300$000. 



Trataremos em primeiro logar do gado vaccum, pela capital im- 
portância que para nós tem o desenvolvimento deste ramo da pecuária 
altenta á productividade da carne, leite e trabalho, mormente a pri- 
meira destinada a representar no mundo, dentro de alguns annos um 
valor não previsto sobre o actual, pela intensa necessidade já mani- 
festada, do consumo da carne em vários mercados extrangeiros. 

Assim pois, visando os três grandes problemas que o djsenvol- 
vimento da industria pastoril em relação aos bovinos tem a resolver 
entre nós, penetramos no recinto da exposição, ávidos em conhecer 
como os creadores mineiros encaram a solução destes problemas. 

Não nos surprebendeu, a maioria evidente do gado indiano no 
certamen do Bel lo Horizonte, e com prazer registramos aqui, que re- 
presentantes de outras raças incontestavelmente superiores eram apre- 
ciados com particular enthusiasmo, assim como, também alegremente 
deixamos consignado que no recinto do Prado Mineiro, onde se realizou a 
exposição, tivemos occasião de notar as discussões travadas entre crea- 
dores apologistas do zebú eaquellesquenão lhe dão a preferencia, sendo 
digno de nota os argumentos poderosos paios últimos apresentados. Al- 
gumas vezes mesmo interrogados manifestamos a nossa opinião con- 
traria ;'i inlroducção do gado indiano e tivemos occasião de observar 
em vários criadores, a impressão que lhes causavam nossos argu- 
mentos. 

Os touros da raça Simenthal e Schwitz em exposição eram tomados 
como padrão para a comparação ao zebú e incontestavelmente, aquelles 
que assim procediam tinham ganho de causa nas discussões. 

Infelizmente, forçoso é confessar, foi ao gado indiano que coube 
a vicloria no certamen que vimos de assistir, muito embora, bellos 
productos de outras raças estivessem ali representados . 

A propaganda lenaz, feita em favor desse gado, com prejuízos 
futuros, para a nossa industria pastoril, está por tal forma enraizada 
entre os creadores, que abatidos mesmo dean te de argumentos e factos, 
não se deixam convencer da imperiosa necessidade de introduzirem 
novos reprodudores de outras raças em suas criações. 

A resistência e tamanho, são os argumentos em torno do qual re- 
side a convicção acima, e alguns por causas todas espedaes querem 
fazer prevalecer as qualidades de leiteiro e gado de talho, á raça indiana, 



EXPOSIÇÃO PECUÁRIA DK BELLO HORIZONTE 





GUARANY ,, - da raça Maaga-larga 



EXPOSIÇÃO PECUÁRIA DE BELLO HORIZONTE 




OSMAN .. — Cavallo árabe 



A LAVOURA 67 

ai legando observações, que embora verdadeiras, são oriundas de factos 
accidentaes em condições todas particulares. 

Infelizmente, dá-se com os creadores de Minas o que se dá, com 
raras excepções, com os creadores brazileiros em outros Estudos. Elles 
sentem a imperiosa necessidade de melhorarem as nossas raças in- 
digenas, e longo de, methodicamente procurarem tirar partido dos 
elementos bons, apresentados por outras raças, na reforma do nosso 
gado, procurando pela selecção dos melhores typos, conservarem os 
caracteres peculiares a cada aptidão dos reproductores, visam como 
condição essencial nos cruzamentos, não as bellezas morphologicas, 
mas tão somente as qualidades de sobriedade e rusticidade, quecol- 
locam acima de todos os demais caracteres das boas raças, conforme 
as aptidões, visando o fim que se deseja obter. 

A mansidão, precocidade, productividade, etc, são esquecidas 
pelos nossos creadores o só as qualidades acima encerram, para a 
grande maioria, as únicas condições a que deve satisfazer o animal 
reproductor. 

E' pois, nesta mal comprehendida e errónea doutrina que a grande 
maioria dos nossos creadores, fazem basear a preferencia para o gado 
indiano como reproductor e só desta forma, se justifica a predilecção 
pelo zebú entre nós. 

Como é sabido, o gado nacional e indígena, necessita de selecção e 
de cruzamento para firmar de modo positivoalgumas qualidades e apti- 
dões, hoje já, sensivelmente fracas, devido ao pouco zelo até então exis- 
tente, consequência inevitável da criação extensiva, ainda não de todo 
abolida entre nós, mas já felizmente modificada paio mixto extensivo 
— intensivo, hoje notado em grande numero de propriedades agrícolas. 

Justo é, pois, a introducção de reproductores extrangeiros, mas 
obedecendo a preceitos e detido exame, de accordo com os princípios da 
Zootechnica Moderna. 

E' já bastante combatida entre nós a introducção em larga escala 
dos decendentes do bos indicus, que desde de alguns annos foi ado- 
ptado pelos nossos creadores não sendo aqui occasião, para comba- 
termos este facto, aliás já bastante discutido no seio desta Sociedade 
por homens de reconhecida competência no assumpto. 

Não deixarei, porém, de lembrar aos nossos creadores que a intro- 
ducção do Zebú é um mal, e um mal tão grave, que, necessitando o gado 
indígena apenas de modificações, o que se tem notado éa absorpção 
completa pelo gado indiano devido a extraordinária potencia de trans- 
missão hereditária, tanto individual como atávica, apanas em pro- 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



veito da rusticidade e sobriedade, que incontestavelmente não deve 
ser o nosso objectivo primordial. 

Comprehende-se que o reproductor Zebú possa em diminuta es- 
cala ser adoptado, em casos especialíssimos, na perpetuação das quali- 
dades acima citadas, mas, em caso algum, a introducção do sangue 
indiano, deverá ir além da relação 1/2, quer com as raças indígenas, 
quer com as melhoradas. 

Preferimos, incontestavelmente, a selecção do nosso próprio gado 
ou cruzamento com gado europeu, como hollandez, normando, schwitz, 
jersey, charolez, simenthal, etc. 

Entre estes particularmente destacamos o Simenthal, variedade 
que foi representada na exposição de Bello Horizonte, pelo touro 
« Camponez » filho de pae Simenthal legitimo com mãe creoula, 
tendo l m ,45 de altura e 2 m ,25 de comprimento, que com doisannos 
e 11 mezes, pesou 673 kilogrammas, ou sejão cerca de 45 arrobas. 

E' de facto para lamentar, que no certamen que venho de assistir, 
nenhum outro producto desta variedade fosse apresentado, attentas as 
boas qualidades que incontestavelmente trariam ao nosso gado a intro- 
ducção do sangue simenthal . 

Na verdade, um rápido golpe de vista á raça jurássica da Suissa 
deixa-nos a convicção do valor dos representantes da variedade 
simenthal e do aperfeiçoamento da sua criação, que tão poderosamente 
tem contribuído para a reputação que goza a raça manchada do Jura. 

As boas qualidades desta variedade são hoje universaes e a dis- 
seminação deste gado, lentamente, vae se fazendo em todas as re- 
giões da Europa Central e Oriental, onde a producção da carne, 
alliada a uma secreção láctea considerável, constitue a principal es- 
peculação zootechnica. 

Vigorosos e resistentes ao trabalho, os bois da variedade Simen- 
thal são estimados como trabalhadores. A conformação regular que 
apresentam, a facilidade de engorda e a qualidade de sua carne, 
dão-lhe hoje a preferencia na Suissa, de onde é oriundo e nas demais 
regiões que já invadiu. 

No estado adulto, os touros pesam 900 a 1.000 kilogrammas e as 
vaccas de 700 a 800 kilogrammas, attingindo os primeiros após a en- 
gorda 1.000 a 1.200 kilogrammas e as vaccas a 900 e 1.000 kilo- 
grammas. 

O rendimento do leite, nas varras desta variedade é de 2.000 a 
2.200 litros, variando a quantidade de leite necessária, para um 
kilogrammo de manteiga entre IS e 28 litros de leite. 



EXPOSIÇÃO PECUÁRIA DE BELLO HORIZONTE 




•GUARANY 




EXPOSIÇÃO PECUÁRIA DE BELLO HORIZONTE 




PERUANO „ — da raça Polled Angus 




ARGENTINO .. — Touro da raça hollandeza 



A LAVOURA 



O melhoramento da variedade Simenthal é judiciosamente feito 
por meio' de syndicatos de criação, perfeitamente organizados. 

No certamen de 24 de fevereiro em Bello Horizonte, nem o louro 
indiano «Militar », premiado em primeiro logar e de propriedade do 
nosso consócio e amigo Dr. Viriato Mascarenhas, attingiu ao peso 
citado do touro já mestiço « Camponez». 

O Zebú Nellore a que me refiro, pesado no recinto da exposição, 
accusou 620 kilogrammas, emquanto o simenthal « Camponez », 
pesou 673, differença sensível, mormente se levarmos em conta, que 
a ossatura do zebú é muito maior que do simenthal. 

Entre os reproductores puros sangue que figuraram na exposição, 
citarei o touro Schwitz 2 1/2 annos de idade e de propriedade do Go- 
verno do Estado. 

O gado Garacú, estava também representado por alguns exem- 
plares mais ou menos bem conformados, assim como o gado hol- 
landez, mormente as vaccas leiteiras. 

O adeantado criador da Mantiqueira Dr. Eduardo Sá Fortes, fez 
concorrer á exposição algumas cabeças do gado de sua propriedade, 
hoje productos seleccionados em suas fazendas e que obtiveram suc- 
cesso principalmente pela quantidade de leite authenticada que con- 
forme constou-nos, attingiu a 17 litros em 24 horas. 

Entre os animaes bovideos que concorreram á exposição cita- 
remos os seguintes : « Militar » zebú Nellore, pesando 620 kilo- 
grammas, propriedade do Dr. Viriato Mascarenhas ; « Milão» também 
Nellore, pesando 548 kilogrammas, propriedade do coronel Bruno, 
de Uberaba ; «Corveta», puro Nellore, nacional de três annos ; « Sobe- 
rano », 14 mezes, puro Nellore ; « Palmeira », 14 mezes, puro Nel- 
lore, nacional; «Peruano», polled-anges, mestiço com o Zebú; 
« Curvellano, 7/8 de sangue zebú, dous annos ; « Mogyana », vacca 
Nellore importada; «Granada», 11 mezes, producto de zebú com 
hollandez, todos pertencentes ao Dr. Viriato Mascarenhas; touro 
«Camponez», simenthal, meio sangue filho de «Wandick» puro si- 
menthal remettido pelo coronel Symphronio Brochado, além de muitos 
outros de origem indiana, infelizmente em grande maioria, hollandeza 
e indígena Caracú. 

Como gado de talho, obtiveram o primeiro premio os zebús Nellore: 
« Militar e o « Milão ». 

Na categoria — gado leiteiro de origem estrangeira — obteve o 
primeiro premio, o bello touro hollandez «Argentino» de proprie- 
dade do Dr. Eduardo de Sá Fortes. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Na raça leiteira, obtiveram ainda, medalha de ouro e menção 
honrosa, entre outras, as novilhas Hollanda e Brasileira do L)r. 
Eduardo de Sá Fortes, a vacca Norma do mesmo proprietário obteve 
meda 11 ia de ouro, deixando de concorrei- ao premio pecuário, por já 
o ter obtido o touro Argentino do mesmo proprietário. 

Em resumo, pois, a secção bovidea da exposição de Bello Horizonte, 
foi representada pelas raças indiana, simenthal, sclnvitz, Caracú e hol- 
landeza, destacando-se esta ultima como a preferida para o leite. 

Quanto ao gado de talho, a victoria coube á raça indiana, mas 
resta-nos a convicção e esperança que dentro em pouco tempo em 
outros certamens teremos a registrar não mais a mesma victoria e 
sim a dos productos oriundos da selecção e do cruzamento do 
nosso Caracú, com os reproductores : Simenthal, Schwitz, Hereford, 
Charolez e Garonnez, graças ao benéfico sopro revificador que alenta 
a nova orientação económica que surge no Brazil. 

De uma cousa, porém, é mister, que não se descuide o governo 
e aquelles a quem compete zelar pelo futuro da industria pastoril, 
— a creação dos postos zootechnicos, sem elles por muito tempo, mar- 
charemos ainda nas trevas, e teremos de assistir impávidos á ab- 
sorpção que nos será fatalmente desastrada, das nossas raças indí- 
genas, por outras sem qualidades e aptidões que nos bastem, que 
longe de reerguerem o nosso gado acabará transformando-o em uma 
raça inútil, bravia e perigosa. 

A secção de animaes da raça cavallar, foi incontestavelmente, 
uma revelação do desenvolvimento deste ramo da industria pastoril 
em Minas, para todos os que visitaram a exposição de Bello Horizonte. 

Concorreram 40 expositores que apresentaram ao certamen cerca 
de 80 exemplares nacionaes, mestiços e reproductores extrangeiros, 
destacando-se particularmente os productos nacionaes denominados 
Manga Larga e Campolina. 

Das nossas observações no recinto da exposição, somos levados 
a crer que, em relação aos equídeos, a orientação seguida em Minas 
no aperfeiçoamento das raças existentes, é um tanto methodica, 
convindo, porém, que desde já os nossos criadores tenham um obje- 
ctivo fixo no melhoramento das raças, de modo que, a introducção 
de reproductores, possa alcançar um determinado fim, não vindo 
perturbar a producção cavallar, pela aneia da introducção de novo 
sangue ext range iro. 

Bem sabemos que para isto, mister se toma a fundação dos 
postos zootechnicos, cumprindo ao governo, não mais retardar a 



EXPOSIÇÃO PECUÁRIA DE BELLO HORIZONTE 



IHftl 



••••rí; 




SUMARÉ,. — Touro da raça Caracú 




• GAMPONEZ .. - Touro da raça Simmenthal 



EXPOSIÇÃO PECUÁRIA DE BELLO HORIZONTE 




!RISA ,, — Novilho da raça Garacú 




SCHWITZ ,. — Touro da raça Suissa 



A LAVOURA 71 

creação cie taes estabelecimentos, de modo que possa a industria 
pastoril entre nós alcançar-o gráo de desenvolvimento, que facilmente 
pode attirigii" atlenta ás condições que tão francamente possuímos. 

O desenvolvimento dos equídeos, entre nós, é facto que desde 
já deve chamar a attenção do governo e dos creadores, de modo a 
conjunclamente com o gado vaccum, melhorarem, poios processos 
da zootechnia moderna, as raças indígenas existentes. 

Nenhuma producção zootechnica justiiica-se, sem que uma ori- 
entação económica, tendo em vista as condições dos mercados su- 
jeitas á lei geral da economia — da offerta e da procura, — e as in- 
ternas do próprio paiz, presida ao critério do criador, guiando-o na 
empreza a que se dedica; e, no momento actual, muito embora o 
progresso colossal dos meios modernos de locomoção, o desenvolvi- 
mento dos equídeos, está perfeitamente assegurado, mormente pela 
producção visando os animaes de sella e os de tiro, verdadeiros ca- 
vai los agrícolas que o extrangeiro já acceita de longa data como o 
mais remunerador no tratamento das culturas, attendendo ao enorme 
progresso da mecânica agrícola. 

Recente estatística, que nos dá P. Diffloth em seu ultimo tra- 
balho sobre as raças cavai lares, mostra que ao lado do grande des- 
envolmento dos automóveis, grande tem sido o augmento da pro- 
ducção cavallar dos paizes productores e que os mercados consumidores, 
longe de estacionarem, têm progredido mormente no que diz respeito 
aos animaes de luxo e aos destinados á remonta dos exércitos. 

A população equídea da Inglaterra, que tinha diminuído até 1900, 
augmentou nos últimos annos, sendo a differença maior de 1903 
sobre 1902 de 32.365 cabeças. 

Os cavallos de omnibus, animaes de tiro longo que por muitos 
annos, foi na Inglaterra em numero de 10 a 12 mil, eleva-se hoje 
a 17 mil. 

Km 1876, na Europa, contava-se o coefliciente de 30,5 por mi- 
lhão de habitantes, elevando-se este coefflciente a 38,4 em 1908 época 
da apparição dos automóveis, e ainda em 1902 41,95. 

Nos Estados Unidos, em 1899, quando começaram a apparecer 
os automóveis, o numero de cabeças existentes, era de 13.675.307 
no valor de 511.047:813 dollars, e em 1905 este numero elevava-se 
a 17.052.702 cabeças, no valor de 1.200.310.029 dollars. Diante dos 
dados acima conclue-se que apezar do progresso da viação e dos mo- 
tores, eléctricos, a vapor ou de explosão, o numero de cavallos tem 
augmentado sensivelmente nestes últimos annos e que os creadores 

3124 2 



72 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

nada teem a temer das evoluções económicas modificadoras da nossa 
vida social e commercial. 

O futuro dos animaes de sella, quer destinados a animaes de 
luxo, quer a remonta dos exércitos e o dos animaes destinados aos 
trabalhos agrícolas e ao transporte de grandes pesos, está para nós 
perfeitamente garantido pelo gosto e amor ao luxo, que tende sempre 
a desenvolver-se ao lado do progresso civilizador, e pela necessidade, 
que no Brazil, em futuro não remoto, terá a nossa agricultura, de 
taes animaes para o manejo dos seus instrumentos, deixando ao 
gado vaccum as funcções primordiaes de talho e leite e só acciden- 
talmente a de trabalho, como dá-se tanto na Europa, como na Ame- 
rica; ainda pela nossa natureza montanhosa não poderemos dis- 
pensar os animaes de longo tiro, senão quando em futuro longínquo, 
a mecânica tenha resolvido economicamente o meio de transporte 
em taes regiões. 

Na exposição de 24 de fevereiro, vimos com prazer vários typos 
puros, nacionaes e mestiços, indicadores do cuidado que os criadores 
mineiros têm dedicado a raça cavallar, procurando aperfeiçoar os exem- 
plares indígenas quer pela selecção intelligente quer pela cruza com 
reproductores extrangeiros. 

Trataremos primeiramente dos animaes nacionaes, que a selecção 
aperfeiçoou dando typos que, nos parece, deverão ser os preferidos para 
os animaes de sella. 

A' variedade, denominada Manga Larga, oriunda como é sabido de 
um reproductor portuguez, trazido para Cachoeira do Campo ainda em 
tempos coloniaes, coube a victoria naquellecertamen. 

Pelo Dr. Ribeiro Junqueira, do município de Sylvestre Ferraz, foi 
apresentado o cavallo Sul de Minas medindo 2 m ,31 de comprimento 
por lm,55 de altura, da variedade Manga Larga e premiado em primeiro 
logar na cathegoria dos animaes nacionaes. 

Ainda da mesma variedade, notamos os cavallos Petronio, pello 
tordilho, com l m ,54 de altura e 2 nl ,20 de comprimento, que obteve 
menção honrosa ; The Money, com l ra ,58 de altura por 2 m ,28 de com- 
primento, de 5 annos, propriedade do Dr. Ribeiro Junqueira e premiado 
com o 4 o premio, na mesma cathegoria ; Ladario, com cinco annos de 
idade, l m ,58 de altura por 2 m ,22 de comprimento, vindo do município de 
Leopoldina e propriedade da família Junqueira. 

Os animaes expostos desta variedade apresentaram caracteres de 
força e agilidade, sendo as alturas sufíicientes para a remonta do 
exercito. Um grande inconveniente apresentam para tal fim que éa 



EXPOSIÇÃO PEC1 UlIA DE BELLO HORIZONTE 




VARRAO CANASTRÃO 




EXPOSIÇÃO PECUÁRIA DE BELLO HORIZONTE 




VARRAO CANASTRÃO 




CABRA — da raça Toggemburg 



A LAVOURA 73 

marcha, mas, attendendo a largura do passo, quer nos parecer que 
algum tempo de picadeiro ensinaria ao animal, mormente ás éguas, 
o trote necessário ás marchas militares ecom reproductores Oldemn- 
burgo, ou Hunter, ou mesmo convenientemente seleccionados dariam ao 
exercito, bons animaes, mormente para a ca vallaria. 

A variedade denominada Campolina, oriunda da antiga fazenda do 
Gampolina em Entre Rios, hoje chamada fazenda do Tanque e propriedade 
do Sr. Joaquim de Rezende, apresentou-se também com bellissimos 
productos nacionaes, dos quaes, citaremos: Golias, tendo l m ,60 de altura 
e 2 m ,20 de comprimento e 3 annos de idade ; Oder, l m ,54 de altura por 
2ra,07 de comprimento e também com 3 annos ; Califa, tendo 4 annos de 
idade, l m ,61 de altura e 2 m ,04 de comprimento, procedente de Barbacena. 
Destes animaes, foram premiados com o 2 o premio o cavallo Golias 
com medalha de ouro, e menção honrosa o cavallo Califa. 

Na exposição do mesmo proprietário, vimos o cavallo Adónis, com 
2 1/2 annos de idade, tendo l m ,61 de altura e 2 ,n ,28 de comprimento, 
reproductor puro sangue Oldemnburgo adquirido pelo Sr. Joaquim 
Rezende, na Estação Zoolechnica de Herm Stoltz & C. Este animal 
mereceu menção honrosa da commissão julgadora. O cavallo Oldemn- 
burgo é o typo adoptado na Allemanha no regimento dos Gouraceiros. 
Criado em grande parte do tempo no regimen do pasto, em condições 
climatéricas desfavoráveis, adquire uma certa rusticidade tornando-se 
sóbrio e de fácil nutrição ; alimenta-se, em geral, de aveia, feno e palha 
de aveia. E' muito precoce e com 2 annos de idade, pôde ser perfeita- 
mente utilizado em trabalhos agrícolas. 

Vimos ainda da mesma variedade Campolina, o cavallo Adegente, 
de cinco annos de idade, medindo l m , 50 de altura por 2 m , 18 de compri- 
mento, vindo de Caethé e propriedade do Dr. Ribeiro Junqueira. 

Pensamos, que os productos conhecidos em Minas pela denominação 
Manga Larga e Campolina, serão os futuros cavai los do nosso exercito, 
mormente se a introducção do sangue extrangeiro merecer dos nossos 
criadores o cuidado necessário, de modo que as qualidades de agilidade, 
força e marcha, sejam convenientemente introduzidas. 

Existe nas Ilhas Britannicas, a variedade Hunter que se subdivide 
no Hunter Inglês e no Hunter Irlandês, que julgamos, daria óptimo 
resultado no cruzamento com as éguas Manga Larga e Campolina. 
O Hunter é o cavallo mais útil da Inglaterra, pre3tando-.se a todos 
os serviços 

Os inglezes o adoptam na caça pela sua agilidade, e esta é tão 
desenvolvida, que lhes tem valido o cognome de saltadores. Os 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



primeiros cavallos desta variedade, foram obtidos em Norfolk, de éguas 
de puro sangue, cobertas pelos garanhões de tiro de raça Norfolk. E' 
na Irlanda, porém, que se encontram hoje os melhores Hunter. 

Na Inglaterra, chama-se hoje, ordinariamente Hunter, ao modelo 
regular, tendo bastante sangue, para ter energia, prestando-se perfeita- 
mente á cara e tendo grande velocidade natural á galope e além disso, 
a aptidão do salto. 

O verdadeiro Hunter, enfrenta os obstáculos sem medo, sem 
hesitarão, saltando-o com energia e com facilidade. 

E' sóbrio e incançavel, podendo passar sem comer, muitas horas. 

Os animaes inglezes, desta variedade, tem de altura l m ,70emquanto 
que os irlandezes, tem l m ,55e l m ,G0. 

O Hunter Irlandês é um dos cavallos mais resistentes da Inglaterra, 
transmittindo a sua resistência aos productos e bem assim a sua agili- 
dade, sendo apreciado como productor de cavallos, destinados á remonta 
dos exércitos. A sua criação, não exige detidos cuidados, com dous annos 
de idade já pôde tomar parte nos trabalhos agrícolas. 

Voltando a tratar da exposição, vimos dous animaes nacionaes, 
também premiados, ocavallo Montenegro, com l m ,00 de altura e 2 ra ,35 
de comprimento, producto de meio sangue, anglo-normando com 
égua crioula, tendo seis annos de idade e que obteve o I o premio ; 
Mihado, meio sangue anglo-normando, producto de mãe crioula, 
medindo 1»>,59 de altura por 2 n, ,39, foi premiado com o 3 o premio, 
ambos procedentes do município de Oliveira e pertencentes ao Dr . Donato 
de Andrade. 

São bellos typos de animaes, tons cavallos de sella, não servindo 
para a remonta, apenas pelo andar, defeito, porém, oriundo das éguas 
que serviram de progenitoras e de fácil correctivo em gerações fu- 
turas, bastando para tal fim, o ensino em picadeiro do trote ao pro- 
ducto ou ás éguas, antes de serem cobertas. 

cavallo Predilecto, nacional, meio sangue inglez,com sete annos, 
vindo do município de Juiz de Fora, medindo lm,54 de altura, proprie- 
dadedoSr. Theodorico Ribeiro de Assis, obteve o 2 o premio na cathe- 
goria acima. 

O cavallo Smart, de l m ,55 de altura e 2 m ,23 de comprimento, com 
três annos de idade e filho de reproductor de sangue inglez, de pro- 
priedade do Sr. José Ferreira I.ei te, do municipo de Oliveira, obteve o 
A° premio, juntamente com o cavallo The Money a que já me referi. 

O 5 o premio, foi dado ao animal Juriti/, com L m ,49 de altura e 
propriedade do coronel Albino Machado. 



EXPOSIÇÃO PECUÁRIA DE BELLO HORIZONTE 




JAGUNÇO — Bode da raça "pescoço preto,. 




DE PREMIADO 



A LAVOURA 



São ainda dignos de referencia os animaes: Ituina, puro sangue 
nacional, com 3 1/2 annos de idade, l ra ,52 de altura, propriedade do 
Sr. Saturnino Rocha; Carlito, puro sangue inglez, do Dr; João Tei- 
xeira Soares, com l m ,65 de altura; Andaluz, com l m ,65 de altura, 
vindo do município de Além Parahyba e de propriedade do Dr. J. T. 
Soares; Tamoijo, meio sangue inglez, com l m ,63 de altura, e de pro- 
priedade do Sr. Francisco de Campos Valladares; Oman, puro sangue 
árabe, com seis annos, l ,n ,55 de altura, vindo de Ub?raba e proprie- 
dade do Sr. Angelo Costa; Africano, meio sangue árabe, medindo l m ,53 
de altura e propriedade do Sr. José Ribeiro Junqueira; ícaro, com 
3 1/2 annos, medindo l m /tOde altura por f",90 de comprimento, meio 
sangue inglez, vindo de Uberaba; Brasil, medindo l'", 40 de altura por 
2"', 10 de comprimento, com quatro annos, meio sangue inglez, vindo 
de Uberaba; Sulika, com quatro annos, 3/i de sangue inglez; Rio 
Branco, meio sangue andaluz, com cinco annos deidade. 

Outros animaes nacionaes da rara denominada Sublime, que como é 
sabido, são productos, com raras excepções, mal aperfeiçoados do árabe, 
concorreram também á exposição, e outros com a simples indicação 
de raça nacional, também se apresentaram naquelle certamen. Entre 
estes citaremos: Argentina, com três annos de idade; Corrupio com 
l m ,55 de altura e 2'", 20 de comprimento, com 3 1/2 annos deidade; 
Çaruso alazão, l m ,45 de altura por 2 m , 00 de comprimento, com 2 1/2 
annos de idade, vindo de Juiz de Fora; Rio Negro, procedente de Bar- 
bacena, com l 1 ", 58 de altura e 2 1 »» de comprimento. 

Ainda como único representante dos ca vai los do Norte da França, 
boje francamente acceitos, quer na própria Europa, Estados Unidos, quer 
na Argentina e mesmo no Brazil, pelo Exm. Sr. Barão do Paraná, 
apresentou-se ocavallo Vulcano de sete annos de idade, vindo de Juiz 
de Fora, filho de pae Percheron puro e mãe de l/i de sangue árabe. 

Do que vimos de expor, conclue-se que foi na verdade anima- 
dora, a primeira exposição geral de cavai los, que na sua capital 
realizou o Estado de Minas. Os animaes eram bem conformados, 
possuíam, com excepções, os caracteres de forca e ardor, como veri- 
ficaram os que assistiram ás provas a que os animaes foram sub- 
mettidos na raiado Prado Mineiro. 

Cumpre aos creadores proseguirem o aos demais Estados, jun- 
tamente com os respectivos governos imitarem a obra verdadeira- 
mente patriótica, em que se empenham Minas Geraes, S. Paulo e 
Rio Grande do Sul, que, poderosamente, secundando o Governo Fe- 
deral, abrem novos horizontes na politica económica do Brazil. 



76 SOCIEDADE NACIONAL DK AGRICULTURA 

No certamen, como vimos, foram apresentados pfoductos na- 
cionaes seleccionados de bella conformação; animaes mestiços, typos 
já bastante animadores, e réproductores estrangeiros de differentes 
raças . 

Notamos a preoccupação do cavallo para corrida e do cavallo 
marchador nacional para viagens, e aproveitamos a occasião para 
tratarmos, se bem que ligeiramente, dos animaes de tiro, cuja pro- 
ducção tem para nós, como para todos os paizes no presente momento 
capital importância. Os cavai los de tiro têm a sua producção perfei- 
tamente garantida, sendo, ainda par muito tempo, difficil ao automo- 
bilismo entravar-lhe os inestimáveis serviços que prestará sempre 
nos centros de maior movimento, em pleno domínio do progresso. 

A medida que a vida commercial e industrial de um povo au- 
gmenta, a sciencia procura resolver, em geral, pela mecânica a 
questão dos transportes 

As estradas de ferro vencem as distancias longinquas, atraves- 
sando as terras de um extremo a outro e as aperfeiçoadas machinas 
marítimas atravessam os mares, a portos antípodas ; mas quer uma 
quer outra, tem os seus pontos terminaes e não poderemos esperar 
que, em breve futuro, o automobilismo e todas as modernas applicações 
da mecânica possam com a mesma facilidade económica que as es- 
tradas de ferro e a navegação, satisfazer as necessidades do trans- 
porte local. 

Ainda, á medida que augmenta o progresso de uma nação, 
augmenta o seu movimento commercial e como consequência imme- 
diata o peso e volume dos fardos a transportar. 

Ao cavallo de tiro, portanto, cabe a solução do problema do 
transporte local por meio das grandes viaturas. 

No Brazil particularmente, paiz novo que começa a desenvol- 
ver-se, a criação destes animaes é uma questão que desde já deve ser 
tratada com o carinho que tem merecido nos demais paizes. Além 
disso a nossa natureza montanhosa não permittirá com facilidade 
económica as applicações, quer da electricidade quer da mecânica 
nas questões de transporte local. Nos trabalhos agrícolas, até hoje 
quasi de um modo geral, têm sido empregado na tracção o gado 
vaccum, e mister se torna visarmos desde já o futuro da nossa agri- 
cultura, o desenvolvimento da mecânica agrícola, e, portanto, o em- 
prego de animaes, senão mais fortes que o boi, pelo menos mais 
adequados, apresentando comtudo as mesmas vantagens e também 
possuidores do passo lento necessário á rotearia." 






A LAVOURA 77 

Neste ponto, seja-me permittido ainda frizar, no estado actual do 
desenvolvimento agrícola do mundo, são os cavallos de tiro os destina- 
dos a preencher as funcções até então entre nós preenchidas pelo boi, re- 
servando-se o gado vaccum ás funcções de carne e leite, cuja necessidade 
nos mercados mundiaes, tende a augmentar descomedidamente. 

Os nossos creadores devem se dedicar ao desenvolvimento da 
producção cavallar, e, sem esqueceremos animaes de sella, e os sim- 
plesmente de luxo, vizarem primordialmente os destidados á remonta 
do exercito e os de tiro, pela situação económica que garante taes 
producções . 

Quanto aos suínos e ovinos que concorreram á exposição, pouco 
temos a dizer, principalmente em relação aos últimos. 

Os suinos estavam bem representados por bonitos productos de 
raças nacionaes e extrangeiras, entra as quaes notavam-se a Yorkshire 
e a Berkshire. 

Na categoria de cevados gordos, coube o I o logar ao espécimen 
de propriedade do coronel José Custodio Dias de Araújo, o qual pesou 
376 kilogrammas. 

O 2 o logar foi dado ao producto pesando 307 kilogrammas, 
propriedade do Sr. Joaquim Cláudio de Salles. Ao animal de pro- 
priedade do Sr. José António Coelho coute o 3 o logar, embora 
pesando 310 kilogrammas, sendo, porém, seguido tal critério, por ter 
sido o suino pesado no logar da engorda, emquanto que o segundo 
foi pesado no recinto da exposição, após longa viagem, que fatalmente 
havia de deixal-o sentido. 

Pesando 302 kilogrammas, foi premiado em 3 o logar o es- 
pécimen do Sr. Cândido de Paula Silvino. 

O 5 o premio, foi obtido pelo suino pesando 270 kilogrammas, 
propriedade do Sr. Custodio de Almeida Porto. 

Obteve medalha de ouro, o suino, cujo peso attingiu a 258 kilo- 
grammas, de propriedade do Sr. J. dos Santos Vianna, e ainda o de 
peso de 240 kilogrammas, do Sr. Raymundo Soares de Azeredo. 

Na categoria dos reproductores suinos obtiveram prémios pecuni- 
ários os animaes dos proprietários seguintes, na ordem respectiva: 
Srs. Ignacio O. de Alvarenga, Joaquim Ribeiro Junqueira, Josias M. 
Machado, António de Freitas Lima e Dr. Viriato Mascarenhas. 

Obtiveram medalha de ouro os productos dos Srs. Custodio Ferraz 
Junqueira, António Carlos de Barros Faria, capitão Roberto F. de To- 
ledo, coronel Francisco A. M. Azevedo Camará e Manoel Teixeira de 
Camargos. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Alcançaram medalha do prata os productos apresentados pelos 
Srs. Dr. Carlos da Silva Fortes, José Belém, Luiz F. dos Santos, 
Caetano Mascarenhas e António Dias Barbosa. 

O gado ovino, estava representado pelo gado lanígero e caprino, 
extrangeiro e nacional . 

Foram classificados os saguintes: Caprino* : 1" premio, ca- 
brito Brasileiro, de propriedade do Sr. Fernando Pinto de Azevedo; 
2 o premio, cabrito Petronio, de propriedade do Sr. Raymundo 
Nonato; 3 o premio, cabra Alegria do Dr. Carlos da Silva Fortes, 
que ainda obteve menção honrosa, pelo cabrito extrangeiro Jagunço. 

Lanígeros: I o premio: carneiro reproductor, Guarany, mestiço 
de merino e crioulo, de propriedade do Sr. António da Cruz Homem, 
pesou 48 kilogrammas e deu uma tosquia de 1.100 grammas; 

2 o premio : carneiro reproductor da raça Southdown, mestiço, 
propriedade do Dr. Carlos da Silva Fortes, pesou 63 kilogrammas e 
deu uma tosquia de 750 grammas; 3 o premio: carneiro Rambouillet, 
tosquiado, pertencente ao Dr. João José Vieira — Este animal estava 
ainda muito maltratado pela ultima epizootia da febre aphtosa. 

Eis Sr. Presidente e mais directores, o resultado da minha visita 
á exposição de Bel lo Horizonte, honrado com a representação desta 
Sociedade. 

O relatório que vos apresento, é cheio de lacunas, mas conto com a 
benevolência de todos vós e com a dos nossos consócios, esperando que 
algum resultado útil possa advir das vagas indicações que aqui ficam 
para engrandecimento e força da nossa grande Pátria — OBrazil, 

Não terminarei, porém, sem renovar os agradecimentos, pela gentil 
hospitalidade que a Sociedade Nacional de Agricultura, por mim repre- 
sentada, recebeu quer por parte do governo mineiro, quer por parte 
da commissão e criadores. 

AosExmos. Srs. Dr. João Pinheiro da Silva, illustre Presidente do 
Estado, e ao nosso consccio e amigo Sr. coronel Francisco Bressane, 
particularmente agradeço, confessando-me grato, pelo fidalguia com 
que me distinguiram. 

Rio de Janeiro, fevereiro de 1908.— Francisco Tito de Sousa Reis, 
engenheiro civil pela Escola Polytech nica do Rio de Janeiro e director 
l c secretario da Sociedade Nacional do Agricultura. » 



A LAVOURA 79 

Movimento Agrícola pelo Estado de Minas 

E' deveras animador ver-se como, sob a direcção do Di\ João 
Pinheiro da Silva, o Estado de Minas se orienta e evolue em busca da 
solução dos mais sérios problemas da sua economia. 

Parecia, attenta a indole pouco innovadora do povo mineiro, que os 
doutrinamentos do esclarecido administrador publico passariam incom- 
prehendidos e desajudados da acção dos seus administrados. Felizmente 
assim não tem acontecido, notando-se por toda parte a mais decidida 
cooperação em todos os emprehendimentos que vão sendo iniciados. 

S. Ex., em uma das suas luminosas mensagens, censurou acre- 
mente a norma, pasmosamente anti-democratica, de cuidarem os po- 
deres públicos da instrucção superior, deixando em lastimoso abandono 
a educação popular, concretizada no ensino primário, litterario e pro- 
fissional. Affirmou, pois, a mais decidida intenção de orientar o seu 
governo por um rumo mais consentâneo com a indole e razão de ser 
do regimen por que nos regemos. 

Sob o influxo das novas idéas, as escolas primarias reorganisam-se 
por todo o vasto território de Minas ; a instrucção profissional-agricola 
diffunde-se. 

Genuinamente republicano, por sentimento intimo e meditado 
estudo, S. Ex. entende imprimir em todas as suas reformas um certo 
cunho social istico, em que o governo intervenha, não tão somente como 
administrador, mas como cooperador e orientador dos individuos. E' a 
bôa escola. Sob o seu governo a frequência nas escolas publicas dupli- 
cou ; os comícios formados nas mais longínquas e diversas paragens 
nm^eguem congregamento inusitado; cada exposição que se realisa no 
Estado é um novo triumpho; as colónias despertam-se, recebendo novos 
colonos; os institutos de ensino agrícola popularisam-se, attrahindo 
numerosos visitantes, ávidos de instrucção e decididos a esquecerem de 
vez a rotina em que vegetaram até aqui. 

Abre-se positivamente uma nova era para o Estado de Minas: éa 
era do trabalho intelligente, em que o lavrador tem por guia a sciencia 
e não mais o acaso cego e caprichoso ! 

O Dr. João Pinheiro tomou as fazendas-modelo para typo dos insti- 
tutos de ensino agrícola que está organisando. Seu fim é pregar pelo 
exemplo, pondo sob as vistas e ao alcance dos lavradores instru- 
mentos e praticas susceptíveis de serem adoptados por quem quer que 
seja que se dedique á honrosa e útil profissão da cultura da terra. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Não são ainda decorridos dois an nos, após a elevarão do Di\ João 
Pinheiro ao governo e já estão em pleno funccionamento: a Fazenda- 
Modelo da Gamei leira, na cidade de Bel lo Horizonte, a fabrica e estação 
sericicola da colónia Rodrigo Silva, em Barbacena e a fazenda da C a . 
Empire Fibre, situada a pequena distancia da estação de Prudente de 
Moraes . 

O ensino agricola-profissional rege-se pela lei n. 2.027 de 28 de 
julho de 1907, cuja parte referente ás fazendas-modelo é a que 
de novo publicamos. 

FA.ZENDAS-MODELO 

Art. 49. São creadas no Estado, nos termos do art. 2" da lei n. 438, de 24 
de setembro de 1906, sois fazendas-modelo, aos pratos que olYerecerem, a juizo do 
Governo, melhores condições, mas distribuídas de modo que sejam localizadas: 
uma no centro, uma uo norte, uma no sul, uma na zona da matta, uma no 
triangulo mineiro e uma na zona do oeste. 

Paragrapho único. Estas fazendas terão como objectivo principalmente a 
agricultura ou a pecuária conforme a zona om que ellas SJ installarem fôr 
agrícola ou pastoril. 

Art. 50. O numero das fazendas-modelo a qu3 se ref)ro o artigo anterior sò 
se entende com as fazendas montadas a expensas exclusivas do Estado, podendo 
ser aquelie numero augmentado com tantas quantas sejam auxiliadas polas mu- 
nicipalidades, de conformidade com o disposto no § 2° do citado artigo. 

Art. 51. Na installa.ão das fazendas-modelo será observado o plano neste 
regulamento determinado e que estabeleça os quatro typos pelo Governo appro- 
vados. 

Art. 52. Estes typos são: 

1.» O typo A, que comp^ehenderá uma arei nunca menor de 10 alqueires de 
terreno e se destina á demonstraçío do manejo dos instrumentos aratorios, é li- 
mitado aos trabalhos de cimp) concernentes á preparação da torra para cul- 
tura, sem m ichinas de benefiiiamento de productos ; 

2.» typo B, que comprehenderá uma ãrea nunca menor de 25 alqueires 
de terreno, apparelhalos de peqmnos maehinisraos movidos por tracção animal, 
conforme a planta approvada, tem por fim a demonstração pratica de duas ou 
mais culturas em ponto pequeno e o modo mais económico e útil de sua trans- 
formação o aproveitamento; 

3.° O typo C, que comprehauderá uma área nunca menor de 40 alqueires 
d.s terreno, com macliinism) appropriado ao api^oveitamento da generalidade dos 
productos annuos da nossa lavoura, movido por força hydraulica, visa demon- 
strar o modo maia económico, útil c pratico polo qual se podo transformar, 
melhorando a, a generalilade das propriedades agrícolas do Estado; 

4." O typo D, que comprehenderá uraiárea nunca raeuor de 80 alqueires 
de terreno, cjm unehinismo completo para aproveitamento, não só dos pro- 
ductos a que se refere o n. 3 deste artigo, como os florestaes e a producção de 
lacticínios, movido por motor hydraulico dos typos mais perfeitos, visa a de- 
monstração da cultura racional em graúdo escala. 



FAZENDA DA GAMELLEIRA 




NOVAS CONSTRUCÇOES DA FAZENDA MODELO 




PLANTAÇÃO DE ABACAXI 



FAZENDA DA GAMELLEIRA 



I ■■ 



**M**ÍÍ 



n 






iRROZAES IRRIGÁVEIS 




MtLHARAL PLANTADO E CULTIVADO A MACHINA 



A LAVOURA 81 

Art. 53. As areia destinadas p ira as fazendas-modelo deverão conter pelo menos, 
4 alqueires (cerca de 20 hectares) de terras planas ou de suaves ondulações, de 
fácil accesso aos instrumentos arat^rios, no caso de adopção do typo A, ou uma 
área mais ou menos correspondente a um terço da área totil, no caso de adopção 
de qualquor um dos outros typos. 

Art. 54. As Camarás Munieipaos, que pretendam obter a creação de uma 
fazenda-modelo em seus muuicipios, deverão concorrer : 

l.°No caso de escolha do typo A, cora as prestações, em terras, de 10 al- 
queires, com uma casa e um paiol e em dinheiro, com 3:000$ de uma só vez ; 

2.° No caso de escolha dos typos B, C ou D, com as prestações em terras res- 
pectivamente, de 25, 4o e 80 alqueires do 4 hectares, 84 o, em dinheiro, com a 
metido da importância dos machiaismos e edifícios necessários para o typo 
escolhido. 

Em qualquer das hypotheses figuradas as terras deverão satisfazer as exi- 
gências do artigo anterior. 

Art. 55. As fazendas-modelo serão administradas e custeadas pelo Estado 
directamente, pertencendo-lhe a propriedade e o respectivo r/udiraento . 

Art. 50. Cada fazenda-modolo será destinada a determinados géneros de cul- 
tura, de conformidade com a natureza do seu solo e condições do seu clima, ex- 
cluídos quaesquor outros. 

Na regiãj agrícola predominará o ensino para o cultivo da terra, sendo o da 
creação puramente accossorio ; na região pastoril predominará o ensino da pe- 
cuária, sendo então accessorio o da agricultura propriamente. 

Art 57. Em cada fazenda- modelo o Governo manterá : 

a) Reproiuctores bovinos de raças escolhidas, assim como reproduetores de 
outras espécies de animaes, que serão cedidos gratuitamente para a fecundação 
das fêmeas trazidas para es?e flm á fazenda ; 

b) Um stock das machinas na mesma fazenda empregadas, não só as aratorias, 
como as de beneíiciamento, as quaes serão cedidas, pelo preço do custo, a quem 
se proponha acompralas, desde que o comprador exhiba talão da entrada do preço 
respectivo no Thcsouro do Estado ou na Collectoria local. 

Art. 58. Do mesmo moio, as machinas a que se refere o artigo antecedente 
poderão ser cedidas aos colonos loc idizados nas colónias annexadas áí fazendas- 
modelo, mediante pagamento, como preceituado pira outros compradores, ou 
sob a garantia das colheitas do anno, para esto fim, previamente avaliadas ; as 
colheitas serão recebidas em espécie, ao serem realizadas, pelo preço corrente dos 
respectivos proiuctos na localidade. 

Art. 59. As fazendas-modelo enviarão pessoal seu ás fazendas vizinhas, 
para o flm de executar qualquer trabalho de amanho ou preparação do solo, 
tomando taes trabalhos por empreitada, mediínte remuneração previamente 
ajustada, de accordo com as bases que serão opportunamento publicadas, ou a 
salário, de conformidade com os preços correntes de serviços similares na loca- 
lidade. Esses serviços, porém, só serão prestados; quando os interessados depo- 
sitem previamente, em qualquer das estações fiscaes, a importância em que forem 
orçadas ou a quota que for fixada. 

Art. 60. As fazeodas-mo leio receberão os t,'aballudorei que os fazendeiros 
do Estado lhes enviem para ap.eniizagem do manejo daquelles instruiu > a, 03, não 
excedendo do :;0diasa sua permanência nas referidas fazendas, dando lhes estas 



xn<;ii<;i>\i>i<; nacional d li AQUICULTURA 



morada o sustento durante o máximo daquelle prazo. O numero destes trabalha- 
dores não poderá exceder do 10 pessoas nas fazendas do typo A ; do 15 pessoas nas 
do typo B ; de 20 pessoas nas do typo C e 30 pessoas nas do typo D. Os trabalha- 
djres assim enviados ás fazendas-modelo ficarão subordinados á ordem nellas 
observada e tomarão parte em todos os trabalhos diários sob a direcção do 
mestre de cultura, quo os expuls irá da fazenda, todas as vezes que se tornem ele- 
mentos de perturbação da disciplina do estabelecimento. 

Paragrapho único. Na hypothesc de ter sido a fazenda-modelo installada com 
o concurso da Camará Municipal, serão admittidos de preferencia os trabalhadores 
aprendizes que forem apresentados á Directoria pelo presidente da mesma Camará. 
Art. 61. Além da demonstração pratica dos trabalhos de campo, a que se 
referem os artigos anteriores, as fazendas-modelo também ministrarão a neces- 
sária instrucção pratica a moços que queiram habilitar-se para a profissão de 
mestres de cultura. 

Para esto fim as fazendas-modelo receberão moços de conducta reconhecida- 
mente- morigerada, nunca menores de 18 annos de idade, aos quaes serão dadas 
residência e alimentação gratuitas e transporte ferro-viario somente no caso de 
reconhecida pobreza. Estei moços tomarão parto nos serviços diários da fazenda, 
durante o tempo necessário para que possam assistir e executar toJas as operações 
relativas -ás culturas om exploração na fazenda, desde o amanho dos terrenos até 
ás colheitas e o preparo de seus produetos, sendo instruídos ao mesmo tempo, em 
todos os detalhes das culturas e da administração. 

Art. 62. Findo o prazo da aprendisagem, que é limitado a 10 mezes, os 
aprendizes serão submettidos a um exame, que versará sobre os differentes tra- 
balhos de campo com os respectivos instrumentos, e numa exposição suecinta e 
verbal, por meio de perguntas o respostas, das regras que se devem observar na 
cultura das espécies exploradas na fazenda, como o modo de plantaçio, as épocas 
próprias para as dillcrentes espécies, o modo de estrumação, irrigação, capinas, 
colheitas, etc; e bem assim, om relação á administração, o modo de escriptu- 
ração observadi n.i fazenda e mais detalhes que tenham feito parte de sua 
aprendizagem, 

Art. 63. Este exame, presidido pelo chefe teehnico, será feito perante a Di- 
rectoria da Agricultura, Commercio, Terras e Colonização, sendo examinadores 
o chofe de agricultura pratica e o mestre de cultura da fazenda-modelo, onde o 
examinando fez a sua aprendizagem. 

Art. 64. Os exames a que se refere o artigo antecedente serão prestados 
em uma só época no anno, no mez de junho, perante a Directoria e nelles serão 
apuradas as habilitações dos aprendizes, não só quanto á sua pratica dos pro- 
cessos aratorios e oulturaes ensinados, como quanto ao preparo do pessoal de cada 
um em relação aos outros, de moi'o a serem escolhidos em cada turma os cinco 
aprendizes mais habilitados e que tenham aproveitado inteiramente o ensino 
dado. 

A cada um do3 aprendizes assim encolhidos o (ioverno poderá dar gratuita- 
mente, a titulo de animação, um dos melhores lotes em qualquer das colónias 
do Estado, sempre quo seu comportamento, durante todo o tempo de aprendizagem, 
nenhuma nota desfavorável tenha merecido. 

Art. 65. O numero de aprendizes será, no máximo, de cinco, nas fazendas- 
modelo do typo A; de 10, nas do typo B; de 15, nas do typo C e de 20, nas do typo D. 



FAZENDA DA GAMELLEIRA 




MILIIARAL E ARROZAL 




FAZENDA DA GAMELLEIRA 




(4) MACHINISMO DE BENEFICIAR CAFÉ E OUTROS PRODUCTOS AGRÍCOLAS 



A LAVOURA 

Art. 66. Cada fazenda-modelo será administrada por un agricultor pratico, 
sob a denominação— mestre de cultura e sob a superintendência geral do di- 
rector. 

Só pôde ser admittido para mestre do cultura o individuo que conheça a 
agricultura do paiz, os processos de cultura aratoria c que os t3oha praticado 
habitualmente e com successo por conta própria ou do terceiros, ou que os tenha 
aprendido, obtendo um certificado de mestre de cultura, em alguma das fazendas- 
modelo do Estado. 

Km caso de concurrencia, temi preferencia os habilitados pelas fazendas modelo 
do Estado, que o provem com o respectivo certificado. 

Art. 67. Ao mestre de cultura cumpre : 

1 .° A administração interna do estabelecimento, pelo quo deverá dirigir e 
fazer executar todos os serviços da fazenda sob todos os seus aspectos e detalhes ; 

2.» Ouvir os colonos, nos casos de colónia annexa, provor as suas necessidades 
e represental-os em todas as reclamações perante a Directoria ; 

3." Promover não só as culturas da fazenda-modelo, como as do lotes nas 
colónias annexadas, levando trabalhadores o colonos ao cumprimento rigoroso de 
seus deveres respectivos, de modo que todos os seus serviços de um e outro 
estabelecimento sejam executados convenientemente e nas épocas próprias para 
elles ; 

4.° Manter em dia, escripturada em iivro próprio, a oonta corrente do 
colonos ; 

5.° Receber as contribuições dos colonos em debito e arrecadal-as para os 
devidos fins, em dinheiro ou in natura, liquiJando-as neste ultimo caso, e reco- 
lhendo-as mensalmente aos cofres do Estado, mediante guia do director ; 

6." Tomar as providencias immediatas, que sejam da sua competência, e 
se tornem necessárias para o perfeito andamento dos serviços a seu cargo, em 
quaesquer casos não previstos, recorrendo de prompto ao chefe do agricultura 
pratica ou ao director para aquelles que as circumstancias exigirem e escapem á 
sua competência ; 

7.° Ministrar aos aprendizes admittidos na fazenda o ensino a que se refere o 
art. 59 deste regulamento. 

Art. 68. Ao mestre de cultura incumbe mais manter uma eseripturação deta- 
lhada, em forma de estatística, nos livros que lhes serão fornecidos pela Directoria, 
onde conste com toda exactidão : 

1.° O custo de cada serviço sob sua direcção, especializando o custo, pur 
hectare, da roçada, do destocameato, da lavra e da gradagem dos terrenos ; e de 
cada operação de que dependo a producção, como a semeadura, as capinas e a 
colheita de cada espécie cultivada na fazenda ; 

2.° Ainda pela mesma unidade de superfície, a quantidade e preço da semente 
plantada, o numero do pessoas e dias empregados em cada operação, a producção 
de cada espécie ou cultura ; 

:;.° Por unidade de peso ou do medida (kilogramma ou litro) conforme a 
natureza da espécie, o custo da transformação nas machinas da fazenda dos pro- 
ductos nellas beneficiados, verificada por igual proporção entre a matéria prima e 
o producto respectivo. 

Art. 69. O mestre de cultura ministrará mensalmente ao director um boletim 
em firma de mappa com todas as especificações do artigo anterior. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Art. 70. A cada uma das fazcndas-modclo, Fnjam ollas fundadas oxclusiva- 
mente pelo Estado ou cora o auxilio das municipalidades, poderá ser annexada 
uma colónia, conforrm ao Governo parecer conveniente observadas, em todo o 
caso, as regras neste regulamento estabeloíidas para á creação do colónias era 
geral. » 

As sabias disposições do regulamento que vimos de transcrever vão 
se concretizando em factos materiaes. Já não são simples aspirações 
filhas do bom desejo. 

Vale larga divulgação o que diz o Dr. João Pinheiro sobre os 
interesses capitães de economia rural d) listado que, em hora feliz, lhe 
veio ás mãos para administrar. 

Em sua primeira Mensagem ao Congresso do Estado, em data de 15 
de junho de 1907, diz S. Ex. sobreo 

ENSINO AGRÍCOLA 

« Avulta dopoisdo ensino das creanças, como necessidade urgente, a do ensino 
primário da agricultura aos adultos, habituando-os ao manejo simples das aperfei- 
çoadas machinas agrícolas. 

Este ensino, contendo duas partes osssenciaes, uma theorica e outra própria- 
mento industrial, foi dividido de modo que urai repartição espoeial o technica se 
incumba da primeira, e a divulgação do trabilho mealimico e dos processos úteis, 
aconselhados pela theoria, seja feito intuitivamente pelos mestres práticos de cul- 
tura espalh idos polo Estado, operando industrialmente, para que os agricultores 
possam avaliar das vantagens integraese da superioridade dos processos novos, com- 
parados com os da velha rotina. 

Esta medida vao dar irameliatos resultados e nella está a bise da nossa rege- 
neração oconomica, as-sim para o productor.cora > pira o Estado que da agricultura 
tira a sua principal fonte de receiía. 

O trabalho agrícola pila vastidão de seus recursos, pala sua extensa applicaçâo, 
pelo seu habito generaliaado em todi a massa do povo, peli facilidade da sua apren- 
dizagem, constituo a forma simples e poderosa do trabalho nacional, e por elle deve 
começara reorganização economici do Estado. 

Para attendor a esta necessidade, foi publicado o recente regulamento, que a 
legislatura passada autorizou. » 

FAZENDA MODELO 

« Iniciando o serviço de ensino agrícola o ensaiando-o praticamente, tal como 
deve ser generalisalo, e procedendo-se á formação do pis3>al technico necessário, 
o Governo, em 26 de novembro do anno passado, adquiriu a f.izenia da Gamelleira, 
situada a cerca de seis kilometros desta Capital, e, mais tarde, o sitio denominado 
— Madeiro. 

A despezajá realisada com a fazenda, importa em 27:785$050,sen lo 21: 164$S80, 
relativos a immoveis, semoventes, machinas e utensílios ; 6: > 0:í$670, referentes A 
administração e pessoal operário, o 3 1 6$5iX) . empregados em adubos chimicos.» 



FAZENDA DA GAMELLEIRA 




SEMEADORES DE CEREAES 




OFFICINA DE CARPINTEIRO 



VENDA DEMACHINAS AGRÍCOLAS 10 ADUSOS CH1MICOS 

« Por intermédio da Directório Geral de Agricultura, e pelo custo da Europa, 
Rio e S. Paulo, foram, no anuo findo, fornecidos aos lavradores do Estado fertili- 
santes chimicos e diversos instrumentos agrícolas. Para o mesmo tim continua o 
Estado a manter o stock de maehinas agrícolas, no qual os agricultoras encontram 
sempre as mais modernas, que vão sendo empregadas. » 

INDUSTRIA SERICICOI.A 

« Tive oceasião de observar pessoalmente, em algumas famílias de colonos das 
proximidades desta Capital, a simplicidade, a naturalidade e o êxito da criação dos 
bichos da seda. 

São ellas acc.jrdes ora affirmar, para semelhante trabalho, a igualdade de con- 
dições, sinão a superioridade do nosso clima em relação ao da Itália. 

E\ em iodo caso, o que se pôde chamar — industria de família, própria 
principalmente para mulheres e moças, devendo formar para os colonos, um inci- 
dente do trabalho, sem duvida alguma muitíssimo remunerador. 

As difflculdades que encontra para oxpandir-se estão na incerteza de mercados 
para os casulos, naturalmonte produzidos em pequena escala nos primeiros tempos, 
e na ausência de machinismos para beneficial-os. 

Attendendo a estai necessidades, o Coverno autorizou a installação, em Bar- 
bacena, de maehinas para o beneticiamonto do producto. mantendo aUi o director 
da colónia Rodrigo Silva vivoiros para distribuição de mudas de amoreira, tendo 
distribuído, no aono findo, 106.000 mudas. 

A producção de casulos, naquella colónia, foi de 2.040 kilos. 

A intervenção do Governo deve ser completada pela garantia, no principio, da 
collocação dos casulos produzidos fora da colónia, a um preço minimo fixo. 

Terá o offeito de facilitar e systematisar a producção do uma inquestionável 
riqueza para o Estado.» 

INDUSTRIA TÊXTIL 

«A empreza « Empire Fibro Company », com s5de em Nova York, Estados Uni- 
dos, repro-ieutando um capital de 350.000 dollars, habilitada a funccionar no Brasil 
pelo decreto federal de li de abril deste anno, mediante favores do Estado, propoz, 
em contracto com o mesmo, de 12 de abril do corrente anno, a fazer nelle, em vasta 
escala, a cultura de fibras, principalmente de pita, devendo plantar, dentro de 
quatro annos, no minimo, um milhão de pés deste vegetal e fazer a cultura indus- 
trial do arroz, ompregando maehinas aperfeiçoadas para sua cultura e beneficia - 
mento. 

O Estado concedeu terreno para as respectivas culturas, obrigando-se o conces- 
sionário a ter, no estabelecimento, por anno, até 10 aprendizes, indicados pelo 
mesmo, para o estudo dos processos indu9triaes aperfeiçoados que empregarem. 

A companhia já encetou os respectivos trabalhos. » 

CULTURA DE CEREAES 

« A cultura dos cereaes apresenta-se naturalmente ; mas, importados em vasta 
escala do estrangeiro, onde são cultivados por processos aperfeiçoados, seus preços 
eliminaram a competição da nossa producção interna. 



soi IKDADK NACIONAL DK AGRICULTURA 



Para avaliarmos os recursos que a terra brasileira pôde esperar dos trabalhos 
agrícolas do todo género, neste solo, cujo poder productivo não tem confrontos, 
basta-nos olhar para os Kstados Unidos do Norte, que nos têm servido de paradigma 
para as questões politicas ; não, porém, infelizmente, para problemas do trabalho 
material, do qual é resultante sua assombrosa grandeza. 

A maior exportação daquella Republica é de cereaes e seus derivados, em cuja 
cultura também as Republicas platinas têm encontrado opulência para o povo e 
grande recurso para sua avultada receita. Naquellas republicas, com população 
pouco superior á do nosso Estado, a exportação só do productos agrícolas ou cereaes 
foi em 1905 de $170.235.235 pesos ouro, ou em nossa moeda de 541 :296.976s72'J e, 
em 1906, de $157.654.692 equivalentes a 501. 294:624$152. 

Em duas outras verbas do commercio internacional daquellas republicas en- 
contram-se as razões e a explicação desta extraordinária producção. 

Só de instrumentos aratorios importou em 1905— $16. 532. 000 pesos, ouro, equi- 
valentes, em nossa moeda, a 52.566:000$400 e, em 1906 — $17.158.000, correspon- 
dentes a 54.557:292$600. 

A causa da inferioridade brasileira, para a lucta na agricultura com os outros 
paizes, está evidentemente nos processos rotineiros que temos seguido. 

Grande responsabilidade do tal situação, digamol-o com franqueza, cabo aos go- 
vernos do paiz, em seu pormanonte descuido da educação popular, principalmonte 
da educação para o trabalho, que, na agricultura, em nossa terra, depois que o 
mundo civilisado tanto tem caminhado, é feito ainda pelos mesmos processos dos 
tempos coloniaes.» 

Quem com tal franqueza e desassombro assim se expressa, embora 
em posição offieial de alta evidencia, por certo não mente á sua consciên- 
cia, sob o fútil pretexto de conveniência publica. Não ! O Dr. João 
Pinheiro da Silva, honrado e esclarecido Presidente do Estado de Minas, 
não se filia á escola da cobardia e subterfúgios . S. Ex. sente que tem 
uma missão social a cumprir, e elle a desempenha fielmente, sem 
ódios e sem temores . As normas que tem adoptado em sua adminis- 
tração modelar hão de conquistar adeptos, para bem da communidadc 
a que pertencemos. 

Como se estejam transformando em actos os doutrinamentos do 
Dr. João Pinheiro, mostram-nos inequivocamente as photogravuras que 
illustram esta noticia. 

Factos e não promessas, Res non Verba, é asynthesede sua pro- 
fícua administração. 



-SSS^j frg - Sgg - 



FAZENDA Dn ALEGRE 




AUTOMÓVEL AGRÍCOLA PUXANDO UM SEMEADOR DE ARRoZ 




CEIFADORA DE ARROZ 



FAZENDA DO ALEGRE 




AUTOMÓVEL AGRÍCOLA PUXANDO DUAS CHARRUAS DE DISCO 




VIVEIRO DE PITEIRAS 



A LAVOURA 



COLLABORAÇÃO 



Um instituto de ensino agricola-pratico em Minas Geraes 



As Escolas D. Bosco de Cachoeira do Campo 

Neste tempo, em que os jornaes e seus collaboradores não se can- 
çam em dar a maior publicidade a tudo que se está fazendo em prol das 
cidades, já pelos governos, já por emprezas particulares, permittaque 
eu venha chamar a attenção dos vossos leitores para um pequeno grupo 
de homens, que sem reclame e sem ostentação, empregam intelligencia 
e esforço em prol da nossa agricul Lura, dos nossos lavradores e, sobre- 
tudo, da instrucção moral, civica e pratica do nosso operário agricola, 
tão esquecido dos nossos governantes. 

Quero referir -me ás Escolas D. Bosco. 

Instituto destinado á instrucção agricola, situado a uma e meia lé- 
gua da estação Henrique Hargreaves — Ramal de Ouro Preto — Estrada 
de Ferro Central do Brazil — próximo do arraial de Cachoeira do Campo 
e dirigido pelos revds. padres salesianos. 

O instituto é dividido em duas secções : a dos estudantes e a dos 
aprendizes agricultores ; aquella destinada aos alumnos que querem se- 
guir o curso de preparatórios e esta aos que se destinam á lavoura. 
Referir-me-ei unicamente a esta secção. 

Os aprendizes agricultores, cujo curso é actualmente de doisannos, 
aprendem rudimentos deportuguez, arithmetica, geographia, physica 
e chimica, historia natural e do Brasil, agronomia e praticamente pre- 
param-se para os trabalhos agrícolas nos campos que o collegio possue 
e nos quaes são empregados todos os utensílios de lavoura, desde a en- 
xada até os arados modernos, semeadeiras, capinadeiras, etc. , e praticada 
a agricultura pelos methodos mais racionaese económicos. 

( '» collegio está situado numa grande collina ligada a outras que a 
rodeiam, o que lhe dá um lindo panorama. Consta de um grande edi- 
fício de dois pavimentos em quatro alas, unidas pelas extremidades, 
formando um quadrilátero com um grande pateo ao centro, construído 
quasi na parte mais alta da collina. Neste edifleio acham-se acapella, 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



salas de aulas, gabinetes dos professores, refeitórios, cozinha, padaria, 
banheiros e privadas, possuindo todos janel las para o exterior e portas 
para extensa varanda que internamente circumda o pateo destinado ao 
recreio dos alumnos. Em torno deste grande edifício, sombreado por 
grandes arvores, ficam os campos de agricultura, hoje cortados em 
todos os sentidos por extensas alamedas de arvores fructiferas, (pece- 
gueiros, macieiras, pereiras, laranjeiras, etc . ,) tudo bem alinhado, per- 
feitamente drenado e racionalmente cultivado, com desenvolvidas plan- 
tações de hortaliças, parreiras, milho, feijão, batatas doce e ingleza, 
mandioca, canna, etc. 

Os serviços de escoamento das aguas pluviaes, nas partes altas 
e inclinadas, e de dreno nas partes baixas e húmidas, é proficiente- 
mente bem feito, sendo que esta ultima, ha bem pouco tempo, ainda 
constituída por extenso brejal, está transformada em bellos taboleiros 
apropriados para qualquer cultura. 

A meia encosta da colima estão situados o curral, cocheiras e 
pocilga, e, abaixo delles a estrumeira collocada de forma a receber 
todos os detrictos delles provenientes que após a necessária fermen- 
tação e preparo, são transportados para os campos de cultura. 

Na fralda da collina, á beira do córrego que por esse lado a banha, 
estão os edifícios do engenho que possue machinismos para preparo 
de vinho, aguardente e álcool, farinha de mandioca, fubá, assucar, 
manteiga, queijos e preparo de latas para conservas, fructas e ver- 
duras. 

Este anno, a producção do vinho já se elevou a cerca de 5.000 
litros, e de qualidade bastante saborosa. Todas as construcções são 
desystema rústico, pratico e económico. Todos os trabalhos agrícolas 
e de fabrico são dirigidos pelos revdmos Padres Leigos Salesianos, 
nelles tomando parte como auxiliares e operários os alumnos que 
assim.se habilitam na pratica de todos os trabalhos de lavoura e in- 
dustrias correlatas. 

O ensino é essencialmente pratico, e afora duas a três horas de 
aula, os alumnos passam todo o dia nos campos de cultura, occupados 
nos diversos serviços agrícolas, como o preparo da terra, sementeiras, 
adubação, capinas, colheitas, etc. 

O collegio possue também alguma criação de gado, gallinhas, 
suínos, sendo estes de muito boa qualidade, além de um grande 
apiario para exploração do mel e da cera. 

Para demonstrar o quanto sa descura no nosso paiz da agricul- 
tura, soprando-se embora a todos os ventos que somos essencialmente 



A LAVGURA 89 

agrícolas, basla dizer que a secção de aprendizes- conta apenas quinze 
alumnos dos quaes uns seis lá estão por conta do governo de Minas, 
que entretanto tem direito para lá mandar vinte alumnos em troca 
da módica subvenção que faz ao collegio. E' tamb3m de notar que 
a pensão dos alumnos contribuintes é apenas de 400$, annuaes, que 
com as despezas de 1 ivros, calçado e miudezas não vae além de 500$000. 
Dirijo estas linhas ao vosso jornal que tem sempre pugnado pelos 
interesses do povo, com o único fim de, caso as julgue disso mere- 
cedoras, publical-as, tornando assim conhecido do publico em geral, 
e especialmente dos lavradores, a existência de um utilíssimo insti- 
tuto de ensino agrieola-pratico próximo á nossa capital eque tantos 
benefícios pôde prestar aos lavradores que, dispondo de poucos meios, 
quizerem entretanto instruir seus filhos nos methodos pratico-mo- 
dernos de agricultura económica. 

.ToXo Dale 



A cultura dos csreaes 

O estudo do problema económico do Estado de Minas mostra, 
á evidencia, a producção insufficiente de riquezas. 

Assim é que, de par com sua grande população e com a ex- 
traordinária vastidão de suas terras, se nos depara a pobreza pun- 
gente da receita publica. 

E — consequência forçada — a deficiência e a má remuneração de 
seu f u ncciona 1 i s mo . 

Porque, porém, tão doloroso contraste? 

E' a pergunta que afflige os patriotas, os que se preoccupam com o 
bem publico, os que se sentem solicitados, pelo espectáculo de um s< ifflrí- 
mento vasto é immerecido, a proeurar-lhe o remédio, com o intuito de, 
reorganizando o presente, melhorar o futuro para a geração que nos 
deva succeder, para os nossos filhos. 

Quando ao observador se desenham factos materiaes, é meta- 
physica ingénua procurar explicações em logomaehias e querer re- 
mediar-lhes os males por umas quantas razões abstractas, mais ou 
menos sediças, e que, no domínio da positividade, nada adeantam. 

De vez em quando, ouve-se, como queixume e como conselho, 
o appello ao patriotismo do povo para ganhar dinheiro, como si não 
fora esta a preoccupação absorvente de todo o mundo. 

Não. Para ganhar dinheiro e para ganhar a vida, é escusado 
appellar para o patriotismo; os instinctos inferiores a isso nos im- 
pei lem decisivamente. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



A questão, pois, é de saber-se como se ganha dinheiro e en- 
sinal-o ao povo, não pelos conselhos, mas por factos e exemplos a 
seu alcance. 

Tendo em fito a situação geral económica, na qual a agricul- 
tura é a parte principal e dominante, a que interessa a grande 
maioria dos productores, dividida na producção insufficiente de ce- 
reaes, visto os importarmos do estrangeiro, e na producção super- 
abundante do café, attenta a baixa do respectivo preço, a actual admi- 
nistração, com um programma definido, começou a executal-o, desde 
os primeiros dias do seu exercício. 

E' sobre a producção dos cereaes, no ponto de vista do inte- 
resse publico, que vamos examinar quaes as conclusões que podem 
ser tiradas de semelhante acção. 

Havia no problema patentes contradicções. A terra do Brasil é 
a mais fértil do mundo e, entretanto, os que a trabalham vivem 
na pobreza. 

O clima brazileiro é o da eterna primavera e a sorte do roceiro 
é a da permanente penúria. 

Para este clima magnifico e para esta terra ubérrima chegam, de 
paizes estrangeiros, cereaes que vêm concorrer em preços com a pro- 
ducção indígena. 

Porque ? 

Estava ahi, inilludivel mente, toda a questão. 

A actual administração, vendo neste phenomeno económico a ra- 
zão generalizada de todos os nossos males, no que se refere á riqueza 
publica, affirmou que a causa da vasta penúria estava nos processos 
errados e atrasados do trabalho da terra. 

Prometteu a demonstração deste asserto . Tomou em mãos o pro- 
blema, directamente, c para responder comos factos. 

Iniciou, com decisão e energia, uma cultura modelo, empregando 
os machinismos aperfeiçoados que os outros povos empregam. 

Mais" do que.isto, sem theorias, sem dar lições de livros, com um 
homem pratico á frente do serviço e com os próprios trabalhadores 
communs, quer dizer, executando a demonstração, em condições de 
poder-se generalizar rapidamente por todos os ângulos do Estado, den- 
tro de umlanno, que é o prazo da roteação das culturas, a administração 
se desempenhou dos seus compromissos. 

Em terra atormentada e árida, no peor trecho das nossas terras, 
que é o dos cerrados, verdejam, neste momento, na fazenda da Ga- 
melleira, as plantações do milho, do arroz, da mandioca e da canna, 



A LAVOURA 91 

procede-se á colheita do feijão, de batatas e já se effectuou a de 
cebolas para exportação. 

A fazenda-modelo não foi feita para ser descripta, mas para ser 
examinada. 

Estas linhas são um convite útil aos senhores agricultores, para 
examinarem um negocio que é o delles ; verem como as machinas 
trabalham, o seu rendimento; o custo minimo deste trabalho ; 
como se planta ; como se carpe ; qual o estado das plantações obtidas ; 
verem, com a sua pratica, que colheita as plantações estão promettendo, 
porque, para elles, é feito o ensinamento. 

Ficarão convencidos de que o problema é simples, viável e útil; 
o trabalho, remunerador ; o pessoal empregado, diminuto ; o serviço 
effectivo conseguido pelas machinas — extraordinariamente grande. 

As culturas se podem repetir indefinidamente no mesmo logar 
pela adubação ; o transporte das colheitas, diminuído, si não quasi sup- 
primido, pela proximidade da cultura da residência do agricultor ; as 
cercas, por isso mesmo, feitas de uma só vez e permanentes, elimi- 
nam despezas que se não repetem ; a fiscalização, fácil ; a defesa contra 
animaes damninhos, prompta ; o serviço feito por machinas, com ordem 
e regularidade, é perfeito, e, por isso mesmo, esthetico. 

E então fácil lhes será este raciocínio : — si em terras tão ruins, 
se obtém culturas destas, como não será nas minhas, que são melhores. 

Foi longo o nosso soffrimento, longo e pesado. A maldição do 
trabalho escravo nos legou este quinhão de dores que a geração actual 
está soffrendo, como todas as que vivem em épocas de transição. 

Do mesmo modo que nas longas invernadas, depois de chuvas 
continuas com o céo turvo e triste, em uma clara manhã, costuma 
levantar-se o sol radioso, enchendo de luz e de alegrias os campos, 
os valles eas casas, — a reorganização agora do trabalho é esta manhã 
do dia novo para a terra querida, que deve, que pôde, que se ha de 
libertar do grande mal que a npprime. 

O problema da reorganização do trabalho está praticamente retirado 
do terreno opinativo para a situação clara e simples dos factos demons- 
trados. 

O appello feito por estas linhas é para que visitem o campo de 
demonstração e o examinem, aproveitando-se o mais possível do es- 
forço feito pelo governo na execução do seu programma. 

Do Minas Geraes de V-i de janeiro do corrente anno. 



SOCIEDADE NAGIOXAL DE AGRICULTURA 



Os italianos em Nova York 

Transcrevemos da Tribuna de Roma: 

« E' cousa fácil conseguir o auxilio moral das entidades col le- 
ctivas; difficil é, porém, obf.er e<sa outra cousa que se vhama o auxilio 
material e que sinceramente se deveria chamar dinheiro. Os dous auxí- 
lios estão sempre reunidos nas supplicas, nas instancias ; mas quem 
tem de providenciar e raspondercom a palavra e com o facto apressa-se 
em estabelecer uma parede divisória entre as duas cousas ; concede com 
effusão generosa todo o apoio moral, fazendo com a palavra as mais am- 
plas resercas acercado concurso pecuniário e reduzindo pelo facto o 
algarismo a zero ou cousa próxima desse algarismo tão redondo. 

O Régio governo é bem capaz de, na volta do Correio, enviar as suas 
Excel lencias até ao extremo das mais remotas províncias ; as veneráveis 
Camarás de Trabalho aprofundam o beneficio de proclamara solida- 
riedade de todas as paredes; os Ministros de Estado e os tutores do 
povo abrem largamente os braços com as mangas apertadas e as mãos 
vasias . 

Ao contrario, é menos difficil obterá contribuição de indivíduos 
filiados a instituições que exigem sacrifício provável do que obter a 
prestação das almas. Quando se trata de interesses públicos, talvez 
porque a grande luta de tantos annos contra a miséria o reduzio á ex- 
clusiva consciência de contribuinte, o cidadão italiano quando pagou 
convence-se de que nada mais lhe resta fazer. 

Bem conheço eu uma nobilíssima instituição, impsllida pelo mais 
puro ideal patriótico,— a Dante Alighieri; diversos dos seus comités 
chegam ater um milhão de sócios, que todos pagam as suas seis liras 
annuaes e que até se lamentam se o cobrador os esquece. E' caso, porém, 
raro que nas assembléas compareçam mais de vinte sócios, se bem que 
nel las se trate da propaganda, da confiança nos conselhos directivos e 
de concorrer para o bom andamento de toda a sociedade. 

São Italianos: pagaram? nada mais é preciso. 

Succede isto por parte dos voluntários da italianidade . Que admira 
que nas colónias, entre as famílias dos que emigraram para além do 
Oceano, os pais, quando mesmo sintam a nostalgia, apezar da recor- 
dação das misérias que os induziram a expatriar-se, não tenham a mí- 
nima idéa de procurar obter para os filhos o património da língua 
nacional, para elles tãi differente do dialecto natal, mais mysteriosa 
que o latim, cujas palavras ouviram na igreja, lingua reservada aos 



A LAVOURA 93 

funccionarios públicos nas suas repartiçõss, aos advogados nos seus 
tribunaes ? 

Desembarcados em Nova York, encontram em volta de si os 
diversos dialectos italianos recheiados de assonancias de palavras in- 
glezas; se por acaso algum delles lè os annuncios nos jornaes italianos 
ahi encontra as indicações entremeadas com phrases anglo-americanas ; 
fora da sua immediata visinhança sentem fiemer e tumultuar em 
inglez o movimento em que devem procurar a subsistência. O domínio, 
a riqueza, as regalias de cidadão, a fortuna, a superioridade americana 
compõem-se no seu ouvido em lingua ingleza ; isto os persuade de 
que, para ávida no mundo, desde que se procura o inglez dos ame- 
ricanos, o resto é verbosidade supérflua. 

Antes de mais nada procuram subtrahir os filhos á obrigação da 
escola, afim de lhes explorarem as forças adolescentes ; obrigados a 
supportarem a escola, a ultima idéa que lhes vem á cabeça é a de que 
fói a da obrigação taxativa, é a de que os filhos possam querer uma ou 
outra hora por semana, afim de consagral-a a essa Itália onde nem elles, 
nem os filhos poderão obter trabalho ou ganho. 

Até agora na Argentina são mais os Argentinos authenticos que 
os alumnos italianos, os que pedem o ensino do italiano nas escolas 
secundarias do Governo: as famílias italianas, salvo raras excepções, 
quanto mais abastadas são e elevadas na ordem social, mais procuram 
desculpar-se coma i Ilusão do italiano fallado em família. Em Nova- 
Yorka multidão dos Italianos que fazem parte da massa emigrada, nem 
sequer sente um estimulo de lamentar-se nesta falta daquella illusão. 

Assim é que obtida pelo benemérito Francolini, depois de muitas 
edemoradas solicitações, a possibilidade do ensino italiano nas escolas 
municipaes de Nova- York desde que seja pedido, não se encontra elle 
ainda numa metade do caminho do seu nobre propósito. 

Em uma população escolar de cerca de 30.000 italianos, em 
nenhuma escola foi solicitado o ensino do italiano por aquelle mínimo 
de trinta alumnos que devem fazer o pedido 

Mas Francolini é do numero daquelles poucos a quem não basta a 
satisfação de ter representado o seu papel : quer a cousa em si mesma. 

Gomo Inspector municipal emprehendeu a visita das escolas, per- 
guntando ás creanças italianas das duas classes superiores se não dese- 
javam aprender a linguado paiz onde seus pais e mais haviam nascido. 
Muitos responderam que o fariam com todo o prazer; talvez porque o 
banco da escola é de per si um elevador das consciências juvenis ? Talvez 
por simples amnr próprio, em face dasuggestiva pergunta. Seja como 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



fôr, responderam : os pedidos estão registrados, e dentro em pouco, 
pelo menos em algumas escolas, começará a fazer-se ouvir o italiano, 
teremos os primeiros vagidos da « italianidade» . 

Giuseppe Francolini ganha assim duas vezes a medalha que Dante 
Alighieri lheconferio pela adhesão municipal que havia obtido. Quando 
eleito conselheiro do Comité da Dante Alighieri, propuzera a si mesmo 
a missão de conservar ou melhor de dar a lingua italiana aos filhos 
dos emigrados italianos. Não a pedíamos emigrados para os filhos? 
Pois elle iria ter com os próprios filhos. 

A sua obra não exime os outros sócios daquil lo que o seu exemplo 
suggere de modo evidente. 

Assim como elle foi em busca dos filhos, muitos outros deveriam 
ir ter com os pais, penetrar no seio das famílias e ahi foliarem prol da 
Itália, mâieommum. 

No banquete de honra offerecido pela colónia a Francolini, o real 
cônsul augurou que algumas raízes da Dante Alighieri penetrem nas 
vísceras de todos. 

Na Opinione de Philadelphia e nos principaes jornaes italianos de 
Nova York foram repetidas as exhortações e as indicações opportunas. 

Mas a grande multidão das famílias pobres não tem lugar nos 
banquetes, e nas acanhadas habitações se algum jornal é lido em voz 
baixa pelos poucos privilegiados do alphabeto e commentado depois em 
voz alta nas conversas do bar, os assumptos que attrahem e esgotam 
a attenção são os gestos dos facínoras, as conspirações dos anarchistas, 
os grandes casos criminaes, as escravas brancas e a chronica negra ; 
foi necessário o caso palpável de um tenor de primo cartello e o motivo 
sensaccional das injurias que oaceusadoreo magistrado dirigiram aos 
Italianos, para provocar um resentimento popular de italianismo. 

Cumpre que no programma do comité de Nova York os sócios com- 
prehendam o exercício do patronato dos immigrantes na parte que é 
indispensável para mover os corações para a ambição de intelligencia 
italiana, para a educação dos filhos no verbo italiano. 

E' difficil ? — Os membros das Congregações religiosas, não exclusi- 
vamente contemplativos, ensinam pelo facto o modo de fazer: acompa- 
nhando a sua acção com pequenos actos de caridade, com bons conselhos 
sobre as cousas necessárias á vida, captivando a attenção das crianças 
pelas imagens e a gratidão das mais pelas caricias paternaes dispensadas 
ás crianças, levando aos domicílios escuros a claridade de um alegre 
semblante affectuoso e a simplicidade das boas maneiras, conquistam a 
fé nas suas promessas do Céo e dedicação á Igreja. 



A LAVOURA 



Assim, até agora, as escolas italianas de alguns bairros de Nova 
Yorksãoquasi todas religiosas. Se os sócios da Dante augmentassem, 
como é bem possível, com uma colónia de 500.000 italianos, o Comité 
poderá fazer as suas escolas . Entretanto, para ganhar tempo, mediante 
uma acção pratica, convirá que assumam o apostolado doensino italiano, 
tal como lhes foi offerecido, nas escolas municipaes. 

E', porém, penoso, convenhamos : além de affrontar ambientes, 
cujo percurso, do ponto de vista da hygiene, é pouco menos perigoso do 
que em Roma a excavação do Quirinal á noite, os primeiros apóstolos 
terão de affrontar as desconfianças, talvez até as más palavras que a 
miséria suggere á inveja. 

Gradualmente, graças á virtude e perseverança nas coisas boas, ás 
primeiras desconfianças perspicazes contra o inesperado, succederá a 
persuação de que se não trata de um intruso, e finalmente o acolhimento 
do desideratum . 

Compete aos superiores pela fortuna, pela intelligencia e pela 
educação, dar os passos de approximação, visto que elles possuem a 
possibilidade do beneficio. 

O excellente regulamento determina que o Comité de Nova York em 
primeiro lugar « promova a escola italiana com o objectivo primordial 
de manter intacto entre os emigrados, e especialmente entre os seus 
filhos, o sentimento de nacionalidade » . 

Pois bem : se os sócios effecti vos consideram cumprido o seu dever 
como pagamento annual da contribuição de seis dollars, poderão talvez 
perpetuar uma sympathica pequena academia italiana, mas a sua obra 
ficará encerrada nos limites do patriotismo mundano em vez de con- 
tribuir paia a « italianidade mundial » . 



Do Jornal do Conuuurrio. 



Os italianos na Republica Argentina 

Roma, 21 de setembro de 1906. 

As condições económicas na Republica Argentina foram melhorando 
notavelmente nos últimos annos, voltando o paiz a um período de desen- 
volvimento e de florescimento. 

Períodos desses na historia daquelle paiz, onde tão importantes e 
de tão antiga data são os interesses italianos, vem sempre depois de 
períodos de crise é de depressão ; mas, na sua successão, assignalam 

3124 5 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



sempre uma linha ascendente com relaçã i á extensão das culturas, 
á quantidade das colheitas, á productividade das industrias ruraes, á 
criação do gado e bem assim com relação ao apparecimento das indus- 
trias manufactureiras e ao alargamento do commercio. 

A superfície das terras semeadas augmentoú de 1888 a 1905 na 
proporção de um para Ires, em relação á superfície total do paiz. Só nos 
três últimos annos, de 1902 a 1905, a superfície de cultura das prin- 
cipaes producçõ3s agrícolas da Argentina augmentoú assim : trigo, 
de pouco mais de 3.695.343 hectares a 4. 903. 124; a do feijão, de 
1.801.645a 2.287.040; a producção muito remuneradora da herva- 
medica de 1.733.164 a 2.033.090 ; somente a superfície de cultura do 
linho se acha um pou:o reduzida. 

O gado não somente augmentoú de numero como especialmente 
de valor, graças aos aperfeiçoamentos technicos introduzidos na criação, 
graças aos cruzamentos habilmente procurados, graças á exportação 
colligada, por meio da industria frigorifica, com a criação. 

Outras industrias affins com a agricultura tiverem incremento e 
são desse numero a dos lacticínios, e das refinações de assucar, as fa- 
bricas de cerveja ; ainda outros signaes de progressivo desenvolvimento 
se manifestam. 

O commercio de importação e exportação augtmntou nos últimos 
annos; o de importação, que era de 114 milhões em 1900, elevou-sea 
183 milhões em 1901 eo da exportação no mesmo período subiu de 
154 a 264 milhões. 

A Itália lema sua parte nesse augmento, mas mo na proporção 
das demais nações. A Allemanha e os listados Unidos só em três annos 
duplicaram a sua exportação, ao passo que o augmento para a Itália foi 
apenas de 12 a 19 milhões. 



Esse desenvolvimento económico, agrícola e commercial reactivou 
as correntes migratórias que se haviam retardado um pouco e assim 
como augmentoú a immigração lotai, assim augmentoú a immigração 

italiana que continua sempre a constituir o núcleo mais forte desse 
movimento. 

Em 1905a immigração italiana para a Republica Argentina foi 
superior, por 26 382 indivíduos á de 1904, por 45.765 superior á de 
1903 e por 54.246 superiora de 1902. Ella quasi triplicou, portanto, 
em quatro annos, continuando a ser igual o augmento nos primeiros 
quatro mezes do anno corrente. 



A LAVOURA 



Por outro lado diminuíram ás repatriações que, como é sabido, ha 
alguns annos, depois da crise sóffrida pala Argentina, Unham 
alcançado, em confronto tias partidas, proporções assas elevadas : 



Chegados 
Repatriado-; 



1903 


ÍUOI 


1003 


40.581 


50.964 


86.346 


26.813 


21.472 


15.101 



Esta diminuição que se nota nas repatriações, ao mesmo tempo 
que se tornam mais numerosas as correntes periódicas de immigrantes 
na estação das colheitas, demonstra que o elemento italiano começa de 
novo a encontrar estável collocação na Argentina, especialmente na 
colonização daquellas terras, em tão grande parte fecundadas pelo 
trabalho italiano. 

Como melhoramento das condições económicas e a consequente 
reactividade do fluxo migratório, também o governo argentino foi le- 
vado a occupar-seda questão da immigração. 

E' sabido que a actual Hospedaria dos Immigrantes de Buenos 
Aires, onde os recem-chegados encontram nos primeiros dias comida 
e alojamento e onde funeciona um Officio governamental de trabalho 
e de collocação para a distribuição dos immigrantes no interior do 
paiz, se tornou insufifiçiente não somente porque o local não c tão 
amplo quanto necessário, como também porque não responde a todas 
as exigências da hygiene. 

O governo argentino acaba de decretar a construcção de um edifício 
capaz de recolher dous ou três mil immigrantes, edifício esse que será 
levantado num local próximo da parte do porto a que aproam os gran- 
des transatlânticos. 

Ministério da Agricultura da Republica Argentina lambem está 
estudando novos projectos de lei com o fim de favorecera colonização 
ea entrega ti lavoura de terras que ainda são de domínio publico. 



Quiz adiantar estas pequenas considerações sobre as condições eco- 
nómicas modernas da Republica do Praia como uma espécie de prefacio 
a alguns livros velhos e novos, sobre os italianos na Republica Ar- 
gentina. 

«Os agricultores italianos na Argentina» (Bolonha 1902) é o ti- 
tulo de um livro de Pompeu Ghinassi em que elle faz uma grande 



93 SOCIEDADE NACIONAL DE AQUICULTURA 

demonstração do modo como surgiu e se desenvolveu a agricultura na 
Republica Argentina, tratando mais particularmente das províncias 
de Santa Fé, Córdoba e Buenos Aires. 

Segundo Ghinassi, as condições melhores nestas três províncias 
argentinas seriam: as de Buenos Aires ; satisfactorias as de Córdoba; 
menos risonhas as de Santa Fé, onde, a par de ricos colonos, ha-os, em 
não pequeno numero, que se vêem obrigados a contínuos êxodos. 

Uma grave praga da colonização argentina que se estende não 
somente pelas três províncias indicadas como também pelas outras onde 
se pôde dizer que a agricultura e a colonização estão ainda em período 
de gestação, é o «latifundismo», o monopólio de terrenos devido ao 
grave erro do governo conceder terrenos a preços irrisórios a parti- 
culares que delles fazem uma verdadeira especulação industrial, sem 
se importar absolutamente nada com o que pôde convir á agricultura e 
ao colono. 

« Os latifundistas, diz elle, depois de terem morto a colonização 
governamental, impõem aos colonos pactos cada vez mais leoninos. 
Dividem, por exemplo, uma légua quadrada de terreno em 80 lotes de 
20 quadras cada um, attribuindo desde o principio a cada lote um 
determinado preço que é sempre muito elevado ; depois, quando os lotes 
começam a ser occupados, augmentam ainda os preços dos restantes, 
especialmente dos que ficam próximos do ponto em que deve surgir a 
aldeia. Assim, dos seus terrenos retiram um preço 50 e 100 vezes 
superior ao custo.» 

O autor occupa-se depois da evolução do colono na Republica Argen- 
tina. Acompanha-o nas suas varias condições, desde o inicio ao apogeu 
da sua vida de trabalho, de simples peão de chácara a co-interessado na 
estancia (tantero), de «tantero» a proprietário e de proprietário a 
rendeiro. Registra os diversos salários, as despezas, os contractos, os 
diversos preços de aluguel e de compra de terrenos . 

Mostra como as probabilidades de triumpho estão na razão inversa 
da visinhança de centros populosos . Estuda as condições climatológicas 
dos territórios de Missiones, de Neuquen, de Rio Negro, e as probabili- 
dades de êxito que offerece a colonização naquellas regiões. 

Por fim Ghinassi trata da Patagonia, estudando-lhe o possível 
desenvolvimento, o seu progresso demographico e económico pos- 
sível . 

Nota que alli houve um principio de verdadeira colonização, a 
Colónia de Galles, constituída por um grupo de habitantes do Princi- 
pado de Galles; mas, dado o descuro do governo, aquelles colonos 



A LAVOURA 99 

abandonaram todo o trabalho que haviam feito e dirigiram-se para o 
Canadá. 

ega que alli reino excessivo frio e que por isso o clima seja 
obstáculo a uma boa colonização, eafíirma que, pelo contrario, o clima 
é saluberrimo. 

A Patagonia éum campo aberto a quem tenha iniciativa e capital. 
O Governo Argentino não se importa, porém, com aquella região: a 
colonização tem de ser emprehendida pelos particulares, ou, para 
melhor dizer, por grandes sociedades colonizadoras. 

« Não se deve usar de nenhuma rhetorica, diz elle. Os promotores 
não devem proclamar, como tantas vezes tem acontecido, objectivos 
patrióticos que despertam nos indígenas legitimas susceptibilidades e 
pouca influencia teem sobre o Governo Italiano; tão pouco devem aventar 
finalidades humanitárias que não eommovem nem os governos, nem 
os capitalistas. 

Se quizerem attrahir capitães, o que equivale a dizer se querem ter 
êxito, essas sociedades devem antes de mais nada ser um negocio e 
possivelmente um tom negocio também para os accionistas.» 

Mas, para que a colonização tenha êxito devem ser protegidos não 
somente os interesses das sociedades como também os dos colonos : 
por isso aconselha o autor que no momento de convidar os agricultores, 
estejam já executados os mais importantes trabalhos preparatórios e 
que sejam activados todos os elementos indispensáveis para um consor- 
cio civil. 

Explica as razões que fazem preferir o agricultor italiano aos das 
outras nações: a preferencia vem simplesmente de que o nosso cam- 
ponezé frugal, sóbrio, perseverante e custa pouco. 

O autor não acredita na possibilidade de crear uma * maior Itália» 
na Patagonia, pois, reconhece que a colonização alli seria mais difflcil 
que em outras províncias da Argentina ; entretanto, é de opinião que se 
se perseverar, a colonização dará bom resultado. 

Neste seu trabalho, Ghinassi falia com convicção, adduzindo dados 
e factos, citam lo relatórios officiaes ; as suas palavras não são lançadas 
com leviandade, mas sim com ponderação. 

Não tem elle próprio illúsões e por isso não quer que as tenham 
tão pouco os outros ; não se deixa seduzir pela fortuna de poucos e 
põe-na em confronto com os sacrifícios, com as lulas que os outros 
sustentam, nem sempre cornadas de exilo. 

O seu trabalho tende a demonstrar quaes são as verdadeiras 
condições dos agricultores italianos na Argentina; que se não deve 



100 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

partir para lá coma idéa de um fácil enriquecimento, masque o que 
se deve é querer trabalhar e saber lutar. Km geral, nessas o mdições, o 
emigrante colherá bam resultado da colonização. 



A' penna de Cario Cerboni, já conhecido por outros trabalhos 
históricos e económicos sobre a Republica Argentina e sobre a colónia 
italiana, devem-se outros três opúsculos sobre o mesmo pai/., elegante- 
mente editados pela livraria Dante Alighieri, de Buenos Aires. 

O «Manual da emigração da Itália para a Argentina» <• o resul- 
tado de documentos, memorias, elementos, indagações que Cerbani 
foi promovendo ecolligindo durante o seu longo estádio naquelle paiz : 
aexposição dos «Italianos domiciliados no estrangeiro», da Exposição 
do Milão, occasionoue determinou, por assim dizer, a publicação desse 
volume. 

Acorrente emigratoria para o Prata merece ser estudada nos seus 
múltiplos aspectos; mas, ao mesmo tempo, diz o autor, deve-se ajudar 
com indicações, com conselhos e noticias, o emigrante queaffronta o 
enigma do destinoem terras dei le desconhecidas. 

No outro opúsculo — « Quantos somos na Argentina » — Cerboni 
traçou summariamente a historia da emigração italiana desde o seu 
inicio até hoje, analysando-lhe as varias phases e as differentes cara- 
cterísticas, assignalando a importância, o desenvolvimento ea influen- 
cia que ella tem tido no progresso da Republica Argentina, con- 
cluindo por um pormenorizado exame do numero dos italianos que 
vivem actualmente no Prata e da sua distribuição nas diversas cidades 
e províncias. 

Finalmente, no terceiro opúsculo intitulado «A cultura e a pro- 
dutividade do solo da Argentina», eopilou Cerboni um estudo mono- 
graphico sobre as condições ethnicas e económicas das diversas 
regiões da Republica. 

Examinadas as províncias de que se compõe a Argentina em 
relação ás vantagens offereo idas aos emigrantes, seja para residência, 
seja para lavoura, examinou os diversos gráos de cult habilidade do 
solo nas differentes regiõas, nas zonas cultivadas o na sua producti- 
vidade . 

Quando será feita pelo Brazil uma serie de elegantes e instru- 
ctivas publicações como esta, do ponto de vista da emigração e do com- 
mercio italiano? «Quiensabe?» 



A LAVOURA 



«Last not lo ist, d, vem o volume sobra «Os italianos na Repu- 
blica Argentina», editado em Buenos Aires, pelos meiados do corrente 
anno. 

E' um grosso volume, de grande form jlo, de 1143 paginas, com 
cerca de 900 illustrações nítidas, e foi apresentado na Exposição de 
Milão da Gamara Italiana deCommercioe Artes de Buenos Aires, como 
synthese e Índice da potencialidade intellectual, económica, industrial 
e commercial dos italianos na Argentina. 

Se se reflectir nos vitaes e múltiplos interesses que ligam a Itália á 
Republica Argentina, é fácil comprebender que uma publicação 
destas, devida ao trabalho de um escolhido grupo de diligentes e desin- 
teressados copiladores, séria, precisa, apoiada por factos e documentos 
inexpugnáveis, taes como são os fornececidos pelas melhores estatís- 
ticas, ganlieuma importância muito maior do queaquella que lheé 
dada pela occasião para a qual foi especialmente colligida. 

A obra, que representa uma somma, na verdade, respeitável, de 
trabalho paciente e consciencioso, divide-se em duas partes: na pri- 
meira são expostas, nas suas linhas geraes, as condições moraes e 
civis da conectividade italiana na Argentina, em todas as variadas 
manifestações das suas exuherantes energias, por meio de dezesete 
conceituosas monographias, illustrando a génese e a vida de toda a 
colónia italiana, desde o seu modesto inicio até aos nossos dias. 
Para demonstrar o interesse destas monographias, cujo exame par- 
ticularizado nos levaria longe de mais, bastará citar-lhes os 
títulos: 

Traços históricos — Lettras, sciencias e artes — Gommercio de im- 
portação e de exportação — A emigração italiana na America — Agri- 
cultura argentina e colonização — A obrada Camará do Commercio — 
A industria argentina cos italianos — Obras publicas e engenharia — 
A imprensa italiana na Argentina - Os médicos italianos = Bancos e 
Caixas Económicas — O comité buenairense de «Dante Alighieri» — 
As instituições italianas na Argentina As escolas italianas — O livro ita- 
liano— As missões salesianas — Theatros e artistas italianos. 

Na segunda parte estão reunidas noticias a respeito de uma quanti- 
dade dosprincipaes estabelecimentos italianos nos diversos ramos da 
industria e do commercio, a respeito de companhias e firmas parti- 
culares, sociedades de diversos géneros, círculos, etc. 



SOCIEDADE NACiOX.U, DE ACRK.UITURA 



No todo este conjunto que, como sempre succede em publicações 
collectivas deste género, apresenta por um lado algumas lacunas e por 
outro algumas repetições — o leitor italiano retira com vivo compra- 
zimento a prova luminosa daquelle grande desenvolvimento do génio e 
do trabalho italiano na Republica Argentina, e da essencial issima con- 
tribuição que os seus compatriotas ai li emigrados deram em todos os 
tempos ao progresso geral e â cultura daquelle paiz : em todos os ramos 
da actividade humana, desde o trabalho manual ás mais altas mani- 
festações do trabalho intellectual, vemos os italianos assignalarem-se, 
seja pelo seu esforço serio e tenaz, seja pelas suas geniaes concepções. 

E em face de tamanha exuberância de vida, em face de tão bel la 
e fecunda operosidade, não posso deixar de salientar as opportunas 
observações que um dos beneméritos collaboradores do volume, o pro- 
fessor GusonioFranzoni, apresenta no capitulo dedicado á emigração 
italiana na America. Depois deter recordado que desde 1830 a 1905 a 
Itália mandou para o Novo Mundo pouco menos de cinco milhões de 
emigrantes, Pranzoni prosegue : «Se esta expansão pacifica tivesse 
sido um pouco organizada; se os poderes constituídos houvessem sup- 
prido a ignorância dos nossos emigrantes, favorecendo o espirito de 
cooperação, e se a protecção do emigrante se houvesse manifestado de 
modo muito diverso dessa beneficência mais ou menos barulhenta e 
sempre desordenada, a Itália possuiria na America uma força incal- 
culável e realmente tiraria da sua emigração relevantes beneficiosi . 

Palavras de ouro em verdade, que merecem ser seriamente me- 
ditadas juntamente com muitos outros apontamentos e suggestões 
contidos no mesmo capitulo e com as observações e conselhos es- 
parsos em quasi todas as monographias de que o livro se compõe : 
observações e conselhos que vindo de pessoas serias e intelligentes e 
bem familiarizados com o conhecimento das condições da nossa colónia 
na Argentina, são dignos de ser tidos na maior conta, tanto por parte 
do Governo Italiano como por parte «las associações, como ainda por 
parte das pessoas interessadas no desenvolvimento da sua acção res- 
pectiva na florescente Republica Sul-Americana . 

Auguro á Camará Italiana de Gommercio e de Artes de S. Paulo uma 
publicação igualmente útil e importante sobre a numerosa colónia 
italiana do Brazil. 

Professor Dr. Vincenzo G 
Da Real Universidade de Roma. 



( Do Jornal do Commcrcio). 



A LAVOURA 



EXPEDIENTE 



Secretaria 

Sessões da Directoria — Na sessão de directoria de 21 de janeiro 
de 1908 foi concedido o diploma de sócio remido ao Sr. Carlos Pacheco — idem 
idem ao Sr. Alexandre Cidade. 

O Sr. I o secretario communica a offertado Dr. Benedicto Kaymundo da Silva 
à Bibliotheca, do seu importante trabalho «Lepidopteros do Brjzil». 

Offlcio da Sociedade do Agricultura o Protecção aos Animaes, de S. José doa 
Pinhaes, cummunicando a sua fundação o eleição de directoria. 

Carta do Sr. Alexandre Francisco Pinto — faz uma descripção dos resultados 
que tem colhido em sua fazenda de criação e faz sciente das observações sobre a 
febre aphtosa e causa-mortis. Indica as receitas que tem lançado mão, como tam- 
bém os meios que usa para impedir a mortandade dos porcos. Resolveu a dire- 
ctoria aguardar a vinda do communicaate para resolver. 



Na sessão de 3 abril recobeu-so entre outros, um telegramma do Sr. Presi- 
dente do Estado do Piauhy, dando seiencia da fundação e installação de uma 
Escola Agrícola na Quinta Pirajá. 

Concederam-se diplomas de sócios remidos aos Srs. Dr. Joaquim Teixeira de 
Mesquita, José Militão de SaufAnna e Joaquim D. de Paula Correia. 

Offlcio do Muzeu Commercial do Rio de Janeiro, solicitando da Sociedade sua 
opinião sobre o commercio de café ; foi confiado ao sócio benemérito Sr. Dr. João 
Baptista de Castro, que já tinha no emtanto recebido idêntico pedido do muzeu, 
acceitando a Sociedade as conclusões do parecer do Sr. Dr. Castrojá lavrado e offi- 
ciou-se ao muzeu, declarando ser o parecei' asynthese das opiniões desta Sociedade. 

Convocaram-se os subscriptores da «Cooperativa Central dos Agricultores do 
Brazil»para uma reunião do Assombléa geral no mez de maio, em dia que fòr desi- 
gnado para a installação da Cooperativa. 

Resolveu-so que areceiçãn do Sr. Dr. Wenceslau Bel lo. Presidente da Socie- 
dade, o de volta d% Europa, fosse feita com toda solemnidade. 

Na sessão de 23 de abril foi conferido ao Sr. Dr. Wenceslau Bello, presidente 
da Sociedade Nacional da Agricultura, o diploma de sócio benemérito, pelos ser- 
viços que tem prestado á agricultura do paiz. 

Foi approvado o balanço de janeiro a dezembro de 1907. Foi louvado o em- 
pregado Sr. P. Minervino de Oliveira pela correcção e zelo com que mm tem a 
elaresa da eseripturacão da contabilidade desta sociedade. 

Concederam-se 6 mezes de licença ao Sr. director Sr. Sérgio do Carvalho a 
seu pedido. 

3124 6 



104 SOCIEDADE NACIONAL UE AGRICULTURA 

Concedeu S3 diploma do sócio remido ao Dr. João de Carvalho Borges 
Júnior. 

Tolegramma do Sr. Dr. Carlos Botelho, secretario da, Agricultura de S. Paulo, 
convidando a directoria da Sociedade a reprosentar-sc na Exposição Pecuária do 
S. Paulo. A Socied.ide representou-se pelo director I o Socretario Dr. Souza Reis. 

Foi approvado um vot > de louvor ao Sr. director Dr. Sylvio Rangel, que du- 
rante a ausência do Sr. presidente, tlirigiocom intolligencia o energia os destinos 
soei :ies, ficando consignada na acta essa maaifostação de seus collegas do di- 
rectoria . 

Experiências <le sementes. - Esta sociedade recebeu do Sr. 
Dr. Jacintho Mattos, engenheiro agrónomo o director da Estação Agronómica 
do Florianópolis, o seguinte communicado : 

« Cabi-me dar á Sociedade Nacional de Agricultura uma resumida noticia de 
experiências realizadas nesta estação, com trigos distribuídos em setembro, expe- 
riências que tenham talvez, além de outro, o préstimo de rápida orientação era 
futuras encommondas de sementes. 

A Sociedade Nacional mandou para Santa Catharina as seguintes sementes de 
trigo : algeriano, shirifepi c.arré, Squore e norlh alerlon ; estas eram as etiquetas, 
que acompanhavam os respectivos volumes. Tentei experimentar esses trigos 
como plantio do primavera. 

Terreno — Breve collina com ^0 metros sobre o mar o delle distante cerca de 
200. Silico-argiloso, pobre decai, retondo, porem, alguma humidade. Um anno 
antes havia sido, com varias culturas, oocupado. Lavrado dous mezes atraz com 
dous ferros cruzados, foi corrigido, destorroado, gradado e convenientementi a Ili- 
bado com esterco animal, na rasão de 1 metro cubico para um are, 

A 11 de setembro foram semeadas as variedades citadas em sulcos, traçados 
por um aradinho Planet, em canteiros de 10 m ,00 10 m ,00. Convindo acerescentar 
aqui, terem sido as sementes curadas por um banho de sulfato de cobro e pulve- 
rizadas com cal. 

A' excepção das domais sementes, de um louro sadio, as do shirif eram 
de um pardo sujo, mostrando péssimas qualidades de germinação. Os factos 
vieram provar logo este asserto. 

Keita a semeadura em 1 1 de setembro, cinco dias depois surgiram da terra 
as plantinhas em linhas direitas e cerradas, nascendo, porém, muito rarefeito ou 
quasi nullo a shirif. A todos sobrepuja em viço o algeriano. 

Em resumo, ê este o aspecto, que apresenta hoje o trigo: o algeriano tem 
l m ,20 de altura, está regularmente colmado, promettendo compensadora colheita. 
Não acamou e muito ligeiramente o atacou a ferrugem, em breves manchas, 
aqui e alli. O shirif, nas raras toiceiras que deu, esta colmado, mostrando assim 
que esta variedade prometto e que á má qualidade da semonto, deve-se tão so- 
mente, o sacrifício da experiência. 

As variedades restantes apresentam misérrimo aspecto, muito rachiticas, 
atacadas pela ferrugem e sem crescimento algum. 

Sem mo alongar em apreciações, que não cabem nos limites desta ligeira com- 
municação, deprehendi que, dado o mesmo solo, a mesma composição chimica, 
as mesmas condiçõjs telluricas e thermicas, o trigo algeriano mostrou aJaptarso 



A LAVOURA 



admiravelmente ao nosso moio. Para os restantes suppõe-se logo ser muito 
elevada a média tliermica da primavera. 

Além destas sementes foram experimentadas, conjunetamento cora as adqui- 
ridas por esta o-itabeleeimento, outras queessa patriótica sociedade remetteu para 
a conveniente distribuição nesto Estado. Assim procedi a regular semeadura de 
cânhamo commum, Unho ordinário, juta, aveia, eevadaguadrangular, alfafa, alf/o- 
dão, ele. 

Solo — As mesmas condições dos precedentes. 

O cânhamo esta florescendo, tendo nascido rarefeito, devid ) ás más condições 
germinativas da semente e apresentando l m ,lO de altura. 

O Unho ostenta boa floração, 1"',20 de altura, muito b\sto e sadio. E' planta 
recommendavel. 

A aveia está apresentando as espinetas, tem m ,80 de altura, linhas 
bem corradas e viço regular. Melhor aspecto teria, se o respectivo plantio 
tivesse sido um pouco mais cedo. 

A cevada comporta-se optimamente. Está soberbamente colmada, espigas 
cheias e abundantes, e relativamente, pouca palha. 

Após as colheitas, em noticia mais ampla o detalhada, com dados compara- 
tivos e outros elementos, levarei ao conhecimento dessa benemorita Sociedade os 
resultados obtidos com as sementes, que ella, obeleceado aos seu? altos desígnios, 
propaga pelo paiz todo, prestando o mais assignalado serviço, que uma nação 
pôde receber : levantar as suas forças abatidas e incutir-lhe o regimen do trabalho 
são, enérgico e intelligente.» 



Correspondência recebida durante o primeiro trimestre de 1908 : 

Cartas 659 

Circulares 9 

Memoranda 24 

Offlcios 131 

Telegrammas 36 

Total 859 

Correspondoneia expedida pila S3eretaria durante o 1 ' trimestre de 1908, 
janeiro a março : 

Janeiro : Telegrammas 28 

Offlcios 13 

Cartas 3.796 

Fevereiro: Tele^ramins 54 

Offlcios 16 

Cartas 402 

Março : Telegrammas 47 

Offlcios 28 

Carias 375 

5.119 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Abril— 1908 

Cartas 3.454 

Offlcios 8 

Convites 9 

Noticias 28 

Telegrammas 41 

Registrados 33 

Folheto da borracha 675 

Gado zebú (folheto) 675 

«Lavoura» 2204 

7:127 



Pareeer elaborado pelo Dr. João Baptista de Castro a uma consulta feita pelo Museu 
Commercial a pedido do Ministério da Industria, Viação o Obras Publieas 

lllm. e Exm. Sr.— Honrado com o recebimento do offlcio de V. Ex., datado 
de 12 do corrente, cumpre-me responder, resumindo, quanto possível, o que ha a 
dizer sobre tão importante assumpto ; vasto campo para escrever-se um trabalho 
completo, recheiado de dados positivos, que viriam contribuir largamente para a 
elucidação perfeita da verdade, isto ê, os prejuízos incalculáveis para a nação 
brasileira, descurando por completo da boa nomeada, de uma reputação bem 
firmada, não somente para seus cafés como ainda para quaesquer outros productos 
da sua exportação, destinados aos mercados mundiaes. 

Habituado a externar as minhas convicções sem rabuço, franca e lealmente, 
embora desagrade, não deixarei mais uma vez de seguir essa mesma norma 
habitual. 

Nao é a primeira vez que trato desta mesma matéria, para a qual não 
tenho cessado de chamar a attenção dos governos dos Estados e da União, 
convencido, como me acho, de residir ahi toda a chave do commercio estran- 
geiro, nas nossas permutas internacionaes, pormittindo-lhes uma exploração 
fraudulenta, mas immensamerite lucrativa, embora fiquemos relegados ã posição 
de uma colónia estúpida, incapaz de saber vender, ella própria, as suas innu- 
meras riquezas exportáveis, consentindo fazerem desconhecidos os bons cafés 
brasileiros perante os consumidores universaes ; emquanto que, ao mesmo tempo, 
toleramos que perdure para esse nosso producto, a peior reputação perante essa 
mesma massa de consumidores!... 

Eis o facto inconcusso, indiscutível, que o Brasil inteiro presencia, em pleno 
século XX, em que pese a nossa posição de paiz maior productor do mundo, desse 
artigo de geral consumo. 

Pouco importam as classificações das correntes do opinião, em genéricas ou 
geographicas com as quaes não perderemos tempos. 

Em 1869, o sábio naturalista Agassis, na sua obra — « Voyage au Brésil » 
pag. 497, jã assim se expressada, relativamente ao café : « Grâee a leur par- 
séverance et aux conditions favorables resultant de la constitution du sol, les 
Brésiliens ont obtenu une sorte de monopolo du café. Plus de la moitié de ce 



A LAVOURA In: 

qu'ou ou cousomme dans le monde est <le proveuanee brésillienne. Et cepen- 
daut la café du Brésil a peu de réputatiou, il est même cote a um prix inférieur. 
Pourquoi ! Simplement parcequ' une grande part-.e des meilleures sortes produiles 
dans les fazendas brésiliennes est vendui sous le nom de Java, de Hoka, de Marti- 
nique ou de Bourbon. Or, la Martinique exporto par au sixcents sacs de café, 
Ia Guadeloupe, dom le produit est connu dans le commerce sous le nom de 
Lile voisiue, en récolte six mille, pas de quoi alimentai" le marcho de Rio de 
Janeiro pendant vingt quatre heures ; 1'ilo Bourbon n'en fournit guére plus. 
Presque tout le café vendu sous cos denominations, quoiquefois mème sous celle 
de Java, provient du Brésil, et le soi-disant moka n'est le plus souvent rieu 
dautre chose que les petits grains ronds des caféiers brésiliens, cueillis, á 
1'extremité des branches et soignensemont triés. Si les fazendeiros comme les 
planteurs hollandais vendaient leurs récoltes sous une marque speciale, les grands 
negocianls de Vêlranger apprendaitnt vite â distinguer LES QUALITÉS et l'agri- 
culture brésilienne y ga.gnerait. Mais il existe, entre le fazendeiro et 
l'exportateur, une classe intermôdiaire do ruerchands, mi-banqueirs, mi-cour- 
tiors, connus sous le nom de commissarios, qui, en melant les récoltes diffe- 
rentes, rabaisse le type, ôte au producteur toute responsabilitó et enleve au produit 
ses vêritables caracteres. 

P. L. Simmonds — Tropical Agriculture — 1877 —num bem desenvolvido 
capitulo sobre o café, pag. 71, diz, referindo-so ao Brasil « The quality has 
been so inuch improved in the last ten years that much of the coffee is sent to 
Europe and sold under the names of Java, Ceylon, Martinique, San Domingo and 
even Mocha. 

At the Paris International Exhibition of 1867, Brazilian coffee receioed from 
thejwors a yold medal over ali other coffees. 

Mas nenhum partido tirou dahi o café brasileiro. . . 

Si recorrermos a L. Couty, professor de Biologia Industrial na Escola 
Polytochnica, no seu relatório de 1883 ao director dessa escola, pags. 67 e 
68, lé-se : « Nous avons conclu de ces observations que si le café coutait cher à 
produiro, il coutait encore plus cher à vendre ; et, certes, á ce nioment nous 
ne nous attendions pas à voir la propagando du café du Brésil en Europa 
dirigée par ceux qui ont le plus largement profiê d'un état de choses difflcile 
à modiâer, si on le veut, mais en tout cas absolument nuisible aux vêritables inte- 
rêts du pays et de ses productions. 

Nos conclusions restent aujourd'hui los mêmes ; il faudrait changer un 
systême de vente qui fait passer le café par sept intermédiaires sans compter 
les eourtiers, les transporteurs et les banques ; il faudrait reduire á 25 ou 30 
francs par 100 kilogrs. des frais de trausmission qui, non compris le fret, 
égalont aujourd'hui 140 ã 160 francs ; la simplicitê plus grande des échanges ser- 
virait au producteur du Brésil qui toueherait la valeur réelle de la denrée sans en 
faire profiler des intermédiaires peu utiles ; elle servirait aussi au consommateur 
d' Europe qui pourrait payer d un pri.v plus raisonnable une denrée moins sur- 
cliargée de frais accessoires. Cetto baissu du prix de vente ultime serait súra- 
menUe meilleur exciant à une plus grande consommation , etc. . . 

Ainda, temos o Sr. Vau Delden Laern, competentissimo delegado do Governo 
Hollauduz, incumbido do estudo do café uomuuio iuteiro, o que aqui permaneceu 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



muito tempo, estudando a fuuio o assumpto, sob todos os aspectos, relativamente 
aos interesses do seu paiz ; no meu entender, o trabalho mais completo o con- 
sciencioso que cmheco, o no qual se verá a condemnacão nossa, economicamente 
lalando, consentindo, tolerando que os nossos cafés fossem vendidos cjm outras 
denominações, de outras procedências, etc. etc. 

Eis o que escreveu o delegado do Governo Hollandez á pags. 310 e 211 . 

« II doitètre indifforent au fazendeiro, qui achòte son produit, pourvu qu'il 
en fasse un bon prix. 

Et bien, Vensaccador est 1'acheteur de café local. II achète et vend le café â 
ses propres risques. Persomio n'aurait sérieusement à rediro, s'il faisait tout de 
son côté pour être agréablo à 1'exportateur, son client. 

Du point de vue du planteur de café, comine individu, jo trouve la plainte 
irrationnelle. 

La question a cependani un tout aitlre aspect, dos qu'on la considere du point 
de vue èconomique. Car voici ce qui arrive : Les achoteurs de café de la preraiero 
main á Rio ne portent point le café du Brésil assorti sur le marcho du mondo, 
tel qu'il sort de Ia fazenda, ou l'on s'est donnè loules les paines pour amèliorcr la 
qualitc par li manipula lion et le triaga, mais mèlangè jusquW en faire une cspèce 
mogenne, 

Sur les marches d» monde ou ne trouve pas de café propremenl dil de fazenla, il 
rCy a que le café liga ou mèlangè. 

Le produit est jugo daprès cette qualité. 

Le gout de terre ou de terreiro provient, selon moi, de ce que le c ifô escolha 
est fréquemment mélangé avec de bonnes espúces. 

La escolha est le café lo plus desagréable à la vue que je connaissa ; on ne 
saurait la comparer qu'au café de Bali, tel quil est apportô à Sourabaya, ou ã 
celui gánéralement connu dans le commerce comme café pourri. 

Les prix sont rcglès d'aprés ces lypes mogens, cl e.i-ercenl une influence naturclle 
sur les marches brèsiliens. 

Ainsi les ensaccadores, qui ont encore à >upport)r les fraisde la liga, ne peu- 
vent paycr la valeur réelle des cafés de fazenda êminemment assortis. 

Et c'esl ainsi que le fazendeiro subil le conlrecoup de cette opèralion com- 
merciale. 

Je suis persuade qi'on ne saurait prevenir celle-ci vue PAR L'UXI'ORTA- 
tion directe, pour le compte soit du fazendeiro ou du coramissario. 

Sachant Io traitement du café au Brésil, ou ne pout nier, qu'une èxporfotion 
directo y doit ôtre au profitdu plantour. 

Ceponlant, nnc expirtation directe de café de fazenda sur un.i gr.mdo èchelle 
ne saurait avoir bien dans les premiares années, d'abord pour les raisons déjã 
nommées, ensuite parce que les grands importateurs d'Europe et d'Amerique 

TROUVENT DE L - AVANTAGE Á MA1NTENIR L'ÉTAT DE CHOSE3 EXISTANT. ILS FONT 
JUSTE LE CONTRAJRE DE CE QUE EJNT LES ENSACCADORES. Ils réassorlissent le Café 
d'aprés la qualitc, a/in de vendre les meilleures sortes soi's des marques uvanlageu- 
semenl comines, 

Tout connuo le vin du Rhin mousseux se vend plus facilement chez nous et 



A LAVOUK.Y 103 

d ivantage sous la marque de Koederer ou de Carte Blauche. ainsi le produil 
superieur de Rio et S.intos esl vendu fréquemment comme café Java ou Ceylan plan- 
tation. 

Eu Franco ou no vous sert généralement que le café ordinaire du Brésil ; 
cependant le gareon de café será bien indigne si l'on ne croira pas boire du vrai 
ot pur Moca. 

Dans le commerce du café, le clioix du eourtier ne dépend pis, comme dans 
la vente dautres objets de commerco, du vendeur, mais de 1'achelettr ou de l'ex- 
port teur. 

Na pag. 173, lê-se: 

« La grande importance d'une récolle soignée el d'une bonne préparalion esl 
prouoèe par les différences enormes de prix entre café Java particulier et celui du 
gouv:rnement, entre le produil native et celui de plaittation du Ceylan. 

Bastante su.trgestivo é o que publica E. Raoul, no seu manual das culturas tro. 
picaes, pags. 158 o 159, nestes termos: Emploi commercial des cafés da Brésil. — 
D'après les statistiques f jurnios par la douane 1'rançaise, três exacto3 pour cette pro- 
venance, les cafés du Brésil entrent dans la consommation française dans la pro- 
portion du tiers environ, et, d'apres le dirc autorisé des principaux negociants 
et courtiers, le café Santos forme les dcux tiers environ de notro consommation 
en cafés brésil iens. 

Neamnoins, en dehors des portes de commerce et des villes du nord de la Fran- 
ce, le coHSommaleur ne connait guére, de nom, les cafés du Brésil, el surtoul il 
ignorait naguère el continue encore le plus souvent a iynorer le nom des cafés 
Santos. 

Uma nota, neste ponto diz : «L'empereur Don Pedro II, pendant son dernier 
voyage en France, examinant les designations de caféi que l'on rencontre aux 
étalages des marchands, eut 1'occasion de faire três souvent cette remarque ; le 
cônsul de 1'empire au Hivrelui donna lexplication de cette anomaíio.» 

E, prosegue o autor: «Les sortes sup;rieures des cafés du Brésil, en pirliculier 
du type Santos, ne sonl pas separées des autres cafés par des caracteres e.rterieurs 
neltemeiíl tranches ; ils se rapprochenl bcaucoup, au conlraire, dans cerlaines s< : ric~<, 
de pruvenances três èluignées du Brésil. En outre étant donnée 1'énorme produe- 
tion de la provinee de Saint-Paul, et aussi la sélection pratiquée sous la directiou 
du Club de Lavoura par les cultivateurs, en vue de propager telle variété qui se 
rapproche, comme forme, du type d'une provenance èlrangère recherchée» aqui em 
outra nota diz: «La formule ompirique Marlinique Bourbon-Moha est 1'expression 
du mélange tevnaire, le plus généralnment demamlé et vendu, mais le plus rare- 
ment comommé. Le Martinique u'r.i<t<- meme plus en realité; les deu*- autres, com- 
merrialement parlant, existent à peine.» K continua, *nn comprend que Von puisse 
trouver et Von trouve,en effect,dans les provenances de Santrs, des séries entiéres, 
equivalentes exlerieurement â un type clranger . 

Le Santos est légêrement fade, comme odeur el comme gout ; c'est pour ainsi 
dire un café neulre, subissant facilement, sans trop reagir, Varome d'un café plus 
caracterisê ; aussi esl il, par excellence, le café de coupaje ; il joue le role de l'é- 
quivalent dam- les combinaisons chimiques el sert de base aux substitution el aux 
mélanges ; c'est la mère des cafés, et c'est sous ce nom, pittoresque et vrai, qu'il est 



110 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

familiérement designe dans les entrepôts. Le café qui lai esl mèlangé, en dose plus 
ou moins forte, ou souvent une simple étiquette, change son éíat civil et lui reslitue 
ses droits d la consommation . 

Des collections paraUéles formées, l'une avec des cafés d'origine non brésilienne, 
Vautre avec des séries choisies de Santos, trompent Vceil mieux exerce. Avant la 
torréfaction, V arome seul est modifié ; mais ce caractere êchappe le plus souvent d 
V appreciation de Vacheteur. » 

Si deixarmos a Europa e buscarmos os Estados Unidos, não monos instructivas 
se tornarão as nossas investigações. 

No segundo numero da magnifica publicação, «La Hacienda», do anno de 1905, 
pag. 40, vem estampado o artigo do Sr. H. Willy, professor e director da secção 
de chimica do Governo dos Estados Unido?, em Washington, o qual pelas suas in- 
vestigações scieutificas acerca dos comestíveis e suas adulterações, muito tem in- 
fluído para a adopção do leis protectoras contra os alimentos prejudiciaes. 

Copiamos textualmente : «En los Estados Unidos la práctica más detestable en 
la adulteración es, sin duda, la do ponerle á los paquetes rótulos que no deberian 
llevar. 

Tan es asi, que en los Estados Unidos no se oyen otros nombres cuando se trata 
dei café que los de Mocha y Java y todo el mundo parece pedirlos . Y, sin embargo, 
la verdadera cantidad de café que se importa de esos paises, es insignificante com- 
parada con la importado >i total de otras regiones. El cifé pues que se cultiva en 
el Brasil ô Medico y que se vende en los Estados Unidos como produclo de Arábia 
ô Java es tan atroz adulteración como si el vino de Califórnia se vendiera por fran- 
cês. Y lo mais raro dei caso es que los que adulteran el café no se preocupan de 
si hacen el mal ô el bien, ô por lo menos, asi parece. 

Es costumbre tan universal que lo toman por un negocio cualquiera com la maior 
desfachatez. Este procedimiento no liace justicia á los paises produetoros dei precioso 
grano y no deja de ser injusto tambien para Arábia y Java mismas, por cuanto 
el consumidor vive y muere en la creencia que el café que por tanto liempo toma 
vino todo de esos lugares, LO cual es una mentira. Es delrimental d los demas 
paises por que la superioridad de esto ó aquél café no se atribuye a sus respectivas 
procedências. 

De aqui que todas las naciones produetoras de café, asi como los consumidores 
mismos, deberian unirse en potencia irresistible á fin de echar por tierra tan des- 
vergonzante tráfico. Las leyes en los diferentes Estados de la Union Americana 
son tales que no seria difícil extirpar el primero de los males, — la adulteración 
dei grano. El amor d la justicia, con apoyo oficial, bastaria, para desterrar el segundo, 

el rótulo enganoso de los envaes. Al llegar esa feliz dia cualquier consumidor 

en los Estados Unidos podia saber, si quiere, donde crece el café que á la mesa 
le sirven y apreciar las virtudes de las differentes clases segiin la procedência. 
El consumo do este articulo en los Estados Unidos está en augmento y no cabe duda 
que sabrán mantener la supremacia como los primeros consumidores dei café en el 
mundo.» 

Ainda temos outro depoimento precioso, na collecção dos Manuaes Hoepli, 
< I Prodotti Agricoli dei Trópico», pags. 43 e 44, onde se lê : 

«1 piccoli semi, pisello cosidetti, si scelgono con grande cura, pioche venyono spe- 
duti, in Europa specialmente, come caffà Moha \ il resto si spedisce solto e nomi di 



A LAVOURA II t 

■S. Domingo, Java, Martinica, ecc. In Itália il Sardos ed il Rio si mischiano col 
Porto Rico. II caífé dei Brasile niigliora nellinvecehiare. Nei porti d' Europa 
questo prodolto sabisce differenti lavorazioni, fra le quali anche quella di timjerlo di 
vari colori a seconda dclle q milita chc si vogliono imitare. 

II Brasile produce circa 400 millioni kg. di cafle ene viene venduto a L 1, 
40 aí kg.» 

Julgamos suliicientes as citações invocadas em abono de nossas convicções, 
admirando- nos apenas de tão tardiamente estarmos nos preoccupando com esta 
questão, cuja importância não soffre discussão, nem maiores delongas. 

Mas, nem por isto deixaremos de entrar no âmago da matéria deste succinto 
estudo e vamos recorrer á fonte limpa, a um magistral estudo sobre «a falsa indi- 
cação do logar de proveniência em matéria do productos vinícolas», estudo que so 
firma nas leis existentes nos vários paizes e nos tratados internacionaes : 

Convenção de Paris, 1883 ; de Roma, 1886 ; de Madrid, 1801 ; do Bruxellas 
1S97, etc. 

Dessa obra extraiamos : 

«E' graças, á liberdade do commercio que a concorrência pode estabelecer-se, 
e é pela concorrência que se assegura ás transacções o seu caracter normal em lace 
dos productores, como em face dos consumidores.» 

«A concorrência, escreve Montesquieu, dá um justo preço ás mercadorias e 
estabelece as verdadeiras relações entre as mesmas.» 

«Mas desde que existo a liberdade de commercio,— e com ella a concorrência,— 
não se segue que ella seja absoluta.» 

Em matéria commercial, como em qualquer outra, mais talvez que om qual- 
quer outra, o limito á liberdade de cada ura, 6 o direito de outrem. 

Eis aqui por exemplo um negociante que, a- força de trabalho, de esforços 
perseverantes e de sacrifícios esclarecidos, conquistou para os productos que elle 
vende sob um nome ou sob sua marca, uma notoriedade incontestável. 

Seria de equidade tolerar que um typo qualquer se amparasse desse nome ou 
dessa marca para vender o mesmo producto ou productos análogos? 

Evidentemente não. E não Síria justo deixar o negociante desarmado deante 
de qualquer outro processo de concorrência desleal. 

Não se pôde autorizar alguém a usurpar os direitos do próximo, a saquear os 
resultados do seu trabalho, sem infligir, a um tempo a equidade mais elementar e 
as regras da boa ordem . 

Assim bem o comprehendeu o legislador. 

Desde que a livre concorrência foi proclamada, elle applicou-se em impedil-o 
de tornar-se deshonesto. E numerosos são os textos estabelecidos a favor do nego- 
ciante ou do industrial que soffre um prejuízo resultante da concorrência 
desleal. 

Elle pôde, conforme os casos, invocar as sancções penaes da lei de 1824, sobre 
os nomes commerciaes, as da lei de 1844, sobre as patentes, ou as da lei de 1857 
sobre marcas de fabricas ; ou simplesmente pedir reparação, em virtude do 
art. 1382 do Código Civil, pelo prejuízo quo teve. 

Com o auxilio dessas leis protectoras, cada qual salvaguarda o que lhe toca ao 
seu merecimento. 

Sem ellas, ir-so-hia ás peiores consequências. 
3124 7 



112 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

O mercado seria promptamente presa dos menos escrupulosos, a emolução daria 
rapidamente logar ao desanimo entre os mais bem dotados. E o paiz que tolerasse um 
tal estado de cousas estaria, sem duvida, commercialmente morto. 

A liberdade de commercio, longe de ficar enfraquecida, só é melhor respei- 
tada mediante uma protecção desta natureza. 

O homem honesto pôde tentar todos os emprohenJimento4, visto como a lei 
prestadhe o seu apoio contra aquelles que, sám escrúpulos, bem como sem dillieul- 
dades, procurassem açambarcar os seus esforços em alheio provei to . 

Porventura os mares não são mais livres desde quo condemnou-se a pirataria ? 

Estas ideias são por tal modo justas que não se limitou só em proteger os 
resultados conquistados pelo individuo. 

Uma localidade, uma região, um paiz, em consequência das qualidades do seu 
solo ou dos processos de fabricação nelle empregados, poude conquistar uma fama 
particular para o producto 

Assim os pannos de Elboeuf, os vinhos de Bordeaux, os vinhos de Champagne, 
são universalmente conhecidos. Os consumidores sabem-no tão bem, que, para 
elles, o nome do producto seguido do da Itcalidade é a garantia de sua excellencia 
própria. 

Neste caso, não haverá um interesso geral em tomar sentido afim de que 
taes denominações não vão cahir no domínio publico ? 

Não será mister garantir que o producto annunciado do tal região delia pro- 
venha realmente, e, para isso, corcal-o de uma protecção legal suficiente? 



Estes conceitos são tão sensatos, tão justos, que escusamos encarecel-os, sondo 
mais que extranhavel a linguagem de um dos documentos accompanhando o 
vosso ofílcio, quando se diz : 

« Os chapéos de palha fina fabricados no Equador e uo Peru são vendidos no 
Brazil com o nome de chapéos do Chile e na Europa com o de Pauamá, porque os 
primeiros recebidos chegaram ao Brazil via Chile e á Europa via Pauamá. 

Não haveria para os vendedores vantagem em mudar taes nomes. 

Os compradores aqui insistem em ter chapéos do Chile e na Europa em ter os 
de Panamá. O importante para o Brazil ê que o café brasileiro seja comprado a 
bom preço sendo de ordem secundaria a questão de nomes. » 

Em primeiro logar chapéos carissimos, do Equador e do Peru, não podem 
se comparar com o café brazileiro. 

Em seguida, os brazileiros são tão ciosos das procedências que, até hoje, ainda 
conservam as denominações : queijo do reino, pimonta do reino, abelha do 
reino, etc, que nos vem de Portugal, ao tempo em que nos jungia sob o dominio 
colonial !... 

Mas, o quo mais importa é justamente essa questão de melhores preços para 
os nossos cafés, o que de forma alguma se poderá nunca alcançar, si deixarmos 
permanecer os abusos que as nossas citações revelam. 

Com effeito, o Brazil jamais se prooecupou com o produzir para os legítimos 
consumidores de café, embora se tenha tornado, graças ás condições naturaes en- 
contradas no seu solo e clima o maior produetor do mundo desse artigo de larguís- 
simo consumo. 



A LAVOURA Uá 

A capacidade do paiz cireumscreveu-se em produzir para o commercio inter- 
mediário, apenas, todo elleextrangoiro. 

Dahi a origem das fraudes, ha tempos immemoriaea instituídas. 

Os paizes, nossos concurrentes, esses, inclusive o Haiti, têm os seus cafés co- 
nhecidos, havendo paizes que não mais produzem café, e, no emtanto, continua-se 
a vender cafés dessas procedências, como acontece com a Martinica, etc. 

No mundo inteiro, ninguém pede café, a ser consumido, obedecendo ás classi- 
ficações da Bolsa de New York, typos 1 a 9, engondrados para os especuladores e 
jogadoros dessa Bolsa, favorecendo-lhes as compras nos mercados brazileiros tão 
somente e o jogo. 

Todos os cafés de outras procedências são altamente cotados nos mercados 
mundiaes eraquanto que, os nossos, não!.. . Accrescendo mais a circumstancia 
importautissima, de se haver diffamado o nosso producto perante os consumidores 
universaes. 

Produzimos três ou mais vezes café do que todos os demais paizes reunidos. 

Não salta aos olhos que, como attestam esses autores citados, o Java, Porto 
Rico, Moka, Martinica e demais cafés, vão ter, graças as nossas colheitas, e aos 
predicados que tal permittem, um considerável augmento para satisfação desse 
mesmo consumo universal? 

E os preços altos, assim obtidos, a quem aproveitam, além da fraude desho- 
nesta, e a continuação da má reputação que esse commercio intermediário nos soube 
fazer gosar ? ! . . . 

Só e unicamente, este estado do cousas, inqualificável, vae approveitar aos in- 
termediários, no nosso intercambio externo e interno. 

Nem genérica nem geographicamente, perante os consumidores legítimos de 
café o Brazil é conhecido, a não ser como paiz que produz um café intragável. 

li chega-se a negar nenhuma importância na conquista de um nome, de uma 
reputação ! ! ! 

Para esses, cujo fito é conservar-nos na mais crassa ignorância e nos vícios, 
assim deve ser ; mas não, nunca, para nós outros que aspiramos a conquista da 
nossa independência económica, sem o que a politica só, para nada servirá na vida 
moderna das nações. 

Presumimos que o Sr. professor Willy, director da secção de chimica do Go- 
verno dos Estados Unidos é uma autoridade na matéria, o que nos induz a repudiar, 
como falsas, as informações citadas pelos Srs. F. Ferreira Ramos, attinentes ao 
cale Santos, quando sentenciosamento proclama: 

li' certo que se conseguirmos vender os cafés de Santos e Rio com as denomi- 
nações Java e Moka, genéricas e não geographicas: — o Brazil não venderá mais 
café por esse motivo. 

Sim, nas especulações da Bolsa de New York e para aquelles que nos exploram, 
uma mudança radical, da nossa parte, que viesse alterar completamente as clas- 
sificações que nos foram impostas e cuja base essencial repousa no typo n. 7 e ou- 
tros, com certesa traria sérios embaraços aos especuladores bolsistas, nas vendas 
licticias dessa e outras Bolsas, que pouco se incommodam com os cafés geographicos 
ou genéricos, a não ser para nos deterem as iniciativas tendentes a perturbar-lhes 
as fraudes, a alta especulação c o mais desbragado jogo que essas mesmas Bolsas 
instituíram sobre o café. . . 



lii SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTORA 

Então, para nós, quo não somos conhecidos, dejde que ollérecessemos cafés bra- 
sileiros dos typos: Moita, Java, Porto Rico, ele, conhecidíssimos o apreciadíssimos, 
muito mais caros, praticaríamos um crimo ; mis, quando com os cales bra- 
zileiros, se os incorpora ás colheitas dos demais paizes produetoros, fazondo-os 
passar então por genuínos .lava, Porto Hico, Moka, etc, sob o manto enérgico da 
geographia fraudulenta, não é honestíssimo!?. . . 

E' conveniente expor aqui o que se passa com o café, nessas Bolsas, extraindo 
de um autor, tratando das « Bolsas de Commercio e Agricultura », pag. 92: « O Sr. 
Van Gulpen negociant ; de cafés em Emmerich, cita os seguintes exemplos: No 
anno de 1887, em quatro Bolsas do Commercio, venderam-se 52.795.000 saccas 
de café, e só foram entregues 9.185.0)0 saccas. 

Nos quatro últimos mezes de 1888, em Hamburgo, os negócios a prazo sobre os 
cafés elevaram-se ao algarismo colossal de 8.776.000 saccas, e as operações sérias, 
seguidas de entrega efléctiva, só attingiram 411 .500 saccas. 

Nos quatro primeiros mezes de 1889, a venda a prazo aceusa um total de 
2.161.000 saccas e só se entregaram 87.000 saccas. 

As operações ficticias foram dez vezes maiores que as mercancias reaes no penúl- 
timo dos casos e vinte cinco veies no ultimo. 

Eis outra face do problema que demanda sérios estudos da nossa parte, pela 
influencia desastrosa desse jogo sobre os preços da mercadoria legitima e do com- 
mercio honesto, o qual não perturba a regularidade da lei da offerta e procura em 
suas manifestações legitimas e não apparentes, como acontece com essa jogatina 
desenfreiada actual. 

O Dr. Manoel de Carvalho informa perfeitamente sobre o que se passa, havendo 
porém a notar que, como era outras praças, no Havre, Hamburgo, Bremen, Bor- 
deaux, Marseille, Trieste, Génova, etc, alguns importadores dispõem de machi- 
nismos seus, ondo fazem repassar os c ifés adquiridos no Brazil sobre as classificações 
de New York ; e, desfarte dosmancham eomplet imente esses mesmos typos de 
New York, com os quaes vão imitar os cafés mais afamados do mundo, apurando 
asiim fartos lucros. 

Os resíduos, a escoria, dessas oporações é que se apresenta, então, como cafés 
genuinamente brazileiros, cotados a vis preços. 

Kesta-nos, finalmente, apoiar o parecer do Sr. Léon Capelle, Director Geral 
dos Negócios Consulares e Commerciaes da Bélgica, cuja opinião judiciosa acatamos 
devidamente. 

Em conclusão do que acabamos de expor, resulta ; 

I o . Que, embora o maior produetor de café no mundo, o Brazil não seja conhe- 
cido pela massa dos consumidores universa s desse artigo ; 

2°. Que os cafés brazileiros vão ser incorporados ás pequenas colheitas dos 
outros paizes produetores de cafés bera reputados, bem cotados, que são conhecidos 
genérica e geographicamento pela massa dos consumidoras universaes, graças aos 
vidos que foram instituídos e cuja base repousa nos typos da Bolsa de New York, 
que permittem todos os males dos quaes estamos seudo victimas ; 

3.° Que, se deve tratar de corrigir, reformar, essa situação humilhante para 
o Brazil, sem demora : 

a) comas reformas indispensáveis aqui, banindo-se os typos americanos ; 



A LAVOURA 



l>) com os apparelhos indispensáveis, armazéns geraes, omissão de warrants, 
bolsa de cafi' 1 (s 'm operações fictícias), leilões públicos para as vendas, como na 
Hollanda, direitos de exportação na razão inversa das qualidades, de tal forma que 
prohibam a exportação das escolhas ordinárias e mais sujidades ; credito agrícola, 
prémios para os mais fino^ cafés, etc ; 

c) com serviços de propaganda commercial pratica no estrangeiro, dados esta- 
tísticos completos sobro a producção mundial, consumo, stocks, preços correntes do 
todos os cafés do mundo, diariamente publicados na nossa imprensa, etc. ete. ; 

d) com estudos completos dos cafés brazileiros nos diferentes Estados, suas 
analyses scientilicas, qualitativas e quantitativas, degustação, comportamento na 
torração, misturas, etc, etc, em confronto com os cafés de outras procedi mcias- 
elementos indispensáveis para a propaganda commercial e reivindicação de predi, 
cados para os posses cafés, etc. ; 

e) com uma organização de associações cooperativas de producção, aperfeiçoa- 
mento dos produetos, esua venda final nos mercados internos e externos, tudo systo- 
matisado e federado aos centros que se instituírem, á cuja acção se subordinarão os 
interesses mútuos; 

f) com a organização do Ministério de Agricultura o suas dependências, insti- 
tutos, etc. etc, como um guia, um pharol, á testa do todo o movimento scientifico 
e pratico da agricultura e industrias agrícolas. 

Em poucas palavras, assim como montamos vários institutos para investiga- 
ções e preparados que curam c rtas enfermidades, dotados com os elementos que 
a sciencia alliada ás experiências faculta nas applieações, assim também devemos 
cuidar do café e mais produetos brazileiros, especialisando-nos, estudandoos e co- 
nhecendo-os a fundo para podermos luetar vantajosamente na concorrência univer- 
sal, mais intensa pela approximação dos mercados mundiaes, graças á rapidez das 
communicações, rompendo com o regimen colonial em que temos vegetado, naciona- 
lisando os nossos produetos e tornando o Brazil conhecido no mundo. 

Reporto-me ainda ao parecer que formulei na Sociedade Nacional de Agricul- 
tura, era commissão dessa mesma Sociedade, ao respondermos o offleio da Asso- 
ciação Commercial de Santos, commuuicando haver acceilo offlcialmente os typos 
da Bolsa de Nova York, naquella praça. 

Esse trabalho, mereceu a attenção do Governo Mexicano, que o requisitou, por 
via diplomática, do Exm. Sr. Barão do Rio Branco ; vem publicado no boletim 
—A Lavoura — orgam dessa rorporação iliustio, e junto encontrará V. Ex. um 
exemplar. 

E' o que me cumpre informar, lamentando não possuir maior somma de conhe- 
cimentos. 

Empenhados, particularmente e directamente, na solução deste magno problo- 
ma, nos limites de nossos recursos, temos em mão muitas provas documentadas 
para coraprovarom os nossos conceitos, colhidas pela nossa firma commercial de 
S. Paulo-Bodé & Cia. 

Prevaleço-me do momento para reiterara V. Ex. os meus sentimentos de 
grata consideração. 

"~"Ao Exm. Sr. Dr. Cândido Mendes do Almeida, M. D. Director da Academia de 
Commercio do Rio de Janeiro. 



SOriKDAIlE NACIONAL OK AGRICULTURA 



NOTICIÁRIO 



Cooperativas Agrícolas em M iiia,s 

Regulamento a que se refere o decreto ti. 2180, desta data 

CAPITULO I 
DOS AUXÍLIOS do governo 

Art. 1." A's Cooperativas Agrícolas que, sob a responsabilidade pessoal, so- 
lidaria e illimitada dos associados, se formarem nos municípios que produzam 
no mínimo cem mil arrobas de café por nnno. tendo como objectivo principal o 
benefleiamento e venda desse produeto, serão concedidos os seguintes favores : 

a) Prémios pecuniários até o máximo de vinte e cinco contos de réis por 
município áquellas, que montarem e mantiverem machinismos aperfeiçoado* para 
o rebeneficiamento do café, em logar determinado pela maioria dos sócios, podendo 
ser fora do município si isto convier aos interosses da cooperativa ; 

/') Subvenção annual de seis contos de réis a cuia cooperativa, para instituição 
e manutenção, no estrangeiro, de agentes commerciaes, prepostos do sou serviço ! 

c) Prémios pecuniários correspondendo adous e meio porcento do valor do café 
por ellas vendido ao consumidor ou ao retalhista no estrangeiro, servindo de base 
para a determinação daquelle valor a média da pauta offlcial do café typo 7 ameri- 
cano, no Brazil, vigente nos três raezes anteriores ao da venda ; 

d) Prémios pecuniários de mil réis por arroba de café torrado, por ellas di- 
rectamente ou por outrem, que for vendido no estrangeiro em estabelecimentos 
para esse fim montados em cilades indicadas pelos fiscaes do governo no estran- 
geiro e onde não exista, já estabelecida, industria idêntica; 

e) Isenção de todos os impostos e sellos estadoaes devidos pela constituição de 
sociedades dessa natureza. 

§ 1 ." Para a concessão do premio de que trata a lettra— a, premio este que 
poderá ser pago adeantadamente e que é dado com o fim de se obterem cafés de 
qualidade superior ao typo 7, se levarão em consideração a qualidade e a quan- 
tidade do café rebenoficiado, devendo ser o referido premio contado na proporção 
de 30U réis por arroba para os typos de a 4, e 400 réis por arroba p;ira os typos 
de 3 a 1 . 

§ 2." Para que se tornem effectivos os favores contidos nas lettras— c e d 
a venda deverá ser provada por meio de certifica lo ou attestado do agente do 
governo a quem competir fiscalizar no estrangeiro as operações da cooperativa 
vendedora . 

Art. 2.° O governo poderá também conceder prémios de quinhentos réis por 
arroba de café torrado por particulares que, n is mesmas condições exigidas na 
lettra— d e sob a mesma fiscalização, o entregarem ao cousumo, desde que seja 
de procedência de uma das cooperativas de que trata este regulamento. 



A LAVOURA 117 

Art. 3." Dos prémios sobre o café torrado o governo poderá adoantar até o 
máximo de dez contos do róis ás cooperativas que montarem, para a venda desse 
produoto, casas, geridas directamente por ellas ou por outrem, em local reconhe- 
cido conveniente pelo fiscal do governo no estrangeiro. 

Si. Esse adoautamento será feito em duas prestações iguaes, sendo a pri- 
meira á vista do parecer do fiscal do governo e a segunda depois de montada a 
torrefacção. Si, depois de paga a primeira prestação, não se realizar a instal- 
lação ila casa, o governo descontará a quantia já adoantada nos prémios que tiver 
de pagar á cooperativa, em virtude do disposto na lettra— c. 

Art. 4." O governo manterá nas praças do Rio do Janeiro, Santos e em outras 
que, no paiz ou íóra delle, se tornem necessários, agentes, da nomeação do Pre- 
sidente do Estado, para occorrer ao serviço das cooperativas, e estabelecerá nas 
mesmas praças .armazéns para o deposito dos productos daquellas. 

Art. 5.° O governo emprestará ás cooperativos as quantias de que ellas 
necessitarem para a realização de seus fins, até o máximo de vinte e cinco por 
cento do valor dos bens que ellas possuirem, livres e desembaraçados de qualquer 
ónus legal. 

§ 1.° O empréstimo poderá ser feito directamente ás cooperativas, ou por 
intermédio de qualquer instituto bancário escolhido pelo governo. 

§ 3.° Neste ultimo caso, o governo providenciará no respectivo contracto 
para que naquolle instituto os juros dos empréstimos a prazo máximo de um anno 
não excedam á taxa de 8 % • 

§ 3.° O prazo, juros e condições do empréstimo leito pelo banco ás coope- 
rativas serão estipulados no contracto celebrado entre o mesmo instituto de 
credito e aquellas sociedades, nas condições ajustadas entre o banco e o governo. 

§ 4.° E' vedado ás cooperativas empregarem o producto do empréstimo em 
no,:. r ocijs ou transacções sob nome collectivo, excepto na compra de material para 
acondicionamento da mercadoria. 

Art. 6." Além das medidas concretizadas nos artigos precedentes, o governo, 
ajuizo seu, promoverá e executará quaesquer outras relativas a regularização 
do commercio de café no interior e no exterior, e á propaganda commercial, para 
dilatar o seu consumo no estrangeiro. 

CAPITULO II 

DA SECÇÃO DO CAFÉ 

Art. 7." A concessão dos favores de que trata o capitulo I só se extenderá ás 
cooperativas que se submetterem á fiscalização do governo. 

Art. 8.° Essa fiscalização incumbe á secção denominada «secção do café», 
annexa á Directoria da Agricultura, 'ferras e Colonização, e composta de um fiscal 
geral, um chefe de secção, um auxiliar, um escripturarío o um servente. 

Art. 9." A' secção do café cumpre velar pela rigorosa execução deste regula- 
mento e des estatutos das cooperativas e pela fiel applicação dos auxílios do Estado 
ao objectivo dessas sociedades, definido no art. I o . 

Art. 10. Ao fiscal geral incumbe : 

a) Exercer ampla fiscalização sobre a organização e funecionamento de todas 
as cooperativas do Estado, e assistir, sempre que for possível, á suainstallação ; 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



b) Examinar para esse fira a escripturação, documentos e contractos destas ; 

c) Eraittir laudo sobre o valor dos bens das cooperativas, sempre que for ne- 
cessário ; 

di Dar informações e esclareseimentos ao governo sobre a constituição dessas 
sociedades, para o fim da approvação dos seu estatutos ; 

e) Expor ao governo, em relatório mensal, o movimento, estado e situação das 
cooperativas, apontando as faltas e irregularidades existentes e suggerindo provi- 
dencias. 

Art. 11. Ao chefe da secção incumbe : 

a) Responder ás consultas feitas por particulares com relação ao boneficia- 
mento e cumraercio do café, publicando no Minas Geraes aquellas que por sua na- 
tureza devam sor divulgadas ; 

li) Superintender o fazer executar todos os demais serviços congéneres, que 
não estejam ospecialmente mencionados neste regulamento, mas que llie forem por 
autoridade competente commettidos ; 

c) Remettcr ao director de agricultura, devidamente informados, os papeis 
que necessitarem sar apresentados a este para o conveniente andamento. 

Art. 12. Ao auxiliar incumbo : 

a) Substituir o chefe da secção em suas faltas ou impedimentos ; 

!') Catalogar convenientemente as amostras de cale que forem enviadas á secção 
e mantel-as em exposição ; 

c) Executar os serviços que lhe forem determinados pelo chefe da secção. 

Art. 13. Ao escripturario incumbe : 

a) Fazer a escripturação do movimento de entrada e sabida de objectos na 
secção ; 

i>) Escripturar as despezas da secção com compra de machinas ou outras, assim 
como também qualquer receita que porventura haja ; 

c) Cumprir o que lhe for determinado pelo chefe da secção. 

Art. 14. Além do pessoal indicado no art. 8 o , haverá ainda agentes do gover- 
no, instituídos nas praças de exportação do café mineiro e nas do estrangeiro, con- 
forme a disposição do art. 4 o . 

Art. 15. A esses agentes incumbe : 

a) Promover o embarque e o desembarque do café, bem como do outros pro- 
ductos agrícolas ; 

b) Ter sob sua guarda esses géneros nos arraazons de deposito do que trata o 
art. 1", ou em outros quaesquer estabeleci mentos em que elles se achem, antes de 
serem entregues ás cooperativas ; 

c) Entregara estas ou a seus legitimes representantes, na proporção e quanti- 
dade era que forem pedidos, o café e os demais produetos agrícolas confiados á sua 
guarda na forma da lettra b deste artigo ; 

d) Fiscalizar os serviços das cooperativas nas ditas praças, ministrando ao go- 
verno, em relatórios mensaes, ioformações minuciosas sobre o seu movimento e 
vida comraercial e mencionando nelles todas as oceorrencias que se derem e todas 
as faltas e irregularidades que verificarem. 

Art. 16. Aos agentes do exterior compete mais fiscalizar as vendas referidas 
nas lettras c ed do art. 1° e fornecer ás cooperativas o certificado ou attestado 
respectivo. 



A LAVOURA 



CAPITULO III 



SPOSICOISS GKR.í 



ArL 17. O governo poderá entrar em accordo com as administrações dos 
Estados interessados, afim de ser c.-tabelecida a cobrança do imposto de exportação 
no acto de sabida do café ou como for mais conveniente. 

Art. 18. O Governo polerá incumbir a pessoas idóneas, até o numero máximo 
de três, o de escolha de nomeação do presidente do Estado, a propaganda dentro do 
território mineiro, das cooperativas agrícolas e de suas vantagens. 

Art. 19. As funcções dos propagandistas durarão o tempo que for conveniente 
ajuízo do governo, e serão exercidas nas zonas por este designadas. 

Art. 20. Além do exigido no art. 7 o , para a cincessão dos lavores constantes 
do art. 1", é necessário que as cooperativas tenham os seus estatutos approvados 
pelo governo. 

Art. vi . Para esse fim ollas enviarão ao Governo um exemplar dos referidos 
estatutos, coma prova de haverem sido archivadas no Registro Geral das Hypo- 
thecas da comarca respectiva, o documento authentico do acto de sua constituição. 

Art. 22. Depois de examinados esses documentos c de obtida a informação de 
que trata o art. 10, lettra d, o governo approvará ou não os estatutos. 

Art. 23. A violação das disposições deste regulamento acarretará para as 
cooperativas a rescisão dos contractos celebrados entre estas e o governo e a perda 
dos favoros de que trata o capitulo I. 

Art. 24. A despeza com os serviços creados pela lei n. 454, de 6 de setembro 
do 1907, será feita com o producto da sobretaxa de três francos por sacca do café 
exportado, mantida a sua cobrança emquanto perdurar a crise desse gonero e des- 
tinada ella exclusivamente ao custeio desses serviços e do credito agrícola. 

Art. 2."). Os serviços constantes deste regulamento correrão pela Directoria do 
Agricultura, Terras e Colonização da Secretaria das Finanças do Estado. 

Art. 20. Os empregados da secção do café, bem como todos os outros referidos 
neste regulamento servirão como contractados o serão conservados emquanto bem 
servirem e for necessário o seu serviço. 

Os seus vencimentos annuaes serão os seguintes 



Fiscal geral do serviço do café. 

Chefe da secção 

Auxiliar 

Escripturario 

Agente no Brazil 

Propagandistas no Estado . . 
Serventes ....... 



000$^00 
000$000 
500$000 
200$000 
OOOiOOO 
6005000 
960â000 



Os agentes no extrangeiro terão os vencimentos constantes dos respectivos 
contractos, não podendo exceder do 12:000$ anuuaes. 

§ l.' J Além desses vencimentos terão o liscal geral a diária de 15$, o chefe da 
secção a de 14$ e os propagandistas no Estado a de 8s, quando om viagem exigida 
por serviço publico. 



SOCIEDADE NACIONAL DF, AGRICULTURA 



Art. 27. presente regulamento ontrará em vigor desde a data de sua publi 
cação. 

Art. 88. Rovogam-se as disposições em contrario. 

Secretaria das Finanças do Estado de Minas Geraes, em Bello Horizonte, aos • 
de janeiro de 1908.— O secretario de Estado, Manoel Thomaz de Carvalho Brilto 



Forragem tle caima, — Canna secca triturada — 
Invenção ti© Jardim «fe Oomp.— A canna secca triturada con- 
serva a canna de assucar, da-lhe uma forma mais adaptada aos effeitos indus- 
triaes já em uso e a diversas outras applicacões novas, especialmente á forragem, 
e facilita o seu acondicionamento e transporte. 

A canna sazonada, recentemente cortada, é triturada, re luzida a fragmentos 
e, em acto continuado, submettida ao calor — em estufa ou ao sol — até com- 
pleta evaporação da agua, que contém, para sor offerecida ao consumo nas 
mesmas condições dos seccos em geral, 

Existe em adiantada construcção, em uma fundição desta capital, o primeiro 
exemplar de um apparelho, combinado para triturar e enxugara canna, trans- 
formando-a no novo producto da invenção de Jardim & Comp. 

Na operação, para obter a verdadeira canna secca triturada, cumpre haver a 
maior solicitude para empregar sempre canna madura e fresca e evitar que, por 
demora, desassoio ou indueneia estranha qualquer, se dè inversão da saccharose, 
independentemente do emprego dos correctivos alcalinos e sulfurosos, que só em 
casos excepcionaes devem sor empregados, 

A canna é que, no estado natural, uma vez cortada, em poucos dias entra 
em inversão do seu assucar e, logo após, em fermentação — , desde que se ache 
beneficiada pelo nosso processo, tondo-se-lhe evaporado toda a agua e volatilizado 
a chlorophyla, fica preservada da fermentação, ao passo que conserva todas as 
suas outras propriedades, podendo ser guardada por tempo indeterminado sem 
prejuízo do aproveitamento da sua riqueza em qualquer applicação útil na própria 
região em que floresceu ou longe, onde porventura, á industria o ao commorcio 
convenha leval-a ao encontro de apparelhos aperfeiçoados, mão de obra e capital 
abundantes e baratos. 

Transformada em canna secca triturada, a preciosa gramínea apropria-se a 
ser embalada com vantagem para o seu fácil manejo, favorável transporte e 
commoda armazenagem . 

Pela mesma suppressão da parte aquosa, mais de 70 % do seu primitivo peso, 
a canna secca triturada, importa uma reducção equivalente nos encargos do seu 
frete, carreto e movimento em qualquer uso industrial. 

Pela uniformidade de corpo triturado e homogéneo a canna é predisposta a 
qualquer operação fabril de maceração, dediffusão e mesmo de expressão. 

Nas applicacões em que o bagaço tenha de ser aproveitado pela sua capacidade 
calorífica, a canna secca triturada offerece um combustível superior que inflamma 
com mais promptidão, permitte estreitar as portas de alimentação das fornalhas 
o proporciona queda mais regular de cinzas. 



A LAVOURA 



Na confecção de vinagres, vinhos, cervejas e, em geral, em todas as indus- 
trias em que os rosiduos possam ser destinados á estrumagão, a canna secca tritu- 
rada apresenta para adubo um bagaço mais assimilável, por isto mesmo que ó 
triturado. 

Quando o industrial tenha do procurar na parte lenhosa da canna a principal 
utilidade, como na fabricação de papel, do explosivos, etc, a conna secca triturada 
impõe-se de preferencia, como um corpo leve quasi pulverizado. 

Além de todas essas applicações — novas algumas, já conhecidas outras — , 
a que nos temos referido, sobreleva uma que constituo a grande novidade da canna 
secca triturada, o nosso principal objectivo, do mais relevante alcance pratico e 
immediato — a alimentação de todos os animaes domésticos, instituindo uma for- 
ragem de superior qualidade e preço módico que deaominamos forragem de canna, 
destinada a substituir, com vantagem a qualquer outra de proceiencia estran- 
geira, som excepção da própria alfafa, ou nacional, para base do regimen estabular, 

A forragem de canna contendo todas as propriedades da canna fresca, com 
excepção da agua e da chloropliylaa, constitue uui alimento concentrado e rico de 
assucar que offerece uma nutricção solida, facilitando ao mesmo tempo uma di- 
gestão regularizada, sem as frequentes perturbações a que o abuso das forragens 
verdes sujeitamos animaes. 

A riqueza saccharina da forragem de canna, superior a 50 % do seu peso, pois 
a canna contém até perto de 20 % e na sua transformação em forragem perde 
mais de 70 % de agua, dá-lhe um valor inestimável e a colloca fora de linha 
como forragem, pois o assucar cahindo no estômago, ô quasi immediatamente 
aproveitado para augmento das matérias gordurosas e nutritivas e tem admirave' 
poder na engorda e na nutrição dos ossos. 

Com a eliminação da agua a forragem de canna corrige se do defeito 
das gramíneas forrageiras em geral — o de não ser possível comerem os aDi- 
maes tanto delias quauto exige a manutenção da força de seu corpo — ao passo 
que o seu abunlante assucar, unctuosidade o maciez provocam salivação prompta, 
abundante e emoliente, dádhe passagem suave polo esophago e fácil digestão 
estomacal. 

Por ser um corpo triturado e macio, a forragem de canna, além de ser isenta 
do inconveniente de engasgar o animal, como o farelo de trigo, não maltrata-lhe 
abocca callejando-a e ferindoa, como se dá com o capim ea própria canna cortada 
à machina a golpes transversaes, de contacto sempre áspero que apresenta, as 
vezes, pontas acudas e até gumes afiados. 

Em exames comparativos que fizemos proceder no Laboratório de Analyses 
Chimicas da Escola Polytechnica o na Casa da Moeda, a superioridade da forragem 
de canna sobre a alfafa ficou evidenciada pela sua maior quantidade de substan- 
cias alimenticias e digestivas. 

Diversos factores determinam o valor de uma forragem, mais incontesta- 
velmente o que não illude, o que decide em primeiro logar é o seu consumidor — 
o próprio gado. Os bois, oscavallos, os muares, os suinos: todos os animaes do- 
mésticos, acceitam com satisfação e de plano a forragem de canna. 

Praticamente o valor da forragem de canna se observa nos engenhos de as- 
sucar, onde no período da mo.igem, que coincide com a estiagem, os animaes 
alimentam-se quasi exclusivamente dos resíduos da fabricação, e não só resistem 



SOCIEDADE NACIONAL DE AHKiniLTUUA 



galhardamente ao trabalho forçado da campanha da colheita, cjmo engordam á 
vista de olhos, afinam o pello e apresentam vivacidade notável. Não ha uo 
Brazil cavallos tão fortes e resistentes como os da zona assucareira do norte, e ao 
sul se assemelham muito a elles os do municipio assucareiro de campos. 

Circumstancia dignado nota: as vaccas de leite dos engenhos de assucar, que 
durante mais de metade do anno se alimentam, principalmente dos residuos da 
canna emprega la na fabricação, são imraunos da tuberculose, tão commum nos 
estábulos em geral. 

As novas applicações a que por essa invenção so adapta a canna— as cervejas, 
a pólvora sem fumaça, e principalmonte, a forragem— constituem beneficio real e 
patriótico, pois nenhuma outra lavoura reúne taes condições de lloroncencia em 
todo o território do Brazil, do littoral ao alto sertão, nas cabeceiras do Prata ou na 
foz do Amazonas, qual esta, que já constituiu a principal fonte do ronda do paiz e 
ainda hoje o continua ser em diversos Estados, resistindo na luta desigual com a 
beterraba dptada de mão de obra abundante e baraate e armada de todos os artificio 
o favores da industria e capital europeu. 

Mas, a transformação da preciosa praminea, em rica forragem, vae levar con- 
forto aos ílagellados habitantes da zona agrícola o da região criadora do Norte. 
O sertanejo criador terá nella uma alimentação faria a enceleirar no bom tempo, 
acautellando-se para periódica épocha das vaccas magras e o senhor da engenho, 
quando o preço do sacco de assucar, nas crises amiudadas do meivaio, não lhe re- 
munerar o custo da producção, poderá explorar a industria de criar, refazer e en- 
gordar gado, ensaccar a sua canna de assucar no porco, no boi, no cavallo e fa- 
zel-a caminhar a quatro pés para as feiras e mercados. 

Resumindo, como constitutivos do privilegio o seguintes 



CARACTERES 

I o , triturar a canna para, em fraumentos triturados, applical-a a qualquer 
utilidade industrial, jà conhecida ou nova. 

2 o , seccaracanna triturada, ou machucada ou desfibrada oti moida, para con- 
serval-a ou transportai a á distancia. 

Z", embalar a canna secca triturada, ou machucada ou desfibrada ou moida, 
comprimindo-a em blocos saltos, ou amarrados com cordoalha ou aramo, ou guai'- 
nocidos com tola de qualquer natureza. 

4 o , ensaccar a canoa s icca triturada, ou machucada ou desfibrada ou moida. 

5 o , applicar a canna secca triturada, ou machncada ou desfibrada ou moida, a 
qualquer industria ou uso. 

6 o , fazer da canna forragem secca para alimentação dos anoimaes. 

7 o , a denominação de '•canna secca triturada" que damos ao nosso produeto. 

8°; denominação especial de "forragem de canna" que damos ao nosso me3mo 
produeto quando destinado á alimentação dos animaes. 



Exportação de rumo jielo lCstaclo cio liio GS-x-íiiicle tio 
]>íoi-te 



Kuogrammas 

1900 000 450$000 

I00Õ 4.256 2;788$000 

1904 Í6.992 2R:992$000 

1903 300 45OSO0O 

1905 3.600 4:9-0.^000 

1901 5545 3:780*000 



A. manufactura cio rumo n.» Bahia 



RELAÇÃO DAS FABRICAS DF. CIGARROS, CHARUTOS E DEPÓSITOS EXISTENTES NOS DIS- 
TRICToS ABAIXO INDICADOS, C0MPREJ1ENDID0S NO LANÇAMENTO HO IMPOSTO DE 
INDUSTRIA E PROFISSÃO DO EXER' ICIO DE 19116. 



DJSTK1CTOS 


NOMES 


RUAS 


Conceição. . . 
Mares .... 


Fabricas de cigarros 

Manoel Pacheco 

Mesquita & Comp 

Bastos & Maia 

Leite & Alves 

Martins Fernandes & Comp. . 
.José Pereira & Comp. . . . 


Rua Manoel Victorino. 
Corpo Santo. 
Mercado de S. João. 
Rua da Calçada. 

Largo dos Mares. 


Brotas. . . . 


Fabricas de charutos 
Viuva Machado 


Rua das Sete Portas. 


Conceição . . . 


Depósitos 

Francisco V. de Mello. 
Paulino Lopes Carneiro 
C. Mello & Comp. . 
Cezar Augusto & Maia. 
M. da Silva Ferreira . 






Rua da Alfandega. 
Merca io de S. João. 
Rua de Santa Barbara. 
Travessa do Garapa . 
Rua Formoza. 




Dannemann & Com. . 
F. Ferreira & Comp. 






» das Priucezas. 

» » » 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTORA 



Relação das fabricas de charutos existentes no districto da collectoria da 
cidade de S. Félix — Bahia 



o 


ORDEM 


SITUAÇÃO 


PROPRIETÁRIOS 


1 

2 
3 
4 
5 
6 
7 
8 


I a ordem 
1» » 

ò" » 
6 a » 
1» » 
3" » 
6» » 








S. Fclix 
Muritiba 








Dannoraann & Comp. 
Costa Ferreira & Penna. 
Stonder & Comp. 
Manoel Pedro Barreto. 
Francisco Pereira & Comp. 
Dannomann & Comp. 

Alberto Waldliein. 



Exportação de charutos no Estado da Bahia, no quinquénio 1902-1906 



ANNOS 


VOLUMUS 


CHARUTOS 


VALOR OFFICIAL 


1902 

1903 


4.340 
5.001 
4.932 

5.5H2 


44.172.C07 
51.861.395 
52.437.1 ir, 
60.714.756 
62.116.355 


1.198:323$067 

1.367:0281120 


1904 


l.::s0:75::^si 




1.036:748$0'.K) 
1.672:073$240 




5.675 





Exportação de fumo no Estado da Bahia, no quinquénio 1902-1906 



ANNOS 


VOLUMES 


PESOS 


VALOR OFFICIAL 


1902 

1903 

1904 

1905 

1906 


602.925 
311.836 
330.950 
258.509 
316.031 


43.447.770.500 
21.020.110 

23.137.794.500 
17.904.052 
22.757.460 


20.497:126*045 
12.889: 7 1 C$582 
10.837:004$430 
8.564:014$465 
10.736:095$207 



Directoria das Rendas da Babia, 29 de agosto de 1907, Flaviano Cunha Freire, 
escripturario. 



^ã^-jjH^€«- 



PARTE COMMERCIAL 



Março s abril de 1908 



Café 

Venderam-se 172.000 saccas contra 160.000 do anterior. 

Entraram 176.861 saccas contra 293.162 no mez passado. 

Embarques — 274 719 .saccas contra 281.637 no mez anterior. 

Existência no dia 15 — 435.844 saccas contra 493.368 no dia 29 de fevereiro. 

Existência no dia 31 — 392.510 saccas contra 435.844 do dia 15. 

As cotações foram : 

1* quinzena 

Por arroba Por 10 kilos 

Typo n. 6 5$400 a 5$500 3$676 a 3$744 

» » 7 5*100 » 5$200 3*472 » 3$540 

» » 8. ..... . 4$900 » 5$000 3$336 » 3$404 

» » 9 4$700 » 4$800 3$200 » 3$268 

5 a quinzena 

Por arroba Por 10 kilos 

Typo n. 6 5$200 a 5*500 3*540 a 3$744 

» » 7 4$900 » 5*200 3$336 » 3$540 

» » 8 4*700 » 5$000 3$200 » 3$404 

» » 9 4*500 » 4$800 3$064 » 3*268 

As entradas no Rio de Janeiro foram : 

Estrada de Ferro Central do Brasil 50.421 

Cabotagem 20.172 

Barra Dentro 105.268 

Vigoraram para o typo 7, do 3$400 a 3*600 por 10 kilos contra 3*550 a 3$650 
do mez anterior. 

Na Bolsa registraram-se três preços, na primeira quinzena, 5.90 c. em 7 e 9 ; 
5.85 c. em 2, 3, 4, 6 o 10 ; 5.80 c. nos outros dias ; na segunda quinzena, 5.80 em 
16 e 17 ; 5.75 nos dias 18 o 19 ; 5.85 no dia 20 ; 5.80 no dia 21 ; 5.65 no dia 23 ; 
5.70 nos dias 24 e 25 ; 5.75 nos dias 26, 27 e 28 e 5.70 nos dias 30 e 31 . 

A-tox-il 

Venderam-se 180.000 saccas contra 173.000 no mez anterior. 

Entraram 146.773 saccas contra 185 863 no mez anterior. 

Os embarques foram do 160.006 saccas contra 483.277 no mez anterior. 



SiOIKHADE NACIONAI, HE A(',lilf:i;i/n HA 



Existência no dia 15 de abril 403.405 saccas contra 392.510 no dia 31 de 
marro. 

Existência nu dia 30 de abril 372.277 saccas contra 40:;.4u5 no dia 15 de abril. 







COTAÇÕES 








1" quinzena. 








Por arroba 


Tnr 111 leiloa 




6. . . 


. . . 5$200 a 5S500 


3$540 a 3$744 




7. . . 


. . . 4$900 » 5$2O0 
. . . 4$700 •■ 4$900 


3$336 » 3$540 
3$200 « 3$336 
::s034 » 3$200 


» » 




. . . 4s500 » 4$700 






2' quinzena 








Tor arroba 


Por 10 kilos 






. . . 5s400 a 5S«00 


3$676 a 3$949 




7. . . 

8. . . 


. . . 5$ 100 * 5s500 
. . . 4$300 » 5$200 
. . . 4$600 » 5$000 


3$472 » 3S744 
3$268 » 3$540 
3$ 132 » 3$404 



Em Nova York, o Lypo 7, disponível, cotou-se na primeira quinzena a 6 c. por 
libras e do dia 16 ao dia 28, continuou com a mesma cotarão, sendo cotado a 29 o 
a 30 do moz a 6 '/ 10 . 

Na Bolsa registraram-se os seguintes preços: 5.70, nos dias 1 a 4 ; 5.65, nos 
dias r,a 11; 5.60, nos dias 13 a 15 ; 5.1,0 nes dias 16 a 25 ; 5.70, a 27 ; 5.80, era 
28 e 29 e 5.75, no dia 30. 

As entradas do Rio retalhadamente foram : 

Estrada de Ferro Central do Brazil 47.576 

Cabotagem 9.199 

Barra Dcntr, 89.938 



Total 14*5.773 

Géneros importados em março e abril 

Qualidade Quantidade Preços 

Banha americana . . . 14.150 barris .... s700 a $720 a libra 

» .... 150 caixas .... 1$200 a ls220 a de lata 

Farinha de triío . . . 47.137 barricas. . . . 

MARi O 

/- 1 quinzena 



Americana (barrica) . . . 
» (sacca) — Não ha. 



A LAVOURA 



Rio da Prata: 

Primeira qualidade 24$0j0 

Segunda » 23Ç000 

Terceira » 21 $500 

Moinho Ingloz: 

Nacional ■ 24$000 

Brasileira 23«£00 

Buda-Nacional 25$200 

Moinho Fluminense: 

S. Leopoldo 24$000 

O. O ... • 23S000 

2» quinzena 

Americana (barrica) 25$000 

» ísecca) — Não ha. 

Rio da Prata: 

Primeira qualidade 24$500 

Segunda » 23*500 

Terceira » • 2ã$Òd 1 

Moinho Inglez: 

Nacional 83$500 

Brasileira . 22$700 

Buda-Nacional 24S700 

Moinho Fluminense: 

S. Leopoldo 24$000 

O. O 23S000 

ABRIL 

fi quinzena 

Americana (barrica 25$Ó00 

» (sacea) — Não ha. 

por 2 saccas 

Rio da Prata: 

Primeira qualidade 23&500 

Segunda » 22$500 

Terceira » 21$000 

Moinho Inglez: 

Nacional 23$500 

Brasileira 22$700 

Buda-Nacional 24$700 

Moinho Fluminense: 

S. Leopoldo 23$5G0 a 24$000 

O. O 3*4500 » 23$900 

3124 9 



Ií8 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

MARÇO 

Manteiga — 1.945 caixas : 

i* quinzena 

Demagny, Isigny (latas sortidas) 2$550 a 2$560 

Brétel Fròres (latas sortidas) 2.^2r,o » 2$300 

Lepelletier 2$520 » 2$540 

Modesto Gallone (sortidas) 1 $850 » 1$950 

Esbousen — Não ha. 

L. Bruni 2$560 » 2$600 

Busck Júnior â$500 » 2$540 

Mosdst 2$200 » 2$250 

Outras marcas 1$850 » 2$000 

A nacional vendeu-se de 3$ a 3$600 e a do Sul de 2$200 a 2$500. 

2 & quinzena 

Demagny, Isigny (latas sortidas) 2x540 a 2$560 

Brètel Frères (latas sortidas) 2$300 » 2$350 

Lepelletier 2$500 » 2$320 

Modesto Gallone (sortidas) 1$850 » 1$950 

Esbousen — Não ha. 

L. Brum 2$580 » 2$600 

Busck Júnior 2$500 » 2$520 

Mosdst 2$200 > 2$250 

Outras marcas 1$850 » 2$000 

ABRIL 

I a - quinzena 

Demagny, Isigny (latas sortidas) ã$540 » 2$55ú 

Brétel Fréres (latas sortidas) ã$300 » 2$350 

Lepelletier 2$500 > ã$520 

Modesto Gallone (sortidas) 1$850 » l$950 

Esbousen — Não ha. 

L. Brura 2s5:>0 » 2$5S0 

Busck Júnior 2$500 » 2s520 

Mosdst 2$2Cn > 2$220 

Outras marcas l$800 » 2$000 

A nacional veudeu-se: a de Minas de :;s ;J0 a 3$S00 e a do Sul de 2s-'0ú 

a 2$50O. 

i"- quinzena 

Os preços foram os seguintes: 

Demagny, Isigny (latas sortida<) 2$520 a 8$530 

Brétel Fròres (latas sortidas) 2$300 » 2$320 

Lepelletier 2$ 480 » 2$ 

Modesto Gallone (sortidas) 1$850 s> 1$900 



A LAVOURA 



L. Brum . . . 
Busck. Júnior. . 
Marclet. . . . 
Outras marcas . 
A nacional vendeu-se: 
2*500. 



2*550 » 2$560 

2$400 » 8$450 

2$200 » 2$250 

I$800 » 2$000 

do Minas de 3$400 a 3.S600 o a do Sul do 2$200 

Géneros nacionaes 



A-S" uardente 

As entradas na primeira quinzena furam pequenas, ao mesmo tempo que o mer- 
cado consorvou-se com alguma procura e sahidas regulares. Assim sua posição 
tornou-se firme, dando-se alta nos preço*. 

Na segunda, conservou-se firme augmentando depois as oliertas do género a 
chegar, os preços baixaram, sem que os negócios se tornassem animados. 











1 


a quinzena 






pipa de 480 litros, base de 20 gráos: 


Campos 175S0OO a 180$000 


Angra . . . 












190$0ú0 » 195$000 


Paraty . . . 














195$000 » 2()0$000 


Maceió . . 


















185$000 » 190$000 


Aracaju . 


















185$0OO » 190*000 


Pernambuco 


















185$000 » 190|000 


Bahia. . . 


















180$000 » 1*5*000 


Parahyba . 


















185*000 » 190$000 


Laguna . . 


















170$000 » 175*000 


Itajahy . . 


















170$000 » 175$000 


Mangaratiiu 


















190|0 >0 » 195$00J 


Paranaguá . 


















1 70.5000 > I75$000 




" quinzena 


Campos 


170$000 a 175$000 


Angra . . 


















180$000 > 185$000 


Paraty . . 


















185$000 » 190$000 


Maceió . . 


















I75$000 » 1'":- 


Aracaju . . 


















175$O0O » 1S0$000 


Pernambuco 


















I75$000 » 180s000 


Bahia. . . 


















17OSOÕ0 » 175$000 


Parahyba . 


















175$000 » 180$000 


Laguna . . 


















. 170$000 » 175*000 


Itajahy . . 


















. 170$000 » 175$000 


Mangaratiba 








. . 








180$000 » 185$000 


Paranaguá . 


















170$000 s> 175$000 



!DADE MAC10NA] 



Álcool 

Na primeira quiazoua o mercado mantove-se om boa posição do estabilidade, 
tendo os preços obtido ligeira alta. A procura do ganoro foi mais desoa volvi da 
com sinidas regulareis. Na segunda houve baixi 1103 preços, mostrando-se o mer- 
capo bastante indeciso. 

V" quinzena 
As cotações foram as seguintes, por pipa, sem casco: 

40gráos. . . , 205$000 a 300$000 

S8 » 280|000 » 285$000 

36 » 270$000 > 275$000 

2 a quinzena 

40 gràos 290$000 a 295$000 

38 » ãTõ^OOO > 280$0u0 

36 > 265$O0O > 2?0$000 

Algodão em rama, 

Esteve até o dia 15 muito calmo o mercado deste producto, tendo-se realisado 
vendas a preços em grande disparidado com os centro3 produetores. Na segunda 
quinzena as noticias de Liverpool foram muito desanimadoras ; aqui os preços 
sustentaram-se bem. 

í" quinzena 

Fardos 

Existência no dia 15 de fevereiro 10.365 

Entradas : 

Pernambuco 7. 103 

Parahyba 4.310 

Mossoró 2.281 

Assú 1.923 

Maceió 1-450 

Natal 1.036 

Ceará 300 

Maranhão 199 18.632 

28.997 
Sahidas dos trapiches 10.037 

Existência no dia o 1 18.960 

Preços : 

Pernambuco I 2$ 3 00 a 12.^00 

Rio Grande do Norte 12$000 » 12$ 100 

Coará 12$000 » 12J400 

Parahyba 12$000 » 12?100 

Penedo — (Nominal), 
Sergipe — (Nominal) . 



2 a quinzena 

Fardos 

Existência no dia 29 de fevereiro . , 12.945 

Entradas : 

Mossoró 2.1 12 

Pernambuco 2.020 

Assú 1.200 

Natal. 1,148 

Parahyba 300 

Coará 300 

Maceió 300 

Maranhão 135 7.51o 

20.460 
Saliidas dos trapiches 10.095 

Existência, no dia 15 ■ ■ 10.365 

Pregos : 

Pernambuco 12$300 a IE$600 

Rio Graude do Norte 12s300 >• l?s<>0i> 

Ceará 12.S300 » lã$600 

Parahyba 12$300 » Lã$600 

Penedo— (Nominal), 
sorgipe — (Nominal). 

Assucar 

Os supprimentos continuaram avultados na primeira quinzena, tendo os preços 
soffrido baixa e maior parto do movimento realisado para liquidações. Na segunda 
quinzena esteve indeciso esto mercado. 

Os preços regularam como so segue : 

P quinzena 
Pernambuco : 

Branco usina $550 a $560 

» crystal y555 » $565 

» 3 a sorte s525 » $530 

Crystal amarello $4(30 » >?470 

Mascavinho $400 » $460 

Somenos s450 » $460 

Mascavo bom $340 » $350 

» regular $335 > $340 

Sergipe : 

Branco crystal S530 » $550 

Mascavinho $380 » $460 

Mascavo bom $349 >» s350 

» regular $330 » $335 

Branco crystal $550 » $560 

Mascavinho $440 » .s450 



132 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Bahia : 

Branco crystal* $570 » $590 

Santa Catharina : 

Mascavinho $360 » $380 

2 a quinzena 
Pernambuco : 

Branco usina $550 a $500 

» crystal s530 » $510 

» 3 a sorte $520 — 

Crystal amarello $440 a $470 

Mascavinho $360 » $400 

Somenos $420 » $430 

Mascavo bom $340 » $350 

> regular . s32ô » $330 

Sergipe : 

Branco crystal $530 » $550 

Mascavinho ^360 » $450 

Mascavo bom S340 » s350 

» regular 8325 » $330 

Campos : 

Branco crystal s5:íõ » s540 

Mascavinho $380 » $420 

Bahia : 

Branco crystal s550 » $570 

Santa Catharina : 

Mascavinho $350 » $370 

Cerea.es 

í a quinzena 

Feijão preto de Porto Alegre novo . . . . 18$000 » 1 8$500 

» velho 15$000 » 16$000 

» » de Santa Catharina .... — » 17*000 
» do Paraná — Não ha. 

» mulatinho . . . 19$000 a 20$000 

* manteiga 22$000 » 24$000 

» enxofre 18$000 » 20$000 

» de cores, nacional 1 4$000 » 16$000 

» branco, estrangeiro 20s000 » 2I$000 

» amendoim » — 19$000 

Farinha de mandioca especial 0$000 » 9$400 

> » » fina 8$000 » 8$500 

» » > peneirada .... 7$600 > 7$800 

» » » do Norte — — 

> » » grossa, Laguna . . 6$500 » 6$800 

> » » Porto Alegre . . . 6$800 » 7$000 



A LAVOURA 

Arroz nacional 25$000 > 28$000 

» inferior 18$000 > 22$000 

Milho amarello, do norte — Não ha. 

> » da terra 7$000 » 7$400 

» branco » » . 6$500 » 7$000 

Amendoim em casca 8$000 » 8$500 

Cangica . . . • 15$000 » 17$000 

Favas U$000 s» 11$500 

Kílograroma 

Alpiste $360 a $400 

Batatas nacionaes $160 » $200 

» estrangeira — Nominal . 

Fubá de milho $130 » $200 

Maite em folha . . . $400 » $500 

Tapioca $300 » $360 

Polvilho • . . . . -S200 » $220 

Carne de porco $960 » 1$000 

Línguas do Rio Grande (uma) 1$200 » 1$400 

2* quinzena 

Feijão preto de Porto Alegre novo .... 18$000 a 18?500 

» velho — — 

» » Santa Catharina — 17$000 

> Paraná — Não ha. 

» mulatinho 20$000 » 21 $000 

» manteiga 26$000 » 28$000 

» onxofre 18$000 » 19$000 

» de cores, nacional 14$000 » 16$000 

» branco extrangeiro 20$000 » 21$000 

» amendoim extrangeiro — l'.)$000 

Farinha de mandioca, especial 9$000 a 9$500 

» r, » fina 8$000 » 8$500 

» » peneirada 7$600 » 7$800 

> » mandioca do norte. . . .' . — — 

» » » grossa, Laguna. . . 6$500 » 6$800 

» » > » Porto Alegre. 6$800 » 7$000 

Arroz nacional 25$000 » 28$000 

» inferior 18$000 > 22$000 

Milho amarello, do norte — Não ha. 

» » da terra 7$000 » 7$20O 

» branco » » 6$500 » 7$000 

Amendoim em casca 8$000 » 8$200 

Cangica 14$000 » 16$000 

Favas 11$000 » 15$500 

Kilogramma 

Alpiste $360 a $400 

Batatas nacionaes $160 » $200 

» estrangeira — Nominal. 



134 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Fubá de milho $130 » $200 

Matte om follia $40u » $500 

Tapioca — — 

- Polvilho $200 » $220 

Carne de porto 1$000 » IslOo 

Línguas do Rio Grande (uma) I$lu0 » 1$300 

Fumo eui rolo 

O mercado esteve estável, realisando-se negócios regulares, com pequenas 

alterações nos preços. O movimento da segunda quinzena foi mais ou menos desen- 
volvido, sem alteração nas cotações da quinzena anterior. 

As cotações foram: 

i" quinzena 

Do Minis, especial 1$600 

» superior Is400 

» segunda 1$800 

» ordinário 1$000 

Goyano superior . 2$400 

» segunda 1$700 

Baixo — Nominal. 

Rio Novo, superior 8$400 

segunda li^OO 

» baixo 1$200 

Pomba, superior I$600 

» segunda 1*200 

» baixo — Nominal. 

Carangola 1$500 

Pieú, especial 2$800 

» primeira 2$000 

» segunda 1$200 

Bahia IslOO 

Pernambuco — Não ha. 

2 K quinzena 

De Minas, especial ]$G00 

» superior ]$400 

» segunda 1$200 

» ordinário ]$000 

Goyano, superior • . . . . 2$400 

» segunda . 1$700 

» baixo— Nominal. 

Rio Novo, superior 2$400 

» segunda l$800 

» baixo 1$200 

Pomba, superior 1$600 

» segunda 1^200 

> baixo — Nominal. 



A LAVOURA 13". 

Carangola lijSOO 

Picii, especial 2?800 

>» .primeira 2$000 

» segunda 1$200 

Bahia 1$100 

Pernambuco — Não ha. 
Fumo em folha : Rio Grande, de 15$ a 2o$000. 

Sal: entraram 3.283.506 por cabotagem do nacional que so cotou de 1$900 
a 2x000. 

AHRIL 

A.g-ixa.i.*clento 

Na primeira quinzena, o mercado de aguardente esteve frouxo e indeciso, sendo 
de suppor que se registre baixa nos preços ; as remessas foram regulares. 

Na segunda quinzena, continuou apathica tendo se realisado algumas vendas 
de pouca importância. Nessa mesma quinzena recebeu-se noticia da frouxidão do 
mercado do norte, de onde teem vindo offertas baixas e desencontradas. 

Os preços por -18 litros regularam : 

V a quinzena 

Campos 165$000 a 170$000 

Angra 175$000 » 180$000 

Paraty 165$000 » 170$000 

Maceió 165$000 » 170$000 

Aracaju lf.. r >$O0O » 170$000 

Pernambuco 170$000 » I75$000 

Bahia lc.5.§000 » 170$000 

Parahyba ÍOÕ^OOO » 170^000 

Laguna lr.5$000 » 170$000 

Itajahy . 170$000 » 175$000 

Mangaratiba 175$000 » 180$000 

Paranaguá 165$000 » 170S000 

2 a quinzena 

Campos 100$000 » 165S000 

Angra 170$000 » 175s000 

Paraty 175$000 » 180$000 

Maceió 160$000 * 165$000 

Aracaju 160x000 » 165$000 

Pernambuco 1<15$000 » 170$000 

Bahia 1 õõ$000 » 100$000 

Parahyba 160$000 » 105$000 

Laguna 160$000 » 1 050000 

It-ijahy KiiisOOO » 105$000 

Mangaratiba 170$000 » 175^000 

Paranaguá 160$000 » 165$000 

3124 10 



136 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Álcool 

Os compradores estiveram durante a primoira quinzena um tanto afastados, 
aguardando futuras evoluções do mercado; na segunda quinzena notou-se pouca 
procura para novos negócios, e os preços estiveram fracos o fecharam com baixa. 

í* quinzena 
Por pipa sem casco: 

40 gráos 280$000 a 290$000 

38 » 270$000 > 280$000 

36 » 260$000 > 270$000 

2* quinzena 

40 grãos 250$000 a 250$000 

38 » 235$000 » 240$000 

36 » 225$000 » 230$000 

Alyoilão em rama 

As noticias de Liverpool continuaram a ser desanimadoras ; apezar disso os 
preços sofifreram ligeira baixa por serem insignificantes as entradas nos portos de 
embarque do norte. 

Na segunda quinzena continuaram muito desanimadoras as noticias do estran- 
geiro. 

/ a quinzena 

Fardos 

Existência no dia 31 de março 18.960 

Entradas : 

Pernambuco 3.829 

Parahyba 1.970 

Ceará 1.700 

Mossoró 1.350 

Natal 200 9.049 

28.009 
Sahidas dos trapiches . . • 1 1 . 177 

Existência no dia 15 de abril 19.832 

Preços : 

Pernambuco 12S000 a 12$300 

Rio Grande do Norte 12$000 » 12$300 

Ceará 12$000 » 12$300 

Parahyba. . • Il$800 » 12$000 

Penedo — Nominal. 
Sergipe — Nominal. 



A LAVOURA 



2» quinzena 

Fardos 

Existência no dia 15 10.83:2 

Entradas : 

Maranhão 1.771 

Pernambuco 1.636 

Parahyba 1.236 

Ceará 751 

Assú 491 

Piauhy 25 5.910 

22.742 

Sahidas dos trapiches 8.436 

Existência no dia 30 14.306 

Preços : 

Pernambuco 1 1$500 a 12$000 

Rio Grande do Norte 11$500 » 12$000 

Ceará 1 1$500 » 12$000 

Parahyba 11$500 » 11$800 

Penedo — Nominal. 
Sergipe — Nominal. 

Assucar 

Na primeira quinzena de abril o mercado esteve frouxo, soffrendo os preços 
baixa em tudas as qualidades. Os únicos negócios dignos de nota foram feitos em 
crystaes amarellos, e um lote de mascavos. 

Durante a segunda quinzena o mercado deste producto esteve bastante movi- 
mentado, realisando-se transacções em todas as qualidades, cujos prejos foram 
elevados, fechando, porém, calmos. 

Os preços do mez continuaram como se segue : 

1 & quinzena 

Pernambuco: 

Branco usina — Nominal. 

Dito crystal $510 a $580 

Dito 3 a sorte — » $500 

Crystal amarello $440 » $460 

Mascavinho $360 » $460 

Somenos — Nominal. 

Mascavo bom $315 > $320 

Dito regular — » $310 

Dito baixo — — 

Sergipe: 

Branco crystal $500 > $520 

Mascavinho $360 » $450 

Mascavo bom $315 > $320 

Dito regular — $310 

Dito baixo — $300 



18 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Campos: 

Branco crystal S500 » $520 

Mascavinho $260 » $380 

Bahia: 

Branco crystal — $530 

Santa Catharina: 

Mascavinho — — 

2"- quinzena 

Pernambuco : 

Branco usina $530 a $540 

Dikx-rystal $520 » $540 

Dito 3" sorte $510 » $530 

Crystal amarello $450 » $460 

Mascavinho $400 » $480 

Somenos $-120 » $440 

Mascavo bom $335 » $320 

Dito regular $330 » $335 

Dito baixo $320 » §325 

Sergipe: 

Branco cry.stal $510 » $540 

Mascavinho $410 » $460 

Mascavo bom $335 » $340 

Dito regular $330 » $335 

Dito baixo $320 » $325 

Campos : 

Branco crystal $520 » $53C 

Mascavinho. . . , — — 

Bahia: 

Branco crystal $540 » $550 

Santa Catharina: 

Mascavinho $300 » $380 

Oereaes 



I a - quinzena 

Sacco 

Feijr.o preto de Porto Alegre, novo. . . . 18$500 a 19$000 

;> velho — — 

» de Santa Catharina 17$000 

» do Paraná 17$000 

» mulatinho 21$000 » 22$000 

» manteiga 26$000 » 28$000 

>. enxofre 20$000 > 21$000 

» de cores, nacional 14$000 » 16$000 

» branco oxtrangeiro — 20$500 

» amendoim » — 19$000 



A LAVOURA 

Farinha, do mandioca ospecial I0,j;500 » 1 1$500 

» » » fina 10$500 » 11$000 

» peneirada 9$000 » 10$0>» 

» do Norte — — 

» grossa, Lagana 7$800» 8{000 

» » Porto Alegre 7$800 » 8$000 

Arroz nacional 22$000 » 25$000 

» interior 14$OO0 » 18|000 

Milho amarello do norte — Não ha. 

» » da terra 7$000 » 7$800 

» branco » » 6$600 » 6$00) 

Amendoim em casca 7$500 » 7$000 

Cangica I6$OOo » 18$000 

Favas 11$500 » 12$000 

Kilograinma 

Alpiste $360 a $380 

Batatas nacionaes $140 » $160 

i> estrangeiras — Nominal. 

Fubá de milho $140 » $180 

Matte em folha $400 » $500 

Tapioca — — 

Polvilho ... $300 » $220 

Carne de porco $9J0 » LsOOO 

Línguas do Rio Grande (uma) 1x100 » 1$300 

Sacco 

Foijão preto de Porto Alegre, novo. . . . 18$000 a 18$5O0 

» velho — — 

» » de Santa Catuarina 17$003 » 18$000 

do Paraná 17,s000 » I8$O00 

» mulatinho IOsOjO » 20$000 

» manteiga 2ô$000 » 28$000 

» enxofre 19$000 » 20$003 

» de cores, nacional 14$000 » l(i$000 

» branco, estrangeiro 18$000 » 20$000 

» amendoim, » — 18$000 

Farinha de mandioca, ospecial 1 0** 00 » 11 $000 

» » » tina 9$000 » 9$500 

» » » peneirada 9$000 » 9$500 

» » » do norte 

>. >■ » grossa, Laguna ... r,$500 » 8$000 

» » » » Porto Alegre . 6$500 » 8$000 

Arroz nacional 23$000 « 27$000 

> intui ior 14$000 » 18$000 

Milho amarello. do norte — Não lia. 

» » da turra 0$õ00 » b$800 

>» branco da terra 6*000 » 6$200 



liO SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Amendoim em casca 7$000 » 7$2000 

Cangica 15$000 » l(i$000 

Favas 12$500 » 13$000 

Kilogramma 

Alpiste $360 » $380 

Batatas nacionaes $100 » $180 

» estrangeiras — Não ha. 

Fubá de milho $130 » $i00 

Matte em folha $400 » $500 

Tapioca — — 

Polvilho $180 » $820 

Carne de porco $760 » $860 

Línguas do Rio Grande (uma) l.$000 » 1$200 

Fumo em rolo 

As cotações do mez foram: 

De Minas, especial 1$600 

» superior 1$400 

» segunda 1$200 

» ordinário $800 

Goyano, superior ã$400 

> segunda 1$700 

» baixo — Nominal. 

Rio Novo, superior 2$400 

» segunda 1 $800 

» baixo 1$200 

Pomba, superior 1$000 

» segunda 1$200 

» baixo — Nominal. 

Carangola 1 $500 

Picú, ospeciai 2$800 

» primeira 2$800 

» segunda • . . . . 1$200 

Bahia 1x100 

Pernambuco — Não ha. 
Para as procedências do Rio Graude, o-< fumos velhos regularam de 15$ a 20$ 
e para os novos de 1 1$ a 15$ por arroba. 

Sal 

Entraram 7.404.465 kilos por cabotagem, do nacional que se cotou de 2$ a 
2$ 100 por 40 litros. 

Mercado monetário 

MARÇO 

A importância de ouro na Caixa de Conversão a 15 do março era: 

Libras esterlinas , . 5.711.041-10 

Fiancos , . 10.543.480 



A LAVOURA 1 

Marcos 4'JO 

Dollars 125.505 

Liras 2.650 

Coroas austríacas 110 

Pesos argentinos ........... 2.145 

Pesetas hespanholas 110 

Ouro nacional 107:100$000 

A importância de notas conversíveis em circulação era de 98.G92:740$000. 

EM 30 DE MARÇO 

Libras esterlinas . \ 5.659.253 

Francos 10.529.280 

Marcos 20 

Dollars 125.925 

Liras 3.790 

Coroas austríacas 110 

Pesos argentinos 2.150 

Pesetas hespanholas 110 

Ouro nacional , 113: 



A importância do notis conversíveis em circulação ora de 9.786: 170$000. 
O preço dos soberanos fora da Bolsa foi de 16$025. 

CAMBIO 

As taxas olliciaes foram as mesmas anteriores de 15 1/8 d. sobre Londres nus 
■rangeirus e 15 3/16 d. no do Brazil. As transacções bancarias tizoram-se 
a esses extremos e as do outro papel a 15 3/16 e 15 13/64 d., não se registrando 
movimento digno de nota. 

Na segunda quiuzena as t ixas uínciaes mantiveram-se inalteradas, como ni 
quinzena anterior, 15 1/8 d. sobre Londres nos bancos estrangeiros e 15 3/16 d. no 
Banco do Brazil. As transacções bancarias flzoram-se a esses extremos e as do outro 
papel a 15 3/16 e 15 13/64 d. não se registrando movimento digno de nota. 

Os extremos das cotações : 

Londres, 90 d/v, 15 1/8 e 15 3/16 d. 

Pariz, 90 d/v $629 a $632 

Hamburgo, 9) d/v $776 » $779 

Portugal, 3 d/v $325 > $336 

Itália, 3 d/v $639 » $640 

Nova York, á vista 3$295 » 3$330 

Vales, ouro — 1$793 

O valor offlcial de mil réis foi de 500 a 5í33 réis, ouro, o da libra do 15$803 
a 15$868. 

Ágio de ouro, 77,77 a 78,51 %. 



sm,:i..;dadk NACIONAL DK AHIíICUI.TI KA 



AHRIL 

A existência de ouro Da Caixa de Conversão a 15 de abril era : 

Libras esterlinas 5.592.498-10 

Francos 10.516.330 

Marcos "0 

Dollars 120. 237-50 

Liras 4.590 

Coroas austríacas 100 

Pesos argentinos 2.275 

Pesetas hespanhol is 240 

Ouro nacional 126:120$0Q0 

A 30 de abril: 

Libras esterlinas 5.572.736-10 

Francos . 10.510.730 

Marcos 70 

Dollars 126.212.50 

Liras 4.610 

Coroas austríacas 100 

Pesos argentinos 2.280 

Pesetas hespanholas 2 lo 

( luro nacional 125:260$000 

O preço dos soberanos fora da Bolsa foi de 16§ 125. 

CAMBIO 

As taxas officiaos mantiveram-se inalteradas como na quinzena anterior a 
15 1/8 d. sobre Londres nos baucos estrangeiros e 15 3/16 d. no Banco do Brazil. 

As transacções bancarias flzoram-se a esses extremos e as do outro papel a 
15 3/16 o 15 13/64 d. não se registrando movimento digno de nota. 

Os extremos das cotações foram 

Londres, 90 d/v 15 l/S e 15 3/16. 

Pariz, 90 d/v x629 a $63-1 

Hamburgo, 90 d/v s776 » s780 

Portugal, 3 d/v 325 » 330 % 

Itnlia. 3 d/v $638 » $640 

Nova York, á vi st» 3$395 » 3$310 

Vales, ouro 1.795 

O valor omeial de mil réis fui de 560 a 563, ouro, e o de libra de 15$S03 
a 15S80.S. 

Ágio do ouro 77,77 a 78,51 °/ - 



££&»$««€3 



BIBLIOGRAPHIA 



Temos recebido mais as seguintes publicações periodidas com as quaes de 
bom grado permutaremos : 

American Agriculturist, de Mova- York. — Vol. 81, n. 6. 

La Avicultura Pructica, órgão da Red Escola Official de Avicultura e da 
Sociedade Nacional de Avicultores, de Barcelona.— Anno XII, n. 137. 

Journal, do Departamento de Agricultura o de Instrução Teehuica da Irlanda. 
—8 o anno, n. 2. 

Qimrlerly Journal, da Universidade de Liverpool.— Vol. 111, n. 6. 

La Ensenanza Normal, do México.— Anno IV, n. 10. 

El Heraldo Agrícola, do México. — Tomo VIII, n. 3. 

El Progreso Horlicola, periódico para distribuição gratuitx, editado pela Casa 
Domingos Basso, de Montevideo.— N. 2. 

Boletim do Instituto Agronómico, de S. Paulo. Novo periódico que ora inicia 
sua piiblioção e destinado a prestar grandes serviços á agricultura como se de- 
preende de seu programma. Diz o seu director, I)r. Max Passon, no artigo — 
Ao Leitor — : o Boletim publicara mensalmente o relatório da actividade interna 
ilos labo/atoriLis c domais repartições do Instituto, as experiências nos jardins, nas 
plantações de café no Taquaral e no Campo de Demonstrações de Nova Odossa, 
acompanhadas de instrucções adequadas ; um quadro das observações meteoro- 
lógicas de cada mez, o calendário agrícola referente ao mezsubsjquenti, acom- 
panhado de conselhos prophylacticos contra os dimniíieidores animies e vegotaes 
e meios de combater os ji existentes. 

Revista do Museu Municipal de lguape. — Vol. I, n. 1. 

Revista Commercial.— Temos recebido os primeiros números desta revista 
que começou a ser publicada em Fortaleza. 

O Entomologo.— Recebemos o primeiro numero deste boletim mensal de ento- 
mologia agraria que se publica na capital paulista. 

Annuario de Estatística Demographo Sanitária, pelo Dr. Sampaio Vianna. — 
1906. 

Boletim da Intende-xcia Municipal. -^Volume correspondente aos meze3 de ou- 
tubro a dezembro de 1907. 



VArachide por Jean Adam, Editor AUiíiistin Challamel, rue J icob 17, Paris. 
E' o primeiro da ferie sobre as Plantas Oleiferas da Africa Occidental Franeeza. 
A presente obra que o editor teve a gentileza de nos enviar é um trabalho magni- 
ficamente impresso, ornado de boas gravuras e mappas, no qual, na opinião 
dos competentes, o assumpto 6 tratado de modo completo, recommendando-se por 
isso á leitura des interessados. 

La Patola pelo DoU. Tito Franchini, do R. Istituto Superioro Agrário di 
Perugia. 

3121 11- 



144 SOCIEDADE NACIOANL D 15 Ai.uu I.Tl l:.\ 

La Min • de Sal Gema de Zapaquira por António L. Armenta. — Bjgotá, 190S. 

A H C do Agricultor, pelo Dr. Dias Martins, 19(18, S. Paulo. O seu autor 
que é lente de liygiene rural da «Escola Agrícola Luiz de Queiroz» e a quem a 
literatura agrícola nacional deve outros trabalhos, diz no seu prefacio que 
este livrinho foi escripto em linguagem chã o, si accrescentarmos que nessa 
mesma linguagem o que é essencial ao agricultor que se inicia, vom tratado 
com proficiência, teremos feito o melhor elogio do útil opúsculo de propaganda 
popul.tr. 

A Leileria do Sul.— Boletim n. 11, do Centro Económico do Rio Granie do 
Sul. 

Liga Agraria Brasileira projecto por Labieno da Costa Machado de Souza.— 
S.Paulo, 1908. 

Arboretum Amazonicum, publicação do Museu Goeldi, 4 a década. 

Relatório, referente ao anno de 1907, da Sociedade Paulista do Agricultura, 
Commercio e industria. 

Relatório da Sociedade Brazileira para Animação da Agricultura. — 1908 
— 1907. 

Banquei offert par le Commerce et V Industrie à S. E. le Conseiller Rodrigues 
Alves. — Publicação da Société d'liconomie Industrielle et Commerciale. 

tolice sur les Feles donnees d Paris en 1907 en Vhonneur de S. E. le Conseiller 
Rodrigues Alves.— Publicação do Brésil. 

Escola Moderna, por Dário Velloso, Curitiba, 1907. 

Diário de Pernambuco, noticia bistorico-bibliographica por Alfredo de Car- 
valho. 

Republica de Cuba. — Informe de la Administración provisional, por Charles E. 
Magoon. Havana, 1908. 

Mensagem do Prefeito do Dislricto Federal, de 2 de abril de 1908. 

Relatório apresentado ao 2 o vice-presidente do Estado do Paraná pelo Se- 
cretario das Finanças, Commercio e Industria, em 31 de dezembro de 1907. 

Retrospecto Commercial do «Jornal do Commercio», de 1907. 



CATÁLOGOS 



Averg Company, Pooria, Illinois. 1908. 

Ahliengesellschaft fur Feld uni Kleinbahnen Bedarf vormals Oronstein 
& Koppel. Berlim. —Catalogo n. 000. 

Deere & Company, Moline, Illinois. (Arados, grades, cultivadores). Catalogo 
n. 29. 

Henry Rodgers Sons & C.« Machinismos modernos para fabricas de lacticínios, 
arados e machiuas para agricultura, etc. 



Novas aquisições da Bibliotheca : 

Indian Com Cullure, Charles S. Plumb, Chicago, 1893.— 1 volume. 

The Culture of Vegetables and Flowers, Sutton and Sons. Londres, 1 
volume. 



A LAVOURA li"' 

d la Pomme de Terre ladustrielle aí Fourragêre, Aimé Girard. Paris, 
18 (1.— 1 volume. 

Estas três ultimas obras foram offeroeidas polo Sr. Joaquim Pacheco. 

Police Sanitaire des Animaanpov A. Conte. J. B. Baillière et Fiis. Paris, 1906. 
— 1 volume. 

Aviculture por Charle3 Voitelier J. B. Baillière et Fils. Paris, 1905.— 1 volume. 

Apiculture ppr Robert Hommel. J. B. Baillière et Fils. Paris, 1906.— 1 vo- 
lume. 

Legislalion Rurale por Etienne Jouzier. J. B. Baillière et Fils. Pai'is, 1904. — 
1 volume. 

Les Serres Verg:rs por El. Pynaert, 5 a edição. Masson et C. 6 Paris, 1903. — 
1 volum?. 

Congrès des Caísses de Crédil Agricole Mutual tenu d Montpellier los 8 e 9 et IO 
janvier i904 . Coulet et Fils, Montpellier, 1904. — 1 volume. 

Catalogue Illustré et Descrijdif des Vignes Americaines por Louis Bazille e J. 
E. Planchon. Camille Coulet, Montpellier, 1885. — -1 volume. 

Les Viynobles d'Algerie por V. Pulliat. Massoa et C 9 . , Paris, 1898.— 1 vo- 
lume. 

L'Art de Faire le Vin por Fréderic Cazalis, 2 1 edição. Masson et C. Paris, 
1900. — 1 volume. 

Le Thé por Antoine Biétrix. J. B. Baillière et Fils. Paris, 1892.— 1 vo- 
lume. 

Selvicoltura Generale, por Vittorio Perona. Milão. Francesco Vallardi. 

La Conservazione dei Foraggi Freschi por D. Pioolini. Milão, Francesco Val- 
lardi. 

Le Gostruzione Rurali por A. Vantini. Milão, Francesco Vallardi. 

Allevamenlo dei Bachi e Collimzione dei Gelso pelo prof. N. Passerini. Milão, 
Francesco Vallardi. 

Guida perla Classificazione delle Piante por A. Zaccaria. Milão, Francesco 
Vallardi. 

Tecnologia Foreslale ed Ulilizzazione dei Boschi por P. Rizzi. Milão, Fran- 
cesco Vallardi.— 2 volunie3. 

Economia Rurale por O. Bordiga. Milão, Francesci Vallardi.— 2 volume3. 

Agraria por N. Passerini. Milão, Francesw Vallardi.— 2 volumes. 

II Riso ela sua Collimzione pelo Doctor D. Pinolini. Milão, Francesco Val- 
lardi . 



3124 — Rio da Janeiro — Imprensa Nacional — 1908 



ESTATUTOS 



CAPITULO ir 

DOS SÓCIOS 

Art. 8.° A socideade admitte as seguintes categorias de sócios : 

Sócios effectivos, correspondentes, honorários, beneméritos e associados. 

§ i.° Serão sócios effectivos todas as pessoas residentes no paiz que forem 
devidamente propostas e contribuírem com a jóia de 15$ e a annuidade de 20$ooo. 

§ 2.° Serão sócios correspondentes as pessoas ou associações, com residência ou 
sede no estrangeiro, que forem escolhidas pela Directoria, em reconhecimento dos seus 
méritos e dos serviços que possam ou queiram prestar á sociedade. 

§ 3. Serão sócios honorários e beneméritos as pessoas que, por sua dedicação e 
relevantes serviços, se tenham tornado beneméritos á lavoura. 

§ 4. Serão associadas as corporações de caracter official e as associações agrícolas, 
filiadas ou confederadas, que contribuírem com a jóia de '30$ e a annuidade de 5o$ooo. 

§ 5.° Os sócios effectivos e os associados poderão se remir nas condições que lòrem 
preceituadas no regulamento, não devendo, porém, a contribuição fixada para esse fim 
ser 'inferior a dez (10) annuidades. 

Art. 9. Os associados deverão declarar o seu desejo de comparticipar dos tra- 
balhos da sociedade. Os demais sócios deverão ser propostos por indicação de qualquer 
sócio e apresentação de dois membros da Directoria e ser acceitos por unanimidade. 

Art. 10. Os sócios, qualquer que seja a categoria, poderão assistir a todas as 
reuniões sociaes, discutindo e propondo o que julgarem conveniente ; terão direito a 
todas as publicações da sociedade e a todos os serviços que a mesma estiver habilitada a 
prestar, independentemente de qualquer contribuição especial. 

§ 1." Os associados, por seu caracter de collectividade, terão preferencia para os 
referidos serviços e receberão das publicações da sociedaJe o maior numero de exem- 
plares de que esta puder dispor. 

§ 2. O direito de votar e ser votado é extensivo a todos os sócios; é limitado, 
porém, para os associados e sócios correspondentes, os quaes não poderão receber votos 
para os cargos de administração. 

§ 3.° Os sócios perderão somente seus direitos em virtude de expontânea renuncia 
ou quando a assembléa geral resolver a sua exclusão por proposta da Directoria. 



ZREQ-TTLAIIVEIEnNrTO 



CAPITULO VI 
dos sócios 

Art. 18. A sociedade prestará seus serviços de preferencia aos sojíos e associados 
quando estiverem quites com ella. 

Art. 19. A jóia deverá ser paga dentro dos primeiros três mezes após a sua 
acceitação. 

Art. 20. As annuidades poderão ser pagas por prestações semestraes. 

Art. 21. Os sócios e os associados se poderão remir mediante o pagamento das 
quantias de 200$ e 500$, respectivamente, feito de uma só vez e independente da jóia, 
que deverão pagar em qualquer caso. 

Art. 22. Os sócios e associados não poderão votar, nem receber o diploma, sem 
terem pago a respectiva jóia. 

§ i.° O sócio que tiver pago a jóia e uma annuidade, poderá remir-se mediante 
a apresentação de 20 sócios, desde que estes tenham igualmente satisfeito aquellas 
contribuições. 

§ 2.° Para esse effeito o sócio deverá requerer á Directoria, provando seus direitos 
nos termos do paragrapho anterior. 

§ 3. Serão considerados beneméritos os sócios que fizerem donativos á sociedade, 
a partir da quantia de um conto de réis. 

Art. 23. Para que os sócios atrazados de duas annuidades possam ser considerados 
resignatarios, nos termos dos Estatutos, é preciso que suas contribuições lhes tenham 
sido solicitadas por escripto, até três mezes antes, cabendo-lhes ainda assim o recurso 
para o conselho superior e para a assembléa geral. 



SUMMARIO 



Exposição de animaes em Bello Horisonte 63 

Movimento agrícola pelo Estado de Minas 79 

As Escolas D. Bosco de Cachoeira do Campo 87 

A cultura dos cereaes 89 

Os italianos em Nova York 9 2 

Os italianos na Republica Argentina 95 

Expediente io3 

Noticiário ■ • n6 

Parte Commercial 125 

Biblioyraphia 143 



FAZENDA DA GAMELLEIRA 




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Anno XII — N. 5 



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horto fructicola 
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Capital Federal 





SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Fundada em 16 de janeiro de 1897 

Caixa-postal, 1245 Sede: Ruas da Alfandega 11. 102 

Endereço Telegraphico, AGRICULTURA e General Camará n. 105 

Telephone n. 1416 M° n« janeiro 

DIKHOTORIA 

Presidente — Dr. Wencesláo Alves Leite de Oliveira Bello. 

i° Vice-presidente — Vagi 

2° Vice-presidente — Dr. Sylvio Ferreira Rangel. 

|,i, ■■ 1 lente Dr. Domingos Sérgio de Carvalho. 

Secretario Geral — Dr. Heitor de SA. 

1° Secretario — Dr. Francisco Tito de Souza Reis. 
2° Secretario — Dr. Benedicto Raymundo da Silva. 
3 o Secretario — Dr. José Ribeiro Monteiro da Silva. 
4" Secretario — Albe"rto de Araújo Ferreira Jacobina. 

i° Thesoureiro — Dr. João Pedreira do Couto Ferraz Júnior. 

2 o Thesoureiro — Carlos Raulino. 

DlreotDres das Socçôes 

Fazenda de Santa Mónica Dr. Sylvio Rancei. 

Applicações do Álcool e Museu Dr. Benedicto Raymundo. 

Secção Tecli nica e Bibliotheca Dr. Heitor de Sá." 

Plantas e sementes e Horto da Penha . . Dr. Monteiro da Silva. 

Propaganda e estatística Alberto Jacobina e Carlos Raulino. 

Secretaria Dr. Souza Reis. 

Thesouraria Dr. Pedreira Júnior. 

Oollaboração 

Serão considerados collaboradores não só os sócios como todos que quizerem ser- 
vir-se destas columnas para a propaganda da agricultura, o que a redacção muito 
agradece. A lista dos collaboradores será publicada annualmente com o resumo dos 
trabalhos. 

A redacção não se responsabilisa pelas opiniões emittidas em artigos assignados, e 
que serão publicados sob a exclusiva responsabilidade dos autores. 

Os onginaes não serão restituídos. 

As communicações e correspondências devem ser dirigidas á Redacção d'A LA- 
VOURA na sede da Sociedade Nacional de Agricultura. 

A LAVOURA não acceita assignaturas. 

E' distribuída gratuitamente aos sócios da Sociedade Nacional de Agricultura. 

< :<iiiiIIi.'<*m'n <Ia publicação «los sinnuncios 

1 ! Ml IA pagin \ uma pagina 

I I2$000 

3 . . 30$ooo 51 i$i b 11 1 

o so$ooo 

12 ooífooo l ;< 1$ 

Os annuncios são pagos adeantadamente. 

Tiragem 5.000 exemplares 



SUMMARIO 

PAGS. 
Resumo histórico da Sociedade in- 
justa homenagem i : o 

Homenagem lo Dr. Bello 181 



90 



Horto Iructicola da Penha 

^dul 1 io na Fazenda de S. Mónica 

A vida rural 208 

Expediente 210 

Noticiário 217 

Parte Commercial 220 

Bibliographia 231 




{ESIDEMTE l>\ SOCIEDADE NACIOXA.L Dl V.lilM 
I Si II II i III M Ml.1,'1 I l I 



■ 






Í3Í 



Anno XII - N. 5 



Rio de Janeiro 



Maio de 1908 



EDITORIAL 



Sociedade Nacional de Agricultura 



L1BRARY 
NEW YORK 
BOTA NIC AL 

UaRDEN. 



RESUMO HISTÓRICO 

Seja-nos permirtido abrir um parenthese nesta serie de artigos de 
fundo, com que temos mantido a nossa revista desde que tivemos a 
honra de dirigir a sua confecção, como director da Secção Technica 
desta Sociedade. 




Secção de plantas e sementes 

Lançados sobre assumptos technicos, que nos dizem respeito no 
vasto campo agrícola, pelas pennas dos distinctos e competentes colle- 
gas de directoria, perdoem-nos desta vez os nossos benévolos consócios 
e leitores a inserção das presentes linhas, a par da incompetência de 
fazermos um ligeiro retrospecto da vida da Sociedade Nacional de 
Agricultura, tarefa muito mais cabível a outros directores, de longo 



S0C3EDADB NACIONAL DE AGRICULTURA 



tirocínio e relevantes serviços nesta casa de trabalho incessante, com 
ardor desinteressado, pelo bem da grande fonte de riqueza da nossa 
pátria. 

Um dever, porém, nos impelle a tal e é o do nosso posto, que 
nos foi designado, e o do cargo que occupamos na directoria. 

Escolher este assumpto e não outro technico, foi também obrigação 
que se nos julgou devida pelas razões que passaremos a recordar. 

Um anno faz que esta revista tomou a nossa direcção e pouco 
mais que fomos eleito secretario geral ; tempo é pois de relatar os factos 
da vida da Sociedade na historia da agricultura brasileira. Ainda accresce 
a proximidade de uma exposição á qual vae concorrer esta Sociedade, 
destacada por seu pavilhão especial. 




Secção do álcool 
Razões são bastantes as que acabamos de mencionar para dedi- 
carmos o presente numero á exposição de nossa vida social e salien- 
tarmos os factos que actualmente mostram o grau de desenvolvimento 
a que chegou a Sociedade Nacional de Agricultura, depois de onze annos 
de lutas e trabalhos patrióticos. São estes modelados pelo ideal da 
emancipação económica do paiz, por meio da emulação da classe agrí- 
cola e da defesa de seus interesses. 



Haja á vista os valentes esforços que está fazendo a Sociedade para 
bem representar-se na Exposição Nacional de 1908, afim de mostrar, por 
este lado, o que já tiver produzido em favor da classe agrícola e por 
outro que não descança, organizando para a mesma occasião o seu Se- 
gundo Congresso de Agricultura, que acudirá ás necessidades actuaes da 
lavoura. 




Longo tempo decorreu desde a emancipação politica do Brasil antes 
que alguma associação se fundasse na capital do paiz para tratar dos 
interesses agrícolas, apparecendo somente na phase actual, da Republica, 
esta Sociedade Nacional. Precedeu-a de longa data, 27 annos, a Socie- 
dade Auxiliadora da Agricultura de Pernambuco, o que muito destacou 
a lavoura daquelle Estado, por ter sido a precursora do movimento agrí- 
cola no Brasil. 

Uma houve antes destas e foi a Sociedade Auxiliadora da Industria 
Nacional, cuja vida teve inicio antes do meiado do século passado e 
que se dedicou um pouco á agricultura. Está hoje transformada em o 
Centro Industrial do Brasil. 

Teve também outrora a agricultura um campo de acção nos comícios 
que se realizavam com exposições e ensaios de instrumentos agrários. 



SODTKnADE NACIONAL DF AORIOJLTUPA 



Em boa hora fundada por um grupo de patriotas, em 16 de janeiro 
de 1897, entre os quaes figuraram os Drs. Ennes de Souza, Campos da 
Paz, Germano Vert e Carlos Travassos, a nossa Sociedade veiu abrir 
de vez a era de desenvolvimento agrícola do paiz, por sua tenaz propa- 
ganda. E' de admirar que só tão tarde isto acontecesse, tratando-se da 
grande e magnânima industria que restitue ás centenas as sementes que 
são lançadas no seio da terra ; de incomparável superioridade a todos os 
ramos da actividade humana. Basta lembrar o trabalho que é perdido 
para aproveitamento das forças motrizes nas demais industrias. 

Vem de molde salientar aqui a fundação da Sociedade Brasileira 
para Animação da Agricultura, em Paris, a 10 de junho de 1895, por 
um grupo chefiado pelo Dr. Assis Brasil, que de longe se lembrou 
das necessidades da lavoura de sua pátria. 

Apesar de todos os conceitos favoráveis, é custoso o desenvolvi- 
mento da agricultura e mais ainda a sua reforma, o seu aperfeiçoa- 
mento. Não poucos hão sido aquelles que a teem encarado devida- 
mente desde a antiguidade, como Cicero, Columella, Sully, Cromweli, 
até aos nossos coevos, bem distinctos aliás, considerando a agricultura 
como a fonte principal de todas as riquezas; e até mesmo na mente 
de revolucionários, como Saint Just, ella é aquinhoada com a phrase 
criteriosa de que só um povo agrícola pôde ser forte e virtuoso, quando 
elle sustentava suas idéas sobre instituiçSes republicanas. 

A America do Norte só por si é um bello exemplo em boa occasião 
apontado ao mundo por Washington. 

E' preciso levantar o nivel moral para alcançar taes commettimentos 
em beneficio da humanidade. 

Tal é a honrosa missão da Sociedade Nacional de Agricultura. 

Quaes os resultados já obtidos, quaes os trabalhos feitos, quaes as 
idéas lançadas , qual a propaganda continua, durante este período de 
onze annos de vida laboriosa, eis o que vamos examinar. 

Já o illustre Dr. Wencesláo Bello, quando secretario geral, relatando 
os trabalhos effectuados durante o a nno de 1899, dizia que longa era a 
existência da Sociedade com três annos de vida. Que diremos nós agora 
com mais oito de existência penosa e entrecortada de dificuldades de 
toda sorte, sem fallar no combate constante em favor das idéas ade- 
antadas, que tanto custaram a calar no espirito dos interessados, apezar 
de malhadas na bigorna do altruísmo, do desinteresse e do patriotismo 
da Sociedade Nacional de Agricultura. 

Assim é verdade infelizmente ; muito lenta e custosa é a propaganda 
em uma classe que não visa a união, e em que lavra o desanimo pelos 



A LAVOURA 



revezes que lhe causa a especulação. Mas apezar de tudo o horizonte já se 
vae desanuviando deante das iniciativas publicas e particulares, bem 
orientadas, assumindo sempre a Sociedade o posto de centro de defesa 
dos interesses agrícolas nacionaes. 

Por seus órgãos de publicidade, como sejam o periódico mensal 
qA Lavoura, com seus respectivos supplementos, a serie de folhetos 
de propaganda agrícola, além de innumeras publicações technicas e admi- 



1 wWÈLXJEBksémmÊ 




use 


#3» 



nistrativas, tem sabido sempre a Sociedade corresponder á boa vontade de 
seus sócios e aos auxílios do governo, mais directos desde o tempo do Pre- 
sidente Campos Salles, enumerando os seus feitos em prol de seus desígnios. 
Correndo anno por anno e compulsando os períodos em que agiram 
as differentes directorias, vamos ver os trabalhos que por sua iniciativa 
tiveram saliência e proficuidade. 



I89 i r — Iniciados os trabalhos da Sociedade Nacional de Agricul- 
tura, em 1 6 de janeiro de 1897, ficou a sua administração a cargo da se- 
guinte directoria, depois das necessárias combinações para a sua boa gestão: 

Presidente — Dr. Ennes de Souza . 

i° Vice-Presidente — Dr. Vaz Pinto Coelho. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



1° Vice-Presidente — Dr. Campos da Paz. 

Secretario Geral — Dr. Germano Vert. 

i° Secretario — Dr. Jacy Monteiro. 

•2 o Secretario — Dr. Sérgio de Carvalho. 

i° Thesoureiro — Dr. Joaquim Tavares Guerra. 

i° Thesoureiro — António Gomes Paz. 

Teve installação condigna em salão da Escola Polytechnica, sendo 
dirigida por um regulamento, que cuidava sobre todos os assumptos 
internos e tendo por base o bem da agricultura nacional e occupando-se 
de todos os assumptos que pudessem trazer o progresso agjj.ola da Re- 
publica dos Estados Unidos do Brasil, entendendo-se por de' tudo que 
possa referir-se ás aguas e florestas, aos assumptos agrários, a~ e íltura do 
solo, á creaçao e ás industrias ruraes . 

De prompto desenvolveram-se as suas forças graças aos bc - en ieritos 
esforços do Dr. Ennes de Souza, que, como director da Casa d 'oeda, 
daquella época, agazalhou provisoriamente a Sociedade nesta a de 
trabalho omcial e fez imprimir o seu boletim mensal, a começar d julho 
deste anno, nas officinas do referido estabelecimento. 

Neste boletim bastante collaboraram a directoria e muitos membros 
honorários e do Conselho Superior. Também figuram neste período, re- 
presentando papel saliente, o presidente e os vice-presidentes honorários 
Srs. Dr. Luiz Pereira Barreto, Frederico Albuquerque e Pedro Soares 
Caldeira. Houve que lamentar a perda do i.° vice-presidente honorário 
em 3 de novembro e por esse tempo mais as do i. a vice-presidente hono- 
rário, a do Dr. Collatino Marques de Souza, as dos Drs. António Seve 
Navarro, Manoel Leite de Novaes e Mello e do major Manoel de Freitas 
Novaes, membros distinctos do Conselho Superior e que grande falta 
fizeram aos labores da Sociedade. 

Apezar porém,de contrate mpos,os resultados da propaganda fizeram- 
se sentir neste anno, pois a 18 de setembro foi aberta a 2 a exposição 
agrícola e o primeiro concurso regional, promovidos pela Commissão de 
Agricultura do Districto Federal, da qual era presidente o Dr. Ennes de 
Souza. Foi encerrada a 3o do mesmo mez, funccionando no prado do 
Turf-Club e devendo o apoio de sua iniciativa a esta Sociedade. Teve a 
melhor concurrencia e os melhores resultados que se podiam desejar 
naquelle momento. 

Sob a influencia benéfica da Sociedade foram inauguradas duas 
associações no mez de julho ; primeira, Sociedade Agrícola e Pastoril da 
Bahia ; segunda, Sociedade Agrícola Pernambucana . A Sociedade Agrí- 
cola Fluminense foi logo depois, em 8 de agosto, fundada do mesmo 



modo, bem como, a i5, a Sociedade Estadoal de Agricultura do Paraná. 
Finalmente a 17 de novembro foi instalada a quinta, a Sociedade Agrícola 
de Rezende, sendo estas duas ultimas filiadas á Sociedade Nacional. 
Ainda teve a directoria da Sociedade por essa occasião noticia da formação 
da Sociedade Cearense de Agricultura, sendo estes os effeitos da expansão 
de sua propaganda. 

Apezar de bons fructos colhidos durante o anno, terminou elle com 
desintelligencia entre a directoria, o que é doloroso mencionar, attento o 
gráo de desenvolvimento a que tinha chegado a Sociedade, brilhante- 
mente chefiada pelo distincto mestre Dr. Ennes de Souza, muito embora 
tivesse sido a mesma Directoria confirmada em suas funcçóes por um 
voto da assembléa geral extraordinária de 18 de dezembro de 1897. 

1898 — Aberta a divergência entre os membros da Directoria, 
ficou acephala a direcção da Sociedade, tendo sido instaurado processo 
contra os que motivaram esse incidente, com o fim de haver o patri- 
mónio, o qual processo foi julgado a 3o de janeiro, dando razão áquelles 
que conseguiram reunir assembléa geral em 7 de fevereiro para organi- 
zação da 2 a Directoria, que ficou assim completada : 
Presidente — Dr. Moura Brasil. 
i°. Vice-Presidente — Dr. Campos da Paz. 
2 o . Vice-Presidente — Dr. Joaquim Carlos Travassos. 
Secretario Geral — Dr. Germano Vert. 
i°. Secretario — Dr. Eurico Jacy Monteiro. 
2 o . Secretario — Dr. Sérgio de Carvalho. 

Os i.°e 2. Thesoureiros, devido naturalmente á questão havida, 
tendo-se esquivado ao convite de prestação de contas, foram substituídos 
pela Directoria com a nomeação interina do Dr. Fábio Leal, para 
seu Thesoureiro, emquanto não interviesse solução judiciaria final. Já 
tinham sido antes approvados em sessão de i5 de janeiro o Regula- 
mento e o Regimento Interno, estipulando uma contribuição para os 
sócios em substituição á importância com que contribuição para o 
Boletim . 

Tratando da reorganização dos serviços, a presente Directoria con- 
seguio installar-se em salas da Repartição de Estatística, gentilmente 
cedidas pelo Dr. Sebastião de Lacerda, então Ministro da Indnstria, 
tendo antes havido sessões no Lycèo de Artes e Officios e na Associação 
Commercial. 

Pelo mesmo Sr. Ministro foi concedida a impressão do Boletim 
"A Lavoura" na Imprensa Nacional, o qual foi regularizado, quanto 
possível, pela commissão de redacção, nomeada na sessão de Directoria 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



de i3 de abril, sendo Presidente o Dr. Fábio Leal. Houve, porém, 
neste anno dualidade dessa Revista, pois que os outros membros da 
Directoria passada, não se conformando com as decisões legaes, fizeram 
imprimir o Boletim durante esse mesmo tempo. Muito justo foi o titulo 
de sócio honorário conferido ao Sr. Dr. Sebastião Lacerda, pois que só 
como correr dos annos é que os serviços são devidamente avaliados. 
Assim é que ainda hoje goza a Sociedade do favor de ser o seu Boletim 
feito na Imprensa Nacional. 

Mais outros títulos de sócios honorários foram conferidos na sessão 
de 4 de abril, em numero, que foi elevado depois, de 16, sem contar 
o illustre Dr. Pereira Barreto, Presidente honorário. Teve também um 
dos primeiros títulos de sócio honorário o Barão de Capanema que 
fez conferencias brilhantes na sede da Sociedade. Os cargos de vice- 
presidentes honorários não foram preenchidos, sendo para referir que 
como sócia benemérita foi contemplada com justiça a Exma. Sra. 
D. Veridiana Prado, pelos reaes serviços prestados por occasião das 
exposições de Viticultura de S . Paulo e Rio de Janeiro, de uvas culti- 
vadas na chácara de Pirituba, promovida a ultima por esta sociedade 
e realizada nos dias 3 a 6 de março no edifício da Prefeitura Municipal. 
Esta exposição, na qual se salientou o Dr. Campos da Paz, deu em 
resultado a demonstração de que a viticultura se pôde nacionalizar no 
Brasil, como foi proclamado no paize no estrangeiro. Pelo mesmo Dr. 
foram mandadas 6 collecções de photographias das uvas, para serem re- 
produzidas em jornaes da Allemanha . 

Tratando de regularizar os trabalhos internos, a Directoria, envi 
dando esforços para as respectivas entradas, conseguio inscrever 440 so 
cios, dos quaes 165 satisfizeram as suas annuidades. Organisou com- 
missões particulares e methodizou o serviço para ter posterior desen- 
volvimento. Mesmo assim foram distribuidas sementes, foi novamente 
começado o museu, foram dados á publicidade diversos trabalhos das 
commissões sobre assumptos de momento, não foram descuradas as con- 
ferencias hebdomadarias, a principio no Lycêo de Artes e Officios e 
depois na Estatística . Deu alarme da peste dos suinos e da invasão do 
phylloxera, motivando providencias officiaes . Tal foi o empenho da re- 
ferida Directoria para assignalar o inicio da segunda phase da Sociedade 
Nacional de Agricultura . 

189» — Herdando ainda a lucta do direito a que se julgava a 2. a 
Directoria dos bens da Sociedade, que estavam na Casa da Moeda, o 
novo anno começou entre os ardores dessa lucta e a manutenção dos 
membros que tinham divergido 12 mezes atrás. 



A LAVOURA 155 

Até que emfim a justiça fez-se em 3 de abril, tendo esta Sociedade 
cabal satisfação de todos os seus direitos. 

Cahiu esta louvável sentença entre as mãos da 3 a directoria, eleita 
em assembléa geral de 21 de fevereiro. 

Ficou assim organizada : 

Presidente— Dr. .Moura Brasil. 

t." Vice-Presidentc — Dr. Campos da Paz. 

•2.° » » — Dr. Carlos Travassos. 

Secretario geral — Dr. Germano Vert. 

i.° Secretario — Dr. Jacy Monteiro. 

2.° » — Dr. Aristides Caire. 

r.° Thesoureiro — -Dr. Fábio Leal. 

i.° i> — Barão de Aguas Claras . 

A redacção d 1 .! lavoura ficou a cargo de uma commissao, tendo 
por presidente o Dr. Fábio Leal e por secretario o Dr. G. Vert 

Tendo renunciado a 7 de março o Dr. Germano Vert, por ausen- 
tar-se para S. Paulo, apesar dos reiterados pedidos da directoria, em 
attenção aos seus valiosos serviços desde o inicio da Sociedade, foi em- 
possado no cargo de secretario geral o Dr Wencesláo Bello, que era 
até então membro do Conselho Superior. 

Pouco tempo depois, a 29 de maio, foi roubado á vida o illustre 
Dr. Campos da Paz, que relevantes serviços prestou, desde o começo 
da Sociedade, não só a esta como ao paiz, que se honrou de possuil-o 
entre os seus scientistas agrícolas. O seu melhor livro — Manual Pratico 
do Viticultor Brasileiro — teve a mais larga distribuição por muitos 
Estados, como justa homenagem ao seu mérito. 

Continuaram as providencias acertadas por influencia da presente 
directoria contra o phylloxera das vinhas, tendo sido o foco primeiro 
em S. João d 1 El-Rey, cujo presidente da Camará, Dr. Joaquim Leite 
de Castro, auxiliado pelo Dr. Álvaro A. da Silveira, deu um bello 
exemplo de zelo e patriotismo, fazendo queimar na praça publica 
todas as plantas contaminadas existentes. Estudos dos entendidos e actos 
do Governo vieram contribuir para minorar o mal, vendo a Sociedade 
attendidas suas solicitações . 

Outra epidemia foi a peste dos suinos, mais tarde classificada de 
pneumo-enterite, a qual provocou iguaes cuidados da directoria, pedindo 
providencias aos poderes públicos de Minas, S. Paulo, Rio, Espirito 
Santo e da Capital . 

Foram organizadas instrucçóes que ainda hoje servem de precaução 
contra os prejuízos desta peste. 

«03 2 



SOCIEDADE NACIONAL DG AGRICULTURA 



Labutou a directoria no sentido de assegurar meios que defendessem 
a lavoura da crise que atravessava, com a adopção do ensino agrícola 
pratico e do credito agrícola. Tratou em seguida das tarifas das estradas 
de ferro, elemento vital da agricultura, chamando a attenção em primeiro 
logar da Estrada de Ferro Central e conseguindo reducção, depois da 
segundo investida, o que foi de grande proveito, principalmente para os 
cereaes. 

Atacou com interesse o melhoramento da cultura do café e do seu 
commercio. Deu attenção aos trabalhos internos sobre informações, se- 
mentes, publicações, etc, desenvolvendo-os mais do que no anno an- 
terior, e elevando o numero de sócios a 562 . Acolheu diversos trabalhos 
technicos de reconhecida vantagem e produzidos por distinctos sócios. 

Em cumprimento de sua árdua missão, conseguiu a directoria que 
em ao de dezembro o Ministro da Industria, Dr. Severino Vieira, en- 
tregasse á Sociedade a Fazenda Grande da Penha, em Irajá, que era 
-explorada como Horto Vitícola para a organização dos campos de es- 
tudo e ensino agrícola pratico . 

No mesmo sentido envidou esforços para que fosse entregue a 
Fazenda de Santa Mónica, em Valença, alcançando de egual sorte do 
Sr. Ministro da Fazenda, Dr. Joaquim Murtinho, a publicação na im- 
prensa Nacional de folhetos de propaganda. 

Não esquecendo a grande data que ia ser commemorada no anno 
de 1900, da descoberta do Brasil, a sociedade entendeu bem de fazer um 
Congresso de Agricultura e Industrias Ruraes e respectivo Museu, a 
realizar-se em 14 de julho de 1900, estudando os meios de leval-o a 
effeito e confeccionando o seu programma. 

Com um anno de tão fecundos trabalhos, a Sociedade abria nova 
era promissora das mais ridentes recompensas. 

ÍOOO — Proseguindo na sua rota de propaganda, a mesma dire- 
ctoria resolvepublicar em folhetos, para distribuição gratuita, a confe- 
rencia do Dr. Germano Vert, sobre «o gado e a lavoura» (n. O) e a do 
commandante José Carlos de Carvalho sobre o «café e algodão» (n. 7). 

Esta.série já tinha sido começada com cinco folhetos sobre diversos 
assumptos, como n. 5 — i S99 — O preparo do silo, pelo Dr. Wencesláo 
Bello ; n. 4 — 1899— Moléstia do cafeeiro, pelo Dr. Aristides Caire ; n. 3 — 
1898 — Alimentação do vegetal. Conferencias pelo Dr. Germano Vert ; 
n. 2 — 1898 -r- Industria Partoril — Conferencia pelo Dr. Carlos Travassos 
e n. 1 — 1898 — Viticultura. Exposição Vitícola de S. Paulo — Re- 
latório apresentado ao Governo do Estado de Minas Geraes pelo Dr. 
Campos da Paz. 



Al LAVOl l: V 107 

Alguns destes assumptos e outros foram tratados com brilhantismo 
em conferencias feitas na sede da Sociedade. 

Foram aventadas e bastante discutidas as questões relativas á intro- 
ducção de immigrantes japonezes em nosso paiz, a qual só hoje vae ter 
realização, podendo ter sido tratada por occasião da ida do commen- 
dador Sanz de Elors ao Japão, para fazer propaganda do café brasi- 
leiro . A directoria tentou mesmo introduzir os immigrantes em Santa 
.Mónica . 

Em sessão de directoria de 20 de fevereiro, foi confirmada a assigna- 
tura do termo da cessão dos objetos pertencentes ao Centro Agrícola da 
Vargem Alegre, pela Secretaria das Obras Publicas do Estado do Rio, de 
accòrdo com autorização legislativa, e obedecendo a certas clausulas de 
obrigações por parte da Sociedade. Mui justamente tornou-se a directoria 
grata á Assembléa e ao Governo do Estado do Rio, na pessoa do-Exm. 
Sr. Dr. Alberto Torres, sendo a este ultimo conferido o titulo de sócio ho- 
norário. Por essa accasião, a 10 de fevereiro, era entregue a fazenda de 
Santa Mónica pelo Sr. Ministro da Industria, o Dr. Alfredo Maia, sendo 
alcançada também por esse tempo, de accòrdo com o director da Estrada 
de Ferro Central, a concessão de passe annual para três directores da So- 
ciedade e de frete gratuito a Santa Mónica para todos os objectos 
agrícolas a ella destinados. Houve, portanto, um bom inicio de exploração 
da Fazenda com os apparelhos do Centro da Vargem Alegre, que foram 
destinados a esse fim, e com um credito do qual só foi apurada a quantia 
de cerca 60 : ooo$ooo, em virtude dos revezes do Banco do Brasil. 

Agiu até meiadodo anno a directoria transacta pela dificuldade 
de reunir a Assembléa Geral, o que se deu finalmente em julho, 
sendo eleita a nova e feitos augmentos de directores pelas necessidades 
dos serviços, como se vê, havendo a suppressão do cargo de secretario 
geral : 

Presidente — Dr. Moura Brasil. 

Vice-Presidente — Dr. Cândido Barata Ribeiro. 
» » » Fábio Nunes Leal . 

í » — Barão de Aguas Claras. 

Secretario — Dr. Eurico Jacy Monteiro. 

» d Domingos Sérgio de Carvalho. 

í 1 Amaro Ferreira das Neves Armond . 

Director de Culturas — Dr. Aristides Caire. 

» da Propaganda — Dr. Wencesláo de Oliveira Bello. 

i°. Thesoureiro — Alberto Jacobina. 

2". s António Maximino Pinto e Souza. 



loS SOCíKDADH NACIONAL DK AGRICULTURA 

A Fazenda de Santa Mónica ficou a cargo do D:. A. Caire e a 
da Penha sob a direcção do Dr. Jacy Monteiro. 

A redacção dM Lavoura ficou com o Dr.W. Bello, como redactor- 
chefe e o Dr. Sérgio de Carvalho, como secretario. 

Sendo installado o serviço na Fazenda de Santa Mónica, foi cila 
muito visitada, obedecendo ao cuidadoso programma da directoria. 
Entre ai visitas importantes salientam-se as do Ministro do Japão e do 
Dr. Alberto Torres, presidente do Estado do Rio. 

Aquelle mostrou-se tão satisfeito que disse envidar esforços para a 
vinda de famílias japonezas para o Brasil, mesmo á custa do governo 
do seu paiz, ou de qualquer particular. Este declarou sentir muita satis- 
fação por tudo que via, providenciando para que viessem alguns appa- 
relhos e instrumentos que se achavam ainda em Vargem Alegre . 

A idéa lançada no anno anterior da fundação de um Museu fo; 
acolhida com boa vontade, quer no paiz, quer no estrangeiro, sendo 
recebidos muitos specimens. A difhculdade, porém, de casa para a sua 
installação tem motivado o retardamento da execução desse objectivo, 
muito embora a directoria tenha envidado esforços para obter a casa por 
via official. O mesmo aconteceu ao Congresso de Agricultura. Entre 
outros productos recebidos salientam-se os da Sociedade Estadoal de 
Agricultura do Paraná, que obtiveram successo no Palácio do Congresso 
do Estado, quando alli expostos, sendo distribuidos por tal occasião 
prémios em medalhas e menções honrosas. 

A Fazenda de Santa Mónica foi accrescida com os apparelhos do 
laboratório chimico e meteorológico enviados pela Secretaria das Obras 
Publica6 do Estado do Rio, em 29 de outubro, e pedidos pela directoria 
para iniciar trabalhos de analyses e observações. 

Pelo fim do anno foi o Dr. Moura Brazil, na qualidade de presidente 
da Sociedade, agraciado com o diploma de sócio da Sociedade Rural 
Argentina, facto que assignala o desenvolvimento das relações da Socie- 
dade no estrangeiro, tendo sido nomeados em retribuição sócios corres- 
pondentes os Srs. presidente e secretario daquella Sociedade. 

Pela mesma occasião foi acceito pela directoria um donativo de doze 
contos em apólices municipaes concedido pelo Conselho Municipal, para 
auxiliar os trabalhos da Fazenda Grande da Penha. 

Foi autorizada também a impressão dos diplomas de sócios, ado- 
ptando-se o original com pequenos accrescimos, do primitivo diploma, 
feito na Casa da Moeda. 

Terminou o anno com a Exposição de uvas, procedentes da chácara 
do Dr. Aristóteles Gomes Calaça, originada pela de 1898, most-ando 



um esforço e devotamente em prol do desenvolvimento da viticultura 
brazileira. 

Foram discutidos durante o anno diversos assumptos importantes, 
da occasião, como por exemplo o projecto de locação de serviços sus- 
tentado pelo Senador Moraes Barros. Tiveram maior incremento os 
trabalhos internos da Sociedade. 

lOOl — Com a demora da installação do Congresso e Museu 
Agrícola, já mais de uma vez transferida pela difficuldade de obtenção 
de casa, foi obrigada a directoria a ceder temporariamente os pro- 
duetos que a Sociedade Estadoal de Agricultura do Paraná enviara, 
afim de figurarem em uma exposição naquella capital. Foram tomadas 
as deliberações de pedir ao Governo, para o Museu, a antiga Ucharia 
do Paço, ou mesmo mais algumas salas da Repartição de Esta- 
tística . 

Foi apresentado em sessão de 20 de fevereiro, pelo Sr. presi- 
dente, o Sr. Dr. António Carlos Simoens da Silva, que tinha sido incum- 
bido particularmente de representara Sociedade na Argentina, Uruguay 
e Chile, por occasião da visita do presidente Campos Salles ao Rio 
da Prata, junto ás Sociedades congéneres naquelles paizes. Muito bem 
se houve o Dr. Simoens estreitando as relações agrícolas, não só nas 
capitães, como pelo interior daquellas Republicas, trazendo grande có- 
pia de sementes e publicações. Tão penhorada ficou a directoria, por 
este relevante serviço, que lhe conferiu o titulo de sócio honorário, além 
de lançar em acta um voto de gratidão pelo nobre devotamente á causa 
agrícola brazileira. 

Foram modificados os trabalhos culturaes da Fazenda de Santa Mónica, 
no sentido de serem mais bem cuidados, sendo commettida a incum- 
bência de dirigil-os pessoalmente ao Dr. Aristides Caire, mediante 
gratificação, com a condição, porém, de residir na Fazenda. No Horto 
da Penha foram autorizados alguns serviços para iniciar lavras e vivei- 
ros de frueteiras, concertos de ca^a, cercas, ctc. 

Attentos os relevantes serviços que o Dr. Assis Brazil, presidente 
da Sociedade Brasileira para Animação da Agricultura, tem prestado 
á Sociedade Nacional e á lavoura do paiz em geral, foi resolvida a 
concessão do titulo de sócio honorário. Houve por essa occasião jubilo 
entre a directoria por ter o seu presidente recebido igual distineção 
daquella Sociedade, de Paris. 

A ultima sessão da directoria effectuou-se cm 19 de março, depois 
da qual elh se demittiu, acompanhando seu presidente que entendeu 
assim proceder porque, sendo também presidente do Cen'ro da Lavoura 



lw> SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

do Café do Brasil, julgava-se exautòrado pelo Governo, pelarecusa das 
preterições daquelle Centro, severamente criticado pelo Jornal do Com-, 
mercio, em artigo que parecia ter cunho oíncial. 

Esse Centro tinha personalidade á parte c tinha cm sua adminis- 
tração alguns dos directores da Sociedade e representantes do commercio 
e dos Estados de S. Paulo e Rio de Janeiro. 

Foi por isso constituída uma commissão directora, composta do 
barão de Capanema, como presidente, e dos Drs. Luiz Carlos Barbosa 
de Oliveira, Augusto Bernacchi, Aristóteles Calaça e Sr. Carlos Moreira, 
encarregada do expediente até a reunião da assembléa. 

Foi então convocada a assembléa geral, que em 25 de abril acclamou 
a seguinte directoria : 

Presidente — Dr. Antonino Fialho. 

i° vice-presidente — Dr. João Baptista de Castro. 

2° dito — Dr. Luiz Carlos Barbosa de Oliveira. 

3 o dito — Dr. Aristóteles Gomes Calaça. 

Director da propaganda — Commandante José Carlos de Carvalho. 

Director de culturas — Dr. Bernardo Dias Ferreira. 

i° secretario — Dr. José Mattoso Sampaio Corrêa. 

2 o dito — Dr. Augusto Bernacchi. 

3 o dito — Sr. Carlos Moreira. 

i° thesoureiro —Sr. Jens Sand. 

2 o dito ■ — Sr. João da Silva Gandra. 

A redação dM Lavoura ficou sob a direcção do commandante José 
Carlos de Carvalho, como chefe e do Dr. Sérgio de Carvalho, como se- 
cretario . 

Foram nesta sessão salientados os relevantes serviços prestados pela 
directoria demissionaria, que deu grande impulso á Sociedade, tendo á 
sua testa o Dr. Moura Brasil. 

Começou a nova directoria a desenvolver mais ainda os serviços a seu 
cargo, na terceira phase da vida social, de modo a curar da Fazenda 
de Santa Mónica e do Horto da Penha e pôr em dia o boletim A Lavoura. 

Foi largamente discutida a questão da dissolução do Centro da 
Lavoura do Café, sendo apresentadas propostas no sentido de ter outra 
applicação a verba do Centro, por intermédio da Sociedade, como o 
estudo sobre a lavoura do café, campo de experiências, ctc. 

Foram empossados no? cargos do C?ntro os membros da directoria 
da Sociedade, nesse anno. 

A 1 3 de maio, o Dr. Sérgio de Carvalho, em sessão especial, fez 
exposição completa, em conferencia publica, da sua viagem a Montevideo 



A LAVOURA 1G1 



para tomar parte no Congresso Latino Americano, em março, onde foi 
como representante da Sociedade, oíFerecendo medalhas, que trouxera, 
sementes, amostras de productos, etc, havendo-se com todo o brilho, e 
apresentou uma lista de nomes de agrónomos e homens importantes 
relacionados com a agricultura para sócios correspondentes, o que foi 
confirmado. 

Foram discutidas as questões que nesse tempo eram aventadas em 
S. Paulo para minorar a crise do café, como queima, etc. 

Occupou-se a Directoria da grande idéa dos syndicatos agrícolas, 
como meio racional de combater a crise, na sessão de directoria, de 2 1 de 
maio. Foi logo nomeada uma commissao de cinco membros para formular 
as bases da organização do 5 syndicatos agrícolas. 

Em 1 1 de junho com o sentido de valorizar o café, é acceito 
para estudo um projecto sobre usinas regionaes, que é submettido 
ao parecer da mesma commissao. 

Foram mandados imprimir, para distribuição, os trabalhos da pro- 
paganda do café do Commandante José Carlos de Carvalho e os sobre o 
café e industria pastoril do Dr. Assis Brasil. 

Acolheu a Directoria os membros da recente Sociedade de Agri- 
cultura Alagoana, que vieram á Capital Federal para tratar dos meios 
de debellar a crise do assucar junto ao governo da União, promettendo 
a sua cooperação pela causa agrícola no sentido da iniciativa par- 
ticular. 

Graças aos novos esforços desta Directoria, teve finalmente exe- 
cução o primeiro Congresso Nacional de Agricultura, installado no 
Lyceo de Artes e Officios e funecionando desde 20 de setembro 
até 8 de outubro, com toda animação e concurrencia que merecia 
um tal certamen. Tantas e tão boas idéas emanaram do seio de 
suas discussões, que desde logo foi reconhecido o valor da reunião, 
que tanto engrandeceu a Sociedade pelos factos decorrentes dessa 
primeira e patriótica assembléa agrícola. Nelle salientou-se o Dr. Manoel 
Victorino por seus grandes trabalhos nas discussões de diversos assumptos. 

Constituiu assim o facto de maior importância do armo. 

Foi inaugurado também por essa epocha o Museu da Sociedade 
no mesmo Lyceu, cuja execução foi o frueto de trabalho pertinaz. 

Conseguiu igualmente a Directoria uma subvenção de vinte contos 
do Governo, em setembro, que ainda hoje auxilia seus benéficos serviços. 

Foram tomadas as precisas medidas para que os serviços da 
fazenda de Santa Mónica tivessem andamento, fazendo-se a economia 
conveniente por não mais residir nella o director de Culturas. 



162 SOCIEDADE NACIONAL DH AGRICULTURA 

Teve approvação pela directoria o Conselho Superior em numero 
de 45 membros. 

Foram attendidos e estudados os assumptos tendentes a melhorar o 
serviço interno e a desenvolver o plano oriundo do Congresso Agrícola. 

if)03 — Como consequência do Congresso de Agricultura, reali- 
zou-se na Bahia, a 10 de janeiro, uma reunião de lavradores, presidida 
pelo Dr. Joaquim Ignacio Tosta, e da qual resultou a creação da 
Sociedade Bahiana de Agricultura, cujos serviços fizeram-se logo sen- 
tir beneticamente. 

Em sessão de Assembléa Geral de 4 de fevereiro, foram refor- 
mados os estatutos, reduzidos os membros do Conselho Superior a 
35 e novamente restabelecido o cargo de secretario geral. 

Antes tinham os estatutos o nome de Regulamento. Este, porém, 
foi approvado com o seu verdadeiro fim em sessão de directoria de 
6 de maio. 

Foi eleita em 4 de fevereiro a nova directoria do seguinte modo. 

Presidente — Dr. Antonino Fialho. 

i° vice-presidente — Dr. João Baptista de Castro. 

2 o vice-presidente — Dr. Wencesláo A. L. de Oliveira Bello. 

3 o vice-presidente — Dr. Aristóteles Gomes Calaça. 

Secretario geral — Dr. Domingos Sérgio de Carvalho. 

Director de culturas — Dr. Aristides Caíre. 

i° secretario — Dr. Jacy Monteiro. 

2 o » — Dr. Augusto Bernacchi. 

3 o » —Alberto Jacobina. 

i° thesoureiro — Jens Sand. 

2 o » — João da Silva Gandra. 

A redacção d\4 Lavoura esteve a cargo do Dr . Sérgio de Carvalho. 

Como precursor do movimento syndicatario, fundou -se o primeiro 
Syndicato Agricola, em S. Thiago do Iguape, na Bahia, a 2 de março. 

Emanada do seio da Sociedade e discutida desde antes de 1 1 de 
março, teve realização a primeira conferencia assucareira, na Bahia, em 
25 de junho, acompanhada de visitas aos principies engenhos de assucar. 
Já este segundo comício, em sentido particular, operou resultados mais 
directos, em favor da lavoura de canna, e ainda marcando outra confe- 
rencia para o Recife. Por essa occasião foram lançadas as bases do Syn- 
dicato Assucareiro da Bahia, que tão bons serviços tem prestado aos 
interesses locaes. 

Deu ensejo a largas discussões o projecto do general Quintino Bo- 
cayuva, lançado em 27 de junho, tendo constituído a Sociedade uma com- 



A LAVOURA 



missão, para sobre elle interpor parecer, a pedido do Dr. Ignacio Tosta, 
como membro da Commissão de Agricultura da Camará. Este parecer 
foi approvado, sendo apenas modificada uma conclusão, havendo 
um folheto em que elle foi vulgarizado, sob o titulo de «Valorização 
do Café». 

Na tribuna parlamentar evidenciou-se o Dr. Ignacio Tosta, com- 
panheiro distincto das idéas adiantadas da Sociedade e de seus Congres- 
sos, apresentando a i.) de agosto um parecer, em additamento ao 
projecto n. 322, de 10 de dezembro de 1 901, sobre syndicatos agrícolas, 
moldado na legislação franceza. Convém assignalar a activa propa- 
ganda feita pela imprensa diária pelos Drs. Wescesláo Bello e Baptista de 
Castro a favor da organização dos syndicatos agrícolas. 

Em setembro teve execução, por ordem do Ministro da Industria, 
conselheiro António Augusto da Silva, a parte da lei orçamentaria que 
mandava dar a verba de 1 00:00 $ para a distribuição, de plantas e se- 
mentes e para facilitar a introducrio de animies de raça no paiz, ficando 
o serviço a cargo da Sociedade Nacional de Agricultura, pelo qual ella 
muito se interessou como medida pratica. 

Uma grande idéa teve concretização neste anno por meio do pro- 
jecto do Dr. Chíistino Cruz, apresentado á Camará, sobre a creação do 
Ministério da Agricultura. Teve como fonte de origem o Congresso Agrí- 
cola realizado pela Sociedade em 190.1. 

1003 — • A Sociedade teve o feliz ensejo de ser correspondida no 
appello que dirigiu aos Governos Federal e dos Estados para a repre- 
sentação do Brasil na Exposição de S. Luiz. Deu isso motivo a visita feita 
á Sociedade pelos Srs. J. Buchnann e J. Lewis, o ex-ministro americano 
na Argentina e o representante da exposição no Brasil, solicitando a sua 
intervenção junto aos poderes públicos. 

Outro pedido teve a Sociedade de D. Cypriano de la Pena para 
que ella interviesse sobre a representação do Brasil na Exposição 
Agricola de Buenos Aires, em maio, não o permittindo a exiguidade do 
tempo e outros motivos de crise . 

E' para salientar, como resultado das luctas anteriores de propa- 
ganda sobre os syndicatos agrícolas, o decreto n. 979. de 6 de janeiro, 
um dos primeiros actos do governo do Dr. Rodrigues Alves em prol da 
agricultura. 

E os resultados fizeram-se sentir neste mesmo anno, pois em Per- 
nambuco foram fundados nada menos de seis svndicatos agrícolas. 

A 31 de janeiro, 1, 2 e 3 de fevereiro reuniu-se em S. Paulo um 
grande comício agricola tendo sido a Sociedade brilhantemente repre- 



164 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

sentada pelos Drs. Wencesláo Bello e Baptista de Castro, que apresen- 
taram o seu modo de vér sobre os resultados da reunião. 

Teve logar a 9 de maio a eleição da directoria, que mudou de 
membros somente nos seguintes: 3 secretario, Dr. Eduardo de Caldas 
Brito ; i° thesoureiro, João da Silva Gandra ; -i° tlicsoiirciro, Jens Sand. 
Directores das secções — Museu e Sementes — Dr. Bello; Bibliotheca — 
Dr. Baptista de Castro. 

Etfectuou-se a 13 de maio mais um Congresso Agrícola Industrial 
e Commercial cm Bello Horizonte, do qual fez minucioso relatório o 
Dr. João Baptista de Castro, na qualidade de representante da Sociedade. 

Teve começo um projecto de Escola Pratica de Agricultura no 
Districto Federal, apresentado pelo conselheiro Leôncio de Carvalho, 
com acquiescencia dos Governos Federal e Municipal, mas não vingou 
apesar da Sociedade ter prestado o seu auxilio moral, discutindo suas 
bases e apresentando projecto detalhado para a organização do ensino 
no instituto. 

O Dr. Augusto Bernacchi produziu quatro conferencias na sede da 
Sociedade, nos mezes de junho a agosto sobre «Meios para debellar mais 
facilmente as crises no Brasil». 

Em setembro conseguiu, emlim, a Sociedade installar-se na rua da 
Alfandega n. 102 e General Camará n. 105, sua sede actual, onde poude 
dar desenvolvimento ás suas secções e attender convenientemente aos 
serviços de que já estava incumbida. Ahi tiveram a amplitude necessária 
o Museu Agrícola, os serviços de escriptorio da Sociedade e bem assim 
a Bibliotheca e a secção de plantas e sementes. 

Foram igualmente cuidados os serviços da fazenda de Santa Mó- 
nica, continuando a servir de campo de experiência e de demonstração e 
os da fazenda da Penha, que começou a ser Horto Fructicola, transfor- 
mando-se em viveiros de bacellos, plantas e enxertos. 

O que se salientou nesse anno foi a Exposição Internacional de 
Apparelhos a Álcool, inaugurada em 18 de outubro, no antigo edifício 
do Frontão Velocipedico Fluminense, na rua do Lavradio, e preparada 
desde 5 de agosto de 1902. 

Como consequência do Congresso de Agricultura e da Conferencia 
da Bahia, a Sociedade tratou de dar execução a uma de suas conclusões 
organizando esse tentamen, inspirada no grande progresso que o álcool 
industrial tomou na Allemanha. Auxiliada pelo Poder Legislativo, no 
qual se salientou o Dr. Joaquim Ignacio Tosta, advogando os meios a 
consignar em verba para realização do certamen e pelo poder executivo, 
110 qual foi um dos factores o Dr. Lauro Miillcr, -Ministro da Industria, 



secundando-o no estrangeiro o Barão do Rio Branco, Ministro do Ex- 
terior, que offereceratn todas as facilidades possíveis, levou ao rim a So- 
ciedade essa idéa. Na Europa fez a propaganda o Sr. João da Silva 
Gandra, como delegado da Sociedade durante os trabalhos preparatórios. 

Realizou-se conjunctamente a Exposição de Flores promovida pela 
Associação das Crianças Brasileiras, que muito concorreu para o successo 
geral. 

Funccionou durante a Exposição o Congresso das Applicações Indus- 
triaes do Álcool, que chegou a umas tantas conclusões tendentes a vulga- 
rizar as applicações do álcool no campo industrial. 

Terminada a Exposição em 25 de novembro, foi constituída a Com- 
missão de Propaganda. 

A Lavoura dedicou neste anno e no seguinte um numero especial 
consagrado á Exposição. 

1904 — Após os grandes trabalhos que de 1901 a igo3 absorveram 
a Sociedade com a promoção dos congressoi e exposições, entrou ella 
neste anno com a fadiga natural por tantos emprehendimentos . Assim, 
não muitos serviços foram levados a effeito, convindo citar entre outros 
os que se seguem . 

Muito effeito causou a creação doSyndicato Central dos Agricultores 
do Brazil, sob o patronato da Sociedade, que teve o impulso de sua orga- 
nisação devido ao Dr. João Baptista de (astro, funccionando na sede da 
Sociedade. 

Foi conseguida a verba de 5o:oooSooo destinada omcialmente á pro- 
paganda das applicações industriaes de álcool, o que deu grande movi- 
mento á secção que foi creada . 

A Sociedade teve a feiiz idéa de convidar os Estados para se fazerem 
representar na Exposição Permanente de Fructas, que se ia realizar em 
Buenos-Aires, confraternisando e mostrando ao estrangeiro os bons pro- 
ductos brazileiros. 

Foi lembrada a bella idéa da realisação de uma festa das arvores, de 
accordo com o Prefeito, tendo occorrido depois uma, em ponto pequeno, 
em Paquetá, na qual a Sociedade se representou por uma commissão, 
fazendo a illuminação da festa a álcool . Essas idéas eram a imitação das 
bonitas festas de arvores inauguradas no Brazil pelos inspectores agronó- 
micos de S. Paulo, executadas nas cidades de Araras, Campinas, Itapira, 
Jaboticabal e Jahú . 

Foram attendidos tanto quanto possível os trabalhos da Penha, 
sendo adquiridos instrumentos agrários e sendo augmentada a pomi- 
cultura. 



SOCIEDADE NAr.iovu, DK V.kicultpha 



Também foram adquiridos livros novos para a Bibliotheca e frascos 
para as amostras do Museu serem bem expostas. 

Retardada a eleição da nova Directoria, por motivos de força maior, 
teve ella logar em 6 de setembro, dando o seguinte resultado : 

Presidente, Dr. Moura Brasil. 

i" vice-presidente, Dr. WencesláoA. L. de Oliveira Bello. 

2° » » Dr. João Teixeira Soares. 

3 o » » Barão de Aguas Claras . 

Secretario geral, Dr. Domingos Sérgio de Carvalho. 

Director de cultura, Dr. Aristides Caire. 

i° secretario, Dr. Eurico Jacy Monteiro. 

2 o » Dr. Eduardo de Caldas Brito. 

3 o » Dr. António de Pádua Rezende. 

i ° thesoureiro, Dr . Leopoldo César Duque Estrada . 

2 o » Dr. Fábio Leal. 

Director da secção do Álcool — Dr. Sérgio de Carvalho. 

Teve logo nova orientação a presente Directoria, prestando toda a 
attenção á Fazenda de Santa Mónica para os trabalhos de culturas diver- 
sas, em experiências e demonstrações praticas e económicas. Chegou até 
ao ponto de reduzir as despesas em outras secções da Sociedade para dar 
áquella maior desenvolvimento, cabendo a direcção da mesma ao director 
de culturas, em commissão. 

íôOEJ — Nova feição tomaram os serviços internos por motivo de 
reforma dos estatutos, realizando-se uma assembléa geral a 25 de janeiro, 
da qual resultou a mudança da Directoria, a modificação dos estatutos e a 
nova orientação emprestada aos trabalhos da Sociedade, que desta sorte 
entrou na sua phase actual . 

Foram alterados os estatutos ; entre outros pontos supprimindo o 
cargo de Director de culturas e augmentando um secretario e reduzindo 
o Conselho Superior a 25 membros . 

Ficou a nova Directoria assim organisada, com o mandato de dois 
annos : 

Presidente, Dr Wencesláo A. L. de Oliveira Bello. 

i° vice-presidente, Dr. João Baptista de Castro . 

2 o r> t> Dr. Sylvio Ferreira Rangel. 

3 o » » Coronel Cornelio de Souza Lima . 

Secretario geral, Dr. Domingos Sérgio de Carvalho. 

i° secretario, Dr. Luiz J. da Costa Leite. 

2° s Dr. Heitor de Sá. 

3 o s Dr. Alfredo Dias. 



A LAVOURA 



4 o d Dr. Carlos Raulino. 

i° thesoureiro, Alberto de A. F. Jacobina. 

2 o d Edgardo Ferreira de Carvalho. 

Directores das secções: Horto da Penha e Sementes — Dr. W. Bello, 
S. Mónica — Dr. Sylvio Rangel, Museu — C. Cornelio Lima, Bibliotheca, 
Dr. Baptista de Castro, Álcool — Dr. Sérgio de Carvalho, Boletim — Com- 
missão tendo para presidente o Dr. Bello. 

Mais tarde foi revisto o regulamento e approvado em sessão do 
Conselho Superior de 27 de outubro de accordo com as novas disposições, 
ficando creadas as 10 secções permanentes em vigor. 

Em todos os serviços foi dada outra orientação para maior desenvol- 
vimento e melhor andamento, de accordo com o estado de cousas e a posi- 
ção da Sociedade . 

Começou com este anno a distribuição gratuita, a titulo de ensaio, 
das formigas cuyabanas, adquiridas na Fazenda das Coroas, em Valença, 
de propriedade do Dr. Ernesto Ribeiro de Souza Rezende. Houve 
grande distendimento deste formicida vivo, fornecendo-o também a 
Fazenda do Mimoso, no Estado do Espirito Santo . 

A Fazenda de Santa Mónica, e o Horto da Penha, iniciaram os 
seus novos serviços sem esmorecimentos. Naquella foram instituidos os cur- 
sos práticos de mecânica agrícola eattendidosde um modo geral os trabalhos 
concernentes aos campos de experiências e de demonstrações. No Horto 
da Penha começou o verdadeiro aproveitamento dos seus elementos natu- 
raes para formação de um Horto Fructicola e viveiros de plantas, devido a 
ter sido designada verba, para esse fim tirada da de distribuição de semen- 
tes e arbitrada em 20 contos. Assim é que se verifica o seu desenvolvi- 
mento pela differença de plantas existentes ao começar o anno em numero 
de 3.247, comparada com o numero de 28. 10 1 ao findar o mesmo anno. 

Realisou-se no Recife a 2 a Conferencia Assucareira, secundada pela 
Sociedade, conforme mandavam as conclusões da I a na Bahia. Foi aberta 
em 14 de março e encerrada a 29 do mesmo mez. Os seus resultados e as 
visitas proporcionadas d lavoura de canna no interior do Estado muito 
agradaram a todos que nella tomaram parte, auxiliada como foi pelo 
Governo do Estado . A Sociedade fez-se representar por seus directores 
Dr. L. J. da Costa Leite e engenheiro Heitor de Sá. 

Em 5 de abril houve uma sessão solemne para entrega das medalhas 
e prémios aos concurrentes da Exposição de Álcool, tendo comparecido 
o Exmo. Sr. Dr. Lauro Muller, Ministro da Industria, que, com 
palavras eloquentes e patrióticas, muito animou a Sociedade na sua 
árdua tarefa. 



Convidada esta Sociedade para tomar parte nas Exposições que se 
realisaram em 23 de abril e i de maio em Pelotas e Florianópolis, pro- 
movidas respectivamente pela Sociedade Agrícola e Pastoril do Rio 
Grande do Sul e pela Sociedade Catharinense de Agricultura, de bom 
grado accedeu ás solicitações das distinctas co-irmãs. Enviou esta Socie- 
dade para os alludidos certamens não só varias amostras de produetos 
agrícolas constantes de seu Museu e diferentes machinas agrícolas, para 
cuja remessa se interessaram as firmas commerciaes desta praça, Henry 
Rogers, Sons & C°e Arens & Irmão, senão também os apparelhos a aicool 
de força, luz e calor, retirados da respectiva secção, e outros de contribui- 
ção das firmas commerciaes desta capital, Borlido Moniz & Comp., 
Manoel Gomes & Comp. e J. M. Camanho. Serviram de artigos de expo- 
sição e figuraram como factores únicos das illuminações dos recintos, sendo 
todo o serviço provido e dirigido lambem por emissários desta Sociedade. 

Além disso, fez-se ainda representar junto a essas festas de trabalho 
pelo secretario Dr. Luiz Joaquim da Costa Leite, e, a par das demons- 
trações praticas de utilisação do álcool industrial, fez realisar conferencias 
sobre o mesmo assumpto pelo órgão de um commissionado especial. 

Os Drs. W. Bello e Sérgio de Carvalho receberam diplomas de sócio 
honorário, findo o certamen, da Sociedade Agrícola e Pastoril do Rio 
Grande do Sul 

Por occassião do 3 o Congresso Latino- Americano, reunido nesta capi- 
tal, em agosto, tomou parte a Sociedade, tendo-se realisado em sua sede as 
sessões da commissão de agricultura, sendo conferidos os títulos de sócios 
honorários e correspondentes a muitos dos membros representantes da 
Argentina, Uruguay e Paraguay, que faziam parte da secção. 

Continuaram a ter incremento os syndicátos agrícolas, as sociedades 
e o movimento agrícola, como reflexo do movimento operado pela Socie- 
dade. Assim é que na Bahia, Alagoas e Santa Catharina appareceram os 
elementos justificativos da asserção supra. 

Pernambuco, porém, foi mais adiante, pois, obediente ás conclu- 
sões da 2 a conferencia assucareira, synthetisou a forca dos syndicátos, 
creando a união dos syndicátos, com oito regionaes abrangendo 18 mu- 
nicípios. 

Foram feitas na sede da sociedade conferencias pelos Drs. A. Cân- 
dido Rodrigues, J. B. de Castro, Leite e Oiticica, António de Medeiros, 
Carvalho Borges Júnior e Francisco Malta. 

O boletim A Lavoura teve nova vida com direcção mais assídua, 
pondo-se em dia e tratando de assumptos technicos interessantes, sendo 
confiado a uma commissão directora. Assim é que foram publicadas 



seis monographias e espalhadas em folhetos especiaes sobre as seguintes 
matérias : I — Algodoeiro ; II — Lúpulo ; III — Cevada ; IV — Con- 
solida ; V — Alfafa ; VI — Quatro importantes leguminosas forra- 
geiras. Sob o titulo de Propaganda Agrícola os folhetos estudam as 
culturas das plantas. 

A sociedade promoveu um inquérito sobre o gado Zebú, iniciado 
a 25 de maio, afim de orientar os criadores sobre esta raça, em vista 
das repetidas entradas deste gado no nosso território e proveniente das 
índias, o qual foi depois, em 1Q07, dado á publicidade e largamente dis- 
tribuído. 

ii>o<i — Começou o anno sendo rendido aos Drs. Lauro Miiller 
e Ignacio Tosta o preito que mereciam por tantos serviços á causa 
agrícola, com a sessão solemne para fazer entrega de seus diplomas 
de presidentes honorários, em a data anniversaria da fundação da 
Sociedade . 

São conhecidos os auxílios que o Dr. Lauro Miiller prodigalisou 
á Sociedade desde que assumiu a pasta da industria, e, quanto ao 
Dr. Tosta, é sabido que desde o congresso agricola elle salientou-se 
como patriarcha da agricultura . 

Como uma vantagem aos sócios, resolveu a Directoria em abril 
estabelecer os fornecimentos de formicida Paschoal, julgada a melhor, 
mesmo sob o ponto de vista económico, e experimentada em concurso 
especial de S. Paulo, e de machinas agrícolas, arame farpado e álcool, 
valendo-se da quasi isenção de impostos do Syndicato Central e reduc- 
ção na compra, em favor do lavrador. Isto resalta aos olhos como uma 
grande medida pratica e de utilidade directa e que a Sociedade não 
trepidou em dar prompta execução, attenta a vantagem que ia ofterecer 
aos sócios em seus allazeres do campo. E não enganou-se a Sociedade 
pois o destendimento deste serviço tem sido cada vez maior. 

Realisou-se em 24 de maio mais uma exposição de álcool, em 
Porto Alegre, promovida pelo Centro Económico do Rio Grande do Sul 
e secundada pela Sociedade que enviou de novo ao sul apparelhos e 
empregados seus. Por essa occasião,pelo órgão de um commissionado 
desta sociedade, foram naquella Capital realisadas conferencias sobre 
a organisação dos syndicatos agrícolas. 

Solíreu reforma o boletim A Lavoura para tornar-se mais attra- 
hente e noticioso ainda, com grande cópia de informações, pondo o 
leitor ao par do movimento agricola mundial, illustrando o seu texto 
com bonitas gravuras e tornando-se mais útil pela secção de annun- 
cios, que foram restabelecidos em proveito dos sócios. 



SOCIKDADK NACIONAL DE AGRICULTURA 



Foi a sua capa, que marcou este adiantamento nos ns. 3 a 5, appare- 
cendo mais moderna. 

A 1 vista dos bons resultados financeiros, pelo saldo havido no armo 
anterior, foi resolvida a acquisição de seis apólices federaes para começar 
o património da Sociedade, cuja compra realisou-se em (ide maio. 

Devendo realisar-sc em junho a 3 a conferencia assucareira, em 
Campos, a Sociedade envidou esforços para a sua execução, não sendo 
possível por motivo das enchentes do rio Parahyba, no Estado do Rio . 
Teve de ser transferida para o anno seguinte, o que também não 
logrou resultado por não ter a Sociedade encontrado apoio no governo 
do referido Estado. Ainda quiz a sociedade reunil-a em sua sede, mas 
chegada que foi a época da safra no Norte, não houve accôrdo nos 
Hstados interessados, ficando para realisar-se durante a Exposição Na- 
cional de 1908, como parte do congresso de agricultura. 

Em 3o de junho promoveu a Sociedade uma festa agrícola, por meio 
de uma sessão magna, para entregar os diplomas de sócios honorários aos 
Exmos. Srs. D. Luiz, bispo de Olinda, e Dr. Christino Cruz. Aquelle pelo 
seu amor á agricultura e pela parte que tomou na conferencia do Recife ; 
este por serviços agrícolas á Pátria, salientando-se a idéa levada ao Con- 
gresso Nacional da organisação de um ministério technico de agricultura. 

Foi lançada a idéa da organisação de uma Cooperativa Central, 
sendo preparados o respectivo projecto e estatutos. Tem tentado até hoje a 
Sociedade levar a elfeito esse desejo de grande alcance para a lavoura em 
geral . 

Em julho apresentou o Dr. Ignacio Tosta, como relator, o pro- 
jecto da creação do Ministério da Agricultura, Industria e Commercio, 
tendo sido por isto saudado pela Directoria da Sociedade e pelas insti- 
tuições agrícolas do paiz. Esse projecto foi consagrado mais tarde, a 
29 de dezembro, pela saneção presidencial á lei votada pelo Congresso, 
o que veio demonstrar as bel las intenções do novo Governo da Re- 
publica em prol da classe da lavoura. A alegria causada com esse 
acto foi enorme, pois era anciosamente esperado, pelos benéficos effeitos 
que ha de produzir. 

Pelo mez de agosto houve uma reunião dos representantes dos syndi- 
catos assucareiros e foi formado um Comité no Rio de Janeiro para atten- 
der aos seus interesses, idéa que foi fortemente amparada pela Sociedade, 
que se tornou o centro deste serviço, abrindo logo um credito para 
o seu inicio. Foi mantido um Boletim quinzenal de informações precisas, 
auxiliado pelos Estados interessados e por esta Sociedade, o que foi 
levado a elfeito até 1907. 



A LAVOURA 171 

Houve recepção nesta sede em homanagem ao Dr. Joseph 
Philipp Wileman, pela sua posição junto á Convenção Assucareira de 
Bruxellas, como representante do Brazil. Foram conferidos, em 4 de 
agosto, os diplomas de sócios honorários aos Srs. Drs. Corrêa de Brito 
e Paulo do Amorim Salgado, aquelle presidente da União dos Syn- 
dicatos do Recife e este gerente da Sociedade Auxiliadora de Per- 
nambuco . 

Foi notificada a invasão dos gafanhotos no território brazileiro, 
tendo causado damnos desde o Rio Grande do Sul até S. Paulo, 
Minas, Rio e Capital Federal. Em 3o de outubro a Sociedade acolheu 
em sua sede o Dr. Susviela Guarch para fazer uma conferencia sobre 
o estudo desta praga e meios de debellal-a, com desenhos explicativos. 
A directoria agiu junto ao Sr. Ministro da Industria sobre a extinccão 
no Districto Federal, conseguindo verba no começo do anno seguinte e 
fazendo sem demora publicar instrucçóes para a destruição dos « saltões » . 
Encarregou-se do serviço e deu-lhe cabal execução, conseguindo extinc- 
cão completa, do que apresentou circumstanciado relatório ao Sr. Mi- 
nistro, com estudo da invasão do insecto e dos meios defensivos . Ahi a 
Sociedade pede ao Sr. Ministro que organise o serviço permanente de 
defesa agrícola. 

A Sociedade deu publicidade ao i° volume dos Annaes do Con- 
gresso Nacional de Agricultura de 1901, além dos avulsos de propaganda 
sobre vários assmptos. 

O numero de sócios attingiu a 1.7 14, sendo í.624 contribuintes, inclui- 
dos 140 associados. 

O museu ganhou augmento, contando já 1.384 amostras. A dis- 
tribuição de plantas e sementes teve largo distendimento, chegando a 
ser satisfeitos 3.609 pedidos. 

No Horto da Penha foram feitas 54.720 plantações e o mesmo anno 
findou enriquecido com 22 1 . 096 plantas e enxertos, sem referir os j 2 
viveiros diversos. 

Na Fazenda de Santa Mónica continuaram os mesmos trabalhos, 
inclusive o de ensino pratico de mecânica agrícola, sendo envidados 
esforços para minorar as despezas por meio de renda própria. Foi iniciado 
um pequeno campo de experiências de adubos chimicos dirigido pelo 
Sr. E. Mager, agrónomo, como representante do «Kalisyndikat de Stass- 
furti, das minas de potássio. 

A secção do álcool esteve prompta para attender aos pedidos de 
illuminação e informações, assim como no anno anterior, tendo effectuado 
muitas demonstrações na Capital e pelos Estados, concorrendo também ás 

■Í403 4 



si>ciki>\1>K, \Ariii\.\i. ]ik .v;iun:i.'i'i:n.\ 



exposições havidas, com brilhantismo, não descurando da propaganda 
oral . 

A bibliotheca progrediu bastante, pondo-se em relação com as 
publicações de diversos pontos do mundo agrícola por meio de acquisições 
e permuta com A Lavoura, podendo já fornecer leitura variada sobre 
a especialidade a que se destina. 

Ficam assim relatados os profícuos serviços desta directoria, biennal, 
que sempre attendeu a tudo que ponde, mantendo o ponto de vista 
económico. 

Não teve, porém, completa satisfação a directoria por ter visto 
findar-se em 27 de dezembro o seu distincto 3 o secretario Dr. Alfredo 
Dias, que sempre cooperou com a melhor boa vontade para os serviços 
em acção. Salientou-se por seus dotes de intelligencia e pelo trabalho 
assíduo no seio da directoria, onde era muito estimado. Foram-lhe 
pela prestadas as homenagens de que era merecedor. 

íoor A Sociedade Auxiliadora da Agricultura de Pernambuco agra- 
ciou o presidente da Sociedade Nacional com o diploma de sócio hono- 
rário, o que muito desvaneceu a esta e mais estreitou as relações da união 
pela classe. 

Depois do necessário preparo dos elementos para a convocação da 
assembléa geral, inclusive o substancioso relatório do presidente, relativo 
ao biennio de 1905/6, afim de ser eleita a nova directoria, teve logar a 
mesma assembléa a 27 de abril, verificando-se a acclamação da nova 
directoria, que ficou assim constituída : 

Presidente, Dr. Wencesláo A. L. de Oliveira Bel lo. 

i° vice-presidente Dr. João Baptista de Castro. 

2 o » » Dr. Sylvio Ferreira Rangel. 

3 o » y> Dr. Domingos Sérgio de Carvalho. 

Secretario-geral Dr. Heitor de Sá. 

1 ° secretario, Dr . Francisco Tito de Souza Reis. 

2 o » Dr. Benedicto Raymundo da Silva. 

3 o » Dr. J. R. Monteiro da Silva. 

4 o » Alberto Jacobina. 

i° thesoureiro Dr. João Pedreira do Couto Ferraz Júnior. 

2 o s Carlos Raulino. 

Foram a seguir preenchidas as secções com os membros da directoria, 
para o bom andamento dos serviços, como consta da capa dM Lavoura. 
Foi dada ao Boletim a direcção precisa para servir ao escopo a que se 
destina em todas as suas secções, de modo a bem agradar aos sócios pelo 
seu interesse agrícola. 



A LAVOURA l<3 

Em sessão de a3 de maio, foi creada a secção technica, comprehen- 
dendo a do Boletim A Lavoura, com o seu regulamento á parte, e bem 
assim foi dada nova orientação á do Horto da Penha com a nomeação de 
um superintendente para de perto desenvolver as suas culturas, com 
sujeição a obrigações approvadas. 

A 3 de maio, inaugurou-se em Pelotas, por iniciativa da Sociedade 
Agrícola e Pastoril do Rio Grande do Sul, uma exposição agrícola e pastoril, 
para a qual, por meio de reiterados convites, foi solicitado o concurso 
desta Sociedade, por sua secção de propaganda do álcool industrial, c por 
cuja annuencia teve ella mais uma vez ensejo de vulgarisar naquelle Estado, 
a propaganda que vem fazendo desde io,o3. Com os apparelhos seguiram 
empregados para installal-os. 

Em sessão de 3 de junho, a directoria resolveu promover a orga- 
nização de um 2 o Congresso Nacional de Agricultura, a se realizar por 
occasião da exposição nacional projectada para o anno de 190S. 

Era isso a continuação dos esforços da Sociedade para a repetição 
da certamen de igoi , pois que já a directoria havia proposto ao governo 
Rodrigues Alves a realização de um Congresso e uma exposição 
de agricultura, e auxiliara depois a iniciativa do Congresso de Ex- 
pansão Económica nos trabalhos preparatórios de uma exposição 
nacional . 

A Sociedade fez-se representar no dia 1 3 de maio, por seus directores 
Drs. João Baptista de Castro e Sylvio Rangel, na inauguração da Escola 
de Piracicaba para o que havia sido convidada . 

A Sociedade teve a infelicidade de descobrir em seu ex-thesoureiro, 
Sr. Edgardo de Carvalho, um director que não se revelou cumpridor de 
seus deveres, causando prejuízos económicos. A directoria agiu com 
energia contra o mesmo senhor e teve a ventura de superar mais este revez 
com a boa orientação dada pelo seu presidente interino, Dr. Sylvio Rangel. 
Assim foi por ter parado para a Europa e America do Norte, em viagem 
instructiva, o presidente Dr. Wenceslao Bello, e ter resignado o seu logar 
o Dr. João Baptista de Castro. 

Foram homenageados os Drs. Wenceslao Bello e Ignacio Tosta 
na secção magna de 8 de junho, inaugurando-se os seus retratos no salão 
nobre da Sociedade. 

O novo Governo Federal, creando a Directoria do Povoamento do 
Solo, decretando os regulamentos para a importação de animaes de raça, 
sobre syndicatos agrícolas, sobre dividas provenientes de salários de 
trabalhadores agrícolas e sobre prémios á sericicultura, justificou a cam- 
panha que mantinha a Sociedade por alcançar taes fins, sendo votada em 



MH',IKI>\nH \ACKiX\l, ])K MIUIIUILTIIRA 



ii de julho uma moção de congratulações ao Dr. Miguel Calmon, pelos 
serviços que em tão pouco tempo já prestara á lavoura. 

Foi apresentado e publicado um longo parecer da co mmissão nomeada 
pela directoria, tendo como relator o Dr. João Baptista de Castro, sobre 
os typos de café, adoptados na praça de Santos e, da Bolsa de Nova- 
York, sendo as conclusões approvadas. 

O Horto da Penha foi honrado em agosto com a visita dos Srs . 
Presidente da Republica e Ministro da Industria. Mais outras visitas 
importantes teve o Horto e na sede social muitas foram as pessoas que 
distinguiram-na com a sua presença. 

Declarada a febre aphtosa em alguns Estados, a Sociedade fez im- 
primir circulares com os meios indicados pela sciencia para a cura da 
peste . 

Em sessão de 9 de setembro, foram approvados os pareceres das 
commissões nomeadas, sobre a creação de uma Caixa Auxiliadora dos 
Empregados da Sociedade e sobre o projecto de reforma de tarifas adua- 
neiras do Dr. J. Luiz Alves, sendo cm ambas relator o Sr. Alberto 
Jacobina e publicado o ultimo. 

Em sessão de 9 de outubro, foi unanimemente acceito sócio bene 
meritoo Dr. João Baptista de Castro pelos seus valiosos serviços á 
classe agrícola. 

O mesmo Dr. Baptista de Castro representou a Sociedade na Expo- 
sição Regional de Leopoldina e no Congresso das Municipalidades da 
Matta. 

Em sessão de 4 de novembro, resolveu a directoria encetar os 
trabalhos para a Exposição de 10,08$ renovando as commissões para esta 
c para o Congresso de Agricultura, já resolvido desde 3 de junho. 

De longe vinha a Sociedade com a idea da realisação de uma ex- 
posição, o que foi depois resolvido pelo Governo. 

Em a mesma sessão, foi approvado o parecer da commissão, de que 
foi relator o Engenheiro Heitor de Sá, sobre o Regulamento da Dire- 
ctoria de Agricultura de Minas, elogiando a concentração de todos os ser- 
viços. 

Foi feita a publicação do 2 volume dos Annaes do Congresso de 
1901, completando-se assim os trabalhos daquelle certamen. Egualmente 
foi reimpressa a série da «Propaganda Agricola» até o 6 o folheto, illus- 
trada agora com gravuras, e apparecendo o n. VII que trata das «Plantas 
produetoras da borracha», com illustrações. 

O movimento sempre crescente na Sociedade tornou mais patente 
sua posição dedicada na vida agricola do Brasil . Assim nas suas secções 



foram encaminhados os trabalhos de forma a attender melhor ao estado 
actual do progresso agrícola, quer nas secções de plantas e sementes, 
secretaria, thesouraria, como nas seguintes : 

O Museu ganhou grande numero de amostras, inclusive de madeiras 
com as respectivas monographias . 

A bibliothcca enriqueceu-se de bons e modernos livros estrangeiros e 
distendeu mais a permuta de revistas, recebendo também offertas. 

A secção do álcool continuou a propaganda pelas demonstrações 
publicas e particulares, estendendo seu campo de acção pelos Estados 
do Rio, Minas e Rio Grande do Sul e mantendo prompto serviço de 
informações. 

Em relação ás fazendas, toda a attenção foi convergida para a da 
Penha, com o seu novo superintendente, o Dr. P. Cavalcanti, que, entre 
os muitos serviços que methodisou e creou, como installações, plantações, 
etc, levantou a planta topographica da fazenda, onde delineou os serviços 
em acção e projectou os que convém atacar. Foram por isso resumidos 
os trabalhos em Santa Mónica, attentas as difficu Idades económicas para 
mantel-a no ponto que merece. 

A secção technica attendeu sempre ás variadas consultas sobre todos 
os assumptos, prestando as devidas informações que foram divulgadas. 
Occupou-se igualmente com cuidado da confecção do Boletim A La- 
voura. 

A Sociedade nunca deixou de attender ao pedido de sua intervenção 
junto aos poderes públicos, alcançando facilidades para a lavoura, como 
transportes, etc, e viu crescer continuadamente o numero de seus sócios, 
não esquecendo aquelles que a auxiliam enicazmente, conferindo-lhes por 
isso títulos honoríficos. Satisfaz-se finalmente com o acolhimento que 
tem recebido da classe e do Governo. 

Quanto a este, cumpre dizer, que, além de ter confiado á directoria 
o encargo de informar sobre os pedidos dos favores concedidos por lei aos 
introductores de reproductores de raça, em grande numero foram, em to- 
dos os annos, suas consultas a pedidos de informações sobre múltiplos 
assumptos, ao que a directoria procurou sempre corresponder com grande 
zelo, sentindo-se honrada com essas provas reiteradas de confiança de 
todos os governos que se teem succedido depois de sua fundação. 



Illustramos estas linhas intercalando algumas photographias das 
secções da Sociedade para bem indicar a installação que ella possue actual- 
mente nos edifícios da rua da Alfandega n. 102 e General Camará n. io5. 
afim de perpetuar o desenvolvimento a que já chegou na éra presente. 



176 SOCIEDADE NACIONAL DE AGIíH.U.Tl K \ 

E como sendo o Dr. Wencesláo Bello, o distincto presidente de hoje, 
um dos mais incansáveis batalhadores que tem possuido a Sociedade, 
muito se honra A Lavoura em abrir o presente numero com o seu 
retrato em homenagem justa e assaz merecida por tantos titulos que 
ornam a sua pessoa. Accresce a razão de lhe ter sido conferido o 
titulo de sócio benemérito pelos seus relevantes serviços á Sociedade e 
á causa agrícola. Com desvanecimento estampamos também a sessão 
solemne com que foi recebido no seio da directoria, depois de longa 
e proveitosa viagem scientitica á Europa e á America do Norte. 

Por tão sobejas razões e por ser mestre e amigo, apresentamos a 
S. Ex. as nossas cordiaes felicitações, pedindo vénia para dedicar este 
pequeno trabalho do resumo histórico da Sociedade Nacional de Agri- 
cultura. 

Heitor de Sá, 



Justa homenagem 

A Sociedade Nacional de Agricultura, querendo patenteiar o seu 
apreço e profundo reconhecimento pelas innumeras provas de alta con- 
sideração que lhe tem dispensado o honrado Sr. Ministro da Industria, 
Viação e Obras Publicas, convocou uma reunião para solemnisar o 
acto de inauguração da photographia de S. E\. no salão nobre da 
mesma sociedade. 

A 1 solemnidade compareceram muitos distinctos cavalheiros da nossa 
melhor sociedade e alguns dos nossos sócios, desejando manifestar ao 
illustre Ministro quanto o acatam e admiram pelos seus peregrinos 
predicados de cavalheiro e homem publico. 

A 1 sessão festiva, realizada a 2 de maio de 1908, assistiram os 
seguintes Srs., constantes da acta referente á solemnidade, cujo teor 
é o que damos nestas linhas : 

b A's 3 horas da tarde do dia 2 de maio de 1 908, achando-se pre- 
sentes os Srs. directores : Sylvio Rangel, Souza Reis, Benedicto Ray- 
mundo, Carlos Raulino e Sérgio de Carvalho, não comparecendo por 
acharam-se ausentes os Srs. directores : Wencesláo Bello, Heitor da Sá, 
Monteiro da Silva, Alberto Jacobina e João Pedreira do Couto Ferraz 
Júnior e presentes as pessoas constantes do livro de presença dentre 
ellas os Srs. Dr. Carlos Oscar Lessa, Carvalho Borges Júnior, Amaral 
França d'0 Paiz, Francisco Souto, pelo Correio da Manhã; Dr. Alfredo 
Rocha, J. A. Gonçalves Júnior, Christino Cruz, Manoel Costa, pela 
Revista Commercial.e Financeira;!. C. de Miranda Horta, Dr. Oliveira 



A LAVOURA 177 

Bello, Arthur Getulio das Neves, António Olyntho dos Santos Pires, 
Dr. Pádua de Rezende, general Thaumathurgo de Azevedo, João da 
Silva Gandra, comparece o Sr. Dr. Miguel Calmon du Pin e Almeida, 
Ministro da Industria, Viação e Obras Publicas, accedendo ao con- 
vite que lhe foi feito pela directoria da sociedade, sendo recebido na 
entrada pelos Srs. directores Sylvio Rangel, presidente em exercício; 
Souza Reis, Benedicto Raymundo, i° e 2° secretários; Carlos Raulino, 
2 o thesoureiro , Dr. António Olyntho, general Thaumaturgo de Aze- 
vedo e Pádua Rezende, membros da Commissão da Exposição Nacional 
de [908. 

Depois de minuciosa visita á exposição de objectos já preparados 
pela Sociedade, para o certamen nacional de rgo8, tendo S. Ex. o 
Sr. Ministro occasião de visitar varias dependências da sociedade, como 
bibliotlieca, museu etc, é convidado pelo Dr. Sylvio Rangel para se 
dirigir á sala das sessões, onde tomando logar á direita do Sr. presi- 
dente, que convida para oceupar a esquerda o Sr. Dr. António Olyntho, 
declara aberta a sessão solemne em homenagem ao Sr. Ministro da 
Industria. 

O Sr. presidente, tomando a palavra, lê o seguinte discurso: 

« Sr. Ministro ! 

Somos muito gratos á honra que vos dignastes conceder-nos, vindo 
visitar o nosso centro de trabalho. 

Não sois, certamente, um estranho nesta casa. Ha cinco annos, aqui 
estivestes pela primeira vez, collaborando comnosco no memorável 
Congresso das Applicações Industriaes do Álcool. Éreis, então, muito 
moço e já o vosso Estado, onde aliás não escasseiam os talentos de escol, 
havia reconhecido no novel engenheiro, o digno herdeiro de altas vir- 
tudes de gloriosos antepassados. Não nos foi ditticil reconhecer o 
acerto da previsão. Naquelle certamen, em que se debateram com grande 
elevação tantos e tão variados assumptos, nos destes frequentes provas, 
não só de brilhante talento, mas, sobretudo, de grande disciplina inteí- 
lectual, que é o apanágio dos homens de Estado. 

Foi, pois, com real sympathia que vos vimos chamado a oceupar o 
posto, que honraes, na alta administração da Republica, tanto mais 
difficil de preencher no momento, quanto, é certo, o cidadão que o 
deixara lhe havia dado brilho excepcional, graças a um bello talento a 
serviço de inquebrantável vontade. 

Não nos illudimos. O Congressista de iqo3 trazia para o Governo, 
robustecido pela experiência e a observação de outros povos, os mesmos 
ídeaes, a mesma fé inabalável nos altos destinos da Pátria, a mesma con- 



178 SOCIKDADK NACIONAL DE AGRICULTURA 

vicção de que é no seio abençoado da terra que está latente, á espera 
somente de quem a venha colher, toda a matéria prima com que deve- 
remos archilectar o edifício de nossa grandeza futura. 

Apoiado na orientação patriótica do eminente Sr. Presidente da 
Republica, não tendes perdido tempo. A viação férrea continua célere a 
desenvolver-se por todo o paiz, atravessa campinas, penetra pelos ser- 
tões, despertando aqui, estimulando alli as forças vivas da producção. 

O povoamento do solo, condição essencial ao desenvolvimento 
desta, já o iniciastes, e o seu completo successo não se fará esperar, 
quando aquelles, a quem cabe a tarefa, se compenetrarem de que o 
barateamento da subsistência do proletário, por eífeito de um prudente 
e equitativo regimen tributário, é o meio seguro de vincular ao nosso 
paiz os immigrantes que procuramos para elle attrahir. 

A propaganda do Brasil no estrangeiro, secundando a obra ingente 
e imperecivel do grande patriota que dirige a nossa Chancellaria, dentro 
em breve, estamos certos, começará a trazer para o nosso commercio 
internacional os benefícios que, com perfeita intuição, soubestes prever. 

Tendes, é certo, Sr. Ministro, a responsabilidade de uma Secretaria, 
em que cada directoria por si só seria bastante para absorver toda a 
actividade de um estadista ; ainda assim, emprehendendo resoluto a 
solução de grandes problemas, não tendes descurado de outros que, por 
mais modestos, não são menos momentosos. 

Da agricultura propriamente dita vos estaes também oceupando. 

As estações agronómicas, os postos zootechnicos começarão dentro 
em breve a se propagar no paiz ; a representação da agricultura na 
próxima Exposição Nacional, a reunião de seu Congresso, que nessa 
occasião se realisará, não teriam o brilho que estamos habituados a 
prever si lhes tivesse faltado, um momento, o vosso decisivo concurso. 

Mas, não basta termos fartos meios de transporte, precisamos pro- 
duzir o que transportar. Para produzir é preciso sabel-o. 

A agricultura não é mais a velha arte de um século atraz, mas uma 
industria de natureza extremamente complexa, que se aperfeiçoa 
todos os dias. Na concurrencia universal das industrias, a victoria ja- 
mais abandona os que melhor e mais barato produzem. Produzir melhor 
e barato quer dizer aperfeiçoar o instrumento de trabalho, multipli- 
cando-lhe o effeito útil. E 1 o que precisamos fazer. 

Para que podem servir-nos as barreiras levantadas ao livre com- 
mercio internacional, e que, fomentando a rotina, impedindo o pro- 
gresso e perfeição do trabalho, sacrifica a grande massa dos consumidores 
e acaba por desvalorisar o próprio produeto e arruinar o seu produetor ? 



A LAVOURA 1.9 

A lavoura não pôde aspirar uma tal protecção. O que ella deseja, 
o que cila reclama c um conjuncto de providencias, prudentes, harmó- 
nicas e previdentes, que lhe permittam altrahir e baratear a mão de obra 
pelo barateamento das condições de subsistência e de relativo conforto 
do operário, garantia segura de sua fixação e permanência no solo, que lhe 
venham facilitar, pondo ao seu alcance, os meios conducentes ao aperfei- 
çoamento e melhor utilisação do trabalho e, finalmente, que lhe venham 
prestar etficaz concurso para a conquista da sua emancipação da tutela 
atrophiante que lhe impõe a especulação dos mercados. 

No estado actual das industrias ruraes, a concurrencia do baixo preço 
com a melhor qualidade do respectivo producto está intimamente ligada 
á applicação da engenharia, da mecânica e da ehímica agrícolas no 
amanho da terra e da zootechnia, da chi mica, da biologia etc, na 
pecuária. 

Assim como o individuo sem pratica de laboratório, por hábil que 
seja, não poderá, sem tentativas frustradas chegar, a realisar uma simples 
analyse chimica, assim também o agricultor inexperto, por mais que lhe en- 
sinem os livros, nenhuma probabilidade terá de serbem suecedido em uma 
primeira experiência . Mas, emquanto o chimico em curto espaço de tempo, 
em horas apenas, pôde repetir o trabalho, até conseguir seu intento, o 
agricultor estará obrigado a esperar muitas vezes um e mais annos para 
renovar a experiência que, não raro, lhe consumirá capitães. 

D'ahi o nosso empenho constante em favor do ensino agrícola pratico, 
em escolas superiores, em simples aprendizados, em campos de experi- 
ência e demonstração eda creação de institutos apparelhados convenien- 
temente, onde os interessados se possam prover dos elementos necessários 
ao aperfeiçoamento das respectivas industrias. 

Mas não é tudo. Todos conhecem as lutas travadas pela especulação 
no commercio. 

Desse phenomeno, aliás natural, que a todos alíecta, produetofes e 
consumidores, a lavoura, entre nós, é a mais sacrificada das victimas. 

Desde o café e os cereaes até os produetos das pequenas industrias 
ruraes, tudo é sacrificado nos nossos mercados á ganância da especulação. 

No regimen de desaggregação em que ainda permanece a lavoura, 
não ha meio de impedir o mal, e é preciso desconfiar dos projectos salva- 
dores que frequentemente apparecem. 

A união dos interessados, ensina-nos a experiência de outros paizes, 
é o único meio de subtrahil-as ás garras do abutre. Mas a lavoura é timida 
e, com alguma razão, demasiado desconfiada. Não crê na efficacia de 
meios em que não vê empenhado o Governo. 



ISO SOCIEDADE NACIONAL DK AGRICULTURA 

O que temos nós conseguido neste particular, si é muito pela dificul- 
dade oiíerecida pelo meio em que operamos, é pouco para o que aspira- 
mos. 

Na França a situação também era a mesma, mas a acção vigorosa de 
Waldeck Rousseau em pouco tempo conseguiu transformal-a, fazendo 
surgir por toda a parte as associações ruraes. 

Eis ahi uma bella vereda convidando o Governo a trilhal-a. 

Sr. Ministro, no caminho da propaganda que percorre, prestando 
na medida das suas forças os serviços que julga poderem ser úteis ás 
classes ruraes do paiz, a Sociedade Nacional de Agricultura, não raro, 
tem a lutar com a má vontade de uns e a inditlerença de muitos e, si 
lhe é licito ser indifferente a estes, não o é, por certo, protelar a ma- 
nifestação e seu reconhecimento aos que, animando-a, distinguindo-a, 
prestam-lhe apoio efficaz na obra patriótica em que está empenhada. Vós 
tendes sido um destes últimos e é por isso que ella, desejando dar-vos 
um expressivo testemunho do seu reconhecimento, com viva satisfação 
inaugura o vosso retrato na pequena galeria em que se acham os daquel- 
les que maiores serviços lhe lèm prestado. 

Procurámos realisar este acto sem que o pudésseis suspeitar c sem 
a menor ostentação. E' que temíamos que este viesse diminuir o per- 
fume do sentimento que nos anima. 

Dentro de poucos dias voltará a occupar esta cadeira o companheiro 
e amigo querido que tanto a tem honrado e cujas aptidões, avigoradas pelo 
estudo e observação que acaba de fazer no estrangeiro, maior brilho 
lhe virão dar. 

Permitti, pois, Sr. Ministro, que aproveite esta opportunidade para 
juntar ás manifestações de gratidão desta sociedade os votos pessoaes 
do meu profundo reconhecimento, pela benevolência com que sempre 
me acolhestes c o efficaz concurso que vos dignastes prestar-me, graças 
ao qual, coma coadjuvação de leaes companheiros, puderam os meus 
fracos hombros supportar as grandes responsabilidades que pesam so- 
bre a presidência da Sociedade Nacional de Agricultura. » 

Após essa substanciosa peça oratória, que foi muitas vezes sublinhada 
com calorosas salvas de palmas, o Sr. Dr. Carvalho Borges Júnior, em 
nome do Conselho Superior da Sociedade Nacional de Agricultura, 
manifesta o seu reconhecimento pelo comparecimento do Sr. Ministro, o 
qual, tomando da palavra, agradece a manifestação da directoria da 
Sociedade Nacional de Agricultura, acostumado, como está desde ha 
muito a ver nella as mais bellas manifestações de esforço e dedicação 
em prol do progresso e engrandecimento da lavoura. S. Ex. diz sentir- 



se jubiloso por achar-se no meio dos seus antigos companheiros de jorna- 
da. Agradece c acceita esta manifestação como sendo dirigida não ao 
Ministro, mas ao antigo companheiro de lutas. 

«Esta sociedade, S. E\. o aftírma textualmente, apezar da má 
vontade de alguns, da falta de comprehensão de muitos, vai trilhando o 
seu progressivo desenvolvimento e cumprindo o seu programma. Para 
completa execução do seu programma, ella não pôde dispensar o auxi- 
lio do Governo, o qual, continuador do precedente no desenvolvimento e 
auxilio da lavoura, não deixará de vir ao encontro das necessidades de 
tão útil sociedade, a qual amparará dentro da lei, sempre com muito 
boa vontade.» 

Os termos firmes e categóricos do discurso do nobre Ministro foram 
calorosamente applaudidos pela numerosa assembléa que concorreu á 
bella festa. 

Relatando o occorrido, a Lavoura junta-se aos senhores lavradores 
para generalisar os applausos merecidíssimos tributados ao joven e bene- 
mérito Ministro pelo muito que elle ha feito e p2lo que ainda ha de vir 
a fazer. 



Homenagem ao Er. Wencesláo Bello 

A 9 de maio ultimo, solemnizou a Sociedade Nacional de Agricul- 
tura a volta do seu caro presidente, que, após muitos mezes de útil 
excursão pela Europa e Estados Unidos, lhe veio retomar a direcção, 
com farto cabedal e firme vontade de continuar a penosa faina em que, 
ha tanto tempo, se acha empenhado em beneficio da lavoura nacional. 

Foi um dia de sincero jubilo para os collegas e auxiliares do illus- 
trado Dr. Wencesláo Bello, cujo espirito cordato e tolerante, como soe 
ser o dos homens de fina educação, lhe tem creado uma legião de amigos 
dedicados, não só entre os seus pares, como também entre os seus 
auxiliare-. 

A concurrencia foi considerável, tendo assistido á sessão solem ne e 
ás diversões que lhe seguiram uma selecta sociedade, em que se distin- 
guiam varias senhoras e gentis senhoritas. 

Após a sessão foram proferidos brindes cordealissimos, reinando a 
maior satisfação pelo acto. Foi uma bella festa. 

A 1 sessão de posse, que se passou sob a presidência do Dr. Sylvio 
Rangel, compareceram todos os membros da directoria, com excepção dos 



.SOCIEDADE NACIONAL DE AHIUHII/TURA 



Drs. Sérgio de Carvalho e Monteiro da Silva, que se achavam ausentes 
da Capital . 

Aberta a sessão o Sr. Dr. Sylvio Rangel, presidente em exercício, 
toma a palavra e profere o seguinte discurso : 

« Sr. Dr. Wencesláo Bello ! A Sociedade Nacional de Agricultura, 
com justo motivo, manifesta hoje a viva alegria de que está possuída, por 
voltar á cadeira que, com grande brilho para elle e lustre para seu próprio 
nome, tem sabido occupar o seu benemérito presidente. Seria difticil, 
sinão impossível, pretender enfeixar, resumindo nos limites de uma 
singela saudação, toda a historia de vossos abnegados serviços á causa 
patriótica que aqui nos congrega, e a que tendes dado o melhor quinhão 
de vossa actividade e toda a vossa dedicação. 

Ahi estão os registros de nossas deliberações. Quem os quizer folhear, 
não terá, por certo, difficuldade para reconhecer que, desde os seus pri- 
meiros passos, a Sociedade Nacional de Agricultura teve em vossa bella 
intelligencia, em vosso ardor patriótico, em vosso espirito tão tenaz, 
quanto reflectido e methodico, um guia seguro e um dos mais valiosos 
cooperadores da sua grandeza e prosperidade. 

E foi por isso que, percorrendo a escala hierarchica de sua adminis- 
tração, chegastes á culminância em que vos achaes, não por uma mera 
casualidade, mas por uma imposição indeclinável ás consciências dos que 
deseiam ver prosperar a nossa aggremiação. 

E como não ser assim, si os que comvosco convivem, não podem 
fugir á fascinação do professor consciencioso, do mestre apaixonado, que 
sabe tirar da arte com que preparar e illustrar a intelligencia juvenil 
de seus discipulos, o ardor e a convicção com que incute no espirito dos 
seus concidadãos o amor á cultura da terra, como fonte perenne de felici- 
dade para o homem e de riquezas para a Pátria ? 

Mas, para que esta apologia, si fallo em um meio em que todos vos 
amam e admiram ? 

O momento é apenas de regosijo e de esperanças ; de regosijo, porque 
vos temos de novo entre nós, a guiar-nos com o vosso conselho de amigo , 
com a vossa palavra de estimulo, com o vosso exemplo de dedicação ; de 
esperanças, porque o cabedal de conhecimentos que nos trazeis, colhidos 
na observação dos povos adeantados do velho e do novo mundo, é um 
novo e poderoso recurso de armas e munições para a campanha em 
que estamos empenhados em prol da lavoura e das industrias ruraes 
do paiz. 

No curto período de onze mezes, tão longos aliás, para a nossa 
saudade, não vos preoccuparam outros intuitos que não fossem o appare- 



A LAVOURA 183 

lhamento de vosso lúcido espirito para a grande campanha em que nos 
achamos aqui envolvidos. 

Desde a admirável organisação do departamento da agricultura dos 
Estados Unidos da America, até ás mais modestas caixas ruraes da França, 
da Bélgica, da Allemanha e da Itália, visitastes neste limitado espaço de 
tempo, 71") diversas instituições, concernentes ao ensino profissional e aos 
vitaes interesses da agricultura, trazendo de cada um as lições de experi- 
ência de que nós outros aqui carecemos . Nada mais tendes, pois, a lazer 
sinão commandar. Nós vos obedeceremos . 

Sr. Dr. Wencesláo Bello, a Sociedade Nacional de Agricultura tinha 
para comvosco uma divida, de que a vossa modéstia não lhe havia 
permittido desobrigar-se até o presente . 

Delia se desempenha, porém, entregando-vos o titulo de seu sócio 
benemérito, que ninguém melhor do que vós o tem merecido. 

Acceitai-o, pois, como a manifestação do seu profundo reconheci- 
mento pelos inolvidáveis serviços que, com a mais desinteressada 
dedicação, lhe tendes prestado. 

Antes, porém, de deixar esta cadeira que as circumstancias me 
forçaram a oceupar, seja-me permittido manifestar, neste momento, a 
gratidão de que está cheia a minha alma, para com os generosos compa- 
nheiros a quem tive a subida honra de presidir. 

A 1 sua inexcedivel dedicação aos grandes ideaes, que nos unem, á 
sua imperturbável cordealidade, sobretudo, á sua lealdade jamais desmen- 
tida, devo, em primeiro logar, a remoção das maiores difficuldades com 
que tive de arcar. 

Eu faltaria, pois, a um indeclinável dever, si não aproveitasse 
esta opportunidade para dar publico testemunho de minha profunda 
gratidão e estima a tão dignos amigos, a tão leaes companheiros. 

Mas não é só a estes que devo prestar homenagem. A estas também 
têm direito esses collaboradores anonymos de que se não fala, porque não 
figuram comnosco no elenco da administração, esses modestos funeciona- 
rios da Sociedade Nacional de Agricultura, de cuja extrema dedicação á 
obra patriótica em que está ella empenhada, tive as mais significativas 
demonstrações no periodo difhcil que tivemos de atravessar e que, ainda 
neste momento, sem outra recompensa que a nossa gratidão e estima, 
supportam tarefa dobrada, alegres, cheios de enthusiasmo, antegosando 
da victoria que se lhes afigura infallivel. 

Eu quizera que aquelles a quem as contrariedades da sorte ou o 
egoísmo da vida, predispõem o humor contra a Sociedade Nacional de 
Agricultura, viessem conviver algum tempo entre nós. 



ISi SOCtEDADE NACIONAL DE Ar.KieUI.TURA 

Seria um meio de demonstrar -lhes de que é capaz a dedicação 
collectiva em prol de um ideal grande e nobre, e, então, elles comprehen- 
deriam que o segredo do nosso successo está na sinceridade e no patrio- 
tismo dos nossos intuitos e que estas festas de cordealidade que celebramos, 
em que o luxo e a pompa são suppridos pelo nosso enthusiasmo e pelas 
nossas esperanças, não tèm outro fim que lembrar aos agricultores de todo 
o paiz que aqui estamos cohesos, um grupo de cidadãos, sempre promptos 
a empenharmos esforços e dedicação na defeza dos interesses legítimos, 
do desenvolvimento e do progresso das industrias ruraes do nosso extre- 
mecido Brasil. » 

Em seguida o Dr. Carvalho Borges Júnior, illustre membro do 
Conselho Superior da Sociedade, proferiu as seguintes palavras : 

<í Acceitando a honrosa incumbência que recebera do Conselho 
Superior da Sociedade Nacional de Agricultura, vinha trazer as suas 
saudações ao Exm. Sr. Dr. Wencesláo Bello pelo seu feliz regresso, 
manifestando deste modo o elevado apreço em que eram tidos os valiosos 
serviços por S. Ex. prestados á causa da agricultura nacional. O Conselho 
Superior estava plenamente convencido de que os estudos que S. Ex. 
acabava de fazer na Europa e na America do Norte seriam devidamente 
apreciados e se traduziriam em fecundos resultados para a nossa pátria, 
que tanto necessita de homens operosos e dedicados como S. Ex.,para 
conseguir que se reerga a nossa principal industria, um dos mais impor- 
tantes ramos da actividade nacional, como é incontestavelmente a lavoura, 
que infelizmente se acha abandonada, desunida e quasi moribunda, 
embora sobre ella repouse a fortuna particular e publica. 

Acceite o Sr. Dr. Oliveira Bello as saudações do Conselho Superior 
como a expressão sincera do muito que lhe merece S. Ex. que pela sua 
operosidade, illustração e alta integridade moral, se tem imposto ao 
respeito e estima dos seus pares, do Conselho Superior e dos sócios em 
geral, constituindo a sua permanência á frente dos destinos da Sociedade 
a mais solida garantia, o mais seguro penhor do seu desenvolvimento, 
da sua sempre crescente prosperidade. 

Ao concluir, congratula-se com S. Ex. e cavalheiros presentes pelo 
feliz regresso de S. Ex . e por continuar a prestar o seu valioso concurso 
á obra de regeneração da nossa agricultura, formulando ao mesmo 
tempo os mais ardentes e sinceros votos pela prosperidade da Sociedade 
e felicidade do seu esforçado e prestimoso presidente . » 

Após o Dr. Borges Júnior usou da palavra òSr. Campos da Paz, 
que em nome dos funecionarios da Sociedade Nacional de Agricultura, 
endereçou estas palavras ao Dr. "Wencesláo Bello : 



A LAVOURA 1S5 

« Exmas. Sras, Exm. Sr. Dr. Wencesláo Bailo, D. D. Membros da 
Directoria da Sociedade Nacional de Agricultura, Illustres Cavalheiros: 

Um outro que não eu, fora escolhido, para em festa de tamanha 
magnitude, dizerem nome dos Empregados desta casa, quanto havia 
mister a quem hoje assume, após uma longa ausência, a presidência 
desta benemérita Sociedade . 

Motivo ponderoso, porém, empeceu lio illustrado quanto distincto 
collega poder desempenhar galhardamente a nobre missão que lhe fora em 
boa hora confiada, e, na falta delle, delégaram-me tão alta incumbência, 
para cujo desempenho cabal e perfeito, são-me as forças de que por- 
ventura possa dispor, por demais minguadas, senão positivamente 
nullas. 

Que me relevem, pois, os bons companheiros de labor, e todos 
os que me fazem a gentileza de ouvir, se no interpretar os sentimentos 
de que se acham possuídos os nossos corações, o faça com uma pallidez, 
uma fraqueza destoante do acuminado gráo de intensidade em que elles 
vibram. 

Exm. Sr. Dr. Wencesláo Bello : 

Quando um dia tivemos entendimento de que V. Ex.se resolvera 
deixar este grande Paiz que se ufana de tel-o como filho, e dos mais 
nobres, com o alevantado propósito de, nos grandes centres da velha 
Europa, e na grande Republica Norte-Americana, ver, observar e estudar 
quanto é capaz a intelligencia humana nos seus arrojados e culminantes 
surtos, visando a prosperidade, a riqueza e o bem-estar dos differentes 
povos que constituem as múltiplas nações ou paizes em franco apogèo 
de desenvolvimento, de civilização e de adiantamento, — exultamos de 
alegria e de orgulho, porque sabíamos com segurança que a orientação, 
a experiência e o saber já tão evidentemente desenvolvidos em V. Ex., 
requintariam, primariam em quilate ainda de maior valia. 

Esse contentamento alimentado por um orgulho perdoável e mais 
que justificado, embalou-nos, afagou-nos, docemente o coração e a alma 
por algum tempo, e acreditamos que os doces travos da saudade que uma 
dilatada ausência impunha, não nos ralassem, não nos consumissem 
tanto . 

A certeza do nobilíssimo intuito que o levava a deixar a extreme- 
cida Pátria, em busca de novos conhecimentos com que deveria enrique- 
cer a intelligencia, já bastante cultivada de V. Ex. , não foi bastante para 
attenuar, suavizar e minorar siquer os tons magoados, dia a dia, instante 
a instante, tirados pelo plectro da saudade nas cordoalhas dos corações 
sincera e dedicadamente amigos. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



E ouvimos c sentimos essas vibrações saudosas durante longos 
mezes, findo os quaes, ellas cessavam por completo, ou melhor se trans- 
formaram em outras que nos não pungem, ao contrario até, cantam, soam, 
como em manhans de maio, as notas gárrulas e vibrantes da negra e 
aveUudada craúna. 

Temol-o, pois, de tornada, na direcção suprema desta bemfazeja 
casa a que V. Ex. tem dedicado o melhor das suas forças e da sua 
intelligencia, fazendo por seus sábios conselhos, por suas delicadas 
attenções, por sua extrema bondade, em cada auxiliar um coração amigo, 
extremoso e grato, que, liem compenetrado de suas fuhcçÕes e de seus 
deveres, empenham-se, na medida das suas f jrças e dentro da orbita que 
lhe foi traçada — por levar á meta que se tem em mira, qual é de feito 
o problema do levantamento e do progredimento da Agricultura Brasi- 
leira, problema esse que a Sociedade Nacional de Agricultura tem pro- 
curado resolver e resolverá por fim. 

E quando um dia a historia tomar contado acervo da Agricultura 
neste Paiz, certamente encontrará o nome de V. Ex. ligado aos dos 
mais extremados campeões, como o mais decidido, valente e pertinaz 
e apontando-o aos porvindoiros dirá : 

Cubra a justiça de glorias e de bênçãos quem tanto faz pela grandeza 
de sua Pátria ! 

Falia em seguida o Sr. Carlos Pacheco : 

<l Exms. Srs. Presidente e Directores da Sociedade Nacional de 
Agricultura. 

Exmas. senhoras. 

Senhores representantes da imprensa. 

Meus senhores. 

Exm. Sr. Dr. Sylvio Rangel. 

A irreílcxão, que num momento de enthusiasmo, fe/.-mc acceitar 
a incumbência de meus companheiros de trabalho nesta casa, para 
vir render um preito de gratidão, é a causa que determinou for- 
ear-vos a ouvir as minhas singelas palavras, desprovidas de cor e 
de vida, após orações tão fluentes que acabam de echoar por esta 
sala . 

Sr. Dr. Sylvio, sob a vossa direcção, quasi 10 mezes tivemos o 
prazer de labutar em prol dos interesses da Sociedade Nacional de 
Agricultura, procurando mantel-a no nivel em que a collocou Wencesláo 
Bel lo. Nesse lapso de tempo foi-nos dado apreciar a vossa dedicação 
por este trabalho de Wencesláo Bello, ao lado do carinho dispensado 
a cada um dos vossos auxiliares. 



Hoje ide-vos afastar da cadeira presidencial, e, embora ella vá ser 
occupada pelo dedicado amigo, os nossos corações se confrangem de 
saudade pela vossa ausência. 
Sr. Dr. Sylvio! 

A vossa trajectória pela presidência da Sociedade Nacional de 
Agricultura, si vos trouxe ephemeros dissabores, augmentou o circulo 
de vossos amigos com uma plêiade de dedicados ; e das minhas palavras 
poderíeis ter provas, se pudésseis ver os nossos corações, onde , acharíeis 
gravada em caracteres indeléveis a dedicatória : 
Ao Dr. Sylvio — Amizade.» 

Levanta-se o Dr. Wencesláo Bello, que, visivelmente commovido, 
proferiu a seguinte oração : 

i Minhas Senhoras — Meus Senhores — Quiz a directoria da Socie- 
dade que eu reassumisse o exercício de minhas funcções em meio desta 
solemnidade. 

Resolveram os amigos, collegas e funccionarios, todos companheiros 
esforçados na cruzada do bem, pugnada por esta associação, todos 
irmanados no mesmo ideal patriótico, vir aqui cumular-me de louvores 
de brindes e de honrarias. 

Meu coração, Senhores, transborda de reconhecimento. Não me illu- 
de, porém, a minha consciência . Bem o sei ; ella irfo affirma : é a vossa 
inesgotável generosidade, amigos, que persiste em attribuir-me o que é 
antes obra de vós todos. Na vida, certo fecundíssima, desta Instituição, 
sou apenas e só tenho sido modesta unidade a que vós, alinhados á minha 
destra, valorizaes com o vosso próprio valor, por vezes muitas, muito 
superior ao daquelle que a benevolência, ainda, vos deu por chefe. 

Sou apenas um companheiro leal e dedicado que procura ser útil 
ao paiznoseio desta corporação, auxiliando-vos a construir na lavoura 
nacional o alicerce sobre o qual tem de assentar a grandeza de nossa 
Pátria. 

Esta corporação a que votei a minha existência, os esforços que em 
vossa magnanimidade acclamais de beneméritos, exprimem somente o in- 
tuito honesto de saldar uma divida. Uma divida, sim, Senhores. Tenho 
por dogma que a Pátria exige por direito todo o esforço de que é capaz 
o cidadão. 

Entendo que o cidadão ao nascer abre uma conta corrente com a 
sociedade em que vai viver. 

Em seu passivo se registram os progressos que a sociedade conquis- 
tara, a luz que lhe illumina o espirito, o conforto que é chamado a gozar, 
as victorias que alcança, os proventos e a felicidade que frue. 

4403 6 



188 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

E' de elementar honestidade procurar saldar essa divida. Só o pessi- 
mista e o egoísmo fingem desconhecer; adies o opprobrio, pois são réos 
do supremo dever social . 

Não é, Senhores, com o desempenho, ainda o mais escrupuloso, dos 
encargos remunerados, que se o pôde conseguir. A sociedade exige mais e 
melhor, que só o esforço abnegado pôde dar, pois que no balanço de nossa 
existência ha um grande excedente de serviços que não prestamos e de 
que usufruímos os proventos. 

Reconheço, Senhores, a grande divida que tenho para comj o meio 
em que vivo. Ella é a belleza grandiosa e os inexcediveis recursos desta 
Pátria de que me orgulho ; é os exemplos de virtude de meus adorados 
Paes, os extremos de carinhos da família, os thesouros de affectos dos ami- 
gos, a benevolência de meus concidadãos. 

Muito grande é a minha divida social e foi o intuito honesto de pro- 
curar saldal-a que me attrahiu ao seio da Sociedade Nacional de Agri- 
cultura, com a intuição de que seu destino era semear e cultivar com 
êxito a riqueza de nossa Pátria . 

Vós, Senhores da Sociedade, viestes augmentar essa divida com 
vossas demonstrações de aífecto e com os galardões a que jamais aspirara 
em meus melhores sonhos de ventura . Sinto -me vergar ao peso de tão 
grandes responsabilidades, juro-vos, porém, redobrar de esforços para 
bem servir o paiz no seio desta corporação. 

Assumo, Senhores, com o mais intenso jubilo o exercício de minhas 
funcções nesta Sociedade ao vosso lado, pois posso proclamar e o faço 
convicto e desvanecido, que os meus companheiros de trabalho souberam 
honrar o nome brasileiro, sustentando o prestigio de nossa amada corpo- 
ração com inexcedivel zelo, honestidade e proficiência. 

Não é esta, Senhores, a opportunidade para dizer-vos o que fiz e o que 
aprendi na minha viagem. Fal-o-hei em meus relatórios, pelo imprensa 
e no futuro congresso de agricultura, esperando poder mostrar que não 
poupei esforços para corresponder á vossa generosa espectativa e á hon- 
rosa confiança do Governo. 

Quero antecipar, porém, que voltei mais do que nunca orgulhoso de 
ser brasileiro e mais confiante nos grandes destinos reservados á nossa 
nacionalidade e isto faz com que me sinta feliz de volver ao seio desta 
Sociedade, para cooperar comvosco no progresso desta querida Pátria 
emoldurada por um céo cheio de luz e de vida e que é o único debaixo 
do qual se pôde querer morrer, a 

Tem a palavra o Sr. Alberto Jacobina que pronuncia o seguinte 
discurso : 



A LAVOURA 189 

« Sr. Dr. Sylvio Rangel : 

Sobre a vossa cabeça deve tremular incontestavelmente também 
uma das faixas do gallardão multicor, cujas fitas se espalham neste 
dia ao sopro dos sentimentos da mais nobre justiça sobre a cabeça do 
benemérito presidente desta casa. 

E é para balbuciar pallidamente as palavras que traduzem o sen- 
timento ardente dos presentes, em geral, que me acho de pé. 

Causar-vos-ha porventura sorpresa que tenha sido eu justamente o 
escalado para a honrosa incumbência que ora desempenho. 

As idéas que defendo nesta casa tiveram ensejo, infelizmente para 
mim, durante a vossa gestão, de se enunciarem com clareza bastante 
para fazer crer que o seu defensor se julgaria impedido de louvar a 
direcção que destes aos nossos trabalhos. 

Assim não é, entretanto, pois, na Sociedade Nacional de Agricultura, 
a paixão do ideal commum impede que a divergência dos princípios 
obscureça a razão de seus servidores e lhes offusque a visão nítida do 
esforço alheio e do merecimento de cada um, por affastados que se 
achem em seus pontos de vista, por antagónicos que sejam os processos 
que suggerem para o mesmo fim. 

Poderá, senhores, parecer estranho o caminho por que vou enve- 
redando. Bem sei que a praxe antiga se oppõe a que se exhiba extra- 
muros a verdadeira situação das communidades. 

Bem sei que a mentira convencial acostumou-se a dominar a fronte 
das imagens que representam as corporações, desde as simples asso- 
ciações de classe até ás mais solemnes assembléas politicas. 

O espirito de camarilha, as combinações de bastidores substituem hoje 
em dia a franca permuta das idéas e a espontânea emissão das impressões. 

A Sociedade Nacional de Agricultura, meus senhores, tem a meu 
ver, responsabilidade demais para transigir com semelhantes situações 
e para adoptar semelhantes processos: responsabilidade perante aquelles 
que a compõem ; responsabilidade perante os governos que a teem 
honrado com a sua confiança e com o seu auxilio ; e, sobretudo, respon- 
sabilidade perante a consciência daquelles que a dirigem. 

Eu tenho, portanto, certeza de que só posso honrar a Sociedade 
Nacional de Agricultura fazendo referencia ás opiniões divergentes que 
ella abriga e que luctam em seu seio pelotriumpho dos programmas 
que defendem. 

Ninguém duvidará da verdade deste facto e a ninguém é dado crer, 
de hoje em diante, que esta casa se governe pela transacção silenciosa 
na camaradagem de um grupo. 



190 SOCIEDADE NATIONAL DE AGRICULTURA 

Neste recinto, meus senhores, a discussão não é um mytho ; e não 
raro entre nós as decisões são tomadas depois da victona de uma 
opposição fundamentada e pertinazmente dirigida contra as idéas que 
se apresentam a principio fortemente apoiadas ; e a decisão da maioria 
é a decisão a que todos se submettem sem appello. Eu tenho sido, não 
me pesa dizel-o, um dos incorrigíveis membros desta opposição á directriz 
indicada por actos diversos da nossa maioria, e justamente por isso é 
que tenho também a consciência clara da minha insuspeição quando 
venho saudar o presidente que transmitte nesta data ao seu digno 
successor o bastão que, de modo tão galhardo, tão honesto, tão hábil, 
tão talentoso, e, seja dita a verdade, tão brilhantemente efficaz, empunhou 
na direcção da propaganda de nossa agricultura. 

Os factos convencem muitas vezes áquelles que divergem da 
execução de um programma, da multiplicidade dos caminhos que con- 
duzem ao bom êxito. 

Eu presto, portanto, homenagem ao successo alcançado pela pre- 
sidência que hoje finda no período preparatório da exposição a que 
esta Sociedade vae concorrer, e saúdo ao Dr. Sylvio Rangel pela dedi- 
cação com que orientou para este fim os trabalhos desta casa. 



Horto Fructicola da Penha 

Distante pouco mais de um kilometro do arraial da Penha e tendo 
uma área de i o hectares e 89 ares, servido pelas vias férreas Rio do Ouro, 
Leopoldina Railway, varias estradas de rodagens e possuindo ainda com- 
municação marítima, o Horto satisfaz as maiores exigências de accessi- 
bilidade, mostrando-se assim com as condições para sede de um instituto 
de ensinamento da pratica rural. 

Sob o ponto de vista agrícola, as suas condições em nada diminuem o 
seu valor. Apresentando pequenas elevações, os seus terrenos, de variadas 
composições, são na sua maioria originados dos gneiss e micaschistos que 
as transformam em terras argilo-silicosas, silico-argilosas ou puramente 
silicosas nas baixadas próximas ao mar, sendo as primeiras carregadas de 
forte camada humosa . 

Prestam-se todas as suas terras a varias culturas, como se evidencia 
das que já se acham culturadas, onde as plantas apresentam grande vigor 
e productividade . 



O seu ponto mais alto onde se acha a sede do estabelecimento, 




Sede da Administração 

constitue uma pequena elevação á 10 metros do nível do mar, estando 
assim a cavalleiro dos demais. 




Entrada da casa da antiga tazenda 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



O orçamento federal votado para o exercício de igo5, designou verba 
para auxiliar a creação de um horto fructirola e viveiros de plantas, a cargo 
da Sociedade Nacional de Agricultura, mandando comprehender esses ser- 
viços na verba destinada á distribuição de plantas e sementes. 



r £-: , 




Estrumeira 

Autorizada a Sociedade a arbitrar a quantia necessária, foi pedida a 
de 20 contos de reis, que effectivamente foram postos á disposição, auxilio 
esse que se repetio em 1906. 

Como se verifica, data, portanto, de 190D, o funccionamento regular 
do Horto Fructicola da Penha. 

Antes desses recursos possuia a Sociedade, no Horto, um velho vi- 
nhedo de Herbemont, um inicio de pomar e alguns pequenos viveiros. 

O vinhedo devido a imperfeição dos processos culturaes não deu 
resultado ; o restante não satisfazia as condições para a producção nem 
para o ensino da fructicultura. 

Essas pequenas plantações estavam na parte baixa da fazenda, pró- 
xima a antiga casa de residência, que ameaçava ruina na maior parte dos 
seus corrtmodos. 



A LAVOURA 193 

Iniciados os trabalhos principaes que constaram do saneamento e 
preparo do prédio, reforma de uma caixa d^gua e construcçáo de outras, 
reconstrucção das cercas e desbravamento do terreno, que, em sua quasi 
totalidade, era conservado em estado de pasto ou de matto inçado de 
espinheiros. 

Destacado e lavrado successivas vezes, foram iniciadas as plantações 
definitivas e a formação de viveiros. 




Deposito de machinas agrícolas 



No anno de 1907, a Sociedade com o intuito de fundar um pomar 
que servisse de exemplo e de ensino de fructicultura, bem como um apren- 
dizado para manejo de instrumentos agricolas, adaptando assim o 
estabelecimento a fins práticos, organizou por proposta do seu presidente 
Dr.Wencesláo Bello, as instrucçóes que se resumem nos seguintes artigos: 

1 ." Fica creado o logar de superintendente do Horto da Penha. 

2. Ao Superintendente compete: 

a) organisar os serviços e a respectiva escripturaçáo ; 

b) proceder a observações e experiências de fructicultura e a ensaios 
de culturas industriaes e outras: 



104 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



c) Organisar um aviário, pocilga, apiario e mais departamentos, obser- 
vando em tudo as melhores condições technicas. 

Obedecendo a essas instrucções e dando seguimento natural á criação 
do Horto, foram iniciadas varia> bemfeitorias, entre estas uma cocheira e 
um estabulo, ambos de accôrdo com os requisitos da hygiene. 

Estas dependências são interiormente abertas, guarnecidas por paredes 
ateraes, cobertas de zinco, cimentadas e possuindo canalisação de maneira 
a encaminhar as usinas dos animaes á fossa da estrumeira simples, que por 
sua vez foi construída de modo a satisfazer as exigências das culturas. 

Collocada em um nivel inferior aos estábulos, provida de um pavi- 
mento impermeável levemente inclinado para frente, afim de que os 
líquidos escoem para fora, de onde são retirados para a meda de quinze 
em quinze dias. 




Apiario 

Servindo de linha divisora entre o commodo dos muares e o dos bois, 
está um vasto compartimento onde se acham guardados os vehiculos e 
machinas agrícolas. No seguimento da cocheira, existe um commodo des- 
tinado a enfermaria e no do estabulo um outro destinado á guarda de for- 
ragens e residência do tratador . 



A LAVOURA 



Além dessas construcçues existem ainda o apiario, o gallinheiro e a 
pocilga, todos feitos de accordo^com as regras da construcção rural. 




Pocilga 

Ni confecção destes commodos foram attendidos não só os preceitos 
ivgiene e conforto, bem como a economia. 




Alamed; 

O Horto tem para o serviço e < 
4 Muares. 

4403 



seguintes animaes 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



i Cavallo. 
6 Bois. 

i Suino (Yorkshire). 

Quanto a vehiculos e machinas agrícolas e instrumentos, o Horto 
possue : 

i Carroça para bois. 
2 Carrinhos de mão. 
i Carro. 




Viveiros de genipapeiros 



Arado de dois discos. 
Arados de um disco reversível , 
Arado de ponta . 
Cultivadores de disco. 
Capinadeira. 
Destorroador. 
Ancinho mechanico. 
Aradinho de discos. 
Bombas de irrigação. 
Machina de etiquetar. 
Bomba Vilmorin . 



A LAVOURA 197 

i Machina para formigas e outros instrumentos taes como : pás, en- 
xadas, picaretas, moendas, etc. 

Estão feitas as seguintes plantações definitivas. 

SECÇÃO DE FRUCTICULTURA 

8.000 Videiras. 

3.ooo Figueiras. 

i.õoo Fructeiras de conde. 

1 .200 Laranjeiras diversas . 




Viveiros de enxertos de laranjeiras 



20 Kakis. 

20 Sapotys. 

20 Abieiros. 

20 Abricós. 

100 Mamoeiros. 

8 Cajazeiros. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



2 Fructciras i de pão . 
8 Macieiras, 
io Pecegueiros. 
2 Pereiras. 




Enxertos de laranjeiras 



io Litchis do Japão. 

i Eugenia Speciosa. 

i Araçá-Assú. 

8 Jaboticabeiras. 
5o Cajueiros. 



SECÇÃO DE PLANTAS INDUSTRTAES 



6oo Agave sisalana. 
500 Hennequen . 
2800 Fourcroya gigantea . 
•200 d lidinea. 

6 Stelnigera sebifera. 

2 Nox de kola . 

1 Camphoreira. 
200 Maniçobeiras do Ceará. 
3oo í » Piauhy. 



6oo Maniçobeiras do Jequié. 
io Hevca braziliensis. 




Plantação de agave sisalana 




Viveiros de fructeiras de conde e maniçobal 



SOCIEDADE NACIONAL DE ACRIGULTURA 



SECÇÃO DE VIVEIROS 



3. Soo 

8.OO0 

:í . ooo 

2.200 

Soo 
3oo 

2.200 

i5o 

i.85o 

i5o 

Soo 

i .3oo 



Laranjeiras . 
Fructeiras de conde. 
Genipapeiros. 
Mangueiras. 
Abieiros . 
Abacateiros . 
Cambucieiros . 
Jaboticabeiras . 
Cajueiros . 
Jambeiros . 
Jacarandás. 
Oitvs . 




Plantação de piteiras 



130 Saboneteiros. 
3 . 000 Cocos de catharro . 

800 Dendezeiros. 
1 5 . 000 Bacellos de figueiras . 
18.000 í > videiras. 



A LAVOURA 



5.000 Mudas de canna sem pello. 

10.000 t » » Ubá. 

10.000 i> » » Macau. 

i o . ooo -> » » Piteiras . 
5.000 Laranjeiras para enxerto. 

Os trabalhos do corrente anno, dos quaes alguns já se acham inici- 
ados consistem na construcção de um gallinheiro e colmeal, que obede- 
ceram aos preceitos modernos . 

Também se installará a secção sericicola e ampliação das cocheiras, 
pocilgas e cabraria modelo, afim de que sejam dotadas de reproductores 
de raça, iniciando-se assim o curso pratico de zootechnia. 

Já se acha installado o curso de machinas agrícolas, de enxertia 'je 
poda. 




O Dr. O' Dwyer lavrando com o arado de dois discos 

O Horto tem fornecido dos seus viveiros grande quai.tidade de se- 
mentes e plantas , que montou no seguinte : oitocentos abacateiros, mil 
fructeiras de conde, duzentas Eugenia speciosa, tresentos Abieiros, qui- 
nhentos cambucazeiros, 40.000 bacellos de Rupestris du Lot, i5.ooo Ba- 
cellos de Herbemont, 80.000 bacellos de figueiras, 800 larangeiras enxer- 
tadas, 200 mudas de canna sem pello e 120 mudas de canna Ubá 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Tem ainda o cannavial com as seguintes variedades : 
2.5oo Cannas sem pello. 

800 d Macáo . 
3 . 000 » Ubá . 

A fazenda acha-se delimitada, tendo sido para isto feito o respectivo 
levantamento. 

B^HjN*^ 

COLLABORACÃO 



As experiências de adubação na Fazenda de Santa Mónica 

No anno passado foram levados a effeito, pela Sociedade Nacional 
de Agricultura, diversas experiências afim de se verificar si, por meio 
de uma adubação racional, era possível augmentar-se a producçáo. 




Campos de experiências da fazenda de Santa Mónica 

Os ensaios foram iniciados nas culturas do milho, arroz, feijão, 
canna de assucar, algodão, batatas e beterrabas forrageiras. As espe- 



A LAVOURA »» 

riencias, porém, nas culturas do arroz e do algodão não tiveram o 
resultado esperado, devido ao fraco poder germinativo da semente 
empregada nessas experiências, que não pegaram em nenhum dos lotes. 
A experiência em batatas não poude também ser levada a effeito, 
visto como, após já ter sido feita a distribuição dos adubos nos lotes, 
não mais havia sementes para a sementeira dessa plantação. A expe- 




Experiencia de adubação em feijão 



riencia na cultura da canna de assucar ainda não teve tempo sufi- 
ciente para dar o resultado definitivo, ficando apenas as experiências 
em feijão, beterrabas forrageiras e milho para constituírem o assumpto 
de que vai ser objecto este relatório. 

A experiência na cultura do feijão foi levada a effeito em 10 lotes 
perfeitamente demarcados em um are cada um, nos quaes se distribuiu 
a dosagem de adubação, prescripta na tabeliã infra: 

4403 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Vj kl los fie chlorureto de potássio 

kilos de superphosphato 

i /. i kilos de sulphato de ammoniaco 
*/ a kilos de chlorureto de potássio. 

kilos do supcrphoupbato 

V» kiios de chlorureto de potássio. 
» ► i> sulphato de ammoniaco 

kilos de superphosphato 

•/ 9 kilos de sulphato de ammoniaco 
30 kilos de cal 



*/ a kilos do chlorureto de potássio. 

kilos de superphosphato 

'/a kilos de sulphato de ammoniaco 
30 kilos de cal 

Vs kilos de chlorureto de potássio. 

kilos de superphosphato 

30 kilos de cal. . . . * 

1 */ t kilos de chlorureto de potássio. 



nia. „ 



30 Idlos de cal 

4 kilos de superphosphato 

Vá kilos do sulphato de ammoniaco. 



AUGMENTO DB PRODUCÇÃO 



5 400 



7 5oo 



Quatorze dias após a adubação teve logar a sementeira, sendo o 
feijão capinado varias vezes. O resultado desta experiência foi o que 
está consignado na tabeliã supra. 

Deprehende-se claramente desses algarismos, sem maior commen- 
tario, a indispensável necessidade do auxilio de todos os elementos 
nutritivos. A safra colhida sem adubação produziu 200 kilos por hectare, 
ao passo que a safra colhida por meio de uma completa adubação, 
produziu 11. 100 kilos por hectare, o que representa um augmento de 
810 kilos por hectare na producção. Em regra geral, porém, deve 



este resultado, ser considerado, em relação á média de uma colheita, 
como uma producçao baixa, pois que, pelo menos, devia haver-se 
colhido de 2.000 a 3.5oo kilos por hectare. 




Experiência de adubação em milho 
Sem adubo 



Quando, porém, se toma em consideração que em um solo tão 
esgotado como o da fazenda de Santa Mónica, as primeiras adubações 
não podem ofterecer ás plantas todo o beneficio desejado, sendo retidos 
em um solo tão depauperado os elementos nutritivos em primitivo 
logar para a sua própria saturação, não é para admirar que se tenha 
produzido uma safra pouco satisfactoria. 

A experiência em beterraba forrageira apresenta um resultado 
idêntico. 

Foram demarcados quatro lotes de um are cada um, cuja adu- 
bação e producçao foram como se segue : 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGBICl'LTI'KA 



s 


ADUBAÇÃO 


PRODUCÇÃO 


AUGMBK CO 






por are — */. 
88 

180 

j ., 

: 


por ar» — Hg. 


í 

,.j 


3 kilos do su er hos hato 




a » » chlorureto de potássio • 

ai» salitre "do Chile ' 

3 f chiorureto de [íot^ssir . 


93 
63 


') 


kilo de hlorur 


77 













Também neste ensaio a producçáo máxima é no lote com a 
completa adubação, e dk comparação entre os lotes 2 e 4 se pôde 




• Experiência de adubação em milho (Com adubo) 
facilmente verificar o augmento de uma dosagem crescente. 



A LAVOURA *07 

Da experiência na cultura do milho, que ainda não chegou ao 
período de sua colheita, fica, entretanto, significativa menção na illus- 
tração em seguida reproduzida do seu actual estado de desenvolvi- 
mento . 

Experiência em milho na Fazenda de Santa Mónica 




Aduba- \ 


i adul 


... 


SI i 1 l.s . snper- 
phosphako. 

200 ks. salitre 
do Chile. 


de 20 otas'sio aIPhatO 
4»0 ks. super- 
phòsphato. 


200 kl. sulpha 
de potássio. 
ano ks. saliti 










Producção : 


1.300 


ks. 


3.10O ks. 


2.700 ks. 


3.000 ks. 



De todas essas experiências ficou demonstrado que a& terras da 
Fazenda de Santa Mónica estão actualmente bastante depauperadas e 
esgotadas, e que, tanto aqui como em outros paize ., a producção pôde 
ser facilmente augmentada por meio de uma adubação racional dos 
terrenos postos em cultura. 

E. Maoer. 



snCIKDADE NACIONAL F>K AGRICULTURA 



A vida rural 



Shorthorn — O mais popular gado de engorda 

A CRIAÇÃO QUE PREVALECE SOBRE TODAS EM NUMERO E DISTRIBUIÇÃO 

ÁS RAZÕES DA SUA POPULARIDADE — A HISTORIA DE SEU DESEN- 
VOLVIMENTO — O TYPO ACTUAL E SUAS VANTAGENS 

O professor W. J. Kennedv, do collegio agrícola de Iowa, pu- 
blica na revista « Farming », de janeiro próximo passado, um artigo, 
ricamente illustrado, sobre este gado de fama mundial, o Shorthorn. 
Agora que o Brazil quer esmerar mais em suas ricas criações, acho 
conveniente estudar também este typo melhorador em suas formas 
actuae% para ver se convém aproveital-o nas zonas em que seja pos- 
sível offerecer-lhe, durante todo o anno, fartura de forragem verde 
ou secca. Pelo que, vou resumir o artigo do professor Kennedv. 

O ponto forte da criação do Shorthorn está na sua adaptabilidade 
ás mais diversas condições. A cepa ingleza foi crescida em terrenos 
férteis, abundantes de pastos e de fenos ; o clima era temperado, ze- 
losa e boa a assistência do homem. A cepa escosseza foi desen- 
volvida, principalmente no norte, debaixo de condições climatéricas 
mais rigorosa e com menor fartura de alimento. A mistura de sangue 
no gado que originou o Shorthorn, tornou plástico este gado no pri- 
meiro tempo de sua constituição, de forma que, com a criação, des- 
envolveram-se diversos typos; o vigoroso e forte Shorthorn de en- 
gorda ; o leiteiro, que encontra-se em poucos estábulos ; o que junto 
ás duas aptidões, é que se pôde considerar como o mais acabado. 

Mudado para outros paizes, este gado adaptou-se sem soffrer pelas 
novas condições. No Canadá tem resistido á alimentação no curral ; 
nas grandes planícies tem firmado sua popularidade contra o gado 
especializado para carne que ahi se achava ; nos Estados productores de 
milho, este gado, com seu producto de leite e de terneiros gordos, 
muito ajudou aos fazendeiros nos tempos difficeis ; nas fazendas de 
criação, os touros massiços e poderosos teem deixado o traço do pro- 
gresso, dando vigor, tamanho e carne á sua descendência. Sua força 
os tem feito donos dos rebanhos, afastando os touros fracos ; sua vita- 
lidade tem-lhe dado a capacidade de resistir ás tempestades do in- 
verno; e sua actividade e vigor teem garantido uma boa producção 
de terneiros em toda a parte onde foram introduzidos. São de corpo 



comprido e nervado ; defeitam, porém, hoje no comprimento das pernas, 
o que de outro lado os tornam mais demorados e seguidos pastadores 
no campo. Na fazenda ou no mercado os novilhos com 5o °/ e ou mais 
de sangue Shorthorn, prevalecem em valor; e a capacidade das vaccas 
de pagar seu gasto com o valor do leite, criando ao mesmo tempo 
bons novilhos para o mercado, tem firmado o credito deste gado entre 
a grande maioria dos criadores americanos. 

O typo agora conhecido pelos juizes de exposições e pelos cria- 
dores, é o extremo typo pela carne. Touros maduros pesam, usual- 
mente, uma tonelada (kg. 907) ou mais; vaccas de kg. 634 a 724 
e até kg. 81 5, se forem preparadas para exportação. A solidez é, 
todavia, característica deste gado. A cor do pello é ruiva, branca ou 
rua. Os touros devem ser de peso exigido, baixotes, grossos, largos, 
de formas symetrieas, de extremidades direitas e bem marcadas . Lar- 
gura das cadeiras, das ilhargas e do costado são qualidades essenciaes. 
Nesta moldura a carne será abundante, devida ao completo des- 
envolvimento dos pesados músculos daquellas partes. A cabeça será 
curta, larga e gorda ; os olhos calmos, sem indicios de medo. Os 
chavelhos serão curtos, porém, grossos e fortes. O pescoço curto e 
espesso, as espáduas largas, bem situadas e bem cobertas de carne 
na summidade e nos lados. Com tudo isso o animal mostrará ossos 
limpos em seus membros, pelle macia, fácil a dobrar-se e coberta de 
peilo espesso. Vigor — indicado pelo thorax profundo e largo — deve 
caracterizar cada touro bom. Os criadores de Shorthorn fazem muito 
caso disto. 

As fêmeas possuem a mesma característica geral de forma, 
qualidade e constituição. Todavia, as vaccas Shorthorn devem pos- 
suir mais largura de bacia do que os touros e feminilidade de cara- 
cteres em logar de masculinidade. A feminilidade é indicada por 
uma cabeça curta, larga e finamente cortada, concava entre os olhos, 
com chifres finamente encurvados, pescoço fino, espáduas mais del- 
gadas, emfim, um maior refinamento geral. Todas as vaccas, para 
serem boas productoras, devem ser também boas leiteiras ; de outra 
maneira ficam sendo o incubo do criador. 
San Remo — (d'0 Paz\). 

G. Rosai. 



SOilfEDADE NACIONAL DE ACHICULTUR A 



EXPEDIENTE 



Secretaria 



Sessão de Directoria. —Na sessão de 21 de maio presidida pelo 
Sr. Dr. Wencesláo Bello, de volta da Europa e Estados Unidos, S. Ex. congratula-se 
com seus collegas pela boa orientação dada aos destinos da Socielade na sua au- 
sência e pelos serviços pelos mesmos prestados. 

O Sr. Dr. Heitor de Sá felicita em nome de seus collegas o Dr. Wen- 
cesláo Bello, pelo seu lèliz regresso á Pátria, trazendo do velho mundo novos 
ensinamentos para serem empregados na actividade desta casa. 



Cor respondencia 

EXPEDIDA 

Cartas 507 

Officios 29 

Telegrammas 59 

Registrados 29 

A Lavoura 3.815 

Inq. do Zebú 1.156 

Monog. da borracha 1.172 

RECEBIDA 

Cartas 229 

Circulares 4 

Memorandos 8 

Offlcios 34 

Requerimentos 216 

Telegrammas 8 



íhesouraria 



I I ! 
§ s i 



J B. I* O. B fcc O 



§ f i : l 



= : I 1 | li a 'O 

„ | g 1 1 f í| ! 1 



MM.IEDADK NAUtiNAL I)K A<ii;!i;i I/1'URA 



Demonstração 


da 


conta 


de Lucros e Perdas 




DEBITO 


13S$000 




» Biblioth. 






1:925$000 
2:216$059 

40.* i00 
15:S77$940 
3:169$U0 
10:90SJ65b 
i:r,74jO0(> 
200$000 
í:353$600 




, i " 




» Camará Municipal do tataguaze-j 








,. acerei 








» Secretaria da Agricultura (Bahia). 
» Thesouraria 


1TO 






45:8774350 


» Balanço de 1907 


£0:475$030 

75$660 
136*290 


73:73>$690 


CRED 
de Annnidades 


116:639$OÍ0 








40:885$950 

75:0í3§090 
















li3:630$040 



Demonstração da conta do Fundo de Património 





- 


12:3344500 


No corrente anuo : 




7:OJS$000 

400.JOOU 




Remissões 




Donativos: 






Recebido do D.-. Wonccsláo Bello 


IG5$000 




de diversos 


y2.-j-.oo 


7:692$500 






10:04: ■ 



aeiro, 31 de dezembr 
l, C»'tu I 
sliofe da 3» secção. 



A I, A VOU RA 



Secção Tschnica 



Director- — Fez uma viagem do recreio ao Rio da Prata o Engenheiro 
Heitor de Sâ, director da secção technica, durante um mez até 6 de Maio, tendo 
tido occasião de estreitar as relações da Sociedade nas duas Capitães Platinas o 
tendo colhido elementos que nos serão de utilidade. 

Legumiiiosas forrageiras — Da uma carta dirigida a esta 
Sociedade pelo Sr. Agenor de Paiva, rosidente eu Bello Horisonte, extr.ihimos os 
seguintes interessantes tópicos: 

«Inclino envio-llie o resultado daanalyse que moudei proceder de cinco va- 
riedades do leguminosas. 

Estou convencido que o nosso hello paiz produz nativas leguminosas, tão ne- 
cessárias para o aperfeiçoamento de nossas raçis bovina e cavai lar, que bem po- 
deriam substituir a alfafa. Forragem rica em hydrato de carbono como a nossa 
canna taquara ou cavallo não conheço nenhuma. Tenho longa experiência sjbre 
forragens, e em breve pretendo publicar um folheto a respeito. 

Actualmente estou empenhado no exame de uma outra planta forrageira e em 
tempo eommunicar-lheei o resultado. Tenho esperanças de obter bons resultados. 
Já a experimentei na alimentação dos animaes e tenho notado que elles se nutrem 
melhor. 

Já é tempo de deixarmos a velha rotina, e si quizermos nos collocar ao lado 
dos grandes paizes produetores, precisamos nos intoressar mais pel * raechanica 
agrícola moderna. 

Diz o Dr. Assis Brazil, no ultimo capitulo do sui magistral «Cultura dos 
Campos», que as forragens indígenas esperam ainda o seu Colombo. 

Tivesse eu meios que em breve não precisariam mais de nenhum Colombo, 
ctc». 

Segue- se a analyse feita no Instituto Agronómico do Estado de S. Paulo: 

N. I: Feijão fartura, de carda, mineiro. 

» 2: » miúdo 

» 3: » andú ou guandu 

» 4: » bravo 

» 5: >> chocalho. 
Para 100 partes de substancia secca ao ar. 



N"» 


1 


2 


3 


4 


5 


Humidade . . . 


4.73 °/ 


5.58 »/o 


6.04 7o 


5.96% 


6.23 7. 


Matéria azotada . 


17.15% 


22.97 •/. 


20.48 7,, 


13.567.. 


20.00% 


» graxa . . 


2.290/.P 


2.73»/» 


4.88% 


4.21 7. 


2.33 7o 


» não azo', ida 


40.29 7o 


33.96»/,, 


35.83% 


35.76% 


34.8H7. 


» fibrosa. . 


âO.88% 


29.66°/. 


27.09% 


34.80% 


29 .66 •/„ 


» mineral . 


15.24 "(o 


18.107. 


5.68 " „ 


5.71% 


6.937° 



214 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Estatística Geral — Recebamos um questionário da estatística da 
Republica e satisfazemos as perguntas relativas ao nosso Boletim, de accôrdo 
com a lei. 

Damos publicidade ao decreto iaherente ao facto. 

DECRETO N. 1.850 — de 2 janeiro de 1908 

Obriga tolas a; auto *i lales, riria na miULares, associa; "je-;, empreza?, companhias, esta- 
lecimentos indnstriaes, commerciae; o outros e os parlioulares a darem as infor- 
mações que lhe; forem pedidas pela Directoria Geral de Estatística. 

O Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brazil: 

Faço saber que o Congrosso Nacional decretou o eu sancciono a seguinte reso- 
lução: 

Art. I a . As autoridades feloraas, civis ou militares, os presidentes, directores 
ou gerent;s do fabricas, emprezas, companhias, associações e outros estabeleci- 
mentos industriaes, commerciaes, de instrucção e moraes, bem como os parti- 
culares, naeionaes ou cxtrangeiros, domiciliados em qualquer parte da Republica, 
são obrigados a prestar â Directoria Geral de Estatística as informações que lhes 
forem pedidas, nos prazos e secundo os planos e modelos adoptados pela citada Re- 
partição. 

§ I o . O Governo Federal promovera accôrdo com os Governos dos Estados e 
com a Prefeitura do Districto Federal para obter das autoridades estaduaes e mu- 
nicipaes a permuta de publicações o a remessa regular de informações á Directoria 
Gàral de Estatística. 

§ 2». As repartições federaes e as emprezas particulares serão obrigadas a en- 
viar á mesma Directoria, independente de solicitação, quatro exemplares, pelo 
menos, dos trabalhos estatísticos que publicarem. 

Art. 2 o . A falta de cumprimento das disposições do artigo precedente será pu- 
nida com a multa de 50$000 a 500$003, cobrados executivamente. 

Paragrapho único. A cobrança executiva das multa-; impostas compete aos 
procuradores seceionaes da Republica, de accôrdo com o art. 125, n. 2, lettra a da 
Consolidação das Leis referentes á Justiça Federal, approvada pelo decreto n. 3.084, 
de 5 de novembro do 1898. 

Art. 3 o . A execução dos serviços de que trata esta lei compete a funccionarios 
federaes, podendo, todavia, sor confiada aos Governos dos Estados, mediante an- 
nuencia sua, conforme dispõe o § 3° do art. 7 o da Constituição Federal. 

Art. 4 o . Revogam-se as disposições em contrario. 

Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 1908, 20° da Republica. 

AFFONSO AUGUSTO MOREIRA PENNA. 

Miyuel Calmon du Pin e Almeida . 
Augusto Tavares de Lyra. 



Secção do álcool 

Director — Tendo sido concedida licença ao Dr. Sérgio do Carvalho, 
director desta secção, foi pelo Sr. Dr. Presidente designado o Dr. Benodicto 
Raymundo para substituil-o desde o dia 24 de abril. 



Movimento da propaganda das Applicações Industriaes do Álcool, de 1903 
(outubro-inicio) atá 1908 (maio). 

Serviços 
de propaganda Consumo 
Annos pratica de Álccol 

Exposições Litros 

I Iluminações 

1903 4 8.550 

1904 47 5.000 

1905 73 5.800 

1906 80 9.100 

1907 126 9.930 

1908 30 2.500 

Constam da .4 Lavoura e seus números especiaes o desenvolvimento que 
tiveram os serviços práticos acima. Só nos cabe lembrar que o êxito da grande 
Exposição inicial provocou a realização de outras, como as que se effectuaram em 
Florianópolis em 1905, em Pelotas em 1905 e 1907 e em Porto Alegre em 1906, 
alôm de outras de menor importância, em varias cidades dos Estados do Rio e 
Minas e, por occasião de solemnidades, na sede social, onde, aliás, conservam-so 
os apparelhos em exposição permanente. 

O di8tendimento da propaganda escripta, não só para a consecução das medidts 
necessárias, por parte, dos governos e particulares, ao bom êxito da propaganda, 
como também para o impulsionamento da adopção do systema a álcool, é fácil 
de apprehonder compulsando os livros goraes de cartas e respostas da Sociedade o 
também os números da A Lavoura, mormente de 1906 em diante, quando este 
Boletim iniciou sua nova phase de propaganda noticiosa. 

Montada modestamente, constituo outro serviço a o/pcina de reparos e expe- 
rioncias desta Secção. Sua acção vae além dos serviços internos para aceitar, 
gratuitamente, para reparar, concertar, experimentar quaesquer apparelhos 
apresentados, quer por sócios, quer por pessoas que adoptem os apparelhos a 
álcool. 



>i>circi>u>ií na- :h >\ ai. di: míuiciltuua 



Secção de plantas e sementes 

Boletim da expedição no mez de maio de 1908 



ESPECIFICAÇÃO 


PESOS 

Kilogrammas 


VOLUMES 




1.311 

999.500 
379.51 Kl 
83 

52.500 

8.345 

59.050 

27.500 

78.500 

9.450 

5.600 

5.600 

1.105 

3.650 

1.850 

20 

7.350 

6.500 

13.350 

195 

720 

1.200 

18 

50.500 

41.710 

1.300 

23.950 

350 

5.500 

5S.150 

154.500 

7.350 

500 

4 






183 






\\°i 1 


59 








43 








22 








llí 




16 




4 




98 








21 












17 




8 




13 




2 








43 




26 




22 


Pasualuni 




Snrihii 






2 




2 




36 




51 




7 




1 




2 








3.441.275 

1.166 


1.229 
142 








4. 007. 275 


1.371 







MOVIMENTO DA SECÇÃO 

Foram recebidos 405 pedidos de plantas e semente-, 
satisfeitos 174 » » sementes. 

« expedidas 2 cartas. 



íí^Oí-^ 



NOTICIÁRIO 



Conferencia no 3-Iu.seu. Commeroial <lo Rio d.e OTíi- 
íieiro — No dia 29 de maio, o Si-. Dr. MaDool Pereira Pacheco, representante 
do Estado da Parahyba, na Exposição Nacional, assistido por numeroso auditório, 
fez uma narrativa da miséria que grassa no seu Estado em consequeucia da soeca. 
O illustro conferente sensivelmente commovido narra as scenas de fome e sede que 
assistiu nos sertões da Parahyba, quando percorreu aquella zona recentemente em 
serviço do governo do seu Estado. 

Sr. Dr. Pacheco fez um appello sentido a todos os presentes para conse- 
guirem por esmola géneros alimentícios para serem enviados á Parahyba, afim de 
não se deixar morrer á fome o povo do sertão. S. Ex. faz histórico rápido do que 
tem sido as seccas do norte e termina implorando a caridade dos brasileiros c cx- 
trangeiros em favor dos famintos do Norte. Presidiu a conferencia o Sr. Dr. Cân- 
dido Mendes de Almeida, tendo tomado logar na mesa os Srs. Drs. António Olyntho, 
Ignacio Tosta e o Dr. Pacheco. — Achavam-se presentes representantes da Imprensa, 
Senadores, Deputados e grande numero de membros da Colónia Parahybana no Rio 
de Janeiro. 

A Lavoura agradece o convite de S. Ex. eo felicita pelos seus patrióticos de- 
sígnios. 

— O Dr. Caro e o professor Frank, de Charlottemburg, que se têm oceupado 
especialmente do estudo da turfa, acabam de terminar uma série de experi- 
ências, que lhes permittem, graças a um apparelho que inventaram, extrahir dos 
procluetos das turfeiras, ura gaz, que pôde prestar importantes serviços á indus- 
tria e principalmente Is usinas eléctricas. O gaz pôde S9r fabricado no mesmo 
logar, durante todo o anno e cora pequena despsza. Os inventores extrahem-no 
da turfa, ainda mosrai contendo 10% d' agua. Ao mesmo tempo, graças á nova in- 
venção, consegue-so tirar partido do azote contido na turfa sob a forma de seus 
ammoniacaesquose tornam prociosj^ fertilizantes. Tèm estes um valor que poderá 
compensar largamente as despezas da extracção da turfa e ainda deixar lucro. 

As turfeiras assimexploradas poderão ser depois utilizadas vantajosamente pola 
cultura. 

— Além do pó de ossos e do sangue deseccado, fornecera os matadouros amo- 
ricanos*adubos conhecidos pelos nomes de lankage e de azotina A lankage é o resi 
duo obtido pela evaporação dos líquidos, provenientes dos restos de carne o de ossos 
depois do separadas as matérias gordurosas. Estes proiuctos são classifica los se 
gundo a sua quantidade de ammoniaco e de acido phosphorico. A azotina é o re 
siduo obtido na extracção das gorduras, quando se opera sob uma forte pr.issão 
A azotina do commercio contém 15 /o de ammoniaco. Os chifres são igualmente 
vendidos como adubo, depois do aquecidos durante 5 horas, sob uma pressão 
do â'í , 8 % quadrado, afim de poderem ser pulverisados. O pó contém 10% do 
ammoniaco. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA. 



— Ha muitos annos, procuram diversos sábios enriquecer os solos pobres, nelles 
introduzindo bactérias nitriflcantcs. Os resultados ate agora têm sido medíocres. 
Segundo uma recente communicação do Sr. Bottomley ao Club Horticolo, de Lon- 
dres, parece que os americanos obtiveram excellentes resultados, tomando como 
meio de cultura uma mistura de maltose, de phospbato de potassa e de sulfato de 
magnesia. Declara o Sr. Bottomley que obteve um notável augmento de colheita, 
empregando essa nova nilragina. 

A. ag^ricultixi-a em Minas — Foi promulgada a resolução da 
Camará de Prados, isentando dos respectivos impostos de industrias e pro- 
fissões, por espaço de três a cinco annos, a juizo da Camará, os dois primeiros 
fazendeiros que em cada districto, adoptarem em suas propriedades os ser- 
viços, de um modo comple to, por meio de machinas agrícolas, depois de pro- 
mulgada a lei. 

A isenção do impostos será concedida pela Camará, a requerimento do in- 
teressado. 

Em igualdade de condições e épocas, será isento o designado pela sorte. 

A isenção do imposto deixará de subsistir, quando o agricultor interromper o 
serviço agrícola feito por meios mecânicos. 

Uma Ibatata <ie respeito — As batatas tão depreciadas nas innu- 
meras plirases feitas que correm mundo estão agora se rehabilitando, elevadas, 
como estão sendo, á categoria de força económica. Citam-se já os Estados e mu- 
nicipios em que a batata prospera magnificamente e, de certo, agradecido por 
isso o precioso tubérculo capricha, ás vezes, em dar productos de mara- 
vilhar. 

O Popular de Araraquara noticia agora que está em seu escriptorio, para quem 
quizer admirar, uma batata e tanto, pesando 15 kilos! 

O enorme tubérculo 1 diz o Popular, queé da família das convolvulaceas, foi 
colhido na chácara de propriedade do Sr. Isaltino Correia de Almeida Moraes, na- 
quelle município. 

De modo que hoje a maior felicidade que se podo desejar a um amigo é man- 
dal-o plantar batatas. 

— A agricultura na inglaterra está em plena decadência. Em 1870, alimentava 
metade da população; em 1890 mal podia supprir as necessidades da decima 
parte. 

A superfície plantada de cereaes diminuiu em enormes proporções. Dia a dia, 
portanto, a Inglaterra se torna mais tributaria das colónias e do estrangeiro. 
Se lhe cortassem as communicações marítimas, isto é, se se lhe arrebatasse o im- 
pério dos mares, os seus habitantes vèr-se-iam em breve perseguidos pela 
fome. 

Taes os factos que os trabalhos da grande commissão agraria tornaram pa- 
teutss. O numero dos trabalhadores agrícolas passou de 1.695.000, que era 
em 1871 a 9.000 em 1901. 

O relatório da dita commissão termina com estas palavras: « A situação agrí- 
cola do Reino Uaido é absolutamente anormal. Em nenhum outro paiz do mundo 
a agricultura se acha em tal decadencia>. 



A LAVOURA 219 



Interessantes informações acerca do consumo da banana na Fkança. 
A banana é desde muito tempo conhecida na França, mas as remessas sérias 
datam do 1886 para cá. Mesmo om 1890, o consumo em Paris era quasi nullo ; 
1.000 cachos por anno; mas não tardou em augmentar rapidamente. Em 1895, 
subiu a 5.000 ou 6.000 cachos ; em 1900 a 18.000 cachos e actualmente 6 de 70.000 
a 75.000 cachos por anno. 

Para dar idéa, porém, do consumo total, cumpre accrescentar Marselha e acosta 
mediterrânea com 200.000.000 cachos, o que dá uma cifra annual máxima de 300.000 
cachos. Esta cifra é na realidade ainda muito baixa, comparada com as dos paizes 
vizinhos : Allemanha, 700.000 a 800.000 cachos; a Inglaterra 400.000 cachos por 
anno. 

O arsénico emprega-se geralmente na agricultura como insecticida ; mas 
semelhante processo está sujeito a graves perigos. De um lado, os operários que 
manipulam os productos arsenicaes correm o risco de envenenar-se ; por outro lado 
o veneno que fica adhorente ás fructas, aos legumes etc. põe em risco a saúde 
dos consumidores. Citam-se mesmo alguns casos de morte. Em vista, pois, disto, 
em uma communicação dirigida á Academia de Medicina de Paris, insiste o Sr. 
Cazeneuve sobre a necessidade de prohibir radicalmente o emprego na agricultura 
dos compostos arsenicaes. Esta prohibição já existia na França desde 1846, mas, a 
fallar a verdade, nenhuma applicação tem tido. A observação do Sr. Cazeneuve é 
razoável, mas pouco resultado dará, porque, como observa o Sr. Riche, a agri- 
cultura não conhece melhor insecticida que o arsénico. Os inconvenientes e riscos 
que poderão resultar do seu emprego serão sempre considerados como quantidades 
desprezíveis. 

A producção do milho, na França, tende a desenvolver-se, ha cerca de uns 
vinte annos. Esta planta é actualmente cultivada em uma superfície de mais 
de 500.000 hectares e o valor da sua producção eleva-se a cerca de 90 milhões de 
francos. Vem, pois, a propósito assignalar as tentativas que se fazem na America 
para applicar o milho ao fabrico do papel. Para conjurar a crise do papel é de ne- 
cessidade encontrar um succedaneo á pasta da madeira. 

Na Algéria e na Tunísia é a alfafa que fornece a cellulose ; na Birmânia, os 
inglezes pretendem explorar o btmbú. Nos Estados Unidos, acha-se muito desen- 
volvida a cultura do milho, cuja producção alli é três vezes maior que a do trigo. 
Já o miolo da haste do milho tem diversos empregos na marinha dos Estados 
Unidos, ella substituiu o miolo do coqueiro no calafeto dos navios, assim como no 
fabrico dos explosivos. 

Para a industria do papal, a histe do milho ô uma excellente matéria prima ; 
mas é necessário proceder á separação da casca exterior e do miolo: este problema 
foi resolvido praticamente pelo Sr. Viggo Drewsen. 

A casca exterior, tratada com reactivos convenientes, dá uma pasta idêntica á 
da madeira, muito boa para o fabrico do papel commum opaco. O miolo dá uma 
pasta que pôde ser vantajosamente utilizada no fabrico dos papeis transparentes 
(papeis de manteiga) e de certas espécies de pergaminhos. 



-££-»Hí&€ : €€3 



SOCIEDADE NUeiOMAI. DE AGRICULTURA 



PARTE COMMERCIAL 



Maio de 1908 

Cafó 

Venderam-so l.Vi.000 saccas contra 174.000 do raez de abril. 

Entraram 106.86:! saccas contra 144.424 saccas no moz anterior. 

Os embarques foram — 187. 127 saccas contra 171 .610 no mez anterior. 

Calculava-se a existência no dia 15 de maio— 372.614 saccas contra 372.277 
no dia 30 de abril ; no dia 31 de maio — 349.01 1 saccas contra 372.041 saccas no 
dia 15 de maio. 

Os extremos das cotações foram : 



Typo n. 6. 
» > 7. 



í» quinzena 




Por arroba 


Por 10 kilos 


5$500 a 5$800 


3$744 a 3$949 


5$200 » 5$500 


3$540 » 3$744 


4$900 » 5$200 


3$336 » 3$540 


4$700 » 5$000 


3$203 » 3$404 


?» quinzena 




Por arroba 


Por 10 kllos 


5$600 a 5$800 


3$813 a 3$940 



Typo n. 6. . . 

» » 7 5$3(I0 » 5$500 3$608 » 3$741 

» » 8 5$000 » 5$200 3$404 » 3$540 

» > 9 4$700 » 5$000 3$200 » 3J401 

As entradas do Rio de Janeiro, retallrilamente, foram : 

í a quinzena 

Saccas 

Estrada de Ferro Central do Rr.izil 29.769 

Cabotagom 5.302 



B.irra dentro. . . 

Total. 



Saccas 

Estrada de Ferro Centr i\ do Brazil 31.830 

Cabotagem 8.189 

Barra dentro 42.845 

Total 81.804 



A LAVOURA 



221 



Em Nova York, o typo 7, disponível, cotou-se do 6 '/i6 a 6 3 / s por libra, sendo 
6 Vi6 nos dias 1,2 e 4, 6 3 / ia nos dias 5, G e 7, o l / t no dia 9, 6 5 /n no dia 1 1 o 
6 3 /a nos dias 12, 13, 14 e 15; a 6 l / i e. por libra nos dias 18 e 19 e a 6 3 / 8 c. em 
todos os outros dias. 

Na Bolsa registraram-se os seguintes preços: 

No dia 1 — 5.8; em ^ e 4 — 5.85; em 5 — 5.95; em 6 — 0.00, em 7— 3.5; em 
8e9— 0.10; em 11 e 12 — 0.15; em 13 — 6.20; em 14 e 15 — 6.15 e 0.05 c. em 
10 e 18; 0.20 c. em 19 6. 10; c. de 20 a 27 e 6. 15 c. em 28 e 29. 



Géneros importados 



i a quinzena 
Qualidade Quantidade Preços 

Farinha de trigo . . . 22.504 barricas. ... — — 

Americana (barrica) — — 

» (sacca)— Não ha. 

Rio da Prata: 

por 2 saccas 

Primeira qualidade 24$000 

Segunda » 22$500 

Terceira » 21|500 

Mjinho Inglez: 

Nacional ■ 24$000 

Brazileira 23$000 

Buda-Nacional — 

Mjinho Fluminense: 

S. Leopoldo 23$500 a 24$000 

O. O ... • 22,500 » 23$000 

5 a quinzena 

AmericaDa (barrica) — 

» (secca) — Não ha. 

Rio da Prata: 

por 2 saccas 

Primeira qualidade 23$500 

Segunda » 22$500 

Terceira » 21 $503 

Moinho Inglez: 

Nacional 24$000 

Brazileira 23$200 

Buda-Nacional 25$200 

Moinho Fluminense: 

S. Leopoldo 24$000 

O. O 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



f a quinzena 
Manteiga — 250 caixas : 

Demagny, Isigny (latas sortidas) 2$500 a 2$520 

Brétel Frères (latas sortidas) 2$300 » 2.$320 

Lepelletier 2$480 > 2$500 

Modesto Qallone (sortidas) 1$850 » 1$900 

Esbousen Não ha 

L. Brum 2$540 » 2$550 

Busck Juniur 2$400 » 2$450 

Marclet 2$200 » 2$220 

Outras marcas 1$800 » 2$000 

A nacional vendeu-se: a de Minas de 3$700 a 4$ e a do Sul de 2$400 a 2$600. 
2 a quinzena 

Demagny, Isigny (latas sortidas) 2$480 a 2$500 

Brètel Freres (latas sortidas). ' 2$300 » 2$350 

Lepelletier 2$480 » 2$500 

Modesto Gallone (sortidas) 1$500 » 1$900 

Esbousen s . Não ha 

L. Brum 2$500 » 2$540 

Busck Júnior 2$400 » 2$450 

Marclet 2$200 > 2$220 

Outras marcas 1$800 » 2$000 

A nacional vendeu-se: a de Minas de 3$600 a 3$ SUO e a do Sul de 2$400 a 2$600. 



Géneros nacionaes 

MAIO 
A..& i is i i- < 1 « 5 n t « s 



Tornou-se melhor a posição deste mercado devido não as entradas que foram 
insignificantes, as quaes constaram de 270 pipas de diversos centros produetores. 

As entradas na segunda quinzena tiveram grande augmento e constaram de 
598 pipas. 



í a quinzena 

Campos 

Angra 

Paraty 

Maceió 

Aracaju 

Pernambuco 

Bahia 

Parahyba 



Preços 
60$000 a 165$000 
70$000 > 175$000 
75$000 » 180$000 
17O$0OO 
1Ô5$000 
65$000 » 170$000 
165.Ç000 
170$000 



A LAVOURA 

Laguna 160$000 a 165$000 

Itajahy • . . . 160$000 » 165$000 

Mangaratiba 170$0J0 » 175$000 

Paranaguá 160$000 > I65$000 

2 a quinzena 

Preços 

Campos 165$000 a 170$000 

Angra 175$000 » 180$000 

Paraty 180$000 » 18õ$000 

Maceió 170$000 » 175$000 

Aracaju 170$000 > 175$000 

Pernambuco 170$Q00 » 175$000 

Babia 170$000 » 175$000 

Parahyba 170$000 » 175$000 

Laguna 165$000 » 170$000 

Itajahy 165$000 » 170*000 

Mangaratiba 175$000 » 180$000 

Paranaguá 165$000 » 170,j;000 



A.lcool 

Na primeira quinzena melhorou de aspecto este mercado que se conservou 
firme, ainda que sem alteração sonsivel nos preços. Na seguuda quinzena finda 
houve procura e apezar das entradas serem avultadas pois contaram de 863 vo- 
lumes de diversas procedências, os preços tiveram uma alta de cerca de 10$ por 
pipa. 

í" quinzena 

As cotações foram as seguintes, por pipa, sem casco: 

40 gráos. 250$000 a 230.j;000 

38 » 235$000 » 240$000 

36 » 225$000 » 230$000 " 

5» quinzena 

40 gráos 260$000 a 265$000 

38 » 24õ$000 > 250$000 

36 > 235$000 > 240$000 

A-lg-odiio em ia.m;i 



Com a forte reação operada no estrangeiro desenvolveu-se regular procura 
que, reflectindo nos mercados productores, determinou alta sensivel e brusca. Per- 
durou a mesma situação na segunda quinzena. 



s<h:iki>m>k NACIONAL de agricultura 



1" quinzena 

Fardos 

Existência no dia 30 de abril 10.365 

Entradas : 

Mossoró 4.396 

Parahyba 1.128 

Pernambuco 1.785 

Natal 1.600 

Ceará 160 9.069 

23.375 
Sabidas dos trapiches 6.607 

Existência no dia 15 de maio 16.768 

Preços : 

Pernambuco ll$700a 12$600 

Rio Grande do Norte 11$500 » 12$000 

Ceará 12$000 » 12$500 

Parahyba 1 1$700 » 12$300 

Penedo (Nominal) 

Sergipe (Nominal) 

2* quinzena 

Fardos 

Exi tencia no dia 15 , 16.708 

Entradas : 

Parahyba 2.980 

Pernambuco 2.089 

Ceará 997 

Natal. 900 

Maceió 900 

Maranhão 819 

Mossoró 815 

Piauhy 150 9.650 

26.418 
Sahidas dos trapiches 7.614 

Existência no dia 30 • • Is. 801 

Preços : 

Pernambuco 12$300 a 13$000 

Coará I2$300 » 13.^000 

Rio Grande do Norte 12$000 » lã$800 

Parahyba Iã$300 » 12$600 

Penedo (Nominal) 

Sergipe 12$000 » 12£400 



Assiicn 1 

O que ha a informar sobre este producto éque os brancos crystaes toem man- 
tido as cotações. Foi a mesma a situação da 2» quinzena havendo, porém, a dizer 
que houve maior firmeza nos mascavos o mascavinhos. 

riUMEIRA QUINZENA 

Os preços regularam como se segue : 

Pernambuco : 

Branco usina §540 a $550 

Dito crystal $520 » $530 

Dito 3» sorte $520 » $^30 

Crystal amarello $460 » $480 

Mascavinho $380 » $470 

Somenos $440 » $470 

Mascavo bom $340 » $350 

Dito regular $330 » $435 

Dito baixo — $325 

Sergipe : 

Branco crystal $510 a $540 

Mascavinlio $400 » $480 

Mascavo bom $340 » $350 

Dito regular $330 » $335 

Dito baixo — $320 

Campos : 

Branco crystal $520 a $530 

Dito 2» jacto $420 » $460 

Bahia : 

Branco crystal , $550 a $570 

Crystal amarello — — 

Santa Calharina : 

Mascavinho $380 a $400 

SEGUNDA QUINZENA 

Os preços regularam como se saguo : 

Pernambuco : 

Branco usina $540 a >560 

Dito crystal $510 > $520 

Dito 3 a sorte $520 

Crystal amarello $460 » $490 

Mascavinho $120 » $480 

Somenos $430 » $460 

Mascavo bom $355 » $300 

Dito regular $345 » $350 

Dito baixo $340 



!ii SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Sergipe : 

Branco crystal $510 a $520 

Mascavinho $420 » $480 

Mascavo bom $355 » $360 

Dito regular $345 » $350 

Dito baixo $340 

Campos : 

Branco crystal • . . . $510 a $540 

Crystal amarello $490 » $500 

Bahia : 

Branco crystal $550 a $560 

Dito 2 o jacto $500 » $530 



Cerea.es 

PRIMEIRA QUINZENA 

Preços 

Feijão preto de Porto Alegre, novo . . . 17$500 a 18$500 

Dito velho — — 

Dito idem de Santa Catharina 17$000 » 18$000 

Dito do Paraná 17$000 » 18$000 

Dito mulatinho 17$00() » 18$000 

Dito manteiga 18$00(> 

Dito enxofre 17$000 

Dito de cores, nacional 14$000 

Dito branco, estrangeiro 18$500 » 19$000 

Dito amendoim, idem — 18$500 

Farinha de mandioca, especial 10$000 » 10$500 

Dita idem flna 9$500 » 10$000 

Dita idem peneirada 8$500 » 9$500 

Dita idem do Norte — — 

Dita idem grossa, Laguna 7$000 > 7$200 

Dita idem idem, Porto Alegre Não ha 

Arroz nacional 22$000 a 27$000 

Dito inferior 14$000 » 18$000 

Milho amarello do Norte Não ha 

Dito idem da terra , . . 6$400 a C$500 

Dito branco idem 5$600 > 5$800 

Amendoim era casca 7$000 » 7$200 

Cangica 15$000 a 17$000 

Favas 12$000 » 12$500 

Kilogramma 

Alpiste $360 a $380 

Batatas nacionaes $IM » ,$180 



A LAVOURA 

Dita estrangeira Nominal 

Fubá de milho $120 a $1S0 

Matte em folha , . . . $4o0 > $500 

Tapioca $400 » $500 

Polvilho $180 » 220$ 

Carne Je porco $700 » $800 

Línguas do Rio Grande (uma) — 1$000 

Cebollas do Rio Grande (cento) Não ha 



SEGUNDA QUINZENA 



Preços 



Feijão proto de Porto Alegro, novo . . . I5J000 a 1C$000 

Dito idem da Terra Nova 14$000 » 15$0o0 

Dito idem de Santa Catharina 14$000 » 15$000 

Dito do Paraná . , 14$000 » lõ$000 

Dito mulatinho — » 15$000 

Dito manteiga — . » 15^000 

Dito enxofre — » 15$000 

Dito de cores, nacional 10$000 » 12$000 

Dito branco, estrangeiro 18$500 » 1 9^000 

Dito amendoim, idem 18.$000 » 18..-500 

Farinha de mandioca, especial 9$000 » 9$õ00 

Dita idem, fina 8$500 » 8.^800 

Dita idem, peneirada 7$600 » 8$000 

Dita idem, do Norte — — 

Dita idem, grossa, Laguna 6^800 » 7$000 

Dita idem idom, Porto Alegre Não lu 

Arroz nacional 22$000 a 24$000 

Dito inferior 14$00J » 18$0QQ 

Milho amarello do Norto Não ha 

Dito idem da terra C$200 a 6$500 

Dito misturado, idem 5,j600 » 5.j800 

Amendoim em casca 5$8u0 » 6$000 

Cangica 10^000 » 18$000 

Favas lo$000 » 10$500 

Kilogramma 

Alpiste $360 a $380 

Batatas nacionaes $100 » $180 

Dita estrangeira Nominal 

Fubá de milho $120 a $180 

Matte em folha $100 » $500 

.Tapioca $400 » $500 

Polvilho $180 » $200 

Carne de porco $G0C » $700 

Línguas do Rio Grande (uma) $900 > 1$100 

Cebollas do Rio Grande (cento) 2$300 » 2$500 

440 J U 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Furno em i*ôlo 

Durante a quinzena bouve a mesma firmeza que notámos na precedente, 

continuando inalterados os preços, e, quanto aos negócios, estes também foram 
desenvolvidos. 

i" quinzena 
As cotações foram : 

Preços 

De Minas, especial 1$600 

Dito superior 1$400 

Dito 2 a 1$200 

Dito ordinário $8(0 

Goyano, superior 2$400 

Dito 2 a 1$700 

Baixo Num, 

Rio Novo, superior 2$400 

Dito 2" 1$300 

Dito baixo 1$200 

Pomba, superior 1$600 

Dito 2 a 1$200 

Dito baixo Nom. 

Carangola 1$500 

Picú, especial 2$800 

Dito 1» 2$000 

Dito 2» 1$200 

Bahia 1$100 

2 a quinzena 

Durante a quinzena, o mercadojpermaneceu som alteração quanto a firmeza, 
registrando-se, como na anterior, negocio ura tanto mais desenvolvido. 

As qualidades mineiras especiaes, superiores, segundas ordinárias foram 
cotadas em 200 réis mais do que na primeira quinzena. 

As cotações foram : 

Preços 

De Minas, especial 1$800 

Dito superior 1$600 

Dito 2 a 1$400 

Dito ordinário 4$000 

Goyano, superior 2$400 

Dito 2 a 1$700 

Baixo Nom. t 

Rio Novo, superior 2$400 

Dito 2» 1$800 

Dito baixo 1$200 

Pomba, superior 1$600 



A LAVOURA 



Dito 2* 1$200 

Dito baixo Nom. 

Carangola 1$500 

Pioil, especial 2*800 

Dito I a 2$000 

Dito 2* 1$200 

Bahia 1$100 

Para as procedências do Rio Grande, volhos regularam de 15$ a 20$ e para 
novos de 1 1$ a 15$ por arroba. 



Entraram 1.811.040 kilos por cabotagem, do nacional, que se cotou do 2$ a 
2$100 por 40 litros. 



Mercado monetário 

A existência de ouro, na Caixa de Conversão, em 15 de maio, era : 

Libras esterlinas . 5.530.329—10 

Francos 10.501.530 

Marcos ■ 40 

Dollars 125.527—50 

Liras 2.280 

Coroas austríacas 4.650 

Pesos argentinos 100 

» nacional. 130:750$000 



SEGUNDA QUINZENA. 

Em 31 de maio era: 

Libras esterlinas 5.510.460— 10 

Francos 10.480.060 

Marcos 40 

Dollars 125.292-50 

Liras 4.790 

Pesos argentinos 2.290 

Pesetas hespanbolas 50 

» nacional 134:570$000 

A importância de notas conversíveis em circulação era : 

Primeira quinzena 95.813: 630$00O 

Segunda » 95.487:250$000 

O preço de soberanos, fora da Bolsa, foi de 16$025. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



CAMBIO 

As taxas offlciaes continuaram a manter-se inalteradas, a 15 1/8 d. sobre 
Londres nos bancos estrangeiros e 15 3/16 d. no Banco do Brasil. As transacções 
bancarias fizeram-se a esses extremos e as do outro papel a 15 3/16 e 15 13/64 d., 
não e registrando movimento digno de nota. 



Os extremos das cotações offlciaes foram : 



PRIMEIRA QUINZENA 



Londres, 90 d/v 15 1/16 e 15 3/16 d. 

Paris, 90 d/v $629 a $634 

Hamburgo, 90 d/v $776 » $780 

Portugal, 3 d/v 325 > 330 % 

Itália, 3 d/v $638 » $640 

Nova York, ,i vista 3$i95 » 3$310 

Vales, ouro — 1$793 



SEGUNDA QUINZENA 

Londres, 93 d/v 15 1/8 e 15 3/16 d. 

Paris, 90 d/v $629 a $632 

Hamburgo 90 d/v $776 » $779 

Portugal 3 d/v 316 » 325 % 

Itália 3 d/v $638 » $639 

Nova- York, á vista 3$295 » 3 r 3l0 

Vales, ouro — » 1$793 

O valor offlcial do mil réis foi do 560 a 563 réis, ouro, e da libra de 15$í-03 a 

68. 

Ágio de ouro 77-77 a 78, 51% . 



£$&&$€€€€- 



BIBLIOGRAPHIA 



Recebemos mais as seguintes publicações periódicas: 

Bulletin de V Instituí Chimique et Bacteriologíque de l'E'tal à Gembloux — 1908, 
n.75. 

Annales de la Société Academique de Nantes.-' Volume 7" da 8 a série, 1906. 

El Progreso Hortícola, periódico para distribuição gratuita, editado pela Casa 
Domingo Basso, de Montevideo. 

Boletim do Serviço de Estatística Commercial, referentes aos doze mezes de ja- 
neiro a dezembro de 1907. 

O Immigrante, publicação da Secretaria da Agricultura do Estado de S.Paulo. 
—An no I, n. 1. 



Trabalhos recebidos no mez de maio : 

O Cornmercio e a Industria do Leite, da Manteiga e do Queijo na Suissa, por 
J. de Oliveira Murinelly. Paris, 1908. Este trabalho, fructo da op3rosidade e com- 
petência do segundo secretario da legação brasileira em Paris, foi apresentado como 
relatório á Secretaria de Estado das Relações Exteriores, e agora publicado em 
brochura para distribuição gratuita. A obra comprehende quatro partes que 
tratam respectivamente do leite, da manteiga, do queijo o das queijarias. Na pri- 
meira parte mostra o autor o pap9l importantíssimo que tem a industria dos lacti- 
cnios na vida económica da Suissa. 

Ainda nessa parte vêem estudos sobre os Leites Concentrados, Farinhas Lácteas, 
Koumiss e Kefir. A falsificação do leite é tratada com cuidado. 

Na segunda parte occupi-se o autor com o fabrico da manteiga, escolha de 
machinismos que a observação própria lhe demonstrou serem os mais convenientes. 
Termima esta parte com um estudo sobre as Condições da boa manteiga. Defeitos e 
Fraudes. 

Na quarta parte estuda as Queijarias e o aprendizado dos lacticínios, na Suissa. 

A descripção do leite normal com todos os seus caracteres physicos, meios de 
reconhecel-o, das differentes raças e sua excellencia produetiva, foi por parte do 
autor objecto de cuidadoso exame. F,' uma obra, portanto, cuja leitura muito se 
recommenda, acerescendo ainda ser de fácil acquisição. 

A industria de lacticínios no Estado do Rio de Janeiro, pelo Dr. Eduardo Cotrim ; 
Propaganda do Estado do Rio — A Lavoura do Café; estado octual deste produeto, 
pelo Dr. João Alves de Mattos Pitombo ; Sobre a Propaganda e Collovação de 
Alguns Productos da Industria Agrícola Brazileira nos mercados Inglezes por Fran- 
cisco Alves Vieira; O Canal de Macahc a Campos e as Industrias Agrícolas do Muni- 
cipio de Macahé pelo coronel José Julião Carneiro da Silva. 

Todas estas conferencias realizadas no Museu Commercial do Rio de Janeiro 
foram publicadas em folheto, dos quaes recebemos exemplares. 

Procés-verbal de la Sèance da Congrès d' Horticulture ouvert d Paris par la 
Société Nationale d' Eorticulture de Franoe. 



238 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Relatório da Companhia Usina S. João apresentado á assombléa gorai ordi- 
nária de 31 de maio de 1908, pelo seu presidente coronel Ernesto de Campos 
Lima. 

Erposifão Nacional de 1908. Relatório apresentado ao Exmo. Sr. Monsenhor 
Walfredo Leil, por occasião da exposição previa em 2 de abril de 190S. 

Relatório apresentado ao Governa lor do Estalo de Pernambuco polo secre- 
tario geral Elpidio de Abreu e Lima Figueiredo, em 31 de janeiro de 1908. 

Mensagem apresentada ao Conselho Municipal de Passo Fundo pelo intondente 
Pedro Lopes do Oliveira, em 1 de novembro de 19J7. 

Relatório de 1907, apresentado pela Directoria d i Associação Commercial do 
Maranhão. 

La Pesca en La Republica Argentina, parte primeira, pelo Dr. F. Lahille. 
Buenos Aires, 1906. 

Feria Exposicion de Ganaderia (1902 — 1903). Informes de Ia División de Gana- 
deria. Buenos Aires, 1905. 

Estas duas ultimas obras foram oflferecidas á Bibliotheca desta Sociedade pelo 
Sr. Director Dr. Heitor de Sá. 



CATÁLOGOS 

Domingo Basso. Catalogo geral n. 58. Arvores fructiferas, florestaes, arbusto3, 
plantas ornamentaes, sementes e utensílios de jardineiro. 

Catalogo do Leilão dos Animaes do Posto Zootechnico Central de S. Paulo. 
Estes animaes foram postos à venda após a Exposição preparatória realizada em 
20 de abril de 1908. 

Foumitures Hortieoles. Catalogo de 1908. Ch. Hitté, rue des Bourdonnais, 
Paris. 

Cari HagenbecWs Tierpark. Catalogo de animaes domésticos. Secção I. 
Bovinos. São representantes desta casa, no Rio de Janeiro, os Srs. Herm. Stoltz 
&Comp., Avenida Central 66—74. 



Aequisicões da Bibliotheca : 

Microbiologie Agricole por Edmond Kayser. Paris. Eds. J. B. Baillière et Fils. 
1 volume. 

Agricullure Générale. Les Sernailles et les Récoltes por Paul Diffloth. Eds. J. 
B. Baillière et Fils. Paris, 1907. 1 volume. 

Zootechnie. Races Bovines por P. Diffloth. "Eds. J. B. Baillière et Fils. 1908. 
1 volume. 

Pathologie Gènerale des Animaux Domestiques por C. Cadéac. 2» edição. Eds: 
J. B. Baillière et Fils, Paris, 1904. 1 volume. 

Thérapeutique Vélérinaire Appliquêe por H. J. Gobert. Eds. J. B. Baillière et 
Fils, Paris, 1005. 1 volume. 

Notiotis d' Agricullure et d'Sorlicu!txre d 1'usage du cours moyen et du court 
superieur des êcoles primaires et des écoles primaires supérieures por E. Pamart. 
5» edição. Eds. Masson & Comp., Paris. I volume. 



A LAVOURA 



Les Théories et les Applications Nouvelles de la Greffe polo Dr. Albert Gautié 
eds.: Masson et C. Paris, 1 volume. 

Culture :le la Pomme de Terre Polagère, Fourragère et Industrielle por L. Mal- 
peaux. Eds. Masson et C, Paris, 1 volume. 

Les Levures por E. Kayser. Eds.: Masson etC, Paris, 1 volume. 

VIndustrie Oléicole por J. Dugast. Eds. Masson et C, Paris, 1 volume. 



Prairies et Plantes fourragères. E' o titulo da ultima brochura que acabamos 
de receber da livraria J. B. Baillièro et FUs. Damos o prospecto dessa obra para, 
orientação dos nossos leitores. 



« Prairies ei Plantes fourragères », par C. V. Garola, professeur départemental 
d'agriculture à Chartres, 2 a edition revue et augmentée, 1 vol. in-18 de 
50U p-iges. avec 150 figures, brociu- : 5 ir.; cartonné: 6 fr. (Encyclopedie 
agrícola; Librairie J. B. Bailliere et fils, 19, rue Hautefeuille, Paris 

Les plantes fourragères jouent en économie rurale un role chaque annôe plus 
important. Dans 1'étuJe que leur consacre M, Garola, il a envisagé les plantes 
fourragères non seulement au point de vue de la production proprement dite, 
mais aussi au point de vue de leur emploi dans la nourriture du bétail. II a donc 
donné una place important à la determination de la valeur alimentaire des dif- 
ferentes plantes. Le cultivateur y trouvera non seulement les notions nécessaires 
pour arriver à produire beaucoup de fourrages, mais encore les renseignements 
les plus utiles pour tirer de leur traasformation par le bétail les résultats les plus 
avantageux. 

Yoici un aperçu des matières traitées : 

Prairies naturelles: Graminées ; légumineuses ; composition et valeur alimen- 
taire ; exigences et fumures des prairies et des pâturages ; eréation des prairies 
naturelles ; préparation du sol ; ensemencement ; exécution du semis ; organisation 
entretien et exploitation de- herbages; eotretien des prairies fauchées; plantes 
à détruire. 

Prairies temporaires : Prairies artiflcielles ; luzerne ; composition et valeur 
nutritivo ; climat et sol ; rendement et durée des luzernières ; plantes parasites 
et animaux nuisibles ; cultures; trèflo violet ; trôfle blanc ; tròfle liybride ; 
sainfoin ; lupuline. 

Lourrages annuels : Trèfle incarnai; vesce; pois de champs; moutarde 
Manche ; navetto et colza ; côréales ; fourrages ; seigle ; avoin j ; sarrasin ; mais ; 
millet. Récolte des fourrages : Fenaison ; époque de la fauchaison ; coupe des four- 
rages ; dessiccation ; transport et rentréa ; conservation et préparation des foins ; 
comprossion des fourrages ; ensilage des fourrages verts. 

Plantes sarclées fourragères: Belterave ; emploi et composition ; climat; sol ; 
production de la betterave fourragère ; culture ; action de la variété et de 1'espa- 
cement ; rendements par hectare ; expérieuces d'alimentation et de digestibilité 
des betteraves ; pommes de terre ; exigences climatériques et géologiques ; sélection 
et variótés ; emploi de la pomme de terre dans ralimentatioa des chevaux de 
trait ot des betes à cornos ; préparation du sol ; plantation ; espacement ; influenco 



SOCIEDADE NACIONAL DE AORlcni/TURA 



de la fragmentation des tubercules et de la profonrtcur ; pratique de Ia plantation ; 
façoDs d'entretien ; maladies ; suppression des tigos ; récolte et consorvation. 
Carotle; composition et valeur alinientairo ; culture ; plaee dans 1'assolement ; 
prúparation du sol ; semailles ; enti etien ; récolte ; conservation ; panais ; navet ; 
chou-navet ; chou-rave ou col-rave ; choux-fourragers : topinambour, ramilles 
et feuilles. 

Ce volume a étó courunné d'uoe médaille d'or par la Société NatioDale 
d'Agriculture. 

II fait partie de V Encyclopedie Agricole k laquelle cette même société vient 
d'aoeorder Io Grand Prix Heuzé. 

Le catalogue détaillé et illusti-é de V Enct/clopédie Agricole est adréssó grátis et 
franco à toute parsonoe qui en fait la demande à MM. J-B. Baillière et Fils, 19 rue 
Hautefeuille, à Paris. 



4403 — Rio ds Janeiro — Imprensa Nacional — 1908 



ESTATUTOS 



CAPITULO (I 



Art. 8.° A socideade admitte as seguintes categorias de sócios : 

Sócios effectivos, correspondentes, honorários, beneméritos e associados. 

§ i.° Serão sócios effectivos todas as pessoas residentes no paiz que forem 
devidamente propostas e contribuírem com a jóia de 15$ e a annuidade de 2o$ooo. 

§ 2.° Serão sócios correspondentes as pessoas ou associações, com residência ou 
si\lr no estrangeiro, que forem escolhidas pela Directoria, em reconhecimento dos seus 
méritos e dos serviços que possam ou queiram prestar á sociedade. 

i? 3. Serão sócios honorários e beneméritos as pessoas que, por sua dedicação e 
relevantes serviços, se tenham tornado beneméritos á lavoura. 

§ 4. Serão associadas as corporações de caracter official e as associações agrícolas, 
filiadas ou confederadas, que contribuirem com a jóia de 30$ e a annuidade de"5o$ooo. 

§ 5. Os sócios effectivos e os associados pi k lerão se remir nas condições que torem 
preceituadas no regulamento, não devendo, porém, a contribuição fixada para esse fim 
ser inferior a dez (10) annuidades. 

Art. g.° Os associados deverão declarar o seu desejo de comparticipar dos tra- 
balhos da sociedade. 1 >s demais sócios deverão ser propostos por indicação de qualquer 
sócio e apresentação de dois membros da Directoria e ser acceitos por unanimidade. 

Art. 10. Os sócios, qualquer que seja a categoria, poderão assistir a todas as 
reuniões sociaes, discutindo e propondo o que julgarem conveniente; terão direito a 
todas as publicações da sociedade e a todos os serviços que a mesma estiver habilitada a 
prestar, independentemente de qualquer contribuição especial. 

á, 1." Os associados, por seu caracter de coílectividade, terão preferencia para os 
referidos serviços e receberão das publicações da sociedade o maior numero de exem- 
plares de que esta puder dispor. 

§ 2. < ) direito de votar e ser votado é extensivo a todos os sócios ; é limitado, 
'01 <-m, para os associados e sócios correspondentes, os quaes não poderão receber votos 
para os cargos de administração. 

íj 3. Os sócios perderão' somente seus direitos em virtude de expontânea renuncia 
ou quando a assembléa geral resolver a sua exclusão por proposta da Directoria. 



REGULAMENTO 



CAPITldJ) VI 

DOS SÓCIOS 

Art. 18. A sociedade prestara seus serviços de preferencia aos sócios e associados 
quando estiverem quites com ella. 

Art. iq. A jóia deverá ser paga dentro dos primeiros três mezes após a sua 
icceita :ão. 

Art. 20. As annuidades poderão ser pagas por prestações semestraes. 

Art. 21. Os sócios e os associados se poderão remir mediante o pagamento das 
quantias de 200$ e 500$, respectivamente, feito de uma só vez c independente da jóia, 
|ue leverão pagar em qualquer caso. 

Art. 22. Os sócios e associados não poderão votar, nem receber o diploma, sem 
terem pago a respectiva jóia. 

§ i.° O sócio que tiver pago a jóia e uma annuidade, poderá remir-se mediante 
a apresentação de 20 sócios, desde que estes tenham igualmente satisfeito aquellas 
contribuições. 

s, 2." Para esse etfeito o sócio deverá requerer á Directoria, provando seus direitos 
.10 . i.-i mos do paragrapho anterior. 

í, 3." Serão considerados beneméritos os sócios que fizerem donativos á sociedade, 
a partir da quantia de um conto de réis. 

Art. 23. Para que os sócios atrazados de duas annuidades possam ser considerados 
resignatarios, nos termos dos Estatutos, é preciso que suas contribuições lhes tenham 
sido solicitadas por escripto, até três mezes antes, cabendo-lhes ainda assim o recurso 
para o conselho superior e para a assembléa geral. 



Anno XII — N. 6 



Rio de Janeirc 



Junho de 190« 





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GADO CARACU* PAULISTA 



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^^yyyl VI RI BUS UNiTIS j(4»^»4»<»€« 



CAPITAL FEDEFAL 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Fundada em 16 de janeiro de 1897 

Caua-postal, 1245 Seda: Ruas da Alfandega o. 109 

Endereço Telegraphico, AGRICULTURA e Qeneral Camará n. 105 

Telephone a. 1416 bio n« j»nriro 

DIBBOTOKIA 

Presidente — Dr. Wencesláo Alves Leite de Oliveira Bailo. 

i° Vice-presidente — Vago. 

2 o Vice-presidente — Dr. Sylvio Ferreira Rangel. . 

3° Vice-presidente — Dr. Domingos Seugio de Carvalho. 

Secretario Geral — Dr. Heitor de Sá. 

i° Secretario — Dr. Francisco Tito de Souza Reis. 
2° Secretario — Dr. Benedicto Raymundo da Silva. 
3 o Secretario — Dr. José Ribeiro Monteiro da Silva. 
4" Secretario — Alberto de Araújo Ferreira Jacobina. 

i° Thesoureiro — Dr. João Pedreira do Couto Ferraz Júnior. 
2° Thesoureiro — Carlos Raulino. 

Directores das Secções 

Fazenda de Santa Mónica Dr. Sylvio Rangel. 

Applicaçôes do Álcool e Museu Dr. Benedicto Raymundo. 

Secção Technica e Bibliotheca Dr. Heitor de Sá. 

Plantas e sementes e Horto da Penha . . Dr. Monteiro da Silva. 

Propaganda e estatística Alberto Jacobina e Carlos Raulino. 

Secretaria Dr. Souza Reis. 

Thesouraria Dr. Pedreira Júnior. 

Oollaboração 

Serão considerados collaboradores não só os sócios como todos que quizerem ser- 
vir-se destas columnas para a propaganda da agricultura, o que a redacção muito 
agradece. A lista dos collaboradores será publicada annualmente com o resumo dos 
trabalhos. 

A redacção não se responsabilisa pelas opiniões emittidas em artigos assignados, e 
que serão publicados sob a exclusiva responsabilidade dos autores. 

Os onginaes não serão restituídos. 

As communicações e correspondências devem ser dirigidas á Redacção d' A LA- 
VOURA na sede da Sociedade Nacional de Agricultura. 

A LAVOURA não acceita assinaturas. 

E' distribuída gratuitamente aos sócios da Sociedade Nacional de Agricultura. 

Coiidlçfies <ln \<\, hllcação dos unauncloa 

vezes meia pagina uma pagina 

I I2$0O0 20$000 



3 

6 5O$O00 Q0$000 

17 " 



Os annuncios são pagos a leantadamente. 

Tiragem 5.000 exemplares 



SUMJMARIO 

PAGS. 

O Feijão preto 235 

Barão Geraldo de Rezende 237 

Albino Barbosa 239 

Dr. Germano Vert 242 

As nossas fructas 243 

Cereaes Europeus 249 

Expediente 251 

Noticiário 256 

Parte Commercial 264 

Bibliographia 272 



Anno XII — N. 6 Rio de Janeiro Junho de 1908 



EDITORIAL 

LIBRARY 
NEW YORK 
BOTANICAL 

GAKUEN. 



Feijão preto 

Entre as leguminosas, quer no sentido de servir de alimento hu- 
mano, quer como forragem, occupa em geral o feijão posição saliente 
sobre as culturas congéneres, da mesma família. 

Encaixado como cereal, na accepção vulgar, é alimento forçado no 
nosso meio, tendendo felizmente a dilatar-se as suas plantações racional- 
mente exigidas e á vista do seu bom comportamento no solo. 

O curto prazo do seu cyclo vegetativo e os grandes benefícios que 
presta á terra são bel los incentivos para o alargamento de sua cultura. 

No primeiro caso podem-se obter, como é uso, duas colheitas no 
mesmo anno, o que é grande economia de tempo para o serviço agricola. 

No segundo, enorme é o proveito que se tira com a adubação verde 
além da vantagem de que o feijão não é um concurrente, na alimentação, 
do azoto terrestre, um dos principaes esteios da vida dos vegetaes . 

E a essa razão junta-se a de ser o feijão no geral uma planta baixa, 
não sendo, portanto, obstáculo á luz necessária para a cultura principal 
feita conjunctamente. 

Taes indícios mostram claramente que é esta cultura a mais própria 
para ser realisada com a do café ou outra semelhante. E 1 um vegetal fer- 
tílisante, em contrario aos das outras famílias, merecendo por isso e por 
suas qualidades intrínsecas a attenção de todos os lavradores, sendo como 
é um dos primeiros legumes que salientam-se nos concertos culinários. 

Em vista portanto da enorme vantagem das leguminosas em relação á 
especialidade de alimentação, torna-se evidente que é preciso mesmo plantar 
uma dessas plantas como correctivo chimico natural, e melhor de que o 
feijão nenhuma se apresenta, attento o consumo que lhe dá o povo. 

Essa propriedade característica de tirar o azoto da atmosphera por 
meio do micróbio da nitriflcação que enche a extremidade da radicula 
com esse metalloide assimilável, é mais que bastante, de todo recom- 
mendavel, para a necessidade de ser o legume plantado em companhia 
de outra planta, afim de favorecel-a . Em Portugal, chegam a plantar o 
tremóço só com o rito de enterral-o para melhorar o solo. Ora por tal qua- 
lidade e por ser mais apreciado que outra espécie de leguminosas, como a 



236 SOCIEDADE NAOIOMAL DE AGRICULTURA 

fava, hervilha, grão de bico ou ervanço e lentilha, tem justamente o feijão 
o seu logar como segundo na cultura dos mantimentos. 

E 1 , pois, de bom aviso que seja alternada a sua plantação com a do 
milho, no mesmo logar, nas ruas dos cafezaes, como preceitua a boa regra 
do afolhamento. 

Dentre as variedades de feijão quer para alimento, como o mulatinho, 
o vermelho e o branco, quer para forragem, como o hollandez, o da Flo- 
rida e a soja,deve-se cultivar a que melhor se dè no clima e que também offe- 
reça valor alimentício compensador. Estes últimos são muito duros, mas 
a soja é considerada como tendo o maior numero de unidades alimen- 
tícias. Deixo de fallar no feijão chinez que dá bom rendimento, no andú e 
portuguez, cujas culturas são raras. 

Attendendo principalmente ao paladar e comparando o feijão preto, 
de que ora fallo, com o vermelho que é tão commum em e S. Paulo, Sul 
de Minas, como observei, vê-se a superioridade do primeiro por ter mais 
unidades alimentícias. 

E, no emtanto, não é por assim dizer cultivado o feijão preto 
naquellas zonas ; é mesmo por muitos rejeitado de suas mezas. 

Não sei porque tal aversão, quando além do que fica dito, elle tem in- 
contestavelmente um sabor especial, mais agradável que os outros todos 
próprios para os misteres culinários. 

Não pôde haver mesmo feijoada verdadeira sem que seja de feijão 
preto . 

Ha algum receio, por parte de certas pessoas de que esta variedade 
faz mal ao organismo, mas não vejo base para isso ; se fosse por condição 
alimentícia devia ser mais adoptado o branco, que éo mais rico destas. 
Bem sei que é difficil modificar o habito, mas julgo-me com acerto indi- 
cando e aconselhando o feijão preto como o melhor de todos ao paladar. 
Muito feliz serei se as minhas palavras conseguirem auxiliar o distendi- 
mento da cultura do feijão preto. 

Heitor de SA 



A LAVOURA 





Barão Geraldo ds Eszsnds 

Findou-ie em Campinas, onde possuía importante propriedade 
rural, o adiantado lavrador e prestante cidadão, Barão Geraldo de 
Rezende . 

Sob a direcção pessoal do pranteado titular, a fazenda de Santa Ge- 
nebra tornou-se de tal modo conhecida e interessante, que raro era o perso- 
nagem illustre que, indo S. Paulo, não a visitasse, tomando-a como typo 
e modelo das boas fazendas cafeeiras. 

Pelas amplas e aprazíveis estradas que conduzem á Santa Genebra, 
deslisaram innumeras vezes as carruagens do lavrador fidalgo transpor- 
tando diplomatas, estadistas e agricultores dos mais diversos paizes que 
alli iam para aprender e admirar a arte e proficiência com que o finado ti- 
tular dirigia as suas vastas herdades. 

O Barão Geraldo de Rezende foi dos primeiros lavradores pau- 
listas que, em contraposição á sentença — O Café dá para tudo — inici- 
aram outras culturas subsidiarias da do café . 

Ao lado do cafeeiro, cultivado com acurado esmero, mantinha o 
Barão Geraldo de Rezende, varias outras culturas, destinadas ao abas- 
tecimento do mercado campineiro. Gereaes, hortaliças, leite, aves, 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



ovos, e tantos outros géneros de primeira necessidade vinham diária 
mente da fazenda de Santa Genebra e se distribuíam pela população 
campineira. 

Posto que a direcção de Santa Genebra desse trabalho bastante para 
occupar mais de um homem de grande actividade, mesmo assim o seu 
infatigável proprietário e principal administrador achava sempre o precizo 
tempo para se devotar a prebendas de ordem mais geral, como eram 
as questões bancarias, as de propaganda agrícola e outras de igual jaez, 
que requeriam a sua presença em pontos distantes da sé de da sua pro- 
priedade. 

Qualquer problema agrícola que se apresentasse tinha a sua coope- 
ração como collaborador experimentado que era . 

Inspirado sempre no mais puro civismo, jamais recusara a sua parte 
de trabalho. 

Assim é que, além de fazer parte de um instituto de credito em 
Campinas, também foi do Conselho Superior da Sociedade Paulista de 
Agricultura, onde a sua voz era sempre ouvida com acatamento geral. 

Nem só estas eram as peregrinas virtudes que aureolavam a fronte 
do pranteado Barão de Rezende : e-a elle também fino cavalheiro, dotado 
de bondade e tolerância, que o levaram irresistivelmente á pratica do bem, 
ao amparo dos que sotíriam. É por isso que sobre o tumulo do bon- 
doso titular não só orvalharam as lagrimas dos seus, sinão as de muitos 
estranhos para cujos soffrimentos as suas mãos bemfazejas tantas vezes 
levaram remédio! 

A Sociedade Nacional de Agricultura estampando com estas linhas o 
seu retrato, entende render preito de honra e reverencia ao Barão 
Geraldo de Rezende, como lavrador e como cidadão. 



A LAVOURA 




Albino Barbosa 

i Acaba de fallecer na cidade de Campina?, em pleno vigor de seus 52 
annos de idade, mais um eminente agricultor, daquelles que nessa verda- 
deira capital agrícola do grande Estado, maior curiosidade e dedicação 
patenteava pela solução das questões prementes de nossa economia rural. 

Albino José Barbosa de Oliveira era filho do conselheiro do mesmo 
nome, que presidiu o Supremo Tribunal de Justiça nos últimos annos da 
monarchia e primo do nosso illustre chefe o sr. conselheiro Ruy Barbosa. 

Era um dos lavradores mais cultos de S. Paulo e deixa em suas pro- 
priedades como legado precioso, paia os filhos que o succederem, os attes- 
tados de seu espirito pratico e sobretudo intelligentemente económico. 

Fossem outras as condições de valor de nossos productos e conse- 
guintemente das terras que os produzem, epoder-se-ia considerar precioso 
para a numerosa familia, que deixou, o resultado de 30 annos de tão cau- 
teloso e pertinaz esforço. 

Infelizmente, porém, isso não se dá e é forçoso registrar, ao que nos 
dizem, mais um desastre nas empresas arrojadas que homens intelli- 
gentes vinham tentando em Campinas de 40 annos para cá. 

A' illustre familia e ao nosso chefe apresentamos os nossos pezames ». 

Assim se exprimia, com respeito ao illustre lavrador, cujo retrato 
encima estas linhas, um dos jornaes de maior circulação nesta capital, 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



poucos dias após o seu fallecimento, occorrido em fevereiro próximo 
passado. 

E estas considerações de alta relevância, tenuemente esboçadas na rá- 
pida linguagem de um noticiário, poderiam entretanto servir de base a um 
estudo vasto das condições em que viveu e do meio em que luctou um tão 
brilhante ornamento da classe agrícola do Brasil, se alguém tentasse des- 
crever-lhe a existência tão fecunda quanto exemplar e pura. 

Sem pudermos pretender tão difficil tarefa, cumpre que aqui dei- 
xemos entretanto algumas impressões que essa vida nos suggere e que 
alguns ensinamentos pôde conter para os leitores da A Lavoura. 

Albino José Barbosa de Oliveira foi para a vida agrícola um prede • 
tinado; mas essa predestinação não passou, no seu caso, da verdadeira e 
real significação do vocábulo : não se poude caracterizar pelas vantagens 
auferidas ou pelo êxito alcançado no cumprimento do bom fado. 

Designado, quasi ao nascer, por seu illustre pae, para os árduos tra- 
balhos em que a morte acaba de surprehendel-o, não se pode dizer delle 
por tanto que estivesse na fazenda fora de seu logar. 

Depois de visitar, ainda adolescente, os paises em que lhe podiam 
ser dadas sobre as questões agrícolas do tempo as melhores lições, veio o 
ex-alumno de Gembloux, como todos os que nessa idade voltam da Eu- 
ropa para esse mister, repleto de fé, exuberante de enthusiasmo e, como 
todos elles, cheio de illusões. 

Entretanto o que nelle se tornou logo visível, passados os primeiros 
exageros e os contratempos que cercam as applicações rigorosas da 
theoria européa, foi a descoberta sagaz do verdadeiro critério a adoptar 
na sua vida de lavrador. 

Dois annos depois estava elle gozando da dupla vantagem dos conhe- 
cimentos que a escola lhe incutira e da experiência que a pratica lhe 
dava ; e assim armado começou a lucta. . . . 

Faltava-lhe entretanto, para elemento decisivo, um capital de movi- 
mento capaz de collocar ao abrigo dos empréstimos que, pouco depois, a 
abolição do braço escravo veio tornar imprescindíveis e fataes para a 
nossa lavoura. 

A falta de organização de nosso credito fundiário e agrícola ainda 
mais agravando, para todos, tão difncil situação veio dar a essa lucta bem 
como a todas as que nesse género se travaram, uma feição cada vez mais 
gigantesca, mais trágica e mais inútil. 

E agora, após 3o annos de duração, a noticia de sua morte á seguida 
dos commentarios que acima encontramos... e tudo nos leva a meditar 
na causa de um tão máosucessocom tão invejáveis condições de iniciação. 



A sua propriedade valiosa mal basta, segundo as noticias que che- 
gam, para saldar o seu passivo, elevado pela própria confiança que a 
todos inspirava. E 1 a reproducção, portanto, do caso « Geraldo de Re- 
zende s> . Assim, facilidade no levantamento dos grandes capitães com 
que lidava, somente lhe servia de alimento á illusão de prosperidade em 
que vivia como vivem todos os que se acham em tal condição. *• 

Trabalhou por conseguinte a vida inteira, como poucos imaginam 
que se possa trabalhar ; e ao fim, está provado que o fez com dois únicos 
resultados: i° alimentar-se, bem como á familia ; 2 a pagar juros ao ca- 
pital daquelles que nelle confiavam. 

Se, portanto, neste* caso tão promissor, foram baldados os esforços 
de uma vida inteira para equilibrar a situação financeira da exploração 
que se acaba de paralyzar, o que diremos do maior numero dos casos 
que quasi constitue regra geral no meio agrícola do Brasil ? 

A illusão é inútil ; e a verdade é clara : a industria agrícola, se tem 
sobre a manufactura e o commercio, grande vantagem para o bem estar, a 
tranquilidade, a independência e a economia domestica de quem a explora 
não pode (entretanto e é a justa compensação) com nenhum dos dois com- 
petir cm rendimento pecuniário. Assim se nestas duas carreiras pode o em- 
presário arrojado fazer facilmente o serviço de juro e amortização do 
capital alheio com que inicia a sua empresa, naquella esse duplo serviço 
é quasi impossível, dada a extensão do tempo necessária para concluir-se. 

A lavoura remunera sem duvida o capital independente, que a ella 
se consagra; mas não pode, no decurso de uma existência humana, pro- 
duzir este juro e mais outro capital egual ao primeiro. Eis a utopia do la- 
vrador brasileiro! 

Eis a transgressão que elle commette por desgraça própria ha mais de 
20 annos no Brasil contra a mais clara das leis da economia rural, tão 
brilhantemente expressa na formula sabia deLecouteux: // rty a pas de 
Bonne situation agricole sans une bonne situation economique. 

E 1 o sangue dos martyres que solidifica o alicerce em que assentam os 
ideaes que elles defendem; e o fracasso rendoso da empresa, que pela morte 
prematura de seu tenaz director acaba de baquear em Campinas, imprime 
nesse defunto o caracter de exemplo para os que vierem caminhar sobre 
os passos resolutos com que elle pisou no caminho de sua carreira la- 
boriosa . 

E' nesse caracter que A Lavoura presta hoje homenagem á sua 
memoria. 



SOCIEDADE NACIONAL DS AGRICULTURA 




Dr, Germano Yert 



A Lavoura estampa com orgulho no presente numero a eftigie do seu 
antigo redactor chefe, cuja existência preciosa acaba de finar-se em Pira- 
cicaba onde occupava o logar de lente de agronomia da escola de agri- 
cultura d^ssa cidade . 

O imprevisto de sua morte, as circumstancias de que ella se cercou 
foram causa da nossa demora, que a nossa insistência não poude vencer, 
para obtenção desta honra . 

Resta, portanto, á Lavoura, como homenagem sentida ao seu antigo 
director, a lembrança do que elie foi nesta casa, e do que com eloquência 
attestam os números da revista que o nosso archivo agasalha e que, orga- 



A LAVOURA 



nisados sob suas vistas, formam uma das partes mais brilhantes da nossa 
collecção. 

Germano Yert, podemos dizel-o sem suspeição, foi durante a vida 
uma synthese da honradez e do trabalho. 

Era um temperamento extremado, no qual estas duas qualidades se 
manifestavam com a violência de verdadeiras paixões. 

Por isso, todos os que lhe assistiam a existência movimentada, sem 
perscrutar-lhe as impressões intimas, extasiavam-se ante aquella operosi- 
dade incrível e aquella independência extra-humana. A fraqueza do orga- 
nismo humano, entretanto, e as condições precárias da vida social, são os 
maiores obstáculos para o êxito de taes individualidades na lueta pela vida. 

O trabalho excessivo corroeu-lhe o organismo outrora robusto; e as 
ditliculdades, talvez, que lhe creava a intolerância dos homens, e contra as 
quaes já não podia luetar, abreviaram-lhe a existência utilissima e pro- 
missora. 

Era um medico illustradissimo; mas o seu temperamento investiga- 
dor o afastava das preoceupações materiaes da clinica para approximal-o 
das investigações mais novas e menos procuradas da sciencia agronómica; 
e nesse theatro em que desenvolveu a sua acção o seu exemplo foi fecundo, 
e foi visível o sulco que deixou na sua passagem pela vida agrícola do 
nosso paiz e principalmente pela direcção da Sociedade Nacional de Agri- 
cultura. 

E por isso a redacção da Lavoura lamenta saudosa o desappare- 
cimento de^te brilhante espirito. 



COLLABORAÇÃO 

As nossas imotas 

Quando não tiveres que lazer planta uma arvore, porque 
emquanto estiveres dormindo ellairá fruetificando. 
( Provérbio chinez 

Na porta de minha cazinha, os galhos entrando quasi pela janella, 
tenho uma colossal caramboleira com phenomenal carga de fruetos ma- 
duríssimos. Um pouco além, cambucazeiros, jaboticabeiras, abacateiros e 
outras arvores dão-me um tom sylvestre á minha humilde choupana. 

5070 2 



SOCIEDADE NACIONAL DE AQUICULTURA 



As fructeiras, que no anno findo pouco ou mesmo nada produziram, 
mostram-se proliferas neste começo de 1908. Neste momento temos aqui 
cámbucás, jaboticabas, carambolas, romans, cajus, araçás, não fallando em 
laranjas e goiabas. Não me surprehendem carambolase romans que durante 
o anno todo existem no pé. Não me consta, porém, quecombucás, jaboti- 
cabas, cajus e araçás sejam fructa de abril. Umas extemporâneas, como as 
jaboticabas, outras serôdias como cámbucás, cajus e araçás, certamente 
existem actualmente estas fructas porque o estado meteorológico é exce- 
pcional . 

A excessiva chuva no começo de 1907, prejudicou o advento das 
fructas cujas arvores floresceram na segunda metade do anno. A carestia de 
chuva que tem havido desde novembro próximo passado tem, a meu ver, 
concorrido para a fructificação de fins de 1907 e começo de 1908. Assim, 
no seu tempo próprio, que é outubro, minha única jaboticabeira adulta que 
tenho ao pé da cozinha, não deu nenhum fructo. Neste começo de anno 
deu duas pequenas camadas extemporâneas. O cambucazeiro deu pheno- 
menal carga no tempo próprio, em fins de janeiro ; e depois disso tem ha- 
vido fructa até este momento. 

Uns araçazeiros de fructo roxo, que ha annos não fructificam, este 
anno deram muito araçá . 

Um cajueiro de fructo gigante, na beira da estrada, que dá apenas 
cajus para os viajantes, este anno deu tanto que chegou para meus pe- 
quenos e para fazer presentes. As figueiras carregaram como ha muito 
não vejo. 

Tem sido, pois, fructifero este primeiro quartel de 1908. 

A meninada mostra-se jubilosa! Minhas fructeiras distantes nunca 
ostentam fructos maduros . 

Empregados, passageiros, caçadores e vadios não deixam ama- 
durecer . 

As poucas que existem ao redor da vivenda ostentam fructos tão ma- 
duros que chegam quasi ao apodrecimento . E 1 que meus filhinhos não 
tocam em fructa alguma sem ordem dos pães, e nós só consideramos ma- 
dura a fructa oito a doze dias depois de tomar a ultima côr. 

Ha dez dias estão vermelhos os cámbucás ; desde ante-hontem poderiam 
ser comidos, mas dissemos aos pequenos que esperassem a irmanzinha, e 
como o melhor da festa é esperar, elles aguardaram contentes. Do colle- 
gio chegou hontem minha filha que vem gozar da semana sacra as férias 
promettidas. Foi um delírio, não por comerem uma fructa vulgar, mas 
por gozarem o sabor de um pomo tão maduro como mais é impossivel. O 
cambucá mal sazonado, isto é, simplesmente amarello, é casca e caroço. 



A LAVOURA 



Ficando no pé dez dias após o amarellecimento da casca, toma uma côr 
vermelho-roxeada e então é fructo delicioso. A casca fica tão fina como um 
cartão e o caroço de facto não diminue, mas desprendendo-se completa- 
mente da polpa, parece menos volumoso. 

Não ha vinho generoso, não ha licor exquisito, não ha doce fino que se 
compare comum pomo desta ordem. Todo; comem jaboticaba, mas ha- 
verá muita gente que a coma deliciosa? Eu duvido. A jaboticaba só é uma 
delicia oito a doze dias depois de tomar a côr preta. Como todos a comem, 
ella é apenas casca, semente e pequeníssima fracção de polpa. Dez dias 
após a transformação da côr a polpa desprendendo-se da casca e do caroço, 
torna-se volumosa, e casca e semente desapparecem quasi. Muitas pessoas 
desdenham fallar em frueta, como si isso fosse cousa indigna, própria só 
de crianças. Os três entes mais poéticos, mais puros, mais bem inten- 
cionados do mundo — mulher, creança e passarinho — são os maiores 
amigos de fruetas. Eu admitto que um beberrão, um alcoólico não en- 
contre prazer em uma frueta ; mas um homem morigerado só não 
gostará de frueta por não ter comido uma bem madura. Geralmente se 
diz que as únicas fruetas boas no Brasil são bananas e laranjas. Pro- 
palasse isso porque são as duas únicas fruetas ordinariamente consu- 
midas em estado maduro. Devido á grande abundância, estas fruetas 
amadurecem e apodrecem no pé e todos comem-na em bom estado. 
Si as pessoas que desdenham as fruetas comerem uns cambucás, umas 
jaboticabas apanhadas no pé no momento do consumo e isso dez dias 
após a transformação da còr verde da frueta, não dirão com certeza que 
frueta só é própria de creança. Si comerem umas uvas moscatéis ou dedo 
de dama, de videiras plantadas em lugar alto, secco, soalheiro e pedre- 
goso, dez dias após a transformação da côr, comidas no acto da colheita, 
gozando o paladar e o olfato as emanações ethereas do bago esmagado, 
com certesa dirão que acima do fiambre, do Champagne e dos manjares 
feitos pelo homem está o néctar fabricado pela mãos da natureza. 

Meu leitor já comeu um figo bem maduro? Talvez não. 

Muitas pessoas tomam por maduro o figo rachado. A fenda que no- 
tamos no olho do figo é devida ao viço da arvore ou ao tempo invernoso, 
ou mesmo á combinação dos dois factores. Um figo está maduro quando 
não tem mais uma gotta de leite. Pega-se então no pedúnculo do fructo, e 
com o prazer da abelha libando o néctar dos bosques, o homem sorve 
absorto o primor fabricado por mãos divinas. Todo o leite da frueta trans- 
forma-se em assucar, e sugando aquelle favo, nos dedos fica-nos apenas 
o cabo da frueta. Quem come um ligo maduro poderá dizer que frueta é 
cousa indigna de um ente barbado? 



snciKOADK NACIONAL DE AGRICULTURA 



E 1 sabido que a maior attracção das fruais está no desprendimento 
dos etheres que o nosso olfato sente ao trincarmos nos dentes a polpa divina. 
Não é o aroma exterior da frueta que embriaga o nosso olfacto ao esma- 
garmos na bocca o bago appetitoso. Uma uva dedo de dama, ou 
uma moscatel, não das produzidas nos baixios do Rio de Janeiro, mas 
nascida de videira de sitio enxuto, elevado, castigado pelo sol, cheio 
de pedregulhos, não desprende do cacho aroma algum, mas trincada no 
dente, deixa sentir um perfume delicioso a que os francezes chamam 
bouquel . 

A frueta só é boa quando é madura. 

Mas não é só isso. A frueta para ser boa necessita ainda ter o pé plan- 
tado em terreno apropriado e ser o produeto consumido no dia c no lugar 
da colheita. Todas as fruetas polpoxis, sem excepção alguma, mais que o 
vidro, precisam de cuidado no transporte. Uma banana contundida, uma 
laranja machucada, uma manga pisada, é frueta imprestável. Uma laranja 
apanhada com pau e caindo brutalmente no solo e rachando-se não tem o 
gosto de uma colhida com a mão. Fruetas carregadas em balaios, umas em 
outras se roçando ao trote de cavalgaduras, perdem o gosto aprimorado, 
fermentam e apodrecem logo. Assim, todas as fruetas polposas devem ser 
consumidas no logar da colheita, ou então conduzidas com o máximo 
cuidado. 

Quasi todas as fruetas devem ser comidas no dia da colheita. Al- 
gumas são tão boas no dia como depois. Outras melhoram com a espera. 
Entre as fruetas que melhoram sendo guardadas, lembro-me momentanea- 
mente da manga, do abacaxi e da banana. Comida no dia da colheita, a 
manga de caro:o, a manga de pé franco tem um sabor terebenthinado que 
desapparecc na frueta guardada . 

Comido no pé, o abacaxi tem um gosto picante que augrpenta lavando- 
se abjeca. Dias depois de colhido desapparece ou diminue este caracte- 
rístico do abacaxi. Todos sabem que banana amadurecida no pé ou cortada 
muito de ve\, tem a carne dura, e algumas, como a maçã, ficam pedrentas. 
Em suas Monograpbias Agrícolas, o Dr. J. Travassos diz que a pedra da 
banana maçã indica falta de cal no terreno, opinião esta confirmada pelo 
Dr. Barbosa Rodrigues, em palestra commigo. Em minha pratica agraria, 
tenho observado que na mesma touca e observando sempre a mesma pra- 
tica na colheita, ha cachos com bananas pedrentas e outros em perfeito 
estado, o que talvez seja devido a elleitos meteorológicos na emissão ou na 
colheita do cacho. Igualmente tenho observado que banana colhida ao 
amadurecer só tem a carne dura quando o pé é o primeiro ou dos primeiros 
da touca, quando tem muito viço. Bananeira de touca velha, de terra exgot- 



A LAVOURA 2i7 

tada, de pouco viço, dá banana de polpa tenra, mesmo colhida ao ama- 
durecer. 

Eu disse que manga comida no dia da colheita tem gosto terebenthi- 
nado. Cada escriptor refere o que tem visto, o que tem observado. 

Já comi esplendidas mangas de enxerto, colhidas no momento do 
consumo. E 1 possivel que o gosto terebenthinado que aqui noto seja devido 
ao terreno ou á falta de educação da arvore. Com referencia ao abacaxi, 
ha uns que comidos no abacaxial tem mui pouco sabor picante, ao passo 
que outros não perdem o característico mesmo guardados . Entre paren- 
thesis direi que a sensação desagradável que o abacaxi deixa na lingua 
augmenta bebendo-se agua ou lavando-se a bocca. O terreno é um grande 
factor em tudo isso. 

Não conheço o kaki, fructa da moda ; dizem que não pôde ser tragada 
no dia da colheita, mesmo colhida madura. Ha frucias, como a laranja, 
que são tão boas frescas como guardadas. Algumas, como uvas, cambucás, 
jaboticabas, carambolas, pecegos, ameixas etc, perdem o sabor quando 
guardados. A jaboticaba, estando maduríssima, absolutamente não pôde 
ser guardada, sob pena de fermentar-se e perder-se, mesmo sem viajar, 
sem machucar-se. E 1 o typo da fructa que, para ser apreciada, deve ser 
comida no pé. 

A fructa para ser boa depende ainda do terreno em que está a arvore. 
Ha fructeiras que indifferentemente fructificam em morro ou varsea, em 
lugar secco ou húmido. Ha outras que só produzem em terranos húmidos 
e adubados. Fructeira em varsea, em terra humosa e molhada, é mais 
frondosa, mais taluda, seus fructos são desenvolvidos e mais bonitos, porém, 
aguados, chocos, desenxabidos. Fructos de arvores de lugar alto, secco, 
batido pelo sol, são mais doces. A figueira plantada ao pé de um córrego, 
com as raizes banhadas pela agua, dá figos grandes, porém, ao amadu- 
recerem, commummente racham-se e não são tão doces como os de fi- 
gueira de lugar secco. Laranjeira plantada em lugar baixo, enxarcado, dá 
fructo acido, ao passo que a plantada nas encostas invariavelmente dá 
laranja doce. Em geral, arvores com raizes em lençol d^gua, dão fructos 
péssimos. Dizem que a figueira para dar muito quer ter os pés n^gua 
e a cabeça no sol . 

E' exacto isso, mas é preciso não confundir pés nagua com raizes 
atoladas em lençol d'agua. Jambeiro plantado junto a uma banqueta de 
rego d'agua, de modo a haver um derrame d'agua humidecendo sempre 
as raizes, dá muito jambo. 

Mas si plantarmos o jambeiro em terreno pouco profundo, não 
temos fructo. Por uma má observação commetti um erro ao abrir meu 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



sitio. Na fazenda de meu avô materno havia diversos jambeiros que pro- 
duziam. O que dava fruetos mais abundantes e gostosos, estava atraz do 
moinho, em pequena elevação, e tinha as raizes cobertas d'agua espar- 
zida pelo rodízio do moinho. Ao abrir meu sitio plantei uns 20 pés de 
jambo na beira de um córrego, logar baixo, alagadiço. Quasi todos mor- 
reram de impaludismo e três que ainda vivem nada produzem. 

Na occasião da florescência, a jaboticabeira quer um banho d'agua, 
mas plantada em logar em que as raizes toquem em lençol d'agua, não 
fruetitica. Igualmente commetti erro em plantar algumas dezenas de pés 
de jaboticaba na beira do mesmo córrego. Os que vingaram, nada pro- 
duzem, com 22 annos de idade. 

Aprendi á minha custa, por isso só mais tarde pude fazer nova plan- 
tação em bom logar. Por causa do erro, até hoje só tenho uma jabotica- 
beira que produz. Pude observar que a jaboticabeira só exige agua no pé 
na época da florescência. 

Nessa epoeba ella soffre uma febre physiologica, tem muita sede, e 
si não houver chuva bastante ou banho d'agua nas raizes, não vinga 
nenhum frueto. Somos levados a acreditar que toda planta tem mais sede 
e necessita de mais agua na época da florescência . O tempo secco antes 
da florescência, parece indicio de abundância de tlores; mas chegada essa 
época, o exgottamento de humidade nas raizes faz abortar a florescência. 
Duas plantas de meu conhecimento, a jaboticabeira e o feijoeiro, fazem 
máxima questão d^gua no tempo da florescência. 

Fallando em agua na raiz, lembro-me do genipapeiro. Passei minha 
infância em um arraial onde havia genipapeiros nas capoeiras. Nunca vi 
um pé que não estivesse em pequena depressão do terreno, em logar onde 
formasse ephemera e pequenissima lagoa, extincta logo após as chuvas. 
Assim, nos mezes de calor, na época da grande forca vital, cada genipa- 
peiro oceupa o centro de pequena bacia, em cuja agua banha suas raizes. 

Observamos que o sabor da frueta depende do terreno onde viceja a 
frueteira. Composição chimica do terreno, maior ou menor quantidade de 
agua e de húmus, maior ou menor quantidade de raios solares, etc, são 
factores a contar na boa ou má qualidade da frueta. 

O clima também muito inllue nisso. 

Na zona em que moro não ha abacaxi que preste. No Rio de Janeiro 
comem-se explendidos abacaxis vindos de Guaxindiba, mas pessoas que 
conhecem Pernambuco, dizem que alli existem os melhores do mundo. 
Todos concordam que as melhores mangas do Brasil, são as de Itaparica e 
Itamaracá. Nos Estados do Rio, Minas e S. Paulo, acima de 5oo metros, 
não ha laranja que preste, ao passo que onde moro todas são boas, á e\- 



A LAVOURA 



cepção apenas das produzidas nos brejos. A romã é fructa medíocre 
entre nós ; entretanto, affirma-nos o Dr. T. Peckolt, em Caracas ella é 
digna da meza de um B. Savarin. Em Friburgo nunca pude comer 
uma banana maçã, que alli é inodora e cheia de pedra c travo. Nas bai- 
xadas do Estado do Rio ella é aromática e appetitosa. Masquem nunca 
comeu uma banana maçã da Bahia, de polpa tenríssima e etherizada, não 
conhece a melhor obra de mãos divinas, dizem as pessoas que por alli pas- 
saram. 

Abril de 1908. 



A. C. Ferreira Paula. 



Cereaes Europeus 

Foi fundado na mais robusta esperança de chamar para o facto a at- 
tenção dos interessados que resolvi expor, em uma vitrine de uma das 
casas commerciaes mais prosperas desta cidade, amostras dos chamados 
cereaes europeus, produzidos na Estação Agronómica a meu cargo. 

Em meio o desenvolvimento desses vegelaes, fiz á benemérita Socie- 
dade Nacional de Agricultura, com sede no Rio, uma exposição das con- 
dições dos ensaios de culturas neste estabelecimento. E tão útil julgou 
aquella Sociedade o conhecimento dos factos apontados naquella exposição, 
que entendeu fazer a publicação respectiva em dous diários da Capital da 
Republica e na sua brilhante Revista. 

De ha muito comprchendi a necessidade de experimentarmos intro- 
duzir em nosso meio cultural a exploração de cereaes, cuja vegetação fosse 
possível, dadas as nossas condições thennicas. 

Além da vantagem de augmentannos uma fonte de renda, afastaría- 
mos da importação a sobrecarga pesadíssima de um producto, que é, talvez, 
o primeiro elemento da alimentação. 

Asomma enorme de 40 mil contos é todos os annos, desviada da for- 
tuna publica para a bolsa extrangeira, e por essa cifra pagamos o cereal, que 
brota vigoroso em nossas terras — o trigo, o symbolo da alimentação hu- 
mana : o — pão. 

Ha em geral uma apathia contristadora pelos negócios da agricultura, 
uma inditfcrença irónica por isso, que em verdade são os músculos, o 
sangue e a cerebração de todos os entes que se julgam eminentemente 
superiores. Tem-se em geral, a agricultura como uma oceupação servil ; 
os produetos que brotam da terra generosa, como coisas somenos, cuja oc- 
eupação só á creaturas humílimas pertence. E no entanto, é á carência de 



mK/.IKL>\DK nacional ok agricultuha 



espirito pratico, que não possuímos, absorvidos por um resto de idealismo 
pueril, que ainda não penetramos na verdade dessas cousas. Accrescente- 
se a falta de comprehensão de como devem ser dirimidas as primeiras ne- 
cessidades do paiz ; eis tudo. 

Assis Brasil cuja autoridade em agricultura só pôde ser sobrepujada 
pela elevação de seu patriotismo, aconselha empregarmos todos os esfor- 
ços para a introducção da cultura do trigo em o nosso paiz e são palavras 
delle: « Penso e com toda a convicção ecom iodas as veras que não ha obra 
vais digna do patriotismo inteligente, ucm mais urgente dever da publica 
administração, que a tentativa methodica, tena^e constante ale esgotar os úl- 
timos -recursos da sciencia e da experimentação, para dar d nossa terra essa 
condição especial da independência, a base da alimentação — o pão. » 

Temos um campo vastíssimo para experiências, procurando qual a 
variedade de trigo que melhor se adapte ás nossas condições thermicas. 
Ha variedades que requerem uma somma de temperatura, que vae de. . . 
1.500" até 3.3oo° comprehendcndoa germinação e a fruetificação. Com um 
trigo, cujo cyclo vegetativo seja de três mezes, como o trimenia e o algeria- 
no e dada a nossa média thermica no inverno, para esse tempo, temos em 
funeção uma somma de 1 . Noo°, temperatura invejável para tal producçao. 
Recue-se ou avance-se a época da sementeira, para evitar que a floração 
seja apanhada pela temporada chuvosa ; dé-se ao solo as condições de mo- 
bilidade precisa e de fertilidade ; faça-se a selecção e a cura dos grãos, te- 
nha-se o cuidado necessário durante a vegetação — e eis o problema re- 
solvido. 

Ha espíritos tão avessa e systematicamente contrários a tudo quanto 
elles não comprehendem, que se aventuram a dizer sentenciosamente : 
o isso não se dá em nosso clima, não forcemos a natureza » . E no en- 
tanto, se perguntássemos a taes pessoas, que experiências fizeram, que 
livros compulsaram, emfim, quaes os longos e pacientes -estudos e ob- 
servações feitas para assim se abalançarem a sentenças, que julgam lu- 
minosas... nada diriam; mas vão matando a iniciativa alheia e implan- 
tando o desanimo onde se devia destruir o espirito de rotina, de que 
inconscientemente, esses senhores são os primeiros arautos. 

E 1 verdade que, com as experiências realisadas na Estação Agro- 
nómica, não obtivemos para o trigo uma proporção para a produecão 
como a obtém a Inglaterra — 27,7 ; a Bélgica 25,1 ; a França 1 5,4 ; mas, 
a Argentina vae somente até 11, e Portugal 6 e 7 e entre estas duas 
quotas ficamos perfeitamente . Concedamos mesmo que o grão descaia 
do louro para o castanho ; que não tenha uma estruetura uniforme, apre- 
sentando partes rugosas e encarquilhadas. Mas, convenhamos também, 



A LAVOURA 



que dada a exiguidade de tempo, não ti vemos um solo preparado con- 
venientemente, siderado, como se diz em linguagem profissional, e 
o que foi obtido, quer quanto a producção, quer quanto ao peso e ta- 
manho do grão, é, como resultado, fundamente animador. 

Accrescente-se a quasi impropriedade da época da sementeira — 
meiados de setembro —- com uma elevada media thermica e tem-se de 
sobejo motivos para acreditarmos em fructuosas experiências, que serão 
depois melhormente conduzidas. 

E ainda que não produzamos nunca o trigo como os centros eu- 
ropeus, devemos por isso largar mão do recurso que temos de liber- 
tarmos-nos do dominio da importação? 

A Allemanha não produz carvão como Cardiff e nem por isso deixa 
de alimentar as suas industrias com o seu próprio. Não tem o mesmo 
poder de colorido, nem mais betume e matérias extranhas; submette-o 
a lavagens, expurga-o das matérias terrosas e escorias outras, ajunta-lhe 
breu, comprime aquillo tudo e eis os briqueís arfrontando no commercio 
á concurrencia ingleza. 

Assim nós, se devido á inconstância de clima, e a causas outras, 
não podermos fixar a época de plantio e a variedade, salvando as flo- 
radas e produzindo em abundância para a exportação, teremos seguro 
porém o juizo, — de que o faremos bastante para as nossas necessidades, 
guardando as nossas economias, que ao envez de irem locupletar o ex- 
trangeiro, ficarão no paiz, distribuídas em applicações úteis e provei- 
tosas . 

Jacintho de Mattos 

Director da Estacão Agronómica de Florianopolit. 



EXPEDIENTE 



Secretaria 

Correspondência 

Expedida em junho : 

Cartas e circulares 2.177 

Registrados 87 

Offlcios 61 

Telegrammas . . • 80 

5076 



2r,2 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

«A Lavoura» 0.351 

Annaes do Congresso , . . . 249 

Inquérito do Gado 2 

Recebida no mesmo mez 

Requerimentos 194 

Cartas 210 

Officios 40 

Telegrammas ■ 37 

Memoranda 4 

Circulares 5 

Visita, — Deu-nos o prazer de sua visita o distincto Dr. Emílio Vlieberg, 
professor de economia rural da Universidade de Louvain, que veio tomar parte 
om nosso paiz, não só uo Congresso Catholico, como no Congresso Agricola, sendo 
para este ultimo convidado pelo Dr. W. Bello, quando em viagem pela Europa 
ultimamente. 

O emérito professor foi também recebido, em sua chegada, pela directoria 
desta Sociedade. Fará conferencia publica nesta cidade e om outras sobre as- 
sumptos diversos. Muito gratos ficamos pela vinda de tão illustre estrangeiro para 
cooperar na solução dos problemas que vão ser discutidos. 



Horto da Penha 

Api-enciiy.aclo Agricola Elementar-A Sociedade está orga- 
nizando no Horto Fructicola da Penha um aprendizado agricola elementar c 
pratico. 

Para esse fim já possue ne-se estabelecimento um pomar com grande varie- 
dade de arvores frutíferas, viveiros, culturas de plantas industriaes o horti- 
culas, cocheira, pocilga, estrumeira o apiario bem montado e boa collecção de 
instrumentos aratorios. 

Iniciando agora o aprendizado, o estabelecimento fica á disposição de quem 
quizer receber o ensino pratico, que será gratuito. 

O ensino do manejo dos diversos instrumentos aratorios, para o preparo me- 
cânico da terra e o tratamento das culturas, será permanente o ministrado em 
qualquer época do anno, bem como o proparo e distribuição de adubos, o uso de 
insecticidas o pulverizadores e principaes operações de cultura. Os trabalhos os- 
peciaes de poda e enxertia serão ensinados nas épocas próprias. 

As pessoas que quizerem receber o aprendizado registrarão seus nomes no 
livro de visitas, consignando as impressões recebidas e os resultados que houve- 
rem obtido. 

Será facultado um certificado de habilitação aos que quizerem prestar prova 
de aptidão perante uma commissão da directoria e que forem julgados suffici- 
entemento adestrados nos trabalhos que houverem cursado. 

Actualmente está-se fazendo ;i-;ibalhos de adubação e de enxertia de videiras 
e de laranjeiras. 



Secção Tecímica 

Fumo Brasileiro no Japão 

Do Cônsul brasileh-o no Japão recebemos a seguinte carta: 

CONSULADO DOS ESTADOS UNIDOS DO BRAZIL EM YOKOHAMA 

Sr. Presidente— Tenho a honra de remetter a V. S. a inclusa carta que me 
dirigio o Sr. Fioravanto Chimcns, negociante nesta jraça, a propósito da impor- 
tação do fumo brazileiro no Japão, assumpto este que parece digno da attenção 
da Sociedade que V. S. preside. 

O consumo do fumo neste paiz tomou um grande incremento, depois que o Go- 
verno decidio monopolizar a sua venda. O povo Japonez é de natureza propenso 
ao uso e mesmo ao abuso deste artigo e facilmente começa a abandonar o conhe- 
cido e popular cachimbo « kaseru », cujo pequeno fornilho só permitte a aspiração 
de duas ou três fumaças, pelo cigarro ou charuto. Este abandono foi, em 
parte, favorecido pela direcção do Monopólio, que, por intermédio dos seus for- 
necedores, se tem dedicado a uma feliz propaganda do fumo sob as suas variadas 
formas. 

Até hoje os produetos das Ilhas Filipinas têm gozado de geral aceitação, 
graças ao seu apurado feitio e a sua barateza. Os charutos de Havana, de Ham- 
burgo e de outras procedências, e os cigarros Egypcioa s-ão bastantemente apre- 
ciados ; porém, de todas estas marcas, as qualidades inferiores e portanto, ba- 
ratas, são as mais procuradas. 

A esto offleio junto dois catálogos dos preços o dos typos de charutos adoptados 
pela Companhia Geral de Tabacos de Filipinas, e que poderão servir de modelos 
aos nossos fabricantes que desejarem encetar negócios com o Japão. Todas estas 
marcas são, mais ou menos, conhecidas dos consumidores Japouezes, sobresahindo, 
entretanto, as que estão traçadas com tinta vermelha . 

O fumo que se empregar deve ser de côr clara, e naturalmente fraco. Os cha- 
rutos devem ser bem feitos e ter-se-ha muito cuidado na escolha da capa. A feição 
exterior, o aspecto geral do artigo para exportação deve ser bonito, porque no 
Japão mais do que em outra parte do mundo, a clientela ê sempre attrabida pela 
apparencia seduetora do género que se lhe offereco. 

A parto interior, a buxa, poderá ser de qualquer fumo, contanto que seja fraco 
maduro e bem socco, afim do evitar um ligeiro amargor que se nota nos nossos 
charutos ordinários. 

As caixas devem ser bem confeccionadas e agradáveis ao mirar. 

Quanto aos preços, penso que se pode tomar como base os da Companhia de 
Tabaco das Filipinas. (£ 1-00-00 corresponde a 10 pesos filipinos) Creio que se po- 
deria fazer um pequeno sacrifleio nas primeiras remessas e vendel-as mais barato 
do que as da Companhia Filipinas. Mais tarde, quando se tiver obtido a confiança 
do Monopólio o a preferencia do consumidor, então se poderá pouco a pouco esta- 
belecer preços correntes largamente compensadores. Nessas batalhas económicas, 
como em toda lueta, a vantagem de um dos contendores está no conhecimento que 
elle tem das partes fracas e fortes do seu adversário. 



SOCIHDADE NACIONAL DK AGRICULTUIiA 



Como qualidade o uosso fumo é muito superior ao das Filipinas, que não tem 
perfumo nêm sabor e cujo preparo deixa muito a desejar. No emtanto as Filipinas, 
tendo fácil transporte, poderão sempre fornecer mais barato do que nós, sobretudo 
se os fabricantes dahi quizorem sustentar a concurrencia. Convém pois imitar ou 
crear desde já marcas, que mesmo fabricadas com fumo inferior, sejam pelos co- 
nhecedores preferidas ás marcas Filipinas, a má qualidade do fumo seu sendo favo- 
rável aos nossos charutos. Assim se poderá, em momento dado, affrontar folgada- 
mente os baixos preços dos nossos rivaes. 

Bem sei que tudo isto parecerá a primeira vista de realização difflcil, mas 
V. S. deve conhecer melhor do que eu, a situação da nossa agricultura e a ne- 
cessidade que temos de verder os seus productos, que, pela fertilidade de nossas 
terras podemos sempre oíferecel-os bons e baratos. 

E\ entretanto, necessário um pouco de trabalho e muitas vezes, ura pequeno 
esforço é sufflciente para dar prodigioso desenvolvimento a projectos, que jamais 
se realizarão se demorarmos eternamente na nossa prejudicial quiotude. Ja lá 
vai o tempo em que o consumidor era obrigado a fazer a corte ao productor. Hoje 
os papeis estão trocados e o futuro pertence ao mais activo e persistente. 



Senhor Cônsul do Brazil. — Yokohama 

O monopólio dos tabacos do Ooverno Imperial Japonez enearregou-me de obter 
os preços correntes e amostras de charutos extrangeiros, para saber quaes são as 
marcas que poderão ser importadas entre as já existentes. 

Penso que no Brazil deverá haver fabricantes de charutos que poderão ven- 
del-osâ preços favoráveis. 

Muito grato vos ficaria, Sr. Cônsul, quizesseis escrever para o Brazil, afim do 
que fizessem enviar uma pequena quantidade do amostras de charutos e cigarros, 
que me esforçarei o mais possível para introduzilos no paiz. 

A importação dos charutos se desenvolve dia á dia, e os mais vendáveis são os 
de Manilha, Havana, Bélgica, Hollanda, Allemanha. Estou persuadido que os preços 
dos charutos fabricados no Brazil poderão lutar contra a concurrencia dos extran- 
geiros e no caso affirmativo, estou certo, poderei fazer grandes encommendas ás 
fabricas que me enviarem amostras. 

A ci Companhia Geral de Tabacos de Filipinas » teve ha alguns dias uma 
ordem no valor de Yens 70.000 equivalente á Frs. ouro, 180.000 (cerca de 
120:0O0$000) e semelhantes ordens as recebem a Insular e a Oriente, fabricas de 
Manilha. 

Eu mesmo ha um moz fiz uma pequena ordem de charutos do Havana no valor 
de 6.500 Yens. 

Faço notar estes algarismos, afim de que os fabricantes do Brazil vejam que 
ainda ha uraa praça onde poderão, como disse acima, fornecer bja mercadoria à 
preços vantajosos. 

No primeiro anno dever-se-ha fazer me desconto um pouco mais elevado, sobre 
os pregos corrente, afim de permittir o (reclame) que é, como sabeis, a alma do 
commercio. 

Levei cinco annos a fazer a propaganda de meus charutos Egypcianos de minha 
fabricação, porem, tenho o prazer de ver que são hoje os miis vendavei3 e daqui 



A LAVOURA 255 

ha um aano oitou parsuadido que a venda será augmentada e mesmo dobrada, o 
augmentará sempre. 

Pediado-vos bom explicar o que acabo de expor, quando escreverdes para o 
Brazil, rjcebei. Sr. Cônsul, rainhas sauda;ões as miis sinceras.— Fioracante 
Chimens. 



Na nossa sede social, temos á disposição dos interessados, o catalogo dos 
charutos mais acceitos no lapão, assim como podemos prestar as informações, que a 
respeito nos Ibrom dirigidas. Esperamos que os fabricantes de charutos não deixem 
perder a occasião que so apresenta de conquistar este novo mercado. 



Damos á publicidade com pr.izer a seguinte carta recebida pelos Srs. Arens & 
Coinp., que publicam anuuncio em nossa revista: 

Leopoldina, 26 de maio de 1908 
limos. Snrs. Arens & Cia. 

Rio de Janeiro. 

Como um do3 proprietários do engenho de beneficiar arroz, deuominado «San- 
ta Adelaide» installado nesta cidade, com as p^rleiçoadas machinas, importa- 
das pela acreditada casa de VV. SS., das «Odicine Moccaniche — Fonderie H. Tor- 
chetti & Cia.— Verselli, Giá Lecarni Giusoppe», tenho a honra de communicar-lhes 
que hontom realizou-se a in uiguração solomno dos referidos machinismos, perante 
enorme assembléa de homens de letras, industriaes, commerciantes e lavradores 
estando presentes as altas autoridades judiciarias o administrativas. O resultado 
apresentado pelo engenho de beneficiar arroz foi excellente, agradando a todas as 
pessoas presentes, o que coostitue mais um eloquente attestado da grande com- 
petência do dijtincto mechanico da casa de VV. SS.,Sr. Frederico Engert, cava- 
lheiro de tino trato social, encarregado por VV. SS. do montar as machinas im- 
portadas da Europa. 

Levando esta noticia ao conhecimento de VV. SS., cumpre-me agradecer-lhes 
a cooperação efflcaz para o bom êxito do Engenho do «Santa Adelaide». 

Cumprimenta-os, com todo apreço. 

Do VV. SS. 
Amo. Att e Obo. 
IUndolpiio Fernandes das Chagas. 



-£S£:H}É«€€3- 



SOCIKDADE NACIONAL DK AGRICULTURA 



NOTICIÁRIO 



O Café — Do S. Paulo extrahimos a seguinte noticia da rounião dos lavra- 
dores realizada na Capital do vizinho Kstado : 

< Na Sociedade Paulista de Agricultura realizou-se domingo a annunciada 
reunião de lavradores para tratar dos cafés baixos. 

Aberta a sessão usou, da palavra o Sr. Dr. Raphael de Abreu Sampaio Vidal 
que fundamentando os fins da reunião, disse que hoje uma reunião da lavoura 
era sempre presidida pela certeza e confiança de que seus reclamos encontram 
ecos nas altas regiões governamentaes. 

A politica económica, iniciada polo Dr. Jorge Tibiriçá, e continuada pelo 
Dr. Albuquerque Lins, representa uma segurança de que hoje a lavoura pau- 
lista tem por supremo advogado o próprio magistrado que preside aos nossos 
destinos. Lançadas as bases e organizado o plano desta politica fecunda, cumpre 
a este quatriennio pôr em execução a série de medidas que hão de assegurar o 
triumpho completo de nossa campanha em prol do café. 

Entre essas medidas, avulta a magna questão dos cafés baixos. 

A exportação de taes typos constituo o eterno tuema para dar moralização 
aos cafés braziieiros no extrangoiro, 6 uma das armas de guerra sempre ma- 
nejada contra nós. A todo o transe precisamos arrancar esse instrumento das 
mãos dos nossos inimigos. 

Precisamos, uma vez por todas resolver essa questão dos cafés baixos. 
Temos lei a respeito, mas que ainda não foi posta cm execução. O íim principal 
desta reunião 6 exactamente pedir ao governo que a regulamente o sem demora 
a execute ainda esto auno. Precisamos agir promptamento. Muitos estudos, 
muitos trabalhos já têm sido apresentados neste sentido. Até agora, porém, não 
entramos ainda no terreno pratico. 

Estuda as diversas formas apresentadas para a eliminação desses cafés, mos- 
trando a impraticabilidade de algumas, sobretudo a cobrança do imposto do in- 
terior. Sustenta que esse imposto deve ser cobrado em espécie, em Santos, por 
occasião da exportação. 

Depois de justificar detidamente a sua opinião, apresenta o projecto abaixo 
que consubstancia as idéas que lhe parecem mais praticas e correntes a respeito. 

Em seguida, o Sr. Dr. Sampaio Vidal apresenta a seguinte proposta, para 
que se peça ao governo : 

I. Que regulamente e execute, ainda esta anno, a lei que taxa os cafés baixos. 

II. Que a cobrança desse imposto seja feita em Santos, em espécie, por occa- 
sião da exportação. 

III. Que promova junto das estradas de ferro a reducção do suas tarifas em 
proporção do imposto que for cobrado em espécie. 

IV. Que o café recebido com o imposto seja effectiva e immediatamente eli- 
minado ou destruído, quer por combustão, quer por trituração, transformando-se 
em adubo para os cafezaes. 



A LAVOURA 257 



V. Que uma vez fixado o typo que o governo recebei' como imposto, as 
qualidades inferiores a esse sejam rigorosamente taxadas com o máximo da 
percentagem legal (20 por cento), de modo a tornar impraticáveis a entrada ao 
mercado e a exportação dessas qualidades infei 

Além do Dr. Raphael de Abreu Sampaio Vidal, assignaram essa proposta, 
dentre os presentes á reunião, os Srs. Dr. Randolpho Margarido da Silva, Eu- 
génio do Lacerda Franco, Dr. Arthur Nicolão de Vergueiro, Dr. Carlos Car- 
neiro de Barros Azevedo, Bento Queiroz de Barros, Dr. Caetano Duarte Nunes, 
Francisco José Leite, Salvador de Toledo Piza, João Ribeiro de Barros, coronel 
José Ferreira de Figueiredo, Dr. Joaquim de Salles, António Augusto Mendes 
Borges, Alberto Archanjo da Cruz, Dr. Luiz António de Souza Queiroz, Hermes 
Alves de Lima, Dr. Fábio Uchôa, José de Sallos Leme, Cornelio Schmidt, Al- 
fredo Alberto Fortes, Dr. Augusto Ramos, Paulino Carlos Filho, António J. Ri- 
beiro (la Silva e coronel Arthur Diedericshen. 

Logo em seguidi, o sr. dr. Arthur Vergueiro prttpoz, como alditivo, podir 
ao governo que continue na sua acção interventora, regularizando a offerta nos 
mercados, de accordo com as avaliações das safras. 

Postas em discussão as duas propostas, o úr. Sérgio Meira, pedindo a palavra, 
pondera que se deveria convocar nova reunião para estudar o projecto mais de- 
moradamente, discutindo-o mais amplamente, que se devia fixar o typo a elimi- 
nar ; que lia sempre o inconveniente dos outros Estados não acompanharem, o 
fazendo outras considerações. Toma de novo a palavrão dr. R. Sampaio Vi lai e, 
contestando, faz sentir que a questão dos cafés baixos foi já objecto de uma lei 
votada pelos representantes do Estado, em sua sabedoria. 

Não são os lavradores aqui reunidos quj vão deliberar sobro o caso. 

A lavoura, hoje unanime em valorizar o seu producto, apenas vem pedir que 
o governo execute uma medida que já 6 lei. Adiai', crear novas discussões, será 
uma protelação inútil. Precisamos agir. Lembra que durante muitos annos levá- 
mos a discutir planos e programmas, mas para que a defesa da lavoura fosse 
uma realidade viva e palpitante foi preciso que dois homens de acção, da tempera 
de Jorge Tibiriçá e Albuquerque Lins tomassem a causa a peito e lhe dessem a re- 
alidade. O que preeisamos, pois, ó do agir sem demora. 

A eliminação dos cafés baixos, que nos desmoralizam, é uma questão vencida. 

Quanto á escolha do typo a eliminar deixamos este detalhe ao elevado cri- 
tério do governo. 

Em relação aos outros Estados, já estamos acostumados a levar avante impul- 
sos maiores, mesmo que nos abandonem no caminho. 

Termina opinando pelo pedido feito ao governo na for. na do seu projecto. 
Posto este a votos foi unanimemente approvado, com additivo do dr. Vergueiro. 

Foi encerrada a sessão, ficando a mesa encarregada de levar ao governo o 
resultado das deliberações da assemblóa. 

Comprindo essas deliberações, pela directoria da Sociedade de Agricultura foi 
dirigida ao sr, presidente do Estado a seguinte representação: 

< Exmo sr. dr. presidente do Estado de S. Paulo. 

Os lavradores de café, que em grande numero se reuniram no dia 30 do cor- 
rente, na « Sociedade de Agricultura», desti capital, resolveram dirigir-se a 



mh;!K1>\I>K NACIONAL DK AiUílCULTUKA 



v. «xc. por intermédio do presidente da m srai r(;união, c pjdir ao governo do 
Estado o seguinte: 

Considerando a necessidade de eliminação dos cafés baixos que tão profunda- 
mente depreciam o nosso proilucto no estrangeiro, servindo de elemento perni- 
cioso para a campanha diffamatoria movida contra o «Café Santos» ; 

Considerando que a idéa de til eliminação, como me lida valorizadora, além 
de ser já objecto de uma lei do Estado, é incontestavelmente umi idéa vencedora 
entro os interessados pelo nosso café, 

Pedem : 

I. Que o governo regulamente e executo ainda este anno a lei que taxa os cafés 
baixos. 

II. Que a cobrança, desse imposto seja feita em Santos, «em esp cie» por occa- 
sião da exportação. 

III. Que promova junto das ostradas de ferro a reducção de suas tarifas na 
proporção do imposto que for cobrado em ospecic. 

IV. Que o café recebido como imposto s<\ja ellectiva e immediatamente olimina- 
do ou destruído, quer por combustão, quer por trituração, transformando-se em 
adubo para os cafesaes. 

V. Que uma vez fixado o typo que o governo deve receber como imposto, as 
qualidades inferiores a esse typo sejam rigorosamente taxadas cimo máximo da 
porcentagem ( 20 % ) de modo a tornar impraticxvois a entrada no mercado e a 
exportação dessas qualidades Ínfimas ; 

Pedem mais: 

Que o governo do Estado continue na sua acção interventora, lançando mão do 
medidas tendeutes a regularizar a offorta do café nos mercados, tendo em vista 
a avaliação das colheitas. 

São estas as idéas que os lavradores respeitosamente apresentara ;i apreciação 
do elevado critério do v. exc. 

S. Paulo, Sala da Assembléa, no Eiitlcio da Sociedade de Agricultura, aos 
2 de junho de 1903. — presidente, Luiz António de Sousa Queiroz.— O Secretario, 
Raphael A. Sampaio Vidal.» 

Colónia, Francisco Salles — Na conferencia ultimimente reali- 
zada, em Bello Horizonte, entro o Governador do Estado e o Padre Domingos 
Albanello, director da colónia Francisco Sal les, em Pouso Alegro, ficou resolvida a 
realização de diversos melhoramentos nesta colónia, dentre os quaes se destacam: 

Divisão do3 terrenos ultimamente ai. paridos em lotos iguaes aos anteriores ; 

O estudo d'agua para o abastecimento de cada um desses lotes; 

A medição do perímetro daquelles terrenos e o levantamento da respectiva 
planta ; 

O estudo e o preparo da estrada para automóvel, ontre esta cidade e a sede 
da colónia. 

Destes serviços está encarregado o capitão Júlio de Barros, agrimensor pratico 
do governo. 

Uma vez preparada a estiada, o governo dotará a colónia com um automóvel 
de cargas. 



A LAVOURA 259 

A.ratlo Mineiro— Sr. José Abdo, residente em Queluz, esteve na 
capital mineira, onlo foi apresentar ao director da secretaria da agricultura, 
br. Carlos Prates, um arado de sua invenção, ao qual denominou de «Queluziano 
Mineiro». A exporiencia, realizada no parque, deu muito bom resultado: o arado 
« Queluziano » offerece mais resistência do que o « Reversível », especialmente no 
corte de raizes. Em 10 horas de trabalho lavra 6.360 metros. 

O Sr. Abdo foi muito cumprimentado pelo seu invento. 

O Ci»oclito A-g-ricola, rio Paraná — Pelo Presidente do Estado 
do Paraná foi sanccioná lo o decreto que autoriza o Poder Executivo a garantir o 
juro annual de 6% por 10 annos, sobre o capital de 200:000$, que fòr utilizado por 
sociedaies cooperativas de credito agrícola que se organizem no Estado, com as 
formalidades legaes, pelo systema Raiffeisen. 

Pecuária em Minas — No dia 9 de maio effectuou-se no Cáes 
Pharoux o desembarque de onze reproductores do gado bovino, dá, raça Lincoln 
Red bairy Shorthorn, vindos da Inglatsrra para criadores do Estado do Rio. Alem 
de outras pessoas estiveram presente ao desembarque os Srs. Drs. Weneesláo 
Bello, Sylvio Rangel e Souza Reis, directores desta Socielade. 

— No dia 16 desembarcaram dous touros também da raça Lincoln Red bairy 
Shorthorn . 

Tèm ambos um anno de idade, sondo um filho de um touro que ganhou diversos 
prémios e custou 12 contos de réis; o outro é filho de um touro que ganhou os pri- 
meiros prémios de 1906 o 1907. Nessa remessa vinha também um touro de raça 
Hereford. Esses reproductores deslinam-se ao Estado de Minas. 

— Itohen Robin Hood é o nome de um outro touro importado pelo Dr. Carlo s 
Pereira de Sá Fortes, criador mineiro. Este touro tem uma genealogia illustre; é 
filho de Royal Governor of Etiennerie, campeão da ilha de Guernesy. Foi criado 
por Sir H. b. Tickdowne, um dos maiores especialistas desta raça na Inglaterra. 
A importação foi feita por intermédio da casa H opkins, Causer & Hopkins. 

— beve ter seguido, no dia 18 para a America do Norte, o Dr. Donato de An- 
drade, criador no município de Oliveira, em Minas, que vae estudar nos grandes 
estabelecimentos pastoris do Kentucky e do Illinois os mais modernos processos de 
criação e acclimatação de raças estrangeiras, pretendendo fundar logo que regresse, 
um grande estabelecimento no seu Estado Natal, modelado pelos americanos. Ao 
producto de raça cavallar apresentado pelo Dr. Donato de Andrade coube o pri- 
meiro premio na Exposição Pecuária de Bello Horizonte. 

Novo trig-o — Lemos no Republica, que se publica em Curitiba: 
«A boa nova que nos vem da Argentina, do resultado da analyse a que foi 
sujeita a farinha de trigo brazileira no Laboratório Chimico de Buenos Aires, de- 
monstrando a superioridade desta sobro a similar platina, devo servir de estimulo 
aos Estados do sul e principalmente ao Paraná na fomentação de uma cultura que 
promette farta compensação aos que, aproveitando a fertilidade e as condições cli- 
matológicas do nosso Estado onde outr'ora floresceram os trigaes, tentem concorrer 
para um dos maiores factores da nossa completa e futura independência económica. 
Diz o telogramma ter siio a dita analyse procedida em farinha procedente do 
Rio Grande, um dos grandes celleiros de trigo do Brazil no começo do século pas- 
sos 4 



SOCIEDADK NACIONAL DK AGRICULTURA 



sado, a que mais tarde, desanimado ante a invasão da «ferrugem», anniquilando 
as searas, abandonou as plantações para somente dedicar- se á industria pastoril. 
O mesmo desalento empolgou pjr essa época os plantadores do planalto ouritibano 
a ponto de não se cuidar mais da producção de um cereal de tanta importância 
alimentícia, dando-nos o pão que, no dizor do emérito escriptor, é a hóstia consa- 
grada no altar da civilisaçâo, por ser o seu uso um attributo dos povos mais adi- 
antados. 

De facto o trigo só começa a servir de alimento ao homem depois que este aban" 
dona os domínios da barbaria : é incontoste que só os povos civilisados comem pão. 

E se a simples circumstancia de nutrirem-se do trigo lhes confere tão alto pre- 
dicado, mais consideração devem merecer os que produzem o grão precioso e o ma- 
nipulam para sustento próprio e para vendel-o a troco de ouro a outros povos 
menos previdentes, como nós, infelizmente, que embora possuidores de um solo 
fértil e adequado a essa cultura abandonámola, preferindo a suzerania económica 
da Argentina o dos Estados Unidos. 

A ninguém deve ter surprehendido o triuinpho alcançado pelo trigo brazi- 
leiro, na analyse confrontativa com o proiucto argentino ; é que as nossas terras 
meridionaes são mais apropriadas a esse íim, graças ao clima temperado e á óptima 
situação geographica a coberto das inclemências atmosphericas, que devastam as 
planícies transplatinas. Era excellente a farinha daqui enviada para abastecer a 
capital colonial e outras praças do paiz ; de Curitiba ia o trigo destinado á régia e 
numerosa comitiva, que em 1808, aportou ao Rio de Janeiro com D. João VI, con- 
forme o testemunho de documentos do nosso archivo municipal. 

Mais ainda: nos tempos coloaiaes (que doloroso contraste !) sahia de Paranaguá 
muita farinha de trigo para alimentar a guarnição e soccorrer a população esfo- 
meada da praça do Sacramento, no Rio da Prata! O nosso mal foi o desalento 
ajudado pela rotina. 

Se em vez de se quedarem, vencidos pela «ferrugem», os cultivadores, sacu- 
dindo o espirito rotineiro, appellassem à ignorância em que nos conservamos, á 
falta de um confronto, da superioridade do trigo brazileiro. 

O plantio que ora se inicia neste Estado, equivale a verdadeira rosurreição, 
cujos effeitos não tardarão a se fazer sentir na economia nacional e no progresso 
paranaense.» 

A. cultura, tio arroz e <io trig^o n.o Braxil — Sobre esto 
assumpto publica o Tropenfllanser o seguinte: 

« De alguns annos a esta parte o governo brazileiro vera se empenhando em 
promover e animar nas classes da lavoura a cultura dos diversos géneros de pri- 
meira necessidade. Nesse sentido, começou por fomentar a cultura do arroz, 
creando prémios para as grandes plantações e estabelecendo outras medidas favo- 
ráveis, como reducçãode fretes para o arroz, etc. O resultado dessas medidas foi 
tão auspicioso que de 1902 a 1906 a importação do arroz no Brazil cahiu de 101 .000 
a 40.000 toneladas. 

Animado com o êxito dessa experiência, tem agora o governo as suas vistas 
voltadas para a cultura do trigo, e está disposto a auxilial-a na medida de suas 
forças. Co:nprehende-se facilmente essa preoceupação, quando se pensa que só no 
anno de 1906 o Brazil importou 54.000 toneladas de farinha de trigo c 232.000 tone- 
ladas de trigo. 



A LAVOURA 2iH 

Actualmente a cultura do tri,_;o está sendo promovida com grande actividade 
em Sãi) Paulo, nas colónias do governo ; consta-nos, por exemplo, que especial- 
mente as experiências feitas em Nova O les>a tem produzido resultados muito sa- 
Usíae tórios.» 



O a,ssu.ea,i' Ibrazileiro 110 Japão 

OFFICIO DO CON3UL BRASILEIRO NO JAPÃO 

Consulado dos Estados Unidos do Brasil — Yokouama, 30 de Agosto de 1907 — 
3» Secção.— N. 15. 

Sr. Ministro — Em aditamento ao meu offlcio n. 8, do 3 de julho próximo pas. 
sado, tenho a honra de rometter a V. Ex., om separado, uma pequena caixa 
contendo duas amostras de assucires.— A amostra n. 1, representa pjueo mais ou 
menos, o typo do .lava 14, quo 6 o assucar geralmente empregado nas refinarias 
japonezas. O seu pre;o varia entro 13 e 11 shilliogs, por picul ou 60 kilos. Outras 
qualidades procedentes das Philipinas, da Allemanha, da Áustria, etc, ete, são 
também usadas aqui, mas, em menor quantidade. 

Os rofinadores de Tukio queixamse bastante do typo 14 dj Java, cujo rendi- 
mento não é o mesmo de ha alguns annos atraz. Demais o enfardei xmento, que é 
feito em grosseiros saceos de palhi entrançaia, deixa muito a desejar. No dizer 
dessas mosmos refinadores, em igualdade de circumstancia, cllos preferirão sjmpre 
o assucar de uma pulverização mais grossa, e acondicionado em uma embalagem 
mais cuidadosa. As outras amostras são de assucar do Perii, para aqui expor- 
tado a titulo do experiência, que, infelizraent;, não deu bom resultado. Esses 
assacares, além de não serem limpos, deião um rendimento muito inferior aos de 
igual typo de Java; o o cheiro desagradável que nelles S3 nota, se conserva mesmo 
depois de refina lo. Os nosios fabricantes nãj devora perdor de vista esto exemplo 
e para quo ellos se orientem sobre este ponto, é que remetto a V. Ex. as refe- 
ridas amostras. 

II. A industria de refinação de assuc ir tem tido n »s últimos tempos, um notável 
desenvolvimento, graças ao patriotismo o a sabedoria do Governo Japouez, que não 
cessado prodigalizar-lhe uma protecção continua e benéfica. Es;e justo apoio, reu- 
nido aos pacientes esforços dos industriíes japjnezes, tem d*do resultados verda- 
deiramente satisfactorios. 

O Japão do hoje, nascido das suas próprias forças, elevado a categoria do 
grande o poder.jsa nação, sinto necessidade dj viver sobre si mesmo, de croscor e 
de impor-sj ao Occidenie pela extensão e pelo progresso das suas industrias e pela 
grandeza do seu commercio, como impoz-sj ao respeito o á admiração universal, 
pela táctica e pela bravura dos seus soldados. E para isto, nada lhe falta, nem a 
iniciativa, nem energia e nem liabili lade. Graules refinarias estão em via do for- 
mação e outras, já em plena actividade o florescência, são coLsideradas como 
emprezas de brilhante futuro. Dentre ellas, a mais importante ê a «Dai Nepoo 
Sugar Reflnery, O limited», que gira com um capital, do 11 milhões de yens 
ou £ 1.100. COO.— Essa companhia, que está eslabelecila om Tokio, á margem de 



sOCIHDAnrc NACIONAL 1>E AGRICULTURA 



um dos braços do Iuraida, emprega nas suas oficinas os melhores e mais aperfei- 
çoados apparolhos, produzindo todas as qualidades do assucar refinado necessárias 
ao consumo interior e preferidas pelos paizes importadores. Não se pode precisar 
a cifra da produeção dessa refinaria, porque a sua installação não está ainda 
completamente terminada. Entretanto, desde o primeiro anno em que as suas ma- 
chinas começaram a funccionar, que ella distribuo 20 % de dividendo aos seus 
accionistas. Das possessões japonezas, somente a Ilha Formosa produz assucar em 
grande escala. 

O Governo tem procurado fomentar o cultivo da canna no sul do Japão, mas os 
resultados obtidos têm sido, relativamente, pequenos. 

III. A importação do assucar no correr do anno de 1903 se elevou a 
yens : 23.725.000, oquivalentes a £2,372.503. Em tão elevada cifra as índias Hollan- 
dezas figuram com yens: 19.993.000, vindo em seguida a Allemanha, que exportou 
yens: 1.904.400. Se comparamos a importarão de 1900 com a de 1905, que attingiu 
a yens: 13.706.000 verificaremos um lisongeiro augmento, que em grande parte deve 
ser attribuido ás isenções e privilégios de que ._ r oza a industria de refinação de 
assucar a qual, como já disse, o Governo dispensa uma constante e proveitosa 
solicitude . 

Emquanto a importação de assucar bruto alcança elevados algarismos, as on- 
tradas de assucar refinado diminuem dia a dia, e dentro em breve desapparecerão 
totalmente das estatísticas offlciaes. 

O Japão que durante longos annos foi tributário das refinarias estrangeiras, 
tornou-so hoje um grande exportador de assucar refinado, tendo conquistado, depois 
do uma bella lucta com os seus concurrentes de Hongkong e outros logares, alguns 
dos mais importantes mercados da China, sem contar a Coréa e a Mandchuria, que 
offerecem um fácil campo de acção ao seu commercio e a sua industria. 

Em 1903, a exportação de assucar refinado foi de yens: 70.UOO, e em 1S06, 
ella se elevou a yons : 1.560.000. 

IV. A tarifa aduaneira do Japão soffVeu uma modificação quasi radical depois 
da ultima guerra. Pela nova tarifa, que consta de 538 artigos divididos em 19 grupos, 
a renda annual das Alfandegas do Império é avaliada em mais de 40 milhões de 
yens. Os direitos de entrada, por 60 kilos de assucar, são: para os mascavos e 
raascavinhos, de yens: 1.65 e yens 2. ^5, e para os brancos, de yens 3.25 e do 
yens 3.50. Os assucares classificados abaixo do typo 15 da escala hollandeza gozam 
de uma baixa especial, quando são destinados as refinarias do paiz, e que reduz o 
imposto aduan liro, a menos da metade do estabelecido na respectiva tarifa. 

A elevação gemi dos direitos não attiugo o< productos das nações que gozam 
aqui de tarifas preferenciaes. Não obstante, a Allemanha, a Inglaterra e a França, 
apezar de estarem na lista dos paizes mais favorecidos, concluíram accordos com o 
.lapão, nos quaes as duas primeiras obtiveram para os seus assucares as seguintes 
baixas : 

Typj de .lava 15 a 20 Jens 0,748 por 60 kilos. 
» .. » acima do n. 20 — 0,827. 

O elevado i -oposto de consumo instituído durante a guerra, foi prorogado 
por tempo indeterminado, visto combinarem as necessidades orçamentarias. Esto 
imposto é o seguinte : 

I a categoria (por 60 kilos) Yens : 1 mascavos e mascavinhos. 



A LAVOURA 



3» categoria (por 60 kilos) Yens 1,60 mascaves e mascavinhos. 

3« » » 2,20 brancos. 

p » 2,80 

V. São estas, Sr. Ministro, as informações que me parecem de natureza a in- 
teressarem os nossos fabricantes de assucar. Se mais tarde for iniciado um 
serviço regular de navegação entre o Brazil e este paiz, empregarei todos os meus 
esforços, que espero serão secundados pelos agricultores de Campos e do Norte, 
para crear no Japão um vasto e lucrativo mercado de assucar o outros prodnctos 
brasileiros. 

As minhas esperanças se apresentam sob os melhores auspicios. Já o Con- 
gresso Nacional votou uma subvenção para uma linha de vapores directos, e os 
refinadores japonezos mostram-so animados da melhor bôa vontade a nosso 
respeito. 

Além disto o consumo tende a augmentar de anno a anno, e com elle a expor- 
tação de assucar refinado. Convém, todavia, antes de realizar qualquer negocio, 
agir com grande prudência, afim ae evitar o caso suecedido aos assucares pe 
ruanos. Os lavradores brasileiros deverão enviar a este Consulado, ou directa- 
mente ás refinarias, amostras de todos os typos de assucares susceptíveis de serem 
exportados, e, em quantidade suficiente, para quô se possa proceder a experiências 
de rendimento, de côr, de perfume, etc. 

Os assucares brancos deverão ser incluídos nessas remessas, porque, estou 
certo, os refinadores daqui farão justiça a sua superioridade. E que lava, a te- 
mível concurrente, em vez de ser considerada como um obstáculo á realisação dos 
nossos projectos, seja, pelo contrario, francamente admittida como um incentivo, 
como um estimulo para o desenvolvimento de um trabalho methodico e persis- 
tente, única fonte de onde poderemos auferir uma larga e duradoura prosperi- 
dade. Antes de concluir, cumpre-me informar a V. Exa. que o Yen corresponde 
a 1.000 réis, ao cambio de 15 dinheiros. 

Tenho a honra de reiterar a V. Ex. os protestos da minha respeitosa consi- 
deração. — Alcino Santos Silva. 

Exm. Sr. Barão do Rio-Branco, Ministro de Estado dai Relações Exteriores. 

O Estado Moderno e sx Aji.i-iciiltu.x-a, — Começámos a pu- 
blicar o annuncio sobre este interessante livro no numero passado, chamando 
para o mesmo a attenção dos leitores. 

Abóbora gxg^ante — Foi produzida na fazenda « Mourão», município 
de Joazoiro, Bahia, de propriedade do major Enéas Ferreira Muuiz, negociauto 
abastado daquella praça e fazendeiro do município, .uma abóbora pesando 20 kilos 
ou 20.000 grammas. 

O major Enéas, proprietário da referida abóbora, expól-a em o balcão de sua 
casa commercial ás vistas do publico, tendo sido muito apreciada e tendo recebido 
essa semente do Rio de Janeiro, por intermédio da Sociedade Nacional de Agri- 
cultura, da qual é sócio. 

Fazemos votos para que o major Eneas continue a tirar proveito de seus 
esforços. 



SOCIKDADF. NACIONAL DF, AORICULTURA 



PARTE COMMERCIAL 



Junho de 1908 

Café 

Venderam-se 110.000 saccas contra 131.000 no mez anterior. 
Entraram 143.611 saccas contra 136.003 saccas no mez anterior. 
Não houve entrada em transito. 

Os embarques foram : 134 043 saccas contra 157.046 no mez anterior. 
As entradas do Rio de Janeiro, retalhadamente, foram : 

Saccas 

Estrada de Ferro Central do Brazil 54.663 

Cabotagem 5.862 

Barra dentro 84.987 

Total 145.511 

Em Nova York, o typo 7, disponivel, do Rio cotou-se a 6 3 / 8 c. por libra até o 
dia 5, a 6 5 / 16 c. em 6 a a G l / 4 c. durante o resto da quinzena e mesmo consor- 
vou-se duranto o mez. 

Na Bolsa heuve as cotações: 6 c. até o dia 4, 5.90 c. de 5 a 8 e de 11 a 13; 
5.95c. em 7 e 10 e 5.85 c. em 15 e 17 a 24; 5.90 c. cm 16, 26 e 27; 5.95 c. em 29 
e 6 c. em 30. 

Os extremos das cotações foram : 

í* quinzena 

Por arroba Por 10 kilos 

Typo n. 6 5$600 3$813 

» » 7 5$300 3. ; 608 

» » 8 5$000 3$404 

> » 9 4$700 3.4200 

2» quinxena 

Por arroba Por 10 kllos 

Typo n. 6 5$500 a 5$700 3^744 a 3$881 

» » 7 3$200 » 5$400 3$560 » 3$676 

» » 8 5$000 » 5$100 3$404 > 3$472 

» > 9 4$700 » 4$800 3$200 » 3J268 



Géneros importados 

Qualidade Quantidade Preços 

Banha americana ... 400 barris $600 a $670 a libra 

Farinha de trii:o . . . 19.090 barricas .... — 

i* quinzena 

Americana (barrica) Não ha 

» (secca) Não ha 

Rio da Prata: 

por 2 saccas 

Primeira qualidade 23$50O 

Segunda » 22$500 

Terceira » ãl$500 

Moinho Inglez: 

Nacional • 24$000 

Brazileira 23$200 

Buda-Nacional 25$200 

Moinho Fluminense: 

S. Leopoldo 24$000 

O. O ... • 23$000 

S a quinzena 

Americana (barrica) Não ha 

» (secca) Não ha 

Rio da Prata: 

por 2 saccas 

Primeira qualidade 23$500 

Segunda » 22$500 

Terceira > 21$õ00 

Moinho Inglez,: 

Nacional 23$500 

Brazileira 22$700 

Buda-Nacional 24$700 

Moinho Fluminense: 

S. Leopoldo 23$500 a 24$000 

O. O 22$50O » 23$000 

/» quinzena 
Manteiga — 1 . 105 caixas : 

Demagny, Isigny (latos sortidas) 2$460 a 2$480 

Brétel Frères (latas sortidas) 2$200 » 2$220 

Lepelletier 2$450 > 2$460 

Modesto Qallone (sortidas) 1$850 » 1$900 



266 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA. 

Esbousen Não ha 

L. Brtim 2$500 a 2$520 

Buske Juniur 2$400 » 2$450 

Marclet 2$I80 » 2$200 

Outras marcas 1$800 > 2$000 

A nacional vendeu-se: a de Minas de 3#i00 a 3$800 e a do Sul do 2$400 
a 2$G00. 

2 a quinzena 

Demagny, Isigny (latas sortidas) 2$430 a 2$460 

Brètel Fròres (latas sortidas) 2$200 » 2$2ãíJ 

Lepellotier 2$440 » 2$450 

Modesto Gallone (sortidas) 1$850 » 1$90Ú 

Esbousen s . Não ha 

L. Brum Não ha 

Buske Júnior 2$400 a 2$420 

Marclet 2$200 > 2$220 

Outras raarcas 1$80J » 2$000 

A nacional vendeu-se: a do Minas de 3$200a 3$500 e a do Sul de 2$200 a 2$600. 



Géneros nacionaes 

A.g ua.irden.te 

Os supprimentos recebidos no principio du mez foram pequenos, conservan- 
do-sa o mercado firme. 

Na ultima quinzena o movimento foi sem importância, conservando-se as 
cotações sustentadas. 

Preços por pipa de 480 litros, base do 20 grãos: 



í a quinzena 

Preços 

Campos 165$000 a 170$000 

Angra 175$O0O > 180$Q00 

Paraty 180$000 » 185$000 

Maceió 170$000 » 175$000 

Aracaju 170$000 » 175$O0O 

Pernambuco 170$000 > 175$000 

Bahia 170$000 > 175$000 

Parahyba 170$000 > 175$000 

Laguna 165$000 » 170$000 

Itajahy • . . . 165$000 » 170$000 

Mangaratiba 175$0J0 » 1X0$000 

Paranaguá 165$000 > 170$000 



AJcool 

As entradas na primoira quinzena declinaram sensivelmente, conservando-se 
assim durante o mez. 

I* quinzena 

As cotações foram as seguintes, por pipa, sem casco: 

40 gráos 260$000 a 2Ô5$000 

38 > 245$000 > 250$000 

36 > 235$000 > 240$000 

.AJg-odão em. rania 

O mercado deste género esteve na ultima quinzena do mez influenciado pela 
especulação, que etfectuou vendas para entregas futuras a preços baixos. 

I 3 - quinzena 
Preços : 

Pernambuco 12$500 a 13$300 

Ceará 12$500 » 13$000 

Rio Grande do Norte 12$200 » 13$000 

Parahyba 12$300 » 12$S00 

Penedo (Nominal) 

Sergipe ..... 12$000 » 12$400 

2 a quinzena 
Preços : 

Pernambuco 1 1$600 a 12$400 

Rio Grande do Norte 11$800 » 12$400 

Ceará 11$800 > 12$400 

Parahyba 11$600 » 12$000 

Penedo (Nominal) 

Sergipe (Nominal) 



Assiuoar 

Na primeira quinzena do mez reduziu o stock e uma cifra que ha alguns 
annos não se registra e era de esperar que as cotações melhoi'assem, sendo que, 
depois do dia 15, os negócios em mascavos e os lances conservaram se sustentados. 

PRIMEIRA QUINZENA. 

Os preços regulam como se segue : 

Pernambuco : 

Branco usina s520 a $540 

Dito crystal $500 > $510 

Dito 3* sorte $500 » $510 

Crystal amarello $420 » $450 

5076 5 — 



18 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Mascavinho $380 a $420 

Somenos $410 » $430 

Mascavo bom $350 » $360 

Dito regular $340 » $345 

Dito baixo $330 » $335 

Sergipe : 

Branco crystal $500 a $510 

Mascavinho $380 » $460 

Mascavo bom $350 » $360 

Dito regular $340 » $345 

Dito baixo $325 » $330 

Campos : 

Branco crystal $510 a $520 

Dito 2° jacto $480 » $490 

Crystal amarello $460 > $480 

Bahia : 

Branco crystal $510 a $520 

Dito 2° jacto $480 > $490 

Crystal amarello — — 

Outras procedências: 

Mascavinho $360 a $380 



SEGUNDA QUINZENA 



Os preços regularam como se segue : 

Pernambuco : 

Branco usina $500 a $510 

Dito crystal $480 > $490 

Dito 3 a sorte $480 > $490 

Crystal amarello $430 » $440 

Mascavinho $370 » $420 

Somenos $400 > $420 

Mascavo bom $345 » $350 

Dito regular $330 » $340 

Dito baixo $320 > $325 

Sergipe : 

Branco crystal $470 a $480 

Mascavinho $400 » $430 

Mascavo bom $345 » $350 

Dito regular $330 > $340 

Dito baixo $320 » $325 

Campos : 

Branco crystal • . . . $480 a $500 

Dito 2° jacto $460 » $470 

Crystal amarello $430 » $440 



A LAVOURA 



Rranoo crystal $490 a $500 

Dito 2» jacto $470 » $480 

Crystal amarello $420 » $400 



Cereaes 

PRIMEIRA. QUINZENA 

Saccos 

Feijão preto de Porto Alegre, novo . . . 14$000 a 15$000 

Dito idetn da Terra ll$000 » 12$000 

Dito idem de Santa Catharina 13$000 » 14$000 

Dito do Paraná — 13$000 

Dito mulatinho — 14$000 

Dito manteiga — 14$000 

Dito enxofre — 14$000 

Dito de cores, nacional 8$000 » 10$000 

Dito branco, estrangeiro 18$500 » 19$000 

Dito amendoim, idem 18$000 » 18$500 

Farinha de mandioca, especial 9$000 » 9$500 

Dita idem fina 8$500 > 8$800 

Dita idem peneirada 8$000 » 8$460 

Dita idem do Norte — — 

Dita idem grossa, Laguna 6$80O » 7$000 

Dita idem idem, Porto Alegre Não ha 

Arroz nacional 22$000 a 24$000 

Dito inferior 14$000 » 18$000 

Milho amarello do Norto Não ba 

Dito idem da terra 7$500 a 7$S0O 

Dito misturado idem Não ha 

Amendoim em casca 0$500 a 7$000 

Cangica 10$000 » 18$000 

Favas 9$000 » 0$500 

Kilogramma 

Alpiste $360 a $380 

Batatas nacionaes $140 » $?00 

Dita estrangeira Nominal 

Fubá de milho $140 a $200 

Matte em folha $400 > $500 

Tapioca $500 » $520 

Polvilho $100 » 200$ 

Carne de porco $660 » $700 

Línguas do Rio Grande (uma) $800 »" 1$000 

Cebollas do Rio Grande (cento) 2$200 » 2$400 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



SEGUNDA QUINZENA 

Preços 

Feijão prato de Porto Alegre, novo . . . Nominal 

Dito idem da Terra Nova 10$000 a 10$50o 

Dito idem de Santa Catharina 13$000 » 14$000 

Dito do Paraná — » 15$000 

Dito mulatinho 10$000 » 14$000 

Dito manteiga 12$000 » 14$000 

Dito enxofre — > 12$000 

Dito de cores, nacional . 6$000 » 8$000 

Dito branco, estrangeiro 18$500 » 19$000 

Dito amendoim, idem 17$000 » 18^00 

Farinha de mandioca, especial 9$000 » 9$500 

Dita idem, flna 8$500 » 8$800 

Dita idem, peneirada 7$800 » 8$200 

Dita idem, do Norte — — 

Dita idem, grossa, Laguna 6$400 » 7$0OO 

Dita idem idem, Porto Alegre Não ha 

Arroz nacional 23$000 a 26$000 

Dito inferior 16$000 > 20$000 

Milho amarello do Norte Não ha 

Dito idem da terra 6$800 a 7$200 

Dito misturado, idem — > 6$500 

Amendoim em casca fi$500 » 7$000 

Cangica 1G&000 > 17$000 

Favas 7$500 > 8$000 

Kilogramma 

Alpiste $360 a $380 

Batatas nacionaes $180 » $200 

Dita estrangeira Nominal 

Fubá de milho . $120 a $200 

Matte em folha $440 > $540 

Tapioca $440 » $540 

Polvilho $440 » $540 

Carne de porco $640 » $700 

Línguas do Rio Grande (uma) $700» 1$000 

Cebollas do Rio Grande (cento) 2$300 > 2$400 

Fumo em rolo 

Manteve-se estável este morcado havendo muita procura. 

i» quinzena 
As cotações foram : 

Preços 

De Minas, especial 1$600 

Dito superior 1$600 

Dito 2» 1$400 



A LAVOURA 



Dito ordinário 1$000 

Goyano, superior 2$400 

Dito 2» 1$700 

Baixo Nom. 

Rio Novo, superior 2$400 

Dito 2» 1$300 

Dito baixo 1$200 

Pomba, superior 1$(500 

Dito 2» 1$200 

Dito baixo Nom. 

Carangola 1$500 

Picú, especial 2$800 

Dito 1» 2$000 

Dito 2» 1$200 

Bahia 1$100 

Pernambuco Não ha 



Entraram 4.551.390 kilos por cabotagem, do nacional, que se cotou de 2$ a 
2$100 por 40 litros. 

Mercado monetário 

A existência do. ouro, na Caixa do Conversão, em 15 de junho, ora : 

Libras esterlinas 5.478.844—10 

Francos 10.462.040 

Marcos 470 

Dollars 126.107,50 

Liras 140 

Pesos argentinos 2.710 

Ouro nacional 139:400$000 

SEGUNDA QUINZENA 

e a 30 de junho era: 

Libras esterlinas 5.464.229—10 

Francos 10.453.980 

Dollars 120.637—50 

Liras 2^0 

Pesos argentinos 2.710 

Pesetas hespanholas 25 

Ouro nacional 138:830$000 

A importância de notas conversíveis em circulação era a seguinte : 
189.618:760$000. 

O preço de soberanos, fora da Bolsa, foi de 16$025. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



CAMBIO 

As taxas offlciaos continuaram a manter-so inalteradas, a 15 1/8 d. sobre 
Londres nos bancos estrangeiros e 15 3/16 d. no Banco do Brasil. As transacções 
bancarias fizeram-se a esses extremos e as do outro papel de 15 5/32 a 15 3/16 d., 
não e registrando movimento digno de nota. 

Os extremos das cotações offlciaes foram : 

Londres, 90 d/v 15 1/8 e 15 3/16 d. 

Paris, 90 d/v $629 a $632 

Hamburgo, 90 d/ v $776 » $779 

Portugal, 3 d/v 316 » 325 % 

Itália, 3 d/v $633 » $639 

Nova York, á vista. ...... 3$288 » 3$310 

Vales, ouro — 1$793 

O valor offlcial de mil rt 5 is foi do 560 a 563 réis, ouro, e o da libra de 15$£03 a 
15$868. 

Ágio de ouro 77,77 a 78, 51 % . 

— £8^»35N€«€ 

BIBLIOGRAPHIA 



Temos a registrar o recebimento de mais as seguintes publicações periódicas: 

Eslaciôn Central Agronómica de Cuba. — Boletim n. 10. 

La Revista Verde, órgão do Instituto Internacional de Agricultura, de Roma. 
— Anno IV, n. 5. 

L' Economista Italiano, de Génova. — Anno XII, n. 23. 

Réoue Intemalionale du Caoutchoua, de la Gulta-Percha et le Pneumo-Journal. 
— N. de 18 de maio de 1908. 

Les Marques Inlernalionalcs, de Berna.— Anno XVI, tomo III, n. 180. 

The Southern Planter, de liichmond (Virgínia). — Vol. 69, u. 5. 

Brazilian Enyeenering and Mining Remexa.— Vol. V, ns. 1 e 2. 

Revista da Associação Commercial do Maranhão. — Anno I, n. 1. 

Revista Trimensal do Instituto do Ceará.— Tomo XXII, anno XXII, l g e 2° tri- 
mestres de 1908. 

Secção Meteorológica, da Directoria de Agricultura do Estado de S. Pauli. — 
Outomno de 1907. Serie 2 a , n. 2. 



Pelo Sr. Dr. Heitor de Sá, director desta Sociedade, foram offerecidas á Bibli 
otheca as seguintes obras : 

Sobre el Cultivo dei Maiz, por Juan Francisco Baldassare.— Buenos Aires, 1907 
La Aradura a Vapor, por Hugo Miatello.— Buenos Aires, 1907. 



A LAVOURA 



Contribución ai Esludio de las Frutas (Matizarias). Variedades recommendables 
por Júlio J. Bjlla.— Bueno Aires, 1907. 

ElOlito, por José Cilley Vernet. — Buenos Aires, 1904. 

La Agricultura en la Provinda de Corrientes, pelo engeulieiro agrónomo Ro- 
berto Campioletti . — Buenos Aires, 1906. 

Procedimentos Químicos para Combalir las Enfermedades de las Plantas, por 
Otto Appel.— Buenos Aires, 1906. 

Experiência sobre el Cultivo dei Algodon, por Adolfo C. Tounelier. — Buenos 
Aires, 1906. 

Experiências sobre el 'Cultivo de las Remol achas Porrajeras y su Conservación, 
por Adolfo C, T^nnelier.— Buenos Aires, 1906. 

Experiências sobre el Cultivo dei Tárt igo Rojo y dei Tabaco, por Adolfo C. 
Tonnelier. — Buenos Aires, 1903. 

Digesto de Leyes, Decretas y Resolucimies relativos a Tierras Publicas, Coloni- 
zacion, Immigracion, Agricultura y Comercio. 1810—1909. Publicarão feita sobre os 
auspícios do Ministério de Agricultura.— Buenos Aires, 1901. 

Proyecto de Ley Orgânica presentado ai Ministro de Agricultura, D. Ezequiel 
Ramos Mexia, por la Comision Asesora de Ensenanza Agrícola. — Buenos Aires, 1907. 

Proyecto de Ley Orgauica para la Eusunauza Agrícola . Ministério de Agricul- 
tura.— Buenos Aires, 1901. 

Ley n. lti. Cey de Patentes de Invención, Ministério de Agricultura.— Buenos 
Aires, 1907. 

Ley n. 31)73. Marcas de Fabrica, Comercio y Agricultura. Ministério de 
Agricultura.— Buenos Aires, 1900. 

Ley de Tierras y Decreto Reglamentario de S de Noviembre de 1906. Ministério 
de Agricultura.— Buenos Aires, 1906. 

Ley de Inmigracion y Regiamente de Desembargo de Inmigranles. Ministério do 
Agricultura.— Buenos Aires, 1907. 



Receberam-se ainda as seguintes publicações cuja remessa agradecemos : 

Inlerpretacion de los Analisis de la Semilla de Alfalfa, por Juan Ramón Chavez. 
Publicação da Revista «Córdoba Agrícola». — Bell-Ville, 1908. 

Exploração do Rio Ribeira de Iguape, da Commissão Geograpkica e Geológica 
do Estadode S. Paulo.— S. Paulo, 1908. 

O Cavallo Nacional, por George Plantade.— S. Paulo, 1908. 

As Raças Limousinae Garonneza, pelo Dr. Paul Maugé.— S. Paulo, 1908. 

A Raça Normanda, pelo Dr. Paul Maugé.— S; Paulo, 1908. 

A. B C. of LimeCultivalion. Publicação do Imperial Department of Agrieul- 
ture forthe West Indies, 1908. 

Seedling and Olher Canes in lhe Leetoard Islands. Publicação do mesmo Depar- 
tamento. 

Relatório da Sociedade Brasileira pira Animação da Agricultura, para 1906 
—1907. 

Avsocixção Commercial do Porto. Relatório da Direcção no anno de 1907. 

Conslructions Rurales, por J. Danguy. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Acabamos do receber a 2 a edição desta obra quo a casaJ. B. Baillière et Fila, 
teve a gentileza de nos remetter. Como temos feito para outras publicações da 
mesma casa, inserimos nesta secção a seguinte noticia bibliographica para orien- 
tação dos leitores d'«A Lavoura». 



Construclions rurales, par J. Danguy, directeur dos études de l'E'cole nationale 
d'Agriculture de Grignon. 1 vol. in-16 de 50 pages, avec 300 flg., brocho: 5 ír.; 
cartonné; 6 fr. (Encyclopédie agricole). Libraira .1. B. Baillière et fils. 19 rua 
Hauteíeuille, a Paris). 

Attaché, pendant de nornbreuses annés, á la chaire do Génie rural de l'E'cole 
de Grignon M. Da.nguy a pu reunir des notes três completes sur les construo tions 
rurales, qui présentont un intérèt tout spécial pour los agriculteurs. 

II a divise son livre en deux parties: Ia première relative aux princips 
génèraux de la construction, appliqués aus bâtiments ruraux; la seconde ayant pour 
object la description de chacune des construclions de la ferme. II a suivi 1'ordre des 
travaux, en commençant par les terrassemenls, puis il est passe à la maçonnerie, 
aux charpentes en bois ou métalliqnes, puis il a termine cette première série de 
travaux, qu'il agroupés sous le nom de gros ceuvre, par les couvertures. Sous la 
rubrique Pelil ceuvre, il donne les régies relativos à la confection des enduits, des 
carrelages et des pamges ; il indique on quoi consistont les travaux de menuiserie 
(parquets, escaliers, portes, fenêtres, etc), de serrurerie, de peintureet de vilrerie. 

La deuxôine partie traite dei constructions rurales suivant leur alTectation. M. 
Danguy s'occupe de la disposition des bâtimints et indique Ia placa qu'ils doivent 
occuper sur le domaine. II étudie ensuite 1'habitation des ouvriers et de 1'exploi- 
tant, en donnantles types d installatinos les plus commodes. Pour les bâtiments 
reserves aux animaux (écuries, ótables, etc), il montre quelles sont les conditions 
qu'ils doivent remplir et donne les dispo3itions qu'il faut préférer ; il a fait de 
raêmepour ceux affectês aux rócoltes (granges, hangars, greniers, fenils et silos) . 
il donne les conditions d'établissement des rernises du matériel, des plales-formes et 
des fosses á fumier, ainsique des citernes d purin. Les citernes et rêservoirs des- 
tines ;i recueillir et a conserver les eaux potables, les clotures et les chemins sont 
étudiésá part ; il termine son ouvrage par un aperçu sur les devis. A propôs des 
terrassements, il a donné les rèidís relatives ã leur cubature et au mouvement des 
terres ; ã propôs de devis, il indique comment on peut faire exécuter les trauvaux 
de construction . 

Ce volume a été couronné par la Société Nationale d'Agrictilture d'une médaille 
d'or. 11 fait partie de 1' Encyclopédie agricole, à laquelle cette même société vient 
d'accorder le Grand Pri.t Heuzé . 

Le catalogue détaillé et illustré de V Encyclopédie agricole est adressé grátis et 
franco à tout personne qui en fait Ia demande à MM. J. B. Baillière et fils. 19, rue 
Hautefeuille, à Paris. 



Rio de Janeiro — Imprensa Nacional — 1908 



ESTATUTOS 



CAPITULO IÍ 

DOS SÓCIOS 

Art. 8." A socideade admitte as seguintes categorias de sócios : 

Sócios eITectivos, correspondentes, honorários, beneméritos e associados. 

§ i ." Serão sócios eITectivos todas as pessoas residentes no paiz que forem 
devidamente propostas e contribuírem com a jóia de 15$ e a annuidade de 20$ooo. 

§ 2.° Serão sócios correspondentes as pessoas ou associações, com residência ou 
sede no estrangeiro, que forem escolhidas pela Directoria, em reconhecimento dos seus 
méritos e dos serviços que possam ou queiram prestar á sociedade. 

§ 3. Serão sócios honorários e beneméritos as pessoas que, por sua dedicação e 
relevantes serviços, se tenham tornado beneméritos á lavoura. 

§ 4. Serão associadas as corporações de caracter official e as associações agrícolas, 
filiadas ou confederadas, que contribuírem com a jóia de 30$ e a annuidade de 5o$ooo. 

§ 5. Os sócios eITectivos e os associa los poderão se remir nas condições que orem 
preceituadas no regulamento, não devendo, porém, a contribuição fixada para esse lim 
ser \nferior a dez (10) annuidades. 

Art. 9.° Os associados deverão declarar o seu desejo de comparticipar dos tra- 
balhos da sociedade. Os demais sócios deverão ser propostos por indicação \ie qualquer 
sócio e apresentação de dois membros da Directoria e ser acceitos por unanimidade. 

Art. 10. Os sócios, qualquer que seja a categoria, poderão assistir a todas as 
reuniões sociaes, discutindo e propondo o que julgarem conveniente; terão direito a 
todas as publicações da sociedade e a todos os serviços que a mesma estiver habilitada a 
prestar, independentemente de qualquer contribuição especial. 

§ i.° Os associados, por seu caracter de collectividade, terão preferencia para os 
referidos serviços e receberão das publicações da socieJale o maior numero de exem- 
plares de que esta puder dispor. 

§ 2. O direito de votar e ser votado é extensivo a todos os sócios; é limitado, 
porém, para os associados e sócios correspondentes, os quaes não poderão receber votos 
para os cargos de administração. 

§ 3." Os sócios perderão somente seus direitos em virtude de expontânea renuncia 
ou quando a assembléa geral resolver a sua exclusão por proposta da Directoria. 



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CAPITULO VI 
dos sócios 

Art. 18. A sociedade prestará seus serviços de preferencia aos sócios e associados 
quando estiverem quites com ella. 

Art. iq. A jóia' deverá ser paga dentro dos primeiros três mezes após a sua 
accei tacão. 

Art. 20. As annuidades poderão ser pagas por prestações semestraes. 

Art. 21. Os sócios e os associados se poderão remir mediante o pagamento das 
quantias de 200$ e 500$, respectivamente, feito de uma só vez e independente da jóia, 
que deverão pagar em qualquer caso. 

Art. 22. Os sócios e associados não poderão votar, nem receber o diploma, sem 
terem pag-o a respectiva jóia. 

§ i.° O sócio que tiver pago a jóia e uma annuidade, poderá remir-se mediante 
a apresentação de 20 sócios, desde que estes tenham igualmente satisfeito aquellas 
contribuições. 

5 2. Para asse effeito o sócio deverá requerer á Directoria, provando seus direitos 
nos termos do paragrapho anterior. 

§ 3. Serão considerados beneméritos os sócios que fizerem donativos á sociedade, 
a partir da quantia de um conto de réis. 

Art. 23. Para que os sócios atrazados de duas annuidades possam ser considerados 
resignatarios, nos termos dos Estatutos, é preciso que suas contribuições lhes tenham 
sido solicitadas por escripto, até três mezes antes, cabendodhes ain la assim o recurso 
para o conselho superior e para a assembléa geral. 



FAZENDA HARITOFF NO ESTADO DO RIO 



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PLANTAÇÃO DF CAFÉ F MANIÇOBA 



Anno XII— N. 7 



Rio de Janeiro 



Julho di 1908 




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FAZENDA NOVO HORIZONTE -MINAS 




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Capital Federal 



Arados de discos em acção 



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SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Fundada em 16 de janeiro de 1897 

Caixa-postal, 1245 Sede: Ruas da Alfandega n. 102 

Endereço Telegraphico, AGRICULTURA e General Camará n. 10b 

Telephone n. 1416 rio »« janriko 

DUIBOTOKIA 

Presidente — Dr, Wencesláo Alves Leite de Oliveira Bello. 

i° Vice-presidente — Vago. 

2 o Vice-presidente — Dr. Sylvio Ferreira Rangel. 

3 o Vice-presidente — Dr. Domingos Sérgio de Carvalho. 

Secretario Geral — Dr. Heitor de Sá. 

i° Secretario — Dr. Francisco Tito de Souza Reis. 
2 o Secretario — Dr. Benedicto Raymundo da Silva. 
3 o Secretario — Dr. José Ribeiro Monteiro da Silva. 
4" Secretario — Alberto de Araújo Ferreira Jacobina. 

i° Thesoureiro — Dr. João Pedreira do Couto Ferraz Júnior. 
2 o Thesoureiro — Carlos Raulino. 



Fazenda de Santa Mónica Dr. Sylvio Rancei. 

ApplicaçÕes do Álcool e Museu Dr. Benedicto Ravmundo. 

Secção Technica e Bibliotheca Dr. Heitor de Sá." 

Plantas e sementes e Horto da Penha . . Dr. Monteiro da Silva. 

Propaganda e estatística Alberto Jacobina e Carlos Raulino. 

Secretaria Dr. Souza Reis. 

Thesouraria Dr. Pedreira Júnior. 

Oollaboração 

Serão considerados collaboradores não só os sócios como todos que quizerem ser- 
vi r-se destas columnas para a propaganlà da agricultura, o que a redacção muito 
agradece. A lista dos collaboradores será publicada annualmente com o resumo dos 
trabalhos. 

A redacção não se responsabilisa pelas opiniões emittidas em artigos assignados, e 
que serão publicados sob a exclusiva responsabilidade dos autores. 

Os onginaes não serão restituídos. 

As communicações e correspondências devem ser dirigidas á Redacção d' A LA- 
VOURA na sede da Sociedade Nacional de Agricultura. 

A LAVOURA não acceita assignaturas. 

E' distribuída gratuitamente aos sócios da Sociedade Nacional de Agricultura. 

< :<>!i<ll<-õ< •» <la publicação dos iinnuncioa 

vezes meia pagina uma pagina 



1 2$000 20$000 

30$ooo 5o$ooo 

5o$ooo oo$ooo 

QO$000 I 70$000 



Os annuncios são pagos adeantadamente. 

Tiragem 5.000 exemplares 



SUAIMARIO 



As orchideas 2-5 

Exposição preparatória de S. Paulo 277 

Instituto Internacional de Agricultura 281 

A cultura da banana em Santos 283 

Cultivai as amoreiras 285 

Expediente 289 

Noticiário 291 

Parte Commercial 305 

Bibliographia 315 



Anno XII - N. 7 



Rio de Janeiro 



Julho de 1008 



EDITORIAL 



As orchideas 



LJBRA«Y 
NEW YORK 
SOTA N (CAL 
UaRDBN. 



Ao lado da agricultura, dos trabalhos do camp>, as orchideas re- 
presentam o gozo e o prazer. 

Depois de árduos esforços, o encanto das orchideas minora o 
cansaço physico, enlevando a alma que, extasiada, observa tanta bel- 
leza natural, o colorido vivo e extraordinário de flores que parecem 
antes presentes divinos do que filhas das florestas. 

Nos domingos, o agricultor vae passeiar na selva ; e sobre os 
troncos cascudos da cangerana e do jequítibá elle observa as epiphytas 
tão radiantes de alegria, desabrochando suas vistosas flores. 

Elias procuram um pouso tão elevado com receio da mão rapace 
do homem em colher de um golpe os encantos das florestas. 

Pois, si os madeiros consentem a moradia sobre sua carne, teem 
a compensação do aformoseamento de suas superfícies por plantas 
elegantes, aromáticas e de um esplendor divino. Tão mimosas, todos 
os vegetaes tratam-nas com carinho e desvelo, ellas que representam 
o bello e o extraordinário. 

Do mesmo modo que a sociedade distingue as gentis senhoritas, a 
floresta acaricia a orchidea que é o seu genuíno reino do amor. 

O seu néctar, o seu perfume inebriante alimentam innumeros co- 
leopteros e colibris, que de longe são attrahidos pela sua fragrância. 

Os agricultores que gostam de festas plantam-nas sobre as arvores, 
onde ellas vivem satisfeitas, sem nenhum trato, somente com a frescura 
da noite e a pureza do ar. 

Todos os annos inflorescem; e seu esplendor serve de alimento ao 
espirito do lavrador que se eleva até o Olympo na contemplação de 
uma natureza brilhante. 

Em vez do jogo que corrompe a alma, é melhor cuidar de plantas 
que nos transmutem virtudes, tão necessárias á pureza de nossos sen- 
timentos. 

Um homem maligno torna-se o mais cordeiro ao lado de flores 
tão mimosas, como ligadas aos anjos do céo em suas bemfazejas 
intenções. 

Gomo é deliciosa a vida do campo, tão cheia de attractivos ! 

Junto a uma natureza pródiga de encantos está a terra feraz que 
faz brotar com viço os grãos que se atiram em seu seio. Tudo pro- 
spera, tudo progride. 

6480 1 



soniKnvnR nacional nu aoiuc.ui,tur.\ 



O lavrador na rabiça da charrua vae lavrando a terra e cantaro- 
lando alegre e satisfeito comaquella fé na farta colheita. 

Não ha motivo para esse êxodo d.> interior para as cidades. 

\ verdadeira felicidade reside no campo, e possue-na quem faz a 
agricultura, que é o dom mais precioso que Deus nos doou, dando-nos a 
torra para cultival-a. 

Quem possuir um sitio de bom terreno, de allitude elevada, com 
agua abundante e potável; próximo n>>s mercados, clima superior e um 
boa collecçãode orchideaa, é o homem mais feliz do mundo. 

A vida agraria é aquella que proporciona a mór messe de bem-estar 
e felicidade. 

Esses labyrinthos infectos das cidades só promovem desillusões 
e revezes. A concurrencjfa ê tal que o mérito, o trabalho e as boas 
acções são palavras vãs, que os imbecis e os incapazes nulliflcam 
por um golpe de audácia. 

Quem não quizer ter as orchideas perto de casa vae aos domingos 
ás florestas admirar a exposição natural de bellas flores, muito superior 
a estes certamensuniversaes, em que o ar confinado desbota a pureza 
virginal de setinosas pétalas. 

Si os estrangeiros amam tanto as epiphytas, que mandam agentes 
collectal-asem paizes longínquos, por que motivo, nós que as possuímos, 
não podemos admiral-as e tel-as bem perto de nossos olhos para nã, 
perdermos o especial gozo de vel-as e cortejal-as todos os momentos 
de lazer? 

Habitante de n >sso clima não precisa estufas custosas para pro- 
tejel-as de invernos rigorosos. Em um cesto, em um vaso, em um fra 
gmento de madeira roliça, cora um pouco desphagnum, ella cresce e 
vive vigorosa. 

<>s nossos jardins públicos não possuem uma collecção de orchideas! 

Gozando de fama mundial de paiz das flores, brancas como o mar. 
fim e de belleza descommunal, o estrangeiro procura em vão um exem- 
plar de parasita e não encontra. 

No eratanto na própria Europa elle pôde vêr a flora epiphyta do 
Brazil. 

A Cattleya Warneri, considerada a rainha das florestas, infloresce 
de outubro a novembro. 

Percorrer as mattas do Espirito Santo nessa época é o prazer maior 
que se pode gozar, para quem ama as flores, porque ha muita gente 
que não tem este eleva lo predicado de gostar do bello. 

A Lsellia Grandis Tenebrosa, outra deidade natural, que floresce 
de novembro a dezembro. Vive nos altos das montanhas, sobre os 
palmitos, osipés e cedros. E muitas vezes sobre a rocha, em promis- 
cuidade cora outras plantas. 



A LA ÓUB í 



A Gattleya Schilleriana, a princeza das selvas, é tõo bella em seu 
conjuncto que nos assombra. 

Procurada como uma jóia florestal, é bem escáí »na vege- 

tativa. 

mez de agosto é o tempo de sua florescência, que marca a data 
festiva para os colibris que se deliciam, osculando o seu labello de um 
carmin como ardentes lábios. 

De. J. R. Moktbiko da Silva. 



Exposição Preparatória do Estado de S. Paulo 



No dia 1 ne maio ultimo inaugurou-se ern S. Paulo a Exposição 
Preparatório para a Exposição Nacional de 1908. Foi urna bella festa 
a que concorreram todas a-, classes sociaes da adeantada capital pau- 
listana. Aquelle certamen do trabalho foi rnais urna prova viva do 
grande adeanlamento do Estado de S. Paulo nos rnais variados r 
da actividade humana. O dia foi de triumpho para ;i agricultura, 
industrias e bellas artes ; mas dentre tudo quanto nos prendeu a 
attenção destacaremos o que se refere a agricultura e industrias 
relatas. 

O Governo do Estado fez-se representar brilhantemente por varias 
repartições dependente- das suas Secretarias. 

Teve maior destaque o mostuario apresentado pela Secretaria da 
Agricultura, Gommercio e Obras Publica-. 

Foi esta a que mais se distinguiu, porque expoz todos os anuaes dos 
seus vários serviço, dosquaes se pode inferir o progressivo desenvolvi- 
mento dos que são confiados a cada secção. 

Bello, o Mappa Geral da Viação Férrea e Fluvial; importantíssimos 
os diagrammas relativos a estatística eommercial, isto é, das importa- 
ções e exportações «pelo porto de Santos» e o da almmigração p >r 
nacionalidades nos anãos de 18-it e 19/7— d o qual se deduzia ■■• predomi- 
nancia do elemento italiano; interessante o mappa dos núcleos coloniaes 
a ainda sob a administração do Estado. » 

O Mappa Geral das Culturas, isto é, a Estatística Agrícola do Estado 
relativa ao anno de 1901-5 e o diagramraa em saccos referentes á 
exportação do café durante o anno de 1903-7, são trabalhos muito 
syntheticos e indispensáveis para conhecer as condições do paiz. 



278 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Os quatro Mappas em que foram delimitadas as respectivas zonas 
de producçãodo café, arroz, algodão, canna, e o outro mappa grande, 
mostrando a cultura especial do arroz e o modo de o conservar em 
manipulos, são muito, mas muito instructivos. 

São curiosas e satisfizeram um sentimento de legitimo orgulho dos 
paulistanos «as plantas desta cidade, mostrando o seu desenvolvimento» 
—correspondentes aos seguintes periodos 1810 — 1840—1831—1907. 

Suggestivas são as photographias da Commissão Geographica de 
Exploração, relativas ao novo sertão explorado, e dignos de toda a 
attenção os mappas geographicos do Estado sem relevo». 

Tudo o que se relacionava com o importantíssimo serviço de agua 
e exgottos alli se podia estudar, estando traçados em mappas especiaes 
as redes respectivas, e havendo os relativos modelos em madeira, 
cimento, barro, gesso, e as taboas e photographias demonstrativas de 
toda a engrenagem technica das obras correspondentes, a qual pode 
ufanar-se da installação do hydrometro do italiano Venturi, a única do 
género existente no Brasil. 

E sobrepujando muitas outras coisas, que nos passaram des- 
percebidas ou não recordamos, apraz-nos pòr em destaque o relatório 
que, pela mão do seu director, Sr. .1. N. Belfort Mattos, a Secção me- 
teorológica publicou sobre o serviço meteorológico e sobre o clima de 
S. Paulo, figurando na exposição um mappa climatologico do anuo 
normal e quatro mappas meteorológicos correspondentes ás quatro 



Trata-se de um trabalho scientifico importantíssimo. Certas obser- 
vações contam já trinta annos seguros, e a afflrmação que S. Paulo 
goza dum clima mais temperado que outras localidades situadas mais 
longe do Equador, como, por exemplo, na Itália, Syracusa e Palermo, 
é bem digna da mais alta consideração, pois ê a prova demonstrada 
das condições privilegiadas em que se encontra S. Paulo quanto á vida 
e ás culturas . 

O relatório que citamos é rico de quadros, minucioso em porme- 
nores climatológicos dos mêzes mais quentes e mais frios das 16 
estações principaes do Estado e das médias normaes de não menos 
de 66 estações, que se vêm espalhadas no território estadual. Os es- 
tudiosos podem assim fazer comparações scientiflcas e os homens da 
vida pratica adquirir a prova de que S. Paulo se acha em esplendidas 
condições climatológicas. 

Ao lado do mostruário da Secretaria da Agricultura figura gar- 
bosamente a do Interior, expondo, entre muitas outras cousas, varias 
culturas bactericas, bem como grandes collecções de preparados 
anatomo-pathologicos de doenças referentes a vários animaes e insectos 
transmissores de moléstia. 



Vêm em seguida os opúsculos expostos de vários trabalhos scienti- 
ficos executados e que muitíssimo interessam á classe medica. E tudo 
isso do Instituto Bacteriológico do Estado. 

O Instituto Serumlherapico de Butantah expòz os soros contra o 
envenenamento das serpentes, e ainda cobras venenosas vivas e mortas, 
bem como dentes e peçonhas dessas serpentes. Viam-se além disso 
bellas photographias sobre o processo dos soros. 




POSTO ZOOTECHNICO DE S. PAULO 

PRODUCTO DE nHREFORD S CAUACÚ 

Finalmente, o Instituto Vaccinogenico do Estado apresentou as 
photographias do estabelecimento e dos processos para a vaccinação ou 
para a obtenção do pus e conservação desses productos scientificos. 

A juizo de prolissionaes, este Estado, nesse campo scientiflco, mostra 
ter sabido acompanhar os progressos dos tempos. 

As exposições em geral têm justamente o escopo de pôr em relevo 
os progressos de todos os serviços públicos, e é mesmo da historia das 
ultimas exposições que se deprehende como é cada vez mais manifesta 
a tendência para facilitar o estudo e generalizar o conhecimento de 
quanto nos cerca, de quanto constitue a nossa vida quotidiana intel- 
lectual. 

Forçoso foi notar uma lacuna, e grande, quanto â instrucção pri- 
maria, cuja importância ninguém ous iria discutir, pois que na exposição 
não se viu organisada uma estatística, que pudesse mostrar o seu desen- 
volvimento, quando é sabido que o Estado de S. Paulo gasta na in- 
strucção publica precisamente o dobro do despendido pelo Districto 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Federal, que vem immediatamente depois deste Estado. Esta despesa 
representa 20 °/o de todo o orçamento, e disto só se pôde vangloriar 
o Estado do Rio Grande do Sul, chegando tambam quasi a essa porcen- 
tagem o Pará. 

Iríamos demasiadamente longe si tentássemos o que de apurado e 
grande apresentou a possante industria paulista. Falemos apenas de 
algumas machinas de beneficiar café, pois que grave lacuna seria delle 
não nos occuparmos, como régia personagem que é. 

Comecemos pela machina Amaral, que foi, de entre as machinas de 
café, a que maior interesse despertou aos visitantes. 

Da uma só peça, essa machina beneficia por completo o café, rece- 
bendo-o em coco e entregando-o nos saccos separados, isto em qualquer 
numero de typos, de 4 a 13. 

Lavradores que foram á exposição admiraram a simplicidade e a 
accessibilidade das peças da machina Amaral, que dá typos perfeitos de 
café, funcciona admiravelmente tanto com o café em secco como com o 
café melado e se desmonta completamente em poucos minutos. 

Outra machina que funccionou com geral satisfacção foi a «Paulo 
Telles», que empregou no seu funccionamento café melado. Com esta 
machina, ao lado, trabalhou o catador Nicola, excellente peça, bem 
como a machina de beneficiar café «Camargo Santos». 

Ha ainda a mencionar as machinas do Sr. Dr. Milita, com três 
peneiradores automáticos de café cereja, que attrahiram a curiosidade 
dos visitantes. 

Mas ao mesmo tempo que experimentámos vivo prazer ao admirar 
os progressos e observar a variedade das industrias, que se occupam 
de manufacturar os productos do solo, de fabricar o que é mais neces- 
sário ao paiz e á vida quotidiana, certas grandes industrias fizeram- 
nos pensar nos trabalhadores, a favor dos quaes não vimos estudo, 
projecto algum para a instituição de mutualidades, de cooperativas de 
consumo, para a construcção de casas operarias, para a fundação de 
escolas populares de artes e offlcios, para a previdência contra a ve- 
lhice ea incapacidade physica e contra os desastres no trabalho, tudo, 
em summa, que se estuda e se prepara para a vasta e útil phalange 
dos trabalhadores, pois é sabido que. no interesse directo das próprias 
industrias, de necessidade moral e material se tornaram certas provi- 
dencias e previdências. 

Todavia a exposição da Avenida Tiradentes foi um simples ensaio, 
ura primeiro arranjo destinado a anteceder e preparar a outra defini- 
tiva que ha de figurar agora entre nos. 

E' de esperar que o mostruário paulista seja completo e grandioso 
como o nome de S. Paulo o requer. 



A LAVOURA 



Instituto Internacional ds Agricultura 



Na reunião havida em Roma para a constituição das commissões 
e varias secções do Instituto Internacional de Agricultura, couberam 
ao Brazil, México, Argentina e Chile logares distinctos naquella sábia 
instituição. 

Segundo se disse por occasião da reunião dos delegados em Roma, 
a culta Europa, esquecendo-se de que faziam parte da conferencia 
agrícola umas longínquas nações de ultra oceano, não lhes deu logar 
nas commissões do Instituto Internacional. O nosso delegado — Dr. 
Vieira Souto— soube protestar em tempo contra tão estranho esque- 
cimento e só então a culta Europa, dando pelo seu involuntário 
olvido, incluiu os delegados das nações neo-latinas nas commissões do 
alto congresso da agricultura mundial. 

Ainda bem ! 

O que seja esse Instituto e o fim que collima dil-o com exactidão 
o ex-Ministro da Agricultura do Reino da Itália — II Onorevole Luiggi 
Rava — em seu discurso inaugural: 

«O Instituto Internacional de Agricultura, poderá ser o Observa- 
tório do movimento universal do pensamento e do trabalho, dedicados 
á arte de cultivar a terra. Elle indicará para cada Estado, para cada 
região, como previa Virgílio : 

«Quid quaeque ferat régio, quid ferre recuset». 

E assim poupará aos colonos, aos emigrantes, aos industriaes, 
as tentativas que, fatalmente, devem transformar-se em dolorosos 
fracassos . 

Pesará com a precisão dos mecânicos, indicará como balança au- 
tomática, como sobre um diagramma preparado por determinações 
scientificas, a quantidade da producçãoedo consumo, o numero dos 
trabalhadores e dos desoccupados, a zona de esterilidade e da carestia, 
e da uberdade e da abundância, e, depois de ter rapidamente ava- 
liado a força deste poderoso organismo, encontrará e enunciará, como 
boa nova, a lei do equilíbrio. 

Fará penetrar na consciência dos povos o principio de que é 
crime social não impedir o contagio das moléstias que atacam a 
terra, os animaes e as plantas. 

O Instituto exercerá a missão de estudar, investigar e denunciar, 
no intuito de as reprimir, as falsificações que, offerecendo nos mer- 
cados matérias primas, se esforçam por impedir que a agricultura colha 



2S2 SOCIEDADE NACIONAL ^DE AGRICULTURA 

a recompensa e o pão conquistados com o trabalho honesto, e, de 
tal moio, concorram para a destruição da lei moral e para a per- 
turbação da pacifica e ordenada evolução social. 

Tornando mais certa e remuneradora a recompensa de todo aquelle 
que peça á justiça da terra o premio da applicação e do trabalho ; 
unindo os fracos; ensinando a distribuir os riscos sobre mais larga 
base de acção, poderá, se não eliminar, pelo menos, tornar mais 
suave a antithese entre as forças que geram a riqueza agrícola. E, 
de tal modo, conseguirá, talvez, encontrar o principio, a lei, a for- 
mula de amor e das mais altas e fecundas harmonias sociaes. 

O Instituto não terá e nem deseja ter ás suas ordens a espada da 
coerção. EUe dará livremente noticias, conselhos e cifras estatísticas 
e, com serenidade scientifica, indicará leis e reformas úteis aos homens 
e aos governos de boa vontade. Será, portanto, a sede natural dos 
convénios e dos accôrdos entre os Estados, captando a confiança, á 
proporção que as idéas conquistarem terreno sobre a opinião publica. 

Uma das consequências mais generosas desta acção estatística, 
jurídica, económica, será o conhecimento mais rápido e preciso das 
varias aptidões dos povos. Do estudo das differenças e das tendên- 
cias de integração gerar-se-ha o respeito reciproco e deste será fácil, 
então, a passagem a communitas gentium». 

Já antes do Ministro Rava, o culto e intelligente monarcha, que 
é Vittorio Emanuel III, dissera em uma corta memorável ao Presidente 
do Conselho de Ministros da Itália, o honrado Giolitti: 

«Caro Presidente — Um cidadão dos Estados Unidos da America, o 
Sr. David Lubin, expoz-me, com aquelle calor próprio das sinceras 
convicções, uma idéa que me parece acertada e boa, pelo que a re- 
commendo á attenção do meu Governo. As classes agrícolas, geral- 
mente as mais numerosas e que têm por toda a parte uma grande 
influencia sobre a sorte das Nações, não podem, vivendo desunidas, 
prover sufflcientemente, nem melhorar e distribuir, segundo as razões 
do consumo, ás differentes culturas, nem tutelar os próprios interesses 
sobre o mercado, que, para a maioria dos productos da terra, se vae 
tornando, cada vez mais, mundial. 

De notável utilidade poderia ser um Instituto Internacional, que, 
extranho a qualquer fim politico, se propuzesse a estudar as condições 
da Agricultura nos vários paizes do mundo, assignalando, periodica- 
mente, a quantidade e qualidade das colheitas, de modo que se facili- 
tasse, assim, a producção, ficando menos despendioso e mais expedito 
o seu commercio, e conseguindo-se uma determinação de preços mais 
conveniente . 

Este Instituto, procedendo de concerto com as repartições nacionaes 
já creadas para tal fim, forneceria também noticias precisas sobre as 



A LAVOURA 28 1 

condições da mão do obra agrícola nos differentes logares, de modo 
que os emigrantes tivessem, sobra íssj, uma guia segura e útil ; pro- 
moveria accòrdos para a defeza commum contra as moléstias das 
plantas e dos animaes, para o que seria menos efficaz a defeza parcial; 
exerceria, finalmente, uma acção oppor tuna sobre o desenvolvimento 
da cooperação rural, sobre o seguro e o credito agrários. 

De um tal Instituto, órgão de solidariedade entre todos os agri- 
cultores e, por isso mesmo, elemento poderoso de paz, os benéficos 
effeitos seguramente se multiplicariam. Ser-lhe-hia digna sede a cidade 
de Roma, para onde deveriam convergir os representantes dos Estados 
adherentes e os das mais importantes associações interessadas no as- 
sumpto, de modo que ahi agissem concordes — a autoridade dos Go- 
vernos e a livre energia dos cultivadores da terra. 

Tenbo fé que a elevação do fim fará superar as difficuldades da 
em preza.» 

O Instituto Internacional de Agricultura, nascido sob tão boa es- 
trella e apadrinhado por mãos de extremo carinho, é desde hoje um 
facto de incommensuravel alcance para a agricultura universal. 



COLLABORACÃO 



A cultura da banana em Santos 

De todas as plantas introduzidas pelos portuguezes em nosso paiz 
a que mais se adaptou ao clima e terras do município de Santos foi 
incontestavelmente a bananeira. E' verdade que em todos os antigos sí- 
tios que formaram a nossa prospera lavoura até meiados do século 
passado, encontram-ss vestígios de cultura de café, mandioca, canna 
e sabe-se que o arroz produziu extraordinariamente, notando-se no 
sitio «Coqueirinho» restos de importante cultura de chá ; mas a bana- 
neira radicou-se de tal forma ao nosso solo, que as espécies denominadas 
«branca» o «prata» se encontram produzindo bem em capoeirões. 

Verificada essa prodigiosa adaptação e sendo a banana uma fructa 
deliciosa e muito alimentícia, os nossos mercados sempre tiveram re- 

0480 2 



28i SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

guiar procura para esse produclo e mesmo depois que a nossa lavoura 
desappareceu completamente pelo extraordinário desenvolvimento com- 
mercial do porto de Santos, que absorveu todos os braços empregados 
na lavoura, pagando salários incompatíveis com qualquer espécie de 
cultura, algumas famílias viviam e vivem explorando a industria do 
fabrico de doce de banana, producto obtido com a banana «branca» e a 
«prata» e muito apreciado na Europa. 

Ha 20 annos mais ou menos um negociante emprehendedor que 
tinha relações commerciaes com as praças de Montevideo e Buenos 
Aires, começou a remetter pequenas partidas de bananas para esses 
mercados. Joaquim de Andrade, vulgo Joaquim do Branco, viu em 
pouco tempo a sua tentativa prosperar e então começou a aconsel bai- 
os moradores do Cubatão a empregarem sua actividade nessa cultura. 
Dentro de 10 annos a lavoura de banana começou aaugmentar regu- 
larmente e o consumo era sempre superior, de forma que o preço de 
dúzia de cachos de banana que era em 1885, de 1$500 a 2$, passou a 
ser de 30$ a 35$, e a producção, que era insignificante em 1885, foi 
em 1895 de cerca de 100 mil cachos. 

Convém notar que a exportação para os mercados do Prata desap- 
pareceu completamente com o augmento da população da capital de 
S. Paulo, notadamente dns operários italianos, que fizeram da banana 
a base de sua alimentação, especialmente para o repasto da manhã, no 
próprio logar onde trabalham. 

Nestes últimos cinco annos, com a paralisação da corrente irami- 
gratoria de origem italiana, o consumo ena S. Paulo diminuiu de cerca 
de um milhão de cachos, para seiscentos, approximadamente. 

As culturas novas, quasi todas de bananeira anã, tinham tomado 
um desenvolvimento extraordinário e era, portanto, preciso encaminhar 
a producção novamente para Buenos Aires e Montevideo, que se abas- 
teciam de bananas em Santa Catharina, Paranaguá e Rio de Janeiro. 
Facílimo foi reencetar o commercio de bananas comesses mercados e 
os nossos enormes cachos de banana anã foram acolhidos com verda- 
deiro enthusiasmo, de forma que a exportação no anno passado attingiu 
ao valor official de 470: 930$, mas realmente foram exportados 801.600 
cachos no valor de 1.122:240$000. 

Si o Governo Federal interviesse junto ás Docas de Santos de forma 
a serem diminuídas as despezas de capatazias, transporte dos vagões 
do pateo da Ingleza para o cães, atracação dos vapores das casas de Buenos 
Aires, que vêm exclusivamente carregar bananas, a exportação seria 
ainda maior. 



A LAVOURA 285 

O preço da frncta que com o declínio da im migração italiana baixou 
a 5$ a dúzia de cachos, com o incremento de exportação subiu imme- 
diatamente, tendo estes últimos três annos oscillado entre 10$ e 15$0(X>, 
preço bastante remunerador. 

Dissemos que as culturas novas eram em grande numero e para 
demonstrar essa asserção basta constatar que actualmente existem no 
município de Santos mais de dois milhões de touceiras de banana 
anãe que a producção neste annodeveattingir a mais de dois milhões 
de cachos, devendo ser o duplo nestas dois annos . 

Parece que uma cultura dessa natureza deve ser olhada com attenção 
pelos Governos Federal eEstadoal, porque o seu maior desenvolvimento 
está dependente, exclusivamente, da facilidade e baratesa de transporte. 

Cubatão, 26 de julho de 1 ( J08. 

António AuoUjTo Bastos. 



Cultivai as amoreiras I 



O MELHOR CONSELHO PARA FAVORECER A SERICICULTURA NO BRAZIL 

Todos aquelles que no nosso paiz têm escripto algumas palavras 
sobre a sericicultura, são quasi accordes em afflrmar que, se existe 
uma producção capaz de auxiliar os nossos esforços no intuito de 
garantir a prosperidade do Brazil, esta é sem duvida alguma a da 
seda. 

Foram até creadas leis federaes ( decreto n. 6519, de 13 de junho 
de 1907), e estadoaes ( lei n. 733, de 26 de outubro de 1902, do Es- 
tada de Minas'); para conceder prémios de animação aos sericicultores. 
Foram creadas escolas de sericicultura ( Escola de sericicultura de AgUa 
Branca, subsidiada pelo conde Asdrúbal do Nascimento, vice-prefeito 
de S. Paulo), e colónias quasi exclusivamente dedicadas ao desen. 
volvimento da sericicultura (colónia Rodrigo Silva, em Barbacena— 
Minas ). Apezar disso as estatísticas aflirmam que não existe producção 
sericicola no Brazil. 

E não obstante, a criação dos bichos da seda é fácil, não requer 
esforço algum, a ponto que delia se podem occupar mulheres e crian- 
ças, e é uma das industrias subsidiarias por excellencia, capaz de 



286 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

estabelecimento subsidiado pelo governo, que tenha chamado a si o 
auxiliar 05 pequenos lavradores, fornecendo-lhes uma renda liquida 
sufficiente para tentarem futuras emprezas mais importantes. 

Também foram numerosas as tentativas que se fizeram para 
vulgarizar a industria do bicho da seda; nenhuma delias conseguiu, 
porém, um resultado definitivo, nem como empreza individual, nem 
como exemplo para os outros . 

A única causado pouco incremento que tem tido entre nós a seri- 
cicultura, deve ser attribuida principalmente e quasi exclusivamente á 
falta de amoreiras. 

Nem se diga que entre nós a amoreira é de difficil cultivo. 

A amoreira branca (Morus alba Lin.) cresce e desenvolve-se 
no Brazil com maior facilidade do que em qualquer outra parte do 
velho continente, onde necessita de grande cuidado; aqui a sua 
plantação é facílima e é sufflciente pôr na terra um simples galho ! 

Qualquer terreno serve no Brazil para a cultura da amoreira 
branca. 

Todos concordam em constatar que a diffusão da sericicultura deve 
ser consequente á diffusão da amoreira e este thema é tão importante, 
que na Europa julgou-se necessário crear uma sciencia que se deno- 
mina na Itália gelsicolúura, e que, salvo melhor opinião, se poderia 
chamar em portuguez moreaciculturçt . Mas os esforços tendentes a 
diffundir o cultivo da amoreira têm sido quasi sempre inúteis. 

O cultivo da amoreira no Districto Federal é pouco ou nenhum, não 
obstante a activa propaganda do Sr. António A. Pereira da Fonseca, que 
fornece, gratuitamente, mudas de amoreira a quem as deseja. 

No Estado de S. Paulo foram compiladas estatísticas para o anno 
agrícola de 1904 - 1905, nas quaes foram também enumeradas as 
plantas de amoreiras existentes nos differentes municípios do Estado. 

Bem poucas são ellas ! 

Que se deverá dizer quando num território, como o do muni- 
cípio do Amparo, cuja extensão é de 23 .453,25 alqueires, existem apenas 
25 pés de amoreira ? E 20 pós no município de Piracicaba, que é de 
45.000 alqueires. 

E' necessário que os poderes públicos attendam de preferencia á 
diffusão da cultura da amoreira, em vez da sericicultura. E os auxílios 
devem ser dados antes aquelies que plantam amoreiras, do que aos que 
criam bichos de seda. 

Excluindo a colónia de Barbacena, já mencionada, não existem, 
que se saiba, institutos agrícolas ou agronómicos, ou hortos ou outro 



A LAVOURA 



encargo de distribuir aos milhares ou aos centos de milhares as 
mudas de amoreira, apezar de todos esíes estabelecimentos poderem 
estar ou estarem realmente em condições de o fazer. 

Somente quando todos os Estados tiverem sido invadidos pela 
amoreira, então é que os fazendeiros cuidarão de utilizar a folha da 
amoreira, dirigindo-se espontaneamente aos respectivos governos e até 
mesmo á industria particular, para adquirirem sementes seleccionadas 
de bichos da seda para criar o bombix e vender os casulos . 

Existem actualmente no Brazil muitas tecelagens de seda; rece- 
bem ellas os fios da Itália ou da França, exportando capitães locaes. 

Estes industriaes teriam maiores vantagens fornecendo-se aqui 
mesmo, e poderiam assim obter os typos especiaes de fios de que 
necessitam para as differentes teceduras. 

Esses mesmos particulares, como o conde Asdrúbal do Nascimento, 
que fundou no Estado de S. Paulo uma pequena factor y para a 
criação, do bicho da seda, com relativa plantação de 5.000 pés de amo- 
reira, que está actualmente em pleno desenvolvimento, poderiam offe- 
recer-se para comprar os casulos produzidos por centena de pequenos 
fazendeiros ou criadores de bichos da seda em todos os municípios do 
mesmo Estado e nos dos Estados limitrophes e tomariam até a reso- 
lução de distribuírem elles próprios e gratuitamente a semente seleccio- 
nada de boas raças de sirgos . E assim procederiam, porque a grande 
producção e a relativa colheita de casulos lhes permittiriam a instal- 
lação e manutenção de mecanismo de fiação que os habilitaria a for- 
necer a matéria prima ás tecelagens locaes. 

Tudo isto, porém, só se poderá realizar quando no Brazil a amo* 
reira tiver a diffusão que actualmente não tem. 

Vejamos como procedeu a China, que é a pátria do sirgo. 

Entre aquelles povos de raça amarella, tanto hoje como nos 
tempos mais remotos, a attençâo dos governos esteve sempre voltada 
para a diffusão do cultivo da amoreira, de preferencia á da criação do 
bicho da seda, e isto simplesmente pelo facto que a propaganda de 
um envolve a da outra. 

Remonta ao tempo de Tchin-in, governador do districto de Kien-ti, 
algumas centenas de annos antes da nossa éra, o primeiro edito, que 
visava favorecer a industria da seda, como sendo a que deveria enri- 
quecer o paiz, pois que as colheitas estavam sujeitas a serem destruídas 
pelas enchentes dos rios ; pois bem, elle impunha por lei, que «cada 
homem do povo devesse plantar, mesmo por pequeno que fosse o seu 
pedaço de terra, quinse amoreiras !! » 



28S SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

O procedimento deste sábio governador foi sempre imitado pelos 
seus successores . 

Ainda mais: o imperador da dynastia dos Wei deu a cada 
homem apto para o trabalho vinte geiras de terras, com a única 
condição de plantar nellas cincoenta pés de amoreira. 

Assim, também, um outro sábio imperador, Hien-Tsong, que é 
o mais recente, — e que apezar disso subiu ao throno na dynastia dos 
Thong, no anno de 806 ! — ordenou que todos o? habitantes dos campos 
plantassem dois pés de amoreira em cada geira de terra que possuíssem 
accrescentando que, se entre a população de lavradores se encontrassem 
homens que amainhassem terras incultas para plantar nellas grandes 
quantidades de amoreiras, não se devia exigir desses súbditos do celeste 
império nenhum pagamento de imposto ! 

Todos sabem que a primeira criadora de bichos da seda é a 
imperatriz ; é menos conhecido talvez o facto de ser o próprio Es- 
tado, quem com especial cerimonia planta as amoreiras que deverão 
servir exclusivamente para a pessoa da imperatriz, a qual attende com 
escrupuloso cuidado á criação dos sirgos. 

Assim se diffunde o exemplo e até as raparigas mais pobres dedi- 
cam-se em casa á criação do bicho da seda, « indo todas as manhãs com 
o elegante cesto, por caminhos distantes, colher as folhas da amo-* 
rei ra, com as quaes alimentarão os pequenos lagartos». 



A ode popular que está muito diffundida na China, tem este titulo: 
« Respeitai as amoreiras ! » 

Nós, aqui no Brazil, ainda não podemos imitar esse grito sabia- 
mente patriótico, que admitte vastas e diffusas plantações de amoreiras: 
devemos substituil-o com o que serve de titulo a estas poucas linhas 
sem pretençâo: Cultivai as amoreiras ! 

Concluiremos com as judiciosas palavras do Dr. Climaco Bar- 
bosa, com as quaes também elle concluiu um seu resumido trabalho 
sobre a sericicultura, apresentado no primeiro Congresso Nacional de 
Agricultura, no Rio de Janeiro: «Um alqueire de terreno comporta 
uma plantação de 1 .000 pés de amoreira, os quaes ficando distanciados 
entre si quatro metros em todas as direcções, ainda permittem a seu 
lado quaesquer culturas intercalares, de onde vê-se que o amoreiral não 
demanda de um terreno especialmente dedicado a si. Pôde esta plan- 



A LAVOURA 



tacão fazer-se como ensombramento de caminhos, divisões de áreas 
para outras culturas, e até para embellezamenlo de ruas, quando os 
nossos edis assim o entenderem — 

Por semente, galho ou alporca aérea, ou subterrânea, faz-se esta 
cultura, que muito daria se fosse substituir os velhos e improductivos 
cafezaes. 

A divulgação deste plantio seria de grandes vantagens para este 
paiz ; a sua animação por todos os modos é obrigação que compete aos 
poderes públicos e que a ella não se devem furtar, pois lhes resulta 
dahi uma fonte de renda. 

Plantem todos os que têm terreno, porque mesmo sem cuidados, 
dentro de três annos, estaremos preparados para a criação deste sirgo, 
que por sua vez estatuirá entre nós as diversas industrias que delle 
podem emanar». 



S. Paulo. 
(D'0 Pois.) 



IRBIET LINI. 



EXPEDIENTE 



Secretaria 

Correspondência 

Expedida: 

Cartas 550 

Telegrammas 619 

Offieios 17 

«A Lavoura» 4.950 

Registrados 137 

Publicações sobre gafanhotos 669 

Recebida: 

Offieios 60 

Cartas 210 

Pedidos 140 

Telegrammas 94 

Circulares 3 

Memorandos 11 

Prospecto 1 



SOCiKIi.WiK NACIONAL DE AGRICULTURA 



Foruecumento tle a,i-a,iiie 

No corrente mez foram despachados 46 polidos de sócios, solicitando arame 
na extensão de 467.89) metros, tendo importado em 16:102$500. 

Essa mesma quantidade de arame adquirido no mercado teria custado 
19:720$000, o que determinou para os Srs. sócios uma economia do 3:617$500. 



Secção de plantas e sementes 



DISTRIBUIÇÃO DE PLANTAS E SEMENTES FEITA PELA S KTEDADE NACIONAL DE AGRI- 
CULTURA DURANTH O 1° SEMESTRE DE 1908 



ESPÉCIE 


1 NIDADES 


PKSO 


VOLCME3 




1.974 


1.166^,000 

1.900", 500 
719", 200 
50 3", 200 
530t,400 
16", 000 

3.647*,970 
166", 120 

1. 430" ,400 
358", 356 








Arroz da Carolina 

Milhos 


438 






Outros ccreaes e leguminosas • . . . 


293 
16 








144 




512 


Sementes diversas 


959 




1.974 


10.447", 146 


5.530 



Foram recebidos 1.010 pedidos de plantas e sementes. 
Foram satisfeitos 1.095 pedidos de plantas e sementes. 



Secção Technica 

Relatório <lo r>i". Q. Lix-Ivlett — A imprensa platina oocupa-se 
sempre cora elogiosas referencias dos informes enviados ao Governo Argentino 
pelo nosso illustrado consócio, Dr. C. Lix-Klett, cônsul geral da visinha Republica 
no Rio de Janeiro. 

Temos sobre a mesa a Revista de la Union Industrial Uruguaya, cuj \ paginado 
honra se illustra com um bem lançado artigo sobre esse nosso amigo e consócio. 

Os trabalhos sabidos da luminosa penna do Dr. Lix-Klett merecem meditada 
loitura, pois, além da segurança com que os relige, o autor iaspira-se invariavel- 
mente em sentimentos bons, visando increme.itar e robustecer a obra altamente 
benemérita dx paz e harmonia entre as jovens nações do nosso continente. 

Os publicistas dessa bna escjla, sim, é qua são bons patriotas ; são patriotas 
beneméritos, não só da nação feliz que se honra do os possuir, siaão de todo um 
vasto e ubérrimo continente, que só da paz e concórdia esDera a mais. esplendorosa 
e incalculável grandeza. 

E' assim que soube ser patriota o iramortal Bartholomeu Mitra ; é assim 
também que o sabem ser o general Júlio Argentino Roca, Elihu Root e Rio Branco. 

O nosso digno consócio, Dr. Lix-Klett, embora em esphera mais modesta, é um 
incansável obreiro dessa obra boa e grande, que é— A Confrctemidade Americana. 



NOTICIÁRIO 



Banco Ç!entx*al Agrícola — Damos a seguir o regulamento appro- 
vado pelo governo, para execução da lei n. 1782, de 28 de novembro de 1907, pela 
qual foi o mosmo autorizado a promover a fundação de um Banco Central Agrícola : 

TITULO I 

DENOMINAÇÃO, PRASO E SEDE 

Art. l.° O Banco de que trata a lei n. 1782, de 23 de novembro de 1907, func- 
cionará sob denominação de Banjo Central Agrícola do Brasil. 

Art. 2.° O praso de sua duração será de 30 annos, contados da data do doe eto 
que definitivamente approvar os estatutos. 

Art. 3.° A sede social será estabelecida na cidade do Rio de Janeiro. 

TITULO 11 

CAPITAL 

Art. 4.° O capital do Banco será de 30.000*000$ (trinta mil contos), dividido 
em 150.000 acções de duzentos mil réis cada uma. Desse capital o governo, se assim 
julgar conveniente, subscreverá uma parte. 

6480 3 



292 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Art. 5.° A importância das acções será realizada ora prestações de 10 porcento 
do seu valor nominal, com o iutervallo nunca menor de 30 dias, precedendo sempre 
annuncios com antecipação de Iõ dias, publicados nos jornaes da maior circulação, 
com excepção da primeira prestação, que será da 20 por cento no acto da subscri- 
pção. 

Art. 6." As acções são transferíveis desie quo tenham realizado 20 por cento 
de seu valor. A transferencia se fará no livro competente e por termo assignado 
pelo cedente e cessionário, ou procuradores cora poderes especiaes para o acto. 

Art. T.° Os accionistas que não efectuarem o pagamento na época fixada pela 
administração ficarão sujeitos ás penas cominadas pela lei das sociedades ano- 
nyraas. 

■ § 1.° Exceptuam-se os casos em que occorrerem circumstancias extraordinárias 
devidamente justificadas peranta a directoria, dentro de 30 dias contados do ultimo 
annuncio para realização de qualquer prestação, sujeitando-se neste caso o accio- 
nista á multa de 50 por cento sobre o valor da entrada em mora. 

§ 2.° As acções cahidas em comisso serão reemittidas. 

§ 3.° O producto das multas e ágio das acções reemittidas serão levadas ao 
fundo de reserva. 

Art. 8 o As acções serão indivisiveis com relação ao Banco, que não reconhecerá 
mais de um proprietário para cada acção. 



OPERAÇÕES 

Art. 9." As operações do Banco serão limitadas. 

§ 1.° A adquirir as letras hyp othecarias dos bancos estadoaes emittidas depois, 
da constituição do Banco Central, pela cotação da praça e em moeda corrente, veri- 
ficadas preliminarmente as condições do credito e solvabilidade do banco emissor: 
- I o , as letras hypotheearias dos bancos estadoaes deverão gozar da garantia 
de juros de 7 por cento por parto dos respectivos Estados ; 

2 o , para que obtenham os favores deste paragrapho os bancos estadoaes 
se sujeitarão á fiscalização permanente do Banco Central, occorrendo ás respe- 
ctivas despezas, assim como publicarão mensalmente os seus balancetes no Diário 
Official. 

§ 2." A descontar os papeis de credito emittidos pelos bancos estadoaes ou pelas 
cooperativas de credito agrícola de responsabilidade illimitada com garantia da- 
quelles bancos e provenientes das seguintes operações : 

a) empréstimos sobre penhor agrícola, por prazo nunca>xcedente a um anno ; 

b) desconto de letras de terra à ord^m com o prazo máximo de um anno, ga- 
rantidas por duas firmas solvaveis. sendo uma de lavrador ou industrial, além da 
responsabilidade solidaria do banco estadoal ; 

c) desconto de loarrants, letras e bilhetes de mercadorias, emittidas de accordo 
com a legislação em vigor. 

§ 3.° A empréstimos por meio de contas correntes ou por letras a prazo infe- 
rior a dous annos aos syndicatos e cooperativas de credito agrícola de responsabi- 
lidade illimitada. 



A LAVOURA 



§ 4.° A comprar letras hypotheearias ou outros títulos, por conta de terceiros, 
mediante commissão. 

§ 5;° A receber depósitos em conta corrente de movimento ou letras a prazo, 
operando, neste caso, cjnio banco de depósitos e descontos. 

§ 6." A receber em deposito quaesquer valores, percebendo uma commissão ra- 
zoável. 

• Art. 10. O Banco, sempre que julgar conveniente, poderá realizar directamente 
as operações do que trata o artigo antecedente. Será, entretanto, obrigado para 
este fim a manter agencias próprias em todos os Estados onde não houver bancos 
garantidos, excepção feita do Estado do Rio do Janeiro. 

Art. 11. O Banco poderá receber pequenos depósitos em conta corrente, abo- 
nando juro superior á taxa fixada ás contas correntes communs. 

• § 1.° Os depósitos desta nataroza e sua applicação constituirão objecto de uma 
secção especial, com contabilidade dissiucta, inteiramente independente das outras 
operações bancarias. 

■ § ã.° O Banco eraittirá uma caderneta especial para esse fim, denominada — 
popular, — onde serão notadas as entradas e retiradas do capital. 

§ 3." Na caderneta serão exaradas as condições de abertura e encerramento da 
conta, máximo para cada deposito, prazo para as retiradas e épocas de capitali- 
zação de juros. 

§4.° As quantias assim recebidas serão applicadas na aompra de títulos da di- 
vida publica federal, estadoal e do Districto Federal, letras hypothecarias do pró- 
prio banco e no desconto de effeitos commerciaes de primeira ordem, letras aceitas 
pelas cooperativas de responsabilidade illimitada, com a garantia solidaria do banco 
local, warranls, letras e bilhetes de mercadorias a prazo não excedente de 90 dias. 

Art. 12. As importâncias recolhidas pelo Thesouro, dos saldos das caixas eco- 
nómicas, até 30.000:000$ (trinta mil contos) vencerão os juros annuaes de 2 por 
centro, pagos semestralmente. 



LETRAS HYPOTHECARIAS 

Art. 13. O Banco emittirá, nos termos da lei n. 1782, de 28 de novembro de 
1907, letras hypothecarias do valor nominal de 100$ (cem mil réis) cada uma, ven- 
cendo juros de 5 por cento annuaes, pagos semestralmente. 

Art. 14. A emissão das letras hypothecarias não poderá exceder á importância 
das letras hypothecarias estadoaes em carteira e nem o quintuplo do valor do ca- 
pital social effectivamente realizado. 

Art. 15. A emissão das letras hypothecarias será feita por séries autorizadas 
polo Ministro da Fazonia, de forma a nã) niver emissão sem prévia autorização do 
governo. 

Art. 16. A's letras hypothecarias eraittidas nos termos dos artigos antece- 
dentes concederá o Governo da União uma garantia de juros de 5 por cento. 

Art. 17. As letras hypothecarias serão nominativas ou ao portador e terão a 
numeração de ordem correspondente a cada série emittida. Serão assignadas pelo 
presidente e um director do banco e levarão o sello de sociedade. 



294 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Art. 40. Compete ao presidente : 

§ 1.° Superintender todos os negócios do Banco. 

§ 2.° Fiscalizar a stricta observância deste regulamento e dos estatutos. 

§ 3.° Convocar a assembléa geral ordinária ou extraordinária. 

§ 4.° Nomear e demittir o pessoal do Banco, marcar-lhes os vencimentos e fi- 
anças, quando julgar necessárias. 

§ 5.° Apresentar relatório annual ao Ministro da Fazenda e á assembléa geral. 

§ 6.° Assignar os balanços e balancetes e toda a correspondência do Banco. 

Art. 18, A simples tradição é sudicionte para transferencia das letras ao por- 
tador. As nominativas se transferirão por endosso, cujo effoito ó apenas o da cessão 
civil. 

Art. 19. Opagamento de juros das letras hypothocariasfar-se-ha por semestres 
vencidos e começará nos cinco primeiros dias de abril o outubro, de cada anno. 

Art. 20. O pagamento das letras hypotliecarias se fará, por meio do sorteio 
annual, no mez de Março do cada anno. 

Art. 21. Será destinada ao resgate das letras a importância recebida aos ban- 
cos estadoaes, pelo resgate das letras sorteadas. 

Paragrapho único. O Banco fentral verificará, pelos meios convenientos, até 
pelo exame dos próprios livros das bancos estadoaes, a natureza das operações que 
deram logar á emissão daí letras, assim como a applicação ao resgate das quotas 
destinadas á amortização e aos pagamentos por antecipações feitas em dinheiro, 
na forma da lei. 

Art. 22. Nos estatutos do Banco ficará estabelecido o modo de proceder-se ao 
sorteio, para resgate, das letras hypotliecarias. 

Art. 23. Desde o dia annunciado para o pagamento cessam os juros das letras 
sorteadas. 

Art. 24. Os juros das letras hypotliecarias, tempo o modo de pagamento 
devem constar dos próprios titules. 

Art. 25. As letras hypothecai-ias têm por garantia: 

I o , o fundo social ; 

2 o , o fundo de reserva ; 

3 o , as letras hyp Checarias dos bincos estadoaes emittidas de accordo com a le- 
gislação em vigor. 

Art. 26. As letras hypotliecarias resgatadas serão incineradas, lavrando-se do 
acto um termo assignado pela directoria e conselho fiscal do Banco. 

Art. 27. As letras e sua transferencia e o capital social estão isentos do sello 
proporcional. 

Art. 28. As letras hypotliecarias emittidas pelo Banco Central gozarão dos 
favores, garantias e privilégios concedidos pela legislação hypotheearia. 

TITULO V 

ADMINISTRAÇÃO 

Art. 29. O Banco Central será administrado por três directores, sendo um 
eleito pelos accionistas e dous de nomeação e demissão livre do governo. 

Art. 30. O presidente será desij nado pelo governo dentre os dous directores 
que nomear. 



A LAVOURA 295 



Art. 31. O manda toda diroctoria durará quatro annos. 

Art. 32. O director eleito pelos accionistas será o secretario da directoria o o 
terceiro o vice-presidente. 

Art. 33. O vice-presidente substituirá o presidente e o secretario o vice-presi- 
dente nas suas faltas e impedimentos temporários, 

Art. 31. O director eleito pelos accionist is poderá ser reeleito o, quando o não 
seja, servirá até que se apresente o novo eleito. 

Paragrapho único. São inelegíveis para o cirgo de director os impedidos legal- 
mente de negociar, considerando-so nullos na apuração do escrutínio os votos que 
porventura forem dados aos que estiverem nestas circumstancias. 

Art. 35. Não podem exercer conjuutamente o cargo de director os parentes 
consanguíneos e afflns até ao 2 o gráo e os sócios da mesma firma commercial. 

Art. 3G. O director eleito, antes de entrar em exercício, é obrigado a garantir 
a responsabilidade de sua gestão com o psnh jr de 200 acções do Banco, as quaes fi- 
carão inalienáveis até seis mezes depois de cessar o exercício. A caução far-se-ha 
por termo no livro de registro. 

Art. 37. No caso de impedimento temporário do director eleito, por mais do 
90 dias, ou falleci mento, será convidado pela directoria, ouvido o conselho fiscal, 
um accionista com as precisas qualidades pira preencher a vaga. 

Paragrapho único. Se o impedido fòr o presidente ou o vice-presidente, o Mi- 
nistro da Fazenda designará quem o deva substituir. 

Art. 38. O presidente tora os honorário? de 2:500$ mensaes e os directores 
2:000$ também mensaes. 

Art. 39. Compete á directoria : 

§ 1." Deliberar sobre as condições goraes dos contractos, admissão dos podidos 
de empréstimos, emissão e amortização do letras hypothecarhs. 

§ 2." Determinar a taxa dos depósitos e dos empréstimos, bem como o prazo 
destas operações. 

§ 3. c Assignar as acções e letras hypotb.eca.rias. 

§ 4.° Fixar a época das entradas a realizar. 

§ 5.° Determinar os dividendos semestraes. 

§ G.° Resolver sobre o comício das acções. 

§ 7.° Exercer livre o geral administração, para o que será investida dos poderes 
precisos, inclusive para praticar os actos mencionados no art. 102, do decreto de 
4 de Julho de 1891. 

§ 8.° Crear filiaes o agencias. 

§ 9.° Confeccionar o regimento interno das secções. 

§ 7.° Representar o Banco nas suas relações com terceiros ou era juizo, compe- 
tindo-lhe a outorga de poderes a mandatários que designar. 

§ 8.° Remettor ao Ministro da Fazenda e publicar até o dia 10 de cada mez os 
balancetes do Banco. 

TITULO VI 

CONSELHO FISCAL 

Art. 41. A asserabléa geral elegerá anuualmente três fiscaes e outros tantos 
supplentes. 



296 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Art. 42. Incumbe ao Conselho Fiscal : 

1.° Apresentar com autecelencia S3u parecei- sobre as operações do auno para 
ser lido na assombléa geral ; 

â.° Denunciar os erros, faltas e fraudes que encontrar no exame dos livros o 
contas ; 

3.° Examinar os livros, verilicar o estado da caixa no ultimo dia do semestre e 
a existência dos títulos pertencentes ao fundo de reserva. 

Art. 43. Cala membro do conselho fiscal percebirá 3:600$ annualmente. 

TITULO VII 

ASSEMBLÉA GERAL 

Art. 44. A assembléa tem poler para resolver tolos os negócios do banco e po- 
derá deliberar quando acharem-se reunidos accionistas que representarem no mí- 
nimo um quarto do capital social. 

Art. 45. Constituída a assembléa pela forma prescripta no artigo antecedente, 
poderá resolver sobre tudo o que fôr de sua competência, excepto sobre reformas 
de estatutos, liquidação, dissolução e augmento de capital, para o que é necessário 
acharem-se reunidos accionistas que representam 2/3 do capital. 

Paragrapho único. Quaesquer alterações dos estatutos não terão vigor sem a 
approvação expressa do Governo. 

Art. 46. No caso de não haver numero legal para constituir-se a assembléa 
geral observar-se-ha o disposto na lei n. 434, de 4 de Julho de 1891. 

Art. 47. Todo3 os accionistas, ainda sem direito de voto, poderão assistir aos 
trabalhos da assembléa e discutir o objecto sujeito á deliberação. 

Art. 48. Todos os annos, no mez de Agosto e no dia prjviamente marcado, so 
reunirá a assembléa geral ordinária para lhe ser apresentado o relatório annual 
acompanhado do balanço, conta de lucros e perdas e parecer do conselho fiscal. 

Art. 49. Nas assembléas tanto ordinárias como extraordinárias, o numero de 
10 acções dá direito a um voto e assim progressivamente. 

Art. 50. Serão admitidos a votos nas assembléas geraes ; 

1.° O tutor pelo tutelado e o curador pelo curatelado ; 

2.° O marido pela mulher e os pais pelos filhos menores ; 

3.° O sócio da firma social pela mesma ; 

4.° O representante da administração de sociedade anonyma ou corporação ; 

5.° O inventariante pelo acervo pro indiviso ; 

6.° Os syndicos pelas massas fallidas. 

Art. 51. Nas reuniões ordinárias é permittido tratarse de todos os assumptos 
que possam interessar o Banco ; nas extraordinárias só se tratará do objecto para 
que fôr convocada. 

Art. 52. Os donos das acções ao portador e transferidas por endosso sãj obri- 
gados a deposital-as na caixa do Banco pelo menos sjís dias antes da assembléa, 
sob pena de não tomarem parte nas discussões e deliberações. 

TITULO VIII 

FUNDO DE RESERVA E DIVIDENDO 

Art. 53. Dos lucros líquidos semestraes, provenientes de operações completa- 
mente ultimadas, se deduzirá a quota do 10 % para ser constituído o fundo de re- 
serva destinado a fazer face ás perdas do capital social e à garantia de que trata o 
art. 24. 



A LAVOURA 297 

Art. 54. O fundo de reserva será constituído era apólices do divida publica fe- 
deral ou letras hypothecarias do pronrio Banco. Os juros dos títulos do fundo de re- 
serva pertencerão ao mesmo fundo. 

Art. 53. Deduzida a quota do fuado de reserva, o liquido será distribuído em 
dividendo aos accionistas até o limita de 10 por cento ao anno. 

Art. 51. Havendo excesjo de luoros, além do divi londo fixaío no artigo ante- 
rior, metade constituirá um dividendo supplementar a juizo da directoria e outra 
metade será escripturada sob o titulo de fuulo especial, destinado a uniformizai" 
os dividendos. 

Art. 57. Os dividendos não reclamados até cinco annos da data do annuncio 
para seu pagamento, prescreverão em favor do Banco, salvo se fôr provada a au- 
sência em parte incerta do accionista respectivo. 

Art. 58. Os dividendos do Banco são isentos de impostos. 

TITULO IX 

DISPOSIÇÕES GERA.ES E TRANSITÓRIAS 

Art. 59. Para os effeitos do art. 14 da lei n. 782, de 28 de Novembro de 1907, 
a directoria, tomando por base o valor de cento e cincoenta mil contos como total 
máximo das operações a realizar nos differentes Estados, fixará a somma das ope- 
rações a fazer em cada Estado na proporção da população de cada um. A tabeliã 
assim organizada será sujeita á approvação do Governo. 

Art. 60. Os bens que o banco obtiver em solução de dividas deverão ser ven 
didos no mais curto prazo, a juizo da directoria. 

Art. 61 . O Banco poderá crear succursaes e agencias dentro ou fora do paiz, se 
julgar conveniente aos seus interesses. 

Art. 62. O banco solicitará dos Governos estadoaes, como condição para operar 
nas respectivas cir.mmscripções territoriaes, que não só facilitem por legislação 
adequada a cobrança de seus créditos, a execução das garantias offerecidas pelos 
mutuários, como isentem do imposto o Banco, suas operações e a cobrança dos seus 
créditos. 

Art. 63. O anno bancário coincidirá com o civil. 

Art. 64. Verificada a impontualidede do Banco no serviço de juros de letras, o 
Governo occorrerá ao respectivo pagamento, promovendo a liquidação amigável 
ou judicial do iastituto e assumindo a responsabilidade das letras hypothecariasem 
circulação. No caso de liquidação judicial os liquidantes serão nomeados pelo Go- 
verno . 

Art. 65. Nos casos omissos observar-se-ha o disposto na lei de 4 de Julho do 1891 
e legislação hypothecaria. 

Art. 66. Revogam-se as disposições em contrario.— Rio de Janeiro, 9 de Julho 
de 1908. 



Centenário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro 

— Com a presença do Sr. Presidente da Republica, Ministros de Estado e altas 
autoridades civis e militares, foi, a 13 de junho ultimo, condignamente comme- 
m orado o centenário do Jardim Botânico. 

Como homenagem a D. João VI, fundador do Jardim, foi alli solemnemente 
inaugurado o seu busto, 



298 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



O monumento dá frente para a «palmeira mater», origem de todas as pal- 
meiras reaes existentes no Brasil. 

Sobre uma pequena base de terra em quadrilátero, cuidadosamente ajardinada, 
ergue-se um vistoso pedestal de granito com dous metros e oitenta centímetros de 
altura ; em cima está collocado um granie busto de D. João VI, em bronze, tra- 
balho do esculptor Sr. Rodolplio Bernardelli. 

Em torno desse pedestal estão representadas, por exemplares naturaes e já 
bastante desenvolvidas, as plantas introduzidas no Brasil por D. João VI, entre 
ellas as arvores: da noz-moscada, da camphora, do cravo, da pimenta do reino, do 
chá, da flor do imperador, da canella e da magnólia. 

Na face principal do monumento destaca-se um escudo de mármore negro com 
os dizeres: 

«A D. João VI— o fundador tlrsle jardim » 

Nos festejos tomaram parte: o Collegio Militar, Instituto Profissional Mascu- 
lino, Internato do Gymnasio Nacional o outros estabelecimentos de ensino. 

Em vários pontos do jardim tocaram bandas de musica militares. 

A execução do programma começou ás 2 horas da tarde com a chegada «lo 
Sr. Presidente da Republica, que foi convidado pelo Sr. Dr. Barbosa Rodrigues para 
retirar as bandeiras nacionaes que velavam o busto de D. João VI. 

Em seguida fez-se a distribuição da Memoria, escripta pelo Sr. Director do 
Jardim Botânico. 

Esse trabalho forma um bonito álbum o está dividido em quatro partes: Brasil- 
Reino, Primeiro Império, Segun !o Império e Governo da Republica. 

Stock <le ca, Tê — Ficou demonstrado que o stock de café na praça do Rio 
de Janeiro, em a data de 30 de junho próximo passado, era de 280.794 saceas, por 
motivo da apuração da existência do café em 6 de julho. Este numero ficou sendo 
adoptado não só pelo Centro do Commercio de Café do Rio de Janeiro, como pela 
Repartição do Estatística Commercial, Jornal do Commercio e outros. 

Cowmercio de café.— A Associação Commercial de Santos dirigiu 
ás diuoreutes praças estrangeiras o seguinte questionário sobre o café: 

« Qual a média de consumo por cabeça ? 

Qual o augmento annual ? 

O café é vendido ao consumo crú ou torrado ? 

Ha misturas de substancias estranhas no café ? 

São nocivas á saúde ? 

Ha leis que punem as falsificações ? 

Estas leis são executadas com rigor? 

Qual o frete médio por kilometro de estrada do ferro, por sacco de GO kilos e 
por via fluvial ou canal ? 

Qual o preço médio por kilo ou por meio kilo de café torrado no varejo para as 
classes operarias ? 

Este café é de boa qualidade? 

O Exercito bebe café ? 

E' de boa qualidade ? 

O commercio de café pôde ser considerado lucrativo para os importadores du- 
rante os cinco últimos annus ? 



A LAVOUKA 299 

Quaos as causas principaes dadifferença de preço entro os cafés brazileiros e os 
de outras procedências ? 

A tendência do <'onsumo inclina-se mais para os cafés brazileiros ou para os de 
outros paizes produetores. 

Que medidas, a seu ver, seriam mais appropriadas para o alargamento do 
consumo l» 

Nas respostas ate" agora recebidas declaram as praças dos Estados Unidos que o 
consumo é alli de cinct) kilos e 3/4 por cabeça ; o augmento annual é de 3 •/<, ; o café 
é vendido torrado ; não ha misturas ; o preço ó muito baixo e a lei as prohibe ; as 
misturas são punidas com multas, sendo as leis sobre isso cumpridas com rigor ; o 
frete, por estrada do ferro, para os principaes centros de consumo, situados a cerca 
de 1 .45 kilometros do Nova York, regula ser um real por sacca de 60 kilos e por 
kilometro, ou 16 1/2 réis tonelada-kilometro. O frete por via fluvial ou canal de- 
ponde da distancia ; o preço médio de café torrado era pacotes, para as classes 
operarias é de 500 réis por 1/2 kilo, ao cammo de 15 ; esse café ó mais ou menos o 
typo 6 da bolsa de Nova York ; o Exercito bebe café ; a qualidade c dos typos três e 
quatro de Nova York ; o commercio do café não tem sido lucrativo para os impor- 
tadores durante os últimos cinco annos ; a dilTerença do preço ó doviia a ter o café 
procedente de outros paizes que não o Brazil um sabor mais agradável e menos acre ; 
a tendência do consumo inclina-se mais para os cafés do Brazil, devido a her oproço 
mais módico e haver muito maior abundância ; para o alargamento do consumo 
devia haver reducção dos preços e boas qualidades, isto é, Bourbon de boa qualidade 
e cafés molles e deces. Os cafés de Minas ( com excepção do sul ) o os do Rio têm 
pouca procura, devido ao seu gosto demasiado acre. 

As da Allemanha responderam que o consumo é mais ou menos, de três kilos 
por cabeça ; o café é vendido tanto cru como torrado, sendo quasi todo torrado e 
vendido nas cidades ; ha diversas misturas e subát meias estranhas ao café ; não são 
nocivas ; ha leis que as punem e são cumprid is com rigor ; o frete médio é, ap- 
proximidaniente, de dois marcos por sacca e por kilometro ; o preço médio por 
libra ( 450 gratnrnis) no varejo, para as classes opsrarrv?, vai de 0.90 até um 
marco o ó de boa qualidade ; o Exercito bebo café que é também de boa qualidade ; 
a differonça de preço entre os cafés brazileiros e o de outras procedências é devido 
a ser melhor a qualidade destes ; a tendência do consumo depende inteiramente dos 
preços e das qualidades ; para au.^mentar o consumo é preciso apresentar bons 
cafés. 

As praças da França responderam que a média do consumo é de dous kilos e 
1/2 por cabeça ; o augmento annual do consumo é 3 "/„ ; o café é vendido tanto cru 
como torrado ; ha mistura de chicorea e glucose, que não são nocivas ; ha leis pro- 
hibitivas do falsificação, applicadas, com rigor; o freto da Estrada Havre-Paris, 
que tem 220 kilometros, é de 15 francos por 1.000 kilos ou quatro cêntimos poi- 
seis kilos-kilometros, e na via fluvial Havre-Paris, é de 12 francos por 1.000 kilos 
ou 35 cêntimos por 60 kilos-kilometros ; o preço médio, na venda a varejo para as 
classes operarias, é do três francos e 1/2 por kilo ; com direitos aduaneiros de um 
franco a 30 cêntimos o kilo não é possível ser de boa qualidade esse café ; o Exercito 
bebe café, sendo a maior parte do Rio, para estimular, o algumas vezes de Santos ; 
o commercio de café tem dado lucro aos importadores, excepto no ultimo anno; a 
differença de preços entre os cafés brazileiros e os de outros paizes é devida ã dif- 
6 íso i 



sni;iEli\l>K NAr.loNAl, DE A'".R I CULTURA 



ferença do qualidade o quantidade; a tendência do consumo ó a favor dos cafés 
brazileiros ; o alargamento do consumo depende, em primeiro logar, de proços 
baixos e depois da introducção do café na Rússia e do.augmento do consumo na In- 
glaterra. 

As da Ilollanda responderam que a móJia do consumo é de seto kilos c 200 
^rammas por cabeça, sendo quatro kilos e 680 grammas do Brazil o dous kilos e 
523 grammas de outras procedências ; o café é vendido cru e torrado ; não ha mis- 
turas ; é impossível dar a média do freto por sacca de 60 kilos por kilometro. Esto 
s ysterna é adoptado no Brazil, mas não na Hollanda. O frete depende do destino e 
principalmente da quantidade despachada. O frete de Rotterdam a um logar dis- 
tante 142 kilometros é, ao cambio de 15, por estrada de ferro 240 réis por sacca, 
por canal 173 réis por sicca ; a um outro logar, distante 230 kilometros, o frete é, 
por estrada de ferro 24') réis p ir sacca o por canal 240 róis pr>r sacca. 

Estes dados demonstram a impossibililade que ha em dar uma média d 3 frete, 
porque, quanto mais longa for a disíancia e maior a quantidade, tanto mmor é a 
tarifa. O preço médio no varejo, para as classes operarias, é de 533 róis mais ou 
menos, por meio kilo ; nos grandes centros operários tomam café de qualidado 
correspondente, mais ou menos ao typo sete americano. No interior, porém, os 
trabalhadores tomam café melhor ; o Exercito usi café do Brazil e de outras proce- 
dências ; devido a concurrencia, não se pode aíBrmar quo os njgotdantes tenham, 
ultimamente, auferido resultados lucrativos ; a principal cama da differença de 
preços entre os cafés brazileiros e o de outras procodenciís é devida a differença 
em qualidade. Estes últimos regulam ser no geral, do fava maior, torração melhor 
e de gosto mais agradável, devido em parte a sjr de arvore differente e om parte 
a receber um preparo mais cuidadoso. Alguns fazendeiros do S. Paulo, en- 
tretanto, já produzem e preparam cafés excel lentes. Se ollc3 exportassem seus 
cafés com os nomes das fazendas impressos na sacca ria, como fazem os lavradores 
de Java, fariam com certeza uma propaganda módica e lucrativa ; como ficou 
dito acima, ha preferencia pelos ca f és de outras procedências, devido â qualidade 
ser melhor ; o meio mais effleaz para conduzir ao augmento de consumo é produzir 
cafés de bom gosto, a preços módicos e que estejam também ao alcance das chsses 
operarias. 

As da Bélgica responderam que o consumo pjr habitante, tem seguido a se- 
guinte progressão: 1895, Ires o meio kilos ; 1900, quatro kilos; 1005, seis e meio 
kilos ; 1006, sete e meio kilos ; vende-se crú e torrado ; a raiz do chicorea torrada 
(importante producto de cultura om Flandres) é quasi a única mistura de café, de 
que augmenta a côr e o gosto o que o povo reputa hygienica pelas suas quali- 
dades especiaes ; a lei não pó Je cohibir a mistura que o consumidor faz por si e a seu 
gosto; ha uma lei contra as falsificações e applicam-n'a contra os que procuram 
na tinta e na coloração esconder os estragos muito pronunciados ; o frete pela 
tarifa de mercadoria é,nas linhas ferreis, do francos 0,00666 (?) por saccx-kilometro, 
sendo um pouco menor no transporte fluvial ; o preço pago pelos fornecedores do 
povo ô de francos 0,50 a 0,85, mas o? rjtalhistas duplicam quasi e3se preço p3lo 
risc i, perdas e despezas do artigo e ainda pelo lucro que auferem ; quanto ã quali- 
dade, é um café, in st i le bom e oriiaario, ou superior misturado de cafés inferiores ; 
o Exercito recebe 10 grammas de café por cab9ça e por dia ; a qualidade depeude 
dos fornecedores osjus intermediários ; o commercio de iinpjrtação tom sido muito 



A LAVOURA 



30) 



precário, desvantajoso mesmo ; dahi os grandes carregamentos e a rude con- 
corrência, sendo carto que a maior pirte dos negociantes Bzeram-se torrefactores e 
trabalham com a froguezia inferior ; ó o aspecto dos caf :>s do Brazil, sempre mistu- 
rados desordenadamente na região da origem ou no armazém dos expedidores, 
a causa da differença dos preços; se o caf) fosso mais cuidadosamente preparado 
e mais agradável ao paladar, alcançaria maior preço ; a tendência ú favorável aos 
cafés doces do Brazil, porque os preços são mais accessiveis ao povo ; a resposta 
pôde ser encontrada no conjunto do questionário. 

E' preciso café bom e a preço módico para augmontar o consumo entre as 
classes operarias inferiores ; e é preciso mais cuidado no boneficiamento e no 
aspecto das qualidades superiores para lutar contra as bellas o excellentes quali- 
dades da America Central, S. Salvador, México e Guatemala. 




Esta gravura representa um cebolal plantai] 
Euclydes de Castro, no Estado de Santa Cathari 
mezes de idade. 



tratado pessoalmente pelo Tenente 
cebolal aqui figurado tom dois 



Disse Elisée Reclus que nenhuma região no mundo offerece condições para o 
cultivo do café como o Brazil, na zona comprehíndlla entre os parallelos 15° e 16°. 
E' efectivamente urna planta que cala dia mais se torna e-iclu-iivamsnte ameri. 
cana, a proporção que o sou cultivo vae diminuin lo alhuros. Ceylão estí esgotada ; 
Java só em limitadas zonas produz b;3m o café ; o Congo Francez e o Congo Belga 
e ainda a enorme região que se estende desle Victoria Nyanziaté ás nascentes 
do Zambeze, sob o domínio iuglez, nãj poderão jamais nos assustar, p^la infario- 
ridade do produeto, de que temos exemplo no café Libéria ; o México ó obrigado 



302 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

a im trabalho tãi p?noso e tão caro, qm tora da abinlonar essa cultura om breve 
tempo; a Anaerica Ceitral não píderã ir além d) p:>ueD que, com o Haiti, for- 
nece ao commercio do mundo A sua cultura abrange a zona comprehendida desde 
as Antilhas e o Panamá até o Paraná e o Piraguay. Era nenhuma outra parte 
do globo elle se pólo desenvolver cora a facilidade o exuberância cora que cresce 
na America do Sul e especialmente no Brazil. 

Em 1875 a média da proiuccão do Brazil era de 3 milhões de saccas ; hoje é 
de 12 milhões e meio de saccas e até mais. 

Os primeiros pés de café chegados ao Brazil vieram para o Convento do .Santo 
António, no Rio do Janeiro ; ura delles foi min lado para Taubaté e foi deste ca- 
feeiro que so espalharam mudas para S. Paulo e Sul de Minas. 



Do julho do 1'j05 e janeiro de 1906, o México exportou fibras de piteira no 
valor de 17.413.3i5 pesos mexicanos ou ap proxi madame n te 2 '>. 000:000$ em moeda 
brasrileira. 

>ío Estado de Minas e em muitos outros pontos do Brazil, a piteira (ayave) 6 
nativa e dá unia excellente fibra ou estopa. 

Em Bello Horizonte, por exemplo, as toupeiras nativas de pita cressem e de- 
d isonvolvem-se extraordinariamenta paios peioros terrenos da cidade e jaz intei- 
ramente desxprovoilalaa matéria prima de tão útil vegetil. 



« Segundo os boatos que circulara em Manchester duas grandes quebras tèm 
actuado sobre o commercio do algolão: a quebra de um fabricante dos arredores 
de Boston e a de um negocianto do Manchester, grande comprador de peças tecidas. 
Os negócios dos tecidos vão tão mal, que receia-se vêr as casas menos solidas sue- 
cumbir em consequência da baixa nos preços. As estatísticas do Board ofTrade, 
que acabam de ser publicadas, indicam uma diminuição das exportações de algodão 
om peças, aliás menos importante do que se poderia presumir. As exportações de 
tecidos manténn-se em cifras satisfact irias, sobretudo com destino ao continente.» 



Os principaes paizes exportadores de milho para a Inglaterra tèm sido até 
agora os Estado Unidos e a Argentina. Segundo The Standard, de Londres, o valor 
das amostras de milho do Indostão, q'ie se apreS3ntaram ao mercado do Londres, 
faz esperar grande dejenvolvimonto nas plantações daquelle paiz, de modo a poder 
exportar pira a Inglaterra o n grande esjila. A cultura indiana de milho tem ad- 
quirido ultimamente grande importância. Na província de Bengala as plantações 
de milho abrangem uma área de 1 .826.000 acres (737 hecteres) e no resto da, índia 
abrangem 1.200.000 acre3 (485.000 hectares), distribuídas em diversas regiões. A 
península toda possue 9.000.00) de hectares plantados de milho. Calcula-se o seu 
rendimento era 26.000.000 de hectolitros. 



A nós que com tanta imprevidência destruímos as mattas e que por isso sof- 
fremos seccas periódicas, calha perfeitaraentj a censura que so desprende dos se- 



A LAVOURA 303 

quintas conceitos, inspirados a um jornalista do Madrid pelo espectáculo das inun- 
dações de que foi victima um i parte do solo hespanhol: 

«As forças da natureza não querem sor escr tvis;das, nem desdenhadas. 
Querem que as amem e animem, não com o culto suporsticioso e estoril dos 
antigos, mas com o cultivo inteligente, esforçado, que onsinam a sjienoia e a 
experiência. 

Ha poucos mezes perecia de sede a mota lo do solo liespinhol. Já se faziam 
preces, implorando chuva, ao passo que a agua corria com os rios para o mar, di- 
zendo com irónico murmúrio: Por que me pelos com tanto afan ao c éo, tendo-mo 
tão á mão aqui na terra ? Agora metade da Hospinha se afoga entro aguaceiros 
violentos e torrentes devastadoras. Não lancois inúteis e pueris maldições contra 
as aguas desoncadeiadas. Nenhuma força natural é má de per si. Se esse amor vi- 
gilante da natureza se transforma em estrago e extermínio, lancem os humanos a 
culpa á sua imprevidência, á sua desidia, á sua cobiça ruim. 

Se ilerrubaes as ruattas, quo goram a nuvem benéfica, porque clamaes contra 
a ausência da nuvem ? Chega por fim a nuvem negra, que vem dos mares, o se não 
encontra nos montes u arvoredo amoroso, que lhe dotem as aguas e as leva, lentas 
e fecundas, para o seio da terra, porque praguejaes, ao vêl-as precipitar-se com 
cega impetuosidada pelos cerros, ladeiras e barrancos, arrastando quanto encontra 
era suacu-reira vertiginosa? 

Sem piedade haveis arrebatado á irmã agua sua irmã arvore e a agua vinga-sa 
sem piedade. Reeonhecoi nesses testemunhos do vindicta, que a agua e um S3r iutel- 
ligente, parecendo ser feita a vossa imagem e semelhança, que também on certas 
occasiões tão deshumanamente vos portaes. 

Entrantanto ella, a bôa, a previdente, a maternal, sabondo talvez de que sem 
ella seria impossível a vida no mundo, quor portar-se sempre bem, sempre gene- 
rosa e fecunda, com a condição porém de que proourem-na com afinco, tratem-na 
cora esmero, aproveitem-na com amor, som maldizel-a em suas forçadas ausências 
e em seus forçados transbordamentos, culpa ás mais das vezes da imprevidência e 
quiçá da perversidade humana.» 

«Aqui no Uryguay, diz El Siglo, e nós dizemos Umbam aqui no Brazil, conspi- 
ramos todos para que succala o me3mo que a Hespanha hoje deplora. As ilhis e 
as margens dos rios, outr'ora ricas de exuberante vejetaçlo arbórea, achim-se 
hoje nuas e despovoadas; aponas uma ou outra vez plantam-se algumas arvores, 
à titulo do offorenda symbolica a Natureza. Entretanto na Allemanha leva-se o 
culto da arvore até ao ponto, de que os arvoredos plantados á beira do caminho são 
objecto de solicito esmero da parte dos proprietários visinhos, obrigados pela 
municipalidade a volar pela sua conservação e tratamento.» 

O deseccamento dos pântanos dos Estados Unidos permittiria tornar productiva 
uma superfície capaz de alimentar a 12 milhões de indivíduos, danlo a cada um 
para cultivar 16 hectares de terreno pelo menos. Resultaria dahi um augmento de 
valor equivalente a cerca de 25 bilhões de franco3. Os trabalhos exigiriam uma 
despesa de 10 milhões de francos. 

A questão está sendo estudada o acredita-se que o Congresso votará os fundos 
necessários. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA. 



CONGRESSO DOS FAZENDEIROS PARAENSES 




.ingresso, reunido na capilal do Estado do Pará, foi o ponto de partida do 
movimente agrophilico que de tempos a esta parto se vai operando no opulento Estado 
do extremo norte. 

A photographia representa a sessão solemna presidida pelo Dr. Augusto Montenegro, 
Governador do Estado, tendo á sua direita o prestimoso Intendente do Belém. Senador 
António Lemos. Sentado entre a mo;a da presidência e a tribuna onde o Dr. Lyra 
Castro lê o discurso inaugural, está o Dr. Jos.i Ferreira Teixeira, alma e braço do 
movimento agrário do Pará. 



As arvoras, diz um distincto hygionista, deseccam o solo, diminuindo a humi- 
dade dos terrenos e todos sabem que a humidade 6 um factor principal entre os que 
mais predispõem o homem á enfermidade. As arvores refrescam a atmosphera, 
moderam a velocidade e a acção dos vento? insalubres; fixam grandes massas de 
poeiras astmosphericas, isto 6, subtrahcmnas ao contacto immediato com o homem 
e é bem sabido. o papel infectuoso do pó das cidades, carregado em geral de 
micro-oi'ganismos, mormente quando e directamente levantado de solos conta- 
minados. 

Attenuam as arvoras o excesso de insolação das ruas e das habitações, regula- 
rizando a temperatura a contribuindo assim directamente para manter a salubri- 
dade thermica urbana. As arvorese as plantas em geral augmentam a permeabili- 
dade do solo, facilitando a penetração do oxygeno e activando concurrentemente 
a deseccação dos terrenos, dando em resultado, dentro da unidade de tempo e de 




e ■= a 

'3 c _ g 



A LAVOURA 305 

superfície, a oxydações orgânicas completas, isto 6, á distribuição dos resíduos e 
immundicies que o homem fatalmente arremessa ao sido. 

Possuem as arvores muitas outras maravilhosas propriedades salutiferas, 
porám, o que mni? as caracteriza como preciosíssimos agentes da saúdo publica, 6 
que são poderosas e ineasgotaveis fornecedoras do oxygcno e modificadoras do acido 
carbónico, em consequência da acção da chlorophylla das plantas, matéria que, sob 
a acção da luz, decompõe o acido carbónico, assimilando o carbono e pondo em 
liberdade o oxygeno. « Sem a chlorophylla e sem o sol, disso Jules Courmont, a 
atmosphera tornar-se-ia em breve irrespirável.» 

A existência nas aglomerações urbanas de jardins o parques, o plantio de 
arvores nas ruas não constituem fomente um elemento do. ornamentação e de bom 
gosto, são indispensáveis pira a salubridade urbana e para a hygiene publica em 
gorai. Nunca se recommendará assas a multiplicação c a conservação das arvores 
em todos pontos em que fôr possível plantal-as. B' um dos melhores systemas do 
saneamento e uma fonte inesgotável de oxygeno. 

As habitações humanas deveriam estar sempre rodeadas de arvores e de 
plantas. 



PARTE COMMERCIAL 



Julho ds 1903 

Ca, fó 

Venderam-so 140.000 saccas contra 129.000 no mez anterior. 

Entraram 192.229 saccas contra 153.724 no mez anterior. 

Embarques— 181.219 saccas contra 302.468 no mez anterior. 

Existência em 15 — 281.974 saccas. 

Existência em 31 — 280.804 saccas. 

Na I a quinzena em New- York o typo n. 7, disponível, do Rio, foi cotado a 
6 1/4 c. por libra em 1, 14 e 15, a 5 1/16 c. em 11 e 13 e a 6 3/8 c. nos outios 
dias. O de Santos cotou-se a 7 5/8 c. em 1 o a 7 9/16 c. durante todo o resto da 
quinzena. 

Xa Bolsa registraram-se os seguintes preços para a opção mais próxima: 6 
c. om 8 e 11 ; 6.05 c. em 1, 7, 9, 13 e 14; 0.10 c. em 15 e 6.15 c. em 2 e 6. 

Na 2^—0 typo n. 7, disponível, do Rio, foi cotado a 6 1/4 c. por libra até o 
dia 29 e a 55/10 c. em 30 e 31. Também o de Santos a 79/16 c. até 29 e a 75/10 c. 
nos dous últimos dias da quinzena. 

Os extremos das cotações na Bolsa: 0.10 c. em 16 e 5.00 c. em 31, tendo 
vigorado nos outros dias as seguintes: 0.05 c. em 17.0 c. de 18 a 21 ; 5.85 c. em 
25; 5.80 c. em 24 e 27; 5.75 c. em 22; 5.70 em 23 e 29; 5.65 c. em S8 e 30. 



i SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Extremos dns cotições: 

P quinzena 

Por arroba Por 10 kilos 

Typo n. C 5$390 a 5$903 &$813 a 4$017 

» » 7 5|300 » 5<500 3$608 » 3$744 

» » 8 4*900 » 5 SI 00 3Ç336 » 3$472 

» » 9 4>600 » 4 #800 3$138 » 3$218 

Por an-o&a Por dO kilos 

Typo n. 6 5$630 a 5$900 3$813 a 4$017 

» » 7 5$2)0 » 5$590 3$549 » 3-744 

» » 8 4$900 » 5$ 100 3S336 » 3*472 

» » 9 4$600 » 4$8O0 3$ 132 » 3$2C8 

As entradas ilo Rio, retalhadamente, luram: 



P quir>sena 

Saccae 

Estrada de Ferro Central do Brazil 25.453 

Cabotagem 8.640 

Barra dentro 42.319 



Total 76.417 

2* quinzena 



Estrada de Ferro Central do Brazil 44.4'U 

Cabotagem 4.360 

Harra dentro 06.982 



Total 115.812 



Géneros importados 

Banha americana 2)0 birris 000 a 070 a libra 

Farinha do trigo 0.475 barricas .... — — 

P quinzena 

Americana (barrica) • . . . . Não ha 

Dita (sacco) Não ha 



A LAVOURA 



Por 2 soccas 

Rio da Prata : 

I a qualidade 23,500 

2» dita 22$500 

3* dita 21*590 

Moinho ingloz : 

Nacional 23*500 

Iírazileira 22J700 

Buda-Nacional 24$700 

Moinlio Fluminenso : 

S. Leopoldo 24$000 

G. 23$000 

2' quinzena 

Americana (barrica) Não ha 

Dita (sacco) Não ha 

Por 2 saccos 

Rio da Prata : 

I a qualidade 23$500 

2 3 dita 22J500 

3 a dita 21$500 

Moinho Inglez : 

Nacional 23,i500 

Brazileira 22$700 

Buda-Nacional 24$700 

Moinho Fluminense : 

S. Leopoldo 24$000 

G. 23$000 

!*■ quinzena 
Manteiga — 530 caixas : 

Demagny, Isigny (latas sortidas) 2$450 a 2$460 

Brétel Frères (latas sortidas) 2$200 » 2s250 

Lepelletier 2$440 » 2*450 

Modesto Gallone (sortidas) 1$8 )0 » 1$900 

Esbousen Não ha 

L. Brum Não ha 

Buske Júnior 2*357 a 2$400 

Marclet 2?200 » 2.^220 

Outras marcas 1$8.)0 » 2?000 

A nacional vendeu-se : a de Minas, de 3$ n 3*400, e a do Sul, de 2$200 
a 2*600. 

6480 5 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



2" quinzena 

Domagny, Isigny (latis sortidas) 8f4í0 a 2$460 

Brotei Freros (latas sortidas) ãj2Ó0 » 2$?20 

Lepelletier 2=430 » 2$410 

Modesto Gallonc (sortidas) 1$850 » 1$900 

Esbouson Não ha 

I-. Brum Não ha 

Buske Júnior 2$350 a â$360 

Marolet 2J180 » 2$ââ0 

Outras marcas 1 $300 » S$000 



A nacional vendeu-so : a de Minas, di' : -.' i0 n - :".i. 



Géneros nacionaes 



.Vs,iia.i-<lciit«' 



O mercado no principio do mez so manteve muito firmo devido á exiguidade 
de stock em mão dos compradores ; no fira do raez melhorou de preços e fechou 
muito firme ás cotações que se seguem : 

í a quinzena 

Proços 

Paraty 185$000 a I90$000 

Angra 170JOOO » 17õ$000 

Campos 160$000 » 165$000 

Maceió 165$000 » 170$000 

Pernambuco 165$000 » 170$000 

Aracaju 165$000 > 170$000 

Sul 160$000 » I65$000 

2 a quinzena 

Paraty 190$000 a 200$000 

Angra 180$000 » 190$000 

Campos 170$000 » 175$000 

Maceió 170$000 » 175*000 

Bihia 170$000 » 175$000 

Pernambuco 170$000 » 175^000 

Aracaju 170$000 » 175$Q00 

Sul 170$000 » 175$000 



A LAVOURA 



Álcool 

Na primeira quinzenio mercado apresentou alta franqueza nas cotações, 
continuando muito firme, melhorando ainda m%is para o fim do rnez, não ob3tanto 

as entra Ias terom sid > regulares. 

'' 7 -ena 

40 -rios 870$000 a 580.J000 

ÍS.8 » 2i5j000 » 260|ooo 

3,5 » 215{000 » 25Q$000 

4 I gràos 290.JOOO a 300|000 

3S » S70$f!00 » 28O.Ç000 

:;.; >, go l?00 i » 870$ 00 

Als"o<lfio <>m rama 

Duvanto tolo o moz Inuve pouia animação no-s negócios desto produeto. 

O movimento gorai do mercado foi o soguinto : 

F.-u-dos 

Existência no dia 30 de junho 17.791) 

Entradas : 

Pernambuco 3.033 

Parahyba 2.071 

Ceará 1.779 

Mosíopó 1.313 

Natal 1.100 

Sergipe 600 

Maceió 400 

Maranhão 205 10.506 

28.305 
Sabidas dos trapiches 6.792 

Existência no dia 15 de julho 21.513 

Preços : 

Pernambuco I l.f 500 a l2$0OO 

Rio (irande do Norte U$500 » !ã$000 

Ceará 1 1$500 » I2$000 

Parahyba 1 l.-âOO » ll$500 

Maranhão llsáJO » ii$500 

Ponedo Nominal 

Sergipe Nominal 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 






Exigência no dia 15 cio julho 21.513 

Entradas : 

Pornambueo 2.415 

Assú 902 

Parahyba 524 

Maranhão 504 

Coará 301 

Mossoró 300 

Sergipe 300 5.24 5 

26.759 

Sahidas dos trapiches 7.499 

Existência no dia 31 do julho 19.260 

Preços : 

Pernambuco 11 $300 a 11$500 

Rio Grande do Norte 10$900 » 11$300 

Ceará 10$900 » 11$300 

Penedo Nominal 

Sergipe Nominal 

Maranhão • . Nominal 



Assucar 

Durante a primeira quinzena de julho o mercado deste artigo esteve sempre 
movimentado e as sahidas foram tão boas quanto inesperadas, sen lo digno de nota 
terem os embarques para o Sul compensado as entradas do Campos. Na segunda 
quinzena occorroram factos que desorgaoisaram por completo o mercado, que 
ficou indeciso e com cotações nominaes para os crystaes. 



Pernambuco 



I a quiri 



Branco resina 
Dita crystal . 
Dito 3 a sorte . 
Crystal amarello 
Mascavinho . 
Somenos . . 
Mascavo bom. 
Dito regular . 
Dito baixo. . 



$529 a ,$550 
$490 » ÍS00 
S490 » $500 
$440 » $450 
$':*> >■ $450 
$400 » S420 
$340 » $350 
$330 >» $340 
$320 » $323 



A LAVOURA 



Si rgip i 



Branco crystal $480 » $490 

Mascavinho $400 » $-100 

Mascavo bom $340 » $350 

Dito regular $330 » §340 

Dito baixo $320 » $325 



Campos : 



Branco crystal $500 a $510 

Dito do 2° jacto $460 » $480 

Crystal amarello $450 » $460 

Mascavinho $400 » $460 

Bahia : 

Branco crystal $500 a $510 

Dito 2" jacto — — 

Mascavinho — 

Outras procedências : 

2* quinzena 

Os preços regularam como so segue : 
Pernainbueo : 

Branco resiua $530 a $540 

Dito crystal $530 » $540 

1 >ito 3 ; ' sorte . . . . • $520 » $530 

Crystal amarello $470 » $4 C 

Mascavinho $420 » $460 

Somenos — — 

Mascavo bom $350 » $355 

Dito regular $340 » $345 

Dito baixo $330 » $335 

Sergipe : 

Branco crystal $520 a $530 

Mascavinho $450 » $480 

Mascavo bom «350 » $360 

Dito regular $340 > $345 

Dito baixo $330 » $335 

Cnmpos : 

Branco crystal $540 a $550 

Dito 2 o jacto $510 » $520 

Crystal amarello $480 » $490 

Mascavinho $460 » $480 



Mir.lKDADK NACIONAL DF, AGRICULTURA 



Bahia : 

Branco crystal 4530 a $550 

Dito 2" jacto — 



Mascavinho 
Outras procedenc 
Mascavinho 



< ereacs 
/" quinzena. 



s,u-r, is 



Feijão preto de Porto Alegre, novo .... Nominal 

Dito idem da terra 10$000 a lOfãOO 

Dito idem de Santa Catharina Nominal 

Dito do Paraná Nominal 

Dito mulatinha — 10$000 

Dito manteiga I2$000 a 13$000 

Dito enxofre — 12$000 

Dito de cores, nacioiril 7$030 a 10$000 

Dito branco, extrangeiro I7$500 » 19$000 

Dito amendoim, ide a 17$500 » 18$50J 

Farinha de mandioca especial 9$500 » lOfOOO 

Ditiidem, liaa 8$500 » 8^800 

Dita idem peneirada 7$800 » 8$200 

Dita idem, do Norte — — 

Dita idem, grossa, Laguna 6|800 » 7$000 

Dita idem, idem, Porto Alegre C$200 6$l00 

Arroz nacional 23$J00 » 26$000 

Dito inferior 16$00) » 20$000 

Milho amarello do Norte . Não ha 

Dito idem da terra 6$800 a 7$200 

Dito misturado, idem — 6$500 

Amendoim em casca 6$500 » 7$000 

Cangica 16$000 » 18$000 

Favas 7$'100 » 8g000 

Kilogrammas 

Alpiste S360 a $380 

batatas naciunaes si 80 » $200 

Dita estrangeira Nominal 

Fubá de milho , . $130 a $209 

Mate em folha $140 » $540 

Tapioca $100 >» $520 

Polvilho $160 » $200 

Carne do porco $640 > $700 

Línguas do Rio Grande (uma) $800» 1$100 

Cebolas do Rio Grande (cento) ã$300 » X J .slU0 



A LAVOURA 



2 a quinzena 

Saccos 

Feijão preto de Porto Alegre, novo .... Nominal 

Dito idem da terra 10$000 » 10$500 

Dito idem de Santa Catharina Nominal 

Ditj do Paraná Nominal 

Dito mulatinho — 1OÇ00O 

Dito maiiteiga 17$000 a 18^000 

Dito enxofro 12$000 » 13$000 

Dito de cores, nacional 7$000 » 10$000 

Dito branco, extrangeiro , 18$5O0 » 19$000 

Dito amendoim, idem ISsõOO » 19$000 

Farinha de mandioca, especial. ÍO.^OOO » 10$j00 

Dita idem, fina 9$000 » $500 

Dita idem, peneirada 8$500 » 9$000 

Dita idem, do Norte — — 

Dita idem, grossa, Laguna fS^OO » 7$000 

Dita idem, idorn, Porto Alegre ^ Cs 10o » 6$600 

Arroz nacional 23$ 00 » 26$000 

Dito inferior I6$000 » 20$000 

Milho amarello do Norte Não ha 

Dito idem da terra 7$2O0 a 7$400 

Dito misturado, idem 6$500 » 6$800 

Amendoim em casca Gs*n .. 7$030 

Cangica 15$103 » 16$0J0 

Favas 7s"nn » 8$000 

Kilogramma 

Alpiste $330 a $180 

Batatas nacionaes $180 > $203 

Dita extrangeira . Nominal 

Fubá de milho $130 a $200 

Matte em folha $440 » $540 

Tapioca . , s40 1 » $480 

Polvilho $160 » sino 

Carne de porco $700» $800 

Línguas do Rio Grande (uma) $900» 1$100 

Cebolas do RioGrande (canto) 3$400 » 3$800 

Fumo o m x*olo 

O morcado deste pro Uieto conservou-se inalterável durante o mez: 

As cotações foram : 

Preços 

De Minas, especial 1$800 

Dito superior 1$600 

Dito 2" 1$400 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Dita ordinário 1$000 

Goyano, superior 2$400 

Dito 8» 1$700 

Baixo Nom. 

Rio Novo, suporior 2$400 

Dito 2» ]$800 

Dito baixo 1$200 

Pomba, superior 1$600 

Dito 2 a 1$200 

Dito baixo Nom. 

Carangola ]$500 

Picú, especial 2J800 

Dito I a 2$000 

Dito 2» 1$200 

Bahia 1$100 

Pernambuco Não ha 



Entraram 7.867.913 kilos por cabotagem do nacional, que se cotou 
2$100 40 litros. 

Mercado monetário 

A existência de ouro ua Caixa de Conversão a 15 de. julho era: 

Libras esterlinas 5.435.093 

Francos 10.433.260 

Dollars 126.450 

Liras 300 

Pesos argentinos 2.735 

Ouro nacional 144:580$ 

Em 31 de julho era: 

Libras esterlinas 5.425.615 

Francos 10.408.320 

Marcos 70 

Dollars 127.870 

Liras 220 

Pesos argentinos 2.7Í0 

Ouro nacional 142:370$ 

A importância de notas em circulação era: 

a 15 de julho 94.260: 180$000 

a 31 de julho 94.114:490$000 

O preço dos soberanos fora da Bolsa foi de 16.025. 



A LAVOUBA 



As taxas cfflciaes continuaram a manter-se inalteradas, a 15 '/s d. sobre 
Londres nos bancrs exlrangeiros e 15 3 / í6 d. no Banco do Brszil. ^s transacções 
bancarias fizeram-se a esses extremos e ao i>o outro papel de 15 5 / 3S a I5 3 / ie d., 
não se registrando movimento digno de nota. 

Os extremos das cotações officiafs foram: 

Londres, 90 d/v 15 1/8 e 15 3/16 d. 

Paris, d/v $629 a $632 

Hamburgo. E0 d/v $776 » $779 

Portugal, 3 d/v 318 » 325 % 

Itilia, 3 d/v $638 » $639 

Nova- York, á vista 3$?88 » 3; 310 

Vales, ouro — » 1§793 

O valor official de mil réis foi de 5f a 563 réis, ouro. e o da libra de IE$£03 
a 15$868. 

Ágio do ouro "7,77 a 78,51 % . 

£££*•}£«*££ 

BIBLIOGRAPHIA 



Temos recebido mais as seguintes publicações periódicas : 
The Amtralian Official JournalofTro.de Marfís. — Vol. 3,11. 23. 
Revista de la Unión Industrial Uruguoya, de Montevideo. — Anno IX, n. 152. 
Boletin Industrial, de Buenos ^ires.— Anno XIX, vol. LX, n. 741. 
L' Itália Económica, de Roma.— Anno VII, n. 8. 
II lustra zione Genovese—Anno I, n. 8. 
O Universo, de S. Paulo.— Anno III, ns. 19 e 20. 
Revista Social, da Capital.— Anno 1, n. 2. ' 
Revista da Associação Ccmmerciol do Amazonas. — Annol, n. 1. 
Boletim Official do 4° Corgresso Medico Latino- Americano e da Exposição In- 
ternacional de Bijgiene Annexa. — JuDho de 1908, n. 1. 



Temos ainda a accusar o recebimento dos seguintes trabalhos cuja remessa 
agradecemos : | 
, Manual do Agricultor Brasileiro por C. A. Tannay. Rio de Janeiro, 1839, 
typ. Imperial e Constitucional de J. Villcneuve & Comp., 1 vol. broch. 

Dissertação sobre as Plantas do Brazil por Manuel Arruda da Camará. Rio de 
Janeiro, 1810, Imprensa Regia, 1 vol. broch. 

i!4S0 6 - 



3lfi SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Estas duas obras foram offerecidas á Bibliotheea pelo Sr. Dr. João Raptista de 
Castro. 

Relatório apr 'sentado ao Dr. João Pinheiro da Silva, Presidente do Estado de 
Minas Geraes, pelo Br. Manoel Thomaz de Carvalho Britto, Secretario interino das 
Finanças, em 1908. 

Leis do E<tado de Pernambuco no anno de 1908. 

Relatório apresentado ao Dr. Jorge Tibiriçâ, Presi lente do Estado, pelo Dr. M. 
J. de Albuquerque Lins, Secretario da Fazenda. Anno de 1906. 

Sociedade Humanitária dos Empregados no Commercio de S. Paulo. Relatório 
apresentado a Assembléa Geral de 26 de jmeiro de 1908, pelo presidente Luiz 
Moreira de Mello. 

Relatório n. 55, da Directoria da Companhia Mogyana. 

Le Brasil et ses Etats . Diversos opúsculos ornados de mappis e diagrammas, 
com dados estatísticos, que a Comraissão Brasileira do Propaganda na Europa tem 
feito distribuir. 

Como este recebemos outros em diversos línguas. 

Mate por Maurice Francfort. Paris, 1908. Estudo sobre as propriedales nu- 
tritivas, liygienicas e fortificantes d i horva brasileira, impresso para distribuição 
também pela Coramissão Brasileira de Propaganda na Europa. 

Die Getreideemte der Welt im Jahre 1907 . ã» edição. Traducção em allemão 
da publicação do Ministério da Agricultura da Hungria, sobre a colheita universal 
dos coreaes em 1907. 

Le Mate por A. Morem de Tours. Paós, 1908, ediíor G. Steinheil, 2, rue Ca- 
semir-Delavigne. O volume que temos sobre a mesa ê uma brochura muito bem 
impressa, ornada de magnificas gravuras. A publicação deste trabalho tambom foi 
feita pela Commissão Brasileira de Propaganda na Europa. A obra ó dividida em 
quatro pirtes que tratam respectivamente do histórico, modo de extracção do 
alcalóide, physiologia e propriedades hygienieas. 

Engrais por C. V. Garola. 3 a edição. Paris, 1905. Chamamos a attenção dis 
nossos leitores parao prospecto desta obra que os seus editores. Srs. J. B. Bailliére 
et Fils, tiveram a gentileza de nos enviar, o qual vem publicado no fim desta 
secção . 

Pelo Sr. Director Bibli jthecario Dr. Heitor de Sá foram offerecidos á Bi- 
bliotheea os seguintos trabalhos : 

Experiências sobre Ulilización de la Fibra dei Lino, por Henri Proumen. Buenos 
Aires, 1906. 

Principales Leguminosas I<orrajeras, por Mário Estrala. Buenos Aires, 1907. 

Las Leguminosas. Su utilidad en la Agricultura por Mário Estrada. Buenos 
Aires, 1908. 

Principales Gramindceas Forrajeras, por Mário Estrada. Buenos Aires, 1907. 

Instrucciones sobre Prados Niturales y Arlificiales, por M irio Estrala. B.ienoj 
Aires, 1907. 

La Semilla y la Siimbra dei Trigo, por Mário Estrala. Buenos Aires, 1906. 

Informe sobre las Enfermidades de la vida en Li Rioja, por Eduardo S. Rana. 
B oenos Aires, 1906. 

Instrucciones Practicas para el Cultivo de los Cereales en la Republica Argen- 
tina, por Eduardo S. Rana. Buenos Aires, 1905. 



A LAVOURA 317 



Informe sobre el Cultivo de la Yerba Mate por Leon Roger Buenos Aires, 1906. 

Estúdio Informe sobre el Sorghum Halepensis. Período de 1902-190S, por Adolpho 
C. Tonnelier. Buenos Aires, 1906. 

Preparacion dei Suelo, por Mário Estrada. Buenos Aires, 1907. 

Informe sjbre las Estaciones Experimentales de Agricultura en los Estados 
Unidos, por Ricardo Coll. Buenos Aires, 1903. 



Pocket Catalogue and Parlial Price List of Pumps and Hydraulic Machincry, 
Goulds Mfg. Co., Séneca Fali, N. Y. 
Chemie. Catalogo da casa Gustav Fock, de Leipzig (Lipsia). 



Engrais, par C. V. Garola, directeur de la Station agronomique de Chartres, 
3 8 édition, 1 vol. in-lB do 50) pages, aves 34 fig. Broche: 5 fr.; cart.: 6 fr. 
(Ency.lopèdie agricole). Librairie J. B. Bailliòre et fils, 19, ruo Hautefeuille, Paris. 

Les engrais se phwent au premier rang des agents que 1'agriculture met en 
oeuvre pour augmenter les rendoments et abaisser les prix de revient. II est donc 
nécessaire que tout praticien soit éclairé sur leur nature, leur valeur agricole, 
leur mode d'emploi judicieux et économique. 11 faut ausu qu'il soit à mame de se 
les procurer sur le marcho aux meilleuros conditions de prix et de qualité. 

Apròs avoir pté un coup d'ceil sur la physiologie de la nutrition des plantes, 
et digagé les primipes fondammtaux de l'einploi des engrais, M. Garola étudie 
les raoyens de corriger les défauts physiques et chimiqtiis des terres arables, à 
l'aide des amendements calcaires, p>ur permettre d'y obtenir le niaximura d'e(Tet 
des engrais. Puis il passe en revue le fumier de ferme, en mettant en relief son 
role foudamental comparativeraent á celui das engrais de commerce, les engrai s 
organiques divers, les engrais de commerce azotes, les engrais phosphalês et les 
engrais potassiques. M. Garola donae da nombreuses preuves experimentales de 
1'efflcacité des divers engrais dans los sois et pour les cultures auxquels ils con- 
viennent. 

II abord alors la rêglementalion du commerce des engrais, rendue si nécessaire 
par les fraudes auxquelles la cultivateur a étá penlant trop longtamps en but. II 
insiste sur l'utilité des syndicats agricoles pour 1'achat des engrais en commun aux 
meilleures conditions de prix et pour assurer aux cultivateurs toute garantie sur 
la qualité des produits achetôs. 

Enân il aborde la partia techniqua de Ij. questiou: Vemploi des engrais pour 
les différentes cultures (céréales, plantes sarclôes, lógumineuses, prairies, etc.) 
dans les diversos natures de sois et suivant la rotation, en s'appuyant sur ses re- 
cherches personn^Iles relativea aux basoins Jes plantes en élémeots nutritifs, ã la 
marcho de 1'absorption de ces príncipes alimentaires pendaut la durée de la végé- 
tation et à 1'énorgie du travail radiculaira aux diverses phasos de la vie des 
plantes. En partant de ces données physiologiques fondamentales, il a fait com. 
prendre aux cultivateurs qu'elle doit être la nature des fumures à employer et 
leurs doses économiques, dans les cas si divars que presente la pratique agricole. 



ESTATUTOS 



CAPITULO II 

DOS SÓCIOS 



Art. 8.° A sociedade admitte as seguintes categorias de sócios : 

Sócios effectivos, correspondentes, honorários, beneméritos e associados. 

§ 1 ." Serão sócios effectivos todas as pessoas residentes no paiz que forem 
devidamente propostas e contribuírem com a jóia de 15$ e a annuidade de 2o$ooo. 

§ 2. Serão sócios correspondentes as pessoas ou associações, com residência ou 
sede no estrang-eiro, que forem escolhidas pela Directoria, em reconhecimento dos seus 
méritos e dos serviços que possam ou queiram prestar á sociedade. 

§ 3. Serão sócios honorários e beneméritos as pessoas que, por sua dedicação e 
relevantes serviços, se tenham tornado beneméritos á lavoura. 

§ 4. Serão associadas as corporações de caracter offlcial e as associações agrícolas, 
filiadas ou confederadas, que contribuírem com a jóia de 30$ e a annuidade de 5o$ooo. 

§ 5. Os sócios effectivos e os associados poderão se remir nas condições que lorem 
preceituadas no regulamento, não devendo, porém, a contribuição fixada para esse fim 
sei inferior a dez (10) annuidades. 

Art. g." Os associados deverão declarar o seu desejo de comparticipar dos tra- 
balhos da sociedade. Os demais sócios deverão ser propostos por indicação de qualquer 
sócio e apresentação de dois membros da Directoria e ser acceitos por unanimidade. 

Art. 10. Os sócios, qualquer que seja a categoria, poderão assistir a todas as 
reuniões sociaes, discutindo e propondo o que julgarem conveniente; terão direito a 
todas xis publicações da sociedade e a todos os serviços que a mesma estiver habilitada a 
prestar, independentemente de qualquer contribuição especial. 

§ [." Os associados, por seu caracter de conectividade, terão preferencia para os 
referidos serviços e receberão das publicações da sociedade o maior numero de exem- 
plares de que esta puder dispor. 

§ 2. O direito de votar e ser votado é extensivo a todos os sócios ; é limitado, 
porém, para os associados e sócios correspondentes, os quaes não poderão receber votos 
para os cargos de administração. 

§ 3." 1 »s sócios perderão somente seus direitos em virtude de expontânea renuncia 
ou quando a assembléa geral resolver a sua exclusão por proposta da Directoria. 



IFLTEGTTLAZIVEEISrjTO 



CAPITULO VI 

DOS SÓCIOS 

Art. 18. A sociedade prestará seus serviços de preferencia aos sócios e associados 
quando estiverem quites com ella. 

Art. iq. A jóia deverá ser paga dentro dos primeiros três mezes após a sua 
accei tacão. 

Art. 20. As annuidades poderão ser pagas por prestações semestraes. 

Art. 21. Os sócios e os associados se poderão remir mediante o pagamento das 
quantias de 200$ e 500$, respectivamente, feito de uma só vez e independente da jóia, 
que deverão pagar em qualquer caso. 

Art. 22. Os sócios e associados não poderão votar, nem receber o diploma, sem 
terem pago a respectiva jóia. 

§ i.° O sócio que tiver pago a jóia e uma annuidade, poderá remir-se mediante 
a apresentação de 20 sócios, desde que estes tenham igualmente satisfeito aquellas 
contribuições. 

§ 2. Para esse effeito o sócio deverá requerer á Directoria, provando seus direitos 
nos termos do paragrapho anterior. 

§ 3. Serão considerados beneméritos os sócios que fizerem donativos á sociedade, 
a partir da quantia de um conto de réis. 

Art. 23. Para que os sócios atrazados de duas annuidades possam ser considerados 
resignatarios, nos termos dos Estatutos, é preciso que suas contribuições lhes tenham 
sido solicitadas por escripto, até três mezes antes, cabendo-lhes ainda assim o recurso 
para o conselho superior e para a assembléa geral. 



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JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO 







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Rio de Jankiho 



Agosto os 1908 



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de ■ Agpieulsbupa. 

XI'. (SIÇÃI • NACI INAL DE 190» 




Capital Federal 



ss VIRIBUS UNITIS €€ 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

FlJNUADA EM |6 DE JANEIRO DE l'v)~ 

Caixa-postal, 1245 Sede: Ruas da Alfandega d. 

Endereço Telegraphico, AGRICULTORA e General Camará n. 127 

Telephone n. 1416 bio n« janeiro 

DIRECTORIA 
Presidente — Dr. Wencesláo Alves Leite de Oliveira Bello. 

i° Vice-presidente — Vago. 

2 o Vice-presidente — Dr. Sylvio Ferreira Rangei.. 

3° Vice-presidente — Dr. Domingos Sérgio de Carvalho. 

Secretario Geral — Dr. Heitor de Sá. 

i° Secretario — Dr. Francisco Tiro de Souza Reis. 
2° Secretario — Dr. Benedicto Raymundo da Silva. 
3 o Secretario — Dr. José Ribeiro Monteiro da Silva. 
I Secretario — Alberto de Araújo Ferreira Jacobina. 

i° Thesoureiro — Dr. João Pedreira do Couro Ferraz Jun 
2° Thesoureiro — Carlos Raui.ino. 

Directores «las Secções 

Fazenda de Santa Mónica Dr. Sylvio Rangel. 

Applicaçôes do Álcool e Museu Dr. Benedicto Kavmundo. 

Secção Technica e Bibliotheca Dr. Heitor de Sá. 

Plantas e sementes e Horto da Penha . . Dr. Monteiro da Silva. 

Propaganda e estatística Alberto Jacobina e Carlos Raulino. 

Societária Dr. Souza Reis. 

Thesouraria Dr. Pedreira lunior. 



Serão considerados collaboradores não só os sócios como todos que quizerem ser- 
vir-se destas columnas para a propaganda da agricultura, o que a redacção muito 
agradece. A lista dos collaboradores será publicada annualmente com o resumo dos 
trabalhos. 

A redacção não se responsabiliza pelas opiniões emittidas em artigos assigaados, e 
que serão publicados sob a exclusiva responsabilida le dos autores. 

Os originaes não serão restituídos. 

As communicações e correspondências devem ser dirigidas a Redacção d' A LA- 
VOURA na sede da Sociedade Nacional de Agricultura. 

A LAVOURA não aceeila assi^nateras. 

E' distribuída gratuitamente aos sócios da Sociedade Nacional de Agricultura. 

Condlçõe» «la publicação <!«>•* iiniiiiiicUis 

VEZES Ml IA PAGINA UMA PAGINA 

1 I2$000 2O$0OO 

3 30$ooo 5o$ooo 

') 90$ooo 

12 go$ooo i70$ooo 

Os annuncios são pagos adearitadamente. 

Tiragem 5.000 exemplares 



SU MM A RIO 



PAGS. 



\r\oies de sombra 

:' ( oiieresM) Nacional de Agricultura 

<i 1'avilhão da Sociedadj na Imposição 

A Pecuária na Exposição Vaoiial 

Algumas madeiras e veeetaes úteis do Brazil 

A i abra 

Empresa Vinícola do Brazil 340 

Expediente ^ 4 - 

Noticiario 351 

Parte Commercial 355 

Bibliographia 3Ò4 



3» 



EXPOSIÇÃO NACIONAL 




Aspecto em dia de festa 



Anno XII — N. 8 Rio de Janeiro Agosto de 1908 



EDITORIAL 

NEW YORK 
BOTANICAL 
GAROEN. 



Arvores de sombra 

E' visível a necessidade da arborisação das praças e ruas de uma 
cidade, já pelo embellezamento que traz, já pelas vantagens que produz, 
ao clima e salubridade, já emfim pelos effeitos de sombra mitigantes dos 
ardores do sol. 

E nessa faina teem-se muitos dedicado para fazer crer a verdade de tal 
asserção em beneficio publico. 

Justa é portanto a nossa ideia de fazer a propaganda de arborisação 
nas cidades, com especialidade nesta, tão assolada pelo calor durante a 
estação do estio, que é bem prolongada. 

Assim escolhendo as melhores espécies para cada clima, indicamos 
para aquelles que são menos quentes as acácias e os plátanos, de orna- 
mentação própria para as ruas. 

Em S. Paulo são frequentes as magnólias amarellas com benéficos 
resultados, de bella copa e bonita cor. 

As nossas ruas largas já se portam bem com os oitys, mas estes 
devem ser educados para produzirem o effeito desejado. 

Graças ás observações do Dr. Monteiro da Silva, nosso distincto 
collega, podemos indicar algumas espécies convenientes, devido á pratica 
que elle tem da zona marítima . 

No nosso littoral ha muita arvore e arbusto que se prestam para 
arborisação, ainda com os predicados de possuírem o mesmo habitat, 
isto é, natureza egual no solo e no clima. 

E é justamente na costa que devemos procurar as arvores para sombra. 

A figueira oity, muito elegante c copada, de folhas persistentes, de 
rápido crescimento, é muito abundante na praia e pega de galho. 

O abaneiro ou mangueira da praia é uma outra arvore de muita 
belleza e de prompto crescimento. 

Quem percorre as nossas restingas fica encantado com o porte 
2; elegante do abaneiro que produz agradável sombra. 

A herva de lagarto é um arbusto de um aspecto bonito, muito acima 
do oity. Si nas florestas apresenta-se tão vistoso, o que será nas cidades, 
i-i quando educados pelos progressos da arboricultura ! 



Sn«IKI>.\I>J'. \ACH)\AI. DK ,\r,l;!(',m,TURA 



A Bougaínvillea Speciosa é uma trepadeira que se presta para arvores 
de sombra . 

Basta amarral-a em um supporte até que tome a configuração de 
um arbusto, copado e interessante. 

Durante três mezes, de julho a outubro, fica dorida, produzindo 
um effeito encantador. 

A Mírindilia, que é uma arvore bonita e com elegante copa, existe 
em quantidade no Trapicheiro e Tijuca . Citamos também a sapucaia e 
o ipê tabaco, que dão lindas flores cor de ouro. 

Vêem depois as palmeiras nossas, como o palmito, o gariroba, opaly, 
a brcjaítba e outras de um porte gracioso e muito interessante. 

Em vez das plantas exóticas que estão apparecendo no Rio de Janeiro, 
devemos procurar as plantas indígenas de muito maior belleza, elegância 
e durabilidade . Além disso teem maior desenvolvimento e crescimento 
rápido . 

E para mostrar que o resultado produzido já foi notado é que 
as ruas como Uruguayana, Assembléa e Carioca são mais apreciadas 
que a Avenida Central, porque esta não tem arbòrisação con- 
veniente. 

E quereryio fazer comparações basta citar o que de visa obser- 
vámos na fallada Avenida de Mayo de Buenos Aires. Esta só tem 
de melhor que a nossa a arbòrisação, que é de duas lindas filas de 
plátanos nos passeios, e que a custo são tratadas, pois durante dois 
mezes do anno seccam com os rigores do inverno. E' incrivel dizer 
isso, pois debaixo da constância do calor em que vivemos, mais facil- 
mente e com mais vantagem para o povo, nós deviamos possuir 
arbòrisação nas ruas e praças. Lá é abundante a arbòrisação publica. 

E assim é que deve ser. Fazemos votos para que sirva de incentivo 
o exemplo citado em beneficio geral. Não é preciso encarecer esta 
necessidade, pois ella é palpitante. No Congresso de Agricultura, agora 
realisado, foram votadas conclusões por indicação da nossa commissão 
sobre este assumpto, as quaes aqui repetimos. 

« 7» — Q U e os Governos municipaes devem promover a realização 
de festas das arvores, por intermédio dos alumnos das escolas, como 
foi feito em S. Paulo pelo serviço agronómico do Estado, por ser um 
bello exemplo aos particulares e interessados.» 

i 8 a — Que os Governos municipaes procurem executar a purificação 
e deseccamento dos sitios pantanosos e valles húmidos por uma plan- 
tação de boas espécies, como de eucalyptus, para a salubridade de suas 
terras.» 



A LAVOURA 321 

d 9 a — Que os Governos municipaes procurem plantar arbustos já 
copados nas ruas largas e nas praças das cidades, para mitigar os 
ardores do sol, e beneficiar o ar, tendo viveiros para esse fim . » 

« io n — Que nos jardins não predominem os gramados e sim arvo- 
res e arbustos, para serem francamente úteis aos habitantes, que assim 
podem ter parques no centro das cidades, muito justificáveis sob o sol 
da zona tórrida e mais consentâneos como clima.» 

Chamando a attenção dos leitores para uma noticia sobre esta 
propaganda publicada por nossa revista em o numero passado, 
aqui transcrevemos outra d'0 Pat\, em que abundam considerações 
favoráveis sobre o beneficio que prestam as arvores e as flo- 
restas : 

« As arvores são talvez o produeto mais bello da natureza ; deve-se 
á sua presença o aspecto mais variado que tomam as planícies e é 
graças a ellas que as montanhas adquirem os seus principaes caracteres 
de belleza. 

As arvores, porém, não representam unicamente uma das bellezas 
infinitas da natureza, são também um elemento essencial de salubridade, 
de prosperidade, de vida. 

Num artigo da Bibliothcque Universelle, E. Tallichet previne-nos 
dos perigos que resultam da desarborização imprudente, que destróe 
esses elementos benéficos em tantos paizes. 

i Algumas regiões da Hespanha, da Africa do Norte, da Ásia 
Menor, antigo berço da humanidade, que foi durante muito tempo um 
jardim, estão hoje e em grande parte desoladas e estéreis, graças á obra 
desastrosa da desarborização. 

A industria das mattas racionalmente explorada, com o fito de 
conseguir um melhoramento continuo, pôde ser tão remuneradora como 
qualquer outro cultivo. 

Está se experimentando hoje em dia um systema novo, pelo qual 
não se cortam sinão as arvores adultas, para as substituir immedia- 
tamente por plantações novas, e isto com o intento de dar ás plantas 
a quantidade de ar e de luz de que precisam para prosperar. 

As arvores respiram como os homens, por meio do tronco, dos 
ramos e sobretudo das folhas. 

As florestas constituem a reserva de agua potável, sem a qual uma 
região está condemnada á esterilidade e ao despovoamento. 

Não ha nascentes onde não ha arvores ; e nestes casos a agua em 
vez de ser o principal factor da vegetação torna-se o seu mais temível 
rlagello. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTCRA 



Por causa da seccura da atmosphera as chuvas tornam-se raras e 
irregulares e caem geralmente por forma violentíssima : alagando o 
terreno sem o penetrar ; reunem-se em torrentes devastadoras, fazem 
entumecer os rios que transbordam, semeando a destruição e a morte. 
Nos Estados Unidos da America do Norte, onde se arrazaram 
enormes florestas para dar espaço a novas culturas, o mal tornou-se 
irremediável, e oxalá que esta lição sirva para outras terras, que ainda 
teem a felicidade de conservar intactas muitas das suas preciosas mattas. 
O ar privado quasi totalmente de humidade produziu nos habi- 
tantes aquella magreza c aquella nervosidade exageradas que os dis- 
tinguem. 

Os ventos, que as florestas já não reprimem, teem lá uma impe- 
tuosidade sem exemplo, e os cyclones varrem o continente, causando 
enormes damnos. 

As differenças de temperatura são excessivas, podem verificar-se 
num só dia desequilíbrio de mais de 40 gráos. 

As tempestades violentas que se desencadeiam do outro lado do 
Atlântico, teem muitas vezes uma repercussão funesta na Europa ; de 
modo que também nós soílremos pela imprevidência americana. 

Os montes são os verdadeiros depósitos de agua que alimentam 
a planicie e os habitantes desta ultima deveriam preoccupar-se mais 
de que não fiquem estéreis e nus, e de que os valles não se encham 
de destroços arrastados pela força das aguas pluviaes. 

Também não convém esquecer que a electricidade se emprega hoje 
como força motriz; a agua destinada a produzil-a por baixo preço torna 
cada vez mais valiosas as montanhas, pois que o descer delias adquire a 
força que se emprega na producção da energia eléctrica . 

Para isso é necessário que as correntes sejam tão regulares quanto 
possivel, sem alternativas de seccagem e de cheias; comprehende-se, 
pois, como uma desarborização imprudente pôde prejudicar irremedia- 
velmente a regularidade destas correntes de agua e por conseguinte a 
producção normal da força eléctrica, fonte moderníssima de immensa 
riqueza.» 

O papel da arvore no mundo é, pois, um papel regulador e har- 
monizador dos elementos propensos á desordem e á violência. E ainda 
por este lado são úteis ao homem, dando -lhe um exemplo moral que 
elle deveria comprehendcr c imitar mais intelligentemente do que o faz 
na generalidade . » 

Nós temos ainda frondosas arvores nas ruas, que nos prestam abrigos 
agradáveis, como por exemplo a alameda de Fiais Benjamina o Religiosa, 



A LAVOURA 323 

em S. Luzia. O mais natural porém é a plantação de arbustos, já copados, 
havendo porém um viveiro de mudas de todo o tamanho para as substi- 
tuições precisas nos casos de morte de algum individuo. 

Não devemos todavia desprezar as grandes arvores existentes como 
as palmeiras do Canal do Mangue dispostas em quatro renques de bello 
effeito. 

Os nossos jardins offereciam mais vantagens com sua maior quan- 
tidade de arbustos do que com os gramados por que foram substituídos 
em pane. 

Estes são mais adequados aos climas frios, como nos jardins inglezes, 
e não num clima como o nosso, onde sobejam os arbustos. 

E 1 natural e agradável que se tenha no centro da cidade os pequenos 
bosques para aquelles que não podem ir ás florestas procurar abrigo e 
allivio para o calor. 

Para abonar proficientemente as palavras ditas em favor da arbo- 
risação das ruas, transcrevemos em seguida trechos do artigo do Dr. Ennes 
de Souza publicado ha cerca de seis annos : 

« Entre as regiões que mais carecem, pelo seu clima ardente, ser 
mitigadas, em bem da hygiene e do bem estar das populações, pela pro- 
tecção das arvi ires, acha-se com certeza uma grande — a maior — do 
nosso paiz . 

Entretanto poucos são os logares, entre nós, em que se pôde gozar da 
frescura das sombras proporcionada por uma racional e bem desenvol- 
vida plantação de arvores, escolhidas dentre as muitas que se podem 
prestar a esse grande beneficio. 

E de uma maneira geral mesmo se pôde affirmar que, sendo o Brasil 
o paiz onde crescem as mais bellas e copadas arvores de sombra, é 
elle exactamente aquelle talvez em que menos proveito se tira de tal 
circumstancia . 

Entretanto tudo convida-nos procurar a protecção das arvores e por 
conseguinte plantal-as e tratal-as de modo a nos favorecerem o mais 
possível. 

Nossas praças, nossos quintaes, nossos terrenos, as encostas de nossos 
morros carecem de plantações arborescentes, já pelo seu embellezamento, 
já em vista de sua incontestável utilidade. 

Não seria portanto dos menores serviços que a administração muni- 
cipal prestaria á população, que se move atravez de suas estradas e ruas 
principaes, esse de plantar e conservar de distancia em distancia arvores 
de sombra, bem escolhidas a principio pela sua rápida expansão fo- 
lheai, etc. 



SonKOADK NACMXAI. 1)K AiiRlGTJI/TURA 



Sobretudo nas praças destinadas a estações de vehiculos, junto ás 
estações da Estrada de Ferro e nos logradouros públicos destinados a mer- 
cados e feiras é que a arborisação para sombra deve ser a mais densa, 
bem plantada c bem cuidada ou conservada. 

O terreno vasio deve ser plantado em horta, jardim, vergel ou pas- 
tagem, si de uso particular ; arborisado, si logradouro publico. Expnsto 
aos raios solares sem cultura alguma num clima abrazador como o do 
Rio de Janeiro, baixada do Estado do Rio c Norte da Republica é que 
nem é agradável, nem razoável nem útil.» 

Hkitor ce SÁ, 



T Congresso Nacional ds Agricultura 

Ainda mais uma vez a Sociedade Nacional de Agricultura, com o 
apoio dos poderes públicos e o concurso evidente dos interessados, con- 
seguiu levar a effeito um Congresso Nacional de Agricultura, o segundo 
que se tem realisado nesta capital, e, como o primeiro, para tratar dos 
palpitantes problemas que gravitam em torno da lavoura e das industrias 
que lhe são connexas. 

A respectiva commissão organizadora do 2° Congresso Nacional de 
Agricultura, sob a presidência do Dr. Wencesláo Bello e secretariada pelo 
Dr. João de Carvalho Borges Júnior, realisou, no dia 7 de agosto do cor- 
rente anno, no Palácio Mõnroe, uma sessão preparatória, tendo por objecti- 
vo a eleição da Mesa que deveria dirigir os mibalhos do alludido Con- 
gresso. 

De feito, aberta a sessão á qual concorreu grande numero de congres- 
sistas, foram eleitos : para presidente honorário o Exm. Sr. Dr. Miguel 
Calmon du Pin e Almeida— Secretario da Industria e Viação \ e vice-pre- 
sidentes honorários os Srs. Drs. Igna cio Tosta e Wencesláo Bello. 

A Mesa effectiva do Congresso ficou assim constituída : 

Presidente — Dr . Lauro Severiano Míiller ; i° Vice-Presidente — 
Dr. Christino Cruz; i" Vice-Presidente — Dr. Álvaro Nunes Pereira; 
i° Secretario — Dr. Sylvio Ferreira Rangel ; 2 Secretario — Dr. Ber- 
nardo Pinto Monteiro; 3 o Secretario — Dr. Ildefonso Simões Lopes; 
4 o Secretario — Manoel António dos Santos Dias Filho. 

No dia 9, ainda do mesmo mez, teve logar então a sessão solemne 
de installação do referido Congresso, sob a presidência do Sr. Dr. Miguel 
Calmon, ecom a assistência dos Exms. Srs. Dr. AffonsoPenna, Presidente 



A LAVOURA 395 

da Republica e Conde de Selir, Ministro de Portugal, e grande numero 
de senhoras, representantes das duas casas do Congresso, da lavoura e 
classes affins, e jornalistas. 

O Sr. Ministro da Industria usando da palavra, pronunciou sub- 
stancioso discurso, memorando quanto se havia feito no i° Congresso, quan- 
to se tinha conseguido, sendo o balanço posto em evidencia por S. Exa. 
bastante favorável aos grandes interesses da lavoura. Terminou dando 
como encetados os trabalhos do %° Congresso Nacional de Agricultura. 

Tomaram parte neste, 33o congressistas, sendo : do Amazonas i ; Ala- 
goas 18 ; Bahia 7 ; Ceará 5 ; Districto Federal 80 ; Espirito Santo 10 ; 
Goyaz 4; Matto Grosso 4 ; Maranhão 3 ; Minas Geraes 2 1 ; Pará 6 ; Piauhy 
6 ; Parahyba 10; Pernambuco 71 ; Paraná 8 ; Rio de Janeiro 28; Rio 
Grande do Sul 24 ; S. Paulo 10 ; Sergipe 4 ; Santa Catharina 10. 

O Congresso effectuou sele sessões plenas, durante as quaes foram 
approvadas e discutidas 278 conclusões, apresentadas pelas 12 com- 
missões especiaes. 

Estas funccionaratn regularmente, tendo em algumas delias sido 
feitas substituições por não terem podido os Srs. congressistas eleitos 
exercerem, por força maior, os seus cargos, excusando-se por cartas e 
telegrammas. 

O movimento das commissões foi o seguinte : 

i. a Café. Reuniu-se quatro vezes e apresentou ir conclusões. 

2. a Caiina. (3 a Conferencia Assucaretra). Reuniu-se nove vezes e 
apresentou 51 conclusões, tendo approvado as instrucções para a 4 a 
Conferencia Assucareira a feãlisàf-se em S. Paulo, a 2 de julho de 1909. 

3. a Algodão c outras fibras textis. Reuniu-se sete vezes e offereceu 
cinco conclusões. 

4 a Fumo. Effectuou cinco sessões, dando 13 conclusões. 

5. a Fructicullura. Em cinco sessões, redigiu 1 3 conclusões. 

6. a Mate e Pinho. Nas três sessões realisadas, apurou 1 5 conclusões. 

7." Borracha e Cacáo. Reuniu-se cinco vezes e ultimou 14 con- 
clusões. 

8." Diversas culturas e industrias ruraes. Nas três sessões que rea- 
lisou, redigiu 40 conclusões. 

9- a Industria Pastoril. Em quatro dias de sessões, organizou 45 
conclusões. 

io. a Ensino agrícola. Effectuou seis sessões e apresentou 20 con- 
clusões. 

1 1 . a União, previdência e credito agrícola. Reuniu-se nove vezes, 
redigindo 21 conclusões. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



12. * Factores económicos. Trabalhou nove vezes, e ultimou 28 
conclusões. 

Durante a elíectividade do Congresso, foram realisadas diversas con- 
ferencias sempre muito concorridas : 

i. a «Sociedades Agrícolas da Bélgica »— pelo professor Emilio 
Wlieberg ; 

2. :i « Raças vaccuns convenientes ao Brazil » — pelo Dr. Assis Brasil. 

3." « Acção dos Governos no augmento da riqueza pastoril » —pelo 
Dr. Carlos Botelho. 

q. a « Organização Commercial da Industria Assucareira »— pelo Dr. 
Corrêa de Brito. 

5. a « O cavallo militar » — pelo Dr. Assis Brasil. 

6. a 4 Os importantes resultados da vaccina anticarbunculosa » — 
pelo Dr. J. B. de Lacerda. 

7. a 4 Causas permanentes da crise da lavoura de canna » — pelo Dr. 
Leite e Oiticica. 

8. a « Da intervenção do Governo Federal da Suissa em favor do 
desenvolvimento e da prosperidade da agricultura» — pelo Dr. Pedro 
L. Soares de Souza. 

« 1. ' « Cooperativas alcoólicas da Bahia » — pelo Dr. Alfredo Cabussú. 

io. a « O problema agrícola » — pelo Dr. Christino Cruz. 

A Mesa do Congresso, conforme deliberação do mesmo, nomeou, 
para a redacção final das conduções approvadas a seguinte com missão : 

Drs. Wencesláo Bello, Ignacio Tosta, Sylvio Rangel, Christino 
Cruz, José Lobo, Estacio Coimbra e Álvaro Pereira. 

O 2 o Congresso Nacional de Agricultura encerrou os seus trabalhos, 
em sessão solemne effectuada a 3o de agosto, tendo a ella comparecido os 
Exms. Srs. Presidente da Republica e Secretario da Industria e Viação. 



O Pavilhão da Sociedade na Exposição Nacional ds 1908 

A inauguração official do nosso Pavilhão effectuou-sc no dia 26 de 
agosto, ás 2 horas da tarde, com a presença do Sr. Presidente da 
Republica, acompanhado pelos Srs. Dr. Miguel Calmon, Ministro da 
Industria e Viação, General Feliciano Mendes de Moraes e Coronel 
Alvares da Fonseca, chefes das casas militar e civil da presidência 
e seus ajudantes de ordens. 

Aguardavam os Srs. Presidente e Ministro os Srs. Drs. António 
Olyntho, Getulio das Neves, Conde Cândido Mendes e general Thau- 
maturgo de Azevedo, membros do Directório Executivo, Drs. Wen- 



cesláo Bello, Sylvio Rangel e Souza Reis, Benedicto Raymundo, 
Monteiro da Silva, Senador Lauro Miiller e general Jacques Ourique. 
A banda do 2° de artilharia do Exercito executava diversos trechos 
de musica no Pavilhão. 




Entrada do Presidente da Republica e comitiva no Pavilhão 

O Sr. Presidente da Republica e mais membros da commissão 
começaram sua inspecção pelo primeiro andar, demorando-se no exa- 
me da collecção de cannas de assucar e varias fructas do paiz e accli- 
matadas. Passaram á secção de fibras de varias plantas textis da nossa 
flora, á dos muitos cereaes ahi expostos de todas as zonas do paiz 
e ao museu zoológico. 

Nesta occasião foi servida uma chávena de matte á S. Ex. e á sua co- 
mitiva. 

Depois de amistosa palestra com os presentes subiu S. Ex. ao pavi- 




S. Ex. examinando os Mappas de Geographia Agrícola 

mento superior, onde, sentado, examinou detidamente os álbuns, nos quaes 



32* 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



se acham os mappas agrícolas de todos os Estados, com a designação 
da producção de cada zona, mostrando-se satisfeito com esse tra- 
balho e dizendo ser de grande interesse agrícola para nosso paiz, 
sendo também a primeira iniciativa a esse respeito. 

Dirigindo-se depois S. Ex. para o andar térreo, onde está insta 1- 
lada a secção de apparelhos a£ 'álcool, machinas agrícolas e machi- 




Ç. Ex. é convida-lo a dirigir-se ao jardim das plantas iudustriaaá 

nismos para a fabricação de queijos e manteiga, visitou também o 
jardim, onde se encontra uma bella e variada collecção de plantas 
ornamentaes, industríaes e indígenas. 

O pavilhão da Sociedade é de aspecto simples, guardando em suas 
linhas geraes o da ordem corynthia que deu origem á sua architectura, 
em todo o corpo principal do edifício, o qual abrange os dois primeiros 
pavimentos. 

O terceiro pavimento é constituído por um terraço, tendo ao centro 
um torreão, que supporta a cupola, e onde existe um salão de forma 
octogonal regular com área de cerca de 6o metros quadrados. 

O terraço que circumda esta sala tem uma área approximada- 
mente de cerca de 160 metros quadrados. Encimando a cupola nota- 
se uma esphera, sobre a qual descança a estatua de Ceres, trabalho de 
esculptura do artista hespanhol Sr. F. Basols. 



A LAVOURA 389 

O segundo pavimento compõe-se de um grande salão octogonal, 
tendo i3'",6o de vão livre, o que muito favorece a impressão dos vi- 
sitantes, permittindo bonita installaçao. 

Este salão tem oito columnas, nos vértices do octogono, as quaes 
sustentam um entablamento, ornamentado com modilhões e ovolus, 
obedecendo ao mesmo estylo da ornamentação externa. E 1 inteiramente 
branco-marfim, tendo oito metros de pé direito, sendo a sua decora- 
ção com ligeiros toques de ouro. 

Em torno do salão existem quatro salas, também inteiramente pin- 
tadas de branco-marfim. O primeiro pavimento tem a divisão exacta 
do segundo, notando-se, porém, no salão central quatro columnas 
verdes, tendo os capiteis ligeiramente dourados. A pintura deste pa- 
vimento é toda verde claro e a do terceiro verde mar. 

O accesso ao primeiro pavimento é dado pela escadaria exterior de 
cimento armado, e pela escada interna, collocada numa das salas lateraes. 

Externamente o pavilhão apresenta a cor pérola, notando-se nos cor- 
pos salientes que o circumdam quatro frontões, sustentados por duas 
columnas cada um e nos quaes vêm-se em claro escuro as telas pintadas 
por Mário Costa, allegoricas aos quatro problemas vitaes da nossa agri- 
cultura: o ensino agrícola, a união agrícola, a lavoura e a zootechnia. 




tiva do Pavilh;i 



Na porta de entrada principal do edifício, no segundo pavimento, 
no tympano do frontão que a encima, lê-se em uma fita, que enlaça 
os ramos de café e fumo, a divisa víribus imitis, adoptada pela socie- 
dade, desde a sua fundação. A altura total do edifício é de 32 metros, 
tendo uma área útil de 66o metros quadrados. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AfiRICULTURA 



O pavilhão é circumdado por um jardim de plantas ornamentaes, 
onde, em bem desenhados canteiros, todos gramados, surgem lindos 
grupos de flores de variados matizes. 

Ainda como predominante attracção, é justo salientar os trabalhos 
de mosaicultura existentes, figurando entre elles dous lindos jarros, 
tendo i m ,6o de comprimento, uma pyramide de 2 metros e ainda 
uma linda corbeille em forma de barco, situada na parte em frente 
ao Theatro da Exposição. 

Este jardim é illuminado pela própria luz eléctrica do Pavilhão 



A Pecuária na Exposição Nacional de 1908 

I o TURNO 

A secção de pecuária da Exposição Nacional de 1908 veio provar 
por meio de suas amostras quanto andamos transviados na rota 
económica que vamos trilhando ; porquanto o que parece ter fi- 
cado patente do nosso certamen nacional é que somos um paiz com 
tendência para o industrialismo e pouco pendor pela agricultura em 
seus múltiplos departamentos. 

A secção pecuária foi mais um reforço a esta these. Era de esperar 
que um vasto paiz como o nosso, onde se desdobram e exuberam extensas 
e gordas campinas naturaes, apresentasse abundantes e bellos espé- 
cimens de animaes domésticos; porém assim não foi. Em vez de 
gados finos e variados, formados pela selecção consciente, o que vimos 
foi um mostruário pequeno com os typos differentes entre si, mostrando 
não estar ainda disseminada a verdadeira orientação. 

Todavia já é tempo de termos idéa assentada, sinão sobre os 
problemas de toda a zootechnia nacional, pelo menos sobre o que 
melhor possa convir a certas e determinadas zonas deste immenso paiz. 

Vimos ao lado do Hereford o Zebú de ditferentes variedades, o 
Turino figurando ao pé do Buffalo, o Durham, o Simmenthal, o Jersey, 
o Caracú e outros mais. 

Entre todos esses gados, uns eram importados, outros filhos de 
productores extrangeiros e criados em condições especiacs de trato, 
mui afastadas das normas propriamente industriaes. 

Nossos, propriamente nossos eram os Caracús, e é bom que se 
repita, havendo destes alguns espécimens dignos de honrosa menção. 

Porque seja ainda pouco conhecido entre nós vamos dizer algumas 
palavras sobre o gado Simmenthal, representado na Exposição por 
um lote de reproductores importados ultimamente pelo Coronel Durish 
para cedel-os aos Srs. criadores, após alguns mezes de acclimação. 



A LAVOURA 



O touro Dragão, aqui figurado, tem 24 mezes de idade e possue 
todos os característicos da raça Simmenthal, a que pertence 




E 1 de Gruyère — Suissa — filho de pães premiados e importado 
por Durisch & C. 

E 1 um bello animal, muito carnudo, bem conformado, pintado 
de branco-damasco e amarello-claro . 

A raça Simmenthal ( raça do valle do rio Simmen ) começou a ser 
seleccionada desde 18Õ9 ; « sua reputação é universal e tende a se acclimar 
em toda a parte na Europa, onde a producção da carne alhada á de 
creaçáo láctea constitue principal escopo do criador.» André Sanson. 

Sua pellagem é constituída pelas cores branca e amarella, formando 
malhas mais ou menos extensas, chifres curtos e claros, tem anca larga, 
peito amplo, membros locomotores curtos. 

A raça Simmenthal produz excellentes bois carreiros, rústicos e 
forçosos, de engorda fácil e excellente carne, o que muito os recommenda 
para o açougue . No estado de engorda completa, os bois de Simmenthal 
pesam 1.000 a 1.200 kilos, peso vivo. 

As vaccas desta raça são boas leiteiras, porquanto dão em média, 
no correr do anno, 2.000 a 3. 000 litros de leite, com uma riqueza 
butyrica variável de 3,3 a 5 °/ , isto é, são precisos 20 a 3o litros de 
leite para 1 kilo de manteiga, conforme, bem entendido, a estação do 
anno, qualidade das rações e idade da cria. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Depois de alguns annos de observação, sobre a alta inspecção da 
Federação Suissa dos Syndicatos de Criação da Raça Simmenthal, 
estabeleceu-se uma interessante tabeliã, em que figuram numerica- 
mente : i°, o numero das vaccas leiteiras submetlidas á observação; 
2°, numero de dias de lactação ; 3 o , numero de dias de um parto a 
outro ; 4 o , quantidade em kilos de leite ordenhado durante o tempo da 
lactação ; 5 o , quantidade em kilogrammas do leite ordenhado por dia ; 
õ°, quantidade em kilogrammas de manteiga por ioo litros de leite ; 
7 o , quantidade em kilos de matéria secca ou caseifera. 

As observações alli registradas referem-se a 88 vaccas leiteiras, 
pesando cada uma em média 687 kilos, a duração média da lactação 
foi de 359 dias, espaço médio de uma cria a outra 418 dias; a pro- 
ducção de leite por cabeça durante o período de lactação foi de 4.1 23 
kilos de leite, a producção diária de cada vacca foi em média de 1 1 kilos 
e 460 grammas de leite ; a producção total de manteiga para cada 
vacca subiu a 162 kilos ; a producção total de matéria solida de cada 
vacca durante a lactação foi de 537 kilos. 

Estes dados são interessantes, pois photograpbam, por assim dizer, o 
valor económico da raça Simmenthal, em boa hora introduzida entre nós, 
primeiramente pelo governo de Minas e agora pelo Sr. coronel Durish 




Piro — Fazenda Coronel' João Francisco — Rio Grande do Sul 

O cavallo aqui representado por esta gravura pertence á raça dos 
pequenos percherons, os quaes servem para tiro rápido e para sella . 



A LAVOURA 333 

Os percherons são animaes originários da região franceza, deno- 
minada Perche ; são de cor russa manchada de pequenas malhas mais 
escuras do que a pellagem geral ; são vivos e nervoscs, tendo em 
média a altura de i m ,5o na variedade pequena. 

O typo aqui figurado é um bello animal. 



A secção canina, embora restricta, é pouco variada ; apresentou 




bello espécimens da raça dinamarqueza. A gravura supra representa um 
casal de galgos. 



Algumas madeiras e vegetaes úteis do Brazil 

(Continuação) 

FAMÍLIA das meliaceas 

Canjerana 

Cabralea cangerana, Sald. Gam. 

Synonimia: — Açafroa (nome que dão mais frequentemente a uma 
meliacea de outro género, a Guarea trichilioides Cav., bem como á bixacea 
Bixa orellana L., á composta Girthamus tinctoria L. e á zingiberacea 
Curcuma longa L.)— Caierana (de certo erro de graphia ou de imprensa) 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



— Cajarana, no Ceará (onde, parece, dão o mesmo nome á balanopho- 
racea Lophophytum mirabile Schott. e Endl.)— Calumba-brasileira (não 
Caluna, nem Calunga) — Canarana (não se confunda com uma gramínea 
amazonense de egual nome)— Cangerana, nos Estados do Rio, S. Paulo 
e Paraná — Cangerana-assii — Cangera<ia-de-maminha, nos arredores 
da capital de S. Paulo — Cangerana-de-prego, no Rio Grande do Sul— 
Canhar ana (talvez erro de pronuncia)— Canjarana — Canjerana, na 
Bahia e no Espirito Santo — Cayá-raha, dos indígenas tupis, « parecido 
com o cajá » — Kayárana (a mesmi cousa)- • Pan-deSanto (nome que 
decerto deram á madeira para explicar que cila serve para esculptura ; 
não deve, pois, confundir-se com vegetaes de nome quasi egual, como a 
zygophyllacea Guayacum sanctum L., uma ternstremiacte do género 
Kielweyera e uma leguminosa do género Zollcrnea). 

Habitação — Encontra-se em todo; os Estados marítimos, desde o 
Ceará (?) ao Rio Grande do Sul, sendo mais abundante nos de S. Paulo 
e Paraná ; é pouco sensível ás altitudes, preferindo sempre terrenos 
seccos e argilosos, de boa qualidade . 

Descripção— Grande arvore, até 12,00 de altura e 0,65 de diâmetro, 
dimensões estas que consta serem excedidas na vertente oriental da serra 
do Mar ; caule recto ; casca um pouco fibrosa, pardacenta, aromática e de 
sabor amargo; folhas compostas, grandes, até o m , 70 de comprimento; 
foliolos oppostos, mais ou menos 1 55 m/m de comprimento e 55 m/m de 
largura, coriaceos, peciolados, acumi nados, oblíquos na base, nervura 
central saliente nas duas paginas, sendo vernicosa a superior e um tanto 
pubescente a inferior, bem como o rachis. Flores em paniculas axillares. 
Fructo ovóide, de 31 X 29 m/m mais ou menos, atroviolaceo, com cinco 
óculos, contendo cada um duas sementes, verde-esmeraldinas antes de 
amadurecerem ; fruetifica em março e abril (região de Iguape). 

Madeira— Côr de rosa avermelhada, com cerne vermelho-carregado ; 
tecido bastante compacto e poros pouco visíveis, dócil ao cepilho e á 
serra. Pesos específicos verificados: o,65S (Rio Grande do Sul)— 0,693 
(S. Paulo)— 0,734 — 0,753 —0,768 (Rio de Janeiro)— 0,824 (Rio Grande 
do Sul). Resistência ao esmagamento : carga perpendicular ás fibras, 3i 7 ; 
carga parallela, 449 ; sem determinação da posição, 546 kilogrammas 
por centímetro quadrado. 

Applicações— Madeira para perfumaria, esculptura, torno, mar- 
cenaria, caixilhos de janella, bolandeiras de rodas de engenho, pranchões, 
taboado, frechaes, tirantes ; construcção naval, obras internas e externas e 
hydrau liças, porque resiste muito á humidade e ao ar; esteios, postes e dor- 
mentes de segunda qualidade, não obstante terem a mesma duração 



A LAVOURA 335 

(u annos) de outros, como a peroba e a laranjeira, consideradas de pri- 
meira qualidade. As cascas conteem bastante tanino associado a matéria 
corante cinzenta ; o córtex é tónico em doses moderadas, vomitivo em 
doses médias e emmenagogo violento e até abortivo em doses elevadas, 
provocando dejecções alvinas. As cascas das raizes, em tintura, xarope ou 
extracto, são consideradas anti-febris, úteis no tratamento das sezões e 
febres catarrhaes. 

Variedades — Além da C. miúda, meliacea de outro género (Gua- 
rea trichilioides Cav.), supponho que na região de Iguape e em geral 
nos Estados de S. Paulo e Paraná existem duas variedades, a menos 
que avançando em edade, os indivíduos vão perdendo suas boas quali- 
dade industriaes e me*mo diminuindo sua densidade, o que espero 
verificar opportunamente. 

Observações — Não obstante ser este vegetal um dos mais impor- 
tantes que povoam o sul do Brasil e de pertencer elle a uma das familias 
mais úteis, ha ainda grande confusão não só nos nomes vulgares, como 
também nos scientificos ; a confusão vae até ao ponto de alguns 
escriptores darem o nome de «Cangerana » a outras meliaceas, como 
sejam a Carapa guianensis Aubl. e a Guaiea cernua. 

— A madeira a que no Estado do Espirito Santo dão o nome de 
«Cangerana», é não só absolutamente diversa da «Cangerana» de Ca- 
nanéa, como muitíssimo inferior em qualidade. 

— O nome de « Caiu mba brasileira » deve ter sido dado á nossa 
meliacea pelos primeiros escravos que desembarcaram no Brasil, decerto 
porque elles lhe notaram os effeitos tónicos da Calumba verdadeira, que 
é a menispermacea africana Cocculus palmatus D. C. 

— « Calumba », que é palavra angolense, já serve para designar 
uma gentianeacea americana, a Frasera Carolinensis Walt. 

Monographia n. 47 — Amostra n. 9 

FAMÍLIA DAS MYRSINACEAS 

Capororoca Pequena 

Rapanea venosa A. DC. 

Synonimia — Caa-poro-roca, dos autochtones «filhas» ou imatto que 
estala» (ao fogo) ou, segundo Martius e parece que com menos funda- 
mento «arbusto de ramos quebradiços» — Caporoquinha eCapororoca 
branca de folha miúda no Rio Grande do Sul — Jacaré do matto (esta 
espécie?), em alguns logares de S. Paulo. 

8052 3 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Habitação — Nos Estados marítimos do Brasil, desde o de Alagoas 
ao do Rio Grande do Sul, e talvez na Republica do Uruguay. Vegeta nas 
capoeiras, e de preferencia nas terras fracos e silicosas, nunca se encon- 
trando nas mattas virgens. 

DescripçÃo — Arvore bonita e de caule recto, até 8,00 de altura 
e 0,45 de diâmetro; casca até 10 m/m de espessura, verrucosa, porosa, 
quebradiça, de còr branca que oxyda ao ar e se torna rosada ; ramos 
crassos com as cicatrizes das folhas antigas e as extremidades tomen- 
tosas ; folhas simples, inteiras, alternas, pecioladas, base cuneiforme, 
acuminadas, 83 m/m de comprimento e 22 m/m de largura mais ou 
menos, ob-lanceoladas, peciolo e nervura central tomentosas ; inflores- 
cencia lateral, pedicellada ; flores pequeninas, esverdeadas ; fructo pe- 
queno, preto ; floresce em abril. 

Madeira— Cor branca, pesada, fibras grossas, irregulares, tecido 
compacto, dócil ao cepilho e á serra . 

Applicações — Madeira somente para linhas, caibro se obras internas, 
porque não resiste á humidade ; dá óptima lenha, preferida pelos fer- 
reiros para o fabrico de carvão. As cascas conteem tanino, mas 
parece-nos que em fraca porcentagem. Os fructos são apreciados pelos 
pássaros. 

Observações — Parece existir algures uma « Canella capororoca >• 

Monographia n. 48 — Amostra n. 123. 

FAMÍLIA DAS MYRSINACEAS 
Capororoca- ussú 

Cybianthus Regnelli Mez ? 

Synonimia — Capororoca grande . (Vide a da espécie antecedente). 

Habitação — Encosta oriental da serra do Mar, no Estado de 
S. Paulo, faltando-nos informações sobre os demais Estados do Brasil. 
Vegeta apenas em terras argilosas, de qualidade regular, seccas ou 
húmidas. 

DescripçÃo — Arvore magestosa, de caule recto, até 16,00 de altura 
e 0,43 de diâmetro ; casca vermelha até 1 2 m / m de espessura, muito 
adstringente, com epiderme fina, branca-esverdeada e farinosa ; ramos 
crassos, com as cicatrizes das folhas cahidas ; folhas inteiras, simples, 
penninervias, longamente pecioladas, peciolo até 25 m / m , folhas até 
295 m / m de comprimento e 122 m / m de largura mais ou menos, de base 
cuneiforme, nervura central saliente, coriaceas ; inflorescencia lateral ; 
flores pedicelladas ; fructo bacciforme, com fragmentos do estylete no 
ápice. 



A LAVOURA 337 

Madeira — Alburno cor de rosa-avermelhado e cerne rosa-des- 
maiado ; fibras grossas e irregulares, apresentando um trançado lin- 
díssimo, idêntico ao dos carvalhos e com bonitos veios. Dócil ao cepilho 
e á serra, mas só deve utilizar-se depois de bem murcha, porque racha 
facilmente quando verde. 

Applicaçóes — Madeira especial para mobílias, graças á sua belleza, 
e também para vigas, esteios, caibros, taboado de soalho e outras obras 
internas e externas ; contém tannino, talvez em porcentagem elevada, 
fornece varas altas para cercas de gado e óptimo carvão. As cascas são 
muito ricas em tannino, próprias para a industria do corturne, posto 
esteja elle associado a matéria corante de cor rubra ; empregam-nas 
também em banhos contra as affecções cutâneas. 

Variedades — Si este vegetal não é o Cybianthus Regnelli Mez, 
será evidentemente uma sua variedade, o que pretendemos verificar 
quando dispusermos do material necessário. 

Observações — O caule da Capororoca-ussú apresenta a singulari- 
dade de ter o alburno mais duro que o cerne, posto que um e outro 
sejam bem fortes. E' além disso um dos raros vegetaes cujo caule talvez 
possa fornecer tannino em quantidade apreciável industrialmente. 

Monographia n. 49 — Amostra n. 73. 

FAMÍLIA DAS MYRSINACEAS 
Capororoca vermelha 

Rapanea umbellata M 

Synonimia — oA\eitona do mato (?), no Rio de Janeiro (não con- 
fundir com a verbenacea Vitex montevidensis Cham., duas lythraceas do 
género Cuphea e uma myrtacea, que teem todas o mesmo nome vulgar) 
— Canelon, na Republica do Uruguay — Capororoca de folha larga, em 
diversos logares. (Vide as duas espécies precedentes e não se esqueça que 
ha diversas « Gapororocas » desta mesma família e da das Vinteraceas, as 
quaes teem synonimia bastante complicada) . 

Habitação — Em todo o sul do Brasil, desde o Estado do Rio de 
Janeiro, e também na Republica do Uruguay. Não se encontra em terras 
de primeira qualidade, mas sim nas regulares e até nas ordinárias, mesmo 
quando fortemente silicosas . Os indivíduos que vegetam nas terras seccas 
do littoral, desenvolvem-se muito mais do que os que vegetam no 
interior. 

Descripção — Arvore de caule recto, até 10,00 de altura e 0,45 de 
diâmetro ; casca até 1 5 m / m de espessura, vermelha, cheiro e gosto de 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



kerozene, adstringente, epiderme regular, suberosa, fendida, quasi 
palhete ; ramos crassos ; folhas simples, inteiras, coriaceas, geralmente 
alternas, pecioladas, oblongas, mais ou menos 1 1 o '"/,„ de comprimento 
e 45 m / m de largura ; intiorescencia lateral, formada na axilla dos ra- 
minhos verrucosos ; flores abundantes, pequenas, violáceas ; fructo 
indehiscente, globuloso, violáceo ao amadurecer. 

Madeira — Côr rósea com lindas veias vermelhas e marcheta- 
mentos oblíquos, pelo que muitos a confundem com a de um carvalho 
(proteacea). Dócil ao cepilho e á serra. Peso especifico — 0,829 (Rio 
Grande do Sul) . 

Applicaç5es — Madeira para obras internas, taboado, vigas, ripas, 
etc, exigindo ser secca antes de desdobrada, porque empena muito ; dá 
bôa lenha. As cascas conteem bôa porcentagem de tannino e são já em- 
pregadas como tannante de primeira qualidade . 

Observações — Esta e as demais «Gapororocasn teem a particula- 
ridade de empenar e rachar muito, o que é lastimável, porque as madeiras, 
devido á disposição irregularissima das fibras, apresentam um marcheta- 
mento que lhes daria importante logar na marcenaria de luxo. 

Suppomos que em alguns logares dão ás aCapororocas» em geral, 
ou pelo menos a esta espécie, o nome de «Sobro», allusivo á suberosidade 
da casca. Ha, porém, outros vegetaes, de diversas famílias, com o mesmo 
nome vulgar. 

Continua 

COLLABORAÇÃO 



A cabra 



A cabra é uma bemfeitora da humanidade e é o que vamos provar. 

Um dos melhores alimentos indispensáveis á vida humana, e sem 
contestação, é o leite. E' com effeito indispensável, tanto ás crianças, 
como ás pessoas enfraquecidas pelas enfermidades ou pela velhice. 

A preoccupação de achar um bom leite, nos leva a aconselhar o 
leite de cabra, a leiteira das crianças e das pessoas de saúde delicada . 
Hoje, que a tuberculose faz tantas victimas, devemos ter todo o cuidado 
possível, principalmente sabendo que o leite das vaccas tuberculosas 
torna-se em muitos casos o principal factor desta terrível moléstia. 



Além disto, a vacca também é portadora ás vezes de outras doenças, 
não menos perigosas para a humanidade como a peste, febre typhoide, 
aphtosa, e também a escarlatina. 

Por isso deve-se fazer uso sempre que for possível do leite de cabra, 
pois este animal, além de ser completamente refractário á tuberculose, 
o é, igualmente, para as outras moléstias communs ao gado bovino, e as 
creanças alimentadas com elle resistirão melhor a essas terriveis mo- 
léstias ; este leite tem também a propriedade de ser muito nutritivo e 
de fácil digestão, e é o que mais se assemelha ao leite humano pela sua 
composição. 

Para se dar um exemplo do quanto este leite é usado e apreciado 
na Itália, affirma-se que o finado papa Leão XIII não fazia uso senão de 
leite de cabra, tirado e bebido quente do calor animal, e a isto em grande 
parte se attribuia o vigor de sua saúde e o seu espirito lúcido em tão 
avançada idade . 

Emquanto aos defeitos que algumas pessoas lhe apontam de 
ser este leite quente e de fazer com que as crianças alimentadas com 
elle sejam nervosas e traquinas são considerações que, além de não ter 
senso commum, só se propalam por pessoas ignorantes, pois a maioria 
dos médicos illustres daqui e da Europa recommenda este leite como um 
dos melhores e nunca faliam nestes inconvenientes . 

Este animal tão útil, tanto pelo seu leite, como pela sua carne, etc, 
deve ser cuidado e estimado muito mais do que tem sido até agora, 
pois as suas vantagens o torna precioso principalmente para os 
proletários; além disto sendo bem tratado acostuma-se a estar preso em 
um logar acanhado, comtanlo que não seja húmido e tenha um bom 
telheiro para se abrigar da chuva. O chão deste deve ser de pedra ou 
cimento ; nestas condições gosarão saúde, se bem que sempre que pu- 
derem estar soltos darão mais leite e os filhos se criarão com maior 
facilidade, ficando mais fortes e robustos . Emquanto á alimentação, este 
animal é um dos mais fáceis de sustentar, pois come quasi toda quali- 
dade de hervas, galhos de arvores, principalmente de jaqueiras, videiras 
e mangueiras, folhas de bananeiras, pão, farello, milho, feijão cosido, etc, 
emfim quasi toda a comida de casa, comtanto que seja sempre collocada 
em vasilhas bem limpas e, se fòr dado em feixes o capim, deve ser amar- 
rado e pendurado para não se sujar nem ser pizado por elles, porque, se 
não houver este cuidado não o come. 

Para terminar diremos que deve-se generalizar a creação deste tão 
útil animal, pois, além das vantagens acima enumeradas, se não immuniza 
completamente contra a tuberculose a pessoa sustentada com o seu leite 



340 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

todavia ficará mais forte e também menos apta a contrahil-a. Por isto a 
« Liga Contra a Tuberculose » deve sempre recommendar e acon- 
selhar o uso deste leite, pelos meios que estiverem ao seu alcance, e com 
isto prestará um relevante serviço á humanidade soffredora, para ajuda-la 
a combater um dos seus peiores flagellos : A — Tuberculose. 



Empresa Vinícola do Brasil 

Do Correio de Maceió de 12 de maio do corrente, transcre- 
vemos o seguinte a respeito deste importante estabelecimento in- 
dustrial : 

« Ante-hontem, domingo, S. Ex. o Sr. Dr. Euclides Malta rea- 
lizou uma excursão ao engenho Satuba, propriedade agricola do Sr. co- 
ronel Pedro de Araújo Lima, afim de ver as amostras que manda 
para a Esposição Nacional a Empresa Vinícola do Brasil alli estabe- 
lecida . 

A visita foi particular; S. Ex. desejava além do mostruário, ver 
a fabrica de vinhos e licores extrahidos do caldo de canna e de outras 
fructas nacionaes, funccionando ; queria detidamente, sem as pragmá- 
ticas do oflicialismo, estudar esse grande melhoramento do nosso 
Estado, e, acompanhado apenas por quatro amigos, tomou o trem de 
subúrbios em direcção áquella fabrica. Recebido com a maior cordia- 
lidade pelos sócios da Empresa Vinícola do Brasil, S. Ex. e seus 
companheiros de excursão apeiaram-se em casa do illustre Sr . Dr. João 
Valle, onde se devia servir o almoço e, depois de se ler servido o 
café, seguiram todos para o edifício da fabrica precedidos do distincto 
industrial, fabricante do Néctar do Brasil e de todos os productos da 
mesma fabrica, incontestavelmente a única e a primeira no género 
neste vasto paiz. O Sr. commendador Brandão, mestre na industria 
a que se dedica, consciente de seu valor, a todos explicou minucio- 
samente e com clareza todo o funccionamento das diversas peças e 
apparelhos alli, naquelle grande edifício, por elle collocados e mon- 
tados na melhor ordem possível, com toda a segurança e mesmo laxo 
de installação, pois foi elle o Sr. Brandão quem pessoalmente dirigiu 
toda a montagem dessa vasta officina do trabalho e do progresso , com 
todo o esmero, trabalho esse digno do todos os encómios que ao distincto 
industrial não faltaram de todas as pessoas presentes . 



A LAVOURA 



341 



Excedeu em muito á expectativa dos illustres visitantes tudo o que 
alli viram, subindo de ponto a satisfação geral quando tiveram de provar 
o que alli actualmente se fabrica e vae para a exposição, e que não é tudo 




Vista geral da fabrica 

ainda que podem' produzir os conhecimentos profissionaes do Sr. com- 
mendador Brandão . 

Lá estavam os dous typos de vinho de canna — Néctar do Brasil 

— o typo — Particular — e o Moscatel, e em licores o — Chartreuse 

— Cacáo — Anisette, — a aguardente desinfectada e pura, os xaropes 

— de Grozelha e Gomma — e o vinho de genipapo, claro, límpido, de 
sabor delicado, o que de melhor temos visto. A exiguidade do tempo não 
permittiu ao illustre homem do trabalho que mais desenvolvesse seus co- 
nhecimentos no fabrico de outros productos, que prometteu nos dar depois. 

A impressão recebida de tudo que alli ha, do trabalho que alli se faz, 
da perseverança desse homem que não poupou esforços para levar a bom 
termo essa obra magnifica, foi a melhor possivel . E' como elle mesmo o 
diz : i A organização dessa fabrica era para mim uma questão de prin- 
cipio ; quiz demonstrar que os capitães aqui empregados não foram 
postos fora, o Estado das Alagoas foi dotado de um estabelecimento 
modelo e único no género, nós não perdemos nosso tempo, e respondemos 
assim^aos que' tanto nos malsinaram . » 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Serviu-se o almoço de delicadas iguarias, ao meio dia, havendo ao 
champagne diversos brindes, destacando-se o de S Ex . o Sr. governador, 
ao Sr. coronel Pedro Lima, sócio commanditario da empresa pelo seu 
espirito emprehendedor, digno de imitação e de applausos pelo muito 
valor que traz á iniciativa particular neste Estado, e ao Sr. commen- 
dador Francisco Pinto Brandão pelos seus grandes conhecimentos 
profissionaes e pela sua tenacidade no trabalho. 

Lembrou-se então a ideia de dar como inaugurados os serviços da 
fabrica, desde que está ella em bom funccionamento, e passando-se nova- 
mente ao escriptorio da Empresa Vinícola do Brasil foi ahi lavrada a respe- 
ctiva acta que abaixo transcrevemos. Visitaram-se depois as diversas 
dependências da fabrica, a caixa de agua, a fonte que fornece agua para 
todo o necessário, os apparelhos heaíer-waset para os operários, e 
que communicam com fossas inodoras construídas pelo systema do 
Dr. Valle, os encanamentos de esgotos de aguas servidas, tudo deixando 
a melhor impressão. 







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Ao entrar no edifício que tem 7Õ metros de comprido por 23 
de largo, nota-se á esquerda o escriptorio e a elle annexo o labora- 
tório em que trabalha o Sr. commendador Brandão, e á direita um 
vasto salão para expedição dos productos ; entra-se na fabrica própria- 



A LAVOURA 343 

mente e veem-se alinhadas, — i 8 de cada lado, — 36 dornas, sendo 
seis grandes com a capacidade de 30 pipas cada uma e 3o menores com 
a capacidade de 1 o pipas cada qual . Todas ellas são ligadas por cima 
e por baixo por encanamento de cobre estanhado a estanho fino 
por dentro e por fora, communicando-se entre si e com duas bombas 
que para qualquer delias pôde conduzir o caldo da canna vindo das 
moendas. Ha mais dois filtros de grande capacidade, um grande 
alambique a fogo nú, e um menor, a banho-maria, para a prepara- 
ção dos perfumes. Ao entrar-se descobre-se toda a vasta installação produ- 
zindo um magnifico elíeito, e de qualquer ponto do edificio póde-se fisca- 
lizar todo o serviço. Toda a communicação dos líquidos entre as dornas e 
os diversos apparelhos é feita por meio de torneiras e pelas bombas, o que 
facilita grandemente o trabalho com grande economia de pessoal. 

A 1 tarde pelo trem das cinco horas voltaram todos os visitantes satis- 
feitos e bem impressionados pelo que viram. 



ACTA DA INAUGURAÇÃO DA FABRICA DA EMPREZA VINÍCOLA DO BRAZIL 

« Aos dez dias do mez de maio de mil novecentos e oito, no enge- 
nho Satuba, propriedade agrícola do Sr. coronel Pedro de Araújo Lima, 
município de Santa Luzia do Norte, Estado de Alagoas, presentes, 
ás onze e meia horas do dia, o Exm. Sr. Dr. Euclides Vieira Malta, 
governador do Estado ; Dr. Demócrito Brandão Gracindo, coronel Ja- 
cintho de Medeiros, (senador estadoal), coronel Pedro de Araújo Lima, 
Dr. Luiz Joaquim da Costa Leite, commendador Francisco Pinto 
Brandão, engenheiro João Pinto da Silva Valle, Srs. João Carlos 
Leite Júnior, Beraldo Caldas, José Vicente de Araújo Tatá, Pharma- 
ceutico Álvaro de Aquino Braga, Luiz da Rosa Machado, e eu, Joa- 
quim Goulart de Andrade, primeiro secretario da Camará dos Depu- 
tados Estadoaes ; percorrido o grande edificio da fabrica da Empreza 
Vinícola do Brazil, soba firma Brandão, Costa & C ., depois de exami- 
nados os differentes productos industriaes da mesma fabrica, que são 
vinhos e licores, todos derivados da canna de assucar, notadamente o 
chamado Néctar do Brazil, em seus vários typos de vinhos, foi dado 
por inaugurado pelo Exm. Sr. Dr. Euclides Malta o mesmo importante 
núcleo agricola-industrial. E para memoria, eu, Joaquim Goulart de 
Andrade, lavrei a presente que assigno com os presentes. 

Satuba, 10 de maio de 1898. — Euclides Vieira Malta, Pedro de 
Araújo Lima, Francisco Pinto Brandão, T)r. Lm\ Joaquim da Costa 



seCIEDADB NACIONAL DH AGRICULTURA 



Leite, Demócrito Brandão Gracinda, Jacintho Medeiros, João Carlos L . 
Júnior, Beraldo Caldas, Álvaro Aquino Braga , José Vicente Tatá, João 
Pinto da Silva Vallc, Joaquim Goulart de Andrade, Lui\ da Rosa Macha- 
do, Júlio da Rocha Uns . » 



Damos a seguir as analyses seguintes que muito abonam os produ- 
ctos da empreza de Satuba : 

« Dr. Luiz de Carvalho e Mello, lente cathedratico de chimica mi- 
neral e analytica da Escola Polytechnica do Rio de Janeiro — Boletim 
n. 128 — Analyses de duas amostras do producto NÉCTAR DO BRA- 
ZIL, pertencentes aos typos Moscatel e Particular : 

A TV jVLYSJES s 

Tendo procedido ás analyses do Néctar do Brazil, typos 
«Moscatel» e «Particular», de que fomos encarregados pelo Sr. Fran- 
cisco Pinto Brandão, chegamos a conclusão de tratar-se de productos 
obtidos do caldo da canna de assucar cuja fermentação foi suspensa 
por processos puramente physicos. 

A amostra typo « Particular 1 otferece riqueza alcoólica de 17 o , 
deixa um extracto secco a 100 o C. de 8, 4 %, constituindo, em sua quasi 
totalidade, por saccharose e traços deglycose e contem apenas gr. 0,08o °/ 
de sulphato de potássio. A amostra typo «Moscatéis, de i3° de riqueza 
alcoólica com um extracto secco a 100 o C. de 12,2 %, também consti- 
tuido, quasi totalmente, por saccharose e traços de glycose, encerra 
gr. 0,087 7o de sulphato de potássio. 

As bebidas analysadas, que apresentam côr ambreada, de tonalida- 
des different es, obtidas pelo caramello, revelaram absoluta ausência de 
álcoois superiores, agentes conservadores e outras substancias nocivas 
á saúde. 

O fino aroma e agradável sabor, ao lado da média riqueza alcoólica, 
e absoluta ausência de corpos nocivos, tornam o typo « Particular t do 
INeetar d.o Braail, recommendavel como excellente bebida de 
mesa. 

O typo « Moscatel » igualmente puro e de suave aroma, porém 
mais adocicado e menos rico em álcool, constitue uma boa bebida para 
paladares delicados. DR. LUIZ DE CARVALHO E MELLO. — ZELI- 
NO ANTÓNIO PINTO DE MIRANDA. - DR. OCTÁVIO SEVERO. 
— Rio de Janeiro, 23 de junho de 1906. 

Laboratório Municipal de Analyses. — Visto — DR. PAIVA 
COELHO. — Director. Analyse n. i3. —Examinando o producto Ne- 



A LAVOURA 345 

ctar ao Tti-thxil (typo Moscatel) remettido pelo Sr. Francisco Pinto 
Brandão ao Laboratório Municipal de Analvses, verifiquei pela analyse 
a que procedi : ser uma bebida natural produzida pela fermentação do 
sueco da canna de assucar, não contendo substancias nocivas á saúde c 
sendo o álcool empregado de boa qualidade . 

Rio de Janeiro, [5 de junho de 1906. — OChimico, Pharmaceutico 
DÁRIO FERREIRA PINTO. 

Laboratório Municipal de Analyses. — Analyse n. 14. — A r i*to. 

— DR. PAIVA COELHO. — Director. — A analyse a que submetti o 
produeto denominado iNectin- tio Bx-aasil (typo Particular), envia- 
do por Francisco Pinto Brandão a este Laboratório, revelou tratar-se de 
uma bebida natural produzida pela fermentação de sueco da canna, 
em que não ha metaes tóxicos, oriundos da fabricação ou manipulação, 
bem como substancias conservadoras nocivas á saúde. O álcool empre- 
gado é de boa qualidade. — Rio de Janeiro, i5de junho de 1906. 

— O Chimico auxiliar, Pharmaceutico — J. M. DA SILVA CASTOR. » 



EXPEDIENTE 



Secretaria 

Correspondência recebida : 

Cartas 375 

Officios 56 

Telegrauimas 51 

Circulares 6 

Correspondência expedida : 

Cartas 34ò 

Officios 33 

Telegrammas 154 

Circularas 4. 185 

Noticias 68 

Boletim « A Lavoura » 784 

Foi-necimeuto cie :n-a,me 

Foram satisfeitos 28 pedidos de arame farpado, feitos pelos senhores soeios, 
com a extensão de 289. 31)5 metros, tendo importado em 9:86^$500. 

Igual quantidade se fosse adquirida no mercado teriacustado 13:333$ o que 
produziu uma economia para os sócios, que se utilizaram da Sociedade Nacional de 
Agricultura, de 3:523$500. 



345 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Visittis — Visitaram a sede desta Sociedade e deixaram consignadas suas 
impressões no respectivo livro de visitas, os Srs.: Dr. Francisco Isidoro Rodrigues 
da Costa, redactor da Revista Agrícola da Sociedade de Agricultura Alagoana, e 
Fernando Augusto de Albuquerque Sarmento, representante da Sociodade Ala- 
goana de Agricultura. 



Secção Technica 

Correspondência e Circular tio Si*. Mig-uel F. tio 
Monte, solbi-e o tilg^oclfio — « Brazil— Mossoró, 12 de fevereiro de 1908 — 
Mm. Sr. Presidente da Sociedade Nacional de Agricultura — Rio do Janeiro. 

Respeitável Senhor —Confirmando a minha ultima a V. Ex. volto a as- 
sumptos de interesses dessa tão útil quão humanitária sociodade. 

Por intermédio da Companhia Commercio e Navogação, dessa, remetto um 
encapado com lettroiro a essa sociodade contendo amostrx do algodão, frueto de 
semente mandada vir do Egypto e distribuída por minha lirma commercial M. F. 
do Monte & Cia, conforme circulares quo distribuímos em fevereiro do anno 
passado . 

Queira mandar procurar no escriptorio daquella companhia. 

Reputo um produeto sinão genuíno quasi genuíno, o peço submetter tal amos- 
tra a exame de entendido de fibra de algodão do Kgypto, dignanio-se dar-nos a 
sua classificação. 

Devido a falta de inverno regular a producção dessa semente distribuída foi 
rara, porque muitos não plantaram receando perdel-a. 

Essa amostra 6 produeto do trechos de açudes. Não ha duvida que esta se- 
mente germina e produz em nossa região com muito proveito, e penso que será 
cultivada em larga escala tanto mais porque julgamo-n >s com boa disposição para 
continuar na propaganda do cultivo do algodão em geral iutroduzindo-lhe as mo- 
dificações e methodos práticos que alcançar de rainhas observações experimentaes. 

Incluo uma circular quo acabamos de distribuir ao nosso povo. 

Nella já demos alguma orientação das observações praticas que tenho ensaiado. 

Peço para ella a valiosa attençíio de V. Ex. 

Temos trabalhado na propaganda do melhorar o acondicionamento, descaroça- 
geni e plantio, o com prazer já registramos notavol melhora a todo respeito. 

A qualidade de algodão sujo, do caroço, viciado, tem diminuído, augmontando 
o de boa qualidade. 

A producção no geral tem augmentado, e todos os agricultores já conservam 
o zelam melhor os seus algodoaes. 

Plantei observando as regras da circular inclusa, 40.0)0 covas de caroço, 
semente escolhida da melhor qualidade «Sealsland». 

Nasceu muito bem, mas a estiada prolongada já matou muito. 

Se tivesse poços artezianos servidos por moinhos de vento que é regular e 
certo aqui nada perderia porque estou convicto por ensaios que tenho feito, que 
o algodão prospera perfeitamente bem com irrigação, mesmo sem chuva alguma, 
nasce bem, cresce e produz vantajosamente. 

Tenho prova pratica disto. 



A LAVOURA 347 



Julgo mui pratico o estabelecimento de poços nesta região ate 20 léguas 
distante do littoral, nos valles dos rios, que denunciam abundância d'agua no 
sub-solo. 

Com elles flcaria resolvido para aqui o problema das soccas, como ficou a 
. superabundância de sal depois das montagens dos moinhos a vento. Seria do 
grande conveniência o Governo mandar abrir um poço para uma estação ex- 
perimental. 

Eu cederia o terreno, e tomava parte grátis na direcção de serviço, plantio, 
e irrigação. 

Com uma estação experimental já .so podia iniciar reproductores de gado de 
molhor raça, ao contrario tudo será frustrado por falta de forragem certa e 
apropriada. 

Essa tão humanitária quão útil Sociedade, que prova tanta dedicação pela 
felicidade do paiz e que já tom colhido tantos fructos, prestaria um acto de ca- 
ridade e patriotismo se conseguisse do Governo a abertura por proftssiona.es com- 
petentes de um poço em qualquer parte apropriada do Norte, para uma estação 
experimental. 

Não precizaria grandes poços— pequenos com capacidade para irrigar área re- 
gular. 

Isto desbravado, particulares se moviam a introduzir em suas terras alguns 
poços. 

Conto, essa Sociedade so voltará para o Norte, que possuindo terras ubér- 
rimas, vantagens naturaes que nenhuma outra, o gente invencível pelo trabalho, 
força de vontade, de Índole dirigível o de fácil assimilação ao ensinamento, verá 
em pouco tempo terminada tanta calamidade do seccas convertendo-se em larga 
producção e prosperidade a seus habitantes. 

Com a minha estima e consideração subscrevo-me. 

De V. Ex. Amigo e Obr. — Miguel Faustino do Monte.» 

Circular — M. F. do Monte & C. 

lllui. Sr.— Nosso ultimo trabalho foi em pequenos avulsos que fizemos dis- 
tribuir, e recommooda-vos : « Plantae algodão no secco. Cobri vossas terras de 
algodoeiros, que vós e vossos gados tereis abundância ». Não foi intuito nosso 
dar palpite sobre probabilidades de chuvas ; foi apenas lembrar aquillo que vós 
mesmos já tendes praticado om pequena escala. Vieram chuvas em janeiro ; 
aquelles que plantaram no secco não estão longe de lucrar o trabalho. 
Conheceis bera o algodão. Foi proveitosa aquolla lembrança? Avaliae vós 
mesmos. 

E assim é que quando todas as vossas terras, mesmo essas capoeiras que 
consideraes cansadas, estiverem cobertas de algodoeiros, o que estes nos campos 
suppram a densidade do matto que derrubastes, tereis algodão em abundância, 
e vossos gados encontrarão abundante forragem da melhor qualidade para resis- 
tirem a seccas e a repiquetes. 

Por experiência própria estamos habilitados a assegurar-vos que o algodão ú 
a planta adequada e fadada para enriquecer nossa tórrida região. 

Temos plantado algodão « quebrado-preto », «Mocó» ou «sedinha» e algodão 
de caroço granle, pelludo-esverdeado. Esto, pensamos ser o de «Oeste» ou 
« New-Orleans » e aquelle o « Sea-Island », de Nova York. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



O do caroço esverdeado rceommendamos que seja semeado dos campos e 
capoeira?, para os gados. E' ello de fibra longa o forte, e resisto mais que todos 
aos rigores da secca, conservando verde folhagem, e dando fruetos pelo verão, 
mesmo em terrenos duros, seccos, escalvados. 

O « quebrado-preto » é também resistente, mas, a sua flb:'a é curta, além 
de que, produz menos durante o verão ; e sendo esta a semente mais antiga 
entre nós, desle annos cultivada sem o menor cuidado na escolha, o por isso 
já de péssima qualidade, é forçoso quo seja substituído pelo «Mocó» uu « se- 
dinlia », cuja fibra ó longa, gorda, se lusa ; e, além disso, é clle o mais valorisado 
nos mercados consumidores. E' mais resistente do quo aquelle ; produz mais 
durante o verão; durante quatro ou cinco annos dá boa producção, e ha quem 
affirme produzir durante 10 a 20 annos. Reeommondamos, pois, o « Mocó» ou 
«seJinha» como a qualidade preferível a tolos os respeitos. E' indispensável 
prestar attenção á semente; a somente má, sem o necessário desenvolvimento, 
chocha, colhida antes de tempo, não podo dar um arbusto vigoroso, capaz do 
boa producção. 

A nossa attenção e nosso esforço devom preparar o largo cultivo do algodão. 
Paizes onde a cultura do algodão reclama maiores dispêndios, e mais aturados 
cuidados, auferem enorme lucro dessa industria. 

Quanto despendemos em adubos, estrumes para nossas terras? Nada. Só esse 
facto dá-nos grande vantagem para a victoriosa competência. Nosso solo é ubér- 
rimo e ainda dispensa certas despezas de cultura. E' preciso, entretanto, outros 
cuidados e methodo.s adaptados ao clima e ás suas particularidades. 

Sob esse ponto de vista o nosso descuido principia desde o abrir a cova para 
a semente. Si quem deseja edificar uma casa esmera-se em cuidar do alicerce. 
é também indispensável que em se tratando de plantar cuide-so da base para a 
planta; e esse alicerce é a cova. Devemos abrir uma cova larga, em certa pro- 
fundidade, aterrando-a depois, até quasi meia, com terra frouxa, sem torrões; 
lançar então a semente sobro essa cova o acabar de cobril-a. Esso systema é de 
clara vantagem, porque proporciona á planta om seus primeiros dias de tenra 
germinação um solo arejado e frouxo. Accresce ainda a vantagem de guardar 
a agua das chuvas em maior abundância, e esta circunstancia só por si é de 
toda importância, pois serão menos destruidores os o Afeitos dos constantes ve- 
rões o períodos de estiagem : a planta poderá esperar mais. 

A cova larga afasta mais o matto da planta, que assim ainia poderá es- 
perar mais pela limpa. Esta limpa nunca deverá ser feita paca «escalvar» a 
terra. A terra escalvada fica sujeita aos fjrtes ardores do sol, que rapidamente 
extrahe lhe tola húmida lo. E além disso a terra da superfície é cheia do detritos, 
paues, etc, si for arredada pela limpa para o meio das carreiras, tornar-se á 
a terra mais estéril. Não arrumeis o mitto em carreiras, em leirões: espalhao-o. 
Si for possível cobrir a torra com palhas, capim secco, folhas, mais abrigada 
ficará cila dos raios solares o mais adubada estará. E' preciso acabar com o per- 
nicioso systema de cDivaras. Esses resíduos seccos que são queimados, capins, 
hervas, resto das plantas anteriores não farão mal á nova planta: são lorças 
do producção; a terra vegetal é óptima para a prosperidade da lavoura. 
Quando muito, queimeis o matto secco mais posado que possa difficultar as 
limpas. 



A LAVOURA 349 



As limpas devem ser foitas antes que o matto cresça e ao redor da cova do 
algodão, ficando os espaços das carreiras com o matto ; a terra ficará abrigada 
e não sjrá destruída preciosa forragem. 

Essas palavras, que tomamos a liberdade de vos dirigir, não tem por fim 
vos ensinar regra em vossa profissão. Observae, reparae, sede cuidadosos em es- 
tudai- vo<sa trabalho; assim vos dirigireis melhor e não andareis ás apalpadellas ; 
traballiae também um pouco para o bem geral, mandae informações úteis e pro 
vei tosas de vossas experiências. Nos achareis sempre promptos para ouvil-as e, 
em vosso nome, fazel-as chegar ao conhecimento de tolos. 

Com os cumprimentos do — M. I< . do ilonle & C.» 

Miacliinismos para a mandioca — Recebemos do Sr. Dr. Manuel de 
Albuquerque, residente em Cantagallo, uma carta em a qual commuuica-nos este 
senhor ter achado muito elevado o orçamento, que os Srs. Areus & Comp. publi- 
caram em um dos números passados d'.4 Lavoura, para machinismos para man- 
dioca. Diz-nos mais achar-se habilitado a fornecer um engenho completo 
por 2:000$, em tudo perfeitamente igual ao que os mesmos Srs. Arens & Comp. 
têm á venda. 



Descascador Eng-ellberg-— Dos Srs. F. Upton&Comp. recebemos 
earta communicando-nos a remessa do seu Catalogo C, onde se encontra o descas- 
cador « Engelberg » que, dizem-nos os mesmos Srs., é hoje grandemente ado- 
ptado cm S. Paulo. 

Uemetteram-nos ao mesmo tempo amostras de arroz e café beneficiados com 
esto descascador americano, por onde se pôde bem evidenciar a verdade da sua 



Mussu 

Na edição d'A Lavoura correspondente ao mez do outubro ultimo, publicamos 
alista de nomes de madeiras de Cananóa (Estalo de S. Paulo) cujas amostras, 
extrahidas por ordem desta Sociedade, se acham convenientemente preparadas 
no respectivo Museu. 

Substituímos agora aquella lista pela que segue abaixo, na qual não só 
seguimos a ordem alphabetica, para mais fácil consulta, como também fazemos 
o numero de ordem corresponder ao das monograpbias que temos publicado e ao 
das que continuarmos a publicar. 

1. Aleixo. 9. Arapaçu pequeno. 

2. Almecega branca. 10. » » (cerne) 

3. » vermelha. 11. Araribá amarello. 

4. Araçá de fruoto. 12. Araticun cortiça. 

5. » peba. 13. » do morro. 

6. » pyranga. 14. Aroeira branca. 

7. » vermelho do pequeno. 15. » vermelha. 

8. Arapaçu grande. U">. » » (raiz) 



SOC.IKDADB NACIONAL DE AGRICULTURA 



17. 


Bacopary. 


62. 


Caujuja vermelha. 


18. 


Baguassú. 


63. 


Cedro grande. 


19. 


Batata. 


64. 


» (raiz). 


20. 


Uatitõ-pequeno. 


65. 


Crindiúva. 


21. 


Iiotarú branco. 


66 . 


Cuayrana. 


ai . 


\. Botarú branco ( outra amostra). 


67. 


Cubatan branco. 


2i. 


Bucuhuva grande. 


68. 


» vermelho da arêa. 


23. 


Caandapuva grande. 


69. 


» » do barro. 


24. 


» pequena. 


70. 


Capiuva branca. 


25. 


Cabreúva parda. 


71. 


Espinho de judeu. 


26. 


Cabreúva vermelha. 


71 


A. Espinho do judeu ( outra amos- 


27. 


» » (cerne I. 




tra). 


28. 


Cae-e-levanta. 


72. 


Estopa. 


29. 


Cafeeiro. 


73. 


Figueira grande. 


30. 


Canuna bi*anca. 


74. 


Gracuhy do Grande. 


31. 


» roxa. 


75. 


Grão de gallo. 


32. 


Caixeta branca. 


76. 


Guabirobado matto. 


33. 


» vermelha. 


77. 


» domestica. 


34. 


Cambará Guassú. 


78. 


Guacá de onda. 


35. 


Cambuhy amarello. 


79. 


Guachichin. 


36. 


» preto . 


80. 


Guajupiroca da arêa. 


37. 


Canella amarella da arêa. 


81. 


» de folha grande. 


38. 


» » do barro. 


82. 


Guajuruvá. 


39. 


» anhuiba amarella. 


83. 


i.uanandy-carvalho. 


40. 


» catinguda. 


84. 


» cedro. 


41. 


» de veado. 


85. 


» piolho. 


4i. 


» nhojirara. 


86. 


Guapeba vermelha. 


43. 


» nhopissuma. 


87. 


Guaraparin. 


41. 


» nhumirim branca. 


88. 


Guaricica branca. 


45. 


» » vermelha. 


89. 


» vermelha. 


46. 


» nhunguvira branca. 


90. 


Guatambú da arêa. 


47. 


» Paulo Teixeira. 


91. 


» do barro. 


48. 


» sassafraz amarella da arêa 


92. 


Guayraua amarella. 


49. 


» » » áo bar- 


93. 


» branca. 




ro. 


94. 


Guriatan vermelho da arêa. 


50. 


Cangerana. 


94 A. » > do barro. 


51. 


Capororoca pequona. 


95. 


Guruguva. 


52. 


> ussú . 


96. 


Ilerva cidreira. 


53. 


» vermelha. 


97. 


Imbirussú vermelho. 


54. 


Caquera femer. 


98. 


Ingá branco. 


55. 


Caroba branca. 


99. 


Ipé tabaco. 


56. 


» roxa. 


100. 


» » 


57. 


Carvalho branco. 


101. 


» » 


58. 


» vermelho. 


102. 


Ipeuva. 


59. 


Cataya vermelha. 


103. 


.laboticabeira. 


60. 


Catiguá 


104. 


Jacarandá branco. 


61, 


Caujuja branca. 


105. 


» pytanga. 





A LAVOURA 


351 


106. 


Jacarandá py tanga, (cerne). 


136. 


Picherica-ussú. 


107. 


» rosa. 


137. 


Pimentinha. 


108. 


» roxo. 


138. 


Pindaúva parda da arêa. 


109. 


» una. 


139. 


» » do barro. 


110. 


Jacarépirana branoo. 


140. 


» vermelha. 


111. 


» vermelho. 


141. 


Pinho vermelho. 


112. 


Jaeatahuva. 


142. 


Pitaguará amarello. 


113. 


Jacatirão de flor. 


143. 


» branco. 


114. 


Limãosinho. 


141. 


Seriuva grande. 


115. 


Majaruvoca vermelha. 


145. 


Simbiuvâ. 


116. 


Mamãosinho. 


146. 


Tabueuhuva branca. 


117. 


Mandaguahu pardo. 


147. 


» vermelha. 


118. 


Maudiparana. 


148. 


Tajuba do morro. 


119. 


Mangue manso. 


L49. 


» » » 


120. 


Manguerana. 


150. 


» » sambaqui. 


121. 


Maria molle. 


151. 


Taruman da arêa. 


122. 


Maricá. 


152. 


» do barro. 


123. 


Marmeleiro do matto. 


153. 


Timbouva poça. 


124. 


Massaranduba grando. 


154. 


Urucurana branca. 


125. 


» pequena. 


155. 


» pequena. 


126. 


Mochita vermelha. 


156. 


Uvalha. 


187. 


Murta. 


157. 


Uvatinga. 


128. 


Nogueiro. 


158. 


Vamirim branco. 


1^9. 


Úleo branco. 


159. 


» ferro . 


130. 


Olho de cabra. 


160. 


» vermelho. 


131. 


Paipuna grande. 


161. 


Vapuronga. 


132. 


Papagueia vermelho da arêa. 


162. 


Vuape branco. 


133. 


Paratudo. 


163. 


» do morro. 


134. 


Páo David. 


164. 


» vermelho. 


134 A. Pão sangue. 


165. 


Vuapericica. 


135. 


Peroba rosa. 







*§&HQfr€€€€- 



NOTICIÁRIO 



Cu.ltu.va, tio tvigro — Pelo Sr. Homero Baptista foi apresentado a 
Camará dos Deputados o seguinta projecto que visa fomentar em nosso paiz a 
cultura do trigo : 

O Congresso Nacional decreta : 

Art. l.° E' concedida a qualquer synlieato ou cooperativa agrícola que cul- 
tivar o trigj asubveação annual de 15:000s (iiuiuze contos de réis). 

Art. 2.° Essa subvenção será paga em prestações trimostraes, duraute o praso 
de cinco annos. 

805á 5 



352 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Art. 3.° Somente gosará dos favores desta lei o syndicato ou cooperativa 
agrícola que provar : 

a) achar-so organizada de conformidade com a legislação vigente ; 

6) abranger a plantação de trigo uma área superior a 200 hectares ; 

c) manter na direcção da cultura de trigo um teehnico do reconhecida compe- 
tência e pratica comprovada. 

Art. -1." Quando se reunirem cinco ou mais syndicatos ou cooperativas, que 
satisfaçam as condiçõas desta lei, para o fim especial de estabelecerem campos 
de experiências e laboratórios apparelhados para o estudo de entomologia, phyto- 
patkologia, microbiologia, pbysica, chimica e meteorologia agrícolas, perceberão 
conjunctamente, e por espaço de cinco annos, a subvenção annual de 30 contos. 

Art. 5.° Ficam isentos de impostos aduaneiros as machinas e instrumentos 
agrícolas apropriados ao arroteamento e amanho da terra e á colheita e benefi- 
ciamento dos respectivos produetos ; os adubos e insecticidas, as machinas e appa- 
relhos destinados á purificação e á preparação de massas alimentícias e outros 
produetos do trigo ; as machinas e apparelhos destinados aos laboratórios, postos 
meteorológicos e campos de experiência e demais instrumentos necessários ao 
mesmo fim — quando importados para uso exclusivo dos syndicatos e cooperativas. 

Paragrapho único. Os importadores retirarão esses objectos mediante simples 
requerimentos aos inspectores das alfandegas e administradores das mesas de 
rendas. 

Art. 6.° Um anno depois de posta em execução esta lei, pi'ovidenciará o 
governo para que, nos Estados onde existam syndicatos ou cooperativas para 
cultura do trigo, sejam os seus produetos preferidos nas concurrencias publicas 
federaes. 

Art. 7.» O governo promoverá accordo com as estradas de ferro, emprezas 
de navegação e outros meios de transportes para a reducção dos fretes dos produetos 
de trigo. 

Art. s.° As associações subvencionadas em virtude desta lei são obrigadas : 

a) a prestar á Directoria Geral de Estatística e aos Ministérios da, Agricultura 
e da Fazenda as informações que lhes forem requisitadas ; 

b) a apresentar annualmente o relatório dos trabalhos executados durante o 
anno com minuciosas informações dos estudos realizados, das observações feitas e 
dos resultados colhidos ; 

c) a facilitar aos agricultores, que o solicitarem, a visita dos seus campos do 
cultura e laboratórios, prestanlodlies as informações e facultando-lhes os meios 
de adquirirem conhecimentos práticos sobre cultura do trigo. 

Art. 9.° O governo, no respectivo regulamento, estabelecerá as regras para a 
fiscalização das associações subvencionadas por força desta lei. 

Art. 10. São revogadas aí disposições em contrario. 

Sala das sessões, 10 de junho de 19J8. — Homero Baptista. — Diogo Fortuna. — 
J. Simeão Lopes. — João Abbott. 

A. estatística, da producção «los cereaes no mundo 
— Trigo — : í . 1 60 milhões de alqueires, correspondendo a 86 milhões de toneladas 
métricas : o alqueire vale litros 30,6 e pesa kilos 27,2. 

Três paizes produzem a metade dessa cifra : os Estados Unidos, 600 milhões de 
alqueires ; a Rússia, 541 ; a França, 328. Os demais paizes são, por ordem : índia, 



A LAVOURA 353 

286; Itália, 159; Allemanha, 128 ; Hungria, 120; Hespanha, 115 ; Argentina, 101 
milhões do alqueires. 

Milho — 2.896 milhões do alqueires ou 73.500.007 toneladas métricas. Só os 
Estados Unidos produzem 2.286 milhões de alqueires. 

Aveia — 3.371 milhões de alqueires ou 49 milhões de toneladas métricas : Es- 
tados Unidos, 871 milhões de alqueires ; Rússia, 825 ; Allemanha, 494 ; França, 
208 ; Canadá, 204; Austria-Hungrii, 190. 

Conteio — Mais da metade e produzida pela Rússia : 890 milhões de alqueires ; 
Allemanha, 372. 

Cevada— Rússia, 197 milhões de alqueires; Allemanha, 145 ; Estados Unidos, 
114; Japão, 80. 

Arroz— China, 24.500.000 toneladas metr.cas; índia, 21.700.000. A producção 
mundial é quasi igual a do trigo. 

Alpiste — índia, 542 milhões de alqueires ; China, cere i de 500 milhões ; Rús- 
sia da Europa, 78 ; Rússia da Ásia, 45 ; .lapão, 12 ; Estados Unido?, 5 milhões de 
alqueires. 



Segundo uma recente communicação apresentada a Sociedade Nacional de 
Agricultura da França, vende-se em Vienna o leite puro por 20 cêntimos o litro. 
Em Paris, compram no por 20 cêntimos o litro os vendedores á retalho e dão-no ao 
consumo por um preço que varia do 25 a 40 cêntimos. Em Berlim, o preço inva- 
riável ó de 20 cêntimos o litro. O exemplo que oíferece Londres é ainda mais sur- 
prehendente. Nessa cidade, com uma população de cerca de 6.000.000 de habitan- 
tes e onde se dá actualmente uma crise de leite, originada não por escassez, mas 
por não quererem os retalhistas pagar alguns cêntimos mais exigidos poios proprie- 
tários de estábulos, ha grandes difflculdades do abastecimento ; mas ainda assim 
retalha-se o artigo na razão de 40 cêntimos o litro, preço este alli considerado 
exorbitante ! 

Aqui, no Rio de Janeiro, o litro de leite custa 600 réis e mais !. . . 



Empregando os cactos para alimentação do gado, transformaram os americanos 
esse ílagello de suas planícies em um precioso recurso. Diz o Journal <V Agriculture 
Tropicale, que, depois quo a attenção se volvou para o; empregos novos do álcool 
desnaturado, pensa-sa em aproveitar o cacto como produetor do álcool. Parece 
mesmo que vae adianta la essa tentativa e com resultados satisfactorios, visto como 
em certos pontos do Texas occidontal, já se começa a trabalhar com alambiques 
portáteis . 



Segundo informa o Financial Xews, organiza-se um syndicato para crear no 
Brazil uma empreza de exportação de gado. E' excellente essa idéa, diz o Messar/er 
de São Paulo, pois que a Inglaterra mania buscar carneiros e mais gado em navios 
frigoríficos, que effectuam a viagem da Nova Zembla á Inglaterra, ou três vezes 
mais a distancia que a separa do Brazil e estamos persuadidos qu3 o Governo Fe- 
deral tem o maior interesse cm facilitar a installação de semelhantes companhias. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Não só a creação dessa nova exploração agrícola servirá para augmentar o com- 
mercio de exportação, como desenvolverá o consumo interior do paiz, que sente 
falta do carno fresca, especialmente os Estados do norte do Rrazil, como o Pará e 
o Amazonas, que importam grande quantidade de carno sccca da Republica Argen- 
tina. 



Em um artigo publicado na Reforme Sociale, estuda o Sr. Dufourman- 
telle o credito agrícola na França, na Allemanha, na Itália e na Hungria : 

« Foi a Prússia, diz elle, o foco de onde sahiu a idé i primeira do credito 
cooperativo, de que é a Allemanha a terra clássica e o mais rico centro do expan- 
são. Na Itália, ura sopro poJeroso de solidariedade social vivifica todas as asso- 
ciações agrícolas ; na Hungria, as associações federadas se substituem progressiva- 
mente á acção do Estado. Na França, data de 1889 o despertar da idéa do credito 
cooperativo. A iniciativa particular contribuiu para isso, ao mesmo tempo que a 
intervenção financeira do Estado, pondo á disposição das caixas regionaes do 
credito agrícola adiantamentos temporários e gratuitos. Resta, porém, completar a 
obra, inspirando ás populações ruraes as medidas a realizar pola organização das 
federações e pelo emprego sabiamente comprehendido dos recursos e das economias 
locaes . » 



Na adubação do fumo, o azote facilita o contribuo para o desenvolvimento 
da folha. Um excesso de azote ó prejudicial, porque retarda a maturação e faz 
elevara porcentagem de nicotina. 

O acido phosphorico é indispensável na adubação do fumo, como nas difforentes 
culturas, mas a sua acção não está estudada : é apenas reconhecido que basta 
empregal-o em quantidades moderadas. 

Os saes do potassa são de grande importância na cultura do fumo. A potassa, 
tanto ou mais do que o azote, contribue para o devido desenvolvimento da folha e 
além disso tem uma influencia directa na combustibilidade do fumo. O chlorureto 
de potássio diminue as condições da combustibilidade ; ao passo que o sulfato de 
potássio a facilita; pelo que na adubação do fumo é indispensável o seu emprego. 

Os elementos fertilizantes preferíveis para adubação do fumo são : nitrato de 
sódio, phosphato de cal e sulfato de potássio. 



Acaba de realizar-se, dizem os jornaes europeus, o fabrico de lã, graças á 
agua do mar. Os resultados obtidos têm sido estupendos e maravilhado ainda aos 
mais scepticos. ii' obtido esse têxtil pela precipitação de soluções cellulosicas pela 
agua do mar. A cellulose encontra-se em toda a parte e a agua do mar nada 
custa. Assim, pois, póde-se fabricar facilmonta esse novo têxtil, que se presta a 
ser fiado do mesmo moio que o algodão ou a lã. 



Segundo o Móis Colonial et Maritime, o commercio da juta, nestes últimos tem- 
pos, tem tido considerável incremento. A Inglaterra, a Allemanha, os Estados 



A LAVOURA 355 



Uaidos, a Áustria e a Itália empregam grande quantidade desse têxtil, que mandam 
vir de Bengala, onde cultiva-se a maior parto da juta empregada no mundo. Na 
França, a industria da juta faz viver a cercado 30.000 pessoas e do 82.056 tone- 
ladas ora 1898, a quantidade da juta importada o empregada no consumo subiu 
a 118.911 toneladas em 1902, a 72.000 cm 1903, a S7.164 em 1904 e a 97.360 
em 1906. 



O girasol é cultivado era certos paizes para usos industriaes, especialmente 
na Rússia, nas províncias do norte e do caucaso. Das semontes extrahe-so um 
óleo que serve para o fabrico do sabão e mesmo como óleo do cosinha. As hastes 
e as folhas são incineradas para estrahir-se a potassa. Em 1907, as cinzas do girasol 
renderam, nas 24 fabricas do Cáucaso, 15.030 toneladas de potassa. 

Saloxo — Acha-se exposto no pavilhão da Sociedade Nacional de Agricul- 
tura o «Saloxo» sal especial para gado. Este sal é um sal desnaturado, destinado 
unicamente ao consumo do gado bovino, lanígero e cavallar. E' preparado com o 
sal gemma húngaro, o mais puro até hoje conhecido, com addicionamento de 
oxydo de ferro vermelho e de pós de losna, sendo este preparado absolutamente 
inuocuo, como está provado pelas experiências praticas feitas em estabelecimentos 
zootechoicos do Governo Hungaro, manifestando ao contrario propriedades apperi- 
tivas e digestivas na boa alimentação dos animaes. Folhetos cora demais infor- 
mações acharão os interessados juntamente com o produeto exposto no pavilhão 
da Sociedade Nacional de Agricultura. 



PARTE C0MMERCIAL 



Agosto ds 1908 



Café 

Venderam-se 17H.000 saccas contra 13S.000 no mez anterior. 

Entraram 887.287 saccas contra 240.761 saccas no mez anterior. 

Os embarques foram : 233 171 saccas contra 190.793 no mez anterior. 

Existência em 15 de agosto: 325.942 saccas; em 31 do agosto: 331.320 saccas. 

Os extremos das cotações foram : 

í» quinzena 

Por arroba Por 10 kiloa 

Typo n. 6 5$500 a 5$600 3$744 »2|813 

> » 7 5$100 » 5J200 3$472 > 3*540 

» » 8 4$800 » 5$900 3$268 » 3$336 

» > 9 4$500 » 4$600 3$064 > 3$132 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



2* quinzena 

Por arroba Por 10 kllos 

Typo n. 6 5$500 a 5$700 3$744 a 3$881 

» » 7 5$ 100 > 5$300 3$472 » 3$608 

» » 8 4$800 » 5$000 3$268 > 3$404 

» » 9 4$500 » 4$700 3$064 » 3$200 

Em Nova York, o typo 7, disponível, foi cotado a 5 "/ 18 c. por libra, e o da 
Santos a 7 5 / 16 c - durante todo o niez. 

Na Bolsa os seguintes preços registraram-se: 5.05 c. em 1, 11, 12 ln, 20 o 31 ; 
5.60c. em 3, 6, 7, 8, 10, 13, 14, 15, 17, 18, 21, 22 e 29 ; 5.55 c. em 4, 27 e 38; 
5.50 c. em 5, 24e26. 

Entradas no Rio de Janeiro, detalhadamente : 

!"■ quinzena 

Saooas 

Estrada de Ferro Central do Brazil 52.26N 

Cabotagem 4.141 

Barra dentro 69.539 

Total 125.949 

2' quinzena. 

Saooas 

Estrada de Ferro Central do Brazil 56.336 

Cabotagem 5.728 

Barra Dentro 99.274 

Total 161.338 



Géneros importados 



Qualidade 

Carne secca 



Quantidade 

28.832 fardos: 



i a quinzena 

Rio Grande (systema antigo) Não ha 

Dita (systema platino) nova $660 a $720 

Rio da Prata, nova, patos o mantas $660 » $760 

Ditas idem, manta só $700 » $800 

2 & quinzena 

Rio Grande (systema antigo) Não ha 

Dita (systema platino) nova $660 » $720 

Rio da Prata, nova, patos o mantas $680 » $740 

Ditas idem, manta só $760 » $820 

Farinha de trigo . . . 19.800 barricas .... — 



í a quinzena 

Americana (barrica) Não ha 

> (secca) » » 

Rio da Prata: 

Por 2 saccas 

Primeira qualidade 23$5oO 

Segunda » 22$õ00 

Terceira » 21$500 

Moinho Ingloz: 

Nacional 23$500 

Brazileira 22$700 

Buda-Nacional 24$700 

Moinho Fluminense: 

S. Leopoldo 24$000 

O. O ... • 23$000 

2» quinzena 

Americana (barrica) Não ha 

» (secca) » » 

Rio da Prata: 

I>or 2 saccas 

Primeira qualidade 24$000 

Segunda » 23$000 

Terceira » 22$000 

Moinho Inglez: 

Nacional 23$500 

Brazileira 22$700 

Buda-Nacional 24$700 

Moinho Fluminense: 

S. Leopoldo 24$000 a 24$500 

O. O 23.$O0O > 23$500 

í* quinzena 

Manteiga — 517 caixas : 

Demagny, Isigny (latns sortidas) 2,$500 a 2$550 

Brétel Frère3 (latas sortidas) 2$200 > 2$240 

Lepelletier 2$470 > 2$480 

Modesto Qallone (sortidas) 1$850 > 1$950 

Esbousen Não ha 

L. Brum 2$500 a 2$550 

Buske Juniur 2$350 » 2$360 

Marclet 2$200 > 2$220 

Outras maroas 1$800 > 2$000 

A nacional vendeu-se: a de Minas, de 3$2O0 a 3$500 e a do Sul, de 2$400 
a2$700. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



2* quinzena 

Demagny, Isigny (latas sortidas) 2$540 a 2$550 

Brétel Frères (latas sortidas) 2$220 » 2$250 

Lepelletier 2$470 > 2$480 

Modesto Gallono (sortidas) 1$850 » 1$950 

Esbousen 2$500 » 2$5?0 

L. Brum 2$340 » 2$550 

Buske Júnior 2$350 » 2$360 

Marclet 2$200 > 2$220 

Outras marcas 1$80) » 2$000 

A nacional vendou-so: a do Minas, de 3$000 a 3$400 e a do Sul, de 2$400 a 2$700. 



Géneros nacionaes 



Aguardente 



Houve grandes as entradas da quinzena, pjis reflectiram muito na segunda, 
registrando grande baixa nos preços. 



/» quinzena 
As cotações por pipa de 480 litros, base de 20 grãos, regularam as seguintes: 

Preços 

Paraty 190$000 a 198$000 

Angra 180$000 > 185$000 

Campos 165$000 » 170$000 

Maceió K '«$000 » 170$000 

Bahia 165$000 > I70$000 

Pernambuco 105 $000 > 170$000 

Aracaju lfõ$000 » 170$000 

Sul 165J000 » 170$000 

2' quinzena 

Paraty 165$000 a 175J000 

Angra 155&000 » I60$000 

Campos 145ÍO00 » I50&000 

Maceió 1459000» 150$000 

Bahia 145$000 » 150?000 

Pernambuco 145$d00 » 150$000 

Aracaju 145|000 » 150j000 

Sul 145-;O0O » 150$000 



A LAVOURA 



^Vlcool 

No principio do mez o ra srcado o iservou-se Armo, tendo sido regulares as en- 
tradas, fechando frouxo para o 8m do mez, como abaixo damo?: 

í» quinzena 

P cecos 
40 gráos 290$000 a 300$000 

» <!7li;00:J > 280$000 

3<i > 260|000 > 270$000 

-'" •!•■•> 

40 ;ráos 230$000 a S90j 

> 260$000 9 270ÍOOO 

•■ 25OJO00 » 26 i$000 

A.ls,o<l£lo em i-ítiiiíi 

lei ' íi iu ■ baixa 'In more ido, na l 1 quinzena, devido ás noticias desfa- 
voráveis de Liverpool, continuando na segunda quinzena, havendo, porém, alguma 
estabilid ide i 1 fechar o moz. 

Prin 
Entradas : 

Parahyba 1.794 

Natal 1.100 

Pernambuco 117 

Mossoró 304 

Ceará 235 3. 85.'; 

24.483 

las dos trapiches 5.339 

Existência no dia 31 19.144 

Preços : 

Pernambuco 9$0Q0 a 9$800 

Parahyba 9$000 » 9$600 

Ceará 9$700 » 10|000 

Penedo Nominal 

Sergipe Nominal 

Maranhão Nominal 

Segunda quinzena 
Entradas : 

Parahyba 

Pernambuco 1.300 

Mossoró 1-051 

Natal 800 

Piauhy ■'' 

Assú 320 

MaranMo 

26.545 
8052 ,; - 



SOCIEDADE NACIOXAL DE AGRICULTURA 



Saliidas dos trapiches 5.912 

Existência no dia 15 20.633 



Preços : 

Pernambuco I0J030 a U$000 

Parahyba 9$600 » llsOOO 

Ceará 9$<500 > 11$0 

Penedo Nominal 

Sorgipe Nominal 

Maranhão Nominal 

Assucar 

Nullos foram os negócios o os compradores do todo o me/, conservando-sc 

estes quasi que numa posição do espectativa diante das volumosas entradas do 
Campos, sendo o preçj do quisi tod-is as quilidades fixado na 2 a quinzena. 

Primeira quinzena 

Os preços regulam como se segue : 

Pernambuco : 

Branco usina — — 

Dito crystal $500 a §520 

D,to 3' sjrta $500 » $520 

Crystal amarello $440 » $450 

Mascavinho $400 » $450 

Somenos $420 » $430 

Mascavo loi: $345 » $350 

Dito regular $340 ^ $345 

Dito baixo $3:% » $335 

Sergipe : 

Branco crystal $500 a $520 

Mascavinho $420 » $450 

Mascavo bom $345 » $350 

Dit) regular $340 » $345 

Dito baixo $330 > $335 

Cimpot : 

Branco crystal $520 a $540 

Dito 2» jacto $500 » $510 

Crystal amarello $400 » $470 

Mascavinho $420 » $4f,o 

Bahia : 

Branco crystal $510 a$520 

Dito 2" acto — — 

Mascavinho — — 

Ouir is procedências: 

Maícavinho — — 



A LAVOUKA 



Segunda quinzena 

Os preços regularam como so seguo : 

Pernambuco : 

Branco usina — — 

Dito crystal $500 a $520 

Dito 3 a sorte $-.00 » $520 

Crystal amarello $420 > $440 

Mascavinho $410 » $440 

Somenos , $420 » $430 

Mascavo bom $340 » $350 

Dito regular $330 » $335 

Dito baixo — $320 

Sergipe : 

Branjo crystal $500 a $520 

Mascavinbo $400 » $450 

Mascavo bom $340 » $350 

Dito regular $330 > $335 

Dito baixo — $320 

Campos : 

Branco crystal $530 a $540 

Dito 2" jacto $480 » $500 

Crystal amarello $450 » $160 

Mascivinno $390 » $400 

Dahia : 

Branco crystal $510 a $530 

Dito 2° jacto — — 

Mascavinbo — — 

l )utr ■ ;<< oceá 

Mascavinho — — 

Cereaes 

Regularam os preços : 

Saccos 

Feijão preto de Porto Alegro, novo . . . Nominal 

Dito idora da Terra Nova 10$000 a 10$500 

Dito idem de Santa Catbarina Nominal 

Dito do Paraná Nominal 

Dito mulatinho Nominal 

Dito manteiga !8$000 a 20$000 

Dito enxofro 12sOOO > I3$000 

Dito de cores, nacional . 7$00) » KB000 

Dito branco, estrangeiro 20$000 > 2I$000 

Dito amendoim, ubm 1S$500 » 20.000 

Farinha de mandioca, espocial 10$000 » 10$500 

Dita idem, fina í>$000 » 9$500 

Dita idem, peneirada f$'00 » 9$000 

Dita idem, do Norto — — 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Farinha do mandioca, grossa, Laguna . . . 6$600 a 0$800 

Dita idem idem, Porto Alegro 6$400 » 6$600 

Arroz nacional 23$00i l 

Dito inferior ]6$000 » 20$000 

Milho amarello do Norto Não lia 

Dito idem da torra 7$300 a 7$500 

Dito misturado, idem 6$800 » 7$000 

Amendoim em casca 8$0f!0 » 9$000 

Cangica 15*000 > 10$000 

Favas 8$000 » 8$500 

Kilogramma 

Alpiste $360 a $380 

Batatas nacionaes $180 » .$200 

Dita estrangeira Nominal 

Fubá do milho $130 a $200 

Matte em folha $4no » $500 

Tapioca $360 » $400 

Polvilho $180 » $?<)0 

Carne do porco $6*0 » $'''40 

Línguas do Rio Grande (uma) 1$000 » 1*200 

Ce boi las do Rio Grande (cento) 4$000 > 4$200 

Fumo em í-ôlo 

Preços 

Do Minas, especial [$600 

Dito superior ISlOO 

Dito 2 a " 1$200 

Dito ordinário ]$000 

Goyano, superior "$100 

Dito 2» 1$700 

Baixo Nom. 

Rio Novo, superior 

Dito 2' 1$800 

Dito baixo 1$000 

Pomba, superior l$'50O 

Dito 2 a 1$200 

Dito baixo Nora. 

Carangola 1$400 

Picú, especial 2$000 

Dito I a 2$000 

Dito 2* 1$000 

Bahia ■ 1$I00 

Poma ubuco Não ha 



Sul 



Entraram 7.676. 
2$400 por 40 litros 



kilos por cabotagem, do nacional, que se cotou de 2.$200 



A LAVOURA 



Msrcado monetário 

Existência de ouro na Caixa do Conversão : 

EM 15 DE AGOSTO 

Libras esterlinas 5.403.2&5 

Francos 10.396.470 

Dollars 127.935 

Liras 440 

Pesos argentinos 2.750 

Marcos 10 ° 

Ouro nacional 148:870$000 

EM 31 DE AGOST > 

Libra-; esterlinas 5.375.870 

Francos 10.378.150 

Dollars 128.235 



Liras. 



argentinos 



120 

2.450 



Ouro nacional 150:540$000 

A importância do notas conversíveis em circulação era 93.760í420$000. 
O preço dos soberanos, fura da Bolsa, foi de |6$025. 

CAMBiO 

As taxas offlciaes continuaram a manter-so inalteradas, a 15 1/8 d. sobre 
Londres nos bane )S estrangeiros o 15 3/16 d. no Banco do Brasil . As trafisaci ões 
bancarias fizeram-se a esses extremos e as do outro papel de 15 5/32 a 15 3/16 d., 
não .-e registrando movimento digno de notv 
Os extremos das cotações offlciaes foram : 

Londres, 90 d/v 15 1/8 e 15 3/16 J. 

Paris, 90 d/v 

Hamburgo, 90 d/ v £776 » "'■> 

Portugal, 3 d/v 318 » 325 

Itália, 3 d/v $63á* $039 

Nova York, á vista 3$288 » 3$3I0 

Vales, ouro — 1$793 

O valor official do mil réis foi de 560 a 563 réis, ouro. e. ó da libra do 15$í>03 a 
15$868. 

Ágio de ouro 77,77 a 78, 51 



£££*35N««€ 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



BIBLIOGRAPHIA 



Recebemos mais as seguintes publicações periódicas, com as quaes permu- 



to Riaista Verde, órgão do Iustituto Internacional de Agricultura, de Roma. 
—Anno IV, ns. 6 e 7. 

Iahresbericht der Kãniglichen Lamhoirtschaftlichen líochschule in Berlin.— 
Anno XVI. 

Revue de Viticulture.— Anno 15», tomo XXX, n. 764. 

Universttd Çommerciale Luigi BoccoH. — Annuario do anno escolar 1907— 1908. 

Bolleltino delia Arboricultura Italiana — Anno IV, I[ trimestre. 

The Journal of the College o/ Agriculture Tohohu Imperial Unieersity, de 
Sapporo (Japão).— Vol. 111, part. I. 

Revista da Acuhmvi <'r irense. — Tomo XIII, 1908. 

Annaes da Bibliotheca e Archico Publico do Porá.— Tomo sext >. 

Temos ainda a registrar com os nossas agradecimentos o recebimento dos 
seguintes trabalhos : 

O Estalo Moderno e a Agricultura, p;Io Sr. D". A. Gomos Carmo. Rio de 
Janeiro, 1908. 

Interesses Económicos da Lavoura pelo Sr. Ur. João do Carvalho Borges 
Júnior. Rio do Janeiro, 1908. 

Pequeno Conselheiro Pratico de Horticultura. Publicação do Centro de Expe- 
riências Agrícolas do Kalisyndikat. 

Flora Têxtil do Paraná pelo capitão Domingos Nascimento. Curityba, 1908. 

Exposição Nacional de Í908. Catalogo gerai do EU ido de S. Paulo. 

Asociaciân Rural dei Uritguay — Reglamtnlo — Programa ds la Expostcion 
Nacional Anual de Animais à Galpon a cii ibrar-se em Montevi léo em 190S. 

Manurial Experimenls wit\ Sugar Cant .ithe Leeioard Islands, 1906-1907. — 
Publicação do Imperial Department of Agricultura for ihe West Indies. 

Estatística Ag ricofr. e Zootechnica no Anno Agrícola de 1904-1905, do Espirito 
Sant i do Turvo, Una, Pereira e Boa Vi4i das Pedras. 

i A rALOGOS 

Catalogue dei Oaerages sur les Cuítures Coloniales et les Productions des 
Colonies. Augustin Chillamíl, 17, rui Jacob, Paris, 190?. 

The Blgmyer Iron Works Company. Muhinas modernas para o serviço geral 
das fazendas de canna, café e arroz ; installações do motores, eta. 

Caldeiras de vapor. Catalogo illustrado n. 1.141. São únicos agentes dos fabri- 
cantes Ruston, Proctor & Comp., limitod, Lincoln, Inglaterra, no Rio do Janeiro, 
os Srs. Victor Islaender & Comp. 

Machinas a vapor. Bombas ceotrifugas, elevador ss e cabrestantes a vapor, 
motores a petróleo « Ruston ». Catalogo illu-traio n. 1.148, da fabrica Ruston, 
Proctor & Comp., limited, Lincoln. 

Machinas para plantações, Catalogo illustrado n. 1.1-17, Ruston, Proctor & 
Comp., Lt., Lincoln. 

Eaage & Schmidt. Catalogo de Flores, plantas e sementes para 190^. 



le Janeiro — Imprensa Nacional — 1908 



ESTATUTOS 



CAPITULO II 

DOS SÓCIOS 



Art. 8.° A sociedade admitte as seguintes categorias de sócios : 

-'i ■:-- eifectivos, o >rrespondentes, honorários, beneméritos e associados. 

§ i.° Serão sócios elíectivos todas as pessoas residentes no paiz que forem 
devidamente propostas e contribuírem com a jóia de 15$ e a annnidade de 2o$ooo. 

s 2." Serão sócios correspondentes as pessoas ou associações, com residência ou 
sede n< 1 extrangeiro, que forem escolhidas pela Directoria, em reconhecimento dos seus 
méritos e dos serviços que possam ou queiram prestar á sociedade. 

§ 3.° Serão sócios honorários e beneméritos as pessoas que, por sua dedicação e 
relevante- ... - tenham tornado beneméritos i lavoura. 

§ 4. Sei io associadas as coi .r.içõe : iracter oflicial e as associações agrícolas, 
filiadas ou confederadas, jue contribuírem c a jóia le 30$ e a annnidade de 5o$ooo. 

- 5." < )s socins eifectiviK e 1 >s associados poderão se remir nas condições que forem 
preceituadas no regulamento, não devendo, porém, a contribuição lixada para esse fim 
ser inferior a dez (10) annuidades. 

Art. o.° Os associados deverão declarar o seu desejo de comparticipar dos tra- 
balhos da sociedade. ( >s demais sócios deverão ser propostos por indicação de qualquer 
sócio e apresentação de dois membn >s da 1 lirect. iria e ser acceitos por unanimidade. 

Art. 10. Os sócios, qualquer que seja a categoria, poderão assistir a todas as 
reuniões sociaes, lisjutmdo e propondo o que julgarem conveniente; terão direito a 
todas as publicações 1 sociedade e a todos os serviços que a mesma estiver habilitada a 
prestai-, in;e, cadentemente de qualquer contribuição especial. 

§ [." Os associados, por seu caracter de colectividade, terão preferencia para os 
referidos serviços e receberão das publicações da sociedade o maior numero de exem- 
plares de que esta puder dispor. 

§ 2.0 O direito de votar e ser votado é extensivo a todos os sócios; é limitado, 
porem, para os associados e sócios correspondentes, os quaes não poderão receber votos 
para os cardos de administração. 

.5. 3." 1 is sócios perderão somente seus direitos em virtude de expontânea renuncia 
ou quando a asscmbléa geral resolvei' a sua exclusão por proposta da Directoria. 



REGTJLAJVTEJMTO 



CAPITULO VI 

DOS SÓCIOS 

Art. 18. A sociedade prestará seus serviços de preferencia aos sócios e associado 

quando estiverem quites com ella. 

Art. iq. A jóia deverá ser paga dentro dos primeiros três mezes após a sua 
acceita :ã 1. 

Art. 20. As annuidades poderão se pagas por prestações semestraes. 

Art. 2t. tis sócios e os associados se poderão remir mediante o pagamento das 
quantias de 200$ e 0$, n sp etivamente, feito de uma só vez e independente da jóia, 
que devera- pagai e n .i.i!. ■ c iso. 

Art. 22. 11- sócios e issociados não poderão votar, nem receber o diploma, sem 
terem pago a respectiva jóia. 

§ i.° O sócio que tiver pago a jóia e uma annnidade, poderá remir-se mediante 
.1 apresentação de 20 sócios, desde [uc estes tenham igualmente satisfeito aquellas 
contribuições. 

§ 2. Para asse elTeito o sócio devera requerer á Directoria, provando seus direitos 
nos termos d<> paragrapho anterior. 

.; 3. Serão considerados beneméritos os sócios que fizerem donativos á sociedade, 
a partir da quantia de um conto de réis. 

Art. 23. Para que os sócios atrazados le duas annuidades possam ser considerados 
resignatarios, nos termos dos Estatutos, é preciso que suas contribuições lhes tenham 
-1 i" --licita ia- poi escripto, ale três me/e- antes, cabendo-lhes ainda assim o recurso 
para o conselho superior e para a asscmbléa geral. 



m 






<r- 



PAVILHÃO DA SOCIEDADE 




I .Matua de < 'civs 




/ ^ííçí«*ÍÍ€€€*«í*í*$*SÍ€*5*S*^S*í^*^5Í**^**5^ 



V 



Anno XII — N. 



Rio db Jansiro 



Setembro db 1908 







SlIEIllfclÉl 

de Âgpieutiupa 



w 






EXPOSIÇÃO NACIONAL DE 1908 




Capital Fed< 



Jardim de plantas industriaes da Sociedade 

ss VIRIBUS UNITIS «« 



BRAZIL 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Fundada em 16 de janeiro hr [897 

Caixa-postal, 1245 Sede: Ruas da Alfandega n. 108 

Endereço Telegrapkico, AGRICULTURA e General Camará n. 127 

Telephone n. 1416 rio dr jansiro 

OI KR OTO III A. 

Presidente — Dr. Wencesláo Alves Leite de Oliveira Bello. 

1° Vice-presidente — Vago. 

2 o Vice-presidente - Dr. Sylvio Ferreira Rangel. 

3 o Vice-presidente — Dr. Domingos Sérgio de Carvalho. 

Secretario Cerai — Dr. Heitor de Sá. 

etário Dr. Francisco Tito de Souza Reis. 

2 o Secretario — Dr. Benedicto Raymundo da Silva. 

3 o Secretario — Dr. José Ribeiro .Monteiro da Silva. 

l Secretario — Alberto de Araújo Ferreira Jacobina. 

1" Thesoureiro — Dr. João Pedreira do Couto Ferraz Júnior. 
2° Thesoureiro — Carlos Raulino. 

Directores das Secções 

Fazenda de Santa .Mímica Dr. Sylvio Rangel. 

Applicações do Álcool e .Museu Dr. Benedicto Raymundo. 

Secção Technica e Bibliotheca Dr. Heitor de Sá. 

Plantas e sementes e Horto da Penha . . Dr. Monteiro da Silva. 

Propaganda e estatística Alberto Jacobina e Carlos Raulino. 

Secretaria Dr. Souza Reis. 

Thesouraria Dr. Pedreira Júnior. 

Oollaboração 

Serão considerados collaboradores não só os sócios como todos que quizerem ser- 
vir-se destas columnas paia a propaganda da agricultura, o que a redacção muito 
agradece. A lista dos collaboradores será publicada annualmente com o resumo dos 
trabalhos. 

A redacção não se responsabilisa pelas opiniões emittidas em artigos assimilados, e 
que serão publicados sob a exclusiva responsabilidade dos autores. 

Os originaes não serão restituídos. 

As communicações e correspondências devem ser dirigidas á Redacção d' A LA- 
VOURA na sede da Sociedade Nacional de Agricultura. 

A LAVOURA não acceita assignaturas. 

E' distribuída gratuitamente aos sócios da Sociedade Nacional de Agricultura. 

Condições <la publicação «los annuncioa 

VEZES MEIA PAGINA UMA PAGINA 

I I2$OO0 2O$0OO 

3 30$ooo 5o$ooo 

6 MOVIDO 

12 oo$ooo i-oljjooo 

Os annuncios são pagos adeantadamente. 

Tiragem 5.000 exemplares 



SUMMARIO 

PAGS. 

Fxposição Nacional 36- 

le Nacional de Agricultura na Exposição Nacional'. 308 

A Pecuária in Exposição ' j-e 

Algumas madeiras e veiretaes úteis do Brazil ...... 382 

O azote ^86 

Expediente \ , g 6 

Noticiário ...'.' 407 

Parte Commercial 411 

Bibliographia 42? 



Anno XII - N. 



Rio de Janeiro 



Setembro de 1908 



EDITORIAL 



Exposição Nacional 

JARDINS ORNAMENTAL E DE PLANTAS INDUSTRIES 

No jardim de plantas industriaes fronteiro ao Pavilhão da Sociedade, 
ao lado de varias plantas te.xtis estro, muitas fructeiras, oleaginosas, gom- 
miferas e especiarias. 



LIBRARY 
NEW YORK 
BOTANICAL 

UAROBN. 




Caramanchão He Orclii(le;is 



A piteira (Fourcroya gigantea, Vent) está bem representada por typos 
robustos e vigorosos ; o sisal (Agave rigida sisalana) e a outra espécie 

8724 ! 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



denominada henequem (Agave rígida elongata) esião patentes, o pri- 
meiro sem espinhos nas folhas, ou somente no ápice, e o segundo com 
bastantes espinhos nas bordas das folhas. 

A distincção principal de uma e outra espécie está justamente na 
ausência e existência de espinhos . 

A sansevieria, tão rica de fibra, e vulgarmente conhecida pela deno- 
minação de «rabo de lagarto» é uma planta muito industrial que precisa 
ser bem conhecida. 

A sua cultura é uma necessidade em todo o paiz, pois suas fibras 
já teem boa cotação nos mercados da Europa, onde são conhecidos por 
linho negro. 

Sansevieria Guincensis é a melhor espécie, já cultivada nos jardins, 
como planta ornamental. 

Logo em seguida está um typo de Bromelia lagenaria que é o gravata 
de rede, ou croá do sul. 

A sua riqueza têxtil é conhecida, e pelo comprimento de 0,80 a 
1 metro de suas fibras, muito macias e resistentes, constitue uma planta 
jmmensamente industrial. 





l \ 











Mosaicultura — A Jarra 

Dando um corte apenas no primeiro anno, dessa época em diante 
pode ser feito de seis em seis mezes. 



A LAVOURA 367 

Um outro tufo é de género Bilbergia também muito têxtil. 

Cozidas as folhas em uma solução alcalina, as fibras que se obteem 
sao iguaes á própria seda, tal a sua brandura ao tacto, seu brilho e com- 
primento. 

E 1 um gravata abundante em todo o paiz,que vive sobre os arvoredos 
e sobre as rochas. 

Mesmo em Copacabana encontra-se em abundância. Plantas gom- 
miferas ha a Hevea Brasiliensis— a seringueira — a maniçoba (Manihot 
Glaziovii) do Ceará e Jequié, que são as duas principaes quali- 
dades. 

O Caúcho (Castiloa elástica), a Landolphia Senegalensis e a Man- 
gabeira (Hancornia speciosa) . 

Fructeiras ha uma variedade enorme, desde as melhores da Europa 
até o nosso genipapo (Genipa Brasiliensis); 81 qualidades. 

Café de diversos typos e procedências, 1 2 espécies ; chá da índia 
(Thea Chinensis), Congonha (Ilex), Matte (Ilex Paraguayensis), Cacáo 
(Theobroma cacáo), Canna de assucar (saccharum officinarum), 4 espécies ; 
são plantas económicas de muito valor industrial. Sobretudo a primeira 
que constitue a mais importante riqueza do paiz. 




Paineiras diversas, 
o Ricinus Communis - 



paineiras industriaes e plantas oleaginosas como 
a mamoneira ou carrapateiro. 



S')i:iKIUDU NACIONAL DK AGRICULTURA 



Bromelias ornamentaes em muitas espécies, 3o, cada qual mais ele- 
gante em seu porte e diversidade de cores desde o róseo vivo até o 
branco de mármore. 

Uma notável collecção de orchideas com mais de cem espécies, dis- 
posta em um caramançhel, ao lado do jardim ; 1 200 exemplares . 

Outras plantas ornamentaes como as Marantas, Heliconias, Pipero- 
mias, Gloxinias, Amaryllis, Griffinias, Adianthum, Splenium, Philo- 
dendrom, etc. estão em profusão, ostentando sua roupagem de gala. 
Alli, naquelle estreito espaço está bem patente uma amostra de nossas 
bellezas naturaes ; e, se desse, então, o sombrio das selvas e a humidade 
e calor de suas entranhas, que successo não se conseguiria com as va- 
riedades de cores das folhas e o explendor do colorido das flores ! 

No jardim propriamente dito ornamental, que cerca o Pavilhão, bem 
delineados canteiros repletos de lindas e raras flores. O que attrae mais 
attenção são 05 espécimens de mosaicultura cobertos de trevos e únicos 
que se apresentaram nos diversos jardins da Exposição. 

O extraordinário de suas formas chama logo a attenção do visitante, 
que na verdade se admira do conjuncto tão bem esboçado. 

Taes são os principaes relevos da parte externa do Pavilhão da 
Sociedade Nacional de Agricultura, na Exposição Nacional de 1908. 

Se não houve brilho bastante não foi por falta de boa vontade, de 
esforço e de trabalho da commissão, que fez todo o possivel para cumprir 
o seu dever. 



Dr. Monteiro da Silva. 



A Sociedade Nacional do Agricultura na Exposição Nacional 
de 1903 

A muitos terá parecido extranha a ousadia desta Sociedade em 
se apresentar á Exposição Nacional de 1908, em pavilhão especial e 
com exhibição sua. 

Esse arrojo teve inicio em honrosissimo convite feito pelo illustre 
Ministro da Industria, o Exm. Sr. Dr. Miguel Calmon. 

A directoria hesitou muito em acceital-o, ante a tremenda respon- 
sabilidade que teria de assumir. 

Não lhe fora confiada a organisação da secção agrícola daquelle 
certamen, secção que, pelo regulamento, não existiria de facto, frac- 




Caramanchel de orehideas á entrada do Museu A.gri 




Mostruário de artefactos de fibras 



A LAVOURA 3>9 

cioaada como devia ficar entre as collecções separadas e independentes 
dos diversos Estados. 

Faltavam-lhe esses elementos de amostras e o meio de as obter, 
quando a tarefa competia a commissões especiaes e com destino áquellas 
collecções. 

A exposição da Sociedade, no emtanto, teria de ser toda no inte- 
resse da agricultura e, pelo caracter da associação, não podia se limitar 
a determinada zona, mas sim abranger, quanto possível, esse ramo de 
actividade em todo o paiz, dando assim uma idéa approximada da pro- 
ducção agrícola do solo brasileiro. 

Não querendo desertar do posto de honra a que era chamada, a 
Sociedade procurou desempenhar-se, augmentando seu museu agrícola, 
organisando collecções que se approximassem desse objectivo e encetou 
trabalhos e estudos que interessassem a todo o paiz em sua actividade 
rural e permittissem conhecel-o nesse factor essencial de sua vida 
económica. 

A reunião de seus catálogos dará uma idéa parcial do que foi a 
sua exposição de productos agrícolas e extractivos. 

Mas não é tudo. Nossa exposição não foi só de productos, mas 
também de trabalhos. 

Entre estes está a collecção de mappas. 

Todos os paizes bem organisados possuem a sua geographia agrí- 
cola mais ou menos completa e exacta . Nesse particular o Brasil não 
tinha nem pouco nem muito, nem bom, nem máo. 

Entende-se por geographia agrícola o modo de distribuição dos 
factores que influem sobre esse género de producção, a distribuição das 
culturas e das espécies industriaes espontâneas, com a indicação das 
regiões e das áreas que ellas occupam, e, finalmente, a intensidade da 
producção dessas culturas no todo e nas diversas regiões. 

Dentre os factores, uns são naturaes, outros são obra humana . 
Aquelles são a constituição geolugica, a natureza dos terrenos agrícolas, 
que se formaram com elementos das rochas desaggregadas e, finalmente, 
o clima. 

Poder-se-hia capitular entre elles as vias naturaes de communicação 
e assignaladamente os portos e os rios navegáveis e que são elementos 
naturaes com que os paizes são mais ou menos favorecidos como escoa- 
douros necessários á sua producção. São de obra humana os meios 
estabelecidos para essa circulação dos productos e bem assim os trechos 
navegados, as vias férreas e de rodagem. Em appendice a estes caberia 
incluir a densidade de população, como factor da somma de productos, 



370 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

a organisaçáo da classe agrícola, pela influencia que tem sobre a den- 
sidade da producção, a distribuição dos meios de aprendizagem e de 
ensino, como condições para o esmero e proficuidade no aproveitamento 
de todo o conjuncto de factores económicos da vida rural. 

Sobre tudo isso, bem como sobre a distribuição e intensidade das 
producções, já existiam certamente estudos feitos ; mas, ou não estavam 
elles systematisados ou ainda não haviam sido devidamente orientados 
e postos ao alcance dos interessados para o estudo e conhecimento do 
paiz, sob esse ponto de vista geographico especialíssimo e da mais 
evidente utilidade. 

A Sociedade, então, no intuito de fazer os visitantes da Exposição 
Nacional conhecerem o paiz e a sua agricultura, sob esse importante 
ponto de vista, emprehendeu systematisar e coordenar tudo que estava 
conhecido com relação a esse objectivo, e com esses elementos organisou 
uma collecção de 53 mappas e diagrammas, com a qual inaugurou a sua 
secção de geographia agrícola. 

A ella pertencem, além dos referidos mappas e como seu comple- 
mento, uma collecção dos typos de solos agrícolas e outra de correctivos 
e adubos. 

Essa secção é trabalho original, que pela primeira vez se organiza 
em nosso paiz. 

E' certamente falha, porque apenas se inicia e por deficiência de 
estudos systematicos feitos com essa orientação. Tem, talvez, erros, por 
defeito de informações e por erros, talvez, dos próprios trabalhos por 
outros feitos e que são as fontes necessárias dos dados para esse em- 
prehendimento. 

Não faltaram, porém, esforços para a melhor e mais completa 
systematisação possível. Grande é a bibliographia onde foram esses 
dados procurados e ainda houve recurso, e grande, a competentes, que 
podiam também informar com proficiência. 

As lacunas serão aos poucos preenchidas. Os erros, si os houver, 
tornados evidentes e realçados agora pela graphia, mais facilmente serão 
corrigidos, por nós ou por outrem, do que quando sumidos ou diffun- 
didos estavam em revistas, relatórios e outros escriptos , 

Em todo caso ahi se encontram muitas noções da maior impor- 
tância para o conhecimento da vida económica do paiz, noções que não 
estavam de nenhum modo vulgarisadas, que muito dirhcilmente pode- 
riam ser obtidas por uma mesma pessoa e que agora ahi estão reunidas, 
coordenadas, claras e ao alcance de quem quizer consultar os nossos 
mappas . 




Secção de industrias extractivas — .Mostruário de tibi 




Mostruários de algodão, painas e lios de seda 




CollecçÕes de libras textis 




Mostruários de sementes, farinhas e fibras textis 




Mostruário ele café e mate 




truario de cereaes 



Esses mappas não são nem mais incompletos nem mais defeituosos 
do que todos os mappas geographicos que existem sobre o paiz, e que 
nem por isso deixam de prestar inestimáveis serviços ao conheci- 
mento que todos deviamos ter no mais alto gráo de perfeição sobre 
a nossa nacionalidade. 

Só uma observação prolongada e attenta poderá dar idéa clara do 
que são esses mappas e de sua utilidade. 

Formularemos, no emtanto, uma indicação resumida do modo 
por que elles se encadeiam, se combinam e se completam, e que permitta 
conhecer a orientação que á sua organização presidio e a natureza das 
informações que elles fornecem. 

Um grupo de mappas representa o Brasil, com indicação dos limites 
dos Estados, dos principaes rios, montanhas e cidades e nelles estão 
representadas, num, a constituição geológica com os terrenos indicados 
por idades ou por períodos, noutro, se representa a distribuição dos 
terrenos agrícolas, por sua natureza physica ou geotomica, deduzida 
das rochas de que provieram por decomposição. 

Assim conhecido o que diz respeito ao solo, dous outros mappas 
informam a respeito do clima, indicando um as altitudes, pela divisão 
do paiz em três zonas dilferentes, segundo a alt'tude vae de o m a 3oo m , 
de 3oo m a iooo ra ou a mais de iooo m . Outro indica as temperaturas, 
assignalando as regiões em que o thermometro vae de o° a i5°, de 15 o 
a 25° ou a mais de 25°. 

Em mappa especial é dada a densidade de população, com a in- 
dicação das zonas em que esse coeficiente por kilometro quadrado é de 
menos de um habitante, ou se eleva de 1 a. . . ou a mais de. . . 

Conhecido o terreno, o clima e o coeficiente de população, passa-se 
ao estudo da distribuição das plantas úteis, espontâneas ou cultivadas. 
Para isso um grupo de mappas indica, separadamente, a área occupada no 
paiz pela seringueira, pela maniçoba, pela mangabeira, pelo matte e 
pelos pinheiraes. Outro grupo mostra as zonas de nossas principaes cul- 
turas, como as do café, da canna, do algodão e do cacáo. 

Esta parte, porém, precisando ser mais especialmente estudada, em 
vista da sua grande importância, é dada em detalhe num grupo de mappas 
estadoaes. Assim, foi feito um mappa em escala maior para cada Estado 
com a indicação das zonas occupadas por seus campos de criação e pelas 
culturas que ahi mais se distinguem, por sua importância, ou por sua 
especialidade. 

Esses mappas indicam também os géneros agrícolas que são importa- 
dos e os exportados em cada Estado. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AORICULTURA 



Finalmente, como synthese da situação económica de cada pro- 
ducto de exportação e da agricultura, em geral, do paiz, a collecção de 
diagrammas representa a estatística da exportação de cada género no 
período de igoi a 1906, com indicação das quantidades e respectivos 
valores e, por ultimo, faz o confronto entre a exportação geral do paiz, 
a sua importação geral, a exportação dos géneros agrícolas e a importação 
de géneros agrícolas. 

Completam a serie de informações o confronto da área e da po- 
pulação do paiz, com os principaes paizes da Europa e da America, e os 
mappas das vias de communicação : estradas de ferro, de rodagem e rios 
navegados ; e, por ultimo, a distribuição dos estabelecimentos de ensino e 
das associações agrícolas. 

Ao lado desse trabalho de que foi encarregado o Dr. Manoel Paulino 
Cavalcanti, agrónomo e auxiliar da Sociedade, esta apresentou na Exposi- 
ção o Herd-Book Nacional . 

Esse é o registro genealógico dos animaes de raça importados no paiz 
e que o Sr. Ministro da Industria confiou ao critério e execução da 
Sociedade, autorisado, como estava, a organisar esse trabalho por disposi- 
ção orçamentaria. 

A Sociedade traçou o plano desse registro, de accordo com os 
pedegrees que os importadores são agora obrigados a apresentar para 
obter do Governo a indemnisação das despezas de importação, e o 
completou com todas 'as informações que acompanham os animaes, de 
modo a garantir, por seu registro, a mais perfeita e completa identifi- 
cação dos animaes importados. 

A esse registro, já agora iniciado com algumas inscripções, seguir- 
se-ão os Stud-Book, Flo':-Book e o Pig-Hook nacionaes, bem como, por 
iniciativa da Sociedade, os registros ^ootechnicos desses diversos ramos da 
pecuária nacional, de accôrdo com a indicação apresentada por seu presi- 
dente ao ultimo Congresso Nacional de Agricultura. 

Entre os trabalhos organisados, além dos referidos, cumpre assi- 
gnalar a secção de Zoologia Agrícola, que suppomos ter sido pela primeira 
vez exhibida^com o seu verdadeiro caracter, que consiste na reunião e 
estudo dos animaes nocivos á lavoura e dos que lhe são úteis, compre- 
hendendo as diversas classes e ordens zoológicas ; a dos fructos e pro- 
ductos diversos conservados, sem perda dos caracteres externos, como 
convém ás collecçóes permanentes ; varias publicações, como são os 
«Apontamentos para a Geographia Agrícola» do paiz, a «Noticia sobre 
as Associações Agrícolas do Brasil em 1908», a collecção de leis que 
regulam as associações agrícolas, sob o titulo «Syndicatos e Coopera- 




MiKlniariu t!e truclns o protluctns orne 




Scc\'ã(i de LlcuiJruliinKt 




Secção de industrias extractivas - Lado direito 




Secção de industrias extractivas — Lado esquerdo 




A ni mães úteis 




Secção de zooln-ia aurícula — Aniniaes 



A LAVOURA 373 

tivas», e as monographias de propaganda sobre o chá, o café e marte, a 
exploração da borracha e a exploração de madeiras no paiz ; finalmente 
um importante trabalho, cuja impressão não poude ainda ser concluída, 
é a «collecção de leis referentes á agricultura, desde o annode 1808». 
As collecções constam dos catálogos ; do que porém só as photo- 
graphias podem dar uma pallida ideia, é a disposição em que foram 
apresentadas, não pela riqueza das installações que só serve para agradar 
a vista e distrahir a attenção do valor intrinseco que tem as amostras 
para estudo, mas pelo modo por que estas foram devidamente offerecidas á 
observação, com a rotulagem nitida e accessivel, na qual eram indicados 
o nome vulgar, a classificação scientifica e a procedência. A installação 
em vitrines que, por sua construcção, permittia o perfeito exame das 
amostras, como é feito nos melhores e mais modernos museus da Europa, 
concorria para que se pudesse tirar pelo estudo o maior proveito da 
exposição feita. 

Essas collecções abrangeram os productos da grande e da pequena 
cultura, os diversos de espécies industriaes, espontâneas *e cultivadas ; 
a referida collecção de zoologia agrícola e um jardim de plantas indus- 
triaes, onde, a par de grande collecção de arvores de fructa, nacionaes e 
acclimadas, se viram collecções a outros fins destinadas, taes como textis, 
gommiferas, forrageiras, oleaginosas, ornamentaes, etc. 

Não só a variedade de productos deve ter attrahido a attenção 
dos que sabem ver em exposições. Augmentava o valor das collecções 
a circumstancia de cada uma delias abranger um numero, por vezes ele- 
vado de Estados, o que podemos resumir no seguinte quadro : 

Fumo 17 variedades cultivadas em 7 Estados. 

Café — d 1 tio» 

Matte 29 » » » 3 d 

Gereaes Go » 5 » i3 » 

Leguminosas .... 141 » » "9 » 

Farinhas 52 » » » 1 1 » 

Chá 6 » » » 2 d 

Sedas e casulos ... — » » » 5 1 

Painas 16 » » 16.1 

Sementes industriaes. õo » » » [6 » 

Algodão 32 » » 1 14 i 

Fibras 65 > » » 7 » 

Productos extractivos. . — » » » 9 . . » 

Além dessas collecções a Sociedade exhibiu : a de suas publicações 
de propaganda, composta de 86 números de seu boletim A Lavoura 
8724 2 



374 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

c 75 publicações diversas ; a de Revistas Agrícolas que se publicam 
no Brasil em 1908 ; bibliotheca agricola do Brasil, compreendendo 
além daquelles trabalhos, 410 obras onde se via, desde a de Frei José Ma- 
riano da Conceição Velloso, escripta em 1778, sob o titulo «O Fazendeiro 
do Brazil», até as mais recentes; collecção esta que, se não constitue 
por si só toda a litteratura agricola do paiz, dá idéa já approximada do 
pouco que existe escripto sobre essa especialidade, aliás fundamental para 
a vida nacional. 

Accresce referir a exposição de apparelhos para as applicaçóes indus- 
triaes do álcool, que se manterá durante toda a Exposição e que con- 
tém os mais variados typos para a producção de força, calor e luz; 

Uma installação completa de leiteria, que funccionou com o melhor 
êxito, no intuito de demonstrar o fabrico de manteiga ; 

Uma avicultura mecânica e grande collecção de instrumentos agrí- 
colas completaram a exposição permanente da Sociedade. 

Além dessa, porém, será organisada com o maior brilho possível uma 
exposição de flores durante três dias, e bem assim uma de fructas. 

A Sociedade organisará os seguintes catálogos : 

Secção de Agricultura. 

Secção de Productos Agrícolas conservados. 

Secção de Dendrologia . 

Catalogo do Jardim de Plantas Industriaes. 

Secção Industria Extractiva. 

Secção de Zoologia Agricola . 

Secção de Applicaçóes Industriaes do Álcool . 

Secção de Publicações Agrícolas . 

Secção de Geographia Agricola . 

Da Exposição de Flores, fructas, pássaros e productos da pequena 
lavoura. 
Não serão elles, porém, simples enumeração das amostras. Antes 
constituirão resumidos estudos de tudo o que for exposto, em numero de 
cerca de 3 . 000 espécimens . Elles portanto instruem sobre as collecções 
que constituirem a exposição da Sociedade. Desse modo conservarão 
sempre a sua utilidade, tanto mais quanto essas collecções se destinam a 
ficar em exposição permanente no Musèo de Agricultura e Industrias Con- 
nexas, que a Sociedade mantém, desde o primeiro Congresso Nacional de 
Agricultura, em 1 901, com o qual foi inaugurado. 

Muitas, lisongeiras e honrosas, são as referencias que a imprensa tem 
teito aos esforços da Sociedade . 



A Pecuária na Exposição 




4 annos e 5 mezes 



do Snr. C° l . Francisco Leite 



E 1 o mais bello espécimen da raça Caracú que figurou na Expo- 
sição Nacional. 

O bello animal chamou a attenção geral pelo seu enorme corpo, 
verdadeira montanha de carne e gordura. Nenhum bovino lhe levou 
vantagem em tamanho e peso. Cacique provou de modo material o 
valor da nossa boa raça Caracú, incontestavelmente vantajosa por 
ser de nosso paiz. 



SOCIEDADE NACIONAL DB AGRICULTURA 



§e» 




Zebú da raça brahma, de anno e 4 mezes, cria do Sr. Dr. F. 
Marcondes . 

E' um bonito novilho no seu género Manso como um cão caseiro, 
mas tem pernas por 4 caracús. 

Como zebú é digno de menção 




Secção de Iacticinii 




Secção de geographia agrícola — Bibliotheca e informações 



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Exposição da Sociedade Protectora dos Animaes 




E 1 da raça] 'Nellore e descende do celebre Castor . Foi creado pelo 
conhecido creador de Zebús, Sr . Dr. Elias António de Moraes, que é 
incontestavelmente um dos mais acreditados criadores do gado indiano 
no Brasil. 

O animal aqui representado foi objecto de conversas as mais contra - 
dictorias : uns o qualificam de monstro; outrospelo contrario acham-no 
o Adónis dos bois . Tot Capita .... Seja como fôr, no seu género é 
um typo notave! 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



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I 



Jò/a e seu lindo filho, baptisado por Se/e ate Setembro, em lembrança 
da data gloriosa em que respirou as brandas brisas da Praia Vermelha . 

Nasceu na Exposição Nacional, sendo seus progenitores dois bonitos 
bovinos da raça hollandêsa. 

Pertencem ambos ao Sr. Capitão Carlos Augusto Guimarães. Augu- 
ramos ao joven Sete de Setembro muitos louros e uma numerosa e forte 
descendência, para maior prosperidade da nossa industria leiteira . 



A LAVOURA 



-«aKEÊSSÕ®»- 




Este cavallo tem seis annos e meio e já foi premiado na Exposição 
Pecuária de Bello Horizonte, onde alcançou o 5 premio. E' um bom 
marchador e pertence ao Sr. José Ribeiro Junqueira. 




SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 




Vampa é um meio sangue percheron. E 1 um bello lypo médio de 
cavallode sella. 

Pertence ao conhecido criador Dr. Elias António de Moraes, do 
Estado do Rio . 



~xíir^>oAoAoAoAoAo<«§^~ 




Estes bellos animaes pertencem ao Dr. João Penido Filho, grande 
caçador de perdizes e uma das pontarias mais certeiras que se possam 
desejar. São da raça Perdigueira e acodem da direita para a esquerda, 
pelos nomes de a Nilo», «Campina», «Duquesa» e «Bangue». 



C2 .mu, ,.»ii. .Miiii . .iiiii ...iiii x) 
<~ i||in> i||in> i||iin i||im' i||iii'' XD 



soi IKDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Algumas madeiras e vegstaes úteis do Brasil 



N. 54 — CAAQUERA-FEMEA, Cássia dormiens Vell. — Fa- 
mília das Leguminosas (divisão Caesalpiniacea) . 

Synonymia: — Alleluia (ha algumas papilionaceas de egual nome, e 
este é ainda extensivo á composta Mikania drástica) —Caa-chira — Caáker 
«folha que dorme» — ■ Caqueira — Caquera — Kaà-kjrra (todos synony- 
mos applicaveis também ás leguminosas Cássia sericea S\v. c índigofera 
dominguensis Spr. L.)— Camâra. 

Descripção:— Arbusto-arborescente inerme, de caule recto até t>,oo 
de altura e 0,45 de diâmetro, com accentuada tendência para curvar-se 
sobre a agua quando vegete á beira de rios ; ramos com casca bruno- 
lenticellada; casca amarella, fina, aroma desagradável; folhas caducas, 
compostas, paripinnadas, até i\ jugas; foliolos inteiros, curto-peciolados, 
ápice mucronado, mas ou menos 41 m/m de comprimento e 10 m/m de lar- 
gura, cartaceos, oblongos, penninervios. Mores amarellas, em paniculas 
abundantes. 

Applicações: — A madeira, que é de còr branca, muito leve, porosa 
e assetinada, serve para obras internas, caixoteria e pasta de papel; as 
cascas são usadas algures como purgativas . 

Distribuição geographica; — Quasi todo o Brasil. Vegeta somente 
nas capueiras e de preferencia nas terras ordinárias. 

Observações: — ■ Ha a «Caaquéra-machot, que se distingue não só 
por ser armada, como porque 05 fructos (vagens) são maiores, attingindo 
talvez o,25 de comprimento. Também só vegeta nas capueiras. 

N. bb — CAROBA GRANDE, Jacarandá semiserrata Cham. — Fa- 
mília das Bignoniaceas. 

Synonymia: — Caa-rob folha amarga, do tupy guarany — Caroba 
branca (não Sparattosperma lithontripticum M., que tem o mesmo nome 
va\g&r)—Caroba-de-broto-verde, (não «C.-de-flor-verde», que é a Cybistax 
antisyphilitica M.) — Caroba-dc-jlor-roxa (não «C.-de-broto-roxo», que é 
a Jacarandá obovata Cham.) Cvuba-do-malto — Carob-ussá, no Rio de 
Janeiro (no Amazonas o mesmo nome vulgar pertence a Jacarandá copaia 
Don(?i. — A denominação «Caroba» é extensiva a diversas bignoniaceas 
e, no Rio Grande do Sul, á samydacea Cascaria sylvestris Sw., que aliás 
tem outros nomes vulgares. — O nome latino não pertence ás arvores 
brasileiras (Jacarandás), que embora de diversos géneros, estes são todos 
da grande família das Leguminosas. 



Descripção : — Arbusto arborescente de folhas caducas, até <3,oo de 
altura e 0,3? de diâmetro; casca avermelhada, até o," 1 /,,, de espessura, com 
epiderme brancacenta e renovável ; folhas compostas, imparipinnadas ; 
loliolos serrados, ovaes, verde-escuros na pagina superior e mais claros 
na inferior, saliente-nervados sendo as nervuras laieraes obliquas ; tiores 
roxas em paniculas terminaes ; frueto capsula de cor bruna, lenhosa, de 
margens onduladas, achatada, 2-valvar ; sementes numerosas, amarellas, 
membranosas e aladas. 

Madeira : — ■ Còr branca, tecido linear fino, porosa, assetinada, dócil 
á serra quando sècca e ao cepilho emquanto verde. Peso especifico. o,6i'5 
(Rio Grande do Sul). 

Appucaçóes: — • Madeira para taboado de forro, caixoteria, pasta de 
papel, cepas de tamancos, ripas e obras internas; as folhas são empre- 
gadas como suecedaneas das da «Caroba preta» (vid.) 

Distribuição geographica : — Estados do sul do Brasil, desde o de 
Minas Geraes ; e também na Republica Argentina. Prefere as terras ex- 
clusivamente argilosas. 

N. 56 — CAROBA PRETA , Jacarandá obovata Cham. — ■ Família das 
Bignoniaceas. 

Synonymia: — Caa-rob " folha amarga", dotupi-guarany — Cjroba-dc- 
broto-roxo 'não "Caroba de flor roxa" 1 , que é a Jacarandá semiserrata 
Cham.) — (V. "Caroba branca"). 

Descripção: — Arvore de folhas caducas, até io,oode altura e 0,45 de 
diâmetro; casca até 4 m/m de espessura, brancacenta e de epiderme re- 
novável; folhas compostas, imparipinnadas; foliolos coriaceos, pontuados 
de negro, saliente-nervados e muito amargos; dores no ápice dos ramos. 

Madeira: — Madeira de còr branca tornando-se amarella e muito bo- 
nita com o envernizamento, macia, dócil ao cepilho e á serra. Peso espe- 
cifico, 0,570. (Rio Grande do Sul . 

Applicações:— Madeira para taboado de forro, caixoteria, portas e 
obras internas, pasta de papel ; as folhas conteem o alcalóide "carabina 11 , 
o acido carobico e uma resina aromática: graças a esta circumstancia, teem 
propriedades depurativas, anti-syphiliticas e anti-blenorrhagicas, pelo que 
são empregadas na therapeutica contra as respectivas enfermidadrs e ainda 
contra as escrophulas. 

Distribuição geographica: — Estado do Rio de Janeiro S. Paulo e 
Paraná , e talvez nos visinhos vegetando em terras húmidas, argilosas, ou 
silicosas, mas preferindo estas. 

Obserx^ações: — E evidente que todas as bignoniaceas designadas pelo 
nome de "Caroba'" teem propriedades medicinaes idênticas, mas não 



384 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

na mesma proporção; entretanto, as mais fracas podem legitimamente 
ser consideradas suecedaneas das outras. Comtudo ainda (e ha bastantes 
annos que, empírica e arbitrariamente, se dosa a parte usada deste vegetal; 
não foi feito o estudo botanico-chimico das diversas espécies, pelo qual se 
chegaria ao único modo racional de estabelecer-se uma dosagem média, 
porquanto as folhas (foliolos) que são fornecidas aos laboratórios manipula- 
dores de drogis, quasi sempre, como temos verificado, sÁo de espécies 
differentes. 

N. 57 — CARVALHO BRANCO, Rhopala heterophylla Pohl. var. 
pinnata Meiss.— Família das Proteaceas. 

Synonymia. — ■ Carne -de-vacca, nos Estado; do Espirito Santo, Rio de 
Janeiro e Minas Geraes (no Rio Grande do Sul dão o mesmo nome vulgar 
ás styracaceas Styrax aauminatus Pohl. e S. leprosus Hook e Am.)— Can- 
xi-cahen — Carvalho, no littoral do Estado de S. Paulo e nos Estados do 
Paraná, Santa Catharina e Rio Grande do Sul — Calo-cahem, Caxi-cahcu, 
Coxi-cahen, Cuchi-caheu,C>.duajé, Culucahen, Cutucanhé, Cutucanhen, cor- 
ruptelas «Coti-cahen, que parece ser a forma perfeita do nome que os abo- 
rígenes davam a diversas proteaceas arborescentes — Faia no norte do Es- 
tado do Rio Grande do Sul (o mesmo é dado no Rio de Janeiro a uma cor- 
diacea do género Cordia) — Faia-grande,n?> Maranhão — Guaxica, no oeste 
do Estado de S. Paulo — Jerilacaca, (Nome da scrophulariacea Brunsfelsia 
Hoppeana Dl— Páo-de-palmatoria, no valle do Tietê (Estado de 
S.Paulo) onde os pescadores chamam «Carvalho» a uma arvore de que 
extrahem a grossa casca para fazerem bóias de redes (Tucajé Tuca/ihc, 
outras formas imperfeitas de iCoti-canhê» (Cr. ainda a «Observação» 
inserta no fimdesta monographia). 

Descripção — Arvore de pouca copa quando na floresta, mas muito 
elegantesi ceset; isolada ; caule cylindrico e recto, até 8,00 de altura e 
0,45 de diâmetro ; casca amarello-avermelhada, fendida, quebradiça ; 
folhas compostas, coriaceas, grandes ; foliolos irregulares, pungente-acu- 
minados, semi-serrados, os jugos superiores sempre maiores e o foliolo ter- 
minal tendo até 0,28 de comprimento e 0,17 de largura mais ou menos, 
verde-brilhantes na pagina superior e ferrugineos na inferior ; flores pe- 
quenas, conchegadas e incompletas, dispostas em racimos avaliares. 

N. 58— CARVALHO-VERMELHO, Rhopala Gardnerii Meiss — 
Família das proteaceas. 

Synonymia: — Carvalho Roxo, na zona de Iguape, Estado de São 
Paulo— (o nome de «Carvalho-vermelhou, no Rio Grande do Sul, é com- 
muma uma caesalpiniacea do género Cássia).— Tem logar aqui toda a 
Synonymia indicada para a espécie precedentemente descripta. 



A LAVOURA 38 • 

Descripção : — Arvore de pouca copa quando na floresta, mas bem 
elegante si cresce isolada ; caule cylindrico recto, até 10, oo de altura e 65 
de diâmetro; casca até 8 m / m de espessura, irregularmente fendida e reves- 
tida de epiderme escura; folhas simples, inteiras discolores, longo peciola- 
das, saliente-nervadas. pubecentes e ferrugineas na pagina inferior i35 m / m 
de comprimento e 1 20 m /,„ de largura mais ou menos; flores pequenas . 

Madeira: — Pequeno alburno; madeira de gosto adstringente e côr 
vermelha a vermelho-escura: em tudo o mais offerece a descripção do Car- 
valho branco, que lhe é toda applicavcl, sendo todavia este muito superior 
não só em belleza, graças á coloração, como também em durabilidade. 

Distribuição geographica: — A mesma da espécie precedente. 

.Madeira — Grande alburno ; madeira de cor rósea, resistente, com 
fibras trançadas como as do Carvalho de Europa, deixando ver bem pa- 
tentes os utriculos dos raios medullares; conforme o corte, apresenta um 
marchetamento singular lindíssimo, formando um tecido compacto e 
duro, frequentemente atacado pela broca, dócil ao cepilho e á serra, per- 
dendo parte de sua belleza com o envernizamento. Pesos especifico; ve- 
rificados : 0,858 (Rio), 0,960. 0,967 (Rio), 1,045 (Rio Grande do Sul); 
resistência ao esmagamento, sem determinação da posição da carga, 
472 kilogrammas por centímetro quadrado. 

Appucações — Arvore para ornamentação de ruas e jardins, pela 
belleza de suas grandes folhas discolores. — Madeira para construcção 
naval, mastros, antenas e vergas ; marcenaria de luxo, torno ; taboado de 
soalho, frechaes, obras internas, carpintaria em geral ; de primeira quali- 
dade para vigamentos, tirantes, esteios e postes. — Varas flexíveis boas 
para bengalas. 

Distribuição geographica — Estados marítimos do Brasil, desde o 
do Maranhão ao do Rio Grande do Sul, vegetando indifferentemente em 
terras argilosas ou silicosas, mas sempre sêccas ; todavia, parece fora de 
duvida que a maior densidade (da qual depende em grande parte a bel- 
leza do tecido fibro-vascular dos indivíduos desta família) é obtida pelos 
que vegetam em terras silicosas. E 1 possível que algures attinja um desen- 
volvimento maior. 

Observações. — Os nomes « Carne - de - vacca », « Carvalho» e « Faia o 
explicam-se do seguinte modo: o primeiro, porque o tecido lembra a carne 
de rez; o segundo e o terceiro, porque o mesmo tecido se parece com o das 
duas plantas européas assim chamadas vulgarmente. Os antigos colonos 
nunca perdiam a occasião de dar denominações portuguezas a plantas que 
apresentassem qualquer similhança com outras de seu paiz; também em 
Angola ( Africa occidental) elles deram o nome de « Carvalho » á combre- 



385 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

tacea Combretum lepidotum Hochst., lá como aqui despresando os nomes 
indígenas. 

Algures, no norte, dão a uma arvore média revestida de casca tão ás- 
pera que serve de lixa aos tartarugueiros, bem como a uma ochnacea do 
género Ouratea e a uma espécie de Rhopala, o nome de i Cajueiro-bravo 
-da-Serra », que cabe melhora dilleniacea Curatella americana L. Esta 
ultima, além daquelle nome vulgar, tem outros, como sejam « Sobro & e 
« Sambahyba », nomes estes confusamente attribuidos no Piauhy e Mara- 
nhão a variedades de Rhopalas ( nos Estados da Bahia e Rio de Janeiro, 
« Sobro » é apocynacea ). Na Exposição Nacional vè-se uma amostra de 
Rhopala ( Gardnerii Meiss? ) com o, 3o de diâmetro e a indicação a Sam- 
bahyba » : quem conhece um pouco a rigorosa propriedade com que os abo- 
rígenes denominavam as cousas, logo vê que elles não poderiam ter assim 
chamado a espécie de que nos occupamos ou outra affim. 

Uma tão deplorável confusão não tende a desapparecer. Em trabalho 
recente e de caracter official, attribue-se ás florestas do Paraná o Quercus 
ilex, o celebre « Carvalho », importante na mythologia grega, mas que evi- 
dentemente não faz parte da flora americana. 

Em 1818, o Governo reservou-se o privilegio do corte desta arvore e 
do das suas congéneres, sendo por elle vendida a madeira aos particulares 
e especialmente aos estaleiros, com o lucro de 20 °/ . 

Consta existir uma « Canella-Carvalho »: não a conhecemos. 

COLLABORACÃO 



O azote 



Estudo especial do azote. — Origem. — Formas chimicas sob que existe na atraos- 
phera c no solo. — Absorpção pelas plantas. — Alterações que experimenta o 
papel que desempenha na nutrição vegetal. — Applicações praticas ás diversas 
culturas. 

O azote ''i) é um gaz incolor e insípido, que forma as quatro quintas 
partes da atmosphera. O seu nome significa corpo sem vida. Tem pro- 
priedades chimicas negativas ; não é absorvido pelos reagentes ; não se 



(1) Este importante trabalho sobre o «Azote» constitue um capitulo especial de um 
livro que em Hespanha está no prelo. 



combina directamente com os outros corpos, á temperatura c pressão nor- 
maes ; e manifesta grande tendência para voltar no seu estado primitivo, 
quando constitue os corpos azotados. 

Apezar d^is-o, é um dos elementos que mais contribuem para a vida, 
porque, precisamente cm virtude da sua instabilidade, imprime caracter 
á complexa molécula quaternária de que forma parte conjunctarnentecom 
o owgenio, o hydrogenio e o carbonio, cujo rápido dynamismo e elevada 
atomicidade explicam as intrincadas e vertiginosas mutações chimico- 
biologicas. 

As plantas precisam de azote para a sua nutrição e desenvolvimento; 
contècm-n'o cm proporções variáveis até 4 por cento, e utilisam-nV) como 
elemento essencial dos princípios immediatos — a chlorophyla, o glúten, 
a caseína, a legumina e a aleurona, bases do protoplasma, que é a ma- 
téria prima das cellulas, causa da incessante rcproducção dos tecidos e do 
desenvolvimento das energias vitaes. 

Todas as questões que suscita o estudo da origem, estados, evolução, 
transformação e aproveitamento do azote pelas plantas serão sempre de 
interesse palpitante para a agricultura. Poderá o agrónomo despreoc- 
cupar-se dos elementos orgânicos que a natureza tão copiosamente prodi- 
galisa ; mas, quanto ao azote, nunca deixa de com afan indagar quaes os 
meios mais úteis e económicos de o poder administrar ás culturas, em 
virtude da inércia e quasi absoluta inutilidade do immenso caudal de 
azote que encerra a atmosphera. E, n 1 esta tarefa scientifico-pratica, é 
grato consignar que, provada a insubstituível funeção vital do azote — pois 
sem elle não vegetam as plantas — os agrónomos de todos os paiz?s riva- 
lisam em obter a solução exacta do problema agricolo-economico, utilí- 
sando os grandes progressos da sciencias physico-chimicas e biológicas. 

Evidentemente todo o azote combinado e circulante procede da 
atmosphera . Nos primeiros períodos geológicos, a capa gazosa do globo 
terrestre soffreu a acção directa da pyro-espheia, e o azote combinou- 
se em grande quantidade com o oxigénio, contribuindo com o carbonio 
c o hydrogenio para a alimentação dos primeiros seres organisados. Pos- 
teriormente a exuberante vegetação própria do período carbonífero puri- 
ficou a atmosphera, fixando enormes quantidades de azote que hoje se 
extrahem da hulha ou restos fosseis d^iquellas plantas . Mais tarde, os 
restos de myriades de aves marítimas fixaram também um immenso de- 
posito de azote nas grandes nitreiras do Chile . 

Na actualidade, são outras as condições. O azote atmospherico tornou- 
se inerte ; as plantas organisam e assimilam o azote mineral para o cede- 
rem aos animaes, assim como ao homem que com elles vive n'uma for- 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



cosa relação de dependência; evoluciona o azote das plantas para os 
animaes e destes novamente para aquellas, mineralisando-se no inter- 
vallo; perdem-se quantidades importantes de azote durante o cyclo evo- 
lutivo dos compostos orgânicos ; e o que o solo retém nos seus diverti- 
culos, se basta para a vegetação espontânea, não satisfaz todavia, ás ne- 
cessidades cada vez mais imperiosas da cultura forcada. 

Perante estas circumstancias, o agricultor olha com maior attençao 
o duplo aspecto, agronómico e economico-rural, da alimentação azotada, 
utilisa o azote fóssil dos nitratos e do ammoniaco, e também procura tirar 
proveito do azote livre, servindo-se dos ph?nomenos da nitrificação, que a 
bacteriologia hoje ensina. 

Sobre este assumpto, provoca surpresa e admiração tudo quanto 
se tem escripto desde a brilhante polemica de Boussingault e George 
Ville, e as conclusões, na apparencia contradictorias, a que chegaram 
agrónomos illustres, até aos notáveis trabalhos de Bréal, Prazmowsky, 
Schlcesing, Mazé, Winogradsky e Berthelot, sanccionados pela experi- 
mentação. Felizmente, após tantas discussões e contra-provas, a questão 
pôde julgar-se esclarecida, impondo-se a verdade experimental. Pres- 
cindindo de fazer a chronica de taes controvérsias, limitar-nos-hemos a 
expor o resumo dos factos demonstrados, cujo exacto conhecimento 
serve de guia á pratica das culturas. 

Sob quatro differentes aspectos se mostra o azote natural. Livre, 
constitue a maior parte da atmosphera ; combinado com o oxygenio, 
forma os nítricos e os nitratos, denominando-se, então, azote nítrico ; 
unido ao hydrogenio, origina o ammoniaco e chama-se ammonical ; 
finalmente, nos compostos hydro-carbonados integra a matéria orgânica 
e diz- se azote orgânico. 

AZOTE ATMOSPHERICO 

A atmosphera contém azote nos seus quatro estados. A grande 
massa do gaz livre forma a quasi totalidade ; o ammoniaco, os nitratos 
e o azote orgânico das partículas que fluctuam no ar, existem em 
proporções mínimas. 

Desde séculos que se conhecem factos demonstrativos da indis- 
cutível influencia do azote atmospherico sobre a nutrição das plantas. 
Kifectivamente, as plantas, sem adubo, encontram mais azote do que 
aquelle que lhes pôde fornecer a terra por decomposição lenta da matéria 
orgânica; as florestas, os prados e as plantas espontâneas vegetam vigo- 
rosa e indefinidamente sem receberem adubos azotados, e até mesmo 



A LAVOURA 389 

as plantas adubadas utilisam maior quantidade de azote do que o exis- 
tente nos adubos. 

Diante de taes provas não se pode duvidar, e lógico é admittir, 
que as plantas utilisam relativa e indirectamente o azote atmospherico. 
Vejamos como e em que gráo isto se realiza. 

O azote livre é um elemento passivo, sem aftinidade, e incapaz de 
se deixar absorver directamente pelos vegetaes superiores. Lawes, Gilbert 
e Pugh assim o demonstraram, e mais tarde vieram também confirmal-o 
as experiências de Berthelot. Todavia, nada mais certo do que fixarem 
as plantas o azote. Até ao penúltimo quinquennio, ignorava-se o meca- 
nismo deisa fixação, e isso deu causa á controvérsia havida entre 
Boussingault e G. Ville. Ambos estes sábios tinham razão ; porque, se 
o primeiro, atendo-se á realidade dos factos, negava em absoluto a 
absorpção directa do gaz, o segundo, fundando-se nas poderosas razões 
da insurficiencia do azote orgânico do solo e da do azote ammoniacal e 
nítrico da atmosphera para a alimentação das plantas não adubadas, 
deduziu theoricamente que o excesso de azote, ás vezes enorme, como 
o das leguminosas, só da atmosphera poderia derivar. Com esta opinião 
o illustre sábio G. Ville, si não logrou demonstrar a sua affirmativa, 
rastreou ao menos a solução racional do problema, procurando a origem 
do azote no único manancial que llvo podia ministrar ; não foi exacto 
na crença da absorpção directa do azote livre, mas os fundamentos da 
sua doutrina eram racionacs e assentavam noutros factos agrícolas. 

Mais tarde, o grande Berthelot poz termo á contenda, desvendando 
o mysterio da fixação do azote . As suas experiências, continuadas por 
muitos annos com aquella tenacidade que é própria dos sábios, resolvem 
claramente o assumpto e provam que o azote livre não é absorvido pelas 
plantas, mas, por diversas maneiras e condições fixa-se na terra, onde as 
plantas o vão haurir. De começo, as experiências de Berthelot causaram 
assombro, suscitaram duvidas e provocaram controvérsias. Schliesing 
oppoz reparos, negou os factos e adduziu experiências pessoaes contra- 
ditórias. Apesar disso, Berthelot foi aperfeiçoando os seus processos 
experimentaes na Estação de chimica vegetal de Meudon ; Gautier e 
Drouiu confirmaram-lhe a descoberta em França, como Frank lha con- 
firmou na Allemanha. Depois, Hellriegel descobre os micro-organismos 
das leguminosas ; Winogradsky amplia esses estudos ; e por fim as 
nascentes idéas são sanccionadas como verdades impostas pela expe- 
rimentação. 

A terra não é um conjuncto de corpos inertes, privados de vida; 
representa mais alguma cousa : na sua massa vive e desenvolve-se uma 



SOCIEDADE NAI.IONAI, DE AGRICULTURA 



infinidade de micro-organismos que de continuo lhe modificam a compo- 
sição e despertam enei-gias, fixando o azote livre da atmosphera. Esta 
propriedade é commum a todos os solos, tanto os cultivados como os 
incultos e os desprovidos de vegetação. Quando se esterelisa uma terra, 
matando-lhe os germens, cessa a fixação do azote ; não se csterelisando 
a terra, o azote, dentro de certas condições, continua a fixar-se até aos 
limites naturaes do trabalho microbiano. 

Numerosos são os minúsculos seres vivos que fixam o azote. Do- 
tados de diversa Índole, vivem ás vezes subordinados e distinguem-se 
pelos seus caracteres. Admittem-se hoje os seguintes grupos de micro- 
organismos fixadores : 

i." Bactérias ou micróbios extrahidos da terra e cultivados no labo- 
ratório, taes como o bacillo Megateriwn tio abundante na; aguas e nos 
solos, os bacillos A, B, C, D, E, F e G de Gaignard, e o bacillo de \Yi- 
nogradsky . 

2." Bactérias que vivem nas raízes das leguminosas. 

3. Sementes puras de algas microscópicas, como são o Aspergillus 
niger, a Alternaria tenuis e o Gjmnoascus. 

4. Algas e fungos associados com micróbios. 

Excluindo o < lostridium pasteurianum que é anaeróbio, todos os 
demais germens necessitam de oxygenio livre. Todos fixam o azote, mas 
em quantidade variável, segundo as espécies e o meio em que vivem. 
Como lei geral, está provado que, sem substancias hydrocarbonadas ou 
endothermicas que forneçam energia, não podem os germens exercer a 
funcçáo fixadora do azote. As substancias saccharinas, glucoses e pentoses' 
são os hydrocarburetos que no laboratório mais activam a vida destes 
micróbios, representada pelo a ugmento do azote fixado. Na terra vegetal 
os resíduos das plantas, sob a acção diastasica dos fermentos, converte-se 
parcialmente em xyloses, pentoses, arabinoses e outros compostos sus- 
ceptíveis de serem assimilados pelos germens. Como alimento secundário 
também elles utilisam as matérias azotadas, demonstrando a experiência 
viverem melhor em meios ricos de azote combinado. 

O azote fixa-se no solo e intrega-se no protoplasma dos micróbios no 
estado de compostos orgânicos complexos, albuminóides ou amidados, 
solúveis e insolúveis. 

Deste modo as terras accumulam uma notável quantidade de azote, 
que, segundo Berthelot, varia entre 35 e 38 kilogrammas por hectare. 
Neste facto está a explicação dos obscuros phenomenos que tanto pre- 
oceuparam os agrónomos ; o azote das plantas espontâneas e não adubadas, 
e o excesso do das fertilisadas provém desta fonte terreo-microbiana. 



A LAVOURA 391 

Para que a fixação do azote se realize regularmente e atttinja o seu 
maximum, é preciso que as terras tenham uma composição média, sejam 
argillosas ouhumiferas, mas não acidas, medianamente ricas de matéria 
hydrocarbonadas e porosas, para permittirem a circulação lenta do ar ; 
além do que, a sua temperatura interior oscillará entre io° e 40 o , e a hu- 
midade será de 2 a 3 por cento nas terras em cultura, e até 1 3 nas de pousio. 
Ainda mesmo nestas condiçães, a accumulação tem seus limites ; chega um 
momento em que as matérias orgânicas diminuem e o phenomeno enfra- 
quece, ou então sobreveem accidentes que matam os micróbios fixadores. 

O lavrador deve contar com o azote fixado mas, isso não o dispen- 
sará do emprego dos adubos. As culturas obrigadas a maior produecão, 
além de exigirem muito mais azote, também de um modo indispensável o 
requerem num estado de absorpçáo mais rápida do que aquelle em que 
se encontra o azote do solo. 

A alimentação azotada das plantas em vida commum ou symbiose 
merece estudo especial. Sob o ponto de vista scientitico, tão symbiotica é 
a associação das bactérias e das algas Nosloc, Sttchococcus e Cysticoccus, 
estudada por Kossowitch, Schhesinge Bouilhac, como o éa associado 
das bactérias e das raizesdas leguminosas. Em ambos os casos o micróbio 
lornece o azote á custa dos hydrocarburetos do vegetal superior. 

O azote das algas é uma parte da totalidade que o solo tira da at- 
mosphera ; o das leguminosas excede em muito este ultimo e possue 
alto valor agrícola que importa estudar detidamente. 

Desde a publicação, em 1887, da memoria de Hellriegel e Willafarth, 
até hoje, tèem-se realisado numerosas experiências concernentes á bio- 
logia, unidade e funeções dos micro-organismos das raizes e ao modo de 
reagir das differentes leguminosas, experiências que, parece hão de ser 
fecundas de applicações praticas. Prazmowsky, Beyerink, Laurent, 
Bréal, Berthelot, Nobbe, Hiltner, Salfeld, Mazè e Naudin confirmam e 
ampliam os trabalhos das dois agrónomos allemães, adduzindo novos 
factos e valiosos ensinamentos culturaes. O muito que a tal respeito se 
encontra escripto p jde resumir-se nas seguintes palavras : 

1 .° As leguminosas apresentam nas suas raizes umas nodosidades ou 
tubérculos de tecido parenchymatoso e muito vascular, produzidos por 
um micro-organismo ainda mal determinado, o qual para certos auetores 
seria um fungo schizomyceto, o Rlu-obium leguminosarum ou dadochy- 
tnum, e para outros seria uma bactéria, o Bacterium radicola Beyerinki. 

2. Quer estas espécies se considerem como uma só, mas com di- 
versas variedades para cada leguminosa, quer se considerem como con- 
stituindo uma única variedade neutra que se adapta ao solo e á planta, é 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



certo que ellas variam consoante as culturas, porque as que vivem sobre o 
feijão e sobre a acácia não têm acção sobre a serradella, sobre o tre- 
moceiro, etc. 

3. Em condições normaes, quando as plantas contém todas as 
nodosidades que podem supportar, como provam as experiências de 
Frank e de Berthelot, alimentam-se primeiro do azote do solo até se 
desenvolverem os tubérculos fixados, começando então a accumular uma 
grande quantidade de azote livre, que varia de 90 a 500 kilogrammas 
por hectare, abrangendo o que é absorvido pela cultura e o que é ar- 
mazenado na terra. 

4. O azote nitrificado do solo, os nitratos e o ammoniaco são 
absorvíveis pelas plantas leguminosas e utilisados nos casos em que 
ellas não teem nodosidades. Se nas culturas ordinárias os adubos azo- 
tados vêem a mostrar-se inefficazes, provém isso de que a dose de azote 
livre fixada satisfaz plenamente ao limite máximo exigido pela cultura. 

5.° O acto da vida commum ou symbiose das baterias e raízes é 
uma infecção d'estas ultimas, e por isso se rege segundo as leis geraes 
da bacteriologia, e assim se explica o facto de que, já por degeneração 
das baterias, sua desegual repartição no solo, differentes variedades c 
exgotamento das suas funeções, já pelo maior ou menor grau de resis- 
tência das leguminosas, nem todas por egual são aplas para produzir 
tubérculo, ssuecedendo que, na pratica, o numero destes é muito irre- 
gular, ora abundando, ora escasseando ou faltando mesmo de todo. 

ó.° Para supprir a deficiência ou faltada funeção fixadora do azote 
livre, além do uso racional dos adubos azotados, aconselha-se a inocula- 
ção dos solos com terra de campos em que tenha vegetado luxuriante- 
mente a leguminosa que se quer explorar, pratica muito mais útil do que 
o emprego de culturas puras do micróbio especifico denominado Nitro- 
gina pelo Sr. Nobbe, porque este produeto, nem sempre se adapta ás pro- 
priedades do solo, resultando frequentemente ticar inefficaz, como se vé 
do grande numero de insuecessos obtidos. 

Fundado no estudo da flora microbiana do solo, um agricultor, o 
Sr. Caron de Kllenbach, isolou um micróbio cujas culturas, applicadas a 
varias plantas contidas em vasos, produziam 40 por cento mais do que a 
aveia e 3o por cento mais do que o trigo dos vasos ou talhões não ino- 
culados. Esse micróbio tem o nome de Bacíllus Ellei;bachii\ c as suas cul- 
turas chamam-se Alinite. Também estes excellentes ensaios falliram na 
pratica ; talvez venham a dar resultado mais tarde, quando os processos 
forem mais perfeitos, porque fundamente suppõe Caron que o referido 
micróbio, que não é senão o Bacillus Megaterium, tem a'propricdade de 



desaggregar rapidamente a matéria orgânica azotada do solo, o que é 
exacto, e, além disso, o micróbio rixa o azote livre, á custa dos hydratos 
decarbonio. Trata-se de um dos muitos micro-organismos fixadores do 
azote, e já se disse que, abundando elles nas terras, se não inocularmos 
grande quantidade de caldos culturaei addicionados das substancias que 
taes micróbios mais facilmente assimilam, isto é, as matérias xylosas, pen- 
tosas e saccharinas, pouco augmentarão as proporções d^zote utilisavel. 
Assim, a alinite, se porventura representa uma esperança, não tem por 
cmquanto nenhum valor agrícola. 

A electricidade atmospherica, actuando lenta, silenciosa e continua- 
mente sobre o azote livre, fixa-o no solo á temperatura c pressão ordi- 
nárias. Fracas tensões eléctricas de pequeno potencial favorecem a com- 
binação de exíguas quantidades de azote com as substancias hydrocar- 
bonadas da terra, originando compostos análogos aos que elaboram os 
micro-organismos fixadores, conforme se deprehende das numerosas ex- 
periências feitas por Berthelot nos campos eléctricos de Mendon. 

Certos corpos orgânicos oxydantes-oxydaveis, que facilmente absor- 
vem oxygenio e o cedem a outros compostos, para continuarem a 
absorvel-o e a cedel-o indefinidamente e lentamente, também fixam o 
azote em me.iores porporções. O ether, a es;enciadc terebenthina, os 
hvdrocarburetos aromáticos e as aldehydes estão neste caso e, como a 
terra por vezes os contém, é lógico suppôr que de algum modo elles 
hão de contribuir para o fixação do azote livre . 

O azote nítrico existe na atmosphera, onde é gerado intermittente- 
mente pela acção das fortes tensões eléctricas das nuvens tempestuosas. 
Graças a estas, o oxygenio combina-se com o azote, formando pequenas 
quantidades de acido nitroso e acido nitrico, os quaes, com o ammoniaco 
do ar, dão origem a finas partículas de nitrico e de nitrato ammoniacal 
que os ventos arrastam e as aguas dissolvem. No parque de Montsouris, 
o ar contém um a cinco milljgrammas em tempo normal, e até 12 du- 
rante as grandes tempestades, por cada 100 melros cúbicos. 

A quantidade de azote nitrico trazido ao solo pelas aguas pluviaes 
varia segundo as regiões. Na Provença é de 2,80 kilogrammas por anno 
e por hectare-, em Rothaussted de 4,1 kilogrammas, e em Hespanha é de 
2,7 a 3,5 kilogrammas. Seja como for, este azote não é para desprezar e 
constitue uma das causas da fertilidade natural das terras. 

O ar contém ammoniaco em proporções mínimas de 1,2 milli- 
grammas por 100 metros cúbicos nos campos e de 2,2 nas cidades. Este 
gaz derive certamente das putrefacções orgânicas, e na atmosphera com- 
bina-se com o acido carbónico, formando bicarbonato. Quer neste estado, 



394 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

quer sob a forma de nitratos, as aguas meteóricas dissolvem-r^o e depois o 
fixam na terra. O ammoniaco fixado durante um anno em cada hectare 
calcula-se, termo médio, em 2,5 a 5 kilogrammas. O Dr. Warnington, em 
Rothaussted, recolheu 2,7 kilogrammas. 

O notável agrónomo Schlcesing é da opinião de que as terras 
absorvem directamente o ammonico do ar, na quantidade de 1 2 a 20 kilo- 
grammas, por anno e por hectare, quando estão seccas, e até 5o, quando 
húmidas. Funda elle esta opinião em experiências relativas á troca de 
ammoniaco entre a atmosphera e a terra, as quaes experiências parece 
demonstrarem que a terra tira este gaz da atmosphera, mas não lrfo cede. 
A lei das tensões dos gazes explica o mechanismo dessa fixação, porque, 
sendo maior a tensão do ammoniaco atmospherico do que o da terra, é 
natural que seja fixado por esta até se estabelecer o equilíbrio entre as 
duas tensões, como succede com as terras seccas que, estando impróprias 
para a nitrificação, armazenam o ammoniaco e só deixam de absorvel-o, 
quando têm tensão igual ao da atmosphera ; pelo contrario, os solos 
húmidos que nitrificam o ammoniaco e o contêm em pequena quantidade 
e com fraca tensão, não cessam de fixar o da atmosphera. 

As idéas de Schkesing têm sido combatidas por Berthelot. Estes dous 
sábios discordam em muitos pontos de chimica e de biologia ; Sehla-sing 
negou sem fundamento a doutrina da fixação do azote livre pelas terras, 
doutrina sustentada por Berthelot, o qual por seu turno ataca parcial- 
mente com êxito a engenhosa theoria da circulação do ammoniaco, 
tão calorosamente defendida por Schhesing. 

Demonstrou Berthelot que as terras exhalam ammoniaco e compostos 
azotados voláteis; que o acido sulfúrico, mais do que qualquer outro 
corpo, e portanto, mais do que a terra, absorve avidamente o ammoniaco 
atmospherico; que, generalisando os resultados das suas experiências 
de Meudon relativas ao ammoniaco fixado numa superfície de 1 1 3 centí- 
metros quadrados de acido sulfúrico, um hectare coberto pelo referido 
acido absorveria apenas 5, -i kilogrammas de ammoniaco; que o 
bicarbonato ammoniacal da atmosphera tem uma tenstlo muito variável 
que se relaciona e depende do excesso de acido carbónico e do vapor 
d\agua; que o amoníaco da atmosphera combina-se em parte com certos 
princípios da terra, diversos daquelles que o emittem ; que a faculdade 
de as terras emittirem e absorverem ammoniaco dá logar a trocas 
gazosas entre as terras e o ar, trocas devidas a reacções complexas ainda 
mal definidas e de caracter physico, chimico e bacteriológico ; e final- 
mente, que não existe nenhuma relação de reciprocidade entre o ammo- 
niaco do ar e o da terra . 



A LAVOURA 393 

Sob o ponto de vista das applicações agrícolas, atendo-nos ao cri- 
tério experimental de Berthelot, julgamos exaggerados os algarismo; de 
Schhesing relativamente ao ammoniaco retido pelo solo ; c sem negar- 
mos que a terra o absorve do ar, admittimos, com a maioria dos agró- 
nomos, que o ammoniaco se fixa na proporção de 2 a 3,5 kilogrammas 
por hectare . 

O azote das partículas orgânicas que tluetuam na atmosphera apenas 
existe nos sítios vizinhos das povoações. Praticamente esse azote não tem 
importância. ODr. Warnington diz que em Rothaussted as aguas das 
chuvas trazem annualmente para o solo um kilogramma de azote 
orgânico. 



Deriva de três procedências — a atmosphera, a terra e os adubos. 
O nitrato e o nitrito de ammonio dissolvido nas aguas pluviaes, em 
contacto com a terra, ou são absorvidos directamente pelas plantas ou 
reagem sobre os calcareos, formando o azotato de cal que também é 
absorvido . 

As matérias orgânicas do solo e dos adubos, b2m como o ammoniaco, 
em condições adequadas que adiante serão minuciosamente descriptas, 
quando tratarmos das terras, sollrem certas transformações e convertem-se 
por fim em nitrato de cal e de potassa. 

Os nitratos de soda e de potasst, sós ou associados a outros fertili- 
santes constituindo adubos completos, fornecem á plantas outra fonte de 
azote nítrico. 

Os nitratos, graças á sua solubilidade e poier oxydante, são a melhor 
das formas para a nutrição vegetal. Liebig duvidava da sua efhcacia e 
suppunha que o ammoniaco era o único composto azotado capaz de pro- 
porcionar o azote ás plantas. Boussingault, nas suas celebres experiências 
sobre a cultura do Helianthus, em solos esterilizados a que acerescentou 
nitrato, poz em evidencia a ai isorpção directa e completa do azote nítrico 
e o augmento de peso da planta relativamente á quantidade de nitrato 
empregado. G. Ville, Cloêz, Hellriegel, Grandeau c Pougual confirmaram 
essas experiências. Está hoje fora de duvida a acção nutritiva preponde- 
rante dos nitratos. A natureza e os factos provocados pelo homem estão 
claramente a demonstral-o, porquanto quasi todo o azote utilisado pelas 
plantas entra sob a forma nítrica e, quando racionalmente se administram 
nitratos ao solo, é notória a exuberante marcha das culturas e o in- 
cremento das colheitas. 



SOCIEDADE NACIONAL DK AGRICULTURA 



O azote nítrico é sempre absorvido pelas plantas mais rapidamente 
do que sob qualquer outra forma; mas, ainda mesmo nos raros casos 
em que directamente são absorvidas quantidades mínimas de azote 
ammoniacal ou amidado, o phenomeno realisa-se mais lentamente. 

O estudo do azote nitrico receberá o seu complemento nas seguintes 
epigraphes, em que fazemos a comparação das diversas formas sob que se 
nos apresenta o azote. 

(Continú i 



EXPEDIENTE 



Secretaria 

Confereucia — Kealizou-se no dia lã !e setembro, no salão nobre da 
Suciedade, a conferencia do Dr. António Carini, professor do Instituto Pastour de 
S. Paulo, que versou sobre a Febre do Texas ou Tristeza do gadi, sendo essa confe- 
rencia ouvida por numeroso e selecto auditório e tenlo a cila comparecido todos 
os membros da directoria. Snr. Professor Carini discorreu sobro o assumpto com 
a competência que lhe e própria, desfazendo duvidas e controvérsias, c pondo em 
destaque a etiologia da moléstia, o carrapato como elemento vector e os meios de 
tratamento. 

E m tempo opportuno esta Sociedade fará a distribuição om folhetos com gra- 
vuras da conferencia do illustre homem de sciencia. 

Correspondência, durante o mez; de setembro 

Recebida: 

Cartas 375 

Offlcios (íovernos 3 

» Particulares 19 

Circulares 

Telegrammas 5 

409 
Expedida: 

Cartas 1-16 

Offlcios Governos 4 

» Particulares 13 

Circulares 210 

Telegrammas ..." 9 

Noticias 95 

Boletins « A Lavoura » 4.518 

Monographia «moléstias de animaes» 741 

5.766 



Fornecimento de arame farpado 

MEZ DE SEtEMBRO DE 1908 





MBTMGBM 


CUSTO 


PEDIDOS 


Sociedade 


mercado 


Economia realisada 
pelo lavrador 




,99.758 


G:Wí}3im 


9:220$000 


2 313f7O0 



Fornecimento de formicida 

MEZ DE SETEMBRO DE 1908 





tATi8 






custo 




TEDIIIOS 


Fornecido pela 
Sociedade 


Ad.j 


irido no 


Economia realisada 
peio lavrador 


13 


206 


S45|S0 1 


i:030$000 


184$S00 



Movimento da secretaria 

Correspondência recebida 





FI .,C,OS 


ANN03 


Carta. 


Diversos 


Governos 


Circulares 


Tele- 


1900 (de 1 de outubro) 


93 
355 
451 

1.370 
1.579 

2.933 


376 

210 
289 
238 

i73 
lsi 
3iS 


40 
30 
12 

97 
121 
114 

13S 


3 

41 
13 

67 


3 
15 
140 


190;! 


190S 


171 
1 16 
157 
257 






1908 (até 30 de setembro) 




14.173 


2.228 


673 


301 


1.108 



SOCIEDADE NACIONAL DF, AGRICULTURA 

Movimento da secretaria 

Correspontlencia expedida 





o„,c, 03 




Crias 


Diver os 


.ovemos 


Circuiares 


grampas 


ÍSJS (do 26 do janeiro) 

1S99 


229 

491 

yua 

210 

33i 

413 

462 

473 

1.736 

1.878 

2.7 ti 


62 
102 

136 
71 
41 

161 
■> .'3 

237 


59 
136 
7.1 
63 

S7 
13; 

97 
103 


1.014 

4.407 
































1308 (até 30 de setembro) 






9.372 


1.354 


806 


16 5S5 


2.1195 



Fornecimento tlt» arame íttrpado 









cu.ro 








Ped dos 


Metragem 


Quando for- 


Quando adqui- 
rido 
110 mercado 


Economia r^- 
alisada 


1907 

193S (alé 31 do agosto) . . . 


£79 
£93 


31S.Ú20 
1.96S.163 

2. 401.020 


7.; ; Sj 0' 
83riT3i500 


-1:715,0 10 
v> !:S89 SOO 
U7:7..5$õ00 


7:i7i$40D 
33:324$ ou 
32:431*700 




6!S 


4.720 205 


17J:07S:310 


24S::61.jOO0 


75:«8l;*OJ 



Fornecimeiito <lc formicida 







cu 


sro 






Latas 


Quan io fornecido 
ueli Sociedado 


Quando adqu'rido 
no mercado 


sada 


1906 (do março,) 


2.449 
2. COS 
1 620 


10:2S5íSO) 
12:205^200 
6:S04$000 


12:245$000 
11:330^000 
S: 1C0 .000 


1:959489.0 

2:324^890 
l:2JÒ.;S0O 


190S (até ago^toj 




6.973 


29 : 295$ 50 J 


34:875^000 


5:5SOi800 



Secção fochiiica 



Recebemos da casa llerm. Stoltz & C. o seguinte prospecto: 

Para arranjar para a agricultura nas regiões tropicaos ura gálio, próprio 
para o clima destas regiões e capaz do, com as condições de lá, prestar serviços 
consideráveis, foram importados pela firma acima meaeciona la "bulfalos leiteiros 
da índia." São estes animaes muito pesados ode uma coustrucção muito forte, 
distinguindo-so o seu leite, conforme mostram os attestados mais abaixo, por uma 
grande ri^ue/.a de gordura. 

Além disto sào estes animaes muito próprios para trabalbo, sendo em sua 
pátria muito usados para este fim. 

A importação destes bufíulos leiteiros deve-se por isso recommendar como 
soudo especialmente vantajosa para aquellas regiões tropicaes nas quaes se deseja 
um gado que produz muito leite, rieo em gordura, e um gaio que ao mesmo 
tempo é capaz de prestar grandes serviços como animal de trabalho. 




As informações seguintes dão uma iJé.i clara e exicta d) grani) valor eco- 
nómico deste gado . 



«iciKDADE NACIONAL Dlí AGRICULTURA 



Sobre o leito e a utilização pratica do buffalo leiteiro importado da índia 
anterior pela iirma Cari Hagenbeck 

As vaceas dos buffalos leiteiros, quo forneceram o material para os exames foram 
importadas pela firma Cari Hagenbeck, Stelliogen, em fins de fevereiro de 1908, da 
Índia anterior. Todas as vaceas davam, na occasião dooxame do leite leite "novo"'. 
O modo de mugir é o mesmo emprega lo para com as nossas raças nacionaos 
dogado; somente convém mencionar que a vacca do buffalo leiteiro guarda o 
leite um pouco mais e que o ubere, logo antos quo so começa a mugir, deve 
sempre ser amassado com as mãos (imitando-se o* movimentos da novilha) para 
que o leite "corra bem". Caso a vacca tenha uma novilha, deixa-se esta começar 
a chupar, afastindo-a logo que so começa ver o leite nas tetas, e assim continua-so 
a mugir. Os animaes são acostumados a serem mugidos do lado esquerdo, e 
recommendase deixal-os com este costume. 

Quanto ao leite mesmo apresentamos os detalhes de 2 exames feitos separada- 
mente, um por um instituto scientifico, e o outro no laboratório de um chimico 
juramentado, Sr. Dr. C. Enoch-Hamburg. Hermannstrasse, 5. 

A reação do leite é neutra. O gosto do leite é agradável mas muito mais 
doce do que o da vacca. A sua cor é bem branca e não transparente. A camada de 
nata quo se forma em cima do leite depois de umas 12 horas (cerca de 12—15 1. dão 
1 kg. de nata) é, tanto como aquello, bom branca, e assim também a manteiga 
feita desta nata. Diversas vozes se tem feito manteiga, dando 1 kg. de nata de 
leite do buffalo leiteiro como minimo 320 gr. e como máximo 440 gr. de manteiga. 
A manteiga tem um gosto agradável e característico de manteiga, é fácil de 
pôr, podendo-se usal-a para preparar as comidas da mesma maneira que o leite de 
vacca. Q lando no pasto flea esta manteiga, tanto como a das vaceas communs, em 
voz do branca, amarella. 

Quanto a quantidade absoluta de leite do buffalo, fica esta, em litros, menor 
do que a de leite das nossas melhores vaceas leiteiras nacionaes e egual à producção 
do nosso gado dos paizes altos. Como producção total de leite tem as vaceas 
importadas do buffalo leiteiro dado diariamente mais ou menos 10.1, mugidas de 
manhã e de tarde. Xo julgamento critico desta quantidade de leite diária deve se 
considerar que os animaes em questão quanto á comida e tudo encontraram, pela 
importação da índia, novas condições a que nã-> estavam acostumados. Conside- 
rando-se que estes animaes, com o corpo quasi sem pollo, chegaram da sua pátria 
quente para encontrar o nosso inverno, não se pode negar que todas estas cousas 
tiveram uma influencia menos favorável para a producção do leite. E' fora de 
questão que os animaes uma vez liem acelimados e accostumados com a alimen- 
tação daqui, possuem todas qualidades para ficarem boas vaceas leiteiras. Ainda 
que ellas não possam chegar a ser comparadas com as nossas melhores vaceas 
leiteiras, fica todavia a quantidade menor recompensada pela maior riqueza de 
gordura, assucar de leito ealbugem, justamente aquellas substancias que dão ao 
leite o seu valor como alimento, e quo fazem do leite não somente um meio de 
alimento, mas directamente um alimento humano. 

Em vista dos exames bacteriológicos do leite sempre terem dado um resultado ne- 
gativo, isto é, que nunca se tem encontrado no mesmo qualquer bactéria, e mais que 
o leite do buffalo é muito rico era assucar de leite, parece poder ser utilisado.mistu. 
rado com 5o % de agua, como alimento do grande valor para crianças pequenas. 



Leite de buffalo 



INSllTTTO S<'IEN1IKI'"'I) 





Leito de manhã 


Leite ilo ni.uili.i 


leito do tard« 


Leite do Urdo 




6,8 % 

17,57 % 
1 ,03C6 


0,6 % 
17,43 % 
1,0370 


38,8 % 
1,0335 




Peso espec. a temi). He 15o C 


17,81 % 
1,0:135 



cm MH": ' .iui;\mi:\"I uv> 



Peso espec. a tei 
Agu» 

Substancias seccas 

das quites : 
Gordura 



Partes de cir 
Albugem tota 



oiti de maiiliã Leito .lo Urdo 



5,7S 
0,74 



'ARA COMPARAÇÃO DO LEITE DR SENHORA, DE VACCA E DE JUMENTO 
(Conforois Prof. Dr. H. Munclc.) 





loii .'In sonho: a 


Leito de vacca 


l.itit.i 'In liiill.i',. Ioitiiir'1 
(Médio) 


Leito do jnmeute 


Peso esp. á temp. de 15» C. . , . 


9,8 

3,1 
5,0 
0,2 

1,5 


1,026-1,034 
$7.4 
12,0 

3,7 
1,8 

0,7 


1,038-1,034 
84,84-82 ,24 

16,27-17,76 

7,3—5,2 
5,4 

0,75 

4,41 




Substancias seccas 


0,4 








1 Caseína 

A lbii!/ein total. < 

(Albumina . . . . 


1,7 



402 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

O leite do? animaes em questão não apresenta differenças microscópicas com- 
parado com o leití commum de vacc.x, toroando-se porém notável, como era de 
suppor por caim da grande quantidade de gordura que demonstra a tabeliã de 
comparação, o enorme numero de pequenas partes de gordura que contém este 
leite em comparação com o da vacca. 

Tanto na acidificação espontânea como na artificial separa-se a caseina, como 
no leite commum ds vaccas, em flocos. 

"Curioso e vantajoso para o leite é "assim diz o caimico juramentado em seu 
Parecer," a sua grande cousistonoia, sem qualquer transformação. Depois deter 
estado três dias em uma garrafa aborta o leite ainda não tinha (içado azedo.» 



A LAVOURA 



Secção ds plantas e sementes 



Distribuição de plantas e sementes feita na Sociedade Nacional 
de Agricultura, de setembro de 1902 a sstembro de 190S 



ESPECIFICAÇÃO 


UNIDADES 


«2SSL. 


rOMJMBS 


Plantas vivas 








\rveres fructiferas do paiz — Espécies: aba' aleiro, ableiro. 








anona, ameixa amarella, ameixa de Madagáscar, ábricó 








comriM.il, amoreiras, araçá de coroa, bacupary do norte, 








l.e.jlji, butiá. cabelluda. cacaoeiro, cajaseiro manga, 








cajueiro, caoelleira, chrysophy.um kaioytum. cid eira, 








craveiro da índia, cambucá. carambola, cookia aalzata. 








Iji.i-ii a s^eciosa. fructa pão, tructa de conde, fructa da 








condessa, guabu-oba de s. Paulo, genipupo, jambo b anco, 
























o, loureiro, mangueira de Itamaracá, mangueiras 








ir.ei-.as, oityseiro, pimenta do re^no, pimenta da Ja- 








maica, sapola preta, sapouseiro, sapiirai.-,, tâmara e 


12U.342 






Arvores fructiferas de clima frio, plantas florestaes o de 








ornamentação — Esueeies: Amendoeiras, ameixoeiras do 








.lapa-», azarolciras. asufaifelros, avelanciras, castanhei- 








ras, cerejeiras, damasquelros, Agueiras, grosoiheiras. 








takyseiro do Japão, micieiras, niaruie.eirus. moranguei- 








ros, nogueiras, nespereiras, oliveiras, pecegiien os, pe- 








reiras, acácias, aylantus, fraxinus, ultnus, mioio juiibrisin, 








paraizo poante, uuercus, amoreiras varias, catalpas. 








platanus, buxus, Iraxini. tila, acer campestris, ligustri e 


49.039 

4sn 


- 


2.SC6 


Mrdas fel *.-VF>id t 


7 


Sementes germinadas — Espécies : Garcinea man^ustana, 








Isola, mrva ensete, musa fetiche, ervthroxilon coca, ster- 








culia acuminala, pistache, musa avnoldiana, musa textiiis, 








lancium dome-ticum (strafic), castilhôa elástica, minst.ca 








fi-agrans (noz moscada). iodoicL-a sechellarum, strieknos 








(nux vumica). toluifera balsamnm. i i j o I o ^ de champignon 






103 


e landolphia Kirku 


3 227 


— 


Mudas de Agave Si-alana acamada 


2.400 


- 


12 


» » figiíeipas aacionaes 


ir,. 255 


- 


387 


> » aba ff4 xi 


277.6S3 


- 


079 


Raizes de Consolida do Cáucaso (simphyluui asperrimuni) , . 


10 1-0 


- 


189 


Modas de canna da Ilha de Barbados —Variedades: D20!>e 








L: 117, 1.566, 1.753 e 3.412 


5.156 




825 


Mudas de cnnnas nacionaes — Variedades: sem pello, roxa, 








liba o outras , 


7,8*3 




132 


Iiacellos de videira — Variedades de uvas de mesa, vinho e 




porta garfo 


41S.8J0 




5.790 


Knraizados do videira — Variedades de porta earfo 


:, 098 




90 




919 023 


10.488 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



ESPECIFICAÇÃO 


UNIDADES 


KILOOnAMMOS 


«~ 


Cereaes e leguminosas 

Arroz — Variedades: nacionaes: doiiradinho, cattete. pacho- 
linho e de casca preta ; estrangeiros : Maluyaski. Hir- 


- 


14.. "40, 330 

4 .765,350 

S. 970,500 

4.432.000 

3.3 19. 500 

105.300 

0,800 

1.065.1500 




Trigo — Variedades : grego de folha larga da Itália, Victo- 
ria branco, Lniziania. Puro. P.iloma. Argentino, do .lapão. 
molle, Barbado de Rivet. Dourado, Grécia, Escossia de 
inverno. No.'-. Kichelle Blanche de Nápoles, do Cabo, Tou- 
zelle Kouge de Pro vence, Hvbride du Tressor. Kichelle 
Blanche hativr, S.inare Ilead , ThuniiL-er Dividendum, Ma- 
iorica, Rieti, Redondo, Largo, Maqui. Wellmans Life, 
Ruppert, D. Shriff à épi earré, North Allerton, d'Algeria 
Grece dWntros, Schanstedt, Xerez e da Zelândia . . . . 

Milho — Variedades: 90 dias, Condado de Chester, de 40 dias, 
Ferro, assucarado. Cattete. nacional miúdo, Golden 
Beautv.Country Centleman. Adams, Goldep, Comospobtnn 
Minnesota, Witlie Corv. Black Mexican. Snow Flake. 
White Prize, White Èvergrecn, Non Plus Ultra, Mam- 
mouth, Dacota, Yowa Mine Gold, Leaning e Cbaro- 


1.859 


Feijão — Variedades: da China, Branco, Bravo do Piauhy, 
Amendoim do Paraná, de trepar, Amarello, Mulatinho, 
Chumbo e Chocolate : americanos: Everbearing, Ued Va- 
lentine, Best of ali, Cow pea Clay, Whippermill, Boston 




Centeio — Variedades: Saint .Tean, Geftnt de Montagne, Tuflu, 
Margreves, Nasa de Sued, Blen Alpes, Pethkuser, s>. Diniz, 




Soja — Variedades: do .lapão, amarella e preta 


123 


Tremonoa - Variedades: azues, amarellos o brancos . . . . 






37.198,780 


10.27-. 


Forragem 
Capim Jaraguâ 


35.148,000 

10.916.000 
S07.800 
28.250 

11.000,600 
:• 284,850 

4.453,301 


4. 470 

1.330 










Alfafa — Variedades: Saliva de Provença, Medicago Media, 




Aveia — Variedades: Prolífica da Califórnia, Melhorada, Tar- 
taria. Grande amarella, Polonesa branca, Colômbia, 
Suécia branca, Milton. \Ye|ca rm\ Sibéria. '1 riiimpho, Branca 




Cevada — Variedades : petit Oderbruck, da Grécia. Petit 
Blen da Escossia, da Mandcburia, Imperial, Americana, 
de inverno, Chevaber noir bative. t.olta de .oiro da Unha. 
Branca da Grécia, Carne dbivor, Golden Thorpe, Gold 
meloue, Mouiinouth : de verão Hofb.-au, Hannah o Bava- 
ria I.and 


1.749 



A LAY01 HA 



ESPECIFICAÇÃO 


UNIDADES 


PESO FM 


voli;mis 




- 


633,700 
1.488,300 

850.530 
t 858,320 

436,400 
136,600 

390, 14H 
48,500 
1 ld. SUO 
127.350 
79,460 
31,560 
33,300 
15,920 
40,000 

3.. 000 

10.240 

9 . 150 
.". 000 
0,700 




Beterraba forrageira — íeis variedades 


1 171 

73S 










Sorgho — Variedades: IIaleoensis.de assuc 
Trevo — Variedades: violeta, encanado, do 


Japão, Prt 


a tau 


310 




32 




78 


Couve Rutabaga — Variedades: amarella 
Ray Grass — I.olium itaiicum e lolium per 


















23 




43 




-'7 








S 




1 




2 




2 




13 




10 




, 




2 




2 




Marjolin, Victor, 
i '.-, bali, 

r, Halle, Poussè 
leu 1'onlders, l'he 
neen Early, Nen 
, Puritan-Early, 
nperator, Delica- 
br. Maiker, Fin 






«.320,720 


17.027 


Vãmente i diversas 
líatatas — Variedades : Ma^num Iiomi'», 

Royale, Hell- , de r'..l.leliav. I':, ■» ,- 

rouge.Quaraolaine. Scli.-iw 1'rni'ç.— ;<■, - 
Vio ette. Vitelotio. Prince riu liali-s. i 

('an'a'.U."i ; . i'' v'.Í. 1 "i"":m L 1::^' li 'il"l'i' 
debout.Grand Chance ier, < aaTe. Reine 

York n. •.']"l" X na''; ''),".' : , „', . l\'í i 1 , |.|\l'. 


11.535,0 »i 


3.227 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



3SPlíCIF!O\eÃ0 


~ 


KILOCRAMMOS 


VOLUMES 


Algodão — Variedades : Sea Islnr.d, Cpland A len Improvorl, 
Big Bali, TurUestan, Gordon Pacliá, Mit-afite, Peterkin, 
Iwanovitch, Peruviano, Caravouico da Auslralia, .-ca 
Island aclimado, de Pernambuco o do Maranhão 




21. 271, "01 


3.477 


Maniçoba — Variedades: Ceará. Jequiê (Bahia) e Piauhy. . . 


- 


8.965,650 


«.363 


Linhaça — Variedades: Alba.de Nápoles, Campaina. Rigver, 
Comraum e de Erfurt 


- 


805,800 


1.193 


Cânhamo — Variedades : Grande de Nápoles, Commum. Thu- 


- 


367,200 
883,850 




Sarraceno 






_ 


90,630 


s. 


Gyra-sol — Variedades: Branco, da Rússia e da Rússia 


- 


185,8)0 

126,377 
58,100 


56" 


Cebola — Variedades: Maggiola, Mommouth. Bassai o, Mer- 
Teille, Rainha, 1'anz. 1'ella Roccj Vermelha, Del'a Kocca 




Café— Varieda dei: Maragogipe, Bourbon, da Arábia e Botocatíi 


2 


Fumos — Variedades: Flora, Conneclicut, Amerslort, Vir- 
gínia, Marvland, Havana, Sumatra, Kenlucky, General 
Graot, Bunanza, [.anea-t-r. ohi.i, Sahnichi, Sterling. 
Granville. Couutv Yellov/, < lold Leal', Hyce Yellow Pnor. 
Conqueror. \\ bile st«m. 1 andreth. Porto Rico, Tnrk San- 
sum, Bafro Spanish, Cuba, Oronoque Bahia e acliraados. 




53,250 


2.66 




_ 


19, («Hl 


1 




_ 


18,500 


í 


Abóbora — Variedades : Monstruosa verde, amarella, ver- 
melha e branca, Nápoles, ];o^t Marreco. Mudère Patê 

d'Ita.ia, Branca di Maio, Vermelha di China , 




25,800 


88 




- 


19,300 


18 


Linho Pirini 


- 


33,700 


5 


Tomates — Vari' dades: Perfection, grande vermelho, Ficar- 
razzi, Rei Humberto, Poderosa, Cereja, Garfiald, Rubi e 




27,250 


1.03 


Melancia -Variedades: Favorita da Florida, TíoIb's Gem, 




9,455 


15 


Melão — Variedades: r-etted Gem., PiVific. Klecley Sweet 
da Florida, Abundantia, assnear do Tonrs Red di Nápoles 
Branco di Nápoles, Portugal, Monstruoso Turquia, da 




20.010 


67 


Eucalvptus — Variedades; Globulus, Gignntea, Peperita. Re- 
sinifera, Amygdnlina, Robn«ta, Obliqua, Rostrata, Vini- 




2".,1T5 


2.27 




~ 


7,',i90 
0,456 


4 




12 


Iuulo 


4S 


Salt Bush 


- 


3,850 




Cannas (em toletes) — Variedades: Sm pello, Cayana, Porto 


- 


29.1<!4,000 


15 







A LAVOU KA 



_» 


UNIDADF8 


«ZÉS- 


VOLUMES 


Ramas de mandioca —Variedades: Aipim do Bauró, Rosa, 
Casca de Carvalho e Sulinga roxa. . . v 

Sementes — De fructas nacinnaes, arvores do sombra, ma- 
deiras de lei e plantas medicinaes 


- 


1.O7S.00O 

191,750 

6,000 

1 ,950 
8,000 


ro 


Outras sementes — Variodades: llesmodtum Tortunsum, Erio- 
dendroo, Anlracluos mu, stiiliagU Sebifera, chiiimova, 
Krythrina Umbrosa, Santalum Álbum, Quassia Amara o 


~A 


Cen [bre (tubérculos 


2 


g 






68.326,463 


21.751 




919,023 


177.845,963 









ro de pedidos da secção de plautas e se 

Recebidos 

Satisfeitos 



durante o mesmo período: 



NOTICIÁRIO 



Estado de Pernambuco- Organização do serviço agronómico. Pelo 
governador do Estado do Pernambuco foi sanecionada a lei n. 940 do Congresso 
Legislativo, pela qual 6 autorizado o Governo a croar o serviço agronómico do Es- 
tado. E' o seguinte o seu texto : 

Art. 1 ,° Governador do Estado fica autorizado a crear o serviço agronómico 
que comprehenderá e terá por fim o seguinte : 

§ 1» O enskio profissional agrícola. 

§ 2.» O estudo não só dos actuaes systoma do cultura e da industria pastoril, 
como de culturas novas adaptáveis ás diflerentes regiões do Estado. 

§ 3.° A organização de estatística sobre a agricultura em geral, bem como o 
estudo das condições de producção, de consumo no Estado ou fora delle, dos prodti- 
ctos do exportação ou daquelles que possam vir a ser objecto de eommereio exterior 
do Estado, para informação dos interessados. 

§ 4.° A distribuição de sementes e plantas que convenha generalizar. 



•40S SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Art. 2.° Para esse flm o Governador do Estado poderá : 

I .» Estabelecer em pontos que julgar mais convenientes, nas proximidades das 
estradas de forro, até 1 seis escolas agrícolas e pastoris para systematizacão das cul- 
turas existentes o exploração de novas culturas e para aoclimacão de boas raças de 
aniraaes, devendo cada escola ter um campo do demonstração, um laboratório e 
uma bibliotheea. 

A primeira escola será montada no município do Recife, ou nas suas proximi- 
dades e terá um posto zootechnico. 

2." Contratar professares ou instructorcs ambulantes para o ensino pratico de 
culturas agrícolas de modo que sejam facilitados e divulgado.* os conhecimentos 
modernos sobre agricultura e applicação de macbioas para o mesmo fim. 

3." Organizar na Secretaria da Industria uma secção especial, composta de um 
chefe, um ajudante e dous auxiliares, destinados exclusi vãmente á estatística, á dis- 
tribuição de sementes e aos negócios da agricultura. 

4.° Crear oommissões municipaes do agricultura com sele em cada município, 
comDosta de cinco membros, todos agricultjres e residentos nos respectivos muni- 
cípios, para o fim de auxiliar o Estado e representar os interesses da agricultura 
local e cujos cargos são gratuitos. 

5." Estabelecer o ensino superior de agronomia na Escola Livro de Engenharia 
Civil do Estado, á qual poderá annexar uma estação experimental e posto zoote- 
chnico, organizando para isto os respectivos programma o rogulamento. 

Art. 3 o . Nas escolas agrícolas o Governo estabelecerão ensino technico, dan- 
do-lhe o cunho mais pratico possível e manterá não só reproduetores bovinos de 
raças oscolhidas e outras espécies do animaes. que serão cedidos gratuitamente para 
a fecundação na própria Escola, como um stock de machinas aratorias o de benefi- 
ciamento, as quaes serão ce lidas pelo custo a quem quiser compral-as. 

Art. 4°. O curso das escolas será de dous annos e as condições para a admissão e 
matricula serão estabelecidas em regulamsnto que o Governo do Estado organizar. 

Paragrapbo único. O ensino nas escolas será gratuito. 

5 o , O pessoal de cadi escola será composto do professores até o numero de seis 
inclusive um mostre de culturas e dos auxiliares que forem oitrictamente neces- 
sários e cujos vencimentos serão marcados pelo Gove.nador do Estado. 

Paragrapbo único. A nomeação do mestre de culturas, que poderá sor contra- 
ctado, deverá recair em pessoa que conheça a agricultura do paiz, os proeesisos de 
cultura aratoria e quoos tenha praticado por conta própria ou de terce ra pessoa. 

Art. 6.° Tanto os mestres de cultura como os demais professores serão conser- 
vados emquanto bem servirem, podendo ser dispensados a todo tempo. 

Art. 7.° As escolas agrícolas receberão, além dos alumnos, cujo numero não 
excederá do 30 em cada escola, os trabalhadores que os agricultores ou fazendeiros 
lhes enviem para aprendizagem do manejo de instrumentos aratorios, não exce- 
dendo de 30 dias a sua permanência no estabelecimento, 

Art. 8.° Findo o prazo de aprendizage m de que trata o ait. 4." os alumnos 
serão submettidos a um exame das matirusqu* tenham feito parto, tanto do curso 
pratico como theorico. 

Paragrapbo único. Apurada a habilitação do alumno em todas as matérias, 
se-lhe-á dado um certificado, que o habilitará a mestre do culturas em qualquer 
escola agrícola do Estado. 



A LAVOURA 409 

Art. 9. Em cada escola realizar-se A annualmonte uma exposição tanto di) pro- 
duetos agrícolas, como ile animaes, executando-so nossa occasião, perante o publico 
e no campo, trabalhos agrícolas com instrumentos aratorios usados na escola, ou 
outros que a experiência tenha dosmonstrado vantagem sobre os adoptados. 

Paragrapho único. Para essa exposição poderão Governo estabelecer premio-;, 
que não excederão de dous para cada espécie de animaes. 

Art. 10. As municipalidades ou associações particulares quo fundarem escolas 
agrícolas, do accordo com o regulamento que for dado para execução desta lei, po- 
derá, o Governo auxiliar pela forma que julgar mais conveniente, devendo, porém, 
este auxilio consistir em fornecimento de machinas, ferramontas agrícolas, se- 
mentes c animaes de raça para reproduetores. 

Art. 1!. Serão de preferencia fun ladas escolas agrícolas nos municípios que 
offarecerem ao Governo uma área de terreno suffleiente, casa e a importância do três 
contos de reis (3:000?000) em dinheiro, por uma só vez. 

Art. lá. Pod Tá também ser creado a c irgo da secção de estatística um boletim, 
quo publicará mensalmente, não só todos os actos olliciaes expedidos o que inte- 
ressem á agricultura, como artigos sobro questões do interessa geral da lavoura e 
o resumo dos relatórios e informaçõss fornecidas pelos mestres de culturas ou ins- 
pectores do serviço agronómico. 

Paragrapho único. O boletim será distribuído gratuitamente pelas escolas agrí- 
colas, commissões municipaes, prefeitos e chefes das repartições do Estado. 

Art. 13. Além das escolas do que tratam os arts. 2 o , 3', 4 o , 5\ 6°, 7", 8° e 9» e 
de outros serviços de que cogita a presente lei, o Governo fica autorizado a fundar 
as instituições necessárias a completarem a organização do serviço agronómico e 
zootechnico do listado e a dar-lhes os respectivos regulamentos. 

Art. 14. A receita para a installação e custeio do serviço agrouomico do Es- 
tado será constituída pelo seguinte : 

Paragrapho 1 .° Pela verba quo for decretada no orçamento do Estado. 
Paragrapho 2.° Pelo imposto predial que for lançado e do qual o Governo, em 
caso algum, poderá lançar mão para qualquer outra despesa. 

Paragrapho 3.° Pelas doações ou auxílios que o Ooverno da Uuião, as munici- 
palidades e os particulares fizerem. 

Art. 15. Para a execução da presente lei o Governador do Estado fica autori- 
zado não sóa despender ate- a quantia de conto e cincoenta contos de réis (150:00iiã), 
pari o que poderá abrir o respectivo credito, como a expelir o necessário regula- 
mento. 

Art. 15. Revogam-S3 as disposições era contrario. 
Senado do Estado de Pernambuco, em 8 do junho de 1908. 



SyndicatoH agrícola,* -Fundou -se em Cametã, Estado do Pará, o 
Syndicato Agrícola Cametáense, filiado á associação congénere, que tem sua sede 
em Belém. 

—O Syndicato Agrícola Abaetéense, tarabem do Estado do Pará, desdobrou-se 
em uma cooperativa de producção de milho, algodão, arroz e feijão, contendo já 
mais de 40 sócios mscriptos. 



110 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Instituto Itttertt*oionaldo A<?ricultura-Pclo Si'. Presi- 
dente da Republica foi sanccionada a resolução legislativa, approvando o accordo fir- 
mado em Roma, pira se estabslecjr um Instituto Internacional do Agricultura, 
com sede na mesma cidade. 

Ffcetoeneíicianieiito do café.- Foi inaugurada em Bello Horizonte, 
com apresençi do Presidente do Estado, a machina para rebenoficiamento 8 aper- 
feiçoamento do café, fabricado em Hamburgo, pelos Srs. Paul Kaack & Companhia 
o de que são agentes únicos no Brazil os Srs. Dr. João Baptista da Castro, João 
Baptista de Castro Júnior e José Bode. Esta machina, Installada na secção do café 
da Directoria do Agricultura do Estado é a segunda montada no pailz, a pri- 
meira sendo a existente em Santos, onde tem prestado grandes sorvços, larga- 
mente utilisada como tem sido. Experiências feitas demonstraram ser olla perfei- 
tamente apta a manipular o café, imprimindo-lhe o typo desejado, como ficou 
evidenciado pelo cotejo com os typos existentes na mesma directoria. 

Hm lavrador que assistiu o seu funcionamento, escreveu as seguintes linhas para 
o «Jornal do Commercio» do Juiz de Fora, que transcrevemos com a devida vénia: 

Vio café antes de entrar nas machinis — Massifiquei-o typo 8— ruim e cor de 
terra; saiu das raic.iinis bam bmito e b3m repara lo ; venJo a mostra primi- 
tiva, não se dirá que 6 o mesmo. 

Vi em três latis amostras do um mesmo café — uma a primitiva, classifiquei 
typo 7, e as outras duas proparaias: superior despolpa lo, brunido com a bella côr 
azulada. O europeu elassiflea-o do Porto Rico. 

Ninguém diria serem os mesmos um e outro. 

Vi em três tiras de papel as diversas colorações que po lemos dar ao café— 
mais de 30 as diversas mircas que com facilidade e pratica emprestamos ao nosso 
principal produeto. 

A machina é uma maravilha. 

A còr é impregnada asecco, ein pó misturado com agua no regador o junto ao 
café. Inútil ó dizor que a côr é tirme, nada a faz deixar o café o é do tolo inosua, 
completamente inollensiva. 

Tudo tem por fira dar ballcza e enganar a vista. 

E' uma maravilha, repito. 

A Cooperativa Agrícola de Juiz de Fora vao ter uma dessas machinas, o é 
caso para dar parabéns a ella, so conseguir um pessoal idenco e pratico que pos- 
sa mauejal-a com intelligencia e amor. 

Nesta zona, onlo o café é de boa classiiieição, passaremos a só vender typos 
especiacs— despolpados, 1 e 3». 

Fazenda Modelo —0 Ministro da Viação mandou pôr ã disposição do 
Estalo de Minas 20:000$, para a fundação de uma fazenda modelo, com campos 
de demonstração, no mauicipio da Campanha, no mesmo Estado. 



Valorização do assucar- A Colligaçao para Valorisacão do As- 
sucar, em sessão solemne e de accordo com os representantes da Sociodade Auxi- 
liadora de Agricultura e União dos Syodieatos Agrícolas, resolve, para valorisar 
a safra de 1908—1909, o seguinte: 

1", acceitar a avaliação da safra em 1.800.000 saccos; 



A LAVOURA 411 

2", determinar a fabricação, no principio da safra, do 20% em assucares typo 
Demerara e bruto mellado com destino exclusivo á exportação estrangeira ; 

3 o , estabelecer que se ordenará maior porcentagem se as circumstancias assim 
o aconselharem ; 

4 o , prohiblr as vendas, de assucares brutos e seccos e purgados de banguês até 
o dia 15 (quinze) de outubro de 1908, ficando entontido que não se poderá transigir 
com os banguès que não tiverem fab.-icado a sua quota do brutos mellados; 

5", as usinas, depois do terem complotado a sua quota de Demerara, fabri- 
carão as qualidades que a commissão determinar, de aecordo com as necessidades 
des mercados comsumidores do paiz ; 

6", as valorizações das safras de usinas e banguès serão submettidas ao juizo da 
Colligação, Sociedade Auxiliadora de Agricultura o União dos Syndicatos Agrícolas. 

Recife, 24 de julho do 1908. — Pela Colligação para Valorização do Assucar, 
Joiquhn Limi da Amorim, presidente. — JoCu Eustáquio Pereira (Faneca), secre- 
tario.— Francisco de Assis Cardos.), thesoureiro. — B. de Senna Pontual. — Luiz 
Ferreira Gomes di Silva. — A/fonso Taborda. — Johm Thom. — Álvaro Pinto Abreu. 

Concordamos. — Pela União dos Syndicatos Agrícolas. —Manoel Colaço Dias, — 
Geroncio Iii \s de Arruda Falcão. — Pula Sojiedado Auxili tdora de Agricultura.— 
Davinos dos Santos Pontual . — Samuel dos Santos Pontual . 



PARTE COMMERCIAL 



SstembrodslSOS 

<3cenei*o.-* importados 

Banha americana 5J0 barris 070 a 080 a libra 

Carne secja 1 1 . 3 !i fardos — — 

Os preços regularam como se segue: 

Rio Granle (systemi antigo Não ha 

Dita (systsma platino) nova $Gs0 a $720 

líio da Prata, nova, patos e mantas .... $33.1» $720 

Iiitas idem, manta só , . . $700 » $860 

Farinha de trigo 7.100 barricas 

Os preços regularam como se segue: 

Americana (barrica) Não ha 

Dita (sacco) Não ha 



MJC.ircPADE NACIÚWI, DE AGRICULTURA 



/ a quinzena 

Por 2 saccas 
Rio da Prata : 

1» qualidade 24s500 

2 a dita 23$500 

3 a dita 22$000 

Moinho Inglez: 

Nacional 23í500 

Brazileira 22$700 

Buda-Naciomil 24$700 

Moinho Flurninenso : 

S. Leopoldo 24$000 a 24$590 

O. 23$000 » 23$500 

2' quinzena 

Americana (barrica.) Não ha 

Dita (saceo) Não ha 

Por 2 saccos 
Rio da Prata : 

I a qualidade 25$000 

2 a dita 24$000 

3 a dita 23$000 

Moinho Inglez : 

Nacional 24§000 

Brazileira 23$20O 

Buda-Nacional 25$200 

Moinho Fluminense : 

S. Leopoldo 24$500 

O. 83$500 

; a quinzena 

Manteiga — 2.761 caixas : 

Os preços foram os seguintes: 

Demagny, Isigny (latas sortidas) 2 ? 530 a 2$550 

Brétel Freres (latas sortidas) 2$220 » 2x240 

Lepelletier 2$470 » 2$480 

Modesto Gallone (sortidas) 1$850 » 1$950 

Esbousen Nilo ha 

L. Brum 2,^540 a 2$550 

Buske Júnior 2$350 » 2$380 

Marclet Não ha 

Outras marcas l$8D0 » 2J000 

A nacional vendeu-se : a do Minas, de 3$200 a 3$600, o a do Sul, de 2$400 
2$800. 



2 J quinzena 

Domap-ny, Isigny (latis sortidas) 2$520 a 2$530 

Brotei Fròres (latas sortidas) 2{200 » 2$220 

Lepelletior 2?420 » 2$440 

Modesto Gallone (sortidas) 1$850 » 1$900 

Esbousen Não ha 

L. Brum 2$550 a 2*600 

Busko Júnior 2$350 » 2^360 

Marclet 2*200 » 2$220 

Outras marcas 1$800 » 2$000 

A nacional vendeu-so : a do Minas, do 3$<300 a 4$ ; a do Sui de 2$400 a 2$800. 

Café 

Venderam-so 223.000 saccas contra 120. SOO no mez anterior. 

Entraram 305.538 saccas contra 333.608 no mez anterior. 

Existência no dia 15 — 380.950 saccas contra 331 .318 no dia 31 do agosto. 

Existência no dia 30 — 379.023 saccas contra 360.950 no dia 15. 

As cotações foram: 

í a quinzena 

Por arroba Por 10 kilos 

Typo n. 5$000 a 5$900 3$813 a 4$017 

» » 7 5$200 » 5$500 3$540 » 3$744 

» » 8 4$900 > 5$200 3?336 » 3$540 

> > 9 4*600 > 4$900 3$132 > 3$336 

2 a quinzena 

Por arroba Por 10 kilos 

Typo n. 6 5$700 a 5$800 3$881 a 3$949 

» » 7 5$300 » 5$400 3$008 > 3*676 

» » 8 ...... . 5$000 » 5$100 3$404 > 3$472 

» » 9 4$700 » 4?800 3*200 » 3$268 

Na I a quinzena em New- York o typo n. 7, disponível, do Rio, foi cotado até o 
dia 4, a 6 c. por libra e o de Santos a 7 5/16 c. De 8 em diante, o do Rio cotou-se a 
6 1/8 c. e o de Santos a 7 7/10 c. 

Na Bolsa, as cotações subiram de 5.70c. em 1 a 5.80 c. em 2, 3e 4; e a 5.90 c. 
em 8, 9 e 10. Declinaram depois para 5.85 c. em 11 o 12 e para 5.75, c. era 14 e 15. 
Vendoram-se 204.000 saccas, contra 484.000 na quinzena precedente. 
O preço mais baixo registrado na Bolsa do Havro foi de 40 francos por 50 kilos 
em 1, e o mas alto 42.25 francos em 7, 8 e 10. 

Nos outros dias regularam os seguintes: 42 francos em 9 ; 41.75, em 11 e 12 ; 
41.25, em 5e 14; 41, em 3; 40.75, em2e4; 40.50, em 15. 

Na 2 a — o typo n. 7, disponível, do Rio, foi cotado a 6 1/8 c. por libra durante 
toda a quinzena. O de Santos cutou-se a 7/16 c. ató o dia 26 e a 1/4 c. nos três 
últimos dias do mez. 

s;2* 7 



,lí 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Na Bolsa registraram-se as seguintes cotações : 5.83 c. o. em 17, 18 o 19; 
5.75 c. em 16; 5.00 c. era 30 ; 5.55 c. em 29, e 5.50 c. nos demais dias. 

Venderam-se 253.000 saocis, contra 204.003 na quinzena precedente, eem se- 
tembro 457.000, contra 678.000 era agosto. 

O preço mais alto registrado na Bolsa do Havre foi o de 41.75 francos por 50 
kilos em 16, 17 18, e o mais baixo o de 38.71 c. em 2o. 

Nos outros dias vigoraram os seguintes • 40.75 era 16; 40 frs. em 21, 22 o 30 ; 
33.50 em 23, 21, 25 e 29 ; 39 frs. em 28. 

Foram vendidas 216.000 saceas, contra 230.000 na quinzena anterior, ou sejam: 
440.000 ora setembro, contra 304.000 em agosto. 

As entradas do Rio, retalhadamente, foram: 



í a quinzena 



Sacras 



Estrada de Ferro Central do Brazil 68.148 

Cabotagem 8.709 

Barra dentro 95.383 

Total 172.330 

2* quinzena 

Saccas 

Estrada de Ferro Central do Brazil 75.599 

Cabotagem 7.565 

Barra dentro 110.094 

Total 193.258 



Géneros nacionaes 



A.g- tia rden te 



Durante o mez todo a posição do mercado foi duvidosa, notando-se, no fim 
do mez, tendência para maior baixa. Esteve na primeira quinzena muito frouxo. 



Preços 

Paraty 160$000 a 170$000 

Angra 150|000 » 155$000 

Campos 140$000 » 145$000 

Maceió 140$000 » 145$000 

Bahia 140$000 » 145$000 

Pernambuco 140$000 > 145$000 

Aracaju 140$000 > 145$000 

Sul 140$000 » 145^000 



O Estado Moderno 

e a Agricultura 

Leiam esse bello, 

útil e interessante livro 

de 500 paginas, ampla e 

nitidamente impresso e illustrado. 

K' um trabalho, 

na opinião dos críticos, 

«de grande fôlego 

e que deve figurar na estante 

de todo brazileiro». 



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Em talas as livrarias do RIO, S. PAULO e CAMPINAS. 



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de arvores Iructi- 
feras nacionaes e 
extrano-eiras, arvo- 
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ornamentação, por 
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pre Je 10 a 12 mil 
pés, e acondicio- 
namento, despa- 
cho e plantações 
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tados do Brazil. 






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Alfredo da Silva Ribeiro 



Vi. 



INDUSTRIAS NUEVAS DE GRAN PORVENIR 

AVICULTURA — APICULTURA — LECHERIA 



LA INCUBADORMi.isi.ln recnnoci.li ser el fac- 
tor principal en Ia Crfa de aves ; la persona que 
desea adelantar en esta industria, debe tener 
Incubadoras, . riader >s, aves buenas v un iibri 
práctico sobre la crianza, etc. 

Las incubadoras que vndemos, v de (as cuales 
hay en .is . má de 10.000 en la Repdblici \rgen- 
tina, todas vendidas por nos tro-, sen aparatos 
modernos de primeira clase y automáticos que 
necesitan solo ã minutas de trabajo por dia. ba- 
ranj mos a empo 

Aves de raza pura procedentes de nuestro 
criadern "txcelsior" se consideian mejores. que 
aquellas que se importait dei exterior, porque 
estan completamente aclimatadas Teneinns tio 
razns entre ;00 . aves. 

Los l.ue os para incubar que vendemos son 
tan buscados que bny que . edirlos c.in vários 
dias de anlicipacion. "l.a calidad de los pollos 
obteni.los de estos buevos se recuerda por mncho 
mas tiempo que el precio que se habia pagado [.oi- 
tos huevos. 

Remitimos luievos frescos de aves de sangre 

correo á todas las Republicas Suil-ainoricanis, 
i.iandandonos por carta certiBrada 
15..00) reis por docena de huevo^. 



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mos con HO l páginas de text ■ y más de loujilos 
traciones, es el mejor libro sobre la crianza de 
aves, construcción de gatlineros, eníeruiedades- 
de aves, cria de patos, pavos. gansos, palomas. 
conejos, abejas y perros ; conliene descripcíones. 
y vistas «le muchos ciiader..s extranjei-os. etc. . 
etc. Recomendada por las autor dades dei ramo 
y los grandes diários de esta República Precio. 
con franqueo pagido 10.000 reis 

f picultura Moderna ó El cultivo d» Abejas. Te- 

para apicultores. Precios y descripciAn en"el libro- 
mencionado arriba. 

Letleria. labricación de manteca y quesos. le- 
cbes pasteiiri/ada. etc Podemns facilitar ã los 
interesados las mejores máquinas, aparatos y 
útiles, cuya deacripeión delallada se eucuentra 
en las dos obras ilustradas v uiblicudas por la 
casi : Lecheria Moderna y Manual dei Quesero 
premiadas en la Fxposición de St. Lou-s. Precio. 
de cada obra 5.000 reis. 

I,i cas-i de Reinhold es la mas antigua, vasta 
y mejo • su tida de toda la América dei S.id, esta- 
blecida desde más de *0 anos. 

Pidanse los catáloiíos ilustrados ro» prerioa de 



todn 

carta certificada á 






^fllpyijidia ffLeinkaUl. 

Calle Belgrano 451, Buenos Aires, República Argentina. 
(Agencia — La Aurora) 



2* quinzena 

Paraty 150*000 a 1RO$000 

Angra 140$000 > 145$000 

Campos 130$000 » 135$000 

Maceió 130$000 » 135*000 

Bahia 130$000 » 135$000 

Pernambuco 13fl$000 » 135$000 

Aracaju 130$000 » 135*000 

Sul 130$000 » 135$000 

Álcool 

No mercado deste género as entradas foram insignificantes ; mesmo assim, o 
mercado soffreu baixa nos preços, sendo indecisa a sua posição. 

/• quinzena 

40 gráos. . . , 2S0$000 a 285?000 

38 > 260$000 » 265$000 

36 > 250$000 > 225$000 

2* quinzena 

40 gráos 270$000 a 275$000 

38 » 250$000 > 255$000 

36 » 240$000 > 245$000 

Algodão em rama 

Devido á escassez das entradas e melhores noticias de Liverpool, o mercado 
na I a quinzena tornou-se mais firmo e os preços tiveram alta. 

Na 2* quinzena do mez raantove-se estacionário o mercado deste producto, 
cujos preços acham-so agora de paridade com os de Liverpool. 

O movimento geral do mercado foi o seguinte : 

/» quinzena 

Fardos 

Existência no dia 31 de agosto 19.144 

Entradas : 

Mossoró 800 

Pernambuco 600 

Parahyba 322 

Assú 204 

Ceará 200 

Somma 2.126 

Total 21.270 

Sabidas dos trapiches 5.124 

Existência no dia 15 do setembo 16.146 



416 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA. 

Preços : 

Pernambuco 9.?300 a 95800 

Parahyba 9$200 » 9$600 

Ceará 9$300 » 9$800 

Penedo Nominal 

Sergipe Nominal 

Maranhão Nominal 

2» quinzena 

Fardos 

Existência no dia 15 16.145 

Entradas : 

Parahyba 1.839 

Pernambuco 637 

Natal 1.750 

Ceará 600 4.826 

20.972 

Sahidas dos trapiches 6.566 

Existência no dia 30 14.406 

Preços : 

Pernambuco 9$300 a 9$500 

Parahyba 9$000 > 9$230 

Mossoró 9$000 .. 9$200 

Ceará 9$300 » 9$500 

Penedo Nominal 

Sergipe Nominal 

Maranhão Nominal 

Assucar 



Este marcado esteve na I a quinzena em situações precárias, continuando assim 
até o fim do mez, conservando-so as cotações sustentadas, embora não tenha havido 
movimento melhor, nas remessas para o interior. 

Neste periodo os supprimentos recebidos constaram de 40.184 saccas, sendo de 
Pernambuco 2.469, de Sergipe 4.000 e de Campos 33.712; as sahidas dos trapiches 
foram de 42.001 saccose a existência era orçada, em 207.103 saccas. 



Os preços regulam como se segue : 
Pernambuco : 



Branco resina — — 

Dita crystal $500 a $520 

Dito 3 a sorte $500 > $520 



A LAVOURA 



Crystal amarello $410 » $430 

Mascavinho $400 » $440 

Somenos $410 > $420 

Mascavo bom $340 > $350 

Dito regular $330 » $335 

Dito baixo $300 

Sergipe : 

Branco crystal $490 » $500 

Chrystal amarello $400 » $430 

Mascavinho $380 » $450 

Mascavo bom $340 » $350 

Dito regular $330 > $335 

Dito baixo $300 

Campos : 

Branco crystal $530 a $540 

Dito do 2» jacto $450 » $470 

Crystal amarello $450 > $460 

Mascavinho $390 » $450 

Bahia : 

Branco crystal $510 a $520 

Dito 2 o jacto — — 

Mascavinho — - 

Outras procedências : 

Mascavinhos — — 

2 % quinzena 

Neste período os supprimentos recebiJes constaram de 62.020 saccas, sendo de 
Pernambuco 669, de Sergipe 1.248, do Campos 57.463, da Bnhia 400, de Maceió 
1.634, da Parahyba 1.634 e de outras procedências 73; as sahidas dos trapichas 
foram de 4;!. 038 saccas e orçando-se a existência em 228.958 saccas. 

Os preços regularam como se segue : 

Pernambuco : 

Branco resina — — 

Dito crystal $500 a $520 

Dito 3 a sorte . . . . • $500 » $520 

Crystal amarello $420 » $440 

Mascavinho $410 > $440 

Somenos $420 » $430 

Mascavo bom $340 » $350 

Dito regular — — 

Dito baixo $320 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Sergipe 



Branco crystal $500 a $520 

Crystal amarello — — 

Mascavinho $400 » $450 

Mascavo bom $340 » $350 

Dito regular $330 > $335 

Dito baixo c $320 



Campos 



Brinco crystal $530 a $540 

Dito 2 o jacto $480 » $500 

Crystal amarello $450 > $460 

Mascavinho $390 >$460 

Bahia : 

Branco crystal $510 a $530 

Dito 2 o jacto — — 

Mascavinho — — 

Outras procedências : 

Mascavinho — — 

Cereaes 

í 1 quinzena 

Saccos 
Arroz nacional 22$000 



Dito inferior 16$000 » 20$000 

Dito agulha, 1» qualidade 39$500 » 40$000 

Dito, 2 a qualidade 35f000 » 36$0O0 

Dito, 3 a qualidade 2S$000 > 30$000 

Feijão preto de Porto Alegre Nominal 

Dito idem da terra 9$000 a 10$000 

Dito idem de Santa Catharina, superior. . , Nominal 

Dito do Paraná Nominal 

Dito mulatinho Nominal 

Dito manteiga 18$000 a 20$000 

Dito enxofre, nacional 12$000 » 13$000 

Dito de cores, nacional 7$000 a 9$000 

Farinha de mandioca especial 9$500 » 10$500 

Idem flna 8$800 > 9$200 

Idem peneirada 8$200 » 8$G00 

Idem grossa 6$000 » 6$400 

Idem, do Norte (grossa) — — 

Idem de_Laguna (grossa) 6$400 > 6$600 



LAVOURA 



Milho amarello do Norte Não ha 

Idem da terra 7$200 a 7$400 

Idem, idem misturado 6|500 » 7$000 

Cangica 15$000 » 16$000 

Favas 8$000 > 8*500 

Kilogrammas 

Alpiste $360 a $400 

Fubá de milho $130 a $500 

Mate em folha $400 » $500 

Tapioca $320 » $360 

Polvilho $180 > $200 

Carne do porco $580 » $040 

Linguas do Rio Grande (uma) 1$000 » 1$200 

2 a quinzena 

Saccos 

Arroz nacional 22$0OO » 24$000 

Dito inferior 16$000 » 20$000 

Dito agulha, I a qualidade 38$õ00 » 39$000 

Dito, 2' qualidade — 35$000 

Dito, 3» qualidade 30$000 > 31 $000 

Feijão preto de Porto Alegre Nominal 

Dito idem da terra 9$000 » 10$000 

Dito idem do Santa Catharina, superior. . . Nominal 

Dito do Paraná Nominal 

Dito mulatinho Nominal 

Dito manteiga 18$000 a 20$000 

Dito enxofro nacional 12$000 » 13$000 

Dito de cores, nacional 7$000 > 9$000 

Farinha de mandioca, especial 9$200 » 10$200 

Idem, flna 8$600 » 9$000 

Idem, peneirada 8$000 > 8$400 

Dita idem, do Norte (grossa) — — 

Dita idem, Laguna (grossa) 6$000 » C$400 

Milho amarello do Norte Não ha 

Idem da terra 8$500 a y$000 

Idem, idem misturado 8$J00 » 8$500 

Cangica 15$000 » 16$O0O 

Favas 7$000 > 8$000 

Kilogramma 

Alpiste $330 a $440 

Fubá de milho $140 » $150 

Matte em folha $400 » $500 

Tapioca $320 » $400 

Polvilho $180 » $200 

Carne de porco $640» $700 

Lin?uns do Rio Grande (uma) $900 » 1$200 



SOCIEDADE NACIONAL DE AORICULTURA 



Fumo em rolo 

Os negócios foram pouco importantes durante todo o mez: 

/ a quinzena 

Preços 

De Minas, especial 1$400 

Dito superior 1$200 

Dito 2 a 1$000 

Dito ordinário $900 

Goyano, superior 2$200 

Dito 2» 1$500 

Baixo Nom. 

Rio Novo, superior 2$000 

Dito 2» 1$400 

Dito baixo $900 

Pomba, superior 1$4<>0 

Dito 2 a 1$200 

Dito baixo 1$200 

Carangola I$200 

Picú, especial 2$400 

Dito I a 1$300 

Dito 2» $900 

Bahia 1$100 

Pernambuco Não ha 

2 1 quinzena 

Dita de Minas, especial 1$400 

Dito superior 1 $200 

Dito 2 a 1$000 

Dito ordinário $900 

Goyano superior 2$200 

Dito 2* I$õ00 

Baixo Nora. 

Rio Novo superior 2$000 

Dito 2 a 1$400 

Dito baixo $900 

Pomba superior 1$400 

Dito 2» 1$200 

Dito baixo 1$200 

Carangola , 1$200 

Picú, especial 2$400 

Dito 1» 1$800 

Dito 2» $900 

Bahia 1$I00 

Pernambuco Não ha 



A LAVOURA 



Sal 

Entraram 2.935.948 kilos por cabotagem do nacional, que se cotou <Je £$ a 
2$200 por 40 litros. 

Mercado monetário 

A existência de ouro na Caixa de Conversão a 15 do setembro era: 

Libras esterlinas 5.340.942 

Francos lo.3;8.090 

Dollars 128.740 

Liras 80 

Pesos argentinos 2.460 

Ouro nacional 150:480$ 

A importância de notas conversíveis em circulação era de 91.747.260$. 

Em 30 do setembroo era: 

Libras esterlinas 5.307.477 

Francos 10.302.3u0 

Marcos 1 000 

Dollars 122.745 

Liras 360 

Pesos argentiuos 2.470 

Pesetas hespanholas 100 

Ouro nacional 151:320$ 

A importância do no ".as conversíveis em circulação era: 9á.210:770$U00. 

preço dos soberanos fora da Bolsa foi de 16.025 a 16.050. 

CAMBIO 

As luxa-; oilleiaus continuaram a manter se inalteradas, a 15 l /s d. sobre 
Londres nos bancos estrangeiros e 15 3 / )6 d. no Banco do Brazil. As transacções 
bancarias fizeram -se a esses extremos e ao do outro papjl de 15 5 / 3 , a 15 ;i /i« d- 
não se registrando movimento digno do nota. 
Os extremos das cotações otflciaes foram: 

Londres, 90 d/v 15 1/8 e 15 3/16 d. 

Paris, 90 d/ v $630 a $632 

Hamburgo, 90 d/v $776 » $779 

Portugal. 3 d/v 310 » 32ó \ 

Itália, 3 d/v $638 » $039 

Nova- York, á vista 3$Í88 » 3.310 

Vales, ouro — » 1$793 

O valor offlcial do mil reis foi de 560 a 503 réis, ouro. e o da libra de l r >$803 
a I5$868. 

Ágio do ouro 77,77 a 78,51 % . 

&&£&$€€€€ — 

872Í 8 - 



sor.lKDADK \ \i ]n\'.\|. DK AGRICULTURA 



BIBLIOGRAPHIA 



Recebemos mais as seguintes publicações periódicas, além das que temos 
registrado mensalmente : 

Révue Inlernaliomrfe du Caoulchuuc, de la Gutta-Perchu et le P neumo- Journal— ■ 
Ns. de jullio e agosto do corrente auno. 

Annual Report of lhe Bureau of Sugar E xper im ml Station, de Brisbano (Queen- 
sland).-19u7. 

Annali delia R. Slo.zione Agraria di Forli. — FaSC XXXVI, 1907. 

Bollellino U/ficiale dei Minisleru d' Ag rico 1 tara, Industria e Comnurcio, da Ualia. 
— Auno Vil, vul. IV, JUs.j. 5. 

Scienza Prvlica, de Milão.— Vol. II, n. 4. 

Giornali Yinicolo, ile Casale Monferrato. — Anuo 34, n. 35. 

Gazela das Aldeias, do Porlo. — Auno 13, D. 661. 

Anules dei Mu^eo Nacional de Buenos Aires. — Serie 111, Tomo IX. 

Exportador Americano, de Nova York. — Vol. LX1I, n. 2. 



Temos ainda a registrar o recebimento dos seguintes trabaluos cuja remessa 

agradecemos: 

Relatório de 19)7 aprasent ido á Camará Municipal de S. Paulo pelo Prefeito 
Di'. Amónio da Silva Prado. 

Relatório d > Biennio Social de 1905-1906 apresentado á Assembiea Geral dos 
Associados da Associação Ge. 'ai de Auxílios Mútuos da listrada de Ferro Ceniral do 
Brasil. 

Statislica dei Commercio Speiiale di l mporlazione e di Esportastone, referente 
ao período decjrrido de 1." de janeiro a 30 de junho de I9u7. Publicação do Minis- 
tério das finanças Ja Itália. 

Exposilion [ulemalionile dei Iniustries et du Traoail. Programmas o classi- 
ficação do eonamen que se realizará em Turim de abril a outubro de 1911. 

Adubação da Canna de Assucar. A cultura no Brasil. Publicação da Delegação 
Brasileira da Associação de Propaganda Salitreira do Chile. 

O Frio Industrial. Suas applieações. Discurso pronunciado na Camará dos 
Deputados pelo capitão di mar o guerra José Carlos de Carvalho. 

Breve Noticia sobre a Estação Agronómica de Alagoas. Publicação da Sociedade 
de Agricultura Alagoana. 

Estatística Agrícola Zooleckniea no Amui Agrícola de Í904-1905 de: Parnaliyba, 
Lav rinhas da Faxina. S. Miguel Archaujo, Bananal, Treinembé, S. Bento do Sa- 
pucaby, S. Paulo dos Agudos, Sarapuliy, Guararema c Áreas. 

Da Sociedade Brasileira para Animação da Agricultura que tem a sua sede 
em Paris, recebemos as seguintes obras: 

Le Urêsil . tí uma obra volumosa, magnificamente impressa e ornada de gra- 
vuras muito nítidas, publicada pola revista France-Brêdl e na qual os interessados 
a respeito de cousas brasileii as encontrarão grande copia de informações. 



A LAVOURA 423 

La Voche Laúxòra por P. Dechambre. Paris, 1907. Editor Charles Amat. 
11, Rue de Mezieres. 1 vol. ene. 

Les Cultures fruitières de plein vent por H. Latlère. Ed. Charles Amat. Paris, 
1905. 1 vol. broca. 

Le Porcetses Produils. Lard et Jambon por Cyrille de Lamarche. Ed. Li- 
vraria Bleriot, 55, Quaides GraDds Augustins. Paris. I vol. cart. 

Les Meilleurs Moyens de Gagner de VArgent aoec les Moutons, por Henry Girard. 
Ed. Livraria O. Vildior, 8, Boulovard Denain, Paris. 1905. 1 vol. broen. 

Court d' Agricirftiae por A. Delaignes e E. Palice . Chateauroux. 1 vol. broli. 

Da Exposição de S. Luiz d Califórnia, ao Colorado e ao Canadá na. America do 
Norte por F. Ferreira Ramos. Antuérpia, 1907. 1 vol. broch. 



CATALOOOS 



Catalogue Generale des Pepinières Crouc et Fih Eurticultnirs au Vai </' Aulnay 
Chateiiay (Seinei. 1908-1909. 

Matéria Eorticole. J. C. Tissut. Catalogo para 1907. 



Zoolechnie Génèrale. Produetion et Amélioration du Bétail por Paul Diffloth. 
Paris, 1909. Cara orientação dosSrs. leitores da A Lavoura damos a seguir, como 
já temos feito para outras publicações, o prospecto da obra acima, agradecendo á 
livraria editora a remessa do exemplar que temos sobro a mesa. 

Xootoelmie g-énér-iile, produetion et amélioration du bétail, par 
P. Difflot. Préface de M. P. Regnard. 1 vol. in-18 do 442 pages, avec 81 
photogravmvs. Broche", 5 fr.; cartonoé, 6 fr. (Librairie .1. B. Baillière et flls, 19, 
rua Hauteteuille. à Paris). 

Le premier chapitre montre 1'iraportance eapitale de produetion animale et 
établit la progression constante de 1'mdustrie zooteehniquo. Des tableaux suecinets 
índiquent 1'état actuei do la produetion du biMail en France et à 1'étranger. 

L'étude des fonctions économiques conduit à 1'eximen de 1'individualité et des 
causes pouvant rinfluencer, sexe, àge, etc. Les caracteres de 1'individualitô pou- 
vant être masques par 1'apparition de variations, il importait d'examiner les 
variations, soit indépendantes do 1'interventiou humaine (milieu, climat, etc.); soit 
occasioonées par lintervention bumaine. L'appIication des méthodes de gymnas- 
tique fonctiounelle retient longtemis 1'attention de M. Difflotli, et son influence sur 
les divers apparoils met en relief des conséquences d'un intérét considírable. 

L'alimeutation a élé Tobjet de toute la sollicitude de 1'ameur. 

L'éleveur doit assurer la fixation des variations aiusi produites: 1'étude de 
1'hérédité des tares et mutilations, du sexe, de la couleur, lui permettent dediriger 
à son avantage ces forces natuielles. 

Los méthodes do reproduetion, sélection sont étudiées aveesoin. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Le dernier cliapitre traite dcs prorédés de defenso contre les maladies conta- 
gieuses. L'éleveur doit en elTot connaitre les prescripr.ions légales qui 3'appliquent 
en cette oeeurrence, et les notions exposée^ sur les inóeul itions, les vancinations, 
etc, lui permettront d'appliquer lui-mâme cos mesures préventives. 

A peine les premlers volumes de V Encyelopédie agricole, publiés par la 
librairie .I.-B. Bailliêre et Pjiô, seus la direction de M. Wéry étaient-ils publjés 
que la Société oationale d'agriculture, sur le rapport lo sou secrétaire perpetuei, 
M. Louis Passy (de 1'Institut), leur accordait sa grande mèdaille d'or a Velfigie 
rVOHvier de Serres. Aujourduui que la publicat.on est amvée â son qaaranSième 
volume, elle vient, dans sa séance solennello de 10 18, «le lui aecurder la plus liaute 
réeomponse dont elle dispose, le Grand Pnx quatriennal Heazé. Cesi dire en 
quellehaute estime elle tientcette collection.oeuvre uaiqueeuson genre, vériublo 
monumeut élevé à la gloire de 1'agriculturo, au commencemenc du xx" siecle. 

En mêine temps, M. Miíline, adeien ministre de l'agriculture, la plus haute 
personnalité du monde agricole, lui adressait à li tribune du Sénat. cet éclatant 
hommage. «Sous la direeiion et 1'impulsion de son bonorable directeur, les pro- 
fesse ur de 1'inâtitut agronomique ont entrepris depublier une Encyelopédie agricole 
qui est assurément uno des publications les plus reiíurquables qui aient été faites 
dans les vingt dernières années. Ils on' drestó le bilan do la soience agricole au 
coinmencement du xx 8 sièMe.» 

Le catalogue détaille etillustré de \' Encyelopédie agricole est adressé grátis et 
franco a toute personnequi en fait la demande à MM. J.-B. Bailliêre 6t tils 19, ruo 
Hautefeuille, à Paris. 



8724 — 08 — Rio de Janeiro — Imprensa Nacional 



ESTATUTOS 



CAPITULO II 

DOS SÓCIOS 



Art. 8." A sociedade admitte as seguintes categorias de sócios : 

Sócios effectivos, correspondentes, honorários, beneméritos e associados. 

§ i.° Serão sócios effectivos todas as pessoas residentes no paiz que forem 
devidamente propostas e contribuírem com a jóia de 15$ e a annuidade de 2o$ooo. 

§ 2. Serão sócios correspondentes as pessoas ou associações, com residência ou 
sede no extrangeiro, que forem escolhidas pela Directoria, em reconhecimento dos seus 
méritos e dos serviços que possam ou queiram prestar á sociedade. 

§ 3. Serão sócios honorários e beneméritos as pessoas que, por sua dedicação e 
relevantes serviços, se tenham tornado beneméritos ã lavoura. 

§ 4. Serão associadas as corporações de caracter odieial e as associações agrícolas, 
filiadas ou confederadas, que contribuírem com a jóia de 30$ e a annuidade de 5o$ooo. 

§ 5.° Os sócios effectivos e os associados poderão se remir nas condições que forem 
preceituadas no regulamento, não devendo, porém, a contribuição fixada para esse fim 
ser inferior a dez (10) annuidades. 

Art. q.° Os associados deverão declarar o seu desejo de comparticipar dos tra- 
balhos da sociedade. Os demais sócios deverão ser propostos por indicação de qualquer 
sócio e apresentação de dois membros da Directoria e ser acceitos por unanimidade. 

Art. 10. Os sócios, qualquer que seja a categoria, poderão assistir a todas as 
reuniões sociaes, discutindo e propondo o que julgarem conveniente; terão direito a 
todas as publicações da sociedade e a todos os serviços que a mesma estiver habilitada a 
prestar, independentemente de qualquer contribuição especial. 

§ 1." Os associados, por seu caracter de coílectividade, terão preferencia para os 
referidos serviços e receberão das publicações da sociedade o maior numero de exem- 
plares de que esta puder dispor. 

§ 2." ( 1 direito de votar e ser votado é extensivo a todos os sócios; é limitado, 
porém, para os associados e sócios correspondentes, os quaes não poderão receber votos 
para os cargos de administração. 

íi 3." ( )s sócios perderão somente seus direitos em virtude de expontânea renuncia 
ou quando a assembléa geral resolver a sua exclusão por proposta da Directoria. 



R.EG-TTL^.lVrElSrTO 



CAPITULO VI 

DOS SÓCIOS 

Art. 18. A sociedade prestará seus serviços de preferencia aos sócios e associado 
quando estiverem quites com ella. 

Art. ig. A jóia deverá ser paga dentro dos primeiros três mezes após a sua 
accei tacão. 

Art. 20. As annuidades poderão ser pa^as por prestações semestraes. 

Art. 21. Os sócios e os associados se poderão remir mediante o pagamento das 
quantias de 200$ e 500$, respectivamente, feito de uma só vez e independente da jóia, 
que deverão pagar em qualquer caso. 

Art. 22. Os sócios e associados não poderão votar, nem receber o diploma, sem 
terem pag< 1 .1 respectiva i< iia. 

." O sócio iinr pago a jóia e uma annuidade, poderá remir-se mediante 
a apresentação de 20 sócios, desde que estes tenham igualmente satisfeito aquellas 
contribuições. 

§ 2. Para esse effeito o sócio deverá requerer á Directoria, provando seus direitos 
nos termos do paragrapho anterior. 

§ 3. Serão considerados beneméritos os sócios que fizerem donativos á sociedade, 
a partir da quantia de um conto de réis. 

Art. 23. Para que os sócios atrazados de duas annuidades possam ser considerados 
resignatariós, nos termos dos Estatutos, é preciso que suas contribuições lhes tenham 
sido solicitadas por escripto, até três mezes antes, cabendo-lhes ainda assim o recurso 
para o conselho superior e para a assembléa geral. 



PAVILHÃO DA SOCIEDADE 



5ECÇÃO DF. HORTICULTURA 



Riu db Jkneiro 




de ígpiipfepa 



s^^ 



fPCPOSIÇÃO V)E FLORES 




Capital Federal 



Collecçãn de çalaflitis - Viuva Lietze 
$$ VIRIBU3 UNITIS «€ 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Fundada em 16 de janeiro de 1897 

Caua-postal, 1245 ' * Sede : Ruas da Alfandega a. 

Endereço Telegraphico, AGRICULTURA a General Camará n. 127 

Talephone n. 1416 «m n* jumíiho 

DIRECTORIA 

Presidente — Dr. Wencesláo Alves .Leite de Oliveira Bello. 

i° Vice-presidente — Vago. 

2° Vice-presidente — Dr. Sylvio Ferreira Rangel. 

3 o Vice-presidente — Dr. Domingos Sérgio de Carvalho. 

Secretario Geral — Dr. Heitor de Sá. 

I o Secretario — Dr. Francisco Tito de Souza Reis. 

2 o Secretario — Dr. Benedicto Raymundo da Silva. 

3 o Secretario — Dr. José Ribeiro Monteiro da Silva. 

4" Secretario — Alberto de Araújo Ferreira Jacobina. 

i° Thesoureiro — Dr. JoXo Pedreira do Couto Ferraz Junh 
2° Tliesonreiro — Carlos Raulincf. 

Dlreoíoros das Sebções 

Fazenda de Santa Mónica Dr. Sylvio Rangel. 

Applicações du Álcool e Museu Dr. Benedicto Raymundo. 

Secção Technica e Bibliotheca Dr. Heitor de Sá. 

Plantas e sementes e Horto da Penha . . Dr. Monteiro da Silva. 

Propaganda e estatística Alberto 'Jacobina e Carlos Ranlino 

Secretaria Dr. Souza Reis. 

Thesouraria Dr. Pedreira Júnior. 



Serão considerados collaboradores não só os sócios como todos que quizerem ser- 
vir-se destas columnas para a propaganda da agricultura, o que a redacção muito 
agradece. A lista dos collaboradores será publicada annualmente com o resumo dos 
trabalhos. 

A redacção não se responsabilisa pelas opiniões emittidas em artigos assignados, e 
que serão publicados sob a exclusiva responsabilidade dos autores. 

Os originaes não serão restituídos. 

As communicações e correspondências devem ser dirigidas á Redacção d'A LA- 
VOURA na sede da Sociedade Nacional de Agricultura. 

A LAVOURA não acceita assignaturas. 

E' distribuída gratuitamente aos sócios da Sociedade Nacional de Agricultura. 

« :<»ii<li<,-ò<-" <ii. |>(|bll<-»ç»<> .l..~ iiniiiiiiotos 

vezes meia pagina uma pagina 

I • . . I2$000 20|000 

3 30$ooo 505000 

6 5o$ooo oo$ooo 

12 qo$ooo -i70$ooo 



annuncios são pagos adeantadamente. 

Tiragem 5.000 exemplares 



SUMMARIO 

PAfiS. 

Exposição de Flores 425 

\ Pecuária na Exposição Nacional 43c) 

Barão de Capanema . . 444 

Dr. João Pinheiro 447 

Madeiras e vegetaes úteis do Brazil 449 

A esterilidade das vaccas e sua cura 454 

Factos agrários 457 

O azote . . 458 

Expediente 471 

Noticiário 474 

Parte Gmimercial 475 

Bihlic igraphia 184 



Anno Xlt-N. io 



Rio de Janeiro 



Outubro de 1908 



EDITORIAL 



Exposição d° flcrss 

Não foi de um jacto que levámos a elíeito, no recinto da Exposição 
Nacional, a idéa da realisação da festa das flores no dia -zò de outubro 
próximo passado. 

Quando em 11)07 assignou o governo da Republica o decreto que 
estabeleceu as bases da organisação de uma Exposição Nacional no Rio 
de Janeiro, no seio desta sociedade surgiu victorioso o projecto da ex- 
posição e concurso de flores e fructas no grande certamen, cuja inaugu- 
ração era naquelle decreto rixada para i5de junho do corrente anno. 

Nada de positivo existia então, relativamente ao programma da 
grande festa do trabalho e emquanto outros tratavam da elaboração dos 
regulamento; das diversas secções da Exposição, na sede desta sociedade 
era convocada uma reunião de floricultores, que se realisou sob a presi- 
dência do Dr. Sérgio de Carvalho, 3 o vice-presidente da Sociedade, tendo 
para secretários os engenheiros civis José Américo dos Santos e F. T. de 
Souza Reis. 

Nella foi discutido o modo por que seria executada a exposição de 
flores e dado o aviso aos floricultores que desde então iniciaram traba- 
lhos especiaes no sentido de serem perfeitamente apparelhados na época 
precisa. 

Causas accidentaes afastaram a Sociedade da acção conjuncta com 
os promotores da grande feira do trabalho, obrigando-a a cuidar mais 
detalhadamente e de modo exclusivo da sua representação na Exposição, 
o que acarretou por completo a paralisação da propaganda e organisa- 
ção da exposição de flores, muito embora a representação do Districto 
Federal disto cogitasse, de modo porém restricto, cerceado nos limites da 
sua zona administrativa. 

Não tinha porém desapparecido do nosso programma o primitivo 
projecto de estimular por todos os meios o desenvolvimento não só da 
floricultura como também da fructicultura e horticultura e, animada pelo 
Exm. Sr. Ministro da Industria, em fins de setembro próximo passado, 
resolveu a Sociedade levar a elíeito a exposição de flores, para a qual já 
tinha recebido solicitações de alguns floricultores do Districto Federal. 

Desejando porém trabalhar de accôrdo com o Directório Executivo e 
cr, Districto Federal, procurou-os nesta occasião, combinando os meios de 
cr. execução e chamando a si a incumbência da organisação daquella festa. 



LlBRARY 
NEW YORK 
BOTANICAL 

CARDEM. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Solicitada pelos floricultores que iam concorrer á exposição, resolveo 
a Sociedade, ao lado dos prémios do Districto Federal, instituir também 
três categorias de prémios em cada uma das secções da exposição. 

Inaugurada em 25 do corrente, no pavimento térreo do pavilhão 
da Sociedade Nacional de Agricultura, a exposição e concurso de flo- 
res foi uma valiosa mostra do aperfeiçoamento da floricultura entre nós. 

Não foi grande o numero de expositores profissionaes e de amado- 
res que concorreram ao appcllo que, cm nome do Directório Executivo, 
Districto Federal e Sociedade Nacional de Agricultura lhes foi feito, mas 
os poucos que trouxeram o seu auxilio a esta festa, primavam pela quan- 
tidade e qualidade de flores que apresentaram. 

Variedades as maisbellas, e as de mais difficil cultura, foram tra- 
zidas para o harmonioso conjuncto da exposição, dando ao salão onde 
se ostentavam os primorosos productos da floricultura nacional, um as- 
pecto verdadeiramente fantástico e seductoramente encantador. 

A festa das flores, como vulgarmente foi denominada, constou da 
exposição e concurso de flores e plantas assim divididas: 

I o GRUPO — PROFISSIONAES 

i il secção — Plantas ornamentaes 

2 a secção • — Flores cultivadas em vasos 

3 a secção — Arte floral 

2 o GRUPO — AMADORES 

I a secção — Plantas ornamentaes 

2 a secção — Flores cultivadas 

3 a secção — Flores cortadas 

Para cada uma das secções em cada grupo, instituio a Sociedade 
Nacional de Agricultura as três categorias seguintes de prémios, sem nu- 
mero determinado. 

1,1,'ANDE PREMIO 

.Medalha de Ouro 
Medalha de Prata 

Além destes, houve também os prémios instituídos pelo Districto Fe- 
deral para os floricultores do Districto nas secções de Arte Floral e de 
Flores cultivadas. 

Ojury designado pela Sociedade Nacional de Agricultura, ficou 
composto da seguinte forma: 



A LAVOURA 427 



Presidente: Dr. Wenceslao Bei.i.o. 
Membros : D. Júlia Lopes de Almeida. 
Sr. Olavo Bilac. 
Dr. J. R. Monteiro da Silva. 
Sr . JoÃo da Silva Gandra. 
( ) E uno. Sr. Prefeito do Districto Federal nomeou para a distribui- 
ção dos prémios que olFereceu para os expositores do Districto, o mesmo 
jury acima, escolhido pela Sociedade. 

A casa Hortulania dos Srs. Jens Sand & C. instituio também um 
premio para o amador de floricultura, do Districto Federal, que apre- 
sentasse melhor collecção de flores annuaes na exposição. 
Inscreveram-se no concurso, os seguintes floricultores : 



Casa Flora — Schlick «n: C. — Districto Federal. 
Viuva Lielze — Districto Federal. 
Viuva Silva & Filho — Districto Federal. 
Manoel Pereira da Silva — Districto Federal. 
António Rodrigues Pinto — Districto Federal. 

2 a SECÇÃO 

Casa Flora — Schlick & C— Districto Federal. 

Casa Hortulania — Jens Sand & C. — Districto Federal. 

Viuva Silva «Sc Filhos — Districto Federal. 

.Manoel Pereira da Silva — Districto Federal. 

António Rodrigues Pinto — Districto Federal. 



Casa Flora — Schlick «Sc C. — Districto Federal. 

Casa Hortulania — Jens Sand (Sc C. — Districto Federal. 

Casa Jardim — Langgaard, Waldemar & C. — Districto Federal. 

2 o GRUPO — I a SECÇÃO 

Dr. Emilio Machado Pereira — Minas. 

2 a secção 
Dr. Júlio Zamith — Nova Friburgo. 



sociedade nacional de agricultura 



/> a SUCÇÃO 

Dr. Júlio Zamith — Nova Friburgo. 

Dr. A. Gomes de Mattos — Districto Federal. 

Dr. Adolpho Hasselmann — Districto Federal. 

Collegio Anchieta — Nova Friburgo. 

Dr. Galiano Emilio das Neves — Nova Friburgo . 

Dr. Sérgio de Carvalho— Palmeiras. 

Dr. Bernardo Souto— Districto Federal. 

Família Marques Braga — Nova Friburgo. 

Oscar Guanabarino— Nictheroy . 

D. Emília Alves — Districto Federal. 

1). Maria Rezende da Silva — Districto Federal. 

Dos expositores inscriptos, compareceram os seguintes 



Casa Jardim — Langgaard, Waldemar & C. 

Casa Flora-Schlick & C. 

Casa Hortulania— Jens Sand &. C. 

Viuva Thereza Moser Lietze. 

Viuva Silva & Filhos. 

Manoel Pereira da Silva. 

António Rodrigues Pinto. 

Todos do Districto Federal. 



Coronel Galiano Emilio daí Neves Júnior— Nova Friburgo. 
Familia Marques Braga — Nova Friburgo. 
Collegio Anchieta — Nova Friburgo. 
Dr. Júlio Zamith— Nova Friburgo. 
Dr. Bernardo Souto— Districto Federal. 
D. Maria Rezende da Silva— Districto Federal. 
D. Emilia A. Alves— Districto Federal. 
Oscar Guanabarino Júnior — -Nictheroy. 

O jury reunido no dia 25 iniciou os trabalhos terminando-os no 
dia 26, apresentando o seguinte resultado : 

Prémios instituídos pela Sociedade Nacional de Agricultura : 















<2 . ^M 




A LAVOURA 429 

PROFISSIONAES — TRABALHOS DE ARTE FLORAL 

i.° Grande Premio á casa Flora. 
■i." Grande Premio á casa Jardim. 
Medalha de ouro á casa Hortulania. 

PLANTAS ORNAMENTAIS 

Grande Premio á viuva Lietze. 

Medalhas de ouro á casa Flora e á viuva Silva & Filhos. 
Medalhas de prata: aos Srs. Pereira da Silva e António Rodrigues 
Pinto. 

FLORES CUI.TIV \h\s 

Grande Premio a Casa Flora. 
Medalha de ouro á Casa Hortulania. 

Medalhas de prata a casa Viuva Silva & Filhos e aos Srs. Pe- 
reira da Silva e António Rodrigues Pinto. 

AMADORES — FLORKS CULTIVADAS 

Grande Premio ao Dr. Júlio Zamith. 

FLORES CORTADAS 

Grandes Prémios : ao Collegio Anchieta, ao Dr. Júlio Zamith e á 
família Marques Braga. 

Medalha de ouro aos Srs. Guanabarino Júnior e a Bernardo 
Souto. 

Medalhas de prata ás Exmas. Sras. DD. Emilia Alves e Maria Re- 
zende da Silva. 

Prémios instituídos pelo Districto Federal : 

Primeiro Grande Premio: (cartão de ouro) á Casa Flora. 

Segundo Grande Premio: (cartão de ouro) á Casa Jardim. 

Cartão de prata, á Casa Hortulania e a casa Viuva Silva & Filhos. 

Tendo a casa Hortulania instituído um premio, (um canário belga 
cm gaiola artística) destinado ao amador que apresentasse maior va- 
riedade de flores annuaes, o jury resolveu conferir esse premio a 
E\ma. Sra. D. Maria Rezende da Silva. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Deslumbrante era o aspecto que apresentava o salão escolhido para 
a exposição, todo elle repleto de milhares de flores de variados matizes, 
impregnada a atmosphera, desde alguns metros de distancia, do deli- 
cioso aroma que delias emanava, dando-nos a impressão de um pa- 
raíso encantado, onde algumas horas eram passadas longe do tenebroso 
rumor da vida. 

Diante de cada installação, desfilavam centenas de espectadores, 
que nas súbitas contracenes das faces deixavam ler o enthusiasmo pelo 
bello espectáculo que se lhes deparava e, ao mesmo tempo, a impresssão 
do valor encerrado na nossa floricultura, mostrando-lhes, mais uma 
estrada quasi inexplorada, da nossa riqueza ainda em estado intrín- 
seco. 

Muitas das flores e plantas que alli ostentavam toda a sua bel- 
leza constituem já commercio um tanto regular e em não pequena 
escala para o estrangeiro, perdendo-se, no emtanto, a quantidade e a 
espécie das exportadas na rubrica «Plantas vivas», com que são regis- 
tra-las na nossa estatística commercial. 

A viuva Lietze, suecessora do seu marido, alcunhado o rei dos 
calladiuns nos centros de floricultura allemã, mantém ainda hoje re- 
gular commercio de exportação, para as praças de Hamburgo e New- 
Vork, commercio este que iniciado pelo velho Lietze, foi sempre o 
grande estimulo que o fez tornar-se o cultivador incansável dos bellis- 
simos exemplares, que já conhecidos no estrangeiro eram em quasi 
maioria desconhecidos no Brazil. O Estado do Espirito Santo, empenha- 
se no momento actual pela systematisação do commercio das orchideas 
que parecem ter o seu grande empório nas mattas do visinho Estado. 
Numa palavra, parece que nasce no Brazil uma corrente impetuosa no 
sentido de favorecer á floricultura nacional, corrente esta manifestada 
no commercio para o estrangeiro que apaixonados cultivadores incitam 
com a propaganda e com actos e na reforma por que passam os nossos 
costumes, que tem despertado o desenvolvimento do gosto artístico ao 
mesmo tempo que nos faz valorizar tudo aquillo que ainda hontem 
nos parecia fútil e banal. Como consequência desta mudança de há- 
bitos, tem crescido o movimento commercial de flores entre nós, sur- 
gindo no commercio a lueta, oriunda da procura, e já se notam com- 
petidores sérios ao; antigos profissionaes que até bem pouco tempo 
enchiam a rua do Ouvidor, com os ramalhetes de violetas enfiados em 
chuchus e mamões verdes. 

Na actual exposição foi de facto digno de nota o esforço hercúleo 
empregado pelos três principaes profissionaes do Districto Federal que 




rabalho artístico — Casa Flora 




Secção de cravos — Dr. Júlio Zamith — Friburgo 
I . irbeilles de rosas — Paul Neyron — Sr. Bernardo Souto 



A LAVOURA 431 

se inscreveram no concurso, procurando conquistar cada um a palma 
da victoria. 

A secção «Arte florais foi uma das mais lindas do certamen, gra- 
ças ao apurado gosto c delicadeza dos artistas nos primorosos trabalhos 
expostos, quer nas installações de conjuncto, quer na confecção deta- 
lhada de cada peca ornamental, apresentando formas as mais exquisitas 
e originais de corbeilles, cheias de flores raríssimas e de seductora 
belleza. 

Na secção de «plantas ornamentaes» salientaram-se as collecções 
de calladiuns da viuva Moser Lietze e as de begónias da Viuva Silva 
iSc Filhos, do mesmo modo que nas demais secções, exemplares os mais 
curiosos foram merecedores de cuidadosa attenção, como se pode con- 
cluir da descripção detalhada que passamos a fazer de cada uma das 
installações dos expositores . 

CASA FLORA 

Occupando todo um lado do salão com artistica installação de 
hastes de madeira pintadas de branco, formando um chalet tendo aos 
lados dois alpendres simétricos em forma de puchado e guarnecidos de 
pilares, também de madeira, systema privilegiado da casa, e ornamen- 
tadas as platibandas com decorações do mesmo systema, apresentou-se a 
Casa Flora no concurso do dia 23, honrando a tradicção do nome já 
conquistado no Rio como o mais artistico dos nossos estabelecimentos 
de flores. 

O conjuncto desta installação era de um maravilhoso eileito artis- 
tico de extraordinário bom gosto, igualmente revelado nas peças orna- 
mentaes, que, dispostas em degráos, e arrumadas sem o duro aspecto de 
symetria e sem a desordem dissymetrica, impressionaram alegremente a 
vista, prendendo a attenção por tempo indeterminado. 

\ grande variedade de flores raras, de extraordinária belleza umas, 
exquisitas outras, davam maravilhosa harmonia na reunião de milhares 
de flores expostas por esta casa . 

Ao lado, em uma mesa improvisada, disposta em pequenos vasos 
de vidro, figurava uma grande collecção de cravos de cores diversas, 
rajados uns, de uma só còr outros, apresentando uma indefinida colora- 
ção de todos os matizes, salientando-se pelo tamanho e pela còr os 
sulferinos e os còr de canna ligeiramente rajados. 

Cobrindo esta banqueta armava-se um arco sustentado por duas 
columnas, tendo, á guiza de capitel, ramilhetes de Lilium (Copos de 
Leite] e Gladiolus, palmas de Santa Rita. 



SOCIEDADE NACIONAL DK AGRICULTURA 



Toda a installaçáo da Cisa Flora estava ornamentada com asparagus 
plumosus matizados de rhodhantes brancos e róseos. 

A.' direita do grande carramanchel, o primeiro plano era occupado 
com 20 variedades de Begónia Rex e Lilium longifolium de extraordi- 
nária belleza ; no segundo plano via-se um grande ramilhete de cravos 
sulferinos, algumas begónias, clivias e uma pequena corbeille toda feita 
de cravos brancos, violetas de Parma e angélicas dobradas ; no ter- 
ceiro plano, em bella disposição artística, figuravam grupos de agapan- 
thus brancos, gladiolus diversos, chrysanthemos, orchideas, lupinus alba, 
stephanotes, amaryllis, etc, etc; no ultimo plano, uma grande cesta de 
forma original toda feita de lilium, agapanthus brancos, ramos de 
aspargs. Vasos com palmas de Santa Rita de variadas cores, comple- 
tavam a ornamentação deste plano. 

Tornara-se ainda digno de nota uma pequena cesta feita com cra- 
vos pallidamente róseos, Watsonias Stephanotes e angélicas ; uma cor- 
beille de grande tamanho, ornamentada artisticamente com Oncidiuns 
amarellos (Oncidium Marshallianum), gladiolus amarellos e roxos, 
orchideas roxas (Cattleya Warnerii, Harrisonia;, Intermédia, Miltonias, 
etc.) e chrysanthemos diversos e de muita belleza. 

Uma harpa, composta de angélicas dobradas, cravos, gladiolus, hor- 
tênsias cor de rosas e Iberis umbellata, tendo como colorido dominante a 
còr rósea. Ainda em um vaso via-se um lindo grupo de rosas Frau 
Carlos Druscky que despertaram a attenção pela brancura de neve das 
suas pétalas. Azáleas, callas amarellas (novidade) c brancas, ly rios, clivias, 
begónias e palmeiras mignons, completavam a ornamentação do lance a 
direita da installaçáo da Flora. 

No lance esquerdo, sobre o fundo verde da parede destacava-se um 
espelho, bellamente ornamentado com cravos purpurinos, gladiolus ligei- 
ramente arroxeados e oncidiuns harmonicamente dispostos sobre mol- 
dura sulferina. 

Sete vasos de vidro symetricamente collocados, continham ramos de 
liliums brancos, lilium aurantium (do Japão) gladiolus roxos, oncidium, 
angélicas e Watsonias diversas. 

Bellissimo aspecto, apresentava uma pequena corbeille de rosas 
«Imperador de Marrocos» artisticamente ornamentada com avencas, 
asparagus, cravos sulferinos, brancos, rosáceos, vermelhos vivos. Ainda 
uma pequena cesta de palha cor de violeta, toda ornamentada de chry- 
santhemos amarellos e cravos americanos cor de canna, despertava a 
attenção, pelo bom gosto da confecção e contrastes de colorido. 

Como peça de detalhe artisticamente confeccionada foi digno de nota 




'rahalliu artisti 




Beçonias — Viuva Silva & Filhos 



A LAVOURA 433 



um cysne feitode gladiolus, Watsonias, rosas Paul Neyron, e Purpura 
d'Orleans. 

Também artístico e de muito gosto, eram os dous bouquets de noiva, 
feitos um de angélicas e cravos brancos c outro de cravos cor de rosa, 
pendendo de ambos fitas de seda branca e de gaze, bordadas nas pontas. 

Begónias, avencas, asparagus, rhodhantes, centáureas, lilium auran- 
tium, amaryllis, etc, completavam a ornamentação da primorosa expo- 
sição da casa Flora. 

CASA JARDIM 

Occupando o lado fronteiro á installação da casa Flora, preparou a 
Casa Jardim a sua installação de arte floral, tendo como motivo principal 
um carramanchel de canna da índia, chapeado de metal branco, orna- 
mentado com vasos de calladiums, em todi a peripheria inferior. Ao 
fundo, na parede, um espelho decorado com ramos de Nympheas áurea, 
roxas e amarellas e ramos de avencas. Suspensos na armação, um lindo 
bouquet de noiva, feito de cravos brancos, grupos artísticos de Dhalias 
Cactus, Palmas de Santa Rita, goivos brancos, cravos, azáleas, rosas, rho- 
dhantes asparagus,avencase flores de oncidium. Pequeninas cestas com 
violetas de Parma, cravos rajados, etc, completam a ornamentação do 
carramanchel. Ao centro, sobre uma meza, uma bella corbeille contendo 
orchideas: Laelia purpurara. Cateleyas intermédia, labiata e gigantea, rosas 
diversa >, cravos variados, purpurinos, rajados, róseos, amarellos e brancos, 
azáleas, goivos, liliuns, angélicas e asparagus. 

Esparsos do interior, vários vasos contendo dhalias cactus, cravos, 
rosas e artística palma de rosas Paul Neyron e Fran C. Druscky, Lajlias 
gigantea, orchideas hybridas Schilleriana, Harrisonia ; vasos com chry- 
santhemos, rosas Paul-Neyron e Maman Cochet, completam a orna- 
mentação interna. 

A direita do carramanchel, sobre uma meza, notava-se uma artística 
corbeille de rosas Paul-Neyron e outra não menos artística feita de nym- 
pheas áureas, anthurium Scherzerianos e amaryllis hybridos ; ainda, vasos 
com crysanthemos, dhalias cactus, rosas, cravos, e angélicas, profusa- 
mente dispostos, terminavam a installação^da Casa Jardim. 

CASA HORTULANIA 

Com modesta installação, mas apresentando flores muito bonitas, fez 
a casa Hortulania bella exposição, reunindo em vasos e corbeilles, as 
seguintes flores e plantas: Calladiuns, cravos brancos, róseos, purpurinos, 
vermelhos e rajados diversos ; cravinas, oncidiuns, calas, orchideas : 
Ladias diversas, cattleyas variadas. Lyrios, cinerarias, angélicas, sau- 

46 2 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



dades roxas c brancas, azáleas, centáureas, chrysanthemos, fuchsias, 
calladiuns, rhodhantes, hortênsias, asparagus, palmas de Santa Rita, pal- 
meiras, rosas de diversas variedades, agapanthus brancos e roxos, violetas 
de Parma e avencas. 







VIUVA THtíREZA MOSER LIETZE 


Concorri 


11,1. 


na secção de Plantas ornamentaes, apresentou a se- 


guinte collecção de calladiums : 








CALLADIUNS ANTIGOS 


i vazo 


com 4 A 


55— Sapopemba. 


i » 


i 


6 A 


199— Veiga Cabral. 


i » 


» 


6 B 


1 o3 — Caramurú . 


í > 


D 


8 C 


9— Itaúna. 


i 


t 


3 D 


35— Timbyra. 


i » 


> 


12 D 


53— Brinco. 


i 


í 


5 D 


80 — Mrs. John Laing. 


i » 


» 


5F 


67 - Rio de janeiro . 


i » 


» 


ii F 


74- Jurupais-tatá . 


! i> 


» 


5 F 


80— Hortulania. 


1 » 


» 


5 F 


96— Iriri. 


1 » 


» 


4 K 


4 — Azulão. 


I 


D 


5 K 


23— Calabar. 


1 


" 


4K 


32- Gitirana. 

CALLADIUNS NOVOS 


i vazo 


com 3 n. 


1— Ca rei pó 


i 


» 


5 n. 


12— Canhotinho. 




> 


5 n. 


i3— Bleu.. 


i » 


» 


6 n. 


21— Eduardo Carneiro Leão 






b n. 


38- Almeirim. 


i » 


» 


3 n. 


3y— Macaia. 


i • 


i 


9 n. 


5i— Tibinçá. 


i 


» 


5 n. 


66— Penalva. 


i 


• 


5 n. 


76— Camaragibe. 


I D 


p 


8 n. 


81 — Mendanha. 


I » 


i 


7 n - 


106— Muaná. 


I 


i 


6 n. 


1 1 4 — Saquarema . 


I » 




i n. 


1 1 5 Diogo Flores. 


1 » 


> 


6 n. 


124— Pêro Coelho. 


I t 


» 


5 n. 


174— Descalvado. 




Rosas expostas pelo Sr. (Iscar ( iuanaharino Jn 




Secção de margaridas do Sr. Pereira da Silva 







LAVOURA 


435 


i vazo com 5 ri 


187— Nuporanga. 






i 5 n. 


204 — Itaporanga . 

ULTIMAS NOVIDADES 




i vazo com 6 n . 


•285— Pedro Alaria Binot. 




i 


i 6 n. 


286— Marapatá. 




i • 


• 8 n. 


286— Mara pata. 




i » 


• 6 n. 


287 — Juruá. 




i 


d 6 n. 


288— Macapá. 






o (3 n. 


288 — Macapá. 




i 


» 6 n. 


289 -Page. 




í i 


• 4 n. 


290— Soberano. 




í 


o 5 n. 


294— Jaçanan. 




i > 


p 5 n. 


294 — Jaçanan . 




i 


p 4 n. 


3o2 -Carmo. 




1 P 


p 5 n 


3o3 — Massiambú . 




I 


» 5 n. 


304— Javary. 




I » 


p 7 n. 


3o5— Esmalte. 




1 


p 5 n. 


3o(i — Dr. João Baptista de Castro. 




I » 


p b n. 


307 — Itamaracá . 




I » 


p 5 n* 


3o8 — Camacan . 




1 


» 6 n. 


309 — Pepery. 




1 « 


• 4 n. 


3i3 — Suassuhy. 




1 D 


» 6 n 


314 — Iguaraçú. 




1 P 


p 7 n. 


328— Anadia. 




1 


p 3 n, 


304— Plácido de Castro. 




1 1 


p 4 n. 


376— Sumaré. 

VIUVA SILVA & FILHOS 




Foram as seguintes as plantas expostas : 




'Palmeiras 


Areca 


Speciosa . 




i Areca rubra . 






•2 Phenix 


cananense. 




i Latank 


rubra . 






i Kentia 


Lindnú 






í Licuala 


hórrida 






i Pinang 


í decora 






í Lewistonia Sinensis. 




i » 


Hoog 


endroppú. 




i Seaíorthia elegans. 




i Areca 


Lutescens. 





SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Trinax radiata. 
Areca madagascariense . 
Hyophorbe Werschafeltii. 
Athalea funifera. 
Stevensonia grandifolia . 

PLANTAS DIVERSAS 

Dion edule. 

Zamia villosa. 

Araucária excelsa. 

Curculigo, recurvada 

Pincenecutia, tuberculata . 

Maranta zebrina. 

Medinilla magnifica. 

Asparagus plumosus . 

Morrissonia tuberculata. 

Anthurium regalis. 

Collecçáo de margaridas em 8o vasos. 

» » cinerarias com i5 variedades. 

Begónia Rex : 5o variedades á seguir : 
Emilia. 
Hertha. 

Rockertiana. (novidade 1908' 
General Glyserio. 
Amaury Fonseca. 
Nellós Hearte (Novidade 190S) 
Perigunia. 
Fé. 

Bento Leite. 
Emil Copp. 
M.m" Halley. 
Gloirie de lopiaine. 
Victor Lesse ur 
Verdi. 
Talismani. 
M.'» e Louise Pemot. 
Tenebrosa . 
Lavinas Salles. 
Conforme . 
Plinio. 
Diamant. 




Bouquets de noiva — Casa Flora 




Corbeille de rosas Paul Neyron Casa Jardir 



A LAVOURA 



Lídia Fonseca. 

Dr. Germano Vert. 

M. m " Tibot. 

Aracy . 

Brasileira. 

M.'" Richard. 

M. rae Graustemberg. 

Cabocla . 

Parisiense . 

Roi des Rouges. 

Plutão. 

General Crone (novidade). 

Erim. 

Luiz Dantas (novidade 1908). 

Hilma (novidade) . 

Gloire de Montreal. 

Jayme Silva (novidade 1908). 

Cecy. 

Moema . 

Louise Classon. 

Oto Foersten. 

M."> e Amaury Fonseca. 

Barão de Itacurussã. 

Dr. Ramos de Azevedo. 

Inimitável. 

OSCAR GUANABARINO JÚNIOR 

Em profusão, arrumadas em uma cesta expôz : 
Rosas Paul - Neyron . 
Rosas Captaine Chryste. 
Rosas Marganil. 

DR. JÚLIO ZAM1TH 

Com uma linda collecção de craveiros em flor, em numero de 12 
variedades e mais quinhentos cravos soltos, concorreu este expositor, 
que francos elogios mereceu pela variedade e belleza dos cravos ex- 
postos . 

BERNARDO SOUTO 

Em duas corbeilles, expôz as seguintes variedades de rosas : 
Príncipe Negro. 
Bella Maria. 



SOOIEOAWÍ NACIONAL Itft AORir.ltl.TlIRA 



Purpur. 

Vick e Caprice. 

D. MARIA REZENDE DA SILVA 

Expoz uma colleçao de amores perfeitos e variedade de lyrios, 
espirradeiras, papoulas, sempre-vivas, saudades, flores de begónias, 
dhalias, Ixora coccinea e calliopsis. 

D. EMÍLIA ALVES 

Apresentou vinte variedades de rosas, entre as quaes: Paul-Neyron, 
Souvenir de la Malmaison, Apoteker George Kofer, Perole des 
Jardins, Captain Chrysty, etc. 

Quatro variedades de crysanthemos, treze variedades de dhalias 
cactus, das quaes quatro novidades de 1908. 

CORONEL GALIANO EMÍLIO DAS NEVES JÚNIOR 

Expoz bellas rosas de muitas variedades; cravos diversos, sau- 
dades e azáleas. 

COLLEGIO ANCHIETA 

Concorrendo na secção de flores cortadas, apresentou um bello 
trabalho representando um globo terrestre, todo feito de cravos de 
muitas variedades, assentando em um taboleiro todo de amores per- 
feitos, onde se liam as iniciaes do collegio feitas com cravos brancos. 

FAMÍLIA MARQUES BRAGA 

Entre as collecçoes de rosas expostas, foi a mais variada a apre- 
sentada por esta expositora, em numero de trinta e uma, notando-se 
na collecção os únicos exemplares existentes na Exposição, das rosas 
murta e de banks. 

Além das rosas, expoz também grande variedade de cravos, pa- 
poulas, anthuriuns, myosotis, saudades, agapanthus, lyrios alba, ama- 
ryllis, oncidiuns, palmas de Santa Rita e goivos. 

MANUEL PEREIRA DA SILVA 

Expôz margaridas em numero de 180 vasos e variedades roxas, 
brancas e vermelhas, begónias, rosas diversas, avencas, cravos, calla- 
diuns e ainda uma bellissima samambaia de grandes dimensões. 

JOSÉ DOMINGUES 

Além de uma grande collecção de margaridas de diversas vari- 
edades, apresentou também as seguintes variedades de rosas: 




beille organizada pel< 
Ur. Souza Reis 




Cofbeille da Casa Jardim 



Paul-Nevron, Purpura d'Orleans; F. Carlos Druscki, Bella Maria 
e Souvenir de la Malmaison. 



ANTÓNIO RODRIGUES PINTO 



Com collecções pequenas de margaridas, cravos, asparagus e 
samambaia, apresentou-se este expositor no certamen das flores. 



Rio de Janeiro, Outubro de 1908. 



Eng°. Sousa Reis, 



lo"secretario. 



A Pecuária na Exposição Nacional 

3 o TURNO 

Lord, touro de três annos e meio de idade. E' da raça suissa, 
cor de rapoza. Foi importado pelo Estado de Minas. Lorde umjbello 




espécimen da raça schmti, a qual se recommenda por sua ru^ticidade 
e como boa leiteira ; também produz bons animaes para trabalho e 
carne. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Dividem geralmente a raça suissa em três grandes grupos : raça 
grande, media e pequena. Todos os três grupos distinguem-se pela pe- 
llugemcor de rapoza, desde a cor de rapoza amarellada até a cor de 
rapoza quasi negra. O fio do lombo c a barriga do gado schwit\ tem 
a cor amarellada. 

O gado sclnvi/; varia em peso vivo desde 400 a 700 kilos, pro- 
duzindo as leiteiras 2.400 a 3.000 litros de leite por anno. 

O leite das vaccas suissas contem 3 a 4% de manteiga. 

O gado schwit^ acclima-se perfeitamente nas regiões montanhosas 
de Minas e Estado do Rio. E' um excellente gado para se cruzar com 
o nosso Caracú. 

Sofía é uma égua de cinco annosde edade, pertencente ao Dr. João 
Penido Filho. Foi premiada na Exposição Nacional e com justiça, pois 
é um bello animal. 

E 1 cria de Minas e excellente montaria. 




Bahia é um animal mestiço de Caracú e zebú ; pesa 750 kilos 
de peso vivo. Foi boi de carro, mas na época da Exposição já estava 
apartado para o corte . Mereceu a attenção dos visitantes por sua boa 
apparencia de animal sadio e nédio. 




Carneiro cara negra exposto na Exposição Nacio nal de igo8 ; posto 
que bello, nada oíferecia de extraordinário a não ser seu bom estado 
de saúde. E' um animal nacional perfeitamente acclimado. 




SOCÍEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Pellado é procedente do Ceará e distingue-se por ser privado de 



W^tm \ Iff! FF.' "W 

G S S.BB jÉL ^sáfc 


l 



pello. E' um bom marchador pertencente ao coronel José Pio. Fez 
figura na Exposição pela sua exquisitice. 




A LAVOURA 



l^^Cambucá boi de corte, mestiço de zebú e caracú. Pesa óóo kilo- 
grammas de peso vivo. 

Araby é um grande touro zebú pertencente ao coronel Adolpho 
Ferreira. Um animal monstruoso, com 5 annos de idade. Fez bonita 




figura ao lado dos 
Nacional de iqo8. 



seus congéneres que figuraram na Exposição 



SOCIEDADE NACIONAL DE AQRICULTURA 




Barão de Capanema 

Após prolongados soffrimentos e na dilatada idade de 84 annos, 
finou-se em 28 de julho do corrente anno, nesta cidade, o Dr. Gui- 
lherme Schuch de Capanema — Barão de Capanema. 

Era um nome conhecido e respeitado no Brazil inteiro, senão 
também fora delle. 

Toda sua vida, pôde dizer-se, foi inteiramente consagrada ao ser- 
viço da Pátria, e destaca-se por uma serie ininterrupta e valiosa de 
árduos trabalhos que perduram e hão de perdurar sempre na memoria 
de todos os brazileiros que o distinguiam e veneraram com a beneme- 
rência a que tinha direito. 

Os cargos elevados que lhe foram confiados, as commissões scien- 
tificas que lhe couberam, a sua collaboração efficaz em todas as 
questões agitadas no seio das varias associações scientificas de que 
era digno membro, aqui e no estrangeiro, deram-lhe um real destaque, 
um prestigio pouco commum, como o exigiam a sua vasta erudição 
o? seus múltiplos e profundos conhecimentos nos differentes ramos 
em que a Sciencia se desdobra. E, por isso, todos os seus trabalhos 
timbram por um alto valor, que se lhe não contesta, próprio de quem, 
como elle, era um verdadeiro sciente. 



Assim é que ao seu estudo e á sua competência se devem, entre 
outras, as seguintes obras : 

Dissertação sobre o methodo de divisão de Homer e sua applicação 
d álgebra. Rio de Janeiro, 1848, in-8.°. 

Quaes as tradições ou vestígios geológicos que nos levam á cer- 
teza de ter havido terremotos no Brazil. Memoria lida na sessão do 
Instituto Histórico, de 24 de novembro de 1 854. Vem na « Revista » 
trimensal, tomo 22 o . pags. 135 a 139. 

Algumas observações acerca da influencia exercida pelos progres- 
sos do homem sobre a vegetação e o aspecto physionomico dos paizes 
que elle habita. Memoria offerecida ao Instituto Histórico, a 21 de 
setembro de 1848. 

Trabalhos da commissão scientifica de exploração. Relatório da 
commissão geológica. Rio de Janeiro, in-4. . Foi este relatório pu- 
blicado com o da commissão geológica. (Veja-se Manoel Ferreira Lagos.) 

Relatório sobre a fabrica de ferro de Ipanema. Rio de Janeiro, 
1864, 37 pags., in-fol. Fora o autor encarregado pelo Governo de um 
exame da dita fabrica, exame com que se restaurava esse estabele- 
cimento já abandonado. 

Exame do mappa do Amazonas, levantado pela commissão de 
demarcação de limites com o Pará. Pará, 1865, in-fol. Assignam tam- 
bém este trabalho H. L. dos Santos Werneck eM. A. Vital de Oli- 
veira. 

Decomposição dos penedos no Brazil . Lição popular, proferida em 
25 de junho. Rio de Janeiro, 1866, 32 pags., in-8°. Esta lição foi 
feita por occasião de achar-se no Brazil o celebre Agassis. 

Apontamentos geológicos (ao correr da penna.) Rio de Janeiro, 
1868, 80 pags. in-8°. 

Canna de assucar. — Memoria lida na sessão do Imperial Instituto 
de Agricultura, na noite de 3o de julho de 1867, etc. Rio de Ja- 
neiro, 1867, sete pags. in-8°. 

Algumas palavras sobre os telegraphos e Ministério das Obras 
Publicas no Brazil. Rio de Janeiro, 1869, 42 pags. in-fol. de tresco- 
iumnas. E' uma reimpressão de artigos já publicados no Jornal do 
Commercio. 

Relatório da Inspecção geral dos Telegraphos, no anno de 1869, 
apresentado ao Sr. Diogo Velho Cavalcanti de Albuquerque, Ministro, 
etc. Rio de Janeiro, 1870, 54 pags. in-fol. Gomo este, ha vários rela- 
tórios, correspondentes aos outros annos, publicados nos relatórios do 
Ministério da Agricultura. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Apontamentos sobre as seccas do Geará. — Rio de Janeiro, 1878, 
in-4 . 

Ensaios de sciencia por diversos amadores. Rio de Janeiro, 1876 
a 1880, três volumes in-4 , com este. E' uma publicação periódica, 
redigida com João Barbosa Rodrigues e B. C. de Almeida Nogueira. 
O primeiro numero é de marco de 1876 e contém, de Capanema, o 
artigo « Os sambaquis», de pags. 78 a 89. Em outros números acham-se 
seus «Estudos botânicos », Observações sobre a origem do barro verme- 
lho na provincia do Rio de Janeiro, etc. 

Ultimamente quando se discutia o tratado das missões, celebrado 
por Q. Bocayuva, escreveu Capanema vários artigos no Jornal do 
Commercio, que foram reproduzidos com o titulo <i A questão de li" 
mites » . 

Em verdade, porém, os serviços que mais o celebrisaram e o tor- 
naram conhecido, foi a organização, installação e inauguração do tele- 
grapho no Brazil, ha mais de óoannos. 

Por tal maneira ficou o seu nome vinculado á Repartição que 
superintende os serviços telegraphicos que, não ha muito, ao se ce- 
lebrar o jubileu do Telegrapho no Brazil, foi inaugurado, no vestíbulo 
da alludida Repartição, o seu busto em bronze, como viva homena- 
gem ao muito que por ella fizera. 

A 1 agricultura foi elle também deveras prestadio como o de- 
monstram a sua memoria sobre a Cama de assacar, lida em sessão 
do Imperial Instituto de Agricultura, na noite de 3o de julho de 1867, 
e outros trabalhos mais, alguns delles inéditos. 

A esta Sociedade, de que era elle sócio honorário, prestava 
igualmente relevantes serviços, e as brilhantes conferencias que na 
sede da mesma effectuou, ainda são recordadas como memoráveis. 

A Sociedade Nacional de Agricultura que o teve como sócio hono- 
rário, e qA Lavoura, como seu collaborador, tributam á sua imma- 
culada memoria as mais vivas e sinceras homenagens de admiração e 
de saudade. 




Dr, João Pinheiro 



O vulto eminente que, ainda ha pouco, em pleno destaque no 
vasto scenario politico da pátria brazileira, deixou de existir, a 'í6 
deste mez, era justamente apontado com um cadinho cheio das mais 
ricas esperanças, dessas que, por serem raras e valiosas, o paiz aspira e 
delias muito e muito carece. 

A sua estadia curta, rápida, nas culminancias da politica do paiz 
não lhe deu, infelizmente, margem, para que a sua acção guiada por 
uma cultura transcendente e irmanada a sentimentos pátrios fulgurantes 
e indiscutíveis podesse dar forma e feição conveniente; a essas espe- 
ranças, crystallisal-as mesmo, porque no evolver de factos de tão subido 
quilate o vagar é um factor de que se ha mister. 

Nesse minguado tempo, porém, que lhe coube agir, como presi- 
dente do grandioso Estado de Minas, fel-o com alto discernimento, sabe- 
doria e patriotismo. 

Politico virtuoso — como só podia comprehender Aristóteles o 
politico — republicano puro entre os mais puros, espirito peregrino e 



SOCIBDADB NACIONAL W? AGRICULTURA 



scintillante, energia de tempera Damasquina que era um ^incitamento 
para os tímidos, coração bemfasejo e nobre, sempre prompto á pratica 
do altruísmo, — o Brazil inteiro o reconhecia como tal e bem lhe no- 
tara o cuidado, o carinho e a confiança com que lançava em terreno 
tão feraz as boas sementes que só elle as possuía, sementes que ger- 
minaram, começam a florescer e hão de fructificar em breve. 

Para corroborar quanto affirmamos, basta que ponhamos de mani- 
festo aqui o magnifico fecho de sua mensagem ao Congresso mineiro, 
de i5 de junho deste anno : « abrir escolas que illuminem a intelli- 
gencia das crianças ; ensinar o trabalho aos adultos ; guiar e aconselhar 
nas duvidas, aos productores ; cuidar das questões materiaes, sem o 
abandono da parte espiritual e moral ; ter o culto sincero da liberdade ; 
tornar a paz garantida ; a justiça amada ; paternal o exercício da auto- 
ridade ; conciliadora a politica, é, senhores representantes de Minas 
Geraes, operários ephemeros que somos do serviço permanente da 
pátria, — é termos trabalhado pelo grandioso ideal republicano, na terra 
mineira, que, primeira, o sonhou, por elle deu vidas e o tem executado 
nestes dezoito annos de regimen, sem retrogradações e sem precipitações. 

E' a realisação do lemma que se increve no pavilhão brazileiro. 
pela perfeita conciliação da Ordem e Progresso.» 

A agricultura, como o ensino, mereceu do grande morto as mais 
vivas e ininterruptas cogitações ; e estas ficaram magnificamente corpo- 
rificadas no regulamento a que se refere o decreto n. 2027, de 8 
de junho de 1907, regulamento este que remodelou por completo e de 
modo conveniente a directoria da agricultura, commercio, terras e colo- 
nisação, tendo A Lavoura, de setembro de 1907, a fortuna de pu- 
blical-o. 

A fazenda da Gamelleira, uma das suas mais gigantescas crea- 
ções, é uma bem organizada escola pratica, onde o ensino primário 
agricola é ministrado methodicamente e de accordocom os preceitos scien- 
tificos os mais apurados. 

A tal respeito, A Lavoura de fevereiro c março e de abril de 
1907, se manifestou assignalando a organização irreprehensivel do útil 
estabelecimento e a affluencia avultada de interessados que lá iam com 
o propósito de aprimorar os seus conhecimentos technicos. 

O regulamento sobre 1 Cooperativas Agrícolas em Minas », datado 
de 4 de janeiro do corrente anno, é outro padrão de glorias do sau- 
doso extincto ; e os resultados económicos delle derivados hão de ser 
dos mais salutares e benéficos, como tem acontecido a todos de igual 
quilate. 



A LAVOURA 4i9 

( íutros muitos serviços de valor inestimável poderíamos aqui pôr 
em relevo ; mas, desistimos de semelhante intento por estarem todos 
elles no conhecimento dos brazileiros que ainda o choram e o hão de 
chorar por longo tempo. 

A Lavoura sinceramente partilha da dor e do lucto que amar- 
guram n coração da pátria, com a perda de tão illustre e distincto 
filho. 



Algumas madeiras e ve^staes utsis do Brazil 

(C mtinua ão) 

FAMÍLIA DAS LAURACEAS (?) 

«:.-«i.-<y;i vermelha 

Sysonv.mia :—Caa~ataya (mutto ferro). Caa-aty-aia (matto medicinal'. 
Caa-tay-guassu. Caa-tiaya. Gatay a grande. O mesmo nome é commum á 
polygonacea Polygonum acre H. B. K., á rutacea Pilocarpus pinnatifolius 
Lem. e á scrophulariacea Vandellia crustácea Benth., todas plantas medi" 
cinaes da flora brazileira. 

Descripção : — Arvore de grande copa e caule mais ou menos recto, 
ate S,oo de altura e 0,4? de diâmetro ; casca fina e glabra ; folhas inteiras. 
oppostas, pecioladas, coriaceas, q5 m/m de comprimento e 44 mm de lar- 
gura mais ou menos, ob-rhombeas, nervura central saliente, forte aroma 
idêntico ao do «Loureiro commum», depósitos de óleo essencial visíveis á 
transparência ; frueto comestível (?), preto : . 

Madeira :— Côr vermelha-rubra, lecido compacto, muito dura, sabor 
adstringente, dócil ao cepilho e á serra e offerecendo boa superfície para o 
verniz, mas sendo bastante perseguida pela broca. 

Applicações : — Madeira de primeira qualidade e talvez uma das 
melhores do paiz, para toda e qualquer obra, durando séculos ; as cascas 
são empregadas como aromatisante ou condimento na confecção de 
cuz-cuz e outros pratos ; as folhas são sudoríficas, usadas nos defluxos e 
moléstias do peito, sendo crença que emquanto se faz uso delias, deve o 
doente abster-se de beber agua. 

Distribuição geographica :— [lha de Cananéa, Estado deS. Paulo, 
onde parece sub-espohtanea . Vegeta em terras silico-argilosas e de prefe- 
rencia nas silicosas húmidas ; é raríssima nas terras puramente argilosas. 
46 4 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



FAMÍLIA das meliaceas 



Trichília Richardiana . 1 . Jus 



Synonymia : — Cataguá(em alguns municípios do Estado do Rio de 
Janeiro dão este nome a papillionàcea Platycyanus Regnelli Benth.,que 
tem outros nomes vulgares) — ('.■jãligud (nos arredores de Santos este nome 
é commum á lecythidacea Couratari estrellensis Raddi). A palavra tCa- 
tiguá» parece designar no oeste do Estado de S. Paulo a rutacea Metro- 
dorea pubescens ; além disso é commum a diversas meliaceas do mesmo 
género da que aqui descrevemos. 

Descripção : — Arvore pequena, bem copada, de caule recto, até 
4,00 de altura c 0,25 de diâmetro \ ramos glabros, brancacentos ; casca 
avermelhada, adstringente, até 5 m/m de espessura, revestida de epiderme 
brancacenta e tina ; folhas compostas, 2-4 jugas ; foliolos oppo^os, lancco- 
lado-acuminados, peciolados, mais ou menos 145 m/m de comprimento e 
õi m/m de largura, reticulado-nervados, nervuras visíveis á transparência; 
fiòrespedieelladas \ frueto capsula oblonga. 

Madeira: — Còr avermelhada, tecido compacto e firme, talhe duro, 
bonita, olferecendo boa superfície para envernizamento. Peso especi- 
fico, 0,688 (S. Paulo). 

Àpplicações: — Madeira para marcenaria, carpintaria em geral, 
postes, dormentes de segunda qualidade e obras internas, As cascas 
conteem bastante tannino e são empregadas no cortimento de couros, 
dando a estes còr amarella; a infusão das cascas é considerada anti-rheuma- 
tica, anti-hydropica e insecticida, e por isso usada pelo povo para com- 
bater as enfermidades correspondentes, bem como para purgativo . 

Distribuição geographica :— Estados de S. Paulo, Paraná e Rio de 
Janeiro. 

Observações : — Vários auetores, sem fazerem reparo na improprie- 
dade do termo, dão «Catiguá» como corruptela do tupi-guarany «Caa- 
tinguá», que traduzem por «arvore de folha branca», quando tal palavra 
só pôde traduzir-se por «folha e frueto brancos», a folha e frueto espi- 
nhosos» c «matto de frueto espinhoso», designações que não lhe cabem ; o 
nome é guarany (Coatiguá) e significa «frueto de coati» . 



A LAVOURA 



FAMÍLIA DAS (?) 



Caujuja branca 

Synonymia : — Farinha secca '■: (não a ochnacea Ouratea castanaefolia 
Engl., assim chamada em quasitodo o pai/, nem a cordiacea que no Rio 
Grande do Sul tem o mesmo nome vulgar). 

I)i scripçÃo : -Arvore muito copada e de caule recto, até 10,00 de 
altura e 0,45 de diâmetro; casca até 10 m/m de espessura, de sabor 
adstringente e revestida de epiderme ferruginea na qual vegetam sempre 
muitos cogumelos ; folhas maiores que as da espécie adiante descripta 
cf. «Caujuja vermelhas). 

M \m ir \: — ( \òr branca com manchas amarcllo-roseas, leve, ondeada, 
molle e porosa, mas olíerecendo bonita superfície para o verniz ; dócil ao 
cepilho e á serra. 

Applicações: — Madeira parataboado de forro, ripas, cai\oteria,. obras 
internas e lenha de inferior qualidade. As cascas podem servir para a 
industria do cortume, posto não devam ser muito ricas em tannino. 

Distribuição ghographica: - Littoral dos Estados de S. Paulo e 
Paraná e decerto em outros. Vegeta indiferentemente em terras silicosas 
ou argilosas, preferindo sempre as de inferior qualidade. 

Observações : — Não nos foi possível, pela inopportunidade da época, 
determinar esta espécie, nem a immediata. O nome «Caujuja» apparece 
agora impresso pela primeira vez. 

Caujuja vermelha 

Synonymia : — Cf. a espécie precedente. 
' Di scripçÃo : — Arvore muito copada c de caule recto, até 12,00 de 

altura e 0,45 de diâmetro ; folhas oppostas, pccioladas, serradas, 1 4.? m/m 
de comprimento e [8 m/m de largura mais ou menos, obova es, base 
estreita, pergamentaceas, saliente-nervadas, um pouco ásperas e mais 
claras na pagina inferior; flores brancas ?); fructo pequeno (?) . 

\1 vdeir v : — Côr vermelha, assetinada e brilhante, mostrando os utri- 
culos dos raios medullares; dócil ao cepilho e á serra. 

Applk vções : — As mesmas da espécie precedente, á qual esta é 
comtudo superior. 

DlSTi : ■ 1 ■ih ca : A mesma da espécie precedi til'' . 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



FAMÍLIA das meliaceas 

Cedro grande 

Cedrela fissilis Vell. var. anstralis St. Ilil. 

Synonymia: — Acafou, no Comté (Guyana franceza) — Acaiaca, 
Acaiacáa e Acayaca, dos aborígenes (nomes entre elles mesmos extensivos 
a algumas lauraceas) — Acajou femelle, dos francezes (para o distinguirem 
dos «acajous» legitimos, que são também meliaceas americanas e africanas) 

— Acayoiba, dos hispano-umericanos — Caju catinga (?, não « Acaia- 
catinga, que parece ser algures uma terebinthacea) — Cedar, na Guyana 
ingleza — Cèdre, em Franca — Cedro aromático, — Cedro batata, nos Es- 
tados do Amazonas, Pará e Espirito-Santo^ Cedro-branco, no .Maranhão 

— Cedro cangerana — Cedro cheiroso — Cedro da várzea (distinecão local 
feita pelo povo do littoral, masque não tem outra justificativa que a do 
terreno em que occasionalmente vegeta) — Cedro-wá, na Republica do 
Paraguay — Cedro ondulado, (certamente a madeira, quando esta é mais 
ondeada) — Cedro-rosa, no Espirito-Santo — Cedro-serpa — Cedro-ver- 
melho, nos Estados do Amazonas e Matto-Grosso — Igary-yb « páo de 
canoa », dos guaranys — White<edar, na Inglaterra (não porque seja 
branco, mas por ser menos aromático que alguns outros) — Yáporaissib, 
dos aborígenes guaranys. (Não será novidade dizermos que a synonimia 
deste vegetal, como de quasi todos os outros, é tão extensa quão confusa ; 
e não só a synonimia vulgar, como também a scientifica, havendo deno- 
minações eguaes que apenas difierem de auetor. Dir-se-ia que quanto 
mais conhecida a planta, mais confusamente ella é descripta ! Devido a 
isso, a synonymia vulgar serve geralmente para as diversas espécies). 

Descripçao :— Arvore magestosa, de rápido crescimento e caule recto, 
até iõ m ,oo de altura e i m ,5o de diâmetro (desde o Estado do Piauhy ao 
do Rio Grande do Sul, constando que no do Amazonas duplica ambas as 
dimensões) ; casca vermelho-carmim, fibrosa, até 1 5 m/m de espessura, 
aromática e adstringente, revestida de epiderme pardacenta, em camadas 
superpostas, fendida ; raizes muito longas, ás vezes mais de 40 metros, 
geralmente de forma elliptica, lenho côr de rosa, talhe duro, fortemente 
aromático, com casca vermelha e embirenta e revestida de epiderme 
crustácea e ferruginea ; ramos de epiderme luzidia, rugosa, cinzenta, 
mostrando as cicatrizes das folhas antigas; folhas compostas, i2-jugas 5 
rachis pubescente ; foliolos inteiros, pergamentaceos, mais ou menos 



A LAVOURA 453 

i3o m/m de comprimento e 40 m/m de largura, oblongo-acuminados, ner- 
vura central pubescente apenas no ponto de partida das nervuras obli- 
quas ; flores pequenas ; fructo capsular, lenhoso. 

Madeira: — Alburno esbranquiçado, cerne vermelho, aromático, poros 
muito visíveis, ás vezes ondeado e um tanto medulloso, fibras finas, di- 
reitas, talhe muito macio, dócil á serra e um pouco rebelde ao cepilho . 
Pesos específicos verificados : o,5i5, 0,522, 0,538 (Rio Grande do Sul), 
0,582, 0,596 (Amazonas), 0,609,0,621, 0,62o, 0,628, o,638 (Rio Grande 
do Sul), 0,640,0,714, 0,723 (Rio de Janeiro) e 0,771 ; resistência: à 
lle\ão,em libras, 2,744 por pollegada cubica e em kilogrammas, 769 por 
centímetro quadrado; á carga perpendicular, em libras 4,914 por polle- 
gada cubica e em kilogrammas, 845 e 970 por centímetro quadrado ; á 
carga parallela, em libras, 3,598 por pollegada cubica e em kilogrammas, 
260 e 36 1 por centímetro quadrado; sem determinação da posição da 
carga, 467 (Amazonas] e 743 (Espirito-Santo) kilogrammas por centímetro 
quadrado . 

Applicações : — Madeira para construcção naval, escaleres, canoas, 
esculptura, perfumaria, molduras, obras de entalhe e de torno, taboados de 
forro e de soalho, marcenaria e carpintaria em geral, caixoteria e especial- 
mente caixas para assucar (norte do Brasil) e para charutos (Europa), 
bem como para dormentes em lastro de pedra britada, onde se verificou 
durarem tanto como os de madeiras de lei; da serragem extrahe-se um 
principio amargo e febrífugo. As cascas conteem uma resina que torna 
a madeira inatacável pelos insectos; são eméticas e adstringentes, óptimas 
para cortume e perfumaria; de infusão na agua destinada ás aves e ao s 
porcos, curam algumas enfermidades destes animaes. As folhas, de cheiro 
desagradável quando verdes, conteem o mesmo principio amargo que 
existe na madeira . As flores dão óleo essencial; e a sua infusão, addicio- 
nando-lhe um pouco de resina, é anti-spasmodica e fortifica a membrana 
interna dos ouvidos. A resina contem óleo volátil, um principio corante, 
acetato da chumbo, gomma e fécula. Ha já longos annos que um medico 
pretendeu haver tirado vantagens do emprego do xarope de cedro em 
casos de tuberculose pulmonar. 

Distribuição geographica : — Nas Guyanas, em todo o Brasil, sendo 
mais abundante sobre a costa, e nas Republicas do Uruguay e Paraguay. 
Vegeta em terras argilosas ou silico-argilosas, mas sempre fortes . 

Observações : — A palavra "cedro 1 ' vem do árabe "kedron" e serve 
para designar muitos vegetaes, geralmente da família das Pinaceas, dis- 
tribuídos pela Ásia, Europa e norte da America. Com a chegada a Gé- 
nova da madeira da Auiba guyanensis, lauracea americana que os ar- 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



madores genovezes pretendiam servir para mastros de navios, tal nome 
lhe ficou cabendo, como entre nós ainda hoje, no Estado do Paraná, 
chama-se "Cedro-pardo" a outra lauracea, a Ocotea ou Oreodaphne 
splendens;ena Africa Occidental, átamai icea Tamarix articulata Vahl. 
Porém, só as meliaceas, aliás bem representadas na Africa, na Ásia e na 
America, mas apenas as espécies de lenho aromático, são commcrcial- 
mente reconhecidas como "cedro - ". O México é o paiz que maior quantidade 
fornece á Europa e designadamente á Bélgica, que é a principal consu- 
midora, para caixas de charutos; mas essa exportação diminuiu abrupta- 
mente ha uns três annos, subindo muito o preço. Foi então que os euro- 
peus procuraram e acharam cm Africa uma espécie de "acajú." ordinário 
e barato, do qual se servem agora para as quatro faces lateracs das caixas ; 
apenas o fundo e a tampa são de "cedro", para dar-lhes o aroma repu- 
tado indispensável 

— Uma carta de lei de i 799 regulou o corte e a venda desta essência 
florestal, no Brasil, destinando-a especialmente aos arsenaes. Começa a 
ser rara, sobretudo nos logares de onde a exportação foi ou é relativamente 
fácil; conviria, por isso, fazer a replantação, tanto mais que é arvore que 
dá corte em 1 3 annos. 

— Segundo o notável botânico, Sr. Dr. Barbosa Rodrigues, a madeira 
dos "cedros" enterrada em logares argilosos e húmidos, adquire a côr 
e o aspecto da "nogueira" de Europa, investigação a que os industriaes, 
sobretudo os francezes, devem ligai- justo valor 

( Continua) 

COLLABORACÃO 



A «stsrilidade das vaccas e sua cura 

A porcentagem de vaccas infecundas que lenho observado nesses 
últimos seis annos de pratica, na Itália e aqui, é verdadeiramente notável; 
tanto que os criadores, com grande razão, consideram esssas falhas de 
fecundidade uma calamidade, pelo damno considerável que lhes acarreta. 

De facto, o bezerro que deixa de apparecer, e que, poucas semanas 
depois, poderia ser vendido com lucro, já constituo o primeiro prejuízo. 
E si depois considerarmos a suppressão da secreção láctea, o prejuizo 
augmenta. Porque a verdade é que a produecão do leite perdura com 



A LAVOURA • • 

abundância durante alguns mezcs e vae decrescendo até que a mama 
ou sécca ou dá uma quantidade tão escassa que não merece a pena ser 
tirada. 

E 1 por isso que vemos na Itália venderem-se para a matança, tio 
outono, as vaccas que não ficam prenhes ate áquella época, e substituil-as , 
ou antes, pondo em togar delias, outras já prenhes, com vista na pro- 
ducção do leite, próxima e abundante, porque, sendo o leite em qual- 
quer parte do mundo o alimento typico, será vendido a bom preço. 

Entretanto o criador pergunta : quaes são as causas que determinam 
as suppressóes da prenhez ? ... Eu não me proponho reproduzir as hypo- 
theses creadas pela fantasia dos leigos : digo apenas que o pbenomeno, 
pelo menos na maioria dos casos, depende unicamente da maneira como 
os animaes são tratados e resguardados ; e é, na verdade, edificante 
observar como em ricas regiões de gado bovino não se tenha feito um 
passo para diante, attestando o melhoramento da producção bovina. 

Na opinião de Hess, uma das causas mais frequentes da esterifidade 
é proveniente da presença de corpos estranhos. 

Mas outro motivo, forçosamente mais preponderante, deve ser pro- 
curado na imperfeição dos órgãos genitaes, caracteristicamente femininos, 
que pedem ser atacados de moléstias taes como tremores, kystos, bubões 
tuberculosos, etc, dando em consequência as vaccas chamadas atouradas, 
sempre em cio, nunca prenhes, apezar dos repetidos coitos, e que, para 
ceval-as afim de servirem ao menos para o corte, ter-se-ha de recorrer á 
castração . 

A porcentagem maior de esterilidade, depende, porém, unicamente, 
da retenção (ainda que parcial) da placenta e da sua putrefação, que, 
como veremos depois, prepara terreno absolutamente hostil á fecundação. 

Em diversas circumstancias e em repetidas vezes, propuz-me dar 
uma explicação deste phenomeno e, fazendo experiências com os 
papeis sensibilissimos de tourncsol, estabeleci que nas novilhas chegadas 
ao termo physiologico da prenhez, a reacção é sempre alcalina, ás vezes 
neutra, nunca, porém, acida. 

Depois do parto conserva-se sempre nas mesmas condições, — acida 
ou neutra — si o parto fizer-se rapidamente, de maneira que se não dê pu- 
trefação alguma da placenta ; porque, si o contrario sueceder, a reacção 
de alcalina muda-se em acida, conservando-se assim por espaço de 
semana e mezes, ás vezes para sempre . 

Ora, é fácil explicar a razão da suppressão da prenhez ; e si qui- 
zermos recordar um pouco o que a puysiologia ensina a esse respeito, 
veremos que os nemaspermas se conservam viáveis em meios alcalinos 



156 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

ou neutros, emquanto que nos meios ácidos morrem rapidamente, c os 
seus movimentos ficam paralysados. 

Consequentemente, dos preservativos e de um tratamento technico 
desses animaes, depende successo favorável ou desfavorável nos ajunta- 
mentos, pelo que affirmo — deixando a vários autores (Reneff, Burmeis- 
ter, etc . ) o encargo de discutir a importância e a verdade da asserção — 
que se dando o caso de retenção da placenta em uma novilha,com a subse- 
quente putrefacção, não se deve abandonar o animal, e sim mandal-o ao 
sanatório, para que seja facilitada a expulsão. 

Mas não param ahi as causas de que tratamos : é necessário, em 
primeiro logar, combater o catarrho que pouco ou muito fica depois do 
curativo (e com o qual o coito seria inteiramente sem valor) e impedir 
que por meio do touro se contaminem as outras vaccas, e deste modo 
augmente o numero de vaccas estéreis, com prejuízo enorme dos estabe- 
lecimentos agrícolas. 

A cura desses animaes, devo dizer com toda a franqueza, não c 
nem dillicil nem custosa — duas virtudes, portanto, que permittem quer ao 
grande, quer ao pequeno criador adoptar a priori o remédio, cm todos os 
casos que se lhe apresentem . 

Por minha parte, sem querer absolutamente reprovar os Biscones 
Merlin, tão usados com explendidos resultados em França e em Hespanha, 
insisto muito na conveniência de uma abundante irrigação uterina com 
o lisoformio, com a creolina, acido tannico, salicilico, etc. 

Uma vez expulsa a placenta e todos os seus resíduos, continuo com 
as soluções alcalinas, taes como o bicarbonato de sódio, agua de cal fil- 
trada ou decantada, isto para neutralizar a acidez. E, para que os nemas- 
permas possam encontrar meio óptimo ás suas funcç5es, alguns dias antes 
do coito e também depois, aconselho as lavagens de agua assucarada. 

Com estes meios pouco dispendiosos, simples e scientificos, meus 
collegas c eu sempre colhemos resultados esplendidos, favorecendo os 
interesses dos criadores e da agricultura. 

Emquanto ficarmos adstrictos ás curas empíricas, tanto nesses como 
nos animaes de qualquer espécie, não somente deixaremos de fazer 
qualquer adiantamento no campo do verdadeiro progresso, mas para não 
dizer nada de peior, permaneceremos no estado actual, na verdade pouco 
satisfactorio, pelo menos para nós outros. 

Dr. Achilles Rigodanzo. 
Outubro, 1908. — Rio. 



A LAVOURA 



Factos agrários 

A FLORESCÊNCIA DOS CAFEEIROS 

«Tudo que Deus faz c bom, de máona Terra só existe a obrado 
homem » . 

Cada dia me compenetro mais desta verdade firmada por Aimée 
Martin. 

E 1 sabido que nesta região os mezes frios são seccos. A estiada é 
normal de maio a agosto. Em alguns annos, os mezes frios dão al- 
gumas chuvas e as plantas ostentam algum viço relativo ao tempo ; ha 
outros annos em que o tempo frio passa quasi sem chuva, causando isso 
grande depauperamento ás arvores. Este anno o estio foi bastante in- 
tenso. Em agosto os cafeeiros começaram a vestir-se de grandíssima 
carga de botões floraes que deviam desabrochar em setembro. Com a 
excessiva secca, os botões não se desenvolviam, e os lavradores desta 
zona já em agosto previam um fracasso na florescência. Estando ainda 
rachiticas e tisnadas as frágeis gemmulas, um mez após á sua formação 
os fazendeiros nos primeiros dias de setembro davam como completa- 
mente abortada a colheita de 1909. 

Este estado desanimador perdurou ainda quasi um mez, pois só no 
dia 22 de setembro chuveu aqui pela primeira vez. 

O 1 grande Natureza, quanto és prodigiosa ! 

Já nos últimos dias de setembro a transformação era pasmosa. Os 
botões floraes crescidos e entufados davam a todos signaes de grandes 
esperanças. Como é sabido, a flor do cafeeiro tem grande poder hygro- 
metrico, exige humidade atmospherica para seu desabrochamento e só 
se expande horas antes ou após uma chuva portanto. Nos últimos dias 
de setembro estr. n os botões prestes a desabrochar, porém a atmos- 
pliera estava de modo secca e não coadjuvava as arvores. No dia i° 
de outubro não se via uma única flor aberta, mas eis que na manhã de 
2, os cafesaes amanheceram cobertos da neve almejada, do lençol al- 
víssimo, promissor de esperanças nossas . Foi uma surpresa geral e agra- 
dável. Este desabrochar repentino e geral, estando o tempo secco, pre- 
nunciava chuva próxima. De facto, na noite de 2 e 3, o céo toldou- 
se, houve trovões brandos e mansa chuva cahiu em beneficio nosso. 

E 1 demasiado cedo para se fallar a respeito á intensidade da colheita 
próxima futura . Excesso de sol n< >s longos dias de dezembro e janeiro 

iò 5 



SOCIEDADE NACIONAL DE AORICULTURA 

prejudicando o desenvolvimento dos grãos; queda de granizo derru- 
bando os fructos ; tanta cousa poderá ainda comprometter a carga... 
Si nada houver de anormal, a colheita será grandíssima pois a flo- 
rescência o prometteu . 

Miracema, 10 de outubro de 1908. — 2A. C. Ferreira Paula. 



Azote 

( Conclusão ) 

AZOTE AMMONIACAL 

A atmosphera, o solo e os adubos são as três fontes que nos for- 
necem o azote ammoniacal. 

O bicarbonato ammoniacal do ar fixa-se parcialmente no solo e só em 
diminutas proporções o absorvem as folhas de certas plantas, sendo as do 
tabaco, segundo Schlcesing, as que fixam maior quantidade de ammoniaco 
aéreo. Este experimentador e Miintz, partindo da observação de que uma 
planta artificial, cujas folhas de amiantho impregnadas de fracas soluções 
acidas fixam uma quantidade de ammoniaco tal que, applicada a um he- 
ctare de cultura forraginosa ascenderia a 80 kilogrammas de azote, dão 
importância exaggerada á absorpção foliacea do ammoniaco, suppondo 
que este penetra em quantidade apreciável pelos estornas das folhas, dis- 
solvendo-se nos suecos das mesmas. Comparar as folhas vivas a super- 
fícies inertes banhadas por um acido é manifestamente um erro, porque 
nem a parte exterior das primeiras tem nenhum acido, nem os seus suecos 
são exclusivamente ácidos, e, ainda quando o fossem fracamente, nem 
assim poderiam condensar o ammoniaco, como querem aquclles dois 
experimentadores, pois a continua circulação da seiva bastaria a impedil-o. 
E tanto assim é, que o illustre agrónomo allemão Mayer, de Heidelberg, 
expondo ao ar livre culturas de sementes em soluções nutritivas isentas de 
corpos azotados, ao desabrochar das folhas não observou nenhum au- 
gmento de azote, não achando nas pequeninas plantas mais azote do que 
o existente nas sementes. Se o ammoniaco da atmosphera tivesse sido 
utilisado, a analyse do vegetal revelal-o-hia. Podemos, pois, affirmar que 
o ammoniaco atmospherico não exerce sobre as plantas nenhuma acção 
directa que possa ser aproveitada na pratica da agricultura. 

O ammoniaco do solo deriva da decomposição das matérias orgâ- 
nicas, dos adubos orgânicos e dos saes ammoniacaes. No solo se oxyda ou 



A LAVOURA 451» 

nitrifica o ammoniaco, transformando-se em nitrato de cal directamente 
absorvível. Ma? uma parte do ammoniaco absorve-se também sob a forma 
de saes, como se prova pelas concludentes experiências de Múntz am- 
pliadas por Mazé. Mas, se analysamos estes factos de laboratório c os 
relacionamos com a heterogénea composição da terra lavradia, para 
tirarmos deducç5es úteis á pratica agrícola, verificamos que, em egual- 
dade de circumstancias, é sempre maior o poder de absorpção e de nu- 
trição do azote nítrico. 

Com elfeito, Mazé, cultivando o milho em caldos nutritivos pre- 
viamente esterilisados, obteve os resultados seguintes : 





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8 900 


232,8 


2 


3" 




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7-425 


197- 1 


3 


45 




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8.910 


261 


4 


44 


Nada 


i por i .oco 


6.225 


232.5 


5 


39 


Nada 


" 


5-135 


189,3 



Demonstram estas experiências que, embora o nitrato contenha 
iõ,õ°/ de azote e o sulfato de ammonio 21 °/ , todavia absorve-se 
com mais rapidez e utiliza-se melhor o azote nítrico do que o ammo- 
niacal, como se deprehende dos pesos das plantas e do azote durante 
a experimentação. 

Nos campos, em virtude da abundância dos germens nitrificadores 
é impossível realisar estas experiências comparativas. Todavia Pougual 
praticou-as com êxito. Para isso, em dois vasos, um com terra de la- 
voura contendo microorganismos e o outro com terra esterilisada e por- 
tanto sem nenhuma espécie de micróbios, cultivou plantas eguaes, adu- 
badas com a mesma quantidade de sulfato de ammonio ; finda a expe- 
riência, observou que as plantas da terra ordinária utilisaram cerca de 
20 °/o m ais de azote do que as outras, prova evidente de que o ammo- 
niaco transformado em nitrato se assimila mais rápida e totalmente do 
que o sulfato ammoniacal em natureza. 

( )pinam alguns agrónomos que a absorpção ammoniacal se realisa 
com muito maior frequência do que se crè. Fundamentam esta opinião 
no facto da grande profundidade alcançada pelas raizes, pois suppõem 
que, não se dando a nitrificaçáo além de um metro abaixo da superfície 



460 SOCIKDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

do solo, quando as raises penetrarem a dous e até mesmo a cinco metros 
de profundidade, á falta de nitratos, háo de forçosamente absorver o azote 
ammoniacal e o orgânico. Tal opinião é porém errónea e demonstra pre- 
cisamente o contrario do que se pretende provar, porque os nitratos 
espalhados na terra e originados pela nitrificação, quando não são absor- 
vidos na camada activa, escoam-se e descem ao solo inerte ou ainda 
ao subsolo impermeável, onde constituem uma fonte de alimentação 
azotada que as plantas utilisam, acontecendo profundarem as raizes 
ainda mais do que a quantidade normal precisamente em procura dos 
nitratos, como demonstram as rigorosas experiências de Lawes e Gil- 
bert em Rothaussted. 

Na pratica agrícola conta-se com todos os factores capazes de mo- 
dificarem aterra, e as culturas. Neste caso, geralmente, o azote é absor- 
vido sob a forma nítrica, salvas poucas excepções em que a nitrificação 
é insulíiciente ou nulla, dando-se então a assimilação dos saes amoniacaes 



O azote orgânico abunda nos solos fazendo parte do húmus e dos 
adubos orgânicos. 

A terra vegetal contem notáveis quantidades de azoto, variando 
entre 0,5 e 2 por 1.000,0 que equivale a 5. 000 até 2.000 kilogrammas 
por hectare. Esse elemento encontra-se sob a forma de princípios orgânicos 
mal definidos, e quasi inteiramente insolúveis. 

Até a poucos annos era crença geral a absoluta insolubilidade e a im- 
possibilidade da absorpção directa do azoto orgânico. As lentas e sueces- 
sivas transformações das matérias orgânicas em ammoniaco e nitratos, e 
o facto evidente da insuficiência das grandes doses de azoto orgânico 
do solo para satisfazer as necessidades das colheitas, pareciam confirmar 
essa opinião. 

Esta doutrina foi, em parte, modificada por estudos experimentaes 
recentes. Dehérain e Petermann demonstraram a penetração lenta 
de mínimas proporções de húmus dissolvido atravez da membrana do 
dyalisador, deduzindo d'ahi a possibilidade de o húmus ser também ab- 
sorvido pelas mais ténues radiculas das plantas. Berthelot e Itoklasa, 
investigando as transformações que soffre os restos orgânicos em virtude 
das bactérias dosolo, descobriram a existência de corpos intermediários, 
verdadeiros elos que fazem a transição entre o azote orgânico e o mi- 
neral, isto é, asamidase as alcamidas, compostos solúveis que de con- 
tinuo se estão a formar e de continuo são absorvidos. O conjuncto de 



A LAVOURA 401 

todos elles denomina-sc azote amidadoe solúvel, e a sua proporção na terra 
e variável, ainda, que sempre exigua, oscillando ordinariamente entre 0,2 
eo,6 por 100 de azote orgânico total. 

Agricolamente permanece de pé a antiga opinião, porque as pequenas 
quantidades de azote orgânico absorvível nada significam na pratica, in- 
cluindo-se na totalidade do que existe no solo, sem dispensarem a neces- 
sária applicacão do azote complementar rapidamente absorvível para 
forçares rendimentos. Por tanto só a titulo de interesse scientifico se 
poderá insistir no fraco poder de absorpção do azote orgânico. 

Absorvidos os nitratos e uma pequena parte dos saes ammonicaes e 
dos corpos amidados, quaes são as transformações que elles experimentam, 
que papel desempenham e que energias consomem para se converterem 
em matérias proteicas destinadas a accumular-se nos fruetos das plantas? 
Muitas são as experiências executadas pelos chimicos para desvendar o 
mysterio dessas transformações ; e sendo diíficil pronunciarmo-nos em 
favor dos resultados obtidos, temos por mais lógico deixar qualquer 
exclusivismo e, partindo de factos biológicos passados no interior do ve- 
getal, admittir theorias racionaes que suppram a falta de demonstrações 
rigorosas. 

Os nitratos circulam coma seiva e, chegando as folhas, os dous ele- 
mentos do sal dissociam-se, segundo Bach, reduzindo-se o acido nítrico 
por intervenção dos raios ultra-violetas, e passando ao estado de acido 
hyponitroso, o qual, fixando dous átomos de hydrogenio produz a hydro- 
xilaminn, base que, unida a aldehyde methylica, gera a formiamida, capaz 
de polymerisar-se e ser ponto de partida ou núcleo inicial das matérias 
albuminóides. 

O ammoniaco, quer se oxyde e transforme em nitrato, como pensa 
Berthelot, André, Heckel e Lu ndstreem, quer se deshydrate, é provável 
que também origine a formiamida, como faz^m os nitratos. 

Os corpos amidados são produetos que derivam da oxydação das 
matérias albuminóides, e por isso logicamente se presume que elles de novo 
possam regenerar essas matérias, que representam uma organização su- 
perior á da formiamida . 

Partindo do núcleo inicial, as mutações suecessivas que elle experi- 
menta, até á definitiva constituição dos albuminóides são por completo 
desconhecidas. 

Efeito que n'esta sériede complicadas transformações se gasta muita 
energia subministrada pela luz e pela oxydação dos compostos ternários. 
E assim se explica porque A que as grandes doses de nitrato produzem 
etfeitos mais rapidamente aprecia\ r eis, porquanto, ao mesmo passo que o 



SOCIKOADE NACIONAL DK AGRICULTURA 



nitrato fornece azote, proporciona também oxvgenio nascente que. vai 
activar as transformações intra- vegetaes . 

Organizado o azote, forma parte de corpos muito atómicos e instáveis, 
constitue oprotoplasma e condensa-se nas cellulas de chorophylla ou 
choroleucytos do apparellio aéreo nascente. Ahi continua a condensar-se, 
ahi estimula a funcçao chlorophyliaíiâ e ahi contribue para a fixação da 
energia solar e sua transformação em trabalho chimico, com as reducçÕes, 
as syntheses e os desdobramentos ; graças aos quaes se formam a fécula, 
os assucares, a cellulose, os ácidos orgânicos, as matérias proteicas, etc. 
Mais tarde sobreveio a deseccação das folhas, enfraquece o poder chloro- 
phylliano, e o azote dos princípios quaternários emigra dirigindo-se pata os 
fructos ou órgãos accumuladores que elle tem de integrar constituindo 
a legumina das leguminosas, o glúten dos cereaes e a aleurona ou grânulos 
de proteína dos tubérculos. 

O azote, emquanto desempenha a primeira serie de funcçóes 
mobiliza-se e circula, sotlre metamorphoses incessantes, exerce enfim uma 
acção que bem se pôde denominar circulante ; quando se lixa nos fructos 
ou productos explorados pelo lavrador, immobilisa-se, é um elemento 
nutritivo essencial de reserva; e manifesta a sua acção integrante, unin- 
do-se a outros princípios nutritivos. 

Variadas e múltiplas são as applicações de utilidade immediata para 
a pratica agrícola usual que podem deduzir-se das experiências e dos 
princípios agronómicos acima expostos. Pormenorisal-as todas seria tarefa 
longa e enfadonha: omittil-as equivaleria a deixar sem remate um capitulo 
tão importante como é o do azote. N'essa hesitação, limitar-nos- hemos 
agora a expor apenas o resumo synthetico das applicações mais principaes 
e evidentes que logo á primeira vista se reconhece serem perfeitas demons- 
trações do grande proveito que o agricultor intelligente pôde tirar dos re- 
feridos conhecimentos . 

Inspirada a agricultura na observação e na experiência, é natural 
que demoremos na serie de factos experimentaes que na segunda metade 
do século XIX surgiram para investigar conhecimentos dantes ignorados, 
confirmar os trabalhos de laboratório, esclarecer as duvidas que se le- 
vantam, quando se applicam e^ses trabalhos d cultura em grande, e de- 
monstrar a certeza da conclusão económica synthetisada no irrefutável prin- 
cipio de que a maior quantidade, á mais adequada applicação e ao 
mais alto poder de absorpção de azote, corresponde a maior remuneração 
das culturas. 

As celebres experiências de Vincennes, tão notavelmente executadas 
por Georges Ville, inclinaram os ânimos dos agricultores práticos a favor 



A LAVOURA 



dos chimicos e especialmente do nitrato de sódio. Simultânea e posterior- 
mente Lawes, Gilbert, Warington, Dehérain, Grandeau, Petermann, 
Maerker.Dyer, Wagner e muitos outros, nas granjas e estacões agronómicas 
estrangeiras, os directores das granjas hcspanholas de Valência, Barcelona, 
Saragoça, Madrid e Xerez, nós e numerosos agricultores práticos que se- 
cundaram a nossa campanha propagandista dos adubos chimicos coinci- 
dimos todos em sanecionar de um modo concludente e decisivo a dou- 
trina de G. Ville. 

Está hoje fora de duvida a indiscutível efficacia cultural e econó- 
mica dos adubos azotados. Todas as experiências agrícolas, de labora- 
tório, das granjas, das estações agronómicas e as realisadas pelos pró- 
prios agricultores em extensas propriedades e dentro das condições 
económicas a que se cingem as culturas, confirmam isso absolutamente. 
Se porventura existem pequenas discrepâncias, em nada ellas se refe- 
rem aos fundamentos do principio agronómico, e apenas versam sobre 
os estados do adubo azotado e a época do seu emprego. 

Os eloquentes ensinamentos dos factos e a innegavel influencia 
exercida por todos os factores que interveem na vida e no rendi- 
mento das plantas cultivadas, evidenciam que o azote é mais neces- 
sário no principio da primavera e que, se durante o outono o espa- 
lharmos no solo sob qualquer das suas formas, elle se perde em grande 
quantidade, porque as plantas não o aproveitam, emquanto se não 
activa o desabrochamento das folhas e emquanto o azote não começa 
a exercer a sua acção circulante, que termina integrando os fruetos e os 
demais órgãos explorados pelos agricultores. 

Como consequência da premissa anterior, deduz-se que o azoto 
orgânico, pelas lentas metamorphoses e fermentações que experimenta 
antes de se converter em nítrico, pôde considerar-se como um ma- 
nancial mediano e perenne de fertilidade, mas insuficiente para as 
grandes necessidades alimentícias das culturas, ao ponto de que o azote 
contido no húmus da terra é bem pouco aproveitável, por ficar inerte 
e immobilisado. O azote dos adubos mixtos ou estrumes é mais activo, 
mas precisa de sóffrer as fermentações ammoniacal e nítrica, e estas, 
pela lentidão com que se produzem, não o põem em condições de com- 
pleta e rápida absorpção para poder satisfazer a todas as exigências nu- 
tritivas das plantas. O azote dos guanos naturaes, dos resíduos córneos 
de torrefação, do sangue secco e d'outros produetos orgânicos de decom- 
posição rápida, embora se nitrifique mais depressa e possa utilisar-se na 
cultura intensiva, é mais caro do que o dos adubos chimicos e, em maior 
quantidade, não produz rendimento superior ao destes últimos. Não ob- 



46-4 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

stante isso, em determinadas condições culturaes, quando se quer modifi- 
car as propriedades physicas dos solos, embora se saiba que o azote orgâ- 
nico soffre grandes perdas e não estimula o curso da vegetação na prima- 
vera, no emtanto elle presta importantes serviços como fertilisante perió- 
dico, devendo associar-se-lhe na primavera outro adubo azotado supple- 
mer.tar, isto é, o nitrato de sódio. 

Relativamente a absorpção, e aos effeitos subsequentes sobre as 
plantas, do azote ammoniacal do sulfato de ammonio, e do azote ni- 
trico do azotato de sódio, pouco temos a acerescentar ao que acima ficou 
dito. E 1 certo que ambas essas formas do azote são directamente absor- 
vidas ; mas o azote ammoniacal, salvo raras excepções, se nitrifica com 
bastante rapidez nas terras húmidas e fortes, ao passo qu > nas terras le- 
ves e seccas se nitrifica lentamente . 

A acção do sulfato de ammonio nõo se manifesta de prompto ; 
exige algum tempo para poder ser apreciada pelo agricultor ; mas vem 
por fim a traduzir-se em excellentes effeitos estimulantes e nutritivos do 
vegetal. Pelo contrario, o nitrato de sódio absorvido rapidamente, tam- 
bém rapidamente, desenvolve a sua acção nutritiva imprimindo grande 
incremento á vegetação, como se vê na frondosidade e na intensa còr 
verde das folhas. 

Em resumo, o azote ammoniacal actua em virtude da sua gradual ni- 
trificação, sendo absorvido só nesse estado ; o azote nitrico, por ser utili- 
sado directamente, é absorvido mais depressa e em maior quantidade, 
satisfazendo opportunamente ás grandes doses de azote que as culturas 
exigem no começo da primavera. 

Sobre os solos actuam de modo diverso os dois grupos de saes azo- 
tados. O sulfato de ammonio, nas terras desprovidas de cal, não se 
desdobra e leva muito tempo a nitrificar-se e a ser absorvido ; nas terras 
calcareas dá logar a dois saes, o nitrato e sulfato de cal, orig ; nando-se an- 
tes o carbonato de ammonio que é fixado pelo húmus e pela argilla, sob 
a forma da humatos e silicatos poiybasicos. O nitrato de sódio não 
soffre modificações apreciáveis; ás vezes, reagindo sobre o carbonato 
cálcico, transforma-se em nitrato de cal e carbonato de soda ; mas a 
soda sempre fica no solo, porque as plantas a expellem de novo pelas 
raizes. O sulfato, na sua evolução, perde 3 por cento de azote ; o nitrato 
é completamente absorvido, sem perda daquelle elemento. A salubri- 
dade do nitrato concorre certamente para que este sal se infiltre e es- 
coe até ás camadas profundas do subsolo; mas também não é menos 
certo que tal condição, vantajosa em determinados casos, por favorecer 
o aproveitamento rápido do azote pelos vegetaes, se ás vezes faz per- 



der uma parte fertilisante, pôde todavia evitar esse inconveniente, logo 
que deitemos o nitrato por diversas vezes e nas proporções devida a cada 
cultura. 

Por ultimo, a humidade atmospherica e a do solo modificam os effei- 
tos dos referidos saes. O sulfato de ammonio exige agua abundante para 
reagir e ser absorvido. Se a humidade é pouca, formam-se nos cam- 
pos efflorescencias de gesso; o carbonato de ammonio, incompletamente 
retido, vnlatilisa-se e perde-se em parte; c a nitrificação fica impedida 
ou retardada. O nitrato, corpo muito hygroscopico, absorve grande 
quantidade de vapor aquoso da atmosphera e lentamente se vae infil- 
trando atravez das camadas activas do solo, dando aos terrenos um 
certo frescor que tanto agradecem as culturas, especialmente na penín- 
sula hispânica e nas regiões meridionaes, onde são escassas as chuvas . 

O effeito total do sulfato só é comparável ao do nitrato, quando 
existe humidade excessiva, e ainda neste caso, para quantidades eguaes 
de azote, o nitrato é superior ao sulfato. 

Com respeito ao modo de actuar dos dois compostos sobre os fer- 
tilisantes do solo, tenha-se bem presente que o sulfato de ammonio 
pulverisa o calcareo, e que o nitrato de sódio, pelo seu alcali põe em 
liberdade a potassa. 

Resumindo e generalisando: os saes ammoniaeaes são inferiores 
ao nitrato de sódio. Prova-o a experiência quasi secular de todos os 
paiz.es. Já a inducção theorica o tinha presentido ; mas a série de ex- 
periências realisadas desde Boussingault até hoje demonstra-o plenamente. 

A' frente de todas as culturas deve figurar a dos cereaes e, sobre- 
tudo, a do trigo ; e á testa dos ensaios devemos pôr os da granja de 
Rothamsted, executados pelos il lustres e venerandos agrónomos ingle- 
zes Lawes e Gilbert durante móis de meio século. 

Estes dois sábios, num período de 32 annos, desde 1 852 até [883, 
obtiveram na cultura do trigo os resultados seguintes, referidos ao he- 
ctare : 









ADUBO 










Qi ixi \rs 
MÉTRICOS 


Sem adubo. . 
















8,62 


Só o mi adubo m 


neral 














lo, o-, 


Com adubo miner 


i] mais 


4« 


il ourai nm 


is 


dei 


ZOti 


amnioniacal . . . 


1 6 , 08 


» » » 


» 


oo 


» 




» 


>> 


» 


2 1 ,83 


» » » 


» 


M4 


» 




» 


» 


» ... 


24- 04 


» » » 




9b 


* 




* 


* 


» ... 


2 5,70 



466 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Estes resultados da experimentação demonstram eloquentemente 
que a um kilogramma de azote ammoniacal corresponde um augmento 
de colheita de i2,3o kilogrammas, a um kilogramma de azoto nítrico um 
augmento de ió k ,3o. Ha portanto em favor do ultimo uma differença de 
4 kilogrammas, o que, salvo casos especialíssimos, dã grande superiori- 
dade ao nitrato de sódio sobre o sulfato de ammonio na cultura do trigo. 

O dr. Waryngton, comparando as experiências feitas sobre cereaes 
nas granjas de Rothamsted e de "SYoburn, publicou um artigo pratico, 
muito bem elaborado, nos Annaes agronómicos francezes, concluindo que, 
quando se empregaram quantidades relativas de sulfato de ammonio e ni- 
trato de sódio, contendo a mesma dose de azote, a colheita foi sempre 
mais abundante nas terras nitratadas; e que, se nestas ultimas represen- 
tarmos graphicamente por ioo o rendimento obtido, nas adubadas com 
sulfato de ammoniaco esse rendimento é apenas de 74,08 até "8,04 por 
cento. 

Os dois auctorisados chimicos agrónomos francezes Munt/ e Gi- 
rard, experimentando no campo de Joinville-le-Point com adubos azo- 
tados chimicos e orgânicos, alcançaram, com egual quantidade de azote 
os seguintes resultados referidos a um hectare de cultura de milho : 

flrSo 

AJubOS 

Quintaes me- 

< mu nitrato de sódio '43 

d sulfato ammoniacal >4' 

» sangue secco 130 

» cornos torretactos 123 

» estrume de carneiro 102 

» excrementos humanos 99 

D estrume de gado vaccum 93 

Nos ensaios realisados no horto de Villatt^a, sob a nossa direcção, 
obtiveram-se os seguintes resultados por hectare : 

<3râo Palha 

Adubos 

Hectol. Kilog. 

<'(iiu adubu mineral c 271 kg. de nitrato de 

sódio 38.79 

Com adubo mineral e 200 kg. de sultato de 

ammonio -4-05 5- OI ° 

Com 21.500 kg. de estrume de curral . . . 12.94 2.476 

D. Ignacio Calatayud, no seu campo de Agres, na província de 
Alicante, com adubo completo no outono, e com 2o5 kilogrammas de 



nitrato de sódio por hectare na primavera, obteve 48,98 hectolitros de 
trigo ; com o mesmo adubo mineral, addicionado de 400 kilogrammas 
de sulfato de ammonio, alcançou 43,18 hectolitros. 

O distincto tratadista e professor de agricultura, Dr. Rafael Lopez, 
obteve na cultura de trigo de sequeiro augmentos de 6 a 11 hectolitros, 
empregando i5o kilogrammas de nitrato de sódio por hectare. 

Para a cevada e outros cereaes miúdos, também a experiência agrí- 
cola tem mostrado a vantagem do emprego do nitrato de sódio. Assim, 
a cevada cultivada em Rothamsted com o nitrato de sódio rendeu, sup- 
ponhamos, 100 ; com o sulfato de ammonio só rendeu 86,80. Em Woburn 
o sulfato produziu apenas 75,0c) ; na Mancha, de Hespanha, o nitrato 
deu ,'ío °/ mais. 

Quanto a aveia e centeio, as experiências feitas em Hespanha e 
noutros paizes accusam 20 °/o de excesso de producçáo em favor do 
nitrato de sódio, comparativamente com o sulfato de ammonio. 

Pelo que respeita ao milho, além das experiências já citadas, de 
Miintz, as nossas de Villatoya, Ornara Agrícola de Valência, Silla, 
Olleria e Oviedo, accusam na producção um excedente de 25 a 84 °/ em 
favor do emprego do nitrato de sódio, comparado com o sulfato ammo- 
niacal ( l ). 

Nos raros casos em que as leguminosas, por falta ou atrophia das 
nodosidades fixadoras do azote atmospherico, ou por defeito de adaptação 
d< is micro-organismos fixadores, exijam adubos azotados, utiliza-se van- 
tajosamente o azoto nítrico, como demonstraram Frank, Berthelot e 
Naudin, e como comprovam as nossas experiências na cultura do amen- 
doim, accusando um excesso de 4.300 litros por hectare sobre a parcella 
testemunha (-). 

Com tubérculos e raízes, as experiências da granja franceza de 
Grignon dão por hectare, nas terras nitratadas, uma producçáo de 296 
hectolitros de batatas e 34.000 kilos de beterraba melhorada de Vilmorin 
ao passo que com o sulfato de ammonio a colheita foi, respectivamente, 
de 25o hectolitros e 29 . 000 kilogrammas . 

Os nossos ensaios de Bocairente, com a batata Quarantaine de la 
Halle, mostram que, empregando-se o adubo mineral de 360 kilos de 
sulfato de ammonio por hectare, se colheram 37 . 728 kilos, e, substituin- 
do- se o sal ammoniacal por 480 kilos de nitrato de sódio, que conteem 



(i) V. o opúsculo «Abono dei Maiz» pelo dr. C. Giner. 

(2) «Los abonos nitrog-enadosen el cultivo de las Leguminosas», pelo dr. C. Giner. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



uma quantidade de azote igual ao adubo precedente, a colheita subiu a 
45 . 970 kilos . 

As experiências de Dyer c Schrivell na Inglaterra, as de Foussat e 
Grandeau em França, as de Rizoli na Itália, e as nossas em Hespanha, 
provam mais uma vez a vantajosa c rápida acção fertilizante do nitrato nas 
culturas horticulas, taes como a couve, a alface, a escarola, a alcachofra, o 
cardo, o tomate, o melão, o morango, o espargo, a beringela e outras 
plantas da mesma indole e de prompta vegetação, nas quaes o nitrato de 
sódio, intelligentemente empregado, dá producções superiores em 35 por 
cento ás que se obteem com o sulfato ammoniacal. 

E, por ultimo, nas culturas arbustivas e arbóreas, que consideram 
permanentes, também o azote nítrico se avantaja ao ammoniacal. Res- 
pectivamente á vinha são muito demonstrativas as experiências compen- 
diadas na obra do prestigioso viticultor de Montpellier, o sr. Ed. Zacha- 
rewicz, o qual preconiza o nitrato de sódio como adubo azotado prefe- 
rível pelos maiores rendimentos que produziu durante quatro annos de 
ensaios em diversos terrenos. As nossas experiências, feitas com as 
variedades de videiras cult ivadas em Hespanha, corroboram os resul- 
tados cbtidos porMiintz e por outros viticultores franceses, demonstrando 
que com adubo completo se alcança um augmento de producção que 
vae até 14 000 kilogrammas de uvas por hectare. 

As arvores fruetiferas agradecem sempre muito mais o nitrato de 
sódio applicado methodica e succe5sivamente do que o sulfato de 
ammonio applicado uma só vez . 

A laranjeira, arvore muito produetiva na península hispânica, rende 
mais com o nitrato do que com o sulfato ammoniacal . Uma serie de expe- 
riências continuadas durante cinco annos consecutivos demonstram a 
nossa asserção. Em duas parcellas eguaes, de 83, 16 ares cada uma, plan- 
tadas ambas de laranjal